Mahabharata
Mahabharata - 03 - Vana Parva
O Vana Parva acompanha os Pandavas durante o exílio na floresta. Entre perdas, encontros com sábios, peregrinações e narrativas exemplares, o livro aprofunda a resistência moral dos personagens e transforma a floresta em escola de dharma.
Estratégia da série: um post por parva, preservando a unidade tradicional da obra e tornando a leitura navegável para blog.
O MAHABHARATA de Krishna-Dwaipayana Vyasa LIVRO 3 VANA PARVA Traduzido para a Prosa inglesa do Texto Sânscrito Original por Kisari Mohan Ganguli [1883-1896] AVISO DE ATRIBUIÇÃO Escaneado em sacred-texts.com, 2004. Verificado por John Bruno Hare, Outubro 2004. Este texto é de domínio público. Estes arquivos podem ser usados para qualquer propósito não comercial, desde que este aviso de atribuição seja mantido intacto. Traduzido para o Português por Eleonora Meier. Capítulo Conteúdo Página 1 Pandavas deixam Hastinapura seguidos pelos cidadãos. 11 2 Yudhishthira e um Brahmana discutem causas de miséria, apego à riqueza, inação, oito deveres que constituem o caminho verdadeiro. 13 3 Cento e oito nomes para o sol. Yudhishthira canta hino para o sol para assegurar alimento para os Brahmanas. 18 4 Vidura fala com Dhritarashtra. Dhritarashtra o desrespeita. 22 5 Vidura vai até os Pandavas. 23 6 Dhritarashtra pede para Vidura voltar para casa. 24 7 Duryodhana e bando partem para matar os Pandavas. Vyasa os faz voltar. 26 8 Vyasa fala para Dhritarashtra. 27 9 Vyasa relata história de Indra e Suravi (Mãe das Vacas). 27 10 Rishi Maitreya chega. Amaldiçoa Duryodhana. 29 11 História de como Bhima matou o Rakshasa Kirmira. 30 12 Draupadi desabafa todas as suas aflições para Krishna. 34 13 Krishna diz que o jogo de dados não teria começado se ele tivesse estado lá. 40 14 Krishna descreve seu combate com Salwa e Davanas. 41 15 Salwa atacando Dwaravati (enquanto Krishna estava longe). 42 16 Filho de Krishna lutando com os Davanas. 43 17 Pradyumna cai em combate.
44 18 Pradyumna diz para o cocheiro dirigir de volta para o combate. 45 19 Pradyumna abate Salwa, mas é impedido de matá-lo. 47 20 Krishna retorna então parte e começa a lutar com Salwa. 48 21 Luta. 50 22 Krishna destrói Salwa. Retorna dos Pandavas para Dwaraka. 51 23 Pandavas se dirigem mais além na floresta. 53 24 Vão para o Lago Dwaitawana. 54 25 Markandeya chega, palavras ‘Eu sou poderoso.’ 56 26 Brahmanas vão até os Pandavas. 57 27 Draupadi se queixa com Yudhishthira. 58 28 Draupadi usa discussão Vali-Prahlada para falar sobre perdão. 60 29 Yudhishthira fala sobre perdão e raiva. 62 30 Draupadi se queixa mais, sobre o destino. 64 31 Yudhishthira fala em retorno sobre religião e frutos da virtude. 66 32 Draupadi fala mais sobre êxito, destino de vidas anteriores, prosperidade. 68 33 Bhima fala longamente sobre virtude, riqueza, prazer. Encoraja Yudhishthira a lutar. 71 34 Yudhishthira replica, pedindo paciência. 75 35 Bhima ainda zangado – incita ação. 76 36 Vyasa chega e avisa Yudhishthira de que Arjuna obterá armas. 78 37 Arjuna parte. Viaja para o Norte até que encontra Sakra. Pratica austeridades. 80 38 Viagem de Arjuna através de florestas. 83 39 Arjuna combate Siva, e perde. Vê Siva. 84 Siva dá para Arjuna a arma Brahmasira. Arjuna vai para o céu. 88 41 Arjuna recebe armas dos deuses. 89 42 Arjuna levado para a residência de Indra. 92 43 Arjuna encontra Indra no céu. 94 44 Obtém armas. Chitrasena o ensina música e canto. 95 45 Urvasi enviada para Arjuna. 96 46 Arjuna recusa Urvasi.
Ela o amaldiçoa a passar algum tempo entre as mulheres, desrespeitado, como um dançarino (útil no 13º ano do exílio – Virata Parva XI). 97 47 Lomasa enviado como mensageiro de Indra para Yudhishthira. 100 48 Dhritarashtra ouve sobre Arjuna no céu. 102 49 Dhritarashtra e Sanjaya discutem destino futuro em batalha. 102 50 Alimento que os Pandavas comem na selva. 104 51 Batalha discutida mais (entre Dhritarashtra e Sanjaya). 104 52 Bhima novamente pede para Yudhishthira lutar. Bhima é pacificado. Rishi Vrihadswa chega para narrar história de Nala e Damayanti (pessoa mais miserável). (--- Nala & Damayanti ---) 106 53 Nascimento de Damayanti de Bhima. Nala e Damayanti ouvem a respeito um do outro. 109 54 Damayanti terá seu swayamvara. Deuses e Nala partem. 111 55 Nala enviado pelos Deuses para Damayanti como um mensageiro. 112 56 Nala dá o recado, mas Damayanti escolhe Nala na cerimônia. 113 57 Nala escolhido. Bênçãos concedidas pelos celestiais. Damayanti tem um filho e uma filha (ambos chamados Indrasena). 114 58 Deuses encontram Kali no seu caminho de volta para o céu. Kali fica zangado. 116 59 Kali possui Nala no 12º ano quando ele falha em lavar seus pés. Jogo de dados inicia – Nala perde tudo. 117 60 Nala desconsidera tudo. Filhos transferidos para Vidarbha. 118 61 Pushkara ganha tudo. Nala banido. Aves voam levando sua roupa. 119 62 Dormindo em um abrigo, Nala, depois de várias tentativas, deixa Damayanti com metade das roupas deles. 120 63 Damayanti desperta. Corre procurando por Nala. Uma cobra a captura, mas ela é libertada por um caçador.
Ele tenta estuprá-la – a maldição dela o mata. 121 64 Encontra Rishis que a asseguram de que tudo terminará bem. Encontra comboio de caravana. 123 65 Caravana é destruída por manada de elefantes. Damayanti vaga na cidade dos Chedis. É aceita pela rainha mãe. 128 66 Nala liberta um Rishi da forma de cobra. Morde Nala e então muda de forma. Nala instruído sobre onde ir, o que fazer. 131 67 Nala empregado na cidade de Rituparna. 132 68 Bhima envia Brahmanas para procurarem Nala e Damayanti. Damayanti é finalmente encontrada. 133 69 Damayanti retorna para os pais. Procura por Nala fortalecida. 135 Nala localizado. Sudeva enviado com mensagem sobre segundo swayamvara de Damayanti. 137 71 Nala é cocheiro para Rituparna. Varshneya suspeita que ele seja Nala. 138 72 Nala troca conhecimento de cavalos por conhecimento dos dados. Kali deixa seu corpo. 140 73 Rituparna chega e é bem recebido. Nenhum sinal de Nala para Damayanti. Nenhum swayamvara. 142 74 Kesini enviada por Damayanti para descobrir a identidade do motorista da carruagem. 143 75 Kesini reconhece Nala pela água, fogo, e gosto da carne que ele cozinha. 145 76 Nala e Damayanti reunidos. 146 77 Rituparna volta para casa. 148 78 Nala leva a melhor sobre Pushkara nos dados. Manda-o embora para sua velha cidade. 149 79 História concluída. Yudhishthira aprende ciência dos dados de Vrihadaswa. -------------------- 151 80 Pandavas se afligem pelo retorno de Arjuna. 152 81 Narada vai até os Pandavas. História de Bhishma e Pulastya. 154 82 Descrição de onde visitar lugares sagrados.
155 83 Viagem por lagos, descrições de (Pursa-) Rama e Mankamada (suco vegetal fluiu da mão dele). 160 84 Viagem por vaus sagrados. 169 85 Pulastya completa descrição para Bhishma. Termina em Prayaga. Menção de grandes Rishis (Valmiki, Kasyapa, Atreya, Kundajathara, Viswamitra, Gautama, Asita, Devala, Markandeya, Galava, Bharadwaja, Vasishtha, mais Munis: Uddalaka, Saunaka, Vyasa, Durvasas, Javali. Narada, Lomasa). 176 86 Yudhishthira deseja ir-se embora das florestas. 181 87 Dhaumya começa a relatar tirthas no leste para Yudhishthira. 183 88 Dhaumya continua (sul). 184 89 Dhaumya continua (oeste). 185 90 Dhaumya continua (norte). 186 91 Lomasa chega e relata mensagem de Sakra para Yudhishthira. 188 92 Pandavas partem para visitar os tirthas sagrados. 189 93 Partem com as bênçãos de Lomasa, Vyasa, Parvata e Narada. 190 94 Yudhishthira pergunta como é que ele tem mérito, mas também grande tristeza. 192 95 Começo da viagem aos tirthas. Shamatha conta dos sacrifícios de Gaya. 193 96 Lomasa relata história de Ilwala, Vatapi (saiu das pessoas depois de ter sido comido por elas), Lopamudra. 194 97 Agastya se casa com Lopamudra. Ela deseja cama confortável para relação sexual. 196 98 Agastya parte em busca de riqueza. Todos os reis tem renda e despesa iguais. Vai para Ilwala. 197 99 Vatapi cozido e oferecido – é digerido por Agastya. Ele recebe riqueza. Concede filha Drishasyu para Lopamudra. Também história de Rama perdendo sua força. Rama encontra Rama. 198 100 História da era Krita. Dadhicha entrega seus ossos para a construção do Vajra para a destruição de Vritra.
201 101 Indra mata Vritra. Davanas se retiram para o mar e tramam destruição. 202 102 Davanas começam a comer Munis à noite. 204 103 Os deuses vão até Agastya (filho de Mitra e Varuna) pedir a ele para secar o oceano. 205 104 Agastya impede Vindhya de obstruir o caminho do sol. 206 105 Mar secado, mas Agastya não pode trazê-lo de volta! 207 106 História de Sagara – sessenta mil filhos, mais um filho. 208 107 Sacrifício de cavalos de Sagara. 60.000 filhos queimados por Kapila. Outro filho abandonado. Linhagem de neto. 209 108 Bhagiratha através de austeridades pede a Ganga para levar os 60.000 ancestrais para o céu. Siva para segurar o retorno de Ganga para a terra. 213 109 Ganga cai à terra, inunda local dos ancestrais, enche o mar. 214 110 História do rei de Anga e Rishyasringa – aliviar seca. 215 111 Mulher vai tentar Rishyasringa. 218 112 Rishi retorna – filho descreve a visita. 220 113 Rishyasringa vai para Anga. Chuva cai. Casado com Santa. Vibhandaka apaziguado. 221 114 Vaus sagrados. 222 115 História de Rama (filho de Jamadagni) e Arjuna (Haihaya). 224 116 Rama mata sua Mãe, então a devolve à vida. 227 117 Pai de Rama assassinado. Rama extermina todos os seguidores da casta militar. Deixa cinco lagos de sangue. 228 118 Vaus sagrados. Krishna e Balarama vão até os Pandavas. 229 119 Balarama fala contra Duryodhana. 231 120 Satyaki, Krishna e Yudhishthira falam. 232 121 Viagem continua. Menções às eras Treta e Kali. 235 122 História de Chayavana, olhos sendo perfurados por Sukanya. 236 123 Aswins fazem Chayavana jovem novamente. Ele lhes promete suco Soma.
237 124 Indra tenta impedir oferenda de Soma para os Aswins. Chayavana paralisa seu braço e volve um demônio sobre ele. 239 125 Indra cede. Demônio libertadoo (torna-se álcool, jogo, mulheres). 240 126 Nascimento de Mandhata do lado de seu pai, depois de beber água sacrifical. 241 127 Rei Somaka tem um filho – Jantu. 244 128 Jantu santificado por 100 filhos. Rei mais tarde se junta ao sacerdote no inferno por cometer o pecado. 245 129 Viagem. 246 130 Campo Kuru, Daksha declara que tudo que morre sobre ele irá para o céu. 247 131 Falcão e pombo e Usinara. 249 132 Ashtavakra, filho de discípulo de Uddalaka. Pai derrotado em controvérsia com Vandin e afogado. 250 Ashtavakra ganha admissão a Vandin por responder questões: Trovão, relâmpago, miséria, morte. Cocheiro vento, nuvem ou mente. Peixe = ser masculino sempre consciente. Ovo não se move quando produzido. Pedra, nenhuma essência como uma alma a qual renunciou conexão com o corpo. Rio aumenta por sua própria velocidade, como o coração de um Yogue. 252 134 Ashtavakra derrota Vandin em discussão aumentando 1,2,.... 13. 254 135 Bharadwaja e Raivya. Yavakri faz austeridades para aprender os Vedas. 258 136 Morte de Yavakri. 261 137 Bharadwaja se aflige, amaldiçoa Raivya, e então renuncia à vida. 262 138 Todos devolvidos à vida. 263 139 Lomasa avisa Yudhishthira para tomar cuidado no próximo passo da viagem. 264 140 Parte mais austera da viagem até agora começa. 265 141 História de Vishnu matando Daitya Naraka, e javali erguendo um mundo afundado na Era Krita. 268 142 Movem-se em direção ao monte Gandhamadana.
270 143 Draupadi cai por exaustão. Bhima chama Ghatotkacha. 271 144 Carregada por Rakshasas para o encantador eremitério de Nara e Narayana. 273 145 Bhima parte em busca de flores para Draupadi. Macaco (Hanuman) obstrui seu caminho. 275 146 Bhima não pode deslocar o rabo do Macaco. 279 147 Hanuman conta história de Rama em resumo. 281 148 Hanuman descreve os 4 Yugas. 282 149 Hanuman mostra sua forma completa. Descreve deveres Kshatriya para Bhima. 284 150 Bhima e Hanuman partem. 286 151 Bhima parte em direção ao lago de lotos dourados. 287 152 Aproxima-se do lago. Desafiado por guardas Rakshasas. 288 153 Bhima derrota os guardas; colhe lotos. Kuvera (deus da riqueza) permite isto. 289 154 Sinais do combate. Bhima é encontrado por irmãos e Draupadi. 290 155 Retorno ao eremitério de Nara e Narayana. 291 156 Rakshasa Jatasura sequestra os Pandavas. Bhima o mata. 292 157 Pandavas viajam para romântica floresta nas montanhas para esperar Arjuna. 295 158 Recebidos pelo sábio Arshtishena. 299 159 Draupadi pede a Bhima para ir para o topo. Bhima luta com Rakshasas. 301 160 Pandavas chegam. Kuvera, senhor dos tesouros, chega. Não está zangado com Bhima. Relata como predestinado, e o liberta da maldição de Agastya. 304 161 Kuvera fala para Yudhishthira. Parte. 306 162 Arshtishena e Dhaumya falam para os deuses, dia e noite. 308 163 Retorno de Arjuna está perto. 310 164 Arjuna retorna. 311 Purandara visita os Pandavas. 312 166 Arjuna começa a relatar história: luta com Siva. 312 167 Arjuna recebe armas de Indra. Enviado para matar Davanas. 315 168 Luta começa. 318 169 Luta.
319 170 Luta com ilusão. 320 171 Luta terminada. 321 172 Arjuna também destrói Asuras na cidade flutuante. 323 173 Conclui história. 326 174 Arjuna é impedido de exibir armas. 327 175 Bhima deseja voltar para lutar com Duryodhana. Pandavas partem. 328 176 Deixam montanha e se dirigem para os Himalayas. 329 177 Bhima se divertindo nas colinas. Agarrado por uma serpente. 331 178 Cobra explica maldição. Bhima está fraco. 332 179 Yudhishthira faz perguntas para a cobra (sábio Nahusha) sobre reconhecimento de Brahma. 335 180 Mais discussão sobre transmigração da alma, mente e intelecto. Voltam para casa. 337 181 Estação chuvosa começa. 339 182 Krishna, Narada e Markandeya todos vão até os Pandavas. Markandeya fala sobre atos dos homens e resultados neste mundo e no seguinte. 340 183 Grandeza dos Brahmanas. 345 184 Gautama e Atri. 346 185 Tarkshya perguntando para Saraswati o que é melhor fazer. 348 186 Lenda do Peixe. Manu com Arca (similar a Noé). 349 187 Descrição do Kali Yuga, dissolução do Universo. 352 188 Criador se dirigindo a Markandeya. 358 189 Descrição do fim do Kali Yuga. 361 190 Início da era Krita. Yudhishthira também pergunta do seu dever. 365 191 Poder dos Brahmanas – história dos corcéis Vami de Vamadeva. 367 192 Vaka responde para Indra sobre Alegria e Tristeza dos imortais. 372 193 Grandeza dos Kshatriyas. 374 194 Grandeza dos Kshatriyas. 375 195 Grandeza dos Kshatriyas. 375 196 Rei Sivi, Agni e Indra como Falcão e Pombo. 376 197 Narada conta para quatro grandes reis quem cairá do céu primeiro, e por que. 377 198 Pergunta sobre o de vida mais longa.
História de Indradyumna, coruja, garça, tartaruga. 380 199 Muito mais questões: caridade, Brahmanas. 381 200 História de Dhundhumara. Vishnu fala para Utanka. 388 201 Vrihadaswa encontrado por Utanka. 390 202 Criação de Vishnu. Madhu e Kaitaba (Filho Dhundhu). 391 203 Kuvalaswa mata Dhundhu. 393 204 Yudhishthira pergunta sobre deveres das mulheres castas. 395 História de Brahmana Kausika e a garça, e a mulher. 396 206 Caçador discute virtude com Kausika. 399 207 Caçador discute Karma com Kausika. 404 208 Caçador relata nascimento e morte. Karma. Fruto das ações. 406 209 17 elementos sutis. 409 210 5 elementos maiores. Autodomínio. 410 211 Guna. 411 212 Fogos vitais (prana). 412 213 Levado para pais do caçador. 414 214 Brahmana avisado para voltar para os pais. Existência anterior do caçador. 415 215 Brahmana volta para casa. 417 216 Yudhishthira pergunta sobre fogo e deus do fogo. 419 217 Filhos de Angiras e Subha. 420 218 Fogos filhos de Vrihaspati. 420 219 Deuses, incluindo aqueles que obstruem sacrifícios (note Mitra Persa). 422 220 Mais sobre fogos. 422 221 Atharvan traz fogo de volta. 424 222 História de Kartikeya. Indra derrota Kesin. 425 223 Indra procura por marido para Devasena. 426 224 Agni se casa com Swaha. Poderoso Skanda nasce (6 esposas de 7 Rishis). 428 225 Sakra teme matar Skanda. ) Referências a 3º, 4º, 5º ) dias, etc. do mês lunar. 430 226 Indra perfura Skanda com raio. Novo Skanda. 431 227 Seguidores de Skanda. Mulheres se tornam mães do mundo. 432 228 Deveres de Sakra. Skanda se casa com Devasena.
433 229 Maus espíritos que habitam entre os homens: menos que 16; 16-70; livre de 70. 436 230 Batalha entre Deuses com Skanda, e Asuras. Nomes de Skanda. 439 231 Draupadi explica para Satyabhama como ela trata seus maridos. 445 232 Draupadi diz como adorar Krishna como um marido. 448 233 Krishna e Satyabhama partem. 449 234 Conversa na corte Kuru dos Pandavas. Frutos de ações. 450 235 Sakuni fala de ir menosprezar os Pandavas. 452 236 Karna, Sakuni, Duryodhana tramam visitar gado perto dos Pandavas. 453 237 Dhritarashtra é influenciado a dar permissão. 454 238 Duryodhana se aproxima do lago onde Yudhishthira está. Encontra Gandharvas. 456 239 Combate com Gandhavas. 457 240 Pandavas são pedidos para ajudar depois que Duryodhana é feito prisioneiro. 459 241 Yudhishthira promete ajuda. 460 242 Combate entre Arjuna e Gandhavas. 461 243 Combate termina abruptamente. 462 244 Duryodhana libertado – envergonhado. 464 245 Encontra-se com Karna. 465 Duryodhana relata sua derrota e libertação. 466 247 Duryodhana e seguidores mergulhados em tristeza. 467 248 Karna tenta alegrá-lo. Duryodhana deseja morrer. 469 249 Duryodhana levado perante Davanas. 469 250 Duryodhana influenciado pelos Davanas a lutar. 471 251 Mais conspiração contra os Pandavas. 473 252 Karna subjuga cidades vizinhas. 475 253 Preparação para sacrifício Vaishnava. 476 254 Convites para todos os Reis. 477 255 Término. Karna promete matar Arjuna em combate. 478 256 Veado pede para Yudhishthira deixar a floresta. 480 257 Vyasa vai aos Pandavas. Conversa sobre renascimento, frutos das ações.
481 258 Cereais de Mudgala e Durvasa. 482 259 Descrição do céu. Mudgala recusa e fixa sua mente em atingir Para Brahma. 484 260 Durvasa visita Duryodhana. Enviado para os Pandavas. 487 261 Krishna pega um grão de arroz e satisfaz Durvasa e seguidores, que fogem antes do banquete. 488 262 Rei de Sindhu se depara com Draupadi. 491 263 Eles se aproximam de Draupadi. 491 264 Draupadi fala. 492 265 Jayadratha convida Draupadi para ir embora com ele. 493 266 Draupadi é raptada à força. 494 267 Pandavas voltam e perseguem. 496 268 Pandavas são vistos se aproximando. 498 269 Draupadi libertada em luta. Jayadratha foge. 499 270 Jayadratha capturado e desonrado. Libertado. 502 271 Yudhishthira pergunta para Markandeya como Draupadi foi capturada. (--- História do Ramayana ---) 505 272 Nascimento de Ravana, Rama, Sita. 506 273 Ravana e seus irmãos ganham bênçãos de Brahma. 507 274 Nascimento de Deuses para a destruição de Ravana. 509 275 História de Rama. Exílio. 510 276 Sita é raptada. 512 277 Jatayu (rei Urubu) ataca Ravana e é morto. 514 278 Rama ajuda luta entre Sugriva e Vali. Sita é ressegurada por mulher Rakshasa da chegada de Rama. 517 279 Ravana tenta seduzir Sita. 520 280 Tropas de Sugriva procuram por Sita. Hanuman retorna com uma descoberta. 521 281 Ponte construída sobre o oceano. Vibhishana vai até Rama. 525 282 Batalha começa. 527 283 Heróis medem forças uns com os outros. 529 284 Macacos triunfando. Ravana provoca Kumbhakama. 530 285 Kumbhakama morto. 531 286 Indrajit luta. Rama e Lakshmana caem. 533 Indrajit morto. Avindhyu impede Ravana de matar Sita.
534 288 Ravana é morto. 536 289 Rama e Sita reunidos. --------------------- 538 290 Yudhishthira consolado por Markandeya. 541 291 Mérito puro de Savitri. História começa. 542 292 Savitri escolhe Satyavan, que morrerá em um ano. 544 293 Savitri se casa. 545 294 Dia da morte de Satyavan chega. Savitri vai para os bosques com ele. 546 295 Savitri obtém bênçãos de Yama, e devolve a vida a Satyavan. 548 296 Volta para casa. 554 297 Boa sorte para todos. História termina. 556 298 Sol tenta dissuadir Karna de doar brincos e armadura. 557 299 (Idem). 558 300 Sol recomenda que Karna aceite um dardo infalível em troca da armadura. 559 301 História de Karna. Filha de Kuntibhoja para servir Brahmanas. 560 302 Pritha serve Brahmana. 562 303 Brahmana parte deixando benefício para Kunti. 563 304 Kunti invoca o deus sol. 564 305 Sol concede filho para Kunti, deixando-a casta. 565 306 Kunti dá à luz, coloca criança no rio em um cesto. 567 307 Karna cresce. 568 308 Karna dá para Indra sua armadura e brincos em troca de um dardo que destruirá um inimigo poderoso. 569 309 Pandavas partem atrás de um veado com galho preso em seus chifres. 572 310 Quatro Pandavas um por vez partem em busca de água. Cada um cai morto perto do lago. 573 311 Yudhishthira responde questões do grou. Grou permite que um viva. Yudhishthira escolhe Nakula – todos são ressuscitados. 575 312 Grou identificado como Senhor da Justiça. Concede benefícios para Yudhishthira. (Seis: fome, sede, tristeza, rudeza do sentimento mortal, decrepitude, morte – 2 na primeira, 2 na segunda, e 2 na terceira parte da vida).
583 313 Preparação para viver 13º ano de exílio em disfarce. 584 Índice escrito por Duncan Watson. Traduzido por Eleonora Meier. (Aranyaka Parva) 1 Om! Tendo reverenciado a Narayana e Nara, o principal dos seres masculinos, como também a deusa Saraswati, a palavra "Jaya" deve ser proferida. "Janamejaya disse, 'Ó tu principal dos regenerados, fraudulentamente derrotados nos dados pelos filhos de Dhritarashtra e seus conselheiros, enfurecidos por aqueles perversos que assim ocasionaram uma animosidade feroz, e endereçados em uma linguagem que era tão cruel, o que os príncipes Kuru, meus ancestrais, os filhos de Pritha (então) fizeram? Como também os filhos de Pritha, iguais a Sakra em bravura, privados de riqueza e subitamente subjugados pela miséria, passaram seus dias na floresta? Quem seguiu os passos daqueles príncipes mergulhados em grande aflição? E como aqueles de grande alma se mantiveram e tiraram seu sustento, e onde eles se acomodaram? E, ó asceta ilustre e principal dos Brahmanas, como aqueles doze anos (de exílio) daqueles guerreiros que eram matadores de inimigos, se passaram na floresta? E, não merecedora de dor, como aquela princesa, a melhor do seu sexo, dedicada a seus maridos, eminentemente virtuosa, e que sempre falava a verdade, aguentou aquele exílio doloroso na floresta? Ó tu de riqueza ascética, conte-me tudo isso em detalhes, pois, ó Brahmana, eu desejo te ouvir narrar a história daqueles heróis possuidores de coragem e brilho abundantes.
Realmente minha curiosidade é grande.' “Vaisampayana disse, ‘Assim derrotados nos dados e enraivecidos pelos filhos perversos de Dhritarashtra e seus conselheiros, os filhos de Pritha saíram de Hastinapura. E saindo através do portão Vardhamana da cidade, os Pandavas levando suas armas e acompanhados por Draupadi partiram na direção norte. Indrasena e outros, com servos numerando catorze ao todo, com suas esposas, os seguiram em carros velozes. E os cidadãos sabendo da partida deles se entristeceram muito, e começaram a criticar Bhishma e Vidura e Drona e Gautama. E se reunindo eles assim se dirigiram uns aos outros destemidamente. 'Ai, nossas famílias, nós, e nossas casas estão todos perdidos, pois o perverso Duryodhana, apoiado pelo filho de Suvala, por Karna e Dussasana, almeja este reino. E, oh, nossas famílias, nossos costumes (ancestrais), nossa virtude e prosperidade estão todos condenados pois aquele canalha pecaminoso apoiado por patifes tão pecaminosos aspira ao reino! E, oh, como pode a felicidade estar onde estes não estão? Duryodhana se porta com malícia para com todos os superiores, abandonou a boa conduta, e disputa com aqueles que lhe são próximos em sangue. Avarento e vaidoso e sovina, ele é cruel por natureza. Toda a terra está condenada quando Duryodhana se torna seu soberano.
Daqui, portanto, vamos para onde os filhos piedosos e de grande alma de Pandu, com paixões sob controle e vitoriosos sobre inimigos, e possuidores de modéstia e renome, e dedicados a práticas virtuosas, se dirigem!'” “Vaisampayana disse, ‘Assim dizendo, os cidadãos foram atrás dos Pandavas, e tendo-os encontrado, eles todos, com mãos unidas, se dirigiram dessa maneira aos filhos de Kunti e Madri. 'Abençoados sejam vocês! Aonde vão, nos deixando em aflição? Nós os seguiremos aonde vocês forem! Nós sem dúvida ficamos aflitos ao saber que vocês foram fraudulentamente vencidos por inimigos implacáveis! Não cabe a vocês abandonar a nós que somos seus súditos carinhosos e amigos leais sempre querendo o seu bem-estar e empenhados em fazer o que é agradável para vocês! Nós não desejamos ser esmagados na destruição indubitável vivendo nos domínios do rei Kuru. Ó touros entre homens, escutem como nós indicamos os méritos e deméritos surgidos respectivamente de associação com o que é bom e mau! Como tecido, água, a terra, e as sementes de gergelim são perfumados pela associação com flores, assim mesmo são as qualidades produzidas da associação. Em verdade a associação com tolos produz uma ilusão que enreda a mente, como a comunhão diária com os bons e sábios leva à prática da virtude. Portanto, aqueles que desejam a emancipação devem se associar com aqueles que são sábios e idosos e honestos e puros em conduta e possuidores de mérito ascético.
Devem ser servidos aqueles cujas posses triplas, conhecimento (dos Vedas), origem e ações, sejam todos puros, e a associação com eles é sempre superior ao (estudo das) escrituras. Desprovidos de atos religiosos como nós somos nós ainda colheremos mérito religioso por associação com os justos, como nós obteríamos pecado por servir os pecaminosos. A própria visão e toque dos desonestos, e conversa e associação com eles causa diminuição da virtude, e os homens (que estão fadados a estes), nunca alcançam pureza mental. Associação com os egoístas prejudica a compreensão, como, de fato, com os indiferentes faz indiferentes, enquanto a comunhão com os bons sempre eleva. Todos aqueles atributos que são citados no mundo como fontes de mérito religioso, de prosperidade mundana e prazeres sensuais, os quais são respeitados pelas pessoas, exaltados nos Vedas, e aprovados pelos bem educados, existem em vocês, separadamente e conjuntamente! Portanto, desejosos do nosso próprio bem-estar, nós desejamos viver entre vocês que possuem estes atributos!’ Yudhishthira disse, ‘Abençoados somos nós, já que o povo com os Brahmanas em sua dianteira, movidos por afeto e compaixão nos creditam méritos que nós não temos. Eu, no entanto, com meus irmãos, pedirei para todos vocês fazerem uma coisa. Vocês não devem, por afeto e compaixão por nós, agir de outra maneira! Nosso avô Bhishma, o rei (Dhritarashtra), Vidura, minha mãe e a maioria dos meus simpatizantes estão todos na cidade de Hastinapura.
Portanto, se vocês estão dispostos a procurar nosso bem-estar, cuidem deles com cuidado, unindo- se, pois eles estão dominados pela tristeza e aflições. Angustiados por nossa partida, vocês vieram longe! Voltem, e que seus corações sejam direcionados com ternura em direção aos parentes que eu confio a vocês como penhores! Esta, de todas as outras, é a única ação sobre a qual meu coração está fixado, e por fazer isso vocês me dariam grande satisfação e me prestariam seus melhores respeitos!’” “Vaisampayana continuou, ‘Assim exortadas por Yudhishthira o justo, as pessoas em conjunto lamentaram, exclamando, ‘Ai, ó rei!’ E aflitas e entristecidas ao se lembrarem das virtudes do filho de Pritha, elas de má vontade voltaram se despedindo dos Pandavas. Quando os cidadãos tinham parado de segui-los os Pandavas subiram em seus carros, e partindo alcançaram (o lado de) uma grande árvore banian chamada Pramana nas margens do Ganges. E alcançando o lado da árvore banian perto do fim do dia, os filhos heróicos de Pandu se purificaram tocando a água sagrada, e passaram a noite lá. E aflitos pela dor eles passaram aquela noite tendo somente água como seu sustento. Certos Brahmanas pertencentes a ambas as classes: os que mantinham o fogo sacrifical e os que não o mantinham, com seus discípulos e parentes, que seguiram por afeição os Pandavas até lá também passaram a noite com eles. E cercado por aqueles proferidores de Brahma o rei brilhava resplandecente em seu meio.
E naquela noite, ao mesmo tempo bela e terrível, aqueles Brahmanas tendo acendido seus fogos (sagrados), começaram a cantar os Vedas e manter mútua conversação. E aqueles principais Brahmanas, com vozes suaves de cantores passaram a noite consolando aquele melhor dos Kurus, o rei.” 2 "Vaisampayana disse, 'Quando aquela noite passou e o dia nasceu, aqueles Brahmanas que se sustentavam por mendicância ficaram diante dos Pandavas de feitos nobres, que estavam prestes a entrar na floresta. Então o rei Yudhishthira, o filho de Kunti, endereçou-se a eles, dizendo, ‘Roubados de nossa prosperidade e reino, roubados de tudo, nós estamos prestes a entrar nas florestas profundas em tristeza, dependendo, para nossa alimentação, de frutas e raízes e dos produtos da caça. A floresta também é cheia de perigos, e cheia de répteis e animais predadores. Parece-me que nós certamente teremos que sofrer muita privação e miséria lá. Os sofrimentos dos Brahmanas poderiam dominar até os deuses. Que eles me subjugarão também é certo. Portanto, ó Brahmanas, voltem para onde quer que lhes agrade!' Os Brahmanas responderam, ‘Ó rei, nosso caminho é exatamente aquele para o qual vocês estão se dirigindo! Não cabe a ti, portanto, abandonar a nós que somos teus admiradores leais praticantes da religião verdadeira! Os próprios deuses tem compaixão de seus adoradores, especialmente dos Brahmanas de vidas reguladas!’ Yudhishthira disse, ‘Ó regenerados, eu também sou devotado aos Brahmanas! Mas esta privação que me alcançou me submergiu em confusão!
Estes meus irmãos que devem procurar frutas e raízes e veados (da floresta) estão entorpecidos pela dor resultante de suas aflições, e por causa da angústia de Draupadi e da perda do nosso reino! Ai, como eles estão atormentados, eu não posso empregá-los em tarefas penosas!’ Os Brahmanas disseram, 'Que nenhuma ansiedade, ó rei, a respeito da nossa subsistência, ache um lugar no teu coração! Nós mesmos providenciando nossa própria alimentação te seguiremos, e por meditação e dizendo nossas orações nós almejaremos o teu bem-estar enquanto com conversas agradáveis nós te entreteremos e nos encheremos de alegria.' Yudhishthira disse, 'Sem dúvida deve ser como vocês dizem, pois eu estou sempre satisfeito com a companhia dos regenerados! Mas a minha condição caída me faz ver em mim mesmo um objeto de repreensão! Como eu verei vocês todos, que não merecem suportar incômodos, por amor a mim subsistindo penosamente de alimento obtido por seu próprio trabalho? Oh, que vergonha para os pecaminosos filhos de Dhritarashtra!'” "Vaisampayana continuou, 'Assim dizendo, o rei derramando lágrimas sentou- se no chão. Então um Brahmana erudito, de nome Saunaka, versado em autoconhecimento e especialista no sistema Sankhya de yoga endereçou-se ao rei, dizendo, 'Causas de dor às milhares, e causas de medo às centenas, dia após dia subjugam os ignorantes mas não os sábios. Certamente, homens sensatos como tu nunca se permitem ser iludidos por atos que são opostos ao conhecimento verdadeiro, repletos de todos os tipos de males e destrutivos da salvação.
Ó rei, em ti habita aquela compreensão equipada com os oito atributos, a qual é considerada capaz de prevenir contra todos os males e que resulta de um estudo do Sruti (Vedas) e escrituras! E homens como tu nunca são entorpecidos, na acessão de pobreza ou de uma aflição alcançar seus amigos, através de inquietações físicas ou metais! Ouça, eu direi os slokas que foram cantados antigamente pelo ilustre Janaka concernentes à questão do autocontrole! Este mundo é afligido por sofrimentos corporais e mentais. Escute agora aos meios de aliviá-los enquanto eu os indico brevemente e em detalhes. Doença, contato com coisas dolorosas, trabalho pesado e falta de objetos desejados, estas são as quatro causas que induzem sofrimento corpóreo. E com relação à doença, ela pode ser aliviada pela aplicação de medicamentos, enquanto doenças mentais são curadas por procurar esquecê-las por meio de meditação yogue. Por esta razão, médicos sensatos procuram acalmar primeiro os sofrimentos mentais de seus pacientes por meio de conversa agradável e da oferta de objetos desejáveis. E como uma barra de ferro quente colocada em um jarro faz a água dentro dele ficar quente, assim a dor mental causa agonia corpórea. E como a água apaga o fogo, assim o conhecimento verdadeiro acalma a inquietude mental. E quando a mente alcança a tranquilidade, o corpo encontra a tranquilidade também. Parece que a afeição é a base de toda a tristeza mental. É a afeição que faz todas as criaturas infelizes e traz todas as espécies de tormentos.
Em verdade, a afeição é a raiz de toda a tristeza e de todo o medo, de alegria e angústia e de todos os tipos de dor. Da afeição surgem todos os propósitos, e é da afeição que surge o amor aos bens mundanos! Ambos (os últimos) são fontes de mal, embora o primeiro (nossos propósitos) seja pior do que o segundo. E como (uma pequena porção de) fogo jogada dentro de uma árvore oca consome a própria árvore até as raízes, assim mesmo a afeição, mesmo pequena, destrói ambos virtude e lucro. Não se pode considerar como tendo renunciado ao mundo quem simplesmente se afastou das posses mundanas. Aquele, no entanto, que, embora em real contato com o mundo observa atentamente as imperfeições dele pode ser considerado como tendo realmente renunciado ao mundo. Livre de todos os maus sentimentos e alma dependente de nada é alguém que realmente renunciou ao mundo. Portanto, ninguém deve procurar colocar suas afeições em amigos ou na riqueza que ganhou. E assim a afeição por sua própria pessoa deve ser extinta pelo conhecimento. Como a folha do lótus que nunca é ensopada pela água, as almas dos homens capazes de distinguir entre o efêmero e o eterno, dos homens dedicados à procura do eterno, conhecedores das escrituras e purificados pelo conhecimento, nunca podem ser movidas por afeição. O homem que é influenciado pela afeição é torturado pelo desejo; e é do desejo que surge em seu coração a sede pelo aumento de posses mundanas. Em verdade, esta sede é pecaminosa e é considerada como a fonte de todas as ansiedades. É esta sede terrível, repleta de pecado que inclina para atos injustos.
Encontra a felicidade aquele que pode renunciar a esta sede, a qual nunca pode ser renunciada pelos pecaminosos, que não decai com a decadência do corpo, e que é realmente uma doença fatal! Ela não tem início nem fim. Residindo dentro do coração, ela destrói as criaturas como um fogo de origem incorpórea. E como um feixe de madeira é consumido pelo fogo que é alimentado por ele mesmo, assim mesmo uma pessoa de alma impura encontra a destruição pela avareza nascida de seu coração. E como as criaturas dotadas de vida tem sempre um medo da morte, assim homens de riquezas estão em constante receio do rei e do ladrão, da água e do fogo e até de seus parentes. E como um bocado de carne, se estiver no ar, pode ser devorado por aves; em terra por animais predadores; e na água pelos peixes; assim mesmo o homem de riqueza está exposto a perigos onde quer que ele possa estar. Para muitos a riqueza que eles possuem é seu veneno, e aquele que vendo felicidade na riqueza se torna apegado a ela não conhece felicidade verdadeira. E daí que a acessão de riqueza é vista como aquilo que aumenta a avareza e insensatez. Somente a riqueza é a causa da mesquinhez e jactância, orgulho e medo e ansiedade! São as misérias dos homens que os sábios vêem nas riquezas! Os homens sofrem tristezas infinitas na aquisição e retenção de riquezas. Seu gasto também é repleto de pesar. Mais ainda, às vezes, a própria vida é perdida por causa da riqueza! O abandono da riqueza produz miséria, e até aqueles que são cuidados pela riqueza de uma pessoa se tornam inimigos por causa daquela riqueza!
Como, portanto, a posse de riquezas está repleta de tais tristezas uma pessoa não se deve se importar com sua perda. É somente o ignorante que é descontente. O sábio, no entanto, está sempre contente. A sede de riqueza nunca pode ser saciada. O contentamento é a maior felicidade; portanto os sábios consideram o contentamento como o maior objeto de perseguição. Os sábios, conhecendo a instabilidade da juventude e beleza, da vida e tesouros acumulados, da prosperidade e da companhia dos amados, nunca os cobiçam. Portanto, uma pessoa deve se abster da aquisição de riquezas, tolerando a dor incidente a isto. Ninguém que é rico está livre de incômodos, e é por isso que os virtuosos louvam aqueles que estão livres do desejo de riquezas. E com relação àqueles que buscam riquezas para propósitos virtuosos, é melhor para eles se refrearem totalmente de tal busca, pois, certamente, é melhor não tocar o lamaçal em absoluto do que se lavar depois de ter se sujado com ele. E, ó Yudhishthira, não cabe a ti cobiçar qualquer coisa! E se tu tens virtude, emancipe a ti mesmo do desejo de posses mundanas!' Yudhishthira disse, 'Ó Brahmana, este meu desejo de riqueza não é para desfrutá-la quando obtida. É somente para o sustento dos Brahmanas que eu a desejo e não porque estou influenciado pela avareza! Para que propósito, ó Brahmana, alguém como nós leva uma vida familiar, se ele não pode cuidar e sustentar aqueles que o seguem? Todas as criaturas são vistas dividir o alimento (que elas obtém) entre aqueles que dependem delas.
Assim uma pessoa que leva uma vida familiar dá uma parte de seu alimento para Yatis e Brahmacharins que renunciaram a cozinhar para si mesmos. As casas dos bons homens nunca podem estar em falta de grama (para assento), espaço (para descanso), água (para se lavar e aliviar a sede), e, em quarto, palavras gentis. Para o esgotado, uma cama, para o cansado de ficar de pé, um assento, para o sedento, água, e para o faminto, uma alimentação devem sempre ser dados. Para um convidado são devidos olhares agradáveis e um coração alegre e palavras gentis. O anfitrião, erguendo-se, deve avançar em direção ao convidado, lhe oferecer um assento, e adorá-lo devidamente. Esta é a moralidade eterna. Aqueles que não realizam o Agnihotra (uma forma de sacrifício que consiste em despejar oblações de manteiga clarificada com preces no fogo), não cuidam dos touros nem de seus parentes e convidados e amigos e filhos e esposas e empregados, são consumidos pelo pecado por tal negligência. Ninguém deve cozinhar seu alimento somente para si mesmo e ninguém deve matar um animal sem oferecê-lo aos deuses, aos Pitris, e convidados. Nem se deve comer daquele alimento que não foi devidamente dedicado aos deuses e Pitris. Por espalhar o alimento sobre a terra, de manhã e à noite, para (o benefício de) cachorros e Chandalas e aves, uma pessoa deve realizar o sacrifício Viswedeva (o oferecimento de alimento à todas as criaturas da terra por espalhar uma porção). Aquele que come o Vighasa é considerado como comendo ambrosia.
O que resta em um sacrifício depois do oferecimento para os deuses e Pitris é considerado como ambrosia; e o que resta depois de alimentar o convidado é chamado Vighasa e é equivalente à própria ambrosia. Alimentar um convidado é equivalente a um sacrifício, e os olhares agradáveis que o anfitrião lança sobre o convidado, a atenção que lhe dedica, as palavras gentis nas quais ele se dirige a ele, o respeito que lhe presta por segui-lo, e a comida e bebida com as quais ele o trata, são os cinco Dakshinas deste sacrifício. (Dakshina: um presente, que pode ser de vários tipos. As taxas pagas para os Brahmanas que ajudam nos sacrifícios e ritos religiosos, tais como o oferecimento de oblações para os mortos, são Dakshinas, como também presentes para os Brahmanas em outras ocasiões, particularmente quando eles são alimentados, isto traz até hoje em dia o costume de nunca alimentar um Brahmana sem lhe pagar uma taxa monetária. Não pode haver sacrifício, nem rito religioso, sem Dakshina). Aquele que dá sem restrição comida para um viandante fatigado nunca visto antes obtém grande mérito, e aquele que levando uma vida familiar segue tais práticas adquire méritos religiosos considerados muito grandes. Ó Brahmana, qual é tua opinião sobre isto?’” Saunaka disse, 'Ai, este mundo é cheio de contradições! Aquilo que envergonha os bons, satisfaz os maus! Ai, movidos por ignorância e paixão e escravos dos seus próprios sentidos, até os tolos realizam muitos atos de (mérito aparente) para satisfazer seus apetites na vida após a morte!
Com olhos abertos estes homens estão sendo desencaminhados por seus sentidos sedutores, assim como um cocheiro, que perdeu seus sentidos, por corcéis inquietos e maus! Quando algum dos seis sentidos encontra seu objeto específico, surge no coração o desejo de desfrutar daquele objeto específico. E assim quando o coração procede para desfrutar dos objetos de algum sentido específico, um desejo é nutrido, o qual por sua vez dá nascimento a uma resolução. E finalmente, como um inseto caindo numa chama por amor à luz, o homem cai no fogo da tentação, perfurado pelas flechas do objeto de prazer atiradas pelo desejo que constitui a semente da resolução! E desde então cegado pelo prazer sensual o qual ele procura sem restrição, e imerso em escura ignorância e loucura os quais ele confunde com um estado de felicidade, ele não conhece a si mesmo! E igual a uma roda que está constantemente girando, toda criatura, por ignorância e ações e desejo, cai em vários estados neste mundo, vagando de um nascimento para outro, e percorre todo o ciclo de existências de um Brahma à ponta de uma folha de grama, ora na água, ora sobre a terra, e ora no ar! Esta então é a carreira daqueles que não tem conhecimento. Escute agora à conduta dos sábios, daqueles que estão concentrados na virtude proveitosa, e estão desejosos de emancipação! Os Vedas ordenam ação porém renúncia (do interesse na) ação. Portanto, tu deves agir, renunciando ao Abhimana (referente ao ser, isto é, sem o motivo de beneficiar seu próprio ser, ou sem qualquer motivo em absoluto).
Realização de sacrifícios, estudo (dos Vedas), doações, penitência, verdade (em palavras e ações), perdão, subjugação dos sentidos, e renúncia ao desejo, estes são declarados como os oito (principais) deveres que constituem o caminho verdadeiro. Destes, os quatro primeiros pavimentam o caminho para o mundo dos Pitris. E estes devem ser praticados sem Abhimana. Os quatro últimos são sempre observados pelos piedosos, para alcançar o céu dos deuses. E os puros em espírito devem sempre seguir estes oito caminhos. Aqueles que desejam subjugar o mundo para propósito de salvação, devem sempre agir renunciando completamente aos motivos, subjugando efetivamente seus sentidos, cumprindo rigidamente votos específicos, servindo lealmente seus preceptores, regulando austeramente sua alimentação, estudando diligentemente os Vedas, renunciando à ação egoísta e reprimindo seus corações. Por renunciar ao desejo e aversão os deuses alcançaram prosperidade. É em virtude de sua riqueza de yoga (que consiste, no caso deles, de uma combinação de atributos pela negação dos contrários, isto é, pela renúncia aos motivos em tudo o que fazem), que os Rudras, e os Sadhyas, e os Adityas e os Vasus, e os gêmeos Aswins governam as criaturas. Portanto, ó filho de Kunti, como eles, ó Bharata, abstendo-te totalmente da ação com motivo, esforce-te por alcançar o êxito em yoga e por austeridades ascéticas. Tu já alcançaste sucesso até aqui quanto aos teus débitos com teus ancestrais, concernente aos homens e mulheres, e aquele sucesso também que é derivado da ação (sacrifícios).
Por servir os regenerados, esforce-te para alcançar sucesso em penitências. Aqueles que são coroados com sucesso ascético podem, em virtude daquele sucesso, fazer o que quer que eles desejem; portanto, praticando ascetismo realize todos os teus desejos." 3 “Vaisampayana disse, ‘Yudhishthira, o filho de Kunti, assim endereçado por Saunaka, aproximou-se de seu sacerdote e no meio de seus irmãos disse, ‘Os Brahmanas versados nos Vedas estão seguindo a mim que sou indo para a floresta. Afligido por muitas calamidades eu não posso sustentá-los. Eu não posso abandoná-los, nem tenho o poder para lhes oferecer sustento. Diga-me, ó santo, o que deve ser feito por mim em tal impasse.’” "Vaisampayana disse, 'Depois de refletir por um momento procurando descobrir o caminho (apropriado) por seus poderes de yoga, Dhaumya, aquele principal de todos os homens virtuosos, endereçou-se a Yudhishthira nestas palavras, 'Antigamente, todos os seres vivos que foram criados estavam muito atormentados pela fome. E como um pai (para todos), Savita (o sol) teve compaixão por eles. E indo primeiro ao declive do norte, o sol secou água com seus raios, e voltando ao declive do sul, ficou sobre a terra, com seu calor centrado em si mesmo. E quando o sol assim estava sobre a terra, o senhor do mundo vegetal (a lua), convertendo os efeitos do calor solar (vapores) em nuvens e despejando-os na forma de água, fez as plantas nascerem. Assim é o próprio sol, que, encharcado pela influência lunar, é transformado, para o brotamento das sementes, em vegetais sagrados providos de seis sabores.
E são estes que constituem o alimento de todas as criaturas sobre a terra. Assim o alimento que mantém as vidas das criaturas é animado pela energia solar, e o sol é, portanto, o pai de todas as criaturas. Então, ó Yudhishthira, refugie-te nele. Todos os monarcas ilustres de descendência e ações puras são conhecidos por terem libertado seu povo por praticar ascetismo elevado. O grande Karttavirya, e Vainya e Nahusha, todos, em virtude de meditação ascética precedida por votos libertaram seu povo de grandes aflições. Portanto, ó virtuoso, como tu és purificado pelas ações faça igualmente, entrando em uma vida de austeridades. Ó Bharata, sustente virtuosamente os regenerados.'” "Janamejaya disse, 'Como aquele touro entre os Kurus, o rei Yudhishthira, por causa dos Brahmanas, adorou o sol de aparência extraordinária?’" “Vaisampayana disse, ‘Ouça atentamente, ó rei, purificando a ti mesmo e afastando a tua mente de todas as outras coisas. E, ó rei de reis, fixe um tempo. Eu te direi tudo em detalhes. E, ó ilustre, ouça os cento e oito nomes (do sol) como eles foram revelados antigamente por Dhaumya para o filho de grande alma de Pritha. Dhaumya disse, ‘Surya, Aryaman, Bhaga, Twastri, Pusha, Arka, Savitri.
Ravi, Gabhastimat, Aja, Kala, Mrityu, Dhatri, Prabhakara, Prithibi, Apa, Teja, Kha, Vayu, a única permanência, Soma, Vrihaspati, Sukra, Budha, Angaraka, Indra, Vivaswat, Diptanshu, Suchi, Sauri, Sanaichara, Brahma, Vishnu, Rudra, Skanda, Vaisravana, Yama, Vaidyutagni, Jatharagni, Aindhna, Tejasampati, Dharmadhwaja, Veda-karttri, Vedanga, Vedavahana, Krita, Treta, Dwapara, Kali, cheio de todas as impurezas, Kala, Kastha, Muhurtta, Kshapa, Yama, e Kshana; Samvatsara-kara, Aswattha, Kalachakra, Bibhavasu, Purusha, Saswata, Yogin, Vyaktavyakta, Sanatana, Kaladhyaksha, Prajadhyaksha, Viswakarma, Tamounda, Varuna, Sagara, Ansu, Jimuta, Jivana, Arihan, Bhutasraya, Bhutapati, Srastri, Samvartaka, Vanhi, Sarvadi, Alolupa, Ananta, Kapila, Bhanu, Kamada, Sarvatomukha, Jaya, Visala, Varada, Manas, Suparna, Bhutadi, Sighraga, Prandharana, Dhanwantari, Dhumaketu, Adideva, Aditisuta, Dwadasatman, Aravindaksha, Pitri, Matri, Pitamaha, Swarga-dwara, Prajadwara, Mokshadwara, Tripistapa, Dehakarti, Prasantatman, Viswatman, Viswatomukha, Characharatman, Sukhsmatman, o piedoso Maitreya. Estes são os cento e oito nomes de Surya de energia imensurável, como contados pelo autocriado (Brahma). Para a aquisição da prosperidade, eu me curvo a ti, ó Bhaskara, brilhando como ouro ou fogo, que é adorado pelos deuses e Pitris e Yakshas, e que é adorado por Asuras, Nisacharas, e Siddhas. Aquele que com atenção fixa recita este hino ao nascer do sol obtém esposa e progênie e riquezas e a memória da sua existência anterior, e por recitar este hino uma pessoa consegue paciência e boa memória.
Que um homem concentrando sua mente recite este hino. Por fazer isto, ele estará seguro contra a angústia e incêndios florestais e oceano e todo objeto de desejo será dele.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo ouvido de Dhaumya estas palavras apropriadas para a ocasião, Yudhishthira o justo, com coração concentrado dentro de si mesmo e purificando-o devidamente, se dedicou à meditação austera, movido pelo desejo de sustentar os Brahmanas. E adorando o fazedor do dia com oferendas de flores e outros artigos, o rei realizou suas abluções. E ficando de pé na correnteza ele virou seu rosto em direção ao deus do dia. E tocando a água do Ganges o virtuoso Yudhishthira com sentidos sob controle completo e dependendo só do ar como seu sustento, ficou lá com alma absorta engajado em pranayama (uma forma de yoga que consiste na mistura de alguns dos ares que existem em todo corpo animal. Estes ares são cinco: Prana, Apana, Samana, Udana e Vyana). E tendo se purificado e reprimido sua fala, ele começou a cantar o hino de louvor (ao sol). Yudhishthira disse, ‘Tu és, ó sol, o olho do universo. Tu és a alma de todas as existências corpóreas. Tu és a origem de todas as coisas. Tu és a encarnação dos atos de todos os homens religiosos. Tu és o refúgio daqueles que são versados na filosofia Sankhya (os mistérios da alma), e tu és o suporte dos Yogues. Tu és uma porta não fixada com raios. Tu és o refúgio daqueles que desejam a emancipação. Tu sustentas e revelas o mundo, e o santificas e sustentas por pura compaixão.
Brahmanas versados nos Vedas aparecendo diante de ti te adoram na hora devida, recitando os hinos dos respectivos ramos (dos Vedas) que eles aplicam. Tu és o adorado dos Rishis. Os Siddhas, e os Charanas e os Gandharvas e os Yakshas, e os Guhyakas, e os Nagas, desejosos de obter bênçãos seguem teu carro percorrendo os céus. Os trinta e três deuses (os 8 Vasus, os 11 Rudras, os 12 Adityas, Prajapati e Vashatkara) com Upendra (Vishnu) e Mahendra, e a classe de Vaimanikas (uma classe de celestiais), alcançaram sucesso por te adorar. Por te oferecer guirlandas de Mandaras celestiais (flores celestiais de muita fragrância) os melhores dos Vidyadharas obtiveram todos os seus desejos. Os Guhyas e as sete ordens dos Pitris, divinos e humanos, alcançaram superioridade por adorar somente a ti. Os Vasus, os Manilas, e os Rudras, os Sadhyas, os Marichipas, os Valikhilyas, e os Siddhas alcançaram preeminência por reverenciarem a ti. Não há nada que eu conheça em todos os sete mundos, incluindo aquele de Brahma, que esteja além de ti. Há outros seres grandiosos e dotados de energia; mas nenhum deles tem teu brilho e energia. Toda a luz está em ti, de fato, tu és o senhor de toda luz. Em ti estão os (cinco) elementos e toda a inteligência, e conhecimento e ascetismo e as propriedades ascéticas (as propriedades ascéticas são Anima, Laghima, etc). O disco pelo qual o manejador do Saranga (o arco de Vishnu, enquanto o de Siva é chamado Pinaka) humilha o orgulho dos Asuras e que é equipado com um belo cubo, foi forjado por Viswakarman com tua energia.
No verão tu extrais, com teus raios, a umidade de todas as existências corpóreas e plantas e substâncias líquidas, e a despeja na estação chuvosa. Teus raios aquecem e chamuscam, e se tornando como nuvens bramem e relampeiam e derramam chuvas quando chega a estação. Nem fogo nem abrigo, e nem roupas de lã dão maior conforto a alguém que está sofrendo com os ventos frios do que teus raios. Tu iluminas com teus raios a Terra inteira com suas treze ilhas. Tu somente estás dedicado ao bem-estar dos três mundos. Se tu não surges, o universo se torna cego e os eruditos não podem se dedicar à obtenção de virtude, riqueza e lucro. É através de tua graça que as (três) classes de Brahmanas, Kshatriyas e Vaisyas podem realizar seus vários deveres e sacrifícios. Aqueles versados em cronologia dizem que tu és o início e tu és o fim de um dia de Brahma, o qual consiste em mil Yugas completos. Tu és o senhor dos Manus e dos filhos dos Manus, do universo e do homem, dos Manwantaras e seus senhores. Quando chega o tempo da dissolução universal, o fogo Samvartaka nascido da tua fúria consome os três mundos e existe só. E nuvens de várias cores geradas dos teus raios, acompanhadas pelo elefante Airavata e o trovão, causam os dilúvios ordenados. E dividindo a ti mesmo em doze partes e te tornando como muitos sóis, tu bebes o oceano uma vez mais com teus raios. Tu és chamado Indra, tu és Vishnu, tu és Brahma, tu és Prajapati. Tu és fogo e tu és a mente sutil. E tu és o senhor e o eterno Brahma. Tu és Hansa, tu és Savitri, tu és Bhanu, Ansumalin, e Vrishakapi.
Tu és Vivaswan, Mihira, Pusha, Mitra, e Dharma. Tu tens mil raios, tu és Aditya, e Tapana, e o senhor dos raios. Tu és Martanda, e Arka, e Ravi, e Surya e Saranya e o fazedor do dia, e Divakara e Suptasaspti, e Dhumakeshin e Virochana. Tu és considerado como rápido em velocidade e o destruidor da escuridão, e o possuidor de corcéis amarelos. Aquele que te adora com reverência no sexto ou sétimo dia lunar com humildade e tranquilidade de mente obtém a graça de Lakshmi. Aqueles que com atenção indivisa te adoram e reverenciam são salvos de todos os perigos, agonias e aflições. E aqueles que crêem que tu estás em todos os lugares (sendo a alma de todas as coisas) tem vida longa, são libertos do pecado e desfrutam de uma imunidade contra todas as doenças. Ó senhor de todo o alimento, cabe a ti conceder alimento em abundância para mim que estou desejoso de alimento para entreter todos os meus convidados com reverência. Eu reverencio também a todos aqueles teus seguidores que tomaram refúgio nos teus pés, Mathara e Aruna e Danda e outros, inclusive Asani e Kshuva e os outros. E eu reverencio também as mães celestes de todas as criaturas, Kshuva e Maitri e os outras da classe. Ó, que elas me entreguem seu suprimento.'” “Vaisampayana disse, ‘Dessa maneira, ó grande rei, o sol, aquele purificador do mundo, foi adorado (por Yudhishthira). E satisfeito com o hino, o fazedor do dia, auto-luminoso e resplandecente como fogo se mostrou ao filho de Pandu. E Vivaswan disse, ‘Tu obterás tudo o que desejas. Eu fornecerei alimento para ti por cinco e sete anos juntos.
E, ó rei, aceite este recipiente de cobre que eu te dou. E, ó tu de votos excelentes, enquanto Panchali mantiver este recipiente sem (ela mesma) partilhar de seu conteúdo, frutas e raízes e carne e vegetais cozidos na tua cozinha, estes quatro tipos de alimento, deste dia em diante serão inesgotáveis. E, daqui a quatorze anos tu recuperarás teu reino.’” "Vaisampayana continuou, ‘Tendo dito isso o deus desapareceu. Aquele que, com o desejo de obter um benefício, recita este hino concentrando sua mente com abstração ascética obtém-no do sol, mesmo que possa ser de difícil aquisição o que foi pedido. E a pessoa, homem ou mulher, que recita ou ouve este hino dia após dia, se ele ou ela deseja um filho, obtém um, e se riquezas, as obtém, e se erudição adquire esta também. E a pessoa homem ou mulher que recita este hino todo dia nos dois crepúsculos, se em perigo, é liberto dele, e se cativo, é liberto dos grilhões. O próprio Brahma comunicou este hino ao ilustre Sakra, e de Sakra ele foi obtido por Narada e de Narada, por Dhaumya. E Yudhishthira, obtendo-o de Dhaumya, realizou todos os seus desejos. E é em virtude deste hino que alguém pode sempre obter vitória na guerra, e adquirir imensa riqueza também. E este leva o narrador, de todos os pecados, para a região solar.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo obtido a bênção, o virtuoso filho de Kunti, erguendo-se da água, tocou os pés de Dhaumya e então abraçou seus irmãos. E, ó nobre, indo então com Draupadi para a cozinha, e adorado por ela devidamente, o filho de Pandu se pôs a cozinhar a comida (do dia).
E a comida limpa, embora pouca, que era temperada e possuía os quatro sabores, aumentou e se tornou inesgotável. E com ela Yudhishthira começou a alimentar os regenerados. E depois dos Brahmanas estarem alimentados, e seus irmãos mais novos também, o próprio Yudhishthira comeu da comida que restou, a qual é chamada de Vighasa. E depois que Yudhishthira tinha comido a filha de Prishata pegou o que restou. E depois que ela tinha feito sua refeição a comida do dia se esgotou. E tendo assim obtido a bênção do fazedor do dia, o filho de Pandu, ele mesmo tão resplandecente como aquele celestial, começou a entreter os Brahmanas de acordo com seus desejos. E obedientes a seu sacerdote, os filhos de Pritha, em dias lunares e constelações e conjunções auspiciosos, realizaram sacrifícios segundo as ordenanças, as escrituras, e os Mantras. Depois dos sacrifícios, os filhos de Pandu, abençoados pelos ritos propícios realizados por Dhaumya e acompanhados por ele, e cercados também pelos Brahmanas partiram para as florestas de Kamyaka.'" "Vaisampayana disse, ‘Depois que os Pandavas tinham ido para a floresta, Dhritarashtra, o filho de Amvika, cujo conhecimento era sua visão (Dhritarashtra, sendo cego, é descrito como Pragnachakshu, isto é, aquele cuja visão é o conhecimento), ficou extremamente triste. E sentado comodamente o rei endereçou estas palavras ao virtuoso Vidura de inteligência profunda, 'Tua compreensão é tão clara quanto a de Bhargava (Sukra, o grande preceptor dos Asuras). Tu conheces também todas as sutilezas ou moralidade, e olhas para todos os Kauravas de forma igual.
Ó, diga-me o que é apropriado para mim e para eles. Ó Vidura, as coisas tendo tomado este rumo, o que nós fazemos agora? Como eu posso assegurar a boa vontade dos cidadãos para que eles não possam nos destruir totalmente? Ó, diga-nos tudo, pois tu és familiarizado com todos os recursos excelentes.' Vidura disse, 'Os três propósitos, ó rei (lucro, prazer, e salvação), tem seus alicerces na virtude, e os sábios dizem que um reino também tem a virtude como sua base. Portanto, ó monarca, de acordo com o melhor do teu poder, cuide virtuosamente dos teus próprios filhos e daqueles de Pandu. Aquela virtude foi enganada por almas perversas com o filho Suvala em sua liderança, quando teus filhos convidaram o justo Yudhishthira e derrotaram-no no jogo de dados. Ó rei, deste feito de total iniquidade eu vejo a expiação pela qual, ó chefe dos Kurus, teu filho, livre do pecado, pode ganhar de volta sua posição entre os bons homens. Que os filhos de Pandu obtenham aquilo que foi dado a eles por ti. Pois, em verdade, é a maior moralidade que um rei permaneça contente com o que possui, e nunca cobice as posses de outros. O teu bom nome então não sofreria, nem ocorreriam dissensões familiares, nem a injustiça seria tua. Este então é o teu principal dever agora, gratificar os Pandavas e desgraçar Sakuni. Se tu desejas devolver para os filhos a boa sorte que eles perderam, então, ó rei, adote rapidamente esta linha de conduta. Se tu não agires assim, os Kurus certamente encontrarão a destruição, pois nem Bhimasena nem Arjuna, se enfurecidos, deixarão vivos alguns dos seus inimigos.
O que há mundo que seja inalcançável para aqueles que tem entre seus guerreiros Savyasachin habilidoso com armas; que tem o Gandiva, a mais poderosa de todas as armas no mundo, como seu arco; e que tem entre eles o poderoso Bhima também como um guerreiro? Antigamente, logo que teu filho nasceu, eu te disse, ‘Abandone este teu filho inauspicioso. Nisto se encontra o bem da tua linhagem.’ Mas tu então não agiste de acordo. Nem também, ó rei, eu indiquei para ti o caminho do teu bem-estar. Se tu agires como eu te aconselhei tu não terás que te arrepender depois. Se teu filho concordar em reinar em paz juntamente com os filhos de Pandu, passando teus dias em alegria tu não terás do que te arrepender. Se for de outra maneira, abandone teu filho pela tua própria felicidade. Pondo Duryodhana de lado, instale o filho de Pandu na soberania, e que, ó rei, Ajatasatru, livre de paixões, governe a terra virtuosamente. Todos os reis da terra, então, como Vaisyas, sem demora, pagarão tributos a nós. E, ó rei, que Duryodhana e Sakuni e Karna sirvam os Pandavas com espontaneidade. E que Dussasana, em público, peça o perdão de Bhimasena e da filha de Drupada também. E pacifique Yudhishthira por colocá-lo no trono com todos os sinais de respeito. Perguntado por ti, o que mais eu poderia te aconselhar a fazer? Fazendo isto, ó monarca, tu farias o que é apropriado.' Dhritarashtra disse, 'Estas palavras, ó Vidura, que tu falaste nesta assembleia, com referência aos Pandavas e a mim mesmo, são para o bem deles mas não para o nosso. A minha mente não as aprova.
Como foi que tu fixaste tudo isso na tua mente agora? Como tu falaste tudo isso em nome dos Pandavas eu percebo que tu não és favorável a mim. Como eu posso abandonar meu filho por causa dos filhos de Pandu? Sem dúvida eles são meus filhos, mas Duryodhana foi gerado do meu corpo. Quem então, falando com imparcialidade, me aconselharia a renunciar ao meu próprio corpo por cauda de outros? Ó Vidura, tudo o que tu dizes é desonesto, embora eu tenha-te em alta estima. Fique ou vá como quiseres. Embora muito possa lhe ser dado, uma mulher incasta abandonará seu marido.'” "Vaisampayana disse, ‘Ó rei, dizendo isso Dhritarashtra ergueu-se de repente e entrou em seus aposentos internos. E Vidura, dizendo ‘Esta família está condenada’, partiu para onde os filhos de Pritha estavam.'" 5 "Vaisampayana disse, 'Desejosos de viver na floresta, aqueles touros da raça Bharata, os Pandavas, com seus seguidores, saindo das margens do Ganges foram ao campo de Kurukshetra. E realizando suas abluções no Saraswati, no Drisadwati e no Yamuna, eles foram de uma floresta para outra, viajando na direção ocidental. E finalmente eles viram à sua frente as florestas Kamyaka, o retiro favorito dos Munis, situada em uma planície nivelada e selvagem nas margens do Saraswati. E naquela floresta, ó Bharata, cheia de aves e veados, aqueles heróis começaram a morar, entretidos e confortados pelos Munis. E Vidura, sempre desejando ver os Pandavas, foi em um único carro às florestas Kamyaka que eram cheias de todas as coisas boas.
E chegando a Kamyaka em um carro levado por corcéis velozes, ele viu Yudhishthira o justo, sentado com Draupadi em um lugar retirado, cercado por seus irmãos e pelos Brahmanas. E vendo Vidura se aproximar de uma distância com passos rápidos, o rei virtuoso endereçou-se a seu irmão Bhimasena dizendo, 'Com que mensagem Kshatta vem a nós? Ele vem para cá, despachado por Sakuni, para nos convidar outra vez para um jogo de dados? Sakuni de mente pequena pretende ganhar outra vez nossas armas nos dados? Ó Bhimasena, desafiado por alguém se endereçando a mim: ‘Venha’, eu sou incapaz de obstar. E se nossa posse do Gandiva se tornar duvidosa, a aquisição do nosso reino também não será assim?'” "Vaisampayana disse, 'Ó rei, os Pandavas então se ergueram e receberam Vidura. E recebido por eles, aquele descendente da linha Ajamida (Vidura) sentou- se no meio deles e fez as perguntas usuais. E depois que Vidura tinha descansado algum tempo, aqueles touros entre homens lhe perguntaram a razão de sua vinda. E Vidura começou a relatar para eles em detalhes tudo com relação à conduta de Dhritarashtra, o filho de Amvika.' Vidura disse, 'Ó Ajatasatru, Dhritarashtra me chamou, seu dependente, diante dele e me honrando devidamente disse, ‘As coisas se sucederam assim. Agora, diga-me o que é bom para os Pandavas assim como para mim.’ Eu disse o que era benéfico para os Kauravas e Dhritarashtra. Mas o que eu disse não foi apreciado por ele, nem eu pude encontrar alguma outra direção. O que eu aconselhei era, ó Pandavas, muito benéfico, mas o filho de Amvika não prestou atenção a mim.
Como um remédio não se torna atraente para alguém que está doente, assim minhas palavras fracassaram em agradar o rei. E, ó tu sem inimigos, como toda esposa incasta na família de um homem de descendência pura não pode ser trazida de volta ao caminho da virtude, assim eu fracassei em trazer Dhritarashtra de volta. De fato, como uma jovem donzela não gosta de um marido de três marcas, assim mesmo Dhritarashtra não gostou das minhas palavras. Sem dúvida a destruição alcançará a raça Kuru, certamente Dhritarashtra nunca obterá boa sorte. Pois, como a água caída em uma folha de lótus não permanece lá, meus conselhos fracassarão em produzir qualquer efeito em Dhritarashtra. O enraivecido Dhritarashtra me disse, ‘Ó Bharata, vá para onde quiseres. Nunca mais eu procurarei tua ajuda para governar a terra ou minha capital’, ó melhor dos monarcas, abandonado pelo rei Dhritarashtra, eu venho a ti para te oferecer bom conselho. O que eu disse na corte pública eu agora repetirei para ti. Escute, e mantenha minhas palavras em mente, ‘Aquele homem sábio que suporta todos os insultos graves empilhados sobre ele por seus inimigos, e pacientemente aguarda sua hora, e multiplica seus recursos assim como homens gradativamente transformam um fogo pequeno em um fogo grande, governa sozinho toda esta terra. Aquele que (em prosperidade) desfruta de sua riqueza com seus partidários encontra neles participantes de sua adversidade, este é o melhor meio de assegurar partidários, e é dito que aquele que tem partidários ganha a soberania do mundo!
E, ó Pandava, dividida tua prosperidade com teus partidários, comporte-te sinceramente com relação a eles, e converse com eles adequadamente! Divida também teu alimento com eles! E nunca te gabe na presença deles! Este comportamento aumenta a prosperidade dos reis!' Yudhishthira disse, 'Recorrendo à tal inteligência elevada, imperturbado pela aflição, eu farei como tu me aconselhas! E qualquer outro conselho que tu possas me dar a respeito de hora e lugar eu seguirei totalmente com cuidado.'" 6 "Vaisampayana disse, 'Ó rei, depois que Vidura tinha ido para a residência dos Pandavas, Dhritarashtra, ó Bharata, de sabedoria profunda, se arrependeu de sua ação. E pensando na grande inteligência de Vidura em questões ligadas à guerra e paz, e também no engrandecimento dos Pandavas no futuro, Dhritarashtra, atormentado ao se lembrar de Vidura, tendo se aproximado da porta da sala de estado caiu sem sentidos na presença dos monarcas (à espera). E recuperando a consciência, o rei ergueu-se do chão e assim se endereçou a Sanjaya que estava em espera, 'Meu irmão e amigo é como o próprio deus da justiça! Lembrando me dele hoje meu coração queima de dor! Vá, traga para mim sem demora meu irmão bem versado em moralidade!' Assim dizendo, o monarca chorou amargamente. E queimando de arrependimento, e cheio de tristeza pela recordação de Vidura, o rei, por afeto fraterno, se endereçou novamente a Sanjaya dizendo, 'Ó Sanjaya, vá e verifique se meu irmão, expulso por minha pessoa vil pela raiva, ainda vive!
Aquele meu irmão sábio de inteligência incomensurável nunca foi culpado nem da menor transgressão, mas, por outro lado, ele é quem sobre uma injustiça grave nas minhas mãos! Procure-o, ó sábio, e traga-o para cá; senão, ó Sanjaya, eu sacrificarei minha vida!’" “Vaisampayana continuou, ‘Ouvindo estas palavras do rei, Sanjaya expressou sua aprovação, e dizendo ‘Assim seja’ foi na direção das florestas Kamyaka. E chegando sem perda de tempo na floresta onde os filhos de Pandu moravam, ele viu Yudhishthira vestido em peles de veado, sentado com Vidura, no meio de Brahmanas aos milhares e protegido por seus irmãos, assim como Purandara no meio dos celestiais! E se aproximando de Yudhishthira, Sanjaya o adorou devidamente e foi recebido com o devido respeito por Bhima e Arjuna e os gêmeos. E Yudhishthira fez as perguntas usuais acerca do bem-estar dele, e quando ele estava sentado comodamente ele revelou a razão de sua visita nestas palavras, ‘O rei Dhritarashtra, o filho de Amvika, ó Kshatta, se lembrou de ti! Voltando para ele sem perda de tempo, reviva o rei! E, ó melhor dos homens, com a permissão destes príncipes Kuru, estes principais dos homens, cabe a ti, por ordem daquele leão entre reis, retornar a ele!” “Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado por Sanjaya, o inteligente Vidura, sempre ligado a seus parentes, com a permissão de Yudhishthira voltou à cidade que recebeu o nome de elefante.
E depois que ele tinha se aproximado do rei, Dhritarashtra de grande energia, o filho de Amvika, endereçou-se a ele, dizendo, 'Somente pela minha boa sorte, ó Vidura, tu, ó impecável, conhecedor da moralidade, vieste para cá lembrando-te de mim! E, ó touro da raça Bharata, na tua ausência eu estava contemplando a mim mesmo, insone dia e noite, como alguém que se perdeu sobre a terra!' E o rei então tomou Vidura em seu colo e cheirou sua cabeça, e disse, 'Perdoe-me, ó impecável, pelas palavras que eu te disse!' E Vidura disse, 'Ó rei, eu te perdoei. Tu és meu superior, digno da maior reverência! Aqui estou eu, tendo voltado, avidamente desejando te ver! Todos os homens virtuosos, ó tigre entre homens, são (instintivamente) favoráveis àqueles que estão aflitos! Isto, ó rei, mal é resultado de deliberação! (Minha parcialidade pelos Pandavas procede desta causa)! Ó Bharata, teus filhos são tão queridos para mim como os filhos de Pandu, mas como os últimos estão agora em infortúnio meu coração se apieda deles!’ "Vaisampayana continuou, 'Endereçando-se um ao outro assim em palavras apologéticas, os dois irmãos ilustres, Vidura e Dhritarashtra, se sentiram muito felizes!'" “Vaisampayana disse, ‘Sabendo que Vidura tinha voltado, e que o rei o tinha consolado, o filho de mente má de Dhritarashtra começou a queimar em angústia. Com sua mente nublada pela ignorância, ele convocou o filho de Suvala, e Karna e Dussasana, e se endereçou a eles dizendo, ‘O erudito Vidura, o ministro do sábio Dhritarashtra, voltou!
Amigo dos filhos de Pandu, ele está sempre dedicado a fazer o que é benéfico para eles. Enquanto Vidura não consegue induzir o rei a trazê-los de volta, pensem todos no que possa me beneficiar! Se eu vir os filhos de Pritha voltarem para a cidade, eu ficarei novamente emaciado por renunciar à comida e à bebida, mesmo que não haja obstáculos no meu caminho! E eu ou tomarei veneno ou me enforcarei, ou entrarei na pira funerária ou me matarei com minhas próprias armas. Mas eu nunca poderei ver os filhos de Pandu em prosperidade!’ Sakuni disse, ‘Ó rei, ó senhor da terra, que insensatez tomou posse de ti! Os Pandavas foram para a floresta tendo feito uma promessa específica, assim isso que tu receias nunca ocorrerá! Ó touro da raça Bharata, os Pandavas sempre são fiéis à verdade. Eles, portanto, nunca aceitarão as palavras do teu pai! Se, no entanto, aceitando as ordens do rei eles voltarem à capital, violando seu voto, esta será nossa conduta: assumindo um aspecto de neutralidade, e em obediência aparente à vontade do monarca, nós vigiaremos de perto os Pandavas, mantendo nossos planos!’ Dussasana disse, 'Ó tio de grande inteligência, é assim como tu disseste! As palavras de sabedoria que tu proferes sempre se recomendam para mim!' Karna disse, 'Ó Duryodhana, todos nós procuramos realizar a tua vontade, e, ó rei, eu vejo que a unanimidade prevalece entre nós no momento! Os filhos de Pandu, com paixões sob controle completo, nunca voltarão sem ter passado o período prometido.
Se, no entanto, eles voltarem por falta de senso, derrote-os novamente nos dados.'” "Vaisampayana disse, 'Assim endereçado por Karna, o rei Duryodhana com coração triste desviou seu rosto de seus conselheiros. Notando tudo isto, Karna arregalando seus belos olhos e gesticulando veementemente com raiva, se dirigiu arrogantemente a Duryodhana e Dussasana e ao filho de Suvala, dizendo, 'Ó príncipes, saibam a minha opinião! Nós somos todos servos do rei (Duryodhana), servindo-o com palmas unidas! Nós devemos, portanto, fazer o que é agradável para ele! Mas nós não somos sempre capazes de procurar o bem-estar dele com presteza e atividade (devido à nossa dependência de Dhritarashtra)! Mas que nós agora, vestidos em cotas de malha e armados com nossas armas, subamos em nossos carros e vamos juntos matar os Pandavas que agora vivem na floresta! Depois que os Pandavas forem aquietados e depois deles terem partido na viagem desconhecida, nós e os filhos de Dhritarashtra encontraremos paz! Enquanto eles estiverem em infortúnio, enquanto eles estiverem em tristeza, enquanto eles estiverem desprovidos de ajuda, nós estaremos equiparados a eles! Esta é minha opinião!' Ouvindo estas palavras do filho do cocheiro, eles repetidamente o aplaudiram, e finalmente exclamaram, 'Muito bem'. E dizendo isso cada um deles subiu em seu carro, e otimistas do sucesso, eles se apressaram em conjunto para matar os filhos de Pandu. E sabendo por sua visão espiritual que eles tinham partido (com aquele objetivo), o mestre Krishna-Dwaipayana de alma pura os encontrou, e ordenou que eles desistissem.
E despachando-os de volta, o santo, adorado por todos os mundos, rapidamente apareceu perante o rei cuja inteligência servia aos propósitos da visão, e que estava então sentado tranquilamente. E o santo se endereçou ao monarca dessa forma.'’ 8 "Vyasa disse, 'Ó sábio Dhritarashtra, ouça o que eu digo! Eu te direi o que é para o grande bem de todos os Kauravas! Ó tu de braços poderosos, não me agrada que os Pandavas tenham ido para a floresta derrotados desonestamente (nos dados) por Duryodhana e outros! Ó Bharata, no término do décimo terceiro ano, lembrando-se de todas as suas aflições, eles despejarão armas causadoras de morte, assim como veneno virulento, sobre os Kauravas! Por que teu filho pecaminoso de coração perverso, sempre inflamado com ira, procura matar os filhos de Pandu por causa de seu reino? Que o tolo seja contido, que teu filho permaneça quieto! Ao tentar matar os Pandavas no exílio ele somente perderá sua própria vida. Tu és tão honesto como o sábio Vidura, ou Bhishma, ou nós, ou Kripa, ou Drona, ó tu de grande sabedoria, desavenças com seus próprios parentes são proibidas, pecaminosas e repreensíveis! Portanto, ó rei, cabe a ti desistir de tais ações! E, ó Bharata, Duryodhana olha com tal ciúmes em direção aos Pandavas que um grande mal será a consequência, se tu não interferires. Ou que este teu filho pecaminoso, ó monarca, sozinho e desacompanhado, vá ele mesmo para a floresta e viva com os filhos de Pandu. Pois então, se os Pandavas, pela associação, sentirem alguma simpatia por Duryodhana, então, ó rei de homens, a boa sorte será tua.
(Isto, no entanto, não pode ser)! Pois é sabido que a natureza congênita de uma pessoa não a deixa até a morte. Mas o que Bhishma e Drona e Vidura pensam? O que também tu pensas? Aquilo que é benéfico deve ser feito enquanto há tempo, senão teus propósitos não serão realizados.' 9 Dhritarashtra disse, ‘Ó santo, eu não gostei desse negócio de jogo, mas, ó Muni, eu penso que eu fui feito concordar com isto arrastado pelo destino! Nem Bhishma, nem Drona, nem Vidura, nem Gandhari gostaram deste jogo de dados. Sem dúvida, isto foi gerado pela insensatez. E, ó tu que te deleitas na observância de votos, ó ilustre, sabendo de tudo mas ainda influenciado por afeto paterno eu não posso rejeitar meu filho insensato, Duryodhana!’ Vyasa disse, 'Ó rei, ó filho de Vichitravirya, o que tu dizes é verdadeiro! Nós sabemos bem que um filho é a melhor de todas as coisas e que não há nada que seja tão bom quanto um filho. Instruído pelas lágrimas de Suravi, Indra veio a saber que um filho supera em importância outras posses valiosas. Ó monarca, em relação a isto, eu narrarei para ti aquela excelente e melhor das histórias, a conversa entre Indra e Suravi. Antigamente, Suravi, a mãe das vacas, estava uma vez chorando nas regiões celestes. Ó filho, Indra teve compaixão por ela, e questionou-a, dizendo, 'Ó auspiciosa! Por que tu choras? Está tudo bem com os celestiais? Alguma desgraça qualquer, mesmo que muito pequena, aconteceu ao mundo dos homens ou serpentes?' Suravi respondeu, 'Nenhum mal aconteceu a ti que eu perceba.
Mas eu estou aflita por causa do meu filho, e é por isso, ó Kausika, que eu choro! Veja, ó chefe dos celestiais, aquele agricultor cruel está espancando meu filho fraco com um pau de madeira, e oprimindo-o com o (peso do) arado, em consequência do qual meu filho agitado com agonia está caindo sobre o solo e está às portas da morte. À vista disto, ó senhor dos celestiais, eu estou cheia de compaixão, e minha mente está agitada! Aquele que é o mais forte do par está suportando sua carga de peso maior (com facilidade), mas, ó Vasava, o outro está magro e fraco e é uma massa de veias e artérias! Ele suporta sua carga com dificuldade! E é por ele que eu sofro. Veja, ó Vasava, violentamente atingido pelo chicote, e extremamente atormentado, ele é incapaz de suportar sua carga. E é por ele que, movida pela aflição, eu choro com o coração pesado e estas lágrimas de compaixão escorrem dos meus olhos!' Sakra disse, ‘Ó formosa, quando milhares dos teus filhos são (diariamente) oprimidos, por que tu te afliges por um sob sofrimento?’ Suravi respondeu. ‘Embora eu tenha mil filhos ainda assim meu amor flui igualmente em direção a todos! Mas, ó Sakra, eu sinto maior compaixão por um que seja fraco e inocente!’ Vyasa continuou, 'Então Indra, tendo ouvido estas palavras de Suravi, ficou muito surpreso, e ó tu da raça Kuru, ele se tornou convencido de que um filho é mais caro do que a vida! E o ilustre castigador de Paka então derramou de repente uma chuva grossa e causou a obstrução do trabalho do agricultor. E como Suravi disse, teu afeto, ó rei, flui igualmente para todos os teus filhos.
Que este então seja maior por aqueles que estão fracos! E como meu filho Pandu é para mim, assim és tu, ó filho, e assim também Vidura de sabedoria profunda! É por afeição que eu te digo tudo isso! Ó Bharata, tu possuis cento e um filhos, mas Pandu tem somente cinco. E eles estão em uma má situação e passam seus dias em miséria. Como podem eles salvar suas vidas, como podem eles nutrir tais pensamentos com relação aos atormentados filhos de Pritha? Isto constantemente agita minha alma! Ó rei da terra, se tu desejas que todos os Kauravas vivam, que teu filho Duryodhana faça as pazes com os Pandavas!' Dhritarashtra disse, ‘Ó Muni de sabedoria profunda, é assim como tu disseste! Eu sei bem disso assim como todos estes reis! De fato, o que tu consideras benéfico para os Kurus me foi indicado, ó Muni, por Vidura e Bhishma e Drona. E, se eu mereço teu favor, e se tu tens bondade para com os Kurus, aconselhe meu filho perverso Duryodhana!’ Vyasa disse, ‘Ó rei, depois de ter visto os irmãos Pandava, vem para cá o santo Rishi Maitreya, com o desejo de nos ver. Aquele Rishi poderoso, ó rei, admoestará teu filho pelo bem-estar desta linhagem. E, ó Kauravya, o que ele recomendar deve ser seguido indubitavelmente, pois se o que ele recomendar não for feito, o sábio amaldiçoará teu filho em fúria.’” “Vaisampayana continuou, ‘Assim dizendo, Vyasa partiu, e Maitreya fez seu aparecimento. E o rei com seu filho recebeu respeitosamente aquele chefe de Munis cansado de viajar com oferendas de Arghya e outros ritos.
E o rei Dhritarashtra, o filho de Amvika, em palavras de respeito assim se endereçou ao sábio, ‘Ó santo, a viagem para Kuru-jangala foi agradável? Aqueles heróis, os cinco Pandavas, vivem alegremente? Aqueles touros da raça Kuru pretendem ficar fora seu tempo? O afeto fraterno dos Kauravas será prejudicado?’ Maitreya disse, 'Partindo em uma peregrinação para diferentes santuários, eu cheguei à Kuru-jangala, e lá eu inesperadamente vi Yudhishthira o justo, nas florestas de Kamyaka. E, ó nobre, muitos Munis foram lá para ver Yudhishthira de grande alma, residindo em um retiro ascético, vestido em peles de veado e com cabelos emaranhados. Foi lá, ó rei de reis, que eu soube do grave erro cometido por teus filhos e da calamidade e do perigo terrível, resultantes dos dados, que os tinham alcançado. Portanto, é por isso que eu vim a ti, para o bem dos Kauravas, já que, ó exaltado, meu afeto por ti é grande e eu me alegro contigo! Ó rei, não é apropriado que teus filhos, por qualquer causa, disputem entre si, com tu mesmo e Bhishma vivendo. Tu és, ó rei, a estaca na qual os touros são amarrados (na corda de andar), e tu és competente para punir e recompensar! Por que tu então negligencias este grande mal que está prestes a alcançar a todos?
E, ó descendente dos Kurus, por estes males que foram cometidos na tua corte, os quais são como as ações de párias desprezíveis, tu não és bem lembrado entre os ascetas!'” "Vaisampayana continuou, 'Então se voltando ao colérico príncipe Duryodhana, o ilustre Rishi Maitreya se endereçou a ele nestas palavras gentis, 'Ó Duryodhana de braços poderosos, ó melhor de todos os homens eloquentes, ó ilustre, preste atenção às palavras que eu vou proferir para o teu bem! Ó rei, não procure briga com os Pandavas! E, ó touro entre homens, realize o teu próprio bem como também o dos Pandavas, dos Kurus e do mundo! Todos aqueles tigres entre homens são heróis da mais elevada destreza em guerra, dotados da força de dez mil elefantes, com corpos rígidos como o raio, mantendo jejum por suas promessas, e orgulhosos de sua virilidade! Eles mataram os inimigos dos celestiais, aqueles Rakshasas capazes de assumir qualquer forma à vontade, aqueles que eram encabeçados por Hidimva e Kirmira! Quando aqueles de grande alma saíram daqui aquele Rakshasa de alma feroz obstruiu seu caminho noturno assim como uma colina imóvel. E assim como um tigre mata um veado pequeno, Bhima, aquele principal dentre todos os dotados de força, e sempre encantado em lutar, matou aquele monstro. Considere também, ó rei, que enquanto fora em sua campanha de conquista Bhima matou em batalha aquele guerreiro poderoso, Jarasandha, possuidor da força de dez mil elefantes. Parentes de Vasudeva e tendo os filhos do rei Drupada como seus cunhados, quem que esteja sujeito à decrepitude e morte poderia com eles em batalha?
Ó touro da raça Bharata, que haja paz entre ti e os Pandavas! Siga meus conselhos e não te entregue à raiva!’ 'Ó rei, assim admoestado por Maitreya, Duryodhana começou a dar tapas em sua coxa parecida com a tromba do elefante, e sorridente começou a riscar o chão com seu pé. E o patife pecaminoso não falou uma palavra, mas manteve sua cabeça baixa. E, ó monarca, vendo Duryodhana assim lhe fazer uma desfeita por riscar o chão silenciosamente, Maitreya ficou zangado. E, como se incumbido pelo destino, Maitreya, o melhor dos Munis, dominado pela cólera, fixou sua mente em amaldiçoar Duryodhana! E então, com olhos vermelhos de raiva, Maitreya, tocando a água, amaldiçoou o filho de mente má de Dhritarashtra, dizendo, 'Já que, me desdenhando, tu te recusas a agir segundo as minhas palavras, tu logo colherás o fruto desta tua insolência! Na grande guerra que virá dos males cometidos por ti, o poderoso Bhima esmagará esta tua coxa com um golpe da maça dele!’ Quando o Muni tinha falado assim o rei Dhritarashtra começou a acalmar o sábio, a fim de que o que ele tinha dito pudesse não acontecer. Mas Maitreya disse, 'Ó rei, se teu filho firmar a paz com os Pandavas, esta minha maldição, ó filho, não terá efeito, do contrário será como eu falei!'” “Vaisampayana disse, ‘Desejoso de averiguar o poder de Bhima, aquele principal dos reis, o pai de Duryodhana, então questionou Maitreya, dizendo, ‘Como Kirmira foi morto por Bhima?’ Maitreya disse, 'Eu não falarei a ti novamente, ó rei, pois minhas palavras não são respeitadas por teu filho.
Depois de eu ter partido Vidura narrará tudo para ti!' E assim dizendo Maitreya partiu para o lugar de onde ele tinha vindo. E Duryodhana também saiu perturbado pelas informações sobre a morte de Kirmira (pelas mãos de Bhima).'" 11 (Kirmirabadha Parva) “Dhritarashtra disse, ‘Ó Kshatta, eu estou desejoso de saber sobre a destruição de Kirmira! Conte-me como ocorreu o combate entre o Rakshasa e Bhimasena!’ Vidura disse, 'Escute à história desta façanha de Bhimasena de realizações sobre-humanas! Eu muitas vezes ouvi sobre ela no decorrer da minha conversa com os Pandavas (enquanto eu estava com eles). Ó principal dos reis, derrotados nos dados os Pandavas partiram daqui e viajando por três dias e noites eles finalmente alcançaram aquelas florestas conhecidas pelo nome de Kamyaka. Ó rei, logo depois da hora terrível da meia- noite, quando toda a natureza está adormecida, quando os Rakshasas comedores de homens de feitos terríveis começam a vagar, os ascetas e os vaqueiros e outros caminhantes da floresta costumam evitar as florestas de Kamyaka e fugir para uma distância por medo de canibais. E, ó Bharata, como os Pandavas estavam naquela hora entrando naquelas florestas, um medonho Rakshasa de olhos flamejantes apareceu diante deles com um tição aceso, obstruindo seu caminho. E com braços esticados e rosto terrível, ele ficou obstruindo o caminho no qual aqueles perpetuadores da raça Kuru estavam prosseguindo.
Com oito dentes salientes, com olhos cor de cobre, e com o cabelo de sua cabeça fulgurante e ereto, o demônio parecia uma massa de nuvens refletindo os raios do sol ou misturada com relâmpagos e ornada com bandos de grous voando. E proferindo gritos terríveis e rugindo como uma massa de nuvens carregada de chuva, o demônio começou a espalhar a ilusão própria da sua espécie. Ouvindo aquele rugido terrível, aves junto com outras criaturas viventes na terra ou na água começaram a correr em todas as direções, proferindo gritos de medo. E por causa dos veados e leopardos e búfalos e ursos fugindo em todas as direções, parecia que a própria floresta estava em movimento. E agitadas pelo vento erguido pelos suspiros do Rakshasa, trepadeiras que cresciam a uma grande distância pareciam abraçar as árvores com seus braços de folhas acobreadas. E naquele momento, um vento violento começou a soprar, e o céu ficou escurecido com a poeira que o cobriu. E como a dor é a maior inimiga do objeto dos cinco sentidos, assim mesmo apareceu diante dos Pandavas aquele inimigo desconhecido deles. E vendo os Pandavas a uma distância vestidos em camurças pretas, o Rakshasa impediu sua passagem pela floresta assim como a montanha Mainaka. E à visão dele, nunca vista antes, Krishna de olhos de lótus, agitada pelo medo, fechou seus olhos. E aquela cujas tranças tinham sido despenteadas pela mão de Dussasana, posicionada no meio dos cinco Pandavas, parecia com uma correnteza em meio a cinco colinas.
E vendo-a tomada pelo medo os cinco Pandavas a sustentaram como os cinco sentidos influenciados pelo desejo aderem aos prazeres relativos a seus objetos. E Dhaumya de grande energia (ascética), na presença dos filhos de Pandu, destruiu a ilusão terrível que tinha sido espalhada pelo Rakshasa, por aplicar vários mantras, calculados para destruir o Rakshasa. E vendo sua ilusão dissipada, o poderoso Rakshasa de hábitos desonestos, capaz de assumir qualquer forma que quisesse, arregalou seus olhos em cólera e pareceu com a própria morte. Então o rei Yudhishthira, dotado de grande sabedoria, se dirigiu a ele dizendo, 'Quem és tu, e de quem és (filho)? Diga o que nós devemos fazer para ti.' O Rakshasa assim endereçado, respondeu a Yudhishthira o justo, dizendo, 'Eu sou o irmão de Vaka, o célebre Kirmira. Eu vivo em paz nestas florestas abandonadas de Kamyaka, diariamente obtendo minha comida por derrotar homens em luta. Quem são vocês que se aproximam de mim na forma de minha comida? Derrotando todos vocês em combate, eu os comerei com prazer.'” “Vaisampayana continuou, ‘Ó Bharata, ouvindo estas palavras do patife, Yudhishthira anunciou seu próprio nome e linhagem, dizendo, ‘Eu sou o rei Yudhishthira o justo, filho de Pandu, de quem tu deves ter ouvido. Privado do meu reino, eu, com meus irmãos Bhimasena e Arjuna e os outros, no decurso das minhas viagens, cheguei a esta floresta terrível que é teu domínio, desejoso de passar meu período de exílio aqui!’ Vidura continuou, 'Kirmira disse a Yudhishthira, 'Por boa sorte é que o destino hoje realizou o meu desejo de muito tempo!
Com armas erguidas eu tenho vagado constantemente por toda a terra com o objetivo de matar Bhima. Mas eu não encontrei Bhima. Por boa sorte é que o assassino do meu irmão, a quem eu vinha procurando tanto, veio perante mim! Foi ele quem no disfarce de um Brahmana matou meu querido irmão Vaka na floresta Vetrakiya em virtude de sua ciência. Ele não tem realmente força de braço! Foi também este de alma perversa quem antigamente assassinou meu caro amigo Hidimva, que vivia nesta floresta e raptou sua irmã! E este tolo agora veio a esta minha floresta profunda, quando metade da noite é passada, na mesma hora em que nós vagamos! Hoje eu realizarei a minha vingança muito tempo desejada sobre ele, e eu hoje gratificarei (o espírito) de Vaka com seu sangue em abundância! Por matar este inimigo dos Rakshasas, eu hoje serei liberto da dívida que tenho para com meu amigo e meu irmão, e assim alcançarei a felicidade suprema! Se Bhimasena foi deixado livre antigamente por Vaka, hoje eu o devorarei à tua vista, ó Yudhishthira! E assim como Agastya comeu e digeriu o Asura poderoso (Vatapi) eu comerei e digerirei este Bhima!' Vidura continuou, 'Assim endereçado pelo Rakshasa, o virtuoso Yudhishthira, firme em suas promessas, disse, 'Nunca poderá ser assim’, e com raiva repreendeu o Rakshasa. Bhima de braços poderosos então arrancou às pressas uma árvore do comprimento de dez Vyasas e despiu-a de suas folhas. No espaço de um instante Arjuna sempre vitorioso encordoou seu arco Gandiva possuindo a força do raio.
E, ó Bharata, fazendo Jishnu desistir, Bhima se aproximou daquele Rakshasa ainda rugindo como as nuvens e disse a ele, 'Espere! Espere!' E assim se dirigindo ao canibal, e apertando o tecido em redor de sua cintura, e esfregando suas palmas, e mordendo seu lábio inferior com seus dentes, e armado com a árvore, o poderoso Bhima avançou em direção ao inimigo. E como Maghavat lançando seu raio, Bhima fez aquela árvore, parecendo com a maça do próprio Yama descer com força na cabeça do canibal. O Rakshasa, no entanto, foi visto permanecer impassível àquele golpe, e não vacilou no conflito. Por outro lado, ele arremessou seu tição aceso, flamejante como relâmpago, em Bhima. Mas aquele principal dos guerreiros desviou-o com seu pé esquerdo de tal maneira que ele voltou em direção ao Rakshasa. Então o feroz Kirmira, de sua parte, arrancando subitamente uma árvore, se lançou ao combate como a maça levando o próprio Yama. E aquela luta, tão destrutiva de árvores, parecia com o confronto nos tempos passados entre os irmãos Vali e Sugriva pela posse da mesma mulher. E as árvores golpeavam as cabeças dos combatentes, e eram quebradas em fragmentos, como talos de lotos jogados nas têmporas de elefantes enfurecidos. E naquela grande floresta, árvores inumeráveis, esmagadas como juncos, jaziam espalhadas como trapos. Aquele combate com árvores entre aquele principal dos Rakshasas e aquele melhor dos homens, ó tu touro da raça Bharata, durou somente um momento. Então erguendo um rochedo, o furioso Rakshasa arremessou-o em Bhima que permanecia diante dele, mas o último não vacilou.
Então como Rahu indo devorar o sol dispersando seus raios com braços esticados, o Rakshasa com braços esticados se precipitou em direção a Bhima, que tinha permanecido firme sob o golpe infligido com o rochedo. E arrastando e agarrando um ao outro de diversas maneiras eles pareciam dois touros enfurecidos lutando entre si. Ou como dois tigres poderosos armados com dentes e garras, e o combate entre se tornou feroz e duro. E se lembrando da sua (recente) ignomínia nas mãos de Duryodhana, e orgulhoso da força dos seus braços, e consciente também de Krishna olhando para ele, Vrikodara começou a crescer em vigor. E tomado pela raiva, Bhima agarrou o Rakshasa com seus braços, como um elefante no cio agarra outro. E o Rakshasa poderoso também por sua vez agarrou seu adversário, mas Bhimasena, aquele principal de todos os homens dotados de força, jogou o canibal para baixo com violência. Os sons que aqueles combatentes poderosos faziam pressionando as mãos um do outro eram terríveis e pareciam com os sons de bambus se lascando. E arremessando o Rakshasa para baixo, Bhima agarrou-o pela cintura, e começou a girá-lo em volta, assim como um furacão violento sacode uma árvore. E agarrado dessa maneira pelo poderoso Bhima, o Rakshasa fatigado ficou desfalecido, e tremendo completamente, ele ainda apertava o (Pandava) com toda sua força. E, percebendo-o fatigado, Vrikodara colocou seus próprios braços em volta do inimigo, assim como alguém amarra um animal com corda. E o monstro então começou a rugir terrivelmente, como uma trombeta com defeito.
E o poderoso Vrikodara por um longo tempo girou o Rakshasa até que o último apareceu estar insensível, e começou a se mover convulsivamente. Ao descobrir o Rakshasa esgotado, o filho de Pandu sem perda de tempo pegou-o em seus braços e matou-o como um animal. E colocando seu joelho na cintura daquele Rakshasa vil, Vrikodara começou a apertar o pescoço do inimigo com suas mãos. Então Bhima, arrastando pela terra o corpo machucado do Rakshasa com as pálpebras prestes a se fechar, disse, 'Ó canalha pecaminoso, tu não terás mais que enxugar as lágrimas de Hidimva ou Vaka, pois tu estás prestes a ir para as mansões de Yama!' E dizendo isso, aquele principal dos homens, seu coração cheio de ira, vendo o Rakshasa desprovido de vestuário e ornamentos, e inconsciente, e sofrendo convulsões, deixou-o morto. E depois que aquele Rakshasa de cor como a das nuvens tinha sido morto, o filho daquele melhor dos reis (Pandu) louvou Bhima por suas muitas qualidades, e colocando Krishna em sua frente, partiu para as florestas Dwaita.’ Vidura disse, 'Foi assim, ó senhor de homens, que Kirmira foi morto em combate por Bhima, em obediência, ó Kaurava, às ordens de Yudhishthira o justo! E tendo livrado a floresta de sua peste, o vitorioso Yudhishthira o justo começou a viver naquela sua residência, com Draupadi. E aqueles touros da raça Bharata, confortando Draupadi, começaram a exaltar Bhima alegremente com corações contentes. E depois que o Rakshasa tinha sido morto, derrotado pelo poder dos braços de Bhima, aqueles heróis entraram naquela floresta pacífica livre de seu aborrecimento.
Passando pela grande floresta eu vi jazendo o corpo do Rakshasa pecaminoso e destemido morto pelo poder de Bhima. E, ó Bharata, lá eu ouvi sobre esta realização de Bhima daqueles Brahmanas que se reuniram em volta dos Pandavas.'” “Vaisampayana continuou, 'Ouvindo o relato sobre a morte de Kirmira em combate, aquele principal dos Rakshasas, o rei suspirou em tristeza e ficou absorto em pensamentos.'" 12 (Arjunabhigamana Parva) “Vaisampayana disse, 'Sabendo que os Pandavas tinham sido banidos, os Bhojas, os Vrishnis, e os Andhakas foram até aqueles heróis residindo em aflição na grande floresta. E os parentes consanguíneos de Panchala, e Dhrishtaketu, o rei de Chedi, e aqueles irmãos célebres e poderosos, os Kaikeyas, com seus corações inflamados pela cólera, foram para a floresta ver os filhos de Pritha. E criticando os filhos de Dhritarashtra, eles disseram, 'O que nós devemos fazer?' E aqueles touros da raça Kshatriya, com Vasudeva em sua liderança, sentaram-se em volta de Yudhishthira o justo. E respeitosamente saudando o principal dos Kurus, Kesava disse pesarosamente, 'A terra beberá o sangue de Duryodhana e Karna, de Dussasana e do pecaminoso Sakuni! Matando-os em batalha e derrotando seus seguidores junto com seus aliados reais, nós todos instalaremos Yudhishthira o justo no trono! Os perversos merecem ser mortos! Na verdade, esta é a moralidade eterna.'” “Vaisampayana continuou, 'E quando por conta dos males dos filhos de Pritha Janardana tinha se enfurecido dessa maneira, e parecia disposto a consumir todas as coisas criadas, Arjuna se esforçou para acalmá-lo.
E vendo Kesava zangado, Falguna começou a recitar as façanhas realizadas em suas vidas anteriores por aquela alma de todas as coisas, ele mesmo imensurável, eterno, de energia infinita, o senhor do próprio Prajapati, o soberano supremo dos mundos, Vishnu de sabedoria profunda!' Arjuna disse, 'Antigamente, tu, ó Krishna, vagaste nas montanhas Gandhamadana por dez mil anos como um Muni tendo seu lar onde a noite caísse! Vivendo só de água, tu, nos tempos passados, ó Krishna, também moraste por onze mil anos completos ao lado do lago de Pushkara! E, ó matador de Madhu, com braços erguidos e permanecendo sobre uma perna, tu passaste cem anos nas altas colinas de Vadari, todo o tempo vivendo do ar! (Vadari é também chamado Vadarika, um eremitério no Himalaya perto das fontes do Ganges). E deixando de lado tua peça de roupa superior, com corpo emaciado e parecendo com um feixe de veias, tu viveste nas margens do Saraswati, empenhado no teu sacrifício que se estendia por doze anos! E, ó Krishna de energia poderosa, no cumprimento do teu voto tu permaneceste sobre uma perna pela duração de mil anos dos celestiais, nas planícies de Prabhasa às quais cabe aos virtuosos visitar! Vyasa me disse que tu és a causa da criação e seu rumo! E, ó Kesava, o senhor de Kshetra, tu és o movedor de todas as mentes, e o início e fim de todas as coisas! Todo ascetismo se apóia em ti, e tu também és a encarnação de todos os sacrifícios, e o único eterno!
Matando o Asura Naraka, prole do primogênito da Terra, tu obtiveste seus brincos, e realizaste, ó Krishna, o primeiro Sacrifício de Cavalo (oferecendo aquele Asura como o cavalo sacrifical)! E, ó touro de todos os mundos, tendo realizado aquela façanha, tu te tornaste vitorioso sobre todos! Tu mataste todos os Daityas e Danavas reunidos em batalha, e dando ao marido de Sachi (Indra) a soberania do universo, tu, ó Kesava de braços poderosos, tomaste teu nascimento entre os homens! Ó matador de todos os inimigos, tendo flutuado nas águas primordiais, tu posteriormente te tornaste Hari (a semente desenvolvida que se expande no vasto conjunto do universo) e Brahma e Surya e Dharma, e Dhatri e Yama e Anala e Vasu, e Vaisravana, e Rudra, e Kala e o firmamento, a terra, e as dez direções! Tu mesmo incriado, tu és o senhor do universo móvel e imóvel, o Criador de tudo, ó tu principal de todas as existências! E, ó matador de Madhu, ó tu de energia abundante, na floresta de Chitraratha, ó Krishna, tu gratificaste com teu sacrifício o principal de todos os deuses, o mais sublime dos sublimes! Ó Janardana, em cada sacrifício tu oferecestes, de acordo com partes, ouro às centenas e milhares. E, ó filho da raça Yadava, tornando-te o filho de Aditi, ó exaltado dos atributos supremos, tu foste conhecido como o irmão mais novo de Indra! E, ó castigador de inimigos, mesmo enquanto uma criança, tu, ó Krishna, por causa da tua energia preencheste somente com três passos o céu, o firmamento, e a terra!
E, ó tu alma de tudo, cobrindo o céu e o firmamento (enquanto tu estavas assim transformado), tu habitaste no corpo do sol e o afligiste com teu próprio esplendor! E, ó sublime, em tuas encarnações naquelas milhares de ocasiões, tu mataste, ó Krishna, Asuras pecaminosos às centenas! Por destruir os Mauravas e os Pashas, e matando Nisunda e Naraka, tu novamente tornaste segura a estrada para Pragjyotisha! Tu mataste Ahvriti em Jaruthi, e Kratha e Sisupala com seus partidários, e Jarasandha e Saivya e Satadhanwan! E no teu carro rugindo como as nuvens e refulgente como o sol, tu obtiveste como tua rainha a filha de Bhoja, derrotando Rukmi em batalha! Tu em fúria mataste Indradyumna e o Yavana chamado Kaseruman! E matando Salwa, o senhor de Saubha, tu destruíste aquela cidade do próprio Saubha! Estes todos foram mortos em batalha; ouça-me enquanto eu falo de outros (também mortos por ti)! Em Iravati tu mataste o rei Bhoja igual a Karttavirya em batalha, e ambos Gopati e Talaketu também foram mortos por ti! E, ó Janardana, tu também te apropriaste da cidade sagrada de Dwarka, cheia de riqueza e agradável para os próprios Rishis, e tu irás submergi-la no fim dentro do oceano! Ó matador de Madhu, como pode a maldade estar em ti, desprovido como tu és, ó tu da linhagem Dasarha, de raiva e inveja e mentira e crueldade? Ó tu que não conheces deterioração, todos os Rishis, indo até ti sentado em tua glória sobre o solo sacrifical, procuram tua proteção!
E, ó matador de Madhu, tu permaneces no fim do Yuga, contraindo todas as coisas e recolhendo este universo no teu próprio ser, tu repressor de todos os inimigos! Ó tu da raça Vrishni, no início do Yuga, surgiu do teu umbigo como lótus o próprio Brahma, o senhor de todas as coisas móveis e imóveis, e de quem é este universo inteiro! Quando os terríveis Danavas Madhu e Kaitava estavam dispostos a matar Brahma, vendo seu esforço ímpio tu ficaste zangado, e da tua testa, ó Hari, surgiu Sambhu, o manejador do tridente. Assim aquelas duas principais das divindades surgiram do teu corpo para fazer teu trabalho! Foi Narada quem me disse isto! Ó Narayana, na floresta de Chaitraratha tu celebraste com presentes abundantes um grandioso sacrifício consistindo de uma multidão de ritos! Ó Deus, ó tu de olhos como folhas de lótus, os atos que tu realizaste enquanto ainda eras um menino, recorrendo ao teu poder e ajudado por Baladeva, nunca foram feitos por outros, nem são capazes de ser realizados por outros no futuro! Tu mesmo moraste em Kailasa, acompanhado por Brahmanas!'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo se dirigido a Krishna dessa maneira, o ilustre Pandava, que era a alma de Krishna, ficou mudo, quando Janardana (em resposta se dirigiu àquele filho de Pritha) dizendo, 'Tu és meu e eu sou teu, enquanto tudo o que é meu é teu também! Aquele que te odeia me odeia também, e aquele que segue a ti segue a mim! Ó irreprimível, tu és Nara e eu sou Narayana ou Hari! Nós somos os Rishis Nara e Narayana nascidos no mundo dos homens para um propósito especial.
Ó Partha, tu és de mim e eu sou de ti! Ó touro da raça Bharata, ninguém pode compreender a diferença que existe entre nós!'” "Vaisampayana continuou, 'Quando o ilustre Kesava tinha falado dessa maneira no meio daquela reunião de reis valentes, todos excitados pela raiva, Panchali circundada por Dhrishtadyumna e seus outros irmãos heróicos se aproximou daquele de olhos como folhas de lótus sentado com seus primos, e, desejosa de proteção, se dirigiu em tons zangados àquele refúgio de tudo, dizendo, 'Asita e Devala disseram que na questão da criação de todas as coisas, tu foste indicado (pelos sábios) como o único Prajapati e o Criador de todos os mundos! E, ó irreprimível, Jamadagnya disse que tu és Vishnu, e, ó matador de Madhu, que tu és a (encarnação do) Sacrifício, Sacrificador e aquele para quem o sacrifício é realizado! E, ó melhor dos seres masculinos, os Rishis te indicam como Perdão e Verdade! Kasyapa disse que tu és Sacrifício surgido da Verdade! Ó exaltado, Narada te chama de deus dos Sadhyas, e dos Sivas, como único Criador e Senhor de todas as coisas. E, ó tigre entre homens, tu repetidamente te divertes com os deuses incluindo Brahma e Sankara e Sakra assim como crianças se divertindo com seus brinquedos! E, ó sublime, o firmamento é coberto por tua cabeça, e a terra por teus pés; estes mundos são como teu ventre e tu és o Eterno! Para Rishis santificados por saber Védico e ascetismo, e cujas almas estão purificadas por penitência, e que estão satisfeitos com a visão da alma, tu és o melhor de todos os objetos!
E, ó principal de todos os seres masculinos; tu és o refúgio de todos os sábios nobres dedicados a ações virtuosas, que nunca viram suas costas no campo de batalha, e possuidores de todas as habilidades! Tu és o Senhor de tudo, tu és Onipresente, tu és a Alma de todas as coisas, e tu és o poder ativo permeando tudo! Os soberanos dos vários mundos, aqueles próprios mundos, as conjunções estelares, os dez pontos do horizonte, o firmamento, a lua, e o sol, estão todos estabelecidos em ti! E, ó de braços fortes, a moralidade das criaturas (terrestres), a imortalidade do universo, estão estabelecidas em ti! Tu és o senhor Supremo de todas as criaturas, celestes ou humanas! Portanto, ó matador de Madhu, é que impelida pelo afeto que tu tens por mim eu relatarei para ti minhas angústias! Ó Krishna, como pode alguém como eu, a esposa dos filhos de Pritha, a irmã de Dhrishtadyumna, e tua amiga, ser arrastada à assembleia? Ai, durante meu período (menstrual), manchada com sangue, com somente um único tecido posto, tremendo totalmente, e chorando, eu fui arrastada à corte dos Kurus! Vendo-me manchada com sangue na presença daqueles reis na assembleia, os filhos pecaminosos de Dhritarashtra riram de mim! Ó matador de Madhu, estando os filhos de Pandu e os Panchalas e os Vrishnis vivos, eles ousaram expressar o desejo de me usar como sua escrava! Ó Krishna, eu sou, segundo a ordenança, a nora de Dhritarashtra e Bhishma! Ainda assim, ó matador de Madhu, eles desejaram fazer de mim uma escrava pela força!
Eu culpo os Pandavas que são poderosos e principais em batalha, pois eles viram (sem se moverem) sua própria esposa conhecida por todo o mundo, tratada com semelhante crueldade! Oh, que vergonha para o poder de Bhimasena, que vergonha para o Gandiva de Arjuna, pois eles, ó Janardana, ambos me permitiram ser assim desonrada por poucos homens! Esta direção eterna de moralidade é sempre seguida pelos virtuosos, isto é, que o marido, embora fraco, protege sua esposa! Por proteger a esposa um homem protege sua prole e por proteger a prole ele protege a si mesmo! O próprio homem é gerado em sua esposa, e portanto a mulher é chamada de Jaya. Uma esposa também deve proteger seu marido, lembrando-se de que ele tomará seu nascimento no útero dela! Os Pandavas nunca abandonam a pessoa que pede sua proteção, e ainda assim eles abandonaram a mim que a solicitei! Com meus cinco maridos cinco filhos de energia excelente nasceram de mim: Prativindhya com Yudhishthira, Sutasoma com Vrikodara, Srutakirti com Arjuna, Satanika com Nakula e Srutakarman com mais novo, todos eles de energia que não pode ser frustrada. Por causa deles, ó Janardana, era necessário me proteger! Assim como (teu filho) Pradyumna, eles são, ó Krishna, todos guerreiros poderosos! Eles são principais dos arqueiros, e invencíveis em batalha por qualquer inimigo! Por que eles toleram os males infligidos (em mim) pelos filhos de Dhritarashtra de tal força desprezível?
Despojados de seu reino por fraude, os Pandavas foram feitos escravos e eu mesma fui arrastada para a assembleia enquanto estava em meu período menstrual, e vestindo somente um único tecido! Que vergonha para aquele Gandiva, o qual ninguém mais pode encordoar exceto Arjuna e Bhima e tu mesmo, ó matador de Madhu! Vergonha para a força de Bhima, e vergonha para a destreza de Arjuna, já que, ó Krishna, Duryodhana (depois do que ele fez) respirou mesmo por um momento! Foi ele, ó matador de Madhu, que antigamente afastou os Pandavas honestos com sua mãe do reino, enquanto eles eram crianças ainda dedicados ao estudo e ao cumprimento de seus votos. Foi aquele canalha pecaminoso, que, horrível de relatar, misturou na comida de Bhima veneno fresco e virulento em dose total. Mas, ó Janardana, Bhima digeriu aquele veneno com a comida, sem sofrer qualquer dano, pois, ó melhor dos homens e de braços fortes, os dias de Bhima não eram terminados! Ó Krishna, foi Duryodhana que na casa ao lado da banyan chamada Pramana amarrou Bhima adormecido confiantemente, e jogando-o no Ganges voltou para a cidade. Mas o poderoso Bhimasena, o filho de Kunti, possuidor de braços poderosos, ao acordar do sono, rompeu suas amarras e se ergueu da água. Foi Duryodhana quem fez Najas- pretas venenosas morderem por todos os lados o corpo de Bhimasena, mas aquele matador de inimigos não morreu. Despertando, o filho de Kunti esmagou todas as serpentes e com sua mão esquerda matou (o agente, isto é) o auriga favorito de Duryodhana.
Outra vez, enquanto os filhos estavam dormindo em Varanavata com sua mãe, foi ele quem incendiou a casa pretendendo queimá-los até a morte. Quem é capaz de fazer tal ato? Foi então que a ilustre Kunti, alcançada por aquela calamidade, e cercada pelas chamas, começou a gritar em terror, falando para os filhos, 'Ai, eu estou liquidada! Como nós escaparemos deste fogo hoje? Ai, eu encontrarei a destruição com meus filhos pequenos!' Então Bhima, possuidor de braços poderosos, e bravura como a força do vento, confortou sua mãe ilustre como também seus irmãos, dizendo, 'Como aquele rei das aves, Garuda, o filho de Vinata, eu me levantarei de um salto no ar. Nós não temos que temer este fogo.' E então pegando sua mãe em seu flanco esquerdo, e o rei em seu direito, e os gêmeos em cada ombro, e Vivatsu em suas costas, o poderoso Vrikodara, assim levando todos eles, em um salto passou pelo fogo e salvou sua mãe e irmãos da conflagração. Partindo naquela noite com sua mãe renomada, eles chegaram perto da floresta de Hidimva. E quando fatigados e angustiados, eles estavam adormecidos seguros com ela, uma mulher Rakshasa chamada Hidimva se aproximou deles. Vendo os Pandavas com sua mãe dormindo no chão, influenciada pelo desejo ela procurou ter Bhimasena como seu marido. A vulnerável então pegou os pés de Bhima eu seu colo para massageá- los com suas mãos macias.
O poderoso Bhima de energia incomensurável, de bravura que não podia ser frustrada, então acordou do sono, e questionou-a, dizendo, 'Ó tu de feições impecáveis, o que tu desejas aqui?' Assim perguntada por ele, a dama Rakshasa de feições impecáveis, capaz, além disso, de assumir qualquer forma à vontade, respondeu para Bhima de grande alma, dizendo, 'Fujam depressa deste local! Meu irmão dotado de força virá matar vocês! Portanto apressem-se e não demorem!' Mas Bhima soberbamente disse, 'Eu não tenho medo dele! Se ele vier aqui, eu o matarei!' Ouvindo a conversa deles, aquele mais vil dos canibais chegou ao local. De forma terrível e horrível de se olhar, proferindo gritos altos enquanto se aproximava, o Rakshasa disse, 'Ó Hidimva, com quem tu conversas? Traga-o para mim, eu o comerei. Não cabe a ti demorar.' Mas movida pela compaixão, a dama Rakshasa de feições impecáveis e coração puro não disse nada por piedade. Então o monstro comedor de homens, proferindo gritos terríveis, avançou em Bhima com grande força. E se aproximando dele com fúria, o canibal poderoso, possuído pela raiva, agarrou a mão de Bhima com sua própria e apertando firmemente sua outra mão e a fazendo tão dura quanto o raio de Indra, de repente deu em Bhima um golpe que desceu com a força do relâmpago. Sua mão tendo sido agarrada pelo Rakshasa, Vrikodara, sem ser capaz de tolerar isto, se encolerizou. Então um combate terrível ocorreu entre Bhimasena e Hidimva, ambos hábeis com todas as armas e o qual foi como o combate de Vasava com Vritra.
E, ó impecável, depois de se divertir com o Rakshasa por um longo tempo o poderoso Bhima de energia poderosa matou o canibal quando o último tinha se tornado fraco com o esforço. Então tendo matado Hidimva, e levando (a irmã dele) Hidimva em sua dianteira, de quem (posteriormente) nasceu Ghatotkacha, Bhima e seus irmãos foram embora. Então todos aqueles repressores de seus inimigos, acompanhados por sua mãe e cercados por muitos Brahmanas procederam em direção a Ekachakra. A respeito desta viagem deles, Vyasa sempre dedicado ao seu bem-estar tinha se tornado seu conselheiro. Então chegando a Ekachakra, os Pandavas de votos rígidos lá também mataram um canibal poderoso, de nome Vaka, terrível como o próprio Hidimva. E tendo matado aquele canibal feroz, Bhima, aquele principal dos batedores, foi com todos os seus irmãos à capital de Drupada. E, ó Krishna, como tu obtiveste Rukmini, a filha de Bhishmaka, assim mesmo Savyasachin, enquanto residindo lá, me obteve! Ó matador de Madhu, Arjuna me ganhou no Swayamvara, tendo realizado uma façanha de realização difícil por outros e tendo lutado também com os reis reunidos! Assim, ó Krishna, afligida com numerosas tristezas, e em grande angústia, eu estou vivendo, com Dhaumya em nossa liderança, mas carente da companhia da adorável Kunti! Por que estes que são dotados de força e possuidores da bravura do leão ficaram sentados indiferentemente, vendo-me atormentada daquela maneira por inimigos tão desprezíveis?
Sofrendo tais males nas mãos de inimigos pecaminosos e malfeitores de pouca força, eu tenho que queimar em aflição por tanto tempo? Eu nasci em uma grande linhagem, vindo ao mundo de uma maneira extraordinária! Eu sou também a esposa querida dos Pandavas, e nora do ilustre Pandu! A principal das mulheres e devotada a meus maridos, eu mesma, ó Krishna, fui agarrada pelos cabelos, ó matador de Madhu, na vista dos Pandavas, cada um dos quais é como um próprio Indra!’ Dizendo isso Krishna de fala suave escondeu seu rosto com suas mãos macias como botões de lótus e começou a chorar. E as lágrimas de Panchali geradas pela dor lavaram seus peitos profundos, amplos e graciosos coroados com marcas auspiciosas. E limpando seus olhos e suspirando frequentemente ela disse estas palavras com raiva e em uma voz sufocada, 'Maridos, ou filhos, ou amigos, ou irmãos, ou pai, eu não tenho nenhum! Eu nem tenho a ti, ó tu matador de Madhu, pois vocês todos, vendo-me tratada tão cruelmente por inimigos inferiores, ainda estão sentados impassíveis! Minha dor pelo escárnio de Karna é incapaz de ser aliviada! Sobre estas bases eu mereço sempre ser protegida por ti, ó Kesava, isto é, nosso relacionamento, teu respeito (por mim), nossa amizade, e teu domínio (sobre mim).’” "Vaisampayana continuou, 'Naquela assembleia de heróis Vasudeva então falou para a chorosa Draupadi o seguinte, 'Ó senhora formosa, as esposas daqueles com quem tu estás zangada chorarão assim como tu, vendo seus maridos mortos no chão, ensopados em sangue e com seus corpos cobertos com as flechas de Vivatsu!
Não chore, senhora, pois eu me esforçarei ao máximo dos meus poderes pelos filhos de Pandu! Eu prometo que tu (mais uma vez) será a rainha de reis! Os céus podem cair, ou o Himavat pode rachar, a terra pode se partir, ou as águas do oceano podem secar, mas minhas palavras nunca serão infrutíferas!' Ouvindo aquelas palavras de Achyuta em resposta, Draupadi olhou obliquamente para seu terceiro marido (Arjuna). E, ó rei poderoso, Arjuna disse para Draupadi, 'Ó tu de belos olhos acobreados, não sofra! Ó ilustre, será assim mesmo como o matador de Madhu disse! Nunca poderá ser de outra maneira, ó bela!' “Dhrishtadyumna disse, ‘Eu matarei Drona, Sikhandin matará o avô. E Bhimasena matará Duryodhana, e Dhananjaya matará Karna. E, ó irmã, ajudados por Rama e Krishna, nós somos invencíveis em batalha mesmo pelo próprio matador de Vritra, o que são os filhos de Dhritarashtra?’” "Vaisampayana continuou, 'Depois que estas palavras foram faladas, todos os heróis lá viraram seus rostos em direção a Vasudeva, que então em seu meio começou a falar como segue.'" 13 "Vasudeva disse, ‘Ó senhor da terra, se eu tivesse estado presente em Dwaraka, então, ó rei, este mal não teria te acontecido! E, ó irreprimível, indo ao jogo, mesmo que não convidado pelo filho de Amvika (Dhritarashtra), ou Duryodhana, ou pelos outros Kauravas, eu teria impedido o acontecimento do jogo, por demonstrar seus muitos males, convocando para me ajudar Bhishma e Drona e Kripa, e Vahlika!
Ó nobre, por tua causa eu teria dito para o filho de Vichitravirya, ‘Ó principal dos monarcas, que teus filhos não façam nada com dados!’ Eu teria mostrado os muitos males (do jogo de dados) por causa dos quais tu caíste em tal infortúnio e o filho de Virasena foi antigamente privado de seu reino! Ó rei, males não imaginados acontecem a um homem por causa dos dados! Eu teria descrito como um homem uma vez envolvido no jogo continua a jogar (pelo desejo de vitória). Mulheres, dados, caça e bebida nos quais as pessoas se tornam viciadas por consequência da tentação, são considerados como os quatro males que privam um homem da prosperidade. E aqueles versados nos Sastras são de opinião que males acompanham todos estes. Aqueles também que são viciados nos dados conhecem todos os seus males. Ó tu de braços poderosos, aparecendo perante o filho de Amvika, eu teria mostrado que por causa dos dados homens perdem em um dia suas posses, e caem em desgraça, e são privados de sua riqueza não saboreada, e trocam palavras duras! Ó perpetuador da raça Kuru, eu teria apontado estes e outros males resultantes! Se ele aceitasse minhas palavras assim endereçadas, o bem-estar dos Kurus como também a própria virtude teriam sido assegurados! E, ó principal dos reis, se ele rejeitasse meus conselhos amáveis oferecidos como remédio, então, ó melhor da raça Bharata, eu o teria obrigado à força! E, se aqueles que servem em sua corte, professando serem seus amigos mas na verdade seus inimigos tivessem-no apoiado, então eu teria matado eles todos, junto com aqueles jogadores lá presentes!
Ó Kauravya, foi devido à minha ausência do país Anartta naquele momento que tu caíste em tal infortúnio proveniente dos dados! Ó tu melhor dos Kurus, ó filho de Pandu, ao chegar a Dwarka eu soube de Yuyudhana tudo sobre a tua calamidade! E, ó principal dos reis, logo que eu ouvi isto com o coração ferido agitado pela angústia eu vim rapidamente para cá desejando ver-te, ó rei! Ai! Ó touro da raça Bharata, vocês todos caíram em desgraça terrível! Eu te vejo com teus irmãos mergulhado em desgraça!’ Yudhishthira disse, 'Ó Krishna, por que tu estavas ausente (do país Anartta)? E, ó descendente da linhagem Vrishni, enquanto tu estavas fora, onde tu moraste? E o que tu fizeste enquanto fora do teu reino?' Krishna disse, 'Ó touro da raça Bharata, eu parti para o propósito de destruir a (planejada) cidade Salwa. E, ó principal dos Kauravas, escute às razões que eu tive para fazer isso! O filho heróico de Damaghosha, o bem conhecido rei Sisupala de braços poderosos e grande energia, foi morto por mim, ó melhor dos Bharatas, no teu sacrifício Rajasuya, porque aquele pecaminoso não pode aguentar de raiva ao ver o primeiro culto oferecido a mim! Sabendo que ele tinha sido morto, Salwa, queimando com raiva feroz, foi até Dwaraka, enquanto, ó Bharata, ela estava vazia, eu mesmo estando longe, residindo com vocês aqui. E tendo chegado lá em um carro feito de metais preciosos e por isso chamado de Souva, ele teve um confronto com os príncipes jovens da raça Vrishni, aqueles touros daquela linhagem, e lutou com eles desapiedadamente.
E massacrando muitos Vrishnis jovens de coragem heróica, o pecaminoso devastou todos os jardins da cidade. E, ó tu de braços poderosos, ele disse, 'Onde está aquele desgraçado da raça Vrishni, Vasudeva, o filho de alma má de Vasudeva? Eu humilharei em batalha o orgulho daquela pessoa tão ávida por luta! Digam-me realmente, ó Anarttas! Eu irei lá onde ele está. E depois de matar aquele assassino de Kansa e Kesi, eu voltarei! Por minha arma eu juro que eu não voltarei sem tê-lo matado!' E exclamando repetidamente, ‘Onde está ele? Onde está ele?’ o senhor de Saubha avançou para este lugar e aquele, desejoso de me enfrentar em batalha. E Salwa também disse, 'Impelido por cólera pela destruição de Sisupala eu hoje enviarei para a mansão de Yama aquele canalha traiçoeiro de mente vil!' E, ó rei, ele em seguida disse, 'Eu matarei aquele Janardana, que, canalha que ele é, matou meu irmão que era somente um menino, e que não foi morto no campo de batalha, despreparado como ele estava!' Tendo, ó grande rei, lamentado dessa maneira, e tendo, ó filho da raça Kuru, me insultado, ele subiu ao céu em seu carro de metais preciosos capaz de ir a qualquer lugar à vontade! Ao retornar (para meu reino) eu soube o que, ó Kaurava, o rei pecaminoso e de mente má de Maticka tinha dito a respeito de mim! E, ó descendente da linhagem Kuru, eu estava agitado pela fúria, e, ó rei, tendo refletido sobre tudo, eu coloquei meu coração em matá-lo! E, sabendo, ó Kauravya, de sua opressão dos Anarttas, de seus insultos a mim, e de sua arrogância excessiva, eu decidi sobre a destruição daquele patife!
E, ó senhor da terra, eu consequentemente saí (da minha cidade), para matar o (senhor de) Saubha. E o procurando aqui e ali eu o achei em uma ilha no meio do oceano! Então, ó rei, soprando minha concha chamada Panchajanya obtida do mar, e desafiando Salwa para o combate, eu me posicionei para a luta! Naquele instante, eu tive um confronto com numerosos Danavas, todos os quais, no entanto, eu subjuguei e prostrei ao chão. Ó poderosamente armado, foi devido a este caso que eu não pude então vir (a ti)! Logo que eu soube do jogo injusto de dados em Hastinapura eu vim aqui desejoso de ver vocês que estão mergulhados em infortúnio.' 15 Yudhishthira disse, ‘Ó ilustre Vasudeva de braços poderosos, fale em detalhes sobre a morte do senhor de Saubha. Minha curiosidade não foi satisfeita pela narração.’ Vasudeva disse, 'Ó rei de braços fortes, sabendo que o filho de Srutasravas (Sisupala) tinha sido morto por mim, Salwa, ó melhor da linhagem Bharata, foi à cidade de Dwaravati! E, ó filho de Pandu, o rei pecaminoso, colocando suas forças em ordem de batalha, sitiou aquela cidade ao redor e acima. E se colocando nas regiões superiores, o rei começou sua luta com a cidade. E aquele encontro começou com uma chuva grossa de armas de todos os lados.
E, ó touro da raça Bharata, a cidade naquele momento estava bem fortificada por todos os lados, segundo a ciência (de fortificação), com flâmulas, e arcos, e combatentes, e muros e torres pequenas, e máquinas, e mineiros, e ruas barricadas com trabalhos de madeira com pontas de ferro e torres e edifícios com portões bem cheios de mantimentos, e mecanismos para arremessar tições queimando e fogos, e recipientes de camurça (para carregar água), e trombetas, tambores, e baterias, lanças e forcados, e Sataghnis, e relhas de arado, rojões, bolas de pedra e machados de batalha e outras armas e escudos modelados com ferro, e mecanismos para lançar bolas e projéteis e líquidos quentes! E a cidade estava também bem defendida por carros numerosos, e, ó tigre entre os Kurus, por Gada e Shamva e Uddhava e outros, e por guerreiros de coragem provada em batalha, todos bem nascidos e capazes de enfrentar qualquer inimigo! E estes todos se colocando em postos de comando, ajudados por cavalaria e portadores de estandarte, começaram a defender a cidade. E Ugrasena e Uddhava e outros, para impedir descuidos, proclamaram por toda a cidade que ninguém deveria beber. E todos os Vrishnis e os Andhakas, sabendo bem que eles seriam mortos por Salwa se eles se comportassem sem cuidado, permaneceram sóbrios e vigilantes. E a polícia logo expulsou da cidade todos os mímicos e dançarinos e cantores do país Anartta. E todas as pontes sobre rios foram destruídas, e barcos proibidos de navegar, e as trincheiras (ao redor da cidade) foram pregadas com postes no fundo.
E a terra ao redor da cidade por duas milhas completas foi tornada acidentada, e buracos e covas foram cavados nela, e combustíveis foram escondidos abaixo da superfície. Nosso forte, ó impecável, é naturalmente resistente e sempre bem defendido e cheio de todas as espécies de armas! E por causa dos preparativos feitos, nossa cidade estava mais preparada do que nunca para enfrentar o inimigo. E, ó chefe dos Bharatas, por consequência de tudo isto, a cidade parecia com aquela do próprio Indra. E, ó rei, no momento da aproximação de Salwa ninguém podia ou entrar ou deixar a cidade dos Vrishnis e dos Andhakas sem apresentar o sinal que tinha sido combinado. E todas as ruas da cidade e os espaços abertos estavam cheios com numerosos elefantes e cavalos! E, ó tu de braços poderosos, os combatentes estavam todos especialmente satisfeitos com concessões e salários, e mantimentos, e armas, e roupas! E entre os combatentes não havia ninguém que não fosse pago em ouro, e ninguém que não fosse pago em absoluto, e ninguém que não fosse de alguma maneira favorecido, e ninguém que fosse não de coragem provada! E, ó tu de olhos como folhas de lótus, foi assim que Dwaraka, cheia de arranjos bem ordenados, foi defendida por Ahuka (Ugrasena)!' 16 Vasudeva continuou, 'Ó rei de reis, Salwa, o senhor de Saubha, veio em direção à nossa cidade com uma força imensa consistindo em infantaria, cavalaria e elefantes! E o exército encabeçado pelo rei Salwa, consistindo em quatro tipos de forças, ocupou um terreno plano dispondo de um copioso abastecimento de água.
E deixando cemitérios e templos dedicados aos deuses, e árvores sagradas, e áreas cobertas por formigueiros, aquela hoste ocupou todos os outros lugares. E as estradas (que levavam à cidade) foram bloqueadas pelas divisões do exército, e as entradas secretas também foram todas obstruídas pelo acampamento do inimigo. E, ó Kauravya, como o senhor das aves (Garuda), o soberano de Saubha avançou em direção a Dwaraka, trazendo com ele, ó touro entre homens, sua hoste equipada com todas as espécies de armas, hábil com todas as armas, consistindo em um denso aparato de carros e elefantes e cavalaria cheia de estandartes, e soldados de infantaria bem pagos e bem alimentados possuidores de grande força e portanto todos os sinais de heroísmo e equipada com carruagens e arcos notáveis. E vendo o exército de Salwa, os jovens príncipes da raça Vrishni resolveram combatê-lo saindo da cidade. E, ó rei, Charudeshna, Samva, e o guerreiro poderoso Pradyumna, ó descendente da linhagem Kuru, partiram, subindo em suas carruagens, e vestidos em cota de malha, e enfeitados com ornamentos, com estandartes esvoaçando, decididos a enfrentar a hoste poderosa e inumerável de Salwa! E Samva erguendo seu arco avidamente atacou no campo de batalha Kshemavriddhi o comandante das forças de Salwa e seu principal conselheiro também! E, ó tu principal dos Bharatas, o filho de Jambavati então começou a derramar setas em uma corrente contínua assim como Indra derrama chuva! E, ó rei poderoso, então Kshemavriddhi, o comandante das forças de Salwa, suportou aquela chuva de setas, imóvel como o Himavat!
E, ó principal dos reis, Kshemavriddhi de sua parte disparou em Samva saraivadas mais fortes de flechas, ajudado por seus poderes de ilusão! E dissipando por ilusão contrária aquela descarga inspirada por ilusão, Samva derramou sobre o carro (de seu adversário) mil setas! Então perfurado pelas flechas de Samva e dominado lá com Kshemavriddhi, o comandante da hoste hostil deixou o campo pela ajuda de seu corcel veloz! E quando o general perverso de Salwa tinha deixado o campo, um poderoso Daitya chamado Vegavat avançou no meu filho! E, ó melhor dos monarcas, assim atacado, o heróico Samva, o perpetuador da raça Vrishni, suportou aquele ataque de Vegavat, mantendo seu terreno. E, ó filho de Kunti, o heróico Samva, de bravura incapaz de ser frustrada, girando uma maça de avanço rápido, arremessou-a rapidamente em Vegavat! E, ó rei, atingido por aquela maça, Vegavat caiu no chão, como um senhor da floresta castigado pelo tempo e enfraquecido de raízes decompostas! E após aquele Asura heróico de energia poderosa ser morto com a maça, meu filho entrou dentro daquela hoste imensa e começou a lutar com todos. E, ó grande rei, um Danava bem conhecido chamado Vivindhya, um guerreiro forte manejando um arco grande e poderoso, enfrentou Charudeshna! E, ó monarca, o combate entre Charudeshna e Vivindhya foi tão violento quanto aquele do passado entre Vritra e Vasava! E enfurecidos um com o outro os combatentes perfuraram um ao outro com suas setas, proferindo rugidos altos como dois leões poderosos!
Então o filho de Rukmini fixou na corda de seu arco uma arma poderosa possuidora do esplendor do fogo ou do sol, e capaz de destruir todos os inimigos, tendo primeiro vivificado ela com encantamentos! Então, ó monarca, aquele guerreiro poderoso, meu filho, estimulado pela fúria, desafiou Vivindhya e descarregou a arma nele. E o Danava atingido por aquela arma caiu sobre o solo um cadáver sem vida! E vendo Vivindhya morto, e a hoste inteira vacilar, Salwa avançou novamente em seu carro belo capaz de ir a todos os lugares. E, ó rei de braços poderosos, vendo Salwa naquele seu belo carro, os combatentes de Dwaraka hesitaram com medo! Mas, ó tu da raça Kuru, Pradyumna se movimentou, e, ó grande rei, mandando os Anarttas ficarem de bom ânimo, disse, 'Não vacilem, e permanecendo me vejam lutar. Eu mesmo, pela força, repelirei aquele carro com Salwa nele! Ó Yadavas, hoje, com minhas armas como serpentes disparadas do meu arco com minha mão, eu destruirei esta hoste do senhor de Saubha! Fiquem animados, vocês todos! Não temam! O senhor de Saubha será morto hoje! Atacado por mim, o canalha encontrará a destruição junto com seu carro!' Ó filho de Pandu, após Pradyumna falar assim com coração alegre, a hoste Yadava, ó herói, permaneceu no campo, e começou a lutar alegremente!' 17 Vasudeva continuou, 'Ó touro da raça Bharata, tendo falado assim aos Yadavas, o filho de Rukmini (Pradyumna) subiu em seu carro dourado. E o carro que ele usava era puxado por corcéis excelentes em armadura.
E sobre ele estava um estandarte portanto a figura de um Makara com boca escancarada e feroz como Yama. E com seus corcéis, mais voando do que correndo sobre o solo, ele avançou contra o inimigo. E o herói equipado com aljavas e espada, com dedos envolvidos em couro, vibrou seu arco possuidor do esplendor do relâmpago, com grande força, e transferindo-o de mão para mão, como se em desprezo ao inimigo, espalhou confusão entre os Danavas e outros guerreiros da cidade de Saubha. E tão furioso em desprezo ao inimigo, e repetidamente matando Danavas em batalha, ninguém podia notar o menor intervalo entre suas flechas sucessivas. E a cor de seu rosto não mudou, e seus membros não tremeram. E as pessoas somente ouviam seus altos rugidos leoninos indicativos de bravura extraordinária. E o monstro aquático com boca escancarada, aquele devorador de todos os peixes, colocado no mastro de bandeira dourado daquele melhor dos carros, infligiu terror nos corações dos guerreiros de Salwa. E, ó rei, Pradyumna, o ceifeiro de inimigos, se precipitou com velocidade contra o próprio Salwa tão desejoso de um combate! E, ó perpetuador da linhagem Kuru, desafiado pelo heróico Pradyumna naquela batalha poderosa, o enfurecido Salwa mal poderia tolerar o desafio! E aquele conquistador de cidades hostis, Salwa, enlouquecido pela raiva, desceu de seu carro belo de velocidade incontrolada, decidido a enfrentar Pradyumna. E as pessoas viram a luta entre Salwa e o principal dos heróis Vrishni, a qual era como o duelo entre Vasava com Vali.
E, ó herói, subindo em seu carro belo decorado com ouro e equipado com bandeiras e mastros de bandeira e aljavas, o ilustre e poderoso Salwa começou a descarregar suas flechas em Pradyumna! Pradyumna também pela energia de seus braços oprimiu Salwa no combate com uma chuva grossa de flechas. O rei de Saubha, no entanto, assim atacado em batalha por Pradyumna, não o suportou, mas descarregou em meu filho setas que eram como fogo ardente. Mas o poderoso Pradyumna aparou aquela chuva de setas. Vendo isto Salwa despejou sobre meu filho outras armas de esplendor brilhante. Então, ó principal dos monarcas, perfurado pelas flechas de Salwa, o filho de Rukmini disparou sem perda de tempo uma flecha que era capaz de entrar nos órgãos vitais de um inimigo em luta. E aquela flecha alada disparada por meu filho, perfurando a armadura de Salwa, entrou em seu coração, em seguida ele caiu, em um desmaio. E vendo o rei heróico Salwa caído privado de sentidos, os principais dos Danavas fugiram rasgando o solo debaixo de seus pés. E, ó senhor da terra, o exército de Salwa deu exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ vendo seu rei, o senhor de Saubha, cair sem sentidos! E, ó filho da raça Kuru, recuperando seus sentidos, o poderoso Salwa se ergueu e subitamente disparou suas setas em Pradyumna. Então o heróico e poderosamente armado Pradyumna, violentamente perfurado por seu adversário perto de sua garganta, estava enfraquecido em seu carro. E, ó rei poderoso, ferindo o filho de Rukmini, Salwa deu um grito como o rugido de um leão, e encheu a terra inteira com ele!
E, ó Bharata, quando meu filho ficou sem sentidos, Salwa, sem perder um momento, novamente disparou nele outras flechas difíceis de suportar. E perfurado por flechas inumeráveis e privado de seus sentidos, Pradyumna, ó chefe da raça Kuru, ficou imóvel sobre o campo de batalha!' 18 Vasudeva continuou, 'Ó rei, afligido pelas flechas de Salwa, quando Pradyumna ficou sem sentidos os Vrishnis que tinham ido lutar ficaram todos desalentados e cheios de aflição! E os combatentes das raças Vrishni e Andhaka irromperam em exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’, enquanto grande alegria foi sentida pelo inimigo ao vê-lo assim privado de sentidos. Seu cocheiro treinado, o filho de Daruka, logo levou-o para fora do campo pela ajuda de seus corcéis. O carro não tinha ido longe quando aquele melhor dos guerreiros recuperou seus sentidos, e erguendo seu arco se dirigiu ao cocheiro, dizendo, 'Ó filho da tribo Suta, o que tu fizeste? Por que tu vais deixando o campo de batalha? Este não é o costume dos heróis Vrishni em batalha! Ó filho de um Suta, tu ficaste desnorteado à visão de Salwa naquele combate feroz? Ou tu ficaste desalentado, vendo a luta? Ó! Conte-me realmente tua intenção!' O cocheiro respondeu, 'Ó filho de Janardana, eu não fui confundido, nem o medo tomou posse de mim. Por outro lado, ó filho de Kesava, a tarefa, eu penso, de vencer Salwa é difícil para ti! Portanto, ó herói, eu estou lentamente me retirando do campo. Este canalha é mais forte do que tu! Cabe a um cocheiro proteger o guerreiro sobre o carro, por qualquer meio, quando ele está privado de seus sentidos!
Ó tu dotado de extensão de vida, tu deves sempre ser protegido por mim, assim como cabe a ti me proteger! Pensando que o guerreiro no carro deve sempre ser protegido (por seu cocheiro), eu estou te levando embora! Além disso, ó tu de braços poderosos, tu estás sozinho, enquanto os Danavas são muitos. Pensando, ó filho de Rukmini, que tu não és igual a eles no combate, eu estou indo embora!' Vasudeva continuou, 'Quando o cocheiro tinha falado assim, ele, ó Kauravya, que tem o makara como sua marca respondeu para ele, dizendo, 'Vire o carro! Ó filho de Daruka, nunca faça isto novamente; nunca, ó Suta, desvie-te da batalha enquanto eu estiver vivo! Não é filho da raça Vrishni aquele que abandona o campo ou mata o inimigo caído aos seus pés e gritando ‘Eu sou teu!’ ou que mata uma mulher, um menino, ou um homem velho, ou um guerreiro em angústia, privado de seu carro ou com suas armas quebradas! Tu és nascido na linhagem de cocheiros e treinado para tua profissão! E, ó filho de Daruka, tu estás familiarizado com os costumes dos Vrishnis em batalha! Versado como tu és em todos os costumes dos Vrishnis em batalha, ó Suta, nunca fuja novamente do campo como tu fizeste! O que o irreprimível Madhava, o irmão mais velho de Gada, dirá para mim quando ele souber que eu deixei o campo de batalha em confusão ou que eu fui atingido nas costas, um fugitivo do combate? O que o irmão mais velho de Kesava, Baladeva de braços fortes, vestido de azul e inebriado com vinho, dirá, quando ele retornar?
O que também, ó Suta, aquele leão entre homens, o neto de Sini (Satyaki), aquele grande guerreiro, dirá ao saber que eu abandonei a luta? E, ó cocheiro, o que o sempre vitorioso Shamva, o irreprimível Charudeshna, e Gada, e Sarana, e Akrura também de braços poderosos, dirão para mim? O que também as esposas dos heróis Vrishni, quando elas se encontrarem, dirão de mim que até agora era considerado como corajoso e bem comportado, respeitável e possuidor de orgulho viril? Elas dirão: ‘É um covarde este Pradyumna que vem aqui, deixando a batalha! Que vergonha para ele!’ Elas nunca dirão, ‘Muito bem!’ Zombaria, com exclamação de ‘Vergonha’, é para mim ou uma pessoa como eu, ó Suta, mais do que a morte! Portanto, nunca mais deixe o campo de batalha! Depositando a responsabilidade em mim, Hari o matador de Madhu foi ao sacrifício do leão Bharata (Yudhishthira)! Portanto, eu não posso suportar estar imóvel agora! Ó Suta, quando o bravo Kritavarman estava partindo para enfrentar Salwa, eu o impedi, dizendo ‘Eu impedirei Salwa. Fique!’ Para me honrar o filho de Hridika desistiu! Tendo deixado o campo de batalha, o que eu direi para aquele guerreiro poderoso quando eu encontrá-lo? Quando aquele irreprimível de braços poderosos, o portador da concha, do disco, e da maça retornar, o que eu direi para ele de olhos como folhas de lótus? Satyaki, e Valadeva, e outros das raças Vrishni e Andhaka sempre são orgulhosos de mim! O que eu direi a eles?
Ó Suta, tendo deixado o campo de batalha e com feridas de flechas nas minhas costas enquanto era levado por ti, eu não serei, de nenhuma maneira, capaz de viver! Portanto, ó filho de Daruka, vire este carro depressa, e nunca faça isso novamente, nem mesmo em momentos de grande perigo! Eu, ó Suta, não acho que a vida tem muito valor, tendo fugido do campo como um covarde, e com minhas costas perfuradas com as setas (do inimigo)! Tu já me viste, ó filho de Suta, fugir com medo do campo de batalha como covarde? Ó filho de Daruka, não cabe a ti abandonar a batalha enquanto meu desejo de luta ainda não foi satisfeito! Portanto, volte para o campo.' 19 Vasudeva continuou, ‘Assim endereçado, o filho da tribo Suta respondeu às pressas para Pradyumna, aquele principal de todos os dotados de força, nestas palavras gentis, 'Ó filho de Rukmini, eu não temo guiar os cavalos no campo de batalha, e eu estou familiarizado também com os costumes dos Vrishnis em guerra! Não é o contrário de modo algum! Mas, ó tu abençoado com duração de existência, aqueles que guiam o carro são ensinados que o guerreiro no carro deve, por todos os meios, ser protegido por seu cocheiro! Tu foste também muito afligido! Tu foste muito ferido pelas flechas disparadas por Salwa. Tu estavas também privado dos teus sentidos, ó herói! Por isso é que eu me retirei do campo. Mas, ó chefe dos Satwatas, agora que tu recuperaste teus sentidos sem muita dificuldade, ó filho de Kesava, testemunhe minha habilidade em guiar os cavalos! Eu fui gerado por Daruka, e eu fui devidamente treinado!
Eu agora penetrarei na célebre formação militar de Salwa sem medo!’ Vasudeva continuou, 'Dizendo isso, ó herói, o cocheiro, puxando as rédeas, começou a levar os cavalos com velocidade em direção ao campo de batalha. E, ó rei, atingidos pelo chicote e puxados pelas rédeas aqueles corcéis excelentes pareciam estar voando no ar, realizando vários movimentos belos, ora circulares, ora similares, ora diferentes, ora à direita, ora à esquerda. E, ó rei, aqueles corcéis compreendendo por assim dizer a intenção do filho de Daruka dotado de tal habilidade de mão, queimaram com energia, e pareciam seguir sem tocar a terra com seus pés! Aquele touro entre homens moveu-se de forma circular em volta da hoste de Salwa tão facilmente que aqueles que testemunharam isto ficaram muito admirados. E o senhor de Saubha, incapaz de tolerar aquela manobra de Pradyumna, imediatamente lançou três flechas no cocheiro de seu adversário! O cocheiro, no entanto, sem tomar qualquer conhecimento da força daquelas flechas, continuou a seguir pela direita. Então o senhor de Saubha, ó herói, descarregou novamente no meu filho com Rukmini uma chuva de várias espécies de armas! Mas aquele matador de heróis hostis, o filho de Rukmini, mostrando com um sorriso sua leveza de mão, cortou todas aquelas armas quando elas o alcançaram. Vendo suas flechas cortadas por Pradyumna, o senhor de Saubha, recorrendo à ilusão terrível natural para Asuras começou a derramar uma chuva grossa de setas.
Mas cortando em pedaços no meio do caminho aquelas poderosas armas Daitya atiradas nele por meio de sua arma Brahma, Pradyumna atirou flechas aladas de outros tipos. E estas se deleitando em sangue, desviando as flechas do Daitya, perfuraram sua cabeça, peito e rosto. E por causa daqueles ferimentos Salwa caiu sem sentidos. E em Salwa de mente vil caindo, afligido pelas flechas de Pradyumna, o filho de Rukmini mirou outra flecha, capaz de destruir todo inimigo. E vendo aquela seta adorada por todos os Dasarhas, e brilhante como fogo e fatal como uma cobra venenosa, fixada na corda do arco, o firmamento estava cheio com exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ Então todos os celestiais com Indra e o senhor dos tesouros (Kuvera) em sua liderança enviaram Narada e o deus do vento dotado da velocidade da mente. E aqueles dois se aproximando do filho de Rukmini entregaram a ele a mensagem dos celestiais, dizendo, ‘Ó herói, o rei Salwa não é para ser morto por ti! Retire a seta. Ele não pode ser morto por ti em luta! Não respira uma pessoa que não possa ser morta por esta seta! Ó tu de armas poderosas, o Criador ordenou sua morte nas mãos de Krishna, o filho de Devaki! Que isto não seja falsificado!’ Nisso, com o coração contente, Pradyumna retirou aquela melhor das setas de seu arco excelente e depositou-a de volta em sua aljava. E então, ó principal dos reis, o poderoso Salwa, afligido pelas flechas de Pradyumna, se levantou desalentado, e foi embora rapidamente.
Então, ó rei, o pecaminoso Salwa, assim afligido pelos Vrishnis, subiu em seu carro de metais preciosos, e deixando Dwaraka correu pelos céus!' 20 Vasudeva disse, 'Quando Salwa tinha deixado a cidade dos Anarttas, eu retornei a ela, ó rei, após o término do teu grande sacrifício Rajasuya! Na minha chegada eu encontrei Dwaraka desprovida de seu esplendor, e, ó grande monarca, não havia sons de recitações Védicas ou oferendas sacrificais. E as donzelas excelentes estavam todas desprovidas de ornamentos, e os jardins estavam destituídos de beleza. E alarmado pelo aspecto, eu questionei o filho de Hridika dizendo, 'Por que os homens e mulheres da cidade dos Vrishnis estão tão abatidos, ó tigre entre homens?' Ó melhor dos reis, assim perguntado o filho de Hridika (Kritavarman) relatou para mim em detalhes a invasão da cidade por Salwa, e sua subsequente partida dela. E, ó tu principal dos Bharatas, ouvindo tudo, imediatamente eu decidi matar Salwa. E encorajando os cidadãos, ó melhor dos Bharatas, eu alegremente me dirigi ao rei Ahuka, e Anakdundhuvi, e aos principais heróis da raça Vrishni, dizendo, 'Ó touros entre os Yadavas, fiquem na cidade, tomando todo cuidado, e saibam que eu vou matar Salwa! Eu não volto à cidade de Dwaravati sem matá-lo. Eu virei novamente a vocês tendo realizado a destruição de Salwa junto com seu carro de metais preciosos.
Comecem a tocar as notas sustenidas e médias e abemoladas do Dundhuvi tão terrível para inimigos!' E ó touro da raça Bharata, assim adequadamente encorajados por mim, aqueles heróis alegremente me disseram, 'Vá e mate os inimigos!' E assim recebendo as bênçãos daqueles guerreiros com corações contentes, e fazendo os Brahmanas proferirem palavras auspiciosas e me curvando aos melhores dos regenerados, e a Siva também, eu saí no meu carro ao qual estavam unidos os cavalos Saivya, e Sugriva, enchendo todos os lados com o estrépito (das minhas rodas) e soprando aquela melhor das conchas, Panchajanya! E, ó rei, ó tigre entre homens, acompanhado por meu exército formidável e vitorioso consistindo nas quatro espécies de forças tão perseverante em batalha, eu parti. E deixando muitos países, e montanhas coroadas com árvores, e quantidades de água, e rios, eu finalmente cheguei ao país de Matrikavarta. Foi lá, ó tigre entre homens, que eu soube que Salwa estava seguindo em seu carro de metais preciosos perto do oceano, e eu segui em sua perseguição. E, ó tu matador dos teus inimigos, tendo alcançado o alto-mar, Salwa em seu carro de metais caros estava no meio do oceano cheio de vagalhões! E ao ver-me de uma distância, ó Yudhishthira, aquele de alma pecaminosa me desafiou repetidamente para a luta. E muitas setas capazes de perfurar até a medula, atiradas do meu arco, não alcançaram seu carro. E nisto eu fiquei furioso!
E, ó rei, aquele canalha essencialmente pecaminoso filho de um Daitya de energia irreprimível, de sua parte começou a atirar milhares e milhares de setas em torrentes! E, ó Bharata, ele derramou flechas sobre meus soldados e sobre meu cocheiro e sobre meus corcéis! Mas sem pensar nas flechas nós continuamos o combate. Então os guerreiros seguindo Salwa despejaram em mim flechas retas às milhares. E os Asuras cobriram meus cavalos e meu carro e Daruka com flechas capazes de perfurar os próprios órgãos vitais. E, ó herói, eu não podia naquele momento ver nem meus cavalos, nem meu carro, nem meu cocheiro Daruka! E eu com meu exército estava coberto de armas. E, ó filho de Kunti, habilidoso de modo sobre humano com armas, eu também fiz voar do meu arco flechas às dezenas de milhares, insuflando-as com mantras! Mas enquanto aquele carro de metais valiosos estava no céu, duas milhas completas afastado, ele, ó Bharata, não podia ser visto por minhas tropas. Elas podiam portanto somente permanecer no campo de batalha assistindo como espectadoras em um lugar de diversão, encorajando-me adiante com gritos altos como o rugido do leão, e também pelo som de seus aplausos. E as setas coloridas atiradas pela parte dianteira da mão penetravam nos corpos dos Danavas como insetos mordentes. E então surgiram gritos no carro de metais preciosos daqueles que estavam morrendo de ferimentos por aquelas setas afiadas e caindo nas águas do poderoso oceano. E os Danavas privados de seus braços, pescoços, e usando a forma de Kavandhas, caíam, dando rugidos tremendos.
E quando caíam eles eram devorados por animais que viviam nas águas do oceano. E então eu soprei poderosamente a Panchajanya obtida das águas e graciosa como o talo de lótus e branca como leite ou a flor Kunda ou a lua ou prata. E vendo seus soldados caírem, Salwa, possuidor do carro de metais preciosos, começou a lutar com ajuda de ilusão. E então ele começou a arremessar incessantemente em mim maças, e relhas de arado, e dardos e lanças alados, e venábulos, e machados de batalha, e espadas e setas brilhantes como dardos de arremesso e raios, e laços, e espadas largas, e projéteis de cilindros, e flechas, e machados, e rojões. E permitindo que elas se aproximassem de mim, eu logo destruí todas elas por ilusão-contrária. E após esta ilusão ser tornada ineficaz, ele começou a lutar com topos de montanha. E, ó Bharata, então havia escuridão e luz alternadamente, e o dia ora estava claro, e ora escuro, e ora quente, e ora frio. E houve uma chuva perfeita de carvões, e cinzas, e armas. E criando tal ilusão o inimigo lutou comigo. E averiguando isto eu destruí sua ilusão por ilusão-contrária. E no devido tempo eu derramei flechas por todos os lados. E então, ó rei poderoso, a cúpula do céu brilhou como com uma centena de sóis, e, ó filho de Kunti, com cem luas, e milhares e dezenas de milhares de estrelas! E então ninguém podia averiguar se era dia ou noite, ou distinguir os pontos do horizonte. E, ficando confuso, eu fixei na corda do meu arco a arma chamada Pragnastra. E, ó filho de Kunti, a arma partiu como flocos de algodão puro soprados pelos ventos!
E uma grande luta ocorreu, calculada para fazer os pêlos no corpo de alguém se arrepiarem. E, ó melhor dos monarcas, tendo recuperado a compreensão, eu novamente lutei com o inimigo!' 21 Vasudeva disse, 'Ó tu tigre entre homens, meu grande inimigo o rei Salwa, assim enfrentado por mim em batalha subiu ao céu novamente. E ó monarca poderoso, inspirado pelo desejo de vitória, aquele perverso arremessou em mim Sataghnis, e maças imensas, e lanças flamejantes, e clavas corpulentas, e conforme as armas vinham pelo céu eu rapidamente resistia a elas com minhas flechas rápidas, e as cortava em dois ou três pedaços antes de elas chegarem a mim. E havia um grande barulho no firmamento. E Salwa cobriu Daruka, e meus corcéis, e meu carro também com centenas de setas retas. Então, ó herói, Daruka, evidentemente prestes a desmaiar, disse para mim, 'Afligido pelas setas de Salwa eu permaneço no campo, porque este é meu dever. Mas eu sou incapaz de fazer isso (por mais tempo). Meu corpo ficou fraco!' Ouvindo estas palavras comoventes de meu cocheiro, eu o olhei, e descobri o motorista ferido por setas. Nem havia um local em seu peito ou na coroa de sua cabeça, ou corpo ou em seus braços, ó tu principal dos filhos de Pandu, que não estivesse coberto com flechas! E sangue fluía profusamente de seus ferimentos infligidos por flechas, e ele parecia com uma montanha de giz vermelho depois de uma chuva pesada. E, ó tu de braços poderosos, vendo o cocheiro com as rédeas em suas mãos assim perfurado e enfraquecido pelas flechas de Salwa no campo de batalha, eu o animei!
E, ó Bharata, naquele momento, uma certa pessoa, que tinha sua casa em Dwaraka, indo rapidamente até o meu carro, se dirigiu a mim como um amigo, entregando para mim, ó herói, uma mensagem de Ahuka! Ele parecia ser um dos seguidores de Ahuka. E tristemente e em uma voz sufocada em tristeza, saiba, ó Yudhishthira, que ele disse estas palavras, ‘Ó guerreiro, Ahuka, o senhor de Dwaraka, disse estas palavras para ti! Ó Kesava, ouça o que disse o amigo do teu pai: Ó filho da raça Vrishni, ó tu irreprimível, na tua ausência hoje Salwa, vindo para Dwaraka, por força física matou Vasudeva! Portanto, não precisa mais de batalha. Pare, ó Janardana! Defenda Dwaraka! Este é o teu principal dever!’ Ouvindo estas palavras dele, meu coração ficou pesado, e eu não podia decidir o que eu devia e o que eu não devia fazer. E, ó herói, sabendo daquela grande desgraça, eu mentalmente critiquei Satyaki, e Baladeva, e também o poderoso Pradyumna. Tendo depositado neles o dever de proteger Dwaraka e Vasudeva, eu tinha ido, ó filho da raça Kuru, efetuar a destruição da cidade de Salwa. E com o coração triste eu perguntei a mim mesmo, ‘Está vivo aquele destruidor de inimigos, Baladeva de braços poderosos, e Satyaki, e o filho de Rukmini e Charudeshna possuidor de bravura, e Shamva e outros?
Pois, ó tu tigre entre homens, estes estando vivos, nem mesmo o manejador do raio poderia de alguma maneira destruir o filho de Suta (Vasudeva)!’ E eu pensei, ‘É claro que Vasudeva está morto e igualmente claro que os outros com Baladeva em sua liderança estão privados de vida.’ Esta foi minha conclusão certa. E, ó rei poderoso, pensando na destruição deles todos eu fui dominado pelo pesar! E foi neste estado de espírito que eu enfrentei Salwa de novo. E então eu vi, ó grande monarca, o próprio Vasudeva caindo do carro de metais preciosos! E, ó guerreiro, eu perdi os sentidos, e, ó rei de homens, meu pai se parecia com Yayati depois da perda de seu mérito, caindo do céu em direção à terra! E como um corpo luminoso cujo mérito foi perdido eu vi meu pai caindo, sua proteção para a cabeça suja e escorregando frouxamente, e seu cabelo e traje desordenados. E então o arco Sharanga caiu da minha mão, e, ó filho de Kunti, eu desmaiei! Eu me sentei no lado do carro. E, ó descendente da linhagem de Bharata, vendo-me desprovido de consciência no carro, e como se morto, minha hoste inteira exclamou ‘Oh!’ e ‘Ai!’ E meu pai inclinado com braços e membros inferiores esticados parecia com uma ave caindo. E ele que caía daquela maneira, ó tu de braços poderosos, ó herói, os guerreiros hostis portando em suas mãos lanças e machados golpearam dolorosamente! E (vendo isto) meu coração tremeu! E logo recuperando minha consciência, ó guerreiro, eu não pude ver naquela disputa poderosa nem o carro de metais valiosos, ou o inimigo Salwa, ou meu velho pai!
Então eu concluí que aquilo foi sem dúvida ilusão. E recuperando meus sentidos eu novamente comecei a disparar flechas às centenas.’ 22 Vasudeva continuou, 'Então, ó principal da raça Bharata, erguendo meu arco belo, eu comecei a cortar com minhas flechas as cabeças dos inimigos dos celestiais para fora daquele carro de metais valiosos! E eu comecei a atirar do Sharanga muitas setas de boa aparência das formas de cobras, capazes de ir até uma grande altura e possuidoras de energia intensa. E, ó perpetuador da linhagem Kuru, eu não podia então ver o carro de metais valiosos, pois ele tinha desaparecido por meio de ilusão! Eu fiquei então muito surpreso! Aquela hoste de Danvas então, ó Bharata, de rostos e cabelos pavorosos, deram um uivo alto enquanto eu estava esperando por isto. Naquela batalha feroz, eu então, com o objetivo de destruí-los, fixei na corda do meu arco a arma capaz de perfurar os inimigos se somente seu som fosse inaudível. Após isto, seus gritos cessaram. Mas aqueles Danavas que tinham dado aquele grito foram todos mortos por aquelas minhas setas brilhantes como o próprio Sol, e capazes de atingir pela percepção do som somente. E depois que o grito tinha parado em um local, ó rei poderoso, outro grito procedeu de outro quadrante. Para lá também eu enviei minhas setas. Dessa maneira, ó Bharata, os Asuras começaram a gritar em todos os dez quadrantes acima e de lado a lado. Estes foram todos mortos por mim, isto é, aqueles que estavam nos céus e que estavam invisíveis, com setas de formas diversas, e armas celestes insufladas com mantras.
Então, ó herói, aquele carro de metais preciosos capaz de ir a qualquer lugar à vontade, confundindo meus olhos, reapareceu em Pragjyotisha! E então os Danavas destruidores de formas ferozes de repente me inundaram com uma chuva poderosa de rochas. E, ó principal dos monarcas, torrentes de rochas caindo sobre mim me cobriram, e eu comecei a crescer como um formigueiro (com seus topos e cumes)! E coberto junto com meus cavalos e cocheiro e mastros de bandeira, com rochedos por todos os lados, eu desapareci totalmente de vista. Então aqueles principais dos heróis da raça Vrishni que eram do meu exército foram tomados pelo pânico, e todos de repente começaram a fugir em todas as direções. E vendo-me naquela situação, ó rei, o céu, o firmamento, e a terra estavam cheios de exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ E então, ó monarca, meus amigos cheios de tristeza e dor começaram a chorar e lamentar com corações pesados! E o deleite encheu os corações dos inimigos. E ó tu que nunca vacilaste, eu soube disto depois de eu ter derrotado o inimigo! E então manejando o raio, aquela (arma) favorita de Indra, capaz de rachar pedras, eu destruí aquela massa inteira de rochedos! Mas meus corcéis, atormentados pelo peso das pedras e quase às portas da morte começaram a tremer. E me vendo, todos os meus amigos se regozijaram novamente assim como homens se regozijam ao verem o sol se erguer no céu, dissipando as nuvens.
E vendo meus cavalos quase em seu último suspiro, afligidos por aquela carga de pedras, meu cocheiro falou a mim em palavras adequadas à ocasião, 'Ó tu da raça Vrishni, veja Salwa o dono do carro de metais preciosos sentado (lá). Não o desconsidere! Empenhe-te! Abandone tua indulgência e consideração por Salwa. Mate Salwa, ó tu de braços poderosos! Ó Kesava, não o deixe viver! Ó herói, ó tu destruidor daqueles que não são teus amigos (inimigos), um inimigo deve ser morto com todo esforço! Mesmo um inimigo fraco que está sob os pés de um homem dotado de força não deve ser desconsiderado pelo último, o que (eu direi) de alguém que nos desafia para a luta? Portanto, ó tu tigre entre homens, empregando todo esforço, mate-o, ó senhor, ó tu principal da raça Vrishni! Não demore novamente! Ele não é capaz de ser vencido por medidas mais brandas. E na minha opinião não pode ser teu amigo aquele que está lutando contigo e que devastou Dwaraka!' Ó Kaunteya, ouvindo tais palavras de meu cocheiro, e sabendo que o que ele disse era verdade, eu dirigi minha atenção à luta (de novo), com o objetivo de matar Salwa e destruir o carro de metais valiosos! E, ó herói, dizendo para Daruka, 'Pare um momento' eu fixei na corda do meu arco minha arma de fogo favorita, brilhante e de origem celeste, de força irresistível, e incapaz de ser desviada, repleta de energia, capaz de penetrar em tudo, e de grande esplendor!
E dizendo, 'Destrua o carro de metais preciosos junto com todos aqueles inimigos que estão nele.' Eu lancei com a força dos meus braços e em cólera com mantras, o grande disco poderoso Sudarsana o qual reduziu à cinzas em batalha Yakshas e Rakshasas e Danavas e reis nascidos em tribos impuras, afiado como navalha, e sem mácula, como Yama o destruidor, e incomparável, e que mata inimigos. E subindo ao céu, ele parecia como um segundo sol de refulgência excessiva no fim do Yuga. E se aproximando da cidade de Saubha cujo esplendor tinha desaparecido, o disco passou em linha reta através dela, assim como uma serra divide uma árvore alta. E cortada em dois pela energia do Sudarsana ela caiu como a cidade de Tripura derrubada pelas flechas de Maheswara. E depois que a cidade de Saubha tinha caído o disco voltou para minhas mãos. E erguendo-o mais uma vez eu o arremessei com força dizendo, 'Vá até Salwa.' O disco então partiu em dois Salwa que naquele conflito violento estava a ponto de arremessar uma maça pesada. E com sua energia ele colocou o inimigo em chamas. E depois que aquele guerreiro corajoso estava morto, as mulheres Danava desalentadas fugiram em todas as direções, exclamando ‘Oh!’ e ‘Ai!’ E colocando minha carruagem em frente à cidade de Saubha eu alegremente soprei minha concha e alegrei os corações dos meus amigos. E vendo sua cidade, alta como o pico do Meru, com seus palácios e portões completamente destruída, e toda em chamas, os Danavas fugiram com medo.
E tendo assim destruído a cidade de Saubha e matado Salwa, eu voltei para os Anarttas e alegrei meus amigos. E, ó rei, foi por essa razão que eu não pude ir à cidade que recebeu o nome de elefante (Hastinapura), ó destruidor de heróis hostis! Ó guerreiro, se eu tivesse ido, Suyodhana não estaria vivo ou a partida de dados não teria ocorrido. O que eu posso fazer agora? É difícil confinar as águas depois que a represa está quebrada!'" “Vaisampayana continuou, ‘Tendo se dirigido ao Kaurava dessa maneira, aquela principal das pessoas masculinas, de braços poderosos, o matador de Madhu, possuidor de toda graça, saudando os Pandavas, se preparou para partir. E o herói poderosamente armado saudou reverentemente Yudhishthira o justo, e o rei em retribuição e Bhima também cheiraram o topo de sua cabeça. E ele foi abraçado por Arjuna, e os gêmeos o saudaram com reverência. E ele foi devidamente honrado por Dhaumya, e cultuado com lágrimas por Draupadi. E fazendo Subhadra e Abhimanyu subirem em seu carro dourado, Krishna subiu nele adorado pelos Pandavas. E consolando Yudhishthira, Krishna partiu para Dwaraka em seu carro resplandecente como o sol e ao qual estavam unidos os cavalos Saivya e Sugriva. E depois que ele da linhagem Dasharha tinha partido, Dhristadyumna, o filho de Prishata, também partiu para sua própria cidade, levando consigo os filhos de Draupadi. E o rei de Chedi, Dhrishtaketu também, levando sua irmã com ele partiu para sua bela cidade de Suktimati, depois de se despedir dos Pandavas.
E, ó Bharata, os Kaikeyas também, com a permissão do filho de Kunti possuidor de energia imensurável, tendo saudado reverencialmente todos os Pandavas, foram embora. Mas os Brahmanas e os Vaisyas e os habitantes do reino de Yudhishthira embora repetidamente pedidos para partir não deixaram os Pandavas. Ó principal dos reis, ó touro da raça Bharata, a multidão que cercava aqueles de grande alma na floresta de Kamyaka parecia extraordinária. E Yudhishthira, honrando aqueles Brahmanas de mente elevada, no devido tempo ordenou seus homens, dizendo 'Aprontem o carro.'" 23 “Vaisampayana continuou, Depois que o chefe dos Dasharhas tinha partido, o heróico Yudhishthira, e Bhima, e Arjuna, e os gêmeos, cada um parecendo com Shiva, e Krishna, e seu sacerdote, subindo em carros valiosos aos quais estavam unidos corcéis excelentes, entraram juntos na floresta. E no momento de ir eles distribuíram Nishkas de ouro e roupa e vacas para Brahmanas versados em Siksha e Akshara e mantras. E vinte servidores os seguiram equipados com arcos, e cordas de arcos, e armas brilhantes, e flechas e setas e mecanismos de destruição. E levando as roupas e ornamentos da princesa, e as enfermeiras e as criadas, Indrasena seguiu rapidamente os príncipes em um carro. E então se aproximando do melhor dos Kurus, os cidadãos de grande mente andaram ao redor dele. E os principais Brahmanas de Kurujangala o saudaram alegremente. E junto com seus irmãos, Yudhishthira o justo de sua parte saudou-os alegremente. E o rei ilustre parou lá um pouco, contemplando a multidão dos habitantes de Kurujangala.
E o touro ilustre entre os Kurus sentiu por eles como um pai sente por seus filhos, e eles também sentiram pelo chefe Kuru assim como filhos sentem por seu pai! E aquela grande multidão, se aproximando do herói Kuru, permaneceu em volta dele. E, ó rei, afetados pelo acanhamento, e com lágrimas em seus olhos, eles todos exclamaram, 'Ai, ó senhor! Ó Dharma!' E eles disseram, 'Tu és chefe dos Kurus, e o rei de nós, teus súditos! Aonde tu vais, ó monarca justo, deixando todos estes cidadãos e os habitantes do país, como um pai deixando seus filhos? Que vergonha para o filho de coração cruel de Dhritarashtra! Que vergonha para o filho de mente má de Suvala! Que vergonha para Karna! Pois, ó principal dos monarcas, aqueles canalhas sempre desejam (mal) para ti que és firme em virtude! Tendo tu mesmo fundado a cidade inigualável de Indraprastha do esplendor do próprio Kailasa, aonde tu vais, deixando-a, ó rei ilustre e justo, ó realizador de feitos extraordinários! Ó ilustre, deixando aquele palácio inigualável construído por Maya, o qual possui o esplendor do palácio dos próprios celestiais, e que é como uma ilusão celeste, sempre guardado pelos deuses, aonde tu vais, ó filho de Dharma?' E Vibhatsu conhecendo os caminhos da virtude, prazer, e lucro disse para eles em voz alta, 'Vivendo na floresta, o rei pretende tirar o bom nome de seus inimigos!
Ó vocês com os regenerados em sua dianteira, versados em virtude e lucro, aproximando- se dos ascetas separadamente e inclinando-os à benevolência, relatem para eles o que possa ser para o nosso bem supremo!' Após ouvirem estas palavras de Arjuna, os Brahmanas e as outras classes, ó rei, saudando-o alegremente andaram ao redor do principal dos homens virtuosos! E se despedindo do filho de Pritha, e de Vrikodara, e de Dhananjaya e de Yajnaseni, e dos gêmeos, e mandados por Yudhishthira, eles voltaram para suas respectivas residências no reino com corações pesados." 24 “Vaisampayana disse, ‘Depois que eles tinham partido, Yudhishthira, o filho virtuoso de Kunti, firme em suas promessas, dirigiu-se a todos os seus irmãos, dizendo, 'Nós teremos que morar na floresta solitária por estes doze anos. Procurem, portanto, nesta floresta imensa por algum local cheio de aves e veados e flores e frutas, belo de se contemplar, e auspicioso, e habitado por pessoas virtuosas e onde nós possamos morar agradavelmente por todos esses anos!' Assim endereçado por Yudhishthira, Dhananjaya respondeu para o filho de Dharma, depois de reverenciar o rei ilustre como se ele fosse seu preceptor espiritual. E Arjuna disse, 'Tu visitaste respeitosamente todos os Rishis famosos e idosos. Não há nada desconhecido para ti no mundo dos homens.
E, ó touro da raça Bharata, tu sempre serviste com reverência Brahmanas inclusive Dwaipayana e outros, e Narada de grande mérito ascético, que, com sentidos sob controle, sempre vai aos portões de todo o mundo, do mundo dos deuses até aquele de Brahma, incluindo aquele dos Gandharvas e Apsaras! E tu conheces, sem dúvida, as opiniões dos Brahmanas, e, ó rei, sua destreza também! E, ó monarca, tu sabes o que está previsto para nos fazer bem! E, ó grande rei, nós viveremos onde quer que tu queiras! Lá está aquele lago, cheio de água sagrada, chamado Dwaitavana, cheio de flores, e encantador de se olhar, e habitado por muitas espécies de aves. Se, ó rei, isto te agradar, nós gostaríamos de morar lá estes doze anos! Tu pensas de outra maneira?' Yudhishthira respondeu, 'Ó Partha, o que tu disseste se recomenda para mim! Vamos àquele lago sagrado e célebre e grande chamado Dwaitavana!’" "Vaisampayana continuou, ‘Então os filhos virtuosos de Pandu, acompanhados por numerosos Brahmanas, foram todos ao lago sagrado chamado Dwaitavana. E Yudhishthira foi cercado por numerosos Brahmanas alguns dos quais sacrificavam com fogo e alguns sem e alguns dos quais, dedicados ao estudo dos Vedas, viviam de esmolas ou eram da classe chamada Vanaprasthas. E o rei estava também circundado por centenas de Mahatmas coroados com êxito ascético e de votos rígidos. E aqueles touros da raça Bharata, os filhos de Pandu, partindo com aqueles numerosos Brahmanas, entraram nas florestas sagradas e encantadoras de Dwaita.
E o rei viu aquela floresta coberta no fim do verão com Salas, e palmeiras, e mangueiras, e Madhukas, e Nipas e Kadamvas e Sarjjas e Arjunas, e Karnikars, muitas delas cobertas com flores. E bandos de pavões e Datyuhas e Chakoras e Varhins e Kokilas, pousados nos topos das árvores mais altas daquela floresta estavam cantando suas notas harmoniosas. E o rei também viu naquela floresta imensa manadas de elefantes gigantescos enormes como colinas, com suco temporal escorrendo na época do cio, acompanhados por manadas de elefantas. E se aproximando do belo Bhogavati (Saraswati), o rei viu muitos ascetas coroados com êxito nas habitações naquela floresta, e homens virtuosos de almas santificadas vestidos em cascas de árvores e tendo madeixas emaranhadas em suas cabeças. E descendo de seus carros, o rei, aquele principal dos homens virtuosos com seus irmãos e seguidores entraram naquela floresta como Indra de energia incomensurável entrando no céu. E multidões de Charanas e Siddhas, desejosos de ver o monarca dedicado à verdade, foram em direção a ele. E os habitantes daquela floresta permaneceram circundando aquele leão entre reis possuidor de grande inteligência. E saudando todos os Siddhas, e saudado por eles em retorno como um rei ou um deus deve ser, aquele principal dos homens virtuosos entrou na floresta com as mãos unidas acompanhado por todos aqueles principais dos regenerados.
E o rei ilustre e virtuoso, saudado em retorno por aqueles ascetas virtuosos que tinham se aproximado dele, sentou-se no meio deles na base de uma árvore grande decorada com flores, como seu pai (Pandu) no passado. E aqueles principais da linhagem Bharata, Bhima e Dhananjaya e os gêmeos e Krishna e seus seguidores, todos fatigados, deixando seus veículos, sentaram-se em volta daquele melhor dos reis. E aquela árvore forte abaixada com o peso de trepadeiras, com aqueles cinco arqueiros ilustres que tinham ido lá para descansar sentando-se sob ela, parecia com uma montanha com (cinco) elefantes enormes descansando ao seu lado.’ 25 “Vaisampayana disse, ‘Tendo caído em desgraça, aqueles príncipes assim obtiveram finalmente uma habitação agradável naquela floresta. E lá naqueles bosques cheios de árvores Sala e banhados pelo Saraswati, eles que eram como muitos Indras começaram a passar seu tempo. E o rei ilustre, aquele touro da raça Kuru, se pôs a agradar todos os Yatis e Munis e aos principais Brahmanas naquela floresta, por oferendas de frutas e raízes excelentes. E seu sacerdote, Dhaumya dotado de grande energia, como um pai para aqueles príncipes, começou a realizar os ritos sacrificais de Ishti e Paitreya para os Pandavas residindo naquela grande floresta. E chegou lá, como um convidado, na residência dos Pandavas ilustres vivendo na floresta depois da perda de seu reino, o idoso Rishi Markandeya, possuidor de energia intensa e abundante.
E aquele touro da raça Kuru, Yudhishthira de grande alma, possuidor de força e destreza inigualáveis, prestou sua homenagem àquele grande Muni, reverenciado por celestiais e Rishis e homens, e possuidor do esplendor do fogo ardente. E aquele Muni ilustre e conhecedor de tudo de energia sem igual, vendo Draupadi e Yudhishthira e Bhima e Arjuna no meio dos ascetas, sorriu, lembrando-se de Rama. E Yudhishthira o justo, aparentemente angustiado por isto, questionou-o, dizendo, 'Todos estes ascetas estão pesarosos por me verem aqui. Por que é que somente tu ris, como se em alegria, na presença deles?' Markandeya respondeu, 'Ó filho, eu também estou triste e não rio em alegria! Nem o orgulho nascido da alegria possui meu coração! Vendo hoje o infortúnio, eu me lembro de Rama, o filho de Dasaratha, dedicado à verdade! Aquele mesmo Rama, acompanhado por Lakshman, morou nas florestas por ordem de seu pai. Ó filho de Pritha, eu o vi antigamente vagando com seu arco no topo das colinas Rishyamuka! O ilustre Rama era como Indra, o senhor do próprio Yama, e o matador de Namuchi! Ainda assim aquele impecável teve que morar na floresta por ordem de seu pai, aceitando isto como seu dever. O ilustre Rama era igual a Sakra em bravura, e invencível em batalha. E ainda assim ele teve que percorrer a floresta renunciando a todos os prazeres! Portanto ninguém deve agir injustamente, dizendo, ‘Eu sou poderoso!’ Os reis Nabhaga e Bhagiratha e outros, tendo subjugado pela verdade este mundo limitado pelos mares, (finalmente) alcançaram, ó filho, todas as regiões após a morte.
Portanto, ninguém deve agir injustamente dizendo, ‘Eu sou poderoso!’ E, ó exaltado dos homens, o rei virtuoso e sincero de Kasi e Karusha era chamado de cachorro louco por ter renunciado a seus territórios e riquezas! Portanto, ninguém deve agir injustamente dizendo, ‘Eu sou poderoso!’ Ó melhor dos homens, ó filho de Pritha, os sete Rishis justos, por terem cumprido a ordenança prescrita pelo próprio Criador nos Vedas, brilham no firmamento. Portanto, ninguém deve agir injustamente dizendo, ‘Eu sou poderoso!’ Veja, ó rei, os elefantes poderosos, enormes como rochedos de montanha e equipados com presas, não violam, ó exaltado dos homens, as leis do Criador! Portanto, ninguém deve agir injustamente dizendo, ‘O poder é meu!’ E, ó principal dos monarcas, veja todas as criaturas agindo de acordo com sua espécie, como ordenado pelo Criador. Portanto, ninguém deve agir injustamente dizendo, ‘O poder é meu!’ Ó filho de Pritha, em verdade, e virtude, e comportamento apropriado, e modéstia, tu superaste todas as criaturas, e tua fama e energia são tão brilhantes quanto o fogo ou o Sol!
Firme em tuas promessas, ó ilustre, tendo passado nas florestas teu exílio doloroso, tu, ó rei, arrebatarás novamente dos Kauravas tua prosperidade resplandecente com a ajuda da tua própria energia!'" “Vaisampayana continuou, ‘Tendo falado estas palavras para Yudhishthira (sentado) no meio dos ascetas com amigos, o grande Rishi tendo também saudado Dhaumya e todos os Pandavas partiu na direção norte!’" 26 “Vaisampayana disse, ‘Enquanto o filho ilustre de Pandu continuou a morar nas florestas Dwaita, aquela grande floresta ficou cheia de Brahmanas. E o lago dentro daquela floresta, sempre ressoando com recitações Védicas, se tornou sagrado como uma segunda região de Brahma. E os sons dos Yajus, dos Riks, dos Samas, e de outras palavras proferidas pelos Brahmanas eram muito encantadores de se ouvir. E as recitações Védicas dos Brahmanas misturando-se com o ressoar dos arcos dos filhos de Pritha produziu uma união dos costumes Brahmana e Kshatriya que era muito bela. E uma noite o Rishi Vaka da família Dalvya se dirigiu a Yudhishthira, o filho de Kunti sentado no meio dos Rishis, dizendo, 'Veja, ó chefe dos Kurus, ó filho de Pritha, chegou a hora do homa destes Brahmanas dedicados a austeridades ascéticas, a hora quando os fogos (sagrados) são todos acesos! Estes todos, de votos rígidos, protegidos por ti, estão realizando os ritos de religião nesta região sagrada!
Os descendentes de Bhrigu e Angiras, junto com aqueles de Vasishta e Kasyapa, os ilustres filhos de Agastya, a prole de Atri todos de votos excelentes, realmente, todos os principais Brahmanas em conjunto, estão agora unidos contigo! Escute, ó filho da raça Kuru nascido de Kunti, tu mesmo com teus irmãos, às palavras que eu te falo! Como o fogo ajudado pelo vento consome a floresta, assim a energia Brahma se misturando com a energia Kshatriya, e o poder Kshatriya se misturando com o poder Brahma, podem, quando eles reúnem força, consumir todos os inimigos! Ó filho, nunca deve desejar estar sem Brahmanas aquele que deseja subjugar este e o outro mundo por alguma duração de tempo! De fato, um rei mata seus inimigos tendo obtido um Brahmana familiarizado com religião e assuntos mundanos e livre de paixão e insensatez. O rei Vali cuidando de seus súditos praticou aqueles deveres que levam à salvação, e não conhecia quaisquer outros meios neste mundo além dos Brahmanas. Foi por isso que todos os desejos do filho de Virochana, do Asura (Vali), eram sempre satisfeitos, e sua riqueza era sempre inesgotável. Tendo obtido a terra inteira pela ajuda dos Brahmanas, ele encontrou a destruição quando começou a fazer mal a eles! Esta terra com sua riqueza nunca adora por muito tempo como seu senhor um Kshatriya vivendo sem um Brahmana! A terra, no entanto, cercada pelo oceano, se curva àquele que é governado por um Brahmana e aprende seus deveres dele! Como um elefante em batalha sem seu condutor, um Kshatriya desprovido de Brahmanas diminui em força!
A visão do Brahmana é sem comparação, e a força do Kshatriya também é sem paralelo. Quando estes se combinam, a própria terra inteira alegremente se rende à tal combinação. Como fogo se tornando mais poderoso com o vento consome palha e madeira, assim reis com Brahmanas consomem todos os inimigos! Um Kshatriya inteligente, para ganhar o que ele não tem, e aumentar o que ele tem, deve receber conselho de Brahmanas! Portanto, ó filho de Kunti, para obter o que tu não tens e aumentar o que tu tens, e gastar o que tu tens em objetos e pessoas apropriados, mantenha contigo um Brahmana de reputação, de um conhecimento dos Vedas, de sabedoria e experiência! Ó Yudhishthira, tu tens sempre respeitado muito os Brahmanas. É por isso que tua fama é grande e resplandece nos três mundos!’" “Vaisampayana continuou, ‘Então todos aqueles Brahmanas que estavam com Yudhishthira adoraram Vaka da tribo Dalvya, e tendo ouvido-o louvar Yudhishthira ficaram muito satisfeitos. E Dwaipayana e Narada e Jamadagnya e Prithusravas; e Indradyumna e Bhalaki e Kritachetas e Sahasrapat; e Karnasravas e Munja e Lavanaswa e Kasyapa; e Harita e Sthulakarana e Agnivesya e Saunaka; e Kritavak e Suvakana Vrihadaswa e Vibhavasu; e Urdharetas e Vrishamitra e Suhotra e Hotravahana; estes e muitos outros Brahmanas de votos rígidos então adoraram Yudhishthira como Rishis adorando Purandara no céu!’" 27 “Vaisampayana disse, ‘Exilados nas florestas os filhos de Pritha com Krishna, sentados à noite, conversavam entre si angustiados pela tristeza e dor.
E a bela e bem informada Krishna querida para seus maridos e devotada a eles, falou dessa maneira para Yudhishthira, ‘Aquele filho pecaminoso, cruel, e de mente pecaminosa de Dhritarashtra sem dúvida não sente tristeza por nós, já que, ó rei, aquele canalha de coração mau tendo te enviado comigo para as florestas vestido em peles de veado não sentiu remorso! O coração daquele patife de atos maus deve certamente ser feito de aço uma vez que ele pode naquela hora se dirigir a ti, seu virtuoso irmão mais velho, em palavras tão duras! Tendo causado tal infortúnio a ti que mereces sentir toda a felicidade e nunca semelhante dor, ai, aquele canalha de mente má e pecaminoso se regozija com seus amigos! Ó Bharata, quando vestido em camurças tu partiste para as florestas, somente quatro pessoas, ó monarca, Duryodhana, Karna, Sakuni de mente má, e Dussasana aquele irmão mau e violento de Duryodhana, não derramaram lágrimas! À exceção deles, ó tu melhor dos Kurus, todos os outros Kurus cheios de tristeza derramaram lágrimas de seus olhos! Vendo este teu leito e me lembrando do que tu tinhas antes, eu sofro, ó rei, por ti que não mereces miséria e que foste criado em todo luxo! Lembrando-me daquele assento de marfim na tua corte, decorado com jóias e vendo este assento de erva kusa, a angústia me consome, ó rei! Eu te vi, ó rei, cercado na tua corte por reis! Que paz meu coração pode conhecer em não ver-te de tal maneira agora? Eu vi teu corpo, refulgente como o sol, enfeitado com pasta de sândalo! Ai, a aflição me priva dos meus sentidos ao ver-te agora coberto com lama e sujeira!
Eu te vi antes, ó rei, vestido em roupas de seda de branco puro! Mas eu agora te vejo vestido em trapos? Antigamente, ó rei, comida pura de todo tipo era carregada da tua casa em pratos de ouro por Brahmanas aos milhares! E, ó rei, comida também da melhor espécie era antigamente dada por ti para ascetas sem lar e vivendo em ambiente doméstico! Antigamente, vivendo na tua mansão tu sempre tiveste pratos cheios de comida de todos os tipos aos milhares, e cultuavas os Brahmanas satisfazendo todos os desejos deles! Que paz, ó rei, meu coração pode conhecer em não ver tudo aquilo agora? E, ó grande rei, estes teus irmãos, dotados de juventude e enfeitados com brincos, eram antigamente alimentados por cozinheiros com comida de sabor doce e temperada com habilidade! Ai, ó rei, eu agora vejo eles todos, tão não merecedores de infortúnio, vivendo nas florestas e do que a selva possa produzir! Meu coração, ó rei, não conhece paz! Pensando neste Bhimasena vivendo em sofrimento nas florestas a tua raiva não se inflama, mesmo que esta seja a hora? Por que tua raiva, ó rei, não resplandece ao ver o ilustre Bhimasena que sempre realizou tudo sem ajuda, assim caído em desgraça, embora merecendo toda felicidade? Por que, ó rei, a tua raiva não resplandece ao ver vivendo nas florestas este Bhima que era antigamente cercado de numerosos veículos e vestido em trajes caros? Esta pessoa nobre está preparada para matar todos os Kurus em batalha. Ele suporta, no entanto, toda essa miséria, somente porque ele espera pelo cumprimento da tua promessa!
Este Arjuna, ó rei, embora possuidor de duas mãos, é igual, por causa da leveza de sua mão ao disparar flechas, a Arjuna (Kartavirya) de mil braços! Ele é (para os inimigos), como o próprio Yama no fim do Yuga! Foi pelo valor das armas dele que todos os reis da terra foram feitos servir os Brahmanas no teu sacrifício! Vendo aquele Arjuna, aquele tigre entre homens adorado por ambos, os celestiais e os Danavas tão ansiosos, por que, ó rei, tu não te sentes indignado? Eu me angustio, ó Bharata, porque tua fúria não resplandece à visão daquele filho de Pritha no exílio, aquele príncipe que não merece tal infortúnio e que foi criado em todo luxo! Por que tua ira não resplandece à visão daquele Arjuna em exílio, que, em um único carro, derrotou celestiais e homens e serpentes? Por que, ó rei, a tua cólera não se acende à visão daquele Arjuna em exílio que, honrado com oferendas de carros e veículos de várias formas e cavalos e elefantes, tirou à força dos reis da terra seus tesouros, que é o castigador de todos os inimigos, e que em um ímpeto pode lançar ao todo quinhentas flechas? Por que, ó rei, a tua ira não se acende à visão de Nakula em exílio, que tão formoso e saudável e jovem é o principal de todos os espadachins? Por que, ó rei, tu perdoas o inimigo, ó Yudhishthira, à visão do filho de Madri, o belo e corajoso Sahadeva em exílio? Por que a tua raiva não resplandece, ó rei, à visão de ambos, Nakula e Sahadeva, dominados pela angústia, embora tão indignos de infortúnio?
Por que também, ó rei, tu perdoas o inimigo à visão de eu mesma em exílio que, nascida na linhagem de Drupada e, portanto, a irmã de Dhrishtadyumna, sou a nora do ilustre Pandu e a esposa devotada de heróis? Realmente, ó tu melhor dos Bharatas, tu não tens raiva, do contrário por que é que a tua mente não se altera à visão dos teus irmãos e de eu mesma (em semelhante desgraça)? É dito que não há Kshatriya no mundo que seja desprovido de raiva. Eu agora vejo em ti, no entanto, uma refutação do provérbio! Aquele Kshatriya, ó filho de Pritha, que não revela sua energia quando chega a oportunidade é sempre desrespeitado por todas as criaturas! Portanto, ó rei, tu não deves estender teu perdão ao inimigo. De fato, com tua energia, sem dúvida, tu podes matar todos eles! Assim também, ó rei, aquele Kshatriya que não é apaziguado quando chega o momento para o perdão se torna malquisto para todas as criaturas e encontra a destruição neste e no outro mundo!' 28 Draupadi continuou, 'Sobre este assunto, a antiga história da conversa entre Prahlada e Vali, o filho de Virochana, é citada como um exemplo. Um dia Vali questionou seu avô Prahlada, o chefe dos Asuras e dos Danavas, possuidor de grande sabedoria e versado nos mistérios da ciência do dever, dizendo, 'Ó senhor, o perdão é meritório ou poder e energia o são? Eu estou confuso com relação a isto; ó senhor, esclareça a mim que te pergunto isso! Ó tu conhecedor de todos os deveres, diga-me realmente qual destes é meritório?
Eu obedecerei estritamente qualquer que possa ser o teu comando!’ Assim perguntado (por Vali), seu avô sábio, familiarizado com todas as conclusões, respondeu sobre todo o assunto para seu neto que tinha procurado em suas mãos a solução de suas dúvidas. E Prahlada disse, 'Conheça, ó filho, estas duas verdades com certeza, isto é, que o poder não é sempre meritório e que o perdão também não é sempre meritório! Aquele que perdoa sempre sofre muitos males. Empregados e desconhecidos e inimigos sempre o desrespeitam. Nenhuma criatura alguma vez se curva a ele. Portanto é (por isto), ó filho, que os eruditos não aprovam um hábito constante de perdão! Os empregados de uma pessoa que sempre perdoa o desrespeitam, e contraem numerosos defeitos. Aqueles homens de mente vil também procuram privá-lo de sua riqueza. Empregados de alma vil também se apropriam de seus veículos e roupas e ornamentos e vestuário e camas e assentos e comida e bebida e outros artigos de uso. Eles também, quando ordenados por seu mestre, não dão para outros as coisas que eles são mandados dar. Eles nem mesmo honram seu mestre com aquele respeito que é devido ao seu mestre. O desprezo neste mundo é pior do que a morte. Ó filho, filhos e empregados e servidores e até desconhecidos falam palavras desagradáveis para o homem que sempre perdoa. Os homens, desrespeitando o homem de temperamento sempre clemente, desejam até sua esposa, e sua esposa também se torna propensa a agir como ela deseja.
E empregados também que são sempre apegados ao prazer, se eles não recebem nem castigos leves de seu patrão, contraem todos os tipos de vícios, e os pecaminosos sempre ofendem tal patrão. Estes e muitos outros deméritos se vinculam àquele que sempre perdoa! Escute agora, ó filho de Virochana, aos deméritos daqueles que nunca perdoam! O homem de ira que, cercado pela ignorância, sempre inflige, por ajuda da sua própria energia, várias espécies de castigo sobre pessoas elas mereçam ou não, é necessariamente separado de seus amigos por causa daquela energia dele. Tal homem é odiado por ambos, parentes e estranhos. Tal homem, porque ele insulta outros, sofre perda de riqueza e colhe desconsideração e tristeza e ódio e confusão e inimigos. O homem de ira, por causa de sua ira, inflige castigos em homens e obtém (em retribuição) palavras duras. Ele é logo privado de sua prosperidade e até da vida, para não dizer, de amigos e parentes. Aquele que aplica seu poder sobre seu benfeitor e seu inimigo é um objeto de temor para o mundo, como uma cobra que se abrigou em uma casa, para os habitantes dela. Que prosperidade pode ter aquele que é um objeto de temor para o mundo? As pessoas sempre lhe fazem uma injúria quando elas encontram uma falha. Portanto, os homens nunca devem mostrar força em excesso nem perdão em todas as ocasiões. Um homem deve aplicar seu poder e demonstrar seu perdão em ocasiões apropriadas. Aquele que se torna perdoador no momento apropriado e duro e poderoso também no momento apropriado, obtém felicidade neste mundo e no outro.
Eu agora indicarei em detalhes as ocasiões de perdão, como declaradas pelos eruditos, e que devem ser sempre observadas por todos. Ouça-me enquanto eu falo! Aquele que te fez um favor, mesmo que ele seja culpado de um dano grave para ti, lembrando-te do seu favor antigo tu deves perdoar aquele ofensor. Aqueles também que se tornam ofensores por ignorância e insensatez devem ser perdoados, pois aprendizagem e sabedoria não são sempre facilmente obteníveis pelo homem. Aqueles que tendo te ofendido de propósito alegam ignorância devem ser punidos, mesmo que seus delitos sejam insignificantes. Tais homens desonestos nunca devem ser perdoados. O primeiro delito de toda criatura deve ser perdoado. O segundo delito, no entanto, deve ser punido, mesmo que seja trivial. Se, no entanto, uma pessoa comete um delito a contragosto, é dito que examinando bem sua justificativa por meio de uma investigação judiciosa, ela deve ser perdoada. A humildade pode vencer a força, a humildade pode vencer a fraqueza. Não há nada que a humildade não possa realizar. Portanto, a humildade é realmente mais violenta (do que ela parece)! Uma pessoa deve agir com referência à hora e lugar, tendo em mente sua própria força ou fraqueza. Nada poder ter sucesso sem ter sido realizado com referência à hora e lugar. Portanto, sempre espere pela hora e lugar! Às vezes ofensores devem ser perdoados por medo das pessoas. Estes são declarados como momentos de perdão.
E é dito que em ocasiões além dessas a força deve ser aplicada contra os transgressores.' Draupadi continuou, 'Eu, portanto, considero, ó rei, que chegou o momento para ti aplicares tua força! Para aqueles Kurus, os filhos cobiçosos de Dhritarashtra que nos prejudicam sempre, o presente não é o momento para perdão! Cabe a ti usar teu poder. A pessoa humilde e clemente é desconsiderada; enquanto aqueles que são ferozes perseguem outros. É um rei de fato aquele que recorre a ambos cada um de acordo com seu tempo!' Yudhishthira disse, 'A raiva é a matadora de homens e é além disso aquela que os faz prosperar. Saiba, ó tu possuidora de grande sabedoria, que a raiva é a causa de toda prosperidade e toda adversidade. Ó bela, aquele que suprime sua raiva ganha prosperidade. Aquele homem, além disso, que sempre cede à raiva, colhe adversidade de sua ira violenta. É visto neste mundo que a raiva é a causa da destruição de todas as criaturas. Como então pode alguém como eu ceder à sua raiva que é tão destrutiva do mundo? O homem furioso comete pecados. O homem furioso mata até seus preceptores. O homem enfurecido insulta até seus superiores com palavras duras. O homem que está zangado falha em distinguir entre o que deve ser dito e o que não se deve. Não há ato que um homem zangado não possa fazer, nenhuma palavra que um homem zangado não possa proferir. Por raiva um homem pode matar alguém que não merece ser morto, e ele pode venerar um que merece ser morto. O homem enfurecido pode até mandar sua própria alma para as regiões de Yama.
Vendo todas essas falhas, os sábios controlam sua raiva, desejosos de obter a maior prosperidade neste e no outro mundo. É por isso que aqueles de almas tranquilas têm banido a ira. Como pode alguém como nós se entregar a ela então? Ó filha de Drupada, refletindo sobre tudo isso minha raiva não é excitada. Aquele que não age contra um homem cuja raiva está agitada salva a si mesmo como também outros de grande perigo. Realmente, ele pode ser considerado como o médico dos dois (isto é, dele mesmo e do homem enraivecido). Se um homem fraco, perseguido por outros, tolamente fica enraivecido com homens que são mais poderosos do que ele, ele então se torna a causa da sua própria destruição. E em relação a alguém que dessa maneira deliberadamente joga sua vida fora não há regiões a ganhar após a morte. Portanto, ó filha de Drupada, é dito que um homem fraco deve sempre reprimir sua raiva. E o homem sábio também que embora perseguido, não permite que sua cólera seja despertada, se regozija no outro mundo, tendo passado por seu perseguidor em indiferença. É por esta razão que é dito que um homem sábio, seja forte ou fraco, deve sempre perdoar seu perseguidor mesmo quando o último está em apuros. É por isto, ó Krishna, que os virtuosos louvam aqueles que controlam sua ira. De fato, é a opinião dos virtuosos que o homem honesto e clemente é sempre vitorioso. A verdade é mais benéfica do que a mentira; e a gentileza do que o comportamento cruel.
Como pode alguém como eu portanto, mesmo para o propósito de matar Duryodhana, demonstrar raiva que tem tantas falhas e que os virtuosos baniram das suas almas? Aqueles que são considerados pelos eruditos de previdência como possuidores de (verdadeira) força de caráter, são certamente aqueles que são coléricos em aparência externa somente. Homens de erudição e de discernimento verdadeiro consideram como possuidor de força de caráter aquele que com sua sabedoria pode suprimir sua raiva. Ó tu de quadris formosos, o homem zangado não vê as coisas no seu aspecto verdadeiro. O homem que está zangado não vê seu caminho, nem respeita pessoas. O homem zangado mata mesmo aqueles que não merecem ser mortos. O homem de cólera mata até seus preceptores. Portanto, o homem possuidor de força de caráter deve sempre banir a ira à distância. O homem que é dominado pela cólera não adquire com facilidade generosidade, dignidade, coragem, habilidade, e outros atributos pertencentes à real força de caráter. Um homem por abandonar a raiva pode revelar energia apropriada, uma vez que, ó sábia, é muito difícil para o homem enfurecido usar sua energia no momento apropriado! O ignorante sempre considera a raiva como equivalente à energia. A raiva, no entanto, foi dada ao homem para a destruição do mundo. O homem, portanto, que deseja se comportar adequadamente deve sempre abandonar a raiva. Mesmo alguém que abandonou as virtudes excelentes da sua própria classe, isto é certo, perdoa a ira (se age devidamente).
Se tolos, de mente sem conhecimento, violam os limites em todos os aspectos, como, ó impecável, pode alguém como eu violar (como eles)? Se entre os homens não houvesse pessoas iguais à terra em perdão, não haveria paz entre os homens mas conflito contínuo causado pela ira. Se o ofendido devolve suas ofensas, se alguém castigado por seu superior fosse castigar seu superior em retorno, a consequência seria a destruição de todas as criaturas, e o pecado também prevaleceria no mundo. Se o homem que ouve más palavras de outro retribui aquelas palavras depois; se o homem ofendido retorna suas ofensas; se a pessoa castigada castiga em retorno; se pais matam filhos, e filhos pais e se maridos matam esposas, e esposas maridos; então, ó Krishna, como pode haver nascimentos em um mundo onde a raiva prevalece dessa maneira? Pois, ó tu rosto belo, saiba que o nascimento das criaturas é devido à paz! Se os reis também, ó Draupadi, cedem à ira, seus súditos logo encontram a destruição. A ira, portanto, tem como sua consequência a destruição e a aflição das pessoas. E porque é visto que há no mundo homens que são clementes como a Terra, é por essa razão que as criaturas derivam vida e prosperidade. Ó bela, uma pessoa deve perdoar sob todo insulto. É dito que a continuação da espécie é devido ao homem ser clemente. De fato, é uma pessoa sábia e excelente aquela que conquistou sua ira e que demonstra perdão mesmo quando ofendida, oprimida, e enraivecida por uma pessoa forte.
O homem de poder que controla sua ira, tem (para seu desfrute) numerosas regiões eternas; enquanto aquele que é zangado é chamado de tolo, e encontra a destruição neste e no outro mundo. Ó Krishna, o ilustre e clemente Kashyapa, em relação a isso, cantou os seguintes versos em honra dos homens que são sempre perdoadores, 'Perdão é virtude; perdão é sacrifício, perdão é os Vedas, perdão é o Shruti. Aquele que sabe disso é capaz de perdoar tudo. Perdão é Brahma; perdão é verdade; perdão é mérito ascético acumulado; perdão protege o mérito ascético do futuro; perdão é ascetismo; perdão é santidade; e pelo perdão o universo é mantido unido. Pessoas que são clementes alcançam as regiões obteníveis por aqueles que realizam sacrifícios meritórios, ou aqueles que são bem familiarizados como os Vedas, ou aqueles que tem grande mérito ascético. Aqueles que realizam sacrifícios Védicos como também aqueles que realizam os ritos meritórios de religião obtém outras regiões. Homens de perdão, no entanto, alcançam àquelas regiões muito adoradas que estão no mundo de Brahma. Perdão é o poder do poderoso; perdão é sacrifício; perdão é quietude mental. Como, ó Krishna, alguém como nós pode abandonar o perdão, qual é de tal maneira, e no qual estão estabelecidos Brahma, e a verdade, e a sabedoria e os mundos? O homem de sabedoria deve sempre perdoar, pois quando ele é capaz de perdoar tudo, ele alcança Brahma. O mundo pertence àqueles que são perdoadores; o outro mundo também é deles. O clemente obtém honras aqui, e um estado de bem aventurança após a morte.
Aqueles homens que sempre controlam sua raiva através do perdão alcançam as regiões mais elevadas. Portanto é dito que o perdão é a maior virtude.' Estes são os versos cantados por Kashyapa a respeito daqueles que são sempre clementes. Tendo escutado, ó Draupadi, a estes versos a respeito do perdão, fique contente! Não ceda à tua ira! Nosso avô, o filho de Santanu, cultuará a paz; Krishna, o filho de Devaki, cultuará a paz; o preceptor (Drona) e Vidura chamado Kshatri, ambos falarão de paz; Kripa e Sanjaya também pregarão a paz. E Somadatta e Yuyutshu e o filho de Drona e nosso avô Vyasa, cada um deles fala sempre de paz. Sempre estimulado por eles em direção à paz, o rei (Dhritarashtra), eu penso, nos devolverá nosso reino. Se no entanto, ele ceder à tentação, ele encontrará a destruição. Ó senhora, chegou uma crise na história dos Bharatas para mergulhá-los em calamidade! Esta é minha conclusão indubitável desde algum tempo antes! Suyodhana não merece o reino. Portanto ele é incapaz de ter clemência. Eu, no entanto, mereço a soberania e portanto a clemência tomou posse de mim. Perdão e bondade são as qualidades dos controlados. Elas representam a virtude eterna. Eu, portanto, realmente adotarei estas qualidades.’ 30 Draupadi disse, 'Eu me curvo a Dhatri e Vidhatri que nublaram tua compreensão dessa maneira! Considerando a responsabilidade (que tu tens que carregar) tu pensas diferentemente dos modos dos teus pais e avôs! Influenciados pelas ações os homens são colocados em diferentes situações de vida.
As ações, portanto, produzem consequências que são inevitáveis; a emancipação é desejada por mera insensatez. Parece que o homem nunca pode alcançar prosperidade neste mundo por meio de virtude, bondade, perdão, franqueza e medo de crítica! Se não fosse assim, ó Bharata, esta calamidade insuportável nunca teria alcançado a ti que és tão indigno disto, e estes teus irmãos de grande energia! Nem naqueles dias de prosperidade nem nestes dias de adversidade, ó Bharata, tu conheceste alguma coisa tão cara para ti quanto a virtude, a qual tu sempre consideraste como mais preciosa para ti do que a vida? Que teu reino é para a virtude somente, que tua vida também é para a virtude somente, é sabido pelos Brahmanas e teus superiores e mesmo pelos celestiais! Eu acho que tu podes abandonar Bhimasena e Arjuna e estes gêmeos filhos de Madri junto comigo mesma, mas tu não podes abandonar a virtude! Eu tenho ouvido que o rei protege a virtude; e a virtude, protegida por ele, o protege (em retorno)! Eu vejo, no entanto, que a virtude não te protege! Como a sombra perseguindo um homem, teu coração, ó tigre entre homens, com unidade de propósito, sempre procura a virtude. Tu nunca desrespeitaste teus iguais, e inferiores e superiores. Obtendo até o mundo inteiro teu orgulho nunca aumentou! Ó filho de Pritha, tu sempre cultuaste Brahmanas, e deuses, e os Pitris, com Swadhas e outras formas de culto! Ó filho de Pritha, tu sempre gratificaste os Brahmanas por realizar todos os desejos deles!
Yatis e Sannyasins e mendicantes de vidas familiares sempre foram alimentados na tua casa em pratos de ouro onde eu distribuía (alimento) entre eles. Para os Vanaprasthas tu sempre deste ouro e alimento. Não há nada na tua casa que tu não possas dar para os Brahmanas! No sacrifício Viswadeva, que é, para a tua paz, realizado na tua casa, as coisas consagradas são primeiro oferecidas para convidados e todas as criaturas enquanto tu vives com o que resta (depois da distribuição)! Ishtis Pashubandhas, sacrifícios para obter realização de desejo, os ritos religiosos da vida familiar (comum), sacrifícios Paka, e sacrifícios de outros tipos, são sempre realizados na tua casa. Até nesta grande floresta, tão solitária e frequentada por ladrões, vivendo no exílio, privado do teu reino, tua virtude não sofreu diminuição! O Aswamedha, o Rajasuya, o Pundarika, e Gosava, estes sacrifícios formidáveis requerendo grandes presentes foram todos realizados por ti! Ó monarca, impelido por um sentimento perverso durante aquela hora terrível da perda de uma partida nos dados, tu ainda assim apostaste e perdeste teu reino, tua riqueza, tuas armas, teus irmãos, e eu mesma! Simples, amável, bondoso, modesto, sincero, como, ó rei, tua mente pode ser atraída para o vício do jogo? Eu estou quase privada da minha razão, ó rei, e meu coração está tomado pela dor, vendo este teu infortúnio e esta tua calamidade! Uma velha história é citada como uma ilustração para a verdade que os homens estão sujeitos à vontade de Deus e nunca aos seus próprios desejos!
O Senhor Supremo e Ordenador de tudo ordena tudo em relação ao bem-estar e infortúnio, à felicidade e tristeza, de todas as criaturas, mesmo antes de seus nascimentos guiados pelas ações de cada uma, as quais são mesmo como uma semente (destinada a brotar na árvore da vida). Ó herói entre homens, como uma boneca de madeira é feita mover seus membros pelo manipulador, assim as criaturas são feitas trabalhar pelo Senhor de tudo. Ó Bharata, como o espaço que cobre todos os objetos, Deus, permeando toda criatura, ordena seu bem ou mal. Como uma ave atada com uma corda, toda criatura é dependente de Deus. Cada um está sujeito a Deus e a ninguém mais. Ninguém pode ser seu próprio ordenador. Como uma pérola em seu cordão, ou um touro segurado firmemente pela corda passando por seu nariz, ou uma árvore caída da margem ao meio do rio, cada criatura segue a ordem do Criador, porque está imbuída de Seu Espírito e porque está estabelecida n'Ele. E o próprio homem, dependente da Alma Universal, não pode passar um momento independentemente. Envolvidas em escuridão, as criaturas não são donas do seu próprio bem e mal. Elas vão para o céu ou inferno incitadas pelo próprio Deus. Como palhas leves dependentes de ventos fortes, todas as criaturas, ó Bharatas, são dependentes de Deus! E o próprio Deus, permeando todas as criaturas e engajado em ações certas ou erradas, se move no universo, no entanto ninguém pode dizer ‘Isto é Deus!’ Este corpo com seus atributos físicos é somente o meio pelo qual Deus, o Senhor Supremo de tudo, faz (toda criatura) colher frutos que são bons e maus.
Veja o poder de ilusão que é expandido por Deus, que confundindo com sua ilusão faz criaturas matarem seus companheiros! Munis conhecedores da verdade olham para aqueles diferentemente. Eles aparecem para eles em uma luz diferente, assim como os raios do Sol (os quais para os olhos comuns são somente um feixe de luz, enquanto para olhos mais penetrantes parecem repletos dos germes de (alimento e bebida). Homens comuns olham para as coisas da terra de outra maneira. É Deus quem faz eles todos, adotando diferentes processos em sua criação e destruição. E, ó Yudhishthira, o Avô Auto-criado, Deus Onipotente, espalhando ilusão, mata suas criaturas por meio de suas criaturas, como alguém pode quebrar um pedaço de madeira inerte e insensível com madeira, ou pedra com pedra, ou ferro com ferro. E o Senhor Supremo, de acordo com sua vontade, se diverte com Suas criaturas, criando-as e destruindo-as, como uma criança com seu brinquedo (de terra macia). Ó rei, parece-me que Deus se comporta em direção às suas criaturas como um pai ou mãe para elas. Como uma pessoa violenta, Ele parece se portar em direção a elas com raiva! Vendo pessoas superiores e bem educadas e modestas perseguidas, enquanto os pecaminosos são felizes, eu estou muito perturbada. Vendo este teu infortúnio e a prosperidade de Suyodhana, eu não falo em termos elogiosos do Grande Ordenador que permite semelhante desigualdade! Ó senhor, que frutos Grande Ordenador colhe por conceder prosperidade ao filho de Dhritarashtra que desobedece as ordenanças, que é desonesto e cobiçoso, e que ofende a virtude e a religião?
Se o ato feito persegue o fazedor e ninguém mais, então certamente é o próprio Deus que é maculado pelo pecado de todo ato. Se, no entanto, o pecado de uma ação não se vincula ao fazedor, então o poder (individual e não Deus) é a verdadeira causa das ações, e eu me aflijo por aqueles que não tem poder!' 31 Yudhishthira disse, 'Teu discurso, ó Yajnaseni, é encantador, polido e cheio de frases excelentes. Nós o escutamos (cuidadosamente). Tu falas, no entanto, a língua do ateísmo. Ó princesa, eu nunca ajo desejoso dos frutos das minhas ações. Eu dôo, porque é meu dever doar; eu sacrifico porque é meu dever sacrificar! Ó Krishna, eu realizo da melhor maneira que posso o que quer que uma pessoa vivendo em vida familiar deve fazer, indiferente ao fato se aquelas ações tem resultados ou não. Ó tu de quadris formosos, eu ajo virtuosamente, não pelo desejo de colher os frutos da virtude, mas de não desobedecer as ordenanças do Veda, e observando também a conduta dos bons e sábios! Meu coração, ó Krishna, é naturalmente atraído em direção à virtude. O homem que deseja colher os frutos da virtude é um comerciante de virtude. Sua natureza é egoísta e ele nunca deve ser contado entre os virtuosos. Nem ele deve alguma vez obter os frutos de suas virtudes! Nem aquele de coração pecaminoso, que tendo realizado uma ação virtuosa duvida em sua mente, obtém os frutos de sua ação, por causa do ceticismo dele! Eu falo para ti, sob a autoridade dos Vedas, a qual constitui a maior prova em tais questões, que tu nunca deves duvidar da virtude!
O homem que duvida da virtude está destinado a tomar seu nascimento na espécie bruta. O homem de compreensão fraca que duvida da religião, da virtude ou das palavras dos Rishis, é excluído das regiões de imortalidade e felicidade, como Sudras dos Vedas! Ó inteligente, se uma criança nascida de uma boa linhagem estuda os Vedas e se comporta virtuosamente, sábios reais de comportamento virtuoso o consideram como um sábio idoso (apesar de sua idade)! O canalha pecaminoso, no entanto, que duvida da religião e desobedece as escrituras, é considerado como mais inferior até do que Sudras e ladrões! Tu viste com teus próprios olhos o grande asceta Markandeya de alma imensurável vir até nós! É somente pela virtude que ele adquiriu imortalidade na carne. Vyasa, e Vasistha e Maitreya, e Narada e Lomasa, e Suka, e outros Rishis todos, somente pela virtude, se tornaram de alma pura! Tu os viste com teus próprios olhos como dotados de destreza de ascetismo celeste, competentes para amaldiçoar ou abençoar (com efeito), e superiores aos próprios deuses! Ó impecável, estes todos, iguais aos próprios celestiais, vêem com seus olhos o que está escrito nos Vedas, e descrevem a virtude como o principal dever! Não cabe a ti, portanto, ó rainha amável, duvidar ou criticar Deus ou agir com um coração insensato. O tolo que duvida da religião e desconsidera a virtude, orgulhoso da prova derivada do seu próprio raciocínio, não respeita outras provas e considera os Rishis, que são capazes de conhecer o futuro como presente, como homens loucos.
O tolo considera somente o mundo externo capaz de satisfazer seus sentidos, e é cego para tudo mais. Aquele que duvida da religião não tem expiação para seu pecado. Aquele patife miserável é cheio de ansiedade e não alcança regiões de felicidade após a morte. Um recusador de evidências, um difamador da interpretação das escrituras Védicas, um transgressor incitado por luxúria e cobiça, aquele tolo vai para o inferno. Ó amável, por outro lado, aquele que sempre nutre religião com fé obtém felicidade eterna no outro mundo. O tolo que não nutre religião, contrariando as provas oferecidas pelos Rishis, nunca obtém prosperidade em alguma vida, por tal transgressão das escrituras. É certo, ó bela, que para aquele que não considera as palavras dos Rishis ou a conduta dos virtuosos como prova, nem este nem o outro mundo existem. Não duvide, ó Krishna, da religião antiga que é praticada pelos bons e moldada por Rishis de conhecimento universal e capazes de ver todas as coisas! Ó filha de Drupada, a religião é a única balsa para aqueles desejosos de ir para o céu, como um navio para comerciantes desejosos de cruzar o oceano. Ó tu impecável, se as virtudes que são praticadas pelos virtuosos não tivessem resultados, este universo então seria envolvido em escuridão abjeta. Ninguém então procuraria a salvação, ninguém procuraria adquirir conhecimento nem riqueza, mas os homens viveriam como animais.
Se ascetismo, austeridades da vida celibatária, sacrifícios, estudo dos Vedas, caridade, honestidade, estes fossem todos inúteis, os homens não teriam praticado a virtude geração após geração. Se as ações fossem todas infrutíferas, uma confusão terrível se seguiria. Por que então Rishis e deuses e Gandharvas e Rakshasas que são todos independentes das condições humanas apreciam a virtude com tal afeição? Sabendo por certo que Deus é o concessor de resultados em relação à virtude, eles praticam a virtude neste mundo. Isto, ó Krishna, é a eterna (fonte de) prosperidade. Quando os frutos do conhecimento e ascetismo são vistos, virtude e vício não podem ser infrutíferos. Lembre-te, ó Krishna, das circunstâncias do teu próprio nascimento como tu soubeste delas, e recorde também a maneira na qual Dhrishtadyumna de grande bravura nasceu! Estas, ó tu de doces sorrisos, são as melhores provas (dos frutos da virtude)! Aqueles que tem suas mentes sob controle colhem os frutos de suas ações e estão contentes com pouco. Tolos ignorantes não se contentam nem com aquele muito que eles conseguem (aqui), porque eles não tem a felicidade nascida da virtude para obter no mundo futuro. A infertilidade de ações virtuosas ordenadas nos Vedas, como também de todas as transgressões, a origem e destruição de ações são, ó bela, misteriosas até para os deuses. Estas não são conhecidas por ninguém. Homens comuns são ignorantes a respeito destas. Os deuses mantêm o mistério, pois a ilusão cobrindo a conduta dos deuses é ininteligível.
Aqueles regenerados que tem destruído todas as aspirações, que tem construído todas as suas esperanças em votos e ascetismo, que tem queimado todos os seus pecados e obtido mentes onde busca e paz e santidade moram, compreendem todas estas. Portanto, embora tu não possas ver os frutos da virtude, tu ainda assim não deves duvidar da religião ou dos deuses. Tu deves realizar sacrifícios com um desejo, e praticar caridade sem insolência. Ações neste mundo tem seus frutos, e a virtude também é eterna. O próprio Brahma disse isso para seus filhos (espirituais), como testificado por Kashyapa. Que tua dúvida, portanto, ó Krishna, seja dissipada como neblina. Refletindo sobre tudo isso, que teu ceticismo dê lugar à fé. Não calunie Deus, que é o senhor de todas as criaturas. Aprenda como conhecê-lo. Reverencie a Ele. Não deixe que a tua mente seja de tal maneira. E, ó Krishna, nunca desconsidere aquele Ser Supremo por cuja graça o homem mortal, através da piedade, alcança a imortalidade!' 32 Draupadi disse, 'Eu nunca desrespeito ou calunio a religião, ó filho de Pritha! Por que eu desrespeitaria Deus, o senhor de todas as criaturas? Afligida pela angústia, saiba que eu estou, ó Bharata, somente delirando. Eu me entregarei aos lamentos novamente; escute-me com atenção. Ó perseguidor de todos os inimigos, toda criatura consciente deve certamente agir neste mundo. São somente as imóveis, e não outras criaturas, que podem viver sem agir. O bezerro, imediatamente após seu nascimento, suga as tetas da mãe. Pessoas sentem dor por causa de encantamentos realizados com suas estátuas.
Parece, portanto, ó Yudhishthira, que as criaturas derivam o caráter de suas vidas de suas ações de vidas anteriores. Entre as criaturas móveis o homem difere neste aspecto de modo que ele aspira, ó touro da raça Bharata, afetar seu curso de vida neste e no outro mundo por meio de suas ações. Impelidas pela inspiração de uma vida anterior, todas as criaturas visivelmente (colhem) neste mundo os frutos de suas ações. De fato, todas as criaturas vivem de acordo a inspiração de uma vida anterior, mesmo o Criador e o Ordenador do universo, como um grou que vive na água (não ensinado por ninguém.) Se uma criatura não age, seu rumo de vida é impossível. No caso de uma criatura, portanto, deve haver ação e não inação. Tu também deves agir, e não incorrer em crítica por abandonar a ação. Cubra-te, como com uma armadura, com ação. Pode haver ou pode não haver mesmo um em mil que realmente conhece a utilidade das ações ou trabalho. Deve-se agir para proteger como também para aumentar sua riqueza; pois se alguém, sem procurar ganhar, continua somente a gastar sua riqueza, mesmo que seja uma provisão enorme como Himavat, esta logo será esgotada. Todas as criaturas no mundo teriam sido exterminadas se não houvesse ação. Se também as ações não dessem frutos, as criaturas nunca teriam se multiplicado. É mesmo visto que as criaturas às vezes realizam ações que não tem resultados, pois sem ação o próprio andamento da vida seria impossível. Aquelas pessoas no mundo que crêem em destino, e aquelas além disso que crêem em acaso, são ambas as piores entre os homens.
Somente aqueles que crêem na eficácia das ações são louváveis. Aquele que se deita tranquilamente, sem atividade, acreditando só no destino, é logo destruído como um pote de barro não cozido em água. Assim também aquele que acredita no acaso, isto é, permanece inativo embora capaz de atividade, não vive muito tempo, pois sua vida é uma de fraqueza e desamparo. Se alguma pessoa acidentalmente obtém alguma riqueza é dito que ela derivou-a do acaso, pois nenhum esforço próprio ocasionou o resultado. E, ó filho de Pritha, o que quer que uma pessoa obtenha de boa fortuna por consequência de ritos religiosos é chamado de providencial. O fruto, no entanto, que uma pessoa obtém por agir ela mesma, e que é o resultado direto daquelas ações dela, é considerado como prova de habilidade pessoal. E, ó melhor dos homens, saiba que a riqueza que alguém obtém espontaneamente e sem causa é considerada como uma aquisição espontânea. O que quer que seja assim obtido por acaso, por dispensação providencial, espontaneamente, e como o resultado das próprias ações é, no entanto, a consequência dos atos de uma vida anterior. E Deus, o Ordenador do universo, julgando de acordo com os atos de vidas anteriores, distribui entre os homens suas porções neste mundo. Quaisquer ações, boas ou más, que uma pessoa realiza, saiba que elas são o resultado dos planos de Deus de acordo com as ações de uma vida passada. Este corpo é somente o instrumento nas mãos de Deus, para fazer as ações que são feitas. (O corpo) ele mesmo inerte faz como Deus o incita a fazer.
Ó filho de Kunti, é o Senhor Supremo de tudo que faz todas as criaturas fazerem o que elas fazem. As próprias criaturas são inertes. Ó herói, o homem, tendo primeiro fixado algum propósito em sua mente, o realiza, ele mesmo trabalhando com a ajuda de sua inteligência. Nós, portanto, dizemos que o próprio homem é a causa (do que ele faz). Ó touro entre homens, é impossível numerar as ações dos homens, pois mansões e cidades são o resultado das ações do homem. Homens inteligentes sabem, pela ajuda de seu intelecto, que óleo pode ser obtido do gergelim, coalhos do leite, e que alimento pode ser cozido por acender combustível. Eles conhecem também os meios para realizar tudo isto. E conhecendo-os, eles subsequentemente se põe, com instrumentos apropriados, a realizá-los. E as criaturas sustentam suas vidas pelos resultados alcançados nestas direções por suas próprias ações. Se um trabalho é realizado por um operário habilidoso, ele é bem realizado. Por diferenças (em características), outro trabalho pode ser citado como sendo aquele de uma mão inábil. Se uma pessoa, na questão de suas ações, não fosse ela mesma a causa disso, então sacrifícios não dariam quaisquer resultados no seu caso nem alguém seria um discípulo ou um mestre. É porque uma pessoa é ela mesma a causa de seu trabalho que ela é elogiada quando ela alcança êxito. Assim o fazedor é criticado se ele falha. Se um homem não fosse ele mesmo a causa de suas ações, como tudo isto seria justificado!?
Alguns dizem que tudo é o resultado de dispensação Providencial; outros dizem que não é assim, mas que tudo o que se supõe ser o resultado do destino ou acaso é o resultado das ações boas ou más de vidas anteriores. É visto, posses são obtidas do acaso, como também do destino. Algo sendo do destino e algo do acaso, algo é obtido por esforço. Na aquisição de seus objetos, não há quarta causa no caso do homem. Assim dizem aqueles que são conhecedores da verdade e hábeis em conhecimento. Se, no entanto, o próprio Deus não fosse o dador de resultados bons e maus, então entre as criaturas não haveria nenhuma que fosse miserável. Se o efeito de ações anteriores fosse um mito, então todos os propósitos pelos quais os homens trabalham deveriam ser bem sucedidos. Aqueles, portanto, que consideram somente os três (acima mencionados) como as portas de todo sucesso e fracasso no mundo, (sem considerarem os atos vida anterior), são obtusos e inertes como o próprio corpo. Por tudo isto, entretanto, uma pessoa deve agir. Esta é a conclusão do próprio Manu. A pessoa que não age certamente sucumbe, ó Yudhishthira. O homem de ação neste mundo geralmente encontra o êxito. O ocioso, no entanto, nunca alcança sucesso. Se o sucesso se torna impossível, então uma pessoa deve procurar remover as dificuldades que obstruem seu caminho para o sucesso. E, ó rei, se uma pessoa trabalha (duro), sua dívida (com os deuses) é anulada (ele alcance o sucesso ou não).
A pessoa que é preguiçosa e fica deitada é vencida pela adversidade; enquanto aquela que é ativa e habilidosa sem dúvida colhe êxito e desfruta de prosperidade. Pessoas inteligentes engajadas em ações com confiança em si mesmas consideram todos os que são tímidos como incertos e fracassados. Os confiantes e conscienciosos, no entanto, são considerados por eles como bem sucedidos. E neste momento a miséria nos alcançou. Se, no entanto, tu te dirigires para a ação, esta miséria sem dúvida será removida. Se tu encontrares o fracasso, então isto fornecerá uma prova para ti e Vrikodara e Vivatsu e os gêmeos (de que vocês são incapazes de tirar o reino do inimigo). As ações de outros, é visto, são coroadas com êxito. É provável que a nossa também seja bem sucedida. Como alguém pode saber antes qual será a consequência? Tendo te esforçado tu saberás qual será o resultado do teu esforço. O agricultor lavra a terra com o arado e semeia as sementes nela. Ele então senta-se silencioso, pois as nuvens (depois disso) são a causa que ajudará as sementes a se tornarem plantas. Se, no entanto, as nuvens não o favorecem, o agricultor é absolvido de toda culpa. Ele diz para si mesmo, 'O que outros fazem, eu fiz. Se, apesar disto, eu encontrar o fracasso nenhuma culpa pode se vincular a mim.' Pensando assim ele se contém e nunca sente remorso. Ó Bharata, ninguém deve se desesperar dizendo, ‘Oh, eu estou agindo, ainda assim o êxito não é meu!’ Pois há duas outras causas, além do esforço, rumo ao sucesso.
Haja sucesso ou fracasso, não deve haver desespero, pois o sucesso em ações depende da união de muitas circunstâncias. Se um elemento importante está faltando o sucesso não se torna proporcional, ou não vem em absoluto. Se no entanto, nenhum esforço é feito, não pode haver sucesso. Nem há qualquer coisa a elogiar na ausência de todo o esforço. Os inteligentes, ajudados por sua inteligência, e em conformidade com toda sua força produzem lugar, hora, meios, e ritos propícios para a aquisição de prosperidade. Com cuidado e vigilância uma pessoa deve se por a trabalhar, seu principal guia sendo sua coragem. Na união de qualidades necessárias para sucesso em trabalho, a coragem parece ser a principal. Quando o homem de inteligência vê seu inimigo superior a ele em muitas qualidades, ele deve procurar a realização de seus propósitos por meio das artes de conciliação e mecanismos apropriados. Ele deve também desejar mal para seu inimigo e seu banimento. Sem falar do homem mortal, se seu inimigo fosse até o oceano ou as colinas, ele deveria ser guiado por tais motivos. Uma pessoa por sua atividade em procurar pelas falhas de seus inimigos paga sua dívida para consigo mesma como também para com seus amigos. Nenhum homem deve alguma vez fazer pouco de si mesmo pois o homem que se menospreza nunca obtém grande prosperidade. Ó Bharata, o sucesso neste mundo é alcançável por meio de tais condições! Realmente, o sucesso no mundo é citado como dependendo de agir de acordo com momento e circunstâncias. Meu pai antigamente mantinha um Brahmana erudito com ele.
Ó touro da raça Bharata, ele disse tudo isso para o meu pai. De fato, estas instruções quanto ao dever, proferidas pelo próprio Vrihaspati, foram primeiro ensinadas para meus irmãos. Foi deles que eu as ouvi depois de algum tempo na casa do meu pai. E, ó Yudhishthira, quando nos intervalos de serviço, eu saía (dos aposentos internos) e me sentava no colo do meu pai, aquele Brahmana erudito costumava recitar para mim estas verdades, gentilmente me confortando com isso!’ 33 “Vaisampayana disse, ‘Ouvindo estas palavras de Yajnaseni, Bhimasena, suspirando em fúria, se aproximou do rei e se dirigiu a ele, dizendo, 'Ande, ó monarca, no caminho costumeiro trilhado por bons homens, (antes de ti) em relação a reinos. O que nós ganhamos por viver no retiro de ascetas, assim desprovidos de virtude, prazer, e lucro? Não foi por virtude, nem por honestidade, nem por poder, mas por dados injustos que nosso reino foi arrebatado por Duryodhana. Como um chacal comedor de sobras roubando a presa de leões poderosos, ele roubou nosso reino. Por que, ó monarca, em obediência ao mérito banal da aderência a uma promessa, tu sofres tal infortúnio, abandonando aquela riqueza que é a fonte de virtude e prazeres? Foi por teu descuido, ó rei, que nosso reino protegido pelo manejador do Gandiva e portanto, incapaz de ser tirado pelo próprio Indra, foi arrebatado de nós na nossa própria vista. Foi por causa de ti, ó monarca, que, nós estando vivos, nossa prosperidade foi tirada de nós como uma fruta de alguém incapaz de usar seus braços, ou como vacas de alguém incapaz de usar suas pernas.
Tu és fiel na aquisição de virtude. Foi para agradar a ti, ó Bharata, que nós nos permitimos ser oprimidos por tal calamidade terrível. Ó touro da raça Bharata, foi porque nós estávamos sujeitos ao teu controle que nós estamos assim partindo os corações dos nossos amigos e satisfazendo nossos inimigos. Que nós, em obediência a ti, até então não tenhamos matado os filhos de Dhritarashtra, é uma ação de tolice da nossa parte que me aflige muito. Esta tua residência, ó rei, nas florestas, como a de algum animal selvagem, é algo a que somente um homem de fraqueza se submeteria. Certamente, o homem de poder nunca poderia levar semelhante vida. Este teu rumo de vida não é aprovado nem por Krishna, nem Vibhatsu, nem por Abhimanyu, nem pelos Srinjayas, nem por mim mesmo, nem pelos filhos de Madri. Afligido com os votos, teu grito é ‘Religião!’ ‘Religião!’ Tu por desespero foste desprovido da tua virilidade? Só covardes, incapazes de ganhar de volta sua prosperidade, sentem desespero, o qual é inútil e destrutivo dos propósitos de alguém. Tu tens habilidade e visão. Tu vês que a virilidade habita em nós. É porque tu adotaste uma vida de paz que tu não sentes esta angústia. Aqueles Dhritarashtras consideram a nós que somos perdoadores como realmente incompetentes. Isto, ó rei, me atormenta mais do que a morte em batalha. Se todos nós morrêssemos em luta justa sem darmos nossas costas para o inimigo, até isto seria melhor do que este exílio, pois então nós alcançaríamos regiões de felicidade no outro mundo.
Ou, se, ó touro da raça Bharata, tendo matado eles todos, nós obtivéssemos a terra inteira, esta prosperidade seria digna de esforço. Nós que sempre aderimos aos costumes da nossa classe, que sempre desejamos grandes realizações, que desejamos vingar nossos males, temos este como nosso dever sagrado. Nosso reino tirado de nós, se nós nos engajarmos em batalha, nossos feitos quando conhecidos pelo mundo obterão para nós renome e não calúnia. E aquela virtude, ó rei, que tortura a própria pessoa e amigos, não é realmente virtude. Ela é mais propriamente vício, produzindo calamidades. A virtude é às vezes também a fraqueza dos homens. E embora tal homem possa estar sempre dedicado à prática da virtude, ainda assim virtude e lucro o abandonam, como prazer e dor abandonando uma pessoa que está morta. Aquele que pratica a virtude por causa da virtude sempre sofre. Ele mal pode ser chamado de homem sábio, pois ele não conhece os propósitos da virtude, como um homem cego incapaz de perceber a luz solar. Aquele que considera sua riqueza como existindo somente para ele mesmo mal compreende os propósitos da riqueza. Ele é realmente como um empregado que toma conta de vacas em uma floresta. Aquele além disso que persegue a riqueza demasiado sem buscar virtude e prazeres, merece ser criticado e morto por todos os homens. Aquele também que sempre busca prazeres sem buscar virtude e riqueza perde seus amigos e virtude e riqueza também.
Desprovido de virtude e riqueza tal homem, perdendo-se no prazer à vontade, no término do seu período de indulgência encontra com a morte certa, como um peixe quando a água na qual ele vive é secada. É por estas razões que aqueles que são sábios sempre cuidam de ambos, virtude e riqueza, pois uma união de virtude e riqueza é o requisito essencial do prazer, como o combustível é o requisito essencial do fogo. O prazer tem sempre a virtude como sua base, e a virtude também está unida com o prazer. Saiba, ó monarca, que ambos são dependentes um do outro como o oceano e as nuvens, o oceano causando as nuvens e as nuvens enchendo o oceano. A alegria que alguém sente por causa do contato com objetos do tato ou da posse de riqueza é o que é chamado de prazer. Isto existe na mente, não tendo existência corpórea que se possa ver. Aquele que deseja (obter) riqueza, procura por uma grande parte de virtude para coroar seu desejo com êxito. Aquele que deseja prazer, procura riqueza, (para que seu desejo possa ser realizado). O prazer, no entanto, não produz nada por sua vez. Um prazer não pode levar a outro, sendo seu próprio fruto, como cinzas podem ser obtidas da madeira, mas nada daquelas cinzas por sua vez. E, ó rei, como um caçador mata as aves que vê, assim o pecado mata as criaturas do mundo. Aquele, portanto, que corrompido pelo prazer ou cobiça não vê a natureza da virtude, merece ser morto por todos, e se torna ignóbil aqui e após a morte. É evidente, ó rei, que tu sabes que o prazer pode ser derivado da posse de vários objetos de desfrute.
Tu também conheces bem seus estados costumeiros, assim como as grandes mudanças pelas quais eles passam. Na sua perda ou desaparecimento ocasionados por decrepitude ou morte, surge o que é chamado de infortúnio. Este infortúnio, ó rei, agora nos alcançou. A alegria que surge dos cinco sentidos, do intelecto e do coração, sendo direcionados para os objetos apropriados a cada um, é chamada de prazer. Aquele prazer, ó rei, é, como eu penso, um dos melhores frutos das nossas ações. Assim, ó monarca, uma pessoa deve considerar virtude, riqueza e prazer um após o outro. Uma pessoa não deve se dedicar só à virtude, nem considerar a riqueza como o maior objetivo de seus desejos, nem prazer, mas deve sempre buscar todos os três. As escrituras ordenam que se deve procurar virtude na manhã, riqueza ao meio-dia, e prazer à noite. As escrituras também ordenam que se deve procurar o prazer na primeira parte da vida, riqueza na segunda, e virtude na última. E, ó tu principal dos oradores, aqueles que são sábios e que conhecem totalmente a divisão apropriada de tempo buscam todos os três, virtude, riqueza, e prazer, dividindo seu tempo devidamente. Ó filho da raça Kuru, se independência destes (três), ou sua posse é o melhor para aqueles que desejam felicidade, deve ser determinado por ti depois de pensamento cuidadoso. E tu deves então, ó rei, agir firmemente ou para adquiri-los, ou abandonando eles todos. Pois aquele que vive vacilando no meio dos dois duvidosamente leva uma vida infeliz. É bem sabido que o teu comportamento é sempre regulado pela virtude.
Sabendo disso teus amigos te aconselham a agir. Doações, sacrifícios, respeito aos sábios, estudo dos Vedas, e honestidade, estes, ó rei, constituem a maior virtude e são eficazes aqui e após a morte. Estas virtudes, no entanto, não podem ser alcançadas por alguém que não tem riqueza, mesmo que, ó tigre entre homens, ele possa ter outros talentos infinitos. O universo inteiro, ó rei, depende da virtude. Não há nada mais elevado do que a virtude. E a virtude, ó rei, é alcançável por alguém que tem bastante riqueza. Riqueza não pode ser ganha por se levar uma vida mendicante, nem por uma vida de debilidade. Riqueza, no entanto, pode ser ganha por inteligência dirigida pela virtude. No teu caso, ó rei, mendicância, que é auspiciosa para Brahmanas, é proibida. Portanto, ó touro entre homens, esforce-te para a aquisição de riqueza por exercer tua força e energia. Nem mendicância nem a vida de um Sudra são apropriadas para ti. Força e energia constituem as virtudes do Kshatriya em especial. Adote, portanto, a virtude da tua classe e mate os inimigos. Destrua o poder dos filhos de Dhritarashtra, ó filho de Pritha, com a ajuda minha e de Arjuna. Aqueles que são eruditos e sábios dizem que soberania é virtude. Adquira soberania, portanto, pois não cabe a ti viver em um estado de inferioridade. Desperte, ó rei, e compreenda as virtudes eternas (da classe). Por nascimento tu pertences a uma classe cujos atos são cruéis e são uma fonte de dor para os homens. Cuide dos teus súditos e colha os frutos disso. Isto nunca pode ser uma vergonha.
Esta, ó rei, é a virtude ordenada pelo próprio Deus para a classe à qual tu pertences! Se tu te desviares disto tu te farás ridículo. Desvio das virtudes da própria classe nunca é aprovado. Portanto, ó tu da raça Kuru, preparando teu coração para o que deve ser, de acordo com a ordem à qual tu pertences, e abandonando este rumo de debilidade, convoque tua energia e carregue a tua carga como alguém que a carrega corajosamente. Nenhum rei, ó monarca, poderia alguma vez adquirir a soberania da terra ou prosperidade ou riqueza somente por meio da virtude. Como um caçador ganhando seu alimento na forma de bandos de pequenas caças facilmente tentadas, por lhes oferecer alguma comida atraente, alguém que é inteligente obtém um reino por oferecer suborno para inimigos inferiores e cobiçosos. Veja, ó touro entre reis, os Asuras, embora fossem os irmãos mais velhos em posse de poder e riqueza, foram todos derrotados pelos deuses através de artifícios. Assim, ó rei, tudo pertence àqueles que são poderosos. E, ó de braços fortes, mate teus inimigos, recorrendo a estratagemas. Não há ninguém igual a Arjuna no manejo do arco em batalha. Nem há alguém que possa ser igual a mim no manejo da maça. Homens fortes, ó monarca, se envolvem em batalha dependendo de sua força, e não da força de números nem de informações dos planos do inimigo obtidos por espiões. Portanto, ó filho de Pandu, aplique tua força. O poder é a base da riqueza. Qualquer outra coisa mais que seja citada como sendo sua base realmente não o é.
Como a sombra da árvore no inverno segue em vão, assim sem poder tudo mais se torna inútil. Riqueza deve ser gasta por alguém que deseja aumentar sua riqueza, da mesma maneira, ó filho de Kunti, de espalhar sementes sobre o solo. Que não haja dúvida então na tua mente. Onde, no entanto, riqueza que é maior ou mesmo igual não é para ser ganha, não deve haver gasto de riqueza. Pois investimento de riqueza pode ser aprazível a princípio, mas penoso depois. Assim, ó rei de homens, a pessoa que joga fora como sementes um pouco da sua virtude para ganhar uma medida maior de virtude, é considerada como sábia. Além de dúvida, isto é como eu digo. Aqueles que são sábios alienam os amigos do inimigo, e tendo-o enfraquecido por fazer aqueles amigos o abandonarem dessa maneira, eles então o reduzem à submissão. Mesmo aqueles que são fortes se envolvem em batalha dependendo de sua coragem. Uma pessoa não pode nem por esforços continuados (não inspirados pela coragem) ou pelas artes de conciliação, sempre conquistar um reino. Às vezes, ó rei, homens que são fracos, unindo-se em grandes números, matam até um inimigo poderoso, como abelhas matando o espoliador do mel à força de números somente. (Com relação a ti mesmo), ó rei, como o sol que sustenta assim como mata criaturas com seus raios, adote os modos do sol. Proteger o próprio reino e cuidar do povo devidamente, como feito por nossos antepassados, ó rei, isto tem sido ouvido por nós, é uma espécie de ascetismo mencionado até nos Vedas.
Pelo ascetismo, ó rei, um Kshatriya não pode alcançar tais regiões de bem aventurança como ele pode por luta justa terminando em vitória ou derrota. Vendo, ó rei, este teu infortúnio, o mundo chega à conclusão de que a luz pode abandonar o Sol e agraciar a Lua. E, ó rei, bons homens separadamente assim como se reunindo conversam entre si te elogiando e culpando o outro. Há isto, além do mais, ó monarca, isto é, que ambos os Kurus e os Brahmanas, se reunindo, falam alegremente da tua firme aderência à verdade, que tu nunca, por ignorância, avareza, cobiça, ou por medo, proferiste uma mentira. Qualquer pecado, ó monarca, que um rei cometa ao obter domínio, ele consome eles todos depois por meio de sacrifícios notáveis por grandes presentes. Como a Lua emergindo das nuvens, o rei é purificado de todos os pecados por conceder aldeias para Brahmanas e vacas às milhares. Quase todos os cidadãos assim como os habitantes do país, jovens ou velhos, ó filho da raça Kuru, louvam-te, ó Yudhishthira! Isto também, ó Bharata, as pessoas estão dizendo entre elas mesmas, isto é, que como leite em um saco de pele de cachorro, como os Vedas em um Sudra, como verdade em um ladrão, como força em uma mulher, assim é a soberania em Duryodhana. Até mulheres e crianças estão repetindo isso, como se isso fosse uma lição que elas procuram decorar. Ó repressor de inimigos, tu caíste neste estado junto conosco. Ai, nós também estamos perdidos contigo por esta tua desgraça.
Portanto, subindo no teu carro equipado com todos os instrumentos, e fazendo os Brahmanas superiores proferirem bênçãos sobre ti, marche com velocidade, neste mesmo dia, sobre Hastinapura, para que tu possas dar para os Brahmanas os saques da vitória. Cercado por teus irmãos, que somos firmes manejadores de arco, e por heróis habilidosos com armas e como cobras de veneno virulento, parta assim como o matador de Vritra cercado pelos Marutas. E, ó filho de Kunti, como tu és poderoso, triture com teu poder teus inimigos fracos, como Indra oprimindo os Asuras; e tire do filho de Dhritarashtra a prosperidade que ele desfruta. Não há mortal que possa suportar o toque das flechas equipadas com as penas do urubu e parecendo cobras de veneno virulento que são disparadas do Gandiva. E, ó Bharata, não há um guerreiro, nem um elefante, nem um cavalo, que possa suportar o ímpeto da minha maça quando eu estou furioso em batalha. Por que, ó filho de Kunti, nós não devemos tirar nosso reino do inimigo, lutando com a ajuda dos Srinjayas e Kaikeyas, e do touro da raça Vrishni? Por que, ó rei, nós não devemos conseguir tirar a (soberania da) terra que está agora nas mãos do inimigo, se, ajudados por uma grande força, nós somente nos esforçamos?’ 34 “Vaisampayana disse, ‘Assim endereçado por Bhimasena, o rei de grande alma Ajatasatru firmemente devotado à verdade, reunindo sua paciência, depois de poucos momentos disse estas palavras, 'Sem dúvida, ó Bharata, tudo isso é verdade. Eu não posso te repreender por me torturar dessa maneira por me perfurar com tuas palavras semelhantes a flechas.
Somente pela minha insensatez esta calamidade veio contra você. Eu procurei lançar os dados desejando tirar do filho de Dhritarashtra seu reino com a soberania. Foi então que aquele jogador astuto, o filho de Suvala, jogou contra mim em nome de Suyodhana. Sakuni, um nativo do país montanhoso, é extremamente ardiloso. Lançando os dados na presença da assembleia, não familiarizado como eu sou com artifícios de qualquer tipo, ele me venceu ardilosamente. Foi por essa razão, ó Bhimasena, que nós fomos oprimidos por esta calamidade. Vendo os dados favoráveis aos desejos de Sakuni em pares e ímpares, eu poderia ter controlado minha mente. A raiva, no entanto, rechaça a paciência de uma pessoa. Ó filho, a mente não pode ser mantida sob controle quando ela é influenciada por ódio, vaidade, ou orgulho. Eu não te repreendo, ó Bhimasena, pelas palavras que tu usaste. Eu somente considero que o que nos aconteceu estava pré-ordenado. Quando o rei Duryodhana, o filho de Dhritarashtra, cobiçando nosso reino, nos mergulhou na miséria e mesmo na escravidão, então, ó Bhima, foi Draupadi quem nos resgatou. Quando convocados novamente à assembleia para jogar mais uma vez, tu soubeste assim como Arjuna o que o filho de Dhritarashtra me disse, na presença de todos os Bharatas, com relação à aposta a qual nós estávamos para jogar. Suas palavras foram, ‘Ó príncipe Ajatsatru, (se derrotado), tu terás com todos os teus irmãos, que morar, com o conhecimento de todos os homens, por doze anos na floresta da tua escolha, passando o décimo terceiro ano sob sigilo.
Se durante o último período os espiões dos Bharatas, sabendo de ti, conseguirem te descobrir, tu terás outra vez que viver na floresta pelo mesmo período, passando mais uma vez o último ano sob sigilo. Refletindo sobre isto, comprometa-te a isto. Com relação a mim mesmo, eu prometo realmente nesta assembleia dos Kurus, que se tu puderes passar este período confundindo meus espiões e não descoberto por eles, então, ó Bharata, este reino dos cinco rios será teu novamente. Nós também, ó Bharata, se derrotados por ti, iremos, todos nós, abandonando toda nossa riqueza, passar o mesmo período, segundo as mesmas regras.’ Assim endereçado pelo príncipe, eu respondi para ele no meio de todos os Kurus, 'Assim seja.' O jogo infame então começou. Nós fomos vencidos e fomos exilados. É por isso que nós estamos vagando miseravelmente por diferentes regiões cobertas de árvores cheias de desconforto. Suyodhana, no entanto, ainda descontente, se entregou à raiva, e incitou os Kurus como também aqueles sob seu domínio a expressarem sua alegria por nossa desgraça. Tendo entrado em tal acordo na presença de todos os homens bons, quem ousaria quebrá-lo por causa de um reino sobre a terra? Para uma pessoa respeitável, eu penso, a própria morte é mais leve do que a aquisição de soberania por meio de uma ação de transgressão. No momento do jogo, tu desejaste queimar minhas mãos. Tu foste impedido por Arjuna, e consequentemente tu somente apertaste as tuas próprias mãos. Se tu pudesses fazer o que tu desejavas, esta calamidade poderia nos acontecer?
Consciente da tua bravura, por que tu, ó Bhima, não falaste dessa maneira antes de nós entrarmos em tal acordo? Dominado pela consequência do nosso compromisso, e o próprio momento tendo passado, qual é a utilidade de tu dirigires a mim estas palavras duras? Ó Bhima, é minha grande dor que nós não pudéssemos fazer nada, mesmo vendo Draupadi perseguida daquela maneira. Meu coração queima como se eu tivesse bebido algum líquido venenoso. Tendo, no entanto, dado aquela garantia no meio dos heróis Kuru, eu não posso violá-la agora. Espere, ó Bhima, pela volta dos nossos melhores dias, como o espalhador de sementes esperando pela colheita. Quando alguém que foi prejudicado primeiro, consegue se vingar sobre seu inimigo em um tempo quando a inimizade do último deu frutos e flores, ele é considerado como tendo realizado uma coisa grandiosa por sua coragem. Tal pessoa corajosa ganha fama eterna. Tal homem obtém grande prosperidade. Seus inimigos se curvam a ele, e seus amigos se reúnem ao redor dele, como os celestiais se agrupando em volta de Indra por proteção. Mas saiba, ó Bhima, que minha promessa nunca pode ser falsa. Eu considero a virtude como superior à própria vida e um estado abençoado de existência celeste.
Reino, filhos, fama, riqueza, todos estes não alcançam nem mesmo uma décima sexta parte da verdade.' 35 Bhima disse, 'Ó rei, insubstancial como tu és como espuma, instável como uma fruta (caindo quando madura), dependente do tempo, e mortal, tendo entrado em um acordo em relação ao tempo, o qual é infinito e imensurável, rápido como uma flecha ou fluente como um rio, e carregando tudo à sua frente como a própria morte, como tu podes considerá-lo como disponível para ti? Como, ó filho de Kunti, pode esperar aquele cuja vida é encurtada a todo momento, assim como uma quantidade de colírio que é diminuída cada vez que um grão é pego pela agulha? Somente aquele cuja vida é ilimitada ou que sabe com certeza qual é o período de sua vida, e que conhece o futuro como se ele estivesse diante de seus olhos, pode de fato esperar pela chegada de um momento (esperado). Se nós esperarmos, ó rei, por treze anos, esse período, diminuindo nossas vidas, nos levará mais perto da morte. A morte sem dúvida alcança toda criatura que tem uma existência corpórea. Portanto, nós devemos nos esforçar pela posse do nosso reino antes de nós morrermos. Aquele que falha em obter fama, por fracassar em castigar seus inimigos, é como uma coisa impura. Ele é um peso inútil sobre a terra como um touro incapacitado e perece de modo inglório. O homem que, desprovido de força e coragem, não castiga seus inimigos, vive em vão, eu considero tal homem como de nascimento inferior.
Tua mão pode derramar ouro; tua fama se espalha sobre a terra inteira; matando teus inimigos, portanto, em batalha, desfrute da riqueza adquirida pelo poder das tuas armas. Ó repressor de todos os inimigos, ó rei, se um homem matando seu ofensor vai no mesmo dia para o inferno, aquele inferno se torna céu para ele. Ó rei, a dor que alguém sente em ter que suprimir sua cólera é mais ardente do que o próprio fogo. Mesmo agora eu queimo com ela e não posso dormir de dia ou de noite. Este filho de Pritha, chamado Vibhatsu, é principal em puxar a corda de arco. Ele certamente queima com angústia, embora ele viva aqui como um leão em sua toca. Ele que deseja matar sem ajuda todos os manejadores de arco sobre a terra, reprime a ira que se ergue em seu peito, como um elefante poderoso. Nakula, Sahadeva, e a idosa Kunti, aquela mãe de heróis, estão todos calados, desejando te agradar. E todos os nossos amigos junto com os Srinjayas igualmente desejam te agradar. Só eu e a mãe de Prativindhya falamos para ti queimando com aflição. O que quer que eu fale para ti é agradável para todos eles, pois todos eles, mergulhados no infortúnio, desejam avidamente lutar. Então, ó monarca, que calamidade mais infame pode nos alcançar do que nosso reino ser tirado de nós por inimigos fracos e desprezíveis e desfrutado por eles? Ó rei, da fraqueza da tua disposição tu sentes vergonha em violar tua promessa. Mas, ó matador de inimigos, ninguém te louva por assim sofrer tal angústia por causa da bondade da tua disposição.
Teu intelecto, ó rei, não vê a verdade, como o de uma pessoa tola e ignorante de nascimento elevado que decorou as palavras dos Vedas sem entender seu sentido. Tu és bondoso como um Brahmana. Como tu foste nascer na classe Kshatriya? Aqueles que nascem na classe Kshatriya são geralmente de corações desonestos. Tu ouviste (recitados) os deveres dos reis, como promulgados por Manu, repletos de maldade e deslealdade e preceitos opostos à tranquilidade e virtude. Por que tu então, ó rei, perdoas os filhos perversos de Dhritarashtra? Tu tens inteligência, coragem, erudição e nascimento elevado. Por que tu então, ó tigre entre homens, ages em relação aos teus deveres como uma cobra enorme que é desprovida de movimento? Ó filho de Kunti, aquele que deseja nos ocultar somente deseja ocultar as montanhas de Himavat por meio de um punhado de grama. Ó filho de Pritha, conhecido como tu és pela terra inteira, tu não serás capaz de viver desconhecido, como o sol que nunca pode percorrer o céu desconhecido pelos homens. Como uma árvore grande em uma região bem irrigada, com ramos e flores e folhas espalhados, ou como o elefante de Indra, como Jishnu viverá desconhecido? Como também estes meninos, os irmãos Nakula e Sahadeva, iguais a um par de leões jovens, poderão viver em segredo? Como, ó filho de Pritha, Krishna, a filha de Drupada, a princesa e mãe de heróis, de feitos virtuosos e conhecida por todo o mundo, viverá desconhecida? Eu também, todos conhecem desde minha meninice. Eu não vejo como eu posso viver desconhecido.
(Isto seria) como procurar esconder as imensas montanhas de Meru. Então, além disso, muitos reis foram expulsos por nós de seu reino. Aqueles reis e príncipes todos seguirão o filho mau de Dhritarashtra, pois roubados e exilados por nós, eles ainda não se tornaram amistosos. Desejando fazer bem para Dhritarashtra, eles sem dúvida procurarão nos ferir. Eles certamente colocarão contra nós numerosos espiões disfarçados. Se eles nos descobrirem e relatarem seu descobrimento, um grande perigo nos alcançará. Nós já vivemos nas florestas treze meses inteiros. Considere-os, ó rei, por sua duração, como treze anos. Os sábios dizem que um mês é um substituto para um ano, como a erva cozida e mantida em conserva é considerada como um substituto para o Soma. Ou, (se tu quebrares tua promessa), ó rei, tu podes livrar- te deste pecado por oferecer comida saborosa para um touro pacífico carregando cargas sagradas. Portanto, ó rei, decida matar teus inimigos. Não há virtude maior do que lutar, para todo Kshatriya!’ 36 “Vaisampayana disse, ‘Ouvindo aquelas palavras de Bhima, Yudhishthira, o filho de Kunti, aquele tigre entre homens e matador de todos os inimigos, começou a suspirar pesadamente, e a refletir em silêncio. E ele pensou consigo mesmo, 'Eu ouvi recitados os deveres dos reis, e também todas as verdades acerca dos deveres das diferentes classes. Realmente cumpre aqueles deveres quem os mantém diante de seus olhos, de maneira a regular sua conduta no presente e no futuro.
Conhecendo como eu conheço a verdadeira direção da virtude, a qual, no entanto, é tão difícil de ser conhecida, como eu posso triturar à força a virtude como triturar as montanhas de Meru?’ Tendo refletido assim por um momento, e decidido o que ele devia fazer, ele respondeu para Bhima como segue sem lhe permitir outra palavra: ‘Ó tu de braços poderosos, é assim mesmo como tu disseste. Mas, ó tu principal dos oradores, escute agora a outra palavra que eu digo. Quaisquer atos pecaminosos, ó Bhima, que alguém procura realizar, dependendo somente de sua coragem, se tornam sempre uma fonte de dor. Mas, ó tu de braços poderosos, o que quer que seja iniciado com deliberação, com bravura bem direcionada, com todos os instrumentos, e muito pensamento prévio, é visto ter êxito. Os próprios deuses favorecem tais projetos. Ouça de mim algo sobre o que, orgulhoso do teu poder, ó Bhima, e levado pela tua inquietação, tu pensas que deve ser começado imediatamente. Bhurisravas, Sala, o poderoso Jarasandha, Bhishma, Drona, Karna, o filho poderoso de Drona, os filhos de Dhritarashtra, Duryodhana e outros, tão difíceis de serem derrotados, são todos habilidosos com armas e sempre dispostos a lutar conosco. Aqueles reis e chefes da terra também que foram prejudicados por nós, todos adotaram o lado dos Kauravas, e estão ligados a eles por laços de afeição. Ó Bharata, eles estão engajados em procurar o bem de Duryodhana e não o nosso. Com tesouros completos e ajudados por grandes tropas, eles certamente se esforçarão o melhor que podem em batalha.
Todos os oficiais também do exército Kuru, junto com seus filhos e parentes, têm sido honrados por Duryodhana com riqueza e luxos. Aqueles heróis são também muito respeitados por Duryodhana. É minha conclusão certa que eles sacrificarão suas vidas por Duryodhana em batalha. Embora o comportamento de Bhishma, Drona, e do ilustre Kripa seja o mesmo em direção a nós como em direção a eles, ainda assim, ó tu de braços poderosos, é minha conclusão indubitável que para saldar os favores reais que eles desfrutam, eles lançarão suas próprias vidas, além das quais não há nada mais precioso, em batalha. Todos eles são mestres de armas celestes, e dedicados à prática da virtude. Eu penso que eles são incapazes de ser derrotados mesmo pelos deuses liderados pelo próprio Vasava. Há além disso entre eles aquele guerreiro poderoso, Karna, impetuoso, e sempre colérico, mestre de todas as armas, e invencível, e envolvido em armadura impenetrável. Sem derrotar primeiro em batalha todos estes principais dos homens, sem ajuda como tu estás, como tu podes matar Duryodhana? Ó Vrikodara, eu não posso dormir pensando na leveza de mão daquele filho de Suta, que, eu considero, é o principal de todos os manejadores de arco!’ "Vaisampayana continuou, ‘Ouvindo estas palavras de Yudhishthira, o impetuoso Bhima ficou alarmado, e se absteve de falar qualquer coisa. E enquanto os filhos de Pandu estavam assim conversando entre si chegou naquele local o grande asceta Vyasa, o filho de Satyavati. E quando ele chegou os filhos de Pandu o adoraram devidamente.
Então aquele principal de todos os oradores, dirigindo-se a Yudhishthira, disse, ‘Ó Yudhishthira, ó tu de braços poderosos, sabendo por discernimento espiritual o que está se passando no teu coração, eu vim até ti, ó touro entre homens! O temor que está no teu coração, proveniente de Bhishma, e Drona, e Kripa, e Karna, e do filho de Drona, e do príncipe Duryodhana, e Dussasana, eu dissiparei, ó matador de todos os inimigos, por meio de um ato mandado pela ordenança. Ouvindo isto de mim, realize-o com paciência, e tendo-o realizado, ó rei, domine logo essa tua perturbação de espírito.' Aquele principal dos oradores então, o filho de Parasara, levando Yudhishthira para um lugar afastado, começou a se dirigir a ele em palavras de profunda importância, dizendo, 'Ó melhor dos Bharatas, o tempo está vindo para a tua prosperidade, quando, de fato, Dhananjaya, aquele filho de Pritha, matará todos os teus inimigos em batalha. Proferido por mim e semelhante ao êxito personificado, aceite de mim este conhecimento chamado Pratismriti que eu te comunico, sabendo que tu és capaz de recebê-lo. Recebendo-o (de ti), Arjuna será capaz de realizar seu desejo. E que Arjuna, ó filho de Pandu, vá até Mahendra e Rudra, e Varuna, e Kuvera, e Yama, para receber armas deles. Ele é competente para ver os deuses por causa do seu ascetismo e coragem. Ele é mesmo um Rishi de grande energia, o amigo de Narayana; antigo, eterno, um deus em si mesmo, invencível, sempre bem sucedido, e que não conhece deterioração.
De braços poderosos, ele realizará feitos poderosos, tendo obtido armas de Indra, e de Rudra, e dos Lokapalas. Ó filho de Kunti, pense também em partir desta para uma outra floresta que possa, ó rei, ser adequada para tua residência. Residir em um local por muito tempo raramente é agradável. No teu caso, isto pode também ser produtivo de ansiedade para os ascetas. E como tu manténs numerosos Brahmanas versados nos Vedas e nos vários ramos deles, residência continuada aqui pode esgotar os veados desta floresta, e ser destrutiva das trepadeiras e plantas.' “Vaisampayana continuou, ‘Tendo se dirigido a ele dessa maneira, aquele asceta ilustre e exaltado, Vyasa, de grande sabedoria, conhecedor dos mistérios do mundo, então comunicou para o desejoso Yudhishthira o justo, que tinha enquanto isso se purificado, aquela principal das ciências. E se despedindo do filho de Kunti, Vyasa desapareceu. O virtuoso e inteligente Yudhishthira, no entanto, tendo obtido aquele conhecimento, reteve-o cuidadosamente em sua mente e sempre recitou-o em ocasiões apropriadas. Contente pelo conselho dado a ele por Vyasa, o filho de Kunti então, deixando a floresta Dwaitavana foi para a floresta de Kamyaka nas margens do Saraswati. E, ó rei, Brahmanas numerosos de mérito ascético e versados na ciência de Ortoepia e ortografia seguiram-no como Rishis seguindo o chefe dos celestiais. Chegando em Kamyaka, aqueles touros ilustres entre os Bharatas tomaram sua residência lá junto com seus amigos e servidores.
E possuidores de energia, aqueles heróis, ó rei, viveram lá por algum tempo, dedicados ao exercício do arco e todo o tempo ouvindo o canto dos Vedas. E eles circulavam naquela floresta todos os dias à procura de veados, armados com flechas simples. E eles realizaram devidamente todos os ritos em honra dos Pitris, dos celestiais e dos Brahmanas.’” 37 “Vaisampayana disse, ‘Depois de algum tempo, Yudhishthira o justo, lembrando-se da ordem do Muni (Vyasa) e chamando para si aquele touro entre homens, Arjuna, possuidor de grande sabedoria, dirigiu-se a ele em particular. Pegando as mãos de Arjuna, com o rosto sorridente e em voz gentil, aquele castigador de inimigos, o virtuoso Yudhishthira, aparentemente depois de refletir por um momento, falou estas palavras em particular para Dhananjaya, 'Ó Bharata, toda a ciência de armas mora em Bhishma, e Drona, e Kripa, e Karna, e no filho de Drona. Eles conhecem completamente todos tipos de armas Brahma e celestes e humanas e Vayavya, junto com os modos de usá-las e pará-las. Todos eles são conciliados e honrados e gratificados pelo filho de Dhritarashtra que se comporta com eles como alguém deve se comportar com seu preceptor. Para com todos os seus guerreiros o filho de Dhritarashtra se comporta com grande afeição; e todos os chefes honrados e gratificados por ele procuram seu bem em retribuição. Assim honrados por ele, eles não falharão em aplicar seu poder. A terra inteira, além disso, está agora sob o domínio de Duryodhana, com todas as aldeias e cidades, ó filho de Pritha, e todos os mares e florestas e minas!
Tu somente és nosso único refúgio. Sobre ti se apóia uma grande responsabilidade. Eu, portanto, ó castigador de todos os inimigos, te direi o que tu deves fazer agora. Eu obtive uma ciência de Krishna Dwaipayana. Usada por ti, aquela ciência exporá o universo inteiro para ti. Ó filho, receba atentamente aquela ciência de mim, e no tempo devido (por sua ajuda) alcance a graça dos celestiais. E, ó touro da raça Bharata, dedique-te a ascetismo feroz. Armado com arco e espada, e envolvido em armadura, dirija-te a austeridades e bons votos, e vá em direção ao norte, ó filho, sem dar passagem a ninguém. Ó Dhananjaya, todas as armas celestes estão com Indra. Os celestiais, por medo de Vritra, deram todo seu poder para Sakra. Reunidas juntas em um local, tu obterás todas as armas. Vá até Sakra, ele te dará todas as suas armas. Pegando o arco parta hoje mesmo para ver Purandara.’" “Vaisampayana continuou, ‘Tendo dito isso, o nobre Yudhishthira o justo deu aquela ciência para Arjuna. E o irmão mais velho tendo comunicado com ritos devidos o conhecimento para seu irmão heróico, com fala e corpo e mente sob perfeito controle, mandou-o partir. E por ordem de Yudhishthira, Arjuna de braços fortes, pegando o Gandiva como também suas aljavas inesgotáveis, e envolvido em armadura e manoplas e protetores de dedos feitos da pele de guana, e tendo derramado oblações no fogo e feito os Brahmanas proferirem bênçãos depois de presentes, partiu (de Kamyaka) com o objetivo de ver Indra.
E armado com o arco, o herói, no momento de partir, deu um suspiro e lançou um olhar para cima para realizar a morte dos filhos de Dhritarashtra. E vendo o filho de Kunti assim armado e prestes a partir, os Brahmanas e Siddhas e espíritos invisíveis se dirigiram a ele, dizendo, 'Ó filho de Kunti, obtenha logo o que tu desejas.' E os Brahmanas, também proferindo bênçãos disseram, 'Alcance o objetivo que tu tens em vista. Que a vitória seja realmente tua.' E vendo o heróico Arjuna, de coxas firmes como os troncos da Sala, prestes a partir levando consigo os corações de todos, Krishna se dirigiu a ele dizendo, 'Ó tu de braços fortes, que tudo o que Kunti desejou no teu nascimento, e que tudo o que tu desejas, seja realizado, ó Dhananjaya! Que ninguém entre nós nasça novamente na classe de Kshatriyas. Eu sempre reverencio os Brahmanas cujo modo de viver é a mendicância. É minha grande aflição que o canalha Duryodhana vendo-me na assembleia de príncipes zombeteiramente tenha me chamado de vaca! Além disso ele me disse no meio daquela assembleia muitas outras coisas desagradáveis. Mas a angústia que eu sinto ao me separar de ti é de longe maior do que a que eu senti por causa daqueles insultos. Certamente, na tua ausência, teus irmãos passarão suas horas acordados falando repetidamente dos teus feitos heróicos! Se, no entanto, ó filho de Pritha, tu permaneceres fora por muito tempo, nós não derivaremos prazer dos nossos divertimentos ou da fartura. Não, a própria vida será insípida para nós.
Ó filho de Pritha, nosso bem e mal, vida e morte, nosso reino e prosperidade, todos dependem de ti. Ó Bharata, eu te abençôo, que o êxito seja teu. Ó impecável, tua tarefa (atual) tu serás capaz de realizar mesmo contra inimigos poderosos. Ó tu de grande força, vá alcançar sucesso com rapidez. Que os perigos não sejam teus. Eu reverencio Dhatri e Vidhatri! Eu te abençôo. Que a prosperidade seja tua. E, ó Dhananjaya, que Hri, Sree, Kirti, Dhriti, Pushti, Uma, Lakshmi, Saraswati, todas te protejam no teu caminho, pois tu sempre adoras teu irmão mais velho e sempre obedeces às ordens dele. E, ó touro da raça Bharata, eu reverencio os Vasus, os Rudras e Adityas, os Manilas, os Viswadevas, e os Sadhyas, para conseguir o teu bem-estar. E, ó Bharata, esteja a salvo de todos os espíritos de dano pertencentes ao firmamento, à terra, e ao céu, e de outros espíritos semelhantes em geral.' “Vaisampayana continuou, ‘Krishna, a filha de Yajnasena, tendo proferido estas bênçãos, parou. O filho de braços fortes de Pandu então, tendo andado ao redor de seus irmãos e ao redor de Dhaumya também, e pegando seu arco belo, partiu. E todas as criaturas começaram a deixar o caminho que Arjuna de grande energia e coragem, incitado pelo desejo de ver Indra, tomou. E aquele matador de inimigos passou por muitas montanhas habitadas por ascetas, e então alcançou o sagrado Himavat, o recanto dos celestiais. E ele de grande alma alcançou a montanha sagrada em um dia, pois como os ventos ele era dotado da velocidade da mente, por causa de suas austeridades ascéticas.
E tendo cruzado o Himavat, como também o Gandhamadana, ele passou por muitos locais irregulares e perigosos, andando dia e noite sem fadiga. E tendo alcançado Indrakila, Dhananjaya parou por um momento. E então ele ouviu uma voz nos céus, dizendo, 'Pare!' E ouvindo aquela voz, o filho de Pandu lançou seus olhares em todas as direções. E Arjuna, capaz de usar sua mão esquerda com habilidade igual àquela da sua mão direita, então viu à sua frente um asceta sob a sombra de uma árvore, brilhando com esplendor Brahma, de cor morena, com cabelos emaranhados, e magro. E o poderoso asceta, vendo Arjuna parado no lugar, se dirigiu a ele, dizendo, 'Quem és tu, ó filho, chegado aqui com arco e flechas, e vestido em armadura e equipado com bainha para espada e manopla, e (evidentemente) ligado aos costumes do Kshatriya? Não há necessidade de armas aqui. Esta é a residência de Brahmanas pacíficos dedicados a austeridades ascéticas sem raiva ou alegria. Não há uso para o arco aqui, pois não há disputa de qualquer tipo neste local. Portanto jogue fora, ó filho, este teu arco. Tu obtiveste um estado puro de vida por vir aqui. Ó herói, não há homem que seja como tu em energia e coragem.' Aquele Brahmana assim se dirigiu a Arjuna, com um rosto sorridente, repetidamente. Mas ele não conseguiu persuadir Arjuna, firmemente dedicado ao seu propósito. O regenerado, contente no fundo, se dirigiu sorridente a Arjuna mais uma vez, dizendo, 'Ó matador de inimigos, abençoado seja!
Eu sou Sakra, peça a bênção que tu desejas.' Assim endereçado, aquele perpetuador da raça Kuru, o heróico Dhananjaya curvando sua cabeça e unindo suas mãos, respondeu para Sakra de mil olhos, dizendo, 'Este é o objeto dos meus desejos; conceda-me este benefício, ó ilustre: eu desejo aprender de ti todas as armas.' O chefe dos celestiais então, sorrindo, respondeu para ele alegremente, dizendo, 'Ó Dhananjaya, quando tu alcançaste esta região, que necessidade há de armas? Tu já alcançaste um estado puro de vida. Peça as regiões de felicidade que tu desejas.' Assim endereçado, Dhananjaya respondeu para ele de mil olhos, dizendo, 'Eu não desejo regiões de felicidade, nem objetos de prazer, nem a condição de um celestial; o que é esta conversa sobre felicidade? Ó chefe dos celestiais, eu não desejo a prosperidade de todos os deuses. Tendo deixado meus irmãos para trás na floresta, e sem me vingar no inimigo, eu cairei em infâmia por todas as eras de todo o mundo.’ Assim endereçado, o matador de Vritra, adorado dos mundos, consolando-o com palavras amáveis, falou para o filho de Pandu, dizendo, 'Quando tu fores capaz de ver Siva o portador do tridente, de três olhos, o senhor de todas as criaturas, é então, ó filho, que eu te darei todas as armas celestes.
Portanto, esforce-te para obter a visão do maior dos deuses; pois é somente depois de tê-lo visto, ó filho de Kunti, que tu obterás todos os teus desejos.' Tendo falado assim para Phalguna, Sakra desapareceu, e Arjuna, se dedicando ao ascetismo, permaneceu naquele local.’" 38 (Kairata Parva) “Janamejaya disse, ‘Ó ilustre, eu desejo ouvir em detalhes a história da aquisição de armas por Arjuna de atos sem máculas. Ó, diga-me como aquele tigre entre homens, Dhananjaya, de braços poderosos e possuidor de grande energia, entrou naquela floresta solitária sem medo. E, ó tu principal daqueles conhecedores do Veda, o que também fez Arjuna enquanto morava lá? Como também o ilustre Sthanu e o chefe dos celestiais foi satisfeito por ele? Ó tu melhor dos regenerados, eu desejo ouvir tudo isto sob teu favor. Tu és onisciente; tu sabes tudo sobre os deuses e tudo sobre os homens. Ó Brahmana, o combate que ocorreu antigamente entre Arjuna, aquele principal dos batedores nunca derrotado em batalha, e Bhava foi muito extraordinário e sem paralelo. Ele arrepia os cabelos da pessoa que o ouve. Até os corações daqueles leões entre homens, os corajosos filhos de Pritha, tremeram pela surpresa e alegria e um sentimento de sua própria inferioridade. Ó, diga-me integralmente o que mais Arjuna fez, eu não vejo nem a coisa mais trivial em Jishnu que seja censurável. Portanto, narre para mim integralmente a história daquele herói.’" “Vaisampayana disse, ‘Ó tigre entre os Kurus, eu recitarei para ti aquela narração, excelente e extensa e sem igual, com relação ao herói ilustre.
Ó impecável, ouça em detalhes os pormenores sobre o encontro de Arjuna com o deus dos deuses de três olhos, e seu contato com a pessoa do deus ilustre! Por ordem de Yudhishthira, Dhananjaya de bravura imensurável saiu (de Kamyaka) para obter uma visão de Sakra, o chefe dos celestiais, e de Sankara, o deus dos deuses. E Arjuna de braços fortes de grande poder partiu armado com seu arco celeste e uma espada com punho dourado, para o sucesso do objetivo que ele tinha em vista, na direção norte, em direção ao topo do Himavat. E, ó rei, aquele principal de todos os guerreiros nos três mundos, o filho de Indra, com a mente tranquila, e firmemente aderindo ao seu propósito, então se dedicou, sem nenhuma perda de tempo, a austeridades ascéticas. E ele entrou, totalmente sozinho, naquela floresta terrível cheia de plantas espinhosas e árvores e flores e frutas de várias espécies, e habitada por criaturas aladas de várias espécies, e cheia de animais de diversas espécies, e frequentado por Siddhas e Charanas. E quando o filho de Kunti entrou naquela floresta desprovida de seres humanos, sons de conchas e baterias começaram a ser ouvidos nos céus. E uma grossa chuva de flores caiu sobre a terra, e as nuvens se espalhando sobre o firmamento causaram uma sombra densa. Passando por aquelas regiões difíceis e arborizadas na base das grandes montanhas, Arjuna logo alcançou o leito do Himavat; e ficando lá por algum tempo começou a brilhar em seu esplendor. E ele viu lá numerosas árvores com verdor espalhado, ressoando com as notas melodiosas de cantores alados.
E ele viu lá rios com correntezas de lápis lazúli, perturbadas por redemoinhos violentos aqui e ali, e ecoando com as notas de cisnes e patos e garças. E as margens daqueles rios ressoavam com os acordes melífluos dos Kokilas machos e as notas de pavões e garças. E o guerreiro poderoso, contemplando aqueles rios de água sagrada e pura e deliciosa e suas margens graciosas, ficou muito encantado. E o encantado Arjuna de energia feroz e grande alma então se dedicou a austeridades rígidas naquela região encantadora e arborizada. Vestido em trapos feitos de erva e equipado com uma camurça preta e um bastão, ele começou a comer folhas murchas caídas sobre o chão. E ele passou o primeiro mês comendo frutas no intervalo de três noites; e o segundo comendo no intervalo de seis noites; e o terceiro comendo no intervalo de uma quinzena. Quando chegou o quarto mês, aquele melhor dos Bharatas, o filho de Pandu de braços fortes, começou a subsistir só do ar. Com braços erguidos e sem se apoiar em nada e permanecendo nas pontas de seus dedos dos pés, ele continuou suas austeridades. E as madeixas do herói ilustre, por consequência de banho frequente pegou a cor do relâmpago ou do lótus. Então todos os grandes Rishis foram juntos até o deus do Pinaka para falar a ele sobre o ascetismo feroz do filho de Pritha. E se curvando àquele deus dos deuses, eles o informaram das austeridades de Arjuna dizendo, 'Aquele filho de Pritha possuidor de grande energia está engajado nas mais difíceis das austeridades ascéticas no leito do Himavat.
Aquecida por seu ascetismo, a terra está fumegando por toda parte, ó deus de deuses. Nós não sabemos qual é o objetivo pelo qual ele está dedicado àquelas austeridades. Ele, no entanto, está nos causando tormento. Cabe a ti impedi-lo!' Ouvindo estas palavras daqueles Munis com almas sob perfeito controle, o senhor de todas as criaturas, o marido de Uma disse, 'Não cabe a vocês sentir qualquer angústia por causa de Phalguna! Voltem todos alegremente e com vivacidade para os lugares de onde vocês vieram. Eu conheço o desejo que está no coração de Arjuna. Seu desejo não é pelo céu, nem pela prosperidade, nem por vida longa. E eu realizarei, hoje mesmo, tudo o que é desejado por ele.'" “Vaisampayana continuou, ‘Os Rishis falantes da verdade, tendo ouvido estas palavras de Mahadeva, ficaram encantados, e voltaram para suas respectivas residências.’" 39 “Vaisampayana disse, ‘Depois que todos aqueles ascetas ilustres tinham ido embora, aquele manejador do Pinaka e purificador de todos os pecados, o ilustre Hara, assumindo a forma de um Kirata resplandecente como uma árvore dourada, e com uma forma enorme e robusta como um segundo Meru, e pegando um arco e várias flechas parecidas com cobras de veneno virulento, e parecendo uma encarnação do fogo, desceu rapidamente no leito de Himavat. E o belo deus dos deuses estava acompanhado por Uma na aparência de uma mulher Kirata, e também por um enxame de espíritos alegres de várias formas e trajes, e por milhares de mulheres na forma e traje de Kiratas.
E, ó rei, aquela região de repente resplandeceu em beleza, por causa da chegada do deus dos deuses em tal companhia. E logo um silêncio solene permeou o lugar. Os sons de fontes, e cursos d’água, e de aves cessaram de repente. E quando o deus dos deuses se aproximou do filho de Pritha de atos irrepreensíveis, ele contemplou uma vista extraordinária, exatamente aquela de um Danava chamado Muka, procurando, na forma de um javali, matar Arjuna. Phalguna, à visão do inimigo procurando matá- lo, ergueu o Gandiva e várias flechas parecendo cobras de veneno virulento. E esticando seu arco e enchendo o ar com sua vibração, ele se dirigiu ao javali e disse, 'Eu vim aqui mas não te causei dano. Como tu procuras matar-me eu sem dúvida te mandarei para a residência de Yama.' E vendo aquele firme manejador do arco, Phalguna, prestes a matar o javali, Sankara no disfarce de um Kirata de repente mandou-o parar dizendo, 'O javali como a montanha de Indrakila em cor foi visado por mim primeiro.' Phalguna, no entanto, desconsiderando estas palavras, atirou no javali. O Kirata também brilhando em esplendor, fez voar uma seta como fogo flamejante e parecendo o raio no mesmo objeto. E as setas assim atiradas por ambos caíram no mesmo instante de tempo sobre o corpo amplo de Muka, duro como pedra. E as duas flechas caíram sobre o javali com um som alto, assim como aquele do raio de Indra e o trovão das nuvens caindo juntos sobre o leito de uma montanha.
E Muka, assim atingido por duas flechas as quais produziram setas numerosas parecendo cobras de bocas ardentes, entregou sua vida, assumindo mais uma vez sua terrível forma Rakshasa. Jishnu, aquele matador de inimigos, então viu diante dele aquela pessoa, de forma brilhante como deus, e vestido no traje de um Kirata e acompanhado por muitas mulheres. E vendo-o, o filho de Kunti com o coração alegre se dirigiu a ele sorridente e disse, 'Quem és tu que vagas assim nestas florestas solitárias, cercado por mulheres? Ó tu de esplendor do ouro, tu não temes esta floresta terrível? Por que, além disso, tu disparaste no javali que foi visado por mim primeiro? Este Rakshasa que veio para cá, indiferentemente ou com o objetivo de me matar, foi primeiro visado por mim. Tu, portanto, não escaparás de mim com vida. Teu comportamento em direção a mim não é compatível com os costumes da caça. Portanto, ó montanhês, eu tirarei tua vida.' Assim endereçado pelo filho de Pandu, o Kirata, sorrindo, respondeu para ele capaz de manejar o arco com sua mão esquerda, em palavras gentis, dizendo, 'O herói, tu não precisas ficar ansioso por minha causa. Esta região de floresta é residência adequada para nós que sempre habitamos as florestas. Em relação a ti, no entanto, eu posso questionar, por que tu escolheste tua residência aqui em meio a tais dificuldades? Nós, ó asceta, temos nossa habitação nestas florestas cheias de animais de todas as espécies.
Por que tu, tão delicado e criado no luxo e possuidor do esplendor do fogo, mora sozinho em tal região solitária?' Arjuna disse, 'Dependendo do Gandiva e flechas ardentes como fogo, eu vivo nesta grande floresta, como um segundo Pavaki. Tu viste como este monstro, este Rakshasa terrível, que veio para cá na forma de um animal, foi morto por mim.' O Kirata respondeu, 'Este Rakshasa, atingido primeiro por mim com o tiro do meu arco, foi morto e mandado para as regiões de Yama por mim. Ele foi visado por mim primeiro. E foi com o meu tiro que ele foi privado de vida. Orgulhoso da tua força, não cabe a ti atribuir tua própria falha a outros. Tu estás em erro, ó patife, e, portanto, não escaparás de mim com vida. Fique, Eu atirarei em ti flechas como raios. Esforce-te também e atire, com todas as tuas forças, tuas flechas em mim.' Ouvindo essas palavras do Kirata, Arjuna ficou zangado e atacou-o com flechas. O Kirata, no entanto, com o coração contente recebeu todas aquelas flechas sobre si mesmo, dizendo repetidamente, 'Patife, patife, atire flechas melhores capazes de perfurar os próprios órgãos vitais.' Assim endereçado, Arjuna começou a derramar flechas sobre ele. Ambos então ficaram enfurecidos e, se engajando em combate violento, começaram a atirar um no outro chuvas de flechas, cada uma parecendo uma cobra de veneno virulento. E Arjuna derramou uma chuva perfeita de flechas sobre o Kirata, Sankara, no entanto, suportou aquela chuva de flechas com o coração alegre.
Mas o manejador do Pinaka, tendo suportado aquela chuva de flechas por um momento, permaneceu ileso, imóvel como uma colina. Dhananjaya, vendo sua chuva de flechas se tornar inútil, ficou muito admirado, dizendo repetidamente, 'Excelente! Excelente! Ai, este montanhês de membros delicados, morando nas alturas do Himavat, suporta, sem vacilar, as flechas disparadas do Gandiva! Quem é ele? Ele é o próprio Rudra, ou algum outro deus, ou um Yaksha, ou um Asura? Os deuses às vezes descem nas alturas do Himavat. Exceto o deus que maneja o Pinaka, não há ninguém nascido que possa suportar a impetuosidade das milhares de flechas disparadas por mim do Gandiva. Seja ele um deus ou um Yaksha, de fato, alguém exceto Rudra, eu logo o mandarei, com minhas flechas, para as regiões de Yama.' Assim pensando, Arjuna, com o coração alegre, começou, ó rei, a atirar flechas às centenas, parecendo em esplendor os raios do sol. Aquela chuva de flechas, no entanto, o ilustre Criador dos mundos o manejador do tridente suportou com o coração contente, como uma montanha suportando uma chuva de rochas. Logo, no entanto, as flechas de Phalguna estavam esgotadas. E notando este fato Arjuna ficou muito alarmado. E o filho de Pandu então começou a pensar no ilustre deus Agni que tinha antes, durante o incêndio de Khandava, dado para ele um par de aljavas inesgotáveis. E ele começou a pensar, 'Ai, minhas flechas estão todas esgotadas. O que eu dispararei agora do meu arco? Quem é essa pessoa que absorve minhas flechas?
Matando-o com a extremidade do meu arco, como elefantes são mortos com lanças, eu o enviarei para os domínios de Yama manejador da maça.' O ilustre Arjuna então, pegando seu arco e puxando à força o Kirata com a corda de seu arco, desferiu nele alguns golpes violentos que desceram como raios. Quando, no entanto, aquele matador de heróis hostis, o filho de Kunti começou a lutar com a ponta do seu arco, o montanhês tirou das mãos dele aquele arco celeste. E vendo seu arco tirado dele, Arjuna pegou sua espada, e desejando terminar o combate, avançou em seu inimigo. E então o príncipe Kuru, com toda a força de seus braços, atingiu com aquela arma afiada a cabeça do Kirata, uma arma que era incapaz de ser resistida mesmo por rochas sólidas. Mas aquela principal das espadas, ao tocar o topo da cabeça do Kirata, se partiu em pedaços. Phalguna então começou a combater com árvores e pedras. O ilustre deus na forma do Kirata de corpo enorme, no entanto, suportou aquela chuva de árvores e rochas com paciência. O filho poderoso de Pritha então, sua boca fumegando de raiva, golpeou o deus invencível na forma de um Kirata com seus punhos fechados, golpes que desceram como raios. O deus na forma Kirata devolveu os golpes de Phalguna com golpes violentos parecendo os raios de Indra. E por causa daquele combate de golpes entre o filho de Pandu e o Kirata ergueram-se naquele local sons altos e terríveis. Aquele combate terrível de golpes, parecendo com o combate de antigamente entre Vritra e Vasava, durou somente um instante.
O poderoso Jishnu apertando o Kirata começou a pressioná-lo com seu peito, mas o Kirata, possuidor de grande força, apertou o filho impassível de Pandu com força. E por causa da pressão de seus braços e de seus peitos, seus corpos começaram a emitir fumaça como carvão em fogo. O grande deus então, golpeando o já golpeado filho de Pandu, e atacando-o com raiva com todo seu poder, privou-o de seus sentidos. Então, ó Bharata, Phalguna, assim pressionado pelo deus dos deuses, com membros, além disso, machucados e lacerados, ficou incapaz de se mover e estava quase reduzido a uma bola de carne. E golpeado pelo deus ilustre, ele ficou sem fôlego e, caindo no chão sem poder de movimento, parecia com alguém que estava morto. Logo, no entanto, ele recuperou os sentidos, e, levantando-se da sua posição prostrada, com o corpo coberto de sangue, ficou cheio de angústia. Mentalmente se prostrando perante o gracioso deus dos deuses, e fazendo uma imagem de argila daquela divindade, ele a adorou, com oferendas de guirlandas florais. Vendo, no entanto, a guirlanda que ele tinha oferecido para a imagem de argila de Bhava enfeitando a cabeça do Kirata, aquele melhor dos filhos de Pandu ficou cheio de alegria e recuperou sua tranquilidade. E ele prostrou-se imediatamente aos pés de Bhava, e o deus também estava satisfeito com ele. E Hara, vendo a admiração de Arjuna e vendo que seu corpo tinha sido emaciado com austeridades ascéticas, falou para ele em uma voz profunda como o ribombar das nuvens, dizendo, 'Ó Phalguna, eu estou satisfeito contigo pois teu ato é sem paralelo.
Não há Kshatriya que seja igual a ti em coragem e paciência. E, ó impecável, tua força e bravura são quase iguais às minhas. Ó poderosamente armado, eu estou satisfeito contigo. Veja-me, ó touro da raça Bharata! Ó tu de grandes olhos! Eu te darei olhos (para ver-me na minha forma verdadeira). Tu foste um Rishi antes. Tu vencerás todos os teus inimigos, até os habitantes do céu; e como eu estou satisfeito contigo eu te concederei uma arma irresistível. Logo tu serás capaz de manejar aquela minha arma.’" “Vaisampayana continuou, ‘Phalguna então viu ele, Mahadeva, aquele deus de esplendor ardente, aquele manejador do Pinaka, que tinha sua residência sobre as montanhas (de Kailasa) acompanhado por Uma. Curvando-se sobre seu joelho e inclinando sua cabeça, aquele conquistador de cidades hostis, o filho de Pritha, adorou Hara e inclinou-o à benevolência. E Arjuna disse, 'Ó Kapardin, ó chefe de todos os deuses, ó destruidor dos olhos de Bhaga, ó deus dos deuses, ó Mahadeva, ó tu de garganta azul, ó tu de madeixas emaranhadas, eu te conheço como a Causa de todas as causas. Ó tu de três olhos, ó senhor de tudo! Tu és o refúgio de todos os deuses! Este universo surgiu de ti. Tu não podes ser vencido pelos três mundos dos celestiais, dos Asuras, e homens. Tu és Siva na forma de Vishnu, e Vishnu na forma de Siva. Tu destruíste antigamente o grande sacrifício de Daksha. Ó Hari, ó Rudra, eu me curvo a ti. Tu tens um olho em tua testa.
Ó Sarva, ó tu que derramas objetos de desejo, ó portador do tridente, ó portador do Pinaka, ó Surya, ó tu de corpo puro, ó Criador de tudo, eu te reverencio. Ó senhor de todas as coisas criadas, eu adoro a ti para obter tua graça. Tu és o senhor dos Ganas, a fonte de bênção universal, a Causa das causas do universo. Tu estás além do principal dos seres masculinos, tu és o mais elevado, tu és o mais sutil, ó Hara! Ó ilustre Sankara, cabe a ti perdoar minha falha. Foi mesmo para obter uma visão de ti que eu vim para esta grande montanha, a qual é cara para ti e que é a residência excelente de ascetas. Tu és adorado de todos os mundos. Ó senhor, eu adoro a ti para obter tua graça. Que esta minha impetuosidade não seja considerada como uma falha, este combate no qual eu estava engajado contigo por ignorância. Ó Sankara, eu procuro a tua proteção. Perdoe-me tudo o que eu fiz.’” “Vaisampayana continuou, ‘Dotado de grande poder, o deus cujo símbolo era o touro, tomando nas suas as mãos belas de Arjuna, respondeu sorridente para ele, dizendo, ‘Eu te perdoei.’ E o ilustre Hara, alegremente abraçando Arjuna com seus braços, uma vez mais confortando Arjuna disse o seguinte.’" 40 "Mahadeva disse, 'Tu foste na tua vida anterior Nara, o amigo de Narayana. Em Vadari tu te dedicaste a austeridades ascéticas violentas por vários milhares de anos. Em ti assim como em Vishnu, aquele principal dos seres masculinos, habita grande poder. Ambos, por seu poder, mantêm o universo.
Ó senhor, pegando aquele arco feroz cuja vibração parece com o ribombar profundo das nuvens, tu, assim como Krishna, castigaste os Danavas durante a coroação de Indra. Este mesmo Gandiva é aquele arco, ó filho de Pritha, adequado para tuas mãos. Ó principal dos seres masculinos, eu tirei-o de ti, ajudado por meus poderes de ilusão. Tuas duas aljavas, perfeitas para ti, serão novamente inesgotáveis, ó filho de Pritha! E, ó filho da raça Kuru, teu corpo será livre de dor e doença. Tua bravura não pode ser impedida. Eu estou satisfeito contigo. E, ó principal dos seres masculinos, peça de mim a bênção que tu desejas. Ó castigador de todos os inimigos, ó dador do respeito apropriado, (para aqueles que o merecem) nem mesmo no céu há algum ser masculino que seja igual a ti, nem algum Kshatriya que seja teu superior.' Arjuna disse, 'Ó deus ilustre que tem o touro como seu símbolo, se tu concederás meu desejo, eu te peço, ó senhor, aquela arma celestial controlada por ti e chamada Brahmasira, aquela arma de destreza terrificante a qual destrói, no fim do Yuga, o universo inteiro, aquela arma pela ajuda da qual, ó deus dos deuses, eu possa, sob tua graça, obter vitória no conflito terrível que ocorrerá entre eu mesmo (de um lado), e Karna e Bhishma e Kripa e Drona (do outro), aquela arma pela qual eu possa consumir em batalha Danavas e Rakshasas e maus espíritos e Pisachas e Gandharvas e Nagas, aquela arma que quando lançada com Mantras produz dardos aos milhares e maças de aparência selvagens e flechas como cobras de veneno virulento, e por meio da qual eu possa lutar com Bhishma e Drona e Kripa e Karna de língua sempre ofensiva, ó ilustre destruidor dos olhos de Bhaga, este mesmo é o meu principal desejo, isto é, que eu possa ser capaz de lutar com eles e obter o êxito.' Bhava respondeu, 'Ó poderoso, eu te darei aquela minha arma predileta chamada de Pasupata. Ó filho de Pandu, tu és capaz de mantê-la, lançá-la, e retirá-la. Nem o próprio chefe dos deuses, nem Yama, nem o rei dos Yakshas, nem Varuna, nem Vayu a conhecem. Como os homens poderiam saber alguma coisa dela? Mas, ó filho de Pritha, esta arma não deve ser lançada sem causa adequada; pois se lançada em algum inimigo de pouco poder ela pode destruir o universo inteiro. Nos três mundos com todas as suas criaturas móveis e imóveis, não há criatura que não possa ser morta por esta arma. E ela pode ser lançada pela mente, pelos olhos, pelas palavras, e pelo arco.'" “Vaisampayana continuou, ‘Ouvindo estas palavras, o filho de Pritha se purificou. E se aproximando do senhor do universo com atenção absorta, ele disse, 'Instrua-me!' Mahadeva então comunicou para aquele melhor dos filhos de Pandu o conhecimento daquela arma parecida com a encarnação de Yama, junto com todos os mistérios sobre lançá-la e retirá-la. E aquela arma desde aquele tempo começou a servir Arjuna como ela servia Sankara, o marido de Uma. E Arjuna também aceitou-a alegremente. E naquele momento a terra inteira, com suas montanhas e florestas e árvores e mares e bosques e aldeias e cidades e minas, tremeu. E os sons de conchas e baterias e trombetas às milhares começaram a ser ouvidos. E naquele momento furacões e tufões começaram a soprar. E os deuses e os Danavas viram aquela arma terrível em sua forma incorporada ficar ao lado de Arjuna de energia imensurável. E tudo o que havia de mau no corpo de Phalguna de energia imensurável foi dissipado pelo toque da divindade de três olhos. E o deus de três olhos então ordenou Arjuna, dizendo, 'Vá para o céu'. Arjuna então, ó rei, cultuando o deus com cabeça inclinada, olhou para ele, com mãos unidas. Então o senhor de todos os habitantes do céu, a divindade de esplendor brilhante tendo sua residência em leitos de montanha, o marido de Uma, o deus de paixões sobre completo controle, a fonte de todas as bênçãos, Bhava, deu para Arjuna, aquele principal dos homens, o grande arco chamado Gandiva, destrutivo de Danavas e Pisachas. E o deus dos deuses, então deixando aquela montanha abençoada com planaltos nevados e vales e cavernas, o recanto favorito de grandes Rishis que percorrem os céus, acompanhado por Uma subiu aos céus, à vista daquele principal dos homens.’" 41 “Vaisampayana disse, ‘O manejador do Pinaka, tendo o touro como seu símbolo, assim desapareceu à própria vista do filho de Pandu, como o sol se pondo à vista do mundo. Arjuna, aquele matador de heróis hostis, ficou muito admirado por isto, dizendo, 'Ó, eu vi o grande deus dos deuses. De fato eu sou afortunado, e muito favorecido, pois eu vi e toquei com minha mão o deus Hara de três olhos, manejador do Pinaka, em sua forma concessora de bênçãos. Eu alcançarei o êxito. Eu já sou poderoso. Meus inimigos já foram derrotados por mim. Meus propósitos realmente já foram alcançados.' E enquanto o filho de Pritha, dotado de energia incomensurável, estava pensando assim, chegou naquele local Varuna o deus das águas, belo e do esplendor do lápis lazúli acompanhado por todas as espécies de criaturas aquáticas, e enchendo todos os pontos do horizonte com uma refulgência brilhante. E acompanhado por Rios masculinos e femininos, e Nagas, e Daityas e Sadhyas e divindades inferiores, Varuna, o controlador e senhor de todas as criaturas aquáticas, chegou àquele local. Chegou lá também o senhor Kuvera de corpo parecido com ouro puro, sentado em seu carro de grande esplendor, e acompanhado por numerosos Yakshas. E o senhor dos tesouros, possuidor de grande beleza, foi lá para ver Arjuna, iluminando o firmamento com sua refulgência. E chegou lá também o próprio Yama, de grande beleza, o poderoso destruidor de todos os mundos, acompanhado por aqueles senhores da criação, os Pitris, encarnados e desencarnados. E o deus da justiça, de alma inconcebível, o filho de Surya, o destruidor de todas as criaturas, com a maça na não, chegou lá em seu carro, iluminando os três mundos com regiões dos Guhyakas, os Gandharvas e os Nagas, como um segundo Surya quando ele se ergue no fim do Yuga. Tendo chegado lá, eles viram, dos topos refulgentes e matizados da grande montanha, Arjuna dedicado a austeridades ascéticas. E chegou lá em um instante o ilustre Sakra também, acompanhado por sua rainha, sentado nas costas (do elefante celeste) Airavata, e cercado também por todas as divindades. E por causa do guarda-sol branco segurado sobre sua cabeça, ele parecia com a lua em meio a nuvens macias. E louvado por Gandharvas, e Rishis dotados de riqueza de ascetismo, o chefe dos celestiais desceu em um topo específico da montanha, como um segundo sol. Então Yama possuidor de grande inteligência, e totalmente conhecedor da virtude, que tinha ocupado um topo no sul, em uma voz profunda como a das nuvens disse estas palavras auspiciosas, 'Arjuna, veja a nós, os protetores dos mundos, chegando aqui! Nós te concederemos visão (espiritual), pois tu mereces nos ver. Tu foste na tua vida anterior um Rishi de alma imensurável, conhecido como Nara de grande poder. Por ordem, ó filho, de Brahma, tu nasceste entre os homens! Ó impecável, por ti será vencido em batalha o muito virtuoso avô dos Kurus, Bhishma de grande energia, que nasceu dos Vasus. Tu também derrotarás todos os Kshatriyas de energia ardente comandados pelo filho de Bharadwaja em batalha. Tu também derrotarás aqueles Danavas de bravura selvagem que nasceram entre os homens, e aqueles Danavas também que são chamados de Nivatakavachas. E, ó filho da raça Kuru, ó Dhananjaya, tu também matarás Karna de bravura feroz, que é mesmo uma porção do meu pai Surya, de energia célebre por todos os mundos. E, ó filho de Kunti, castigador de todos os inimigos, tu também matarás todas as porções de celestiais e Danavas e os Rakshasas que se encarnaram na terra. E mortos por ti, eles alcançarão as regiões ganhas por eles de acordo com suas ações. E, ó Phalguna, a fama das tuas realizações durará para sempre no mundo, tu gratificaste o próprio Mahadeva em combate. Tu, com o próprio Vishnu, aliviarás a carga da terra. Ó, aceite esta minha arma, a maça que eu controlo, incapaz de ser desviada. Com esta arma tu realizarás grandes feitos.'" “Vaisampayana continuou, ‘Ó Janamejaya, o filho de Pritha então recebeu devidamente de Yama aquela arma, junto com os Mantras e rito, e os mistérios de lançá-la e retirá-la. Então Varuna, o senhor de todas as criaturas aquáticas, azul como as nuvens, de um topo que ele tinha ocupado no oeste, proferiu estas palavras, 'Ó filho de Pritha, tu és o principal dos Kshatriyas, e empenhado em práticas Kshatriya. Ó tu de grandes olhos acobreados, veja-me! Eu sou Varuna, o senhor das águas. Lançados por mim, meus laços não podem ser resistidos. Ó filho de Kunti, aceite de mim estas armas Varuna junto com os mistérios de lançá- las e retirá-las. Com elas, ó herói, na batalha que ocorreu entre nós por causa Taraka (a esposa de Vrihaspati), milhares de Daityas poderosos foram apanhados e amarrados. Aceite-as de mim. Mesmo se o próprio Yama for teu inimigo, com estas em tuas mãos, ele não poderá escapar de ti. Quando tu, armado com elas, percorreres o campo de batalha, a terra, sem dúvida alguma, será desprovida de Kshatriyas.'" “Vaisampayana continuou, ‘Depois que ambos, Varuna e Yama tinham dado suas armas celestes, o senhor dos tesouros tendo seu lar nas alturas de Kailasa então falou, 'Ó filho de Pandu, ó tu de grande poder e sabedoria, eu também estou satisfeito contigo. E este encontro contigo me dá tanto prazer quanto um encontro com Krishna. Ó manejador do arco com a mão esquerda, ó tu de braços poderosos, tu foste um deus antes, eterno (como outros deuses). Em Kalpas antigos tu praticaste todos os dias austeridades ascéticas junto conosco. Ó melhor dos homens, eu te concedo visão celeste. Ó tu de braços poderosos, tu derrotarás até Daityas e Danavas invencíveis. Aceite de mim também sem perda de tempo uma arma excelente. Com ela tu poderás consumir as tropas de Dhritarashtra. Pegue então esta minha arma favorita chamada Antarddhana. Dotada de energia e destreza e esplendor, ela é capaz de mandar o inimigo dormir. Quando o ilustre Sankara matou Tripura, esta mesma foi a arma que ele disparou e pela qual muitos Asuras poderosos foram consumidos. Ó tu de coragem invencível, eu a pego para dá-la para ti. Dotado da dignidade do Meru, tu és competente para manter esta arma.' Depois que estas palavras tinham sido faladas, o príncipe Kuru Arjuna dotado de grande força recebeu devidamente de Kuvera aquela arma celeste. Então o chefe dos celestiais, dirigindo-se ao filho de Pritha de atos incessantes em palavras gentis, disse, em uma voz profunda como a das nuvens ou do timbale, 'Ó tu filho de braços fortes de Kunti, tu és um deus antigo. Tu já alcançaste o maior êxito, e obtiveste a posição de um deus. Mas, ó repressor de inimigos, tu ainda tens que realizar os propósitos dos deuses. Tu deves subir ao céu. Portanto prepare-te, ó herói de grande esplendor! Meu próprio carro com Matali como cocheiro logo descerá sobre a terra. Levando-te, ó Kaurava, para o céu, eu te concederei lá todas as minhas armas celestes.' Vendo aqueles protetores dos mundos reunidos nas alturas de Himavat, Dhananjaya, o filho de Kunti, ficou muito admirado. Dotado de grande energia, ele então adorou devidamente os Lokapalas reunidos, com palavras, água, e frutas. Os celestiais então retornando aquele culto, foram embora. E os deuses capazes de ir a todos os lugares à vontade, e dotados da velocidade da mente, voltaram para os lugares de onde eles tinham vindo. Aquele touro entre homens, Arjuna, tendo obtido armas dessa maneira, estava cheio de alegria. E ele se considerou como alguém cujos desejos tinham sido realizados e que estava coroado com êxito." 42 (Indralokagamana Parva) “Vaisampayana disse, ‘Depois que os Lokapalas tinham ido embora, Arjuna, aquele matador de todos os inimigos, começou a pensar, ó monarca, no carro de Indra! E quando Gudakesa dotado de grande inteligência estava pensando nele, o carro dotado de grande refulgência e guiado por Matali chegou, dividindo as nuvens e iluminando o firmamento e enchendo o céu inteiro com seu estrépito profundo como o ribombar de imensas massas de nuvens. Espadas, e mísseis de formas terríveis e maças de aspecto terrível, e dardos alados de esplendor celestial e relâmpagos da mais brilhante refulgência, e raios, e propulsores equipados com rodas e acionados com expansão da atmosfera e produzindo sons altos como o ribombar de grandes massas de nuvens, se encontravam naquele carro. E havia também naquele carro Nagas ferozes de corpo enorme com bocas ardentes, e pilhas de pedras brancas como nuvens fofas. E o carro era puxado por dez milhares de cavalos de cor dourada, dotados da velocidade do vento. E provido com perícia de ilusão, o carro era puxado com tal velocidade que o olho mal podia notar seu progresso. E Arjuna viu naquele carro o mastro de bandeira chamado Vaijayanta, de refulgência brilhante, parecendo em cor com a esmeralda ou lótus azul escuro, e decorado com ornamentos dourados e reto como o bambu. E vendo um cocheiro enfeitado com ouro sentado naquele carro, o filho de braços fortes de Pritha considerou-o como pertencente aos celestiais. E enquanto Arjuna estava ocupado com seus pensamentos com relação ao carro, o cocheiro Matali, curvando-se depois de descer do carro, dirigiu-se a ele, dizendo, 'Ó afortunado filho de Sakra! O próprio Sakra deseja ver-te. Suba sem perda de tempo neste carro que foi enviado por Indra. O chefe dos imortais, teu pai, aquele deus de cem sacrifícios, mandou-me, dizendo, 'Traga o filho de Kunti para cá. Que os deuses o vejam.' E o próprio Sankara, cercado pelos celestiais e Rishis e Gandharvas e Apsaras, espera para te ver. Por ordem do castigador de Paka, portanto, suba comigo desta para a região dos celestiais. Tu retornarás depois de obter armas.' Arjuna respondeu, 'Ó Matali, suba sem perda de tempo neste carro excelente, um carro que não pode ser obtido nem por centenas de sacrifícios Rajasuya e de cavalos. Mesmo reis de grande prosperidade que realizam grandes sacrifícios notáveis por grandes presentes (para Brahmanas), mesmo deuses e Danavas não são qualificados para viajar neste carro. Aquele que não tem mérito ascético não é apto nem para ver ou tocar este carro, menos ainda andar nele. Ó abençoado, depois que tu tiveres subido nele, e depois que os cavalos ficarem quietos, eu subirei nele, como um homem virtuoso entrando na estrada elevada da honestidade.'" “Vaisampayana continuou, ‘Matali, o cocheiro de Sakra, ouvindo estas palavras de Arjuna, logo subiu no carro e controlou os cavalos. Arjuna então, com o coração alegre, purificou-se com um banho no Ganges. E o filho de Kunti então repetiu devidamente (de modo inaudível) suas preces costumeiras. Ele então, devidamente e segundo a ordenança, gratificou os Pitris com oblações de água. E, por fim ele começou a invocar Mandara, aquele rei das montanhas, dizendo, 'Ó montanha, tu és sempre o refúgio de Munis santos e que buscam o céu, de conduta e comportamento virtuosos. É pela tua graça, ó montanha, que Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas alcançam o céu, e sem ansiedades se divertem com os celestiais. Ó rei das montanhas, ó montanha, tu és o retiro de Munis, e manténs em teu leito numerosos santuários sagrados. Felizmente eu morei nas tuas alturas. Eu te deixo agora, despedindo-me de ti. Muitas vezes eu vi teus planaltos e caramanchões, tuas fontes e riachos, e os santuários sagrados no teu leito. Eu também comi as frutas saborosas que crescem em ti, e matei minha sede em correntes de água perfumada escoando do teu corpo. Eu também bebi a água das tuas fontes, doces como o próprio amrita. Ó montanha, como uma criança dorme contente no colo de seu pai, assim eu, ó rei das montanhas, ó excelente, vivi no teu leito, ecoando com as notas de Apsaras e o canto dos Vedas. Ó montanha, todos os dias eu vivi alegremente sobre os teus planaltos.' Tendo se despedido da montanha dessa maneira, aquele matador de heróis, Arjuna, brilhando como o próprio Sol, subiu no carro celeste. E o príncipe Kuru dotado de grande inteligência, com o coração contente, percorreu o firmamento naquele carro celeste refulgente como o sol e de realizações de extraordinárias. E depois que ele tinha se tornado invisível para os mortais da terra, ele viu milhares de carros de beleza extraordinária. E naquela região não havia sol ou lua ou fogo para dar luz, mas ela brilhava em sua própria luz, gerada por virtude de mérito ascético. E aquelas regiões brilhantes que são vistas da terra na forma de estrelas, como lâmpadas (no céu), tão pequenas por causa da sua distância, embora muito grandes, foram contempladas pelo filho de Pandu, posicionadas em seus respectivos lugares, cheias de beleza e refulgência e brilhando com esplendor todo seu. E lá ele viu sábios reais coroados com êxito ascético, e heróis que tinham morrido em batalha, e aqueles que tinham alcançado o céu por suas austeridades ascéticas, às centenas sobre centenas. E havia também Gandharvas, de corpos brilhantes como o sol, aos milhares sobre milhares, como também Guhyakas e Rishis e numerosas tribos de Apsaras. E vendo aquelas regiões auto-refulgentes, Phalguna ficou maravilhado, e fez perguntas para Matali. E Matali também alegremente respondeu para ele, dizendo, 'Estas, ó filho de Pritha, são pessoas virtuosas colocadas em seus respectivos lugares. São estas a quem tu tens visto, ó exaltado, como estrelas, da terra.' Então Arjuna viu colocado nos portões (da região de Indra) o elefante belo e sempre vitorioso, Airavata, equipado com quatro presas, e parecendo a montanha de Kailasa com seus topos. E percorrendo aquele caminho dos Siddhas, aquele principal dos Kurus e filho de Pandu repousava em beleza como Mandhata, aquele melhor dos reis. Dotado de olhos como folhas de lótus, ele atravessou a região reservada para reis virtuosos. E o célebre Arjuna tendo assim passado por regiões sucessivas de céu finalmente viu Amaravati, a cidade de Indra.’" 43 “Vaisampayana disse, ‘E a cidade de Indra que Arjuna viu era encantadora e era o recanto de Siddhas e Charanas. E ela estava adornada com as flores de todas as estações, e com árvores sagradas de todas as espécies. E ele viu também jardins celestes chamados Nandana, o local favorito de Apsaras. E abanadas pelas brisas fragrantes carregadas com o pólen de flores bem perfumadas, as árvores com seu peso de flores celestes pareciam dar-lhe as boas vindas entre elas. E a região era de tal maneira que ninguém podia vê-la se não tivesse praticado austeridades ascéticas, ou se não tivesse derramado libações no fogo. Ela era uma região para os virtuosos somente, e não para aqueles que tinham virado suas costas no campo de batalha. E não era qualificado para vê-la quem não tivesse realizado sacrifícios ou cumprido votos rígidos, ou quem não tivesse um conhecimento dos Vedas, ou quem não tivesse se banhado em águas sagradas, ou quem não fosse afamado por sacrifícios e doações. E não eram aptos para vê-la os perturbadores de sacrifícios, ou os inferiores, ou os que bebem licores embriagantes, ou os violadores do leito de seus preceptores, ou os comedores de carne (não santificada), ou os pecaminosos. E tendo visto aqueles jardins celestes ressoando com música celeste, o filho de braços fortes de Pandu entrou na cidade predileta de Indra. E ele viu lá carros celestes aos milhares, capazes de ir a todos os lugares à vontade, estacionados em lugares apropriados. E ele viu dezenas de milhares de tais carros movendo-se em todas as direções. E abanado por brisas agradáveis carregadas com os perfumes de flores, o filho de Pandu foi elogiado por Apsaras e Gandharvas. E os celestiais então, acompanhados pelos Gandharvas e Siddhas e grandes Rishis, reverenciaram alegremente o filho de Pritha de atos imaculados. Bênçãos foram derramadas sobre ele, acompanhadas pelos sons de música celeste. O filho de braços fortes de Pritha então ouviu à sua volta a música de conchas e baterias. E louvado por toda parte, o filho de Pritha então foi, por ordem de Indra, àquele grande e extenso caminho estrelado chamado pelo nome de Suravithi. Lá ele encontrou com os Sadhyas, os Viswas, os Marutas, os gêmeos Aswins, os Adityas, os Vasus, os Rudras, os Brahmarshis do maior esplendor, e sábios reais numerosos com Dilipa encabeçando-os, e Tumvura e Narada, e aquele par de Gandharvas conhecidos pelos nomes de Haha e Huhu. E o príncipe Kuru, aquele castigador de inimigos, tendo os encontrado e saudado devidamente, viu por último o chefe dos celestiais, o deus de cem sacrifícios. Então o filho de Pritha descendo do carro aproximou-se do próprio senhor dos deuses, seu pai, aquele castigador de Paka. E um belo guarda-sol branco equipado com um mastro dourado era segurado sobre o chefe dos celestiais. E ele era abanado com um Chamara perfumado com aromas celestes. E ele era louvado por muitos Gandharvas encabeçados por Viswavasu e outros, por bardos e cantores, e por Brahmanas principais cantando os hinos Rik e Yajus. E o filho poderoso de Kunti, aproximando-se de Indra, saudou-o por inclinar sua cabeça até o chão. E Indra então abraçou-o com seus braços cheios e corpulentos. E pegando sua mão, Sakra o fez sentar-se em uma parte do seu próprio assento, aquele assento sagrado que era adorado por deuses e Rishis. E o senhor dos celestiais, aquele matador de heróis hostis, cheirou a cabeça de Arjuna inclinado em humildade, e até tomou-o sobre seu colo. Sentado no assento de Sakra por ordem daquele deus de mil olhos, o filho de Pritha de energia incomensurável começou a brilhar em esplendor como um segundo Indra. E movido por afeição, o matador de Vritra, confortando Arjuna, tocou seu rosto belo com suas próprias mãos perfumadas. E o manejador do raio, afagando e esfregando gentilmente repetidas vezes com suas próprias mãos as quais portavam as marcas do raio os braços belos e enormes de Arjuna que pareciam um par de colunas douradas e que eram firmes por esticar a corda do arco, aquele deus de mil olhos, olhando seu filho de cabelos encaracolados sorridente e com olhos arregalados de deleite, mal parecia estar satisfeito. Quando mais ele olhava, mais ele gostava de olhar. E sentados em um assento, pai e filho aumentaram a beleza da assembleia, como o sol e a lua embelezando o firmamento juntos no décimo quarto dia da quinzena escura. E um grupo de Gandharvas encabeçados por Tumvuru, habilidosos em música sagrada e profana, cantaram muitos versos em notas melodiosas. E Ghritachi e Menaka e Rambha e Purvachitti e Swayamprabha e Urvasi e Misrakesi e Dandagauri e Varuthini e Gopali e Sahajanya e Kumbhayoni e Prajagara e Chitrasena e Chitralekha e Saha e Madhuraswana, estas e outras às milhares, possuidoras de olhos como folhas de lótus, que estavam empenhadas em atrair os corações de pessoas praticantes de austeridades rígidas, dançaram lá. E possuindo cinturas finas e belos quadris largos elas começaram a realizar várias evoluções, sacudindo seus peitos profundos, e lançando seus olhares em volta, e mostrando outras posturas atraentes capazes de roubar os corações e resoluções e mentes dos espectadores.’" 44 “Vaisampayana disse, ‘Os deuses e os Gandharvas então, compreendendo os desejos de Indra, conseguiram um excelente Arghya e reverenciaram o filho de Pritha com pressa. E dando água para lavar seus pés e rosto, eles fizeram o príncipe entrar no palácio de Indra. E assim adorado, Jishnu continuou a viver na residência de seu pai. E o filho de Pandu continuou todo o tempo a adquirir armas celestes, junto com os meios de retirá-las. E ele recebeu das mãos de Sakra sua arma favorita de força irresistível, o raio, e aquelas outras armas também, de ribombar tremendo, ou seja, os relâmpagos do céu, cujos lampejos são deduzíveis do aparecimento de nuvens e (da dança dos) pavões. E o filho de Pandu, depois que ele obteve aquelas armas, lembrou-se de seus irmãos. Por ordem de Indra, entretanto, ele viveu por cinco anos inteiros no céu, cercado por todo conforto e luxo. Depois de algum tempo, quando Arjuna tinha obtido todas as armas, Indra dirigiu-se a ele no momento devido, dizendo, 'Ó filho de Kunti, aprenda música e dança de Chitrasena. Aprenda a música instrumental que é corrente entre os celestiais e que não existe no mundo dos homens, pois, ó filho de Kunti, isto será para teu benefício.’ E Purandara apresentou Chitrasena como um amigo para Arjuna. E o filho de Pritha viveu alegremente em paz com Chitrasena. E Chitrasena instruiu Arjuna todo o tempo em música; vocal e instrumental, e em dança. Mas o ativo Arjuna não obtinha paz mental, lembrando-se do jogo injusto de dados de Sakuni, o filho de Suvala, e pensando com raiva em Dussasana e sua morte. Quando no entanto, sua amizade com Chitrasena tinha amadurecido completamente, ele às vezes aprendia dança e música inigualáveis praticadas entre os Gandharvas. E finalmente tendo aprendido vários tipos de dança e diversos tipos de música, vocal e instrumental, aquele matador de heróis hostis não obteve paz mental lembrando-se de seus irmãos e mãe Kunti." 45 Vaisampayana disse, "Um dia, sabendo que os olhares de Arjuna foram lançados sobre Urvasi, Vasava, chamando Chitrasena dirigiu-se a ele em particular dizendo, 'Ó rei dos Gandharvas, eu estou satisfeito; vá como meu mensageiro àquela principal dos Apsaras, Urvasi, e que ela sirva aquele tigre entre homens, Phalguna. Fale a ela, dizendo estas minhas palavras, 'Como por meu auxílio Arjuna aprendeu todas as armas e outras artes, adoradas por todos, assim tu deves fazê-lo conhecedor das artes de se portar em companhia feminina.' Assim endereçado por Indra, o chefe dos Gandharvas, em obediência àquela ordem de Vasava, logo foi até Urvasi, aquela principal das Apsaras. E quando ele a viu, ela reconheceu-o e encantou-o pelo acolhimento que lhe ofereceu e a saudação que lhe deu. E sentado tranquilamente ele então se dirigiu sorridente a Urvasi, que também estava sentada tranquila, dizendo, 'Saiba, ó tu de quadris formosos, que eu vim para cá enviado pelo único senhor do céu que te pede um favor. Aquele que é conhecido entre deuses e homens por suas muitas virtudes inatas, por sua graça, comportamento, beleza pessoal, votos e autocontrole; que é famoso por força e coragem, e respeitado pelos virtuosos, e esperto; que é dotado de talento e energia esplêndida, que é de um temperamento clemente e sem malícia de qualquer tipo; que estudou os quatro Vedas com seus ramos, e os Upanishads, e os Puranas também; que é dotado de devoção pelos seus preceptores e de intelecto possuidor dos oito atributos, que por sua abstinência, habilidade, origem e idade, sozinho é capaz de proteger as regiões celestes como o próprio Mahavat; que nunca é vaidoso; que demonstra respeito apropriado a todos; que contempla as coisas mais minúsculas tão claramente como se elas fossem grossas e grandes; que é de fala gentil; que derrama diversas espécies de alimento e bebida sobre seus amigos e dependentes; que é sincero, adorado por todos, eloquente, bonito, e sem orgulho; que é bondoso para aqueles devotados a ele, e universalmente amável e querido para todos; que é firme em promessa; que é semelhante até a Mahendra e Varuna com relação a todo atributo desejável, isto é, Arjuna, é conhecido por ti. Ó Urvasi, saiba que aquele herói deve provar as alegrias do céu. Ordenada por Indra, que ele hoje obtenha teus pés. Faça isto, ó amável, pois Dhananjaya está inclinado a ti.’ Assim endereçada, Urvasi de feições impecáveis assumiu um rosto sorridente, e recebendo as palavras do Gandharva com grande respeito, respondeu com o coração contente, dizendo, 'Sabendo das virtudes que devem adornar os homens, como reveladas por ti, eu concederia meus favores a qualquer um que acontecesse de possuí-las. Por que eu não deveria então escolher Arjuna como um amante? Por ordem de Indra, e por minha amizade por ti, e movida também pelas numerosas virtudes de Phalguna, eu já estou sob a influência do deus do amor. Vá, portanto, ao lugar que desejas. Eu irei alegremente até Arjuna.'" 46 Vaisampayana disse, 'Tendo assim mandado embora o Gandharva bem sucedido em sua missão, Urvasi de sorrisos luminosos, movida pelo desejo de possuir Phalguna, tomou um banho. E tendo realizado suas abluções, ela se enfeitou com ornamentos encantadores e guirlandas esplêndidas de odor celeste. E inflamada pelo deus do amor, e seu coração perfurado completamente pelas flechas disparadas por Manmatha mantendo em mente a beleza de Arjuna, e sua imaginação totalmente ocupada pelos pensamentos em Arjuna, ela mentalmente se divertiu com ele em uma cama larga e excelente coberta com lençóis celestes. E quando o crepúsculo tinha se aprofundado e a lua estava no alto, aquela Apsara de quadris largos saiu para as mansões de Arjuna. E naquele ânimo e com suas tranças onduladas, macias e longas enfeitadas com ramos de flores, ela parecia extremamente bela. Com sua beleza e graça, e o charme dos movimentos das suas sobrancelhas e de seu timbre de voz suave, e sua própria face semelhante à lua, ela parecia caminhar, desafiando a própria lua. E conforme ela procedia, seus peitos profundos, lindamente cônicos, enfeitados com uma corrente de ouro e com unguentos celestes e pasta de sândalo fragrante, começaram a tremer. E por causa do peso dos seus peitos ela era forçada a se curvar ligeiramente para a frente a cada passo, dobrando sua cintura extremamente bela com três dobras. E suas ancas de forma impecável, a residência elegante do deus do amor, providas de quadris formosos e altos e redondos e largos em sua parte inferior como uma colina, e enfeitados com correntes de ouro, e capazes de abalar a santidade de anacoretas, estando enfeitados com traje fino, pareciam muito graciosos. E seus pés com formosos tornozelos escondidos, e possuindo solas lisas e dedos retos da cor do cobre polido e dorso alto e curvados como as costas da tartaruga e marcados pelo uso de ornamentos, providos de fileiras de pequenos sinos, pareciam muito belos. E alegre com um pouco de licor que ela tinha tomado, e excitada pelo desejo, e se movimentando em diversas posturas e expressando uma sensação de deleite, ela parecia mais bonita do que o usual. E embora o céu abundasse com muitos objetos maravilhosos, ainda assim quando Urvasi procedeu desta maneira, os Siddhas e Charanas e Gandharvas a consideraram como sendo o objeto mais belo sobre o qual eles tinham lançado seus olhos. E com a metade superior do seu corpo vestida em um traje de textura fina e cores nebulosas, ela parecia resplandecente como um dígito da lua no firmamento encoberto por nuvens fofas. E dotada da velocidade dos ventos ou da mente, ela de sorrisos luminosos logo alcançou a mansão de Phalguna, o filho de Pandu. E, ó melhor dos homens, Urvasi de olhos belos, tendo chegado ao portão da residência de Arjuna, enviou mensagem através do guarda em serviço. E (ao receber permissão), ela logo entrou naquele palácio brilhante e encantador. Mas, ó monarca, ao vê-la à noite em sua mansão, Arjuna, com o coração tomado pelo temor, se adiantou para recebê-la com respeito e tão logo ele a viu, o filho de Pritha, por modéstia, fechou seus olhos. E saudando-a, ele ofereceu à Apsara tal culto como é oferecido para um superior. E Arjuna disse, 'Ó tu principal das Apsaras, eu te reverencio por curvar minha cabeça. Ó senhora, deixe-me conhecer tuas ordens. Eu te sirvo como teu criado.'" Vaisampayana continuou, “Ouvindo estas palavras de Phalguna, Urvasi ficou privada de sua razão. E ela logo relatou para Arjuna tudo o que tinha se passado entre ela e o Gandharva Chitrasena. E ela disse, 'Ó melhor dos homens, eu te direi tudo o que se passou entre mim e Chitrasena, e por que eu vim até aqui. Por causa da tua chegada aqui, ó Arjuna, Mahendra convocou uma assembleia grande e encantadora, na qual festas celestes foram feitas. Para aquela assembleia vieram, ó melhor dos homens, os Rudras e os Adityas e os Aswins e os Vasus. E chegaram lá também muitos grandes Rishis e sábios reais e Siddhas e Charanas e Yakshas e grandes Nagas. E, ó tu de olhos expansivos, os membros da assembleia resplandecentes como fogo ou o sol ou a lua, tendo tomado seus assentos de acordo com posto, honra, e coragem, ó filho de Sakra, os Gandharvas começaram a tocar os Vinas e cantar canções encantadoras de melodia celeste. E, ó perpetuador da raça Kuru, as principais Apsaras também começaram a dançar. Então, ó filho de Pritha, tu olhaste para mim somente com um olhar fixo. Quando aquela assembleia dos celestiais se separou, mandados por teu pai, os deuses partiram para seus respectivos lugares. E as principais Apsaras também foram para suas residências, e outras também, ó matador de inimigos, mandadas por teu pai e obtendo sua permissão. Foi então que Chitrasena, enviado a mim por Sakra, chegou à minha residência. Ó tu de olhos como folhas de lótus, ele se dirigiu a mim, dizendo, 'Ó tu da aparência mais formosa, eu fui enviado a ti pelo chefe dos celestiais. Faça algo que será agradável para Mahendra e eu mesmo e para ti mesma também. Ó tu de quadris formosos, procure agradar Arjuna, que é corajoso em batalha assim como o próprio Sakra, e que é sempre possuidor de magnanimidade.' Estas mesmas, ó filho de Pritha, foram suas palavras. Assim, ó impecável, mandada por ele e por teu pai também, eu vim a ti para te servir, ó matador de inimigos. Meu coração foi atraído pelas tuas virtudes, e eu já estou sob a influência do deus do amor. E, ó herói, este mesmo é meu desejo, e eu o tenho nutrido para sempre!’" Vaisampayana continuou, "Enquanto no céu, ouvindo-a falar daquela maneira, Arjuna foi dominado pelo acanhamento. E fechando seus ouvidos com suas mãos, ele disse, 'Ó senhora abençoada, vergonha para o meu sentido de audição, quando tu me falas desse modo. Pois, ó tu de rosto belo, tu és certamente igual na minha opinião à esposa de um superior. Assim como Kunti de grande ventura ou Sachi a rainha de Indra, tu és para mim, ó auspiciosa, disto não há dúvida! Que eu olhei particularmente para ti, ó abençoada, é verdade. Havia uma razão para isto. Eu realmente a direi para ti, ó tu de sorrisos luminosos! Na assembleia eu te fitei com olhos arregalados de prazer, pensando, 'Esta dama exuberante é a mãe da linhagem Kaurava.' Ó Apsara abençoada, não cabe a ti nutrir outros sentimentos por mim, pois tu és superior aos meus superiores, sendo a mãe da minha linhagem.' Ouvindo estas palavras de Arjuna, Urvasi respondeu, dizendo, 'Ó filho do chefe dos celestiais, nós Apsaras somos livres e desimpedidas em nossa escolha. Não cabe a ti, portanto, me estimar como tua superior. Os filhos e netos da linhagem de Puru que vieram para cá por causa de mérito ascético todos se divertiram conosco, sem incorrer em qualquer pecado. Ceda, portanto, ó herói, não cabe a ti me mandar embora. Eu estou queimando de desejo. Eu sou devotada a ti. Aceite- me, ó tu concessor de respeito apropriado.' Arjuna respondeu, 'Ó senhora bela de feições perfeitamente impecáveis, escute. Eu te falo verdadeiramente. Que as quatro direções e as direções transversais, e que também os deuses escutem. Ó impecável, como Kunti, ou Madri, ou Sachi são para mim, assim és tu, a mãe da minha raça, um objeto de reverência para mim. Volte, ó tu da aparência mais formosa; eu curvo minha cabeça para ti, e me prostro aos teus pés. Tu mereces meu culto como minha própria mãe; e cabe a ti me proteger como um filho.'" Vaisampayana continuou, "Assim endereçada por Partha, Urvasi foi privada da sua razão pela ira. Tremendo de raiva, e contraindo sua fronte, ela amaldiçoou Arjuna, dizendo, 'Já que tu desconsideraste uma mulher que veio à tua mansão por ordem do teu pai e por seu próprio impulso, uma mulher, além disso, que foi perfurada pelas flechas de Kama, portanto, ó Partha, tu terás que passar teu tempo entre mulheres desconsiderado, e como um dançarino, e desprovido de virilidade e desprezado como um eunuco.'" Vaisampayana continuou, "Tendo amaldiçoado Arjuna assim, os lábios de Urvasi ainda tremiam de raiva, ela respirando pesadamente todo o tempo. E ela logo voltou para sua própria residência. E aquele matador de inimigos, Arjuna, também procurou Chitrasena sem perda de tempo. E tendo-o encontrado, ele lhe disse tudo o que tinha se passado entre ele e Urvasi durante a noite. E ele contou para Chitrasena como tudo tinha acontecido, repetidamente se referindo à maldição pronunciada sobre ele. E Chitrasena também relatou tudo para Sakra. E Harivahana, chamando seu filho em particular, e confortando-o em palavras gentis, disse sorridente, 'Ó tu melhor dos seres, tendo te obtido, ó filho, Pritha hoje se tornou uma mãe realmente abençoada. Ó poderosamente armado, tu agora superaste até Rishis pela paciência e autocontrole. Mas, ó dador do respeito apropriado, a maldição que Urvasi pronunciou sobre ti será para teu benefício, ó filho, e te servirá bem. Ó impecável, vocês terão que passar sobre a terra o décimo terceiro ano (de seu exílio), desconhecidos por todos. É então que tu sofrerás a maldição de Urvasi. E tendo passado um ano como um dançarino sem virilidade, tu recuperarás teu poder no término do prazo.' Assim endereçado por Sakra, aquele matador de heróis hostis, Phalguna sentiu grande alegria e parou de pensar na maldição. E Dhananjaya, o filho de Pandu, se divertiu nas regiões do céu com o Gandharva Chitrasena de grande celebridade. Os desejos do homem que ouve esta história do filho de Pandu nunca correm atrás de fins lascivos. Os principais dos homens, por escutarem a este relato do comportamento muito puro de Phalguna, o filho do senhor dos celestiais, tornam- se desprovidos de orgulho e arrogância e cólera e outros defeitos, e ascendendo para o céu, passam seu tempo lá em felicidade." 47 Vaisampayana disse, "Um dia, o grande Rishi Lomasa no decurso de suas viagens foi à residência de Indra, desejoso de ver o senhor dos celestiais. E o grande Muni, tendo se aproximado do chefe dos deuses, curvou-se a ele respeitosamente. E ele viu o filho de Pandu ocupando metade do assento de Vasava. E adorado pelos grandes Rishis, aquele principal dos Brahmanas sentou- se em um assento excelente pelo desejo de Sakra. E vendo Arjuna sentado no assento de Indra, o Rishi começou a pensar em como Arjuna que era um Kshatriya tinha alcançado ao assento do próprio Sakra. Que atos de mérito tinham sido realizados por ele e quais regiões tinham sido conquistadas por ele (por mérito ascético), que ele tinha obtido um assento que era adorado pelos próprios deuses? E quando o Rishi estava ocupado com estes pensamentos, Sakra, o matador de Vritra, veio a conhecê-los. E tendo-os conhecido, o marido de Sachi se dirigiu a Lomasa com um sorriso e disse, 'Ouça, ó Brahmarshi, a respeito do que está agora se passando na tua mente. Este não é mortal embora ele tenha tomado seu nascimento entre homens. Ó grande Rishi, o herói de braços poderosos é mesmo meu filho nascido de Kunti. Ele veio para cá para obter armas para algum propósito. Ai! Tu não o reconheces como um Rishi antigo do mérito mais sublime? Ouça-me, ó Brahmana, enquanto eu te digo quem ele é e por que ele veio a mim. Aqueles Rishis antigos e excelentes que eram conhecidos pelos nomes de Nara e Narayana são, saiba, ó Brahmana, ninguém mais do que Hrishikesa e Dhananjaya. E aqueles Rishis, célebres nos três mundos, e conhecidos pelos nomes de Nara e Narayana, para a realização de certo propósito nasceram na terra, para a aquisição de virtude. Aquele retiro sagrado o qual até deuses e Rishis ilustres não são qualificados para ver, e que é conhecido por todo o mundo pelo nome de Vadari, situado perto da nascente do Ganga, que é adorado pelos Siddhas e os Charanas, era a residência, ó Brahmana, de Vishnu e Jishnu. Aqueles Rishis de esplendor ardente, ó Brahmarshi, por meu desejo, nasceram sobre a terra, e dotados de energia poderosa, aliviarão o peso dela. Além disto, há certos Asuras conhecidos como Nivatakavachas, que, orgulhosos da bênção que obtiveram, estão empenhados em nos fazer injúrias. Vaidosos de sua força, eles estão agora mesmo planejando a destruição dos deuses, pois, tendo recebido um benefício, eles não respeitam mais os deuses. Aqueles Danavas ferozes e poderosos vivem nas regiões inferiores. Mesmo todos os celestiais juntos são incapazes de lutar com eles. O abençoado Vishnu, o matador de Madhu, ele, de fato, que é conhecido na terra como Kapila, e cujo olhar somente, ó exaltado, destruiu os filhos ilustres de Sagara quando eles se aproximaram dele com sons altos nas entranhas da terra, aquele ilustre e invencível Hari é capaz, ó Brahmana de nos fazer um grande serviço. Ou ele ou Partha ou ambos podem nos fazer aquele grande serviço, sem dúvida. Na verdade como o ilustre Hari matou os Nagas no grande lago, ele, somente pela visão, é capaz de matar aqueles Asuras chamados Nivatakavachas, junto com seus seguidores. Mas o matador de Madhu não deve ser incitado quando a tarefa é insignificante. Uma poderosa massa de energia que ele é, esta aumentando para proporções crescentes pode consumir o universo inteiro. Este Arjuna também é competente para combater eles todos, e o herói tendo-os matado em batalha voltará para o mundo dos homens. Vá a meu pedido para a terra. Tu verás o corajoso Yudhishthira vivendo nas florestas de Kamyaka. E por mim diga para o virtuoso Yudhishthira de bravura imbatível em batalha que ele não deve ficar ansioso por causa de Phalguna, pois este herói voltará para a terra um mestre completo de armas, pois sem perícia de braços santificada, e sem habilidade em armas, ele não poderia combater Bhishma e Drona e outros em batalha. Tu também revelarás para Yudhishthira que o ilustre Gudakesa de braços poderosos, tendo obtido armas, também dominou a ciência da dança celeste e música instrumental e vocal. E tu deves também lhe dizer: ‘Ó rei de homens, ó matador de inimigos, tu mesmo também, acompanhado por todos os teus irmãos, deves ver os vários santuários sagrados. Pois tendo te banhado em diferentes águas sagradas tu serás purificado dos teus pecados, e a agitação do teu coração diminuirá. E então tu poderás desfrutar do teu reino, feliz no pensamento que os teus pecados foram purificados.’ E, ó principal dos Brahmanas, dotado de poder ascético, cabe a ti também proteger Yudhishthira durante sua viagem pela terra. Rakshasas ferozes sempre vivem em fortalezas de montanha e estepes acidentadas. Proteja o rei daqueles canibais.' "Depois que Mahendra tinha falado assim para Lomasa, Vibhatsu também reverentemente se dirigiu àquele Rishi, dizendo, 'Proteja sempre o filho de Pandu. Ó melhor dos homens, que o rei, ó grande Rishi, protegido por ti, visite os vários lugares de peregrinação e faça doações para Brahmanas em caridade.'" Vaisampayana continuou, "O poderoso asceta Lomasa, tendo respondido a ambos dizendo, 'Assim seja' partiu para a terra, desejoso de chegar a Kamyaka. E tendo chegado naquelas florestas ele viu o matador de inimigos e filho de Kunti, o rei Yudhishthira o justo, cercado por ascetas e seus irmãos mais novos." Janamejaya disse, "Estas façanhas do filho de Pritha dotado de energia imensurável foram sem dúvida extraordinárias. Ó Brahmana, o que Dhritarashtra de grande sabedoria disse quando ele soube delas?" Vaisampayana disse, "O filho de Amvika, o rei Dhritarashtra, sabendo através de Dwaipayana, aquele principal dos Rishis, da chegada e permanência de Arjuna na residência de Indra, falou para Sanjaya, dizendo, 'Ó cocheiro, tu conheces em detalhes as ações do inteligente Arjuna, das quais eu tenho ouvido, do início ao fim? Ó cocheiro, meu filho desventurado e pecaminoso está agora mesmo engajado em uma política do tipo mais vulgar. De alma pecaminosa, ele certamente despovoará a terra. A pessoa ilustre cujas palavras até em gracejo são verdadeiras, e que tem Dhananjaya para lutar por ele, sem dúvida ganhará os três mundos. Quem mesmo estando além da influência da Morte e Decadência poderá resistir diante de Arjuna, quando ele espalhar suas flechas farpadas e de pontas afiadas amoladas sobre pedra? Meus filhos infames, que tem que lutar com os Pandavas invencíveis estão de fato, todos condenados. Refletindo dia e noite, eu não vejo o guerreiro entre nós que possa resistir em batalha diante do manejador do Gandiva. Se Drona, ou Karna, ou mesmo Bhishma avançarem contra ele em batalha, uma grande calamidade provavelmente acontecerá à terra. Mas mesmo nesse caso, eu não vejo o caminho para o nosso êxito. Karna é bondoso e desatento. O preceptor Drona é velho, e o professor (de Arjuna). Arjuna, no entanto, é colérico, e forte, e orgulhoso, e de coragem firme e constante. Como todos estes guerreiros são invencíveis, uma luta terrível ocorrerá entre eles. Todos eles são heróis habilidosos com armas e de grande reputação. Eles não desejariam a soberania do mundo se ela fosse para ser comprada por derrota. De fato, a paz será restaurada somente após a morte deles ou de Phalguna. O matador de Arjuna, no entanto, não existe, nem uma pessoa que possa vencê-lo. Oh, como aquela ira dele a qual tem eu mesmo como seu objeto será acalmada? Igual ao chefe dos celestiais, aquele herói gratificou Agni em Khandava e derrotou todos os monarcas da terra na ocasião do grande Rajasuya. Ó Sanjaya, o raio caindo sobre o topo da montanha deixa uma parte não destruída; mas as flechas, ó filho, que são atiradas por Kiriti não deixam uma ruína para trás. Como os raios do sol aquecem este universo móvel e imóvel, assim as flechas atiradas pelas mãos de Arjuna queimarão meus filhos. Parece-me que os Chamus dos Bharatas, apavorados pelo ruído das rodas da carruagem de Arjuna, já estão divididos em todas as direções. Vidhatri criou Arjuna como um Destruidor que a tudo consome. Ele permanece em batalha como um inimigo, vomitando e espalhando enxames de setas. Quem é que o derrotará?" 49 "Sanjaya disse, 'O que foi proferido por ti, ó rei, com relação a Duryodhana é tudo verdade. Nada do que tu disseste, ó senhor da terra, é falso. Os Pandavas de energia incomensurável ficaram cheios de raiva à visão de Krishna, sua esposa de fama pura, trazida no meio da assembleia. Ouvindo também aquelas palavras cruéis de Dussasana e Karna, eles ficaram tão enfurecidos, ó rei, que eles, eu suponho, não perdoarão (os Kurus) na minha opinião. Eu soube, ó rei, como Arjuna satisfez em batalha por meio de seu arco o deus dos deuses, Sthanu de onze formas. O ilustre senhor de todos os deuses, o próprio Kapardin, desejoso de testar Phalguna, lutou com ele, tendo assumido o disfarce de um Kirata. E foi então que os Lokapalas, para dar suas armas para aquele touro da raça Kuru, mostraram-se para ele de perícia que não se deteriora. Que outro homem sobre a terra, exceto Phalguna, se esforçaria para ter uma visão daqueles deuses em suas próprias formas? E, ó rei, quem enfraquecerá Arjuna em batalha, que não pode ser enfraquecido pelo próprio Maheswara possuidor de oito formas? Teus filhos, tendo arrastado Draupadi, e assim enfurecido os filhos de Pandu, trouxeram esta calamidade terrível e horripilante sobre si mesmos. Vendo Duryodhana mostrando suas coxas para Draupadi, Bhima disse com lábios tremendo, 'Patife! Estas tuas coxas eu esmagarei com minha maça de descida violenta, no término de treze anos.' Todos os filhos de Pandu são os principais dos batedores; todos eles são de energia incomensurável; todos eles são versados em todas as espécies de armas. Por isso eles não podem ser derrotados nem pelos deuses. Enfurecidos pelo insulto oferecido à sua esposa, os filhos de Pritha, incitados pela cólera, eu penso, matarão todos os teus filhos em batalha.' Dhritarashtra disse, 'Ó cocheiro, que injúria foi feita por Karna proferindo aquelas palavras cruéis para os filhos de Pandu! Não foi suficiente a inimizade que foi provocada por trazer Krishna para a assembleia? Como meus filhos perversos podem viver, cujo irmão mais velho e preceptor não anda no caminho da retidão? Vendo-me desprovido de visão, e incapaz de me esforçar ativamente, meu filho patife, ó cocheiro, acredita que eu sou um tolo, e não ouve minhas palavras. Aqueles canalhas também que são seus conselheiros, Karna e Suvala e outros, sempre o auxiliam a satisfazer seus vícios, visto que ele é incapaz de compreender as coisas corretamente. As flechas que Arjuna de bravura incomensurável possa disparar levemente, são capazes de consumir todos os meus filhos, sem falar das flechas que ele disparará, impelido pela raiva. As flechas impulsionadas pelo poder dos braços de Arjuna e atiradas do seu arco grande, e inspiradas com mantras capazes de convertê-las em armas celestes podem castigar os próprios celestiais. Ele que tem como seu conselheiro e protetor e amigo aquele castigador de homens pecaminosos, o senhor dos três mundos, o próprio Hari, não encontra nada que ele não possa conquistar. Ó Sanjaya, é muito extraordinário em Arjuna que, como nós temos ouvido, ele tenha sido apertado por Mahadeva em seus braços. Aquilo também que Phalguna, ajudado por Damodara fez antigamente para ajudar Agni na queima de Khandava foi testemunhado por todo o mundo. Quando, portanto, Bhima e Partha e Vasudeva da raça Satwata ficarem enfurecidos, certamente meus filhos junto com seus amigos e os Suvalas não estarão à altura de lutar com eles.'" Janamejaya disse, "Tendo mandado os filhos heróicos de Pandu para o exílio, estas lamentações, ó Muni, de Dhritarashtra eram completamente inúteis. Por que o rei permitiu que seu filho tolo Duryodhana enfurecesse daquela maneira aqueles guerreiros poderosos, os filhos de Pandu? Diga-nos agora, ó Brahmana, qual era o alimento dos filhos de Pandu enquanto eles viviam nas florestas. Ele era da selva, ou era o resultado de cultivo?" Vaisampayana disse, "Aqueles touros entre homens, colhendo os produtos da selva e matando veados com flechas simples, ofereciam primeiro uma parte da comida para os Brahmanas e eles mesmos comiam o resto. Pois, ó rei, enquanto aqueles heróis que manejavam arcos grandes viviam nas florestas, eles eram seguidos por Brahmanas de ambas as classes, aqueles que cultuavam com fogo e aqueles que cultuavam sem ele. E havia dez mil Brahmanas Snataka ilustres, todos conhecedores dos meios de salvação, a quem Yudhishthira sustentava nas florestas. E matando com setas Rurus e os veados negros e outras espécies de animais puros da selva, ele dava-os para aqueles Brahmanas. E ninguém que vivia com Yudhishthira parecia pálido ou doente, ou estava magro ou fraco, ou estava melancólico ou apavorado. E o chefe dos Kurus, o rei virtuoso Yudhishthira, mantinha seus irmãos como se eles fossem seus filhos, e seus parentes como se eles fossem seus irmãos. E Draupadi de fama pura alimentava seus maridos e os Brahmanas como se ela fosse sua mãe; e por último de todos ela mesma comia seu alimento. E o próprio rei se dirigindo em direção ao leste, e Bhima em direção ao sul, e os gêmeos em direção ao oeste e ao norte, matavam diariamente com arco na mão os veados da floresta, por causa da carne. E foi assim que os Pandavas viveram por cinco anos nas florestas de Kamyaka, em ansiedade pela ausência de Arjuna, e ocupados todo o tempo em estudo e orações e sacrifícios." 51 Vaisampayana disse, "Aquele touro entre homens, Dhritarashtra, o filho de Amvika, tendo ouvido a respeito daquele extraordinário modo de vida, tão acima daquele dos homens, dos filhos de Pandu, estava cheio de ansiedade e aflição. E tomado pela melancolia e suspirando pesadamente e ansioso, aquele monarca, dirigindo-se ao seu cocheiro Sanjaya, disse, 'Ó cocheiro, eu não tenho um momento de paz, nem durante o dia nem à noite, pensando no terrível mau comportamento dos meus filhos resultante do jogo, e pensando também no heroísmo, paciência, inteligência elevada, bravura insuportável, e no amor extraordinário uns pelos outros dos filhos de Pandu. Entre os Pandavas, os ilustres Nakula e Sahadeva, de origem celeste e iguais ao próprio chefe dos celestiais em esplendor, são invencíveis em batalha. Eles são firmes no manejo de armas, capazes de atirar a uma longa distância, resolutos em batalha, de notável leveza de mão, de ira que não é facilmente abrandada, possuidores de grande perseverança, e dotados de energia. Possuidores da bravura de leões e insuportáveis como os próprios Aswins, quando eles vierem para o campo de batalha com Bhima e Arjuna em frente, eu vejo, ó Sanjaya, que meus soldados serão todos mortos sem um restante. Aqueles guerreiros poderosos de origem celeste, aos quais ninguém se iguala em batalha, cheios de raiva pela lembrança daquele insulto à Draupadi, não mostrarão clemência. Os guerreiros poderosos dos Vrishnis também, e os Panchalas de grande energia, e os próprios filhos de Pritha, liderados por Vasudeva de coragem imbatível, destruirão minhas legiões. Ó cocheiro, todos os guerreiros do meu lado reunidos não são competentes para suportar o ímpeto dos Vrishnis sozinhos quando comandados por Rama e Krishna. E entre eles se moverá aquele grande guerreiro Bhima de bravura terrível, armado com sua maça de ferro segurada no alto e capaz de matar todo herói. E acima do barulho será ouvida a vibração do Gandiva alta como o trovão do céu. O ímpeto da maça de Bhima e a vibração alta do Gandiva não podem ser resistidos por algum dos reis do meu lado. Será então, ó Sanjaya, que obediente como eu tenho sido à voz de Duryodhana, eu terei que me lembrar dos conselhos rejeitados dos meus amigos, conselhos que eu deveria ter escutado a tempo.'" Sanjaya disse, "Este foi um grande erro, ó rei, que embora capaz, tu, por afeição, não tenhas impedido teu filho de fazer o que ele fez. O matador de Madhu, aquele herói de glória imperecível, sabendo que os Pandavas tinham sido derrotados nos dados, foi logo às florestas de Kamyaka e consolou-os lá. E os filhos de Draupadi também encabeçados por Dhrishtadyumna, e Virata, e Dhrishtaketu, e aqueles guerreiros poderosos, os Kekayas, todos foram lá. Tudo o que foi dito por estes guerreiros à visão do filho de Pandu derrotado nos dados foi descoberto por mim através dos nossos espiões. Eu também te disse tudo, ó rei. Quando o matador de Madhu encontrou os Pandavas eles lhe pediram para se tornar o quadrigário de Phalguna em batalha. O próprio Hari, assim pedido, respondeu a eles, dizendo, 'Assim seja.' E até o próprio Krishna vendo os filhos de Pritha vestidos em peles de veado ficou cheio de raiva, e dirigindo-se a Yudhishthira, disse, 'Aquela prosperidade que os filhos de Pritha obtiveram em Indraprastha, e que, inalcançável por outros reis, foi vista por mim no sacrifício Rajasuya, no qual, além disso, eu vi todos os reis, até aqueles dos Vangas e Angas e Paundras e Odras e Cholas e Dravidas e Andhakas, e os chefes de muitas ilhas e países no litoral como também de estados fronteiriços, inclusive os soberanos dos Sinhalas, os bárbaros Mlecchas, os nativos de Lanka, e todos os reis do Oeste às centenas, e todos os chefes da costa, e os reis dos Pahlavas e os Daradas e as várias tribos dos Kiratas e Yavanas e Sakras e os Harahunas e China e Tukharas e os Sindhavas e os Jagudas e os Ramathas e os Mundas e os habitantes do reino das mulheres e os Tanganas e os Kekayas e os Malavas e os habitantes de Kasmira, com medo da destreza das tuas armas, presentes em obediência ao teu convite, realizando vários serviços; aquela prosperidade, ó rei, tão instável e servindo ao inimigo no momento, eu devolverei para ti, privando teu inimigo de sua própria vida. Eu, ó chefe dos Kurus, ajudado por Rama e Bhima e Arjuna e os gêmeos e Akrura e Gada e Shamva e Pradyumna e Ahuka e o heróico Dhrishtadyumna e o filho de Sisupala, matarei em batalha no decurso de um dia Duryodhana e Karna e Dussasana e o filho de Suvala e todos os outros que possam lutar contra nós. E tu, ó Bharata, vivendo em Hastinapura junto com teus irmãos, e tirando do partido de Dhritarashtra a prosperidade que eles estão desfrutando, governarás esta terra.' Estas mesmas, ó rei, foram as palavras de Krishna para Yudhishthira, que, na conclusão do discurso de Krishna, dirigiu-se a ele naquela reunião de heróis e na audição de todos aqueles guerreiros valentes encabeçados por Dhrishtadyumna, dizendo, 'Ó Janardana, eu aceito estas tuas palavras como verdade. Ó tu de braços poderosos, no entanto, mate meus inimigos junto com todos os seus seguidores no término de treze anos. Ó Kesava, prometa isto realmente para mim. Eu prometi na presença do rei viver na floresta como eu estou vivendo agora.' Concordando com estas palavras do rei Yudhishthira o justo, seus conselheiros encabeçados por Dhrishtadyumna logo acalmaram o enfurecido Kesava com palavras gentis e expressões adequadas para a ocasião. E eles também disseram para Draupadi de atos puros na audição do próprio Vasudeva, estas palavras, 'Ó senhora, por causa da tua fúria, Duryodhana perderá sua vida. Nós prometemos isto, ó tu da aparência mais formosa. Portanto, não sofra mais. Ó Krishna, aqueles que escarneceram de ti, vendo-te ganha nos dados, colherão os frutos de sua ação. Animais e aves predadores comerão sua carne, e escarnecerão deles dessa maneira. Chacais e urubus beberão seu sangue. E, ó Krishna, tu verás os corpos daqueles canalhas que te arrastaram pelo cabelo prostrados no chão, arrastados e comidos por animais carnívoros. Aqueles também que te causaram dor e te desrespeitaram jazerão na terra privados de suas cabeças, e a própria terra beberá seu sangue.' Estes e outros discursos de vários tipos foram proferidos lá, ó rei, por aqueles touros da raça Bharata. Todos eles são dotados de energia e coragem, e marcados com as marcas da batalha. No término do décimo terceiro ano, aqueles guerreiros poderosos, escolhidos por Yudhishthira e encabeçados por Vasudeva, virão (para o campo de batalha). Rama e Krishna e Dhananjaya e Pradyumna e Shamva e Yuyudhana e Bhima e os filhos de Madri e o príncipe Kekaya e os príncipes Panchala, acompanhados pelo rei de Matsya, estes todos, heróis ilustres e célebres e invencíveis, com seus seguidores e tropas, virão. Quem, desejando viver, enfrentará a eles em batalha, parecendo leões furiosos de jubas eretas?' Dhritarashtra disse, ‘O que Vidura me disse no momento do jogo de dados, 'Se tu procurares, ó rei, derrotar os Pandavas (nos dados), então certamente um derramamento de sangue terrível terminando na destruição de todos os Kurus será o resultado,' eu penso que está prestes a ser realizado. Como Vidura me disse no passado, sem dúvida uma batalha terrível se realizará, logo que o período prometido dos Pandavas terminar.'" 52 (Nalopakhyana Parva) Janamejaya disse, "Quando Partha de grande alma foi para a região de Indra para obter armas, o que Yudhishthira e os outros filhos de Pandu fizeram?" Vaisampayana disse, "Quando Partha de grande alma foi para a região de Indra para obter armas, aqueles touros da raça Bharata continuaram a morar com Krishna nas (florestas de) Kamyaka. Um dia, aqueles principais dos Bharatas, afligidos pela angústia, estavam sentados com Krishna em um gramado limpo e solitário. Sofrendo por Dhananjaya, oprimidos pela tristeza, suas vozes estavam sufocadas pelo pranto. Torturados pela ausência de Dhananjaya, a dor os afligia igualmente. E cheio de tristeza por sua separação de Arjuna e pela perda de seu reino, Bhima de braços fortes entre eles se dirigiu a Yudhishthira, dizendo, ‘Aquele touro da raça Bharata, Arjuna, ó grande rei, de quem dependem as vidas dos filhos de Pandu, e por cuja morte os Panchalas como também nós com nossos filhos e Satyaki e Vasudeva sem dúvida morreremos, partiu por tua ordem. O que pode ser mais triste do que isso, que o virtuoso Vibhatsu tenha ido embora por tua ordem, pensando em suas muitas angústias? Dependendo do poder das armas daquele herói ilustre, considere nossos inimigos como já derrotados em batalha, e a própria terra inteira como já obtida por nós. Foi por causa daquele guerreiro poderoso que eu me abstive de mandar para o outro mundo todos os Dhritarashtras com os Suvalas, no meio da assembleia. Dotados de força de braços, e apoiados por Vasudeva, nós temos que suprimir a ira que foi despertada em nós, porque tu és a causa daquela ira. De fato, com a ajuda de Krishna, matando nossos inimigos encabeçados por Karna, nós podemos governar a terra inteira (assim) conquistada por nossos próprios braços. Dotados de virilidade, nós ainda assim somos oprimidos por calamidades, por causa do teu vício no jogo, enquanto os tolos inúteis de Dhritarashtra estão ficando mais fortes com os tributos (coletados de reis dependentes). Ó monarca poderoso, cabe a ti não perder de vista os deveres do Kshatriya. Ó grande rei, não é o dever de um Kshatriya viver nas florestas. Os sábios são de opinião que governar é o principal dever de um Kshatriya. Ó rei, tu estás familiarizado com a moralidade Kshatriya. Portanto, não te desvie do caminho do dever. Indo embora das florestas, convocando Partha e Janardana, vamos matar, ó rei, os filhos de Dhritarashtra, antes mesmo que os doze anos estejam completados. Ó monarca ilustre, ó rei de reis, mesmo que aqueles Dhritarashtras estejam cercados por soldados em formação de batalha, eu os mandarei para o outro mundo por meio da força somente. Eu matarei todos os filhos de Dhritarashtra junto com os Sauvalas, de fato, Duryodhana, Karna, e qualquer pessoa mais que lute comigo. E depois que eu tiver matado todos os nossos inimigos, tu poderás voltar para as florestas. Por agir assim, ó rei, nenhuma falha será tua. (Ou se algum pecado for teu), ó repressor de inimigos, ó monarca poderoso, purificando-o, ó majestade, por meio de vários sacrifícios, nós poderemos ascender para um céu superior. Tal consumação pode vir a ocorrer, se nosso rei não demonstrar ser insensato ou procrastinador. Tu és, de qualquer modo, virtuoso. Na verdade o fraudulento deve ser destruído através de fraude. Matar o fraudulento através de fraude não é considerado pecaminoso. Ó Bharata, é dito também por aqueles versados em moralidade que um dia e noite são, ó grande príncipe, iguais a um ano inteiro. O texto Veda também, ó exaltado, é muitas vezes ouvido, expressando que um ano é equivalente a um dia quando passado no cumprimento de certos votos difíceis. Ó tu de glória imperecível, se os Vedas são uma autoridade para ti, considere o período de um dia e alguma coisa mais como o equivalente de treze anos. Ó repressor de inimigos, este é o momento para matar Duryodhana com seus partidários. Além disso, ó rei, ele em primeiro lugar fará a terra inteira obediente à sua vontade. Ó principal dos monarcas, tudo isto é o resultado do teu vício no jogo. Nós já estamos à beira da destruição por causa da tua promessa de viver um ano sem ser descoberto. Eu não vejo o país onde, se nós vivermos, Suyodhana de mente pecaminosa não possa nos descobrir através de seus espiões. E nos descobrindo, aquele canalha novamente nos mandará fraudulentamente para tal exílio nas florestas. Ou se aquele pecaminoso nos vir aparecer, depois do término do período prometido de não descoberta, ele te convidará novamente, ó grande rei, para jogar dados, e o jogo começará mais uma vez. Convocado mais uma vez, tu novamente te retrairás nos dados. Tu não és habilidoso com dados, e quando convocado para jogar, tu ficarás privado da tua razão. Portanto, ó monarca poderoso, tu terás que levar uma vida nas florestas outra vez. Se, ó rei poderoso, não cabe a ti nos fazer infelizes pelo resto da vida, cumpra completamente a ordenança dos Vedas, (a qual inculca que) realmente o fraudulento deve ser morto através da fraude. Se eu somente tivesse tua ordem eu iria (para Hastinapura) e, assim como fogo caindo em uma pilha de grama a consome, mataria Duryodhana, aplicando meu poder máximo. Cabe a ti, portanto, me conceder a permissão.'" Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por Bhima, o rei Yudhishthira o justo cheirou o topo da cabeça daquele filho de Pandu, e acalmando-o disse, 'Ó de braços poderosos, sem dúvida, ajudado pelo manejador do Gandiva, tu matarás Suyodhana no término do décimo terceiro ano. Mas, ó filho de Pritha, quanto à tua afirmação, 'Ó Senhor, o tempo está completo', eu não posso ousar dizer uma mentira, pois a mentira não está em mim. Ó filho de Kunti, sem a ajuda de fraude, tu matarás o pecaminoso e irreprimível Duryodhana, com seus aliados.' Enquanto Yudhishthira o justo estava falando assim para Bhima, chegou lá o grande e ilustre Rishi Vrihadaswa diante deles. E vendo aquele asceta virtuoso à sua frente, o rei justo adorou-o de acordo com a ordenança, com a oferenda de Madhuparka. E quando o asceta estava sentado e revigorado, Yudhishthira de braços fortes sentou-se perto dele, e levantando os olhos para o primeiro, dirigiu- se a ele dessa maneira em tons lamentosos: 'Ó santo, convocado por jogadores astutos hábeis nos dados, eu fui privado de riqueza e reino através do jogo. Eu não sou um perito nos dados, e não estou familiarizado com truques. Homens pecaminosos, por meios injustos, venceram- me no jogo. Eles até levaram à assembleia pública minha esposa, mais querida para mim do que a própria vida. E derrotando-me uma segunda vez, eles me mandaram para o exílio miserável nesta grande floresta, vestido em peles de veado. No momento eu estou levando uma vida miserável nas florestas em aflição de coração. Aquelas palavras duras e cruéis que eles me endereçaram na ocasião daquele jogo, e as palavras dos meus amigos aflitos relativas à partida de dados e outros assuntos, estão todas guardadas na minha lembrança. Lembrando-me delas eu passo a noite inteira em ansiedade (sem dormir). Privado também (da companhia) do ilustre manejador do Gandiva, de quem dependem as vidas de nós todos, eu estou quase privado de vida. Oh, quando eu verei Vibhatsu de fala gentil e de grande coração tão cheio de bondade e energia voltar para nós, tendo obtido todas as armas? Há um rei sobre esta terra que seja mais infeliz do que eu? Tu alguma vez viste ou ouviste de algo semelhante antes? Na minha opinião, não há homem mais miserável do que eu.' Vrihadaswa disse, 'Ó grande rei, ó filho de Pandu, tu disseste, 'Não há pessoa mais miserável do que eu.' Ó monarca impecável, se tu escutares, eu narrarei para ti a história de um rei mais miserável do que tu.’” Vaisampayana continuou, "E imediatamente o rei disse para o asceta, 'Ó ilustre, fale-me, eu desejo ouvir a história do rei que caiu em tal condição.' Vrihadaswa disse, 'Ó rei, ó tu que nunca recuaste, ouça atentamente com teus irmãos. Eu narrarei a história de um príncipe mais miserável do que tu. Havia um rei célebre entre os Nishadhas, chamado Virasena. Ele teve um filho chamado Nala, versado (no conhecimento da) virtude e riqueza. Foi ouvido por nós que aquele rei foi fraudulentamente derrotado por Pushkara, e atormentado pela miséria ele morou nas florestas com sua cônjuge. E, ó rei, enquanto ele estava vivendo na floresta, ele não tinha nem escravos nem carros, nem irmãos nem amigos com ele. Mas tu estás cercado por teus irmãos heróicos como os celestiais, e também por principais dos regenerados como o próprio Brahma. Portanto, não cabe a ti te afligir.' Yudhishthira disse, 'Eu estou ansioso para ouvir em detalhes, ó tu principal dos homens eloquentes, a história do ilustre Nala. Cabe a ti portanto narrá-la para mim.' 53 Vrihadaswa disse, "Havia um rei chamado Nala, o filho de Virasena. E ele era forte, e bonito, e bem versado (no conhecimento de) cavalos, e possuidor de todas as habilidades desejáveis. E ele estava na chefia de todos os reis, assim como o senhor dos celestiais. E exaltado acima de todos, ele se parecia com o sol em glória. E ele era o rei dos Nishadhas, atento ao bem-estar dos Brahmanas, versado nos Vedas, e possuidor de heroísmo. E ele falava a verdade, gostava muito de jogar dados, e era o senhor de um exército poderoso. E ele era amado por homens e mulheres, e de grande alma e paixões subjugadas. E ele era o protetor (de todos), e o principal dos arqueiros, e semelhante ao próprio Manu. E como ele, havia entre os Vidarbhas (um rei chamado) Bhima, de bravura terrível, heróico e bem disposto em direção aos seus súditos e possuidor de todas as virtudes. (Mas contudo) ele não tinha filhos. E com a mente fixa ele tentou seu máximo para obter herdeiros. E, ó Bharata, foi até ele (uma vez) um Brahmarshi chamado Damana. E, ó rei de reis, desejoso de ter descendência, Bhima, versado em moralidade, com sua rainha gratificou aquele Rishi ilustre por uma recepção respeitosa. E Damana, bem satisfeito, concedeu para o rei e sua consorte uma bênção na forma de uma jóia de filha, e três filhos possuidores de almas elevadas e grande fama. (E eles eram chamados respectivamente) Damayanti, e Dama e Danta, e o ilustre Damana. E os três filhos eram possuidores de todas as habilidades e aparência terrível e bravura feroz. E Damayanti de cintura fina, em beleza e brilho, em bom nome e graça e sorte, se tornou célebre por todo o mundo. E ao ela alcançar a idade, centenas de criadas, e mulheres escravas, enfeitadas com ornamentos, serviam a ela como a própria Sachi. E a filha de Bhima de feições impecáveis, enfeitada com todos os ornamentos, brilhava no meio de suas criadas, como o relâmpago luminoso das nuvens. E a donzela de olhos grandes era possuidora de grande beleza como aquela da própria Sree. E nem entre celestiais, nem entre Yakshas, nem entre homens alguém possuidor de tal beleza tinha sido visto ou conhecido antes. E a moça bela enchia de alegria até os corações dos deuses. E aquele tigre entre homens, Nala, também não tinha seu igual nos (três) mundos: pois em beleza ele era como o próprio Kandarpa em sua forma incorporada. E movidos pela admiração, os arautos repetidas vezes celebraram os louvores de Nala perante Damayanti e aqueles de Damayanti perante o soberano dos Nishadhas. E ouvindo repetidamente das virtudes um do outro eles conceberam uma atração um pelo outro não gerada pela visão, e aquela atração, ó filho de Kunti, começou a crescer em força. E então Nala não pode controlar o amor que estava em seu peito. E ele começou a passar muito do seu tempo em solidão nos jardins adjacentes aos aposentos internos (de seu palácio). E lá ele viu vários cisnes dotados de asas douradas, vagando naqueles bosques. E dentre eles ele pegou um com suas mãos. E por isso aquele que percorria o céu disse para Nala, 'Eu não mereço ser morto por ti. Ó rei, eu farei algo que é agradável para ti. Ó rei dos Nishadhas, eu falarei de ti perante Damayanti de tal maneira que ela nunca desejará ter qualquer outra pessoa (como seu marido).' Assim endereçado, o rei libertou aquele cisne. E aqueles cisnes então ergueram-se em suas asas e foram para o país dos Vidarbhas. E ao chegar na cidade dos Vidarbhas as aves pousaram à frente de Damayanti, que viu eles todos. E Damayanti no meio de suas criadas, vendo aquelas aves de aparência extraordinária estava cheia de deleite, e empenhou-se sem perda de tempo em pegar aqueles viajantes dos céus. E os cisnes nisto, perante aquele grupo de belezas, fugiram em todas as direções. E aquelas moças lá perseguiram as aves, cada uma (correndo) atrás de um. E o cisne atrás do qual Damayanti correu, tendo levado-a para um local retirado, dirigiu-se a ela em fala humana, dizendo, ‘Ó Damayanti, há um rei entre os Nishadhas chamado Nala. Ele é igual aos Aswins em beleza, não tendo seu semelhante entre os homens. De fato, em graça, ele é como o próprio Kandarpa em sua forma incorporada. Ó de aparência formosa, ó tu de cintura fina, se tu te tornares esposa dele, tua existência e esta tua beleza poderão ter sentido. Nós temos, de fato, visto celestiais e Gandharvas, e Nagas, e Rakshasas, e homens, mas nunca antes nós vimos alguém como Nala. Tu também és uma jóia entre teu sexo, como Nala é o principal entre os homens. A união do melhor com o melhor é feliz.' Assim endereçada pelo cisne. Damayanti, ó monarca, respondeu para ele então, dizendo, 'Fale dessa maneira para Nala também.’ Dizendo ‘Assim seja’ para a filha de Vidarbha, o ovíparo, ó rei, voltou ao país dos Nishadhas, e relatou tudo para Nala." "Vrihadaswa disse, 'Ó Bharata, ouvindo aquelas palavras do cisne, Damayanti desde então perdeu toda a paz mental por causa de Nala. E dando suspiros frequentes ela estava cheia de ansiedade, e se tornou melancólica e de rosto pálido e magra. E com seu coração possuído pelo deus do amor ela logo perdeu cor, e com seu olhar virado para cima e modos de abstração, parecia com alguém demente. E ela perdeu todo o gosto por camas e assentos e objetos de prazer. E ela parou de se deitar de dia ou de noite, sempre chorando com exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ E vendo-a inquieta e caída naquela condição, suas criadas relataram, ó rei, a questão da sua doença para o soberano de Vidarbha por meio de dicas indiretas. E o rei Bhima, sabendo disto das criadas de Damayanti, considerou o caso de sua filha como sendo sério. E ele se perguntou, 'Por que é que minha filha parece estar tão mal agora?' E o rei, refletindo por si mesmo que sua filha tinha alcançado a puberdade, concluiu que o Swayamvara de Damayanti deveria se realizar. E o monarca, ó exaltado, (convidou) todos os soberanos da terra, dizendo, ‘Ó heróis, saibam que o Swayamvara de Damayanti está próximo.’ E todos os reis, sabendo do Swayamvara de Damayanti, foram até Bhima, em conformidade com sua mensagem, enchendo a terra com o ruído de seus carros, o rugido de seus elefantes, e o relincho de seus cavalos, e acompanhados por seus batalhões de aparência excelente enfeitados com ornamentos e guirlandas graciosas. E Bhima de braços fortes prestou reverência devida àqueles monarcas ilustres. E devidamente honrados por ele eles montaram seus alojamentos lá.' E na conjuntura, aqueles principais dos Rishis celestes possuidores de grande esplendor, de sabedoria sublime e votos elevados, Narada e Parvata, tendo chegado no decurso de suas viagens nas regiões de Indra, entraram na mansão do senhor dos imortais recebendo culto apropriado. E Maghavat, tendo os adorado com reverência, perguntou por sua paz serena e bem-estar com relação a todos os aspectos. E Narada disse, ‘Ó senhor, ó divino, a paz está conosco em todos os aspectos. E, ó Maghavat, a paz está também, ó sublime, com os reis do mundo inteiro.’” "Vrihadaswa continuou, ‘Ouvindo as palavras de Narada o matador de Vala e Vritra disse, 'Aqueles soberanos virtuosos da terra que lutam renunciando a todo desejo de vida, e que encontram a morte quando chega sua hora por meio de armas, sem fugir do campo, deles é esta região, eterna para eles e que concede todos os desejos, assim como ela é para mim. Onde estão aqueles heróis Kshatriya? Eu não vejo aqueles reis se aproximarem (agora). Onde estão meus convidados prediletos?' Assim endereçado por Sakra, Narada respondeu, 'Escute, ó Mahavat, por que tu não vês os reis (agora). O soberano dos Vidarbhas tem uma filha, a célebre Damayanti. Em beleza ela transcende todas as mulheres da terra. Seu Swayamvara, ó Sakra, se realizará em breve. Para lá estão indo todos os reis e príncipes de todas as direções. E todos os senhores da terra desejam ter aquela pérola da terra; desejam tê-la avidamente, ó matador de Vala e Vritra.' E enquanto eles estavam falando dessa maneira, aqueles principais dos imortais, os Lokapalas com Agni entre eles, apareceram perante o senhor dos celestiais. E todos ouviram as palavras de Narada repletas de grande importância. E logo que eles ouviram-nas eles exclamaram em êxtase, ‘Nós também iremos lá!’ E, ó monarca poderoso, acompanhados por seus servidores e subindo em seus (respectivos) veículos, eles partiram para o país de Vidarbhas, para onde (tinham ido) todos os reis. E, ó filho de Kunti, o rei Nala de grande alma também sabendo daquela afluência de reis, partiu com o coração alegre, cheio do amor de Damayanti. E (aconteceu) que os deuses viram Nala a caminho marchando sobre a terra. E sua forma devido à sua beleza era como a do próprio deus do amor. E vendo-o resplandecente como o sol, os Lokapalas ficaram cheios de perplexidade por sua fartura de beleza, e abandonaram sua intenção. E, ó rei, deixando seus carros no céu os habitantes do céu desceram do firmamento e falaram para o soberano dos Nishadhas, dizendo, 'Ó principal dos monarcas governando os Nishadhas, ó Nala, tu és dedicado à verdade. Ajude-nos. Ó melhor dos homens, seja nosso mensageiro.'" 55 "Vrihadaswa continuou, 'Ó Bharata, Nala deu sua palavra para os celestiais dizendo, 'Eu farei isto.' E então aproximando-se deles, ele perguntou com mãos entrelaçadas, 'Quem são vocês? E quem também é aquele que me deseja como seu mensageiro? E o que, além disso, eu terei que fazer para vocês? Ó, digam- me realmente!' Quando o rei dos Nishadhas falou dessa maneira, Maghavat respondeu, dizendo, 'Saiba que nós somos os imortais que viemos para cá por causa de Damayanti. Eu sou Indra, este é Agni, este é o senhor das águas, e este, ó rei, é Yama, o destruidor dos corpos dos homens. Informe Damayanti da nossa chegada, dizendo, 'Os guardiões do mundo, (consistindo do) grande Indra e dos outros, estão vindo à assembleia, desejosos de ver (o Swayamvara). Os deuses Sakra e Agni e Varuna e Yama desejam obter-te. Portanto, escolha um deles como teu marido.' Assim endereçado por Sakra, Nala disse com as mãos unidas, 'Eu vim aqui com o mesmo objetivo. Não cabe a ti me enviar (nesta missão). Como pode um homem que está ele mesmo sob a influência do amor vir a falar dessa maneira para uma dama em nome de outros? Portanto, desobriguem-me, ó deuses.’ Os deuses, no entanto, disseram, 'Ó soberano dos Nishadhas, tendo primeiro prometido, dizendo, ‘Eu irei!’ por que tu não agirás em conformidade agora? Ó soberano dos Nishadhas, diga-nos isto sem demora.'” "Vrihadaswa continuou, 'Assim endereçado por aqueles celestiais, o soberano dos Nishadhas falou novamente, dizendo, 'Aquelas mansões são bem protegidas. Como eu posso esperar entrar nelas?' Indra respondeu, 'Tu serás capaz de entrar.' E dizendo, ‘Assim seja' Nala foi imediatamente ao palácio de Damayanti. E tendo chegado lá ele viu a filha do rei de Vidarbha cercada por suas criadas, brilhando em beleza e primando em simetria de forma, de membros extremamente delicados, de cintura fina e olhos formosos. E ela parecia repreender a luz da lua por seu próprio esplendor. E enquanto ele fitava aquela dama de sorrisos doces o amor de Nala aumentou, mas desejoso de manter sua veracidade ele suprimiu sua paixão. E à visão de Naishadha, dominadas pelo esplendor dele, aquelas principais das mulheres se levantaram de seus assentos em perplexidade. E cheias de admiração (à visão dele), elas elogiaram Nala em alegria de coração. E sem dizerem nada, elas mentalmente lhe prestaram homenagem, 'Oh, que graça! Oh, que suavidade pertence a este de grande alma! Quem é ele? Ele é algum deus ou Yaksha ou Gandharva?' E aquelas principais das mulheres, confundidas pelo esplendor de Nala e acanhamento não abordaram-no em absoluto em palavras. E Damayanti, embora ela mesma tomada pela perplexidade, dirigiu-se sorridente ao guerreiro Nala que também sorria suavemente para ela, dizendo, 'Que és tu, ó tu de feições impecáveis, que vieste aqui despertando meu amor? Ó impecável, ó herói de forma celeste, eu estou ansiosa para saber quem és tu que vieste aqui. E por que tu vieste aqui? E como é que tu não foste descoberto por alguém, considerando que meus aposentos são bem guardados e os mandatos do rei são rigorosos?' Assim endereçado pela filha do rei dos Vidarbhas, Nala respondeu, 'Ó bela dama, saiba que meu nome é Nala. Eu vim aqui como o mensageiro dos deuses. Os celestiais Sakra, Agni, Varuna e Yama, desejam tê-la. Ó bela dama, escolha um deles como teu marido. Foi através do poder deles que eu entrei aqui despercebido, e é por esta razão que ninguém me viu em meu caminho ou impediu minha entrada. Ó amável, eu fui enviado pelos principais dos celestiais exatamente com este objetivo. Ouvindo isto, ó afortunada, faça o que te agradar.'" 56 "Vrihadaswa disse, 'Damayanti, tendo reverenciado os deuses, dirigiu-se a Nala dessa maneira com um sorriso, 'Ó rei, me ame com respeito apropriado, e me ordene o que eu farei por ti. Eu mesma e o que mais de riqueza que seja minha somos tuas. Conceda-me, ó exaltado, teu amor em total confiança. Ó rei, a linguagem dos cisnes está me queimando. É por tua causa, ó herói, que eu fiz os reis se encontrarem. Ó concessor de honra apropriada, se tu abandonares a mim que te adoro, por tua causa eu recorrerei ao veneno, ou fogo, ou água ou à corda.' Assim endereçado pela filha do rei dos Vidarbhas, Nala respondeu para ela dizendo, 'Com os Lokapalas presentes, tu escolhes um homem? Direcione teu coração para aqueles senhores de grande alma, os criadores dos mundos, ao pó de cujos pés eu não sou igual. Desagradando os deuses um mortal obtém a morte. Salve-me, ó tu de membros impecáveis! Escolha os celestiais que se distinguem de todos. Por aceitar os deuses, desfrute de mantos imaculados, e guirlandas celestes de cores variadas, e ornamentos excelentes. Que mulher não escolheria como seu marido Hutasana, o chefe dos celestiais, que circundando a terra a engolfa? Que mulher não escolheria como seu marido o terrível cuja maça induz todas as criaturas a trilharem o caminho da virtude? E que mulher não escolheria como seu marido o virtuoso Mahendra de grande alma, o senhor dos celestiais, o castigador de Daityas e Danavas? Ou, se tu puderes escolher no teu coração Varuna entre os Lokapalas, faça isto sem hesitação. Ó, aceite este conselho amigável.' Assim endereçada por Naishadha, Damayanti, com olhos banhados em lágrimas de angústia falou assim para Nala, 'Ó senhor da terra, reverenciando todos os deuses, eu te escolho como meu marido. Realmente eu te digo isto.' O rei, que tinha chegado como mensageiro dos deuses, respondeu para a trêmula Damayanti permanecendo com mãos entrelaçadas, 'Ó amável, faça como quiseres. Tendo dado minha palavra, ó abençoada, para os deuses em especial, como eu posso, tendo vindo em missão de outro, ousar procurar meu próprio benefício? Se procurar meu próprio benefício estiver em harmonia com a virtude, eu procurarei isto, e tu também, ó bela, aja adequadamente.' Então Damayanti de sorrisos luminosos lentamente falou para o rei Nala, em palavras sufocadas com lágrimas, 'Ó senhor de homens, eu vejo uma maneira irrepreensível, pela qual nenhum pecado de qualquer tipo se vinculará a ti. Ó rei, ó principal dos homens, venha ao Swayamvara na companhia de todos os deuses encabeçados por Indra. Lá, ó monarca, na presença dos Lokapalas, ó tigre entre homens, eu escolherei a ti, pelo que nenhuma culpa será tua.' Assim endereçado, ó monarca, pela filha de Vidarbha, o rei Nala voltou para onde os deuses estavam permanecendo juntos. E vendo-o se aproximar aqueles grandes deuses, os Lokapalas, avidamente lhe perguntaram acerca de tudo o que tinha acontecido dizendo, 'Tu, ó rei, viste Damayanti de doces sorrisos? O que ela disse para nós todos? Ó monarca impecável, conte-nos tudo.' Nala respondeu, 'Mandado por vocês eu entrei no palácio de Damayanti equipado com portais imponentes guardados por sentinelas veteranos portando bastões. E quanto eu entrei ninguém me percebeu, em virtude do seu poder, exceto a princesa. E eu vi suas criadas, e elas também me viram. E, ó celestiais exaltados, me vendo, elas ficaram muito surpresas. E quando eu falei de vocês para ela, a moça de rosto formoso, com seu desejo fixado em mim, ó melhores dos deuses, me escolheu (para seu cônjuge). E a moça disse, 'Que os deuses, ó tigre entre homens, venham contigo ao Swayamvara, eu na presença deles te escolherei. Nisto, ó tu de braços poderosos, nenhuma culpa se vinculará a ti.' Isto é tudo, ó deuses, o que aconteceu, como eu disse. Finalmente, tudo depende de vocês, ó principais dos celestiais.'" 57 "Vrihadaswa continuou, 'Então na hora sagrada do dia lunar santo da estação auspiciosa, o rei Bhima convocou os reis para o Swayamvara. E sabendo disto, todos os senhores da terra afetados pelo amor rapidamente foram para lá, desejosos de (possuir) Damayanti. E os monarcas entraram no anfiteatro decorado com pilares dourados e um arco portal imponente, como leões poderosos entrando nas selvas montanhosas. E aqueles senhores da terra enfeitados com guirlandas fragrantes e brincos elegantes pendendo com jóias sentaram-se em seus vários assentos. E aquela assembleia sagrada de reis, agraciada por aqueles tigres entre homens, parecia o Bhogavati enxameando com os Nagas, ou uma caverna da montanha com tigres. E seus braços eram robustos, e parecidos com maças de ferro, e bem proporcionados, e graciosos, e parecidos com cobras de cinco cabeças. E ornado com madeixas belas e narizes e olhos e frontes belos, o semblante dos reis brilhava como estrelas no firmamento. E (quando chegou a hora), Damayanti de rosto belo, roubando os olhos e corações dos príncipes por sua luz deslumbrante, entrou no salão. E os olhares daqueles reis ilustres foram fixados naquelas partes de seu corpo onde eles tinham ocorrido de cair primeiro, sem se moverem em absoluto. E quando, ó Bharata, os nomes dos monarcas foram proclamados, a filha de Bhima viu cinco pessoas todas iguais em aparência. E vendo eles sentados lá, sem diferença de qualquer tipo em forma, a dúvida encheu sua mente, e ela não pode determinar qual deles era o rei Nala. E para quem quer que ela olhasse (entre eles), ela o considerava como sendo o rei dos Nishadhas. E cheia de ansiedade, a bela pensou consigo mesma, 'Oh, como eu distinguirei os celestiais, e como perceberei o verdadeiro Nala?' E pensando assim, a filha de Vidarbha ficou cheia de angústia. E, ó Bharata, lembrando-se dos sinais pertencentes aos celestiais, dos quais ela tinha ouvido, ela pensou, 'Aqueles atributos dos celestiais, dos quais eu tenho ouvido dos idosos, não pertencem a nenhuma destas divindades aqui presentes sobre a terra.' E ponderando bastante tempo sobre o assunto, e refletindo sobre isto repetidamente, ela decidiu procurar a proteção dos próprios deuses. E curvando- se a eles com mente e palavras, com mãos entrelaçadas, ela dirigiu-se a eles tremendo, 'Desde que eu ouvi as palavras dos cisnes eu escolhi o rei dos Nishadhas como meu marido. Pela verdade, ó, que os deuses o revelem para mim. E como em pensamento ou palavra eu nunca me desviei dele, ó, que os deuses, por causa desta verdade, o revelem para mim. E como os próprios deuses destinaram o soberano dos Nishadhas para ser meu marido, ó, que eles, por causa desta verdade, o revelem a mim. E como foi para prestar homenagem a Nala que eu adotei este voto, por esta verdade, ó, que os deuses o revelem a mim, ó, que os exaltados protetores dos mundos assumam suas próprias formas, para que eu possa identificar o rei correto.' Ouvindo estas palavras comoventes de Damayanti, e averiguando sua resolução fixa e amor ardente pelo rei dos Nishadhas, a pureza de seu coração e sua inclinação e respeito e afeição por Nala, os deuses fizeram como eles tinham sido adjurados, e assumiram seus respectivos atributos o melhor eles podiam. E então ela viu os celestiais não umedecidos pela transpiração, com olhos sem piscar, e guirlandas que não murchavam, não manchados com poeira, e permanecendo sem tocar o solo. E Naishadha permaneceu revelado por sua sombra, suas guirlandas desbotadas, ele mesmo manchado com pó e suor, se apoiando sobre o solo com olhos piscando. E, ó Bharata, distinguindo os deuses e o virtuoso Nala a filha de Bhima escolheu Naishadha de acordo com sua verdade. E a donzela de olhos grandes então pegou timidamente a bainha da peça de roupa dele e colocou ao redor do seu pescoço uma guirlanda floral de muita beleza. E quando aquela moça de tez clara tinha assim escolhido Nala como seu marido, os reis subitamente romperam em exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ E, ó Bharata, os deuses e os grandes Rishis em admiração gritaram ‘Excelente! Excelente!’, enquanto aplaudiam o rei. E, ó Kauravya, o filho nobre de Virasena, com coração cheio de alegria, confortou a bela Damayanti, dizendo, 'Já que tu, ó abençoada, escolheste um mortal na presença dos celestiais, conheça-me como um marido obediente à tua ordem. E, ó tu de sorrisos doces, realmente eu te digo que enquanto a vida permanecer neste meu corpo eu permanecerei teu e só teu.’ Damayanti também, com as mãos entrelaçadas prestou homenagem a Nala em palavras de significado similar. E o casal feliz vendo Agni e os outros deuses mentalmente procuraram sua proteção. E depois que a filha de Bhima tinha escolhido Naishadha como seu marido, os Lokapalas de resplendor excelente, com corações satisfeitos, concederam a Nala oito bênçãos. E Sakra, o marido de Sachi, concedeu para Nala o benefício que ele seria capaz de ver sua divindade em sacrifícios e que ele alcançaria regiões abençoadas após a morte, e Hutasana concedeu a ele o benefício de sua própria presença quando Naishadha desejasse, e também regiões brilhantes como ele mesmo. E Yama lhe concedeu paladar sutil em comida assim como preeminência em virtude. E o senhor das águas concedeu a Nala sua própria presença quando ele desejasse, e também guirlandas de fragrância celeste. E assim cada um deles deu a ele um par de benefícios. E tendo concedido estes os deuses foram para o céu. E os reis também, tendo testemunhado com admiração Damayanti escolher Nala, voltaram encantados para os lugares de onde eles tinham vindo. E após a partida daqueles monarcas poderosos, Bhima de grande alma, bem satisfeito, celebrou o casamento de Nala e Damayanti. E tendo ficado lá por algum tempo segundo seu desejo, Naishadha, o melhor dos homens, voltou para sua própria cidade com a permissão de Bhima. E tendo obtido aquela pérola de mulher, o rei virtuoso, ó monarca, começou a passar seus dias em alegria, como o matador de Vala e Vritra na companhia de Sachi. E parecendo o sol em glória, o rei, cheio de felicidade, começou a governar seus súditos justamente, e a lhes dar grande satisfação. E como Yayati, o filho de Nahusha, aquele monarca inteligente celebrou o Sacrifício de Cavalo e muitos outros sacrifícios com presentes abundantes para os Brahmanas. E como um deus, Nala se divertiu com Damayanti em bosques e arvoredos românticos. E o rei de grande mente gerou em Damayanti um filho chamado Indrasena, e uma filha chamada Indrasena. E celebrando sacrifícios, e se divertindo (com Damayanti) dessa maneira, o rei governou a terra cheia de riqueza.'” 58 "Vrihadaswa disse, 'Quando os brilhantes protetores dos mundos estavam voltando depois que a filha de Bhima tinha escolhido Naishadha, em seu caminho eles encontraram Dwapara com Kali se aproximando em direção a eles. E vendo Kali, Sakra, o matador de Vala e Vritra, disse, 'Ó Kali, diga para onde tu estás indo com Dwapara.' E então Kali respondeu para Sakra, 'Indo para o Swayamvara de Damayanti, eu a obterei (como minha esposa), porque meu coração está fixado naquela donzela.' Ouvindo isto, Indra disse com um sorriso, 'Aquele Swayamvara já terminou. Na nossa vista ela escolheu Nala como seu marido.' Assim respondido por Sakra, Kali, aquele mais vil dos celestiais, cheio de cólera, dirigindo-se a todos aqueles deuses falou, 'Já que na presença dos celestiais ela escolheu um mortal como seu marido, é apropriado que ela sofra uma condenação pesada.' Ao ouvirem estas palavras de Kali, os celestiais responderam, 'Foi com nossa aprovação que Damayanti escolheu Nala. Que donzela não escolheria o rei Nala dotado de todas as virtudes? Bem versado em todos os deveres, sempre se comportando com retidão, ele estudou os quatro Vedas junto com os Puranas que são considerados como o quinto. Levando uma vida de inofensividade para todas as criaturas, ele fala a verdade e é firme em seus votos, e em sua casa os deuses são sempre gratificados por sacrifícios mantidos segundo a ordenança. Naquele tigre entre homens, aquele rei parecido com um Lokapala, existe verdade, paciência, conhecimento, ascetismo, pureza e autocontrole, e perfeita tranquilidade de alma. Ó Kali, o tolo que deseja amaldiçoar Nala possuindo tal caráter, amaldiçoa a si mesmo, e destrói a si mesmo por sua própria ação. E, ó Kali, aquele que procura amaldiçoar Nala, coroado com tais virtudes, afunda na ampla cova sem fundo do inferno cheio de tormentos.' Tendo dito isto para Kali e Dwapara, os deuses foram para o céu. E quando os deuses tinham ido embora Kali disse para Dwapara, 'Eu mal sou capaz, ó Dwapara, de suprimir minha raiva. Eu possuirei Nala, o privarei de seu reino, e ele não mais se divertirá com a filha de Bhima. Entrando nos dados, cabe a ti me ajudar.'” 59 "Vrihadaswa disse, 'Tendo feito este pacto com Dwapara, Kali foi ao local onde o rei dos Nishadhas estava. E sempre esperando por uma falha ele continuou a morar no país dos Nishadhas por um longo tempo. E foi no décimo segundo ano que Kali viu uma falha. Pois um dia depois de responder ao chamado da natureza, Naishadha tocando a água disse suas orações do crepúsculo sem ter anteriormente lavado seus pés. E foi por causa desta (omissão) que Kali entrou em seu corpo. E tendo possuído Nala, ele apareceu perante Pushkara e se dirigiu a ele, dizendo, 'Venha e jogue dados com Nala. Através da minha ajuda tu sem dúvida ganharás no jogo. E derrotando o rei Nala e obtendo seu reino, governe os Nishadhas.' Assim exortado por Kali, Pushkara foi até Nala. E Dwapara também aproximou-se de Pushkara, tornando-se o dado principal chamado Vrisha. E aparecendo perante o guerreiro Nala, aquele matador de heróis hostis, Pushkara, repetidamente disse, 'Vamos jogar dados.' Assim desafiado na presença de Damayanti o rei de mente elevada não pode mais recusar. E ele consequentemente fixou a hora para o jogo. E possuído por Kali, Nala começou a perder, no jogo, suas apostas em ouro, e prata, e carros com suas parelhas, e mantos. E enlouquecido no jogo de dados, nenhum entre seus amigos conseguia dissuadir aquele repressor de inimigos do jogo que continuava. E então, ó Bharata, os cidadãos em conjunto, com os conselheiros principais, foram lá para ver o monarca em apuro e fazê-lo desistir. E o cocheiro indo até Damayanti falou a ela sobre isto, dizendo, 'Ó senhora, os cidadãos e oficiais de estado esperam no portão. Informe o rei dos Nishadhas de que os cidadãos vieram aqui, incapazes de suportar a desgraça que tem acontecido ao seu rei familiarizado com virtude e riqueza.' Imediatamente a filha de Bhima, dominada pela aflição e quase desprovida de razão por isto, falou para Nala em tons sufocados, 'Ó rei, os cidadãos com os conselheiros de estado, estimulados pela lealdade, permanecem no portão desejosos de ver-te. Cabe a ti lhes conceder uma entrevista.' Mas o rei, possuído por Kali, não proferiu uma palavra em resposta para sua rainha de olhares graciosos, proferindo assim seus lamentos. E nisto, aqueles conselheiros de estado como também os cidadãos, afligidos pela angústia e vergonha, voltaram para suas as casas, dizendo, 'Ele não vive.' E, ó Yudhishthira, foi assim que Nala e Pushkara jogaram por muitos meses, o virtuoso Nala sendo sempre derrotado.'” 60 Vrihadaswa disse, "A filha de Bhima, a serena Damayanti, vendo o rei virtuoso enlouquecido e privado de sua razão no jogo de dados, ó rei, ficou cheia de medo e aflição. E ela achou que era sério o caso com o rei. E receosa da miséria que ameaçava Nala, ainda assim procurando seu bem-estar e finalmente compreendendo que seu marido tinha perdido tudo, ela disse para sua enfermeira e criada Vrihatsena de grande fama, atenta ao seu bem, destra em todos os deveres, fiel e de fala gentil, estas palavras, 'Ó Vrihatsena, vá e convoque os conselheiros em nome de Nala, e diga a eles também o que de riqueza e outras coisas foi perdido e o que resta.' Os conselheiros então, sabendo da convocação de Nala, disseram, 'Isto é venturoso para nós' e se aproximaram do rei. E quando os súditos em conjunto tinham (assim) vindo uma segunda vez, a filha de Bhima informou Nala disto. Mas o rei não a considerou. Percebendo seu marido desconsiderando suas palavras, Damayanti, cheia de vergonha, voltou para seus aposentos. E sabendo que os dados eram uniformemente desfavoráveis para o virtuoso Nala, e que ele tinha perdido tudo, ela falou novamente para sua criada, dizendo, 'Ó Vrihatsena, vá outra vez em nome de Nala para trazer para cá, ó abençoada, o cocheiro Varshneya. A questão à mão é muito séria.' E Vrihatsena, ouvindo estas palavras de Damayanti fez Varshneya ser convocado por empregados de confiança. E a filha inocente de Bhima, conhecedora da conduta apropriada para hora e lugar, dirigiu a ele palavras gentis ditas de acordo com a ocasião, 'Tu sabes como o rei sempre se comportou em direção a ti. Ele está agora em dificuldades, e cabe a ti ajudá-lo. Quanto mais o rei perde para Pushkara maior se torna seu ardor para o jogo. E como os dados caem obedientes a Pushkara, é visto que eles são contrários a Nala na questão do jogo. E absorto no jogo, ele não presta atenção às palavras de seus amigos e parentes, nem mesmo às minhas. Eu não penso, no entanto, que nisto Naishadha de grande alma é culpado, visto que o rei não considerou minhas palavras estando absorto no jogo. Ó cocheiro, eu procuro tua proteção. Cumpra minha ordem. Minha mente me faz ter apreensões. O rei pode ser prejudicado. Unindo os cavalos favoritos de Nala dotados da velocidade da mente, coloque estes gêmeos (meu filho e filha) no carro e corra para Kundina. Deixando as crianças lá com meus parentes como também o carro e os cavalos, permaneça lá, ou vá para algum outro lugar se isto te agradar.' Varshneya, o cocheiro de Nala, então relatou em detalhes estas palavras de Damayanti para os principais oficiais do rei. E tendo decidido (a questão) em consulta com eles, e obtendo seu consentimento, ó monarca poderoso, o cocheiro partiu para Vidarbha, levando as crianças naquele carro. E deixando lá o menino Indrasena e a menina Indrasena, como também aquele melhor dos carros e aqueles corcéis, o cocheiro, com o coração triste sofrendo por Nala, despediu-se de Bhima. E vagando por algum tempo, ele chegou à cidade de Ayodhya. E lá ele apareceu com o coração triste perante o rei Rituparna, e entrou no serviço daquele monarca como cocheiro.” 61 "Vrihadaswa disse, 'Depois que Varshneya tinha partido, Pushkara ganhou do justo Nala aquele reino do último e o que mais de riqueza que ele tinha. E para Nala, ó rei, que tinha perdido seu reino, Pushkara disse rindo, 'Que o jogo continue. Mas que aposta tu tens agora? Somente resta Damayanti; tudo mais teu foi ganho por mim. Bem, se tu quiseres, Damayanti é nossa aposta agora.' Ouvindo estas palavras de Pushkara o rei virtuoso sentiu como se seu coração fosse estourar de raiva, mas ele não falou uma palavra. E fitando Pushkara em aflição, o rei Nala de grande fama tirou todos os ornamentos de todas as partes de seu corpo. E vestido em uma única pela de roupa, seu corpo descoberto, renunciando à toda sua riqueza, e aumentando a aflição dos amigos, o rei partiu. E Damayanti, vestida com uma única peça de roupa seguiu atrás dele quando ele estava deixando a cidade. E chegando aos arredores da cidade, Nala ficou lá por três noites com sua esposa. Mas Pushkara, ó rei, proclamou pela cidade que aquele que mostrasse alguma consideração por Nala seria condenado à morte. Por causa daquelas palavras de Pushkara e conhecendo sua malícia em direção a Nala, os cidadãos, ó Yudhishthira, não lhe mostraram mais respeitos hospitaleiros. E desprezado embora digno de consideração hospitaleira, Nala passou três noites nos arredores da cidade, vivendo só de água. E atormentado pela fome, o rei foi embora à procura de frutas e raízes, Damayanti seguindo atrás dele. E angustiado pela fome, depois de muitos dias, Nala viu algumas aves com plumagem de cor dourada. E imediatamente aquele senhor poderoso dos Nishadhas pensou consigo mesmo, 'Estas serão meu banquete hoje e também minha fartura.' E então ele cobriu-as com o tecido que ele tinha vestido, quando carregando aquela peça de roupa dele as aves se ergueram até o céu. E vendo Nala despido e triste, e permanecendo com o rosto virado em direção ao chão, aqueles viajantes do céu dirigiram-se a ele, dizendo, 'Ó tu de pouca inteligência, nós somos aqueles dados. Nós viemos para cá desejando tirar teu tecido, pois não nos agradou tu partires vestido com ele.' E descobrindo-se privado de seu traje, e sabendo também que os dados estavam partindo (com ele), o virtuoso Nala, ó rei, falou assim para Damayanti, 'Ó impecável, aqueles por cuja raiva eu foi despojado do meu reino, eles por cuja influência angustiado e afligido pela fome eu sou incapaz de obter sustento, eles por quem os Nishadhas não me ofereceram qualquer hospitalidade, eles, ó tímida, estão levando embora meu traje, assumindo a forma de aves. Caído neste infortúnio terrível, eu estou sofrendo de aflição e privado da minha razão. Eu sou teu marido, portanto, escute às palavras que eu falo pelo teu bem. Estas muitas estradas levam ao país do sul, passando (pela cidade de) Avanti e pelas montanhas Rikshavat. Esta é aquela montanha imensa chamada Vindhya; além, o rio Payasvini correndo em direção ao mar, e além estão os retiros dos ascetas, providos de várias frutas e raízes. Esta estrada leva para o país dos Vidarbhas, e aquela ao país dos Kosalas. Além destas estradas para o sul está o país do sul.' Dirigindo-se à filha de Bhima, ó Bharata, o rei Nala aflito falou essas palavras para Damayanti repetidamente. Então afligida pela dor, em uma voz sufocada com lágrimas, Damayanti falou para Naishadha essas palavras comoventes, 'Ó rei, pensando no teu propósito meu coração treme, e todos os meus membros ficam fracos. Como eu posso ir, deixando-te nas florestas solitárias despojado do teu reino e desprovido da tua riqueza, tu mesmo sem uma peça de roupa, e emaciado com fome e cansaço? Quando nas florestas profundas, fatigado e atormentado pela tu pensares na tua antiga felicidade, ó grande monarca, eu aliviarei o teu cansaço. Em toda tristeza não há remédio igual à esposa, dizem os médicos. É a verdade, ó Nala, isso que eu falo para ti.' Ouvindo aquelas palavras de sua rainha, Nala respondeu, 'Ó Damayanti de cintura fina, é mesmo como tu disseste. Para um homem em infortúnio não há amigo ou remédio que seja igual a uma esposa. Mas eu não procuro renunciar a ti, por que, ó tímida, tu temes isto? Ó impecável, eu posso abandonar a mim mesmo mas a ti eu não posso abandonar.' Damayanti então disse, 'Se tu, ó rei poderoso, não pretendes me abandonar, por que então tu indicas para mim o caminho para o país dos Vidarbhas? Eu sei, ó rei, que tu não me abandonarias. Mas, ó senhor da terra, considerando que a tua mente está distraída, tu podes me abandonar. Ó melhor dos homens, tu me indicaste o caminho repetidamente e é por isso, ó divino, que tu aumentaste minha angústia. Se é tua intenção que eu vá para meus parentes, então se isto te agradar nós dois nos dirigiremos ao país dos Vidarbhas. Ó concessor de honras, lá o rei dos Vidarbhas te receberá com respeito. E honrado por ele, ó rei, tu viverás felizmente em nossa casa.'" 62 “Nala disse, ‘Certamente, o reino do teu pai é como o meu próprio. Mas para lá eu não me dirigirei de qualquer maneira nesta miséria extrema. Uma vez eu apareci lá em glória, aumentando tua alegria. Como eu posso ir lá agora em miséria, aumentando a tua dor?’” "Vrihadaswa continuou, 'Dizendo isso repetidas vezes para Damayanti, o rei Nala, envolvido em metade de uma peça de roupa, consolou sua mulher abençoada. E ambos vestidos em um tecido e exaustos com fome e sede, no decurso de sua viagem, finalmente chegaram a um abrigo protegido para viajantes. E chegando naquele local o rei dos Nishadhas sentou-se na terra nua com a princesa de Vidarbha. E vestindo o mesmo pedaço de tecido (com Damayanti), e sujo, e emaciado, e manchado com poeira, ele adormeceu com Damayanti no chão em cansaço. E mergulhada de repente em infortúnio, a inocente e delicada Damayanti com todos os sinais de prosperidade, caiu em um sono profundo. E, ó monarca, enquanto ela dormia, Nala, com coração e mente perturbados, não pode dormir calmamente como antes. E refletindo sobre a perda de seu reino, a deserção de seus amigos, e seu infortúnio nas florestas, ele pensou consigo mesmo, 'De que vale eu agir dessa maneira? E se eu não agir assim? A morte é o melhor para mim agora? Ou eu devo abandonar minha esposa? Ela é realmente devotada a mim e sofre este infortúnio por mim. Separada de mim, ela pode talvez viajar até seus parentes. Devotada como ela é a mim, se ela ficar comigo, a miséria será dela sem dúvida; enquanto isto é duvidoso se eu abandoná-la. Por outro lado, não é improvável que ela possa até ter felicidade algum dia.' Refletindo sobre isto constantemente, e pensando nisto repetidas vezes, ele concluiu, ó monarca, que abandonar Damayanti era o melhor procedimento para ele. E ele também pensou, 'De grande fama e sorte auspiciosa, e devotada a mim, seu marido, ela é incapaz de ser ferida por alguém no caminho por conta de sua energia.' Dessa maneira sua mente que estava influenciada pelo perverso Kali, demorando-se sobre Damayanti, foi ajustada para abandoná-la. E então pensando na sua própria falta de vestuário, e nela estar vestida em uma única peça de roupa, ele pretendeu cortar para si mesmo metade do traje de Damayanti. E ele pensou, 'Como eu dividirei esta peça de roupa, para que minha amada não perceba?' E pensando nisto, o nobre Nala começou a andar para lá e para cá naquele abrigo. E, ó Bharata, andando dessa maneira de um lado para outro, ele encontrou uma bela espada perto do abrigo, desembainhada. E aquele repressor de inimigos, tendo, com aquela espada, cortado metade do tecido, e jogando o instrumento fora, deixou a filha de Vidharbha inconsciente em seu sono e foi embora. Mas seu coração fraquejando, o rei dos Nishadhas voltou ao abrigo, e vendo Damayanti (outra vez), irrompeu em lágrimas. E ele disse, 'Ai! Esta minha amada a quem nem o deus do vento nem o sol tinham visto antes dorme hoje sobre a nua terra, como uma pessoa desamparada. Vestida neste pedaço de tecido cortado, e deitada como alguém distraído, como a bela de sorrisos luminosos se comportará quando ela acordar? Como a bela filha de Bhima, devotada a seu marido, completamente só e separada de mim, vagará por estas florestas profundas habitadas por animais e serpentes? Ó abençoada, possam os Adityas e os Vasus, e os gêmeos Aswins junto com os Marutas te proteger, tua virtude sendo a tua melhor defesa.' E dirigindo-se assim à sua querida esposa inigualável sobre a terra em beleza, Nala se esforçou para ir, privado de razão por Kali. Partindo e partindo continuamente, o rei Nala retornou repetidas vezes àquele abrigo, arrastado para longe por Kali, mas puxado de volta pelo amor. E parecia como se o coração do rei desventurado estivesse partido em dois, e como um balanço, ele continuou saindo do abrigo e voltando a ele. Finalmente depois de lamentar muito de modo comovente, Nala, entorpecido e privado de razão por Kali foi embora, abandonando sua esposa adormecida. Privado de razão pelo toque de Kali, e pensando em sua conduta, o rei partiu em tristeza, deixando sua esposa sozinha naquela floresta solitária.'” 63 Vrihadaswa disse, "Ó rei, depois que Nala tinha ido embora, a bela Damayanti, revigorada, despertou timidamente naquela floresta isolada. E, ó monarca poderoso, não encontrando seu marido Naishadha, aflita pela dor e angústia, ela gritou alto apavorada, dizendo, 'Ó senhor? Ó monarca poderoso! Ó marido, tu me abandonaste? Oh, eu estou perdida e arruinada, assustada neste lugar deserto. Ó príncipe ilustre, tu és sincero em palavras e conhecedor da moralidade. Como tu então, tendo dado tua palavra, me abandonaste dormindo nas florestas? Oh, por que tu abandonaste tua esposa ilustre, sempre dedicada a ti, especialmente uma que não foi injusta contigo, embora tu tenhas sido injustiçado por outros? Ó rei de homens, cabe a ti agir lealmente, segundo as palavras que tu falaste para mim antes na presença dos protetores dos mundos. Ó touro entre homens, que tua esposa viva mesmo um momento depois do teu abandono dela é somente porque mortais devem morrer na hora estabelecida. Ó touro entre homens, basta dessa brincadeira! Ó irreprimível, eu estou terrivelmente assustada. Ó senhor, apareça. Eu te vejo! Eu te vejo, ó rei! Tu és visto, ó Naishadha, escondendo-te atrás daqueles arbustos, por que tu não me respondes? É cruel da tua parte que, ó grande rei, vendo-me nesta situação e lamentando dessa maneira, tu, ó rei, não te aproximes e me consoles. Eu não sofro por mim mesma, nem por qualquer coisa mais. Eu somente sofro ao pensar em como tu passarás teus dias sozinho, ó rei. À noite oprimido pela fome e sede e fadiga, debaixo das árvores, como tu te sentirás quando não me vires?' E então Damayanti, afligida com agonia e queimando com aflição começou a ir para lá e para cá, chorando angustiada. E ora a princesa desamparada se levantava de um salto, ora ela ficava prostrada em estupor; e ora ela se encolhia em terror, ora ela chorava e lamentava em voz alta. E a filha Bhima devotada a seu marido, queimando com aflição e suspirando ainda mais, e pálida e chorando exclamou, 'Aquele ser por cuja imprecação o atormentado Naishadha sofre esta dor suportará dor que é maior do que a nossa. Possa aquele ser perverso que causou isto a Nala de coração impecável levar uma vida mais miserável suportando males maiores.'” "Assim lamentando, a consorte coroada do (rei) ilustre começou a procurar por seu marido naquelas florestas habitadas por animais predadores. E a filha de Bhima, lamentando amargamente, vagava de um lado para outro como uma louca exclamando, 'Ai! Ai! Oh rei!' E quando ela estava lamentando ruidosamente como uma águia-pescadora, e sofrendo e se entregando a lamentações comoventes ininterruptamente, ela chegou perto de uma serpente gigantesca. E aquela serpente enorme e faminta então agarrou subitamente a filha de Bhima, que tinha chegado perto e estava se movimentando dentro do seu alcance. E enlaçada dentro das espirais da serpente e cheia de dor, ela ainda chorou, não por ela mesma mas por Naishadha. E ela disse 'Ó marido, por que tu não te apressas em direção a mim, agora que eu fui apanhada, sem ninguém para me proteger, por esta serpente nestas regiões selvagens desertas? E, ó Naishadha, o que acontecerá contigo quando tu te lembrares de mim? Ó senhor, por que tu foste embora, me abandonando hoje na floresta? Livre desta tua fase, quando tu tiveres recuperado tua mente e razão e riqueza, como será contigo quando tu pensares em mim? Ó Naishadha, ó impecável, quem te confortará quando tu estiveres cansado, e faminto, e fraco, ó tigre entre reis?' E enquanto ela estava lamentando assim, um certo caçador percorrendo as florestas profundas, ouvindo os lamentos dela chegou ao local rapidamente. E vendo ela de olhos grandes nas espirais da serpente, ele se apressou em direção a ela e cortou a cabeça da serpente com sua arma afiada. E tendo matado o réptil, o caçador libertou Damayanti. E tendo salpicado seu corpo com água e a alimentado e confortado, ó Bharata, ele se dirigiu a ela dizendo, 'Ó tu de olhos como aqueles de uma gazela jovem, quem és tu? E por que também tu entraste na floresta? E, ó bela, como tu caíste nesta miséria extrema?' E assim abordada, ó monarca, por aquele homem, Damayanti, ó Bharata, relatou para ele tudo o que tinha acontecido. E observando aquela bela mulher vestida em metade de uma peça de roupa, com peito profundo e quadris redondos, e membros delicados e impecáveis, e rosto parecendo com a lua cheia, e olhos ornados com cílios curvos, e de fala doce como mel, o caçador ficou excitado pelo desejo. E afligido pelo deus do amor, o caçador começou a acalmá- la em voz sedutora e palavras gentis. E logo que a casta e bela Damayanti observando-o compreendeu suas intenções, ela ficou cheia de raiva violenta e pareceu resplandecer em fúria. Mas o canalha de mente pecaminosa, queimando de desejo ficou enfurecido, e tentou empregar força sobre ela, que era inconquistável como uma chama de fogo ardente. E Damayanti já atormentada após ser despojada de marido e reino, naquela hora de dor além de expressão, amaldiçoou-o com raiva, dizendo, 'Eu jamais pensei em qualquer outro homem além de Naishadha, portanto que este canalha de mente vil subsistindo da caça caia sem vida.' E logo que ela disse isto o caçador caiu sem vida sobre a terra, como uma árvore consumida pelo fogo." 64 "Vrihadaswa continuou, 'Tendo destruído aquele caçador, Damayanti de olhos como folhas de lótus seguiu adiante através daquela floresta terrível e solitária ressoando com o cricrido de grilos. E ela era cheia de leões, e leopardos, e Rurus e tigres, e búfalos, e ursos e veados. E ela enxameava de aves de várias espécies, e era infestada por ladrões e tribos mlechchha. E ela continha Salas, e bambus e Dhavas, e Aswatthas, e Tindukas e Ingudas, e Kinsukas, e Arjunas, e Nimvas, e Tinisas e Salmalas, e Jamvus, e mangueiras, e Lodhras, e o catechu, e a cana, e Padmakas, e Amalahas, e Plakshas, e Kadamvas, e Udumvaras e Vadaris, e Vilwas, e banians, e Piyalas, e palmeiras, e tamareiras, e Haritakas e Vibhitakas. E a princesa de Vidarbha viu muitas montanhas contendo minérios de vários tipos, e arvoredos ressoando com as notas de coros alados, e muitos vales de vista maravilhosa, e muitos rios e lagos e tanques e várias espécies de aves e animais. E ela viu inúmeras cobras e gnomos e Rakshasas de aparência lúgubre, e charcos e tanques e morros, e arroios e fontes de aparência maravilhosa. E a princesa de Vidarbha viu lá rebanhos de búfalos, e javalis, e ursos assim como serpentes da selva. E segura em virtude e glória e boa sorte e paciência, Damayanti vagou sozinha por aquelas florestas, à procura de Nala. E a nobre filha de Bhima, aflita somente por sua separação de seu marido, não ficou apavorada por coisa qualquer naquela floresta terrível. E, ó rei, sentando-se sobre uma pedra e cheia de dor, e todos os membros dela tremendo com tristeza por causa de seu marido, ela começou a lamentar dessa maneira: 'Ó rei dos Nishadhas, ó tu de peito largo e braços fortes, para onde tu foste, ó rei, deixando-me nesta floresta solitária? Ó herói, tendo realizado o Aswamedha e outros sacrifícios, com presentes em profusão (para os Brahmanas), por que tu, ó tigre entre homens, traíste a mim somente? Ó melhor dos homens, ó tu de grande esplendor, cabe a ti, ó auspicioso, lembrar-te do que tu declaraste diante de mim, ó touro entre reis! E, ó monarca, cabe a ti também lembrar-te do que os cisnes que percorrem o céu falaram na tua presença e na minha. Ó tigre entre homens, os quatro Vedas em toda sua extensão, com os Angas e os Upangas, bem estudados, de um lado, e uma única verdade no outro, (são iguais). Portanto, ó matador de inimigos, cabe a ti, ó senhor de homens, fazer verdadeiro o que tu antigamente declaraste diante de mim. Ai, ó herói! Guerreiro! Ó Nala! Ó impecável, sendo tua, eu estou prestes a perecer nesta floresta terrível. Oh! Por que tu não me respondes? Este terrível senhor da floresta, de aspecto lúgubre e mandíbulas muito abertas, e faminto, me enche de pavor. Não cabe a ti me salvar? Tu costumavas dizer sempre, 'Exceto tu não existe ninguém mais querido para mim.' Ó abençoado, ó rei, faça agora verdadeiras as tuas palavras assim faladas antes. E, ó rei, por que tu não retornas uma resposta para tua esposa querida lamentando e desprovida de razão, embora tu a ames, sendo amado em retorno? Ó rei da terra, ó respeitado, ó repressor de inimigos, ó tu de olhos grandes, por que tu não me olhas, emaciada, e angustiada e pálida, descolorada, vestida com meia peça de roupa, sozinha, e chorando, e lamentando como alguém desesperado, e como uma corça solitária separada do rebanho? Ó soberano ilustre, sou eu, Damayanti, dedicada a ti, quem, sozinha nesta grande floresta, se dirige a ti. Por que então tu não me respondes? Oh, eu não te vejo hoje nesta montanha, ó chefe de homens, ó tu de nascimento e caráter nobres com todos os membros possuidores de graça! Nesta floresta terrível, frequentada por leões e tigres, ó rei dos Nishadhas, ó principal dos homens, ó realçador das minhas tristezas, (desejando saber) se tu estás deitado, ou sentado, ou de pé, ou perdido, a quem eu perguntarei, aflita e tomada pela dor por tua causa, dizendo, 'Tu vistes nestas florestas o nobre Nala?' Para quem nesta floresta eu perguntarei por Nala que partiu, belo e de grande alma, e o destruidor de tropas hostis? De quem hoje eu ouvirei as palavras gentis, isto é, 'Aquele nobre Nala, de olhos como folhas de lótus, a quem tu procuras, está aqui mesmo?' Lá vem o rei da floresta, aquele tigre de aparência elegante, provido de quatro dentes e bochechas proeminentes. Até ele eu abordarei destemidamente: ‘Tu és o senhor de todos os animais, e o rei desta floresta. Saiba que eu sou Damayanti, a filha do rei dos Vidarbhas, e a esposa de Nala, destruidor de inimigos e rei dos Nishadhas. Aflita e tomada pela dor, eu estou procurando meu marido sozinha nestas florestas. Ó rei dos animais, conforte-me (com notícias de Nala) se tu o viste. Ou, ó senhor da floresta, se tu não podes falar de Nala, então, ó melhor dos animais, devore-me, e liberte-me desta tristeza.’ Ai! Que eu, então, por informações do rei, questione este rei das montanhas, esta colina alta e sagrada, coroada com inúmeros topos que tocam o céu e picos belos de muitos matizes, e cheia de vários minérios, e ornada com pedras preciosas de diversos tipos, e erguendo-se como um estandarte sobre esta ampla floresta, e percorrida por leões e tigres e elefantes e javalis e ursos e veados, e ecoando por todos os lados com (as notas de) criaturas aladas de várias espécies, e adornada com kinsukas e Asokas e Vakulas e Punnagas, com Karnikaras florescentes, e Dhavas e Plakshas, e com rios frequentados por aves aquáticas de todas espécies, e cheia de topos encrespados, ó sagrada! Ó melhor das montanhas! Ó tu de visão maravilhosa! Ó colina célebre! Ó refúgio (dos aflitos)! Ó altamente auspiciosa! Eu te reverencio, ó pilar da terra! Aproximando-me, eu me curvo a ti. Conheça-me como a filha de um rei, e nora de um rei, e consorte de um rei, de nome Damayanti; aquele senhor da terra que governa os Vidarbhas, aquele poderoso rei guerreiro de nome Bhima, que protege as quatro classes, é meu pai. Aquele melhor dos reis celebrou os sacrifícios Rajasuya e Aswamedha, com presentes abundantes para os Brahmanas. Possuidor de olhos belos e grandes, afamado por devoção pelos Vedas, de caráter imaculado, falador da verdade, desprovido de astúcia, amável, dotado de coragem, senhor de imensa riqueza, versado em moralidade, e puro, ele, tendo derrotado todos os seus inimigos, protege eficientemente os habitantes de Vidarbha. Saiba que eu sou, ó santo, filha dele, assim vinda a ti. Aquele melhor dos homens, o célebre soberano dos Nishadhas, conhecido pelo nome de Virasena de grande fama, era meu sogro. O filho daquele rei, heróico e belo e possuidor de energia incapaz de ser frustrada, que governou bem o reino o qual passou de seu pai para ele, se chama Nala. Saiba, ó montanha, que daquele matador de inimigos, chamado também de Punyasloka, possuidor da cor do ouro, e devotado aos Brahmanas, e versado nos Vedas, e dotado de eloquência, daquele rei justo, bebedor de Soma e adorador do fogo, que celebra sacrifícios e é generoso e guerreiro e que castiga (os criminosos) adequadamente, eu sou a esposa inocente, a principal das suas rainhas, de pé diante de ti. Despojada de prosperidade e privada (da companhia de meu) marido, sem um protetor, e afligida pela miséria, eu vim para cá, ó melhor das montanhas, procurando meu marido. Tu, ó principal das montanhas, com tuas centenas de cumes elevando-se (ao céu), vistes o rei Nala nesta floresta terrível? Ti vistes meu marido, aquele soberano dos Nishadhas, o ilustre Nala, com o andar de um poderoso elefante, dotado de inteligência, de braços longos, e de energia ardente, possuidor de destreza e paciência e coragem e grande renome? Vendo-me lamentando sozinha, dominada pela tristeza, por que, ó melhor das montanhas, tu não me acalmas hoje com tua voz, como tua própria filha em angústia? Ó herói, ó guerreiro de destreza, ó tu versado em todos os deveres, ó tu que aderes à verdade, ó senhor da terra, se tu estás nesta floresta, então, ó rei, revele-te para mim. Oh, quando eu ouvirei novamente a voz de Nala, amável e profunda como aquela das nuvens, aquela voz doce como Amrita, do rei ilustre, chamando-me de filha de Vidharva, com pronúncia distinta, e divina, e musical como o canto dos Vedas e melodiosa, e que alivia todas as minhas tristezas? Ó rei, eu estou assustada. Ó virtuoso, console-me.'” "Tendo se dirigido àquela principal das montanhas dessa maneira, Damayanti então foi em direção ao norte. E tendo prosseguido três dias e noites, aquela melhor das mulheres chegou a um incomparável bosque de ascetas de penitências, parecendo em beleza com um arvoredo celeste. E o retiro encantador que ela contemplou era habitado e adornado por ascetas como Vasishtha e Bhrigu e Atri, abnegados e rigorosos em dieta, com mentes sob controle, dotados de santidade, alguns vivendo de água, alguns do ar, e alguns de folhas (caídas), com paixões sob controle, eminentemente abençoados, procurando o caminho para o céu, vestidos em cascas de árvores e peles de veado, e com sentidos subjugados. E contemplando aquele eremitério habitado por ascetas, e cheio de rebanhos de veados e macacos, Damayanti ficou animada. E aquela melhor das mulheres, a inocente e abençoada Damayanti, com sobrancelhas graciosas, e tranças compridas, com quadris atraentes e peito profundo, e rosto agraciado com dentes belos e com admiráveis olhos pretos e grandes, em seu esplendor e glória entrou naquele retiro. E saudando aqueles ascetas envelhecidos pela prática austeridades, ela ficou de pé em uma atitude de humildade. E os ascetas que viviam naquela floresta disseram, 'Bem vinda!' E aqueles homens de riqueza ascética, prestando sua homenagem devida, disseram, 'Sente-se, e nos diga o que nós podemos fazer por ti.' Aquela melhor das mulheres respondeu para eles, dizendo, 'Ó ascetas impecáveis e altamente abençoados, está tudo bem com suas austeridades, e fogo sacrifical, e observâncias religiosas, e os deveres da sua própria classe? Está tudo bem com os animais e aves deste retiro?’ E eles responderam, 'Ó senhora bela e ilustre, a prosperidade nos acompanha em todos os aspectos. Mas, ó tu de membros impecáveis, diga-nos quem tu és, e o que tu procuras. Vendo tua bela forma e teu esplendor brilhante, nós estamos muito surpresos. Alegre-te e não lamente. Diga-nos, ó inocente e abençoada, tu és a divindade que preside esta floresta, ou esta montanha, ou este rio?' Damayanti respondeu para aqueles ascetas, dizendo, 'Ó Brahmanas, eu não sou a deusa desta floresta, ou desta montanha, ou deste rio. Ó Rishis de riqueza ascética, saibam que eu sou um ser humano. Eu narrarei minha história em detalhes. Ouçam. Há um rei, o soberano poderoso dos Vidarbhas, de nome Bhima. Ó principais dos regenerados, saibam que eu sou filha dele. O sábio soberano dos Nishadhas, de nome Nala, de grande celebridade, heróico, e sempre vitorioso em batalha, e erudito, é meu marido. Engajado no culto dos deuses, devotado aos duas vezes nascidos, o protetor da linhagem dos Nishadhas, de energia poderosa, possuidor de grande força, sincero, conhecedor de todos os deveres, sábio, firme em promessa, o opressor de inimigos, devoto, servo dos deuses, gracioso, o conquistador de cidades hostis, aquele principal dos reis, de nome Nala, igual em esplendor ao senhor dos celestiais, o matador de inimigos, possuidor de olhos grandes, e uma cor parecida com a lua cheia, é meu marido. Realizador de grandes sacrifícios, versado nos Vedas e seus ramos, destruidor de inimigos em batalha, e como o sol e a lua em esplendor, é ele. Aquele rei devotado à verdade e religião foi convocado para jogar dados por certas pessoas enganadoras de mente vil e alma bruta e de hábitos desonestos, e habilidosos em jogo, e foi despojado de riqueza e reino. Saibam que eu sou a esposa daquele touro entre os reis, conhecida por todos pelo nome de Damayanti, ansiosa para descobrir meu marido (perdido). Em tristeza de coração eu estou vagando entre florestas, e montanhas, e lagos, e rios, e lagos e bosques, à procura daquele meu marido, Nala, hábil em batalha, de grande alma, e bem versado no uso de armas, ó, o rei Nala, o senhor dos Nishadhas, veio para este retiro encantador de suas pessoas santas? É por causa dele, ó Brahmanas, que eu vim para esta floresta sombria cheia de terrores e frequentada por tigres e outros animais. Se eu não vir o rei Nala dentro de poucos dias e noites, eu procurarei meu bem por renunciar a este corpo. De que vale a minha vida sem aquele touro entre homens? Como eu viverei atormentada pela dor por conta de meu marido?' Para a filha de Bhima, Damayanti, lamentando desesperada naquela floresta, os ascetas faladores da verdade responderam, dizendo, 'Ó abençoada e bela, nós vemos por poder ascético que o futuro trará felicidade para ti, e que tu logo verás Naishadha. Ó filha de Bhima, tu verás Nala, o senhor dos Nishadhas, o matador de inimigos, e o principal dos virtuosos livre de infortúnio. E, ó senhora abençoada, tu contemplarás o rei, teu marido, livre de todos os pecados e enfeitado com todas as espécies de jóias, e governando a mesma cidade, e castigando seus inimigos, e infligindo terror nos corações de inimigos, e alegrando os corações de amigos, e coroado com todas as bênçãos.' Tendo falado para aquela princesa, a rainha querida de Nala, os ascetas com seus fogos sagrados e retiro desapareceram de vista. E vendo aquele prodígio poderoso, a nora do rei Virasena, Damayanti de membros impecáveis, foi tomada pela perplexidade. E ela se perguntou, 'Foi um sonho isto que eu vi? Que acontecimento se realizou! Onde estão todos aqueles ascetas? E onde está aquele retiro? Onde, além disso, está aquele rio encantador de águas sagradas, o refúgio de diversas espécies de aves? E onde, também, estão aquelas árvores encantadoras enfeitadas com frutas e flores?' E depois pensando assim por algum tempo, a filha de Bhima, Damayanti de sorrisos doces melancólica e afligida pela dor por causa de seu marido, perdeu a cor de sua face (novamente). E indo a outra parte da floresta, ela viu uma árvore Asoka. E aproximando-se daquela principal das árvores na floresta, tão encantadora com flores e sua carga de folhagem, e ressoando com as notas de aves, Damayanti, com lágrimas em seus olhos e tons sufocados de tristeza, começou a lamentar, dizendo, 'Oh, esta árvore graciosa no coração da floresta, adornada com flores, parece bela, como um encantador rei de colinas. Ó bela Asoka, liberte-me depressa da dor. Tu vistes o rei Nala, o matador de inimigos e o marido querido de Damayanti, livre de medo e dor e obstáculos? Tu viste meu marido amado, o soberano dos Nishadhas, vestido em metade de um tecido, com pele delicada, aquele herói afligido pela dor e que entrou nesta selva? Ó árvore Asoka, liberte-me da dor! Ó Asoka, justifique o teu nome, pois Asoka significa destruidor da dor.’ E andando três vezes ao redor daquela árvore, com o coração angustiado, aquela melhor das mulheres, a filha de Bhima, entrou em uma parte mais terrível da floresta. E vagando em busca de seu marido, a filha de Bhima contemplou muitas árvores e rios e montanhas encantadoras, e muitos animais e aves, e cavernas, e precipícios, e muitos rios de aparência maravilhosa. E enquanto ela prosseguia ela chegou a um caminho largo onde ela viu com surpresa um grupo de comerciantes, com seus cavalos e elefantes, desembarcando nas margens de um rio cheio de água límpida e fresca, e adorável e fascinante de se contemplar, e largo, e coberto com moitas de juncos, e ecoando com os gritos de grous e águias-pescadoras e Chakravakas, e cheio de tartarugas e jacarés e peixes, e enfeitado com inúmeras ilhotas. E logo que ela viu aquela caravana, a bela e célebre esposa de Nala, selvagem como uma louca, oprimida pela angústia, vestida com a metade de uma peça de roupa, magra e pálida e suja, e com cabelo coberto de poeira, aproximou-se e entrou no seu meio. E vendo-a alguns fugiram com medo, e alguns ficaram muito ansiosos, e alguns gritaram alto, e alguns riram dela, e alguns a odiaram. E alguns, ó Bharata, sentiram pena, e até se dirigiram a ela, dizendo, 'Ó abençoada, quem tu és, e de quem? O que tu procuras nas florestas? Vendo-te aqui nós estamos apavorados. Tu és humana? Diga-nos realmente, ó abençoada, se tu és a deusa desta floresta ou desta montanha ou dos pontos do céu. Nós procuramos a tua proteção. Tu és uma mulher Yaksha, ou uma mulher Rakshasa, ou uma donzela celeste? Ó tu de feições impecáveis, abençoe-nos completamente e proteja-nos. E, ó abençoada, aja de maneira que esta caravana possa logo prosseguir daqui em prosperidade e que o bem-estar de todos nós possa ser assegurado.' Assim endereçada por aquela caravana, a princesa Damayanti, dedicada a seu marido e oprimida pela calamidade que tinha acontecido a ela, respondeu, dizendo, 'Ó líder da caravana, ó comerciantes, ó jovens, ó homens idosos, e crianças, e vocês que compõe esta caravana, saibam que eu sou um ser humano. Eu sou a filha de um rei, e a nora de um rei, e a consorte também de um rei, ávida pela visão de meu marido. O soberano dos Vidarbhas é meu pai, e meu marido é o senhor dos Nishadhas, chamado Nala. Agora mesmo eu estou procurando aquele invencível e abençoado. Se vocês por acaso viram meu amado, o rei Nala, aquele tigre entre homens, aquele destruidor de hostes hostis, ó, digam-me rápido.' Então o líder daquela grande caravana, chamado Suchi, respondeu para Damayanti de membros impecáveis, dizendo, 'Ó abençoada, escute as minhas palavras. Ó tu de doces sorrisos, eu sou um comerciante e o líder desta caravana. Ó senhora ilustre, eu não vi qualquer homem de nome Nala. Nesta floresta extensa inabitada por homens há somente elefantes e leopardos e búfalos, e tigres e ursos e outros animais. Exceto a ti, eu não encontrei qualquer homem ou mulher aqui, assim ajude-nos agora como Manibhadra, o rei dos Yakshas!' Assim endereçada por eles ela questionou aqueles comerciantes assim como o líder da hoste dizendo, 'Cabe a vocês me dizer para onde esta caravana está indo.' O líder do bando disse, 'Ó filha de um grande rei, para o propósito de lucro esta caravana está indo direto para a cidade de Suvahu, o soberano dos Chedis falador da verdade.'” 65 "Vrihadaswa disse, 'Tendo ouvido as palavras do líder da caravana, Damayanti de membros impecáveis prosseguiu com aquela caravana, ansiosa para ver seu marido. E depois de ter procedido por muitos dias os comerciantes viram um grande lago fragrante com lotos no meio daquela floresta densa e terrível. E ele era belo por todos os lados, e extremamente encantador, (com margens) cheias de grama e combustível e frutas e flores. E ele era habitado por várias espécies de aves aquáticas e pássaros, e cheio de água que era pura e doce. E ele era tranquilo e capaz de cativar o coração. E a caravana, desgastada pela fadiga, resolveu parar lá. E com a permissão de seu líder eles se espalham em volta daqueles belos bosques. E aquela caravana imensa percebendo que era noite parou naquele local. E (veio a acontecer que) na hora de meia-noite, quando tudo estava silencioso e imóvel e a caravana cansada tinha adormecido, uma manada de elefantes ao ir em direção a um rio da montanha para beber de sua água, coberta por seu suco temporal, viu aquela caravana como também os numerosos elefantes pertencentes a ela. E vendo seus iguais domesticados os elefantes selvagens se enfureceram e com suco temporal escorrendo avançaram impetuosamente sobre os primeiros, com a intenção de matá-los. E a força do ímpeto daqueles elefantes era difícil de suportar, como a impetuosidade de picos desprendidos de topos de montanha rolando em direção à planície. Os elefantes apressados descobriram que os caminhos da floresta estavam todos bloqueados, pois a grande caravana estava dormindo obstruindo os caminhos em volta daquele lago de lotos. E os elefantes começaram de repente a esmagar os homens que estavam deitados inconscientes no chão. E proferindo gritos de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ os comerciantes, cegados pelo sono, fugiram, para escapar daquele perigo, para matagais e bosques como refúgio. E alguns foram mortos pelas presas, e alguns pelas trombas, e alguns pelas pernas daqueles elefantes. E inúmeros camelos e cavalos foram mortos, e grupos de homens a pé, correndo aterrorizados, mataram uns aos outros. E proferindo gritos altos alguns caíram no chão e alguns com medo subiram em árvores, e alguns caíam em solo acidentado. E, ó rei, assim acidentalmente atacada por aquela grande manada de elefantes, aquela caravana considerável sofreu uma grande perda. E lá surgiu um tumulto tremendo calculado para assustar os três mundos, 'Vejam! Um grande fogo se espalhou. Vamos nos salvar.’ ‘Fujam depressa.’ ‘Por que vocês fogem?’ ‘Peguem as pilhas de jóias espalhadas ao redor.’ ‘Toda esta riqueza é uma insignificância. Eu não falo falsamente’, 'Eu lhes digo outra vez, (exclamou alguém) pensem em minhas palavras, ó insensatos!' Com tais exclamações eles correram para todos os lados em terror. E Damayanti despertou com medo e ansiedade, enquanto aquele massacre terrível estava acontecendo lá. E vendo aquele massacre capaz de despertar o medo de todos os mundos, e que era tão imprevisto, a donzela de olhos parecidos com folhas de lótus levantou-se, frenética com pavor, e quase sem fôlego. E aqueles da caravana que tinham escapado ilesos reuniram-se, e perguntaram uns aos outros, 'De que ato nosso isto é a consequência? Certamente nós fracassamos em cultuar os ilustres Manibhadras, e igualmente o exaltado e gracioso Vaisravana, o rei dos Yakshas. Talvez, nós não temos adorado as divindades que causam calamidades, ou talvez, nós não temos lhes prestado a primeira homenagem. Ou, talvez, este mal é a consequência certa das aves (que nós vimos). Nossas estrelas não são inauspiciosas. De que outra causa então este desastre ocorreu?' Outros, afligidos e privados de riqueza e parentes, disseram, 'Aquela mulher como louca que entrou no meio desta caravana imensa em aparência que era estranha e mal humana, ai, é por cauda dela que esta ilusão horrível foi pré-arranjada. Com certeza, ela é uma Rakshasa terrível ou uma Yaksha ou uma mulher Pisacha. Todo este mal é trabalho dela, qual a necessidade de dúvidas? Se nós virmos novamente aquela destruidora perversa de comerciantes, aquela causadora de dores inumeráveis, nós sem dúvida mataremos aquela nossa ofensora, com pedras, e pó, e grama, e madeira, e socos.' E ouvindo estas palavras terríveis dos comerciantes, Damayanti, em terror e vergonha e ansiedade, fugiu para as florestas apreensiva de mal. E repreendendo a si mesma ela disse, 'Ai! feroz e grande é a cólera de Deus sobre mim. A paz não segue em meu caminho. De que delito isto é a consequência? Eu não me lembro de ter feito alguma vez um pequeno mal para alguém em pensamento, palavra, ou ação. De que ato, então, isto é a consequência? Certamente, é por causa dos grandes pecados que eu cometi em uma vida anterior que tal desgraça me aconteceu, isto é, a perda do reino do meu marido, sua derrota nas mãos de seus próprios parentes, esta separação de meu marido e meu filho e filha, este meu estado desprotegido, e minha presença nesta floresta cheia de inúmeros animais predadores!' No dia seguinte, ó rei, o resto daquela caravana deixou o lugar lamentando a destruição que os tinha alcançado e lamentando por seus irmãos e pais e filhos e amigos mortos. E a princesa de Vidarbha começou a lamentar, dizendo, 'Ai! Que crime eu cometi! A multidão de homens que eu alcancei nesta floresta solitária foi destruída por uma manada de elefantes, certamente como uma consequência da minha má sorte. Sem dúvida, eu terei que sofrer miséria por um longo tempo. Eu tenho ouvido de homens idosos que nenhuma pessoa morre antes da sua hora; é por isso que minha pessoa miserável não foi pisada até a morte por aquela manada de elefantes. Nada do que acontece aos homens é devido a qualquer coisa além do Destino, pois nem na minha infância eu cometi tal pecado em pensamento, palavra, ou ação, de onde poderia vir esta calamidade. Parece-me que eu sofro esta separação de meu marido por causa da potência daqueles Lokapalas celestes, que foram para o Swayamvara mas a quem eu desconsiderei por Nala.' Lamentando dessa maneira, ó tigre entre reis, aquela senhora excelente, Damayanti, devotada a seu marido, seguiu, oprimida pela dor e (pálida) como a lua outonal, com aqueles Brahmanas versados nos Vedas que tinham sobrevivido ao massacre da caravana. E partindo rapidamente, perto da noite, a donzela chegou à grande cidade de Suvahu falador da verdade, o rei dos Chedis. E ela entrou naquela cidade excelente vestida em metade de uma peça de roupa. E os cidadãos viram-na enquanto ela prosseguia, tomada pelo medo, e magra, triste, seu cabelo despenteado e sujo com poeira, e como louca. E vendo-a entrar na cidade do rei dos Chedis, os meninos da cidade, por curiosidade, começaram a segui-la. E cercada por eles ela chegou na frente do palácio do rei. E do terraço a rainha-mãe viu-a cercada pela multidão. E ela disse para sua criada, 'Vá e traga aquela mulher perante mim. Ela está desesperada e está sendo aborrecida pela multidão. Ela caiu em angústia e precisa de ajuda. Eu acho que sua beleza é tal que ela ilumina minha casa. A formosa, embora parecendo com uma louca, parece uma verdadeira Sree com seus olhos grandes.' Assim ordenada, a criada saiu e dispersando a multidão levou Damayanti para aquele terraço elegante. E tomada pela admiração, ó rei, ela questionou Damayanti, dizendo, 'Embora estejas afligida por tal miséria, tu possuis uma bela forma. Tu brilhas como o relâmpago entre as nuvens. Diga-me quem tu és, e de quem. Ó tu possuidora de esplendor celeste, certamente tua beleza não é humana, embora tu estejas desprovida de ornamentos. E embora tu estejas desamparada, ainda assim tu estás impassível sob o ultraje destes homens.' Ouvindo estas palavras da criada, a filha de Bhima disse, ‘Saiba que eu sou uma mulher pertencente à espécie humana e devotada a meu marido. Eu sou uma mulher servidora de boa linhagem. Eu vivo onde quer que eu deseje, subsistindo de frutas e raízes, e uma companheira, e fico onde a noite me alcança. Meu marido é dono de virtudes inumeráveis e sempre foi dedicado a mim. E eu também, de minha parte, era profundamente afeiçoada a ele, seguindo-o como sua sombra. Aconteceu que uma vez que ele ficou perdidamente envolvido em um jogo de dados. Derrotado nos dados, ele entrou na floresta. Eu acompanhei meu marido nas florestas, confortando o herói vestido em um único pedaço de tecido e como um louco e oprimido pelo infortúnio. Uma vez por algum motivo, aquele herói, afligido com fome e sede e dor, foi forçado a abandonar aquele único pedaço de vestuário na floresta. Desprovido de roupa e semelhante a um maníaco e privado de sua razão como ele estava, eu o segui, eu mesma em uma única peça de roupa. Seguindo- o, eu não dormi por noites a fio. Assim se passaram muitos dias, até que finalmente enquanto eu estava dormindo ele cortou metade do meu tecido, e abandonou a mim que não lhe tinha feito mal. Eu estou procurando meu marido mas incapaz de achar a ele que é de cor como os filamentos do lótus, sem poder lançar meus olhos naquele deleite do meu coração, aquele marido querido que possui meu coração e parece os celestiais em aparência, dia e noite eu queimo em aflição.’ Para a filha de Bhima assim lamentando com olhos chorosos, e angustiada e falando em tons sufocados em aflição, a própria rainha-mãe disse, 'Ó donzela abençoada, fique comigo. Eu estou bem satisfeita contigo. Ó senhora formosa, meus homens procurarão pelo teu marido. Ou talvez ele possa vir para cá por sua própria vontade no decurso de suas viagens. E, ó senhora bela, residindo aqui tu recuperarás teu marido (perdido).' Ouvindo estas palavras da rainha-mãe, Damayanti respondeu, 'Ó mãe de heróis, eu posso ficar contigo sob certas condições. Eu não comerei os restos de qualquer prato, nem lavarei os pés de alguém, nem terei que falar com outros homens. E se alguém me procurar (como uma esposa ou amante) ele deve estar sujeito à punição nas tuas mãos. E, além disso, aquele pecaminoso que me solicitar repetidamente deve ser punido com a morte. Este é o voto que eu fiz. Eu pretendo ter uma entrevista com aqueles Brahmanas que partirão para procurar por meu marido. Se tu puderes fazer tudo isto, eu sem dúvida viverei contigo. Se for de outra maneira, eu não posso decidir no meu coração residir contigo.' A rainha-mãe respondeu a ela com o coração contente, dizendo, 'Eu farei tudo isso. Tu fizeste bem em adotar semelhante voto!'" "Vrihadaswa continuou, 'Ó rei, tendo falado assim para a filha de Bhima, a rainha-mãe, ó Bharata, disse para sua filha chamada Sunanda, 'Ó Sunanda, aceite esta senhora semelhante a uma deusa como tua Sairindhri! Que ela seja tua companheira, porque ela é da mesma idade que tu. Com o coração livre de preocupação, sempre passe o tempo com ela em alegria.' E Sunanda alegremente aceitou Damayanti e conduziu-a para seu próprio aposento acompanhada por suas companheiras. E tratada com respeito, Damayanti estava satisfeita, e ela continuou a residir lá sem ansiedade de qualquer tipo, pois todos os seus desejos eram devidamente satisfeitos.'" 66 "Vrihadaswa disse, 'Ó monarca, tendo abandonado Damayanti, o rei Nala viu um grande incêndio que estava assolando aquela floresta densa. E no meio daquela conflagração ele ouviu a voz de uma criatura, gritando alto repetidamente, 'Ó Nala virtuoso, venha aqui.' E respondendo, 'Não tema!' ele entrou no meio do fogo e viu um Naga imenso jazendo em espiral. E o Naga com as mãos unidas, e tremendo, falou para Nala, dizendo, 'Ó rei, eu sou uma cobra, de nome Karkotaka. Eu desapontei o grande Rishi Narada de grande mérito ascético, e por ele eu fui amaldiçoado em cólera, ó rei de homens, em palavras tais como estas: ‘Fique aqui como uma coisa imóvel, até que Nala te tire daí. E, de fato, no local para o qual ele te carregar, lá tu serás liberto da minha maldição.’ É por causa desta maldição dele que eu sou incapaz de me mover um passo. Eu te instruirei em relação ao teu bem-estar. Cabe a ti me salvar. Eu serei teu amigo. Não há cobra igual a mim. Eu serei leve em tuas mãos. Erguendo-me, saia daqui rapidamente.' Tendo dito isto, aquele príncipe das cobras tornou-se tão pequeno quanto um polegar. E erguendo-o Nala foi para um local livre de fogo. Tendo alcançado um lugar aberto onde não havia fogo Nala pretendia soltar a serpente, então Karkotaka dirigiu-se a ele novamente, dizendo, 'Ó rei dos Nishadhas, prossiga ainda, contando uns passos poucos teus; enquanto isso, ó de braços poderosos, eu te farei grande bem.' E quando Nala começou a contar seus passos, a cobra mordeu-o no décimo passo. E, ho! Quando ele foi mordido, sua forma rapidamente sofreu uma mudança. E vendo sua mudança de forma, Nala estava assombrado. E o rei viu a cobra também assumir sua própria forma. E a cobra Karkotaka, confortando Nala, falou para ele, 'Eu te privei da tua beleza para que as pessoas não possam te reconhecer. E, ó Nala, aquele por quem tu fostes enganado e lançado na miséria morará em ti torturado por meu veneno. E, ó monarca, enquanto ele não te deixar ele terá que morar em dor no teu corpo com cada membro teu cheio do meu veneno. E, ó soberano de homens, eu te salvei das mãos daquele que por raiva e ódio te enganou, embora tu sejas totalmente inocente e não merecedor de mal. E, ó tigre entre homens, através da minha graça, tu não terás (mais) qualquer medo de animais com presas, de inimigos, e de Brahmanas também versados nos Vedas, ó rei! Nem, ó monarca, tu sentirás dor por causa do meu veneno. E, ó principal dos reis, tu serás sempre vitorioso em batalha. Neste mesmo dia, ó príncipe, ó senhor dos Nishadhas, vá para a cidade encantadora de Ayodhya, e te apresente perante Rituparna hábil em jogo, dizendo, 'Eu sou um cocheiro, de nome Vahuka.' E aquele rei dará para ti sua habilidade nos dados pelo teu conhecimento de cavalos. Nascido da linhagem de Ikswaku, e possuidor de prosperidade, ele será teu amigo. Quando tu fores um perito nos dados, tu então terás prosperidade. Tu também te encontrarás com tua esposa e teus filhos, e recuperarás teu reino. Eu te digo isto realmente. Portanto, não deixe tua mente ser ocupada pela tristeza. E, ó senhor de homens, quando tu desejares ver a tua própria forma lembre-te de mim, e vista esta peça de roupa. Ao usar isto tu regressarás à tua própria forma.' E dizendo isso aquele Naga então deu para Nala dois pedaços de tecido celeste. E, ó filho da raça Kuru, tendo assim instruído Nala, e o presenteado com o traje, o rei das cobras, ó monarca, fez-se invisível!” 67 "Vrihadaswa disse, 'Depois que a cobra tinha desaparecido, Nala, o soberano dos Nishadhas, prosseguiu, e no décimo dia entrou na cidade de Rituparna. E ele aproximou-se do rei, dizendo, 'Meu nome é Vahuka. Não há ninguém neste mundo igual a mim em treinar corcéis. Meu conselho também deve ser procurado em questões de dificuldade e em todos os assuntos de habilidade. Eu também supero outros na arte de cozinhar. Em todas aquelas artes que existem neste mundo, e também em todas as coisas de realização difícil, eu me esforçarei para alcançar êxito. Ó Rituparna, mantenha-me.' E Rituparna respondeu, 'Ó Vahuka, fique comigo! Que o bem aconteça para ti. Tu realizarás mesmo tudo isto. Eu sempre desejei particularmente ser conduzido rapidamente. Planeje tais medidas (para) que meus corcéis possam se tornar velozes. Eu te nomeio superintendente de meus estábulos. Teu pagamento será dez mil (moedas). Ambos Varshneya e Jivala sempre estarão sob tua direção. Tu viverás agradavelmente em sua companhia. Portanto, ó Vahuka, fique comigo.' Vrihadaswa continuou, 'Assim endereçado pelo rei, Nala começou a morar na cidade de Rituparna, tratado com respeito e com Varshneya e Jivala como seus companheiros. E residindo lá, o rei (Nala), lembrando-se da princesa de Vidarbha, recitava toda noite o seguinte sloka: 'Onde jaz aquela desamparada afligida pela fome e sede e esgotada, pensando naquele canalha? E a quem também ela serve agora?' E uma vez quando o rei estava recitando isto durante a noite, Jivala questionou-o dizendo, 'Ó Vahuka, por quem tu lamentas dessa maneira diariamente? Eu estou curioso para saber. Ó abençoado com duração de vida, cônjuge de quem é ela por quem lamentas dessa maneira?' Assim questionado, o rei Nala lhe respondeu, dizendo, 'Certa pessoa desprovida de razão tem uma esposa bem conhecida por muitos. Aquele canalha é falso em suas promessas. Por alguma razão aquele homem pecaminoso foi separado dela. Separado dela, aquele desgraçado perambulou oprimido pela dor, e queimando com aflição ele não descansa dia ou noite. E à noite, lembrando-se dela, ele canta este sloka. Tendo vagado pelo mundo inteiro, ele finalmente encontrou um refúgio, e não merecedor do infortúnio que aconteceu a ele, passa seus dias, assim lembrando- se de sua esposa. Quando o infortúnio alcançou este homem, sua esposa seguiu- o para as florestas. Abandonada por aquele homem de pouca virtude, a própria vida dela está em perigo. Sozinha, sem conhecimento de caminhos, mal capaz de suportar miséria, e desfalecendo com fome e sede, a moça mal pode proteger sua vida. E, ó amigo, ela foi abandonada por aquele homem de pouca sorte e que tem pouca inteligência, com a floresta ampla e terrível, sempre cheia de animais predadores.’ Assim lembrando-se de Damayanti, o rei dos Nishadhas continuou a viver desconhecido na residência daquele monarca!" 68 "Vaisampayana disse, 'Depois que Nala, despojado de seu reino, tinha, com sua esposa, se tornado um servo, Bhima com o desejo de ver Nala mandou Brahmanas procurarem por ele. E dando-lhes riqueza abundante, Bhima ordenou- os, dizendo, 'Procurem por Nala, e também por minha filha Damayanti. Aquele que realizar esta tarefa, isto é, determinar onde o soberano dos Nishadhas está e trazer ele e minha filha para cá, obterá de mim mil vacas, e campos, e uma vila parecida com uma cidade. Mesmo se fracassar em trazer Damayanti e Nala aqui, aquele que conseguir saber de seu paradeiro obterá de mim a fortuna representada por mil vacas.' Assim endereçados, os Brahmanas partiram alegremente para todas as direções procurando Nala e sua esposa em cidades e províncias. Mas eles não encontraram Nala ou sua cônjuge em algum lugar. Até que finalmente procurando na bela cidade dos Chedis, um Brahmana chamado Sudeva, durante o momento das orações do rei, viu a princesa de Vidarbha no palácio do rei, sentada com Sunanda. E sua beleza incomparável era levemente perceptível, como o brilho de um fogo envolvido em anéis de fumaça. E vendo aquela senhora de olhos grandes suja e emaciada ele julgou que ela era Damayanti, chegando àquela conclusão por várias razões. E Sudeva disse, 'Como eu vi ela antes, esta donzela é a mesma agora. Ó, eu sou abençoado por lançar meus olhos sobre esta pessoa formosa, como a própria Sree encantando os mundos! Parecendo a lua cheia, de juventude imutável, de peitos bem arredondados, iluminando todos os lados por seu esplendor, possuidora de olhos grandes como belos lótus, como a própria Rati de Kama o deleite de todos os mundos, como os raios da lua cheia, ó, ela parece com um talo de lótus transplantado por sorte adversa do lago Vidarbha e coberto com lama no processo. E oprimida pela dor por causa de seu marido, e melancólica, ela se parece com a noite da lua cheia quando Rahu engole aquele corpo luminoso, ou com um rio cuja corrente secou. Sua situação é muito semelhante àquela de um lago devastado com as folhas de seus lotos esmagadas pelas trombas de elefantes, e com suas aves e pássaros assustados pela invasão. De fato, esta moça, de corpo delicado e de membros encantadores, e digna de morar em uma mansão decorada com pedras preciosas, é (agora) como um talo de lótus arrancado chamuscado pelo sol. Dotada de beleza e natureza gentil, e desprovida de ornamentos, embora merecedora deles, ela parece com a lua recém surgida no céu, mas coberta com nuvens negras. Desprovida de confortos e luxos, separada dos amados e amigos, ela vive em angústia, sustentada pela esperança de ver seu marido. Na verdade, o marido é o melhor ornamento de uma mulher, por mais que esteja desprovida de ornamentos. Sem seu marido junto dela, esta senhora, embora bela, não brilha. É uma façanha difícil realizada por Nala que ele viva sem sucumbir à dor, embora separado de tal esposa. Vendo esta donzela possuidora de cabelo preto e de olhos como folhas de lótus em miséria embora digna de felicidade, até meu coração está atormentado. Ai! quando esta moça agraciada com marcas auspiciosas e dedicada a seu marido, cruzando este oceano de dor, recuperará a companhia de seu marido, como Rohini recuperando a da Lua? Certamente, o rei dos Nishadhas sentirá ao recuperá-la o prazer que um rei privado de seu reino sente ao recuperar seu reino. Igual a ela em natureza e idade e linhagem, Nala merece a filha de Vidarbha, e esta donzela de olhos negros também o merece. Cabe a mim confortar a rainha daquele herói de bravura imensurável e dotado de energia e poder, (já que) ela está tão ávida para encontrar seu marido. Eu consolarei esta moça angustiada de rosto como a lua cheia, e sofrendo infortúnio que ela nunca tinha suportado antes, e sempre pensando em seu marido.'” "Vrihadaswa continuou, 'Tendo assim refletido sobre estas várias circunstâncias e sinais, o Brahmana, Sudeva, aproximou-se de Damayanti, e dirigiu-se a ela, dizendo, 'Ó princesa de Vidarbha, eu sou Sudeva, o caro amigo do teu irmão. Eu vim aqui te procurando, pelo desejo do rei Bhima. Teu pai está bem, e também tua mãe, e teus irmãos. E teu filho e filha, abençoados com duração de vida, estão vivendo em paz. Teus parentes, embora vivos, estão quase mortos por tua causa, e centenas de Brahmanas estão percorrendo o mundo à tua procura.’" "Vrihadaswa continuou, 'Ó Yudhishthira, Damayanti, reconhecendo Sudeva, perguntou-lhe a respeito de todos os seus parentes e amigos um depois do outro. E, ó monarca, oprimida pela dor, a princesa de Vidarbha começou a chorar amargamente à visão inesperada de Sudeva, aquele principal dos Brahmanas e amigo de seu irmão. E, ó Bharata, vendo Damayanti chorando, e conversando em particular com Sudeva, Sunanda estava aflita, e indo até sua mãe informou-a, dizendo, 'Sairindhri está chorando amargamente na presença de um Brahmana. Se tu quiseres, veja por ti mesma.' E imediatamente a mãe do rei dos Chedis, saindo dos aposentos internos do palácio, foi ao local onde a moça (Damayanti) estava com aquele Brahmana. Então chamando Sudeva, ó rei, a rainha-mãe lhe perguntou, 'Esposa de quem é esta formosa, e filha de quem? Como esta senhora de belos olhos foi privada da companhia de seus parentes e de seu marido também? E como também tu vieste a conhecer esta senhora caída em tal situação difícil? Eu desejo saber tudo isso em detalhes de ti. Realmente fale para mim que estou te perguntando acerca desta donzela de beleza celeste.' Então, ó rei, assim endereçado pela rainha-mãe, Sudeva, aquele melhor dos Brahmanas, sentou-se comodamente, e começou a narrar a verdadeira história de Damayanti.'” 69 "Sudeva disse, 'Há um soberano virtuoso e ilustre dos Vidarbhas, de nome Bhima. Esta dama abençoada é sua filha, amplamente conhecida pelo nome de Damayanti. E há um rei governando os Nishadhas, chamado Nala, o filho de Virasena. Esta senhora abençoada é a esposa daquele monarca sábio e justo. Derrotado nos dados por seu irmão, e despojado de seu reino, aquele rei, acompanhado por Damayanti, foi embora sem o conhecimento de ninguém. Nós temos vagado por toda a terra à procura de Damayanti. E esta moça foi finalmente encontrada na casa do teu filho. Não existe mulher que seja sua rival em beleza. Entre as sobrancelhas desta donzela sempre jovem há um excelente sinal de nascimento, parecido com um lótus. Notado por nós (anteriormente) ele parece ter desaparecido, coberto, (como a testa dela está) com (uma camada) de pó assim como a lua escondida em nuvens. Colocado lá pelo próprio Criador como uma indicação de prosperidade e riqueza, aquele sinal é visível indistintamente, como o crescente lunar do primeiro dia da quinzena iluminada coberto por nuvens. E coberto como seu corpo está com poeira, sua beleza não desapareceu. Embora descuidada de sua pessoa, ela ainda está manifesta, e brilha como ouro. E esta moça, semelhante a uma deusa, capaz de ser identificada por esta sua forma e aquele sinal, foi descoberta por mim como alguém descobre um fogo que está coberto, por meio de seu calor!'” "Ó rei, ouvindo estas palavras de Sudeva, Sunanda lavou o pó que cobria o sinal entre as sobrancelhas de Damayanti. E então ele se tornou visível como a lua no céu, recém saída das nuvens. E vendo aquele sinal, ó Bharata, Sunanda e a rainha-mãe começaram a chorar, e abraçando Damayanti permaneceram silenciosas por um momento. E a rainha-mãe, derramando lágrimas enquanto falava, disse em tons amáveis, 'Por este teu sinal, eu descubro que tu és a filha da minha irmã. Ó moça bela, tua mãe e eu somos ambas filhas de Sudaman de grande alma, o soberano dos Dasarnas. Ela foi entregue ao rei Bhima, e eu a Viravahu. Eu testemunhei teu nascimento no palácio do nosso pai no país dos Dasarnas. Ó bela, minha casa é para ti assim como a do teu pai. E esta riqueza, ó Damayanti, é tanto tua quanto minha.' Nisto, ó rei, Damayanti, reverenciando a irmã de sua mãe com o coração contente, falou para ela estas palavras, 'Não reconhecida, eu ainda assim vivi felizmente contigo, com todas as minhas necessidades satisfeitas e eu mesma respeitada por ti. E feliz como tem sido minha estadia, ela, sem dúvida, seria mais feliz ainda. Mas, mãe, eu tenho estado muito tempo em exílio. Cabe a ti, portanto, me conceder permissão (para partir). Meu filho e filha, enviados para o palácio do meu pai, estão vivendo lá. Privados de seu pai, e de sua mãe também, como eles estão passando seus dias tomados pela tristeza? Se tu desejas fazer o que é agradável para mim, peça um veículo sem perda de tempo, pois eu desejo ir até os Vidarbhas.' Nisto, ó rei, a irmã da mãe (de Damayanti), com o coração contente, disse, 'Assim seja.' E a rainha-mãe com a de permissão seu filho, ó chefe dos Bharatas, enviou Damayanti em uma bela liteira carregada por homens, protegida por uma grande escolta e provida de alimento e bebida e peças de roupa de primeira qualidade. E logo ela alcançou o país dos Vidarbhas. E todos os seus parentes, regozijando-se (em sua chegada) receberam-na com respeito. E vendo que seus parentes, seus filhos, seus pais, e todas as suas empregadas estavam bem, a ilustre Damayanti, ó rei, adorou os deuses e Brahmanas de acordo com o método superior. E o rei se regozijou ao ver sua filha e deu para Sudeva mil vacas e muita riqueza e uma vila. E, ó rei, tendo passado aquela noite na mansão de seu pai e recuperada da fadiga, Damayanti dirigiu-se à sua mãe, dizendo, 'Ó mãe, se tu desejas que eu viva, eu te digo realmente, esforce-te para trazer Nala, aquele herói entre homens.' Assim endereçada por Damayanti, a rainha venerável ficou cheia de tristeza. E banhada em lágrimas, ela não pode dar qualquer resposta. E vendo-a naquela situação todos os moradores dos aposentos internos irromperam em exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ e começaram a chorar amargamente. E então a rainha se dirigiu ao monarca poderoso Bhima, dizendo, 'Tua filha Damayanti lamenta por causa de seu marido. Mais ainda, banindo todo acanhamento, ela mesma, ó rei, declarou seu desejo para mim. Que teus homens se esforcem para descobrir o virtuoso (Nala).' Assim informado por ela o rei enviou os Brahmanas sob suas ordens em todas as direções, dizendo, 'Se esforcem para descobrir Nala.' E aqueles Brahmanas, mandados pelo soberano dos Vidarbhas (para procurar Nala) apareceram perante Damayanti e falaram a ela da viagem que eles estavam prestes a empreender. E a filha de Bhima falou para eles dizendo, 'Gritem em todo reino e em toda assembleia: ‘Ó querido jogador, onde tu foste cortando metade da minha peça de roupa, e abandonando a esposa querida e fiel adormecida na floresta? E aquela moça, como mandada por ti permanece te esperando, vestida em metade de um tecido e queimando de aflição! Ó rei, ó herói, tenha compaixão e responda a ela que constantemente chora por aquela desgraça.’ Isto e mais vocês dirão, para que ele possa tender à compaixão por mim. Ajudado pelo vento, o fogo consome a floresta. (Além disso, vocês dirão que) ‘A esposa é para ser sempre protegida e mantida pelo marido. Por que então, bom como tu és e conhecedor de todos os deveres, tu negligenciaste ambos os deveres? Possuidor de fama e sabedoria, e linhagem, e bondade, por que tu és inclemente? Eu temo que isto seja devido à perda da minha boa sorte! Portanto, ó tigre entre homens, tenha compaixão por mim. Ó touro entre homens! Eu ouvi de ti que a bondade é a maior virtude.’ Falando dessa maneira, se alguém responder a vocês, aquela pessoa deve ser conhecida por todos os meios, e vocês devem saber quem ele é, e onde ele mora. E, ó principais dos regenerados, tragam-me as palavras daquele que ouvindo seu discurso se arriscar a responder. Vocês devem também agir com tal cuidado que ninguém possa saber que as palavras que proferem são por minha ordem, nem que vocês voltarão a mim. E vocês devem também saber se aquele que responde é rico, ou pobre, ou desprovido de poder, realmente tudo sobre ele.' Assim instruídos por Damayanti, ó rei, os Brahmanas partiram em todas as direções à procura de Nala atingido por tal desastre. E os Brahmanas, ó rei, procuraram por ele em cidades e reinos e aldeias, e retiros de ascetas, e lugares habitados por vaqueiros. E, ó monarca, onde quer que eles chegavam eles recitavam as palavras que Damayanti os tinha ordenado dizer." 70 "Vrihadaswa disse, 'Depois que um longo tempo tinha se passado, um Brahmana chamado Parnada voltou à cidade (dos Vidarbhas), e disse para a filha de Bhima, 'Ó Damayanti, procurando Nala, o rei dos Nishadhas, eu fui à cidade de Ayodhya, e apareci perante o filho de Bhangasura. E, ó melhor das mulheres, eu repeti aquelas tuas palavras na presença do abençoado Rituparna. Mas ouvindo- as nem aquele soberano de homens nem seus cortesãos responderam alguma coisa, embora eu as tenha proferido repetidamente. Então, depois que eu tinha sido dispensado pelo monarca, eu fui abordado por uma pessoa à serviço de Rituparna, chamado Vahuka. E Vahuka é cocheiro daquele rei, de aparência feia e possuidor de braços curtos. E ele é habilidoso em dirigir com velocidade, e bem familiarizado com a arte culinária. E suspirando frequentemente, e derramando lágrimas repetidamente, ele perguntou sobre meu bem-estar e depois disse estas palavras, 'Mulheres castas, embora caídas na miséria, ainda protegem a si mesmas e assim sem dúvida asseguram o céu. Embora elas possam ser abandonadas por seus maridos, elas ainda assim não ficam zangadas por causa disso, pois mulheres que são castas levam suas vidas envolvidas na armadura do comportamento virtuoso. Não cabe a ela ficar zangada, já que aquele que a abandonou estava oprimido pelo infortúnio, e privado de toda felicidade. Uma mulher bela e virtuosa não deve ficar zangada com alguém que foi privado por aves de sua peça de roupa enquanto se esforçava para obter sustento e que está sendo consumido pela dor. Tratada bem ou mal, tal mulher nunca deve se entregar à ira, vendo seu marido naquela situação difícil, despojado de reino e desprovido de prosperidade, oprimido pela fome e dominado pela adversidade.' Ouvindo estas palavras dele, eu vim aqui rapidamente. Tu agora ouviste tudo. Faça o que tu achares apropriado, e informe o rei disto.' Ó rei, tendo ouvido estas palavras de Parnada, Damayanti com olhos lacrimosos foi até sua mãe, e falou a ela em particular, 'Ó mãe, o rei Bhima não deve, por quaisquer meios, ser informado do meu propósito. Na tua presença eu empregarei aquele melhor dos Brahmanas, Sudeva! Se tu desejas meu bem-estar, aja de tal maneira que o rei Bhima não possa conhecer meu propósito. Que Sudeva sem demora vá daqui à cidade de Ayodhya, com o objetivo de trazer Nala, ó mãe, tendo realizado os mesmos ritos auspiciosos por virtude dos quais ele me trouxe rapidamente para o meio de amigos.' Com estas palavras, depois que Parnada tinha se recuperado da fadiga, a princesa de Vidarbha adorou-o com riqueza abundante e também disse, 'Quando Nala vier para cá, ó Brahmana, eu te concederei riqueza em abundância novamente. Tu me fizeste o imenso serviço o qual ninguém mais, de fato, poderia me fazer, pois, (devido àquele teu serviço), ó tu melhor dos regenerados, eu rapidamente recuperarei meu marido (perdido).' E assim endereçado por Damayanti, aquele Brahmana de mente elevada confortou- a, proferindo palavras abençoadoras de significado auspicioso e então foi para casa, considerando sua missão como bem sucedida. E depois que ele tinha ido embora, Damayanti oprimida pela dor e angústia, chamando Sudeva, dirigiu-se a ele, ó Yudhishthira, na presença de sua mãe, dizendo, 'Ó Sudeva, vá para a cidade de Ayodhya, direto como uma ave, e diga estas palavras ao rei Rituparna que vive lá: ‘A filha de Bhima, Damayanti, festejará outro Swayamvara. Todos os reis e príncipes estão indo para lá. Calculando o tempo, eu acho que a cerimônia se realizará amanhã. Ó repressor de inimigos, se isto é possível para ti, vá para lá sem demora. Amanhã, depois do sol ter surgido, ela escolherá um segundo marido, porque ela não sabe se o heróico Nala vive ou não.’ E endereçado por ela, ó monarca, dessa maneira, Sudeva partiu. E ele disse para Rituparna tudo o que ele tinha sido instruído a dizer.'" 71 "Vrihadaswa continuou, 'Tendo ouvido as palavras de Sudeva, o rei Rituparna, acalmando Vahuka com palavras amáveis, disse, 'Ó Vahuka, tu és bem hábil em treinar e guiar cavalos. Se te agradar, eu pretendo ir para o Swayamvara de Damayanti no decurso de um único dia.' Assim endereçado, ó filho de Kunti, por aquele rei, Nala sentiu seu coração se partindo de dor. E o rei de grande alma parecia queimar em tristeza. E ele pensou consigo mesmo, 'Talvez Damayanti ao fazer isto esteja cegada pela tristeza. Ou, talvez, ela tenha concebido este esquema magnífico por minha causa. Ai, cruel é o ato que a princesa inocente de Vidarbha pretende fazer, tendo sido enganada pela minha pessoa pecaminosa e desprezível de pouca inteligência. É visto no mundo que a natureza da mulher é inconstante. Minha ofensa também foi grande; talvez ela esteja agindo assim, porque ela não tem mais qualquer amor por mim devido à minha separação dela. De fato, aquela moça de cintura fina, afligida pela dor por minha causa e com desespero, certamente não fará qualquer coisa do tipo, especialmente quando, ela é a mãe de filhos (comigo). No entanto se isto é verdadeiro ou falso, eu averiguarei com certeza ao ir para lá. Eu, portanto, realizarei o propósito de Rituparna e o meu também.' Tendo decidido assim em sua mente, Vahuka, com seu coração em tristeza falou para o rei Rituparna, com as mãos unidas, dizendo, 'Ó monarca, eu me submeto à tua ordem, e, ó tigre entre homens, eu irei para a cidade dos Vidarbhas em um único dia, ó rei!' Então, ó monarca, por ordem do nobre filho de Bhangasura, Vahuka foi para os estábulos e começou a examinar os cavalos. E repetidamente incitado por Rituparna a se apressar, Vahuka depois de muito escrutínio e deliberação cuidadosa escolheu alguns corcéis que eram magros, mas ainda assim fortes e capazes de uma longa jornada e dotados de energia e força de raça superior e docilidade, livres de marcas inauspiciosas, com narinas largas e bochechas salientes, livres de defeitos com relação aos dez cachos de pêlos, nascidos no (país de) Sindhu, e velozes como os ventos. E vendo aqueles cavalos, o rei disse com certa raiva, ‘O que é isto que desejas fazer? Tu não deves brincar conosco. Como podem esses meus cavalos, fracos em vigor e fôlego, nos transportar? E como nós seremos capazes de percorrer este longo caminho pela ajuda deles?' Vahuka respondeu, 'Cada um destes cavalos possui um cacho em sua testa, dois em suas têmporas, quatro em seus lados, quatro em seu peito, e um em suas costas. Sem dúvida, estes corcéis serão capazes de ir ao país dos Vidarbhas. Se, ó rei, tu pensas em escolher outros, indique-os e eu os emparelharei para ti.' Rituparna replicou, 'Ó Vahuka, tu és versado no conhecimento de cavalos e és também habilidoso (em guiá-los). Emparelhe rapidamente aqueles que tu achas capazes.' Então o habilidoso Nala uniu ao carro quatro corcéis excelentes de boa raça que eram, além disso, dóceis e velozes. E depois que os corcéis estavam unidos, o rei sem perda de tempo subiu no carro, quando aqueles melhores dos cavalos caíram ao solo sobre seus joelhos. Então, ó rei, aquele principal dos homens, o abençoado rei Nala, começou a acalmar os cavalos dotados de energia e força. E erguendo-os com as rédeas e fazendo o cocheiro Varshneya sentar no carro, ele se preparou para partir com grande velocidade. E aqueles melhores dos corcéis, devidamente incitados por Vahuka, se ergueram ao céu, confundindo o ocupante do veículo. E vendo aqueles corcéis dotados da velocidade do vento puxando o carro daquela maneira, o rei abençoado de Ayodhaya estava muito surpreso. E percebendo o estrépito do carro e também o manejo dos corcéis, Varshneya refletiu sobre a habilidade de Vahuka em guiar cavalos. E ele pensou, 'Ele é Matali, o cocheiro do rei dos celestiais? Eu encontro as mesmas indicações magníficas no heróico Vahuka. Ou, Salihotra versado na ciência de cavalos tomou esta forma humana tão bela? Ou, é o rei Nala o subjugador de cidades hostis que veio para cá? Ou, pode ser que este Vahuka conheça a ciência que Nala conhece, pois eu percebo que o conhecimento de Vahuka é igual àquele de Nala. Além disso, Vahuka e Nala são da mesma idade. Este, porém, não pode ser Nala de grande destreza, somente alguém de conhecimento igual. Pessoas ilustres, no entanto, andam nesta terra disfarçados por causa do infortúnio, ou de acordo com as ordenanças das escrituras. O fato dele ter aparência feia não precisa mudar minha opinião; pois Nala, eu penso, pode ser até despojado de seus traços pessoais. Em relação à idade ele é igual a Nala. Há diferença, no entanto, na aparência pessoal. Vahuka, além disso, é dotado de todas as habilidades. Eu acho, portanto, que ele é Nala.' Tendo assim raciocinado por muito tempo, ó monarca poderoso, Varshneya, o cocheiro (antigo) do justo Nala, ficou absorto em pensamento. E aquele principal dos reis, Rituparna, vendo também a habilidade de Vahuka na ciência equestre sentiu grande deleite, junto com seu cocheiro Varshneya. E pensando na aplicação e ardor de Vahuka e na maneira dele segurar as rédeas, o rei sentiu-se muito contente.'” 72 "Vrihadaswa disse, 'Como uma ave percorrendo o céu, Nala logo cruzou rios e montanhas, e florestas e lagos. E enquanto o carro estava rumando dessa maneira, aquele conquistador de cidades hostis, o filho nobre de Bhangasura, viu sua peça de roupa superior cair no chão. E logo que seu traje tinha caído o monarca de grande mente, sem perda de tempo, disse a Nala, 'Eu pretendo recuperá-lo. Ó tu de inteligência profunda, detenha estes corcéis dotados de rapidez excelente até Varshneya trazer de volta minha peça de roupa.' Imediatamente Nala respondeu para ele, 'O lençol está caído muito longe. Nós viajamos um yojana desde lá. Portanto, ele não pode de ser recuperado.' Depois que Nala tinha se dirigido a ele dessa maneira, ó rei, o filho real de Bhangasura aproximou-se de uma árvore Vibhitaka com frutas em uma floresta. E vendo aquela árvore, o rei disse depressa para Vahuka, 'Ó cocheiro, veja também minha grande competência em cálculo. Todos os homens não sabem tudo. Não há alguém que seja versado em toda ciência de habilidade. O conhecimento em sua totalidade não é encontrado em uma única pessoa. Ó Vahuka, as folhas e frutas desta árvore que estão jazendo no chão respectivamente excedem aquelas que estão sobre ela por cento e um. Os dois ramos da árvore têm cinquenta milhões de folhas, e dois mil e noventa cinco frutas. Examine estes dois ramos e todos os seus galhos.' Então permanecendo no carro Vahuka dirigiu-se ao rei, dizendo, 'Ó opressor de inimigos, tu tomas crédito para ti mesmo em um assunto que está além da minha percepção. Mas, ó monarca, eu averiguarei isto pela evidência direta dos meus sentidos, por cortar o Vibhitaka. Ó rei, quando eu realmente contar, isto não será mais assunto de especulação. Portanto, na tua presença, ó monarca, eu derrubarei este Vibhitaka. Eu não sei se será ou não (como tu disseste). Na tua presença, ó soberano de homens, eu contarei as frutas e folhas. Que Varshneya segure as rédeas dos cavalos por um tempo.' Para o cocheiro o rei respondeu, 'Não há tempo a perder.' Mas Vahuka respondeu com humildade, 'Fique por um espaço de tempo curto, ou, se tu estás com pressa, vá então, fazendo Varshneya teu cocheiro. A estrada se encontra reta e nivelada.' E nisto, ó filho da raça Kuru, acalmando Vahuka, Rituparna disse, 'Ó Vahuka, tu és o único cocheiro, não há nenhum outro neste mundo. E, ó tu versado no conhecimento de cavalos, é através da tua ajuda que eu espero ir aos Vidarbhas. Eu me coloco em tuas mãos. Não cabe a ti causar algum obstáculo. E, ó Vahuka, o que quer que tu desejes eu concederei se me levando ao país dos Vidarbhas hoje, tu me fizeres ver o nascer do sol.' Nisto, Vahuka lhe respondeu, dizendo, 'Depois de ter contado (as folhas e frutas do) Vibhitaka, eu procederei para Vidarbha, concorde com minhas palavras.’ Então o rei relutantemente lhe disse, 'Conte. E ao contar as folhas e frutas de uma parte deste ramo, tu serás satisfeito da verdade da minha afirmação.' E imediatamente Vahuka desceu depressa do carro, e derrubou aquela árvore. E tomado pelo espanto ao descobrir que as frutas, depois de cálculo, eram o que o rei tinha dito, ele dirigiu-se ao rei, dizendo, 'Ó monarca, este teu poder é extraordinário. Eu desejo, ó príncipe, conhecer a arte pela qual tu averiguaste tudo isto.' E nisto o rei, pretendendo proceder rapidamente, disse para Vahuka. 'Saiba que eu sou competente no jogo de dados além de ser versado em números.’ E Vahuka disse para ele, 'Comunique-me este conhecimento, ó touro entre homens, e receba de mim meu conhecimento de cavalos.' E o rei Rituparna, tendo considerado a importância da ação que dependia da boa vontade de Vahuka, e tentado também pelo conhecimento de cavalos (que seu cocheiro possuía), disse, 'Assim seja. Como solicitado por ti, receba esta ciência dos dados de mim, e, ó Vahuka, que meu conhecimento equino permaneça contigo em confiança.' E dizendo isto Rituparna comunicou para Nala a ciência (que ele desejava). E após Nala se tornar conhecedor da ciência dos dados, Kali saiu de seu corpo, vomitando incessantemente de sua boca o veneno virulento de Karkotaka. E quando Kali, afligido (pela maldição de Damayanti) saiu (do corpo de Nala), o fogo daquela maldição também deixou Kali. De fato, tinha sido longo o tempo pelo qual o rei foi afligido por Kali, como se ele fosse de alma não regenerada. E Nala o soberano dos Nishadhas, em cólera, estava inclinado a amaldiçoar Kali, quando o último, assustado, e tremendo, disse com as mãos unidas, 'Controle tua cólera, ó rei! Eu te tornarei ilustre. A mãe de Indrasena antigamente me amaldiçoou com raiva quando ela foi abandonada por ti. Desde aquele tempo passando por aflição dolorosa eu residi em ti, ó monarca poderoso, ó inconquistado, miseravelmente e queimando noite e dia com o veneno do príncipe das cobras. Eu procuro a tua proteção. Se tu não amaldiçoares a mim que estou assustado e procuro a tua proteção, então aqueles homens que narrarem atentamente a tua história serão livres do medo por minha causa.' E assim endereçado por Kali, o rei Nala controlou sua cólera. E imediatamente o assustado Kali entrou rapidamente na árvore Vibhitaka. E enquanto Kali estava conversando com Naishadha, ele era invisível para outros. E livre de suas aflições, e tendo contado as frutas daquela árvore, o rei, cheio de grande alegria e de energia superior, subiu no carro e prosseguiu com energia, instigando aqueles cavalos velozes. E por causa do toque de Kali a árvore Vibhitaka desde aquele tempo caiu em infâmia. E Nala, com o coração contente, começou a instigar aqueles principais dos corcéis os quais saltavam no ar repetidamente como criaturas dotadas de asas. E o monarca ilustre dirigiu (o carro) na direção dos Vidarbhas. E depois que Nala tinha ido muito longe, Kali também voltou para sua residência. E abandonado por Kali, ó rei, aquele senhor da terra, o nobre Nala, ficou livre do infortúnio embora ele não assumisse sua forma natural.'" 73 "Vrihadaswa disse, 'Depois que Rituparna de bravura incapaz de ser frustrada, à noite, chegou na cidade dos Vidarbhas, as pessoas levaram ao rei Bhima as notícias (da chegada dele). E ao convite de Bhima, o rei (de Ayodhya) entrou na cidade de Kundina, enchendo com o estrépito de seu carro todos os dez pontos, diretos e transversais, do horizonte. E os corcéis de Nala que estavam naquela cidade ouviram aquele som, e ouvindo-o eles ficaram alegres como eles costumavam ficar na presença do próprio Nala. E Damayanti também ouviu o som daquele carro dirigido por Nala, como o ribombar profundo das nuvens na estação chuvosa. E Bhima e os corcéis (de Nala) consideraram o ruído daquele carro como semelhante àquele que eles costumavam ouvir no passado quando o próprio rei Nala instigava seus próprios corcéis. E os pavões nos terraços, e os elefantes nos estábulos, e os cavalos também, todos ouviram o estrépito do carro de Rituparna. E ouvindo o som, assim como o ribombar das nuvens, os elefantes e os pavões, ó rei, começaram a proferir seus gritos, de frente para aquela direção, e cheios de tal prazer como eles sentiam quando eles ouviam o ribombar real das nuvens. E Damayanti disse, 'Porque o estrépito de seu carro enchendo toda a terra alegra meu coração, deve ser o rei Nala (que chegou). Se eu não vir Nala, de rosto brilhante como a lua, aquele herói com virtudes inumeráveis, eu sem dúvida morrerei. Se eu não for envolvida hoje no abraço vibrante daquele herói, eu certamente cessarei de existir. Se Naishadha com voz profunda como aquela das nuvens não vier a mim hoje, eu entrarei em uma pira de brilho dourado. Se aquele principal dos reis, poderoso como um leão e dotado da força de um elefante enfurecido, não se apresentar perante mim, eu certamente cessarei de viver. Eu não me lembro de uma única inverdade nele, ou de um único mal feito por ele a outros. Ele nunca falou uma mentira nem de brincadeira. Oh, meu Nala é nobre e perdoador e heróico e magnífico e superior a todos os outros reis, e fiel ao seu voto de casamento e como um eunuco em relação a outras mulheres. Noite e dia residindo sobre suas percepções, meu coração, na ausência daquele querido, está prestes a rebentar de aflição.' Assim lamentando como alguém desprovido de juízo, Damayanti, ó Bharata, subiu no terraço (de sua mansão) com o desejo de ver o virtuoso Nala. E no pátio da mansão central ela viu o rei Rituparna no carro com Varshneya e Vahuka. E Varshneya e Vahuka, descendo daquele veículo excelente, desatrelaram os corcéis, e colocaram o próprio veículo em um lugar adequado. E o rei Rituparna também, descendo do carro, apresentou-se perante o rei Bhima possuidor de bravura terrível. E Bhima recebeu-o com grande respeito, pois na ausência de uma ocasião apropriada, uma grande pessoa não pode ser tida (como um convidado). E honrado por Bhima, o rei Rituparna olhou à sua volta repetidas vezes, mas não viu traços do Swayamvara. E o soberano dos Vidarbhas, ó Bharata, aproximando-se de Rituparna, disse, 'Bem vindo! Qual é a ocasião desta tua visita?' E o rei Bhima perguntou isso sem saber que Rituparna tinha vindo para obter a mão de sua filha. E o rei Rituparna, de destreza imbatível e dotado de inteligência viu que não havia outros reis ou príncipes. Nem ele ouviu alguma conversa relativa ao Swayamvara, nem viu qualquer multidão de Brahmanas. E nisto, o rei de Kosala refletiu um momento e finalmente disse, 'Eu vim aqui prestar meus respeitos a ti.' E o rei Bhima foi tomado por grande surpresa, e refletiu sobre a (provável) causa da vinda de Rituparna, tendo atravessado cem yojanas. E ele refletiu, 'Que passando por outros soberanos, e deixando para trás países inumeráveis, ele tenha vindo simplesmente para prestar seu respeito a mim dificilmente é a razão da sua chegada. O que ele aponta como sendo a causa da sua vinda parece ser uma insignificância. No entanto, eu saberei a verdadeira razão no futuro.' E embora o rei Bhima pensasse assim, ele não despediu Rituparna sumariamente, mas disse a ele repetidas vezes, 'Descanse, tu estás cansado.' E honrado assim pelo satisfeito Bhima, o rei Rituparna estava contente, e com o coração encantado, ele foi para seus alojamentos designados seguido pelos empregados da família real.” "Vrihadaswa continuou, 'E, ó rei, depois que Rituparna tinha partido com Varshneya, Vahuka levou o carro aos estábulos. E lá libertando os corcéis, e cuidando deles de acordo com o método, e acalmando-os, ele sentou-se em um lado do carro. Enquanto isso, a princesa de Vidharva, Damayanti, afligida pela dor, tendo visto o filho nobre de Bhangasura, e Varshneya da linhagem Suta, e também Vahuka naquele disfarce, se perguntou, 'De quem é este estrépito de carro? Ele era alto como o de Nala, mas eu não vejo o soberano dos Nishadhas. Certamente, Varshneya aprendeu a arte de Nala, e é por isto que o estrépito do carro dirigido por ele é mesmo semelhante àquele de Nala. Ou, Rituparna tem a mesma habilidade que Nala para que o som de seu carro pareça ser como o de Nala?' E refletindo dessa maneira, ó monarca, a moça bela e abençoada mandou uma mensageira à procura de Nishada." 74 "Damayanti disse, 'Ó Kesini, vá e descubra quem é aquele cocheiro que senta perto do carro, de má aparência e possuidor de braços curtos. Ó abençoada, ó impecável, aproximando-te dele cautelosamente e com palavras adequadas, faça as perguntas costumeiras de cortesia e saiba todos os detalhes realmente. Considerando o sentimento de satisfação que minha mente experimenta, e o deleite que meu coração sente, eu temo que ele seja o próprio rei Nala. E, ó impecável, tendo perguntado por seu bem-estar, tu falarás para ele as palavras de Parnada. E, ó bela, ouça a resposta que ele possa dar para isso.' Assim instruída, aquela mensageira, indo com cautela, enquanto a abençoada Damayanti observava do terraço, dirigiu-se a Vahuka nestas palavras, 'Ó principal dos homens, tu és bem vindo. Eu te desejo felicidade. Ó touro entre homens, ouça agora as palavras de Damayanti. Quando vocês todos partiram, e com que objetivo vocês vieram para cá? Diga-nos realmente, pois a princesa de Vidarbha deseja saber isto.' Assim endereçado, Vahuka respondeu, ‘O rei ilustre de Kosala ouviu de um Brahmana que um segundo Swayamvara de Damayanti se realizaria. E sabendo disto, ele veio para cá, pela ajuda de corcéis excelentes velozes como o vento e capazes de percorrer cem yojanas. Eu sou seu cocheiro.’ Kesini então perguntou, 'De onde vem o terceiro entre vocês, e ele é (filho) de quem? E tu és filho de quem, e como tu vieste a fazer este trabalho?' Assim questionado, Vahuka respondeu, 'Aquele (de quem tu perguntaste) era o cocheiro do virtuoso Nala, e conhecido por todos pelo nome de Varshneya. Depois que Nala, ó bela, deixou seu reino, ele foi até o filho de Bhangasura. Eu sou hábil no conhecimento de cavalos, e, portanto, fui designado como cocheiro. De fato, o próprio rei Rituparna me escolheu como seu cocheiro e cozinheiro.' Nisto Kesini replicou, 'Talvez Varshneya saiba onde o rei Nala foi, e, ó Vahuka, ele pode também ter falado para ti (sobre seu patrão).' Vahuka então disse, 'Tendo trazido para cá os filhos de Nala de atos excelentes, Varshneya partiu para onde ele desejava. Ele não sabe onde Naishadha está. Nem, ó ilustre, alguém mais sabe do paradeiro de Nala; pois o rei (em desgraça) vaga pelo mundo disfarçado e despojado de sua beleza (natural). Somente o próprio Nala conhece Nala. Nala nunca revela suas marcas de identidade em qualquer lugar.' Assim endereçada, Kesini respondeu, 'O Brahmana que antes disso foi para Ayodhya disse repetidamente estas palavras apropriadas para lábios femininos, 'Ó querido jogador, onde tu foste cortando metade do meu pedaço de tecido, e abandonando a mim, sua esposa querida e fiel adormecida nas florestas? E ela mesma, como ordenada por ele, espera aguardando-o vestida em metade de uma peça de roupa e queimando dia e noite em aflição. Ó rei, ó herói, tenha compaixão por ela que chora sem parar por aquela calamidade e dê a ela uma resposta. Ó ilustre, fale palavras agradáveis para ela pois a inocente almeja ouvi-las.’ Ouvindo estas palavras do Brahmana tu antigamente deste uma resposta! A princesa de Vidarbha deseja ouvir outra vez as palavras que tu então disseste.' Vrihadaswa continuou, 'Ó filho da raça Kuru, ouvindo estas palavras de Kesini, o coração de Nala estava atormentado, e seus olhos encheram-se de lágrimas. E reprimindo sua tristeza, o rei que estava queimando de dor disse novamente estas palavras, em tons sufocados com lágrimas: 'Mulheres castas, embora oprimidas pela miséria, ainda assim protegem a si mesmas e nisso asseguram o céu. Mulheres que são castas, abandonadas por seus maridos, nunca ficam zangadas, mas continuam a viver, envolvidas na armadura da virtude. Abandonada por alguém caído em desgraça, privado de razão, e desprovido de felicidade, não cabe a ela ficar zangada. Uma mulher virtuosa não deve ficar zangada com alguém que foi privado por aves de sua peça de roupa enquanto se esforçava para obter sustento e que está queimando em miséria. Tratada bem ou mal ela nunca deve ficar zangada, vendo seu marido naquela situação difícil, despojado de seu reino e privado de prosperidade, oprimido pela fome e dominado pela adversidade.' E, ó Bharata, enquanto falava dessa maneira, Nala oprimido pela dor não pode reprimir suas lágrimas, mas começou a chorar. E imediatamente Kesini voltou para Damayanti, e informou-a de tudo acerca daquela conversa assim como daquela explosão de dor.’ 75 "Vrihadaswa disse, 'Ouvindo tudo, Damayanti ficou oprimida pela dor, e suspeitando que a pessoa era Nala, disse para Kesini, 'Ó Kesini, vá novamente e examine Vahuka, e ficando em silêncio ao lado dele preste atenção ao seu comportamento. E, ó bela, sempre que acontecer de ele fazer algo habilidoso, observe bem seu procedimento enquanto estiver realizando isto. E, ó Kesini, toda vez que ele pedir água ou fogo, com o propósito de lhe oferecer obstrução, tu não deves ter pressa em dar. E observando tudo acerca do seu comportamento, venha e me diga. E o que quer de humano ou sobre-humano que tu vejas em Vahuka, junto com qualquer coisa mais, deve tudo ser relatado para mim.' E assim endereçada por Damayanti, Kesini partiu, e tendo observado a conduta daquela pessoa versada no conhecimento de cavalos, ela voltou. E ela relatou para Damayanti tudo o que tinha acontecido, de fato, tudo de humano e sobre-humano que ela tinha testemunhado em Vahuka. E Kesini disse, 'Ó Damayanti, um pessoa de tal controle sobre os elementos eu nunca tinha visto antes ou ouvido falar. Quando ele chegava a uma passagem baixa, ele nunca se inclinava, mas vendo ele a própria passagem crescia em altura para que ele pudesse passar facilmente através dela. E à sua aproximação buracos estreitos intransponíveis abriam-se totalmente. O rei Bhima enviou várias espécies de carne, de diversos animais, para a alimentação de Rituparna. E muitos recipientes foram colocados lá para lavar a carne. E quando ele olhou para eles, aqueles recipientes ficaram cheios (de água). E tendo lavado a carne, quando ele se pôs a cozinhar, ele pegou um punhado de grama e segurou-o ao sol, quando fogo resplandeceu de repente. Vendo esta maravilha, eu vim para cá pasma. Em seguida, eu testemunhei nele outro grande prodígio. Ó bela, ele tocou o fogo e não foi queimado. E à sua vontade, água caindo fluía em uma corrente. E, eu ainda testemunhei outro grande portento. Ele pegou algumas flores, e começou a pressioná-las lentamente com suas mãos. E apertadas por suas mãos as flores não perderam suas formas originais, mas, muito pelo contrário, tornaram-se mais vistosas e mais cheirosas do que antes. Tendo visto estas coisas maravilhosas eu vim para cá rapidamente.' Vrihadaswa continuou, Sabendo dessas ações do virtuoso Nala, e descobrindo- o por seu comportamento, Damayanti considerou-o como já recuperado. E destas indicações suspeitando que Vahuka era seu marido, Damayanti mais uma vez se dirigiu lacrimosamente a Kesini em palavras gentis, dizendo, 'Ó bela, vá novamente e traga da cozinha sem o conhecimento de Vahuka alguma carne que tenha sido fervida e temperada (por ele).' Assim mandada, Kesini, sempre empenhada em fazer o que era agradável para Damayanti, foi até Vahuka, e pegando alguma carne quente voltou sem perda de tempo. E Kesini deu aquela carne, ó filho da raça Kuru, para Damayanti. E Damayanti, que tinha antigamente partilhado muitas vezes da carne temperada por Nala, experimentou a carne que foi trazida por sua criada. E ela imediatamente decidiu que Vahuka era Nala e chorou alto em aflição de coração. E, ó Bharata, dominada pela dor, e lavando seu rosto, ela enviou seus dois filhos com Kesini. E Vahuka, que era o rei disfarçado, reconhecendo Indrasena com seu irmão, avançou depressa, e abraçando-os, pegou-os em seu colo. E pegando no colo seus filhos semelhantes aos filhos dos celestiais, ele começou a chorar alto em voz sonora, seu coração oprimido por grande tristeza. E depois de ter repetidamente traído sua agitação, Naishadha de repente deixou as crianças, e dirigiu-se a Kesini, dizendo, 'Ó donzela formosa, estes gêmeos são muito parecidos com meus próprios filhos. Vendo-os inesperadamente, eu derramei lágrimas. Se tu vieres a mim frequentemente as pessoas podem pensar mal, pois nós somos convidados de outra terra. Portanto, ó abençoada, vá em paz.' 76 Vrihadaswa disse, 'Vendo a agitação do virtuoso e sábio Nala, Kesini voltou à Damayanti e relatou tudo para ela. E imediatamente Damayanti com o coração triste e ávido para contemplar Nala mandou Kesini novamente até sua mãe, pedindo a ela para dizer em seu em nome: ‘Suspeitando que Vahuka é Nala, eu o tenho testado de várias maneiras. Minha dúvida agora somente se relaciona à aparência dele. Eu pretendo examiná-lo eu mesma. Ó mãe, ou deixe-o entrar no palácio, ou dê-me permissão para ir até ele. E providencie isto com o conhecimento do meu pai ou sem ele.’ E assim endereçada por Damayanti, aquela senhora comunicou para Bhima a intenção de sua filha, e ao ser informado disto o rei deu seu consentimento. E, ó touro da raça Bharata, tendo obtido o consentimento de seus pais, Damayanti fez Nala ser levado para seus aposentos. E logo que ele viu Damayanti inesperadamente, o rei Nala foi dominado pela dor e tristeza, e ficou banhado em lágrimas. E aquela melhor das mulheres, Damayanti, também, ao ver o rei Nala naquela condição, ficou muito atormentada pela dor. E, ó monarca, ela mesma vestida em um pedaço de tecido vermelho, e usando madeixas emaranhadas, e coberta com sujeira e pó, Damayanti então dirigiu-se a Vahuka, dizendo, 'Ó Vahuka, alguma vez tu viste alguma pessoa conhecedora do dever que foi embora, abandonando sua esposa adormecida na floresta? Quem, exceto o virtuoso Nala, poderia ir embora, abandonando nas florestas sua esposa querida e inofensiva dominada pela fadiga? De que crime eu era culpada aos olhos daquele monarca desde minha mocidade para que ele fosse embora me abandonando nas floretas enquanto dormia dominada pela fadiga? Por que deveria ele a quem eu antigamente escolhi em preferência aos próprios deuses abandonar sua esposa sempre devotada e carinhosa que também se tornou a mãe de seus filhos? Perante o fogo, e na presença também dos celestiais, ele pegou minha mão jurando: 'Verdadeiramente eu serei teu.' Oh, onde estava aquele voto quando ele me abandonou, ó repressor de inimigos?' Enquanto Damayanti estava dizendo tudo isto, lágrimas de tristeza começaram a fluir abundantemente de seus olhos negros (como) aqueles da gazela com extremidades de cor avermelhada. E vendo-a assim afligida pela dor, Nala também, derramando lágrimas, disse, 'Ó tímida, nem a perda do meu reino nem meu abandono de ti foram ação minha. Ambos foram devido a Kali. E, ó principal das mulheres virtuosas, lamentando por mim dia e noite, e dominada pela tristeza, tu nas florestas amaldiçoaste Kali, e assim ele começou a morar no meu corpo, queimando por causa da tua maldição. De fato queimando com tua maldição, ele viveu dentro de mim como fogo dentro de fogo. Ó moça abençoada, estas nossas tristezas podem terminar, eu venci aquele canalha por meio das minhas observâncias e austeridades. O patife pecaminoso já me deixou, e é por isto que eu vim para cá. Minha presença aqui, ó dama formosa, é por tua causa. Eu não tenho outro objetivo. Mas, ó tímida, poderia alguma outra mulher, abandonando seu marido amado e fiel, alguma vez escolher um segundo marido como tu? Por ordem do rei, mensageiros estão percorrendo esta terra inteira, dizendo, ‘A filha de Bhima, por sua própria vontade, escolherá um segundo marido digno dela.’ Imediatamente ao saber disto, o filho de Bhangasura chegou aqui.' Ouvindo estes lamentos de Nala, Damayanti, assustada e tremendo, disse com as mãos unidas, 'Não cabe a ti, ó abençoado, suspeitar de alguma falha em mim. Ó soberano dos Nishadhas, ignorando os próprios celestiais eu te escolhi como meu marido. Foi para te trazer para cá que os Brahmanas partiram em todas as direções, para todos os lados do horizonte, cantando minhas palavras, na forma de baladas. Finalmente, ó rei, um Brahmana erudito chamado Parnada te encontrou em Kosala no palácio de Rituparna. Quando tu deste uma resposta adequada àquelas palavras dele, foi então, ó Naishadha, que eu planejei este esquema para recuperar-te. Exceto a ti, ó senhor da terra, não há ninguém neste mundo, que em um dia passa transpor, ó rei, cem yojanas com cavalos. Ó monarca, tocando teus pés eu posso jurar realmente que eu não cometi qualquer pecado, nem em pensamento. Que o Ar que a tudo testemunha que percorre este mundo tire minha vida, se eu cometi algum pecado. Que o Sol que sempre percorre o céu tire minha vida, se eu cometi algum pecado. Que a Lua, que mora dentro de toda criatura como uma testemunha, tire minha vida se eu cometi algum pecado. Que os três deuses que sustentam os mundos triplos em sua totalidade declarem a verdade, ou que eles me abandonem hoje.' E assim endereçado por ela, o deus do vento disse do céu, 'Ó Nala, eu te digo realmente que ela fez não fez nenhum mal. Ó rei, Damayanti, protegendo bem a honra de tua família, aumentou-a. Disto nós somos testemunhas, porque nós temos sido protetores dela por estes três anos. Foi por tua causa que ela ideou este esquema inigualável, pois, exceto tu, ninguém na terra seria capaz de viajar cem yojanas em um único dia. Ó monarca, tu obtiveste a filha de Bhima, e ela também te obteve. Tu não precisas nutrir qualquer suspeita, apenas una-te com tua consorte.' E depois que o deus do vento tinha dito isso uma chuva floral caiu lá e os timbales celestes começaram a tocar, e brisas auspiciosas começaram a soprar. E vendo aquelas maravilhas, ó Bharata, o rei Nala, o repressor de inimigos, abandonou todas as suas dúvidas em relação a Damayanti. E então aquele senhor da terra, se lembrando do rei das serpentes, vestiu aquela peça de roupa pura e recuperou sua forma natural. E vendo seu marido virtuoso na sua própria forma, a filha de Bhima de membros impecáveis o abraçou, e começou a chorar. E o rei Nala também abraçou a filha de Bhima devotada a ele, como antes, e também seus filhos, e sentiu grande alegria. E afundando seu rosto no peito dele, a bela Damayanti de olhos grandes começou a suspirar pesadamente, lembrando-se de suas aflições. E dominado pela tristeza, aquele tigre entre homens permaneceu por algum tempo abraçando Damayanti coberta de poeira de sorrisos doces. E, ó rei, a rainha-mãe então, com o coração contente, disse para Bhima tudo o que tinha se passado entre Nala e Damayanti. E o poderoso monarca respondeu, 'Que Nala passe este dia em paz, amanhã eu o verei depois do seu banho e orações, com Damayanti ao seu lado.' E, ó rei, eles passaram aquela noite agradavelmente, contando um ao outro os incidentes passados de sua vida na floresta. E com corações cheios de alegria, a princesa de Vidarbha e Nala começaram a passar seus dias no palácio do rei Bhima, empenhados em fazer um ao outro feliz. E foi no quarto ano (depois da perda do seu reino) que Nala foi reunido com sua esposa, e com todos os seus desejos satisfeitos experimentou novamente a maior felicidade. E Damayanti se regozijou muito ao ter recuperado seu marido assim como campos de plantas delicadas ao receberem uma chuva. E a filha de Bhima, recuperando seu marido dessa maneira, realizou seu desejo, e resplandeceu em beleza, seu cansaço passou, suas ansiedades foram dissipadas e se ela se encheu de alegria, assim como uma noite que é iluminada pelo disco brilhante da lua!" 77 "Vrihadaswa disse, 'Tendo passado aquela noite, o rei Nala enfeitado com ornamentos e com Damayanti ao seu lado apresentou-se no momento devido perante o rei. E Nala saudou seu sogro com humildade adequada e depois dele a formosa Damayanti prestou seus respeitos a seu pai. E o nobre Bhima, com grande alegria, recebeu-o como um filho, e honrando-o devidamente junto com sua mulher leal, confortou-os com palavras apropriadas. E aceitando devidamente a homenagem prestada a ele, o rei Nala ofereceu a seu sogro seus serviços como lhe era adequado. E vendo que Nala tinha chegado, os cidadãos estavam em grande alegria. E surgiu na cidade um grande alvoroço de alegria. E os cidadãos enfeitaram a cidade com bandeiras e estandartes e guirlandas de flores. E as ruas foram regadas e decoradas com coroas florais e outros ornamentos. E em seus portões os cidadãos empilharam flores, e seus templos e santuários estavam todos adornados com flores. E Rituparna soube que Vahuka já tinha sido unido com Damayanti. E o rei estava contente ao saber de tudo isto. E chamando para si o rei Nala, ele pediu seu perdão. E o inteligente também pediu o perdão de Rituparna, explicando diversos motivos. E aquele principal dos oradores versado na verdade, o rei Rituparna, depois de ser assim honrado por Nala, disse, com um semblante expressivo de admiração, estas palavras para o soberano dos Nishadhas, 'Por boa sorte é que recuperando a companhia da tua própria esposa tu obtiveste a felicidade. Ó Naishadha, enquanto residindo disfarçado em minha casa, eu espero que eu não tenha sido injusto contigo de qualquer maneira, ó senhor da terra! Se intencionalmente eu te fiz algum mal, cabe a ti me perdoar.' Ouvindo isto Nala respondeu, 'Tu, ó monarca, nunca me fizeste nem uma pequena injúria. E se tu tivesses, isto não despertaria minha ira, pois sem dúvida tu deves ser perdoado por mim. Tu eras antigamente meu amigo, e, ó soberano de homens, tu és também meu parente. De agora em diante eu encontrarei maior alegria em ti. Ó rei, com todos os meus desejos satisfeitos, eu vivi felizmente na tua residência, de fato mais feliz lá do que na minha própria casa. Este é o conhecimento de cavalos que está ao meu cuidado. Se tu desejares, ó rei, eu o transferirei para ti.' Dizendo isto, Naishadha deu para Rituparna aquela ciência e o último aceitou-a com os ritos ordenados. E, ó monarca, o filho nobre de Bhangasura, tendo obtido os mistérios da ciência de cavalos e tendo dado para o soberano dos Naishadhas os mistérios dos dados, partiu para sua própria cidade, empregando outra pessoa como seu cocheiro. E, ó rei, depois que Rituparna tinha partido, o rei Nala não ficou por muito tempo na cidade de Kundina!' 78 "Vrihadaswa disse, 'Ó filho de Kunti, o soberano dos Nishadhas tendo morado lá por um mês partiu daquela cidade com a permissão de Bhima e acompanhado somente por poucos (seguidores) para o país dos Nishadhas. Com um único carro de cor branca, dezesseis elefantes, cinquenta cavalos, e seiscentas infantarias, aquele rei ilustre, fazendo a própria terra tremer, entrou (no país dos Nishadhas) sem perder um momento e cheio de raiva. E o filho poderoso de Virasena, aproximando-se de seu irmão Pushkara disse para ele, 'Nós jogaremos novamente, pois eu ganhei grande riqueza. Que Damayanti e tudo mais que eu tenho seja minha aposta, e que, ó Pushkara, teu reino seja tua aposta. Que o jogo comece novamente. Esta é minha decisão indubitável. Abençoado seja, que nós apostemos tudo o que nós temos junto com nossas vidas. Tendo conquistado e adquirido a riqueza ou reino de outro, é um grande dever, diz a ordenança, apostar isto quando o dono exige. Ou, se tu não gostas de jogar com dados, que o jogo com armas comece. Ó rei, que eu ou tu tenhamos paz por meio de um único combate. Que este reino ancestral deve, sob todas as circunstâncias e por quaisquer meios, ser recuperado, há a autoridade de sábios para apoiar. E, ó Pushkara, escolha uma destas duas coisas, jogar com dados ou curvar o arco em batalha!' Assim endereçado por Nishadha, Pushkara, certo do seu próprio êxito, respondeu rindo para aquele monarca, dizendo, 'Ó Naishadha, é por boa sorte que tu ganhaste riqueza outra vez para apostar. É por boa sorte também que a má sorte de Damayanti finalmente chega ao fim. E, ó rei, é por boa sorte que tu ainda estás vivo com tua esposa, ó tu de braços poderosos! É evidente que Damayanti, adornada com esta tua riqueza que eu ganharei, me servirá como uma Apsara no céu a Indra. Ó Naishadha, eu me lembro diariamente de ti e estava mesmo esperando por ti, já que eu não derivo prazer de jogar com aqueles que não são ligados a mim por sangue. Ganhando hoje a bela Damayanti de feições impecáveis, eu me considerarei afortunado de fato, já que é ela que sempre morou no meu coração.' Ouvindo estas palavras daquele arrogante incoerente, Nala enfurecido desejou cortar sua cabeça com uma cimitarra. Com um sorriso, no entanto, embora seus olhos estivessem vermelhos de raiva, o rei Nala disse, 'Que nós joguemos. Por que você fala dessa maneira agora? Tendo me derrotado, você pode dizer qualquer coisa que queira.' Então começou o jogo entre Pushkara e Nala. E abençoado foi Nala que em um único lance ganhou sua riqueza e tesouros de volta junto com a vida de seu irmão que também tinha sido apostada. E o rei, tendo ganhado, disse sorridente para Pushkara, 'Este reino inteiro sem uma fonte de aborrecimento é agora meu. E, ó pior dos reis, agora tu não podes nem olhar para a princesa de Vidarbha. Com toda tua família, tu estás agora, ó tolo, reduzido à posição de escravo dela. Mas minha derrota anterior nas tuas mãos não foi devido à alguma ação tua. Tu não sabes, ó tolo, que foi Kali quem fez tudo isso. Eu, portanto, não atribuo a ti as falhas de outros. Viva alegremente como tu escolheres, eu te concedo a tua vida. Eu também te concedo a tua parte (no reino paterno) junto com todos os artigos necessários. E, ó herói, sem dúvida, meu afeto por ti é agora o mesmo de antes. Meu amor fraterno também por ti nunca conhecerá alguma diminuição. Ó Pushkara, tu és meu irmão, viva por cem anos!' E Nala de destreza imbatível, tendo confortado seu irmão dessa maneira lhe deu permissão para ir para sua própria cidade, tendo-o abraçado repetidamente. E o próprio Pushkara, assim confortado pelo soberano dos Nishadhas saudou aquele rei justo, e dirigiu-se a ele, ó monarca, dizendo estas palavras com as mãos unidas, ‘Que a tua fama seja imortal e que tu vivas felizmente por dez mil anos, tu que me concedeste, ó rei, vida e proteção.’ E entretido pelo rei, Pushkara morou lá por um mês e então foi para sua própria cidade acompanhado por uma grande força militar e muitos empregados obedientes e seus próprios parentes, com seu coração cheio de alegria. E aquele touro entre homens resplandecia todo o tempo em beleza pessoal como um segundo Sol. E o abençoado soberano dos Nishadhas, tendo estabelecido Pushkara e feito-o rico e livre de problemas, entrou em seu palácio suntuosamente decorado. E o soberano dos Nishadhas, tendo entrado em seu palácio, confortou os cidadãos. E todos os cidadãos e os súditos do país se regozijaram em alegria. E o povo encabeçado pelos oficiais de estado disse com as mãos unidas, 'Ó rei, nós estamos realmente contentes hoje por toda a cidade e o país. Nós obtivemos hoje nosso soberano, como os deuses seu chefe de cem sacrifícios!' Vrihadaswa disse, 'Depois que as festas tinham começado na cidade que estava cheia de alegria e sem ansiedade de qualquer tipo, o rei com uma grande força militar trouxe Damayanti (da casa de seu pai). E seu pai, também, aquele matador de heróis hostis, Bhima de bravura terrível e alma incomensurável, enviou sua filha, tendo-a honrado devidamente. E após a chegada da princesa de Vidarbha acompanhada por seu filho e filha, o rei Nala começou a passar seus dias em alegria como o chefe dos celestiais nos jardins de Nandana. E o rei de fama eterna, tendo recuperado seu reino e se tornado ilustre entre os monarcas da ilha de Jamvu, começou novamente a governá-la. E ele realizou devidamente numerosos sacrifícios com presentes abundantes para Brahmanas. Ó grande rei, tu também, com tua família e parentes, logo brilharás em esplendor dessa maneira. Pois, ó principal dos homens, foi assim que aquele subjugador de cidades hostis, o rei Nala, caiu na miséria junto com sua esposa por causa, ó touro da raça Bharata, do jogo de dados. E, ó senhor da terra, Nala sofreu tal aflição terrível completamente sozinho e recuperou sua prosperidade, ao passo que tu, ó filho de Pandu, com coração fixo na virtude, estás passando teu tempo em alegria nesta floresta, acompanhado por teus irmãos e Krishna. Quando tu estás também, ó monarca, unido diariamente com Brahmanas abençoados versados nos Vedas e seus ramos, tu tens pouca causa para tristeza. Esta história, além disso, do Naga Karkotaka, de Damayanti, de Nala e daquele sábio real Rituparna, é destrutiva do mal. E, ó tu de glória imperecível, esta história, destrutiva da influência de Kali, é capaz, ó rei, de confortar pessoas como tu quando elas a ouvem. E refletindo sobre a incerteza do (êxito do) esforço humano, não cabe a ti te alegrar ou sofrer na prosperidade ou adversidade. Tendo escutado a esta história, fique consolado, ó rei, e não ceda à dor. Não cabe a ti, ó grande rei, enlanguescer sob a adversidade. De fato, homens de presença de espírito, refletindo sobre o capricho do destino e a inutilidade do esforço, nunca se permitem ficar deprimidos. Aqueles que repetidamente recitarem esta história nobre de Nala, e que a ouvirem recitada, nunca serão tocados pela adversidade. Aquele que ouve esta história antiga e excelente tem todos os seus propósitos coroados com sucesso e, sem dúvida, obtém renome, além de filhos e netos e animais, uma alta posição entre os homens, e saúde, e alegria. E, ó rei, o medo também que tu nutres, isto é, (alguém hábil no jogo de dados me convocará), eu dissiparei de uma vez. Ó tu de destreza invencível, eu conheço a ciência dos dados em sua totalidade. Eu estou satisfeito contigo; receba este conhecimento, ó filho de Kunti, eu o comunicarei para ti.” Vaisampayana continuou, “O rei Yudhishthira então, com o coração contente, disse para Vrihadaswa, ‘Ó ilustre, eu desejo aprender a ciência dos dados de ti.’ O Rishi então comunicou seu conhecimento dos dados para o filho de grande alma de Pandu, e tendo-o dado para ele, aquele grande asceta foi para as águas sagradas de Hayasirsha para se banhar. E depois que Vrihadaswa tinha ido embora, Yudhishthira de votos firmes ouviu de Brahmanas e ascetas que foram a ele de várias direções e de lugares de peregrinação e montanhas e florestas, que Arjuna de grande inteligência e capaz de esticar o arco com sua mão esquerda ainda estava engajado nas mais austeras das penitências ascéticas, vivendo só do ar. E ele soube que Partha de braços poderosos estava dedicado a tal ascetismo feroz que ninguém mais antes dele alguma vez tinha estado engajado em penitências semelhantes. E Dhananjaya, o filho de Pritha, engajado em austeridades ascéticas com votos regulados e mente fixa e cumprindo o voto de perfeito silêncio, era, ele ouviu, como o próprio deus brilhante da justiça em sua forma incorporada. E, ó rei, (Yudhishthira) o filho de Pandu, sabendo que seu querido irmão Jaya, o filho de Kunti, estava dedicado a tal ascetismo na grande floresta, começou a se angustiar por ele. E com o coração queimando de dor, o filho mais velho de Pandu, procurando consolo naquela grande floresta manteve conversas com os Brahmanas possuidores de vários conhecimentos que estavam vivendo com ele lá.” 80 (Tirtha yatra Parva) Janamejaya disse, "Ó santo, depois que meu bisavô Partha tinha partido das florestas de Kamyaka, o que fizeram os filhos de Pandu na ausência daquele herói capaz de esticar o arco com sua mão esquerda? Parece-me que aquele arqueiro poderoso e vencedor de exércitos era sua proteção, como Vishnu dos celestiais. Como meus antepassados heróicos passaram seu tempo na floresta, privados da companhia daquele herói, que parecia com o próprio Indra em destreza e nunca virava suas costas em batalha?" Vaisampayana disse, "Depois que Arjuna de destreza imbatível tinha partido de Kamyaka, os filhos de Pandu, ó filho, estavam cheios de tristeza e dor. E os Pandavas com corações tristes pareciam muito com pérolas desenfiadas de um cordão, ou aves privadas de suas asas. E sem aquele herói de corcéis brancos aquela floresta parecia com os bosques Chaitraratha quando privados da presença de Kuvera. E, ó Janamejaya, aqueles tigres entre homens, os filhos de Pandu, privados da companhia de Arjuna, continuaram a viver em Kamyaka em total desânimo. E, ó chefe da raça Bharata, aqueles guerreiros poderosos dotados de grande coragem matavam com flechas simples várias espécies de animais sacrificais para os Brahmanas. E aqueles tigres entre homens e repressores de inimigos, matando diariamente aqueles animais selvagens e consagrando-os devidamente, ofereciam-nos para os Brahmanas. E foi assim, ó rei, que aqueles touros entre homens afligidos pela tristeza viveram lá com corações tristes depois da partida de Dhananjaya. A princesa de Panchala em particular, lembrando-se de seu terceiro marido, dirigiu-se ansiosa a Yudhishthira e disse, 'Aquele Arjuna que com duas mãos rivaliza o Arjuna de mil braços (de antigamente), ai, sem aquele principal dos filhos de Pandu, esta floresta não parece em absoluto bela aos meus olhos. Sem ele, quando eu lanço meus olhares, esta terra parece estar abandonada. Até esta floresta com suas árvores florescentes e tão cheia de maravilhas sem Arjuna não parece tão encantadora como antes. Sem ele que é como uma massa de nuvens azuis (em cor), que tem a bravura de um elefante enfurecido, e cujos olhos são como as folhas do lótus, esta floresta Kamyaka não parece bela para mim. Lembrando-me daquele herói capaz de puxar o arco com sua mão esquerda, e a vibração de cujo arco que soa como o ribombar do trovão, eu não posso sentir alguma felicidade, ó rei!' E, ó monarca, ouvindo seu lamento dessa maneira, aquele matador de heróis hostis, Bhimasena, dirigiu-se a Draupadi nestas palavras, 'Ó dama abençoada de cintura fina, as palavras agradáveis que tu proferiste encantam meu coração como o beber do néctar. Sem ele cujos braços são longos e simétricos, e fortes e semelhantes a um par de maças de ferro e redondos e marcados pelas cicatrizes das cordas do arco e agraciados com o arco e espada e outras armas e envolvido por braceletes dourados e parecidos com um par de cobras de cinco cabeças, sem aquele tigre entre homens o próprio céu parece estar sem o sol. Sem aquele de braços poderosos confiando em quem os Panchalas e os Kauravas não temem as tropas que se esforçam firmemente dos próprios celestiais, sem aquele herói ilustre confiando em cujas armas todos nós consideramos nossos inimigos como já derrotados e a própria terra como já conquistada, sem aquele Phalguna eu não posso obter alguma paz nas florestas de Kamyaka. As diferentes direções também, onde quer que eu lance meus olhos, parecem estar vazias!' Depois que Bhima tinha terminado de falar, Nakula o filho de Pandu, com voz sufocada pelas lágrimas, disse, 'Sem ele cujas façanhas extraordinárias no campo de batalha constituem a conversa até dos deuses, sem aquele principal dos guerreiros, que prazer nós podemos ter nas florestas? Sem ele que tendo ido em direção ao norte derrotou chefes Gandharvas poderosos às centenas, e que tendo obtido inúmeros cavalos belos das espécies Tittiri e Kalmasha todos dotados da velocidade do vento, ofereceu-os por afeição para seu irmão o rei, na ocasião do grande sacrifício Rajasuya, sem aquele querido e ilustre, sem aquele guerreiro terrível nascido depois de Bhima, sem aquele herói igual a um deus eu não desejo mais viver nas florestas Kamyaka.' Depois dos lamentos de Nakula, Sahadeva disse, 'Ele que tendo vencido guerreiros poderosos em batalha ganhou riqueza e virgens e as trouxe para o rei na ocasião do grande sacrifício Rajasuya, aquele herói de esplendor incomensurável que tendo derrotado sozinho os Yadavas reunidos em batalha arrebatou Subhadra com o consentimento de Vasudeva, ele, que tendo invadido o domínio do ilustre Drupada deu, ó Bharata, para o preceptor Drona sua taxa de instrução, vendo, ó rei, aquela cama de grama de Jishnu vazia em nosso retiro, meu coração recusa consolo. Uma migração desta floresta é o que, ó repressor de inimigos, eu preferiria, pois sem aquele herói esta floresta não pode ser encantadora.’" Vaisampayana disse, "Ouvindo estas palavras de seus irmãos como também de Krishna, todos os quais estavam ansiosos por causa de Dhananjaya, o rei Yudhishthira o justo ficou triste. E naquele momento ele viu (diante de si) o Rishi celeste Narada brilhando com beleza Brahmi e semelhante a um fogo flamejando por causa da libação sacrifical. E vendo-o chegar, o rei Yudhishthira com seus irmãos se levantou e adorou devidamente a pessoa ilustre. E dotado de energia ardente, o belo chefe da raça Kuru, cercado por seus irmãos, brilhava como o deus de cem sacrifícios cercado pelos celestiais. E Yajnaseni em obediência aos ditames da moralidade ficou junto a seus maridos, os filhos de Pritha, como Savitri aos Vedas ou os raios do Sol ao topo de Meru. E o ilustre Rishi Narada, aceitando aquele culto, consolou o filho de Dharma em palavras apropriadas. E, ó impecável, dirigindo-se ao rei de grande alma Yudhishthira o justo, o Rishi disse, ‘Diga-me, ó principal dos homens virtuosos, o que é que tu procuras e o que eu posso fazer por ti.’ Nisto, o nobre filho de Dharma com seus irmãos, reverenciando Narada, que era o reverenciado dos celestiais, disse-lhe com as mãos unidas, 'Ó tu que és altamente abençoado e adorado por todos os mundos, porque tu estás satisfeito comigo, eu considero todos os meus desejos, por causa da tua graça, como já realizados, ó tu de votos excelentes! Se, ó impecável, eu com meus irmãos merecemos o teu favor, cabe a ti, ó melhor de Munis, dissipar a dúvida que está na minha mente. Cabe a ti dizer-me em detalhes qual é o mérito daquele que percorre o mundo desejoso de contemplar as águas e santuários sagrados que existem nele.' Narada disse, 'Escute, ó rei, com atenção, ao que o inteligente Bhishma ouviu diante de Pulastya! Uma vez, ó abençoado, aquele principal dos homens virtuosos, Bhishma, enquanto na observância do voto Pitrya, vivia, ó rei, na companhia de Munis em uma região encantadora e sagrada, perto da fonte do Ganga, que é frequentada pelos Rishis celestes e Gandharvas e pelos próprios celestiais. E enquanto vivia lá, o resplandecente gratificava com suas oblações os Pitris, os deuses e os Rishis, segundo os ritos inculcados nas escrituras. E uma vez enquanto o ilustre estava dedicado às suas recitações silenciosas, ele viu Pulastya, aquele melhor dos Rishis, de aparência extraordinária. E vendo aquele asceta austero brilhando com beleza, ele estava cheio de grande deleite e muita admiração. E, ó Bharata, aquele principal dos homens virtuosos, Bhishma, então adorou aquele Rishi abençoado de acordo com os ritos da ordenança. E purificando-se e com atenção absorta, ele se aproximou daquele melhor dos Brahmarshis, com o Arghya sobre sua cabeça. E proferindo seu nome em voz alta, ele disse, 'Ó tu de votos excelentes, abençoado seja, eu sou Bhishma, teu escravo. À tua visão, eu estou livre de todos os meus pecados.' E assim dizendo, aquele principal dos homens virtuosos, Bhishma, reprimindo as palavras permaneceu, ó Yudhishthira, em silêncio e com as mãos unidas. E vendo Bhishma, aquele principal dos Kurus, reduzido e emaciado pela observância de votos e o estudo dos Vedas, o Muni ficou cheio de alegria. 82 Pulastya disse, ‘Ó tu de votos excelentes, eu estou muito satisfeito com tua humildade, teu autocontrole, e tua veracidade, ó abençoado versado em moralidade! Ó impecável, é por esta tua virtude que tu adquiriste do respeito aos teus antepassados que eu estou satisfeito contigo e que tu, ó filho, obtiveste uma visão da minha pessoa. Ó Bhishma, meus olhos podem penetrar em tudo. Diga- me o que eu posso fazer por ti. Ó impecável, ó tu principal da raça Kuru, eu te concederei o que quer que tu possas me pedir.’ Bhishma disse, 'Ó altamente abençoado, quando tu que és adorado pelos três mundos estás satisfeito comigo e quando eu obtive uma visão da tua pessoa sublime eu me considero como já coroado com êxito. Mas, ó tu principal das pessoas virtuosas, se eu mereço o teu favor eu te contarei minhas dúvidas e cabe a ti dissipá-las. Ó santo, eu tenho algumas dúvidas religiosas a respeito de tirthas. Fale deles para mim em detalhes, eu desejo te ouvir. Ó tu que pareces um celestial, qual mérito é daquele, ó Rishi regenerado, que percorre a terra inteira (visitando santuários)? Diga-me isto com certeza.’ Pulastya disse, 'Ó filho, escute com atenção. Eu te falarei sobre o mérito o qual se vincula aos tirthas e que constitui a proteção dos Rishis. Aquele cujas mãos e pés e mente e conhecimento e ascetismo e ações estão sob controle salutar desfruta dos frutos dos tirthas. Aquele que parou de aceitar donativos, aquele que está satisfeito, aquele que está livre do orgulho, desfruta dos frutos dos tirthas. Aquele que está sem pecado, aquele que age sem propósito, aquele que come luz (conhecimento), aquele que tem seus sentidos sob controle, aquele que está livre de todo pecado, desfruta dos frutos dos tirthas. Ó rei, aquele que está livre da raiva, aquele que adere à verdade, que é firme em votos, aquele que considera todas as criaturas como sua própria pessoa, desfruta dos frutos dos tirthas. Nos Vedas os Rishis declaram na devida ordem os sacrifícios e também seus frutos neste mundo e no outro verdadeiramente. Ó senhor da terra, aqueles sacrifícios não podem ser realizados por aquele que é pobre, pois aqueles sacrifícios requerem vários materiais e diversas coisas em grande quantidade. Estes, portanto, podem ser realizados por reis ou às vezes por outros homens de prosperidade e riqueza. Ó senhor de homens, aquele rito, no entanto, o qual homens sem riqueza, sem aliados, sozinhos, sem esposa e filhos, e desprovidos de recursos são capazes de realizar e o mérito do qual é igual aos frutos sagrados dos sacrifícios, eu agora declararei para ti, melhor dos guerreiros! Ó tu melhor da raça Bharata, estadas em tirthas as quais são meritórias e que constituem um dos maiores mistérios dos Rishis, são mesmo superiores a sacrifícios. É um homem pobre aquele que tendo ido para um tirtha não jejuou por três noites, que não doou ouro, e que não distribuiu vacas. De fato, uma pessoa não adquire, pelo desempenho do Agnishtoma e outros sacrifícios eminentes por grandes doações, aquele mérito que alguém adquire por uma estada em um tirtha. No mundo dos homens há aquele tirtha do Deus dos deuses, famoso pelos três mundos pelo nome de Pushkara. Alguém que viaja até lá se torna igual àquela divindade. Ó filho de grande alma da raça Kuru, durante os dois crepúsculos e no meio dia há a presença de cem mil milhões de tirthas em Pushkara. Os Adityas, os Vasus, os Rudras, os Sadhyas, os Maruts, os Gandharvas, e as Apsaras estão sempre presentes, ó exaltado, em Pushkara. Foi lá, ó rei, que os deuses, os Daityas e Brahmarshis, tendo realizado devoções ascéticas, obtiveram grande mérito e finalmente alcançaram natureza divina. Homens de autocontrole, até por pensar mentalmente em Pushkara são purificados de seus pecados, e considerados no céu. Ó rei, o Avô ilustre que tem o lótus como seu assento morou com grande prazer neste tirtha. Ó abençoado, foi em Pushkara que os deuses com os Rishis tendo adquirido grande mérito antigamente finalmente alcançaram o maior êxito. A pessoa que, dedicada ao culto dos deuses e dos Pitris, se banha neste tirtha, obtém, isto é dito pelos sábios, mérito que é igual a dez vezes aquele do Sacrifício de Cavalo. Tendo ido às florestas Pushkara, aquele que alimenta mesmo um Brahmana se torna feliz aqui e após a morte, ó Bhishma, por causa daquela ação. Aquele que se sustenta de vegetais e raízes e frutas, pode com consideração piedosa e sem desrespeito, dar até tal alimento para um Brahmana. E, ó melhor dos reis, o homem de sabedoria, por tal doação, obterá o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Aquelas pessoas ilustres entre Brahmanas ou Kshatriyas ou Vaisyas ou Sudras que se banham em Pushkara são libertas da obrigação do renascimento. Aquele homem em especial que visita Pushkara na lua cheia do mês de Karttika alcança regiões eternas na residência de Brahma. Aquele que pensa com as mãos unidas de manhã e à noite em Pushkara, praticamente se banha, ó Bharata, em todos os tirthas. Seja homem ou mulher, quaisquer pecados que uma pessoa possa ter cometido desde o nascimento são todos destruídos logo que ela se banha em Pushkara. Como o matador de Madhu é o principal de todos os celestiais, assim Pushkara, ó rei, é o principal de todos os tirthas. Um homem por residir com pureza e votos regulados por doze anos em Pushkara adquire o mérito de todos os sacrifícios, e vai para a residência de Brahma. O mérito de alguém que realiza o Agnihotra por cem anos completos é igual ao daquele que reside somente pelo mês de Karttika em Pushkara. Há três morros pequenos brancos e três fontes conhecidas desde os tempos mais remotos, nós não sabemos por que, pelo nome de Pushkara. É difícil ir para Pushkara; é difícil praticar austeridades ascéticas em Pushkara; é difícil fazer doações em Pushkara; e é difícil viver em Pushkara. Tendo morado por doze noites em Pushkara com dieta e votos regulados, e tendo andado ao redor (do local), uma pessoa deve ir para Jamvu-marga. Alguém que vai para Jamvu marga que é frequentado pelos celestiais, os Rishis, e os Pitris, adquire o mérito do Sacrifício de Cavalo e a realização de todos os seus desejos. O homem que reside lá por cinco noites tem sua alma purificada de todos os pecados. Ele nunca vai para o inferno, mas alcança êxito sublime. Deixando Jamvu marga ele deve ir para Tandulikasrama. Aquele que vai lá nunca vai para o inferno mas ascende para a residência de Brahma. Aquele que vai ao lago de Agastya e se ocupa com o culto dos Pitris e celestiais, jejuando por três noites, adquire, ó rei, o fruto do Agnishtoma. Indo para lá, aquele que vive de vegetais ou frutas alcança a posição chamada Kaumara. Deve-se em seguida proceder ao belo retiro de Kanwa, o qual é cultuado pelo mundo inteiro. Aquela floresta sagrada caracterizada por santidade, existe, ó touro da raça Bharata, desde tempos muito remotos. Logo que alguém entra nela ele é libertado de todos os seus pecados. Aquele que com dieta e votos regulados cultua os Pitris e os deuses lá, obtém o fruto de um sacrifício que é capaz de conceder a realização de todos os seus desejos. Tendo andado ao redor daquele retiro deve-se então ir ao local onde Yayati caiu (do céu). Aquele que vai para lá adquire o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Deve-se então ir para Mahakala com dieta regulada e sentidos subjugados. E tendo se banhado no tirtha chamado Koti, uma pessoa obtém o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Um homem virtuoso deve em seguida proceder ao tirtha de Sthanu, o marido de Uma, conhecido pelos três mundos pelo nome de Bhadravata. Aquele melhor dos homens que vai para Bhadravata contempla Isana e obtém o fruto de uma doação de mil vacas. E pela graça de Mahadeva ele alcança a posição de Ganapatya abençoada com prosperidade e paz e alta honra. Tendo chegado então no Narmada, aquele rio famoso pelos três mundos, e dado oblações de água aos Pitris e aos deuses, uma pessoa obtém o fruto de um Sacrifício de Cavalo. Aquele que vai ao oceano Sul, praticando o modo de vida Brahmacharya, e com sentidos subjugados, obtém o fruto do sacrifício Agnishtoma e ascende para o céu. Tendo chegado a Charmanwati, com dieta regulada e sentidos subjugados, uma pessoa adquire, por ordem de Rantideva, o mérito do sacrifício Agnishtoma. Deve-se ir então, ó chefe virtuoso de guerreiros, para Arvuda, o filho de Himavat, onde havia um buraco através da terra nos tempos passados. Lá está o retiro de Vasistha, célebre pelos três mundos. Tendo residido por uma noite obtém-se o mérito da doação de mil vacas. Aquele que, levando o modo de vida Brahmacharya se banha no tirtha chamado Pinga, obtém, ó tigre entre reis, o mérito da doação de cem vacas Kapila. Deve-se ir em seguida, ó rei, àquele tirtha excelente chamado Prabhasa. Lá Hutasana está sempre presente em pessoa. Ele, o amigo de Pavana, ó herói, é a boca de todos os deuses. O homem que com alma subjugada e santificada se banha naquele tirtha obtém mérito maior do que aquele dos sacrifícios Agnishtoma ou Atiratra. Procedendo em seguida ao local onde o Saraswati se mistura com o mar, uma pessoa alcança o resultado da doação de mil vacas e o céu também além disso, ó touro da raça Bharata, resplandecendo por todo o tempo como o próprio Agni. Aquele que com alma subjugada se banha no tirtha do rei das águas, e dá oblações de água para os Pitris e os deuses, vivendo lá por três noites, brilha como a Lua, e obtém também o fruto do Sacrifício de Cavalo. Deve-se proceder em seguida, ó melhor dos Bharatas, para o tirtha conhecido nome de Varadana, onde (o Rishi) Durvasa deu uma bênção para Vishnu. Um homem por se banhar em Varadana obtém o fruto da doação de mil vacas. Deve-se em seguida proceder com sentidos subjugados e dieta regulada para Dwaravati, onde por se banhar em Pindaraka obtém-se o fruto da doação de ouro em abundância. Ó abençoado, é maravilhoso relatar que naquele tirtha, até hoje, moedas com a marca do lótus e lotos também com a marca do tridente, são vistos, ó repressor de heróis! E, ó touro entre homens, a presença de Mahadeva está lá. Chegando então, ó Bharata, ao local onde o Sindhu se mistura com o oceano, deve-se com alma subjugada banhar-se naquele tirtha de Varuna. E banhando-se lá e dando oblações de água aos Pitris, Rishis, e deuses uma pessoa alcança, ó touro da raça Bharata, a região de Varuna, e brilha em resplendor próprio. Homens de sabedoria dizem que, por cultuar o deus conhecido pelo nome de Shankukarneswara, alguém obtém dez vezes o mérito do Sacrifício de Cavalo. Ó touro da raça Bharata, tendo caminhado ao redor daquele tirtha, deve-se, ó tu principal dos Kurus, ir para aquele tirtha célebre pelos três mundos e conhecido pelo nome de Drimi. Aquele tirtha purifica de todo pecado, e é lá que os deuses incluindo Brahma cultuam Maheswara. Tendo se banhado lá e adorado Rudra circundado pelos outros deuses, uma pessoa fica livre de todos os pecados desde o nascimento. Era lá, ó melhor dos homens, que Drimi era adorado por todos os deuses. Banhando-se lá, ó melhor dos homens, uma pessoa obtém o fruto do Sacrifício de Cavalo. Ó tu de grande inteligência, Vishnu, o criador do universo, depois de matar os Daityas e Danavas, foi para lá para se purificar. Ó virtuoso, deve-se proceder em seguida para Vasudhara adorado por todos. No momento que alguém chega àquele tirtha ele obtém o fruto do Sacrifício de Cavalo. E, ó tu melhor dos Kurus, por se banhar lá com alma subjugada e atenção absorta, e dar oblações de água para os deuses e os Pitris uma pessoa ascende para a região de Vishnu e é adorada lá. Naquele tirtha, ó touro da raça Bharata, há um lago sagrado dos Vasus. Por se banhar lá e beber de sua água uma pessoa se torna estimada dos Vasus. Há um tirtha célebre de nome Sindhuttama, o qual destrói todo pecado. Ó melhor dos homens, por se banhar lá alguém adquire o fruto da doação de ouro em abundância. Por chegar a Bhadratunga com alma santificada e pureza de conduta, uma pessoa alcança a região de Brahma e um estado elevado de bem aventurança. Há então o tirtha dos Kumarikas de Indra, que é muito frequentado pelos Siddhas. Ó melhor dos homens, por se banhar lá alguém alcança a região de Indra. Em Kumarika há outro tirtha chamado Renuka, o qual é também frequentado pelos Siddhas. Um Brahmana por se banhar lá se tornaria tão brilhante como a Lua. Procedendo em seguida para o tirtha chamado Panchananda, com sentidos subjugados e dieta regulada alguém obtém o fruto dos cincos sacrifícios que são mencionados um após outro nas escrituras. Então, ó rei, deve-se ir à região excelente de Bhima. Ó melhor dos Bharatas, por se banhar no tirtha lá, que é chamado de Yoni, um homem (no seu próximo nascimento) se torna, ó rei, o filho de uma deusa, tendo brincos enfeitados com pérolas, e obtém também o mérito da doação de cem mil vacas. Procedendo em seguida para Srikunda, célebre pelos três mundos e cultuando o Avô, obtém-se o fruto da doação de mil vacas. Ó virtuoso, deve-se então ir ao excelente tirtha chamado Vimala, onde até hoje podem ser vistos peixes de cores dourada e prata. Por se banhar lá alguém logo alcança a região de Vasava, e sua alma estando purificada de todo pecado, ele alcança um estado elevado de bem aventurança. Procedendo em seguida para Vitasta e dando oblações de água para os Pitris e os deuses, um homem, ó Bharata, obtém o fruto do sacrifício Vajapeya. Aquele tirtha destruidor de pecado conhecido pelo nome de Vitasta está situado no país dos Kasmiras e é a residência do Naga Takshaka. Banhando-se lá, um homem sem dúvida obtém o fruto do sacrifício Vajapeya, e com sua alma limpa de todo pecado ele alcança um estado sublime de bem aventurança. Deve-se em seguida proceder para Vadava célebre pelos três mundos. Banhando-se lá com ritos devidos à noite, deve-se oferecer arroz fervido em manteiga e leite, segundo o melhor que se pode, para a divindade de sete chamas. Homens de sabedoria dizem que uma doação feita lá em honra dos Pitris se torna inesgotável. Os Rishis, os Pitris, os deuses, os Gandharvas, várias tribos de Apsaras, os Guhyakas, os Kinnaras, os Yakshas, os Siddhas, os Vidhyadharas, os Rakshasas, Daityas, Rudras, e o próprio Brahma, ó rei, tendo, com sentidos subjugados, aceitado uma sequência de austeridades por mil anos para mover Vishnu para graça (para obter o favor de Vishnu), cozinharam arroz em leite e manteiga e gratificaram Kesava com oblações, cada uma oferecida com sete Riks. E, ó rei, o satisfeito Kesava então conferiu a eles os atributos óctuplos chamados Aiswarya e outros objetos que eles desejavam. E tendo lhes concedido estes, aquele deus desapareceu à sua vista como relâmpago nas nuvens. E é por isto, ó Bharata, que aquele tirtha se tornou conhecido pelo nome de Saptacharu, e se alguém oferece Charu lá para a divindade de sete chamas ele obtém mérito superior ao da doação de cem mil vacas, àquele de cem sacrifícios Rajasuya, como também de cem sacrifícios de cavalo. Deixando Vadava, ó rei, deve-se então proceder para Raudrapada, e vendo Mahadeva lá uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Procedendo então, com alma subjugada e levando o modo de vida Brahmacharya, para Manimat, e residindo lá por uma noite, alguém obtém, ó rei, o mérito do sacrifício Agnishtoma. Deve-se então ir, ó rei, para Devika famoso por todo o mundo. Foi lá, ó touro da raça Bharata, que, como ouvido por nós, os Brahmanas inicialmente passaram a existir. Lá também é a região do portador do tridente, uma região que é célebre pelo mundo. Tendo se banhado em Devika e cultuado Maheswara por oferecer a ele, da melhor maneira possível, arroz fervido em leite e manteiga, um homem obtém, ó touro da raça Bharata, o mérito de um sacrifício que é capaz de realizar todos os desejos. Lá também há outro tirtha de Rudra chamado Kamakhya, o qual é muito frequentado pelos deuses. Banhando- se lá, um homem alcança o êxito rapidamente. Por tocar também a água de Yajana, Brahmavaluka, e Pushpamva, uma pessoa fica livre da tristeza depois da vida. Os eruditos dizem que o tirtha sagrado de Devika, o recanto dos deuses e dos Rishis, tem cinco Yojanas de comprimento e metade de um Yojana de largura. Deve-se então, na devida ordem, proceder, ó rei, para Dirghasatra. Lá os deuses com Brahma em sua vanguarda, os Siddhas, e os grandes Rishis, com votos regulados e a recitação e aceitação da promessa preliminar, realizam o sacrifício que se estende por muito tempo. Ó rei, somente por ir para Dirghasatra, ó repressor de inimigos, uma pessoa obtém mérito que é superior, ó Bharata, àquele do Rajasuya ou do Sacrifício de Cavalo. Deve-se em seguida proceder com sentidos subjugados e dieta regulada para Vinasana, onde Saraswati, desaparecendo no leito de Meru, reapareceu em Chamasa, Shivodbheda e Nagadbheda. Por se banhar em Chamasadbheda alguém obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Por se banhar em Shivodbheda alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. E por se banhar em Nagodbheda uma pessoa alcança a região dos Nagas. Deve-se proceder, em seguida, ao tirtha inacessível de Shasayana, onde as garças, ó Bharata, desaparecendo na forma de sasas, reaparecem todos os anos no mês de Karttika, e se banhar, ó chefe abençoado da raça Bharata, no Sarsawati. Banhando-se lá, ó tigre entre homens, uma pessoa resplandece como a Lua, e obtém, ó touro da raça Bharata, o mérito da doação de mil vacas. Deve-se proceder em seguida, ó tu da raça Kuru, para Kumarakoti, com sentidos subjugados, e banhando-se lá, cultuar os deuses e os Pitris. Por fazer isto alguém obtém o mérito da doação de dez mil vacas, e eleva todos os seus antepassados para regiões superiores. Deve-se em seguida, ó virtuoso, proceder com alma dominada para Rudrakoti, onde nos tempos passados, ó rei, dez milhões de Munis tinham se reunido. E, ó rei, cheios de grande alegria pela probabilidade de contemplar Mahadeva, os Rishis se reuniram lá, cada um dizendo, 'Eu verei o deus primeiro! Eu verei o deus primeiro!' E, ó rei, para impedir disputas entre aqueles Rishis de almas subjugadas, o Senhor do Yoga, pela ajuda do seu poder de Yoga, multiplicou-se em dez milhões de formas, e ficou perante cada um deles. E cada um daqueles Rishis disse, 'Eu o vi primeiro!' E gratificado, ó rei, com a devoção profunda daqueles Munis de almas subjugadas, Mahadeva lhes concedeu uma bênção, dizendo, 'Deste dia em diante sua virtude crescerá!' E, ó tigre entre homens, alguém que se banha, com a mente pura, em Rudrakoti, obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e resgata seus antepassados. Deve-se proceder em seguida, ó rei, para aquela região altamente sagrada e célebre onde o Saraswati se mistura com o oceano. Para lá, ó rei, os deuses com Brahma em sua dianteira e Rishis com riqueza de ascetismo se dirigem para adorar Kesava no décimo quarto dia da quinzena iluminada do mês de Chaitra. Banhando-se lá, ó tigre entre homens, uma pessoa obtém o mérito de doar ouro em abundância, e sua alma sendo purificada de todos os pecados, ela ascende para a região de Brahma. Foi lá, ó rei, que os Rishis completaram muitos sacrifícios. Por meio de uma viagem para aquele local alguém obtém o mérito da doação de mil vacas.' 83 Pulastya disse, 'Deve-se proceder em seguida, ó rei, para o adorado Kurukshetra à visão do qual todas as criaturas são libertadas de seus pecados. Está livre de todos os pecados aquele que diz constantemente, 'Eu viverei em Kurukshetra.' O próprio pó de Kurukshetra, transportado pelo vento, leva um homem pecaminoso para uma direção abençoada (depois da vida). Aqueles que moram em Kurukshetra o qual se encontra ao sul do Saraswati e ao norte do Drishadwati, são citados como morando no céu. Ó herói, deve-se residir lá, ó tu principal dos guerreiros, por um mês. Lá, ó senhor da terra, os deuses com Brahma em sua vanguarda, os Rishis, os Siddhas, os Charanas, os Gandharvas, as Apsaras, os Yakshas e os Nagas, se dirigem frequentemente, ó Bharata, para o altamente sagrado Brahmakshetra. Ó principal dos guerreiros, os pecados de alguém que deseja se dirigir para Kurukshetra mesmo mentalmente são todos destruídos, e ele finalmente vai para a região de Brahma. Ó filho da raça Kuru, por se dirigir para Kurukshetra em um estado de espírito virtuoso uma pessoa obtém o fruto do Rajasuya e do Sacrifício de Cavalo. Por saudar em seguida o Yaksha chamado Mankanaka, aquele poderoso porteiro (de Kuvera), ela obtém o fruto da doação de mil vacas. Ó rei virtuoso, deve-se ir em seguida para a região excelente de Vishnu, onde Hari está sempre presente. Banhando-se lá e reverenciando Hari, o Criador dos três mundos, alguém obtém o fruto do Sacrifício de Cavalo e se dirige à residência de Vishnu. Deve-se ir em seguida para Pariplava, aquele tirtha célebre pelos três mundos, e (se banhando lá), ó Bharata, uma pessoa obtém mérito que é maior do que aquele dos sacrifícios Agnishtoma e Atiratra. Dirigindo- se em seguida para o tirtha chamado Prithivi alguém obtém o fruto da doação de mil vacas. O peregrino deve em seguida, ó rei, proceder para Shalukini e banhando-se lá no Dasaswamedha ele obtém o mérito de dez Sacrifícios de Cavalo. Procedendo em seguida para Sarpadevi, aquele tirtha excelente dos Nagas, alguém obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma e alcança a região dos Nagas. Ó virtuoso, deve-se proceder em seguida para Tarantuka, o porteiro, e residindo lá por uma noite alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Procedendo em seguida com sentidos subjugados e dieta regulada para Panchananda e se banhando no tirtha lá, chamado Koti, uma pessoa obtém o fruto do Sacrifício de Cavalo. Procedendo então ao tirtha dos irmãos Aswins alguém obtém beleza pessoal. Ó virtuoso, deve-se proceder em seguida ao tirtha excelente chamado Varaha, onde Vishnu antigamente permaneceu na forma de um javali. Banhando-se lá alguém obtém, ó principal dos homens, o mérito do Sacrifício de Cavalo. Deve-se em seguida, ó rei, ir ao tirtha chamado Sama em Jayanti. Banhando-se lá uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Rajasuya. Por se banhar em Ekahansa, um homem obtém o mérito de doar mil vacas. Ó rei, um peregrino que se dirige para Kritasaucha alcança a divindade de olhos de lótus (Vishnu) e perfeita pureza de alma. Deve-se proceder em seguida para Munjavata, aquele local sagrado para o ilustre Sthanu. Residindo lá sem comida por uma noite uma pessoa alcança a posição chamada Ganapatya. Lá, ó rei, está o tirtha célebre chamado Yakshini. Ó rei, indo para aquele tirtha e se banhando lá alguém consegue a realização de todos os seus desejos. Ó touro da raça Bharata, aquele tirtha é considerado como o portão de Kurukshetra. O peregrino deve, com alma concentrada, caminhar ao redor dele. Igual aos Pushkaras, ele foi criado por Rama de grande alma, o filho de Jamadagni. Banhando-se lá e cultuando os Pitris e os deuses, uma pessoa obtém, ó rei, o mérito do Sacrifício de Cavalo e se torna bem sucedida em tudo. O peregrino deve ir em seguida com alma concentrada para o Rama-hrada. Lá, ó rei, o heróico Rama de energia resplandecente, exterminando os Kshatriyas através de seu poder, cavou cinco lagos e encheu-os, ó tigre entre homens, com o sangue de suas vítimas, como ouvido por nós. E tendo enchido aqueles lagos com sangue Kshatriya, Rama ofereceu oblações de sangue aos seus pais e antepassados. Gratificados (com as oblações) aqueles Rishis então se dirigiram a Rama e disseram, 'Ó Rama, ó Rama, ó tu de grande prosperidade, nós estados satisfeitos contigo, ó tu da raça Bhrigu, por este teu respeito pelos Pitris, e tua coragem, ó exaltado! Abençoado sejas e peça a bênção que escolheres. O que é que tu desejas, ó tu de grande esplendor?' Assim endereçado (por eles), Rama, aquele principal dos castigadores, disse com as mãos unidas estas palavras para os Pitris postados no firmamento, ‘Se vocês estão satisfeitos comigo, se eu mereço a sua benevolência, eu desejo este favor dos Pitris: que eu possa ter prazer novamente em austeridades ascéticas. Que eu também, por meio do seu poder, seja liberto do pecado que eu cometi por exterminar, por fúria, a raça Kshatriya. Também que meus lagos se tornem tirthas célebres pelo mundo.’ Os Pitris, ouvindo estas palavras abençoadas de Rama, ficaram muito satisfeitos, e cheios de alegria eles lhe responderam dizendo, 'Que o teu ascetismo aumente por causa da tua veneração pelos Pitris. Tu exterminaste os Kshatriyas por cólera. Tu já estás livre daquele pecado, pois eles pereceram como uma consequência de seus próprios crimes. Sem dúvida, estes teus lagos se tornarão tirthas. E se alguém, banhando-se nestes lagos, oferecer oblações da água deles para os Pitris, os últimos satisfeitos com ele lhe concederão seu desejo, difícil de realização no mundo, como também céu eterno.' Ó rei, tendo concedido a ele estes benefícios, os Pitris alegremente saudaram Rama da linhagem Bhrigu e desapareceram. Foi assim que os lagos do ilustre Rama da raça Bhrigu se tornaram sagrados. Levando o modo de vida Brahmacharya e cumprindo votos sagrados, uma pessoa deve se banhar nos lagos de Rama. Banhando-se neles e cultuando Rama, ela obtém, ó rei, o mérito da doação de ouro em abundância. Procedendo em seguida, ó filho da raça Kuru, para Vansamulaka, um peregrino por se banhar lá eleva, ó rei, sua própria linhagem. Ó melhor dos Bharatas, chegando em seguida no tirtha chamado Kayasodhana, e se banhando lá, alguém purifica, sem dúvida, seu corpo, e procede com corpo purificado para a região abençoada de excelência inigualável. Deve-se ir em seguida, ó virtuoso, para aquele tirtha, célebre pelos três mundos, chamado Lokoddara, onde antigamente Vishnu de grande destreza criou os mundos. Chegando naquele tirtha que é adorado pelos três mundos uma pessoa obtém, ó rei, por se banhar lá, mundos numerosos para si mesma. Dirigindo-se em seguida com alma subjugada ao tirtha chamado Sree, alguém adquire, por se banhar lá e cultuar os Pitris e os deuses, grande prosperidade. Levando um modo de vida Brahmacharya e com alma concentrada deve-se proceder em seguida para o tirtha chamado Kapila. Banhando-se lá e cultuando seus próprios Pitris e os deuses, um homem ganha o fruto da doação de mil vacas Kapila. Indo em seguida ao tirtha chamado Surya e se banhando lá com alma subjugada e adorando os Pitris e os deuses, jejuando todo o tempo, uma pessoa obtém o fruto do sacrifício Agnishtoma e vai (finalmente) para a região do Sol. O peregrino por prosseguir em seguida para Gobhavana e se banhar lá obtém o mérito da doação de mil vacas. Ó filho da linhagem Kuru, um peregrino por se dirigir então ao tirtha chamado Shankhini e se banhar no Devi tirtha que se encontra lá, obtém grande coragem. Ó rei, deve-se então proceder para o tirtha chamado Tarandaka situado no Saraswati e pertencente ao chefe ilustre dos Yakshas que é um dos porteiros (de Kuvera). Ó rei, banhando-se lá alguém obtém o fruto do sacrifício Agnishtoma. Ó rei virtuoso, deve-se ir em seguida ao tirtha chamado Brahmavarta. Banhando-se em Brahmavarta, uma pessoa ascende para a residência de Brahma. Ó rei, deve- se ir então ao tirtha excelente chamado Sutirtha. Lá os Pitris estão sempre presentes junto com os deuses. Uma pessoa deve se banhar lá e adorar os Pitris e os deuses. Por assim fazer, ela obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e vai (finalmente) para a região dos Pitris. É por isto, ó virtuoso, que Sutirtha situado em Amvumati é considerado como tão excelente. E, ó tu melhor da raça Bharata, tendo se banhado no tirtha de Kasiswara uma pessoa fica livre de todas as doenças e é adorada na residência de Brahma. Lá, naquele tirtha, existe outro chamado Matri. Alguém que se banha no Matri tirtha tem uma grande progênie e obtém, ó rei, vasta prosperidade. Deve-se proceder em seguida com sentidos subjugados e dieta regulada ao tirtha chamado Shitavana. E, ó grande rei, é visto que um mérito daquele tirtha que raramente pertence a outro qualquer, é que alguém somente indo para lá alcança santidade. Por abandonar seu cabelo naquele tirtha uma pessoa obtém, ó Bharata, grande santidade. Lá, naquele tirtha, existe outro chamado Shwavillomapaha, aonde, ó tigre entre homens e principal da linhagem Bharata, Brahmanas eruditos que vão para tirthas obtêm grande satisfação por um mergulho em suas águas. Bons Brahmanas, ó rei, por abandonarem seu cabelo naquele tirtha adquirem santidade por Pranayama e finalmente alcançam a um estado elevado. Lá, ó rei, naquele tirtha há também outro chamado Dasaswamedhika. Banhando-se lá, ó tigre entre homens, alguém alcança um estado elevado. Deve-se proceder em seguida, ó rei, ao tirtha célebre chamado Manusha onde, ó rei, vários antílopes pretos afligidos pelas setas do caçador, mergulhando em suas águas, foram transformados em seres humanos. Banhando-se naquele tirtha, levando um modo de vida Brahmacharya e com alma concentrada, um homem fica livre de todos os pecados e é adorado no céu. Distante um krosa, ó rei, ao leste de Manusha há um rio célebre pelo nome de Apaga que é frequentado pelos Siddhas. O homem que oferece lá o grão syamaka em honra dos deuses e dos Pitris adquire grande mérito religioso. E se um Brahmana é alimentado lá, isto se torna equivalente a alimentar dez milhões de Brahmanas. Tendo se banhado naquele tirtha e adorado os deuses e os Pitris e residido lá por uma noite, um homem obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Deve-se ir então, ó rei, àquela excelente região de Brahma a qual, ó Bharata, é conhecida na terra pelo nome de Brahmodumvara. Banhando-se no tanque dos sete Rishis que se encontra lá, ó touro entre homens, com mente pura e alma subjugada, como também no tirtha chamado Kedara de Kapila de grande alma, e contemplando Brahma que está lá, a alma de uma pessoa sendo purificada de todos os pecados, ela vai para a residência de Brahma. Procedendo em seguida ao tirtha inacessível chamado Kedara de Kapila, e queimando seus pecados lá por meio de penitências ascéticas, uma pessoa obtém o poder de desaparecer à vontade. Deve-se proceder em seguida, ó rei, ao tirtha célebre chamado Saraka, e vendo Mahadeva lá no décimo quarto dia da quinzena escura, alguém obtém todos os seus desejos e vai também para o céu. Ó filho da raça Kuru, em Saraka e Rudrakoti como também no poço e nos lagos que estão lá, trinta milhões de tirthas estão presentes. Lá naquele tirtha, ó chefe dos Bharatas, existe outro chamado Ilaspada. Banhando-se lá e cultuando os deuses e os Pitris uma pessoa nunca vai para o inferno mas obtém o fruto do sacrifício Vajapeya. Dirigindo-se em seguida para Kindana e Kinjapya uma pessoa adquire, ó Bharata, o mérito de doar em abundância imensurável e da recitação infinita de orações. Dirigindo-se em seguida para o tirtha chamado Kalasi e banhando-se lá devotamente e com os sentidos sob controle, um homem obtém o fruto do sacrifício Agnishtoma. Ao leste de Saraka, ó chefe dos Kurus, há um tirtha auspicioso conhecido pelo nome de Anajanma, de Narada de grande alma. Quem se banha lá, ó Bharata, alcança, depois da morte, por ordem de Narada, várias regiões incomparáveis. Deve-se proceder em seguida, no décimo dia da quinzena iluminada, ao tirtha chamado Pundarika. Banhando-se lá, ó rei, uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Pundarika. Deve-se proceder em seguida ao tirtha chamado Tripishtapa que é conhecido pelos três mundos. Lá naquele tirtha está o rio sagrado e destruidor de pecados chamado Vaitarani. Banhando-se lá e adorando o deus conhecido pelo símbolo do touro e que segura o tridente em sua mão, a alma de uma pessoa sendo purificada de todo pecado ela alcança ao estado mais elevado. Deve-se proceder em seguida, ó rei, ao tirtha excelente chamado Phalakivana. Lá naquele tirtha os deuses, ó monarca, tendo estado presentes, realizaram suas austeridades ascéticas que se estenderam por muitos milhares de anos. Deve-se então prosseguir para o Dhrishadwati. Banhando-se lá e cultuando os deuses alguém obtém, ó Bharata, mérito que é superior àquele dos sacrifícios Agnishtoma e Atiratra. Ó chefe dos Bharatas, banhando-se naquele tirtha chamado Sarvadeva, um homem obtém, ó rei, o mérito de doar mil vacas. Banhando-se em seguida no tirtha chamado Panikhata e adorando todos os deuses, um homem obtém mérito que é superior àquele dos sacrifícios Agnishtoma e Atiratra, além disso adquirindo aquele do sacrifício Rajasuya e finalmente entrando na região dos Rishis. Deve-se proceder em seguida, ó virtuoso, para aquele tirtha excelente chamado Misraka. Lá, ó tigre entre reis, foi ouvido por nós que Vyasa de grande alma, por causa dos Brahmanas, misturou todos os tirthas. Portanto, quem se banha em Misraka realmente se banha em todos os tirthas. Deve-se prosseguir em seguida com sentidos subjugados e dieta regulada para o tirtha chamado Vyasavana. Banhando-se no tirtha chamado Manojava que está lá alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Procedendo em seguida para o Devi tirtha que está em Madhuvati, alguém que se banha lá e adora os deuses e os Pitris obtém por ordem da Deusa o mérito da doação de mil vacas. Prosseguindo com dieta regulada, aquele que se banha na confluência do Kausiki e do Drishadwati fica livre de todos os seus pecados. Deve-se proceder em seguida para Vyasasthali onde Vyasa de grande inteligência, queimando de aflição por seu filho resolveu abandonar seu corpo, mas foi alegrado novamente pelos deuses. Procedendo àquele local de Vyasa uma pessoa obtém o mérito (da doação) de mil vacas. Ó filho da raça Kuru, procedendo em seguida para o poço chamado Kindatta, aquele que joga dentro dele uma medida de gergelim é liberto de todas as suas dívidas e alcança seu êxito. Banhando-se no tirtha chamado Vedi alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Há dois outros tirthas célebres chamados Ahas e Sudina. Banhando-se lá, ó tigre entre homens, uma pessoa vai para a região do Sol. Deve- se proceder em seguida ao tirtha chamado Mrigadhuma que é célebre por todos os três mundos. Uma pessoa deve se banhar lá, ó rei, no Ganga. Banhando-se lá e cultuando Mahadeva, ela obtém o mérito do Sacrifício dos Cavalo. Banhando-se em seguida no Devi tirtha alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Deve- se então ir para Vamanaka famoso nos três mundos. Banhando-se lá em Vishnupada e cultuando Vamana a alma de uma pessoa sendo purificada de todos os pecados, ela vai para a residência de Vishnu. Banhando-se em seguida em Kulampuna, uma pessoa santifica sua própria família. Procedendo então ao Pavana-hrada, aquele excelente tirtha dos Marutas, e banhando-se lá, ó rei e tigre entre homens, alguém se torna adorado na região do deus do vento. Banhando-se no Amara-hrada e cultuando com devoção o chefe dos celestiais, uma pessoa se torna adorada no céu e segue, sentada em um carro excelente, na companhia dos imortais. Ó melhor dos grandes homens, banhando-se em seguida com ritos devidos no tirtha chamado Sali surya, de Salihotra, uma pessoa obtém o mérito da doação de mil vacas. Ó melhor dos Bharatas, há um tirtha chamado Sreekunja no Saraswati. Banhando-se lá, ó melhor dos homens, alguém obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Ó filho da raça Kuru, deve-se ir em seguida para Naimishakunja. Ó rei, os Rishis dedicados a austeridades ascéticas nas florestas de Naimisha, no passado, fazendo o voto de peregrinação, foram para Kurukshetra. Lá, nas margens do Saraswati, ó chefe dos Bharatas, foi feito um bosque, o qual poderia servir como um lugar de descanso para eles mesmos, e que era muito agradável para eles. Banhando-se no Saraswati lá uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Deve-se proceder em seguida, ó virtuoso, ao tirtha excelente chamado Kanya. Banhando-se lá alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Deve-se ir em seguida ao excelente tirtha de Brahma. Banhando-se lá uma pessoa, das (três) classes inferiores, alcança a posição de um Brahmana, e se a pessoa for um Brahmana, sua alma sendo purificada de todo pecado, ela alcança ao estado mais elevado. Deve-se então, ó melhor dos homens, prosseguir para o tirtha excelente chamado Soma. Banhando-se lá, ó rei, uma pessoa alcança a região de Soma. Deve-se proceder em seguida, ó rei, ao tirtha chamado Saptasaraswata, onde o célebre Rishi Mankanaka obteve êxito ascético. Ó rei, foi ouvido por nós que antigamente Mankanaka cortou sua mão com a folha pontuda da erva Kusa, e que de seu ferimento fluiu suco vegetal (em vez de sangue). E vendo suco vegetal fluir de sua ferida o Rishi começou a dançar com olhos arregalados de admiração. E quando o Rishi dançou, todas as criaturas móveis e imóveis também, oprimidas por sua destreza, começaram a dançar com ele. Então, ó rei, os deuses com Brahma em sua vanguarda e Rishis dotados de riqueza de ascetismo movidos pela ação de Mankanaka, descreveram o caso para Mahadeva, dizendo, 'Cabe a ti, ó deus, agir de maneira que este Rishi não dance.' Assim endereçado, Mahadeva, com coração cheio de alegria, aproximou-se do Rishi dançante, e movido pelo desejo de fazer bem para os deuses disse, 'Ó grande Rishi, ó virtuoso, por que tu danças? Ó touro entre Munis, qual pode ser a razão desta tua alegria atual?' O Rishi respondeu, 'Ó melhor dos Brahmanas, eu sou um asceta que trilha o caminho da virtude. Tu não vês, ó Brahmana, que suco vegetal flui do ferimento na minha mão? Cheio de grande alegria à visão disto eu estou dançando.' Dirigindo-se ao Rishi cegado pela emoção, o deus disse rindo, 'Ó Brahmana, eu não me admiro por isto. Observe-me.' Tendo dito isto, ó melhor dos homens, Mahadeva, ó rei impecável, apertou seu polegar com a ponta de seu próprio dedo. E, veja!, do ferimento assim infligido saíram cinzas brancas como neve. E vendo aquilo, ó rei, aquele Muni ficou envergonhado e caiu aos pés do deus. E acreditando que não havia nada melhor e maior do que o deus Rudra, ele começou a adorá-lo nestas palavras: ‘Ó portador do tridente, tu és a proteção dos celestiais e dos Asuras, de fato, do universo. Por ti são criados os três mundos com seus seres móveis e imóveis. És tu além disso que absorves tudo no fim do Yuga. Tu és incapaz de ser conhecido pelos próprios deuses, menos ainda por mim. Ó impecável, os deuses com Brahma em sua chefia estão todos manifestados em ti. Tu és tudo, o próprio Criador e o Ordenador dos mundos. É por tua graça que todos os deuses se divertem sem ansiedade ou medo.’ E adorando Mahadeva dessa maneira o Rishi também disse, 'Ó deus dos deuses, conceda-me tua graça, para que meu ascetismo não possa diminuir.' Então aquele deus de alma alegre respondeu para o Rishi regenerado, dizendo, 'Que o teu ascetismo, ó Brahmana, aumente mil vezes através da minha graça. E, ó grande Muni, eu morarei contigo neste teu retiro. Banhando-se em Saptasaraswata, aqueles que me adorarem serão capazes de realizar tudo aqui e após a morte. E, sem dúvida, eles todos alcançarão a região Saraswata no fim.' Tendo dito isso Mahadeva desapareceu. Depois de visitar Saraswata, deve-se proceder para Ausanasa célebre nos três mundos. Lá, ó Bharata, os deuses com Brahma encabeçando-os, e Rishis dotados de riqueza de ascetismo, e o ilustre Kartikeya estavam sempre presentes durante os dois crepúsculos e ao meio-dia, impelidos pelo desejo de fazer bem para Bhargava. Lá naquele tirtha há outro chamado Kapalamochana, o qual purifica de todo pecado. Ó tigre entre homens, banhando-se lá alguém é purificado de todo pecado. Deve então ir ao tirtha chamado Agni. Banhando-se lá, ó touro entre homens, uma pessoa alcança as regiões de Agni e eleva sua própria família (de regiões inferiores). Lá naquele tirtha existe outro, ó chefe dos Bharatas, que pertence a Viswamitra. Banhando-se lá, ó melhor dos homens, uma pessoa alcança a posição de um Brahmana. Procedendo em seguida para Brahmayoni em pureza de corpo e com alma subjugada alguém alcança, ó tigre entre homens, por se banhar lá, a residência de Brahma, e santifica, sem dúvida, sua própria família até a sétima geração ascendente ou descendente. Deve-se proceder em seguida, ó rei, ao tirtha célebre nos três mundos, o qual é chamado de Prithudaka, pertencente a Kartikeya. Uma pessoa deve se banhar lá e se ocupar no culto dos Pitris e dos deuses. Qualquer mal que tenha sido cometido, intencionalmente ou inintencionalmente, por homem ou mulher, impelido por motivos humanos, é todo destruído, ó Bharata, por um banho naquele tirtha. Banhando-se lá alguém alcança, além disso, o mérito do Sacrifício de Cavalo e o céu também. Os eruditos dizem que Kurukshetra é santo; que mais santo do que Kurukshetra é o Saraswati; que mais santo do que o Saraswati são todos os tirthas juntos, e que mais santo do que todos os tirthas juntos é Prithudaka. Aquele que dedicado à recitação de orações abandona seu corpo em Prithudaka, o qual é o melhor de todos os tirthas, se torna um imortal. Foi cantado por Sanatkumara e por Vyasa de grande alma, e está nos Vedas também que uma pessoa deve, ó rei, ir para Prithudaka com alma subjugada. Ó filho da raça Kuru, não há tirtha que seja superior a Prithudaka. Sem dúvida, aquele tirtha é purificador, sagrado e destruidor de pecados. Ó melhor dos homens, é dito por pessoas eruditas que homens, embora pecaminosos, por se banharem em Prithudaka, vão para o céu. Ó melhor dos Bharatas, lá naquele tirtha há outro chamado Madhusrava. Banhando-se lá, ó rei, alguém obtém o mérito de doar mil vacas. Deve-se então proceder, ó rei, para aquele tirtha célebre e sagrado onde o Saraswati se une com o Aruna. Alguém que se banha lá, tendo jejuado por três noites, é purificado até do pecado de matar um Brahmana, e obtém também mérito que é superior àquele do sacrifício Agnishtoma ou do Atiratra, e resgata sua família até a sétima geração ascendente e descendente. Lá naquele tirtha há outro, ó perpetuador da raça Kuru, que é chamado Ardhakila. Por compaixão pelos Brahmanas, aquele tirtha foi feito por Darbhi nos tempos passados. Sem dúvida, por votos, por investidura do sagrado, por jejuns, por ritos e por Mantras, uma pessoa se torna um Brahmana. Ó touro entre homens, foi visto, no entanto, por pessoas eruditas de antigamente que mesmo alguém desprovido de ritos e Mantras, somente por se banhar naquele tirtha se torna erudito e dotado do mérito de votos. Darbhi também trouxe para cá os quatro oceanos. Ó melhor dos homens, alguém que se banha aqui nunca encontra infortúnio após a morte e obtém também o mérito de doar quatro mil vacas. Deve- se ir em seguida, ó virtuoso, para o tirtha chamado Satasahasraka. Perto deste existe outro chamado Sahasraka. Ambos são célebres, e alguém que se banha neles obtém o mérito da doação de mil vacas. Jejuns e doações lá se multiplicam mil vezes. Deve-se proceder em seguida, ó rei, ao tirtha excelente chamado Renuka. Uma pessoa deve se banhar lá e adorar os Pitris e os deuses. Por isto, purificada de todo pecado, ela obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Banhando-se em seguida no tirtha chamado Vimochana com paixões e sentidos sob controle alguém se purifica de todos os pecados gerados pela aceitação de doações. Com sentidos sob controle e praticando o modo de vida Brahmacharya, deve-se ir em seguida às florestas de Panchavati. Por uma viagem para lá alguém ganha muita virtude e se torna adorado nas regiões dos virtuosos. Deve-se ir em seguida ao tirtha de Varuna chamado Taijasa, brilhando em sua própria refulgência. Lá naquele tirtha está o senhor do Yoga, o próprio Sthanu, tendo o touro como seu veículo. Aquele que permanece lá alcança o êxito por cultuar o deus dos deuses. Foi lá que os deuses com Brahma encabeçando-os e Rishis dotados de riqueza de ascetismo instalaram Guha como o generalíssimo dos celestiais. Ao leste desse tirtha há outro, ó perpetuador da linhagem Kuru, que é chamado de Kuru tirtha. Com sentidos sob controle e levando o modo de vida Brahmacharya, aquele que se banha em Kuru-tirtha se torna purificado de todos os seus pecados e alcança a região de Brahma. Com sentidos subjugados e dieta regulada deve-se proceder em seguida para Svargadwara. Permanecendo lá alguém obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma e vai para a residência de Brahma. O peregrino deve então, ó rei, proceder ao tirtha chamado Anaraka. Banhando-se lá, ó rei, ele nunca encontra infortúnio após a morte. Lá, ó rei, o próprio Brahma com os outros deuses tendo Narayana em sua vanguarda estão sempre presentes, ó tigre entre homens! E, ó filho real da linhagem Kuru, a esposa também de Rudra está presente lá. Contemplando a deusa, uma pessoa nunca encontra aflição após a morte. Lá naquele tirtha, ó rei, está também (uma imagem de) Visweswara, o marido de Uma. Vendo o deus dos deuses lá alguém é purificado de todos os seus pecados. Contemplando também (a imagem de) Narayana de cujo umbigo surgiu o lótus, uma pessoa resplandece, ó nobre repressor de todos os inimigos, e vai para a residência de Vishnu. Ó touro entre homens, aquele que se banha nos tirthas de todos os deuses está livre de toda tristeza e brilha como a Lua. O peregrino deve proceder em seguida, ó rei, para Swastipura. Por caminhar ao redor daquele local uma pessoa obtém o mérito de doar mil vacas. Chegando em seguida no tirtha chamado Pavana, deve-se oferecer oblações para os Pitris e os deuses. Por isto obtém-se, ó Bharata, o mérito do sacrifício Agnishtoma. Próximo a este há o Ganga-hrada, e outro, ó Bharata, chamado Kupa. Trinta milhões de tirthas, ó rei, estão presentes em Kupa. Banhando-se lá, ó rei, uma pessoa alcança o céu. Banhando-se também no Ganga-hrada e adorando Maheswara uma pessoa alcança a posição de Ganapatya e resgata sua própria família. Deve-se ir em seguida para Sthanuvata, famoso nos três mundos. Banhando-se lá, ó rei, alguém alcança o céu. Deve-se então ir para Vadaripachana, o retiro de Vasishtha. Tendo jejuado lá por três noites deve-se comer jujubas (fruto da árvore do gênero Zizyphus). Aquele que vive de jujubas por doze anos, e aquele que jejua no tirtha por três noites, adquirem mérito que é eterno. Chegando então em Indramarga, ó rei, e jejuando lá por um dia e uma noite o peregrino vem a ser adorado na residência de Indra. Chegando em seguida no tirtha chamado Ekaratra, uma pessoa que fica lá por uma noite, com votos regulados e se abstendo de falsidade, vem a ser adorada na residência de Brahma. Deve-se ir em seguida, ó rei, para o retiro de Aditya, aquele deus ilustre que é uma massa de refulgência. Banhando-se naquele tirtha célebre nos três mundos, e cultuando o deus da luz alguém vai para a região de Aditya e resgata sua própria família. O peregrino então, ó rei, banhando-se no tirtha de Soma, alcança, sem dúvida, a região de Soma. Deve-se proceder em seguida, ó virtuoso, para o tirtha mais sagrado do ilustre Dadhicha, aquele tirtha santificado que é famoso em todo o mundo. Foi lá que Angiras, aquele oceano de austeridades ascéticas pertencente à linhagem Saraswata, nasceu. Banhando-se naquele tirtha, alguém obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo, e sem dúvida, ganha também residência na região de Saraswati. Com sentidos subjugados e levando o modo de vida Brahmacharya, deve-se ir em seguida para Kanyasrama. Residindo lá por três noites, ó rei, com sentidos subjugados e dieta regulada, um homem obtém cem donzelas celestes e também vai para a residência de Brahma. Deve-se ir em seguida, ó virtuoso, ao tirtha chamado Sannihati. Permanecendo lá os deuses com Brahma encabeçando-os e Rishis dotados de riqueza de ascetismo ganham muita virtude. Banhando-se no Saraswati durante um eclipse solar uma pessoa obtém o mérito de cem Sacrifícios de Cavalo, e qualquer sacrifício que se possa realizar lá produz mérito que é eterno. Quaisquer tirthas que existam sobre a terra ou no firmamento, todos os rios, lagos, pequenos lagos, fontes, tanques, grandes e pequenos, e locais sagrados para deuses específicos, sem dúvida, todos vêm, ó tigre entre homens, mês após mês, e se misturam com Sannihati, ó rei de homens! E é porque todos os outros tirthas são reunidos lá que aquele tirtha é assim chamado. Banhando-se lá e bebendo de sua água uma pessoa vem a ser adorada no céu. Escute agora, ó rei, ao mérito adquirido por aquele mortal que realiza um Sraddha no dia da lua nova durante um eclipse solar. A pessoa que realiza um Sraddha lá, depois de ter se banhado naquele tirtha, obtém o mérito que alguém ganha por celebrar devidamente mil Sacrifícios de Cavalo. Quaisquer pecados que um homem ou mulher tenha cometido, são, sem dúvida, todos destruídos logo que a pessoa se banha naquele tirtha. Banhando-se lá alguém também ascende para a residência de Brahma em um carro da cor do lótus. Banhando-se em seguida em Koti-tirtha, depois de ter adorado o porteiro Yaksha, Machakruka, uma pessoa obtém o mérito de doar ouro em abundância. Perto deste, ó melhor dos Bharatas, há um tirtha chamado Gangahrada. Uma pessoa deve se banhar lá, ó virtuoso, com alma subjugada e levando o modo de vida Brahmacharya. Por isto alguém obtém mérito que é maior do que aquele de um sacrifício Rajasuya e de cavalo. O tirtha chamado Naimisha é produtivo de benefício sobre a terra. Pushkara é produtivo de benefício nas regiões do firmamento; Kurukshetra, no entanto, é produtivo de benefício em relação aos três mundos. Até o pó de Kurukshetra, carregado pelo vento, leva homens pecaminosos para um estado altamente abençoado. Aqueles que residem em Kurukshetra, o qual se localiza ao norte do Drishadwati e ao sul do Saraswati, realmente reside no céu. 'Eu irei para Kurukshetra' 'Eu morarei em Kurukshetra,' aquele que profere estas palavras mesmo uma vez se torna purificado de todos os pecados. O sagrado Kurukshetra que é adorado por Brahmarshis é considerado como o altar sacrifical dos celestiais. Aqueles mortais que moram lá não tem algo pelo que sofrer em qualquer época. Aquele que se encontra entre Tarantuka e Arantuka e os lagos de Rama e Machakruka é Kurukshetra. Ele é também chamado de Samantapanchaka e é citado como sendo o altar sacrifical norte do Avô.'” 84 "Pulastya disse, 'Então, ó grande rei, deve-se proceder para o excelente tirtha de Dharma, onde o ilustre deus da justiça praticou austeridades muito meritórias. E é por isto que ele fez do local um tirtha sagrado e tornou-o célebre por seu próprio nome. Banhando-se lá, ó rei, um homem virtuoso com alma concentrada certamente santifica sua família até a sétima geração. Deve-se ir então, ó rei, ao excelente Jnanapavana. Permanecendo lá uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma e vai para a região dos Munis. Então, ó monarca, um homem deve se dirigir ao Saugandhika-vana. Lá moram os celestiais com Brahma encabeçando-os, Rishis dotados de riqueza de ascetismo, os Siddhas, os Charanas, os Gandharvas, os Kinnaras e as serpentes. Logo que alguém entra naquelas florestas ele é purificado de todos os seus pecados. Então, ó rei, deve- se ir até a deusa sagrada Saraswati, conhecida lá como a deusa Plaksha, aquela melhor das correntes e principal dos rios. Lá uma pessoa deve se banhar na água emanada de um formigueiro. (Banhando-se lá e) cultuando os Pitris e os deuses, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Lá existe um tirtha raro chamado Isanadhyushita, localizado do formigueiro à distância de seis arremessos de um pau pesado. Como visto nos Puranas, ó tigre entre homens, banhando-se lá um homem obtém o mérito da doação de mil vacas Kapila e do Sacrifício de Cavalo. Viajando em seguida, ó principal dos homens, para Sugandha, e Satakumbha e Panchayaksha, um homem vem a ser adorado no céu. Dirigindo-se para outro tirtha lá chamado Trisulakhata, uma pessoa deve se banhar e se pôr a adorar os Pitris e os deuses. Fazendo assim, sem dúvida, ela alcança, depois da morte, a posição de Ganapatya. Deve-se proceder em seguida, ó rei, para o local excelente da Deusa célebre pelos três mundos pelo nome de Sakamvari. Lá, pelo espaço de mil anos celestes, ela de votos excelentes, mês após mês, subsistiu de ervas, ó rei de homens! E atraídos por sua reverência pela Deusa, muitos Rishis com riqueza de ascetismo foram para lá, ó Bharata, e foram regalados por ela com ervas. E é por isto que eles concederam a ela o nome de Sakamvari. Ó Bharata, o homem que chega em Sakamvari, com atenção absorta e levando o modo de vida Brahmacharya e passa três noites lá em pureza e subsistindo só de ervas, obtém, pela vontade da deusa, o mérito daquele que vive de ervas por doze anos. Então deve-se proceder para o tirtha chamado Suvarna, famoso nos três mundos. Lá antigamente Vishnu prestou suas adorações para Rudra, por sua graça, e obteve também muitos benefícios difíceis de aquisição até pelos deuses. E, ó Bharata, o destruidor de Tripura disse satisfeito, 'Ó Krishna, tu serás, sem dúvida, muito amado no mundo e o mais importante de todos no universo.' Dirigindo-se para lá, ó rei, e cultuando a divindade que tem o touro como seu símbolo, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo como também a posição de Ganapatya. Deve-se proceder em seguida ao tirtha de Dhumavati. Jejuando lá por três noites alguém obtém, sem dúvida, todos os desejos nutridos por ele. Na metade sul daquele local da Deusa, há, ó rei, um tirtha chamado Rathavarta. Deve-se, ó virtuoso, subir àquele lugar, com coração devoto, e tendo seus sentidos sob controle. Por isto, pela graça de Mahadeva, uma pessoa alcança um estado elevado. Depois de andar ao redor do lugar, deve-se, ó touro da linhagem Bharata, ir ao tirtha chamado Dhara, o qual, ó tu de grande sabedoria, purifica de todos os pecados. Banhando-se lá, ó tigre entre homens, um homem é liberto de toda tristeza. Deve-se então ir, ó virtuoso, depois de reverenciar a grande montanha (Himavat), para a fonte do Ganges, que é, sem dúvida, como o portão do céu. Lá uma pessoa deve, com alma concentrada, se banhar no tirtha chamado Koti. Por isto ela obtém o mérito do sacrifício Pundarika, e resgata sua família. Residindo uma noite lá alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Por oferecer devidamente oblações de água aos deuses e aos Pitris, em Saptaganga, Triganga e Sakravarta, (os quais estão todos lá), ele vem a ser adorado nas regiões dos virtuosos. Banhando-se em seguida em Kanakhala, e jejuando lá por três noites, um pessoa colhe o mérito do Sacrifício de Cavalo e vai para o céu. Então, ó senhor de homens, o peregrino deve se dirigir para Kapilavata. Jejuando por uma noite lá ele obtém o mérito da doação de mil vacas. Ó rei, há um tirtha do ilustre Kapila, rei dos Nagas, que é famoso, ó tu melhor dos Kurus, em todos os mundos. Banhando-se lá no Nagatirtha alguém obtém, ó rei, o mérito da doação de mil vacas Kapila. Deve-se ir em seguida ao tirtha excelente de Santanu, chamado Lalitika. Banhando-se lá, ó rei, uma pessoa nunca cai em infortúnio (após a morte). O homem que se banha na confluência do Ganga e do Yamuna obtém o mérito de dez Sacrifícios de Cavalo, e também resgata sua família. Deve- se em seguida, ó rei, ir para Sugandha, célebre pelo mundo. Por isto, purificado de todo pecado, ele vem a ser adorado na residência de Brahma. Então, ó senhor de homens, o peregrino deve se dirigir para Rudravarta. Banhando-se lá uma pessoa ascende para o céu. Banhando-se na confluência do Ganga e do Saraswati uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e também ascende para o céu. Procedendo em seguida para Bhadrakarneswara e cultuando os deuses devidamente, alguém, sem cair em angústia, se torna adorado no céu. Então, ó senhor de homens, o peregrino deve proceder para o tirtha chamado Kuvjamraka. Por isto ele alcança o mérito da doação de mil vacas, e o céu também. Então, ó rei, o peregrino deve ir ao Arundhativata. Procedendo para lá com alma concentrada e praticando os votos Brahmacharya, alguém que se banha em Samudraka e jejua por três noites obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e da doação de mil vacas, e também resgata sua linhagem. Deve-se proceder em seguida para Brahmavarta, com alma concentrada e praticando os votos Brahmacharya. Por meio disto alguém obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo, e vai para a região de Soma. O homem que procede para o Yamuna-prabhava, (a fonte do Yamuna) e se banha lá, obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e é adorado no céu. Chegando em Darvisankramana, aquele tirtha que é adorado dos três mundos, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e vai para o céu. Dirigindo-se em seguida para Sindhu-prabhava (a fonte do Indus) que é adorada por Siddhas e Gandharvas, e ficando lá por cinco noites, uma pessoa obtém o mérito da doação de ouro em abundância. Procedendo em seguida ao tirtha inacessível chamado Vedi, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e ascende para o céu. Então, ó Bharata, deve-se ir para Rishikulya e Vasishtha. Por visitar o último, todas as classes alcançam a condição de Brahmana. Indo para Rishikulya e se banhando lá, e vivendo de ervas um mês, e cultuando os deuses e Pitris alguém é purificado de todos os seus pecados, e alcança a região dos Rishis. Procedendo em seguida para Bhrigutunga uma pessoa adquire o mérito do Sacrifício de Cavalo. Dirigindo-se então para Vipramoksha alguém é liberto de todo pecado. Procedendo então ao tirtha de Krittika e Magha, uma pessoa, ó Bharata, obtém mérito superior àquele dos sacrifícios Agnishtoma e Atiratha. O homem que, indo ao tirtha excelente chamado Vidya se banha lá à noite, obtém competência em todo tipo de conhecimento. Deve-se em seguida residir por uma noite em Mahasrama capaz de destruir todos os pecados, fazendo uma única refeição. Por meio disto uma pessoa alcança muitas regiões auspiciosas, e resgata dez gerações precedentes e dez gerações sucessivas de sua família. Residindo em seguida por um mês em Mahalaya, e jejuando lá por três noites, a alma de uma pessoa é purificada de todos os pecados e ela adquire o mérito da doação de ouro em abundância. Procedendo em seguida para Vetasika adorado pelo Avô, obtém-se o mérito do Sacrifício de Cavalo e a condição de Usanas. Indo em seguida ao tirtha chamado Sundarika, adorado pelos Siddhas, alguém obtém beleza pessoal como testemunhado pelos antigos. Procedendo em seguida para Brahmani com sentidos subjugados e cumprindo o voto Brahmacharya, uma pessoa ascende à região de Brahma em um carro da cor do lótus. Deve-se ir em seguida para o sagrado Naimisha, adorado pelos Siddhas. Lá mora para sempre Brahma com os deuses. Somente por pretender ir para Naimisha, metade dos pecados de uma pessoa são destruídos; por entrar nele, ela é purificada de todos os seus pecados. O peregrino de sentidos subjugados deve ficar em Naimisha por um mês; pois, ó Bharata, todos os tirthas da terra estão em Naimisha. Banhando- se lá, com sentidos controlados e alimentação regulada alguém obtém, ó Bharata, o mérito Sacrifício de Vaca, e também santifica, ó melhor dos Bharatas, sua família por sete gerações para cima e para baixo. Aquele que renuncia à sua vida em Naimisha por jejuar desfruta de felicidade nas regiões celestiais. Esta mesma é a opinião dos sábios. Ó principal dos reis, Naimisha é sempre sagrado e santo. Procedendo em seguida para Gangodbheda e jejuando lá por três noites, um homem obtém o mérito do sacrifício Vajapeya, e se torna semelhante ao próprio Brahma. Viajando ao Saraswati, deve-se oferecer oblações para os deuses e os Pitris. Por meio disto alguém certamente desfruta de felicidade nas regiões chamadas Saraswata. Então deve-se ir para Vahuda, com alma subjugada e cumprindo o voto Brahmacharya. Residindo lá por uma noite uma pessoa se torna adorada no céu, e obtém também, ó Kaurava, o mérito do sacrifício Devasatra. Então deve-se ir para o santo Kshiravati, frequentado por homens santos. Por cultuar os deuses e os Pitris lá alguém obtém o mérito do sacrifício Vajapeya. Procedendo em seguida para Vimalasoka, com alma subjugada e cumprindo o voto Brahmacharya, e residindo lá por uma noite, uma pessoa é adorada no céu. Deve-se proceder em seguida ao excelente Gopratra no Sarayu, de onde Rama, ó rei, com todos os seus servidores e animais, renunciando ao seu corpo, ascendeu para o céu por causa da eficácia do tirtha somente. Banhando-se naquele tirtha, ó Bharata, a alma de alguém, pela graça de Rama, e em virtude das suas próprias ações, é purificada de todos os pecados, e ele vem a ser adorado no céu, ó Bharata! Procedendo em seguida, ó filho da raça Kuru, ao Rama-tirtha sobre o Gomati, e se banhando lá, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo, e santifica também sua própria família. Lá, ó touro da linhagem Bharata, existe outro tirtha chamado Satasahasrika. Banhando-se lá, com sentidos controlados e dieta regulada, uma pessoa colhe, ó touro da raça Bharata, o mérito da doação de mil vacas. Então deve-se, ó rei, ir ao tirtha inigualável chamado Bhartristhana. Por meio disto uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Banhando-se em seguida no tirtha chamado Koti, e cultuando Kartikeya, um homem colhe, ó rei, o mérito da doação de mil vacas, e obtém grande energia. Procedendo em seguida para Varanasi, e cultuando o deus que tem o touro como seu símbolo, depois de um banho no Kapilahrada, uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Rajasuya. Dirigindo-se então, ó perpetuador da linhagem Kuru, ao tirtha chamado Avimukta, e contemplando lá o deus dos deuses, o peregrino, somente por tal visão, é imediatamente purificado até do pecado de matar um Brahmana. Por renunciar à própria vida lá uma pessoa alcança a libertação. Chegando em seguida, ó rei, no tirtha excelente chamado Markandeya célebre pelo mundo e situado na confluência do Ganges, uma pessoa obtém o mérito de sacrifício Agnishtoma, e resgata sua família. Permanecendo em seguida em Gaya, com sentidos subjugados e cumprindo o voto Brahmacharya, alguém obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e também resgata sua família. Lá naquele tirtha está o Akshaya-vata, célebre pelos três mundos. O que quer que seja oferecido lá para os Pitris é citado como se tornando inesgotável. Banhando-se lá no Mahanadi, e oferecendo oblações aos deuses e aos Pitris, um homem alcança regiões eternas, e também resgata sua família. Procedendo então para Brahma-sara que é adornado pelos bosques de Dharma, e passando uma noite lá, um homem alcança a região de Brahma. Naquele lago, Brahma ergueu um pilar sacrifical. Por caminhar ao redor daquele pilar uma pessoa adquire o mérito do sacrifício Vajapeya. Deve-se ir em seguida, ó monarca poderoso, para Denuka célebre pelo mundo. Ficando lá por uma noite e doando gergelim e vacas, a alma de uma pessoa sendo purificada de todo pecado, ela ascende sem dúvida para a região de Soma. Lá, ó rei, nas montanhas, a vaca chamada Kapila costumava vagar com seu bezerro. Há pouca dúvida disto, ó Bharata, as marcas do casco daquela vaca e seu bezerro são vistas lá até hoje. Por se banhar naquelas marcas de casco, ó principal dos monarcas, qualquer pecado no qual um homem possa ter incorrido, ó Bharata, é purificado. Então deve-se ir para Gridhravata, o local consagrado ao deus portador do tridente. Aproximando-se da divindade que tem o touro como seu símbolo uma pessoa deve se esfregar com cinzas. Se for um Brahmana, ele obtém o mérito de cumprir o voto de doze anos e se for pertencente a alguma das outras classes, ele é liberto de todos os seus pecados. Deve-se proceder em seguida para as montanhas Udyanta, ressoando com notas melodiosas. Lá, ó touro da raça Bharata, ainda é vista a pegada de Savitri. O Brahmana de votos rígidos que diz suas orações da manhã, do meio-dia e da noite lá, obtém o mérito de realizar aquele serviço por doze anos. Lá, ó touro da raça Bharata, está o famoso Yonidwara. Dirigindo-se para lá, uma pessoa vem a ser dispensada da dor do renascimento. A pessoa que fica em Gaya durante as quinzenas escura e iluminada, sem dúvida santifica, ó rei, sua própria família até a sétima geração ascendente e descendente. Deve-se desejar muitos filhos para que pelo menos um deles possa ir para Gaya, ou celebrar o Sacrifício de Cavalo, ou oferecer um touro nila. Então, ó rei, o peregrino deve proceder para Phalgu. Por meio disto ele obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo, e alcança grande êxito. Ó rei, deve-se ir então, com alma subjugada, para Dharmaprishta. Lá, ó principal dos guerreiros, mora Dharma para sempre. Bebendo água de um poço que se encontra lá, e purificando a si mesmo por meio de um banho, aquele que oferece oblações aos deuses e aos Pitris é purificado de todos os seus pecados e ascende para o céu. Lá naquele tirtha se encontra o eremitério do grande Rishi Matanga de alma sob completo controle. Por entrar naquele belo retiro capaz de aliviar a fadiga e a tristeza alguém ganha o mérito do sacrifício Gavayana, e por tocar (a imagem de) Dharma que está lá obtém-se o fruto do Sacrifício de Cavalo. Deve-se ir em seguida, ó rei, ao tirtha excelente chamado Brahmasthana. Aproximando-se de Brahma, aquele touro entre os seres masculinos, que se encontra lá, uma pessoa adquire, ó monarca poderoso, o mérito dos sacrifícios Rajasuya e de cavalo. O peregrino deve então ir para Rajasuya, ó rei de homens! Banhando-se lá ele vive (no céu) tão felizmente quanto (o Rishi) Kakshiyan. Depois de se purificar, uma pessoa deve compartilhar lá das oferendas feitas diariamente para o Yakshini. Por meio disto ela fica livre até do pecado de matar um Brahmana, pela graça de Yakshini. Procedendo em seguida para Maninaga, uma pessoa obtém o mérito da doação de mil vacas. Ó Bharata, aquele que come qualquer coisa relacionada ao tirtha de Maninaga, se mordido por uma cobra venenosa, não sucumbe ao seu veneno. Residindo lá por uma noite alguém é purificado de seus pecados. Então deve-se proceder para a floresta favorita do Brahmarshi Gautama. Lá banhando- se no lago de Ahalya, uma pessoa alcança um estado elevado. Contemplando em seguida a imagem de Sree ela adquire grande prosperidade. Lá naquele tirtha há um poço célebre pelos três mundos. Banhando-se nele alguém obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Lá também existe um poço sagrado para o Rishi real Janaka, o qual é adorado pelos deuses. Banhando-se no poço uma pessoa ascende à região de Vishnu. Então deve-se ir para Vinasana que destrói todo pecado. Por uma estada lá alguém obtém o mérito do sacrifício Vajapeya, e vai também para a região de Soma. Procedendo em seguida para Gandaki que é produzido pelas águas de todos os tirthas, uma pessoa adquire o mérito do sacrifício Vajapeya, e ascende também para a região solar. Procedendo em seguida para Visala, aquele rio célebre nos três mundos, alguém obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma e ascende também para o céu. Dirigindo-se então, ó virtuoso, para a sede arborizada de ascetas que é chamada de Adhivanga, obtém-se, sem dúvida, grande felicidade entre os Guhyakas. Procedendo em seguida para o rio Kampana, visitado pelos Siddhas, alguém obtém o mérito do sacrifício Pundarika, e ascende também para o céu. Chegando então, ó senhor da terra, na corrente chamada Maheswari, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e também resgata sua própria família. Dirigindo-se em seguida para o tanque dos celestiais uma pessoa ganha imunidade de infortúnio, e também o mérito do Sacrifício de Cavalo. Deve-se ir em seguida para Somapada, com alma subjugada e levando o modo de vida Brahmacharya. Banhando-se em Maheswarapada que se encontra lá alguém colhe o mérito do Sacrifício de Cavalo. Lá naquele tirtha, ó touro da raça Bharata, é bem sabido que dez milhões de tirthas existem juntos. Um Asura mau na forma de uma tartaruga, ó principal dos monarcas, estava levando-o embora quando o poderoso Vishnu recuperou-o dele. Lá naquele tirtha uma pessoa deve realizar suas abluções, pois por meio disto ela adquire o mérito do sacrifício Pundarika e ascende também para a região de Vishnu. Então, ó melhor dos reis, deve-se proceder para o lugar de Narayana, onde, ó Bharata, Narayana está sempre presente e mora para sempre. Lá os deuses com Brahma encabeçando-os, Rishis dotados de riqueza de ascetismo, os Adityas, os Vasus, e os Rudras, todos adoram Janardana, naquele tirtha, e Vishnu de façanhas extraordinárias se tornou conhecido como Salagrama. Aproximando-se do eterno Vishnu, aquele senhor dos três mundos, aquele concessor de bênçãos, alguém obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo, e vai para a região de Vishnu. Lá naquele local, ó virtuoso, existe um poço capaz de destruir todos os pecados. Os quatro mares estão sempre presentes naquele poço. Aquele que se banhar nele, ó rei, terá imunidade de infortúnio. Contemplando (a imagem de) Mahadeva dador de benefícios, eterno, e feroz que está lá uma pessoa brilha, ó rei, como a lua saída das nuvens. Banhando-se então em Jatismara, com mente pura e sentidos subjugados, alguém obtém, sem dúvida, as recordações de sua vida anterior. Procedendo então para Maheswarapura, e cultuando o deus que tem o touro como seu símbolo, enquanto jejua, uma pessoa obtém, sem dúvida, a realização de todos os seus desejos. Dirigindo-se então para Vamana que destrói todo pecado, e contemplando o deus Hari, uma pessoa obtém isenção de toda desgraça. Deve-se ir em seguida ao retiro de Kusika que é capaz de remover todo pecado. Dirigindo-se então ao rio Kausika que purifica até de grandes pecados, uma pessoa deve se banhar nele. Por meio disto ela obtém o mérito do sacrifício Rajasuya. Deve-se em seguida, ó principal dos reis, proceder para as florestas excelentes de Champaka. Por passar uma noite lá uma pessoa adquire o mérito da doação de mil vacas. Chegando em seguida em Jyeshthila, aquele tirtha de valor raro, e passando uma noite lá alguém colhe o fruto da doação de mil vacas. Contemplando lá (a imagem de) Visweswara de grande esplendor, com sua consorte a deusa, uma pessoa alcança, ó touro entre homens, a região de Mitra- Varuna. Por jejuar lá por três noites um homem obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Por visitar Kanya-samvedya, com sentidos reprimidos e alimentação regulada uma pessoa alcança, ó touro entre homens, a região de Manu, o senhor da criação. Rishis de votos rígidos dizem que aquele que doa arroz ou faz algum presente no tirtha chamado Kanya torna tal presente eterno. Chegando em seguida em Nischira célebre nos três mundos uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e vai para a região de Vishnu. Ó rei, aquele que faz doações na confluência do Nischira ascende à região abençoada de Brahma. Lá naquele tirtha é o retiro de Vasishtha que é conhecido pelos três mundos. Banhando-se lá alguém obtém o mérito do sacrifício Vajapeya. Procedendo em seguida para Devakuta que é frequentado por Rishis celestes, uma pessoa adquire o mérito do Sacrifício de Cavalo, e também resgata sua família. Então deve-se, ó rei, ir ao lago do Muni Kausika, onde o filho de Kusika, Viswamitra, alcançou grande êxito. Banhando-se lá uma pessoa adquire o mérito do sacrifício Vajapeya. Lá, ó herói, em Kausika, deve-se residir por um mês, ó touro da raça Bharata! Residindo lá por um mês uma pessoa colhe o mérito do Sacrifício de Cavalo. Aquele que reside no melhor dos tirthas chamado Maha-hrada desfruta de imunidade de infortúnio, e também obtém o mérito da doação de ouro em abundância. Vendo em seguida Kartikeya que mora em Virasrama, um homem certamente colhe o fruto do Sacrifício de Cavalo. Procedendo então para Agnidhara célebre nos três mundos, e contemplando lá depois de um banho o eterno Vishnu e dador de benefícios, aquele deus dos deuses, alguém obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Procedendo em seguida para o tanque do Avô perto dos picos de montanhas cobertos pela neve, e banhando-se nele, um homem obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Despejando-se do tanque do Avô há aquele (rio) que santifica o mundo, célebre nos três mundos, chamado Kumara-Dhara. Banhando-se lá uma pessoa se considera como tendo todos os seus propósitos realizados. Jejuando naquele tirtha por três dias alguém é purificado até do pecado de matar um Brahmana. O peregrino deve em seguida, ó virtuoso, proceder ao cume da grande deusa Gauri, famosa nos três mundos. Subindo nele, ó melhor dos homens, deve- se aproximar de Stana-Kunda. Por tocar as águas de Stana-Kunda, uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Vajapeya. Banhando-se naquele tirtha e cultuando os deuses e Pitris obtém-se o mérito do Sacrifício de Cavalo e também ascende-se à região de Indra. Chegando em seguida no poço de Tamraruna, que é frequentado pelos deuses, uma pessoa adquire, ó senhor de homens, o mérito que se atribui ao sacrifício humano. Banhando-se em seguida na confluência do Kirtika com o Kausiki e o Aruna, e jejuando lá por três noites um homem de erudição é purificado de todos os seus pecados. Procedendo em seguida ao tirtha chamado Urvasi, e então para Somasrama, um homem sábio por se banhar em seguida em Kumbhakarnasrama vem a ser adorado no mundo. Os antigos sabiam que por tocar as águas de Kokamukha, com votos constantes e levando o modo de vida Brahmacharya, a memória da vida passada de uma pessoa é restaurada. Chegando em seguida com velocidade ao rio chamado Nanda um regenerado se torna livre de todos os seus pecados e ascende com alma sob controle para a região de Indra. Procedendo em seguida para a ilha chamada Rishabha, que é destrutiva de grous, e se banhando no Saraswati, um indivíduo resplandece no céu. Procedendo em seguida para o tirtha chamado Auddalaka frequentado por Munis, e se banhando lá alguém é purificado de todos os seus pecados. Dirigindo- se em seguida para o tirtha sagrado chamado Dharma que é visitado por Brahmarshis, uma pessoa adquire o mérito do sacrifício Vajapeya e se torna respeitada no céu. Procedendo em seguida para Champa e se banhando no Bhagirathi aquele que permanece em Dandaparna adquire o mérito da doação de mil vacas. Então deve-se ir ao sagrado Lalitika que é agraciado pela presença dos virtuosos. Por meio disto alguém adquire o mérito do sacrifício Rajasuya e é respeitado no céu." "Pulastya disse, 'Chegando em seguida no tirtha excelente chamado Samvedya à noite, e tocando suas águas, uma pessoa com certeza obtém conhecimento. Criado um tirtha nos tempos passados pela energia de Rama, aquele que procede para Lauhitya obtém o mérito da doação de ouro em abundância. Procedendo em seguida para o rio Karatoya, e jejuando lá por três noites, um homem adquire o mérito do Sacrifício de Cavalo. Esta mesma é a injunção do próprio Criador. É dito pelos sábios, ó rei, que se uma pessoa vai ao local onde o Ganga se mistura com o oceano ela colhe mérito que é dez vezes do que aquele do Sacrifício de Cavalo. Atravessando para a margem oposta do Ganga, aquele que se banha lá tendo residido por três noites é, ó rei, purificado de todos os pecados. Deve-se ir em seguida para o Vaitarani capaz de destruir todo pecado. Chegando em seguida no tirtha chamado Viraja uma pessoa brilha como a lua, e santificando sua família a resgata e é ela mesma purificada de todos os seus pecados. Aquele que se banha em Viraja além disso colhe o mérito da doação de mil vacas além de santificar sua linhagem. Residindo com pureza na confluência do Sona e do Jyotirathi, e oferecendo oblações de água aos deuses e aos Pitris, um homem colhe o mérito do sacrifício Agnishtoma. Tocando em seguida as águas do Vansagulma constituindo as fontes do Sona e do Narmada, alguém obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Permanecendo em seguida no tirtha chamado Rishabha em Kosala, ó senhor de homens, e jejuando lá por três noites uma pessoa ganha o mérito do sacrifício Vajapeya, e da doação de mil vacas, e também resgata sua família. Chegando em Kosala, um homem deve se banhar no tirtha chamado Kala. Por meio disto certamente ele obtém o mérito da doação de onze touros. Por se banhar em Pushpavati e jejuar lá, ó rei, por três noites uma pessoa santifica sua própria família, além disso ganhando o mérito da doação de mil vacas. Então, ó principal da raça Bharata, por se banhar no tirtha chamado Vadarika uma pessoa obtém vida longa, e também vai para o céu. Chegando em seguida em Champa, e se banhando no Bhagirathi, e vendo Danda alguém ganha o mérito da doação de mil vacas. Então deve-se ir ao sagrado Lapetika, agraciado pela presença dos devotos. Por fazer isso uma pessoa colhe o mérito do sacrifício Vajapeya e também vem a ser estimada pelos deuses. Procedendo em seguida à montanha chamada Mahendra, habitada (antigamente) por Jamadagnya, e se banhando no tirtha de Rama, uma pessoa adquire o mérito do Sacrifício de Cavalo. Lá está o tirtha de Matanga chamado Kedara, ó filho da raça Kuru! Banhando-se nele, ó principal dos Kurus, um homem obtém o mérito da doação de mil vacas. Indo à montanha Sree, alguém que toca as águas da corrente que encontra lá, por cultuar naquele local o deus que tem o touro como seu símbolo, obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Sobre a montanha Sree mora alegremente o refulgente Mahadeva com a deusa, como também Brahma com os outros deuses. Por se banhar no lago de Deva, com pureza e mente controlada, uma pessoa obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo, e também alcança o maior êxito. Procedendo em seguida para a montanha Rishabha em Pandya, adorada pelos deuses, uma pessoa obtém o mérito do sacrifício Vajapeya e se regozija no céu. Deve-se ir em seguida ao rio Kaveri, frequentado por Apsaras. Banhando-se lá, ó monarca, alguém obtém o mérito da doação de mil vacas. Tocando em seguida as águas do tirtha chamado Kanya nas margens do oceano uma pessoa é purificada de todo pecado. Procedendo em seguida para Gokarna célebre nos três mundos, e que está situado, ó melhor dos reis, no meio do mar, e é reverenciado por todos os mundos, e onde os deuses encabeçados por Brahma, e Rishis dotados de riqueza de ascetismo, e espíritos e Yakshas e Pisachas, e Kinnaras e os grandes Nagas, e Siddhas e Charanas e Gandharvas, e homens e Pannagas, e rios, Mares e Montanhas, adoram o marido de Uma, deve-se adorar Isana, jejuando lá por três noites. Por meio disto alguém adquire o mérito do Sacrifício de Cavalo, e a posição de Ganapatya. Por ficar lá por doze noites a alma de uma pessoa é purificada de todos os pecados. Deve-se proceder em seguida ao tirtha conhecido como Gayatri famoso nos três mundos. Ficando lá por três noites alguém adquire o mérito da doação de mil vacas. Um fenômeno incomum é visto ocorrer lá em relação aos Brahmanas, ó senhor de homens! Se um Brahmana, nascido de uma Brahmani ou de qualquer outra mulher recitar o Gayatri lá, a recitação se torna rítmica e musical, enquanto, ó rei, uma pessoa que não é um Brahmana não pode cantá-lo adequadamente em absoluto. Procedendo em seguida ao tanque inacessível do Rishi Brahmana Samvarta, uma pessoa adquire beleza pessoal e prosperidade. Dirigindo-se em seguida para Vena, aquele que oferece oblações de água aos deuses e aos Pitris obtém um carro puxado por pavões e grous. Indo em seguida para Godavari, sempre frequentado pelos Siddhas, uma pessoa ganha o mérito do Sacrifício de Vaca, e vai para a região excelente de Vasuki. Banhando-se em seguida na confluência do Venna alguém obtém o mérito do sacrifício Vajapeya. Por um mergulho em seguida na confluência do Varada, uma pessoa adquire o mérito da doação de mil vacas. Chegando em seguida em Brahmasthuna, aquele que permanece lá por três noites adquire o mérito da doação de mil vacas, e também ascende para o céu. Indo para Kusaplavana, com alma subjugada e levando o modo de vida Brahmacharya, e ficando lá por três noites aquele que se banha nele obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Banhando-se em seguida no fabuloso Deva-hrada que é abastecido pelas águas do Krishna-Venna, e também no Jatismara-hrada, alguém adquire a memória da própria vida anterior. Foi lá que o chefe dos celestiais celebrou cem sacrifícios e ascendeu para o céu. Somente por uma visita àquele local uma pessoa adquire o mérito do sacrifício Agnishtoma. Banhando-se em seguida no Sarvadeva-hrada uma pessoa obtém o mérito da doação de mil vacas. Procedendo em seguida para o tanque altamente sagrado chamado Payoshni, aquela melhor das águas, aquele que oferece oblações de água aos deuses e aos Pitris adquire o mérito da doação de mil vacas. Chegando em seguida na floresta sagrada de Dandaka, uma pessoa deve se banhar (nas águas) lá. Por meio disto, ó rei, ela obtém imediatamente, ó Bharata, o mérito da doação de mil vacas. Procedendo em seguida ao retiro de Sarabhanga e àquele do ilustre Suka, ela obtém imunidade de infortúnio, além de santificar sua família. Então deve-se ir a Surparaka, onde o filho de Jamadagni morava antigamente. Banhando-se naquele tirtha de Rama uma pessoa adquire o mérito da doação de ouro em abundância. Banhando-se em seguida no Saptagadavara, com sentidos subjugados e dieta regulada alguém ganha grande mérito, e vai também para a região dos celestiais. Procedendo em seguida para Deva-hrada, com sentidos subjugados e dieta regulada, um homem obtém o mérito do sacrifício Devasatra. Deve-se proceder em seguida para a floresta de Tungaka, com sentidos subjugados e levando o modo de vida Brahmacharya. Foi lá que no passado o Muni Saraswata ensinou os Vedas aos ascetas. Quando os Vedas foram perdidos (por causa dos Munis os terem esquecido), o filho de Angirasa, sentado comodamente sobre as peças de roupas superiores dos Munis (devidamente espalhadas), pronunciou claramente e com ênfase a sílaba Om. E nisto os ascetas se lembraram novamente de tudo o que eles tinham aprendido antes. Foi lá que Rishis e os deuses Varuna, Agni, Prajapati, Narayana também chamado Hari, Mahadeva e o Avô ilustre de grande esplendor, nomearam o resplandecente Bhrigu para oficiar em um sacrifício. Gratificando Agni por meio de libações de manteiga clarificada derramadas segundo a ordenança, o ilustre Bhrigu realizou uma vez o sacrifício Agnyadhana para todos aqueles Rishis, depois do que eles e os deuses partiram para suas respectivas casas um depois do outro. Alguém que entra na floresta de Tungaka, ó melhor dos reis, homem ou mulher, é purificado de todos os pecados. Lá naquele tirtha, ó herói, deve-se residir por um mês, com sentidos subjugados e dieta regulada. Por meio disto, ó rei, uma pessoa ascende à região de Brahma, e resgata também sua família. Chegando em seguida em Medhavika deve-se oferecer oblações de água aos deuses e aos Pitris. Por meio disto alguém adquire o mérito do sacrifício Agnishtoma, e também memória e intelecto. Lá naquele tirtha está a montanha conhecida por todo o mundo e chamada Kalanjara. Banhando-se no lago celeste que está lá uma pessoa adquire o mérito da doação de mil vacas. Aquele que, ó rei, depois de um banho, oferece oblações (aos deuses e aos Pitris) sobre a montanha Kalanjara, é, sem dúvida, respeitado no céu. Procedendo em seguida, ó monarca, ao rio Mandakini capaz de destruir todos os pecados e que se encontra naquela melhor das montanhas chamada Chitrakuta, aquele que se banha lá e adora os deuses e os Pitris obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e alcança um estado elevado. Deve-se em seguida, ó virtuoso, ir ao tirtha excelente chamado Bhartristhana, onde, ó rei, sempre mora o generalíssimo celeste Kartikeya. Somente por uma viagem àquele local uma pessoa, ó principal dos reis, alcança o êxito. Banhando-se em seguida no tirtha chamado Koti uma pessoa ganha o mérito da doação de mil vacas. Tendo andado ao redor de Koti deve-se proceder em seguida para Jyeshthasthana. Contemplando Mahadeva que está lá uma pessoa brilha como a lua. Lá, ó monarca poderoso, há um poço célebre, ó touro da raça Bharata! Lá naquele poço, ó principal dos guerreiros, estão os quatro oceanos. Aquele que se banha lá, ó principal dos reis, e com alma subjugada adora os deuses e os Pitris, é purificado de todos os seus pecados e alcança um estado sublime. Então, ó rei poderoso, deve-se ir ao grande Sringaverapura, onde, ó principal dos reis, antigamente Rama, filho de Dasharatha, cruzou (o Ganga). Banhando-se naquele tirtha uma pessoa, ó de braços poderosos, é purificada de todos os seus pecados. Banhando-se no Ganga com sentidos subjugados e levando o modo de vida Brahmacharya alguém é purificado de todos os pecados, e obtém também o mérito do sacrifício Vajapeya. Deve-se ir em seguida ao lugar chamado Mayuravata, consagrado para Mahadeva de grande inteligência. Contemplando lá o deus, reverenciando-o e andando ao redor do local uma pessoa alcança, ó Bharata, a posição Ganapatya. Banhando- se em Ganga naquele tirtha uma pessoa é purificada de todos os seus pecados. Então, ó rei, deve-se ir para Prayaga, cujos louvores são cantados por Rishis e onde moram os deuses com Brahma encabeçando-os, as Direções com suas divindades presidentes, os Lokapalas, os Siddhas, os Pitris adorados pelos mundos, os grandes Rishis, Sanatkumara e outros, Brahmarshis imaculados, Angiras e outros, os Nagas, os Suparnas, os Siddhas, as Cobras, os Rios, os Mares, os Gandharvas, as Apsaras, e o Senhor Hari com Prajapati. Lá naquele tirtha estão as três cavernas ígneas entre as quais o Ganga, aquele principal dos tirthas, passa rapidamente. Lá naquela região também a filha do sol purificadora do mundo, Yamuna, célebre nos três mundos, se une com o Ganga. O país entre o Ganga e o Yamuna é considerado como o mais venerável do mundo, e Prayaga como o ponto principal daquela região. Os tirthas Prayaga, Pratisthana, Kamvala, Aswatara e Bhogavati são as plataformas sacrificais do Criador. Lá naqueles locais, ó principal dos guerreiros, os Vedas e os Sacrifícios, em formas incorporadas, e os Rishis dotados de riqueza de ascetismo, adoram Brahma, e lá os deuses e soberanos de territórios também celebram seus sacrifícios. Os eruditos, no entanto, dizem que de todos estes tirthas, ó exaltado, Prayaga é o mais sagrado, realmente, o principal de todos os tirthas nos três mundos. Por ir para aquele tirtha, por cantar seus louvores, ou por pegar um pouco de terra dele, uma pessoa é purificada de todo pecado. Aquele que se banha naquela confluência célebre no mundo adquire todos os méritos do Rajasuya e do Sacrifício de Cavalo. Aquele lugar sacrifical é adorado pelos próprios deuses. Se um homem alguma vez doa lá uma quantidade muito pequena, esta aumenta, ó Bharata, mil vezes. Ó filho, não deixe os textos do Veda, nem as opiniões de homens dissuadirem a tua mente do desejo de morrer em Prayaga. Ó filho da linhagem Kuru, os sábios dizem que seiscentos milhões e dez mil tirthas existem em Prayaga. Banhando-se na confluência do Ganga e Yamuna alguém obtém o mérito atribuído às quatro espécies de conhecimento e os méritos também daqueles que são sinceros. Lá em Prayaga está o tirtha excelente de Vasuki chamado Bhogavati. Aquele que se banha nele obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo. Lá também no Ganga está o tirtha famoso pelos três mundos, chamado Ramaprapatana, o qual confere o mérito de dez Sacrifícios de Cavalo, ó filho da raça Kuru! Onde quer que uma pessoa possa se banhar no Ganga, ela ganha mérito igual àquele de uma viagem para Kurukshetra. Uma exceção, no entanto, é feita em favor de Kanakhala, enquanto o mérito atribuído à Prayaga é o maior. Tendo cometido cem pecados, aquele que se banha no Ganga tem todos os seus pecados purificados pelas águas dele, assim como combustível é consumido pelo fogo. É dito que no Satyayuga todos os tirthas eram sagrados; no Treta, só Pushkara era tal; em Dwapara, Kurukshetra; e no Kali-yuga, só o Ganga é sagrado. Em Pushkara se deve praticar austeridades; em Mahalaya se deve fazer doações; nas montanhas Malaia se deve subir à pira fúnebre; e em Bhrigutunga se deve renunciar ao próprio corpo por renunciar ao alimento. Banhando-se em Pushkara, em Kurukshetra, no Ganga e na confluência (do Ganga e do Yamuna), uma pessoa santifica sete gerações ascendentes e descendentes da própria família. Aquele que recita o nome de Ganga é purificado; enquanto aquele que a contempla recebe prosperidade; enquanto aquele que se banha nela e bebe de suas águas santifica sete gerações ascendentes e descendentes da sua família. Por tanto tempo, ó rei, quanto os ossos de alguém se encontrem em contato com as águas do Ganga, ele viverá respeitado no céu, assim como alguém vive no céu por consequência do mérito que ele ganha por peregrinações pias para tirthas sagrados e lugares santos. Não há tirtha que seja semelhante ao Ganga, não há deus semelhante a Kesava, e não há alguém superior aos Brahmanas, isto mesmo foi dito pelo Avô. Ó grande rei, a região através da qual o Ganga flui deve ser considerada como um retiro sagrado, e um local de terra que está nas margens do Ganga deve ser considerado como um favorável à obtenção de êxito ascético. Esta descrição verdadeira (dos tirthas) deve ser recitada somente para os regenerados, para aqueles que são pios, para um filho e amigos e discípulos e dependentes. Esta narrativa, sem uma rival, é abençoada e sagrada e leva ao céu. Sagrada e interessante e santificadora, ela é produtiva de mérito e valor elevado. Destrutiva de todo pecado, ela é um mistério que os grandes Rishis tratam com cuidado. Por recitá-la no meio de Brahmanas alguém é purificado de todo pecado, e ascende para o céu. Esta descrição dos tirthas é auspiciosa e concessora do céu e sagrada; sempre abençoada como é, ela destrói os inimigos de alguém; o principal de todos os relatos, ela afia o intelecto. Por ler esta narrativa o sem filhos obtém filhos, o necessitado obtém riquezas, uma pessoa da classe real conquista a terra inteira, o Vaisya ganha riqueza, o Sudra obtém todos os seus desejos, e o Brahmana cruza o oceano (do mundo). Purificando-se, aquele que escuta diariamente aos méritos dos diferentes tirthas se lembra dos incidentes de muitos nascimentos prévios e se regozija no céu. Dos tirthas que são recitados aqui alguns são facilmente acessíveis, enquanto outros são de acesso difícil. Mas aquele que é inspirado pelo desejo de contemplar todos os tirthas deve visitá-los mesmo em imaginação. Desejosos de obter mérito, os Vasus, e os Sadhyas, os Adityas, os Maruts, os Aswins, e os Rishis que são iguais aos celestiais, todos se banharam nestes tirthas. Tu também, ó tu touro da raça Kuru, observando a ordenança como explicada por mim, visite, com sentidos subjugados, estes tirthas, aumentado teu mérito, ó tu de votos excelentes. Homens de piedade e erudição são capazes de visitar estes tirthas por razão de seus sentidos purificados, sua crença na Divindade, e seu conhecimento dos Vedas. Aquele que não cumpre votos, aquele que não tem sua alma sob controle, aquele que é impuro, aquele que é um ladrão, e aquele que é de mente desonesta, ó Kauravya, não se banham em tirthas. Tu és sempre observador da virtude, e és de caráter puro. Pela tua virtude, ó virtuoso, tu sempre gratificaste teu pai e teu avô, e bisavôs, e os deuses com Brahma encabeçando-os, e os Rishis também, ó tu versado em virtude! Tu que pareces Vasava, tu, ó Bhishma, alcançarás a região dos Vasus, e também fama eterna sobre a terra!'” "Narada continuou, 'Tendo falado assim alegremente, o ilustre Rishi Pulastya, bem satisfeito, se despedindo de Bhishma, desapareceu. E Bhishma também, ó tigre entre homens, compreendendo bem a verdadeira significação dos Shastras, vagou pelo mundo por ordem de Pulastya. Assim, ó tu abençoado, Bhishma terminou em Prayaga sua viagem altamente meritória para os tirthas capazes de destruir todos os pecados. O homem que percorre a terra de acordo com estas injunções obtém o fruto mais elevado de cem Sacrifícios de Cavalo e ganha salvação após a morte. Tu, ó filho de Pritha, obterás mérito consistindo dos oito atributos, assim como aquele que Bhishma, o principal dos Kurus, obteve antigamente. E como tu levarás estes ascetas àqueles tirthas o teu mérito será muito maior. Aqueles tirthas são infestados por Rakshasas, e ninguém, exceto tu, ó filho da raça Kuru, pode ir lá. Levantando cedo aquele que recita esta narrativa dos Rishis celestes sobre o assunto dos tirthas vem a ser libertado de todos os pecados. Aqueles principais dos Rishis, Valmiki, e Kasyapa, e Atreya, e Kundajathara, e Viswamitra, e Gautama, e Asita, e Devala, e Markandeya, e Galava, e Bharadwaja, e Vasishtha, e o Muni Uddalaka, e Saunaka com seu filho, e Vyasa, aquele melhor dos ascetas, e Durvasas, aquele principal dos Munis, e Javali de grandes austeridades, todos estes Rishis ilustres dotados de riqueza de ascetismo estão te esperando. Ó rei poderoso, encontre com eles por visitares aqueles tirthas. E, ó monarca ilustre, um grande Rishi de energia incomensurável, de nome Lomasa, virá a ti. Siga a ele, e a mim, e em sucessão visite aqueles tirthas, ó tu virtuoso! Por meio disto tu obterás grande renome, como o rei Mahabhisha! Ó tigre entre reis, assim como o virtuoso Yayati e o rei Pururavas, tu resplandeces com tua própria virtude. Como o rei Bhagiratha e o ilustre Rama, tu brilhas entre os reis assim como o próprio Sol. E tu és, ó grande rei, célebre (no mundo) assim como Muni ou Ikshwaku, ou Puru muito famoso ou Vainya! E como antigamente o matador de Vritra, depois de queimar todos os seus inimigos governou os três mundos, sua mente livre de ansiedade, assim tu governarás os teus súditos, depois de matar todos os teus inimigos. E, ó tu de olhos semelhantes a folhas de lótus, tendo conquistado a terra segundo os costumes da tua classe, tu obterás renome por tua virtude, assim como Kartaviryaryuna.'" Vaisampayana continuou, "Ó grande rei, tendo consolado o monarca dessa maneira, o ilustre Rishi Narada, despedindo-se do rei, desapareceu. E o virtuoso Yudhishthira, refletindo sobre o assunto, começou a recitar para os ascetas o mérito atribuído aos tirthas!" 86 "Vaisampayana continuou, 'Tendo averiguado a opinião de seus irmãos, e do inteligente Narada, o rei Yudhishthira, dirigindo-se a Dhaumya, que era como o próprio Avô, disse, 'Eu, para a aquisição de armas, mandei para longe aquele tigre entre homens, Jishnu, cuja bravura é incapaz de ser desviada, e que é possuidor de braços longos e inteligência incomensurável. Ó tu de riqueza ascética, aquele herói é devotado a mim, dotado de habilidade, e bem hábil com armas, e semelhante ao próprio Vasudeva exaltado. Eu conheço ambos, Krishna e Arjuna, aqueles destruidores de inimigos, ó Brahmana, dotados de destreza, assim como o pujante Vyasa os conhece. Eu sei que Vasudeva e Dhananjaya são ninguém mais do que o próprio Vishnu, possuidor dos seis atributos. E isto é também o que Narada sabe, pois ele sempre falou assim para mim. Eu também sei que eles são Rishis, Nara e Narayana. Conhecendo-o como possuidor de habilidade, eu o enviei (na missão). Não inferior à Indra e totalmente competente (para a tarefa), eu enviei aquele filho de um deus para ver o senhor dos celestiais e obter armas dele. Bhishma e Drona são Atirathas. Kripa e o filho de Drona são invencíveis; estes guerreiros poderosos foram instalados pelo filho de Dhritarashtra no comando de seu exército. Todos eles são versados nos Vedas, são heróicos, e possuidores do conhecimento de todas as armas. Dotados de grande força, eles sempre desejam enfrentar Arjuna em combate. E Karna também da casta Suta é um guerreiro poderoso versado em armas celestes. Em relação ao ímpeto de suas armas, ele é dotado da força do deus do vento. Ele mesmo como uma chama de fogo, as flechas (procedendo dele) constituem suas línguas. Os tapas da sua mão esquerda envolvida em proteção de couro constituem a crepitação daquela chama. O pó do campo de batalha é sua fumaça. Incitado pelos filhos de Dhritarashtra assim como o vento incita o fogo, Karna semelhante ao fogo que a tudo consome no fim do Yuga que é enviado pela própria Morte, sem dúvida, consumirá minhas tropas como uma pilha de palha. Somente aquela poderosa massa de nuvens chamada Arjuna, ajudado por Krishna como um vento poderoso, com arma celeste representando seu relâmpago violento, os corcéis brancos as fileiras de garças brancas seguindo por baixo e o irresistível Gandiva o arco-íris à frente, é capaz de extinguir a chama ardente representada por Karna por meio de suas chuvas de setas disparadas com firmeza incansável. Aquele conquistador de cidades hostis, Vibhatsu, sem dúvida, conseguirá obter do próprio Indra todas as armas celestes com sua plenitude e vida. Só ele é igual, eu penso, a eles todos. De outra maneira é impossível (para nós) derrotar em luta todos aqueles inimigos, que alcançaram êxito notável em todos os seus propósitos. Nós veremos Arjuna, aquele repressor de inimigos, completamente equipado com armas celestes, pois Vibhatsu, tendo uma vez empreendido uma tarefa, nunca enlanguesce sob seu peso. Sem aquele herói, no entanto, aquele melhor dos homens, nós, com Krishna, não podemos ficar despreocupados em Kamyaka. Portanto, cite alguma outra floresta que seja sagrada e encantadora, e que seja rica em alimento e frutas, e que seja habitada por homens de práticas piedosas, onde nós possamos passar algum tempo esperando o guerreiro Arjuna de destreza imbatível, como o Chataka na expectativa do ajuntamento de nuvens. Fale-nos de alguns retiros abertos para os regenerados, e lagos e rios e montanhas belas. Ó Brahmana, privado de Arjuna eu não gosto de ficar nesta floresta de Kamyaka. Nós desejamos ir para algum outro lugar.'" Vaisampayana disse, "Vendo os Pandavas afligidos pela ansiedade e deprimidos em espírito, Dhaumya, que parecia Vrihaspati, falou dessa maneira, confortando-os, 'Ó touro da raça Bharata, ó impecável, escute-me enquanto eu menciono certos retiros sagrados e regiões e tirthas e montanhas que são aprovados por Brahmanas. Ó rei, escute-me enquanto eu falo, tu com a filha de Drupada e teus irmãos, ó senhor de homens, serão aliviados da dor. E, ó filho de Pandu, somente por ouvir sobre estes lugares tu adquirirás mérito. E por visitá-los tu obterás mérito cem vezes maior, ó melhor dos homens! Primeiro, ó rei, eu falarei, tanto quanto eu me lembro, do belo país do leste, muito respeitado, ó Yudhishthira, por Rishis nobres. Naquela direção, ó Bharata, há um lugar chamado Naimisha o qual é estimado pelos celestiais. Lá naquela região existem vários tirthas sagrados pertencentes aos deuses. Lá também é o sagrado e belo Gomati o qual é adorado por Rishis celestes e lá também é a região sacrifical dos deuses e a estaca sacrifical de Surya. Naquele quadrante também está aquela melhor das colinas chamada Gaya, a qual é sagrada e muito respeitada por ascetas reais. Lá sobre aquela colina se encontra o lago auspicioso chamado Brahmasara que é adorado por Rishis celestes. É por isso que os antigos dizem que um homem deve desejar muitos filhos, para que pelo menos um entre eles possa visitar Gaya, celebrar o Sacrifício de Cavalo ou doar um touro nila, e assim resgatar dez gerações ascendentes e descendentes de sua família. Lá, ó monarca, há um grande rio, e um lugar chamado Gayasira. Em Gayasira existe uma banian, a qual é chamada pelos Brahmanas de banian Eterna, pois o alimento que é oferecido lá para os Pitris se torna eterno, ó exaltado! O grande rio que flui através do lugar é conhecido pelo nome de Phalgu, e suas águas são todas sagradas. E, ó touro entre os Bharatas, lá também, naquele lugar, é o Kausiki, cuja bacia é cheia de várias frutas e raízes, e onde Viswamitra dotado de riqueza de ascetismo obteve a condição de Brahmana. Rumo àquela direção também está o sagrado Ganga, em cuja margem Bhagiratha celebrou muitos sacrifícios com presentes abundantes (para Brahmanas). Eles dizem que no país de Panchala há uma floresta chamada Utpala, onde Viswamitra da linhagem de Kusika realizou sacrifícios com seu filho, e onde contemplando as relíquias do poder sobre-humano de Viswamitra, Rama, o filho de Jamadagni, recitou os louvores de seu ancestral. Em Kamyaka o filho de Kusika bebeu o suco Soma com Indra. Então abandonando a classe Kshatriya ele começou a dizer, ‘Eu sou um Brahmana.’ Naquele quadrante, ó herói, se encontra a confluência sagrada do Ganga e do Yamuna que é famosa pelo mundo. Santo e destruidor de pecados, aquele tirtha é muito respeitado pelos Rishis. Foi lá que a alma de todas as coisas, o Avô, nos tempos passados, realizou seu sacrifício, e é por isto, ó chefe da família Bharata, que o lugar veio a ser chamado de Prayaga. Naquela direção, ó principal dos reis, se encontra o retiro excelente de Agastya, ó monarca, e a floresta chamada Tapasa, decorada por muitos ascetas. E lá também é o grande tirtha chamado Hiranyavinda sobre as colinas Kalanjara, e aquela melhor das montanhas chamada Agastya, a qual é bela, sagrada e auspiciosa. Naquele quadrante, ó descendente da linhagem Kuru, está a montanha chama Mahendra, sagrada para o ilustre Rama da linhagem Bhrigu. Lá, ó filho de Kunti, o Avô realizou sacrifícios antigamente. Lá, ó Yudhishthira, o sagrado Bhagiratha entra em um lago e lá também, ó rei, é aquele rio sagrado conhecido pelo nome de Brahmasara concessor de mérito, cujas margens são habitadas por pessoas cujos pecados foram purificados, e cuja visão inigualável produz mérito. Naquela direção também se encontra o retiro excelente de Matanga de grande alma, chamado Kedara, o qual é sagrado e auspicioso e célebre pelo mundo. E lá também é a montanha chamada Kundoda, que é tão encantadora e abundante em frutas e raízes e águas, e onde o rei dos Nishadhas (Nala) matou sua sede e descansou por um tempo. Naquele quadrante também é o encantador Deva-vana que é agraciado por ascetas. Lá também é o rio Vahuda e Nanda sobre o topo da montanha. Ó rei poderoso, eu descrevi para ti todos os tirthas e locais sagrados no quadrante Leste. Ouça agora sobre os tirthas sagrados, e rios e montanhas e lugares santos nos outros três quadrantes!'" 88 "Dhaumya continuou, 'Escute, ó Bharata, eu agora narrarei para ti em detalhes, segundo meu conhecimento, os tirthas sagrados do sul. Naquele quadrante se encontra o rio Godavari sagrado e auspicioso, cheio de água, cheio de arvoredos e frequentado por ascetas. Naquela direção também estão os rios Venna e Bhimarathi, ambos capazes de destruir o pecado e o medo, e cheios de aves e veados, e agraciados com residências de ascetas. Naquela região também, ó touro da raça Bharata, é o tirtha do asceta real Nriga, isto é, o rio Payoshni, o qual é encantador e cheio de águas e visitado por Brahmanas. Lá o ilustre Markandeya de grande mérito ascético cantou em verso os louvores do rei da linhagem de Nriga! Nós temos ouvido a respeito do sacrificador rei Nriga, do que realmente aconteceu enquanto ele estava realizando um sacrifício no tirtha excelente chamado Varaha no Payoshni. Naquele sacrifício Indra ficou embriagado por beber Soma, e os Brahmanas, com os presentes que eles receberam. A água do Payoshni, levada (em recipiente), ou fluindo pelo solo, ou transportada pelo vento, pode purificar uma pessoa de quaisquer pecados que ela possa ter cometido até o dia de sua morte. Mais elevado do que o próprio céu, e puro, e criado e outorgado pelo deus portador do tridente, lá naquele tirtha está uma imagem de Mahadeva contemplando a qual um mortal vai para a região de Siva. Colocando sobre um prato da balança Ganga e os outros rios com suas águas, e no outro o Payoshni, o último, na minha opinião seria superior a todos os tirthas juntos, na questão de mérito! Então, ó principal da linhagem Bharata, sobre a montanha chamada Varunasrotasa está a floresta sagrada e auspiciosa de Mathara rica em frutas e raízes, e contendo uma estaca sacrifical. Então, ó rei, é dito que na região ao norte do Praveni, e em volta do retiro sagrado de Kanwa, existem muitos retiros arborizados de ascetas. E, ó filho, no tirtha chamado Surparaka estão duas plataformas sacrificais do ilustre Jamadagni, chamadas Pashana e Punaschandra, ó Bharata! E, ó filho de Kunti, naquele local é o tirtha chamado Asoka rico em retiros arborizados de ascetas. E, ó Yudhishthira, no país dos Pandyas estão os tirthas chamados Agastya e Varuna! E, ó touro entre homens, lá entre os Pandyas se encontra o tirtha chamado Kumaris. Escute, ó filho de Kunti, eu agora descreverei Tamraparni. Naquele retiro os deuses praticaram penitências impelidos pelo desejo de obter a salvação. Naquela região também é o lago de Gokarna que é célebre pelos três mundos, que tem uma abundância de águas frescas, e é sagrado, auspicioso, e capaz, ó filho, de produzir grande mérito. Aquele lago é de acesso extremamente difícil para homens de almas não purificadas. Perto daquele tirtha é o retiro sagrado do discípulo de Agastya, a montanha Devasabha, a qual é cheia de árvores e ervas, e frutas e raízes. E lá também é a montanha Vaiduryya, a qual é encantadora cheia de pedras preciosas e capaz de conceder grande mérito. Lá naquela montanha é o retiro de Agastya rico em frutas e raízes e água. Eu descreverei agora, ó senhor de homens, os locais sagrados, e retiros, e rios e lagos pertencentes ao país Surashtra! Ó Yudhishthira, os Brahmanas dizem que no litoral está o Chamasodbheda, e também Prabhasa, aquele tirtha que é muito respeitado pelos deuses. Lá também é o tirtha chamado Pindaraka, frequentado por ascetas e capaz de produzir grande mérito. Naquela região há uma colina imensa chamada Ujjayanta a qual conduz ao sucesso rápido. A respeito dela o Rishi Narada celeste de grande inteligência recitou um sloka antigo. Escute-o, ó Yudhishthira! ‘Por realizar austeridades na colina sagrada de Ujjayanta em Surashtra, rica em aves e animais, uma pessoa se torna respeitada no céu.’ Lá também é Dwaravati, produzindo grande mérito, onde mora o matador de Madhu, que é o Antigo em forma incorporada, e a virtude eterna. Brahmanas versados nos Vedas, e pessoas conhecedoras da filosofia da alma dizem que o ilustre Krishna é a Virtude eterna. Govinda é citado como sendo a mais pura de todas as coisas puras, o mais justo dos justos e o mais auspicioso dos auspiciosos. Em todos os três mundos, Ele de olhos como folhas de lótus é o Deus dos deuses, e é eterno. Ele é a alma pura e o princípio ativo da vida, é o Supremo Brahma e é o senhor de tudo. Aquele matador de Madhu, Hari de alma inconcebível, mora lá!" 89 "Dhaumya continuou, 'Eu descreverei para ti aqueles lugares sagrados capazes de produzir mérito que se encontram no oeste, no país dos Anarttas. Ó Bharata, lá flui para a direção oeste o rio sagrado Narmada, agraciado por Priyangu e mangueiras, e enfeitado com os mais espessos dos juncos. Todos os tirthas e locais sagrados, e rios e florestas e principais das montanhas que estão nos três mundos, todos os deuses com o Avô, junto com os Siddhas, os Rishis e os Charanas, ó melhor dos Kurus, sempre vão, ó Bharata, se banhar nas águas sagradas do Narmada. E nós sabemos que o retiro sagrado do Muni Visravas se encontrava lá, e que lá nasceu o senhor dos tesouros, Kuvera, tendo homens como seus veículos. Lá também é aquela principal das colinas, o pico Vaidurya sagrado e auspicioso rico em árvores que são verdes e que são sempre agraciadas com frutas e flores. Ó senhor da terra, sobre o topo daquela montanha há um tanque sagrado adornado com lotos totalmente desabrochados e frequentado pelos deuses e os Gandharvas. Muitas são as maravilhas, ó monarca poderoso, que podem ser vistas naquela montanha sagrada a qual é semelhante ao próprio céu e que é visitada por Rishis celestes. Lá, ó subjugador de cidades hostis, está o rio sagrado chamado Viswamitra pertencente ao sábio real daquele nome e que é cheio, ó rei, de muitos tirthas sagrados. Foi nas margens daquele rio que Yayati, o filho de Nahusha, (caiu do céu) entre os virtuosos, e alcançou mais uma vez as regiões eternas dos justos. Lá também estão o lago bem conhecido chamado Punya, a montanha chamada Mainaka, e aquela outra montanha chamada Asita rica em frutas e raízes. E lá também é o retiro sagrado de Kakshasena, e, ó Yudhishthira, o retiro de Chyavana também, o qual é famoso em todos os países, ó filho de Pandu! Naquele local, ó exaltado, homens alcançam o êxito (ascético) sem austeridades severas. Lá também, ó rei poderoso, é a região chamada Jamvumarga, habitada por aves e veados, e que constitui o retiro de ascetas com almas sob controle, ó tu principal daqueles que subjugam seus sentidos! Próximo se encontra o muito sagrado Ketumala, e Medhya sempre agraciado com ascetas, e, ó senhor da terra, Gangadwara, e as florestas bem conhecidas de Saindhava que são sagradas e habitadas pelos regenerados. Lá também é o tanque célebre do Avô, chamado Pushkara, a residência favorita dos Vaikanasas, e Siddhas e Rishis. Movido pelo desejo de obter sua proteção, o Criador cantou este verso em Pushkara, ó chefe dos Kurus e principal dos homens virtuosos! ‘Se uma pessoa de alma pura planeja uma peregrinação aos Pushkaras mesmo em imaginação, ela vem a ser purgada de todos os seus pecados e se regozija no céu!'" 90 "Dhaumya continuou, 'Ó tigre entre reis, eu agora descreverei aqueles tirthas e locais sagrados que se encontram ao norte. Ó exaltado, escute-me atentamente. Por ouvir esta narração, ó herói, uma pessoa adquire um estado de espírito reverencial, o qual leva à muito benefício. Naquela região está o altamente sagrado Saraswati cheio de tirthas e com margens de descida fácil. Lá também, ó filho de Pandu, está o impetuoso Yamuna que segue para o oceano, e o tirtha chamado Plakshavatarana, produtivo de mérito elevado e prosperidade. Foi lá que os regenerados tendo realizado o sacrifício Saraswata se banharam na conclusão dele. Ó impecável, (lá) é o tirtha celeste bem conhecido chamado Agnisiras, o qual é produtivo de grande mérito. Lá o rei Sahadeva celebrou um sacrifício medindo o solo por um arremesso do Samya. É por esta razão, ó Yudhishthira, que Indra cantou os louvores de Sahadeva em verso. Aqueles versos são ainda correntes neste mundo, sendo recitados pelos regenerados; no Yamuna Sahadeva adorou o fogo sacrifical, com doações de cem milhares para Brahmanas. Lá o rei ilustre, o imperial Bharata realizou trinta e cinco Sacrifícios de Cavalo. Ó filho, nós ouvimos que Sarabhanga antigamente costumava satisfazer completamente os desejos dos regenerados. Lá naquela região é seu retiro célebre produtivo de grande mérito. Naquela região também, ó filho de Pritha, é o rio Saraswati, o qual é sempre adorado pelos deuses, onde, no passado, os Valikhilyas, ó grande rei, realizaram sacrifícios. Naquela região também, ó Yudhishthira, é o rio bem conhecido Drisadwati, que é produtivo de grande mérito. Então, ó chefe de homens, estão Nyagrodhakhya, e Panchalya, e Punyaka e Dalbhyaghosha, e Dalbhya, os quais são, ó filho de Kunti, os retiros sagrados no mundo dos Anandayasas ilustres de votos excelentes e grande energia, e os quais são famosos nos três mundos. Lá também, ó senhor de homens, os ilustres Etavarna e Avavarana versados nos Vedas, instruídos no saber Védico, e competentes no conhecimento dos ritos Védicos, realizaram sacrifícios meritórios, ó chefe da linhagem Bharata! Lá também é Visakhayupa ao qual, antigamente, foram os deuses com Varuna e Indra, e praticaram austeridades ascéticas. E por essa razão aquele local é tão eminentemente sagrado. Lá também é Palasaka, onde o Rishi Jamadagni ilustre e altamente abençoado realizou sacrifícios. Lá todos os rios principais em suas formas incorporadas levando suas respectivas águas permaneceram circundando aquele melhor dos sábios. E lá também, ó monarca, o próprio Vibhavasu (fogo), vendo a iniciação daquele de grande alma, cantou o seguinte sloka: 'O rio se aproximando do ilustre Jamadagni enquanto sacrificando para os deuses gratificou os Brahmanas com oferendas de mel.' Ó Yudhishthira, o local onde Ganga passa com pressa, abrindo caminho pelas principais das montanhas, que é frequentado por Gandharvas e Yakshas e Rakshasas e Apsaras, e habitado por caçadores e Kinnaras é chamado de Gangadwara. Ó rei, Sanatkumara considerava aquele local visitado por Brahmarshis, como também o tirtha Kanakhala (que é perto deste), como sagrados. Lá também é a montanha chamada Puru que é frequentada por grandes Rishis e onde Pururavas nasceu, e Bhrigu praticou austeridades ascéticas. É por isto, ó rei, que aquele retiro se tornou conhecido como o grande pico de Bhrigutunga. Perto desse pico é o Vadari sagrado e extenso, aquele retiro altamente meritório, famoso pelos três mundos, dele, ó touro da raça Bharata, que é o Presente, o Passado e o Futuro, que é chamado Narayana e o senhor Vishnu, que é eterno e o melhor dos seres masculinos, e que é preeminentemente ilustre. Perto de Vadari, a corrente fria do Ganga era quente antigamente, e as margens lá eram cobertas com areias douradas. Lá os deuses e Rishis de grande ventura e refulgência excelente, aproximando-se do senhor divino Narayana, sempre o adoram. O universo inteiro com todos os seus tirthas e lugares santos estão lá onde mora o divino e eterno Narayana, a alma Suprema, pois ele é Mérito, ele é o Brahma Supremo, ele é tirtha, ele é o retiro ascético, ele é o Primeiro, ele é o principal dos deuses, e ele é o grande Senhor de todas as criaturas. Ele é eterno, ele é o grande Criador, e ele é o estado mais elevado de bem aventurança. Pessoas eruditas versadas nas escrituras alcançam grande felicidade por conhecer a ele. Naquele local estão os Rishis celestes, os Siddhas, e, de fato, todos os Rishis, onde mora o matador de Madhu, aquela Divindade primordial e Yogue poderoso! Que nenhuma dúvida entre no teu coração que aquele local é o principal de todos os lugares santos. Estes, ó senhor da terra, são os tirthas e lugares sagrados sobre a terra, que eu narrei, ó melhor dos homens! Estes todos são visitados pelos Vasus, os Sadhyas, os Adityas, os Marutas, os Aswins e os Rishis ilustres parecidos com os próprios celestiais. Por viajar, ó filho de Kunti, para aqueles locais, com os Brahmanas e ascetas que estão contigo e com teus irmãos abençoados, tu serás libertado da ansiedade!" 91 Vaisampayana continuou, "Ó filho da linhagem Kuru, enquanto Dhaumya estava falando assim chegou àquele local o Rishi Lomasa de grande energia. E o rei, que era o mais velho dos filhos de Pandu, com seus seguidores e aqueles Brahmanas sentaram-se ao redor daquele altamente virtuoso, como celestiais no céu sentados em volta de Sakra. E tendo-o recebido devidamente, Yudhishthira o justo perguntou pela razão da sua chegada, e o objetivo também de suas viagens. Assim questionado pelo filho de Pandu, o asceta ilustre, bem satisfeito, respondeu em palavras gentis encantando os Pandavas, 'Viajando à vontade, ó Kaunteya, por todas as regiões, eu cheguei à residência de Sakra e vi lá o senhor dos celestiais. Lá eu vi teu irmão heróico capaz de manejar o arco com sua mão esquerda sentado no mesmo assento com Sakra. E vendo Partha naquele assento eu fiquei muito surpreso, ó tigre entre homens! E o senhor dos celestiais então disse para mim, 'Vá até os filhos de Pandu.' A pedido, portanto, de Indra como também do filho de Pritha de grande alma eu vim para cá com velocidade, desejando ver a ti com teus irmãos mais novos. Ó filho, eu relatarei o que te agradará muito, ó filho de Pandu! Ouça, ó rei, com Krishna e os Rishis que estão contigo. Ó touro da raça Bharata, Partha obteve de Rudra aquela arma incomparável para a aquisição da qual tu o enviaste para o céu. Aquela arma feroz, conhecida pelo nome de Brahma-sira que surgiu depois de Amrita, e que Rudra obteve por meio de austeridades ascéticas, foi adquirida por Arjuna junto com os Mantras para arremessá-la e retirá-la, e os ritos de expiação e renascimento. E, ó Yudhishthira, Arjuna de destreza incomensurável também adquiriu Vajras e Dandas e outras armas celestes de Yama e Kuvera e Varuna e Indra, ó filho da raça Kuru! E ele também aprendeu música completamente, vocal e instrumental, e dança e a recitação apropriada do Saman (Veda) do filho de Vishwavasu. E tendo assim adquirido armas e dominado o Gandharva Veda, teu terceiro irmão Vibhatsu vive alegremente (no céu). Ouça-me, ó Yudhishthira, pois eu agora entregarei para ti a mensagem daquele principal dos celestiais. Ele me ordenou dizendo, ‘Tu, sem dúvida, irás ao mundo dos homens. Ó melhor dos Brahmanas, diga a Yudhishthira estas minhas palavras: ‘Logo o teu irmão Arjuna irá até ti, tendo adquirido armas e realizado um grande feito para os celestiais que é incapaz de ser realizado por eles mesmos. Enquanto isso te dedique a austeridades ascéticas, com teus irmãos. Não há nada superior ao ascetismo, e é pelo ascetismo que uma pessoa alcança grandes resultados. E, ó touro da raça Bharata, eu sei bem que Karna é dotado de grande ardor e energia e força e bravura que é incapaz de ser frustrada. Eu sei bem que, hábil em conflito feroz, ele não tem seu rival em batalha; que ele é um arqueiro poderoso, um herói destro no uso de armas violentas e envolvido na melhor das armaduras. Eu sei bem que aquele filho exaltado de Aditya parece o filho do filho do próprio Maheswara. Eu conheço bem também a grande destreza natural de Arjuna de ombros largos. Em batalha Karna não é igual nem a uma décima sexta parte do filho de Pritha. E quanto ao medo de Karna que está no teu coração, ó repressor de inimigos, eu dissiparei quando Savyasachin tiver deixado o céu. E com relação ao teu propósito, ó herói, de partir em uma peregrinação aos tirthas, o grande Rishi Lomasa, sem dúvida, falará para ti. E o que quer que aquele Rishi regenerado narre para ti concernente aos méritos do ascetismo e dos tirthas, tu deves receber com respeito e não de outra maneira!'" 92 "Lomasa continuou, 'Ouça agora, ó Yudhishthira, ao que Dhananjaya disse: 'Faça meu irmão Yudhishthira se encarregar da prática da virtude a qual leva à prosperidade. Dotado de riqueza de ascetismo, tu és familiarizado com a maior moralidade, com austeridades ascéticas de todo tipo, com os deveres eternos dos reis abençoados com prosperidade, e com os méritos elevados e santificantes que homens obtêm de tirthas. Convença os filhos de Pandu a adquirir o mérito vinculado aos tirthas. Com toda a tua alma convença o rei a visitar os tirthas e doar vacas.' Isto foi o que Arjuna me disse. De fato ele também disse, 'Que ele visite todos os tirthas protegido por ti. Tu também o protegerás de Rakshasas, e zelará por ele em regiões inacessíveis e leitos de montanha acidentados. E como Dadhichi protegeu Indra, e Angiras protegeu o Sol, dessa maneira, ó melhor dos regenerados, proteja os filhos de Kunti de Rakshasas. Pelo caminho há muitos Rakshasas, enormes como despenhadeiros de montanha. Mas protegidos por ti estes não poderão se aproximar dos filhos de Kunti.’ Obediente às palavras de Indra e a pedido de Arjuna também, protegendo-te dos perigos, eu vagarei contigo. Antes disto, ó filho da linhagem Kuru, eu visitei os tirthas duas vezes. Contigo eu me dirigirei a eles pela terceira vez. Ó Yudhishthira, Manu e outros Rishis nobres de atos meritórios empreenderam viagens para tirthas. De fato, uma viagem a eles é capaz de dissipar todo o temor, ó rei! Aqueles que são de mente desonesta, aqueles que não tem suas almas sob controle, aqueles que são ignorantes e perversos, ó Kauravya, não se banham em tirthas. Mas tu és sempre de uma disposição virtuosa e conhecedor da moralidade e firme em tuas promessas. Tu sem dúvida serás capaz de te libertar do mundo. Pois, ó filho de Pandu, tu és assim como o rei Bhagiratha, ou Gaya, ou Yayati, ou alguém, ó filho de Kunti, que é como eles.' Yudhishthira respondeu, 'Eu estou tão dominado pelo deleite, ó Brahmana, que eu não posso encontrar palavras para te responder. Quem pode ser mais afortunado do que aquele que é lembrado até pelo senhor dos celestiais? Quem pode ser mais afortunado do que aquele que foi favorecido com tua companhia, que tem Dhananjaya como um irmão, e que é lembrado pelo próprio Vasava? Quanto às tuas palavras, ó ilustre, a respeito de uma viagem aos tirthas, eu já tinha tomado uma decisão pelas palavras de Dhaumya. Ó Brahmana, eu partirei em qualquer hora que tu quiseres fixar, na viagem sugerida para tirthas. Esta é a minha firme decisão!'” Vaisampayana continuou, "Lomasa então disse para Yudhishthira que tinha decidido começar a viagem proposta, 'Ó rei poderoso, seja leve com relação à tua comitiva, pois assim tu poderás seguir mais facilmente!' Yudhishthira então disse, 'Que aqueles mendicantes e Brahmanas e Yogues que são incapazes de suportar fome e sede, as fadigas da viagem e o esforço, e a severidade do inverno, desistam. Que desistam também aqueles Brahmanas que vivem de guloseimas, e aqueles também que desejam iguarias cozidas e alimento que é chupado ou bebido assim como carne. E que fiquem para trás também aqueles que são dependentes de cozinheiros. Que aqueles cidadãos que me seguiram por motivos de lealdade, e a quem eu até agora tenho mantido por estipêndios apropriados se dirijam ao rei Dhritarashtra. Ele lhes dará seu auxílio no momento devido. Se, no entanto, aquele rei se recusar a lhes conceder subsídios apropriados o rei dos Panchalas, para nossa satisfação e bem-estar, lhes dará.'" Vaisampayana continuou, "E então oprimidos pela dor os cidadãos e os Brahmanas e Yatis principais partiram para Hastinapura. E por afeição por Yudhishthira o justo, o nobre filho de Amvika recebeu-os devidamente, e gratificou-os com compensações apropriadas. E o real filho de Kunti, somente com um pequeno número de Brahmanas, permaneceu por três noites em Kamyaka, alegrado por Lomasa." 93 Vaisampayana disse, "Os Brahmanas então, que tinham residido (com ele) nas florestas, vendo o filho de Kunti prestes a partir (na peregrinação virtuosa), aproximaram-se dele, ó rei, e disseram, 'Tu estás prestes a partir, ó rei, na tua viagem aos tirthas sagrados, junto com teus irmãos e acompanhados pelo ilustre Rishi Lomasa. Ó rei, cabe a ti, ó filho de Pandu, nos levar contigo. Sem ti nós não seremos capazes, ó filho da raça Kuru, de visitá-los em qualquer época. Cercados por perigos e de acesso difícil, eles são infestados por animais predadores. Aqueles tirthas, ó senhor de homens, são inacessíveis para pessoas em grupos pequenos. Os principais de todos os manejadores de arco, teus irmãos são sempre corajosos. Protegidos por suas pessoas heróicas, nós também iríamos a eles. Permita-nos adquirir, ó senhor da terra, pela tua graça, o fruto abençoado dos tirthas. Protegidos pela tua energia, deixe-nos, ó rei, ser limpados de todos os nossos pecados por visitar aqueles tirthas e purificados por banhos neles. Banhando-te naqueles tirthas, tu também, ó Bharata, alcançarás sem dúvida regiões de aquisição difícil que somente Kartavirya e Ashtaka, o sábio real Lomapada e o imperial e heróico Bharata mereceram. Em tua companhia, ó rei, nós desejamos contemplar Prabhasa e outros tirthas, Mahendra e outras colinas, Ganga e outros rios, e Plaksha e outras árvores gigantescas. Se, ó senhor de homens, tu tens algum respeito pelos Brahmanas faça o que te dizemos. Tu certamente terás prosperidade disto. Ó tu de braços poderosos, os tirthas são infestados por Rakshasas que sempre obstruem penitências ascéticas. Cabe a ti nos proteger deles. Protegido por Lomasa e nos levando contigo, vá para todos os tirthas mencionados por Dhaumya e pelo inteligente Narada, como também a todos aqueles que foram citados pelo Rishi celeste Lomasa, dotado de grande riqueza ascética, e seja, por isto, purificado de todos os teus pecados.’ Assim endereçado respeitosamente por eles, o rei, aquele touro entre os filhos de Pandu, cercado por seus irmãos heróicos encabeçados por Bhima, com lágrimas de alegria em seus olhos, disse para todos aqueles ascetas, 'Que assim seja.' Com a permissão então de Lomasa, como também de seu sacerdote Dhaumya, aquele principal dos filhos de Pandu com alma sob controle perfeito, resolveu, junto com seus irmãos e a filha de Drupada de feições impecáveis, partir. Exatamente naquele momento o abençoado Vyasa, como também Parvata e Narada, todos dotados de inteligência sublime, chegaram em Kamyaka para ver o filho de Pandu. Vendo-os, o rei Yudhishthira adorou-os com ritos devidos. E adorados pelo monarca dessa maneira, aqueles abençoados, dirigindo-se a Yudhishthira, disseram, 'Ó Yudhishthira, ó Bhima, e vocês gêmeos, expulsem todos os maus pensamentos de suas mentes. Purifiquem seus corações e então partam para os tirthas. Os Brahmanas dizem que a observância de regulações em relação ao corpo é chamada de votos mundanos, enquanto esforços para purificar o coração, para que este possa ficar livre de pensamentos maus, são chamados de votos espirituais. Ó rei, a mente que está livre de todos os maus pensamentos é altamente pura. Purificando-se, portanto, nutrindo somente sentimentos amigáveis por todos, contemplem os tirthas. Cumprindo votos mundanos em relação aos seus corpos e purificando suas mentes por meio de votos espirituais, obtenham os frutos, como recitados, das peregrinações.’ Dizendo, 'Assim seja' os Pandavas com Krishna fizeram aqueles Rishis celestes e humanos realizarem as cerimônias propiciatórias usuais. E aqueles heróis, tendo adorado os pés de Lomasa e Dwaipayana e Narada e do Rishi celeste Parvata, ó rei, e acompanhados por Dhaumya como também pelos ascetas que estavam residindo com eles nas florestas, partiram no dia seguinte à lua cheia de Agrahayana no qual a constelação Pushya estava ascendente. Vestidos em cascas de árvores e peles, e com madeixas emaranhadas na cabeça, eles estavam todos envolvidos em armadura impenetrável e armados com espadas. E, ó Janamejaya, os heróicos filhos de Pandu com aljavas e flechas e cimitarras e outras armas, e acompanhados por Indrasena e outros servidores com quinze carros, vários cozinheiros e empregados de outras classes, partiram com rostos virados em direção ao leste!" "Yudhishthira disse, 'Ó melhor dos Rishis celestes, eu não acho que eu sou sem méritos. Ainda assim eu sou afligido por tanta tristeza que nunca houve um rei como eu. Eu penso, no entanto, que meus inimigos são desprovidos de boas qualidades e até desprovidos de moralidade. Ainda assim por que, ó Lomasa, eles prosperam neste mundo?’ Lomasa disse, 'Nunca te aflija, ó rei, ó filho de Pritha, que homens pecaminosos frequentemente prosperem por causa dos pecados que eles cometem. Um homem pode ser visto prosperar por meio de seus pecados, obter benefício deles e derrotar seus inimigos. A destruição, no entanto, o alcança até as raízes. Ó rei, eu vi muitos Daityas e Danavas prosperarem por meio do pecado mas eu também vi a destruição alcançá-los. Ó exaltado, eu vi tudo isso na era justa de outrora. Os deuses praticaram a virtude, enquanto os Asuras a abandonaram. Os deuses visitaram os tirthas, enquanto os Asuras não os visitaram. E a princípio os Asuras pecaminosos foram possuídos pelo orgulho. E o orgulho gerou a vaidade e a vaidade gerou a cólera. E da cólera surgiram todas as espécies de propensões más, e destas últimas surgiu a impudência. E por causa da impudência o bom comportamento desapareceu dentre eles. E porque eles se tornaram desavergonhados e desprovidos de propensões virtuosas e boa conduta e votos virtuosos; perdão e prosperidade e moralidade os abandonaram rapidamente. E a prosperidade então, ó rei, procurou os deuses, enquanto a adversidade procurou os Asuras. E quando os Daityas e os Danavas, privados de razão pelo orgulho, foram possuídos pela adversidade, Kali também procurou possuí-los. E, ó filho de Kunti, dominados pelo orgulho, e desprovidos de ritos e sacrifícios, e desprovidos de razão e sentimento, e seus corações cheios de vaidade, a destruição logo os alcançou. E cobertos com infâmia, os Daityas foram logo exterminados. Os deuses, no entanto, que eram virtuosos em suas práticas, indo aos mares, aos rios, aos lagos e aos locais sagrados se purificaram de todos os seus pecados, ó filho de Pandu, por meio de penitências ascéticas e sacrifícios e doações e bênçãos, e obtiveram prosperidade e influência. E porque os deuses sempre realizaram sacrifícios e atos santos abandonando toda prática que fosse má, e visitaram os tirthas, como consequência disso eles adquiriram grande boa sorte. Guiado por isto, ó rei, tu também, com teus irmãos, banhe-te em tirthas, pois então tu obterás prosperidade uma vez mais. Esta mesma é a estrada eterna. E, ó monarca, como o rei Nriga e Shivi e Ausinara e Bhagiratha e Vasumanas e Gaya e Puru e Pururavas, por praticarem penitências ascéticas e visitarem tirthas e tocarem águas sagradas e contemplarem ascetas ilustres obtiveram renome e santidade e mérito e riqueza, assim tu também obterás prosperidade que é excelente. E como Ikshwaku com seus filhos, amigos e seguidores, como Muchukunda e Mandhatri e o rei Marutta, como os deuses através do poder do ascetismo e os Rishis celestes também, todos obtiveram fama, assim tu também obterás grande celebridade. Os filhos de Dhritarashtra, por outro lado, escravizados pela pecaminosidade e ignorância, sem dúvida serão logo exterminados como os Daityas.'" 95 Vaisampayana disse, "Os filhos heróicos de Pandu, acompanhados por seus seguidores, procedendo de lugar em lugar finalmente chegaram a Naimisha. Ó rei, alcançando o Gomati, os Pandavas se banharam no tirtha sagrado daquele rio, e tendo realizado suas abluções lá, eles doaram, ó Bharata, vacas e riqueza! E repetidamente oferecendo oblações de água, ó Bharata, aos deuses, aos Pitris, e aos Brahmanas, nos tirthas chamados Kanya, Aswa, e Go e ficando (como ordenado) em Kalakoti e nas colinas Vishaprastha, os Kauravas então, ó rei, alcançaram Vahuda e realizaram suas abluções naquela corrente. Procedendo em seguida, ó senhor da terra, à região sacrifical dos deuses conhecida pelo nome Prayaga, eles se banharam na confluência do Ganga e do Yamuna e residindo lá praticaram penitências ascéticas de grande mérito. E os Pandavas, de promessas verdadeiras, banhando-se no tirtha, purificaram-se de todo pecado. Os filhos de Pandu então, ó rei da linhagem Bharata, acompanhados por aqueles Brahmanas, procederam ao tirtha chamado Vedi, sagrado para o Criador e adorado pelos ascetas. Residindo lá por algum tempo e gratificando os Brahmanas com as frutas e raízes da selva e manteiga clarificada, aqueles heróis começaram a praticar penitências ascéticas de grande mérito. Eles então procederam para Mahidhara consagrado por aquele sábio real virtuoso Gaya de esplendor inigualável. Naquela região está a colina chamada Gayasira, assim como o rio encantador chamado Mahanadi, com margens belas agraciadas por moitas de juncos. Naquela colina celeste de picos santos há um tirtha sagrado chamado Brahmasara, o qual é muito adorado por ascetas. Lá nas margens daquele lago morava antigamente o próprio deus eterno da justiça, e foi para lá que o ilustre Rishi Agastya se dirigiu para contemplar aquela divindade. É daquele lago que todos os rios tem sua nascente e lá naquele tirtha, Mahadeva, o manejador do Pinaka, está presente para sempre. Chegando naquele local, os filhos heróicos de Pandu praticaram o voto que é conhecido pelo nome de Chaturmasya segundo todos os ritos e ordenanças do grande sacrifício chamado Rishiyajna. É lá que permanece aquela árvore imensa chamada banian Eterna. Qualquer sacrifício realizado lá produz mérito que é eterno. Naquela plataforma sacrifical dos deuses que produz mérito eterno os Pandavas começaram a jejuar com almas concentradas. E foram lá até eles Brahmanas às centenas dotados de riqueza de ascetismo. E todos aqueles Brahmanas também realizaram o sacrifício Chaturmasya segundo os ritos inculcados pelos Rishis. E lá naquele tirtha, Brahmanas idosos em conhecimento e mérito ascético e completamente versados nos Vedas, que constituíam a corte dos filhos ilustres de Pandu, falaram em sua presença sobre vários assuntos de significação sagrada. E foi naquele local que o erudito cumpridor de votos, e venerável Shamatha, levando, além disso, uma vida de celibato, falou para eles, ó rei, a respeito de Gaya, o filho de Amurttaraya. E Shamatha disse, 'Gaya, o filho de Amurttaraya, era um dos principais dos sábios reais. Escute-me, ó Bharata, enquanto eu narro seus atos meritórios. Foi aqui, ó rei, que Gaya realizou muitos sacrifícios notáveis pelas quantidades enormes de comida (que foi distribuída) e pelos presentes abundantes que foram dados (para os Brahmanas). Aqueles sacrifícios, ó rei, eram famosos por montanhas de arroz cozido às centenas e milhares, lagos de manteiga clarificada e rios de coalhos em muitas centenas, e torrentes de pratos ricamente temperados com caril (curry) aos milhares. Dia após dia estes eram preparados e distribuídos entre todos os que chegavam, enquanto, além disto, Brahmanas e outros, ó rei, recebiam alimento que era limpo e puro. Durante a conclusão também (de todo sacrifício) quando presentes eram oferecidos aos Brahmanas, o canto dos Vedas alcançava os céus. E tão alto, de fato, era o som dos Mantras Védicos que nada mais, ó Bharata, podia ser ouvido lá. Dessa maneira sons sagrados, ó rei, enchiam a terra, os pontos do horizonte, o firmamento e o próprio céu. Estas mesmas eram as maravilhas que as pessoas notavam naquelas ocasiões. E satisfeitos com as iguarias e bebidas excelentes que o ilustre Gaya fornecia, os homens, ó touro da raça Bharata, vagavam cantando estes versos: ‘No grande sacrifício de Gaya, quem está lá hoje, entre as criaturas, que ainda deseja comer? Ainda há vinte e cinco montanhas de comida lá depois que todos foram alimentados! O que o nobre sábio Gaya de esplendor imenso realizou no seu sacrifício nunca foi realizado por homens antes, nem será por alguém no futuro. Os deuses foram tão saciados por Gaya com manteiga clarificada que eles não são capazes de aceitar alguma coisa que alguém mais possa oferecer. Como grãos de areia na terra, como estrelas no firmamento, como gotas derramadas por nuvens carregadas de chuva nunca podem ser contadas por alguém, assim mesmo ninguém pode contar as doações no sacrifício de Gaya!’ Ó filho da raça Kuru, muitas vezes o rei Gaya realizou sacrifícios deste gênero aqui, ao lado deste Brahmasara!" 96 Vaisampayana disse, "Depois disto o filho real de Kunti que era sempre famoso por seus presentes abundantes para os Brahmanas procedeu para o retiro de Agastya e tomou sua residência em Durjaya. Foi lá que aquele principal dos oradores, o rei Yudhishthira, questionou Lomasa quanto a por que Agastya tinha matado Vatapi lá. E o rei também perguntou pela extensão da coragem daquele Daitya destruidor de homens, e a razão também da cólera do ilustre Agastya ter sido excitada contra aquele Asura. Assim questionado Lomasa disse, 'Ó filho da raça Kuru, havia na cidade chamada Manimati, nos tempos passados, um Daitya chamado Ilwala cujo irmão mais novo era Vatapi. Um dia aquele filho de Diti dirigiu-se a Brahmana dotado de mérito ascético, dizendo, 'Ó santo, conceda-me um filho igual a Indra.' O Brahmana, no entanto, não concedeu ao Asura um filho como Indra. E nisto, o Asura ficou excitado com cólera contra o Brahmana. E daquele dia em diante, ó rei, o Asura Ilwala tornou-se um destruidor de Brahmanas. E dotado do poder de ilusão o Asura enfurecido transformou seu irmão em um carneiro. E Vatapi que também era capaz de assumir qualquer forma à vontade imediatamente assumiu a forma de um carneiro. E a carne daquele carneiro, depois de ser devidamente temperada, foi oferecida para Brahmanas como alimento. E depois que eles comeram dela eles foram mortos. Pois quem quer que Ilwala convocasse com sua voz ele voltaria para Ilwala, mesmo que ele tivesse ido para a residência de Yama, em forma reincorporada dotada de vida, e se mostrava para Ilwala. E assim tendo transformado o Asura Vatapi em um carneiro e cozinhando devidamente sua carne e alimentando Brahmanas com ela, ele convocava Vatapi. E o poderoso Asura Vatapi, aquele inimigo de Brahmanas, dotado de grande força e poder de ilusão, ouvindo, ó rei, aqueles sons proferidos com uma voz alta por Ilwala, e rasgando os flancos do Brahmana saía dando risada, ó senhor da terra! E era assim, ó monarca, que o Daitya Ilwala de coração perverso, tendo alimentado Brahmanas, frequentemente tirava suas vidas. Enquanto isso, o ilustre Agastya viu seus antepassados falecidos pendurados em uma cova com cabeças para baixo. E ele questionou aqueles personagens assim suspensos naquele buraco, dizendo, ‘O que há com vocês?’ Assim questionados aqueles proferidores de Brahma responderam, 'Isto é por causa de descendência.' E eles também lhe disseram, 'Nós somos teus antepassados. É mesmo por causa de progênie que nós ficamos suspensos nesta cova. Se, ó Agastya, tu puderes nos gerar um bom filho, nós poderemos então ser salvos deste inferno e tu também obterás o estado abençoado daqueles que tem descendência.' Dotado de grande energia e observador da verdade e moralidade Agastya respondeu, dizendo, 'Ó Pitris, eu realizarei seu desejo. Que esta sua ansiedade seja dissipada.' E o Rishi ilustre então começou a pensar em perpetuar sua linhagem. Mas ele não viu uma mulher digna dele em quem ele mesmo poderia tomar nascimento na forma de um filho. O Rishi consequentemente, pegando aquelas partes que eram consideradas como muito belas, de criaturas que as possuíam, criou com elas uma mulher excelente. E o Muni, dotado de grande ascético mérito, então deu aquela menina criada por ele mesmo ao rei dos Vidharbhas que estava então praticando penitências ascéticas para obter descendência. E aquela menina abençoada de bela face (assim descartada) então teve seu nascimento (na linhagem real de Vidarbha) e, bela como o relâmpago refulgente, seus membros começaram a crescer dia a dia. E logo que aquele senhor da terra, o soberano dos Vidarbhas, viu ela introduzida à vida, ele alegremente comunicou a notícia, ó Bharata, para os Brahmanas. E os Brahmanas imediatamente, ó senhor da terra, abençoaram a menina e eles deram a ela o nome Lopamudra. E possuidora de grande beleza, ela começou, ó monarca, a crescer rapidamente como um lótus no meio da água ou a chama refulgente de um fogo. E quando a menina cresceu e alcançou a puberdade, cem virgens enfeitadas ornamentos e cem empregadas serviam em obediência à sua pessoa abençoada. E cercada por aquelas cem empregadas e virgens, ela brilhava em seu meio, dotada como ela era de refulgência brilhante, como Rohini no firmamento em meio a uma multidão inferior de estrelas. E possuidora como ela era de bom comportamento e modos excelentes, ninguém ousou pedir sua mão mesmo quando ela alcançou a puberdade, por medo de seu pai, o rei dos Vidharbhas. E Lopamudra, dedicada à verdade, superando até as Apsaras em beleza, gratificava seu pai e parentes por meio de sua conduta. E seu pai, vendo sua filha, a princesa de Vidharbha, alcançar a puberdade, começou a refletir em sua mente, dizendo, 'Para quem eu darei esta minha filha?'" 97 "Lomasa continuou, 'Quando Agastya pensou que aquela menina era competente para os deveres da vida familiar ele se aproximou daquele senhor da terra, o soberano dos Vidharbhas, e dirigindo-se a ele, disse, 'Eu te peço, ó rei, para conceder tua filha Lopamudra para mim.' Assim endereçado pelo Muni, o rei dos Vidharbhas desfaleceu. E embora relutante em dar sua filha ao Muni, ele não ousou recusar. E aquele senhor da terra então, aproximando-se de sua rainha, disse, 'Este Rishi é dotado de grande energia. Se enfurecido ele pode me consumir com o fogo de sua maldição. Ó tu de rosto meigo, diga-me qual é teu desejo.’ Ouvindo estas palavras do rei, ela não proferiu uma palavra. E vendo o rei junto com a rainha afligido pela tristeza, Lopamudra aproximou-se deles no momento devido e disse, ‘Ó monarca, não cabe a ti sofrer por minha causa. Entregue-me para Agastya, e, ó pai, salve a ti mesmo por me conceder.' E a estas palavras de sua filha, ó monarca, o rei entregou Lopamudra para o ilustre Agastya com ritos devidos. E obtendo-a como esposa, Agastya dirigiu-se a Lopamudra, dizendo, 'Jogue fora estes mantos e ornamentos caros.' E, a estas palavras de seu marido, aquela donzela de olhos grandes e coxas cônicas como o tronco da bananeira jogou fora seus mantos belos e caros de boa textura. E jogando-os fora ela se vestiu em trapos e cascas e camurça e se tornou igual a seu marido em votos e ações. E procedendo então para Gangadwara aquele ilustre e melhor dos Rishis começou a praticar as penitências mais severas junto com sua esposa que o auxiliava. E a própria Lopamudra, bem satisfeita, começou a servir seu marido pelo respeito profundo que ela tinha por ele. E o elevado Agastya também começou a demonstrar grande amor por sua esposa. Depois de um tempo considerável, ó rei, o ilustre Rishi um dia viu Lopamudra, brilhando em esplendor ascético, se levantar depois do banho em seu período (fértil). E satisfeito com a moça por seus serviços, sua pureza, e auto-controle, como também com sua graça e beleza, ele a convocou para relações maritais. A moça, no entanto, unindo suas mãos, timidamente mas carinhosamente dirigiu-se ao Rishi, dizendo, 'O marido, sem dúvida, se casa com a mulher por causa de descendência. Mas cabe a ti, ó Rishi, demonstrar por mim aquele amor o qual eu tenho por ti. E cabe a ti, ó regenerado, aproximar-se de mim em uma cama como aquela que eu tinha no palácio do meu pai. Eu também desejo que tu estejas enfeitado em guirlandas de flores e outros ornamentos, e que eu me aproxime de ti enfeitada naqueles ornamentos celestes que eu gosto. Do contrário eu não posso me aproximar de ti, vestida nestes trapos tingidos de vermelho. Nem, ó Rishi regenerado, é pecaminoso usar ornamentos (em tal ocasião).' Ouvindo estas palavras de sua esposa, Agastya respondeu, 'Ó moça abençoada, ó tu de cintura fina, eu não tenho riqueza como a que teu pai tem, ó Lopamudra!' Ela respondeu dizendo, 'Tu que és dotado de riqueza de ascetismo és certamente capaz de trazer para cá dentro de um momento, por poder ascético, tudo o que existe no mundo dos homens.' Agastya disse, 'É assim mesmo como tu disseste. Isso, no entanto, gastaria meu mérito ascético. Ó, peça-me para fazer aquilo que não possa afrouxar meu ascético mérito.' Lopamudra então disse, 'Ó tu dotado de riqueza de ascetismo, meu período não durará muito tempo, eu não desejo, no entanto, me aproximar de ti de outra maneira. Nem eu desejo diminuir teu mérito (ascético) de qualquer maneira. Cabe a ti, no entanto, fazer como eu desejo, sem ferir tua virtude.' Agastya então disse, 'Ó moça abençoada, se esta é a decisão que tu fixaste em teu coração eu sairei em busca de riqueza. Enquanto isso, permaneça aqui como te agradar.'" 98 "Lomasa continuou, 'Agastya então, ó filho da raça Kuru, foi ao rei Srutarvan que era considerado como mais rico do que outros reis, para pedir riqueza. E aquele monarca, sabendo da chegada do Rishi nascido no pote nas fronteiras de seus reinos, saiu com seus ministros e recebeu o homem santo com respeito. E o rei oferecendo devidamente o Arghya em primeiro lugar, submissamente e com mãos unidas perguntou então pela razão da chegada do Rishi. E Agastya respondeu dizendo, ‘Ó senhor da terra, saiba que eu vim a ti desejoso de riqueza. Dê-me uma porção de acordo com tua capacidade e sem causar dano a outros.'” "Lomasa continuou, 'O rei, então, mostrando para o Rishi a igualdade de seus gastos e ganhos, disse, 'Ó erudito, pegue de minhas posses a riqueza que te satisfazer.' Vendo, no entanto, a igualdade dos gastos com a renda daquele monarca, o Rishi que sempre via ambos os lados com olhar imparcial pensou que se ele pegasse qualquer coisa sob as circunstâncias sua ação resultaria em dano para criaturas. Levando, portanto, Srutarvan com ele, o Rishi foi até Vradhnaswa. O último, sabendo da chegada deles em suas fronteiras, recebeu-os devidamente. E Vradhnaswa também lhes ofereceu os Arghyas e água para lavar seus pés. E o monarca, com a permissão deles, então perguntou pela razão da sua vinda. E Agastya disse, 'Ó senhor da terra, saiba que nós viemos a ti desejosos de riqueza. Nos dê o que tu puderes, sem prejudicar a outros.'" "Lomasa continuou, 'Aquele monarca então, mostrando para eles a igualdade de seus gastos e ganhos, e disse, 'Sabendo disto, peguem o que vocês desejam.' O Rishi, no entanto, que via ambos os lados com olhar imparcial, vendo a igualdade da renda com gastos daquele monarca, pensou que se ele pegasse qualquer coisa sob as circunstâncias sua ação resultaria em dano para todas as criaturas. Agastya e Srutarvan, com o rei Vradhnaswa então foram ao filho de Purokutsa, Trasadasyu, de riqueza enorme. Trasadasyu de grande alma, sabendo de sua chegada nos confins de seu reino, saiu, ó rei, e recebeu-os bem. E aquele melhor dos monarcas na linhagem de Ikshvaku, tendo adorado todos eles devidamente, perguntou pela razão de sua chegada. E Agastya respondeu, 'Ó senhor da terra, saiba que nós todos viemos a ti desejosos de riqueza. Nos dê o que tu puderes, sem prejudicar outros.'" "Lomasa continuou, 'Aquele monarca então mostrou para eles a igualdade da sua renda com seus gastos, e disse, 'Sabendo disto, peguem o que vocês desejam.' Vendo, no entanto, a igualdade dos gastos e ganhos daquele monarca, o Rishi, que via ambos os lados com olhar imparcial, pensou que se ele pegasse qualquer coisa sob as circunstâncias sua ação resultaria em dano para todas as criaturas. Então, ó monarca, todos aqueles reis, olhando uns para os outros, falaram juntos para o Rishi dizendo, 'Ó Brahmana, há um Danava de nome Ilwala que de todas as pessoas sobre a terra é possuidor de enorme riqueza. Que nós todos nos aproximemos dele hoje e peçamos riqueza dele.'" "Lomasa continuou, 'Esta sugestão, ó rei, de pedir riqueza de Ilwala, lhes pareceu ser apropriada. E, ó monarca, todos eles foram juntos até Ilwala depois disto!'" 99 "Lomasa disse, 'Quando Ilwala soube que aqueles reis junto com o grande Rishi tinham chegado nos confins de seu domínio, ele saiu com seus ministros e adorou-os devidamente. E aquele príncipe dos Asuras recebeu-os com hospitalidade, entretendo-os, ó filho da raça Kuru, com carne bem temperada fornecida por seu irmão Vatapi (transformado em um carneiro). Então todos aqueles sábios reais, contemplando o poderoso Asura Vatapi, que tinha sido transformado em um carneiro assim cozinhado para eles, ficaram tristes e desanimados e estavam quase privados de si mesmos. Mas aquele melhor dos Rishis, Agastya, dirigindo-se àqueles sábios reais, disse, 'Não cedam à aflição, eu comerei o grande Asura.' E o Rishi poderoso então sentou-se em um assento excelente, e o príncipe dos Asuras, Ilwala, começou sorridente a distribuir a comida. E Agastya comeu toda a carne fornecida por Vatapi (transformado em um carneiro). E depois que o jantar estava terminado Ilwala começou a convocar seu irmão. Mas então só uma quantidade de ar saiu do estômago do Rishi ilustre, com um som que era tão alto, ó filho, quanto o ribombar das nuvens. E Ilwala disse repetidamente, 'Saia, ó Vatapi!' Então aquele melhor dos Munis, Agastya, irrompendo em risada, disse, 'Como ele pode sair? Eu já digeri aquele grande Asura.' E vendo seu irmão já digerido, Ilwala ficou triste e desanimado e unindo suas mãos, junto com seus ministros, dirigindo-se ao Rishi (e seus companheiros), disse, 'Por que vocês vieram para cá, e o que eu posso fazer por vocês?' E Agastya sorridente respondeu para Ilwala, dizendo, 'Nós te conhecemos, ó Asura, como sendo possuidor de grande poder e também de riqueza enorme. Estes reis não são muito ricos enquanto minha necessidade de riqueza também é grande. Nos dê o que tu puderes, sem prejudicar outros.' Assim endereçado Ilwala saudou o Rishi e disse, 'Se tu disseres o que é que eu pretendo dar então eu lhes darei riqueza.' Ouvindo isto Agastya disse, 'Ó grande Asura, tu pretendeste dar para cada um destes reis dez mil vacas e igualmente muitas moedas de ouro. E para mim tu pretendeste dar duas vezes mais, como também um carro de ouro e um par de cavalos velozes como o pensamento. Se tu perguntares agora, tu logo saberás que seu carro é feito de ouro.' Então, ó filho de Kunti, Ilwala fez perguntas e soube que o carro que ele pretendia dar era realmente um de ouro. E o Daitya então com o coração triste entregou muita riqueza e aquele carro, ao qual estavam unidos dois corcéis chamados Virava e Surava. E aqueles corcéis, ó Bharata, levaram aqueles reis e Agastya e toda aquela riqueza para o retiro de Agastya num picar de olhos. E aqueles sábios reais então obtendo a permissão de Agastya, partiram para suas respectivas cidades. E Agastya também (com aquela riqueza) fez tudo o que sua esposa Lopamudra desejava. E Lopamudra então disse, 'Ó ilustre, tu agora realizaste todos os meus desejos. Gere uma criança em mim que será possuidora de grande energia.' E Agastya respondeu a ela, dizendo, 'Ó abençoada e bela, eu estou muito satisfeito com tua conduta. Ouça-me com relação à proposta que eu faço a respeito da tua progênie. Tu terias mil filhos, ou uma centena de filhos cada um igual a dez, ou dez filhos cada um igual a uma centena, ou somente um filho que possa derrotar mil?' Lopamudra respondeu, 'Que eu tenha um filho igual a mil, ó tu dotado de riqueza de ascetismo! Um filho bom e erudito é preferível a muitos maus.'" "Lomasa continuou, 'Dizendo, 'Assim seja' aquele Muni virtuoso então conheceu sua esposa devota de comportamento constante. E depois que ela tinha concebido ele se retirou para a floresta. Depois que o Muni tinha ido embora, o feto começou a crescer por sete anos. E depois que o sétimo ano tinha terminado, então saiu do útero o altamente erudito Dridhasyu, brilhando, ó Bharata, em seu próprio esplendor. E o grande Brahmana e ilustre asceta, dotado de energia poderosa, tomou seu nascimento como o filho do Rishi, saindo do útero, como se repetindo os Vedas com os Upanishads e os Angas. Dotado de grande energia enquanto ainda uma criança, ele costumava carregar cargas de combustível sacrifical para o retiro de seu pai, e foi por essa razão chamado de Idhmavaha (carregador de madeira sacrifical). E o Muni, vendo seu filho possuidor de tais virtudes, ficou muito contente. E foi assim, ó Bharata, que Agastya gerou um filho excelente por causa do qual seus antepassados, ó rei, alcançaram as regiões que eles desejavam. E é desde aquele tempo que este local se tornou conhecido sobre a terra como o retiro de Agastya. De fato, ó rei, este é o retiro agraciado com belezas numerosas daquele Agastya que matou Vatapi da raça de Prahrada. A sagrada Bhagirathi, adorada por deuses e Gandharvas corre suavemente por ele, como uma flâmula agitada pela brisa no céu. Mais longe também ela flui por cristas escarpadas descendo cada vez mais, e parece com uma cobra assustada jazendo pelas ladeiras íngremes. Emanando das madeixas emaranhadas de Mahadeva, ela segue adiante, inundando o país do sul e beneficiando-o como uma mãe, e no final se mistura com o oceano como se ela fosse sua noiva predileta. Banhem-se como desejarem neste rio sagrado, ó filhos de Pandu! E veja lá, ó Yudhishthira, o tirtha de Bhrigu que é célebre pelos três mundos e adorado, ó rei, por grandes Rishis. Banhando-se aqui, Rama (da linhagem Bhrigu) recuperou seu poder, o qual tinha sido tirado dele (pelo filho de Dasaratha). Banhando-te aqui, ó filho de Pandu, com teus irmãos e Krishna, tu certamente recuperarás aquela tua energia que foi tirada por Duryodhana, assim como Rama recuperou o que tinha sido tirado dele pelo filho de Dasaratha em combate hostil." Vaisampayana continuou, "A estas palavras de Lomasa, Yudhishthira se banhou lá com seus irmãos e Krishna, e ofereceu oblações de água, ó Bharata, aos deuses e aos Pitris. E, ó touro entre homens, depois que Yudhishthira tinha se banhado naquele tirtha seu corpo resplandeceu em refulgência mais brilhante, e ele se tornou invisível em relação a todos os inimigos. O filho de Pandu então, ó rei, questionou Lomasa, dizendo, 'Ó ilustre, por que a energia e poder de Rama foram tirados? E como também ele os recuperou? Ó exaltado, eu te peço, conte- me tudo.' Lomasa disse, 'Escute, ó rei, à história de Rama (o filho de Dasaratha) e de Rama da linhagem de Bhrigu dotado de inteligência. Para a destruição de Ravana, ó rei, Vishnu, em seu próprio corpo, tomou seu nascimento como o filho do ilustre Dasaratha. Nós vimos em Ayodhya aquele filho de Dasaratha depois que ele tinha nascido. Foi então que Rama da linhagem de Bhrigu, o filho de Richika com Renuka, ouvindo sobre Rama o filho de Dasaratha, de atos sem máculas, foi para Ayodhya, impelido pela curiosidade, e levando consigo aquele arco celeste tão fatal para os Kshatriyas, para averiguar a coragem do filho de Dasaratha. E Dasaratha, sabendo que Rama da raça Bhrigu tinha chegado nos confins de seus domínios, designou seu próprio filho Rama para receber o herói com respeito. E vendo o filho de Dasaratha se aproximar e permanecendo diante dele com armas prontas, Rama da linhagem de Bhrigu dirigiu-se a ele sorridente, ó filho de Kunti, dizendo, 'Ó rei, ó exaltado, encordoe, se tu puderes, com toda a tua força, este arco o qual nas minhas mãos foi feito o instrumento de destruição da classe Kshatriya.' Assim endereçado, o filho de Dasaratha respondeu, 'Ó ilustre, não cabe a ti me insultar dessa maneira. Nem eu sou, entre as classes regeneradas, deficiente nas virtudes da classe Kshatriya. Os descendentes de Ikshwaku em especial nunca se gabam da destreza de seus braços.' Então para o filho de Dasaratha que falou desse modo, Rama da linhagem de Bhrigu respondeu, 'Basta de palavras astuciosas, ó rei! Pegue este arco.' Nisto, Rama o filho de Dasaratha pegou com raiva das mãos de Rama da linha de Bhrigu aquele arco celeste que tinha dado a morte para os principais dos Kshatriyas. E, ó Bharata, o herói poderoso encordoou sorrindo aquele sem o menor esforço, e com sua vibração alta como o estrondo do trovão, assustou todas as criaturas. E Rama, o filho de Dasaratha, então, dirigindo-se a Rama de Bhrigu disse, 'Aqui, eu encordoei este arco. O que mais, ó Brahmana, eu farei para ti?' Então Rama, o filho de Jamadagni, deu para o ilustre filho de Dasaratha uma seta celeste e disse, 'Colocando isto na corda do arco, puxe até tua orelha, ó herói!'” "Lomasa continuou, 'Ouvindo isto, o filho de Dasaratha resplandeceu em cólera e disse, 'Eu ouvi o que tu disseste, e até te perdoei. Ó filho da linhagem de Bhrigu, tu estás cheio de vaidade. Através da graça do Avô tu obtiveste energia que é superior àquela dos Kshatriyas. E é por isto que tu me insultaste. Veja-me agora na minha forma natural: eu te dou visão.' Então Rama da linhagem de Bhrigu contemplou no corpo do filho de Dasaratha os Adityas com os Vasus, os Rudras, os Sadhyas com os Marutas, os Pitris, Hutasana, as constelações estelares e os planetas, os Gandharvas, os Rakshasas, os Yakshas, os Rios, os tirthas, aqueles Rishis eternos identificados com Brahma e chamados de Valkhilyas, os Rishis celestes, os Mares e Montanhas, os Vedas com os Upanishads e Vashats e os sacrifícios, os Samans em sua forma viva, a Ciência de armas, ó Bharata, e as Nuvens com chuva e relâmpago, ó Yudhishthira! E o ilustre Vishnu então disparou aquela flecha. E nisto a terra estava cheia com sons de trovão, e meteoros ardentes, ó Bharata, começaram a flamejar pelo céu. E chuvas de pó e chuvas caíram sobre a superfície da terra. E furacões e sons terríveis convulsionaram tudo, e a própria terra começou a tremer. E disparada pela mão de Rama, aquela flecha, confundindo por sua energia o outro Rama, voltou brilhando para as mãos de Rama. E Bhargava, que tinha sido assim privado de seus sentidos, recuperando a consciência e vida, Rama curvou-se à Rama, aquela manifestação do poder de Vishnu. E mandado por Vishnu ele procedeu para as montanhas de Mahendra. E daquele tempo em diante aquele grande asceta começou a morar lá, em terror e vergonha. E depois do término de um ano, os Pitris, vendo Rama residindo lá privado de energia, seu orgulho suprimido, e ele mesmo mergulhado em aflição, disseram para ele, 'Ó filho, tendo te aproximado de Vishnu, teu comportamento em direção a ele não foi apropriado. Ele merece para sempre culto e respeito nos três mundos. Vá, ó filho, para aquele rio sagrado que leva o nome de Vadhusara! Banhando-te em todos os tirthas daquele rio tu recuperarás tua energia! Lá naquele rio estão os tirthas chamados Diptoda onde teu avô Bhrigu, ó Rama, na era celeste praticou penitências de grande mérito.' Assim endereçado por eles, Rama, ó filho de Kunti, fez o que os Pitris o ordenaram, e obteve de volta neste tirtha, ó filho de Pandu, a energia que ele tinha perdido. Isto mesmo, ó filho, foi o que aconteceu a Rama de atos sem mácula nos tempos passados, depois que ele tinha, ó rei, encontrado Vishnu (na forma do filho de Dasaratha).’ 100 Yudhishthira disse, 'Ó melhor dos regenerados, eu desejo ouvir outra vez em detalhes sobre as realizações de Agastya, aquele Rishi ilustre dotado de grande inteligência.' Lomasa disse, 'Escute agora, ó rei, à história excelente e maravilhosa e extraordinária de Agastya, como também, ó monarca, acerca da destreza daquele Rishi de energia incomensurável. Havia na era Krita certas tribos de Danavas ferozes que eram invencíveis em batalha. E eles eram conhecidos pelo nome de Kalakeyas e eram dotados de bravura terrível. Colocando-se sob Vritra e armando-se com diversas armas eles perseguiram os celestiais com Indra encabeçando-os em todas as direções. Os deuses então todos resolveram sobre a destruição de Vritra, e foram com Indra em sua vanguarda até Brahma. E vendo eles permanecendo diante dele com as mãos unidas, Parameshthi dirigiu-se a eles todos e disse, ‘Tudo é conhecido por mim, ó deuses, a respeito do que vocês procuram. Eu indicarei agora os meios pelos quais vocês podem matar Vritra. Há um Rishi excelente e de grande alma conhecido pelo nome de Dadhicha. Vão todos juntos até ele e lhe peçam um benefício. Com coração bem satisfeito, aquele Rishi de alma virtuosa concederá mesmo o benefício a vocês. Desejosos como vocês estão de vitória, vão todos juntos até ele e digam, 'Para o bem dos três mundos, nos dê teus ossos.' Renunciando ao seu corpo, ele lhes dará seus ossos. Com os ossos dele façam uma arma violenta e poderosa a ser chamada de Vajra, dotada de seis lados e ribombar terrível e capaz de destruir até os inimigos mais poderosos. Com aquela arma ele de cem sacrifícios matará Vritra. Eu agora lhes disse tudo. Providenciem para que tudo seja feito depressa.' Assim endereçados por ele, os deuses com a permissão do Avô (partiram), e com Narayana em sua vanguarda procederam ao retiro de Dadhicha. Aquele retiro era na outra margem do rio Saraswati e coberto com diversas árvores e trepadeiras. E ele ressoava com o zumbido de abelhas como se elas estivessem recitando Samans. E ele também ecoava com as notas melodiosas do Kokila macho e do Chakora. E búfalos e javalis e veados e Chamaras vagavam lá à vontade livres do medo de tigres. E elefantes com o suco gotejando de têmporas fendidas, mergulhando na corrente, se divertiam com as elefantas e faziam a região inteira ressoar com seus rugidos. E o lugar também ecoava com os rugidos altos de leões e tigres, enquanto em intervalos podiam ser vistos aqueles monarcas terríveis da floresta deitados esticados em cavernas e vales e embelezando-os com sua presença. E assim era o retiro de Dadhicha, como o próprio céu, no qual os deuses entraram. E lá eles viram Dadhicha parecendo com o próprio sol em esplendor e brilhando em graça pessoal como o próprio Avô. E os celestiais saudaram os pés do Rishi e se curvaram a ele e lhe pediram o benefício que o Avô lhes tinha mandado pedir. Então Dadhicha, bem satisfeito, dirigindo-se àqueles principais dos celestiais, disse, 'Ó celestiais, eu farei o que for para seu benefício. Eu até renunciarei a este meu próprio corpo.' E aquele principal dos homens com alma sob controle, tendo dito isto, de repente renunciou à sua vida. Os deuses então pegaram os ossos do Rishi falecido como ordenados. E os celestiais, profundamente contentes, foram até Twashtri (o Artífice Celeste) e falaram para ele dos meios de vitória. E Twashtri, ouvindo aquelas palavras deles, ficou cheio de alegria, e construiu (com aqueles ossos) com grande atenção e cuidado a arma feroz chamada Vajra. E tendo-a fabricado, ele se dirigiu alegremente a Indra, dizendo, 'Com esta principal das armas, ó sublime, reduza aquele inimigo violento dos deuses à cinzas. E tendo matado o inimigo, governe felizmente o domínio inteiro do céu, ó chefe dos celestiais, com aqueles que te seguem.' E assim endereçado por Twashtri, Purandara pegou o Vajra de sua mão, alegremente e com respeito apropriado." 101 "Lomasa disse, 'Armado com o Vajra então, e auxiliado por celestiais dotados de grande poder, Indra então se aproximou de Vritra, que estava então ocupando a terra inteira e o céu. E ele era protegido por todos os lados por Kalakeyas de corpos enormes com armas erguidas parecendo montanhas gigantescas com topos elevados. E a batalha que ocorreu entre os deuses e os Danavas durou por um momento curto e foi, ó chefe dos Bharatas, terrificante ao extremo, aterrorizando os três mundos. E era alto o som do choque de espadas e cimitarras erguidas e desviadas por mãos heróicas no decorrer daqueles combates violentos. E cabeças (cortadas de troncos) começaram a rolar do firmamento para a terra como frutos da palmeira caindo sobre o solo soltos de seus caules. E os Kalakeyas armados com clavas de pontas de ferro e envolvidos em armadura dourada correram contra os deuses, como montanhas se movendo em conflagração. E os deuses, incapazes de suportar o impacto daquela hoste impetuosa e que avançava orgulhosamente, se dividiram e fugiram de medo. Purandara de mil olhos, vendo os deuses fugindo de medo e Vritra crescendo em audácia, ficou profundamente abatido. E o principal dos deuses Purandara, ele mesmo agitado pelo medo dos Kalakeyas, sem perder um momento procurou a sublime proteção de Narayana. E o eterno Vishnu vendo Indra assim deprimido aumentou seu poder por lhe dar uma porção de sua própria energia. E quando os celestiais viram que Sakra foi assim protegido por Vishnu, cada um deles deu a ele sua própria energia. E os Brahmarshis imaculados também deram suas energias para o chefe dos celestiais. E favorecido assim por Vishnu e todos os deuses e pelos Rishis altamente abençoados também, Sakra se tornou mais poderoso do que antes. E quando Vritra soube que o chefe dos celestiais tinha sido enchido com poder de outros, ele deu alguns rugidos terrificantes. E a estes rugidos dele, a terra, as direções, o firmamento, céu, e as montanhas todos começaram a tremer. E o chefe dos celestiais, profundamente agitado ao ouvir aquele rugido feroz e alto, estava cheio de medo, e desejando matar o Asura logo, arremessou, ó rei, o poderoso Vajra. E atingido pelo Vajra de Indra o grande Asura enfeitado com ouro e guirlandas caiu de ponta-cabeça, como a grande montanha Mandara lançada antigamente das mãos de Vishnu; e embora o príncipe dos Daityas estivesse morto, ainda assim Sakra fugiu em pânico do campo, desejando se abrigar em um lago, pensando que o próprio Vajra não tinha sido arremessado de suas mãos e considerando que Vritra ainda estava vivo. Os celestiais, no entanto, e os grandes Rishis ficaram cheios de alegria, e todos começaram a cantar alegremente o louvor de Indra. E se reunindo, os celestiais começaram a matar os Danavas, que estavam abatidos pela morte de seu líder. E tomados pelo pânico à visão da hoste celeste reunida, os Danavas aflitos fugiram para as profundidades do oceano. E tendo entrado na profundidade insondável, cheia de peixes e crocodilos, os Danavas se reuniram e começaram a conspirar orgulhosamente para destruição dos três mundos. E alguns entre eles que eram sábios em inferências sugeriram rumos de ação, cada um segundo seu julgamento. No decorrer do tempo, no entanto, aqueles conspiradores filhos de Diti chegaram à terrível resolução de que eles deveriam, antes de tudo, realizar a destruição de todas as pessoas possuidoras de conhecimento e virtude ascética. Os mundos são todos sustentados pelo ascetismo. Portanto, eles disseram, 'Não percamos tempo para a destruição do ascetismo. Empreendamos sem demora a destruição daqueles sobre a terra que são possuidores de virtudes ascéticas, que são familiarizados com os deveres e o caminho da moralidade, e que tem um conhecimento de Brahma; pois quando estes forem destruídos o próprio universo será destruído.' E todos os Danavas, tendo chegado a esta decisão pela destruição do universo, ficaram muito contentes. E daquele tempo em diante eles fizeram do oceano, aquela residência de Varuna, com redemoinhos altos como colinas, seu forte, do qual fazem seus ataques." 102 "Lomasa disse, 'Os Kalakeyas então recorrendo àquele receptáculo de águas, o qual é a residência de Varuna, começaram suas operações para a destruição do universo. E durante a escuridão da noite aqueles Daityas zangados começaram a devorar os Munis que eles encontravam em retiros arborizados e locais sagrados. E aqueles canalhas pecaminosos devoraram no retiro de Vasishtha Brahmanas ao número de cento e oitenta, além de nove outros ascetas. E, procedendo para o retiro de Chyavana que era habitado por muitos Brahmacharis, eles devoraram uma centena de Brahmanas que viviam só de frutas e raízes. E eles começaram a fazer tudo isto durante a escuridão da noite, enquanto de dia eles entravam nas profundidades do mar. E eles mataram um grupo inteiro de Brahmanas de almas subjugadas e que levavam o modo de vida Brahmacharya e que viviam só do ar e da água, no retiro de Bharadwaja. E foi assim que aqueles Danavas, os Kalakeyas, inebriados pela destreza de braços e suas vidas quase terminadas, invadiram gradualmente todos os retiros dos Rishis durante a escuridão da noite, massacrando numerosos Brahmanas. E, ó melhor dos homens, embora os Danavas se comportassem dessa maneira em direção aos ascetas em retiros arborizados, ainda assim os homens fracassaram em descobrir alguma coisa sobre eles. E toda manhã as pessoas viam os corpos mortos de Munis emaciados com dieta frugal, jazendo no chão. E muitos daqueles corpos estavam sem carne e sem sangue, sem medula, sem entranhas, e com membros separados uns dos outros. E lá e cá jaziam sobre o solo pilhas de ossos como massas de conchas. E a terra estava coberta com os conteúdos de jarros (sacrificais) quebrados e conchas despedaçadas para derramar libações de manteiga clarificada e com os fogos sagrados mantidos com cuidado pelos ascetas. E o universo afligido com o terror dos Kalakeyas, sendo privado de estudos Védicos e vashats e festivais sacrificais e ritos religiosos, ficou totalmente desconsolado. E, ó rei, quando os homens começaram a perecer dessa maneira, os sobreviventes, afligidos pelo medo, fugiram por suas vidas para todas as direções. E alguns fugiram para cavernas e alguns para trás de rios de montanha e nascentes e alguns, por medo da morte, morreram sem muita dificuldade. E alguns que eram arqueiros corajosos e poderosos partiram e tiveram grande dificuldade em seguir o rastro dos Danavas. Incapazes, no entanto, de descobri-los, pois os Asuras tinham procurado refúgio nas profundezas do oceano, aqueles homens valentes voltaram para suas casas satisfeitos com a busca. E, ó senhor de homens, quando o universo estava sendo assim destruído, e quando festivais sacrificais e ritos religiosos tinham sido suspensos, os deuses ficaram profundamente angustiados. E reunindo-se com Indra em seu meio eles começaram, por medo, a se aconselhar uns com os outros. E dirigindo-se ao sublime e incriado Narayana, aquele deus invencível de Vaikuntha, os celestiais procuraram sua proteção. E reverenciando o matador de Madhu, os deuses se dirigiram a ele, dizendo, 'Ó senhor, tu és o criador, o protetor, e o matador de nós mesmos assim como do universo. És tu quem tem criado este universo com suas criaturas móveis e imóveis. Ó tu de olhos como folhas de lótus, foste tu quem nos tempos passados, para o benefício de todas as criaturas, ergueste do mar a terra afundada, assumindo também a forma de um javali. E, ó melhor dos seres masculinos, assumindo também a forma de meio-homem e meio-leão, tu mataste no passado aquele Daitya antigo de grande coragem conhecido pelo nome de Hiranyakasipu. E aquele outro grande Asura também, de nome Vali, incapaz de ser morto por alguém, tu exilaste dos três mundos assumindo a forma de um anão. Ó senhor, foi por ti que aquele Asura perverso, de nome Jambha, que era um arqueiro poderoso e que sempre obstruía sacrifícios, foi morto. Realizações como estas, as quais não podem ser enumeradas, são tuas. Ó matador de Madhu, nós que estamos afligidos pelo temor temos a ti como nosso refúgio. É por isto, ó deus dos deuses, que nós te informamos dos nossos problemas atuais. Proteja os mundos, os deuses, e Sakra também, de um medo terrível.'" 103 "Os celestiais disseram, 'Por teu favor é que todos os seres nascidos das quatro espécies aumentam. E eles sendo criados propiciam os habitantes do céu por meio de oferendas feitas aos deuses e aos espíritos de antepassados falecidos. Assim é que as pessoas, protegidas por ti e livres de incômodos, vivem dependendo umas das outras, e (assim) aumentam. Agora este perigo sobreveio às pessoas. Nós não sabemos por quem Brahmanas estão sendo mortos durante a noite. Se os Brahmanas forem destruídos, a própria terra encontrará a destruição, e se a terra vir a ter um fim, o céu também cessará de existir. Ó poderosamente armado, ó senhor do universo! Nós te suplicamos (para agir para) que todos os mundos, protegidos por ti, possam não acabar, então que isto possa te agradar.' Vishnu disse, 'Ó deuses! Por mim é conhecida a razão da destruição dos seres nascidos, eu falarei disto para vocês; escutem com mentes livres de tribulação. Existe uma hoste extremamente feroz, conhecida pelo nome de Kalakeyas. Eles, sob a liderança de Vritra, estavam devastando o universo inteiro. E quando eles viram que Vritra foi morto pelo sagaz Indra dotado de mil olhos, eles, para preservar suas vidas, entraram no oceano, aquela residência de Varuna. E tendo entrado no oceano, cheio de tubarões e crocodilos, eles à noite mataram os santos neste local com o propósito de exterminar as pessoas. Mas eles não podem ser mortos porque eles se abrigaram dentro do mar. Vocês devem, portanto, pensar em algum meio para secar o oceano. Quem exceto Agastya é capaz de secar o mar? E sem secar completamente o oceano, estes (demônios) não podem ser atacados por quaisquer outros meios.' Ouvindo estas palavras de Vishnu, os deuses pegaram a permissão de Brahma, que vive na melhor de todas as regiões, e foram ao eremitério de Agastya. Então eles viram Agastya de grande alma, o filho de Varuna, de aparência resplandecente, e servido por santos, assim como Brahma é servido por celestiais. E se aproximando dele, eles se dirigiram ao filho de Mitra e Varuna no eremitério, magnânimo e inabalável, e parecendo com uma encarnação de trabalhos pios empilhados juntos, e o glorificaram por recitar seus feitos. As divindades disseram, 'Tu foste antigamente o refúgio dos deuses quando eles foram oprimidos por Nahusha. Tormento do mundo que ele era, ele foi derrubado de seu trono do céu, das regiões celestes. Vindhya, a principal de todas as montanhas, subitamente começou a aumentar sua altura, por causa de uma colérica competição com o sol (isto é, para rivalizá-lo em altitude). Mas ele parou de aumentar, porque ele era incapaz de desobedecer ao teu comando. E quando a escuridão cobriu o mundo, os seres nascidos foram atormentados pela morte, mas tendo te obtido como um protetor, eles alcançaram a maior segurança. Quando nós estamos cercados por perigos tua reverência é sempre nossa proteção; por esta razão é que nós pedimos um benefício de ti; porque tu sempre concedeste o benefício solicitado (de ti).'" 104 "Yudhishthira disse, 'Ó grande santo! Eu estou desejoso de saber em detalhes por que foi que Vindhya, insensato pela cólera, subitamente começou a aumentar sua massa.'" "Lomasa disse, 'O sol entre seu nascer e pôr costumava girar ao redor daquele monarca das montanhas, o grande Meru de brilho dourado. E vendo isto a montanha Vindhya falou para Surya dizendo, 'Como tu todo dia circulas Meru e o honras por circungirá-lo, faça o mesmo por mim, ó fazedor de luz!' Assim endereçado, o sol respondeu à grande montanha dizendo, 'Eu não honro por minha própria vontade esta montanha por andar em volta dela. Este caminho foi designado para mim por aqueles que construíram este universo.' Assim endereçada a montanha de repente começou a aumentar por causa da cólera, desejosa, ó castigador de inimigos, de obstruir o caminho do Sol e da Lua. E todos os deuses reunidos foram até Vindhya, o rei poderoso das montanhas, e tentaram dissuadi-lo de deu comportamento. Mas ele não prestou atenção ao que eles disseram. E então todos os deuses reunidos foram até o santo, vivendo no eremitério, dedicado à prática de austeridades, e realmente a melhor das pessoas dedicadas à virtude; e explicaram tudo o que aconteceu para Agastya, possuidor de poder extraordinário.’” "Os deuses disseram, 'Este rei das colinas, Vindhya, se entregando à cólera, está parando a trajetória do Sol e da Lua, e também o rumo das estrelas. Ó principal dos Brahmanas! Ó tu magnífico em dons! Exceto tu, não há alguém que possa impedi-lo; portanto faça-o desistir.' Ouvindo estas palavras dos deuses o Brahmana foi à montanha. E ele com sua esposa, tendo chegado lá, chegou perto de Vindhya e falou a ele dizendo, 'Ó tu melhor das montanhas! Eu desejo ter um caminho dado a mim por ti, porque, para algum propósito, eu terei que ir para a região sul. Até minha volta, espere por mim. E quando eu tiver retornado, ó rei das montanhas, tu poderás aumentar em tamanho tanto quanto tu quiseres.' E, ó matador de inimigos, tendo feito este acordo com Vindhya até hoje o filho de Varuna não voltou da região sul. Assim eu, perguntado por ti, narrei para ti por que Vindhya não aumentou em grande quantidade por razão do poder de Agastya. Agora, ó rei, ouça como os Kalakeyas foram mortos pelos deuses, depois que eles obtiveram sua súplica de Agastya. Tendo ouvido as palavras dos deuses, Agastya, o filho de Mitra, e Varuna, disse, 'Por que vocês vieram? Que benefício vocês pedem de mim?' Assim endereçadas por ele, as divindades então falaram ao santo, dizendo, 'Este é o ato que nós te pedimos para realizar, isto é, esvaziar o grande oceano, ó (santo) magnânimo! Então nós poderemos matar aqueles inimigos dos deuses, conhecidos pelo nome de Kalakeyas, junto com todos os seus partidários.' Ouvindo as palavras dos deuses, o santo disse, 'Que seja assim, eu farei exatamente o que vocês desejam, e aquilo que levará à maior felicidade dos homens.' Tendo dito isso, ele então foi até o oceano, o senhor dos rios, acompanhado por sábios perfeitos na prática de penitências, e também pelas divindades, ó tu que levas uma vida excelente! E homens e cobras, coristas celestes, Yakshas e Kinnaras seguiram os santos magnânimos, desejosos de testemunhar aquele acontecimento extraordinário. Então eles chegaram todos juntos perto do mar, de ribombar impressionante, dançando, por assim dizer, com seus vagalhões, juntando-se com a brisa, e rindo com massas de espuma, e chocando-se com as cavernas, e apinhado com diversas espécies de tubarões, e frequentado por bandos de várias aves. E as divindades acompanhadas por Agastya e coristas celestes e cobras enormes e santos altamente dotados se aproximaram da imensa vastidão aquosa." 105 "Lomasa disse, 'Aquele santo abençoado, o filho de Varuna, tendo alcançado o mar, falou aos deuses juntos, e aos santos reunidos, dizendo 'Eu certamente esvaziarei o oceano, esta residência do deus das águas. Estejam prontos rapidamente com aqueles preparativos os quais lhes incumbe fazer.' Tendo falado estas poucas palavras, o filho inabalável de Mitra e Varuna, cheio de cólera, começou a esvaziar o mar, enquanto todos os mundos permaneciam observando (a façanha). Então os deuses, junto com Indra, vendo como o mar estava sendo esvaziado, foram tomados por imensa perplexidade, e o glorificaram com palavras laudatórias, dizendo, 'Tu és nosso protetor, e a própria Providência para os homens, e também o criador dos mundos. Por teu favor o universo com seus deuses quiçá possa ser salvo da destruição.' E o magnânimo, glorificado pelos deuses, enquanto os instrumentos musicais de coristas celestes estavam tocando todos em volta, e enquanto flores celestes eram derramadas sobre ele, tornou seco o extenso oceano. E vendo o amplo oceano desprovido de água, a hoste de deuses estava muito contente; e pegando armas excelente de forja celeste desceram para matar os demônios com corações corajosos, e eles, atacados pelos deuses magnânimos, de grande força, e de velocidade rápida, e rugindo ruidosamente, não puderam resistir ao ataque dos seus (inimigos) velozes e valorosos, aqueles residentes das regiões celestiais, ó descendente de Bharata! E aqueles demônios, atacados pelos deuses, berrando ruidosamente, por um momento continuaram o combate terrível. Eles foram em primeiro lugar queimados pela força das penitências realizadas pelos santos, que tinham desenvolvido a si mesmos; portanto, os demônios, embora eles se esforçassem ao máximo, foram finalmente massacrados pelos deuses. E enfeitados com broches de ouro, e tendo em seus corpos brincos e braceletes, os demônios, quando mortos, pareciam belos de fato, como árvores palasa quando cheias de flores. Então, ó melhor dos homens, uns poucos, o restante daqueles que foram mortos da raça Kalakeya, tendo rachado a deusa Terra, tomaram refúgio no fundo das regiões inferiores. E os deuses, quando eles viram que os demônios estavam mortos, com diversas palavras, glorificaram o santo poderoso, e falaram as seguintes palavras, 'Ó tu de braços fortes, pelo teu favor os homens alcançaram uma grande bênção, e os Kalakeyas, de força implacável, foram mortos por teu poder, ó criador de seres! Encha o mar (agora), ó de braços poderosos; devolva a água bebida por ti.' Assim endereçado, o santo abençoado e poderoso respondeu, 'Aquela água já foi digerida por mim. Algum outro meio, portanto, deve ser pensado por vocês, se vocês desejam se esforçar para encher o oceano.' Ouvindo estas palavras daquele santo de alma amadurecida, os deuses reunidos foram tomados por admiração e tristeza, ó grande rei! E então, despedindo-se uns dos outros, e curvando-se ao santo poderoso, todos os seres nascidos seguiram seu caminho. E os deuses com Vishnu foram até Brahma. E tendo mantido consulta outra vez, com o propósito de encher o mar, eles, com mãos unidas, falaram sobre reenchê- lo." 106 "Lomasa disse, 'Então a eles reunidos, Brahma, o avô dos homens dirigiu-se (dessa maneira), 'Vão, ó deuses, para onde sua vontade possa conduzi-los, ou seu desejo os conduza. Levará um longo tempo para o oceano retomar seu estado habitual; a ocasião será fornecida pelos parentes do grande rei Bhagiratha.' Ouvindo as palavras do Avô (universal Brahma), todos os deuses principais seguiram seu caminho aguardando o dia (quando o oceano seria enchido novamente).' Yudhishthira disse, 'Qual foi aquela ocasião, ó santo? E como os parentes de (Bhagiratha forneceram a mesma)? E como o oceano foi reenchido pela interferência de Bhagiratha? Ó santo que consideras tuas práticas religiosas como teu único tesouro. Ó tu da classe sacerdotal! Eu desejo ouvir o relato das realizações do rei, narradas em detalhes por ti.'" "Vaisampayana disse, "Assim endereçado pelo rei magnânimo e virtuoso, ele, o chefe de homens da classe sacerdotal, narrou as realizações do (rei) Sagara de grande alma." "Lomasa disse, 'Nasceu na família da tribo Ikshaku um soberano da terra chamado Sagara, dotado de beleza e força. E aquele mesmo (rei) de nome temido não tinha filhos, ó descendente de Bharata! E ele levou destruição através das tribos dos Haihayas e dos Talajanghas; trouxe sob submissão toda a casta militar; (e assim) governou seu próprio reino. E, ó mais louvável dos descendentes de Bharata, ó chefe da raça Bharata, ele tinha duas esposas orgulhosas de sua beleza e de sua juventude, uma princesa da linhagem Vidarbha, e a outra da linhagem real de Sivi. E, ó chefe de reis, aquele soberano de homens se dirigiu à montanha Kailasa, acompanhado por ambas as esposas, e com o desejo de ter um filho dedicou-se à prática de penitências extremamente austeras. E tendo se dedicado à prática de austeridades rígidas, e (também) empenhado na contemplação conhecida pelo nome de Yoga, ele obteve a visão do deus magnânimo com três olhos, o matador do demônio chamado Tripura; o produtor bênçãos (para todos os seres); o (eternamente) existente; o Ser dominante, o portador do arco Pinaka; carregando em sua mão sua (arma bem conhecida), o tridente; o deus de três olhos; o repositório da paz (eterna); o soberano de todos aqueles que são ferozes; capaz de assumir muitíssimas formas; e o marido da deusa Uma. E aquele soberano de homens, de braços fortes, logo que ele contemplou o deus, aquele concessor de benefícios, caiu aos seus pés, com ambas as suas rainhas, e ofereceu uma oração para ter um filho. E o deus Siva, bem satisfeito com ele, falou (assim) para aquele mais justo dos soberanos de homens, acompanhado por suas duas esposas, dizendo, 'Ó senhor de homens, levando em conta o momento (astrológico) no qual tu ofereceste tua oração a mim, sessenta mil filhos, ó principal dos homens seletos valorosos e caracterizado por orgulho excessivo, nascerão em uma destas tuas duas esposas (aqui). Mas eles todos, ó soberano da terra, perecerão juntos. Na outra mulher, (no entanto), nascerá um único filho valente, que perpetuará tua linhagem.' Tendo dito isso a ele, o deus Rudra (Siva) desapareceu de vista naquele mesmo local, e o rei Sagara voltou para sua própria residência acompanhado por suas duas esposas, com coração muito encantado (pelo que tinha acontecido) então. E, ó mais louvável dos filhos de Manu, (isto é, homens), lá as duas esposas de olhos de lótus dele, a princesa de Vidarbha e a princesa de Sivi, vieram (logo) a engravidar. E subsequentemente, no dia previsto, a princesa de Vidarbha deu à luz (a algo) da forma de uma cabaça e a princesa de Sivi deu à luz a um menino tão belo quanto um deus. Então o soberano da terra decidiu jogar fora a cabaça, quando ele ouviu (procedendo) do céu um discurso (proferido) em uma voz profunda e solene, 'Ó rei, não seja culpado desta ação precipitada; tu não deves abandonar teus filhos. Tire as sementes da cabaça e preserve-as com cuidado em recipientes aquecidos a vapor parcialmente enchidos com manteiga clarificada. Então tu obterás, ó filho da raça de Bharata, sessenta mil filhos! Ó soberano de homens, o grande deus (Siva) falou que teus filhos nasceriam desta maneira. Não deixe portanto a tua mente se desviar disto.'" 107 "Lomasa disse, 'Ó mais justo dos reis, quando ele ouviu estas palavras (procedentes) do céu, ele teve fé nelas, e fez tudo o que foi instruído a fazer, ó chefe dos homens da linhagem de Bharata! Então o soberano de homens pegou separadamente cada uma das sementes e então colocou aquelas divisões (da cabaça) em recipientes cheios com manteiga clarificada. E empenhado na preservação de seus filhos ele providenciou um enfermeiro para cada (receptáculo). Então depois de um longo tempo lá surgiram os sessenta mil filhos extremamente poderosos daquele rei, dotados de força imensurável, eles nasceram, ó soberano da terra, para aquele rei como um santo, pelo favor de Rudra. E eles eram terríveis; e seus atos eram implacáveis. E eles eram capazes de ascender e vagar pelo céu; e sendo numerosos eles desprezavam a todos, incluindo os deuses. E eles perseguiam até os deuses, os Gandharvas, e os Rakshasas e todos os seres nascidos, sendo eles mesmos valentes e viciados em luta. Então todas as pessoas, importunadas pelos filhos estúpidos de Sagara, unindo-se com todos os deuses, foram até Brahma em busca de proteção. E a eles dirigiu-se o avô abençoado de todos os seres (Brahma, dizendo), 'Sigam seu caminho, ó deuses, junto com todos estes homens. Em um espaço de tempo não muito longo acontecerá, ó deuses, uma destruição grande e extremamente terrível dos filhos de Sagara, causada pelo ato cometido por eles.' Assim endereçados, aqueles deuses e homens, ó senhor dos filhos de Manu, se despediram do Avô e voltaram para os locais de onde eles tinham vindo. Então, ó chefe da raça de Bharata, depois do término de muito dias, o poderoso rei Sagara aceitou a consagração para realizar os ritos de um Sacrifício de Cavalo. E seu cavalo começou a vagar pelo mundo, protegido por seus filhos. E quando o cavalo alcançou o mar, seco e terrível de se contemplar, embora o cavalo fosse protegido com cuidado muito grande, ele desapareceu (de repente) no próprio local (sobre o qual se encontrava). Então, ó senhor respeitado, aqueles filhos de Sagara imaginaram que o cavalo excelente tinha sido roubado; e retornando até seu pai, contaram como ele foi roubado fora de vista. E então ele dirigiu-se a eles dizendo, 'Vão e procurem pelo cavalo em todos os pontos cardeais.' Então, ó grande rei, por esta ordem de seu pai, eles começaram a procurar pelo cavalo nos pontos cardeais e por toda a superfície da terra. Mas todos aqueles filhos de Sagara, todos mutuamente unidos, não puderam achar o cavalo nem a pessoa que o tinha roubado. E voltando então, eles com palmas unidas se dirigiram assim ao seu pai (que estava) diante deles, 'Ó protetor de homens, ó soberano da terra, ó rei! Por tua ordem, este mundo inteiro com suas colinas e suas regiões de floresta, com seus mares, e seus bosques, e suas ilhas, com seus ribeirões e rios e cavernas, foi totalmente investigada por nós. Mas nós não pudemos achar nem o cavalo, nem o ladrão que roubou o mesmo.' E ouvindo estas palavras, o rei ficou insensato pela raiva, e então disse a eles todos, arrebatado pelo Destino, 'Vão embora vocês todos, que vocês nunca voltem! Procurem novamente pelo cavalo. Sem aquele cavalo sacrifical vocês nunca devem retornar, meus garotos!' E aqueles filhos de Sagara aceitaram esta ordem de seu pai, e mais uma vez começaram a procurar pelo mundo inteiro. Assim sendo aqueles heróis viram uma abertura sobre a superfície da terra. E tendo alcançado aquele buraco os filhos de Sagara começaram a escavá-lo. E com espadas e picaretas eles prosseguiram cavando o mar, fazendo os maiores esforços. E aquela residência de Varuna (o oceano), sendo assim escavada pelos filhos unidos de Sagara e rachada e cortada por todos os lados foi colocada em uma condição de extrema aflição. E os demônios e cobras e Rakshasas e vários (outros) seres animados começaram a proferir gritos miseráveis, enquanto eram mortos pelos filhos de Sagara. E centenas e milhares de seres animados foram vistos com cabeças cortadas e troncos separados e com suas peles e ossos e juntas lacerados e quebrados. Assim eles foram em frente cavando o oceano, o qual era a residência de Varuna e um espaço de tempo extremamente longo se passou no trabalho, mas ainda assim o cavalo não foi encontrado. Então, ó senhor da terra, perto da região nordeste do oceano, os filhos de Sagara enfurecidos cavaram tão fundo até o mundo inferior, e lá eles viram o cavalo vagando pela superfície do solo. E eles viram o magnânimo Kapila, que parecia com uma massa perfeita de esplendor. E tendo visto ele brilhando com seu esplendor, assim como o fogo brilha com suas chamas, eles, ó rei, vendo o cavalo, ficaram cheios de alegria. E eles estando entusiasmados, impelidos por seu destino, não prestaram atenção à presença do magnânimo Kapila, e correram adiante com a intenção de apanhar o cavalo. Então, ó grande rei, Kapila, o mais virtuoso dos santos, ele a quem os grandes sábios chamam como Kapila Vasudeva, assumiu um olhar flamejante, e o santo poderoso disparou chamas em direção a eles, e assim incendiou os filhos estúpidos de Sagara. E Narada, cuja prática de austeridades era muito grande, quando ele os viu reduzidos à cinzas, foi até o lado de Sagara, e deu a informação para ele. E quando o rei soube daquelas notícias terríveis que procederam da boca do santo, por quase uma hora ele permaneceu triste, e então ele se lembrou do que Siva tinha dito. Então mandando buscar Ansuman, o filho de Asamanjas, e seu próprio neto, ele, ó chefe da raça Bharata, falou as seguintes palavras, 'Aqueles sessenta mil filhos de força imensurável tendo se deparado com a cólera de Kapila encontraram sua morte por minha causa. E, ó meu garoto de caráter imaculado, teu pai também foi abandonado por mim, para cumprir meu dever (como um rei), e estando desejoso de fazer o bem para meus súditos.'” "Yudhishthira disse, 'Ó santo cuja única riqueza consiste em práticas religiosas, diga-me por que razão Sagara, o principal dos reis, abandonou seu próprio filho, dotado de coragem; um ato tão difícil (para todos os outros homens)." "Lomasa disse, 'Um filho nasceu para Sagara, conhecido pelo nome de Asamanjas, ele que foi dado à luz pela princesa de Sivi. E ele costumava agarrar pela garganta os filhos delicados dos cidadãos, e os jogava no rio enquanto eles gritavam. E então os cidadãos, dominados pelo terror e dor, reuniram-se, e todos permanecendo com palmas unidas, suplicaram a Sagara da seguinte maneira, 'Ó grande rei, tu és nosso protetor do temido perigo do ataque de uma força hostil. Portanto cabe a ti nos salvar do perigo terrível procedente de Asamanjas.' E o mais justo dos soberanos de homens, tendo ouvido estas notícias terríveis de seus súditos, por quase uma hora permaneceu triste e então falou para seus ministros, dizendo, 'Que hoje meu filho Asamanjas seja levado para fora da cidade. Se vocês desejam fazer o que será aceitável para mim que isto seja feito rapidamente.' E, ó protetor de homens, aqueles mesmos ministros, assim endereçados pelo rei, realizaram com pressa exatamente o que o rei os tinha mandado fazer. Assim eu narrei para ti como o magnânimo Sagara baniu seu filho, com a intenção (de assegurar o) bem-estar dos residentes da cidade. Eu agora narrarei totalmente para ti o que Ansuman do arco poderoso ouviu de Sagara. Ouça-me!’ Sagara disse, 'Ó meu garoto, eu estou profundamente triste por ter abandonado teu pai, por causa da morte dos meus filhos, e também por ser mal sucedido em obter o cavalo de volta. Portanto, ó neto, atormentado pela dor e confuso com a obstrução dos meus ritos religiosos como eu estou, tu deves trazer de volta o cavalo e me resgatar do inferno.' Assim endereçado pelo magnânimo Sagara, Ansuman foi com tristeza para aquele local onde a terra tinha sido escavada. E por aquela mesma passagem ele entrou no mar, e viu aquele ilustre Kapila e aquele mesmo cavalo. E tendo visto aquele santo antigo, o mais virtuoso da sua ordem, parecendo com uma massa de luz, ele se curvou com sua cabeça até o chão, e informou-o da razão da sua visita. Então, ó grande rei, Kapila ficou satisfeito com Ansuman, e aquele santo de alma virtuosa lhe disse para pedir um favor dele. E ele em primeiro lugar rogou pelo cavalo, para o propósito de usá-lo no sacrifício; em segundo lugar ele rogou pela purificação de seus pais. Então o chefe poderoso de santos, Kapila, falou a ele, dizendo, 'Eu te concederei tudo o que tu desejaste, ó (príncipe) imaculado. Que a boa sorte seja tua! Em ti estão fixadas (as virtudes de) paciência, e veracidade, e justiça. Por ti Sagara teve todos os seus desejos realizados. Tu és (realmente) um filho para teu pai. E por tua habilidade os filhos de Sagara irão para o céu (isto é, serão libertados das consequências da sua morte profana). E o filho do teu filho, com o objetivo de purificar os filhos de Sagara, obterá o favor do grande deus Siva, (por meio da prática de grandes austeridades), e (assim) trará (para este mundo) o rio que flui em três correntes (separadas), Ganga, ó chefe de homens! Que a boa sorte seja tua! Leve contigo o cavalo sacrifical. Termine, meu jovem, os ritos sacrificais do magnânimo Sagara.' Assim endereçado pelo ilustre Kapila, Ansuman levou o cavalo com ele e voltou para a área sacrifical de Sagara de mente poderosa. Então ele caiu prostrado aos pés de Sagara de grande alma, que cheirou-o na cabeça, e narrou para ele todos os acontecimentos, tudo o que foi visto e ouvido por ele, e igualmente a destruição dos filhos de Sagara. Ele também anunciou que o cavalo tinha sido devolvido para a área sacrifical. E quando o rei Sagara soube disto ele não sofreu mais por causa de seus filhos. E ele elogiou e honrou Ansuman, e terminou aqueles ritos sacrificais. Seu sacrifício terminado, Sagara foi cumprimentado honrosamente por todos os deuses; e ele converteu o mar, a residência de Varuna, em um filho dele mesmo. E o (rei Sagara) de olhos de lótus tendo governado seu reino por um período extremamente longo, colocou seu neto no trono (cheio de) responsabilidades e então ascendeu para o céu. E Ansuman igualmente, ó grande rei, virtuoso em alma, governou o mundo até a margem do oceano, seguindo os passos do pai do seu pai. Seu filho era chamado Dilipa, versado em virtude. Colocando sobre ele os deveres do seu cargo soberano, Ansuman do mesmo modo partiu dessa vida. E então quando Dilipa soube que um destino horrível tinha alcançado seus antepassados ele ficou muito triste e pensou nos meios de elevá-los. E o soberano de homens fez todos os grandes esforços para a descida de Ganga (para o mundo mortal). Mas embora tentando ao máximo de seu poder, ele não pode fazer o que ele tanto desejava. E um filho nasceu para ele, conhecido pelo nome de Bhagiratha, belo, e dedicado a uma vida virtuosa, e sincero, e livre de sentimentos de malícia. E Dilipa nomeou-o como rei, e se dirigiu à vida na floresta. E, ó melhor de todos os descendentes da linhagem de Bharata, aquele rei (Dilipa), dedicou-se a um método bem sucedido de austeridades, e no fim de um período (suficiente), da floresta partiu para o céu." 108 "Lomasa disse, 'Aquele mesmo rei, de um arco poderoso, permanecendo na vanguarda dos circundantes, (ou seja, o ocupante de um trono imperial) de um poderoso carro, (possuindo todo grande poder de combate) tornou-se o deleite dos olhos e da alma de todo o mundo. E ele de braço poderoso veio a saber como seus antepassados tinham encontrado um fim horrível por causa de Kapila de alma poderosa, e como eles não tinham podido alcançar a região dos deuses. E ele com o coração triste transferiu seus deveres reais para seu ministro, e, ó senhor de homens, para praticar austeridades, foi para o lado da Montanha nevada (os Himalayas). E, ó mais louvável dos homens, desejoso de extinguir seus pecados por levar uma vida austera, e (assim) obtendo o favor da (deusa) Ganga, ele visitou aquela principal das montanhas, Himalaya. E ele a contemplou adornada com picos de diversas formas cheios de terra mineral; borrifada por todos os lados com gotas de nuvens que estavam repousando sobre a brisa; bela com rios e arvoredos e contrafortes rochosos, parecendo com (muitos) palácios (em uma cidade); acompanhada por leões e tigres que tinham se escondido em suas cavernas e buracos; e também habitada por aves de formas diversas, as quais estavam proferindo diversos sons, tais como os Bhringarajas, e gansos, e Datyuhas, e galos d’água, e pavões e aves com cem penas, e Jivanjivakas, e melros, e Chakoras de olhos providos de cantos pretos, e as aves que amam seus filhotes. E ele viu a montanha abundando em lotos crescendo em reservatórios de água encantadores. E os grous a tornavam graciosa com seus sons; e os Kinnaras e as ninfas celestes estavam sentados sobre seus blocos pedregosos. E os elefantes ocupando os pontos cardeais tinham roubado suas árvores em todos os lugares com a ponta das suas presas; e os semideuses da classe Vidyadhara frequentavam a colina. E ela estava cheia de várias pedras preciosas, e era também infestada por cobras portadoras de veneno terrível e de línguas ardentes. E a montanha em (alguns) lugares parecia com ouro (maciço), e em outros lugares ela parecia com uma (pilha) prateada, e em uns lugares era como uma pilha (negra) de colírio. Tal era a colina nevada onde o rei agora se encontrava. E aquele mais louvável dos homens naquele local dirigiu-se a um modo de vida austero sublime. E por mil anos sua subsistência foi só água, frutas e raízes. Quando, entretanto, tinham se passado mil anos segundo o cálculo dos deuses, então o grande rio Ganga, tendo assumido uma forma material, revelou para ele sua pessoa (divina). Ganga disse, 'Ó grande rei, o que tu desejas de mim? E o que eu devo conceder para ti? Diga-me, ó mais louvável dos homens! Eu farei como tu me pedires.' Assim endereçado, o rei então deu sua resposta para Ganga, a filha da Colina nevada, dizendo, 'Ó concessora de bênçãos, ó grande rio, meus antepassados, enquanto procuravam pelo cavalo, foram mandados por Kapila para a residência do deus da morte. E aqueles sessenta mil filhos de Sagara de alma poderosa, tendo encontrado com o majestoso Kapila, pereceram em um instante de tempo. Tendo perecido dessa maneira, não há lugar para eles na região do céu, ó grande rio! Enquanto tu não borrifares os corpos deles com tua água não haverá salvação para aqueles filhos de Sagara. Ó deusa abençoada, leve meus antepassados, os filhos de Sagara, para a região do céu. Ó grande rio, por causa deles é que eu estou te suplicando realmente.’ Lomasa disse, 'Ganga, a deusa saudada pelo mundo, tendo ouvido estas palavras do rei, estava bem satisfeita, e falou para Bhagiratha as seguintes palavras: 'Ó grande rei, eu estou preparada para fazer o que tu me pedes; não há dúvida nisto. Mas quando eu descer do céu para a terra, a força da minha queda será difícil de suportar. Ó protetor de homens, nos três mundos não existe alguém que possa suportar a mesma exceto Siva, o mais louvável dos deuses, o grande Senhor com a garganta azul escura. Ó (príncipe) de braço poderoso, obtenha o favor, por praticar austeridades, daquele Siva concessor de benefícios. Aquele deus sustentará minha descida sobre sua cabeça. Teu desejo ele realizará, o desejo de ser útil aos teus pais, ó rei!' Então o grande rei Bhagiratha, tendo ouvido a mesma, foi à colina Kailasa, e dirigindo-se a um método severo de penitências, no término de certo espaço de tempo obteve o favor daquele produtor de bênçãos (Siva). E, ó protetor de homens, aquele melhor dos homens, para que seus antepassados pudessem ter um lugar no céu assegurado para eles, recebeu daquele próprio Siva a realização do seu desejo, isto é, o desejo que a descida de Ganga pudesse ser sustentada.'" 109 "Lomasa disse, 'O Deus abençoado tendo ouvido o que Bhagiratha disse, e com o objetivo de fazer o que era agradável para os residentes do céu, respondeu para o rei, dizendo, 'Que assim seja, ó mais justo dos protetores de homens, ó (príncipe) de braços poderosos! Por tua causa eu sustentarei o rio dos deuses, quando ela tomar sua descida do céu, ela que é pura e abençoada e divina, ó (rei) de braço poderoso!' Dizendo isso ele foi para a montanha nevada, cercado por seus servidores, de aparência terrível, e com armas erguidas de formas diversas. E permanecendo lá ele disse para Bhagiratha, o mais louvável dos homens, 'Ó (príncipe) de braço poderoso, ore para o rio, a filha do rei das montanhas. Eu sustentarei o mais louvável dos rios quando ela cair da terceira região do mundo (céu).' Tendo ouvido estas palavras proferidas por Siva, o rei se tornou devoto (de coração), e prestou homenagem e dirigiu seus pensamentos em direção à Ganga. Então o (rio) encantador de água pura ao ser assim lembrado pelo rei, e vendo que o grande senhor (Siva) estava parado (para receber sua queda), desceu de repente do céu. E vendo que ela tinha se lançado do céu, os deuses, junto com os santos poderosos, os Gandharvas, as cobras, e os Yakshas reuniram-se lá como espectadores. Então desceu do céu Ganga, a filha da montanha nevada. E seus redemoinhos eram tempestuosos, e ela estava cheia de peixes e tubarões. Ó rei, direcionando seu curso em direção ao mar, ela separou-se em três correntes; e sua água estava espalhada com pilhas de espuma, que pareciam com muitas fileiras de gansos (brancos). E torta e tortuosa no movimento de seu corpo, em alguns lugares; e em outros tropeçando por assim dizer; e coberta com espuma como com um manto, ela seguiu em frente como uma mulher bêbada. E em outros lugares, em virtude do ribombar de suas águas, ela proferiu sons altos. Assim assumindo muitos aspectos diferentes, quando ela caiu do céu e alcançou a superfície da terra, ela disse para Bhagiratha, 'Ó grande rei, mostre-me o caminho que eu terei que tomar. Ó senhor da terra, por tua causa eu desci para a terra.' Tendo ouvido estas palavras, o rei Bhagiratha direcionou seu curso para o local onde jaziam aqueles corpos dos poderosos filhos de Sagara, para que, ó mais louvável dos homens, a água santa pudesse inundar (o mesmo). Tendo realizado a tarefa de sustentar Ganga, Siva, saudado pelos homens, foi para Kailasa, a mais louvável das montanhas, acompanhado pelos celestiais. E o protetor de homens (Bhagiratha) acompanhado por Ganga alcançou o mar; e o mar, a residência de Varuna, foi enchido rapidamente. E o rei adotou Ganga como uma filha dele mesmo, e naquele local ofereceu libações de água aos espíritos de seus antepassados; assim o desejo de seu coração foi realizado. Questionado por ti eu narrei a história inteira de como Ganga correndo em três correntes foi trazida para a terra para encher o oceano; como o santo poderoso bebeu o oceano por uma razão específica, e como, ó senhor, Vatapi, o matador de Brahmanas, foi destruído por Agastya.'" 210 Vaisampayana disse, "Ó chefe da raça Bharata, então o filho de Kunti foi em um passo lento aos dois rios Nanda e Aparananda, os quais tem a virtude de destruir o medo do pecado. E o protetor de homens, tendo alcançado a colina salubre Hemakuta, contemplou lá muitas vistas desconhecidas e inconcebíveis. Lá a própria pronúncia de palavras causava a reunião de nuvens, e mil saraivadas de pedras. E as pessoas à visão dela ficavam tristes, e eram incapazes de subir a colina. Lá os ventos sopravam sempre, e os céus sempre derramavam chuvas; e igualmente os sons da recitação dos escritos sagrados eram ouvidos, ainda assim ninguém era visto. À noite e de manhã era visto o fogo abençoado que carrega as oferendas para os deuses e lá insetos mordiam e interrompiam a prática de austeridades. E lá uma tristeza tomava conta da alma, e as pessoas ficavam doentes. O filho de Pandu, tendo observado muitas circunstâncias estranhas desta natureza dirigiu novamente suas perguntas para Lomasa com referência àquelas coisas surpreendentes. Lomasa disse, 'Ó matador de inimigos, ó rei, eu vou te falar como nós ouvimos antes; preste atenção ao mesmo com mente absorta. Neste pico de Rishava havia uma vez um santo conhecido por este nome. E sua vida tinha durado por muitas centenas de anos. E ele era dedicado a penitências e era imensamente colérico. E ele, realmente, por ter sido falado por outros, por cólera dirigiu-se à colina dessa maneira, 'Quem quer que profira quaisquer palavras aqui, tu deves jogar pedras nele, e tu deves chamar os ventos para impedi-lo de fazer algum barulho.' Isto foi o que o santo disse. E assim neste lugar, logo que um homem profere qualquer palavras, ele é impedido por uma nuvem ribombante. Ó rei, assim estes feitos foram realizados por aquele grande santo, e por cólera ele também proibiu outros atos. Ó rei, a tradição diz que quando os deuses antigamente tinham vindo ao Nanda, chegaram lá de repente diversos homens para olhar os celestiais. Aqueles mesmos deuses em cuja vanguarda permanecia Indra, no entanto, não gostaram de ser vistos; e assim tornaram este lugar inacessível, por erguer obstruções na forma de colinas. E daquele dia em diante, ó filho de Kunti, os homens não podiam lançar seus olhos em qualquer época sobre o que parecia com uma colina, menos ainda subir a mesma. Esta grande montanha não pode ser vista por alguém que não tenha levado uma vida austera, nem tal pessoa pode subi-la. Portanto, ó filho de Kunti, mantenha tua língua sob controle. Aqui naquela época todos aqueles deuses realizaram os melhores ritos sacrificais, ó filho de Bharata! Até hoje as marcas disso podem ser vistas. Esta erva aqui tem a forma da erva kusa sagrada, a terra aqui parece estar coberta com a erva sagrada; e, ó senhor de homens, muitas destas árvores aqui parecem com os pontos para amarrar os animais sacrificais. Ó filho de Bharata, os deuses e santos ainda tem residência aqui; e seu fogo sagrado é observado de manhã e à noite. Se alguém se banha aqui seu pecado é destruído imediatamente, ó filho de Kunti! Ó mais louvável da linhagem de Kuru, portanto, faça tuas abluções, junto com teus irmãos mais novos. Então depois de ter te banhado no Nanda, tu deves te dirigir ao rio Kausiki, o local onde a forma mais excelente e severa de penitências foi praticada por Viswamitra.’ Então o rei com seus servidores, tendo banhado seu corpo lá, procedeu para o rio Kausiki, o qual era puro e encantador e agradável com água fresca. Lomasa disse, 'Este é o rio divino puro de nome Kausiki, ó chefe da raça Bharata, e este é o eremitério encantador de Viswamitra, notável aqui. E este é um eremitério, com um nome santo, pertencente a Kasyapa de alma poderosa; cujo filho foi Rishyasringa, dedicado a penitências, e de paixões sob controle. Ele por meio da força de suas penitências fez Indra fazer chover; e aquele deus, o matador dos demônios Vala e Vritra, temendo-o, derramou chuva durante uma seca. Aquele filho forte e poderoso de Kasyapa nasceu de uma corça. Ele produziu uma grande maravilha no território de Lomapada. E quando as colheitas foram recuperadas, o rei Lomapada deu sua filha Santa em casamento para ele, como o sol deu em casamento sua filha Savitri.' Yudhishthira disse, 'Como o filho de Kasyapa, Rishyasringa, nasceu de uma corça? E como ele era dotado de santidade, sendo o resultado de uma ligação sexual repreensível? E por que razão Indra, o matador dos demônios Vala e Vritra, estava com medo daquele moço sagaz, e derramou chuva durante um período de seca? E quão bela era aquela princesa Santa, pura em vida, ela que cativou o coração dele quando ele tinha se transformado em um veado? E já que o santo real Lomapada é citado como sendo de uma disposição virtuosa, por que foi que no seu território, Indra, o castigador do demônio Paka, reteve a chuva? Ó santo divino, tudo isto em detalhes, exatamente como aconteceu, faça o favor de narrar para mim, pois eu estou desejoso de ouvir os feitos da vida de Rishyasringa.' Lomasa disse, 'Ouça como Rishyasringa, de nome temido, nasceu como um filho para Vibhandaka, que era um santo da casta Brahmana, que tinha desenvolvido sua alma por meio de austeridades religiosas, cuja semente nunca falhou em causar geração, e que era erudito e brilhante como o Senhor dos seres. E o pai era muito honrado, e o filho era possuidor de um espírito poderoso, e, embora fosse um menino, era respeitado por homens idosos. E aquele filho de Kasyapa, Vibhandaka, tendo procedido para um lago grande, dedicou-se à prática de penitências. E aquele santo, comparável a um deus, laborou por um longo período. E uma vez, quando ele estava lavando sua boca nas águas, ele viu a ninfa celeste Urvasi, e por causa disso seu fluído seminal saiu. E, ó rei, uma corça naquele momento lambeu-o junto com a água que ela estava bebendo, estando sedenta; e por esta causa ela ficou prenhe. Aquela corça realmente tinha sido uma filha dos deuses, e ouviu antigamente do santo Brahma, o criador dos mundos, 'Tu serás uma corça; e quando (estiveres) naquela forma tu darás à luz a um santo; tu então serás libertada.' Como o Destino deveria, e como a palavra do criador não seria falsa, naquela mesma corça nasceu seu filho (de Vibhandaka), um santo poderoso. E Rishyasringa, dedicado a penitências, sempre passou seus dias na floresta. Ó rei, havia um chifre na cabeça daquele santo magnânimo e por esta razão com o tempo ele veio a conhecido pelo nome de Rishyasringa. E exceto seu pai nenhum homem alguma vez antes tinha sido visto por ele; portanto sua mente, ó protetor de homens, estava totalmente devotada aos deveres de uma vida casta. Naquele mesmo período havia um soberano da terra de Anga conhecido pelo nome de Lomapada que era um amigo de Dasaratha. Nós soubemos que ele por gostar de prazer tinha sido culpado de uma falsidade em direção a um Brahmana. E aquele soberano do mundo naquela época era evitado por todas as pessoas da classe sacerdotal. E ele estava sem um sacerdote oficiante (para ajudá-lo em seus ritos religiosos). E o deus de mil olhos (Indra) de repente se absteve de dar chuva em seu território; de tal modo que seu povo começou a sofrer e, ó senhor da terra, ele questionou vários Brahmanas, dedicados a penitências, de mentes desenvolvidas, e possuidores de capacidades, com referência à questão da chuva ser concedida pelo senhor dos deuses, dizendo, 'Como os céus podem nos conceder a chuva? Pensem em um meio (para este propósito).' E aqueles homens cultos, sendo assim questionados, deram expressão aos seus respectivos pontos de vista. E um entre eles, o melhor dos santos, falou para aquele rei, dizendo, 'Ó senhor dos reis, os Brahmanas estão zangados contigo. Faça alguma ação (portanto) para apaziguá-los. Ó soberano da terra, mande buscar Rishyasringa, o filho de um santo, residente da floresta, não conhecendo nada do sexo feminino, e sempre se deleitando na simplicidade. Ó rei, se ele, excelente na prática de penitências, se mostrar no teu território, a chuva será concedida pelos céus imediatamente, nisto eu não tenho dúvida em absoluto.' E, ó rei, tendo ouvido estas palavras Lomapada fez expiação pelos seus pecados. E ele partiu; e quando os Brahmanas foram apaziguados ele voltou novamente, e vendo o rei de volta o povo ficou profundamente contente de novo. Então o rei de Anga convocou uma reunião de seus ministros, competentes em darem conselhos. E ele teve grande trabalho para arranjar algum plano para assegurar uma visita de Rishyasringa. E, ó (príncipe) inabalável, com aqueles ministros, que eram versados em todos os ramos de conhecimento, e muito competentes em questões mundanas, e que tinham uma instrução completa em assuntos práticos, ele fixou finalmente um plano (para alcançar seu objetivo). E então ele mandou buscar várias cortesãs, mulheres da cidade, hábeis em tudo. E quando elas chegaram, aquele soberano da terra falou a elas dizendo, 'Ó mulheres encantadoras, vocês devem achar algumas maneiras de cativar e obter a confiança do filho do santo, Rishyasringa, a quem vocês devem trazer para meu território.' E aquelas mulheres, por um lado com medo da raiva do rei e por outro temendo uma maldição do santo, ficaram tristes e confusas, e declararam que o serviço estava além do seu poder. Uma, no entanto, entre elas, uma mulher grisalha, falou assim para o rei, 'Ó grande rei, eu tentarei trazer para cá aquele cuja riqueza consiste somente em penitências. Tu, no entanto, terá que obter para mim certas coisas, com relação ao plano. Nesse caso eu posso ser capaz de trazer o filho do santo, Rishyasringa.' Imediatamente o rei deu uma ordem para que tudo o que ela pedisse fosse obtido. E ele também deu bastante riqueza e jóias de várias espécies. E então, ó senhor do terra, ela levou consigo várias mulheres dotadas de beleza e juventude, e foi para a floresta sem demora." 111 "Lomasa disse, 'Ó descendente de Bharata, ela, para atingir o objetivo do rei, preparou um eremitério flutuante, porque o rei tinha pedido assim, e também porque isto estava exatamente de acordo com seu plano. E o eremitério flutuante, contendo árvores artificiais adornadas com várias flores e frutas, e cercado por diversos arbustos e plantas rastejantes e capaz de fornecer frutas excelentes e deliciosas, era extremamente encantador, e belo, e agradável, e parecia como se ele tivesse sido criado por mágica. Então ela atracou o barco a uma distância não muito grande do eremitério do filho de Kasyapa, e enviou espiões para examinar o local onde aquele santo habitualmente circulava. E então ela viu uma oportunidade; e tendo concebido um plano em sua mente, enviou para diante sua filha, uma cortesã por profissão e de percepção aguda. E aquela mulher inteligente foi até a vizinhança do homem religioso e chegando ao eremitério viu o filho do santo. A cortesã disse, 'Eu espero, ó santo, que esteja tudo bem com os devotos religiosos. E eu espero que tu tenhas um estoque abundante de frutas e raízes e que tu te deleites neste eremitério. Na verdade eu vim aqui agora para te fazer uma visita. Eu espero que a prática de austeridades entre os santos esteja em aumento. Eu espero que a vitalidade do teu pai não tenha diminuído e que ele esteja bem satisfeito contigo. Ó Rishyasringa da casta sacerdotal, eu espero que tu prossigas os estudos apropriados para ti.' Rishyasringa disse, 'Tu estás brilhando com esplendor, como se tu fosses uma (massa) de luz. E eu te considero digno de reverência. Na verdade eu te darei água para lavar teus pés e tais frutas e raízes também que possam ser desejadas por ti, pois isto é o que a minha religião prescreve para mim. Por favor tome à vontade teu assento em uma esteira feita de grama sagrada, coberto com uma camurça preta e feito agradável e confortável de se sentar. E onde é teu eremitério? Ó Brahmana, tu pareces um deus em tua aparência. Qual é o nome deste voto religioso específico, o qual tu pareces estar cumprindo agora?' A cortesã disse, ‘Ó filho de Kasyapa, no outro lado da colina acolá, a qual cobre o espaço de três Yojanas, é meu eremitério, um lugar encantador. Lá, não receber reverência é a regra da minha fé nem eu toco água para lavar meus pés. Eu não sou digno de reverência de pessoas como tu; mas eu devo prestar homenagem a ti. Ó Brahmana, esta é a observância religiosa a ser praticada por mim, isto é, que tu deves ser apertado em meus braços.' Rishyasringa disse, 'Deixe-me te dar frutas maduras, tais como galhos, myrobalans, Karushas, Ingudas de regiões arenosas e figo Indiano. Que possa te agradar te deleitar com elas!'” Lomasa disse, "Ela, no entanto, jogou de lado todas aquelas coisas comestíveis e então lhe deu coisas inadequadas para alimento. E estas eram muito agradáveis e belas de se ver e eram muitíssimo satisfatórias para Rishyasringa. E ela lhe deu guirlandas de um perfume extremamente fragrante e peças de roupa belas e brilhantes para usar e bebida de primeira categoria; e então brincou e deu risada e se divertiu. E ela à vista dele brincou com uma bola e enquanto assim ocupada, parecia com uma planta rasteira quebrada em dois. E ela tocou o corpo dele com o dela e repetidamente apertou Rishyasringa em seus braços. Então ela dobrou e quebrou os gravetos floridos de árvores, tais como a Sala, a Asoka e a Tilaka. E dominada pela excitação, assumindo um olhar tímido, ela foi em frente tentando o filho do grande santo. E quando ela viu que o coração de Rishyasringa tinha sido afetado, ela repetidamente pressionou o corpo dele com o dela e lançando olhares lentamente foi embora sob o pretexto que ela ia fazer oferendas no fogo. Após sua partida, Rishyasringa foi dominado pelo amor e perdeu sua razão. Sua mente se voltava constantemente para ela e sentiu-se vazia. E ele começou a suspirar e parecia estar em grande aflição. Naquele momento apareceu Vibhandaka, o filho de Kasyapa, ele cujos olhos eram fulvos como aqueles de um leão, cujo corpo era coberto com pelos até a ponta das unhas, que era dedicado a estudos apropriados para sua casta, e cuja vida era pura e era passada em meditação religiosa. Ele chegou e viu que seu filho estava sentado sozinho, pensativo e triste, sua mente perturbada e suspirando repetidas vezes com olhos virados para cima. E Vibhandaka falou para seu filho angustiado, dizendo, 'Meu menino, por que é que tu não estás cortando os troncos para combustível? Eu espero que tu tenhas realizado a cerimônia de oferenda queimada hoje. Eu espero que tu tenhas polido as conchas e colheres sacrificais e trazido o bezerro para a vaca leiteira cujo leite fornece materiais para fazer oferendas no fogo. Na verdade tu não estás no teu estado habitual, ó filho! Tu pareces estar pensativo, e ter perdido tua razão. Por que tu estás tão triste hoje? Deixe-me te perguntar, quem esteve neste lugar hoje?' 112 Rishyasringa disse, 'Veio aqui hoje um estudante religioso com uma massa de cabelo sobre sua cabeça. E ele não era baixo nem alto. E ele tinha um olhar animado e uma cor dourada, e dotado de olhos grandes como lótus; e ele era brilhante e gracioso como um deus. E rica era sua beleza resplandecendo como o Sol; e ele era extremamente formoso com olhos graciosos e negros. E seu cabelo trançado era azul escuro e limpo e longo e de um perfume fragrante e amarrado para cima com cordões de ouro. Um ornamento belo estava brilhando em seu pescoço o qual parecia com o relâmpago no céu. E debaixo da garganta ele tinha duas esferas de carne sem um único pelo sobre elas e de uma forma extremamente bela. E sua cintura era um tanto fina e seu umbigo asseado; e lisa também era a região em volta de suas costelas. Então também lá brilhava um cordão dourado por baixo de sua roupa, exatamente como esta minha corda de cintura. E havia alguma coisa em seus pés de uma forma maravilhosa que emitia um som tilintante. Sobre seus pulsos igualmente estava atado um par de ornamentos que faziam um som similar e pareciam exatamente como este rosário aqui. E quando ele andava, seus ornamentos emitiam um som tilintante como aqueles proferidos por gansos alegres sobre um lençol de água. E ele tinha sobre seu corpo peças de roupa de um feitio maravilhoso; estas minhas roupas não são de nenhuma maneira bonitas como aquelas. E seu rosto era maravilhoso de se contemplar; e sua voz era calculada para alegrar o coração; e sua fala era agradável como a canção do melro macho. E enquanto escutando à mesma eu me senti tocado até o íntimo da minha alma. E como uma floresta no meio da estação vernal assume uma graça somente quando é varrida pela brisa, assim, ó pai, ele de um cheiro excelente e puro parece belo quando abanado pelo ar. E sua massa de cabelo está destramente amarrada para cima e permanece aderindo à cabeça e testa uniformemente dividida em duas. E seus dois olhos pareciam estar cobertos com aves Chakravaka maravilhosas de uma forma extremamente bela. E ele carregava sobre sua palma direita um maravilhoso fruto redondo, a qual alcançava o chão e repetidas vezes saltava até o céu de uma maneira estranha. E ele batia nele e se virava e rodopiava como uma árvore movida pela brisa. E quando eu o olhava, ó pai, ele parecia ser um filho dos celestiais, e minha alegria foi extrema, e meu prazer ilimitado. E ele abraçou meu corpo, segurou meu cabelo emaranhado, e abaixou minha boca, e, misturando sua boca com a minha, proferiu um som que era extremamente agradável. E ele não se importa com água para lavar seus pés, nem com aquelas frutas oferecidas por mim; e ele me disse que tal era a observância religiosa praticada por ele. E ele me deu várias frutas. Aquelas frutas eram saborosas para mim, estas aqui não são iguais a elas em gosto. Elas não tem qualquer casca nem qualquer pedra dentro delas, como estas. E ele de uma forma excelente me deu para beber água de um sabor muito bom; e tendo-a bebido eu senti grande prazer e; o chão parecia estar se movendo sob meus pés. E estas são as guirlandas belas e fragrantes e trançadas com fios de seda que pertencem a ele. E ele, brilhante com devoção fervorosa, tendo espalhado estas guirlandas aqui, voltou para seu próprio eremitério. Sua partida entristeceu meu coração; e meu corpo parece estar em uma sensação ardente! E meu desejo é ir até ele logo que eu possa, e tê-lo todos os dias passeando por aqui. Ó pai, deixe-me ir até ele agora mesmo. Por favor, qual é aquela observância religiosa que está sendo praticada por ele? Como ele de uma devoção nobre está praticando penitências, assim eu estou desejoso de viver a mesma vida que ele. Meu coração está ansiando por observâncias similares. Minha alma estará em tormento se eu não vê-lo.' 113 "Vibhandaka disse, 'Aqueles são, ó filho, Rakshasas! Eles vagueiam naquela forma maravilhosamente bela. Sua força é inigualável e sua beleza magnífica. E eles sempre projetam obstruções à prática de penitências. E, ó meu menino, eles assumem formas encantadoras e tentam cativar por diversos meios. E aqueles seres ferozes derrubaram os santos, os habitantes das florestas, de regiões abençoadas (alcançadas por meio de suas ações devotas). E o santo que tem controle sobre sua alma, e que está desejoso de alcançar as regiões aonde vão os virtuosos, não deve ter algo a ver com eles. E as ações deles são vis e seu prazer está em causar obstrução àqueles que praticam penitência; (portanto) um homem pio nunca deve olhar para eles. E, ó filho, aquelas eram bebidas indignas de serem bebidas, sendo como eram licores alcoólicos consumidos por homens pecaminosos. E estas guirlandas, também, brilhantes e fragrantes e de várias cores, não estão destinadas para os santos.' Tendo assim proibido seu filho por dizer que aqueles eram demônios perversos, Vibhandaka partiu em busca dela. E quando por três dias de busca ele foi incapaz de descobrir onde ela estava ele então voltou para seu próprio eremitério. Enquanto isso, quando o filho de Kasyapa tinha saído para colher frutas, então aquela mesma cortesã foi outra vez tentar Rishyasringa da maneira descrita acima. E logo que Rishyasringa a viu ele ficou contente e se apressando rapidamente em direção a ela, disse, 'Vamos para o teu eremitério antes do retorno do meu pai.' Então, ó rei, aquelas mesmas cortesãs por meio de artifícios fizeram o único filho de Kasyapa entrar no seu barco, e desatracaram a embarcação. E por vários meios elas continuaram alegrando-o e finalmente chegaram ao lado do rei de Anga. E deixando então aquele barco flutuante de um matiz muito branco sobre a água, e tendo-o colocado dentro da vista do eremitério, ele de modo similar preparou um belo bosque conhecido pelo nome do Eremitério Flutuante. O rei, no entanto, manteve aquele filho único de Vibhandaka dentro daquela parte do palácio destinada às mulheres quando de repente ele viu que chuva era derramada pelos céus e que o mundo começou a ser inundado com água. E Lomapada, o desejo de seu coração realizado, concedeu sua filha Santa para Rishyasringa em casamento. E com a intenção de apaziguar a cólera do pai dele, ele ordenou que vacas fossem colocadas e campos fossem arados ao longo da estrada que Vibhandaka pegaria para chegar até seu filho. E o rei também colocou gado abundante e vaqueiros corpulentos, e deu aos últimos a seguinte ordem: ‘Quando o grande santo Vibhandaka lhes questionar acerca de seu filho, vocês devem unir suas palmas e dizer para ele que estes gados, e estes campos arados pertencem ao filho dele e que vocês são seus escravos, e que vocês estão prontos para obedecer a ele em tudo o que ele possa ordenar.' Assim sendo o santo, cuja cólera era feroz, voltou para seu eremitério, tendo colhido frutas e raízes e procurou por seu filho. Mas não encontrando-o ele ficou extremamente irado. E ele estava torturado pela raiva e suspeitou que isto fosse a ação do rei. E portanto, ele dirigiu seu rumo em direção à cidade de Champa tendo decidido queimar o rei, sua cidade, e todo seu território. E no caminho ele estava fatigado e faminto quando alcançou aqueles mesmos assentamentos de vaqueiros, ricos em gado. E ele foi honrado de um modo adequado por aqueles vaqueiros e então passou a noite de uma maneira condizente a um rei. E tendo recebido hospitalidade muito grande deles, ele lhes perguntou, dizendo, 'A quem, ó vaqueiros, vocês pertencem?' Então eles todos se aproximaram dele e disseram, 'Toda esta abundância foi fornecida por teu filho.' Em lugares diferentes ele foi honrado dessa maneira por aqueles melhores dos homens, e viu seu filho que parecia com o deus Indra no céu. E ele também viu lá sua nora, Santa, parecendo com relâmpago emanado de uma (nuvem). E tendo visto as vilas e os currais providos por seu filho e tendo também visto Santa, seu grande ressentimento foi apaziguado. E, ó rei de homens, Vibhandaka expressou grande satisfação com o próprio soberano da terra. E o grande santo, cujo poder rivalizava aquele do sol e do deus do fogo, reconheceu lá seu filho, e falou dessa maneira, 'Logo que um filho nascer para ti, e tendo realizado tudo o que for agradável para o rei, tu deves vir à floresta sem falta.' E Rishyasringa fez exatamente como seu pai disse, e voltou para o lugar onde seu pai estava. E, ó rei de homens, Santa obedientemente serviu-o como no firmamento a estrela Rohini serve a Lua, ou como a afortunada Arundhati serve Vasishtha, ou como Lopamudra serve Agastya. E como Damayanti era uma esposa obediente a Nala, ou como Sachi é para o deus que segura o raio em sua mão ou como Indrasena, filha de Narayana, era sempre obediente a Mudgala, assim Santa serviu Rishyasringa carinhosamente, quando ele vivia na floresta. Este é o eremitério sagrado que pertenceu a ele. Embelezando o grande lago aqui, ele possui fama sagrada. Realize aqui tuas abluções e tenha teu desejo realizado. E tendo te purificado, dirija teu rumo em direção a outros lugares sagrados.'" 114 (Continuação do Tirtha yatra Parva) "Vaisampayana disse, 'Então, ó Janamejaya, o filho de Pandu partiu do rio Kausiki e dirigiu-se em sucessão para todos os santuários sagrados. E, ó protetor de homens, ele chegou ao mar onde o rio Ganga cai dentro dele; e lá no centro de quinhentos rios ele realizou a cerimônia sagrada de um mergulho. Então, ó soberano da terra, acompanhado por seus irmãos, o príncipe valente procedeu pelo litoral em direção à terra onde as tribos Kalinga moram." "Lomasa disse, ‘Lá é a terra, ó filho de Kunti, onde as tribos Kalinga moram. Através dela passa o rio Vaitarani, sobre as margens do qual até o deus da virtude realizou ritos religiosos, tendo primeiro se colocado sob a proteção dos celestiais. Na verdade esta é a margem norte, habitada por santos, adequada para o desempenho de ritos religiosos, embelezada por uma colina, e frequentada por pessoas da casta regenerada. Este local (em santidade) se iguala ao caminho pelo qual um homem virtuoso, apto a ir para o céu, se dirige para a região habitada por deuses. E na verdade neste local nos tempos antigos, outros santos igualmente adoraram os imortais pela realização de ritos religiosos. E neste mesmo local foi que o deus Rudra, ó rei de reis, agarrou o animal sacrifical e exclamou, 'Esta é a minha parte.' Ó chefe dos descendentes de Bharata, então quando o animal foi levado embora por Siva, os deuses falaram a ele dizendo, 'Não lance um olhar cobiçoso na propriedade de outros, desrespeitando todas as regras justas.' Então eles dirigiram palavras de glorificação de um tipo agradável para o deus Rudra. E eles o satisfizeram por oferecer um sacrifício, e lhe prestaram honras apropriadas. Nisso ele entregou o animal, e seguiu pelo caminho trilhado pelos deuses. Saiba de mim o que aconteceu a Rudra logo em seguida, ó Yudhishthira! Influenciados pelo medo de Rudra, os deuses reservaram para sempre a melhor cota de todas as partes, tal como a que era fresca e não envelhecida (para ser apropriada pelo deus). Quem quer que realize suas abluções neste local, enquanto recitando esta história antiga, vê com seus olhos mortais o caminho que conduz para a região dos deuses.'” "Vaisampayana disse, 'Então todos os filhos de Pandu e igualmente a filha de Drupada, todos os quais eram os preferidos do Destino, desceram ao rio Vaitarani, e fizeram libações para os espíritos de seus antepassados. Yudhishthira disse, 'Ó Lomasa, quão grande deve ser a força de um ato virtuoso! Tendo me banhado neste local de uma maneira apropriada eu pareço não tocar mais a região habitada por homens mortais! Ó santo de vida virtuosa, eu estou vendo todas as regiões. E este é o barulho dos magnânimos habitantes da floresta, que estão recitando suas orações audíveis.' Lomasa disse, 'Ó Yudhishthira, o lugar de onde este barulho vem e alcança teus ouvidos está à distância de trezentas mil yojanas, para ser exato. Ó senhor de homens, permaneça calmo e não profira palavra. Ó rei, esta é a floresta divina do Existente por Si Mesmo, a qual agora chegou à nossa vista. Lá, ó rei, Viswakarma de nome temido realizou ritos religiosos. Na ocasião poderosa daquele sacrifício, o Auto-Existente fez um presente desta terra inteira com todas as suas regiões montanhosas e de floresta para Kasyapa, como gratificação, por ministrar como um sacerdote. E então, ó filho de Kuru, logo que a deusa Terra foi doada ela ficou profundamente triste, e colericamente falou as seguintes palavras para aquele grande senhor, o soberano dos mundos, 'Ó deus poderoso, é indigno de ti doar-me para um mortal comum. E este ato de doação da tua parte resultará em nada; (pois) aqui estou eu indo descer ao fundo do mundo inferior.' Então quando o santo abençoado Kasyapa viu a deusa Terra abatida e triste, ele, ó protetor de homens, realizou uma ação propiciatória calculada para apaziguar sua cólera. E então, ó filho de Pandu, a Terra ficou satisfeita com seu ato pio. E ela ergueu-se outra vez de dentro das águas, e mostrou-se na forma de um altar sagrado. Este, ó rei, é o local o qual claramente revela a forma de um altar. Ó grande monarca, suba nele e tu obterás coragem e força. E, ó rei, este é o mesmo altar o qual se estende até o mar, e repousa sobre sua superfície. Que a boa sorte seja tua, suba nele, e por ti mesmo passe sobre o mar. E quanto tu hoje subires sobre ele, eu administrarei a cerimônia para afastar todo mal de ti; pois este altar aqui, logo que ele recebe o toque de um mortal, imediatamente entra no mar. Saudação ao deus que protege o universo! Saudação a ti que estás além do universo! Ó Senhor dos deuses, conceda tua presença neste mar. Ó filho de Pandu, tu deves recitar as seguintes palavras de verdade, e enquanto assim recitando, tu deves subir rapidamente neste altar, 'Ó deus do fogo, e o sol, e o órgão de geração, e água, e deusa e a semente de Vishnu, e o centro do néctar. O deus do fogo é o órgão que gerou o (oceano); a terra é teu corpo; Vishnu depositou a semente que causou tua existência e tu és o centro do néctar.' Assim, ó filho de Pandu, as palavras de verdade devem ser recitadas audivelmente, e enquanto assim recitando uma pessoa deve mergulhar no senhor dos rios. Ó mais louvável dos filhos de Kunti, de outra maneira este senhor das águas de nascimento divino, este melhor depósito das águas (da terra), não deverá ser tocado, ó filho de Kunti, nem com a ponta de uma erva sagrada.'” "Vaisampayana disse, 'Então, quando a cerimônia para afastar o mal tinha sido completada em seu nome, o magnânimo Yudhishthira entrou no mar, e tendo realizado tudo o que o santo tinha ordenado dirigiu-se aos limites da colina Mahendra, e passou a noite naquele local.'" 115 "Vaisampayana disse, 'O protetor da terra passou lá uma única noite, e com seus irmãos prestou as mais altas honras aos homens religiosos. E Lomasa o fez conhecedor dos nomes de todos, tais como os Bhrigus, os Angiras, os Vasishthas, e os Kasyapas. E o santo real visitou a eles todos e prestou homenagem a eles com palmas unidas. E então ele questionou o valente Akritavrana, que era um seguidor de Parasurama, ‘Quando o venerado Parasurama se mostrará aos homens religiosos aqui? É desejado nessa ocasião obter uma visão do descendente de Bhrigu.' Akritavrana disse, 'Tua viagem a este local já é conhecida por Rama, cuja alma espontaneamente conhece tudo. E ele está de todas as maneiras bem satisfeito contigo, e ele se mostrará prontamente para ti. E os santos que praticam penitências aqui são permitidos vê-lo no décimo quarto e no oitavo dia do curso lunar. De manhã no término dessa mesma noite começará o décimo quarto dia do curso lunar. Nessa ocasião tu terás uma visão dele, vestido em uma camurça escura, e usando seu cabelo na forma de uma massa emaranhada.’ Yudhishthira disse, ‘Tu és um seguidor do poderoso Rama, filho de Jamadagni; tu deves, portanto, ter sido testemunha ocular de todos os feitos realizados por ele nos tempos antigos. Eu, portanto, te peço para narrar para mim como os membros da casta militar foram derrotados por Rama no campo de batalha, e qual foi a causa original daqueles conflitos.' Akritavrana disse, 'Com prazer eu narrarei para ti aquela história excelente, ó filho de Bharata, ó chefe de reis, a história dos feitos divinos de Rama, o filho de Jamadagni, que traçou sua origem até a linhagem de Bhrigu. Eu também narrarei as realizações do grande soberano da tribo Haihaya. Aquele rei, de nome Arjuna, o poderoso senhor da tribo Haihaya foi morto por Rama. Ele, ó filho de Pandu, era dotado de mil braços; e pelo favor de Dattatreya ele igualmente tinha um carro celeste feito de ouro. E, ó protetor da terra, seu reino se estendia sobre todo o mundo animado, onde quer que se localizasse nesta terra. E o carro daquele monarca poderoso podia proceder em todos os lugares em um progresso desobstruído. E tornado irresistível em virtude de uma bênção concedida, ele sempre subia naquele carro e maltratava deuses e Yakshas e santos por toda parte. E todos os seres nascidos, onde quer que se encontrassem, eram atormentados por ele. Então os celestiais e os santos de vida rigidamente virtuosa se reuniram, e falaram dessa maneira para Vishnu, o deus dos deuses, o matador de demônios, e possuidor de destreza que nunca falhou, dizendo, 'Ó senhor abençoado e venerado, para o propósito de preservar todos os seres nascidos, é necessário que Arjuna seja morto por ti.' E o poderoso soberano da tribo Haihaya, colocando-se em seu carro celeste, afrontou Indra, enquanto aquela divindade estava se divertindo com Sachi, sua rainha. Então, ó filho de Bharata, o deus abençoado e venerado (Vishnu) teve uma conversa com Indra, com a finalidade de destruir o filho de Kartavirya. E naquela ocasião tudo o que era para o bem do mundo dos seres foi comunicado pelo senhor dos deuses; e o deus abençoado adorado pelo mundo, para fazer tudo o que era necessário, foi para a encantadora floresta Vadari a qual era seu próprio retiro escolhido para praticar penitências. E nesta mesma época vivia sobre a terra um monarca poderoso na terra de Kanyakuvja, um soberano cuja força militar era muito grande. E seu nome Gadhi era famoso no mundo. Ele, no entanto, dirigiu-se para uma vida na floresta. E enquanto ele estava residindo no meio da floresta nasceu para ele uma filha bela como uma ninfa do céu. E Richika, o filho de Bhrigu, pediu que ela fosse unida com ele em casamento. E então Gadhi falou para aquele Brahmana, que levava uma vida rigidamente austera, dizendo, ‘Há um certo costume de família na nossa linhagem; ele foi estabelecido por meus antepassados de uma era passada. E, ó mais excelente da casta sacerdotal, que seja sabido por ti que o futuro noivo deve oferecer um dote consistindo em mil corcéis velozes, cuja cor deve ser marrom e cada um dos quais deve possuir uma única orelha escura. Mas, ó filho de Bhrigu, um santo venerável como tu não pode ser pedido para oferecer o mesmo. Nem minha filha pode ser recusada para um santo magnânimo de tua posição (elevada).' Nisso Richika disse, 'Eu te darei mil corcéis velozes, de cor marrom e possuidores uma única orelha negra; que tua filha seja dada em casamento para mim.' Akritavrana disse, ‘Assim tendo dado sua palavra, ó rei, ele partiu e disse para Varuna, 'Dê-me mil corcéis velozes de cor marrom, e cada um com uma orelha preta. Eu quero os mesmos como dote por meu casamento.' Para ele Varuna em seguida deu mil corcéis. Aqueles corcéis saíram do rio Ganga; por isso o local foi chamado de ‘O lugar de desembarque dos cavalos’. E na cidade de Kanyakuvja, a filha de Gadhi, de nome Satyavati, foi dada em casamento; e os próprios deuses eram do partido da noiva. Richika, o mais excelente da casta sacerdotal, assim obteve mil corcéis, e teve uma visão dos habitantes do céu e obteve uma esposa na forma apropriada. E ele se divertiu com a moça de cintura fina, e assim satisfez todos os desejos e vontades que ele alguma vez teve. E quando o casamento foi celebrado, ó rei, seu pai Bhrigu veio em uma visita para ver ele e sua esposa; e ele estava contente em ver seu filho louvável. E o marido e mulher juntos prestaram seus melhores respeitos a ele, que era adorado por todos os deuses. E quando ele se sentou, eles, ambos com palmas unidas, ficaram perto dele, para que eles pudessem executar suas ordens. E então o santo reverenciado, Bhrigu, profundamente contente, falou assim para sua nora, dizendo, 'Ó filha encantadora, peça um benefício, eu estou disposto a te conceder qualquer objeto do teu desejo.' E logo após ela pediu seu favor nisto: que um filho nascesse para ela mesma e para sua mãe. E ele concedeu o favor assim pedido.' Bhrigu disse, 'Durante os dias em que seu período durar, tu e tua mãe devem tomar um banho, com a cerimônia para dar à luz uma criança masculina. E vocês duas devem então separadamente abraçar duas árvores diferentes, ela uma árvore peepal, e tu uma figueira. E, ó moça respeitosa, aqui estão dois potes de arroz e leite, preparados por mim com o maior cuidado. Eu esquadrinhei o universo inteiro para achar os remédios, a essência dos quais foi misturada com leite e arroz. Isto deve ser consumido como alimento com o maior cuidado.' E dizendo isso ele desapareceu de vista. As duas senhoras, no entanto, fizeram uma troca na questão dos potes de arroz, e igualmente com relação às árvores (a serem abraçadas por cada uma). Então depois do lapso de muitos dias, o santo venerado se aproximou mais uma vez. E ele veio a saber (do que tinha acontecido) por seu atributo de conhecimento divino. Então Bhrigu possuidor de força poderosa falou para Satyavati, sua nora, dizendo, 'Ó moça respeitosa, ó minha filha de uma fronte encantadora, tu pegaste como alimento o pote de arroz errado. E foi a árvore errada a que foi abraçada por ti. Foi tua mãe quem te iludiu. Um filho nascerá de ti, que, embora da casta sacerdotal, será de um caráter adequado à ordem militar; enquanto um filho poderoso nascerá da tua mãe, que, embora um Kshatriya por nascimento, assumirá uma vida conveniente à ordem sacerdotal. E seu poder será grande, e ele andará no caminho trilhado por homens justos.' Então ela rogou ao seu sogro repetidas vezes dizendo, 'Que meu filho não seja deste caráter; mas que meu neto seja assim.' E, ó filho de Pandu, ele respondeu, 'Que assim seja.' E assim ele estava contente em conceder sua súplica. Então ela deu à luz no dia esperado a um filho de nome Jamadagni. E aquele filho de Bhrigu era dotado de esplendor e graça. E ele cresceu em idade e em força, e ele sobrepujava outros santos na proficiência de seu saber Vaidik. Ó chefe da linhagem de Bharata, para ele, rivalizando em brilho o criador de luz (o sol), foi espontaneamente e sem instrução o conhecimento completo da arte militar e das quatro armas projéteis.'" 116 "Akritavrana disse, 'Jamadagni dedicou-se ao estudo do Veda e à prática de penitências sagradas, e ficou famoso por suas austeridades formidáveis. Então ele seguiu um caminho metódico de estudo e obteve um domínio sobre o Veda inteiro. E, ó rei, ele visitou Prasenajit e pediu a mão de Renuka em casamento. E aquele pedido foi concedido pelo rei. E o deleite da família de Bhrigu, tendo assim obtido Renuka como esposa, tomou sua residência com ela em um eremitério, e começou a praticar penitências, sendo ajudado por ela. E quatro meninos nasceram dela, com Rama como o quinto. E embora o jovem, Rama era superior a todos em mérito. Assim sendo uma vez, quando seus filhos tinham saído com o propósito de coletar frutas, Renuka que tinha uma vida pura e austera, saiu para se banhar. E, ó rei, enquanto voltava para casa, aconteceu de ela lançar seu olhar em direção ao rei de Martikavata, conhecido pelo nome de Chitraratha. O rei estava na água com suas esposas, e usando sobre seu peito uma coroa de lotos, estava ocupado em diversão. E contemplando sua forma magnífica Renuka foi inspirada pelo desejo. E aquele desejo ilegal ela não pode controlar, mas se tornou maculada dentro da água, e voltou ao eremitério profundamente amedrontada. Seu marido facilmente percebeu em que estado ela estava. E poderoso e forte e de uma tendência mental colérica, quando ele viu que ela tinha sido leviana e que o brilho da castidade a tinha abandonado, ele a repreendeu por gritar ‘Vergonha!’ Naquele mesmo momento chegaram os mais velhos dos filhos de Jamadagni, Rumanvan; e então, Sushena, e então, Vasu, e igualmente, Viswavasu. E o santo poderoso mandou eles todos um a um porem um fim à vida de sua mãe. Eles, no entanto, estavam bastante confusos e perderam o ânimo. E eles não podiam proferir uma única palavra. Então ele em ira os amaldiçoou. E ao serem amaldiçoados eles perderam sua razão e subitamente se tornaram como objetos inanimados, e comparáveis em conduta a animais e aves. E então Rama, o matador de heróis hostis, chegou ao eremitério, por último. A ele Jamadagni de braços poderosos, de grandes austeridades, se dirigiu dizendo, 'Mate esta tua mãe pecaminosa, sem escrúpulo, ó meu filho.' Então Rama imediatamente pegou um machado e com ele cortou a cabeça de sua mãe. Então, ó grande rei, a cólera de Jamadagni de alma poderosa foi imediatamente apaziguada; e bem satisfeito, ele falou as seguintes palavras, 'Tu, meu garoto, realizaste por minha ordem esta tarefa difícil, sendo versado em virtude. Portanto, quaisquer desejos que possam estar no teu coração eu estou disposto a conceder eles todos. Peça-me.' Então Rama pediu que sua mãe fosse devolvida à vida, e que ele não fosse perseguido pela lembrança daquele ato cruel e que ele não pudesse ser afetado por qualquer pecado, e que seus irmãos recuperassem seu estado anterior, e que ele pudesse ser inigualável sobre o campo de batalha, e que ele obtivesse vida longa. E, ó filho de Bharata, Jamadagni, cujas penitências eram as mais rígidas, concedeu todos aqueles desejos de seu filho. Uma vez, no entanto, ó senhor, quando seus filhos tinham saído como antes, o filho corajoso de Kartavirya, o senhor do país perto do litoral, se aproximou do eremitério. E quando ele chegou àquele eremitério a mulher do santo o recebeu com hospitalidade. Ele, no entanto, intoxicado com um orgulho de guerreiro, não estava satisfeito em absoluto com a recepção concedida a ele, e pela força e em oposição à toda resistência agarrou e raptou daquele eremitério a principal das vacas cujo leite fornecia a manteiga sagrada, não prestando atenção aos altos mugidos da vaca. E ele derrubou brutalmente grandes árvores da floresta. Quando Rama chegou em casa, seu próprio pai lhe disse tudo o que tinha acontecido. Então quando Rama viu como a vaca estava mugindo por seu bezerro, o ressentimento surgiu em seu coração. E ele avançou em direção ao filho de Kartavirya, cujos últimos momentos tinham se aproximado. Então o descendente de Bhrigu, o exterminador de heróis hostis, empregou sua bravura no campo de batalha, e com flechas afiadas com pontas achatadas, que eram disparadas de um arco belo, cortou os braços de Arjuna, os quais constavam de mil, e eram massivos como ferrolhos (de madeira) para barrar a porta. Ele, já tocado pela mão da morte, foi subjugado por Rama, seu inimigo. Então os parentes de Arjuna, sua cólera excitada contra Rama, atacaram Jamadagni em seu eremitério, enquanto Rama estava fora. E eles o mataram lá; pois embora sua força fosse grande, estando no momento engajado em penitências, ele não lutaria. E enquanto era assim atacado por seus inimigos, ele repetidamente gritava o nome de Rama de modo desamparado e comovente. E, ó Yudhishthira, os filhos de Kartavirya atingiram Jamadagni com suas flechas, e tendo castigado seu inimigo dessa maneira seguiram seu caminho. E quando eles tinham ido embora, e quando Jamadagni tinha dado seu último suspiro, Rama, o deleite da linhagem de Bhrigu, voltou ao eremitério, carregando em seus braços combustível para ritos religiosos. E o herói viu seu pai que tinha sido morto. E extremamente aflito ele começou a lamentar o destino indigno que tinha abatido seu pai." 117 "Rama disse, 'A culpa é minha, ó pai, que como um veado na floresta tu tenhas sido morto com flechas por aqueles canalhas vis e estúpidos, os filhos de Kartavirya. E, ó pai, virtuoso e inabalável no caminho da virtude e inofensivo para todos os seres animados como tu eras, como veio a ser permitido pelo Destino que tu morresses dessa maneira? Que pecado tremendo foi cometido por eles, que te mataram com centenas de flechas afiadas, embora tu fosses um homem idoso, e engajado em penitências no momento e absolutamente avesso a lutar com eles! Com que cara aquelas pessoas sem vergonha falarão desse seu ato para seus amigos e empregados, isto é, que eles mataram um homem virtuoso desamparado e que não resistiu?’ Ó protetor de homens, assim ele, notável em penitência, lamentou muito de um modo comovente, e então realizou os ritos fúnebres de seu pai falecido. E Rama, o conquistador de cidades hostis, cremou seu pai na pira mortuária, e jurou, ó descendente da linhagem de Bharata, matar a casta militar inteira, e de força excessiva no campo de batalha, e possuidor de coragem correspondente a uma alma heróica, e comparável ao próprio deus da morte, ele pegou sua arma em disposição colérica, e sozinho executou os filhos de Kartavirya. E, ó chefe da casta militar, Rama, o líder de todos capazes de derrotar seus inimigos, derrotou três vezes todos os Kashatriyas seguidores dos filhos de Kartavirya. E sete vezes aquele senhor poderoso exterminou as tribos militares da terra. Na região da terra chamada Samantapanchaka cinco lagos de sangue foram feitos por ele. Lá o mais poderoso descendente da linhagem de Bhrigu ofereceu libações para seus antepassados, os Bhrigus, e Richika apareceu para ele em uma forma visível, e lhe falou palavras de conselho. Então o filho de Jamadagni de nome temido realizou um poderoso sacrifício e gratificou o senhor dos celestiais, e concedeu a terra aos sacerdotes oficiantes. E, ó protetor de seres humanos, ele ergueu um altar feito de ouro, de dez Vyamas de largura e nove de altura, e fez um presente do mesmo para o magnânimo Kasyapa. Então a pedido de Kasyapa os Brahmanas dividiram o altar em várias partes, e assim eles se tornaram renomados como os Khandavayamas (recebedores de parte). E o exterminador da raça militar possuidor de força imensa deu a terra para Kasyapa de grande alma, e então se tornou engajado em penitência de uma forma extremamente severa. Ele agora mora neste Mahendra, monarca das colinas. Assim surgiram hostilidades entre ele e os membros da casta militar, todos eles que moram nesta terra; e Rama, dotado de força imensa, dessa maneira subjugou o mundo inteiro.'” "Vaisampayana disse, 'Então no décimo quarto dia da lua, Rama de alma poderosa na hora apropriada se mostrou àqueles membros da casta sacerdotal e também ao rei virtuoso (Yudhishthira) e seus irmãos mais novos. E, ó rei de reis, o senhor junto com seus irmãos adorou Rama, e, ó mais justo dos soberanos de homens, realmente as mais altas honras foram prestadas a ele por todos aqueles membros da classe duas vezes nascida. E depois de cultuar o filho de Jamadagni e de ter recebido palavras de louvor dele, em seu rumo ele passou a noite na colina Mahendra, e então partiu em sua viagem em direção às regiões do sul.'" 118 Vaisampayana disse, "O monarca magnânimo seguiu sua viagem, e em diferentes lugares no litoral visitou vários locais de banho, todos sagrados e agradáveis e frequentados por homens da casta sacerdotal. E, ó filho de Parikshit, ele de modo apropriado tomou seu banho neles junto com seus irmãos mais jovens e então foi para um rio excelente, o mais sagrado de todos. Lá também o rei magnânimo deu seu mergulho, e ofereceu libações para seus antepassados e aos deuses, e distribuiu riquezas para os líderes da classe duas vezes nascida. Então ele foi ao Godavari, um rio que cai diretamente no mar. Lá ele foi liberto de seus pecados. E ele alcançou o mar na terra Dravida, e visitou o local sagrado sob nome de Agastya, o qual era extremamente sagrado e excepcionalmente puro. E o rei valente visitou os locais sagrados femininos. Lá ele escutou à história daquela façanha bem conhecida que foi realizada por Arjuna, principal de todos os manejadores de arco, e que estava além do poder de seres humanos realizar. E lá ele foi elogiado pelos membros mais altos da classe religiosa, e o filho de Pandu sentiu a maior alegria. E, ó protetor da terra, o soberano do mundo, acompanhado por Krishna, banhou-se naqueles lugares sagrados, e falando do heroísmo de Arjuna em termos laudatórios passou seu tempo com prazer no local. Então ele doou milhares de vacas naqueles locais sagrados na costa do oceano; e com seus irmãos narrou bem satisfeito como Arjuna tinha feito uma doação de vacas. E ele, ó rei, visitou um a um aqueles lugares santos no litoral e muitos outros locais sagrados, e assim realizou o desejo de seu coração, até que ele chegou ao mais sagrado de todos conhecido pelo nome de Suparaka. Então tendo atravessado certa região na margem do oceano, ele alcançou uma floresta célebre na terra. Lá as divindades praticaram ascetismo nos tempos passados, e igualmente soberanos virtuosos de homens realizaram ritos sacrificais. Lá ele, possuidor de braços longos e vigorosos, contemplou o altar célebre do filho de Richika, que foi o principal de todos os manejadores de arco. E o altar estava cercado por hostes de ascetas, e era digno de ser adorado por pessoas de vida virtuosa. Então o rei contemplou os santuários sagrados e encantadores de todos os deuses e dos Vasus, e das hostes do vento e dos dois médicos celestes e de Yama, do filho do sol e do senhor das riquezas, e de Indra, e de Vishnu, e do senhor Criador e de Siva, e da lua, e do criador do dia, e do senhor das águas, e da hoste de Sadhyas, e de Brahma, e dos antepassados, e de Rudra junto com todos os seus seguidores, e da deusa do saber, e da hoste de Siddhas, e de muitos deuses santos imortais além desses. E naqueles santuários o rei observou vários jejuns, e doou grandes quantidades de pedras preciosas. Ele mergulhou seu corpo em todos os locais sagrados, e então voltou novamente para Surparaka. E ele pelo mesmo desembocadouro do oceano prosseguiu novamente com seus irmãos e chegou ao local sagrado Prabhasa, cuja fama tinha sido propagada por Brahmanas poderosos por todo o mundo. Lá ele, possuidor de um par de olhos vermelhos grandes, banhou-se com todos os seus irmãos mais novos, e ofereceu libações para os antepassados e as hostes celestes; e assim fizeram Krishna e todos aqueles Brahmanas junto com Lomasa. Por doze dias ele subsistiu de ar e água. E ele realizou abluções por dias e noites e cercou-se de fogos acesos por todos os lados. Assim aquele maior de todos os homens virtuosos engajou-se em ascetismo. Enquanto ele estava agindo assim chegou a Valarama e Krishna a informação de que o rei estava praticando penitências da forma mais austera, e aqueles dois líderes da tribo Vrishni inteira acompanhados por tropas foram até Yudhishthira da linhagem de Ajamidha. E quando os Vrishnis viram os filhos de Pandu deitados no chão, seus corpos completamente lambuzados com sujeira, e quando eles viram a filha de Drupada em um estado triste, sua dor foi grande e eles não puderam se abster de irromper em altos lamentos. Então o rei, cuja coragem era tal que o infortúnio nunca poderia subjugá-lo, cordialmente encontrou Rama e Krishna e Samva, e o filho de Krishna, e o neto de Sini e outros Vrishnis, e prestou honras a eles de uma maneira apropriada. E eles também em retorno prestaram honras a todos os filhos de Pritha, e foram da mesma maneira honrados pelos filhos de Pandu. E eles sentaram-se em volta de Yudhishthira, como ao redor Indra, ó rei, estão sentadas as hostes celestes. E muito satisfeito, ele relatou para eles todas as maquinações de seus adversários, e como também ele tinha residido na floresta, e como Arjuna tinha ido para a residência de Indra para aprender a ciência de armas; tudo isto ele relatou com o coração alegre. E eles ficaram felizes ao serem informados de todas estas notícias deles; mas quando eles viram os Pandavas tão extremamente magros, os Vrishnis majestosos e magnânimos não puderam deixar de derramar lágrimas, as quais correram espontaneamente de seus olhos por causa da agonia que eles sentiram." 119 Janamejaya disse, "Ó tu de riqueza ascética, quando os filhos de Pandu e os Vrishnis alcançaram o local sagrado Prabhasa, o que eles fizeram e que conversação foi mantida lá por eles? Pois todos eles eram de almas poderosas, competentes em todos os ramos de ciência e ambos, os Vrishnis e os filhos de Pandu, tinham uns aos outros em estima amigável." Vaisampayana disse, "Quando os Vrishnis alcançaram o local santo Prabhasa, o sagrado desembocadouro no litoral, eles circundaram os filhos de Pandu e os serviram. Então Valarama, parecendo em cor com o leite da vaca e a flor Kunda e a lua e a prata e a raiz do lótus e que usava uma coroa feita de flores selvagens e que tinha a relha de arado como sua arma, falou para aquele de olhos de lótus, dizendo, 'Ó Krishna, eu não vejo que a prática da virtude leva a algum benefício ou que práticas injustas podem causar mal, já que o magnânimo Yudhishthira está neste estado miserável, com cabelo emaranhado, um residente das florestas, e usando para seu vestuário a casca das árvores. E Duryodhana está agora governando a terra, e o solo ainda não o engole. Disto, uma pessoa de inteligência limitada acreditaria que um rumo de vida violento é preferível a um virtuoso. Quando Duryodhana está em um estado próspero e Yudhishthira, roubado de seu trono, está sofrendo dessa maneira, o que as pessoas devem fazer em tal caso? Esta é a dúvida que está agora desorientando todos os homens. Aqui está o senhor de homens nascido do deus da virtude, aderindo firmemente a um caminho honrado, estritamente sincero e de coração generoso. Este filho de Pritha desistiria de seu reino e seu prazer mas não se desviaria do caminho justo, para prosperar. Como é que Bhishma e Kripa e o Brahmana Drona e o rei idoso, os membros mais velhos da casa, estão vivendo alegremente, depois de terem banido os filhos de Pritha? Vergonha para os líderes de mente violenta da linhagem de Bharata! O que aquele pecador, o chefe da terra, dirá aos antepassados falecidos de sua família, quando o canalha se encontrar com eles no mundo seguinte? Tendo tirado do trono seus filhos inofensivos, ele será capaz de declarar que ele os tratou de uma maneira irrepreensível? Ele agora não vê com a visão de sua mente; como ele se tornou tão cego? E por causa de qual ação ele veio a ser cego entre os reis desta terra inteira? Não é porque ele baniu o filho de Kunti de seu reino? Eu não duvido que o filho de Vichitravirya, quando ele com seus filhos cometeu esta ação desumana, viu no local onde corpos mortos são queimados árvores florescentes de uma cor dourada. Na verdade ele deve ter perguntado a eles, quando eles permaneciam diante dele com seus ombros projetados para a frente em direção a ele, e com seus grandes olhos vermelhos fitando-o, e ele deve ter escutado ao seu mau conselho, já que ele destemidamente mandou Yudhishthira para a floresta, que tinha todas as suas armas de guerra com ele e estava acompanhado por seus irmãos mais novos. Este Bhima aqui, cujo apetite voraz é como o de um lobo, é capaz de destruir somente com a força de seus braços poderosos, e sem a ajuda de quaisquer armas de guerra, um agrupamento formidável de tropas hostis. As forças no campo de batalha ficavam totalmente acovardadas ao ouvirem seu grito de guerra. E agora este forte está sofrendo de fome e sede, e está emaciado com viagens penosas. Mas quando ele pegar em sua mão setas e diversas outras armas de guerra, e encontrar seus inimigos no campo de batalha, ele então se lembrará dos sofrimentos da sua vida na floresta extremamente miserável, e matará seus inimigos até o último homem, com certeza eu prevejo isto. Não há por todo o todo mundo uma única alma que possa se gabar de força e bravura iguais às dele. E seu corpo, ai! está emaciado com frio, e calor e ventos. Mas quando ele se posicionar para o combate ele não poupará um único homem de seus inimigos. Este herói poderoso, que é um guerreiro magnífico quando colocado sobre um carro, este Bhima, de apetite que rivaliza o de um lobo conquistou sozinho todos os soberanos de homens no leste, junto com aqueles que os seguiam em batalha; e ele voltou daquelas guerras seguro e ileso. E este mesmo Bhima, miseravelmente vestido em cascas de árvores, está agora levando uma vida infeliz nas florestas. Este Sahadeva poderoso venceu todos os reis no sul; aqueles senhores de homens que tinham se agrupado na costa, olhem para ele agora em um traje de eremita. Valente em batalha Nakula derrotou sem ajuda os reis que governavam as regiões em direção ao oeste, e ele agora anda pela floresta, subsistindo de frutas e raízes, com uma massa de cabelo emaranhado na cabeça, e seu corpo completamente lambuzado com sujeira. Esta filha de um rei que é um grande soldado quando está sobre um carro, surgiu de debaixo do altar, durante a pompa dos ritos sacrificais. Ela estava sempre acostumada a uma vida de felicidade; como ela está agora suportando esta vida extremamente miserável nesta floresta? E o filho do deus da virtude, virtude a qual permanece no topo de todas as três buscas na vida, e o filho do deus do vento e também o filho do senhor dos celestiais, e aqueles dois filhos dos médicos celestes, sendo filhos de todos aqueles deuses e sempre acostumados a uma vida de felicidade, como eles estão vivendo nesta floresta, privados de todos os confortos? Quando o filho da Virtude encontrou a derrota, e quando sua esposa, seus irmãos, seus seguidores, e ele mesmo foram todos expulsos, e Duryodhana começou a prosperar, por que a terra não afundou com todas as suas colinas?’ 120 Satyaki disse, ‘Ó Rama, este não é o momento de lamentação; que nós façamos aquilo que é apropriado e condizente à ocasião presente, embora Yudhishthira não fale uma única palavra. Aqueles que tem pessoas para cuidar do seu bem-estar não empreendem qualquer coisa por si mesmas; eles tem outros para fazer seu trabalho, como Saivya e outros faziam por Yayati. Igualmente, ó Rama, aqueles que tem funcionários designados para se encarregar de seu trabalho sob sua própria responsabilidade, como os líderes de homens, eles podem ser citados como tendo benfeitores reais, e eles não encontram dificuldade, como seres desamparados. Como é que quando os filhos de Pritha tem como seus protetores estes dois homens, Rama e Krishna, e os dois outros, Pradyumna e Samva, junto comigo mesmo, estes patronos sendo capazes de proteger todos os três mundos, como é que o filho de Pritha está vivendo na floresta com seus irmãos? É apropriado que neste mesmo dia o exército dos Dasarhas marche, armado de modo variado e com armaduras diversificadas. Que os filhos de Dhritarashtra sejam subjugados com a força dos Vrishnis e que eles acompanhem seus amigos para a residência do deus da morte. Sem falar naquele que maneja o arco feito de chifre (Krishna), tu somente, se instigado, serias capaz de cercar mesmo toda esta terra. Eu te peço para matar o filho de Dhritarashtra com todos os seus homens, como o grande Indra, o senhor dos deuses, matou Vritra. Arjuna, o filho de Pritha, é meu irmão, e também meu amigo, e também meu preceptor, e é como a segunda pessoa de Krishna. É por isto que homens desejam um filho digno, e que o preceptor procura um pupilo que não o contradiga. É por isto que chegou a hora para aquele trabalho excelente, o qual é a melhor de todas as tarefas e difícil de realizar. Eu frustrarei todas as descargas das armas de Duryodhana por meio das minhas próprias armas excelentes. Eu subjugarei todos no campo de batalha. Eu em minha ira cortarei sua cabeça com minhas flechas excelentes, pouco inferiores às cobras e veneno e fogo. E com o gume afiado da minha espada eu cortarei violentamente sua cabeça do tronco, no campo de batalha; então eu matarei seus seguidores, e Duryodhana, e todos da linhagem de Kuru. Ó filho de Rohini, que os seguidores de Bhima me olhem com alegria em seus corações, quando eu mantiver erguidas as armas de guerra no campo de batalha, e quando eu continuar a matar todos os melhores lutadores no lado dos Kurus, como no fim do tempo o fogo queimará vastas pilhas de palha. Kripa e Drona e Vikarna e Kama não são capazes de suportar as flechas afiadas disparadas por Pradyumna. Eu conheço o poder do filho de Arjuna, ele se comporta como o filho de Krishna no campo de batalha. Que Samva castigue pela força de seus braços Dussasana; que ele destrua à força Dussasana e seu cocheiro e seu carro. No campo de batalha quando o filho de Jamvavati se torna irresistível em luta não há nada que possa resistir à sua força. O exército do demônio Samvara foi rapidamente derrotado por ele quando somente um menino. Por ele foi morto em luta Asvachakra, cujas coxas eram redondas e cujos braços musculosos eram de comprimento excessivo. Quem seria capaz de avançar para o carro de Samva que é formidável em luta, quando posicionado sobre um carro? Como um mortal caindo sob as garras da morte nunca pode escapar; assim quem é que uma vez caindo sob as garras dele no campo de batalha poderia retornar com sua vida? O filho de Vasudeva incendiará pelas saraivadas de suas flechas ígneas todas as tropas hostis, e aqueles dois guerreiros, Bhishma e Drona, que são grandiosos sobre um carro, e Somadatta cercado por todos os seus filhos. O que há em todo o mundo incluindo os deuses, o qual Krishna não possa enfrentar em uma posição igual, quando ele pega as armas de guerra, maneja em suas mãos flechas excelentes, se arma com seus dardos, e assim se torna inigualável em combate? Então que Aniruddha também pegue em sua mão seu escudo e espada, e que ele cubra a superfície da terra com os filhos de Dhritarashtra, suas cabeças separadas de seus troncos, seus corpos desprovidos de toda consciência como em um rito sacrifical o altar é coberto com erva sagrada colocada sobre o mesmo. E Gada e Uluka, e Vahuka e Bhanu e Nitha e o jovem Nishatha valente em batalha e Sarana, e Charudeshna, irresistível em guerra, que eles realizem façanhas condizentes à sua linhagem. Que o exército unido dos Satwatas e Suras, junto com os melhores soldados dos Vrishnis, dos Bhojas, e dos Andhakas, mate aqueles filhos de Dhritarashtra no campo de batalha e que eles aumentem sua fama espalhada por todo o mundo. Então que Abhimanyu governe o mundo por tanto tempo quanto este mais excelente dos homens virtuosos, o magnânimo Yudhishthira, possa estar dedicado a cumprir seu voto, o voto que foi aceito e declarado por ele, o mais virtuoso da linhagem Kuru, na ocasião do famoso jogo de dados. Depois o rei virtuoso protegerá a terra, todos os seus inimigos derrotados em batalha por flechas as quais serão disparadas por nós. Então não restarão filhos de Dhritarashtra sobre a terra, nem o filho do cocheiro (Kama). Este é o trabalho mais importante para nós fazermos, e isto certamente levará à fama.’ Krishna disse, 'Ó filho da raça de Madhu, sem dúvida o que tu disseste é verdadeiro; nós aceitamos tuas palavras, ó tu de coragem que nunca é fraca! Mas este touro da raça Kuru (Yudhishthira) nunca aceitaria a soberania da terra a menos que ela fosse ganha pela destreza de seus próprios braços. Nem por causa de prazer, nem por medo, nem por cobiça Yudhishthira alguma vez renunciaria às regras da casta; nem estes dois heróis, que são poderosos quando estão em um carro, Bhima e Arjuna; nem os irmãos gêmeos, nem Krishna, a filha de Drupada. Ele que possui o apetite de um lobo (Bhima), e o ganhador de riquezas (Arjuna), ambos são inigualáveis em combate por todo o mundo. E por que este rei não deveria governar o mundo inteiro quando ele tem os dois filhos de Madri para abraçar sua causa? O soberano de grande alma de Panchala junto com o rei Kekaya, e nós também devemos aplicar nossa força unida, e então os inimigos de Yudhishthira serão aniquilados.' Yudhishthira disse, 'Não é estranho que tu fales dessa maneira, ó filho da linhagem de Madhu! Mas para mim a verdade parece ser a primeira consideração, acima daquela do meu próprio poder soberano. Mas é somente Krishna quem sabe exatamente o que eu sou; e sou eu somente que sei exatamente o que Krishna (realmente) é. Ó tu dotado de coragem, ó descendente da linhagem de Madhu, logo que ele perceber que chegou o momento para atos de bravura, então, ó mais valente da linhagem de Sini, ele também de cabelo belo (Krishna) derrotará Suyodhana. Que os homens heróicos da raça Dasarha retornem hoje. Eles são meus patronos; e os principais dos seres humanos, eles me visitaram aqui. Ó vocês de força incomensurável, nunca abandonem o caminho da virtude. Eu os verei novamente, quando vocês estiverem alegremente reunidos.' Então depois de comprimento mútuo e reverência aos mais velhos, e de terem abraçado os jovens, aqueles homens valentes da raça Yadu e os filhos de Pandu se separaram. E os Yadus se reuniram à sua pátria; e os Pandavas continuaram sua viagem aos locais sagrados. Então tendo se separado de Krishna, o rei virtuoso, acompanhado por seus irmãos e empregados, e também por Lomasa, foi ao rio sagrado Payosini. Sua bela plataforma de desembarque foi construída pelo rei de Vidarbha. E ele começou a morar nas margens do Payosini, cujas águas estavam misturadas com o suco Soma destilado. Lá Yudhishthira de grande alma foi recebido com excelentes termos laudatórios por líderes numerosos da classe de duas vezes nascidos, que estavam encantados em vê-lo lá.’ 121 Lomasa disse, ‘Ó rei, quando o Nriga realizou um sacrifício aqui, ele gratificou Indra, o demolidor de cidades hostis, por oferecer o suco Soma. E Indra estava revigorado e muito satisfeito. Aqui os deuses junto com Indra, e os protetores de todos os seres nascidos celebraram sacrifícios de vários tipos em grande escala, e pagaram gratificações abundantes aos sacerdotes oficiantes. Aqui o rei Amurtarayasa, o senhor do mundo, satisfez Indra, o manejador do raio, pela oferta de suco Soma, quando sete Sacrifícios de Cavalo foram realizados por aquele rei. Os artigos os quais em outros ritos sacrificais são invariavelmente feitos de madeira, lenha e de terra, eram todos feitos de ouro nos sete sacrifícios realizados por ele. E é dito que em todos aqueles ritos, sete conjuntos de estacas, aros para as estacas sacrificais, locais, conchas, utensílios, colheres foram preparados por ele. Em cada estaca sacrifical sete aros foram fixados no topo. E, ó Yudhishthira, os celestiais junto com Indra ergueram eles mesmos as estacas sacrificais de ouro brilhante que tinham sido preparadas para seus ritos sagrados. Em todos aqueles sacrifícios magníficos estabelecidos por Gaya, o protetor da terra, Indra, estava muito contente por beber o suco Soma, e os sacerdotes oficiantes estavam satisfeitos com as gratificações pagas a eles. E os sacerdotes obtiveram riqueza imensa conferida a eles. E como os grãos de areia da terra, ou como as estrelas no céu, ou como as gotas de chuva quando chove não podem ser contados, assim a riqueza que Gaya doou não podia ser contada em números. Tão imensa era a riqueza, ó grande rei, que foi dada aos sacerdotes oficiantes em todos aqueles sete sacrifícios que até os objetos acima mencionados poderiam ser contados por números, mas as gratificações dadas por ele cuja grandeza excedia tudo o que era conhecido antes não podia ser contada por números. E imagens da deusa da palavra foram feitas de ouro pelo escultor dos deuses; e o rei gratificou os membros da casta sacerdotal, que tinham chegado de todos os pontos cardeais, por fazer presentes a eles daquelas imagens de ouro. Ó protetor de homens, quando Gaya de grande alma realizou seus ritos sacrificais, ele erigiu estacas sacrificais em tantos locais diferentes que somente pouco espaço era deixado sobre a superfície da terra. E, ó filho da linhagem de Bharata, ele por aquela ação sagrada alcançou as regiões de Indra. Quem quer que se banhe no rio Payosini irá para as regiões alcançadas por Gaya. Portanto, ó senhor dos reis, ó príncipe inabalável, tu e teus irmãos devem se banhar neste rio; então, ó protetor da terra, tu serás libertado de todos os teus pecados.’" Vaisampayana disse, "Ó mais louvável dos homens, Yudhishthira com seus irmãos realizou abluções no rio Payosini. Então, ó príncipe impecável, o monarca poderoso junto com seus irmãos viajou para a colina de safiras e o grande rio Narmada. O santo abençoado Lomasa lá citou para ele todos os lugares santos encantadores e todos os santuários sagrados dos celestiais. Então ele com seus irmãos visitou aqueles lugares, segundo seu desejo e conveniência. E em vários lugares Brahmanas às centenas receberam presentes dele. Lomasa disse, 'Ó filho de Kunti, alguém que visita a Colina safira e mergulha seu corpo no rio Narmada alcança as regiões habitadas pelos celestiais e reis. Ó mais louvável dos homens, este período é a junção entre a era Treta e Kali, ó filho de Kunti! Este é o período quando uma pessoa se livra de todos os seus pecados. Ó senhor respeitado, este é o local onde Saryati realizou ritos sacrificais, no qual Indra apareceu em uma forma visível e bebeu o suco Soma com os dois médicos celestes. E o filho de Bhrigu de austeridades severas exprimiu raiva em direção ao grande Indra; e o poderoso Chyavana paralisou Indra, e obteve como sua esposa a princesa Sukanya.' Yudhishthira disse, 'Como o castigador do demônio Paka, o deus possuidor dos seis atributos, foi paralisado por Chyavana? E por que razão o santo poderoso exprimiu cólera em direção a Indra? E como, ó Brahmana, ele ergueu os médicos celestes ao posto dos bebedores de Soma? Tudo isto, exatamente como aconteceu, tua pessoa venerável fará o favor de relatar para mim.' 122 Lomasa disse, 'Um filho nasceu para o grande santo Bhrigu, de nome Chyavana. E ele, de uma forma muito resplandecente, começou a praticar austeridades ao lado daquele lago. E, ó filho de Pandu, ó protetor de homens, ele de energia poderosa assumiu a postura chamada Vira, quieto e imóvel como um poste inanimado, e por um longo período permaneceu no mesmo local da região. E ele foi convertido em um formigueiro coberto com trepadeiras. E depois do lapso de um longo período, enxames de formigas o envolveram. E coberto por todos os lados com formigas, o santo sagaz parecia exatamente com uma pilha de terra. E ele continuou praticando austeridades, totalmente envolvido por aquele formigueiro. Assim sendo depois do lapso de muito tempo aquele soberano da terra, de nome Saryati, por diversão visitou aquele lago agradável e excelente. Com ele estavam quatro mil mulheres, desposadas por ele, ó filho da raça Bharata, lá estava também sua única filha dotada de frontes belas, chamada Sukanya. Ela cercada por suas empregadas, e enfeitada com jóias adequadas aos celestiais, enquanto andava em volta, se aproximou do formigueiro onde o filho de Bhrigu estava sentado. E circundada por suas empregadas ela começou a se distrair lá, olhando o cenário belo, e olhando as árvores altas da floresta. E ela era bonita e estava no início da sua juventude, e era carinhosa e inclinada à diversão. E ela começou a quebrar os gravetos das árvores da floresta que tinham flores. E o filho de Bhrigu dotado de inteligência viu ela vagando lá como relâmpago, sem suas empregadas, e vestindo um único pedaço de tecido e enfeitada com ornamentos. E vendo-a na floresta solitária, aquele asceta de refulgência excelente foi inspirado pelo desejo. E aquele Rishi regenerado possuidor energia ascética, que tinha uma voz baixa, chamou a auspiciosa, mas ela não o ouviu. Então vendo os olhos do filho de Bhrigu do formigueiro, Sukanya por curiosidade e perdendo sua razão disse, 'O que é isto?' e com espinhos furou os olhos (do Rishi). E quando seus olhos foram furados por ela ele sentiu muita dor e ficou furioso. E ele obstruiu os chamados da natureza das forças militares de Saryati. E por seus chamados da natureza estarem obstruídos, os homens ficaram imensamente aflitos. E vendo aquele estado de coisas, o rei perguntou, 'Quem foi que fez mal ao filho ilustre de Bhrigu, velho e sempre engajado em austeridades e de temperamento colérico? Digam-me rápido se vocês sabem isto.' Os soldados (então) responderam a ele dizendo, ‘Nós não sabemos se alguém fez mal para o Rishi. Como desejares, faça uma investigação minuciosa do caso.’ Imediatamente aquele soberano da terra, usando ambos: ameaça e conciliação, questionou seus amigos (acerca da circunstância). Mas eles também não sabiam qualquer coisa. Vendo que o exército estava aflito devido à obstrução dos chamados da natureza e também encontrando seu pai angustiado, Sukanya disse, ‘Vagando na floresta eu encontrei por acaso no formigueiro lá alguma substância brilhante. Então tomando-o por um pirilampo eu me aproximei dele e o perfurei (com espinhos).’ Ouvindo isto Saryati imediatamente foi ao formigueiro, e lá viu o filho de Bhrigu, velho em idade e austeridades. Então o senhor da terra, com mãos unidas, suplicou (ao asceta) dizendo, ‘Cabe a ti perdoar o que minha filha, por ignorância e infantilidade, fez para ti.’ Chyavana o filho de Bhrigu dirigiu-se ao monarca dizendo, 'Desrespeitando-me, ela cheia de orgulho furou meus olhos. Ela mesma, ó rei, dotada de beleza e que estava privada de sua razão por ignorância e tentação, aquela tua filha eu teria como minha noiva, eu te digo realmente, só sob esta condição eu te perdoarei.' Lomasa disse, ‘Ouvindo as palavras do sábio, Saryati, sem hesitar, entregou sua filha para Chyavana de grande alma. Tendo recebido a mão daquela moça, o santo ficou satisfeito com o rei. E tendo obtido a graça do Rishi o rei foi para sua cidade, acompanhado por suas tropas. E a impecável Sukanya também tendo obtido aquele asceta como seu marido começou a cuidar dele, praticando penitências e cumprindo a ordenança. E ela de um rosto gracioso e desprovida de malícia venerava Chyavana, e também servia os convidados e o fogo sagrado.’ 123 Lomasa disse, 'Uma vez aconteceu, ó rei, daqueles celestiais, os gêmeos Aswins, verem Sukanya quando ela tinha (acabado de se) banhar, e quando seu corpo estava despido. E vendo ela de membros excelentes, e semelhante à filha do senhor dos celestiais, os Aswins nascidos do nariz se aproximaram e se dirigiram a ela, dizendo, 'Ó tu de coxas bem formadas, de quem tu és filha? E o que tu fazes nesta floresta? Ó auspiciosa, ó tu de graça excelente, nós desejamos saber isto, portanto nos diga.' Então ela respondeu timidamente àqueles principais dos celestiais. 'Conheçam-me como filha de Sarayati e esposa de Chyavana.' Nisso os Aswins falaram a ela novamente, sorrindo, 'Por que, ó afortunada, teu pai te entregou para uma pessoa que está beirando a morte? Certamente, ó moça tímida, tu brilhas nesta floresta como o relâmpago. Nem nas regiões dos próprios celestiais, ó moça, nossos olhos pousaram sobre tua semelhante. Ó donzela, sem nenhum enfeite, sem mantos vistosos como tu estás, tu embelezas muito estas florestas. Entretanto, ó tu de membros impecáveis, tu não podes parecer tão bela porque (no momento) estás manchada com lama e sujeira, como tu poderias se estivesses enfeitada com todos os ornamentos e usando vestes suntuosas. Por que, ó moça excelente, em tal situação difícil tu serves um marido velho decrépito, e que se tornou incapaz de efetuar prazer e também de te manter, ó tu de sorrisos luminosos? Ó donzela divinamente bela, abandonando Chyavana aceite um de nós como marido. Não cabe a ti passar tua juventude inutilmente.' Assim endereçada Sukanya respondeu aos celestiais dizendo, ‘Eu sou devotada ao meu marido Chyavana, não nutram quaisquer dúvidas (com relação à minha fidelidade).’ Nisso eles falaram a ela novamente, 'Nós dois somos os famosos médicos celestes. Nós faremos teu marido jovem e gracioso. Então escolha um de nós, ou seja, nós mesmos e teu marido, como teu consorte. Prometendo isto, ó auspiciosa, traga teu marido para cá.' Ó rei, de acordo com as palavras deles ela foi até o filho de Bhrigu e comunicou a ele o que os dois celestiais tinham dito. Ouvindo sua mensagem, Chyavana disse para sua esposa, 'Faça isso.' Tendo recebido a permissão de seu marido, (ela voltou aos celestiais) e disse, 'Façam isso.' Então ouvindo as palavras dela eles falaram para a filha do rei, 'Que teu marido entre na água.' Nisso Chyavana desejoso de obter beleza entrou rapidamente na água. Os gêmeos Aswins também, ó rei, entraram no lençol de água. E no momento seguinte eles todos saíram do tanque em formas excelentemente belas, e jovens e usando brincos polidos. E todos, possuidores da mesma aparência agradável de se contemplar, dirigiram-se a ela dizendo, 'Ó afortunada, escolha um de nós como cônjuge. E, ó bela, escolha como marido aquele que possa satisfazer teu desejo.' Achando, no entanto, todos eles da mesma aparência ela deliberou; e finalmente averiguando a identidade de seu marido, escolheu ele mesmo. Tendo obtido beleza cobiçada e também sua esposa, Chyavana, de energia excelente, bem satisfeito, falou estas palavras para os celestiais nascidos do nariz: 'Já que nas suas mãos, um homem velho, eu obtive juventude e beleza, e também esta minha esposa, bem satisfeito, eu farei vocês bebedores do suco Soma na presença do próprio senhor dos celestiais. Isto eu lhes digo realmente.' Ouvindo isto, muito contentes, os gêmeos ascenderam para o céu; e Chyavana e Sukanya também passaram seus dias alegremente assim como celestiais." "Lomasa disse, 'Assim sendo chegaram a Saryati as notícias que Chyavana tinha sido transformado em um jovem. E bem satisfeito ele foi, acompanhado por suas tropas, ao eremitério do filho de Bhrigu. E ele viu Chyavana e Sukanya, como dois filhos nascidos de celestiais, e sua alegria e a de sua esposa foi tão grande como se o rei tivesse conquistado o mundo inteiro. E o soberano da terra junto com sua esposa foi recebido honrosamente por aquele santo. E o rei sentou-se perto do asceta, e entrou em uma conversação encantadora de um tipo auspicioso. Então, ó rei, o filho de Bhrigu falou ao rei estas palavras de uma natureza calmante: 'Eu, ó rei, oficiarei em uma cerimônia religiosa a ser realizada por ti, que os artigos necessários, portanto, sejam obtidos.' Por causa disso, aquele protetor da terra, Saryati, sentiu o próprio auge da alegria, e, ó grande rei, ele expressou sua aprovação à proposta feita por Chyavana. E em um dia auspicioso, adequado para o início de uma cerimônia sacrifical, Saryati ordenou a construção de um santuário sacrifical de um tipo excelente e esplendidamente equipado com todas as coisas desejáveis. Lá Chyavana, o filho de Bhrigu, oficiou para o rei como seu sacerdote. Agora ouça-me relatar os acontecimentos maravilhosos que ocorreram naquele local. Chyavana pegou uma quantidade de suco Soma, para que ele pudesse oferecer o mesmo aos Aswins, que eram médicos para os celestiais. E enquanto o santo estava pegando a oferenda destinada para aqueles gêmeos celestes Indra pronunciou sua interdição, dizendo, ‘Ambos estes Aswins na minha opinião não tem direito a receber uma oferenda de suco Soma. Eles são os médicos dos celestiais no céu, esta profissão deles os privou do direito (em relação ao Soma).’ Nisto Chyavana disse, 'Estes dois são de iniciativa poderosa, possuidores de almas poderosas, e notavelmente dotados de beleza e graça. E eles, ó Indra, me converteram em uma pessoa eternamente jovem, assim como um celestial. Por que tu e os outros celestiais tem direito ao suco Soma destilado, e não eles? Ó senhor dos celestiais, ó demolidor de cidades hostis, saiba que os Aswins também são classificados como deuses.' Nisto, Indra falou dizendo, ‘Estes dois praticam a arte da cura, de maneira que eles são somente empregados. E assumindo formas à sua vontade eles vagam no mundo dos seres mortais. Como eles podem então reivindicar legitimamente o suco do Soma?’” "Lomasa disse, 'Quando estas mesmas idênticas palavras foram faladas repetidas vezes pelo senhor dos celestiais, o filho de Bhrigu, desprezando Indra, pegou a oferenda que ele pretendia fazer. E quando ele estava prestes a erguer uma porção excelente do suco Soma com o objetivo de oferecê-la aos dois Aswins, o destruidor do demônio Vala (Indra) observou sua ação, e falou dessa maneira para ele, 'Se tu ergueres o Soma com o propósito de oferecê-lo para aqueles celestiais eu arremessarei em ti meu raio de forma terrível, o qual é superior a todas as armas que existem.' Assim endereçado por Indra, o filho de Bhrigu lançou em Indra um olhar sorridente, e ergueu de forma devida uma quantidade considerável do suco Soma para fazer uma oferenda aos Aswins. Então o marido de Sachi (preparou-se para) arremessar nele o raio de forma terrível. E quando ele estava prestes a lançá-lo seu braço foi paralisado pelo filho de Bhrigu. E tendo paralisado o braço dele Chyavana recitou hinos sagrados e fez oferenda no fogo. Seu objetivo alcançado, ele imediatamente tentou destruir aquele celestial. Então pela virtude da energia ascética daquele santo, um espírito mau tomou forma, um demônio enorme, de nome Mada, de grande força e proporções gigantescas. E seu corpo era incapaz de ser medido ou por demônios ou por deuses. E sua boca era terrível e de tamanho enorme, com dentes de extremidades afiadas. E uma de suas mandíbulas se apoiava no solo, e a outra se estendia ao céu. E ele tinha quatro presas, cada uma se estendendo tão longe quanto cem yojanas, e suas outras presas estavam estendidas à distância de dez yojanas, e eram de formas parecidas com torres em um palácio, e que podiam ser comparadas a pontas de lanças. E seus dois braços eram como colinas, e se estendiam dez mil yojanas, e ambos eram de massa igual. E seus dois olhos pareciam com o sol e a lua; e sua face rivalizava a conflagração na dissolução universal. E ele estava lambendo sua boca com sua língua, a qual, como relâmpago, não conhecia descanso. E sua boca estava aberta, e seu olhar era terrível, e parecia como se ele fosse engolir o mundo violentamente. O demônio avançou no celestial por quem cem sacrifícios tinham sido realizados. E sua intenção era devorar aquela divindade. E o mundo ressoou com os sons altos e terríveis proferidos pelo Asura." 125 "Lomasa disse, 'Quando o deus que tinha realizado cem sacrifícios (Indra) viu o demônio Mada de aparência terrível indo em direção a ele com a boca aberta, sua intenção sendo devorá-lo, e parecendo com o próprio deus da morte, enquanto seus próprios braços permaneciam paralisados, ele por medo repetidamente lambeu os cantos de sua boca. Então o senhor dos celestiais, atormentado pelo pavor, falou para Chyavana dizendo, 'Ó filho de Bhrigu, ó Brahmana, na verdade eu te digo como a própria verdade, que deste dia em diante os dois Aswins terão direito ao suco Soma. Seja piedoso para mim! Minha promessa nunca pode baldar-se. Que isto seja a regra. E eu sei, ó santo da casta sacerdotal, que o teu trabalho nunca pode falhar. Estes dois Aswins terão direito a beber o suco Soma, já que tu lhes deste direito ao mesmo. E, ó filho de Bhrigu, eu fiz isto somente para espalhar a fama dos teus poderes, e meu objetivo era te dar uma ocasião para mostrar teus poderes. Meu outro objetivo foi que o renome do pai desta Sukanya aqui pudesse se espalhar em todos os lugares. Portanto seja piedoso para mim, que seja como tu desejas.' Sendo assim endereçado por Indra, a cólera de Chyavana de alma poderosa foi rapidamente apaziguada, e ele libertou o demolidor de cidades hostis (Indra). E o santo poderoso, ó rei, repartiu Mada (literalmente Intoxicação), e pôs seus pedaços em bebidas, em mulheres, em jogo, e em esportes de campo, aquele mesmo Mada que tinha sido criado repetidamente antes. Tendo assim abatido o demônio Mada e gratificado Indra com uma quantidade de Soma e ajudado o rei Saryati a cultuar todos os deuses junto com os dois Aswins e também a espalhar sua fama por poder por todos os mundos, o melhor daqueles dotados de fala passou seus dias alegremente na floresta, na companhia de Sukanya, sua esposa afetuosa. Este é seu lago, brilhando, ó rei, e ressoando com a voz de aves. Aqui tu deves, junto com teus irmãos, oferecer libações de água para teus antepassados e os deuses. E, ó soberano da terra, ó descendente da linhagem de Bharata, tendo visitado este e Sikataksha também, tu deves dirigir-te para a floresta Saindhava, e ver vários pequenos rios artificiais. E, ó grande rei, ó filho da raça de Bharata, tu tocarás a água de todos os lagos sagrados e recitando os hinos do deus Sthanu (Siva), encontrarás sucesso em todo empreendimento. Pois esta é a junção, ó mais louvável dos homens, das duas eras do mundo, isto é, Dwapara e Treta. Esta é uma época, ó filho de Kunti, capaz de destruir todos os pecados de uma pessoa. Realize abluções aqui, pois o local é capaz de remover todos os pecados de um indivíduo. Acolá está a colina Archika, uma residência para homens de mentes cultas. Frutas de todas as estações crescem aqui em todas as épocas e os rios correm para sempre. Este é um lugar excelente digno dos celestiais. E lá estão os montes de pedras sagrados de formas diversas, levantados pelos celestiais. Ó Yudhishthira, este é o local de banho pertencente à Lua. E os santos estão em comitiva aqui em toda parte, eles são os habitantes da floresta e os Valakhilyas, e os Pavakas, que subsistem de ar somente. Estes são três picos e três fontes. Tu podes caminhar ao redor deles todos, um a um, então tu podes lavar-te à vontade. Santanu, ó rei, e Sunaka, os soberanos de homens, e ambos Nara e Narayana alcançaram regiões eternas a partir deste lugar. Aqui os deuses constantemente se deitam, como também os antepassados, junto com os santos poderosos. Nesta colina Archika eles todos praticaram austeridades. Sacrifique para eles, ó Yudhishthira! Aqui eles, e também os santos, comeram arroz cozido em leite, ó protetor de homens! E aqui é o Yamuna de uma nascente inesgotável. Krishna aqui se dedicou a uma vida de penitências, ó filho de Pandu. Ó tu que arrastas os corpos mortos de teus inimigos, os irmãos gêmeos, e Bhimasena e Krishna e todos nós te acompanharemos a este local. Ó senhor de homens, esta é a fonte sagrada que pertence a Indra. Aqui a divindade criativa e dispensadora, e Varuna também se elevaram, e aqui também eles moraram, ó rei, observando paciência, e possuidores da maior fé. Esta colina excelente e auspiciosa é adequada para pessoas de uma disposição bondosa e sincera. Este é o célebre Yamuna, ó rei, frequentado por hostes de santos poderosos, a cena de diversos ritos religiosos, sagrado, e destrutivo do medo do pecado. Aqui o próprio Mandhata, de um arco poderoso, realizou ritos sacrificais para os deuses; e assim fez Somaka, ó filho de Kunti, que era o filho de Sahadeva, e o mais excelente fazedor de doações.’ 126 Yudhishthira disse, 'Ó grande Brahmana, como nasceu aquele tigre entre os reis, Mandhata, filho de Yuvanaswa, ele mesmo que era o melhor dos monarcas, e célebre pelos três mundos? E como ele de esplendor incomensurável alcançou o verdadeiro ápice do poder real, já que todos os três mundos estavam igualmente sob seu domínio, como eles estão sob o de Vishnu de alma poderosa? Eu estou desejoso de saber tudo isto com relação à vida e realizações daquele monarca inteligente. Eu gostaria também de ouvir como se originou seu nome de Mandhata, pertencente a ele que rivalizava em brilho o próprio Indra, e também como nasceu ele de força inigualável, pois tu és hábil na arte de narrar acontecimentos.' Lomasa disse, 'Ouça com atenção, ó rei, como o nome de Mandhata pertencente àquele monarca de alma poderosa veio a ser célebre por todos os mundos. Yuvanaswa, o soberano da terra, surgiu da linhagem de Ikshvaku. Aquele protetor da terra realizou muitos ritos sacrificais notáveis por presentes magníficos. E o mais excelente de todos os homens virtuosos realizou mil vezes a cerimônia de sacrificar um cavalo. E ele também realizou outros sacrifícios da categoria mais elevada, nos quais ele fez doações abundantes. Mas aquele rei santo não tinha filhos. E ele de alma poderosa e votos rígidos transferiu para seus ministros os deveres do estado e tornou-se um residente constante das florestas. E ele de alma culta devotou-se às buscas ordenadas no escrito sagrado. E uma vez aquele protetor de homens, ó rei, tinha feito um jejum. E ele estava sofrendo as angústias da fome e sua alma interna parecia queimada pela sede. E (nessa condição) ele entrou no eremitério de Bhrigu. Naquela mesma noite, ó rei de reis, o grande santo que era o deleite da linhagem de Bhrigu oficiou em uma cerimônia religiosa, com o objetivo que um filho nascesse para Saudyumni. Ó rei de reis, no local permaneceu um jarro grande cheio com água, consagrado com a recitação de hinos sagrados, e que tinha sido previamente depositado lá. E a água foi dotada da virtude que a esposa de Saudyumni, por beber a mesma, daria à luz um filho semelhante a um deus. Aqueles santos poderosos depositaram o jarro no altar e foram dormir, estando fatigados por terem se mantido de pé à noite. E quando Saudyumni passou por eles seu palato estava seco, e ele estava sofrendo imensamente de sede. E o rei precisava muitíssimo de água para beber. E ele entrou naquele eremitério e pediu por bebida. E estando fatigado ele rogou em voz débil, procedente de uma garganta ressecada, que parecia com a declaração fraca inarticulada de uma ave. E sua voz não alcançou os ouvidos de alguém. Então o rei viu aquele jarro cheio com água. E ele correu rapidamente em direção a ele, e, tendo bebido a água, baixou o jarro. E como a água estava fresca, e como o rei vinha sofrendo imensamente de sede, a quantidade de água aliviou o monarca inteligente e saciou sua sede. Então aqueles santos junto com aquele de riqueza ascética despertaram do sono; e todos observaram que a água do jarro tinha sumido. Então eles se reuniram e começaram a perguntar quanto a quem poderia ter feito aquilo. Então Yuvanaswa sinceramente admitiu que aquela foi sua ação. Então o reverenciado o filho de Bhrigu falou para ele, dizendo, 'Isto não foi apropriado. Aquela água tinha uma virtude oculta infundida dentro dela, e foi colocada aí com o objetivo que um filho nascesse para ti. Tendo realizado austeridades severas, eu introduzi a virtude das minhas ações religiosas naquela água, para que um filho pudesse nascer para ti. Ó rei santo de bravura e força física poderosa, teria nascido para ti um filho de força e coragem excelentes, e fortalecido por austeridades, e que teria enviado por sua valentia até Indra para a residência do deus da morte. Foi dessa maneira, ó rei, que aquela água foi preparada por mim. Por beber daquela água, ó rei, tu fizeste o que não era certo em absoluto. Mas é impossível agora para nós retrocedermos o acidente que aconteceu. Certamente o que tu fizeste deve ter sido o decreto do Destino. Já que tu, ó grande rei, estando sedento bebeste a água preparada com hinos sagrados, e cheia com a virtude dos meus trabalhos religiosos, tu deves produzir do teu próprio corpo um filho do caráter descrito acima. Para esse fim nós realizaremos um sacrifício para ti, de efeito extraordinário para que, corajoso como tu és, tu possas gerar um filho igual à Indra. Nem tu sentirás qualquer incômodo por conta das dores do parto.' Então quando cem anos tinham decorrido um filho brilhante como o sol perfurou o lado esquerdo do rei dotado de uma alma poderosa e saiu. E o filho era possuidor de força imensa. Nem Yuvanaswa morreu, o que por si mesmo era notável. Então Indra de grande força foi fazer uma visita a ele. E as divindades perguntaram ao grande Indra, 'O que é para ser sugado por este menino?' Então Indra introduziu seu próprio indicador na boca dele. E quando o manejador do raio disse, 'Ele me sugará' os habitantes do céu junto com Indra batizaram o menino de Mandhata, (literalmente: a mim ele sugará). Então o menino, tendo provado o indicador estendido por Indra, tornou-se possuidor de força considerável, e ele cresceu treze cúbitos, ó rei. E, ó grande rei, o saber sagrado inteiro junto com a ciência sagrada de armas foram adquiridos por aquele menino imperioso, que obteve todo aquele conhecimento pelo poder do seu pensamento simples e sem ajuda. E simultaneamente o arco famoso sob o nome de Ajagava e várias flechas feitas de chifres, junto com uma cota de malha impenetrável, chegaram à sua posse no mesmo dia, ó filho da linhagem de Bharata! E ele foi colocado no trono pelo próprio Indra e ele conquistou os três mundos de uma maneira justa, como Vishnu fez por seus três passos largos. E a roda do carro daquele rei poderoso era irresistível em seu progresso (por todo o mundo). E as pedras preciosas, por iniciativa própria, chegavam à posse daquele rei santo. Este é o trecho de terra, ó senhor da terra, que pertencia a ele. Ele é cheio de riquezas. Ele realizou vários ritos sacrificais de várias espécies, nos quais gratificações abundantes foram pagas aos sacerdotes. Ó rei, ele de força poderosa e esplendor imensurável ergueu estacas sagradas, e realizou atos pios esplêndidos, e alcançou a posição de sentar-se ao lado de Indra. Aquele rei sagaz de piedade inabalável emitiu seu decreto, e simplesmente por sua virtude conquistou a terra, junto com o oceano, aquela fonte de pedras preciosas, e todas as cidades (da terra). Ó grande rei, os terrenos sacrificais preparados por ele eram encontrados por toda a terra por toda parte, não em um único local, mas era marcada com os mesmos. Ó grande rei, o monarca poderoso é citado como tendo dado para os Brahmanas dez mil padmas de vacas. Quando houve uma seca, a qual continuou por doze anos consecutivos, o rei poderoso fez cair chuva para o crescimento de colheitas, não prestando atenção em Indra, o manejador do raio, que permaneceu fitando-o. O soberano poderoso do país Gandhara, nascido na dinastia lunar de reis, que era terrível como uma nuvem ribombante, foi morto por ele, que feriu-o muito com suas flechas. Ó rei, ele de alma culta protegeu as quatro classes de pessoas, e por ele de força imensa os mundos foram protegidos do mal, em virtude da sua vida austera e justa. Este é o local onde ele, brilhante como o sol, sacrificou para o deus. Olhe, aqui está ele, no meio do campo dos Kurus, situado em uma área, a mais santa de todas. Ó preceptor da terra, requisitado por ti, eu assim narrei para ti a grande vida de Mandhata, e também a maneira na qual ele nasceu, o qual foi um nascimento de um tipo extraordinário.'" Vaisampayana disse, "Ó descendente da linhagem de Bharata! O filho de Kunti, assim endereçado pelo santo poderoso Lomasa, imediatamente fez novas perguntas a ele, com relação a Somaka." 127 Yudhishthira disse, 'Ó melhor dos oradores, qual era a extensão do poder e força possuídos pelo rei Somaka? Eu estou desejoso de ouvir um relato exato dos seus feitos e do seu poder.’ Lomasa disse, 'Ó Yudhishthira, havia um rei virtuoso de nome Somaka. Ele tinha cem esposas, ó rei, todas apropriadamente equiparadas a seu marido. Ele tomou grande cuidado, mas não pode conseguir obter um único filho de alguma delas, e muito tempo se passou durante o qual ele continuou um homem sem filhos. Uma vez, quando ele tinha se tornado velho, e estava tentando ter um filho por todos os meios, um filho nasceu para ele, de nome Jantu, daquela centena de mulheres. E, ó soberano de homens, todas as mães costumavam sentar circundando seu filho e cada uma dando para ele tais objetos que pudessem contribuir para seu divertimento e satisfação. E aconteceu que um dia uma formiga picou o menino em seu quadril. E o menino gritou ruidosamente por causa da dor causada pela picada. E em seguida as mães ficaram muito aflitas ao verem como a criança tinha sido picada pela formiga. E elas ficaram em volta dele e soltaram gritos. Dessa maneira lá elevou-se um barulho tumultuado. E aqueles gritos de dor de repente alcançaram (os ouvidos do) soberano da terra, quando ele estava sentado no meio de seus ministros, com o sacerdote da família ao seu lado. Então o rei mandou buscar informações quanto ao que estava acontecendo. E o porteiro real explicou para ele exatamente qual era o caso com referência ao seu filho. E Somaka levantou-se junto com seus ministros e apressou-se em direção aos aposentos femininos. E ao chegar lá, ó subjugador de inimigos, ele acalmou seu filho. E tendo feito isso e saindo dos aposentos das mulheres, o rei sentou-se com o sacerdote de sua família e ministros.' Somaka então falou assim, 'Que vergonha ter somente um único filho! Eu preferiria ser um homem sem filhos. Ao ver quão constantemente sujeitos à doença são todos os seres organizados, ter um único filho é somente um incômodo. Ó Brahmana, ó meu senhor, com o propósito de ter muitos filhos nascidos para mim eu me casei com esta centena de esposas, depois de exame, e depois que eu tinha me convencido de que elas seriam adequadas para mim. Mas descendentes elas não tem nenhum. Tendo tentado todos os meios, e aplicado grandes esforços, elas deram à luz somente este único filho, Jantu. Que aflição pode ser maior do que esta? Ó mais excelente da casta duas vezes nascida, eu envelheci em idade e assim também minhas esposas. E até agora este filho único é como o ar de suas narinas, e assim ele é para mim também. Mas existe alguma cerimônia por celebrar a qual alguém pode obter cem filhos? (E se houver), diga-me se ela é grande ou pequena, e se é fácil ou difícil de realizar.' O sacerdote da família disse, 'Há uma cerimônia por virtude da qual um homem pode obter uma centena de filhos. Se tu és capaz de realizá-la, ó Somaka, então eu a explicarei para ti.' Somaka disse, 'Seja uma ação boa ou má, a cerimônia pela qual cem filhos possam nascer pode ser considerada por ti como já realizada. Que tua pessoa abençoada explique-a para mim.' O sacerdote da família então disse, 'Ó rei, deixe-me colocar em andamento um sacrifício e tu deves sacrificar teu filho Jantu nele. Então em data não distante uma centena de filhos belos nascerá para ti. Quando a gordura de Jantu for colocada no fogo como uma oferenda para os deuses, as mães cheirarão aquela fumaça e produzirão vários filhos corajosos e fortes. E Jantu também nascerá mais uma vez como um filho auto-gerado de ti naquela mesma (mãe); e em suas costas aparecerá uma marca dourada.'" 128 "Somaka disse, 'Ó Brahmana, o que quer que deva ser realizado, faça exatamente o que for necessário. Como eu estou desejoso de ter vários filhos, eu farei tudo o que for prescrito por ti.’ Lomasa disse, ‘Então o sacerdote oficiou no sacrifício no qual Jantu foi oferecido como vítima. Mas as mães estão por compaixão agarraram o filho impetuosamente e o afastaram. E elas gritaram, 'Nós estamos perdidas!' E elas estavam tomadas pelo pesar torturante e agarraram Jantu por sua mão direita, e choraram de uma maneira comovente. Mas o sacerdote oficiante segurou o menino pela mão direita e puxou-o. E como águias fêmeas elas gritaram em agonia, mas o sacerdote arrastou o filho e matou-o e fez uma oferenda queimada da sua gordura de forma apropriada. E, ó deleite da linhagem de Kuru, enquanto estava sendo feita uma oferenda da gordura as mães angustiadas cheiraram seu odor, e subitamente caíram ao chão (e desmaiaram). E então todas aquelas mulheres encantadoras ficaram grávidas, e ó senhor de homens, ó filho da raça Bharata, quando dez meses tinham passado uma centena completa de filhos nasceu para Somaka gerados em todas aquelas mulheres. E, ó monarca da terra, Jantu tornou-se o mais velho e nasceu de sua mãe anterior e tornou-se o mais querido para as mulheres, mais do que seus próprios filhos. E em suas costas havia aquela marca dourada, e daquela centena de filhos ele era também superior em mérito. Então aquele sacerdote da família de Somaka partiu desta vida como também Somaka depois um certo tempo. Assim sendo ele viu que o sacerdote estava sendo torturado em um inferno terrível. E nisso ele questionou-o, 'Por que, ó Brahmana, tu estás sendo torturado neste inferno?’ Então o sacerdote da família, muito chamuscado pelo fogo, falou para ele dizendo, 'Este é o resultado de eu ter oficiado naquele teu sacrifício.' Ó rei, ouvindo isto, o rei santo rei falou dessa maneira para o deus que distribui castigos para almas (dos mortos), 'Eu entrarei aqui. Liberte meu sacerdote oficiante; este homem venerável está sendo torturado pelo fogo do inferno somente por minha causa.' Dharmaraja nisso respondeu assim, 'Uma pessoa não pode desfrutar ou sofrer pelas ações de outra pessoa. Ó melhor dos oradores, estes são os frutos das tuas ações; veja isto aqui.' Somaka disse, 'Sem este Brahmana aqui eu não desejo ir para as regiões abençoadas. Meu desejo é morar em companhia com este mesmo homem, ou na residência dos deuses, ou no inferno, pois, ó Dharmaraja, meu ato é idêntico ao que foi feito por ele e o resultado da nossa ação virtuosa ou má deve ser o mesmo para nós dois.' Dharmaraja disse, 'Ó rei, se este é teu desejo, então prove com ele do fruto daquela ação, pelo mesmo período que ele. Depois disto tu irás para as regiões abençoadas.' Lomasa disse, ‘O rei de olhos de lótus fez tudo aquilo exatamente da maneira prescrita para ele. E quando seus pecados estavam liquidados ele foi libertado junto com o sacerdote. Ó rei, afeiçoado ao sacerdote como ele era, ele alcançou todas aquelas bênçãos às quais ele tinha direito por suas ações meritórias e compartilhou tudo com o sacerdote da família. Este é o eremitério dele o qual parece encantador perante nossos olhos. Qualquer pessoa alcançará as regiões abençoadas se ela passar seis noites aqui controlando suas paixões. Ó rei de reis, ó líder da tribo dos Kurus! Aqui, livres de expectativa e auto-controlados, nós devemos passar seis noites. Estejas pronto portanto.'" 129 "Lomasa disse, 'Aqui, ó rei, o próprio senhor dos seres nascidos realizou um sacrifício nos tempos antigos, a cerimônia chamada Ishtikrita, a qual ocupou mil anos. E Amvarisha, filho de Nabhaga, sacrificou perto do rio Yamuna. E tendo sacrificado lá, ele deu dez padmas (de moedas de ouro) para os sacerdotes auxiliares, e ele obteve o maior êxito por seus sacrifícios e austeridades. E, ó filho de Kunti, este é o local onde aquele soberano da terra inteira, filho de Nahusha, Yayati, de força imensurável, e que levava uma vida santa, realizou seus ritos sacrificais. Ele competiu com Indra e realizou seu sacrifício aqui. Veja como o solo está cheio de lugares para os fogos sacrificais de várias formas, e como a terra parece estar afundada aqui sob a pressão dos trabalhos pios de Yayati. Esta é a árvore Sami, a qual obteve somente uma única folha, e este é um lago muito excelente. Contemple estes lagos de Parasurama, e o eremitério de Narayana. Ó protetor da terra, este é o caminho que foi seguido pelo filho de Richika, de energia imensurável, que vagou pela terra, praticando os ritos de Yoga no rio Raupya. E, ó deleite da tribo dos Kurus, ouça o que uma mulher Pisacha (duende), que estava enfeitada com pilões como seus ornamentos, disse (para uma mulher Brahmana), quando eu estava recitando aqui a lista de genealogia. (Ela disse), ‘Tendo comido coalho em Yugandhara, e vivido em Achutasthala, e também te banhado em Bhutilaya, tu deves viver com teus filhos.’ Tendo passado uma única noite aqui, se tu passares a segunda, os eventos da noite serão diferentes daqueles que ocorreram a ti de dia, ó mais justo da linhagem de Bharata! Hoje nós passaremos a noite neste mesmo local. Ó filho da linhagem de Bharata, este é o limiar do campo dos Kurus. Ó rei, neste mesmo local o monarca Yayati, filho de Nahusha, realizou ritos sacrificais, e fez doações de uma abundância de pedras preciosas. E Indra ficou satisfeito com aqueles ritos sagrados. Este é um excelente local de banho sagrado no rio Yamuna, conhecido como Plakshavatarana (provindo da árvore banian, figueira de bengala). Homens de mentes cultas chamam-no de a entrada para a região do céu. Ó senhor respeitado, aqui, depois de ter realizado os ritos sacrificais do rei Saraswata, e de fazer uso da estaca sacrifical como seu pilão, a mais alta ordem de santos realizou o mergulho sagrado prescrito no fim de uma cerimônia sagrada. Ó monarca, o rei Bharata realizou aqui ritos sacrificais. Para celebrar o Sacrifício de Cavalo ele libertou aqui o cavalo que era a futura vítima. Aquele monarca ganhou a soberania da terra por meio da virtude. Os cavalos que ele soltou mais do que uma vez eram de uma cor matizada com preto. Ó tigre entre homens, foi aqui que Marutta abrigado por Samvartta, líder de santos, conseguiu realizar sacrifícios excelentes. Ó soberano de reis, tendo tomado seu banho neste local uma pessoa pode contemplar todos os mundos, e ser purificada de seus atos maus. Portanto, banhe-te neste local.'" Vaisampayana disse, "Então aquele mais louvável dos filhos de Pandu banhou- se lá com seus irmãos, enquanto os santos poderosos estavam proferindo palavras laudatórias para ele. E ele dirigiu as seguintes palavras para Lomasa, 'Ó tu cuja força jaz na veracidade, em virtude desta ação pia eu contemplo todos os mundos. E deste lugar eu vejo aquele mais louvável dos filhos de Pandu, Arjuna, o cavaleiro de corcel branco.’ Lomasa disse, 'É assim mesmo, ó tu de braços poderosos! Os santos da ordem mais elevada contemplam dessa maneira todas as regiões. Veja esta Saraswati sagrada aqui, apinhada de pessoas que consideram-na como seu único refúgio. Ó mais digno dos homens, tendo te banhado aqui, tu serás liberto de todos os teus pecados. Ó filho de Kunti, aqui os santos celestes realizaram os ritos sacrificais do rei Saraswata, e assim fizeram os santos e os santos nobres. Este é o altar do senhor dos seres, de cinco yojanas de extensão por todos os lados. E este é o campo dos magnânimos Kurus, cujo hábito era realizar sacrifícios.'" 130 "Lomasa disse, 'Ó filho da linhagem de Bharata, se mortais dão seu último suspiro neste lugar eles vão para o céu. Ó rei, milhares e milhares de homens vem para este lugar para morrerem. Uma bênção foi pronunciada neste local por Daksha, quando ele estava engajado em sacrifício aqui, (nestas palavras), 'Aqueles homens que morrerem neste local ganharão um lugar no céu.' Aqui está o rio belo e sagrado, Saraswati, cheio de água, e aqui, ó senhor de homens, é o local conhecido como Vinasana, ou o lugar onde o Saraswati desapareceu. Aqui está o portão do reino dos Nishadas e é por ódio por eles que Saraswati entrou na terra para que os Nishadas não pudessem vê-la. Aqui também é a região sagrada de Chamashodbheda onde Saraswati mais uma vez se tornou visível para eles. E aqui ela se encontra com outros rios sagrados correndo em direção ao mar. Ó conquistador de inimigos, aqui é aquele local sagrado conhecido pelo nome de Sindhu, onde Lopamudra aceitou o grande sábio Agastya como seu marido e, ó tu cujo resplendor é semelhante àquele do sol, aqui está o tirtha sagrado chamado Prabhasa, o local favorito de Indra e que elimina todos os pecados. Além é visível a região de Vishnupada. E aqui é o rio encantador e sagrado, Vipasa. Por dor pela morte de seus filhos o grande sábio Vasistha se jogou nesta corrente, depois de amarrar seus membros. E quando ele ergueu-se da água, veja! ele estava desamarrado. Olhe, ó rei, com teus irmãos para a região sagrada de Kasmeera, frequentada por sábios santos. Aqui, ó filho da linhagem de Bharata, é o local onde ocorreu uma conferência entre Agni e o sábio Kasyapa, e também entre o filho de Nahusha e os sábios do norte. E, ó grande príncipe, lá é o portão do Manasasarovara. No meio desta montanha uma brecha foi aberta por Rama. E aqui, ó príncipe de destreza incapaz de ser frustrada, é a região bem conhecida de Vatikhanda, a qual, embora adjacente ao portão de Videha, se encontra ao norte dele. E, ó touro entre homens, há outra coisa muito notável ligada a este local, isto é, que no término de cada yuga, o deus Siva, tendo o poder de assumir qualquer forma à vontade, pode ser visto com Uma e seus seguidores. Naquele lago também pessoas desejosas de assegurar bem-estar para a família propiciam com sacrifícios o portador do grande arco Pinaka, no mês de Chaitra. E pessoas de devoção tendo paixões sob controle, realizando suas abluções neste lago tornam- se livres de pecados e, sem dúvida, alcançam as regiões sagradas. Aqui é o tirtha sagrado chamado Ujjanaka, onde o sábio santo Vasistha com sua esposa Arundhati e também o sábio Yavakri obtiveram tranquilidade. Acolá é o lago Kausava, onde crescem os lotos chamados Kausesaya, e aqui também é o eremitério sagrado de Rukmini, onde ela alcançou a paz, depois de conquistar aquele sentimento mau, a raiva. Eu penso, ó príncipe, que tu ouviste alguma coisa sobre aquele homem de meditações, Bhrigutunga. Lá, ó rei, à tua frente está aquele topo imponente. E, ó principal dos reis, além é Vitasta, a corrente sagrada que absolve os homens de todos os pecados. A água daquela corrente é muito refrescante e límpida, e é amplamente usada pelos grandes sábios. Ó príncipe, veja os rios sagrados Jala e Upajala, em ambos os lados do Yamuna. Por realizar um sacrifício aqui o rei Usinara superou em grandeza o próprio Indra. E, ó descendente de Bharata, desejosos de testar o mérito de Usinara e também de conceder benefícios para ele, Indra e Agni se apresentaram no seu solo sacrifical. E Indra assumindo a forma de um falcão, e Agni a de um pombo, se aproximaram daquele rei. E o pombo por medo do falcão caiu sobre a coxa do rei, procurando sua proteção.'" "O falcão disse, 'Todos os reis da terra te descrevem como um soberano virtuoso. Por que, ó príncipe, tu então paraste para cometer um ato não sancionado pela ordenança? Eu estou muito atormentado pela fome. Não me negue aquilo que foi designado pela Divindade para meu alimento, sob a impressão de que assim tu serves aos interesses da virtude, uma vez que na verdade tu a abandonarás, (por cometeres esta ação).’ Nisso o rei disse, 'Ó melhor da raça emplumada, afligido por medo de ti, e desejoso de escapar das tuas garras esta ave se aproximou de mim apressadamente pedindo pela vida. Quando este pombo procurou minha proteção de tal maneira, por que tu não vês que o maior mérito está em eu não entregá-lo para ti? E ele está tremendo de medo, e está agitado, e está buscando sua vida de mim. Portanto abandoná-lo sem dúvida é censurável. Aquele que mata um Brahmana, aquele que mata uma vaca, a mãe universal de todos os mundos, e aquele que abandona alguém procurando por proteção são igualmente pecaminosos.' Então o falcão respondeu, 'Ó senhor da terra, é do alimento que todos os seres derivam sua vida, e é o alimento também que os nutre e sustenta. Um homem pode viver muito tempo mesmo depois de abandonar o que é mais querido para ele, mas ele não pode fazer isto depois de se abster de alimento. Sendo privada de alimento, minha vida, ó soberano de homens, certamente deixará este corpo, e alcançará regiões sem conhecimento de tais transtornos. Mas por causa da minha morte, ó rei pio, minha mulher e filhos certamente perecerão, e para proteger este único pombo. Ó príncipe, tu não proteges muitas vidas. A virtude que fica no caminho de outra virtude sem dúvida não é virtude em absoluto, mas na verdade é iniquidade. Mas, ó rei cuja destreza consiste na verdade, é digna do nome aquela virtude que não é contraditória. Depois de instituir uma comparação entre virtudes opostas, e de pesar seus méritos comparativos, uma pessoa, ó grande príncipe, deve aderir àquela que não é antagônica. Portanto, ó rei, encontrando um ponto de equilíbrio entre virtudes, adote aquela que prepondera.' Nisto o rei disse, 'Ó melhor das aves, como as palavras que tu falaste são repletas de muito benefício, eu suspeito que tu sejas Suparna, o monarca das aves. Eu não tenho a menor hesitação de declarar que tu conheces completamente os caminhos da virtude. Como tu falas maravilhas sobre a virtude, eu penso que não há nada ligado a ela que seja desconhecido para ti. Como tu podes então considerar o abandono de alguém, procurando por ajuda, como virtuoso? Teus esforços nesta questão, ó viajante dos céus, são em busca de alimento. Tu podes no entanto, apaziguar tua fome com algum outro tipo de alimento, ainda mais abundante. Eu estou totalmente disposto a obter para ti qualquer tipo de alimento que te possa parecer mais saboroso, mesmo que seja um boi, ou um javali, ou um veado, ou um búfalo.' Então o falcão disse, 'Ó grande rei, eu não estou desejoso de comer (a carne de) um javali ou de um boi ou das várias espécies de animais. O que eu tenho a ver com qualquer outro tipo de alimento? Portanto, ó touro entre Kshatriyas, deixe para mim este pombo, a quem hoje o Céu ordenou para meu alimento. Ó soberano da terra, que falcões comam pombos é a prescrição eterna. Ó príncipe, para suporte não abraces uma bananeira, não conhecendo sua falta de força.' O rei disse, 'Viajante dos céus, eu estou disposto a te conceder esta rica província da minha família, ou qualquer outra coisa que possa parecer desejável para ti. Com a única exceção deste pombo, o qual se aproximou de mim desejando minha proteção, eu ficarei contente em dar-te qualquer coisa que tu possas querer. Deixe-me saber o que eu terei que fazer para a libertação desta ave. Mas ele eu não devolverei para ti sob qualquer condição.' O falcão disse, 'Ó grande soberano de homens, se tu concebeste uma afeição por este pombo, então corte uma porção da tua própria carne, e pese-se em uma balança, contra este pombo. E quando tu a constatares igual (em peso) ao pombo, então a dê para mim, e isto será para a minha satisfação.' Então o rei respondeu, ‘Este teu pedido, ó falcão, eu considero como um favor para mim, e, portanto, eu darei mesmo para ti minha própria carne, depois de pesá-la em uma balança.’ Lomasa disse, 'Dizendo isto, ó filho poderoso de Kunti, o rei altamente virtuoso cortou uma parte da sua própria carne, e colocou-a em uma balança, contra o pombo. Mas quando ele verificou que o pombo excedia sua carne em peso, ele mais uma vez cortou outra porção de sua carne, e adicionou-a à primeira. Quando porção depois de porção tinha sido repetidamente somada para pesar contra o pombo e nenhuma carne mais restava em seu corpo, ele mesmo subiu na balança, completamente desprovido de carne. O falcão então disse, 'Eu sou Indra, ó rei virtuoso, e este pombo é Agni, o carregador da manteiga clarificada sacrifical. Nós viemos para o teu solo sacrifical desejosos de testar teu mérito. Já que tu cortaste tua própria carne do teu corpo, a tua glória será resplandecente, e superará a de todos os outros no mundo. Enquanto os homens, ó rei, falarem de ti, tua glória durará, e tu habitarás as regiões sagradas.' Dizendo isto para o rei, Indra ascendeu para o céu. E o rei virtuoso Usinara, depois de ter enchido o céu e a terra com o mérito de seus atos pios, ascendeu para o céu em uma forma radiante. Veja, ó rei, a residência daquele monarca de coração nobre. Aqui, ó rei, são vistos sábios santos e deuses, junto com Brahmanas virtuosos e de grande alma.’" 132 "Lomasa disse, 'Veja aqui, ó senhor de homens, o eremitério sagrado de Swetaketu, filho de Uddalaka, cuja fama como um perito nos mantras sagrados está tão amplamente espalhada sobre a terra. Este eremitério é agraciado com coqueiros. Aqui Swetaketu contemplou a deusa Saraswati em sua forma humana, e falou a ela, dizendo, ‘Que eu possa ser dotado do dom da palavra!’ Naquele yuga, Swetaketu, o filho de Uddalaka, e Ashtavakra, o filho de Kahoda, que tinham um com o outro a relação de tio e sobrinho, eram os melhores daqueles familiarizados com as tradições sagradas. Aqueles dois Brahmanas, de energia inigualável, tio e sobrinho, entraram no solo sacrifical do rei Janaka e lá derrotaram Vandin em uma discussão. Cultue, ó filho de Kunti, com teus irmãos, o eremitério sagrado dele que teve como seu neto Ashtavakra, que mesmo quando uma mera criança, foi a causa de Vandin ser afogado em um rio, depois tê-lo derrotado em uma disputa (literária).' Yudhishthira disse, ‘Conte-me, ó Lomasa, tudo acerca do poder deste homem que derrotou Vandin daquela maneira. Por que ele nasceu como Ashtavakra (torto em oito partes em seu corpo)?’ Lomasa disse, ‘O sábio Uddalaka tinha um discípulo chamado Kahoda de paixões subjugadas, e totalmente dedicado ao serviço de seu preceptor e que tinha continuado seus estudos por longo tempo. O Brahmana serviu seu professor por muito tempo, e seu preceptor, reconhecendo seu serviço, deu-lhe sua própria filha, Sujata, em casamento, assim como um domínio sobre os Shastras. E ela ficou grávida, radiante como fogo. E o embrião dirigiu-se a seu pai enquanto empenhado em leitura, 'Ó pai, tu tens estado lendo toda noite, mas (de tudo isso) a tua leitura não me parece estar correta. Mesmo no meu estado fetal eu, pela tua graça, me tornei versado nos Shastras e nos Vedas com seus vários ramos. Eu digo, ó pai, que o que procede da tua boca não está correto.' Assim insultado na presença de seus discípulos, o grande sábio com raiva amaldiçoou seu filho no útero, dizendo, 'Porque tu falaste dessa maneira enquanto ainda no útero, portanto tu serás torto em oito partes do corpo.' A criança consequentemente nasceu torta, e o grande sábio foi desde então conhecido pelo nome de Ashtavakra. Assim sendo, ele tinha um tio chamado Swetaketu que tinha a mesma idade que ele. Atormentada pelo crescimento da criança no útero, Sujata, desejosa de riquezas, cativando seu marido que não tinha riqueza lhe disse em particular: ‘Como eu lidarei, ó grande sábio, o décimo mês da minha gravidez tendo chegado? Tu não tens capital pelo qual eu possa me desembaraçar das necessidades, depois de eu ter sido libertada.’ Assim endereçado por sua mulher, Kahoda foi até o rei Janaka por riquezas. Lá ele foi derrotado em uma controvérsia por Vandin, bem versado na ciência de argumentação, e (em consequência) foi submerso em água. E sabendo que seu genro tinha sido derrotado em uma controvérsia por Vandin e feito ser afogado por ele, Uddalaka falou para sua filha Sujata, dizendo, 'Tu manterás isto em segredo de Ashtavakra.' Ela consequentemente guardou seu conselho, assim Ashtavakra, quando nasceu, não ouviu nada sobre o assunto. E ele considerava Uddalaka como seu pai e Swetaketu como seu irmão. E quando Ashtavakra estava no seu décimo segundo ano, Swetaketu um dia viu o primeiro sentado no colo de seu pai. E por causa disso ele puxou-o pela mão, e após Ashtavakra começar a chorar ele lhe disse, 'Este não é o colo do teu pai.' Esta comunicação cruel foi direto ao coração de Ashtavakra e aquilo magoou-o muito. E ele foi para casa e questionou sua mãe dizendo, 'Onde está meu pai?' Então Sujata que estava muito aflita (por causa sua pergunta), e receando uma maldição, disse-lhe tudo o que tinha acontecido. E tendo ouvido tudo, o Brahmana à noite disse para seu tio Swetaketu, 'Vamos ao sacrifício do rei Janaka, no qual há muitas coisas maravilhosas para serem vistas. Lá nós escutaremos a controvérsia entre os Brahmanas e compartilharemos de comida excelente. Nosso conhecimento também aumentará. A recitação dos Vedas sagrados é agradável de se ouvir e é repleta de bênçãos.' Então ambos, tio e sobrinho, foram ao sacrifício esplêndido do rei Janaka. E ao ser expulso da entrada Ashtavakra encontrou o rei e dirigiu-se a ele nas seguintes palavras. 133 Ashtavakra disse, 'Quando nenhum Brahmana é encontrado no caminho, o caminho pertence ao cego, ao surdo, às mulheres, transportadores de carga, e ao rei respectivamente. Mas quando um Brahmana é encontrado no caminho, este pertence a ele somente.' Então o rei disse, 'Eu dou o privilégio de entrar. Portanto, entre por qualquer caminho que tu queiras. Nenhum fogo mesmo muito pequeno deve ser desprezado. Até o próprio Indra se curva aos Brahmanas.' Nisto Ashtavakra disse, 'Nós viemos, ó soberano de homens, para testemunhar tua cerimônia sacrifical e nossa curiosidade, ó rei, é muito grande. E nós viemos aqui como convidados. Nós queremos a permissão da tua ordem (para entrar). E, ó filho de Indradyumna, nós viemos, desejosos de ver o sacrifício, e para encontrar o rei Janaka e falar a ele. Mas teu guarda nos impede e por isso nossa raiva nos queima como febre.' O guarda disse, 'Nós cumprimos as ordens de Vandin. Ouça o que eu tenho a dizer. Meninos não tem permissão para entrar aqui e são somente os Brahmanas idosos eruditos que são permitidos entrar.' Ashtavakra disse, 'Se esta é a condição, ó sentinela, que a porta é aberta somente para aqueles que são idosos, então nós temos o direito de entrar. Nós somos idosos e nós temos cumprido votos sagrados e estamos na posse de energia procedente do saber Védico. E nós temos servido nossos superiores e subjugado nossas paixões e também obtivemos proficiência em conhecimento. É dito que até meninos não devem ser desprezados, pois um fogo, embora seja pequeno, queima ao ser tocado.' O guarda respondeu, 'Ó Brahmana jovem, eu lhe considero um garoto, e portanto recite, se você sabe, o verso demonstrando a existência do Ser Supremo, e adorado pelos sábios divinos, e que, embora composto de uma letra, ainda é multifário. Não te gabe inutilmente. Homens eruditos são realmente muito raros.' Ashtavakra disse, 'Crescimento verdadeiro não pode ser inferido do mero desenvolvimento do corpo, como o crescimento dos nós da árvore Salmali não podem significar sua idade. É chamada de adulta aquela árvore que embora fina e baixa, dá frutos. Mas aquela que não dá frutos não é considerada como adulta.' O guarda disse, 'Meninos recebem instrução dos velhos e eles também com o tempo envelhecem. Conhecimento certamente não é obtenível em um tempo curto. Portanto então sendo uma criança tu falas como um homem velho?' Então Ashtavakra disse, 'Uma pessoa não é velha porque sua cabeça é cinzenta. Mas os deuses consideram como velho aquele que, embora uma criança em idade é possuidor de conhecimento. Os sábios não declaram que o mérito de um homem consiste em idade, ou cabelo cinzento, ou riqueza, ou amigos. Para nós é grande aquele que é versado nos Vedas. Eu vim aqui, ó porteiro, desejoso de ver Vandin na corte. Vá e informe o rei Janaka, que tem uma guirlanda de lotos em seu pescoço, que eu estou aqui. Tu hoje me verás entrar em uma disputa com os homens eruditos, e derrotar Vandin em uma controvérsia. E quando outros tiverem sido silenciados, os Brahmanas de conhecimento desenvolvido e o rei também com seus sacerdotes principais darão testemunho da qualidade superior ou inferior das minhas capacidades.' O guarda disse, 'Como podes tu, que estás somente no teu décimo ano, esperar entrar neste sacrifício, no qual são admitidos somente homens eruditos e educados? Eu, no entanto, tentarei alguns recursos para tua entrada. Tente tu mesmo também.' Ashtavakra então dirigindo-se ao rei disse, 'Ó rei, ó principal da linhagem de Janaka, tu és o soberano supremo e todo o poder jaz em ti. Nos tempos antigos, o rei Yayati era o celebrador de sacrifícios. E na época presente, és tu que és o realizador deles. Nós ouvimos que o erudito Vandin, depois de derrotar (em debate) homens peritos em discussão, faz eles serem afogados por criados leais empregados por ti. Sabendo disto, eu vim perante estes Brahmanas para expor a doutrina da unidade do Ser Supremo. Onde está Vandin agora? Diga-me para que eu passa me aproximar dele e destruí-lo, assim como o sol destrói as estrelas.’ Nisso o rei disse, 'Tu esperas derrotar Vandin, ó Brahmana, não conhecendo seu poder de palavra. Podem aqueles que estão familiarizados com seu poder falar como tu falas? Ele tem sido testado por Brahmanas versados nos Vedas. Tu esperas vencer Vandin somente porque tu não conheces seus poderes (de discurso). Muitos Brahmanas tem caído diante dele, assim como as estrelas diante do sol. Desejosas de derrotá-lo, pessoas orgulhosas de sua erudição perdem sua glória ao aparecerem perante ele, e se retiram da sua presença sem mesmo ousarem falar com os membros da assembleia.' Ashtavakra disse, 'Vandin nunca entrou em disputa com um homem como eu, e é por isto somente que ele se considera como um leão, e circula rugindo como um. Mas hoje me encontrando ele jazerá morto, assim como uma carroça na estrada, da qual as rodas foram desarranjadas.' O rei disse, 'É um homem realmente erudito somente aquele que compreende o significado da coisa que tem trinta divisões, doze partes, vinte e quatro juntas, e trezentos e sessenta raios.' Ashtavakra disse, 'Possa aquela roda sempre movente que tem vinte e quatro juntas, seis cubos, doze circunferências e sessenta raios proteger a ti!' (Esta roda é a roda do Tempo, medido de acordo com os ciclos solares, lunares e astrais. A consideração da resposta de Ashtavakra é esta: Possam os atos meritórios realizados em momentos apropriados, durante a revolução desta roda do Tempo, te proteger). O rei disse, 'Quem entre os deuses possui aqueles dois que seguem juntos como duas éguas (unidas a um carro), e se movem como um falcão, e o que também eles geram?' Ashtavakra disse, 'Possa Deus, ó rei, impedir a presença destes dois (trovão e relâmpago ou miséria e morte) na tua casa; sempre, até na casa de teus inimigos. Ele que aparece, tendo o vento como seu cocheiro (nuvem ou a mente), os gera, e eles também o produzem.' Nisso o rei disse, 'O que é que não fecha seus olhos mesmo enquanto dormindo; o que é que não se move, mesmo quando nascido; o que é que não tem coração; e o que cresce constante na sua própria velocidade?' Ashtavakra disse, 'É um peixe (o ser masculino que está sempre consciente) que não fecha suas pálpebras enquanto dormindo; é um ovo que não se move quando produzido; é a pedra (a alma que abandonou relação com o corpo) que não tem coração; e é um rio (o coração de um Yogue) que aumenta na sua própria velocidade.'” O rei disse, 'Parece, ó possuidor de energia divina, que tu não és um ser humano. Eu não te considero um menino, mas um homem maduro; não há outro homem que possa se comparar contigo na arte do discurso. Eu portanto te dou admissão. Lá está Vandin.'" 134 "Ashtavakra disse, 'Ó rei, ó líder de legiões ferozes, nesta assembleia de monarcas de poder inigualável que se reuniram eu sou incapaz de encontrar Vandin, chefe dos controversistas. Mas eu estou procurando por ele, assim como alguém procura um cisne em uma vasta extensão de água. Ó Vandin, tu te consideras como o principal dos controversistas. Quando entretanto te engajares comigo em aposta tu não serás capaz de fluir como a corrente de um rio. Eu sou como um fogo totalmente flamejante. Fique silencioso diante de mim, ó Vandin! Não desperte um tigre adormecido. Saiba que tu não escaparás não picado depois de pisar na cabeça de uma cobra venenosa, lambendo os cantos de sua boca com sua língua, e que foi machucada pelo teu pé. Aquele homem fraco que, em orgulho de força, tenta desferir um golpe em uma montanha somente consegue ferir suas mãos e unhas, mas nenhum ferimento é deixado na própria montanha. Como as outras montanhas são inferiores a Mainaka, e como bezerros são inferiores ao boi, assim todos os outros reis da terra são inferiores ao senhor de Mithila. E como Indra é o principal dos celestiais, e como o Ganga é o melhor dos rios, assim só tu és, ó rei, o maior dos monarcas. Ó rei, faça Vandin ser trazido à minha presença.' Lomasa disse, 'Dizendo isto, ó Yudhishthira, irado com Vandin, Ashtavakra assim trovejou na assembleia, e dirigiu-se a ele nestas palavras, 'Responda minhas perguntas, e eu responderei as tuas.' Nisso Vandin disse, 'Um único fogo brilha em várias formas; um único sol ilumina este mundo inteiro; um único herói, Indra, o senhor dos celestiais, destrói inimigos; e um único Yama é o senhor dos Pitris.’ (Ashtavakra foi ao sacrifício de Janaka com o objetivo de provar a unidade do Ser Supremo. Vandin se utiliza de vários sistemas de filosofia para combater seu oponente. Ele começa com o sistema Budista. A forma do diálogo é única na literatura sendo aquela de enigmas, e o significado latente está oculto de um modo estranho sob a aparência de combinações de coisas pueris e heterogêneas. Vandin abre a discussão por dizer que como o número de todos estes é um, assim somente o intelecto é o senhor, líder e guia dos sentidos). Ashtavakra disse, 'Os dois amigos, Indra e Agni, sempre se movem juntos; os dois sábios celestes são Narada e Parvata; gêmeos são os Aswinikumaras; dois é o número das rodas de um carro; e é como um par que marido e mulher vivem juntos, como ordenado pela divindade.' (Há uma revelação Védica que duas aves vivem juntas em uma árvore como amigas, uma delas come os frutos e a outra olha para a primeira. Disto é evidente que dois são os senhores, líderes, e guias dos sentidos. Que há uma segunda faculdade além do intelecto também é provado pelo fato que no sono quanto o intelecto está inativo aquela faculdade continua em ação, pois se não fosse assim nós não poderíamos lembrar de termos dormido, nem ligar o estado após acordar com aquele que precedeu o sono. Consequentemente por citar o número dois Ashtavakra afirma que além do intelecto há outra faculdade, consciência, e que estes dois são juntamente os senhores, líderes e guias dos sentidos e que eles agem juntos como Indra e Agni, etc.) Vandin disse, 'Três espécies de seres nascidos são produzidas por ações; os três Vedas juntos realizam o sacrifício Vajapeya; em três tempos diferentes, os Adhwaryus iniciam ritos sacrificais; três é o número de palavras, e três também são as luzes divinas.' (Por citar o número três Vandin que dizer que como são as Ações que produzem os três tipos de seres nascidos, etc, dessa maneira as Ações são supremas e que tudo mais, seja intelecto somente ou intelecto e consciência juntos, são subservientes às Ações). Ashtavakra disse, 'Quatro são os Asramas dos Brahmanas; as quatro classes realizam sacrifícios; quatro são os pontos cardeais; quatro é o número de cartas; e quatro também, como é sempre sabido, são as pernas de uma vaca.' (Ashtavakra aqui explica a tese que mesmo que as Ações sejam supremas, ainda assim quando o quarto ou Ser Supremo se torna manifesto na alma ela não tem mais necessidade de Ações). Vandin disse, 'Cinco é o número de fogos; cinco são as bases da métrica chamada Punki; cinco são os sacrifícios; cinco madeixas, é dito nos Vedas, estão nas cabeças das Apsaras; e cinco rios sagrados são conhecidos no mundo.' (Por trazer a série quinquenal Vandin deseja afirmar que os cinco sentidos são competentes para conhecer seus respectivos objetos e que além desses sentidos e seus objetos não há nem outro sentido para perceber nem outro objeto de percepção. Ele também cita a autoridade do Veda de acordo com o qual as Apsaras (ou consciência) tem cinco 'madeixas' em suas cabeças, isto é, cinco objetos de percepção). Ashtavakra disse, 'Seis vacas, é afirmado por alguns, são pagas como uma gratificação na ocasião de fixar o fogo sagrado; seis são as estações pertencentes à roda do tempo; seis é o número dos sentidos; seis estrelas constituem a constelação Kirtika; e seis, isto é encontrado em todos os Vedas, é o número do sacrifício Sadyaska.' (Além dos cinco sentidos Ashtavakra argumenta por um sentido adicional, isto é, a Mente, e consequentemente cita o número seis). Vandin disse, 'Sete é o número dos animais domesticados; sete são os animais selvagens; sete versos são usados ao completar um sacrifício; sete são os Rishis, sete formas de prestar homenagem são existentes (no mundo); e sete, é sabido, são as cordas do Vina.' (Vandin admite a existência dos seis sentidos mas diz que a alma experimenta felicidade e tristeza através deles assim como através do intelecto). Ashtavakra disse, 'Oito são as sacolas contendo uma centena; oito é o número das pernas do Sarabha, o qual mata leões para servir de alimento; oito Vasus, como nós ouvimos, estão entre os celestiais; e oito são os ângulos de yupa (estaca), em todos os ritos sacrificais.' (Ashtavakra sugere um oitavo elemento, a saber, o conhecimento do ego). Vandin disse, 'Nove é o número dos mantras usados em acender o fogo em sacrifícios para os Pitris; nove são as funções designadas nos processos de criação; nove letras compõe a base da métrica, Vrihati; e nove também é sempre o número dos algarismos (em cálculo).’ (Cada uma das três qualidades (existência, impureza e ignorância) de prakriti (a causa passiva ou material do mundo), se misturando com cada uma das três qualidades correspondentes de pradhana (a causa ativa ou espiritual do mundo) em várias proporções produz a ordem mundana das coisas. Dessa maneira é provada a eternidade de prakriti ou natureza e é também estabelecida a doutrina da dualidade). Ashtavakra disse, 'Dez é citado como sendo o número de pontos cardeais, passando para o conhecimento de homens neste mundo; dez vezes cem compõem mil; dez é o número de meses, no espaço dos quais as mulheres dão à luz; e dez são os professores do conhecimento verdadeiro, e dez, os que tem ódio dele, e dez além disso são aqueles capazes de aprendê-lo.' (Prakriti não cria realmente. É o Ser Supremo que através do instrumento da ilusão em contato com os dez órgãos (isto é, os cinco órgãos locomotivos e os cinco órgãos de sentido) faz manifesto o sistema de coisas. Prakriti portanto não tem existência real, sua existência é somente aparente na real existência da alma). Vandin disse, 'Onze são os objetos desfrutáveis pelos seres; onze é o número dos yupas; onze são as mudanças do estado natural relativo àqueles que tem vida; e onze são os Rudras entre os deuses no céu.' (Yupas (estacas) aqui significam sentimentos, etc, os quais mantêm os homens atados ao mundo. Rudras são aqueles que fazem outros chorarem. Vandin quer dizer que a alma não é essencialmente livre dos grilhões de alegria e tristeza que surgem dos onze objetos de percepção. Neste mundo todos os homens estão sujeitos à alegria e tristeza. Nós também sabemos que há Rudras no céu). Ashtavakra disse, ‘Doze meses compõem o ano; doze letras vão para a composição de uma base da métrica chamada Jagati; doze são os sacrifícios menores; e doze, segundo os eruditos, é o número dos Adityas.' (A Alma Suprema não afetada por alegria e tristeza realmente existe, mas Sua existência não é capaz de ser provada, nem pode o ignorante percebê-la alguma vez. Homens alcançam aquela condição através destes doze, isto é, virtude, veracidade, auto-domínio, penitências, benevolência, moderação, clemência, isenção de inveja, sacrifício, caridade, concentração e controle sobre os sentidos). Vandin disse, 'O décimo terceiro dia lunar é considerado o mais auspicioso; treze ilhas existem sobre a terra.’ (De acordo com alguns, esforços para alcançar a emancipação podem ser bem sucedidos não neste mundo mas no mundo de Brahma. Outros dizem que para este fim um Yoga especial é necessário. Por apresentar os objetos numerando treze, Vandin expõe a opinião que virtude e etc não são suficientes para propósitos de emancipação, mas que hora e local apropriados também são essenciais). Lomasa disse, 'Tendo procedido até aqui, Vandin parou. Imediatamente Ashtavakra forneceu a última metade do sloka. Ashtavakra disse, 'Treze sacrifícios são presididos por Kesi; e treze são devorados por Atichhandas, (as métricas mais longas) do Veda.’ (Ashtavakra conclui por citar o mesmo número treze. A alma, a qual é essencialmente livre, torna-se sujeita à alegria e tristeza através dos treze, isto é, os dez órgãos de locomoção e percepção, e intelecto, mente e egoísmo. Mas Atichhanadas, isto é, aqueles que tem superado a ignorância, a saber, os doze, virtude etc, destroem aqueles treze e isto é emancipação). E vendo Ashtavakra falando e o filho de Suta silencioso, e pensativo, e de cabeça baixa, a assembleia irrompeu em um longo tumulto. E quando o tumulto assim surgiu no sacrifício esplêndido realizado pelo rei Janaka, os Brahmanas, bem satisfeitos e com mãos unidas, aproximaram-se de Ashtavakra, e começaram a lhe prestar homenagem.' Então Ashtavakra disse, 'Antes disto, este homem, derrotando os Brahmanas em discussão, costumava lançá-los na água. Que Vandin hoje encontre com o mesmo destino. Agarrem-no e afoguem-no em água.' Vandin disse, 'Ó Janaka, eu sou o filho do rei Varuna. Simultaneamente com teu sacrifício, lá também começou um sacrifício que se estende por doze anos. É por isto que eu tenho despachado os principais Brahmanas para lá. Eles foram testemunhar o sacrifício de Varuna. Veja! Lá estão eles voltando. Eu presto homenagem ao venerável Ashtavakra, por cuja graça hoje eu me unirei àquele que me gerou.' Ashtavakra disse, 'Derrotando os Brahmanas ou por palavras ou sutileza, Vandin os lançava nas águas do mar. (Aquela verdade Védica a qual ele suprimiu por argumentos falsos) hoje eu resgatei por força do meu intelecto. Agora que homens sinceros julguem. Como Agni, que conhece o caráter de ambos: o bom e o mau, deixa não chamuscados por seu calor os corpos daqueles cujos projetos são honestos, e é assim parcial a eles, assim bons homens julgam as afirmações de meninos, embora carecendo do poder de discurso, e são dispostos favoravelmente em direção a eles. Ó Janaka, tu ouviste minhas palavras como se tivesses sido estupefato por consequência de teres comido o fruto da árvore Sleshmataki. Ou a lisonja roubou tua sabedoria, e por isto é que embora perfurado por minhas palavras como um elefante (pelo gancho), tu não as ouviste.' Janaka disse, 'Ouvindo tuas palavras eu as considero como excelentes e sobre- humanas. Tua forma também permanece manifesta como sobre-humana. Como tu hoje derrotaste Vandin em discussão eu o coloco à tua disposição.' Ashtavakra disse, 'Ó rei, Vandin, permanecendo vivo, não servirá a qualquer propósito meu. Se seu pai é realmente Varuna, que ele seja afogado no mar.' Vandin disse, 'Eu sou filho do rei Varuna. Eu (portanto) não tenho medo de ser afogado. Exatamente neste momento Ashtavakra verá seu pai perdido há muito, Kahoda.' Lomasa disse, 'Então ergueram-se diante de Janaka todos os Brahmanas, depois de terem sido devidamente adorados pelo magnânimo Varuna. Kahoda disse, 'É por isto, ó Janaka, que homens rogam por filhos, por realizarem ações meritórias. Aquilo no qual eu falhei foi realizado por meu filho. Pessoas fracas podem ter filhos dotados de força; burros podem ter filhos inteligentes; e o analfabeto pode ter filhos possuidores de sabedoria.' Vandin disse, 'É com teu machado afiado, ó monarca, que até Yama corta as cabeças de inimigos. Que a prosperidade te acompanhe! Neste sacrifício do rei Janaka, os principais hinos relativos aos ritos Uktha estão sendo cantados, e o suco Soma também está sendo bebido adequadamente. E os próprios deuses, pessoalmente e com corações alegres, estão aceitando suas partes sagradas.' Lomasa disse, 'Quando os Brahmanas tinham se erguido em esplendor intensificado, Vandin, recebendo permissão do rei Janaka, entrou nas águas do mar. E então Ashtavakra adorou seu pai, e ele mesmo também foi adorado pelos Brahmanas. E tendo assim derrotado o filho de Suta (Su significa excelente, e uta, sacrifício. O composto consequentemente significa: realizador de sacrifício excelente), Ashtavakra voltou para seu próprio eremitério excelente, na companhia de seu tio. Então na presença de sua mãe, seu pai dirigiu-se a ele, dizendo, '(Ó filho), entre rapidamente neste rio, Samanga.' E consequentemente ele entrou (na água). E quando ele mergulhou abaixo da água todos os seus membros (tortos) foram imediatamente tornados retos. E daquele dia em diante este rio veio a ser chamado de Samanga e ela tornou-se investida com as virtudes de purificar (pecados). Aquele que se banhar nela será libertado de seus pecados. Portanto, ó Yudhishthira, desça ao rio com teus irmãos e esposa, e realize tuas abluções. Ó filho de Kunti, ó descendente da linhagem de Ajamidha, vivendo felizmente e alegremente neste local junto com teus irmãos e os Brahmanas, tu realizarás comigo outros atos de mérito, estando aplicado em boas ações.'" 135 "Lomasa disse, 'Aqui, ó rei, é visível o rio Samanga, cujo antigo nome era Madhuvila, e lá é o lugar chamado Kardamila, o local de banho de Bharata. O marido de Sachi, quando caído em miséria por ter matado Vritra, ficou livre do seu pecado por realizar suas abluções em Samanga. Aqui, ó touro entre homens, é o local onde a montanha Mainaka afundou para o interior da terra; e por isso ele é chamado de Vinasana. Para obter filhos, aqui Aditi antigamente cozinhou aquele alimento célebre, (presidido pelo Ser Supremo). Ó, os touros entre homens subiram nesta montanha imponente e puseram um fim à sua miséria inglória indigna de ser proferida. Aqui, ó rei, diante de ti está a cordilheira Kanakhala, o recanto favorito dos sábios. E lá está o poderoso rio Ganga. Aqui, nos tempos antigos, o sábio santo Sanatkumara alcançou êxito ascético. Ó descendente da linhagem de Ajamidha, por realizar tuas abluções aqui neste rio, tu serás libertado de todos os teus pecados. Ó filho de Kunti, junto com teus ministros, toque (as águas) deste lago chamado Punya, e esta montanha Bhrigutunga e também (a água destes) dois rios, chamados Tushniganga. Aqui, ó filho de Kunti, aparece o eremitério do sábio Sthulasiras. Renuncie aqui à tua raiva e sentimento de presunção. Lá, ó filho de Pandu, é visto o belo eremitério de Raivya, onde pereceu o filho de Bharadwaja, Yavakari, profundo em saber Védico.' Yudhishthira disse, 'Como o sábio poderoso, Yavakri, filho do asceta Bharadwaja, alcançou profundidade nos Vedas? E como também ele pereceu? Eu estou ansioso para ouvir tudo isto, exatamente como aconteceu. Eu me deleito ao escutar a narração dos feitos de homens semelhantes a deuses.'” "Lomasa disse, 'Bharadwaja e Raivya eram dois amigos. E eles moravam aqui, sempre tendo grande alegria na companhia um do outro. Sendo assim, Raivya teve dois filhos, chamados Arvavasu e Paravasu. E, Bharadwaja, ó filho de Bharata, tive um único filho, chamado Yavakri. Raivya e seus dois filhos eram versados nos Vedas, enquanto Bharadwaja praticava ascetismo. Mas, ó filho de Bharata, desde sua meninice, a amizade existente entre aqueles dois era inigualável. Ó impecável, o orgulhoso Yavakri descobrindo que seu pai, que praticava ascetismo, era desdenhado pelos Brahmanas, enquanto Raivya com seus filhos era imensamente respeitado por eles, foi dominado pela tristeza, e ficou muito magoado. Por causa disso, ó filho de Pandu, ele iniciou austeridades severas, para (obter) o conhecimento dos Vedas. E ele expôs seu corpo a um fogo flamejante. Por assim praticar as austeridades mais rígidas, ele causou ansiedade na mente de Indra. Então Indra, ó Yudhishthira, foi até ele e dirigiu-se a ele dizendo, 'Por que, ó sábio, tu te tornaste engajado em praticar tais austeridades rígidas?' Yavakri disse, 'Ó tu adorado das hostes celestes, eu estou praticando penitências severas porque eu desejo que tal conhecimento dos Vedas como nunca foi adquirido por qualquer Brahmana possa se manifestar para mim. Ó conquistador de Paka, estes meus esforços são pelo saber Védico. Ó Kausika, pela força do meu ascetismo, eu pretendo obter todos os tipos de conhecimento. Ó senhor, um conhecimento dos Vedas como aprendido por meio de professores é adquirido em um longo tempo. Portanto, (com o objetivo de alcançar em pouco tempo uma proficiência nos Vedas), eu tenho aplicado estes grandes esforços.' Indra disse, 'Ó sábio Brahmana, o caminho que tu adotaste não é o caminho adequado. Para quê, ó Brahmana, tu destruirás a ti mesmo? Vá e aprenda dos lábios de um preceptor.'” "Lomasa disse, 'Ó filho de Bharata, tendo dito isto, Sakra foi embora, e Yavakri de energia incomensurável dirigiu sua atenção novamente ao ascetismo. Ó rei, nós sabemos que continuando as austeridades severas ele agitou muito Indra novamente. E o deus Indra, matador de Vala, novamente foi àquele grande sábio, que estava dedicado a penitências austeras; e proibiu-o, dizendo, ‘Tu estás te esforçando com o objetivo que o conhecimento Védico se manifeste para ti assim como para o teu pai; mas teus esforços nunca poderão ser bem sucedidos, nem esta tua ação é sensata.' Yavakri disse, 'Ó senhor dos celestiais, se tu não fizeres por mim o que eu quero, eu, cumprindo votos mais severos, praticarei penitências ainda mais rígidas. Ó senhor dos celestiais, saiba que se tu não realizares todos os meus desejos, eu então cortarei meus membros e os oferecerei como um sacrifício para um fogo ardente.'” "Lomasa disse, 'Conhecendo a determinação daquele sábio de grande alma, o sagaz Indra refletiu e descobriu um meio para dissuadi-lo. Então Indra assumiu o disfarce de um Brahmana asceta, de centenas de anos de idade, e enfermo, e sofrendo de definhamento. E ele se pôs a levantar uma represa com areia naquele local do Bhagirathi ao qual Yavakri costumava descer para realizar abluções. Porque Yavakri, principal dos Brahmanas, não prestava atenção às palavras de Indra, o último começou a encher o Ganga com areias. E sem cessar ele jogava punhados de areia no Bhagirathi, e começou a construir a represa atraindo a atenção do sábio. E quando aquele touro entre os sábios, Yavakri, viu Indra assim seriamente dedicado a construir a represa, ele irrompeu em risada, e disse as seguintes palavras, 'No que tu estás engajado, ó Brahmana, e qual teu objetivo? Por que tu, em vão, fazes este grande esforço?' Indra disse, 'Eu estou tentando, ó meu filho, represar o Ganga para que possa haver uma passagem cômoda. As pessoas experimentam dificuldade considerável em cruzar e recruzar (o rio) por barco.' Yavakri disse, 'Ó tu de riqueza ascética, tu não podes conter esta correnteza poderosa. Ó Brahmana, desista do que é impraticável e comece alguma coisa que seja praticável.' Indra disse, 'Ó sábio, eu me impus esta tarefa pesada, assim como, para obter um conhecimento dos Vedas, tu começaste estas penitências, as quais nunca poderão ser proveitosas.' Yavakri disse, 'Se, ó chefe dos celestiais, aqueles meus esforços são inúteis, assim como aqueles teus próprios, então, ó senhor de hostes celestes, por favor faça por mim o que é praticável. Conceda-me bênçãos pelas quais eu possa sobrepujar outros homens.'” "Lomasa disse 'Então Indra concedeu bênçãos, como foi pedido pelo asceta poderoso. Indra disse, 'Como tu desejaste, os Vedas serão manifestados para ti, sim, até para o teu pai. E todos os teus outros desejos também serão realizados. Volte para casa, ó Yavakri.' Tendo assim obtido o objeto de seu desejo, Yavakri foi até seu pai e disse, ‘Os Vedas, ó pai, serão revelados para ti também assim como para mim, e eu obtive benefícios pelos quais nós sobrepujaremos todos os homens.' Nisso Bharadwaja disse, 'Ó meu filho, como tu obtiveste os objetos do teu desejo, tu ficarás orgulhoso. E quando tu estiveres envaidecido com orgulho e também te tornado sem caridade, a destruição logo te alcançará. Ó meu filho, há uma anedota corrente narrada pelos deuses. Nos tempos antigos, ó filho, vivia um sábio chamado Valadhi, possuidor de grande energia. E em aflição por causa da morte de um filho, ele praticou as penitências mais severas para ter um filho que fosse imortal. E ele obteve um filho assim como ele desejava. Mas os deuses, embora dispostos muito favoravelmente (em direção a ele), ainda assim não fizeram seu filho imortal como os deuses. Eles disseram, 'Nunca um mortal pode ser tornado imortal. A vida do teu filho, no entanto, dependerá de alguma causa instrumental.' Por causa disso Valadhi disse, ‘Ó principais dos celestiais, estas montanhas vem existindo eternamente, e indestrutíveis, que elas sejam a causa instrumental da vida do meu filho.’ Posteriormente nasceu um filho para o sábio, chamado Medhavi. E ele tinha um temperamento muito irritável. E sabendo (do incidente do seu nascimento), ele se tornou soberbo e começou a insultar os sábios. E ele vagava pela terra fazendo injúria para os Munis. E um dia, encontrando com o sábio erudito Dhannushaksha dotado de energia, Medhavi maltratou-o. Então, o primeiro amaldiçoou-o dizendo, 'Seja reduzido à cinzas.' Medhavi, no entanto, não foi reduzido à cinzas. Então Dhannushaksha fez a montanha que era a causa instrumental da vida de Medhavi ser despedaçada por búfalos. E o rapaz pereceu, com a destruição da causa instrumental de sua vida. E abraçando seu filho morto, o pai de Medhavi começou a lamentar seu destino. Agora ouça de mim, ó meu filho, o que foi cantado pelos sábios familiarizados com os Vedas, quando eles encontraram o sábio lamentando. Um mortal nunca pode superar o que foi ordenado pelo Destino. Veja! Dhannushaksha conseguiu despedaçar até a montanha por meio de búfalos. Assim ascetas jovens, inflados com orgulho por terem obtido benefícios, perecem em pouco tempo. Não seja um eles. Raivya, ó meu filho, é possuidor de grande energia, e seus dois filhos são como ele. Portanto, seja cuidadoso, assim nunca te aproxime dele. Ó meu filho, Raivya é um grande asceta de um temperamento irritável. Quando zangado, ele pode te fazer mal.’ Yavakri disse, 'Eu farei como tu me ordenas. Ó pai, não nutra ansiedade de qualquer maneira por isso. Raivya merece meu respeito assim como tu, meu pai.' Tendo respondido para seu pai nestas palavras agradáveis, Yavakri, não temendo nada e ninguém, começou a se deleitar em ofender cruelmente outros Munis." 136 "Lomasa disse, 'Um dia no mês de Chaitra, enquanto vagava destemidamente à vontade, Yavakri aproximou-se do eremitério de Raivya. E, ó filho de Bharata, naquele eremitério belo, adornado com árvores portando flores, aconteceu de ele ver a nora de Raivya, passeando em volta como uma mulher Kinnara. E tendo perdido sua razão pela paixão, Yavakri desavergonhadamente falou para a moça tímida, dizendo, 'una-te a mim.' Então, conhecendo a natureza dele, e temerosa de uma maldição, assim como pensando no poder de Raivya, ela foi até ele dizendo, 'Eu concordo.' Então, ó filho de Bharata, recebendo-o em particular, ela o manteve acorrentado. Ó conquistador de inimigos, voltando para seu eremitério, Raivya encontrou sua nora, esposa de Paravasu, em lágrimas. Ó Yudhishthira, então consolando-a com palavras gentis ele questionou-a quanto à causa de sua angústia. Então a bela donzela lhe disse tudo o que Yavakri tinha dito para ela, e o que ela também tinha inteligentemente dito para ele. Sabendo daquele comportamento vulgar de Yavakri, a mente do sábio se inflamou, e ele ficou muito furioso. E sendo assim tomado pela ira, o grande sábio de um temperamento altamente irascível arrancou uma madeixa emaranhada de seu cabelo, e com mantras sagrados ofereceu-a como um sacrifício sobre o fogo sagrado. Nisto, surgiu disto uma mulher parecendo exatamente com sua nora. E então ele arrancou outra madeixa emaranhada de seu cabelo, e outra vez ofereceu-a como um sacrifício ao fogo. Imediatamente surgiu disto um demônio, terrível de se ver, e tendo olhos ferozes. Então aqueles dois falaram para Raivya, dizendo, 'O que nós faremos?' Nisso o sábio zangado disse para eles, 'Vão e matem Yavakri.' Então dizendo, 'Nós faremos (como tu ordenas)', eles dois partiram com a intenção de matar Yavakri. E com seus encantos, a mulher que o sábio generoso criou roubou de Yavakri seu pote de água sagrada. Então com sua lança erguida o demônio voou em Yavakri, quando ele tinha sido privado de seu pote de água e tornado impuro. E vendo o demônio se aproximar com lança erguida com o propósito de matá-lo, Yavakri levantou-se de repente e fugiu em direção a um tanque. Mas encontrando-o desprovido de água ele se apressou em direção a todos os rios. Mas eles também estavam todos secos. E sendo obstruído repetidas vezes pelo demônio feroz, segurando a lança, Yavakri apavorado tentou entrar no aposento Agnihotra de seu pai. Mas lá, ó rei, ele foi repelido por um guarda Sudra cego, e ele permaneceu na porta, agarrado pelo homem. E, encontrando Yavakri assim agarrado pelo Sudra, o demônio arremessou sua lança nele, após o que ele caiu morto, perfurado no coração. Depois de matar Yavakri, o demônio voltou até Raivya, e com a permissão daquele sábio começou a viver com a mulher." "Lomasa disse, 'Ó filho de Kunti, Bharadwaja voltou para seu eremitério depois de realizar seus deveres rituais do dia, e tendo coletado combustível sacrifical. E porque seu filho tinha sido morto, os fogos sacrificais que costumavam recebê-lo diariamente naquele dia aquele não se apresentaram para recebê-lo. E notando aquela mudança no Agnihotra, o grande sábio questionou o guarda Sudra cego sentado lá, dizendo, 'Por que é que, ó Sudra, esses fogos não se regozijam à visão de mim? Tu também não te regozijas como é teu hábito. Está tudo bem com meu eremitério? Eu espero que meu filho de pouca inteligência não tinha ido ao sábio Raivya. Responda depressa, ó Sudra, todas estas minhas perguntas. Minha mente me faz ter apreensões.' O Sudra disse, 'Teu filho de pouca inteligência foi até o sábio Raivya, e portanto é aquele que jaz prostrado (no chão), tendo sido morto por um demônio poderoso. Sendo atacado pelo Rakshasa, segurando uma lança, ele tentou forçar seu caminho para este quarto, e eu portanto barrei seu caminho com meus braços. Então desejoso de ter água, em um estado impuro, como ele ficou desesperado, ele foi morto pelo Rakshasa impetuoso, carregando uma lança em sua mão.' Ao ouvir do Sudra sobre aquela grande calamidade, Bharadwaja, muito atormentado pela dor, começou a lamentar, abraçando seu filho morto. E ele disse, 'Ó meu filho, foi para o bem dos Brahmanas que tu praticaste penitências, com a intenção que os Vedas não estudados por qualquer Brahmana pudessem ser revelados para ti. Teu comportamento para com os Brahmanas sempre tinha sido para o bem deles, e tu também eras inofensivo em relação a todas as criaturas. Mas, ai! (finalmente) tu decaíste em rudeza. Eu te proibi, ó meu filho, de visitar a residência de Raivya; mas ai! para aquele mesmo eremitério, (destrutivo para ti) como o próprio deus da morte, Yama, tu te dirigiste. De mente má é aquele homem que, (sabendo que eu) sou um homem velho, e também que (Yavakri) era meu filho único, entregou-se à cólera. É devido à ação de Raivya que eu sofri a perda do meu filho. Sem ti, ó meu filho, eu desistirei da minha vida, a coisa mais preciosa no mundo. Em aflição pela morte do meu filho eu renuncio à minha vida; mas isto eu digo: que o filho mais velho de Raivya em pouco tempo o matará embora ele seja inocente. Abençoados são aqueles para quem filhos nunca nasceram, pois eles levam uma vida feliz, sem terem que experimentar a dor (incidente à morte de um filho). Quem neste mundo pode ser mais perverso do que aquele que por aflição, e privado de sua razão pela tristeza resultante da morte de um filho, amaldiçoa até seu amigo mais querido? Eu encontrei meu filho morto, e, portanto, amaldiçoei meu amigo mais querido. Ah! que segundo homem pode haver neste mundo, destinado a sofrer uma desgraça tão dolorosa?' Tendo lamentado longamente Bharadwaja cremou seu filho e então entrou ele mesmo em um fogo totalmente ardente.'" "Lomasa disse, 'Naquela mesma época, o poderoso rei Vrihadyumna, de grande prosperidade, que era o Yajamana de Raivya, começou um sacrifício. E os dois filhos de Raivya, Arvavasu e Paravasu, foram empregados por aquele monarca inteligente para ajudá-lo na realização da cerimônia. E, ó filho de Kunti, recebendo a permissão de seu pai, eles dois foram para o sacrifício, enquanto Raivya com a esposa de Paravasu permaneceram no eremitério. E veio a se passar que um dia, desejoso de ver sua esposa, Paravasu voltou para casa sozinho. E ele encontrou seu pai na floresta, envolvido na pele de um antílope preto. E a noite estava adiantada e escura; e Paravasu, cego pela sonolência naquela floresta profunda, confundiu seu pai com um veado desgarrado. E confundindo-o com um veado, Paravasu, por causa de segurança pessoal, sem querer matou seu pai. Então, ó filho de Bharata, depois de realizar a cerimônia fúnebre (de seu pai), ele voltou para o sacrifício e lá dirigiu-se a seu irmão dizendo, 'Tu nunca serás capaz de realizar esta tarefa sem ajuda. Eu porém, matei nosso pai, confundindo-o com um veado. Ó irmão, cumpra um voto por mim, prescrito no caso do assassinato um Brahmana. Ó Muni, eu serei capaz de realizar este trabalho (sacrifício), sem qualquer assistente.' Arvavasu disse, 'Então oficie tu mesmo neste sacrifício do talentoso Vrihadyumna; e por ti eu irei, trazendo meus sentidos sob controle perfeito, cumprir o voto prescrito no caso do assassinato de um Brahmana.'” "Lomasa disse, 'Tendo cumprido o voto relativo ao assassinato de um Brahmana, o sábio Arvavasu voltou ao sacrifício. Vendo seu irmão chegar, Paravasu, em timbre de voz abafado pela malícia, dirigiu-se a Vrihadyumna, dizendo, 'Ó rei, cuide para que este assassino de um Brahmana não entre no teu sacrifício, nem olhe para ele. Até por um olhar o assassino de um Brahmana pode, sem dúvida, te prejudicar.' Ó senhor de homens, imediatamente ao ouvi-lo, o rei mandou seus servidores (expulsarem Arvavasu). Ó rei, ao ser expulso pelos servidores do rei, e repetidamente endereçado por eles: 'Ó assassino de um Brahmana!’ Arvavasu mais do que uma vez gritou, ‘Não fui eu quem matou um Brahmana. Nem ele próprio cumpriu o voto por sua própria causa.’ Ele disse que seu irmão tinha cometido o pecado, e que ele o tinha libertado disso. Tendo dito aquilo com raiva, e sendo repreendido pelos servidores, o sábio Brahmana de penitências austeras retirou-se em silêncio para as florestas. Lá, dirigindo-se às penitências mais severas, o grande Brahmana procurou a proteção do Sol. Nisso a revelação ensinando o mantra relativo ao culto do Sol tornou-se manifesta para ele e aquela divindade eterna que obtinha sua parte (da manteiga sacrifical) primeiro, apareceu diante dele em uma forma incorporada.'” "Lomasa disse, 'Os celestiais, ó rei, estavam bem satisfeitos com Arvavasu por suas ações. E eles o fizeram ser empregado como o sacerdote chefe no sacrifício (de Vrihadyumna), e Paravasu ser despedido dele. Então Agni e os outros celestiais (por iniciativa própria) concederam benefícios para Arvavasu. E ele também rogou que seu pai fosse devolvido à vida. Ele em seguida pediu que seu irmão fosse absolvido de seu pecado; que seu pai não tivesse recordação de ter sido morto; que Bharadwaja e Yavakri fossem ambos devolvidos à vida; e que a revelação solar alcançasse celebridade (sobre a terra). Então o deus disse, 'Assim seja' e conferiu a ele outros benefícios também. Por causa disso, ó Yudhishthira, todas aquelas pessoas recuperaram sua vida. Yavakri então dirigiu-se à Agni e às outras divindades, dizendo, 'Eu obtive um conhecimento de todos os Vedas, e também pratiquei penitências. Como aconteceu então, ó principais dos imortais, que Raivya conseguiu me matar daquela maneira?' Nisso os deuses disseram, 'Ó Yavakri, nunca aja novamente como fizeste. Isto sobre o que tu perguntas é realmente possível, pois tu aprendeste os Vedas sem esforço e sem a ajuda de um preceptor. Mas este homem (Raivya) suportando várias dificuldades, satisfez seu preceptor por meio de seu comportamento, e obteve (do último) os Vedas excelentes através de grandes esforços e em um longo tempo.'” "Lomasa disse, 'Tendo dito isto para Yavakri, e devolvido todos aqueles à vida, os celestiais com Indra em sua vanguarda ascenderam para o céu. Aqui, ó Yudhishthira, é o eremitério sagrado daquele sábio, embelezado com árvores dando flores e frutos em todas estações. Ó tigre entre reis, residindo neste local tu serás libertado de todos os teus pecados.'" 139 "Lomasa disse, 'Ó descendente de Bharata, ó rei, agora tu deixaste para trás as montanhas Usiravija, Mainaka e Sweta, assim como as colinas Kala. Ó filho de Kunti, ó touro entre os descendentes de Bharata, aqui fluem à tua frente os sete Gangas. Este local é puro e sagrado. Aqui Agni resplandece sem intervalo. Nenhum filho de Manu é capaz de obter uma visão desta maravilha. Portanto, ó filho de Pandu, concentre tua mente para que possas contemplar atentamente estes tirthas. Agora tu verás a área de atividade dos deuses, marcada com suas pegadas, assim como nós percorremos a montanha Kala. Nós agora ascenderemos aquele penhasco branco, a montanha Mandara, habitada pelos Yakshas, Manibhadra e Kuvera, rei dos Yakshas. Ó rei, neste local oitenta mil Gandharvas velozes, e quatro vezes tantos Kimpurushas e Yakshas de vários aspectos e formas, segurando várias armas, servem Manibhadra, rei dos Yakshas. Nestas regiões seu poder é muito grande. E em velocidade eles são assim como o vento. Eles podem, sem dúvida, tirar até o senhor dos celestiais de seu assento. Protegidas por eles, e também guardadas pelos Rakshasas, estas montanhas tornaram-se inacessíveis. Portanto, ó filho de Pritha, concentre os teus pensamentos. Além disto, ó filho de Kunti, aqui estão os ministros ferozes de Kuvera e sua família Rakshasa. Nós teremos que encontrar com eles, e, portanto, ó filho de Kunti, reúna tuas energias. Ó rei, a montanha Kailasa tem seis yojanas de altura. Ela contém uma gigantesca árvore de jujubas. E, ó filho de Kunti, inúmeros deuses e Yakshas e Rakshasas e Kinnaras e Nagas e Suparnas e Gandharvas percorrem este caminho, ao irem em direção ao palácio de Kuvera. Ó rei, protegido por mim, assim como pelo poder de Bhimasena, e também em virtude do teu próprio ascetismo e autodomínio, misture-te hoje com eles. Possa o rei Varuna e Yama, conquistador de batalhas, e Ganga, e Yamuna, e esta montanha, e os Maruts e os gêmeos Aswins, e todos os rios e lagos, conceder tua segurança. E, ó refulgente, que tu possas ter segurança de todos os celestiais e dos Asuras, e dos Vasus. Ó Deusa Ganga, eu ouço o teu ribombar desta montanha dourada, sagrada para Indra. Ó Deusa de grande ventura, nestas regiões montanhosas, proteja o rei, adorado por todos da linhagem de Ajamidha. Ó filha da montanha (Himalaya), este rei está prestes a entrar nestas regiões montanhosas. Portanto, conceda proteção a ele.' Tendo se dirigido assim ao rio, Lomasa ordenou Yudhishthira, dizendo, 'Seja cuidadoso.' Yudhishthira disse, ‘Esta confusão de Lomasa é sem precedentes. Portanto, protejam Krishna e não sejam descuidados. Lomasa conhece este lugar como de acesso difícil sem dúvida. Portanto, pratiquem aqui a máxima limpeza.’” "Vaisampayana disse, ‘Ele em seguida dirigiu-se a seu irmão Bhima de bravura imensa, dizendo, 'Ó Bhimasena, proteja Krishna com cuidado. Arjuna esteja perto ou longe, Krishna em momentos de perigo sempre procura proteção de ti somente.' Então o monarca de grande alma aproximou-se dos gêmeos, Nakula e Sahadeva, e depois de cheirar suas cabeças, e esfregar seus corpos, com lágrimas disse para eles, 'Não temam. Prossigam, no entanto, com cautela."' 140 "Yudhishthira disse, 'Ó Vrikodara, há espíritos invisíveis poderosos e fortes neste local. Nós, no entanto, passaremos por ele pelo mérito do nosso ascetismo e sacrifícios Agnihotra. Ó filho de Kunti, portanto, reprima tua fome e sede por reunir tuas energias, e também, ó Vrikodara, recorra à tua força e inteligência. Ó filho de Kunti, tu ouviste o que o sábio (Lomasa) disse com relação ao monte Kailasa. Determine, portanto, depois de deliberação, como Krishna passará pelo local. Ou, ó poderoso Bhima de olhos grandes, retorne daqui, levando contigo Sahadeva, e todos os nossos cocheiros, cozinheiros, empregados, carros, cavalos, e Brahmanas desgastados pela viagem, enquanto eu junto com Nakula e o sábio Lomasa de austeridades severas prosseguiremos, subsistindo da dieta mais leve e cumprindo votos. Na expectativa da minha volta, espere cautelosamente na fonte do Ganga, protegendo Draupadi até eu retornar.' Bhima respondeu, 'Ó descendente de Bharata, embora esta princesa abençoada esteja muito aflita pelo esforço e pobreza, ainda assim ela prossegue facilmente, na esperança de ver ele de corcéis brancos (Arjuna). Teu desânimo também já é muito grande ao não veres Arjuna de grande alma, que nunca foge da luta. Ó Bharata, é desnecessário então dizer que se tu não vires nem eu mesmo nem Sahadeva nem Krishna, teu desânimo sem dúvida aumentará. Seria melhor os Brahmanas voltarem com nossos empregados, cocheiros, cozinheiros e quem quer mais que tu possas mandar. Eu nunca te deixarei nestas regiões montanhosas inacessíveis e acidentadas, infestadas por Rakshasas. E, ó tigre entre homens, também esta princesa de grande ventura, sempre devotada a seus maridos, não deseja voltar sem ti. Sahadeva é sempre devotado a ti; ele também nunca retrocederá seus passos. Sua disposição é conhecida por mim. Ó rei, ó monarca poderoso, nós estamos todos ávidos para ver Savyasachin, e portanto, nós vamos todos juntos. Se nós formos incapazes de prosseguir sobre esta montanha em nossos carros, cheia como ela é de desfiladeiros, bem, nós seguiremos a pé. Não te incomode, ó rei, eu carregarei a filha de Panchala onde quer que ela seja incapaz de andar. Ó rei, eu já decidi sobre isto. Portanto não deixe tua mente ser distraída. Eu também carregarei por regiões inacessíveis aqueles heróis de corpo delicado, os gêmeos, a alegria de sua mãe, onde quer que eles sejam incapazes de prosseguir.' Yudhishthira disse, 'Que tua força aumente, ó Bhima, já que tu falas dessa maneira, e porque tu audaciosamente te comprometes a carregar a ilustre Panchali e estes gêmeos. Abençoado seja! Tal coragem não habita em qualquer outro indivíduo. Que tua força, fama, mérito, e reputação aumentem! Ó de braços longos, como tu te ofereces para carregar Krishna e nossos irmãos os gêmeos, exaustão e derrota nunca serão tuas!’" Vaisampayana disse, "Então a encantadora Krishna disse com um sorriso, 'Ó descendente de Bharata, eu serei capaz de prosseguir, e, portanto, não fique tão ansioso por minha causa.' Lomasa disse, 'Acesso à montanha Gandhamadana é obtido somente por força de ascetismo. Portanto, ó filho de Kunti, todos nós praticaremos austeridades. Ó rei, Nakula, Sahadeva, Bhimasena, tu e eu mesmo então veremos ele dos corcéis brancos, ó filho de Kunti.'" Vaisampayana disse, "Ó rei, assim conversando juntos, eles viram com encanto os domínios extensos de Suvahu, situados nos Himalayas cheios de cavalos e elefantes, densamente habitados pelos Kiratas e os Tanganas, apinhados por centenas de Pulindas, frequentados pelos celestiais, e bem providos de maravilhas. O rei Suvahu, o senhor dos Pulindas, recebeu-os alegremente nas fronteiras de seus domínios, prestando-lhes respeito apropriado. Tendo sido assim recebidos com honra, e tendo morado confortavelmente naquele local, eles partiram para a montanha Himalaya, quando o sol brilhava gloriosamente no firmamento. E, ó rei, tendo confiado aos cuidados do senhor dos Pulindas todos os seus empregados, Indrasena e os outros, e os cozinheiros e os camareiros, e os ornamentos de Draupadi, e tudo mais, aqueles quadrigários poderosos, os filhos dos Kurus, dotados de grande coragem, saíram daquele país, e começaram a proceder cautelosamente com Krishna, todos eles alegres na esperança de ver Arjuna. Yudhishthira disse, 'Ó Bhimasena, ó Panchali, e ó gêmeos, ouçam minhas palavras. As ações feitas (por uma pessoa) em um nascimento anterior não perecem, (sem produzir seus efeitos). Vejam! Até nós nos tornamos caminhantes da selva. Até vermos Dhananjaya, esgotados e afligidos como nós estamos, nós temos que auxiliar uns aos outros, e passar por lugares intransponíveis. Isto me queima assim como fogo a uma pilha de algodão. Ó herói, eu não vejo Dhananjaya ao meu lado. Eu resido na floresta com meus irmãos mais novos, ansioso para vê-lo. Este pensamento, como também a memória daquele insulto grave oferecido a Yajanaseni me consomem. Ó Vrikodara, eu não vejo o invencível Partha de arco forte e energia incomparável, e que é o mais velho imediato à Nakula. Por isto, ó Vrikodara, eu estou infeliz. Para ver aquele herói, Dhananjaya, firme em promessa, por estes cinco anos eu tenho estado vagando em vários tirthas e florestas e lagos belos e eu ainda não encontrei com ele. Por isto, ó Vrikodara, eu estou infeliz. Eu não vejo Gudakesa de braços longos, de cor azul escura, e andar leonino. Por isto, ó Vrikodara, eu estou infeliz. Eu não vejo aquele principal dos Kurus, ilustre em armas, habilidoso em luta, e sem igual entre os arqueiros. Por isto, ó Vrikodara, eu estou infeliz. Eu estou aflito pois eu não vejo aquele filho de Pritha, Dhananjaya, nascido sob a influência da estrela Phalguni; caminhando entre inimigos assim como Yama na hora da dissolução universal; possuidor da bravura de um elefante com o suco temporal escorrendo; dotado de ombros leoninos; não inferior ao próprio Sakra em destreza e energia; o mais velho em idade aos gêmeos; de corcéis brancos; inigualável em heroísmo; invencível; e manejando um arco forte. Por isto, ó Vrikodara, eu estou infeliz. E ele é sempre de um temperamento clemente, mesmo quando insultado pelo indivíduo mais vil. E ele concede benefício e proteção para os justos; mas para aquela pessoa traiçoeira que por artifício tenta lhe causar dano Dhananjaya é como veneno virulento, ainda que aquele alguém fosse o próprio Sakra. E o poderoso Vibhatsu de alma incomensurável e possuidor de grande força demonstra piedade e estende proteção até para um inimigo quando caído. E ele é o refúgio de nós todos e ele oprime seus inimigos em combate. E ele tem o poder para arrecadar qualquer tesouro, e ele contribui para nossa felicidade. Foi por meio do heroísmo dele que eu possuí antigamente incontáveis jóias preciosas de várias espécies as quais no momento Syodhana usurpou. Foi pelo poder dele, ó herói, que antes eu possuía aquele anfiteatro suntuoso embelezado com jóias de todos os tipos e célebre por todos os três mundos. Ó filho de Pandu, em destreza, Phalguni é como Vasudeva, e em luta ele é invencível e inigualável assim como Kartavirya. Ai! Eu não vejo ele, ó Bhima. Em poder, aquele conquistador de inimigos segue o mesmo caminho do invencível e mais poderoso Sankarshana (Valarama) e Vasudeva. Em força de braços e espírito, ele é semelhante ao próprio Purandara. E em rapidez, ele é assim como o vento, e em graça, como a lua, e em ira, ele é a própria Morte eterna. Ó de braços poderosos, com o objetivo de contemplar aquele guerreiro tigre entre homens nós iremos para a montanha Gandhamadana, onde está localizado o eremitério de Nara e Narayana no terreno da célebre árvore de jujubas, e que é habitada pelos Yakshas. Nós veremos aquela melhor das montanhas. E, praticando austeridades rígidas somente a pé nós iremos para o belo lago de Kuvera guardado por Rakshasas. Aquele lugar não pode ser alcançado por veículos, ó Vrikodara. Nem pessoas cruéis ou avarentas, ou irascíveis podem alcançar aquele local, ó filho de Bharata. Ó Bhima, para ver Arjuna, nós iremos para lá na companhia de Brahmanas de votos estritos, cingindo nossas espadas, e empunhando nossos arcos. Somente aqueles que são impuros encontram moscas, moscardos, mosquitos, tigres, leões, e répteis, mas os puros nunca topam com eles. Portanto, regulando nossa alimentação e reprimindo nossos sentidos, nós iremos para Gandhamadana, desejosos de ver Dhananjaya.'" 141 "Lomasa disse, ‘Ó filhos de Pandu, vocês viram muitas montanhas, e rios e cidades e florestas e tirthas belos; e tocaram com suas mãos as águas sagradas. Agora este caminho leva à montanha celeste Mandara; portanto estejam atentos e calmos. Vocês agora se dirigirão à residência dos celestiais e dos sábios divinos de ações meritórias. Aqui, ó rei, flui o rio poderoso e belo (Alakananda) de água sagrada adorado por hostes de celestiais e sábios, e seguindo sua fonte para (o terreno da) árvore de jujuba. Ele é frequentado e adorado por Vaihayasas de grande alma, Valakhilyas e Gandharvas de almas poderosas. Acostumados a cantar os hinos Sama, os sábios Marichi, Pulaha, Bhrigu e Angiras os cantaram neste local. Aqui o senhor dos celestiais realiza com os Maruts suas orações diárias. E os Sadhyas e os Aswins o atendem. O sol, a lua e todos os corpos luminosos com os planetas recorrem a este rio, alternadamente de dia e de noite. Ó monarca altamente afortunado, aquele protetor do mundo; Mahadeva, tendo um touro como seu símbolo, recebeu sobre sua cabeça a queda das águas deste rio, na fonte do Ganga. Ó filhos, aproximem-se desta deusa dos seis atributos e curvem-se diante dela com mentes concentradas.' Ouvindo as palavras de Lomasa de grande alma, o filho de Pandu adorou com reverência o rio (Ganga), fluindo pelo firmamento. E depois de tê-la adorado os filhos pios de Pandu retomaram sua viagem acompanhados pelos sábios. E aconteceu daqueles melhores dos homens verem a uma distância um objeto branco de proporções vastas, assim como Meru e se estendendo por todos os lados. E sabendo que os filhos de Pandu questionariam (a ele), Lomasa versado em discurso disse, 'Ouçam, ó filhos de Pandu! Ó melhores dos homens, o que vocês vêem perante vocês, de proporções vastas semelhante a uma montanha e belo como o penhasco Kailasa, é uma coleção dos ossos do poderoso Daitya Naraka. Sendo colocada em uma montanha, ela parece com uma. O Daitya foi morto por aquela Alma Suprema, o Deus eterno Vishnu, para o bem do senhor dos celestiais. Visando a posse do lugar de Indra, pela força de saber austero e Védico, aquele (demônio) de mente poderosa praticou penitências rígidas por dez mil anos. E por causa do ascetismo dele, como também da força e poder de seus braços ele tornou-se invencível e sempre atormentava (Indra). E, ó impecáveis, conhecendo sua força e austeridade e observância de votos religiosos, Indra ficou agitado e foi dominado pelo medo. E mentalmente ele pensou na divindade eterna, Vishnu. E nisso o senhor gracioso do universo, que está presente em todos os lugares, apareceu e ficou diante dele manifesto. E os sábios e celestiais começaram a propiciar Vishnu com orações. E na sua presença até Agni de seis atributos e de beleza resplandecente, sendo dominado por seu resplendor, ficou desprovido de brilho, e vendo à sua frente o Deus Vishnu, o chefe dos celestiais que maneja o raio, reverenciando com cabeça baixa prontamente informou Vishnu da fonte de seu medo. Então Vishnu disse, 'Eu sei, ó Sakra, que teu medo procede de Naraka, aquele senhor dos Daityas. Pelo mérito de suas ações ascéticas bem sucedidas ele visa a posição de Indra. Portanto, para te contentar, eu sem dúvida separarei sua alma de seu corpo, embora ele tenha alcançado sucesso em ascetismo. Tu, senhor dos celestiais, espere um momento.' Então o extremamente poderoso Vishnu privou (Naraka) de seus sentidos (por golpeá-lo) com sua mão. E ele caiu sobre a terra assim como o monarca das montanhas atingido pelo (raio). Ele foi morto dessa maneira por um milagre e seus ossos jazem reunidos neste local. Aqui também é manifestado outro ato de Vishnu. Uma vez a terra inteira, tendo sido perdida e afundado para as regiões inferiores, foi levantada por ele na forma de um javali que tinha uma única presa.' Yudhishthira disse, 'Ó venerável, conte especificamente como Vishnu, o senhor dos celestiais, ergueu a terra afundada cem yojanas? De que maneira também aquele suporte de todas as coisas criadas, a deusa Terra de grande ventura, que dispensa bênçãos e produz todos os tipos de grãos foi tornada estável? Pelo poder de quem ela afundou uma centena de yojanas para baixo, e sob que circunstâncias foi exibida esta maior façanha do Ser Supremo? Ó chefe da linhagem de duas vezes nascidos, eu desejo ouvir tudo acerca disto em detalhes como aconteceu. Certamente isto é conhecido por ti.' Lomasa disse, 'Ó Yudhishthira, escute a tudo detalhadamente enquanto eu relato a história, a qual tu me pediste (para narrar). Ó filho, antigamente, houve (uma vez) um tempo terrível no Krita Yuga quando a Divindade eterna e primordial assumiu as funções de Yama. E, ó tu que nunca recuas, quando o Deus dos deuses começou a realizar os deveres de Yama não morria uma criatura enquanto os nascimentos eram como de hábito. Então começaram a se multiplicar aves e animais e vacas, e ovelhas, e veados e todas as espécies de animais carnívoros. Ó tigre entre homens e vencedor de inimigos, então a raça humana também aumentou aos milhares assim como uma corrente de água. E, ó meu filho, quando o aumento da população tinha sido tão extraordinário, a Terra oprimida com a carga excessiva afundou cem yojanas abaixo. E sofrendo dor em todos os seus membros, e sendo privada de seus sentidos pela pressão excessiva, a terra em aflição procurou a proteção de Narayana, o principal dos deuses. A terra falou dizendo, 'É por teu favor, ó possuidor dos seis atributos, que eu fui capaz de permanecer até agora na minha posição. Mas eu fui superada pelo peso e agora eu não posso me segurar mais. Cabe a ti, ó encantador, aliviar esta minha carga. Eu procurei tua proteção. Ó senhor; e tu, portanto, estenda a mim tua benevolência.' Ouvindo estas palavras dela, o senhor eterno, possuidor dos seis atributos, disse complacentemente, em palavras proferidas em letras distintas. Vishnu disse, 'Tu não precisas temer, ó Terra aflita, a portadora de todos os tesouros. Eu agirei para que tu possas ser feita leve.'” "Lomasa disse, 'Tendo assim despedido a Terra, que tem as montanhas como seus brincos, ele transformou-se de repente em um javali com uma presa, e de refulgência excelente. Causando terror com seus olhos vermelhos brilhantes e emitindo vapores de seu brilho ardente, ele começou a aumentar em magnitude naquela região. Ó herói, então segurando a terra com sua única presa radiante aquele ser que permeia os Vedas ergueu-a cem yojanas. E enquanto ela estava sendo assim erguida seguiu-se uma grande agitação e todos os celestiais, junto com os sábios de riqueza ascética ficaram agitados. E o céu, e o firmamento, e também a Terra ficaram cheios de exclamações de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ e nem os celestiais nem homens podiam descansar em paz. Então incontáveis celestiais junto com os sábios foram até Brahma, que estava sentado queimando por assim dizer no seu (próprio) brilho. Então se aproximando de Brahma, o senhor dos celestiais, e a testemunha das ações de todos os seres, eles com mãos cruzadas falaram as seguintes palavras, 'Ó senhor dos celestiais, todos os seres criados ficaram agitados e as criaturas móveis e imóveis estão inquietas. Ó senhor dos celestiais, até os oceanos encontram-se agitados e esta terra inteira foi uma centena de yojanas para baixo. O que há? E é por influência de quem que o universo inteiro está em agitação? Por favor explique isto para nós sem demora, pois nós estamos todos confusos.' Nisso Brahma respondeu, 'Ó imortais, não nutram receio por causa dos Asuras, em qualquer caso ou lugar. Ouçam, ó celestiais, à razão à qual é devida toda esta comoção! Esta agitação nos céus foi produzida pela influência do Ser ilustre que é onipresente, eterno e a Alma que nunca perece. Aquela alma Suprema, Vishnu, levantou a Terra, que tinha afundado totalmente cem yojanas. Esta comoção ocorreu por consequência da terra ser erguida. Saibam disto e dissipem suas dúvidas.' Os celestiais disseram, 'Onde está aquele Ser que com prazer ergueu a Terra? Ó possuidor dos seis atributos, mencione para nós o lugar. Para lá nós iremos.' Brahma disse 'Vão. Que o bem aconteça a vocês! Vocês o encontrarão descansando nos (jardins) Nandana. Lá é visível o glorioso venerável Suparna (Garuda). Depois te ter erguido a Terra, o Ser Supremo de quem o mundo se torna manifesto flameja na forma de um javali, semelhante ao fogo que tudo consome na dissolução universal. E sobre seu peito é realmente vista a jóia Srivatsa. (Vão) e contemplem aquele Ser que não conhece deterioração.'” "Lomasa disse, 'Então os celestiais, colocando o avô em sua frente, foram àquela Alma infinita, e tendo escutado ao seu louvor, se despediram dele e voltaram para o lugar de onde eles tinham vindo.'" Vaisampayana disse, "Ó Janamejaya, tendo ouvido esta história, todos os Pandavas sem demora e com entusiasmo começaram a proceder pelo caminho indicado por Lomasa." 142 Vaisampayana disse, "Ó rei, então aqueles principais dos arqueiros, de bravura imensurável, segurando arcos esticados à toda extensão e equipados com aljavas e flechas e usando proteções para os dedos feitas de pele de guana, e com suas espadas postas, procederam com Panchali em direção a Gandhamadana, levando com eles os melhores dos Brahmanas. E em seu caminho eles viram vários lagos, e rios e montanhas e florestas, e árvores de sombras amplamente espalhadas em topos de montanha e lugares abundando em árvores portando flores e frutas em todas estações e frequentados por celestiais e sábios. E reprimindo seus sentidos dentro de seu eu interno e subsistindo de frutas e raízes, os heróis passaram por regiões acidentadas, escarpadas e de passagem difícil, vendo muitas e várias espécies de animais. Dessa maneira aqueles de grande alma entraram na montanha habitada pelos sábios, os Siddhas e os celestiais, e frequentada pelos Kinnaras e Apsaras. E, ó senhor de homens, quando aqueles heróis poderosos estavam entrando na montanha Gandhamandana ergueu-se lá um vento violento, acompanhado de uma chuva pesada. E devido a isto ergueram-se nuvens imensas de poeira carregando grandes quantidades de folhas secas, que subitamente cobriram a terra, o ar e firmamento. E quando os céus estavam cobertos de pó nada podia ser percebido, e eles nem podiam (os Pandavas) falar uns com os outros. E com olhos envolvidos pela escuridão e empurrados pelo vento carregando partículas de rochas eles não podiam ver uns aos outros. E então começaram a chegar sons poderosos procedentes das árvores, e também daquelas se quebrando constantemente sob a força do vento, e caindo ao solo. E distraídos por rajadas de vento eles pensaram, 'Os céus estão caindo; ou a terra e as montanhas estão sendo despedaçadas?' E com medo do vento eles tatearam em volta com suas mãos e se abrigaram sob as árvores à margem do caminho e formigueiros e em cavernas. Então segurando seu arco e sustentando Krishna o poderoso Bhimasena permaneceu sob uma árvore. E Yudhishthira o justo com Dhaumya rastejou para a floresta profunda. E Sahadeva carregando o fogo sagrado consigo se abrigou em uma rocha. E Nakula junto com Lomasa e outros Brahmanas de grande ascetismo permaneceram com medo, cada um embaixo de uma árvore. Então quando o vento tinha diminuído e a poeira baixado, caiu uma chuva em torrentes. Lá também ergueu-se um barulho forte, como o do raio arremessado; e relâmpagos de lampejar rápido começaram a tremular graciosamente sobre as nuvens. E sendo ajudadas pelo vento veloz, pancadas de chuva caíram sem intervalo, enchendo todos os lados em volta. E, ó senhor de homens, por todos os lados começaram a fluir muitos rios cobertos com espuma e turvos com lama; e estes carregando volumes de água cobertas com balsas espumosas se precipitaram para baixo com ribombar tremendo arrancando árvores. E depois quando aquele som tinha cessado e o ar livre tinha surgido eles (cada um deles) saíram cautelosamente de seus abrigos e se reuniram, ó descendente de Bharata. E então os heróis partiram para a montanha Gandhamadana." 143 Vaisampayana disse, "Quando os filhos de Pandu de grande alma tinham procedido somente suas milhas, Draupadi, desacostumada a viajar a pé, caiu. Fatigada e afligida como ela estava, a pobre filha de Panchala ficou fraca, por causa da tempestade de granizo e também de sua extrema delicadeza. E tremendo com fraqueza, ela de olhos negros apoiou-se em suas coxas com seus braços roliços, adequados (à sua forma graciosa). E assim descansando por se apoiar em suas coxas parecidas com trombas de elefantes, e as quais estavam em contrato uma com a outra, ela de repente caiu ao chão, tremendo como uma bananeira. E percebendo que a bela estava caindo como uma trepadeira torcida, Nakula correu adiante e sustentou-a. E ele disse, 'Ó rei, esta filha de Panchala de olhos negros, estando exausta, caiu sobre o solo. Portanto, cuide dela, ó filho de Bharata. Não merecedora como ela é de miséria, esta senhora de passo lento foi sujeitada a grandes sofrimentos, e ela está também desgastada com as fadigas da viagem. Ó rei poderoso, portanto, conforte-a.'" Vaisampayana disse, "Tendo ouvido estas palavras de Nakula, o rei como também Bhima e Sahadeva ficaram muito aflitos, e correram depressa em direção a ela. E encontrando-a fraca, e seu rosto pálido, o filho pio de Kunti começou a lamentar em pesar, pegando-a em seu colo. Yudhishthira disse, 'Acostumada à comodidade, e merecendo dormir em quartos bem protegidos, em camas cobertas com lençóis finos, como esta bela jaz prostrada no chão? Ai! (Só) por minha causa, os pés delicados e o rosto semelhante ao lótus desta que merece todas as coisas excelentes, contraíram uma cor azul escura. O que eu fiz? Tolo que eu sou, tendo sido viciado nos dados, eu tenho estado vagando na floresta cheia de animais selvagens, levando Krishna em minha companhia. Esta de olhos grandes foi concedida por seu pai, o rei dos Drupadas, na esperança de que a moça abençoada fosse feliz por obter os filhos de Pandu como seus maridos. É por causa da minha pessoa desventurada que, sem obter qualquer coisa esperada, ela dorme prostrada no chão, cansada com sofrimentos, tristeza e viagem!" Vaisampayana disse, "Enquanto o rei Yudhishthira o justo estava lamentando dessa maneira, Dhaumya com todos os outros Brahmanas principais foram ao local. E eles começaram a consolá-lo e honrá-lo com bênçãos. E eles recitaram mantras capazes de afastar Rakshasas e (para este fim) também realizaram ritos. E após os mantras serem recitados pelos grandes ascetas, para a restauração da saúde (de Panchali), Panchali frequentemente tocada pelos Pandavas com suas palmas calmantes e abanada pelas brisas frescas sobrecarregadas com partículas de água, sentiu-se reconfortada, e gradualmente recuperou seus sentidos. E notando que aquela senhora pobre esgotada tinha recuperado seus sentidos, os filhos de Pritha, colocando-a sobre peles de veado, fizeram-na descansar. E pegando seus pés de solas vermelhas, portando marcas auspiciosas, os gêmeos começaram a massageá-los suavemente com suas mãos cicatrizadas pela corda do arco. E Yudhishthira o justo, o principal dos Kurus, também confortou-a e se dirigiu a Bhima nas seguintes palavras: 'Ó Bhima, ainda restam muitas montanhas (à nossa frente), acidentadas, e inacessíveis por causa da neve. Como, ó de longos braços, Krishna passará por elas?' Então Bhima disse, 'Ó rei, eu mesmo te carregarei, junto com esta princesa e estes touros entre homens, os gêmeos; portanto, ó rei dos reis, não abandone tua mente ao desespero. Ou, por tua ordem, ó impecável, o filho de Hidimava, o poderoso Ghatotkacha, que é capaz de percorrer os céus e que é semelhante a mim em força, carregará todos nós.'" Vaisampayana disse, "Então com a permissão de Yudhishthira Bhima pensou em seu filho Rakshasa. E logo que ele foi pensado por seu pai o pio Ghatotkacha fez seu aparecimento e, saudando os Pandavas e os Brahmanas, permaneceu com as mãos unidas. E eles também afagaram ele de braços poderosos. Ele então se dirigiu a seu pai, Bhimasena de bravura terrível, dizendo, 'Tendo sido pensado por ti eu vim aqui com velocidade, para te servir. Ó de braços longos, ordene-me. Eu certamente serei capaz de realizar o que quer que tu ordenes.' Ouvindo-o, Bhimasena estreitou o Rakshasa em seu peito." 144 "Yudhishthira disse, 'Ó Bhima, que este chefe Rakshasa forte e heróico, teu filho legítimo, dedicado a nós, e sincero, e conhecedor da virtude carregue (sua) mãe (Draupadi) sem demora. E, ó possuidor de bravura terrível, dependendo da força dos teus braços eu alcançarei Gandhamadana, ileso, junto com a filha de Panchala.'" Vaisampayana disse, "Ouvindo as palavras de seu irmão, aquele tigre entre homens, Bhimasena, ordenou seu filho, Ghatotkacha, repressor de inimigos, dizendo, 'Ó filho invencível de Hidimva, esta tua mãe está muito cansada. Tu és, além disso, forte e capaz de ir onde quer que tu queiras. Portanto, ó viajante dos céus, carregue-a. Que a prosperidade te acompanhe! Levando-a em teus ombros, tu seguirás em nossa companhia, adotando um percurso não muito aéreo, para que tu não possas torná-la apreensiva.' Nisso Ghatotkacha disse, 'Mesmo sozinho eu sou capaz de carregar Yudhishthira o justo, e Dhaumya, e Krishna, e os gêmeos, é de admirar então que eu os carregue hoje, quando eu tenho outros para me ajudar? E, ó impecável, centenas de outros (Rakshasas) heróicos, capazes de se mover pelo céu, e de assumir qualquer forma à vontade, juntos carregarão vocês todos com os Brahmanas." Vaisampayana disse, "Dizendo isso, Ghatotkacha carregou Krishna no meio dos Pandavas, e os outros (Rakshasas) também começaram a carregar os Pandavas. E em virtude de sua energia natural, Lomasa de resplendor incomparável se deslocou pelo caminho dos Siddhas, semelhante a um segundo sol. E por ordem do senhor dos Rakshasas, aqueles Rakshasas de destreza magnífica começaram a proceder, carregando todos os outros Brahmanas, e contemplando muitas florestas pitorescas. E eles procederam em direção à gigantesca árvore de jujuba. E carregados pelos Rakshasas de grande velocidade, procedendo em um passo rápido, os heróis passaram rapidamente por caminhos muito longos, como se fossem curtos. E no seu caminho eles viram várias regiões apinhadas de pessoas Mlechchha, e contendo minas de diversas pedras preciosas. E eles também viram morros pequenos ricos em vários minerais, apinhados com Vidyadharas, habitados por todos os lados por macacos e Kinnaras e Kimpurushas, e Gandharvas, e cheios de pavões, e chamaras, e símios, e rurus, e ursos, e gavayas, e búfalos, cruzados por uma rede de regatos, e habitados por várias aves e animais, e embelezado por elefantes, e abundando em árvores e aves embevecidas. Depois de terem assim passado por muitos países, e também os Uttarakurus, eles viram aquela principal das montanhas, a Kailasa, contendo muitas maravilhas. E ao lado dela eles viram o eremitério de Nara e Narayana, com árvores celestes dando flores e frutas em todas as estações. E eles também contemplaram aquela bela jujuba de tronco redondo. E ela era viçosa; e de sombra profunda; e de beleza excelente; e de folhagem espessa, macia e lisa; e saudável; tendo ramos gigantescos; amplamente espalhada; de brilho incomparável; e portando frutos maduros de bom gosto e sagrados gotejando mel. E aquela árvore celeste era visitada por hostes de sábios poderosos, e era sempre habitada por várias aves enlouquecidas com vivacidade animal. E ela crescia em um local desprovido de mosquitos e moscardos, e abundando em frutas e raízes e água, e coberto com grama verde, e habitado pelos celestiais e os Gandharvas, e de superfície plana, e naturalmente sadio, e belo e tranquilo e de sensação delicada. Tendo alcançado aquela (árvore) junto com aqueles touros entre os Brahmanas, eles de grande alma desceram suavemente dos ombros dos Rakshasas. Então em companhia com aqueles touros entre os duas vezes nascidos, os Pandavas contemplaram aquele retiro pitoresco presidido por Nara e Narayana; desprovido de escuridão; e sagrado; e intocado pelos raios solares; e livre daqueles embaraços, isto é, fome, e sede, calor e frio, e removendo (toda) tristeza; e apinhado com hostes de sábios poderosos; e adornado com a graça procedente dos Vedas, Saman, Rich, e Yajus; e, ó rei, inacessível aos homens que renunciaram à religião; e embelezado com oferendas, e homas; e sagrado; e bem varrido e revestido; e brilhando por toda parte com oferendas de flores celestes; e coberto com altares de fogo sacrifical, e conchas e vasos sagrados; e agraciado com grandes jarros de água e cestos, e o refúgio de todos os seres; e ecoando com o canto dos Vedas; e celestial, e digno de ser habitado; e removendo a fadiga; e acompanhado por esplendor e de mérito incompreensível; e majestoso com qualidades divinas. E o eremitério era habitado por hostes de grandes sábios, subsistindo de frutas e raízes; e tendo seus sentidos sob perfeito controle; e vestidos em camurças pretas; e refulgentes como o Sol e Agni; e de almas magnificadas por ascetismo e concentrados na emancipação; e levando o modo de vida Vanaprastha; e de sentidos subjugados; e identificados com a Alma Suprema; e de grande ventura; e recitando hinos Védicos. Então tendo se purificado e reprimido seus sentidos, aquele filho de Dharma, o inteligente Yudhishthira de energia excelente, acompanhado por seus irmãos, aproximou-se aqueles sábios. E todos os grandes sábios dotados de conhecimento sobrenatural, sabendo que Yudhishthira tinha chegado, receberam- no alegremente. E aqueles sábios dedicados à recitação dos Vedas, e semelhantes ao próprio fogo, depois de terem concedido bênçãos a Yudhishthira, alegremente lhe conferiram recepção apropriada. E eles lhe deram água limpa e flores e raízes. E Yudhishthira o justo recebeu com respeito as coisas oferecidas com alegria para sua recepção pelos grandes sábios. E então, ó impecável, o filho de Pandu junto com Krishna e seus irmãos, e milhares de Brahmanas versados nos Vedas e nos Vendangas, entraram naquele eremitério sagrado, semelhante à residência de Sukra e agradando à mente com odores celestiais e parecendo o próprio céu e cheio de beleza. Lá o virtuoso (Yudhishthira) viu o eremitério de Nara e Narayana, embelezado pelo Bhagirathi e adorado pelos deuses e sábios celestes. E vendo aquele eremitério habitado pelos Brahmarshis e contendo frutos gotejando mel, os Pandavas estavam cheios de alegria. E tendo alcançado aquele lugar, eles de grande alma começaram a morar com os Brahmanas. Contemplando lá o lago sagrado Vinda, e a montanha Mainaka, de topos dourados e habitada por várias espécies de aves, os magnânimos viveram felizmente com alegria. O filho de Pandu junto com Krishna teve prazer em percorrer florestas excelentes e cativantes, brilhando com flores de todas as estações; belas por toda parte com árvores portando flores abertas; e abaixadas com o peso de frutos e visitadas pelos numerosos kokilas machos, e de folhagem lustrosa; e grossas e tendo sombra fresca e encantadoras de se ver. Eles se deleitaram em contemplar diversos lagos belos de água límpida e todos brilhando por todos os lados com lotos e lírios. E lá, ó senhor, a brisa suave carregando fragrância pura soprava alegrando todos os Pandavas, junto com Krishna. E junto à jujuba gigantesca, o filho poderoso de Kunti viu o Bhagirathi de descida fácil e fresco e provido de lotos viçosos e tendo escadas feitas de rubis e corais e agraciado com árvores e coberto com flores celestes, e agradável para a mente. E naquele local, frequentado por celestiais e sábios, e extremamente inacessível, eles, depois de terem se purificado ofereceram oblações para os Pitris e os deuses e os Rishis nas águas sagradas do Bhagirathi. Assim aqueles touros entre homens, os perpetuadores heróicos da linhagem Kuru, começaram a residir lá com os Brahmanas oferecendo oblações e praticando meditação. E aqueles tigres entre homens, os Pandavas de aparência semelhante à dos deuses, sentiram prazer em testemunhar as várias diversões de Draupadi." 145 Vaisampayana disse, "Lá observando limpeza, aqueles tigres entre homens moraram por seis noites, na expectativa de ver Dhananjaya. E aconteceu que de repente soprou lá um vento do nordeste e trouxe um lótus celeste de mil pétalas e refulgente como o sol. E Panchali viu aquele lótus puro e encantador de fragrância sobrenatural, trazido pelo vento e deixado sobre o solo. E tendo obtido aquele lótus excelente e belo, aquela abençoada ficou muito encantada, ó rei, e dirigiu-se a Bhimasena nas seguintes palavras, 'Veja, ó Bhima, esta flor sobrenatural muito bela tendo dentro de si a própria fonte da fragrância. Ela alegra meu coração, ó repressor de inimigos. Esta deve ser oferecida para Yudhishthira o justo. Portanto, obtenha outras para minha satisfação, para que eu possa levá-las para nosso eremitério no Kamyaka. Se, ó filho de Pritha, eu tenho encontrado graça contigo, então obtenha outras desta espécie em grande número. Eu desejo levá-las para nosso eremitério.' Tendo dito isso, a inocente senhora de olhares belos se aproximou de Yudhishthira o justo, levando a flor. E conhecendo o desejo da sua rainha querida aquele touro entre homens, Bhima de grande força, também partiu, para satisfazê-la. E planejando buscar as flores, ele começou a proceder em passo rápido, encarando o vento, na direção da qual a flor tinha vindo. E levando o arco incrustado com ouro nas costas como também flechas semelhantes a cobras venenosas, ele prosseguiu como um leão com raiva ou um elefante no cio. E todos os seres o fitaram, segurando um arco e flechas poderosos. E nem exaustão, nem langor, nem medo nem confusão alguma vez possuíram o filho de Pritha e a prole de Vayu (vento). E desejoso de agradar Draupadi o poderoso, livre de medo ou confusão, subiu o pico dependendo da força dos seus braços. E aquele matador de inimigos começou a percorrer aquele pico belo coberto com árvores, trepadeiras e de base rochosa preta; e frequentado por Kinnaras; e matizado com minerais, plantas, animais, e aves de várias cores; e parecendo com um braço erguido da Terra adornado com um conjunto inteiro de ornamentos. E ele de bravura inigualável prosseguiu, fixando seu olhar nas ladeiras do Gandhamadana, belas com flores de todas as estações, e revolvendo vários pensamentos em sua mente e com seus ouvidos, olhos e mente fixados nos lugares que ressoavam com as notas de kokilas machos e com o zumbido de abelhas pretas. E como um elefante no cio vagando louco em uma floresta ele de grande bravura cheirou o odor raro procedente das flores de todas as estações. E ele era abanado pela brisa fresca do Gandhamadana carregando os perfumes de várias flores e refrescante como o toque de um pai. Ao sua fadiga ser removida os pelos do seu corpo se arrepiaram. E naquele estado aquele repressor de inimigos em busca das flores começou a examinar toda a montanha, habitada por Yakshas e Gandharvas e celestiais e Brahmarshis. E tocado pelas folhas da árvore Saptachchada, coberto com minerais frescos vermelhos, pretos e brancos, ele parecia como se estivesse enfeitado com linhas de unguentos sagrados desenhadas por dedos. E com nuvens se espalhando em seus lados, a montanha parecia dançar com asas estendidas. E por causa das águas escoando de fontes ela parecia estar enfeitada com colares de pérolas. E ela continha cavernas e arvoredos e cascatas e grutas pitorescas. E lá havia pavões excelentes dançando ao tilintar dos braceletes das Apsaras. E sua superfície rochosa estava desgastada pelas pontas das presas dos elefantes que presidiam os pontos cardeais. E com as águas de rios caindo sobre a terra, a montanha parecia como se suas roupas estivessem sendo afrouxadas. E aquele gracioso filho do Deus do Vento galhofeiramente e alegremente seguiu em frente, empurrando para longe por sua força inúmeras trepadeiras entrelaçadas. E veados o fitaram em curiosidade, com grama em suas bocas. E não tendo sentido medo (alguma vez antes), eles não ficaram alarmados, e não fugiram. E estando engajado em realizar o desejo de seu amor, o filho jovem de Pandu, robusto e de esplendor semelhante à cor do ouro; e tendo um corpo forte como um leão; e andando como um elefante furioso; e possuindo a força de um elefante furioso; e tendo olhos acobreados semelhantes àqueles de um elefante furioso; e capaz de controlar um elefante furioso começou a percorrer os lados românticos de Gandhamadana com seus olhos belos erguidos; e expondo por assim dizer um novo tipo de beleza. E as esposas de Yakshas e Gandharvas sentadas invisíveis ao lado de seus maridos o fitaram, virando seus rostos com vários movimentos. Concentrado em satisfazer Draupadi exilada nas florestas, quando ele estava percorrendo o belo Gandhamadana, ele lembrou-se das muitas e várias aflições causadas por Duryodhana. E ele pensou, 'Agora que Arjuna permanece no céu e que eu também saí para obter as flores, o que nosso irmão Yudhishthira fará no momento? Certamente, por afeição e duvidando da sua destreza, aquele principal dos homens, Yudhishthira, não deixará Nakula e Sahadeva virem à nossa procura. Como, além disso, eu posso obter as flores logo?' Pensando assim, aquele tigre entre homens procedeu à toda velocidade como o rei das aves, sua mente e vista fixados na face encantadora da montanha. E tendo como seus mantimentos na viagem as palavras de Draupadi, o filho poderoso de Pandu, Vrikodara, Bhima, dotado de força e da rapidez do vento, com sua mente e vista fixadas nas ladeiras floridas da montanha, procedeu rapidamente, fazendo a terra tremer com seus passos, assim como faz um furacão no equinócio; e assustando manadas de elefantes e oprimindo leões e tigres e veados e arrancando e despedaçando árvores grandes e removendo para longe à força as plantas e trepadeiras, como um elefante subindo cada vez mais alto o topo de uma montanha; e rugindo ferozmente assim como uma nuvem acompanhada com trovão. E despertados por aquele rugir poderoso de Bhima, tigres saíram de suas tocas, enquanto outros caminhantes da floresta se esconderam. E as aves dos céus ergueram-se (em seu vôo) assustadas. E rebanhos de veados fugiram rapidamente. E aves deixaram as árvores (e fugiram). E leões abandonaram suas tocas. E os leões poderosos foram despertados de seu sono. E os búfalos fitaram. E os elefantes apavorados, deixando aquela floresta, correram para florestas mais extensas acompanhados por suas fêmeas. E os javalis e os veados e os leões e os búfalos e os tigres e os chacais e os gavayas da floresta começaram a gritar em manadas. E os gansos rosados, e as galinholas e os patos e os karandavas e os plavas e os papagaios e os kokilas machos e as garças em confusão fugiram em todas as direções, enquanto alguns elefantes orgulhosos incitados por seus companheiros, como também alguns leões e elefantes com raiva, se lançaram sobre Bhimasena. E como eles estavam profundamente perturbados por causa do medo, aqueles animais ferozes, soltando urina e estrume, deram gritos altos com bocas escancaradas. Então o ilustre e gracioso filho do Deus do Vento, o poderoso Pandava, dependendo da força de seus braços, começou a matar um elefante com outro elefante e um leão com outro leão enquanto ele liquidava os outros com bofetadas. E ao serem atingidos por Bhima os leões e os tigres e os leopardos apavorados davam gritos altos e soltavam urina e estrume. E depois de tê-los destruído o filho belo de Pandu, possuidor de força imensa, entrou na floresta, fazendo todos os lados ressoarem com seus gritos. E então ele de braços longos viu nas ladeiras de Gandhamadana uma bela bananeira se espalhando por muitos yojanas. E semelhante a um leão furioso, ele de grande força procedeu a toda velocidade em direção àquela árvore derrubando várias plantas. E aquela principal das pessoas fortes, Bhima, arrancando inúmeros troncos da bananeira iguais em altura à muitas palmeiras (colocadas umas sobre as outras), jogou-as para todos os lados com força. E ele muito poderoso, altivo como um leão macho, emitiu gritos. E então ele enfrentou bestas inumeráveis de tamanho gigantesco, e veados, e macacos, e leões, e búfalos, e animais aquáticos. E com os gritos destes, e com os gritos de Bhima, até os animais e aves que estavam em partes distantes da floresta ficaram todos assustados. E ouvindo aqueles gritos de animais e aves, miríades de aves aquáticas de repente ergueram-se em asas molhadas. E vendo aquelas aves aquáticas, aquele touro entre os Bharatas procedeu naquela direção; e viu um lago vasto e fabuloso. E aquele lago insondável estava, por assim dizer, sendo abanado pelas árvores bananeira na margem, sacudidas pelas brisas suaves. E imediatamente descendo ao lago rico em lírios e lotos, ele começou a se divertir vigorosamente como um poderoso elefante enlouquecido. Tendo se divertido lá dessa maneira por um longo tempo, ele de esplendor incomensurável subiu, para penetrar com velocidade naquela floresta cheia de árvores. Então o Pandava soprou com toda sua força sua concha de som alto. E batendo em seus braços com suas mãos, o poderoso Bhima fez todos os pontos de céu ressoarem. E enchidas com os sons da concha, e com os gritos de Bhimasena, e também com os estrondos produzidos pelo golpear dos seus braços, as cavernas da montanha pareciam como se elas estivessem rugindo. E ouvindo aqueles sons de golpes de braços, semelhantes ao estrondo do trovão, os leões que estavam dormindo nas cavernas proferiram uivos poderosos. E estando apavorados pelos gritos dos leões, os elefantes, ó Bharata, deram rugidos tremendos, os quais encheram a montanha. E ouvindo aqueles sons emitidos, e conhecendo também Bhimasena como sendo seu irmão, o macaco Hanuman, o chefe dos macacos, com o objetivo de fazer o bem para Bhima, obstruiu o caminho que levava ao céu. E pensando que ele (Bhima) não deveria passar por aquele caminho, (Hanuman) deitou-se de lado no atalho estreito, embelezado por bananeiras, obstruindo-o pela segurança de Bhima. Com o objetivo que Bhima não pudesse obter maldição ou derrota, por entrar na floresta de bananeiras o macaco Hanuman de corpo enorme deitou-se em meio às árvores bananeira, sendo dominado pela sonolência. E ele começou a bocejar, chicoteando seu rabo comprido, erguido como o poste consagrado à Indra, e ressoando como trovão. E por todos os lados em volta as montanhas pelas bocas das cavernas emitiram aqueles sons em eco, como uma vaca mugindo. E como ela estava sendo sacudida pelos estrondos produzidos pelo chicotear do rabo, a montanha com seus topos tremendo começou a cair em pedaços ao redor. E vencendo aquele rugido de elefantes loucos, os sons de seu rabo se espalharam pelas diversas ladeiras da montanha. Ao ouvir aqueles sons os pelos do corpo de Bhima se arrepiaram; e ele começou a percorrer aquela floresta de bananeiras à procura daqueles sons. E ele de braços poderosos viu o chefe dos macacos na floresta de bananeiras, sobre uma base rochosa elevada. E ele era difícil de ser olhado assim como o relâmpago; e de cor acobreada como a do relâmpago; e dotado da voz do relâmpago; e de movimento rápido como o relâmpago; e tendo seu pescoço curto robusto sustentado sobre seus ombros; e com sua cintura fina por causa da corpulência de seus ombros. E seu rabo coberto com pelo comprido, e um pouco dobrado na ponta, estava erguido como um estandarte. E (Bhima) viu a cabeça de Hanuman provida de lábios pequenos, e rosto e língua acobreados, e orelhas vermelhas, e olhos vivos, e incisivos brancos expostos de pontas afiadas. E sua cabeça era semelhante à lua brilhante; adornada com dentes brancos dentro da boca; e com juba espalhada por cima, parecendo uma pilha de flores asoka. E no meio das árvores bananeiras douradas, ele de refulgência excelente estava deitado como um fogo ardente, com seu corpo radiante. E aquele matador de inimigos estava lançando olhares com seus olhos avermelhados com embriaguez. E o inteligente Bhima viu aquele poderoso chefe dos macacos, de corpo enorme, deitado como o Himalaya, obstruindo o caminho do céu. E vendo-o sozinho naquela floresta imensa, o atlético Bhima impávido, de braços longos, aproximou- se dele com passos rápidos, e proferiu um grito alto parecido com o trovão. E àquele grito de Bhima, animais e aves ficaram todos alarmados. O poderoso Hanuman, no entanto, abrindo seus olhos parcialmente olhou (para Bhima) com desconsideração, com olhos avermelhados com embriaguez. E então dirigindo-se a ele sorridente, Hanuman disse as seguintes palavras, 'Indisposto como eu estou, eu estava dormindo docemente. Por que tu me acordaste? Tu deves mostrar bondade para todas as criaturas, porque tu tens racionalidade. Pertencendo à espécie animal, nós somos ignorantes da virtude. Mas sendo dotados de raciocínio os homens demonstram bondade para as criaturas. Por que então pessoas racionais como tu se envolvem em ações que contaminam igualmente corpo, fala, e coração, e destrutivas da virtude? Tu não sabes o que é virtude, nem tu tens recebido conselho dos sábios. E portanto é por ignorância e infantilidade que tu destróis os animais inferiores. Diga quem és tu, e por que tu vieste à floresta desprovida de humanidade e seres humanos? E, ó principal dos homens, diga também para onde tu vais hoje. Mais adiante é impossível prosseguir. Além as colinas são inacessíveis. Ó herói, salvo a passagem obtida pela prática de ascetismo, não há passagem para aquele local. Este é o caminho dos celestiais; ele é sempre intransponível para mortais. Por bondade, ó herói, eu te desaconselho. Ouça minhas palavras. Tu não podes proceder mais além deste lugar. Portanto, ó senhor, desista. Ó chefe de homens, hoje da mesma maneira tu és bem vindo a este local. Se tu achares apropriado aceitar minhas palavras, então, ó melhor dos homens, descanse aqui, partilhando de frutas e raízes, doces como ambrosia, e não tenha a ti mesmo destruído por nada.’" 146 Vaisampayana disse, "Ó repressor de inimigos, ouvindo estas palavras do inteligente chefe dos macacos, o heróico Bhima respondeu, 'Quem és tu? E por que também tu assumiste a forma de um macaco? É um Kshatriya, alguém de uma classe próxima aos Brahmanas, que te pergunta. E ele pertence à linhagem Kuru e à descendência lunar, e foi carregado por Kunti em seu útero, e é um dos filhos de Pandu, e é filho do Deus do Vento, e é conhecido pelo nome de Bhimasena.' Ouvindo estas palavras do herói Kuru, Hanuman sorriu, e aquele filho do Deus do Vento (Hanuman) falou para aquele filho do Deus do Vento (Bhimasena), dizendo, 'Eu sou um macaco, eu não te darei a passagem que tu desejas. Melhor desistir e voltar. Não encontre com a destruição.' Nisto Bhimasena respondeu, 'Eu não te pergunto sobre destruição oriunda de qualquer coisa mais, ó macaco. Dê-me passagem. Levante! Não obtenha dor nas minhas mãos.' Hanuman disse, 'Eu não tenho força para levantar; eu estou sofrendo de doença. Se tu precisas, siga por saltar por cima de mim.' Bhima disse, 'A Alma Suprema desprovida das propriedades permeia um corpo por todos os lados. Eu não posso desrespeitar Ele reconhecível somente pelo conhecimento. E portanto, eu não te saltarei. Se eu não conhecesse Ele de quem se tornam manifestas todas as criaturas, eu saltaria por cima de ti e também da montanha, assim como Hanuman saltou por cima do oceano.' Então Hanuman disse, 'Quem é este Hanuman, que saltou sobre o oceano? Eu te pergunto, ó melhor dos homens. Conte se tu puderes.' Bhima respondeu, ‘Ele é meu irmão, excelente com toda perfeição, e dotado de inteligência e força de mente e corpo. E ele é o chefe ilustre dos macacos, renomado no Ramayana. E pela rainha de Rama aquele rei dos macacos com um único salto cruzou o oceano que se estende por cem yojanas. Aquele poderoso é meu irmão. Eu sou igual a ele em energia, força e coragem e também em luta. E sou capaz de te punir. Assim levante. Ou dê-me passagem ou testemunhe hoje minha bravura. Se tu não obedeceres minha ordem eu te mandarei para a residência de Yama.’" Vaisampayana continuou, "Então sabendo que ele (Bhima) estava embriagado pela força, e orgulhoso do poder de seus braços, Hanuman, desprezando-o no coração disse as seguintes palavras, 'Ceda tu, ó impecável. Por causa da idade eu não tenho força para levantar. Por compaixão por mim, siga, movendo meu rabo para o lado.' Sendo assim endereçado por Hanuman, Bhima orgulhoso da força de seus braços tomou-o por alguém desprovido de energia e coragem, e pensou consigo mesmo, 'Pegando firmemente o rabo, eu mandarei este macaco desprovido de energia e coragem para a região de Yama.' Nisso, com um sorriso ele segurou com desprezo o rabo com sua mão esquerda; mas não pode mover aquele rabo do macaco poderoso. Então com ambos os braços ele puxou-o, parecendo com o poste erguido em honra de Indra. Ainda assim o poderoso Bhima não pode erguer o rabo com ambos os seus braços. E suas sobrancelhas estavam contraídas para cima, e seus olhos rolaram, e seu rosto estava contraído em rugas e seu corpo estava coberto de suor; e ainda assim ele não pode erguê- lo. E quando depois de ter se esforçado o ilustre Bhima fracassou em erguer o rabo, ele se aproximou do lado do macaco, e ficou com uma expressão acanhada. E se curvando, o filho de Kunti, com mãos unidas, falou estas palavras, 'Ceda tu, ó principal dos macacos; e perdoe-me por minhas palavras duras. Tu és um Siddha, ou um deus, ou um Gandharva, ou um Guhyaka? Eu te pergunto por curiosidade. Diga-me quem és tu que assumiste a forma de macaco, se isto não for um segredo, ó de braços longos, e se eu posso saber isto apropriadamente. Eu te pergunto como um discípulo, e eu, ó impecável, procuro tua proteção.' Então Hanuman disse, 'Ó repressor de inimigos, até a extensão da tua curiosidade para me conhecer, eu relatarei tudo detalhadamente. Escute, ó filho de Pandu! Ó de olhos de lótus, eu fui gerado por aquele Deus do Vento, aquela vida do mundo, na esposa de Kesari. Eu sou um macaco, de nome Hanuman. Todos os poderosos reis dos macacos, e chefes dos macacos costumavam servir aquele filho do sol, Sugriva, e aquele filho de Sakra, Vali. E, ó repressor de inimigos, uma amizade existia entre mim e Sugriva, assim como entre o vento e o fogo. E por alguma razão, Sugriva, expulso por seu irmão, por um longo tempo morou comigo no Hrisyamukh. E aconteceu que o poderoso filho de Dasaratha, o heróico Rama, que é o próprio Vishnu na forma de um ser humano, tomou seu nascimento neste mundo. E em companhia com sua rainha e irmão, pegando seu arco, aquele principal dos arqueiros com o objetivo de conseguir o bem-estar de seu pai começou a residir na floresta Dandaka. E de Janasthana, aquele poderoso monarca Rakshasa, o perverso Ravana levou embora sua rainha (de Rama) por meio de estratagema e força, enganando, ó impecável, aquele principal dos homens, através da agência de um Rakshasa, Maricha, que assumiu a forma de um veado marcado com manchas semelhantes a jóias e douradas.’" "Hanuman disse, 'E depois que sua esposa tinha sido capturada, aquele descendente de Raghu, enquanto procurava por sua rainha com seu irmão, encontrou, no topo daquela montanha, com Sugriva, chefe dos macacos. Então uma amizade foi contraída entre ele e Raghava de grande alma. E o último, tendo matado Vali, instalou Sugriva no reino. E tendo obtido o reino, Sugriva enviou macacos às centenas e aos milhares à procura de Sita. E, ó melhor dos homens, eu também com inúmeros macacos parti em direção ao sul em busca de Sita, ó de braços poderosos. Então um urubu poderoso de nome Sampati comunicou as informações que Sita estava na residência de Ravana. Por isso, com o objetivo de assegurar o sucesso para Rama, eu de repente saltei sobre o oceano que se estende por cem yojanas. E, ó chefe dos Bharatas, tendo por minha própria destreza cruzado o oceano, aquela residência de tubarões e crocodilos, eu vi na residência de Ravana a filha do rei Janaka, Sita, semelhante à filha de um celestial. E tendo encontrado aquela senhora, Vaidehi, amada de Rama, e queimado Lanka inteira com suas torres e baluartes e portões, e proclamado meu nome lá, eu retornei. Ouvindo tudo de mim Rama de olhos de lótus imediatamente determinou seu rumo de ação, e tendo construído uma ponte através do mar para a passagem de seu exército cruzou-a seguido por miríades de macacos. Então por bravura Rama matou aqueles Rakshasas em batalha, e também Ravana, o opressor dos mundos junto com seus seguidores Rakshasa. E tendo matado o rei dos Rakshasas, com seu irmão, e filhos e parentes, ele instalou no reino em Lanka o chefe Rakshasa, Vibhishana, devoto, e reverente, e bondoso para dependentes leais. Então Rama recuperou sua esposa assim como a revelação Vaidic perdida. Então o filho de Raghu, Rama, com sua esposa devotada, voltou para sua própria cidade, Ayodhya, inacessível para inimigos; e aquele senhor de homens começou a morar lá. Então aquele principal dos reis, Rama, foi estabelecido no reino. Depois disso eu pedi um benefício de Rama de olhos de lótus, dizendo, 'Ó matador de inimigos, Rama, que eu possa viver enquanto a história dos teus feitos permanecer existente sobre a terra!’ Então ele disse, ‘Assim seja.’ Ó repressor de inimigos, ó Bhima, pela graça de Sita também, aqui todos os objetos excelentes de entretenimento são fornecidos para mim, e para quem quer que resida neste lugar. Rama reinou por onze mil anos. Então ele ascendeu para sua própria residência. Desde então, aqui Apsaras e Gandharvas me deleitam, cantando para sempre os feitos daquele herói, ó impecável. Ó filho dos Kurus, este caminho é intransponível para mortais. Por isto, ó Bharata, como também com o propósito que ninguém possa te derrotar ou amaldiçoar, eu impedi tua passagem por este caminho trilhado pelos imortais. Este é um dos caminhos para o céu, para os celestiais; mortais não passam por este caminho. Mas o lago à procura do qual tu vieste está localizado mesmo naquela direção.’" Vaisampayana continuou, "Assim endereçado, o poderoso Bhimasena de braços fortes, afetuosamente, e com o coração alegre curvou-se a seu irmão, Hanuman, o chefe dos macacos, e disse em palavras gentis, 'Ninguém é mais afortunado do que eu sou; agora que eu vi meu irmão mais velho. Isto é um grande favor concedido para mim; e eu estou bem satisfeito contigo. Agora eu desejo que tu possas realizar este meu desejo. Eu desejo ver, ó herói, aquela tua forma incomparável que tu tinhas naquele tempo ao pular sobre o oceano, aquela residência de tubarões e crocodilos. Assim eu estarei satisfeito, e também acreditarei nas tuas palavras.' Assim endereçado, aquele macaco poderoso disse com um sorriso, 'Aquela minha forma nem tu, nem ninguém mais pode contemplar. Naquela era, o estado das coisas era diferente, e não existe na atualidade. Na era Krita, o estado de coisas era um; e na Treta, outro; e no Dwapara, ainda outro. A diminuição está em andamento nesta era; e eu não tenho aquela forma agora. A terra, rios, plantas, e rochas, e siddhas, deuses, e sábios celestes se adaptam ao Tempo, em harmonia com o estado das coisas nos diferentes yugas. Portanto, não deseje ver minha forma antiga, ó perpetuador da raça Kuru. Eu estou me adaptando à tendência da época. Na verdade, o Tempo é irresistível.' Bhimasena disse, 'Fale-me da duração dos diferentes yugas, e dos diferentes modos e costumes e da virtude, prazer e lucro, e de ações, e energia, e de vida e morte nos diferentes yugas.' Então Hanuman disse, 'Ó filho, é chamado Krita aquele yuga quando a única religião eterna era existente. E naquele melhor dos yugas todos tinham perfeição religiosa, e, portanto, não havia necessidade de ações religiosas. E então a virtude não conhecia deterioração; nem as pessoas decaíam. É por isto que esta era é chamada de Krita (perfeita). Mas com o tempo o yuga veio a ser considerado como um inferior. E, ó filho, na era Krita, não havia nem deuses, nem demônios, nem Gandharvas, nem Yakshas, nem Rakshasas, nem Nagas. E não havia compra e venda. E o Sama, o Rick, e o Yajus não existiam. E não havia trabalho manual. E então as necessidades da vida eram obtidas somente por serem pensadas. E o único mérito estava em renunciar ao mundo. E durante aquele yuga não havia nem doença, nem caducidade dos sentidos. E não havia nem malícia, nem orgulho, nem hipocrisia, nem discórdia, nem animosidade, nem astúcia, nem temor, nem tristeza, nem inveja, nem cobiça. E por isto, aquele refúgio primordial de Yogues, o Brahma Supremo, era alcançável para todos. E Narayana usando uma cor branca era a alma de todas as criaturas. E no Krita Yuga as características distintivas de Brahmanas, Kshatriyas, Vaisyas, e Sudras eram naturais e estes sempre aderiam aos seus respectivos deveres. E então Brahma era o único refúgio, e seus modos e costumes eram naturalmente adaptados à realização de Brahma, e os objetos de seu conhecimento era o único Brahma, e todas as suas ações também tinham referência à Brahma. Dessa maneira todas as classes alcançavam mérito. E uma Alma uniforme era o objeto de sua meditação; e havia um único mantra (o Om), e havia uma ordenança. E embora de características diferentes, todos eles seguiam um único Veda; e eles tinham uma religião. E de acordo com as divisões de tempo, eles levavam os quatro modos de vida, sem visar qualquer objeto, e assim eles alcançavam a emancipação. A religião que consiste na identificação do eu com Brahma indica o Krita Yuga. E no Krita Yuga a virtude das quatro classes é totalmente inteira em medida quádrupla. Tal é o Krita Yuga desprovido das três qualidades. Ouça também de mim a respeito do caráter do Treta Yuga. Nesta era sacrifícios são introduzidos, e a virtude decresce um quarto. E Narayana (que é a alma de todas as criaturas) assume uma cor vermelha. E homens praticam a verdade, e se dedicam à religião e ritos religiosos. E portanto vários sacrifícios e observâncias religiosas passam a existir. E no Treta Yuga as pessoas começam a idear meios para a obtenção de um objeto; e elas o alcançam por meio de ações e doações. E elas nunca se desviam da virtude. E elas são dedicadas ao ascetismo e à concessão de donativos. E as quatro classes aderem aos seus respectivos deveres; e realizam ritos. Tais são os homens do Treta Yuga. No Dwapara Yuga a religião decresce a metade. E Narayana usa uma cor amarela. E o Veda se torna dividido em quatro partes. E então alguns homens retêm (o conhecimento dos) quatro Vedas, e alguns de três Vedas, e alguns de um Veda, enquanto outros não conhecem nem os Richs. E pelos Shastras se tornarem assim divididos as ações vem a ser multiplicadas. E amplamente influenciadas pelo sentimento as pessoas se engajam em ascetismo e doações. E por causa da sua incapacidade de estudar o Veda inteiro ele vem a ser dividido em várias partes. E por consequência da inteligência ter diminuído poucos estão estabelecidos na verdade. E quando as pessoas se desviam da verdade elas se tornam sujeitas a várias doenças; e então luxúria e calamidades naturais se seguem. E afligidas com isto as pessoas se dirigem a penitências. E alguns celebram sacrifícios, desejando desfrutar das boas coisas da vida, ou alcançar o céu. Na chegada do Dwapara Yuga os homens se tornam degenerados, por causa da impiedade. Ó filho de Kunti, no Kali Yuga somente um quarto de virtude permanece. E no início desta era de ferro Narayana usa uma cor preta. E os Vedas e os institutos, e virtude, e sacrifícios, e observâncias religiosas, caem em desuso. E (então) prevalece iti (que significa estas seis coisas prejudiciais às colheitas: chuva excessiva, seca, ratos, gafanhotos, aves e um rei vizinho hostil), e doença, e lassidão, e raiva e outras deformidades, e calamidades naturais, e angústia, e medo da escassez. E conforme os yugas diminuem a virtude decresce. E conforme a virtude decresce as criaturas se degeneram. E quando as criaturas se degeneram, suas naturezas sofrem deterioração. E as ações religiosas realizadas no diminuir dos yugas produzem efeitos contrários. E mesmo aqueles que vivem por vários yugas se ajustam a estas mudanças. Ó repressor de inimigos, com relação à tua curiosidade para me conhecer eu digo isto: por que uma pessoa sábia estaria ávida para conhecer um assunto supérfluo? (Assim), ó de braços longos, eu narrei integralmente o que tu me perguntaste com relação às características dos diferentes yugas. Que o bem aconteça para ti! Volte.'" "Bhimasena disse, 'Sem contemplar a tua forma antiga eu nunca irei embora. Se eu caí nas tuas boas graças, então mostre-me tua própria forma.’" Vaisampayana continuou, "Sendo assim endereçado por Bhima, o macaco com um sorriso mostrou a ele aquela sua forma na qual ele tinha saltado sobre o oceano. E desejando satisfazer seu irmão, Hanuman assumiu um corpo gigantesco que em comprimento e largura aumentou extremamente. E aquele macaco de esplendor incomensurável permaneceu lá, cobrindo o bosque de bananeiras provido com árvores, e se elevando à altura alcançada pelo Vindhya. E o macaco, tendo alcançado seu corpo imponente e gigantesco semelhante a uma montanha, provido de olhos acobreados, e dentes afiados, e um rosto marcado por carranca, permaneceu cobrindo todos os lados e chicoteando seu rabo comprido. E aquele filho dos Kurus, Bhima, contemplando aquela forma gigantesca de seu irmão, admirou-se, e os pelos de seu corpo repetidamente se eriçaram. E vendo ele parecido com o sol em esplendor, e a uma montanha dourada, e também ao firmamento resplandecente, Bhima fechou seus olhos. Nisso Hanuman se dirigiu a Bhima com um sorriso, dizendo, 'Ó impecável, tu és capaz de contemplar meu tamanho até esta extensão. Eu posso, no entanto, continuar aumentando meu tamanho tanto quanto eu deseje. E, ó Bhima, no meio de inimigos meu tamanho aumenta extremamente por sua própria energia.'” Vaisampayana disse, "Presenciando aquele corpo terrível e extraordinário de Hanuman, semelhante à montanha Vindhya, o filho do Deus do Vento ficou desnorteado. Então com seus cabelos arrepiados, Bhima de mente nobre, unindo suas mãos, respondeu para Hanuman dizendo, 'Ó senhor, por mim foram vistas as dimensões vastas do teu corpo. (Agora), ó altamente poderoso, diminua a ti mesmo por teu próprio poder. Certamente eu não posso olhar para ti, semelhante ao sol no alto, e de (poder) incomensurável, e irreprimível, e parecendo a montanha Mainaka. Ó herói, hoje esta surpresa do meu coração é muito grande, que tu permanecendo ao seu lado Rama tivesse enfrentado Ravana pessoalmente. Contando com a força dos teus braços, tu eras capaz de destruir Lanka instantaneamente, com seus guerreiros, e cavalos, elefantes e carruagens. Certamente, ó filho do Deus do Vento, não há nada que não possa ser realizado por ti; e em luta, Ravana junto com seus seguidores não era páreo para ti sozinho.’" Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por Bhima, Hanuman, o principal dos macacos, respondeu em palavras afetuosas proferidas em tom solene, ‘Ó de braços poderosos, ó Bharata, é assim mesmo como tu disseste. Ó Bhimasena, aquele pior dos Rakshasas não era páreo para mim. Mas se eu tivesse matado Ravana, aquele tormento dos mundos, a glória do filho de Raghu teria sido obscurecida; e por isto é que eu o deixei sozinho. Por matar aquele senhor dos Rakshasas junto com seus seguidores, e trazer Sita de volta para sua própria cidade, aquele herói estabeleceu sua fama entre os homens. Agora, ó altamente sábio, estando concentrado no bem-estar dos teus irmãos, e protegido pelo Deus do Vento, siga por um caminho venturoso e auspicioso. Ó principal dos Kurus, este caminho te levará para a floresta Saugandhika. (Procedendo nesta direção), tu verás os jardins de Kuvera, guardados por Yakshas e Rakshasas. Não colha as flores (lá) pessoalmente por tua própria força; pois os deuses merecem respeito especialmente dos mortais. Ó melhor da raça Bharata, os deuses conferem seu favor (para os homens), (sendo propiciados) por oferendas, e homas, e saudações reverentes, e recitação de mantras, e veneração, ó Bharata. Portanto, não aja com impetuosidade, ó filho; e não te desvie dos deveres da tua classe. Aderindo aos deveres da tua classe, compreenda e siga a moralidade mais elevada. Sem conhecer os deveres e servir os idosos, mesmo pessoas semelhantes a Vrihaspati não podem compreender lucro e religião. Uma pessoa deve averiguar com discernimento aqueles casos nos quais o vício leva o nome de virtude, e a virtude leva o nome de vício, (casos) nos quais pessoas desprovidas de inteligência ficam perplexas. Das observâncias religiosas procede mérito; e no mérito estão estabelecidos os Vedas; e dos Vedas os sacrifícios entram em existência; e por sacrifícios são estabelecidos os deuses. Os deuses são mantidos pela (celebração de) sacrifícios prescritos pelos Vedas e ordenanças religiosas; enquanto os homens se mantém por (seguirem) as ordenanças de Vrihaspati e Usanas e também por estas ocupações, pelas quais o mundo é mantido: serviço por salário, (recebimento de) impostos, comércio, agricultura e criação de vacas e ovelhas. O mundo subsiste por profissão. O (estudo dos) três Vedas e agricultura e comércio e governo constituem, isto é ordenado pelos sábios, as profissões dos duas vezes nascidos; e cada classe se mantém por seguir a profissão prescrita para ela. E quando estas vocações são seguidas devidamente o mundo é mantido com facilidade. Se, no entanto, as pessoas não levam suas vidas virtuosamente, o mundo se torna sem lei, por consequência da falta de mérito e governo Védicos. E se as pessoas não recorrem às suas vocações prescritas, elas perecem, mas por seguirem regularmente as três profissões, elas causam a religião. A religião dos Brahmanas consiste no conhecimento da alma e a cor daquela ordem somente é universalmente a mesma. A celebração de sacrifícios, e estudo e concessão de presentes são bem conhecidos como os três deveres comuns (para todas estas classes). Oficiar em sacrifícios, ensino e a aceitação de doações são os deveres de um Brahmana. Reger (os súditos) é o dever do Kshatriya; e cuidar (do gado) o do Vaisya, enquanto servir as classes duas vezes nascidas é citado como sendo o dever do Sudra. Os Sudras não podem pedir esmolas, ou realizar homas, ou cumprir votos; e eles devem morar na habitação de seus patrões. Tua vocação, ó filho de Kunti, é a do Kshatriya, a qual é proteger (os súditos). Execute teus próprios deveres, em um espírito humilde, reprimindo teus sentidos. Somente pode governar aquele rei que recebe conselhos de homens experientes, e é ajudado por ministros honestos, inteligentes e eruditos; mas um rei que é viciado em maus hábitos encontra a derrota. Somente então a ordem do mundo é assegurada, quando o rei pune devidamente e confere favores. Portanto, é necessário averiguar por meio de espiões a natureza do país hostil, seus lugares fortificados e a força aliada do inimigo e sua prosperidade e decadência, e o modo no qual eles conservam a adesão dos poderes que eles atraíram para seu lado. Espiões estão entre os auxiliares importantes do rei; e tato, diplomacia, coragem, punição, favor e inteligência levam ao sucesso. E o sucesso é para ser alcançado através destes, ou separados, ou combinados, a saber: conciliação, presentes, semeadura de dissensões, castigo, e observação. E, ó chefe dos Bharatas, a política tem a diplomacia como sua base; e diplomacia também é a qualificação principal de espiões. E política, se bem julgada confere êxito. Portanto, em questões de política deve-se recorrer aos conselhos de Brahmanas. E em negócios secretos, estes não devem ser consultados, a saber, uma mulher, um beberrão, um menino, uma pessoa cobiçosa, um indivíduo de mente vil, e aquele que mostra sinais de insanidade. Somente homens sábios devem ser consultados, e negócios devem ser executados por meio de oficiais que sejam competentes. E política deve ser realizada através de pessoas que são amigáveis; mas estúpidos devem ser excluídos em todos os assuntos. Em questões religiosas, homens devotos; e em questões de lucro, homens sábios; e em proteger famílias, eunucos; e em todos os assuntos desonestos, homens desonestos devem ser empregados. E a adequação ou inadequação da resolução do inimigo, como também sua força ou fraqueza, devem ser averiguadas pela própria pessoa assim como espiões hostis. Benefícios devem ser concedidos para pessoas honestas que prudentemente procuraram proteção; mas indivíduos sem lei e desobedientes devem ser punidos. E quando o rei pune e concede benefícios justamente, a dignidade da lei é bem mantida. Ó filho de Pritha, assim eu expliquei para ti os deveres árduos dos reis, difíceis de compreender. Cumpra-os com equanimidade como prescrito para tua classe. Os Brahmanas alcançam o céu por mérito, mortificação dos sentidos e sacrifício. Os Vaisyas alcançam estado excelente por doações, hospitalidade, e ações religiosas. Os Kshatriyas alcançam as regiões celestes por proteger e castigar os súditos, não influenciados por luxúria, malícia, avareza e raiva. Se os reis punem justamente (seus súditos), eles vão para o local para onde se dirigem pessoas meritórias.'” 150 Vaisampayana disse, "Então contraindo aquele seu corpo enorme, o qual ele tinha assumido à vontade, o macaco com seus braços além disso abraçou Bhimasena. E, ó Bharata, ao Bhima ser abraçado por seu irmão, sua fadiga foi embora, e todos (os poderes do corpo) como também sua força foram recuperados. E tendo obtido grande acessão de força, ele pensou que não havia ninguém igual a ele em poder físico. E com lágrimas em seus olhos, o macaco por afeição dirigiu-se novamente a Bhima em pronúncia sufocada, dizendo, 'Ó herói, dirija-te para tua própria residência. Eu posso ser casualmente lembrado por ti na tua conversação! Ó melhor dos Kurus, não diga a ninguém que eu moro aqui. Ó tu de grande força, as mais excelentes das esposas dos deuses e Gandharvas recorrem a este lugar, e a hora da sua chegada está próxima. Meus olhos foram abençoados (por te ver). E, ó Bhima, tendo sentido um ser humano por entrar em contato contigo, eu me lembrei daquele filho de Raghu, que era o próprio Vishnu sob o nome de Rama, e que encantou o coração do mundo; e que era como o sol relativamente ao rosto de lótus de Sita, e também àquela escuridão, Ravana. Portanto, ó filho heróico de Kunti, que o teu encontro comigo não seja inútil. Com sentimento fraterno peça de mim um benefício, ó Bharata. Se for teu desejo que, indo para Varanavata, eu destrua os filhos insignificantes de Dhritarashtra, isto mesmo eu farei imediatamente. Ou se for teu desejo que aquela cidade seja triturada por mim com rochas, ou que eu amarre Duryodhana e traga-o diante de ti, isto mesmo eu farei hoje, ó tu de força imensa.'” Vaisampayana disse, "Ouvindo estas palavras daquele de grande alma, Bhimasena com o coração alegre respondeu para Hanuman, dizendo, 'Ó principal dos macacos, eu considero tudo isto como já realizado por ti. Que o bem aconteça para ti. Ó de braços poderosos! Eu te peço isto, esteja bem satisfeito comigo. Ó poderoso, por tu teres te tornado nosso protetor, os Pandavas encontraram auxílio. Pela tua bravura nós conquistaremos todos os inimigos.’ Assim endereçado, Hanuman disse para Bhimasena, 'Por sentimento fraterno e afeição, eu farei bem para ti por penetrar no exército dos teus inimigos copiosamente equipados com flechas e lanças. E, ó altamente poderoso, ó herói, quando tu deres rugidos leoninos, então, com meus próprios, eu somarei força aos gritos. Permanecendo no mastro de bandeira do carro de Arjuna eu emitirei gritos ferozes que abaterão a energia dos teus inimigos. Assim vocês os matarão facilmente.' Tendo dito isto para o filho de Pandu, e também mostrado o caminho para ele. Hanuman desapareceu naquele local." 151 Vaisampayana disse, "Quando aquele principal dos macacos tinha ido embora, Bhima, o melhor dos homens fortes, começou a percorrer o enorme Gandhamadana por aquele caminho. E ele foi em frente, pensando no corpo de Hanuman e em seu esplendor inigualável sobre a terra, e também na grandeza e dignidade do filho de Dasaratha. E prosseguindo à procura do lugar cheio com lotos daquela espécie, Bhima contemplou florestas pitorescas, e arvoredos, e rios, e lagos agraciados com árvores portando flores, e matas floridas matizadas com várias flores. E, ó Bharata, ele contemplou manadas de elefantes loucos cobertos de lama, parecendo com massas de nuvens torrenciais. E aquele gracioso continuou com velocidade, vendo pela beira da estrada bosques nos quais permaneciam com seus companheiros veados de olhares rápidos, tendo grama em suas bocas. E sem medo de bravura, Bhimasena, como se convidado pelas árvores da floresta balançadas pela brisa sempre fragrante com flores, portando brotos acobreados delicados, mergulhou nas regiões montanhosas habitadas por búfalos, ursos e leopardos. E no caminho ele passou por lagos de lotos frequentados por abelhas pretas enlouquecidas, tendo declives e bosques fantásticos, e por causa da presença de botões de lotos, parecendo como se eles tivessem unido suas mãos (perante Bhima). E tendo como seus mantimentos na jornada as palavras de Draupadi, Bhima seguiu em frente com velocidade, sua mente e visão fixadas nas ladeiras floridas da montanha. E quando o sol passou o meridiano, ele viu na floresta espalhada com veados, um rio imenso cheio de lotos dourados viçosos. E estando apinhado com cisnes e Karandavas, e agraciado com Chakravakas, o rio parecia com uma guirlanda de lotos frescos usada pela montanha. E naquele rio aquele de grande força encontrou o extenso conjunto de lotos Saugandhika, refulgentes como o sol nascente, e encantadores de se contemplar. E vendo isto o filho de Pandu pensou consigo mesmo que seu objetivo tinha sido alcançado, e também mentalmente se apresentou perante sua amada cansada pelo exílio." 152 Vaisampayana disse, "Tendo alcançado aquele local, Bhimasena viu, na vizinhança do penhasco Kailasa, aquele belo lago de lotos cercado por bosques encantadores, e guardado pelos Rakshasas. E ele emergia das cachoeiras contíguas à residência de Kuvera. E ele era belo de se ver, e estava provido de uma sombra que se espalhava amplamente e abundava em várias árvores e trepadeiras e estava coberto com lírios verdes. E aquele lago sobrenatural estava cheio de lotos dourados, e enxameava com diversas espécies de aves. E suas margens eram belas e desprovidas de lama. E situada sobre a elevação rochosa aquela extensão de água excelente era extremamente formosa. E ela era a maravilha do mundo e sadia e de vista fabulosa. Naquele lago o filho de Kunti viu a água de sabor ambrosíaco e fria e luminosa e límpida e fresca; e o Pandava bebeu dela profusamente. E aquele receptáculo sobrenatural de águas estava coberto com lotos celestes Saugandhika, e também com vários lotos belos dourados de fragrância excelente tendo caules graciosos de lápis lazúli. E agitados por cisnes e Karandavas, aqueles lotos estavam espalhando pólen fresco. E aquele lago era a região de divertimento de Kuvera de grande alma, o rei dos Yakshas. E ele era considerado com grande respeito pelos Gandharvas, as Apsaras e os celestiais. E ele era frequentado pelos sábios celestes e os Yakshas e os Kimpurushas e os Rakshasas e os Kinnaras; e era bem protegido por Kuvera. E logo que viu aquele rio e aquele lago sobrenatural, o filho de Kunti, Bhimasena de força poderosa, ficou muito satisfeito. E de acordo com a ordem de seu rei, centenas e milhares de Rakshasas, chamados Krodhavasas, estavam protegendo aquele lago, usando uniformes e armados com várias armas. E quando aquele repressor de inimigos, filho de Kunti, o heróico Bhima de bravura terrível, vestido em camurças e usando braceletes dourados e equipado com armas e cingindo sua espada estava procedendo destemidamente, com o objetivo de colher os lotos, aqueles (Rakshasas) o viram e imediatamente começaram a se dirigir uns aos outros, gritando adiante, 'Cabe a você perguntar pela missão na qual este principal dos homens, vestido em peles de veado, e equipado com armas, vem.' Então todos eles se aproximaram do refulgente Vrikodara de braços poderosos e perguntaram, 'Quem és tu? Tu deves responder nossas perguntas. Nós te vemos na aparência de um asceta e ainda assim armado com armas. Ó tu de grande inteligência, revele para nós o objetivo com o qual tu vieste (para cá).’" "Bhima disse, 'Eu sou o filho de Pandu, e seguinte por nascimento a Yudhishthira o justo, e meu nome é Bhimasena. Ó Rakshasas, eu cheguei com meus irmãos até a jujuba chamada Visala. Naquele local Panchali viu um excelente lótus Saugandhika, o qual, com certeza, foi levado para lá pelo vento desta região. Ela deseja ter aquelas flores em abundância. Saibam vocês, ó Rakshasas, que eu estou empenhado em realizar o desejo da minha esposa de feições impecáveis, e vim para cá para obter as flores.’ Nisso os Rakshasas disseram, 'Ó principal dos homens, este local é caro para Kuvera, e é sua região de diversão. Homens sujeitos à morte não podem se divertir aqui. Ó Vrikodara, os sábios celestes, e os deuses recebendo a permissão do chefe dos Yakshas bebem deste lago, e se divertem neste lugar. E, ó Pandava, os Gandharvas e as Apsaras também se distraem neste lago. Aquela pessoa pecaminosa que, desconsiderando o senhor dos tesouros, tenta se divertir ilegalmente aqui, sem dúvida encontra com a destruição. Desrespeitando-o, tu procuras tirar os lotos deste local por meio de força física. Por que então tu dizes que és o irmão de Yudhishthira o justo? Primeiro, recebendo a permissão do senhor dos Yakshas, beba deste lago e tire as flores. Se tu não fizeres isto, tu não poderás nem olhar para um único lótus.’ Bhimasena disse, 'Ó Rakshasas, eu não vejo o senhor da riqueza aqui. E mesmo que eu visse aquele rei poderoso, eu não pediria a ele (pois) Kshatriyas nunca pedem (a ninguém). Esta é a moralidade eterna; e eu não desejo de nenhuma maneira abandonar a moralidade Kshatriya. E, além disto este lago de lotos surgiu das cascatas da montanha; ele não foi escavado na mansão de Kuvera. Portanto ele pertence igualmente a todas as criaturas com Vaisravana. Em relação a uma coisa de tal natureza, quem pediria a outro?’" Vaisampayana disse, "Tendo dito isso para os Rakshasas, Bhimasena de braços poderosos e muito inclemente de grande força mergulhou no lago de lotos. Nisso aquele poderoso foi proibido pelos Rakshasas, dizendo, 'Não faça isso'; e eles de todos os lados começaram a insultá-lo com raiva. Mas desprezando aqueles Rakshasas, aquele poderoso de bravura terrível mergulhou (cada vez mais longe). Assim sendo eles todos se prepararam para se opor a ele. E com olhos rolando, eles ergueram suas armas e se precipitaram em cólera em Bhimasena, exclamando, 'Agarre ele! Amarre ele! Corte ele! Nós cozinharemos Bhimasena, e o comeremos!' Então aquele de grande força, pegando sua maça pesada e poderosa incrustada com lâminas douradas, semelhante à maça do próprio Yama, virou-se em direção a eles, e então disse, 'Venham!' Nisto, eles avançaram nele com veemência, brandindo lanças, e machados, e outras armas. E desejando destruir Bhima, os terríveis e ferozes Krodhavasas cercaram Bhima por todos os lados. Mas ele, sendo dotado de força, tinha sido gerado por Vayu no útero de Kunti; e ele era heróico e enérgico, e o matador de inimigos, e sempre devotado à virtude e verdade, e incapaz de ser vencido por inimigos através de bravura. Consequentemente Bhima de grande alma, frustrando todas as manobras dos inimigos, e quebrando seus braços, matou nas margens do lago mais do que uma centena, começando com os principais. E então testemunhando sua coragem e força, e a força de sua habilidade, e também o poder de seus braços; e incapazes de resistir (ao ataque), aqueles heróis principais fugiram de repente para todos os lados em bandos. Golpeados e perfurados por Bhimasena, aqueles Krodhavasas abandonaram o campo de batalha, e em confusão fugiram rapidamente em direção ao penhasco Kailasa, se mantendo no céu. Tendo assim pelo exercício de sua bravura derrotado aquelas hostes, assim como Sakra derrotou os exércitos de Daityas e Danavas, ele (Bhima), agora que tinha vencido o inimigo, mergulhou no lago e começou a colher os lotos, com o objetivo de realizar seu propósito. E quando ele bebeu das águas, parecidas com néctar, sua energia e força foram novamente completamente restauradas; e ele se inclinou para colher e reunir lotos Saugandhika de fragrância excelente. Por outro lado, os Krodhavasas, sendo rechaçados pelo poder de Bhima e extremamente apavorados, se apresentaram perante o senhor da riqueza, e deram um relato exato da bravura e força de Bhima em luta. Ouvindo suas palavras, o deus (Kuvera) sorriu e então disse, 'Deixem Bhima pegar para Krishna tantos lotos quanto ele queira. Isto já é sabido por mim.' Então recebendo a permissão do senhor da riqueza, aqueles (Rakshasas) renunciando à raiva, foram até aquele principal dos Kurus, e naquele lago de lotos viram Bhima sozinho, se divertindo em deleite." 154 Vaisampayana disse, “Então, ó melhor dos Bharatas, Bhima começou a colher aquelas flores raras sobrenaturais, multicores e viçosas em abundância. E aconteceu que um vento turbulento e violento, perfurando ao toque, e soprando cascalhos por todos os lados ergueu-se, pressagiando batalha. E meteoros terríveis começaram a cair, com sons trovejantes. E sendo envolvido por escuridão, o sol tornou-se pálido, seus raios sendo encobertos. E quando Bhima mostrou sua bravura, sons terríveis de explosão reverberaram pelo céu. E a terra começou a tremer, e poeira caiu em abundância. E os pontos dos céus ficaram avermelhados. E animais e aves começaram a gritar em tons agudos. E tudo ficou envolvido em escuridão; e nada podia ser distinguido. E outros maus presságios além destes apareceram lá. Testemunhando aqueles fenômenos estranhos o filho de Dharma Yudhishthira, o principal dos oradores, disse, 'Quem é que nos vencerá? Ó Pandavas que se deleitam em batalha, que o bem aconteça a vocês! Equipem-se. A partir do que eu vejo eu deduzo que a hora de mostrar nossa coragem se aproxima.' Tendo dito isso o rei olhou em volta. Então não encontrando Bhima, aquele repressor de inimigos, o filho de Dharma, Yudhishthira, perguntou para Krishna e os gêmeos que estavam perto a respeito de seu irmão, Bhima, o fazedor de atos terríveis em batalha, dizendo, 'Ó Panchali, Bhima está planejando realizar alguma grande façanha, ou ele que se deleita em ações arrojadas já realizou algum ato magnífico? Pressagiando um grande perigo, estes presságios apareceram por todos os lados, indicando uma batalha terrível.' Quando Yudhishthira disse isso, sua querida rainha, Krishna de grande mente de sorrisos doces, lhe respondeu para remover sua ansiedade, 'Ó rei, aquele lótus Saugandhika o qual foi hoje trazido pelo vento, eu mostrei por amor devidamente para Bhimasena; e eu também disse para aquele herói: ‘Se tu puderes achar muitos desta espécie, obtendo até todos eles, volte rapidamente.’ Ó Pandava, ele de braços fortes, com o objetivo de satisfazer meu desejo, pode ter ido em direção ao nordeste para trazê-los.' Tendo ouvido estas palavras dela, o rei disse para os gêmeos, 'Que nós sigamos juntos o caminho tomado por Vrikodara. Que os Rakshasas carreguem aqueles Brahmanas que estão fatigados e fracos. Ó Ghatotkacha, ó tu semelhante a um celestial, carregue Krishna. Eu estou convencido e é evidente que Bhima penetrou na floresta; pois faz tempo desde que ele partiu, e em velocidade ele parece o vento, e em transpor terrenos ele é rápido como o filho de Vinata, e ele até se lançará ao céu, e descerá à sua vontade. Ó Rakshasas, nós o seguiremos através da destreza de vocês. Ele inicialmente não fará qualquer mal aos Siddhas versados nos Vedas.’ Ó melhor dos Bharatas, dizendo, 'Assim seja' o filho de Hidimava e os outros Rakshasas que conheciam o quadrante onde o lago de lotos de Kuvera estava situado partiram alegremente com Lomasa, carregando os Pandavas e muitos dos Brahmanas. Tendo alcançado logo aquele local, eles viram aquele lago fabuloso coberto com Saugandhika e outros lotos e cercado por belos bosques. E em suas margens eles viram o veemente Bhima de grande alma, como também os Yakshas mortos de olhos grandes, com seus corpos, olhos, braços e coxas despedaçados, e suas cabeças esmagadas. E ao ver Bhima de grande alma de pé na margem daquele lago em uma disposição zangada, e com olhos firmes, e mordendo seu lábio, e postado na margem do lago com sua maça erguida por suas duas mãos, semelhante a Yama com sua maça em sua mão na hora da dissolução universal, Yudhishthira o justo abraçou-o repetidas vezes, e disse em palavras gentis, 'Ó Kaunteya, o que tu fizeste? Que o bem aconteça para ti! Se tu desejas fazer bem para mim, tu não deves nunca mais cometer semelhante ato irrefletido, nem ofender os deuses.' Tendo assim instruído o filho de Kunti, e pegado as flores eles semelhantes a deuses começaram a se divertir naquele mesmo lago. Naquele instante, os guardas do jardim de corpos enormes, equipados com rochas como armas, se apresentaram no local. E vendo Yudhishthira o justo e o grande sábio Lomasa e Nakula e Sahadeva e também os outros principais dos Brahmanas, eles todos se curvaram em humildade. E sendo pacificados por Yudhishthira o justo, os Rakshasas ficaram satisfeitos. E com o conhecimento de Kuvera, aqueles principais dos Kurus por um tempo curto moraram agradavelmente naquele local nas ladeiras de Gandhamadana, esperando Arjuna." 155 Vaisampayana disse, "Uma vez Yudhishthira, enquanto vivia naquele lugar, dirigiu-se a Krishna, seus irmãos, e aos Brahmanas, dizendo, 'Por nós foram vistos atentamente tirthas sagrados e auspiciosos uns depois dos outros, e florestas, encantadoras de se olhar, os quais antes disso foram visitados pelos celestiais e os sábios de grande alma, e que eram adorados pelos Brahmanas. E em vários retiros sagrados nós temos realizado abluções com Brahmanas, e ouvimos deles sobre as vidas e ações de muitos sábios, e também de muitos sábios nobres de antigamente, e outras histórias agradáveis. E com flores e água os deuses tem sido adorados por nós. E com oferendas de frutas e raízes como disponíveis em cada lugar nós temos gratificado os Pitris. E com aqueles de grande alma nós temos realizado abluções em todas as montanhas e lagos sagrados e belos, e também no oceano altamente sagrado. E com os Brahmanas nós nos banhamos no Ila, e no Saraswati, e no Sindhu, e no Yamuna, e no Narmada, e em vários outros tirthas fabulosos. E tendo passado a fonte do Ganga, nós vimos muitas colinas encantadoras e as montanhas Himalaya, habitadas por várias espécies de aves, e também a jujuba chamada Visala, onde está o eremitério de Nara e Narayana. E (finalmente) vimos este lago sobrenatural, mantido em veneração pelos Siddhas, os deuses e os sábios. Realmente, ó principais dos Brahmanas, nós temos visto cuidadosamente um a um todos os lugares célebres e sagrados acompanhados por Lomasa de grande alma. Agora, ó Bhima, como nós iremos para a residência sagrada de Vaisravana, habitada pelos Siddhas? Pense nos meios de entrar (na mesma)." Vaisampayana disse, "Quando aquele rei tinha dito isso, uma voz imaterial falou, dizendo, 'Tu não serás capaz de ir para aquele local inacessível. Por este mesmo caminho, dirija-te desta região de Kuvera para o lugar de onde tu vieste até o eremitério de Nara e Narayana, conhecido pelo nome de Vadari. Dali, ó Kaunteya, tu irás para o eremitério de Vrishaparva, rico em flores e frutas, e habitado pelos Siddhas e os Charanas. Tendo passado por ele, ó Partha, tu procederás para o eremitério de Arshtisena, e de lá tu contemplarás a residência de Kuvera.' Exatamente naquele momento a brisa se tornou fresca, e agradável e fria e perfumada com fragrância sobrenatural; e ela derramou flores, E ao ouvirem a voz celeste do firmamento, eles todos ficaram muito surpresos, mais especialmente aqueles Rishis terrestres e os Brahmanas. Ao ouvir este prodígio poderoso, o Brahmana Dhaumya disse, 'Isto não deve ser contradito. Ó Bharata, que seja dessa maneira.' Então o rei Yudhishthira obedeceu-o. E tendo voltado ao eremitério de Nara e Narayana ele começou a morar agradavelmente, cercado por Bhimasena e seus outros irmãos, Panchali e os Brahmanas." 156 Vaisampayana continuou, "Assim morando com os Brahmanas naquela melhor das montanhas na expectativa da volta de Arjuna, quando os Pandavas tinham ficado confiantes e quando todos aqueles Rakshasas junto com o filho de Bhima tinham partido, um dia enquanto Bhimasena estava fora, um Rakshasa de repente raptou Yudhishthira o justo e os gêmeos e Krishna. Aquele Rakshasa (no disfarce de um Brahmana) tinha permanecido constantemente na companhia dos Pandavas, alegando que ele era um Brahmana nobre, hábil em conselhos, e versado em todos os Sastras. Seu objetivo era se apoderar dos arcos, das aljavas e dos outros instrumentos materiais pertencentes aos Pandavas; e ele vinha esperando por uma oportunidade de raptar Draupadi. E aquele perverso e pecaminoso se chamava Jatasura. E, ó rei de reis, o filho de Pandu (Yudhishthira) vinha-o sustentando, mas não conhecia aquele canalha semelhante a um fogo coberto com cinzas. E uma vez em um dia enquanto aquele repressor de inimigos, Bhimasena, estava fora caçando, ele (o Rakshasa), vendo Ghatotkacha e seus seguidores se dispersarem em direções diferentes e vendo aqueles grandes Rishis cumpridores de votos, de riqueza ascética, isto é; Lomasa e o resto, ausentes para se banharem e colherem flores, assumiu uma forma diferente, gigantesca e descomunal e terrível; e tendo obtido todas as armas (dos Pandavas) como também Draupadi, aquele pecaminoso fugiu levando os três Pandavas. Nisso aquele filho de Pandu, Sahadeva, se libertou com esforço, e pegou à força a espada chamada Kausika da posse do inimigo e começou a chamar Bhimasena, tomando a direção na qual aquele poderoso tinha ido. E ao ser raptado Yudhishthira o justo se dirigiu (àquele Rakshasa), dizendo, 'Ó estúpido, teu mérito diminui (na medida desta tua ação). Tu não prestas atenção à ordem estabelecida da natureza? Pertencendo à raça humana ou às ordens inferiores todos respeitam a virtude, mais especialmente os Rakshasas. Em primeiro lugar, eles conheciam a virtude melhor do que outros. Tendo considerado tudo isto, tu deves aderir à virtude. Ó Rakshasa, os deuses, os Pitris, os Siddhas, os Rishis, os Gandharvas, os brutos e até os vermes e formigas dependem dos homens para suas vidas; e tu também vives por esta mediação. Se a prosperidade acompanha a raça humana, a tua raça também prospera; e se calamidades acontecem à primeira, até os celestiais sofrem angústia. Sendo gratificados por oferendas, os deuses prosperam. Ó Rakshasa, nós somos os protetores, governadores e preceptores de reinos. Se os reinos ficam desprotegidos, de onde pode proceder prosperidade e felicidade? A menos que haja ofensa, um Rakshasa não deve perturbar um rei. Ó comedor de homens, nós não cometemos nenhuma injustiça, mesmo muito pequena. Vivendo em Vighasa, nós servimos os deuses e outros ao melhor do nosso poder. E nós estamos sempre atentos para reverenciar nossos superiores e Brahmanas. Um amigo, e alguém que confia, e aquele cuja comida foi compartilhada, e aquele que proporcionou abrigo, nunca devem ser feridos. Tu viveste em nossa moradia alegremente, sendo devidamente honrado. E, ó de mente má, tendo partilhado da nossa comida, como tu podes nos raptar? E como as tuas ações são tão impróprias e como tu cresceste em idade sem derivar qualquer benefício e como tuas propensões são más, assim tu mereces morrer em vão, e em vão tu morrerás hoje. E se tu fores realmente mal intencionado e desprovido de toda virtude, nos entregue de volta nossas armas e rapte Draupadi depois de luta. Mas se por estupidez tu fizeres este ato, então no mundo tu colherás somente demérito e infâmia. Ó Rakshasa, por prejudicares esta mulher da raça humana, tu bebeste veneno, depois de ter sacudido o recipiente.' Então Yudhishthira se fez pesado para o Rakshasa. E sendo oprimido pelo peso ele não pode prosseguir rapidamente como antes. Então se dirigindo a Draupadi, Nakula e Sahadeva, Yudhishthira disse, 'Não nutram qualquer medo deste Rakshasa desprezível, eu controlei sua velocidade. O filho poderoso do Deus do Vento não pode estar muito longe; e à aproximação de Bhima no momento seguinte o Rakshasa não viverá.' Ó rei, fitando o Rakshasa privado de inteligência, Sahadeva se dirigiu a Yudhishthira, o filho de Kunti, dizendo, 'O que pode ser mais meritório para um Kshatriya do que morrer em luta, ou derrotar um inimigo? Ó repressor de inimigos, nós lutaremos e ou ele nos matará, ou nós o mataremos, ó de braços fortes. Na verdade esta é a hora e o lugar, ó rei. E, ó tu de destreza infalível, chegou a hora de mostrar nossa virtude Kshatriya. Cabe a nós alcançar o céu ou por obtermos vitória ou por sermos mortos. Se o sol se pôr hoje com o Rakshasa ainda vivendo, ó Bharata, eu não direi mais que eu sou um Kshatriya. Ho! Ho! Rakshasa, fale! Eu sou filho de Pandu, Sahadeva. Depois de ter me matado, rapte esta senhora, ou sendo morto, jaza sem sentidos aqui.' O filho de Madri, Sahadeva, estava falando dessa maneira quando Bhimasena fez seu aparecimento, com uma maça em sua mão, semelhante ao próprio Vasava brandindo o raio. E naquele local ele viu seus dois irmãos e Draupadi de mente nobre (sobre os ombros do demônio), e Sahadeva no chão repreendendo o Rakshasa, e também aquele Rakshasa estúpido privado de inteligência pelo Destino, andando em círculos em direções diferentes por causa da confusão causada pelo Destino. E encontrando seus irmãos e Draupadi sendo raptados, Bhima de força imensa estava inflamado pela cólera, e dirigiu-se ao Rakshasa, dizendo, 'Eu já tinha descoberto que tu eras um mau indivíduo por causa do teu exame minucioso de nossas armas; mas como eu não tinha medo de ti eu não te matei naquele momento. Tu estavas no disfarce de um Brahmana, e não dissestes qualquer coisa desagradável para nós. E tu te deleitavas em nos agradar. E tu também não nos fizeste mal. E, além disso, tu eras nosso convidado. Como eu poderia, portanto, matar a ti que eras assim inocente de ofensa, e que estavas no disfarce de um Brahmana? Aquele que sabendo que uma pessoa é mesmo um Rakshasa, a mata, vai para o inferno. Além disso, tu não podes ser morto antes que chegue a hora. Sem dúvida tu hoje alcançaste a plenitude do teu tempo visto que tua mente foi assim dirigida pelo Destino realizador de maravilhas para raptar Krishna. Por cometeres este ato tu engoliste o gancho fixado à linha do Destino. Assim como um peixe na água, cuja boca foi enganchada, como tu podes viver hoje? Tu não terás que ir para onde tu planejaste, ou para onde tu já foste mentalmente; mas tu irás para onde se dirigiram Vaka e Hidimva.' Assim endereçado por Bhima, o Rakshasa em alarme colocou-os no chão; e sendo forçado pelo Destino, aproximou-se para lutar. E com seus lábios tremendo de raiva ele falou para Bhima, dizendo, 'Patife! Eu não fui confundido; eu tenho me demorado por ti. Hoje eu oferecerei oblações do teu sangue para aqueles Rakshasas que, eu soube, foram mortos por ti em combate.' Assim endereçado, Bhima, como se explodindo de raiva, semelhante ao próprio Yama na hora da dissolução universal, precipitou-se em direção ao Rakshasa, lambendo os cantos de sua boca e fitando-o conforme ele batia em seus próprios braços com suas mãos. E vendo Bhima esperando na expectativa de luta, o Rakshasa também se precipitou em direção a ele com raiva, como Vali em direção ao manejador do raio, repetidamente abrindo a boca e lambendo os cantos de sua boca. E quando uma luta terrível seguiu-se entre aqueles dois, ambos os filhos de Madri, ficando muito irados, investiram; mas o filho de Kunti, Vrikodara, os impediu com um sorriso e disse, 'Vocês presenciem! Eu sou mais do que um páreo para este Rakshasa. Por mim mesmo e por meus irmãos, e por meu mérito, e por meus bons atos, e por meus sacrifícios, eu juro que eu matarei este Rakshasa.' E depois que isto foi dito, aqueles dois heróis, o Rakshasa e Vrikodara, desafiando um ao outro, pegaram um ao outro pelos braços. E eles não perdoaram um ao outro, então lá seguiu-se um combate entre o enfurecido Bhima e o Rakshasa, semelhante àquele entre um deus e um demônio. E arrancando árvores repetidamente, aqueles dois de força imensa bateram um no outro, gritando e rugindo como duas massas de nuvens. E aqueles principais dos atletas, cada um desejando matar o outro, e avançando no outro com veemência, derrubaram muitas árvores gigantescas por meio de suas coxas. Assim aquele combate com árvores, destrutivo de plantas, continuou parecido com aquele entre os dois irmãos Vali e Sugriva, desejosos da posse de uma única mulher. Brandindo árvores por um momento, eles batiam um no outro com elas, gritando constantemente. E quando todas as árvores do lugar tinham sido derrubadas e esmagadas até fibras por eles que se esforçavam para matar um ao outro, então, ó Bharata, aqueles dois de força poderosa, erguendo rochas, começaram a lutar por um tempo, como uma montanha e uma massa imensa de nuvens. E não suportando um ao outro eles se puseram a golpear um ao outro com rochas compactas e grandes, parecendo raios impetuosos. Então por força provocando um ao outro, eles se precipitaram novamente um no outro, e agarrando um ao outro com seus braços, começaram a lutar como dois elefantes. E em seguida eles deram golpes violentos um no outro. E então aqueles dois poderosos começaram a emitir sons inarticulados por rangerem seus dentes. E finalmente, tendo cerrado seu punho como uma cobra de cinco cabeças, Bhima desferiu um golpe com força no pescoço do Rakshasa. E quando, atingido por aquele punho de Bhima, o Rakshasa ficou desfalecido, Bhimasena permaneceu segurando aquele esgotado. E então Bhima semelhante a um deus de braços poderosos ergueu-o com seus dois braços, e jogando-o com força no chão, o filho de Pandu esmagou todos os seus membros. E batendo nele com seu cotovelo, ele cortou de seu corpo a cabeça com lábios mordidos e olhos rolantes, como um fruto de seu caule. E a cabeça de Jatasura sendo cortada pela força de Bhimasena, ele caiu lambuzado com sangue coagulado, e tendo lábios mordidos. Tendo matado Jatasura, Bhima se apresentou perante Yudhishthira, e os Brahmanas principais começaram a elogiar a ele (Bhima) assim como os Marutas (elogiam) Vasava." 157 Vaisampayana continuou, "Após aquele Rakshasa ser morto, aquele senhor, o filho real de Kunti, retornou ao eremitério de Narayana e começou a morar lá. E uma vez, lembrando-se de seu irmão Jaya (Arjuna), Yudhishthira convocou todos os seus irmãos, junto com Draupadi, e disse estas palavras, 'Nós passamos estes quatro anos percorrendo pacificamente as florestas. Foi estabelecido por Vibhatsu que perto do quinto ano ele virá àquele monarca das montanhas, o excelente despenhadeiro Sweta, sempre agraciado com festividades mantidas por plantas floridas e Kokilas enlouquecidos e abelhas pretas, e pavões, e chatakas e habitado por tigres, e javalis e búfalos, e gavayas, e veados, e animais ferozes; e sagrado; e encantador com lotos desabrochados de cem e mil pétalas, e lírios exuberantes e lírios azuis e frequentado pelos celestiais e os Asuras. E nós também, avidamente ansiosos de encontrar com ele em sua chegada, decidimos nos dirigir para lá. Partha de destreza inigualável marcou comigo, dizendo, 'Eu permanecerei fora por cinco anos, com o objetivo de aprender ciência militar.' No lugar semelhante à região dos deuses nós veremos o manejador do Gandiva chegar depois de ter obtido as armas.' Tendo dito isso, o Pandava convocou os Brahmanas, e os filhos de Pritha tendo circungirado os ascetas de austeridades rígidas e assim agradado a eles, os informaram do assunto mencionado acima. Imediatamente os Brahmanas deram seu consentimento, dizendo, 'Isto será acompanhado por prosperidade e bem-estar. Ó principal dos Bharatas, estes transtornos resultarão em felicidade. Ó pio, ganhando a terra pela virtude Kshatriya, tu a governará.' Então em obediência a estas palavras dos ascetas, aquele repressor de inimigos, Yudhishthira, partiu com seus irmãos e aqueles Brahmanas, seguido pelos Rakshasas e protegido por Lomasa. E ele de energia poderosa, e de votos firmes, com seus irmãos, em alguns lugares seguiu a pé e em outros foi carregado pelos Rakshasas. Então o rei Yudhishthira, receando muitas dificuldades, procedeu em direção ao norte abundando em leões e tigres e elefantes. E vendo no caminho a montanha Mainaka e a base do Gandhamadana e aquela massa rochosa Sweta e muitos regatos cristalinos cada vez mais altos na montanha, ele alcançou no décimo sétimo dia as ladeiras sagradas do Himalaia. E, ó rei, não longe do Gandhamadana o filho de Pandu contemplou nas ladeiras sagradas do Himavan cobertas com várias árvores e trepadeiras o eremitério sagrado de Vrishaparva cercado por árvores florescentes crescendo perto das cascatas. E quando aqueles repressores de inimigos, os filhos de Pandu, tinham se recuperado da fadiga, eles foram até o sábio real, o pio Vrishaparva e o saudaram. E aquele sábio real recebeu com afeição aqueles principais dos Bharatas, assim como seus próprios filhos. E aqueles repressores de inimigos passaram sete noites lá, devidamente respeitados. E quando chegou o oitavo dia, recebendo a permissão daquele sábio célebre pelos mundos, eles se prepararam para partir em sua viagem. E tendo apresentado um a um para Vrishaparva aqueles Brahmanas, que, devidamente honrados, permaneceram sob seus cuidados como amigos; e tendo também confiado a Vrishaparva de grande alma seus mantos restantes, os filhos de Pandu, ó rei, deixaram no eremitério de Vrishaparva seus recipientes sacrificais junto com seus ornamentos e jóias. E sábio e devoto e versado em todos os deveres e tendo o conhecimento do passado assim como do futuro, ele deu instruções para aqueles melhores dos Bharatas, como para seus próprios filhos. Então recebendo sua permissão aqueles de grande alma partiram em direção ao norte. E quando eles partiram o magnânimo Vrishaparva seguiu-os até uma certa distância. Então tendo confiado os Pandavas aos cuidados dos Brahmanas e instruído e abençoado eles e dado indicações sobre seu rumo, Vrishaparva de energia poderosa retrocedeu seus passos. Então o filho de Kunti, Yudhishthira de destreza infalível, junto com seus irmãos, começou a proceder a pé pelo caminho da montanha, habitado por várias espécies de animais. E tendo morado nas ladeiras da montanha, densamente cobertas com árvores, o filho de Pandu no quarto dia alcançou a montanha Sweta, parecida com uma massa de nuvens, cheia de rios e consistindo em uma massa de ouro e pedras preciosas. E tomando o caminho indicado por Vrishaparva, eles alcançaram um a um os lugares planejados, contemplando várias montanhas. E repetidamente eles passaram com facilidade por muitas rochas inacessíveis e cavernas extremamente intransitáveis da montanha. E Dhaumya e Krishna e os Parthas e o sábio poderoso Lomasa seguiram em um grupo e ninguém ficou cansado. E aqueles altamente afortunados chegaram à montanha sagrada e poderosa ressoando com os gritos de aves e animais e coberta com várias árvores e trepadeiras e habitada por macacos, e fantástica e provida de muitos lagos de lotos e tendo pântanos e florestas extensos. E então com seus cabelos arrepiados eles viram a montanha Gandhamadana, a residência de Kimpurushas, frequentada por Siddhas e Charanas e percorrida por Vidyadharis e Kinnaris e habitada por manadas de elefantes e apinhada com leões e tigres e ressoando com os rugidos de Sarabhas e visitada por vários animais. E os filhos guerreiros de Pandu entraram gradualmente na floresta de Gandhamadana, semelhante aos jardins Nandana, agradável para a mente e coração e digna de ser habitada e tendo arvoredos belos. E quando aqueles heróis entraram com Draupadi e os Brahmanas de grande alma, eles ouviram notas proferidas pelas aves, muito suaves e graciosas para o ouvido e causando deleite e melodiosas e quebradas por causa de excesso de vivacidade animal. E eles viram várias árvores curvadas sob o peso de frutas de todas as estações, e sempre radiantes com flores, tais como mangueiras e ameixeiras e bhavyas e romãzeiras, cidreiras e jacks e lakuchas e bananeiras e juncos aquáticos e parvatas e champakas e kadamvas e vilwas encantadoras, macieiras do mato e macieiras rosadas e kasmaris e jujubas e figueiras e figueiras glomerous e figueiras de Bengala e aswatthas e khirikas e bhall atakas e amalkas e bibhitakas e ingudas e karamardas e tindukas de frutos grandes, estas e muitas outras nas ladeiras de Gandhamadana, cheias de cachos de frutas doces e nectáreas. E além destas, eles contemplaram champakas e asokas e ketakas e vakulas e punnagas e saptaparnas e karnikaras, e patals, e kutajas e mandaras belas, e lotos, e parijatas, e kovidaras e devadarus, e salas, e palmeiras, e tamalas, e pippalas, e salmalis e kinsukas, e singsapas, e saralas e estas eram habitadas por Chakoras, e pica-paus e chatakas, e várias outras aves, cantando em tons doces agradando aos ouvidos. E eles viram lagos belos por todos os lados com aves aquáticas, e cobertos em volta com kumudas, e pundarikas, e kokanadas, e utpalas, e kalharas, e kamalas e apinhados por todos os lados com patos e gansos vermelhos, e garças, e gaivotas e karandavas, e plavas, e cisnes, e grous, e shags, e outras aves aquáticas. E aqueles principais dos homens viram aqueles lagos de lotos embelezados com conjuntos de lotos, e ressoando com o zumbido doce de abelhas, alegres e sonolentas por terem bebido o mel embriagante dos lotos, e avermelhadas com o pólen caído dos cálices dos lotos. E nos arvoredos eles viram pavões com suas fêmeas enlouquecidos com desejo causado pelas notas de grande número de barritos; e aqueles pavões amorosos dos bosques contentes e sonolentos com desejo estavam dançando, espalhando em galanteio suas caudas magníficas, e estavam gritando em notas melodiosas. E alguns dos pavões estavam se divertindo com seus companheiros em árvores kutaja cobertas com trepadeiras. E alguns sentavam nos ramos dos kutajas, espalhando suas caudas magníficas, e parecendo com coroas usadas pelas árvores. E nas clareiras eles viram os graciosos sindhuvaras parecidos com as flechas de Cupido. E nos topos da montanha eles viram karnikaras floridos portando flores de uma cor dourada, parecendo com brincos de feitio excelente. E na floresta eles viram kuruvakas florescentes, semelhantes às flechas de Cupido, as quais afetavam uma pessoa com desejo e deixavam-na inquieta. E eles viram tilakas parecendo com sinais pintados sobre a fronte da floresta. E eles viram árvores de manga agraciadas com flores cobertas por abelhas pretas zunindo, e servindo ao propósito de flechas de Cupido. E nas ladeiras da montanha havia diversas árvores florescentes, parecendo encantadoras, algumas portando flores de cor dourada, e algumas da cor do incêndio da floresta, e algumas vermelhas e algumas negras, e algumas verdes como lápis-lazúli. E além destas, havia conjuntos de árvores salas e tamalas e patalas e vakula, parecidas com guirlandas colocadas pelos topos da montanha. Assim gradualmente contemplando nas ladeiras da montanha muitos lagos, parecendo transparentes como cristal, e tendo cisnes de plumagem branca e ressoando com gritos de garças, e cheios de lotos e lírios, e providos de águas de sensação deliciosa; e também vendo flores fragrantes, e frutas deliciosas, e lagos fantásticos, e árvores cativantes, os Pandavas penetraram na floresta com olhos arregalados de admiração. E (conforme eles prosseguiam) eles eram abanados pela brisa de sensação suave, e perfumada por kamalas e utpalas e kalharas e pundarikas. Então Yudhishthira falou agradavelmente para Bhima dizendo, 'Ah! Ó Bhima, é bela esta floresta da Gandhamadana. Nesta floresta fantástica há várias árvores e trepadeiras floridas selvagens muito agradáveis, enfeitadas com folhagem e frutas, nem há quaisquer árvores que não florescem. Nestas ladeiras da Gandhamadana todas as árvores são de folhagem e frutas lustrosas. E veja como estes lagos de lotos com lotos completamente desabrochados, e ressoando com o zumbido de abelhas pretas, estão sendo agitado por elefantes com seus companheiros. Veja outro lago de lotos cercado com fileiras de lotos, como uma segunda Sree em uma forma incorporada usando guirlandas. E nesta floresta excelente há belos conjuntos de bosques, ricos com o aroma de várias flores, e ressoando com o zumbido de abelhas pretas. E, ó Bhima, veja em todos os lados a excelente área de diversão dos celestiais. Por virmos aqui, nós alcançamos condição super-humana, e fomos abençoados. Ó Partha, nestas ladeiras da Gandhamadana, lá belas árvores florescentes, sendo abraçadas por trepadeiras com flores em seus topos, parecem encantadoras. E, ó Bhima, ouça com atenção às notas dos pavões gritando com suas fêmeas nas ladeiras da montanha. E aves tais como chakoras, e satapatras, e kokilas enlouquecidos, e papagaios, estão pousando nestas excelentes árvores floridas. E sentados sobre os galhos, miríades de jivajivakas de cor escarlate, amarela e vermelha, estão olhando uns para os outros. E os grous são vistos perto dos lugares cobertos com grama verde e avermelhada, e também ao lado das cachoeiras. E aquelas aves, bhringarajas, e upachakras, e garças estão emitindo suas notas encantadoras para todas as criaturas. E, veja! com seus companheiros, aqueles elefantes providos de quatro presas, e brancos como lótus, estão agitando aquele grande lago da cor de lápis-lazúli. E de muitas cascatas, torrentes altas como várias palmeiras (colocadas umas sobre as outras) estão se precipitando dos penhascos. E muitos minerais prateados esplêndidos, e da refulgência do sol, e parecidos com nuvens outonais, estão embelezando esta montanha imensa. E em algum lugares existem minerais da cor do colírio, e em alguns aqueles semelhantes ao ouro, em alguns, amarelo ouro e em alguns, vermelho alaranjado, e em alguns, grutas de vermelho arsênico semelhantes a nuvens noturnas e em alguns, giz vermelho da cor do rabit, e em alguns, minerais semelhantes a nuvens brancas e negras; e em alguns, aqueles refulgentes como o sol nascente, estes minerais de grande brilho embelezam a montanha. Ó Partha, como foi dito por Vrishaparva, os Gandharvas e os Kimpurushas, em companhia com seus amores, são visíveis sobre os topos da montanha. E, ó Bhima, lá são ouvidas várias canções de ritmo apropriado, e também hinos Védicos, agradáveis para todas as criaturas. Contemple o rio celeste Mahaganga sagrado e gracioso, com cisnes, frequentado por sábios e Kinnaras. E, ó repressor de inimigos, veja esta montanha tendo minerais, regatos, e bosques e animais belos, e cobras de formas diversas e cem cabeças e Kinnaras, Gandharvas e Apsaras.'" Vaisampayana disse, "Tendo alcançado condição excelente, aqueles guerreiros valentes e repressores de inimigos com Draupadi e os Brahmanas de grande alma estavam profundamente encantados, e eles não estavam saciados por contemplar aquele monarca das montanhas. Depois disso eles viram o eremitério do sábio real Arshtishena, provido de árvores portando flores e frutas. Então eles foram até Arshtishena versado em todos os deveres de austeridades rígidas, semelhante a um esqueleto, e tendo músculos expostos." 158 Vaisampayana continuou, "Tendo se aproximado dele cujos pecados tinham sido consumidos por ascetismo, Yudhishthira anunciou seu nome, e saudou-o alegremente, inclinando sua cabeça. E então Krishna, e Bhima, e os gêmeos devotos, tendo curvado suas cabeças para o sábio real, permaneceram (lá) circundando-o. E aquele sacerdote dos Pandavas, o virtuoso Dhaumya, também se aproximou devidamente daquele sábio cumpridor de votos. E por sua visão profética aquele Muni virtuoso já conhecia a identidade daqueles principais dos Kurus, os filhos de Pandu. E ele disse para eles, 'Sentem-se.' E ele de austeridades rígidas, depois de ter recebido devidamente aquele principal dos Kurus, quando o último com seus irmãos tinha se sentado, perguntou pelo seu bem-estar, dizendo, 'Tu não dirigiste tua inclinação em direção à inverdade? E tu estás concentrado na virtude? E, ó Partha, a tua atenção para teu pai e tua mãe diminuíram? Todos os teus superiores, e os idosos, e aqueles versados nos Vedas, são honrados por ti? E, ó filho de Pritha, tu não dirigiste tua inclinação para ações pecaminosas? E tu, ó melhor dos Kurus, sabes devidamente como realizar ações meritórias, e evitar atos pecaminosos? Tu não exaltas a ti mesmo? E homens pios são gratificados, sendo honrados por ti? E mesmo residindo nas florestas, tu segues a virtude somente? E, ó Partha, Dhaumya não se aflige por tua conduta? Tu segues os costumes dos teus antepassados, por meio de caridade, e observâncias religiosas, e ascetismo, e pureza, e franqueza, e perdão? E tu andas pelo caminho tomado pelos sábios reais? No nascimento de um filho em suas (respectivas) linhagens, os Pitris em suas regiões riem e sofrem, pensando: ‘As ações pecaminosas deste nosso descendente nos fará mal, ou seus atos meritórios levarão ao nosso bem-estar?’ Conquista ambos os mundos aquele que homenageia seu pai, e mãe, e preceptor, e Agni, e em quinto lugar, a alma.' Yudhishthira disse, 'Ó venerável, estes deveres que foram mencionados por ti como excelentes, eu os cumpro com todas as forças devidamente e apropriadamente.' Arshtishena disse, 'Durante os Parvas sábios subsistindo de ar e água vem para esta melhor das montanhas percorrendo o ar. E nos topos da montanha são vistos Kimpurushas amorosos com suas amantes, mutuamente unidos uns aos outros; como também, ó Partha, muitos Gandharvas e Apsaras vestidos em trajes brancos de seda; e Vidyadharas de aparência graciosa, usando guirlandas; e Nagas poderosos, e Suparnas, e Uragas, e outros. E nos topos da montanha são ouvidos, durante os Parvas, sons de timbales, e tambores, conchas e mridangas. Ó principal dos Bharatas, por ficarem aqui mesmo vocês ouvirão aqueles sons; de nenhuma maneira sintam-se inclinados a irem para lá. Além disso, ó melhor da raça Bharata, é impossível prosseguir além disto. Aquele lugar é a região esportiva dos celestiais. Não há acesso para lá para mortais. Ó Bharata, neste local todas as criaturas possuem hostilidade em direção a, e os Rakshasas castigam aquele homem que comete agressão, mesmo que ela seja muito pequena. Além do topo deste penhasco Kailasa é visto o caminho dos sábios celestes. Se alguém por impudência vai além disto os Rakshasas o matam com dardos de ferro e outras armas. Lá, ó filho, durante os Parvas, ele que circula sobre os ombros de homens, o próprio Vaisravana é visto em pompa e grandeza cercado pelas Apsaras. E quando aquele senhor de todos os Rakshasas está sentado sobre o topo, todas as criaturas o contemplam semelhante ao sol nascente. Ó melhor dos Bharatas, aquele topo é lugar de passeio dos celestiais, e dos Danavas, e dos Siddhas, e de Vaisravana. E durante os Parvas, quando Tumburu entretém o Senhor dos tesouros, as doces notas de sua canção são ouvidas por toda a Gandhamadana. Ó filho, ó Yudhishthira, aqui durante os Parvas todas as criaturas vêem e ouvem maravilhas como estas. Ó Pandavas, até que vocês encontrem com Arjuna, permaneçam aqui, partilhando de frutas deliciosas, e do alimento dos Munis. Ó filho, como tu vieste para cá, não mostre qualquer impertinência. E, ó filho, depois de viver aqui à tua vontade e te divertindo como te agradar, tu finalmente governarás a terra, tendo-a conquistado pela força dos teus braços.'" Janamejaya disse, "Por quanto tempo meus grandes antepassados, os filhos de grande alma de Pandu de coragem inigualável, moraram na montanha Gandhamadana? E o que aqueles extremamente poderosos, dotados de virilidade, fizeram? E qual era o alimento daqueles de grande alma, quando aqueles heróis dos mundos moraram (lá)? Ó excelente, conte tudo sobre isto. Descreva o heroísmo de Bhimasena, e o que aquele de braços poderosos fez na montanha Himalayan. Certamente, ó melhor dos Brahmanas, ele não lutou novamente com os Yakshas. E eles encontraram com Vaisravana? Certamente, como Arshtishena disse, o senhor da riqueza aproximou-se de lá. Tudo isto, ó tu de riqueza ascética, eu desejo ouvir em detalhes. Sem dúvida eu ainda não estou completamente satisfeito por ouvir sobre as ações deles." Vaisampayana continuou, "Tendo ouvido daquele de energia incomparável, (Arshtishena), aquele conselho conducente ao seu bem-estar, aqueles principais dos Bharatas começaram a se comportar sempre adequadamente. Aqueles melhores dos homens, os Pandavas, moraram sobre o Himavan, partilhando do alimento comido pelos Munis, e de frutas deliciosas, e da carne de veados mortos com flechas não envenenadas e várias espécies de mel puro. Vivendo dessa maneira eles passaram o quinto ano, ouvindo as várias histórias contadas por Lomasa. Ó senhor, dizendo, 'Eu estarei presente quando surgir motivo,' Ghatotkacha, junto com todos os Rakshasas, antes disto já tinha ido embora. Aqueles magnânimos passaram muitos meses no eremitério de Arshtishena, testemunhando muitas maravilhas. E quando os Pandavas estavam passando seu tempo lá agradavelmente, foram lá para vê-los alguns Munis auto-satisfeitos cumpridores de votos e Charanas de grande ventura e almas puras. E aqueles principais da raça Bharata conversaram com eles sobre assuntos mundanos. E aconteceu que quando vários dias tinham se passado, Suparna de repente causou a morte de um Naga extremamente forte e poderoso, vivendo no grande lago. E nisso aquela montanha imensa começou a tremer, e as árvores gigantescas, a quebrar. E todas as criaturas e os Pandavas testemunharam o portento. Então da fronte daquela montanha excelente, o vento trouxe perante os Pandavas várias flores fragrantes e formosas. E os Pandavas, e a ilustre Krishna, junto com seus amigos, viram aquelas flores sobrenaturais de cinco cores. E quando Bhimasena de braços fortes estava sentado tranquilamente sobre a montanha, Krishna dirigiu- se a ele dizendo, 'Ó melhor da raça Bharata, na presença de todas as criaturas, estas flores de cinco cores, carregadas pela força do vento levantado por Suparna, estão caindo rapidamente no rio Aswaratha. Em Khandava teu irmão de grande alma, firme em promessa, frustrou Gandharvas e Nagas e o próprio Vasava, e matou Rakshasas ferozes, e também obteve o arco Gandiva. Tu também és de coragem excelente e a força dos teus braços é formidável, e irreprimível, e insuportável como o poder de Sakra. Ó Bhimasena, apavorados com a força dos teus braços, que todos os Rakshasas se dirijam aos dez pontos cardeais, deixando a montanha. Então teus amigos serão libertos do medo e aflição, e verão o topo auspicioso desta montanha excelente provido de flores coloridas. Ó Bhima, eu tenho nutrido por muito tempo este pensamento em minha mente, que protegida pelo poder dos teus braços, eu verei aquele topo.' Nisso, como um touro de grande vigor que foi golpeado, Bhimasena, considerando a si mesmo como criticado por Draupadi, não pode aguentar (isso). E aquele Pandava do porte de um leão ou um touro, e gracioso, e generoso, e tendo o esplendor do ouro, e inteligente, e forte, e orgulhoso, e sensível, e heróico, e tendo olhos vermelhos, e ombros largos, e dotado da força de elefantes enfurecidos, e tendo dentes leoninos e um pescoço largo, e alto como uma jovem árvore sala, e de grande alma, e gracioso em todos os membros, e de pescoço tendo as espiras de uma concha e de braços poderosos, pegou seu arco laminado com ouro no lado posterior, e também sua espada. E altivo como um leão, e parecendo um elefante enfurecido, aquele forte se apressou em direção àquele penhasco, livre de medo ou aflição. E todas as criaturas viram ele equipado com arco e flechas se aproximando como um leão ou um elefante enfurecido. E livre de medo ou aflição, o Pandava pegando sua maça procedeu para aquele monarca das montanhas causando o deleite de Draupadi. E nem exaustão, nem fadiga, nem lassidão, nem a malícia (de outros), afetavam aquele filho de Pritha e do Deus do Vento. E tendo chegado em um caminho acidentado fornecendo passagem para um indivíduo somente, ele de grande força subiu aquele topo terrível alto como várias palmeiras (colocadas umas sobre as outras). E tendo ascendido aquele topo, e assim alegrado Kinnaras, e grandes Nagas, e Munis, e Gandharvas, e Rakshasas, aquele principal da linhagem Bharata, dotado de força excessiva, descreveu a residência de Vaisravana, adornada com palácios dourados cristalinos totalmente certados por muros dourados tendo o esplendor de todas as pedras preciosas, provida de jardins em volta, mais alta do que um pico de montanha, bela com baluartes e torres, e adornada com entradas e portões e fileiras de bandeirolas. E a residência era agraciada com donzelas gracejando e dançando em volta, e também com flâmulas agitadas pela brisa. E com braços dobrados, se apoiando na extremidade de seu arco, ele ficou contemplando com avidez a cidade do senhor dos tesouros. E alegrando todas as criaturas, lá estava soprando uma brisa, carregando todos os perfumes, e de uma sensação suave. E lá havia várias árvores belas e maravilhosas de cores diversas ressoando com diversas notas harmoniosas. E naquele local o principal dos Bharatas examinou o palácio do Senhor dos Rakshasas espalhado com pilhas de pedras preciosas, e adornado com guirlandas variadas. E renunciando a todo cuidado de vida Bhimasena de braços poderosos permaneceu imóvel como uma rocha, com sua maça e espada e arco em suas mãos. Então ele soprou sua concha fazendo os pelos de seus adversários se arrepiarem; e vibrando a corda de seu arco, e batendo em seus braços com as mãos ele desalentou todas as criaturas. Nisso, com seus pelos permanecendo eretos, os Yakshas e Rakshasas começaram a se precipitar em direção ao Pandava, na direção daqueles sons. E pegadas pelos braços dos Yakshas e Rakshasas as maças e clavas e espadas e lanças e dardos e machados flamejaram, e quando, ó Bharata, seguiu-se a luta entre os Rakshasas e Bhima, o último por meio de flechas cortou os dardos, lanças e machados daqueles possuidores de grandes poderes de ilusão, e ele de força excelente perfurou com flechas os corpos dos Rakshasas que rugiam, ambos: daqueles que estavam no céu, e daqueles que permaneciam sobre a terra. E Bhima de força excessiva foi submerso pela poderosa chuva de sangue originada dos corpos dos Rakshasas com maças e clavas em suas mãos e fluindo por todos os lados de seus corpos. E os corpos e mãos dos Yakshas e Rakshasas eram vistos serem cortados pela arma disparada pela força dos braços de Bhima. E então todas as criaturas viram o gracioso Pandava densamente cercado pelos Rakshasas, como o Sol envolvido por nuvens. E assim como o Sol circunda tudo com seus raios, aquele poderosamente armado e forte de destreza infalível cobriu todos com flechas destruidoras de inimigos. E embora ameaçando e proferindo gritos, os Rakshasas não viram Bhima desconcertado. Então, com seus corpos mutilados, os Yakshas afligidos pelo medo, Bhimasena começou a proferir sons terríveis de angústia, jogando suas armas poderosas. E apavorados com o manejador de um arco forte, eles fugiram em direção ao quadrante sul, abandonando suas maças e lanças e espadas e clavas e machados. E então lá ficou, segurando em suas mãos dardos e maças, o amigo de peito largo e poderoso de Vaisravana, o Rakshasa chamado Maniman. E aquele de grande força começou a exibir sua maestria e virilidade. E vendo eles abandonarem a luta, ele dirigiu-se a eles com um sorriso, 'Indo para a residência de Vaisravana, como vocês dirão para aquele senhor da riqueza que multidões foram derrotadas por um único mortal em batalha?' Tendo dito isso para eles aquele Rakshasa, pegando em suas mãos clavas e lanças e maças, adiantou-se e avançou em direção ao Pandava. E ele se precipitou a toda velocidade como um elefante enfurecido. Bhimasena perfurou seus lados com três flechas seletas. E o poderoso Maniman, de sua parte, em cólera pegando e agitando uma maça tremenda arremessou-a em Bhimasena. Nisso Bhimasena atacou com inúmeras flechas afiadas em pedras, atiradas naquela maça imensa no céu, terrível, e semelhante ao lampejar do relâmpago. Mas ao alcançarem a maça aquelas flechas foram desviadas; e embora atiradas com força por aquele perito em arremessar a maça, ainda assim elas não puderam parar seu movimento rápido. Então o poderoso Bhima de bravura terrível frustrou o arremesso (do Rakshasa) por recorrer à sua habilidade em luta com maça. Enquanto isso, o inteligente Rakshasa tinha atirado uma terrível clava de ferro, provida de uma ponta dourada. E aquela clava, emitindo chamas e rugidos tremendos, perfurou de repente o braço direito de Bhima e então caiu ao solo. Ao ser ferido gravemente por aquela clava, aquele arqueiro, filho de Kunti, de coragem incomensurável, com olhos rolando em ira, pegou sua maça. E tendo pegado aquela maça de ferro, incrustada com chapas douradas, a qual causava o medo de inimigos e ocasionava sua derrota, ele arremessou-a com velocidade em direção ao poderoso Maniman, ameaçando (a ele) e proferindo gritos. Então Maniman de sua parte, pegando seu dardo enorme e brilhante, lançou-o com grande força em Bhima, proferindo gritos altos. Nisso, quebrando o dardo com a ponta de sua maça, aquele de braços fortes hábil em lutar com maça avançou rapidamente para matá-lo, como Garuda (avançava) para matar uma serpente. Então de repente, avançando adiante no campo, aquele de braços poderosos saltou ao céu e brandindo sua maça arremessou-a com gritos. E como o raio arremessado por Indra, aquela maça semelhante a uma praga, com a velocidade do vento destruiu o Rakshasa e então caiu ao chão. Então todas as criaturas viram aquele Rakshasa de força terrível massacrado por Bhima, assim como um touro morto por um leão. E os Rakshasas sobreviventes vendo-o morto no chão foram em direção ao leste, proferindo sons terríveis de angústia.'" 160 Vaisampayana disse, "Ouvindo vários sons ressoando nas cavernas da montanha e não vendo Bhimasena, o filho de Kunti Ajatasatru e os gêmeos filhos de Madri, e Dhaumya e Krishna e todos os Brahmanas e os amigos (dos Pandavas), ficaram cheios de ansiedade. Nisso, confiando Draupadi aos cuidados de Arshtishena e equipados com suas armas, aqueles quadrigários valentes e poderosos começaram a subir juntos o topo da montanha. E tendo alcançado o topo, quando aqueles repressores de inimigos e arqueiros fortes e quadrigários poderosos estavam olhando em volta, eles viram Bhima e aqueles enormes Rakshasas de imensa força e coragem se agitando em um estado de inconsciência tendo sido derrubados por Bhima. E segurando sua maça e espada e arco, aquele de braços poderosos parecia com Maghavan, depois que ele tinha matado as hostes Danava. Então ao verem seu irmão, os Pandavas, que tinham alcançado condição excelente, o abraçaram e se sentaram lá. E com aqueles arqueiros poderosos, aquele topo parecia formidável como o céu agraciado por aqueles principais dos celestiais, os Lokapalas altamente afortunados. E vendo a residência de Kuvera e os Rakshasas jazendo mortos no chão, o rei dirigiu-se a seu irmão que estava sentado, dizendo, 'Seja por impetuosidade ou por ignorância, tu, ó Bhima, cometeste um ato pecaminoso. Ó herói, como tu estás levando a vida de um anacoreta, esta matança sem motivo não é apropriada para ti. Ações, isto é afirmado por aqueles versados em deveres, que são calculadas para desagradar um monarca não devem ser cometidas. Mas tu, ó Bhimasena, cometeste um ato o qual ofenderá até os deuses. Aquele que, desconsiderando lucro e dever, dirige seus pensamentos ao pecado deve, ó Partha, colher o fruto de suas ações pecaminosas. Contudo, se tu procuras o meu bem-estar, nunca mais cometa ato semelhante.'" Vaisampayana continuou, "Tendo dito isso para seu irmão Vrikodara, o virtuoso filho de Kunti muito enérgico e de mente firme, Yudhishthira versado nos detalhes (da ciência) de lucro, parou, e começou a refletir sobre aquele assunto. Por outro lado, os Rakshasas que tinham sobrevivido àqueles mortos por Bhima fugiram em conjunto em direção à residência de Kuvera. E eles de velocidade excelente tendo alcançado rapidamente a residência de Vaisravana começaram a proferir altos gritos de angústia, estando atormentados por medo de Bhima. E, ó rei, privados de suas armas e exaustos e com suas armaduras lambuzadas com sangue coagulado e com cabelo desalinhado eles falaram para Kuvera, dizendo, 'Ó senhor, todos os teus Rakshasas principais lutando com maças e clavas e espadas e lanças e dardos farpados, estão mortos. Ó senhor dos tesouros, um mortal, invadindo a montanha, sozinho, massacrou todos os teus Rakshasas Krodhovasa reunidos. E, ó senhor da riqueza, lá jazem os principais dos Yakshas e Rakshasas inconscientes e mortos, tendo sido derrubados; e nós fomos poupados por seu favor. E teu amigo Maniman também foi morto. Tudo isto foi feito por um mortal. Faça o que é apropriado, depois disto.' Tendo ouvido isso, aquele senhor de todas as hostes Yaksha ficando irado, com olhos avermelhados de raiva, exclamou, 'Como!' E sabendo da segunda (ação de) agressão de Bhima, aquele senhor dos tesouros, o rei dos Yakshas, ficou cheio de cólera, e disse, 'Atrelem' (os cavalos). Então a um carro da cor de nuvens escuras, e alto como um topo de montanha, eles uniram corcéis tendo vestimentas douradas. E ao serem unidos ao carro, aqueles cavalos excelentes dele, agraciados com todas as qualidades nobres e providos dos dez cachos auspiciosos de cabelo e tendo energia e força, e adornados com várias jóias e parecendo esplêndidos, como se desejosos de correr como o vento, começaram a relinchar uns para os outros o relincho emitido na (hora da) vitória. E aquele rei divino e refulgente dos Yakshas partiu, sendo elogiado pelos celestiais e Gandharvas. E mil Yakshas principais de olhos avermelhados e brilho dourado e tendo corpos enormes, e dotados de grande força, equipados com armas e cingindo suas espadas, seguiram aquele senhor dos tesouros de grande alma. E percorrendo o firmamento eles (os corcéis) chegaram em Gandhamadana, como se puxando o céu para a frente com sua velocidade. E com seus cabelos arrepiados, os Pandavas viram aquele grande grupo de cavalos mantidos pelo senhor da riqueza e também o próprio Kuvera de grande alma e gracioso cercado pelas hostes Yaksha. E vendo aqueles quadrigários poderosos, os filhos de Pandu, possuidores de grande força, equipados com arcos e espadas, Kuvera também estava encantado; e ele estava profundamente satisfeito, mantendo em vista a tarefa dos celestiais. E como aves, eles, (os Yakshas) dotados de rapidez extrema, desceram no topo da montanha e ficaram perante eles (os Pandavas), com o senhor dos tesouros em sua vanguarda. Então, ó Bharata, vendo ele satisfeito com os Pandavas, os Yakshas e os Gandharvas ficaram lá, livres de agitação. Então pensando em si mesmos como tendo pecado, aqueles quadrigários poderosos de grande alma, os Pandavas, tendo se curvado àquele senhor, o concessor de riqueza, permaneceram circundando o senhor dos tesouros com mãos unidas. E o senhor dos tesouros sentou-se naquele assento excelente, o gracioso Pushpaka, construído por Viswakarma, pintado com diversas cores. E milhares de Yakshas e Rakshasas, alguns tendo corpos enormes e alguns orelhas parecidas com pinos, e centenas de Gandharvas e hostes de Apsaras sentaram-se na presença daquele (que estava) sentado, assim como os celestiais sentam-se circundando aquele de cem sacrifícios; e usando uma bela guirlanda dourada em sua cabeça e segurando em suas mãos seu laço e espada e arco, Bhima permaneceu fitando o senhor da riqueza. E Bhimasena não se sentiu deprimido por ter sido ferido pelos Rakshasas, ou mesmo naquela situação difícil vendo Kuvera chegar. E aquele que circula nos ombros de homens, ao ver Bhima permanecer desejoso de lutar com flechas afiadas, disse para o filho de Dharma, 'Ó Partha, toda as criaturas te conhecem como dedicado ao bem delas. Portanto, com teus irmãos, more destemidamente sobre este topo da montanha. E, ó Pandava, não fique zangado com Bhima. Estes Yakshas e Rakshasas já tinham sido mortos pelo Destino: teu irmão foi simplesmente o instrumento. E não é necessário sentir vergonha por causa da ação de impudência que foi cometida. Esta destruição dos Rakshasas foi prevista pelos deuses. Eu não nutro raiva em direção a Bhimasena. Mais propriamente, ó principal da linhagem Bharata, eu estou satisfeito com ele; mais ainda, mesmo antes de vir aqui, eu estava satisfeito com este ato de Bhima.'" Vaisampayana disse, "Tendo falado assim para o rei, (Kuvera) disse para Bhimasena, 'Ó filho, ó melhor dos Kurus, eu não me importo, ó Bhima, que para agradar Krishna, tu tenhas, desconsiderando os deuses e a mim também, cometido este ato temerário, a saber, a destruição dos Yakshas e dos Rakshasas, dependendo da força dos teus braços; eu estou bem satisfeito contigo. Ó Vrikodara, hoje eu fui liberto de uma maldição terrível. Por alguma ofensa, aquele grande Rishi, Agastya, tinha me amaldiçoado com raiva. Tu me libertaste por esta ação (tua). Ó filho de Pandu, minha desgraça antes disso tinha sido decretada. Nenhum pecado, portanto, de qualquer maneira, se atribui a ti, ó Pandava.' Yudhishthira disse, 'Ó divino, por que tu foste amaldiçoado por Agastya de grande alma? Ó deus, eu estou curioso para ouvir sobre a ocasião daquela imprecação. Eu me admiro que naquele mesmo momento, tu junto com tuas forças e servidores, não tenhas sido consumido pela ira daquele inteligente.' Nisso o senhor dos tesouros disse, 'Em Kusasthali, ó rei, uma vez foi mantido um conclave dos deuses. E cercado por Yakshas de aparência severa, numerando trezentos maha-padmas, carregando várias armas, eu estava indo para aquele local. E no caminho eu vi aquele principal dos sábios, Agastya, dedicado à prática de austeridades severas na margem do Yamuna, cheia de várias aves e agraciada com árvores floridas. E, ó rei, imediatamente ao ver aquela massa de energia, flamejante e brilhante como fogo, sentado com braços erguidos, encarando o sol, meu amigo, o gracioso senhor dos Rakshasas, Maniman, por estupidez, tolice, arrogância e ignorância expeliu seu excremento sobre a cabeça daquele Maharshi. Imediatamente, como se queimando todos os pontos cardeais com sua cólera, ele disse para mim, 'Já que, ó senhor dos tesouros, na tua própria presença, me desrespeitando, este teu amigo me afrontou dessa maneira, ele, junto com tuas forças, encontrará a destruição nas mãos de um mortal. E, ó de mente má, tu também, sendo afligido por causa dos teus soldados mortos, serás liberto do teu pecado, ao veres aquele mortal. Mas se eles seguirem tuas ordens, os filhos poderosos (dos soldados) não incorrerão nesta maldição terrível.’ Esta maldição eu recebi antigamente daquele principal dos Rishis. Agora, ó rei poderoso, eu fui libertado pelo teu irmão Bhima.'" 161 "O senhor dos tesouros disse, 'Ó Yudhishthira, paciência, habilidade, hora e lugar (apropriados) e coragem, estes cinco levam ao sucesso em assuntos humanos. Ó Bharata, no Krita Yuga, os homens eram pacientes e habilidosos em suas respectivas ocupações e eles sabiam como mostrar coragem. E, ó principal dos Kshatriyas, um Kshatriya que é dotado de paciência e que compreende a propriedade com relação à hora e lugar e é versado em todos os regulamentos mortais, pode sozinho governar o mundo por um longo tempo, mais ainda, em todas as transações. Aquele que se comporta assim, obtém, ó herói, fama neste mundo e condição excelente no próximo. E por ter mostrado sua bravura na hora e lugar apropriados, Sakra com os Vasus obteve o domínio do céu. Aquele que por raiva não pode ver sua queda e aquele que sendo naturalmente pecaminoso e de mente má segue o mal e aquele que não conhece a adequação relativa às ações, encontra destruição neste mundo e no próximo. Tornam-se inúteis os esforços daquela pessoa estúpida que não está familiarizada com a conveniência com relação ao tempo e ações, e ele encontra destruição neste mundo e no próximo. E é malévolo o objetivo daquelas pessoas perversas e enganadoras que, visando o domínio de todo tipo, cometem algum ato irrefletido. Ó melhor dos homens, Bhimasena é destemido, e ignorante dos deveres, e arrogante, e da inteligência de uma criança, e inclemente. Portanto, controle-o. Dirigindo-te novamente para o eremitério do sábio pio Arshtisena, resida lá durante a quinzena escura, sem medo ou ansiedade. Ó senhor de homens, ordenados por mim, todos os Gandharvas residindo em Alaka, como também aqueles residindo nesta montanha, ó de braços poderosos, protegerão a ti, e a estes melhores dos Brahmanas. E, ó rei, ó principal entre os homens virtuosos, sabendo que Vrikodara veio para cá por impetuosidade, controle-o. De agora em diante, ó monarca, seres vivendo na floresta encontrarão vocês, servirão vocês e sempre protegerão vocês todos. E, ó principais dos homens, meus empregados sempre obterão para vocês várias carnes e bebidas de sabor delicioso. E, ó filho, Yudhishthira, assim como por vocês serem a progênie de relação espiritual Jishnu tem direito à proteção de Mahendra, e Vrikodara, do Deus do Vento, e tu, de Dharma, e os gêmeos possuidores de força, dos Aswins, assim vocês todos tem direito à minha proteção. Aquele seguinte por nascimento a Bhimasena, Phalguna, versado na ciência de lucro e todos os regulamentos mortais, está bem no céu. E, ó filho, aquelas perfeições que são reconhecidas no mundo como conducentes ao céu, são existentes em Dhananjaya desde o seu próprio nascimento. E autocontrole, e caridade, e força, e inteligência, e modéstia, e fortaleza, e energia excelente, estes todos são existentes naquele majestoso de alma magnífica. E, ó Pandava, Jishnu nunca cometeu alguma ação vergonhosa por pobreza de espírito. E no mundo, ninguém alguma vez disse que Partha proferiu uma inverdade. E, ó Bharata, honrado pelos deuses, Pitris, e os Gandharvas, aquele aumentador da glória dos Kurus está aprendendo a ciência de armas na residência de Sakra. E, ó Partha, no céu ele que com justiça trouxe sob seu domínio todos os soberanos da terra, até aquele monarca extremamente poderoso e muito enérgico, o avô do teu pai, o próprio Santanu, está bem satisfeito com o comportamento daquele manejador do Gandiva, o principal da sua linhagem. E, ó rei, residindo nas regiões de Indra, ele que nas margens do Yamuna adorou os deuses, os Pitris, e os Brahmanas por celebrar sete sacrifícios de cavalo grandiosos, aquele teu grande antepassado, o imperador Santanu de austeridades severas, que alcançou o céu, perguntou sobre o teu bem-estar.'" Vaisampayana disse, "Tendo ouvido estas palavras do dispensador de riqueza, os Pandavas ficaram bem satisfeitos com elas. Então baixando sua clava e maça e espada e arco, aquele principal dos Bharatas reverenciou Kuvera. E aquele concessor de proteção, o senhor dos tesouros, vendo prostrado-o, disse, 'Seja o destruidor do orgulho de inimigos, e o aumentador da alegria de amigos. E vocês, opressores de inimigos, vivam em nossa região fabulosa. Os Yakshas não se oporão aos seus desejos. Gudakesa, depois de ter obtido domínio sobre armas, voltará logo. Despedido pelo próprio Maghavat, Dhananjaya se juntará a vocês.' Tendo assim instruído Yudhishthira de atos excelentes, o senhor dos Guhyakas desapareceu daquela melhor das montanhas. E milhares e milhares de Yakshas e Rakshasas seguiram-no em veículos cobertos com almofadas axadrezadas e decorados com várias jóias. E quando os cavalos procederam em direção à residência de Kuvera ergueu-se um barulho como de aves voando no ar. E os carregadores do senhor dos tesouros percorreram o céu rapidamente como se arrastando o firmamento adiante, e devorando o ar. Então por ordem do senhor da riqueza, os corpos mortos dos Rakshasas foram removidos do topo da montanha. Como o inteligente Agastya tinha fixado este período como o limite de (duração da) sua maldição, assim sendo mortos em conflito, os Rakshasas estavam livres da imprecação. E sendo honrados pelos Rakshasas, os Pandavas moraram agradavelmente por várias noites naquelas habitações." 162 Vaisampayana continuou, "Então, ó repressor de inimigos, ao nascer do sol, tendo terminado suas devoções diárias, Dhaumya foi até os Pandavas, com Arshtishena. E tendo reverenciado os pés de Arshtishena e Dhaumya, eles com mãos unidas prestaram homenagem para todos os Brahmanas. Então Dhaumya pegando a mão direita de Yudhishthira disse estas palavras, olhando para o leste, 'Ó monarca poderoso, este rei das montanhas, Mandara, é vasto, cobrindo a terra até o oceano. Ó Pandava, Indra e Vaisravana presidem este ponto agraciado com bosques e florestas e montanhas. E, ó filho, os sábios inteligentes versados em todos os deveres dizem que esta (região) é a residência de Indra e do rei Vaisravana. E os duas vezes nascidos, e os sábios versados nos deveres, e os Sidhas, e os Sadhyas, e os celestiais, prestam suas adorações ao Sol quando ele nasce deste ponto. E aquele senhor de todos os seres vivos, o rei Yama, conhecedor do dever, preside lá a região sul para onde vão os espíritos dos mortos. E esta é Sanyamana, a residência do senhor dos espíritos dos mortos, sagrada, e maravilhosa de se olhar, e cheia de prosperidade superior. E os inteligentes chamam aquele monarca das montanhas (pelo nome de) Asta. Tendo, ó rei, chegado a este ponto, o Sol sempre persiste na verdade. E o rei Varuna protege todas as criaturas, morando neste rei das montanhas, e também no mar vasto. E, ó altamente afortunado, lá iluminando as regiões do norte, está localizado o pujante Mahameru, auspicioso e o refúgio daqueles que conhecem Brahma, onde está a corte de Brahma, e permanecendo onde aquela alma de todas as criaturas, Prajapati, tem criado tudo o que é móvel e imóvel. E o Mahameru é a residência auspiciosa e saudável até dos sete filhos nascidos da mente de Brahma, de quem Daksha era o sétimo. E, ó filho, é aqui que os sete Rishis celestes com Vasishtha em sua dianteira nascem e se põem. Veja aquele topo excelente e brilhante do Meru, onde senta o grande progenitor (Brahma) com os celestiais felizes em auto-conhecimento. E próxima à residência de Brahma é visível a região daquele que é citado como sendo realmente a Causa primordial ou a origem de todas as criaturas, aquele senhor primordial, o deus Narayana, não tendo início nem fim. E, ó rei, aquele lugar auspicioso composto de todas as energias nem os celestiais podem ver. E a região de Vishnu de grande alma, por seu esplendor natural excedendo em refulgência o sol ou fogo, não pode ser contemplada pelos deuses, ou os Danavas. E a região de Narayana se localiza resplandecente ao leste do Meru, onde, ó filho, aquele senhor de todas as criaturas, a auto-criada Causa primordial do universo, tendo manifestado todos os seres, parece esplêndido de sua graça excelente. Ó filho, para não falar dos Maharshis, Brahmarshis não tem acesso àquele local. E, ó melhor dos Kurus, são somente os Yatis que tem acesso a ele. E, ó filho de Pandu, (naquele lugar) corpos luminosos não podem brilhar perto dele; lá só aquele senhor de alma inconcebível brilha transcendental. Lá por reverência, e austeridades severas, Yatis inspirados por virtude de práticas devotas alcançam Narayana Hari. E, ó Bharata, se dirigindo para lá, e alcançando aquela Alma universal, o auto-criado e eterno Deus dos deuses, aqueles de grande alma, de êxito em Yoga, e livres de ignorância e orgulho não tem que voltar para este mundo. Ó Yudhishthira altamente afortunado, esta região é sem início, ou deterioração, ou fim por ser a própria essência daquele Deus. E, ó filho dos Kurus, o Sol e a Lua todos os dias circulam este Meru, seguindo em uma direção oposta. E, ó impecável, ó monarca poderoso, os outros corpos luminosos também circulam este rei das montanhas da mesma maneira. Assim o Sol venerável que dissipa a escuridão anda em volta desta (montanha) obscurecendo outros corpos luminosos. Então tendo se posto, e passado a noite, aquele Fazedor do dia, o Sol, toma uma direção norte. Então se aproximando outra vez de Meru, o divino Sol (sempre) concentrado no bem de todos os seres, segue novamente, voltando-se para o leste. E dessa maneira, a Lua divina também junto com as estrelas circula esta montanha, dividindo o mês em várias partes, por sua chegada nos Parvas. Tendo assim infalivelmente circulado em volta do poderoso Meru, e nutrido todas as criaturas, a Lua se dirige novamente para o Mandar. Da mesma maneira, aquele destruidor da escuridão, o divino Sol, também se move neste caminho desobstruído, animando o universo. Quando, desejoso de causar orvalho, ele se dirige para o sul, então segue-se aí o inverno para todas as criaturas. Então o Sol, voltando do sul, por seus raios drena a energia de todas as criaturas móveis e imóveis. Nisso os homens ficam sujeitos à transpiração, fadiga, sonolência e lassidão; e os seres vivos sempre se sentem dispostos a dormir. Dali, voltando por regiões desconhecidas, aquele divino e refulgente causa chuva, e assim revive os seres. E tendo, pelo conforto causado pela chuva, vento, e calor, nutrido o móvel e o imóvel, o Sol poderoso retoma seu rumo anterior. Ó Partha, vagando dessa maneira, o Sol infalivelmente gira a roda do Tempo, influenciando as coisas criadas. Seu percurso é ininterrupto; ele nunca descansa, ó Pandava. Retirando a energia de todos os seres, ele a devolve novamente. Ó Bharata, dividindo o tempo em dia e noite, e Kala, e Kashtha, aquele senhor, o Sol, dá vida e movimento para todas as coisas criadas.'" 163 Vaisampayana continuou, "Residindo naquela melhor das montanhas aqueles de grande alma cumpridores de votos excelentes, sentiram-se atraídos (por aquele local), e se distraíram, ávidos para ver Arjuna. E multidões de Gandharvas e Maharshis visitaram alegremente aqueles enérgicos, possuidores de coragem, de desejos castos e sendo os principais daqueles dotados de veracidade e fortaleza. E tendo chegado àquela montanha excelente tendo árvores providas de flores, aqueles quadrigários poderosos estavam muito encantados, assim como os Marutas ao chegarem às regiões celestes. E sentindo grande alegria, eles viveram (lá), vendo as ladeiras e topos daquela montanha imensa, cheia de flores, e ressoante com os gritos de pavões e grous. E naquela bela montanha eles viram lagos cheios de lotos, e tendo suas margens cobertas com árvores, e frequentados por escuridão, e karandavas e cisnes. E a florescente região de diversão, graciosa por causa das várias flores, e rica em pedras preciosas, era capaz de cativar aquele rei, o dispensador de riqueza (Kuvera). E sempre vagando (lá), aqueles principais dos ascetas (os Pandavas) eram incapazes de conceber (o significado) daquele Topo, provido de árvores imensas, e massas de nuvens amplamente espalhadas. E, ó grande herói, devido ao seu esplendor natural, e também por causa do brilho das plantas anuais, não havia diferença lá entre noite e dia. E ficando na montanha, permanecendo na qual o Sol de energia inigualável nutre as coisas móveis e imóveis, aqueles heróis e principais dos homens contemplaram o nascer e pôr do sol. E tendo visto os pontos de nascimento e pôr do Sol e o nascer e o ocaso montanhosos, e todos os pontos cardeais, bem como os espaços entremeio sempre brilhando com os raios do Dissipador da escuridão, aqueles heróis, na expectativa da chegada daquele poderoso quadrigário firme em verdade, se tornaram dedicados a recitar os Vedas, praticando os rituais diários, principalmente cumprindo os deveres religiosos, exercitando votos sagrados, e sendo fiéis à verdade. E dizendo, 'Que nós aqui mesmo sintamos deleite por encontrarmos sem demora Arjuna talentoso com armas,' aqueles Parthas muito abençoados se engajaram na prática do Yoga. E contemplando bosques fascinantes naquela montanha, como eles sempre pensavam em Kiriti, cada dia e noite parecia para eles assim como um ano. A alegria os tinha abandonado desde aquele exato momento quando, com a permissão de Dhaumya, Jishnu de grande alma, entrançando seu cabelo, partiu (para as florestas). Assim, como eles poderiam, absortos em sua contemplação, sentir felicidade lá? Eles ficaram dominados pela dor desde o momento quando por ordem de seu irmão, Yudhishthira, Jishnu do andar de um elefante enfurecido partiu da floresta Kamyaka. Ó Bharata, dessa maneira, naquela montanha aqueles descendentes de Bharata passaram um mês com dificuldade, pensando nele de corcéis brancos, que tinha ido para a residência de Vasava para aprender armas. E Arjuna, tendo morado por cinco anos na residência daquele de mil olhos, e tendo obtido daquele senhor dos celestiais todas as armas celestes, tais como aquelas de Agni, de Varuna, de Soma, de Vayu, de Vishnu, de Indra, de Pasupati, de Brahma, de Parameshthi, de Prajapati, de Yama, de Dhata, de Savita, de Tvashta, e de Vaisravana; e tendo reverenciado e circungirado ele de cem sacrifícios, e recebendo sua permissão (de Indra), chegou alegremente em Gandhamadana." 164 Vaisampayana continuou, "E aconteceu que uma vez quando aqueles quadrigários poderosos estavam pensando em Arjuna, vendo o carro de Mahendra, unido com cavalos do resplendor do relâmpago, chegar de repente, eles ficaram encantados. E dirigido por Matali, aquele carro resplandecente, iluminando o céu de repente, parecia com línguas de fogo flamejante sem fumaça, ou um meteoro imenso envolvido em nuvens. E sentado naquele carro Kiriti apareceu usando guirlandas e ornamentos recém feitos. Então Dhananjaya possuindo a destreza do manejador do raio desceu naquela montanha, brilhando em beleza. E aquele inteligente enfeitado com um diadema e guirlandas, tendo descido na montanha, primeiro se curvou aos pés de Dhaumya, e então aos de Ajatasatru. E ele também prestou homenagem aos pés de Vrikodara; e os gêmeos também se curvaram a ele. Então indo até Krishna, e tendo-a alegrado, ele permaneceu perante seu irmão (mais velho) de modo humilde. E ao se reunirem com aquele inigualável, eles estavam muito felizes. E ele também encontrando com eles regozijou-se muito, e começou a louvar o rei. E vendo diante deles aquele carro no qual o matador de Namuchi aniquilou sete falanges dos filhos de Diti, os magnânimos Parthas andaram ao redor dele. E estando muito satisfeitos, eles ofereceram culto excelente à Matali, como para o próprio senhor dos celestiais. E então o filho do rei Kuru perguntou devidamente pela saúde de todos os deuses. E Matali também os cumprimentou. E tendo instruído os Parthas assim como um pai a seus filhos, ele subiu naquele carro incomparável, e voltou para o senhor dos celestiais. E quando Matali tinha ido embora, aquele principal da linhagem real, filho de Sakra, o destruidor de grande alma de todos inimigos transferiu para seu amor, a mãe de Sutasoma, belas pedras preciosas e ornamentos tendo o esplendor do sol, os quais foram presenteados a ele por Sakra. Então, sentando-se no meio daqueles principais dos Kurus, e daqueles melhores dos Brahmanas, refulgente como fogo ou o sol, ele começou a relatar tudo o que tinha acontecido, dizendo, ‘Dessa maneira eu aprendi armas de Sakra, Vayu, e do manifesto Siva; e todos os celestiais com Indra também ficaram satisfeitos comigo, por meu bom comportamento e concentração.' Depois de ter narrado brevemente para eles sua estada no céu, Kiriti de atos imaculados dormiu agradavelmente aquela noite com os dois filhos de Madri." Vaisampayana disse, "Então quando a noite tinha passado, Dhananjaya junto com seus irmãos prestou homenagem a Yudhishthira o justo. E, ó Bharata, naquele momento, procedendo dos celestiais ergueram-se lá sons poderosos e tremendos de um instrumento musical, e o estrépito de rodas de carro, e o badalar de sinos. E por causa daquilo todos os animais e animais predadores e aves emitiram gritos incoerentes. E de todos os lados em carros resplandecentes como o sol, hostes de Gandharvas e Apsaras começaram a seguir aquele repressor de inimigos, o senhor dos celestiais. E subindo em um carro unido com corcéis, enfeitado com ouro polido, e ribombando como nuvens, aquele rei dos celestiais, Purandara, resplandecendo em beleza foi até os Parthas. E tendo chegado (naquele local), ele de mil olhos desceu de seu carro. E logo que Yudhishthira o justo viu aquele de grande alma, ele junto com seus irmãos aproximou-se daquele rei gracioso dos imortais. E de acordo com a ordenança aquele generoso adorou devidamente ele de alma incomensurável, consequentemente com sua dignidade. E então Dhananjaya possuidor de destreza, tendo se curvado a Purandara, permaneceu perante o senhor dos celestiais de maneira humilde, como um servidor. E vendo o impecável Dhananjaya de mérito ascético, de cabelo encaracolado, ficar em humildade perante o senhor dos celestiais, Yudhishthira o filho de Kunti; de grande energia, cheirou (o topo) de sua cabeça. E vendo Phalguna (naquela atitude), ele estava muito contente; e por cultuar o rei dos celestiais, ele sentiu a maior felicidade. Então para aquele monarca de mente forte, nadando em felicidade, o senhor inteligente dos celestiais, Purandara, falou, dizendo, ‘Tu governarás a terra, ó Pandava. Abençoado seja! Ó filho de Kunti, dirija-te novamente para Kamyaka.' "Aquele homem erudito que, levando por um ano o modo de vida Brahmacharya, subjugando seus sentidos e cumprindo votos, lê com atenção absorta este encontro de Sakra com os Pandavas, vive cem anos livre de perturbações, e desfrutando de felicidade."' 166 Vaisampayana continuou, "Quando Sakra tinha ido para sua própria residência, Vibhatsu junto com seus irmãos e Krishna prestou homenagem ao filho de Dharma. Então cheirando o topo da cabeça daquele Pandava, que estava assim prestando homenagem, (Yudhishthira) em pronúncia vacilando por causa da alegria, dirigiu-se a Arjuna, dizendo, 'Ó Arjuna, como tu passaste este período no céu? E como tu obtiveste as armas, e como também tu gratificaste o senhor dos celestiais? E, ó Pandava, tu guardaste as armas adequadamente? O senhor dos celestiais e Rudra te concederam as armas alegremente? E como tu contemplaste o divino Sakra, e o manejador do Pinaka? E como tu obtiveste as armas? E de que maneira tu cultuaste (eles)? E que serviço tu fizeste para aquele repressor de inimigos, o venerável de cem sacrifícios, que ele disse para ti, ‘Por ti eu fui gratificado?’ Tudo isto, ó altamente refulgente, eu desejo ouvir em detalhes. E, ó impecável, a maneira pela qual tu agradaste Mahadeva e o rei dos celestiais e, ó repressor de inimigos, o serviço que tu fizeste para o manejador do raio, ó Dhananjaya, conte tudo isso em detalhes. Arjuna disse, 'Ó monarca poderoso, escute como eu contemplei devidamente ele de cem sacrifícios e o divino Sankara também. Ó opressor de inimigos, ó rei, tendo obtido aquela ciência a qual tu me ordenaste (aprender), eu por tua ordem fui à floresta, para praticar penitências. De Kamyaka me dirigindo à Bhrigutunga, eu passei lá uma noite, estando engajado em austeridades. E aconteceu que em seguida e vi um certo Brahmana. E ele me questionou, dizendo, 'Ó filho de Kunti, para onde tu vais?' Então, ó descendente dos Kurus, eu contei tudo para ele verdadeiramente. E, ó melhor dos reis, tendo ouvido o relato verdadeiro, o Brahmana ficou bem-satisfeito comigo, e, ó rei, me elogiou. Então o Brahmana, satisfeito comigo disse, 'Ó Bharata, empenhe-te em austeridades. Por realizar penitências tu contemplarás em pouco tempo o senhor dos celestiais.' E segundo seu conselho eu subi o Himavan, e, ó rei poderoso, comecei a praticar penitências, (o primeiro) mês subsistindo de frutas e raízes. Eu passei o segundo mês subsistindo de água. E, ó Pandava, no terceiro mês eu me abstive totalmente de comida. E no quarto mês eu permaneci com braços erguidos. E um milagre é que eu não perdi qualquer força. E aconteceu que quando o primeiro dia do quinto mês tinha passado, apareceu lá diante de mim um ser usando a forma de um javali, revirando a terra com sua boca, batendo o chão com seus pés, friccionando o solo com seu peito, e passando a todo momento de um lugar para outro de uma maneira assustadora. E o seguia um grande ser no disfarce de um caçador provido de arco, flechas, e espada, e cercado por mulheres. Imediatamente, pegando meu arco e as duas aljavas inesgotáveis, eu perfurei com flechas aquela criatura terrível e assustadora. E simultaneamente (comigo) aquele caçador também sacando um arco forte atingiu mais severamente (o animal), como se sacudindo minha mente. E, ó rei, ele também disse para mim, 'Por que tu, violando as regras da caça, acertaste o animal atingido primeiro por mim? Com estas flechas afiadas eu destruirei teu orgulho. Fique!' Então aquele de corpo forte segurando o arco avançou em mim. E com saraivadas de flechas poderosas ele me cobriu totalmente, assim como uma nuvem cobre uma montanha com chuvas. Então, de minha parte, eu o cobri com uma saraivada poderosa de flechas. Então, com flechas firmes tendo suas pontas em chamas, e inspiradas com mantras, eu o perfurei assim como (Indra) racha uma montanha com um raio. Então seu corpo começou a ser multiplicado cem vezes e mil vezes mais. Nisto, eu perfurei todos aqueles corpos com flechas. Então novamente todas aquelas formas se tornaram uma, ó Bharata. Nisso eu a atingi. Em seguida, ele ora assumia um corpo pequeno com uma cabeça enorme, e ora um corpo enorme com uma cabeça pequena. E, ó rei, ele então assumiu seu corpo anterior e aproximou-se de mim para lutar. E, ó principal da raça Bharata, quando no combate eu fracassei em subjugá-lo com flechas, eu fixei a arma poderosa do Deus do Vento. Mas eu fracassei em descarregá-la nele e isso foi uma surpresa. E quando aquela arma assim falhou em (produzir) efeito, eu fui tomado pela perplexidade. No entanto, ó rei, me esforçando mais vigorosamente, eu cobri novamente aquele ser com uma multidão imensa de flechas. Então pegando as armas Sthunakarna, e Varuna e Salava, e Asmavarsha, eu o ataquei, despejando flechas profusamente. Mas, ó rei, ele imediatamente consumiu todas aquelas minhas armas. E quando todas aquelas (armas) tinham sido consumidas, eu disparei a arma presidida por Brahma. E quando as flechas ardentes emanando daquela arma estavam empilhadas sobre ele por todos os lados, e estando assim coberto por aquela arma poderosa disparada por mim, ele aumentou (em tamanho). Então todo o mundo veio a ser oprimido com a energia gerada da arma lançada por mim, e o firmamento e todos os pontos do céu ficaram iluminados. Mas ele de energia poderosa instantaneamente frustrou até aquela arma. E, ó monarca, quando aquela arma presidida por Brahma foi frustrada eu fui possuído por um medo terrível. Então imediatamente segurando meu arco e as duas aljavas inesgotáveis eu atirei naquele ser, mas ele consumiu todas aquelas armas. E quando todas as armas tinham sido desviadas e consumidas, seguiu-se lá uma luta entre ele e eu. E nós enfrentamos um ao outro primeiro com golpes e então com bofetadas. Mas incapaz de vencer aquele ser eu caí estupefato no chão. Então, ó rei poderoso, com uma risada, aquele ser admirável desapareceu na minha vista naquele local junto com as mulheres. Tendo realizado isto, ó monarca ilustre, aquele divino assumiu outra forma sobrenatural (vestida em) traje extraordinário. E abandonando a forma de um caçador, aquele divino senhor dos deuses retomou sua própria aparência sobrenatural e aquele deus poderoso permaneceu (lá). Então apareceu à minha frente com Uma aquele divino manifestado, tendo o touro como seu símbolo, manejando o Pinaka, carregando serpentes e capaz de assumir muitas formas. E, ó repressor de inimigos, avançando em direção a mim, que permanecia até então no campo pronto para combate, aquele manejador do tridente se dirigiu a mim dizendo, ‘Eu estou bem satisfeito contigo.’ Então aquele divino pegou meus arcos e o par de aljavas providas de flechas inesgotáveis e os devolveu para mim dizendo, ‘Peça um benefício, ó filho de Kunti. Eu estou bem satisfeito contigo. Diga-me o que eu farei por ti. E, ó herói, expresse o desejo que mora no teu coração. Eu o concederei. Exceto somente a imortalidade, diga-me qual desejo que está no teu coração.’ Nisso com minha mente concentrada na aquisição de armas, eu somente me curvei a Siva e disse, 'Ó divino, se tu estás favoravelmente disposto em direção a mim, então eu desejo ter este benefício: eu desejo aprender todas as armas que estão com tua divindade.' Então o deus Tryamvaka disse para mim, 'Eu darei. Ó Pandava, minha própria arma Raudra servirá a ti.' Então Mahadeva, bem satisfeito, me concedeu a arma poderosa, Pasupata. E, tendo concedido aquela arma eterna, ele também me disse, ‘Esta nunca deve ser lançada em mortais. Se descarregada em alguma pessoa de pouca energia ela consumirá o universo. Tu deves (em algum momento) ser duramente pressionado, (então) tu poderás dispará-la. E quando todas as tuas armas tiverem sido completamente frustradas, tu poderás lançá-la.' Então quando ele que tem o touro como sua marca foi assim gratificado, ficou manifestada lá ao meu lado aquela arma celeste, de força irresistível capaz de frustrar todas as armas e destrutiva de inimigos e a derrubadora de forças hostis e inigualável e difícil de ser suportada até pelos celestiais, os demônios e os Rakshasas. Então por ordem daquele deus, eu me sentei lá. E na minha própria vista o deus desapareceu do local.'" "Arjuna disse, 'Ó Bharata, pela graça daquele deus dos deuses, a Alma Suprema, Tryamvaka, eu passei a noite naquele local. E tendo passado a noite, quando eu terminei os rituais da manhã, eu vi aquele principal dos Brahmanas a quem eu tinha visto antes. E eu disse para ele tudo o que tinha acontecido, ó Bharata, ou seja, que eu tinha encontrado o divino Mahadeva. Então, ó rei dos reis, bem satisfeito, ele disse para mim, 'Já que tu contemplaste o grande deus, incapaz de ser contemplado por alguém mais, logo tu te unirás a Vaivaswata e aos outros Lokapalas e ao senhor dos celestiais; e Indra também te concederá armas.' Ó rei, tendo dito isso para mim e tendo me abraçado repetidas vezes, aquele Brahmana parecendo com o Sol seguiu para onde ele desejava. E, ó matador de inimigos, aconteceu que na noite daquele dia, refrescando o mundo inteiro, lá começou a soprar uma brisa pura. E na minha vizinhança na base da montanha Himalaya flores viçosas, fragrantes e formosas começaram a se abrir. E por todos os lados eram ouvidas sinfonias encantadoras e hinos cativantes relativos a Indra. E perante o senhor dos celestiais hostes de Apsaras e Gandharvas cantaram várias canções. E subindo em carros celestes, lá se aproximaram os Marutas e os seguidores de Mahendra e os habitantes do céu. E depois, Marutvan junto com Sachi e todos os celestiais apareceram em cena em carros unidos com cavalos elegantemente enfeitados. E naquele mesmo momento, ó rei, ele que circula sobre os ombros de homens se manifestou para mim em graça excelente. E eu vi Yama sentado no sul e Varuna e o senhor dos celestiais em suas respectivas regiões. E, ó principal dos homens, ó monarca poderoso, eles depois de terem me saudado disseram, 'Ó Savyasachin, contemple a nós, os Lokapalas, sentados. Para a realização da tarefa dos deuses tu obtiveste a visão de Sankara. Agora receba armas de nós sentados em volta.' Então, ó senhor, tendo me curvado com respeito àqueles principais dos celestiais, eu aceitei devidamente aquelas armas poderosas. E então eles me reconheceram como um dos seus. Depois os deuses se dirigiram para o quadrante de onde eles tinham vindo. E aquele senhor dos celestiais, o divino Maghavan, tendo subido também na sua carruagem gloriosa, disse, 'Ó Phalguna, tu terás que ir para a região celeste. Ó Dhananjaya, mesmo antes desta tua chegada eu sabia que tu virias para cá. Então eu, ó melhor dos Bharatas, me revelei para ti. Como antigamente tu realizaste tuas abluções nos vários tirthas e agora realizaste austeridades severas, assim tu serás capaz de ir para as regiões celestes, ó Pandava. Tu, no entanto, terás que praticar penitência extrema novamente, pois tu deves de qualquer forma viajar para o céu. E por minha ordem, Matali te levará para as regiões celestes. Tu já foste reconhecido pelos celestiais e os sábios celestes de grande alma.' Então eu disse para Sakra, 'Ó divino, seja benévolo para mim. Com o objetivo de aprender armas eu te suplico que tu sejas meu preceptor.’ Nisto Indra disse, 'Ó filho, tendo estudado armas tu realizarás atos terríveis e com este objetivo tu desejas obter as armas. No entanto, obtenha as armas, como tu desejas.' Então eu disse, 'Ó matador de inimigos, eu nunca descarregaria estas armas celestes em mortais exceto quando todas as minhas outras armas tiverem sido frustradas. Ó senhor dos celestiais, conceda-me as armas celestes (para que) eu possa alcançar após a morte as regiões alcançáveis por guerreiros.' Indra disse, 'Ó Dhananjaya, foi para te testar que eu te disse tais palavras. Tendo sido gerado de mim estas tuas palavras são bem apropriadas para ti. Ó Bharata, indo para a minha residência estude todas as armas de Vayu, de Agni, dos Vasus, de Varuna, dos Marutas, dos Siddhas, de Brahma, dos Gandharvas, dos Uragas, dos Rakshasas, de Vishnu e dos Nairitas; e também as armas que estão comigo, ó perpetuador da linhagem Kuru.' Tendo dito isso para mim Sakra desapareceu no próprio local. Então, ó rei, eu vi chegar o carro celeste extraordinário e sagrado unido com corcéis conduzido por Matali. E quando os Lokapalas foram embora Matali disse para mim, 'Ó tu de esplendor forte, o senhor dos celestiais está desejoso de ver-te. E, ó de braços fortes, obtenha competência e então realize tua tarefa. Venha e veja as regiões alcançáveis por mérito, e venha para céu mesmo neste corpo. Ó Bharata, o senhor de mil olhos dos celestiais deseja ver-te.' Assim endereçado por Matali, eu, me despedindo da montanha Himalaya e tendo andado ao redor dele subi naquele carro excelente. E então Matali muito generoso, versado em conhecimento equino, dirigiu os corcéis dotados da velocidade do pensamento ou do vento. E quando a carruagem começou a se mover aquele cocheiro, olhando meu rosto enquanto eu estava sentado firmemente, admirou-se e disse estas palavras, 'Hoje me parece estranho e sem precedentes que estando sentado neste carro celeste tu não tenhas estremecido nem mesmo um pouco. Ó principal da raça Bharata, eu sempre noto que na primeira arrancada dos corcéis até o próprio senhor dos celestiais estremece. Mas todo o tempo que o carro tem se movido, tu tens estado sentado inabalável. Isto me parece como transcendente até ao poder de Sakra.' Tendo dito isso, ó Bharata, Matali se elevou ao céu e me mostrou as residências dos celestiais e seus palácios. Então a carruagem unida com corcéis dirigiu-se para cima. E os celestiais e os sábios começaram a cultuar (aquele carro), ó principais dos homens. E eu vi as regiões, passando em qualquer lugar à vontade, e o esplendor também dos Gandharvas, Apsaras, e os sábios celestes muito vigorosos. E o quadrigário de Sakra, Matali, ao mesmo tempo me mostrou Nandana e outros jardins e arvoredos pertencentes aos celestiais. Em seguida eu contemplei a residência de Indra, Amaravati, adornada com jóias e árvores produzindo todo tipo de fruto que é desejado. Lá o Sol não irradia calor; nem calor ou frio ou fadiga lá afetam (uma pessoa), ó rei. E, ó grande monarca, os celestiais não sentem tristeza nem pobreza de espírito, nem fraqueza, nem lassidão, ó opressor de inimigos. E, ó soberano de homens, os celestiais e os outros não tem raiva nem cobiça. E, ó rei, nas residências dos celestiais, os seres estão sempre contentes. E lá as árvores sempre portam folhagem verdejante, e frutos, e flores; e os vários lagos são perfumados com a fragrância de lotos. E lá a brisa é refrescante, e deliciosa, e fragrante, e pura, e inspiradora. E o solo é matizado com todas as espécies de pedras preciosas, e adornado com flores. E lá eram vistos inúmeros animais belos e no ar inúmeros viajantes do céu. Então eu vi os Vasus, e os Rudras, e os Sadhyas com os Marutas, e os Adityas, e os dois Aswins e os adorei. E eles concederam suas bênçãos sobre mim, dando-me força e coragem, e energia, e celebridade, e (habilidade em) armas, e vitória em batalha. Então, entrando naquela cidade fabulosa adorada pelos Gandharvas e os celestiais, com mãos unidas, eu fiquei perante o senhor de mil olhos dos celestiais. Então, aquele melhor dos concessores me ofereceu alegremente metade de seu assento; e Vasava também tocou meu corpo com respeito. E, ó Bharata, com a intenção de adquirir armas e estudar armas, eu comecei a morar no céu, junto com os deuses e os Gandharvas de almas generosas. E o filho de Viswavana, Chitrasena, se tornou meu amigo. E ele, ó rei, comunicou para mim toda a (ciência) Gandharva. E, ó monarca, eu vivi felizmente na residência de Sakra, bem cuidado por ter todos os meus desejos satisfeitos, aprendendo armas, escutando às notas de canções, e aos sons puros de instrumentos musicais, e vendo as principais das Apsaras dançarem. E sem negligenciar o estudo das artes, as quais eu aprendi devidamente, minha atenção estava especialmente fixada na aquisição de armas. E aquele senhor de mil olhos estava satisfeito com aquele meu propósito. Vivendo assim no céu, ó rei, eu passei este período. E quando eu tinha adquirido proficiência em armas, e ganhado sua confiança, aquele que tem como seu veículo o cavalo (Uchchaisrava), (Indra), me batendo de leve na cabeça com sua mão, disse estas palavras, 'Agora nem os próprios celestiais podem te vencer, o que eu direi de mortais imperfeitos residindo na terra? Tu te tornaste invulnerável em força, irreprimível, e incomparável em combate.' Então com os pelos de seu corpo arrepiados, ele me abordou outra vez dizendo, 'Ó herói, em luta com armas ninguém é igual a ti. E, ó perpetuador da raça Kuru, tu és sempre vigilante, e destro, e sincero, e de sentidos subjugados, e o protetor dos Brahmanas e talentoso com armas, e guerreiro. E, ó Partha, junto com (o conhecimento dos) cinco métodos, usando (eles), tu obtiveste quinze armas e, portanto, não existe alguém que seja teu igual. E tu aprendeste perfeitamente o descarregamento (daquelas armas) e (sua) retirada, e (seu) re- descarregamento e re-retirada, e o Prayaschitta conectado (com elas), e também sua revivificação, no caso delas serem frustradas. Agora, ó repressor de inimigos, chegou o momento de pagares a taxa do preceptor. Prometa pagar a taxa; então eu explicarei para ti o que tu terás que realizar.' Nisso, ó rei, eu disse para o soberano dos celestiais, 'Se estiver em meu poder fazer o trabalho, considere-o como já realizado por mim.' Ó rei, quando eu tinha dito estas palavras, Indra com um sorriso disse para mim, 'Não há nada nos três mundos que não esteja em teu poder (realizar). Meus inimigos, aqueles Danavas chamados Nivata-Kavachas, moram no ventre do oceano. E eles constam de trinta milhões e são notórios, e todos de formas e força e esplendor iguais. Mate-os lá, ó filho de Kunti; e esta será a tua taxa do preceptor.' Dizendo isso ele me deu o carro celeste muito resplandecente, conduzido por Matali, provido de cabelo parecendo as penas de pavões. E sobre minha cabeça ele colocou este diadema excelente. E ele me deu ornamentos para meu corpo, como os seus próprios. E ele concedeu para mim a armadura impenetrável, a melhor do seu tipo, e agradável ao toque; e fixou no Gandiva esta corda durável. Então eu parti, subindo naquela carruagem esplêndida viajando na qual antigamente o senhor dos celestiais venceu Vali, aquele filho de Virochana. E, ó soberano de homens, assustados pelo estrépito do carro, todos os celestiais, se aproximaram (de lá), me tomando pelo rei dos celestiais. E ao me ver eles perguntaram, 'Ó Phalguna, o que tu farás?' E eu disse a eles o que tinha ocorrido, e disse, 'Eu farei exatamente isto em batalha. Vocês que são muito afortunados, saibam que eu parto desejoso de matar os Nivata-Kavachas. Ó impecáveis, me abençoem.' Então eles começaram a me louvar assim como eles (louvam) o deus Purandara. E eles disseram, 'Viajando neste carro Maghavan conquistou em batalha Samvara, e Namuchi, e Vala, e Vritra, e Prahrada, e Naraka. E subindo neste carro Maghavan também conquistou em batalha muitos milhares e milhões e centenas de milhões de Daityas. E, ó Kaunteya, tu também, neste carro, por tua bravura conquistará os Nivatha-Kavachas em combate, assim como fez o calmo Maghavan nos tempos antigos. E aqui está a melhor das conchas; por meio dela também tu derrotarás os Danavas. E foi por meio dela que Sakra de grande alma conquistou os mundos.' Dizendo isso, os deuses ofereceram (para mim) esta concha, Devadatta, originada no mar; e eu aceitei-a pela vitória. E naquele momento os deuses desceram me exaltando. E para me engajar em ação eu procedi para a residência terrível dos Danavas, equipado com a concha, a armadura, e flechas, e levando meu arco." 168 "Arjuna continuou, 'Então em alguns lugares elogiado pelos Maharshis, eu (procedi, e finalmente) contemplei o oceano, aquele senhor inesgotável de águas. E semelhantes a despenhadeiros flutuando eram vistos sobre ele vagalhões violentos, ora se reunindo e ora rolando para longe. E lá (eram vistos) por toda parte navios aos milhares cheios com pedras preciosas. E lá eram vistos timingilas e tartarugas e makaras parecidos com rochedos submersos em água. E por todos os lados milhares de conchas afundadas em água pareciam com estrelas à noite cobertas por nuvens leves. E milhares e milhares de pedras preciosas estavam flutuando em pilhas e um vento violento estava soprando em vórtices, e isto era maravilhoso de se observar. E tendo contemplado aquele senhor excelente de todas as águas com marés poderosas, eu vi a uma distância curta a cidade dos demônios cheia com os Danavas. E mesmo lá, logo depois entrando debaixo da terra, Matali hábil em guiar o carro, sentado firme sobre a carruagem dirigiu-a com força; e ele projetou-se para a frente, assustando aquela cidade com o som da sua carruagem. E ouvindo aquele estrépito da carruagem semelhante ao ribombar das nuvens no céu, os Danavas, pensando que eu era o senhor dos celestiais, ficaram agitados. E então eles todos, profundamente assustados, permaneceram segurando em suas mãos arcos e flechas e espadas e dardos e machados e maças e clavas. Então tendo feito arranjos para a defesa da cidade, os Danavas, com mentes alarmadas, fecharam os portões, para que nada pudesse ser descoberto. Então pegando minha concha, Devadatta, de rugidos tremendos, eu a soprei repetidas vezes com muita alegria. E enchendo todo o firmamento, aqueles sons produziram ecos. Nisso aqueles seres poderosos ficaram apavorados e eles se esconderam. E então, ó Bharata, todos eles enfeitados com ornamentos, aqueles filhos de Diti, os Nivata-kavachas, fizeram seu aparecimento aos milhares, vestindo diversas armaduras e levando em suas mãos várias armas e equipados com dardos de ferro imensos e maças e clavas e machadinhas e sabres e discos e sataghnis e bhusundis e espadas variadas e ornamentadas. Então, depois de deliberar muito quanto à direção do carro, Matali começou a guiar os corcéis em um (trecho de) solo nivelado, ó principal dos Bharatas. E devido à rapidez daqueles corredores velozes conduzidos por ele, eu não podia ver nada, e isto era estranho. Então os Danavas lá começaram a tocar milhares de instrumentos musicais, dissonantes e de formas estranhas. E àqueles sons, peixes às centenas e milhares, semelhantes a colinas, tendo seus sentidos confundidos por aquele barulho, fugiram subitamente. E a força poderosa lançou-se sobre mim, os demônios atirando flechas afiadas às centenas e milhares. E então, ó Bharata, lá seguiu-se um conflito terrível entre mim e os demônios, calculado para extinguir os Nivata-Kavachas. E foram lá para a batalha poderosa os Devarshis e os Danavarshis e os Brahmarshis e os Siddhas. E desejosos de vitória, os Munis me elogiaram com as mesmas palavras gentis com as quais (eles tinham elogiado) Indra na guerra, (a qual ocorreu) por causa de Tara.'" 169 "Arjuna continuou, 'Então, ó Bharata, os Nivata-Kavachas avançaram veementemente em mim em batalha em um grupo, equipados com armas. E obstruindo o progresso do carro, e gritando ruidosamente, aqueles quadrigários poderosos, me cercando por todos os lados, cobriram-me com chuvas de flechas. Então outros demônios de imensa bravura, com dardos e machadinhas em suas mãos, começaram a jogar em mim lanças e machados. E aquela imensa descarga de dardos, com numerosas maças e clavas constantemente arremessadas, caiu sobre meu carro. E outros golpeadores terríveis e de aparência lúgubre entre os Nivata-Kavachas, equipados com arcos e armas afiadas, me atacaram em combate. E no confronto, atirando do Gandiva várias flechas velozes de rumo reto, eu perfurei cada um deles com dez. E eles foram rechaçados por aquelas minhas flechas afiadas em pedra. Então conforme meus corcéis eram dirigidos rapidamente por Matali, eles começaram a exibir vários movimentos com a velocidade do vento. E sendo habilmente guiados por Matali, eles começaram a esmagar os filhos de Diti. E embora os corcéis unidos àquela carruagem poderosa numerassem centenas sobre centenas, ainda assim, sendo habilmente conduzidos por Matali, eles começaram a se movimentar como se eles fossem somente uns poucos. E sob as patas deles, e pelo estrépito das rodas da carruagem e pelas saraivadas das minhas flechas, os Danavas começaram a cair às centenas. E outros equipados com arcos, sendo privados de vida, e tendo seus cocheiros mortos, eram arrastados em volta pelos cavalos. Então, cobrindo todos os lados e direções, todos (os Davanas) hábeis em atacar entraram na peleja com várias armas, e nisso minha mente ficou aflita. E eu testemunhei (este exemplo da) perícia extraordinária de Matali, isto é, que ele guiou aqueles corcéis flamejantes com facilidade. Então, ó rei, no conflito, com diversas armas rápidas eu perfurei às centenas e milhares (demônios) portando armas. E, ó matador de inimigos, me vendo percorrer assim o campo aplicando todo esforço, o cocheiro heróico de Sakra estava bem satisfeito. E oprimidos por aqueles corcéis e aquele carro, alguns (deles) encontraram a aniquilação; e outros desistiram da luta; enquanto (outros) Nivata-Kavachas, desafiados por nós em batalha e sendo fustigados com flechas ofereceram resistência a mim, por (descarregar) imensas chuvas de flechas. Então, com centenas e milhares de várias armas velozes insufladas com os mantras relativos às armas Brahma, eu comecei a queimá-los rapidamente. E sendo severamente oprimidos por mim, aqueles Asuras poderosos ficando irados me afligiram juntos, despejando torrentes de clavas e dardos e espadas. Então, ó Bharata, eu peguei aquela arma favorita do senhor dos celestiais, de nome Maghavan, superior e de energia ardente, e pela energia daquela arma eu cortei em mil pedaços os Tomaras, junto com as espadas e os tridentes arremessados por eles. E tendo cortado suas armas eu em ira perfurei cada um deles com dez flechas. E no campo flechas eram atiradas do Gandiva como fileiras de abelhas pretas; e isto Matali admirou. E as flechas deles também choveram sobre mim; mas aquelas (flechas) poderosas eu cortei com minhas flechas. Então ao serem atingidos os Nivata-Kavachas novamente me cobriram por todos os lados com uma imensa chuva de setas. E tendo neutralizado a força das setas por meio de armas velozes excelentes e flamejantes capazes de desviar armas, eu os perfurei aos milhares. E sangue começou a fluir de seus corpos dilacerados, assim como na estação chuvosa as águas escorrem dos topos de montanhas. E ao serem feridos por minhas flechas velozes e de rumo reto do toque do raio de Indra, eles ficaram muito agitados. E seus corpos foram perfurados em centenas de lugares; e a força de seus braços diminuiu. Então os Nivata-Kavachas lutaram comigo pela (ajuda de) ilusão.'" 170 "Arjuna disse, 'Então com rochas das proporções de árvores, começou lá uma chuva poderosa de rochedos; e aquilo me preocupou muito. E naquele grande combate eu triturei (aqueles penhascos) por meio de chuvas de flechas de velocidade rápida, emanando da arma Mahendra, semelhantes ao próprio raio. E quando as rochas tinham sido reduzidas a pó foi gerado fogo; e a poeira rochosa caiu como massas de chamas. E quando as chuvas de rochedos tinham sido repelidas, lá aconteceu perto de mim uma chuva mais forte de água, tendo correntes das proporções de um eixo de rodas. E caindo do céu, aquelas milhares de torrentes poderosas cobriram o firmamento inteiro e as direções e os pontos cardeais. E por causa da chuva torrencial, e do soprar do vento, e do rugir dos Daityas, nada podia ser percebido. E tocando o céu e a terra inteira, e constantemente caindo sobre o solo, as chuvas me confundiram. Então eu disparei aquela arma celeste que eu tinha aprendido de Indra, a terrível e flamejante Visoshana: e por meio dela a água foi secada completamente. E, ó Bharata, quando a chuva rochosa tinha sido destruída, e a chuva aquosa tinha sido secada, os Danavas começaram a espalhar ilusões de fogo e vento. Então por instrumentos aquosos eu extingui as chamas; e por meio de uma poderosa arma emissora de rocha resisti à fúria dos ventos. E quando estes tinham sido repelidos, os Danavas, irreprimíveis em batalha, ó principal dos Bharatas, criaram várias ilusões simultaneamente. E lá ocorreu uma tremenda e horripilante chuva de rochas e armas terríveis de fogo e vento. E aquele aguaceiro ilusório me afligiu em combate. E então de todos os lados apareceu uma escuridão densa e espessa. E quando o mundo tinha sido envolvido em escuridão profunda e densa, os corcéis se voltaram, Matali caiu, e de sua mão o chicote dourado caiu ao solo. E, ó principal dos Bharatas, estando assustado, ele repetidas vezes gritou, 'Onde tu estás?' E quando ele tinha ficado perplexo, um medo terrível me possuiu. E então ele falou para mim apressadamente, dizendo, 'Ó Partha, por causa do néctar, houve um grande conflito entre os deuses e os demônios. Eu vi aquele (combate), ó impecável. E na ocasião da destruição de Samvara ocorreu uma peleja terrível e intensa. Apesar disso eu servi como cocheiro para o senhor dos celestiais. Da mesma maneira, na ocasião da morte de Vritra, os corcéis foram conduzidos por mim. E eu também vi o combate grande e impressionante com o filho de Virochana, e, ó Pandava, com Vala, e com Prahrada e com outros também. Naquelas batalhas extremamente terríveis, eu estava presente; mas, ó filho de Pandu, nunca (antes) eu perdi meus sentidos. Certamente o Avô ordenou a destruição de todas as criaturas; pois esta batalha não pode ser para algum outro propósito além da destruição do universo.' Tendo ouvido estas palavras dele, acalmando minha perturbação por meu próprio esforço, (eu falei) para o apavorado Matali, ‘Eu destruirei a poderosa energia da ilusão propagada pelos Danavas. Veja o poder dos meus braços, e o poder de minhas armas e do arco Gandiva. Hoje mesmo pela (ajuda de) armas criadoras de ilusão eu dissiparei esta escuridão profunda e também esta ilusão horrível deles. Não tema, ó cocheiro. Acalme-te.' Tendo dito isso, ó senhor de homens, eu criei, para o bem dos celestiais, uma ilusão de armas capaz de desnortear todos os seres. E quando a ilusão (deles) tinha sido dissipada, alguns dos principais entre os Asuras, de destreza sem igual, espalharam novamente diversas espécies de ilusão. Então, ora (o mundo) se revelava, ora era devorado pela escuridão; ora o mundo desaparecia de vista e ora ele estava submerso sob água. E quando tinha clareado, Matali, sentando na frente do carro, com os corcéis bem conduzidos, começou a percorrer aquele campo de arrepiar os cabelos. Então os ferozes Nivata-Kavachas me atacaram. E encontrando minha oportunidade eu comecei a mandá-los para a mansão de Yama. Então naquele conflito então desencadeado, calculado para aniquilar os Nivata-Kavachas, eu de repente não pude ver os Danavas, escondidos por ilusão.’" 171 "Arjuna continuou, 'Permanecendo invisíveis os Daityas começaram a lutar com a ajuda de ilusão. E eu também lutei com eles, recorrendo à energia de armas visíveis. E as flechas devidamente disparadas do Gandiva começaram a cortar suas cabeças naqueles lugares diferentes onde elas estavam respectivamente colocadas. E assim atacados por mim no combate, os Nivata-Kavachas, retirando a ilusão subitamente, entraram na sua própria cidade. E quando os Daityas tinham fugido, e quando tudo tinha se tornado visível, lá eu descobri centenas e milhares dos mortos. E lá eu vi às centenas suas armas despedaçadas, ornamentos, membros, e armaduras. E os cavalos não podiam encontrar espaço para se movimentar de um lugar para outro; e de repente com um salto eles se inclinaram para percorrer o céu. Então permanecendo invisíveis, os Nivata-Kavachas cobriram o firmamento inteiro com massas de rochedos. E, ó Bharata, outros Danavas terríveis, entrando nas entranhas da terra, pegaram as pernas dos cavalos e as rodas da carruagem. E quando eu estava lutando, eles, atacando duramente meus cavalos com rochas, me atacaram junto com (meu) carro. E com os rochedos que tinham caído e com outros que estavam caindo, o lugar onde eu estava parecia ser uma caverna de montanha. E por eu mesmo estar coberto com rochedos e os cavalos estarem sendo duramente oprimidos, eu fiquei muito aflito e isto foi notado por Matali. E ao ver-me com medo ele disse para mim, 'Ó Arjuna, Arjuna! não fique assustado; lance aquela arma, o raio, ó senhor de homens.' Ouvindo aquelas palavras dele, eu então disparei a arma favorita do rei dos celestiais, o raio terrível. E inspirando o Gandiva com mantras, eu, visando a localidade dos penhascos, atirei flechas de ferro afiadas do toque do raio. E lançadas pelo trovão, aquelas flechas inquebráveis entraram em todas aquelas ilusões e no meio daqueles Nivata-Kavachas. E massacrados pela intensidade do trovão aqueles Danavas parecendo rochedos caíram ao chão juntos em massas. E entrando entre aqueles Danavas que tinham carregado os corcéis do carro para o interior da terra, as flechas mandaram eles para a mansão de Yama. E aquele quadrante estava completamente coberto com os Nivata-Kavachas que tinham sido mortos ou confundidos, comparáveis a penhascos e jazendo espalhados como rochedos. E então nenhum ferimento parecia ter sido sofrido ou pelos cavalos, ou pelo carro, ou por Matali, ou por mim, e isso parecia estranho. Então, ó rei, Matali dirigiu-se a mim sorridente, ‘Nem nos próprios celestiais, ó Arjuna, é vista a destreza que é vista em ti.’ E quando a hoste Danava tinha sido destruída, todas as suas mulheres começaram a lamentar naquela cidade, como as garças no outono. Então com Matali eu entrei naquela cidade, apavorando com o estrépito do meu carro as esposas dos Nivata-Kavachas. Então, vendo aqueles dez mil cavalos parecidos com pavões (em cor), e também aquela carruagem parecendo o sol, as mulheres fugiram em bandos. E como (os sons de) rochas caindo em uma montanha, surgiram sons dos ornamentos (caindo) das damas apavoradas. (Finalmente), as esposas dos Daityas tomadas de pânico entraram em suas respectivas residências douradas matizadas com inúmeras jóias. 'Observando aquela cidade excelente, superior à cidade dos próprios celestiais, eu questionei Matali, dizendo, 'Por que os celestiais não residem em tal (lugar)? Certamente, esta parece superior à cidade de Purandara.' Nisso Matali disse, 'Antigamente, ó Partha, esta era mesmo a cidade do nosso senhor dos celestiais. Depois os celestiais foram expulsos daqui pelos Nivata-Kavachas. Tendo realizado as austeridades mais rígidas, eles gratificaram o Avô e pediram (e obtiveram) benefícios, a saber: que eles pudessem residir aqui, e que eles fossem libertos do perigo em guerras com os deuses.' Então Sakra dirigiu-se ao senhor auto-criado dizendo, 'Ó senhor, desejoso do nosso próprio bem-estar faça o que for apropriado.' Então, ó Bharata, nesta questão o Senhor ordenou (Indra), dizendo, 'Ó matador de inimigos, em outro corpo, tu mesmo serás (o destruidor dos Danavas).' Então, para massacrá-los, Sakra deu para ti aquelas armas. Os deuses são incapazes de matar estes que foram mortos por ti. Ó Bharata, na plenitude do tempo tu vieste para cá para destruí-los e tu fizeste isso. Ó principal dos homens, com o objetivo que os demônios pudessem ser mortos, Mahendra concedeu para ti a excelente energia superior destas armas.'” "Arjuna continuou, 'Depois de ter destruído os Danavas, e também subjugado aquela cidade, com Matali eu fui novamente para aquela residência dos celestiais.'" 172 "Arjuna continuou, 'Então enquanto voltava, aconteceu de eu avistar uma imensa cidade sobrenatural, movendo-se à vontade, e tendo o resplendor do fogo ou do sol. E aquela cidade continha várias árvores compostas de pedras preciosas, e (aves) emplumadas dotadas de voz agradável. E provida de quatro portões, e passagens, e torres, aquela (cidade) inexpugnável era habitada pelos Paulamas e Kalakanjas. E ela era feita de todos os tipos de pedras preciosas e era extraordinária, e de aparência maravilhosa. E ela estava coberta com árvores de todas as espécies de pedras preciosas, portando frutas e flores. E ela continha aves sobrenaturais extremamente belas. E ela sempre enxameava por toda parte com Asuras alegres, usando guirlandas, e portando em suas mãos dardos, duas espadas afiadas, maças, arcos, e clavas. E, ó rei, ao ver aquela cidade maravilhosa dos Daityas eu questionei Matali dizendo, 'O que é isto que parece tão extraordinário?' Nisso Matali respondeu, 'Uma vez a filha de um Daitya, chamada Pulama, e uma mulher poderosa da raça Asura, de nome Kalaka, praticaram austeridades severas por mil anos celestes. E no fim de suas austeridades o auto-criado lhes concedeu benefícios. E, ó rei dos reis, elas receberam estes benefícios: que seus filhos nunca pudessem sofrer infortúnio; que eles não pudessem ser destruídos nem pelos deuses, os Rakshasas e os Pannagas; e que eles pudessem obter uma cidade aérea muito refulgente e insuperavelmente formosa, provida de todos os tipos de pedras preciosas e invencível até pelos celestiais, os Maharshis, os Yakshas, os Gandharvas, os Pannagas, os Asuras e os Rakshasas. Ó melhor dos Bharatas, esta é aquela cidade aérea sobrenatural destituída dos celestiais, a qual está se movendo continuamente, tendo sido criada para os Kalakeyas pelo próprio Brahma. E esta cidade está equipada com todos os objetos desejáveis, e é desconhecida de dor ou doença. E, ó herói, célebre sob o nome de Hiranyapura, esta cidade imensa é habitada pelos Paulamas e os Kalakanjas; e ela é também protegida por aqueles Asuras poderosos. E, ó rei, não podendo ser mortos por algum dos deuses, eles moram lá alegremente, livres de ansiedade e tendo todos os seus desejos satisfeitos, ó principal dos reis. Antigamente, Brahma determinou a destruição nas mãos de mortais. Ó Partha, em luta, realize com aquela arma, o raio, a destruição dos Kalakanjas poderosos e irreprimíveis.'” "Arjuna continuou, 'Ó senhor de homens, sabendo que eles não podiam ser destruídos pelos celestiais e os Asuras, eu disse alegremente para Matali, 'Dirija- te depressa para aquela cidade. Com armas eu realizarei a aniquilação dos que odeiam o senhor dos celestiais. Sem dúvida não existem odiadores pecaminosos dos deuses que não devam ser mortos por mim.' Imediatamente Matali me levou para a vizinhança de Hiranyapura na carruagem celeste unida com corcéis. E me vendo, aqueles filhos de Diti, usando várias espécies de trajes e ornamentos e armaduras, lançaram-se sobre mim com uma investida poderosa. E aqueles principais dos Danavas de destreza excelente, em cólera me atacaram com setas e bhallas e clavas e espadas de dois gumes, e tomaras. Nisso, ó rei, recorrendo à minha força de erudição, eu resisti àquela grande saraivada de armas por meio de uma chuva imensa de flechas; e também os confundi em conflito por vagar em círculos em meu carro. E estando confusos, os Danavas começaram a empurrar uns aos outros para baixo. E tendo sido confundidos, eles atacaram uns nos outros. E com setas flamejantes eu cortei suas cabeças às centenas. E duramente pressionada por mim, a prole de Diti, se abrigando dentro (de sua) cidade, elevou- se com ela ao firmamento, recorrendo à ilusão própria aos Danavas. Então, ó filho dos Kurus, cobrindo o caminho dos Daityas com uma descarga poderosa de flechas eu obstruí seu percurso. Então em virtude da concessão do benefício, os Daityas se sustentaram facilmente naquela cidade aérea sobrenatural que percorria o céu, indo em qualquer lugar à vontade e semelhante ao sol. E ora (a cidade) entrava na terra e ora se erguia acima; e em um momento procedia de uma maneira tortuosa e em outro momento submergia em água. Nisto, ó repressor de inimigos, eu ataquei aquela grande cidade, que ia a qualquer lugar à vontade, e parecida com Amaravati. E, ó melhor dos Bharatas, eu ataquei a cidade contendo aqueles filhos de Diti, com multidões de flechas, expondo armas celestes. E batida e quebrada pelas flechas de ferro de rumo reto, atiradas por mim, a cidade dos Asuras, ó rei, caiu ao solo. E eles também, feridos por minhas flechas de ferro tendo a velocidade do trovão, começaram, ó monarca, a ir de um lugar para outro, sendo incitados pelo destino. Então subindo para o céu, Matali, como se caindo em frente, desceu rapidamente à terra naquela carruagem de resplandecência solar. Então, ó Bharata, me cercaram sessenta mil carros pertencentes àqueles coléricos ávidos para lutar comigo. E com flechas afiadas enfeitadas com penas de abutre eu destruí aqueles (carros). Nisto, pensando, 'Estas nossas hostes não podem ser derrotadas por mortais, eles se engajaram no combate, como as ondas do mar.' Então eu gradualmente comecei a fixar (na corda) armas sobrenaturais. Nisto, milhares de armas (atiradas) por aqueles quadrigários que guerreavam admiravelmente, pouco a pouco resistiram às minhas armas sobrenaturais e no campo eu vi centenas e milhares de (demônios) poderosos vagando em seus carros, em várias manobras. E estando equipados com armaduras e estandartes e diversos ornamentos multicores, eles encantaram minha mente. E no combate eu não podia afligi-los por meio de chuvas de flechas, mas eles me afligiram. E sendo afligido por aqueles inumeráveis, equipados com armas e hábeis em luta, eu estava atormentado naquele combate e um medo terrível se apoderou de mim. Então reunindo (minhas energias) em luta, eu (reverenciei) aquele deus dos deuses, Raudra, e dizendo, 'Que a prosperidade acompanhe todos os seres!' eu fixei aquela arma poderosa a qual, célebre sob o nome de Raudra, é a destruidora de todos os inimigos. Então eu vi uma figura masculina tendo três cabeças, nove olhos, três rostos, e seis braços. E seu cabelo era flamejante como o fogo ou o sol. E, ó matador de inimigos, em lugar de seu traje ele tinha serpentes poderosas, pondo suas línguas para fora. E vendo, ó melhor dos Bharatas, o terrível e eterno Raudra, eu, sendo liberto do medo, fixei-a no Gandiva; e me curvando a Sarva de três olhos de energia incomensurável, soltei (a arma), com o objetivo de derrotar aqueles principais dos Danavas, ó Bharata. E, ó senhor de homens, logo que ela foi arremessada, lá entraram em cena, às milhares, formas de veados, e de leões, e de tigres, e de ursos e de búfalos, e de serpentes, e de vacas, e de sarabhas, e de elefantes, e de macacos em multidões, e de touros, e de javalis, e de gatos, e de cachorros, e de espectros, e de todos os Bhurundas, e de urubus, e de Garudas, de chamaras, e de todos os leopardos, e de montanhas, e de mares, e de celestiais, e de sábios, e de todos os Gandharvas, e de fantasmas com os Yakshas, e dos que odeiam os deuses (Asuras), e dos Guhyakas no campo, e dos Nairitas e de tubarões de boca de elefante, e de corujas, e de seres tendo formas de peixes e cavalos, e de seres carregando espadas e várias outras armas, e de Rakshasas manejando maças e clavas. E após aquela arma ser lançada todo o universo ficou cheio com estes assim como muitos outros usando várias formas. E feridos repetidamente por aqueles seres de vários aspectos com (pedaços de) carne, gordura, ossos, e medula em seus corpos, alguns tendo três cabeças, e alguns quatro presas, e alguns quatro bocas, e alguns quatro braços, os Danavas encontraram a destruição. E, então, ó Bharata, em um instante eu matei todos aqueles Danavas, com outros enxames de setas compostas da quintessência da pedra, flamejantes como fogo ou o sol, e possuidoras da força do raio. E, vendo eles derrubados pelo Gandiva, e privados vida, e jogados do céu, eu reverenciei novamente aquele deus, o destruidor de Tripura. E, vendo aqueles enfeitados com ornamentos sobrenaturais aniquilados pela arma, a Raudra, o cocheiro dos celestiais sentiu a maior alegria. E tendo testemunhado a realização daquela façanha insuportável incapaz de ser realizada até pelos próprios celestiais, Matali, o cocheiro de Sakra, prestou homenagem a mim; e bem satisfeito, com mãos unidas, disse estas palavras, ‘A façanha que foi realizada por ti é incapaz de ser desempenhada até pelos deuses, não só isso, em batalha, o próprio senhor dos celestiais não pode realizar este feito. A imensa cidade que percorre o céu incapaz de ser destruída pelos deuses e os Asuras tu, ó herói, subjugaste por meio da tua própria coragem e pela energia do ascetismo.’ E quando aquela cidade aérea tinha sido destruída, e quando os Danavas também tinham sido mortos, suas esposas, proferindo gritos de angústia, como aves Kurari, com cabelo despenteado saíram da cidade. E lamentando por seus filhos e irmãos e pais, elas caíram ao chão e gritaram em voz miserável. E ao serem privadas de seus maridos elas bateram em seus peitos, suas guirlandas e ornamentos afrouxados. E aquela cidade de Danavas, em aparência semelhante à cidade dos Gandharvas, cheia com lamentações e atingida com pesar e angústia, e desprovida de graça assim como um lago privado de (seus) elefantes, ou como uma floresta privada de árvores e (privada de seus) mestres, não parecia mais bela, mas desapareceu, como uma cidade construída de nuvens. E quando eu tinha realizado a tarefa, logo depois do campo Matali me levou de disposição contentíssima para a residência do senhor dos celestiais. E tendo matado aqueles Asuras poderosos, e destruído Hiranyapura, e tendo também matado os Nivata-Kavachas, eu fui até Indra. E, ó extremamente resplandecente, como tinha acontecido, Matali relatou em detalhes para Devendra aquela minha realização inteira. E com os Marutas, sabendo da destruição de Hiranyapura, da neutralização da ilusão, e do massacre dos muito poderosos Nivatakavachas em luta, o próspero Purandara divino de mil olhos estava bem satisfeito, e exclamou, 'Muito bem; Bem feito!' E o rei dos celestiais junto com os celestiais, me aplaudindo repetidas vezes, disse estas palavras gentis, 'Por ti foi realizada uma façanha incapaz de ser realizada pelos deuses e os Asuras. E, ó Partha, por matares meus inimigos poderosos, tu pagaste a taxa do preceptor. E, ó Dhananjaya, dessa maneira em batalha tu sempre permanecerás calmo, e dispararás as armas infalivelmente, e então celestiais, e Danavas, e Rakshasas, e Yakshas, e Asuras, e Gandharvas e aves e serpentes não te resistirão em luta. E, ó Kaunteya, por conquistá-la pelo poder dos teus braços, o filho de Kunti Yudhishthira governará a terra.'" 173 "Arjuna continuou, 'Então firmemente confiante, o soberano dos celestiais julgando por si próprio, pertinentemente disse estas palavras para mim ferido por flechas penetrantes, 'Todas as armas celestes, ó Bharata, estão contigo, assim nenhum homem sobre a terra por quaisquer meios será capaz de te subjugar. E, ó filho, quando tu estiveres no campo, Bhishma e Drona e Kripa e Karna e Sakuni junto com outros Kshatriyas não chegarão a uma décima sexta parte de ti.' E o senhor Maghavan me entregou esta guirlanda dourada e esta concha, Devadatta, de rugidos poderosos, e também sua armadura celestial impenetrável e capaz de proteger o corpo. E o próprio Indra colocou sobre minha (cabeça) este diadema. E Sakra me presenteou com estas vestes e ornamentos maravilhosos, elegantes e raros. Desta maneira, ó rei, (devidamente) honrado, eu morei alegremente na residência sagrada de Indra com os filhos dos Gandharvas. Então, bem satisfeito, Sakra, junto com os celestiais, dirigiu-se a mim dizendo, 'Ó Arjuna, chegou a hora da tua partida; teus irmãos tem pensado em ti.' Assim, ó Bharata, me lembrando das dissensões resultantes daquele jogo, eu, ó rei, passei estes cinco anos na residência de Indra. Então eu vim e te vi cercado por nossos irmãos no topo desta área mais baixa de Gandhamadana.' Yudhishthira disse, 'Ó Dhananjaya, por sorte é que as armas foram obtidas por ti; por sorte o mestre dos imortais foi adorado por ti. Ó repressor de inimigos, por sorte o divino Sthanu junto com a deusa se manifestou para ti e foi gratificado por ti em batalha, ó impecável; por sorte é que tu encontraste com os Lokapalas, ó melhor dos Bharatas. Ó Partha, por sorte é que nós temos prosperado; e por sorte é que tu voltaste. Hoje eu considero a terra inteira enfeitada com cidades como já conquistada, e como se os filhos de Dhritarashtra já tivessem sido subjugados. Agora, ó Bharata, eu estou curioso para ver aquelas armas celestes com as quais tu mataste os poderosos Nivata-Kavachas.' Nisso Arjuna disse, 'Amanhã de manhã tu verás todas as armas celestes com as quais eu matei os ferozes Nivata-Kavachas.'" Vaisampayana disse, "Tendo assim relatado (os fatos concernentes) à chegada, Dhananjaya passou aquela noite lá, junto com todos os seus irmãos." 174 Vaisampayana continuou, "E quando a noite tinha passado, Yudhishthira o justo se levantou e, junto com seus irmãos, realizou os deveres necessários. Ele então falou para Arjuna, aquela alegria de sua mãe, dizendo, 'Ó Kaunteya, mostre (para mim) aquelas armas com as quais tu venceste os Danavas.' Nisso, ó rei, o poderoso Dhananjaya, o filho de Pandu, praticando devidamente pureza extrema, mostrou aquelas armas, ó Bharata, que foram dadas a ele pelos celestiais. Dhananjaya sentou-se sobre a terra como sua carruagem, a qual tinha a montanha como seu mastro, a base da árvore e o grupo de árvores de bambu de bela aparência como seus tubos do mastro, parecendo resplandecente com aquela armadura celeste de grande brilho, pegou seu arco Gandiva e a concha dada a ele pelos deuses, e começou a exibir aquelas armas celestes em ordem. E quando aquelas armas celestes tinham sido fixadas, a Terra, sendo oprimida pelos pés (de Arjuna), começou a tremer com (suas) árvores; e os rios e o mar imenso foram agitados; e as rochas foram fendidas; e o ar foi silenciado. E o sol não brilhou; e o fogo não flamejou; e de nenhuma maneira os Vedas dos duas vezes nascidos brilharam. E, ó Janamejaya, as criaturas habitando o interior da terra, ao serem afligidas, subiram e cercaram o Pandava, tremendo com mãos unidas e expressões contorcidas. E sendo queimados por aquelas armas, eles suplicaram a Dhananjaya (por suas vidas). Então os Brahmarshis, e os Siddhas, e os Maharshis e os seres móveis, todos estes apareceram (em cena). E os principais Devarshis, e os celestiais e os Yakshas e os Rakshasas e os Gandharvas e as tribos emplumadas e os (outros) seres que percorrem o céu, todos estes apareceram (em cena). E o avô e todos os Lokapalas e o divino Mahadeva foram para lá, junto com seus seguidores. Então, ó grande rei, trazendo flores coloridas sobrenaturais Vayu (o Deus do Vento) se pôs a espalhá-las em volta do Pandava. E enviados pelos celestiais os Gandharvas cantaram várias baladas; e, ó monarca, hostes de Apsaras dançaram (lá). Em tal momento, ó rei, enviado pelos celestiais, Narada chegou (lá) e dirigiu-se a Partha nestas palavras gentis, 'Ó Arjuna, Arjuna, não dispare as armas celestes. Elas nunca devem ser disparadas quando não há objetivo (apropriado). E quando há um objetivo (existente), elas também não devem ser lançadas de nenhuma maneira, a menos que se esteja em grandes dificuldades; pois, ó filho dos Kurus, disparar as armas (sem motivo), é repleto de grande mal. E, ó Dhananjaya, sendo devidamente mantidas como tu foste instruído estas armas poderosas sem dúvida levarão à tua força e felicidade. Mas se não forem devidamente mantidas, elas, ó Pandava, se tornarão o instrumento para a destruição dos três mundos. Assim tu não deves agir dessa maneira novamente. Ó Ajatasatru, tu também verás estas mesmas armas, quando Partha usá-las para oprimir (teus) inimigos em batalha.'" Vaisampayana continuou, "Tendo impedido Partha os imortais com outros que tinham ido lá foram cada um para sua residência, ó principal dos homens. E, ó Kaurava, depois que eles todos tinham partido, os Pandavas começaram a morar agradavelmente na mesma floresta, junto com Krishna." 175 Janamejaya disse, "Quando aquele principal entre os heróis, tendo sido educado em armas voltou da residência do matador de Vritra, o que os filhos de Pritha fizeram na companhia do guerreiro Dhananjaya?" Vaisampayana disse, "Na companhia daquele herói igual a Indra, Arjuna, aqueles principais dos homens se divertiram na região de diversão do senhor dos tesouros (situada) nas florestas naquela montanha pitoresca e excelente. E inspecionando aquelas áreas de divertimento inigualáveis e variadas cheias com diversas árvores, aquele chefe de homens, Kiriti, sempre concentrado em armas, vagava livremente, arco na mão. E tendo pela graça do rei Vaisravana obtido uma residência, aqueles filhos de um soberano não se preocuparam com a prosperidade de homens. E, ó rei, aquele período de suas (vidas) foi passado pacificamente. E tendo Partha em sua companhia eles passaram quatro anos lá como se fosse uma única noite. E quando os Pandavas viveram na floresta (aqueles quatro anos) e os seis anteriores, totalizando dez, passaram tranquilamente para eles. Então tendo se sentado perante o rei, o veemente filho do Deus do Vento, com Jishnu e os gêmeos heróicos, semelhante ao senhor dos celestiais, se dirigiu seriamente ao rei nestas palavras benéficas e agradáveis, 'É somente para tornar válida a tua promessa e para favorecer os teus interesses que, ó rei dos Kurus, abandonando a floresta, nós não vamos matar Suyodhana junto com seus seguidores. Embora merecendo felicidade, ainda assim nós fomos privados de felicidade. E este é o décimo primeiro ano que (neste estado) nós estamos vivendo (na floresta). E futuramente, enganando aquele de mente e caráter maus, nós sobreviveremos facilmente ao período de não descobrimento. E por tua ordem, ó monarca, livres de apreensão, nós temos percorrido as florestas, abandonando nossa honra. Tendo sido persuadidos por nossa residência na vizinhança, eles (nossos inimigos) não acreditarão que nós nos afastamos para um reino distante. E depois de termos vivido lá não descobertos por um ano, e tendo descarregado nossa vingança naquele indivíduo perverso, Suyodhana, com seus seguidores, nós facilmente extirparemos aquele mais vil dos homens, matando-o e recuperando nosso reino. Portanto, ó Dharmaraja, desça para a terra. Pois, ó rei, se nós morarmos nesta região semelhante ao próprio céu nós esqueceremos nossas tristezas. Nesse caso, ó Bharata, a tua fama, como uma flor fragrante, desaparecerá dos mundos móveis e imóveis. Por ganhar aquele reino dos chefes Kuru tu poderás alcançar (grande glória), e realizar vários sacrifícios. Isto que tu estás recebendo de Kuvera, tu, ó principal dos homens, serás capaz de obter a qualquer hora. Agora, ó Bharata, dirija tua mente para a punição e destruição dos inimigos que cometeram injustiça. Ó rei, o próprio manejador do raio é incapaz de resistir à tua bravura. E concentrado no teu bem- estar, ele, tendo Suparna como seu símbolo (Krishna), e também o neto de Sini (Satyaki) nunca sentem dor, nem quando engajados em combate com os deuses, ó Dharmaraja. E Arjuna é inigualável em força, e assim sou eu também, ó melhor dos reis. E como Krishna junto com os Yadavas está aplicado no teu bem-estar, assim eu também estou, ó principal dos monarcas, e os gêmeos heróicos ilustres em guerra. E combatendo o inimigo, nós, tendo como nosso principal objetivo a obtenção por ti de riqueza e prosperidade, os destruiremos.'" Vaisampayana continuou, "Então sabendo daquela intenção deles, o filho magnânimo e excelente de Dharma, versado em religião e lucro, e de destreza incomensurável, caminhou em volta da residência de Vaisravana. E Yudhishthira o justo, depois de se despedir dos palácios, dos rios, dos lagos, e de todos os Rakshasas, olhou em direção ao caminho pelo qual (ele) tinha chegado (lá). E então olhando a montanha também, ele de grande alma e de mente pura suplicou àquela melhor das montanhas, dizendo, 'Ó principal das montanhas, que eu possa junto com meu amigos, depois de ter terminado minha tarefa, e matado meus inimigos, e recuperado meu reino, te ver novamente, praticando austeridades com alma subjugada.' E isto também ele decidiu. E em companhia com seus irmãos mais novos e os Brahmanas, o senhor dos Kurus procedeu por aquela mesma estrada. E Ghatotkacha com seus seguidores começou a carregá-los sobre as cascatas da montanha. E quando eles partiram, o grande sábio Lomasa, aconselhando-os assim como um pai a seu filho, com o coração alegre, foi para a residência sagrada dos habitantes do céu. Então aconselhados também por Arshtishena, aqueles principais dos homens, os Parthas, seguiram sozinhos contemplando tirthas e eremitérios fabulosos, e outros lagos imensos." 176 Vaisampayana disse, "Quando eles deixaram seu lar feliz na bela montanha rica em cascatas, e tendo aves, e os elefantes dos oitos quadrantes, e os servidores sobrenaturais de Kuvera (como habitantes dela), toda a felicidade abandonou aqueles principais dos homens da linhagem Bharata. Mas depois ao contemplar a montanha predileta de Kuvera, Kailasa, mostrando-se como nuvens, o prazer daqueles heróis preeminentes da linhagem de Bharata tornou-se muito grande. E aqueles principais dos homens heróicos, equipados com cimitarras e arcos, procederam alegremente, vendo elevações e desfiladeiros, e tocas de leões e passadiços escarpados e inúmeras quedas d’água e planícies em lugares diferentes, como também outras grandes florestas habitadas por inúmeros veados e aves e elefantes. E eles encontraram florestas belas e rios e lagos e cavernas e cavernas de montanha; e estas frequentemente de dia e noite se tornaram a residência daqueles grandes homens. E tendo morado em todos os tipos de lugares inacessíveis e cruzando Kailasa de grandeza inconcebível, eles alcançaram o eremitério insuperavelmente excelente e belo de Vrishaparba. E encontrando o rei Vrishaparba e sendo recebidos por ele eles ficaram livres de desânimo e então narraram corretamente em detalhes para Vrishaparba a história de sua estada nas montanhas. E tendo passado uma noite agradavelmente na residência sagrada dele frequentada por deuses e Maharshis, aqueles grandes guerreiros prosseguiram tranquilamente em direção à árvore jujuba chamada Visala e se abrigaram lá. Então todos aqueles homens magnânimos tendo alcançado a residência de Narayana continuaram a viver lá, privados de toda tristeza ao contemplarem o lago predileto de Kuvera, frequentado por deuses e Siddhas. E observando aquele lago, aqueles principais dos homens, os filhos de Pandu, passaram por aquele lugar, renunciando à toda dor assim como impecáveis Rishis Brahmana (fazem) ao obter uma habitação nos jardins Nandana. Então todos aqueles guerreiros tendo no devido procedimento vivido felizmente em Badari por um mês, prosseguiram em direção ao reino de Suvahu, rei dos Kiratas, por seguir o mesmo caminho pelo qual eles tinham vindo. E cruzando as difíceis regiões Himalayan, e os países de China, Tukhara, Darada e todas as regiões de Kulinda, ricas em pilhas de pedras preciosas, aqueles homens guerreiros alcançaram a capital de Suvahu. E sabendo que aqueles filhos e netos de reis tinham todos alcançado seu reino, Suvahu, se rejubilando com alegria, adiantou-se (para encontrá-los). Então o melhor dos Kurus saudou-o amavelmente também. E encontrando o rei Suvahu, e juntando-se a todos os seus cocheiros com Visoka em sua chefia e seus servidores, Indrasena e outros, e também aos superintendentes e empregados da cozinha, eles ficaram lá confortavelmente por uma noite. Então levando todas as carruagens e homens de carruagens e despedindo Ghatotkacha junto com seus seguidores, eles se dirigiram em seguida ao monarca das montanhas na vizinhança do Yamuna. No meio da montanha cheia de cascatas e tendo ladeiras coloridas de cinzento e laranja e topos cobertos com um lençol de neve, aqueles homens guerreiros tendo então encontrado a grande floresta de Visakhayupa, semelhante à floresta de Chitraratha, e habitada por javalis selvagens e várias espécies de veados e aves, fizeram dela seu lar. Dedicados à caça como sua ocupação principal, os filhos de Pritha moraram pacificamente naquela floresta por um ano. Lá em uma caverna da montanha, Vrikodara, com o coração afligido por distração e dor, deparou-se com uma cobra de força enorme atormentada pela fome e parecendo feroz como a própria morte. Nesta crise Yudhishthira, o melhor dos homens pios se tornou o protetor de Vrikodara e ele, de pujança infinita, libertou Bhima cujo corpo inteiro tinha sido agarrado firmemente pela cobra com suas voltas. E o décimo segundo ano de sua estada em florestas tendo chegado, aqueles descendentes da linhagem de Kuru, brilhando em refulgência, e engajados em ascetismo, sempre dedicados principalmente à prática da arte de manobrar arco e flecha, dirigiram-se alegremente daquela floresta semelhante a Chitraratha para as fronteiras do deserto, e desejosos de residir perto do Saraswati eles foram lá, e das margens daquele rio eles alcançaram o lago de Dwaitabana. Então vendo eles entrarem em Dwaitabana, os habitantes daquele lugar engajados em ascetismo, ordenanças religiosas, e exercícios de auto-controle e em meditação profunda e devota e subsistindo de coisas moídas com pedra (por falta de dentes) tendo obtido esteiras de grama e recipientes de água, avançaram para encontrar com eles. A figueira sagrada, a rudaraksha, a rohitaka, a bengala e a jujuba, a catechu, a sirisha, a bel e a inguda e a karira e pilu e árvores sami cresciam nas margens do Saraswati. Vagando com contentamento na (vizinhança do) Saraswati que era, por assim dizer, a casa dos celestiais, e o (recanto) predileto de Yakshas e Gandharvas e Maharshis, aqueles filhos de reis viveram lá em felicidade." 177 Janamejaya disse, "Como foi, ó sábio, que Bhima, de bravura imensa e possuindo a força de dez mil elefantes, foi tomado pelo pânico à (visão) daquela cobra? Tu descreveste a ele, aquele matador de seus inimigos, como consternado e intimidado com medo, ele mesmo, que por lutar no lago de lotos (de Kuvera) tornou-se o destruidor de Yakshas e Rakshasas e que, em desafio orgulhoso, convidou para um combate único o filho de Pulastya, o dispensador de todas as riquezas. Eu desejo ouvir isto (de você); de fato minha curiosidade é grande." Vaisampayana continuou, "Ó rei, tendo alcançado o eremitério do rei Vrishaparva, enquanto aqueles guerreiros terríveis estavam vivendo em várias florestas extraordinárias, Vrikodara vagando à vontade com arco na mão e armado com uma cimitarra encontrou aquela floresta bela, frequentada por deuses e Gandharvas. E então ele viu (alguns) lugares encantadores nas montanhas Himalayan, frequentados por Devarshis e Siddhas e habitados por hostes de Apsaras, ressoando aqui e ali com (o trinado de) aves, o chakora, o chakrabaka, o jibajibaka e o cuco e o Bhringaraja, e abundando com árvores sombreadas, suaves com o toque de neve e agradáveis para a visão e a mente, e portando frutos e flores perenes. E ele contemplou correntezas de montanha com águas reluzentes como o lápis lazúli e com dez mil patos e cisnes alvos como a neve e com florestas de árvores de cedro formando (por assim dizer) uma armadilha para as nuvens; e com florestas tugna e kalikaya, entremeadas com árvores de sândalo amarelas. E ele de força imensa, em busca da caça, vagou nos caminhos planos e desertos da montanha, perfurando suas caças com setas não envenenadas. Naquela floresta o famoso e poderoso Bhimasena, possuindo a força de cem elefantes, matou (muitos) javalis selvagens grandes, com a força (de seus braços). E dotado de bravura terrível e força imensa, e poderoso como o leão ou o tigre, e capaz de resistir a cem homens, e tendo braços longos, e possuindo a força de uma centena de elefantes, ele matou muitos antílopes e javalis selvagens e búfalos. E aqui e ali, naquela floresta, ele arrancava árvores pelas raízes, com grande violência e as quebrava também, fazendo o solo e as florestas e os lugares (circundantes) retumbarem. E então gritando e pisando pesadamente nos topos de montanhas, e fazendo a terra ressoar com seus rugidos, e batendo em seus braços, e proferindo seu grito de guerra, e batendo palmas, Bhimasena, livre de decadência, e sempre orgulhoso e destemido, repetidas vezes lançou-se para todos os lados naquelas florestas. E ao ouvirem os gritos de Bhimasena, leões poderosos e elefantes de força enorme deixavam seus covis apavorados. E naquela mesma floresta ele destemidamente andava em volta à procura de animais para caçar; e como os habitantes das florestas, aquele mais valente dos homens, o poderoso Bhimasena, vagava a pé naquela floresta. E ele penetrou na floresta vasta, dando gritos estranhos, e apavorando todas as criaturas, dotado de força e coragem. E então estando apavoradas, as cobras escondiam (a si mesmas) em cavernas, mas ele, alcançando-as com presteza, as perseguia lentamente. Então o poderoso Bhimasena, semelhante ao Senhor dos Celestiais, viu uma serpente de proporções colossais, vivendo em uma das fortalezas da montanha e cobrindo a caverna (inteira) com seu corpo e de fazer os cabelos de alguém se arrepiarem (de pavor). Ela tinha seu corpo enorme esticado como um morro pequeno, e ela possuía força gigantesca, e seu corpo era pintado com manchas e ela tinha uma cor semelhante à cúrcuma (amarela) e uma boca profunda cor de cobre da forma de uma caverna provida de quatro dentes; e com olhos brilhantes, ela estava constantemente lambendo os cantos de sua boca. E ela era o terror de todos os seres animados e ela parecia a própria imagem do Destruidor Yama; e com o barulho sibilante de sua respiração ela jazia como se repreendendo (um intruso). E vendo Bhima chegar tão perto dela a serpente de repente ficou muito enfurecida, e aquela cobra devoradora de cabras agarrou Bhimasena violentamente em seu aperto. Então em virtude da bênção que tinha sido recebida pela serpente, Bhimasena com seu corpo no aperto da serpente perdeu toda a consciência imediatamente. Insuperável pela força de outros, a força dos braços de Bhimasena igualava o poder de dez mil elefantes combinados. Mas Bhima, de grande bravura, sendo assim derrotado pela cobra, estremecia lentamente, e era incapaz de se esforçar. E ele de braços poderosos e de ombros leoninos, embora possuidor de força de dez mil elefantes, ainda assim agarrado pela cobra, e dominado em virtude do benefício, perdeu toda a força. Ele lutou furiosamente para se soltar, mas não conseguiu de qualquer maneira enganar aquela (cobra)." 178 Vaisampayana continuou, "E o poderoso Bhimasena, tendo assim caído sob o poder da cobra, pensou em sua força imensa e extraordinária e disse para ela, 'Por favor diga-me, ó cobra, quem tu és. E, ó principal dos répteis, o que tu farás comigo? Eu sou Bhimasena, o filho de Pandu, e seguinte por nascimento a Yudhishthira o justo. E dotado como eu sou da força de dez mil elefantes, como tu foste capaz de me dominar? Em luta foram enfrentados e mortos por mim inúmeros leões, e tigres, e búfalos, e elefantes. E, ó melhor das serpentes, Rakshasas e Pisachas poderosos, e Nagas não podem resistir à força dos meus braços. Tu és possuidora de alguma mágica, ou tu recebeste alguma bênção, que embora me esforçando eu fui dominado por ti? Agora eu fui convencido de que a força dos homens é falsa, pois, ó serpente, por ti tal força poderosa de homens foi frustrada.'” Vaisampayana continuou, "Quando o heróico Bhima de atos nobres tinha dito isso, a cobra apanhou-o e enrolou-o todo com seu corpo; tendo assim subjugado aquele de braços fortes, e libertado só seus braços roliços, a serpente falou estas palavras, 'Por boa sorte é que, eu mesmo estando com fome, depois de longo tempo os deuses te destinaram hoje para minha comida; como a vida é cara para todo ser incorporado, eu devo relatar para ti a maneira pela qual eu obtive esta forma de cobra. Ouça, ó melhor dos pios, eu caí nessa situação por causa da cólera dos Maharhis. Agora desejoso de me livrar da maldição, eu narrarei para ti tudo acerca disto. Tu, sem dúvida, ouviste (falar) do sábio real Nahusha. Ele era o filho de Ayu, e o perpetuador da linhagem dos teus antepassados. Eu mesmo sou ele. Por ter afrontado os Brahmanas eu, por (virtude da) maldição de Agastya, cheguei a esta condição. Tu és meu parente, e adorável de se olhar, por isso tu não deverias ser morto por mim, ainda assim eu te devorarei hoje! Veja o desígnio do Destino! E seja um búfalo ou um elefante, ninguém chegando dentro do meu alcance na sexta divisão do dia, pode, ó melhor dos homens, escapar. E, ó melhor dos Kurus, tu não foste capturado por um animal da ordem inferior, tendo somente força, mas isto (foi assim) por razão somente do benefício que eu recebi. Quando eu estava caindo rapidamente do trono de Sakra colocado na frente de seu palácio, eu falei para aquele sábio venerável (Agastya), 'Liberte-me desta maldição.' Nisto cheio de compaixão, aquele enérgico disse para mim, 'Ó rei, tu serás liberto depois do lapso de algum tempo.' Então eu caí à terra (como uma cobra); mas minha recordação (da vida anterior) não me abandonou. E embora isto seja tão remoto, eu ainda me lembro de tudo o que foi dito. E o sábio disse para mim, ‘Aquela pessoa que, conhecedora da relação que existe entre a alma e o Ser Supremo, for capaz de responder às perguntas feitas por ti, te libertará. E, ó rei, capturados por ti, seres fortes superiores a ti perderão sua força imediatamente.’ Eu ouvi estas palavras daqueles compassivos, que se sentiram afeiçoados a mim. E então os Brahmanas desapareceram. Assim, ó altamente refulgente, tendo me tornado uma serpente, eu, fazendo ações extremamente pecaminosas, vivo no inferno impuro, na expectativa do tempo (designado).' Bhimasena de braços poderosos dirigiu-se à serpente, dizendo, 'Eu não estou zangado, ó cobra poderosa, nem eu culpo a mim mesmo. Já que em relação à felicidade e tristeza os homens às vezes possuem o poder de produzi-los e de rejeitá-los, e às vezes não. Portanto não se deve atormentar a própria mente. Quem pode desviar o destino por esforço próprio? Eu considero o destino como supremo, e esforço próprio como não sendo de proveito. Atingido pelo golpe do destino, a destreza dos meus braços perdida, veja-me hoje caído nesta condição sem causa palpável. Mas hoje eu não me aflijo tanto por eu mesmo ser morto, quanto eu me aflijo por meus irmãos privados de seu reino, e exilados na floresta. Este Himalaya é inacessível, e é cheio de Yakshas e Rakshasas. E procurando por mim por toda parte eles estarão desatentos. E sabendo que eu fui morto, (meus irmãos) abandonarão todo o esforço, pois, firmes em promessa, eles até agora tem sido controlados por minhas palavras duras, eu estando desejoso de ganhar o reino. Ou (só) o inteligente Arjuna, sendo versado em todo o saber, e incapaz de ser vencido por deuses e Rakshasas e Gandharvas, não será afligido pela dor. Aquele poderosamente armado e extremamente forte é capaz de derrubar sozinho rapidamente de seus lugares até os celestiais. O que eu direi do filho de Dhritarashtra que joga fraudulentamente, detestado de todos os homens, e cheio de arrogância e ignorância! E eu também me aflijo por minha pobre mãe, afetuosa para com seus filhos, que está sempre desejosa da nossa grandeza em uma medida maior do que a que é alcançada por nossos inimigos. Ó serpente, os desejos que ela abandonada tinha em mim serão todos frustrados por consequência da minha destruição. E dotados de virilidade, os gêmeos, Nakula e Sahadeva, seguindo seu irmão mais velho (eu), e sempre protegidos pela força dos meus braços, devido à minha destruição, ficarão deprimidos e privados de sua coragem, e tomados pela dor. Isto é o que eu penso.' Dessa maneira Vrikodara lamentou profusamente. E sendo retido pelo corpo da cobra, ele não podia se esforçar. Por outro lado o filho de Kunti, Yudhishthira, (vendo) e refletindo sobre maus presságios terríveis, ficou alarmado. Apavorados pelo brilho dos pontos do horizonte, chacais colocando-se à direita daquele eremitério deram gritos terríveis e inauspiciosos. E Vartikas repulsivos de aspecto terrível, tendo uma asa, um olho, e uma perna, eram vistos vomitarem sangue, de frente para o sol. E o vento começou a soprar secamente e violentamente, atraindo pedregulhos. E à direita todos os animais e aves começaram a gritar. E na retaguarda os corvos pretos gritavam, 'Vá!' 'Vá!' E momentaneamente o braço direito (de Yudhishthira) começou a se contrair, e seu peito e perna esquerdos tremeram (por si mesmos). E indicando o mal seu olho esquerdo se contraiu espasmodicamente. Então, ó Bharata, o inteligente Yudhishthira o justo, inferindo alguma grande calamidade (iminente), questionou Draupadi, dizendo, 'Onde está Bhima?' Nisto Panchali disse que Vrikodara tinha saído há muito tempo. Ouvindo isto, aquele rei de braços poderosos partiu com Dhaumya, depois de ter dito para Dhananjaya, ‘Tu deves proteger Draupadi.' E ele também instruiu Nakula e Sahadeva para protegerem os Brahmanas. E saindo do eremitério aquele senhor, o filho de Kunti, seguindo as pegadas de Bhimasena, começou a procurar por ele naquela floresta imensa. E ao chegar ao leste, ele encontrou líderes poderosos de manadas de elefantes (mortos) e viu o solo marcado com (as pegadas) de Bhima. Então vendo milhares de veados e centenas de leões jazendo na floresta, o rei determinou seu rumo. E no caminho estavam espalhadas árvores derrubadas pelo vento causado pelas coxas daquele herói dotado da velocidade do vento quando ele se precipitou atrás dos veados. E prosseguindo, guiado por aquelas marcas, até um local cheio com ventos secos e abundando em vegetais desprovidos de folhas, salobro e desprovido de água, coberto com plantas espinhosas e com cascalho, tocos e arbustos espalhados e de acesso difícil e acidentado e perigoso, ele viu em uma caverna da montanha seu irmão mais novo imóvel, apanhado nas voltas daquela principal das cobras." Vaisampayana continuou, "Yudhishthira, encontrando seu irmão querido enrolado pelo corpo da serpente, disse estas palavras: 'Ó filho de Kunti, como tu obtiveste este infortúnio? E quem é esta melhor das serpentes tendo um corpo semelhante a uma massa montanhosa?' Bhimasena disse, 'Ó venerável, este ser poderoso me pegou como alimento. Ele é o sábio real Nahusha vivendo na forma de uma serpente.' Yudhishthira disse, 'Ó de vida longa, liberte meu irmão de bravura incomensurável; nós te daremos alguma outra comida que saciará tua fome.' A serpente disse, 'Eu consegui como alimento este filho de um rei, vindo para minha boca por si mesmo. Vá embora. Tu não deves ficar aqui. (Se tu permaneceres aqui) tu também serás meu alimento amanhã. Ó de braços fortes, está ordenado com relação a mim que aquele que vem para a minha residência se torna minha comida, e tu também estás no meu refúgio. Depois de um longo tempo eu consegui teu irmão mais novo como meu alimento; eu não o deixarei livre; nem gostaria de ter qualquer outro alimento.' Nisso Yudhishthira disse, 'Ó serpente, se tu és um deus, ou um demônio, ou um Uraga, diga-me realmente, é Yudhishthira que te pergunta, para quê, ó cobra, tu pegaste Bhimasena? Por obter o que, ou por saber o que tu receberás satisfação, ó cobra, e que comida eu te darei? E como tu podes libertá-lo?' A serpente disse, 'Ó impecável, eu fui teu antepassado, o filho de Ayu e quinto em descendência da Lua. E eu era um rei célebre sob o nome de Nahusha. E por sacrifícios e ascetismo e estudo dos Vedas e autodomínio e heroísmo eu tinha adquirido um domínio permanente sobre os três mundos. E quando eu obtive tal domínio a arrogância me possuiu. E milhares de Brahmanas foram empregados em carregar minha cadeira. E embriagado pela supremacia eu insultei aqueles Brahmanas. E, ó senhor da terra, por Agastya eu fui reduzido a esta situação! Ainda assim, ó Pandava, até hoje a memória (do meu nascimento anterior) não me abandonou! E, ó rei, pelo favor daquele Agastya de grande alma, durante a sexta divisão do dia eu consegui para refeição o teu irmão mais novo. Eu não o libertarei, nem desejo alguma outra comida. Mas se tu hoje responderes as perguntas feitas por mim, então eu libertarei Vrikodara!’ Nisto Yudhishthira disse, 'Ó serpente, pergunte o que quiseres! Se eu puder, eu responderei tuas perguntas com o propósito de te gratificar, ó cobra! Tu conheces totalmente o que deve ser sabido por Brahmanas. Portanto, ó rei das cobras, (te) ouvindo, eu responderei tuas perguntas!' A serpente disse, 'Ó Yudhishthira, diga: quem é um Brahmana e o que deve ser conhecido? Pelas tuas palavras eu deduzo que tu és muito inteligente.' Yudhishthira disse, 'Ó principal das serpentes, aquele, isto é afirmado pelos sábios, em quem são vistos verdade, caridade, perdão, boa conduta, benevolência, observância dos ritos de sua classe e piedade é um Brahmana. E, ó serpente, aquilo que deve ser conhecido é mesmo o Brahma supremo, no qual não há felicidade nem tristeza, e alcançando o qual os seres não são afetados pela tristeza; qual é a tua opinião?' A serpente disse, 'Ó Yudhishthira, verdade, caridade, perdão, benevolência, benignidade, bondade e o Veda, o qual produz o benefício das quatro classes (pois os ritos realizados pelos Sudras tem sua origem nos Vedas), que é a autoridade em questões de religião e que é verdadeiro, são vistos até no Sudra. Com relação ao objeto a ser conhecido e o qual tu alegas ser sem felicidade e tristeza, eu não vejo alguma coisa que seja assim desprovida destes.' Yudhishthira disse, ‘Aquelas características que estão presentes em um Sudra não existem em um Brahmana; nem as que estão em um Brahmana existem em um Sudra. E um Sudra não é um Sudra somente por nascimento, nem um Brahmana é Brahmana somente por nascimento. Aquele, isto é dito pelos sábios, em que são vistas aquelas virtudes é um Brahmana. E as pessoas chamam de Sudra aquele em quem aquelas qualidades não existem, mesmo que ele seja um Brahmana por nascimento. E além disso, quanto à tua afirmação que o objeto a ser conhecido (como afirmado por mim) não existe, porque nada existe que seja desprovido de ambas (felicidade e tristeza), tal de fato é a opinião, ó serpente, de que nada existe que seja sem (elas) ambas. Mas como no frio o calor não existe, nem no calor, o frio, assim não pode existir um objeto no qual ambas (felicidade e tristeza) possam não existir?’ A serpente disse, 'Ó rei, se tu reconheces alguém como um Brahmana pelas características, então, ó de longa vida, a distinção de casta torna-se inútil enquanto a conduta não entra em jogo.' Yudhishthira disse, 'Na sociedade humana, ó serpente poderosa e muito inteligente, é difícil determinar a casta de alguém, por causa de relacionamento promíscuo entre as quatro classes. Esta é minha opinião. Homens pertencentes a todas as classes geram filhos (promiscuamente) em mulheres de todas as classes. E de homens, fala, relação sexual, nascimento e morte são comuns. E a respeito disto os Rishis prestam testemunho por usar como o início de um sacrifício expressões tais como: qualquer que seja nossa casta, nós celebramos o sacrifício. Portanto, aqueles que são sábios afirmam que caráter é o requisito essencial. A cerimônia natalícia de uma pessoa é realizada antes da divisão do cordão umbilical. Sua mãe então age como sua Savitri e seu pai oficia como sacerdote. Ela é considerada como um Sudra enquanto não for iniciada nos Vedas. Dúvidas tem surgido neste ponto, ó príncipe das serpentes; Swayambhuba Manu declarou que as castas misturadas devem ser consideradas como melhores do que as (outras) classes, se tendo passado pelas cerimônias de purificação as últimas não obedecem às regras de boa conduta, ó cobra excelente! Quem quer que obedeça às regras de conduta pura e virtuosa, a ele eu designei antes como um Brahmana.' A serpente respondeu, 'Ó Yudhishthira, tu estás familiarizado com tudo o que é bom para ser conhecido e tendo escutado às tuas palavras, como eu posso (agora) comer teu irmão Vrikodara?’" "Yudhishthira disse, 'Neste mundo, você é muito versado nos Vedas e Vedangas; diga-me (então), o que se deve fazer para alcançar a salvação?' A serpente respondeu, 'Ó descendente da linhagem de Bharata, minha opinião é que o homem que dá esmolas para objetos apropriados, fala palavras gentis e diz a verdade e se abstém de causar dano para alguma criatura vai para céu.' Yudhishthira perguntou, 'Qual, ó cobra, é o mais importante dos dois, veracidade ou dar esmolas? Fale-me também da maior ou menor importância do comportamento bondoso e de não causar dano para alguma criatura.' A cobra respondeu, 'Os méritos relativos destas virtudes, veracidade e dar esmolas, palavras gentis e abstenção de ofensa a qualquer criatura, são conhecidas (medidas) por sua gravidade objetiva (utilidade). A verdade é (às vezes) mais louvável do que algumas ações de caridade; algumas das últimas além disso são mais louváveis do que palavras verdadeiras. Similarmente, ó rei poderoso, e senhor da terra, abstenção de causar dano para qualquer criatura é vista ser mais importante do que boas palavras e vice-versa. Isto é assim mesmo, ó rei, dependendo dos efeitos. E agora, se tu tens alguma coisa mais para perguntar, diga tudo, eu de esclarecerei!' Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó cobra, como a mudança do ser incorpóreo para o céu, sua percepção pelos sentidos e seu desfrute dos frutos imutáveis de suas ações (aqui embaixo), podem ser compreendidos.' A cobra respondeu, 'Por suas próprias ações o homem é visto alcançar uma das três condições de existência: humana, de vida celestial, ou de nascimento no reino animal inferior. Entre estes, o homem que não é preguiçoso, que não fere ninguém e que é dotado de caridade e outras virtudes vai para o céu, depois de deixar este mundo de homens. Por fazer o contrário, ó rei, as pessoas nascem novamente como homens ou como animais inferiores. Ó meu filho, é dito especialmente com relação a isto que o homem que é dominado por raiva e luxúria, e que é dado à avareza e malícia decai de seu estado humano e nasce novamente como um animal inferior, e os animais inferiores também estão ordenados a serem convertidos no estado humano; e a vaca, o cavalo e outros animais são observados alcançarem até o estado divino. Ó meu filho, o ser sensível, colhendo os frutos de suas ações, assim transmigra por estas condições; mas o homem regenerado e sábio repousa sua alma no Espírito Supremo eterno. O espírito incorporado, acorrentado pelo destino e colhendo os frutos de suas próprias ações, assim passa por nascimento após nascimento, mas aquele que perdeu contato com suas ações é consciente do destino imutável de todos os seres nascidos.’ Yudhishthira perguntou, 'Ó cobra, diga-me realmente e sem confusão como aquele espírito dissociado se torna ciente de som, toque, forma, sabor, e gosto. Ó de grande mente, tu não os percebes, simultaneamente pelos sentidos? Ó melhor das cobras, responda todas estas questões!' A cobra respondeu, 'Ó de vida longa, a coisa chamada Atman (espírito), dirigindo-se à habitação corpórea e manifestando-se pelos órgãos do sentido, torna-se devidamente ciente dos objetos perceptíveis. Ó príncipe da linhagem de Bharata, saiba que os sentidos, a mente, e o intelecto, ajudando a alma em sua percepção de objetos, são chamados Karanas. Ó meu filho, o espírito eterno, saindo de sua esfera, e ajudado pela mente, agindo através dos sentidos, os receptáculos de todas as percepções, percebe sucessivamente estas coisas (som, forma, sabor, etc). Ó mais valente dos homens, a mente das criaturas vivas é a causa de toda percepção, e, portanto, ela não pode estar ciente de mais do que uma coisa em um momento. Aquele espírito, ó principal dos homens, dirigindo-se ao espaço entre as sobrancelhas, envia o intelecto superior e inferior para diferentes objetos. O que os Yogues percebem atrás da ação do princípio inteligente por meio disto é considerada a ação da alma.' Yudhishthira disse, 'Diga-me as características distintas da mente e do intelecto. O conhecimento disto é ordenado como o principal dever das pessoas que meditam no Espírito Supremo.' "A cobra respondeu, 'Por ilusão a alma se torna subserviente ao intelecto. O intelecto, embora conhecido como sendo subserviente à alma, torna-se (então) o diretor da última. O intelecto é feito agir por atos de percepção; a mente é auto- existente. O Intelecto não causa a sensação (como de dor, prazer, etc) mas a mente o faz. Esta, meu filho, é a diferença entre a mente e o intelecto. Você também é versado neste assunto, qual é sua opinião?' Yudhishthira disse, 'Ó mais inteligente, você tem inteligência excelente e você sabe tudo o que é bom para ser conhecido. Por que você me faz esta pergunta? Você conhecia tudo e você realizou atos maravilhosos e você viveu no céu. Como então a ilusão poderia dominá-lo? Grande é a minha dúvida neste ponto.' A cobra respondeu, 'A prosperidade embriaga até os homens sábios e valentes. Aqueles que vivem no luxo (logo) perdem sua razão. Assim, eu também, ó Yudhishthira, dominado pela obsessão de prosperidade, caí do meu estado elevado e, tendo recuperado minha auto-consciência, estou te esclarecendo dessa maneira! Ó rei vitorioso, tu me fizeste um favor. Por conversar com tua pessoa virtuosa minha maldição dolorosa foi expiada. Antigamente, quando eu costumava permanecer no céu em uma carruagem celeste, me deleitando em meu orgulho, eu não pensava em nada mais, eu costumava exigir tributo de Brahmarshis, Devas, Yakshas, Gandharvas, Rakshasas, Pannagas e de todos os outros habitantes dos três mundos. Ó senhor da terra, tal era o encanto dos meus olhos que em qualquer criatura que eu fixasse eles, eu imediatamente destruía o poder dela. Milhares de Brahmarshis costumavam puxar minha carruagem. A delinquência, ó rei, foi a causa da minha queda da minha prosperidade superior. Entre eles, Agastya estava um dia puxando meu transporte, e meus pés entraram em contato com seu corpo; Agastya então pronunciou (sua maldição) sobre mim, com raiva, 'A ruína te apanha, torne-te uma cobra.' Assim, perdendo minha glória, eu caí daquele carro excelente e enquanto caía eu vi a mim mesmo transformado em uma cobra, com cabeça para baixo. Eu assim implorei àquele Brahmana, 'Que esta maldição seja extinguida, ó adorável! Você deve perdoar alguém quem tem sido tão tolo por obsessão.' Então ele bondosamente disse-me isto, enquanto eu estavam sendo lançado para baixo (do céu), ‘O rei virtuoso Yudhishthira te salvará desta maldição, e quando, ó rei, o pecado horrível do orgulho estiver extinto em ti; tu alcançarás salvação.' E eu fui tomado por admiração ao ver (este) poder das virtudes austeras dele; e portanto, eu te questionei acerca dos atributos do Espírito Supremo e dos Brahmanas. Verdade, caridade, auto-controle, penitência, abstenção de ferir qualquer criatura, e constância em virtude, estas, ó rei, e não sua linhagem de relações familiares, são os meios pelos quais um homem deve sempre assegurar a salvação. Que este teu irmão, o poderoso Bhimasena, encontre boa sorte e que a felicidade possa morar contigo! Eu devo ir para o Céu novamente.'" Vaisampayana continuou, "Assim dizendo, aquele rei, Nahusha, abandonou sua forma serpentina, e assumindo sua forma celeste ele voltou para o Céu. O glorioso e pio Yudhishthira também voltou para seu eremitério com Dhaumya e seu irmão Bhima. Então o virtuoso Yudhishthira narrou tudo isso, em detalhes, para os Brahmanas que tinham se reunido (lá). Ao ouvirem isso, seus três irmãos e todos os Brahmanas e a renomada Draupadi também estavam cobertos com vergonha. E todos aqueles Brahmanas excelentes, desejando o bem-estar dos Pandavas, repreenderam Bhima por sua imprudência, lhe dizendo não para tentar tais coisas novamente, e os Pandavas também estavam imensamente satisfeitos ao verem o poderoso Bhima fora de perigo, e continuaram a viver lá agradavelmente." 181 (Markandeya-Samasya Parva) Vaisampayana disse, "Enquanto eles estavam morando naquele lugar, lá começou a estação das chuvas, a estação que põe um fim ao tempo quente e que é agradável para todos os seres animados. Então as nuvens negras, ribombando ruidosamente, e cobrindo os céus e os pontos cardeais, derramaram chuva incessantemente durante dia e noite. Aquelas nuvens, contadas às centenas e às milhares, pareciam com cúpulas na estação chuvosa. Da terra desapareceu a refulgência do sol; seu lugar foi tomado pelo brilho imaculado do relâmpago; a terra tornou-se encantadora para todos, sendo coberta com grama, com mosquitos e répteis em sua alegria; ela foi banhada com chuva e possuída pela tranquilidade. Quando as águas tinham coberto tudo não podia se saber em absoluto se o solo era plano ou irregular; se havia rios ou árvores ou colinas. No fim da estação quente, os rios somaram beleza às florestas estando eles mesmos cheios de águas agitadas, fluindo com grande força e parecendo com serpentes pelo som sibilante que eles faziam. Os javalis, os veados e as aves, enquanto a chuva estava caindo sobre eles, começaram a proferir sons de vários tipos que podiam ser ouvidos dentro das regiões da floresta. Os chatakas, os pavões e as hostes de Kohilas machos e as rãs excitadas todos corriam por toda parte em alegria. Assim enquanto os Pandavas estavam perambulando nas regiões desertas e arenosas, a feliz estação da chuva, tão variada em aspecto e ressoando com nuvens, passou. Então começou a estação do outono, apinhada com gansos e garças e cheia de alegria; então as áreas da floresta foram cobertas com grama; o rio se tornou límpido; o firmamento e estrelas brilharam gloriosamente. E o outono, cheio de animais e aves, foi alegre e agradável para os filhos magnânimos de Pandu. Então eram vistas noites que eram livres de poeira e frescas com nuvens e embelezadas por miríades de planetas e estrelas e a lua. E eles contemplaram rios e lagos pequenos, adornados com lírios e lotos brancos, cheios de água fresca e agradável. E enquanto vagavam pelo rio Saraswati cujas margens pareciam com o próprio firmamento e eram cobertos com juncos, e como tais abundavam em banhos sagrados, sua alegria era grande. E aqueles heróis que manejavam grandes arcos estavam especialmente contentes em verem o agradável rio Saraswati, com suas águas límpidas cheio até a borda. E, ó Janamejaya, a noite mais santa, aquela da lua cheia no mês de Kartika na estação do outono, foi passada por eles enquanto residiam lá! E os filhos de Pandu, os melhores dos descendentes de Bharata, passaram aquela conjuntura auspiciosa com santos justos e magnânimos dedicados à penitência. E logo que a quinzena escura começou imediatamente em seguida, os filhos de Pandu entraram naquela floresta chamada Kamyaka, acompanhados por Dhananjaya e seus quadrigários e cozinheiros." 182 Vaisampayana disse, "Ó filho de Kuru, eles, Yudhishthira e outros, tendo alcançado a floresta de Kamyaka, foram recebidos com hospitalidade por hostes de santos e eles viveram junto com Krishna. E enquanto os filhos de Pandu estavam residindo em segurança naquele local, muitos Brahmanas chegaram para visitá-los. E um certo Brahmana disse, 'Ele, o amigo querido de Arjuna, de braços poderosos e possuidor de auto-controle, descendente de Sura, de intelecto elevado, virá, pois, ó principais dos descendentes de Kuru, Hari sabe que vocês chegaram aqui. Pois Hari tem sempre um desejo por sua visão e sempre procura seu bem-estar. E Markandeya, que viveu muitos anos dedicado a grandes austeridades, dado ao estudo e penitência, virá brevemente e encontrará com vocês.' E no mesmo momento em que ele estava proferindo estas palavras, lá foi visto Krishna, chegando lá sobre um carro ao qual estavam unidos os cavalos Saivya e Sugriva, ele o melhor daqueles que viajam em carros estava acompanhado por Satyabhama, semelhante a Indra por Sachi, a filha de Pulaman. E o filho de Devaki chegou, desejoso de ver aqueles mais virtuosos dos descendentes de Kuru. E o inteligente Krishna, tendo descido do carro, prostrou- se, com prazer em seu coração, perante o rei virtuoso, da maneira prescrita, e também perante Bhima, aquele principal dos homens poderosos. E ele prestou seus respeitos a Dhaumya, enquanto os irmãos gêmeos se prostraram a ele. E ele abraçou Arjuna de cabelo encaracolado; e falou palavras de consolo para a filha de Drupada. E o descendente do chefe da tribo Dasaraha, aquele castigador de inimigos, quando viu o querido Arjuna aproximar-se dele, tendo visto ele depois de um longo tempo, abraçou-o repetidas vezes. E assim Satyabhama também, a amada consorte de Krishna, abraçou a filha de Drupada, a querida esposa dos filhos de Pandu. Então aqueles filhos de Pandu, acompanhados por sua esposa e sacerdotes, prestaram seus respeitos a Krishna, cujos olhos pareciam o lótus branco e cercaram-no por todos os lados. E Krishna, quando reunido com Arjuna, o filho de Pritha, o ganhador de riquezas e o terror dos demônios, assumiu uma beleza comparável àquela de Siva, o senhor magnânimo de todos os seres criados, quando ele, o senhor poderoso, está reunido com Kartikeya (seu filho). E Arjuna, que portava um ornamento circular em sua cabeça, fez um relato do que aconteceu a ele na floresta para Krishna, o irmão mais velho de Gada. E Arjuna perguntou, dizendo, ‘Como está Subhadra, e seu filho Abhimanyu?’ E Krishna, o matador de Madhu, tendo prestado seus respeitos na forma prescrita para o filho de Pritha, e para o sacerdote, e sentando-se com eles lá, falou para o rei Yudhishthira, em palavras de louvor. E ele disse, 'Ó rei, a Virtude é preferível à conquista de reinos; isto é, de fato, prática de austeridades! Por você que tem obedecido com verdade e franqueza o seu dever prescrito foram ganhos ambos: este mundo e aquele por vir! Primeiro você estudou, enquanto realizava deveres religiosos; tendo adquirido de uma maneira apropriada toda a ciência de armas, tendo ganhado riqueza por seguir os métodos prescritos para a casta militar, você tem celebrado todos os ritos sacrificais consagrados pelo tempo. Você não se deleita em prazeres sensuais; você não age, ó senhor de homens, por motivos de divertimento, nem se desvia da virtude por cobiça de riquezas; é por isto que você é chamado de Rei Virtuoso, ó filho de Pritha! Tendo obtido reinos e riquezas e meios de divertimento, seu principal prazer é caridade e veracidade e prática de austeridades, ó rei, e fé e meditação e clemência e paciência! Quando a população de Kuru-jangala viu Krishna ultrajada na sala de reuniões, quem exceto você mesmo poderia tolerar aquele comportamento, ó filho de Pandu, o qual era tão repugnante para a virtude e costume? Sem dúvida, dentro de pouco, você governará os homens de uma maneira louvável, tendo todos os seus desejos realizados. Aqui estamos nós preparados para castigar os Kurus, logo que a estipulação feita por você seja completamente realizada!’ E Krishna, o principal da tribo Dasarha, então disse para Dhaumya e Bhima e Yudhishthira, e os gêmeos e Krishna, 'Quão venturoso que por sua bênção Arjuna, o portador da pequena coroa, tenha chegado depois de ter adquirido a ciência de armas!’ E Krishna, o líder da tribo Dasarha, acompanhado por amigos, igualmente falou para Krishna, a filha de Yajnasena, dizendo, 'Quão venturoso que você esteja reunida, ilesa e segura, com Arjuna, o ganhador de riquezas!' E Krishna também disse, 'Ó Krishna, ó filha de Yajnasena, aqueles seus filhos estão dedicados ao estudo da ciência de armas, são bem educados e se comportam no padrão, ó Krishna, de seus amigos virtuosos. Seu pai e seus irmãos lhes oferecem um reino e territórios; mas os garotos não encontram alegria na casa de Drupada, ou naquela de seus tios maternos. Procedendo com segurança para a terra dos Anartas, eles tem o maior prazer no estudo da ciência de armas. Seus filhos entraram na cidade dos Vrishnis e pegaram uma amizade imediata pelas pessoas lá. E como você os ensinaria a se comportarem, ou como a respeitada Kunti faria, assim Subhadra os instrui de uma maneira vigilante. Talvez, ela é ainda mais cuidadosa deles. E, ó Krishna, como o filho de Rukmini é o preceptor de Aniruddha, de Abhimanyu, de Sunitha, e de Bhanu; da mesma maneira ele é o preceptor e o refúgio dos seus filhos também! E um bom preceptor, (ele) ininterruptamente dá a eles lições no manejo de maças e espadas e escudos, em mísseis e nas artes de dirigir carros e de montar cavalos, sendo corajoso. E ele, o filho de Rukmini, tendo dado uma instrução muito boa para eles, e tendo ensinado a eles a arte de usar várias armas de uma maneira apropriada, tem satisfação nos atos valorosos de seus filhos, e de Abhimanyu, ó filha de Drupada! E quando seus filhos saem em busca de esportes (ao ar livre), cada um deles é seguido para lá por carros e cavalos e veículos e elefantes.' E Krishna disse para o rei virtuoso, Yudhishthira, ‘Os homens lutadores da tribo Dasarha, e os Kukuras, e os Andhakas, que estes, ó rei, se coloquem sob teu comando, que eles realizem o que tu desejares deles. Ó senhor de homens, que o exército da tribo de Madhus, (irresistível) como o vento, com seus arcos e liderados por Balarama cuja arma é o arado, que aquele exército, equipado (para a guerra), consistindo em cavaleiros e soldados de infantaria e cavalos e carros e elefantes, se prepare para cumprir tua ordem. Ó filho de Pandu! Leve Duryodhana, o filho de Dhritarashtra, o mais vil dos homens pecaminosos, junto com seus seguidores e sua hoste de amigos, para o caminho tomado pelo senhor de Saubha, o filho da Terra! Você, ó soberano de homens, tem toda a liberdade para aferrar-se àquela estipulação que foi feita na sala de reuniões, mas deixe que a cidade de Hastina seja preparada para você, quando a força hostil tiver sido morta pelos soldados da tribo Dasarha! Tendo vagado à sua vontade em todos aqueles locais onde você possa desejar ir, tendo se livrado da sua angústia e se libertado de todos os seus pecados, você alcançará a cidade de Hastina, a cidade bem conhecida situada no meio de um território excelente!’ Então o rei magnânimo conhecendo o ponto de vista tão claramente anunciado por Krishna, aquele melhor dos homens, e, tendo elogiado o mesmo, e tendo deliberado, falou assim com palmas unidas para Kesava, 'Ó Kesava, sem dúvida tu és refúgio dos filhos de Pandu; pois os filhos de Pandu tem seu protetor em ti! Quando chegar a hora, não há dúvida que tu farás todo o trabalho à pouco mencionado por ti; e até mais do que o mesmo! Como prometido por nós, nós temos passado todos os doze anos em florestas isoladas. Ó Kesava, tendo da maneira prescrita completado o período para viver não reconhecidos, os filhos de Pandu se refugiarão em ti. Esta deve ser a intenção daqueles que se associam contigo, ó Krishna! Os filhos de Pandu não se desviam do caminho da verdade, pois os filhos de Pritha com sua caridade e sua piedade com seu povo e suas esposas e com seus parentes tem seu protetor em ti!’" Vaisampayana disse, 'Ó descendente de Bharata, enquanto Krishna, o descendente dos Vrishnis e o rei virtuoso estavam assim conversando, apareceu lá então o santo Markandeya, experimentado na prática de penitências. E ele tinha visto muitos milhares de anos de vida, tinha uma alma virtuosa, e era dedicado a grandes austeridades. Sinais de velhice ele não tinha nenhum; e ele era imortal, e dotado de beleza e generosidade e muitas qualidades boas. E ele parecia com alguém de somente vinte e cinco anos de idade. E quando o santo idoso, que tinha visto muitos milhares de anos de vida, chegou, todos os Brahmanas prestaram seus respeitos a ele, e assim fez Krishna junto com o filho Pandu. E quando aquele santo mais sábio, assim honrado, tomou seu assento de uma maneira cordial, Krishna dirigiu-se a ele, de acordo com os intentos dos Brahmanas e dos filhos de Pandu, dessa maneira: ‘Os filhos de Pandu, e os Brahmanas reunidos aqui, e a filha de Drupada, e Satyabhama, igualmente eu mesmo, estamos todos ansiosos para ouvir tuas mais excelentes palavras, ó Markandeya! Apresente para nós as histórias sagradas de acontecimentos dos tempos passados, e as regras eternas de conduta virtuosa pelas quais são guiados reis e mulheres e santos!’” Vaisampayana continuou, "Quando eles tinham todos tomado seus assentos, Narada também, o santo divino, de alma purificada, chegou em uma visita para os filhos de Pandu. A ele também, então, de grande alma, todos aqueles homens principais de intelecto superior honraram na forma prescrita, por oferecer água para lavar seus pés, e a oblação bem conhecida chamada Arghya. Então o santo divino, Narada, sabendo que eles estavam prestes a ouvir o discurso de Markandeya, expressou seu consentimento para o arranjo. E ele, o imortal, sabendo o que seria oportuno, disse sorridente, 'Ó santo da casta Brahmana, fale o que você estava prestes a falar para os filhos de Pandu!' Assim endereçado, Markandeya, dedicado a grandes austeridades, respondeu, 'Esperem um momento. Muito será narrado.' Assim endereçados, os filhos de Pandu, junto com aqueles duas vezes nascidos, esperaram um momento, olhando para aquele grande santo, (brilhante) como o sol do meio dia." Vaisampayana continuou, "O filho de Pandu, o rei da tribo Kuru, tendo observado que o grande santo estava disposto falar, questionou-o com a intenção de sugerir os tópicos para conversação, dizendo, 'Você que é antigo (em idade), conhece os feitos de deuses e demônios, e santos ilustres, e de todos os majestosos. Nós consideramos você como digno de ser adorado e honrado; e nós ansiamos muito tempo pela sua companhia. E aqui está este filho de Devaki, Krishna, que veio a nós em uma visita. Na verdade, quando eu olho para mim mesmo, afastado da felicidade, e quando eu vejo os filhos de Dhritarashtra, de vida má, prosperando de todas as maneiras, surge em mim a idéia de que é o homem que faz todas as ações, boas ou más, e que é ele quem desfruta dos resultados que as ações produzem. Como então é o deus o agente? E, ó melhor daqueles que são proficientes no conhecimento de Deus, como é que as ações dos homens os seguem? Isto é neste mundo? Ou isto é em alguma existência subsequente? E, ó melhor dos homens justos entre os duas vezes nascidos, de que maneira um ser animado encarnado é enlaçado por seus atos bons e maus que o procuram? Isto é depois da morte? Ou isto é neste mundo? E, ó descendente de Bhrigu, o que nós experimentamos neste mundo é o resultado das ações desta mesma vida? Ou as ações desta vida darão frutos no mundo por vir? E onde as ações de um ser animado que está morto encontram seu lugar de descanso?’ Markandeya disse, 'Ó melhor daqueles que podem falar, esta pergunta é apropriada para ti, e é justamente o que deveria ser? Tu sabes tudo o que há para se saber. Mas tu estás fazendo esta pergunta simplesmente por causa da formalidade. Aqui eu te responderei: escute-me com a mente atenta, quanto a como neste mundo e naquele por vir um homem experimenta felicidade e tristeza. O senhor dos seres nascidos, ele mesmo surgido antes de todos, criou, para todos os seres incorporados, corpos que eram imaculados, puros, e obedientes a impulsos virtuosos, ó mais sábio dos descendentes de Kuru! Os homens antigos tinham todos os seus desejos realizados, eram dados a modos louváveis de vida, falavam a verdade, eram religiosos e puros. Todos eram iguais aos deuses, podiam ascender ao céu à sua vontade, e podiam voltar novamente; e todos passavam de um lugar para outro à vontade. E eles tinham sua morte e sua vida também sob seu próprio controle; e eles tinham poucos sofrimentos; não tinham medo; e tinham seus desejos realizados; e eles estavam livres de incômodos; podiam visitar os deuses e os santos magnânimos; sabiam de cor todas as regras virtuosas; eram auto-controlados e livres de inveja. E eles viviam muitos milhares anos; e tinham muitos milhares de filhos. Então no decorrer do tempo eles vieram a ser restringidos a andar somente sobre a superfície da terra, dominados por luxúria e cólera, dependentes para subsistência de mentiras e truques, subjugados pela cobiça e insensatez. Então aqueles homens pecaminosos, quando desencarnados, por causa de seus atos injustos e profanos, iam para o inferno de uma maneira tortuosa. Repetidas vezes eles eram atormentados, e, repetidas vezes eles começaram a arrastar sua existência miserável neste mundo admirável. E seus desejos não eram realizados, os objetivos não cumpridos, e seu conhecimento tornou-se inútil. E seus sentidos estavam paralisados e eles se tornaram receosos de tudo e a causa dos sofrimentos de outras pessoas. E eles eram geralmente marcados por atos maus, e nascidos em famílias inferiores; eles se tornaram maus e afligidos por doenças, e o terror de outros. E eles se tornaram de vida curta e pecaminosos e eles colhiam os frutos de seus feitos terríveis. E cobiçando tudo, eles se tornaram ímpios e indiferentes em mente, ó filho de Kunti! O destino de cada criatura depois da morte é determinado por suas ações neste mundo. Tu me perguntaste onde este tesouro de ações dos sábios e dos ignorantes permanece, e onde eles desfrutam dos resultados dos seus atos bons e maus! Escute às regras sobre este assunto! O homem com seu corpo sutil original criado por Deus armazena um grande estoque de virtude e vício. Depois da morte ele abandona seu frágil corpo (exterior) e nasce imediatamente outra vez em outra ordem de seres. Ele nunca permanece inexistente por um único momento. Em sua nova vida suas ações o seguem invariavelmente como sombra e, frutificando, fazem seu destino feliz ou miserável. O homem sábio, por seu discernimento espiritual, sabe que todas as criaturas estão determinadas a um destino imutável pelo destruidor e que são incapazes de resistir à fruição de suas ações em sorte boa ou má. Este, ó Yudhishthira, é o destino de todas as criaturas mergulhadas em ignorância espiritual. Agora ouça sobre o caminho perfeito alcançado por homens de percepção espiritual elevada! Tais homens são de grande virtude ascética e são versados em todos os escritos profanos e sagrados, diligentes em realizar suas obrigações religiosas e devotados à verdade. E eles prestam homenagem devida aos seus preceptores e superiores e praticam Yoga, são perdoadores, continentes e enérgicos e devotos e são geralmente dotados de todas as virtudes. Pela conquista das paixões eles são quietos em mente; por praticar Yoga eles ficam livres de doença, medo e tristeza; eles não são inquietos (em mente). No decurso do nascimento, maduro ou imaturo, ou enquanto abrigados no útero, em todas as condições, eles com olhos espirituais reconhecem a relação da sua alma com o Espírito supremo. Aqueles Rishis de grande mente de conhecimento positivo e intuitivo passando por esta arena de ações voltam novamente para a residência dos celestiais. Os homens, ó rei, alcançam o que eles tem por consequência da graça dos deuses, do Destino ou das suas próprias ações. Não pense de outra maneira. Ó Yudhishthira, eu considero como o maior bem aquele que é considerado assim neste mundo. Alguns alcançam felicidade neste mundo, mas não no seguinte; outros alcançam no seguinte, mas não neste. Alguns, além disso, alcançam felicidade neste assim como no mundo seguinte; e outros nem aqui nem no mundo seguinte. Aqueles que tem riqueza imensa brilham todos os dias com corpos bem enfeitados. Ó matador de inimigos poderosos, sendo viciados em prazeres carnais, eles desfrutam de felicidade somente neste mundo, mas não no próximo. Mas aqueles que são dedicados a meditações espirituais e ao estudo dos Vedas, que são diligentes em ascetismo, e que debilitam a energia de seus corpos por realizarem seus deveres, que subjugam suas paixões, e que se abstém de matar qualquer ser animado, aqueles homens, ó matador de teus inimigos, alcançam felicidade no próximo mundo, mas não neste! Aquele que primeiro vive uma vida pia e adquire riqueza virtuosamente no tempo devido e então casa e realiza sacrifícios, alcança felicidade neste e no mundo seguinte. Aqueles homens tolos porém que não adquirem conhecimento, nem são dedicados ao ascetismo ou caridade ou a aumentar sua espécie; ou em realizar os prazeres e diversões deste mundo, não alcançam felicidade nem neste nem no mundo seguinte. Mas todos vocês são proficientes em conhecimento e possuidores de grande poder e força e energia celeste. Para o extermínio (dos maus) e para servir aos propósitos dos deuses, vocês vieram do outro mundo e tomaram seu nascimento neste! Vocês, que são tão valentes, e dedicados ao ascetismo, exercícios de autodomínio, e ordenanças religiosas, e que gostam do esforço, depois de terem realizado grandes feitos e gratificado os deuses e Rishis e os Pitris, finalmente no devido tempo alcançarão por suas próprias ações a região suprema, a residência de todos os homens virtuosos! Ó ornamento da linhagem de Kuru, que dúvidas não cruzem tua mente por causa destes teus sofrimentos, pois esta aflição é para o teu bem!’" 183 Vaisampayana continuou, "Os filhos de Pandu disseram a Markandeya de grande alma, 'Nós ansiamos por ouvir sobre a grandeza dos Brahmanas. Nos fale disto!' Assim pedido, o venerado Markandeya, de virtude austera e energia espiritual elevada, e proficiente em todos os departamentos de conhecimento, respondeu, 'Um príncipe jovem, belo e de membros fortes da raça dos Haihayas, um conquistador de cidades hostis, (uma vez) saiu para caçar. E (enquanto) vagando na selva de árvores grandes e moitas de erva ele viu, à distância não grande dele, um Muni com a pele de um antílope preto como sua peça de roupa superior, e matou-o em lugar de um veado. Atormentado pelo que tinha feito, e com seus sentidos paralisados pela angústia, ele dirigiu-se à presença dos mais eminentes dos chefes Haihaya. O príncipe de olhos de lótus relatou para eles os detalhes. Ao ouvirem o relato, ó meu filho, e vendo o corpo do Muni que subsistia de frutas e raízes, eles ficaram muito aflitos em mente. E eles todos saíram perguntando aqui e ali conforme eles procediam, quanto a filho de quem o Muni poderia ser. E eles logo depois alcançaram o eremitério de Arishtanemi, filho de Kasyapa. E saudando aquele grande Muni, tão constante em austeridade, eles todos permaneceram em pé, enquanto o Muni, de sua parte, se ocupava com sua recepção. E eles disseram para o Muni ilustre, 'Por um capricho do destino nós cessamos de merecer tuas boas vindas: de fato, nós matamos um Brahmana!' E o Rishi regenerado disse a eles, 'Como um Brahmana veio a ser morto por vocês, e onde ele está? Todos vocês testemunhem o poder das minhas práticas ascéticas!' E eles, tendo relatado para ele como tudo tinha acontecido retornaram, mas não encontraram o corpo do Rishi morto no local (onde eles o tinham deixado). E tendo procurado por ele, eles voltaram, envergonhados e privados de toda percepção, como em um sonho. E então, ó tu conquistador de cidades hostis, o Muni Tarkshya dirigiu-se a eles, dizendo, 'Ó príncipes, pode ser este o Brahmana do seu assassinato? Este Brahmana, dotado de talentos ocultos de exercícios espirituais, é, de fato, meu filho!' Vendo aquele Rishi, ó senhor da terra, eles foram tomados pelo espanto. E eles disseram, 'Que maravilha! Como os mortos vem à vida outra vez? É o poder da sua virtude austera pelo qual ele tornou a viver? Nós ansiamos saber isto, ó Brahmana, se, de fato, isto puder ser divulgado!' A eles ele respondeu, 'A morte, ó senhores de homens, não tem poder sobre nós! Eu lhes direi a razão brevemente e inteligivelmente. Nós realizamos nossos próprios deveres sagrados; portanto, nós não temos medo da morte; nós falamos bem dos Brahmanas mas nunca pensamos algum mal deles; portanto a morte não tem terror para nós. Entretendo nossos convidados com comida e bebida, e nossos dependentes com abundância de comida, nós (então) partilhamos do que é deixado; portanto nós não temos medo da morte. Nós somos pacíficos e austeros e caritativos e indulgentes e gostamos de visitar santuários sagrados, e nós vivemos em lugares sagrados; portanto nós não temos medo da morte. E nós vivemos em lugares habitados por homens que tem grande poder espiritual; portanto a morte não tem horror para nós. Eu lhes disse tudo resumidamente! Voltem agora todos juntos, curados de toda vaidade mundana. Não tenham medo do pecado!' Dizendo ‘Que assim seja!’, ó principal descendente da linhagem de Bharata, e saudando o grande Muni, todos aqueles príncipes voltaram alegremente para seu país." 184 "Markandeya continuou, 'Ouçam novamente de mim a glória dos Brahmanas! É dito que um sábio nobre de nome Vainya estava uma vez empenhado em realizar o Sacrifício de Cavalo e que Atri desejou ir até ele em busca de esmolas. Mas Atri posteriormente abandonou seu desejo de riquezas, por escrúpulos religiosos. Depois de pensar muito ele, de grande poder, ficou desejoso de viver nas florestas, e, chamando sua esposa e filhos juntos, dirigiu-se a eles dessa maneira, 'Que nós alcancemos a muito tranquila e completa realização dos nossos desejos. Portanto, que seja agradável para vocês se dirigirem rapidamente para a floresta para uma vida de grande mérito.' Sua esposa, argumentando por motivos de virtude também então disse a ele, 'Corra até o ilustre príncipe Vainya, e peça dele vastas riquezas! Pedido por ti, aquele sábio real engajado em sacrifício te dará riqueza. Tendo ido lá, ó Rishi regenerado, e recebido dele grande riqueza, tu poderás distribuí-la entre teus filhos e empregados e então tu poderás ir para onde quer que tu queiras. Esta, de fato, é a maior virtude como provado por homens familiarizados com religião.' Atri respondeu, 'Eu fui informado, ó virtuosa, por Gautama de grande alma, que Vainya é um príncipe virtuoso, dedicado à causa da verdade; mas há Brahmanas (em volta dele) que são ciumentos de mim; e como Gautama me disse isto, eu não ouso ir lá, pois (enquanto) lá, se eu fosse aconselhar o que é bom e calculado para assegurar piedade e a satisfação dos desejos de alguém, eles me contradiriam com palavras improdutivas de qualquer benefício. Mas eu aceito qualquer conselho e irei lá; Vainya me dará vacas e muitas riquezas.'” "Markandeya continuou, 'Assim dizendo, ele, de grande mérito ascético se apressou para o sacrifício de Vainya e alcançando o altar sacrifical e fazendo sua homenagem ao rei e louvando-o com palavras bem intencionadas, ele falou estas palavras, 'Tu és abençoado, ó rei! Governando a terra, tu és o principal dos soberanos! Os Munis te elogiam, e além de ti não há ninguém tão versado em saber religioso!' Para ele o Rishi Gautama, de grande mérito ascético, então respondeu indignado dizendo, 'Atri, não repita este disparate. (Parece) que tu não estás no teu próprio juízo. Neste nosso mundo (somente) Mahendra, o senhor de todos os seres criados é o principal de todos os soberanos!' Então, ó grande príncipe, Atri disse para Gautama, 'Como Indra, o senhor de todas as criaturas, governa nossos destinos, assim faz este rei! Tu estás equivocado. És tu quem perdeste tua razão por falta de percepção espiritual!' Gautama respondeu, 'Eu sei que eu não estou equivocado; és tu quem estás laborando sob uma concepção errada neste assunto. Para assegurar o auxílio do rei tu estás adulando ele nesta reunião de pessoas. Tu não sabes qual é a maior virtude, nem sentes a necessidade disto. Tu és como uma criança imersa em ignorância, para que então tu te tornaste (tão) velho em idade?'” "Markandeya continuou, 'Enquanto aqueles dois homens estavam assim disputando na presença dos Munis, que estavam engajados no sacrifício de Vainya os últimos perguntaram, 'Qual é o caso com eles, que eles falam de modo tão vociferante?' Então Kasyapa muito pio e versado em todas as tradições religiosas, se aproximando dos disputantes lhes perguntou qual era a questão. E então Gautama, dirigindo-se àquela assembleia de grandes Munis, disse, 'Ouçam, ó grandes Brahmanas, ao ponto em disputa entre nós. Atri disse que Vainya é o soberano de nossos destinos; grande é nossa dúvida neste ponto.''' "Markandeya continuou, 'Ao ouvirem isto, os Munis de grande mente foram imediatamente até Sanatkumara que era bem versado em religião para esclarecer sua dúvida. E então ele de grande mérito ascético, tendo ouvido deles os detalhes dirigiu a eles estas palavras cheias de significado religioso. E Sanatkumara disse, 'Como o fogo ajudado pelo vento queima florestas, assim a energia de um Brahmana em união com a de um Kshatriya ou a de um Kshatriya unida com a de um Brahmana destrói todos os inimigos. O soberano é o eminente dador de leis e o protetor de seus súditos. Ele é (um protetor dos seres criados) como Indra, (um apresentador de costumes) como Sukra, (um conselheiro) como Vrihaspati e (então ele também é chamado de) soberano dos destinos dos homens. Quem não acharia apropriado venerar o indivíduo a quem termos tais como 'preservador das coisas criadas,' 'majestoso,' 'imperador,' 'Kshatriya' (ou salvador da terra), 'senhor da terra', 'regente de homens', são aplicados em louvor? O rei é (também) intitulado a primeira causa (da ordem social, como sendo o promulgador de leis), 'o virtuoso em guerras' (e portanto, preservador da paz), 'o vigia,' 'o satisfeito,' 'o senhor,' 'o guia para a salvação,' 'o facilmente vitorioso,' 'o semelhante a Vishnu,' 'de ira eficaz,' 'o vencedor de batalhas' e 'o que cuida da religião verdadeira.' Os Rishis, temerosos de pecado, confiaram o poder (mundano) aos Kshatriyas. Como entre os deuses no céu o Sol dissipa a escuridão por sua refulgência, assim o rei erradica completamente o pecado desta terra. Portanto a grandeza do rei é inferida das evidências dos livros sagrados, e nós temos a obrigação de nos manifestar em defesa daquele lado que falou em favor do rei.''' "Markandeya continuou, 'Então aquele príncipe ilustre, muito satisfeito com o partido vitorioso, disse alegremente para Atri, que tinha louvado ele antes, 'Ó Rishi regenerado, tu me fizeste e me intitulaste o maior e mais excelente dos homens aqui, e me comparaste aos deuses; portanto, eu te darei riqueza vasta e de vários tipos. Minha impressão é que tu és onisciente. Eu te dou, ó bem vestido e bem enfeitado, cem milhões de moedas de ouro e também dez bharas de ouro.’ Então Atri, de virtudes austeras superiores e grandes poderes espirituais, assim saudado (pelo rei), aceitou todos os presentes sem qualquer brecha de retidão, e voltou para casa. E então dando sua riqueza para seus filhos e subjugando a si mesmo, ele dirigiu-se alegremente para a floresta com o objetivo de praticar penitências." 185 "Markandeya continuou, 'Ó tu conquistador de cidades hostis, em relação a isto Saraswati também, quando interrogada por aquele Muni inteligente, Tarkshya, disse (isto). Ouça as palavras dela! Tarkshya tinha perguntado, dizendo, 'Senhora excelente, qual é a melhor coisa para um homem fazer aqui na terra, e como ele deve agir para que ele não possa se desviar (do caminho) da virtude? Diga-me tudo isso, ó senhora bela, para que instruído por ti eu não possa me afastar do caminho da virtude! Quando e como se deve oferecer oblações ao fogo (sagrado) e quando se deve cultuar para que a virtude não seja comprometida? Diga-me tudo isso, ó senhora excelente, para que eu possa viver sem quaisquer paixões, ânsia, ou desejo, neste mundo.''' "Markandeya continuou, 'Assim questionada por aquele Muni alegre e vendo-o ávido para aprender e dotado de grande inteligência, Saraswati dirigiu estas palavras pias e benéficas para o Brahmana Tarkshya.''' "Saraswati disse, 'Aquele que é dedicado ao estudo dos Vedas, e com santidade e equanimidade percebe a Divindade suprema em sua própria esfera, ascende para as regiões celestes e alcança beatitude suprema com os Imortais. Muitos lagos sagrados grandes, belos, e translúcidos se encontram lá, abundando com peixes, flores, e lírios dourados. Eles são como santuários e sua própria visão é projetada para aliviar a angústia. Homens devotos, distintamente adorados por Apsaras virtuosas de cor dourada bem enfeitadas, moram em contentamento nas margens daqueles lagos. Aquele que doa vacas (para Brahmanas) alcança as regiões mais elevadas; por doar bois ele alcança as regiões solares, por doar vestes alcança o mundo lunar, e por doar ouro ele alcança à condição dos Imortais. Aquele que doa uma vaca bela com um bom bezerro, e que é facilmente ordenhada e que não foge, está (destinado) a viver por tantos anos nas regiões celestes quanto os pelos que existem no corpo daquele animal. Aquele que dá um boi de excelente qualidade, forte, poderoso, jovem, capaz de puxar o arado e carregar cargas, alcança as regiões alcançadas por homens que dão dez vacas. Quando um homem concede uma vaca kapila bem enfeitada com um balde de leite de bronze e com dinheiro dado subsequentemente, aquela vaca se tornando por suas próprias qualidades distintas uma concessora de tudo, alcança o lado do homem que a doou. Aquele que doa vacas colhe frutos inumeráveis por sua ação, medidos pelos pelos no corpo daquele animal. Ele também salva (da perdição) no mundo seguinte seus filhos e netos e antepassados até a sétima geração. Aquele que presenteia para um Brahmana gergelim composto na forma de uma vaca, tendo chifres feitos de ouro, com dinheiro além disso, e um balde de leite de bronze, posteriormente alcança facilmente as regiões dos Vasus. Por suas próprias ações o homem cai para as regiões sombrias mais inferiores, infestadas pelos maus espíritos (de suas próprias paixões), como um navio atirado pela tempestade no alto mar; mas a doação de vacas para Brahmanas o salva no mundo seguinte. Aquele que entrega sua filha em casamento, na forma Brahma, que concede presentes de terra para Brahmanas e que faz devidamente outras doações, alcança as regiões de Purandara. Ó Tarkshya, o homem virtuoso que é constante em oferecer oblações para o fogo sagrado por sete anos santifica por sua própria ação sete gerações ascendentes e descendentes.''' "Tarkshya disse, 'Ó senhora bela, explique para mim que te pergunto as regras para a manutenção do fogo sagrado como inculcadas nos Vedas. Eu agora aprenderei de ti as regras consagradas pelo tempo para manter perpetuamente o fogo sagrado.' 186 Então Yudhishthira, o filho de Pandu, disse ao Brahmana Markandeya, ‘Narre agora a história de Vaivaswata Manu?’ Markandeya respondeu, 'Ó rei, ó principal dos homens, havia um Rishi poderoso e formidável de nome Manu. Ele era o filho de Vivaswan e igual a Brahma em glória. E ele excedia de longe seu pai e avô em força, em poder, em sorte, como também em austeridades religiosas. E permanecendo sobre uma perna e com mão erguida, aquele senhor de homens fez penitências severas na floresta de jujubas chamada Visala. E lá de cabeça para baixo e com olhar fixo ele praticou penitência rígida e severa por dez mil anos. E um dia, enquanto ele estava praticando austeridades lá com roupas molhadas e cabelo emaranhado na cabeça, um peixe se aproximando das margens do Chirini dirigiu-se a ele dessa maneira, 'Senhor venerável, eu sou um pequeno peixe desamparado, eu tenho medo dos grandes; portanto, ó grande devoto, pense que vale o teu tempo me proteger deles; especialmente porque este costume fixo está bem estabelecido entre nós: que os peixes fortes sempre matam os fracos para servirem de alimento. Portanto pense que é justo me salvar de ser afogado neste mar de terrores! Eu te retribuirei pela tua ajuda.' Ao ouvir estas palavras do peixe, Vaivaswata Manu foi dominado pela compaixão e ele tirou o peixe da água com suas próprias mãos. E o peixe que tinha um corpo cintilante como os raios da lua, quando tirado da água, foi colocado em um recipiente de água feito de barro. E assim criado aquele peixe, ó rei, cresceu em tamanho e Manu zelou por ele cuidadosamente como um filho. E depois de um longo tempo ele tornou-se tão grande em tamanho que não havia espaço para ele naquele recipiente. E então vendo Manu (um dia), ele dirigiu novamente estas palavras a ele, 'Senhor venerável, designe alguma habitação melhor para mim.' E então o adorável Manu, o conquistador de cidades hostis, tirou-o daquele recipiente e levou-o para um grande tanque e colocou-o lá. E lá novamente o peixe cresceu por muitos longos anos. E embora o tanque tivesse dois yojanas de comprimento e um yojana de largura, mesmo lá, ó filho de olhos de lótus de Kunti e soberano de homens, não havia espaço para o peixe se movimentar! E vendo Manu ele disse outra vez, 'Ó pai pio e adorável, leve-me à Ganga, a cônjuge favorita do Oceano, para que eu possa viver lá; ou faça como tu desejares. Ó impecável, como eu cresci até este grande volume por teu favor eu cumprirei tua ordem alegremente.' Assim pedido o honesto e moderado e venerável Manu levou o peixe para o rio Ganga e ele o pôs no rio com suas próprias mãos. E lá, ó conquistador de teus inimigos, o peixe cresceu novamente por um pouco de tempo e então contemplando Manu, ele disse novamente, 'Ó senhor, eu não posso me mexer no Ganga por causa do meu corpo grande; portanto, senhor venerável, por favor leve-me rapidamente para o mar!' Ó filho de Pritha, Manu então tirando-o do Ganga, carregou-o para o mar e entregou-o lá. E apesar do seu grande tamanho Manu transportou-o facilmente e seu toque e cheiro também eram agradáveis para ele. E quando ele foi jogado no mar por Manu, ele disse estas palavras a ele com um sorriso, 'Ó ser adorável, tu me protegeste com cuidado especial; agora escute-me quanto ao que tu deves fazer na plenitude do tempo! Ó senhor afortunado e venerável, a dissolução de todo este mundo móvel e imóvel está próxima. O tempo para a purgação deste mundo está agora maduro. Portanto eu agora explico o que é bom para ti! As divisões móveis e imóveis da criação, aquelas que tem o poder de locomoção, e aquelas que não o tem, de todos estes o destino terrível agora se aproximou. Tu construirás uma arca forte massiva e a equiparás com uma corda longa. Nela tu deves subir, ó grande Muni, com os sete Rishis e levar contigo todas as sementes diferentes as quais foram enumeradas por Brahmanas regenerados nos tempos antigos, e separadamente e cuidadosamente tu deves preservá-las nela. E quando estiveres lá, ó amado dos Munis, tu esperarás por mim, e eu aparecerei para ti como um animal chifrudo, e dessa maneira, ó asceta, tu me reconhecerás! E eu agora partirei, e tu agirás de acordo com minhas instruções, pois sem minha ajuda tu não poderás salvar-te daquela inundação terrível.' Então Manu disse para o peixe, 'Eu não duvido de tudo o que tu disseste, ó magnífico! Eu agirei assim mesmo!' E dando instruções um para o outro, ambos foram embora. E Manu então, ó rei grande e poderoso e conquistador de teus inimigos, obteve todas as diferentes sementes como instruído pelo peixe, e iniciou viagem em uma excelente embarcação sobre as ondas do mar. E então, ó senhor da terra, ele se lembrou daquele peixe. E o peixe também, ó conquistador de teus inimigos e principal descendente da linhagem de Bharata, conhecendo sua mente, apareceu lá com chifres em sua cabeça. E então, ó tigre entre homens, vendo no oceano aquele peixe chifrudo emergindo como uma rocha na forma da qual ele tinha sido antes estimado, ele baixou o laço semelhante à corda sobre sua cabeça. E fixado pelo laço, o peixe, ó rei e conquistador de cidades hostis, rebocou a arca com grande força através das águas salgadas. E ele os transportou naquele barco no mar estrondoso e açoitado por vagalhões. E, ó conquistador de teus inimigos e de cidades hostis, atirado pela tempestade no grande oceano, o barco cambaleava em volta como uma meretriz bêbada. E nem terra nem os quatro pontos cardeais da bússola podiam ser distinguidos. E havia água em todos os lugares e as águas cobriram o céu e o firmamento também. E, ó touro da raça Bharata, quando o mundo estava assim inundado, ninguém exceto Manu, os sete Rishis e o peixe podia ser visto. E, ó rei, o peixe diligentemente arrastou o barco pela inundação por muitos longos anos e então, ó descendente de Kuru e ornamento da linhagem de Bharata, ele rebocou o barco em direção ao topo mais alto do Himavat. E, ó Bharata, o peixe então disse para aqueles no barco para o amarrarem ao topo do Himavat. E ouvindo as palavras do peixe eles imediatamente amarraram o barco naquele cume da montanha e, ó filho de Kunti e ornamento da linhagem de Bharata, saiba que aquele topo alto do Himavat ainda é chamado pelo nome de Naubandhana (O Porto). Então o peixe, dirigindo-se aos Rishis associados disse- lhes estas palavras, 'Eu sou Brahma, o Senhor de todas as criaturas; não há ninguém maior do que eu mesmo. Assumindo a forma de um peixe, eu salvei vocês deste cataclismo. Manu criará (novamente) todos os seres, deuses, Asuras e homens, todas aquelas divisões da criação que tem o poder de locomoção e as que não o tem. Por praticar austeridades severas ele adquirirá este poder, e com minha bênção a ilusão não terá poder sobre ele.'” "Assim dizendo o peixe desapareceu imediatamente. E o próprio Vaivaswata Manu ficou desejoso de criar o mundo. Naquele trabalho de criação a ilusão tomou conta dele e ele, portanto, praticou grande ascetismo. E dotado de mérito ascético, Manu, ó ornamento da raça de Bharata, iniciou novamente seu trabalho de criar todos os seres na ordem apropriada e exata. Esta história que eu narrei para ti e a audição da qual destrói todo pecado é célebre como a Lenda do Peixe. E o homem que ouve todos os dias a esta história primitiva de Manu alcança felicidade e todos os outros objetos de desejo e vai para o céu." "Então o rei virtuoso Yudhishthira com toda humildade questionou novamente o ilustre Markandeya, dizendo, 'Ó grande Muni, tu viste muitos milhares de eras decorrerem. Neste mundo não há ninguém tão longevo quanto tu! Ó melhor daqueles que alcançaram o conhecimento do Espírito Supremo, não há ninguém igual a ti em idade exceto Brahma de grande mente vivendo no lugar mais elevado. Tu, ó Brahmana, cultuaste Brahma na época da grande dissolução do universo, quando este mundo estava sem céu e sem os deuses e Danavas. E quando aquele cataclismo cessou e o Avô despertou, somente tu, ó Rishi regenerado, viste Brahma recriar devidamente as quatro classes de seres depois de ter enchido os pontos cardeais com ar e consignado as águas ao seu lugar apropriado. Tu, ó grande Brahmana, adoraste em sua presença o grande Senhor e Avô de todas as criaturas com alma absorta em meditação e totalmente absorvida n'Ele! E, ó Brahmana, tu testemunhaste muitas vezes com teus olhos os atos primordiais de criação, e, mergulhado em austeridades ascéticas severas, tu também superaste os próprios Prajapatis! Tu és estimado como alguém que está mais próximo a Narayana, no mundo seguinte. Muitas vezes nos tempos passados tu contemplaste o Criador Supremo do universo com olhos de abstração espiritual e renúncia, tendo primeiro aberto teu coração puro e semelhante ao lótus, o único local onde o multiforme Vishnu de conhecimento universal pode ser visto! É por isto, ó Rishi erudito, pela graça de Deus nem a Morte que a tudo destrói, nem decrepitude que causa a decadência do corpo, tem algum poder sobre ti! Quando nem o sol, nem a lua, nem fogo, nem terra, nem ar, nem céu permanecem, quando todo o mundo sendo destruído parece com um oceano vasto, quando os Deuses e Asuras e os grandes Uragas estão aniquilados, e quando Brahma de grande mente, o Senhor de todas as criaturas, tomando seu assento em uma flor de lótus, dorme lá, então só tu permaneces para adorá-lo! E, ó melhor de Brahman, assim tu viste tudo isto que ocorreu antes, com teus próprios olhos. E somente tu testemunhaste muitas coisas por meio dos sentidos, e nunca em todos os mundos houve qualquer coisa desconhecida para ti! Portanto eu anseio ouvir algum discurso explicando as causas das coisas!'” "Markandeya respondeu, 'De fato, eu explicarei tudo, depois de ter reverenciado aquele Ser existente por Si Mesmo, Primordial, que é eterno e sem deterioração e inconcebível, e que é ao mesmo tempo investido com e privado de atributos. Ó tigre entre homens, este Janardana vestido em mantos amarelos é o grande Movedor e Criador de tudo, a Alma e Modelador de todas coisas, e o senhor de tudo! Ele é também chamado de o Grandioso, o Incompreensível, o Maravilhoso e o Impecável. Ele é sem início e sem fim, permeia o mundo inteiro, é Imutável e sem deterioração. Ele é o Criador de tudo, mas é ele mesmo incriado e é a Causa de todo o poder. Seu conhecimento é maior do que aquele de todos os deuses juntos. Ó melhor dos reis e mais preeminente dos homens, depois da dissolução do universo, toda esta criação maravilhosa vem à existência novamente. Quatro mil anos são citados como constituindo o Krita Yuga. Seu amanhecer também, assim como sua noite, são citados como compreendendo quatrocentos anos. O Treta-Yuga é mencionado como compreendendo três mil anos, e sua alvorada, assim como sua noite, são citadas como compreendendo trezentos anos. O Yuga que vem em seguida é chamado de Dwapara, e este foi computado como consistindo em dois mil anos. Sua alvorada, assim como sua noite, são citadas como compreendendo duzentos anos. O próximo Yuga, chamado Kali, é mencionado como compreendendo mil anos e sua alvorada, assim como sua noite, são citadas como compreendendo cem anos. Saiba, ó rei, que a duração da alvorada é a mesma que aquela da noite de um Yuga. E depois que o Kali Yuga está terminado, o Krita Yuga vem novamente. Um ciclo dos Yugas assim compreende um período de doze mil anos. Mil de tais ciclos completos constituem um dia de Brahma. Ó tigre entre homens, quando todo este universo é recolhido e acomodado dentro do seu lar, o próprio Criador, aquele desaparecimento de todas as coisas é chamado pelos eruditos de Destruição Universal. Ó touro da raça Bharata, perto do fim do último período mencionado de mil anos, isto é, quando o período que falta para completar um ciclo é curto, os homens geralmente se tornam afeitos à falsidade em palavras. Ó filho de Pritha, então sacrifícios e doações e votos, em vez de serem realizados por dirigentes são permitidos serem realizados por representantes! Brahmanas então realizam ações que são reservadas aos Sudras, e os Sudras se dirigem à aquisição de riqueza. Então Kshatriyas também se dirigem à prática de ações religiosas. Na era Kali, os Brahmanas também se abstém de sacrifícios e do estudo dos Vedas, são privados de seu bastão e camurça, e em relação à comida se tornam onívoros. E, ó filho, os Brahmanas naquela era também se abstém de orações e meditação enquanto os Sudras se dirigem a estes! O rumo do mundo parece contrário, e de fato, estes são os sinais que prenunciam a Destruição Universal. E, ó senhor de homens, numerosos reis Mleccha então governam a terra! E aqueles monarcas pecaminosos, afeitos à palavras falsas, governam seus súditos conforme princípios que são falsos. Os Andhhas, os Sakas, os Pulindas, os Yavanas, os Kamvojas, os Valhikas e os Abhiras, então se tornam, ó melhor dos homens, possuidores de coragem e da soberania da terra. Este, ó tigre entre homens, se torna o estado do mundo durante a noite, ó Bharata, da era Kali! Nem um único Brahmana então adere aos deveres da sua classe. E os Kshatriyas e os Vaisyas também, ó monarca, seguem práticas contrárias àquelas que são apropriadas para suas próprias classes. E homens se tornam de vida curta, fracos em vigor, energia, e coragem; e dotados de pouco poder e corpos diminutos, eles se tornam raramente sinceros em palavras. E a população humana definha por grandes regiões de país, e as regiões da terra, Norte e Sul, e Leste e Oeste, ficam apinhadas com animais e bestas predadoras. E durante este período, aqueles também que divulgam Brahma fazem isso em vão. Os Sudras se dirigem a Brahmanas dizendo ‘Bho’, enquanto os Brahmanas se dirigem aos Sudras dizendo, ‘Respeitado Senhor’. E, ó tigre entre homens, no fim do Yuga, animais aumentam imensamente. E, ó rei, odores e perfumes então não se tornam tão agradáveis para o nosso sentido do olfato, e, ó tigre entre homens, o próprio sabor das coisas então não se harmoniza tão bem com nossos órgãos do paladar como em outras épocas! E, ó rei, mulheres então se tornam mães de filhos numerosos, dotados de estaturas baixas, e desprovidos de bom comportamento e boas maneiras. E elas também fazem suas próprias bocas servirem os propósitos do órgão de procriação. E a fome devasta as habitações dos homens, e as estradas são infestadas por mulheres de má fama, enquanto as mulheres em geral, ó rei, ficam em tais períodos hostis para com seus maridos e desprovidas de modéstia! E, ó rei, as próprias vacas em tais períodos produzem pouco leite, enquanto as árvores, com enxames de corvos pousados em cima, não produzem muitas flores e frutas. E, ó senhor da terra, as classes regeneradas, maculadas pelo pecado de matar Brahmanas, aceitam presentes de monarcas que são afeitos à falsidade em palavras. E cheios de cobiça e ignorância, e portando em seus corpos os símbolos externos de religião, eles saem em rondas de mendicância, afligindo as pessoas da Terra. E as pessoas que levam vidas familiares, temerosas da carga de impostos, se tornam enganadoras, enquanto Brahmanas, assumindo falsamente o traje de ascetas, ganham riqueza por comércio, com unhas e cabelos não aparados e não cortados. E, ó tigre entre homens, muitas das classes de duas vezes nascidos se tornam, por cobiça de riqueza, mendicantes religiosos da ordem Brahmacharin. E, ó monarca, os homens em tais períodos se comportam em desacordo com os modos de vida para os quais eles se dirigem, e viciados em bebidas embriagantes e capazes de violar os leitos de seus preceptores, seus desejos são todos deste mundo, procurando negócios que sirvam à carne e sangue. E, ó tigre entre homens, em tal período os retiros de ascetas ficam cheios de patifes pecaminosos e atrevidos sempre elogiando vidas de dependência. E o castigador ilustre de Paka nunca derrama chuva segundo as estações e as sementes também que são espalhadas sobre o solo, ó Bharata, não brotam todas. E os homens, pecaminosos em ação e pensamento, tem prazer na inveja e malícia. E, ó impecável, a terra então fica cheia de pecado e imoralidade. E, ó senhor da terra, aquele que se torna virtuoso em tais períodos não vive muito tempo. De fato, a terra se torna desprovida de virtude em todas as formas. E, ó tigre entre homens, os comerciantes e negociantes então cheios de astúcia, vendem quantidades grandes de artigos com pesos e medidas falsos. E aqueles que são virtuosos não prosperam; enquanto aqueles que são pecaminosos prosperam excessivamente. E a virtude perde sua força enquanto o pecado se torna todo poderoso. E os homens que são devotados à virtude tornam-se pobres e de vida curta; enquanto aqueles que são pecaminosos tornam-se de vida longa e ganham prosperidade. E em tais tempos as pessoas se comportam pecaminosamente até em lugares de diversão públicos em cidades e municípios. E os homens sempre procuram a realização de seus objetivos por meios que são pecaminosos. E tendo ganhado fortunas que são realmente pequenas eles ficam embriagados pelo orgulho de riqueza. E, ó monarca, muitos homens em tais períodos se esforçam para roubar a riqueza que por confiança foi depositada com eles em sigilo. E ligados a práticas pecaminosas eles sem qualquer vergonha declaram que não há nada em depósito. E animais predadores e outros animais e aves podem ser vistos deitarem em lugares de diversão públicos em cidades e municípios, assim como em edifícios sagrados. E, ó rei, meninas de sete ou oito anos de idade então concebem, enquanto meninos de dez ou doze anos geram prole. E no seu décimo sexto ano, os homens são tomados pela decrepitude e decadência e o período da própria vida é logo alcançado. E ó rei, quando os homens se tornam assim de vida curta, mais jovens agem como os idosos; enquanto tudo o que é observável no jovem pode ser notado no velho. E mulheres dadas à impropriedade de conduta e marcadas por maus modos enganam até o melhor dos maridos e se comportam de modo impróprio com criados e escravos e até com animais. E, ó rei, até mulheres que são esposas de heróis procuram a companhia de outros homens e se comportam de modo impróprio com estes durante o tempo de vida de seus maridos. Ó rei, perto do fim daqueles milhares de anos que constituem os quatro Yugas e quando as vidas dos homens se tornam tão curtas, ocorre uma seca que se estende por muitos anos. E então, ó senhor da terra, homens e criaturas dotados de pouca força e energia ficando famintos morrem aos milhares. E então, ó senhor de homens, sete Sóis ardentes, aparecendo no firmamento, absorvem todas as águas da Terra que se encontram em rios ou mares. E, ó touro da raça Bharata, então também tudo da natureza de madeira e erva, seja úmido ou seco, é consumido e reduzido à cinzas. E então, ó Bharata, o fogo chamado Samvartaka impelido pelos ventos aparece na terra que já foi secada até cinzas pelos sete Sóis. E então aquele fogo, penetrando pela Terra e fazendo seu aparecimento nas regiões inferiores também, produz grande terror nos corações dos deuses, dos Danavas e dos Yakshas. E, ó senhor da terra, consumindo as regiões inferiores como também tudo sobre esta Terra aquele fogo destrói todas as coisas em um momento. E aquele fogo chamado Samvartaka ajudado por aquele vento inauspicioso consome este mundo se estendendo por centenas e milhares de yojanas. E aquele senhor de todas as coisas, aquele fogo, brilhando em refulgência consome este universo com deuses e Asuras e Gandharvas e Yakshas e Cobras e Rakshasas. E lá se erguem no céu profundas massas de nuvens, parecendo com manadas de elefantes e decoradas com guirlandas de relâmpagos que são maravilhosos de se observar. E algumas daquelas nuvens são da cor do lótus azul; e algumas são da cor do nenúfar; e algumas parecem em matiz com os filamentos do lótus e algumas são púrpuras e algumas são amarelas como cúrcuma e algumas da cor do ovo dos corvos. E algumas são claras como pétalas de lótus e algumas vermelhas como cinabre. E algumas parecem com cidades suntuosas em forma e algumas com manadas de elefantes. E algumas são da forma de lagartos e algumas de crocodilos e tubarões. E, ó rei, as nuvens que se reúnem no céu na ocasião são terríveis de se contemplar e entretecidas com relâmpagos ribombam terrivelmente. E aquelas massas vaporosas, carregadas com chuva, logo cobrem o firmamento inteiro. E, ó rei, aquelas massas de vapor então inundam com água a terra inteira com suas montanhas e florestas e minas. E, ó touro entre homens, instigadas pelo Senhor Supremo aquelas nuvens, ribombando terrivelmente, logo inundam toda a superfície da terra. E despejando em uma grande quantidade de água e enchendo a terra inteira elas apagam aquele fogo inauspicioso terrível (do qual eu já te falei). E incitadas pelo Senhor ilustre aquelas nuvens enchem a terra com seu aguaceiro incessantemente por doze anos. E então, ó Bharata, o Oceano ultrapassa seus continentes, as montanhas se partem em fragmentos, e a Terra afunda sob a enchente crescente. E então movidas subitamente pelo ímpeto do vento, aquelas nuvens vagam por toda a extensão do firmamento e desaparecem de vista. E então, ó soberano de homens, o Senhor Auto-Criado, a primeira Causa de tudo, tendo sua residência no lótus, absorve aqueles ventos terríveis e adormece, ó Bharata! E então quando o universo se torna uma vastidão morta de água, quando todas as criaturas móveis e imóveis foram destruídas, quando os deuses e os Asuras cessam de existir, quando os Yakshas e os Rakshasas não existem mais, quando não há homens, quando árvores e animais predadores desapareceram, quando o próprio firmamento cessou de existir, eu sozinho, ó senhor da terra, vago em aflição. E, ó melhor dos reis, vagando sobre aquela extensão terrível de água meu coração fica aflito por eu não ver qualquer criatura! E, ó rei, vagando sem cessar por aquela inundação, eu fico fatigado, mas eu não alcanço lugar de descanso! E algum tempo depois eu vejo naquela extensão de águas acumuladas uma figueira de bengala vasta e totalmente espalhada, ó senhor da terra! E eu então contemplo, ó Bharata, sentado em uma concha, ó rei, coberto com um leito celeste e ligado a um ramo muito extenso daquela banian um menino, ó grande rei, de rosto formoso como o lótus ou a lua, e de olhos, ó soberano de homens, grandes como pétalas de um lótus totalmente desabrochado! E àquela visão, ó senhor da terra, a admiração encheu meu coração. E eu me perguntei, 'Como este menino repousa aqui sozinho quando o próprio mundo foi destruído?' E, ó rei, embora eu tenha o conhecimento completo do Passado, do Presente, e do Futuro, ainda assim eu fracassei em saber alguma coisa disto mesmo por meio de meditação ascética. Dotado do brilho da flor Atasi, e decorado com a marca de Sreevatsa, ele me parecia ser como a residência de Lakshmi, ela mesma. E aquele menino, de olhos como as pétalas do lótus, tendo a marca de Sreevatsa, e possuidor de resplendor brilhante, então se dirigiu a mim em palavras muito agradáveis ao ouvido, dizendo, 'Ó senhor, eu sei que tu estás fatigado e desejoso de descanso. Ó Markandeya da linhagem de Bhrigu, descanse aqui tanto quanto desejares. Ó melhor dos Munis, entrando dentro do meu corpo, descanse lá. Esta foi a residência designada para ti por mim. Eu estou satisfeito contigo.' Assim endereçado por aquele menino, um sentido de total desconsideração me possuiu em relação à minha vida longa e condição de humanidade. Então aquele menino de repente abriu sua boca, e como destino teria, eu entrei em sua boca privado do poder de movimento. Mas, ó rei, tendo entrado rapidamente no estômago daquele menino, eu vejo lá a terra inteira cheia de cidades e reinos. E, ó melhor dos homens, enquanto vagando pelo estômago daquele ilustre, eu vejo o Ganga, o Satudru, o Sita, o Yamuna, e o Kausiki; o Charmanwati, o Vetravati; o Chandrabhaga, o Saraswati, o Sindhu, o Vipasa, e o Godavari; o Vaswokasara, o Nalini e o Narmada; o Tamra, e o Venna também de correnteza encantadora e águas sagradas; o Suvenna, o Krishna-venna, o Irama, e o Mahanadi; o Vitasti, ó grande rei, e aquele rio grande, o Cavery; o único também, ó tigre entre homens, o Visalya, e o Kimpuna também. Eu vi todos estes e muitos outros rios que estão na terra! E, ó matador de inimigos, eu também contemplei lá o oceano habitado por jacarés e tubarões, aquela mina de pedras preciosas, aquela residência excelente de águas. E eu vi lá o firmamento também, decorado com o Sol e a Lua, brilhante em refulgência, e possuidor do esplendor do fogo do Sol. E eu contemplei lá, ó rei, a terra também, agraciada com bosques e florestas. E, ó monarca, eu vi lá muitos Brahmanas também, engajados em vários sacrifícios; e os Kshatriyas engajados em fazer o bem para todas as classes; e os Vaisyas empenhados em atividades de agricultura; e os Sudras dedicados ao serviço das classes regeneradas. E, ó rei, enquanto vagando pelo estômago daquele de grande alma, eu também contemplei o Himavat e as montanhas de Hemakuta. E eu também vi Nishada, e as montanhas de Sweta abundando em prata. E, ó rei, eu vi lá montanha Gandhamadana, e, ó tigre entre homens, também Mandara e as enormes montanhas de Nila. E, ó grande rei, eu vi lá as montanhas douradas de Meru e também Mahendra e aquelas montanhas excelentes chamadas de Vindhyas. E eu vi lá as montanhas de Malaya e de Paripatra também. Estas e muitas outras montanhas que estão sobre a terra foram todas vistas por mim no estômago dele. E todas elas estavam adornadas com jóias e pedras preciosas. E, ó monarca, enquanto vagava por seu estômago eu também vi leões e tigres e javalis e, de fato, todos os outros animais que se encontram na terra, ó grande rei! Ó tigre entre homens, tendo entrado em seu estômago, conforme eu andava em volta, eu também vi a tribo inteira dos deuses com seu chefe Sakra, os Sadhyas, os Rudras, os Adityas, os Guhyakas, os Pitris, as Cobras e os Nagas, as tribos emplumadas, os Vasus, os Aswins, os Gandharvas, as Apsaras, os Yakshas, os Rishis, as hordas dos Daityas e dos Danavas, e os Nagas também. Ó rei, e os filhos de Singhika e todos os outros inimigos dos deuses; de fato, o que mais de criaturas móveis e imóveis que possam ser vistas na terra, foram todas vistas por mim, ó monarca, dentro do estômago daquele de grande alma. E, ó senhor, vivendo de frutas eu morei dentro do seu corpo por muitos séculos vagando pelo universo inteiro que se encontra lá. Ainda assim eu nunca, ó rei, vi os limites de seu corpo. E quando, ó senhor da terra, eu fracassei em medir os limites do corpo daquele de grande alma, mesmo que eu vagasse dentro dele continuamente em grande ansiedade de mente, eu então, em pensamentos e ações procurei a proteção daquela Divindade concessora de bênçãos e preeminente, reconhecendo devidamente sua superioridade. E quando eu fiz isto, ó rei, eu fui projetado de repente (de dentro do seu corpo) através da boca aberta daquele de grande alma por meio, ó chefe de homens, de uma rajada de vento. E, ó rei, eu então vi sentado no ramo daquela mesma figueira aquele mesmo Ser de energia incomensurável, na forma de um menino com a marca de Sreevatsa (em seu peito) tendo, ó tigre entre homens, engolido o universo inteiro. E aquele menino de refulgência brilhante e portanto a marca de Sreevatsa e vestido em trajes amarelos, satisfeito comigo, dirigiu-se a mim sorridente, dizendo, 'Ó Markandeya, ó melhor dos Munis, tendo morado por algum tempo dentro do meu corpo tu ficaste cansado! Eu todavia falarei para ti.' E quando ele disse isto para mim, naquele mesmo momento eu adquiri uma nova visão, por assim dizer, por consequência da qual eu vi a mim mesmo como sendo possuidor de conhecimento verdadeiro e emancipado das ilusões do mundo. E, ó filho, tendo testemunhado o poder inesgotável daquele Ser de energia incomensurável, eu então cultuei seus pés veneráveis e bem proporcionados com solas claras como cobre polido e bem decorado com dedos de cor vermelha suave, colocando-os cuidadosamente sobre minha cabeça e unindo minhas palmas em humildade e me aproximando dele com reverência. Eu contemplei aquele Ser Divino que é a alma de todas as coisas e cujos olhos são semelhantes a pétalas de lótus. E tendo me curvado a ele com mãos unidas eu me dirigi a ele dizendo, 'Eu desejo te conhecer, ó Ser Divino, como também esta tua ilusão sublime e maravilhosa! Ó ilustre, tendo entrado no teu corpo através da tua boca, eu vi o universo inteiro no teu estômago! Ó Ser Divino, os deuses, os Danavas e os Rakshasas, os Yakshas, os Gandharvas, e os Nagas, de fato, todo o universo móvel e imóvel, está todo dentro do teu corpo! E embora eu tenha vagado incessantemente pelo teu corpo em um passo rápido, pela tua graça, ó Deus, minha memória não me falhou. E, ó grande senhor, eu saí do teu corpo pelo teu desejo mas não pelo meu! Ó tu de olhos parecidos com folhas de lótus, eu desejo conhecer a ti que estás livre de todas as falhas! Por que tu ficas aqui na forma de um menino tendo consumido o inteiro universo? Cabe a ti explicar tudo isto para mim. Por que, ó impecável, o universo inteiro está dentro do teu corpo? Por quanto tempo também, ó castigador de inimigos, tu ficarás aqui? Incitado por uma curiosidade que não é imprópria para Brahmanas, eu desejo, ó Senhor de todos os deuses, ouvir tudo isto de ti, ó tu de olhos como folhas de lótus, com todos os detalhes e exatamente como isto tudo acontece, pois tudo o que eu tenho visto, ó Senhor, é extraordinário e inconcebível!' E assim endereçada por mim aquela divindade das divindades, de refulgência brilhante e grande beleza, aquele principal de todos os oradores me confortando adequadamente, falou-me estas palavras.’" 188 "Markandeya continuou, 'A Divindade então disse, 'Ó Brahmana, nem os deuses me conhecem realmente! Como no entanto, eu estou satisfeito contigo, eu te direi como eu criei o universo! Ó Rishi regenerado, tu és devotado aos teus antepassados e tu também procuraste minha proteção! Tu também me viste com teus olhos, e teu mérito ascético também é grande! Nos tempos antigos eu chamei as águas pelo nome de Nara; e porque as águas tem sempre sido meu ayana ou lar, portanto eu sou chamado de Narayana (o que vive na água). Ó melhor dos regenerados, eu sou Narayana, a Fonte de todas as coisas, o Eterno, o Imutável. Eu sou o Criador de todas as coisas, e o Destruidor também de tudo. Eu sou Vishnu, Eu sou Brahma e Eu sou Sakra, o chefe dos deuses. Eu sou o rei Vaisravana, e Eu sou Yama, o senhor dos espíritos mortos. Eu sou Siva, Eu sou Soma, e Eu sou Kasyapa o senhor das coisas criadas. E, ó melhor dos regenerados, Eu sou aquele chamado Dhatri, e aquele também que é chamado Vidhatri, e Eu sou o Sacrifício incorporado. O fogo é minha boca, a terra meus pés, e o Sol e a Lua são meus olhos; o Céu é a coroa da minha cabeça, o firmamento e os pontos cardeais são meus ouvidos; as águas são geradas do meu suor. O espaço com os pontos cardeais são meu corpo, e o Ar é minha mente. Eu tenho realizado muitas centenas de sacrifícios com presentes em profusão. Eu estou sempre presente nos sacrifícios dos deuses; e aqueles que são conhecedores dos Vedas e oficiam neles fazem suas oferendas para mim. Sobre a terra os chefes Kshatriya que governam sobre homens, ao realizarem seus sacrifícios pelo desejo de alcançar o céu, e os Vaisyas também ao realizarem os deles pelo desejo de ganhar aquelas regiões felizes, todos cultuam a mim em tais momentos e por aqueles cerimoniais. Sou Eu quem, assumindo a forma de Sesha sustento (sobre minha cabeça) esta terra limitada pelos quatro mares e decorada por Meru e Mandara. E, ó regenerado, sou Eu quem, assumindo a forma de um javali, ergui nos tempos passados esta terra afundada em água. E, ó melhor dos Brahmanas, sou Eu quem, me tornando o fogo que emerge da boca Equina, absorvo as águas (do oceano) e as crio novamente. Por causa da minha energia, da minha boca, meus braços, minhas coxas, e meus pés gradualmente surgem Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas e Sudras. É de mim que o Rik, o Sama, os Yajus, e o Atharvan Vedas surgem, e é em mim que eles todos entram quando chega a hora. Brahmanas dedicados ao ascetismo, eles que valorizam a Paz como o atributo mais elevado, eles que tem suas almas sob completo controle, eles que são desejosos de conhecimento, eles que estão livres de luxúria e cólera e inveja, eles que não são ligados às coisas da terra, eles que tem seus pecados completamente purificados, eles que são possuidores de bondade e virtude, e que são desprovidos de orgulho, eles que tem um conhecimento completo da Alma, todos me adoram com meditação profunda. Eu sou a chama conhecida como Samvartaka, Eu sou o Vento chamado por aquele nome, Eu sou o Sol que usa aquele título, e Eu sou o fogo que tem aquela designação. E, ó melhor dos Brahmanas, aquelas coisas que são vistas no firmamento como estrelas, saiba que elas são os poros da minha pele. O oceano, aquelas minas de pedras preciosas e os quatro pontos cardeais, saiba, ó Brahmana, são meus mantos, meu leito, e meu lar. Por mim eles foram distribuídos para servir aos propósitos dos deuses. E, ó melhor dos homens, saiba também que luxúria, cólera, alegria, medo, e obscurecimento do intelecto, são todos formas diferentes de mim mesmo. E, ó Brahmana, o que quer que seja obtido por homens pela prática da verdade, caridade, austeridades ascéticas, e paz e inofensividade em direção a todas as criaturas, e tais outros feitos belos, é obtido por causa dos meus arranjos. Governados por minha ordenança, os homens vagam dentro do meu corpo, seus sentidos subjugados por mim. Eles não se movimentam de acordo com sua vontade mas como eles são movidos por mim. Brahmanas regenerados que estudaram os Vedas inteiramente, que tem tranquilidade em suas almas, eles que subjugam sua raiva obtém uma grande recompensa por meio de seus sacrifícios numerosos. Aquela recompensa, no entanto, é inalcançável por homens que são pecaminosos em seus atos, dominados pela cobiça, vis e infames com almas profanas e impuras. Portanto, tu deves saber, ó Brahmana que a recompensa que é obtida por pessoas que tem suas almas sob controle e que é não é obtenível pelos ignorantes e os tolos, ela que é alcançável somente pelo ascetismo, é produtiva de mérito superior. E, ó melhor dos homens, naqueles tempos quando a virtude e moralidade diminuem e o pecado e imoralidade aumentam, eu crio a mim mesmo em novas formas. E, ó Muni, quando Daityas e Rakshasas ferozes e maliciosos que não podem ser mortos nem pelos principais dos deuses nascem na terra, eu então tomo meu nascimento nas famílias de homens virtuosos, e assumindo corpo humano restauro a tranquilidade por exterminar todos os males. Movido por meu próprio maya, eu crio deuses e homens, e Gandharvas e Rakshasas, e todas as coisas imóveis e então eu mesmo as destruo todas (quando chega a hora). Para a conservação da retidão e moralidade eu assumo uma forma humana, e quando chega a época para a ação, eu novamente assumo formas que são inconcebíveis. Na era Krita eu me torno branco, na era Treta eu me torno amarelo, na Dwapara eu me torno vermelho e na era Kali eu me torno escuro em cor. Na era Kali, a proporção de imoralidade se torna três quartos, (um quarto somente sendo aquela de moralidade). E quando chega o fim do Yuga, assumindo a forma feroz da Morte, sozinho eu destruo todos os três mundos com suas existências móveis e imóveis. Com três passos, Eu cubro todo o Universo; Eu sou a Alma do universo; Eu sou a fonte de toda felicidade; Eu sou aquele que humilha todo orgulho; Eu sou onipresente; Eu sou infinito; Eu sou o Senhor dos sentidos; e minha destreza é grande. Ó Brahmana, sozinho eu coloco em movimento a roda do Tempo; Eu sou informe; Eu sou o Destruidor de todas as criaturas; e Eu sou a causa de todos os esforços de todas as minhas criaturas. Ó melhor dos Munis, minha alma permeia completamente todas as minhas criaturas, mas, ó principal de todos os regenerados, ninguém me conhece. É a mim que os religiosos e devotados cultuam em todos os mundos. Ó regenerado, qualquer dor que tu tenhas sentido dentro do meu estômago, saiba, ó impecável, que tudo aquilo é para tua felicidade e prosperidade. E quaisquer objetos móveis e imóveis que tu tenhas visto no mundo, tudo tem sido ordenado por minha Alma que é a Fonte de toda existência. O avô de todas as criaturas é metade do meu corpo; Eu sou chamado de Narayana, e Eu sou portador da concha, do disco e da maça. Ó Rishi regenerado, por um período medido por mil vezes a duração dos Yugas, Eu que sou a Alma Universal durmo submergindo todas as criaturas em insensibilidade. E, ó melhor dos Rishis regenerados, Eu fico aqui dessa maneira por todo o tempo, na forma de um menino embora Eu seja velho, até Brahma acordar. Ó principal dos Brahmanas, satisfeito contigo, Eu que sou Brahma tenho repetidamente te concedido bênçãos, ó tu que és venerado por Rishis regenerados! Contemplando uma vasta extensão de água e vendo que todas as criaturas móveis e imóveis tinham sido destruídas, tu foste afligido pela melancolia. Eu sei disso, e é por isso que eu te mostrei o universo (dentro do meu estômago). E enquanto estavas dentro do meu corpo, contemplando o universo inteiro, tu ficaste cheio de admiração e privado da tua razão. Ó Rishi regenerado, foi por isso que tu fostes rapidamente trazido para fora por mim através da minha boca. Eu (agora) te falei daquela Alma a qual é incapaz de ser compreendida pelos deuses e os Asuras. E enquanto aquele grande asceta, o santo Brahma, não acordar, tu, ó Rishi regenerado, podes morar aqui alegremente e confiantemente. E quando aquele Avô de todas as criaturas acordar, Eu então, ó melhor dos Brahmanas, criarei sozinho todas as criaturas dotadas de corpos, o firmamento, a terra, luz, a atmosfera, água, e de fato tudo mais de criaturas móveis e imóveis (que tu podes ter visto) sobre a terra!'” “Markandeya continuou, 'Tendo dito isso para mim aquela Divindade maravilhosa desapareceu, ó filho, da minha visão! Eu então vi esta criação variada e extraordinária começar a existir. Ó rei, ó tu principal da raça Bharata, eu testemunhei tudo isso, tão extraordinário, ó tu principal de todos os homens virtuosos, no fim do Yuga! E a Divindade de olhos grandes como folhas de lótus, vista por mim nos tempos passados é este tigre entre homens, este Janardana que se tornou teu parente! É por causa da bênção concedida a mim por ele que a memória não me falha, que o período da minha vida, ó filho de Kunti, é tão longo e a própria morte está sob meu controle. Este é aquele Senhor Hari supremo e antigo de alma inconcebível que tomou seu nascimento como Krishna da linhagem Vrishni, e que dotado de braços poderosos, parece se divertir neste mundo! Este é Dhatri e Vidhatri, o Destruidor de tudo, o Eterno, o portador da marca Sreevatsa em seu peito, o Senhor do senhor de todas as criaturas, o mais sublime dos sublimes, chamado também de Govinda! Contemplando este principal de todos os deuses, este Ser sempre vitorioso, vestido em mantos amarelos, este chefe da raça Vrishni, minha recordação volta para mim! Este Madhava é o pai e a mãe de todas as criaturas! Ó touros da linhagem Kuru, procurem o amparo deste Protetor!'” Vaisampayana continuou, "Assim endereçados, os filhos de Pritha e aqueles touros entre homens, os irmãos, junto com Draupadi, todos reverenciaram Janardana. E aquele tigre entre homens digno de todo o respeito assim reverenciado pelos filhos de Pandu então confortou eles todos com palavras de grande brandura." 189 "Vaisampayana disse, ‘Yudhishthira, o filho de Kunti, mais uma vez questionou o grande Muni Markandeya acerca do futuro rumo do governo da Terra. E Yudhishthira disse, 'Ó tu principal de todos os oradores, ó Muni da linhagem de Bhrigu, isto que nós ouvimos de ti sobre a destruição e renascimento de todas as coisas no fim do Yuga, é, de fato, cheio de maravilha! Eu estou cheio de curiosidade, no entanto, a respeito do que pode acontecer na era Kali. Quando a moralidade e virtude estiverem no fim, o que restará lá? Qual será a destreza dos homens naquela era, qual sua alimentação, e quais suas diversões? Qual será o período de vida no fim do Yuga? Qual também é o limite, tendo alcançado o qual a era Krita começará de novo? Conte-me tudo em detalhes, ó Muni, pois tudo o que tu narraste é variado e encantador.' Assim endereçado, aquele principal dos Munis começou seu discurso novamente, encantando aquele tigre da linhagem Vrishni e os filhos de Pandu também. E Markandeya disse, 'Escute, ó monarca, a tudo o que foi visto e ouvido por mim, e a tudo, ó rei de reis, que foi sabido por mim por meio de intuição pela graça do Deus dos deuses! Ó touro da raça Bharata, ouça-me enquanto eu narro a história futura do mundo durante a era pecaminosa. Ó touro da raça Bharata, na era Krita tudo era livre de falsidade e astúcia e avareza e cobiça; e a moralidade era como um touro entre homens, com todas as quatro pernas completas. Na era Treta o pecado tirou uma daquelas pernas e a moralidade tinha três pernas. Na Dwapara, o pecado e a moralidade estão misturados meio a meio; e consequentemente a moralidade é citada como tendo duas pernas somente. Na era escura (de Kali), ó tu melhor da raça Bharata, a moralidade misturada com três partes de pecado vive ao lado dos homens. Consequentemente a moralidade então é dita como servindo os homens com somente uma quarta parte restante de si mesma. Saiba, ó Yudhishthira, que o período de vida, a energia, intelecto e a força física dos homens diminui em cada Yuga! Ó Pandava, os Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas e Sudras, (na era Kali) praticarão moralidade e virtude fraudulentamente e os homens em geral enganarão seus companheiros por espalharem a rede da virtude. E homens com reputação falsa de erudição, por suas ações, farão a Verdade ser restringida e escondida. E por causa da brevidade de suas vidas eles não serão capazes de adquirir muito conhecimento. E por consequência da pequenez de seu conhecimento, eles não terão sabedoria. E por isso a cobiça e a avareza dominarão eles todos. E ligados à avareza e cólera e ignorância e luxúria os homens nutrirão animosidades em direção uns aos outros, desejando tirar as vidas uns dos outros. E Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas com sua virtude contraída e privados de ascetismo e verdade serão todos reduzidos a uma igualdade com os Sudras. E as classes mais baixas de homens se elevarão para a posição das intermediárias, e aquelas em posições intermediárias descerão, sem dúvida, ao nível das mais inferiores. Este mesmo, ó Yudhishthira, se tornará o estado do mundo no fim do Yuga. Dos mantos serão considerados os melhores aqueles que são feitos de linho e dos grãos o Paspalum frumentacea será considerado o melhor. Perto deste período os homens considerarão suas esposas (somente) como suas amigas. E homens viverão de peixe e leite, cabras e ovelhas, pois as vacas estarão extintas. E perto daquela época até aqueles que são sempre cumpridores de votos se tornarão cobiçosos. E antagônicos uns aos outros, os homens procurarão, em tal época, tirar as vidas uns dos outros; e privadas de Yuga as pessoas se tornarão ateus e ladrões. E elas até cavarão as margens de rios com suas pás e semearão grãos nelas. E mesmo aqueles locais virão a ser estéreis para eles em tal época. E aqueles homens que são dedicados a ritos cerimoniais em honra dos falecidos e dos deuses serão avarentos e também se apropriarão e desfrutarão do que pertence a outros. O pai desfrutará do que pertence ao filho; e o filho, do que pertence ao pai. E também serão desfrutadas por homens em tais tempos aquelas coisas cujo desfrute é proibido nas escrituras. E os Brahmanas, falando desrespeitosamente dos Vedas, não praticarão votos, e com sua compreensão obscurecida pela ciência de discussão, eles não mais realizarão sacrifícios e o Homa. E enganados pela falsa ciência de argumentações, eles direcionarão seus corações para tudo (o que for) vil e baixo. E homens lavrarão terras pobres para cultivo e empregarão vacas e bezerros de um ano de idade para puxar o arado e carregar cargas. E filhos tendo matado seus pais, e pais tendo matado seus filhos não incorrerão em opróbrio. E eles frequentemente se salvarão de ansiedade por tais feitos e até se jactarão sobre eles. E o mundo inteiro estará cheio com comportamento e noções e cerimônias mleccha, e os sacrifícios cessarão e a alegria não estará em lugar nenhum e o júbilo geral desaparecerá. E homens roubarão as posses de pessoas desamparadas, daquelas que não tem amigos e de sábios também. E, possuidores de pouca energia e força, sem conhecimento e dados à avareza e loucura e práticas pecaminosas os homens aceitarão com alegria os presentes feitos por pessoas más com palavras de desprezo. E, ó filho de Kunti, os reis da terra, com corações ligados ao pecado sem conhecimento e sempre vaidosos de sua sabedoria desafiarão uns aos outros desejando tirar a vida uns dos outros. E os Kshatriyas também perto do fim de tal período se tornarão os tormentos da terra. E cheios de avareza e se enchendo de orgulho e vaidade e, incapazes e sem vontade de proteger (seus súditos), eles terão prazer somente em infligir punições. E atacando e repetindo seus ataques sobre os bons e os honestos, e não sentindo compaixão pelos últimos, mesmo quando eles gritarem em angústia, os Kshatriyas roubarão deles, ó Bharata, suas esposas e riquezas. E ninguém pedirá uma moça (para propósitos de casamento) e ninguém entregará uma moça (para tais propósitos), mas as próprias moças escolherão seus maridos, quando o fim do Yuga chegar. E os reis da terra com almas mergulhadas em ignorância, e descontentes com que eles tiverem, em tal época roubarão seus súditos por todos os meios em seu poder. E sem dúvida o mundo inteiro será tornado mleccha. E quando o fim do Yuga chegar, a mão direita enganará a esquerda; e a esquerda, a direita. E homens com falsa reputação de erudição limitarão a Verdade e os velhos mostrarão a insensatez dos jovens, e os jovens mostrarão a caducidade dos velhos. E covardes terão a reputação de coragem e os valentes serão desanimados como covardes. E perto do fim do Yuga os homens cessarão de confiar uns nos outros. E cheio de avareza e tolice o mundo inteiro terá somente um tipo de alimento. E o pecado aumentará e prosperará, enquanto a virtude enfraquecerá e cessará de prosperar. E Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas desaparecerão, não deixando, ó rei, restos de suas classes. E todos os homens perto do fim do Yuga se tornarão membros de uma classe comum, sem distinção de qualquer tipo. E pais não perdoarão filhos, e filhos não perdoarão pais. E quando o fim se aproximar, as esposas não servirão e cuidarão de seus maridos. E em tal época os homens procurarão aqueles países onde trigo e cevada formam o principal alimento. E, ó monarca, ambos homens e mulheres se tornarão perfeitamente livres em seu comportamento e não tolerarão os atos uns dos outros. E, ó Yudhishthira, o mundo inteiro será tornado mleccha. E os homens cessarão de gratificar os deuses por meio de oferendas de Sraddhas. E ninguém escutará as palavras de outros e ninguém será considerado como um preceptor por outro. E, ó soberano de homens, escuridão intelectual envolverá a terra inteira, e a vida do homem então será medida por dezesseis anos, ao alcançar esta idade a morte se seguirá. E meninas de cinco ou seis anos de idade gerarão crianças e meninos de sete ou oito anos de idade se tornarão pais. E, ó tigre entre reis, quando chegar o fim do Yuga, a esposa nunca estará satisfeita com seu marido, nem o marido com sua esposa. E as posses dos homens nunca serão muito, e as pessoas portarão falsamente os símbolos de religião, e ciúmes e malícia encherão o mundo. E ninguém será, naquele tempo, um doador (de riqueza ou qualquer coisa mais) em relação a alguém mais. E as regiões habitadas da terra serão afligidas com escassez e fome, e as estradas estarão cheias de homens lascivos e mulheres de má reputação. E, em tal época, as mulheres também nutrirão uma aversão em direção a seus maridos. E sem dúvida todos os homens adotarão o comportamento dos mlecchas, se tornarão onívoros sem distinção, e cruéis em todas as suas ações, quando chegar o fim do Yuga. E, ó tu principal dos Bharatas, incitados pela avareza, os homens, naquele tempo, enganarão uns aos outros quando eles venderem e comprarem. E sem um conhecimento da ordenança, os homens realizarão cerimônias e ritos, e, de fato, se comportarão como lhes agradar quando chegar o fim do Yuga. E quando vier o fim do Yuga, incitados por suas próprias disposições, os homens agirão cruelmente, e falarão mal uns dos outros. E as pessoas destruirão, sem remorso, árvores e jardins. E os homens estarão cheios de ansiedade com relação aos meios de vida. E, ó rei, dominados pela cobiça, os homens matarão Brahmanas e se apropriarão e desfrutarão das posses de suas vítimas. E os regenerados, oprimidos por Sudras, e afligidos pelo medo, e gritando ‘Oh’ e ‘Ai’, vagarão pela terra sem ninguém para protegê-los. E quando os homens começarem a matar uns aos outros, e se tornarem maus e violentos e sem qualquer respeito pela vida animal, então o Yuga acabará. E, ó rei, até os principais dos regenerados, afligidos por ladrões fugirão como corvos, em terror e com velocidade, e procurarão proteção, ó perpetuador da linhagem Kuru, em rios e montanhas e regiões inacessíveis. E sempre oprimidos por maus soberanos com cargas de impostos, as principais das classes regeneradas, ó senhor da terra, naqueles tempos terríveis, perderão toda a paciência e farão ações impróprias por se tornarem até empregados dos Sudras. E Sudras explicarão as escrituras, e Brahmanas servirão e escutarão a eles, e determinarão seu rumo de dever aceitando tais interpretações como seus guias. E o inferior se tornará o superior, e a direção das coisas parecerá contrária. E renunciando aos deuses, os homens cultuarão ossos e outras relíquias depositadas dentro de paredes. E, no fim do Yuga, os Sudras cessarão de servir e trabalhar para os Brahmanas. E nos retiros de grandes Rishis, e nas instituições de ensino dos Brahmanas, e em lugares sagrados para os deuses e áreas sacrificais, e em tanques sagrados, a terra estará desfigurada com tumbas e pilares contendo relíquias ósseas e não agraciados com templos dedicados aos deuses. Tudo isto se realizará no fim do Yuga, e saiba que estes são os sinais do fim do Yuga. E quando os homens se tornarem violentos e desprovidos de virtude e carnívoros e viciados em bebidas intoxicantes, então o Yuga acabará. E, ó monarca, quando flores forem geradas dentro de flores, e frutas dentro de frutas, então o Yuga acabará. E as nuvens derramarão chuva fora de época quando o fim do Yuga se aproximar. E, naquele tempo, os ritos cerimoniais dos homens não seguirão uns aos outros na ordem devida, e os Sudras disputarão com os Brahmanas. E a terra logo estará cheia de mlecchas, e os Brahmanas fugirão para todas as direções por medo da carga de impostos. E todas as distinções entre os homens cessarão em relação à conduta e comportamento, e afligidas com tarefas e ofícios remunerados as pessoas fugirão para retiros arborizados, subsistindo de frutas e raízes. E o mundo estará tão atormentado que a retidão de conduta cessará de ser mostrada em qualquer lugar. E discípulos desprezarão as instruções de preceptores, e procurarão até feri-los. E preceptores empobrecidos serão desrespeitados por homens. E amigos e parentes e aparentados realizarão préstimos cordiais somente por causa da riqueza que é possuída por uma pessoa. E quando vier o fim do Yuga, todos estarão na pobreza. E todos os pontos do horizonte estarão flamejantes, e as estrelas e grupos estelares estarão desprovidos de brilho, e os planetas e conjunções planetárias serão inauspiciosos. E a direção dos ventos será confusa e agitada, e inúmeros meteoros flamejarão pelo céu, pressagiando mal. E o Sol aparecerá com seis outros do mesmo tipo. E tudo em volta será estrondo e tumulto, e em todos os lugares haverá conflagrações. E o Sol, da hora do seu nascimento até aquela de se pôr, estará envolvido por Rahu. E a divindade de mil olhos derramará chuva fora de época. E quando o fim do Yuga chegar, as colheitas não crescerão em abundância. E as mulheres sempre serão severas em palavras e impiedosas e gostarão de lamentar. E elas nunca aceitarão as ordens de seus maridos. E quando o fim do Yuga vier filhos matarão os pais e mães. E mulheres, vivendo descontroladas, matarão seus maridos e filhos. E, ó rei, quando o fim do Yuga chegar Rahu engolirá o Sol fora de época. E fogos queimarão por toda parte. E viajantes incapazes de obter comida e bebida e abrigo mesmo quando eles pedirem por estes, deitarão na beira da estrada se abstendo de insistir em suas solicitações. E quando o fim do Yuga vier, corvos e cobras e urubus e milhafres (aves de rapina da família dos Falconídeos) e outros animais e aves proferirão gritos terríveis e dissonantes. E quando o fim do Yuga chegar homens abandonarão e negligenciarão seus amigos e parentes e servidores. E, ó monarca, quando o fim do Yuga chegar homens abandonando os países e direções e cidades e municípios de sua ocupação, procurarão por novos, um depois do outro. E as pessoas vagarão pela terra, proferindo, 'Ó pai, Ó filho', e outros gritos semelhantes terríveis e de partir (o coração). E quando aqueles tempos terríveis estiverem terminados, a criação começará de novo. E os homens serão criados novamente e distribuídos nas quatro classes iniciando com Brahmanas. E por volta daquele tempo, para que os homens possam aumentar, a Divina Providência, segundo sua vontade, mais uma vez se tornará propícia. E então quando o Sol, a Lua, e Vrihaspati, com a constelação Pushya (Pushya é a oitava constelação lunar, consistindo de três estrelas, das quais uma é Câncer), entrarem no mesmo signo, a era Krita começará outra vez. E as nuvens começarão a derramar chuva de acordo com a estação, e as estrelas e conjunções estelares se tornarão auspiciosas. E os planetas, girando devidamente em suas órbitas, se tornarão extremamente propícios. E por toda parte haverá prosperidade e abundância e saúde e paz. E incumbido pelo Tempo, um Brahmana de nome Kalki tomará seu nascimento. E ele glorificará Vishnu e possuirá grande energia, grande inteligência, e grande coragem. E ele tomará seu nascimento em uma cidade de nome Sambhala em uma família Brahmana auspiciosa. E veículos e armas, e guerreiros e armas, e cotas de malha estarão à sua disposição logo que ele pensar neles. E ele será o rei dos reis, e sempre vitorioso com a força da virtude. E ele restaurará a ordem e a paz neste mundo apinhado com criaturas e contraditório em seu rumo. E aquele Brahmana resplandecente de intelecto poderoso, tendo aparecido, destruirá todas as coisas. E ele será o Destruidor de tudo, e inaugurará um novo Yuga. E cercado pelos Brahmanas, aquele Brahmana exterminará todos os mlecchas onde quer que aquelas pessoas baixas e desprezíveis possam se refugiar." 190 "Markandeya continuou, 'Tendo exterminado os ladrões e assaltantes, Kalki doará, em um grande Sacrifício de Cavalo, devidamente esta terra aos Brahmanas, e tendo estabelecido de novo a retidão abençoada ordenada pelo Auto-criado, Kalki, de atos sagrados e reputação ilustre, entrará em uma floresta encantadora, e as pessoas desta terra imitarão sua conduta, e quando os Brahmanas tiverem exterminado os ladrões e assaltantes haverá prosperidade em todos os lugares (sobre a terra). E quando os países da terra forem subjugados um depois do outro, aquele tigre entre os Brahmanas, Kalki, tendo colocado camurças e lanças e tridentes lá, vagará pela terra, adorado por Brahmanas principais e mostrando seu respeito por eles e engajado todo o tempo em matar ladrões e assaltantes. E ele exterminará os ladrões e assaltantes em meio a gritos de partir o coração de 'Oh pai!' 'Oh mãe! 'Ó filho!' e semelhantes, e ó Bharata, quando o pecado tiver sido erradicado dessa maneira e a virtude prosperar na chegada da era Krita, os homens se dirigirão novamente à prática de ritos religiosos. E na era que iniciará, isto é, a Krita, jardins bem plantados e áreas sacrificais e tanques grandes e centros educacionais para a cultura de saber Brahmânico e lagos pequenos e templos reaparecerão em todos os lugares. E as cerimônias e ritos de sacrifícios também começarão a ser realizados. E os Brahmanas se tornarão bons e honestos, e os regenerados, dedicados a austeridades ascéticas, se tornarão Munis e os retiros de ascetas, os quais antes estavam cheios de patifes, mais uma vez serão lares de homens dedicados à verdade, e os homens em geral começarão a honrar e praticar a verdade. E todas as sementes, semeadas na terra, crescerão, e, ó monarca, todas as espécies de colheitas crescerão em todas as estações. E os homens praticarão caridade e votos e observâncias devotadamente, e os Brahmanas dedicados à meditação e sacrifícios serão de alma virtuosa e sempre alegres, e os governantes da terra governarão seus reinos virtuosamente, e na era Krita, os Vaisyas serão dedicados às práticas da sua classe. E os Brahmanas serão dedicados aos seus deveres sêxtuplos (de estudo, ensino, desempenho de sacrifícios por sua própria conta, oficiar em sacrifícios realizados por outros, caridade e aceitação de doações), e os Kshatriyas serão dedicados a atos de coragem. E Sudras estarão dedicados ao serviço das três classes (superiores). Estes, ó Yudhishthira, são os rumos das eras Krita, Treta, Dwapara e da era seguinte. Eu agora narrei tudo para ti. Eu também te falei, ó filho de Pandu, os períodos abarcados pelos vários Yugas como geralmente conhecidos. Eu agora te disse tudo concernente ao passado e o futuro como narrados por Vayu no Purana (que recebe seu nome e) que é venerado pelos Rishis. Sendo imortal eu vi muitas vezes e averiguei de outras maneiras os caminhos do mundo. De fato, tudo o que eu vi e senti eu agora te disse. E, ó tu de glória imperecível, escute agora com teus irmãos a algo mais que eu logo te direi para aclarar tuas dúvidas sobre religião! Ó tu principal dos homens virtuosos, tu deves sempre fixar tua alma na virtude, pois, ó monarca, uma pessoa de alma virtuosa obtém felicidade aqui e após a morte. E, ó impecável, ouça as palavras auspiciosas que eu agora falarei para ti. Nunca humilhe um Brahmana, pois um Brahmana, se zangado, pode por seu voto destruir os três mundos.’" Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras de Markandeya, o chefe real dos Kurus, dotado de inteligência e possuidor de grande brilho, falou estas palavras de grande sabedoria, 'Ó Muni, se eu devo proteger meus súditos, à qual conduta eu devo aderir? E como eu devo me comportar para não me afastar dos deveres da minha classe?'” "Markandeya, ouvindo isto, respondeu, 'Seja piedoso para todas as criaturas, e dedicado ao seu bem. Ame todas as criaturas, não desprezando nenhuma. Seja sincero em palavras, humilde, com paixões sob controle completo, e sempre dedicado à proteção do teu povo. Pratique a virtude e renuncie ao pecado, e cultue os espíritos dos mortos e os deuses, e o que quer que tu possas ter feito por ignorância ou descuido, purifique-os e expie-os por meio de caridade. Renunciando ao orgulho e vaidade, seja possuidor de humildade e bom comportamento. E subjugando a terra inteira, regozije-te e que a felicidade seja tua. Esta é a conduta que está em harmonia com a virtude. Eu narrei para ti tudo o que era e tudo o que será considerado como virtuoso. Não há nada concernente ao passado ou ao futuro que seja desconhecido para ti. Portanto, ó filho, não leve a sério este teu infortúnio atual. Aqueles que são sábios nunca são subjugados quando eles são perseguidos pelo Tempo. Ó tu de braços poderosos, os próprios habitantes do céu não podem se elevar acima do Tempo. O Tempo aflige todas as criaturas. Ó impecável, não deixe a dúvida cruzar tua mente com relação à verdade do que eu te disse, pois, se tu permitires que a dúvida entre no teu coração, tua virtude sofrerá diminuição! Ó touro da raça Bharata, tu és nascido na família célebre dos Kurus. Tu deves praticar aquilo que eu te disse, em pensamentos, palavras e ações.' Yudhishthira respondeu, ‘Ó tu principal dos regenerados, por tua ordem eu agirei sem dúvida de acordo com todas as instruções que tu me deste, e as quais, ó senhor, são todas tão agradáveis para os ouvidos. Ó principal dos Brahmanas, avareza e luxúria eu não tenho, e nem temor nem orgulho nem vaidade. Eu seguirei, portanto, ó senhor, tudo o que tu me disseste.’" Vaisampayana continuou, "Tendo escutado as palavras do inteligente Markandeya, os filhos de Pandu, ó rei, junto com o manejador do arco chamado Saranga, e todos aqueles touros entre os Brahmanas, e todos os outros que estavam lá, ficaram cheios de alegria. E tendo ouvido aquelas palavras abençoadas relacionadas aos tempos antigos, de Markandeya dotado de sabedoria, seus corações estavam cheios de admiração." 191 Janamejaya disse, "Cabe a ti narrar para mim integralmente a grandeza dos Brahmanas assim como o asceta poderoso Markandeya a explicou para os filhos de Pandu." "Vaisampayana disse, 'O filho mais velho de Pandu tinha questionado Markandeya dizendo, 'Cabe a ti me explicar a grandeza dos Brahmanas.' Markandeya respondeu a ele dizendo, 'Ouça, ó rei, acerca do comportamento dos Brahmanas antigamente.'” "E Markandeya continuou, 'Havia um rei de nome Parikshit em Ayodhya, pertencente à linhagem de Ikshvaku. E uma vez Parikshit foi caçar. E quando ele estava montado sozinho em um cavalo perseguindo veados, o animal levou-o até uma grande distância (das habitações dos homens). E fatigado pela distância que tinha viajado e afligido com fome e sede ele viu, naquela parte do país para onde ele tinha sido levado, uma floresta escura e densa, e o rei, contemplando aquela floresta, entrou nela e vendo um tanque encantador dentro da floresta, ambos, o cavaleiro e o cavalo se banharam nele, e refrescado pelo banho e colocando perante seu cavalo alguns caules e fibras de lótus, o rei sentou-se ao lado do tanque. E enquanto ele estava repousando ao lado do tanque ele ouviu certos acordes suaves de música, e ouvindo aquela melodia, ele refletiu, 'Eu não vejo aqui as pegadas de homens. De quem e de onde então (vem) esta melodia?' E o rei logo viu uma moça de grande beleza colhendo flores cantando todo o tempo, e a moça logo chegou diante do rei, e o rei então perguntou a ela, 'Abençoada, quem tu és e de quem?' E ela respondeu, 'Eu sou uma donzela.' E o rei disse, 'Eu te peço para ser minha.' E a moça respondeu, 'Dê-me uma promessa, pois somente então eu posso ser tua, do contrário não.' E o rei então perguntou acerca da promessa e a moça respondeu, 'Tu nunca deves me fazer lançar meus olhos sobre a água', e o rei dizendo, 'Assim seja' se casou com ela, e o rei Parikshit tendo se casado com ela divertiu-se (com ela) em grande alegria, e sentou-se com ela em silêncio, e enquanto o rei estava permanecendo lá, suas tropas alcançaram o local, e aquelas tropas vendo o monarca permaneceram circundando-o, e animado pela presença das tropas o rei entrou em um belo veículo acompanhado por sua esposa (recém-casada). E tendo chegado à sua capital ele começou a viver com ela em privacidade. E até as pessoas que eram próximas o suficiente do rei não podiam conseguir uma entrevista com ele, e o ministro chefe questionou aquelas mulheres que serviam o rei, perguntando, 'O que vocês fazem aqui?' E aquelas mulheres responderam, 'Nós vimos aqui uma mulher de beleza inigualável. E o rei se diverte com ela, tendo se casado com ela com uma promessa de que ele nunca lhe mostraria água.' E ouvindo aquelas palavras, o ministro chefe fez uma floresta artificial ser criada, consistindo de muitas árvores com flores e frutas abundantes, e ele fez ser escavado dentro daquela floresta e perto de um dos seu lados um tanque grande, colocado em um local retirado e cheio de água que era doce como Amrita. O tanque estava bem coberto com uma rede de pérolas. Aproximando-se um dia do rei em particular ele se dirigiu ao rei dizendo, 'Esta é uma floresta excelente sem água. Divirta-te aqui alegremente!' E o rei a estas palavras de seu ministro entrou naquela floresta com aquela sua esposa adorável, e o rei se divertiu com ela naquela floresta encantadora, e afligido com fome e sede e fatigado e esgotado, o rei viu um caramanchão de trepadeiras Madhavi (uma trepadeira Indiana da ordem de Goertnera racemosa. Ela dá grandes flores brancas de muita fragrância); e entrando naquele caramanchão com sua amada, o rei contemplou um tanque cheio de água que era transparente e brilhante como néctar, e vendo aquele tanque o rei sentou-se em sua margem com ela e o rei disse para sua esposa adorável, 'Mergulhe alegremente nesta água.' E ela, ouvindo aquelas palavras, mergulhou no tanque. Mas tendo mergulhado na água ela não apareceu acima da superfície, e quando o rei procurou, ele fracassou em descobrir qualquer traço dela. E o rei ordenou que as águas do tanque fossem baldeadas, e então ele viu uma rã sentada na boca de um buraco, e o rei ficou enfurecido com isto e promulgou uma ordem dizendo, 'Que rãs sejam massacradas em todos os lugares em meus domínios! Quem quer que deseje ter uma entrevista comigo deve vir perante mim com um tributo de rãs mortas.' E consequentemente quando as rãs começaram a ser terrivelmente massacradas, as rãs amedrontadas relataram tudo o que tinha acontecido para seu rei, e o rei das rãs assumindo a aparência de um asceta foi perante o rei Parikshit, e tendo se aproximado do monarca, ele disse, 'Ó rei, não te entregue à ira! Seja inclinado à benevolência. Não cabe a ti matar as rãs inocentes.' Aqui ocorre um par de Slokas. (São estes): 'Ó tu de glória imperecível, não mate as rãs! Pacifique tua ira! A prosperidade e méritos ascéticos daqueles que tem suas almas imersas em ignorância sofrem diminuição! Empenhe-te para não ficares zangado com as rãs! Que necessidade tu tens de cometer semelhante pecado? Que propósito será servido por matar as rãs?' Então o rei Parikshit cuja alma estava cheia de dor por causa da morte daquela que era querida para ele, respondeu ao chefe das rãs que tinha lhe falado dessa maneira, 'Eu não perdoarei as rãs. Por outro lado, eu as matarei. Por aquelas desgraçadas pecaminosas minha querida foi consumida. As rãs, portanto, sempre merecem ser mortas por mim. Não cabe a ti, ó erudito, interceder em nome delas.' E ouvindo estas palavras de Parikshit, o rei das rãs com seus sentidos e mente muito atormentados disse, 'Esteja disposto ao perdão, ó rei! Eu sou o rei das rãs de nome Ayu. Ela que era tua esposa é minha filha de nome Susobhana. Este, de fato, é um exemplo da má conduta dela. Antes disto, muitos reis foram enganados por ela.' O rei então disse a ele, 'Eu desejo tê-la. Que ela seja concedida a mim por ti!' O rei das rãs então entregou sua filha para Parikshit, e se dirigindo a ela, disse, 'Sirva e cuide do rei.' E tendo falado estas palavras para sua filha, ele também se dirigiu a ela em cólera dizendo, 'Já que tu enganaste muitos reis por meio deste teu comportamento falso, os teus filhos virão a ser desrespeitosos para os Brahmanas!' Mas tendo obtido ela, o rei ficou profundamente enamorado dela por consequência de suas virtudes sociáveis, e sentindo que ele tinha, por assim dizer, obtido a soberania dos três mundos, ele se curvou ao rei das rãs e reverenciou-o de forma devida e então com pronúncia sufocada de alegria e lágrimas disse, 'Eu fui favorecido de fato!' E o rei das rãs se despedindo de sua filha voltou para o lugar do qual ele tinha vindo e algum tempo depois o rei gerou três filhos nela e aqueles filhos se chamavam Sala e Dala e Vala, e algum tempo depois, seu pai, instalando o mais velho deles todos no trono e fixando seu coração no ascetismo, se retirou para a floresta. Um dia Sala enquanto fora caçando viu um veado e perseguiu-o em seu carro, e o príncipe disse para seu cocheiro, 'Dirija rápido!' E o cocheiro, assim endereçado, respondeu para o rei, dizendo, 'Não tenha tal propósito. Este veado não pode ser apanhado por ti. Se de fato cavalos Vami tivessem sido atrelados ao teu carro então tu poderias tê-lo pegado.' Então o rei se dirigiu a seu cocheiro, dizendo, 'Conte-me tudo acerca dos cavalos Vami, caso contrário eu te matarei,' Assim endereçado o cocheiro ficou terrivelmente alarmado e ele teve medo do rei e também da maldição de Vamadeva e não disse qualquer coisa para o rei e o rei então levantando sua cimitarra disse a ele, 'Diga-me logo senão eu te matarei.' Finalmente com medo do rei o cocheiro disse, 'Os cavalos Vami são aqueles pertencentes a Vamadeva; eles são rápidos como a mente.' E para seu cocheiro que tinha falado assim o rei disse, 'Dirija-te ao retiro de Vamadeva.' E alcançando o retiro de Vamadeva o rei disse para o Rishi, 'Ó santo, um veado atingido por mim está fugindo. Cabe a ti torná-lo capaz de ser apanhado por mim por me conceder teu par de cavalos Vami.' O Rishi então respondeu a ele dizendo, 'Eu te dou meu par de cavalos Vami. Mas depois de realizares teu objetivo tu deves devolver logo meu par Vami.' O rei então pegando aqueles corcéis e obtendo a permissão do Rishi perseguiu o veado, tendo unido o par Vami ao seu carro, e depois que ele deixou o retiro ele falou para seu cocheiro dizendo, 'Estas jóias de corcéis os Brahmanas não merecem possuir. Estes não devem ser devolvidos para Vamadeva.' Tendo dito isso e apanhado o veado ele voltou para sua capital e colocou aqueles corcéis dentro dos aposentos internos do palácio. Enquanto isso o Rishi refletiu, 'O príncipe é jovem. Tendo obtido um par de animais excelentes, ele está se divertindo com eles em alegria sem devolvê-los para mim. Ai, que pena!' E refletindo dessa maneira o Rishi disse para um discípulo dele, depois do término de um mês, 'Vá, ó Atreya, e diga ao rei que se ele terminou com os corcéis Vami ele deve devolvê-los para o teu preceptor.' E o discípulo Atreya, se dirigindo ao rei imediatamente, falou para ele como instruído, e o rei respondeu dizendo, 'Este par de corcéis merece ser possuído por reis. Os Brahmanas não merecem possuir jóias de semelhante valor. Que negócios os Brahmanas tem com cavalos? Volte contente!' E Atreya, assim endereçado pelo rei, voltou e disse para seu preceptor tudo o que tinha acontecido, e ouvindo aquela notícia triste o coração de Vamadeva ficou cheio de ira, e dirigindo-se em pessoa ao rei ele lhe pediu seus corcéis, e o rei se recusou a dar ao Rishi o que o último pediu, e Vamadeva disse, 'Ó senhor da terra, dê-me meus cavalos Vami. Por meio deles tu realizaste uma tarefa que era quase incapaz de ser realizada por ti. Por violar as práticas de Brahmanas e Kshatriyas, não te sujeite, ó rei, à morte por meio do terrível laço de Varuna.' E ouvindo isso o rei respondeu, 'Ó Vamadeva, este par excelente de touros bem treinados e dóceis são animais adequados para Brahmanas. Ó grande Rishi, (pegue eles e) vá com eles para onde quer que tu queiras. De fato, os próprios Vedas carregam pessoas como tu.' Então Vamadeva disse, 'Ó rei, os Vedas, de fato, carregam pessoas como nós. Mas isto é no mundo futuro. Neste mundo, no entanto, ó rei, animais como estes carregam a mim e pessoas como eu como também outras.' Nisto o rei respondeu, 'Que quatro burros te carreguem, ou quatro mulas da melhor espécie, ou mesmo quatro corcéis dotados da velocidade do vento. Vá com estes. Este par de cavalos Vami, no entanto, merecem ser possuídos por Kshatriyas. Saiba, portanto, que estes não são teus.' Nisto Vamadeva disse, 'Ó rei, votos terríveis são ordenados para os Brahmanas. Se eu tenho vivido em sua observância, que quatro Rakshasas violentos e poderosos de aparência terrível e corpos de ferro, comandados por mim, te persigam com desejo de matar, e te carreguem em suas lanças afiadas, tendo cortado teu corpo em quatro partes.' Ouvindo isto, o rei disse, 'Que aqueles, ó Vamadeva, que te conhecem como um Brahmana que em pensamentos, palavras, e ações, está desejoso de tirar a vida, por minha ordem, armados com lanças e espadas brilhantes te prostrem com teus discípulos diante de mim.' Então Vamadeva respondeu, 'Ó rei, tendo obtido estes meus corcéis Vami, tu disseste, 'Eu os devolverei.' Portanto, dê-me de volta meus corcéis Vami, para que tu sejas capaz de proteger tua vida.' Ouvindo isto, o rei disse, 'Caça de veados não está ordenada para os Brahmanas. Eu te puno, de qualquer modo, por tua falsidade. Deste dia em diante, também, obedecendo todas as tuas ordens eu alcançarei, ó Brahmana, regiões de felicidade.' Vamadeva então disse, 'Um Brahmana não pode ser punido em pensamentos, palavras ou ações. Aquela pessoa instruída que por austeridades ascéticas consegue saber que um Brahmana é dessa maneira, não fracassa em alcançar proeminência neste mundo.'” "Markandeya continuou, 'Depois que Vamadeva tinha dito isso, surgiram lá, ó rei, (quatro) Rakshasas de aparência terrível, e quando eles, com lanças em suas mãos, se aproximaram do rei para matá-lo, o último gritou alto, dizendo, 'Se, ó Brahmana, todos os descendentes da linhagem de Ikshvaku, se (meu irmão) Dala, se todos estes Vaisyas reconhecem meu domínio, então eu não entregarei os corcéis Vami para Vamadeva, pois estes homens nunca podem ser virtuosos.' E enquanto ele estava proferindo aquelas palavras, aqueles Rakshasas o mataram, e o senhor da terra logo estava prostrado no chão. E os Ikshvakus, sabendo que seu rei tinha sido morto instalaram Dala no trono, e o Brahmana Vamadeva indo logo após até o reino (dos Ikshvakus), dirigiu-se ao novo monarca, dizendo, 'Ó rei, é declarado em todos os livros sagrados que as pessoas devem doar para Brahmanas. Se tu temes o pecado, ó rei, dê-me agora os corcéis Vami sem demora.' E ouvindo estas palavras de Vamadeva o rei falou com raiva para seu cocheiro, dizendo, 'Traga-me uma flecha daquelas que eu tenho mantido, a qual é bela de se olhar e temperada com veneno, para que perfurado por ela Vamadeva possa jazer prostrado em dor, dilacerado pelos cães.' Ouvindo isto, Vamadeva respondeu, 'Eu sei, ó rei, que tu tens um filho de dez anos de idade, chamado Senajita, gerado na tua rainha. Incitado por minha palavra, mate aquele teu filho querido sem demora por meio das tuas flechas terríveis!' Markandeya continuou, 'A estas palavras de Vamadeva, ó rei, aquela flecha de energia ardente, atirada pelo monarca, matou o príncipe nos aposentos internos, e sabendo disto, Dala disse, 'Ó povo da raça de Ikshvaku, eu lhes farei bem. Eu matarei este Brahmana hoje, oprimindo-o com força. Traga-me outra flecha de energia ardente. Ó senhores da terra, vejam minha destreza agora.' E nestas palavras de Dala, Vamadeva disse, 'Esta seta de aparência terrível e temperada com veneno, que tu apontas para mim, tu, ó soberano de homens, não serás capaz de mirar nem mesmo disparar.' E então o rei disse, 'Ó homens da linhagem de Ikshvaku, vejam-me incapaz de disparar a flecha que foi pega por mim. Eu fracasso em realizar a morte deste Brahmana. Que Vamadeva, que é abençoado com uma vida longa, viva.' Então Vamadeva disse, 'Tocando tua rainha com esta flecha, tu podes purgar a ti mesmo do pecado (de tentar tirar a vida de um Brahmana).' E o rei Dala fez como ele foi instruído e a rainha então se dirigiu ao Muni e disse, 'Ó Vamadeva, que eu seja capaz de instruir devidamente este meu marido infame dia a dia, comunicando para ele palavras de significado auspicioso; e que eu sempre visite e sirva os Brahmanas, e por isto alcance, ó Brahmana, as regiões sagradas futuramente.' E ouvindo estas palavras da rainha, Vamadeva disse, 'Ó tu de olhos belos, tu salvaste esta linhagem real. Peça um benefício incomparável. Eu te concederei o que quer que tu possas pedir. E, ó tu impecável, guie, ó princesa, estes teus parentes e este grande reino dos Ikshvakus!' E ouvindo estas palavras de Vamadeva a princesa disse, 'Este, ó santo, é o benefício que eu procuro, isto é, que meu marido possa agora ser libertado de seu pecado, e que tu possas estar empenhado em pensar na prosperidade de seu filho e parentes. Este é o benefício que eu peço, ó tu principal dos Brahmanas!'” "Markandeya continuou, 'Ouvindo estas palavras da rainha, aquele Muni, ó tu principal da raça Kuru, disse, 'Assim seja.' E nisso o rei Dala ficou muito contente e deu para o Muni seus corcéis Vami, tendo se curvado a ele com reverência!'" 192 Vaisampayana disse, “Os Rishis, os Brahmanas, e Yudhishthira então questionaram Markandeya, dizendo, 'Como o Rishi Vaka se tornou tão longevo?’ Assim perguntado por eles, Markandeya respondeu, 'O sábio real Vaka é um grande asceta e dotado de vida longa. Vocês não precisam investigar a razão disto.' Ouvindo isto, ó Bharata, o filho de Kunti, o rei Yudhishthira o justo, junto com seus irmãos, então pediu a Markandeya dizendo, 'Tem sido ouvido por nós que Vaka e Dalvya são de grandes almas e dotados de imortalidade e que aqueles Rishis, considerados em reverência universal, são os amigos do chefe dos deuses. Ó Santo, eu desejo ouvir (à história do) encontro de Vaka e Indra que é cheia de ambas: alegria e dor. Narre aquela história para nós sucintamente.'” "Markandeya disse, 'Quando aquele conflito terrível entre os deuses e os Asuras estava terminado Indra se tornou o soberano dos três mundos. As nuvens derramaram chuva copiosamente. E os habitantes do mundo tinham abundância de colheitas, e eram excelentes em disposição. E dedicados à virtude, eles sempre praticavam a moralidade e desfrutavam de paz. E todas as pessoas, dedicadas aos deveres das suas respectivas classes, eram perfeitamente felizes e alegres, e o matador de Vala, vendo todas as criaturas do mundo felizes e alegres, ficou ele mesmo cheio de alegria. E ele de cem sacrifícios, o chefe dos deuses, sentado nas costas de seu elefante Airavata, examinava seus súditos felizes, e ele lançou seus olhares em retiros encantadores de Rishis, em vários rios auspiciosos, cidades cheias de prosperidade, e aldeias e regiões rurais no desfrute de abundância. E ele também lançou seus olhos sobre reis dedicados à prática da virtude e bem hábeis em governar seus súditos. E ele também olhou para tanques e reservatórios e poços e lagos e lagos pequenos todos cheios de água e venerados por melhores dos Brahmanas na observância, além disso, de vários votos excelentes, e então descendo sobre a terra encantadora, ó rei, o deus de cem sacrifícios procedeu em direção a um retiro abençoado abundante em animais e aves, situado ao lado do mar, nas regiões encantadoras e auspiciosas do Leste em um local coberto com abundância de vegetação. E o chefe dos deuses contemplou Vaka naquele retiro, e Vaka também, vendo o soberano dos Imortais, ficou muito contente, e ele adorou Indra por lhe oferecer água para lavar os pés, um tapete para se sentar, a oferenda usual do Arghya, e frutas e raízes. E o dador de benefícios matador de Vala, o soberano divino daqueles que não conhecem velhice, estando sentado tranquilamente, fez para Vaka a seguinte pergunta, 'Ó Muni impecável, tu tens vivido por cem anos! Diga-me, ó Brahmana, quais são as tristezas daqueles que são imortais!' Markandeya continuou, "Ouvindo isto, Vaka respondeu, dizendo, 'Vida com pessoas que são desagradáveis, separação daquelas que são agradáveis e queridas, companhia com os maus, estes são os males que aqueles que são imortais tem que suportar. A morte de filhos e esposas, de parentes e amigos, e a dor da dependência de outros, são alguns dos maiores males. (Estes todos podem ser notados em uma vida imortal). Não há visão mais deplorável no mundo, como eu concebo, do que aquela de homens desprovidos de riqueza sendo insultados por outros. A aquisição da dignidade familiar por aqueles que não a tem, a perda da dignidade familiar por aqueles que a tem, uniões e desuniões, estes todos são notáveis por aqueles que levam vidas imortais. Como aqueles que não tem dignidade familiar mas tem prosperidade ganham o que eles não tem, tudo isto, ó deus de cem sacrifícios, está diante dos teus próprios olhos! O que pode ser mais deplorável do que os infortúnios e reversos sofridos pelos deuses, os Asuras, os Gandharvas, os homens, as cobras, e os Rakshasas? Aqueles que são de boas famílias sofrem aflições por causa da sua submissão a pessoas que são mal nascidas e os pobres são insultados pelos ricos. O que pode ser mais deplorável do que isto? Exemplos inumeráveis de tais desígnios contraditórios são vistos no mundo. Os tolos e os ignorantes são alegres e felizes enquanto os eruditos e os sábios passam por miséria! Exemplos abundantes de tristeza e dor são vistos entre os homens neste mundo! (Aqueles que levam vidas imortais estão destinados a observar tudo isso e sofrer por causa disso).' Indra então disse, 'Ó tu de grande ventura, diga-me além disso quais são as alegrias daquelas pessoas que levam vidas imortais, alegrias que são veneradas por deuses e Rishis!' Vaka respondeu, 'Se sem ter que se associar com um amigo pecaminoso, um homem cozinha poucos vegetais na sua própria casa na oitava ou na décima segunda parte do dia, não pode haver nada mais feliz do que isso. (Aqueles, portanto, que levam vidas imortais podem desfrutar desta alegria diariamente para sempre). Ele em cujo caso o dia não é contado não é chamado de voraz. E, ó Maghavan, a felicidade é mesmo daquele cujos próprios poucos vegetais são cozidos. Obtidos por seus próprios esforços, sem ter que depender de alguém, aquele que come mesmo frutas e vegetais em sua própria casa tem direito a respeito. Aquele que come na casa de outro o alimento que é dado a ele com desprezo, mesmo que aquele alimento seja rico e agradável, faz o que é desprezível. Esta, portanto, é a opinião do sábios, que há vergonha no alimento daquele patife vil que como um cachorro ou um Rakshasa come na casa de outro. Se depois de tratar convidados e empregados e de oferecer alimento aos espíritos dos mortos um bom Brahmana come o que resta, não pode haver nada mais feliz do que isso. Não há nada mais doce ou mais sagrado, ó tu de cem sacrifícios, do que aquele alimento que tal pessoa come depois de servir o convidado com a primeira porção dele. Cada bocado (de arroz) que o Brahmana come depois de ter servido o convidado produz mérito igual ao que se atribui à doação de mil vacas. E quaisquer pecados que tal pessoa possa ter cometido em sua juventude são todos purificados com certeza. A água (salpicada pelas) mãos do Brahmana que foi alimentado e honrado com uma doação pecuniária (sobre aquele que o alimentou depois da alimentação estar terminada), elimina instantaneamente os pecados do último!' Falando destas e várias outras coisas com Vaka, o chefe dos deuses partiu para o céu.'" 193 “Vaisampayana disse, ‘Então os filhos de Pandu se dirigiram novamente a Markandeya dizendo, 'Tu nos falaste da grandeza dos Brahmanas. Nós desejamos agora ouvir sobre a grandeza dos nobres Kshatriyas!’ Assim endereçado por eles, o grande Rishi Markandeya falou, 'Ouçam agora à grandeza dos Kshatriyas reais. Um certo rei de nome Suhotra pertencente à raça Kuru foi em uma visita aos grandes Rishis. E quando ele estava voltando daquela visita, ele viu o rei Sivi, o filho de Usinara, sentado em seu carro, e quando um chegou diante do outro, cada um cumprimentou o outro como melhor condizia com sua idade e cada um se considerando igual ao outro em relação à qualidades, se recusou a ceder passagem para o outro. E naquele momento Narada apareceu lá, e vendo o que tinha acontecido, o Rishi celeste perguntou, 'Por que é que vocês ficam aqui bloqueando o caminho um do outro?' E assim questionados ambos falaram para Narada dizendo, 'Ó santo, não fale assim. Os sábios de antigamente declararam que o caminho deve ser dado para alguém que é superior ou para o que é mais capaz. Nós, no entanto, que permanecemos obstruindo o caminho um do outro, somos iguais em todos os aspectos. Avaliando adequadamente não há superioridade entre nós.' Assim endereçado por eles, Narada recitou três slokas. (São estes), 'Ó tu da raça Kuru, aquele que é mau se comporta maldosamente até com aquele que é humilde; e também aquele que é humilde se comporta com humildade e honestamente com aquele que é mau! Aquele que é honesto se comporta honestamente até com o desonesto. Por que ele não deveria se comportar honestamente em direção ao que é honesto? Aquele que é honesto considera o serviço que é feito para ele como se ele fosse cem vezes maior do que é. Isto não é prevalecente entre os próprios deuses? Certamente o nobre filho de Usinara é possuidor de bondade maior do que a tua. Uma pessoa deve conquistar o mesquinho pela caridade; o mentiroso pela verdade, o homem de atos maus pelo perdão; e o desonesto pela honestidade. Vocês ambos tem grande coração. Que um de vocês se ponha de lado, de acordo com a indicação dos slokas acima.' E tendo falado dessa maneira Narada ficou silencioso, e ouvindo o que Narada disse o rei da raça Kuru, caminhando ao redor de Sivi, e elogiando suas realizações numerosas, lhe cedeu a passagem e seguiu seu rumo. Foi dessa maneira que Narada descreveu a grande bem aventurança dos Kshatriyas reais.' Markandeya continuou, "Ouçam agora outra história. Um dia quando o rei Yayati, o filho de Nahusha, estava sentado em seu trono cercado pelos cidadãos, foi lá até ele um Brahmana desejoso de pedir riqueza para seu preceptor, e se aproximando do rei, o Brahmana disse, 'Ó rei, eu te peço riqueza para meu preceptor de acordo com minha determinação.' E o rei disse, 'Ó santo, diga-me qual é a tua determinação.' E então o Brahmana disse, 'Ó rei, neste mundo quando homens são pedidos por esmolas eles nutrem desprezo por aquele que as pede. Eu portanto te pergunto, ó rei, com que sentimentos tu me darás o que eu peço e sobre o qual eu fixei meu coração?' E o rei respondeu dizendo, 'Tendo doado uma coisa eu nunca conto vantagem disto. Eu também nunca ouço solicitações por coisas que não podem ser dadas. Eu escuto, no entanto, às súplicas por coisas que podem ser doadas e doando-as eu sempre fico feliz. Eu te darei mil vacas. O Brahmana que me pede uma doação é sempre querido para mim. Eu nunca fico zangado com a pessoa que me pede e eu nunca me arrependo de ter doado uma coisa!' E o Brahmana então obteve do rei mil vacas e foi embora." 195 Vaisampayana disse, "O filho de Pandu se dirigiu novamente ao Rishi e disse, 'Fale para nós da grande ventura dos Kshatriyas reais.' E Markandeya disse, 'Havia dois reis de nomes Vrishadarbha e Seduka e ambos eram familiarizados com os costumes e com armas de ataque e defesa. E Seduka sabia que Vrishadarbha tinha desde sua juventude um voto não pronunciado que ele não daria outro metal para Brahmanas exceto ouro e prata. E uma vez um Brahmana tendo completado seu estudo dos Vedas foi até Seduka, e proferindo uma bênção sobre ele lhe pediu riqueza para seu preceptor, dizendo, 'Dê-me mil corcéis.' E assim endereçado, Seduka disse para ele, 'Não é possível para mim te dar isto para o teu preceptor. Portanto, vá ao rei Vrishadarbha, pois, ó Brahmana, ele é um rei muito virtuoso. Vá e peça dele. Ele concederá teu pedido. Este mesmo é seu voto não proferido.' Ouvindo estas palavras aquele Brahmana foi para Vrishadarbha e pediu dele mil corcéis, e o rei assim solicitado golpeou o Brahmana com um chicote e então o Brahmana disse, 'Inocente como eu sou, por que tu me atacas dessa maneira?' E o Brahmana estava prestes a amaldiçoar o rei, quando o último disse, 'Ó Brahmana, tu amaldiçoas aquele que não te dá o que tu pedes? Ou, este é comportamento apropriado para um Brahmana?' E o Brahmana disse, 'Ó rei de reis, enviado a ti por Seduka, eu vim perante ti por isto.' O rei disse, 'Assim sendo eu te darei qualquer tributo que possa vir a mim antes da manhã terminar. Como de fato, eu posso mandar embora de mãos vazias o homem que foi chicoteado por mim?' E tendo dito isso o rei deu para aquele Brahmana todo o lucro daquele dia e isto era mais do que o valor de mil cavalos.'" "Markandeya disse, 'Um dia foi decidido pelos deuses que eles deveriam descer sobre a terra e testar a bondade e virtude do rei Sivi, o filho de Usinara. E se dirigindo um ao outro, 'Bem' Agni e Indra vieram para a terra. E Agni tomou a forma de um pombo fugindo de Indra que o perseguiu na forma de um falcão, e aquele pombo caiu sobre o colo do rei Sivi que estava sentado em um assento excelente. E o sacerdote então dirigindo-se ao rei disse, 'Com medo do falcão e desejoso de salvar sua vida, este pombo veio a ti em busca de segurança. Os eruditos dizem que a queda de um pombo sobre o corpo de alguém pressagia um grande perigo. Que o rei que compreende presságios doe riqueza para se salvar do perigo indicado.' E o pombo também se dirigiu ao rei e disse, 'Temendo o falcão e desejoso de salvar minha vida eu vim a ti por proteção. Eu sou um Muni. Tendo assumido a forma de um pombo, eu venho até ti como alguém que procura tua proteção. De fato, eu te procuro como minha vida. Conheça-me como alguém possuidor de saber Védico, como alguém levando o modo de vida Brahmacharya, como alguém possuidor também de autocontrole e virtudes ascéticas. E conheça- me além disso como alguém que nunca falou desagradavelmente para seu preceptor, como alguém possuidor de toda virtude, de fato, como alguém que é impecável. Eu repito os Vedas, eu conheço sua métrica; de fato, eu tenho estudado todos os Vedas letra por letra. Eu não sou um pombo. Oh, não me entregue para o falcão. A entrega de um Brahmana erudito e puro nunca pode ser um bom presente.' E depois que o pombo falou assim, o falcão se dirigiu ao rei e disse, 'As criaturas não vem para o mundo na mesma ordem específica. Na ordem da criação, tu podes, em um nascimento anterior, ter sido gerado por este pombo. Não é apropriado para ti, ó rei, interferir na minha alimentação por proteger este pombo (mesmo que ele possa ter sido teu pai).' E assim endereçado, o rei disse, 'Alguém, antes disto, viu aves falarem dessa maneira as palavras puras de homens? Sabendo o que este pombo diz, e este falcão também, como nós podemos agir hoje de acordo com a virtude? Aquele que entrega uma criatura assustada procurando proteção para seu inimigo não obtém proteção quando ele mesmo está precisando disto. De fato, as próprias nuvens não derramam chuva oportunamente para ele, e as sementes embora espalhadas não crescem para ele. Aquele que entrega uma criatura afligida procurando proteção para seu inimigo tem que ver sua prole morrer na infância. Os antepassados de tal pessoa nunca podem morar no céu; de fato, os próprios deuses se recusam a aceitar as libações de manteiga clarificada derramadas no fogo por ele. Aquele que entrega uma criatura amedrontada procurando proteção para seu inimigo é atingido com o raio pelos deuses com Indra em sua chefia. O alimento que ele come não é santificado, e ele, de alma estreita, cai logo do céu. Ó falcão, deixe as pessoas da tribo Sivi colocarem à tua frente um touro cozido com arroz em vez deste pombo. E deixe-as também levarem carne em abundância para o local onde tu vives em alegria.' E ouvindo isso o falcão disse, 'Ó rei, eu não peço um touro, nem, de fato, qualquer outra carne, nem carne maior em quantidade do que a deste pombo. Ele foi dado a mim pelos deuses. A criatura, portanto, é meu alimento hoje por consequência da sua morte que foi ordenada. Portanto, ó monarca, entregue-o para mim.' Assim endereçado pelo falcão, o rei disse, 'Deixe meus homens encontrarem e carregarem cuidadosamente o touro para ti com todos os membros inteiros. Que aquele touro seja o resgate desta criatura afligida pelo medo e que ele seja levado para ti perante meus olhos. Oh, não mate este pombo! Eu entregaria minha própria vida, ainda assim eu não entregaria este pombo. Tu não sabes, ó falcão, que esta criatura parece um sacrifício com o suco Soma? Ó abençoado, pare de ter tanto incômodo por isto. Eu não posso, de qualquer maneira, entregar o pombo para ti. Ou, ó falcão, se te agradar, mande-me fazer alguma coisa que eu possa fazer por ti, que seja agradável para ti, e ao fazer a qual os homens da tribo Sivi ainda possam me abençoar em alegria em termos de aprovação. Eu te prometo que eu farei o que tu me ordenares fazer.' E a este apelo do rei o falcão disse, 'Ó rei, se tu me deres tanta carne quanto seria igual ao peso do pombo, cortando-a da tua coxa direita; então o pombo poderá ser salvo devidamente por ti; então tu farias o que seria agradável para mim e do que os homens da tribo Sivi falariam em termos de louvor.' E o rei concordou com isto e ele cortou um pedaço de carne de sua coxa direita e o pesou em comparação com o pombo. Mas o pombo ainda pesou mais. E então o rei cortou outro pedaço de sua carne, mas o pombo ainda pesou mais, e então o rei cortou pedaços de carne de todas as partes de seu corpo e colocou-os no prato da balança. Mas o pombo ainda foi mais pesado, e então o próprio rei subiu na balança e ele não sentiu aflição por isto, e vendo isto o falcão desapareceu lá dizendo, ‘(O pombo foi) Salvo.’ E o rei questionou o pombo dizendo, 'Ó pombo, deixe os Sivis saberem quem é o falcão. Ninguém exceto o senhor do universo poderia fazer como ele fez. Ó santo, responda esta minha pergunta!' E o pombo então disse, 'Eu sou Agni de bandeira de fumaça chamado também de Vaiswanara. O falcão é nenhum outro além do marido de Sachi armado com o raio. Ó filho de Suratha, tu és um touro entre homens. Nós viemos para testar-te. Estes pedaços de carne, ó rei, que tu cortaste com tua espada do teu corpo para me salvar causaram feridas profundas no teu corpo. Eu tornarei estas marcas auspiciosas e belas e elas serão da cor do ouro e emitirão um perfume doce, e ganhando grande fama e respeitado pelos deuses e os Rishis tu governarás muito tempo estes teus súditos, e um filho nascerá do teu flanco que se chamará Kapataroman. Ó rei, tu obterás este filho de nome Kapataroman do teu próprio corpo e tu o verás se tornar o principal dos Saurathas, resplandecendo com renome, possuidor de coragem e grande beleza pessoal!’" 197 Vaisampayana disse, "E o filho de Pandu se dirigiu novamente a Markandeya, dizendo, 'Fale-nos novamente da grande boa sorte dos reis.' E Markandeya disse, 'Muitos reis foram ao Sacrifício de Cavalo do rei Ashtaka da linhagem de Viswamitra. E foram àquele sacrifício também os três irmãos daquele rei, Pratardana, Vasumanas, e Sivi, o filho de Usinara. E depois que o sacrifício estava terminado, Ashtaka estava procedendo em seu carro junto com seus irmãos quando eles todos viram Narada vindo naquele caminho e eles saudaram o Rishi celeste e disseram para ele, ‘Viaje neste carro conosco.’ E Narada, dizendo, ‘Assim seja’, subiu no carro, e um entre aqueles reis tendo gratificado o Rishi Narada santo e celeste, disse, ‘Ó santo, eu desejo te perguntar uma coisa.’ E o Rishi disse, 'Pergunte.' E a pessoa, assim permitida, disse, 'Todos nós quatro somos abençoados com vidas longas e temos de fato todas as virtudes. Nós, portanto, seremos permitidos ir para um certo céu e morar lá por um período longo. Quem entre nós, no entanto, ó rei, cairá primeiro?' Assim questionado o Rishi disse, 'Ashtaka descerá primeiro.' E então o inquiridor perguntou, 'Por que causa?' E o Rishi respondeu, 'Eu vivi por poucos dias na residência de Ashtaka. Ele me levou (um dia) em seu carro para fora da cidade e lá eu vi milhares de vacas distinguidas umas das outras por diferença de cor. E observando aquelas vacas eu perguntei para Ashtaka de quem elas eram e Ashtaka me respondeu, dizendo, ‘Eu doei estas vacas.’ Por esta resposta ele deu expressão à sua própria glorificação. É por esta resposta dele que Ashtaka terá que descer.' E depois que Narada tinha dito isso, um deles perguntou novamente, dizendo, 'Três de nós então ficarão no céu. Entre nós três, quem cairá primeiro?' E o Rishi respondeu, ‘Pratardana.’ E o inquiridor perguntou, 'Por que causa?' E o Rishi respondeu, 'Eu vivi por alguns dias na residência de Pratardana também. E ele me levou um dia em seu carro. E enquanto fazia isso, um Brahmana lhe pediu dizendo, 'Dê-me um cavalo!' E Pratardana respondeu, 'Depois de retornar eu te darei um!' E então o Brahmana disse, 'Que ele seja dado para mim logo.' E como o Brahmana falou aquelas palavras, o rei deu para ele o corcel que estava atrelado à roda à direita do carro. E foi lá até ele outro Brahmana desejoso de obter um corcel. E o rei tendo falado com ele da mesma maneira, lhe deu o corcel que estava unido à roda esquerda de seu carro. E tendo dado o cavalo para ele, o rei prosseguiu em sua viagem. E então foi até o rei outro Brahmana desejoso de obter um cavalo. E o rei logo lhe deu o cavalo à esquerda dianteira de seu carro, desatrelando o animal. E tendo feito isso o rei prosseguiu em sua viagem. E então foi até o rei outro Brahmana desejoso de obter um cavalo. E o rei disse para ele, 'Retornando eu te darei um cavalo.' Mas o Brahmana disse, 'Que o corcel seja dado a mim logo.' E o rei deu para ele o único cavalo que ele tinha. E pegando ele mesmo o jugo do carro, o rei começou a puxá-lo. E quando ele fez isso ele disse, 'Agora não há nada para os Brahmanas.' O rei doou, é verdade, mas ele fez isso com depreciação. E por aquelas palavras dele ele terá que cair do céu. E depois que o Rishi tinha falado assim, dos dois que restavam, um perguntou, 'Quem entre nós dois cairá?' E o Rishi respondeu, 'Vasumanas.' E o inquiridor perguntou, 'Por que razão?' E Narada disse, 'No decurso das minhas viagens eu cheguei à residência de Vasumanas. E naquele momento os Brahmanas estavam realizando a cerimônia de Swastivachana por causa de um carro florido. (A cerimônia de Swastivachana é um rito religioso, preparatório para alguma observância importante, na qual os Brahmanas espalham arroz cozinho no solo, e invocam as bênçãos dos deuses sobre a cerimônia prestes a começar. Um carro florido era, provavelmente, um de fabrico celestial que os reis obtinham do céu para realizar ritos e cerimônias suntuosas. Estes eram às vezes exibidos para o povo, e antes dessas exibições uma cerimônia de Swastivachana era realizada). E eu me aproximei da presença do rei. E depois que os Brahmanas completaram a cerimônia, o carro florido se tornou visível para eles. E eu elogiei aquele carro, e então o rei me disse, 'Santo, por ti este carro foi elogiado. Que este carro, portanto, seja teu.' E depois disto eu fui até Vasumanas outra vez quando eu precisava de um carro (florido). E eu admirei o carro, e o rei disse, 'Ele é teu.' E eu fui ao rei uma terceira vez e admirei o carro outra vez. E então o rei exibindo o carro florido aos Brahmanas lançou seus olhos em mim, e disse, 'Ó santo, tu elogiaste o carro florido suficientemente.’ E o rei somente disse estas palavras, sem me fazer um presente daquele carro. E por isto ele cairá do céu.' E um entre eles disse, 'Do único que é para te acompanhar, quem prosseguirá e quem cairá?' E Narada respondeu, dizendo, 'Sivi prosseguirá, mas eu cairei.' 'Por que razão?' Perguntou o inquiridor. E Narada disse, 'Eu não sou igual a Sivi. Pois um dia um Brahmana foi até Sivi e se dirigindo a ele disse, 'Ó Sivi, eu vim a ti por alimento.' E Sivi respondeu a ele, dizendo, 'O que eu farei? Deixe-me ter as tuas ordens.' E o Brahmana respondeu, 'Este teu filho conhecido pelo nome de Vrihadgarbha deve ser morto. E, ó rei, cozinhe-o para minha alimentação.' E ouvindo isso eu esperei para ver o que se seguiria. E Sivi então matou seu filho e cozinhou-o devidamente e pondo aquele alimento em um recipiente e colocando-o sobre sua cabeça, ele saiu à procura do Brahmana; e enquanto Sivi estava procurando dessa maneira pelo Brahmana alguém lhe disse, ‘O Brahmana que tu procuras, tendo entrado na tua cidade, está incendiando a tua residência e ele está também incendiando, em cólera, a tua tesouraria, teu arsenal, os aposentos das mulheres e teus estábulos para cavalos e elefantes.' E Sivi ouviu tudo isto sem mudar de cor, e entrando em sua cidade falou para o Brahmana, 'Ó santo, a comida está cozida.' E o Brahmana ouvindo isto não falou uma palavra e por surpresa ele permaneceu com aparência abatida. E Sivi com a intenção de gratificar o Brahmana disse, 'Ó santo, coma isto.' E o Brahmana olhando Sivi por um momento disse, 'Coma isto tu mesmo.' E imediatamente Sivi disse, 'Que seja assim.' E Sivi tirando alegremente o recipiente de sua cabeça desejou comê-lo e então o Brahmana segurou a mão de Sivi e se dirigindo a ele disse, 'Tu venceste a ira. Não há nada que tu não possas dar para os Brahmanas.' E dizendo isso aquele Brahmana adorou Sivi, e então quando Sivi olhou à sua frente ele viu seu filho de pé como uma criança dos deuses, enfeitado com ornamentos e produzindo uma fragrância de seu corpo e o Brahmana, tendo realizado tudo isto, se fez visível e era o próprio Vidhatri que tinha vindo dessa maneira naquele disfarce para testar aquele sábio real, e depois que Vidhatri tinha desaparecido, os conselheiros se dirigiram ao rei, dizendo, 'Tu conheces tudo. Por que tu fizeste tudo isso?' E Sivi respondeu, 'Não foi for fama, nem por riqueza, nem pelo desejo de obter objetos de prazer que eu fiz tudo isso. Este comportamento não é pecaminoso. É por isto que eu faço tudo isso. O caminho que é trilhado pelos virtuosos é louvável. Meu coração sempre se inclina em direção à tal conduta.’ Este exemplo sublime da bem aventurança de Sivi eu conheço, e eu, portanto, narrei-o devidamente!'" Vaisampayana disse, "Os filhos de Pandu e aqueles Rishis então perguntaram a Markandeya, 'Existe alguém que é dotado de vida mais longa do que tu?' E Markandeya respondeu a eles, dizendo, 'Há sem dúvida, um sábio real de nome Indradyumna e, sua virtude tendo diminuído, ele caiu do céu, gritando, 'Minhas realizações estão perdidas!' E ele veio a mim e perguntou, 'Tu me conheces?' E eu respondi a ele, dizendo, 'Por nossa ansiedade para adquirir mérito religioso nós não nos limitamos à qualquer lar. Nós vivemos somente por uma noite na mesma aldeia ou cidade. Uma pessoa como nós, portanto, não pode porventura conhecer tuas atividades. Os jejuns e votos que nós cumprimos nos tornam fracos em corpo e incapazes de seguir quaisquer atividades mundanas em nosso próprio interesse. Por isso, alguém como nós não pode te conhecer.' Ele então me perguntou, 'Existe alguém que seja mais longevo do que tu'? Eu respondi a ele, dizendo, 'Vive lá sobre o Himavat uma coruja de nome Pravarakarna. Ele é mais velho do que eu. Ele pode te conhecer. A parte do Himavat onde ele mora é muito longe daqui.' E nisto Indradyumna tornou-se um cavalo e me levou para onde aquela coruja vivia e o rei perguntou à coruja, dizendo, 'Tu me conheces?' E a coruja pareceu refletir por um momento e então disse para o rei, 'Eu não te conheço.' E o sábio real Indradyumna então perguntou à coruja, 'Há alguém que seja mais velho do que tu?' E assim perguntada a coruja respondeu, dizendo, ‘Há um lago de nome Indradyumna. Naquele lago mora um grou de nome Nadijangha. Ele é mais velho do que nós. Pergunte a ele.' E nisto o rei Indradyumna levando ambos, eu mesmo e a coruja, foi àquele lago onde o grou Nadijangha morava. E aquele grou foi questionado por nós, 'Tu conheces o rei Indradyumna?' E o grou então pareceu refletir um pouco e então disse, 'Eu não conheço o rei Indradyumna.' E o grou foi perguntado por nós, 'Existe alguém que seja mais velho do que tu?' E ele nos respondeu, dizendo, 'Mora neste mesmo lago uma tartaruga de nome Akupara. Ele é mais velho do que eu. Ele pode saber alguma coisa deste rei. Portanto, perguntem para Akupara.’ E então aquele grou avisou a tartaruga, dizendo, 'Nós pretendemos te perguntar uma coisa. Por favor venha a nós.' E ouvindo isso a tartaruga saiu do lago para aquela margem onde todos nós estávamos e quando ele chegou lá nós o questionamos, dizendo, 'Tu conheces este rei Indradyumna?' E a tartaruga refletiu por um momento. E seus olhos estavam cheios de lágrimas e seu coração estava muito comovido e ele tremia todo e estava quase privado de seus sentidos. E ele disse com mãos unidas, 'Ai, eu não conheço este? Ele plantou a estaca sacrifical mil vezes no momento de acender o fogo sacrifical. Este lago foi escavado pelos pés das vacas doadas por este rei para os Brahmanas na conclusão do sacrifício. Eu tenho vivido aqui desde então.' E depois que a tartaruga tinha dito isso, chegou lá um carro das regiões celestes. E uma voz etérea foi ouvida, a qual dizia, dirigindo-se a Indradyumna, ‘Venha e obtenha o lugar que tu mereces no céu! Tuas realizações são grandiosas! Venha alegremente para o teu lugar!’ Aqui também há certos slokas: A fama de atos virtuosos se espalha sobre a terra e ascende para o céu. Enquanto aquela fama durar diz-se que o fazedor fica no céu. É dito que o homem cujos atos maus são comentados cai e vive nas regiões inferiores enquanto aquela má reputação durar. Portanto o homem deve ser virtuoso em suas ações se ele quer alcançar o Céu. E ele deve procurar amparo na virtude, abandonando um coração pecaminoso.’” "E ouvindo estas palavras, o rei disse, ‘Que o carro fique aqui enquanto eu levo estas pessoas idosas para os lugares de onde eu as trouxe.’ E tendo levado a mim e a coruja Pravarakarna para nossos respectivos lugares, ele foi embora, viajando naquele carro, para o lugar que era adequado para ele. Sendo longevo, eu testemunhei tudo isso." Vaisampayana continuou, "Foi dessa maneira que Markandeya narrou tudo isso para o filho de Pandu. E depois que Markandeya terminou, os filhos de Pandu disseram, 'Abençoado sejas! Tu agiste devidamente ao fazer o rei Indradyumna que tinha caído do Céu recuperar seu lugar!' E Markandeya respondeu a eles, dizendo, 'O filho de Devaki, Krishna, também elevou o sábio real Nriga que tinha afundado no inferno e o fez recuperar o Céu!'" 199 Vaisampayana disse, "O rei Yudhishthira, ouvindo do ilustre Markandeya a história recuperação do Céu do sábio real Indradyumna, questionou o Muni novamente, dizendo, 'Ó grande Muni, diga-me em que condição um homem deve praticar caridade para ganhar admissão nas regiões de Indra? É por praticar caridade enquanto leva um modo de vida familiar, ou na meninice, ou na juventude, ou na velhice? Ó, fale-me sobre os respectivos méritos da prática da caridade nestes diferentes estágios da vida?' Markandeya disse, 'Vida que é inútil é de quatro tipos. Caridade também que é inútil é de dezesseis tipos. É inútil a vida daquele que não tem filhos; e daquele também que está fora do âmbito da virtude, e daquele também que vive do alimento de outro; e, por fim, daquele que cozinha para si mesmo sem dar parte para os Pitris, os deuses, e os convidados, e que come antes destes todos. A doação para alguém que abandonou a prática de votos virtuosos, como também a doação de riqueza que foi ganha injustamente, são ambas em vão. A doação para um Brahmana decaído, aquela para um ladrão, aquela também para um preceptor que é falso, é em vão. A doação para um homem mentiroso, para uma pessoa que é pecaminosa, para alguém que é ingrato, para alguém que oficia em sacrifícios realizados por todas as classes de pessoas residindo em uma aldeia, para alguém que vende os Vedas (ou seja, que faz preleções sobre os Vedas cobrando taxas dos ouvintes), para um Brahmana que cozinha para um Sudra, para alguém também que por nascimento é um Brahmana mas que é desprovido das ocupações da sua classe, é em vão. A doação para alguém que se casou com uma moça depois da acessão da puberdade, para mulheres, para alguém que se diverte com cobras, e para alguém que é empregado em trabalhos servis, também é em vão. Estas dezesseis espécies de doações não são produtivas de méritos. Aquele homem que com mente nublada pela ignorância doa por medo ou raiva, desfruta do mérito de tal doação enquanto ele está no útero de sua mãe. O homem que (sob outras circunstâncias) faz presentes para os Brahmanas, desfruta dos resultados disso enquanto ele está na velhice. Portanto, ó rei, o homem que deseja alcançar o caminho do céu, deve, sob todas as condições, fazer doações para Brahmanas de tudo o que ele deseje doar.' Yudhishthira disse, 'Por quais meios os Brahmanas, que aceitam doações de todas as quatro classes, salvam outros assim como eles mesmos?’ Markandeya disse, 'Por meio de Japa (recitação silenciosa de Mantras específicos), e Mantras, (fórmulas específicas de culto, eles são geralmente composições rítmicas, considerados como sendo de grande eficácia), e Homa (o rito sacrifical que consiste em derramar libações de manteiga clarificada no fogo) e o estudo dos Vedas, os Brahmanas constroem um barco Védico (literalmente, um barco feito dos Vedas) com o qual eles salvam outros e eles mesmos. Os próprios deuses estão satisfeitos com aquele homem que gratifica os Brahmanas. De fato, um homem pode alcançar o céu por ordem de um Brahmana. Tu, ó rei, sem dúvida ascenderá para regiões de felicidade eterna, por consequência do teu culto aos Pitris e aos deuses, e tua reverência pelos Brahmanas, mesmo que teu corpo seja cheio de líquidos fleumáticos e além disso tão grosseiro e inerte! Aquele que deseja a virtude e o céu deve adorar os Brahmanas. Deve-se alimentar Brahmanas cuidadosamente em ocasiões de Sraddhas, embora aqueles entre eles que estão amaldiçoados ou decaídos devam ser excluídos. Também devem ser excluídos cuidadosamente aqueles que são ou excessivamente claros ou excessivamente negros, aqueles que tem unhas infectadas, que são leprosos, que são enganadores, que são nascidos em ilegitimidade de viúvas ou de mulheres que tem maridos vivos; e aqueles também que se sustentam pela profissão de armas. O Sraddha que é censurável consome o realizador dele como fogo consumindo combustível. Se acontecer daqueles que vão ser empregados em Sraddhas serem estúpidos, cegos, ou surdos, deve ser tomado cuidado para empregá-los junto com Brahmanas conhecedores dos Vedas. Ó Yudhishthira, ouça agora para quem tu deves doar. Aquele que conhece todos os Vedas deve doar somente para aquele Brahmana hábil que é competente para resgatar ambos: o doador e ele mesmo, pois, de fato, deve ser considerado como hábil aquele que pode salvar o doador e ele mesmo. Ó filho de Pritha, os fogos sagrados não recebem tanta gratificação de libações de manteiga clarificada, de oferendas de flores e sândalo e outras pastas perfumadas, quanto do entretenimento de convidados. Portanto, esforce-te para entreter convidados, ó filho de Pandu! Ó rei, aqueles que dão para convidados água para lavar seus pés, manteiga para massagear suas pernas (cansadas), luz durante as horas de escuridão, alimento, e abrigo, não tem que ir perante Yama. A remoção (depois de culto) das oferendas floridas para os deuses, a remoção dos restos do banquete de um Brahmana, servir (um Brahmana) com pastas perfumadas, e a massagem dos membros de um Brahmana, são, cada um deles, ó principal dos reis, produtivo de mérito maior do que a doação de vacas. Uma pessoa, sem dúvida, salva a si mesma pela doação de uma vaca Kapila. Portanto, deve-se doar uma vaca Kapila enfeitada com ornamentos, para Brahmanas. Ó tu da raça Bharata, deve-se doar para uma pessoa de boa linhagem e conhecedora dos Vedas; para uma pessoa que é pobre; para um homem levando o modo de vida familiar mas sobrecarregado com mulher e filhos; para alguém que adora o fogo sagrado diariamente; e para alguém que não te fez serviço. Tu deves sempre doar para tais pessoas mas não para aquelas que estão em riqueza. Que mérito há, ó tu principal da raça Bharata, em doar para alguém que é rico? Uma vaca deve ser dada para um Brahmana. Uma única vaca não deve ser dada para muitos. Pois se a vaca assim doada (para muitos) for vendida, a família do doador está perdida por três gerações. Tal doação indubitavelmente não resgataria o doador nem o Brahmana que a recebe. Aquele que doa oitenta Ratis de ouro puro ganha o mérito de doar cem peças de ouro para sempre. Aquele que doa um touro forte capaz também de puxar o arado sem dúvida é salvo de todas as dificuldades e finalmente vai para o céu. Aquele que doa terra para um Brahmana erudito tem todos os seus desejos realizados. O viajante cansado, com membros enfraquecidos e pés sujos com poeira, pergunta pelo nome daquele que possa lhe dar alimento. Há homens que respondem a ele por lhe dizer o nome. Aquele homem sábio que informa estas pessoas cansadas o nome da pessoa que pode lhes dar alimento, é, sem dúvida, considerado como igual em mérito ao próprio doador de alimento. Portanto, abstendo-te de outros tipos de doação, doe alimento. Não há mérito (proveniente de doações) que seja tão grande quanto aquele de doar alimento. O homem que segundo a medida de seu poder dá alimento bem cozido e puro para os Brahmanas, obtém, por aquela ação dele, a companhia de Prajapati (Brahma). Não há nada superior ao alimento. Portanto, o alimento é considerado como a primeira e principal de todas as coisas (a serem doadas). É dito que o próprio alimento é Prajapati. E Prajapati é considerado como o Ano. E o Ano é sacrifício. E tudo está baseado em sacrifício, pois é do sacrifício que todas as criaturas, móveis e imóveis, tem sua origem. Por esta razão, é sabido por nós, o alimento é a principal de todas as coisas. Aqueles que doam lagos e grandes quantidades de água, e tanques e poços, e abrigos e comida e aqueles que tem palavras agradáveis para todos, não tem que ouvir as admoestações de Yama. Com aquele que doa arroz, e riqueza obtida por seu trabalho para Brahmanas de bom comportamento, a terra está satisfeita. E ela derrama sobre ele chuvas de riqueza. O doador de alimento caminha primeiro, depois dele o que fala a verdade e aquele que doa para pessoas que não solicitam. Mas os três vão para o mesmo lugar.'" Vaisampayana continuou, “Ouvindo tudo isso Yudhishthira, junto com seus irmãos mais novos, impelido pela curiosidade, dirigiu-se novamente a Markandeya de grande alma, dizendo, 'Ó grande Muni, qual é a distância da região de Yama daquela dos homens? Qual é sua medida? Como também os homens a atravessam? E por quais meios? Ó, diga-me tudo isso!' Markandeya disse, 'Ó rei, ó principal dos homens virtuosos, esta tua questão diz respeito a um grande mistério. Ele é sagrado e muito louvado pelos Rishis. Como isto também se refere à virtude, eu falarei disto para ti. A distância da região de Yama da residência dos homens é, ó rei, oitenta e seis mil Yojanas! O caminho é sobre o espaço, sem água, e muito terrível de se contemplar. Em lugar nenhum naquela estrada existe a sombra de uma árvore, em lugar nenhum alguma água, e em lugar nenhum algum lugar de descanso no qual o viajante, quando fatigado, possa descansar por alguns momentos. E homens e mulheres e todos sobre a terra que tem vida são levados forçosamente por este caminho pelos mensageiros de Yama. Aquelas criaturas que obedecem os mandatos do rei severo, e aqueles, ó rei, que doaram cavalos e outros bons transportes para Brahmanas procedem por este caminho naqueles animais e veículos. E aqueles que doaram guarda-sóis procedem por este caminho com guarda-sóis desviando os raios do sol. E aqueles que doaram alimento procedem sem fome, enquanto aqueles que não doaram alimento procedem afligidos pela fome. E aqueles que deram mantos procedem por este caminho vestidos em mantos enquanto aqueles que não deram nenhum procedem nus. E aqueles que deram ouro procedem em felicidade, eles mesmos enfeitados com ornamentos. E aqueles que deram terra procedem com todos os desejos completamente satisfeitos. E aqueles que doaram grãos procedem sem serem afligidos por qualquer carência. E aqueles que doaram casas procedem alegremente em carros. E aqueles homens que doaram alguma coisa para beber procedem com corações alegres não afligidos pela sede. E aqueles que doaram luzes procedem alegremente iluminando o caminho diante deles. E aqueles que doaram vacas procedem pelo caminho alegremente, livres de todos os seus pecados. E aqueles que jejuaram por um mês procedem em carros puxados por cisnes. E aqueles que jejuaram por seis noites procedem em carros puxados por pavões. E, ó filho de Pandu, aquele que jejua três noites a partir de uma única refeição sem uma segunda durante aquele período vai para uma região livre de doença e ansiedade. E a água tem esta propriedade excelente que ela produz felicidade na região de Yama. E aqueles que dão água encontram para si mesmos um rio lá de nome Pushpodaka. E os doadores de água sobre a terra bebem goles frescos e ambrosíacos daquele rio. E aqueles que são de más ações tem pus ordenado para eles. Assim, ó grande rei, aquele rio serve a todos os propósitos. Portanto, ó rei, adore devidamente estes Brahmanas (que estão contigo). Fraco em membros devido ao caminho que ele tem percorrido, e sujo com a poeira da estrada, o viajante pergunta pelo nome daquele que dá alimento, e vai com esperança para sua casa. Adore a ele com atenção reverente, pois ele de fato é um convidado, e ele é um Brahmana. Os deuses com Indra em sua chefia o seguem conforme ele procede. E se ele é adorado, os deuses com Indra ficam gratificados, e se ele não é adorado, os celestiais com seu chefe ficam desanimados. Portanto, ó tu principal dos reis, adore estes Brahmanas devidamente. Eu assim falei para ti sobre uma centena de assuntos. O que tu desejas ouvir de mim além disso?’ Yudhishthira disse, 'Ó mestre, tu és familiarizado com virtude e moralidade, e assim eu desejo repetidamente te ouvir enquanto tu falas sobre assuntos sagrados relacionados à virtude e moralidade.' Markandeya disse, 'Ó rei, eu agora falarei sobre outro assunto sagrado concernente a interesses eternos e capaz de purificar todos os pecados. Escute com atenção absorta. Ó tu principal dos Bharatas, o mérito igual àquele de doar uma vaca Kapila (no tirtha chamado) Jyeshtha-Pushkara resulta de lavar os pés de Brahmanas. Enquanto o solo permanecer molhado com a água que um Brahmana toucou com seus pés, os Pitris bebem água de xícaras feitas de folhas de lótus. Se o convidado é bem recebido (com perguntas sobre seu bem-estar), as divindades do fogo ficam contentes; e se a ele é oferecido um assento, é o deus de cem sacrifícios que é gratificado. Se seus pés são lavados, são os Pitris que são alegrados; e se ele é alimentado é Prajapati quem é agradado. Uma pessoa com alma controlada deve dar uma vaca quando (durante suas dores do parto) os pés e a cabeça de seu bezerro são visíveis, antes que seu parto esteja completo. Uma vaca com seu bezerro no ar rumo a cair do útero ao solo é para ser considerada como igual à própria terra. Aquele, portanto, que doa tal vaca colhe o mérito doar a terra. E aquele que doa semelhante vaca é adorado no céu por tantos milhares de Yugas quando as cerdas que há nos corpos do animal e de seu filhote juntos. E, ó Bharata, aquele que tendo aceitado uma coisa em doação a dá imediatamente para uma pessoa que é virtuosa e honesta, colhe mérito muito grande. Sem dúvida, ele colhe o fruto da doar a terra inteira até seus limites máximos e com seus oceanos e mares e cavernas, suas montanhas e florestas e bosques. Aquele Brahmana que come em silêncio de um prato, mantendo suas mãos entre seus joelhos, consegue salvar outros. E aqueles Brahmanas que se abstém de bebida e que nunca são citados por outros como tendo quaisquer defeitos e que lêem os Samhitas diariamente, são capazes de salvar outros. Libações de manteiga e oferendas comestíveis devem ser todas oferecidas para um Brahmana que é instruído nos Vedas. E como libações de manteiga clarificada derramadas no fogo nunca são infrutíferas, assim doações para Brahmanas virtuosos versados nos Vedas nunca podem ser em vão. Os Brahmanas tem a ira como sua arma; eles nunca lutam com armas de ferro e aço. De fato os Brahmanas matam com raiva como Indra matando os Asuras com seu raio.’ Dessa maneira a preleção concernente à virtude e moralidade está agora terminada. Ouvindo isto, os Munis da floresta de Naimisha estavam cheios de deleite. E aqueles ascetas estavam também livres de aflição e raiva por escutá-la. E eles estavam também purgados de todos os seus pecados por consequência disto. E, ó rei, os seres humanos que a escutam ficam livres da obrigação do renascimento.'” "Yudhishthira disse, 'Ó tu de grande sabedoria, qual purificação há pela qual um Brahmana pode sempre se manter puro? Eu desejo ouvir sobre isto de ti, ó principal de todos os homens virtuosos!’" "Markandeya respondeu, 'Há três espécies de pureza, isto é, pureza em palavras, pureza em ações, e pureza obtida pelo uso de água. Aquele que recorre a estes três diferentes tipos de pureza, alcança, sem dúvida, o céu. Aquele Brahmana que adora a deusa Sandhya de manhã e à noite, e que recita meditativamente a deusa sagrada Gayatri que é a mãe dos Vedas, santificado pela última, é libertado de todos os seus pecados. Mesmo que ele aceite em doação a terra inteira com seus oceanos, ele, por causa disso, não sofre a mínima tristeza. E aqueles corpos celestes no céu incluindo o sol que pode ser inauspicioso e hostil em direção a ele logo se torna auspicioso e favorável para com ele por causa destes atos dele, enquanto aquelas estrelas que são propícias e favoráveis se tornam mais propícias e mais favoráveis por consequência de tal conduta dele. E Rakshasas terríveis que subsistem de comida animal, ou gigantescos e de aparência feroz, todos se tornam incapazes de prevalecer sobre um Brahmana que pratica estas purificações. Os Brahmanas são assim como fogos ardentes. Eles não incorrem em erro em consequência do ensino, de oficiar em sacrifícios, e de aceitar doações de outros. Se o Brahmana for conhecedor dos Vedas ou ignorante deles, se eles forem puros ou impuros, eles nunca devem ser insultados, pois Brahmanas são como fogos. Como o fogo que resplandece no local reservado para a cremação dos mortos nunca é considerado impuro por causa disso, assim o Brahmana, seja ele erudito ou ignorante, é sempre puro. Ele é formidável e um verdadeiro deus! Cidades que são adornadas com paredes e portões e palácios uns depois dos outros perdem sua beleza se elas forem desprovidas de Brahmanas. É uma cidade, de fato, ó rei, aquela onde Brahmanas versados nos Vedas, cumprindo devidamente os deveres da sua classe e possuidores de erudição e mérito ascético, residem. Ó filho de Pritha, aquele local, seja ele uma floresta ou terra de pastagem, onde Brahmanas eruditos residem, é chamado de uma cidade. E aquele local, ó rei, se torna um tirtha também. Por se aproximar de um rei que oferece proteção, como também de um Brahmana possuidor de mérito ascético, e por oferecer adoração a ambos, um homem pode purgar seus pecados imediatamente. Os eruditos dizem que abluções nos tirthas sagrados, recitação dos nomes dos santos, e conversa com os bons e virtuosos, são todos atos dignos de louvor. Aqueles que são virtuosos e honestos sempre se consideram como santificados pela companhia santa de pessoas como eles mesmos e pela água da conversa pura e sagrada. Carregar três bastões, o voto de silêncio, cabelo emaranhado na cabeça, raspar a cabeça, cobrir o próprio corpo com cascas de árvores e camurças, a prática de votos, abluções, o culto do fogo, residência nas florestas, emaciação do corpo, todos estes são inúteis se o coração não for puro. A indulgência dos seis sentidos é fácil, se a pureza não for procurada no objeto de prazer. Abstinência, no entanto, a qual em si mesma é difícil, raramente é fácil sem pureza dos objetos de prazer. Ó rei de reis, entre os seis sentidos, só a mente que é facilmente movida é o mais perigoso! Aquelas pessoas de grande alma que não cometem pecados em palavras, atos, coração e alma, são citadas como praticando austeridades ascéticas, e não aquelas que permitem que seus corpos sejam consumidos por jejuns e penitências. Aquele que não tem sentimento de bondade por parentes não pode ser liberto do pecado mesmo que seu corpo seja puro. Aquela sua desumanidade é o inimigo do seu ascetismo. Ascetismo, além disso, não é mera abstinência dos prazeres do mundo. Aquele que é sempre puro e decorado com virtude, aquele que pratica bondade toda sua vida, é um Muni mesmo que ele possa levar uma vida familiar. Tal homem é purgado de todos os seus pecados. Jejuns e outras penitências não podem destruir pecados, embora eles possam enfraquecer muito e secar o corpo que é feito de carne e sangue. O homem cujo coração é sem santidade, sofre tortura somente por praticar penitências em ignorância do seu significado. Ele nunca é liberto dos pecados por tais ações. O fogo que ele cultua não consome seus pecados. É por causa da santidade e virtude somente que homens alcançam regiões de bem aventurança, e jejuns e votos se tornam eficazes. Subsistência de frutas e raízes, o voto de silêncio, viver do ar, raspar a cabeça, abandono de um lar fixo, o uso de madeixas emaranhadas na cabeça, deitar sob o abrigo do céu, jejuns diários, o culto do fogo, imersão em água, e deitar sobre o solo nu, só estes não podem produzir semelhante resultado. Somente aqueles que são possuidores de santidade conseguem, por conhecimento e ações, conquistar doença, decrepitude e morte, e alcançar uma posição elevada. Como sementes que foram chamuscadas por fogo não germinam, assim as dores que foram queimadas pelo conhecimento não podem afetar a alma. Este corpo inerte que é somente como um bloco de madeira quando desprovido de alma, é, sem dúvida, de vida curta como espuma no oceano. Aquele que obtém uma visão de sua alma, a alma que reside em todo corpo, pela ajuda de uma ou metade de uma linha rítmica (dos Vedas), não tem mais necessidade de qualquer coisa. Alguns obtendo o conhecimento da identidade com a Alma Suprema somente por duas letras (dos Vedas) e alguns por centenas e milhares de linhas rítmicas, alcançam salvação, pois o conhecimento da própria identidade com a Alma Suprema é a indicação indubitável de salvação. Os homens de antigamente, eminentes por seu conhecimento, disseram que nem este mundo nem o (mundo) futuro nem felicidade podem ser daquele que é perturbado por dúvidas. E convicção da própria identidade com a Alma Suprema é a indicação de salvação. Aquele que conhece o sentido verdadeiro dos Vedas compreende seu uso verdadeiro. Tal homem é assustado pelo ritual Védico como um homem à visão de um incêndio florestal. Abandonando discussão improdutiva, recorra a Sruti e Smriti, e procure, com a ajuda do teu raciocínio, o conhecimento do Único Imperecível que é sem um segundo. A busca de alguém (por este conhecimento) se torna inútil por imperfeição dos meios. Portanto, uma pessoa deve se esforçar cuidadosamente para obter aquele conhecimento pela ajuda dos Vedas. Os Vedas são a Alma Suprema; eles são Seu corpo; eles são a Verdade. A alma que é limitada pelo organismo animal é incompetente para conhecer Aquele em quem todos os Vedas imergem. Aquela Alma Suprema, no entanto, é capaz de ser conhecida pelo intelecto puro. A existência dos deuses como afirmada nos Vedas, a eficácia das ações, e a capacidade para a ação de seres providos com corpos, são evidentes em todo Yuga. Independência destes e aniquilação devem ser procurados por pureza dos sentidos. Portanto, a suspensão da função dos sentidos é o jejum verdadeiro. Uma pessoa pode alcançar o céu pelo ascetismo, ela pode obter objetos de prazer pela prática da caridade e pode ter seus pecados purgados por meio de abluções em tirthas. Mas a emancipação completa não pode ser tida exceto pelo conhecimento.'" Vaisampayana continuou, "Assim endereçado, ó grande rei, pelo Rishi, Yudhishthira de grande fama então disse, 'Ó santo, eu desejo escutar às regras acerca daquela caridade que é meritória.’" "Markandeya disse, 'Ó grande rei, ó Yudhishthira, as regras sobre caridade as quais tu desejas ouvir de mim são sempre muito consideradas por mim. Escute agora aos mistérios da caridade como explicados no Sruti e Smritis! Um homem que realiza um Sraddha na conjunção chamada Gajacchaya em um lugar que é abanado pelas folhas da árvore Aswattha desfruta dos resultados disso, ó Yudhishthira, por cem mil kalpas. Ó rei, aquele que erige um Dharmasala e estabelece lá uma pessoa para cuidar de todos os que chegam, é coroado com os méritos de todos os sacrifícios. Aquele que doa um cavalo em um tirtha onde a correnteza do rio corre em uma direção oposta ao seu curso usual, colhe mérito que é inesgotável. O convidado que chega na casa de alguém em busca de alimento é nenhum outro além do próprio Indra. Se ele é regalado com alimento, o próprio Indra confere (ao anfitrião) o melhor mérito que é inesgotável. Como homens atravessam mares por meio de barcos, assim os doadores acima mencionados são salvos de todos os seus pecados. E assim o que é dado para Brahmanas produz, como doação de coalhos, méritos inesgotáveis. Uma doação em lunações específicas produz mérito que é duas vezes o tanto de uma doação em outros dias. Aquela em uma estação específica produz mérito dez vezes maior do que em outras estações. Aquela em um ano específico produz mérito cem vezes maior do que em outros anos. E por fim, uma doação no último dia do último mês do ano produz mérito que é inesgotável. Uma doação também que é feita enquanto o Sol está nos pontos solsticiais, uma além disso que é feita no último dia do caminho do Sol por Libra, Áries, Gêmeos, Virgem, e Peixes, uma doação também durante eclipses da Lua e do Sol, produz mérito que é inesgotável. Os eruditos dizem também que doações feitas durante as estações produzem mérito que é dez vezes; aquelas feitas durante a mudança de estações, cem vezes; e aquelas feitas durante os dias quando Rahu está visível, mil vezes maior do que o que é produzido por doações em outra época; enquanto uma doação feita no último dia da passagem do Sol por Libra e Áries produz mérito que não conhece diminuição. Ó rei, ninguém pode desfrutar de posses de terra a menos que ele doe terra, e ninguém pode andar em carros e veículos a menos que ele doe estes. De fato, uma pessoa no renascimento obtém a realização de quaisquer objetivos que ela tenha em vista no momento de fazer uma doação para um Brahmana. O ouro surgiu do Fogo; a Terra de Vishnu; e as vacas do Sol. Aquele, portanto, que doa ouro, terra, e vacas alcança todas as regiões de Agni, Vishnu, e do Sol. Não há nada tão eterno quanto uma doação. Onde, portanto, nos três mundos há alguma coisa que seja mais auspiciosa? É por isto, ó rei, que aqueles que tem grande inteligência dizem que não há nada mais elevado e grandioso nos três mundos do que a caridade!'" 200 Vaisampayana disse, "Tendo, ó grande rei, ouvido do ilustre Markandeya a história da obtenção do céu pelo sábio real Indradyumna, Yudhishthira, aquele touro da raça Bharata, questionou novamente aquele Muni impecável dotado de grande mérito ascético e vida longa, dizendo, 'Tu conheces, ó virtuoso, a hoste inteira dos deuses, dos Danavas, e dos Rakshasas. Tu estás familiarizado também com várias genealogias reais e muitas linhagens eternas de Rishis! Ó melhor dos Brahmanas, não há nada neste mundo que tu não saibas! Tu conheces também, ó Muni, muitas histórias encantadoras sobre homens, Cobras e Rakshasas; sobre deuses, Gandharvas, e Yakshas, e sobre Kinnaras e Apsaras! Eu desejo agora saber de ti, ó melhor de Brahmanas, por que Kuvalaswa, aquele rei invicto da linhagem de Ikshavaku mudou seu nome, assumindo outro, isto é, Dhundhumara. Ó tu melhor da linhagem Bhrigu, eu desejo saber em detalhes por que o nome de Kuvalaswa de grande inteligência sofreu tal mudança!'" Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por Yudhishthira, o grande Muni Markandeya, ó Bharata, então começou (a contar) a história de Dhundhumara! Markandeya disse, 'Ó nobre Yudhishthira, ouça-me, eu te contarei tudo! A história de Dhundhumara é uma (história) moral. Escute-a então! Ouça agora, ó rei, à história de como o rei Kuvalaswa da linhagem de Ikshvaku veio a ser conhecido como Dhundhumara. Ó filho, ó Bharata, havia um Rishi célebre de nome Utanka e, ó tu da raça Kuru, Utanka tinha seu eremitério em uma selva encantadora. E, ó grande rei, o Rishi Utanka praticava austeridades ascéticas do tipo mais rígido e o senhor Utanka praticou aquelas penitências por inúmeros anos com o objetivo de obter os favores de Vishnu, e satisfeito com suas penitências aquele Senhor ilustre se apresentou perante Utanka. E vendo aquela Divindade, o Rishi com toda humildade começou a gratificá-lo com muitos hinos, e Utanka disse, 'Ó tu de grande resplendor, todas as criaturas com os deuses, Asuras e seres humanos, todas as coisas que são móveis ou imóveis, até o próprio Brahma, os Vedas, e todas as coisas que podem ser conhecidas, ó senhor, foram criadas por ti! O firmamento é a tua cabeça, ó deus, e o sol e a lua são teus olhos! E, ó Imperecível, os ventos são tua respiração e o fogo tua energia! As direções do horizonte constituem teus braços e o grande oceano teu estômago! E, ó deus, as colinas e montanhas constituem tuas coxas e o céu teus quadris, ó matador de Madhu! A terra constitui teus pés, e as plantas as cerdas no teu corpo. E, ó senhor, Indra e Soma e Agni e Varuna, de fato todos os deuses, os Asuras e as grandes Cobras todos te servem com humildade, te adorando com vários hinos! Ó Senhor do Universo, as coisas criadas são permeadas por ti. Os grandes Rishis de energia sublime e sempre imersos em meditação ascética sempre te veneram. Quando tu estás satisfeito o universo está em paz. E quando tu estás zangado, o terror permeia todas as almas. Tu és, ó Senhor, o grande dissipador de todos os terrores e tu és o Único Ser Masculino Supremo! Tu és a causa da felicidade de ambos: deuses e seres humanos! E, ó Senhor, por três passos teus tu cobriste os três mundos! E foi por ti que Asuras no auge de seu poder foram destruídos! É devido à tua destreza, ó Deus, que os celestiais obtiveram paz e felicidade e, ó tu de grande resplendor, foi a (tua) raiva que destruiu centenas de grandes chefes Daitya. Tu és o Criador e o Destruidor de todas as criaturas no mundo. É por te adorar que os deuses tem obtido felicidade.’ Foi assim, ó Yudhishthira, que o Utanka de grande alma louvou o Senhor dos sentidos. E Vishnu, portanto, disse para Utanka, 'Eu estou satisfeito contigo. Peça a bênção que tu desejas.' E Utanka disse, ‘Esta, de fato, é uma grande bênção para mim, que eu tenha podido contemplar Hari, aquele Ser eterno, aquele Criador divino, aquele Senhor do universo!’ Assim endereçado Vishnu disse, 'Eu estou satisfeito com esta ausência de todos os desejos da tua parte e com tua devoção, ó tu melhor dos homens! Mas, ó Brahmana, ó regenerado, tu com certeza deves aceitar algum benefício de mim!’ Assim requisitado por Hari para aceitar um benefício Utanka então, ó tu melhor dos Bharatas, com mãos unidas pediu um benefício dizendo, 'Ó ilustre, ó tu de olhos como folhas de lótus, se tu estás satisfeito comigo, então que meu coração sempre se apóie na virtude, verdade, e auto-contentamento. E, ó Senhor, que meu coração sempre se dirija a ti em devoção.' E ouvindo essas palavras de Utanka, o santo disse, 'Ó regenerado, tudo isso acontecerá para ti através da minha graça. E também surgirá em ti um poder yogue dotado do qual tu realizarás uma coisa grandiosa para os habitantes do Céu, como também para o mundo triplo. Agora mesmo um grande Asura de nome Dhundhu está praticando penitências ascéticas de austeridade feroz com o objetivo de destruir o mundo triplo. Saiba agora quem matará aquele Asura. Ó filho, surgirá um rei de energia invencível e grande coragem e ele nascerá na linhagem de Ikshvaku e será conhecido pelo nome de Vrihadaswa, que terá um filho de nome Kuvalaswa dotado de grande santidade e autocontrole e celebridade. E aquele melhor dos reis será provido de poder yogue originado de mim e incitado e recomendado por ti, ó Rishi regenerado, aquele rei será o matador do Asura Dhundhu.' E tendo dito essas palavras para aquele Brahmana, Vishnu desapareceu." 201 Markandeya disse, "Ó rei, depois da morte de Ikshvaku, um rei muito virtuoso de nome Sasada, ascendendo ao trono de Ayodhya, governou esta terra. E de Sasada descendeu Kakutstha de grande energia. E Kakutshta teve um filho de nome Anenas. E Anenas teve um filho chamado Prithu e Prithu teve um filho chamado Viswagaswa e de Viswagaswa nasceu Adri e de Adri nasceu Yuvanaswa e de Yuvanaswa nasceu Sravastha e foi por Sravastha que a cidade chamada Sravasthi foi construída, e de Sravastha descendeu Vrihadaswa e de Vrihadaswa nasceu Kuvalaswa e Kuvalaswa teve vinte e um mil filhos e todos aqueles filhos eram impetuosos e poderosos e hábeis em erudição. E Kuvalaswa sobrepujou seu pai em todas as qualidades. E quando chegou o momento, seu pai Vrihadaswa instalou a ele, aquele corajoso e muito virtuoso Kuvalaswa, no trono. E tendo assim transferido a dignidade real para seu filho, aquele matador de inimigos, o rei Vrihadaswa de grande inteligência se retirou às florestas para ascetismo." "Markandeya continuou, 'Ó rei, quando o sábio real Vrihadaswa estava prestes a se retirar para as florestas, aquele melhor dos Brahmanas, Utanka, soube disto. E Utanka que era possuidor de grande energia e alma incomensurável se aproximou daquele principal de todos os manejadores de armas e melhor dos homens. E se aproximando dele, os Rishis começaram o persuadi-lo para desistir do ascetismo. E Utanka disse, 'Ó rei, proteger (o povo) é teu dever. Cabe a ti cumprir este teu dever. Que nós sejamos libertos de toda ansiedade pela tua graça. Possuidor como tu és de uma grande alma, protegida por ti, a terra será libertada de todos os perigos. Portanto, não cabe a ti retirar-te para as florestas. Grande mérito se vincula à ação de proteger pessoas neste mundo. Mérito semelhante nunca pode ser obtido nas florestas. Não deixe teu coração, portanto, ir para esta direção. O mérito, grande rei, que foi obtido antigamente por grandes sábios reais por protegerem seus súditos era tão grande que nada igual a isto podia ser visto. O rei deve sempre proteger seus súditos. Cabe a ti, portanto, proteger teu povo. Ó senhor da terra, eu não posso (no momento) realizar minhas devoções ascéticas pacificamente. Perto do meu retiro há um mar de areias conhecido pelo nome de Ujjalaka. E ele ocupa um país plano e é sem qualquer água. E ele se estende por muitos yojanas em comprimento e largura e naquele deserto mora um chefe dos Danavas chamado pelo nome de Dhundhu. E Dhundhu é o filho de Madhu e Kaitabha, e é feroz e terrível e possuidor de grande bravura. E dotado de energia imensurável, aquele Danava, ó rei, mora sob o solo, e, ó rei, cabe a ti retirar-te para as florestas tendo primeiro matado aquele Asura. Aquele Asura está agora deitado imóvel no cumprimento de uma penitência ascética de grande austeridade e, ó rei, o objetivo que ele tem em vista é a soberania sobre os celestiais como também dos três mundos. E, ó rei, tendo obtido um benefício do Avô de todas as criaturas, aquele Asura se tornou incapaz de ser morto pelos deuses e Daityas e Rakshasas e Gandharvas. Mate-o no entanto, ó rei, e sejas abençoado e não deixe teu coração se dirigir para alguma outra direção. Por matares a ele tu sem dúvida realizarás uma coisa formidável e tu também obterás fama eterna e imperecível. E ó rei, quando no fim de todo ano aquele Asura pecaminoso deitado coberto com areias acorda e começa a respirar, então a terra inteira com suas montanhas, florestas e bosques começa a tremer. E sua respiração ergue nuvens de areias, e esconde o próprio sol, e por sete dias a terra treme continuamente por todos os lados, e faíscas e chamas de fogo misturadas com fumaça se espalham muito longe em volta e por tudo isso, ó rei, eu não posso descansar em paz no meu retiro. Mate-o, ó rei, para o bem do mundo. De fato, quando aquele Asura estiver morto o mundo triplo estará em paz e felicidade. Tu és competente, ó rei, para matar aquele Asura, eu creio plenamente. Tua energia será aumentada por Vishnu com a adição da sua própria. Antigamente, ó rei, Vishnu deu esta bênção que o rei que deveria matar este Asura feroz e violento seria permeado pela energia invencível do próprio Vishnu. Levando aquela energia Vaishnava invencível em ti mesmo, mate, ó grande rei, aquele Daitya de bravura ardente. Como Dhundhu é possuidor de energia poderosa, ninguém, ó rei, que seja dotado de pouca energia em si mesmo seria capaz de destruí-lo, mesmo que ele se esforçasse por uma centena de anos.'" 202 "Markandeya disse, 'Assim endereçado por Utanka, aquele sábio real invencível, com mãos unidas, ó tu principal da raça Kuru, respondeu para Utanka, dizendo, 'Esta tua visita, ó Brahmana, não será em vão. Este meu filho, ó santo, conhecido pelo nome de Kuvalaswa é dotado de firmeza e energia. Em coragem também ele é inigualável sobre a terra. Sem dúvida ele realizará tudo isso que é agradável para ti, ajudado por todos os seus filhos valentes dotados de braços semelhantes a maças de ferro. Dê-me permissão para me retirar, ó Brahmana, pois eu agora abandonei minhas armas.' Assim endereçado pelo rei, aquele Muni de energia incomensurável respondeu para ele dizendo, 'Assim seja.’ E o sábio real Vrihadaswa então, tendo recomendado seu filho para obedecer a ordem de Utanka de grande alma dizendo, 'Que isto seja feito por ti,' se retirou para uma floresta excelente.’ Yudhishthira disse, 'Ó santo, ó tu possuidor da riqueza de ascetismo, quem era aquele Daitya de grande energia? Ele era filho de quem e neto de quem? Eu desejo saber tudo isso; ó tu possuidor da riqueza de ascetismo, eu nunca ouvi sobre este Daitya poderoso antes. Eu desejo saber tudo isto realmente, ó santo, e com todos os pormenores em detalhes, ó tu de grande sabedoria e riqueza ascética!'” "Markandeya disse, 'Ó monarca, saiba como tudo aconteceu, ó soberano de homens, enquanto eu narro os detalhes realmente, ó tu de grande sabedoria! Quando o mundo se tornou uma vasta extensão de água e as criaturas móveis e imóveis tinham sido destruídas, quando, ó touro da raça Bharata, a criação inteira teve seu fim, Ele que é a Fonte e Criador do Universo, o Eterno e Imperecível Vishnu, Ele que é chamado por Munis coroados com êxito ascético como o Senhor Supremo do Universo, aquele Ser de grande santidade, então se deitou em sono de Yoga sobre o capelo amplo da Cobra Sesha de energia incomensurável, e o Criador do Universo, o altamente abençoado e santo Hari, que não conhece deterioração, deitou-se sobre o capelo daquela Cobra que cerca a Terra inteira e quando a Divindade deitou-se adormecida sobre aquele leito, um lótus, dotado de grande beleza e refulgência igual àquela do Sol, surgiu de seu umbigo. E daquele lótus possuidor de refulgência semelhante àquela do Sol surgiu o Avô Brahma, aquele senhor dos mundos que é os quatro Vedas, que tem quatro formas e quatro faces, que é invencível por consequência da sua própria energia e que é dotado de força imensa e grande destreza. E quando o Senhor Hari de forma maravilhosa, possuidor de grande brilho e enfeitado com uma coroa e a jóia Kaustubha e vestido em seda roxa deitou-se esticado por muitos yojanas naquele leito excelente provido pelo capelo da própria cobra, ela mesma se estendendo muito longe e amplamente, resplandecendo, ó rei, em sua beleza e o brilho do seu próprio corpo como mil Sóis concentrados em uma massa, Ele foi visto algum tempo depois por dois Danavas de grande coragem chamados Madhu e Kaitabha, e vendo Hari (naquela postura) e o Avô com olhos como folhas de lótus sentado sobre aquele lótus, ambos, Madhu e Kaitabha, vaguearam muito e eles começaram a apavorar e alarmar Brahma de destreza incomensurável, e o ilustre Brahma alarmado por seus esforços contínuos tremeu em seu assento, e por causa do seu tremor o caule do lótus no qual ele estava sentado começou a tremer, e quando o talo de lótus tremeu, Kesava despertou. E despertado de seu sono, Govinda viu aqueles Danavas de energia poderosa, e vendo-os a Divindade disse para eles, 'Bem vindos, ó poderosos! Eu estou satisfeito com vocês! Portanto, eu lhes concederei benefícios excelentes!' E então ambos aqueles Danavas orgulhosos e poderosos, ó rei, dando risada responderam para Hrishikesa, dizendo, 'Peça benefícios de nós, ó Divino! Ó tu que és a Divindade Suprema, nós estamos dispostos a te conceder um benefício. De fato, nós te concederemos um benefício! Portanto, peça de nós qualquer coisa que venha à tua mente.' Assim endereçado por eles o santo falou, 'Ó valentes, eu aceitarei um benefício de vocês. Há um benefício que eu desejo. Vocês dois são possuidores de energia poderosa. Não há ser masculino semelhante a algum de vocês. Ó vocês de coragem imbatível, submetam-se a serem mortos por mim. Isto mesmo é o que eu desejo realizar para o bem do mundo.' Ouvindo estas palavras da Divindade, ambos Madhu e Kaitabha disseram, 'Nós nunca antes falamos uma mentira; não, nem de brincadeira; o que nós diremos de outras ocasiões? Ó tu principal dos Seres masculinos, saiba que nós sempre fomos firmes em verdade e moralidade. Em força, em formas, em beleza, em virtude, em ascetismo, em caridade, em comportamento, em bondade, em autocontrole, não há ninguém que seja igual a um de nós. Um grande perigo, ó Kesava, se aproximou de nós. Realize, portanto, o que tu disseste. Ninguém pode prevalecer sobre o Tempo. Mas, ó Senhor, há uma coisa que nós desejamos que seja feita por ti. Ó tu melhor e principal de todas as Divindades, tu deves nos matar em um local que esteja absolutamente descoberto. E, ó tu de olhos excelentes, nós também desejamos nos tornar teus filhos. Saiba que este é o benefício que nós desejamos, ó chefe dos deuses! Ó Divindade, que não seja falso aquilo que tu nos prometeste a princípio.' O Santo então respondeu para eles dizendo, 'Sim, eu farei como vocês desejam. Tudo será como vocês desejam!'” "Markandeya continuou, 'Então Govinda começou a refletir, mas ele não encontrou espaço descoberto, e quando ele não pode descobrir algum lugar que estivesse descoberto na terra ou no céu, aquela Divindade principal então viu que suas coxas estavam absolutamente descobertas. E lá, ó rei, a Divindade ilustre cortou as cabeças de Madhu e Kaitabha com seu disco de gume afiado!'" 203 "Markandeya disse, 'O ilustre Dhundhu, ó rei, era o filho de Madhu e Kaitabha, e possuidor de grande energia e coragem, ele praticou penitências ascéticas de grande austeridade e ele permaneceu ereto sobre uma perna e reduziu seu corpo a uma massa só de veias e artérias, e Brahma, satisfeito com ele, lhe deu um benefício. E o benefício que ele pediu do senhor Prajapati estava nestas palavras, 'Que ninguém entre os deuses, os Danavas, os Rakshasas, as Cobras, os Gandharvas e os Rakshasas seja capaz de me matar. Este mesmo é o benefício que eu peço de ti.' E o Avô respondeu para ele dizendo, 'Que seja como tu desejas. Siga teu caminho.' E assim endereçado pelo Avô, o Danava colocou os pés da Divindade em sua cabeça e tendo assim tocado com reverência os pés da Divindade ele foi embora. E possuidor de energia e coragem imensas, Dhundhu, tendo obtido o benefício, se aproximou rapidamente de Vishnu lembrando-se da morte de seu pai nas mãos daquela Divindade, e o colérico Dhundhu tendo derrotado os deuses com os Gandharvas começou a afligir todos os celestiais com Vishnu em sua liderança. E finalmente, ó touro da raça Bharata, aquele Asura de alma pecaminosa chegando em um mar de areias conhecido pelo nome de Ujjalaka, começou a afligir ao máximo de seu poder o retiro de Utanka. E dotado de energia ardente, Dhundhu, o filho de Madhu e Kaitabha, deitou-se em sua caverna subterrânea sob as areias na observância de austeridades ascéticas ardentes e severas com o objetivo de destruir o mundo triplo, e enquanto o Asura deitava respirando perto do retiro de Utanka, aquele Rishi possuidor do esplendor do fogo, o rei Kualaswa com suas tropas, acompanhado pelo Brahmana Utanka, como também por todos os seus filhos partiu para aquela região, ó touro da raça Bharata! E depois que aquele opressor de inimigos, o nobre Kuvalaswa, tinha partido, acompanhado por seus vinte e um mil filhos todos os quais eram extremamente poderosos, o ilustre Senhor Vishnu encheu-o com sua própria energia por ordem de Utanka e impelido pelo desejo de beneficiar o mundo triplo, e enquanto aquele herói invencível estava procedendo em seu caminho uma voz alta foi ouvida no céu repetindo as palavras, 'Este afortunado e que não pode ser morto se tornará o destruidor de Dhundhu hoje.' E os deuses começaram a derramar flores celestes sobre ele. E os timbales celestes começaram a soar sua música embora ninguém os tocasse. E durante a marcha daquele sábio brisas frescas começaram a soprar e o chefe dos celestiais derramou chuvas suaves molhando a poeira das estradas e, ó Yudhishthira, os carros dos celestiais podiam ser vistos no alto acima do local onde o poderoso Asura Dhundhu estava. Os deuses e Gandharvas e grandes Rishis incitados pela curiosidade foram lá para ver o combate entre Dhundhu e Kuvalaswa e, ó tu da raça Kuru, enchido por Narayana com sua própria energia, o rei Kuvalaswa, ajudado por seus filhos, logo cercou aquele mar de areias e o rei ordenou que aquele deserto fosse escavado. E depois que os filhos do rei tinham escavado aquele mar de areias por sete dias eles puderam ver o poderoso Asura Dhundhu. E, ó touro da raça Bharata, o corpo enorme daquele Asura jazia dentro daquelas areias, refulgente em sua própria energia como o próprio Sol. E Dhundhu, ó rei, estava deitado cobrindo a região oeste do deserto e cercado por todos os lados pelos filhos de Kuvalaswa. O Danava foi atacado com flechas de pontas afiadas e maças e clavas pesadas e curtas e machados e cassetetes, com pontas de ferro e dardos e espadas brilhantes e de gume afiado, e assim atacado, o Danava poderoso se levantou em cólera de sua postura deitada. E enfurecido, o Asura começou a engolir aquelas várias armas que eram arremessadas nele e ele vomitou de sua boca chamas ardentes como aquelas do fogo chamado Samvarta que aparece no fim do Yuga, e por meio daquelas chamas dele o Asura consumiu todos os filhos do rei e, ó tigre entre homens, como o Senhor Kapila antigamente consumindo o filhos do rei Sagara, o Asura enfurecido oprimindo o mundo triplo com as chamas vomitadas de sua boca realizou aquela façanha extraordinária em um instante. E, ó tu melhor dos Bharatas, quando aqueles filhos de rei Kuvalaswa foram consumidos pelo fogo emitido pelo Asura em cólera, o monarca, possuidor como ele era de grande energia, então se aproximou do Danava que, semelhante a um segundo Kumbhakarna de energia poderosa, tinha vindo para o combate depois de acordar do seu sono. Do corpo do rei, ó monarca, então começou a fluir uma corrente forte e abundante de água, e aquela corrente logo extinguiu, ó rei, as chamas ardentes emitidas pelo Asura. E, ó grande rei, o nobre Kuvalaswa, cheio com força de Yoga, tendo extinguido aquelas chamas por meio da água que emanou de seu corpo, destruiu aquele Daitya de bravura perversa com a arma célebre chamada Brahma para livrar o mundo triplo de seus medos, e o sábio real Kuvalaswa, tendo destruído aquele grande Asura, aquele inimigo dos celestiais e matador de todos os inimigos, por meio daquela arma, se tornou como um segundo chefe do mundo triplo. E o rei Kuvalaswa de grande alma tendo matado o Asura Dhundhu se tornou desde aquele tempo conhecido pelo nome de Dhundhumara e desde aquela época ele veio a ser considerado como invencível em batalha, e os deuses e os grandes Rishis que tinham ido testemunhar aquele confronto estavam tão satisfeitos com ele que se dirigiram a ele dizendo, 'Peça um benefício de nós!' E assim solicitado pelos os deuses, o rei se curvou a eles e cheio de alegria disse a eles, com mãos unidas, estas palavras, 'Que eu seja sempre capaz de dar riqueza para Brahmanas superiores! Que eu seja invencível com relação a todos os inimigos! Que haja amizade entre eu mesmo e Vishnu! Que eu não tenha animosidade para com alguma criatura! Que meu coração sempre se dirija à virtude! E que eu (finalmente) more no céu para sempre!' E os deuses e os Rishis e Utanka, ouvindo isto, estavam muito satisfeitos e todos disseram, 'Que seja como tu desejas!' E, ó rei, tendo também o abençoado com muitas outras palavras, os deuses e os grandes Rishis então partiram para suas respectivas residências. E, ó Yudhishthira, depois da morte de todos os seus filhos, o rei Kuvalaswa tinha ainda três filhos restantes, e, ó tu da raça Bharata, eles se chamavam Dridaswa e Kapilaswa e Chandraswa. Foi deles, ó rei, que a linhagem ilustre de reis pertencentes à raça de Ikshvaku, todos possuidores de coragem incomensurável, surgiu. Foi assim, ó melhor dos reis, que aquele grande Daitya de nome Dhundhu, o filho de Madhu e Kaitabha, foi morto por Kuvalaswa e foi por isso também que aquele rei veio a ser chamado pelo nome de Dhundhumara. E de fato, o nome que ele assumiu não era vão, mas era literalmente verdadeiro. Eu agora te disse tudo o que tu me perguntaste, isto é, tudo acerca daquela pessoa por consequência de cujo ato a história da morte de Dhundhu se tornou famosa. Aquele que ouve esta história sagrada ligada com a glória de Vishnu se torna virtuoso e obtém filhos. Por escutar a esta história em lunações específicas uma pessoa vem a ser abençoada com vida longa e grande prosperidade. E livre de toda ansiedade ela cessa de ter qualquer medo de doenças." 204 Vaisampayana disse, "Ó tu principal da raça Bharata, o rei Yudhishthira então fez ao ilustre Markandeya uma pergunta difícil sobre moralidade, dizendo, 'Eu desejo saber, ó santo, acerca da virtude elevada e excelente das mulheres. Eu desejo ouvir de ti, ó Brahmana, palavras sobre as verdades sutis de moralidade. Ó Rishi regenerado, ó melhor dos homens, o Sol, a Lua, o Vento, a Terra, o Fogo, o pai, a mãe, o preceptor, estes e outros objetos ordenados pelos deuses, parecem para nós como Divindades incorporadas! Todos estes que são reverendos são dignos do nosso melhor respeito. Assim também é a mulher que venera um marido. O culto que esposas castas oferecem para seus maridos me parece ser repleto de grande dificuldade. Ó adorável, cabe a ti nos falar da virtude sublime e excelente de esposas castas, de esposas que reprimindo todos os seus sentidos e mantendo seus corações sob controle completo consideram seus maridos como verdadeiros deuses. Ó santo e adorável, tudo isto me parece ser de realização extremamente difícil. Ó regenerado, o culto que filhos oferecem para suas mães e pais e que esposas oferecem para seus maridos, ambos me parecem ser muito difíceis. Eu não vejo alguma coisa que seja mais difícil do que a virtude rígida das mulheres castas. Ó Brahmana, os deveres que mulheres de bom comportamento cumprem com cuidado e o comportamento que é adotado por bons filhos em direção a seus pais e mães me parecem ser os mais difíceis de realização. Aquelas mulheres que são cada uma dedicada a somente um marido, aquelas que sempre falam a verdade, aquelas que passam por um período de gestação por dez meses completos; não há nada, ó Brahmana, que seja mais difícil do que o que é feito por elas. Ó venerável, as mulheres geram seus filhos com grande risco para si mesmas e grande dor e criam seus filhos, ó touro entre Brahmanas, com grande afeição! Aquelas pessoas também que estão sempre engajadas em atos de crueldade e por isso atraem sobre si ódio geral, que ainda assim conseguem cumprir seus deveres realizam o que, na minha opinião, é extremamente difícil. Ó regenerado, fale-me as verdades dos deveres da classe Kshatriya. É difícil, ó duas vezes nascido, para aqueles de grande alma obterem virtude pois pelos deveres da sua classe eles são obrigados a fazer o que é cruel. Ó santo, tu és capaz de responder a todas as questões; eu desejo te ouvir falar sobre tudo isso. Ó tu principal da linhagem de Bhrigu, eu desejo escutar a tudo isso, servindo-te respeitosamente, ó tu de votos excelentes!'” "Markandeya disse, 'Ó tu principal da raça Bharata, eu te falarei sobre tudo isso realmente, embora tua pergunta seja difícil de responder. Ouça-me, portanto, enquanto eu te falo. Alguns consideram a mãe como superior e alguns o pai. É a mãe, no entanto, quem dá à luz e cria os filhos o que é mais difícil. Pais também, por penitências ascéticas, por culto aos deuses, por adorações endereçadas a eles, por suportarem frio e calor, por encantamentos e outros meios desejam ter filhos. E tendo por estes expedientes dolorosos obtido filhos que são tão difíceis de aquisição, eles então, ó herói, estão sempre ansiosos sobre o futuro de seus filhos e, ó Bharata, ambos, o pai e a mãe desejam ver em seus filhos fama e realização e prosperidade e descendência e virtude. É virtuoso aquele filho que realiza estas esperanças de seus pais. E, ó grande rei, aquele filho com quem o pai e a mãe estão satisfeitos alcança fama eterna e virtude eterna aqui e futuramente (ou seja, neste mundo e no outro). Com relação às mulheres além disso, nem sacrifícios nem sraddhas, nem jejuns são de alguma eficácia. Somente por servir seus maridos elas podem alcançar o céu. Ó rei, ó Yudhishthira, lembrando disto somente, escute com atenção aos deveres das mulheres castas.’" 205 "Markandeya disse, 'Havia, ó Bharata, um asceta virtuoso de nome Kausika, e dotado de riqueza de ascetismo e dedicado ao estudo dos Vedas ele era um Brahmana muito superior. E aquele melhor dos Brahmanas estudou todos os Vedas com os Angas e os Upanishads. Um dia ele estava recitando os Vedas no pé de uma árvore, e naquele momento sentou-se lá sobre o topo daquela árvore um grou fêmea e aconteceu naquele momento do grou sujar o corpo do Brahmana, e vendo aquele grou o Brahmana ficou muito zangado e pensou em feri-lo, e quando o Brahmana lançou seus olhares zangados sobre o grou e pensou também em feri-lo ele caiu ao chão, e vendo o grou assim caído da árvore e insensível na morte, o Brahmana ficou muito comovido pela compaixão e o regenerado começou a lamentar pelo grou morto dizendo, 'Ai, eu fiz uma má ação, incitado por raiva e malícia!'” "Markandeya continuou, 'Tendo repetido estas palavras muitas vezes, aquele Brahmana erudito entrou em uma aldeia para obter esmolas. E, ó touro da raça Bharata, no decorrer da sua ronda de mendicância entre as casas de pessoas de boa linhagem, o Brahmana entrou em uma casa que ele conhecia desde antes. E quando ele entrou na casa, ele disse, 'Dê'. E ele foi respondido por uma mulher com a palavra, 'Espere'. E enquanto a dona-de-casa estava engajada, ó rei, em limpar o recipiente do qual esmolas eram dadas, o marido dela, ó tu melhor dos Bharatas, de repente entrou na casa, muito afligido pela fome. A dona-de-casa casta viu seu marido e desconsiderando o Brahmana, deu para seu marido água para lavar seus pés e rosto e também um assento e depois disso a senhora de olhos negros, colocando diante de seu marido comida e bebida saborosas, permaneceu humildemente junto dele desejosa de atender a todas suas necessidades dele. E, ó Yudhishthira, aquela esposa obediente costumava comer todos os dias as sobras do prato de seu marido e, sempre se comportando em obediência aos desejos do marido, aquela senhora sempre o respeitava, e todos os afetos do seu coração se inclinaram em direção a ele. De comportamento variado e santo e habilidosa em todos os deveres domésticos e atenciosa com todos os seus parentes, ela sempre fazia o que era agradável e benéfico para seu marido e ela também, com sentidos absortos se encarregava do culto dos deuses e das necessidades de convidados e empregados e de sua sogra e sogro. E enquanto a senhora de olhos belos ainda estava dedicada a servir seu marido, ela viu aquele Brahmana esperando pelas esmolas e o contemplando, ela se lembrou de que tinha pedido a ele para esperar. E se lembrando de tudo isso ela se sentiu envergonhada. E então aquela mulher casta possuidora de grande renome pegou alguma coisa como esmolas e saiu, ó tu principal dos Bharatas, para dá-la para aquele Brahmana. E quando ela chegou diante dele o Brahmana disse, 'Ó melhor das mulheres, ó abençoada, eu estou surpreso com a tua conduta! Tendo me pedido para esperar dizendo, 'Espere' tu não me despediste!'” "Markandeya continuou, 'Ó senhor de homens, vendo aquele Brahmana cheio de ira e brilhando com sua energia, aquela mulher casta começou a conciliá-lo e disse, 'Ó erudito, cabe a ti me perdoar. Meu marido é meu deus supremo. Ele chegou faminto e cansado e estava sendo servido e cuidado por mim.' Ouvindo isso, o Brahmana disse, 'Para ti os Brahmanas não são dignos de consideração superior. Tu exaltas teu marido acima deles? Levando uma vida doméstica, tu desconsideras os Brahmanas? O próprio Indra se curva a eles, o que eu direi de homens sobre a terra? Mulher orgulhosa, tu não sabes, tu nunca ouviste que os Brahmanas são como fogo e podem consumir a terra inteira?' A estas palavras daquele Brahmana a mulher respondeu, 'Eu não sou um grou fêmea, ó Rishi regenerado! Ó tu que és dotado de riqueza de ascetismo, abandone esta tua ira. Enfurecido como tu estás, o que tu podes fazer para mim com estes teus olhares enfurecidos? Eu não desrespeito Brahmanas. Dotados de grande energia de alma, eles são como os próprios deuses. Mas, ó impecável, esta minha falha cabe a ti perdoar. Eu conheço a energia e grande dignidade dos Brahmanas que são possuidores de sabedoria. As águas do oceano foram tornadas salobras e intragáveis pela cólera dos Brahmanas. Eu conheço também a energia de Munis de almas sob controle completo e dotados de mérito ascético resplandecente. O fogo da sua cólera até hoje não foi extinguido na floresta de Dandaka. Foi por ele ter desrespeitado os Brahmanas que o grande Asura, o pecaminoso Vatapi e de mente má foi digerido quando ele entrou em contato com Agastya. É sabido por nós que os poderes e méritos de Brahmanas de grande alma são formidáveis. Mas, ó Brahmana, como os regenerados de almas elevadas são grandiosos em cólera, assim eles são igualmente grandiosos em perdão. Portanto, ó impecável, cabe a ti me perdoar na questão desta minha ofensa. Ó Brahmana, meu coração se inclina àquele mérito o qual surge do serviço ao meu marido, pois eu considero meu marido como o mais sublime entre todos os deuses. Ó melhor dos Brahmanas, eu pratico aquela virtude que consiste em servir meu marido a quem eu considero como a maior Divindade. Veja, ó regenerado, o mérito que se vincula ao serviço de um marido! Eu sei que tu queimaste o grou fêmea com tua ira! Mas, ó melhor dos regenerados, a raiva que uma pessoa nutre é o maior dos inimigos que ela tem. Os deuses reconhecem como um Brahmana quem abandonou raiva e paixão. Os deuses reconhecem como um Brahmana quem sempre fala a verdade, quem sempre satisfaz seu preceptor, e quem, embora ele mesmo ofendido, nunca devolve a ofensa. Os deuses reconhecem como um Brahmana quem tem seus sentidos sob controle, quem é virtuoso e puro e dedicado ao estudo dos Vedas, e quem tem domínio sobre ira e luxúria. Os deuses reconhecem como um Brahmana quem, conhecedor da moralidade e dotado de energia mental, é tolerante em religião e considera todos iguais a si mesmo. Os deuses reconhecem como um Brahmana quem estuda ele mesmo e ensina outros, quem realiza sacrifícios ele mesmo e oficia nos sacrifícios de outros, e quem doa ao máximo de seus recursos. Os deuses reconhecem aquele touro entre os regenerados como um Brahmana quem, dotado de generosidade de alma, pratica o voto Brahmacharya e é devotado ao estudo, de fato quem é vigilantemente dedicado ao estudo dos Vedas. O que quer que conduza à felicidade dos Brahmanas é sempre recitado diante destes. Sempre tendo satisfação na verdade, os corações de tais homens nunca encontram alegria na falsidade. Ó melhor dos regenerados, é dito que o estudo dos Vedas, tranquilidade de alma, simplicidade de comportamento, e repressão dos sentidos constituem os deveres eternos do Brahmana. Aqueles conhecedores da virtude e moralidade dizem que veracidade e honestidade são as maiores virtudes. A virtude que é eterna é difícil de ser compreendida. Mas o que quer que ela seja, ela está baseada na verdade. Os antigos declararam que a virtude depende do sruti. Mas, ó principal dos regenerados, a virtude como explicada no sruti parece ser de várias espécies. Ela é, portanto, de compreensão sutil demais. Tu, ó santo, és conhecedor da virtude, puro, e dedicado ao estudo dos Vedas. Eu penso, no entanto, ó santo, que tu não sabes o que a virtude é na verdade. Dirigindo-te à cidade de Mithila, pergunte lá para um caçador virtuoso, se de fato, ó regenerado, tu não estás realmente familiarizado com o que constitui a maior virtude. Vive lá em Mithila um caçador que é sincero e dedicado ao serviço de seus pais e que tem os sentidos sob controle completo. Ele mesmo te falará sobre virtude. Abençoado seja, ó melhor dos regenerados, se tu quiseres, dirija-te para lá. Ó impecável, cabe a ti me perdoar, se o que eu disse for desagradável, pois aqueles que estão desejosos de adquirir virtude são incapazes de ferir mulheres!'” "A estas palavras da mulher casta o Brahmana respondeu, dizendo, 'Eu estou satisfeito contigo. Abençoada seja; minha raiva diminuiu, ó bela! As críticas proferidas por ti serão da maior vantagem para mim. Abençoada seja, eu agora partirei e realizarei o que é assim conducente, ó bela, ao meu benefício!'” "Markandeya continuou, 'Despedido por ela, Kausika, aquele melhor dos regenerados, deixou a casa dela, e, repreendendo a si mesmo, voltou para sua própria residência.'" 206 "Markandeya disse, 'Refletindo constantemente sobre aquele discurso notável da mulher, Kausika começou a repreender a si mesmo e pareceu muito com uma pessoa culpada, e meditando sobre os caminhos sutis da moralidade e virtude, ele disse a si mesmo, 'Eu devo aceitar com reverência o que a senhora disse e devo, portanto, me dirigir para Mithila. Sem dúvida mora lá naquela cidade um caçador de alma sob controle completo e totalmente conhecedor dos mistérios da virtude e moralidade. Hoje mesmo eu irei até ele dotado de riqueza de ascetismo para perguntar a ele sobre virtude.' Sua fé nela estava assegurada por seu conhecimento da morte do grou e das palavras excelentes de significado virtuoso que ela tinha proferido. Kausika assim refletindo com reverência sobre tudo o que ela tinha dito partiu para Mithila, cheio de curiosidade. E ele atravessou muitas florestas e aldeias e cidades e finalmente alcançou Mithila que era governada por Janaka; e ele viu a cidade adornada com as bandeiras de vários credos. E ele contemplou aquela cidade bela ressoando com o barulho de sacrifícios e festas e provida de portões esplêndidos. Ela era cheia de residências suntuosas e protegida por muros em todos os lados; ela tinha muitas construções esplêndidas para ostentar. E aquela cidade encantadora estava também cheia com carros inumeráveis. E suas ruas e estradas eram muitas e bem planejadas e muitas delas eram enfileiradas com lojas. E ela estava cheia de cavalos e carros e elefantes e guerreiros. E todos os cidadãos tinham saúde e alegria e eles estavam sempre engajados em festividades. E tendo entrado naquela cidade, aquele Brahmana viu lá muitas outras coisas. E lá o Brahmana perguntou sobre o caçador virtuoso e foi respondido por algumas pessoas duas vezes nascidas. E se dirigindo ao lugar indicado por aqueles regenerados o Brahmana viu o caçador sentado em um açougue, e o caçador asceta estava então vendendo carne de veado e de búfalo e por causa da grande afluência de compradores reunidas em volta do caçador, Kausika permaneceu a uma distância. Mas o caçador, compreendendo que o Brahmana tinha vindo a ele, ergueu-se de repente de seu assento e foi àquele local retirado onde o Brahmana estava de pé e tendo se aproximado o caçador disse, 'Eu te saúdo, ó santo! Tu és bem vindo, ó tu melhor dos Brahmanas! Eu sou o caçador. Abençoado seja! Ordene-me quanto ao que eu posso fazer por ti. As palavras que a mulher casta disse para ti, isto é, ‘Dirija-te para Mithila’, são conhecidas por mim. Eu também sei para que propósito tu vieste para cá.' Ouvindo essas palavras do caçador aquele Brahmana ficou muito surpreso. E ele começou a refletir interiormente, dizendo, 'Este, de fato, é o segundo prodígio que eu vejo!' O caçador então falou ao Brahmana, dizendo, 'Tu estás agora em um lugar que mal é apropriado para ti, ó impecável. Se isto te agradar, vamos para minha residência, ó santo!'” "Markandeya continuou, 'Assim seja' disse o Brahmana para ele, alegremente. E então o caçador procedeu para sua casa com o Brahmana andando à frente dele. E entrando em sua residência que parecia encantadora, o caçador reverenciou seu convidado por lhe oferecer um assento. E ele também lhe deu água para lavar seus pés e rosto. E aceitando estes, aquele melhor dos Brahmanas sentou-se tranquilamente. E ele então se dirigiu ao caçador, dizendo, 'Parece-me que esta profissão não é própria para ti. Ó caçador, eu lamento profundamente que tu devas seguir tal comércio cruel.' A estas palavras do Brahmana o caçador disse, 'Esta profissão é aquela da minha família, eu mesmo a herdei de meus pais e avôs. Ó regenerado, não sofra por mim devido à minha aderência aos deveres que pertencem a mim por nascimento. Cumprindo os deveres ordenados para mim de antemão pelo Criador, eu sirvo cuidadosamente meus superiores e os idosos. Ó tu melhor dos Brahmanas! Eu sempre falo a verdade, nunca tenho inveja de outros; e dôo ao melhor de meu poder. Eu vivo do que resta depois de servir os deuses, convidados, e aqueles que dependem de mim. Eu nunca falo mal de qualquer coisa, pequena ou grande. Ó tu melhor dos Brahmanas, as ações de uma vida anterior sempre seguem o fazedor. Neste mundo há três profissões principais, isto é, agricultura, criação de gado, e comércio. Em relação ao outro mundo, os três Vedas, conhecimento, e a ciência de moralidade são eficazes. Serviço (das outras três classes) foi ordenado como sendo o dever do Sudra. Agricultura foi ordenada para os Vaisyas, e a luta para os Kshatriyas, enquanto a prática do voto Brahmacharya, ascetismo, recitação de mantras, e veracidade foram ordenados para os Brahmanas. Sobre súditos que aderem aos seus próprios deveres o rei deve governar virtuosamente; enquanto ele deve estabelecer à isso aqueles que abandonaram os deveres da sua classe. Reis devem ser sempre temidos, porque eles são os senhores de seus súditos. Eles reprimem aqueles seus súditos que abandonam seus deveres como eles reprimem os movimentos do veado por meio de suas flechas. Ó Rishi regenerado, não existe no reino de Janaka um único súdito que não siga os deveres de seu nascimento. Ó tu melhor dos Brahmanas, todas as quatro classes aqui aderem rigidamente aos seus respectivos deveres. O rei Janaka pune aquele que é perverso, mesmo que ele seja seu próprio filho; mas ele nunca inflige dor àquele que é virtuoso. Com espiões bons e capazes empregados sob ele, ele considera todos com olhos imparciais. Prosperidade, e reino, e capacidade para punir, pertencem, ó tu melhor dos Brahmanas, aos Kshatriyas. Reis desejam grande prosperidade através da prática dos deveres que pertencem a eles. O rei é o protetor de todas as quatro classes. Com relação a mim mesmo, ó Brahmana, eu sempre vendo carne de porco e de búfalo sem matar eu mesmo aqueles animais. Eu vendo carne de animais, ó Rishi regenerado, que foram mortos por outros. Eu nunca como carne; nunca vou até minha esposa exceto em seu período fértil; eu sempre jejuo durante o dia, e como, ó regenerado, à noite. Mesmo que o comportamento da sua classe seja mau, uma pessoa ainda pode ser ela mesma de bom comportamento. Assim também um homem pode se tornar virtuoso, mesmo que ele seja matador de animais por profissão. É por causa das ações pecaminosas dos reis que a virtude decresce imensamente, e o pecado começa a prosperar. E quando tudo isso ocorre os súditos do reino começam a decair. E é então, ó Brahmana, que monstros feios, e anões, e indivíduos corcundas e de cabeça grande, e homens que são cegos ou surdos ou aqueles que tem olhos paralisados ou são desprovidos do poder de procriação, começam a tomar seu nascimento. É por causa da pecaminosidade dos reis que seus súditos sofrem numerosos prejuízos. Mas este nosso rei Janaka lança seus olhos sobre todos os seus súditos virtuosamente, e ele é sempre gentil para aqueles que, de sua parte, sempre aderem os seus respectivos deveres. Considerando eu mesmo, eu sempre agrado com boas ações àqueles que falam bem, como também àqueles que falam mal de mim. Aqueles reis que vivem no cumprimento dos seus próprios deveres, que estão sempre engajados na prática de ações que são boas e honestas, que são de almas sob controle completo e que são dotados de boa vontade e entusiasmo, não podem depender de qualquer coisa mais para sustentar seu poder. Doação de alimento ao melhor de seu poder, resistência ao calor e frio, firmeza em virtude, e um respeito e ternura por todas as criaturas, esses atributos nunca podem achar lugar em uma pessoa sem um desejo inato estar presente nela de se separar do mundo. Deve-se evitar falsidade em palavras e deve-se fazer o bem sem solicitação. Nunca se deve abandonar a virtude por luxúria, por cólera, ou por malícia. Uma pessoa nunca deve se alegrar imoderadamente em uma mudança boa ou sofrer imoderadamente em uma má. Ela nunca deve se sentir deprimida quando alcançada pela pobreza, nem quando assim alcançada abandonar o caminho da virtude. Se alguma vez alguém faz o que é errado, ele nunca deve fazer seu semelhante outra vez. Uma pessoa deve sempre incitar a própria alma a fazer aquilo que ela considera como benéfico. Ela nunca deve retribuir mal pelo mal, mas deve agir honestamente com aqueles que foram injustos consigo. Aquele homem desventurado que deseja fazer o que é pecaminoso mata a si mesmo. Por fazer o que é pecaminoso uma pessoa somente imita aqueles que são maus e pecaminosos. Não acreditando na virtude aqueles que ridicularizam os bons e os puros dizendo, 'Não há virtude' sem dúvida encontram a destruição. Um homem pecaminoso se torna arrogante como um saco de couro inflado com vento. Os pensamentos desses patifes cheios de orgulho e tolice são fracos e inúteis. É o coração, a alma interna, que revela o tolo como o sol que revela formas durante o dia. O tolo não pode sempre brilhar no mundo por meio de auto-elogio. O homem erudito, no entanto, mesmo que ele seja desprovido de beleza, mostra seu brilho por se abster de falar mal de outros e bem de si mesmo. Nenhum exemplo, no entanto, pode ser encontrado neste mundo, de uma pessoa brilhando gloriosamente por causa de atributos a serem encontrados nela em sua pretensa medida. Se uma pessoa se arrepende de um mal feito por si, aquele arrependimento purifica seu pecado. A resolução de nunca fazer aquilo outra vez o salva de pecados futuros, assim como, ó tu melhor dos Brahmanas, ele pode salvar a si mesmo do pecado por meio de alguma daquelas expiações obtidas nas escrituras. Este mesmo, ó regenerado, é o sruti que pode ser visto em relação à virtude. Aquele que tendo antes sido virtuoso, comete um pecado, ou o comete inintencionalmente pode destruir aquele pecado. Pois a virtude, ó Brahmana, rechaça o pecado que os homens cometem por ignorância. Um homem, depois de ter cometido um pecado, deve parar de se considerar mais como um homem. Nenhum homem pode ocultar seus pecados. Os deuses observam o que uma pessoa faz, e também o Ser que está dentro de cada um. Aquele que com piedade e sem maledicência esconde as falhas dos honestos e dos sábios como buracos em seu próprio traje, certamente busca sua salvação. Se um homem procura redenção depois de ter cometido um pecado, sem dúvida ele é purgado de todos os seus pecados e parece puro e resplandecente como a lua saída das nuvens. Um homem que procura redenção é purificado de todos os seus pecados, assim como o sol ao nascer dissipa toda escuridão. Ó melhor dos Brahmanas, é a tentação que constitui a base do pecado. Homens que são ignorantes cometem pecado, entregando-se à tentação somente. Homens pecaminosos geralmente se cobrem com um exterior virtuoso, como poços cujas bocas são cobertas por grama longa. Por fora eles parecem possuir autocontrole e santidade e se entregam a pregar textos virtuosos os quais, em sua boca, são de pouco significado. De fato, tudo pode ser reparado neles exceto conduta que é realmente virtuosa!'” "Markandeya continuou, 'A estas palavras, ó melhor dos homens, do caçador, aquele Brahmana dotado de grande sabedoria então perguntou ao caçador, dizendo, 'Como eu saberei qual conduta é virtuosa? Abençoado seja, eu desejo saber isto, ó tu principal dos homens virtuosos, de ti. Portanto, ó tu de alma elevada, diga-me tudo sobre isto realmente.' Ouvindo estas palavras o caçador respondeu, dizendo, 'Ó melhor dos Brahmanas, Sacrifícios, Doações, Ascetismo, os Vedas, e a Verdade, estas cinco coisas sagradas estão sempre presentes na conduta que é chamada de virtuosa. Tendo subjugado a luxúria e avareza e orgulho e cólera, e desonestidade, aqueles que tem alegria na virtude porque ela é virtude são considerados como realmente virtuosos e dignos da aprovação de pessoas que são virtuosas. As pessoas que são devotadas a sacrifícios e ao estudo dos Vedas não tem comportamento independente. Elas seguem somente as práticas dos honestos e bons. Este de fato, é o segundo atributo do virtuoso. Servir superiores, Veracidade, Liberdade de raiva, e Caridade, estes quatro, ó Brahmana, estão ligados inseparavelmente com o comportamento que é virtuoso. Pois a reputação que uma pessoa adquire por fixar seu coração no comportamento virtuoso e aderir a ele rigidamente não pode ser adquirida exceto pela prática das quatro virtudes mencionadas acima. A essência dos Vedas é a Verdade: a essência da Verdade é o autocontrole, e a essência de autocontrole é a abstenção dos prazeres do mundo. Isso tudo pode ser notado no comportamento que é virtuoso. Os que seguem aqueles tolos iludidos que zombam das formas de fé prevalecentes entre os homens são arrastados para a destruição por andarem em tal caminho pecaminoso. Aqueles, no entanto, que são virtuosos e dedicados ao cumprimento de votos, que são devotados aos srutis e à virtude da abstenção do prazer do mundo, eles que realmente trilham o caminho da virtude e seguem a religião verdadeira, eles que obedecem aos mandatos de seus preceptores, e que refletem sobre o significado das escrituras com paciência e cuidado, são estes que são citados como sendo possuidores de comportamento que é virtuoso; são estes, ó Brahmana, que são citados como sendo devidamente guiados sua inteligência superior. Abandonando aqueles que são ateus, aqueles que violam os limites da virtude, aqueles que são de almas perversas, que vivem em pecaminosidade, dirija-te para o conhecimento reverenciando aqueles que são virtuosos. Luxúria e tentação são assim como tubarões no rio da vida; as águas são os cinco sentidos. Atravesse para o outro lado deste rio no barco da paciência e resignação, evitando os bancos de areia da existência corpórea (repetidos nascimentos neste mundo). A virtude suprema consistindo no exercício do princípio inteligente e abstração, quando gradualmente adicionada à conduta virtuosa, se torna bela como tintura em tecidos brancos. Veracidade e abstenção causar dano para alguém são virtudes altamente benéficas para todas as criaturas. Dessas, aquela última é uma virtude principal, e é baseada na verdade. Nossas faculdades mentais tem sua atividade correta quando sua fundação está assentada na verdade, e no exercício da virtude a verdade é do mais alto valor. Pureza de conduta é a característica de todos os bons homens. Aqueles que são notáveis por vidas santas são bons e virtuosos. Todas as criaturas seguem os princípios de conduta os quais são inatos em sua natureza. O ser pecaminoso que não tem controle sobre si adquire luxúria, raiva e outros vícios. É a regra imemorial que ações virtuosas são aquelas que estão baseadas na justiça, e está também determinado por homens santos que toda conduta injusta é pecado. Aqueles que não são dominados por raiva, orgulho, arrogância e inveja, e aqueles que são calmos e honestos, são homens de conduta virtuosa. Aqueles que são diligentes em realizar os ritos ordenados nos três Vedas, que são sábios, e de conduta pura e virtuosa, que exercitam o autocontrole e são cheios de atenção para com seus superiores, são homens de comportamento virtuoso. As ações e conduta de tais homens de grande poder são muito difíceis de realização. Eles são santificados pela purificação de suas próprias ações, e por conseguinte o pecado neles desaparece por si mesmo. Esta virtude da boa conduta é extraordinária, antiga, imutável e eterna; e homens sábios observando esta virtude com santidade alcançam o céu. Aqueles homens que crêem na existência da Divindade, que estão livres do falso orgulho, e versados em escritos sagrados, e que respeitam homens regenerados (duas vezes nascidos), vão para o céu. Entre os homens santos, a virtude é diferenciada de três maneiras, aquela grande virtude que é inculcada nos Vedas, a outra que é inculcada nos Dharmashastras (as escrituras menores), e conduta virtuosa. E a conduta virtuosa é indicada pela aquisição de conhecimento, peregrinação para lugares sagrados, veracidade, paciência, pureza e franqueza. Homens virtuosos são sempre bondosos para todas as criaturas, e bem dispostos em direção a homens regenerados. Eles se abstêm de prejudicar alguma criatura, e nunca são rudes em palavras. Aqueles homens bons que conhecem bem as consequências dos resultados dos seus atos bons e maus são elogiados por homens virtuosos. Aqueles que são justos e benévolos, e dotados de virtude, que desejam o bem de todas as criaturas, que são firmes no caminho da virtude, e tem conquistado o céu, que são caridosos, desinteressados e de caráter imaculado, que socorrem os afligidos, e são eruditos e respeitados por todos, que praticam austeridades, e que são bondosos para todas as criaturas, são louvados como tais pelos virtuosos. Aqueles que são dispostos caridosamente alcançam prosperidade neste mundo, como também as regiões de bem aventurança (após a morte). O homem virtuoso quando solicitado por ajuda por homens bons concede esmolas a eles por se esforçar ao máximo, até com a privação dos confortos de sua esposa e empregados. Homens bons que tem um olhar vigilante para seu próprio bem- estar, como também virtude e os caminhos do mundo, agem dessa maneira e assim crescem em virtude por eras intermináveis. Pessoas boas possuindo as virtudes de veracidade, abstenção de causar dano a alguém, retidão, abstenção de mal em direção a alguém, falta de arrogância, modéstia, resignação, autodomínio, ausência de paixão, sabedoria, paciência, e bondade para com todas as criaturas, e liberdade de malícia e luxúria, são as testemunhas do mundo. Estes três são citados como constituindo o caminho perfeito do virtuoso, isto é, um homem não deve fazer mal para ninguém, ele deve dar esmolas, e deve sempre ser sincero. Aqueles homens bons de grande alma de conduta virtuosa e convicções firmes, que são bondosos para todos e que são cheios de compaixão, partem com contentamento deste mundo para o caminho perfeito da virtude. Liberdade de malícia, paciência, paz mental, contentamento, fala agradável, renúncia ao desejo e ira, conduta virtuosa e ações reguladas segundo as ordenanças dos escritos sagrados constituem o caminho perfeito dos virtuosos. E aqueles que são constantes em virtude seguem estas regras de conduta virtuosa, e tendo alcançado o topo do conhecimento, e fazendo distinção entre as várias fases de conduta humana, as quais são ou muito virtuosas ou o contrário, eles escapam do grande perigo. Assim, ó grande Brahmana, tendo introduzido o assunto de conduta virtuosa, eu descrevi tudo isso para ti, de acordo com meu próprio conhecimento e com o que eu tenho ouvido sobre o assunto.’" 207 "Markandeya continuou, 'O caçador devoto, ó Yudhishthira, então disse para aquele Brahmana, 'Sem dúvida meus atos são muito cruéis, mas, ó Brahmana, o Destino é todo poderoso e é difícil escapar da consequência das nossas ações passadas. E este é o mal kármico resultante do pecado cometido em uma vida anterior. Mas, ó Brahmana, eu sou sempre assíduo em erradicar o mal. A Divindade tira a vida, o executor age somente como um agente secundário. E nós, ó bom Brahmana, somos somente tais agentes em relação ao nosso karma. Aqueles animais que são mortos por mim e cuja carne eu vendo também adquirem karma, porque (com sua carne), deuses e convidados e empregados são regalados com alimento saboroso e os espíritos dos mortos são propiciados. É dito autoritariamente que ervas e vegetais, veados, aves e animais selvagens constituem o alimento de todas as criaturas. E, ó Brahmana, o rei Sivi, o filho de Usinara de grande clemência alcançou o céu, o qual é difícil de se alcançar, doando sua própria carne. E nos dias de antigamente, ó Brahmana, dois mil animais costumavam ser mortos todos os dias na cozinha do rei Rantideva; e da mesma maneira duas mil vacas eram mortas todos os dias; e, ó melhor dos seres regenerados, o rei Rantideva adquiriu reputação inigualável por distribuir alimento com carne todos os dias. Para o desempenho dos quatro ritos mensais animais devem ser sacrificados diariamente. 'O fogo sagrado gosta de alimento animal,' este ditado foi passado para nós. E em sacrifícios animais são invariavelmente mortos por Brahmanas regenerados, e aqueles animais sendo purgados do pecado, pelo encantamento de hinos, vão para o céu. Se, ó Brahmana, o fogo sagrado não fosse tão aficionado por alimento animal nos tempos antigos, isto poderia nunca ter se tornado o alimento de alguém. E na questão de alimento animal esta regra foi declarada por Munis: Quem quer que compartilhe de comida animal depois de ter primeiro oferecido ela devidamente e respeitosamente aos deuses e aos espíritos dos mortos não é poluído pela ação. E tal homem não é em absoluto considerado como tendo partilhado de comida animal, assim como um Brahmacharin tendo tido relações com sua esposa durante o período menstrual é todavia considerado como sendo um bom Brahmana. Depois de consideração da propriedade e impropriedade da questão, esta regra foi prescrita. O rei Saudasa, ó Brahmana, quando sob uma maldição, frequentemente costumava matar homens para servirem de alimento; qual é tua opinião sobre este assunto? E, ó bom Brahmana, sabendo que isto é a consequência das minhas próprias ações, eu obtenho meu meio de vida desta profissão. O abandono da própria ocupação é considerado, ó Brahmana, como sendo um pecado, e a ação de adesão à própria profissão é sem dúvida uma ação meritória. O Karma de uma existência anterior nunca abandona alguma criatura. E em determinar as várias consequências do Karma de alguém esta regra não foi perdida de vista pelo Criador. Uma pessoa tendo seu ser sob a influência de mau Karma deve sempre considerar como ela pode expiar seu Karma, e se libertar de um destino mau, e o mau Karma pode ser expiado de várias maneiras. Consequentemente, ó bom Brahmana, eu sou caridoso, sincero, assíduo em atender meu superior, cheio de respeito para com Brahmanas regenerados, devotado e livre de orgulho e conversa excessiva (inútil). Agricultura é considerada como sendo uma ocupação louvável, mas é bem conhecido que mesmo lá, grande mal é feito para vida animal; e na operação de cavar terra com o arado, inúmeras criaturas escondidas na terra como também várias outras formas da vida animal são destruídas. Tu não pensas assim? Ó bom Brahmana, Vrihi e outras sementes de arroz são todos organismos vivos. Qual é a tua opinião sobre este assunto? Homens, ó Brahmana, caçam animais selvagens e os matam e partilham de sua carne; eles também cortam em pedaços as árvores e ervas; mas, ó Brahmana, há inúmeros organismos vivos em árvores, em frutas, como também na água; tu não pensas assim? Toda esta criação, ó Brahmana, é cheia de vida animal, sustentando a si mesma com alimento derivado de organismos vivos. Tu não notas que peixes matam peixes para servir de alimento, e que várias espécies de animais são predadoras de outras espécies, e que há espécies cujos membros são predadores uns dos outros? Os homens, ó Brahmana, enquanto andando para lá e para cá, matam inúmeras criaturas que se escondem no solo por pisarem pesadamente sobre elas, e até homens de sabedoria e esclarecimento destroem a vida animal de várias maneiras, mesmo enquanto dormido ou repousando. O que tu tens a dizer a isso? A terra e o ar todos estão cheios de organismos vivos, os quais são destruídos inconscientemente pelos homens por mera ignorância. Isto não é assim? O mandamento que pessoas não devem fazer mal para alguma criatura foi ordenado antigamente por homens que eram ignorantes dos fatos verdadeiros do caso. Pois, ó Brahmana, não há um homem sobre a face desta terra que esteja livre do pecado de causar dano para criaturas. Depois de consideração completa, é irresistível a conclusão que não há um único homem que esteja livre do pecado de prejudicar a vida animal. Até o sábio, bom Brahmana, cujo voto é não fazer mal para alguma criatura, inflige dano à vida animal. Somente, por causa de maior necessidade, o mal é menor. Homens de nascimento nobre e grandes qualidades cometem atos maus em desafio a todos, dos quais eles não se envergonham em absoluto. Bons homens agindo de uma maneira exemplar não são aprovados por outros bons homens; nem homens maus agindo de uma maneira contrária são elogiados por seus iguais pecaminosos; e amigos não são agradáveis para amigos, embora dotados de qualidades elevadas; e homens tolos pedantes depreciam as virtudes de seus preceptores. Esta reversão da ordem natural das coisas, ó bom Brahmana, é vista em todos os lugares neste mundo. Qual é tua opinião quanto à virtude ou não virtude deste estado de coisas? Há muito que pode ser dito da bondade ou maldade das nossas ações. Mas quem quer que seja dedicado à sua própria ocupação certamente adquire grande reputação.’ 208 Markandeya continuou, ‘Ó Yudhishthira, o caçador virtuoso, notável em compaixão, então se dirigiu habilmente outra vez àquele principal dos Brahmanas, dizendo, 'É a máxima dos idosos que os caminhos da virtude são sutis, diversos e infinitos. Quando a vida está em risco e na questão do casamento, é apropriado dizer uma mentira. A mentira às vezes leva ao triunfo da verdade, e a última decresce para mentira. O que quer que conduza mais ao bem de todas as criaturas é considerado como verdade. A virtude é assim pervertida; note seus caminhos sutis. Ó melhor dos homens virtuosos, as ações do homem ou são boas ou são más, e ele sem dúvida colhe seus frutos. O homem ignorante tendo alcançado um estado miserável insulta enormemente aos deuses, não sabendo que isso é consequência do seu próprio karma mau. Os tolos, os insidiosos e os inconstantes, ó bom Brahmana, sempre alcançam o próprio oposto da felicidade ou tristeza. Nem erudição nem bons costumes, nem esforço pessoal podem salvá- los. E se os resultados do nosso esforço não fossem dependentes de alguma coisa mais, as pessoas alcançariam o objeto de seu desejo simplesmente por se esforçarem para alcançá-lo. É visto que pessoas hábeis, inteligentes e diligentes são frustradas em seus esforços, e não alcançam os frutos de suas ações. Por outro lado, pessoas que são sempre ativas em prejudicar outras e em praticar fraude no mundo levam uma vida feliz. Há algumas que obtêm prosperidade sem qualquer esforço. E há outras que com o máximo esforço não podem alcançar o que lhes é devido. Pessoas avarentas com o objetivo de terem filhos cultuam os deuses e praticam austeridades rígidas, e aqueles filhos tendo permanecido no útero por dez meses finalmente vêm à luz para serem descendentes muito infames de sua linhagem; e outros gerados sob os mesmos auspícios passam suas vidas decentemente no luxo com pilhas de riquezas e grãos acumulados por seus antepassados. As doenças das quais os homens sofrem são sem dúvida o resultado de seu próprio karma. Eles então se comportam como veados pequenos nas mãos de caçadores, e eles são atormentados por distúrbios mentais. E, ó Brahmana, como caçadores interceptam a fuga de sua caça, o progresso daquelas doenças é controlado por médicos capazes e habilidosos com suas coleções de remédios. E, ó melhor dos que apreciam a religião, tu tens observado que aqueles que tem em seu poder para desfrutar (as coisas boas desta terra), são impedidos de fazerem isso pelo fato de eles sofrerem de enfermidades crônicas nos intestinos, e que muitos outros que são fortes e poderosos passam por miséria, e são conseguem com grande dificuldade obter um meio de vida; e que todo homem é assim desamparado, oprimido por tristeza e ilusão, e repetidas vezes atirado e dominado pela correnteza poderosa das suas próprias ações (karma). Se houvesse liberdade absoluta de ação, nenhuma criatura morreria, ninguém estaria sujeito à decadência, ou esperaria seu destino mau, e todos obteriam os objetos de seu desejo. Todas as pessoas desejam colocar distância de seus vizinhos (na corrida da vida), e elas se esforçam para fazer isso ao máximo de seu poder; mas o resultado mostra ser de outra maneira. Muitas são as pessoas nascidas sob a influência da mesma estrela e dos mesmos auspícios de boa sorte; mas uma grande diversidade é observável na maturidade das suas ações. Nenhuma pessoa, ó bom Brahmana, pode ser o dispensador da sua própria sorte. As ações feitas em uma existência prévia são vistas darem frutos na nossa vida atual. É a tradição imemorial que a alma é eterna e infinita, mas a estrutura corpórea de todas as criaturas está sujeita à destruição aqui (na terra). Quando portanto a vida é extinguida, somente o corpo é destruído, mas o espírito, ligado às suas ações, viaja para outro lugar.' O Brahmana respondeu, 'Ó melhor daqueles versados na doutrina do karma, e na pronúncia de discursos, eu almejo saber exatamente como a alma se torna eterna.' O caçador respondeu, 'O espírito não morre, havendo simplesmente uma mudança de habitação. Estão enganados aqueles que dizem tolamente que todas as criaturas morrem. A alma se dirige para outro corpo, e sua mudança de habitação é chamada de sua morte. No mundo dos homens, nenhum homem colhe as consequências do karma de outro homem. O que quer que ele faça, ele sem dúvida colherá as consequências disso; pois as consequências do karma que é uma vez feito nunca podem ser removidas. Os virtuosos se tornam dotados de grandes virtudes, e homens pecaminosos se tornam perpetradores de atos perversos. As ações dos homens os seguem; e influenciados por estas, eles nascem novamente.' O Brahmana perguntou, 'Por que o espírito toma seu nascimento, e por que sua natividade se torna pecaminosa ou virtuosa, e como, ó bom homem, ele vem a pertencer a uma linhagem pecaminosa ou virtuosa?' O caçador respondeu, ‘Este mistério parece pertencer ao assunto de procriação, mas eu descreverei brevemente a você, ó bom Brahmana, como o espírito nasce novamente com sua carga acumulada de karma, o justo em uma natividade virtuosa, e o mau em uma pecaminosa. Pela realização de ações virtuosas ele alcança ao estado dos deuses, e por uma combinação de bem e mal ele adquire o estado humano; por indulgência em sensualidade e práticas similares que desmoralizam ele nasce nas espécies mais inferiores de animais, e por ações pecaminosas, ele vai para as regiões infernais. Afligido pelas tristezas de nascimento e velhice, o homem está fadado a apodrecer aqui na terra por causa das más consequências das suas próprias ações. Passando por milhares de nascimentos como também pelas regiões infernais, nossos espíritos andam ao léu, presos pelos grilhões do seu próprio karma. Seres vivos se tornam miseráveis no mundo seguinte por causa dessas ações feitas por eles mesmos e por consequência da reação daquelas misérias, eles assumem nascimentos inferiores e então eles acumulam uma nova série de ações, e eles por conseguinte passam por miséria novamente, assim como homens doentios partilhando de alimento prejudicial; e embora eles sejam assim afligidos, eles se consideram felizes e em paz e por conseguinte seus grilhões não são afrouxados e novo karma surge; e sofrendo por diversas tristezas eles se volvem neste mundo como uma roda. Se abandonando seus grilhões eles se purificam por suas ações e praticam austeridades e meditações religiosas, então, ó melhor dos Brahmanas, eles alcançam as regiões celestes por estas ações numerosas, e por abandonarem seus grilhões e pela purificação de karma, os homens alcançam aquelas regiões maravilhosas onde a tristeza é desconhecida para aqueles que vão lá. O homem pecaminoso que é viciado em maus hábitos nunca chega ao fim da sua rota de iniquidades. Portanto nós devemos nos esforçar para fazer o que é virtuoso e deixar de fazer o que é injusto. Todos os que com o coração cheio de gratidão e livres de malícia se esforçam para fazer o que é bom obtêm riqueza, virtude, felicidade e céu (futuramente). Aqueles que são purificados de pecados, sábios, indulgentes, constantes em virtude, e autocontrolados desfrutam de felicidade contínua neste como também no próximo mundo. O homem deve seguir o estandarte da virtude do bem e em suas ações imitar o exemplo dos justos. Há homens virtuosos, versados em escritos sagrados e eruditos em todos os departamentos de conhecimento. O dever próprio do homem consiste em seguir sua própria ocupação, e este sendo o caso estas últimas não se tornam confusas e misturadas. O homem sábio se regozija na virtude e vive pela justiça. E, ó bom Brahmana, tal homem com a riqueza da virtude a qual ele adquire por meio disto, rega a raiz da planta na qual ele encontra mais virtude. O homem virtuoso age assim e sua mente é acalmada. Ele está satisfeito com seus amigos neste mundo e ele também alcança felicidade futuramente. Pessoas virtuosas, ó bom homem, obtêm domínio sobre tudo e o prazer da beleza, sabor, som e toque de acordo com seu desejo. Estas são conhecidas como sendo as recompensas da virtude. Mas o homem de visão iluminada, ó grande Brahmana, não está satisfeito com a colheita dos frutos da virtude. Não contente com isso, ele com a luz da sabedoria espiritual que está nele, se torna indiferente à dor e prazer e o vício do mundo não o influencia. Por seu próprio livre arbítrio ele se torna indiferente às atividades mundanas mas ele não abandona a virtude. Observando que tudo o que é terreno é evanescente, ele tenta renunciar a tudo e contando com mais oportunidade ele planeja meios para a obtenção da salvação. Assim ele renuncia às ocupações do mundo, evita os caminhos do pecado, se torna virtuoso e finalmente alcança a salvação. Sabedoria espiritual é o primeiro requisito dos homens para a salvação, resignação e paciência são suas raízes. Por estes meios ele obtém todos os objetos de seu desejo. Mas subjugando os sentidos e por meio de veracidade e paciência ele alcança, ó bom Brahmana, o retiro supremo de Brahma.' O Brahmana perguntou novamente, 'Ó tu o mais eminente em virtude e constante no desempenho das obrigações religiosas, tu falas de sentidos; o que são eles; como eles podem ser subjugados; e qual é o bem de subjugá-los; e como uma criatura colhe os frutos disso? Ó homem pio, eu peço para me familiarizar com a verdade desta questão.’" 209 "Markandeya continuou, 'Ouça, ó rei Yudhishthira, o que o caçador virtuoso, assim interrogado por aquele Brahmana, disse a ele em resposta. O caçador disse, 'As mentes dos homens estão a princípio concentradas na aquisição de conhecimento. Adquirido isto, ó bom Brahmana, eles se entregam às suas paixões e desejos, e para este objetivo, eles trabalham e iniciam tarefas de grande magnitude e se entregam aos prazeres muito desejados de beleza, sabor, etc. Então segue apego, então inveja, então avareza e então extinção de toda luz espiritual. E quando os homens estão assim influenciados por avareza, e dominados por inveja e apego, seu intelecto para de ser guiado pela retidão e eles praticam o próprio arremedo da virtude. Praticando virtude com hipocrisia, eles estão contentes em adquirir riqueza por meios desonrosos, com a riqueza assim adquirida o princípio inteligente neles se torna cativo daqueles maus caminhos, e eles ficam cheios do desejo de cometer pecados. E quando, ó bom Brahmana, seus amigos e homens de sabedoria reclamam com eles, eles estão preparados com respostas plausíveis, as quais não são nem seguras nem convincentes. Por serem viciados em más condutas, eles são culpados de um pecado triplo. Eles cometem pecado em pensamentos, em palavras, como também em ações. Eles sendo viciados em comportamentos pecaminosos, todas as suas boas qualidades desaparecem, e estes homens de atos maus cultivam a amizade de homens de caráter parecido, e por conseguinte eles passam por miséria neste mundo assim como no próximo. O homem pecaminoso é desta natureza, e agora ouça a respeito do homem de virtude. Ele percebe estes males por meio de seu discernimento espiritual, e é capaz de discriminar entre felicidade e tristeza, e é cheio de atenção respeitosa para com homens de virtude, e por praticar virtudes, sua mente se torna inclinada à justiça.' O Brahmana respondeu, 'Tu deste uma explicação verdadeira da religião a qual ninguém mais é capaz de explicar. Teu poder espiritual é grande, e tu me pareces ser como um grande Rishi.' O caçador respondeu, 'Os grandes Brahmanas são venerados com as mesmas honras como nossos antepassados e eles são sempre propiciados com oferendas de alimento antes de outros. Homens sábios neste mundo fazem o que é agradável para eles, com todo seu coração. E eu descreverei para ti, ó bom Brahmana, o que é agradável para eles, depois de ter reverenciado os Brahmanas como uma classe. Aprenda de mim a filosofia Brahmânica. Todo este universo inconquistável em todos os lugares e abundando em grandes elementos é Brahma, e não há nada mais elevado do que isto. A terra, ar, água, fogo e céu são os grandes elementos. E forma, odor, som, toque e gosto são suas propriedades características. Estas últimas também tem suas propriedades as quais estão também correlacionadas umas às outras. E das três qualidades, as quais são gradualmente caracterizadas por cada um, em ordem de prioridade está a consciência que é chamada de mente. A sétima é a inteligência e depois desta vem egoísmo; e então os cinco sentidos, então a alma, então as qualidades morais chamadas sattwa, rajas e tamas. Estas dezessete são citadas como sendo qualidades desconhecidas ou incompreensíveis. Eu descrevi tudo isto para ti, o que mais tu desejas saber?'" 210 "Markandeya continuou, 'Ó Bharata, o Brahmana, assim interrogado pelo caçador virtuoso, retomou novamente este discurso tão agradável para a mente. O Brahmana disse, 'Ó melhor dos que estimam a religião, é dito que há cinco grandes elementos; descreva para mim integralmente as propriedades de todos os cinco.' O caçador respondeu, 'A terra, água, fogo, ar e céu todos tem propriedades sobrepondo-se umas às outras. Eu as descreverei para ti. A terra, ó Brahmana, tem cinco qualidades, a água quatro, o fogo três e o ar e céu juntos tem três também. Som, toque, forma, odor e gosto, estas cinco qualidades pertencem à terra, e som, toque, forma e gosto, ó Brahmana austero, tem sido descritas para ti como as propriedades da água, e som, toque e forma são as três propriedades do fogo e o ar tem duas propriedades: som e toque, e o som é a propriedade do céu. E, ó Brahmana, estas quinze propriedades inerentes aos cinco elementos existem em todas as substâncias das quais este universo é composto. E elas não são opostas umas às outras; elas existem, ó Brahmana, em combinação apropriada. Quando todo este universo é jogado em um estado de confusão, então todo ser corpóreo na plenitude do tempo assume outro corpo. Ele surge e perece na devida ordem. E lá estão presentes as cinco substâncias elementares dais quais todo o mundo móvel e imóvel é composto. O que quer que seja perceptível pelos sentidos, é chamado de vyakta (cognoscível ou compreensível) e o que quer que esteja além do alcance dos sentidos e pode somente ser percebido por suposições, é conhecido como sendo avyakta (não cognoscível ou compreensível). Quem tem vencido a dominação da ilusão, suas virtudes valorosas consistindo na essência de sabedoria espiritual, se dirige ao esclarecimento espiritual o qual ilumina a inteligência dos seres sensíveis. Tal pessoa é intitulada pelo Espírito onipotente, inteligente como alguém que é sem início e sem fim, existente por si mesmo, imutável, incorpóreo e incomparável. Isto, ó Brahmana, que tu perguntaste de mim é somente o resultado da autodisciplina. E esta autodisciplina somente pode ser adquirida por subjugar os sentidos. Isto não pode ser de outra maneira, céu e inferno são ambos dependentes dos nossos sentidos. Quando subjugados, eles levam ao céu; quando indultados, eles levam à perdição. Esta subjugação dos sentidos é o meio mais elevado de alcançar luz espiritual. Nossos sentidos estão na raiz (causa) do nosso avanço espiritual como também na base da nossa degradação espiritual. Por se entregar a eles, uma pessoa sem dúvida contrai vícios, e por subjugá-los ela alcança a salvação. A pessoa autocontrolada que adquire domínio sobre os seis sentidos inerentes à nossa natureza nunca é maculada pelo pecado, e por conseguinte o mal não tem poder sobre ela. O ser corpóreo do homem é comparado a uma carruagem, sua alma a um cocheiro e seus sentidos a cavalos. Um homem habilidoso dirige por toda parte sem confusão, como um cocheiro calmo com cavalos bem domados. É um motorista excelente aquele homem que sabe como manejar pacientemente as rédeas daqueles cavalos selvagens, os seis sentidos inerentes em nossa natureza. Quando nossos sentidos se tornam ingovernáveis como cavalos na estrada, nós devemos refreá-los pacientemente; pois com paciência nós sem dúvida conseguiremos o melhor deles. Quando a mente de um homem é dominada por algum desses sentidos agindo sem controle ele perde sua razão, e se torna como um barco atirado por tempestades sobre o grande oceano. Os homens são enganados pela ilusão ao esperarem colher os frutos daquelas seis coisas, cujos efeitos são estudados por pessoas de discernimento espiritual, que assim colhem os frutos de sua percepção clara." 211 Markandeya continuou, "Ó Bharata, o caçador tendo explicado estes pontos abstrusos, o Brahmana com grande atenção perguntou novamente a ele acerca destes tópicos sutis. O Brahmana disse, 'Descreva realmente para mim, que agora te pergunto devidamente, as respectivas virtudes das qualidades de sattwa, rajas, e tamas.' O caçador respondeu, 'Muito bem, eu te direi o que tu perguntaste. Eu descreverei separadamente suas respectivas virtudes, ouça. Deles tamas é caracterizado por ilusão (espiritual), rajas incita (homens à ação), sattwa é de grande excelência, e por causa disso, é citado como sendo o maior deles. Está muito sob a influência de ignorância espiritual aquele que é tolo, insensato e dado a sonhar, que é preguiçoso, não ativo e dominado por raiva e arrogância, é considerado como estando sob a influência de tamas. E, ó Brahmana Rishi, aquele homem excelente que é agradável em palavras, pensativo, livre de inveja, diligente em ação por um desejo ávido de colher seus frutos, e de temperamento quente, é considerado como estando sob a influência de rajas. E aquele que é resoluto, paciente, não sujeito à raiva, livre de malícia, e não é habilidoso em ação por falta de um desejo egoísta de colher seus frutos, sábio e indulgente, é citado como estando sob a influência de sattwa. Quando um homem dotado da qualidade de sattwa é influenciado pela mundanidade, ele sofre tristeza; mas ele odeia a mundanidade quando ele percebe seu total significado. E então um sentimento de indiferença pelos assuntos mundanos começa a influenciá-lo. E então seu orgulho diminui, e a retidão se torna mais proeminente, e seus sentimentos morais conflitantes são reconciliados. E então autodomínio em qualquer questão se torna desnecessário. Um homem, ó Brahmana, pode ser nascido na casta Sudra, mas se ele for possuidor de boas qualidades, ele pode alcançar o estado de Vaisya e da mesma maneira o de um Kshatriya, e se ele for firme em retidão, ele pode até se tornar um Brahmana. Eu descrevi para ti estas virtudes, o que mais tu desejas aprender?'" 212 "O Brahmana perguntou, 'Como é que o fogo (força vital) em combinação com o elemento terrestre (matéria), se torna a habitação corpórea (das criaturas vivas), e como o ar vital, de acordo com a natureza de seu assento (os músculos e nervos) excita para a ação (a estrutura corpórea)?' Markandeya disse, 'Esta questão, ó Yudhishthira, tendo sido feita pelo Brahmana para o caçador, o último, em resposta, falou àquele Brahmana de grande mente. (O caçador disse): ‘O espírito vital, se manifestado no assento da consciência causa a ação da estrutura corpórea. E a alma estando presente em ambos age (através deles). O passado, o presente e o futuro estão inseparavelmente associados com a alma. E ela é a maior das posses de uma criatura; ela é da essência do Espírito Supremo e nós a adoramos. Ela é o princípio animante de todas as criaturas, e é o eterno Purusha (espírito). Ela é grandiosa e é a inteligência e o ego, e é o assento subjetivo das várias propriedades dos elementos. Assim enquanto localizada aqui (na estrutura corpórea) ela é sustentada em todas as suas relações externas ou internas (com a matéria ou mente) pelo ar sutil etéreo chamado prana, e depois disso, cada criatura segue seu próprio caminho pela ação de outro ar sutil chamado Samana. E este último se transformando em ar Apana, e sustentado pelo alto do estômago carrega a matéria refugo do corpo, urina (e fezes) para os rins e intestinos. Aquele mesmo ar está presente nos três elementos de esforço, empenho e poder, e naquela condição ele é chamado de ar Udana por pessoas versadas em ciência física, e quando se manifesta por sua presença em todos os pontos de junção do sistema humano, ele é conhecido pelo nome de Vyana. E o calor interno é difundido através de todos os tecidos do nosso sistema, e sustentado por estes tipos de ar, ele transforma nosso alimento e os tecidos e os líquidos orgânicos do nosso sistema. E pela coalizão de Prana e outros ares, uma reação (combinação) se segue, e o calor assim gerado é conhecido como o calor interno do sistema humano o qual causa a digestão do nosso alimento. Os ares Prana e Apana estão interpostos dentro dos ares Samana e Udana. E o calor gerado por sua união causa o crescimento do corpo (consistindo nas sete substâncias, ossos, músculos, etc). E aquela porção de sua base que se estende até tão longe quando o reto é chamada Apana; e daquelas artérias se eleva nos cinco ares Prana, etc. O ar Prana, influenciado pelo calor colide contra a extremidade da região Apana e então recuando, ele reage no calor. Acima do umbigo está a região de comida não digerida e abaixo deste a região da digestão. E o Prana e todos os outros ares do sistema estão assentados no umbigo. As artérias saindo do coração correm para cima e para baixo, como também em direções oblíquas; elas carregam a melhor essência do nosso alimento, e são influenciadas pelos dez ares Prana. Este é o caminho pelo qual Yogues pacientes que tem vencido todas as dificuldades, e que observam as coisas com uma visão imparcial e justa, com suas almas estabelecidas no cérebro, encontram o Espírito Supremo; os ares Prana e Apana estão assim presentes no corpo de todas as criaturas. Saiba que o espírito está incorporado em disfarce corpóreo, nas onze condições alotrópicas (do sistema animal), e que embora eterno, seu estado normal é aparentemente modificado por seus acompanhamentos, assim como o fogo purificado em seu cadinho, eterno, ainda assim com seu rumo alterado por seus arredores; e que a coisa divina que está relacionada com o corpo está associada ao último da mesma maneira como uma gota de água à superfície lisa de uma folha de lótus sobre a qual ela rola. Saiba que sattwa, rajas e tamas são os atributos de toda vida e que a vida é o atributo do espírito, e que o último além disso é um atributo do Espírito Supremo. A matéria inerte e impassível é o assento do princípio vivo, o qual é ativo em si mesmo e induz atividade em outros. Aquela coisa pela qual os sete mundos são incitados à ação é chamada de a mais sublime por homens de grande discernimento espiritual. Assim em todos estes elementos, o espírito eterno não mostra a si mesmo, mas é percebido pelos eruditos em ciência espiritual por causa da sua percepção elevada e aguçada. Uma pessoa de mente pura, pela purificação de seu coração, é capaz de destruir os efeitos bons e maus de suas ações e alcançar beatitude eterna pela iluminação de seu espírito interno. Aquele estado de paz e purificação do coração é comparado ao estado de uma pessoa que em um estado de espírito alegre dorme profundamente, ou ao brilho de uma lâmpada preparada por uma mão habilidosa. Tal pessoa de mente pura vivendo de dieta parca percebe o Espírito Supremo refletido no seu próprio, e por praticar a concentração da mente ao anoitecer e poucas horas da noite, ela contempla o Espírito Supremo que não tem atributos, na luz do seu coração, brilhando como uma lâmpada deslumbrante, e assim ela alcança a salvação. Avareza e raiva devem ser subjugadas por todos os meios, pois este ato constitui a virtude mais sagrada que as pessoas podem praticar e é considerado como os meios pelos quais os homens podem atravessar para o outro lado deste mar de aflições e incômodos. Um homem deve proteger sua retidão de ser vencida pelas más consequências da raiva, suas virtudes dos efeitos do orgulho, sua erudição dos efeitos da vaidade, e seu próprio espírito da ilusão. Calma é a melhor das virtudes, e a paciência é o melhor dos poderes, o conhecimento da nossa natureza espiritual é o melhor de todo o conhecimento, e a veracidade é a melhor de todas as obrigações religiosas. Dizer a verdade é bom, e o conhecimento da verdade pode também ser bom, mas o que leva ao maior bem de todas as criaturas é conhecido como a verdade mais elevada. Aquele cujas ações são realizadas não com o objetivo de assegurar alguma recompensa ou bênção, que tem sacrificado tudo às exigências da sua renúncia, é um verdadeiro Sannyasin e é realmente sábio. E como a comunhão com Brahma não pode ser ensinada a nós, nem por nosso preceptor espiritual, pois ele somente nos dá um indício do mistério, a renúncia do mundo material é chamada de Yoga. Nós não devemos fazer mal para alguma criatura e devemos viver em termos de amizade com todos, e nesta nossa existência atual, nós não devemos nos vingar em alguma criatura. Abnegação, paz mental, renúncia de esperança, e equanimidade, estes são os caminhos pelos quais a iluminação espiritual sempre pode ser assegurada; e o conhecimento do eu (da sua própria natureza espiritual) é o melhor de todo o conhecimento. Neste mundo assim como no próximo, renunciando a todos os desejos mundanos e assumindo uma indiferença estóica, na qual todo o sofrimento cessa, as pessoas devem cumprir seus deveres religiosos com a ajuda da sua inteligência. O Muni que deseja obter moksha (salvação), a qual é muito difícil de se alcançar, deve ser constante em austeridades, paciente, autocontrolado, e deve abandonar aquele apego veemente que o ata às coisas desta terra. Eles chamam esses os atributos do Espírito Supremo. Os gunas (qualidades ou atributos) dos quais nós somos conscientes, se reduzem a agunas (não-gunas) n'Ele; Ele não é limitado por alguma coisa, e é perceptível somente pela expansão e desenvolvimento da nossa visão espiritual; logo que a ilusão da ignorância é dissipada, esta beatitude suprema perfeita é alcançada. Por abandonar os objetos de prazer e dor, e por renunciar aos sentimentos que o atam às coisas desta terra, um homem pode alcançar Brahma (Espírito Supremo ou salvação). Ó bom Brahmana, eu agora expliquei brevemente tudo isso para ti, como eu tenho ouvido. O que mais tu desejas saber?" 213 "Markandeya disse, 'Quando, ó Yudhishthira, todo este mistério de salvação foi explicado para aquele Brahmana, ele estava muito satisfeito e ele disse se dirigindo ao caçador, 'Tudo isto que tu explicaste é racional, e me parece que não há nada com relação aos mistérios de religião que tu não saibas.' O caçador respondeu, 'Ó Brahmana bom e excelente, tu deves perceber com teus próprios olhos toda a virtude que eu declaro como um fato, e por causa da qual eu alcancei a este estado bem-aventurado. Levante-se, senhor venerável, e entre rapidamente neste aposento interno. Ó homem virtuoso, é apropriado que tu vejas meu pai e minha mãe.' Markandeya continuou, 'Assim endereçado o Brahmana entrou, e viu uma mansão bela admirável. Ela era uma casa magnífica dividida em quatro conjuntos de quartos, admirada por deuses e parecida com um dos seus palácios; ela estava também mobiliada com assentos e camas, e fragrante de perfumes excelentes. Seus pais reverendos vestidos em mantos brancos, tendo terminado suas refeições, estavam sentados tranquilamente. O caçador, vendo-os, se prostrou à frente deles com sua cabeça em seus pés. Seus pais idosos então se dirigiram a ele dessa maneira, 'Levante-se, ó homem de piedade, levante-se, que a retidão te proteja; nós estamos muito satisfeitos contigo por tua piedade; que tu sejas abençoado com uma vida longa, e com conhecimento, inteligência superior, e satisfação dos teus desejos. Tu és um filho bom e respeitoso, pois nós somos cuidados constantemente e sensatamente por ti, e até entre os celestiais tu não tens outra divindade para cultuar. Por subjugar a ti mesmo constantemente tu te tornaste dotado do poder de autodomínio dos Brahmanas, e todos os teus avôs e antepassados estão constantemente satisfeitos contigo por tuas virtudes de autodomínio e por tua piedade em direção a nós. Em pensamentos, palavras ou ações a tua atenção a nós nunca enfraquece, e parece que no momento tu não tens outro pensamento em tua mente (exceto quanto a como nos agradar). Como Rama, o filho de Jamadagni, trabalhava para agradar a seus pais idosos, assim tu, ó filho, faz para nos agradar, e ainda mais.’ Então o caçador apresentou o Brahmana para seus pais e eles o receberam com a saudação usual de boas- vindas, e o Brahmana, aceitando sua recepção cordial, perguntou se eles, com seus filhos e empregados, estavam todos bem em casa, e se eles estavam sempre desfrutando de boa saúde naquela época (da vida). O par idoso respondeu, 'Em casa, ó Brahmana, nós estamos todos bem, com todos os nossos empregados. Tu, senhor adorável, alcançaste este local sem problema nenhum?' Markandeya continuou, "O Brahmana respondeu, 'Sim, eu alcancei.' Então o caçador se dirigindo ao Brahmana disse para ele, 'Estes meus pais, senhor venerável, são os ídolos que eu cultuo; o que quer que seja devido aos deuses, eu faço para eles. Como os trinta e três deuses com Indra em sua chefia são adorados por homens, assim estes meus pais idosos são adorados por mim. Como os Brahmanas se esforçam para o propósito de obter oferenda para seus deuses, assim eu ajo com diligência por estes dois (ídolos meus). Estes meus pais, ó Brahmana, são meus deuses supremos, e eu procuro agradar a eles sempre com oferendas de flores, frutas e pedras preciosas. Para mim eles estão como os três fogos sagrados mencionados pelos eruditos; e, ó Brahmana, eles me parecem ser tão bons quanto sacrifícios ou os quatro Vedas. Meus cinco ares vitais, minha esposa e filhos e amigos são todos para eles (dedicados ao seu serviço). E com minha esposa e filhos eu sempre sirvo a eles. Ó bom Brahmana, com minhas próprias mãos eu ajudo eles no banho e também lavo seus pés e lhes dou comida e eu digo a eles somente o que é agradável, omitindo o que é desagradável. Eu considero como meu maior dever fazer o que é agradável para eles mesmo que isto não seja estritamente justificável. E, ó Brahmana, eu sou sempre diligente em auxiliá-los. Os dois pais, o fogo sagrado, a alma e o preceptor espiritual, estes cinco, ó bom Brahmana, são dignos da maior reverência de uma pessoa que procura prosperidade. Por servi-los devidamente alguém adquire o mérito de conservar perpetuamente o fogo sagrado. E este é o dever eterno e invariável de todos os chefes de família.’" 214 "Markandeya continuou, 'O caçador virtuoso, tendo apresentado (ambos os) seus pais para aquele Brahmana como seus maiores gurus, falou novamente a ele como segue, 'Note o poder desta minha virtude, pela qual minha visão espiritual interna é aumentada. Por isto, tu ouviste daquela senhora autocontrolada e sincera, devotada a seu marido, 'Vá para Mithila; pois lá vive um caçador que explicará para ti os mistérios de religião.' O Brahmana disse, 'Ó homem pio, tão constante em cumprir tuas obrigações religiosas, refletindo sobre o que aquela senhora sincera agradável tão leal a seu marido disse, eu estou convencido de que tu és realmente dotado de todas as qualidades elevadas.' O caçador respondeu, 'Eu não tenho dúvida, meu senhor, de que o que aquela senhora, tão fiel para seu marido, disse a ti sobre mim foi dito com total conhecimento dos fatos. Eu, ó Brahmana, expliquei para ti tudo isso como uma questão de favor. E agora, bom senhor, ouça-me. Eu explicarei o que é bom para ti. Ó bom Brahmana de caráter irrepreensível, tu fostes injusto com teu pai e tua mãe, pois tu deixaste o lar sem sua permissão, para o propósito de aprender os Vedas. Tu não agiste devidamente nesta questão, pois teus pais ascéticos e idosos se tornaram totalmente cegos de dor pela tua perda. Volte para casa para consolá-los. Que esta virtude nunca te abandone. Tu és de grande mente, de mérito ascético, e sempre devotado à tua religião, mas tudo isto se torna inútil para ti. Sem demora volte para consolar teus pais. Tenha algum respeito pelas minhas palavras e não aja de outra maneira; eu te digo o que é bom para ti, ó Brahmana Rishi, volte para casa hoje mesmo.' O Brahmana respondeu, 'Isto que tu disseste é sem dúvida verdadeiro; que tu possas, ó homem pio, alcançar prosperidade; eu estou muito satisfeito contigo.' O caçador disse, 'Ó Brahmana, como tu praticas com assiduidade aquelas virtudes divinas, antigas, e eternas as quais são tão difíceis de obtenção mesmo por pessoas de mente pura, tu pareces (para mim) semelhante a um ser divino. Volte para o lado de teu pai e tua mãe e seja ligeiro e diligente em honrar teus pais; pois eu não sei se há alguma virtude mais elevada do que esta.' O Brahmana respondeu, 'Por uma boa sorte singular eu cheguei aqui, e por uma boa sorte similar eu fui assim associado contigo. É muito difícil descobrir, em nosso meio, uma pessoa que possa explicar tão bem os mistérios de religião; raramente há um homem entre milhares que seja bem versado na ciência de religião. Eu estou muito contente, ó grande homem, por ter assegurado a tua amizade; que tu possas ser próspero. Eu estava a ponto de cair no inferno, mas fui libertado por ti. Isto estava destinado a ser assim, pois tu entraste (inesperadamente) em meu caminho. E, ó grande homem, como o rei caído Yayati foi salvo por seus netos virtuosos (filhos da filha), assim eu fui salvo por ti. De acordo com o teu conselho, eu honrarei meu pai e minha mãe; pois um homem com um coração impuro nunca pode explicar os mistérios do pecado e retidão. Como é muito difícil para uma pessoa nascida na classe Sudra aprender os mistérios da religião eterna, eu não te considero como um Sudra. Certamente deve haver algum mistério com relação a este caso. Tu deves ter obtido a posição de Sudra por causa da fruição do teu próprio karma passado. Ó homem magnânimo, eu almejo saber a verdade acerca desta questão. Conte-me isso com atenção e de acordo com tua própria disposição.'” "O caçador respondeu, 'Ó bom Brahmana, Brahmanas são dignos de todo o meu respeito. Ouça, ó impecável, a esta história de uma existência anterior minha. Ó filho de um Brahmana excelente, eu era antigamente um Brahmana, versado nos Vedas, e um estudante ilustre dos Vedangas. Por causa da minha própria falha eu fui degradado ao meu estado atual. Um certo rei, talentoso na ciência de Dhanurveda (ciência de manobrar arco e flecha), era meu amigo; e por sua companhia, ó Brahmana, eu também me tornei hábil no tiro de arco; e um dia o rei, em companhia com seus ministros e seguido por seus melhores guerreiros saiu em uma expedição de caça. Ele matou um grande número de veados perto de um eremitério. Eu, também, ó bom Brahmana, atirei uma flecha terrível. E um Rishi foi ferido por aquela flecha com sua ponta curvada para fora. Ele caiu sobre o solo, e gritando ruidosamente disse, 'Eu não fiz mal a ninguém, que homem pecaminoso fez isto?' E, meu senhor, confundindo-o com um veado, eu fui até ele e descobri que ele tinha sido perfurado através do corpo por minha flecha. Por causa do meu ato pecaminoso eu fiquei muito aflito (em mente). E então eu disse para aquele Rishi de mérito ascético severo, que estava gritando ruidosamente, jazendo sobre o solo, 'Eu fiz isto inconscientemente, ó Rishi.' E eu também disse isto ao Muni: 'Julgue apropriado perdoar toda esta transgressão.' Mas, ó Brahmana, o Rishi, furioso me disse, 'Tu nascerás como um caçador cruel na classe Sudra.’" 215 "O caçador continuou, 'Assim amaldiçoado por aquele Rishi, eu procurei conciliá-lo com essas palavras: 'Perdoe-me, ó Muni, eu fiz este ato pecaminoso involuntariamente. Cabe a ti perdoar tudo isso. Senhor venerável, acalme-se.' O Rishi respondeu, 'A maldição que eu pronunciei nunca poderá ser falsificada, isto é indubitável. Mas por bondade para contigo eu te farei um favor. Embora nascido na classe Sudra tu permanecerás um homem virtuoso e sem dúvida honrarás teus pais; e por honrá-los tu alcançarás grande perfeição espiritual; tu também te lembrarás dos acontecimentos da tua vida passada e irás para o céu; e no término dessa maldição tu te tornarás um Brahmana novamente.’ Ó melhor dos homens, assim, antigamente eu fui amaldiçoado por aquele Rishi de poder severo, e assim ele foi conciliado por mim. Então, ó bom Brahmana, eu soltei a flecha do corpo dele, e levei-o ao eremitério, mas ele não foi privado de sua vida (se recuperou). Ó bom Brahmana, eu assim descrevi para ti o que me aconteceu antigamente, e também como eu posso ir para o céu futuramente.' O Brahmana disse, 'Ó tu de grande inteligência, todos os homens estão assim sujeitos à felicidade ou tristeza, portanto tu não deves te afligir por isso. Em conformidade com os costumes da tua classe (atual) tu tens adotado estes hábitos maus, mas tu és sempre devotado à virtude e versado nos caminhos e mistérios do mundo. E, ó homem erudito, estes sendo os deveres da tua profissão, a mácula do karma mau não se vinculará a ti. E depois de morar aqui por pouco tempo, tu te tornarás um Brahmana novamente; e mesmo agora eu te considero como um Brahmana, não há dúvida sobre isto. Pois o Brahmana que é vaidoso e soberbo, que é viciado em maus hábitos e ligado à práticas más e degradantes, é como um Sudra. Por outro lado, eu considero um Sudra que é sempre adornado com estas virtudes: retidão, autodomínio, e veracidade, como um Brahmana. Um homem se torna um Brahmana por seu caráter; por seu próprio karma mau um homem obtém um destino mau e terrível. Ó bom homem, eu creio que o pecado em ti agora se extinguiu. Tu não deves te afligir por isto, pois homens como tu, que és tão virtuoso e versado nos caminhos e mistérios do mundo, não podem ter motivo para aflição.'” "O caçador respondeu, 'As aflições corpóreas devem ser curadas com remédios, e as mentais com sabedoria espiritual. Este é o poder do conhecimento. Sabendo disto, os sábios não se comportam como garotos. Homens de inteligência inferior são dominados pela angústia pela ocorrência de alguma coisa que não é agradável para eles, ou não-ocorrência de alguma coisa que é boa ou muito desejada. De fato, todas as criaturas estão sujeitas a esta característica (de tristeza ou felicidade). Não é simplesmente uma única criatura ou classe que está sujeita à tristeza. Cientes deste mal, as pessoas se corrigem rapidamente, e se elas o percebem no exato início elas conseguem curá-lo totalmente. Quem quer que se aflija por isto somente se torna inquieto. Aqueles homens sábios cujo conhecimento tornou-os felizes e satisfeitos, e que são indiferentes à felicidade e tristeza da mesma maneira, são realmente felizes. Os sábios estão sempre contentes e os tolos sempre descontentes. Não há fim para o descontentamento, e o contentamento é a maior felicidade. As pessoas que alcançaram o caminho perfeito não sofrem, elas estão sempre conscientes do destino final de todas as criaturas. Não se deve ceder ao descontentamento (vishada, uma mistura de descontentamento, perplexidade e confusão) pois ele é como um veneno virulento. Ele mata pessoas de inteligência não desenvolvida, assim como uma criança é morta por uma cobra enfurecida. Não tem virilidade aquele homem cujas energias o deixaram e que é dominado pela perplexidade quando se apresenta uma ocasião para o uso do vigor. Nossas ações são sem dúvida seguidas por suas consequências. Quem quer que simplesmente se entregue à indiferença passiva (pelos assuntos mundanos) não realiza bem algum. Em vez de resmungar uma pessoa deve tentar descobrir o caminho pelo qual ela possa assegurar isenção de miséria (espiritual); e os meios de salvação encontrados, ela deve então se livrar da sensualidade. O homem que alcançou um estado elevado de conhecimento espiritual está sempre consciente da grande deficiência (instabilidade) de toda matéria. Tal pessoa, mantendo em vista o destino final (de todos), nunca sofre. Eu também, ó homem erudito, não me aflijo; eu permaneço aqui (nesta vida) esperando minha hora. Por esta razão, ó melhor dos homens, eu não sou perturbado (por dúvidas)'. O Brahmana disse, 'Tu és sábio e excelente em conhecimento espiritual e tua inteligência é vasta. Tu que és versado em escritos sagrados estás satisfeito com tua sabedoria espiritual. Eu não tenho motivos para te criticar. Adeus, ó melhor dos homens pios, que tu sejas próspero, e que a retidão te proteja, e que tu sejas assíduo na prática da virtude.'” "Markandeya continuou, ‘O caçador disse a ele, 'Assim seja'. E o bom Brahmana andou ao redor dele (uma forma de etiqueta Hindu à despedida) e então partiu. E o Brahmana voltando para casa foi devidamente assíduo em sua atenção para seus pais idosos. Eu assim, ó virtuoso Yudhishthira, narrei em detalhes para ti esta história cheia de instrução moral, a qual tu, meu bom filho, me pediste para recitar, a virtude da devoção das mulheres por seus maridos e aquela da piedade filial.' Yudhishthira respondeu, 'Ó Brahmana mais pio e melhor dos Munis, tu narraste para mim esta história moral boa e maravilhosa; e ouvindo- te, ó homem erudito, meu tempo tem passado como um momento; mas, ó senhor adorável, eu até agora não estou saciado com a audição deste discurso moral.'" Vaisampayana continuou, "O rei virtuoso Yudhishthira, tendo escutado a este discurso religioso excelente, se dirigiu novamente ao Rishi Markandeya dizendo, 'Por que o deus do fogo se escondeu em água nos tempos antigos, e por que é que Angiras de grande esplendor oficiando como deus do fogo costumava transportar oblações durante sua dissolução? (Se supunha que Agni ou fogo transportasse as oblações oferecidas pelos homens para os deuses). Há somente um fogo, mas segundo a natureza de sua ação, ele é visto se dividir em muitos. Ó senhor venerável, eu almejo ser esclarecido sobre todos estes pontos; Como o Kumara nasceu, (Kumara significa um garoto, consequentemente um príncipe. Aqui se refere a Kartika, o deus da guerra) como ele veio a ser conhecido como o filho de Agni (o deus do fogo) e como ele foi gerado por Rudra ou Ganga e Krittika. Ó descendente nobre da linhagem de Bhrigu, eu desejo saber tudo isto exatamente como aconteceu. Ó grande Muni, eu estou cheio de grande curiosidade.' Markandeya respondeu, 'Em relação a isto essa história antiga é citada pelos eruditos, quanto a como o transportador de oblações (o deus do fogo), em um acesso de raiva, procurou as águas do mar para realizar uma penitência, e como o adorável Angiras, se transformando no deus do fogo (por carregar suas oblações para os deuses) destruiu a escuridão e afligiu o mundo com seus raios ardentes. Nos tempos antigos, ó herói de braços longos, o grande Angiras realizou uma penitência admirável em seu eremitério; ele até sobrepujou o deus do fogo, o carregador de oblações, em esplendor, e naquela condição ele iluminou o universo inteiro. Naquela época o deus do fogo também estava realizando uma penitência e estava muito angustiado pela refulgência (de Angirasa). Ele estava muito deprimido, mas não sabia o que fazer. Então aquele deus adorável pensou consigo mesmo, 'Brahma criou outro deus do fogo para este universo. Como eu tenho estado praticando austeridades, meus serviços como a divindade presidente do fogo foram dispensados’; e então ele considerou como ele poderia se restabelecer como o deus do fogo. Ele viu o grande Muni dando calor para todo o universo como fogo, e se aproximou dele lentamente com medo. Mas Angiras disse a ele, 'Restabeleça-te rapidamente como o fogo animando o universo, tu és bem conhecido nos três mundos estáveis e tu foste primeiro criado por Brahma para dissipar a escuridão. Ó destruidor da escuridão, ocupe rapidamente teu próprio lugar adequado.' Agni respondeu, 'Minha reputação foi agora prejudicada neste mundo. E tu deves tornar-te o deus do fogo, e as pessoas conhecerão a ti, e não a mim, como fogo. Eu tenho abandonado minha divindade de fogo, torne-te o fogo primitivo e eu oficiarei como o segundo fogo ou Prajapatyaka.' Angiras respondeu, 'Torne-te o deus do fogo e o destruidor da escuridão e cumpra o teu dever sagrado de clarear o caminho das pessoas para o céu, e, ó senhor, torne-me rapidamente teu primeiro filho.' Markandeya continuou, 'Ouvindo essas palavras de Angiras, o deus do fogo fez como desejado, e, ó rei, Angiras teve um filho chamado Vrihaspati. Sabendo que ele era o primeiro filho de Angiras por meio de Agni, os deuses, ó Bharata, foram (até Angiras) e perguntaram sobre o mistério. E assim perguntado pelos deuses ele lhes informou, e os deuses então aceitaram a explicação de Angiras. Em relação a isto, eu descreverei para ti tipos religiosos de fogo de grande refulgência os quais são aqui conhecidos diferentemente nos Brahmanas (partes dos Vedas) por seus respectivos usos." 217 Markandeya continuou, 'Ó ornamento da linhagem Kuru, ele (Angiras) que era o terceiro filho de Brahma, tinha uma esposa de nome Subha. Ouça sobre os filhos que ele teve com ela. Seu filho Vrihaspati, ó rei, era muito famoso, de grande coração e de grande energia corpórea. Seu caráter e erudição eram profundos, e ele tinha uma grande reputação como um conselheiro. Bhanumati foi sua filha primogênita. Ela era a mais bela de todas as suas crianças. A segunda filha de Angiras se chamava Raga (Raga significa amor). Ela era assim chamada porque que ela era o objeto do amor de todas as criaturas. Siniwali era a terceira filha de Angiras. Seu corpo era de tal feitio delgado que ela era visível em um momento e invisível em outro; e por esta razão ela foi comparada à filha de Rudra. Archismati foi sua quarta filha, ela era assim chamada por sua grande refulgência. E sua quinta filha se chamava Havishmati, assim chamada por ela aceitar havis ou oblações. A sexta filha de Angiras se chamava Mahismati a virtuosa. Ó ser de compreensão aguçada, a sétima filha de Angiras é conhecida pelo nome de Mahamati, que está sempre presente em sacrifícios de grande esplendor, e aquela filha venerável de Angiras, a quem eles chamam de inigualável e sem fração, e sobre quem as pessoas proferem as palavras kuhu kuhu milagre, é conhecida pelo nome de Kuhu.'” 218 "Markandeya continuou, 'Vrishaspati tinha uma esposa (chamada Tara) pertencente ao mundo lunar. Com ela, ele teve seis filhos partilhando da energia do fogo, e uma filha. O fogo em cuja honra oblações de manteiga clarificada são oferecidas no Paurnamasya e outros sacrifícios, era um filho de Vrishaspati chamado Sanju; ele era de grande mérito ascético. Nos sacrifícios Chaturmasya (quatro mensais) e Aswamedha (cavalo), animais são oferecidos primeiro em sua honra, e este fogo poderoso é indicado por numerosas chamas. A esposa de Sanju era chamada Satya, ela era de beleza inigualável e ela nasceu de Dharma (justiça) por causa da verdade. O fogo resplandecente era seu filho, e ele teve três filhas de grande mérito religioso. O fogo o qual é honrado com as primeiras oblações em sacrifícios é seu primeiro filho chamado Bharadwaja. O segundo filho de Sanju é chamado Bharata em cuja honra oblações de manteiga clarificada são oferecidas com a concha sacrifical (chamada Sruk) em todos os sacrifícios da lua cheia (Paurnamasaya). Além destes três filhos dos quais Bharata é o mais velho, ele teve um filho chamado Bharata e uma filha chamada Bharati. O fogo Bharata é o filho do Prajapati Bharata Agni (fogo). E, ó ornamento da linhagem de Bharata, porque ele é muito honrado, ele é também chamado de poderoso. Vira é esposa de Bharadwaja; ela deu nascimento à Vira. É dito pelos Brahmanas que ele é cultuado como Soma (com os mesmos hinos) com oferendas de manteiga clarificada. Ele é unido com Soma na oblação secundária de manteiga clarificada e é também chamado de Rathaprabhu, Rathadhwana e Kumbhareta. Ele gerou um filho chamado Siddhi com sua mulher Sarayu, e envolveu o sol com seu esplendor, e por ser o gênio presidente do fogo sacrifical ele é sempre mencionado nos hinos em louvor do fogo. E o fogo Nischyavana louva a terra somente; ele nunca sofre em reputação, esplendor e prosperidade. O fogo impecável Satya brilhando com chama pura é seu filho. Ele está livre de toda mácula e não é corrompido pelo pecado, e é o regulador do tempo. Aquele fogo tem outro nome Nishkriti, porque ele realizou o Nishkriti (libertação) de todas as criaturas barulhentas aqui. Quando devidamente cultuado ele concede boa sorte. Seu filho é chamado Swana, que é o gerador de todas as doenças; ele inflige sofrimentos severos nas pessoas pelos quais elas gritam alto, e se move na inteligência do universo inteiro. E o outro fogo (terceiro filho de Vrihaspati) é chamado de Viswajit por homens de sabedoria espiritual. O fogo, o qual é conhecido como o calor interno pelo qual o alimento de todas as criaturas é digerido, é o quarto filho de Vrihaspati conhecido por todos os mundos, ó Bharata, pelo nome de Viswabhuk. Ele é autocontrolado, de grande mérito religioso, e é um Brahmacharin e ele é cultuado por Brahmanas nos sacrifícios-Paka. O rio sagrado Gomati era sua esposa e por meio dela todos os homens de mente religiosa realizam seus ritos. E aquele terrível fogo bebedor de água do mar chamado Vadava é o quinto filho de Vrihaspati. Este Brâhmico tem uma tendência para se mover para cima e por isso é chamado de Urdhvabhag, e está assentado no ar vital chamado Prana. O sexto filho é chamado de grande Swishtakrit; pois por meio dele oblações se tornam swishta (su, excelentemente, e ishta, oferecido) e a oblação udagdhara é sempre feita em sua honra. E quando todas as criaturas são reclamadas, o fogo chamado Manyauti se torna cheio de fúria. Este fogo inexoravelmente terrível e muito irascível é a filha de Vrihaspati, e é conhecido como Swaha e está presente em toda matéria. (Pela respectiva influência das três qualidades de sattwa, rajas e tamas, Swaha teve três filhos). Por causa da primeira ela teve um filho que não era igualado por alguém no céu em beleza pessoal, e por causa deste fato ele foi apelidado pelos deuses como o fogo-Kama; (Kama é o nome do deus do amor, Cupido Indiano). (Por causa da segunda) ela teve um filho chamado Amogha ou fogo invencível, o destruidor de seus inimigos em batalha. Seguro do êxito ele refreia sua raiva e está armado com um arco e sentado em uma carruagem e adornado com guirlandas de flores. (Da ação da terceira qualidade) ela teve um filho, o grande Uktha (os meios de salvação) louvado por (semelhante aos) três Ukthas. (O corpo, a Causa excitante das nossas ações é um uktha, a alma do vivificador do corpo é o segundo uktha, e o Espírito Supremo, o incitador da alma é o terceiro). Ele é o originador da grande palavra (a palavra de Deus) e é portanto conhecido como o Samaswasa ou os meios de repouso (salvação).'" "Markandeya continuou, 'Ele (Uktha) realizou uma penitência rigorosa que durou por muitos anos, com o objetivo de ter um filho pio que fosse igual a Brahma em reputação. E quando a invocação foi feita com os hinos do vyahriti e com a ajuda dos cinco fogos sagrados, Kasyapa, Vasistha, Prana, o filho de Prana, Chyavana, o filho de Angiras, e Suvarchaka, lá surgiu uma energia (força) muito brilhante, cheia do princípio animador (criativo), e de cinco cores diferentes. Sua cabeça era do cor do fogo ardente, seus braços eram brilhantes como o sol e sua pele e olhos eram de cor dourada e seus pés, ó Bharata, eram pretos. Suas cinco cores foram dadas a ele por aqueles cinco homens por causa de sua grande penitência. Este ser celeste é portanto descrito como pertencente a cinco homens, e ele é o progenitor de cinco tribos. Depois de ter realizado uma penitência por dez mil anos, aquele ser de grande mérito ascético produziu o fogo terrível pertencente aos Pitris (espíritos dos mortos) para começar o trabalho de criação, e de sua cabeça e boca respectivamente ele criou Vrihat e Rathantara (dia e noite) que rapidamente levam a vida embora. Ele também criou Siva de seu umbigo, Indra de seu poder e vento e fogo de sua alma, e de seus dois braços surgiram os hinos Udatta e Anudatta. Ele também produziu a mente, e os cinco sentidos, e outras criaturas. Tendo criado estes, ele produziu os cinco filhos dos Pitris. Deste Pranidhi era o filho de Vrihadratha. Vrihadratha era o filho de Kasyapa. Bhanu era o afilhado de Chyavana, Saurabha, o filho de Suvarchaka, e Anudatta, o filho de Prana. Estes vinte e cincos seres são reputados (como tendo sido criados por ele). Tapa também criou quinze outros deuses que obstruem sacrifícios (Asuras). Eles são Subhima, Bhima, Atibhima, Bhimavala, Avala, Sumitra, Mitravana, Mitasina, Mitravardhana e Mitradharaman, e Surapravira, Vira, Suveka, Suravarchas e Surahantri. Estes deuses são divididos em três classes de cinco cada uma. Localizados aqui neste mundo, eles destroem os sacrifícios dos deuses no céu; eles frustram seus objetivos e arruínam suas oblações de manteiga clarificada. Eles fazem isto somente para ofender os fogos sagrados que carregam oblações para os deuses. Se os sacerdotes oficiantes são cuidadosos, eles colocam as oblações em honra deles fora do altar sacrifical. Para aquele lugar específico onde o fogo sagrado possa estar colocado, eles não podem ir. Eles carregam a oblação de seus devotos por meio de asas. Quando apaziguados por hinos, eles não frustram os ritos sacrificais. Vrihaduktha, outro filho de Tapa, pertence à Terra. Ele é adorado aqui neste mundo por homens pios realizando sacrifícios Agnihotra. Do filho de Tapa que é conhecido como Rathantara, é dito por sacerdotes oficiantes que a oblação sacrifical oferecida em sua honra é oferecida para Mitravinda. O célebre Tapa foi assim muito feliz com seus filhos." 220 "Markandeya continuou, 'O fogo chamado Bharata foi limitado por regras rígidas de ascetismo. Pushtimati é outro nome de seu fogo; pois quando ele está satisfeito ele concede pushti (desenvolvimento) para todas as criaturas, e por esta razão ele é chamado Bharata (ou o que nutre). E aquele outro fogo, de nome Siva, é dedicado ao culto de Sakti (as forças da divindade que preside as forças da Natureza), e porque ele sempre alivia os sofrimentos de todas as criaturas afligidas pela tristeza, ele é chamado de Siva (o que concede o bem). E após a aquisição de grande riqueza ascética por Tapa, um filho inteligente chamado Puranda nasceu para herdar a mesma. Outro filho chamado Ushma também nasceu. Este fogo é observado no vapor de toda matéria. Um terceiro filho Manu nasceu. Ele oficiou como Prajapati. Os Brahmanas que são versados nos Vedas então falam das façanhas do fogo Sambhu. E depois deste o fogo brilhante Avasathya de grande resplendor é citado pelos Brahmanas. Tapa assim criou os cinco fogos Urjaskara, todos brilhantes como ouro. Estes todos compartilham a bebida Soma em sacrifícios. O grande deus do sol quando fatigado (depois dos seus trabalhos do dia) é conhecido como o fogo Prasanta. Ele criou os Asuras terríveis e várias outras criaturas da terra. Angiras também criou o Prajapati Bhanu, o filho de Tapa. Ele é também chamado de Vrihadbhanu (o grande Bhanu) por Brahmanas versados nos Vedas. Bhanu casou-se com Supraja, e Brihadbhanu, a filha de Surya (o deus do sol). Eles deram à luz seis filhos; ouça sobre sua progênie. O fogo que dá força para o fraco se chama Valada (ou o concessor de força). Ele é o primeiro filho de Bhanu, e aquele outro fogo que parece terrível quando todos os elementos estão em um estado tranquilo é chamado de fogo Manjuman; ele é o segundo filho de Bhanu. E o fogo em cuja honra oblações de manteiga clarificada são ordenadas serem feitas aqui nos sacrifícios Darsa e Paurnamasya e que é conhecido como Vishnu neste mundo, é (o terceiro filho de Bhanu) chamado Angiras, ou Dhritiman. E o fogo para quem, com Indra, a oblação Agrayana é ordenada ser feita é chamado de fogo Agrayana. Ele é o (quarto) filho de Bhanu. O quinto filho de Bhanu é Agraha que é a fonte das oblações as quais são feitas diariamente para o desempenho dos ritos Chaturmasya (quatro mensais). E Stuva é o sexto filho de Bhanu. Nisa era o nome de outra esposa daquele Manu que é conhecido pelo nome de Bhanu. Ela deu à luz a uma filha, aos dois Agnishomas, e também a cinco outros deuses do fogo. O resplandecente deus do fogo que é honrado com as primeiras oblações em companhia com a divindade presidente das nuvens é chamado Vaiswanara. E aquele outro fogo que é chamado de senhor de todos os mundos é Viswapati, o segundo filho de Manu. E a filha de Manu é chamada Swistakrit, porque por meio de oblações para ela alguém adquire grande mérito. Embora ela fosse a filha de Hiranyakasipu, ela ainda assim se tornou sua esposa por seus atos maus. Ela é, entretanto, um dos Prajapatis. E aquele outro fogo que tem suas bases nos ares vitais de todas as criaturas e anima seus corpos é chamado de Sannihita. Ele é a causa das nossas percepções de som e forma. Aquele espírito divino cujo rumo é marcado por manchas pretas e brancas, que é o sustentador do fogo, e que, embora livre de pecado, é o realizador do karma desejado, a quem os sábios respeitam como um grande Rishi, é o fogo Kapila, o apresentador do sistema de Yoga chamado Sankhya. O fogo através do qual espíritos elementares sempre recebem as oferendas chamadas Agra feitas por outras criaturas na realização de todos os ritos peculiares neste mundo é chamado de Agrani. E estes outros fogos brilhantes famosos no mundo foram criados para a retificação dos ritos Agnihotra quando arruinados por quaisquer defeitos. Se os fogos se sobrepõem uns aos outros pela ação do vento, então a retificação deve ser feita com os ritos Ashtakapala em honra do fogo Suchi. E se o fogo do sul entra em contato com os dois outros fogos, então deve ser feita retificação pelo desempenho dos ritos Ashtakapala em honra do fogo Viti. Se os fogos em seu lugar chamado Nivesa entram em contato com o fogo chamado Devagni, então os ritos Ashtakapala devem ser realizados em honra do fogo Suchi para retificação. E se o fogo perpétuo for tocado por uma mulher em seu curso mensal, então para retificação os ritos Ashtakapala devem ser realizados em honra do fogo chamado Dasyuman. Se no momento da realização desses ritos Agnihotra a morte de alguma criatura é mencionada, ou se animais morrem, então a retificação deve ser feita com o desempenho dos ritos Ashtakapala em honra do fogo Suraman. O Brahmana que enquanto sofrendo de uma doença não puder oferecer oblações ao fogo sagrado por três noites deve dar compensação para o mesmo por realizar os ritos Ashtakapala em honra do fogo do norte. Aquele que tem realizado os ritos Darsa e Paurnamasya deve fazer a retificação com a realização dos ritos Ashtakapala em honra do fogo Patikrit. Se o fogo de um quarto de resguardo entra em contato com o fogo perpétuo sagrado, então a retificação deve ser feita com o desempenho dos ritos Ashtakapala em honra do fogo Agniman.'" 221 Markandeya continuou, "Mudita, a esposa favorita do fogo Swaha, costumava viver na água. E Swaha que era o regente da terra e céu gerou naquela sua esposa um fogo muito sagrado chamado Advanta. Há uma tradição entre Brahmanas eruditos que este fogo é o soberano e alma interna de todas as criaturas. Ele é venerável, resplandecente e o senhor de todos os grandes Bhutas aqui. E aquele fogo, sob o nome de Grihapati, é sempre adorado em todos os sacrifícios e transporta todas as oblações que são feitas neste mundo. Aquele grande filho de Swaha, o grande fogo Adbhuta é a alma das águas e o príncipe e regente do céu e o senhor de todas as coisas grandiosas. Seu (filho), o fogo Bharata, consome os corpos mortos de todas as criaturas. Seu primeiro Kratu é conhecido como Niyata na realização do sacrifício Agnishtoma. Aquele fogo poderoso primordial (Swaha) é sempre perdido pelos deuses, porque quando ele vê Niyata se aproximando ele se esconde no mar por medo de contaminação. Procurando por ele em todas as direções, os deuses não puderam descobri-lo (outrora) e ao ver Atharvan o fogo disse para ele, 'Ó ser valente, carregue as oblações para os deuses! Eu estou incapacitado por falta de força. Alcançando o estado do fogo de olhos vermelhos, digne-te a me fazer este favor!' Tendo assim aconselhado Atharvan, o fogo partiu para algum outro lugar. Mas seu esconderijo foi divulgado pela tribo provida de barbatanas. Sobre eles o fogo pronunciou esta maldição com raiva, 'Vocês serão o alimento de todas as criaturas de várias maneiras.' E então aquele transportador de oblações falou para Atharvan (como antes). Embora rogado pelos deuses, ele não concordou em continuar a carregar suas oblações. Ele então se tornou insensível e morreu imediatamente. E deixando seu corpo material, ele entrou nas entranhas da terra. Entrando em contato com a terra, ele criou os diferentes metais. Força e aroma surgiram de seu pus; o cedro do Himalaya de seus ossos; vidro de sua fleuma; a jóia Marakata de sua bílis; e o ferro negro de seu fígado. E todo o mundo foi embelezado com estas três substâncias (madeira, pedra e ferro). As nuvens foram feitas de suas unhas, e corais de suas veias. E, ó rei, vários outros metais foram produzidos de seu corpo. Assim deixando seu corpo material, ele permaneceu absorto em meditação (espiritual). Ele foi despertado pela penitência de Bhrigu e Angiras. O fogo poderoso assim gratificado com penitência resplandeceu intensamente. Mas ao contemplar o Rishi (Atharvan), ele procurou novamente seu refúgio aquoso. Por causa dessa extinção do fogo o mundo inteiro estava assustado, e procurou a proteção de Atharvan, e os deuses e outros começaram a cultuá-lo. Atharvan deu uma busca minuciosa no oceano inteiro na presença de todos aqueles seres ávidos com expectativa, e descobrindo o fogo, ele mesmo começou o trabalho de criação. Dessa maneira nos tempos antigos o fogo foi destruído e chamado de volta à vida pelo adorável Atharvan. Mas agora ele invariavelmente carrega as oblações de todas as criaturas. Vivendo no mar e viajando por vários países, ele produziu os vários fogos mencionados nos Vedas. O rio Indus, os cinco rios (do Punjab), o Sone, o Devika, o Saraswati, o Ganga, o Satakumbha, o Sarayu, o Gandaki, o Charmanwati, o Mahi, o Medha, o Medhatithi, os três rios Tamravati, o Vetravati, e o Kausiki; o Tamasa, o Narmada, o Godavari, o Vena, o Upavena, o Bhima, o Vadawa, o Bharati, o Suprayoga, o Kaveri, o Murmura, o Tungavenna, o Krishnavenna e o Kapila, estes rios, ó Bharata, são citados como as mães dos fogos! O fogo chamado Adbhuta tinha uma esposa de nome Priya, e Vibhu era o mais velho de seus filhos com ela. Há tantas espécies diferentes de sacrifícios Soma quanto o número de fogos mencionados antes. Toda esta linhagem de fogos, primogênita do espírito de Brahma, surgiu também da geração de Atri. Atri em sua própria mente concebeu estes filhos, desejoso de estender a criação. Por esta ação, os fogos saíram do seu próprio corpo Brâhmico. Eu assim narrei para ti a história da origem desses fogos. Eles são numerosos, resplandecentes, e inigualáveis em poder, e eles são os destruidores de escuridão. Saiba que os poderes desses fogos são os mesmos que aqueles do fogo Adbhuta como relatado nos Vedas. Pois todos estes fogos são um e o mesmo. Este ser adorável, o fogo primogênito, deve ser considerado como um. Pois como o sacrifício Jyotishtoma ele saiu do corpo de Angiras em várias formas. Eu assim descrevi para ti a história da grande linhagem de Agni (fogos) que quando devidamente adorado com os vários hinos, carrega oblações de todas as criaturas para os deuses.” 222 "Markandeya continuou, 'Ó descendente impecável da linhagem de Kuru, eu descrevi para ti os vários ramos da linhagem de Agni. Ouça agora a história do nascimento do inteligente Kartikeya. Eu te falarei daquele filho admirável e famoso e muito vigoroso do fogo Adbhuta gerado das esposas dos Brahmarshis. Nos tempos antigos os deuses e Asuras eram muito ativos em destruírem uns aos outros. E os Asuras terríveis sempre conseguiam derrotar os deuses. E Purandara (Indra) vendo a grande matança de seus exércitos por eles e ansioso para descobrir um líder para a hoste celeste, pensou consigo mesmo, 'Eu devo descobrir uma pessoa poderosa que observando as tropas do exército celeste despedaçadas pelos Danavas seja capaz de reorganizá-las com vigor.' Ele então se dirigiu às montanhas Manasa e estava lá profundamente absorto em contemplação da natureza, quando ele ouviu os gritos de partir o coração de uma mulher neste sentido, 'Que alguém possa vir rápido e me salvar, e ou indicar um marido para mim, ou ser ele mesmo meu marido.' Purandara disse a ela, 'Não tenha medo, senhora!' E tendo dito estas palavras, ele viu Kesin (um Asura) adornado com uma coroa e maça na mão de pé assim como uma colina de metais a uma distância e segurando aquela senhora pela mão. Vasava se dirigiu então àquele Asura dizendo, 'Por que tu estás disposto a te comportar insolentemente com esta senhora? Saiba que eu sou o deus que maneja o raio. Abstenha-te de fazer alguma violência para esta senhora.' A ele Kesin respondeu, 'Ó Sakra, não interfira, eu desejo possuí-la. Tu pensas, ó matador de Paka, que tu serás capaz de voltar para casa com tua vida?' Com estas palavras Kesin arremessou sua maça para matar Indra. Vasava cortou-a em seu percurso com seu raio. Então Kesin, furioso, arremessou uma massa enorme de rocha nele. Vendo aquilo, ele de cem sacrifícios partiu-a com seu raio e ela caiu sobre o solo. E o próprio Kesin foi ferido pela queda daquela massa de rocha. Assim muito aflito, ele fugiu deixando a senhora para trás. E quando o Asura tinha partido, Indra disse para aquela senhora, 'Quem e esposa de quem tu és, ó senhora com um rosto belo, e o que te trouxe aqui?'" 223 "A senhora respondeu, 'Eu sou uma filha de Prajapati (o senhor de todas as criaturas, Brahma) e meu nome é Devasena. Minha irmã Daityasena antes disso foi raptada por Kesin. Nós duas com nossas empregadas habitualmente costumávamos vir para estas montanhas Manasa para nos divertirmos com a permissão de Prajapati. E o grande Asura Kesin costumava nos cortejar diariamente. Daityasena, ó conquistador de Paka, escutou a ele, mas eu não. Daityasena foi, portanto, levada por ele, mas, ó ilustre, tu me salvaste com teu poder. E agora, ó senhor dos celestiais, eu desejo que tu escolhas um marido invencível para mim.' A isto Indra respondeu, 'Tu és uma prima minha, tua mãe sendo uma irmã da minha mãe Dakshayani, e agora eu desejo te ouvir relatar teu próprio valor.' A senhora respondeu, 'Ó herói de braços longos, eu sou Avala (alguém que não tem vala ou força ou poder) mas meu marido deve ser poderoso. E pela potência da bênção do meu pai, ele será respeitado por deuses e Asuras igualmente.' Indra disse, 'Ó criatura irrepreensível, eu desejo saber de ti que tipo de poder tu desejas que teu marido possua.' A senhora respondeu, 'Aquele ser varonil e famoso e poderoso devotado à Brahma, que é capaz de conquistar todos os celestiais, Asuras, Yakshas, Kinnaras, Uragas, Rakshasas e os Daityas de mente má, e de subjugar todos os mundos contigo, será meu marido.'” "Markandeya continuou, 'Ao ouvir suas palavras, Indra estava aflito e refletiu profundamente consigo mesmo, 'Não há marido para esta senhora, correspondendo à sua própria descrição.' E aquele deus adornado com resplendor como o do sol então percebeu o Sol nascendo na colina Udaya, (de acordo com os hindus, o sol nasce e se põe atrás de duas colinas respectivamente. Ele nasce de Udaya ou colina Nascer do Sol, e se põe atrás de Asta ou colina Pôr do Sol) e o grande Soma (Lua) deslizando na direção do Sol. Sendo o tempo da Lua Nova, ele de cem sacrifícios, no momento Raudra (pertencente à Rudra, o deus da fúria, violência, guerra, etc), observou os deuses e Asuras lutando na colina Nascer do Sol. E ele viu que o crepúsculo da manhã estava tingido com nuvens vermelhas. E ele também viu que a residência de Varuna tinha se tornado vermelho-sangue. E ele também observou Agni transportando oblações oferecidas com vários hinos por Bhrigu, Angiras, e outros e entrando no disco do Sol. E ele além disso viu os vinte e quatro Parvas adornando o Sol, e o terrível Soma também presente no sol sob tais circundantes. E observando aquela união do Sol e da Lua e aquela conjunção terrível deles Sakra pensou consigo mesmo, ‘Esta magnífica conjunção do Sol e da Lua pressagia uma batalha terrível no dia seguinte. E o rio Sindhu (Indus) também está fluindo com uma corrente de sangue fresco e os chacais com olhares ardentes estão gritando para o Sol. Esta grande conjunção é temível e cheia de energia. Este união da Lua (Soma) com o Sol e Agni é muito admirável. E se Soma der nascimento a um filho agora, aquele filho pode ser vir a ser o marido desta senhora. E Agni também tem arredores similares agora, e ele também é um deus. Se os dois gerarem um filho, aquele filho pode se tornar o marido desta senhora.' Com estes pensamentos aquele ilustre celestial se dirigiu para as regiões de Brahma, levando Devasena (literalmente, o exército celestial) com ele. E saudando o Avô ele disse para ele, 'Determine um guerreiro renomado como marido desta senhora.' Brahma respondeu, 'Ó matador de Asuras, será como tu planejaste. O resultado daquela união será poderoso e vigoroso consequentemente. Aquele ser poderoso será o marido desta senhora e o líder das tuas forças junto contigo.' Assim endereçado, o senhor dos celestiais e a senhora reverenciaram a ele e então se dirigiram ao lugar onde aqueles grandes Brahmanas, os poderosos Rishis celestes, Vasistha e outros, viviam. E com Indra em sua chefia, os outros deuses também, desejosos de beber a bebida Soma, se dirigiram para os sacrifícios daqueles Rishis para receber suas respectivas partes das oferendas. Tendo devidamente realizado as cerimônias com o fogo ardente brilhante, aquelas pessoas de grande mente ofereceram oblações aos celestiais. E o fogo Adbhuta, aquele transportador de oblações, foi convidado com mantras. E saindo do disco solar, aquele fogo nobre se dirigiu devidamente para lá, reprimindo a fala. E, ó chefe da raça Bharata, aquele fogo entrando no fogo sacrifical que tinha sido aceso e para o qual várias oferendas foram feitas pelos Rishis com recitações de hinos, levou-as com ele e transferiu-as para os habitantes do céu. E enquanto voltava daquele local, ele observou as esposas daqueles Rishis de grande alma dormindo tranquilamente em suas camas. E aquelas senhoras tinham uma cor bela como aquela de um altar de ouro, imaculadas como raios lunares, parecendo com chamas ardentes e semelhantes a estrelas brilhantes. E observando aquelas esposas dos Brahmanas ilustres com olhares ávidos, sua mente ficou agitada e ele foi afetado por seus encantos. Reprimindo seu coração ele considerou impróprio para ele estar assim agitado. E ele disse para si mesmo, ‘As esposas daqueles grandes Brahmanas são castas e fiéis e além do alcance dos desejos de outras pessoas. Eu estou cheio de desejo para possuí-las. Eu não posso legalmente lançar meus olhos sobre elas, nem mesmo tocá-las quando elas não estão cheias de desejo. Eu, portanto, me satisfazerei diariamente somente por olhar para elas por me tornar seu fogo Garhapatya (doméstico).'” "Markandeya continuou, ‘O fogo Adbhuta, assim se transformando em um (fogo) doméstico, estava muito satisfeito por ver aquelas senhoras da cor do ouro e tocá-las com suas chamas. E influenciado por seus encantos ele morou lá por muito tempo, lhes dando seu coração e cheio de um amor intenso por elas. E frustrado em todos os seus esforços para ganhar os corações das senhoras Brahmana, e seu próprio coração torturado pelo amor, ele se dirigiu para uma floresta com o objetivo certo de destruir a si mesmo. Pouco tempo antes, Swaha, a filha de Daksha, tinha concedido seu amor a ele. A senhora excelente vinha se esforçando por muito tempo para descobrir seus momentos fracos; mas aquela senhora irrepreensível não conseguiu descobrir alguma fraqueza no calmo e controlado deus do fogo. Mas agora que o deus tinha se dirigido para uma floresta, realmente torturado pelas aflições do amor, ela pensou, 'Como eu também estou afligida pelo amor, eu assumirei a aparência das esposas dos sete Rishis, e naquele disfarce eu procurarei o deus do fogo assim encantado com seus atrativos. Isto feito, ele será gratificado e meu desejo também será satisfeito.'" 224 "Markandeya continuou, 'Ó senhor de homens, a bela Siva dotada de grandes virtudes e um caráter imaculado era a esposa de Angiras (um dos sete Rishis). Aquela senhora excelente (Swaha) a princípio assumindo o disfarce de Siva, procurou a presença de Agni para quem ela disse, 'Ó Agni, eu estou torturada com amor por ti. Pense que é adequado me cortejar. E se tu não concordares com meu pedido, saiba que eu cometerei suicídio. Eu sou Siva a mulher de Angiras. Eu vim aqui segundo o conselho das esposas dos outros Rishis, que me mandaram aqui depois de devida deliberação.' Agni respondeu, 'Como tu sabias que eu estava torturado pelo amor e como poderiam as outras, as esposas queridas dos sete Rishis, de quem tu falaste, saber disso?' Swaha respondeu, 'Tu és sempre um favorito para nós, mas nós temos medo de ti. Agora tendo lido a tua mente por sinais bem conhecidos, elas me enviaram à tua presença. Eu vim aqui para satisfazer meu desejo. Seja rápido, ó Agni, para realizar o objeto do teu desejo, minhas cunhadas estão me esperando. Eu devo voltar logo.' Markandeya continuou, 'Então Agni, cheio de grande alegria e deleite, se uniu com Swaha no disfarce de Siva, e aquela senhora, coabitando alegremente com ele, segurou o sêmen viril em suas mãos. E então ela pensou consigo mesma que aqueles que a observassem naquele disfarce na floresta lançariam uma calúnia imerecida sobre a conduta daquelas senhoras Brahmana em conexão com Agni. Portanto, para impedir isso, ela deveria assumir o disfarce de uma ave, e naquele estado ela sairia mais facilmente da floresta.’ Markandeya continuou, 'Então assumindo o disfarce de uma criatura alada, ela saiu da floresta e alcançou a Montanha Branca envolvida por moitas de urzes e outras plantas e árvores, e guardada por estranhas serpentes de sete cabeças com veneno em seus próprios olhares, e abundando com Rakshasas, Pisachas machos e fêmeas, espíritos terríveis, e várias espécies de aves e animais. Aquela senhora excelente subindo rapidamente um pico daquelas montanhas, jogou aquele sêmen em um lago dourado. E então assumindo sucessivamente as formas das esposas dos sete Rishis de grande alma, ela continuou a ficar com Agni. Mas por causa do grande mérito ascético de Arundhati e de sua devoção por seu marido (Vasishtha), ela não pôde assumir sua forma. E, ó chefe da raça Kuru, a senhora Swaha no primeiro dia lunar jogou seis vezes naquele lago o sêmen de Agni. E jogado lá, ele produziu uma criança masculina dotada de grande poder. E do fato dela ser considerada pelos Rishis como rejeitada, a criança nascida disso veio a ser chamada pelo nome de Skanda. E a criança tinha seis rostos, doze orelhas, o mesmo número de olhos, mãos, e pés, um pescoço, e um estômago. E ele primeiro assumiu uma forma no segundo dia lunar, e ele cresceu até o tamanho de uma criança pequena no terceiro. E os membros de Guha foram desenvolvidos no quarto dia. E sendo cercado por massas de nuvens vermelhas emitindo relâmpagos, ele brilhou como o Sol surgindo no meio de uma massa de nuvens vermelhas. E pegando o arco extraordinário e imenso que foi usado pelo destruidor do Asura Tripura para a destruição dos inimigos dos deuses, aquele ser poderoso proferiu tal rugido terrível que os três mundos com duas divisões móveis e imóveis foram tomados pelo temor. E ouvindo aquele som que parecia com o ribombar de uma massa de nuvens grandes, os grandes Nagas, Chitra e Airavata, foram abalados pelo medo. E vendo eles inseguros aquele menino brilhando com resplendor como o do sol segurou-os com duas mãos. E com um dardo em (outra) mão, e com um galo robusto, de crista vermelha, e grande seguro firmemente em outra, aquele filho de braços longos de Agni começou a se divertir em volta fazendo um barulho terrível. E segurando uma concha excelente com duas de suas mãos, aquele ser poderoso começou a soprá-la para o grande terror até das criaturas mais poderosas. E batendo no ar com duas de suas mãos, e brincando no topo da colina, o poderoso Mahasena de destreza inigualável parecia como se ele estivesse a ponto de devorar os três mundos, e brilhava como o deus do sol resplandecendo no momento de sua ascensão nos céus. E aquele ser de destreza admirável e força inigualável, sentado no topo daquela colina, contemplava com seus numerosos rostos direcionados para os diferentes pontos cardeais, e observando várias coisas, ele repetiu seus rugidos altos. E ao ouvirem aqueles rugidos várias criaturas estavam prostradas com medo. E assustadas e perturbadas em mente elas procuraram proteção. E todas aquelas pessoas de várias ordens que então procuraram a proteção daquele deus são conhecidas como seus poderosos seguidores Brahmana. E se levantando de seu assento, aquele deus poderoso aquietou os medos de todas aquelas pessoas, e então sacando seu arco, ele atirou suas flechas na direção da Montanha Branca. E com aquelas flechas a colina Krauncha, o filho de Himavat, foi rachada. Esta é a razão por que cisnes e urubus agora migram para as montanhas Sumeru. A colina Krauncha, muito ferida, caiu proferindo gemidos terríveis. E vendo-a caída, as outras colinas também começaram a gritar. E aquele ser poderoso de destreza sem igual, ouvindo os gemidos dos afligidos, não estava comovido em absoluto, mas erguendo sua maça ele mesmo proferiu seu grito de guerra. E aquele ser de grande alma então arremessou sua maça de grande brilho e rapidamente rachou em dois um dos picos da Montanha Branca. E a Montanha Branca sendo assim perfurada por ele estava com muito medo e se dissociando da terra fugiu com as outras montanhas. E a terra estava imensamente aflita e privada de seus ornamentos por toda parte. E nesta angústia, ela ficou perto de Skanda e mais uma vez resplandeceu com todo seu poder. E as montanhas também se curvaram à Skanda e voltaram e se fixaram no solo. E todas as criaturas então celebraram o culto de Skanda no quinto dia do mês lunar.” 225 "Markandeya continuou, 'Quando aquele ser vigoroso, de grande alma e poderoso nasceu, vários tipos de fenômenos assustadores ocorreram. E a natureza de machos e fêmeas, de calor e frio, e de outros pares de contrários semelhantes foi invertida. E os planetas, os pontos cardeais e o firmamento ficaram radiantes com luz e a terra começou a retumbar muito. E até os Rishis, procurando o bem-estar do mundo, enquanto eles observavam todos estes prodígios magníficos por todos os lados, começaram com corações ansiosos a restaurar a tranquilidade no universo. E aqueles que costumavam viver naquela floresta Chitraratha disseram, ‘Esta nossa condição muito miserável foi ocasionada por Agni coabitar com as seis esposas dos sete Rishis.' Outros além disso que tinham visto a deusa assumir o disfarce de uma ave disseram, 'Este mal foi ocasionado por uma ave.' Ninguém jamais imaginou que Swaha era a autora daquela injúria. Mas tendo sabido que a criança masculina (recém-nascida) era dela, ela foi até Skanda e gradualmente revelou para ele o fato que ela era sua mãe. E aqueles sete Rishis, quando eles ouviram que um filho de grande poder tinha nascido (para eles), repudiaram suas seis esposas com exceção da adorável Arundhati, porque todos os habitantes daquela floresta protestaram que aquelas seis pessoas tinham colaborado para gerar a criança. Swaha também, ó rei, falou repetidamente para os sete Rishis, dizendo, 'Ó ascetas, esta criança é minha, suas esposas não são mães dele.' O grande Muni Viswamitra, depois da conclusão dos sacrifícios dos sete Rishis, tinha seguido despercebido o deus do fogo, enquanto o último estava atormentado pela luxúria. Ele, portanto, sabia como tudo tinha acontecido e ele foi o primeiro a procurar a proteção de Mahasena. E ele ofereceu orações divinas para Mahasena e todos os treze ritos auspiciosos concernentes à infância, tal como a natalícia e outras cerimônias, foram todas realizadas pelo grande Muni em relação àquela criança. E para o bem do mundo ele promulgou as virtudes de Skanda de seis faces, e realizou cerimônias em honra do galo, da deusa Sakti, e dos primeiros seguidores de Skanda. E por esta razão ele se tornou um grande favorito do jovem celeste. Aquele grande Muni então informou os sete Rishis das transformações de Swaha e disse a eles que suas esposas eram totalmente inocentes. Mas embora assim informados os sete Rishis abandonaram suas cônjuges incondicionalmente.’ Markandeya continuou, ‘Os celestiais tendo ouvido sobre a destreza de Skanda, disseram todos para Vasava, 'Ó Sakra, mate Skanda sem demora pois sua destreza é insuportável. E se tu não exterminá-lo, ele conquistará os três mundos conosco, e te subjugando, ele mesmo se tornará o senhor poderoso dos celestiais.' Perplexo em mente, Sakra respondeu para eles, 'Esta criança é dotada de grande destreza. Ele pode destruir o Criador do Universo em combate empregando seu poder. Eu não ouso, portanto, matá-lo.' A isto os deuses responderam, 'Tu não tens coragem em ti, que tu falas dessa maneira. Que as grandes Mães do Universo se dirijam hoje até Skanda. Elas podem controlar à vontade qualquer grau de energia. Que elas então matem esta criança.' 'Será assim,' as mães responderam. E então elas partiram. Mas ao verem que ele era possuidor de grande poder elas ficaram desanimadas, e considerando que ele era invencível, elas procuraram sua proteção e disseram a ele, 'Ó ser poderoso, torne- te nosso filho (adotado). Nós estamos cheias de afeição por ti e desejosas de te dar de mamar. Veja!, o leite goteja dos nossos seios!' Ao ouvir estas palavras, o poderoso Mahasena ficou desejoso de sugar os seios delas e ele recebeu-as com devido respeito e concordou com seu pedido. E aquela mais poderosa das criaturas poderosas então viu seu pai Agni indo em direção a ele. E aquele deus, que é o fazedor de tudo o que é bom, foi devidamente honrado por seu filho, e em companhia com as Mães, ele permaneceu lá ao lado de Mahasena para cuidar dele. E aquela senhora entre as Mães que foi nascida da Raiva (a Raiva personificada é uma divindade) com um ferrão na mão manteve vigilância sobre Skanda assim como uma mãe guardando seu próprio filho, e aquela filha irascível e de cor vermelha do Mar, que vivia de sangue, estreitou Mahasena em seu peito e cuidou dele como uma mãe. E Agni se transformando em um comerciante com uma boca de bode e seguido por numerosas crianças começou a gratificar aquele seu filho com brinquedos naquela sua residência da montanha." 226 "Markandeya continuou, ‘Os planetas com seus satélites, os Rishis e as Mães, Agni e numerosos outros cortesãos resplandecentes e muitos outros habitantes do céu de aparência terrível serviam Mahasena junto com as Mães. E o ilustre soberano dos deuses, desejoso de vitória mas acreditando que o sucesso era duvidoso montou em seu elefante Airavata e acompanhado pelos outros deuses avançou em direção a Skanda. Aquele ser poderoso seguido por todos os celestiais estava armado com seu raio. E com o objetivo de matar Mahasena, ele marchou com o exército celeste terrível de grande esplendor, emitindo seus gritos de guerra agudos e providos de vários tipos de estandartes, com guerreiros envolvidos em várias armaduras e armados com arcos numerosos e montados em vários animais. Quando Mahasena contemplou o gloriosamente ornamentado Sakra, vestido em suas melhores roupas, avançando com a determinação de matá-lo, ele (também de sua parte) avançou para encontrar com aquele chefe dos celestiais. Ó Partha, o poderoso Vasava, o senhor dos celestiais, então proferiu um grito alto, para encorajar seus guerreiros e marchando rapidamente com a intenção de matar o filho de Agni e louvado por Tridasas (outro nome dos deuses, assim chamados por eles terem somente três estágios de vida: infância, meninice, e juventude, e serem livres do quarto: velhice), e grandes Rishis, ele finalmente alcançou a residência de Kartikeya. E então ele gritou repetidamente com outros deuses; e Guha também, em resposta a isto, proferiu um grito de guerra terrível parecido com o bramido do mar. Ao ouvir aquele barulho, o exército celeste se comportou como um mar agitado, e estava atordoado e fixo no lugar. E aquele filho de Pavaka (o deus do fogo) observando os deuses se aproximarem dele com o objetivo de matá-lo, estava cheio de cólera, e emitiu chamas de fogo ascendentes de dentro de sua boca. E aquelas chamas destruíram as forças celestes se debatendo sobre o solo. Suas cabeças, seus corpos, suas armas e animais de montaria foram todos queimados naquela conflagração e eles pareceram todos de repente como estrelas deslocadas das suas próprias esferas. Assim atormentados, os deuses renunciaram à toda fidelidade ao (portador) do raio, e procuraram a proteção do filho de Pavaka; e assim a paz foi novamente assegurada. Quando ele foi assim abandonado pelos deuses, Sakra arremessou seu raio em Skanda. Este o perfurou do lado direito; e, ó grande rei, ele passou através do corpo daquele ser de grande alma. E ao ser atingido com o raio, surgiu do corpo de Skanda outro ser, um jovem com uma clava na mão, e enfeitado com um amuleto celeste. E porque ele nasceu por causa da perfuração do raio ele foi chamado de Visakha. E Indra, quando ele viu que outra pessoa parecida com o deus do fogo feroz e destruidor tinha nascido, estava apavorado e suplicou a proteção de Skanda, com as palmas de suas mãos unidas (como um sinal de respeito). E aquele ser excelente, Skanda, mandou-o abandonar todo o medo, com seu braço. Os deuses ficaram então extasiados com alegria, e suas mãos também se chocaram." 227 "Markandeya continuou, 'Agora ouça sobre aqueles seguidores de Skanda terríveis e de aparência singular. Várias crianças masculinas tomaram forma quando Skanda foi atingido com o raio, aquelas criaturas magníficas que roubam (fazem sumir) crianças pequenas, nascidas ou no útero, e várias crianças femininas também de grande força nasceram para ele. Aquelas crianças adotaram Visakha como seu pai. Aquele adorável e ágil Bhadrasakha, tendo um rosto semelhante àquele de um bode foi no momento (da batalha), cercado por todos os seus filhos e filhas a quem ele protegeu cuidadosamente na presença das grandes mães. E por esta razão os habitantes dessa terra chamam Skanda de pai de Kumaras (crianças pequenas). Aquelas pessoas que desejam ter filhos nascidos para elas cultuam em suas residências o poderoso Rudra na forma do deus do fogo, e Uma na forma de Swaha. E por estes meios elas são abençoadas com filhos. As filhas geradas pelo deus do fogo, Tapa, se aproximaram de Skanda, que disse a elas, 'O que eu posso fazer por vocês?' Aquelas moças responderam, 'Nos faça este favor; por tua bênção, que nós possamos nos tornar as boas e respeitadas mães de todo o mundo!' Ele respondeu, 'Assim seja.' E aquele ser de visão ampla repetiu muitas vezes, 'Vocês serão divididas em Siva e Asiva (isto é, espíritos bons e maus).' E as mães então partiram, tendo primeiro estabelecido a condição de filho de Skanda; Kaki, Halima, Malini, Vrinhila, Arya, Palala e Vaimitra, estas foram as sete mães de Sisu. Elas tiveram um filho poderoso, de olhos vermelhos, terrível e muito turbulento chamado Sisu nascido pela bênção de Skanda. Ele foi reputado como o oitavo herói, nascido das mães de Skanda. Mas ele é também conhecido como o nono, quando aquele ser com a face de um bode é incluído. Saiba que o sexto rosto de Skanda era semelhante àquele de um bode. Aquele rosto, ó rei, está situado no meio dos seis, e é venerado constantemente pela mãe. Aquela cabeça pela qual Bhadrasakha criou a energia divina é reputada como a melhor de todas as suas cabeças. Ó soberano de homens, estes acontecimentos virtuosos e extraordinários aconteceram no quinto dia da metade clara do mês lunar, e no sexto, uma batalha muito violenta e terrível foi lutada naquele local." 228 "Markandeya continuou, 'Skanda estava enfeitado com um amuleto e coroa dourados, e usava uma crista e uma coroa de ouro; seus olhos eram de cor dourada, e ele tinha um conjunto de dentes afiados; ele estava vestido em um traje vermelho e parecia muito belo; ele tinha uma aparência atrativa, e era dotado de todas as boas características e era o favorito dos três mundos. Ele concedia benefícios (para as pessoas que o procuravam) e era corajoso, jovem, e adornado com brincos brilhantes. Enquanto ele estava descansando, a deusa da fortuna, parecendo com um lótus e assumindo uma encarnação pessoal, concedeu sua lealdade a ele. Quando ele se tornou assim possuidor de boa sorte, aquela criatura famosa e de aparência delicada pareceu para todos como a lua cheia. E Brahmanas de grande mente adoraram aquele ser poderoso, e os Maharshis (grandes Rishis) então disseram o seguinte para Skanda, 'Ó tu nascido do ovo dourado, que tu sejas próspero e que tu te tornes um instrumento de bem para o universo! Ó melhor dos deuses, embora tu tenhas nascido somente seis noites (dias) atrás, todo mundo jurou fidelidade a ti (dentro deste tempo curto), e tu também acalmaste seus medos. Portanto torne-te o Indra (senhor) dos três mundos e remova sua causa de apreensão.' Skanda respondeu, 'Vocês senhores de grande riqueza ascética (digam-me) o que Indra faz com todos os três mundos e como aquele soberano dos celestiais protege as hostes de deuses constantemente.' Os Rishis responderam, 'Indra é o dador de força, poder, filhos e felicidade para todas as criaturas e quando propiciado, aquele Senhor dos celestiais concede para todos os objetos de seu desejo. Ele destrói os maus e realiza os desejos dos virtuosos; e aquele destruidor de Vala atribui para todas as criaturas seus vários deveres. Ele oficia para o sol e a lua em lugares onde não há sol ou lua; ele até quando a ocasião requer isso, age para (servir os propósitos do) fogo, ar, terra, e água. Estes são os deveres de Indra; suas capacidades são imensas. Tu também és poderoso; portanto grande herói, torne-te nosso Indra.' Sakra disse, 'Ó ser poderoso, nos faça felizes, por se tornar nosso senhor. Ser excelente, tu és digno da honra; portanto nós te consagraremos hoje mesmo.' Skanda respondeu, 'Continue a governar os três mundos com presença de espírito, e com teu coração inclinado à conquista. Eu permanecerei teu servo humilde. Eu não cobiço a tua soberania.' Sakra respondeu, 'Tua bravura é sem igual, ó herói, portanto derrote os inimigos dos deuses. As pessoas foram tomadas pela admiração por tua bravura. Mais especialmente como eu fui privado da minha bravura, e derrotado por ti, agora se eu fosse agir como Indra eu não imporia o respeito de todas as criaturas, e elas estariam ocupadas em ocasionar dissensões entre nós; e então, meu senhor, elas se tornariam partidárias de um ou outro de nós. E quando elas se organizassem em duas facções distintas, a guerra como antes seria o resultado daquela deserção. E naquela guerra tu sem dúvida me derrotarias sem dificuldade e te tornarias o senhor de todos os mundos.' Skanda respondeu, 'Tu, ó Sakra, és meu soberano, como também dos três mundos; que tu sejas próspero! Diga-me se eu posso obedecer alguns dos teus comandos.' Indra respondeu, 'Por tua ordem, ó ser poderoso, eu continuarei a agir como Indra. E se tu disseste isso deliberadamente e com sinceridade, então ouça-me como tu podes satisfazer o teu desejo de me servir. Ó ser poderoso, aceite a liderança das forças celestes adequadamente.' Skanda respondeu, 'Consagre-me como líder, para a destruição dos Danavas, para o bem dos celestiais, e para o bem-estar de vacas e Brahmanas.' Markandeya continuou, "Assim ungido por Indra e todos outros deuses, e honrado pelos Maharshis, ele parecia formidável naquele momento. O guarda-sol dourado (um dos emblemas de realeza no Hindustão) segurado (sobre sua cabeça) parecia com uma auréola de fogo ardente. Aquele deus famoso, o Conquistador de Tripura, ele mesmo fixou a guirlanda celeste de ouro, de fabricação de Viswakarma, em volta de seu pescoço. E, ó grande homem e conquistador de teus inimigos, aquele deus venerável com o emblema do touro tinha ido lá anteriormente com Parvati. Ele honrou-o com o coração alegre. O deus do fogo é chamado de Rudra por Brahmanas, e por esse fato Skanda é chamado de filho de Rudra. A Montanha Branca foi formada de efusões do sêmen viril de Rudra e as indulgências sensuais do deus do fogo com os Krittikas aconteceu naquela mesma Montanha Branca. E como Rudra foi visto por todos os habitantes do céu empilhar honras sobre o excelente Guha (Skanda), ele foi por essa razão reputado como o filho de Rudra. Aquela criança teve sua existência pela ação de Rudra entrando na constituição do deus do fogo, e por essa razão Skanda veio a ser conhecido como o filho de Rudra. E, ó Bharata, como Rudra, o deus do fogo, Swaha, e as seis esposas (dos sete Rishis) foram instrumentos para o nascimento do grande deus Skanda, ele foi por essa razão reputado como o filho de Rudra.” "Aquele filho do deus do fogo estava vestido em um par de tecidos vermelhos limpos, e assim ele parecia formidável e resplandecente como o Sol surgindo de trás de uma massa de nuvens vermelhas. E o galo vermelho dado a ele pelo deus do fogo formava sua bandeira; e quando pousado no topo de sua carruagem, ele parecia com a imagem do fogo todo-destrutivo. E a divindade presidente do poder que conduz à vitória dos deuses, e que é o diretor dos esforços de todas as criaturas, e constitui sua glória, suporte e refúgio, avançava diante dele. E um encantamento misterioso entrou em sua constituição, o encantamento que manifesta seus poderes no campo de batalha. Beleza, força, piedade, poder, vigor, veracidade, retidão, devoção por Brahmanas, liberdade de ilusão ou perplexidade, proteção de seguidores, destruição de inimigos, e cuidados de todas as criaturas, essas, ó senhor de homens, são as virtudes inatas de Skanda. Assim consagrado por todos os deuses, ele parecia contente e satisfeito; e vestido em seu melhor estilo, ele parecia belo como a lua cheia. O muito estimado encantamento de hinos Védicos, a música da banda celeste, e as canções de deuses e Gandharvas então tocaram por toda parte. E cercado por todas as Apsaras bem vestidas, e muitos outros Pisachas alegres e de aparência auspiciosa e hostes de deuses, aquele filho de Pavaka consagrado (pelos deuses) se divertiu em toda sua grandeza. Para os habitantes do céu, o ungido Mahasena parecia com o Sol nascendo depois da extinção da escuridão. E então as forças celestes, considerando-o como seu líder, o cercaram por todos os lados às milhares. Aquele adorável sendo seguido por todas as criaturas então assumiu seus comandos, e louvado e honrado por eles, ele os encorajou em retorno.” "O realizador de mil sacrifícios então pensou em Devasena, a quem ele tinha resgatado antes. E considerando que aquele ser (Skanda) estava sem dúvida destinado a ser o marido daquela senhora pelo próprio Brahma, ele a tinha levado lá, vestida com o melhor vestuário. E o vencedor de Vala então disse para Skanda, 'Ó principal dos deuses, esta senhora estava, mesmo antes do teu nascimento, destinada a ser tua noiva por aquele Ser Existente por Si Mesmo (Brahma). Portanto aceite devidamente sua mão direita bela como lótus com invocação dos hinos (matrimoniais).' Assim falado, ele se casou devidamente com ela. E Vrihaspati versado em hinos realizou as orações e oblações necessárias. Ela que é chamada de Shashthi, Lakshmi, Asa, Sukhaprada, Sinivali, Kuhu, Saivritti, e Aparajita, é conhecida entre os homens como Devasena, a esposa de Skanda. Quando Skanda se uniu a Devasena nos laços indissolúveis do matrimônio, então a deusa da prosperidade em sua própria encarnação pessoal começou o servi-lo com diligência. Como Skanda alcançou celebridade no quinto dia lunar, esse dia é chamado de Sripanchami (ou o quinto dia auspicioso) e como ele alcançou seu objetivo no sexto, aquele dia lunar é considerado como sendo de grande importância." 229 "Markandeya continuou, 'Aquelas seis senhoras, as esposas dos sete Rishis, quando elas souberam que a boa sorte tinha sorrido para Mahasena e que ele tinha sido feito líder das forças celestes (Devasenapati, que pode significar o pati (líder) da sena (forças) dos devas ou o pati (marido) de Devasena), se dirigiram para seu acampamento. Aquelas senhoras virtuosas de grande mérito religioso tinham sido repudiadas pelos Rishis. Elas não perderam tempo em visitar o líder dos forças celestes e então se dirigiram a ele dessa maneira, 'Nós, ó filho, fomos expulsas por nossos maridos semelhantes a deuses, sem qualquer motivo. Algumas pessoas espalham o rumor de que nós demos à luz a ti. Acreditando na verdade desta história, eles ficaram muito indignados, e nos baniram de nossos lugares sagrados. Cabe a ti agora nos salvar desta infâmia. Nós desejamos te adotar como nosso filho, para que, ó ser poderoso, a felicidade eterna possa ser assegurada para nós por esse favor. Assim pague a dívida que tu tens conosco.' Skanda respondeu, 'Ó senhoras de caráter impecável, tornem-se consequentemente minhas mães. Eu sou seu filho e vocês alcançarão todos os objetos de seu desejo.' Markandeya continuou, 'Então Sakra tendo expressado um desejo de dizer algo para Skanda, o último perguntou, 'O que é?' Sendo dito por Skanda para se manifestar livremente, Vasava disse, ‘A senhora Abhijit, a irmã mais nova de Rohini, estando com ciúmes de sua superioridade em idade, se dirigiu às florestas para realizar austeridades. E eu sou incapaz de descobrir um substituto para a estrela caída. Que a boa sorte te acompanhe, consulte com Brahma (para propósito de ocupar o lugar) daquele grande asterismo. Dhanishtha e outros asterismos foram criados por Brahma, e Rohini costumava servir este propósito; e por conseguinte seu número estava completo.’ E de acordo com o conselho de Sakra, para Krittika foi designado um lugar nos céus, e aquela estrela presidida por Agni brilha como se com sete cabeças. Vinata também disse para Skanda, 'Tu és como um filho para mim, e autorizado a me oferecer os bolos fúnebres (nos meus ritos fúnebres). Eu desejo, meu filho, viver contigo sempre.' "Skanda respondeu, 'Assim seja, toda honra para ti! Guie-me com a afeição de uma mãe, e honrada por tua nora, tu sempre viverás comigo.'" "Markandeya continuou, 'Então as grandes mães falaram o seguinte para Skanda, 'Nós somos descritas pelos eruditos como as mães de todas as criaturas. Mas nós desejamos ser tuas mães, honre-nos.'" "Skanda respondeu, 'Vocês são todas como mães para mim, e eu sou seu filho. Digam-me o que eu posso fazer para agradar vocês."' "As mães responderam, 'As senhoras (Brahmi, Maheswari, etc) foram designadas como mães do mundo em eras passadas. Nós desejamos, ó grande deus, que elas sejam despojadas daquela dignidade, e nós mesmas instaladas em seu lugar, e que nós, em vez delas, sejamos adoradas pelo mundo. Agora devolva para nós aquela nossa progênie, de quem nós fomos privadas por elas por tua causa.'" "Skanda respondeu, 'Vocês não recuperarão o que uma vez foi doado, mas eu posso dar a vocês outra prole se vocês quiserem.' As mães responderam, 'Nós desejamos que vivendo contigo e assumindo formas diferentes nós sejamos capazes de consumir a progênie daquelas mães e seus protetores. Conceda-nos esse favor.'" "Skanda disse, 'Eu posso lhes conceder progênie, mas este tópico sobre o qual vocês agora mesmo particularizaram é muito doloroso. Que vocês sejam prósperas! Toda honra a vocês, senhoras, concedam a eles seu cuidado protetor.'" "As mães responderam, 'Nós os protegeremos, ó Skanda, como tu desejas. Que tu sejas próspero! Mas, ó ser poderoso, nós desejamos viver contigo sempre.'" "Skanda respondeu, 'Enquanto as crianças da espécie humana não alcançarem o estado juvenil no décimo sexto ano de sua idade, vocês as afligirão com suas várias formas, e eu também concederei a vocês um espírito feroz inesgotável. E com isso vocês viverão felizmente, adoradas por todos.'" "Markandeya continuou, 'E então um ser ígneo poderoso saiu do corpo de Skanda para o propósito de devorar a progênie de seres mortais. Ele caiu sobre a terra, insensível e faminto. E ordenado por Skanda, aquele gênio do mal assumiu uma forma terrível. Skandapasmara é o nome pelo qual ele é conhecido entre bons Brahmanas. Vinata é chamado o terrível Sakuni graha (espírito do mal). Ela que é conhecida como Putana Rakshasi pelos eruditos é a graha chamada Putana; aquela Rakshasa feroz e de aspecto terrível de uma aparência horrenda é também chamada de Pisacha, Sita Putana. Aquele espírito de aspecto feroz é a causa do aborto em mulheres. Aditi é também conhecida pelo nome de Revati; seu espírito mau é chamado Raivata, e aquele graha terrível também aflige crianças. Diti, a mãe dos Daityas (Asuras), é também chamada Muhkamandika, e aquela criatura terrível gosta muito da carne de crianças pequenas. Aquelas crianças masculinas e femininas, ó Kaurava, que são citadas como tendo sido geradas por Skanda, são espíritos do mal e elas destroem o feto no útero. Eles (os Kumaras) são conhecidos como os maridos daquelas mesmas senhoras, e crianças são apanhadas inesperadamente por esses espíritos cruéis. E, ó rei, Surabhi que é chamada a mãe da espécie bovina pelos sábios é melhor conduzida pelo mau espírito Sakuni, que em companhia com ela, devora crianças nesta terra. E Sarama, a mãe dos cachorros, também habitualmente mata seres humanos enquanto ainda no útero. Ela que é a mãe de todas as árvores tem sua residência em uma árvore karanja. Ela concede bênçãos e tem uma expressão plácida e está sempre disposta favoravelmente em direção a todas as criaturas. Aquelas pessoas que desejam ter filhos reverenciam a ela, que está sentada em uma árvore karanja. Estes dezoito maus espíritos que gostam muito de carne e vinho, e outros da mesma espécie, invariavelmente tomam sua residência no quarto de resguardo por dez dias. Kadru se introduz em uma forma sutil no corpo de uma mulher grávida e lá ela causa a destruição do feto, e a mãe é feita dar nascimento a um Naga (serpente). E aquela mãe dos Gandharvas rouba o feto, e por esta razão, a concepção na mulher mostra ser abortiva. A mãe das Apsaras remove o feto do útero, e por esta razão tais concepções são citadas como sendo estacionárias pelos eruditos. A filha da Divindade do Mar Vermelho é citada como tendo cuidado de Skanda, ela é adorada sob o nome de Lohitayani em árvores Kadamva. Arya influencia a mesma parte entre seres femininos, como Rudra faz entre os masculinos. Ela é a mãe de todas as crianças e é distintamente cultuada pelo bem-estar delas. Esses que eu descrevi são os maus espíritos que presidem sobre os destinos de crianças jovens, e até as crianças alcançarem seu décimo sexto ano esses espíritos exercem sua influência para o mal, e depois disso, para o bem. O grupo inteiro de espíritos masculinos e femininos que eu agora descrevi é sempre denominado pelos homens como os espíritos de Skanda. Eles são propiciados com oferendas queimadas, abluções, unguentos, sacrifícios e outras oferendas, e em particular pelo culto de Skanda. E, ó rei, quando eles são honrados e cultuados com reverência devida, eles concedem para os homens o que quer que seja bom para eles, como também coragem e vida longa. E agora tendo reverenciado Maheswara, eu descreverei a natureza daqueles espíritos que influenciam nos destinos dos homens depois de eles terem alcançado seu décimo sexto ano. O homem que contempla deuses enquanto adormecido ou em um estado desperto logo se torna louco, e o espírito sob cuja influência estas alucinações ocorrem é chamado de espírito celestial. Quando uma pessoa vê seus antepassados mortos enquanto ele está sentado descansando, ou deitado em sua cama, ele logo perde sua razão, e o espírito que causa esta ilusão de percepção sensível é chamado de espírito ancestral. O homem que mostra desrespeito aos Siddhas e que é amaldiçoado por eles em retorno logo enlouquece, e a má influência pela qual isto é ocasionado é chamado de espírito Siddha. E o espírito por cuja influência um homem cheira odor doce, e se torna ciente de vários gostos (quando não há substâncias odoríferas e saborosas perto dele) e logo fica atormentado, é chamado de espírito Rakshasa. E o espírito por cuja ação músicos celestes (Gandharvas), combinam sua existência na constituição de um ser humano e o fazem enlouquecer imediatamente, é chamado de espírito Gandharva. E aquele espírito mau por cuja influência os homens são sempre atormentados por Pisachas, é chamado de espírito Paisacha. Quando o espírito de Yakshas entra no sistema de um ser humano por algum acidente, ele perde sua razão imediatamente, e tal espírito é chamado de espírito Yaksha. O homem que perde sua razão por sua mente ser pervertida por vícios, enlouquece num abrir e fechar de olhos, e sua doença deve ser remediada segundo métodos prescritos nos Sastras. Homens também enlouquecem de perplexidade, de medo, como também ao contemplarem visões horríveis. O remédio se encontra em acalmar suas mentes. Há três classes de espíritos, alguns são brincalhões, alguns são glutões, e alguns sensuais. Até os homens alcançarem a idade de três escore e dez (três vezes vinte mais dez = setenta), estas más influências continuam a atormentá-los, e então a febre se torna o único mau espírito que aflige seres sensíveis. Estes espíritos maus sempre evitam aquele que subjuga seus sentidos, que é autocontrolado, de hábitos limpos, temente a deus e livre de preguiça e contaminação. Eu assim descrevi para ti, ó rei, os maus espíritos que moldam os destinos dos homens. Tu que és devotado à Maheswara nunca és incomodado por eles." 230 Markandeya continuou, "Quando Skanda tinha conferido estes poderes, Swaha apareceu para ele e disse, 'Tu és meu filho natural, eu desejo que tu concedas felicidade excelente para mim." "Skanda respondeu, 'Que tipo de felicidade tu desejas desfrutar?'" "Swaha respondeu, 'Ó ser poderoso, eu sou a filha favorita de Daksha, de nome Swaha; e desde minha juventude eu tenho estado em amor por Hutasana (o deus do fogo); mas aquele deus, meu filho, não compreende meus sentimentos. Eu desejo viver para sempre com ele (como sua esposa).'" "Skanda respondeu, 'Deste dia em diante, senhora, todas as oblações que homens de caráter virtuoso, que não abandonam o caminho da virtude, oferecerem para seus deuses ou antepassados com encantamento de hinos purificantes por Brahmanas, sempre serão oferecidas (através de Agni) junto com o nome de Swaha, e assim, senhora excelente, tu sempre viverás associada com Agni, o deus do fogo.'" "Markandeya continuou, ‘Assim endereçada e honrada por Skanda, Swaha ficou muito satisfeita; e unida com seu marido Pavaka (o deus do fogo), ela o honrou em retorno.'" "Então Brahma, o senhor de todas as criaturas, disse para Mahasena, 'Vá e visites teu pai Mahadeva, o conquistador de Tripura. Rudra se unindo com Agni (o deus do fogo) e Uma com Swaha se associaram para te fazer invencível para o bem-estar de todas as criaturas. E o sêmen de Rudra de grande alma lançado no órgão reprodutivo de Uma foi jogado de volta sobre esta colina, e disso os gêmeos Mujika e Minjika tomaram forma. Uma porção disto caiu no Mar de Sangue, outra porção, nos raios do sol, outra sobre a terra e assim isto foi dividido em cinco partes. Homens eruditos devem se lembrar de que estes teus seguidores multiformes e de aparência feroz vivendo da carne de animais foram produzidos do sêmen'. 'Assim seja' dizendo isso, Mahasena de grande alma com amor paterno, honrou seu pai Maheswara." "Markandeya continuou, 'Homens que estão desejosos de adquirir riqueza devem cultuar aquelas cinco classes de espíritos com a flor do sol, e para o alívio de doenças também culto deve ser dado a eles. Os gêmeos Mujika e Minjika gerados por Rudra devem sempre ser respeitados por pessoas que desejam o bem-estar de crianças pequenas; e pessoas que desejam ter filhos devem sempre adorar aqueles espíritos femininos que vivem de carne humana e são produzidos em árvores. Assim todos os Pisachas são citados como divididos em classes inumeráveis. E agora, ó rei, escute à origem dos sinos e estandartes de Skanda. É sabido que Airavata (elefante de Indra) tinha dois sinos de nome Vaijayanti, e Sakra de compreensão aguçada trouxe-os para ele e deu-os pessoalmente para Guha. Visakha pegou um daqueles sinos e Skanda o outro. Os estandartes de ambos, Kartikeya e Visakha, eram de uma cor vermelha. Aquele deus poderoso Mahasena estava satisfeito com os brinquedos que foram dados a ele pelos deuses. Cercado por hostes de deuses e Pisachas e sentado na Montanha Dourada, ele parecia esplêndido em toda a grandeza da prosperidade. E aquela montanha coberta com florestas agradáveis também parecia formidável em sua companhia, assim como a colina Mandara cheia de cavernas excelentes brilha com os raios do sol. A Montanha Branca estava adornada com áreas inteiras de floresta cobertas com flores Santanaka e com florestas de árvores Karavira, Parijata, Jana e Asoke, como também com regiões selvagens cobertas com árvores Kadamva; e ela abundava com rebanhos de veados celestes e bandos de aves celestes. E o ribombar de nuvens servindo o propósito de instrumentos musicais soava como o murmúrio de um mar agitado, e Gandharvas e Apsaras celestes começaram a dançar. E lá ergueu-se um grande som de alegria de todas as criaturas. Assim o mundo inteiro com o próprio Indra parecia ter sido transferido para a Montanha Branca. E todas as pessoas começaram a observar Skanda com satisfação em seus olhares, e elas não se sentiam cansadas em absoluto de fazer isso." Markandeya continuou, "Quando aquele filho adorável do deus do fogo foi consagrado como líder do exército celeste, aquele senhor magnífico e feliz, Hara (Mahadeva) viajando com Parvati em uma carruagem brilhando com refulgência semelhante à do sol dirigiu-se para um lugar chamado Bhadravata. Sua carruagem excelente era puxada por mil leões e dirigida por Kala. Eles passaram pelo espaço vazio, e parecia como se eles estivessem prestes a devorar o céu; e infligindo terror no coração de todas as criaturas nas divisões móveis dos mundos, aqueles animais de juba voaram rapidamente pelo ar, proferindo rugidos pavorosos. E aquele senhor de todos os animais (Mahadeva) sentado naquela carruagem com Uma, parecia com o sol com brilhos de relâmpago iluminando massas de nuvens envolvidas pelo arco de Indra (arco-íris). Ele era precedido por aquele adorável Senhor das riquezas que passeia nas costas de seres humanos com seus atendentes Guhyakas viajando em seu belo carro Pushpaka. E Sakra também sobre seu elefante Airavata e acompanhado por outros deuses formava a retaguarda de Mahadeva, o que concede benefícios, marchando dessa maneira na vanguarda do exército celeste. E o grande Yaksha Amogha com seus atendentes, os Yakshas Jambhaka e outros Rakshasas enfeitados com guirlandas de flores, obtiveram um lugar na ala direita de seu exército; e muitos deuses de poderes de luta extraordinários em companhia com os Vasus e os Rudras, também marcharam com a divisão direita de seu exército. E Yama de aparência terrível também em companhia com a Morte marchou com ele, (seguido por centenas de doenças terríveis); e atrás dele era transportado o tridente terrível, de pontas afiadas, e bem adornado de Siva, chamado Vijaya. E Varuna, o senhor adorável das águas com seu Pasa terrível (um tipo de míssil), e cercado por numerosos animais aquáticos, marchava lentamente com o tridente. E o tridente Vijaya era seguido pelo Pattisa (outro tipo de arma) de Rudra guardado por maças, projéteis, clavas e outras armas excelentes. E o Pattisa, ó rei, era seguido pelo guarda-sol brilhante de Rudra e o Kamandalu servido pelos Maharshis; e junto a ele avançava na companhia de Bhrigu, Angiras e outros. E atrás de todos esses viajava Rudra em sua carruagem branca, tranquilizando os deuses com a exibição de seus poderes. E rios e lagos e mares, Apsaras, Rishis, Celestiais, Gandharvas e serpentes, estrelas, planetas, e os filhos dos deuses, como também muitas mulheres, o seguiram em sua comitiva. Aquelas senhoras de olhos belos procederam espalhando flores em volta; e as nuvens marcharam, tendo prestado homenagem àquele deus (Mahadeva) armado com o arco Pinaka. E algumas delas seguraram um guarda-sol branco sobre sua cabeça, e Agni (deus do fogo) e Vayu (deus do vento) se ocuparam com dois leques peludos (emblemas de realeza). E, ó rei, ele era seguido pelo glorioso Indra acompanhado pelos Rajarshis, e cantando o louvor daquele deus com o emblema do touro. E Gauri, Vidya, Gandhari, Kesini, e a senhora chamada Mitra em companhia com Savitri, todas procederam no séquito de Parvati, como também todos os Vidyas (divindades presidentes de todos os ramos de conhecimento) que foram criados pelos eruditos. O espírito Rakshasa que passa para diferentes batalhões as ordens que são implicitamente obedecidas por Indra e outros deuses, avançava em frente ao exército como porta-estandarte. E aquele principal dos Rakshasas, de nome Pingala, o amigo de Rudra, que está sempre ocupado em lugares onde corpos são queimados, e que é agradável para todas as pessoas, marchava com eles alegremente, em um momento indo à frente do exército, e ficando para trás novamente em outro, seus movimentos sendo incertos. Ações virtuosas são as oferendas com as quais o deus Rudra é cultuado por mortais. Ele que é também chamado de Siva, o deus onipotente, armado com o arco Pinaka, é Maheswara. Ele é adorado em várias formas.” "O filho de Krittika, o líder do exército celeste, respeitoso para Brahmanas, cercado pelas forças celestes, também seguiu aquele senhor dos deuses. E então Mahadeva disse estas palavras importantes para Mahasena, 'Comande cuidadosamente o sétimo corpo de exército das forças celestes.' "Skanda respondeu, 'Muito bem, meu senhor! Eu comandarei o sétimo corpo do exército. Agora diga-me rapidamente se há alguma coisa mais para ser feita.' "Rudra disse, 'Tu sempre me encontrarás no campo de ação. Por procurar por mim e por devoção a mim tu alcançarás grande prosperidade.' "Markandeya continuou, 'Com estas palavras Maheswara recebeu-o em seu abraço, e então dispensou-o. E, ó grande rei, depois da despedida de Skanda, prodígios de vários tipos ocorreram para perturbar a equanimidade dos deuses.' "O firmamento com as estrelas estava em chamas, e todo o universo em um estado de total confusão. A terra tremeu e emitiu um som ribombante, e a escuridão cobriu o mundo inteiro. Então observando esta catástrofe terrível, Sankara com a estimável Uma, e os celestiais com os grandes Maharshis, estavam muito preocupados em mente. E quando eles tinham caído neste estado de confusão, apareceu diante deles uma hoste feroz e poderosa armada com várias armas, e parecendo com uma massa de nuvens e rochas. Aqueles seres terríveis e inumeráveis, falando línguas diferentes dirigiram seus movimentos em direção ao ponto onde Sankara e os celestiais estavam. Eles arremessaram nas tropas do exército celeste enxames de flechas em todas as direções, massas de rocha, maças, sataghnis, prasas e parighas. O exército celeste foi lançado em um estado de confusão por uma chuva dessas armas terríveis e suas tropas foram vistas vacilarem. Os Danavas fizeram uma grande destruição por retalharem seus soldados, cavalos, elefantes, carruagens e armas. E as tropas celestes então pareciam como se elas estivessem prestes a virar suas costas para o inimigo. E multidões deles caíram, mortos pelos Asuras, como árvores grandes em uma floresta queimada em uma conflagração. Aqueles habitantes do céu caíram com suas cabeças separadas de seus corpos, e não tendo alguém para liderá-los naquela batalha terrível, eles foram massacrados pelo inimigo. E então o deus Purandara (Indra), o matador de Vala, observando que eles estavam inseguros e sobrecarregados pelos Asuras, tentou reagrupá-los com este discurso, 'Não fiquem assustados, ó heróis, que o êxito acompanhe seus esforços! Peguem suas armas, e decidam sobre comportamento varonil, e vocês não encontrarão mais nenhum infortúnio, e derrotem aqueles Danavas maus e de aparência terrível. Que vocês sejam bem sucedidos! Caiam sobre os Danavas comigo.' "Os habitantes do céu tiveram sua confiança renovada ao ouvirem este discurso de Sakra; e sob sua liderança, eles avançaram novamente contra os Danavas. E então os trinta e três crores de deuses e todos os poderosos Marutas e os Sadhyas com os Vasus voltaram ao ataque. E as flechas que eles dispararam com raiva contra o inimigo tirou uma grande quantidade de sangue dos corpos dos Daityas e de seus cavalos e elefantes. E aquelas flechas afiadas passando através de seus corpos caíam sobre o solo, parecendo com muitas cobras caindo dos lados de uma colina. E, ó rei, os Daityas perfurados por aquelas flechas caíam em rápida sucessão por toda parte, parecendo com muitas massas de nuvens separadas. Então a hoste Danava, tomada pelo pânico pelo ataque dos celestiais no campo de batalha vacilou sob aquela chuva de várias armas. Então todos os deuses ruidosamente deram vazão à sua alegria, com braços prontos para golpear; e as bandas celestes também começaram a tocar várias melodias. Assim ocorreu aquele combate, tão terrível para ambos os lados: pois todo o campo de batalha estava coberto com sangue e coberto com os corpos de ambos, deuses e Asuras. Mas os deuses foram logo derrotados de repente, e os Danavas terríveis novamente fizeram uma grande destruição do exército celeste. Então os Asuras começaram a tocar tambores e seus clarins agudos foram soados; e os chefes Danava deram seus magníficos gritos de guerra.” "Então um Danava poderoso, pegando uma massa enorme de rocha em suas mãos, saiu daquele terrível exército Daitya. Ele parecia com o sol emergindo diante de uma massa de nuvens escuras. E, ó rei, os celestiais, vendo que ele estava prestes a arremessar aquela massa de rocha neles, fugiram em confusão. Mas eles foram perseguidos por Mahisha, que arremessou aquela rocha neles. E, ó senhor do mundo, pela queda daquela massa de rocha dez mil guerreiros do exército celeste foram esmagados no solo e deram seu último suspiro. E esta ação de Mahisha infligiu terror nos corações dos deuses, e com seus atendentes Danavas ele caiu sobre eles como um leão atacando um bando de veados. E quando Indra e os outros celestiais observaram que Mahisha estava avançando para o ataque, eles fugiram, deixando para trás suas armas e estandartes. E Mahisha estava muito enfurecido por isto, e ele avançou rapidamente em direção à carruagem de Rudra; e chegando perto, ele agarrou seu mastro com suas mãos. E quando Mahisha em um acesso de raiva tinha assim agarrado a carruagem de Rudra, toda a Terra começou a gemer e os grandes Rishis perderam seus sentidos. E Daityas de proporções enormes, parecendo com nuvens escuras, estavam barulhentos com alegria, pensando que a vitória estava assegurada para eles. E embora aquele deus adorável (Rudra) estivesse naquela situação difícil, ainda assim ele não achou que valia a pena matar Mahisha em batalha; ele se lembrou de que Skanda desferiria o golpe mortal naquele Asura de mente má. E o irascível Mahisha, contemplando com satisfação a presa (a carruagem de Rudra) que ele tinha segurado, deu seu grito de guerra, para o grande alarme dos deuses e a alegria dos Daityas. E quando os deuses estavam naquela situação pavorosa, o poderoso Mahasena, queimando com raiva, e parecendo magnífico como o Sol avançou para sua salvação. E aquele ser nobre estava vestido de vermelho brilhante e enfeitado com uma guirlanda de flores vermelhas. E envolvido em armadura de ouro ele estava em uma carruagem da cor do ouro brilhante como o Sol e puxada por cavalos castanhos. E à sua visão o exército dos Daityas ficou desanimado de repente no campo de batalha. E, ó grande rei, o poderoso Mahasena disparou uma Sakti brilhante para a destruição de Mahisha. Aquele míssil cortou a cabeça de Mahisha, e ele caiu sobre o solo e morreu. E sua cabeça massiva como um morro pequeno, caindo no chão, bloqueou a entrada para o país dos Kurus do Norte, se estendendo em comprimento por dezesseis Yojanas, embora no momento as pessoas daquele país passem facilmente por aquele portão.” "Foi observado pelos deuses e os Danavas que Skanda lançou sua Sakti repetidas vezes no campo de batalha, e que ela voltou para suas mãos, depois de matar milhares das forças do inimigo. E os terríveis Danavas caíam em grandes números pelas flechas do sábio Mahasena. E então o pânico tomou conta deles, e os seguidores de Skanda começaram a matá-los e comê-los aos milhares e a beber seu sangue. E eles alegremente exterminaram os Danavas num abrir e fechar de olhos, assim como o sol destrói a escuridão, ou como o fogo destrói uma floresta, ou como os ventos afugentam as nuvens. E dessa maneira o famoso Skanda derrotou todos os seus inimigos. E os deuses vieram para felicitá-lo, e ele, por sua vez, prestou seus respeitos a Maheswara. E aquele filho de Krittika parecia majestoso como o sol em toda a glória do seu resplendor. E quando o inimigo tinha sido completamente derrotado por Skanda e quando Maheswara deixou o campo de batalha, Purandara abraçou Mahasena e disse para ele, 'Este Mahisha, que foi tornado invencível pelo favor de Brahma, foi morto por ti. Ó melhor dos guerreiros, os deuses eram como grama para ele. Ó herói de membros fortes, tu removeste um espinho dos celestiais. Tu mataste em batalha centenas de Danavas iguais em valor a Mahisha, que eram todos hostis para nós, e que costumavam nos atormentar antes. E teus seguidores também os devoraram às centenas. Tu és, ó ser poderoso, invencível em batalha como o marido de Uma; e esta vitória será celebrada como tua primeira realização, e tua fama será eterna nos três mundos. E, ó deus de braços fortes, todos os deuses entregarão sua lealdade a ti.' Tendo falado assim para Mahasena, o marido de Sachi deixou o lugar acompanhado pelos deuses e com a permissão do adorável deus de três olhos (Siva). E Rudra voltou para Bhadravata, e os celestiais também voltaram para suas respectivas residências. E Rudra falou, se dirigindo aos deuses, 'Vocês devem dar fidelidade a Skanda assim como vocês fazem para mim.' E aquele filho do deus do fogo, tendo matado os Danavas, tinha conquistado os três mundos em um dia, e ele foi adorado pelos grandes Rishis. O Brahmana que com devida atenção lê esta história do nascimento de Skanda obtém grande prosperidade neste mundo e a companhia de Skanda após a morte." Yudhishthira disse, "Ó Brahmana bom e adorável, eu desejo saber os nomes diferentes daquele ser de grande alma, pelos quais ele é celebrado por todos os três mundos." Vaisampayana continuou, "Assim endereçado pelo Pandava naquela assembleia de Rishis, o venerável Markandeya de grande mérito ascético respondeu, 'Agneya (Filho de Agni), Skanda (Rejeitado), Diptakirti (De fama resplandecente), Anamaya (Sempre vigoroso), Mayuraketu (De estandarte de pavão), Dharmatman (De alma virtuosa), Bhutesa (O senhor de todas as criaturas), Mahishardana (O matador de Mahisha), Kamajit (O subjugador de desejos), Kamada (O realizador de desejos), Kanta (O vistoso), Satyavak (O verdadeiro em palavras), Bhuvaneswara (O senhor do universo), Sisu (A criança), Sighra (O rápido), Suchi (O puro), Chanda (O ígneo), Diptavarna (De cor clara), Subhanana (De rosto belo), Amogha (Incapaz de ser impedido ou frustrado), Anagha (O impecável), Rudra (O terrível), Priya (O favorito), Chandranana (De rosto como a lua), Dipta-sasti (O manejador da lança ardente), Prasantatman (De alma tranquila), Bhadrakrit (O fazedor do bem), Kutamahana (A câmara até do mau), Shashthipriya (Verdadeiro favorito de Shashthi), Pavitra (O santo), Matrivatsala (O reverenciador de sua mãe), Kanya-bhartri (O protetor de virgens), Vibhakta (Difundido pelo universo), Swaheya (O filho de Swaha), Revatisuta (O filho de Revati), Prabhu (O senhor), Neta (O líder), Visakha (Criado por Visakha), Naigameya (Surgido do Veda), Suduschara (Difícil de conciliação), Suvrata (De votos excelentes), Lalita (O belo), Valakridanaka-priya (Que gosta de brinquedos), Khacharin (O que percorre os céus), Brahmacharin (O casto), Sura (O corajoso), Saravanodbhava (Nascido em uma mata de urzes), Viswamitra priya (O favorito de Viswamitra), Devasena-priya (O amante de Devasena), Vasudeva-priya (O amado de Vasudeva), e Priya-krit (O fazedor de coisas agradáveis), esses são os nomes divinos de Kartikeya. Quem quer que os repita sem dúvida assegura fama, riqueza, e salvação." 'Markandeya continuou, "Ó filho corajoso da linhagem Kuru, eu agora com a devida devoção orarei para aquele inigualável Guha, poderoso, de seis faces, e corajoso que é adorado por deuses e Rishis, enumerando seus outros títulos de distinção: ouça-os: Tu és devotado a Brahma, gerado de Brahma, e versado nos mistérios de Brahma. Tu és chamado de Brahmasaya, e tu és o principal daqueles que são possuidores de Brahma. Tu és afeiçoado a Brahma, tu és austero como os Brahmanas e és versado no grande mistério de Brahma e o líder dos Brahmanas. Tu és Swaha, tu és Swadha, e tu és o mais santo dos santos, e és invocado em hinos e celebrado como o fogo de seis chamas. Tu és o ano, tu és as seis estações, tu és os meses, os meios meses (lunares), as declinações (solares), e os pontos cardeais do espaço. Tu és de olhos de lótus. Tu és possuidor de um rosto semelhante ao lírio. Tu tens mil rostos e mil braços. Tu és o soberano do universo, tu és a grande Oblação, e tu és o espírito animante de todos os deuses e os Asuras. Tu és o grande líder de exércitos. Tu és Prachanda (furioso), tu és o Senhor, e tu és o grande mestre e o vencedor de teus inimigos. Tu és Sahasrabhu (multiforme), Sahasratusti (mil vezes contente), Sahasrabhuk (devorador de tudo), e Sahasrapad (de mil pernas), e tu és a própria terra. Tu és possuidor de formas infinitas e mil cabeças e grande força. De acordo com tuas próprias inclinações tu apareceste como o filho de Ganga, Swaha, Mahi, ou Krittika. Ó deus de seis rostos, tu brincas com o galo e assumes formas diferentes segundo a tua vontade. Tu és Daksha, Soma, o Maruta, Dharma, Vayu, o príncipe das montanhas, e Indra, por todo o tempo. Tu és poderoso, a mais eterna de todas as coisas eternas, e o senhor de todos os senhores. Tu és o progenitor da Verdade, o destruidor da prole de Diti (Asuras), e o grande conquistador dos inimigos dos celestiais. Tu és a personificação da virtude e sendo tu mesmo vasto e diminuto, tu estás familiarizado com os pontos mais altos e mais baixos das ações virtuosas, e os mistérios de Brahma. Ó principal de todos os deuses e senhor do Universo de grande alma, toda essa criação está coberta com tua energia! Eu assim orei para ti de acordo com o melhor que eu posso. Eu saúdo a ti que és possuidor de doze olhos e muitas mãos. Teus atributos restantes transcendem meu poder de compreensão!' O Brahmana que com devida atenção lê esta história do nascimento de Skanda, ou a relata para Brahmanas, ou a ouve narrada por homens regenerados, obtém riqueza, vida longa, fama, filhos, como também vitória, prosperidade e contentamento, e a companhia de Skanda." 231 (Draupadi-Satyabhama Samvada) Vaisampayana disse, "Depois que aqueles Brahmanas e os filhos ilustres de Pandu tinham se sentado, Draupadi e Satyabhama entraram no eremitério. E com corações cheios de alegria as duas senhoras riram felizes e se sentaram à vontade. E, ó rei, aquelas senhoras, que sempre falavam docemente uma para a outra, tendo se encontrado depois de muito tempo, começaram a conversar sobre vários assuntos agradáveis provenientes das histórias dos Kurus e os Yadus. E Satyabhama de cintura fina, a esposa favorita de Krishna e a filha de Satrajit, então questionou Draupadi em particular, dizendo, 'Por qual comportamento, ó filha de Drupada, tu és capaz de controlar os filhos de Pandu, aqueles heróis dotados de força e beleza e semelhantes aos próprios Lokapalas? Senhora bela, como é que eles são tão obedientes a ti e nunca estão zangados contigo? Sem dúvida os filhos de Pandu, ó tu de feições adoráveis, são sempre submissos a ti e atentos para cumprir tua ordem! Diga-me, ó senhora, a razão disto. É prática de votos, ou ascetismo, ou encantamento ou droga no momento do banho (na época certa) ou a eficácia de ciência, ou a influência de aparência jovem, ou a recitação de formula específica, ou Homa, ou colírio e outros medicamentos? Fale-me agora, ó princesa de Panchala, a respeito da coisa abençoada e auspiciosa pela qual, ó Krishna, Krishna possa ser sempre obediente a mim." "Quando a célebre Satyabhama, tendo dito isso, cessou, a casta e abençoada filha de Drupada respondeu a ela dizendo, 'Tu me perguntaste, ó Satyabhama, das práticas de mulheres que são perversas. Como eu posso te responder, ó senhora, acerca do processo que é adotado por mulheres más? Não lhe fica bem, senhora, continuar as perguntas, ou duvidar de mim, depois disto, pois tu és dotada de inteligência e és a esposa favorita de Krishna. Quando o marido sabe que sua mulher é viciada em encantamentos e drogas, desde aquela hora ele começa a temê-la como uma serpente acomodada em seu quarto de dormir. E pode um homem que está perturbado com medo ter paz, e como pode alguém que não tem paz ter felicidade? Um marido nunca pode ser feito obediente por meio dos encantamentos de sua esposa. Nós ouvimos a respeito de doenças dolorosas sendo transmitidas por inimigos. De fato, aqueles que desejam matar outros enviam veneno na forma de presentes costumeiros, para que o homem que pegar os pós assim enviados, por meio da língua ou pele, seja, sem dúvida, rapidamente privado de vida. Mulheres tem às vezes causado hidropisia e lepra, decrepitude e impotência e idiotice e cegueira e surdez em homens. Essas mulheres perversas, sempre trilhando o caminho do pecado, às vezes (por esses meios) prejudicam seus maridos. Mas a esposa nunca deve fazer a menor injúria para seu marido. Ouça agora, ó senhora ilustre, do comportamento que eu adoto com os filhos de grande alma de Pandu. Mantendo de lado a vaidade, e controlando desejo e cólera, eu sempre sirvo com dedicação os filhos de Pandu com suas esposas. Reprimindo os ciúmes, com profunda devoção de coração, sem um senso de degradação pelos serviços que eu realizo, eu sirvo meus maridos. Sempre temendo proferir o que é mau ou falso, ou olhar ou sentar ou andar com impropriedade, ou lançar olhares indicativos dos sentimentos do coração, eu sirvo os filhos de Pritha, aqueles guerreiros poderosos brilhantes como o sol ou fogo, e belos como a lua, aqueles dotados de energia e coragem ardentes, e capazes de matar seus inimigos por um relance do olhar. Celestial, ou homem, ou Gandharva, jovem ou enfeitado com ornamentos, rico ou de aparência atrativa, meu coração não gosta de ninguém mais. Eu nunca me banho ou como ou durmo até que ele que é meu marido tenha se banhado ou comido ou dormido, até, realmente, nossos servidores terem se banhado, comido, ou dormido. Se voltando do campo, da floresta, ou da cidade, me levantando depressa eu sempre saúdo meu marido com água e um assento. Eu sempre mantenho a casa e todas as peças pertencentes à casa e o alimento que é para ser ingerido bem organizados e limpos. Cuidadosamente eu mantenho o arroz, e sirvo a comida no momento apropriado. Eu nunca me entrego à raiva e modo de falar petulante, e nunca imito mulheres que são pecaminosas. Mantendo ociosidade à distância eu sempre faço o que é agradável. Eu nunca rio exceto em um gracejo, e nunca fico por qualquer duração de tempo no portão da casa. Eu nunca fico muito tempo em lugares para responder chamados da natureza, nem em jardins de divertimento ligados à casa. Eu sempre me abstenho de rir ruidosamente e de me entregar à emoção intensa, e de tudo o que possa ofender. De fato, ó Satyabhama, eu sempre estou engajada em servir meus maridos. Uma separação de meus maridos nunca é agradável para mim. Quando meu marido deixa a casa por causa de algum parente, então renunciando à flores e pasta fragrante de toda espécie, eu começo a passar por penitências. O que quer que meu marido não beba, o que quer que meu marido não coma, o que quer que meu marido não desfrute, eu sempre renuncio. Ó senhora bela, enfeitada com ornamentos e sempre controlada pela instrução dada a mim, eu sempre procuro fielmente o bem do meu marido. Aqueles deveres que minha sogra me falou a respeito de parentes, como também os deveres de atos de caridade, de oferecer culto aos deuses, de oblações para os doentes, de ferver comida em panelas em dias auspiciosos para oferecer para antepassados e convidados de reverência e serviço àqueles que merecem nosso respeito, e tudo mais que é conhecido por mim, eu sempre cumpro dia e noite, sem ociosidade de qualquer tipo. Tendo com todo meu coração recorrido à humildade e regras aprovadas eu sirvo meus maridos meigos e sinceros sempre observando a virtude, considerando eles como cobras venenosas capazes de serem excitadas por uma insignificância. Eu penso que é eterna para mulheres aquela virtude que é baseada sobre o respeito pelo marido. O marido é o deus da mulher, e ele é seu refúgio. De fato, não há outro refúgio para ela. Como pode, então, a esposa fazer a menor injúria para seu marido? Eu nunca, ao dormir ou comer ou adornar alguma pessoa, ajo contra os desejos do meu marido, e sempre guiada por meus maridos, eu nunca falo mal da minha sogra. Ó senhora abençoada, meus maridos se tornaram obedientes a mim por causa da minha diligência, minha boa vontade, e a humildade com a qual eu sirvo os superiores. Pessoalmente eu sirvo todo dia com comida e bebida e roupas a venerável e honesta Kunti, aquela mãe de heróis. Eu nunca mostro alguma preferência por mim mesma acima dela em questões de alimento e traje, e nunca reprovo em palavras aquela princesa igual à própria Terra em perdão. Antigamente, oito mil Brahmanas eram alimentados diariamente no palácio de Yudhishthira em pratos de ouro. E oitenta mil Brahmanas também da seita Snataka levando vidas familiares eram entretidos por Yudhishthira com trinta donzelas servidoras designadas para cada um. Além desses, dez mil yatis com a semente vital parada tinham seu alimento puro levado para eles em pratos de ouro. Todos aqueles Brahmanas que eram os reveladores do Veda eu costumava venerar devidamente com comida, bebida, e vestuário retirados de armazéns somente depois que uma parte disso tinha sido dedicada ao Viswadeva. O ilustre filho de Kunti tinha cem mil empregadas bem vestidas com pulseiras nos braços e ornamentos dourados nos pescoços, e enfeitadas com guirlandas caras e coroas e ouro em profusão, e borrifadas com pasta de sândalo. E adornadas com jóias e ouro elas eram todas habilidosas em canto e dança. Ó senhora, eu sabia os nomes e feições de todas aquelas moças, como também o que elas são e o que elas eram, e o que elas não faziam. O filho de Kunti de grande inteligência tinha também cem mil criadas que costumavam diariamente alimentar convidados, com pratos de ouro em suas mãos. E enquanto Yudhishthira vivia em Indraprastha cem mil cavalos e cem mil elefantes costumavam seguir em seu séquito. Estas eram as posses de Yudhishthira enquanto ele governava a terra. Era eu no entanto, ó senhora, quem regulava seu número e traçava as regras para serem cumpridas em relação a eles; e era eu quem tinha que ouvir a todas as queixas sobre deles. De fato, eu sabia tudo acerca do que as criadas do palácio e outras classes de servidores, até os vaqueiros e os pastores do estabelecimento real, faziam ou não. Ó senhora abençoada e ilustre, era só eu entre os Pandavas quem conhecia a renda e gastos do rei e qual era toda sua riqueza. E aqueles touros entre os Bharatas, jogando sobre mim a responsabilidade de cuidar de todos aqueles que eram para ser alimentados por eles, iam, ó tu rosto bonito, fazer sua corte para mim. E este fardo, tão pesado e incapaz de ser carregado por pessoas de coração mau, eu costumava suportar dia e noite, sacrificando minha tranquilidade, e todo o tempo carinhosamente dedicada a eles. E enquanto meus maridos estavam engajados na busca de virtude, eu somente supervisava sua tesouraria inesgotável como o receptáculo sempre cheio de Varuna. Dia e noite suportando fome e sede, eu costumava servir os príncipes Kuru, pelo que minhas noites e dias eram iguais para mim. Eu costumava acordar primeiro e ir dormir por último. Este, ó Satyabhama, sempre tem sido meu encantamento para fazer meus maridos obedientes a mim! Esta grande arte tem sido sempre conhecida por mim para fazer meus maridos obedientes a mim. Eu nunca pratiquei os encantamentos de mulheres perversas, nem eu alguma vez desejei praticá-los." Vaisampayana continuou, "Ouvindo aquelas palavras de significado virtuoso proferidas por Krishna, Satyabhama, tendo primeiro reverenciado a virtuosa princesa de Panchala, respondeu dizendo, 'Ó princesa de Panchala, eu sou culpada, ó filha de Yajnasena, me perdoe! Entre amigos, conversas de brincadeira surgem naturalmente, e sem premeditação." 232 "Draupadi disse, 'Eu agora indicarei para ti, para atrair o coração dos teus maridos, um caminho que é livre de artifício. Por adotá-lo devidamente, cara amiga, tu serás capaz de afastar teu marido de outras mulheres. Em todos os mundos, incluindo o dos celestiais, não há deus igual, ó Satyabhama, ao marido. Quando ele está satisfeito contigo, tu podes ter (de teu marido) todo objeto de desejo; quando ele está zangado, todos esses podem ser perdidos. É do seu marido que a esposa obtém filhos e vários artigos de prazer. É do teu marido que tu podes ter camas e assentos bonitos, e mantos e guirlandas, e perfumes, e grande fama e o próprio céu após a morte. Uma pessoa não pode obter felicidade aqui por meios que são fáceis. De fato, a mulher que é casta obtém bem-estar com aflição. Sempre adore Krishna, portanto, com amizade e sofrimentos físicos do amor. E também aja de certo modo, por oferecer assentos bonitos e guirlandas excelentes e vários perfumes e serviço pronto, que ele possa ser devotado a ti, pensando, 'Eu sou realmente amado por ela!' Ouvindo a voz do teu marido no portão, levante-te do teu assento e fique de prontidão dentro do aposento. E logo que tu o vires entrar no teu quarto, cultue-o por oferecer a ele prontamente um assento e água para lavar seus pés. E mesmo quando ele mandar uma criada fazer alguma coisa, levante-te e faça tu mesma. Deixe Krishna compreender esta disposição da tua mente e saber que tu o adoras com todo o teu coração. E, ó Satyabhama, o que quer que teu marido fale na tua frente, não fale sobre isso mesmo que isso possa não merecer segredo, pois se algumas das tuas co- esposas falasse disto para Vasudeva, ele poderia ficar irritado contigo. Alimente por todos os meios em teu poder aqueles que são caros e dedicados ao teu marido e sempre procure seu bem. Tu deves, no entanto, sempre te manter afastada daqueles que são hostis e contra teu marido e procuram prejudicá-lo, como também daqueles que são afeitos à desonestidade. Abandonando todo excitamento e descuido na presença de homens, oculte tuas inclinações por observar silêncio, e tu não deves ficar ou conversar em particular nem com teus filhos, Pradyumna e Samva. Tu deves formar vínculos somente com tais mulheres que são de nascimento elevado e impecáveis e dedicadas a seus maridos, e tu deves sempre evitar mulheres que são coléricas, viciadas em bebidas, glutonas, desonestas, más e inconstantes. Comportamento tal como esse é respeitável e produtivo de prosperidade; e enquanto ele é capaz de neutralizar hostilidade, ele também leva ao céu. Portanto, venere teu marido, te enfeitando com guirlandas e ornamentos caros e te cobrindo com unguentos e perfumes excelentes." 233 Vaisampayana disse, "Então Kesava, o matador de Madhu, também chamado Janardana, tendo conversado sobre vários temas agradáveis com os ilustres filhos de Pandu e com aqueles Brahmanas que eram encabeçados por Markandeya e tendo se despedido deles, subiu em seu carro e chamou por Satyabhama. E Satyabhama então, tendo abraçado a filha de Drupada, se dirigiu a ela nestas palavras cordiais expressivas de seus sentimentos com relação a ela: 'Ó Krishna, que não haja ansiedade, nenhuma aflição, para ti! Tu não tens motivo para passar tuas noites em insônia, pois tu sem dúvida obterás de volta a terra conquistada por teus maridos, que são todos iguais aos deuses. Ó tu de olhos negros, mulheres dotadas de tal disposição e possuidoras de tais sinais auspiciosos nunca podem sofrer infortúnio por muito tempo. Foi ouvido por mim que tu desfrutarás indubitavelmente, com teus maridos, da terra pacificamente e livre de todos os tormentos! E, ó filha de Drupada, tu certamente verás a terra governada por Yudhishthira depois que os filhos de Dhritarashtra tiverem sido mortos e os atos de sua hostilidade vingados! Tu logo contemplarás aquelas esposas dos Kurus, que, privadas da razão pelo orgulho, riram de ti enquanto no teu caminho para o exílio, elas mesmas reduzidas a um estado de desamparo e desespero! Saiba que eles todos, ó Krishna, que te ofenderam de alguma maneira enquanto tu estavas aflita, já foram para a residência de Yama. Teus filhos corajosos, Prativindhya com Yudhishthira e Sutasoma com Bhima, e Srutakarman com Arjuna, e Satanika com Nakula, e Srutasena gerado por Sahadeva, estão bem e se tornaram habilidosos com armas. Como Abhimanyu eles todos estão permanecendo em Dwaravati, encantados com o lugar. E Subhadra também, alegremente e com toda sua alma, cuida deles como tu, e como tu se regozija por eles e deriva muita felicidade deles. De fato, ela se aflige por suas aflições e se alegra em suas alegrias. E a mãe de Pradyumna também os ama com toda sua alma. E Kesava com seus filhos Bhanu e outros zela por eles com afeto especial. E minha sogra está sempre atenta em alimentá-los e vesti-los. E os Andhakas e Vrishnis, incluindo Rama e outros, os consideram com afeição. E, ó senhora bela, sua afeição por teus filhos é igual à que eles sentem por Pradyumna.” "Tendo dito essas palavras agradáveis e sinceras e cordiais, Satyabhama desejou ir para o carro de Vasudeva. E a esposa de Krishna então andou ao redor da rainha dos Pandavas. E tendo feito isso a bela Satyabhama subiu no carro de Krishna. E o chefe dos Yadavas, confortando Draupadi com um sorriso e fazendo os Pandavas voltarem, partiu para sua própria cidade, com cavalos rápidos (atrelados ao seu carro)." 234 (Ghosha yatra Parva) Janamejaya disse, "Enquanto aqueles principais dos homens, os filhos de Pritha, estavam passando seus dias na floresta expostos às inclemências do inverno, do verão, do vento e do sol, o que eles fizeram, ó Brahmana, depois deles terem alcançado o lago e florestas que levam o nome de Dwaita?" Vaisampayana disse, "Depois que os filhos de Pandu tinham chegado àquele lago, eles escolheram uma residência que era afastada das habitações dos homens. E eles começaram a vagar por bosques aprazíveis e montanhas sempre encantadoras e vales de rios pitorescos. E depois que eles tinham fixado sua residência lá, muitos ascetas veneráveis dotados de saber Védico foram vê-los muitas vezes. E aqueles principais dos homens sempre receberam aqueles Rishis conhecedores do Veda com grande respeito. E um dia foi lá até os príncipes Kaurava um certo Brahmana que era bem conhecido na terra por seus poderes de discurso. E tendo conversado com os Pandavas por um tempo, ele partiu como lhe agradava para a corte do filho real de Vichitravirya. Recebido com respeito por aquele chefe dos Kurus, o rei idoso, o Brahmana tomou seu assento; e perguntado pelo monarca ele começou a falar dos filhos de Dharma, Pavana, Indra e dos gêmeos, todos os quais tendo caído em dura miséria, tinham se tornado emaciados e reduzidos devido à exposição ao vento e sol. E aquele Brahmana também falou de Krishna que estava oprimida pelo sofrimento e que então tinha se tornado completamente desamparada, embora ela tivesse heróis como seus maridos. E ouvindo as palavras daquele Brahmana, o filho real de Vichitravirya ficou afligido pela dor ao pensar naqueles príncipes de linhagem real então nadando em um rio de tristeza. Sua alma mais íntima afligida com tristeza e tremendo completamente com suspiros, ele se acalmou com um grande esforço, se lembrando de que tudo tinha resultado da sua própria falha. E o monarca disse, 'Ai, como é que Yudhishthira que é o mais velho dos meus filhos, que é sincero e pio e virtuoso em seu comportamento, que não tem um inimigo, que antigamente dormia em camas feitas de peles macias Ranku, dorme agora sobre o solo nu! Ai, acordado antigamente por Sutas e Magadhas e outros cantores com seus louvores, melodiosamente recitados toda manhã, aquele príncipe da raça Kuru, igual ao próprio Indra, é agora despertado do chão vazio perto das altas horas da noite por uma multidão de aves! Como Vrikodara, reduzido pela exposição ao vento e sol e cheio de cólera, dorme, na presença da princesa de Panchala, no solo nu, indigno como ele é de sofrer tal sina! Talvez também, o inteligente Arjuna, que é incapaz de suportar dor, e que, embora obediente à vontade de Yudhishthira, ainda se sente perfurado pela lembrança de suas injustiças, não durma durante a noite! Contemplando os gêmeos e Krishna e Yudhishthira e Bhima mergulhados em tristeza, Arjuna sem dúvida suspira como uma serpente de energia feroz e não dorme de raiva durante a noite! Os gêmeos também, que são assim como um par de abençoados celestiais no céu, mergulhados em dor embora merecedores de felicidade, sem dúvida passam suas noites em vigília inquieta impedidos (de vingarem seus males) pela virtude e verdade! O filho poderoso do deus do vento, que é igual ao próprio deus do vento em força, sem dúvida, suspira e reprime sua ira, sendo atado por seu irmão mais velho nos laços da verdade! Superior em batalha a todos os guerreiros, ele agora deita quieto sobre o solo, contido pela virtude e verdade, e ansioso para matar meus filhos, esperando o momento propício. As palavras cruéis que Dussasana falou depois que Yudhishthira tinha sido fraudulentamente derrotado no jogo de dados penetraram profundamente no coração de Vrikodara, e o estão consumindo como um feixe ardente de palha consumindo um fardo de madeira seca! O filho de Dharma nunca age pecaminosamente; Dhananjaya também sempre obedece a ele; mas a raiva de Bhima, por causa de uma vida de exílio, está aumentando como um incêndio ajudado pelo vento! Aquele herói, queimando com raiva dessa maneira, aperta suas mãos e exala suspiros quentes e ferozes, como se consumindo com isso meus filhos e netos! O manejador do Gandiva e Vrikodara, quando zangados, são como os próprios Yama e Kala; espalhando suas flechas, que são semelhantes a raios, eles exterminam em batalha os tropas do inimigo. Ai Duryodhana, e Sakuni, e o filho de Suta, e Dussasana também de alma perversa, ao roubarem os Pandavas de seu reino por meio dos dados, parecem ver o mel somente sem notarem a queda terrível. Um homem tendo agido corretamente ou injustamente aguarda o resultado daquelas ações. O resultado, no entanto, confundindo-o, paralisa-o completamente. Como pode o homem, daí, ter salvação? Se o solo é devidamente arado, e a semente semeada sobre ele, e se o deus (da chuva) derrama chuva na época, ainda assim a colheita pode não crescer. Isto é o que nós muitas vezes ouvimos. De fato, como este ditado poderia ser verdadeiro a menos que, como eu penso, tudo aqui seja dependente do Destino? O jogador Sakuni se comportou fraudulentamente para com o filho de Pandu, que sempre age honestamente. Por afeição por meus filhos pecaminosos eu também tenho agido da mesma maneira. Ai, é devido a isso que a hora da destruição chegou para os Kurus! Oh, talvez, o que é inevitável deve acontecer! O vento, impelido ou não, se moverá. A mulher que concebe dará à luz. A escuridão será dissipada ao amanhecer, e o dia desaparece na noite! O que quer que possa ser ganho por nós ou outros, se as pessoas o gastam ou não, quando chega o momento, aquelas nossas posses ocasionam miséria. Por que então as pessoas ficam tão ansiosas sobre ganhar riqueza? Se, de fato, o que é adquirido é o resultado do destino, então isso deve ser protegido para que não possa ser dividido, nem perdido pouco a pouco, nem permitido fluir completamente de uma vez, pois se não for protegido, isso pode se romper em cem fragmentos. Mas qualquer que seja o caráter das nossas posses, nossas ações no mundo nunca são perdidas. Veja qual é a energia de Arjuna, que foi das florestas para a residência de Indra! Tendo dominado as quatro espécies de armas celestes ele voltou para este mundo! Que homem há que, tendo ido para o céu em sua forma humana, deseja retornar? Isto nunca teria acontecido exceto porque ele vê inúmeros Kurus estando às portas da morte, afligidos pelo Tempo! O arqueiro é Arjuna, capaz de manejar o arco com sua mão esquerda também! O arco que ele maneja é o Gandiva de ímpeto violento. Ele tem, além disso, aquelas suas armas celestes! Quem poderia suportar a energia desses três?" "Ouvindo estas palavras do monarca, o filho de Suvala, indo até Duryodhana, que estava então sentado com Kama, disse a eles tudo em particular. E Duryodhana, embora possuidor de pouca sabedoria, ficou cheio de aflição pelo que ele ouviu." 235 Vaisampayana disse, "Ouvindo aquelas palavras de Dhritarashtra, Sakuni, quando a oportunidade se apresentou, ajudado por Kama, falou para Duryodhana estas palavras, 'Tendo exilado os Pandavas heróicos por meio da tua própria destreza, ó Bharata, governe esta terra sem um rival como o matador de Samvara governando o céu! Ó monarca, os reis do leste, do sul, do oeste, e do norte, todos foram feitos tributários a ti! Ó senhor da terra, aquela Prosperidade resplandecente que tinha antes cortejado os filhos de Pandu agora foi adquirida por ti junto com teus irmãos! Aquela Prosperidade fulgurante, ó rei, a qual nós não muitos dias atrás vimos com corações pesados em Yudhishthira em Indraprastha, é hoje vista por nós ser possuída por ti, ela tendo, ó monarca de braços poderosos, sido arrebatada por ti do nobre Yudhishthira somente por força do intelecto. Ó matador de heróis hostis, todos os reis da terra agora vivendo em submissão a ti esperam tuas ordens, como eles faziam antes sob Yudhishthira, esperando as dele. Ó monarca, a deusa Terra com sua extensão vasta com circunferência de mares, com suas montanhas e florestas, e cidades e municípios e minas, e decorada com florestas e colinas agora é tua! Adorado pelos Brahmanas e venerado pelos reis, tu resplandeces, ó rei, por causa da tua coragem, como o Sol entre os deuses no céu! Circundado pelos Kurus, ó rei, como Yama pelos Rudras, ou Vasava pelos Maruts, tu brilhas, ó monarca, como a Lua entre as estrelas! Nos deixe, portanto, ó rei, ir e olhar para os filhos de Pandu, eles que estão agora privados de prosperidade, eles que nunca obedeceram ordens, eles quem nunca deveram submissão! Foi ouvido por nós, ó monarca, que os Pandavas estão agora vivendo nas margens do lago chamado Dwaitavana, com uma multidão de Brahmanas, tendo a selva como sua casa. Vá para lá, ó rei, em toda tua prosperidade, chamuscando o filho de Pandu com uma visão da tua glória, como o Sol chamuscando tudo com seus raios quentes! Tu mesmo um soberano e eles privados de soberania, tu mesmo em prosperidade e eles privados desta, tu mesmo possuindo riqueza e eles na pobreza, contemple agora, ó rei, os filhos de Pandu. Deixe os filhos de Pandu te contemplarem como Yayati, o filho de Nahusha, acompanhado por uma grande comitiva de seguidores e desfrutando de felicidade que é magnífica. Ó rei, aquela Prosperidade resplandecente a qual é vista por ambos, os amigos e inimigos de alguém, é considerada como bem aplicada! Que felicidade pode ser mais completa do que aquela a qual desfruta aquele que enquanto ele mesmo em prosperidade, olha para seus inimigos na adversidade, como uma pessoa no topo da colina olhando para baixo para outra se arrastando sobre a terra? Ó tigre entre reis, a felicidade que alguém deriva de ver seus inimigos na aflição é maior do que a que ele pode derivar da aquisição de oferenda ou riqueza ou reino! Que felicidade não será daquele que, ele mesmo em riqueza, lançar seus olhos em Dhananjaya vestido em cascas de árvores e peles de veado? Deixe tua esposa vestida em mantos caros olhar para a angustiada Krishna vestida em cascas de árvores e camurças, e aumentar a dor da última! Deixe a filha de Drupada censurar a si mesma e sua vida, privada como ela está de riqueza, pois a tristeza que ela sentirá ao ver tua esposa enfeitada com ornamentos será muito maior do que a que ela sentiu no meio da assembleia (quando Dussasana a tinha arrastado lá)!" Vaisampayana continuou, "Tendo falado dessa maneira para o rei, ambos Karna e Sakuni ficaram calados, ó Janamejaya, depois que seu discurso estava terminado." 236 Vaisampayana disse, "Tendo ouvido estas palavras de Karna, o rei Duryodhana ficou muito satisfeito. Logo depois, no entanto, o príncipe ficou entristecido e se dirigindo ao orador disse, 'O que tu me disseste, ó Karna, está sempre diante da minha mente. Eu, no entanto, não obterei permissão para me dirigir ao local onde os Pandavas estão residindo. O rei Dhritarashtra está sempre se afligindo por aqueles heróis. De fato, o rei considera que os filhos de Pandu se tornaram mais poderosos do que antes por consequência de suas austeridades ascéticas. Ou, se o rei compreender nossos motivos, ele nunca, tendo respeito pelo futuro, nos concederá permissão, pois, ó tu de grande resplendor, nós não podemos ter outro negócio nas florestas de Dwaitavana além da destruição dos Pandavas no exílio! Tu conheces as palavras que Kshatri falou para mim e para ti mesmo, e para o filho de Suvala, no momento da partida de dados! Refletindo sobre todas aquelas palavras como também sobre todas aquelas lamentações (às quais ele e outros se entregaram), eu não posso tomar uma decisão quanto a se eu devo ir ou não! Eu sem dúvida ficarei muito satisfeito se eu lançar meus olhos em Bhima e Phalguna passando seus dias em tormento com Krishna nas florestas. A alegria que eu posso sentir ao obter a soberania da terra inteira não é nada (comparada) àquela que será minha ao ver os filhos de Pandu vestidos em cascas de árvores e peles de veado. Que alegria pode ser maior, ó Karna, do que aquela que será minha ao ver a filha de Drupada vestida em trapos vermelhos nas florestas? Se o rei Yudhishthira e Bhima, os filhos de Pandu me virem agraciado com grande riqueza, somente então eu terei realizado o grande objetivo da minha vida! Eu, no entanto, não vejo os meios pelos quais eu posso me dirigir para aquelas florestas, pelo qual, realmente, eu posso obter a permissão do rei para ir para lá! Idealize, portanto, algum plano habilidoso, com o filho de Suvala e Dussasana, pelo qual nós possamos ir para aquelas matas! Eu também, decidindo hoje quanto a se eu devo ir ou não, me aproximarei amanhã da presença do rei. E quando eu estiver sentado com Bhishma, aquele melhor dos Kurus, tu, com Sakuni, apresentará o pretexto que vocês tiverem planejado. Ouvindo então as palavras de Bhishma e do rei sobre o assunto da nossa viagem, eu arranjarei tudo implorando ao nosso avô.” "Dizendo; 'Assim seja' eles então partiram todos para seus respectivos quartos. E logo que a noite tinha passado, Karna foi ao rei. E indo até ele, Karna sorridente falou para Duryodhana, dizendo, 'Um plano foi idealizado por mim. Ouça-o, ó senhor de homens! Nossos rebanhos estão agora esperando nas matas de Dwaitavana na expectativa de ti! Sem dúvida, nós podemos todos ir para lá sob o pretexto de supervisionar nossas estações de gado, pois, ó monarca, é apropriado que reis frequentemente se dirijam para suas estações de gado. Se este for o motivo apresentado, teu pai, ó príncipe, certamente te concederá permissão!' E enquanto Duryodhana e Karna estavam assim conversando alegremente, Sakuni dirigiu-se a eles e disse, 'Este plano, livre de dificuldades, foi o que eu também vi para ir para lá! O rei certamente nos dará permissão, ou até nos enviará para lá por sua própria vontade. Nossos rebanhos estão agora todos aguardando nos bosques de Dwaitavana te esperando. Sem dúvida, nós podemos todos ir para lá sob o pretexto de supervisionar nossas estações de gado!'” "Eles então todos os três riram juntos, e deram suas mãos uns para os outros. E tendo chegado àquela conclusão, eles foram ver o chefe dos Kurus." 237 Vaisampayana disse, "Eles todos então viram o rei Dhritarashtra, ó Janamejaya, e tendo visto ele, perguntaram sobre seu bem-estar, e foram, em retorno, perguntados acerca de seu bem-estar. Então um vaqueiro chamado Samanga, que tinha sido instruído antes por eles, se aproximando do rei, falou para ele do gado. Então o filho de Radha e Sakuni, ó rei, se dirigindo a Dhritarashtra, aquele principal dos monarcas, disse, 'Ó Kaurava, nossas estações de gado estão agora em um lugar encantador. O tempo para sua contagem como também para marcação dos bezerros chegou. E, ó monarca, esta também é uma estação excelente para teu filho ir caçar! Cabe a ti, portanto, conceder permissão para Duryodhana ir para lá.' "Dhritarashtra respondeu, 'A caça do veado, como também o exame dos gados é muito apropriado, ó filho! Eu penso, de fato, que os boiadeiros não são de confiança. Mas nós soubemos que aqueles tigres entre homens, os Pandavas, estão agora permanecendo na vizinhança daquelas estações de gado. Eu penso, portanto, que vocês não devem ir para lá vocês mesmos! Derrotados por meios fraudulentos eles estão agora vivendo na floresta profunda em grande sofrimento. Ó Radheya, eles são guerreiros poderosos e naturalmente hábeis, eles estão agora dedicados a austeridades ascéticas. O rei Yudhishthira não permitirá que sua cólera seja despertada, mas Bhimasena é naturalmente impetuoso. A filha de Yajnasena é a própria natureza da energia. Cheios de orgulho e insensatez, vocês sem dúvida ofenderão. Dotada de mérito ascético ela certamente consumirá vocês, ou talvez, aqueles heróis, armados com espadas e armas! Nem, se por força de números, vocês procurarem prejudicá-los em alguma circunstância, esta será uma ação muito imprópria, embora, como eu penso, vocês nunca poderão ser bem sucedidos. O poderosamente armado Dhananjaya voltou daquele lugar para a floresta. Enquanto não aperfeiçoado em armas, Vivatsu tinha subjugado a terra inteira antes. Um poderoso guerreiro como ele é e educado em armas agora, ele não será capaz de matar vocês todos? Ou, se em obediência às minhas palavras, vocês se comportarem com cuidado tendo se dirigido para lá, vocês não poderão viver felizmente lá por consequência da ansiedade que vocês sentirão devido a um constante estado de desconfiança. Ou, algum soldado seu pode fazer alguma injúria para Yudhishthira, e aquela ação não premeditada será atribuída à sua falha. Portanto, que alguns homens fiéis procedam para lá para o trabalho de contagem. Eu não acho que é apropriado para ti, Bharata, ir tu mesmo para lá." "Sakuni disse, 'O mais velho dos filhos de Pandu é ciente da moralidade. Ele prometeu no meio da assembleia, ó Bharata, que ele viveria por doze anos na floresta. Os outros filhos de Pandu são todos virtuosos e obedientes à Yudhishthira. E o próprio Yudhishthira, o filho de Kunti, nunca ficará zangado conosco. De fato, nós desejamos muito sair em uma expedição de caça, e aproveitaremos essa oportunidade para supervisionar a contagem de nossos gados. Nós não temos intenção de ver os filhos de Pandu. Nós não iremos para aquele local onde os Pandavas fixaram sua residência, e por conseguinte nenhuma exibição de comportamento impróprio pode quiçá surgir da nossa parte.' Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por Sakuni, aquele senhor de homens, Dhritarashtra, concedeu a permissão, mas não de muito bom grado, para Duryodhana e seus conselheiros irem para o local. E permitido pelo monarca o príncipe Bharata nascido de Gandhari partiu, acompanhado por Karna e circundado por uma grande hoste. E ele estava também acompanhado por Dussasana e o filho de Suvala de grande inteligência e por muitos outros irmãos dele e por senhoras às milhares. E quando o príncipe de braços poderosos partiu para contemplar o lago que era conhecido pelo nome de Dwaitavana, os cidadãos (de Hastina), também acompanhados por suas esposas começaram a segui-lo para aquela floresta. Oito mil carros, trinta mil elefantes, nove mil cavalos, e muitos milhares de soldados de infantaria, e lojas e pavilhões e comerciantes, bardos e homens treinados na caça às centenas e milhares seguiram o príncipe. E quando o rei partiu, seguido por esta grande multidão de pessoas, o tumulto que foi causado lá parecia, ó rei, o profundo tumulto dos ventos que ocorrem na estação chuvosa. E alcançando o lago Dwaitavana com todos os seus seguidores e veículos, o rei Duryodhana ergueu seu acampamento na distância de quatro milhas dele." 238 Vaisampayana disse, "O rei Duryodhana então se movendo de floresta em floresta finalmente se aproximou das estações de gado, e formou o acampamento de suas tropas. E seus servidores, escolhendo um local conhecido e encantador rico em água e árvores e que possuía todas as conveniências construíram uma residência para ele. E perto o bastante da residência real eles também erigiram residências separadas para Kama e Sakuni e os irmãos do rei. E o rei contemplou seus gados às centenas e milhares e examinando seus membros e marcas supervisionou sua contagem. E ele fez os bezerros serem marcados e cuidou daqueles que precisavam ser domesticados. E ele também contou aquelas vacas cujos bezerros ainda não tinham sido desmamados. E terminando a tarefa de contagem por marcar e contar todo bezerro que tinha três anos de idade, o príncipe Kuru, cercado pelos vaqueiros, começou a se divertir e passear alegremente. E os cidadãos também e os soldados aos milhares começaram a se divertir, como melhor lhes agradava, naquelas matas, como os celestiais. E os boiadeiros, bem habilidosos em canto e dança e música instrumental, e virgens enfeitadas com ornamentos, começaram a servir aos prazeres do filho de Dhritarashtra. E o rei cercado pelas senhoras da família real começou alegremente a distribuir riqueza e comida e bebidas de vários tipos entre aqueles que procuravam agradar a ele, de acordo com seus desejos.” "E o rei, escoltado por todos os seus seguidores, começou também a matar hienas e búfalos e veados e gayals e ursos e javalis por toda parte. E o rei, perfurando com suas flechas aqueles animais aos milhares na floresta profunda, fez os veados serem apanhados nas partes mais agradáveis das matas. Bebendo leite e desfrutando, ó Bharata, de vários outros artigos deliciosos e contemplando, conforme ele prosseguia, muitas florestas encantadoras e bosques enxameando com abelhas inebriadas com mel floral e ressoando com as notas do pavão, o rei finalmente alcançou o lago sagrado de Dwaitavana. E o local o qual o rei alcançou enxameava com abelhas inebriadas com mel floral, e ecoava com as notas harmoniosas do gaio (Garrulus glandarius) de garganta azul e era sombreado por Saptacchadas e punnagas e Vakulas. E o rei agraciado com grande prosperidade procedeu para lá como o próprio chefe dos celestiais manejador do raio. E, ó tu melhor da raça Kuru, o rei Yudhishthira o justo, dotado de inteligência superior, estava então, ó monarca, residindo na vizinhança daquele lago tranquilamente e celebrando com sua esposa, a filha de Drupada, o sacrifício diurno chamado Rajarshi, segundo a ordenança sancionada para os celestiais e pessoas que vivem na selva. E, ó monarca, tendo alcançado aquele local, Duryodhana mandou seu homens aos milhares, dizendo, 'Que casas de diversão sejam construídas logo.' Assim mandados, aqueles cumpridores das ordens do rei respondendo ao chefe Kuru com as palavras 'Assim seja' foram em direção às margens do lago para construir casas de diversão. E quando os soldados escolhidos do filho de Dhritarashtra, tendo alcançado a região do lago, estavam prestes a entrar nas passagens da mata, vários Gandharvas apareceram e os proibiram de entrar. Pois, ó monarca, o rei dos Gandharvas acompanhado por seus seguidores tinha ido para lá antes, da residência de Kuvera. E o rei dos Gandharvas também estava acompanhado pelas várias tribos de Apsaras, como também pelos filhos dos celestiais. E planejando se divertir, ele tinha ido àquele local em busca de folia, e ocupando-o, tinha-o bloqueado contra todos os que chegavam. E os servidores do rei (Kuru), encontrando o lago bloqueado pelo rei dos Gandharvas, voltaram, ó monarca, para onde o rei Duryodhana estava. E Duryodhana tendo ouvido essas palavras, despachou vários de seus guerreiros difíceis de serem subjugados em batalha, mandando-os expulsar os Gandharvas. E aqueles guerreiros que formavam a vanguarda do exército Kuru, ouvindo aquelas palavras do rei, voltaram ao lago de Dwaitavana e se dirigiram aos Gandharvas, dizendo, 'O rei poderoso Duryodhana, o filho de Dhritarashtra, está vindo para cá para se divertir. Fiquem fora do caminho, portanto!' Assim endereçados por eles, ó rei, os Gandharvas riram e responderam para aqueles homens nessas palavras duras: 'Seu rei pecaminoso Duryodhana deve ser desprovido de inteligência. Do contrário como ele poderia ter assim ordenado a nós que somos habitantes do céu, como se, de fato, nós fôssemos seus empregados? Sem prudência, vocês também estão sem dúvida às portas da morte; pois idiotas insensatos como vocês são, vocês ousaram nos trazer sua mensagem! Voltem logo para onde aquele rei dos Kurus está, senão vão hoje mesmo para a residência de Yama.' Assim endereçada pelos Gandharvas, a guarda avançada do exército do rei voltou para o lugar onde o real filho de Dhritarashtra estava." 239 Vaisampayana disse, "Os soldados então, ó rei, voltaram todos até Duryodhana e repetiram para ele cada palavra que os Gandharvas tinham dito. E, ó Bharata, descobrindo que seus soldados tinham sido obstados pelos Gandharvas, o filho de Dhritarashtra, dotado de energia, estava cheio de raiva. E o rei se dirigiu aos seus soldados, dizendo, ‘Punam esses patifes que desejam se opor à minha vontade, mesmo que eles tenham vindo para cá por diversão, acompanhados por todos os celestiais com aquele de cem sacrifícios.’ E ouvindo estas palavras de Duryodhana, os filhos e oficiais de Dhritarashtra todos dotados de grande força, como também guerreiros aos milhares, começaram a se armar para a batalha. E enchendo os dez lados com altos rugidos leoninos e avançando naqueles Gandharvas que vinham guardando as passagens, eles entraram na floresta. E quando os soldados Kuru entraram na floresta, outros Gandharvas se aproximaram e os proibiram de prosseguir. E embora gentilmente proibidos de avançar pelos Gandharvas, os soldados Kuru, sem a mínima consideração por eles, começaram a entrar naquela floresta imensa. E quando aqueles percorredores do céu descobriram que os guerreiros de Dhritarashtra junto com seu rei não poderiam ser parados por meio de palavras eles todos foram até seu rei Chitrasena e relataram tudo para ele. E quando Chitrasena, o rei dos Gandharvas, veio a saber tudo isso ele se encheu de raiva, aludindo ao Kuru, e mandou seus seguidores dizendo, 'Punam esses canalhas de comportamento pecaminoso.' E, ó Bharata, quando os Gandharvas foram assim mandados por Chitrasena, eles se apressaram com armas nas mãos em direção às tropas de Dhritarashtra. E vendo os Gandharvas avançando impetuosamente em direção a eles com armas erguidas, os guerreiros Kuru fugiram precipitadamente em todas as direções à própria vista de Duryodhana. E vendo os soldados Kuru todos fugindo do campo com suas costas para o inimigo, só o heróico Radheya não fugiu. E vendo a hoste poderosa dos Gandharvas avançando em direção a ele, Radheya os deteve por meio de uma chuva perfeita de flechas. E o filho de Suta, devido à sua extrema leveza de mão, atingiu centenas de Gandharvas com Kshurapras e flechas e Bhallas e várias armas feitas de ossos e aço. E aquele guerreiro poderoso, em pouco tempo fazendo as cabeças de numerosos Gandharvas rolarem, fez as tropas de Chitrasena gritarem em agonia. E embora eles fossem massacrados em grandes números por Karna dotado de grande inteligência, ainda assim os Gandharvas voltavam ao ataque às centenas e milhares. E em consequência dos enxames dos guerreiros de Chitrasena avançando impetuosamente para o campo a terra ficou logo coberta pela hoste Gandharva. Então o rei Duryodhana, e Sakuni, o filho de Suvala, e Dussasana, e Vikarna, e outros filhos de Dhritarashtra sentados em carros cujo ruído das rodas parecia com os rugidos de Garuda, voltaram ao ataque, seguindo a liderança de Karna, e começaram a massacrar aquela hoste. E desejosos de auxiliar Karna, aqueles príncipes cercaram o exército Gandharva com um grande número de carros e um grupo forte de cavalos. Então toda a hoste Gandharva começou a lutar com os Kauravas. E o combate que ocorreu entre as hostes opostas foi violento ao extremo e podia fazer os cabelos de alguém ficarem em pé. Os Gandharvas, finalmente, afligidos pelas flechas do exército Kuru, pareciam estar esgotados. E os Kauravas vendo os Gandharvas assim afligidos emitiram um som alto.” "E vendo a hoste Gandharva cedendo ao medo, o furioso Chitrasena levantou- se de seu assento, decidido a exterminar o exército Kuru. E conhecedor de vários modos de guerra, ele se movimentou na batalha, ajudado por suas armas de ilusão. E os guerreiros Kaurava foram então todos privados da sua razão pela ilusão de Chitrasena. E então, ó Bharata, parecia que cada guerreiro do exército Kuru estava caído e cercado por dez Gandharvas. E atacada com grande vigor, a hoste Kuru foi imensamente afligida e tomada pelo pânico. Ó rei, todos aqueles que gostavam de viver fugiram do campo. Mas enquanto a hoste inteira de Dhritarashtra se rompia e fugia, Karna, aquele filho do Sol, permaneceu lá, ó rei, imóvel como uma colina. De fato, Duryodhana e Karna e Sakuni, o filho de Suvala, todos lutaram com os Gandharvas, embora todos eles estivessem muito feridos e lacerados no confronto. Todos os Gandharvas então, desejosos de matar Karna, avançaram juntos às centenas e milhares em direção a Karna. E aqueles guerreiros poderosos, desejosos de matar o filho de Suta, o cercaram por todos os lados com espadas e machados de combate e lanças. E alguns derrubaram o jugo de seu carro, e alguns seu mastro de bandeira, e alguns o eixo de seu carro, e alguns seus cavalos, e alguns seu quadrigário. E alguns derrubaram seu guarda- sol e alguns a proteção de madeira ao redor de seu carro e algum as juntas de seu carro. Foi dessa maneira que muitos milhares de Gandharvas, atacando juntos seu carro, o quebraram em fragmentos miúdos. E enquanto seu carro estava sendo assim atacando, Karna pulou dele com espada e escudo na mão, e subindo no carro de Vikarna, incitou os corcéis para se salvar." 240 Vaisampayana disse, "Depois que aquele grande guerreiro Karna tinha sido derrotado pelos Gandharvas, todo o exército Kuru, ó monarca, fugiu do campo na própria vista do filho de Dhritarashtra. E vendo todas as suas tropas fugindo do campo de batalha com suas costas para o inimigo, o rei Duryodhana se recusou a fugir. Vendo a hoste poderosa dos Gandharvas avançando em direção a ele, aquele repressor de inimigos despejou sobre eles uma chuva grossa de flechas. Os Gandharvas, no entanto, sem darem atenção àquela chuva de flechas, e desejosos também de matá-lo, cercaram seu carro. E por meio de suas flechas eles cortaram em fragmentos o jugo, o eixo, as proteções, o mastro de bandeira, os postes triplos de bambu, e a torre principal do carro dele. E eles também mataram seu quadrigário e cavalos, cortando-os em pedaços. E quando Duryodhana, privado de seu carro, caiu no chão, o fortemente armado Chitrasena avançou em direção a ele e agarrou-o de tal maneira que parecia que a sua própria vida tinha sido tirada. E depois que o rei Kuru tinha sido apanhado, os Gandharvas, cercando Dussasana, que estava sentado em seu carro, também o capturaram. E alguns Gandharvas agarraram Vivinsati e Chitrasena, e alguns Vinda e Anuvinda, enquanto outros prenderam todas as senhoras da família real. E os guerreiros de Duryodhana, que foram derrotados pelos Gandharvas, se juntando àqueles que tinham fugido primeiro, se aproximaram dos Pandavas (que estavam vivendo na vizinhança). E depois que Duryodhana tinha sido feito cativo, os veículos, as lojas, os pavilhões, as carruagens, e os animais de carga, tudo foi transferido aos Pandavas por proteção. E aqueles soldados disseram, 'O filho de braços fortes de Dhritarashtra, possuidor de grande força e bela aparência, foi feito prisioneiro pelos Gandharvas! Ó filhos de Pritha, sigam-nos! Dussasana, Durvishasa, Durmukha, e Durjaya, todos estão sendo levados como cativos em correntes pelos Gandharvas, como também as senhoras da família real!' "Gritando dessa maneira, os seguidores de Duryodhana, afligidos pela angústia e melancolia, se aproximaram de Yudhishthira, desejosos de efetuar a libertação do rei. Bhima então respondeu àqueles velhos servidores de Duryodhana, que, afligidos pela dor e melancolia, estavam assim solicitando (a ajuda de Yudhishthira), dizendo, 'O que nós devíamos ter feito com grandes esforços, nos colocando em linha de batalha, auxiliados por cavalos e elefantes foi, de fato, feito pelos Gandharvas! Eles que vieram para cá para outros propósitos foram surpreendidos por consequências que não tinham previsto! De fato, esse é o resultado dos maus conselhos de um rei que gosta de jogo fraudulento! É sabido por nós que o inimigo de uma pessoa que é impotente é derrotado por outros. Os Gandharvas, de uma maneira extraordinária, ilustraram perante nossos olhos a verdade desse ditado! Parece que afortunadamente ainda há alguma pessoa no mundo que está desejosa de fazer bem para nós que, de fato, tomou sobre seus próprios ombros nossa carga agradável, embora nós estejamos sentados ociosamente! O patife veio para cá para lançar seus olhos em nós, ele mesmo em prosperidade enquanto nós estamos mergulhados em adversidade e emaciados por austeridades ascéticas e expostos ao vento, frio e calor. Aqueles que imitam o comportamento desse Kaurava pecaminoso e ordinário estão agora vendo sua ignomínia! Ele que instruiu Duryodhana a fazer isso sem dúvida agiu pecaminosamente. Que os filhos de Kunti não são maus e pecaminosos, eu digo isso perante vocês todos!" "E enquanto Bhima, o filho de Kunti, estava falando assim em uma voz de sarcasmo, o rei Yudhishthira lhe disse, 'Este não é o momento para palavras cruéis.'" 241 "Yudhishthira disse, 'Ó filho, por que tu usas linguagem tal como essa em direção aos Kurus assustados, que estão agora em adversidade e que vieram a nós desejosos de proteção? Ó Vrikodara, desuniões e disputas ocorrem entre aqueles que são relacionados em sangue. Hostilidades assim como essas acontecem. Mas nunca é permitido que se interfira com a honra da família. Se algum estranho procura insultar a honra de uma família, aqueles que são bons nunca toleram tal insulto vindo do desconhecido. O rei dos Gandharvas de alma perversa sabe que nós estamos vivendo aqui desde algum tempo. Ainda assim nos desrespeitando ele fez este ato que é tão desagradável para nós! Ó exaltado, por causa dessa captura forçada de Duryodhana e deste insulto às senhoras da nossa casa por um estranho, a honra da nossa família está sendo destruída. Portanto, ó tigres entre homens, levantem-se e armem-se sem demora para resgatar aqueles que procuraram nossa proteção e para proteger a honra da nossa família. Ó tigres entre homens, que Arjuna e os gêmeos e tu mesmo também que és corajoso e invicto libertem Duryodhana, que está agora mesmo sendo levado prisioneiro! Ó principais dos guerreiros, estes carros resplandecentes, providos de hastes douradas e todos os tipos de armas pertencentes aos filhos de Dhritarashtra, estão prontos aqui. Com Indrasena e outros quadrigários habilidosos com armas para guiá-los, sejam conduzidos nestes carros sempre equipados de estertor profundo! E viajando neles, se esforcem com diligência para lutar com os Gandharvas para libertar Duryodhana. Até um Kashatriya comum (entre aqueles que estão aqui), protegeria ao máximo de seu poder alguém que tivesse vindo para cá por proteção! O que então, ó Vrikodara, eu direi de ti? Rogado por ajuda em palavras tais como ‘Ó te apresse para me auxiliar!’ Quem há (entre aqueles que permanecem ao meu redor) que é de grande alma suficiente para ajudar até seu inimigo, vendo-o procurando proteção com mãos unidas? A concessão de um benefício, soberania, e o nascimento de um filho são fontes de grande alegria. Mas, ó filhos de Pandu, a libertação de um inimigo do infortúnio é igual a todos os três colocados juntos! O que pode ser uma fonte de maior alegria para você do que Duryodhana mergulhado em desgraça procurando sua própria vida como dependente do poder dos teus braços? Ó Vrikodara, se o voto no qual eu estou engajado tivesse terminado, há pouca dúvida de que eu mesmo teria corrido para ajudá-lo. Esforce- te por todos os meios, ó Bharata, para libertar Duryodhana por meio das artes de conciliação. Se, no entanto, o rei dos Gandharvas não puder ser manobrado pelas artes de conciliação, então tu deves tentar resgatar Suyodhana por escaramuçar levemente com o inimigo. Mas se o chefe dos Gandharvas não perdoar os Kurus mesmo então, eles devem ser resgatados por oprimir o inimigo por todos os meios. Ó Vrikodara, isso é tudo que eu posso te dizer agora, pois meu voto foi iniciado e não terminou ainda!" Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras de Ajatasatru, Dhananjaya se comprometeu, por respeito por estas ordens de seu superior, a libertar os Kauravas. E Arjuna disse, 'Se os Gandharvas não libertarem os Dhritarashtras pacificamente a Terra beberá hoje o sangue do rei dos Gandharvas!' E ouvindo aquela promessa de Arjuna falador da verdade, os Kauravas então, ó rei, recuperaram a (pedida) tendência geral de suas mentes." 242 Vaisampayana disse, "Ouvindo as palavras de Yudhishthira, aqueles touros entre homens, encabeçados por Bhimasena, se levantaram com rostos brilhando de alegria. E aqueles guerreiros poderosos, ó Bharata, então começaram a se envolver em cotas de malha impenetráveis que eram além disso matizadas com ouro puro, e se armaram com armas celestes de vários tipos. E os Pandavas assim envolvidos em armaduras, e montados naquelas carruagens providas de hastes e armados com arcos e flechas, pareciam com fogos ardentes. E aqueles tigres entre guerreiros, sendo levados sobre aqueles carros bem equipados puxados por cavalos velozes, procederam para aquele local sem perderem um momento. E vendo aqueles guerreiros poderosos, os filhos de Pandu, assim procedendo juntos (para a libertação de Duryodhana), o exército Kuru deu um grito alto. E logo aqueles percorredores do céu excitados pela vitória, e aqueles guerreiros impetuosos, os filhos de Pandu, enfrentaram uns aos outros destemidamente naquela floresta. Os Gandharvas estavam excitados pelo êxito, e vendo os quatro filhos valentes de Pandu vindo para a batalha sentados em seus carros eles todos voltaram atrás em direção aos combatentes que avançavam. E, os habitantes da Gandhamadana, contemplando os Pandavas parecendo com protetores do mundo resplandecentes provocados à ira, permaneceram agrupados em ordem de batalha. E, ó Bharata, de acordo com palavras do rei Yudhishthira de grande sabedoria, o confronto que ocorreu foi uma escaramuça. Mas quando Arjuna, aquele perseguidor de inimigos, viu que os tolos soldados do rei dos Gandharvas não podiam compreender o que era bom para eles por meio de uma leve escaramuça, ele dirigiu-se àqueles invencíveis percorredores dos céus em um tom conciliador e disse, 'Deixem meu irmão o rei Suyodhana.' Assim endereçados pelo filho ilustre de Pandu, os Gandharvas, rindo alto, responderam a ele dizendo, 'Ó criança, há somente um no mundo cujas ordens nós obedecemos e vivendo sob cujo governo nós passamos nossos dias em felicidade, ó Bharata, nós sempre agimos como aquela única pessoa nos manda! Além daquele chefe celeste não há ninguém que possa nos comandar!' Assim endereçado pelos Gandharvas, Dhananjaya, o filho de Kunti, respondeu para eles, dizendo, 'Este contato com esposas de outros homens e este encontro hostil com seres humanos são ambas ações que são censuráveis no rei dos Gandharvas e não apropriadas para ele. Portanto, deixem esses filhos de Dhritarashtra todos dotados de energia poderosa. E libertem também estas senhoras, por ordem do rei Yudhishthira o justo. Se, ó Gandharvas, vocês não libertarem os filhos de Dhritarashtra pacificamente, eu sem dúvida resgatarei Suyodhana (e seu grupo) por exercer minha bravura.' E falando dessa maneira para eles, o filho de Pritha, Dhananjaya, capaz de manejar o arco com sua mão esquerda também, então derramou uma chuva de flechas de pontas afiadas percorredoras do céu sobre aqueles que percorriam o firmamento. Assim atacados, os Gandharvas poderosos então enfrentaram os filhos de Pandu com uma chuva de flechas igualmente espessa, e os Pandavas também responderam por atacar aqueles habitantes de céu. E a batalha então, ó Bharata, que ocorreu entre os Gandharvas ativos e ágeis e o impetuoso filho de Pandu foi violenta ao extremo." 243 Vaisampayana disse, "Então aqueles Gandharvas enfeitados em guirlandas douradas e educados em armas celestes, derramando suas flechas ardentes, combateram os Pandavas de todos os lados. E como os filhos de Pandu eram somente quatro em número e os Gandharvas contados aos milhares, a batalha que se seguiu parecia ser extraordinária. E como os carros de Karna e Duryodhana antigamente tinham sido quebrados em centenas fragmentos pelos Gandharvas, assim mesmo eles tentaram quebrar os carros dos quatro heróis. Mas aqueles tigres entre homens começaram a combater com suas chuvas de flechas milhares e milhares de Gandharvas avançando em direção a eles. Aqueles percorredores dos céus dotados de grande energia, assim impedidos por todos os lados por aquela chuva de flechas, não conseguiram chegar nem perto dos filhos de Pandu. Então Arjuna cuja ira tinha sido provocada, visando os Gandharvas zangados, preparou-se para lançar armas celestes contra eles. E naquele combate o poderoso Arjuna, por meio da sua arma Agneya, mandou dez centenas de milhares de Gandharvas para a residência de Yama. E aquele arqueiro poderoso, Bhima, também, aquele principal de todos os guerreiros em batalha, matou, por meio de suas flechas afiadas, Gandharvas às centenas. E os filhos poderosos de Madri também, lutando com energia, enfrentaram centenas de Gandharvas, ó rei, e massacraram eles todos. E quando os Gandharvas estavam sendo assim massacrados pelos guerreiros poderosos com suas armas celestes, eles se ergueram para os céus, levando com eles os filhos de Dhritarashtra. Mas Dhananjaya, o filho de Kunti, vendo eles se erguerem aos céus, cercou-os por todos os lados por meio de uma ampla rede de flechas. E confinados dentro daquela rede de flechas como aves dentro de uma gaiola, eles despejaram em cólera sobre Arjuna maças e dardos e espadas de lâminas largas. Mas Arjuna, que estava familiarizado com as armas mais eficazes, logo deteve aquela chuva de maças e dardos e espadas de lâminas largas, e em retorno começou a mutilar os membros dos Gandharvas com suas flechas em forma de meia-lua. E cabeças e pernas e braços começaram a cair do alto parecendo com uma chuva de pedras. E àquela visão, o inimigo foi tomado pelo pânico. E como os Gandharvas estavam sendo massacrados pelo filho ilustre de Pandu, eles começaram a derramar dos céus uma torrente pesada de flechas sobre Arjuna, que estava na superfície da terra. Mas aquele castigador de inimigos, Arjuna, dotado de energia poderosa, deteve aquela chuva de flechas por meio de suas próprias armas e começou, em retorno, a feri-los. Então Arjuna da linhagem Kuru disparou suas armas bem conhecidas chamadas Sthunakarna, Indrajala, Saura, Agneya e Saumya. E os Gandharvas, consumidos pelas armas ígneas do filho de Kunti, começaram a sofrer pesadamente, como os filhos de Diti enquanto sendo chamuscados pelo raio de Sakra. E quando eles atacavam Arjuna de cima, eles eram impedidos por sua rede de flechas. E quando eles o atacavam de todos os lados sobre a superfície da terra, eles eram detidos por suas flechas em forma de meia-lua. E vendo os Gandharvas apresentarem medo do filho de Kunti, Chitrasena avançou, ó Bharata, em Dhananjaya, armado com uma maça. E quando o rei dos Gandharvas estava avançando em Arjuna de cima com aquela maça na mão, o último cortou em sete pedaços com suas flechas aquela maça totalmente feita de ferro. E vendo aquela sua maça cortada em muitos pedaços por Arjuna de grande energia, com suas flechas, Chitrasena, por meio de sua ciência, se ocultou da vista do Pandava e começou a lutar com ele. O heróico Arjuna, no entanto, por meio de suas próprias armas celestes deteve todas as armas celestes que foram miradas nele pelos Gandharvas. E quando o chefe dos Gandharvas viu que ele foi impedido pelo ilustre Arjuna com aquelas suas armas ele desapareceu totalmente de vista por meio da ajuda de seus poderes de ilusão. E Arjuna, observando que o chefe dos Gandharvas o estava atacando ocultado de vista, atacou seu assaltante com arma celeste insuflada com Mantras apropriados. E o multiforme Dhananjaya cheio de cólera impediu o desaparecimento de seu inimigo por meio da sua arma conhecida pelo nome de Sabda-veda. E atacado com aquelas armas pelo ilustre Arjuna, seu amigo querido o rei dos Gandharvas se mostrou para ele. E Chitrasena disse, 'Veja em mim teu amigo lutando contigo!' E vendo seu amigo Chitrasena exausto no combate, aquele touro entre os filhos de Pandu retirou as armas que ele tinha disparado. E os outros filhos de Pandu, vendo Arjuna retirar suas armas, detiveram seus corcéis voadores e o ímpeto de suas armas e afastaram seus arcos. E Chitrasena e Bhima e Arjuna e os gêmeos, perguntando sobre o bem-estar um do outro, sentaram-se por algum tempo em seus respectivos carros." 244 Vaisampayana disse, "Então aquele arqueiro poderoso de esplendor brilhante, Arjuna, disse sorridente para Chitrasena no meio da hoste Gandharva, 'Tu serves a que propósito, ó herói, ao punires os Kauravas? Ó, por que também Suyodhana com suas esposas foi assim punido?' "Chitrasena respondeu, 'Ó Dhananjaya, sem me mover da minha própria residência eu vim a conhecer a intenção do pecaminoso Duryodhana e do patife Karna ao virem para cá. O propósito era esse mesmo: sabendo que vocês estão exilados na floresta e sofrendo grandes aflições como se vocês não tivessem ninguém para cuidar de vocês, ele mesmo em prosperidade, este canalha nutria o desejo de ver vocês mergulhados em adversidade e desgraça. Eles vieram para cá para escarnecer de vocês e da filha ilustre de Drupada. O senhor dos celestiais também, tendo averiguado este propósito deles, me disse, 'Vá e traga Duryodhana para cá acorrentado junto com seus conselheiros. Dhananjaya também com seu irmão devem sempre ser protegidos por ti em batalha, pois ele é teu amigo querido e discípulo.' Por causa destas palavras do senhor dos celestiais eu vim para cá rapidamente. Este príncipe mau também foi posto em correntes. Eu agora procederei para a região dos celestiais, para onde eu levarei este indivíduo pecaminoso por ordem do matador de Paka!' “Arjuna respondeu, dizendo, ‘Ó Chitrasena, se tu desejas fazer o que é agradável para mim liberte Suyodhana, por ordem do rei Yudhishthira o justo, pois ele é nosso irmão!’” Chitrasena disse, "Este patife pecaminoso está sempre cheio de vaidade. Ele não merece ser libertado. Ó Dhananjaya, ele enganou e foi injusto com ambos, o rei Yudhishthira o justo e Krishna. Yudhishthira o filho de Kunti até agora não conhece a intenção com a qual o canalha veio para cá. Que o rei, portanto, faça o que ele desejar depois de saber de tudo!" Vaisampayana continuou, "Depois disto, todos eles foram até o rei Yudhishthira o justo. E indo ao rei eles relataram para ele tudo acerca do comportamento de Duryodhana. E Ajatasatru, ouvindo tudo o que os Gandharvas tinham dito, libertou todos os Kauravas e elogiou os Gandharvas. E o rei disse, 'É venturoso para nós que embora dotados de grande força vocês ainda assim não mataram o filho mau de Dhritarashtra junto com todos os conselheiros e parentes. Este, ó senhor, foi um ato de grande bondade feito para mim pelos Gandharvas. A honra também da minha família está salva por libertar este indivíduo pecaminoso. Eu estou contente em ver vocês todos. Ordenem-me o que eu devo fazer por vocês. E tendo obtido tudo o que vocês desejam, voltem logo para o lugar de onde vocês vieram!'” "Assim endereçados pelo filho inteligente de Pandu, os Gandharvas ficaram bem satisfeitos e foram embora com as Apsaras. E o senhor dos celestiais então, indo àquele local, reviveu aqueles Gandharvas que tinham sido mortos no confronto com os Kurus, por borrifar o Amrita celeste sobre eles. E os Pandavas também, tendo libertado seus parentes junto com as senhoras da família real, e tendo realizado aquela façanha difícil (a derrota da hoste Gandharva) ficaram bem satisfeitos. E aqueles guerreiros poderosos adorados pelos Kurus junto com seus filhos e esposas, brilharam em esplendor como fogos flamejantes na área sacrifical. E Yudhishthira então se dirigindo ao libertado Duryodhana no meio de seus irmãos, por afeição, lhe disse estas palavras: 'Ó filho, nunca mais faça tal ato imprudente. Ó Bharata, um indivíduo imprudente nunca obtém felicidade. Ó filho da raça Kuru, esteja satisfeito com todos os teus irmãos. Volte para tua capital como te agradar, sem te entregares ao desânimo ou tristeza!" Vaisampayana continuou, "Assim despedido pelo filho de Pandu, o rei Duryodhana então saudou o rei Yudhishthira o justo e dominado pela vergonha, e com seu coração partido em dois, partiu mecanicamente para sua capital, como alguém desprovido de vida. E depois que o príncipe Kaurava tinha partido, o valente Yudhishthira, o filho de Kunti, junto com seus irmãos, foi venerado pelos Brahmanas, e cercado por aqueles Brahmanas dotados da riqueza do ascetismo, como o próprio Sakra pelos celestiais, ele começou há passar seus dias alegremente nos bosques de Dwaita." 245 Janamejaya disse, "Depois de sua derrota e captura pelo inimigo e sua subsequente libertação pelos filhos ilustres de Pandu pela força de armas, parece- me que a entrada em Hastinapura do orgulhoso, mau, vaidoso, violento, insolente, e canalha Duryodhana, engajado em insultar os filhos de Pandu e em se gabar da sua própria superioridade, deve tenho sido extremamente difícil. Descreva para mim em detalhes, ó Vaisampayana, a entrada na capital daquele príncipe dominado pela vergonha e emasculado pelo revés!" Vaisampayana disse, "Despedido pelo rei Yudhishthira o justo, o filho de Dhritarashtra Suyodhana, curvando sua cabeça em vergonha e afligido pela tristeza e melancolia, partiu lentamente. E o rei, acompanhado por suas quatro espécies de forças, procedeu em direção à sua cidade, seu coração partido de dor e cheio com pensamentos de sua derrota pelo caminho em uma região que abundava em grama e água. O rei acampou em um trecho de terra encantador como melhor lhe agradava, com seus elefantes e carros e cavalaria e infantaria colocados em volta. E quando o rei Duryodhana estava sentado em uma armação de cama dotada do resplendor do fogo, ele mesmo parecendo com a lua sob um eclipse, perto das primeiras horas da manhã Karna, se aproximando dele, disse, 'É venturoso, ó filho de Gandhari, que tu estejas vivo! É venturoso que nós tenhamos nos encontrado mais uma vez! Por boa sorte é que tu derrotaste os Gandharvas capazes de assumir qualquer forma à vontade. E, ó filho da raça Kuru, é só por boa sorte que eu tenho a possibilidade de ver teus irmãos, todos guerreiros poderosos, saírem vitoriosos daquele confronto, tendo subjugado seus inimigos! Como relação a mim mesmo, atacado por todos os Gandharvas, eu fugi perante teus olhos, incapaz de reagrupar nossa hoste que fugia. Atacado pelo inimigo com todo seu poder, com meu corpo lacerado por suas flechas, eu procurei segurança na fuga. No entanto, ó Bharata, me parece ser um grande milagre que eu veja vocês todos saírem sãos e salvos em corpo, com suas esposas, tropas, e veículos, daquele combate sobre-humano. Ó Bharata, não há outro homem neste mundo que possa realizar o que tu, ó rei, realizaste hoje em batalha com teus irmãos." Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por Karna, o rei Duryodhana respondeu para o soberano dos Angas em uma voz sufocada pelas lágrimas." 246 "Duryodhana disse, 'Ó Radheya, tu não sabes o que aconteceu. Portanto, eu não me ofendo com tuas palavras. Tu achas que os Gandharvas hostis foram derrotados por mim com minha própria energia. Ó tu de braços poderosos, meus irmãos, de fato, por um longo tempo ajudados por mim lutaram com os Gandharvas. O massacre, de fato, em ambos os lados foi grande. Mas quando aqueles Gandharvas corajosos, recorrendo aos seus muitos poderes de ilusão, subiram aos céus e começaram a lutar conosco de lá, nosso combate com eles parou de ser equitativo. A derrota então foi nossa e até o cativeiro. E afligidos com tristeza, nós junto com nossos servidores e conselheiros e filhos e esposas e tropas e veículos estávamos sendo levados por eles através dos céus. Foi então que alguns soldados nossos e alguns oficiais corajosos se dirigiram em aflição aos filhos de Pandu, aqueles heróis que nunca recusam socorro àqueles que pedem por isso. E tendo ido a eles disseram, ‘Lá está o rei Duryodhana, o filho de Dhritarashtra, que com seus irmãos mais novos e amigos e esposas está sendo levado embora preso pelos Gandharvas através do céu. Abençoados sejam vocês. Libertem o rei junto com as mulheres da família real! Não permitam que todas as senhoras da linhagem Kuru sejam insultadas.’ E quando eles falaram dessa maneira, o mais velho dos filhos de Pandu, que é dotado de uma alma virtuosa, então conciliou seus irmãos e mandou eles nos libertarem. Então aqueles touros entre homens, os Pandavas, alcançando os Gandharvas, solicitaram nossa libertação em palavras gentis, embora completamente capazes de efetuá-la pela força de armas. E quando os Gandharvas, endereçados em tais palavras conciliadoras se recusaram a nos colocar em liberdade, então Arjuna e Bhima e os gêmeos dotados de energia poderosa atiraram chuvas de flechas nos Gandharvas. Então os Gandharvas, abandonando a luta, fugiram pelo céu, arrastando nossas pessoas tristes atrás deles, cheios de alegria. Então nós vimos uma rede de flechas espalhada em volta por Dhananjaya, que estava também disparando armas celestes sobre o inimigo. E vendo os pontos do horizonte cobertos por Arjuna com uma rede grossa de flechas afiadas, seu amigo, o chefe dos Gandharvas, se mostrou. E Chitrasena e Arjuna, abraçando um ao outro, perguntaram sobre o bem-estar um do outro. E os outros filhos de Pandu também abraçaram o chefe dos Gandharvas e foram abraçados por ele. E as perguntas de cortesia ocorreram entre eles também. E os Gandharvas corajosos então abandonado suas armas e armaduras se misturaram em um espírito amistoso com os Pandavas. E Chitrasena e Dhananjaya veneraram um ao outro com respeito." 247 Duryodhana disse, "Aquele matador de heróis hostis, Arjuna, então se aproximando de Chitrasena, se dirigiu a ele sorridente nestas palavras varonis: 'Ó herói, ó principal dos Gandharvas, cabe a ti por meus irmãos em liberdade. Eles não poderão ser insultados enquanto os filhos de Pandu estiverem vivos.' Assim endereçado pelo filho ilustre de Pandu, o chefe dos Gandharvas, ó Karna, revelou para os Pandavas o objetivo que nós tínhamos ao irmos para aquele local, isto é, que nós fomos lá para lançar nossos olhos nos filhos de Pandu com sua mulher, todos mergulhados na miséria. E enquanto o Gandharva estava revelando aqueles nossos planos, dominado pela vergonha eu desejei que a terra me produzisse uma fenda, para que eu pudesse desaparecer imediatamente. Os Gandharvas então, acompanhados pelos Pandavas, foram até Yudhishthira, e, revelando os planos para ele também, nos transferiram, amarrados como nós estávamos, para ele. Ai, que tristeza maior poderia ser minha do que essa que eu fosse assim oferecido como um tributo para Yudhishthira, na própria vista das mulheres da nossa família, eu mesmo acorrentado e mergulhado na miséria, e sob o controle absoluto de meus inimigos? Ai, eles, que sempre foram perseguidos por mim, eles para quem eu sempre fui um inimigo me libertaram do cativeiro, e desgraçado que eu sou, eu estou em dívida com eles por minha vida. Se, ó herói, eu tivesse encontrado minha morte naquela grande batalha, isto teria sido muito melhor do ter obtido minha vida dessa maneira. Se eu tivesse sido morto pelos Gandharvas, minha fama teria se espalhado pela terra inteira, e eu teria alcançado regiões auspiciosas de eterna felicidade no céu de Indra. Ouçam-me portanto, ó touros entre homens, quanto ao que eu pretendo fazer agora. Eu ficarei aqui renunciando a todo o alimento, enquanto todos vocês voltam para casa. Que todos os meus irmãos também vão para Hastinapura. Que todos os nossos amigos, incluindo Karna, e todos os nossos parentes encabeçados por Dussasana, voltem agora para a capital. Insultado pelo inimigo, eu mesmo não irei para lá. Eu que antes tirei à força do inimigo seu respeito, eu que sempre aumentei o respeito de meus amigos, agora me tornei uma fonte de tristeza para amigos e de alegria para inimigos. O que eu direi agora para o rei, indo para a cidade que recebeu o nome de elefante? O que Bhishma e Drona, Kripa, e o filho de Drona, Vidura e Sanjaya, Vahuka e Somadatta e outros superiores respeitados, o que os principais homens das outras classes e homens de profissões independentes, dirão para mim e o que eu direi para eles em resposta? Tendo até agora permanecido acima das cabeças de meus inimigos, tendo até agora pisado sobre seus peitos, eu decaí da minha posição. Como eu mesmo falarei com eles? Homens insolentes tendo obtido prosperidade e conhecimento e riqueza raramente são abençoados por alguma duração de tempo como eu mesmo inchado de orgulho. Ai, levado pela tolice eu fiz um ato muito impróprio e pecaminoso, pelo qual, tolo como eu sou, eu caí em semelhante desgraça. Portanto, eu perecerei por fome, a vida tendo se tornado insuportável para mim. Libertado do infortúnio pelo inimigo, que homem de coragem poderia arrastar sua existência? Orgulhoso como eu sou, desprovido de brio, o inimigo riu de mim, pois os Pandavas possuidores de destreza olharam para mim mergulhado na miséria!" Vaisampayana continuou, 'Enquanto dava passagem a tais reflexões Duryodhana falou para Dussasana dessa maneira: 'Ó Dussasana, escute a estas minhas palavras, ó tu da linhagem Bharata! Aceitando esta instalação que eu te ofereço, seja rei em meu lugar. Governe a terra extensa protegido por Karna e os filhos de Suvala. Como o próprio Indra cuidando dos Maruts, cuide dos teus irmãos de tal maneira que eles possam todos confiar em ti. Que os amigos e parentes dependam de ti como os deuses dependendo daquele de cem sacrifícios. Tu sempre deves conceder pensões para Brahmanas, sem ociosidade, e ser sempre o refúgio de teus amigos e parentes. Como Vishnu cuidando dos celestiais, tu deves sempre cuidar de todos os parentes consanguíneos. Tu deves também sempre estimar teus superiores. Vá, governe a terra alegrando teus amigos e reprovando teus inimigos.' E abraçando o pescoço dele, Duryodhana disse, 'Vá!' Ouvindo essas palavras dele, Dussasana em completo desânimo e dominado por grande tristeza, com sua voz sufocada em lágrimas, disse, com mãos unidas e curvando sua cabeça para seu irmão mais velho, 'Ceda!' E dizendo isso ele caiu ao chão com coração pesado. E afligido pela angústia aquele tigre entre homens, derramando suas lágrimas aos pés de seu irmão falou novamente, 'Nunca! A terra pode se partir, a abóbada do céu pode se romper em pedaços, o sol pode perder seu esplendor, a lua pode abandonar sua frialdade, o vento pode abandonar sua velocidade, o Himavat pode ser movido de sua posição, as águas do oceano podem secar completamente, e o fogo pode abandonar seu calor, ainda assim eu, ó rei, nunca poderei governar a terra sem ti.' E Dussasana repetidamente disse, 'Ceda, ó rei! Só tu serás rei em nossa família por cem anos.' E tendo falado assim para o rei, Dussasana começou a chorar melodiosamente pegando, ó Bharata, os pés de seu irmão mais velho merecedor de culto dele.” "E vendo Dussasana e Duryodhana lamentando dessa maneira, Karna em grande aflição se aproximou de ambos e disse, 'Ó príncipes Kuru, por que vocês cedem à tristeza dessa maneira como homens comuns, por insensatez? Mero lamento nunca pode aliviar a angústia de um homem entristecido. Quando chorar nunca pode remover as dores de alguém, o que vocês ganham por assim darem caminho à tristeza? Convoquem paciência para sua ajuda para não alegrarem o inimigo por tal conduta. Ó rei, os Pandavas somente cumpriram seu dever ao te libertar. Aqueles que residem nos domínios do rei devem sempre fazer o que é agradável para o rei. Protegidos por ti, os Pandavas estão residindo felizmente no teu domínio. Não cabe a ti te entregar a semelhante tristeza como uma pessoa comum. Veja, teus irmãos estão todos tristes e desanimados ao te verem decidido a por um fim na tua vida por renunciar ao alimento. Abençoado sejas tu! Levante e venha para tua cidade e console estes teus irmãos." 248 "Kama continuou, 'Ó rei, este teu comportamento hoje parece ser infantil. Ó herói, ó matador de inimigos, o que é para ser admirado nisto que os Pandavas te libertaram quando tu fostes derrotado pelo inimigo? Ó filho da raça Kuru, aqueles que residem nos territórios do rei, especialmente aqueles (entre eles) que seguem a profissão de armas, devem sempre fazer o que é agradável para o rei aconteça de eles serem conhecidos para seu monarca ou desconhecidos para ele. Acontece muitas vezes que homens principais que oprimem as tropas da hoste hostil são derrotados por elas, e são resgatados por suas próprias tropas. Aqueles que levando a profissão de armas residem no reino do rei devem sempre se unir e se e empenhar pelo rei. Se, portanto, ó rei, os Pandavas, que vivem nos territórios, te libertaram, o que é lamentável nisto? Que os Pandavas, ó melhor dos reis, não tenham te seguido quando tu marchaste adiante para combater na vanguarda das tuas tropas foi uma ação imprópria da parte deles. Eles tinham antes disso caído sob teu poder, se tornando teus escravos. Eles são, portanto, obrigados a te ajudar agora, sendo dotados de coragem e poder e incapazes de fugir do campo de batalha. Tu estás desfrutando de todas as ricas posses dos Pandavas. Veja eles ainda vivos, ó rei! Eles não resolveram morrer, se abstendo de todo o alimento. Abençoado sejas tu! Levante-se, ó rei! Não cabe a ti te entregar à grande tristeza por mais tempo. Ó rei, é o dever indubitável daqueles que residem no reino do rei fazer o que é agradável para o rei. Onde está o desgosto em tudo isto? Se tu, ó rei, não agires de acordo com minhas palavras eu ficarei aqui empenhado em servir teus pés com reverência. Ó touro entre homens, eu não desejo viver privado da tua companhia. Ó rei, se tu resolveste te matar por renunciares à comida, tu simplesmente serás um objeto de riso para os outros reis." Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por Karna, o rei Duryodhana, firmemente decidido a deixar o mundo, não desejou se levantar de onde ele estava sentado." 249 Vaisampayana disse, "Contemplando o rei Duryodhana, incapaz de suportar um insulto, sentado com a resolução de abandonar a vida por se abster de alimento, Sakuni, o filho de Suvala, disse estas palavras para consolá-lo. Sakuni disse, ‘Ó filho da linhagem Kuru, tu acabaste de ouvir o que Kama disse. As palavras dele são, de fato, repletas de sabedoria. Por que tu deverias, abandonando por insensatez a grande prosperidade que eu ganhei para ti, rejeitar tua vida hoje, ó rei, cedendo à tolice? Parece-me que hoje tu nunca serviste os idosos. Aquele que não pode controlar a acessão repentina de alegria ou dor está perdido mesmo que ele tenha obtido prosperidade, como um recipiente de barro não cozido em água. Aquele rei que é totalmente desprovido de coragem, que não tem traços de virilidade, que é escravo da protelação, que sempre age com indiscrição, que é viciado em prazeres sensuais, raramente é respeitado por seus súditos. Beneficiado como tu tens sido, de onde vem esta tua dor despropositada? Não desfaça este ato educado feito pelos filhos de Pritha, por te entregares à tal aflição. Quando tu deves te alegrar e recompensar os Pandavas, tu estás sofrendo, ó rei? De fato, este teu comportamento é inconsistente. Fique alegre, não jogue fora tua vida; mas lembre-te com o coração satisfeito do bem que eles te fizeram. Devolva para os filhos de Pritha seu reino, e ganhe virtude e renome por tal conduta. Por agires dessa maneira tu poderás ser grato. Estabeleça relações fraternas com os Pandavas por serem amigos, e lhes dê seu reino paterno, pois então tu serás feliz!'" Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras de Sakuni, e vendo o corajoso Dussasana jazendo prostrado diante dele emasculado por amor fraterno, o rei ergueu Dussasana e, abraçando-o em seus braços bem redondos, cheirou sua cabeça com afeição. E ouvindo estas palavras de Karna e Sauvala, o rei Duryodhana perdeu o ânimo mais do que nunca, e ele estava dominado pela vergonha e o total desespero tomou conta de sua alma. E ouvindo tudo o que seus amigos disseram, ele respondeu com tristeza, 'Eu não tenho nada mais que fazer com virtude, riqueza, amizade, riqueza, soberania, e prazeres. Não obstruam meu propósito, mas deixem-me todos vocês. Eu estou firmemente decidido a me livrar da minha vida por me abster de alimento. Voltem à cidade, e tratem meus superiores lá respeitosamente.' "Assim endereçados por ele, eles responderam para aquele nobre opressor de inimigos, dizendo, 'Ó monarca, o rumo que é teu é também nosso, ó Bharata. Como nós podemos entrar na cidade sem ti?'" Vaisampayana continuou, “Embora endereçado de todas as maneiras por seus amigos e conselheiros e irmãos e parentes, o rei não vacilou em seu propósito. E o filho de Dhritarashtra de acordo com seu propósito espalhou erva Kusa sobre o solo, e se purificando por tocar água, sentou-se naquele local. E vestido em trapos e erva Kusa ele se pôs a observar o voto mais elevado. E parando toda conversa, aquele tigre entre reis, movido pelo desejo de ir para o céu, começou a rezar e cultuar interiormente suspendendo todo relacionamento externo.” "Enquanto isso os Daityas e os Danavas ferozes que tinham sido derrotados antigamente pelos celestiais e vinham morando nas regiões inferiores, tendo averiguado o propósito de Duryodhana e sabendo que se o rei morresse seu partido estaria enfraquecido, iniciaram um sacrifício com fogo para convocar Duryodhana para sua presença. E pessoas conhecedoras de mantras então começaram, com a ajuda de fórmulas declaradas por Brihaspati e Usanas, aqueles ritos que são indicados no Atharva Veda e nos Upanishads e que são capazes de ser realizados por meio de mantras e preces. E Brahmins de votos rígidos, bem versados nos Vedas e nos ramos, começaram, com alma absorta, a derramar libações de manteiga clarificada e leite ao fogo, proferindo mantras. E depois que aqueles ritos estavam terminados, uma deusa desconhecida, ó rei, com boca escancarada, surgiu (do fogo sacrifical), dizendo, 'O que eu devo fazer?' E os Daityas com corações bens satisfeitos a ordenaram, dizendo, 'Traga para cá o filho real de Dhritarashtra, que está agora mesmo cumprindo o voto de fome para se livrar de sua vida.' Assim mandada, ela partiu dizendo, 'Assim seja.' E ela foi em um piscar de olhos para aquele local onde Suyodhana estava. E levando o rei de volta para as regiões inferiores, e tendo-o levado assim em um momento, ela avisou os Danavas disto. E os Danavas contemplando o rei levado para seu meio durante a noite, se reuniram, e todos eles com corações bem satisfeitos e olhos arregalados em deleite dirigiam estas palavras lisonjeiras para Duryodhana." 250 "O Danavas disseram, 'Ó Suyodhana, ó grande rei! Ó perpetuador da linhagem de Bharata, tu estás sempre cercado por heróis e homens ilustres. Por que então tu te comprometeste a fazer tal ato impetuoso como o voto de fome? O suicídio sempre leva para o inferno e se torna assunto de conversa caluniosa. Nem pessoas inteligentes como tu alguma vez colocam suas mãos em ações que são pecaminosas e contrárias aos seus melhores interesses e que atingem a própria base de seus propósitos. Reprima esta tua resolução, portanto, ó rei, a qual é destrutiva de moralidade, lucro, e felicidade, de fama, coragem, e energia, e que aumenta a alegria de inimigos. Ó rei exaltado, conheça a verdade, a origem celeste da tua alma, e o criador do teu corpo, e então convoque paciência para te ajudar. Antigamente, ó rei, nós te obtivemos, por austeridades ascéticas, de Maheswara. A parte superior do teu corpo é totalmente feita de um grupo de Vajras, e é, portanto, invulnerável a armas de toda espécie, ó impecável. A parte inferior do teu corpo, capaz de cativar o coração feminino por sua beleza foi feita de flores pela própria deusa, a esposa de Mahadeva. Teu corpo é dessa maneira, ó melhor dos reis, a criação do próprio Maheswara e sua deusa. Portanto, ó tigre entre reis, tu és de origem celeste, não humana. Outros Kshatriyas corajosos de energia poderosa encabeçados por Bhagadatta, e todos conhecedores de armas celestes, matarão teus inimigos. Portanto, que esta tua aflição cesse. Tu não tens motivo para temer. Para te ajudar, muitos Danavas heróicos nasceram sobre a terra. Outros Asuras também possuirão Bhishma e Drona e Kama e outros. Possuídos por aqueles Asuras, aqueles heróis perderão sua bondade e lutarão com teus inimigos. De fato, quando os Danavas entrarem em seus corações e os possuírem completamente, lançando toda afeição à distância, tornando-se desumanos, aqueles guerreiros atacarão todos (os que forem) antagônicos a eles em batalha sem poupar filhos, irmãos, pais, amigos, discípulos, parentes, até crianças e homens idosos. Cegos por ignorância e ira, e impelidos por aquele destino que foi ordenado pelo Criador, aqueles tigres entre homens, com corações imersos em pecado, despovoarão, ó tu principal dos Kurus, a terra por lançar e disparar todas as espécies de armas, com grande virilidade e força e sempre se dirigindo uns aos outros vaidosamente com palavras tais como estas, 'Tu não escaparás de mim hoje com vida.' E aqueles ilustres filhos de Pandu também, cinco em número, lutarão com eles. E, dotados de força imensa e favorecidos pelo Destino, eles realizarão a destruição destes. E, ó rei, muitos Daityas e Rakshasas também que nasceram na classe Kshatriya lutarão com grande coragem em batalha com o inimigo, usando maças e clavas e lanças e várias armas de um tipo superior. E, ó herói, com relação ao temor que está no teu coração resultante de Arjuna, nós já determinamos os meios para matar Arjuna. A alma do morto Naraka assumiu a forma de Karna. Lembrando-se de sua hostilidade antiga ele enfrentará ambos, Kesava e Arjuna. E aquele guerreiro poderoso e principal dos batedores, orgulhoso de sua destreza vencerá Arjuna em batalha como também todos os teus inimigos. O manejador do raio, sabendo de tudo isso, e desejoso de salvar Arjuna, disfarçado tirará de Karna seus brincos e cota de malha. Nós também por esta razão designamos centenas e mais centenas e milhares e milhares de Daityas e Rakshasas, isto é, aqueles que são conhecidos pelo nome de Samsaptakas (literalmente, soldados que juraram vencer ou morrer. Um Akshauhini completo destes soldados era possuído por Krishna, que os deu para Duryodhana para lutarem por ele. A história de Krishna oferecendo para Duryodhana a escolha entre estes soldados de um lado e ele mesmo jurado não lutar no outro, é relatada inteira no Udyoga Parva. Duryodhana, por tolice, aceitou os primeiros, que foram todos mortos por Arjuna). Aqueles guerreiros famosos matarão o heróico Arjuna. Portanto, não sofra, ó rei. Tu governarás a terra inteira, ó monarca, sem um rival. Não te entregue ao desânimo. Comportamento tal como este não lhe fica bem. Ó tu da raça Kuru, se tu morreres, nosso partido se tornará fraco. Vá, ó herói, e não deixe a tua mente ser dirigida para qualquer outra atitude. Tu és sempre nosso refúgio como, de fato, os Pandavas são o refúgio dos deuses.' Vaisampayana continuou, "Tendo se dirigido a ele dessa maneira, aqueles Daityas abraçaram aquele elefante entre reis, e aqueles touros entre os Danavas encorajaram aquele irreprimível como um filho. E, ó Bharata, acalmando sua mente com palavras agradáveis, eles o permitiram partir, dizendo, 'Vá e alcance a vitória.' E quando eles tinham dado permissão para ele de braços poderosos, aquela mesma deusa o levou de volta ao local onde ele tinha se sentado, com a intenção sobre por um fim à sua vida. E tendo descido aquele herói e prestado homenagem a ele, a deusa desapareceu, recebendo a permissão do rei. Ó Bharata, quando ela tinha partido, o rei Duryodhana considerou tudo (o que tinha acontecido) como um sonho. Ele então pensou consigo mesmo, 'Eu derrotarei os Pandavas em batalha.' E Suyodhana pensou que Karna e o exército Samsaptaka eram ambos hábeis (para destruir) e destinados a destruir daquele matador de inimigos, Partha. Assim, ó touro da raça Bharata, foi fortalecida a esperança do filho de mente má de Dhritarashtra, de conquistar os Pandavas. E Karna também, sua alma e faculdades possuídas pela alma mais interna de Naraka, tinha naquele momento cruelmente decidido matar Arjuna. E aqueles heróis, os Samsaptakas também, tendo sua razão possuída pelos Rakshasas, e influenciados pelas qualidades de emoção e ignorância, estavam desejosos de matar Phalguna. E, ó rei, outros com Bhishma, Drona, e Kripa em sua liderança, tendo suas faculdades influenciadas pelos Danavas, não estavam mais tão afetuosos em direção aos filhos de Pandu como eles tinham sido. Mas o rei Suyodhana não falou para ninguém sobre isto.” "Quando a noite passou, Karna, aquele filho do Sol, com mãos unidas, sorridente dirigiu estas palavras sábias para o rei Duryodhana, 'Nenhum homem morto vence seus inimigos: é quando ele está vivo que ele pode procurar seu bem. Onde está o bem da pessoa morta; e, ó Kauraveya, onde está sua vitória? Portanto, esta não é hora para aflição, ou medo ou morte.' E tendo, com seus braços, abraçado aquele de braços poderosos, ele em seguida disse, 'Levante-te, ó rei! Por que tu deitas? Por que tu sofres, ó matador de inimigos? Tendo afligido teus inimigos com tua coragem, por que tu desejas a morte? Ou (talvez) o medo tenha te possuído à visão da coragem de Arjuna. Eu realmente te prometo que eu matarei Arjuna em batalha. Ó senhor de homens, eu juro por minha arma que quando os treze anos tiverem passado eu trarei os filhos de Pritha sob tua submissão.' Assim endereçado por Karna, e se lembrando das palavras dos Daityas e das súplicas feitas por eles (seus irmãos), Suyodhana se levantou. E tendo ouvido aquelas palavras dos Daityas aquele tigre entre homens, com uma firme resolução em seu coração pôs em ordem seu exército, cheio de cavalos e elefantes e carros e infantaria. E, ó monarca, muito apinhado de guarda-sóis brancos, e flâmulas, e Chamaras brancos, e carros, e elefantes, e soldados de infantaria, aquele exército poderoso, conforme ele se movimentava como as águas do Ganga, parecia gracioso como o firmamento, em uma época quando as nuvens se dispersam e os sinais do outono estão somente parcialmente desenvolvidos. E, ó principal dos reis, elogiado como um monarca pelos melhores dos Brahmanas abençoando com vitória, aquele senhor de homens, Suyodhana, filho de Dhritarashtra, recebendo honras prestadas com inumeráveis palmas unidas, e flamejando em esplendor excelente, seguiu na frente, acompanhado por Karna e aquele jogador, o filho de Suvala. E todos os seus irmãos com Dussasana em sua dianteira, e Bhurisrava, e Somadatta, e o rei poderoso Vahlika, seguiram aquele leão entre reis em seu caminho, com carros de várias formas, e cavalos, e os melhores dos elefantes. E, ó principal entre os monarcas, em um tempo curto, aqueles perpetuadores da linhagem Kuru entraram na sua própria cidade." 251 Janamejaya disse, "Quando os filhos de grande alma de Pritha estavam vivendo na floresta, o que aqueles principais dos homens e arqueiros, os poderosos filhos de Dhritarashtra, fizeram? E o que fez o filho do Sol, Karna, e o poderoso Sakuni, e Bhishma, e Drona, e Kripa? Cabe a ti relatar isto para mim." Vaisampayana disse, "Quando, ó rei poderoso, os Pandavas tinham partido dessa maneira, deixando Suyodhana, e quando, tendo sido libertado pelos filhos de Pandu, ele tinha ido para Hastinapura, Bhishma disse essas palavras ao filho de Dhritarashtra, 'Ó filho, eu te disse antes, quando tu estavas planejando ir para o eremitério que tua viagem não me agradava. Mas tu fizeste isso. E como consequência, ó herói, tu fostes capturado à força pelo inimigo, e foste libertado pelos Pandavas versados em moralidade. Ainda assim tu não estás envergonhado. Mesmo na tua presença, ó filho de Gandhari, junto com teu exército, o filho de Suta, tomado pelo pânico, fugiu da batalha dos Gandharvas, ó rei. E, ó principal dos reis, ó filho do monarca! Enquanto tu com teu exército estava gritando aflitivamente, tu testemunhaste a coragem dos Pandavas de grande alma, e também, ó de braços poderosos, do filho perverso do Suta, Karna. Ó melhor dos reis, na ciência de armas ou heroísmo, ou moralidade, Karna, ó tu dedicado à virtude, não é uma quarta parte dos Pandavas. Portanto, para o bem- estar desta família, o acordo de paz é, eu penso, desejável com os Pandavas de grande alma." 'Tendo sido assim endereçado por Bhishma, o filho de Dhritarashtra o rei riu muito, e então saiu de repente com o filho de Suvala. Nisso, sabendo que ele tinha saído aqueles arqueiros poderosos com Karna, e Dussasana em sua dianteira, seguiram o altamente poderoso filho de Dhritarashtra. E vendo eles saírem, Bhishma, o avô dos Kurus, baixou sua cabeça por vergonha, e então, ó rei, foi para seus próprios aposentos. E, ó monarca poderoso, quando Bhishma tinha se retirado, aquele senhor de homens, o filho de Dhritarashtra, foi lá novamente, e começou a consultar com seus conselheiros, 'O que é que é bom para mim? O que resta para ser feito? E como nós podemos eficazmente ocasionar o bem nós discutiremos hoje.' Karna disse, 'Ó filho de Kuru, Duryodhana, tome seriamente em consideração as palavras que eu digo. Bhishma sempre nos critica e elogia os Pandavas. E pela animosidade que ele tem por ti, ele odeia a mim também. E, ó senhor de homens, na tua presença ele sempre me deprecia. Eu nunca tolerarei, ó Bharata, estas palavras que Bhishma disse na tua presença em relação a este assunto, exaltando os Pandavas, e te criticando, ó repressor de inimigos! Ó rei, ordene-me, junto com empregados, tropas, e carros. Eu conquistarei, ó monarca, a terra provida de montanhas e matas e florestas. A terra foi conquistada pelos quatro Pandavas poderosos. Eu, sem dúvida, a conquistarei para ti sozinho. Que aquele canalha da família Kuru, Bhishma de mente extremamente má, veja isto, ele que vilipendia aqueles que não merecem crítica, e louva aqueles que não devem ser elogiados. Deixe-o hoje testemunhar meu poder, e repreender a si mesmo. Ó rei, ordene-me. A vitória sem dúvida será tua. Por minha arma, ó monarca, eu juro isto diante de ti.'” "Ó rei, ó touro da raça Bharata, ouvindo aquelas palavras de Karna, aquele senhor de homens, sentindo o maior deleite, falou para Karna, dizendo, 'Eu sou abençoado. Eu sou favorecido por ti, já que tu, dotado de grande força, estás sempre concentrado no meu bem-estar. Minha vida deu frutos hoje. Como tu, ó herói, pretende subjugar todos os nossos inimigos, vá. Que o bem te aconteça! Ordene (o que eu devo fazer).' Ó subjugador de inimigos, tendo sido assim endereçado pelo inteligente filho de Dhritarashtra, Karna pediu todos os artigos necessários para a excursão. E em um dia lunar auspicioso, em um momento auspicioso, e sob a influência de uma estrela presidida por uma divindade auspiciosa, aquele arqueiro poderoso, tendo sido honrado por duas vezes nascidos, e sido banhado com substâncias auspiciosas e sagradas e também louvado por meio de palavras partiu, enchendo com o estrépito de seu carro os três mundos, com seus objetos móveis e imóveis." 252 Vaisampayana continuou, "Então, ó touro entre os Bharatas, aquele arqueiro poderoso, Karna, cercado por um exército grande, sitiou a bela cidade de Drupada. E ele, depois de um conflito difícil, trouxe o herói sob submissão, e, ó melhor dos monarcas, fez Drupada dar prata e ouro e pedras preciosas, e também pagar tributo. E, ó principal dos reis, tendo-o subjugado, (Karna) trouxe sob submissão aqueles príncipes que estavam sob ele (Drupada) e fez eles pagarem tributo. Então, indo para o norte, ele subjugou os soberanos (daquele quadrante) e tendo efetuado a derrota de Bhagadatta o filho Radha subiu aquela montanha imensa Himavat, todo o tempo lutando com seus inimigos. E percorrendo todos os lados ele conquistou e trouxe sob submissão todos os reis que habitavam o Himavat, e os fez pagarem tributo. Então descendo da montanha e se apressando para o leste, ele subjugou os Angas, e os Bangas, e os Kalingas, e os Mandikas, e os Magadhas, os Karkakhandas; e também inclusos com eles os Avasiras, Yodhyas, e os Ahikshatras. Tendo (assim) conquistado o quadrante leste Karna então se apresentou perante Batsa-bhumi. E tendo tomado Batsa-bhumi, ele subjugou Kevali, e Mrittikavati, e Mohana e Patrana, e Tripura, e Kosala, e forçou todos estes a pagarem tributo. Então indo para o sul, Karna venceu os quadrigários poderosos (daquele quadrante) e em Dakshinatya, o filho Suta entrou em conflito com Rukmi. Depois de ter lutado formidavelmente, Rukmi falou para o filho de Suta dizendo, 'Ó principal dos monarcas, eu estou satisfeito com tua força e coragem. Eu não te farei mal, eu somente cumpri o voto de um Kshatriya. Alegremente eu te darei tantas moedas de ouro quanto tu desejares.' Tendo encontrado com Rukmi, Karna se dirigiu para Pandya e a montanha, Sri. E por meio de luta ele fez Karala, o rei Nila, filho de Venudari, e outros melhores dos reis que viviam na direção sul pagarem tributo. Então indo até o filho de Sisupala, o filho do Suta derrotou-o e aquele altamente poderoso também trouxe sob seu domínio todos os soberanos vizinhos. E, ó touro da raça Bharata, tendo subjugado os Avantis e chegado à paz com eles, e tendo encontrado com os Vrishnis, ele conquistou o oeste. E, tendo chegado ao quadrante de Varuna ele fez todos os reis Yavana e Varvara pagarem tributo. E, tendo conquistado a terra inteira, leste, oeste, norte e sul, aquele herói sem qualquer ajuda trouxe sob submissão todas as nações dos Mlechchhas, os montanheses, os Bhadras, os Rohitakas, os Agneyas e os Malavas. E, tendo conquistado os quadrigários poderosos encabeçados pelos Nagnajitas, o filho Suta trouxe os Sasakas e os Yavanas sob domínio. Tendo assim conquistado e trazido sob sua submissão o mundo, o quadrigário poderoso e tigre entre homens foi (de volta) para Hastinapura. Aquele senhor de homens, filho de Dhritarashtra, acompanhado por seu pai e irmãos e amigos, foi até aquele arqueiro poderoso, que tinha chegado, e devidamente prestou homenagem a Karna coroado com mérito marcial. E o rei proclamou suas façanhas, dizendo, 'O que eu não recebi nem de Bhishma, ou Drona, ou Kripa, ou Vahlika, eu recebi de ti. Que o bem te aconteça! Qual a necessidade de falar demoradamente? Ouça minhas palavras, ó Karna! Em ti, ó chefe de homens, eu tenho meu refúgio. Ó poderosamente armado, ó tigre entre homens, sem dúvida todos os Pandavas e os outros reis coroados com prosperidade não chegam a uma décima sexta parte de ti. Ó arqueiro poderoso, ó Karna, veja Dhritarashtra, e a ilustre Gandhari, como o portador do raio viu Aditi.'” "Então, ó rei, lá ergueu-se na cidade de Hastinapura um clamor, e sons de ‘Oh!’ e ‘Ai!’ e, ó senhor de homens, alguns dos reis o elogiaram (Karna), enquanto outros o criticaram, enquanto outros, além disso, ficaram calados. Tendo assim, ó principal dos monarcas, em um tempo curto conquistado a terra provida de montanhas e florestas e céus, e com oceanos, e campos, e cheia de regiões altas e baixas, e cidades, e repleta também com ilhas, ó senhor da terra, e trazido os monarcas sob submissão, e tendo ganhado riqueza imperecível, o filho do Suta apareceu perante o rei. Então, ó repressor de inimigos, entrando no interior do palácio aquele herói viu Dhritarashtra com Gandhari. Ó tigre entre homens, aquele conhecedor da moralidade tocou os pés deles assim como um filho. E Dhritarashtra abraçou-o carinhosamente, e então dispensou-o. Sempre desde aquele momento, ó monarca, ó Bharata, o rei Duryodhana e Sakuni, o filho de Suvala, pensaram que os filhos de Pritha já tinham sido derrotados em batalha por Karna." 253 Vaisampayana continuou, "Ó rei, ó senhor de homens, aquele matador de heróis hostis, o filho de Suta, disse estas palavras para Duryodhana, 'Ó Kaurava Duryodhana, leve seriamente em consideração as palavras que eu te direi; e, ó repressor de inimigos, depois de teres ouvido minhas palavras, cabe a ti agir conformemente de todas as maneiras. Agora, ó melhor dos monarcas, ó herói, a terra foi libertada de inimigos. Governe-a assim como o próprio Sakra de mente poderosa, tendo seus inimigos destruídos." Vaisampayana continuou, "Tendo sido assim endereçado por Karna, o rei falou novamente para ele, dizendo, 'Ó touro entre homens, nada em absoluto é inalcançável para aquele que tem a ti como refúgio, e a quem tu és afeiçoado e em cujo bem-estar tu estás totalmente aplicado. Agora, eu tenho um objetivo, o qual escute realmente. Tendo visto aquele principal dos sacrifícios, o imenso Rajasuya realizado pelos Pandavas, surgiu em mim um desejo (de celebrar o mesmo). Ó filho de Suta, realize este meu desejo.' Assim endereçado, Karna falou desse modo para o rei, 'Agora que todos os soberanos da terra foram trazidos sob tua submissão convoque os principais Brahmanas, e, ó melhor dos Kurus, obtenha devidamente os artigos necessários para o sacrifício. E, ó repressor de inimigos, que os Ritwijas como prescrito, e versados nos Vedas, celebrem os teus ritos de acordo com a ordenança, ó rei. E, ó touro da raça Bharata, que o teu sacrifício magnífico também, abundando em carnes e bebidas, e grandioso com partes, comece.'” "Ó rei, tendo sido assim endereçado por Karna, o filho de Dhritarashtra convocou o sacerdote, e falou para ele estas palavras, 'Celebre devidamente e em ordem apropriada para mim aquele melhor dos sacrifícios, o Rajasuya provido de Dakshinas excelentes.' Assim abordado, aquele melhor dos Brahmanas falou para o rei, dizendo, 'Ó principal dos Kauravas, enquanto Yudhishthira estiver vivo aquele melhor dos sacrifícios não pode ser realizado na tua família, ó Príncipe de reis! Além disso, ó monarca, teu pai Dhritarashtra, dotado de vida longa, vive. Por esta razão também, ó melhor dos reis, este sacrifício não pode ser empreendido por ti. Há, ó senhor, outro grande sacrifício, parecido com o Rajasuya. Ó principal dos reis, celebre aquele sacrifício. Ouça estas minhas palavras. Todos aqueles soberanos da terra, que, ó rei, se tornaram tributários a ti, te pagarão tributo em ouro, puro e impuro. Daquele ouro, ó melhor dos monarcas, faça imediatamente o arado (sacrifical), e, ó Bharata, lavre a área sacrifical com ele. Naquele local, que lá comece, ó principal dos reis, com os devidos ritos, e sem qualquer distúrbio, o sacrifício, santificado com mantras e abundante em comestíveis. O nome daquele sacrifício digno de pessoas virtuosas é Vaishnava. Nenhuma pessoa salvo o venerável Vishnu realizou-o antes. Este sacrifício imenso rivaliza com aquele melhor dos sacrifícios, o próprio Rajasuya. E, além disso, ele nos agrada, e é também para teu bem-estar (celebrá-lo). E, além do mais, ele é capaz de ser celebrado sem qualquer distúrbio. (Por empreender isto), teu desejo será realizado.'” "Tendo sido assim endereçado por aqueles Brahmanas, o filho de Dhritarashtra, o rei, falou estas palavras para Karna, seus irmãos e o filho de Suvala, 'Sem dúvida alguma, as palavras dos Brahmanas são totalmente agradáveis para mim. Se elas são agradáveis para vocês também, manifestem isto sem demora.' Assim solicitados, eles todos disseram para o rei, 'Assim seja.' Então o rei designou uma a uma as pessoas para suas respectivas tarefas; e desejou todos os artesãos para construírem o arado (sacrifical). E, ó melhor dos reis, tudo o que foi mandado ser feito foi gradualmente realizado." 254 Vaisampayana continuou, "Então todos os artesãos, os conselheiros principais, e o altamente sábio Vidura disseram para o filho de Dhritarashtra, "Todos os preparativos para o sacrifício excelente foram feitos, ó rei; e também chegou o momento, ó Bharata. E o arado dourado muito precioso foi construído.' Ouvindo isto, ó monarca, aquele melhor dos reis, o filho de Dhritarashtra, ordenou que aquele principal entres os sacrifícios fosse iniciado. Então foi começado aquele sacrifício santificado por mantras, e abundante em comestíveis, e o filho de Gandhari foi devidamente iniciado segundo a ordenança. E Dhritarashtra, e o ilustre Vidura, e Bhishma, e Drona, e Kripa, e Karna, e a célebre Gandhari sentiram grande alegria. E, ó principal dos reis, Duryodhana despachou mensageiros velozes para convidar os príncipes e os Brahmanas. E subindo em veículos rápidos eles foram para as (respectivas) direções designadas para eles. Então para um certo mensageiro a ponto de partir, Dussasana disse, 'Vá depressa às matas de Dwaita; e naquela floresta convide devidamente os Brahmanas e aquelas pessoas más, os Pandavas.' Imediatamente ele dirigiu-se para lá, e se curvando para todos os Pandavas, disse, 'Tendo adquirido imensa riqueza por meio de sua destreza natural, aquele melhor dos reis e principal dos Kurus, Duryodhana, ó monarca, está celebrando um sacrifício. Para lá estão indo de várias direções os reis e os Brahmanas. Ó rei, eu fui enviado pelo Kaurava de grande alma. Aquele rei e senhor de homens, filho de Dhritarashtra, convida vocês. Cabe a vocês, portanto, testemunharem o sacrifício encantador daquele monarca.'” "Ouvindo estas palavras do mensageiro, aquele tigre entre reis, o nobre Yudhishthira, disse, 'Por boa sorte é que aquele realçador da glória de seus antepassados, o rei Suyodhana, está celebrando este melhor dos sacrifícios. Nós sem dúvida devemos nos dirigir para lá; mas nós não podemos fazer (isso) agora; pois até (o conclusão do) décimo terceiro ano, nós teremos que cumprir nossa promessa.' Ouvindo estas palavras de Yudhishthira o justo, Bhima disse estas palavras, 'Então o rei Yudhishthira o justo irá para lá, quando ele lançará (Duryodhana) no fogo aceso por armas. Diga para Suyodhana: 'Quando depois do término do décimo terceiro ano, aquele senhor de homens, o Pandava, for, no sacrifício da batalha, derramar sobre os Dhritarashtras a manteiga clarificada da sua ira, então eu irei!' Mas os outros Pandavas, ó rei, não disseram nada desagradável. O mensageiro (no seu retorno) relatou para o filho de Dhritarashtra tudo como tinha acontecido. Então foram à cidade de Dhritarashtra muitos principais dos homens, senhores de vários países, e Brahmanas altamente virtuosos. E devidamente recebidos em ordem de acordo com a ordenança, aqueles senhores de homens sentiram grande deleite e estavam todos bem satisfeitos. E aquele principal entre os monarcas, Dhritarashtra, cercado por todos os Kauravas, sentiu o auge da alegria, e falou para Vidura, dizendo, 'Ó Kshatta, aja rapidamente para que todas as pessoas na área sacrifical sejam servidas com alimento, sejam refrescadas e satisfeitas.' Imediatamente, ó repressor de inimigos, acedendo àquela ordem, o erudito Vidura, versado em moralidade, entreteve alegremente todas as classes em quantidade apropriada com carne e bebidas para comer e beber, e guirlandas fragrantes e várias espécies de trajes. E tendo construído pavilhões (para sua acomodação), aquele herói e principal dos reis entreteve devidamente os príncipes e os Brahmanas aos milhares, e também lhes concedendo riqueza de vários tipos ele se despediu deles. E tendo dispensado todos os reis, ele entrou em Hastinapura, cercado por seus irmãos, e em companhia com Karna e o filho de Suvala." 255 Vaisampayana disse, "Enquanto, ó grande rei, Duryodhana estava entrando (na cidade), os panegiristas elogiaram o príncipe de destreza infalível. E outros também elogiaram aquele arqueiro poderoso e principal dos reis. E salpicando sobre ele arroz frito e pasta de sândalo os cidadãos disseram, 'Por boa sorte é, ó rei, que o teu sacrifício foi completado sem obstrução.' E alguns, mais imprudentes em palavras, que estavam presentes lá, disseram para aquele senhor da terra, 'Sem dúvida este teu sacrifício não pode ser comparado com o de Yudhishthira: ele nem alcança uma décima sexta parte daquele (sacrifício).' Assim falaram para aquele rei alguns que eram indiferentes às conseqüências. Seus amigos, no entanto, disseram, ‘Este teu sacrifício superou todos os outros. Yayati e Nahusha, e Mandhata e Bharata, tendo sido santificados por celebrarem tal sacrifício, foram todos para o céu.' Ouvindo tais palavras agradáveis de seus amigos, aquele monarca, ó touro da raça Bharata, bem satisfeito, entrou na cidade e finalmente em sua própria residência. Então, ó rei, venerando os pés de seu pai e mãe e de outros encabeçados por Bhishma, Drona e Kripa, e do sábio Vidura, e adorado por sua vez por seus irmãos mais novos, aquele encantador de irmãos sentou-se sobre um assento excelente, cercado pelos últimos. E o filho de Suta, se levantando, disse, 'Por boa sorte, ó principal da linhagem Bharata, é que este teu sacrifício imenso foi levado a um término. Quando, no entanto, os filhos de Pritha tiverem sido mortos em batalha e tu tiveres completado o sacrifício Rajasuya, mais uma vez, ó senhor de homens, eu te honrarei dessa maneira.' Então aquele rei poderoso, o ilustre filho de Dhritarashtra, respondeu a ele, 'Verdadeiramente isto foi falado por ti. Quando, ó principal dos homens, os Pandavas de mente má tiverem sido mortos, e quando também o grande Rajasuya tiver sido celebrado por mim, então tu me honrarás novamente, ó herói, desse modo.' E tendo dito isso, ó Bharata, o Kaurava abraçou Karna, e começou, ó rei poderoso, a pensar no Rajasuya, aquele principal dos sacrifícios. E aquele melhor dos reis também se dirigiu aos Kurus em volta dele, dizendo, 'Quando eu, ó Kauravas, tiver matado todos os Pandavas, nós celebraremos aquele suntuoso e principal dos sacrifícios, o Rajasuya.' Então falou Karna para ele, dizendo, 'Ouça-me, ó elefante entre os reis! Enquanto eu não matar Arjuna, eu não permitirei que alguém lave meus pés, nem provarei carne. E eu cumprirei o voto Asura (ou seja, Karna jura abandonar as práticas e costumes refinados dos Aryas e adotar aquelas dos Asuras até a consumação do desejo nutrido) e quem quer que me peça (por alguma coisa), eu nunca direi, 'Eu não o tenho.' Quando Karna tinha assim tinha jurado matar Phalguna em batalha, aqueles arqueiros e quadrigários poderosos, os filhos de Dhritarashtra, deram gritos altos de aprovação; e os filhos de Dhritarashtra pensaram que os Pandavas já tinham sido conquistados. Então aquele chefe de reis, o gracioso Duryodhana, deixando aqueles touros entre homens, entrou em seu aposento, como o senhor Kuvera entrando no jardim de Chitraratha. E todos aqueles arqueiros poderosos também, ó Bharata, foram para seus respectivos alojamentos.” "Enquanto isso aqueles arqueiros poderosos, os Pandavas, excitados pelas palavras que o mensageiro tinha falado, ficaram ansiosos, e eles não sentiram a menor felicidade. Informações, além disso, ó principal dos reis, tinham sido trazidas por espiões a respeito do voto do filho de Suta de matar Vijaya. Ouvindo isso, ó senhor de homens, o filho de Dharma ficou muito ansioso. E considerando Karna de armadura impenetrável como sendo de destreza extraordinária, e se lembrando de todas as suas aflições, ele não conhecia paz. E aquele de grande alma cheio de ansiedade decidiu abandonar os bosques em volta de Dwaitavana cheios de animais ferozes.” "Enquanto isso o filho real de Dhritarashtra começou a reger a terra, junto com seus irmãos heróicos como também com Bhishma e Drona e Kripa. E com a ajuda do filho de Suta coroado com glória marcial, Duryodhana permaneceu sempre concentrado no bem-estar dos soberanos da terra, e ele cultuou os principais dos Brahmanas por celebrar sacrifícios com presentes abundantes. E aquele herói e subjugador de inimigos, ó rei, estava dedicado a fazer o bem para seus irmãos, concluindo com certeza em sua mente que dar e desfrutar eram os único usos das riquezas." 256 Janamejaya disse, 'Depois de terem libertado Duryodhana, o que fizeram os poderosos filhos de Pandu naquela floresta? Cabe a ti me dizer isto.'” Vaisampayana disse, "Uma vez quando Yudhishthira se deitou à noite nas florestas Dwaita, alguns veados, com vozes sufocadas em lágrimas, apresentaram-se diante dele em seus sonhos. Para eles que permaneciam com mãos unidas, seus corpos tremendo completamente, aquele principal dos monarcas disse, 'Digam-me o que vocês desejam dizer. Quem são vocês? E o que vocês desejam?' Assim abordados pelo filho de Kunti, o ilustre Pandava, aqueles veados, o restante daqueles que tinham sido massacrados, responderam para ele, dizendo, 'Nós somos, ó Bharata, aqueles veados que ainda estão vivos depois daqueles que foram massacrados. Nós seremos totalmente exterminados. Portanto, mude tua residência. Ó rei poderoso, todos os teus irmãos são heróis, conhecedores de armas; eles diminuíram os grupos dos caminhantes da floresta. Nós poucos, os restantes, ó de mente poderosa, permanecemos como semente. Por favor, ó rei de reis, nos deixe aumentar.' Vendo aqueles veados, os quais permaneciam como semente depois do restante ter sido destruído, tremendo e afligidos pelo medo, Yudhishthira o justo foi imensamente afetado pela dor. E o rei, atento ao bem-estar de todas as criaturas, disse para eles, 'Assim seja. Eu agirei como vocês disseram.' Despertando depois de tal visão, aquele rei excelente, movido por compaixão pelos veados, falou dessa maneira para seus irmãos reunidos lá, 'Aqueles veados que estão vivos depois daqueles que foram massacrados me abordaram à noite, depois que eu tinha despertado, dizendo, 'Nós permanecemos como as sementes de nossas linhagens. Abençoado sejas tu! Tenha compaixão por nós.' E eles falaram verdadeiramente. Nós devemos sentir compaixão pelos habitantes da floresta. Nós temos nos alimentado deles por um ano e oito meses seguidos. Que nós, portanto, (nos dirijamos) novamente à pitoresca Kamyaka, aquela melhor das florestas abundando em animais selvagens, situada na ponta do deserto, perto do lago Trinavindu. E que nós passemos lá agradavelmente o restante do nosso tempo.' Então, ó rei, os Pandavas versados em moralidade partiram rapidamente (de lá), acompanhados pelos Brahmanas e todos aqueles que viviam com eles, e seguidos por Indrasena e outros empregados. E procedendo pelas estradas percorridas (por viajantes), supridos por grãos excelentes e água límpida, eles finalmente contemplaram o retiro sagrado de Kamyaka dotado de mérito ascético. E como homens pios entram nas regiões celestes, aqueles principais da raça Bharata, os Kauravas, circundados por aqueles touros entre os Brahmanas, entraram naquela floresta." 257 Vaisampayana continuou, "Residindo nas florestas, ó touro da raça Bharata, os Pandavas de grande alma passaram onze anos em uma situação miserável. E embora merecendo felicidade, aqueles principais dos homens, meditando sobre suas condições, passaram seus dias tristemente, vivendo de frutas e raízes. E aquele sábio real, Yudhishthira de braços poderosos, refletindo que a extremidade de miséria que tinha acontecido a seus irmãos era devida ao seu próprio erro, e se lembrando daqueles sofrimentos que tinham resultado de sua ação de jogo, não podia dormir pacificamente. E ele sentiu como se seu coração tivesse sido perfurado com uma lança. E se lembrando das palavras duras do filho de Suta, o Pandava, reprimindo o veneno de sua cólera, passou seu tempo em aparência humilde, suspirando pesadamente. E Arjuna e ambos os gêmeos e a ilustre Draupadi, e o poderoso Bhima, ele que era o mais forte de todos os homens, sentiam a dor mais pungente ao olharem para Yudhishthira. E pensando que restava somente pouco tempo (de seu exílio), aqueles touros entre homens, influenciados por raiva e esperança e por recorrerem a vários esforços e aplicações, fizerem seus corpos assumirem quase formas diferentes.” "Depois de pouco tempo, aquele asceta poderoso, Vyasa, o filho de Satyavati, foi lá para ver os Pandavas. E vendo-o se aproximar, o filho de Kunti, Yudhishthira, se adiantou e recebeu devidamente aquele de grande alma. E tendo gratificado Vyasa por reverenciá-lo, o filho de Pandu de sentidos subjugados, depois que o Rishi estava sentado, sentou-se diante dele, desejoso de escutá-lo. E observando seus netos magros e vivendo na floresta dos produtos da selva, aquele sábio poderoso, movido por compaixão, disse estas palavras, em voz sufocada em lágrimas, 'Ó Yudhishthira de braços poderosos, ó tu melhor das pessoas virtuosas, aqueles homens que não realizam austeridades ascéticas nunca alcançam grande felicidade neste mundo. Pessoas sentem felicidade e tristeza alternadamente; pois sem dúvida, ó touro entre homens, nenhum homem sempre desfruta de felicidade ininterrupta. Um homem sábio dotado de sabedoria elevada, sabendo que a vida tem seus altos e baixos, não é nem cheio de alegria nem de dor. Quando a felicidade vem, deve-se desfrutar disto; quando a tristeza vem, deve-se suportá-la, como um semeador de colheitas deve aguardar sua época. Nada é superior ao ascetismo: por meio do ascetismo uma pessoa obtém resultado poderoso. Saiba, ó Bharata, que não há nada que o ascetismo não possa alcançar. Verdade, sinceridade, liberdade de raiva, justiça, autocontrole, restrição das faculdades, liberdade de malícia, inocência, santidade, e mortificação dos sentidos, estes, ó poderoso monarca, purificam uma pessoa de ações meritórias. Pessoas tolas viciadas em maus hábitos e modos bestiais obtém nascimentos animalescos depois da morte e nunca desfrutam de felicidade. O fruto das ações feitas neste mundo é colhido no próximo. Portanto uma pessoa deve reprimir seu corpo por meio de ascetismo e da observância de votos. E, ó rei, livre de astúcia e com um espírito alegre, uma pessoa deve, segundo seu poder, conceder doações, depois de se curvar ao recebedor e lhe prestar homenagem. Uma pessoa que fala a verdade obtém uma vida desprovida de dificuldades. Uma pessoa desprovida de raiva obtém sinceridade, e alguém livre de malícia obtém contentamento supremo. Uma pessoa que subjugou seus sentidos e suas faculdades internas nunca conhece tribulação; nem uma pessoa de sentidos subjugados é afetada por tristeza no auge da prosperidade de outro. Um homem que dá a todo mundo seu devido, e o concessor de benefícios, alcança a felicidade, e consegue todo objeto de prazer; enquanto um homem livre de inveja colhe tranquilidade perfeita. Ele que honra aqueles a quem honra é devida obtém nascimento em uma linhagem ilustre; e aquele que subjugou seus sentidos nunca obtém infortúnio. Um homem cuja mente segue o bem, depois de ter pago sua dívida com a natureza, por causa disso, nasce novamente dotado de uma mente justa.'” "Yudhishthira disse, 'Ó eminentemente virtuoso, ó sábio poderoso, a concessão de doações e a observância de ascetismo, qual é de maior eficácia no próximo mundo, e qual é o mais difícil de praticar?'” "Vyasa disse, 'Não há nada, ó filho, nesse mundo mais difícil de praticar do que a caridade. Homens anseiam muito por riqueza, e a riqueza também é conseguida com dificuldade. Não só isso, renunciando até à própria vida preciosa, homens heróicos, ó magnânimo, entram nas profundidades do oceano e da floresta por causa de riqueza. Por riqueza, alguns se dirigem à agricultura e à criação de vacas, e alguns entram em servidão. Portanto, é extremamente difícil se desfazer de riqueza que é obtida com tal incômodo. Já que nada é mais difícil de praticar do que a caridade, portanto, na minha opinião, a concessão de benefícios é superior a tudo. Especialmente é para ser tido em mente que lucros bem merecidos devem, em tempo e lugar apropriados, ser doados para homens pios. Mas a concessão de lucros mal adquiridos nunca podem resgatar o doador do mal do renascimento. É declarado, ó Yudhishthira, que por entregar, em um espírito puro, mesmo um presente pequeno no momento devido e para um recebedor digno, um homem obtém fruto inesgotável no mundo seguinte. Em relação a isto é citada como exemplo a história antiga a respeito do resultado obtido por Mudgala, por ter doado somente um drona (uma quantidade muito pequena) de grãos.'" 258 Yudhishthira disse, "Por que aquele de grande alma doou um drona de grãos? E, ó eminentemente pio, a quem e de que maneira prescrita ele o doou? Conte-me isto. Sem dúvida, eu considero como tendo dado frutos a vida daquela pessoa virtuosa com cujas práticas o próprio possuidor dos seis atributos, testemunhando tudo, está bem satisfeito." "Vyasa disse, 'Vivia, ó rei, em Kurukshetra um homem virtuoso (sábio), de nome Mudgala. E ele era sincero, e livre de malícia, e de sentidos subjugados. E ele costumava levar os modos de vida Sila e Unchha. (Colher para sustento (1) espigas de milho e (2) grãos individuais, deixados sobre o campo por maridos depois que eles reuniram e levaram embora as pilhas, são chamados de modos de vida Sila e Unchha.) E embora vivendo como um pombo, ainda assim ele de austeridades poderosas entretinha seus convidados, celebrava o sacrifício chamado Istikrita, e realizava outros ritos. E aquele sábio junto com seu filho e mulher comia por uma quinzena, e durante a outra quinzena levava a vida de um pombo, coletando um drona de milho. E celebrando os sacrifícios Darsa e Paurnamasya, ele desprovido de fraude costumava passar seus dias pegando o alimento que restava depois que as divindades e os convidados tinham comido. E em dias lunares propícios, aquele senhor dos três mundos, o próprio Indra, acompanhado pelos celestiais costumava, ó monarca poderoso, partilhar do alimento oferecido em seu sacrifício. E ele, tendo adotado a vida de um Muni, com o coração alegre nutria seus convidados também com comida em tais dias. E conforme ele de grande alma distribuía seu alimento prontamente, o restante do drona de grãos aumentava logo que um convidado aparecia. E em virtude do espírito puro no qual o sábio doava, aquele alimento dele aumentava tanto que centenas e mais centenas de Brahmanas eruditos eram alimentados com isto.” "E, ó rei, veio a ocorrer que tendo ouvido a respeito do virtuoso Mudgala cumpridor de votos, o Muni Durvasa, tendo somente o espaço como sua cobertura (ou seja, nu), seus acessórios gastos como os de um maníaco, e sua cabeça sem cabelo, chegou lá proferindo, ó Pandava, várias palavras insultantes. E tendo chegado lá aquele melhor dos Munis disse para o Brahmana, ‘Saiba, ó principal dos Brahmanas, que eu vim para cá procurando por comida.’ Imediatamente Mudgala disse para o sábio, 'Tu és bem vindo!' E então oferecendo àquele maníaco de um asceta afetado pela fome,água para lavar seus pés e boca, aquele cumpridor do voto de alimentar convidados respeitosamente colocou diante dele alimentação excelente. Afetado pela fome, o Rishi frenético esgotou completamente o alimento que tinha sido oferecido para ele. Imediatamente Mudgala o supriu novamente com comida. Então tendo comido todo aquele alimento, ele sujou seu corpo com as sobras impuras e foi embora como ele tinha vindo. Dessa maneira, durante a próxima estação, ele veio novamente e comeu toda a comida abastecida por aquele sábio levando o modo de vida Unchha. Nisso, sem ele mesmo partilhar algum alimento, o sábio Mudgala novamente se engajou em coletar grãos, seguindo o modo Unchha. A fome não podia perturbar sua equanimidade. Nem ira, nem astúcia, nem um sentido de degradação, nem agitação podiam entrar no coração daquele melhor dos Brahmanas levando o modo de vida Unchha junto com seu filho e sua mulher. Desse modo, Durvasa, tendo tomado uma resolução, durante estações sucessivas se apresentou por seis vezes diferentes perante aquele melhor dos sábios vivendo segundo o modo Unchha; ainda assim aquele Muni não pode perceber alguma agitação no coração de Mudgala; e ele encontrou o puro coração do asceta de alma pura sempre puro. Nisso, bem satisfeito, o sábio se dirigiu a Mudgala, dizendo, ‘Não há outro ser inocente e caritativo como tu sobre a terra. A fome aguda afasta à distância o sentido de virtude e priva as pessoas de toda a paciência. A língua, amando acepipes, atrai os homens em direção a eles. A vida é sustentada por alimento. A mente, além do mais, é inconstante, e é difícil mantê-la em submissão. A concentração da mente e dos sentidos certamente constituem austeridades ascéticas. Deve ser difícil renunciar em um espírito puro a uma coisa ganha por meio de dores. Ainda assim, ó pio, tudo isto foi devidamente realizado por ti. Em tua companhia nós nos sentimos obsequiados e gratificados. Autodomínio, fortaleza, justiça, controle dos sentidos e de faculdades, piedade, e virtude, estes todos estão estabelecidos em ti. Tu pelas ações conquistaste os diferentes mundos e assim obtiveste admissão em caminhos de beatitude. Ah! até os habitantes do céu estão proclamando teus imensos feitos de caridade. Ó tu cumpridor de votos, tu irás para o céu mesmo no teu próprio corpo.” "Enquanto o Muni Durvasa estava falando dessa maneira, um mensageiro celeste apareceu perante Mudgala, sobre um carro unido com cisnes e grous, forrado com um maravilhoso trabalho de sinos, perfumado com fragrância divina, pintado pitorescamente, e possuidor do poder de ir em todos os lugares à vontade. E ele se dirigiu ao sábio Brahmana, dizendo, 'Ó sábio, suba nesta carruagem ganha por tuas ações. Tu alcançaste o fruto do teu ascetismo!'” "Quando o mensageiro dos deuses estava falando dessa maneira, o sábio disse a ele, 'Ó mensageiro divino, eu desejo que tu descrevas para mim os atributos daqueles que residem lá. Quais são suas austeridades, e quais seus propósitos? E, ó mensageiro dos deuses, o que constitui a felicidade no céu, e quais são as desvantagens dele? É declarado por homens virtuosos de boa linhagem que amizade com pessoas virtuosas é contraída por somente andar sete passos com elas. Ó senhor, em nome dessa amizade eu te peço: sem hesitação diga-me a verdade e aquilo que é bom para mim agora. Tendo te ouvido, eu determinarei, segundo tuas palavras, o rumo que eu devo seguir.'" 259 "O mensageiro dos deuses disse, 'Ó grande sábio, tu és de compreensão simples; já que, tendo assegurado aquela felicidade celeste a qual traz grande honra, tu ainda estás deliberando como uma pessoa ininteligente. Ó Muni, aquela região que é conhecida como céu existe lá acima de nós. Aquelas regiões se elevam alto, e são providas de caminhos excelentes, e são, ó sábio, sempre percorridas por carros celestes. Ateus, e pessoas mentirosas, aquelas que não praticaram austeridades ascéticas e aquelas que não realizaram grandes sacrifícios não podem se dirigir para lá. Somente homens de almas virtuosas, e aqueles de espíritos subjugados, e aqueles que tem suas faculdades em submissão, e aqueles que tem controlado seus sentidos, e aqueles que estão livres de malícia, e pessoas aplicadas na prática de caridade; e heróis, e homens que portam marcas de batalha, depois de terem, com sentidos e faculdades subjugados, realizado os ritos mais meritórios, alcançam aquelas regiões, ó Brahmana, capazes de serem obtidas somente por ações virtuosas, e habitadas por homens pios. Lá, ó Mudgala, estão estabelecidos separadamente miríades de mundos belos, brilhantes, e resplandecentes concedendo todos os objetos de desejo, possuídos por aqueles seres celestes, os deuses, os Sadhyas, e os Vaiswas, os grandes sábios, Yamas, e os Dharmas, e os Gandharvas e as Apsaras. E lá está aquele monarca das montanhas, o dourado Meru, se estendendo sobre um espaço de trinta e três mil Yojanas. E lá, ó Mudgala, estão os jardins sagrados dos celestiais, com Nandana encabeçando-os, onde se divertem as pessoas de atos meritórios. E nem fome, nem sede, nem lassidão, nem temor, nem qualquer coisa que seja repugnante ou infausta se encontra lá. E todos os odores daquele local são encantadores, e todas as brisas deliciosas ao toque. E todos os sons lá são cativantes, ó sábio, para o ouvido e o coração. E nem dor, nem decrepitude, nem trabalho, nem arrependimento também estão lá. Aquele mundo, ó Muni, obtido como resultado das próprias ações de alguém, é desta natureza. Pessoas se dirigem para lá em virtude de seus atos meritórios. E os corpos daqueles que moram lá parecem resplandecentes, e isto, ó Mudgala, somente por virtude das suas próprias ações, e não devido aos méritos de pais ou mães. E não há nem suor, nem fedor, nem urina lá. E, lá, ó Muni, o pó não suja as roupas das pessoas. E suas guirlandas excelentes, perfumadas com fragrância divina, nunca desbotam. E, ó Brahmana, eles atrelam carros tais como este (que eu trouxe). E, ó sábio poderoso, desprovidos de inveja e dor e fadiga e ignorância e malícia, os homens que alcançaram o céu moram naquelas regiões alegremente. E, ó touro entre os Munis, cada vez mais sublimes acima de tais regiões existem outras dotadas de virtudes celestes superiores. Dessas, as regiões belas e resplandecentes de Brahma são as principais. Para lá, ó Brahmana, se dirigem Rishis que foram santificados por meio de ações meritórias. E lá moram certos seres chamados Ribhus. Eles são os deuses dos próprios deuses. Suas regiões são supremamente abençoadas, e são adoradas até pelas divindades. Eles brilham por sua própria luz, e concedem todo objeto de desejo. Eles não sofrem dores que mulheres podem causar, não possuem riqueza mundana, e estão livres de fraude. Os Ribhus não subsistem de oblações, nem mesmo de ambrosia. E eles são dotados de tais formas celestes que eles não podem ser percebidos pelos sentidos. E esses deuses eternos dos celestiais não desejam felicidade por causa da felicidade, nem eles mudam na revolução de um Kalpa. Onde, de fato, está sua decrepitude ou dissolução? Para eles não há nem êxtase, nem alegria, nem felicidade. Eles não tem nem felicidade nem tristeza. Por que eles deveriam ter raiva ou aversão então, ó Muni? Ó Mudgala, seu estado supremo é cobiçado até pelos deuses. E aquela emancipação suprema, difícil de alcançar, nunca pode ser obtida por pessoas sujeitas ao desejo. O número daquelas divindades é trinta e três. Para suas regiões se dirigem homens sábios, depois de terem cumprido votos excelentes, ou concederem doações de acordo com a ordenança. Tu também alcançaste facilmente aquele êxito por meio de tuas caridades. Por refulgência exposta em virtude de tuas austeridades ascéticas, desfrute daquela condição obtida por meio de tuas ações meritórias. Tal, ó Brahmana, é a bem aventurança do céu contendo vários mundos.” "Assim eu descrevi para ti a bênção das regiões celestes. Ouça agora de mim algumas das desvantagens dele. Que nas regiões celestes uma pessoa, enquanto colhendo o fruto das ações já realizadas, não pode estar engajada em quaisquer outras, e que ela deve desfrutar das consequências das primeiras até que elas estejam completamente esgotadas, e, além disso, que ela está sujeita a cair depois de ela ter esgotado totalmente seu mérito, formam, na minha opinião, as desvantagens do céu. A queda de uma pessoa cuja mente foi imersa em felicidade, deve, ó Mudgala, ser proclamada como uma imperfeição. E o descontentamento e lamento que deve seguir a permanência de alguém em uma base inferior depois que ele desfrutou de regiões mais auspiciosas e brilhantes, deve ser difícil de suportar. E a consciência daqueles acerca da queda é entorpecida, e também agitada por emoções. E quando as guirlandas daqueles prestes a caírem se desvanecem, o temor invade seus corações. Estes inconvenientes imensos, ó Mudgala, se estendem até as regiões de Brahma. Nas regiões celestes, as virtudes dos homens que realizaram ações virtuosas são inumeráveis. E, ó Muni, este é outro dos atributos dos decaídos que, por razão de seus méritos, eles tomam nascimento entre homens. E então eles alcançam grande ventura e felicidade. Se uma pessoa, no entanto, não pode adquirir conhecimento aqui, ela obtém um nascimento inferior. Os frutos das ações feitas neste mundo são colhidos no próximo. Este mundo, ó Brahmana, é declarado como sendo um de ações; os outros, como os de frutos. Assim eu, ó Mudgala, perguntado por ti, descrevi tudo para ti. Agora, ó pio, com tua permissão, nós partiremos comodamente com velocidade.'” "Vyasa continuou, 'Tendo ouvido este discurso, Mudgala começou a refletir. E tendo deliberado bem, aquele melhor dos Munis falou dessa maneira para o mensageiro celeste, 'Ó mensageiro dos deuses, eu me curvo a ti. Ó senhor, vá em paz. Eu não tenho nada que fazer nem com felicidade ou céu que tem tais defeitos proeminentes. Pessoas que desfrutam do céu sofrem, afinal, tristeza enorme e extremo desgosto neste mundo. Portanto, eu não desejo o céu. Eu procurarei por aquela região inexaurível se dirigindo para a qual as pessoas não tem que lamentar, ou ser atormentadas, ou agitadas. Tu descreveste para mim estes grandes defeitos pertencentes às regiões celestes. Agora descreva para mim uma região livre de imperfeições.' Nisso o mensageiro celeste disse, 'Acima da residência de Brahma há o supremo assento de Vishnu, puro, e eterno, e luminoso conhecido pelo nome de Para Brahma. Para lá, ó Brahmana, não podem ir pessoas que são apegadas aos objetos dos sentidos, nem podem aqueles que estão sujeitos à arrogância, cobiça, ignorância, raiva, e inveja, ir para aquele local. São somente aqueles que estão livres de afeição, e livres de orgulho, e livres de emoções divergentes, e aqueles que reprimem seus sentidos, e aqueles dados à contemplação e Yoga, que podem ir para lá.' Tendo ouvido estas palavras, o Muni se despediu do mensageiro celeste, e aquele virtuoso levando o modo de vida Unchha assumiu perfeito contentamento. E então elogio e crítica se tornaram iguais para ele; e um fragmento de tijolo, pedra, e ouro assumiram o mesmo aspecto aos seus olhos. E se utilizando dos meios para alcançar Brahma, ele se tornou sempre dedicado à meditação. E tendo obtido poder por meio do conhecimento, e adquirido compreensão excelente, ele alcançou aquele estado supremo de emancipação que é considerado como Eterno. Portanto, tu também, ó filho de Kunti, não deves sofrer. Tu fostes realmente privado de um reino próspero, mas tu o recuperarás por meio das tuas austeridades ascéticas. Tristeza depois de felicidade, e felicidade depois de tristeza revolvem alternadamente ao redor um homem assim como o ponto da circunferência de uma roda ao redor do eixo. Depois que o décimo terceiro ano tiver passado, ó tu de poder incomensurável, tu regressarás ao reino possuído antes de ti por teu pai e avô. Portanto, deixe a febre do teu coração perecer!'" Vaisampayana continuou "Tendo dito isso para o filho de Pandu, o venerável Vyasa voltou para seu eremitério para o propósito de realizar austeridades." 260 Janamejaya disse, "Enquanto os Pandavas de grande alma estavam vivendo naquelas florestas, encantados com a conversação agradável que eles mantinham com os Munis, e engajados em distribuir o alimento que eles obtinham do sol, com várias espécies de carne de veado para Brahmanas e outros que iam a eles em busca de comestíveis até a hora da refeição de Krishna, como, ó grande Muni, Duryodhana e os outros filhos maus e pecaminosos de Dhritarashtra, guiados pelos conselhos de Dussasana, Karna e Sakuni, se comportaram com eles? Eu te pergunto isto. Senhor venerável, esclareça-me." Vaisampayana disse, "Quando, ó grande rei, Duryodhana soube que os Pandavas estavam vivendo tão alegremente nas florestas como em uma cidade, ele ansiou, com o ardiloso Karna, Dussasana e outros, lhes fazer mal. E enquanto aquelas pessoas de mente má estavam empenhadas em planejar vários esquemas perversos, o asteca célebre e virtuoso Durvasa, seguindo a inclinação da sua própria vontade, chegou à cidade dos Kurus com dez mil discípulos. E vendo o asceta irascível chegar, Duryodhana e seus irmãos o saudaram com grande humildade, humilhação própria e suavidade. E atendendo ao Rishi ele mesmo como um criado, o príncipe deu a ele uma recepção adequada respeitável. E o Muni ilustre ficou lá por poucos dias, enquanto o rei Duryodhana, atento às suas imprecações, atendeu-o diligentemente dia e noite. E às vezes o Muni dizia, 'Eu estou com fome, ó rei, dê-me algum alimento rapidamente.' E às vezes ele saía para um banho e, voltando em uma hora tardia, dizia, 'Eu não comerei qualquer coisa hoje porque eu não tenho nenhum apetite,' e assim dizendo desaparecia de sua vista. E às vezes, chegando de repente, ele dizia, 'Alimente- nos rapidamente.' E em outros momentos, empenhado em alguma travessura, ele despertava à meia-noite e tendo feito suas refeições serem preparadas como antes, as criticava e não partilhava delas em absoluto. E testando o príncipe dessa maneira por algum tempo, quando o Muni descobriu que o rei Duryodhana não estava nem zangado, nem aborrecido, ele se tornou bondosamente inclinado em direção a ele. E então, ó Bharata, o intratável Durvasa disse para ele, 'Eu tenho poder para te conceder benefícios. Tu podes me pedir o que quer que se encontre mais próximo do teu coração. Que a boa fortuna seja tua. Satisfeito como eu estou contigo, tu podes obter de mim qualquer coisa que não seja contrária à religião e moralidade.'” Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras do grande asceta, Suyodhana sentiu-se insuflado com nova vida. De fato, tinha sido combinado entre ele mesmo e Karna e Dussasana qual deveria ser o benefício que ele pediria do Muni se o último estivesse satisfeito com sua recepção. E o rei de mente má, se lembrando do que tinha sido decidido anteriormente, alegremente solicitou o seguinte favor, dizendo, 'O grande rei Yudhishthira é o mais velho e o melhor da nossa linhagem. Aquele homem pio está agora vivendo na floresta com seus irmãos. Portanto, torne-te uma vez o convidado daquele ilustre assim como, ó Brahmana, tu com teus discípulos foste meu por algum tempo. Se tu estás disposto a me fazer um favor, vá até ele em um momento quando aquela senhora delicada e excelente, a princesa célebre de Panchala, depois de ter regalado os Brahmanas com comida, seus maridos e ela mesma, possa se deitar para descansar.' O Rishi respondeu, 'Assim mesmo eu agirei para tua satisfação.' E tendo dito isso para Suyodhana aquele grande Brahmana, Durvasa, foi embora no mesmo estado no qual ele tinha vindo. E Suyodhana se considerou como tendo alcançado todos os objetos de seu desejo. E segurando Karna pela mão ele expressou grande satisfação. E Karna, também, se dirigiu alegremente ao rei na companhia de seus irmãos, dizendo, 'Por uma boa sorte singular tu te saíste bem e alcançaste os objetos de teu desejo. E por boa sorte é que teus inimigos foram submersos em um mar de perigos que é difícil de cruzar. Os filhos de Pandu estão agora expostos ao fogo da cólera de Durvasa. Por causa da sua própria falha eles caíram em um abismo de escuridão.'" Vaisampayana continuou, "Ó rei, expressando sua satisfação dessa maneira, Duryodhana e outros, empenhados em maquinações más, voltaram com alegria para suas respectivas casas." 261 (Draupadi-harana Parva) Vaisampayana disse, "Um dia, tendo anteriormente averiguado que os Pandavas estavam todos sentados comodamente e que Krishna estava repousando depois de sua refeição, o sábio Durvasa, cercado por dez mil discípulos, se dirigiu àquela floresta. O rei Yudhishthira ilustre e correto, vendo aquele convidado chegar, avançou com seus irmãos para recebê-lo. E unindo as palmas de suas mãos e apontando para um assento apropriado e excelente, ele concedeu aos Rishis uma recepção adequada e respeitosa. E o rei disse para ele, 'Retorne rapidamente, ó senhor adorável, depois de realizares tuas abluções e observâncias diurnas.' E aquele Muni impecável, não sabendo como o rei seria capaz de fornecer um banquete para ele e seus discípulos, procedeu com os últimos para realizar suas abluções. E aquela hoste do Muni, de paixões subjugadas, entrou no rio para realizar suas abluções. Enquanto isso, ó rei, a excelente princesa Draupadi, devotada a seus maridos, estava em grande ansiedade acerca do alimento (a ser fornecido aos Munis). E quando depois de muito pensamento ansioso ela chegou à conclusão de que não havia nenhum meio para fornecer um banquete, ela interiormente rezou para Krishna, o matador de Kansa. E a princesa disse, 'Krishna, ó Krishna, de braços poderosos, ó filho de Devaki, cujo poder é inesgotável, ó Vasudeva, ó senhor do Universo, que afastas as dificuldades daqueles que te reverenciam, tu és a alma, o criador e o destruidor do Universo. Tu, ó senhor, és inexaurível e o salvador dos aflitos. Tu és o preservador do Universo e de todos os seres criados. Tu és o mais alto dos altos, e a fonte das percepções mentais Akuli e Chiti! (Faculdades de conhecimento e de sentido moral respectivamente.) Ó Ser Supremo e Infinito, ó concessor de todo bem, sejas o refúgio dos desamparados. Ó Ser Primordial, incapaz de ser concebido pela alma ou as faculdades mentais ou de outra maneira, tu és o soberano de todos e o senhor de Brahma. Eu procuro tua proteção. Ó deus, tu estás sempre disposto bondosamente em direção àqueles que se refugiam em ti. Cuide de mim com tua bondade. Ó tu com uma cor escura como as folhas do lótus azul, e com olhos vermelhos como a corola do lírio, e vestido em mantos amarelos com, além disso, a brilhante jóia Kaustubha em teu peito, tu és o início e o fim da criação, e o grande refúgio de todos. Tu és a luz suprema e a essência do Universo! Tua face está direcionada para todos os pontos. Eles te chamam de Germe Supremo e o depositário todos os tesouros. Sob tuas proteções, ó senhor dos deuses, todos os males perdem seu terror. Como tu me protegeste antes de Dussasana, liberte-me agora desta dificuldade." Vaisampayana continuou, "O Deus grandioso e soberano, e Senhor da terra, de movimentos misteriosos, o senhor Kesava que é sempre bondoso para os dependentes, assim adorado por Krishna, e percebendo sua dificuldade, imediatamente se dirigiu para aquele local deixando o leito de Rukmini que estava dormindo ao seu lado. Contemplando Vasudeva, Draupadi se curvou a ele em grande alegria e informou-o da chegada dos Munis e de todas as outras coisas. E tendo ouvido tudo Krishna disse para ela, 'Eu estou muitíssimo afligido pela fome, dê-me algum alimento sem demora, e então tu podes te ocupar com teu trabalho.' Nestas palavras de Kesava, Krishna ficou confusa, e respondeu para ele, dizendo, ‘O recipiente dado pelo sol permanece cheio até que eu termine minha refeição. Mas como eu já fiz minha refeição hoje, não há comida nele agora.’ Então aquele ser de olhos de lótus e adorável disse para Krishna, 'Este não é momento para gracejo, ó Krishna. Eu estou muito afligido pela fome, vá rapidamente buscar o recipiente e mostre-o para mim.' Quando Kesava, aquele ornamento da linhagem Yadu, teve o recipiente trazido para ele, com certa persistência ele investigou-o e viu uma partícula de arroz e vegetal colado em sua borda. E engolindo-o ele disse para ela, 'Possa isto agradar ao deus Hari, a alma do Universo, e possa aquele deus que toma refeições em sacrifícios ser saciado com isto.' Então Krishna de braços longos, aquele aliviador de tristezas, disse para Bhimasena, ‘Convide depressa os Munis para jantar.’ Então, ó bom rei, o célebre Bhimasena foi rapidamente convidar todos aqueles Munis, Durvasa e outros, que tinham ido ao rio mais próximo de água fresca e transparente para realizar suas abluções. Enquanto isso, aqueles ascetas, tendo mergulhado no rio, estavam esfregando seus corpos e observando que eles todos sentiam que seus estômagos estavam cheios. E saindo da correnteza eles começaram se entreolhar. E indo em direção a Durvasa todos aqueles ascetas observaram, 'Tendo mandado o rei aprontar nossas refeições, nós viemos para cá para um banho. Mas como, ó Rishi regenerado, nós poderemos comer qualquer coisa agora que nossos estômagos parecem estar cheios até a garganta? A refeição foi inutilmente preparada para nós. Qual é a melhor coisa para ser feita agora?' Durvasa respondeu, 'Por frustrar a refeição nós fizemos um grande mal para aquele sábio real, o rei Yudhishthira. Os Pandavas não nos destruiriam por olharem para nós com olhos zangados? Eu sei que o sábio real Yudhishthira é possuidor de grande poder ascético. Ó Brahmanas, eu temo homens que são devotados a Hari. Os Pandavas de grande alma são todos homens religiosos, eruditos, guerreiros, diligentes em austeridades ascéticas e observâncias religiosas, devotados a Vasudeva, e sempre cumpridores de regras de boa conduta. Se provocados, eles podem nos consumir com sua cólera como o fogo a um fardo de algodão. Portanto, ó discípulos, fujam todos rapidamente sem verem a eles (novamente)!" Vaisampayana continuou, "Todos aqueles Brahmanas, assim avisados por seu preceptor ascético, ficaram imensamente temerosos dos Pandavas e fugiram em todas as direções. Então Bhimasena, não vendo aqueles Munis excelentes no rio celestial, fez uma busca por eles aqui e ali em todos os desembarcadouros. E sabendo dos ascetas daqueles lugares que eles tinham fugido, ele voltou e informou Yudhishthira do que tinha acontecido. Então os Pandavas de sentidos subjugados, esperando a vinda deles, permaneceram esperando sua chegada por algum tempo. E Yudhishthira disse, 'Vindo altas horas da noite os Rishis nos enganarão. Oh, como nós podemos escapar desta dificuldade criada pelos fatos?' Vendo eles absortos em tais reflexões e dando longos suspiros profundos em intervalos frequentes, o ilustre Krishna apareceu de repente para eles e lhes dirigiu estas palavras: 'Conhecendo, ó filhos de Pritha, seu risco daquele Rishi colérico, eu fui implorado por Draupadi para vir, e (portanto) eu vim para cá depressa. Mas agora vocês não (devem) ter o menor medo do Rishi Durvasa. Temendo seus poderes ascéticos, ele furtou-se antes disto. Homens virtuosos nunca sofrem. Eu agora peço sua permissão para me deixarem voltar para casa. Que vocês sempre sejam prósperos!'" Vaisampayana continuou, "Ouvindo as palavras de Kesava, os filhos de Pritha, com Draupadi, ficaram tranquilos em mente. E curados de sua febre (de ansiedade), eles disseram para ele, 'Como pessoas se afogando no amplo oceano alcançam a costa com segurança por meio de um barco, assim nós, por meio de tua ajuda, ó senhor Govinda, escapamos desta dificuldade inextricável. Agora parta em paz, e que a prosperidade seja tua.' Assim dispensado, ele se dirigiu para sua capital e os Pandavas também, ó senhor abençoado, vagando de floresta em floresta, passaram seus dias alegremente com Draupadi. Assim, ó rei, eu relatei para ti a história que tu me pediste para repetir. E foi assim que as maquinações dos filhos maus de Dhritarashtra acerca dos Pandavas na floresta foram frustradas." Vaisampayana disse, "Aqueles grandes guerreiros da linhagem de Bharata permaneceram como imortais na imensa floresta de Kamyaka, empenhados em caçar e satisfeitos com a visão de numerosas regiões selvagens do país e amplas extensões de matas magníficas com flores florescendo na estação. E os filhos de Pandu, cada um semelhante a Indra e o terror de seus inimigos, moraram lá por algum tempo. E um dia aqueles homens valentes, os conquistadores de seus inimigos, circulavam em todas as direções à procura de caça para alimentar os Brahmanas em sua companhia, deixando Draupadi sozinha no eremitério, com a permissão do grande asceta Trinavindu, resplandecente com grandeza ascética, e de seu guia espiritual Dhaumya. Enquanto isso, o rei famoso de Sindhu, o filho de Vriddhakshatra, estava, em vista de matrimônio, procedendo para o reino de Salwa, vestido em seu melhor vestuário real e acompanhado por príncipes numerosos. E o príncipe se deteve nas matas de Kamyaka. E naquele lugar retirado ele encontrou a bela Draupadi, a esposa querida e célebre dos Pandavas, permanecendo no limiar do eremitério. E ela parecia maravilhosa na beleza excelente de sua forma, e parecia derramar um brilho na floresta em volta, como o relâmpago iluminando massas de nuvens escuras. E aqueles que a viram se perguntaram, 'Esta é uma Apsara, ou uma filha dos deuses, ou um fantasma celeste?' E com este pensamento, suas mãos também se uniram. Eles permaneceram fitando a beleza perfeita e impecável de sua forma. E Jayadratha, o rei de Sindhu, e o filho de Vriddhakshatra, cheio de perplexidade à visão daquela senhora de beleza impecável, foi tomado por uma má intenção. E inflamado pelo desejo ele disse ao príncipe chamado Kotika, 'De quem é esta senhora de forma impecável? É ela da espécie humana? Eu não tenho necessidade de me casar se eu puder obter esta criatura primorosamente bela. Levando ela comigo, eu voltarei para minha residência. Oh senhor, pergunte quem é ela e de onde ela veio e por que também aquele ser delicado entrou nesta floresta cercada por espinhos. Este ornamento do sexo feminino, esta senhora de cintura fina de tanta beleza, dotada de dentes bonitos e olhos grandes, me aceitará como seu marido? Eu certamente me considerarei bem sucedido se eu obtiver a mão desta senhora excelente. Vá, Kotika, e pergunte quem possa ser seu marido.' Assim pedido, Kotika, usando um kundala, pulou de sua carruagem e se aproximou dela, como um chacal se aproxima de um tigre fêmea, e falou a ela estas palavras.'" 263 Kotika disse, "Senhora excelente, quem és tu que permaneces sozinha, recostada em um ramo da árvore Kadamva neste eremitério, e parecendo majestosa como uma chama de fogo brilhando à noite, e abanada pelo vento? Primorosamente bela como tu és, como é que tu não sentes qualquer medo nestas florestas? Parece-me que tu és uma deusa, ou uma Yakshi, ou uma Danavi, ou uma Apsara excelente, ou a mulher de um Daitya, ou uma filha do rei Naga, ou uma Rakshasi ou a mulher de Varuna, ou de Yama, ou de Soma, ou de Kuvera, que, tendo assumido uma forma humana, vaga nestas florestas. Ou, tu vieste das mansões de Dhatri, ou de Vidhatri, ou de Savitri, ou de Vibhu, ou de Sakra? Tu não perguntas quem nós somos, nem nós sabemos quem te protege aqui! Respeitosamente nós te perguntamos, boa senhora, quem é teu pai poderoso, e, ó, diga-nos realmente os nomes do teu marido, teus parentes, e tua linhagem, e diga-nos também o que tu fazes aqui. Quanto a nós, eu sou o rei filho de Suratha a quem as pessoas conhecem pelo nome de Kotika, e aquele homem com olhos grandes como as pétalas de lótus, sentado em uma carruagem de ouro, como o fogo sacrifical no altar, é o guerreiro conhecido pelo nome de Kshemankara, rei de Trigarta. E atrás dele está o famoso filho do rei de Pulinda, que está agora mesmo olhando para ti. Armado com um arco imenso e dotado de olhos grandes, e enfeitado com coroas florais, ele sempre vive nos leitos de montanhas. O homem jovem escuro e bonito, o flagelo de seus inimigos, permanecendo na margem daquele tanque, é o filho de Suvala da linhagem de Ikshwaku. E se, ó senhora excelente, tu já ouviste o nome de Jayadratha, o rei de Sauviras, ele mesmo está ali na vanguarda de seis mil carruagens, com cavalos e elefantes e infantaria, e seguido por doze príncipes Sauvira como seus porta- estandartes chamados Angaraka, Kunjara, Guptaka, Satrunjaya, Srinjaya, Suprabiddha, Prabhankara, Bhramara, Ravi, Sura, Pratapa e Kuhana, todos sobre carruagens puxadas por cavalos castanhos e cada um deles parecendo o fogo no altar sacrifical. Os irmãos também do rei, ou seja, o poderoso Valahaka, Anika, Vidarana e outros, estão entre seus seguidores. Estes jovens nobres e que possuem membros fortes são a nata da cavalaria Sauvira. O rei está viajando na companhia destes seus amigos, como Indra cercado pelos Maruts. Ó senhora de cabelo excelente, diga para nós que não estamos familiarizados (com estas questões), de quem tu és esposa e de quem tu és filha." 264 Vaisampayana continuou, "A princesa Draupadi, assim questionada por aquele ornamento da linhagem de Sivi, moveu seus olhos suavemente, e se soltando de seu apoio do ramo Kadamva e arrumando seu vestuário de seda ela disse, ‘Eu sou consciente, ó príncipe, de que não é apropriado para uma pessoa como eu se dirigir a você dessa maneira, mas como não há outro homem ou mulher aqui para falar contigo, e como eu estou sozinha aqui agora mesmo, deixe-me, portanto, falar. Saiba, senhor honrado, que estando só nesta floresta aqui, eu não devo falar para ti, me lembrando dos costumes do meu sexo. Eu soube, ó Saivya, que tu és filho de Suratha, a quem as pessoas conhecem pelo nome de Kotika. Portanto, de minha parte, eu agora te falarei de meus parentes e linhagem renomada. Eu sou a filha do rei Drupada, e as pessoas me conhecem pelo nome de Krishna, e eu aceitei como meus maridos cinco pessoas de quem vocês podem ter ouvido falar enquanto eles estavam vivendo em Kahandavaprastha. Aquelas pessoas nobres, Yudhishthira, Bhimasena, Arjuna, e os dois filhos de Madri, me deixando aqui e tendo designado para si mesmos os quatro pontos do horizonte, saíram em uma excursão de caça. O rei foi para o leste, Bhimasena em direção ao sul, Arjuna ao oeste, e os irmãos gêmeos em direção ao norte! Portanto, agora desçam e dispensem suas carruagens para que vocês possam partir depois de receberem um acolhimento devido deles. O filho de Dharma de grande alma gosta muito de convidados e sem dúvida terá muito prazer em ver vocês!' Tendo se dirigido ao filho de Saivya dessa maneira, a filha de Drupada, com rosto belo como a lua, lembrando-se bem do caráter de seu marido para hospitalidade, entrou em sua cabana espaçosa." 265 Vaisampayana disse, "Ó Bharata, Kotikakhya relatou para aqueles príncipes que estavam esperando tudo o tinha se passado entre ele e Krishna. E ouvindo as palavras de Kotikakhya, Jayadratha disse para aquele filho da raça de Sivi, 'Tendo escutado somente suas palavras, meu coração está amorosamente inclinado em direção àquele ornamento do sexo feminino. Por que portanto, tu voltaste (assim malsucedido)? Eu te digo realmente, ó tu de braços fortes, que tendo uma vez visto esta senhora, outras mulheres agora me parecem muito como macacos. Eu tendo olhado para ela, ela cativou meu coração. Diga-me, ó Saivya, se aquela senhora excelente é da espécie humana.' Kotika respondeu, 'Esta senhora é a famosa princesa Krishna, a filha de Drupada, e a esposa célebre dos cinco filhos de Pandu. Ela é a muito estimada e querida e casta esposa dos filhos de Pritha. Levando ela contigo, proceda em direção a Sauvira!'" Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado, Jayadratha de mente má, o rei de Sindhu, Sauvira e outros países, disse, 'Eu devo ver Draupadi.' E com seis outros homens ele entrou naquele eremitério solitário, como um lobo entrando na cova de um leão. E ele disse para Krishna, 'Saudações para ti, senhora excelente! Os teus maridos estão bem e aqueles, além disso, cuja prosperidade tu sempre desejas?' Draupadi respondeu, 'O filho de Kunti, o rei Yudhishthira da linhagem de Kuru, seus irmãos, eu mesma, e todos aqueles de quem tu perguntaste, estão bem. Está tudo bem com teu reino, teu governo, teu tesouro, e teu exército? Tu estás, como único soberano, governando com justiça os países ricos de Saivya, Sivi, Sindhu e outros que tu possas ter trazido sob teu domínio? Ó príncipe, aceite esta água para lavar teus pés. Também tome este assento. Eu te ofereço cinquenta animais para o desjejum da tua comitiva. Além destes, o próprio Yudhishthira, o filho de Kunti, te dará veados porcinos e veados Nanku, e corças, e antílopes, e Sarabhas, e coelhos, e veados Ruru, e ursos, e veados Samvara e gayals e muitos outros animais, além de javalis selvagens e búfalos e outros animais da classe quadrúpede.' Ouvindo isto Jayadratha respondeu, dizendo, 'Tudo está bem comigo. Por te ofereceres para fornecer nosso café da manhã, tu por assim dizer realmente fizeste isto. Venha agora e viaje na minha carruagem e seja completamente feliz. Pois não te convém ter qualquer respeito pelos filhos miseráveis de Pritha que estão vivendo nas florestas, cujas energias foram paralisadas, cujo reino foi arrebatado e cujas fortunas estão no maior declínio. Uma mulher de inteligência como tu não se apega a um marido que é pobre. Ela deve seguir seu marido quando ele está em prosperidade mas abandoná-lo quando em adversidade. Os filhos de Pandu decaíram para sempre de seu estado elevado, e perderam seu reino por todo o tempo futuro. Tu não tens necessidade, portanto, de partilhar de sua miséria por alguma consideração por eles. Portanto, ó tu de quadris belos, abandonando os filhos de Pandu, seja feliz por te tornares minha mulher, e divida comigo os reinos de Sindhu e Sauvira.'" Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras terríveis do rei de Sindhu, Krishna se afastou daquele lugar, com sua face enrugada por um olhar carrancudo devido à contração de suas sobrancelhas. Mas desconsiderando suas palavras de desprezo supremo, Krishna de cintura esbelta repreendendo disse para o rei de Sindhu, 'Não fale assim novamente! Tu não tens vergonha? Esteja em tua guarda!' E aquela senhora de caráter irrepreensível ansiosamente esperando a volta de seu marido, começou, com discursos longos, a encantá-lo completamente." 266 Vaisampayana disse, "A filha de Drupada, embora naturalmente bonita, estava coberta com carmesim resultante de um acesso de raiva. E com olhos inflamados e sobrancelhas inclinadas em cólera, ela repreendeu o soberano dos Suviras, dizendo, 'Tu não estás envergonhado, ó tolo, de usar tais palavras insultantes a respeito daqueles guerreiros célebres e terríveis, cada um como o próprio Indra, e que são todos dedicados aos seus deveres e que nunca vacilam em combate mesmo com hostes Yakshas e Rakshasas? Ó Sauvira, bons homens nunca falam mal de pessoas eruditas dedicadas à austeridade e dotadas de erudição, não importa se elas vivem na selva ou em casas. São somente canalhas que são vis como tu que fazem isso. Parece-me que não há ninguém neste grupo de Kshatriyas que seja capaz de te segurar pela mão para te salvar de cair no buraco que tu abriste sob teus pés. Ao esperar derrotar o rei Yudhishthira o justo, tu realmente esperas separar, bastão na mão, de um rebanho vagando nos vales Himalayan, seu líder, enorme como um topo de montanha e com o suco temporal gotejando de suas têmporas fendidas. Por tolice infantil tu estás chutando para despertar o leão poderoso deitado adormecido, para puxar os pelos de sua face! Tu, no entanto, terás que fugir quando tu vires Bhimasena em cólera! Tu procurares um combate com o furioso Jishnu pode ser comparado a ti chutares um leão poderoso, terrível, adulto e furioso dormindo em uma caverna de montanha. O confronto que tu pedes com aqueles dois jovens excelentes, os Pandavas mais jovens, é semelhante à ação de um tolo que pisa intencionalmente nos rabos de duas najas negras venenosas com línguas bifurcadas. O bambu, o junco, e a bananeira dão frutos somente para perecerem e não para crescerem mais em tamanho. Como o caranguejo também que concebe para sua própria destruição, tu porás tuas mãos sobre mim que sou protegida por estes heróis poderosos!' Jayadratha respondeu, 'Eu sei tudo isto, ó Krishna, e eu estou bem consciente da bravura daqueles príncipes. Mas tu não podes nos assustar agora com estas ameaças. Nós, também, ó Krishna, pertencemos por nascimento aos dezessete clãs superiores, e somos dotados das seis qualidades reais. (Os seis atos de um rei são paz, guerra, marcha, parada, semear dissensão, e procurar proteção). Nós, portanto, menosprezamos os Pandavas como homens inferiores! Portanto, ó filha de Drupada, suba neste elefante ou nesta carruagem rapidamente, pois tu não podes nos impedir só com tuas palavras; ou, falando menos vaidosamente, procure a piedade do rei dos Sauviras!' Draupadi respondeu, "Embora eu seja tão poderosa, por que o rei de Sauvira ainda me considera tão impotente? Bem conhecida como eu sou, eu, por medo de violência, não vou me rebaixar perante aquele príncipe. Nem o próprio Indra pode sequestrar aquela para cuja proteção Krishna e Arjuna seguiriam juntos, viajando na mesma carruagem. O que eu direi, portanto, de um ser humano fraco? Quando Kiriti, aquele matador de inimigos, sobre seu carro, for, por minha causa, entrar nas tuas tropas, infligindo terror em todos os corações, ele destruirá tudo em volta como fogo consumindo uma pilha de grama seca no verão. Os príncipes guerreiros das linhagens Andhaka e Vrishni, com Janardana em sua vanguarda, e os poderosos arqueiros da tribo Kaikeya, seguirão todos no meu encalço com grande ardor. As setas terríveis de Dhananjaya, disparadas da corda do Gandiva e impulsionadas por seus braços voam com grande força pelo ar, ribombando como as próprias nuvens. E quando tu vires Arjuna disparando do Gandiva uma massa densa de setas poderosas como um enxame de gafanhotos, então tu te arrependerás da tua própria loucura! Pense no que tu sentirás quando aquele guerreiro armado com o Gandiva, soprando sua concha e com luvas reverberando com os golpes da corda de seu arco, perfurar repetidas vezes o teu peito com suas flechas. E quando Bhima avançar em tua direção, maça na mão, e os dois filhos de Madri percorrerem todas as direções, vomitando o veneno de sua cólera, tu então sentirás dores de grande arrependimento que durarão para sempre. Como eu nunca fui falsa para meus maridos dignos nem mesmo em pensamento, assim por este mérito eu agora terei o prazer de te ver derrotado e arrastado pelos filhos de Pritha. Tu não podes, cruel como tu és, me assustar por me sequestrar com violência, pois logo que aqueles guerreiros Kuru me descobrirem eles me trarão de volta às florestas de Kamyaka.'" Vaisampayana continuou, "Então aquela senhora de olhos grandes, vendo eles prontos para porem mãos violentas sobre ela, os repreendeu e disse, 'Não me sujem por seu toque!' E em um grande alarme ela então apelou para seu conselheiro espiritual, Dhaumya. Jayadratha, no entanto, agarrou-a por sua peça de roupa superior, mas ela o empurrou com grande energia. E empurrado pela senhora, aquele canalha pecaminoso caiu sobre o chão como uma árvore cortada de suas raízes. Agarrada, no entanto, mais uma vez por ele com grande violência, ela começou a arquejar para respirar. E arrastada pelo patife, Krishna finalmente subiu em sua carruagem tendo adorado os pés de Dhaumya. E Dhaumya então se dirigiu a Jayadratha e disse, 'Ó Jayadratha, siga o antigo costume dos Kshatriyas. Tu não podes raptá-la sem ter derrotado aqueles grandes guerreiros. Sem dúvida, tu colherás os frutos dolorosos dessa tua ação desprezível, quando tu enfrentares os heróicos filhos de Pandu com Yudhishthira o justo em sua chefia!'” Vaisampayana continuou, "Tendo dito estas palavras Dhaumya, entrando no meio da infantaria de Jayadratha, começou a seguir aquela princesa renomada que estava sendo levada embora pelo raptor." 267 Vaisampayana disse, "Enquanto isso aqueles principais dos arqueiros sobre a face da terra, tendo vagado separadamente e caminhado em todas as direções, e tendo matado muitos veados e búfalos, finalmente se reuniram. E observando aquela floresta imensa, a qual estava apinhada com hostes de veados e animais selvagens, ressoando com os gritos agudos de aves, e ouvindo os guinchos e gritos dos habitantes da selva, Yudhishthira disse para seus irmãos, 'Estas aves e animais selvagens, fugindo para aquela direção que está iluminada pelo sol, estão proferindo gritos dissonantes e revelando uma agitação intensa. Tudo isso somente mostra que esta floresta imensa foi invadida por intrusos hostis. Sem a demora de um momento que nós desistamos da caçada. Nós não temos mais necessidade de caça. Meu coração dói e parece queimar! A alma em meu corpo, dominando o intelecto, parece pronta para escapar. Como um lago libertado por Garuda da cobra poderosa que mora nele, como um cântaro drenado de seu conteúdo por homens com sede, como um reino privado de rei e prosperidade, assim mesmo a floresta de Kamyaka parece para mim.' Assim endereçados, aqueles guerreiros heróicos prosseguiram em direção à sua residência em grandes carros de belo feitio e puxados por corcéis da raça Saindharva extremamente rápidos e possuidores da velocidade do furacão. E em seu caminho de volta eles viram um chacal gritando horrivelmente na beira da estrada em direção à sua esquerda. E o rei Yudhishthira, considerando isto atentamente, disse para Bhima e Dhananjaya, 'Este chacal que pertence a uma espécie muito inferior de animais, falando à nossa esquerda, fala uma linguagem que indica claramente que os Kurus pecaminosos, nos desrespeitando, começaram a nos oprimir por recorrerem à violência.' Depois que os filhos de Pandu tinham desistido da caçada e dito estas palavras, eles entraram no bosque que continha seu eremitério. E lá eles encontraram a criada de sua amada, a menina Dhatreyika, chorando e soluçando. E Indrasena então descendo rapidamente da carruagem e avançando com passos apressados em direção a ela, questionou-a, ó rei, em grande angústia mental, dizendo, 'O que te faz chorar assim, jazendo no chão, e por que teu rosto está tão triste e sem cor? Eu espero que nenhum canalha cruel tenha feito algum mal para a princesa Draupadi possuidora de beleza incomparável e olhos grandes e que é o segundo eu de cada um daqueles touros da raça Kuru? Tão ansioso tem estado o filho de Dharma que se a princesa entrou nas entranhas da terra ou subiu para o céu ou mergulhou ao fundo do oceano, ele e seus irmãos irão para lá em busca dela. Quem seria aquele tolo que raptaria aquela jóia inestimável pertencente aos filhos poderosos e sempre vitoriosos de Pandu, aqueles opressores de inimigos, e que é preciosa para eles como suas próprias vidas? Eu não sei quem poderia ser a pessoa que pensaria em levar embora aquela princesa que tem tais protetores poderosos e que é assim como uma encarnação ambulante dos corações dos filhos de Pandu. Perfurando peitos de quem flechas terríveis se crivarão no solo hoje? Não chore por ela, ó menina tímida, pois saiba que Krishna voltará hoje mesmo, e os filhos de Pritha, tendo matado seus inimigos, se unirão novamente com Yagnaseni!' Assim endereçada por ele, Dhatreyika, limpando seu rosto belo, respondeu para Indrasena o quadrigário, dizendo, 'Desrespeitando os cinco filhos semelhantes a Indra de Pandu, Jayadratha levou Krishna embora à força. O caminho seguido por ele ainda não desapareceu, pois os ramos quebrados das árvores ainda não murcharam. Portanto, voltem para seus carros e sigam-na rapidamente, pois a princesa não pode ter ido longe nesse meio tempo! Ó guerreiros possuidores da destreza de Indra, pegando seus arcos caros de belo feitio, e levando suas aljavas valiosas se apressem em perseguição a ela, a fim de que ela, dominada por ameaça ou violência e perdendo seus sentidos e a cor de suas bochechas, não se submeta a um indivíduo indigno, assim como alguém derrama, da concha sacrifical, a oblação santificada sobre uma pilha de cinzas. Ó, cuidem para que a manteiga clarificada não seja derramada em um fogo que não se inflama de resíduos de arroz; para que uma guirlanda de flores não seja jogada em um cemitério. Ó, cuidem para que o suco Soma de um sacrifício não seja lambido por um cachorro pelo descuido dos sacerdotes oficiantes! Ó, não deixem o lírio ser rudemente arrancado por um chacal vagando por sua presa na floresta impenetrável. Ó, não deixem algum indivíduo inferior tocar com seus lábios o rosto brilhante e belo de sua esposa, formoso como os raios da lua e adornado com o nariz mais belo e os olhos mais bonitos, como um cachorro lambendo manteiga clarificada mantida no recipiente sacrifical! Se apressem nesse caminho e não deixem o tempo ganhar vantagem sobre vocês.' Yudhishthira disse, 'Recolha-te, boa mulher, e controle tua língua. Não fale dessa maneira perante nós. Reis ou príncipes, quem quer que esteja enfeitiçado pela posse de poder, sem dúvida fracassará!'" Vaisampayana continuou, "Com estas palavras eles partiram, seguindo o caminho indicado para eles, e frequentemente dando suspiros profundos semelhantes ao silvo de cobras, e vibrando as cordas de seus arcos grandes. E então eles observaram uma nuvem de poeira erguida pelos cascos dos corcéis pertencentes ao exército de Jayadratha. E eles também viram Dhaumya no meio da infantaria do raptor, exortando Bhima a apressar seus passos. Então aqueles príncipes (os filhos de Pandu) com corações não abatidos, ordenaram-no criar ânimo e disseram para ele, 'Volte alegremente!' E então eles avançaram em direção àquela hoste com grande fúria, como falcões mergulhando sobre sua presa. E possuidores da destreza de Indra, eles estavam cheios de fúria pelo insulto feito à Draupadi. Mas à visão de Jayadratha e de sua esposa querida sentada em seu carro, sua fúria não conheceu limites. E aqueles arqueiros poderosos, Bhima e Dhananjaya e os gêmeos e o rei, gritaram para Jayadratha parar, no que o inimigo ficou tão desnorteado quanto a perder seu conhecimento das direções." 268 Vaisampayana disse, "Os Kshatriyas hostis, excitados à visão de Bhimasena e Arjuna, deram um grito alto na floresta. E o rei pecaminoso Jayadratha, quando ele viu os estandartes daqueles touros da raça Kuru, perdeu seu ânimo, e se dirigindo à Yagnaseni resplandecente sentada em seu carro, disse, 'Aqueles cinco grandes guerreiros, ó Krishna, que estão vindo, eu acredito que são teus maridos. Como tu conheces bem os filhos de Pandu, ó senhora de tranças belas, descreva eles um a um para nós, indicando qual deles viaja em qual carro!' Assim endereçada, Draupadi respondeu, 'Tendo feito este ato violento planejado para encurtar tua vida, de que utilidade será para ti agora, ó tolo, saber os nomes daqueles grandes guerreiros, pois agora que meus maridos heróicos estão vindo, nenhum de vocês será deixado vivo em batalha. No entanto como tu estás às portas da morte e me perguntou, eu te direi tudo, isto sendo compatível com a ordenança. Contemplando o rei Yudhishthira o justo com seus irmãos mais novos, eu não tenho a menor ansiedade ou medo de ti! Aquele guerreiro no topo de cujo mastro de bandeira dois tambores belos e sonoros chamados Nanda e Upananda são tocados constantemente, ele, ó chefe Sauvira, tem um conhecimento correto da moralidade de suas próprias ações. Homens que obtiveram êxito sempre andam em sua comitiva. Com uma cor semelhante àquela do ouro puro, possuidor de um nariz proeminente e olhos grandes, e dotado de um feitio delgado, aquele meu marido é conhecido entre as pessoas pelo nome de Yudhishthira, o filho de Dharma e o principal da linhagem Kuru. Aquele príncipe virtuoso de homens concede vida até para um inimigo que se rende. Portanto, ó tolo, jogando ao chão tuas armas e unindo tuas mãos, corra até ele para o teu bem, para procurar sua proteção. E aquele outro homem a quem tu vês com braços longos e alto como a árvore Sala crescida, sentado em sua carruagem, mordendo seus lábios, e contraindo sua testa a ponto de unir as duas sobrancelhas, é ele, meu marido Vrikodara! Corcéis da raça mais nobre, rechonchudos e fortes, bem treinados e dotados de grande força puxam o carro daquele guerreiro! Suas realizações são sobre-humanas. Ele é conhecido, portanto, pelo nome de Bhima sobre a terra. Aqueles que o ofendem nunca tem permissão de viver. Ele nunca esquece um inimigo. Sob algum pretexto ou outro ele efetua sua vingança. Nem ele é pacificado mesmo depois que ele efetuou um sinal de vingança. E lá, aquele principal dos arqueiros dotado de inteligência e renome, com sentidos sob completo controle e reverência pelos idosos, aquele irmão e discípulo de Yudhishthira, é meu marido Dhananjaya! Ele nunca abandona a Virtude por luxúria ou medo ou raiva! Nem ele alguma vez comete algum ato que é cruel. Dotado da energia do fogo e capaz de resistir a todo inimigo, aquele opressor de inimigos é o filho de Kunti. E aquele outro jovem, versado em todas as questões de moralidade e lucro, que sempre dissipa os medos dos atemorizados, que é dotado de grande sabedoria, que é considerado como a pessoa mais bonita no mundo inteiro e que é protegido por todos os filhos de Pandu, sendo considerado por eles como mais precioso do que suas próprias vidas por sua devoção inabalável por eles, é meu marido Nakula possuidor de grande destreza. Dotado de grande sabedoria e tendo Sahadeva como seu auxiliar, possuidor de excelente leveza de mão, ele luta com a espada, fazendo passes hábeis com ela. Tu, homem tolo, testemunharás hoje suas performances no campo de batalha, semelhantes àquelas do próprio Indra em meio às tropas de Daityas! E aquele herói habilidoso com armas e possuidor de inteligência e sabedoria, e concentrado em fazer o que é agradável para o filho de Dharma, aquele favorito e mais novo dos Pandavas, é meu marido Sahadeva! Heróico, inteligente, sábio e sempre colérico, não há outro homem que seja igual a ele em inteligência ou em eloquência em meio a assembléias de sábios. Mais precioso para Kunti do que sua própria alma, ele é sempre consciente dos deveres dos Kshatriyas, e preferiria se precipitar no fogo ou sacrificar sua própria vida do que dizer alguma coisa que fosse contrária à religião e moralidade. Quando os filhos de Pandu tiverem matado os teus guerreiros em combate, então tu contemplarás teu exército na situação miserável de um navio no mar destruído com sua carga de jóias nas costas de uma baleia. Assim eu descrevi para ti a destreza dos filhos de Pandu, desconsiderando a quem em tua tolice tu agiste dessa maneira. Se tu escapares ileso deles, então, de fato tu terás obtido uma nova vida.'” Vaisampayana continuou, "Então aqueles cinco filhos de Pritha, cada um semelhante ao próprio Indra, cheios de cólera, deixando em paz a infantaria tomada de pânico que estava lhes implorando por piedade, avançaram com fúria sobre os quadrigários, atacando-os por todos os lados e escurecendo o próprio ar com a densa chuva de setas que eles dispararam." 269 Vaisampayana disse, "Enquanto isso, o rei de Sindhu estava dando ordens para aqueles príncipes, dizendo, 'Parem, lancem, marchem, rápido', e semelhantes. E ao verem Bhima, Arjuna e os irmãos gêmeos com Yudhishthira, os soldados deram um grito alto no campo de batalha. E os guerreiros das tribos Sivi, Sauvira e Sindhu, à visão daqueles heróis poderosos parecidos com tigres ferozes, perderam o ânimo. E Bhimasena, armado com uma maça totalmente de ferro Saikya e ornada com relevos de ouro, avançou em direção ao monarca Saindhava fadado à morte. Mas Kotikakhya, cercando Vrikodara rapidamente com um agrupamento de quadrigários poderosos, se interpôs no meio e separou os combatentes. E Bhima, embora atacado com inúmeras lanças e clavas e setas de ferro arremessadas nele pelos braços fortes de heróis hostis, não vacilou nem por um momento. Por outro lado, ele matou, com sua maça, um elefante com seu guia e catorze soldados de infantaria lutando na frente do carro de Jayadratha. E Arjuna também, desejoso de capturar o rei Sauvira, matou quinhentos montanheses corajosos lutando na vanguarda do exército Sindhu. E naquele confronto, o próprio rei matou em um piscar de olhos cem dos melhores guerreiros dos Sauviras. E Nakula também, espada na mão, saltando de sua carruagem, espalhou em um momento, como um semeador semeando sementes, as cabeças dos combatentes lutando na retaguarda. E Sahadeva de sua carruagem começou a derrubar com suas flechas de ferro muitos guerreiros lutando sobre elefantes, como aves caídas dos galhos de uma árvore. Então o rei dos Trigartas, arco na mão, descendo da sua grande carruagem, matou os quatro corcéis do rei com sua maça. Mas o filho de Kunti, o rei Yudhishthira o justo, vendo o inimigo se aproximar tão perto, e lutando a pé, perfurou seu peito com uma flecha de forma de meia-lua. E aquele herói, assim ferido no peito, começou a vomitar sangue e caiu sobre a terra perto do filho de Pritha, como uma árvore arrancada. E o rei Yudhishthira o justo, cujos corcéis tinham sido mortos, aproveitando aquela oportunidade, desceu com Indrasena de sua carruagem e subiu naquela de Sahadeva. E os dois guerreiros, Kshemankara e Mahamuksha, escolhendo Nakula, começaram a despejar sobre ele de ambos os lados uma perfeita chuva de setas de gume afiado. O filho de Madri, no entanto, conseguiu matar, com um par de flechas compridas, ambos aqueles guerreiros que vinham despejando sobre ele uma chuva de flechas como nuvens na estação chuvosa. Suratha, o rei de Trigartas, bem versado em direção de elefantes, se aproximando da frente da carruagem de Nakula a fez ser arrastada pelo elefante que ele montava. Mas Nakula, pouco intimidado por isto, pulou de sua carruagem, e assegurando um ponto de vantagem permaneceu com escudo e espada na mão, imóvel como uma colina. Nisso Suratha, desejando matar Nakula imediatamente, incitou em direção a ele seu elefante enorme e enfurecido com tromba erguida. Mas quando a besta se aproximou, Nakula com sua espada cortou de sua cabeça ambos: tromba e presas. E aquele elefante vestido em armadura, proferindo um rugido terrível, caiu de cabeça sobre o solo, esmagando seus passageiros pela queda. E tendo realizado esta façanha audaz, o heróico filho de Madri, subindo no carro de Bhimasena, obteve um breve descanso. E Bhima também, vendo o príncipe Kotikakhya avançar para o confronto, cortou a cabeça de seu quadrigário com uma flecha de ferradura. Aquele príncipe nem percebeu que seu motorista tinha sido morto por seu adversário de braços fortes, e seus cavalos, não mais controlados por um condutor, correram para todos os lados no campo de batalha em todas as direções. E vendo aquele príncipe sem um condutor virar suas costas, aquele principal dos batedores, Bhima o filho de Pandu, foi até ele e matou-o com um dardo farpado. E Dhananjaya também cortou com suas flechas afiadas em forma de meia-lua, as cabeças, assim como os arcos de todos os doze heróis Sauvira. E o grande guerreiro matou em batalha, com as flechas, os líderes dos Ikshwakus e hoste de Sivis e Trigartas e Saindhavas. E muitíssimos elefantes com seus emblemas, e carruagens com estandartes, eram vistos caírem pela mão de Arjuna. E cabeças sem troncos, e troncos sem cabeças, jaziam cobrindo todo o campo de batalha. E cachorros, e garças e corvos, e gralhas, e falcões, e chacais e urubus se banquetearam na carne e sangue de guerreiros mortos naquele campo. E quando Jayadratha o rei de Sindhu viu que seus guerreiros estavam mortos, ele ficou apavorado e ansioso para fugir deixando Krishna para atrás. E naquela confusão geral, o canalha, descendo Draupadi lá, fugiu por sua vida, seguindo o mesmo caminho da floresta pelo qual ele tinha vindo. E o rei Yudhishthira o justo, vendo Draupadi com Dhaumya andando à frente, a fez ser colocada sobre uma carruagem pelo heróico Sahadeva, o filho de Madri. E quando Jayadratha tinha fugido Bhima começou a matar em grande quantidade com suas flechas de ferro aqueles de seus seguidores que estavam fugindo, abatendo cada soldado de cavalaria depois de nomeá-lo. Mas Arjuna, percebendo que Jayadratha tinha fugido, exortou seu irmão a se abster de massacrar o restante da hoste Saindhava. E Arjuna disse, 'Eu não encontro no campo de batalha Jayadratha por cujo erro somente nós temos experimentado este infortúnio amargo! Procure-o primeiro e que o êxito coroe teu esforço! Qual é o benefício de massacrar estes soldados de cavalaria? Por que tu estás empenhado nessa atividade não proveitosa?' Vaisampayana continuou, "Bhimasena, assim exortado por Arjuna de grande sabedoria, virando-se para Yudhishthira, respondeu, dizendo, ‘Como muitos dos guerreiros do inimigo foram mortos e como eles estão fugindo em todas as direções, ó rei, agora volte para casa, levando contigo Draupadi e os irmãos gêmeos e Dhaumya de grande alma, e console a princesa depois de voltar para nosso retiro! Aquele tolo rei de Sindhu eu não deixarei em paz enquanto ele viver, mesmo que ele ache um abrigo nas regiões internas ou seja apoiado pelo próprio Indra!’ E Yudhishthira respondeu, dizendo, 'Ó tu de braços poderosos, lembrando- te de (nossa irmã) Dussala e da célebre Gandhari, tu não deves matar o rei de Sindhu ainda que ele seja tão perverso!' Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras, Draupadi ficou imensamente agitada. E aquela senhora muito inteligente em sua agitação disse para seus dois maridos Bhima e Arjuna, com indignação misturada com modéstia, 'Se vocês se importam em fazer o que é agradável para mim vocês devem matar aquele canalha vil e desprezível, aquele pecaminoso, tolo, infame e desprezível chefe do clã Saindhava! Aquele inimigo que leva embora à força uma esposa, e aquele que rouba um reino, nunca deve ser perdoado no campo de batalha, mesmo que ele suplique por piedade!' Assim admoestados, aqueles dois guerreiros corajosos partiram à procura do chefe Saindhava. E o rei levando Krishna com ele voltou para casa, acompanhado por seu conselheiro espiritual. E ao entrar no eremitério, ele descobriu que ele estava coberto com assentos para os ascetas e apinhado com seus discípulos e honrado com a presença de Markandeya e outros Brahmanas. E enquanto aqueles Brahmanas estavam lamentando gravemente a sina de Draupadi, Yudhishthira dotado de grande sabedoria se juntou à sua companhia, com seus irmãos. E vendo o rei retornar dessa maneira depois de ter derrotado as hostes Saindhava e Sauvira e recuperado Draupadi, eles todos se rejubilaram com alegria! E o rei tomou seu assento em seu meio. E a excelente princesa Krishna entrou no eremitério com os dois irmãos.” "Enquanto isso, Bhima e Arjuna, sabendo que o inimigo estava duas milhas completas à frente deles, incitaram seus cavalos à grande velocidade em perseguição a ele. E o poderoso Arjuna realizou um ato estupendo, matando o cavalo de Jayadratha embora eles estivessem duas milhas inteiras à frente deles. Armado com armas celestes e não intimidado por dificuldades ele realizou esta façanha difícil com setas inspiradas com Mantras. E então os dois guerreiros, Bhima e Arjuna, avançaram em direção ao rei apavorado de Sindhu cujos cavalos tinham sido mortos e que estava sozinho e desorientado em mente. E o último estava imensamente aflito ao ver seus corcéis mortos. E vendo Dhananjaya fazer tal ato arrojado, e atento em fugir, ele seguiu o mesmo caminho florestal pelo qual ele tinha vindo. E Falguna, vendo o chefe Saindhava tão ativo em seu pavor, alcançou-o e dirigiu-se a ele dizendo, 'Possuidor de tão pouca virilidade, como tu podes ousar tomar uma senhora pela força? Volte, ó príncipe; não é adequado que tu fujas! Como tu podes agir assim, deixando teus seguidores no meio dos teus inimigos?' Embora endereçado pelos filhos de Pritha dessa maneira, o monarca de Sindhu nem uma vez se voltou. E então declarando o que ele escolheu o poderoso Bhima alcançou-o em um instante, mas o gentil Arjuna rogou-o para não matar aquele canalha." 270 Vaisampayana disse, "Jayadratha, fugindo pela vida ao ver aqueles dois irmãos com armas erguidas, estava extremamente aflito e correu com velocidade e frieza. Mas o poderoso e indignado Bhimasena, descendo de sua carruagem, correu atrás dele que fugia desse modo, e agarrou-o pelo cabelo de sua cabeça. E segurando-o alto no ar, Bhima jogou-o no chão com violência. E agarrando o príncipe pela cabeça, ele bateu nele. E quando o canalha recuperou a consciência, ele gemeu alto e quis se levantar. Mas aquele herói dotado de braços fortes chutou-o na cabeça. E Bhima pressionou-o no peito com seus joelhos assim como com seus punhos. E o príncipe assim espancado logo ficou inconsciente. Então Falguna dissuadiu o colérico Bhimasena de infligir mais castigo ao príncipe, por lembrá-lo do que Yudhishthira tinha dito com relação à (sua irmã) Dussala. Mas Bhima respondeu, dizendo, 'Este canalha pecaminoso fez uma injúria cruel para Krishna, que nunca pode tolerar tal tratamento. Ele, portanto, merece morrer por meio de mãos! Mas o que eu posso fazer? O rei está sempre transbordando de piedade, e tu, também, estás constantemente pondo obstáculos em meu caminho por um sentido infantil de virtude!' Dizendo estas palavras, Vrikodara, com sua seta de forma de meia-lua, raspou o cabelo da cabeça do príncipe, levantando cinco tufos em cinco lugares. Jayadratha não proferiu uma palavra nisto. Então Vrikodara, se dirigindo ao inimigo disse, 'Se tu desejas viver, escute- me, ó tolo! Eu te direi os meios para realizar teu desejo! Em assembléias públicas e em cortes abertas tu deves dizer, ‘Eu sou o escravo dos Pandavas.’ Só sob esta condição eu te perdoarei tua vida! Esta é a regra costumeira de conquista no campo de batalha.' Assim endereçado e tratado, o rei Jayadratha disse ao guerreiro poderoso e feroz que sempre parecia terrível, 'Assim seja.' E ele estava tremendo e insensível e sujo de poeira. Então Arjuna e Vrikodara, prendendo-o com correntes, empurraram-no para uma carruagem. E Bhima, ele mesmo subindo naquela carruagem, e acompanhado por Arjuna, dirigiu em direção ao eremitério. E se aproximando de Yudhishthira sentado lá, ele colocou Jayadratha naquela condição perante o rei. E o rei, sorrindo, lhe disse para pôr o príncipe Sindhu em liberdade. Então Bhima disse para o rei, 'Diga para Draupadi que este canalha se tornou o escravo dos Pandavas.' Então seu irmão mais velho disse para ele carinhosamente, 'Se tu tens algum respeito por nós, ponha este infeliz em liberdade!' E Draupadi também, lendo a mente do rei, disse, 'Perdoe-o! Ele se tornou um escravo do rei e tu também o desfiguraste por deixares cinco tufos de cabelo sobre sua cabeça.' Então aquele príncipe abatido, tendo obtido sua liberdade, se aproximou do rei Yudhishthira e se curvou a ele. E vendo aqueles Munis lá, ele saudou-os também. Então o rei Yudhishthira de bom coração, o filho de Dharma, contemplando Jayadratha naquela condição, quase escorado por Arjuna, disse para ele, 'Tu és um homem livre agora; eu te liberto! Agora vá embora e tenha cuidado para não fazer coisa semelhante outra vez; vergonha para ti! Tu pretendeste tomar uma senhora por violência, mesmo que tu sejas tão vil e impotente! Que outro patife além de ti pensaria em agir dessa maneira?" Então aquele rei principal da linhagem Bharata olhou com pena para aquele perpetrador de atos pecaminosos, e acreditando que ele tinha perdido a razão, disse, 'Que teu coração cresça em virtude! Nunca fixe teu coração novamente em atos imorais! Tu podes ir em paz agora com teus quadrigários, cavalaria e infantaria.' Assim endereçado por Yudhishthira, o príncipe, ó Bharata, foi dominado pela vergonha, e baixando sua cabeça ele silenciosamente e tristemente seguiu seu caminho para o local onde o Ganga desemboca nas planícies. E implorando a proteção do deus de três olhos, o consorte de Uma, ele fez penitência severa naquele local. E o deus de três olhos, satisfeito com suas austeridades se dignou a aceitar suas oferendas em pessoa. E ele também lhe concedeu uma bênção! Ouça, ó monarca, como o príncipe recebeu aquele benefício! Jayadratha, dirigindo-se àquele deus, pediu a bênção, 'Que eu seja capaz de derrotar em batalha todos os cinco filhos de Pandu em suas carruagens!' O deus, no entanto, lhe disse, ‘Isso não pode ser.’ E Maheswara disse, 'Ninguém pode matá-los ou vencê-los em batalha. Exceto Arjuna, no entanto, tu serás capaz somente de controlá-los (uma vez) no campo de batalha! O heróico Arjuna, com armas poderosas, é o deus encarnado chamado Nara. Ele praticou austeridades antigamente na floresta Vadari. O Deus Narayana é seu amigo. Portanto, ele é invencível pelos próprios deuses. Eu mesmo dei a ele a arma celeste chamada Pasupata. Dos regentes também de todos os dez pontos cardeais ele obteve o raio e outras armas poderosas. E o grande deus Vishnu que é o Espírito Infinito, o Senhor Preceptor de todos os deuses, é o Ser Supremo sem atributos, e a Alma do Universo, e existe permeando a criação inteira. No término de um ciclo de eras, assumindo a forma do fogo que a tudo consome, ele consumiu o Universo inteiro com montanhas e mares e ilhas e colinas e bosques e florestas. E depois da destruição do mundo Naga também nas regiões subterrâneas da mesma maneira, vastas massas de nuvens de muitas cores e de ribombar alto, com faixas de relâmpagos, se espalhando pelo firmamento inteiro, apareceram no alto. Então derramando água em torrentes espessas como eixos de carros, e enchendo o espaço em todos os lugares, elas extinguiram aquele fogo todo-devorador! Quando no fim de quatro mil Yugas a Terra dessa maneira ficou inundada com água, como um vasto oceano, e todas as criaturas móveis estavam silenciosas na morte, e o sol e a lua e os ventos estavam todos destruídos, e o Universo estava desprovido de planetas e estrelas, o Ser Supremo chamado Narayana, incognoscível pelos sentidos, adornado com mil cabeças e tantos olhos e pernas, ficou desejoso de descansar. E a serpente Sesha, parecendo terrível com seus mil capelos, e brilhando com o esplendor de dez mil sóis, e branca como a flor Kunda ou a lua ou um colar de pérolas, ou o lótus branco, ou leite, ou as fibras de um caule de lótus, serviu como sua concha. E aquele Deus adorável e onipotente dormiu dessa maneira no leito do oceano, envolvendo todo o espaço com escuridão noturna. E quando sua faculdade criativa foi estimulada, ele despertou e encontrou o Universo despojado de tudo. Em relação a isso, o sloka seguinte é recitado a respeito do significado de Narayana. "Água foi criada pelo (Rishi) Nara, e ela formou seu corpo; portanto nós a ouvimos intitulada como Nara. E porque ela formou seu Ayana (lugar de descanso) portanto ele é conhecido como Narayana." Logo que aquele Ser eterno estava engajado em meditação para a re- criação do Universo, uma flor de lótus instantaneamente veio à existência de seu umbigo, e o Brahma de quatro faces saiu daquele lótus do umbigo. E então o Avô de todas as criaturas, sentando-se sobre aquela flor e descobrindo que o Universo inteiro era um espaço vazio, criou à sua própria semelhança, e da sua vontade os (nove) grandes Rishis, Marichi e outros. E estes por sua vez observando a mesma coisa completaram a criação, por criarem Yakshas, Rakshas, Pisachas, répteis, homens, e todas as criaturas móveis e imóveis. O Espírito Supremo tem três condições. Na forma de Brahma, ele é o Criador, e na forma de Vishnu ele é o Preservador, e em sua forma como Rudra, ele é o Destruidor do Universo! Ó rei de Sindhu, tu não ouviste das realizações extraordinárias de Vishnu, descritas para ti pelos Munis e os Brahmanas versados nos Vedas? Quando o mundo estava assim reduzido a um mar vasto de água, somente com os céus acima, o Senhor, como um pirilampo à noite durante a estação chuvosa, se movimentou para lá e para cá à procura de solo estável, com a intenção de restaurar sua criação, e ficou desejoso de erguer a Terra submersa em água. ‘Qual forma eu tomarei para resgatar a Terra desta inundação?’ Assim pensando e contemplando com discernimento divino, ele considerou a forma de um javali selvagem afeiçoado a se divertir em água. E assumindo a forma de um javali sacrifical brilhando com refulgência e animado com os Vedas e de dez Yojanas de comprimento, com presas pontudas e uma cor como nuvens escuras, e com um corpo enorme como uma montanha, e rugindo como uma conglomeração de nuvens, o Senhor mergulhou nas águas e levantou a Terra com uma de suas presas, e a repôs em sua própria esfera. Em outro tempo, o Senhor poderoso, assumindo uma forma esplêndida com um corpo metade leão, metade homem, e apertando suas mãos, dirigiu-se à corte do soberano dos Daityas. Aquele progenitor dos Daityas, o filho de Diti, que era o inimigo dos (deuses), contemplando a forma peculiar do Senhor, irrompeu em cólera e seus olhos ficaram inflamados com raiva. E Hiranya-Kasipu, o filho guerreiro de Diti e o inimigo dos deuses, adornado com guirlandas e parecendo com uma massa de nuvens escuras, pegando seu tridente na mão e rugindo como as nuvens, avançou naquele ser meio leão, meio homem. Então aquele rei poderoso das bestas selvagens, meio homem, meio leão, dando um salto no ar, imediatamente rasgou o Daitya em dois por meio das suas garras afiadas. E o Senhor adorável de olhos de lótus de grande refulgência, tendo assim matado o rei Daitya para o bem-estar de todas as criaturas, novamente tomou seu nascimento no útero de Aditi como filho de Kasyapa. E no término de mil anos ela deu à luz àquela concepção sobre-humana. E então nasceu aquele Ser, da cor de nuvens carregadas de chuva com olhos brilhantes e estatura anã. Ele tinha o bastão do asceta e recipiente de água na mão, e era marcado com o emblema de um cacho de cabelo no peito. E aquele Ser adorável usava madeixas emaranhadas e o fio sacrifical, e ele era corpulento e belo e resplandecente com brilho. E aquele Ser, chegando no cercado sacrifical de Vali, rei dos Danavas, entrou na assembleia sacrifical com a ajuda de Vrihaspati. E vendo aquele Ser de corpo de anão, Vali estava bem satisfeito e disse para ele, 'Eu estou contente em te ver, ó Brahmana! Diga o que é que tu queres de mim!' Assim endereçado por Vali, o deus-anão respondeu com um sorriso, dizendo, 'Assim seja! Senhor dos Danavas, dê-me três passos de terra!' E Vali concordou em dar o que aquele Brahmana de poder infinito tinha pedido. E enquanto medindo com seus passos o espaço que ele solicitava, Hari assumiu uma forma maravilhosa e extraordinária. E somente com três passos ele cobriu imediatamente este mundo ilimitável. E então aquele Deus eterno, Vishnu, entregou-o para Indra. Esta história que acabou de ser narrada para ti é celebrada como a 'Encarnação do Anão'. E dele, todos os deuses tiveram seu ser, e por causa dele o mundo é citado como sendo Vaishnava, ou permeado por Vishnu. E para a destruição dos maus e a conservação da religião, Ele mesmo tomou seu nascimento entre os homens na linhagem dos Yadus. E o adorável Vishnu é chamado de Krishna. Estas, ó rei de Sindhu, são as realizações do Senhor a quem todos os mundos cultuam e a quem os eruditos descrevem como sem início e sem fim, não nascido e Divino! Eles o chamam de o inconquistável Krishna com a concha, o disco e a maça, e adornado com o emblema de um cacho de cabelo, Divino, vestido em mantos de seda de cor amarela, e o melhor daqueles versados na arte da guerra. Arjuna é protegido por Krishna, o possuidor desses atributos. Aquele Ser glorioso e de olhos de lótus de poder infinito, aquele matador de heróis hostis, viajando na mesma carruagem com o filho de Pritha, o protege! Ele é, portanto, invencível; os próprios deuses não podem resistir ao seu poder, ainda menos pode alguém com atributos humanos vencer o filho de Pritha em batalha! Portanto, ó rei, tu deves deixá-lo em paz! Tu, no entanto, serás capaz de vencer por um único dia somente o restante das forças de Yudhishthira junto com teus inimigos, os quatro filhos de Pandu!" Vaisampayana continuou, "Tendo dito estas palavras àquele príncipe, o adorável Hara de três olhos, o destruidor de todos os pecados, o consorte de Uma, e senhor das bestas selvagens, o destruidor do sacrifício (de Daksha), o matador de Tripura e Ele que tinha arrancado os olhos de Bhaga, cercado por seus seguidores pigmeus e corcundas e terríveis tendo olhos pavorosos e orelhas e braços erguidos, desapareceu, ó tigre entre reis, daquele lugar com sua consorte Uma! E o perverso Jayadratha também voltou para casa, e os filhos de Pandu continuaram a morar na floresta de Kamyaka." 271 Janamejaya disse, "O que fizeram aqueles tigres entre homens, os Pandavas, depois que eles tinham sofrido tal tristeza por consequência do rapto de Draupadi?" Vaisampayana disse, "Tendo derrotado Jayadratha e resgatado Krishna, o rei virtuoso Yudhishthira tomou seu assento ao lado daquele melhor dos Munis. E entre aqueles principais dos ascetas que estavam expressando seu pesar por Draupadi sofrer tal infortúnio, Yudhishthira, o filho de Pandu, se dirigiu a Markandeya, dizendo, 'Ó Senhor adorável, entre os deuses e os ascetas, tu és conhecido por ter o conhecimento mais completo do passado assim como do futuro. Uma dúvida existe na minha mente, a qual eu te pedirei para esclarecer! Esta senhora é a filha de Drupada; ela emanou do altar sacrifical e não foi gerada da carne; e ela é altamente abençoada e é também a nora do ilustre Pandu. Eu me inclino a pensar que o Tempo e o Destino humano que depende das nossas ações, e o Inevitável, são irresistíveis em relação às criaturas. (Se não fosse assim), como tal desgraça poderia afligir esta nossa esposa tão fiel e virtuosa, como uma acusação falsa de roubo contra um homem honesto? A filha de Drupada nunca cometeu alguma ação pecaminosa, nem fez alguma coisa que não fosse louvável, muito pelo contrário, ela tem praticado assiduamente as virtudes mais elevadas para com os Brahmanas. E ainda assim o rei tolo Jayadratha levou- a à força. Por causa deste ato de violência sobre ela, aquele patife pecaminoso teve seu cabelo raspado de sua cabeça e sofreu também, com todos seus aliados, derrota em combate. É verdade que nós a resgatamos depois de massacrar as tropas de Sindhu. Mas a ignomínia deste rapto de nossa esposa durante nossas horas de descuido nos maculou, de fato. Esta vida na selva é cheia de misérias. Nós subsistimos por meio da caça; e embora morando nas florestas, nós somos obrigados a matar os habitantes dela que vivem conosco! Este exílio também que nós sofremos é devido à ação de parentes enganadores! Há alguém que seja mais infeliz do que eu sou? Tu alguma vez viste ou ouviste sobre alguém assim antes?" 272 “Markandeya disse, ‘Ó touro da raça Bharata, o próprio Rama sofreu miséria sem paralelo, pois Ravana de mente má, o rei dos Rakshasas, recorrendo ao engano e dominando o urubu Jatayu, levou embora à força sua esposa Sita do seu retiro nas florestas. De fato, Rama, com a ajuda de Sugriva, trouxe-a de volta, construindo uma ponte através do mar, e consumindo Lanka com suas flechas de gume afiado.’” “Yudhishthira disse, ‘Em que linhagem Rama nasceu e qual era a medida de seu poder e coragem? Filho de quem também era Ravana e por que foi que ele teve alguma dissensão com Rama? Cabe a ti, ó ilustre, me dizer tudo isto em detalhes; pois eu anseio ouvir a história das grandes realizações de Rama!’” "Markandeya disse, 'Escute, ó príncipe da linhagem de Bharata, a esta história antiga exatamente como aconteceu! Eu te falarei tudo acerca da angústia sofrida por Rama junto com sua esposa. Havia um grande rei chamado Aja nascido da linhagem de Ikshwaku. Ele teve um filho chamado Dasaratha que era devotado ao estudo dos Vedas e era sempre puro. E Dasaratha teve quatro filhos familiarizados com moralidade e lucro conhecidos pelos nomes, respectivamente, de Rama, Lakshmana, Satrughna, e o poderoso Bharata. E Rama teve como sua mãe Kausalya, e Bharata teve como sua mãe Kaikeyi, enquanto aqueles flagelos de seus inimigos Lakshmana e Satrughna eram os filhos de Sumitra. E Janaka era o rei de Videha, e Sita era sua filha. E o próprio Tashtri a criou, desejando fazer dela a esposa querida de Rama. Eu agora te contei a história do nascimento de ambos, de Rama e de Sita. E agora, ó rei, eu narrarei para ti o nascimento de Ravana. Aquele Senhor de todas as criaturas e o Criador do Universo, isto é, o próprio Prajapati auto-criado, aquele deus possuidor de grande mérito ascético, é o avô de Ravana. E Pulastya teve um filho poderoso chamado Vaisravana gerado de uma vaca. Mas seu filho, deixando seu pai, foi até seu avô. E, ó rei, zangado por isso seu pai então criou um segundo ser dele mesmo. E com metade do seu próprio eu aquele regenerado nasceu de Visrava para se vingar em Vaisravana. Mas o Avô, satisfeito com Vaisravana, lhe deu imortalidade, e soberania de toda a riqueza do Universo, a guarda de um dos pontos cardeais, a amizade de Isana, e um filho chamado Nalakuvera. E ele também lhe deu Lanka para sua capital, a qual era protegida por hostes de Rakshasas, e também uma carruagem chamada Pushpaka capaz de ir a todos os lugares segundo a vontade do passageiro. E a monarquia dos Yakshas e a soberania sobre os soberanos também eram dele.'" 273 Markandeya disse, "O Muni chamado Visrava, que foi gerado da metade da alma de Pulastya, em um acesso de cólera, começou a olhar Vaisravana com grande raiva. Mas, ó monarca, Kuvera, o rei dos Rakshasas, sabendo que seu pai estava zangado com ele, sempre procurava agradá-lo. E, ó melhor da linhagem de Bharata, aquele rei dos reis que vivia em Lanka, e carregado sobre os ombros de homens, enviou três mulheres Rakshasa para servirem seu pai. Seus nomes, ó rei, eram Pushpotkata, Raka e Malini. E elas eram habilidosas em cantar e dançar e eram sempre assíduas em suas atenções àquele Rishi de grande alma. E aquelas senhoras de cintura esbelta competiam umas com as outras, ó rei, para gratificar o Rishi. E aquele ser adorável e de grande alma estava satisfeito com elas e lhes concedeu bênçãos. E para todas elas ele deu filhos magníficos segundo seu desejo. Dois filhos, aqueles principais dos Rakshasas chamados Kumvakarna e Ravana de dez cabeças, ambos inigualáveis sobre a terra em coragem, nasceram para Pushpotkata. E Malini teve um filho chamado Vibhishana, e Raka teve filhos gêmeos chamados Khara e Surpanakha. E Vibhishana superava eles todos em beleza. E aquela pessoa excelente era muito virtuosa e realizava assiduamente todos os ritos religiosos. Mas aquele principal dos Rakshasas, com dez cabeças, era o mais velho deles todos. E ele era religioso, e enérgico e possuidor de grande força e destreza. E o Rakshasa Kumvakarna era o mais poderoso em batalha, pois ele era feroz e terrível e um mestre perfeito das artes de ilusão. E Khara era competente na arte de manejar arco e flecha, e hostil para os Brahmanas, subsistindo de carne como ele fazia. E o feroz Surpanakha era fonte constante de incômodo para os ascetas. E os guerreiros, versados nos Vedas e diligentes em ritos cerimoniais, viviam todos com seu pai no Gandhamadana. E lá eles viram Vaisravana sentado com seu pai, possuidor de riquezas e conduzido nos ombros de homens. E tomados pelos ciúmes, eles resolveram realizar penitências. E com penitências ascéticas da espécie mais rigorosa eles gratificaram Brahma. E Ravana de dez cabeças, sustentando a vida por meio só do ar e cercado pelos cinco fogos sagrados e absorto em meditação, permaneceu em pé sobre uma perna por mil anos. E Kumvakarna com cabeça para baixo e com dieta controlada era constante em austeridades. E o sábio e magnânimo Vibhishana, fazendo jejuns e subsistindo somente de folhas secas e engajado em meditação, praticou austeridades severas por um longo período. E Khara e Surpanakha, com corações alegres, lhes protegiam e atendiam enquanto eles estavam realizando aquelas austeridades. E no fim de mil anos, aquele invencível de dez cabeças, cortando fora suas próprias cabeças, ofereceu-as como oferenda ao fogo sagrado. E por esta ação dele, o Senhor do Universo estava satisfeito com ele. E então Brahma, aparecendo pessoalmente para eles, lhes mandou desistirem daquelas austeridades e prometeu conceder bênçãos para cada um deles. E o adorável Brahma disse, ‘Eu estou satisfeito com vocês, meus filhos! Parem agora essas austeridades e peçam benefícios de mim! Quaisquer que possam ser seus desejos, eles, com a única exceção da imortalidade, serão realizados! Como tu ofereceste tuas cabeças ao fogo por grande ambição, elas adornarão novamente teu corpo como antes, de acordo com teu desejo. E o teu corpo não será desfigurado e tu serás capaz de assumir qualquer forma segundo teu desejo e te tornarás o conquistador de teus inimigos em batalha. Não há dúvida disto!' Então Ravana disse, 'Que eu nunca possa sofrer derrota nas mãos de Gandharvas, Celestiais, Kinnaras, Asuras, Yakshas, Rakshasas, Serpentes e todas as outras criaturas!' Brahma disse, 'Daqueles que tu mencionaste, tu nunca terás motivo para temer; à exceção de homens, (tu não terás razão para temer). Que o bem aconteça para ti! Assim isto foi ordenado por mim!' "Markandeya disse, 'Assim endereçado, o (Ravana) de dez cabeças estava muito satisfeito, pois por sua compreensão pervertida o comedor de homens desprezava seres humanos. Então o Avô se dirigiu a Kumbhakarna como antes. Sua razão sendo nublada pela escuridão, ele pediu por sono de longa duração. Dizendo, 'Assim será,' Brahma então se dirigiu a Vibhishana, 'Ó meu filho, eu estou muito satisfeito contigo! Peça qualquer benefício que te agrade!' Nisso, Vibhishana respondeu, 'Mesmo em grande perigo, que eu nunca me desvie do caminho da virtude, e embora ignorante, que eu possa, ó senhor adorável, ser iluminado com a luz do conhecimento divino!' E Brahma respondeu, 'Ó flagelo de teus inimigos, como a tua alma não se inclina para a iniquidade embora tu tenhas nascido na raça Rakshasa, eu te concedo imortalidade!'” “Markandeya continuou, ‘Tendo obtido este benefício, o Rakshasa de dez cabeças derrotou Kuvera em batalha e obteve dele a soberania de Lanka. Aquele Ser adorável, deixando Lanka e seguido por Gandharvas, Yakshas, Rakshas, e Kinnaras, foi viver no monte Gandhamadana. E Ravana tirou dele à força a carruagem celeste Pushpaka. E após isto Vaisravana a amaldiçoou, dizendo, ‘Esta carruagem nunca te conduzirá; ela levará aquele que te matará em combate! E como tu insultaste a mim, teu irmão mais velho, tu morrerás logo!’” "O pio Vibhishana, ó rei, trilhando o caminho seguido pelos virtuosos e possuidor de grande glória, seguiu Kuvera. Aquele adorável Senhor da riqueza, muito satisfeito com seus irmãos mais jovens, investiu-o com o comando das hostes Yaksha e Raksha. Por outro lado, os Rakshasas poderosos e comedores de homens e Pisachas, tendo se reunido, investiram Ravana de dez cabeças com sua soberania. E Ravana, capaz de assumir qualquer forma à vontade e terrível em destreza, e capaz também de percorrer o ar, atacou os deuses e os Daityas e tirou deles todas as suas posses de valor. E como ele tinha apavorado todas as criaturas, ele foi chamado de Ravana. E Ravana, capaz de reunir qualquer quantidade de poder, inspirou os próprios deuses com terror." 274 “Markandeya disse, ‘Então os Brahmarshis, os Siddhas e os Devarshis, com Havyavaha como seu porta-voz procuraram a proteção de Brahma. E Agni disse, ‘O filho poderoso de Visrava, aquele de dez cabeças não pode ser morto por causa da tua bênção! Dotado de grande poder ele oprime de todas as maneiras possíveis as criaturas da terra. Proteja-nos, portanto, ó adorável! Não há ninguém mais exceto tu para nos proteger!’” "Brahma disse, 'Ó Agni, ele não pode ser conquistado em batalha nem pelos deuses nem pelos Asuras! Eu já ordenei aquilo que é necessário para esse propósito. De fato sua morte está próxima! Estimulado por mim, o Deus de quatro cabeças já se encarnou para aquele objetivo. O próprio Vishnu, aquele principal dos batedores, realizará este objetivo!'” "Markandeya continuou, 'Então o Avô também pediu a Sakra, na presença deles, 'Tu, com todos os celestiais, nasça sobre a terra! E gerem em macacos e ursos filhos heróicos possuidores de grande força e capazes de assumir qualquer forma à vontade como aliados de Vishnu!' E nisto, os deuses, os Gandharvas e os Danavas rapidamente se reuniram para se aconselharem quanto a como eles deveriam nascer na terra de acordo com suas respectivas partes. E na presença deles o deus concessor de benefícios ordenou uma Gandharvi, de nome Dundubhi dizendo, 'Vá lá para realizar este objetivo.' E Dundubhi ouvindo estas palavras do Avô nasceu no mundo dos homens como a corcunda Manthara. E todos os celestiais principais, com Sakra e outros geraram prole nas esposas dos principais dos macacos e ursos. E aqueles filhos igualaram seus pais em força e fama. E eles eram capazes de rachar topos de montanha e suas armas eram pedras e árvores das espécies Sala e Tala. E seus corpos eram duros como diamante, e eles eram possuidores de força muito grande. E eles eram todos habilidosos em guerra e capazes de reunir qualquer quantidade de energia à vontade. E eles eram iguais a mil elefantes em poder, e eles pareciam com o vento em velocidade. E alguns deles viviam onde quer que eles desejassem, enquanto outros viviam em florestas. E o adorável Criador do Universo, tendo ordenado tudo isso, instruiu Manthara quanto ao que ela teria que fazer. E Manthara rápida como pensamento compreendeu todas as palavras dele, e foi para lá e para cá sempre empenhada em fomentar disputas." 275 “Yudhishthira disse, ‘Ó adorável, tu descreveste para mim em detalhes a história do nascimento de Rama e outros. Eu desejo saber o motivo de seu exílio. Ó Brahmana, conte por que os filhos de Dasaratha, os irmãos Rama e Lakshmana, foram para a floresta com a famosa princesa de Mithila.’” "Markandeya disse, 'O rei pio Dasaratha, sempre atento aos idosos e assíduo em cerimônias religiosas, ficou imensamente satisfeito quando aqueles filhos nasceram. E seus filhos gradualmente cresceram em poder e eles se tornaram conhecedores dos Vedas junto com todos os seus mistérios, e da ciência de armas. E quando depois de terem praticado os votos Brahmacharyya os príncipes estavam casados, o rei Dasaratha ficou feliz e muito satisfeito. E o inteligente Rama, o mais velho deles todos, tornou-se o favorito de seu pai, e agradou muito o povo com seu comportamento encantador. E então, ó Bharata, o rei sábio, considerando ele mesmo velho em idade, se aconselhou com seus ministros virtuosos e conselheiros espirituais para instalar Rama como regente do reino. E todos aqueles grandes ministros estavam de acordo que aquele era o momento para fazer isso. E, ó filho da linhagem de Kuru, o rei Dasaratha estava muito contente em contemplar seu filho, aquele realçador do deleite Kausalya, possuidor de olhos que eram vermelhos, e braços que eram vigorosos. E seus passos eram como aqueles de um elefante selvagem. E ele tinha braços compridos e ombros altos e cabelo preto e encaracolado. E ele era corajoso, e brilhante com esplendor, e não inferior ao próprio Indra em batalha. E ele era bem versado em escritos sagrados e era igual a Vrihaspati em sabedoria. Um objeto de amor para todo o povo, ele era habilidoso em todas as ciências. E com sentidos sob controle completo, seus próprios inimigos ficavam satisfeitos em contemplá-lo. E ele era o terror dos maus e o protetor dos virtuosos. E possuidor de inteligência e incapaz de ser confundido, ele era vitorioso sobre todos e nunca derrotado por alguém. E, ó descendente dos Kurus, contemplando seu filho, aquele realçador da alegria dos Kausalyas, o rei Dasaratha ficou muito satisfeito. E refletindo sobre as virtudes de Rama, o rei forte e poderoso se dirigiu alegremente ao sacerdote da família, dizendo, 'Abençoado sejas tu, ó Brahmana! Esta noite a constelação Pushya produzirá uma conjunção muito auspiciosa. Portanto, que materiais sejam reunidos e que Rama também seja convidado. Esta constelação Pushya durará até amanhã. E Rama, portanto, dever ser investido por mim e meus ministros como príncipe-regente de todos os meus súditos!'” “Enquanto isso Manthara (a criada de Kaikeyi), ouvindo estas palavras do rei, foi até sua patroa e falou para ela como era apropriado à ocasião. E ela disse, ‘Tua grande má sorte, ó Kaikeyi, foi hoje proclamada pelo rei! Ó infeliz, tu podes ser mordida por uma cobra feroz e enfurecida de veneno virulento! Kausalya, de fato, é afortunada, porque é o filho dela que será instalado no trono. Onde, de fato, está tua prosperidade, quando o teu filho não obtém o reino?’” "Ouvindo estas palavras de sua criada, a bela Kaikeyi de cintura fina colocou todos os seus ornamentos e procurou seu marido em um lugar retirado. E com um ânimo alegre, e sorrindo agradavelmente, ela dirigiu estas palavras a ele com todos os agrados de amor, 'Ó rei, tu és sempre verdadeiro em tuas promessas. Tu me prometeste antes me conceder um objeto de meu desejo. Cumpra aquela promessa agora e salve a ti mesmo do pecado de uma promessa não cumprida!' O rei respondeu, dizendo, 'Eu te concederei um benefício. Peça o que quer que tu desejes! Que homem não merecedor de morte deve ser morto hoje e quem que merece a morte é para ser posto em liberdade? Para quem eu concederei riqueza hoje, ou de quem riqueza será confiscada? Qualquer riqueza que aja neste mundo, salvo a que pertence aos Brahmanas, é minha! Eu sou o rei dos reis neste mundo, e o protetor de todas as quatro classes! Diga-me rapidamente, ó senhora abençoada, qual é aquele objeto sobre o qual tu colocaste o teu coração!' Ouvindo estas palavras do rei, e atando-o firmemente à sua promessa, e consciente também de seu poder sobre ele, ela se dirigiu a ele nestas palavras, 'Eu desejo que Bharata seja o recebedor desta investidura que tu planejaste para Rama, e que Rama entre em exílio vivendo na floresta de Dandaka por catorze anos como um asceta com madeixas emaranhadas na cabeça e vestido em trapos e camurças!' Ouvindo estas palavras desagradáveis de significado cruel, o rei, ó chefe da raça Bharata, estava extremamente aflito e ficou completamente atônito! Mas o poderoso e virtuoso Rama, sabendo que seu pai tinha sido assim solicitado, entrou na floresta para que a veracidade do rei permanecesse inviolada. E, abençoado sejas tu, ele foi seguido pelo auspicioso Lakshmana, aquele principal dos arqueiros, e sua esposa Sita, a princesa de Videha e filha de Janaka. E depois que Rama tinha entrado na floresta, o rei Dasaratha partiu de seu corpo, de acordo com a lei eterna do tempo. E sabendo que Rama não estava perto e que o rei estava morto, a rainha Kaikeyi, fazendo Bharata ser levado diante dela, dirigiu- se a ele nessas palavras, 'Dasaratha foi para o céu e Rama e Lakshmana estão na floresta! Tome este reino que é tão extenso e cuja paz não há rival para perturbar.' Nisso o virtuoso Bharata respondeu para ela dizendo, 'Tu fizeste um ato perverso, tendo matado teu marido e exterminado esta família só por cobiça de riqueza! Amontoando infâmia sobre minha cabeça, ó mulher amaldiçoada de nossa família, tu, ó mãe, alcançaste teu objetivo!' E tendo dito estas palavras, o príncipe lamentou alto. E tendo provado sua inocência perante todos os súditos daquele reino ele partiu na esteira de Rama, desejando trazê-lo de volta. E colocando Kausalya e Sumitra e Kaikeyi nos veículos na vanguarda de seu séquito, ele procedeu com o coração pesado, em companhia com Satrughna. E ele estava acompanhado por Vasishtha e Vamadeva, e outros Brahmanas aos milhares e pelo povo das cidades e das províncias, desejando trazer Rama de volta. E ele viu Rama com Lakshmana, vivendo nas montanhas de Chitrakuta com arco na mão e enfeitado com os ornamentos de ascetas. Bharata, no entanto, foi dispensado por Rama, que estava determinado a agir segundo as palavras de seu pai. E retornando, Bharata governou em Nandigrama, mantendo perante ele as sandálias de madeira de seu irmão. E Rama, temendo uma repetição de intrusão pelo povo de Ayodhya, entrou na grande floresta em direção ao retiro de Sarabhanga. E tendo prestado seus respeitos a Sarabhanga, ele entrou na floresta de Dandaka e fixou sua residência nas margens do belo rio Godavari. E enquanto vivia lá, Rama se envolveu em hostilidades com Khara, então residindo em Janasthana por causa de Surpanakha. E para a proteção dos ascetas o filho virtuoso da linhagem de Raghu matou catorze mil Rakshasas sobre a terra, e tendo matado aqueles Rakshasas poderosos, Khara e Dushana, o sábio descendente de Raghu tornou aquela floresta sagrada novamente livre de perigo.'” "E depois que aqueles Rakshasas tinham sido mortos, Surpanakha, com nariz e lábios mutilados se dirigiu para Lanka, a residência de seu irmão (Ravana). E quando aquela mulher Rakshasa, insensível pela dor e com manchas de sangue seco sobre seu rosto, apareceu perante Ravana, ela caiu aos seus pés. E vendo ela assim horrivelmente mutilada, Ravana ficou irracional com cólera e rangendo seus dentes ergueu-se de repente de seu assento. E dispensando seus ministros, ele a questionou em particular, dizendo, 'Irmã abençoada, quem te fez isso, me desprezando e desrespeitando? Quem é ele que tendo pegado uma lança de ponta afiada esfregou seu corpo com ela? Quem é ele que dorme em felicidade e segurança, depois de colocar um fogo perto de sua cabeça? Quem é ele que pisou sobre uma cobra vingativa de veneno virulento? Quem de fato, é aquela pessoa que permanece com sua mão enfiada dentro da boca do leão de juba?' Então chamas de ira irromperam do corpo dele, como aquelas que são emitidas à noite dos buracos de uma árvore em chamas. Sua irmã então relatou para ele a coragem de Rama e a derrota dos Rakshasas com Khara e Dushana em sua chefia. Informado da morte de seus parentes, Ravana, impelido pelo Destino, se lembrou de Maricha para matar Rama. E resolvendo a respeito do rumo que ele deveria seguir e tendo tomado providências para o governo de sua capital, ele consolou sua irmã, e partiu em uma viagem aérea. E cruzando as montanhas Trikuta e Kala, ele contemplou o vasto receptáculo de águas profundas, a residência dos Makaras. Então cruzando o Oceano, Ravana de dez cabeças alcançou Gokarna, o recanto favorito do deus ilustre armado com o tridente. E lá Ravana encontrou com seu velho amigo Maricha que, por medo do próprio Rama, tinha adotado um modo ascético de vida.'" 276 "Markandeya disse, 'Vendo Ravana chegar, Maricha recebeu-o com uma saudação respeitosa, e lhe ofereceu frutas e raízes. E depois que Ravana tinha tomado seu assento, e descansado por um momento, Maricha habilidoso em discurso sentou-se junto de Ravana e se dirigiu a ele que era igualmente eloquente em palavras, dizendo, 'Tua tez assumiu uma cor antinatural; está tudo bem com teu reino, ó rei dos Rakshasas? O que te trouxe aqui? Os teus súditos continuam a te prestar a mesma obediência que eles costumavam te prestar antes? Que assunto te trouxe aqui? Saiba que isto já está cumprido, mesmo que seja de realização muito difícil!’ Ravana, cujo coração estava agitado com cólera e humilhação o informou resumidamente das ações de Rama e das medidas que eram para serem tomadas.' E ao ouvir sua história Maricha respondeu sumariamente para ele, dizendo, 'Tu não deves provocar Rama, pois eu conheço sua força! Existe alguma pessoa que seja capaz de resistir ao ímpeto de suas setas? Aquele homem notável foi a causa de eu assumir minha atual vida ascética. Que criatura de mente má te instigou a este rumo planejado para trazer ruína e destruição sobre ti?' A isto Ravana respondeu indignadamente, repreendendo-o dessa maneira, 'Se tu não obedeceres minhas ordens, tu sem dúvida morrerás nas minhas mãos.' Maricha então pensou consigo mesmo, 'Como a morte é inevitável, eu cumprirei as ordens dele; pois é melhor morrer nas mãos de alguém que é superior.' Então ele respondeu ao senhor dos Rakshasas dizendo, 'Eu certamente te darei qualquer ajudar que eu possa!' Então Ravana de dez cabeças disse para ele, 'Vá e atraia Sita, assumindo a forma de um veado com chifres dourados e pele dourada! Quando Sita te observar dessa maneira ela certamente enviará Rama para te caçar. E então Sita indubitavelmente ficará em meu poder, e eu a levarei embora à força. E então aquele perverso Rama certamente morrerá de dor pela perda de sua esposa. Ajude-me dessa maneira!'” "Assim endereçado, Maricha realizou seus funerais (em antecipação) e com o coração triste seguiu Ravana que estava na frente dele. E tendo alcançado o eremitério de Rama de realizações difíceis ambos fizeram como arranjado antes. E Ravana apareceu na aparência de um asceta com cabeça raspada, adornado com um Kamandala e um bastão triplo. E Maricha apareceu na forma de um veado. E Maricha apareceu perante a princesa de Videha naquele aspecto. E impelida pelo Destino, ela mandou Rama atrás daquele veado. E Rama, com o objetivo de agradá-la, rapidamente pegou seu arco, e deixando Lakshmana atrás para protegê-la, partiu em perseguição àquele veado. E armado com seu arco e aljava e cimitarra, e seus dedos envolvidos em luvas de pele guana, Rama foi em busca daquele veado, do mesmo modo que Rudra seguindo o veado estelar antigamente. (Antigamente Prajapati, assumindo a forma de um veado, seguiu sua filha por luxúria, e Rudra, armado com um tridente, perseguiu Prajapati e cortou sua cabeça. Aquela cabeça de veado de Prajapati cortada do tronco se tornou a estrela, ou mais propriamente constelação chamada Mrigasiras.) E aquele Rakshasa atraiu Rama para uma grande distância por aparecer à frente dele em um momento e desaparecer de sua vista em outro. E quando Rama finalmente soube quem e o que aquele veado era, isto é, que ele era um Rakshasa, aquele descendente ilustre da raça de Raghu pegou uma seta infalível e matou aquele Rakshasa, no disfarce de um veado. E atingido pela seta de Rama, o Rakshasa, imitando a voz de Rama, gritou em grande angústia, chamando Sita e Lakshmana. E quando a princesa de Videha ouviu aquele grito de angústia, ela incitou Lakshmana a correr em direção ao quadrante de onde o grito vinha. Então Lakshmana disse a ela, “Senhora tímida, tu não tens razão para temer! Quem é tão poderoso a ponto de poder atingir Rama? Ó tu de doces sorrisos, em um momento tu verás teu marido Rama!’ Assim endereçada, a casta Sita, por causa daquela timidez que é natural para mulheres, ficou desconfiada até do puro Lakshmana, e começou a lamentar alto. E aquela senhora casta, devotada a seu marido, reprovou Lakshmana severamente, dizendo, ‘O objetivo que tu, ó tolo, nutres no teu coração, nunca será realizado! Eu preferiria me matar com uma arma ou me jogar do topo de uma colina ou entrar em um fogo ardente do que viver com um canalha miserável como tu, abandonando meu marido Rama, como um tigre fêmea sob a proteção de um chacal!” “Quando o afável Lakshmana, que gostava muito de seu irmão, ouviu estas palavras, ele fechou seus ouvidos (com suas mãos) e partiu no caminho que Rama tinha tomado. E Lakshmana saiu sem lançar um único olhar àquela senhora de lábios macios e vermelhos como a fruta Bimba. Enquanto isso, o Rakshasa Ravana, usando uma aparência distinta embora perverso no fundo, e semelhante a um fogo envolvido em uma pilha de cinzas, se mostrou lá. E ele apareceu lá no disfarce de um eremita, para tomar à força aquela dama de caráter irrepreensível. A filha virtuosa de Janaka, vendo ele chegar, recebeu-o com frutas e raízes e um assento. Desconsiderando estes e assumindo sua própria forma característica, aquele touro entre os Rakshasas começou a tranquilizar a princesa de Videha nestas palavras, 'Eu sou, ó Sita, o rei dos Rakshasas, conhecido pelo nome de Ravana! Minha cidade encantadora, conhecida pelo nome de Lanka, está no outro lado do grande oceano! Lá entre mulheres belas tu brilharás comigo! Ó senhora de lábios belos, abandonando o asceta Rama torne-te minha mulher!' A filha de Janaka de lábios belos, ouvindo estas e outras palavras semelhantes, fechou seus ouvidos e respondeu para ele, dizendo, 'Não fale assim! A abóbada do céu com todas as suas estrelas pode cair, a própria Terra pode ser quebrada em fragmentos, o próprio fogo pode mudar sua natureza por se tornar frio, ainda assim eu não posso abandonar o descendente de Raghu! Como pode um elefante fêmea, que tem vivido com o líder poderoso de uma manada com têmporas fendidas abandoná-lo e viver com um porco? Tendo uma vez experimentado o vinho doce preparado com mel ou flores, como pode uma mulher, eu imagino, apreciar o arrak ruim de arroz?' Tendo proferido aquelas palavras, ela entrou na cabana, seus lábios tremendo em cólera e seus braços se movendo para frente e para trás em emoção. Ravana, no entanto, seguiu-a até lá e interceptou seu progresso. E rudemente ralhada pelo Rakshasa, ela desmaiou. Mas Ravana agarrou-a pelos cabelos e ergueu-a no ar. Então um urubu enorme de nome Jatayu que vivia em um topo de montanha viu aquela dama desamparada assim chorando e rogando a Rama em grande angústia enquanto era raptada por Ravana." 277 "Markandeya disse, 'Aquele rei heróico dos urubus, Jatayu, tendo Sampati como seu irmão e o próprio Arjuna como seu pai, era um amigo de Dasaratha. E vendo sua nora Sita no colo de Ravana, aquele percorredor dos céus avançou em cólera contra o rei dos Rakshasas. E o urubu se dirigiu a Ravana, dizendo, 'Deixe a princesa de Mithila, deixe-a eu digo! Como tu podes, ó Rakshasa, arrebatá-la enquanto eu estou vivo? Se tu não libertares minha nora, tu não escaparás de mim com vida!' E tendo dito estas palavras Jatayu começou a ferir o rei dos Rakshasas com suas garras. E ele o lacerou em uma centena de diferentes partes de seu corpo por atingi-lo com suas asas e bico. E sangue começou a fluir tão copiosamente do corpo de Ravana como água de uma fonte de montanha. E atacado dessa maneira por aquele urubu desejoso do bem de Rama, Ravana, pegando uma espada, cortou as duas asas daquela ave. E tendo matado aquele rei dos urubus, enorme como um topo de montanha passando acima das nuvens, o Rakshasa se ergueu nas alturas com Sita em seu colo. E a princesa de Videha, onde quer que ela visse um retiro de ascetas, um lago, um rio, ou um tanque, jogava para baixo um ornamento dela. E contemplando no topo de uma montanha cinco principais dos macacos, aquela senhora inteligente jogou entre eles um pedaço largo de seu traje caro. E aquele pedaço de tecido belo e amarelo caiu, esvoaçando pelo ar, entre aqueles cinco principais dos macacos como relâmpago das nuvens. E aquele Rakshasa logo percorreu um grande caminho pelo firmamento como uma ave pelo ar. E logo o Rakshasa viu sua cidade adorável e encantadora de muitos portões, cercada por todos os lados por muros altos e construída pelo próprio Viswakrit. E o rei dos Rakshasas então entrou em sua própria cidade conhecida pelo nome de Lanka, acompanhado por Sita.'” "E enquanto Sita estava sendo raptada, o inteligente Rama, tendo matado o grande veado, retrocedeu seus passos e viu seu irmão Lakshmana (no caminho). E contemplando seu irmão, Rama o reprovou, dizendo, 'Como tu pudeste vir para cá, deixando a princesa de Videha em uma floresta que é frequentada pelos Rakshasas?' E refletindo sobre sua própria instigação para uma grande distância por aquele Rakshasa na aparência de um veado e sobre a chegada de seu irmão (deixando Sita sozinha no retiro), Rama estava cheio de agonia. E avançando rapidamente em direção a Lakshmana enquanto ainda o repreendia, Rama perguntou a ele, 'Ó Lakshmana, a princesa de Videha ainda está viva? Eu temo que ela não esteja mais!' Então Lakshmana lhe disse tudo acerca do que Sita tinha dito, especialmente aquela linguagem inapropriada dela subsequentemente. Com o coração ansioso Rama então correu em direção ao retiro. E no caminho ele viu um urubu enorme como uma montanha, jazendo em agonias de morte. E suspeitando que ele era um Rakshasa, o descendente da raça Kakutstha avançou em direção a ele junto com Lakshmana, esticando com grande força seu arco até um círculo. O urubu imenso, no entanto, se dirigindo a ambos, disse, 'Abençoado sejam vocês, eu sou o rei dos urubus, e amigo de Dasaratha!' Ouvindo essas palavras dele, ambos Rama e seu irmão puseram de lado seus arcos excelentes e disseram, 'Quem é este que fala o nome de nosso pai nessas matas?' E então eles viram que a criatura era uma ave desprovida das duas asas, e aquela ave então falou a eles da sua própria derrota nas mãos de Ravana por causa de Sita. Então Rama perguntou ao urubu a respeito do caminho que Ravana tinha tomado. O urubu lhe respondeu por um aceno de sua cabeça e então deu seu último suspiro. E compreendendo pelo sinal do urubu que Ravana tinha ido em direção ao sul, Rama, reverenciando o amigo de seu pai, fez seus ritos fúnebres serem devidamente realizados. Então aqueles castigadores de inimigos, Rama e Lakshmana, cheios de aflição pelo sequestro da princesa de Videha, tomaram um caminho para o sul através das florestas Dandaka contemplando ao longo de seu caminho muitos retiros inabitados de ascetas, cobertos com assentos de erva Kusa e guarda-sóis de folhas e cântaros quebrados, e abundando com centenas de chacais. E naquela grande floresta, Rama junto com o filho de Sumatra contemplou muitos rebanhos de veados correndo em todas as direções. E eles ouviram um tumulto alto de várias criaturas, semelhante ao que é ouvido durante um incêndio da floresta que se espalha rápido. E logo eles contemplaram um Rakshasa sem cabeça de aparência terrível. E aquele Rakshasa era escuro como as nuvens e enorme como uma montanha, com ombros largos como aqueles de uma árvore Sala, e com braços que eram gigantescos. E ele tinha um par de olhos grandes em seu peito, e a abertura de sua boca estava colocada em sua barriga ampla. E aquele Rakshasa agarrou Lakshmana pela mão, sem qualquer dificuldade. E agarrado pelo Rakshasa, o filho de Sumitra, ó Bharata, ficou completamente desnorteado e impotente. E lançando seus olhares em Rama, aquele Rakshasa sem cabeça começou a puxar Lakshmana em direção à parte de seu corpo onde sua boca estava. E Lakshmana em aflição se dirigiu a Rama, dizendo, 'Veja minha situação! A perda do teu reino, e então a morte de nosso pai, e então o sequestro de Sita, e finalmente este desastre que me alcançou! Ai, eu não te verei retornar com a princesa de Videha para Kosala e sentar-te sobre teu trono ancestral como o soberano da Terra inteira! Somente aqueles que são afortunados verão o teu rosto, como a lua emergida das nuvens, depois do banho da tua coroação em água santificada com erva Kusa e arroz frito e ervilhas pretas!' E o inteligente Lakshmana proferiu estas e outras lamentações semelhantes. O descendente ilustre, no entanto, da linhagem de Kakutstha impávido em meio ao perigo respondeu para Lakshmana, dizendo, 'Ó tigre entre homens, não ceda à aflição! O que é esta coisa quando eu estou aqui? Corte o braço direito dele e eu cortarei o esquerdo.' E enquanto Rama ainda estava falando assim, o braço esquerdo do monstro foi cortado por ele com um cimitarra afiada, como se, de fato, aquele braço fosse um talo de grão Tila. O filho poderoso de Sumitra então vendo seu irmão permanecendo à sua frente cortou com sua espada o braço direito também daquele Rakshasa. E Lakshmana também começou a golpear repetidamente o Rakshasa sob as costelas, e então aquele monstro enorme sem cabeça caiu sobre o solo e expirou rapidamente. E então saiu do corpo do Rakshasa uma pessoa de aparência celeste. E ele se mostrou aos irmãos, permanecendo por um momento nos céus, como o Sol em seu resplendor no firmamento. E Rama hábil em discurso questionou-o, dizendo, 'Quem tu és? Responda a mim que te pergunto. Por que motivo tal coisa poderia acontecer? Tudo isto me parece ser extremamente admirável!' Assim endereçado por Rama, aquele ser respondeu para ele, dizendo, 'Eu sou, ó príncipe, um Gandharva de nome Viswavasu! Foi pela maldição de um Brahmana que eu tive que assumir a forma e natureza de um Rakshasa. Quanto a ti mesmo, ó Rama, Sita foi raptada com violência pelo rei Ravana que mora em Lanka. Vá até Sugriva que te dará sua amizade. Lá, bastante perto do topo de Rishyamuka se encontra o lago conhecido pelo nome de Pampa de água sagrada e garças. Lá mora, com quatro de seus conselheiros, Sugriva, o irmão do rei-macaco Vali enfeitado com uma guirlanda de ouro. Indo até ele, informe-o da causa da tua tristeza. Em situação muito semelhante à tua própria, ele de prestará ajuda. Isso é tudo o que nós podemos dizer. Tu verás, sem dúvida, a filha de Janaka! Sem dúvida Ravana e outros são conhecidos pelo rei dos macacos!' Tendo dito estas palavras, aquele ser celestial de grande refulgência se fez invisível, e aqueles heróis, Rama e Lakshmana, ficaram muito admirados." 278 "Markandeya disse, 'Afligido pela dor por causa do sequestro de Sita, Rama não teve que ir muito mais adiante antes que ele alcançasse Pampa, aquele lago que abundava com lotos de várias espécies. E abanado pelas brisas frescas, deliciosas e fragrantes naquelas matas, Rama de repente se lembrou de sua cônjuge querida. E, ó monarca poderoso, pensando naquela sua esposa preciosa, e aflito ao pensamento de sua separação dela, Rama se entregou à lamentações. O filho de Sumitra então se dirigiu a ele dizendo, 'Ó tu que dás respeito apropriado para aqueles que o merecem, desânimo tal como este não deve ser permitido se aproximar de ti, como doença que nunca pode tocar um homem idoso levando uma vida normal! Tu obtiveste informações de Ravana e da princesa de Videha! Liberte-a agora com esforço e inteligência! Que nós agora nos aproximemos de Sugriva, aquele principal dos macacos, que está agora mesmo no topo da montanha! Conforte-te, porque eu, teu discípulo e escravo e aliado, estou próximo!' E endereçado por Lakshmana nestas e outras palavras do mesmo significado, Rama recuperou sua própria natureza e prestou atenção ao assunto diante dele. E se banhando nas águas de Pampa e oferecendo oblações com elas para seus antepassados, ambos aqueles irmãos heróicos, Rama e Lakshmana, partiram (para Rishyamuka). E chegando a Rishyamuka que abundava com frutas e raízes e árvores, aqueles heróis viram cinco macacos no topo do pico da montanha. E vendo eles se aproximarem Sugriva enviou seu conselheiro, o inteligente Hanuman, enorme como as montanhas Himavat, para recebê-los. E os irmãos, tendo primeiro trocado palavras com Hanuman, se aproximaram de Sugriva. E então, ó rei, Rama fez amizade com Sugriva. E quando Rama informou Sugriva do objetivo que ele tinha em vista, Sugriva mostrou a ele o pedaço de tecido que Sita tinha deixado cair entre os macacos, enquanto era raptada por Ravana. E tendo obtido dele aquelas credenciais, o próprio Rama instalou Sugriva, aquele principal dos macacos, na soberania de todos os macacos da Terra. E Rama também prometeu matar Vali em combate. E tendo chegado àquele acordo e colocando a mais completa confiança uns nos outros, eles todos se dirigiram para Kiskindhya, desejosos de lutar (com Vali). E chegando em Kiskindhya, Sugriva deu um rugido alto profundo como aquele de uma catarata. Incapaz de tolerar aquele desafio, Vali estava para sair mas (sua esposa) Tara ficou no caminho, dizendo, ‘Ele mesmo dotado de grande força, a maneira na qual Sugriva está rugindo mostra, eu penso, que ele encontrou ajuda! Não cabe a ti, portanto, sair!’ Assim endereçado por ela, aquele rei dos macacos, o eloquente Vali, enfeitado com uma guirlanda dourada respondeu para Tara de rosto belo como a lua, dizendo, 'Tu compreendes a voz de todas as criaturas. Diga-me depois de reflexão de quem é a ajuda que este meu irmão somente em nome obteve!' Assim endereçada por ele Tara dotada de sabedoria e possuidora da refulgência da lua respondeu para seu marido depois de um momento de reflexão, dizendo, 'Ouça, ó monarca dos macacos! Aquele principal dos arqueiros, dotado de grande poder, Rama o filho de Dasaratha, cuja cônjuge foi raptada, fez uma aliança ofensiva e defensiva com Sugriva! E seu irmão, o inteligente Lakshmana, também de braços poderosos, o filho invicto de Sumitra, permanece junto a ele para o sucesso do objetivo de Sugriva. E Mainda e Dwivida, e Hanuman o filho de Pavana, e Jamvuman, o rei dos ursos, estão ao lado de Sugriva como seus conselheiros. Todos estes ilustres são dotados de grande força e inteligência. E estes todos, dependendo do poder e energia de Rama, estão preparados para a tua destruição!' Ouvindo estas palavras dela que eram para seu benefício, o rei dos macacos desconsiderou-as completamente. E cheio de ciúmes, ele também suspeitou que ela tinha fixado seu coração em Sugriva! E se dirigindo a Tara em palavras duras, ele saiu de sua caverna e chegando perante Sugriva, que estava permanecendo ao lado das montanhas de Malyavat, ele falou a ele dessa maneira, 'Frequentemente derrotado antes por mim, afeiçoado como tu és à vida, tu és permitido por mim escapar com vida devido ao teu parentesco comigo! O que te fez desejar a morte tão logo?' Assim endereçado por Vali, Sugriva, aquele matador de inimigos, como se dirigindo ao próprio Rama para informá-lo do que tinha acontecido, respondeu para seu irmão nestas palavras de significação solene, 'Ó rei, roubado por ti de minha esposa e meu reino também, que necessidade eu tenho da vida? Saiba que é por isso que eu vim!' Então se dirigindo um ao outro nestas e outras palavras de mesma significação, Vali e Sugriva se precipitaram para o confronto, lutando com árvores Sala e Tala e pedras. E eles derrubaram um ao outro no chão. E saltando alto no ar, eles golpearam um ao outro com seus punhos. E lacerados pelas unhas e dentes um do outro, ambos estavam cobertos com sangue. E os dois heróis brilhavam por causa disso como um par de Kinshukas florescentes. E enquanto eles lutavam entre si, nenhuma diferença (em aspecto) podia ser observada de maneira a distingui-los. Então Hanuman colocou no pescoço de Sugriva uma guirlanda de flores. E aquele herói então brilhou com aquela guirlanda em seu pescoço, como o belo e enorme topo de Malya com seu cinto de nuvens. E Rama, reconhecendo Sugriva por aquele sinal, então esticou seu principal dos arcos enormes, visando Vali como seu alvo. E o ressoar do arco de Rama parecia com o rugido de uma máquina. E Vali, perfurado no coração por aquela seta, tremeu em pavor. E Vali, seu coração tendo sido trespassado, começou a vomitar sangue. E ele então contemplou Rama permanecendo perante ele com o filho de Sumatra ao seu lado. E censurando aquele descendente da linhagem de Kakutstha, Vali caiu no chão e ficou insensível. E Tara então viu aquele seu marido possuidor da refulgência da Lua, jazendo prostrado na terra nua. E depois que Vali tinha sido assim morto, Sugriva recuperou a posse de Kishkindhya, e junto com esta, da viúva Tara também de rosto belo como a lua. E o inteligente Rama também morou sobre o leito belo da colina Malyavat por quatro meses, devidamente venerado por Sugriva todo o tempo.” "Enquanto isso Ravana, excitado pela luxúria, tendo alcançado sua cidade de Lanka, colocou Sita em uma residência parecida com o próprio Nandana dentro de uma floresta de Asokas, que parecia com um retiro de ascetas. E Sita de olhos grandes passava seus dias lá em aflição, vivendo de frutas e raízes, praticando austeridades ascéticas com jejuns, vestida em traje ascético, e definhando dia a dia pensando em seu marido ausente. E o rei dos Rakshasas designou muitas mulheres Rakshasa armadas com dardos farpados e espadas e lanças e machados de combate e maças e tições flamejantes, para guardá-la. E algumas dessas tinham dois olhos, e algumas três. E algumas tinham olhos em suas testas. E algumas tinham línguas compridas e algumas não tinham nenhuma. E algumas tinham três peitos e algumas tinham somente uma perna. E algumas tinham três tranças emaranhadas em suas cabeças, e algumas tinham somente um olho. E estas, e outras de olhos brilhantes e cabelo duro como o do camelo, permaneceram junto de Sita circundando-a dia e noite a muito atentamente. E aquelas mulheres Pisacha de voz horrível e aspecto terrível sempre se dirigiam àquela dama de olhos grandes nos tons mais cruéis. E elas diziam, 'Vamos comê- la, vamos mutilá-la, vamos rasgá-la em pedaços, ela que mora aqui desconsiderando nosso marido!' E cheia de dor pela separação de seu marido, Sita deu um suspiro profundo e respondeu àquelas mulheres Rakshasa, dizendo, 'Senhoras veneráveis, me comam sem demora! Eu não desejo viver sem aquele meu marido, de olhos como folhas de lótus e madeixas onduladas, e azul em cor! Realmente, sem comida e sem o menor amor pela vida eu emaciarei meus membros, como uma cobra fêmea (hibernando) dentro uma árvore Tala. Saibam com certeza que eu nunca procurarei a proteção de qualquer outra pessoa além do descendente de Raghu. E sabendo disso, façam o que vocês acharem conveniente!' E ouvindo essas palavras dela, aquelas Rakshasas com vozes dissonantes foram ao rei dos Rakshasas, para relatar para ele tudo o que ela tinha dito. E quando aquelas Rakshasas tinham ido (falar com o rei), uma de seu grupo conhecida pelo nome de Trijata, que era virtuosa e agradável em palavras, começou a consolar a princesa de Videha. E ela disse, 'Escute, ó Sita! Eu te direi uma coisa! Ó amiga, acredite no que eu digo! Ó tu de quadris formosos, abandone teus temores, e escute o que eu digo. Há um inteligente e idoso chefe dos Rakshasas conhecido pelo nome de Avindhya. Ele sempre procura o bem de Rama e me disse estas palavras por tua causa! 'Tranquilizando e animando a ela, fale a Sita em meu nome, dizendo: 'Teu marido, o poderoso Rama, está bem e é servido por Lakshmana. E o abençoado descendente de Raghu já fez amizade com Sugriva, o rei dos macacos, e está preparado para agir por ti! E, ó senhora tímida, não nutra medo por causa de Ravana, que é criticado pelo mundo inteiro, pois, ó filha, tu estás a salvo dele por causa da maldição de Nalakuvera. De fato, este canalha foi amaldiçoado antes por ele ter violado sua nora, Rambha. Aquele lascivo desgraçado não é capaz de violar alguma mulher pela força. Teu marido logo chegará, protegido por Sugriva e com o filho inteligente de Sumitra em seu séquito, e logo te tirará daqui! Ó senhora, eu tive um sonho muito terrível de mau presságio, indicando a destruição deste canalha de mente perversa da raça de Pulastya! Este viajante da noite de atos vis é, de fato, muito mau e cruel. Ele inspira terror em todos pelos defeitos de sua natureza e pela pecaminosidade de seu comportamento. E privado de sua razão pelo Destino, ele desafia os próprios deuses. Na minha visão eu vi todas as indicações de sua queda. Eu tenho visto ele de dez cabeças com sua cabeça raspada e com seu corpo lambuzado com óleo, afundado em lama, e no momento seguinte dançando sobre uma carruagem puxada por mulas. Eu tenho visto Kumbhakarna e outros, completamente nus e com cabeças raspadas, enfeitados com guirlandas e unguentos vermelhos, e correndo em direção ao sul. Só Vibhishana, com guarda-sol sobre sua cabeça, e ornado com um turbante, e com corpo enfeitado com guirlandas e unguentos brancos, eu vi subindo o topo da colina Branca. E eu vi quatro de seus conselheiros também, enfeitados com guirlandas e unguentos brancos, subindo o topo daquela colina junto com ele. Tudo isto pressagia que somente estes serão salvos do terror iminente. A terra inteira com seus oceanos e mares será envolvida pelas flechas de Rama. Ó senhora, teu marido encherá a terra inteira com sua fama. Eu também vi Lakshmana, consumindo todas as direções (com suas flechas) e subindo em uma pilha de ossos e bebendo sobre isso mel e arroz fervido em leite. E tu, ó senhora, foste vista por mim correndo em direção ao norte, chorando e coberta com sangue e protegida por um tigre! E, ó princesa de Videha, logo tu encontrarás felicidade, sendo reunida, ó Sita, com teu marido, aquele descendente de Raghu acompanhado por seu irmão!' Ouvindo estas palavras de Trijata, aquela moça com olhos semelhantes àqueles de uma gazela jovem começou novamente a nutrir esperanças de uma união com seu marido. E quando finalmente aquelas guardas Pisacha ferozes e cruéis voltaram, elas a viram sentada com Trijata como antes." 279 "Markandeya disse, 'E enquanto a casta Sita estava morando lá afligida pela melancolia e dor por causa de seu marido, vestida em traje pobre, com somente uma única jóia (no fio matrimonial em seu pulso), e chorando incessantemente, sentada em uma pedra, e servida por mulheres Rakshasa, Ravana, afligido pelas flechas do deus do desejo, foi até ela e se aproximou de sua presença. E inflamado pelo desejo, aquele conquistador em batalha dos deuses, dos Danavas, dos Gandharvas, dos Yakshas, e dos Kimpurushas, vestido em mantos celestes e possuindo feições bonitas, enfeitado com brincos adornados com pedras preciosas e usando uma guirlanda e coroa belas, entrou nos bosques Asoka, como uma encarnação da estação vernal. E vestido com cuidado, Ravana parecia com a árvore Kalpa no jardim de Indra. Mas embora enfeitado com todos os adornos, isto inspirou-a somente com pavor, como uma figueira de bengala embelezada no meio de um cemitério. E aquele vagueador da noite, tendo se aproximado da presença daquela dama de cintura fina, parecia com o planeta Saturno na presença de Rohini. E atingido pelas flechas do deus do emblema florido ele abordou aquela dama de quadris formosos então assustada como uma corça desamparada, e disse a ela estas palavras, 'Tu, ó Sita, tens mostrado demais teu respeito pelo teu marido! Ó tu de membros delicados, seja piedosa para mim. Deixe o teu corpo ser embelezado agora (por estas criadas em serviço). Ó dama excelente, aceite-te como teu marido! E, ó tu da cor mais bela, vestida em mantos e ornamentos caros, tome o primeiro lugar entre todas as mulheres da minha família. Muitas são as filhas dos celestiais e também dos Gandharvas que eu possuo! Eu sou marido também de muitas damas Danava e Daitya! Cento e quarenta milhões de Pisachas, duas vezes mais Rakshasas comedores de homens de atos terríveis, e três vezes mais tantos Yakshas cumprem minhas ordens! Alguns destes estão sob o domínio de meu irmão que é o senhor de todos os tesouros. Em meu salão para beber, ó dama excelente de coxas belas, Gandharvas e Apsaras me servem como eles fazem com meu irmão! Eu sou, além disso, o filho daquele Rishi regenerado, o próprio Visravas de mérito ascético elevado. Eu sou renomado, também, como o quinto Regente do Universo! E, ó senhora bela, de comida e víveres e bebidas do melhor tipo, eu tenho tanto quanto o próprio Senhor dos celestiais! Que todos os teus incômodos consequentes de uma vida nas florestas cessem! Ó tu de quadris formosos, seja minha Rainha, como a própria Mandodari!' Assim endereçada por ele, a bela princesa de Videha, virando-se e considerando-o como alguma coisa inferior a uma palha, respondeu para aquele vagueador da noite. E naquele momento a princesa de Videha, aquela moça de quadris belos, tinha seu peito profundo e compacto copiosamente encharcado por suas lágrimas inauspiciosas derramadas sem parar. E ela que considerava seu marido como seu deus, respondeu àquele patife desprezível, dizendo, 'Por pura má sorte, ó rei dos Rakshasas, é que eu sou obrigada a ouvir tais palavras de significado repugnante faladas por ti! Abençoado sejas tu, ó Rakshasa amoroso de prazeres sensuais, que o teu coração seja afastado de mim! Eu sou esposa de outro, sempre devotada a meu marido, e, portanto, incapaz de ser possuída por ti! Um ser humano impotente que eu sou, eu não posso ser uma esposa adequada para ti! Que alegria pode ser tua por usar violência em direção a uma mulher relutante? Teu pai é um Brahmana sábio, nascido de Brahma e igual àquele Senhor da criação! Por que tu, portanto, sendo igual a um Regente do Universo, não observas a virtude? Desgraçando teu irmão, aquele rei dos Yakshas, aquele adorável que é o amigo do próprio Maheswara, aquele senhor dos tesouros, como é aquele que tu não sentes vergonha?' Tendo dito estas palavras, Sita começou a chorar, seu peito tremendo em agitação, e cobrindo seu pescoço e rosto com suas roupas. E a trança longa e bem unida, preta e lustrosa, caindo da cabeça da dama que chorava, parecia com uma cobra preta. E ouvindo estas palavras cruéis proferidas por Sita, o tolo Ravana, embora assim rejeitado, se dirigiu a Sita mais uma vez, dizendo, 'Ó senhora, que o deus que tem o Makara como seu emblema me queime violentamente. Eu não me aproximarei, no entanto, em hipótese alguma, ó tu de doces sorrisos e quadris belos, de ti, porque tu estás relutante! O que eu posso fazer para ti que ainda sentes um respeito por Rama que é somente um ser humano e, portanto, nosso alimento?' Tendo dito essas palavras para aquela dama de feições impecáveis, o rei dos Rakshasas se tornou invisível imediatamente e foi embora para o lugar que lhe agradava. E Sita, cercada por aquelas mulheres Rakshasa, e tratada com ternura por Trijata, continuou a morar lá em aflição." 280 "Markandeya disse, 'Enquanto isso o descendente ilustre de Raghu, junto com seu irmão, tratado com hospitalidade por Sugriva, continuou a morar sobre o leito da colina Malyavat, contemplando todos os dias o céu azul claro. E uma noite, enquanto fitava do topo da montanha a lua brilhante no céu sem nuvens circundada por planetas e estrelas e corpos estelares, aquele matador de inimigos foi de repente despertado (para uma recordação de Sita) pelas frias brisas fragrantes com os perfumes dos lírios, lotos e outras flores da mesma espécie. E o virtuoso Rama, abatido em disposição ao pensar no cativeiro de Sita na residência do Rakshasa, dirigiu-se ao heróico Lakshmana de manhã dizendo, 'Vá, Lakshmana, e procure em Kishkindhya aquele rei ingrato dos macacos, que compreende bem seu próprio interesse e está agora mesmo indulgenciando em dissipações, aquele insensato vil de sua raça a quem eu instalei em um trono e a quem todos os símios e macacos e ursos devem lealdade, aquele camarada por cuja causa, ó perpetuador poderosamente armado da linhagem de Raghu, Vali foi morto por mim com tua ajuda na floresta de Kishkindhya! Eu considero aquele pior dos macacos na terra como sendo muito mal-agradecido, pois, ó Lakshmana, aquele canalha agora esqueceu a mim que estou mergulhado em tal angústia! Eu penso que ele está relutante em cumprir sua promessa, desconsiderando, por embotamento de compreensão, alguém que lhe fez tais serviços! Se tu o encontrares indiferente e rolando em alegrias sensuais, tu deves então enviá-lo, pelo caminho que Vali foi feito seguir, à meta comum de todas as criaturas! Se, por outro lado, tu vires aquele principal dos macacos se deleitar em nossa causa, então, ó descendente de Kakutstha, tu deves trazê-lo para cá contigo! Ande depressa, e não demore!' Assim endereçado por seu irmão, Lakshmana, sempre atento às ordens e bem-estar de seus superiores, partiu levando consigo seu belo arco com corda e setas. E alcançando os portões de Kishkindhya ele entrou na cidade incontestado. E sabendo que ele estava zangado, o rei dos macacos se adiantou para recebê-lo. E com sua mulher, Sugriva o rei dos macacos, com o coração humilde, recebeu-o alegremente com honras devidas. E o intrépido filho de Sumitra então disse a ele o que Rama tinha dito. E tendo ouvido tudo em detalhes, ó monarca poderoso, Sugriva, o rei dos macacos com sua mulher e empregados, uniu suas mãos, e disse alegremente para Lakshmana, aquele elefante entre homens, estas palavras: 'Eu não sou, ó Lakshmana, nem mau, nem mal-agradecido, nem desprovido de virtude! Ouça que esforços eu tenho feito para descobrir o lugar do cativeiro de Sita! Eu tenho despachado macacos diligentes em todas as direções. Todos estipularam retornar dentro de um mês. Eles, ó herói, investigarão a terra inteira com suas florestas e colinas e mares, suas aldeias e cidades e municípios e minas. Estão faltando somente cinco noites para completar aquele mês, e então tu, com Rama, ouvirás informações de grande alegria!'” "Assim endereçado por aquele rei inteligente dos macacos, Lakshmana de grande alma ficou apaziguado, e ele por sua vez reverenciou Sugriva. E acompanhado por Sugriva ele voltou até Rama no leito da colina Malyavat. E se aproximando dele, Lakshmana informou-o do início já feito com relação ao seu empreendimento. E logo milhares de chefes dos macacos começaram a retornar, depois de terem investigado cuidadosamente os três quadrantes da terra, isto é, o Norte, o Leste e o Oeste. Mas aqueles que tinham ido em direção ao Sul não apareceram. E aqueles que voltaram responderam a Rama, dizendo que embora eles tivessem investigado a terra inteira com seu cinto de mares, ainda assim eles não puderam encontrar nem a princesa de Videha nem Ravana. Mas aquele descendente da linhagem de Kakutstha, profundamente aflito, lidou para viver ainda baseando suas esperanças (de ouvir notícias de Sita), nos grandes macacos que tinham ido em direção ao Sul.” "Depois do lapso de dois meses, vários macacos procurando com pressa a presença de Sugriva se dirigiram a ele, dizendo, 'Ó rei, aquele principal dos macacos, o filho de Pavana, como também Angada, o filho de Vali, e os outros grandes macacos que tu despachaste para investigar a região sul voltaram e estão saqueando aquele pomar grande e excelente chamado Madhuvana, o qual era sempre protegido por Vali e que também tem sido bem protegido por ti depois dele!' Ouvindo sobre esta ação de liberdade da parte deles Sugriva deduziu o sucesso de sua missão, pois eram somente empregados que estivessem coroados com êxito que podiam agir dessa maneira. E aquele inteligente e principal dos macacos comunicou suas suspeitas para Rama. E Rama também, disto, adivinhou que a princesa de Mithila tinha sido vista. Então Hanuman e os outros macacos, tendo se revigorado dessa maneira, foram em direção a seu rei, que estava então permanecendo com Rama e Lakshmana. E, ó Bharata, observando o modo de andar de Hanuman e a cor de sua face, Rama estava fortalecido na convicção de que Hanuman realmente tinha visto Sita. Então aqueles macacos bem sucedidos, com Hanuman em sua dianteira, reverenciaram devidamente Rama e Lakshmana e Sugriva. E Rama então pegando seu arco e aljava, dirigiu-se àqueles macacos, dizendo, 'Vocês foram bem sucedidos? Vocês darão vida para mim? Vocês me possibilitarão reinar em Ayodhya depois de ter matado meu inimigo em batalha e resgatado a filha de Janaka? Com a princesa de Videha não resgatada, e o inimigo não morto em combate, eu não ouso viver, despojado de esposa e honra!' Assim endereçado por Rama, o filho de Pavana respondeu para ele dizendo, 'Eu te trago boas notícias, ó Rama; pois a filha de Janaka foi vista por mim. Tendo investigado a região sul com todas as suas colinas, florestas, e minas por algum tempo, nós ficamos muito cansados. Finalmente nós contemplamos uma grande caverna. E tendo-a visto, nós entramos naquela caverna que se estendia por muitos Yojanas. Ela era escura e profunda e coberta com árvores e infestada por bichos. E tendo seguido um grande caminho através dela, nós encontramos claridade e vimos um palácio belo. Ele era, ó Raghava, a residência do Daitya Maya. E lá nós contemplamos uma mulher asceta chamada Prabhavati engajada em austeridades ascéticas. E ela nos deu comida e bebida de várias espécies. E nos tendo refrescado com isso e recuperado nossa força, nós procedemos pelo caminho mostrado por ela. Finalmente nós saímos da caverna e vimos o mar salgado, e em suas margens, as grandes montanhas Sahya, Malaia e Dardura. E subindo as montanhas de Malaia, nós nos vimos perante o vasto oceano (residência de Varuna). E o contemplando nós nos sentimos extremamente aflitos em mente. E abatidos em disposição e afligidos pela dor e com fome, nós nos desesperamos de retornar com nossas vidas. Lançando nossos olhares no grande oceano se estendendo por muitas centenas de Yojanas e abundando em baleias e jacarés e outros animais aquáticos, nós ficamos ansiosos e cheios de aflição. Nós então nos sentamos juntos, decididos a morrermos lá de fome. E no decorrer de conversação aconteceu de nós falarmos do urubu Jatayu. Então no mesmo momento nós vimos uma ave enorme como uma montanha, de forma terrível, e inspirando terror em todos os corações, como um segundo filho de Vinata (Garuda). E se aproximando de nós sem intenção de nos devorar, ele disse, 'Quem são vocês que estão falando assim de meu irmão Jatayu? Eu sou seu irmão mais velho, de nome Sampati, e sou o rei das aves. Uma vez, nós dois, com o desejo de sobrepujar um ao outro, voamos em direção ao Sol. Minhas asas foram queimadas, mas as de Jatayu não. Aquela foi a última vez que eu vi meu querido irmão Jatayu, o rei dos urubus! Minhas asas queimaram, eu caí sobre o topo desta grande montanha onde eu ainda estou!' Quando ele terminou de falar, nós o informamos da morte de seu irmão em poucas palavras e também desta calamidade que aconteceu a ti! E, ó rei, o poderoso Sampati, ouvindo estas notícias desagradáveis de nós, ficou imensamente aflito e nos questionou novamente, dizendo, 'Quem é este Rama e por que Sita foi raptada e como Jatayu foi morto? Ó principais dos macacos, eu desejo saber tudo em detalhes!' Nós então informamos a ele de tudo acerca desta tua desventura e da razão também do nosso voto de fome. Aquele rei das aves então nos incitou (a desistirmos do nosso voto) por meio destas suas palavras: 'Ravana é, de fato, conhecido por mim. Lanka é sua capital. Eu a contemplei no outro lado do mar em um vale das colinas Trikuta! Sita deve estar lá. Eu tenho pouca dúvida disto!' Ouvindo estas palavras dele, nós levantamos rapidamente e começamos, ó castigador de inimigos, a nos aconselhar uns com os outros para cruzar o oceano! E quando ninguém ousou atravessá-lo, eu, recorrendo ao meu pai, cruzei o grande oceano que tem cem Yojanas de largura. E tendo matado as Rakshasis nas águas, eu vi a casta Sita dentro do harém de Ravana, observando austeridades ascéticas, ávida para ver seu marido, com madeixas emaranhadas na cabeça, e corpo lambuzado com sujeira, e magra, e melancólica e desamparada. Reconhecendo ela como Sita por aqueles sinais incomuns, e me aproximando daquela senhora venerável enquanto só, eu disse, 'Eu sou, ó Sita, um macaco emissário de Rama e gerado por Pavana! (Pavana é o deus do vento). Desejoso de ter uma visão de ti, eu vim para cá viajando pelos céus! Protegidos por Sugriva, aquele monarca de todos os macacos, os irmãos reais Rama e Lakshmana estão em paz! E Rama, ó senhora, com o filho de Sumitra, perguntou sobre teu bem-estar! E Sugriva também, por causa de sua amizade (com Rama e Lakshmana) perguntou pelo teu bem-estar. Seguido por todos os macacos teu marido logo estará aqui. Confie em mim, ó senhora adorável, eu sou um macaco e não um Rakshasa!' Assim endereçada por mim, Sita pareceu meditar por um momento e então me respondeu dizendo, 'Por causa das palavras de Avindhya eu sei que tu és Hanuman! Ó de braços poderosos, Avindhya é um Rakshasa idoso e respeitado! Ele me disse que Sugriva está cercado por conselheiros como tu. Tu podes partir agora!' E com estas palavras ela me deu esta jóia como uma credencial. E, de fato, foi por meio desta jóia que a impecável Sita foi capaz de suportar sua existência. E a filha de Janaka em seguida me disse como uma indicação dela, que por ti, ó tigre entre homens, uma folha de grama (inspirada com Mantras e assim convertida em uma arma fatal) foi uma vez disparada em um corvo enquanto vocês estavam no leito da colina imensa conhecida pelo nome de Chitrakuta! E isto ela disse como evidência de eu tê-la encontrado e de ela ser realmente a princesa de Videha. Eu então fiz com que eu mesmo fosse apanhado pelos soldados de Ravana, e então incendiei a cidade de Lanka!'" "Markandeya disse, 'Foi no leito daquela mesma colina onde Rama estava sentado com aqueles principais dos macacos que grandes chefes macacos, por ordem de Sugriva, começaram a se reunir. O sogro de Vali, o ilustre Sushena, acompanhado por mil crores de macacos ativos, foi até Rama. E aqueles dois principais dos macacos dotados de energia poderosa, isto é, Gaya e Gavakshya, cada um acompanhado por cem crores de macacos, se mostraram lá. E, ó rei, Gavakshya também de aparência terrível e dotado de um rabo bovino apareceu lá, tendo reunido sessenta mil crores de macacos. E o renomado Gandhamadana, morando sobre as montanhas do mesmo nome, reuniu cem mil crores de macacos. E o macaco inteligente e poderoso conhecido pelo nome de Panasa reuniu juntos cinquenta e dois (ou cinquenta e sete) crores de macacos. E aquele principal e ilustre dos macacos chamado Dadhimukha de energia poderosa reuniu um exército grande de macacos possuidores de bravura terrível. E Jamvuvan apareceu lá com cem mil crores de ursos negros de atos terríveis e faces tendo a marca Tilaka. E estes e muitos outros chefes dos principais dos macacos, incontáveis em número, ó rei, foram lá para auxiliar a causa de Rama. E dotados de corpos enormes como topos de montanha e rugindo como leões, alto era o tumulto que era ouvido lá, feito por aqueles macacos que corriam inquietamente de lugar em lugar. E alguns deles pareciam com picos de montanha, e alguns pareciam com búfalos. E alguns eram da cor das nuvens outonais e os rostos de alguns eram vermelhos como cinabre. E alguns se erguiam alto, e alguns desciam, e alguns davam cambalhotas, e alguns espalhavam poeira, enquanto eles se reuniam a partir de várias direções. E aquele exército de macacos, vasto como o mar na maré cheia, formou acampamento lá por ordem de Sugriva. E depois que aqueles principais dos macacos tinham se reunido de todas as direções, o descendente ilustre de Raghu, com Sugriva ao seu lado, partiu em um momento auspicioso de um dia muito propício sob uma constelação afortunada, acompanhado por aquela hoste agrupada em ordem de batalha, como se para o propósito de destruir todos os mundos. E Hanuman, o filho do deus do vento, estava na vanguarda daquela hoste, enquanto a retaguarda era protegida pelo filho destemido de Sumitra. E cercados pelos chefes dos macacos, aqueles príncipes da casa de Raghu com dedos envolvidos em pele de guana brilhavam, enquanto eles prosseguiam, como o Sol e a Lua no meio dos planetas. E aquela hoste de macacos armados com pedras e árvores Sala e Tala parecia muito semelhante a um campo de milho amplamente espalhado sob o sol da manhã. E aquele exército poderoso, protegido por Nala e Nila e Angada e Kratha e Mainda e Dwivida, marchou adiante para realizar o propósito de Raghava. E acampando sucessivamente, sem interrupção de qualquer tipo, em regiões amplas e salubres e vales ricos em frutas e raízes e água e mel e carne, a hoste de macacos finalmente alcançou a costa do mar salgado. E como um segundo oceano, aquele exército imenso com suas cores inumeráveis, tendo alcançado as margens do mar, estabeleceu sua residência lá. Então o ilustre filho de Dasaratha, se dirigindo a Sugriva entre todos aqueles macacos principais, falou para ele estas palavras que eram apropriadas para a ocasião, 'Este exército é grande. O oceano também é difícil de cruzar. Que artifício, portanto, se recomenda a ti para cruzar o oceano?' A estas palavras, muitos macacos vangloriosos responderam, 'Nós somos completamente capazes de atravessar o oceano.' Esta resposta, no entanto, não era de muita utilidade, porque nem todos podiam se valer daqueles meios. Algum dos macacos propuseram cruzar o mar em barcos, e alguns em balsas de vários tipos. Rama, no entanto, conciliando eles todos, disse, 'Isto não pode ser. O mar aqui tem cem Yojanas completas de largura. Todos os macacos, ó heróis, não serão capazes de atravessá-lo. Esta proposta, portanto, que vocês fizeram, não é congruente com a razão. Além disso nós não temos o número de barcos necessário para carregar todas as nossas tropas. Como, também, alguém como nós pode erguer tais obstáculos no caminho dos comerciantes? Nosso exército é muito grande. O inimigo pode fazer uma grande destruição se uma falha for descoberta. Portanto, cruzar o mar em barcos e balsas não se recomenda para mim. Eu, no entanto, rezarei ao Oceano pelos meios necessários. Abandonando alimento, eu me deitarei na costa. Ele certamente se mostrará para mim. Se, no entanto, ele não se mostrar, eu o castigarei então por meio das minhas armas formidáveis que são mais ardentes do que o próprio fogo e são incapazes de serem frustradas!' Tendo dito estas palavras, ambos Rama e Lakshmana tocaram água (como uma cerimônia purificatória, chamada de Achamana) e se deitaram devidamente em um leito de erva kusa no litoral. O Oceano divino e ilustre então, aquele senhor dos rios masculinos e femininos, cercado por animais aquáticos, apareceu para Rama em uma visão. E se dirigindo a Rama em tons gentis, o gênio do Oceano, cercado por inumeráveis minas de pedras preciosas, disse, 'Ó filho de Kausalya, diga-me qual ajuda, ó touro entre homens, eu devo te dar! Eu também surgi da linhagem de Ikshwaku e sou, portanto, um parente teu!' (Tradições representam os filhos do rei Sagara da linhagem Ikshwaku como os escavadores do oceano. Por isso o oceano é chamado de Sagara). Rama respondeu a ele dizendo, 'Ó senhor dos rios masculinos e femininos, eu desejo que tu me concedas um caminho para minhas tropas, passando pelo qual eu possa matar ele de dez cabeças (Ravana), aquele canalha da linhagem de Pulastya! Se tu não me concederes o caminho que eu te peço, eu então te secarei por meio das minhas setas celestes insufladas com mantras!' E ouvindo estas palavras de Rama, o gênio da residência de Varuna, juntando suas mãos, respondeu em grande aflição, 'Eu não desejo pôr qualquer obstáculo no teu caminho. Eu não sou teu inimigo! Escute, ó Rama, a estas palavras, e tendo escutado, faça o que for apropriado! Se, por tua ordem, eu arranjar um caminho para a passagem do teu exército, outros então, conforme a força de seus arcos, me mandarão fazer o mesmo! No teu exército há um macaco de nome Nala, que é um mecânico habilidoso. E dotado de grande força, Nala é o filho de Tashtri, o divino artífice do Universo. E seja madeira, ou grama ou pedra, que ele jogue em minhas águas, eu sustentarei o mesmo sobre minha superfície, e assim tu terás uma ponte (sobre a qual passar)!' E tendo dito estas palavras, o gênio do Oceano desapareceu. E Rama, despertando, chamou Nala até ele e disse, 'Construa uma ponte sobre o oceano! Somente tu, eu estou certo, és capaz de fazer isto!' E foi por estes meios que o descendente da linhagem de Kakutstha fez ser construída uma ponte que tinha dez Yojanas de largura e cem Yojanas de comprimento. E até hoje aquela ponte é célebre por todo o mundo pelo nome de ponte de Nala. E tendo completado aquela ponte, Nala, de corpo enorme como uma colina, foi embora por ordem de Rama.” "E enquanto Rama estava deste lado do oceano, o virtuoso Vibhishana, o irmão do rei dos Rakshasas, acompanhado por quatro de seus conselheiros, foi até Rama. E Rama de grande alma recebeu-o com saudação devida. Sugriva, no entanto, teve receio, pensando que ele poderia ser um espião. O filho de Raghu, entretanto, perfeitamente satisfeito (com Vibhishana), por consequência da sinceridade de seus esforços e das muitas indicações de sua boa conduta, venerou-o com respeito. E ele também instalou Vibhishana na soberania de todos os Rakshasas e o fez seu próprio conselheiro júnior, e um amigo de Lakshmana. E foi sob a orientação de Vibhishana, ó rei, que Rama com todas as suas tropas cruzou o grande oceano por meio daquela ponte no decorrer de um mês. E tendo cruzado o oceano e chegado a Lanka, Rama fez seus extensos e numerosos jardins serem devastados por seus macacos. E enquanto as tropas de Rama estavam lá, dois dos conselheiros e oficiais de Ravana, chamados Suka e Sarana, que tinham se aproximado como espiões, tendo assumido a forma de macacos, foram apanhados por Vibhishana. E quando aqueles vagueadores da noite assumiram suas reais formas Rakshasa, Rama mostrou a eles sua tropa e os dispensou tranquilamente. E tendo aquartelado suas tropas naqueles bosques que rodeavam a cidade, Rama então mandou o macaco Angada com grande sabedoria como seu enviado para Ravana." 282 "Markandeya disse, 'Tendo aquartelado seu exército naqueles arvoredos ricos em comida e água e em frutas e raízes, o descendente de Kakutstha começou a zelar por eles com cuidado. Ravana, por outro lado, plantou em sua cidade muitos dispositivos construídos segundo as regras de ciência militar. E sua cidade, naturalmente invulnerável por causa de seus fortes bastiões e portões, tinha sete trincheiras, que eram profundas e cheias de água até a borda e que abundavam com peixes e tubarões e jacarés, tornadas mais invulneráveis ainda por meio de estacas pontudas de madeira Khadira. E os baluartes, empilhados com pedras, eram feitos invulneráveis por meio de catapultas. E os guerreiros (que guardavam os muros) estavam armados com recipientes de barro cheios com cobras venenosas, e com pós resinosos de muitas espécies. E eles estavam também armados com cassetetes, e tições e flechas e lanças e espadas e machados de combate. E eles tinham também Sataghnis (instrumentos que matam uma centena) e maças resistentes embebidas em cera. (Tições ou tochas mergulhados em cera, planejados para serem jogados queimando entre o inimigo). E em todos os portões da cidade estavam plantados acampamentos móveis e imóveis guarnecidos por grandes números de infantaria auxiliados por inumeráveis elefantes e cavalos. E Angada, tendo alcançado um dos portões da cidade, foi tornado conhecido aos Rakshasas. E ele entrou na cidade sem suspeita ou medo. E circundado por inúmeros Rakshasas, aquele herói em sua beleza parecia com o próprio Sol no meio de massas de nuvens. E tendo se aproximado do herói da raça de Pulastya no meio de seus conselheiros, o eloquente Angada saudou o rei e começou a passar a mensagem de Rama nestas palavras, 'Aquele descendente de Raghu, ó rei, que governa em Kosala e cujo renome se espalhou pelo mundo inteiro, diz para ti estas palavras convenientes à ocasião. Aceite esta mensagem e aja em conformidade com ela! Províncias e cidades, por consequência de sua conexão com reis pecaminosos incapazes de controlar suas almas, são elas mesmas poluídas e destruídas. Pelo sequestro violento de Sita somente tu me prejudicaste! Tu, no entanto, te tornarás a causa de morte para muitas pessoas inocentes. Possuidor de poder e cheio de orgulho, tu, antes disto, mataste muitos Rishis que viviam nas florestas, e insultaste os próprios deuses. Tu assassinastes também muitos grandes reis e muitas mulheres lamentosas. Por essas tuas transgressões o castigo está prestes a te alcançar! Eu matarei a ti com teus conselheiros. Lute e mostre tua coragem! Ó vagueador da noite, veja o poder do meu arco, embora eu seja somente um homem! Liberte Sita, a filha de Janaka! Se tu não a libertares, eu tornarei a Terra desprovida de todos os Rakshasas com minhas flechas de gume afiado!' Ouvindo essas palavras desafiantes do inimigo, o rei Ravana mal as tolerou, ficando insensato com cólera. E então quatro Rakshasas habilidosos na leitura de todos os sinais de seu mestre agarraram Angada como quatro falcões agarrando um tigre. Com aqueles Rakshasas, no entanto, segurando-o firmemente por seus membros, Angada saltou para cima e desceu sobre o terraço do palácio. E como ele pulou com uma grande força, aqueles vagueadores da noite caíram no chão, e machucados pela violência da queda tiveram suas costelas quebradas. E do terraço dourado no qual ele tinha descido, ele deu um salto para baixo. E saltando por cima das paredes de Lanka, ele desceu para onde seus companheiros estavam. E se aproximando da presença do senhor de Kosala e informando-o de tudo, o macaco Angada dotado de grande energia se retirou para se revigorar, dispensado com o devido respeito por Rama. O descendente de Raghu então fez os baluartes de Lanka serem derrubados por um ataque unido de todos aqueles macacos dotados da velocidade do vento. Então Lakshmana, com Vibhishana e o rei dos ursos marchando na vanguarda explodiu o portão sul da cidade que era quase inexpugnável. Rama então atacou Lanka com cem mil crores de macacos, todos possuidores de grande habilidade em batalha, e dotados de cores avermelhadas como aquelas de camelos jovens. E aqueles crores de ursos acinzentados com braços compridos, e pernas e patas enormes, e geralmente se sustentando sobre suas ancas largas, foram também incitados a apoiar o ataque. E em consequência daqueles macacos pulando para cima e saltando para baixo, e saltando em direções transversais, o próprio Sol, seu disco brilhante completamente escurecido, ficou invisível por causa da poeira que eles ergueram. E os cidadãos de Lanka viram a parede de sua cidade assumir por toda a parte uma cor fulva, coberta por macacos de cores amarelas como as espigas de arroz, e cinzas como as flores Shirisha, e vermelhos como o Sol em alta, e brancos como linho ou cânhamo. E os Rakshasas, ó rei, com suas esposas e os mais velhos, foram tomados pelo espanto àquela visão. E os macacos guerreiros começaram a derrubar pilares feitos de pedras preciosas e os terraços e topos de mansões suntuosas. E quebrando em fragmentos os propulsores de catapultas e outros mecanismos, eles começaram jogá-los em volta em todas as direções. E erguendo os Sataghnis junto com os discos, os cassetetes, e pedras, eles os arremessaram na cidade com grande força e barulho alto. E atacados dessa maneira pelos macacos, aqueles Rakshasas que tinham sido colocados nas paredes para protegê-las fugiram precipitadamente às centenas e milhares.” "Então centenas de milhares de Rakshasas, de aparência terrível, e capazes de assumir qualquer forma à vontade, saíram por ordem do rei. E derramando uma perfeita chuva de setas e perfurando os habitantes da floresta, aqueles guerreiros, mostrando grande coragem, adornaram os baluartes. E logo aqueles vagueadores da noite, parecendo com massas de carne, e de aparência terrível, forçaram os macacos a deixar as paredes. E mutilados pelas lanças dos inimigos, numerosos chefes dos macacos caíram dos baluartes, e esmagados pela queda de colunas e portões numerosos Rakshasas também caíram para não mais se levantarem. E os macacos e os corajosos Rakshasas que começaram a comer o inimigo, lutaram, agarrando uns aos outros pelos cabelos, e mutilando e rasgando uns aos outros com suas unhas e dentes. E os macacos e os Rakshasas rugiram e gritaram terrivelmente, e enquanto muitos de ambos os partidos eram mortos e caíam para não mais se levantarem, nenhum dos dois lados abandonou a peleja. E Rama continuou todo o tempo a derramar uma espessa torrente de flechas como as próprias nuvens. E as flechas que ele atirou, envolvendo Lanka, mataram grandes números de Rakshasas. E o filho de Sumitra, também, aquele arqueiro poderoso incapaz de ficar fatigado em batalha, nomeando Rakshasas específicos colocados nos baluartes, matou-os com suas flechas de uma jarda. E então a hoste de macacos, tendo alcançado o êxito, foi retirada por ordem de Rama, depois de ter assim derrubado as fortificações de Lanka e feito todos os objetos dentro da cidade capazes de serem visados pela força sitiante." 283 "Markandeya disse, 'E enquanto aquelas tropas (assim retiradas) estavam descansando em seus alojamentos, muitos Rakshasas e Pisachas desprezíveis possuindo Ravana como seu líder penetraram entre eles. E entre esses estavam Parvana, Patana, Jambha, Khara, Krodha-vasa, Hari, Praruja, Aruja e Praghasa, e outros. E quando esses pecaminosos estavam penetrando (na hoste de macacos) em suas formas invisíveis, Vibhishana, que tinha o conhecimento disso, quebrou o encanto de sua invisibilidade. E uma vez vistos, ó rei, pelos macacos poderosos e de saltos longos, eles foram todos mortos e prostrados na terra, privados de vida. E incapaz de tolerar isso, Ravana marchou para fora na vanguarda de suas tropas. E cercado por seu exército terrível de Rakshasas e Pisachas, Ravana, que estava familiarizado com as regras de guerra como um segundo Usanas, cercou a hoste de macacos, tendo disposto suas tropas naquela ordem de batalha que recebeu o nome do próprio Usanas. E vendo Ravana avançando com seu exército disposto naquela formação militar, Rama, seguindo o modo recomendado por Vrihaspati, dispôs suas tropas em formação contrária para se opor àquele vagueador da noite. E se aproximando rapidamente Ravana começou a lutar com Rama. E Lakshmana escolheu Indrajit, e Sugriva escolheu Virupakshya, e Nikharvata lutou com Tara, e Nala com Tunda, e Patusa com Panasa. E cada guerreiro, avançando até aquele a quem ele considerava como seu igual, começou a lutar com ele naquele campo de batalha, confiando na força de seus próprios braços, e aquele confronto, tão pavoroso para pessoas tímidas, logo se tornou terrível e violento como aquele entre os deuses e os Asuras nos tempos passados. E Ravana cobriu Rama com uma chuva de dardos e lanças e espadas, e Rama também afligiu Ravana com suas flechas de ferro afiadas equipadas com as pontas mais penetrantes, e da mesma maneira Lakshmana atacou o contendente Indrajit com setas capazes de penetrar nas partes mais vitais e Indrajit também atacou o filho de Sumitra com uma chuva de flechas. E Vibhishana despejou sobre Prahasta e Prahasta despejou sobre Vibhishana, sem qualquer consideração um pelo outro, uma torrente grossa de flechas rápidas equipadas com as pontas mais afiadas. E assim entre aqueles poderosos guerreiros aconteceu lá um confronto de armas celestes de grande força, no qual os três mundos com suas criaturas móveis e imóveis ficaram extremamente aflitos." 284 "Markandeya disse, "Então Prahasta, avançando de repente até Vibhishana e proferindo um grito alto, golpeou-o com sua maça. Mas embora atingido por aquela maça de força terrível Vibhishana de braços poderosos de grande sabedoria, sem vacilar o mínimo, permaneceu imóvel como as montanhas de Himavat. Então Vibhishana, erguendo um dardo enorme e poderoso equipado com uma centena de sinos, insuflou-o com mantras e arremessou-o na cabeça de seu adversário. E pela impetuosidade daquela arma avançando com a força do raio a cabeça de Prahasta foi cortada fora, e nisso ele pareceu com uma árvore imensa quebrada pelo vento. E vendo aquele vagueador da noite, Prahasta, assim morto em batalha, Dhumraksha avançou com grande impetuosidade contra a hoste de macacos. E vendo os soldados de Dhumraksha, parecendo com nuvens e dotados de aparência terrível, avançando em direção a eles, os chefes dos macacos subitamente se dividiram e fugiram. E vendo aqueles principais dos macacos recuarem de repente, aquele tigre entre macacos, Hanuman, o filho de Pavana, começou a avançar. E vendo o filho de Pavana permanecendo ainda no campo de batalha, os macacos em retirada, ó rei, todos juntos se reagruparam rapidamente. Então foi imenso e formidável e terrível o tumulto que surgiu lá em consequência dos guerreiros de Rama e Ravana avançando uns contra os outros. E naquela batalha que devastava terrivelmente o campo logo ficou lamacento com sangue. E Dhumraksha afligiu a hoste de macacos com saraivadas de flechas aladas. Então aquele vencedor de inimigos, Hanuman, o filho de Pavana, apanhou rapidamente o líder dos Rakshasas que avançava. E o combate que ocorreu entre aquele macaco e o herói Rakshasa, um desejoso de derrotar o outro, foi violento e terrível, semelhante àquele de Indra e Prahlada (antigamente). E o Rakshasa golpeava o macaco com suas maças e clavas de pontas de ferro enquanto o macaco golpeava o Rakshasa com troncos de árvores não podadas de seus ramos. Então Hanuman, o filho de Pavana, matou em grande ira aquele Rakshasa junto com seu quadrigário e cavalos e quebrou sua carruagem também em pedaços. E contemplando Dhumraksha, aquele principal dos Rakshasas, assim morto, os macacos, abandonando todo o medo, avançaram contra o exército Rakshasa com grande coragem. E massacrados em grandes números pelos macacos vitoriosos e poderosos, os Rakshasas ficaram desanimados e fugiram com medo para Lanka. E o remanescente arruinado do exército Rakshasa, tendo alcançado a cidade, informou o rei Ravana de tudo o que tinha acontecido. E ouvindo deles que Prahasta e aquele arqueiro poderoso Dhumraksha, ambos, com seus exércitos, tinham sido mortos pelos macacos poderosos, Ravana deu um suspiro profundo e se levantando de um salto de seu assento excelente, disse, ‘Chegou a hora de Kumbhakarna agir.’ E tendo dito isso, ele despertou, por meio de vários instrumentos de som alto, seu irmão Kumbhakarna de seu sono profundo e prolongado. E tendo-o despertado com grandes esforços, o rei Rakshasa, ainda afligido pela ansiedade, dirigiu-se ao poderoso Kumbhakarna e falou a ele quando sentado tranquilamente em sua cama, tendo recuperado perfeitamente a consciência e presença de espírito, estas palavras, 'Tu, de fato, és feliz, ó Kumbhakarna, que podes desfrutar de repouso profundo e tranquilo, inconsciente da terrível calamidade que nos alcançou! Rama com sua hoste de macacos cruzou o Oceano por meio de uma ponte e desrespeitando todos nós está travando uma guerra terrível (contra nós). Eu furtivamente trouxe para cá sua esposa Sita, a filha de Janaka, e é para recuperá-la que ele veio para cá, depois de ter feito uma ponte sobre o grande Oceano. Nossos formidáveis parentes também, Prahasta e outros, já foram mortos por eles. E, ó flagelo de teus inimigos, não há outra pessoa, exceto tu, que possa matar Rama! Portanto, ó guerreiro, colocando tua armadura, parta hoje mesmo para o propósito de derrotar Rama e seus seguidores! Os dois irmãos mais novos de Dushana, Vajravega e Promathin, se juntarão a ti com suas forças!' E tendo dito isto para o poderoso Kumbhakarna, o rei Rakshasa deu instruções para Vajravega e Promathin quanto ao que eles deveriam fazer. E aceitando seu conselho, aqueles dois guerreiros irmãos de Dushana rapidamente marcharam para fora da cidade, precedidos por Kumbhakarna." 285 "Markandeya disse, "Então Kumbhakarna saiu da cidade acompanhado por seus seguidores. E logo ele contemplou as tropas vitoriosas de macacos acampadas à sua frente. E passando por elas com o objetivo de procurar Rama, ele viu o filho de Sumitra permanecendo em seu posto, arco na mão. Então os guerreiros macacos, avançando depressa em direção a ele, cercaram-no por todos os lados. E então eles começaram a golpeá-lo com inúmeras árvores grandes. E muitos entre eles destemidamente começaram a rasgar seu corpo com suas unhas. E aqueles macacos começaram a lutar com ele de várias maneiras aprovadas pelas leis de guerra. E eles logo submergiram aquele chefe dos Rakshasas com uma chuva de armas terríveis de várias espécies. E atacado por eles dessa maneira Kumbhakarna somente riu deles e começou a comê-los. E ele devorou aqueles principais dos macacos conhecidos pelos nomes de Chala, e Chandachala, e Vajravahu. E vendo aquela ação pavorosa do Rakshasa, outros macacos ficaram assustados e deram um lamento alto de medo. E ouvindo os gritos daqueles líderes dos macacos Sugriva audaciosamente avançou em direção a Kumbhakarna. E aquele rei dos macacos de grande alma, se aproximando rapidamente do Rakshasa, golpeou-o violentamente na cabeça com o tronco de uma árvore Sala. E embora Sugriva de grande alma sempre rápido em ação tivesse quebrado aquela árvore Sala na cabeça de Kumbhakarna, ele fracassou em fazer qualquer impressão naquele Rakshasa. E então, como se despertado de seu torpor por aquela pancada, Kumbhakarna esticando seus braços agarrou Sugriva à viva força. E vendo Sugriva arrastado para longe pelo Rakshasa, o filho heróico de Sumitra, aquele encantador de seus amigos, avançou em direção a Kumbhakarna. E aquele matador de heróis hostis, Lakshmana, avançando em direção a Kumbhakarna, disparou nele uma flecha impetuosa e poderosa equipada com asas douradas. E aquela flecha, atravessando sua cota de malha e penetrando em seu corpo, passou através dele completamente e entrou no solo, manchada com o sangue do Rakshasa. Kumbhakarna então, tendo seu peito assim atravessado, libertou o rei dos macacos. E erguendo uma enorme massa de pedra como sua arma, o guerreiro poderoso Kumbhakarna então avançou em direção ao filho de Sumitra, mirando-a nele. E quando o Rakshasa avançou em direção a ele Lakshmana cortou seus braços erguidos por meio de um par de flechas de gume afiado equipadas com cabeças parecendo navalhas. Mas logo que os dois braços do Rakshasa tinham sido assim cortados, o dobro daquele número de braços logo apareceu em seu corpo. O filho de Sumitra, no entanto, revelando sua habilidade com armas, logo por meio de flechas similares cortou aqueles braços também, cada qual tinha agarrado uma massa de pedra. Nisso, aquele Rakshasa assumiu uma forma imensamente enorme e equipada com numerosas cabeças e pernas e braços. Então o filho de Sumitra rachou, com uma arma Brahma, aquele guerreiro parecido com um conjunto de colinas. E fendido por meio daquela arma celeste, aquele Rakshasa caiu sobre o campo de batalha como uma árvore enorme com ramos espalhados subitamente destruída pelo raio do céu. E contemplando Kumbhakarna dotado de grande energia e parecido com o próprio Asura Vritra privado de vida e prostrado no campo de batalha, os guerreiros Rakshasa fugiram com medo. E vendo os guerreiros Rakshasa fugindo do campo de batalha, o irmão mais novo de Dushana, reagrupando-os, avançou em grande cólera sobre o filho de Sumitra. O filho de Sumitra, no entanto, com um rugido alto, recebeu com suas flechas aladas ambos aqueles guerreiros coléricos, Vajravega e Promathin, que avançavam em sua direção. O combate então, ó filho de Pritha, que ocorreu entre aqueles dois irmãos mais novos de Dushana em um lado e o inteligente Lakshmana no outro, foi extremamente violento e fez os pelos dos espectadores se arrepiarem. E Lakshmana submergiu os dois Rakshasas com uma chuva perfeita de flechas. E aqueles dois heróis Rakshasa, por outro lado, ambos estimulados pela fúria, cobriram Lakshmana com uma chuva de flechas como granizo. E aquela batalha terrível entre Vajravega e Promathin e o poderosamente armado Lakshmana durou por um momento curto. E Hanuman, o filho de Pavana, erguendo um pico de montanha, avançou em direção a um dos irmãos, e com aquela arma tirou a vida do Rakshasa Vajravega. E aquele macaco poderoso, Nala, também, com uma grande massa de rocha, esmagou Promathin, aquele outro irmão mais jovem de Dushana. A luta mortal, no entanto, entre os soldados de Rama e Ravana, avançando uns contra os outros, em vez de chegar a um fim mesmo depois disto, continuou violenta como antes. E centenas de Rakshasas foram mortos pelos habitantes da floresta, enquanto muitos dos últimos foram mortos pelos primeiros. A perda, no entanto, em mortos, dos Rakshasas era muito maior do que aquela dos macacos.” 286 "Markandeya disse, 'Sabendo que Kumbhakarna com seus seguidores tinha morrido em batalha como também aquele grande guerreiro Prahasta, e Dhumraksha também de energia poderosa, Ravana então se dirigiu ao seu filho heróico Indrajit dizendo, 'Ó matador de inimigos, mate em batalha Rama e Sugriva e Lakshmana. Meu bom filho, foi por ti que esta minha fama resplandecente foi adquirida por vencer em batalha aquele manejador do raio, o marido de Sachi de mil olhos! Tendo o poder de aparecer e desaparecer à tua vontade, mate, ó batedor de inimigos, meus inimigos por meio, ó tu principal de todos os manejadores de armas, de tuas flechas celestes recebidas como benefícios (dos deuses)! Rama e Lakshmana e Sugriva são incapazes de aguentar o mero toque das tuas armas. O que eu direi, portanto, dos seguidores deles? Aquela cessação de hostilidades que não pode ser ocasionada nem por Prahasta ou Kumbhakarna em batalha, sejas tu, ó poderosamente armado, a ocasionar! Matando meus inimigos com todo seu exército por meio de tuas flechas de gume afiado, aumente hoje a minha alegria, ó filho, como tu fizeste uma vez antes por derrotar Vasava!' Assim endereçado por ele, Indrajit disse ‘Assim seja’ e envolvido em armadura ele subiu rapidamente em sua carruagem e procedeu, ó rei, em direção ao campo de batalha. E então aquele touro entre os Rakshasas, anunciando ruidosamente seu próprio nome, desafiou Lakshmana dotado de marcas auspiciosas para um combate individual. E Lakshmana, assim desafiado, avançou em direção àquele Rakshasa, com seu arco e flechas, e infligindo terror no coração de seu adversário por meio da batida da corda de seu arco na proteção de couro da sua mão esquerda. E o combate que ocorreu entre aqueles guerreiros que desafiavam a coragem um do outro e cada um dos quais estava desejoso de derrotar o outro, e ambos os quais eram familiarizados com armas celestes, foi terrível ao extremo. Mas quando o filho de Ravana descobriu que ele não podia por meio de suas flechas obter qualquer vantagem sobre seu adversário, aquele principal dos guerreiros poderosos reuniu toda sua energia. E Indrajit então começou a arremessar em Lakshmana com grande força inúmeros dardos. O filho de Sumitra, no entanto, cortou-os em fragmentos por meio de suas próprias flechas de gume afiado. E aqueles dardos, assim cortados em pedaços pelas flechas de gume afiado de Lakshmana, caíram no chão. Então o belo Angada, o filho de Vali, erguendo uma árvore grande, avançou impetuosamente em Indrajit e golpeou-o com ela na cabeça. Impávido nisto, Indrajit de energia poderosa procurou atingir Angada com uma lança. Exatamente naquele momento, no entanto, Lakshmana cortou em pedaços a lança erguida pelo filho de Ravana. O filho de Ravana então pegou uma maça e bateu no flanco esquerdo daquele principal dos macacos, o heróico Angada que estava então permanecendo bem perto dele. Angada, o filho poderoso de Vali, pouco se importando com aquele golpe, arremessou em Indrajit um imenso tronco Sal. E lançada em cólera por Angada para a destruição de Indrajit, aquela árvore, ó filho de Pritha, destruiu a carruagem de Indrajit junto com seus cavalos e quadrigário. E nisso saltando de seu carro sem cavalos e sem motorista, o filho de Ravana desapareceu de vista, ó rei, pela ajuda de seus poderes de ilusão. E vendo aquele Rakshasa, abundantemente dotado de poderes de ilusão desaparecer tão subitamente, Rama procedeu em direção àquele local e começou a proteger suas tropas com cuidado. Indrajit, no entanto, com flechas, obtidas como benefícios dos deuses, começou a perfurar ambos, os poderosos Rama e Lakshmana, em todas as partes de seus corpos. Então os heróicos Rama e Lakshmana continuaram a lutar com suas flechas contra o filho de Ravana que tinha se tornado invisível por meio de seus poderes de ilusão. Mas Indrajit continuou a derramar em cólera sobre aqueles leões entre homens suas flechas de gume afiado às centenas e milhares. E procurando aquele guerreiro invisível que estava incessantemente despejando suas flechas, os macacos atravessaram todas as partes do firmamento, armados com massas enormes de pedra. A eles assim como aos dois irmãos, no entanto, o Rakshasa invisível começou a afligir com suas flechas. De fato, o filho de Ravana, se ocultando por meio de seus poderes de ilusão, atacou com fúria a hoste de macacos. E os irmãos heróicos Rama e Lakshmana, perfurados com flechas dos pés à cabeça, caíram sobre o solo como o Sol e a Lua caídos do firmamento.'" 287 "Markandeya disse, 'Contemplando ambos os irmãos Rama e Lakshmana prostrados no chão, o filho de Ravana confinou-os em uma rede daquelas flechas dele as quais ele tinha obtido como benefícios. E confinados por Indrajit no campo de batalha por meio daquela rede de flechas, aqueles tigres heróicos entre homens pareciam com um par de falcões presos em uma gaiola. E vendo aqueles heróis prostrados no chão perfurados por centenas de setas, Sugriva com todos os macacos permaneceu cercando-os por todos os lados. E o rei dos macacos ficou lá, acompanhado por Sushena e Mainda e Dwivida, e Kumuda e Angada e Hanuman e Nila e Tara e Nala. E Vibhishana, tendo obtido êxito em outra parte do campo, logo chegou àquele local, e despertou aqueles heróis da insensibilidade, acordando-os por meio da arma chamada Prajna. (Esta arma podia restaurar um guerreiro insensível à consciência, como a arma Sam-mohana podia privar um de consciência). Então Sugriva logo extraiu as flechas de seus corpos. E por meio daquele remédio mais eficaz chamado de Visalya, aplicado com mantras celestes, aqueles heróis humanos recuperaram sua consciência. (Visalya é uma planta medicinal de grande eficácia em curar cortes e ferimentos). E as flechas tendo sido extraídas de seus corpos, aqueles poderosos guerreiros ergueram-se em um instante de sua postura deitada, suas dores e fadiga completamente aliviadas. E vendo Rama, o descendente da linhagem de Ikshwaku, totalmente reconfortado, Vibhishana, ó filho de Pritha, juntando suas mãos; lhe disse estas palavras, 'Ó castigador de inimigos, por ordem do rei dos Guhyakas, um Guhyaka veio das montanhas Brancas, trazendo com ele sua água! (Os Guhyakas ocupam, na mitologia Hindu, uma posição seguinte somente àquela dos deuses, e superior àquela dos Gandharvas que são os coristas celestes. A montanha Branca é outro nome de Kailasa, o pico onde Siva tem sua residência). Ó grande rei, esta água é um presente de Kuvera para ti, para que todas as criaturas que são invisíveis possam, ó castigador de inimigos, se tornar visíveis para ti! Esta água passada sobre os olhos tornará toda criatura invisível visível para ti, como também para qualquer outra pessoa a quem tu possas dá-la!' Dizendo ‘Assim seja,’ Rama pegou aquela água sagrada, e santificou seus próprios olhos com ela. E Lakshmana de grande mente também fez o mesmo. E Sugriva e Jambuvan, e Hanuman e Angada, e Mainda e Dwivida, e Nila e muitos outros principais dos macacos banharam seus olhos com aquela água. E nisso aconteceu exatamente como Vibhishana tido dito, pois, ó Yudhishthira, logo os olhos de todos se tornaram capazes de contemplar coisas que não podiam ser vistas pelo olho nu!” "Enquanto isso, Indrajit, depois do êxito que ele tinha obtido, foi até seu pai. E tendo-o informado das façanhas que tinha realizado, ele voltou rapidamente ao campo de batalha e se colocou na vanguarda de seu exército. O filho de Sumitra então, sob a orientação de Vibhishana, avançou em direção àquele colérico filho de Ravana que voltava, por desejo de combate, a liderar o ataque. E Lakshmana, estimulado à fúria e recebendo uma dica de Vibhishana, e desejando matar Indrajit que não tinha terminado seu sacrifício diário, atingiu com suas flechas aquele guerreiro ansioso para obter sucesso. E desejosos de vencer um ao outro, o confronto que ocorreu entre eles foi extremamente admirável como aquele (antigamente) entre o Senhor dos celestiais e Prahrada. E Indrajit perfurou o filho de Sumitra com setas que penetravam em seus próprios órgãos vitais. E o filho de Sumitra também perfurou o filho de Ravana com setas de energia ardente. E perfurado pelas flechas de Lakshmana o filho de Ravana ficou irracional com cólera. E ele disparou em Lakshmana oito flechas ferozes como cobras venenosas. Ouça agora, ó Yudhishthira, enquanto eu te conto como o filho heróico de Sumitra então tirou a vida de seu adversário por meio de três flechas aladas possuidoras da energia e resplendor do fogo! Com uma dessas, ele cortou do corpo de Indrajit aquele braço de seu inimigo que segurava o arco. Com a segunda ele fez aquele outro braço que segurava as setas cair no chão. Com a terceira que era brilhante e possuidora do gume mais afiado ele cortou a cabeça dele ornada com um nariz belo e brilhante com brincos. E desprovido de braços e cabeça, o tronco se tornou pavoroso de se contemplar. E tendo matado o inimigo dessa maneira, aquele principal dos homens poderosos então matou com suas flechas o quadrigário de seu adversário. E os cavalos então arrastaram a carruagem vazia para a cidade. E Ravana então viu aquele carro sem seu filho sobre ele. E sabendo que seu filho tinha sido morto, Ravana permitiu seu coração ser dominado pela dor. E sob a influência da dor e aflição extremas, o rei dos Rakshasas de repente nutriu o desejo de matar a princesa de Mithila. E apanhando uma espada, o perverso Rakshasa correu rapidamente em direção àquela dama que permanecia dentro do bosque Asoka ansiando ver seu marido. Então Avindhya, vendo aquela intenção pecaminosa do canalha perverso, apaziguou sua fúria. Ouça, ó Yudhishthira, os argumentos usados por Avindhya! Aquele Rakshasa sábio disse, 'Colocado como tu estás no trono resplandecente de um império, não cabe a ti matar uma mulher! Além disso, esta mulher já está morta, considerando que ela é uma cativa em teu poder! Eu penso que ela não estaria morta se somente seu corpo fosse destruído. Mate o marido dela! Ele estando morto, ela estará morta também! De fato, nem aquele de cem sacrifícios (Indra) é teu igual em bravura! Os deuses com Indra em sua dianteira tem sido repetidamente aterrorizados por ti em batalha!' Com estas e muitas outras palavras de significado semelhante Avindhya conseguiu apaziguar Ravana. E o último, de fato, escutou às palavras de seu conselheiro. E aquele vagueador da noite, então, resolvido a dar combate ele mesmo embainhou sua espada, e emitiu ordens para de preparar sua carruagem.'" 288 "Markandeya disse, ‘Aquele de dez pescoços (Ravana), excitado à fúria pela morte de seu filho querido, subiu em seu carro decorado com ouro e pedras preciosas. E cercado por Rakshasas terríveis com várias espécies de armas em suas mãos, Ravana avançou em direção a Rama, lutando com numerosos chefes de macacos. E vendo ele avançando em cólera em direção ao exército de macacos, Mainda e Nila e Nala e Angada, e Hanuman e Jamvuman o cercaram com todas as suas tropas. E aqueles principais dos macacos e ursos começaram a exterminar com troncos de árvores os soldados dele de dez pescoços (Ravana), na sua própria vista. E vendo o inimigo massacrando suas tropas, o rei Rakshasa, Ravana, possuidor de grandes poderes de ilusão, começou a usá-los. E para fora de seu corpo ele começou a produzir centenas e milhares de Rakshasas armados com flechas e lanças e espadas de dois gumes nas mãos. Rama, no entanto, com uma arma celeste matou todos aqueles Rakshasas. O rei dos Rakshasas então mais uma vez empregou sua habilidade de ilusão. Ele de dez faces, produzindo de seu corpo guerreiros numerosos parecidos, ó Bharata, com Rama e Lakshmana, avançou em direção aos dois irmãos. E então aqueles Rakshasas, hostis a Rama e Lakshmana e armados com arcos e flechas, avançaram em direção a Rama, e vendo aquele poder de ilusão manifestado pelo rei dos Rakshasas, aquele descendente da linhagem de Ikshwaku, o filho de Sumitra, dirigiu-se a Rama nestas palavras heróicas, 'Mate aqueles Rakshasas, aqueles canalhas com formas como a tua própria!' E Rama então matou aqueles e outros Rakshasas de formas parecidas com a sua própria. E naquele momento Matali, o quadrigário de Indra, se aproximou de Rama no campo de batalha, com um carro refulgente como o Sol e ao qual estavam atrelados cavalos de uma cor fulva. E Matali disse, 'Ó filho da linhagem de Kakutstha, este carro excelente e vitorioso, ao qual foi unido este par de cavalos fulvos, pertence ao Senhor dos celestiais! É sobre esse carro excelente, ó tigre entre homens, que Indra tem matado centenas de Daityas e Danavas em batalha! Portanto, ó tigre entre homens, sendo conduzido no carro dirigido por mim, mate rapidamente Ravana em batalha! Não demore em realizar isto!' Assim endereçado por ele, o descendente da raça de Raghu, no entanto, duvidou das palavras sinceras de Matali, pensando que isto era outra ilusão produzida pelos Rakshasas. Vibhishana então se dirigiu a ele dizendo, 'Isto, ó tigre entre homens, não é uma ilusão do perverso Ravana! Suba nessa carruagem rapidamente, pois ela, ó tu de grande refulgência, pertence a Indra!' O descendente de Kakutstha então disse alegremente para Vibhishana, 'Assim seja', e naquele carro avançou colericamente sobre Ravana. E quando Ravana, também, avançou contra seu antagonista, um lamento alto de aflição foi proferido pelas criaturas da Terra, enquanto os celestiais no céu emitiram um rugido leonino acompanhado pela batida de grandes baterias. O combate que ocorreu então entre o Rakshasa de dez pescoços e aquele príncipe da linhagem Raghu foi violento ao extremo. De fato, aquele combate entre eles não teve paralelo em outra parte. E o Rakshasa arremessou em Rama um dardo terrível parecido com o raio de Indra e semelhante à maldição de um Brahmana a ponto de ser pronunciada. (De acordo com Vyasa e Valmiki, não há nada tão violento quanto a maldição de um Brahmana. O próprio raio de Indra é fraco comparado à maldição de um Brahmana. A razão é óbvia. O raio atinge somente o indivíduo no qual ele possa ser mirado. A maldição do Brahmana atinge a família inteira, a geração inteira, o país inteiro). Rama, no entanto, cortou rapidamente em fragmentos aquele dardo com suas flechas afiadas. E contemplando aquela façanha mais difícil, Ravana foi tomado pelo medo. Mas logo sua cólera foi excitada e o herói de dez pescoços começou a derramar sobre Rama flechas afiadas às milhares e dezenas de milhares e incontáveis armas de várias espécies, tais como foguetes e dardos e maças e machados de batalha e lanças de várias espécies e Shataghnis e setas afiadas. E vendo aquela terrível forma de ilusão exposta pelo Rakshasa de dez pescoços, os macacos fugiram com medo em todas as direções. Então o descendente de Kakutstha, tirando de sua aljava uma flecha excelente equipada com belas asas e penas douradas e uma cabeça bela e brilhante, fixou-a no arco com o mantra Brahmastra. E observando aquela flecha excelente transformada por Rama, com mantras apropriados, em uma arma Brahma, os celestiais e os Gandharvas com Indra em sua chefia começaram a se regozijar. E os deuses e os Danavas e os Kinnaras foram levados pela exibição daquela arma Brahma a considerar a vida de seu inimigo Rakshasa quase encerrada. Então Rama disparou aquela arma terrível de energia inigualável, destinada a empreender a morte de Ravana, e parecida com a maldição de um Brahmana no ponto de declaração. E logo, ó Bharata, que aquela flecha foi disparada por Rama de seu arco esticado a um círculo, o rei Rakshasa com sua carruagem e quadrigário e cavalos brilharam, totalmente cercados por um fogo impressionante. E vendo Ravana morto por Rama de realizações famosas, os celestiais, com os Gandharvas e os Charanas se regozijaram muito. E privados de domínio universal pela energia da arma Brahma, os cinco elementos abandonaram o ilustre Ravana. E foram consumidos pela arma Brahma os ingredientes físicos do corpo de Ravana. Sua carne e sangue foram todos reduzidos a nada, de maneira que nem cinzas podiam ser vistas.'" 289 "Markandeya disse, 'Tendo matado Ravana, aquele infame rei dos Rakshasas e inimigo dos celestiais, Rama com seus amigos e o filho de Sumitra se regozijou muito. E depois que o (Rakshasa) de dez pescoços tinha sido morto, os celestiais com os Rishis em sua dianteira veneraram Rama de braços fortes, abençoando e proferindo a palavra Jaya repetidamente. E todos os celestiais e os Gandharvas e os habitantes das regiões celestes gratificaram Rama de olhos como folhas de lótus com hinos e chuvas floridas. E tendo devidamente adorado Rama, eles todos partiram para aquelas regiões de onde eles tinham vindo. E, ó tu de glória imperecível, o firmamento naquele momento parecia como se um grandioso festival estivesse sendo celebrado.” "E tendo matado o Rakshasa de dez pescoços, o senhor Rama de fama mundial, aquele conquistador de cidades hostis, entregou Lanka a Vibhishana. Então aquele conselheiro sábio e idoso (de Ravana) conhecido pelo nome de Avindhya, com Sita caminhando diante dele mas atrás de Vibhishana que estava na frente, saiu da cidade. E com grande humildade Avindhya disse para o descendente ilustre de Kakutstha, 'Ó ilustre, aceite esta deusa, a filha de Janaka de comportamento excelente!' Ouvindo estas palavras, o descendente da linhagem de Ikshwaku desceu de sua carruagem excelente e contemplou Sita banhada em lágrimas. E vendo aquela bela dama sentada dentro de seu veículo, afligida pela dor, coberta com sujeira, com madeixas emaranhadas na cabeça, e vestida em mantos sujos, Rama, com medo da perda de sua honra, disse a ela, 'Filha de Videha, vá para onde quer que tu queiras! Tu és livre agora! O que deveria ter sido feito por mim, foi feito! Ó dama abençoada, me possuindo como teu marido, não é apropriado que tu envelheças na residência do Rakshasa! Foi por isto que eu matei aquele vagueador da noite! Mas como pode alguém como nós, familiarizado com todas as verdades de moralidade, abraçar mesmo por um momento uma mulher que caiu nas mãos de outro? Ó princesa de Mithila, se tu és casta ou incasta, eu não ouso desfrutar de ti, agora que tu és como manteiga sacrifical lambida por um cachorro!' Ouvindo estas palavras cruéis, aquela moça adorável caiu de repente em grande aflição de coração, como uma árvore bananeira separada de suas raízes. E a cor que estava cobrindo seu rosto por consequência da alegria que ela tinha sentido desapareceu rapidamente, como partículas de água em um espelho sopradas nele pelo fôlego da boca. E ouvindo estas palavras de Rama, todos os macacos também com Lakshmana ficaram imóveis como mortos. Então o divino Brahma e de alma pura de quatro faces, aquele Criador do Universo ele mesmo nascido de um lótus, mostrou-se em seu carro para o filho de Raghu. E Sakra e Agni e Vayu, e Yama e Varuna e o ilustre Senhor dos Yakshas, e os Rishis santos, e o rei Dasaratha também em uma forma celestial e refulgente e em um carro puxado por cisnes, se mostraram. E então o firmamento apinhado com celestiais e Gandharvas se tornou tão belo quanto o céu outonal coberto com estrelas. E se levantando do chão, a abençoada e famosa princesa de Videha, no meio daqueles presentes falou para Rama de peito largo, estas palavras, 'Ó príncipe, eu não imputo falha a ti, pois tu conheces bem o comportamento que uma pessoa deve adotar em relação a homens e mulheres. Mas ouça estas minhas palavras! O Ar sempre movente está sempre presente dentro de todas as criaturas. Se eu tenho pecado, que ele abandone minhas forças vitais! Se eu tenho pecado, oh, então que o Fogo, e Água, e Espaço, e Terra, como o Ar (a quem eu já invoquei), também abandonem minhas forças vitais! E como, ó herói, eu nunca, nem em meus sonhos, estimei a imagem de qualquer outro homem, assim sejas tu meu marido como designado pelos deuses.' Depois que Sita tinha falado, uma voz sagrada, ressoando por toda aquela região foi ouvida nos céus, alegrando os corações dos macacos de grande alma. E o deus do vento foi ouvido dizer, ‘Ó filho de Raghu, o que Sita disse é verdade! Eu sou o deus do Vento. A princesa de Mithila é impecável! Portanto, ó rei, reúna-te com tua esposa!' E o deus do Fogo disse, 'Ó filho de Raghu, eu moro dentro dos corpos de todas as criaturas! Ó descendente de Kakutstha, a princesa de Mithila não é culpada nem da falha mais diminuta!' E Varuna então disse, 'Ó filho de Raghu, os líquidos orgânicos nos corpos de todas as criaturas derivam sua existência de mim! Eu te digo, que a princesa de Mithila seja aceita por ti!' E o próprio Brahma então disse, 'Ó descendente de Kakutstha, ó filho, em ti que és honesto e puro e conhecedor dos deveres dos sábios reais, esta conduta não é incomum. Escute, no entanto, a estas minhas palavras! Tu, ó herói, mataste este inimigo dos deuses, dos Gandharvas, dos Nagas, dos Yakshas, dos Danavas, e dos grandes Rishis! Foi pela minha graça que ele foi até agora incapaz de ser morto por todas as criaturas. E de fato, foi por alguma razão que eu o tolerei por algum tempo! O canalha, no entanto, sequestrou Sita para sua própria destruição. E com relação a Sita, eu a protegi por meio da maldição de Nalakuvera. Pois aquela pessoa tinha amaldiçoado Ravana antigamente, dizendo que se ele alguma vez se aproximasse de uma mulher relutante sua cabeça sem dúvida se partiria em cem fragmentos. Que nenhuma suspeita, portanto, seja tua! Ó tu de grande glória, aceite tua esposa! Tu, de fato, realizaste uma façanha poderosa para o benefício dos deuses, ó tu que tens resplendor divino!' E por último Dasaratha disse, 'Eu estou satisfeito contigo, ó filho! Abençoado sejas, eu sou teu pai Dasaratha! Eu te ordeno aceitar tua esposa de volta e reger teu reino, ó tu principal dos homens!' Rama então respondeu, 'Se tu és meu pai, eu te saúdo com reverência, ó rei dos reis! Eu, de fato, retornarei, por tua ordem, para a cidade encantadora de Ayodhya!'” "Markandeya continuou, 'Assim endereçado, seu pai, ó touro da linhagem Bharata, respondeu alegremente para Rama, os cantos de cujos olhos eram de uma cor avermelhada, dizendo, 'Volte para Ayodhya e governe aquele reino! Ó tu de grande glória, os teus catorze anos (de exílio) foram completados.' Assim endereçado por Dasaratha, Rama reverenciou os deuses, e saudado por seus amigos ele foi reunido com sua esposa, como o Senhor dos celestiais com a filha de Puloman. E aquele castigador de inimigos então deu um benefício para Avindhya. E ele também concedeu riquezas e honras à mulher Rakshasa chamada Trijata. E quando Brahma com todos os celestiais tendo Indra encabeçando-os disse para Rama, 'Ó tu que possuis Kausalya como tua mãe, que benefícios de acordo com tua inclinação nós te concederemos?' Rama, nisso, rogou a eles para lhe concederem firme aderência à virtude e invencibilidade com relação a todos os inimigos. E ele também pediu pela restauração à vida de todos aqueles macacos que tinham sido mortos pelos Rakshasas, e depois que Brahma disse ‘Assim seja’, aqueles macacos, ó rei, devolvidos à vida, se levantaram do campo de batalha, e Sita também, de grande ventura, concedeu para Hanuman uma bênção, dizendo, 'Que tua vida, ó filho, dure tanto quanto (a fama das) realizações de Rama! E, ó Hanuman de olhos amarelos, que iguarias e bebidas celestes estejam sempre disponíveis para ti por minha graça!'” "Então os celestiais com Indra em sua chefia desapareceram todos na própria vista daqueles guerreiros de realizações impecáveis. E vendo Rama reunido com a filha de Janaka, o quadrigário de Sakra, muito satisfeito, dirigiu-se a ele no meio de amigos, e disse estas palavras, 'Ó tu de bravura que nunca pode ser confundida e que dissipaste a tristeza dos celestiais, dos Gandharvas, dos Yakshas, dos Asuras, dos Nagas, e dos seres humanos! Enquanto a Terra se mantiver no mesmo lugar, todas as criaturas com os celestiais, os Asuras, os Gandharvas, os Yakshas, os Rakshasas, e os Pannagas, falarão de ti.' E tendo dito estas palavras para Rama, Matali reverenciou aquele filho de Raghu, e tendo obtido a permissão daquele principal dos manejadores de armas, ele foi embora, naquela mesma carruagem de refulgência solar. E Rama também, com o filho de Sumatra e Vibhishana, e acompanhado por todos os macacos com Sugriva em sua chefia, colocando Sita na vanguarda e tendo feito arranjos para a proteção de Lanka, cruzou novamente o oceano pela mesma ponte. E ele viajou naquela carruagem bela e percorredora do céu chamada Pushpaka que era capaz de ir a todos os lugares à vontade do passageiro. E aquele subjugador de paixões estava cercado por seus conselheiros principais em ordem de precedência. E chegando àquela parte do litoral onde ele tinha se posicionado antigamente, o rei virtuoso, com todos os macacos, montou sua residência temporária. E o filho de Raghu então, trazendo os macacos diante de si no momento devido, reverenciou eles todos, e gratificando-os com presentes de jóias e pedras preciosas dispensou-os um depois do outro. E depois que todos os chefes dos macacos, e os macacos com caudas bovinas, e os ursos, tinham ido embora, Rama reentrou em Kishkindhya com Sugriva. E acompanhado por ambos, Vibhishana e Sugriva, Rama reentrou em Kishkindhya viajando no carro Pushpaka e mostrando à princesa de Videha as florestas pelo caminho. E tendo chegado a Kishkindhya, Rama, aquele principal de todos os batedores, instalou o bem sucedido Angada como príncipe regente do reino. E acompanhado pelos mesmos amigos como também pelo filho de Sumitra, Rama procedeu em direção à sua cidade pelo mesmo caminho pelo qual ele tinha vindo. E tendo alcançado a cidade de Ayodhya, o rei despachou Hanuman dali como enviado para Bharata. E Hanuman, tendo averiguado as intenções de Bharata a partir de indicações externas, deu a ele as boas notícias (da chegada de Rama). E depois que o filho de Pavana tinha voltado, Rama entrou em Nandigrama. E tendo entrado naquela cidade, Rama contemplou Bharata coberto com sujeira e vestido em trapos e sentado com as sandálias de seu irmão mais velho colocadas diante dele. E sendo reunido, ó touro da raça Bharata, com ambos Bharata e Shatrughna, o filho poderoso de Raghu, junto com o filho de Sumitra, começou a se regozijar muito. E Bharata e Shatrughna também, reunidos com seu irmão mais velho, e vendo Sita, ambos derivaram grande alegria. E Bharata então, depois de ter venerado seu irmão restituído, transferiu para ele com grande prazer o reino que tinha estado em suas mãos como uma confiança sagrada. E Vasishtha e Vamadeva então juntos instalaram aquele herói na soberania (de Ayodhya) no oitavo Muhurta do dia sob o asterismo chamado Sravana. (Um muhurta sendo igual a uma hora de 48 minutos, isto é a terça parte de um dia e noite inteiros. O asterismo Vaishnava é o Sravava.) E depois que sua instalação estava terminada, Rama deu permissão para o bem satisfeito Sugriva, o rei dos macacos, junto com todos os seus seguidores, como também para o regozijante Vibhishana da raça de Pulastya, para voltarem para suas respectivas residências. E tendo venerado eles com vários artigos de prazer, e feito tudo o que era adequado à ocasião, Rama dispensou aqueles seus amigos com o coração triste. E o filho de Raghu então, tendo cultuado aquela carruagem Pushpaka, devolveu-a alegremente para Vaisravana. E então ajudado pelo Rishi celeste (Vasishtha), Rama realizou nas margens do Gomati dez sacrifícios de cavalo sem obstrução de qualquer tipo e com presentes triplos para Brahmanas.'" 290 "Markandeya disse, 'Foi assim, ó de braços poderosos, que Rama de energia imensurável sofreu antigamente tal infortúnio descomunal por causa de seu exílio nas florestas! Ó tigre entre homens, não sofra, pois, ó castigador de inimigos, tu és Kshatriya! Tu também andas no caminho no qual a força de armas é para ser empregada, o caminho que leva para recompensas tangíveis. Tu não tens nem uma partícula de pecado. Até os celestiais com Indra em sua chefia e os Asuras tem que trilhar o caminho que é trilhado por ti! Foi depois de tais aflições que o manejador do raio, ajudado pelos Maruts, matou Vritra, e o invencível Namuchi e a Rakshasi de língua comprida! Aquele que tem ajuda sempre assegura a realização de todos os seus propósitos! O que é que não pode ser vencido em batalha por aquele que tem Dhananjaya como seu irmão? Bhima, também, de bravura terrível, é o principal dos homens poderosos. Os filhos heróicos e jovens de Madravati além disso são arqueiros poderosos. Com aliados tais como esses, por que tu te desesperas, ó castigador de inimigos? Eles são capazes de derrotar o exército do próprio manejador do raio com os Maruts no meio. Tendo esses arqueiros poderosos de formas celestes como teus aliados, tu, ó touro da raça Bharata, sem dúvida conquistarás todos os teus inimigos em batalha! Veja, Krishna, a filha de Drupada, sequestrada à força pelo Saindhava de mente má por orgulho de força e energia, foi trazida de volta por estes guerreiros poderosos depois de realizarem feitos terríveis! Veja, o rei Jayadratha foi derrotado e colocado impotente diante de ti! A princesa de Videha foi resgatada com quase nenhum aliado por Rama depois da matança em batalha do Rakshasa de dez pescoços de destreza terrível! De fato, os aliados de Rama (naquela peleja) eram macacos e ursos de rostos negros, criaturas que não eram nem humanas! Pense em tudo isto, ó rei, em tua mente! Portanto, ó principal dos Kurus, não sofra por tudo (o que tem ocorrido), ó touro da raça Bharata! Pessoas ilustres como tu nunca se entregam à tristeza, ó batedor de inimigos!' Vaisampayana continuou, "Foi dessa maneira que o rei foi confortado por Markandeya. E então aquele de grande alma, abandonando suas tristezas, falou novamente para Markandeya." 291 (Pativrata mahatmya Parva) "Yudhishthira disse, 'Ó sábio poderoso, eu não me aflijo muito por mim mesmo ou esses meus irmãos ou a perda do meu reino como eu me aflijo por esta filha de Drupada. Quando nós fomos afligidos no jogo de dados por aqueles de alma pecaminosa, foi Krishna quem nos libertou. E ela foi raptada à força da floresta por Jayadratha. Tu alguma vez viste ou ouviste de alguma dama casta e exaltada que se pareça com esta filha de Drupada?'" "Markandeya disse, 'Ouça, ó rei, como o mérito superior de senhoras castas, ó Yudhishthira, foi totalmente obtido por uma princesa chamada Savitri. Havia um rei entre os Madras, que era virtuoso e altamente pio. E ele sempre atendia aos Brahmanas, e era de grande alma e firme em promessa. E ele era de sentidos subjugados e dado a sacrifícios. E ele era o principal dos doadores, e era competente, e querido por ambos: os cidadãos e a população rural. E o nome daquele senhor da Terra era Aswapati. E ele estava concentrado no bem-estar de todos os seres. E aquele (monarca) clemente de palavras sinceras e sentidos subjugados não tinha herdeiros. E quando ele envelheceu, ele foi tomado pela aflição por isto. E com o objetivo de criar prole, ele observou votos rígidos e começou a viver de alimentação frugal, recorrendo ao modo de vida Brahmacharya, e reprimindo seus sentidos. E aquele melhor dos reis, oferecendo (diariamente) dez mil oblações para o fogo, recitou Mantras em honra de Savitri (também chamada Gayatri, a esposa de Brahma) e comia moderadamente na sexta hora. E ele passou dezoito anos praticando tais votos. Então quando os dezoito anos estavam completos, Savitri estava satisfeita (com ele). E, ó rei, emergindo com grande deleite, em forma incorporada, do fogo Agnihotra, a deusa se mostrou para aquele rei. E empenhada em conferir bênçãos, ela falou essas palavras para o monarca, 'Eu estou satisfeita, ó rei, com tuas práticas Brahmacharya, tua pureza e autodomínio e observância de votos, e todos os teus esforços e veneração! Ó rei poderoso, ó Aswapati, peça a bênção que tu desejas! Tu deves, no entanto, de nenhuma maneira mostrar algum desrespeito pela virtude.' Nisso Aswapati disse, 'É com o desejo de alcançar virtude que eu estou engajado nesta tarefa. Ó deusa, que muitos filhos dignos da minha linhagem nasçam para mim! Se tu estás satisfeita comigo, ó deusa, eu peço este benefício. Os duas vezes nascidos me asseguraram de que existe grande mérito em ter filhos!' Savitri respondeu, 'Ó rei, tendo já sabido desta tua intenção, eu falei para aquele senhor, o Avô, acerca dos teus filhos. Pelo favor concedido pelo Auto- criado, nascerá rapidamente para ti sobre a terra uma filha de grande energia. Não cabe a ti replicar. Bem satisfeita, eu te digo isto por ordem do Avô.'” "Markandeya disse, 'Tendo aceitado as palavras de Savitri e dizendo, 'Assim seja' o rei novamente a gratificou e disse, 'Que isto possa acontecer logo.' Após Savitri desaparecer o monarca entrou na sua própria cidade. E aquele herói começou a viver em seu reino, governando seus súditos justamente. E quando algum tempo tinha passado, aquele rei, cumpridor de votos, gerou prole em sua rainha mais velha dedicada à prática de virtude. E então, ó touro da raça Bharata, o embrião no útero da princesa de Malava cresceu como o senhor das estrelas nos céus durante a quinzena iluminada. E quando chegou o momento, ela deu à luz uma filha dotada de olhos semelhantes ao lótus. E aquele melhor dos monarcas realizou alegremente as cerimônias usuais em nome dela. E porque ela tinha sido concedida com alegria pela deusa Savitri em virtude das oblações oferecidas em honra daquela deusa, ambos, seus pais e os Brahmanas, a chamaram de Savitri. E a filha do rei cresceu como a própria Sree em uma forma incorporada. E no tempo devido, aquela donzela alcançou sua puberdade. E contemplando aquela moça graciosa de cintura fina e quadris largos, e parecendo com uma imagem dourada, as pessoas pensavam, 'Nós recebemos uma deusa.' E subjugado por sua energia, ninguém podia se casar com aquela moça de olhos como folhas de lótus, e possuidora de um esplendor ardente.'” 'E aconteceu que uma vez na ocasião de um parva, tendo jejuado e banhado sua cabeça, ela se apresentou perante a divindade (da família) e fez os Brahmanas oferecerem oblações com ritos devidos ao fogo sacrifical. E pegando as flores que tinham sido oferecidas para o deus, aquela dama, bela como a própria Sree, foi até seu pai de grande alma. E tendo reverenciado os pés de seu pai e oferecendo a ele as flores que ela tinha trazido, aquela moça de graça excelente, com mãos unidas, permaneceu ao lado do rei. E vendo sua própria filha parecendo com uma donzela celeste chegada à puberdade, e não solicitada pelas pessoas, o rei ficou triste. E o rei disse, 'Filha, chegou o momento para te entregar! Ninguém ainda te pediu. (Portanto) tu mesmo procures por um marido igual a ti em qualidades! Aquela pessoa que for desejada por ti deve ser comunicada para mim. Escolha teu marido como te agradar. Eu te entregarei com deliberação. Ó auspiciosa, ouça-me enquanto eu te falo as palavras as quais eu ouvi recitadas pelos duas vezes nascidos. O pai que não concede sua filha obtém ignomínia. E o marido que não conhece sua esposa em sua época encontra com ignomínia. E o filho que não protege sua mãe quando seu marido está morto também sofre desgraça. Ouvindo estas minhas palavras, empenhe-te na busca de um marido. Aja de tal maneira que nós não possamos ser criticados pelos deuses!' "Markandeya disse, 'Tendo dito estas palavras para sua filha e seus velhos conselheiros, ele instruiu os servidores para segui-la, dizendo, ‘Vão!’ Nisso, reverenciando timidamente os pés de seu pai, a donzela meiga partiu sem hesitação, em conformidade com as palavras de seu pai. E subindo em um carro dourado, ela foi ao retiro encantador dos sábios reais, acompanhada pelos conselheiros idosos de seu pai. Lá, ó filho, reverenciando os pés dos idosos, ela gradualmente começou a vagar por todas as florestas. Assim a filha do rei distribuindo riqueza em todas as regiões sagradas percorreu os vários lugares pertencentes aos principais dos duas vezes nascidos.'" 292 “Markandeya continuou, ‘Em uma ocasião, ó Bharata, quando aquele rei, o senhor dos Madras, estava sentado com Narada no meio de sua corte, engajado em conversação, Savitri, acompanhada pelos conselheiros do rei, chegou à residência de seu pai depois de ter visitado várias regiões e retiros sagrados. E vendo seu pai sentado com Narada, ela reverenciou os pés de ambos por inclinar sua cabeça. E Narada então disse, ‘Para onde esta tua filha foi? E, ó rei, de onde também ela vem? Por que também tu não a entregas a um marido, agora que ela chegou à idade da puberdade?’ Aswapati respondeu, dizendo, ‘Certamente foi neste mesmo assunto que ela foi enviada, e ela retorna agora (de sua busca). Ó sábio celeste, ouça dela mesma quanto ao marido que ela própria escolheu!’” "Markandeya continuou, 'Então a donzela abençoada, mandada por seu pai com as palavras, ‘Conte tudo em detalhes,’ considerou aquelas palavras de seu pai como se elas fossem as de um deus, e falou a ele dessa maneira, 'Havia, entre os Salwas, um rei Kshatriya virtuoso conhecido pelo nome de Dyumatsena. E aconteceu que com o decorrer do tempo ele se tornou cego. E aquele rei cego possuidor de sabedoria teve um filho único. E ocorreu que um velho inimigo residindo na vizinhança, se aproveitando do infortúnio do rei, privou-o de seu reino. E então o monarca, acompanhado por sua esposa carregando um filho em seu peito, entrou nas florestas. E tendo se retirado às florestas, ele adotou grandes votos e começou a praticar austeridades ascéticas. E seu filho, nascido na cidade, começou a crescer no eremitério. Aquele jovem, adequado para ser meu esposo, eu aceitei no meu coração como meu marido!' A estas palavras dela, Narada disse, 'Ai, ó rei, Savitri cometeu um grande erro, já que, sem saber, ela aceitou como seu marido Satyavan de qualidades excelentes! Seu pai fala a verdade e sua mãe também é sincera em suas palavras. E é por isto que os Brahmanas chamaram o filho de Satyavan. Em sua infância ele tinha grande deleite em cavalos, e costumava fazer cavalos de argila. E ele costumava também desenhar imagens de cavalos. E por isso aquele jovem é às vezes chamado pelo nome de Chitraswa.' O rei então perguntou, 'E o príncipe Satyavan, que é devotado a seu pai, é dotado de energia e inteligência e perdão e coragem?' Narada respondeu, dizendo, 'Em energia Satyavan é como o sol, e em sabedoria como Vrihaspati! E ele é corajoso como o senhor dos celestiais e clemente como a própria Terra!' Aswapati então disse, 'E o príncipe Satyavan é generoso em doações e dedicado aos Brahmanas? Ele é bonito e magnânimo e atraente para contemplar?' Narada disse, 'Em concessão de doações de acordo com seu poder, o filho poderoso de Dyumatsena é semelhante ao filho de Sankriti Rantideva. Em veracidade de palavras e devoção aos Brahmanas, ele é como Sivi, o filho de Usinara. E ele é magnânimo como Yayati, e belo como a Lua. E em beleza pessoal ele é como um ou outro dos gêmeos Aswins. E com sentidos sob controle, ele é meigo, e corajoso, e sincero! E com paixão em submissão ele é devotado a seus amigos, e livre de malícia e modesto e paciente. De fato, falando brevemente, aqueles que são possuidores de grande mérito ascético e são de caráter elevado dizem que ele é sempre correto em sua conduta e que a honra está firmemente assentada em sua fronte.' Ouvindo isso, Aswapati disse, 'Ó sábio venerável, tu me disseste que ele é possuidor de todas as virtudes! Agora fale-me de seus defeitos se, de fato, ele tem algum!' Narada então disse, 'Ele tem somente um defeito que subjugou todas as suas virtudes. Aquele defeito é incapaz de ser conquistado até pelos maiores esforços. Ele tem somente um defeito, e nenhum outro. Dentro de um ano a partir deste dia, Satyavan, dotado de uma vida curta, abandonará seu corpo!' Ouvindo essas palavras do sábio, o rei disse, 'Aproxime- te, ó Savitri, vá e escolha outro para teu marido, ó bela donzela! Esse grande defeito existe (neste jovem), cobrindo todos os seus méritos. O ilustre Narada, honrado até pelos deuses, diz que Satyavan terá que abandonar seu corpo dentro de um ano, seus dias estando contados!' A estas palavras de seu pai, Savitri disse, 'A morte pode cair somente uma vez; uma filha pode ser entregue somente uma vez; e uma vez somente uma pessoa pode dizer, ‘Eu dou!’ Estas três coisas podem ocorrer somente uma vez. De fato, com uma vida curta ou longa, possuidor de virtudes ou desprovido delas, eu, por uma vez, escolhi meu marido. Duas vezes eu não escolherei. Tendo primeiro decidido uma coisa mentalmente, ela é expressada em palavras, e então é executada na prática. Disto minha mente é um exemplo!' Narada então disse, 'Ó melhor dos homens, o coração da tua filha Savitri não oscila! Não é possível de qualquer maneira fazer ela se desviar deste caminho de virtude! Em nenhuma outra pessoa se encontram aquelas virtudes que moram em Satyavan. A concessão da tua filha, portanto, é aprovada por mim!' O rei disse, 'O que tu disseste, ó ilustre, nunca deve ser desobedecido, pois tuas palavras são verdadeiras! E eu agirei como tu disseste, já que tu és meu preceptor!' Narada disse, 'Que a concessão da tua filha Savitri seja acompanhada de paz! Eu agora partirei. Abençoados sejam todos vocês!'” "Markandeya continuou, 'Tendo dito isso, Narada se alçou ao firmamento e foi para o céu. Por outro lado, o rei começou a fazer preparativos para o casamento de sua filha!'" 293 "Markandeya disse, 'Tendo ponderado sobre aquelas palavras (de Narada) sobre o casamento de sua filha, o rei começou a fazer planos acerca das núpcias. E convocando todos os Brahmanas idosos, e Ritwijas junto com os sacerdotes, ele partiu com sua filha em um dia auspicioso. E chegando ao retiro de Dyumatsena na floresta sagrada, o rei se aproximou do sábio a pé, acompanhado pelos duas vezes nascidos. E lá ele contemplou o monarca cego de grande sabedoria sentado em uma almofada de erva Kusa espalhada sob uma árvore Sala. E depois de reverenciar devidamente o sábio real, o rei em um discurso humilde se apresentou. Nisso, oferecendo a ele o Arghya, um assento, e uma vaca, o monarca perguntou ao seu convidado nobre, ‘Qual o motivo dessa visita?’ Assim endereçado o rei revelou tudo acerca de suas intenções e propósito com relação a Satyavan. E Aswapati disse, 'Ó sábio real, esta bela moça é minha filha chamada Savitri. Ó tu versado em moralidade, de acordo com os costumes de nossa classe, aceite-a de mim como tua nora!' Ouvindo estas palavras, Dyumatsena disse, 'Desprovido de reino, e fixando nossa residência nas florestas, nós somos dedicados à prática de virtude como ascetas com vidas reguladas. Indigna de uma vida na floresta, como a tua filha, vivendo no retiro silvestre, aguentará este sofrimento?' Aswapati disse, 'Quando minha filha sabe, assim como eu mesmo, que felicidade e tristeza vem e vão (sem um ou outro ser estacionário), tais palavras como essas não são adequadas para serem usadas em direção a alguém como eu! Ó rei, eu vim para cá, tendo tomado uma resolução! Eu tenho me curvado a ti por amizade; não cabe a ti, portanto, destruir minha esperança! Não cabe a ti, também, desrespeitar a mim que, movido por forte afeição, vim até ti! Tu és meu igual e digno de uma aliança comigo, como de fato, eu sou teu igual e digno de aliança contigo! Portanto, aceite minha filha como tua nora e a esposa do bom Satyavan!' Ouvindo essas palavras Dyumatsena disse, 'Antigamente eu desejei uma aliança contigo. Mas eu hesitei, sendo posteriormente privado do meu reino. Que este desejo, portanto, que eu nutria antigamente, seja realizado hoje mesmo. Tu és, de fato, um convidado bem vindo para mim!' "Então, convocando todos os duas vezes nascidos que residiam nos eremitérios daquela floresta os dois reis fizeram a união se realizar com os ritos devidos. E tendo concedido sua filha com mantos e ornamentos adequados, Aswapati voltou para sua residência em grande alegria. E Satyavan, tendo obtido uma esposa possuidora de todas as habilidades, ficou muito contente, enquanto ela também se regozijou muito ao ter obtido o marido de acordo com seu próprio coração. E quando seu pai tinha partido, ela tirou todos os seus ornamentos e se vestiu com cascas de árvores e tecidos tingidos de vermelho. E por seus serviços e virtudes, sua ternura e abnegação, e por seus préstimos agradáveis a todos, ela alegrou a todos. E ela gratificou sua sogra por se encarregar de servir sua pessoa e por cobri-la com mantos e ornamentos. E ela gratificou seu sogro por reverenciá- lo como um deus e controlar suas palavras. E ela agradou seu marido por suas palavras doces como mel, sua habilidade em todos os tipos de trabalho, a regularidade de seu temperamento, e pelas indicações de seu amor em particular. E assim, ó Bharata, vivendo no retiro daqueles habitantes pios da floresta, eles continuaram por algum tempo a praticar austeridades ascéticas. Mas as palavras faladas por Narada estavam presentes noite e dia na mente da triste Savitri.'" 294 "Markandeya disse, 'Finalmente, ó rei, depois que um longo tempo tinha passado, a hora que estava designada para a morte de Satyavan chegou. E como as palavras que tinham sido faladas por Narada estavam sempre presentes na mente de Savitri, ela tinha contado os dias conforme eles passavam. E tendo averiguado que seu marido morreria no quarto dia seguinte a donzela jejuou dia e noite, cumprindo o voto Triratra. E sabendo de seu voto, o rei ficou extremamente triste e se levantando acalmou Savitri e disse estas palavras, 'Este voto que tu começaste a cumprir, ó filha de um rei, é excessivamente rígido; pois é extremamente difícil jejuar por três noites seguidas!' E ouvindo estas palavras, Savitri disse, 'Tu não precisas ficar preocupado, ó pai! Este voto eu serei capaz de cumprir! Eu sem dúvida me comprometi a esta tarefa com perseverança; e perseverança é a causa da observância bem sucedida de votos.' E tendo escutado-a, Dyumatsena disse, 'Eu não posso de nenhuma maneira dizer para ti: Quebre teu voto. Alguém como eu deve, muito pelo contrário, dizer: Termine teu voto!' E tendo dito isso para ela, Dyumatsena de grande mente se interrompeu. E Savitri continuando a jejuar começou a parecer (magra) como uma boneca de madeira. E, ó touro da raça Bharata, pensando que seu marido morreria no dia seguinte, Savitri tomada pela aflição, fazendo um jejum, passou aquela noite em extrema angústia. E quando o Sol tinha subido cerca de um par de palmos Savitri, pensando consigo mesma, ‘Hoje é aquele dia’, terminou seus ritos matinais, e ofereceu oblações ao fogo flamejante. E reverenciando os Brahmanas idosos, e seu sogro, e sogra, ela ficou perante eles com mãos unidas, concentrando seus sentidos. E para o bem-estar de Savitri, todos os ascetas residindo naquele eremitério proferiram a bênção auspiciosa que ela nunca deveria sofrer viuvez. E Savitri imersa em contemplação aceitou aquelas palavras dos ascetas, dizendo mentalmente, ‘Assim seja!’ e a filha do rei, refletindo sobre aquelas palavras de Narada, permaneceu esperando a hora e o momento.” Então, ó melhor dos Bharatas, bem satisfeitos, seu sogro e sogra disseram estas palavras para a princesa sentada em um canto, 'Tu terminaste o voto como prescrito. Agora chegou a hora da tua refeição; portanto, faça o que é apropriado!' Nisso Savitri disse, 'Agora que eu terminei o voto proposto, eu comerei quando o Sol se pôr. Esta mesma é a decisão do meu coração e este é meu voto!' "Markandeya continuou, 'E quando Savitri tinha falado dessa maneira acerca de sua refeição, Satyavan, levando seu machado sobre seus ombros, saiu para as florestas. E nisto, Savitri disse para seu marido, 'Não cabe a ti ir sozinho! Eu te acompanharei. Eu não posso suportar estar separada de ti!' Ouvindo estas palavras dela, Satyavan disse, 'Tu nunca antes foste para a floresta. E, ó dama, os caminhos da floresta são difíceis de atravessar! Além disso tu estás enfraquecida pelo jejum por conta do teu voto. Como tu, portanto, serias capaz de andar a pé?' Assim endereçada, Savitri disse, 'Eu não sinto langor por causa do jejum, nem sinto exaustão. E eu decidi ir. Não cabe a ti, portanto, me impedir!' Nisto, Satyavan disse, 'Se tu desejas ir eu satisfarei este teu desejo. No entanto, pegue a permissão de meus pais, para que eu não possa ser culpado de falha!'” "Markandeya continuou, 'Assim endereçada por seu marido, Savitri de votos elevados saudou seu sogro e sogra e se dirigiu a eles, dizendo, 'Este meu marido vai à floresta para obter frutas. Permitida por meus venerados sogro e sogra, eu o acompanharei. Pois hoje eu não posso suportar ficar separada dele. Teu filho sai por causa do fogo sacrifical e por seus superiores venerados. Ele não deve, portanto, ser dissuadido. De fato, ele poderia ser dissuadido se ele entrasse na floresta em alguma outra incumbência. Não me impeçam! Eu entrarei na floresta com ele. Faz um pouco menos de um ano que eu não tenho saído do retiro. De fato, eu estou extremamente desejosa de contemplar os bosques florescentes!' Ouvindo estas palavras Dyumatsena disse, 'Desde que Savitri foi entregue por seu pai como minha nora, eu não me lembro de ela alguma vez ter falado quaisquer palavras formulando um pedido. Que minha nora, portanto, tenha seu desejo nesse assunto. No entanto, ó filha, aja de tal maneira que o trabalho de Satyavan não seja negligenciado!' "Markandeya continuou, 'Tendo recebido a permissão de ambos, a ilustre Savitri saiu com seu marido, em aparência sorridente embora seu coração estivesse atormentado pela dor. E aquela senhora de olhos grandes foi em frente, contemplando bosques pitorescos e encantadores habitados por bandos de pavões. E Satyavan disse docemente para Savitri, 'Contemple estes rios de correntes sagradas e estas árvores excelentes enfeitadas com flores!' Mas a impecável Savitri continuava a olhar atentamente seu marido em todos os seus ânimos, e se lembrando das palavras do sábio celeste, ela considerou seu marido como já morto. E com seu coração partido em dois, aquela donzela, respondendo para seu marido, suavemente seguiu-o esperando aquela hora.'" 295 "Markandeya disse, ‘O poderoso Satyavan então, acompanhado por sua esposa, colheu frutos e encheu sua sacola com eles. E ele então começou a cortar ramos de árvores. E quando ele os estava cortando, ele começou a transpirar. E por consequência daquele exercício sua cabeça começou a doer. E afligido pelo esforço, ele se aproximou de sua esposa querida, e dirigiu-se a ela, dizendo, 'Ó Savitri, devido a este exercício fatigante minha cabeça dói, e todos os meus membros e meu coração também estão muito afligidos! Ó tu de palavras moderadas, eu me acho indisposto, eu sinto como se minha cabeça estivesse sendo perfurada com numerosos dardos. Portanto, ó dama auspiciosa, eu desejo dormir, pois eu não tenho força para ficar de pé.' Ouvindo estas palavras, Savitri, se adiantando rapidamente, aproximou-se de seu marido e sentou-se sobre o solo, colocando a cabeça dele sobre seu colo. E aquela dama desamparada, pensando nas palavras de Narada, começou a calcular a (estipulada) divisão do dia, a hora, e o momento. No momento seguinte ela viu uma pessoa vestida de traje vermelho com sua cabeça ornamentada com um diadema. E seu corpo era de grandes proporções e refulgente como o sol. E ele era de uma cor um pouco escura, tinha olhos vermelhos, carregava um laço em sua mão, e era terrível de se olhar. E ele estava em pé ao lado de Satyavan e o estava fitando firmemente. E vendo-o, Savitri colocou gentilmente a cabeça de seu marido no chão, e se levantando de repente, com o coração trêmulo, falou estas palavras em tons infelizes, 'Vendo esta tua forma sobre-humana, eu te considero como uma divindade. Se tu desejares, diga-me, ó principal dos deuses, quem tu és e também o que tu pretendes fazer!' Nisso Yama respondeu, 'Ó Savitri, tu és sempre devotada ao teu marido, e tu és também dotada de mérito ascético. É por esta razão que eu mantenho conversa contigo. Ó auspiciosa, conheça-me como Yama. Este teu marido Satyavan, o filho de um rei, tem seus dias terminados. Eu o levarei embora, portanto, atando-o neste laço. Saiba que esta é a minha missão!' A estas palavras Savitri disse, 'Eu tinha ouvido que teus emissários vem para levar os mortais, ó venerável! Por que então, ó senhor, tu vieste pessoalmente?'” "Markandeya continuou, 'Assim endereçado por ela, o ilustre senhor dos Pitris, com a intenção de obsequiá-la, começou a explicar para ela realmente tudo sobre suas intenções. E Yama disse, 'Este príncipe é dotado de virtudes e beleza pessoal, e é um mar de habilidades. Ele não merece ser levado embora por meus emissários. Por essa razão é que eu vim pessoalmente.' Dizendo isso, Yama à viva força arrancou do corpo de Satyavan uma pessoa da medida do polegar, amarrado no laço e completamente sob submissão. E quando a vida de Satyavan tinha sido assim tirada, o corpo, privado de respiração, e desprovido de brilho, e desprovido de movimento, se tornou feio de se olhar. E segurando a essência vital de Satyavan, Yama procedeu em uma direção meridional. Nisso, com coração dominado pela dor, a nobre Savitri, sempre devotada a seu marido e coroada com êxito em relação a seus votos, começou a seguir Yama. E nisto Yama disse, 'Desista, ó Savitri! Volte e realize os funerais do teu marido! Tu estás livre de todas as tuas obrigações com teu marido. Tu vieste tão longe quanto é possível vir.' Savitri respondeu, 'Para onde meu marido está sendo levado, ou para onde ele vá por sua própria vontade, eu o seguirei para lá. Este é o costume eterno. Em virtude do meu ascetismo, por meu respeito por meus superiores, por minha afeição por meu marido, por minha observância de votos, assim como por tua generosidade, meu progresso é desimpedido. É declarado por homens sábios dotados de conhecimento verdadeiro que por caminhar somente sete passos com outra, uma pessoa contrai uma amizade com seu companheiro. Mantendo em vista esta amizade (a qual eu contraí contigo), eu te falarei uma coisa. Ouça. Aqueles que não tem suas almas sob controle não adquirem mérito por levar os quatro modos sucessivos de vida, isto é, celibato com estudo, vida familiar, retiro nas florestas, e renúncia do mundo. Aquele que é chamado de mérito religioso é citado como consistindo de conhecimento verdadeiro. Os sábios, portanto, declaram que o mérito religioso é a principal de todas as coisas e não a passagem pelos quatro modos sucessivos. Por praticarmos os deveres de um desses quatro modos de acordo com as indicações dos sábios, nós alcançamos mérito verdadeiro, e, portanto, nós não desejamos o segundo ou o terceiro modo, isto é, celibato com estudo ou renúncia. É por isto também que os sábios declaram que o mérito religioso é a principal de todas as coisas!' Ouvindo estas palavras dela, Yama disse, 'Desista! Eu estou satisfeito com estas tuas palavras formuladas em letras e tonalidade apropriadas, e baseadas na razão. Peça uma bênção! Exceto a vida do teu marido, ó tu de feições impecáveis, eu concederei a ti qualquer benefício que tu solicites!' Ouvindo estas palavras, Savitri disse, ‘Privado de seu reino e privado também de visão, meu sogro leva uma vida de isolamento em nosso retiro silvestre. Que aquele rei pelo teu favor obtenha sua visão, e se torne forte como o fogo ou o sol.’ Yama disse, 'Ó tu de feições impecáveis, eu te concedo esta bênção! Será assim como tu disseste! Parece que tu estás fatigada com tua viagem. Desista, portanto, e retorne! Não te permitas ficar mais cansada!' Savitri disse, 'Que cansaço eu posso sentir na presença do meu marido? A sina que é do meu marido é indubitavelmente minha também. Para onde tu levares meu marido, para lá eu irei também! Ó principal dos celestiais, ouça-me novamente! Mesmo um único encontro com os piedosos é altamente desejável; amizade com eles é ainda mais. E relacionamento com os virtuosos nunca pode ser inútil. Portanto, uma pessoa deve viver na companhia dos justos!' Yama disse, 'Estas palavras que tu falaste, tão repletas de instrução útil, deleitam o coração e aumentam a sabedoria até dos eruditos. Portanto, ó senhora, peça um segundo benefício, exceto a vida de Satyavan!' Savitri disse, 'Algum tempo antes, meu sogro sábio e inteligente foi privado de seu reino. Que aquele monarca possa recuperar seu reino. E que aquele meu superior nunca renuncie aos seus deveres! Este mesmo é o segundo benefício que eu peço!' Então Yama disse, 'O rei logo recuperará seu reino. Nem ele alguma vez renegará seus deveres. Assim, ó filha de um rei, eu realizei teu desejo. Agora desista! Volte! Não tome qualquer transtorno futuro!' Savitri disse, ‘Tu controlas todas as criaturas por meio dos teus decretos, e é por teus decretos que tu as leva embora, não segundo a tua vontade. É por isso, ó deus, ó ser divino, que as pessoas te chamam de Yama! Ouça as palavras que eu digo! O dever eterno dos bons em direção às criaturas é nunca feri-las em pensamentos, palavras, e ações, mas ter amor por elas e lhes dar o que lhes é devido. Com relação a este mundo, tudo aqui é como este (meu marido). Os homens são desprovidos de devoção e habilidade. Os bons, no entanto, demonstram compaixão até por seus inimigos quando estes procuram sua proteção.’ Yama disse, 'Como água para a alma sedenta, assim são estas palavras proferidas por ti para mim! Portanto, ó senhora formosa, se tu desejares, peça novamente algum benefício exceto a vida de Salyavana!' A estas palavras Savitri respondeu, ‘Aquele senhor da terra, meu pai, não tem filhos. Que ele possa ter cem filhos gerados de si mesmo, para que sua linhagem seja perpetuada, este é o terceiro benefício que eu pedirei de ti!' Yama disse, ‘Teu pai, ó dama auspiciosa, obterá cem filhos ilustres, que perpetuarão e aumentarão a família do teu pai! Agora, ó filha de um rei, tu obtiveste teu desejo. Desista! Tu chegaste longe o suficiente.' Savitri disse, 'Permanecendo ao lado do meu marido, eu não estou consciente da extensão do caminho que eu tenho andado. De fato, minha mente me impele para um caminho ainda muito mais longo. Novamente, conforme tu segues em frente, ouça as palavras que eu logo proferirei! Tu és o filho poderoso de Vivaswat. É por isso que tu és chamado de Vaivaswata pelos sábios. E, ó senhor, já que tu dispensas lei igual para todas as coisas criadas, tu és designado o senhor da justiça! Uma pessoa não deposita, nem em si mesmo, a confiança que ela deposita no virtuoso. Portanto, todos desejam particularmente amizade com os virtuosos. É somente a bondade de coração que inspira a confiança de todas as criaturas. E é por isto que as pessoas confiam particularmente nos virtuosos.' Ao ouvir estas palavras, Yama disse, 'As palavras que tu proferiste, ó dama formosa, eu não ouvi de ninguém exceto tu; eu estou muito satisfeito com este teu discurso. Exceto a vida de Satyavan, solicite, portanto, um quarto benefício, e então siga teu caminho!' Savitri então disse, 'Da força geratriz minha e de Satyavan, gerados por nós dois, que aja uma centena de filhos possuidores de força e coragem e capazes de perpetuar nossa linhagem! Este mesmo é o quarto benefício que eu pedirei de ti!' Ouvindo estas palavras dela, Yama respondeu, 'Tu, ó senhora, obterás uma centena de filhos, possuidores de força e coragem, e te causando grande alegria. Ó filha de um rei, que mais nenhum cansaço seja teu! Desista! Tu já vieste longe demais!' Assim endereçada, Savitri disse, 'Aqueles que são virtuosos sempre praticam a moralidade eterna! E a comunhão dos piedosos com os piedosos nunca é infrutífera! Nem há algum perigo para os piedosos proveniente daqueles que são piedosos. E realmente é o virtuoso que por sua veracidade faz o Sol se mover no céu. E é o virtuoso que sustenta a terra por meio de suas austeridades! E, ó rei, é do virtuoso que o passado e o futuro dependem! Portanto, aqueles que são virtuosos nunca estão tristes na companhia dos virtuosos. Sabendo que esta é a prática eterna dos bons e justos, aqueles que são virtuosos continuam a fazer bem para outros sem esperar algum benefício em retorno. Um bom préstimo nunca é desperdiçado nos bons e virtuosos. Nem interesse nem dignidade sofre algum dano por tal ação. E já que tal conduta sempre adere aos virtuosos, os virtuosos frequentemente se tornam os protetores de todos.' Ouvindo estas palavras dela, Yama respondeu, 'Quanto mais tu proferes tais discursos que são abundantes com significado excelente, cheios de frases melíferas, permeadas com moralidade, e agradáveis para a mente, maior é o respeito que eu sinto por ti! Ó tu que és tão devotada ao teu marido, peça uma bênção incomparável!' Assim endereçada, Savitri disse, 'Ó concessor de honras, a bênção que tu já me deste é incapaz de realização sem união com meu marido. Portanto, entre outros benefícios, eu peço por isto, que Satyavan seja devolvido à vida! Privada de meu marido eu sou como uma pessoa morta! Sem meu marido, eu não desejo felicidade. Sem meu marido, eu não desejo o próprio céu. Sem meu marido, eu não desejo prosperidade. Sem meu marido, eu não posso tomar a resolução de viver! Tu mesmo me concedeste a bênção de uma centena de filhos; ainda assim tu levas embora meu marido! Eu peço este benefício: 'Que Satyavan seja devolvido à vida, pois por meio disto aquelas tuas palavras serão feitas verdadeiras.'" "Markandeya continuou, 'Nisso dizendo ‘Assim seja,’ o filho de Vivaswat, Yama, o dispensador de justiça, desatou seu laço, e com coração alegre disse estas palavras para Savitri, 'Dessa maneira, ó senhora auspiciosa e casta, teu marido é libertado por mim! Tu poderás tê-lo de volta livre de doença. E ele alcançará o êxito! E junto contigo, ele alcançará uma vida de quatrocentos anos. E celebrando sacrifícios com ritos devidos, ele obterá grande fama neste mundo. E em ti Satyavan também gerará uma centena de filhos. E aqueles Kshatriyas com seus filhos e netos serão todos reis, e sempre serão famosos com relação ao teu nome. E teu pai também gerará cem filhos em tua mãe Malavi. E sob o nome de Malavas, teus irmãos Kshatriya, parecendo com os celestiais, serão amplamente conhecidos junto com seus filhos e filhas!' E tendo concedido estas bênçãos a Savitri e tendo assim feito-a ceder, Yama foi para sua residência. Savitri, depois que Yama tinha ido embora, voltou para o local onde o cadáver de cor cinza de seu marido se encontrava, e vendo seu marido no chão, ela se aproximou dele, e segurando-o, colocou sua cabeça em seu colo e sentou-se no chão. Então Satyavan recuperou a consciência, e olhando Savitri carinhosamente repetidas vezes, como alguém que chega em casa depois de uma permanência em uma terra desconhecida, ele se dirigiu a ela dessa maneira, 'Ai, eu dormi muito tempo! Por que motivo tu não me acordaste? E onde está aquela mesma pessoa de cor negra que estava me arrastando para longe?' A estas palavras dele, Savitri disse, 'Tu, ó touro entre homens, dormiste muito tempo no meu colo! Aquele repressor de criaturas, o venerável Yama, foi embora. Tu estás revigorado, ó abençoado, e o sono te abandonou, ó filho de um rei! Se tu és capaz, levante-te! Veja, a noite é profunda!'" "Markandeya continuou, 'Tendo recuperado a consciência, Satyavan levantou como alguém que tinha desfrutado de um sono agradável, e vendo todos os lados cobertos com matas, disse, 'Ó moça de cintura fina, eu vim contigo para obter frutas. Então enquanto eu estava cortando madeira eu senti uma dor na minha cabeça. E por conta daquela dor intensa por toda minha cabeça eu não pude ficar de pé por qualquer duração de tempo, e, portanto, eu me deitei no teu colo e dormi. Tudo isto, ó dama auspiciosa, eu me lembro. Então, quando tu me abraçaste, o sono roubou meus sentidos. Eu então vi que tudo em volta estava escuro. No meio disto eu vi uma pessoa de resplendor excelente. Se tu sabes tudo, então, ó moça de cintura fina, diga-me se o que eu vi foi somente um sonho ou uma realidade!' Nisso, Savitri se dirigiu a ele, dizendo, ‘A noite se aprofunda. Eu, ó príncipe, contarei tudo para ti de manhã. Levante, levante, que o bem aconteça para ti! E, ó tu de votos excelentes, venha e veja teus pais! O sol se pôs um longo tempo atrás e a noite se aprofunda. Aqueles vagueadores da noite, tendo vozes terríveis, estão andando em volta em alegria. E sons são ouvidos, procedendo dos habitantes da floresta andando pelas matas. Estes gritos terríveis de chacais que estão vindo do sul e do leste fazem meu coração tremer (de medo)!' Satyavan então disse, 'Coberta de escuridão profunda, a selva apresenta um aspecto terrível. Tu não serás, portanto, capaz de discernir o caminho, e por conseguinte não poderás ir!' Então Savitri respondeu, 'Por causa de um incêndio ter ocorrido na floresta hoje uma árvore seca permanece em chamas, e as chamas sendo atiçadas pelo vento são percebidas ocasionalmente. Eu buscarei algum fogo e acenderei estes feixes em volta. Dissipe toda ansiedade. Eu farei tudo (isto) se tu não ousares ir, pois eu te acho indisposto. Nem tu serás capaz de descobrir o caminho por esta floresta envolvida em escuridão. Amanhã quando as matas ficarem visíveis nós partiremos daqui, se te agradar! Se, ó impecável, for teu desejo, nós passaremos esta noite aqui mesmo!' A estas palavras dela, Satyavan respondeu, 'A dor na minha cabeça foi embora; e eu me sinto bem em meus membros. Com tua permissão eu desejo ver meu pai e mãe. Nunca antes eu voltei para o eremitério depois do tempo apropriado ter passado. Mesmo antes que seja crepúsculo minha mãe me confina dentro do retiro. Até quando eu saio durante o dia meus pais ficam ansiosos por minha causa, e meu pai procura por mim, junto com os habitantes dos retiros silvestres. Antes disto, movidos por angústia profunda, meu pai e mãe tinham me repreendido muitas e muitas vezes, dizendo, ‘Tu chegaste tendo demorado muito tempo!’ Eu estou pensando na situação à qual eles chegaram hoje por minha causa, pois, certamente, será grande a angústia deles quando eles me perderem. Uma noite antes desta, o casal idoso, que me ama ternamente, chorou de tristeza profunda e disse para mim, 'Privados de ti, ó filho, nós não podemos viver nem por um momento. Tanto quanto tu viveres, sem dúvida, nós também viveremos. Tu és a muleta desses cegos; a posteridade da nossa família depende de ti. De ti também depende nosso bolo fúnebre, nossa fama e nossos descendentes!’ Minha mãe é idosa, e meu pai também. Eu sou sem dúvida sua muleta. Se eles não me virem durante a noite, qual, oh, será sua situação? Eu odeio aquele meu sono por causa do qual minha mãe e meu pai inocentes estão em dificuldade, e eu mesmo também estou colocado em tal angústia dilacerante! Sem meu pai e mãe, eu não posso aguentar viver. É certo que agora meu pai cego, sua mente desconsolada com aflição, está perguntando a todos os habitantes do eremitério sobre mim! Eu, ó moça formosa, não sofro tanto por mim mesmo quanto eu sofro por meu pai e por minha mãe frágil sempre obediente a seu marido! Certamente eles serão afligidos por angústia extrema por minha causa. Eu mantenho minha vida enquanto eles viverem. E eu sei que eles devem ser mantidos por mim e que eu devo fazer somente o que é agradável para eles!'” "Markandeya continuou, 'Tendo dito isso, aquele jovem virtuoso que amava e venerava seus pais, afligido pela dor, levantou seus braços e começou a lamentar em tons de pesar. E vendo seu marido dominado pela tristeza a virtuosa Savitri enxugou as lágrimas dos olhos dele e disse, 'Se eu tenho observado austeridades, e tenho doado em caridade, e tenho realizado sacrifícios, possa esta noite ser para o bem do meu sogro, sogra e marido! Eu não me lembro de ter dito uma única mentira, nem de brincadeira. Que meu sogro e sogra mantenham suas vidas em virtude da verdade!' Satyavan disse, 'Eu anseio pela visão de meu pai e mãe! Portanto, ó Savitri, proceda sem demora. Ó donzela bela, eu juro por meu próprio ser que se eu descobrir que algum mal aconteceu para meu pai e mãe, eu não viverei. Se tu tens alguma consideração pela virtude, se tu desejas que eu viva, se é teu dever fazer o que é agradável para mim, proceda para o eremitério!' A bela Savitri então se pôs de pé e amarrando seu cabelo, ergueu seu marido em seus braços. E Satyavan tendo levantado, esfregou seus membros com suas mãos. E quando ele olhou em volta, seus olhos caíram sobre sua sacola. Então Savitri disse para ele, 'Amanhã tu podes colher frutas. E eu carregarei teu machado para teu conforto.' Então pendurando a sacola sobre o ramo de uma árvore, e erguendo o machado, ela se reaproximou de seu marido. E aquela dama de coxas belas, colocando o braço esquerdo de seu marido sobre seu ombro esquerdo, e abraçando-o com seu braço direito, prosseguiu com passo pesado. Então Satyavan disse, 'Ó tímida, em virtude do hábito, os caminhos (da floresta) são conhecidos por mim. E além disso, pela luz da lua entre as árvores, eu posso vê- los. Nós agora alcançamos o mesmo caminho que nós tomamos de manhã para colher frutas. Ó auspiciosa, proceda pelo caminho que nós viemos, tu não precisas mais te sentir indecisa sobre nosso caminho. Perto daquela área coberta com árvores Palasa o caminho se separa em dois. Proceda pelo caminho que se encontra ao norte disto. Eu estou bem agora e tenho minha força de volta. Eu almejo ver meu pai e mãe!' Dizendo isso Satyavan procedeu rapidamente em direção ao eremitério.'" "Markandeya disse, 'Enquanto isso o poderoso Dyumatsena, tendo recuperado sua visão, podia ver tudo. E quando sua visão clareou ele viu tudo em volta dele. E, ó touro da raça Bharata, procedendo com sua esposa Saivya a todos os retiros (vizinhos) à procura de seu filho, ele ficou extremamente aflito por causa dele. E aquela noite o casal idoso circulou procurando em retiros, e rios, e bosques, e lagos. E quando eles ouviam algum som, eles permaneciam erguendo suas cabeças, pensando ansiosamente que seu filho estava vindo, e diziam, 'Ó lá vem Satyavan com Savitri!' E eles iam para lá e para cá como loucos, seus pés dilacerados, fendidos, feridos, e sangrando, perfurados com espinhos e folhas Kusa. Então todos os Brahmanas que residiam naquele eremitério foram até eles, e circundando-os por todos os lados, os confortaram, e os levaram de volta para seu próprio retiro. E lá Dyumatsena com sua esposa cercados por ascetas idosos foram entretidos com histórias de monarcas dos tempos antigos. E embora aquele casal idoso desejoso de ver seu filho estivesse confortado, ainda assim se lembrando dos dias juvenis de seu filho, eles ficaram muito preocupados. E afligidos pela dor, eles começaram a lamentar em tons comoventes, dizendo, 'Ai, ó filho, ai, ó nora casta, onde estão vocês?' Então um Brahmana sincero de nome Suvarchas falou a eles, dizendo, 'Considerando as austeridades, autodomínio, e comportamento de sua esposa Savitri, não pode haver dúvida de que Satyavan vive!' E Gautama disse, 'Eu tenho estudado todos os Vedas com seus ramos, e eu adquiri grande mérito ascético. E eu tenho levado uma vida celibatária, praticando também o modo de vida Brahmacharya. Eu tenho gratificado Agni e meus superiores. Com alma absorta eu também tenho cumprido todos os votos, e eu tenho, de acordo com a ordenança, frequentemente vivido só do ar. Em virtude deste mérito ascético eu sou cônscio de todos os feitos de outros. Portanto, aceitem com certeza que Satyavan está vivo.' Nisso seu discípulo disse, 'As palavras que saíram dos lábios do meu preceptor nunca podem ser falsas. Portanto, Satyavan está vivo sem dúvida.' E o Rishi disse, 'Considerando as marcas auspiciosas que sua esposa Savitri carrega e todas as quais indicam imunidade de viuvez, não pode haver dúvida de que Satyavan vive!' E Varadwaja disse, 'Considerando o mérito ascético, autodomínio, e comportamento da esposa dele Savitri, não pode haver dúvida de que Satyavan vive.' E Dalbhya disse, 'Já que tu recuperaste tua visão, e já que Savitri partiu depois do término do voto, sem ingerir algum alimento, não pode haver dúvida de que Satyavan vive.' E Apastamba disse, 'Da maneira na qual as vozes de aves e animais selvagens estão sendo ouvidas através da tranquilidade da atmosfera por toda parte, e do fato também de tu teres recuperado o uso dos teus olhos, indicando a tua utilidade para propósitos mundanos mais uma vez, não pode haver dúvida de que Satyavan vive.' E Dhauma disse, 'Como teu filho está honrado com todas as virtudes, e como ele é o amado de todos, e como ele é possuidor de marcas que predizem uma vida longa, não pode haver dúvida de que Satyavan está vivo.'” "Markandeya continuou, 'Assim animado por aqueles ascetas de palavras sinceras, Dyumatsena, ponderando sobre aqueles pontos, obteve um pouco de conforto. Pouco tempo depois, Savitri com seu marido Satyavan alcançou o eremitério durante a noite e entrou nele com o coração contente. Os Brahmanas então disseram, 'Vendo este encontro com teu filho, e tua restauração à visão, nós todos te desejamos bem, ó senhor da terra. Tua reunião com teu filho, a visão de tua nora, e tua restauração à visão constituem uma prosperidade tripla que tu ganhaste. O que todos nós dissemos deve acontecer, não pode haver dúvida disto. De agora em diante tu crescerás rapidamente em prosperidade.' Então, ó filho de Pritha, os duas vezes nascidos acenderam um fogo e se sentaram em frente ao rei Dyumatsena. E Saivya, e Satyavan, e Savitri que estavam de pé à parte, seus corações livres de angústia, sentaram-se com a permissão deles todos. Então, ó Partha, sentados com o monarca aqueles habitantes das florestas, estimulados pela curiosidade, questionaram o filho do rei, dizendo, 'Por que, ó ilustre, tu não voltaste mais cedo com tua esposa? Por que tu chegaste tão tarde à noite? Que obstáculo te impediu? Nós não sabemos, ó filho de um rei, por que tu causaste tal alarme para nós, e para teu pai e mãe. Cabe a ti nos contar tudo sobre isto.' Nisso Satyavan disse, 'Com a permissão de meu pai eu fui para as matas com Savitri. Lá, quanto eu estava cortando madeira na floresta, eu senti uma dor na minha cabeça. E por consequência da dor eu caí em um sono profundo. Isso é tudo o que eu me lembro. Eu nunca tinha dormido por tanto tempo antes. Eu vim tão tarde à noite para que vocês não pudessem se afligir (por minha causa). Não há outra razão para isto.' Gautama então disse, 'Tu não sabes então a causa da restauração repentina do teu pai à visão. Portanto, cabe a Savitri relatar isto. Eu desejo saber (de ti), pois certamente tu és conhecedora dos mistérios do bem e do mal. E, ó Savitri, eu sei que tu és como a própria deusa Savitri em esplendor. Tu deves saber a razão disto. Portanto, conte isto verdadeiramente! Se isto não deve ser mantido em segredo, revele-o para nós!' A estas palavras de Gautama Savitri disse, ‘Isto é como vocês imaginam. Seu desejo certamente será realizado. Eu não tenho segredo para manter. Ouçam a verdade então! Narada de grande alma tinha previsto a morte de meu marido. Hoje era o momento designado. Eu não podia, portanto, aguentar ser separada da companhia de meu marido. E depois que ele tinha adormecido, Yama, acompanhado por seus mensageiros, se apresentou perante ele, e amarrando-o, começou a levá-lo em direção à região habitada pelos Pitris. Nisso eu comecei a louvar aquele deus venerável, com palavras sinceras. E ele me concedeu cinco benefícios, sobre os quais vocês ouçam de mim! Para meu sogro eu obtive dois benefícios, isto é, sua restauração à visão como também ao seu reino. Meu pai também obteve cem filhos. E eu mesma obtive cem filhos. E meu marido Satyavan obteve uma vida de quatrocentos anos. Foi pela vida de meu marido que eu tinha cumprido aquele voto. Assim eu narrei em detalhes para vocês a causa pela qual este meu imenso infortúnio foi posteriormente convertido em felicidade.’ Os Rishis disseram, 'Ó senhora casta de disposição excelente, cumpridora de votos e dotada de virtude, e nascida de uma linhagem ilustre, por ti a família deste principal dos reis, a qual estava oprimida por calamidades e estava afundando em um oceano de escuridão, foi resgatada.'” "Markandeya continuou, 'Então tendo elogiado e reverenciado aquela melhor das mulheres, aqueles Rishis lá reunidos se despediram daquele principal dos reis assim como de seu filho. E tendo saudado eles dessa maneira, eles partiram rapidamente, em paz com corações alegres, para suas respectivas residências.'" 297 "Markandeya continuou, 'Quando a noite tinha passado, e o orbe solar tinha se erguido, aqueles ascetas, tendo realizado seus ritos matinais, se reuniram. E embora aqueles sábios poderosos falassem repetidas vezes para Dyumatsena da grande boa sorte de Savitri, ainda assim eles nunca estavam satisfeitos. E aconteceu, ó rei, que chegou lá naquele eremitério um grande grupo de pessoas de Salwa. E eles trouxeram informações do inimigo de Dyumatsena ter sido assassinado por seu próprio ministro. E eles relataram para ele tudo o que tinha acontecido, ou seja, como tendo ouvido que o usurpador tinha sido morto com todos os seus amigos e aliados por seu ministro, suas tropas tinham todas fugido, e como todos os súditos tinham se tornado unânimes (em nome de seu rei legítimo), dizendo, 'Possuidor de visão ou não, ele mesmo será nosso rei!' E eles disseram, 'Nós fomos enviados a ti por causa daquela resolução. Este teu carro, e este exército também consistindo em quatro espécies de forças, chegou por ti! Que o bem te aconteça, ó rei! Venha! Tu tens sido proclamado na cidade. Ocupe para sempre o posto pertencente ao teu pai e avô!' E vendo o rei possuidor de visão e são, eles inclinaram suas cabeças, seus olhos arregalados de admiração. Então tendo reverenciado aqueles idosos Brahmanas que residiam no eremitério e honrados por eles em retorno o rei partiu para sua cidade. E cercado pelos soldados, Saivya também acompanhado por Savitri entrou em um veículo equipado com lençóis brilhantes e carregado nos ombros de homens. Então os sacerdotes com corações alegres instalaram Dyumatsena no trono com seu filho de grande alma como príncipe-regente. E depois do lapso de um longo tempo, Savitri deu à luz a uma centena de filhos, todos guerreiros e que não fugiam do combate, e aumentando a fama da linhagem de Salwa. E ela também teve uma centena de irmãos altamente poderosos nascidos para Aswapati, o senhor dos Madras, com Malavi. Assim, ó filho de Pritha, Savitri elevou de situação deplorável para grande ventura, ela mesma, seu pai e mãe, seu sogro e sogra, como também a família de seu marido. E como aquela dama amável Savitri, a filha auspiciosa de Drupada, dotada de caráter excelente, resgatará vocês todos." Vaisampayana disse, "Assim exortado por aquele sábio de grande alma, o filho de Pandu, ó rei, com sua mente livre de ansiedade, continuou a viver na floresta de Kamyaka. O homem que ouve com reverência a excelente história de Savitri obtém felicidade e êxito em tudo, e nunca encontra miséria!" Janamejaya disse, "Qual, ó Brahmana, era o grande temor nutrido por Yudhishthira em relação a Karna, pelo qual Lomasa transmitiu ao filho de Pandu uma mensagem de significado profundo de Indra nestas palavras, ‘Aquele teu medo intenso que tu nunca expressas para alguém, eu removerei depois que Dhananjaya partir daqui?’ E, ó melhor dos ascetas, por que foi que o virtuoso Yudhishthira nunca o expressou para alguém?" Vaisampayana disse, "Porque tu me perguntas, ó tigre entre reis, eu narrarei aquela história para ti! Ouça minhas palavras, ó melhor dos Bharatas! Depois que doze anos (de seu exílio) tinham passado e décimo terceiro ano tinha começado, Sakra, sempre amável para os filhos de Pandu, resolveu pedir de Karna (seus brincos). E, ó monarca poderoso, averiguando esta intenção do grande chefe dos celestiais sobre os brincos (de Karna), Surya, tendo refulgência como sua riqueza, foi até Karna. E, ó principal dos reis, quando aquele herói devotado aos Brahmanas e sincero em palavras estava deitado à noite tranquilamente em uma cama opulenta sobreposta com um lençol caro, a divindade refulgente, cheia de bondade e afeição por seu filho, se mostrou, ó Bharata, para ele em sonhos. E assumindo por poder ascético a forma de um belo Brahmana versado nos Vedas, Surya disse agradavelmente para Karna estas palavras para seu benefício, 'Ó filho, ó Karna, ouça estas minhas palavras, ó tu principal das pessoas sinceras! Ó poderosamente armado, eu te digo hoje por afeição o que é para o teu grande bem! Com o objetivo, ó Karna, de obter teus brincos, Sakra, movido pelo desejo de beneficiar os filhos de Pandu, irá até ti, disfarçado como um Brahmana! Ele, assim como todo mundo, conhece o teu caráter, isto é, que quando solicitado por pessoas piedosas tu doas mas nunca recebes em doação! Tu, ó filho, doas para Brahmanas riqueza ou qualquer outra coisa que seja pedida de ti e nunca recusas alguma coisa a alguém. Sabendo que tu és assim, o próprio subjugador de Paka virá para pedir de ti teus brincos e cota de malha. Quando ele pedir os brincos de ti, não cabe a ti doá-los, mas gratificá-lo com palavras agradáveis com todas as tuas forças. Isto mesmo é para o teu bem supremo! Enquanto pedindo de ti pelos brincos, tu deves, com várias justificações, repetidamente recusar a Purandara que está desejoso de obtê-los, oferecendo a ele, em vez disso, várias outras espécies de riqueza, tais como pedras preciosas e mulheres e vacas, e citando vários precedentes. Se tu, ó Kama, doares teus belos brincos nascidos contigo, tua vida sendo encurtada, tu encontrarás a morte! Enfeitado com tua armadura e brincos, ó concessor de honras, tu não poderás ser morto por inimigos em batalha! Tomes seriamente em consideração estas minhas palavras! Ambos estes ornamentos adornados com jóias surgiram do Amrita. Portanto, eles devem ser preservados por ti, se tua vida é de alguma maneira preciosa para ti." "Ouvindo estas palavras, Kama disse, 'Quem és tu que me falas dessa maneira, me mostrando tal bondade? Se te agradar, diga-me, ó ilustre, quem és tu no disfarce de um Brahmana!' O Brahmana então disse, 'Ó filho, eu sou aquele de mil raios! Por afeição, eu te indico o caminho! Aja segundo minhas palavras, porque é para teu grande bem fazer isto!' Kama respondeu, 'Certamente, é mesmo muito venturoso para mim que o próprio deus de esplendor se dirija a mim hoje, procurando meu bem-estar. Ouça, no entanto, estas minhas palavras! Que isto possa agradar a ti, ó concessor de benefícios, é somente por afeição que eu te digo isto! Se eu sou caro para ti, eu não devo ser dissuadido do cumprimento do meu voto! Ó tu que és possuidor da riqueza de refulgência, o mundo inteiro conhece este como sendo meu voto que, realmente, eu estou preparado para entregar a própria vida para Brahmanas superiores! Se, ó melhor de todos os percorredores do céu, Sakra vier a mim, disfarçado como um Brahmana, para pedir pelo benefício dos filhos de Pandu, ó principal dos celestiais, eu darei a ele os brincos e a cota de malha excelente, para que minha fama que tem se espalhado pelos três mundos não possa sofrer alguma diminuição! Para pessoas como nós, não é digno salvar a vida por meio de uma ação censurável. Muito pelo contrário, é mesmo apropriado para nós encontrarmos a morte com a aprovação do mundo e sob circunstâncias que tragam fama. Portanto, eu entregarei para Indra os brincos com minha armadura! Se o próprio matador de Vala e Vritra vier pedir os brincos para o benefício dos filhos de Pandu, isso levará à minha fama, levando ao mesmo tempo para infâmia dele! Ó tu possuidor de esplendor, eu desejo fama neste mundo, mesmo que ela seja para ser comprada com a própria vida, pois aqueles que tem fama desfrutam das regiões celestes, enquanto aqueles que são desprovidos dela estão perdidos. A fama mantém as pessoas vivas neste mundo assim como uma mãe, enquanto a infâmia mata homens mesmo que eles possam se mover continuamente com corpos não destruídos. Ó senhor dos mundos, ó tu possuidor da riqueza de refulgência, que fama é a vida dos homens é evidenciado por um sloka antigo cantado pelo próprio Criador: ‘No mundo seguinte é a fama que é o principal sustento de uma pessoa, enquanto neste mundo fama pura prolonga a vida. Portanto, por doar meus brincos e cota de malha com ambos os quais eu nasci eu ganharei fama eterna! E por entregar devidamente o mesmo para Brahmanas de acordo com a ordenança, por oferecer meu corpo (como um presente para os deuses) no sacrifício da guerra, por realizar feitos difíceis de realização, e por conquistar meus inimigos em luta, eu obterei apenas renome. E por dissipar no campo de batalha os medos dos apavorados que possam suplicar por suas vidas, e aliviar homens velhos e meninos e Brahmanas do terror e ansiedade, eu ganharei fama excelente e o céu mais sublime. Minha fama deve ser protegida com o sacrifício até da minha vida. Este mesmo, saiba, é meu voto! Por dar tal presente valioso para Maghavan disfarçado como um Brahmana, ó deus, eu alcançarei neste mundo o estado mais elevado.'" 299 "Surya disse, 'Nunca faça, ó Karna, alguma coisa que seja prejudicial para ti mesmo e teus amigos, teus filhos, tuas esposas, teu pai, e tua mãe; ó tu melhor daqueles que tem vida, as pessoas desejam renome (neste mundo) e fama duradoura no céu, sem desejarem sacrificar seus corpos. Mas como tu desejas fama eterna às custas da tua vida, ela, sem dúvida, tirará tua vida! Ó touro entre homens, neste mundo, o pai, o mãe, o filho, e outros parentes são úteis somente para aquele que está vivo. Ó tigre entre homens, com relação aos reis, é somente quando eles estão vivos que a coragem pode ser alguma utilidade para eles. Tu compreendes isto? Ó tu de esplendor excelente, fama é para o bem somente daqueles que estão vivos! Que utilidade a fama tem para os mortos cujos corpos foram reduzidos à cinzas? Alguém que está morto não pode desfrutar do renome. É somente quando uma pessoa está viva que ela pode desfrutar dele. A fama de alguém que está morto é como uma guirlanda de flores ao redor do pescoço de um cadáver. Como tu veneras a mim, eu te digo isto para teu benefício, porque tu és um devoto meu! Aqueles que me adoram são sempre protegidos por mim. Esta também é outra razão para mim me dirigir a ti dessa maneira! Pensando além disso, ó de braços poderosos, que tu me honras com grande reverência, eu fui inspirado com amor por ti! Portanto, aja de acordo com minhas palavras! Há, também, um mistério profundo em tudo isto, ordenado pelo destino. É por isto que eu te falo dessa maneira. Aja sem desconfiança de qualquer tipo! Ó touro entre homens, não é bom para ti conhecer este que é um segredo para os próprios deuses. Portanto, eu não revelo aquele segredo para ti. Tu, no entanto, compreenderás isto com o tempo. Eu repito o que eu já disse. Ó filho de Radha, tome minhas palavras seriamente em consideração! Quando o manejador do raio te pedir por eles, nunca dê a ele teus brincos! Ó tu de esplendor excelente, com teus brincos bonitos, tu pareces belo assim como a própria Lua no firmamento sem nuvens, no meio da constelação Visakha! Tu sabes que a fama beneficia somente a pessoa que está viva. Portanto, quando o senhor dos celestiais pedir teus brincos, tu deves, ó filho, recusar a ele! Repetindo muitas vezes respostas repletas de várias razões, ó impecável, tu serás capaz de remover a avidez do senhor dos celestiais pela posse dos brincos. Ó Karna, altere o propósito de Purandara por realçar respostas repletas de razão e significação importante e adornadas com graça e suavidade. Tu sempre, ó tigre entre homens, desafias àquele que pode esticar o arco com sua mão esquerda, e o heróico Arjuna também sem dúvida te enfrentará em combate. Mas quando equipado com teus brincos, Arjuna nunca poderá te derrotar em luta mesmo que o próprio Indra venha em sua ajuda. Portanto, ó Karna, se tu desejas vencer Arjuna em batalha, estes teus belos brincos nunca devem ser cedidos para Sakra.'" 300 "Karna disse, 'Como tu, ó senhor do esplendor, me conheces como teu devoto, assim também tu sabes que não há nada que eu não possa entregar em caridade, ó tu de raios ardentes! Nem minhas esposas, nem meus filhos, nem eu mesmo, nem meus amigos, são tão caros para mim como tu, por causa da veneração que eu sinto por ti, ó senhor do esplendor! Tu sabes, ó criador de luz, que pessoas de grande alma tem uma consideração afetuosa por seus devotos. ‘Karna me reverencia e é caro para mim. Ele não reconhece outra divindade no céu,’ pensando isto tu, ó senhor, disseste para mim o que é para meu benefício. Ainda assim, ó tu de raios brilhantes, eu novamente te suplico com cabeça inclinada, eu novamente me coloco em tuas mãos. Eu repetirei a resposta que eu já dei. Cabe a ti me perdoar! A própria morte não é repleta de terrores semelhantes para mim como a mentira! Com relação especialmente aos Brahmanas, além disso, eu não hesito em entregar até minha vida por eles! E, ó ser divino, a respeito do que tu me disseste de Phalguna, o filho de Pandu, que tua aflição nascida da tua ansiedade de coração, ó senhor do esplendor, seja dissipada com relação a ele e a mim mesmo; pois eu sem dúvida derrotarei Arjuna em batalha! Tu sabes, ó divindade, que eu tenho grande força de armas obtidas de Jamadagnya e de Drona de grande alma. Permita-me agora, ó principal dos celestiais, cumprir meu voto, de maneira que quando ele do raio vir mendigar de mim, eu possa entregar até minha vida!' "Surya disse, 'Se, ó filho, tu entregares os teus brincos para o manejador do raio, ó tu de força imensa, tu deves também, para o propósito de assegurar a vitória, falar para ele dizendo, ‘Ó tu de cem sacrifícios, eu te darei os brincos sob uma condição.’ Equipado com os brincos, tu és sem dúvida incapaz de ser morto por qualquer ser. Por essa razão é, ó filho, que desejoso de te ver morto em batalha por Arjuna, o destruidor dos Danavas deseja te privar dos teus brincos. Repetidamente adorando com palavras sinceras aquele senhor dos celestiais, Purandara armado com armas incapazes de serem frustradas, tu também peça a ele, dizendo, 'Dê-me um dardo infalível capaz de matar todos os inimigos, ó divindade de mil olhos, e eu te darei os brincos com a cota de malha excelente!' Sob esta condição tu deves dar os brincos para Sakra. Com aquele dardo, ó Karna, tu matarás inimigos em batalha, pois, ó poderosamente armado, aquele dardo do chefe dos celestiais não volta para a mão que o arremessou sem matar inimigos às centenas e aos milhares!'" Vaisampayana continuou, "Tendo dito isso, a divindade de mil raios desapareceu de repente. No dia seguinte, depois de ter dito suas orações, Karna relatou seu sonho para o Sol. E Vrisha relatou para ele a visão que ele tinha visto, e tudo o que tinha se passado entre eles durante a noite. Nisso, tendo ouvido tudo, aquele inimigo de Swarbhanu, aquele senhor, o resplandecente e divino Surya, disse a ele com um sorriso, 'Isto é assim mesmo.' Então o filho de Radha, aquele matador de heróis hostis, sabendo de tudo sobre o assunto, e desejoso de obter o dardo, permaneceu na expectativa de Vasava." 301 Janamejaya disse, "Qual era aquele segredo que não devia ser revelado para Karna pela divindade de raios quentes? De que tipo também eram aqueles brincos e de que tipo era aquela cota de malha? De onde, também, era aquela armadura e aqueles brincos? Tudo isto, ó melhor dos homens, eu desejo saber! Ó tu possuidor da riqueza de ascetismo, conte-me tudo isso!" Vaisampayana disse, "Ó monarca, eu te contarei aquele segredo que não devia ser revelado pela divindade possuidora da riqueza de refulgência. Eu também descreverei para ti aqueles brincos e aquela cota de malha. Uma vez, ó rei, apareceu perante Kuntibhoja um Brahmana de energia ardente e estatura alta, portando uma barba e madeixas emaranhadas, e carregando um bastão em sua mão. E ele era agradável para a visão e de membros impecáveis, e parecia brilhar em esplendor. E ele era possuidor de uma cor azul-amarelada como aquela do mel. E suas palavras eram melíferas, e ele estava adornado com mérito ascético e o conhecimento dos Vedas. E aquela pessoa de grande mérito ascético, se dirigindo ao rei Kuntibhoja, disse, 'Ó tu que és livre de orgulho, eu desejo viver como um convidado na tua casa me alimentando da comida obtida como esmolas de ti! Nem teus seguidores, nem tu mesmo alguma vez agirão de maneira a produzir meu desagrado! Se, ó impecável, isto te agradar, eu então viverei na tua casa dessa maneira! Eu deixarei tua residência quando eu desejar, e voltarei quando eu quiser. E, ó rei, ninguém me ofenderá com relação à minha alimentação ou leito.' Então Kuntibhoja falou para ele estas palavras alegremente, 'Assim seja, e mais.' E ele também disse para ele, 'Ó tu de grande sabedoria, eu tenho uma filha ilustre chamada Pritha. E ela tem um caráter excelente, é observadora de votos, casta, e de sentidos subjugados. E ela se encarregará de servir e atender a ti com reverência. E tu ficarás satisfeito com sua disposição!' E tendo dito isto para aquele Brahmana e lhe prestado homenagem devidamente, o rei foi até sua filha Pritha de olhos grandes, e falou assim para ela, 'Ó filha, este Brahmana eminentemente pio está desejoso de morar em minha casa! Eu aceitei sua proposta, dizendo ‘Assim seja,’ confiando, ó filha, na tua aptidão e habilidade em servir Brahmanas. Portanto, cabe a ti agir de maneira que as minhas palavras não possam ser falsas. Dê a ele com diligência o que quer que este Brahmana venerável possuidor de mérito ascético e dedicado ao estudo dos Vedas possa querer. Que tudo o que este Brahmana pedir seja dado a ele alegremente. Um Brahmana é a personificação da energia preeminente, ele é também a personificação do mérito ascético mais elevado. É por causa das práticas virtuosas dos Brahmanas que o sol brilha nos céus. Foi por sua desconsideração por Brahmanas que eram merecedores de respeito que o poderoso Asura Vatapi, como também Talajangha, foram destruídos pela maldição dos Brahmanas. Por agora, ó filha, é um altamente virtuoso daquela classe que é confiado à tua manutenção. Tu deves sempre cuidar deste Brahmana com mente concentrada. Ó filha, eu sei que, da infância em diante, tu tens sido sempre atenciosa aos Brahmanas, e superiores, e parentes, e empregados, e amigos, à tua mãe e a mim mesmo. Eu sei que tu te comportas bem, conferindo respeito apropriado para todos. E, ó tu de membros impecáveis, na cidade do interior do meu palácio, por conta do teu comportamento amável, não há ninguém, nem entre os empregados, que esteja descontente contigo. Eu, portanto, te acho apropriada para servir todos os Brahmanas de temperamento colérico. Tu és, ó Pritha, uma moça e foste adotada como minha filha. Tu nasceste na linhagem dos Vrishnis, e és a filha favorita de Sura. Tu foste, ó menina, dada a mim alegremente pelo teu próprio pai. Irmã de Vasudeva por nascimento, tu és (por adoção) a principal das minhas filhas. Tendo me prometido nestas palavras, ‘Eu darei meu primogênito,’ teu pai te deu para mim com alegria enquanto tu estavas ainda na tua infância. É por esta razão que tu és minha filha. Nascida em tal família e criada em tal família, tu vieste de uma condição feliz para outra como um lótus transferido de um lago para outro. Ó moça auspiciosa, mulheres, especialmente aquelas que são de origem inferior, embora elas possam com dificuldade ser mantidas sob restrição, se tornam em consequência de sua idade precoce geralmente deformadas em caráter. Mas tu, ó Pritha, és nascida em uma linhagem real, e tua beleza também é extraordinária. E então, ó menina, tu és dotada de todas as habilidades. Portanto, ó donzela, renunciando ao orgulho e arrogância e um senso de presunção, sirva e reverencie o Brahmana concessor de bênçãos, e assim alcance, ó Pritha, um estado auspicioso! Por agir assim, ó moça auspiciosa e impecável, tu sem dúvida obterás boa sorte! Mas se ao contrário, tu incitares a raiva daquele melhor dos duas vezes nascidos, minha família inteira será destruída por ele!'" 302 "Kunti disse, 'Segundo tua promessa eu sevirei, ó rei, com mente concentrada, aquele Brahmana. Ó principal dos reis, eu não digo isto falsamente. É minha natureza venerar Brahmanas. E, como no presente caso eu fazer isso será agradável para ti, isso mesmo será altamente conducente ao meu bem-estar. Se aquele venerável vier à tarde, ou de manhã, ou à noite ou mesmo à meia-noite, ele não terá motivo para ficar zangado comigo! Ó principal dos reis, fazer o bem por servir os duas vezes nascidos e cumprir todas as tuas ordens é o que eu considero como sendo altamente proveitoso para mim, ó melhor dos homens! Portanto, ó principal dos monarcas, confie em mim! Aquele melhor dos Brahmanas, enquanto residindo em tua casa, nunca terá motivo para descontentamento. Eu te digo isto verdadeiramente. Ó rei, eu estarei sempre atenta àquilo que é agradável para aquele Brahmana, e que é repleto também de bem para ti, ó impecável! Eu sei perfeitamente bem que Brahmanas que são eminentemente virtuosos quando propiciados conferem salvação, e quando desagradados são capazes de ocasionar a destruição do ofensor. Portanto, eu agradarei aquele principal dos Brahmanas. Ó monarca, tu não serás prejudicado por aquela melhor das pessoas regeneradas devido à alguma ação minha. Por consequência das transgressões de monarcas, Brahmanas, ó principal dos reis, se tornaram a causa de mal para eles, como Chyavana se tornou, por consequência do ato de Sukanya. Eu, portanto, ó rei, com grande regularidade, servirei aquele melhor dos Brahmanas de acordo com tuas instruções a este respeito!' E quando ela tinha assim falado demoradamente, o rei abraçou-a e encorajou-a, e instruiu-a em detalhes quanto ao que deveria ser feito por ela. E o rei disse, 'Ó donzela amável, tu agirás dessa maneira, sem medo, para o meu bem como também o teu próprio, e para o bem da tua família também, ó tu de membros impecáveis!' E tendo dito isso o ilustre Kuntibhoja, que era devotado aos Brahmanas, transferiu a moça Pritha para aquele Brahmana, dizendo, 'Esta minha filha, ó Brahmana, é jovem e criada no luxo. Se, portanto, ela pecar em algum momento, não leve isto a sério! Brahmanas ilustres nunca ficam zangados com homens velhos, crianças, e ascetas, mesmo que estes contrariem frequentemente. Mesmo em relação a um grande erro o perdão é próprio do regenerado. O culto, portanto, ó melhor dos Brahmanas, que é oferecido com todas as forças e empenho, deve ser aceitável!' Ouvindo estas palavras do monarca, o Brahmana disse, 'Assim seja!' Nisso o rei ficou muito satisfeito e designou para ele aposentos que eram brancos como cisnes ou os raios da lua. E no quarto destinado para o fogo sacrifical, o rei colocou um assento brilhante especialmente construído para ele. E a comida e outras coisas que eram oferecidas para o Brahmana eram do mesmo tipo excelente. E lançando longe a preguiça e todo sentimento de presunção, a princesa se dirigiu com boa vontade apropriada para servir o Brahmana. E a casta Kunti, dotada de pureza de conduta, foi para lá para servir o Brahmana. E servindo devidamente aquele Brahmana como se ele fosse um verdadeiro deus, ela o gratificou muito." 303 Vaisampayana disse, "E aquela moça de votos rígidos, ó monarca poderoso, por servir com coração puro aquele Brahmana de votos rígidos, conseguiu satisfazê-lo. E, ó principal dos reis, dizendo, 'Eu voltarei de manhã,' aquele melhor dos Brahmanas às vezes chegava ao anoitecer ou à noite. No entanto, a moça o venerava em todas as horas com comida e bebida e cama suntuosos. E conforme dia após dia passava, suas atenções a ele, em relação à comida e assento e cama, aumentavam em vez de sofrerem alguma diminuição. E, ó rei, mesmo quando o Brahmana a reprovava, criticando algum dos seus arranjos, ou se dirigia a ela em palavras duras, Pritha não fazia qualquer coisa que fosse desagradável para ele. E em muitas ocasiões o Brahmana voltou depois que a hora designada tinha passado longamente. E em muitas ocasiões (tais como o meio da noite) quando alimento era difícil de se obter, ele disse, 'Dê-me comida.' Mas em todas aquelas ocasiões dizendo, 'Tudo está pronto,' Pritha segurou diante dele a comida. E assim como uma discípula, filha, ou uma irmã, aquela inocente jóia de menina com o coração devotado, ó rei, gratificou aquele principal dos Brahmanas. E aquele melhor dos Brahmanas ficou bem satisfeito com sua conduta e auxílio. E ele recebeu aquelas atenções dela, valorizando-as corretamente. E, ó Bharata, seu pai a questionava toda manhã e noite dizendo, ‘Ó filha, o Brahmana está satisfeito com teu auxílio?’ E aquela moça ilustre costumava responder, 'Extremamente bem.' E por causa disso Kuntibhoja de grande alma sentia o maior deleite. E quando depois de um ano inteiro aquele melhor dos ascetas foi incapaz de encontrar qualquer defeito em Pritha, que estava empenhada em servi-lo, bem satisfeito ele disse a ela, 'Ó donzela amável, eu estou bem satisfeito com tuas atenções, ó bela moça! Ó moça abençoada, peça até por tais benefícios que são difíceis de serem obtidos por homens neste mundo, e obtendo os quais tu possas superar em fama todas as mulheres neste mundo'. A estas palavras dele, Kunti disse, 'Tudo já foi feito em meu favor já que tu, ó principal daqueles que são versados nos Vedas, e meu pai também, estão satisfeitos comigo! Em relação aos benefícios, eu os considero como já obtidos por mim, ó Brahmana!' O Brahmana então disse, 'Se, ó donzela amável, ó tu de doces sorrisos, tu não desejas obter bênçãos de mim, então aceite de mim este mantra para invocar os celestiais! Qualquer um entre os celestiais a quem tu invoques por proferir este mantra aparecerá diante de ti e estará sob teu poder. Querendo ou não, em virtude deste mantra, aquela divindade em aparência amável, e assumindo a obediente atitude de escravo, ficará sujeito ao teu poder!'" Vaisampayana continuou, "Assim endereçada aquela donzela impecável não podia, ó rei, por medo de uma maldição, recusar pela segunda vez concordância com os desejos daquele melhor dos duas vezes nascidos. Então, ó rei, aquele Brahmana comunicou para aquela moça de membros impecáveis aqueles mantras que são recitados no início do Atharvan Veda. E, ó rei, tendo comunicado para ela aqueles mantras, ele disse para Kuntibhoja, 'Ó monarca, eu morei felizmente em tua casa, sempre venerado com respeito devido e gratificado por tua filha. Eu agora partirei.' E dizendo isso ele desapareceu imediatamente. E vendo Brahmana desaparecer lá mesmo, o rei foi tomado pela perplexidade. E o monarca então tratou sua filha Pritha com respeito adequado." 304 Vaisampayana disse, "Quando aquele principal dos Brahmanas tinha partido em alguma outra missão, a moça começou a ponderar sobre a virtude daqueles mantras. E ela disse a si mesma, 'De que natureza são aqueles mantras que foram conferidos a mim por aquele de grande alma? Eu sem demora testarei seu poder'. E quando ela estava pensando dessa maneira, ela de repente percebeu indicações da aproximação de seu período. E seu período tendo chegado, enquanto ela ainda estava solteira, ela corou de vergonha. E aconteceu que quando ela estava sentada em seu quarto em uma cama opulenta, ela contemplou o orbe solar nascendo no leste. E ambos, a mente e os olhos daquela donzela de cintura excelente ficaram presos firmemente no orbe solar. E ela fitou e fitou aquele orbe sem estar saciada com a beleza do Sol da manhã. E ela de repente se tornou dotada de visão celeste. E então ela viu aquele deus de forma divina envolvido em armadura e adornado com brincos. E à visão do deus, ó senhor de homens, ela ficou curiosa quanto à (potência dos) mantras. E nisso aquela moça resolveu invocá-lo. E recorrendo ao Pranayama, ela invocou o Fazedor do dia. E assim invocado por ela, ó rei, o Fazedor do dia se apresentou rapidamente. E ele era de uma cor amarelada como mel, e era possuidor de braços poderosos, e seu pescoço era marcado com linhas como aquelas de uma concha. E equipado com braceletes, e enfeitado com um diadema, ele chegou sorrindo e iluminando todas as direções. E foi por poder de Yoga que ele se dividiu em dois, um dos quais continuou a dar calor, e o outro apareceu diante de Kunti. E ele se dirigiu a Kunti em palavras que eram extremamente gentis, dizendo, ‘Ó donzela amável, dominado pelos mantras eu vim para cá obediente a ti. Sujeito como eu estou ao teu poder, o que eu devo fazer, ó rainha? Diga-me, pois eu farei o que quer que tu ordenes.’ Ouvindo essas palavras da divindade, Kunti disse, 'Ó venerável, volte para o lugar de onde tu viestes! Eu te invoquei só por curiosidade. Perdoe-me, ó venerável!' Surya então disse, 'Ó donzela de cintura fina, eu retornarei, assim como tu dissestes, para o lugar de onde eu vim! Tendo chamado um celestial, no entanto, não é apropriado mandá-lo embora em vão. Tua intenção, ó abençoada, é ter de Surya um filho equipado com uma cota de malha e brincos, e que em relação à destreza será sem comparação neste mundo! Portanto, ó donzela de modo de andar elefantino, entregue tua pessoa a mim! Tu então terás, ó dama, um filho conforme teu desejo! Ó moça amável, ó tu de doces sorrisos, eu voltarei depois de ter te conhecido! Se tu não me gratificares hoje por obedeceres minha palavra, eu em raiva amaldiçoarei a ti, teu pai e aquele Brahmana também. Por teu erro eu certamente consumirei eles todos, e eu infligirei o castigo merecido àquele teu pai tolo que não conhece esta tua transgressão e àquele Brahmana que te concedeu os mantras sem conhecer tua disposição e caráter! Lá estão todos os celestiais no céu, com Purandara em sua dianteira, que estão me olhando com sorrisos zombeteiros por eu ter sido enganado por ti, ó dama! Olhe aqueles celestiais, pois tu és agora possuidora de visão celeste! Antes disto eu te dotei de visão celeste, por consequência do que tu pudeste me ver!'" Vaisampayana continuou, "Nisso a princesa contemplou os celestiais permanecendo no firmamento, cada um em sua própria esfera (Vimanam, isto é, um carro), assim como ela via perante ela aquela divindade altamente resplandecente provida de raios, o próprio Surya. E contemplando eles todos, a moça ficou assustada e seu rosto estava coberto com rubores de vergonha. E então ela se dirigiu a Surya, dizendo, 'Ó senhor de raios, volte para tua própria região. Por conta da minha virgindade, este teu ultraje é repleto de aflição para mim! É somente o pai, mãe, e outros superiores que são aptos para entregar o corpo de sua filha. A virtude eu nunca sacrificarei, visto que neste mundo a conservação de seus corpos inviolados é julgada como o maior dever das mulheres, e é considerada com grande respeito! Ó tu possuidor de riqueza de esplendor, foi somente para testar o poder dos meus mantras que eu, por mera infantilidade, te convoquei. Considerando que isto foi feito por uma moça jovem, cabe a ti, ó senhor, perdoá-la!' Então Surya disse, 'É porque eu te considero uma menina que, ó Kunti, eu estou te falando tão brandamente. Para alguém que não é assim eu não concederia isto. Ó Kunti, entregue-te! Tu certamente obterás felicidade por meio disso. Já que, ó moça tímida, tu me invocaste com mantras, não é apropriado para mim ir embora sem algum propósito ser alcançado, pois, se eu fizer isto eu serei então, ó tu de membros impecáveis, o objeto de riso do mundo, e, ó donzela bela, também de todos os celestiais. Portanto, entregue-te a mim! Por meio disto tu obterás um filho assim como eu mesmo, e tu também serás muito louvada em todo o mundo.'" 305 Vaisampayana disse, “Embora aquela moça nobre se dirigisse a ele em várias palavras agradáveis, ainda assim ela não pode dissuadir aquela divindade de mil raios. E quando ela fracassou em dissuadir o dissipador da escuridão, finalmente por medo de uma maldição, ela refletiu, ó rei, por um longo tempo! ‘Como meu pai inocente, e aquele Brahmana também, podem escapar da maldição furiosa de Surya por minha causa? Embora energia e ascetismo sejam capazes de destruir pecados, ainda assim pessoas honestas, se elas são de idade precoce, não devem provocá-los tolamente. Por agir imprudentemente daquela maneira eu hoje estou colocada em uma situação terrível. De fato, eu estou colocada totalmente dentro do alcance desta divindade. Ó como eu posso fazer o que é pecaminoso por aceitar me entregar a ele?’” Vaisampayana continuou, ‘Atormentada pelo medo de uma maldição, e pensando muito consigo mesma, uma total estupefação da razão veio sobre ela. E ela estava tão confusa que ela não podia decidir o que fazer. Com medo, por um lado, ó rei, da repreensão dos amigos se ela obedecesse a divindade, e, por outro, da maldição dele se ela o desobedecesse, a donzela finalmente, ó principal dos reis, disse estas palavras para aquele deus, em voz trêmula com timidez, 'Ó deus, como meu pai e mãe e amigos ainda estão vivos, esta violação do dever de minha parte não deve acontecer. Se, ó deus, eu cometer este ato proibido contigo, a reputação desta família será sacrificada neste mundo por minha causa. Se tu, no entanto, ó tu principal daqueles que dão calor, julga que este é um ato meritório, eu então realizarei teu desejo mesmo que meus parentes não tenham me concedido a ti! Que eu permaneça casta depois de ter me entregado a ti! Certamente, a virtude, a reputação, a fama, e a vida de todas as criaturas estão estabelecidas em ti!' Ouvindo estas palavras dela, Surya respondeu, 'Ó tu de doces sorrisos, nem teu pai, nem tua mãe, nem algum outro superior teu é competente para te entregar! Que o bem aconteça para ti, ó donzela bela! Escute minhas palavras! É porque uma virgem deseja a companhia de todos que ela recebe o nome de Kanya, da raiz kama significando desejar. Portanto, ó tu de quadris excelentes e da cor mais formosa, uma virgem é, por natureza, livre neste mundo. Tu não serás, ó dama, de qualquer maneira, culpada de algum pecado por ceder ao meu pedido. E como posso eu, que sou desejoso do bem-estar de todas as criaturas, cometer uma ação injusta? Que todos os homens e mulheres não devem ser limitados por restrições é a lei da natureza. A condição oposta é a perversão do estado natural. Tu permanecerás virgem depois de teres me satisfeito. E teu filho também será de braços poderosos e ilustre.' Nisso Kunti disse, 'Se, ó dissipador da escuridão, eu obtiver um filho de ti, que ele seja equipado com uma cota de malha e brincos, e que ele tenha braços fortes e seja dotado de grande força!' Ouvindo essas palavras dela, Surya respondeu, 'Ó moça amável, teu filho será de braços fortes e enfeitado com brincos e uma armadura celeste. E ambos os seus brincos e armadura serão feitos de Amrita, e sua cobertura também será invulnerável.' Kunti então disse, 'Se a armadura excelente e brincos do filho que tu gerarás em mim forem, de fato, feitos de Amrita, então, ó deus, ó divindade venerável, que o teu propósito seja realizado! Que ele seja poderoso, forte, enérgico, e bonito, assim como tu, e que ele também seja dotado de virtude!' Surya então disse, 'Ó princesa, ó donzela excelente, estes brincos foram dados a mim por Aditi. Ó dama tímida, eu os concederei, como também esta excelente armadura, ao teu filho!' Kunti então disse, 'Muito bem, ó venerável! Se meu filho, ó senhor da luz, vir a ser assim, eu, como tu dizes, te satisfarei!'" Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras dela Surya disse, 'Assim seja!' E aquele percorredor dos céus, aquele inimigo de Swarbhanu, com alma absorta em Yoga, entrou em Kunti, e tocou-a no umbigo. Nisto, aquela donzela, por conta da energia de Surya, ficou entorpecida. E aquela dama venerável então caiu em seu leito, privada de seus sentidos. Surya então se dirigiu a ela, dizendo, 'Eu agora partirei, ó tu de quadris graciosos! Tu gerarás um filho que se tornará o principal de todos os manejadores de armas. Ao mesmo tempo tu permanecerás virgem.'" Vaisampayana continuou, "Então, ó principal dos reis, quando o altamente refulgente Surya estava prestes a partir, aquela moça timidamente disse a ele, 'Assim seja!' E foi assim que a filha do rei Kuntibhoja, importunada por Surya, depois de solicitar um filho dele, caiu entorpecida sobre aquele leito excelente, como uma trepadeira quebrada. E foi dessa maneira que a divindade de raios ardentes, deixando-a entorpecida, entrou nela em virtude de poder de Yoga, e colocou seu próprio ser dentro do útero dela. A divindade, no entanto, não a maculou por deflorá-la na carne. E depois que Surya tinha ido embora, aquela moça recuperou sua consciência." 306 Vaisampayana disse, "Foi, ó senhor da terra, no primeiro dia da quinzena iluminada durante o décimo mês do ano que Pritha concebeu um filho semelhante ao próprio senhor das estrelas no firmamento. E aquela donzela de quadris excelentes, por medo de seus amigos escondeu sua concepção, de maneira que ninguém conhecia sua condição. E como a donzela vivia totalmente nos aposentos designados para as donzelas e ocultou cuidadosamente sua condição, ninguém exceto sua ama sabia a verdade. E no tempo devido aquela moça bela, pela graça da divindade, deu à luz um filho parecido com um verdadeiro deus. E assim como seu pai, a criança estava equipada em uma cota de malha, e enfeitada com brincos brilhantes. E ele era possuidor de olhos leoninos e ombros como aqueles de um touro. E imediatamente após a moça ter dado à luz uma criança, ela então consultou com sua ama e colocou o bebê em uma caixa cômoda e lisa feita de trabalho de vime e coberta com lençóis macios e equipada com um travesseiro valioso. E sua superfície era coberta com cera, e ela estava envolvida em uma cobertura cara. E com lágrimas em seus olhos ela levou o bebê ao rio Aswa, e entregou o cesto às suas águas. E embora ela soubesse que era impróprio para uma moça solteira ter filhos, ainda assim por afeição materna, ó principal dos reis, ela chorou lamentando. Ouça às palavras que Kunti proferiu lamentosamente, enquanto entregava a caixa às águas do rio Aswa, 'Ó criança, que o bem te aconteça nas mãos de todos os que habitam a terra, a água, o céu, e as regiões celestes. Que todos os teus caminhos sejam auspiciosos! Que ninguém possa obstruir teu caminho! E, ó filho, que todos os que entrarem em contato contigo tenham seus corações privados de hostilidade em direção a ti. E que aquele senhor das águas, Varuna, te proteja na água! E que a divindade que percorre os céus completamente te proteja no céu. E, ó filho, que o melhor daqueles que dão calor, Surya, teu pai, e de quem eu te obtive como ordenado pelo Destino, te proteja em todos os lugares! E que os Adityas e os Vasus, os Rudras e os Sadhyas, os Viswadevas e os Maruts, e os pontos cardeais com o grande Indra e os regentes que presidem sobre eles, e, de fato, todos os celestiais, te protejam em todos os lugares! Mesmo em terras estrangeiras eu serei capaz de te reconhecer por causa desta tua armadura! Certamente, teu pai, ó filho, o divino Surya possuidor da riqueza de esplendor, é abençoado, pois ele te verá com sua visão celeste descendo a corrente! Abençoada também é aquela senhora, ó tu que foste gerado por um deus, que te aceitará como seu filho, e que te amamentará quando tu estiveres com sede! E que sonho afortunado foi sonhado por ela que te adotará como filho, a ti que és dotado do esplendor solar, e equipado com armadura celeste, e enfeitado com brincos celestes, a ti que tens olhos expansivos parecendo lótus, uma cor clara como cobre polido ou folhas de lótus, uma fronte formosa, e cabelo terminando em belos cachos! Ó filho, ela que te verá rastejar no chão, sujo com poeira, e proferindo docemente palavras inarticuladas, é sem dúvida abençoada! E ela também, ó filho, que te verá chegar na tua juventude vigorosa como um leão de juba nascido nas florestas Himalayan, é indubitavelmente abençoada!'" "Ó rei, tendo assim lamentado muito tempo e de modo comovente, Pritha colocou o cesto nas águas do rio Aswa. E a donzela de olhos de lótus, afligida pela angústia por conta de seu filho e chorando amargamente, com sua ama lançou o cesto nas altas horas de noite, e embora desejosa de contemplar seu filho muitas vezes mais, voltou, ó monarca, para o palácio, temendo que seu pai viesse a saber do que tinha acontecido. Enquanto isso, o cesto flutuou do rio Aswa para o rio Charmanwati, e do Charmanwati ele passou ao Yamuna, e assim adiante para o Ganga. E carregada pelas ondas do Ganga, a criança contida no cesto chegou à cidade de Champa governada por uma pessoa da tribo Suta. De fato, a excelente cota de malha e aqueles brincos feitos de Amrita que tinham nascido com seu corpo, como também a ordenança do Destino, mantiveram a criança viva." 307 Vaisampayana disse, "E aconteceu que naquele momento um Suta chamado Adhiratha, que era um amigo de Dhritarashtra, foi ao rio Ganga, acompanhado por sua esposa. E, ó rei, sua esposa chamada Radha era incomparável sobre a terra em beleza. E embora aquela dama muito abençoada tivesse feito grandes esforços para obter um filho, ainda assim ela tinha fracassado, ó repressor de inimigos, em obter um. E ao chegar ao rio Ganga, ela viu uma caixa flutuando pela corrente. E contendo artigos capazes de proteger de perigos e decorada com unguentos, aquela caixa foi levada perante ela pelas ondas do Janhavi. E atraída pela curiosidade, a dama a fez ser apanhada. E ela então relatou tudo para Adhiratha da casta dos cocheiros. E ouvindo isto Adhiratha tirou a caixa da margem do rio, e abriu-a por meio de instrumentos. E então ele contemplou um menino parecido com o Sol da manhã. E o bebê estava equipado com armadura dourada, e parecia extremamente belo com o rosto enfeitado por brincos. E nisso o cocheiro, junto com sua mulher, foi tomado por tal assombro que seus olhos se arregalaram de admiração. E pegando o bebê em seu colo, Adhiratha disse para sua esposa, 'Desde que eu nasci, ó dama tímida, eu nunca tinha visto tal milagre. Esta criança que veio para nós deve ser de nascimento celeste. Certamente, sem filhos como eu sou, foram os deuses que o enviaram para mim!' Dizendo isto, ó senhor da terra, ele deu o bebê para Radha. E nisso, Radha adotou, segundo a ordenança, aquela criança de forma celeste e origem divina, e possuidora do esplendor dos filamentos do lótus e dotada de graça excelente. E devidamente criada por ela, aquela criança dotada de grande coragem começou a crescer. E depois da adoção de Karna, Adhiratha teve outros filhos gerados por ele mesmo. E vendo a criança equipada com armadura brilhante e brincos dourados, os duas vezes nascidos o chamaram de Vasusena. E assim aquela criança dotada de grande esplendor e destreza incomensurável se tornou o filho do cocheiro, e veio a ser conhecido como Vasusena e Vrisha. E Pritha soube por meio de espiões que seu próprio filho vestido em cota de malha celeste estava crescendo entre os Angas como o filho mais velho de um cocheiro (Adhiratha). E vendo que no decorrer do tempo seu filho tinha crescido, Adhiratha enviou-o à cidade que recebeu o nome de elefante. E lá Karna se hospedou com Drona, para o propósito de aprender (o uso de) armas. E aquele jovem poderoso contraiu uma amizade com Duryodhana. E tendo adquirido todas as quatro espécies de armas de Drona, Kripa, e Rama, ele se tornou famoso no mundo como um arqueiro poderoso. E depois de ter contraído uma amizade com o filho de Dhritarashtra ele se tornou aplicado em prejudicar os filhos de Pritha. E ele estava sempre desejoso de lutar com Falguna de grande alma. E, ó rei, desde que eles viram um ao outro pela primeira vez, Karna sempre costumava desafiar Arjuna, e Arjuna, de sua parte, costumava desafiá-lo. Este, ó principal dos reis, era sem dúvida o segredo conhecido pelo Sol, ou seja, que gerado por ele mesmo em Kunti, Karna estava sendo criado na classe dos Sutas. E vendo-o enfeitado com seus brincos e armadura, Yudhishthira achou que ele não poderia ser morto em combate, e estava extremamente atormentado por isto. E quando, ó principal dos monarcas, Karna depois de se erguer da água, costumava ao meio dia cultuar o refulgente Surya com as mãos unidas, os Brahmanas costumavam lhe pedir riqueza. E naquele momento não havia nada que ele não doasse aos duas vezes nascidos. E Indra, assumindo a aparência de um Brahmana, apareceu perante ele (em tal momento) e disse, Dê-me.' E nisso o filho de Radha respondeu para ele, 'Tu és bem vindo.'" 308 Vaisampayana disse, "E quando o rei dos celestiais se apresentou no disfarce de um Brahmana, vendo-o, Kama disse, 'Bem vindo!' E não conhecendo sua intenção, o filho de Adhiratha se dirigiu ao Brahmana, dizendo, 'De um colar de ouro, e donzelas belas, e aldeias com abundância de vacas, qual eu te darei?' Nisso o Brahmana respondeu, 'Eu não te peço para me dar um colar de ouro, ou donzelas formosas, ou algum outro objeto agradável. Os dê para aqueles que os pedem. Se, ó impecável, tu és sincero em teu voto, então tu deves, separando (da tua pessoa) esta armadura nascida com teu corpo, e estes brincos também, entregue-os para mim! Eu desejo, ó castigador de inimigos, que tu me entregues eles rapidamente; pois este meu único ganho será considerado como superior a todos os outros ganhos!' Ouvindo estas palavras, Kama disse, 'Ó Brahmana, eu te darei propriedades de terra, e donzelas formosas, e vacas, e campos; mas minha armadura e brincos eu não posso te dar!'” Vaisampayana continuou, "Embora assim instigado com várias palavras por Karna, ainda assim, ó chefe da linhagem Bharata, aquele Brahmana não pediu por algum outro benefício. E embora Karna procurasse apaziguá-lo com todas as suas forças, e o reverenciasse devidamente, ainda assim aquele melhor dos Brahmanas não pediu outro benefício qualquer. E quando aquele principal dos Brahmanas não pediu qualquer outro benefício, o filho de Radha falou novamente para ele com um sorriso, 'Minha armadura, ó regenerado, nasceu com meu corpo, e este par de brincos surgiu do Amrita. É por causa deles que eu não posso ser morto nos mundos. Portanto, eu não posso cedê-los. Ó touro entre Brahmanas, aceite de mim o reino inteiro da terra, livre de inimigos e cheio de prosperidade! Ó principal dos regenerados, se eu for privado de meus brincos e da armadura nascidos com meu corpo, eu estarei sujeito a ser derrotado pelos inimigos!'” Vaisampayana continuou, "Quando o ilustre matador de Paka se recusou a pedir algum outro benefício, Kama com um sorriso se dirigiu a ele outra vez, dizendo, 'Ó deus dos deuses, mesmo antes disto eu tinha te reconhecido, ó Senhor! Ó Sakra, não é apropriado para mim te conceder algum benefício não lucrativo, pois tu és o próprio senhor dos celestiais! Muito pelo contrário, sendo como tu és o Criador e senhor de todos os seres, és tu quem deve conferir bênçãos a mim! Se, ó deus, eu te der esta cota de malha e brincos, então eu sem dúvida encontrarei a destruição, e tu também passarás por zombaria! Portanto, ó Sakra, pegue meus brincos e armadura excelentes em troca de alguma coisa conferida por ti a mim! De outra maneira, eu não os entregarei para ti!' Nisso Sakra respondeu, 'Mesmo antes de eu vir a ti, Surya sabia do meu propósito e sem dúvida foi ele quem revelou tudo para ti! Ó Karna, que seja como tu desejas! Ó filho, exceto somente o raio, diga-me o que é que tu desejas ter!'" Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras de Indra, Karna estava cheio de deleite, e vendo que seu propósito estava prestes a ser realizado ele se aproximou de Vasava. Com a intenção de obter um dardo incapaz de ser frustrado ele se dirigiu a Indra, dizendo, 'Ó Vasava, em troca por minha armadura e brincos, dê-me um dardo incapaz de ser frustrado, e capaz de destruir hostes de inimigos quando enfileiradas em ordem de batalha!' Nisso, ó soberano da terra, fixando sua mente por um momento no dardo (para levá-lo lá), Vasava falou dessa maneira para Karna, 'Dê-me teus brincos e a armadura nascidos com teu corpo, e em retorno pegue esse dardo nestes termos! Quando eu enfrento os Daityas em batalha, este dardo que é incapaz de ser desviado, arremessado por minha mão, destrói inimigos às centenas e volta para minha mão depois de realizar seu propósito. Na tua mão, no entanto, este dardo, ó filho de Suta, matará somente um inimigo poderoso teu. E tendo realizado aquele feito ele voltará para mim ribombando e resplandecendo!' Nisso Karna disse, 'Eu desejo matar em luta feroz exatamente um inimigo meu, que ruge ferozmente e é quente como fogo, e de quem eu estou receoso!' Nisto, Indra disse, 'Tu matarás tal inimigo rugidor e poderoso em batalha. Mas aquele a quem tu procuras matar é protegido por um personagem ilustre. Ele mesmo a quem as pessoas versadas nos Vedas chamam de ‘O Javali invencível’ e ‘O incompreensível Narayana,’ aquele próprio Krishna, o está protegendo!' Nisto Karna respondeu, 'Mesmo que seja assim, ó ilustre, dê-me a arma que destruirá somente um inimigo poderoso! Eu, de minha parte, te entregarei minha armadura e brincos, removendo-os do meu corpo. No entanto, conceda que meu corpo, assim ferido, não fique disforme!' Ouvindo isso Indra disse, 'Como tu, ó Karna, és aplicado em observar a verdade, teu corpo não será pouco apresentável, nem alguma cicatriz permanecerá sobre ele. E, ó tu melhor daqueles que são agraciados com fala, ó Karna, tu serás possuidor da cor e energia do teu próprio pai. E se, enlouquecido pela cólera, tu lançares este dardo enquanto ainda houver outras armas contigo, e quando tua vida também não estiver em perigo iminente, ele cairá sobre ti mesmo.' Karna respondeu, 'Como tu me instruis, ó Sakra, eu arremessarei este dardo Vasavi somente quando eu estiver em perigo iminente! Verdadeiramente eu te digo isto!'” Vaisampayana continuou, "Nisso, ó rei, pegando o dardo brilhante, Karna começou a se despir de sua armadura natural. E vendo Karna cortando seu próprio corpo, a hoste inteira de celestiais e homens e Danavas deu um rugido leonino. E Karna não revelou contorções de rosto enquanto despia sua armadura. E observando aquele herói entre homens assim cortando seu corpo com uma arma, sorrindo sempre, timbales celestes começaram a ser tocados e flores celestes começaram a ser derramadas sobre ele. E Karna, cortando a armadura excelente de seu corpo, deu-a para Vasava, ainda pingando. E cortando seus brincos também de suas orelhas, ele os transferiu para Indra. E é por este fato que ele veio a ser chamado de Karna. E Sakra, tendo assim iludido Karna que o fez famoso no mundo, pensou com um sorriso que o assunto dos filhos de Pandu já tinha sido concluído. E tendo feito tudo isso, ele ascendeu para o céu. E ouvindo que Karna tinha sido enganado, todos os filhos de Dhritarashtra ficaram afligidos e privados de orgulho. E os filhos de Pritha, por outro lado, sabendo que tal situação tinha acontecido ao filho do cocheiro, ficaram cheios de alegria.’” Janamejaya disse, "Onde estavam aqueles heróis, os filhos de Pandu, naquela época? E de quem eles ouviram esta notícia bem-vinda? E o que também eles fizeram quando o décimo segundo ano de seu exílio passou? Ó ilustre, conte-me tudo isso!" Vaisampayana disse, “Tendo derrotado o chefe dos Saindhavas, e resgatado Krishna, e tendo sobrevivido ao prazo inteiro de seu doloroso exílio nas florestas, e tendo escutado às histórias antigas sobre deuses e Rishis narradas por Markandeya, aqueles heróis entre homens voltaram de seu retiro em Kamyaka para a sagrada Dwaitavana, com todos os seus carros e seguidores, e acompanhados por seus quadrigários, suas vacas, e os cidadãos que os tinham seguido.” (Aranya Parva) Janamejaya disse, "Tendo sentido grande aflição por conta do sequestro de sua esposa e tendo resgatado Krishna depois disso, o que os Pandavas fizeram em seguida?” Vaisampayana disse, "Tendo sentido grande aflição por causa do sequestro de Krishna, o rei Yudhishthira de glória imperecível, com seus irmãos, deixou as florestas de Kamyaka e voltou à encantadora e pitoresca Dwaitavana abundante em árvores e contendo frutas e raízes deliciosas. E os filhos de Pandu com sua esposa Krishna começaram a residir lá, vivendo parcamente de frutas e praticando votos rígidos. E enquanto aqueles repressores de inimigos, o rei virtuoso Yudhishthira, o filho de Kunti, e Bhimasena, e Arjuna, e aqueles outros filhos de Pandu nascidos de Madri, estavam morando em Dwaitavana, praticando votos rígidos, eles passaram, por causa de um Brahmana, por grande dificuldade, a qual, no entanto, estava destinada a ocasionar sua felicidade futura. Eu te direi tudo acerca do transtorno pelo qual aqueles principais dos Kurus passaram enquanto viviam naquelas florestas, e que no fim ocasionou sua felicidade. Ouça! Uma vez, quando um veado estava dando chifradas em volta, aconteceu que os dois paus para fazer fogo e um bastão de fazer manteiga pertencentes a um Brahmana dedicado a austeridades ascéticas se cravaram firmemente em seus chifres. E, nisso, ó rei, aquele veado forte de velocidade excessiva com saltos longos saiu depressa do eremitério, levando aqueles artigos embora. E, ó principal dos Kurus, vendo aqueles seus artigos assim carregados para longe, o Brahmana, ansioso por conta de seu Agnihotra, foi rapidamente perante os Pandavas. E se aproximando sem perda de tempo de Ajatasatru sentado naquela floresta com seus irmãos, o Brahmana, em grande angústia, falou estas palavras, 'Quando um veado estava dando chifradas em volta aconteceu, ó rei, que meus bastões de fogo e o bastão de fazer manteiga, os quais tinham sido colocados contra uma árvore grande, se prenderam firmemente em seus chifres. Ó rei, aquele veado forte de velocidade excessiva saiu depressa do eremitério com saltos longos, levando aqueles artigos. Seguindo a trajetória daquele veado poderoso, ó rei, por meio de suas pegadas, ó filhos de Pandu, tragam de volta aqueles meus artigos, para que meu Agnihotra não seja interrompido!' Ouvindo estas palavras do Brahmana, Yudhishthira ficou muito preocupado. E o filho de Kunti pegando seu arco partiu com seus irmãos. E pondo seus corseletes (armaduras para o peito) e equipados com seus arcos, aqueles touros entre homens, empenhados em servir o Brahmana, partiram rapidamente na esteira do veado. E avistando o veado à pouca distância, aqueles guerreiros poderosos dispararam nele flechas farpadas e lanças e dardos, mas os filhos de Pandu não puderam perfurá-lo de nenhuma maneira. E enquanto eles se esforçavam para persegui-lo e matá-lo, aquele veado forte ficou invisível de repente. E perdendo o veado de vista, os filhos de Pandu de mente nobre, fatigados e desapontados e afligidos por fome e sede, se aproximaram de uma figueira de bengala naquela floresta profunda e se sentaram em sua sombra fresca. E quando eles tinham se sentado, Nakula, tomado pela tristeza e incitado pela impaciência, se dirigiu a seu irmão mais velho da linhagem Kuru, dizendo, 'Na nossa família, ó rei, a virtude nunca foi sacrificada, nem tem havido perda de riqueza por insolência. E sendo pedidos, nós nunca dissemos para alguma criatura ‘Não!’ Por que então no presente caso nós encontramos com este desastre?” 310 Yudhishthira disse, "Não há limite para calamidades. Nem é possível averiguar seu final ou causa eficiente. É somente o Senhor da justiça quem distribui os frutos de ambos, virtude e vício.' Nisso Bhima disse, ‘Certamente este infortúnio nos aconteceu porque eu não matei o Pratikamin no próprio local, quando ele arrastou Krishna como uma escrava para a assembleia.’ E Arjuna disse, 'Certamente este infortúnio nos aconteceu porque eu não me ressenti daquelas palavras cruéis que perfuravam os próprios ossos, proferidas pelo filho de Suta!' E Sahadeva disse, 'Certamente ó Bharata, este infortúnio nos aconteceu porque eu não matei Sakuni quando ele te derrotou nos dados!'" Vaisampayana continuou, "Então o rei Yudhishthira se dirigiu a Nakula e disse, 'Ó filho de Madri, suba nesta árvore e dê uma olhada nos dez pontos do horizonte. Veja se há água perto de nós ou árvores que crescem em solos úmidos! Ó filho, estes teus irmãos estão todos fatigados e sedentos.' Após dizer, 'Assim seja' Nakula subiu depressa em uma árvore, e tendo olhado em volta, disse para seu irmão mais velho, 'Ó rei, eu vejo muitas árvores que crescem na beira d’água, e eu ouço também os gritos de grous. Portanto, sem dúvida deve haver água em algum lugar por aqui.' Ouvindo estas palavras, o filho de Kunti Yudhishthira, firme em verdade, disse, 'Ó amável, vá e busque água nestas aljavas!' Dizendo, 'Assim seja,' por ordem de seu irmão mais velho Nakula procedeu rapidamente em direção ao lugar onde havia água e logo o encontrou. E contemplando um lago cristalino habitado por grous ele desejou beber dele, quando ele ouviu estas palavras do céu, ‘Ó filho, não cometa este ato precipitado! Este lago sempre esteve em minha posse. Ó filho de Madri, primeiro responda minhas perguntas e então beba dessa água e leve embora (tanto quanto tu precisares).’ Nakula, no entanto, que estava extremamente sedento, desconsiderando estas palavras, bebeu da água fresca, e tendo bebido dela, caiu morto. E, ó repressor de inimigos, vendo a demora de Nakula, o filho de Kunti Yudhishthira disse para Sahadeva, o irmão heróico de Nakula, 'Ó Sahadeva, faz muito tempo desde que nosso irmão, aquele que nasceu imediatamente antes de ti, saiu daqui! Portanto, vá e traga de volta teu irmão uterino, junto com a água.' Nisto, Sahadeva, dizendo, 'Assim seja' partiu naquela direção; e chegando ao local viu seu irmão jazendo morto no chão. E afligido pela morte de seu irmão, e sofrendo severamente de sede, ele avançou em direção à água, quando estas palavras foram ouvidas por ele, 'Ó filho, não cometa este ato precipitado! Este lago sempre esteve em minha posse. Primeiro responda minhas perguntas, e então beba da água e tire tanto quanto tu possas necessitar.' Sahadeva, no entanto, que estava extremamente sedento, desconsiderando estas palavras, bebeu da água, e tendo bebido dela, caiu morto. Então Yudhishthira, o filho de Kunti, disse para Vijaya, 'Faz tempo desde que, ó Vibhatsu, aqueles teus dois irmãos partiram, ó repressor de inimigos! Abençoado sejas tu! Traga-os de volta, junto com a água. Tu és, ó filho, o refúgio de nós todos quando mergulhados em infortúnio!' Assim endereçado, o inteligente Gudakesa, pegando seu arco e flechas e também sua espada descoberta, partiu para aquele lago de águas. E alcançando aquele local, ele cujo carro era puxado por corcéis brancos viu aqueles tigres entre homens, seus dois irmãos mais novos que tinham ido buscar água, jazendo mortos lá. E vendo-os como se adormecidos, aquele leão entre homens, extremamente aflito, ergueu seu arco e começou a olhar em volta aquela floresta. Mas ele não descobriu ninguém naquela floresta imensa. E, estando fatigado, ele que era capaz de esticar o arco com sua mão esquerda também avançou na direção da água. E quando ele estava avançando (em direção à água), ele ouviu estas palavras do céu, 'Por que tu te aproximas desta água? Tu não serás capaz de beber dela pela força. Se tu, ó Kaunteya, puderes responder às perguntas que eu te farei, somente então tu beberás da água e levarás embora tanto quanto tu precisares, ó Bharata!' Assim proibido, o filho de Pritha disse, 'Proíba-me por aparecer na minha frente! E quando tu fores perfurado violentamente por minhas flechas, tu então não falarás novamente dessa maneira!' Tendo dito isso, Partha cobriu todos os lados com flechas inspiradas por mantras. E ele também mostrou sua habilidade em atirar em um alvo invisível por meio do som somente. E, ó touro da raça Bharata, muito afligido pela sede, ele disparou dardos farpados e lanças e setas de ferro, e despejou no céu inúmeras flechas incapazes de serem frustradas. Nisso, o Yaksha invisível disse, 'Qual a necessidade de todo este incômodo, ó filho de Pritha? Beba somente depois de responder minhas perguntas! Se tu beberes, no entanto, sem responder minhas perguntas, tu morrerás imediatamente em seguida.' Assim endereçado, o filho de Pritha Dhananjaya, capaz de esticar o arco com sua mão esquerda também, desconsiderando aquelas palavras, bebeu da água, e imediatamente depois caiu morto. E (vendo a demora de Dhananjaya) o filho de Kunti Yudhishthira se dirigiu a Bhimasena, dizendo, 'Ó repressor de inimigos, faz um longo tempo que Nakula e Sahadeva e Vibhatsu saíram para buscar água, e eles ainda não voltaram, ó Bharata! Que o bem aconteça para ti! Traga-os de volta, junto com a água!' Nisso dizendo, 'Assim seja' Bhimasena partiu para aquele local onde aqueles tigres entre homens, seus irmãos, jaziam mortos. E vendo eles, Bhima embora ele estivesse afligido pela sede, ficou extremamente angustiado. E aquele herói de braços fortes pensou que tudo aquilo tinha sido a ação de algum Yaksha ou Rakshasa. E o filho de Pritha Vrikodara pensou, 'Eu certamente terei que lutar hoje. Que eu, portanto, primeiro sacie minha sede.' Então aquele touro da raça Bharata avançou com a intenção de beber. Nisso o Yaksha disse, 'Ó filho, não cometa este ato apressado! Este lago sempre esteve em minha posse. Primeiro responda minhas perguntas, e então beba e tire tanta água quanto tu precises!'” Vaisampayana continuou, "Assim endereçado por aquele Yaksha de energia incomensurável, Bhima, sem responder suas perguntas, bebeu da água. E tão logo ele bebeu, ele caiu morto no lugar. Então achando que seus irmãos tinham- no deixado há muito tempo, Yudhishthira esperou por algum tempo. E o rei disse para si mesmo repetidas vezes, 'Por que aqueles dois filhos de Madri estão demorando? E por que o manejador do Gandiva também demora? E por que Bhima também, dotado de grande força, demora? Eu procurarei por eles!' E decidido a fazer isso, Yudhishthira de braços fortes então se levantou, seu coração queimando em angústia. E aquele touro entre homens, o filho real de Kunti, pensou consigo mesmo, 'Esta floresta está sob alguma influência maligna? Ou ela está infestada por algumas bestas perversas? Ou eles todos pereceram em consequência de terem desrespeitado algum ser poderoso? Ou, não encontrando água no lugar para onde aqueles heróis tinham se dirigido primeiro, eles passaram todo este tempo em busca pela floresta? Qual é a razão pela qual aqueles touros entre homens não voltam?' E falando dessa maneira, aquele principal dos monarcas, o ilustre Yudhishthira, entrou naquela floresta imensa onde nenhum som humano era ouvido e que era habitada por veados e ursos e aves, e que estava adornada com árvores que eram luminosas e verdes, e que ecoava com o zumbido das abelhas pretas e as notas de cantores alados. Conforme ele estava procedendo adiante, ele contemplou aquele lago belo que parecia como se tivesse sido feito pelo próprio artífice celeste. E ele estava adornado com flores de uma cor dourada e com lotos e Sindhuvars. E ele abundava com juncos e Ketakas e Karaviras e Pippalas, e fatigado pelo esforço, Yudhishthira viu aquele tanque e foi tomado pela surpresa.” 311 Vaisampayana disse, "Yudhishthira viu seus irmãos, cada um possuidor da glória do próprio Indra, jazendo mortos como os Regentes do mundo caídos de suas esferas no fim do Yuga. E contemplando Arjuna jazendo morto, com seu arco e flechas caídos no chão, e também Bhimasena e os gêmeos imóveis e privados de vida, o rei deu um suspiro difícil e longo, e estava banhado em lágrimas de tristeza. E vendo seus irmãos jazendo mortos, o filho de braços fortes de Dharma com coração torturado em ansiedade começou a lamentar profusamente, dizendo, 'Tu, ó Vrikodara de braços poderosos, juraste, dizendo, ‘Eu esmagarei com maça as coxas de Duryodhana em combate! Ó realçador da glória dos Kurus, na tua morte, ó de braços poderosos e grande alma, tudo aquilo se tornou inútil agora! As promessas dos homens podem ser ineficazes; mas por que as palavras dos deuses proferidas em relação a ti foram assim inúteis? Ó Dhananjaya, enquanto tu estavas no quarto de resguardo da tua mãe os deuses disseram, ‘Ó Kunti, este teu filho não será inferior àquele de mil olhos!’ E nas montanhas Paripatra do norte todo os seres cantaram, dizendo, ‘A prosperidade (desta linhagem), roubada por inimigos, será recuperada por este sem demora. Ninguém será capaz de derrotá- lo em batalha, enquanto não haverá ninguém a quem ele não será capaz de derrotar. Por que então Jishnu dotado de grande força foi sujeito à morte? Oh, por que aquele Dhananjaya, confiando em quem nós tínhamos até agora suportado toda essa miséria, jaz no chão matando todas as minhas esperanças? Por que aqueles heróis, aqueles filhos poderosos de Kunti, Bhimasena e Dhananjaya, caíram sob o poder do inimigo, aqueles que sempre matam seus inimigos, e a quem nenhuma arma poderia resistir? Certamente, este meu coração vil deve ser feito de pedra, já que vendo estes gêmeos jazendo hoje no chão ele não se parte! Ó touros entre homens, versados em escritos sagrados e conhecedores das propriedades de tempo e lugar, e dotados de mérito ascético, vocês que realizaram devidamente todos os ritos sagrados, por que vocês jazem deitados, sem realizarem atos dignos de vocês? Ai, por que vocês jazem insensíveis sobre a terra, com seus corpos ilesos, ó invencíveis, e com seus votos intocados?' E contemplando seus irmãos dormindo docemente lá como (eles usualmente faziam) em ladeiras de montanha, o rei de grande alma, dominado pela dor e banhado em suor chegou a uma condição lamentável. E dizendo, ‘Isto é assim mesmo’, aquele senhor virtuoso de homens, submerso em um oceano de dor ansiosamente procedeu para averiguar a causa (daquela catástrofe). E aquele de braços poderosos e de grande alma, familiarizado com as divisões de tempo e lugar, não pode determinar seu rumo de ação. Tendo assim lamentado muito dessa maneira, o virtuoso Yudhishthira, o filho de Dharma ou Tapu, reprimiu sua alma e começou a refletir quanto a quem tinha matado aqueles heróis. 'Não há golpes de armas sobre eles, nem há alguma pegada aqui. O ser deve ser poderoso eu suponho, por quem meus irmãos foram mortos. Eu ponderarei seriamente sobre isto, ou, que eu beba da água primeiro, e então saiba tudo. Pode ser que Duryodhana de mente habitualmente desonesta tenha feito esta água ser colocada aqui secretamente pelo rei dos Gandharvas. Que homem de bom senso pode confiar em um indivíduo pecaminoso de más paixões para quem bem e mal são semelhantes? Ou, talvez, esta pode ser uma ação daquele de alma má através de seus mensageiros secretos.' E foi assim que aquele altamente inteligente deu caminho a diversas reflexões. Ele não acreditou que aquela água tivesse sido corrompida por veneno, pois embora mortos nenhuma palidez semelhante a de cadáver se encontrava neles. 'A cor nos rostos destes meus irmãos não desapareceu.' E foi assim que Yudhishthira pensou. E o rei continuou, 'Cada um destes principais dos homens era como uma catarata poderosa. Quem, portanto, salvo o próprio Yama que no tempo devido ocasiona o fim de todas as coisas, poderia tê-los frustrado dessa maneira?' E tendo concluído isso com certeza, ele começou a realizar suas abluções naquele lago. E enquanto descia até ele, ele ouviu estas palavras do céu, proferidas pelo Yaksha, 'Eu sou um grou que vive de peixes muito pequenos. Foi por mim que teus irmãos mais novos foram trazidos sob o domínio do senhor dos espíritos dos mortos. Se tu, ó príncipe, não responderes às perguntas feitas por mim, tu mesmo numerarás o quinto cadáver. Ó filho, não aja precipitadamente! Este lago sempre esteve em minha posse. Tendo respondido minhas perguntas primeiro, ó filho de Kunti, beba e leve embora (tanto quanto tu precisares)!' Ouvindo estas palavras, Yudhishthira disse, 'Tu és o principal dos Rudras, ou dos Vasus, ou dos Marutas? Eu pergunto, que deus tu és? Isto não pode ter sido feito por uma ave! Quem é aquele que derrubou as quatro montanhas imensas, ou seja, a Himavat, a Paripatra, a Vindhya, e a Malaia? Grande é a façanha feita por ti, ó principal das pessoas fortes! Aqueles a quem nem deuses, nem Gandharvas nem Asuras, nem Rakshasas podiam resistir em combate vigoroso foram mortos por ti! Portanto, extremamente admirável é a façanha feita por ti! Eu não sei qual pode ser teu negócio, nem eu sei o teu propósito. Portanto, é grande a curiosidade e medo também que tomaram posse de mim. Minha mente está muito agitada, e como minha cabeça também está doendo, eu te pergunto, portanto, ó venerável, quem és tu que permaneces aqui?' Ouvindo estas palavras o Yaksha disse, 'Eu sou, que o bem te aconteça, um Yaksha, e não uma ave anfíbia. Foi por mim que todos estes meus irmãos, dotados de bravura imensa, foram mortos!' Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras detestáveis expressadas em letras cruéis, Yudhishthira, ó rei, se aproximando do Yaksha que tinha falado então, permaneceu lá. E aquele touro entre os Bharatas então viu aquele Yaksha de olhos incomuns e corpo enorme alto como uma palmeira e parecendo com o fogo ou o Sol, e irresistível e gigantesco como uma montanha, permanecendo sobre uma árvore, e proferindo um rugido alto profundo como aquele das nuvens. E o Yaksha disse, 'Estes teus irmãos, ó rei, repetidamente proibidos por mim, tiraram água à força. Foi por isso que eles foram mortos por mim! Aquele que deseja viver não deve, ó rei, beber esta água! Ó filho de Pritha, não aja impetuosamente! Este lago sempre esteve em minha posse. Ó filho de Kunti, primeiro responda minhas perguntas, e então tire tanto quanto tu quiseres!' Yudhishthira disse, 'Eu, ó Yaksha, não cobiço o que já está em tua posse! Ó touro entre os seres masculinos, pessoas virtuosas nunca aprovam que alguém elogie a si mesmo (sem contar vantagem, eu, portanto, responderei tuas questões, de acordo com minha inteligência). Pergunte-me!' O Yaksha então disse, 'O que é que faz o Sol nascer? Quem lhe faz companhia? Quem o faz se pôr? E em quem ele está estabelecido?' Yudhishthira respondeu, 'Brahma faz o Sol nascer; os deuses lhe fazem companhia; Dharma o faz se pôr; e ele está estabelecido na verdade.' (Além dos significados claros e óbvios das palavras empregadas nas perguntas e nas respostas, há uma profunda significação de um tipo espiritual. Por Aditya, que geralmente significa o Sol, é indicada a alma não purificada. A primeira questão então se torna, 'Quem é que exalta a alma não purificada?' O ato de exaltação implica uma elevação da alma de suas conexões terrestres. A resposta a isto é, 'Brahma, isto é, Veda ou Auto-conhecimento.' A segunda questão 'Quais são aqueles que fazem companhia para a alma durante seu progresso de purificação?' A resposta é, ‘Autodomínio e outras qualidades, que são todas de uma natureza semelhante à dos deuses ou divina.' A terceira pergunta é ‘Quem leva a alma para seu lugar (estado) de descanso?’ A resposta é, ‘Dharma, ou seja, retidão, moralidade, e observância religiosa.’ É afirmado frequentemente que se deve passar pelas observâncias (Karma) antes de alcançar um estado de Descanso ou Verdade ou Conhecimento Puro. A última pergunta é, 'No que a alma está estabelecida?' A resposta, segundo tudo o que foi dito anteriormente, é, ‘Verdade ou Conhecimento Puro.’ Pois a alma que está emancipada e elevada acima de todas as conexões carnais não tem mais necessidade de observâncias e ações (Karma), mas permanece inabalável no Conhecimento Verdadeiro (Janana)).’ O Yaksha perguntou, 'Pelo que uma pessoa torna erudita? Pelo que ela obtém o que é muito importante? Como alguém pode ter um auxiliar? E, ó rei, como alguém pode adquirir inteligência?' Yudhishthira respondeu, 'É pelo (estudo dos) Srutis que uma pessoa se torna erudita; é por austeridades ascéticas que alguém obtém o que é muito importante; é pela inteligência que uma pessoa obtém um auxiliar e é por servir os idosos que alguém se torna sábio.' (Uma inteligência firme serve aos propósitos de uma companhia útil). O Yaksha perguntou, 'O que constitui a divindade dos Brahmanas? Qual é sua prática que é semelhante àquelas dos pios? Qual também é atributo humano dos Brahmanas? E que prática deles é como aquela dos ímpios?' Yudhishthira respondeu, 'O estudo dos Vedas constitui sua divindade; seu ascetismo constitui comportamento que é como aquele dos pios; sua sujeição à morte é seu atributo humano e difamação é sua impiedade.' O Yaksha perguntou, 'O que institui a divindade dos Kshatriyas? Qual é sua prática que é semelhante àquela dos pios? Qual é seu atributo humano? E qual prática deles é como aquela dos ímpios?' Yudhishthira respondeu, 'Flechas e armas são sua divindade; celebração de sacrifícios é aquela ação que é como aquela dos pios; sujeição ao temor é seu atributo humano; e recusa de proteção é aquele ato deles que é semelhante ao dos ímpios.' O Yaksha perguntou, 'O que é que constitui o Sama do sacrifício? Qual o Yajus do sacrifício? O que é que é a proteção de um sacrifício? E o que é aquilo o qual um sacrifício não pode passar sem?' Yudhishthira respondeu, 'Vida é o Sama do sacrifício; a mente é o Yajus do sacrifício; o Rik é aquilo que é a proteção do sacrifício; e é Rik somente sem o qual o sacrifício não pode passar.' (Por 'sacrifício' se quer dizer o sacrifício espiritual para a aquisição de conhecimento puro. No sacrifício objetivo que alguém celebra, os mantras Sama, Yajus e Rik são todos necessários. No sacrifício subjetivo a aquisição do verdadeiro conhecimento, vida e mente são tão necessários quanto os mantras dos Sama e Yajur Vedas em um objetivo. Como nenhum sacrifício objetivo pode passar sem os Riks, sendo principalmente dependente deles, assim os sacrifícios subjetivos para adquirir conhecimento verdadeiro nunca podem passar sem devoção, a qual é representada como os Riks.) O Yaksha perguntou, 'O que é da maior importância para aqueles que cultivam? O que é da maior importância para aqueles que semeiam? O que é da maior importância para aqueles que desejam prosperidade neste mundo? E o que é da maior importância para aqueles que produzem?' Yudhishthira respondeu, 'O que é da maior importância para aqueles que cultivam é a chuva; aquilo da maior importância para aqueles que semeiam é a semente; aquilo da maior importância para aqueles que produzem é a prole.' O Yaksha falou, 'Aquela pessoa, desfrutando de todos os objetos dos sentidos, dotada de inteligência, respeitada pelo mundo e gostada por todos os seres, que embora respirando não oferece nada para estes cinco: deuses, convidados, empregados, Pitris, e ela mesma, embora dotada de fôlego, ainda assim não está viva.' O Yaksha perguntou, 'O que é mais pesado do que a própria terra? O que é mais alto do que os céus? O que é mais veloz do que o vento? E o que é mais numeroso do que a grama?' Yudhishthira respondeu, 'A mãe é mais pesada (importante) do que a terra; o pai é mais alto do que o céu; a mente é mais veloz do que o vento; e nossos pensamentos são mais numerosos do que a grama.' O Yaksha perguntou, 'O que é que não fecha seus olhos quando dorme; o que é que não se move depois do nascimento? O que é que não tem coração? E o que é que aumenta com seu próprio ímpeto?' Yudhishthira respondeu, 'Um peixe não fecha seus olhos quando dorme; um ovo não se move depois do nascimento; uma pedra não tem coração; e um rio aumenta com seu próprio ímpeto.' O Yaksha perguntou, 'Quem é o amigo do exilado? Quem é o amigo do chefe de família? Quem é o amigo daquele que está doente? E quem é o amigo de alguém que está prestes a morrer?' Yudhishthira respondeu, 'O amigo do exilado em uma terra distante é seu companheiro, o amigo do chefe de família é a esposa; o amigo do que está doente é o médico; e o amigo daquele prestes a morrer é a caridade.’ O Yaksha perguntou, 'Quem é o convidado de todas as criaturas? Qual é o dever eterno? O que, ó principal dos reis, é Amrita? E o que é este Universo inteiro?' Yudhishthira respondeu, ‘Agni é o convidado de todas as criaturas; o leite de vaca é amrita; Homa (com ele) é o dever eterno; e este Universo consiste somente em ar.' (Yudhishthira tem a autoridade dos Srutis para dizer que o único elemento que permeia o universo é o ar). O Yaksha perguntou, 'O que é que viaja sozinho? O que é que renasce depois de seu nascimento? Qual é o remédio contra o frio? E qual é o maior campo?' Yudhishthira respondeu, 'O sol viaja sozinho; a lua toma nascimento de novo; o fogo é o remédio contra o frio; e a Terra é o maior campo.' O Yaksha perguntou, 'Qual é o maior amparo da virtude? Qual da fama? Qual do céu? E qual, da felicidade?' Yudhishthira respondeu, 'Generosidade é o maior amparo da virtude; caridade, da fama; veracidade, do céu; e bom comportamento, da felicidade.' O Yaksha perguntou, 'O que é a alma do homem? Quem é aquele amigo concedido ao homem pelos deuses? Qual é o principal sustento do homem? E qual também é seu principal amparo?' Yudhishthira respondeu, 'O filho é a alma de um homem, a esposa é o amigo concedido ao homem pelos deuses; as nuvens são seu principal sustento; e a doação é seu principal amparo.' O Yaksha perguntou, 'Qual é a melhor de todas as coisas louváveis? Qual é a mais valiosa de todas as suas posses? Qual é o melhor de todos ganhos? E qual é a melhor de todas as espécies de felicidade?' Yudhishthira respondeu, ‘A melhor de todas as coisas louváveis é a habilidade; a melhor de todas as posses é o conhecimento; o melhor de todos os ganhos é a saúde; e o contentamento é o melhor de todos os tipos de felicidade.' O Yaksha perguntou, 'Qual é o maior dever no mundo? Qual é aquela virtude que sempre dá frutos? O que é aquilo que se controlado não leva ao desgosto? E quem são aqueles com quem uma aliança não pode se romper?' Yudhishthira respondeu, 'O maior dos deveres é se abster de ferir; os ritos ordenados nos três (Vedas) sempre dão frutos; a mente, se controlada, não leva ao desgosto; e uma aliança com os bons nunca se rompe.' O Yaksha perguntou, 'O que é aquilo que, se renunciado, faz alguém agradável? O que é que, se renunciado, não leva ao arrependimento? O que é que, se renunciado, faz alguém rico? O que é que se renunciado faz alguém feliz?' Yudhishthira respondeu, 'Orgulho, se renunciado, faz alguém agradável; cólera, se renunciada, não leva ao arrependimento; desejo, se renunciado, faz alguém rico; e avareza, se renunciada, faz uma pessoa feliz.' O Yaksha perguntou, 'Por que alguém doa para Brahmanas? Por que para mímicos e dançarinos? Por que para empregados? E por que para o rei?' Yudhishthira respondeu, 'É por mérito religioso que alguém doa para Brahmanas; é por fama que alguém doa para mímicos e dançarinos; é para sustentá-los que alguém doa para empregados; e é para obter alívio do temor que alguém doa para reis.' O Yaksha perguntou, 'Com o que o mundo é envolvido? O que é aquilo devido ao qual uma coisa não pode se revelar? Por que amigos são abandonados? E por que alguém fracassa em ir para o céu?' Yudhishthira respondeu, 'O mundo é envolvido pela escuridão. A escuridão não permite que uma coisa se mostre. É por avareza que amigos são abandonados. E é conexão com o mundo pela qual alguém fracassa em ir para o céu.' O Yaksha perguntou, 'Por que alguém pode ser considerado como morto? Por que um reino pode ser considerado como morto? Por que um Sraddha pode ser considerado como morto? E por que, um sacrifício?' Yudhishthira respondeu, 'Por falta de riqueza um homem pode ser considerado como morto. Um reino por falta de um rei pode ser considerado como morto. Um Sraddha que é realizado com a ajuda de um sacerdote que não tem erudição pode ser considerado como morto. E um sacrifício no qual não há presentes para Brahmanas é morto.' O Yaksha perguntou, 'O que constitui o caminho? O que tem sido citado como água? O que, como alimento? E o que, como veneno? Diga-nos também qual é o tempo apropriado de um Sraddha, e então beba e tire tanto quanto tu queiras!' Yudhishthira respondeu, 'Aqueles que são bons constituem o caminho; (isto é, o caminho pelo qual alguém deve andar é aquele dos bons). O Espaço tem sido citado como água. (Os Srutis realmente falam do espaço como água. Esta é uma questão para testar o conhecimento de Yudhishthira a respeito de cosmogonia Védica). A vaca é alimento. (Os Srutis falam da vaca como o único alimento no seguinte sentido: a vaca dá leite. O leite dá manteiga. A manteiga é usada no Homa. O Homa é a causa das nuvens. As nuvens dão chuva. A chuva faz as sementes brotarem e produzirem alimento). Um pedido é veneno. E um Brahmana é considerado como o tempo apropriado de um Sraddha. (Ou seja, não há tempo especial para um Sraddha. Ele é para ser realizado em qualquer tempo em que um sacerdote bom e hábil possa ser obtido). Eu não sei o que tu pensas de tudo isto, ó Yaksha!' O Yaksha perguntou, 'O que é considerado o sinal de ascetismo? E qual é o verdadeiro controle? O que constitui o perdão? E o que é vergonha?' Yudhishthira respondeu, 'Permanecer na própria religião é ascetismo; o controle da mente é de todos os controles o verdadeiro; perdão consiste em tolerar animosidade; e vergonha, em se afastar de todas as ações indignas.' O Yaksha perguntou, 'O que, ó rei, é citado como sendo o conhecimento? O que, a tranquilidade? O que constitui a compaixão? E o que é chamado de simplicidade?' Yudhishthira respondeu, 'Verdadeiro conhecimento é aquele da Divindade. Verdadeira tranquilidade é aquela do coração. Compaixão consiste em desejar felicidade para todos. E simplicidade é equanimidade de coração.' O Yaksha perguntou, 'Qual inimigo é invencível? O que constitui uma doença incurável para os homens? Qual tipo de homem é chamado de honesto e qual de desonesto?' Yudhishthira respondeu, 'A raiva é um inimigo invencível. A cobiça constitui uma doença incurável. É honesto aquele que deseja o bem-estar de todas as criaturas, e é desonesto aquele que é impiedoso.' O Yaksha perguntou, 'O que, ó rei, é ignorância? E o que é orgulho? O que também é para ser entendido por ociosidade? E o que tem sido citado como dor?' Yudhishthira respondeu, 'Verdadeira ignorância consiste em não conhecer os próprios deveres. Orgulho é uma consciência de alguém ser ele mesmo um ator ou sofredor na vida. Ociosidade consiste em não cumprir os próprios deveres, e ignorância em tristeza.' O Yaksha perguntou, 'O que os Rishis dizem que é firmeza? E o que, paciência? Qual também é uma ablução verdadeira? E o que é caridade?' Yudhishthira respondeu, 'Firmeza consiste em permanecer na sua própria religião, e verdadeira paciência consiste na subjugação dos sentidos. Um banho verdadeiro consiste em limpar a mente de todas as impurezas, e caridade consiste em proteger todas as criaturas.' O Yaksha perguntou, 'Qual homem deve ser considerado como erudito, e quem deve ser chamado de ateu? Quem também é para ser chamado de ignorante? O que é chamado de desejo e quais são as fontes do desejo? E o que é inveja?' Yudhishthira respondeu, 'É para ser chamado de erudito quem conhece seus deveres. Um ateu é aquele que é ignorante e assim também é ignorante aquele que é um ateu. O desejo é devido aos objetos de posse, e inveja é nada mais do que mágoa de coração.' O Yaksha perguntou, 'O que é orgulho, e o que é hipocrisia? Qual é a graça dos deuses, e o que é maldade?' Yudhishthira respondeu, 'Ignorância apática é orgulho. Levantar um estandarte religioso é hipocrisia. A graça dos deuses é o fruto de nossas doações, e maldade consiste em falar mal de outros.' O Yaksha perguntou, 'Virtude, lucro, e desejo são opostos uns aos outros. Como podem coisas assim antagônicas umas às outras existirem juntas?' Yudhishthira respondeu, 'Quando uma esposa e virtude se harmonizam uma com a outra, então todos os três que tu mencionaste podem existir juntos.' O Yaksha perguntou, 'Ó touro da raça Bharata, quem é que está condenado ao inferno eterno? Cabe a ti responder logo a pergunta que eu faço!' Yudhishthira respondeu, 'Aquele que convoca um Brahmana pobre prometendo lhe fazer uma doação e então diz a ele que não tem nada para dar vai para o inferno eterno. Também deve ir para o inferno eterno aquele que atribui falsidade aos Vedas, às escrituras, aos Brahmanas, aos deuses, e às cerimônias em honra dos Pitris. Também vai para o inferno eterno aquele que, embora na posse de riqueza, nunca doa nem desfruta ele mesmo por avareza, dizendo que ele não tem nada.' O Yaksha perguntou, 'Pelo que, ó rei, nascimento, comportamento, estudo, ou erudição, uma pessoa se torna um Brahmana? Diga- nos com certeza!' Yudhishthira respondeu, 'Ouça, ó Yaksha! Não é nem nascimento, nem estudo, nem erudição que é a causa da condição de Brahmana, sem dúvida, é o comportamento que o constitui. O comportamento deve sempre ser bem vigiado, especialmente por um Brahmana. Aquele que mantém seu comportamento inalterado nunca é prejudicado. Professores e pupilos, de fato, todos que estudam as escrituras, se viciados em maus hábitos, devem ser considerados como patifes iletrados. É erudito somente aquele que cumpre seus deveres religiosos. Mesmo aquele que estudou os quatro Vedas é para ser considerado como um patife pecaminoso mal distinguível de um Sudra (se sua conduta não for correta). Somente aquele que realiza o Agnihotra e tem seus sentidos sob controle é chamado de Brahmana!' O Yaksha perguntou, 'O que ganha alguém que fala palavras agradáveis? O que ganha aquele que sempre age com discernimento? O que ganha aquele que tem muitos amigos? E o que ganha aquele que é devotado à virtude?' Yudhishthira respondeu, 'Aquele que fala palavras agradáveis se torna agradável para todos. Aquele que age com discernimento obtém o que quer que ele busque. Aquele que tem muitos amigos vive alegremente. E aquele que é devotado à virtude obtém um estado feliz (no mundo seguinte).' O Yaksha perguntou, 'Quem é realmente feliz? O que é mais extraordinário? Qual é o caminho? E qual é a notícia? Responda estas quatro perguntas minhas e que teus irmãos mortos revivam.' Yudhishthira respondeu, 'Ó criatura anfíbia, um homem que cozinha em sua própria casa, na quinta ou na sexta parte do dia, com vegetais escassos, mas que não está em dívida e que não circula para longe de casa, é realmente feliz. Dia após dia incontáveis criaturas estão indo para a residência de Yama, ainda assim aquelas que ficam para atrás acreditam que elas mesmas são imortais. O que pode ser mais extraordinário do que isto? Debate não leva à conclusão certa, os Srutis são diferentes uns dos outros; não há nem um Rishi cuja opinião possa ser aceita por todos; a verdade sobre religião e dever está escondida em cavernas; portanto, é o caminho somente aquele ao longo do qual os notáveis tem andado. Este mundo cheio de ignorância é como uma panela. O sol é fogo, os dias e noites são combustível. Os meses e as estações constituem a concha de madeira. O Tempo está cozinhando todas as criaturas naquela panela (com tais ajudas); esta é a notícia.' O Yaksha perguntou, 'Tu, ó repressor de inimigos, realmente respondeste todas as minhas perguntas! Diga-nos agora quem é realmente um homem, e qual homem realmente possui todas as espécies de riqueza.' Yudhishthira respondeu, 'A fama da boa ação de um homem alcança o céu e se espalha pela terra. Tanto quanto aquela fama durar, uma pessoa para quem o agradável e o desagradável, bem- estar e dor, o passado e o futuro, são o mesmo, é citada como possuidora de todas as espécies de riqueza.' O Yaksha disse, 'Tu, ó rei, realmente respondeste quem é um homem, e que homem possui todas as espécies de riqueza. Portanto, que somente um entre teus irmãos, quem tu possas desejar, se levante com vida!' Yudhishthira respondeu, 'Que este que é de cor um pouco escura, cujos olhos são vermelhos, que é alto como uma grande árvore Sala, cujo peito é largo e braços longos, que este Nakula, ó Yaksha, se levante com vida!’ O Yaksha replicou, 'Este Bhimasena é querido para ti, e este Arjuna também é alguém de quem todos vocês dependem! Por que, então, ó rei, tu desejas que um meio-irmão se levante com sua vida? Como tu podes, abandonando Bhima cuja força é igual àquela de dez mil elefantes, desejar que Nakula viva? As pessoas diziam que este Bhima era caro para ti. Por que motivo então tu desejas que um meio-irmão reviva? Abandonando Arjuna o poder de cujo braço é venerado por todos os filhos de Pandu, por que tu desejas que Nakula reviva?' Yudhishthira disse, ‘Se a virtude for sacrificada, aquele que a sacrifica está perdido. Assim a virtude também nutre aquele que a nutre. Portanto cuidando para que a virtude por ser sacrificada não possa nos sacrificar, eu nunca abandono a virtude. Abstenção de ferir é a maior virtude, e é, eu penso, até mais elevada do que o mais elevado objeto de aquisição. Eu me esforço para praticar aquela virtude. Portanto, que Nakula, ó Yaksha, reviva! Que os homens saibam que o rei é sempre virtuoso! Eu nunca me afastarei do meu dever. Que Nakula, portanto, reviva! Meu pai teve duas esposas, Kunti e Madri. Que ambas delas tenham filhos. Isto é o que eu desejo. Como Kunti é para mim, assim também é Madri. Não há diferença entre elas aos meus olhos. Eu desejo agir igualmente em direção às minhas mães. Portanto, que Nakula viva!' O Yaksha disse, 'Já que abstenção de injúria é considerada por ti como mais elevada do que ambos, lucro e prazer, portanto, que todos os teus irmãos vivam, ó touro da raça Bharata!’” Vaisampayana continuou, "Então de acordo com as palavras do Yaksha os Pandavas se levantaram; e em um momento sua fome e sede os deixaram. Nisso Yudhishthira disse, 'Eu pergunto a ti que és incapaz de ser derrotado e que permaneces sobre uma perna no tanque, que deus tu és, pois eu não posso te tomar por um Yaksha! Tu és o principal dos Vasus, ou dos Rudras, ou dos principais dos Maruts? Ou tu és o próprio senhor dos celestiais, manejador do raio? Cada um destes meus irmãos é capaz de lutar como cem mil guerreiros, e eu não vejo o guerreiro que possa matar eles todos! Eu vejo também que seus sentidos foram revigorados, como se eles tivessem despertado docemente do sono. Tu és um amigo nosso, ou mesmo nosso próprio pai?’ Nisto o Yaksha respondeu, 'Ó filho, eu sou teu pai, o Senhor da justiça, possuidor de grande destreza! Saiba, touro da raça Bharata, que eu vim para cá desejoso de te ver! Fama, verdade, autodomínio, pureza, franqueza, modéstia, firmeza, caridade, austeridades e Brahmacharya, estes são meu corpo! E abstenção de ferir, imparcialidade, paz, penitências, santidade, e liberdade de malícia são as portas (pelas quais eu sou acessível). Tu és sempre caro para mim! Por boa sorte tu és devotado aos cinco (ou seja, tranquilidade de mente, autodomínio, abstenção de prazeres sensuais, resignação, e meditação de Yoga); e por boa sorte também tu conquistaste os seis (ou seja, fome, sede, tristeza, rudeza de sentimento mortal, decrepitude, e morte). Dos seis, dois aparecem na primeira parte da vida; dois na parte do meio dela; e os dois restantes no fim, para fazer os homens se dirigirem para o mundo seguinte. Eu sou, que o bem te aconteça, o senhor da justiça! Eu vim para cá para testar teu mérito. Eu estou bem satisfeito por testificar tua inofensividade; e, ó impecável, eu te concederei benefícios. Ó principal dos reis, peça-me benefícios. Eu sem dúvida os concederei, ó impecável! Aqueles que me reverenciam nunca obtêm desgraça!' Yudhishthira disse, 'Um veado estava levando embora os bastões de fogo do Brahmana. Portanto, o primeiro benefício que eu pedirei é que as adorações daquele Brahmana para Agni não sejam interrompidas!' O Yaksha disse, 'Ó filho de Kunti dotado de esplendor, fui eu quem para te examinar estava levando embora, no disfarce de um veado, os bastões de fogo daquele Brahmana!" Vaisampayana continuou, "Nisso aquele venerável disse, ‘Eu te dou este benefício! Que o bem te aconteça! Ó tu que és semelhante a um imortal, peça um outro benefício!’ Yudhishthira disse, 'Nós temos passado estes doze anos na floresta; e o décimo terceiro ano está chegando. Que ninguém possa nos reconhecer quando nós passarmos este ano em algum lugar.'” Vaisampayana continuou, 'Nisso aquele venerável respondeu, 'Eu dou este benefício para ti!' E então tranquilizando o filho de Kunti tendo a verdade como destreza, ele também disse, 'Mesmo que, ó Bharata, vocês percorram esta terra (inteira) em suas próprias formas, ninguém nos três mundos reconhecerá vocês. Ó perpetuadores da linhagem Kuru, pela minha graça, vocês passarão este décimo terceiro ano, secretamente e não reconhecidos, no reino de Virata! E cada um de vocês será capaz de assumir à vontade qualquer forma que quiser! Agora presenteiem o Brahmana com seus bastões de fogo. Foi somente para testar vocês que eu os levei embora na forma de um veado! Ó amável Yudhishthira, peça por outro benefício que tu possas querer! Eu o concederei a ti. Ó principal dos homens, eu ainda não estou satisfeito por conceder benefícios para ti! Meu filho, aceite um terceiro benefício que seja maior e incomparável! Tu, ó rei, és nascido de mim, e Vidura de uma porção minha!" Nisso Yudhishthira disse, 'É suficiente que eu tenha te visto com meus sentidos, Deus eterno dos deuses como tu és! Ó pai, qualquer benefício que tu queiras me conceder eu sem dúvida aceitarei alegremente! Que eu possa, ó senhor, sempre conquistar a cobiça e insensatez e raiva, e que minha mente esteja sempre devotada à caridade, verdade, e austeridades ascéticas!’ O Senhor da justiça disse, 'Pela própria natureza, ó Pandava, tu és dotado destas qualidades, pois tu és o próprio Senhor da justiça! Novamente obtenha o que tu pediste!" Vaisampayana continuou, “Tendo dito estas palavras, o venerável Senhor da justiça, que é o objeto de contemplação de todos os mundos, desapareceu de lá; e os Pandavas de grande alma, depois que eles tinham dormido agradavelmente se reuniram uns com os outros. E com sua fadiga dissipada, aqueles heróis voltaram para o eremitério e devolveram àquele Brahmana seus bastões de fogo. Aquele homem que procura esta história ilustre e que aumenta a fama da revivificação (dos Pandavas) e do encontro de pai e filho (Dharma e Yudhishthira), obtém perfeita tranquilidade de mente, e filhos e netos, e também uma vida que se estende por cem anos! E a mente daquele homem que toma esta história seriamente em consideração nunca se deleita na injustiça, ou em desunião entre amigos, ou em apropriação indevida da propriedade de outra pessoa, ou em macular esposas de outros homens, ou em pensamentos nocivos!” 313 Vaisampayana continuou, "Comandados pelo Senhor da justiça para assim passarem disfarçados o décimo terceiro ano de não descobrimento, os Pandavas de grande alma, cumpridores de votos e tendo a verdade como destreza, sentaram-se perante aqueles ascetas eruditos e cumpridores de votos que por consideração estavam morando com eles em seu exílio na floresta. E com mãos unidas eles disseram estas palavras, com a intenção de obter permissão para passar o décimo terceiro ano da maneira indicada. E eles disseram, 'Vocês sabem bem que os filhos de Dhritarashtra nos privaram do nosso reino por meio de fraude, e também nos fizeram muitas outras injúrias! Nós passamos doze anos na floresta em grande aflição. Somente o décimo terceiro ano, o qual nós devemos passar irreconhecidos, ainda resta. Cabe a vocês nos permitirem agora passar este ano em segredo! Se aqueles nossos inimigos rancorosos Suyodhana, Kama de mente má, e o filho de Suvala nos descobrirem isto fará grande mal para os cidadãos e nossos amigos! Todos nós com os Brahmanas seremos novamente estabelecidos no nosso próprio reino?’ Tendo dito isso, aquele filho de Dharma de espírito puro, o rei Yudhishthira, dominado pelo pesar e com a voz sufocada em lágrimas, desmaiou. Nisso os Brahmanas, junto com seus irmãos, começaram a animá-lo. Então Dhaumya falou para o rei estas palavras repletas de forte significado, 'Ó rei, tu és erudito e capaz de suportar privações, és firme em promessa, e de sentidos subjugados! Homens de tal caráter não são subjugados por algum infortúnio seja qual for. Até os próprios deuses de grande alma tem vagado por vários lugares disfarçados, para o propósito de conquistar inimigos. Indra, para o propósito de superar seus inimigos, morou disfarçado no retiro de Giriprastha, em Nishadha, e assim alcançou seu objetivo. Antes de tomar seu nascimento no útero de Aditi, Vishnu para o propósito de destruir os Daityas passou muito tempo irreconhecido, assumindo a forma do Haya-griba (de pescoço de cavalo). Então como se disfarçando na forma de um anão ele por meio de sua destreza privou Vali de seu reino, foi ouvido por ti! E tu também ouviste como Hutasana entrando na água e permanecendo em ocultamento realizou o propósito dos deuses. E, ó tu versado em dever, tu ouviste como Hari com o objetivo de derrotar seus inimigos entrou no raio de Sakra e permaneceu escondido lá. E, ó impecável, tu soubeste do trabalho que o Rishi regenerado Aurva antigamente realizou para os deuses, permanecendo escondido no útero de sua mãe. E, ó filho, vivendo escondido em todas as partes da terra, Vivaswat, dotado de energia excelente, finalmente destruiu completamente todos os seus inimigos. E vivendo disfarçado na residência de Dasaratha, Vishnu de atos terríveis matou o de dez pescoços em combate. Assim permanecendo disfarçadas em vários lugares, pessoas de grande alma antes disso conquistaram seus inimigos em batalha.’ Assim confortado por estas palavras de Dhaumya, o virtuoso Yudhishthira, confiando em sua própria sabedoria e também naquela adquirida das escrituras, recuperou sua serenidade. Então aquela principal das pessoas fortes, o poderoso Bhimasena dotado de grande força encorajando o rei grandemente, falou estas palavras, ‘Olhando para tua face (em busca de permissão), o manejador do Gandiva, agindo de acordo com seu sentido de dever, ó rei, ainda não demonstrou qualquer impulsividade! E embora totalmente capazes de destruir o inimigo, Nakula e Sahadeva de bravura terrível tem sido sempre impedidos por mim! Nós nunca nos desviaremos daquilo no qual tu nos engajares! Diga-nos o que é para ser feito! Nós conquistaremos nossos inimigos rapidamente!’ Quando Bhimasena tinha dito isto os Brahmanas proferiram bênçãos sobre os Bharatas, e então obtendo sua permissão, foram para seus respectivos alojamentos. E todos aqueles principais dos Yatis e Munis versados nos Vedas, muito desejosos de ver os Pandavas novamente, voltaram para suas casas. E acompanhados por Dhaumya, aqueles heróis, os cinco Pandavas eruditos equipados em votos, partiram com Krishna. E cada um versado em uma ciência separada, e todos peritos em mantras e cientes de quando a paz era para ser firmada e quando a guerra era para ser empreendida, aqueles tigres entre homens, prestes a entrar em uma vida de não-reconhecimento, no dia seguinte procederam por um Krose e então se sentaram com a intenção de se aconselhar uns com os outros.” Fim do Vana Parva.
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