Mahabharata - 05 - Udyoga Parva

Mahabharata

Mahabharata - 05 - Udyoga Parva

O Udyoga Parva mostra a tentativa final de evitar a guerra. Embaixadas, conselhos, recusas e a missão de Krishna deixam claro que o conflito em Kurukshetra já se tornou quase inevitável. A palavra ainda tenta deter a espada.

Estratégia da série: um post por parva, preservando a unidade tradicional da obra e tornando a leitura navegável para blog.

Ilustração em rabisco a lápis para Udyoga Parva, com tema de diplomacia, preparativos de guerra e missão de Krishna.
Imagem criada para este post em estilo de desenho a lápis com atmosfera épica e gótica.

O MAHABHARATA de Krishna-Dwaipayana Vyasa LIVRO 5 UDYOGA PARVA Traduzido para a Prosa inglesa do Texto Sânscrito Original por Kisari Mohan Ganguli [1883-1896] AVISO DE ATRIBUIÇÃO Escaneado em sacred-texts.com, 2004. Verificado por John Bruno Hare, Outubro 2004. Este texto é de domínio público. Estes arquivos podem ser usados para qualquer propósito não comercial, desde que este aviso de atribuição seja mantido intacto. Traduzido para o Português por Eleonora Meier. Capítulo Conteúdo Página 1 Krishna fala na assembleia, sugerindo que um mensageiro vá até Duryodhana e peça metade do reino. 8 2 Baladeva fala. 9 3 Satyaki fala, pedindo batalha. 10 4 Drupada fala. 11 5 Pandavas enviam mensageiro pela paz. 12 6 Drupada fala para o sacerdote mensageiro. 13 7 Duryodhana e Arjuna vão à Krishna por auxílio. Arjuna obtém Krishna, Duryodhana um exército. Outros reis tomam lados. 14 8 Salya se aproxima. Concede benefício para Duryodhana para lutar. Concede a Yudhishthira um Karna desanimado em batalha. 16 9 História de Indra, e luta com o filho de Twashtri. 19 10 Luta entre Indra e Vritra. Depois da vitória de Indra ele é escondido devido ao Brahmanicídio. 22 11 Nahusha se torna rei dos celestiais. Volta-se para prazeres sensuais. Persegue a rainha de Indra, Sachi. 24 12 Sachi obtém a proteção de Vrihaspati. Os deuses a convencem a ir até Nahusha. 25 13 Por sacrifício Indra é libertado do pecado. 27 14 Deusa da Divinação leva Sachi até Indra. 28 15 Sachi pede veículo para conduzir Nahusha até ela. 29 16 Indra restaurado à forma.

Alia-se com Kuvera, Yama, Agni, e Varuna para derrotar Nahusha. 30 17 Agastya enquanto isso lança Nahusha à terra como uma cobra (ver Vana Parva, CLXXVIX). 32 18 Termina a história da tristeza de Indra e esposa. Salya, rei dos Madras, volta para casa. 33 19 Exércitos chegam para Duryodhana e Yudhishthira. 35 20 Sacerdote vai à Dhritarashtra, pede pela paz. 36 21 Bhishma e Karna discutem. Dhritarashtra intervém. 37 22 Sanjaya enviado aos Pandavas. 38 23 Yudhishthira responde. 41 24 Sanjaya continua (paz). 43 25 Mensagem de paz de Dhritarashtra é narrada. 43 26 Yudhishthira fala, pede Indraprastha como reino, pela paz. 44 27 Sanjaya roga a Yudhishthira para não ir à guerra de modo algum. 46 28 Yudhishthira responde e se refere à Krishna. 48 29 Krishna fala pela paz. Menciona deveres das quatro castas. 49 30 Yudhishthira dá mensagem de partida para Sanjaya. 53 31 Yudhishthira falando. 56 32 Sanjaya vai à Dhritarashtra. 57 33 Vidura instrui Dhritarashtra nos caminhos da virtude. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. 60 34 Conselho adicional de Vidura. 66 História de Virochana e Sudharwan. 68 36 Mais conselho. Dhritarashtra pergunta sobre famílias nobres. 72 37 Mais conselho. Dezessete tipos de homens. 77 38 Vidura fala mais sobre virtude. 81 39 Vidura sobre prosperidade. 83 40 Mais avisos. Dhritarashtra diz que o Destino é responsável. 88 41 Evocam Rishi Sanat-sujata. 90 42 Dhritarashtra questiona o Rishi sobre virtude e vício. 91 43 Perguntas sobre austeridades, renúncia, Alma Suprema. 94 44 Perguntas sobre a realização de Brahman. 99 45 Conselho sobre amigos.

102 46 Alma Suprema. 103 47 Conselho dos Kurus se reúne para ouvir mensagem de Sanjaya. 106 48 Narra a mensagem de Arjuna. 107 49 Bhishma e Drona falam, mas Duryodhana não responde. Eles abandonam toda a esperança de vida. 114 50 Sanjaya relata tamanho das forças de combate. 116 51 Dhritarashtra prevê destruição dos Kurus. 119 52 (Idem). 121 53 Dhritarashtra diz que ele deseja paz. 122 54 Sanjaya afirma que lamentar é inútil. 123 55 Duryodhana ávido para lutar. 124 56 Duryodhana pergunta sobre os Pandavas. Sanjaya relata corcéis. 127 57 Descrição de como os Pandavas repartiram os reis Kurus para serem mortos. 129 58 Dhritarashtra pede a Duryodhana para fazer as pazes. Duryodhana se recusa e é abandonado por Dhritarashtra. 131 59 Sanjaya narra mensagem de Krishna. 133 60 Dhritarashtra pede novamente por paz. 134 61 Duryodhana fala em orgulho. 135 62 Karna fala, é ofendido, guarda suas armas. 137 63 Vidura dá conselhos. 138 64 Vidura, história das duas aves em uma rede. 139 65 Dhritarashtra apela mais. 140 66 Sanjaya relata as últimas palavras de Arjuna. 141 67 Dhritarashtra pergunta sobre os Pandavas de Sanjaya. Conselho terminado. 142 68 Sanjaya fala de Krishna. 143 69 Dhritarashtra recomendado no caminho da salvação. Vyasa presente. 144 70 Significados dos nomes de Krishna. 145 71 Dhritarashtra procura refúgio em Krishna. 146 72 Yudhishthira pede ajuda a Krishna. Krishna vai aos Kurus. 147 73 Krishna fala expectante de batalha. 151 74 Bhima pede a Krishna para pedir por paz. 153 75 Krishna insulta Bhima, dizendo que isto não é típico dele.

154 Bhima responde de forma zangada. 155 77 Krishna responde sobre ações, destino e esforço. 156 78 Arjuna pede pela paz. 157 79 Krishna diz para não esperar paz. 158 80 Nakula fala. 159 81 Sahadeva ávido para lutar. Satyaki ávido para lutar. 160 82 Draupadi fala, querendo guerra. 160 83 Krishna parte para os Kurus. 163 84 Presságios ao longo do caminho. 166 85 Dhritarashtra levanta pavilhões no caminho. Krishna passa por eles. 168 86 Arranjos feitos para a visita de Krishna. 168 87 Vidura aconselha Dhritarashtra em recepção apropriada. Nenhum presente. 169 88 Duryodhana afirma que ele encarcerará Krishna. Bhishma deixa a assembleia. 170 89 Krishna é bem recebido em Hastinapura. 171 90 Krishna visita Kunti. 172 91 Recusa comida de Duryodhana. Janta somente com Vidura. 178 92 Vidura discute Duryodhana com Krishna. 180 93 Krishna explica seu propósito em vir. 181 94 Krishna vai para a assembleia. 183 95 Krishna profere mensagem de paz. 185 96 Jamadagnya relata história de Nara e Narayana, e explica isto como Arjuna e Krishna. 188 97 Kanwa narra história de Matali. 191 98 Matali e Narada vão até Varuna. 192 99 Narada descreve a região. Matali não pode encontrar um noivo lá. 193 100 Considera cidade de Daityas e Davanas. Parte de lá. 194 101 Região das aves descendentes de Garuda. 195 102 Rasatala, onde a mãe das vacas mora. 196 103 Região dos Nagas. Matali vê o jovem Sumukha. 197 104 Sumukha e Gunakesi se casam. Garuda a fim de devorar Sumukha. 198 105 Garuda humilhado por Vishnu. Kanwa conclui recomendando paz. Duryodhana dá risada e o desrespeita.

199 106 Narada fala sobre obstinação. História de Viswamitra e Galava. 201 107 Galava lamenta ter que encontrar 800 corcéis brancos. 203 108 Garuda vai até Galava. Oferece-se para levá-lo para os quadrantes. Leste. 204 109 Descrição do segundo quadrante. Sul. 205 110 Descrição do terceiro quadrante. Oeste. 206 111 Descrição do quarto quadrante. Norte. 207 112 Garuda leva Galava em direção ao Leste em grande velocidade. 208 113 Garuda perde e recupera suas asas por causa de Sandili sobre o pico de Rishabha. 210 114 Vai até Yayati. 211 115 Obtém uma donzela Madhavi. Vai até o rei Haryyaswa. 212 Obtêm 200 corcéis, Madhavi produz um filho, e é uma virgem novamente. Atributos da Dama. 213 117 O mesmo para Divodasa. 214 118 O mesmo para Usinara (dos Bhojas). 215 119 Donzela aceita por Viswamitra como os 200 corcéis restantes. Depois de dar à luz um filho, a donzela vai para casa. Garuda parte. 216 120 Yayati dá Madhavi para a floresta. Ele ascende para o céu, mas então desrespeita os celestiais. 217 121 Cai entre Madhavi e seus 4 filhos. 218 122 Mandado de volta para o céu por meio das austeridades de seus netos. 220 123 Narada conclui, sobre infortúnio causado por obstinação e vaidade. 221 124 Krishna pede paz diretamente de Duryodhana. 222 125 Bhishma, Drona e Vidura mandam Duryodhana fazer como Krishna deseja. 225 126 Argumentam com Duryodhana. 226 127 Duryodhana recusa positivamente. 227 128 Krishna fala, e Duryodhana deixa a corte. Krishna recomenda aprisionar Duryodhana e seus conselheiros imediatos. 228 129 Gandhari reprova Duryodhana.

231 130 Trama para aprisionar Krishna. Isto é conhecido e Satyaki se prepara. Duryodhana avisado contra isto. 234 131 Krishna dá a Duryodhana visão de sua forma completa. Faz arranjos para partir. 236 132 Pritha dá mensagem para Krishna. 238 133 Kunti dá história de Vidula e seu filho. 239 134 Vidula repreende filho sobre deveres de Kshatriya. 242 135 Filho fala para sua mãe. 244 136 Término da história, desespero do filho removido. 246 137 Kunti termina mensagem para Krishna. Krishna deixa a cidade. 247 138 Conselheiros para Duryodhana falam de maus presságios. 248 139 Bhishma e Drona se dirigem a Duryodhana silencioso. 250 140 Krishna conta à Karna sobre seu real nascimento. 251 141 Karna fala, rejeitando irmãos Pandu, aderindo ao dever, de sua própria morte no sacrifício da batalha. 252 142 Krishna instrui Karna a respeito do dia em que a batalha é para começar. 255 143 Discurso de Karna aceitando vitória Pandava. 256 144 Vidura e Kunti falam. Kunti vai até Karna. 258 145 Kunti revela a Karna seu real nascimento. 260 146 Karna afirma sua posição de lutar com Arjuna. Devotado à verdade. 260 147 Krishna relata palavras de Bhishma para Duryodhana. 262 148 Drona e Vidura falam (repetido por Krishna). Também Gandhari. 264 149 Discurso de Dhritarashtra, com linhagem e declaração de Yudhishthira como rei legítimo. 266 150 Krishna conclui. Duryodhana partindo para a batalha. 268 151 Escolha de Dhrishtadyumna como líder. 269 Partida para a batalha. 271 153 No caminho. Descrição da tenda. 272 154 Duryodhana se prepara para a batalha.

273 155 Yudhishthira fala a Krishna na véspera da batalha. 274 156 Descrição do exército de Duryodhana. 276 157 Bhishma general do exército Kuru. 278 158 Preparação para primeiro combate com Bhishma. Visita de Rama e tribo Vrishni. Rama se retira da luta. 279 159 Rei Rukmi com 3º arco celestial também se retira da batalha. 281 160 Sanjaya fala com Dhritarashtra. 283 161 Duryodhana manda palavras terríveis para os Pandavas. 284 162 Uluka se dirige a Yudhishthira e Arjuna com palavras de Duryodhana. 290 163 Resposta enfurecida dos Pandavas e Yudhishthira. 292 164 Mensagem volta dos Pandavas para Kurus. 295 165 Dhrishtadyumna une guerreiros e organiza tropas. 298 166 Bhishma explica Rathas e Atirathas para Duryodhana. 298 167 (Idem). 300 168 Bhishma continua, sobre Aswatthaman e outros. Méritos como Maharatha ou Ratha. 301 169 Karna e Bhishma argumentam sobre quem é o melhor. 303 170 Bhishma fala da grandeza dos Pandavas. 305 171 Maharathas em Pandavas e reis aliados. 306 172 (Idem). 307 173 Bhishma termina. Não lutará com Sikhandin (antigamente uma mulher). 308 174 Bhishma explica porque ele não lutará com Sikhandin. 309 175 Filha mais velha pede pelo governante dos Salwas (depois que Bhishma as sequestrou). 311 176 Rei dos Salwas rejeita Amva. 311 177 Amva vai aos ascetas. 312 178 Hotravahana manda Amva para Rama. 313 179 Rama ouve. Longa discussão sobre o melhor curso de ação. Amva deseja a morte de Bhishma. 316 180 Rama parte até Bhishma com Amva. 318 181 Rama e Bhishma diferem. Vão lutar em Kurukshetra. Ganga tenta intervir. 319 182 Batalha entre Rama e Bhishma.

Rama cai, Bhishma se compadece. 323 183 Batalha feroz, ambos os líderes feridos. 325 184 Mais combate. Armas celestes usadas. 327 185 Batalha continua por 23 dias. 328 186 Bhishma descobre em um sonho como vencer Rama. 329 187 Luta até Bhishma usar arma Praswapa. 330 188 Deuses proíbem a luta de continuar. Rama forçado a desistir, Bhishma descobre que Arjuna será seu matador. 331 189 Princesa pratica austeridades. Eventualmente se transforma em metade de um rio. 333 190 Rudra concede uma bênção a Amva. Ela entra no fogo com seu corpo. 335 A rainha do rei Drupada dá nascimento a uma menina que se torna um menino. 336 192 Casamento de Sikhandin (uma mulher) com a filha do rei Hiranyavarman. 337 193 Hiranyavarman desafia Drupada. Drupada se aconselha com sua esposa. 338 194 Sikhandin entra na floresta onde Yaksha Sthunakarna lhe concede uma bênção. 339 195 Guerra apaziguada quando Yaksha troca de sexo com Sikhandin. Yaksha amaldiçoado a manter o sexo até a morte de Sikhandin. Bhishma completa dizendo que não lutará com Amva (Sikhandin). 340 196 Bhishma, Kripa, Drona, Aswatthaman e Karna especificam tempos para destruir o exército Pandava. 343 197 Arjuna afirma que ele tem arma celeste para aniquilar todos instantaneamente. 344 198 Exército de Duryodhana parte. 346 199 Exército de Yudhishthira também parte. 347 Índice escrito por Duncan Watson. Traduzido por Eleonora Meier. Om! Reverenciando Narayana, e Nara o mais sublime dos seres masculinos, como também a deusa Sarasvati, a palavra “Jaya” deve ser proferida.

1 "Vaisampayana disse, 'Então aqueles descendentes valentes de Kuru, que pertenciam ao mesmo partido (com Virata), tendo alegremente celebrado as núpcias de Abhimanyu e descansado aquela noite, se apresentaram na alvorada, bem satisfeitos, na corte de Virata. E a câmara do rei de Matsya estava cheia de riquezas, e matizada com pedras preciosas seletas e jóias, com assentos metodicamente arranjados, adornada com guirlandas, e cheia de fragrância. E aqueles poderosos monarcas de homens foram todos para aquele local. E nos assentos em frente sentaram-se os dois reis Virata e Drupada. E os veneráveis e idosos soberanos da terra, e Valarama e Krishna junto com seu pai, todos se sentaram lá. E perto do rei de Panchala estava sentado o grande herói da linhagem de Sini, junto com o filho de Rohini. E lado a lado com o rei de Matsya sentaram-se Krishna e Yudhishthira, e todos os filhos do rei Drupada, e Bhima e Arjuna, e os dois filhos de Madri, e Pradyumna e Samva, ambos valentes em batalha, e Abhimanyu com os filhos de Virata. E aqueles príncipes, os filhos de Draupadi, rivalizando seus pais em coragem, força, graça, e destreza, sentaram sobre excelentes assentos revestidos com ouro. E quando aqueles heróis poderosos usando ornamentos brilhantes e mantos tinham se sentado, aquela magnífica assembleia de reis parecia bela como o firmamento coberto com estrelas resplandecentes. E aqueles homens corajosos, reunidos, tendo conversado uns com os outros sobre vários tópicos, permaneceram por algum tempo em um ânimo pensativo, com seus olhos fixados em Krishna.

E no fim de sua conversa, Krishna atraiu sua atenção para os assuntos dos Pandavas. E aqueles reis poderosos juntos escutaram ao discurso de Krishna, significativo e altivo. E Krishna disse, ‘É sabido por vocês todos como Yudhishthira foi fraudulentamente derrotado nos dados pelo filho de Suvala, e como ele teve seu reino roubado e como uma estipulação foi feita por ele a respeito de seu exílio na floresta. Capazes como eles eram de conquistar a terra pela força, os filhos de Pandu permaneceram firmes em sua promessa empenhada. E consequentemente por seis e sete anos estes homens incomparáveis realizaram a tarefa cruel imposta sobre eles. E este último, o décimo terceiro ano, foi extremamente difícil para eles passarem. Ainda assim não reconhecidos por alguém eles o passaram, como sabido por vocês, passando por sofrimentos insuportáveis de vários tipos. Isto é conhecido por vocês todos. Estes homens ilustres passaram o décimo terceiro ano empregados em serviço humilde de outros. Isto sendo assim, vocês devem considerar o que será para o bem de ambos, Yudhishthira e Duryodhana, e o que, com relação aos Kurus e aos Pandavas, será compatível com as regras de justiça e retidão e o que encontrará a aprovação de todos. O rei virtuoso Yudhishthira não cobiçaria injustamente nem o reino celeste. Mas justamente ele aceitaria governar até de uma única aldeia. Como os filhos de Dhritarashtra fraudulentamente o roubaram de seu reino paterno, e como ele tem passado uma vida de sofrimentos intoleráveis é conhecido por todos os reis reunidos aqui.

Os filhos de Dhritarashtra são incapazes de vencer pela força Arjuna, o filho de Pritha. Todavia, o rei Yudhishthira e seus amigos não têm outro desejo além do bem do filho de Dhritarashtra. Estes corajosos filhos de Kunti, e os dois filhos de Madri pedem somente o que eles mesmos, alcançando vitória em batalha, ganharam dos reis derrotados. Vocês, sem dúvida, sabem perfeitamente bem como aqueles inimigos dos Pandavas, com o objetivo de possuir o reino, se esforçaram por vários meios para destruí-los, quando eles ainda eram meros garotos. Tão perversos e rancorosos eles eram. Considerem quão ávidos eles são e quão virtuoso Yudhishthira é. Considerem também o relacionamento que existe entre eles. Eu suplico a vocês todos para consultarem juntos e também pensarem separadamente. Os Pandavas sempre têm tido respeito pela verdade. Eles têm cumprido sua promessa ao pé da letra. Se agora tratados injustamente pelos filhos de Dhritarashtra, eles os matariam todos embora reunidos. Eles têm amigos que, ao serem informados de seu tratamento indigno nas mãos de outros, estariam ao lado deles, engajados em luta com seus perseguidores, e prontamente os matariam mesmo que eles perdessem suas próprias vidas por isto. Se vocês supõem que eles são muito poucos para serem capazes de obter uma vitória sobre seus inimigos, vocês devem saber que unidos e seguidos por seus amigos eles tentariam, sem dúvida, seu máximo para destruir aqueles inimigos. O que Duryodhana pensa não é sabido exatamente, nem o que ele pode fazer.

Quando a mente do outro lado não é conhecida, que opinião pode ser formada por vocês quanto ao que é o melhor a ser feito? Portanto, que uma pessoa virtuosa e honesta e de nascimento respeitável, e cautelosa, um embaixador capaz, parta para suplicar a eles brandamente para induzi-los a darem metade do reino para Yudhishthira.’ Tendo escutado ao discurso de Krishna, marcado por prudência e respeito pela virtude e mostrando um espírito pacífico e imparcial, seu irmão mais velho então se dirigiu à assembleia concedendo grande louvor às palavras do irmão mais novo.'" 2 "Baladeva disse, 'Vocês todos escutaram as palavras dele que é o irmão mais velho de Gada, caracterizadas como são por um sentido de virtude e prudência, e igualmente salutares para Yudhishthira e o rei Duryodhana. Estes filhos valentes de Kunti estão preparados para abandonar metade de seu reino, e eles fazem este sacrifício por Duryodhana. Os filhos de Dhritarashtra, portanto, devem desistir de metade do reino, e devem se regozijar e ficar muito felizes conosco que a discussão possa ser assim decidida satisfatoriamente. Estas pessoas poderosas tendo obtido o reino sem dúvida seriam pacificadas e felizes, desde que o partido oposto se comporte bem. Pois eles serem acalmados redundará no bem-estar dos homens. E eu ficaria bem satisfeito se alguém daqui, com o objetivo de pacificar ambos os Kurus e os Pandavas, empreendesse uma viagem e averiguasse qual é a intenção de Duryodhana e explicasse as ideias de Yudhishthira.

Que ele saúde respeitosamente Bhishma, o descendente heróico da linhagem de Kuru, e o filho magnânimo de Vichitravirya, e Drona junto com seu filho, e Vidura e Kripa, e o rei de Gandhara, junto com o filho de Suta. Que ele também preste seus respeitos para todos os outros filhos de Dhritarashtra, para todos os que são renomados por força e erudição, dedicados aos seus próprios deveres, heróicos, e familiarizados com os sinais dos tempos. Quando todas estas pessoas estiverem reunidas e quando também os cidadãos idosos estiverem reunidos, que ele fale palavras cheias de humildade e adequadas para servir aos interesses de Yudhishthira. Em todos os eventos, que eles não sejam provocados, pois eles tomaram posse do reino com uma mão forte. Quando Yudhishthira tinha seu trono, ele se esqueceu de si mesmo por estar envolvido no jogo e foi despojado por eles de seu reino. Este Kuru valente, este descendente de Ajamida, Yudhishthira, embora não habilidoso no jogo de dados e embora dissuadido por todos os seus amigos desafiou o filho do rei de Gandhara, um perito nos dados, para a partida. Havia então naquele lugar milhares de jogadores de dados a quem Yudhishthira poderia derrotar em uma partida. No entanto, não tomando conhecimento de algum deles, ele desafiou de todos os homens o filho de Suvala para o jogo, e assim ele perdeu. E embora os dados constantemente fossem desfavoráveis para ele, ele ainda assim teve somente Sakuni como seu adversário. Competindo com Sakuni no jogo, ele sofreu uma derrota esmagadora. Por isto, nenhuma culpa pode se atribuir a Sakuni.

Que o mensageiro faça uso de palavras caracterizadas por humildade, palavras planejadas para conciliar o filho de Vichitravirya. O mensageiro pode dessa maneira trazer o filho de Dhritarashtra para seu próprio ponto de vista. Não procurem guerra com os Kurus; se dirijam a Duryodhana somente em um tom conciliador. O objetivo possivelmente pode fracassar em ser alcançado pela guerra, mas ele pode ser alcançado por conciliação, e por estes meios também ele pode ser obtido duradouramente.'” “Vaisampayana continuou, ‘Enquanto aquele descendente corajoso da linhagem de Madhu estava continuando seu discurso, o valente filho da linhagem de Sini se levantou de repente e indignadamente condenou as palavras do primeiro por meio destas palavras dele.’” 3 "Satyaki disse, 'Assim como o coração de um homem é, assim ele fala! Tu estás falando exatamente de acordo com a natureza do teu coração. Há homens valentes, e igualmente aqueles que são covardes. Homens podem ser divididos nestas duas classes bem definidas. Como em uma única árvore grande pode haver dois ramos um dos quais porta frutos enquanto o outro não, assim da mesma linha de progenitores podem surgir pessoas que são imbecis assim como aquelas que são dotadas de grande força. Ó tu portando o emblema de um arado no teu estandarte, eu, de fato, não condeno as palavras que tu falaste, mas eu simplesmente condeno aqueles, ó filho de Madhu, que estão escutando as tuas palavras!

Como, de fato, pode aquele que descaradamente ousa atribuir até a menor culpa ao rei virtuoso Yudhishthira ser permitido falar para todos no meio da assembleia? Pessoas talentosas no jogo de dados desafiaram o magnânimo Yudhishthira, não habilidoso como ele é em jogo, e confiando nelas ele foi derrotado! Tais pessoas podem ser citadas como tendo ganhado o jogo virtuosamente? Se eles tivessem vindo até Yudhishthira enquanto jogando nesta casa com seus irmãos e o derrotado aí, então o que eles ganhassem teria sido ganho justamente. Mas eles desafiaram Yudhishthira que estava determinado em consciência a seguir as regras cumpridas pela casta militar, e eles ganharam por meio de uma trapaça. O que há de justo nesta conduta deles? E como pode este Yudhishthira aqui, tendo cumprido ao máximo as estipulações estabelecidas por meio de apostas no jogo, livre da promessa de uma estada na floresta, e portanto tendo direito ao seu trono ancestral, se humilhar? Mesmo que Yudhishthira cobiçasse as posses de outras pessoas, ainda assim não caberia a ele mendigar! Como eles podem ser considerados virtuosos e não absortos em usurpar o trono quando, embora os Pandavas tenham sobrevivido sua permanência em segredo não reconhecidos, eles ainda dizem que os últimos foram reconhecidos? Eles foram pedidos por Bhishma e pelo magnânimo Drona, mas eles ainda assim não concordam em devolver aos Pandavas o trono que pertence a eles por direito de nascimento. Os meios pelos quais eu suplicaria a eles seriam flechas afiadas.

Eu lutarei e com uma mão forte os forçarei a se prostrarem aos pés do filho ilustre de Kunti. Se, no entanto, eles não se curvarem aos pés do sábio Yudhishthira, então eles e seus partidários deverão ir para as regiões de Yama. Quando Yuyudhana (eu mesmo) está enfurecido e decidido a lutar, eles, de fato, não estão à altura de resistir ao seu ímpeto, como montanhas não podem resistir àquele do raio. Quem pode resistir a Arjuna em luta, ou a ele que tem o disco como sua arma em batalha, ou a mim mesmo também? Quem pode resistir ao incomparável Bhima? E quem, tendo respeito por sua vida, se aproximaria dos irmãos gêmeos que seguram seus arcos firmemente e parecem com Yama concessor de morte em inteligência? Quem se aproximaria de Dhrishtadyumna, o filho de Drupada, ou destes cinco filhos dos Pandavas que têm somado brilho ao nome de Draupadi, rivalizando seus pais em coragem, iguais a eles em todos os aspectos e cheios de orgulho marcial, ou ele do arco poderoso, filho de Subhadra, irresistível até pelos próprios deuses; ou Gada, ou Pradyumna, ou Samva, parecendo com Yama ou o raio ou fogo? Nós mataremos o filho de Dhritarashtra e Sakuni e Karna em batalha, e colocaremos o Pandava no trono. Não há pecado em matar aqueles que estão empenhados em nos matar, mas ser um mendigo diante de inimigos é ímpio e infame. Eu peço a vocês para serem diligentes em fazer o que é sinceramente desejado por Yudhishthira. Que o filho de Pandu receba de volta o reino renunciado por Dhritarashtra!

Ou Yudhishthira recebe de volta seu reino neste mesmo dia ou todos os nossos inimigos jazerão sobre o solo mortos por mim!'” 4 "Drupada disse, 'Ó de braços fortes, isto será, sem dúvida, assim como tu disseste! Duryodhana nunca desistirá do reino por meios pacíficos, e Dhritarashtra, que adora seu filho, o seguirá em seu desejo. E assim farão Bhishma e Drona por imbecilidade, e Karna e Sakuni por tolice. As palavras de Valadeva se recomendam ao meu julgamento; a conduta indicada por ele deve, de fato, ser seguida por um homem que deseja acordo pacífico. Mas Duryodhana nunca deve ser endereçado em palavras suaves. Violento por natureza, ele, eu creio, não pode ser trazido à razão por meio de gentileza. Com relação a um asno a gentileza está no lugar; mas com relação a animais da espécie bovina deve-se recorrer à severidade. Se alguém fosse falar palavras gentis para Duryodhana, violento por natureza aquele indivíduo perverso consideraria o orador como uma pessoa imbecil. Se um comportamento gentil for adotado em direção a ele, o tolo pensará que ele ganhou. Que nós façamos exatamente isto: que nós façamos nossos preparativos; que nós enviemos notícia para nossos amigos para que eles possam reunir um exército para nós. Que mensageiros velozes vão até Salya, e Dhrishtaketu, e Jayatsena, e o príncipe dos Kekayas. Duryodhana também, de sua parte, enviará notícia para todos os reis. Pessoas honestas, no entanto, responderão ao pedido daqueles que lhes pedirem primeiro. Portanto, eu peço a vocês para se apressarem em apresentar primeiro sua petição àqueles soberanos de homens.

Parece-me que um grande empreendimento está nos esperando. Rapidamente enviem notícias para Salya, e para os reis sob ele, e para o rei Bhagadatta de coragem incomensurável residindo no litoral leste, e para o feroz Hardikya, e Ahuka, e ao rei dos Mallas de mente poderosa, e Rochamana. Que Vrihanta seja convocado e o rei Senavindu, e Vahlika e Mudjakesa e o soberano dos Chedis, e Suparsva, Suvahu; e aquele grande herói, Paurava; e também os reis dos Sakas, dos Pahlavas, e dos Daradas, e Surari, e Nadija, e o rei Karnavest, e Nila, e o rei valente Viradharman; e Durjaya, e Dantavakra, e Rukmi, e Janamejaya; e Ashada e Vayuvega, e o rei Purvapali; e Bhuritejas, e Devaka, e Ekalaya com seus filhos; e também os reis da raça Krausha, e o bravo Kshemamurti, e os reis do Kamboja e as tribos Richika, e da costa ocidental; e Jayatsena e o rei de Kashi, e os soberanos da terra dos cinco rios, e o filho orgulhoso de Kratha, e os soberanos das regiões montanhosas, e Janaki, e Susarman e Maniman, e Potimatsyaka, e o corajoso Dhrishtaketu, e o soberano do reino de Pansu; e Paundra, e Dandadhara, e o valente Vrihatsena; e Aparajita, e Nishada e Srenimat e Vasumat; e Vrihadvala de grande força, e Vahu o conquistador de cidades hostis; e o rei guerreiro Samudrasena com seu filho; e Uddhava, e Kshemaka e o rei Vatadhana; e Srutayus, e Dridhayus, e o valente filho de Salwa; e o rei dos Kalingas, e Kumara, inconquistável em batalha. Enviem rapidamente mensagens a eles. Isto é o que se recomenda para mim. E que este meu sacerdote, Brahmana erudito, seja enviado, ó rei, para Dhritarashtra.

Diga a ele as palavras que ele deve dizer e o que deve ser dito a Duryodhana; e como Bhishma deve ser endereçado, e como Drona, aquele melhor dos guerreiros em carros!" 5 "Krishna disse, 'Estas palavras são dignas do chefe da tribo Somaka, e são calculadas para promover os interesses do filho de Pandu de força imensurável. Como nós estamos desejosos de adotar um comportamento hábil, este é, sem dúvida, nosso primeiro dever; um homem agindo de outra maneira seria um grande tolo. Mas nosso relacionamento com ambos, os Kurus e os Pandus, é igual, de qualquer forma que estes dois partidos possam se comportar um com o outro. Ambos vocês e nós fomos convidados aqui na ocasião de um casamento. O casamento tendo sido agora celebrado, vamos para casa bem satisfeitos. Você é o principal dos reis, em idade e erudição; e aqui todos nós, sem dúvida, somos como seus pupilos. Dhritarashtra sempre nutriu um grande respeito por você; e você é também amigo dos preceptores Drona e Kripa. Eu, portanto, lhe peço para enviar uma mensagem (para os Kurus) nos interesses dos Pandavas. Nós todos decidimos sobre isso: que você deve enviar uma mensagem para eles. Se aquele chefe da linhagem Kuru fizer as pazes em termos equitativos, então os sentimentos fraternos entre os Kurus e os Pandus não sofrerão dano. Se, por outro lado, o filho de Dhritarashtra se tornar soberbo e por tolice se recusar a fazer as pazes, então, tendo convocado outros, nos convoque também.

O portador do Gandiva então ficará inflamado com cólera e o estúpido e pecaminoso Duryodhana, com seus partidários e amigos, encontrará seu destino.'” "Vaisampayana disse, 'O rei Virata, então tendo honrado Krishna, mandou-o para casa com seus seguidores e parentes. E depois que Krishna tinha partido para Dwaraka, Yudhishthira e seus seguidores, com o rei Virata, começou a fazer preparativos para a guerra. E Virata e seus parentes enviaram mensagens para todos os monarcas, e o rei Drupada também fez o mesmo. E a pedido daqueles leões da raça Kuru, como também dos dois reis dos Matsyas e dos Panchalas, muitos senhores da terra possuidores de grande força foram ao local com corações alegres. E quando os filhos de Dhritarashtra souberam que os Pandavas tinham reunido um exército grande eles também reuniram muitos soberanos da terra. E, ó rei, naquele tempo a terra inteira ficou apinhada com os soberanos da terra que estavam marchando para abraçar a causa ou dos Kurus ou dos Pandavas. E a terra estava cheia de grupos militares compostos de quatro tipos de tropas. E de todos os lados as tropas começaram a afluir. E a deusa Terra com suas montanhas e florestas parecia tremer sob seu passo. E o rei dos Panchalas, tendo consultado os desejos de Yudhishthira, despachou para os Kurus seu próprio sacerdote, que era velho em idade e compreensão.'” 6 "Drupada disse, 'Dos seres aqueles que são dotados de vida são superiores. Dos seres vivos aqueles que são dotados de inteligência são superiores. Das criaturas inteligentes os homens são superiores.

Dos homens os duas vezes nascidos são superiores. Dos duas vezes nascidos, estudantes do Veda são superiores. De estudantes do Veda aqueles de mente culta são superiores. De homens cultos pessoas práticas são superiores. E finalmente, de homens práticos aqueles que conhecem o Ser Supremo são superiores. Você, me parece, está no próprio topo daqueles que são de mente culta. Você é distinguido por ambos: idade e erudição. Você é igual em intelecto a Sukra ou Vrihaspati, o filho de Angiras. Você sabe que espécie de homem é o chefe da raça Kuru, e que espécie de homem também é Yudhishthira, o filho de Kunti. Foi com o conhecimento de Dhritarashtra que os Pandavas foram enganados por seus oponentes. Embora instruído por Vidura ele ainda segue seu filho! Sakuni deliberadamente desafiou Yudhishthira para um jogo embora o último fosse inábil no jogo enquanto o primeiro era um perito nisto. Inexperiente em jogo, Yudhishthira é ingênuo e firme em seguir as regras da classe militar. Tendo assim trapaceado o rei virtuoso Yudhishthira eles não entregarão livremente o reino de nenhuma maneira. Se você falar palavras de justiça para Dhritarashtra, você certamente ganhará os corações de seus homens combatentes. Vidura também fará uso daquelas suas palavras e dessa maneira alienará os corações de Bhishma, e Drona, e Kripa, e outros. Quando os oficiais de estado estiverem alienados e homens de luta estiverem relutantes, a tarefa do inimigo será ganhar de volta seus corações.

No meio tempo, os Pandavas, com facilidade e com todo seu ânimo, tratarão de preparar o exército e reunir suprimentos. E quando os partidários do inimigo estiverem alienados, e enquanto você pairar em volta deles, eles certamente não serão capazes de fazer preparativos adequados para a guerra. Este comportamento parece oportuno dessa forma. No teu encontro com Dhritarashtra é possível que Dhritarashtra faça o que você diz. E como você é virtuoso, você deve, portanto, agir virtuosamente em direção a eles. E para os compassivos, você deve falar sobre os vários sofrimentos que os Pandavas têm suportado. E você deve alienar os corações das pessoas idosas por discursar sobre os costumes da família que foram seguidos por seus antepassados. Eu não nutro a menor dúvida nesta questão. Nem você precisa ficar receoso de algum perigo deles, pois você é um Brahmana, versado nos Vedas; e você está indo para lá como um embaixador, e mais especialmente, você é um homem idoso. Portanto, eu lhe peço para partir sem demora em direção aos Kauravas com o objetivo de promover os interesses dos Pandavas, determinando sua partida sob a combinação (astrológica) chamada Pushya e naquela parte do dia chamada Jaya.' "Vaisampayana continuou, 'Assim instruído pelo magnânimo Drupada, o sacerdote virtuoso partiu para Hastinapura (a cidade que recebeu o nome de elefante).

E aquele homem erudito, bem versado nos princípios da ciência de política, saiu com um séquito de discípulos em direção aos Kurus para promover o bem-estar dos filhos de Pandu.'” 7 "Vaisampayana disse, 'Tendo despachado o sacerdote para a cidade que recebeu o nome de elefante eles enviaram mensageiros para os reis de vários países. E tendo enviado mensageiros para outros lugares, o herói Kuru Dhananjaya, aquele touro entre homens e filho de Kunti, partiu ele mesmo para Dwaraka. E depois que Krishna e Valadeva, os descendentes de Madhu, tinham ido para Dwaraka com todos os Vrishnis, os Andhakas e os Bhojas, às centenas, o filho real de Dhritarashtra, por enviar agentes secretos, se supriu com informações de todos os feitos dos Pandavas. E sabendo que Krishna estava em seu caminho, o príncipe foi à cidade de Dwaraka por meio de cavalos excelentes possuidores da velocidade do vento, e levando com ele um pequeno número de tropas. E naquele mesmo dia o filho de Kunti e Pandu, Dhananjaya, também chegou rapidamente à cidade bela da terra Anarta. E os dois descendentes da linhagem Kuru, aqueles tigres entre homens, ao chegarem lá viram que Krishna estava dormindo, e se aproximaram dele quando ele estava deitado. E como Krishna estava dormindo, Duryodhana entrou no quarto e se sentou em um assento refinado na cabeceira da cama. E depois dele entrou aquele que usa o diadema, o magnânimo Arjuna. E ele permaneceu na parte traseira da cama, demonstrando reverência e unindo suas mãos. E quando o descendente de Vrishni, Krishna, despertou, ele primeiro lançou seus olhos em Arjuna.

E tendo os questionado quanto à segurança de sua viagem, e tendo adequadamente dado seus comprimentos a eles, o matador de Madhu os questionou quanto ao motivo de sua visita. Então Duryodhana se dirigiu a Krishna, com uma expressão alegre, dizendo, ‘Cabe a você me fornecer sua ajuda na guerra iminente. Arjuna e eu mesmo somos ambos igualmente seus amigos. E, ó descendente de Madhu, você também tem o mesmo relacionamento com nós dois. E hoje, ó matador de Madhu, eu fui o primeiro a vir a você. Pessoas honestas adotam a causa daquele que vem primeiro a eles. Assim é como os antigos agiam. E, ó Krishna, você permanece no próprio topo de todas as pessoas honradas no mundo, e é sempre respeitado. Eu peço a você para seguir a regra de conduta observada pelos homens honestos.' Nisso Krishna respondeu, 'Que você veio primeiro, ó rei, eu não duvido de maneira alguma. Mas, ó rei, o filho de Kunti, Dhananjaya, foi visto primeiro por mim. Por conta da sua chegada primeiro, e por conta de eu ter visto Arjuna primeiro, eu irei, sem dúvida, fornecer minha ajuda, ó Suyodhana, a ambos. Mas é dito que aqueles que são mais novos em idade devem ter a primeira escolha. Portanto, Dhananjaya o filho de Kunti tem direito à primeira escolha. Há um grande exército de vaqueiros numerando dez crores, me rivalizando em força e conhecidos como os Narayanas, todos os quais são hábeis para lutar no centro da batalha. Estes soldados, irresistíveis em combate, serão enviados para um de vocês e eu sozinho, resolvido a não lutar no campo, e abaixando minhas armas, irei para o outro.

Você pode, ó filho de Kunti, escolher primeiro qualquer um destes dois que se recomende a você. Pois, segundo a lei, você tem o direito à primeira escolha.'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado por Krishna, Dhananjaya o filho de Kunti escolheu Kesava que não lutaria no campo de batalha, o próprio Narayana, o matador de inimigos, incriado, nascido entre os homens por sua própria vontade, o principal de todos os Kshatriyas e acima de todos os deuses e os Danavas. E Duryodhana escolheu para si mesmo aquele exército inteiro (composto dos Narayanas). E, ó descendente de Bharata, tendo obtido aquelas tropas numerando milhares sobre milhares ele estava muito satisfeito, embora ele soubesse que Krishna não estava ao seu lado. E tendo assegurado aquele exército possuidor de bravura terrível, Duryodhana foi ao filho de Rohini de grande força e explicou a ele o objetivo de sua visita. O descendente de Sura em resposta endereçou as seguintes palavras para o filho de Dhritarashtra, 'Tu deves te lembrar, ó tigre entre homens, de tudo o que eu disse na cerimônia de casamento celebrada por Virata. Ó tu encantador da família de Kuru, por tua causa eu então contradisse Krishna e falei contra suas opiniões. E repetidas vezes eu aludi à igualdade do nosso relacionamento com ambos os partidos. Mas Krishna não adotou os pontos de vista que eu então expressei; nem eu posso me separar de Krishna nem por um único momento. E vendo que eu não posso agir contra Krishna esta mesma é a decisão tomada por mim: eu não lutarei nem pelos filhos de Kunti nem por você.

E, ó touro dos Bharatas, nascido como tu és na linhagem Bharata que é respeitada por todos os reis, vá e lute de acordo com as regras de retidão.'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado, Duryodhana abraçou aquele herói que maneja um arado como sua arma de combate, e embora sabendo que Krishna tinha sido afastado de seu lado, ele ainda assim considerou Arjuna como já derrotado. E o filho nobre de Dhritarashtra então foi até Kritavarman. E Kritavarman lhe deu um exército de tropas numerando um Akshauhini. E cercado por aquela hoste militar, terrível de se contemplar, o Kaurava marchou adiante alegrando seus amigos. E depois que Duryodhana partiu, Krishna, o Criador do mundo, vestido em traje amarelo, se dirigiu a Kiritin, dizendo, 'Por que razão você escolheu a mim que não lutarei em absoluto?' Nisso Arjuna respondeu, 'Eu não questiono que você pode matar eles todos. Eu também sozinho sou capaz de matá-los, ó melhor dos homens. Mas você é uma pessoa ilustre no mundo; e este renome acompanhará você. Eu também sou um pleiteante de fama; portanto, você foi escolhido por mim. Sempre foi meu desejo ter você para dirigir meu carro. Eu, portanto, peço a você para realizar meu desejo nutrido por muito tempo.' O filho de Vasudeva então disse, ‘Fica-lhe bem, ó filho de Kunti, que tu te compares comigo.

Eu agirei como teu quadrigário; que o teu desejo seja realizado.’” "Vaisampayana continuou, 'Então com o coração contente o filho de Kunti, acompanhado por Krishna assim como pela flor da tribo Dasarha, voltou para Yudhishthira.'” 8 "Vaisampayana disse, 'Ó rei, tendo sabido as notícias dos mensageiros, Salya, acompanhado por um grande exército de tropas e por seus filhos, todos os quais eram poderosos em batalha, estava indo aos Pandavas. Seu acampamento cobria uma área de um yojana e meio, tão grande era o exército possuído por aquele melhor dos homens. Ele era o dono, ó rei, de um Akshauhini e tinha grande destreza e coragem. E havia em seu exército heróis portando armaduras de várias cores, com diversas espécies de estandartes e arcos e ornamentos e carros e animais, todos usando guirlandas excelentes, e vários mantos e ornamentos. E centenas e milhares dos principais dos Kshatriyas eram os líderes de suas tropas, vestidos e enfeitados da maneira de sua terra nativa. E ele procedeu por meio de marchas lentas, dando descanso para suas tropas, em direção ao lugar onde o Pandava estava. E as criaturas da terra se sentiram oprimidas e a terra tremia sob o passo de suas tropas. E o rei Duryodhana, sabendo que aquele herói magnânimo e poderoso estava em seu caminho, se apressou em direção a ele e lhe prestou honras, ó melhor da linhagem Bharata e fez serem construídos lugares de entretenimento finamente decorados em locais diferentes para sua recepção, em terrenos belos, e para onde muitos artistas foram conduzidos para divertir os convidados.

E aqueles pavilhões continham guirlandas e carne e iguarias e bebidas seletas, e poços de várias formas, capazes de refrescar o coração, e tanques de várias formas, e comestíveis, e aposentos espaçosos. E chegando naqueles pavilhões, e servido como um verdadeiro deus pelos empregados de Duryodhana localizados em locais diferentes, Salya alcançou outra casa de entretenimento resplandecente como um retiro dos celestiais. E lá, saudado com necessidades pessoais seletas adequadas para seres superiores ao homem, ele se julgou superior até ao próprio senhor dos deuses e pensou torpemente em Indra como comparado consigo mesmo. E aquele principal dos Kshatriyas, bem satisfeito, questionou os empregados, dizendo, 'Onde estão aqueles homens de Yudhishthira que prepararam estes lugares de repouso? Que aqueles homens que fizeram isto sejam trazidos a mim. Eu os julgo dignos de serem recompensados por mim. Eu devo recompensá-los, que isto assim agrade ao filho de Kunti!' Os empregados, surpresos, apresentaram toda a questão para Duryodhana. E quando Salya estava muitíssimo satisfeito e disposto a conceder até sua vida, Duryodhana, que tinha permanecido escondido, se adiantou e se mostrou para seu tio materno. E o rei dos Madras o viu e compreendeu que tinha sido Duryodhana que tinha se esforçado para recebê-lo. E Salya abraçou Duryodhana e disse, 'Aceite alguma coisa que você deseje.' Duryodhana então disse, 'Ó tu auspicioso, que a tua palavra seja verdadeira, me conceda um benefício.

Eu te peço para ser o líder de todo o meu exército.'” "Vaisampayana continuou, 'E ouvindo isso, Salya disse, 'Assim seja! O que mais é para ser feito?' E o filho de Gandhari repetiu muitas vezes, 'Está feito.' E Salya disse, 'Ó Duryodhana, ó melhor dos homens, vá para tua própria cidade. Eu prosseguirei para retribuir uma visita para Yudhishthira, o subjugador de inimigos. Ó rei, eu voltarei rapidamente, ó soberano de homens. Aquele melhor dos homens, o filho de Pandu, Yudhishthira, deve, sem dúvida, ser visitado por mim.' E tolerando isto Duryodhana disse, 'Ó rei, ó soberano da terra, tendo visto o Pandava, volte depressa. Eu dependo totalmente de ti, ó rei de reis. Lembre-te do benefício que tu me concedeste.' E Salya respondeu, 'Que o tem te aconteça! Eu voltarei rapidamente. Dirija-te para tua própria cidade, ó protetor de homens.' E então aqueles dois reis Salya e Duryodhana abraçaram um ao outro. E tendo assim saudado Salya, Duryodhana voltou para sua própria cidade. E Salya seguiu para informar os filhos de Kunti daquele seu procedimento. E tendo alcançado Upaplavya, e entrado no acampamento, Salya viu lá todos os filhos de Pandu. E Salya de braços poderosos tendo encontrado com os filhos de Pandu, aceitou como de hábito água para lavar seus pés, e os presentes costumeiros de honra incluindo uma vaca. E o rei dos Madras, aquele matador de inimigos, primeiro perguntou a eles como eles estavam, e então com grande alegria abraçou Yudhishthira, e Bhima, e Arjuna, e os filhos de sua irmã, os dois irmãos gêmeos.

E quando todos tinham se sentado Salya falou com Yudhishthira, o filho de Kunti, dizendo, 'Ó tigre entre reis, ó tu encantador da família de Kuru, está tudo bem contigo? Ó melhor dos vitoriosos, quão afortunadamente tu tens passado o período de tua residência no ermo? Ó rei, ó senhor dos monarcas, foi uma tarefa extremamente difícil que tu realizaste por residires na selva junto com teus irmãos e esta nobre dama aqui. E uma tarefa muito difícil além disso foi esta tua estada, o período de encobrimento, tarefa que tu também realizaste, ó descendente de Bharata; para alguém derrubado de um trono não há nada exceto o sofrimento que o espera. Ó rei, onde há alguma felicidade para ele? Ó tu que afliges teus inimigos, em compensação por toda esta vasta miséria causada pelo filho de Dhritarashtra tu alcançarás felicidade proporcional depois de ter matado teus inimigos. Ó grande rei, ó senhor de homens, os caminhos do mundo são conhecidos por ti. Portanto, ó meu filho, tu nunca és guiado por avareza em alguma das tuas transações. Ó descendente de Bharata, siga nas pegadas de reis santos antigos. Meu filho, Yudhishthira, seja firme no caminho da generosidade, e auto-abnegação, e veracidade. E, ó nobre Yudhishthira, piedade e autocontrole, e verdade e compaixão universal, e tudo admirável neste mundo são encontrados em ti. Tu és gentil, munificente, religioso, e generoso, e tu consideras a virtude como o maior bem. Ó rei, muitas são as regras de virtude que prevalecem entre os homens, e todas são conhecidas por ti.

Ó meu filho, ó tu que afliges inimigos, tu conheces realmente tudo relativo a este mundo. Ó rei, ó melhor da família Bharata, quão afortunado é que tu tenhas saído desta tua dificuldade. Quão afortunado, ó rei, ó principal dos monarcas, ó senhor, é que eu te veja, uma alma tão virtuosa, um tesouro de virtude, livre disto com estes teus seguidores.'” "Vaisampayana continuou, 'Então, ó descendente de Bharata, o rei falou de seu encontro com Duryodhana e deu um relato detalhado com relação àquela sua promessa e aquele benefício concedido por ele. E Yudhishthira disse, ‘Ó rei valente, foi bem-feito por ti que estando profundamente satisfeito tu tenhas empenhado tua fidelidade para Duryodhana. Mas, que o bem te aconteça, ó soberano da terra, eu te peço para fazer uma coisa somente. Ó rei, ó melhor dos homens, tu terás que fazer isto somente por mim, embora possa não ser apropriado fazer isto. Ó valente, ouça o que eu te sugiro. Ó grande rei, tu és igual a Krishna no campo de batalha. Quando, ó melhor dos reis, o duelo entre Karna e Arjuna se realizar, eu não duvido que tu tenhas que dirigir o carro de Karna. Naquela ocasião, se tu estás disposto a fazer bem para mim, tu deves proteger Arjuna. Ó rei, tu deves igualmente agir de maneira que o filho de Suta Karna fique desanimado e que a vitória seja nossa. Impróprio isto é sem dúvida; mas, ó meu tio, apesar de tudo isso tu deves fazê-lo.’ Salya disse, 'Que o bem te aconteça. Escute, ó filho de Pandu. Tu me disseste para agir de maneira que o vil filho do Suta possa ficar desanimado em combate.

De fato, eu serei seu quadrigário no campo, pois ele sempre me considera igual a Krishna. Ó descendente de Kuru semelhante a um tigre, eu sem dúvida falarei para ele, quando desejoso de lutar no campo de batalha, palavras contraditórias e repletas de mal para ele, para que privado de orgulho e coragem ele possa ser morto facilmente por seu adversário. Isto eu te digo realmente. Pedido por ti para fazê-lo, eu estou determinado a fazê- lo, ó meu filho. Qualquer coisa mais que eu seja capaz de ocasionar, eu farei para o teu bem. Todos os transtornos que foram sofridos por ti junto com Draupadi na ocasião do jogo de dados, as palavras rudes e desumanas proferidas pelo filho de Suta, a miséria infligida pelo Asura Jata e por Kichaka, ó ilustre, todas as misérias sofridas por Draupadi, semelhantes àquelas antigamente experimentadas por Damayanti, ó herói, todas terminarão em alegria. Tu não deves ficar aflito por isto; pois o Destino é todo poderoso neste mundo; e, ó Yudhishthira, pessoas de mente elevada têm que suportar miséria de vários tipos, não somente isto, mas até os próprios deuses, ó rei, sofrem infortúnios.

Ó rei, ó descendente de Bharata, é narrado que Indra de grande mente, o chefe dos celestiais, teve que aguentar junto com sua esposa uma miséria muito grande, de fato.'” 9 “Yudhishthira disse, ‘Ó principal dos monarcas, eu desejo saber como foi que aquela miséria grande e sem paralelo teve que ser suportada pelo ilustre Indra junto com sua rainha.’” "Salya disse, 'Ouça-me, ó rei, enquanto eu narro esta antiga história dos acontecimentos dos tempos passados, como, ó descendente de Bharata, a miséria sobreveio a Indra e sua esposa. Uma vez Twashtri, o senhor das criaturas e o principal dos celestiais, estava engajado em praticar austeridades rígidas. E é dito que por antipatia a Indra ele criou um filho que tinha três cabeças. E aquele ser de forma universal possuidor de grande brilho desejava ardentemente o assento de Indra. E possuidor daqueles três rostos impressionantes parecendo com o sol, a lua, e o fogo, ele lia os Vedas com uma boca, bebia vinho com outra, e parecia com a terceira como se ele fosse absorver todos os pontos cardeais. E dado à prática de austeridades, e sendo gentil e auto-controlado, ele estava empenhado em uma vida de práticas religiosas e austeridades. E sua prática de austeridades, ó subjugador de inimigos, era rígida e terrível e de um caráter extremamente severo. E observando as austeridades, coragem, e veracidade daquele possuidor de energia imensurável, Indra ficou ansioso, receando que aquele ser tomasse seu lugar.

E Indra refletiu, 'Como ele pode ser feito se viciar em prazeres sensuais; como ele pode ser feito cessar sua prática de tais austeridades rígidas? Pois se o ser de três cabeças se tornar forte, ele absorverá o universo inteiro.' E foi dessa maneira que Indra ponderou em sua mente; e, ó melhor da linhagem Bharata, dotado de inteligência, ele mandou as ninfas celestes tentarem o filho de Twashtri. E ele as mandou, dizendo, 'Sejam rápidas, e vão sem demora, e o tentem de maneira que o ser de três cabeças mergulhe em prazer sensual até a máxima extensão. Dotadas de quadris cativantes, se arrumem em trajes voluptuosos, e se enfeitando com colares encantadores exibam gestos e palavras lisonjeiras de amor. Dotadas de graça, o tentem e aliviem meu temor. Eu me sinto inquieto em meu coração, ó donzelas encantadoras. Afastem, ó damas, este perigo terrível que pende sobre mim. Que o bem lhes aconteça.'” "Então as ninfas disseram, 'Ó Indra, ó matador de Vala, nós nos esforçaremos tanto para cativá-lo que tu não terás nada a temer em suas mãos. Aquele verdadeiro receptáculo de austeridades, sentando agora como alguém chamuscando tudo com seus olhos, ó deus, nós estamos indo juntas tentar. Nós tentaremos trazê-lo sob nosso controle, e poremos um fim nos teus temores.'” "Salya continuou, 'Mandadas por Indra, elas então foram até o ser de três cabeças. E chegando lá aquelas donzelas encantadoras o tentaram com vários gestos de amor, mostrando suas figuras agradáveis.

Mas engajado na prática de austeridades extremamente rígidas, embora ele as olhasse, ainda assim ele não foi influenciado pelo desejo. De sentidos subjugados ele era como o oceano, cheio até a borda, em gravidade. E as ninfas depois de terem tentado tudo quanto estava em seu alcance voltaram para Indra. E elas todas com mãos unidas falaram para o senhor dos celestiais, dizendo, 'Ó, aquele ser inalcançável é incapaz de ser perturbado por nós. Ó ser altamente dotado, tu podes fazer agora o que pareça apropriado para ti.' Indra de grande mente honrou as ninfas e então as dispensou refletindo, ó Yudhishthira, unicamente sobre outros meios de destruir seu inimigo. E dotado de inteligência, ele escolheu um plano para destruir o ser de três cabeças. E ele disse, 'Que eu hoje atire meu raio nele. Dessa maneira ele será morto rapidamente. Uma pessoa forte não deve negligenciar um inimigo ascendente, embora ele seja desprezível.' E assim refletindo sobre as lições inculcadas em tratados de erudição, ele estava firmemente decidido a matar aquele ser. Então Indra, enfurecido, arremessou no ser de três cabeças seu raio o qual parecia com fogo e era terrível de se contemplar, e que inspirava temor. E atingido com força por aquele raio ele foi morto e caiu, como cai sobre a terra o topo desprendido de uma colina. E vendo ele morto pelo raio, e jazendo enorme como uma colina, o chefe dos celestiais não encontrou paz, e se sentiu como se chamuscado pela aparência refulgente do morto; pois embora morto ele tinha uma aparência brilhante e refulgente e parecia com alguém vivo.

E, é estranho, embora sem vida, suas cabeças pareciam estar vivas quando elas eram vistas jazendo no campo. E muito receoso daquele brilho, Indra permaneceu mergulhado em pensamentos. E naquele momento, ó grande rei, levando um machado em seu ombro, um carpinteiro foi à floresta e se aproximou do local onde aquele ser se encontrava. E Indra, o marido de Sachi, que estava com medo, viu o carpinteiro chegar lá por acaso. E o castigador de Paka disse para ele imediatamente, 'Cumpra esta minha ordem. Corte rapidamente as cabeças deste.' O carpinteiro então disse, 'Os ombros dele são largos, este machado não será capaz de cortá- los. Nem eu poderei fazer o que é condenado por pessoas justas.' E Indra disse, 'Não temas, faça rapidamente o que eu digo. Por minha ordem teu machado será igual ao raio.' O carpinteiro disse, 'Quem eu devo supor que és tu que fizeste hoje este ato terrível? Eu desejo saber, diga-me a verdade exata.' E Indra disse, 'Ó carpinteiro, eu sou Indra, o chefe dos deuses. Que isto seja sabido por ti. Aja exatamente como eu te disse. Não hesite, ó carpinteiro!’ O carpinteiro disse, 'Ó Indra, como é que tu não estás envergonhado deste teu ato desumano? Como é que tu não temes o pecado de matar um Brahmana, depois de teres matado este filho de um santo?' Indra disse, 'Eu realizarei depois alguma cerimônia religiosa de um tipo rigoroso para me purificar desta mácula. Ele era um inimigo poderoso meu a quem eu matei com meu raio. Até agora eu estou inquieto, ó carpinteiro; eu, de fato, o temo mesmo agora.

Rapidamente corte fora suas cabeças, eu concederei meu favor a ti. Em sacrifícios, os homens te darão a cabeça do animal sacrifical como tua parte. Este é o favor que eu concedo a ti. Realize rapidamente o que eu desejo.'” "Salya disse, 'Ouvindo isso, o carpinteiro, a pedido do grande Indra, imediatamente cortou as cabeças do ser de três cabeças com seu machado. E quando as cabeças tinham sido cortadas, voaram para fora delas várias aves, perdizes, codornizes e pardais. E da boca com a qual ele costumava recitar os Vedas e beber o suco Soma saíram perdizes em rápida sucessão. E, ó rei, ó filho de Pandu, da boca com a qual ele costumava olhar os pontos cardeais como se absorvendo eles todos saíram várias codornizes. E daquela boca do ser de três cabeças que costumava beber vinho voaram diversos pardais e falcões. E as cabeças tendo sido cortadas Indra ficou livre de seu medo, e foi para o céu, profundamente contente. E o carpinteiro também voltou para sua casa. E o matador de Asuras, tendo matado seu inimigo, considerou seu objetivo alcançado. Assim sendo quando o senhor das criaturas, Twashtri, soube que seu filho tinha sido morto por Indra, seus olhos ficaram vermelhos de ira, e ele falou as seguintes palavras, 'Já que Indra matou meu filho que não tinha cometido ofensa em absoluto, que estava constantemente engajado na prática de austeridades, que era piedoso, possuidor de autocontrole, e de paixões subjugadas, portanto, para a destruição de Indra, eu criarei Vritra. Que os mundos contemplem qual poder eu possuo, e quão poderosa é a prática de austeridades!

Que aquele desumano senhor dos deuses de mente perversa também testemunhe o mesmo!' E dizendo isso, aquele enfurecido, famoso por suas austeridades, lavou sua boca com água, fez oferendas no fogo, criou o terrível Vritra e falou a ele, dizendo, 'Ó matador destinado de Indra, cresça em poder a partir da força dos meus ritos austeros.' E aquele Asura cresceu em poder, se elevando em direção ao firmamento, e parecendo o filho do fogo. E ele perguntou, 'Nascido como o sol do juízo final, o que eu devo fazer?' 'Matar Indra,' foi a resposta. E então ele partiu em direção às regiões celestes. E em seguida ocorreu uma grande luta entre Vritra e Indra, ambos estimulados pela ira. E lá aconteceu um combate terrível, ó melhor da família Kuru. E o heróico Vritra agarrou o senhor celeste que tinha realizado cem sacrifícios. E cheio de ira ele girou Indra e jogou-o em sua boca. E quando Indra foi consumido por Vritra os deuses mais velhos apavorados, possuidores de grande poder, criaram Jrimbhika para matar Vritra. E quando Vritra bocejou e sua boca se abriu o matador do Asura Vala contraiu as diferentes partes de seu corpo e saiu de dentro da boca de Vritra. E desde então o bocejo se vincula ao ar vital dos seres animados nos três mundos. E os deuses se regozijaram pelo egresso de Indra. E começou novamente a luta terrível entre Vritra e Indra, ambos cheios de ira. E ela foi travada por um longo tempo, ó melhor da linhagem Bharata. E quando Vritra, inspirado com o espírito poderoso de Twashtri e ele mesmo dotado de força obteve vantagem em luta, Indra retrocedeu.

E em sua retirada os deuses ficaram muito aflitos. E todos eles junto com Indra foram dominados pelo poder de Twashtri. E eles todos consultaram com os santos, ó descendente de Bharata. E eles deliberaram a respeito do que deveria ser feito, e foram oprimidos pelo medo. E sentados no topo da montanha Mandara, e decididos a matar Vritra, eles somente lembraram-se de Vishnu, o indestrutível.'” 10 "Indra disse, ‘Todo este universo indestrutível, ó deuses, foi permeado por Vritra. Não há nada que possa ser igual à tarefa de se opor a ele. Eu era capaz antigamente, mas agora eu sou incapaz. Que o bem lhes aconteça, o que eu posso fazer? Eu creio que ele é inalcançável. Poderoso e magnânimo, possuindo força imensurável em combate, ele seria capaz de consumir todos os três mundos com os deuses, os Asuras, e os homens. Portanto, ouçam habitantes do céu, esta é minha resolução. Procedendo para a residência de Vishnu, em companhia com aquele Ser de grande alma nós devemos consultar, e averiguar os meios de matar aquele canalha implacável.'” "Salya continuou, 'Indra tendo assim falado, os deuses com aquela hoste de Rishis se dirigiram ao poderoso deus Vishnu para se colocarem sob a proteção daquele protetor de todos. E atormentados por medo de Vritra, eles disseram para o Senhor Supremo das divindades, ‘Tu nos tempos antigos cobriste os três mundos com três passos. Tu obtiveste o alimento ambrosíaco, ó Vishnu, e destruíste os Asuras em batalha. Tu ataste o grande Asura Vali e elevaste Indra ao trono do céu. Tu és o senhor dos deuses, e este universo inteiro é permeado por ti.

Tu és o Deus, a Divindade poderosa, saudada por todas as pessoas. Seja tu o refúgio de todos os celestiais junto com Indra, ó melhor dos deuses. O universo inteiro, ó matador de Asuras, foi permeado por Vritra.’ E Vishnu disse, 'Eu estou comprometido sem dúvida a fazer o que é para o seu bem. Eu, portanto, lhes falarei de um plano pelo qual ele pode ser aniquilado. Se dirijam com os Rishis e os Gandharvas ao lugar onde Vritra, aquele portador de uma forma universal, está e adotem em direção a ele uma política conciliadora. Vocês dessa maneira conseguirão derrotá-lo. Por virtude do meu poder, a vitória, ó deuses, será obtida por Indra, pois, permanecendo invisível, eu entrarei no seu raio, aquela melhor das armas. Ó principais dos deuses, partam com os Rishis e os Gandharvas. Que não haja demora em efetuar uma paz entre Indra e Vritra.'” "Salya continuou, 'Quando ele assim tinha falado, os Rishis e os celestiais colocaram Indra em sua vanguarda, e se reunindo, partiram. Aproximando-se de Indra eles viram Vritra brilhando e resplandecente como se chamuscando os dez pontos, e engolindo todos os três mundos, e parecendo com o sol ou a lua. E então os Rishis alcançaram Vritra e falaram a ele em termos conciliadores, dizendo, 'Ó ser inconquistável, todo este universo foi permeado por tua energia. Tu não és capaz, no entanto, de dominar Indra, ó melhor dos seres poderosos. Um longo período agora decorreu desde que vocês começaram a lutar. Todos os seres, com os deuses e os Asuras e homens, estão sofrendo por causa dos efeitos da luta. Que haja eterna amizade entre ti e Indra.

Tu serás feliz e morarás eternamente nas regiões de Indra.' E o poderoso Vritra tendo ouvido as palavras dos santos curvou sua cabeça para eles. E o Asura falou (dessa maneira), 'O que vocês, ó seres altamente dotados, e também todos estes Gandharvas estão dizendo, eu ouvi. Ó seres imaculados, ouçam também o que eu tenho a dizer. Como pode haver paz entre nós dois, Indra e eu? Como pode haver amizade, ó deuses, entre dois poderes hostis?' Os Rishis disseram, 'Amizade entre pessoas virtuosas acontece em um único encontro. Este é um objetivo desejável. Depois disso acontecerá o que está predestinado a ser. A oportunidade de formar amizade com uma pessoa justa não deve ser sacrificada. Portanto, a amizade dos justos deve ser procurada. A amizade dos virtuosos é (como) riqueza excelente, pois aquele que é sábio dará conselho quando isto for necessário. A amizade de uma boa pessoa é de grande utilidade; portanto, uma pessoa sábia não deve desejar matar uma virtuosa. Indra é honrado pelos justos, e é o refúgio de pessoas magnânimas, sendo veraz e irrepreensível, e sabe o que é a virtude, e é possuidor de um raciocínio refinado. Que haja eterna amizade entre ti e Indra, como descrita acima. Dessa maneira, tenha fé (nele); não deixe o teu coração ser inclinando diferentemente.'” "Salya disse, 'Ouvindo estas palavras dos grandes Rishis, o ilustre Asura falou para eles, 'Sem dúvida, os Rishis dotados de poderes sobrenaturais devem ser respeitados por mim.

Que o que eu vou dizer, ó deuses, seja realizado em sua totalidade; então eu farei tudo o que (estes) melhores dos Brahmanas me disseram. Ó senhores da classe Brahmana, ordenem que o próprio Indra ou os deuses não me matem por meio do que é seco, ou molhado; por pedra, ou por madeira; por uma arma adequada para luta corpo-a-corpo, ou por um míssil; de dia, ou à noite. Nestes termos paz eterna com Indra será aceitável para mim’, ‘Muito bem!’ Foi o que os Rishis disseram para ele, ó melhor da família Bharata. Dessa maneira a paz tendo sido firmada, Vritra estava muito satisfeito. E Indra também ficou satisfeito embora constantemente ocupado com o pensamento de matar Vritra. E o chefe das divindades passava seu tempo à procura de um meio de evasão, inquieto (em mente). E em um certo dia quando era anoitecer e a hora sublime, Indra avistou o poderoso Asura à beira-mar. E ele se lembrou do benefício que foi concedido para o Asura ilustre, dizendo, 'Esta é a respeitável hora do anoitecer; não é nem dia, nem noite; e este Vritra, meu inimigo, que me despojou de tudo o que eu tinha, deve sem dúvida ser morto por mim. Se eu não matar Vritra, este Asura grande e poderoso de corpo gigantesco, mesmo por meio de fraude, isto não ficará bem para mim.' E quando Indra pensou em tudo isto, tendo Vishnu em mente, ele viu naquele instante no mar uma massa de espuma tão grande quanto uma colina. E ele disse, 'Isto não é nem seco, nem molhado, nem é uma arma; que eu a arremesse em Vritra. Sem dúvida, ele morrerá imediatamente.' E ele jogou em Vritra aquela massa de espuma combinada com o raio.

E Vishnu, tendo entrado dentro daquela espuma, pôs um fim à vida de Vritra. E quando Vritra foi morto, os pontos cardeais ficaram livres de escuridão; e lá também soprou uma brisa agradável; e todos os seres estavam muito contentes. E as divindades com os Gandharvas e Yakshas e Rakshasas, com as grandes cobras e santos, glorificaram o poderoso Indra com vários hinos laudatórios. E saudado por todos os seres Indra falou palavras de estímulo para todos. E seu coração estava contente como também aquele de cada um dos deuses por ter matado o inimigo. E conhecendo a natureza da virtude, ele adorou Vishnu, o mais louvável de todos os objetos no mundo. Nessas circunstâncias quando o poderoso Vritra, terrível para os deuses, foi morto, Indra foi profundamente afetado pela falsidade, e ele se tornou extremamente triste; e ele foi também subjugado pelo pecado de Brahmanicídio por conta de ter matado o filho de três cabeças de Twashtri. E ele se dirigiu para os confins dos mundos, e ficou privado de sua razão e consciência. E dominado por seus próprios pecados ele não podia ser reconhecido. E ele jazia escondido em água, assim como uma cobra se retorcendo. E quando o senhor dos celestiais, oprimido pelo medo do Brahmanicídio, tinha desaparecido de vista, a terra parecia como se uma destruição tivesse passado sobre ela. E ela ficou sem árvores, e suas florestas murcharam; e o curso dos rios foi interrompido; e os reservatórios perderam toda sua água; e havia angústia entre animais por conta da cessação das chuvas.

E as divindades e todos os grandes Rishis estavam muito temerosos; e o mundo não tinha rei, e era surpreendido por desastres. Então as divindades e os santos divinos no céu, separados do chefe dos deuses, ficaram apavorados e queriam saber quem seria seu rei. E ninguém tinha alguma inclinação para agir como o rei dos deuses.'” 11 "Salya disse, 'Então todos os Rishis e os deuses superiores disseram, ‘Que o belo Nahusha seja coroado como rei dos deuses. Ele é poderoso e renomado, e sempre devotado à virtude.' E eles todos foram até ele e lhe disseram, 'Ó senhor da terra, seja nosso rei.' E Nahusha, atento ao seu bem-estar, falou para aqueles deuses e santos acompanhados pelos progenitores (da humanidade), 'Eu sou fraco; eu não sou capaz de proteger vocês; é uma pessoa poderosa que deve ser seu rei; é Indra quem sempre tem sido possuidor de força.' E todos os deuses, guiados pelos santos, falaram a ele outra vez, 'Auxiliado pela virtude das nossas austeridades, governe o reino do céu. Não há dúvida de que nós todos temos nossos respectivos receios. Seja coroado, ó senhor dos monarcas, como o rei do céu. Qualquer ser que possa ficar dentro da tua vista, seja ele um deus, um Asura, um Yaksha, um santo, um Pitri, ou um Gandharva, tu absorverás seu poder e (assim) te tornarás forte. Sempre colocando a virtude antes (de todas as outras coisas), seja o soberano dos mundos. Proteja também os Brahmarsis (santos Brahmana) e os deuses no céu.' Então, ó senhor dos monarcas, Nahusha foi coroado rei no céu.

E colocando a virtude antes (de tudo mais), ele se tornou o soberano de todos os mundos. E embora sempre de uma disposição virtuosa, ainda assim quando ele obteve aquele benefício precioso e o reino do céu Nahusha assumiu uma inclinação sensual de mente. E quando Nahusha virou o rei dos deuses, ele se circundou com ninfas celestes, e com donzelas de nascimento celeste, e se ocupou em prazeres de várias espécies nos bosques Nandana, no monte Kailasa, no topo do Himavat, em Mandara, na colina Branca Sahya, Mahendra e Malaia, como também sobre mares e rios. E ele escutou várias narrativas divinas que cativavam o ouvido e o coração, e o toque de instrumentos musicais de diferentes tipos, e melodias vocais agradáveis. E Viswavasu e Narada e grupos de ninfas celestes e bandos de Gandharvas e as seis estações em formas viventes serviam o rei dos deuses. E brisas fragrantes, frias de modo refrescante, sopravam em volta dele. E enquanto aquele patife estava se divertindo dessa maneira, em uma ocasião a deusa que era a rainha favorita de Indra entrou em sua visão. E aquela pessoa depravada, tendo olhado para ela, disse aos cortesãos, 'Por que esta deusa, a rainha de Indra, não me serve? Eu sou o monarca dos deuses, e também o soberano dos mundos. Que Sachi se apresse e me visite em minha casa.' Entristecida ao ouvir isto, a deusa disse para Vrihaspati, 'Proteja-me, ó Brahmana, de Nahusha. Eu venho a você como meu refúgio.

Você sempre diz, ó Brahmana, que eu tenho em minha pessoa todos os sinais auspiciosos, sendo a favorita do rei divino; que eu sou casta, devotada ao meu marido, e destinada a nunca me tornar uma viúva. Tudo isto sobre mim você disse antes. Que as tuas palavras sejam feitas verdadeiras. Ó possuidor de poderes formidáveis, ó senhor, você nunca falou palavras que fossem vãs. Portanto, ó melhor dos Brahmanas, isto que você disse deve ser verdadeiro.' Então Vrihaspati disse para a rainha de Indra que estava fora de si de tanto medo, 'O que tu ouviste de mim virá a ser verdadeiro, esteja certa, ó deusa. Tu verás Indra, o senhor dos deuses, que logo voltará para cá. Eu te digo realmente, tu não tens que temer Nahusha; eu logo te unirei com Indra.' Assim sendo Nahusha veio a saber que a rainha de Indra rainha tinha procurado proteção com Vrihaspati, o filho de Angiras. E nisto o rei ficou muito enfurecido.'” 12 "Salya disse, 'Vendo Nahusha enfurecido, os deuses guiados pelos santos falaram para ele, 'Quem era agora seu rei de aparência horrível? Ó rei dos deuses, abandone tua cólera. Quando tu estás em cólera, ó senhor, o Universo, com seus Asuras e Gandharvas, seus Kinnaras, e grandes cobras, treme. Abandone esta raiva, ó ser virtuoso. Pessoas como tu não se desconcertam. Aquela deusa é esposa de outra pessoa. Tranquilize-te, ó senhor dos deuses! Retroceda tua inclinação do pecado de ultrajar a esposa de outro. Tu és o rei dos deuses, prosperidade para ti!

Proteja os teus súditos com toda virtude!' Assim endereçado ele não prestou atenção ao que foi dito, tornado insensato por causa da luxúria. E o rei falou para os deuses, em alusão a Indra, 'Ahalya de fama imaculada, a esposa de um santo, foi ultrajada por Indra enquanto seu marido estava vivo. Por que vocês não o impediram? Muitos foram os feitos de desumanidade, de injustiça, de engano, cometidos por Indra nos tempos antigos. Por que vocês não o impediram? Que a deusa faça minha vontade; isto seria seu bem permanente. E dessa maneira o mesmo repercutirá eternamente para sua segurança, ó deuses!' Os deuses disseram, ‘Nós traremos para ti a rainha de Indra assim como tu ordenaste, ó senhor do céu! Abandone essa ira, ó pessoa valente! Fique apaziguado, ó senhor dos deuses!’” "Salya continuou, 'Tendo falado dessa maneira para ele, os deuses com os santos foram informar Vrihaspati e a rainha de Indra das notícias citadas. E eles disseram, 'Nós sabemos, ó principal dos Brahmanas, que a rainha de Indra se dirigiu para tua casa, por proteção, e que tu lhe prometeste proteção, ó melhor dos santos divinos! Mas nós, os deuses e Gandharvas e santos, te suplicamos, ó tu de grande resplendor, para entregar rainha de Indra para Nahusha. Nahusha, o rei dos deuses, de grande refulgência, é superior a Indra. Que ela, aquela dama de figura e cor excelentes, o escolha como seu marido!' Assim endereçada, a deusa deu vazão às lágrimas; e soluçando de forma audível, ela lamentou em tons comoventes.

E ela falou para Vrihaspati, 'Ó melhor dos santos divinos, eu não desejo que Nahusha seja meu marido. Eu me dirigi para tua proteção, ó Brahmana! Salve-me deste grande perigo!'” "Vrihaspati disse, 'Minha resolução é esta: eu não abandonarei uma pessoa que procurou minha proteção. Ó tu de vida irrepreensível, eu não te abandonarei, virtuosa como tu és e de uma disposição sincera! Eu não desejo fazer uma ação imprópria, especialmente porque eu sou um Brahmana que sabe o que é virtude, tem respeito pela verdade, e consciente também dos preceitos de virtude. Eu nunca farei isto. Sigam seus caminhos, ó melhores dos deuses. Ouçam o que foi antigamente cantado por Brahma com relação à questão à mão. Aquele que entrega para um inimigo uma pessoa apavorada e pedindo proteção não obtém proteção quando ele mesmo está precisando disto. Sua semente não cresce na época de plantio e a chuva não vem para ele na estação das chuvas. Aquele que entrega para um inimigo uma pessoa apavorada e pedindo proteção nunca tem êxito em qualquer coisa que ele empreenda; insensato como ele é, ele cai paralisado do céu; os deuses recusam oferendas feitas por ele. Sua progênie morre prematuramente e seus antepassados sempre brigam (entre eles mesmos). Os deuses com Indra em sua chefia arremessam o raio nele. Saibam que isto é assim, eu não entregarei esta Sachi aqui, a rainha de Indra, famosa no mundo como sua consorte favorita. Ó melhores dos deuses, o que possa ser para o bem dela e meu eu peço para vocês fazerem.

Eu nunca entregarei Sachi!' "Salya continuou, 'Então os deuses e os Gandharvas disseram estas palavras para o preceptor dos deuses, 'Ó Vrihaspati, delibere sobre alguma coisa que seja compatível com a política correta!' Vrihaspati disse, 'Que esta deusa de olhares auspiciosos peça tempo de Nahusha para decidir sobre sua proposta. Isto será para o bem da rainha de Indra, e nosso também. O tempo, ó deuses, pode erguer muitos obstáculos. O tempo impelirá tempo em diante. Nahusha é orgulhoso e poderoso em virtude do benefício concedido a ele!'” "Salya continuou, 'Vrihaspati tendo falado desse modo, os deuses satisfeitos então disseram, 'Tu falaste bem, ó Brahmana. Isto é para o bem de todos os deuses. Isto é assim sem dúvida. Somente, que esta deusa seja propiciada.' Então os deuses reunidos precedidos por Agni, visando o bem-estar de todos os mundos, falaram com a rainha de Indra de um modo calmo. E os deuses disseram, 'Tu estás sustentando o universo inteiro de coisas móveis e imóveis. Tu és casta e verdadeira, vá até Nahusha. Aquele ser depravado, luxurioso atrás de ti, em breve cairá, e Indra, ó deusa, obterá a soberania dos deuses!' Averiguando que este era o resultado daquela deliberação, a rainha de Indra, para alcançar seu objetivo, foi timidamente até Nahusha de aparência terrível. O vicioso Nahusha também, tornado irracional pela luxúria, viu quão jovem e encantadora ela era, e ficou muito satisfeito.'” 13 "Salya disse, 'Nessas circunstâncias então Nahusha, o rei dos deuses, olhou para ela e disse, 'Ó tu de doces sorrisos, eu sou o Indra de todos os três mundos.

Ó tu de coxas belas e cor formosa, aceite-me como teu marido!' Aquela deusa casta, assim endereçada por Nahusha, estava apavorada e tremia como um talo de bananeira em um local ventoso. Ela curvou sua cabeça para Brahma, e juntando suas mãos falou para Nahusha, o rei dos deuses, de aparência terrível, dizendo, 'Ó senhor das divindades, eu desejo obter tempo. Não se sabe o que aconteceu a Indra, ou onde ele está. Tendo investigado a verdade com relação a ele, se, ó senhor, eu não obtiver notícias dele, então eu te visitarei; isto eu te digo pela verdade.' Assim endereçado pela rainha de Indra, Nahusha ficou satisfeito. E Nahusha disse, 'Que seja assim mesmo, ó dama de quadris graciosos, como tu me disseste. Tu virás, depois de teres averiguado as notícias. Eu espero que tu te lembres da tua veracidade empenhada.' Dispensada por Nahusha, ela de olhares auspiciosos saiu depressa; e aquela dama famosa foi à residência de Vrihaspati. E, ó melhor dos reis, os deuses com Agni em sua dianteira, quando eles ouviram suas palavras, deliberaram, atentos ao que promoveria os interesses de Indra. E eles então se encontraram com o poderoso Vishnu, o Deus dos deuses. E hábeis em fazer discursos, os deuses inquietos falaram as seguintes palavras para ele, 'Indra, o senhor de todos os deuses, foi dominado pelo pecado de Brahmanicídio. Tu, ó senhor dos deuses, és o primogênito, o soberano do universo, e nosso refúgio. Tu assumiste a forma de Vishnu para a proteção de todos os seres. Quando Vritra foi morto por meio da tua energia, Indra foi subjugado pelo pecado de Brahmanicídio.

Ó melhor de todos os deuses, prescreva os meios de libertá-lo.' Ouvindo essas palavras dos deuses, Vishnu disse, 'Que Indra ofereça sacrifício para mim. Eu mesmo purificarei o portador do raio. O castigador de Paka, tendo realizado o santo Sacrifício de Cavalo recuperará destemidamente sua dignidade como senhor dos deuses. E Nahusha de mente perversa será levado à destruição por seus feitos maus. Por um certo período, ó deuses, vocês devem ser pacientes, sendo vigilantes ao mesmo tempo.' Ouvindo estas palavras de Vishnu, palavras que eram verdadeiras e agradáveis como ambrosia para seus ouvidos, os deuses, com seu preceptor, e com os Rishis procederam para aquele local onde Indra estava preocupado com medo. E lá, ó rei, foi realizado um grande Sacrifício de Cavalo, capaz de remover o pecado de Brahmanicídio, para a purificação do formidável Indra de grande mente. E o senhor dos deuses, ó Yudhishthira, dividiu o pecado de Brahmanicídio entre árvores e rios e montanhas e a terra e mulheres. E tendo-o distribuído dessa maneira entre aqueles seres e se desfeito dele, Indra estava livre de agitação. E livre de seu pecado, ele voltou a si. E naquele local, o matador do Asura Vala tremeu quando ele olhou para Nahusha, diante de quem todos os seres animados se sentiam intimidados, e que era inalcançável em virtude do benefício que os Rishis tinham concedido a ele. E o marido divino de Sachi desapareceu de vista novamente. E invisível para todos os seres, ele vagou esperando seu momento. E Indra tendo desaparecido, Sachi caiu em aflição.

E extremamente miserável, ela lamentou, 'Ai! Ó Indra, se eu alguma vez fiz uma doação, ou fiz oferenda para os deuses, ou propiciei meus guias espirituais, se há alguma verdade em mim, então eu rogo que minha castidade permaneça inviolada. Eu reverencio esta deusa Noite, santa, pura, seguindo seu curso durante esta jornada do sol para o norte, (isto é, passagem do sol do solstício de inverno para o solstício de verão), que meu desejo seja realizado.' Dizendo isto, ela, em um estado purificado de corpo e alma, adorou a deusa Noite. E em nome de sua castidade e veracidade ela recorreu à divinação. (Divinação era praticada com referência às estrelas na noite.) E ela pediu, 'Mostre-me o lugar onde o rei dos deuses está. Que a verdade seja verificada pela verdade.' E foi dessa maneira que ela se dirigiu à deusa da Divinação.'” 14 "Salya disse, 'Então a deusa da Divinação ficou perto daquela dama casta e bela. E vendo aquela deusa, jovem e encantadora, permanecendo diante dela, a rainha de Indra, profundamente contente, apresentou seus cumprimentos a ela e disse, 'Eu desejo saber quem tu és, ó tu de rosto gracioso.' E Divinação disse, 'Eu sou Divinação, ó deusa, próxima a ti. Já que tu és sincera, portanto, ó dama de mente elevada, eu apareço na tua visão. Já que tu és devotada ao teu marido, empenhada em controlar a ti mesma, e engajada na prática de ritos religiosos, eu mostrarei para ti o deus Indra, o matador de Vritra. Siga-me rapidamente, de maneira que o bem te aconteça!

Tu verás aquele melhor dos deuses.' Então Divinação procedeu e a rainha divina de Indra foi atrás dela. E ela cruzou bosques celestiais, e muitas montanhas; e então tendo cruzado as montanhas Himavat ela chegou ao seu lado norte. E tendo alcançado o mar, que se estende por muitos yojanas, ela chegou a uma ilha grande coberta com várias árvores e plantas. E lá ela viu um lago belo, de aparência celestial, coberto com aves, (tendo) oitocentas milhas de comprimento, e o mesmo de largura. E sobre ele, ó descendente de Bharata, havia lotos completamente desabrochados de aparência celeste, de cinco cores, com abelhas zunindo em volta, e contados aos milhares. E no meio daquele lago havia um conjunto grande e belo de lotos que tinham em seu meio um lótus branco grande permanecendo sobre um talo alto. E penetrando no talo do lótus, junto com Sachi, ela viu Indra lá que tinha entrado em suas fibras. E vendo seu marido jazendo lá um uma forma minúscula, Sachi também assumiu uma forma minúscula, e assim também fez a deusa da divinação. E a rainha de Indra começou a glorificá-lo por recitar seus feitos célebres de antigamente. E assim glorificado, o divino Purandara falou para Sachi, 'Para que propósito tu vieste? Como também eu fui descoberto?' Então a deusa falou das ações de Nahusha. E ela disse, 'Ó realizador de cem sacrifícios, tendo obtido a soberania dos três mundos, poderoso e soberbo e de alma viciosa, ele me mandou visitá-lo, e o canalha cruel até me fixou um tempo definido. Se tu não me protegeres, ó marido, ele me trará sob seu poder.

Por esta razão, ó Indra, eu vim a ti em alarme. Ó tu de braços fortes, mate o terrível Nahusha de alma viciosa. Revele-te, ó matador de Daityas e Danavas. Ó senhor, assuma tua própria força e governe o reino celeste.'" 15 "Salya disse, 'Assim endereçado por Sachi, o deus ilustre disse a ela novamente, 'Este não é o momento para empregar bravura. Nahusha é mais forte do que eu. Ó bela dama, ele tem sido fortalecido pelos Rishis com os méritos de oferendas aos deuses e aos Pitris. Eu recorrerei à política agora. Tu terás que executar isto, ó deusa. Ó dama, tu deves fazê-lo secretamente e não deves revelá-lo para qualquer pessoa. Ó dama de uma cintura bela, indo até Nahusha em particular, diga a ele, ‘Ó senhor do Universo, tu deves me visitar sobre um veículo bonito carregado por Rishis. Nesse caso eu ficarei satisfeita e me colocarei à tua disposição.’ Isto tu deves dizer a ele.' E assim endereçada pelo rei dos deuses, sua consorte de olhos de lótus expressou seu consentimento e foi até Nahusha. E Nahusha, tendo-a visto, se dirigiu a ela sorridente, dizendo, 'Eu te recebo com alegria, ó dama de coxas graciosas. Qual é teu desejo, ó tu de doces sorrisos? Aceite a mim, ó dama de olhares propícios, que sou devotado a ti. Qual é tua vontade, ó dama espirituosa? Eu farei o teu desejo, ó senhora de olhares propícios e cintura fina. Nem tu precisas ficar tímida, ó tu de quadris graciosos. Tenha confiança em mim. Em nome da verdade eu juro, ó deusa, que eu cumprirei tua ordem.'” "Sachi disse, 'Ó senhor do Universo, eu preciso do tempo que tu me concedeste.

Depois disso, ó senhor dos deuses, tu serás meu marido. Eu tenho um desejo. Preste atenção e ouça, ó rei dos deuses, o que eu direi, ó rei, para que tu possas fazer o que eu quero. Esta é uma indulgência que eu peço do teu amor por mim. Se tu concederes isto, eu estarei à tua disposição. Indra tinha cavalos para carregá-lo, e elefantes, e carros. Eu quero que tu tenhas, ó rei dos deuses, um novo veículo, tal como nunca pertenceu a Vishnu, ou Rudra, ou aos Asuras, ou aos Rakshasas, ó senhor. Que vários Rishis muito dignos, juntos, te carreguem em um palanquim. Isto é o que se recomenda para mim. Tu não deves te comparar aos Asuras ou aos deuses. Tu absorves a força de todos por meio da tua própria força logo que eles olham para ti. Não há ninguém tão forte a ponto de poder resistir diante de ti.'” "Salya continuou, 'Assim endereçado, Nahusha estava muitíssimo satisfeito. E o senhor das divindades disse para aquela dama de feições impecáveis, 'Ó dama da cor mais formosa, tu falaste de um veículo nunca ouvido antes. Eu gosto muito disto, ó deusa. Eu estou em teu poder, ó tu de rosto encantador. Não pode ser uma pessoa fraca aquela que emprega Rishis para carregá-lo. Eu tenho praticado austeridades, e sou poderoso. Eu sou o senhor do passado, do presente e do futuro. O Universo não existiria mais se eu estivesse com raiva. O Universo inteiro está estabelecido em mim. O tu de doces sorrisos, os deuses, os Asuras e Gandharvas, e cobras, e Rakshasas juntos são incapazes competir comigo quando eu estou com raiva. Quem quer que eu olhe fixo eu privo de sua energia.

Portanto, teu pedido eu realizarei sem dúvida, ó deusa. Os sete Rishis, e também os Rishis regenerados, me carregarão. Veja nossa grandeza e esplendor, ó dama de cor adorável.'” "Salya continuou, 'Tendo se dirigido dessa maneira àquela deusa de rosto encantador, e tendo dispensado ela assim, ele arreou ao seu carro celestial diversos santos dedicados à prática de austeridades. Um desrespeitador de Brahmanas, dotado de poder e embriagado com orgulho, caprichoso, e de alma viciosa, ele empregou aquele santos para carregá-lo. Enquanto isso, dispensada por Nahusha, Sachi foi até Vrihaspati e disse, 'Resta somente pouco do período fixado por Nahusha para mim. Mas te compadeças de mim que te respeito tanto, e rapidamente descubra Indra.'” "O ilustre Vrihaspati então disse a ela, 'Muito bem, tu não precisas, ó deusa, temer Nahusha de alma viciosa. Sem dúvida ele não manterá seu poder por muito tempo. O canalha, realmente, já está perdido, não tendo consideração pela virtude e porque, ó dama adorável, ele está empregando os grandes santos para carregá- lo. E eu realizarei um sacrifício para a destruição daquele patife violento, e eu descobrirei Indra. Tu não precisas ter medo. Passe bem.' E Vrihaspati de grande poder então acendeu um fogo na forma prescrita, e pôs as melhores de todas as oferendas sobre ele para averiguar onde o rei dos deuses estava.

E tendo posto suas oferendas, ó rei, ele disse ao Fogo, 'Descubra Indra.' E nisso aquele deus venerável, o comedor de oferendas queimadas, assumiu por iniciativa própria uma forma feminina maravilhosa e desapareceu de vista naquele mesmo local. E dotado da velocidade da mente, ele procurou em todos os lugares, montanhas e florestas, terra e céu, e voltou para Vrihaspati dentro de um piscar de olhos. E Agni disse, ‘Vrihaspati, em lugar nenhum nestes locais eu encontro o rei dos deuses. Só restam as águas para serem examinadas. Eu sou sempre relutante em entrar nas águas. Eu não tenho ingresso nelas. Ó Brahmana, o que eu devo fazer por ti?' O preceptor dos deuses então disse a ele, 'Ó deus ilustre, entre na água.' Agni disse, 'Eu não posso entrar na água. Nesse lugar é a extinção que me espera. Eu me coloco em tuas mãos, ó tu de grande resplendor. Que tu te saias bem! O fogo surgiu da água, a casta militar surgiu da casta sacerdotal; e o ferro teve sua origem na pedra. O poder destes que podem penetrar todas as outras coisas não têm operação sobre as fontes das quais eles surgem.'" 16 "Vrihaspati disse, 'Tu és a boca, ó Agni, de todos os deuses. Tu és o transportador de oferendas sagradas. Tu, como uma testemunha, tens acesso às almas internas de todas as criaturas. Os poetas te chamam de único, e também de triplo. Ó comedor de oferendas queimadas, abandonado por ti o Universo imediatamente cessaria de existir. Os Brahmanas, por te reverenciarem, alcançam com suas esposas e filhos uma região eterna, a recompensa de seus próprios feitos meritórios.

Ó Agni, és tu que és o carregador de oferendas sagradas. Tu, ó Agni, és tu mesmo a melhor oferenda. Em uma cerimônia sacrifical de ordem suprema é a ti que eles cultuam com presentes e oferendas incessantes. Ó transportador de oferendas, tendo criado os três mundos, quando chega a hora, tu os consome em tua forma não acesa. Tu és a mãe do Universo inteiro; e tu, além disso, ó Agni, és seu término. Os sábios te citam como idêntico às nuvens e ao relâmpago; chamas emanando de ti sustentam todas as criaturas. Todas as águas estão depositadas em ti; assim é este mundo inteiro. Para ti, ó purificador, nada é desconhecido nos três mundos. Todo mundo se refugia agradavelmente em seu progenitor; entre nas águas sem medo. Eu te tornarei forte com os hinos eternos do Veda.’ Assim glorificado, o transportador de oferendas queimadas, aquele melhor dos poetas, bem satisfeito, falou palavras louváveis para Vrihaspati. E ele disse, 'Eu mostrarei Indra para ti. Isto eu te digo pela verdade.'” "Salya continuou, 'Então Agni entrou nas águas incluindo mares e lagos pequenos, e chegou àquele reservatório onde, ó melhor da linhagem Bharata, enquanto examinava as flores do lótus, ele viu o rei dos deuses dentro das fibras de um talo de lótus. E voltando rapidamente, ele informou Vrihaspati como Indra tinha se refugiado nas fibras de um talo de lótus, assumindo uma forma diminuta. Então Vrihaspati, acompanhado pelos deuses, os santos e os Gandharvas, foi e glorificou o matador de Vala por se referir aos seus feitos antigos.

E ele disse, 'Ó Indra, o grande Asura Namuchi foi morto por ti; e aqueles dois Asuras também de força terrível, ou seja, Samvara e Vala. Torne-te forte, ó realizador de cem sacrifícios, e mate todos os teus inimigos. Levante-te, ó Indra! Veja, aqui estão reunidos os deuses e os santos. Ó Indra, ó senhor grandioso, por matar Asuras tu salvaste os mundos. Tendo pegado a espuma das águas, fortalecida com a energia de Vishnu, tu antigamente mataste Vritra. Tu és o refúgio de todas as criaturas e és adorável. Não há ser igual a ti. Todas as criaturas, ó Indra, são sustentadas por ti. Tu construíste a grandeza dos deuses. Liberte todos, junto com os mundos, por assumires tua força, ó grande Indra.' E assim glorificado, Indra aumentou pouco a pouco; e tendo assumido sua própria forma ele se tornou forte e falou para o preceptor Vrihaspati que estava diante dele. E ele disse, 'Que propósito de vocês ainda resta? O grande Asura, o filho de Twashtri, foi morto; e Vritra também, cuja forma era muito grande e que destruiu os mundos.' Vrihaspati disse, ‘O humano Nahusha, um rei, tendo obtido o trono do céu em virtude do poder dos santos divinos, está nos dando muito incômodo.’ Indra disse, ‘Como Nahusha obteve o trono do céu, difícil de alcançar? Que austeridades ele praticou? Quão grande é seu poder, ó Vrihaspati?’” "Vrihaspati disse, 'Os deuses tendo ficado assustados desejaram um rei do céu, pois tu abandonaste a dignidade elevada de soberano do céu.

Então os deuses, os Pitris do universo, os santos, e os principais Gandharvas, todos se reuniram, ó Indra, e foram até Nahusha e disseram, 'Seja nosso rei, e o defensor do Universo!' Para eles Nahusha disse, 'Eu não sou apto; encham-me com seu poder e com a virtude das suas austeridades!' Assim ordenadas, as divindades o fortaleceram, ó rei dos deuses! E por causa disso Nahusha se tornou uma pessoa de força terrível, e se tornando assim o soberano dos três mundos ele pôs os grandes santos em arreios, e o canalha está viajando dessa maneira de mundo para mundo. Tu nunca podes olhar Nahusha que é terrível. Ele emite veneno de seus olhos, e absorve a energia de todos. Todos os deuses estão extremamente assustados; eles vagueiam escondidos e não olham para ele!'” "Salya continuou, ‘Enquanto aquele melhor da linhagem de Angiras estava falando dessa maneira chegou lá aquele guardião do mundo, Kuvera, e também Yama o filho de Surya, e o velho deus Soma, e Varuna. E chegando lá eles disseram para o grande Indra, 'Quão afortunado é que o filho de Twashtri tenha sido morto, e Vritra também! Quão afortunado, ó Indra, que nós estejamos te vendo são e salvo, enquanto todos os teus inimigos foram mortos!' Indra recebeu todos aqueles protetores dos mundos, e com o coração contente saudou-os de forma apropriada com a intenção de lhes requisitar com relação a Nahusha. E ele disse, 'Nahusha de aparência terrível é o rei dos deuses; forneçam-me sua ajuda nisso.' Eles responderam, 'Nahusha é de aparência horrível; sua visão é veneno; nós temos medo dele, ó Deus.

Se tu derrotares Nahusha então nós teremos direito às nossas partes das oferendas sacrificais, ó Indra.' Indra disse, 'Que seja assim. Você e o soberano das águas, e Yama, e Kuvera serão hoje coroados junto comigo. Ajudados por todos os deuses, derrotemos o inimigo Nahusha de olhar terrível.' Então Agni também disse para Indra, 'Dê-me uma parte das oferendas sacrificais. Eu também lhe emprestarei minha ajuda.' Indra disse a ele, 'Ó Agni, tu também obterás uma parte em grandes sacrifícios, haverá uma única parte (disto) para ambos Indra e Agni.'” “Salya continuou, ‘Assim o senhor ilustre Indra, o castigador de Paka, o concessor de benefícios, entregou, depois de deliberação, para Kuvera a soberania sobre os Yakshas e toda a riqueza do mundo; para Yama a soberania sobre os Pitris; e para Varuna a soberania sobre as águas.’” 17 “Salya disse, ‘Nestas circunstâncias quando o grande Indra, o chefe inteligente dos deuses, estava deliberando com os guardiões do mundo e outras divindades sobre os meios de matar Nahusha, apareceu naquele local o venerável asceta Agastya. E Agastya reverenciou o senhor dos deuses e disse, ‘Quão afortunado que tu estejas próspero depois da destruição daquele ser de forma universal, como também aquela de Vritra. E quão afortunado, ó Purandara, que Nahusha tenha sido lançado do trono do céu. Quão afortunado, ó matador de Vala, que eu te veja com todos os teus inimigos mortos.’ Indra disse, ‘Tua viagem para cá foi agradável, ó grande santo? Eu sou encantado em ver-te.

Aceite de mim água para lavar teus pés e rosto, como também o Arghya e a vaca.’ Salya continuou, ‘Indra, bem satisfeito, começou a questionar aquele melhor dos santos e maior dos Brahmanas quando ele estava sentado em um assento depois de ter recebido as devidas honras, dessa maneira, ‘Ó santo venerável, ó melhor dos Brahmanas, eu desejo ter recitado por ti como Nahusha de alma viciosa foi lançado do céu.’” "Agastya disse, 'Ouça, ó Indra, à narrativa agradável de como o perverso e vicioso Nahusha, embriagado com orgulho de força, foi arremessado do céu. Os Brahmanas de espírito puro e santos celestes, enquanto o carregavam, fatigados com o trabalho pesado, questionaram aquele ser vicioso, ó melhor de vitoriosos, dizendo, ‘Ó Indra, há certos hinos nos Vedas, ordenados para serem recitados enquanto borrifando as vacas. Eles são autênticos ou não?’ Nahusha, que tinha perdido a razão pela operação de Tamas, disse a eles que eles não eram autênticos.' Os santos então disseram, 'Tu estás te inclinando em direção à injustiça; tu não vais para o caminho virtuoso. Os maiores santos antigamente disseram que eles eram autênticos, ó Indra.' E incitado pela Falsidade, ele me tocou na minha cabeça com seu pé. Por causa disso, ó marido de Sachi, ele ficou privado de poder e de bom aspecto.

Então, quando ele estava agitado e dominado pelo medo, eu falei a ele, 'Já que tu declaraste como espúrios os irrepreensíveis hinos do Veda os quais são recitados por Brahmarsis (Brahmanas santos), e já que tu tocaste minha cabeça com teu pé, e já que tu, ó patife ignorante, transformaste estes santos incomparáveis, iguais a Brahma, em animais para te carregar, portanto, ó canalha, seja privado do teu brilho, e sendo lançado de ponta-cabeça, caia do céu, o efeito de todos os teus bons feitos estando esgotados. Por dez mil anos tu, na forma de uma enorme cobra, vagarás pela terra. Quando aquele período estiver completo, tu poderás voltar para o céu.’ Assim aquele canalha foi lançado do trono do céu, ó repressor de inimigos. Quão afortunado, ó Indra, que nós estejamos prosperando agora. Aquele tormento dos Brahmanas foi morto. Ó marido de Sachi, dirija-te para o céu, proteja os mundos, subjugue teus sentidos, subjugue teus inimigos, e seja glorificado pelos grandes santos.'” "Salya continuou, 'Então, ó soberano de homens, os deuses, e os grupos de grandes santos estavam muito satisfeitos. E assim também estavam os Pitris, os Yakshas, as Cobras, os Rakshasas, os Gandharvas, e todos os grupos de ninfas celestes. E os tanques, os rios, as montanhas, e os mares também estavam muito contentes. E todos se aproximaram e disseram, 'Quão afortunado, ó matador de inimigos, que tu estejas próspero! Quão afortunado que o inteligente Agastya tenha matado o vicioso Nahusha!

Quão afortunado é que aquele indivíduo vil tenha sido transformado em uma cobra para vagar pela terra!'" 18 "Salya disse, ‘Então Indra, glorificado pelos bandos de Gandharvas e ninfas celestes montou em Airavata, o rei dos elefantes, caracterizado por marcas auspiciosas. E o ilustre Agni, e o grande santo Vrihaspati, e Yama, e Varuna, e Kuvera, o senhor das riquezas, o acompanharam. E o senhor Sakra, o matador de Vritra, então foi para os três mundos cercado pelos deuses junto com os Gandharvas e as ninfas celestes. E o realizador de cem sacrifícios, o rei das divindades, foi assim reunido com sua rainha. E ele começou a proteger os mundos com muita alegria. Então o santo divino ilustre Angiras chegou à assembleia de Indra e o reverenciou devidamente por recitar os hinos do Atharva. E o grande senhor Indra ficou satisfeito e concedeu um benefício para o Atharvangiras. E Indra disse, 'Tu serás conhecido como um Rishi de nome Atharvangiras no Atharva Veda, e tu também obterás uma parte em sacrifícios.' E tendo honrado Atharvangiras dessa maneira, o grande senhor Indra, o realizador de cem sacrifícios, se despediu dele, ó grande rei. E ele reverenciou todas as divindades e todos os santos dotados de riqueza de ascetismo. E, ó rei, Indra, bem satisfeito, governou o povo virtuosamente. Dessa maneira miséria foi suportada por Indra com sua esposa. E com o propósito de matar seus inimigos, até ele teve que passar um período escondido. Tu não deves levar a sério isto que tu, ó rei de reis, sofreste com Draupadi como também com teus irmãos de grande mente na floresta extensa.

Ó rei de reis, ó descendente de Bharata, ó encantador da família Kuru, tu obterás teu reino de volta da mesma maneira como Indra obteve o dele, depois de ter matado Vritra. O vicioso Nahusha, aquele inimigo de Brahmanas, de mente má, foi derrotado pela maldição de Agastya, e reduzido a nada por anos infindáveis. Similarmente, ó matador de inimigos, teus inimigos Karna e Duryodhana e outros de almas viciosas serão rapidamente destruídos. Então, ó herói, tu desfrutarás de toda esta terra, até o mar, com teus irmãos e esta Draupadi. Esta história da vitória de Indra, igual ao Veda em seu caráter sagrado, deve ser escutada por um rei desejoso de vitória e quando suas tropas estão organizadas em ordem de batalha. Portanto, ó melhor dos vencedores, eu a estou recitando para ti para a tua vitória. Ó Yudhishthira, pessoas de grande alma alcançam prosperidade quando elas são glorificadas. Ó Yudhishthira, a destruição de Kshatriyas de grande alma está perto por causa dos crimes de Duryodhana, e pelo poder também de Bhima e Arjuna. Aquele que lê esta história da vitória de Indra com o coração cheio de fé religiosa é limpo de seus pecados, alcança uma região de bem aventurança, e obtém alegria neste mundo e no próximo. Ele não teme seus inimigos; ele nunca se torna um homem sem filhos, nunca enfrenta algum perigo de qualquer tipo, e desfruta de vida longa.

Em toda parte vitória é declarada para ele, e ele não sabe o que é derrota.'” "Vaisampayana continuou, 'Ó melhor da linhagem de Bharata, o rei, aquele melhor dos homens justos, assim encorajado por Salya, honrou-o de forma apropriada. E Yudhishthira, o filho de Kunti de armas poderosas, tendo ouvido as palavras de Salya, falou para o rei dos Madras as seguintes palavras, 'Não há dúvida que tu atuarás como o quadrigário de Karna. Tu deves abater a disposição de Karna então por relatar os louvores de Arjuna.' Salya disse, ‘Que assim seja. Eu farei exatamente como tu me disseste. E eu farei para ti qualquer coisa mais que eu seja capaz de fazer.’” "Vaisampayana continuou, 'Então Salya, o rei dos Madras, se despediu dos filhos de Kunti. E aquele homem bonito então foi com seu exército até Duryodhana, ó repressor de inimigos.'" 19 "Vaisampayana disse, 'Então Yuyudhana, o grande herói da tribo Satwata, foi até Yudhishthira com um exército grande de soldados de infantaria, e cavalos e carros e elefantes. E seus soldados de grande coragem vinham de várias terras, portavam várias armas de guerra, e heróicos em aparência eles embelezaram o exército Pandava. E aquele exército parecia esplêndido por causa de machados de batalha, e mísseis e lanças, e arpões, e malhos, e clavas, e bastões, e laços, e espadas inoxidáveis, e punhais, e flechas de vários tipos, todos da melhor têmpera. E o exército, embelezado por aquelas armas, e parecendo em cor com o céu nublado, assumiu uma aparência semelhante a um aglomerado de nuvens com lampejos de relâmpago em seu meio.

E o exército contava um Akshauhini de tropas. E quando absorvido nas tropas de Yudhishthira ele desapareceu completamente, como um rio pequeno quando entra no mar. E similarmente, o chefe poderoso dos Chedis, Dhrishtaketu, acompanhado por um Akshauhini, foi até os filhos de Pandu de força incomensurável. E o rei de Magadha, Jayatsena de grande força, levou com ele para Yudhishthira um Akshauhini de tropas. E da mesma maneira Pandya, que morava na região costeira, foi acompanhado por tropas de várias espécies até Yudhishthira, o rei dos reis. E, ó rei, quando todas essas tropas estavam reunidas, seu exército, finamente vestido e extremamente forte, assumiu uma aparência agradável para os olhos. E o exército de Drupada também estava embelezado por soldados valentes que tinham vindo de várias terras, e também por seus filhos poderosos. E similarmente, Virata, o rei dos Matsyas, um líder de tropas, acompanhado pelo rei das regiões montanhosas, foi até os filhos de Pandu. E para os filhos de grande alma de Pandu haviam assim se reunido de várias direções sete Akshauhinis de tropas, cheios de entusiasmo com estandartes de várias formas. E ávidos para lutar com os Kurus, eles alegraram os corações dos Pandavas. E da mesma maneira o rei Bhagadatta, alegrando o coração do filho de Dhritarashtra, deu um Akshauhini de tropas para ele. E a inatacável massa de suas tropas, apinhada com Chins e Kiratas, todos parecendo com figuras de ouro, assumiu uma beleza semelhante àquela de uma floresta de árvores Karnikara.

E assim os bravos Bhurisravas, e Salya, ó filho de Kuru, foram até Duryodhana, com um Akshauhini de tropas cada um. E Kritavarman, o filho de Hridika, acompanhado pelos Bhojas, os Andhas, e os Kukuras, foi até Duryodhana com um Akshauhini de tropas. E o corpo de suas tropas composto daqueles soldados poderosos, que usavam em seus corpos guirlandas de flores de muitas cores, parecia tão gracioso quanto uma quantidade de elefantes alegres que passavam através de um bosque. E outros conduzidos por Jayadratha, os habitantes da terra de Sindhusauvira, chegaram com tal força que as colinas pareciam tremer sob seu passo. E sua força, contando um Akshauhini, parecia com uma massa de nuvens movida pelo vento. E Sudakshina, o rei dos Kambhojas, ó soberano de homens, acompanhado pelos Yavanas e Sakas, foi ao chefe Kuru com um Akshauhini de tropas. E o corpo de suas tropas que parecia com um bando de gafanhotos, encontrando com a força Kuru, foi absorvido e desapareceu nela. E similarmente chegou o rei Nila, o residente da cidade de Mahishmati, com soldados poderosos do país sulista que carregavam armas belo feitio. E os dois reis de Avanti, acompanhados por uma força imensa, levaram para Duryodhana, cada um, um Akshauhini separado de tropas. E aqueles tigres entre homens, os cincos irmãos reais, os príncipes de Kekaya, foram depressa até Duryodhana com um Akshauhini de tropas, e alegraram seu coração. E dos reis ilustres de outros quadrantes chegaram lá, ó melhor da linhagem Bharata, três grandes divisões de tropas.

E assim Duryodhana tinha uma força que numerava onze Akshauhinis, todos ávidos para lutar com os filhos de Kunti, e cheios de energia com estandartes de várias formas. E, ó descendente de Bharata, não havia espaço na cidade de Hastinapura nem para os principais líderes do exército de Duryodhana. E por esta razão a terra dos cinco rios, e toda a região chamada Kurujangala, e a floresta de Rohitaka a qual era uniformemente selvagem, e Ahichatra e Kalakuta, e as margens do Ganga, e Varana, e Vatadhana, e as regiões de colina na margem do Yamuna, toda esta região extensa, cheia de grãos e fartura abundante, estava totalmente coberta com o exército dos Kauravas. E aquele exército, assim arranjado, foi visto pelo sacerdote que tinha sido enviado pelo rei dos Panchalas para os Kurus.'" 20 "Vaisampayana disse, 'Então o sacerdote de Drupada, tendo se aproximado do chefe Kaurava, foi honrado por Dhritarashtra como também por Bhishma e Vidura. E tendo primeiro dito as notícias do bem-estar dos Pandavas, ele perguntou acerca do bem-estar dos Kauravas. E ele falou as seguintes palavras no meio de todos os líderes do exército de Duryodhana, 'Os deveres eternos dos reis são conhecidos por vocês todos. Mas embora conhecidos, eu ainda os recitarei como uma introdução ao que eu vou dizer. Ambos, Dhritarashtra e Pandu, são conhecidos como filhos do mesmo pai. Não há dúvida que a parte de cada um da riqueza paterna deve ser igual. Os filhos de Dhritarashtra obtiveram a riqueza paterna. Por que os filhos de Pandu não recebem em absoluto sua parte paterna?

Vocês estão cientes de como antigamente os filhos de Pandu não receberam sua propriedade paterna a qual foi toda usurpada pelos filhos de Dhritarashtra. Os últimos se esforçaram de várias maneiras para tirar os filhos de Pandu de seu caminho até pelo emprego de planos homicidas; mas como seus períodos determinados de vida não tinham terminado totalmente os filhos de Pandu não puderam ser enviados para a residência de Yama. Então, além disso, quando aqueles príncipes de grande alma tinham estabelecido um reino por meio de sua própria força, os filhos de mente vil de Dhritarashtra, ajudados pelo filho de Suvala, o roubaram deles por meio de fraude. Este Dhritarashtra deu sua sanção até para aquele ato como tem sido costumeiro dele. E por treze anos eles foram então enviados para permanência na grande selva. Na sala de conselho eles também foram submetidos a indignidades de vários tipos, junto com sua esposa, embora eles fossem valentes. E grandes também foram os sofrimentos que eles tiveram que aguentar nas florestas. Aqueles príncipes virtuosos também tiveram que suportar aflições indizíveis na cidade de Virata, tais como são sofridas somente por homens viciosos quando suas almas transmigram para as formas de seres inferiores. Ó melhores da linhagem de Kuru, deixando passar todas essas injúrias de antigamente eles desejam somente um acordo pacífico com os Kurus! Lembrando-se do comportamento deles, e daquele de Duryodhana também, os amigos do último devem pedir a ele para concordar com a paz! Os heróicos filhos de Pandu não estão ávidos por guerra com os Kurus.

Eles desejam receber de volta sua própria parte sem envolver o mundo em ruína. Se o filho de Dhritarashtra aponta uma razão em favor da guerra, aquela nunca pode ser uma razão apropriada. Os filhos de Pandu são mais poderosos. Sete Akshauhinis de tropas foram reunidos em nome de Yudhishthira, todos ávidos para lutar com os Kurus, e eles estão agora esperando sua palavra de ordem. Há outros tigres entre homens, iguais em força a mil Akshauhinis, tais como Satyaki e Bhimasena, e os irmãos gêmeos de força imensa. É verdade que estas onze divisões de tropas estão agrupadas de um lado, mas elas são equilibradas no outro pelo poderosamente armado Dhananjaya de formas múltiplas. E como Kiritin excede em força até todas essas tropas juntas, assim também o faz o filho de Vasudeva de grande refulgência e intelecto poderoso. Quem há que lutaria, em vista da magnitude da força oposta, do heroísmo de Arjuna, e da sabedoria de Krishna? Portanto, eu peço a vocês para devolverem o que deve ser dado, como ditado pela moralidade e pelo acordo. Não deixem a oportunidade passar!'" 21 "Vaisampayana disse, 'Tendo ouvido suas palavras, Bhishma, superior em sabedoria, e dotado de grande refulgência, prestou honras a ele, e então falou palavras adequadas para a ocasião. E ele disse, 'Quão afortunado que eles estejam todos bem, com Krishna! Quão afortunado que eles tenham obtido apoio, e que eles estejam inclinados para um comportamento virtuoso! Quão afortunado é que aqueles descendentes da linhagem de Kuru desejem paz com seus primos! Não há dúvida que o que tu disseste é verdade.

Tuas palavras, no entanto, são excessivamente severas, o motivo, eu suponho, sendo que tu és um Brahmana. Sem dúvida, os filhos de Pandu foram muito atormentados aqui e nas florestas. Sem dúvida, por lei eles têm direito a ganhar toda a propriedade de seu pai. Arjuna, o filho de Pritha, é forte e treinado em armas, e é um grande guerreiro em carro. Quem, de fato, pode resistir em batalha a Dhananjaya o filho de Pandu? Mesmo o próprio manejador do raio não pode, outros arqueiros mal são dignos de menção. Minha opinião é que ele está à altura de todos os três mundos!' E enquanto Bhishma estava falando dessa maneira, Karna colericamente e insolentemente interrompeu suas palavras, e olhando para Duryodhana disse, 'Não há criatura no mundo, ó Brahmana, que não esteja informada de todos estes fatos. Qual é o benefício de repeti-los várias vezes? Em nome de Duryodhana, Sakuni antigamente ganhou no jogo de dados. Yudhishthira o filho de Pandu foi para as florestas segundo uma estipulação. Ele agora não está respeitando aquela estipulação, mas confiante da ajuda dos Matsyas e Panchalas, ele deseja obter de volta seu trono ancestral. Ó homem erudito, Duryodhana não daria nem um único pé de terra se tu apelasses para seus temores, mas se a justiça requeresse, ele entregaria toda a terra até para um inimigo. Se eles desejam ter de volta seu trono ancestral, eles devem passar o período especificado de tempo na floresta como tinha sido estipulado. Depois que eles vivam como dependentes de Duryodhana, sãos e salvos.

Por estupidez, no entanto, que eles não dirijam sua mente para uma conduta absolutamente injusta. Se, todavia, abandonando o caminho da virtude eles desejam guerra, então quando eles enfrentarem em batalha esses Kurus louváveis, eles se lembrarão dessas minhas palavras.'” "Bhishma disse, 'Qual é a utilidade do teu discurso, ó filho de Radha? Tu deves te lembrar daquela ocasião quando o filho de Pritha, sozinho, subjugou em combate seis guerreiros em carros. Se nós não agirmos como este Brahmana disse, de fato, nós todos seremos mortos por ele em batalha!" "Vaisampayana continuou, 'Então Dhritarashtra acalmou Bhishma com palavras de rogo, repreendeu o filho de Radha, e falou as seguintes palavras, ‘O que Bhishma, o filho de Santanu disse é salutar para nós, como também para os Pandavas, e igualmente para todo o universo. Eu, no entanto, depois de deliberação enviarei Sanjaya aos filhos de Pandu. Assim tu não precisas esperar. Vá ao filho de Pandu hoje mesmo.' O chefe Kaurava então reverenciou o sacerdote de Drupada e enviou-o de volta aos Pandavas. E convocando Sanjaya à sala de conselho, ele se dirigiu a ele nas seguintes palavras." 22 "Dhritarashtra disse, 'Eles dizem, ó Sanjaya, que os Pandavas chegaram a Upaplavya. Vá e pergunte por eles.

Tu deves saudar Ajatasatru nas seguintes palavras, ‘Por boa sorte é que (saído das florestas) tu alcançaste tal cidade.’ E para todos eles tu deves dizer, ó Sanjaya, estas palavras, ‘Vocês estão bem, tendo passado aquele período difícil de permanência, vocês que eram indignos de tal tormento?' Num abrir e fechar de olhos eles estarão apaziguados com relação a nós, pois embora tratados traiçoeiramente (por inimigos), eles ainda assim são justos e bons. Em nenhum caso, ó Sanjaya, eu alguma vez encontrei alguma falsidade da parte dos Pandavas. Foi por sua própria bravura que eles obtiveram toda sua prosperidade, e (ainda assim) eles eram sempre obedientes a mim. Embora eu escrutinasse sua conduta, eu nunca podia criticá-los, não, nem uma única falha pela qual nós pudéssemos culpá-los. Eles sempre agem atentos à virtude e riqueza; eles nunca se submetem ao amor de prazeres sensuais, ou frio, ou fome, ou sede; eles subjugam sono e preguiça e cólera e alegria e negligência. Os filhos de Pritha, atentos à virtude e riqueza, são sempre agradáveis para todos. Em ocasiões apropriadas eles partilham sua riqueza com amigos. Amizade com eles nunca perde seu ardor por conta da passagem do tempo; pois eles concedem honras e riqueza para cada um de acordo com seus merecimentos. Nem uma pessoa na linhagem de Ajamida nutre ódio por eles exceto este vil, caprichoso, estúpido Duryodhana, e exceto também o ainda mais estúpido Karna. Estes dois sempre aumentam a energia daqueles de grande alma que estão privados de amigos e felicidade.

Ousado e criado em toda indulgência, Duryodhana considera que tudo aquilo foi bem feito. É infantil da parte de Duryodhana pensar que é possível roubar os Pandavas de sua parte justa enquanto eles estão vivos. É sábio dar para Yudhishthira sua parte devida antes da guerra, para ele cujos passos são seguidos por Arjuna e Krishna e Bhima e Satyaki e os dois filhos de Madri e os guerreiros da raça Srinjaya. Aquele manejador do Gandiva, Savyasachin, sentado em seu carro, seria capaz de devastar sozinho o mundo inteiro. E igualmente o vitorioso Krishna de grande alma, o senhor dos três mundos, incapaz de ser derrotado é capaz de fazer o mesmo. Que mortal resistiria diante dele que é a única pessoa mais notável em todos os mundos e que dispara sua multidão de flechas que rugem como as nuvens, cobrindo todos os lados como bandos de gafanhotos se movimentando rapidamente? Sozinho em seu carro, segurando o Gandiva, ele conquistou as regiões do norte como também os Kurus do norte e levou consigo toda a riqueza deles. Ele transformou o povo da terra Dravida em uma parte do seu próprio exército. Foi Falguna, o manejador do Gandiva, que derrotando na floresta Khandava todos os deuses junto com Indra fez oferendas para Agni, aumentando o respeito e fama dos Pandavas. De todos os manejadores de maças, além disso, não há ninguém igual à Bhima; e não há ninguém também que seja um condutor de elefantes tão habilidoso. Em carro, eles dizem, ele não se rende nem para Arjuna; e quanto à força de braços ele é igual a dez mil elefantes.

Bem treinado e ativo, ele que novamente foi tornado amargamente hostil consumiria com fúria os Dhritarashtras num abrir e fechar de olhos. Sempre colérico, e de braços fortes, ele não pode ser subjugado em batalha nem pelo próprio Indra. De grande coração, e fortes, e dotados de grande agilidade de mão, os dois irmãos (gêmeos), filhos de Madri, treinados cuidadosamente por Arjuna, não deixariam um inimigo vivo, como um par de falcões matando um grande bando de aves. Este nosso exército, tão amplo, para te dizer a verdade, não estará em lugar nenhum quando enfrentá-los. Ao lado deles estará Dhrishtadyumna, dotado de grande energia, alguém que é considerado como um dos próprios Pandavas. O chefe da tribo Somaka, com seus seguidores, é, eu tenho ouvido, tão dedicado à causa dos Pandavas que ele está disposto a sacrificar sua própria vida por eles. Quem poderia resistir a Yudhishthira que tem o melhor da tribo Vrishni (Krishna) como seu líder? Eu soube que Virata, o chefe dos Matsyas, com quem os Pandavas viveram por algum tempo e cujos desejos foram realizados por eles, velho em idade, está dedicado junto com seus filhos à causa Pandava, e que se tornou um partidário de Yudhishthira. Depostos do trono da terra Kekaya, e desejosos de serem readmitidos nele, os cinco irmãos poderosos daquela terra, manejando arcos imensos, estão agora seguindo os filhos de Pritha preparados para lutar. Todos os que são heróicos entre os senhores da terra foram reunidos e estão dedicados à causa Pandava.

Eu ouço que são audaciosos, dignos, e respeitáveis aqueles que se aliaram ao virtuoso rei Yudhishthira por sentimentos de simpatia por ele. E muitos guerreiros morando nas colinas e fortalezas inacessíveis, e muitos que são nobres em linhagem e velhos em idade, e muitas tribos Mlechcha também manejando armas de várias espécies, foram reunidos e estão dedicados à causa dos Pandavas. E lá foi Pandya também, que, dificilmente inferior a Indra no campo de batalha, é seguido quando ele luta por inúmeros guerreiros de grande coragem. Notavelmente heróico e dotado de bravura e energia que não tem paralelo, ele está dedicado à causa Pandava. Aquele mesmo Satyaki que, eu soube, obteve armas de Drona e Arjuna e Krishna e Kripa e Bhishma, e que é citado como igual ao filho de Krishna, está dedicadamente ligado à causa Pandava. E os reis reunidos das tribos Chedi e Karusha todos tomaram o partido dos Pandavas com todos os seus recursos. Aquele em meio a eles, que, tendo sido dotado de beleza refulgente, brilhava como o sol, a quem todas as pessoas julgavam inatacável em batalha e o melhor de todos os puxadores de arco sobre a terra, foi morto por Krishna em um instante, pela ajuda do seu próprio poder formidável, e reduzindo a zero o espírito audacioso de todos os reis Kshatriya. Kesava lançou seus olhos naquele Sisupala e o atingiu, aumentando a fama e respeito dos filhos de Pandu. Era o mesmo Sisupala que era muito respeitado por aqueles reis em cuja vanguarda permanecia o rei da tribo Karusha.

Então os outros reis, julgando Krishna inatacável quando sentado em seu carro puxado por Sugriva e outros corcéis, deixaram o chefe dos Chedis e fugiram como animais pequenos à visão de um leão. E foi dessa maneira que ele que por audácia tinha procurado se opor e enfrentar Krishna em um combate corpo a corpo foi morto por Krishna e jazeu sem vida, parecendo com uma árvore Karnikara arrancada por uma ventania. Ó Sanjaya, ó filho de Gavalgana, o que eles têm me falado da atividade de Krishna em causa dos filhos de Pandu, e o que eu me lembro de suas realizações passadas, não me deixam paz mental. Nenhum inimigo, seja qual for, é capaz de resistir a eles que estão sob a orientação daquele leão da tribo Vrishni. Meu coração está tremendo com medo ao saber que os dois Krishnas estarão sentados no mesmo carro. Se meu filho estúpido se abstiver de lutar com aqueles dois, então ele pode se sair bem, se não aqueles dois consumirão a família de Kuru como Indra e Upendra consomem as hostes Daitya. Dhananjaya é, eu concebo, igual a Indra, e o maior da raça Vrishni, Krishna, é o próprio Vishnu Eterno. O filho de Kunti e Pandu, Yudhishthira, é virtuoso e corajoso e evita atos que causam vergonha. Dotado de grande energia, ele tem sido tratado injustamente por Duryodhana. Se ele não fosse de mente elevada, ele em cólera queimaria os Dhritarashtras. Eu não temo tanto Arjuna ou Bhima ou Krishna ou os irmãos gêmeos como eu temo a cólera do rei, ó Suta, quando sua cólera é excitada. Suas austeridades são grandiosas; ele é dedicado a práticas Brahmacharya.

Os desejos de seu coração certamente serão realizados. Quando eu penso em sua cólera, ó Sanjaya, e considero quão justa ela é, eu me encho de alarme. Vá depressa em um carro, despachado por mim, onde as tropas do rei dos Panchalas estão acampadas. Tu questionarás Yudhishthira sobre seu bem- estar. Tu repetidamente te dirigirás a ele em termos afetuosos. Tu também encontrarás Krishna, ó filho, que é o principal de todos os homens valentes e que é dotado de uma alma magnânima. A ele tu também perguntarás de minha parte quanto ao seu bem-estar, e lhe dirá que Dhritarashtra está desejoso de paz com os filhos de Pandu. Ó Suta, não há nada que Yudhishthira, o filho de Kunti, não faria a pedido de Krishna. Kesava é tão querido para eles quanto eles mesmos. Possuidor de grande erudição, ele está sempre dedicado à causa deles. Tu também perguntarás sobre o bem-estar de todos os filhos reunidos de Pandu e dos Srinjayas e Satyaki e Virata e de todos os cinco filhos de Draupadi, declarando ser um mensageiro meu. E qualquer coisa também que tu julgues ser oportuna e benéfica para a família Bharata, tudo aquilo, ó Sanjaya, tu deves dizer no meio daqueles reis, tudo, de fato, que não seja desagradável ou provocativo de guerra.'” 23 "Vaisampayana disse, 'Tendo ouvido estas palavras do rei Dhritarashtra Sanjaya foi para Upaplavya para ver os Pandavas de força imensurável. E tendo se aproximado do rei Yudhishthira, o filho de Kunti, ele prestou homenagem a ele primeiro e então falou.

E o filho de Gavalgana, por nome Sanjaya e por casta um Suta, falou alegremente para Ajatasatru, 'Quão afortunado, ó rei, que eu te veja com saúde, acompanhado por amigos e de modo algum inferior ao grande Indra. O rei idoso e sábio Dhritarashtra, o filho de Ambika, perguntou sobre seu bem- estar. Eu espero que Bhimasena esteja bem, e que Dhananjaya, aquele principal dos Pandavas, e estes dois filhos de Madri, estejam bem. Eu espero que a princesa Krishna também, a filha de Drupada, esteja bem, ela que nunca se desvia do caminho da verdade, aquela dama de grande energia, aquela esposa de heróis. Eu espero que ela esteja bem com seus filhos, ela em quem estão centradas todas as suas alegrias mais preciosas e por cujo bem-estar vocês constantemente oram.'” "Yudhishthira disse, 'Ó Sanjaya, o filho de Gavalgana, tua viagem para cá foi segura? Nós estamos satisfeitos em te ver. Eu te pergunto em retorno como tu estás. Eu estou, ó homem erudito, em saúde excelente com meus irmãos mais novos. Ó Suta, depois de um longo tempo eu agora recebo notícias do idoso rei dos Kurus, aquele descendente de Bharata. Tendo te visto, ó Sanjaya, eu sinto como se eu tivesse visto o próprio rei, tão satisfeito eu estou! Nosso avô idoso Bhishma, o descendente de Kuru, dotado de grande energia e a sabedoria mais elevada e sempre dedicado às práticas da sua própria classe, ó senhor, está com saúde? Eu espero que ele ainda conserve todos os seus hábitos antigos. Eu espero que o rei de grande alma Dhritarashtra, o filho de Vichitravirya, esteja com saúde com seus filhos.

Eu espero que o grande rei Vahlika, o filho de Pratipa, dotado de grande erudição, esteja também com saúde. Eu espero, ó senhor, que Somadatta esteja com saúde, e Bhurisravas, e Satyasandha, e Sala, e Drona com seu filho, e o Brahmana Kripa também estejam bem. Eu espero que todos aqueles arqueiros poderosos estejam livres de doença. Ó Sanjaya, todos aqueles maiores e melhores dos arqueiros, dotados da mais sublime inteligência e versados em letras, e ocupando o próprio topo daqueles que manejam armas, se ligaram aos Kurus. Eu espero que aqueles arqueiros recebam suas devidas honras. Eu espero que eles estejam livres de doença. Quão felizes são aqueles em cujo reino mora o arqueiro forte e belo, o bem-comportado filho de Drona! Eu espero que Yuyutsu, o muito inteligente filho de Dhritarashtra com sua mulher Vaisya esteja com saúde. Eu espero, ó senhor, que o conselheiro Karna, cujos conselhos são seguidos pelo estúpido Suyodhana, esteja com saúde. Eu espero que as senhoras idosas, as mães da família Bharata, e as criadas de cozinha, as servas, as noras, os meninos, os filhos da irmã, e as irmãs, e os filhos das filhas da casa de Dhritarashtra estejam todos livres de preocupações. Ó senhor, eu espero que o rei ainda conceda sua antiga subsistência para os Brahmanas. Eu espero, ó Sanjaya, que o filho de Dhritarashtra não tenha apreendido aqueles presentes que eu fiz para os Brahmanas. Eu espero que Dhritarashtra com seus filhos receba em um espírito de clemência qualquer comportamento arrogante da parte dos Brahmanas.

Eu espero que ele nunca descuide de fazer provisão para eles, essa sendo a única estrada para o céu. Pois essa é a luz excelente e brilhante que foi fornecida pelo Criador neste mundo de seres vivos. Se, como pessoas estúpidas, os filhos de Kuru não tratarem os Brahmanas com uma disposição indulgente, uma destruição indiscriminada os alcançará. Eu espero que o rei Dhritarashtra e seu filho tentem sustentar os funcionários de estado. Eu espero que não haja inimigos para eles, que, disfarçados como amigos, estejam conspirando para sua ruína. Ó senhor, eu espero que nenhum desses Kurus fale de nós como tendo cometido quaisquer crimes. Eu espero que Drona e seu filho e o heróico Kripa não falem de nós como sendo culpados de alguma maneira. Eu espero que todos os Kurus olhem com respeito o rei Dhritarashtra e seus filhos como os protetores de sua tribo. Eu espero que quando eles vejam uma horda de ladrões, eles se lembrem dos feitos de Arjuna, o líder em todos os campos de batalha. Eu espero que eles se lembrem das flechas disparadas do Gandiva, as quais percorrem o ar em um caminho reto, impelidas adiante pela corda do arco esticada em contato com os dedos de sua mão, e fazendo um barulho alto como aquele do trovão. Eu não vejo o guerreiro que sobrepuje ou mesmo rivalize Arjuna que possa disparar por um único esforço de sua mão sessenta e uma flechas amoladas e de gume afiado equipadas com penas excelentes.

Eles se lembram de Bhima também, que, dotado de grande energia faz as hostes hostis em batalha tremerem de medo, como um elefante com têmporas fendidas agitando uma floresta de juncos? Eles se lembram do poderoso Sahadeva, o filho de Madri, que em Dantakura conquistou os Kalingas disparando flechas com ambas as mãos, a esquerda e a direita? Eles se lembram de Nakula, que, ó Sanjaya, foi enviado, sob seu olhar, para conquistar os Sivis e os Trigartas, e que trouxe a região oeste sob meu poder? Eles se lembram da ignomínia que foi deles quando sob maus conselhos eles vieram às florestas de Dwaitavana sob o pretexto de levarem embora seu gado? Aqueles perversos tendo sido subjugados por seus inimigos foram depois libertados por Bhimasena e Arjuna, eu mesmo protegendo a retaguarda de Arjuna (na luta que se seguiu) e Bhima protegendo a retaguarda dos filhos de Madri, e o manejador do Gandiva saindo ileso da pressão da batalha tendo feito um grande massacre da hoste hostil, eles se lembram daquilo? Não é por um único feito bom, ó Sanjaya, que a felicidade pode ser alcançada aqui, quando por todos os nossos esforços nós somos incapazes de conquistar a simpatia do filho de Dhritarashtra!" "Sanjaya disse, 'É assim mesmo como tu disseste, ó filho de Pandu! Tu perguntaste sobre o bem-estar dos Kurus e dos principais entre eles? Livres de doença de todos os tipos e na posse de espírito excelente estão aqueles principais entre os Kurus sobre quem, ó filho de Pritha, tu perguntaste.

Saiba, ó filho de Pandu, que há sem dúvida homens justos e idosos, como também homens que são pecaminosos e perversos em volta do filho de Dhritarashtra. O filho de Dhritarashtra faria doações até para seus inimigos; não é provável, portanto, que ele retire as doações feitas aos Brahmanas. É usual para vocês, Kshatriyas, seguirem uma regra adequada para açougueiros, que leva vocês a fazerem mal para aqueles que não têm inimizade com vocês; mas a prática não é boa. Dhritarashtra com seus filhos seria culpado do pecado de dissensão interna se ele, como um homem mau, tivesse animosidade para com vocês que são virtuosos. Ele não aprova esta injúria (feita a vocês); ele está muito pesaroso por isto; ele sofre em seu coração, o homem idoso, Yudhishthira, pois, tendo se comunicado com os Brahmanas, ele soube que provocar dissensões internas é o maior de todos os pecados. Ó rei de homens, eles se lembram da tua destreza no campo, e daquela de Arjuna, que toma a dianteira no campo de batalha. Eles se lembram de Bhima manejando sua maça quando o som da concha e do tambor sobe para o pico mais alto. Eles se lembram daqueles poderosos guerreiros em carros, os dois filhos de Madri, que no campo de batalha se movem rapidamente em todas as direções, atirando chuvas incessantes de flechas em hostes hostis, e que não sabem o que é tremer em combate. Eu creio, ó rei, que aquilo que o Futuro tem de reserva para uma pessoa específica não pode ser conhecido, já que tu, ó filho de Pandu, que és dotado de todas as virtudes, tiveste que passar por dificuldade de tal tipo insuportável.

Tudo isto, sem dúvida, ó Yudhishthira, tu ajustarás novamente pela ajuda da tua inteligência. Os filhos de Pandu, todos iguais a Indra, nunca abandonariam a virtude pelo prazer. Tu, ó Yudhishthira, ajustarás tua inteligência de tal maneira que eles todos, isto é, os filhos de Dhritarashtra e Pandu e os Srinjayas, e todos os reis que se reuniram aqui, alcançarão a paz. Ó Yudhishthira, ouça o que o teu pai Dhritarashtra, tendo consultado com seus ministros e filhos, falou para mim. Fique atento ao mesmo.'" 25 “Yudhishthira disse, ‘Aqui são encontrados os Pandavas e os Srinjayas, e Krishna, e Yuyudhana e Virata, ó filho do Suta Gavalgana, nos diga tudo o que Dhritarashtra te mandou dizer.’” "Sanjaya disse, 'Eu saúdo Yudhishthira, e Vrikodara e Dhananjaya, e os dois filhos de Madri, e Vasudeva o descendente de Sura, e Satyaki, e o soberano idoso dos Panchalas, e Dhrishtadyumna, o filho de Prishata. Que todos escutem as palavras que eu digo pelo desejo do bem-estar dos Kurus. O rei Dhritarashtra, recebendo ansiosamente a chance de paz, acelerou a preparação do meu carro para esta viagem aqui. Que isto seja aceitável para o rei Yudhishthira com seus irmãos e filhos e parentes. Que o filho de Pandu prefira a paz. Os filhos de Pritha são dotados de todas as virtudes com firmeza e suavidade e franqueza. Nascidos em uma família nobre eles são humanos, generosos, e contrários a fazer qualquer ação que cause vergonha. Eles sabem o que é apropriado para ser feito. Um feito vil não é condizente com vocês, pois vocês têm mente muito elevada, e têm tal séquito terrível de tropas.

Se vocês cometessem uma ação pecaminosa, isto seria uma mácula em seu nome limpo, como uma gota de colírio em um tecido branco. Quem seria culpado intencionalmente de uma ação que resultaria em matança geral, que seria pecaminosa e levaria ao inferno, uma ação consistindo na destruição (de homens), uma ação o resultado da qual, seja vitória ou derrota, será do mesmo valor? Abençoados são aqueles que servem à causa de seus parentes. São os verdadeiros filhos e amigos e parentes (da linhagem Kuru) aqueles que sacrificariam a vida, vida a qual está sujeita a ser prejudicada por más ações, para assegurar o bem-estar dos Kurus. Se vocês, ó filhos de Pritha, castigarem os Kurus, por derrotarem e matarem todos os seus inimigos, aquela sua vida subsequente seria equivalente à morte, pois o que, de fato, é a vida depois de ter matado todos os seus parentes? Quem, mesmo que ele tivesse o próprio Indra com todos os deuses ao seu lado, seria capaz de derrotar vocês que são ajudados por Kesava e Chekitanas, e Satyaki, e são protegidos pelas armas de Dhrishtadyumna? Quem, além disso, ó rei, pode derrotar em batalha os Kurus que são protegidos por Drona e Bhishma, e Aswatthaman, e Salya, e Kripa e Karna com uma hoste de reis Kshatriya? Quem, sem perda para si mesmo, é capaz de matar a vasta força reunida pelo filho de Dhritarashtra? Por isso é que eu não vejo algum benefício nem na vitória nem na derrota. Como podem os filhos de Pritha, como pessoas vis de linhagem inferior, cometer uma ação de iniquidade?

Portanto, eu me curvo, eu me prostro diante de Krishna e do rei idoso dos Panchalas. Eu me dirijo a vocês como meu refúgio, com mãos unidas, para que ambos os Kurus e os Srinjayas possam ser beneficiados. É improvável que Krishna ou Dhananjaya não ajam de acordo com estas minhas palavras. Qualquer um deles sacrificaria sua vida, se suplicado (para fazer isso). Portanto, eu digo isso para o êxito da minha missão. Este é o desejo do rei e de seu conselheiro Bhishma, que possa ser confirmada paz entre vocês (e os Kurus).'" 26 "Yudhishthira disse, 'Que palavras de mim, ó Sanjaya, tu tens ouvido, indicativas de guerra, que tu receias guerra? Ó senhor, paz é preferível à guerra. Quem, ó quadrigário, tendo recebido outra alternativa desejaria lutar? É sabido por mim, ó Sanjaya, que se um homem puder ter todo desejo de seu coração sem ter que fazer qualquer coisa, ele dificilmente gostará de fazer alguma coisa mesmo que ela seja do tipo menos incômodo, menos ainda ele se engajaria em guerra. Por que um homem deveria ir para a guerra? Quem seria tão amaldiçoado pelos deuses que escolheria a guerra? Os filhos de Pritha, sem dúvida, desejam sua própria felicidade, mas sua conduta é sempre marcada pela virtude e conducente ao bem do mundo. Eles desejam somente aquela felicidade que resulta da justiça. Aquele que apaixonadamente segue a direção de seus sentidos, e está desejoso de obter felicidade e evitar tristeza, se dirige para ação a qual em sua essência é só tristeza.

Aquele que anseia por prazer faz seu corpo sofrer; alguém livre de tal desejo ardente não sabe o que é tristeza. Como um fogo aceso, se mais combustível for posto sobre ele, resplandece outra vez com força aumentada, assim o desejo nunca é saciado com a aquisição de seu objeto, mas ganha força como fogo aceso quando manteiga clarificada é derramada sobre ele. Compare todo este abundante capital de gozo que o rei Dhritarashtra tem com o que nós possuímos. Aquele que é desventurado nunca obtém vitórias. Aquele que é desventurado não desfruta a voz da música. Aquele que é desventurado não desfruta de guirlandas e perfumes! Nem pode alguém que é desventurado desfrutar de unguentos frescos e fragrantes! E finalmente aquele que é desventurado não veste roupas finas. Se isto não fosse assim, nós nunca teríamos sido expulsos dos Kurus. Embora, no entanto, tudo isto seja verdade, ainda ninguém nutriu tormentos do coração. O rei estando ele mesmo em dificuldade procura proteção no poder de outros. Isto não é sábio. Que ele, no entanto, receba de outros o mesmo comportamento que ele mostra em direção a eles. O homem que lança um fogo ardente no meio-dia na estação da primavera em uma floresta de vegetação rasteira densa, sem dúvida, quando aquele fogo resplandece com a ajuda do vento, tem que se afligir por sua sina se ele deseja escapar. Ó Sanjaya, por que o rei Dhritarashtra agora lamenta, embora ele tenha toda esta prosperidade? Isto é porque ele seguiu a princípio os conselhos de seu filho mau de alma corrupta, viciado em hábitos desonestos e incorrigível em insensatez.

Duryodhana desconsiderou as palavras de Vidura, o melhor dos seus benquerentes, como se o último fosse hostil a ele. O rei Dhritarashtra, desejoso somente de satisfazer seus filhos, entraria intencionalmente em um rumo iníquo. De fato, por conta do seu apego por seu filho, ele não prestaria atenção em Vidura, que, de todos os Kurus, é o mais sábio e o melhor de todos os seus benquerentes, possuindo vasta erudição, inteligente em discurso, e justo em ação. O rei Dhritarashtra está desejoso de satisfazer seu filho, que, embora ele mesmo procurando honras de outros, é invejoso e colérico, que viola as regras para a aquisição de virtude e riqueza, cuja língua é suja, que sempre segue os ditames de sua ira, cuja alma está absorvida em prazeres sensuais, e que, cheio de sentimentos hostis contra muitos, não obedece lei, e cuja vida é má, coração implacável, e mente maligna. Por um filho como esse o rei Dhritarashtra abandonou conscientemente virtude e prazer. Naquele momento, ó Sanjaya, quando eu estava engajado naquele jogo de dados eu pensei que a destruição dos Kurus estava perto, pois quando falando aquelas palavras sábias e excelentes Vidura não obteve elogio de Dhritarashtra. Então, ó quadrigário, a desgraça alcançou os Kurus quando eles desconsideraram as palavras de Vidura. Enquanto eles tinham se colocado sob a orientação da sabedoria dele, seu reino estava em um estado próspero. Ouça de mim, ó quadrigário, quem são agora os conselheiros do cobiçoso Duryodhana. Eles são Dussasana, e Sakuni o filho de Suvala, e Karna o filho de Suta!

Ó filho de Gavalgana, olhe esta insensatez dele! Assim eu não vejo, embora eu pense sobre isto, como pode haver prosperidade para os Kurus e os Srinjayas quando Dhritarashtra tomou o trono de outros, e o previdente Vidura foi banido para outro lugar. Dhritarashtra com seus filhos está agora procurando uma soberania extensa e incontestável por todo o mundo. Paz absoluta é, portanto, inalcançável. Ele considera o que ele já conseguiu como seu. Quando Arjuna utiliza sua arma em luta, Karna acredita que ele é capaz de ser resistido. Antigamente lá ocorreram muitas grandes batalhas. Por que Karna não poderia então ser de alguma utilidade para eles? É sabido por Karna e Drona e o avô Bhishma, como também por muitos outros Kurus, que não há manejador do arco comparável a Arjuna. É sabido por todos os soberanos reunidos da terra como a soberania foi obtida por Duryodhana embora aquele repressor de inimigos, Arjuna, estivesse vivo. Obstinadamente o filho de Dhritarashtra acredita que é possível roubar dos filhos de Pandu o que é deles, embora ele saiba, tendo ido ele mesmo ao lugar de combate, como Arjuna se comportou quando ele tinha só um arco de quatro cúbitos de comprimento como sua arma de batalha. Os filhos de Dhritarashtra estão vivos simplesmente porque eles até agora não ouviram aquele som do Gandiva esticado. Duryodhana acredita que seu objetivo já foi alcançado, contanto que ele não veja o colérico Bhima. Ó senhor, até Indra se absteria de roubar nossa soberania enquanto Bhima e Arjuna e o heróico Nakula e o paciente Sahadeva estivessem vivos!

Ó quadrigário, o rei idoso com seu filho ainda nutre a noção de que seus filhos não perecerão, ó Sanjaya, no campo de batalha, consumidos pela cólera ardente dos filhos de Pandu. Tu sabes, ó Sanjaya, que miséria nós temos sofrido! Por meu respeito por ti, eu perdoaria eles todos. Tu sabes o que ocorreu entre nós e aqueles filhos de Kuru. Tu sabes como nós nos comportamos em direção ao filho de Dhritarashtra. Que o mesmo estado de coisas ainda continue, eu procurarei a paz, como tu me aconselhaste a fazer. Que eu tenha Indraprastha como meu reino. Que ele seja dado para mim por Duryodhana, o chefe da linhagem de Bharata.'" 27 "Sanjaya disse, 'Ó Pandava, o mundo tem ouvido que tua conduta é justa. Eu vejo também que isto é assim, ó filho de Pritha. A vida é transitória, e pode terminar em grande infâmia; considerando isto, tu não deves perecer. Ó Ajatasatru, sem guerra, os Kurus não entregarão tua parte, eu penso que é muito melhor para ti viver de esmolas no reino dos Andhakas e dos Vrishnis do que obter soberania por meio da guerra. Já que esta existência mortal é somente por um período curto, e imensamente sujeita a falha, sujeita a sofrimento constante, e instável, e já que ela nunca é comparável a um bom nome, portanto, ó Pandava, nunca cometa um pecado. São os desejos, ó soberano de homens, que se prendem aos homens mortais e são uma obstrução para uma vida virtuosa. Portanto, um homem sábio deve antes matar eles todos e assim ganhar uma fama imaculada no mundo, ó filho de Pritha.

A sede por riqueza é somente como grilhões neste mundo; a virtude daqueles que procuram isso sem dúvida sofrerá. É sábio aquele que procura a virtude somente; seus desejos sendo aumentados, um homem deve sofrer em seus assuntos mundanos, ó senhor. Colocando a virtude antes de todos os outros interesses na vida, um homem brilha como o sol quando seu esplendor é maior. Um homem desprovido de virtude, e de alma viciosa, é alcançado pela ruína, embora ele possa obter toda esta terra. Tu tens estudado os Vedas, vivido a vida de um Brahman santo, tens realizado os ritos sacrificais, feito caridades para Brahmanas. Mesmo te lembrando da posição mais alta (alcançável por seres), tu tens também dedicado tua alma por anos e anos à busca de prazer. Aquele que, se dedicando excessivamente aos prazeres e alegrias da vida, nunca se empenha na prática de meditação religiosa, deve ser extremamente miserável. Suas alegrias o abandonam depois que sua riqueza é perdida e seus instintos fortes o aguilhoam na direção da sua habitual busca de prazer. Similarmente aquele que, nunca tendo vivido uma vida continente, abandona o caminho da virtude e comete pecado, não tem fé na existência de um mundo futuro. Obtuso como ele é depois da morte ele tem tormento (como sua sina). No mundo futuro, seus atos, sejam bons ou maus, de forma alguma são aniquilados. Atos, bons e maus, precedem o agente (em sua viagem ao mundo futuro); o agente sem dúvida segue no caminho deles.

Seu trabalho (nesta vida) é célebre por todos como comparável àquele alimento, saboroso e delicioso, o qual é apropriado para ser oferecido com reverência aos Brahmanas, o alimento que é oferecido em cerimônias religiosas com grandes doações (aos sacerdotes oficiantes). Todas as ações são feitas enquanto este corpo dura, ó filho de Pritha. Depois da morte não há nada a ser feito. E tu tens feito atos consideráveis que te farão bem no mundo seguinte, e eles são admirados por homens justos. Lá (no mundo seguinte) uma pessoa está livre de morte e decrepitude e medo, e de fome e sede, e de tudo o que é desagradável para a mente; não há nada para ser feito naquele local, a menos que seja deleitar os próprios sentidos. Deste tipo, ó soberano de homens, é o resultado dos nossos feitos. Portanto, não aja mais por desejo neste mundo. Ó filho de Pandu, não te dirija para ação neste mundo e por meio disso abandone verdade e sobriedade e franqueza e humanidade. Tu podes realizar os sacrifícios Rajasuya e Aswamedha, mas nem te aproxime de uma ação a qual em si mesma é pecado! Se depois de tal duração de tempo, ó filhos de Pritha, vocês agora cederem ao ódio e cometerem um ato pecaminoso, vocês terão morado em vão, por causa da virtude, por anos e anos nas florestas em semelhante miséria! Foi em vão que vocês foram para o exílio, depois de desistirem de todo o seu exército; pois este exército estava totalmente em seu controle então.

E estas pessoas que estão agora ajudando vocês têm sido sempre obedientes a vocês, Krishna, e Satyaki, e Virata do carro dourado da terra Matsya com seu filho na liderança de guerreiros marciais. Todos os reis, antigamente derrotados por vocês teriam abraçado sua causa a princípio. Possuidores de recursos imensos, temidos por todos, tendo um exército, e seguidos por Krishna e Arjuna, vocês poderiam ter matado seus principais inimigos no campo de batalha. Vocês poderiam (então) ter abatido o orgulho de Duryodhana. Ó Pandava, por que você permitiu que seus inimigos se tornassem tão poderosos? Por que vocês enfraqueceram seus amigos? Por que vocês permaneceram nas florestas por anos e anos? Por que vocês estão agora desejosos de lutar, tendo deixado passar a oportunidade apropriada? Um homem imprudente ou um injusto pode ganhar prosperidade por meio de luta; mas um homem sábio e justo livre de orgulho que se dirige para a luta (contra seu melhor instinto) somente decai de um caminho próspero. Ó filho de Pritha, tua mente não se inclina para um comportamento iníquo. Por cólera você nunca cometeu uma ação pecaminosa. Então qual é a causa, e qual é a razão, pela qual você está agora empenhado em fazer este ato, contra os ditames da sabedoria? Cólera, ó rei poderoso, é uma droga amarga, embora ela não tenha nada a ver com doença; ela causa uma doença da cabeça, despoja uma pessoa de sua fama justa, e leva a ações pecaminosas. Ela é esvaziada (controlada) por aqueles que são justos e não por aqueles que são injustos. Eu peço a você para engoli-la e desistir da guerra.

Quem se inclinaria para a cólera que leva ao pecado? Clemência seria mais benéfica para você do que amor aos prazeres onde Bhishma seria morto, e Drona com seu filho, e Kripa, e o filho de Somadatta, e Vikarna e Vivingsati, e Karna e Duryodhana. Tendo matado todos estes, qual felicidade, ó filho de Pritha, você obteria? Diga-me isso! Mesmo tendo ganhado a terra inteira cercada pelo oceano você nunca estará livre de velhice e morte, prazer e dor, felicidade e tristeza. Sabendo tudo isso, não se engaje na guerra. Se você está desejoso de tomar este rumo porque seus conselheiros desejam o mesmo, então abandone (tudo) para eles, e fuja. Você não deve decair deste caminho que conduz à região dos deuses!'" 28 "Yudhishthira disse, 'Sem dúvida, ó Sanjaya, é verdade que atos virtuosos são as principais de todas as nossas ações, como tu disseste. Tu deves, no entanto, me assegurar tendo primeiro averiguado se é virtude ou vício que eu pratico. Quando vício assume o aspecto de virtude e a própria virtude parece inteiramente como vício, e a virtude, além disso, aparece em sua forma inata, aqueles que são eruditos devem discernir isto por meio de sua razão. Assim, novamente, virtude e vício, que são ambos eternos e absolutos, trocam seus aspectos durante épocas de infortúnio. Uma pessoa deve seguir sem desvio os deveres prescritos para a classe à qual ela pertence por nascimento. Saiba, ó Sanjaya, que os deveres em épocas de infortúnio são diferentes.

Quando seus meios de subsistência estão totalmente perdidos, o homem que está privado de recursos deve sem dúvida desejar aqueles outros meios pelos quais ele possa ser capaz de cumprir os deveres sancionados de sua classe. Alguém que não está desprovido de seus meios de vida, como também alguém que está em infortúnio, devem, ó Sanjaya, ambos serem culpados se eles agirem como se o estado de cada um fosse outro. Quando o Criador ordenou expiação para aqueles Brahmanas que, sem desejarem autodestruição, se dirigem para ações não sancionadas para eles, isto prova que as pessoas podem, em tempos de infortúnio, se dirigir para ações não ordenadas para as classes às quais elas pertencem. E, ó Sanjaya, tu deves considerar como dignos aqueles que aderem às práticas da sua própria classe em épocas comuns como também aqueles que não aderem a elas em tempos de angústia; tu deves criticar aqueles que agem de outra maneira em tempos comuns enquanto aderindo às suas práticas ordenadas durante tempos de angústia. Com relação aos homens que desejam trazer suas mentes sob controle, quando eles se esforçam para adquirir um conhecimento do eu, as práticas que são ordenadas para os melhores, isto é, os Brahmanas, são igualmente ordenadas para eles. Com relação àqueles, no entanto, que não são Brahmanas e que não se esforçam para adquirir conhecimento do eu, devem ser seguidas por eles aquelas práticas que estão ordenadas para suas respectivas classes em épocas de infortúnio ou prosperidade.

Este mesmo é o caminho seguido por nossos pais e avôs antes de nós e aqueles também que viveram antes deles. Com respeito àqueles que estão desejosos de conhecimento e de evitar agir, até estes também mantém o mesmo ponto de vista e se consideram como ortodoxos. Eu, portanto, não penso que há algum outro caminho. Qualquer riqueza que possa haver nesta terra, qualquer que possa haver entre os deuses, ou qualquer que possa ser alcançável por eles, a região do Prajapati, ou céu ou a região do próprio Brahma, eu, ó Sanjaya, não a procuraria por meios injustos. Aqui está Krishna, o dador de frutos de virtude, que é esperto, prudente, inteligente, que tem servido os Brahmanas, que conhece tudo e aconselha vários reis poderosos. Que o célebre Krishna diga se seria criticável se eu descartasse toda idéia de paz, ou se eu lutasse eu estaria abandonando os deveres da minha casta, pois Krishna busca o bem-estar de ambos os lados. Este Satyaki, estes Chedis, os Andhakas, os Vrishnis, os Bhojas, os Kukuras, os Srinjayas, adotando os conselhos de Krishna, matam seus inimigos e deleitam seus amigos. Os Vrishnis e os Andhakas, em cuja chefia permanece Ugrasena, guiados por Krishna, se tornaram como Indra, dinâmicos, devotados à verdade, poderosos, e felizes. Vabhru, o rei de Kasi, tendo obtido Krishna, aquele frutificador de desejos, como seu irmão, e sobre quem Krishna derrama todas as bênçãos da vida, como as nuvens sobre todas as criaturas terrestres quando a estação quente está terminada, alcançou a maior prosperidade, ó senhor, tão formidável é este Krishna!

A ele você deve conhecer como o grande juiz da retidão ou não de todas as ações. Krishna é querido para nós, e é o mais ilustre dos homens. Eu nunca desconsidero o que Krishna diz.'" 29 "Krishna disse, 'Eu desejo, ó Sanjaya, que os filhos de Pandu não sejam arruinados; que eles prosperem, e realizem seus desejos. Similarmente, eu rezo pela prosperidade do rei Dhritarashtra cujos filhos são muitos. Sempre, ó Sanjaya, meu desejo tem sido informar a eles que nada mais do que a paz seria aceitável para o rei Dhritarashtra. Eu também a julgo apropriada para os filhos de Pandu. Uma disposição pacífica de um caráter extremamente raro tem sido mostrada pelo filho de Pandu nesta questão. Quando Dhritarashtra e seus filhos, no entanto, são tão cobiçosos, eu não vejo por que a hostilidade não deveria continuar alta. Tu não podes fingir, ó Sanjaya, ser mais versado do que eu ou Yudhishthira nas sutilezas do certo e errado. Então por que tu falas palavras de repreensão com referência à conduta de Yudhishthira que é empreendedor, consciente do seu próprio dever, e atento, desde o início, ao bem-estar de sua família em conformidade com as injunções (de tratados de moralidade)? Com relação ao tópico à mão, os Brahmanas têm defendido opiniões de vários tipos. Alguns dizem que êxito no mundo seguinte depende de trabalho. Alguns declaram que a ação deve ser evitada e que a salvação é alcançável pelo conhecimento. Os Brahmanas dizem que embora uma pessoa tenha um conhecimento de coisas comestíveis, ainda assim sua fome não será apaziguada a menos que ela realmente coma.

Aqueles ramos de conhecimento que ajudam a execução de trabalho dão resultados, mas não outros tipos, pois o resultado do trabalho é de manifestação ocular. Uma pessoa com sede bebe água, e por meio daquela ação sua sede é aliviada. Este resultado procede, sem dúvida, do trabalho. Nisso jaz a eficácia do trabalho. Se alguém pensa que alguma outra coisa é melhor do que trabalho, eu considero que seu trabalho e suas palavras são sem sentido. No outro mundo, é em virtude do trabalho que os deuses prosperam. É pelo trabalho que o vento sopra. É por virtude do trabalho que o irrequieto Surya se ergue todo dia e se torna a causa do dia e da noite, e Soma passa pelos meses e as quinzenas e as combinações de constelações. O fogo é aceso de si mesmo e queima por virtude do trabalho, fazendo bem para a humanidade. A deusa Terra que não dorme sustenta pela força esta carga muito grande. Os rios que não dormem, dando satisfação para todos os seres (organizados), carregam suas águas com velocidade. O irrequieto Indra, possuidor de uma força imensa, derrama chuva, ressoando o céu e os pontos cardeais. Desejoso de ser o maior dos deuses, ele levou uma vida de austeridades tal como um santo Brahmana leva. Indra abandonou prazer, e todas as coisas agradáveis ao coração. Ele laboriosamente nutriu virtude e veracidade e autocontrole, e clemência, e imparcialidade, e bondade. Foi pelo trabalho que ele alcançou a posição mais alta (de todas). Seguindo a direção de vida acima, Indra alcançou a ilustre soberania sobre os deuses.

Vrihaspati, atentamente e com autocontrole, levou de uma maneira apropriada aquela vida de austeridades que um Brahmana leva. Ele abandonou prazer e controlou seus sentidos e assim alcançou a posição de preceptor dos celestiais. Similarmente, as constelações no outro mundo, em virtude do trabalho, e os Rudras, os Adityas, os Vasus, o rei Yama, e Kuvera, e os Gandharvas, os Yakshas, e as ninfas celestes, todos alcançaram sua posição atual por meio do trabalho. No outro mundo, os santos brilham, seguindo uma vida de estudo, austeridade e trabalho (combinados). Sabendo, ó Sanjaya, que esta é a regra seguida pelos melhores dos Brahmanas, e Kshatriyas, e Vaisyas, e tu sendo um dos homens mais sábios, por que tu estás fazendo este esforço em nome daqueles filhos dos Kurus? Tu deves saber que Yudhishthira está constantemente empenhado no estudo dos Vedas. Ele está inclinado ao sacrifício de cavalo e ao Rajasuya. Além disso, ele monta cavalos e elefantes, está vestido em armadura, usa um carro, e leva o arco e todas as espécies de armas. Agora, se os filhos de Pritha pudessem ver um rumo de ação não envolvendo a matança dos filhos de Kuru eles o adotariam. Sua virtude então seria salva, e uma ação de mérito religioso também seria realizada por eles, mesmo se eles tivessem então que forçar Bhima a seguir uma conduta marcada por humanidade. Por outro lado, se ao fazer o que seus antepassados fizeram eles encontrassem a morte sob destino inevitável, então ao tentarem seu máximo para cumprir seu dever, tal morte seria mesmo digna de louvor.

Presumindo que tu aprovas somente a paz eu gostaria de ouvir o que tu tens a dizer a esta questão: qual caminho a injunção da lei religiosa declara, isto é, se é apropriado para o rei lutar ou não? Tu deves, ó Sanjaya, levar em consideração a divisão das quatro castas, e o esquema dos respectivos deveres designados para cada uma. Tu deves ouvir aquele curso de ação que os Pandavas vão adotar. Então tu podes elogiar ou criticar, exatamente como isso possa te agradar. Um Brahmana deve estudar, oferecer sacrifícios, fazer caridades, e viajar para os melhores de todos os lugares santos sobre a terra; ele deve ensinar, ministrar como um sacerdote em sacrifícios oferecidos por outros dignos de tal ajuda, e aceitar doações de pessoas que são conhecidas. Similarmente, um Kshatriya deve proteger o povo de acordo com as injunções da lei, diligentemente praticar a virtude da caridade, oferecer sacrifícios, estudar o Veda inteiro, tomar uma esposa, e levar uma vida virtuosa de chefe de família. Se ele for possuidor de uma alma virtuosa, e se ele praticar as virtudes santas, ele pode facilmente alcançar a religião do Ser Supremo. Um Vaisya deve estudar e diligentemente ganhar e acumular riqueza por meio de comércio, agricultura, e a criação de gado. Ele deve agir de maneira quanto a agradar aos Brahmanas e aos Kshatriyas, ser virtuoso, fazer bons trabalhos, e ser um chefe de família. Os seguintes são os deveres declarados para um Sudra desde os tempos antigos.

Ele deve servir os Brahmanas e se submeter a eles; não estudar; sacrifícios estão proibidos para ele; ele deve ser diligente e estar constantemente ativo em fazer tudo o que é para o seu bem. O rei protege todos estes com cuidado (apropriado), e põe todas as castas para realizarem seus respectivos deveres. Ele não deve ser dado a prazeres sensuais. Ele deve ser imparcial, e tratar todos os seus súditos em termos iguais. O rei nunca deve obedecer aos ditames de desejos tais como os que são opostos à virtude. Se houver alguém que seja mais digno de louvor do que ele, que seja bem conhecido e dotado de todas as virtudes, o rei deve instruir seus súditos para vê-lo. Um (rei) mau, no entanto, não compreenderia isso. Se tornando forte e desumano e se tornando um alvo para a ira do destino, ele lançaria um olhar cobiçoso nas riquezas de outros. Então vem a guerra, para qual propósito formaram-se armas, e armaduras, e arcos. Indra inventou estes instrumentos para matar os saqueadores. Ele também idealizou armaduras, e armas, e arcos. Mérito religioso é adquirido por matar os ladrões. Muitos males horríveis têm se manifestado por conta dos Kurus terem sido injustos, e sem consideração pela lei e religião. Isto não é certo, ó Sanjaya. Assim sendo, o rei Dhritarashtra com seus filhos desarrazoadamente se apoderou do que legalmente pertencia ao filho de Pandu. Ele não presta atenção à lei imemorial observável por reis. Todos os Kurus estão seguindo na esteira.

Um ladrão que rouba riqueza despercebido e alguém que rouba a mesma à força, na clara luz do dia, devem ambos ser condenados, ó Sanjaya. Qual é a diferença entre eles e os filhos de Dhritarashtra? Por avareza ele considera que é justo aquilo que ele pretende fazer, seguindo os ditames da sua ira. A parte dos Pandavas está, sem dúvida, fixada. Por que aquela parte deles deveria ser arrebatada por aquele tolo? Este sendo o estado de coisas, seria louvável para nós até sermos mortos em combate. Um reino paterno é preferível à soberania recebida de um estranho. Estas regras de lei consagradas pelo tempo, ó Sanjaya, tu deves propor para os Kurus, no meio dos reis reunidos, eu quero dizer aqueles tolos estúpidos que foram reunidos pelo filho de Dhritarashtra, e que já estão sob as garras da morte. Olhe mais uma vez para aquele mais vil de todos os seus atos, o comportamento dos Kurus na sala de conselho. Que aqueles Kurus, em cuja chefia permanecia Bhishma, não interferiram quando a esposa querida dos filhos de Pandu, filha de Drupada, de fama íntegra, vida pura, e conduta digna de elogio, foi agarrada, enquanto chorava, por aquele escravo da luxúria. Todos os Kurus, incluindo jovens e velhos, estavam presentes lá. Se eles então tivessem impedido aquela indignidade oferecida a ela, então eu teria ficado satisfeito com o comportamento de Dhritarashtra. Isto teria sido para o bem final dos seus filhos também. Dussasana levou Krishna à força para o meio da sala pública na qual estavam sentados seus sogros.

Levada para lá, esperando compaixão, ela não encontrou ninguém para tomar seu partido, exceto Vidura. Os reis não proferiram uma palavra de protesto, unicamente porque eles eram um grupo de imbecis. Só Vidura falou palavras de oposição, por um sentido de dever, palavras concebidas em retidão endereçadas àquele homem de pouca inteligência (Duryodhana). Tu, ó Sanjaya, então não disseste o que eram lei e moralidade, mas agora tu vens instruir o filho de Pandu! Krishna, no entanto, tendo se dirigido para a sala naquele momento fez tudo certo, pois como um navio no mar, ela resgatou os Pandavas como também ela mesma daquele oceano (de desgraças) reunido! Então naquela sala, enquanto Krishna resistia, o filho do cocheiro se dirigiu a ela na presença de seus sogros dizendo, 'Ó filha de Drupada, tu não tens proteção. Melhor te dirigires como uma escrava para a casa do filho de Dhritarashtra. Teus maridos, estando derrotados, não existem mais. Tu tens uma alma amorosa, escolha outro para teu marido.' Este discurso, procedendo de Karna, foi uma flecha verbal afiada, cortando todas as esperanças, acertando as partes mais delicadas do organismo, e terrível. Ela se enterrou profundamente no coração de Arjuna.

Quando os filhos de Pandu estavam prestes a adotar as roupas feitas das peles de veado preto, Dussasana falou as seguintes palavras pungentes, 'Esses todos são eunucos desprezíveis, arruinados, e condenados por um tempo prolongado.' E Sakuni, o rei da terra Gandhara, falou para Yudhishthira no momento do jogo de dados as palavras seguintes como um truque astuto, 'Nakula foi ganho por mim de você, o que mais você obteve? Agora será melhor você apostar sua esposa Draupadi'. Você conhece, ó Sanjaya, todas essas palavras de um tipo semelhante as quais foram faladas no momento do jogo de dados. Eu desejo ir pessoalmente aos Kurus para decidir esta questão difícil. Se sem dano para a causa Pandava eu conseguir ocasionar esta paz com os Kurus, uma ação de mérito religioso, resultando em bênçãos muito grandes, então terá sido feita por mim; e os Kurus também terão sido libertados das redes da morte. Eu espero que quando eu falar para os Kurus palavras de sabedoria, apoiadas em regras de retidão, palavras repletas de sentido e livres de toda tendência para desumanidade, o filho de Dhritarashtra, na minha presença, preste atenção a elas. Eu espero que quanto eu chegar os Kurus me prestem o devido respeito. Do contrário tu podes ter certeza de que aqueles filhos viciosos de Dhritarashtra, já chamuscados por suas próprias ações violentas serão queimados por Arjuna e Bhima prontos para batalha. Quando os filhos de Pandu foram derrotados (no jogo), os filhos de Dhritarashtra falaram para eles palavras que eram rudes e cruéis.

Mas quando chegar a hora, Bhima sem dúvida cuidará de lembrar Duryodhana daquelas palavras. Duryodhana é uma árvore grande de maus sentimentos; Karna é seu tronco; Sakuni é seus ramos; Dussasana forma suas abundantes flores e frutas; (enquanto) o rei sábio Dhritarashtra é suas raízes. Yudhishthira é uma árvore grande de justiça; Arjuna é seu tronco; e Bhima é seus ramos; os filhos de Madri são suas flores e frutas abundantes; e suas raízes são eu mesmo e religião e homens religiosos. O rei Dhritarashtra com seus filhos constitui uma floresta, enquanto, ó Sanjaya, os filhos de Pandu são seus tigres. Não, oh, derrube a floresta com seus tigres, e que os tigres não sejam expulsos da floresta. O tigre, fora das florestas, é morto facilmente; a floresta também, que está sem um tigre, é facilmente derrubada. Portanto, é o tigre que protege a floresta e a floresta que abriga o tigre. Os Dhritarashtras são como trepadeiras, enquanto, ó Sanjaya, os Pandavas são árvores Sala. Uma trepadeira nunca pode florescer a menos que ela tenha uma grande árvore para se enrolar em volta. Os filhos de Pritha estão preparados para servir Dhritarashtra como, de fato, aqueles repressores de inimigos estão preparados para a guerra. Que o rei Dhritarashtra agora faça o que é apropriado para ele fazer. Os filhos virtuosos e de grande alma de Pandu, embora competentes para se engajarem em combate, agora ainda estão em paz (com seus primos). Ó homem erudito, relate tudo isto realmente (para Dhritarashtra).'" 30 "Sanjaya disse, 'Eu me despeço de ti, ó divino soberano de homens.

Eu partirei agora, ó filho de Pandu. Que a prosperidade seja tua. Eu espero que, levado pelos sentimentos do meu coração, eu não tenha feito sentir qualquer coisa ofensiva. Eu também me despedirei de Janardana, de Bhima e Arjuna, dos filhos de Madri, de Satyaki, e de Chekitana, e partirei. Que paz e felicidade sejam suas. Que todos os reis olhem para mim com olhos de simpatia.'” "Yudhishthira disse, 'Permitido por nós, ó Sanjaya, parta. Paz para ti! Ó homem erudito, tu nunca pensaste mal de nós. Ambos eles e nós sabemos que tu és uma pessoa de coração puro no meio de todos na corte (dos Kurus). Além disso, sendo um embaixador agora, ó Sanjaya, tu és fiel, querido por nós, de discurso agradável e conduta excelente, e bem intencionado em direção a nós. Tua mente nunca é nublada, e mesmo se endereçado severamente tu nunca és induzido à cólera. Ó Suta, tu nunca proferes palavras duras e mordazes, ou aquelas que são falsas ou amargas. Nós sabemos que tuas palavras, livres de malícia, estão sempre repletas de moralidade e grave importância. Entre os enviados tu és o mais querido para nós. Além de ti, há outro que pode vir aqui, e este é Vidura. Antigamente, nós sempre costumávamos te ver. Tu és, de fato, um amigo para nós tão querido quanto Dhananjaya.

Prosseguindo daqui, ó Sanjaya, com toda velocidade, tu deves visitar respeitosamente aqueles Brahmanas de energia pura e dedicados ao estudo segundo o modo Brahmacharya, aqueles, a saber, que são dedicados ao estudo dos Vedas enquanto levam vidas de mendicância, aqueles ascetas que habitualmente moram nas florestas, como também os idosos de outras classes, devem todos ser endereçados por ti em meu nome, ó Sanjaya, e então tu deves perguntar sobre seu bem-estar. Ó Suta, indo ao sacerdote do rei Dhritarashtra como também aos seus preceptores e Ritwijas, tu deves te dirigir a eles e perguntar pelo seu bem-estar. Mesmo aqueles entre eles que embora não bem nascidos são pelo menos idosos, dotados de energia, e possuidores de bom comportamento e força, que recordando falam de nós e praticam segundo seu poder até a menor virtude, devem ser primeiro informados de minha paz, ó Sanjaya, e então tu deves perguntar sobre seu bem-estar. Tu deves também perguntar pelo bem-estar daqueles que vivem no reino mantendo comércio em andamento, e daqueles que vivem lá ocupando importantes postos de estado. Nosso querido preceptor Drona, que é totalmente versado em moralidade, que é nosso conselheiro, que tem praticado o voto Brahmacharya para dominar a fundo os Vedas, que uma vez mais fez a ciência de armas inteira e completa, e que está sempre inclinado com benevolência em direção a nós, deve ser saudado por ti em nosso nome.

Tu deves também perguntar pelo bem-estar de Aswatthaman, dotado de grande erudição, dedicado ao estudo dos Vedas, levando o modo de vida Brahmacharya, possuidor de grande energia, e semelhante a um jovem da raça Gandharva, e que, além disso, novamente fez a ciência de armas inteira e completa. Tu deves também, ó Sanjaya, te dirigir à residência de Kripa, o filho de Saradwat, aquele poderoso guerreiro em carro e principal de todas as pessoas que têm conhecimento do eu, e saudando-o repetidamente em meu nome tocar seus pés com tua mão. Tu deves também, tocando seus pés, me descrever como com saúde para aquele principal dos Kurus, Bhishma, em quem estão combinados coragem, e abstenção de ferir, e ascetismo, e sabedoria e bom comportamento, e saber Védico, e grande excelência, e firmeza. Saudando também aquele rei sábio, venerável, e cego (Dhritarashtra), que, possuidor de grande erudição e respeitoso para os idosos, é o líder dos Kurus, tu deves também, ó Sanjaya, perguntar, ó senhor, acerca do bem-estar do mais velho dos filhos de Dhritarashtra, Suyodhana, que é perverso e ignorante e enganoso e vicioso, e que agora governa o mundo inteiro. Tu deves também perguntar sobre o bem-estar até do pecaminoso Dussasana, aquele arqueiro poderoso e herói entre os Kurus, que é o mais novo de Duryodhana e que possui um caráter semelhante ao de seu irmão mais velho. Tu deves, ó Sanjaya, também saudar o chefe sábio dos Vahlikas, que sempre nutre o único desejo que haja paz entre os Bharatas.

Eu penso que tu deves também reverenciar aquele Somadatta que é dotado de numerosas qualidades excelentes, que é sábio e possui um coração piedoso, e que por sua afeição pelos Kurus sempre controla sua raiva em direção a eles. O filho de Somadatta é digno da maior reverência entre os Kurus. Ele é meu amigo e é um irmão para nós. Um arqueiro poderoso e o principal dos guerreiros em carros, ele é digno sob todos os pontos de vista. Tu deves, ó Sanjaya, perguntar pelo bem- estar dele junto com o de seus amigos e conselheiros. Há outros que são jovens e de consideração entre os Kurus, que têm uma relação conosco como aquela de filhos, netos, e irmãos. Para cada um desses tu deves falar palavras que tu consideres apropriadas, perguntando, ó Suta, sobre seu bem-estar. Tu deves também perguntar acerca do bem-estar daqueles reis que foram reunidos pelo filho de Dhritarashtra para lutar com os Pandavas, ou seja, os Kekayas, os Vasatis, os Salwakas, os Amvashthas, e os principais Trigartas, e daqueles dotados de grande coragem que vieram do leste, do norte, do sul, e do oeste, e daqueles que vieram de países montanhosos, realmente, de todos entre eles que não são cruéis e levam vidas boas. Tu deves também relatar para todas aquelas pessoas que montam em elefantes, e cavalos e carros, e que lutam a pé, aquela hoste imensa composta de homens honrados, que eu estou bem, e então tu deves perguntar acerca do próprio bem-estar deles.

Tu deves também perguntar sobre o bem-estar daqueles que servem o rei na questão de sua receita ou como seus porteiros, ou como os líderes de suas tropas, ou como os contadores de sua renda e despesas, ou como oficiais constantemente ocupados em cuidar de outros assuntos importantes. Tu deves, ó senhor, também perguntar sobre o bem-estar do filho de Dhritarashtra com sua esposa Vaisya, aquele jovem que é um dos melhores da família Kuru, que nunca cai em erro, que possui sabedoria vasta, que é dotado de todas as virtudes, e que nunca nutre uma simpatia por esta guerra! Tu deves também perguntar acerca do bem-estar de Chitrasena que é incomparável nos truques do jogo de dados, cujos truques nunca são descobertos por outros, que joga bem, que é bem versado na arte de manejar os dados, e que é invencível em jogo, mas não em luta. Tu deves também, ó senhor, inquirir acerca do bem- estar de Sakuni, o rei dos Gandharas, aquele nativo do país montanhoso, que é sem igual em jogos fraudulentos de dados, que ressalta o orgulho do filho de Dhritarashtra, e cuja mente naturalmente leva à falsidade. Tu deves também inquirir sobre o bem-estar de Karna, o filho de Vikartana, aquele herói que está disposto a vencer, sozinho e sem ajuda, em seu carro, os Pandavas a quem ninguém ousa atacar em batalha, aquele Karna que é sem paralelo em iludir aqueles que já estão iludidos.

Tu deves também indagar acerca do bem-estar de Vidura, ó senhor, que sozinho é dedicado a nós, que é nosso instrutor, que nos criou, que é nosso pai e mãe e amigo, cuja inteligência acha obstrução em nada, cuja compreensão chega longe, e que é nosso conselheiro. Tu deves também saudar todas as damas idosas e aquelas que são conhecidas como possuidoras de mérito, e aquelas que são como mães para nós, encontrando elas juntas em um lugar, tu deves dizer a elas, ó Sanjaya, estas palavras a princípio, ‘Ó mães de filhos vivos, eu espero que seus filhos se comportem em direção a vocês de uma maneira boa, atenciosa, e digna.’ Tu deves então dizer a elas que Yudhishthira está passando bem com seus filhos. Àquelas damas, ó Sanjaya, que estão na posição de nossas esposas, tu deves perguntar quanto ao seu bem-estar também se dirigindo a elas nestas palavras, ‘Eu espero que vocês estejam bem protegidas. Eu espero que sua fama íntegra não tenha sofrido injúria. Eu espero que vocês estejam morando dentro de suas residências irrepreensivelmente e cuidadosamente. Eu espero que vocês estejam se comportando com seus sogros de uma maneira boa, louvável e atenciosa. Vocês devem adotar firmemente tal conduta para si mesmas que ajudará vocês a ganharem o favor de seus maridos!’ Aquelas jovens damas, ó Sanjaya, que têm uma relação conosco semelhante àquela de nossas noras, que foram trazidas de famílias nobres, que são possuidoras de mérito e que são mães de crianças, tu deves encontrar elas todas e dizer a elas que Yudhishthira lhes envia seus bons cumprimentos.

Tu deves, ó Sanjaya, abraçar as filhas de sua casa, e deves perguntar a elas acerca de seu bem-estar em meu nome. Tu deves dizer a elas, ‘Que seus maridos sejam bondosos e agradáveis; que vocês sejam agradáveis para seus maridos; que vocês tenham ornamentos e roupas e perfumaria e limpeza; que vocês sejam felizes e tenham à sua disposição as alegrias da vida; que suas aparências sejam atraentes e suas palavras agradáveis’; tu deves perguntar, ó senhor, às mulheres da casa quanto ao seu bem-estar. Tu deves também relatar para as criadas e criados lá, que sejam dos Kurus, e também para os muitos corcundas e coxos entre eles, que eu estou passando bem, e tu deves então questioná-los sobre seu bem-estar. Tu deves dizer a eles, ‘Eu espero que o filho de Dhritarashtra ainda conceda o mesmo bom tratamento a vocês. Eu espero que ele dê a vocês os confortos da vida.’ Tu deves também relatar para aqueles que são defeituosos em membros, para aqueles que são imbecis, para os anões a quem Dhritarashtra dá comida e vestuário por motivos de filantropia, aqueles que são cegos, e todos aqueles que são idosos, como também para os muitos que têm o uso somente de suas mãos sendo desprovidos de pernas, que eu estou passando bem, e que eu lhes pergunto com relação ao seu bem-estar, se dirigindo a eles nas seguintes palavras, ‘Não temam, nem fiquem desanimados por conta de suas vidas tristes tão cheias de sofrimentos; sem dúvida, pecados devem ter sido cometidos por você sem suas vidas anteriores.

Quando eu controlar meus inimigos, e encantar meus amigos, eu satisfarei vocês por meio de doações de alimento e roupas.’ Tu deves também, ó senhor, a nosso pedido, perguntar pelo bem-estar daqueles que são desamparados e fracos, e daqueles que se esforçam em vão para ganhar a vida, e daqueles que são ignorantes, realmente, de todas aquelas pessoas que estão em circunstâncias deploráveis. Ó quadrigário, encontrando aqueles outros que, vindo de diferentes quadrantes, procuraram a proteção dos Dhritarashtras, e realmente, todos os que merecem nossos cumprimentos, tu deves também perguntar sobre seu bem-estar e paz. Tu deves também inquirir acerca do bem- estar daqueles que foram aos Kurus por iniciativa própria ou que foram convidados, como também de todos os embaixadores chegados de todos os lados e então relatar para eles que eu estou bem. Com relação aos guerreiros que foram obtidos pelo filho de Dhritarashtra, não há ninguém igual a eles sobre a terra. A virtude, no entanto, é eterna, e a virtude é meu poder para a destruição de meus inimigos. Tu deves, ó Sanjaya, também relatar para Suyodhana, o filho de Dhritarashtra, o seguinte, ‘Aquele teu desejo que atormenta teu coração, ou seja, o desejo de governar os Kurus sem um rival é muito irracional. Isto não teve justificação. Quanto a nós, nós nunca agiremos de maneira a fazer qualquer coisa que possa ser desagradável para ti!

Ó principal dos heróis entre os Bharatas, ou dê-me de volta minha própria Indraprastha ou lute comigo!'" 31 "Yudhishthira disse, 'Ó Sanjaya, os justos e os injustos, os jovens e os velhos, os fracos e os fortes, estão todos sob o controle do Criador. É aquele Senhor Supremo quem dá conhecimento à criança e criancice ao erudito, segundo sua própria vontade. Se Dhritarashtra te perguntar a respeito da nossa força, diga a ele tudo verdadeiramente, tendo alegremente consultado com todo mundo aqui e averiguado a verdade. Ó filho de Gavalgana, te dirigindo aos Kurus, tu deves saudar o poderoso Dhritarashtra, e tocando seus pés perguntar sobre seu bem- estar falando em nosso nome. E quando sentado no meio dos Kurus, diga a ele de nós: ‘Os filhos de Pandu, ó rei, estão vivendo felizmente pela tua coragem. Foi pela tua graça, ó repressor de inimigos, que aquelas jovens meninos obtiveram um reino. Tendo primeiro concedido um reino a eles, tu não deves agora ser indiferente a eles, pois a destruição então os tragaria!’ Este reino inteiro, ó Sanjaya, não é adequado para ser possuído por uma pessoa. Diga a ele novamente, de nós. ‘Ó majestade, nós desejamos viver unidos. Não te permitas ser derrotado por inimigos.’ Tu deves também, ó Sanjaya, inclinando tua cabeça, em meu nome cumprimentar o avô dos Bharatas, Bhishma, o filho de Santanu. Tendo saudado nosso avô, a ele deve então ser dito, ‘Por ti, quando a linhagem de Santanu estava prestes a ser extinta, ela foi restabelecida.

Portanto, ó senhor, faça segundo o teu próprio julgamento aquilo pelo qual os teus netos possam todos viver em harmonia uns com os outros.’ Tu deves então te dirigir a Vidura também, aquele conselheiro dos Kurus, dizendo, ‘Aconselhe paz, ó amável, pelo desejo de fazer bem para Yudhishthira.’ Tu deves te dirigir ao inclemente príncipe Duryodhana também, quando sentado no meio dos Kurus, suplicando-o repetidas vezes, dizendo, ‘Os insultos que tu ofereceste para a inocente e desamparada Draupadi no meio da assembleia nós toleraremos quietamente, simplesmente porque nós não temos desejo de ver os Kurus mortos. As outras injúrias também, antes e depois disso, os filhos de Pandu estão aguentando calmamente, embora eles sejam possuidores de poder para vingá-las. Tudo isso, de fato, os Kauravas sabem. Ó amável, tu mesmo nos exilaste vestidos em peles de veado. Nós estamos tolerando aquilo também porque nós não queremos ver os Kurus mortos. Dussasana, em obediência a ti arrastou Krishna, desrespeitando Kunti. Aquela ação também será perdoada por nós. Mas, ó castigador de inimigos, nós devemos ter nossa própria parte do reino. Ó touro entre homens, desvie o teu coração cobiçoso do que pertence a outros. Haverá paz então, ó rei, entre nossas pessoas satisfeitas. Nós estamos desejosos de paz; nos dê até uma única província do império. Nos dê mesmo Kusasthala, Vrikasthala, Makandi, Varanavata, e como a quinta alguma outra que tu queiras. Assim mesmo terminará a disputa.

Ó Suyodhana, dê para teus cinco irmãos ao menos cinco aldeias.’ Ó Sanjaya, ó tu de grande sabedoria, que haja paz entre nós e nossos primos. Diga a ele também, ‘Que irmãos sigam irmãos, que pais se unam com filhos. Que os Panchalas se misturem com os Kurus em riso alegre. Que eu possa ver os Kurus e os Panchalas inteiros e sãos é o que eu desejo. Ó touro da raça Bharata, com corações alegres que nós façamos as pazes.’ Ó Sanjaya, eu sou igualmente capaz de guerra e paz. Eu estou preparado para obter riqueza assim como para ganhar virtude. Eu sou apto o bastante para severidade quanto para suavidade.'" 32 "Vaisampayana disse, 'Despedido com saudação pelos Pandavas, Sanjaya partiu para (Hastinapura) tendo executado todas as ordens do ilustre Dhritarashtra. Alcançando Hastinapura ele rapidamente entrou nela e se apresentou no portão dos aposentos internos do palácio. Se dirigindo ao porteiro, ele disse, 'Ó guarda do portão, diga para Dhritarashtra que eu, Sanjaya, acabei de chegar, vindo dos filhos de Pandu. Não demore. Se o rei estiver acordado, então somente tu deves falar assim, ó guarda, pois eu gosto de entrar tendo primeiro o informado da minha chegada. No presente caso eu tenho uma coisa de importância muito grande para comunicar.' Ouvindo isto, o guarda do portão foi ao rei e se dirigiu a ele, dizendo, 'Ó senhor da terra, eu te reverencio. Sanjaya está nos teus portões, desejoso de ver-te. Ele vem trazendo uma mensagem dos Pandavas. Emita tuas ordens, ó rei, quanto ao que ele deve fazer.' O rei disse, 'Diga a Sanjaya que eu estou feliz e saudável. Deixe-o entrar.

Boas vindas a Sanjaya. Eu estou sempre pronto para recebê-lo. Por que deveria ficar do lado de fora aquele cuja admissão nunca é proibida?’” "Vaisampayana continuou, 'Então, com a permissão do rei, tendo entrado naquele aposento espaçoso, o filho de Suta, com mãos unidas, se aproximou do filho nobre de Vichitravirya que era protegido por muitas pessoas sábias, valentes, e virtuosas, e que estava então sentado em seu trono. E Sanjaya se dirigiu a ele, dizendo, 'Eu sou Sanjaya, ó rei. Eu te reverencio. Ó chefe de homens, procedendo daqui eu encontrei os filhos de Pandu. Depois de ter prestado seus cumprimentos para ti, o filho de Pandu, o inteligente Yudhishthira, perguntou sobre teu bem- estar. E bem satisfeito, ele também perguntou pelos teus filhos, e perguntou se tu estás feliz com teus filhos e netos e amigos e conselheiros, e, ó rei, todos aqueles que dependem de ti.' Dhritarashtra disse, 'Ó filho, dando minhas bênçãos para Ajatasatru, eu te pergunto, ó Sanjaya, se aquele rei dos Kauravas, o filho de Pritha, está bem com seus filhos e irmãos e conselheiros.' Sanjaya disse, 'O filho de Pandu está bem com seus conselheiros. Ele deseja a posse daquilo que ele antigamente tinha como seu. Ele procura virtude e riqueza sem fazer qualquer coisa que seja censurável, possui inteligência e vasta erudição, e é, além disso, perspicaz e de disposição excelente. Para aquele filho de Pandu, abstenção de injúria é superior até à virtude, e a virtude superior ao acúmulo de riqueza.

A mente dele, ó Bharata, está sempre inclinada para felicidade e alegria, e para tal rumo de ação que é virtuoso e conducente aos fins superiores da vida. Assim como um boneco puxado para esta direção e aquela por meio de fios, o homem (neste mundo) se move, controlado por uma força não sua própria. Vendo os sofrimentos de Yudhishthira, eu considero a força do destino como superior ao efeito do esforço humano. Vendo também teus feitos indignos, os quais, além disso, sendo altamente pecaminosos e indizíveis, sem dúvida terminarão em miséria, me parece que alguém da tua natureza ganha louvor somente enquanto seu inimigo capaz espera o momento propício. Renunciando a todo o pecado, assim como uma serpente rejeita sua pele desgastada a qual ela não pode mais reter, o heróico Ajatasatru brilha em sua perfeição natural, deixando sua carga de pecados ser carregada por ti. Considere, ó rei, tuas próprias ações que são contrárias à religião e lucro, e ao comportamento daqueles que são justos. Tu, ó rei, ganhaste uma má reputação neste mundo, e colherás miséria no próximo. Obedecendo aos conselhos do teu filho tu esperas desfrutar desta propriedade duvidosa, mantendo eles à distância. Este ato injusto é ruidosamente espalhado no mundo. Portanto, ó principal dos Bharatas, este feito é indigno de ti. A calamidade traga aquele que é falho em sabedoria, ou que é de nascimento inferior, ou que é cruel, ou que nutre hostilidade por muito tempo, ou que não é firme nas virtudes Kshatriya, ou é desprovido de energia, ou é de uma disposição má, realmente, aquele que tem tais marcas.

É em virtude de sorte que uma pessoa toma seu nascimento em boa família, ou se torna forte, ou famosa, ou versada em muitas tradições, ou possuidora dos confortos da vida, ou se torna capaz de subjugar seus sentidos, ou discriminar virtude e vício que estão sempre ligados juntos. Que pessoa há que, servida pelos principais dos conselheiros, possuidora de inteligência, capaz de fazer distinção entre virtude e vício em tempos de infortúnio, não desprovida dos rituais de religião, e retendo o uso de todas as suas faculdades, cometeria atos cruéis? Esses conselheiros, sempre dedicados ao teu trabalho, esperam aqui reunidos. Esta mesma é a determinação firme deles (isto é, que os Pandavas não devem obter de volta sua parte). A destruição dos Kurus, portanto, é certa de ser ocasionada pela força das circunstâncias. Se, provocado pelas ofensas, Yudhishthira desejar miséria para ti, então os Kurus serão destruídos prematuramente, enquanto, dando todos os seus pecados para ti, a culpa daquele feito será tua neste mundo. De fato, o que mais há exceto a vontade dos Deuses? Pois Arjuna, o filho de Pritha, deixando este mundo ascendeu aos próprios céus e foi honrado imensamente lá. Isto comprova que esforço individual não é nada. Há, sem dúvida, (mais) quanto a isto.

Vendo que os atributos de nascimento elevado, coragem, etc., dependiam das ações para seu desenvolvimento ou não, e vendo também prosperidade e adversidade e estabilidade e instabilidade (em pessoas e suas posses), o rei Vali, em sua busca de causas, tendo fracassado em descobrir um início (na corrente de ações de vidas antigas uma antes da outra), considerou a Essência eterna como a causa de tudo. A visão, a audição, o olfato, o tato, e o paladar, estas são as portas do conhecimento de uma pessoa. Se o desejo fosse refreado, estes estariam satisfeitos por si mesmos. Portanto, alegremente e sem se lamentar uma pessoa deve controlar os sentidos. Há outros que pensam de outro modo. Eles afirmam que se as ações de uma pessoa são bem aplicadas elas devem produzir o resultado desejado. Dessa maneira a criança gerada pela ação da mãe e do pai cresce quando devidamente cuidada com alimento e bebida. Homens neste mundo se tornam sujeitos a amor e ódio, prazer e dor, louvor e crítica. Um homem é elogiado quando ele se comporta honestamente. Eu critico a ti, já que estas dissensões dos Bharatas (cuja causa és tu) certamente causarão a destruição de inúmeras vidas. Se a paz não for firmada, então por tua falha Arjuna consumirá os Kurus como um fogo ardente consumindo uma pilha de grama seca. Ó soberano de homens, só tu de todo o mundo, te sujeitando ao teu filho a quem nenhuma restrição pode refrear, te consideraste como coroado com êxito e te abstiveste de evitar a disputa no momento da partida com dados. Veja agora o resultado daquela (tua fraqueza)!

Ó monarca, por rejeitar conselheiros que são fiéis e aceitando aqueles que não merecem confiança, este império extenso e próspero, ó filho de Kuru, tu és incapaz de manter devido à tua fraqueza. Cansado por causa da minha viagem rápida e muitíssimo fatigado, eu peço tua permissão para ir dormir agora, ó leão de homens, pois amanhã de manhã os Kurus, reunidos na sala do conselho, ouvirão as palavras de Ajatasatru.'" "Vaisampayana disse, 'O rei Dhritarashtra dotado de grande sabedoria (então) disse ao ordenança em serviço, 'Eu desejo ver Vidura. Traga-o aqui sem demora.' Despachado por Dhritarashtra, o mensageiro foi até Kshatri e disse, 'Ó tu de grande sabedoria, nosso senhor o rei poderoso deseja te ver.' Assim endereçado, Vidura (saiu e) chegando ao palácio, falou para o ordenança, 'Informe Dhritarashtra da minha chegada.' Nisso o ordenança foi até Dhritarashtra, e disse, ‘Ó principal dos reis, Vidura está aqui por tua ordem. Ele deseja ver teus pés. Ordene-me quanto ao que ele deve fazer.' Nisso Dhritarashtra disse, 'Deixe Vidura de grande sabedoria e previdência entrar. Eu nunca estou sem vontade ou despreparado para ver Vidura.' O ordenança então saiu e falou para Vidura, 'Ó Kshatri, entre nos aposentos internos do rei sábio. O rei diz que ele nunca está sem vontade de te ver.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo entrado no aposento de Dhritarashtra, Vidura disse com mãos unidas para aquele soberano de homens que estava então mergulhado em pensamentos, 'Ó tu de grande sabedoria, eu sou Vidura, chegado aqui por tua ordem.

Se há alguma coisa a ser feita, eu aqui estou, ordene-me!' Dhritarashtra disse, 'Ó Vidura, Sanjaya voltou. Ele foi embora depois de me repreender. Amanhã ele entregará, no meio da corte, a mensagem de Ajatasatru. Eu não fui capaz hoje de averiguar qual é a mensagem do herói Kuru. Portanto, meu corpo está ardente, e isto produziu insônia. Diga-nos o que pode ser bom para uma pessoa que está irrequieta e ansiosa. Tu és, ó filho, versado em religião e lucro. Desde que Sanjaya voltou dos Pandavas meu coração não conhece paz. Cheio de ansiedade acerca do que ele possa proferir, todos os meus sentidos estão desordenados.' Vidura disse, 'Insônia toma conta do ladrão, de uma pessoa lasciva, daquele que perdeu toda sua riqueza, daquele que fracassou em alcançar sucesso, e também daquele que é fraco e tem sido atacado por uma pessoa forte. Eu espero, ó rei, que nenhuma destas graves calamidades tenha te alcançado. Eu espero que tu não te aflijas, cobiçando a riqueza de outros.' Dhritarashtra disse, 'Eu desejo ouvir de ti palavras que sejam benéficas e repletas de moralidade superior. Nesta linhagem de Rishis nobres só tu és reverenciado pelos sábios.' Vidura respondeu, 'O rei (Yudhishthira), agraciado com todas as virtudes, é digno de ser o soberano dos três mundos; porém, ó Dhritarashtra, embora digno de ser mantido ao teu lado, ele foi exilado por ti. Tu és, no entanto, possuidor de qualidades que são o próprio inverso daquelas possuídas por ele. Embora virtuoso e versado em moralidade, tu ainda assim não tens direito a uma parte no reino devido à tua perda de visão.

Por sua inofensividade e bondade, sua retidão, amor à verdade e energia, e por ele ter em mente a reverência que é devida a ti, Yudhishthira pacientemente tolera males inumeráveis. Tendo concedido a Duryodhana e ao filho de Suvala e Karna e Dussasana a administração do império, como tu podes esperar por prosperidade? Aquele que não é desviado dos objetivos superiores da vida pela ajuda do autoconhecimento, esforço, paciência e firmeza em virtude, é chamado de sábio. Estes, além disso, são os sinais de um homem sábio, ou seja: aderência às ações, merecimento de louvor, rejeição do que é culpável, fé e reverência. Aquele a quem nem raiva nem alegria, nem orgulho, nem falsa modéstia, nem estupor, nem vaidade podem afastar dos fins sublimes da vida é considerado como sábio. Aquele cujas ações planejadas e conselhos propostos permanecem ocultados de inimigos, e cujas ações se tornam conhecidas somente depois que elas estão feitas, é considerado sábio. Aquele cujas ações intentadas nunca são obstruídas por calor ou frio, medo de ligação, prosperidade ou adversidade, é considerado sábio. Aquele cujo julgamento dissociado de desejo vai atrás de virtude e lucro, e que desconsiderando prazer escolhe objetivos que são úteis em ambos os mundos, é considerado sábio. Aqueles que se esforçam com todas as forças, e agem também com todas as forças, e que não desprezam nada como insignificante, são chamados de sábios.

Aquele que compreende rapidamente, ouve pacientemente, busca seus objetivos com juízo e não por causa do desejo e não gasta seu fôlego nos assuntos de outros sem ser perguntado, é considerado como possuidor do principal sinal de sabedoria. Aqueles que não se esforçam por objetivos que são inalcançáveis, que não se afligem pelo que está perdido e passado, que não permitem que suas mentes sejam nubladas em meio a calamidades, são considerados possuidores de intelectos dotados de sabedoria. Aquele que se esforça, tendo começado alguma coisa, até que ela esteja terminada, que nunca perde seu tempo, e que tem sua alma sob controle, é considerado sábio. Aqueles que são sábios, ó touro da raça Bharata, sempre se deleitam em atos honestos, fazem o que tende para sua felicidade e prosperidade, e nunca olham com desprezo para o que é bom. Aquele que não exulta por causa de honras, e não se aflige por causa de desfeitas, e permanece calmo e não agitado como um lago no curso do Ganga, é considerado sábio. Aquele homem que conhece a natureza de todas as criaturas (isto é, que tudo está sujeito à destruição), que é ciente também das conexões de todas as ações, e que é proficiente no conhecimento dos meios aos quais os homens podem recorrer (para alcançar seus objetivos), é considerado sábio. Aquele que fala corajosamente, pode conversar sobre vários assuntos, conhece a ciência de argumentação, possui força de espírito, e pode interpretar o significado do que está escrito em livros, é considerado sábio.

Aquele cujos estudos são regulados pela razão, e cuja razão segue as escrituras, e que nunca se abstém de prestar respeito àqueles que são bons, é chamado de homem sábio. Aquele, por outro lado, que é ignorante das escrituras, contudo vaidoso, pobre, contudo orgulhoso, e que recorre a meios injustos para a aquisição de seus objetos, é um tolo. Aquele que, abandonando os seus próprios se ocupa com os objetivos de outros, e que pratica meios fraudulentos para servir seus amigos, é chamado de tolo. Aquele que deseja aquelas coisas que não devem ser desejadas, e abandona aquelas que podem legitimamente ser desejadas, e que tem malícia em direção àqueles que são poderosos, é considerado como uma alma tola. Aquele que considera seu inimigo como seu amigo, que odeia e tem malícia em direção ao seu amigo, e que comete atos pecaminosos, é citado como uma pessoa de alma tola. Ó touro da raça Bharata, aquele que divulga seus projetos, duvida de todas as coisas, e gasta muito tempo em fazer o que requere um tempo curto, é um tolo. Aquele que não realiza o Sraddha para os Pitris, nem cultua as divindades, nem adquire amigos de mente nobre, é citado como uma pessoa de alma tola. Aquele pior dos homens que entra em um lugar sem ser convidado, e fala muito sem ser pedido, e deposita confiança em indivíduos indignos de confiança, é um tolo. Aquele homem que sendo ele mesmo culpado joga a culpa em outros, e que embora impotente dá vazão à raiva, é o mais tolo dos homens.

Aquele homem que, sem conhecer sua própria força e dissociado de virtude e lucro deseja um objeto de aquisição difícil, além disso, sem adotar meios adequados, é citado como desprovido de inteligência. Ó rei, aquele que pune alguém que não é merecedor de punição, presta homenagem para pessoas sem o conhecimento delas, e serve avaros, é citado como de pouca compreensão. Mas aquele que, tendo obtido riqueza imensa e prosperidade ou adquirido (vasta) erudição não se comporta soberbamente é considerado como sábio. Quem, além disso, é mais cruel do que aquele que, embora possuidor de riqueza, come e usa mantos excelentes sem distribuir sua riqueza entre seus dependentes? Enquanto uma pessoa comete pecados, muitos colhem a vantagem resultante disso; (contudo no fim) é somente o fazedor a quem o pecado se vincula enquanto aqueles que desfrutam do resultado escapam ilesos. Quando um arqueiro atira uma flecha, ele pode ou não pode ter êxito em matar nem uma única pessoa, mas quando um indivíduo inteligente aplica sua inteligência (malvadamente), isto pode destruir um reino inteiro com o rei. Discriminando os dois por meio do um, traga sob tua submissão os três por meio dos quatro, e também conquistando os cinco e conhecendo os seis, e te abstendo dos sete, seja feliz. Veneno mata somente uma pessoa, e uma arma também somente uma; maus conselhos, no entanto, destroem um reino inteiro com rei e súditos.

Sozinha uma pessoa não deve partilhar de alguma iguaria saborosa, nem refletir sozinha sobre assuntos de ganho, nem ir sozinha em uma viagem, nem permanecer desperta sozinha entre companheiros adormecidos. Aquele Ser que é Um sem um segundo, e o qual, ó rei, tu não tens sido capaz de compreender, é a própria Verdade e o Caminho para o céu, assim como um navio no oceano. Há um único defeito em pessoas clementes, e nenhum outro; aquele defeito é que as pessoas tomam uma pessoa clemente como sendo fraca. Aquele defeito, no entanto, não deve ser levado em consideração, pois clemência é um grande poder. Clemência é uma virtude dos fracos, e um ornamento dos fortes. Clemência subjuga (tudo) neste mundo; o que há que o perdão não possa realizar? O que uma pessoa má pode fazer àquele que leva o sabre do perdão em sua mão? Fogo caindo em um solo sem grama é extinto por si mesmo. Um indivíduo rancoroso polui a si mesmo com muitas barbaridades. Virtude é o maior bem; e perdão é a paz suprema; conhecimento é o contentamento supremo; e benevolência, uma felicidade única. Assim como uma serpente devora animais que vivem em buracos, a terra devora esses dois, isto é, um rei que é incompetente para lutar, e um Brahmana que não viaja para lugares sagrados. Um homem pode alcançar renome neste mundo por fazer duas coisas, isto é, por se abster de palavras duras, e por desconsiderar aqueles que são perversos.

Ó tigre entre homens, esses dois não têm vontade própria: aquelas mulheres que cobiçam homens simplesmente porque os últimos são cobiçados por outras de seu sexo, e aquela pessoa que venera outra simplesmente porque a última é idolatrada por outras. Esses dois são como espinhos afiados afligindo o corpo: os desejos de um homem pobre, e a raiva do impotente. Essas duas pessoas nunca brilham por causa de suas ações incompatíveis: um chefe de família sem esforço, e um mendigo atarefado em planos. Esses dois, ó rei, vivem (por assim dizer) em uma região mais alta do que o próprio céu: um homem de poder dotado de clemência, e um homem pobre que é caridoso. De coisas honestamente obtidas, esses dois usos devem ser considerados como impróprios, isto é, fazer doações aos indignos e recusar aos dignos. Esses dois devem ser jogados na água, amarrando firmemente pesos em seus pescoços: um homem rico que não doa, e um homem pobre que é orgulhoso. Esses dois, ó tigre entre homens, podem atravessar o próprio orbe do sol: um mendicante aperfeiçoado em Yoga, e um guerreiro que morreu em luta aberta. Ó touro da raça Bharata, pessoas versadas nos Vedas dizem que os modos dos homens podem ser bons, medianos, e maus. Homens também, ó rei, são bons, indiferentes, e maus. Eles devem, portanto, ser respectivamente empregados naquele tipo de trabalho para o qual eles possam ser aptos. Esses três, ó rei, não podem ter riqueza própria, isto é, a esposa, o escravo, e o filho, e o que quer que possa ser ganho por eles seria daquele a quem eles pertencem.

Grande temor surge desses três crimes: roubo da propriedade de outro, ultraje a esposas de outros homens, e rompimento com amigo. Esses três, além disso, sendo destrutivos para a própria pessoa, são os portões do inferno: luxúria, ira, e cobiça. Portanto, todos devem renunciar a eles. Esses três nunca devem ser abandonados nem em perigo iminente: um seguidor, alguém que procura proteção, dizendo, ‘Eu sou teu’, e por fim alguém que chegou à sua residência. Na verdade, ó Bharata, libertar um inimigo de infortúnio equivale sozinho com referência a mérito a esses três tomados juntos: conferir um benefício, adquirir um reino, e obter um filho. Homens eruditos declaram que um rei, embora poderoso, nunca deve consultar com esses quatro: homens de pouca compreensão, homens que são procrastinadores, homens que são indolentes, e homens que são lisonjeadores. Ó majestade, coroado com prosperidade e levando a vida de um chefe de família, deixe estes quatro morarem contigo: velhos consanguíneos, parentes, pessoas de nascimento nobre caídas em adversidade, amigos pobres, e irmãs sem descendentes. Ao ser perguntado pelo chefe dos celestiais, Vrihaspati, ó rei poderoso, declarou quatro coisas capazes de frutificar ou ocorrendo dentro de um único dia, isto é, a resolução dos deuses, as compreensões de pessoas inteligentes, a humildade de homens eruditos, e a destruição dos pecaminosos. Estes quatro são calculados para remover temor, e ocasionam temor quando eles são impropriamente realizados: o Agnihotra, o voto de silêncio, estudo, e sacrifício (em geral).

Ó touro da raça Bharata, estes cinco fogos devem ser adorados com respeito por uma pessoa: pai, mãe, fogo (próprio), alma e preceptor. Por servir a estes cinco, homens alcançam grande fama neste mundo: os deuses, os Pitris, homens, mendigos, e convidados. Estes cinco te seguem onde quer que tu vás: amigos, inimigos, aqueles que são indiferentes, dependentes, e aqueles que têm direito à manutenção. Dos cinco sentidos pertencentes ao homem, se um faz água, então daquele único buraco escorre sua inteligência, assim como água escorrendo de um recipiente de couro perfurado. As seis falhas devem ser evitadas por uma pessoa que deseja alcançar prosperidade: sono, inércia, medo, raiva, indolência e procrastinação. Estes seis devem ser abandonados como um navio fendido no mar: um preceptor que não pode explicar as escrituras, um sacerdote que é analfabeto, um rei que é incapaz de proteger, uma esposa que fala palavras desagradáveis, um vaqueiro que não deseja ir para os campos, e um barbeiro que deseja abandonar uma aldeia pelas florestas. Na verdade, aquelas seis qualidades nunca devem ser abandonadas por homens: veracidade, caridade, diligência, benevolência, perdão e paciência. Estes seis são imediatamente destruídos, se negligenciados: vacas, serviço, agricultura, uma esposa, aprendizagem, e a riqueza de um Sudra.

Estes seis esquecem aqueles que fazem favores a eles: discípulos educados, seus preceptores; pessoas casadas, suas mães; pessoas cujos desejos são satisfeitos, mulheres; aqueles que alcançaram o sucesso, aqueles que prestaram ajuda; aqueles que cruzaram um rio, o barco (que os levou); e pacientes que foram curados, seus médicos. Saúde, não ter dívidas, viver em casa, companhia com bons homens, certeza com relação aos meios de vida, e viver sem medo, estes seis, ó rei, conduzem à felicidade de homens. Estes seis são sempre miseráveis: o invejoso, o malicioso, o descontente, o irascível, o sempre suspeitoso, e aqueles que dependem da boa sorte de outros. Estes seis, ó rei, abrangem a felicidade de homens: aquisição de riqueza, saúde ininterrupta, uma esposa querida e de fala agradável, um filho obediente, e conhecimento que é lucrativo. Aquele que consegue ganhar domínio sobre os seis que estão sempre presentes no coração humano, sendo assim o mestre de seus sentidos, nunca comete pecado, e, portanto (não) está sujeito à calamidade. Estes seis podem ser vistos subsistir de outros seis: ladrões, de pessoas que são descuidadas; médicos, de pessoas que são doentes; mulheres, de pessoas que sofrem de luxúria; sacerdotes, daqueles que sacrificam; um rei, de pessoas que disputam; e por fim homens de erudição, daqueles que não a têm.

Um rei deve renunciar a estas sete falhas que são produtivas de calamidade, visto que elas podem causar a ruína até de monarcas firmemente estabelecidos; estas são mulheres, dados, caça, alcoolismo, dureza de discurso, severidade de castigo, e uso impróprio de riqueza. Estas oito são as indicações imediatas de um homem destinado à destruição: odiar os Brahmanas, disputas com Brahmanas, apropriação das posses de um Brahmana, tirar a vida de Brahmana, ter prazer em ultrajar Brahmanas, se afligir ao ouvir os louvores de Brahmanas, esquecê-los em ocasiões cerimoniais, e dar vazão ao rancor quando eles pedem alguma coisa. Estas transgressões um homem sábio deve compreender, e compreendendo, evitar. Estes oito, ó Bharata, são a própria nata da felicidade, e estes somente são alcançáveis aqui: encontro com amigos, acessão de riqueza imensa, abraçar um filho, união para relações sexuais, conversação com amigos em horas apropriadas, o progresso de pessoas pertencentes ao seu próprio partido, a aquisição do que tinha sido previsto, e respeito em sociedade. Estas oito qualidades glorificam um homem: sabedoria, nascimento nobre, autodomínio, erudição, destreza, moderação em palavras, doações segundo seu poder, e gratidão. Esta casa tem nove portas, três pilares, e cinco testemunhas. Ela é presidida pela alma. Aquele homem erudito que sabe tudo isto é realmente sábio. Ó Dhritarashtra, esses dez não sabem o que é virtude: o embriagado, o desatento, o delirante, o fatigado, o zangado, o faminto, o apressado, o cobiçoso, o assustado, e o lascivo.

Portanto, aquele que é sábio deve evitar a companhia desses. Em relação a isto é citada a antiga história sobre o que ocorreu entre Suyodhana e (Prahlada) o chefe dos Asuras com respeito ao filho do último. Aquele rei que renuncia luxúria e ira, que concebe riqueza para recebedores adequados, e é perspicaz, erudito, e ativo, é considerado como uma autoridade de todos os homens. Grande prosperidade acompanha aquele rei que sabe como inspirar confiança em outros, que inflige punição àqueles cuja culpa foi comprovada, que conhece a medida adequada de castigo, e que sabe quando piedade deve ser mostrada. É uma pessoa sábia aquela que não desconsidera nem um inimigo fraco; que procede com inteligência em relação a um inimigo, ansiosamente esperando por uma oportunidade; que não deseja hostilidades com pessoas mais fortes do que ele; e que revela sua bravura no tempo propício. Aquela pessoa ilustre que não sofre quando uma calamidade já caiu sobre ele, que se esforça com todos os seus sentidos serenos, e que pacientemente suporta miséria em época, é certamente a principal das pessoas, e todos os seus inimigos são derrotados. Aquele que não vive alegre e despreocupadamente de esperança inútil, que não faz amizade com pessoas pecaminosas, que nunca ultraja a esposa de outro, que nunca mostra arrogância, e que nunca comete um roubo nem demonstra ingratidão nem se entrega ao alcoolismo é sempre feliz.

Aquele que nunca se esforça jactanciosamente para alcançar os três objetivos de busca humana, que quando perguntado, diz a verdade, que não briga nem por causa de amigos, e que nunca fica zangado embora desprezado, é considerado como sábio. Aquele que não tem malícia em direção a outros, mas é bondoso para todos, que sendo fraco não disputa com outros, que não fala arrogantemente, e esquece uma disputa, é elogiado em todos os lugares. Aquele homem que nunca assume uma aparência soberba, que nunca critica outros enquanto elogia a si mesmo, e nunca dirige palavras duras para outros para ser bem sucedido, é sempre amado por todos. Aquele que não relembra antigas hostilidades, que não se comporta nem arrogantemente nem com demasiada humildade, e que mesmo quando aflito nunca comete uma ação imprópria, é considerado por homens respeitáveis uma pessoa de boa conduta. Aquele que não exulta em sua própria felicidade, nem se deleita na tristeza de outro, e que não se arrepende depois de ter feito um presente, é citado como um homem de boa natureza e conduta. Aquele que deseja obter um conhecimento dos costumes de diferentes países, e também as línguas de diferentes nações, e das práticas de diferentes classes de homens, conhece imediatamente tudo o que é alto e baixo; e onde quer que ele possa ir, ele está seguro de ganhar uma ascendência até sobre aqueles que são alegres.

O homem inteligente que abandonando orgulho, tolice, insolência, ações pecaminosas, deslealdade para com o rei, maldade de comportamento, inimizade com muitos, e também discussões com homens que são bêbados, loucos e maus, é o principal da sua espécie. Os próprios deuses concedem prosperidade para aquele que diariamente pratica autodomínio, purificação, ritos propícios, culto dos deuses, cerimônias expiatórias, e outros ritos de observância universal. São bem concebidas e bem aplicadas as ações daquele homem erudito que forma alianças matrimoniais com pessoas de posição igual e não com aquelas que são inferiores, que coloca diante de si aqueles que são mais qualificados, e que conversa, age e faz amizades com pessoas de igual posição. Aquele que come frugalmente depois de dividir o alimento entre seus dependentes, que dorme pouco depois de trabalhar muito, e que, quando solicitado, doa até para seus inimigos, tem sua alma sob controle, e as calamidades sempre se mantém à distância dele. Aquele cujos conselhos são bem guardados e bem executados na prática, e cujas ações por consequência disso nunca são sabidas por outros prejudicarem homens, tem êxito em assegurar até seus objetivos mais insignificantes. Aquele que está atento em se abster de injúria para todas as criaturas, que é sincero, amável, caritativo, e puro em mente, brilha imensamente entre seus parentes como uma pedra preciosa do fulgor mais puro tendo sua origem em uma mina excelente.

Aquele homem que sente vergonha mesmo que suas falhas não sejam conhecidas por alguém exceto ele mesmo é altamente honrado entre todos os homens. Possuidor de um coração puro e energia ilimitada e abstraído dentro de si mesmo, ele brilha por sua energia como um verdadeiro sol. O rei Pandu consumido pela maldição de um (Brahmana), teve cinco filhos nascidos para ele nas florestas que são como cinco Indras. Ó filho de Ambika, tu criaste aqueles filhos e ensinaste tudo a eles. Eles obedecem as tuas ordens. Dando a eles de volta sua parte justa do reino, ó majestade, cheio de alegria, seja feliz com teus filhos. Então, ó monarca, tu inspirarás confiança em ambos, deuses e homens.'" 34 "Dhritarashtra disse, 'Diga-me o que pode ser feito por uma pessoa que está com insônia e queimando com ansiedades, pois só tu entre nós, ó filho, és versado em ambos, religião e lucro. Aconselhe-me sabiamente, ó Vidura. Ó tu de coração magnânimo, diga-me o que é que tu consideras benéfico para Ajatasatru e o que é produtivo de bem para os Kurus. Temendo males futuros, eu rememoro somente minha culpa prévia. Eu te peço com coração ansioso, ó erudito, diga-me o que está exatamente na mente de Ajatasatru.’” "Vidura disse, 'Mesmo que não solicitada, uma pessoa deve falar verdadeiramente, suas palavras sejam boas ou más, odiosas ou agradáveis, para aquele cuja derrota ela não deseja. Eu direi, portanto, ó rei, o que é para o bem dos Kurus. Eu direi o que é benéfico e compatível com moralidade. Ouça-me. Não, ó Bharata, estabeleça o coração em meios de sucesso que são injustos e impróprios.

Um homem de inteligência não deve sofrer se algum propósito seu não for bem sucedido, apesar da aplicação de meios justos e apropriados. Antes de se engajar em uma ação deve-se considerar a competência do agente, a natureza da própria ação e seu propósito, pois todas as ações são dependentes disto. Considerando isto dev-se iniciar uma ação, e não começá-la em um impulso repentino. Aquele que é sábio deve ou fazer uma ação ou desistir completamente dela considerando sua própria habilidade, a natureza da ação, e a consequência também do êxito. O rei que não conhece proporção ou medida com relação a território, lucro, perda, tesouraria, população, e castigo, não pode manter seu reino por muito tempo. Aquele, por outro lado, que conhece as medidas desses como prescritas em tratados, sendo necessariamente possuidor do conhecimento de religião e lucro, pode manter seu reino. Como as estrelas são afetadas pelos planetas, assim este mundo é afetado pelos sentidos, quando eles são dirigidos, descontrolados, para seus respectivos objetos. Como a lua durante a quinzena iluminada, calamidades aumentam em relação àquele que é derrotado pelos cinco sentidos em seu estado natural, os quais sempre o levam em direção a várias ações. Aquele que deseja controlar seus conselheiros antes de controlar a si mesmo, ou subjugar seus adversários antes de controlar seus conselheiros, finalmente sucumbe privado de força. Aquele, portanto, que primeiro subjuga o seu próprio eu considerando-o como um inimigo, nunca falha em subjugar seus conselheiros e adversários finalmente.

Grande prosperidade acompanha aquele que subjuga seus sentidos, ou controla sua alma, ou que é capaz de punir todos os ofensores, ou que age com juízo ou que é abençoado com paciência. O corpo de uma pessoa, ó rei, é seu carro; a alma dentro é o motorista; e os sentidos são seus corcéis. Puxado por aqueles corcéis excelentes, quando bem treinados, aquele que é sábio realiza agradavelmente a jornada da vida, e desperta em paz. Os cavalos que não são domados e que são incapazes de ser controlados, sempre levam um motorista não hábil à destruição no decorrer da viagem; assim os sentidos, não subjugados, levam somente à destruição. O indivíduo inexperiente que, levado por estes sentidos não dominados, espera tirar mal do bem e bem do mal, necessariamente confunde tristeza com felicidade. Aquele que, abandonando religião e lucro, segue o comando de seus sentidos, perde sem demora prosperidade, vida, riqueza e esposa. Aquele que é o dono de riquezas, mas não de seus sentidos, certamente perde suas riquezas por consequência de sua falta de domínio sobre seus sentidos. Uma pessoa deve procurar conhecer o próprio eu por meio do próprio eu, controlando a própria mente, intelecto, e sentidos, pois o próprio eu é um amigo como, de fato, é um inimigo. Aquele homem que conquistou o eu por meio do eu tem seu eu como um amigo, pois o próprio eu é sempre amigo ou inimigo de uma pessoa. Desejo e raiva, ó rei, abrem caminho através da sabedoria, exatamente como um peixe grande abre caminho por uma rede de cordas finas.

Aquele que, neste mundo, considerando religião e lucro busca adquirir os meios de êxito, ganha felicidade, possuindo tudo o que ele procura. Aquele que, sem subjugar seus cinco inimigos internos de origem mental deseja derrotar outros adversários, é, realmente, dominado pelos últimos. É visto que muitos reis de mente má, devido à falta de domínio sobre seus sentidos, são arruinados por suas próprias ações, ocasionadas pela avidez de território. Como combustível que está molhado queima com aquele que está seco, assim um homem impecável é punido igualmente com o pecaminoso por associação constante com o último. Portanto, amizade com os pecaminosos deve ser evitada. Aquele que, por ignorância, fracassa em controlar seus cinco inimigos avarentos, tendo cinco objetos distintos, é subjugado por calamidades. Inocência e simplicidade, pureza e contentamento, gentileza de palavras e autodomínio, veracidade e firmeza, estes nunca são os atributos do perverso. Autoconhecimento e firmeza, paciência e devoção à virtude, competência para aproveitar conselhos e caridade, esses, ó Bharata, nunca existem em homens inferiores. Tolos procuram prejudicar os sábios por repreensões falsas e discursos maus, a consequência é que por isto eles tomam sobre si mesmos os pecados dos sábios, enquanto os últimos, livres de seus pecados, são perdoados. Na malícia jaz a força dos maus; no código criminal, a força dos reis, em atenções a dos fracos e de mulheres; e no perdão aquela dos virtuosos. Controlar as palavras, ó rei, é considerado o mais difícil.

Não é fácil manter uma longa conversação proferindo palavras cheias de significado e encantadoras para os ouvintes. Discurso bem falado é produtivo de muitos resultados benéficos; e discurso mal falado, ó rei, é a causa de males. Uma floresta perfurada por flechas, ou derrubada por machadinhas pode crescer outra vez, mas um coração ferido e censurado por palavras mal faladas nunca se recupera. Armas, tais como flechas, projéteis, e dardos farpados, podem ser facilmente extraídos do corpo, mas um punhal verbal mergulhado profundamente no coração é incapaz de retirado. Flechas verbais são disparadas da boca; atingida por elas uma pessoa sofre dia e noite. Um homem erudito não deve disparar tais flechas, para que elas não toquem os próprios órgãos vitais de outros. Aquele a quem os deuses ordenam derrota tem sua razão tirada, e é por isso que ele se inclina para atos ignóbeis. Quando o intelecto fica ofuscado e a destruição está próxima, o errado, parecendo com o certo, se adere firmemente ao coração. Tu não vês isto claramente, ó touro da raça Bharata, aquele intelecto obscurecido agora possuiu os teus filhos por causa de sua hostilidade aos Pandavas. Dotado de todos os sinais auspiciosos e digno de governar os três mundos, Yudhishthira é obediente às tuas ordens. Deixe-o, ó Dhritarashtra, governar a terra, à exclusão de todos os teus filhos, Yudhishthira é o principal de todos os teus herdeiros.

Dotado de energia e sabedoria, e conhecedor das verdades de religião e lucro, Yudhishthira, aquele principal dos homens virtuosos, tem, ó rei de reis, sofrido muita miséria por bondade e compaixão, para preservar tua reputação.’" 35 "Dhritarashtra disse, 'Ó tu de grande inteligência, fale-me novamente palavras tais como essas, consistentes com religião e lucro. Minha sede por ouvi-las não está saciada. O que tu dizes é atrativo!’" "Vidura disse, 'Ablução em todos os lugares sagrados e bondade para todas as criaturas, estes dois são iguais. Talvez, bondade para todas as criaturas supere o primeiro. Ó mestre, mostre bondade para todos os teus filhos, pois por isso ganhando grande renome neste mundo tu terás o céu futuramente. Por tanto tempo quanto os bons feitos de um homem são falados neste mundo, ó tigre entre homens, ele é glorificado no céu. Em relação a isto é citada uma velha história acerca da conversa entre Virochana e Sudhanwan, ambos pretendentes à mão de Kesini. Uma vez, ó rei, havia uma moça de nome Kesini, incomparável em beleza; movida pelo desejo de obter um bom marido, ela resolveu escolher seu marido em Swayamvara. Então um dos filhos de Diti, de nome Virochana, foi para aquele local, desejoso de obter a donzela. Contemplando aquele chefe dos Daityas, Kesini se dirigiu a ele, dizendo, 'Os Brahmanas são superiores, ó Virochana, ou os filhos de Diti são superiores?

E por que também Sudhanwan não deve se sentar no sofá?' Virochana disse, 'Nascidos do próprio Prajapati, nós, ó Kesini, somos os melhores e estamos no topo de todas as criaturas, e este mundo é nosso sem dúvida. Quem são os deuses, e quem são os Brahmanas?' Kesini disse, 'Nós ficaremos, ó Virochana, aqui neste mesmo pavilhão. Sudhanwan virá para cá amanhã, e me deixe ver vocês dois sentados juntos.' Virochana disse, 'Ó moça amável e tímida, eu farei o que tu dizes. Tu verás Sudhanwan e eu mesmo reunidos juntos de manhã.'” "Vidura continuou, 'Quando a noite tinha passado e o disco solar tinha se erguido, Sudhanwan, ó melhor dos reis, chegou àquele local onde, ó mestre, Virochana estava esperando com Kesini. E Sudhanwan viu lá ambos, o filho de Prahlada e Kesini. E vendo o Brahmana chegar, Kesini, ó touro da raça Bharata, se levantando do dela, ofereceu a ele um assento, água para lavar seus pés, e Arghya. E pedido por Virochana (para dividir seu assento) Sudhanwan disse, 'Ó filho de Prahlada, eu toco teu assento dourado excelente. Eu não posso, no entanto, me permitir ser considerado como teu igual, e sentar sobre ele contigo.' Virochana disse, 'Uma tábua de madeira, uma pele de animal, ou uma esteira de grama ou palha, somente estes, ó Sudhanwan, são adequados para ti. Tu não mereces, de qualquer modo, o mesmo assento que eu.' Sudhanwan disse, 'Pai e filho, Brahmanas da mesma idade e erudição igual, dois Kshatriyas, dois Vaisyas e dois Sudras podem sentar juntos no mesmo assento. Exceto esses, outros não podem sentar juntos.

Teu pai costumava prestar seus respeitos a mim, tomando um assento mais baixo do que aquele ocupado por mim. Tu és uma criança, criado em todo luxo em casa e não compreendes nada.' Virochana disse, 'Apostando todo o ouro, gado, cavalos, e todos os outros tipos de riqueza que nós temos entre os Asuras, que nós, ó Sudhanwan, façamos esta pergunta para aqueles que são aptos para responder.' Sudhanwan disse, 'Deixe teu ouro, gado, e cavalos, ó Virochana. Apostando nossas vidas, nós faremos esta pergunta para aqueles que são competentes.' Virochana disse, 'Apostando nossas vidas aonde nós iremos? Eu não aparecerei diante de algum dos deuses e nunca diante de algum entre os homens.' Sudhanwan disse, 'Tendo apostado nossas vidas, nós nos aproximaremos do teu pai, pois ele, Prahlada, nunca dirá uma mentira nem por causa de seu filho.'” "Vidura continuou, 'Tendo assim feito uma aposta, Virochana e Sudhanwan, ambos movidos pela raiva, procederam para aquele local onde Prahlada estava. E vendo eles juntos, Prahlada disse, 'Esses dois que nunca antes foram companheiros são vistos agora vindo juntos para cá pela mesma estrada, como duas cobras zangadas. Vocês agora se tornaram companheiros, vocês que nunca foram companheiros antes? Eu te pergunto, ó Virochana, há amizade entre ti e Sudhanwan?' Virochana disse, 'Não há amizade entre mim e Sudhanwan. Por outro lado, nós dois apostamos nossas vidas. Ó chefe dos Asuras, eu te farei uma pergunta, não responda incorretamente!' Prahlada disse, 'Que água, e mel e coalhos, sejam trazidos para Sudhanwan. Tu mereces nossa reverência, ó Brahmana.

Uma vaca branca e gorda está pronta para ti.' Sudhanwan disse, 'Água e mel e coalhos foram oferecidos a mim no meu caminho para cá. Eu te farei uma pergunta. Prahlada, responda-a verdadeiramente! Os Brahmanas são superiores, ou Virochana é superior?' Prahlada disse, ‘Ó Brahmana, este é meu filho único. Tu também estás presente aqui em pessoa. Como pode alguém como nós responder uma questão acerca da qual vocês dois têm disputado?’ Sudhanwan disse, 'Dê para teu filho teu gado e outras riquezas preciosas que tu possas ter, mas, ó sábio, tu deves declarar a verdade já que nós dois estamos disputando sobre isto.' Prahlada disse, 'Como sofre aquele que faz mau uso de sua língua, ó Sudhanwan, que não responde verdadeiramente mas falsamente uma pergunta que é feita a ele? Eu te pergunto isto.' Sudhanwan disse, 'A pessoa que faz mau uso de sua língua sofre como a esposa abandonada, que lamenta, à noite, vendo seu marido dormindo nos braços de uma co-esposa; como uma pessoa que perdeu nos dados, ou que está oprimida com uma carga insuportável de ansiedades. Tal homem também tem que ficar passando fome fora dos portões da cidade, na qual sua admissão é barrada. De fato, aquele que dá evidência falsa está destinado a sempre encontrar seus inimigos. Aquele que fala uma mentira por conta de um animal derruba do céu cinco dos seus antepassados de ordem ascendente. Aquele que fala uma mentira por conta de uma vaca derruba do céu dez dos seus antepassados.

Uma mentira por conta de um cavalo causa a queda de cem; e uma mentira por conta de um ser humano, a queda de mil dos antepassados de ordem ascendente. Uma mentira por conta de ouro arruína os membros da linhagem de uma pessoa, nascidos e por nascer, enquanto uma mentira por causa de terra arruína tudo. Portanto, nunca fale uma mentira por causa de terra.' Prahlada disse, 'Angiras é superior a mim, e Sudhanwan é superior a ti, ó Virochana. A mãe também de Sudhanwan é superior à tua mãe; portanto, tu, ó Virochana, foste derrotado por Sudhanwan. Sudhanwan é agora o dono da tua vida. Mas, ó Sudhanwan, eu desejo que tu conceda para Virochana sua vida.' Sudhanwan disse, 'Já que, ó Prahlada, tu preferiste a virtude e não, por tentação, disseste uma mentira, eu concedo para teu filho sua vida que é cara para ti. Assim aqui está teu filho Virochana, ó Prahlada, devolvido por mim para ti. Ele, no entanto, terá que lavar meus pés na presença da donzela Kesini.'” "Vidura continuou, 'Por estas razões, ó rei de reis, não cabe a ti dizer uma mentira por causa de terra. Dizendo uma mentira por afeição por teu filho, ó rei, não te apresse para a destruição, com todos os teus filhos e conselheiros. Os deuses não protegem os homens pegando cassetetes em suas mãos da mesma maneira que os boiadeiros; para aqueles, no entanto, que eles desejam proteger, eles concedem inteligência. Não há dúvida que os objetivos de alguém encontram o êxito em proporção à atenção que ele dirige à retidão e moralidade. Os Vedas nunca resgatam do pecado uma pessoa enganadora que vive por meio de falsidade.

Por outro lado, eles o abandonam enquanto ele está em seu leito de morte, como aves recém emplumadas abandonando seus ninhos. Alcoolismo, rixas, inimizade com grande número de homens, todas as ligações com disputas conjugais, e rompimento de relacionamento entre marido e esposa, dissensões internas, deslealdade ao rei; esses e todos os caminhos que são pecaminosos, devem, é dito, ser evitados. Um quiromante, um ladrão convertido em um comerciante, um caçador, um médico, um inimigo, um amigo, e um menestrel, estes sete são incompetentes como testemunhas. Um Agnihotra realizado por motivos de orgulho, abstenção de falar praticada por motivos similares, estudo e sacrifício pelos mesmos motivos, estes quatro, por si mesmos inocentes, se tornam prejudiciais quando praticados indevidamente. Alguém que põe fogo em uma residência, um aplicador de veneno, um alcoviteiro, um vendedor do suco Soma, um fabricante de flechas, um astrólogo, alguém que prejudica amigos, um adúltero, alguém que causa aborto, um violador do leito de seu preceptor, um Brahmana viciado em bebida, alguém que é de língua afiada, alguém que relembra velhas mágoas, um ateu, um difamador dos Vedas, e um recebedor de subornos, alguém cuja investidura com o fio sagrado foi retardada além da idade prescrita, alguém que secretamente mata gado, e alguém que mata uma pessoa que lhe suplica por proteção, estes todos são considerados como iguais em torpeza moral aos assassinos de Brahmanas. Ouro é testado por fogo; uma pessoa bem nascida, por seu comportamento; um homem honesto, por sua conduta.

Um homem corajoso é testado durante uma época de pânico; aquele que é auto-controlado, em tempos de pobreza; e amigos e inimigos, em tempos de calamidade e perigo. Decrepitude destrói beleza; esperanças ambiciosas, paciência; morte, vida; inveja, retidão; raiva, prosperidade; companhia com o inferior, bom comportamento; luxúria, modéstia; e orgulho, tudo. Prosperidade toma seu nascimento em bons feitos, cresce por consequência de atividade, lança suas raízes profundamente por habilidade, e adquire estabilidade devido ao autodomínio. Sabedoria, boa linhagem, autocontrole, conhecimento das escrituras, coragem, ausência de loquacidade, doações à extensão de seu poder, e gratidão, estas oito qualidades derramam um brilho sobre seu possuidor. Mas, ó majestade, há uma dotação a qual sozinha pode fazer todos estes atributos virem juntos; o fato é, quando o rei honra uma pessoa específica, o favor real pode fazer todos estes atributos derramarem seu brilho (sobre o favorito). Aqueles oito, ó rei, no mundo dos homens, são indicações de céu. Dos oito (mencionados abaixo) quatro estão inseparavelmente ligados com os bons, e quatro outros são sempre seguidos pelos bons. Os quatro primeiros que estão inseparavelmente ligados com os bons são sacrifício, doação, estudo e ascetismo, enquanto os outros quatro que são sempre seguidos pelos bons são autocontrole, veracidade, simplicidade, e abstenção de injúria para todos. Sacrifício, estudo, caridade, ascetismo, verdade, perdão, piedade, e contentamento constituem os oito diferentes caminhos da retidão.

Os quatro primeiros desses podem ser praticados por motivos de orgulho, mas os últimos quatro podem existir somente naqueles que são realmente nobres. Não há assembleia onde não há homens idosos, e aqueles que não são idosos não declaram o que é moralidade. Não existe moralidade que esteja separada da verdade, e não existe verdade que esteja repleta de engano. Verdade, beleza, familiaridade com as escrituras, conhecimento, nascimento nobre, bom comportamento, força, riqueza, coragem, e capacidade para conversa variada, estes dez são de origem celeste. Uma pessoa pecaminosa, por cometer pecado, é alcançada por más consequências. Um homem virtuoso, por praticar virtude, colhe grande felicidade. Portanto, um homem, rigidamente decidido, deve se abster do pecado. Pecado, repetidamente cometido, destrói a inteligência; e o homem que perdeu a inteligência comete pecados repetidamente. Virtude, repetidamente praticada, aumenta a inteligência; e o homem cuja inteligência aumentou repetidamente pratica virtude. O homem virtuoso, por praticar virtude, vai para regiões de bem aventurança. Portanto, um homem deve, firmemente resolvido, praticar virtude. Aquele que é invejoso, aquele que fere outros profundamente, aquele que é cruel, aquele que disputa constantemente, aquele que é enganador, logo encontram grande miséria por praticar esses pecados. Aquele que não é invejoso e é possuidor de sabedoria, por sempre fazer o que é bom, nunca encontra grande miséria; por outro lado, ele brilha em todos os lugares. Quem recebe sabedoria daqueles que são sábios é realmente erudito e sábio.

E aquele que é sábio, por se dedicar à virtude e lucro, tem êxito em alcançar a felicidade. Faça durante o dia aquilo que possa te permitir passar a noite em felicidade; e faça durante oito meses do ano o que possa te permitir passar a estação das chuvas felizmente. Faça durante a juventude o que possa te assegurar uma velhice feliz; e faça durante toda a tua vida aqui o que possa te permitir viver felizmente na vida futura. O sábio aprecia aquele alimento que é facilmente digerido, aquela esposa cuja juventude passou, aquele herói que é vitorioso e aquele asceta cujos esforços são coroados com êxito. A brecha que se procura encher por meio de riqueza adquirida injustamente permanece descoberta, enquanto novas aparecem em outros lugares. O preceptor controla aqueles cujas almas estão sob seu próprio controle; o rei controla pessoas que são más; enquanto aqueles que pecam secretamente têm seu controlador em Yama, o filho de Vivaswat. A grandeza de Rishis, de rios, de margens de rios, de homens de grande alma, e a causa da maldade da mulher, não podem ser averiguados. Ó rei, aquele que é devotado ao culto dos Brahmanas, aquele que faz doações, aquele que se comporta justamente em direção a seus parentes, e o Kshatriya que se comporta nobremente governa a terra para sempre. Aquele que é possuidor de coragem, aquele que é possuidor de erudição, e aquele que sabe como proteger outros, esses três são sempre capazes de colher flores de ouro da terra.

Das ações, aquelas realizadas pela inteligência são as primeiras; aquelas realizadas pelos braços, as segundas; aquelas pelas coxas, e aquelas por carregar pesos sobre a cabeça, são realmente as piores. Depositando o cuidado do teu reino em Duryodhana, em Sakuni, no tolo Dussasana, e em Karna, como tu podes esperar prosperidade? Possuidores de todas as virtudes, os Pandavas, ó touro da raça Bharata, dependem de ti como seu pai. Ó, repouse neles como em teus filhos!" 36 "Vidura disse, 'Em relação a isto é citada a antiga história da conversa entre o filho de Atri e as divindades chamadas Sadhyas como é conhecida por nós. Antigamente, as divindades conhecidas pelo nome de Sadhyas questionaram o Rishi altamente sábio e de votos rígidos (o filho de Atri), enquanto o último estava vagando na aparência de alguém dependendo de caridade como meio de vida. Os Sadhyas disseram, 'Nós somos, ó grande Rishi, divindades conhecidas como Sadhyas. Vendo-te, nós somos incapazes de adivinhar quem tu és. Parece-nos, no entanto, que tu és possuidor de inteligência e autocontrole por familiaridade com as escrituras. Portanto, cabe a ti discursar para nós em palavras magnânimas repletas de erudição.' O Rishi mendicante respondeu, 'Ó imortais, tem sido ouvido por mim que por desatar todos os nós no coração pela ajuda da tranquilidade, e por domínio sobre todas as paixões, e observância da religião verdadeira, uma pessoa deve considerar o agradável e o desagradável como seu próprio eu.

Não se deve devolver as calúnias ou repreensões de outros, pois a dor que é sentida por aquele que tolera silenciosamente consome o caluniador; e aquele que suporta têm êxito também em se apropriar das virtudes do caluniador. Não se percam em calúnias e repreensões. Não humilhem e insultem outros. Não disputem com amigos. Se abstenham de companhia com aqueles que são vis e inferiores. Não sejam arrogantes e ignóbeis em conduta. Evitem palavras que sejam duras e repletas de ira. Palavras duras queimam e chamuscam os próprios órgãos vitais, ossos, coração, e as próprias fontes da vida dos homens. Portanto, aquele que é virtuoso deve sempre se abster de palavras ríspidas e zangadas. Aquele pior dos homens que é de fala cruel e colérica, que perfura os órgãos vitais de outros com espinhos verbais, leva o inferno em sua língua, e deve sempre ser considerado como um dispensador de miséria para os homens. O homem que é sábio, perfurado pelas flechas verbais de outros, de pontas afiadas e ardentes como o fogo ou o sol, deve, mesmo que profundamente ferido e queimando de dor, aguentá-las pacientemente lembrando que os méritos do caluniador se tornam seus. Aquele que serve alguém que é bom ou alguém que é mau, alguém que é possuidor de mérito ascético ou alguém que é um ladrão, logo toma a cor daquele seu companheiro, como um tecido da tintura na qual está embebido.

Os próprios deuses desejam a companhia daquele que, aguilhoado com censura, não a devolve ele mesmo nem faz com que outros a devolvam, ou que sendo atingido não devolve o golpe ele mesmo nem faz com que outro o faça, e que não deseja o menor dano àquele que o fere. Silêncio, é dito, é melhor do que conversa, se você deve falar, então é melhor dizer a verdade; se a verdade é para ser dita, é melhor dizer o que é agradável; e se o que é agradável é para ser dito, então é melhor dizer o que é compatível com a moralidade. Um homem se torna exatamente como aquele com quem ele vive, ou como aquele a quem ele respeita, ou como aquele o qual ele deseja ser. Uma pessoa está livre daquelas coisas das quais ela se abstém, e se alguém se abstém de tudo ele não tem que sofrer nem a menor tristeza. Tal homem nem derrota outros, nem é derrotado por outros. Ele nunca prejudica nem se opõe a outros. Ele é indiferente a louvor ou crítica. Ele nem se aflige nem se exalta em alegria. É considerado como o principal da sua espécie aquele homem que deseja a prosperidade de todos e nunca fixa seu coração na miséria de outros, que é sincero em palavras, humilde em comportamento, e que tem todas as suas paixões sob controle. É considerado como um medíocre em bondade aquele homem que nunca consola outros por dizer o que não é verdade; que doa tendo promessa; e que vigia a fraqueza de outros.

Essas, no entanto, são as indicações de um homem mau, ou seja, incapacidade de ser controlado; sujeição a ser afligido por perigos; propensão a ceder à cólera, ingratidão; inabilidade para se tornar amigo de outro, e perversidade de coração. Também é o pior dos homens aquele que está descontente com qualquer bem que possa vir a ele de outros, que é suspeitoso de si mesmo, e que afasta de si mesmo todos os seus verdadeiros amigos. Quem deseja prosperidade para si mesmo deve servir aqueles que são bons, e às vezes aqueles que são indiferentes, mas nunca aqueles que são maus. Aquele que é mau ganha riqueza, é verdade, por empregar sua força, por esforço constante, por inteligência, e por destreza, mas ele nunca pode ganhar fama honesta, nem pode adquirir a virtude e boas maneiras de famílias nobres (em alguma das quais ele possa ser nascido).' Dhritarashtra disse, 'Os deuses, aqueles que consideram virtude e lucro sem se desviarem de um ou outro, e aqueles que são possuidores de grande erudição expressam uma simpatia por famílias nobres. Eu te faço, ó Vidura, esta pergunta, quais são aquelas famílias que são chamadas nobres?' Vidura disse, 'Ascetismo, autodomínio, conhecimento dos Vedas, sacrifícios, casamentos puros, e doações de alimento, aquelas famílias nas quais estes sete existem ou são praticados devidamente são consideradas nobres.

Há famílias ilustres que não se desviam da direção correta, cujos antepassados falecidos nunca são atormentados (por testemunharem os crimes de seus descendentes), que praticam alegremente todas as virtudes, que desejam aumentar a fama pura da linhagem na qual elas são nascidas, e que evitam todas as espécies de falsidade. Famílias que são nobres decaem e se tornam inferiores devido à ausência de sacrifícios, casamentos impuros, abandono dos Vedas, e insultos oferecidos para Brahmanas. Famílias nobres decaem e se tornam vis devido aos seus membros desconsiderarem ou falarem mal de Brahmanas, ou à apropriação indevida, ó Bharata, do que foi depositado com eles por outros. Aquelas famílias que são possuidoras de membros, riqueza e gado, não são consideradas como famílias se elas forem desprovidas de boas maneiras e boa conduta, enquanto famílias desprovidas de riqueza, mas distinguidas por boas maneiras e boa conduta são consideradas como tais e ganham grande reputação. Portanto, boas maneiras e boa conduta devem ser mantidas com cuidado, pois, quanto à riqueza, ela vem ou vai. Aquele que é desprovido de riqueza não é realmente necessitado, mas aquele que é desprovido de boas maneiras e conduta está realmente em miséria. Aquelas famílias que são ricas em vacas e outros gados e na produção do campo não são realmente dignas de respeito e fama se elas são deficientes em boas maneiras e boa conduta.

Que ninguém na nossa família seja um fomentador de disputas, ninguém sirva um rei como ministro, ninguém roube a riqueza de outros, ninguém provoque dissensões internas, ninguém seja enganador ou falso em comportamento, e ninguém coma antes de servir os Rishis, os deuses, e convidados. Aquele, em nossa família, que mata Brahmanas, ou nutre sentimentos de aversão em direção a eles, ou impede ou de outra maneira prejudica a agricultura, não merece se misturar conosco. Palha (para um assento), chão (para se sentar), água (para lavar os pés e rosto), e, em quarto lugar palavras agradáveis, estes nunca estão faltando nas casas dos bons. Homens virtuosos dedicados à prática de ações virtuosas, quando desejosos de entreter (convidados), têm estas coisas prontas para serem oferecidas com reverência. Como a árvore Sândalo, ó rei, embora fina, é capaz de suportar pesos que as madeiras de outras árvores (mais grossas) não podem; assim aqueles que pertencem a famílias nobres são sempre capazes de aguentar o peso de grandes cuidados que homens comuns não podem. Não é amigo aquele cuja raiva inspira temor, ou que é para ser servido com medo. Aquele, no entanto, em quem uma pessoa pode depositar confiança como em um pai, é um amigo verdadeiro. Outras amizades são relações triviais. Aquele que se comporta como um amigo, mesmo que não relacionado por nascimento de sangue, é um amigo verdadeiro, um refúgio real, e um protetor.

Aquele cujo coração é instável, ou que não serve os idosos, ou que é de uma disposição desassossegada não pode fazer amigos. Sucesso (na realização de objetivos) abandona a pessoa cujo coração é instável, ou que não tem controle sobre sua mente, ou que é um escravo de seus sentidos, como cisnes abandonando um tanque cuja água foi secada. Aqueles que são de mentes fracas cedem à raiva de repente e são gratificados sem causa suficiente; eles são como nuvens que são tão inconstantes. As próprias aves de rapina se abstêm de tocar os corpos mortos daqueles que tendo sido servidos e beneficiados por amigos mostram ingratidão aos últimos. Sejas pobre ou sejas rico, tu deves respeitar teus amigos. Até que um serviço é pedido, a sinceridade ou não de amigos não pode ser conhecida. Tristeza mata beleza; tristeza mata força; tristeza mata a compreensão; e tristeza causa doença. Aflição, em vez de ajudar a aquisição de seu objetivo, seca o corpo, e faz contentes os inimigos de alguém. Portanto, não ceda à aflição. Homens repetidamente morrem e renascem; repetidamente eles definham e crescem; repetidamente eles pedem ajuda a outros, e eles mesmos são pedidos por ajuda; repetidamente eles lamentam e são lamentados. Felicidade e tristeza, abundância e falta, lucro e perda, vida e morte são partilhados por todos na devida ordem. Portanto, aquele que é auto- controlado não deve se regozijar na alegria nem se queixar na tristeza. Os seis sentidos estão sempre agitados.

Através do mais predominante entre eles a compreensão de uma pessoa escapa em proporção à força que ele assume, como água de um vaso através de seus buracos.' Dhritarashtra disse, 'O rei Yudhishthira, que é como uma chama de fogo, foi enganado por mim. Ele certamente exterminará em batalha todos os meus filhos perversos. Tudo, portanto, me parece estar repleto de perigo, e minha mente está cheia de ansiedade. Ó tu de grande inteligência, diga-me palavras que possam dissipar minha ansiedade.' Vidura disse, 'Ó impecável, em nada mais do que conhecimento e ascetismo, em nada mais do que controle dos sentidos, em nada mais do que abandono completo da avareza, eu vejo o teu bem. O medo é dissipado por autoconhecimento; por ascetismo uma pessoa obtém o que é grandioso e valioso; por servir superiores erudição é adquirida; e paz é obtida por autodomínio. Aqueles que desejam salvação sem terem adquirido o mérito obtenível por meio de doações, ou aquele que é alcançável pela prática do ritual dos Vedas, não viajam pela vida livres de raiva e aversão. A felicidade que pode ser derivada de um método judicioso de estudo, de uma batalha lutada virtuosamente, de austeridades ascéticas realizadas rigidamente, sempre aumenta no fim. Aqueles que não estão mais em paz com seus parentes não conseguem dormir mesmo que eles recorram a camas bem feitas; nem eles, ó rei, derivam algum prazer de mulheres, ou dos hinos laudatórios de bardos e elogiadores. Tais pessoas nunca podem praticar virtude. Felicidade nunca pode ser deles neste mundo.

Honras nunca podem ser deles, e a paz não tem encanto para eles. Conselhos que são para seu benefício não os agradam. Eles nunca adquirem o que eles não têm, nem conseguem manter o que eles têm. Ó rei, não há outro fim para semelhantes homens salvo a destruição. Como leite é possível em vacas, ascetismo em Brahmanas, e inconstância em mulheres, assim temor é possível de parentes. Numerosos fios finos de comprimento igual, colocados juntos, são competentes para suportar, por causa da força de números, o constante rolar da peteca sobre eles. O caso é assim mesmo com parentes que são bons, ó touro da raça Bharata, separados uns dos outros, tições ardentes produzem somente fumaça; mas juntos eles resplandecem em uma chama poderosa. O caso é assim mesmo, ó Dhritarashtra, com parentes. Aqueles, ó Dhritarashtra, que maltratam Brahmanas, mulheres, parentes, e vacas logo caem de suas bases, como frutas que estão maduras. E a árvore que fica sozinha, embora gigantesca e forte e enraizada, tem seu tronco logo quebrado e torcido por um vento poderoso. Aquelas árvores, no entanto, que crescem unidas firmemente são competentes devido à mútua dependência de resistir a ventos mais violentos ainda. Dessa maneira aquele que está sozinho, embora dotado de todas as virtudes, é considerado por inimigos como capaz de ser derrotado como uma árvore isolada pelo vento. Parentes, além disso, por dependência mútua e ajuda mútua, crescem juntos, como hastes de lotos em um lago.

Estes nunca devem ser mortos, isto é, Brahmanas, vacas, parentes, crianças, mulheres, aqueles cujo alimento é comido, e aqueles também que se entregam pedindo proteção. Ó rei, sem bem-estar nenhuma boa qualidade pode se mostrar em uma pessoa. Se, no entanto, tu estás com saúde, tu podes realizar o teu bem, pois está sem força aquele que está adoentado e mal. Ó rei, a raiva é um tipo de bebida amarga, pungente, acre, e quente, dolorosa em suas consequências; ela é uma espécie de dor de cabeça não nascida de alguma doença física, e aqueles que não são inteligentes nunca podem digeri-la. Ó rei, engula-a e obtenha paz. Aqueles que são torturados por doenças não têm gosto por prazeres, nem eles desejam alguma felicidade da riqueza. O doente, de qualquer modo, cheio de tristeza, não sabe o que é felicidade ou o que são os prazeres da riqueza. Vendo Draupadi ganha no jogo de dados, eu te disse antes, ó rei, estas palavras, ‘Aqueles que são honestos evitam fraude em jogo. Portanto, pare Duryodhana!’ Tu, no entanto, não agiste segundo minhas palavras. Não há força que seja oposta à suavidade. Por outro lado, força misturada com suavidade constitui verdadeira política que deve sempre ser adotada. Aquela prosperidade a qual é dependente de desonestidade somente está destinada a ser destruída. Aquela prosperidade, no entanto, a qual depende de força e suavidade descende para filhos e netos de fato. Deixe, portanto, teus filhos apreciarem os Pandavas, e os Pandavas também apreciarem teus filhos.

Ó rei, que os Kurus e os Pandavas, ambos tendo os mesmos amigos e os mesmos inimigos, vivam juntos em felicidade e prosperidade. Tu és, hoje, ó rei, o refúgio dos filhos de Kuru. De fato, a família de Kuru, ó Ajamida, é dependente de ti. Ó majestade, preservando a tua fama imaculada, trate com carinho os filhos de Pandu, afligidos como eles estão com os sofrimentos do exílio. Ó descendente de Kuru, faça as pazes com os filhos de Pandu. Não deixe teus inimigos descobrirem tuas falhas. Eles todos, ó deus entre homens, são devotados à verdade. Ó rei de homens, retire Duryodhana de seus maus caminhos.'" "Vidura disse, 'Ó filho de Vichitravirya, Manu, o filho do Auto-criado, ó rei, falou dos seguintes dezessete tipos de homens, como aqueles que golpeiam o espaço vazio com seus punhos, ou procuram curvar o arco vaporoso de Indra no céu, ou desejam pegar os raios intangíveis do sol. Aqueles dezessete tipos de homens tolos são os seguintes: aquele que procura controlar uma pessoa que é incapaz de ser controlada; aquele que está contente com pequenos lucros; aquele que humildemente corteja inimigos; aquele que procura reprimir a instabilidade das mulheres; aquele que pede doações àquele a quem nunca deve ser pedido; aquele que se gaba, tendo feito qualquer coisa; aquele que, nascido em uma família nobre, comete um ato impróprio; aquele que sendo fraco sempre mantém hostilidades com alguém que é poderoso; aquele que fala para uma pessoa escutando com zombaria; aquele que deseja ter o que é inalcançável; aquele que sendo um sogro graceja com sua nora; aquele que se gaba ao ter seus alarmas dissipados por sua nora; aquele que espalha suas próprias sementes no campo de outro; aquele que fala mal de sua própria esposa; aquele que tendo recebido alguma coisa de outro diz que ele não se lembra disso, aquele que, tendo doado alguma coisa em palavras em lugares sagrados se gaba em casa quando pedido para cumprir suas palavras, e aquele que se esforça para comprovar a verdade do que é falso. Os enviados de Yama, com laços nas mãos, arrastam estas pessoas para o inferno. Uma pessoa deve se comportar em direção a outra exatamente como aquela outra se comporta em direção a ela. Isso mesmo é consistente com política social. Uma pessoa pode se comportar enganadoramente em direção àquele que se comporta enganadoramente, mas honestamente em direção àquele que é honesto em seu comportamento. Velhice mata beleza; paciência, expectativa; morte, vida; a prática da virtude, prazeres mundanos; luxúria, modéstia; companhia com os maus, bom comportamento; raiva, prosperidade; e orgulho, tudo.' Dhritarashtra disse, 'O homem tem sido citado em todos os Vedas como tendo cem anos como o período de sua vida. Por que razão então nem todos os homens alcançam o período concedido?' Vidura disse, 'Excesso de orgulho, excesso em palavras, excesso em comer, raiva, o desejo de prazer, e dissensões internas, estas, ó rei, são seis espadas afiadas que cortam o período de vida concedido para as criaturas. São estas que matam os homens, e não a morte. Sabendo disto, seja abençoado! Aquele que se apropria da esposa de alguém que confiou nele; aquele que viola a cama de seu preceptor; aquele Brahmana, ó Bharata, que se torna o marido de uma mulher Sudra, ou bebe vinhos; aquele que domina Brahmanas ou se torna seu patrão, ou tira as terras que os sustentam; e aquele que tira as vidas daqueles que se entregam pedindo proteção, são todos culpados do pecado de matar Brahmanas. Os Vedas declaram que contato com estes requer expiação. Aquele que aceita o ensino dos sábios; aquele que conhece as regras de moralidade; aquele que é generoso; aquele que come tendo primeiro oferecido o alimento aos deuses e Pitris; aquele que não inveja ninguém; aquele que é incapaz de fazer alguma coisa que prejudique outros; aquele que é grato, sincero, humilde e erudito, estes têm êxito em alcançar o céu. São abundantes, ó rei, aqueles que podem sempre falar palavras agradáveis. O orador, no entanto, é raro, como também o ouvinte, de palavras que são desagradáveis, porém medicinais. Aquele homem que, sem considerar o que é agradável ou desagradável para seu mestre, mas mantendo somente a virtude em vista diz o que é desagradável, mas medicinal, realmente contribui para a força do rei. Por causa de uma família um membro pode ser sacrificado; por causa de uma aldeia, uma família pode ser sacrificada; por causa de um reino uma aldeia pode ser sacrificada; e por uma alma, a terra inteira pode ser sacrificada. Uma pessoa deve proteger sua riqueza em vista das calamidades que podem lhe acontecer; por meio de sua riqueza um homem deve proteger suas esposas, e por meio de sua riqueza e esposas ele deve proteger a si mesmo. Desde tempos muito antigos é visto que o jogo provoca brigas. Portanto, aquele que é sábio não deve recorrer a ele nem de brincadeira. Ó descendente de Pratipa, no momento daquele jogo eu te disse, ‘Ó rei, isto não é apropriado.’ Mas, ó filho de Vichitravirya, como remédio para um homem doente, aquelas minhas palavras não foram agradáveis para ti. Ó rei, tu desejaste derrotar os filhos de Pandu, que são assim como pavões de plumagem multicor, uma vez que teus filhos são todos como corvos. Abandonando leões tu estás protegendo chacais! Ó rei, quando chegar a hora, tu terás que sofrer por tudo isto. Aquele mestre, ó majestade, que não dá vazão ao seu desgosto com servos leais zelosamente buscando seu bem conquista a confiança de seus servos. Realmente, os últimos aderem a ele mesmo em infortúnio. Por confiscar os privilégios para um empregado ou parar seu pagamento um homem não deve procurar acumular riqueza, pois até conselheiros afetuosos privados de seus meios de vida e prazer se voltam contra ele e o deixam (em infortúnio). Refletindo primeiro sobre todas as ações intentadas e ajustando os salários e concessões de empregados com sua renda e gastos, um rei deve fazer alianças apropriadas, pois não há nada que não possa ser realizado por alianças. Aquele oficial que compreendendo inteiramente as intenções de seu mestre real cumpre todos os deveres prontamente, e que é respeitável e dedicado ao seu mestre, sempre diz o que é para o bem de seu mestre, e que está totalmente familiarizado com a extensão de sua própria força e com aquela também daqueles contra quem ele possa estar engajado, deve ser considerado pelo rei como sua segunda pessoa. Daquele empregado, no entanto, que mandado (por seu patrão) desconsidera as injunções do último e que mandado fazer alguma coisa se recusa a ceder, orgulhoso como ele é de sua própria inteligência e dado a argumentar contra seu patrão, uma pessoa deve se livrar sem a menor demora. Homens de erudição dizem que um empregado deve ser dotado destas oito qualidades, isto é, ausência de orgulho, habilidade, ausência de procrastinação, bondade, limpeza, incorruptibilidade, nascimento em uma família livre da mácula de doença, e palavras significativas. Nenhum homem deve confiantemente entrar na casa de um inimigo depois do crepúsculo nem com aviso. Não se deve à noite espreitar na área do recinto de outro, nem se deve procurar desfrutar de uma mulher a quem o próprio rei possa namorar. Nunca te coloque contra a decisão à qual chegou uma pessoa que mantém companhia inferior e que tem o hábito de consultar todos os que ela encontra. Nunca diga a ela, ‘Eu não acredito em ti’, mas apontando algum motivo mande-a embora sob um pretexto. Um rei que é extremamente piedoso, uma mulher de caráter lascivo, o empregado de um rei, um filho, um irmão, uma viúva tendo um filho menor, alguém servindo no exército, e alguém que tem sofrido grandes perdas, nunca deve ser engajado em transações pecuniárias de empréstimos ou obtenção de empréstimos. Estas oito qualidades derramam um brilho sobre homens, ou seja, sabedoria, linhagem nobre, conhecimento das escrituras, autodomínio, coragem, moderação em palavras, doações à extensão de seu poder, e gratidão. Estas qualidades elevadas, ó majestade, são necessariamente reunidas por alguém somente por meio de doações. Quando o rei favorece uma pessoa, aquele incidente (de favor real) traz todos os outros e os mantém juntos. Aquele que realiza abluções ganha estes dez: força, beleza, uma voz clara, capacidade para proferir todos os sons alfabéticos, delicadeza de toque, sutileza de aroma, limpeza, graciosidade, delicadeza de membros, e mulheres belas. Aquele que come frugalmente ganha estes seis: saúde, vida longa, e bem-estar; seus filhos também se tornam saudáveis, e ninguém o repreende por gula. Uma pessoa não deve dar abrigo em sua casa a estes: alguém que sempre age impropriamente, alguém que come demasiado, alguém que é odiado por todos, alguém que é extremamente enganador, alguém que é cruel, alguém que é ignorante das propriedades de hora e lugar, e alguém que se veste indecentemente. Uma pessoa, embora aflita, nunca deve solicitar um avaro por esmolas, ou alguém que fala mal de outros, ou alguém que não conhece os shastras, ou um habitante das florestas, ou alguém que é astuto, ou alguém que não respeita pessoas dignas de consideração, ou alguém que é cruel, ou alguém que habitualmente briga com outros, ou alguém que é mal-agradecido. Uma pessoa nunca deve visitar estes seis piores dos homens: alguém que é um inimigo, alguém que sempre transgride as normas, alguém que é ligado à falsidade, alguém que é desprovido de devoção aos deuses, alguém que não tem afeto, e alguém que sempre se considera competente para fazer tudo. Os propósitos de uma pessoa dependem (para seu êxito) dos meios; e meios são dependentes, além disso, da natureza dos propósitos (procurados ser realizados por meio deles). Eles estão intimamente ligados um ao outro, pelo que o sucesso depende de ambos. Gerando filhos e os tornando independentes por fazer alguma provisão para eles, e entregando filhas moças para homens qualificados, um homem deve se retirar para as florestas, e desejar viver como um Muni. Ele deve, para obter os favores do Ser Supremo, fazer o que é para o bem de todas as criaturas como também para sua própria felicidade, pois é isto que é a base dos mais bem sucedidos de todos os objetivos de alguém. Que ansiedade por um meio de vida tem aquele que tem inteligência, energia, coragem, força, entusiasmo e perseverança? Veja os males de um rompimento com os Pandavas o qual entristeceria os próprios deuses com Sakra. Estes são, primeiro, inimizade entre aqueles que são todos teus filhos; em segundo lugar, uma vida de ansiedade contínua; em terceiro lugar, a perda da fama justa dos Kurus; e por fim, a alegria daqueles que são teus inimigos. A ira de Bhishma, ó tu do esplendor de Indra, de Drona, e do rei Yudhishthira consumirão o mundo inteiro, como um cometa de grandes proporções caindo transversalmente na terra. Teus cem filhos e Karna e os filhos de Pandu podem governar juntos a vasta terra com a faixa dos mares. Ó rei, os Dhritarashtras constituem uma floresta da qual os Pandavas são, eu penso, tigres. Ó, não derrube aquela floresta com seus tigres! Ó, não deixe os tigres serem expulsos daquela floresta! Não pode haver floresta sem tigres, e nem tigres sem uma floresta. A floresta abriga os tigres e os tigres guardam a floresta! Aqueles que são pecaminosos nunca procuram tanto averiguar as boas qualidades de outros quanto averiguar seus defeitos. Aquele que deseja o maior êxito em todas as questões conectadas com lucro mundano deve praticar a virtude desde o início, pois verdadeiro lucro nunca está separado do céu. Aquele cuja alma está dissociada do pecado e firmemente fixada na virtude compreendeu todas as coisas em seus estados naturais e adventícios; aquele que vai atrás de virtude, lucro, e desejo, em épocas apropriadas, obtém, neste mundo e no outro, uma combinação de todos os três. Aquele que refreia a força da raiva e alegria, e nunca, ó rei, perde sua razão sob calamidades, ganha prosperidade. Ouça-me, ó rei. Homens são citados como tendo cinco diferentes espécies de força. Destas, a força de braços é considerada como sendo a espécie mais inferior. Abençoado sejas tu, a aquisição de bons conselheiros é considerada como a segunda espécie de força. Os sábios dizem que a aquisição de riqueza é a terceira espécie de força. A força de nascimento, ó rei, que uma pessoa adquire naturalmente de seus pais e avôs é considerada como a quarta espécie de força. Aquela, no entanto, ó Bharata, pela qual todas essas são obtidas, e que é a principal de todas as espécies de força, é chamada de força de intelecto. Tendo provocado a hostilidade de uma pessoa que é capaz de infligir grande dano em uma criatura semelhante, uma pessoa não deve acumular confiança do pensamento que ela vive longe da outra. Quem que é sábio pode colocar sua confiança em mulheres, reis, serpentes, seu próprio patrão, inimigos, prazeres, e período de vida? Não há médicos nem remédios para alguém que foi atingido pela flecha da sabedoria. No caso de tal pessoa nem os mantras de homa, nem cerimônias auspiciosas, nem os mantras do Atharva Veda, nem algum dos antídotos de veneno, são de alguma eficácia. Serpentes, fogo, leões, e parentes consanguíneos, nenhum desses, ó Bharata, deve ser desconsiderado por um homem; todos esses são possuidores de grande poder. Fogo é uma coisa de grande energia neste mundo. Ele espreita em madeira e nunca a consome até que seja aceso por outros. Aquele mesmo fogo, quando tirado por fricção, consome com sua energia não somente a madeira na qual ele se esconde, mas também uma floresta inteira e muitas outras coisas. Homens de linhagem nobre são exatamente como fogo em energia. Dotados de clemência, eles não mostram sintomas externos de ira e são quietos como fogo em madeira. Tu, ó rei, com teus filhos és possuidor da virtude de trepadeiras, e os filhos de Pandu são considerados como árvores Sala. Uma trepadeira nunca cresce a menos que haja uma árvore grande para se enrolar em volta. Ó rei, ó filho de Ambika, teu filho é como uma floresta. Ó majestade, saiba que os Pandavas são os leões daquela floresta. Sem seus leões a floresta está fadada à destruição, e leões também estão fadados à destruição sem a floresta (para abrigá-los).'" "Vidura disse, 'O coração de um homem jovem, quando uma pessoa idosa e venerável vai à sua casa (como um convidado), se eleva às alturas. Por se adiantar e saudá-la, ele recebe isto de volta. Aquele que é auto-controlado, primeiro oferecendo um assento, e trazendo água e fazendo os pés do seu convidado serem lavados e fazendo as perguntas usuais de boas vindas, deve então falar dos seus próprios assuntos, e levando tudo em consideração, lhe oferecer alimento. Os sábios dizem que vive em vão o homem em cuja residência um Brahmana conhecedor de mantras não aceita água, mel e coalhos, e vacas por medo de não poder se apropriar deles, ou por causa da avareza e má vontade com as quais os presentes são feitos. Um médico, um fabricante de setas, até alguém que abandonou o voto de Brahmacharya antes dele estar terminado, um ladrão, um homem de mente desonesta, um Brahmana que bebe, alguém que causa aborto, alguém que vive por servir no exército, e alguém que vende os Vedas, quando chegado como um convidado, embora ele não seja merecedor, a oferta de água deve ser considerada (por um chefe de família) como muito prezada. Um Brahmana nunca deve ser um vendedor de sal, de alimento cozido, coalhos, leite, mel, óleo, manteiga clarificada, gergelim, carne, frutas, raízes, ervas cozinhas e mantidas em tempero, roupas tingidas, todas espécies de perfumaria, e melado. Aquele que nunca cede à raiva, aquele que está acima de aflição, aquele que não tem mais necessidade de amizade e discussões, aquele que desconsidera elogio e crítica, e aquele que permanece indiferente ao que é agradável e desagradável, como uma pessoa perfeitamente afastada do mundo, é um Yogin nobre da ordem Bhikshu. Aquele asceta virtuoso que vive de arroz crescendo selvagem, ou raízes, ou ervas, que tem sua alma sob controle, que mantém cuidadosamente seu fogo para culto, e residindo nas florestas é sempre atencioso aos convidados, é de fato, o principal de sua confraria. Tendo sido injusto com uma pessoa inteligente, alguém nunca deve colher garantia do fato de que vive longe da pessoa prejudicada. Longos são os braços que as pessoas inteligentes têm, pelos quais elas podem devolver males por males feitos a elas. Uma pessoa nunca deve pôr confiança naquele que não é de confiança, nem pôr confiança demais naquele em quem se deve confiar, pois o perigo que surge de ter depositado confiança em outro corta as próprias bases de uma pessoa. Um homem deve renunciar à inveja, proteger suas esposas, dar a outros o que lhes é devido, e ser agradável em palavras. Ele deve ser de fala gentil e agradável em sua atitude com respeito a suas esposas, mas nunca deve ser seu escravo. É dito que esposas que estão altamente abençoadas e virtuosas, dignas de culto e os ornamentos de suas casas, são realmente encarnações da prosperidade doméstica. Elas devem, portanto, ser protegidas particularmente. Um homem deve transferir a seu pai a inspeção dos seus aposentos internos; da cozinha, à sua mãe; dos gados, a alguém que ele considere como a si mesmo, mas com relação à agricultura, ele mesmo deve inspecioná-la. Ele deve cuidar de convidados da casta comerciante por meio de seus empregados, e daqueles da casta Brahmana através de seus filhos. Fogo tem sua origem em água; Kshatriyas em Brahmanas; e ferro em pedra. A energia desses (fogo, Kshatriyas, e ferro) pode afetar todas as coisas, mas é neutralizada logo que as coisas entram em contato com seus progenitores. Fogo jaz oculto em madeira sem se mostrar externamente. Homens bons e clementes nascidos em famílias nobres e dotados de energia ardente não mostram quaisquer sintomas externos do que está dentro deles. Aquele rei cujos planos não podem ser conhecidos nem por estranhos ou aqueles em volta dele, mas que conhece os planos de outros por meio de seus espiões, desfruta de sua prosperidade por muito tempo. Uma pessoa nunca deve falar do que ela pretende fazer. Que qualquer coisa que tu faças em relação à virtude, lucro, e desejo não seja conhecida até que esteja feita. Que planos não sejam divulgados. Subindo no topo da montanha ou no terraço de um palácio, ou procedendo para um ermo desprovido de árvores e plantas, deve-se, em sigilo, amadurecer seus planos. Ó Bharata, nem um amigo que não tem erudição, nem um amigo erudito que não tem controle sobre seus sentidos merece ser um repositório de segredos de estado. Ó rei, nunca faça teu ministro uma pessoa sem examiná-la bem, pois as finanças de um rei e a manutenção de seus planos dependem ambas de seu ministro. É o principal dos soberanos aquele cujos ministros conhecem suas ações em relação à virtude, lucro e desejo somente depois que elas estão feitas. O rei cujos planos são mantidos fechados sem dúvida faz jus ao sucesso. Aquele que por ignorância comete ações que são censuráveis perde sua própria vida por consequência dos resultados desfavoráveis daquelas ações. O cometimento de ações que são dignas de louvor está sempre ligado ao bem-estar. Omissão em fazer tais ações leva ao arrependimento. Como um Brahmana sem ter estudado os Vedas não está apto para oficiar em um Sraddha (em honra dos Pitris), assim aquele que não sabe dos seis (meios para proteger um reino) não merece tomar parte em deliberações políticas. Ó rei, aquele que tem um olhar vigilante sobre aumento, diminuição, e excedente, aquele que está familiarizado com os seis meios e conhece também a si mesmo, ele cuja conduta é sempre elogiada traz a terra inteira sob submissão a si mesmo. Aquele cuja raiva e alegria são produtivas de consequências, aquele que inspeciona pessoalmente o que deve ser feito, aquele que tem sua tesouraria sob seu próprio controle traz a terra inteira sob submissão a si mesmo. O rei deve estar contente com o nome que ele ganha e o guarda-sol que é mantido sobre sua cabeça. Ele deve dividir a riqueza do reino entre aqueles que o servem. Ele não deve se apropriar sozinho de tudo. Um Brahmana conhece um Brahmana, o marido compreende a esposa, o rei conhece o ministro, e monarcas conhecem monarcas. Um inimigo que merece a morte, quando trazido sob submissão nunca deve ser libertado. Se uma pessoa for fraca ela deve cortejar um inimigo que é mais forte, mesmo que o último mereça a morte; mas ela deve matar aquele inimigo logo que ela domine força suficiente, pois, se não morto, perigos logo surgem dele. Deve-se, com um esforço, controlar sua ira contra os deuses, reis, Brahmanas, homens velhos, crianças, e aqueles que são desamparados. Aquele que é sábio deve evitar disputas não lucrativas nas quais somente tolos se engajam. Por meio disto uma pessoa ganha grande renome neste mundo e evita miséria e tristeza. As pessoas nunca desejam como um patrão aquele cuja graça é inútil e cuja ira não tem valor, como mulheres nunca desejam para um marido aquele que é um eunuco. Inteligência não existe para a aquisição de riqueza, nem é a ociosidade a causa da adversidade; somente o homem de sabedoria conhece, e não outros, a causa das diversidades de condição neste mundo. O tolo, ó Bharata, sempre desrespeita as pessoas de idade, e eminentes em conduta e conhecimento, em inteligência, riqueza, e linhagem. Calamidades logo caem sobre aqueles que são de disposição perversa, desprovidos de sabedoria, invejosos, ou pecaminosos, de língua suja, e coléricos. Ausência de falsidade, caridade, observância das regras estabelecidas de relacionamento, e fala bem controlada trazem todas as criaturas sob submissão. Aquele que não tem propensão para enganar, que é ativo, agradecido, inteligente, e honesto, mesmo que sua tesouraria esteja vazia, consegue amigos, conselheiros, e empregados. Inteligência, tranquilidade de mente, autocontrole, pureza, ausência de palavras ríspidas e repugnância em fazer qualquer coisa desagradável para amigos, estes sete são considerados como o combustível da chama da prosperidade. O patife que não dá para outros o que lhes é devido, que é de alma má, que é mal-agradecido, e sem vergonha, deve, ó rei, ser evitado. A pessoa culpada que provoca outra sobre aquele que é inocente não pode dormir pacificamente à noite, como uma pessoa passando a noite com uma cobra no mesmo quarto. Aqueles, ó Bharata, que ao ficarem zangados põem em perigo as posses e meios de aquisição de alguém devem sempre ser propiciados como os próprios deuses. Aqueles objetivos que dependem de mulheres, pessoas descuidadas, homens que abandonaram os deveres de sua casta, e daqueles que são maus em disposição são de sucesso duvidoso. Afundam sem auxílio, ó rei, como uma balsa feita de pedra, aqueles que têm uma mulher, uma pessoa enganadora, ou uma criança como seu guia. Aqueles que são competentes nos princípios gerais de trabalho, embora não em tipos específicos de trabalho são considerados por homens como eruditos e sábios, pois tipos específicos de trabalho são subsidiários. Aquele homem que é citado em termos elogiosos por vigaristas, mímicos e mulheres de má fama está mais morto do que vivo. Abandonando aqueles arqueiros poderosos de energia incomensurável, isto é, os filhos de Pandu, tu, ó Bharata, transferiste para Duryodhana os cuidados de um império imenso. Tu, portanto, logo verás esta grande afluência declinar, como Vali caído dos três mundos.'" 39 "Dhritarashtra disse, 'O homem não é o distribuidor de sua prosperidade ou adversidade. Ele é como um boneco de madeira movido por cordas. De fato, o Criador fez o homem sujeito ao Destino. Continue a me falar, eu estou atento ao que tu dizes.'” “Vidura disse, 'Ó Bharata, por falar palavras em tempo impróprio até Vrihaspati se expôs à crítica e ao fardo da ignorância. Uma pessoa se torna agradável por meio de presentes, outra por palavras gentis, uma terceira pela força de encantamentos e drogas. Aquele, no entanto, que é naturalmente agradável, sempre permanece assim. Aquele que é odiado por outro nunca é considerado por aquele outro como honesto ou inteligente ou sábio. Uma pessoa atribui tudo de bom a alguém que ela ama; e tudo de mau ao que ela odeia. Ó rei, logo que Duryodhana nasceu eu te disse, tu deves abandonar este único filho, pois por abandoná-lo tu assegurarás a prosperidade dos teus cem filhos, e por mantê-lo, a destruição tragará teus cem filhos. Nunca deve ser considerado favoravelmente aquele ganho que leva à perda. Por outro lado, deve ser considerada favoravelmente aquela perda que traz lucro. Não é perda, ó rei, aquela que ocasiona ganho. No entanto, deve ser considerado como perda aquilo que sem dúvida ocasionará perdas maiores ainda. Alguns se tornam eminentes por boas qualidades; outros se tornam assim por riqueza. Evite aqueles, ó Dhritarashtra, que são eminentes em riqueza mas desprovidos de boas qualidades!'” “Dhritarashtra disse, 'Tudo o que você diz é aprovado pelos sábios e é para meu bem futuro. Eu não ouso, no entanto, abandonar meu filho. É bem sabido que onde há retidão há vitória.'" "Vidura disse, 'Aquele que é agraciado com todas as virtudes e é dotado de humildade nunca é indiferente nem aos minúsculos sofrimentos de criaturas vivas. Aqueles, no entanto, que estão sempre ocupados em falar mal de outros sempre se esforçam com energia disputando uns com os outros e em todas as questões, calculadas para causar dor para outros. Há pecado em aceitar presentes, e perigo em fazer presentes para aqueles cuja própria visão é inauspiciosa e cuja companhia é repleta de perigo. Aqueles que são briguentos, cobiçosos, desavergonhados, enganadores, são conhecidos injustos, e sua companhia deve sempre ser evitada. Deve-se também evitar aqueles homens que são dotados de defeitos similares de uma natureza grave. Quando o motivo que causou a amizade está terminado a amizade daqueles que são inferiores, o resultado benéfico daquela conexão, e a felicidade também derivável disto, tudo acaba. Eles então se esforçam para falar mal de seu (último) amigo e se esforçam para infligir prejuízo a ele, e mesmo se a perda que eles sofrem for muito pequena, apesar de tudo isso eles, por falta de autocontrole, fracassam em desfrutar de paz. Aquele que é erudito, examinando tudo com cuidado e refletindo bem, deve, de uma distância, evitar a amizade de pessoas vis e de mente perversa tais como essas. Aquele que ajuda seus parentes pobres e desventurados e incapazes obtém filhos e animais e desfruta de prosperidade que não conhece fim. Aqueles que desejam seu próprio benefício devem sempre auxiliar seus parentes. Por todos os meios, portanto, ó rei, procure o crescimento da tua família. A prosperidade será tua, ó monarca, se tu te comportares bem para com todos os teus parentes. Até parentes que são desprovidos de boas qualidades devem ser protegidos. Ó touro da raça Bharata, quanto mais, portanto, devem ser protegidos aqueles que são dotados de todas as virtudes e estão humildemente expectantes dos teus favores? Favoreça os filhos heróicos de Pandu, ó monarca, e deixe que poucas aldeias sejam conferidas a eles para sua manutenção. Por agires dessa maneira, ó rei, a fama será tua neste mundo. Tu és idoso; tu deves, portanto, controlar teus filhos. Eu devo dizer o que é para o teu bem. Conheça-me como alguém que deseja bem para ti. Aquele que deseja seu próprio benefício nunca deve brigar, ó majestade, com seus parentes. Ó touro da raça Bharata, felicidade deve ser sempre desfrutada com os parentes, e não sem eles; comer um com o outro, conversar um com o outro, e amar um ao outro, é o que parentes sempre devem fazer. Eles nunca devem brigar. Neste mundo são os parentes que resgatam, e os parentes que arruínam (parentes). Aqueles entre eles que são justos resgatam; enquanto aqueles que são injustos afundam (seus confrades). Ó rei, seja, ó concessor de honras, justo em teu comportamento em direção aos filhos de Pandu. Cercado por eles, tu serás inconquistável por teus inimigos. Se um parente se contrai na presença de um parente próspero, como um veado à visão de um caçador armado com flechas, então o parente próspero tem que tomar sobre ele mesmo todos os pecados do outro. Ó melhor dos homens, o arrependimento será teu (por esta tua inação no momento) quando no futuro tu souberes da morte ou dos Pandavas ou dos teus filhos. Ó, pense em tudo isso. Como a própria vida é instável, uma pessoa deve no próprio início evitar aquela ação por consequência da qual ela tenha que se entregar ao remorso tendo entrado no aposento da dor. Verdade é que toda pessoa a não ser Bhargava, o autor da ciência de moralidade, está sujeita a cometer ações que vão contra a moralidade. É visto, no entanto, que uma justa noção de consequência está presente em todas as pessoas de inteligência. Tu és um descendente idoso da linhagem de Kuru. Se Duryodhana infligiu estes males aos filhos de Pandu, é teu dever, ó rei de homens, desfazer todos eles. Reinstalando eles em suas posições, tu serás, neste mundo, purificado de todos os teus pecados e serás, ó rei de homens, um objeto de admiração até para aqueles que têm suas almas sob controle. Refletindo sobre as palavras bem faladas dos sábios correspondentes às suas consequências, aquele que se engaja em ações nunca perde renome. O conhecimento comunicado até por homens de erudição e habilidade é imperfeito, pois aquilo que se procura inculcar pode ser mal-compreendido, ou, se compreendido, pode não ser realizado na prática. Aquela pessoa erudita que nunca faz uma ação cujas consequências são pecado e tristeza sempre cresce (em prosperidade). A pessoa, no entanto, de alma perversa, que por insensatez continua seu comportamento pecaminoso começado anteriormente cai em um pântano de lama profunda. Aquele que é sábio deve sempre manter em vista os seis canais (seguintes) pelos quais planos vêm a ser divulgados, e aquele que deseja êxito e uma longa dinastia deve sempre se proteger desses seis. Eles são: intoxicação, torpor, desatenção a espiões, colocar um acima de outro, a própria conduta como dependente da operação do seu próprio coração, confiança depositada em um conselheiro pecaminoso, e enviados inábeis. Conhecendo estas seis portas (através das quais planos são divulgados), aquele que as mantém fechadas enquanto busca a obtenção de virtude, lucro, e desejo tem êxito em permanecer acima das cabeças de seus inimigos. Sem um conhecimento das escrituras e sem visitar os idosos, nem virtude nem lucro podem ser conhecidos (ou obtidos) nem por pessoas abençoadas com a inteligência de Vrihaspati. Uma coisa é perdida se lançada ao mar; palavras são perdidas se dirigidas a alguém que não escuta; as escrituras estão perdidas em alguém que não tem sua alma sob controle; e uma libação de manteiga clarificada é perdida se derramada sobre as cinzas deixadas por um fogo que está extinto. Aquele que é dotado de inteligência faz amizade com aqueles que são sábios, tendo primeiro examinado pela ajuda de sua inteligência, repetidamente investigando por meio de sua mente, e usando seus ouvidos, olhos, e discernimento. Humildade elimina infâmia; atenção, fracasso, bravura; perdão sempre conquista raiva; e ritos auspiciosos destroem todas as indicações de mal. A linhagem de alguém, ó rei, é provada por seus objetos de prazer, lugar de nascimento, casa, comportamento, alimentação, e vestuário. Quando um objeto de prazer está disponível, até aquele que alcançou a emancipação não fica relutante em desfrutar; o que, então, precisa ser dito daquele que ainda está ligado ao desejo? Um rei deve apreciar um conselheiro que reverencia pessoas de sabedoria, é dotado de erudição, virtude, aparência agradável, amigos, discurso gentil, e um bom coração. Seja de nascimento inferior ou superior, aquele que não viola as regras de relacionamento educado, que tem um olhar vigilante sobre a virtude, que é dotado de humildade e modéstia, é superior a cem pessoas de nascimento nobre. Nunca esfria a amizade daquelas pessoas cujos corações, buscas secretas, e prazeres, e conhecimentos, se harmonizam em todos os aspectos. Aquele que é inteligente deve evitar uma pessoa ignorante de alma pecaminosa, como uma cova cuja boca está coberta com grama, pois amizade com tal pessoa nunca pode durar. O homem de sabedoria nunca deve contrair amizade com aqueles que são orgulhosos, ignorantes, violentos, irrefletidos e que abandonaram a retidão. Aquele que é grato, virtuoso, sincero, generoso, e leal, e aquele que tem seus sentidos sob controle, preserva sua dignidade, e nunca abandona um amigo deve ser desejado como um amigo. O afastamento dos sentidos de seus respectivos objetos é equivalente à própria morte. Sua excessiva indulgência, além disso, arruinaria os próprios deuses. Humildade, amor por todas as criaturas, perdão, e respeito por amigos, estes, os eruditos dizem, encompridam a vida. Aquele que com uma resolução firme se esforça para realizar por meio de uma política virtuosa propósitos que uma vez foram frustrados, é citado como possuidor de coragem genuína. Alcança todos os seus objetivos o homem que conhece os remédios a serem aplicados no futuro, que está firmemente resolvido no presente, e que podia prever no passado como uma ação começada terminaria. Aquilo que um homem busca em palavras, atos, e pensamentos, ganha ele como seu próprio; portanto, sempre se deve procurar aquilo que é para o seu bem. Esforço depois de verificar o que é bom, as propriedades de tempo, lugar, e recursos, conhecimento das escrituras, energia, honestidade, e frequentar reuniões com aqueles que são bons, estes ocasionam prosperidade. Perseverança é a base da prosperidade, do lucro, e do que é benéfico. O homem que persegue um objetivo com perseverança e sem abandoná-lo em aborrecimento é realmente formidável, e desfruta de felicidade que é interminável. Ó majestade, não há nada mais conducente à felicidade e nada mais apropriado para um homem de poder e energia quanto clemência em todos os lugares e em todos os tempos. Aquele que é fraco deve perdoar sob todas as circunstâncias. Aquele que é possuidor de poder deve mostrar perdão por motivos de virtude; e aquele para quem o sucesso ou fracasso de seus objetivos é o mesmo é naturalmente perdoador. Aquele prazer a busca do qual não prejudica a virtude e lucro de uma pessoa deve certamente ser buscado até a satisfação da pessoa. Não se deve, no entanto, agir como um tolo por dar livre indulgência a seus sentidos. A prosperidade nunca reside em alguém que se permite ser torturado por uma angústia, que é viciado em maus hábitos, que nega a Divindade, que é inativo, que não tem seus sentidos sob controle, e que é desprovido de esforço. O homem que é humilde, e que por humildade é modesto, é considerado como fraco e perseguido por pessoas de inteligência mal orientada. A prosperidade nunca se aproxima por medo da pessoa que é excessivamente generosa, que doa sem medida, que é possuidora de valentia extraordinária, que pratica os votos mais rígidos, e que é muito orgulhosa de sua sabedoria. A prosperidade não reside em alguém que é muito aperfeiçoado, nem em alguém que não tem qualquer realização. Ela não deseja uma combinação de todas as virtudes, nem ela está satisfeita com a total ausência de todas as virtudes. Cega, como uma vaca louca, a prosperidade reside com alguém que não é fora do comum. Os frutos dos Vedas são cerimônias realizadas diante do fogo (homa); os frutos do conhecimento das escrituras são bondade de disposição e conduta. Os frutos das mulheres são os prazeres de relacionamento sexual e filhos; e os frutos da riqueza são divertimento e caridade. Aquele que realiza ações que visam assegurar sua prosperidade no outro mundo com riqueza adquirida pecaminosamente nunca colhe os frutos destas ações no outro mundo, por causa da pecaminosidade das aquisições (gastas para o propósito). No meio de desertos, ou florestas profundas, ou fortalezas inacessíveis, em meio a todas as espécies de perigos e alarmes ou em vista de armas mortais erguidas para atingi- lo, aquele que tem força mental não nutre temor. Esforço, autocontrole, habilidade, cuidado, firmeza, memória, e começo de ações depois de deliberação madura, saiba que estas são as bases da prosperidade. Austeridades constituem a força de ascetas; os Vedas são a força daqueles familiarizados com eles; na inveja se encontra a força do mau; e no perdão, a força do virtuoso. Estes oito, isto é, água, raízes, frutas, leite, manteiga clarificada, (o que é feito conforme) o desejo de um Brahmana, (ou por) ordem de um preceptor, e remédios, não são destrutivos de um voto. Aquilo que é antagônico à própria pessoa nunca deve ser aplicado em relação à outra. Resumidamente isto mesmo é virtude. Há outras espécies de virtude, mas essas procedem de capricho. Raiva deve ser conquistada por perdão; e o mau deve ser conquistado por meio de honestidade; o avaro deve ser conquistado por generosidade, e a mentira deve ser conquistada pela verdade. Não se deve colocar confiança em uma mulher, um vigarista, uma pessoa ociosa, um covarde, alguém que é violento, alguém que conta vantagem do seu próprio poder, um ladrão, uma pessoa ingrata, e um ateu. Realizações, período de vida, fama, e poder, estes quatro sempre se expandem no caso daquele que saúda respeitosamente seus superiores e serve os idosos. Não ponha teu coração no encalço daqueles objetos os quais não podem ser adquiridos exceto por meio de esforço muito doloroso, ou por sacrificar a virtude, ou por reverenciar um inimigo. É para se ter pena de um homem sem conhecimento; é para se ter pena de uma relação sexual que não é frutífera; é para se ter pena das pessoas de um reino que não tem alimento; e é para se ter pena de um reino sem um rei. Estes constituem a fonte de dor e fraqueza para criaturas incorporadas: as chuvas, queda de colinas e montanhas; ausência de diversão, angústia de mulheres; e flechas verbais do coração. A escória dos Vedas é falta de estudo; de Brahmanas, ausência de votos; da Terra, os Vahlikas; do homem, a falsidade; da mulher casta, curiosidade; de mulheres, exílio de casa. A escória do ouro é a prata; da prata, estanho; do estanho, chumbo; e do chumbo, refugo inútil. Não se pode vencer o sono por deitar; mulheres por desejo; fogo por combustível; e vinho por alcoolismo. É, de fato, coroada com êxito a vida daquele que ganhou seus amigos por meio de presentes, seus inimigos em batalha, e esposa por comida e bebida; aqueles que têm milhares vivem; aqueles que têm centenas, também vivem. Ó Dhritarashtra, abandone o desejo. Não há ninguém que não possa conseguir viver por um meio ou outro. Teu arroz, trigo, ouro, animais, e mulheres que estão sobre a terra todos não podem saciar mesmo uma pessoa. Refletindo sobre isto, aqueles que são sábios nunca se afligem por falta de domínio universal. Ó rei, eu te falo novamente, adote um comportamento igual em direção aos teus filhos, isto é, em direção aos filhos de Pandu e teus próprios filhos.'" 40 "Vidura disse, 'Respeitado pelos bons e abandonando o orgulho, aquele bom homem que busca seus objetivos sem extravasar os limites de sua força logo consegue obter fama, pois aqueles que são bons, quando satisfeitos com uma pessoa, são certamente competentes para outorgar felicidade a ele. Ele que abandona, por iniciativa própria, até um grande objetivo devido a ele ser repleto de injustiça vive alegremente, perdendo todos os inimigos, como uma cobra que abandona sua pele. Uma vitória obtida por meio de uma mentira, conduta fraudulenta em direção ao rei, e insinceridade de intenções expressadas diante do preceptor, esses três são cada um igual ao pecado de matar um Brahmana. Inveja excessiva, morte e jactância são as causas da destruição de prosperidade. Descuido em servir o preceptor, pressa, e ostentação, são os três inimigos do conhecimento. Preguiça, desatenção, confusão do intelecto, inquietude, reunião para matar tempo, arrogância, orgulho, e cobiça, estes sete constituem, é dito, as falhas de estudantes na busca de conhecimento. Como aqueles que desejam prazer podem ter conhecimento? Estudantes, além disso, engajados na busca de erudição, não podem ter prazer. Devotos do prazer devem desistir do conhecimento, e devotos do conhecimento devem desistir do prazer. O fogo nunca está satisfeito com combustível (mas pode consumir qualquer quantidade disso). O grande oceano nunca está satisfeito com os rios que recebe (mas pode receber qualquer número deles). A morte nunca está satisfeita nem com todas as criaturas vivas. Uma bela mulher nunca está satisfeita com qualquer número de homens (que ela possa ter). Ó rei, expectativa mata paciência; Yama mata crescimento; raiva mata prosperidade; avareza mata fama; ausência de cuidado mata gados; um Brahmana zangado destrói um reino inteiro. Que cabras, cobre, prata, mel, antídotos de venenos, aves, Brahmanas versados nos Vedas, parentes idosos, e homens de nascimento nobre afundados em pobreza estejam sempre presentes na tua casa. Ó Bharata, Manu disse que cabras, touros, sândalo, liras, espelhos, mel, manteiga clarificada, ferro, cobre, conchas, salagram (o imagem de pedra de Vishnu com ouro dentro) e gorochana devem sempre ser mantidos em uma casa para o culto dos deuses, Brahmanas, e convidados, pois todos aqueles objetos são auspiciosos. Ó majestade, eu comunicarei para ti outra lição sagrada produtiva de grandes resultados, e que é o mais elevado de todos os ensinamentos, isto é, virtude nunca deve ser abandonada por desejo, medo, ou tentação, não, nem pela própria vida. A virtude é eterna; prazer e dor são transitórios; a vida é, de fato, eterna, mas suas fases específicas são transitórias. Abandonando aqueles que são transitórios, dirija-te àquilo que é eterno, e que o contentamento seja teu, pois o contentamento é a maior de todas as aquisições. Veja, reis ilustres e poderosos, tendo governado terras ricas em riqueza e grãos, se tornaram as vítimas do Destruidor Universal, deixando para trás seus reinos e vastas fontes de prazer. O filho criado com cuidado ansioso, quando morto, é erguido e carregado para longe por homens (para a área de queima). Com o cabelo despenteado e chorando lastimavelmente, eles então lançam o corpo na pira mortuária, como se ele fosse um pedaço de madeira. Outros desfrutam da riqueza do falecido, enquanto aves e fogo se banqueteiam com os elementos do corpo dele. Com dois somente ele vai para o outro mundo, isto é, seus méritos e seus pecados que lhe fazem companhia. Jogando fora o corpo, ó majestade, parentes, amigos, e filhos retrocedem seus passos, como aves abandonando árvores sem flores e frutos. A pessoa lançada na pira mortuária é seguida somente por suas próprias ações. Portanto, os homens devem ganhar cuidadosamente e gradualmente o mérito da virtude. No mundo acima deste, e também naquele abaixo deste, há regiões de grande tristeza e escuridão. Saiba, ó rei, que aquelas são regiões onde os sentidos dos homens são extremamente atormentados. Oh, não deixe algum daqueles lugares serem teus. Ouvindo estas palavras cuidadosamente, se tu puderes agir de acordo com elas tu obterás grande renome neste mundo de homens, e o temor não será teu nem aqui nem futuramente. Ó Bharata, a alma é citada como um rio; mérito religioso constitui seus banhos sagrados; verdade, sua água; autocontrole, suas margens; bondade, suas ondas. Aquele que é justo se purifica por meio de um banho nele, pois a alma é sagrada, e a ausência de desejo é o maior mérito. Ó rei, a vida é um rio cujas águas são os cinco sentidos, e cujos crocodilos e tubarões são desejo e raiva. Fazendo do autocontrole tua balsa, cruze seus redemoinhos que são representados por repetidos nascimentos! Respeitando e gratificando amigos que são eminentes em sabedoria, virtude, aprendizagem, e idade, aquele que pede seu conselho sobre o que ele deve ou não deve fazer nunca é enganado. Uma pessoa deve reprimir sua luxúria e estômago por meio de paciência; suas mãos e pés por meio dos olhos; seus olhos e ouvidos por meio da mente; e sua mente e palavras por meio de suas ações. Aquele Brahmana que nunca deixa de realizar suas abluções, que sempre usa seu fio sagrado, que sempre presta atenção ao estudo dos Vedas, que sempre evita alimento que é impuro, que diz a verdade e realiza ações em honra de seu preceptor, nunca cai da região de Brahma. Tendo estudado os Vedas, despejado libações no fogo, realizado sacrifícios, protegido os súditos, santificado sua alma por sacar armas para proteger vacas e Brahmanas, e morrido no campo de batalha, o Kshatriya alcança o céu. Tendo estudado os Vedas, e distribuído em tempo apropriado sua riqueza entre Brahmanas, Kshatriyas, e seus próprios dependentes, e inalado a fumaça santificada dos três tipos de fogos, o Vaisya desfruta de felicidade celestial no outro mundo. Tendo devidamente adorado Brahmanas, Kshatriyas, e Vaisyas em ordem devida, e tendo queimado seus pecados por gratificá-los, e então abandonando pacificamente seu corpo, o Sudra desfruta da felicidade do céu. Os deveres das quatro classes foram assim mostrados diante de ti. Ouça agora a razão do meu discurso, porque eu o pronuncio. Yudhishthira, o filho de Pandu, está abandonando os deveres da ordem Kshatriya. Coloque-o, portanto, ó rei, em uma posição para cumprir os deveres dos reis.'” "Dhritarashtra disse, ‘É assim mesmo como tu sempre me ensinas. Ó amável, meu coração também se inclina a este mesmo caminho do qual tu me falaste. Embora, no entanto, eu me incline em minha mente em direção aos Pandavas assim como tu me instruíste a fazer, logo que eu entro em contato com Duryodhana isto se desvia para um caminho diferente. Nenhuma criatura é capaz de impedir o destino. De fato, o Destino, eu penso, indubitavelmente segue seu rumo; esforço individual é inútil.'" 41 (Sanat-sujata Parva) "Dhritarashtra disse, 'Se há alguma coisa ainda não dita por ti, ó Vidura, diga-a então, porque eu estou disposto a te escutar. O discurso é, de fato, encantador.'" "Vidura disse, 'Ó Dhritarashtra, ó tu da linhagem Bharata, aquele Rishi antigo e imortal Sanat-sujata que, levando uma vida de celibato perpétuo disse que não há Morte, aquela principal de todas as pessoas inteligentes, esclarecerá para ti todas as dúvidas na tua mente, expressadas e não expressadas.' "Dhritarashtra disse, 'Tu não sabes o que aquele Rishi imortal me dirá? Ó Vidura, diga se, de fato, tu tens aquele grau de sabedoria.' "Vidura disse, 'Eu sou nascido na classe Sudra e, portanto, não ouso dizer mais do que o que eu já disse. A compreensão, no entanto, daquele Rishi levando uma vida de celibato é considerada por mim como infinita. Ele que é um Brahmana por nascimento, por discursar até sobre os mistérios mais profundos, nunca atrairá sobre si a censura dos deuses. É somente por isto que eu não te falo sobre o assunto.' "Dhritarashtra disse, 'Diga-me, ó Vidura, como com este meu corpo eu posso encontrar com aquele antigo e imortal?' "Vaisampayana disse, 'Então Vidura começou a pensar naquele Rishi de votos rígidos. E sabendo que ele estava sendo lembrado, o Rishi, ó Bharata, mostrou-se lá. Vidura então o recebeu com os ritos prescritos pela ordenança. E quando, tendo descansado um pouco, o Rishi estava sentado à vontade, Vidura se dirigiu a ele, dizendo, 'Ó ilustre, há uma dúvida na mente de Dhritarashtra que é incapaz de ser elucidada por mim. Cabe a ti, portanto, esclarecê-la, para que ouvindo ao teu discurso este chefe de homens possa passar sobre todas estas tristezas, e para que lucro e perda, o que é agradável e o que é desagradável, decrepitude e morte, medo e inveja, fome e sede, orgulho e prosperidade, antipatia, torpor, luxúria e ira, e diminuição e aumento possam todos ser tolerados por ele!'" "Vaisampayana disse, 'Então o rei ilustre e sábio Dhritarashtra, tendo aplaudido as palavras faladas por Vidura, questionou Sanat-sujata em segredo, desejoso de obter o maior de todos os conhecimentos. E o rei questionou o Rishi dizendo, 'Ó Sanat-sujata, eu sei que tu tens a opinião de que não há Morte. Além disso, é dito que os deuses e os Asuras praticam austeridades ascéticas para evitar a morte. Destas duas opiniões, então, qual é verdadeira?' "Sanat-sujata disse, 'Alguns dizem que a morte pode ser evitada por ações específicas; a opinião de outros é de que não há morte; tu me perguntaste qual dessas é verdadeira. Ouça-me, ó rei, enquanto eu te falo sobre isto, para que tuas dúvidas possam ser removidas. Saiba, ó Kshatriya, que ambas são verdadeiras. Os eruditos são de opinião que a morte resulta da ignorância. Eu digo que ignorância é Morte, e assim a ausência de ignorância (conhecimento) é imortalidade. Foi por ignorância que os Asuras se tornaram sujeitos à derrota e morte, e é pela ausência de ignorância que os deuses alcançaram a natureza de Brahman. A Morte não devora criaturas como um tigre; sua própria forma não pode ser averiguada. Além disso, alguns imaginam que Yama é a Morte. Isto, no entanto, é devido à fraqueza da mente. A busca de Brahman ou autoconhecimento é imortalidade. Aquele (imaginário) deus (Yama) mantém seu domínio na região dos Pitris, sendo a fonte de felicidade para os virtuosos e de dor para os pecaminosos. É por ordem dele que a morte na forma de ira, ignorância, e cobiça, ocorre entre os homens. Dominados pelo orgulho, os homens sempre andam no caminho iníquo. Ninguém entre eles consegue alcançar sua natureza real. Com sua compreensão nublada, e eles mesmos dominados por paixões, eles abandonam seus corpos e repetidamente caem no inferno. Eles são sempre seguidos por seus sentidos. É por isto que a ignorância recebe o nome de morte. Aqueles homens que desejam os frutos da ação quando chega o tempo de desfrutar daqueles frutos procedem para o céu, abandonando seus corpos. Por isso eles não podem evitar a morte. Criaturas incorporadas, por incapacidade de alcançar o conhecimento de Brahman e por sua conexão com prazeres terrestres, são obrigadas a permanecer em um ciclo de renascimentos, para o alto e para baixo e em círculos. A tendência natural do homem em direção a buscas que são irreais é a única causa dos sentidos serem levados ao erro. A alma que é constantemente afetada pela busca de objetos que são irreais, se lembrando somente daquilo com o qual ela está sempre ocupada, adora somente prazeres mundanos que a circundam. O desejo de prazeres primeiro mata os homens. Luxúria e ira logo seguem atrás dele. Estes três, isto é, o desejo de prazeres, luxúria, e cólera, levam os homens tolos à morte. Aqueles, no entanto, que conquistaram suas almas conseguem, por meio de autodomínio, escapar da morte. Aquele que conquistou sua alma sem se permitir ser excitado por seu desejo ambicioso os conquista, considerando-os como de nenhum valor, pela ajuda do autoconhecimento. Ignorância, assumindo a forma de Yama, não pode devorar aquele homem erudito que controlou seus desejos dessa maneira. Aquele homem que segue seus desejos é destruído junto com seus desejos. Aquele, no entanto, que pode renunciar ao desejo, pode sem dúvida afastar todas as espécies de dor. Desejo é, de fato, ignorância e escuridão e inferno em relação a todas as criaturas, pois dominadas por ele elas perdem sua razão. Como pessoas embriagadas ao andarem por uma rua cambaleiam em direção a sulcos e buracos, assim homens sob a influência do desejo, enganados por alegrias ilusórias, correm em direção à destruição. O que a morte pode fazer para uma pessoa cuja alma não tem sido confundida ou enganada pelo desejo? Para ele, a morte não tem terrores, como um tigre feito de palha. Portanto, ó Kshatriya, se a existência do desejo, que é ignorância, é para ser destruída, nenhum desejo, nem mesmo o menor, é para ser pensado ou buscado. Aquela alma, a qual está no teu corpo, está associada com ira e cobiça e cheia de ignorância, que é a morte. Sabendo que a morte surge dessa maneira, aquele que confia no conhecimento não nutre medo da morte. De fato, como o corpo é destruído quando trazido sob a influência da morte, assim a própria morte é destruída quando ela cai sob a influência do conhecimento.' "Dhritarashtra disse, 'O Vedas declaram a capacidade de emancipar (libertar da obrigação do renascimento e Karma) daquelas regiões altamente sagradas e eternas, que são citadas como obteníveis pelas classes regeneradas por meio de orações e sacrifícios. Sabendo disto, por que uma pessoa erudita não deveria recorrer a ações (religiosas)?' "Sanat-sujata disse, 'De fato, aquele que não tem conhecimento procede para lá pelo caminho indicado por ti, e os Vedas também declaram que lá (naquelas regiões) existem ambas: felicidade e emancipação. Mas aquele que considera o corpo material como o eu, se ele consegue renunciar ao desejo, imediatamente alcança emancipação (ou Brahman, pois por renunciar ao desejo, ações e atributos são perdidos. O estado, portanto, de tal alma é um de inação, ou perfeita quietude ou a ausência de atributos, o qual é exatamente a natureza da Alma Suprema). Se, no entanto, alguém procura a emancipação sem renunciar ao desejo, ele deve ter que proceder pela rota de ação (prescrita), tomando cuidado para destruir as chances de retroceder as rotas pelas quais ele já passou.' "Dhritarashtra disse, 'O que é que incita Aquele Não Nascido e Antigo? Se, além disso, é Ele que é todo este Universo por consequência d’Ele ter entrado em tudo (sem desejo como Ele é) qual pode ser sua ação, ou sua felicidade? Ó sábio erudito, diga-me tudo isto realmente.' "Sanat-sujata disse, 'Há grande objeção em identificar completamente (como aqui) as duas que são Criaturas diferentes que sempre surgem da união de Condições, (com o que em sua essência é sem Condições). Este ponto de vista não deprecia a supremacia do Não Nascido e Antigo. Quanto a homens, eles também têm origem na união de Condições. Tudo isto que aparece é somente aquela Alma Suprema eterna. De fato, o universo é criado pela própria Alma Suprema passando por transformações. Os Vedas atribuem este poder (de auto- transformação) à Alma Suprema. Para a identidade, além disso, do poder e seu possuidor, ambos os Vedas e outros são autoridade.' "Dhritarashtra disse, 'Neste mundo, alguns praticam virtude, e alguns renunciam à ação ou Karma (adotando o que é chamado de Sannyasa Yoga). (A respeito daqueles que praticam virtude) eu pergunto, a virtude é competente para destruir o vício, ou é ela mesma destruída pelo vício?' "Sanat-sujata disse, 'Os frutos da virtude e da inação (perfeita) são ambos úteis em relação àquilo (isto é, para obter emancipação). De fato, ambos são meios certos para o alcance da emancipação. O homem, no entanto, que é sábio, obtém êxito pelo conhecimento (inação). Por outro lado, o materialista obtém mérito (por meio da ação) e (como consequência disso) emancipação. Ele tem também (no decorrer de sua busca) que incorrer em pecado. Tendo obtido novamente os frutos da virtude e vício os quais são transitórios, (céu tendo o seu fim como também inferno com relação aos virtuosos e aos pecaminosos), o homem de ação se torna mais uma vez dedicado à ação como consequência de suas próprias virtudes e vícios anteriores. O homem de ação, no entanto, que possui inteligência, destrói seus pecados por meio de suas ações virtuosas. A virtude, portanto, é forte, e daí o êxito do homem de ação.' "Dhritarashtra disse, 'Fale-me, de acordo com sua gradação, daquelas regiões eternas que são citadas como alcançáveis, como os resultados de suas próprias ações virtuosas, por pessoas regeneradas, dedicadas à prática da virtude. Fale- me das regiões de outros de um tipo similar. Ó senhor erudito, eu não desejo ouvir sobre as ações (em direção às quais o coração do homem se inclina naturalmente, embora elas sejam proibidas ou pecaminosas).' "Sanat-sujata disse, 'Aquelas pessoas regeneradas que se orgulham de suas práticas de Yoga, como homens fortes de sua própria força, partindo daqui, brilham na região de Brahman. Aquelas pessoas regeneradas que orgulhosamente se esforçam em realizar sacrifícios e outros ritos Védicos, como o fruto daquele conhecimento que é deles, por consequência daquelas ações, libertos deste mundo, procedem para aquela região que é a residência das divindades. Há outros, além disso, familiarizados com os Vedas, que são de opinião que a realização dos sacrifícios e ritos (ordenados pelos Vedas) é obrigatória (sua não realização sendo pecaminosa). Ligados a formas externas, embora procurando o desenvolvimento do eu interno (pois eles praticam esses ritos somente por causa da virtude e não para a realização de objetivos particulares), estas pessoas não devem ser consideradas muito favoravelmente (embora algum respeito deva ser delas). Onde quer que, além disso, alimento e bebida dignos de um Brahmana sejam abundantes, como grama e juncos em um local durante a estação chuvosa, lá o Yogin deve procurar seu sustento (sem afligir o chefe de família de recursos escassos); de nenhuma maneira ele deve afligir a si mesmo por fome e sede. Em um local onde possa haver inconveniência e perigo para alguém, por aversão de uma pessoa, revelar sua própria superioridade, aquele que não proclama sua superioridade é melhor do que aquele que o faz. O alimento oferecido por aquela pessoa que não é atormentada à visão de outra revelando sua superioridade, e que nunca come sem oferecer a parte prescrita para Brahmanas e convidados, é aprovado pelos virtuosos. Como um cachorro muitas vezes devora suas próprias evacuações para sua injúria, assim devoram seu próprio vômito aqueles Yogins que obtém seu sustento por divulgarem sua preeminência. Os sábios reconhecem como um Brahmana aquele que, vivendo no meio de parentes, deseja que suas práticas religiosas permaneçam sempre desconhecidas para eles. Que outro Brahmana merece conhecer a Alma Suprema, que é incondicionada, sem atributos, imutável, uma e única, e sem dualidade qualquer tipo? Em consequência de tais práticas, um Kshatriya pode conhecer a Alma Suprema e vê-la em sua própria alma. Aquele que considera a Alma como sendo o Eu que age e sente, que pecados não são cometidos por aquele ladrão que rouba a Alma de seus atributos? Um Brahmana deve viver sem esforço, nunca deve aceitar doações, deve ganhar o respeito dos justos, deve ser tranquilo, e embora familiarizado como os Vedas deve parecer não sê-lo, pois somente então ele pode alcançar o conhecimento e conhecer Brahman. Aqueles que são pobres mundanamente, mas ricos em bens celestiais e sacrifícios se tornam inconquistáveis e destemidos, e eles devem ser considerados como encarnações de Brahman. Nem aquela pessoa, que (por realizar sacrifícios) neste mundo, consegue encontrar com os deuses que concedem todos os tipos de objetos desejáveis (aos realizadores de sacrifícios), é igual àquele que conhece Brahman, pois o realizador de sacrifícios tem que passar por esforços (enquanto aquele que conhece Brahman alcança a Ele sem tais esforços). É considerado como realmente honrado aquele que, desprovido de ações, é respeitado pelas divindades. Nunca se deve considerar como respeitado aquele que é honrado por outros. Uma pessoa não deve, portanto, se afligir quando ela não é respeitada por outras. As pessoas agem de acordo com sua natureza exatamente como elas abrem e fecham suas pálpebras; e é somente o erudito que presta respeito a outros. O homem que é respeitado deve pensar dessa maneira. Aqueles também, neste mundo, que são tolos, inclinados a pecar, e peritos em falsidade, nunca prestam respeito àqueles que são dignos de respeito; por outro lado, eles sempre mostram desrespeito por tais pessoas. A estima do mundo e ascetismo (práticas de Mauna), nunca podem existir juntos. Saiba que este mundo é para aqueles que são candidatos a estima, enquanto o outro mundo é para aqueles que são dedicados ao ascetismo. Aqui, neste mundo, ó Kshatriya, felicidade (consideração do mundo) reside em prosperidade mundana. A última, no entanto, é um obstáculo (para a felicidade celestial). Prosperidade celestial, por outro lado, é inalcançável por uma pessoa que não tem sabedoria verdadeira. Os justos dizem que há vários tipos de portões, todos difíceis de serem vigiados, para dar acesso ao último tipo de prosperidade. Estes são veracidade, retidão, modéstia, autocontrole, pureza de mente e conduta e conhecimento (dos Vedas). Estes seis são destrutivos de vaidade e ignorância.'" 43 "Dhritarashtra disse, 'Qual é o objetivo do ascetismo (mauna)? Dos dois tipos de mauna (o reprimir da fala e meditação), qual é aprovado por ti? Ó erudito, diga- me o aspecto verdadeiro de mauna. Uma pessoa de erudição pode alcançar um estado de quietude e emancipação (moksha) por aquele mauna? Ó Muni, como também o ascetismo (mauna) é para ser praticado aqui?' "Sanat-sujata disse, 'Já que a Alma Suprema não pode ser penetrada pelos Vedas e a mente, é por isso que a própria Alma é chamada de mauna. Aquilo do qual ambos, a sílaba Védica Om e estes (sons comuns) surgiram, aquele Único, ó rei, está manifestado como a Palavra.' "Dhritarashtra disse, ‘Aquele que conhece os Vedas Rig e Yajus, e aquele que conhece o Sama Veda é maculado por pecados ou não quando ele comete pecados?' "Sanat-sujata disse, 'Eu te digo realmente que o homem que não controlou seus sentidos não é resgatado de suas ações pecaminosas nem pelo Sama ou o Rig, ou o Yajus Veda. Os Vedas nunca resgatam do pecado a pessoa enganadora que vive por meio de fraude. Por outro lado, como aves recém emplumadas abandonando seu ninho, o Vedas abandonam tal pessoa no fim.' "Dhritarashtra disse, 'Ó tu que controlaste teus sentidos, se, de fato, os Vedas não são competentes para resgatar uma pessoa sem a ajuda da virtude, de onde então é esta ilusão dos Brahmanas de que os Vedas são sempre destrutivos de pecados?' "Sanat-sujata disse, 'Ó magnânimo, este universo surgiu daquela Alma Suprema pela união de Condições com relação a nome, forma, e outros atributos. Os Vedas também, chamando a atenção para isto devidamente, declaram o mesmo, e inculcam que a Alma Suprema e o universo são diferentes e não idênticos. É para alcançar àquela Alma Suprema que ascetismo e sacrifícios estão ordenados, e é por meio desses dois que o homem de erudição ganha virtude. Destruindo o pecado pela virtude, sua alma é iluminada pelo conhecimento. O homem de conhecimento, pela ajuda do conhecimento, alcança a Alma Suprema. Por outro lado, aquele que cobiça os quatro objetivos de busca humana, levando com ele tudo o que ele faz aqui, desfruta de seus resultados após a morte, e (como aqueles resultados) não são eternos ele volta para a região de ação (quando o gozo está terminado). De fato, os frutos de austeridades ascéticas realizadas neste mundo têm que ser desfrutados no outro mundo (com relação àquelas pessoas que não obtiveram o domínio de suas almas). Quanto àqueles Brahmanas empenhados em práticas ascéticas (que têm o domínio de suas almas), até essas regiões são capazes de produzir frutos.' "Dhritarashtra disse, 'Ó Sanat-sujata, como podem austeridades ascéticas que são todas da mesma espécie ser às vezes bem sucedidas e às vezes frustradas? Diga-nos isto para que nós possamos saber!' "Sanat-sujata disse, 'Aquele ascetismo que não é maculado por (desejo e outras) imperfeições é citado como sendo capaz de obter emancipação, e é, portanto, bem sucedido, enquanto o ascetismo que é manchado por vaidade e falta de verdadeira devoção é considerado frustrado. Todas as tuas perguntas, ó Kshatriya, tocam a própria base do ascetismo. É por meio do ascetismo que aqueles que são eruditos conhecem Brahman e ganham imortalidade!' "Dhritarashtra disse, 'Eu tenho escutado ao que tu tens falado sobre ascetismo não maculado por imperfeições, e pelo qual eu tenho conseguido entender um mistério eterno. Fale-me agora, ó Sanat-sujata, sobre o ascetismo que é manchado por falhas!' "Sanat-sujata disse, 'Ó rei, os doze, incluindo a raiva, como também os treze tipos de maldade, são as imperfeições do ascetismo que é maculado. Raiva, luxúria, avareza, ignorância do certo e errado, descontentamento, crueldade, malícia, vaidade, aflição, amor ao prazer, inveja, e falar mal de outros, são geralmente os defeitos dos seres humanos. Estes doze devem sempre ser evitados por homens. Qualquer um entre estes sozinho pode efetuar a destruição de homens, ó touro entre homens. De fato, cada um desses espera por oportunidade em relação aos homens, como um caçador expectante de oportunidades em relação a veados. Afirmação da própria superioridade, desejo de desfrutar das esposas de outros homens, humilhar outros por excesso de orgulho, caráter colérico, inconstância, e se recusar a manter aqueles dignos de serem mantidos, estas seis ações de maldade são sempre praticadas por homens pecaminosos desafiando todos os perigos neste mundo e no outro. Aquele que considera a satisfação da luxúria como um dos objetivos da vida, aquele que é extremamente orgulhoso, aquele que sofre tendo doado, aquele que nunca gasta dinheiro, aquele que persegue seus súditos por cobrar impostos odiosos, aquele que se deleita na humilhação de outros, e aquele que odeia suas próprias esposas, estes sete são outros que são também chamados de maus. Retidão, verdade (abstenção de ferir e veracidade de palavra), autodomínio, ascetismo, deleite na felicidade de outros, modéstia, paciência, amor aos outros, sacrifícios, doações, perseverança, conhecimento das escrituras, estes doze constituem as práticas de Brahmanas. Aquele que consegue adquirir este doze se torna competente para dominar a terra inteira. Aquele que é dotado de três, dois, ou mesmo um destes, deve ser considerado de prosperidade celestial. Autodomínio, renúncia, e conhecimento do Eu, nestes está a emancipação. Aqueles Brahmanas que são dotados de sabedoria dizem que estes são atributos nos quais a verdade predomina. Autodomínio é constituído por dezoito virtudes. Brechas e não- observância de ações ordenadas e omissões, mentira, malícia, luxúria, riqueza, amor ao prazer (sensual), raiva, angústia, ânsia, avareza, falsidade, alegria na tristeza de outros, inveja, ferir outros, desgosto, aversão a ações piedosas, esquecimento do dever, caluniar outros, e vaidade, aquele que está livre destes (dezoito) vícios; é citado pelos justos como autodominado. As dezoito falhas (que foram enumeradas) constituem o que é chamado de mada ou orgulho. Renúncia é de seis espécies. O contrário daquelas seis também são falhas chamadas mada. (As falhas, portanto, que recebem o nome de mada são dezoito e seis). As seis espécies de renúncia são todas louváveis. A terceira somente é difícil de prática, mas por meio disso toda tristeza é vencida. De fato, se aquela espécie de renúncia for realizada na prática, aquele que a realiza vence todos os pares de contrários no mundo. As seis espécies de renúncia são todas louváveis. Elas são estas: A primeira é nunca experimentar alegria em ocasiões de prosperidade. A segunda é o abandono de sacrifícios, orações, e ações piedosas. Aquela que é chamada de terceira, ó rei, é o abandono do desejo ou afastamento do mundo. De fato, é por consequência deste terceiro tipo de renúncia do desejo, o qual é evidenciado pelo abandono de todos os objetos de prazer (sem desfrutar deles) e não seu abandono depois de ter desfrutado deles até a satisfação, nem por abandono depois de aquisição, nem por abandono somente depois de ter se tornado incompetente para desfrutar por perda de apetite. O quarto tipo de renúncia consiste nisto: Uma pessoa não deve se afligir nem se permitir ser afligida pela angústia quando suas ações fracassam, não obstante sua posse de todas as virtudes e todas as espécies de riqueza. Ou, quando alguma coisa desagradável acontece, a pessoa não sente aflição. A quinta espécie de renúncia consiste em não solicitar nem os filhos, esposas, e outros que possam ser todos muito queridos. A sexta espécie consiste em doar para uma pessoa merecedora que solicita, qual ato de doação é sempre produtivo de mérito. Por meio desses alguém adquire o conhecimento do Eu. Com relação a este último atributo, ele envolve oito qualidades. Estes são verdade, meditação, distinção de sujeito e objeto, capacidade para tirar inferências, afastamento do mundo, nunca pegar o que pertence a outros, as práticas de votos Brahmacharya (abstinência), e não- aceitação (de presentes). Assim também o atributo de mada (o oposto de dama ou autodomínio) tem falhas as quais são todas indicadas (nas escrituras). Estas falhas devem ser evitadas. Eu tenho falado (para ti) de renúncia e autoconhecimento. E como o autoconhecimento tem oito virtudes, assim a falta dele tem oito falhas. Aquelas falhas devem ser evitadas. Ó Bharata, aquele que está livre destes cinco sentidos, mente, o passado e o futuro, se torna feliz. Ó rei, que tua alma seja devotada à verdade; todos os mundos estão estabelecidos na verdade; de fato, autocontrole, renúncia, e autoconhecimento são citados como tendo a verdade como seu principal atributo. Evitando (estas) falhas, deve-se praticar ascetismo aqui. O Ordenador ordenou que somente a verdade deve ser o voto dos justos. Ascetismo, que está dissociado destas falhas e dotado destas virtudes, se torna a fonte de grande prosperidade. Eu agora falei brevemente sobre este assunto sagrado e destruidor de pecado que tu me perguntaste e que é capaz de libertar uma pessoa de nascimento, morte, e decrepitude.' "Dhritarashtra disse, 'Com Akhyana (Puranas) como seu quinto, os Vedas declaram que a Alma Suprema é este universo consistindo em coisas móveis e imóveis. Outros consideram quatro Divindades; e outros três; outros, além disso, consideram duas; e outros somente uma; e outros consideram somente Brahman como o único objeto existente (não havendo nada mais possuidor uma existência separada). Entre estes, qual eu devo reconhecer como sendo realmente possuidor do conhecimento de Brahman?' "Sanat-sujata, 'Há somente um Brahman que é a própria Verdade. É por ignorância daquele Único que as divindades são concebidas como diversas. Mas quem há, ó rei, que tenha alcançado a própria Verdade ou Brahman? O homem se considera sábio sem conhecer aquele Único Objeto de conhecimento, e por desejo de felicidade está engajado em estudo e nas práticas de caridade e sacrifícios. Eles se desviaram da Verdade (Brahman) e nutrem propósitos correspondentes (com seu estado) e daí confiando na verdade dos textos Védicos deles realizam sacrifícios. Alguns realizam (ou alcançam o objetivo de) sacrifícios pela mente (meditação), alguns por palavras (recitação de orações específicas, ou Yapa); e alguns por ações (real realização do Yatishtoma e outros ritos caros). A pessoa, no entanto, que busca Brahman através da Verdade obtém seus objetos desejados à vontade. Quando, no entanto, os propósitos de uma pessoa fracassam (pela ausência de conhecimento do Eu), ela deve adotar votos de silêncio e semelhantes, chamados Dikshavrata. De fato, Diksha vem da raiz Diksha, significando a observância de votos. Com relação àqueles que têm conhecimento do Eu, para eles a Verdade é o mais elevado objeto de busca.' 'Os frutos do conhecimento são visíveis; o ascetismo produz resultados futuramente. Um Brahmana que (sem conhecimento e ascetismo) somente lê muito deve somente ser reconhecido como um grande leitor. Portanto, ó Kshatriya, nunca pense que alguém pode ser um Brahman (conhecedor de Brahman) somente por ler as escrituras. Por outro lado, deve ser reconhecido por ti como possuidor do conhecimento de Brahman aquele que não se desvia da Verdade. Ó Kshatriya, os versos que foram recitados por Atharvan para um conclave de grandes sábios, antigamente, são conhecidos pelo nome de Chhandas. Não são considerados como conhecedores dos Chhandas aqueles que somente leram os Vedas do princípio ao fim, sem terem alcançado o conhecimento d’Ele que é para ser conhecido através dos Vedas. Os Chhandas, ó melhor dos homens, se tornaram os meios de alcançar Brahman independentemente e sem a necessidade de qualquer coisa externa. Não podem ser considerados como conhecedores dos Chhandas aqueles que estão familiarizados somente com os modos de sacrifício ordenados nos Vedas. Por outro lado, tendo servido aqueles que conhecem os Vedas, os virtuosos não têm alcançado ao Objeto que é conhecível pelos Vedas? Não há alguém que tenha realmente entendido o sentido dos Vedas ou pode haver alguém que tenha, ó rei, compreendido o sentido. Aquele que somente lê os Vedas não conhece o Objeto conhecível por eles. Quem, no entanto, está estabelecido na Verdade conhece o Objeto conhecível pelos Vedas. Entre aquelas faculdades que levam à percepção do corpo como o agente ativo, não há alguma pela qual o conhecimento verdadeiro pode ser adquirido. Só pela mente uma pessoa não pode adquirir o conhecimento do Eu e não-Eu. De fato, aquele que conhece o Eu também sabe o que é não-Eu. Aquele, por outro lado, que conhece somente o que é não-Eu, não sabe a Verdade. Aquele, também, que conhece as provas conhece também o que é que se procura comprovar. Mas o que aquele Objeto é em sua natureza (o qual se procura provar) não é conhecido pelos Vedas ou por aqueles que conhecem os Vedas. Apesar de tudo isso, no entanto, aqueles Brahmanas que estão (realmente) familiarizados com os Vedas conseguem obter o conhecimento do Objeto conhecível (pelos Vedas) através dos Vedas. Como o ramo de uma árvore específica é às vezes utilizado para indicar o dígito lunar do primeiro dia da quinzena iluminada assim os Vedas são usados para indicar os maiores atributos da Alma Suprema. Eu reconheço como um Brahmana (possuidor do conhecimento de Brahman) aquele que esclarece as dúvidas de outros, tendo ele mesmo dominado todas as suas próprias dúvidas, e que é possuidor do conhecimento do Eu. Uma pessoa não pode descobrir o que a Alma é por procurar no Leste, no Sul, no Oeste, no Norte, ou nas direções subsidiárias ou horizontalmente. Muito raramente ela pode ser encontrada naquele que considera que este corpo é o Eu. Além da concepção até dos Vedas, somente o homem de meditação-Yoga pode contemplar o Supremo. Dominando completamente todos os teus sentidos e tua mente, procure também aquele Brahman que se sabe que reside na tua própria Alma. Não é um Muni aquele que pratica somente meditação-Yoga; nem aquele que vive somente nas florestas (tendo se retirado do mundo). No entanto, é um Muni e é superior a todos aquele que conhece sua própria natureza. Por uma pessoa poder explicar todos os assuntos (Vyakarana), ela é citada como dotada de conhecimento universal (Vaiyakarana); e, de fato, a própria ciência é chamada Vyakarana devido a ela ser capaz de explicar todos os assuntos até seu próprio fundamento (que é Brahman). O homem que contempla todas as regiões como presentes diante de seus olhos é considerado possuidor de conhecimento universal. Aquele que permanece na Verdade e conhece Brahman é considerado como um Brahmana, e um Brahmana possui conhecimento universal. Um Kshatriya também, que pratica virtudes semelhantes, pode contemplar Brahman. Ele pode também alcançar àquele estado sublime por ascender passo a passo, de acordo com o que está indicado nos Vedas. Sabendo disto com certeza, eu te digo isto.'" 44 "Dhritarashtra disse, 'Excelente, ó Sanat-sujata, como este teu discurso é, tratando do alcance de Brahman e da origem do universo, eu te rogo, ó Rishi célebre, para continuar me falando palavras tais como essas, que não são relacionadas com objetos de desejo mundano e são, portanto, raras entre homens.' "Sanat-sujata disse, 'Aquele Brahman acerca do qual tu me perguntas com tal alegria não é para ser alcançado logo. Depois (que os sentidos foram controlados e) a vontade foi imersa no intelecto puro, o estado que se sucede é um de ausência completa de pensamento mundano. Aquele mesmo é o conhecimento (que conduz ao alcance de Brahman). Isto é alcançável somente por praticar Brahmacharya.' "Dhritarashtra disse, 'Tu disseste que o conhecimento de Brahman reside por si mesmo na mente, sendo somente descoberto por Brahmacharya; ele está residindo na mente, ele não requer para sua manifestação algum esforço (tal como é necessário para trabalho) sendo manifestado (por si mesmo) durante a procura (por meio de Brahmacharya). Como então a imortalidade é associada com o alcance de Brahman?' "Sanat-sujata disse, 'Embora residindo e inerente à mente, o conhecimento de Brahman ainda não está manifestado. É pela ajuda do intelecto puro e Brahmacharya que aquele conhecimento é tornado manifesto. De fato, tendo alcançado àquele conhecimento, Yogins abandonam este mundo. Ele é sempre para ser encontrado entre preceptores eminentes. Eu agora te falarei sobre aquele conhecimento.' "Dhritarashtra disse, 'Qual deve ser a natureza daquele Brahmacharya pelo qual o conhecimento de Brahman pode ser alcançado sem muita dificuldade? Ó regenerado, diga-me isto.' "Sanat-sujata disse, 'Aqueles que, residindo nas residências de seus preceptores e, ganhando sua boa vontade e amizade, praticam austeridades Brahmacharya, se tornam mesmo neste mundo as encarnações de Brahman e abandonando seus corpos são unidos com a Alma Suprema. Aqueles que neste mundo estão desejosos de obter o estado de Brahman subjugam todos os desejos, e dotados como eles são de retidão, eles conseguem dissociar a Alma do corpo como uma folha projetada de uma moita de urzes. O corpo, ó Bharata, é criado por estes, isto é, o pai e a mãe; o (novo) nascimento, no entanto, que é devido às instruções do preceptor é sagrado, livre de decrepitude, e imortal. Falando sobre Brahman e concedendo a imortalidade, aquele que envolve todas as pessoas com (o manto da) verdade deve ser considerado como pai e mãe; e levando em consideração o bem que ele faz, nunca se deve lhe fazer alguma injúria. Um discípulo deve habitualmente saudar seu preceptor com respeito, e com pureza (de corpo e mente) e atenção bem dirigida, ele deve se dirigir ao estudo. Ele não deve considerar algum serviço como inferior, e não deve nutrir raiva. Este mesmo é o primeiro passo de Brahmacharya. As práticas daquele discípulo que adquire conhecimento por cumprir os deveres ordenados para alguém de sua classe são consideradas também como o primeiro passo de Brahmacharya. Um discípulo deve, com sua própria vida e todas as suas posses, em pensamentos, palavras e ações, fazer tudo o que é agradável para o preceptor. Isto é considerado como o segundo passo de Brahmacharya. Ele deve se comportar em direção à esposa de seu preceptor e filho também da mesma maneira como em direção ao seu próprio preceptor. Este também é considerado como o segundo passo de Brahmacharya. Mantendo bem em mente o que tem sido feito por ele pelo preceptor, e compreendendo também o objetivo disso, o discípulo deve, com o coração muito satisfeito pensar, ‘Eu tenho sido ensinado e tornado nobre por ele.’ Este é o terceiro passo de Brahmacharya. Sem requerer o preceptor pelo pagamento do presente final, um discípulo sábio não deve se dirigir para outro modo de vida; nem ele deve dizer ou mesmo pensar em sua mente, ‘Eu fiz este presente.’ Este é o quarto passo de Brahmacharya. Ele alcança o primeiro passo do (conhecimento de Brahman que é) o objetivo de Brahmacharya pela ajuda do tempo; o segundo passo, através das preleções do preceptor; o terceiro, pelo poder da sua própria compreensão; e finalmente, o quarto, por discussão. Os eruditos dizem que Brahmacharya é constituído pelas doze virtudes, as práticas de Yoga são chamadas de seus Angas, e perseverança em meditação-Yoga é chamada de seu Valam, e alguém é coroado com êxito nisto pela ajuda do preceptor e da compreensão do sentido dos Vedas. Qualquer riqueza que um discípulo, assim engajado, possa ganhar, deve ser dada toda para o preceptor. É dessa maneira que o preceptor obtém seu sustento altamente louvável. E assim também o discípulo deve se comportar em direção ao filho do preceptor. Assim postado (em Brahmacharya), o discípulo prospera sem dúvida neste mundo e obtém progênie numerosa e renome. Homens também de todas as direções derramam riqueza sobre ele; e muitas pessoas vão para sua residência para praticar Brahmacharya. Foi através de Brahmacharya deste tipo que os celestiais alcançaram sua divindade, e sábios, altamente abençoados e de grande sabedoria, alcançaram a região de Brahman. Foi por meio disto que os Gandharvas e as Apsaras obtiveram tal beleza pessoal, e é por Brahmacharya que Surya se ergue para fazer o dia. Como os buscadores da pedra filosofal derivam grande felicidade quando eles obtêm o objeto de sua busca, aqueles acima mencionados (os celestiais e outros), ao completarem seu Brahmacharya, derivam grande felicidade por serem capazes de ter o que quer que eles desejem. Aquele, ó rei, que dedicado à prática de austeridades ascéticas, se dirige para Brahmacharya em sua totalidade e assim purifica seu corpo, é realmente sábio, pois por isto ele se torna como uma criança (livre de todos os maus sentimentos) e triunfa sobre a morte finalmente. Os homens, ó Kshatriya, por meio de trabalho, embora puro, alcançam somente mundos que são perecíveis; aquele, no entanto, que é dotado de Conhecimento, alcança, pela ajuda daquele Conhecimento, a Brahman que é eterno. Não há outro caminho (além do Conhecimento ou o alcance de Brahman) que leve à emancipação.’ "Dhritarashtra disse, 'A existência de Brahman, tu dizes, um homem sábio percebe na sua própria alma. Assim sendo, Brahman é branco, ou vermelho, ou preto ou azul, ou roxo? Diga-me qual é a forma e cor verdadeiras do Onipresente e Eterno Brahman?' "Sanat-sujata disse, 'De fato, Brahman como (percebido) pode aparecer como branco, vermelho, preto, marrom, ou brilhante. Mas nem na terra, nem no céu, nem na água do oceano, há alguma coisa semelhante a ele. Nem nas estrelas, nem no relâmpago, nem nas nuvens sua forma é vista, nem ele é visível na atmosfera, nem nas divindades, nem na lua, nem no sol. Nem nos Riks, nem entre os Yajus, nem entre os Atharvans, nem nos Samans puros ele é encontrado. Na verdade, ó rei, ele não é encontrado em Rathantara ou Varhadratha, nem em grandes sacrifícios. Incapaz de ser entendido e colocado além do alcance do intelecto limitado, até o Destruidor universal, depois da Dissolução, se perde nele. Incapaz de ser olhado, ele é sutil como o fio da navalha, e mais grosso do que montanhas. Ele é a base sobre a qual tudo está fundado; ele é imutável; ele é este universo visível (onipresente); ele é vasto; ele é encantador; as criaturas têm todas surgido dele e vão retornar a ele. Livre de todas as espécies de dualidade, ele está manifestado como o universo e permeia tudo. Homens de erudição dizem que ele não tem mudança, exceto na linguagem usada para descrevê-lo. Estão emancipados aqueles que estão familiarizados com Aquilo no qual este universo está estabelecido.'" "Sanat-sujata disse, 'Tristeza, raiva, cobiça, luxúria, ignorância, preguiça, malícia, presunção, desejo contínuo de ganho, afeto, ciúmes e falar mal, estes doze, ó monarca, são falhas graves que são destrutivas das vidas dos homens. Cada um destes, ó monarca, espera por oportunidades para apanhar a humanidade. Afligidos por eles, os homens perdem sua razão e cometem ações pecaminosas. Aquele que é cobiçoso, aquele que é violento, aquele que é de fala ríspida, aquele que é tagarela, aquele que é dado a nutrir raiva, e aquele que é jactancioso, estes seis de disposição pecaminosa, ao obterem riqueza, não podem tratar outros com cortesia. Aquele que considera satisfação sensual como o objetivo da vida, aquele que é convencido, aquele que se gaba tendo feito uma doação, aquele que nunca gasta, aquele que é fraco em mente, aquele que é dado à vaidade, e aquele que odeia sua própria esposa, estes sete são considerados como homens maus de hábitos pecaminosos. Retidão, veracidade, ascetismo, autodomínio, contentamento, modéstia, renúncia, amor aos outros, caridade, conhecimento das escrituras, paciência, e perdão, estas doze são as práticas de um Brahmana. Aquele que não abandona estes doze pode dominar a terra inteira. Aquele que é dotado de três, ou dois, ou mesmo uma destas, nunca considera alguma coisa como sua à exclusão de outros. Autodomínio, renúncia, e conhecimento, nestes reside emancipação. Estes são os atributos de Brahmanas dotados de sabedoria e que consideram Brahman como o maior de todos os objetos de conhecimento. Verdadeiro ou falso, não é louvável para um Brahmana falar mal de outros; aqueles que fazem isso têm o inferno para sua residência. Mada tem dezoito falhas que ainda não foram enumeradas por mim. Elas são: animosidade em direção a outros, pôr obstáculos no caminho de ações virtuosas, difamação, falsidade em palavras, luxúria, raiva, dependência, falar mal de outros, descobrir os defeitos de outros para contar, desperdício de riqueza, disputa, insolência, crueldade para criaturas vivas, malícia, ignorância, desrespeito àqueles que são dignos de consideração, perda da compreensão de certo e errado, e sempre procurar ferir outros. Um homem sábio, portanto, não deve ceder à mada, pois os acompanhamentos de mada são censuráveis. É dito que amizade possui seis indicações; primeiramente, amigos se alegram na prosperidade de amigos, e em segundo lugar, ficam aflitos em sua adversidade. Se alguém pede alguma coisa a qual é cara para seu coração, mas que não deve ser pedida, um amigo verdadeiro certamente dá até isto. Quarto, um amigo verdadeiro que é de uma disposição justa, quando pedido, pode dar até sua própria prosperidade, seus filhos queridos, e até sua própria esposa. Quinto, um amigo não deve morar na casa de um amigo, a quem ele possa ter concedido tudo, mas deve desfrutar do que ele ganha si mesmo. Sexto, um amigo não pára de sacrificar seu próprio bem (por seu amigo). O homem de riqueza que procura adquirir aquelas boas qualidades, e que se torna caridoso e justo reprime seus cinco sentidos de seus respectivos objetos. Tal restrição dos sentidos é ascetismo. Quando isto cresce em intensidade, isto é capaz de conquistar regiões de felicidade futura (diferente do Conhecimento que leva ao êxito aqui mesmo). Aqueles que abandonaram a paciência (e são incapazes, portanto, de obter Conhecimento) adquirem tal ascetismo pelo propósito que eles nutrem, ou seja, a obtenção de bem aventurança nas regiões elevadas futuramente. Em consequência de sua habilidade para compreender aquela Verdade (Brahman) da qual sacrifícios fluem, o Yogin é capaz de realizar sacrifícios por meio da mente. Outros realizam sacrifícios por Palavras (Yapa) e outros por Trabalho. Verdade (Brahman) reside naquele que conhece Brahman como investido com atributos. Ela reside mais completamente naquele que conhece Brahman como privado de atributos. Ouça agora outra coisa de mim. Esta filosofia célebre e sublime deve ser ensinada (para discípulos). Todos os outros sistemas são somente uma miscelânea de palavras. Todo este (universo) está estabelecido nesta Filosofia-Yoga. Aqueles que a conhecem não estão sujeitos à morte. Ó rei, uma pessoa não pode, por meio de Trabalho, embora bem realizado, alcançar a Verdade (Brahman). O homem que é desprovido de conhecimento mesmo que ele derrame libações homa ou realize sacrifícios, nunca pode, pelo Trabalho, ó rei, alcançar a imortalidade (emancipação). Nem ele desfruta de grande felicidade no fim. Reprimindo todos os sentidos externos e sozinha, uma pessoa deve procurar Brahman. Abandonando o Trabalho, ela não deve se esforçar mentalmente. Ela deve também (enquanto engajada dessa maneira) evitar sentir alegria em elogio ou raiva em crítica. Ó Kshatriya, por se comportar dessa maneira segundo os passos sucessivos indicados nos Vedas, uma pessoa pode, aqui mesmo, alcançar Brahman. Isto, ó erudito, é tudo o que eu te digo.'" 46 "Sanat-sujata disse, 'A Semente primária (do universo), chamada Mahayasas, é desprovida de acidentes, é Conhecimento puro, e brilha com refulgência. Ela comanda os sentidos, e é por essa Semente que Surya brilha. Aquela Eterna dotada de Divindade é contemplada por Yogins (por meio de sua visão mental). É por consequência daquela Semente (a qual é o próprio Contentamento) que Brahman se torna capaz de Criação e é através dela que Brahman aumenta em expansão. É aquela Semente que entrando em corpos luminosos dá luz e calor. Sem derivar sua luz e calor de alguma outra coisa ela é auto-luminosa, e é um objeto de terror para todos os corpos luminosos. O Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). O corpo composto dos cinco elementos mais grosseiros, que são eles mesmos originados dos cinco mais sutis, os últimos, por sua vez, tendo origem em uma substância homogênea chamada Brahman, é mantido (percebido) em consciência pela Alma da criatura dotada de vida e Iswara. (Estes dois, durante o sono e a dissolução universal, são privados de consciência). Brahman por outro lado, que nunca está privado de consciência, e que é o Sol do Sol, sustenta estes dois e também a Terra e o Céu. O Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). A Semente sustenta os dois deuses, a Terra e o Céu, as Direções, e o Universo inteiro. É daquela Semente que as direções (pontos do espaço) e rios surgem, e os mares vastos também têm derivado sua origem. O Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). O corpo é como um carro destinado à destruição. Suas ações, no entanto, são eternas. Atados às rodas daquele carro (que são representadas pelas ações de vidas passadas), os sentidos, que são como corcéis, levam, pela região da consciência, o homem de sabedoria em direção àquele Incriado e Imutável, àquele Uno Eterno dotado de Divindade que é contemplado por Yogins (por meio de sua visão mental). A forma daquele Uno não pode ser revelada por alguma comparação. Ninguém alguma vez contemplou a Ele pela visão. Aqueles que conhecem a Ele pelas faculdades absorvidas, a mente, e o coração, ficam livres da morte. O Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). A corrente da ilusão é terrível; guardada pelos deuses, ela tem doze frutos. Bebendo de suas águas e vendo muitas coisas agradáveis em seu meio, homens nadam ao longo dela de um lugar para outro. Esta corrente flui daquela Semente. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Destinada a viajar de um lugar para outro, a Alma-criatura, tendo refletido desfruta (no outro mundo) somente da metade dos frutos de suas ações. Esta é aquela Alma-criatura que é Iswara, permeando tudo no universo. É Iswara que tem ordenado sacrifícios. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Almas privadas de acidentes, recorrendo a Avidya, que é semelhante a uma árvore de folhagem dourada, assume acidentes, e toma nascimentos em ordens diferentes de acordo com suas propensões. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade (em Quem todas aquelas almas estão unidas) é contemplado por Yogins (por meio de sua visão mental). Acidentes (os quais entrando em contato com Brahman fazem o último assumir muitas formas) criam o universo em sua Plenitude a partir daquele Brahman que é pleno. Aqueles acidentes também, em sua Plenitude, se originam de Brahman em sua Plenitude. Quando alguém consegue dissipar todos os acidentes de Brahman que é sempre Pleno, aquilo que resta é Brahman em sua Plenitude. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). É daquela Semente que os cinco elementos surgem, e é nela que reside o poder para controlá-los. É daquela Semente que ambos, o consumidor e o consumido (chamados Agni e Soma) surgem, e é nela que os organismos vivos com os sentidos repousam. Tudo deve ser considerado como tendo se originado dela. Aquela Semente chamada nos Vedas de TATH (Tad), nós não podemos descrever. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). O ar vital chamado Apana é consumido pelo Ar chamado Prana; Prana é consumido pela Vontade, e a Vontade pelo Intelecto, e o Intelecto pela Alma Suprema. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). A Alma Suprema dotada de quatro pernas, chamadas respectivamente de Vigília, Sonho, Sono profundo, e Turiya, como um cisne, andando acima do insondável oceano de assuntos mundanos, não estende uma perna que está profundamente escondida. Para aquele que contempla aquela perna (a saber, Turiya) como estendida para o propósito de guiar as outras três, morte e emancipação são o mesmo. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Da medida do polegar, sempre Pleno, e diferente deste organismo eterno, entrando em contato com os Ares Vitais, a Vontade, o Intelecto, e os dez Sentidos, ele se move de um lugar para outro. Aquele Controlador Supremo, digno de hinos veneráveis, capaz de tudo quando investido com acidentes e a primeira causa de tudo, está manifestado como Conhecimento nas Almas-criaturas. Só tolos não o vêem; aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Entre indivíduos há aqueles que obtiveram o domínio de suas mentes, e aqueles que não. Contudo em todos os homens a Alma Suprema pode ser vista igualmente. De fato, ela reside igualmente no que está emancipando e no que não está, com somente esta diferença: que aqueles que estão emancipados obtêm mel fluindo em um jato espesso. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por meio de sua visão mental). Quando uma pessoa faz a jornada da vida, tendo alcançado o conhecimento do Eu e não-Eu, então pouco importa se seu Agnihotra é realizado ou não. Ó monarca, não deixe tais palavras como ‘Eu sou teu servo’ saírem dos lábios delas. A Alma Suprema tem outro nome, isto é, Conhecimento Puro. Somente aqueles que reprimem suas mentes O obtêm. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Assim mesmo é Ele. Ilustre e Pleno, todas as criaturas vivas estão imersas n’Ele. Quem conhece aquela encarnação da Plenitude alcança seu objetivo (emancipação) aqui mesmo. Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Aquilo que voa para longe esticando milhares de asas, sim, se dotado da velocidade da mente, deve, contudo voltar para o Espírito Central dentro do organismo vivo (no qual as mais distantes coisas residem... Aquele Uno Eterno dotado de Divindade) é contemplado por Yogins (por meio de sua visão mental). Sua forma não pode ser objeto de visão. Somente aqueles que têm corações puros podem contemplá-lo. Quando uma pessoa procura o bem de todos, têm êxito em controlar sua mente, e nunca permite que seu coração seja afetado pela aflição, então ela é citada como tendo purificado seu coração. Aqueles, além disso, que podem abandonar o mundo e todos os seus cuidados se tornam imortais. (Aquela Alma Suprema que é eterna), aquele Uno Eterno dotado de Divindade, é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Como serpentes se escondendo em buracos, há pessoas que seguindo os ditames de seus preceptores, ou por sua própria conduta, escondem seus vícios do olhar de escrutínio. Aqueles que são de pouca inteligência são enganados por estes. Realmente, se comportando externamente sem qualquer impropriedade, eles enganam suas vítimas para levá-las ao inferno. (Ele, portanto, que pode ser alcançado por companhia com pessoas da classe exatamente oposta), aquele Uno Eterno dotado de Divindade, é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Aquele que é emancipado pensa: ‘Este organismo transitório nunca pode me fazer sujeito à alegria e dor e aos outros atributos inerentes a ele: nem pode haver, no meu caso, alguma coisa como morte e nascimento; e, além disso, quando Brahman, o qual não tem força oposta para lutar contra e que está igualmente em todos os tempos e todos os lugares, constitui o lugar de descanso de realidades e irrealidades, como a emancipação pode ser minha? Sou Eu somente que sou a origem e o fim de todas as causas e efeitos. (Existindo na forma do Eu ou Ser) aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). A pessoa conhecedora de Brahman, que é igual ao próprio Brahman, não é nem glorificada por boas ações nem maculada por más. É somente em homens comuns que ações, boas ou más, produzem resultados diferentes. A pessoa que conhece Brahman deve ser considerada como idêntica a Amrita ou ao estado chamado Kaivalya que é incapaz de ser afetado por alguma virtude ou vício. Deve-se, portanto, dispondo sua mente da maneira indicada, alcançar àquela essência da doçura (Brahman). Aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Calúnia não aflige o coração da pessoa que conhece Brahman nem o pensamento: ‘Eu não tenho estudado (o Veda)’, ou, ‘Eu não tenho realizado meu Agni-hotra’. O conhecimento de Brahman logo dá a ela aquela sabedoria a qual obtêm somente aqueles que controlam sua mente. (Aquele Brahman o qual liberta a Alma da dor e ignorância), aquele Uno Eterno dotado de Divindade é contemplado por Yogins (por sua visão mental). Aquele, portanto, que contempla seu próprio Eu em tudo não tem mais que sofrer, pois somente têm que sofrer aqueles que estão empenhados em diversas outras ocupações do mundo. Como os propósitos de uma pessoa (de apaziguar a sede, etc.) podem ser satisfeitos em um poço como em um reservatório grande ou extensão vasta, assim os vários propósitos dos Vedas podem ser todos deriváveis por aquele que conhece a Alma. Residindo no coração, e da medida do polegar, aquele Uno ilustre, a corporificação da Plenitude, não é um objeto de visão. Não nascido ele se move, desperto dia e noite. Aquele que o conhece se torna erudito e cheio de alegria. Eu sou chamado de mãe e pai. Eu sou também o filho. De tudo o que foi, e de tudo o que será, Eu sou a Alma. Ó Bharata, Eu sou o avô idoso, Eu sou o pai, Eu sou o filho. Vocês estão permanecendo em minha alma, contudo vocês não são meus, nem Eu sou seu! A Alma é a causa do meu nascimento e procriação. Eu sou a urdidura e o tecido do universo. Aquilo sobre o qual eu me apóio é indestrutível. Não nascido Eu me movimento, desperto dia e noite. Sou Eu conhecendo a quem uma pessoa se torna erudita e cheia de alegria. Mais sutil do que o sutil, de olhos excelentes capazes de investigar o passado e o futuro, Brahman está desperto em todas as criaturas. Aqueles que O conhecem sabem que o Pai Universal mora no coração de todas as coisas criadas!'" 47 "Vaisampayana disse, 'Assim conversando com Sanat-sujata e o erudito Vidura, o rei passou aquela noite. E depois que a noite tinha passado, todos os príncipes e chefes entraram na sala da corte com corações alegres e desejosos de ver aquele Suta (que tinha retornado). E ansiosos para ouvir a mensagem de Partha, repleta de virtude e lucro, todos os reis com Dhritarashtra em sua dianteira foram para aquela sala bela. Imaculadamente branca e espaçosa, ela era adornada com um chão dourado. E refulgente como a lua e extremamente bela, ela tinha sido borrifada com água de sândalo. E ela estava coberta com assentos excelentes feitos de ouro e madeira, e mármore e marfim. E todos os assentos estavam envolvidos com coberturas excelentes. E Bhishma e Drona e Kripa e Salya, e Kritavarman e Jayadratha, e Aswatthaman e Vikarna, e Somadatta e Vahlika e Vidura de grande sabedoria e Yuyutsu, o formidável guerreiro em carro, todos estes reis heróicos em um grupo, ó touro entre os Bharatas, tendo Dhritarashtra em sua chefia, entraram naquela sala de grande beleza. E Dussasana e Chitrasena, e Sakuni, o filho de Suvala, e Durmukha e Dussaha, Karna e Uluka e Vivingsati, estes também, com Duryodhana o colérico rei dos Kurus em sua dianteira entraram naquela sala, ó monarca, como os celestiais formando a comitiva do próprio Sakra. E cheia com aqueles heróis possuidores de braços semelhantes a maças de ferro, aquela sala parecia, ó rei, com uma caverna de montanha cheia com leões. E todos aqueles arqueiros poderosos, dotados de grande energia e brilhando com refulgência solar, entrando na sala, sentaram-se sobre aqueles assentos belos. E depois que todos aqueles reis, ó Bharata, tinham tomado seus assentos, o ordenança em serviço anunciou a chegada do filho de Suta, dizendo, 'Lá vem o carro que foi despachado para os Pandavas. Nosso enviado voltou rapidamente, por meio da ajuda de corcéis bem treinados da raça Sindhu.' E tendo se aproximado do lugar com velocidade e descido do carro, Sanjaya enfeitado com brincos entrou naquela sala cheia de reis de grande alma. E o Suta disse, 'Ó Kauravas, saibam que tendo ido aos Pandavas eu voltei há pouco deles. Os filhos de Pandu oferecem seus cumprimentos para todos os Kurus segundo a idade de cada um. Tendo oferecido seus respeitos em retorno, os filhos de Pritha saudaram os idosos, e aqueles que são iguais a eles em idade, e aqueles também que são jovens, exatamente como cada um deve, de acordo com sua idade, ser saudado. Escutem, ó reis, ao que eu, instruído antes por Dhritarashtra, disse para os Pandavas, tendo ido até eles a partir deste lugar.'” 48 "Dhritarashtra disse, "Eu te pergunto, ó Sanjaya, na presença do meu filho e destes reis, quais palavras foram ditas pelo ilustre Dhananjaya de poder que não conhece diminuição, aquele líder de guerreiros, aquele destruidor das vidas dos perversos?' "Sanjaya disse, 'Que Duryodhana escute as palavras que Arjuna de grande alma, ávido para lutar, proferiu, com a sanção de Yudhishthira e na audição de Kesava. Destemido (em batalha) e consciente do poder de suas armas, o heróico Kiritin, ávido por luta, falou dessa maneira para mim na presença de Vasudeva, 'Ó Suta, diga para o filho de Dhritarashtra, na presença de todos os Kurus, e também na audição daquele filho de Suta de língua suja e alma má, de pouca inteligência, razão estúpida, e de dias contados, que sempre deseja lutar contra mim, e também na audição daqueles reis reunidos para lutar contra os Pandavas, e cuide para que todas as palavras agora proferidas por mim sejam ouvidas bem por aquele rei com seus conselheiros.' Ó monarca, assim como os celestiais escutam avidamente as palavras de seu chefe armado com o raio, assim os Pandavas e os Srinjayas escutaram àquelas palavras de grave significado proferidas por Kiritin. Exatamente estas são as palavras faladas por Arjuna, o manejador do Gandiva, ávido pela luta e com olhos vermelhos como o lótus, 'Se o filho de Dhritarashtra não entregar ao rei Yudhishthira da linhagem Ajamida o reino dele, então (é evidente) deve haver algum ato pecaminoso cometido pelos filhos de Dhritarashtra cujas consequências não foram ainda colhidas por eles, pois não pode ser nada além disso quando eles desejam lutar com Bhimasena e Arjuna, e os Aswins e Vasudeva e o filho de Sini, e Dhrishtadyumna infalível em armas, e Sikhandin, e Yudhishthira que é como o próprio Indra e que pode consumir céu e terra por simplesmente lhes desejar mal. Se o filho de Dhritarashtra deseja guerra com estes, então todos os objetivos dos Pandavas serão realizados. Portanto, não proponha paz aos filhos de Pandu, mas tenha guerra se tu quiseres. Aquele leito de dor nas florestas que era de Yudhishthira quando aquele filho virtuoso de Pandu vivia no exílio; oh, que um leito mais doloroso do que aquele, na terra nua, seja agora de Duryodhana e que ele se deite sobre ele, como seu último, privado de vida. Conquiste aqueles homens que eram governados pelo perverso Duryodhana de conduta injusta para o lado do filho de Pandu dotado de modéstia e sabedoria e ascetismo e autodomínio e coragem e poder regulados por virtude. Dotado de humildade e retidão, com ascetismo e autodomínio e com bravura regulada por virtude, e sempre falando a verdade, nosso rei, embora afligido por numerosas fraudes, perdoou tudo e suportou grandes males pacientemente. Quando o filho mais velho de Pandu, de alma sob controle apropriado, lançar indignadamente nos Kurus sua ira terrível acumulada por anos, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Como um fogo ardente queimando tudo em volta consome grama seca na estação quente, assim Yudhishthira, inflamado com cólera consumirá a hoste Dhritarashtra só por um golpe de vista de seus olhos. Quando o filho de Dhritarashtra contemplar Bhimasena, aquele Pandava colérico de ímpeto terrível, colocado em seu carro, maça na mão, vomitando o veneno de sua ira, então Duryodhana se arrependerá por esta guerra. De fato, quando ele vir Bhimasena, que sempre luta na vanguarda, envolvido em armadura, mal capaz de ser olhado até por seus próprios seguidores, derrubando heróis hostis e devastando as tropas do inimigo como o próprio Yama, então o extremamente vaidoso Duryodhana se lembrará destas palavras. Quando ele vir elefantes, parecendo com picos de montanha, derrubados por Bhimasena, sangue fluindo de suas cabeças partidas como água de barris quebrados, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando caindo sobre os filhos de Dhritarashtra o feroz Bhima de aparência terrível, maça na mão, massacrá-los como um leão enorme caindo sobre um rebanho de vacas, então Duryodhana se arrependerá por esta guerra. Quando o heróico Bhima impávido mesmo em situações de grande perigo e hábil em armas, quando aquele opressor de hostes hostis em batalha, em seu carro, e sozinho, esmagar com sua maça multidões de carros superiores e tropas inteiras de infantaria, agarrar por meio de seus braços fortes como ferro os elefantes do exército hostil, e ceifar a hoste Dhritarashtra como um lenhador forte derrubando uma floresta com um machado, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando ele contemplar a hoste de Dhritarashtra consumida como uma vila cheia de cabanas construídas de palha pelo fogo, ou um campo de milho maduro pelo raio, de fato quando ele contemplar seu exército vasto espalhado, seus líderes mortos, e homens fugindo com suas costas para o campo afligidos pelo medo, e todos os guerreiros, humilhados ao pó, serem chamuscados por Bhimasena com o fogo de suas armas, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra, Quando Nakula, aquele guerreiro de façanhas admiráveis, aquele principal de todos os guerreiros em carros, atirando destramente flechas às centenas, mutilar os guerreiros em carros de Duryodhana, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Acostumado a desfrutar de todos os confortos e luxos da vida, quando Nakula, se lembrando daquele leito de dor sobre o qual ele dormiu por muito tempo nas florestas vomitar o veneno de sua ira como uma cobra enfurecida, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Dispostos a sacrificar suas próprias vidas, os monarcas (aliados), ó Suta, instigados para a batalha pelo rei Yudhishthira o justo, avançarão com fúria em seus carros resplandecentes contra o exército (hostil). Vendo isso, o filho de Dhritarashtra sem dúvida terá que se arrepender. Quando o príncipe Kuru vir os cinco filhos heróicos de (Draupadi), jovens em idade, mas não em ações, e todos bem versados em armas, avançarem indiferentes às suas vidas contra os Kauravas, então aquele filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando empenhado na carnificina Sahadeva, sobre seu carro de rodas silenciosas, e de movimento incapaz de ser obstruído, e ornamentado com estrelas douradas, e puxado por corcéis bem treinados, fizer rolar as cabeças dos monarcas no campo de batalha com descargas de flechas, de fato, vendo aquele guerreiro hábil em armas colocado em seu carro no meio daquela destruição terrível, virando ora à esquerda e ora à direita e caindo sobre o inimigo em todas as direções, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. De fato, quando o modesto, mas poderoso Sahadeva, hábil em batalha, sincero, familiarizado com todos os caminhos da moralidade, e dotado de grande energia e impetuosidade cair sobre o filho de Gandhari em confronto feroz e derrotar todos os seus seguidores, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando ele vir os filhos de Draupadi, aqueles grandes arqueiros, aqueles heróis hábeis em armas e bem versados em todos os modos de luta em carruagens se lançarem no inimigo como cobras de veneno virulento, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando aquele matador de heróis hostis, Abhimanyu, habilidoso com armas como o próprio Krishna, subjugar os inimigos derramando sobre eles, como as próprias nuvens, uma torrente espessa de flechas, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. De fato, quando ele contemplar aquele filho de Subhadra, uma criança em idade mas não em energia, hábil em armas e semelhante ao próprio Indra, caindo como a própria Morte sobre as tropas do inimigo, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando os jovens Prabhadrakas, dotados de grande energia, bem versados em combate, e possuidores da energia de leões derrotarem os filhos de Dhritarashtra com todas suas tropas, então Duryodhana se arrependerá desta guerra. Quando aqueles veteranos guerreiros em carros Virata e Drupada atacarem, na liderança de suas respectivas divisões, os filhos de Dhritarashtra e suas tropas, então Duryodhana se arrependerá desta guerra. Quando Drupada, hábil em armas, e sobre em seu carro, desejoso de colher as cabeças de guerreiros jovens cortá-las colericamente com flechas atiradas de seu arco, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá desta guerra. Quando aquele matador de heróis hostis, Virata, penetrar nas tropas do inimigo, oprimindo todos diante dele com a ajuda de seus guerreiros Matsya de coragem impassível, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá desta guerra. Quando ele contemplar na própria dianteira o filho mais velho do rei Matsya, de coragem arrojada e aparência calma, em seu carro e envolvido em armadura em nome dos Pandavas, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá desta guerra. Eu te digo realmente que quando aquele principal dos heróis Kaurava, o filho virtuoso de Santanu, for morto em batalha por Sikhandin, então todos os nossos inimigos, sem dúvida, perecerão. De fato, quando, derrubando numerosos guerreiros em carros, Sikhandin, sobre seu próprio carro bem protegido, proceder em direção a Bhishma, esmagando multidões de carros (hostis) por meio de seus próprios corcéis poderosos, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando ele vir Dhristadyumna para quem Drona comunicou todos os mistérios da ciência de armas, posicionado em esplendor na própria vanguarda das tropas Srinjaya, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá. De fato, quando o líder da hoste Pandava, de bravura incomensurável e capaz de resistir à investida de qualquer força proceder para atacar Drona em batalha, aniquilando com suas flechas as tropas Dhritarashtra, então Duryodhana se arrependerá por esta guerra. Que inimigo pode resistir a ele que tem, para lutar em sua vanguarda, aquele leão da raça Vrishni, aquele chefe dos Somakas, que é modesto e inteligente, poderoso e dotado de grande energia, e abençoado com todo o tipo de prosperidade? Diga também isto (para Duryodhana); ‘Não cobice (o reino). Nós escolhemos, para nosso líder, o intrépido e poderoso guerreiro em carro Satyaki, o neto de Sini, hábil em armas e que não tem ninguém sobre a terra como seu igual. De peito largo e braços longos, aquele opressor de inimigos, inigualável em batalha, e familiarizado com as melhores das armas, o neto de Sini, de braços habilidosos e perfeitamente destemido, é um poderoso guerreiro em carro que maneja um arco de quatro cúbitos completos de comprimento. Quando aquele matador de inimigos, aquele chefe dos Sinis, instigado por mim, derramar, como as próprias nuvens, suas flechas sobre o inimigo, subjugando completamente seus líderes com aquela torrente, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá desta guerra. Quando aquele guerreiro ilustre de braços longos e firme aperto do arco reúne sua resolução para lutar, o inimigo então, como vacas sentindo o cheiro do leão, fogem dele antes mesmo de começar o combate. Aquele guerreiro ilustre de braços compridos e firme aperto do arco é capaz de rachar as próprias colinas e destruir o universo inteiro. Experiente em armas, hábil (em batalha), e dotado de excelente agilidade mão, ele brilha no campo de batalha como o próprio sol no céu. Aquele leão da raça Vrishni, aquele descendente da linhagem de Yadu, de treinamento superior, tem diversas armas extraordinárias e excelentes. De fato, Satyaki é possuidor do conhecimento de todos aqueles usos de armas que são citadas como da maior excelência. Quando ele vir em batalha o carro dourado de Satyaki da linhagem de Madhu, puxado por quatro corcéis brancos, então aquele patife de paixões descontroladas, o filho de Dhritarashtra, se arrependerá. Quando ele também contemplar meu carro terrível, dotado da refulgência do ouro e pedras preciosas brilhantes, puxado por corcéis brancos e equipado com o estandarte portando o emblema do Macaco e guiado pelo próprio Kesava, então aquele patife de paixões descontroladas se arrependerá. Quando ele ouvir o som violento produzido pelo constante estiramento da corda do arco com dedos envolvidos em luvas de couro, aquela vibração terrível, alta como o ribombar do trovão, do meu arco Gandiva manejado por mim no meio da grande batalha, então aquele canalha pecaminoso, o filho de Dhritarashtra irá se arrepender vendo a si mesmo abandonado por suas tropas, fugindo como gado do campo de batalha em todas as direções, oprimidos pela escuridão criada por minha torrente de flechas. Quando ele vir inúmeras flechas de gume afiado, equipadas com asas belas, e capazes de penetrar nos próprios órgãos vitais, atiradas da corda do Gandiva, como violentas e terríveis luzes de relâmpagos emitidas pelas nuvens, destruindo inimigos aos milhares e devorando incontáveis corcéis e elefantes vestidos em armadura, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando ele contemplar as flechas disparadas pelo inimigo desviadas, ou devolvidas atingidas por minhas flechas, ou cortadas em pedaços perfuradas transversalmente por minhas flechas, então o filho tolo de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando flechas de cabeça larga disparadas por minhas mãos cortarem as cabeças de guerreiros jovens, como aves apanhando frutos de topos de árvores, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando ele vir seus excelentes guerreiros caindo de seus carros, e elefantes e corcéis rolando no campo, privados de vida por minhas flechas, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando ele vir seus irmãos, mesmo antes de entrarem completamente dentro do alcance das armas do inimigo, morrerem todos em volta, sem terem realizado qualquer coisa em batalha, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando despejando minhas flechas ardentes incessantemente, eu, como a própria Morte com boca escancarada, destruir por todos os lados multidões de carros e soldados de infantaria, então aquele canalha se arrependerá. Quando ele contemplar suas próprias tropas cobertas com o pó erguido por meu carro vagarem em todas as direções, despedaçadas pelo Gandiva e privadas de razão, então aquele desgraçado se arrependerá. Quando ele vir todo o seu exército fugindo com medo em todas as direções, mutilado em membros, e privado de razão; quando ele vir seus corcéis, elefantes, e principais heróis mortos; quando ele vir suas tropas sedentas, em pânico, lamentando alto, mortas e moribundas, com seus animais exaustos; e cabelos, ossos e caveiras jazendo em pilhas em volta como trabalhos meio acabados do Criador, então aquele desgraçado se arrependerá. Quando ele contemplar em meu carro, Gandiva, Vasudeva, e a concha celeste Panchajanya, eu mesmo, meu par de aljavas inesgotáveis, e minha concha chamada Devadatta como também meus corcéis brancos, então o filho de Dhritarashtra se arrependerá por esta guerra. Quando eu consumir os Kauravas, como Agni consumindo inúmeras almas pecaminosas reunidas na hora de prenunciar outro Yuga no fim do último, então Dhritarashtra com todos os seus filhos se arrependerá. Quando o filho colérico e de coração perverso de Dhritarashtra estiver privado de prosperidade com irmãos e exército e seguidores, então, privado de orgulho e perdendo o ânimo e tremendo completamente, aquele tolo se arrependerá. Uma manhã quando eu tinha terminado meus ritos de água e orações, um Brahmana me falou estas palavras agradáveis, ‘Ó Partha, tu terás que realizar uma tarefa muito difícil. Ó Savyasachin, tu terás que lutar com teus inimigos. Ou Indra montado em seu corcel excelente com raio na mão andará diante de ti matando teus inimigos em batalha, ou Krishna, o filho de Vasudeva, te protegerá por detrás dirigindo seu carro puxado pelos corcéis encabeçados por Sugriva.’ Confiando nestas palavras eu, nesta batalha, ignorando Indra o manejador do raio, preferi Vasudeva como meu aliado. Aquele Krishna foi obtido por mim para a destruição daqueles pecaminosos. Eu vejo a mão dos deuses em tudo isso. A pessoa cujo êxito é somente desejado por Krishna, sem o último realmente pegar armas em seu nome, sem dúvida triunfa sobre todos os inimigos, mesmo se aqueles forem os celestiais com Indra em sua chefia, enquanto não há ansiedade se eles forem humanos. Aquele que deseja conquistar em batalha aquele principal dos heróis, o filho de Vasudeva, Krishna dotado de grande energia, deseja cruzar só por meio de seus dois braços o grande oceano de ampla extensão e água imensurável. Aquele que deseja partir por meio um tapa de sua palma a alta montanha Kailasa não é capaz de fazer o menor dano à montanha embora somente sua mão com suas unhas sem dúvida se desgaste. Aquele que conquistasse Vasudeva em batalha extinguiria, com seus dois braços, um fogo ardente, pararia o Sol e a Lua, e pilharia à força o Amrita dos deuses, aquele Vasudeva, que tendo matado em batalha por pura força todos os nobres guerreiros da raça Bhoja, sequestrou em um único carro Rukmini de grande fama para fazer dela sua esposa; e dela depois nasceu Pradyumna de grande alma. Foi este favorito dos deuses que, tendo vencido rapidamente os Gandharas e subjugado todos os filhos de Nagnajit, libertou à força da prisão o rei Sudarsana de grande energia. Foi ele que matou o rei Pandya por bater seu peito contra ele, e rebaixou os Kalingas em batalha. Queimada por ele, a cidade de Varanasi permaneceu por muitos anos sem um rei, incapaz de ser derrotada por outros. Ekalavya, o rei dos Nishadas, sempre costumava desafiá-lo para combate; mas morto por Krishna ele jaz morto como o Asura Jambha violentamente espancado sobre um morro pequeno. Foi Krishna que, tendo Baladeva como seu auxiliar, matou o filho pecaminoso de Ugrasena (Kansa), sentado na corte no meio dos Vrishnis e dos Andhakas, e então deu o reino para Ugrasena. Foi Krishna que lutou com o rei Salya, o senhor de Saubha, estacionado nos céus, sem medo por causa de seus poderes de ilusão; e foi ele que, no portão de Saubha pegou com suas mãos o ardente Sataghni (lançado pelo senhor de Saubha). Que mortal é capaz de suportar seu poder? Os Asuras tinham uma cidade chamada Pragjyotisha, que era formidável, inacessível e irresistível. Foi lá que o poderoso Naraka, o filho da Terra, mantinha os brincos adornados com pedras preciosas de Aditi, tendo levado eles pela força. Os próprios deuses que, sem medo da morte, se reuniram com Sakra em sua chefia eram incapazes de subjugá-lo. Contemplando a destreza e poder de Kesava, e arma que é irresistível, e conhecendo também o objetivo de seu nascimento, os deuses o empregaram para a destruição daqueles Asuras. Vasudeva, também, dotado de todos os atributos divinos que asseguram êxito, concordou em empreender aquela tarefa extremamente difícil. Na cidade de Nirmochana aquele herói matou seis mil Asuras, e cortando em pedaços inumeráveis flechas de gume afiado ele matou Mura e hostes de Rakshasas, e então entrou naquela cidade. Foi lá que ocorreu um combate entre o poderoso Naraka e Vishnu de força incomensurável. Morto por Krishna, Naraka jaz sem vida lá, como uma árvore Karnikara arrancada pelo vento. Tendo matado o filho da Terra, Naraka, e também Mura, e tendo recuperado aqueles brincos adornados com pedras preciosas, o erudito Krishna de destreza sem paralelo voltou, adornado com beleza e fama eterna. Tendo testemunhado seus feitos terríveis naquela batalha, os deuses o abençoaram lá mesmo dizendo, 'Fadiga nunca será tua em lutas, nem o firmamento nem as águas pararão teu percurso, nem armas penetrarão teu corpo.' E Krishna, por tudo isto, se considerou amplamente recompensado. Incomensurável e possuidor de grande poder, em Vasudeva sempre existem todas as virtudes. E, contudo o filho de Dhritarashtra procura vencer aquele Vishnu irresistível de energia infinita, pois aquele canalha frequentemente pensa em encarcerá-lo. Krishna, no entanto, tolera tudo isto somente por nossa causa. Aquele canalha procura criar uma desunião repentina entre Krishna e eu. Até que ponto, no entanto, ele é capaz de tirar o afeto de Krishna dos Pandavas, será visto no campo de batalha. Tendo reverenciado o filho de Santanu, e também Drona com seu filho, e o incomparável filho de Saradwat, eu lutarei para recuperar nosso reino. O próprio Deus da justiça, eu estou certo, provocará a destruição daquele homem pecaminoso que lutar com os Pandavas. Derrotados fraudulentamente nos dados por aqueles canalhas, nós, de nascimento real, tivemos que passar doze anos em grande infortúnio na floresta e um longo ano escondidos. Quando aqueles Pandavas ainda estão vivos, como os filhos de Dhritarashtra se regozijarão, possuindo posição e riqueza? Se eles nos derrotassem em luta, ajudados pelos próprios deuses encabeçados por Indra, então a prática do mal seria melhor do que a virtude, e certamente não haveria nada semelhante à retidão sobre a terra. Se o homem é afetado por suas ações, se nós somos superiores a Duryodhana, então, eu espero que, com Vasudeva como meu segundo, eu mate Duryodhana com todos os seus parentes. Ó senhor de homens, se o ato de roubar nosso reino é pecaminoso, se estes nossos próprios bons feitos não são inúteis, então vendo este e aquele, me parece que a derrota de Duryodhana é indubitável. Ó Kauravas, vocês verão com seus próprios olhos que, se eles lutarem, os filhos de Dhritarashtra sem dúvida perecerão. Se eles agirem de outra maneira em vez de lutarem, então eles podem viver; mas no caso de uma batalha se seguir, nenhum deles sobrará vivo. Matando todos os filhos de Dhritarashtra junto com Karna, eu certamente tirarei à força seu reino inteiro. Façam, enquanto isso, o que quer que vocês achem melhor, e desfrutem também de suas esposas e outras coisas boas da vida. Há, conosco, muitos Brahmanas idosos, versados em várias ciências, de comportamento amável, bem nascidos, familiarizados com o ciclo dos anos, dedicados ao estudo de astrologia, capazes de compreender com certeza os movimentos de planetas e as conjunções das estrelas como também de explicar os mistérios do destino, e respondendo perguntas relativas ao futuro, familiarizados com os signos do Zodíaco, e versados com as ocorrências de todas as horas, que estão profetizando a grande destruição dos Kurus e dos Srinjayas, e a vitória final dos Pandavas, pelo que Yudhishthira, que nunca fez um inimigo, já considera seus objetivos realizados pelo massacre de seus inimigos. E Janardana também, aquele leão entre os Vrishnis, dotado do conhecimento do futuro invisível, sem dúvida, vê tudo isto. E eu também, com previdência infalível vejo aquele futuro, pois esta minha previdência, adquirida antigamente, não está obstruída. Os filhos de Dhritarashtra, se eles lutarem, não viverão. Meu arco, Gandiva, boceja sem ser manejado; minha corda de arco treme sem ser esticada; e flechas também, saindo da boca da minha aljava, estão repetidamente procurando voar. Minha cimitarra brilhante sai por si mesma de sua bainha, como uma cobra deixando sua própria pele gasta; e no topo do meu mastro de bandeira são ouvidas vozes terríveis; ‘Quando teu carro será emparelhado, ó Kiritin?’ Inúmeros chacais proferem uivos horríveis à noite, e Rakshasas frequentemente descem do céu; veados e chacais e pavões, corvos, urubus e garças, e lobos e aves de plumagem dourada seguem na retaguarda do meu carro quando meus corcéis brancos são unidos a ele. Sozinho eu posso despachar, com chuvas de flechas, todos os reis guerreiros para as regiões da morte. Como um fogo ardente consome uma floresta na estação quente, assim, expondo diversos movimentos, eu lançarei aquelas armas formidáveis chamadas Sthur-karna, Pasupata, e Brahma, e todas aquelas que Sakra me deu, todas as quais são dotadas de impetuosidade ardente. E com sua ajuda, colocando meu coração na destruição daqueles monarcas, eu não deixarei resto daqueles que forem para o campo de batalha. Eu descansarei, tendo feito tudo isto. Esta mesma é minha resolução principal e decidida. Diga isto a eles, ó filho de Gavalgana. Veja a tolice de Duryodhana! Ó Suta, aqueles que são invencíveis em batalha mesmo se enfrentados com a ajuda dos próprios deuses encabeçados por Indra, contra eles aquele filho de Dhritarashtra pensa em guerrear! Mas que seja como os idosos Bhishma, o filho de Santanu, e Kripa, e Drona com seu filho, e Vidura dotado de grande sabedoria, estão dizendo, ‘Que os Kauravas todos vivam por longo tempo!’" 49 "Vaisampayana disse, 'No meio, ó Bharata, de todos aqueles reis reunidos, Bhishma, o filho de Santanu, então disse estas palavras para Duryodhana, 'Uma vez Vrihaspati e Sakra foram até Brahma. Os Maruts também com Indra, os Vasus com Agni, os Adityas, os Sadhyas, os sete Rishis celestes, os Gandharvas, Viswavasu, e as belas tribos das Apsaras, todos se aproximaram do Avô antigo. E tendo reverenciado o Senhor do Universo, todos aqueles habitantes do céu se sentaram em volta dele. Justamente então, as duas divindades antigas, os Rishis Nara e Narayana, como se atraindo para si mesmos por meio de sua própria energia as mentes e energias de todos os que estavam presentes lá, deixaram o local. Nisso Vrihaspati questionou Brahma, dizendo, ‘Quem são esses dois que deixaram o local sem te reverenciar? Diga-nos, ó Avô, quem são eles?’ Assim questionado, Brahma disse, 'Esses dois, dotados de mérito ascético, brilhando com refulgência e beleza, iluminando a terra e o céu, possuidores de grande poder, e permeando e sobrepujando todos, são Nara e Narayana, morando agora na região de Brahman tendo chegado do outro mundo. Dotados de grande força e coragem, eles brilham por seu próprio ascetismo. Por suas ações eles sempre contribuem para a alegria do mundo. Reverenciados pelos deuses e os Gandharvas, eles existem somente para a destruição de Asuras.' "Bhishma continuou, 'Tendo ouvido estas palavras, Sakra foi ao local onde aqueles dois estavam praticando austeridades ascéticas, acompanhado por todos os celestiais e tendo Vrihaspati em sua dianteira. Naquele tempo, os habitantes do céu estavam muito alarmados por causa de uma guerra que ocorria entre eles mesmos e os Asuras. E Indra pediu àquele par ilustre para lhe conceder um benefício. Assim solicitados, ó melhor da linhagem Bharata, aqueles dois disseram, ‘Cite o benefício.’ Nisso Sakra disse para eles, ‘Nos dêem sua ajuda.’ Eles então disseram para Sakra, ‘Nós faremos o que tu desejas.’ E então foi com a ajuda deles que Sakra posteriormente venceu os Daityas e os Danavas. Ó castigador de inimigos, Nara matou em batalha centenas e milhares de inimigos de Indra entre os Paulomas e os Kalakhanjas. Foi este Arjuna que, sobre um carro giratório, cortou em batalha, com uma flecha de gume afiado, a cabeça do Asura Jambha quando o último estava prestes a engoli-lo. Fui ele quem afligiu (a cidade Daitya de Hiranyapura) no outro lado do oceano, tendo subjugado em batalha sessenta milhares de Nivatakavachas. Foi este conquistador de cidades hostis, este Arjuna de armas poderosas que gratificou Agni, tendo derrotado os próprios deuses com Indra em sua chefia. E Narayana também, neste mundo, tem destruído inúmeros outros Daityas e Danavas da mesma maneira. Assim mesmo são aqueles dois de energia poderosa que são agora vistos unidos um com o outro. Foi ouvido por nós que os dois heróicos e poderosos guerreiros em carros, Vasudeva e Arjuna, que estão agora unidos, são aqueles mesmos deuses antigos, os divinos Nara e Narayana. Entre todos sobre a terra eles são incapazes de ser vencidos pelos Asuras e os deuses encabeçados pelo próprio Indra. Aquele Narayana é Krishna, e aquele Nara é Falguna. De fato eles são uma Alma nascida em duas. Esses dois, por suas ações, desfrutam de numerosas regiões eternas e inesgotáveis, e nascem repetidamente naqueles mundos quando guerras destrutivas são necessárias. Por esta razão sua missão é lutar. Exatamente isso foi o que Narada, conhecedor dos Vedas, disse para os Vrishnis. Quando tu, ó Duryodhana, vires Kesava com concha e disco, e maça na mão, e aquele terrível manejador do arco, Arjuna, armado com armas, quando tu vires aqueles eternos e ilustres, os dois Krishnas sentados no mesmo carro, então, ó filho, tu te lembrarás destas minhas palavras. Por que tal perigo não ameaçaria os Kurus quando teu intelecto, ó filho, abandonou lucro e virtude? Se tu não prestares atenção às minhas palavras, tu então terás que ouvir do massacre de muitos, pois todos os Kauravas aceitam tua opinião. Tu estás sozinho em defender como verdadeira a opinião, ó touro da raça Bharata, somente três pessoas, isto é, Karna, um filho de Suta de nascimento humilde amaldiçoado por Rama, Sakuni, o filho de Suvala, e teu irmão vil e pecaminoso Dussasana.' Karna disse, 'Não cabe a ti, ó avô abençoado, usar tais palavras em direção a mim, pois eu tenho adotado os deveres da classe Kshatriya sem abandonar aqueles meus próprios. Além disso, que pecaminosidade existe em mim? Eu não tenho pecado conhecido por alguém do povo de Dhritarashtra. Eu nunca fiz alguma injúria para o filho de Dhritarashtra; por outro lado, eu matarei todos os Pandavas em batalha. Como podem aqueles que são sábios fazer as pazes novamente com aqueles que foram prejudicados antes? É sempre meu dever fazer tudo o que é agradável para o rei Dhritarashtra, e especialmente para Duryodhana, pois ele está em posse do reino.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo escutado estas palavras de Karna, Bhishma o filho de Santanu, se dirigindo ao rei Dhritarashtra disse novamente, 'Embora este muitas vezes se gabe dizendo, ‘Eu matarei os Pandavas,’ ainda assim ele não é igual nem a uma décima sexta parte dos Pandavas de grande alma. Saiba que a grande calamidade que está prestes a alcançar teus filhos de almas perversas é a ação deste filho desventurado de um Suta! Confiando nele teu filho tolo Suyodhana insultou aqueles heróis de descendência celeste, aqueles castigadores de todos os inimigos. Qual, no entanto, é aquela façanha difícil realizada por este patife anteriormente que esteja à altura de alguma daquelas realizadas antigamente por cada um dos Pandavas? Vendo na cidade de Virata seu irmão querido morto por Dhananjaya que mostrou semelhante bravura o que ele fez então? Quando Dhananjaya, avançando contra todos os Kurus reunidos, os subjugou e tirou seus mantos, ele não estava lá então? Quando teu filho estava sendo levado como um cativo pelos Gandharvas na ocasião da contagem do gado, onde estava este filho de um Suta então que agora berra como um touro? Mesmo lá, foi Bhima, e o ilustre Partha, e os gêmeos que enfrentaram os Gandharvas e os derrotaram. Sempre belas, e sempre sem consideração por virtude e lucro, estas, ó touro da raça Bharata, são as muitas coisas falsas, abençoado sejas tu, que ele profere.' Tendo ouvido estas palavras de Bhishma, o filho de grande alma de Bharadwaja, tendo prestado devida homenagem a Dhritarashtra e aos reis reunidos, falou para ele estas palavras, 'Faça, ó rei, aquilo que o melhor dos Bharatas, Bhishma, disse. Não cabe a ti agir segundo as palavras daqueles que são cobiçosos de riqueza. Paz com os Pandavas, antes de a guerra acontecer, parece ser o melhor. Tudo dito por Arjuna e repetido aqui por Sanjaya será cumprido, eu sei, por aquele filho de Pandu, pois não há arqueiro igual a ele nos três mundos!' Sem considerar, no entanto, estas palavras faladas por Drona e Bhishma, o rei novamente questionou Sanjaya sobre os Pandavas. Desde aquele momento, quando o rei não deu uma resposta apropriada para Bhishma e Drona, os Kauravas abandonaram todas as esperanças de vida.'" 50 "Dhritarashtra disse, 'O que aquele rei Pandava, o filho de Dharma, disse, ó Sanjaya, depois de saber que uma grande força foi reunida aqui para nos alegrar? Como também Yudhishthira está agindo, em vista do conflito vindouro? Ó Suta, quem entre seus irmãos e filhos está olhando com respeito para seu rosto, desejoso de receber suas ordens? Ofendido como ele está pelos logros dos meus filhos maus, quem, além disso, está dissuadindo aquele rei de comportamento virtuoso e conhecedor da virtude, dizendo, ‘Tenha paz?’ "Sanjaya disse, 'Todos os Panchalas, junto com os outros filhos de Pandu, estão olhando para o rosto de Yudhishthira, abençoado sejas tu, e ele também está contendo eles todos. Multidões de carros pertencentes aos Pandavas e aos Panchalas estão vindo em grupos separados para alegrar Yudhishthira, o filho de Kunti, prontos para marchar para o campo de batalha. Como o céu se torna mais brilhante na chegada do sol nascente, assim os Panchalas estão se regozijando em sua união com o filho de Kunti de esplendor ardente, surgido como uma enchente de luz. Os Panchalas, os Kekayas, e os Matsyas, junto com os próprios pastores que cuidam de seus gados e ovelhas, estão se regozijando e alegrando Yudhishthira, o filho de Pandu. Moças Brahmana e Kshatriya e as próprias filhas dos Vaisyas, em grande número, estão indo em disposição divertida para verem Partha vestido em cota de malha.' "Dhritarashtra disse, 'Nos fale, ó Sanjaya, das forças armadas de Dhrishtadyumna, como também dos Somakas, e de todos os outros, com as quais os Pandavas pretendem lutar conosco.'” "Vaisampayana continuou, 'Assim interrogado no meio dos Kurus e em sua própria sala, o filho de Gavalgana ficou pensativo por um momento e parecia dar repetidamente suspiros profundos e longos; e de repente ele caiu em um desmaio sem qualquer razão aparente. Então naquela assembleia de reis Vidura disse ruidosamente, 'Sanjaya, ó grande rei, caiu sem sentidos ao solo, e não pode proferir uma palavra, privado de sentidos e com seu intelecto nublado.' "Dhritarashtra disse, 'Sem dúvida, Sanjaya, tendo visto aqueles poderosos guerreiros em carros, os filhos de Kunti, teve sua mente cheia com grande ansiedade por causa daqueles tigres entre homens.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo recuperado a consciência, e estando confortado, Sanjaya se dirigiu ao rei Dhritarashtra no meio daquela afluência de Kurus naquela sala, dizendo, 'De fato, ó rei dos reis, eu vi aqueles grandes guerreiros, os filhos de Kunti, emagrecidos em corpo pela restrição na qual eles viveram na cidade do rei dos Matsyas. Ouça, ó rei, com quem os Pandavas lutarão contra você. Com aquele herói Dhrishtadyumna como seu aliado, eles lutarão contra você. Com aquele personagem de alma virtuosa, que nunca abandona a verdade por raiva ou medo, tentação, ou por riqueza, ou disputa; e que é, ó rei, uma verdadeira autoridade em questões de religião, sendo ele mesmo o melhor daqueles que praticam a virtude; com ele, que nunca fez um inimigo, os filhos de Pandu lutarão contra você. Ele a quem ninguém sobre a terra é igual em força de braços, e que, manejando seu arco trouxe todos os reis sob submissão e que, subjugando antigamente todo o povo de Kasi e Anga e Magadha, como também os Kalingas; com aquele Bhimasena os filhos de Pandu vão lutar contra você. De fato, ele através de cujo poder os quatro filhos de Pandu podiam rapidamente descer sobre a terra, tendo saído da casa de laca (queimando), aquele filho de Kunti, Vrikodara, que se tornou os meios de seu resgate do canibal Hidimva; aquele filho de Kunti, Vrikodara, que se tornou seu refúgio quando a filha de Yajnasena estava sendo levada por Jayadratha; de fato, com aquele Bhima que salvou os Pandavas do incêndio em Varanavata; com ele mesmo (como seu aliado) eles lutarão contra você. Ele, que para a satisfação de Krishna matou os Krodhavasas, tendo penetrado nas acidentadas e terríveis montanhas de Gandhamadana, ele para cujos braços foi dado o poder de dez mil elefantes; com aquele Bhimasena os Pandavas lutarão contra você. Aquele herói, que, para a satisfação de Agni, com Krishna somente como seu auxiliar, corajosamente derrotou antigamente Purandara em luta; ele que gratificou por meio de um combate aquele Deus dos deuses, o manejador do tridente marido de Uma, o próprio Mahadeva tendo as montanhas para sua residência; aquele principal dos guerreiros que subjugou todos os reis da terra, com aquele Vijaya (como seu aliado) os Pandavas enfrentarão você em batalha. Aquele guerreiro admirável Nakula, que subjugou todo o mundo ocidental abundando em Mlechchas, está presente no acampamento Pandava. Com aquele herói belo, aquele arqueiro incomparável, aquele filho de Madri, ó Kauravya, os Pandavas lutarão contra você. Ele que derrotou em batalha os guerreiros de Kasi, Anga, e Kalinga, com aquele Sahadeva os Pandavas enfrentarão você em batalha. Ele, que em energia tem como seus iguais somente quatro homens sobre a terra, a saber, Aswatthaman e Dhrishtaketu e Rukmi e Pradyumna, com aquele Sahadeva, o mais jovem em idade, aquele herói entre homens, aquele que alegra o coração de Madri, com ele, ó rei, você terá uma batalha destrutiva. Ela que, enquanto vivendo antigamente como a filha do rei de Kasi praticou as penitências mais austeras; ela que, ó touro da raça Bharata, desejando em uma vida subsequente realizar a destruição de Bhishma tomou seu nascimento como a filha de Panchala, e acidentalmente se tornou depois um homem; que, ó tigre entre homens, está familiarizado com os méritos e deméritos de ambos os sexos; aquele invencível príncipe dos Panchalas que enfrentou os Kalingas em batalha, com aquele Sikhandin hábil em todas as armas os Pandavas lutarão contra você. Ela a quem um Yaksha transformou em um homem para a destruição de Bhishma, com aquele arqueiro formidável os Pandavas lutarão contra você. Com aqueles arqueiros poderosos, todos irmãos, aqueles cinco príncipes Kekaya, com aqueles heróis vestidos em armadura os Pandavas lutarão contra você. Com aquele guerreiro de braços longos, dotado de grande força no uso de armas, possuidor de inteligência e bravura incapaz de ser frustrada, com aquele Yuyudhana, o leão da raça Vrishni, você terão que lutar. Ele que tem sido a proteção dos Pandavas de grande alma por um tempo, com aquele Virata vocês terão um confronto em batalha. O senhor de Kasi, aquele poderoso guerreiro em carro que governa em Varanasi se tornou um aliado deles; com os Pandavas lutará contra você. Os filhos de grande alma de Draupadi, jovens em idade, mas invencíveis em batalha, e inalcançáveis como cobras de veneno virulento, com eles, os Pandavas lutarão contra você. Ele, que em energia é semelhante a Krishna e em autodomínio a Yudhishthira, com aquele Abhimanyu os Pandavas lutarão contra você. Aquele filho guerreiro de Sisupala, Dhrishtaketu de grande renome, que em energia está além de comparação e que quando enfurecido é incapaz de ser resistido em batalha, com aquele rei dos Chedis que se juntou aos Pandavas na chefia de um Akshauhini próprio os filhos de Pandu lutarão contra você. Ele é o refúgio dos Pandavas, assim como Vasava é dos celestiais, com aquele Vasudeva, os Pandavas lutarão contra você. Ele também, ó touro da raça Bharata, Sarabha o irmão do rei dos Chedis, que, além disso, está unido com Karakarsa, com ambos, os Pandavas lutarão contra você. Sahadeva, o filho de Jarasandha, e Jayatsena, ambos heróis incomparáveis em batalha, estão decididos a lutar pelos Pandavas. E Drupada também, possuidor de grande poder, e seguido por uma grande tropa, e indiferente à sua vida, está decidido a lutar pelos Pandavas. Confiando nestes e em outros reis às centenas, dos países do leste e do norte, o rei Yudhishthira o justo está preparado para a batalha.'" "Dhritarashtra disse, 'Todos estes mencionados por ti são, de fato, dotados de grande coragem, mas todos eles juntos são iguais a Bhima sozinho. Meu medo, ó filho, do Bhima colérico é, de fato, muito grande, como aquele de um veado cevado de um tigre enfurecido. Eu passo todas as minhas noites em insônia, dando suspiros profundos e ansiosos com medo de Vrikodara, ó filho, como um animal de alguma outra espécie com medo do leão. De braços fortes, e em energia igual ao próprio Sakra, eu não vejo neste exército inteiro nem uma pessoa que possa resistir a ele em batalha. Extremamente colérico e resoluto em animosidade, aquele filho de Kunti e Pandu não sorri nem em brincadeira, é louco com raiva, lança seus olhares obliquamente, e fala em uma voz de trovão. De grande impetuosidade e grande coragem, de braços longos e grande força, ele não deixará vivo, em batalha, nem um dos meus filhos tolos. De fato, Vrikodara, aquele touro entre os Kurus, girando sua maça em batalha como um segundo Yama com maça na mão, matará todos os meus filhos que estão afligidos por uma pesada calamidade. Agora mesmo eu vejo aquela maça terrível dele, com oito lados feitos de aço, e adornada com ouro, erguida como a maldição de um Brahmana. Como um leão de força imensa entre um bando de veados, Bhima vagará entre minhas tropas. Somente ele (entre seus irmãos) sempre mostrou sua força cruelmente em direção aos meus filhos. Comendo vorazmente, e dotado de grande impetuosidade, desde sua infância ele tem se comportando hostilmente em direção aos meus filhos. Meu coração treme (ao lembrar) que mesmo em sua infância, Duryodhana e outros filhos meus, enquanto lutando com ele (esportivamente) eram sempre postos no chão por Bhima semelhante a elefante. Ai, meus filhos sempre foram oprimidos por seu poder, e é aquele Bhima de bravura terrível que foi a causa deste rompimento. Agora mesmo eu vejo Bhima, louco com raiva, lutando na própria vanguarda, e devorando toda a minha hoste consistindo em homens, elefantes, e corcéis. Igual a Drona e Arjuna em armas, sua velocidade é igual à velocidade do vento, e em ira semelhante ao próprio Maheswara, quem é, ó Sanjaya, que mataria aquele herói colérico e terrível em batalha? Eu penso que é um grande ganho que meus filhos não tenham sido mortos naquela época por aquele matador de inimigos que é dotado de tal energia. Como pode um ser humano resistir à impetuosidade daquele guerreiro em batalha que matou Yakshas e Rakshasas de força terrível no passado? Ó Sanjaya, mesmo em sua infância ele nunca esteve completamente sob meu controle. Prejudicado por meus filhos perversos, como pode aquele filho de Pandu estar sujeito ao meu controle agora? Cruel e extremamente colérico, ele se quebraria, mas não se dobraria. De olhares oblíquos e sobrancelhas contraídas, como ele pode ser induzido a permanecer calmo? Dotado de heroísmo, de poder incomparável e cor clara, alto como uma palmeira, e em altura maior do que Arjuna pela medida do polegar, o segundo filho de Pandu supera os próprios corcéis em rapidez, e elefantes em força, fala com pronúncia indistinta, e possui olhos que têm a cor do mel. Com relação à forma e força, ele era assim mesmo em sua juventude, como eu realmente ouvi muito antes dos lábios de Vyasa! Terrível e possuidor de poder cruel, quando zangado ele destruirá em batalha com sua maça de ferro carros e elefantes e homens e cavalos. Por agir contra seus desejos, aquele principal dos batedores que é sempre colérico e furioso foi anteriormente, ó filho, insultado por mim. Ai, como meus filhos aguentarão aquela maça dele que é reta, feito de aço, compacta, de lados belos, adornada com ouro, capaz de matar uma centena, e que produz um som terrível quando arremessada no inimigo? Ai, ó filho, meus filhos tolos estão desejosos de cruzar aquele oceano inacessível constituído por Bhima, o qual é realmente sem margens, sem uma balsa sobre ele, imensurável em profundidade, e cheio de correntezas impetuosas como o percurso de flechas. Tolos na verdade embora contando vantagem de sua sabedoria, ai, meus filhos não me escutam ainda que eu grite. Vendo somente o mel eles não vêem a queda terrível que está diante deles. Aqueles que avançarem para a batalha com a própria Morte naquela forma humana estão sem dúvida fadados à destruição pelo Ordenador Supremo, como animais dentro da vista do leão. De quatro cúbitos completos de comprimento, dotada de seis lados e grande poder, e tendo também um toque mortal, quando ele lançar sua maça da funda, como meus filhos, ó filho, suportarão seu ímpeto? Girando sua maça e quebrando com ela as cabeças de elefantes (hostis), lambendo com sua língua os cantos de sua boca e dando longas respirações, quando ele avançar com rugidos altos contra elefantes poderosos, devolvendo os gritos daqueles animais enfurecidos que possam avançar contra ele, e quando entrando na formação cerrada de carros ele matar, depois de visar corretamente os principais guerreiros à frente dele, que mortal do meu partido escapará dele que parece com uma chama ardente? Oprimindo minhas tropas e abrindo uma passagem através delas, aquele herói de braços fortes, dançando com maça na mão, exibirá a cena testemunhada durante a Dissolução universal no fim de um Yuga. Como um elefante enfurecido esmagando árvores adornadas com flores, Vrikodara em batalha penetrará com fúria nas tropas dos meus filhos. Privando meus guerreiros de seus carros, motoristas, corcéis, e hastes de bandeira, e afligindo todos os guerreiros lutando de carros e das costas de elefantes, aquele tigre entre homens, ó Sanjaya, como a correnteza impetuosa do Ganga derrubando árvores diversas permanecendo em suas margens, subjugará em batalha as tropas dos meus filhos. Sem dúvida, ó Sanjaya, afligidos por medo de Bhimasena, meus filhos e seus dependentes e todos os reis aliados fugirão em diferentes direções. Foi este Bhima que, tendo entrado antigamente, com a ajuda de Vasudeva, nos aposentos mais recônditos de Jarasandha, derrotou aquele rei dotado de grande energia; aquele senhor de Magadha, o poderoso Jarasandha, que tendo trazido completamente sob sua submissão a deusa Terra, a oprimia com sua energia. Que os Kauravas pela bravura de Bhishma, e os Andhakas e os Vrishnis por sua política não pudessem ser subjugados por ele era devido somente à sua boa sorte. O que poderia ser mais extraordinário do que isto: que o filho heróico de Pandu, de braços fortes e sem quaisquer armas, tendo se aproximado daquele rei, o matasse em um instante? Como uma cobra venenosa, cujo veneno tem se acumulado por anos, Bhima, ó Sanjaya, vomitará em batalha o veneno de sua ira sobre meus filhos! Como o principal dos celestiais, o grande Indra, atingindo os Danavas com seu raio, Bhimasena, com maça na mão, matará todos os meus filhos! Incapaz de ser resistido ou detido, de ímpeto e poderes violentos, e com olhos de uma cor de cobre, eu vejo agora mesmo aquele Vrikodara caindo sobre meus filhos. Sem maça ou arco, sem carro ou cota de malha, lutando somente com seus braços nus, que homem poderia resistir diante dele? Bhishma, aquele regenerado Drona, e Kripa o filho de Saradwat, estes estão tão familiarizados quanto eu com a energia do inteligente Bhima. Conhecedores da prática daqueles que são nobres, e desejosos de morte em batalha, estes touros entre homens tomarão suas posições na vanguarda do nosso exército. O destino é poderoso em toda parte, especialmente no caso de um homem, pois vendo a vitória dos Pandavas em batalha eu, contudo não contenho meus filhos. Estes meus arqueiros poderosos, desejosos de trilhar aquele caminho antigo que conduz ao céu, sacrificarão suas vidas em batalha, cuidando, no entanto, de fama terrestre. Ó filho, meus filhos são os mesmos para estes arqueiros poderosos como os Pandavas são para eles, pois todos eles são os netos de Bhishma e discípulos de Drona e Kripa. Ó Sanjaya, os pequenos serviços aceitáveis que nós temos sido capazes de fazer para estes três veneráveis certamente serão retribuídos por eles devido a suas próprias disposições nobres. É dito que morte em batalha de um Kshatriya que ergueu armas e deseja cumprir práticas Kshatriya é, de fato, boa e meritória. Eu lamento, no entanto, por todos aqueles que vão lutar contra os Pandavas. Aproxima-se agora aquele perigo que foi previsto por Vidura no início. Parece, ó Sanjaya, que a sabedoria é incapaz de dissipar a angústia; por outro lado, é a angústia opressiva que dissipa a sabedoria. Quando os próprios sábios que estão emancipados de todos os interesses mundanos e que contemplam, permanecendo à distância, todos os assuntos do universo são afetados por prosperidade e adversidade, é de admirar que eu sofra, eu que tenho minhas afeições fixadas em mil coisas tais como filhos, reino, esposas, netos, e parentes? Que benefício possivelmente pode estar reservado para mim na acessão de tal perigo terrível? Refletindo sobre todas as circunstâncias, eu vejo a destruição certa dos Kurus. Aquela partida de dados parece ser a causa deste grande perigo dos Kurus. Ai, este pecado foi cometido por tentação pelo tolo Duryodhana, desejoso de riqueza; eu acredito que tudo isso é o efeito adverso do Tempo sempre fugaz que ocasiona tudo. Atado à roda do Tempo, como sua periferia, eu não sou capaz de fugir disto. Diga-me, ó Sanjaya, aonde eu irei? O que eu farei, e, como eu o farei? Estes Kauravas insensatos serão todos destruídos, sua Hora tendo chegado. Desamparadamente eu terei que ouvir o lamento de mulheres quando meus cem filhos estiverem todos mortos. Oh, como a morte pode cair sobre mim? Como um fogo ardente na estação do verão, quando incitado pelo vento, consome grama seca, assim Bhima, maça na mão, e unido com Arjuna, matará todos do meu lado!'" 52 "Dhritarashtra disse, 'Ele a quem nós nunca ouvimos falar uma mentira, ele que tem Dhananjaya para lutar por ele pode ter a soberania até dos três mundos. Refletindo dia a dia eu não acho o guerreiro que possa, em seu carro, avançar em batalha contra o manejador do Gandiva. Quando aquele manejador do Gandiva disparar flechas aladas e Nalikas e setas capazes de perfurar o peito de guerreiros, não haverá rival dele em batalha. Se aqueles touros entre homens, aqueles heróis, Drona e Karna, aqueles principais dos homens poderosos, versados em armas e invencíveis em batalha, resistirem a ele, o resultado pode ser muito duvidoso, mas eu estou certo de que a vitória não será minha. Karna é compassivo e desatento, e o preceptor é idoso e tem afeição por este pupilo. Partha, no entanto, é hábil e poderoso, de firme aperto (do arco). Terrível será o combate entre eles, sem resultar na derrota de alguém. Conhecedores de armas e dotados de heroísmo, todos eles ganharam grande renome. Eles podem abandonar a própria soberania dos deuses, mas não a chance de obter vitória. Haveria paz, sem dúvida, após a queda ou destes dois (Drona e Karna) ou de Falguna. Não há ninguém, no entanto, que possa ou matar ou derrotar Arjuna. Ai, como pode esta ira que foi excitada contra meus filhos tolos ser pacificada? Há outros que familiarizados com o uso de armas, que (sendo) conquistadores são conquistados; mas é ouvido que Falguna sempre conquista. Trinta e três anos se passaram desde o tempo quando Arjuna, tendo convidado Agni, o gratificou em Khandava, derrotando todos os celestiais. Nós nunca soubemos de sua derrota em algum lugar, ó filho. Como o caso de Indra, a vitória é sempre de Arjuna, que tem para seu quadrigário em batalha Hrishikesa, dotado do mesmo caráter e posição. Nós soubemos que os dois Krishnas no mesmo carro e o Gandiva encordoado, estas três forças, se reuniram. Com relação a nós, nós não temos um arco daquele tipo, ou um guerreiro como Arjuna, ou um quadrigário como Krishna. Os seguidores tolos de Duryodhana não estão conscientes disto. Ó Sanjaya, o raio brilhante caindo na cabeça deixa alguma coisa não destruída, mas as flechas, ó filho, disparadas por Kiritin não deixam nada não destruído. Agora mesmo eu vejo Dhananjaya atirando suas flechas e cometendo uma destruição em volta, separando cabeças de corpos com suas chuvas de flechas! Agora mesmo eu vejo a conflagração de flechas, brilhando em todas as direções, emanando do Gandiva, consumindo em batalha as tropas dos meus filhos. Agora mesmo me parece que, em pânico pelo estrépito do carro de Savyasachin, meu vasto exército consistindo em diversas tropas está fugindo em todas as direções. Como um incêndio tremendo, vagando em todas as direções, de chamas elevadas e instigadas pelo vento consome folhas secas e grama, assim a grande fama das armas de Arjuna consumirá todas as minhas tropas. Kiritin, aparecendo como um inimigo em batalha vomitará inúmeras flechas e se tornará irresistível como a Morte que a tudo destrói incitada adiante pelo Ordenador Supremo. Quando eu ouvir constantemente dos maus presságios de diversos tipos acontecendo nas casas dos Kurus e em volta deles e no campo de batalha, então a destruição, sem dúvida, tragará os Bharatas.'" 53 "Dhritarashtra disse, 'Dotados de grande coragem e ávidos pela vitória, assim como os próprios filhos de Pandu são, assim são seus seguidores, que estão todos decididos a sacrificar suas vidas e determinados a obter vitória. Tu mesmo, ó filho, me falaste dos meus inimigos poderosos, isto é, os reis dos Panchalas, os Kekayas, os Matsyas, e os Magadhas. Ele, além disso, que à sua vontade pode trazer sob sua submissão todos os três mundos com Indra em sua chefia, até aquele Criador do universo, o poderoso Krishna, está empenhado em dar vitória aos Pandavas. Com relação a Satyaki, ele adquiriu num instante toda a ciência de armas de Arjuna. Aquele descendente da família de Sini permanecerá no campo de batalha, disparando suas flechas como agricultores semeando sementes. O príncipe de Panchala, Dhristadyumna, aquele poderoso guerreiro em carro de feitos impiedosos, conhecedor de todas as armas superiores, lutará com minha hoste. É grande meu medo, ó filho, da cólera de Yudhishthira, da destreza de Arjuna, e dos gêmeos e Bhimasena. Quando aqueles senhores de homens, no meio do meu exército, espalharem sua rede sobre-humana de flechas, eu temo que minhas tropas não saiam dela. É por isto, ó Sanjaya, que eu lamento. Aquele filho de Pandu, Yudhishthira, é bonito, dotado de grande energia, altamente abençoado, possuidor de força Brahma, inteligente, de grande sabedoria, e alma virtuosa. Tendo aliados e conselheiros, unido com pessoas preparadas para a batalha, e possuindo irmãos e sogro que são todos heróis e poderosos guerreiros em carros, aquele tigre entre homens, o filho de Pandu, é também dotado de paciência, capaz de executar seus planos, compassivo, modesto, de poderes incapazes de serem frustrados, possuidor de grande erudição, com alma sob controle adequado, sempre servindo idosos, e de sentidos subjugados; possuidor dessa maneira de todas as habilidades, ele é semelhante a um fogo ardente. Qual tolo, fadado à destruição e privado de razão, saltaria, como mariposa, dentro daquele brilhante e irresistível fogo Pandava? Ai, eu tenho me comportado enganadoramente em direção a ele. O rei, como um fogo de chamas longas, destruirá todos os meus filhos tolos em batalha sem deixar algum vivo. Eu, portanto, penso que não é oportuno lutar com eles. Ó Kauravas, sejam da mesma opinião. Sem dúvida, toda a família de Kuru será destruída no caso das hostilidades serem empreendidas. Isto me parece muito evidente, e se nós agirmos adequadamente, minha mente poderá ter paz. Se guerra com eles não parecer benéfica para vocês, então nós nos esforçaremos para ocasionar a paz. Yudhishthira nunca ficará indiferente quando ele nos vir angustiados, pois ele critica a mim somente como a causa desta guerra injusta.'" 54 "Sanjaya disse, ‘É assim mesmo, ó grande rei, como tu, ó Bharata, dizes. No caso de batalha, a destruição dos Kshatriyas por meio do Gandiva é indubitável. Isto, no entanto, eu não entendo, como quando tu és sempre sábio e especialmente conhecedor da destreza de Savyasachin, tu ainda segues os conselhos dos teus filhos. Tendo, ó touro da raça Bharata, ofendido os filhos de Pritha logo no começo, tendo realmente cometido pecados repetidamente, esta não é, ó grande rei, a hora (para se afligir). Aquele que ocupa a posição de um pai e um amigo, se ele é sempre vigilante e de bom coração, deve procurar o bem- estar (de seus filhos); mas aquele que prejudica não pode ser chamado de pai. Sabendo da derrota dos Pandavas nos dados, tu, ó rei, riste como uma criança, dizendo, 'Isto foi ganho, isto foi adquirido!' Quando palavras duras foram endereçadas aos filhos de Pritha, tu então não interferiste, satisfeito pela probabilidade dos teus filhos ganharem o reino inteiro. Tu não podias no entanto, naquele tempo ver a queda inevitável diante de ti. O país dos Kurus, inclusive a região chamada Jangala é, ó rei, teu reino paterno. Tu, no entanto, obtiveste toda a terra por meio daqueles heróis. Obtido pela força de suas armas, os filhos de Pritha transferiram para ti este extenso império. Tu pensas, no entanto, ó melhor dos reis, que tudo isto foi adquirido por ti. Quando teus filhos, apanhados pelo rei dos Gandharvas, estavam prestes a afundar em um mar sem praias sem uma balsa para salvá-los, foi Partha, ó rei, quem os trouxe de volta. Tu, como uma criança, deste risada repetidamente, ó monarca, dos Pandavas quando eles foram derrotados nos dados e estavam indo para o exílio. Quando Arjuna derrama uma chuva de flechas afiadas, os próprios oceanos secam completamente, sem falar de carne e sangue. Falguna é o principal de todos os atiradores; Gandiva é o principal de todos os arcos; Kesava é o principal de todos os seres; a Sudarsana é a principal de todas as armas; e dos carros, aquele equipado com o estandarte portando o Macaco resplandecente nele é o principal. Aquele carro dele, portando todos estes e puxado por corcéis brancos, ó rei, destruirá todos nós em batalha como a roda erguida do Tempo. Ó touro da raça Bharata, dele é mesmo agora a terra inteira e é o principal de todos os reis aquele que tem Bhima e Arjuna para lutar por ele. Vendo a hoste afundando em desespero quando atingida por Bhima, os Kauravas encabeçados por Duryodhana todos encontrarão a destruição. Tomados por medo de Bhima e Arjuna, teus filhos, ó rei, e os reis seguindo eles, ó senhor, não serão capazes de obter a vitória. Os Matsyas, os Panchalas, os Salways e os Surasenas, todos se recusaram a te prestar homenagem agora e todos te desconsideram. Familiarizados com a energia daquele rei sábio, todos, no entanto, se juntaram àquele filho de Pritha, e por sua devoção a ele eles são sempre contrários aos teus filhos. Aquele que, por seus maus feitos afligiu os filhos de Pandu, que são todos dedicados à virtude e não merecedores de destruição, ele que os odeia até agora, aquele homem pecaminoso, ó monarca, que é ninguém mais do que teu filho, deve, com todos os seus partidários, ser controlado de todas as maneiras. Não cabe a ti lamentar dessa maneira. Isto mesmo foi dito por mim assim como pelo sábio Vidura na hora do jogo de dados. Estas tuas lamentações com relação aos Pandavas, como se tu fosses uma pessoa impotente, são, ó rei, todas inúteis.'" 55 "Duryodhana disse, 'Não temas, ó rei. Nem tu deves te afligir por nós. Ó monarca, ó senhor, nós somos bastante capazes de vencer o inimigo em batalha. Quando os Parthas foram exilados para as florestas, foi lá até eles o matador de Madhu com um vasto exército em formação de batalha e capaz de oprimir reinos hostis; e também foram até eles os Kekayas, e Dhrishtaketu, e Dhrishtadyumna da família de Pritha e outros reis numerosos em sua comitiva; e todos aqueles grandes guerreiros em carros estavam reunidos em um lugar não longe de Indraprastha; e tendo se reunido eles criticaram a ti e todos os Kurus. E ó Bharata, todos aqueles guerreiros com Krishna em sua chefia prestaram suas homenagens para Yudhishthira vestido em camurça e sentado em seu meio. E todos aqueles reis então sugeriram para Yudhishthira que ele deveria tomar o reino de volta. E todos eles desejaram matar a ti com todos os seguidores. E sabendo de tudo isto, ó touro da raça Bharata, eu me dirigi a Bhishma e Drona e Kripa, tomado pelo medo, ó rei, na probabilidade da ruína que ameaçava nossos parentes. E eu disse para eles, 'Eu penso que os Pandavas não cumprirão o acordo feito por eles; Vasudeva deseja nossa extinção completa. Eu penso também que com a exceção de Vidura todos vocês serão mortos, embora o chefe dos Kurus, Dhritarashtra, familiarizado com moralidade, não será incluído no massacre. Ó senhores, efetuando nossa destruição completa, Janardana deseja conceder a Yudhishthira o reino inteiro dos Kurus. O que deve ser feito? Nós nos renderemos, ou fugiremos, ou nós lutaremos com o inimigo abandonando toda a esperança de vida? Se, de fato, nós nos levantamos contra eles, nossa derrota é indubitável, pois todos os reis da terra estão sob o comando de Yudhishthira. As pessoas do reino estão todas aborrecidas conosco, e todos os nossos amigos também estão zangados conosco. Todos os reis da terra estão falando mal de nós, e especialmente todos os nossos amigos e parentes. Não pode haver erro em nossa rendição, pois desde tempos imemoriais se sabe que o partido mais fraco firma a paz. Eu sofro, no entanto, por aquele senhor de homens, meu pai cego, que pode, por minha causa, ser tragado por dor e tristeza que é interminável. [É sabido por ti, ó rei, mesmo antes disto, que teus outros filhos eram todos opostos ao inimigo para agradar a mim somente]. Aqueles poderosos guerreiros em carros, os filhos de Pandu, de fato, vingarão seus males por destruírem toda a família do rei Dhritarashtra com todos os seus conselheiros.’ (Foi dessa maneira que eu me dirigi a eles, e) me vendo afligido por grande ansiedade e meus sentidos torturados, Drona e Bhishma e Kripa e o filho de Drona então se dirigiram a mim, dizendo, 'Não temas, ó repressor de inimigos, pois se o inimigo travar hostilidades conosco, eles não serão capazes de nos derrotar quando nós tomarmos o campo. Cada um de nós é capaz de vencer sozinho todos os reis da terra. Que eles venham. Com flechas de gume afiado nós refrearemos seu orgulho. Inflamado com raiva após a morte de seu pai, este Bhishma (entre nós) nos tempos passados conquistou todos os reis da terra, em um único carro. Ó Bharata, com sua ira excitada, aquele melhor dos Kurus derrotou inúmeros entre eles, depois do que, por medo, eles se renderam a este Devavrata procurando sua proteção. Bhishma, unido conosco, ainda é capaz de vencer o inimigo em batalha. Que teus temores, portanto, ó touro da raça Bharata, sejam todos dissipados.' "Duryodhana continuou, 'Esta mesma foi então a resolução formada por estes heróis de energia incomensurável. A terra inteira estava antigamente sob o comando do inimigo. Agora, no entanto, eles são incapazes de nos vencer em batalha, pois nossos inimigos, os filhos de Pandu, estão agora sem aliados e desprovidos de energia. Ó touro da raça Bharata, a soberania da terra agora repousa em mim, e os reis também, reunidos por mim, são da mesma opinião que eu por bem ou por mal. Saiba, ó melhor da linhagem Kuru, que todos estes reis, ó matador de inimigos, podem, por minha causa, entrar no fogo ou no mar. Eles estão todos rindo de ti, vendo-te cheio de aflição e envolvido nestas lamentações como alguém apavorado, e aterrorizado pelos louvores do inimigo. Cada um entre estes reis é capaz de resistir aos Pandavas. De fato, majestade, cada um considera a si mesmo; que teus medos, portanto, sejam dissipados. Nem o próprio Vasava é capaz de derrotar minha hoste vasta. O próprio Brahma Auto-criado, se desejoso de matá-la, não poderia aniquilá-la. Tendo abandonado todas as esperanças de uma cidade, Yudhishthira deseja somente cinco aldeias, com medo, ó senhor, do exército que eu reuni e do meu poder. A crença que tu nutres na destreza de Vrikodara, o filho de Kunti, é infundada. Ó Bharata, tu não conheces a extensão da minha destreza. Não há ninguém na terra igual a mim em um combate com a maça. Ninguém alguma vez me superou em semelhante combate, nem alguém irá me superar. Com aplicação devotada e sofrendo muitas privações eu vivi na residência do meu preceptor. Eu completei meu conhecimento e exercícios lá. É por isto que eu não tenho medo nem de Bhima nem de outros. Quando eu humildemente servi Sankarshana (meu preceptor), abençoado sejas tu, era firme sua convicção de que Duryodhana não tinha igual na maça. Em luta eu sou igual a Sankarshana, e em força não há ninguém superior a mim sobre a terra. Bhima nunca será capaz de suportar o golpe da minha maça em batalha. Um único golpe, ó rei, que eu possa dar colericamente em Bhima certamente o levará, ó herói, sem demora para a residência de Yama. Ó rei, eu desejo ver Vrikodara com maça na mão. Este tem sido meu desejo nutrido há muito tempo. Atingido em batalha com minha maça, Vrikodara, o filho de Pritha, cairá morto no chão, com seus membros despedaçados. Atingidas por um golpe da minha maça, as montanhas de Himavat podem se partir em cem mil fragmentos. O próprio Vrikodara conhece esta verdade, como também Vasudeva e Arjuna, que não há ninguém igual a Duryodhana no uso da maça. Que teus temores, portanto, causados por Vrikodara, sejam dissipados, pois eu sem dúvida o matarei em combate violento. Ó rei, não ceda à melancolia. E depois de eu tê-lo matado, numerosos guerreiros em carro de energia igual ou superior, ó touro entre Bharatas, derrotarão Arjuna rapidamente. Bhishma, Drona Kripa e o filho de Drona, Karna e, Bhurisravas, Salya, o rei de Pragjyotish, e Jayadratha, o rei dos Sindhus, cada um destes, ó Bharata, é sozinho capaz de matar os Pandavas. Quando unidos, eles enviarão Arjuna, dentro de um momento, para a residência de Yama. De fato, não existe razão pela qual o exército unido de todos os reis seja incapaz de derrotar Dhananjaya sozinho. Cem vezes coberto por flechas imensuráveis atiradas por Bhishma e Drona e o filho de Drona e Kripa, e privado de força, Partha terá que ir para a residência de Yama. Nosso avô nascido de Ganga é, ó Bharata, superior ao próprio Santanu. Semelhante a um santo regenerado, e incapaz de ser resistido pelos próprios celestiais, ele tomou seu nascimento entre os homens. Não há matador de Bhishma, ó rei, sobre a terra, pois seu pai, estando gratificado, lhe deu a bênção: ‘Tu não morrerás exceto quando este for teu próprio desejo.’ E Drona tomou seu nascimento em um vaso de água do santo regenerado Bharadwaja. E de Drona tomou nascimento seu filho, tendo o conhecimento das maiores armas. E este, o principal dos preceptores, Kripa também, tomou seu nascimento do formidável Rishi Gautama. Nascido em uma moita de urzes este ilustre, eu penso, é incapaz de ser morto. Então, além disso, ó rei, o pai, mãe e tio materno de Aswatthaman, estes três, não são nascidos de útero de mulher. Eu tenho aquele herói também ao meu lado. Todos estes poderosos guerreiros em carros, ó rei, são semelhantes aos celestiais, e podem, ó touro da raça Bharata, infligir dor ao próprio Sakra em batalha. Arjuna é incapaz até de olhar para algum destes separadamente. Quando unidos, estes tigres entre homens certamente matarão Dhananjaya. Karna também, eu suponho, é igual a Bhishma e Drona e Kripa. Ó Bharata, o próprio Rama disse a ele, ‘Tu és igual a mim.’ Karna tinha dois brincos nascidos com ele, de grande brilho e beleza; para a satisfação de Sachi Indra pediu-os daquele repressor de inimigos, em troca, ó rei, de uma flecha infalível e terrível. Como Dhananjaya, portanto, escapará com vida de Karna que é protegido por aquela flecha? Meu êxito, portanto, ó rei, é tão certo como uma fruta segurada firmemente em minha própria mão. A derrota completa também de meus inimigos já foi anunciada sobre a terra. Este Bhishma, ó Bharata, mata todo dia dez mil soldados. Iguais a ele são estes arqueiros, Drona, o filho de Drona e Kripa. Então, ó repressor de inimigos, as tropas dos guerreiros Samsaptaka tomaram esta decisão, ‘Ou nós mataremos Arjuna ou aquele guerreiro de estandarte de macaco nos matará.’ Há outros reis também, que firmes em sua resolução de matar Savyasachin consideram que ele não está à altura deles mesmos. Por que tu então temes perigo dos Pandavas? Quando Bhimasena estiver morto, ó Bharata, quem mais (entre eles) lutará? Diga-me isto, ó repressor de inimigos, se tu conheces algum entre os inimigos. Os cinco irmãos, com Dhrishtadyumna e Satyaki, estes sete guerreiros do inimigo, ó rei, são considerados como sua força principal. Aqueles, no entanto, entre nós, que são nossos principais guerreiros, são Bhishma, Drona, Kripa, o filho de Drona, Karna, Somadatta, Vahlika, e Salya, o rei de Pragjyotisha, os dois reis (Vindha e Anuvinda) de Avanti, e Jayadratha; e então, ó rei, teus filhos Dussasana, Durmukha, Dussaha, Srutayu; Chitrasena, Purumitra, Vivingsati, Sala, Bhurisravas, e Vikarna. Ó rei, eu reuni onze Akshauhinis. O exército do inimigo é menor do que o meu, chegando somente a sete Akshauhinis. Como então eu posso ser derrotado? Vrihaspati disse que um exército que é menor por um terço deve ser enfrentado. Meu exército, ó rei, excede aquele do inimigo por um terço. Além disso, ó Bharata, eu sei que o inimigo tem muitos defeitos, enquanto os meus (guerreiros), ó senhor, são dotados de muitas boas virtudes. Conhecendo tudo isso, ó Bharata, como também a superioridade da minha força e a inferioridade dos Pandavas, não cabe a ti perder tua razão.’ Tendo dito isso, ó Bharata, aquele conquistador de chefes hostis, Duryodhana, questionou Sanjaya outra vez, ansioso para saber mais acerca das ações dos Pandavas.'" 56 "Duryodhana disse, 'Tendo obtido, ó Sanjaya, um exército numerando sete Akshauhinis, o que Yudhishthira, o filho de Kunti, com os outros reis em sua companhia, estão fazendo em vista da guerra?' "Sanjaya disse, 'Yudhishthira, ó rei, está muito alegre em vista da batalha. E assim também estão Bhimasena e Arjuna. Os gêmeos também estão perfeitamente destemidos. Desejoso de fazer um experimento dos mantras (obtidos por ele), Vibhatsu, o filho de Kunti, emparelhou seu carro celeste iluminando todas as direções. Envolvido em armadura, ele parecia com uma massa de nuvens carregadas com relâmpago. Depois de refletir por um instante, ele se dirigiu a mim alegremente, dizendo, ‘Veja, ó Sanjaya, estes sinais preliminares. Nós sem dúvida venceremos.’ De fato, o que Vibhatsu disse para mim me pareceu ser verdadeiro.' "Duryodhana disse, 'Tu te regozijas em elogiar aqueles filhos de Pritha derrotados nos dados. Diga-nos agora que tipo de corcéis estão unidos ao carro de Arjuna e que tipo de estandartes estão levantados sobre ele.' "Sanjaya disse, 'Ó grande rei, o artífice celeste chamado Tashtri ou Bhaumana, ajudado por Sakra e Dhatri, criou formas de diversas espécies e grande beleza para o carro de Arjuna. E manifestando ilusão divina eles colocaram no mastro de bandeira dele aquelas formas celestes, grandes e pequenas, de grande valor. E a pedido de Bhimasena, Hanuman, o filho do deus do vento, também colocará sua própria imagem nele. E Bhaumana, em sua criação, recorreu a tal ilusão que aquele estandarte cobre, perpendicularmente e lateralmente, a área de um yojana, e mesmo que árvores fiquem em seu caminho, seu progresso não pode ser impedido. De fato, assim como o arco de Sakra de cores diversas está manifestado no firmamento, e ninguém sabe do que ele é feito, assim aquele estandarte foi idealizado por Bhaumana, pois sua forma é variada e sempre varia. E como uma coluna de fumaça misturada com fogo se ergue cobrindo o céu e expondo muitas cores claras e formas graciosas, assim aquele estandarte idealizado por Bhaumana levanta sua cabeça. De fato, ele não tem peso, nem é capaz de ser obstruído. E àquele carro (estão unidos) uma centena de corcéis celestes excelentes de cor branca e dotados da velocidade da mente, todos presenteados por Chitrasena (o rei dos Gandharvas). E nem sobre a terra, ó rei, nem no céu, nem no firmamento, seu movimento pode ser impedido. E antigamente um benefício foi concedido no sentido de que seu número sempre permanecesse completo quantas vezes eles pudessem ser mortos. E ao carro de Yudhishthira estão unidos corcéis grandes de energia igual e brancos em cor como marfim. E ao carro de Bhimasena estão unidos corcéis dotados da velocidade do vento e do esplendor dos sete Rishis. E corcéis de corpos negros e costas matizadas como as asas da ave Tittri, todos presenteados por seu satisfeito irmão Falguna, e superiores àqueles do próprio Falguna heróico, conduzem Sahadeva alegremente. E Nakula da linhagem de Ajamida, o filho de Madri, é conduzido, como Indra o matador de Vritra, por corcéis excelentes, presenteados pelo próprio Indra grandioso, todos fortes como o vento e dotados de grande velocidade. E excelentes corcéis de tamanho grande, iguais àqueles dos próprios Pandavas em idade e força, dotados de grande rapidez e de belo feitio, e todos presenteados pelos celestiais, conduzem aqueles príncipes jovens, os filhos de Subhadra e Draupadi.'" "Dhritarashtra disse, 'Quem tu viste chegar lá, ó Sanjaya, por afeição, e quem lutará, em nome dos Pandavas, com as forças armadas do meu filho?' "Sanjaya disse, 'Eu vi Krishna, o principal dos Andhakas e dos Vrishnis, chegado lá, e Chekitana, como também Satyaki, também chamado Yuyudhana. E aqueles dois poderosos guerreiros em carros, orgulhosos de sua força e afamados pelo mundo inteiro, se juntaram aos Pandavas, cada um com um Akshauhini separado de tropas. E Drupada o rei dos Panchalas, cercado por seus dez filhos heróicos, Satyajit e outros, encabeçados por Dhrishtadyumna, e bem protegidos por Sikhandin, e tendo equipado seus soldados com todas as coisas necessárias, foram lá com um Akshauhini completo, desejosos de honrar Yudhishthira. E aquele senhor da terra, Virata, com seus dois filhos Sankha e Uttara, como também com aqueles heróis Suryadatta e outros, encabeçados por Madiraksha e cercados por um Akshauhini de tropas, acompanhados dessa maneira por irmãos e filhos, se juntaram ao filho de Pritha. E o filho de Jarasandha, o rei de Magadha, e Dhrishtaketu, o rei dos Chedis, foram lá separadamente, cada um acompanhado por um Akshauhini de tropas. E os cinco irmãos de Kekaya, todos tendo bandeiras púrpuras, se juntaram aos Pandavas, cercados por um Akshauhini de tropas. Então contando até esta extensão, eu vi reunidos lá, e estes, em nome dos Pandavas, enfrentarão a hoste Dhartarashtra. Aquele formidável guerreiro em carro, Dhrishtadyumna, que conhece formações de combate humanas, celestes, Gandharvas e Asuras, lidera aquela hoste. Ó rei, Bhishma, o filho de Santanu, foi designado para Sikhandin como sua parte; e Virata com todos os seus guerreiros Matsya defenderá Sikhandin. O rei poderoso dos Madras foi designado para o filho mais velho de Pandu como sua parte, embora alguns sejam de opinião que aqueles dois não estão bem equiparados. Duryodhana com seus filhos e seus noventa e nove irmãos, como também os soberanos do leste e do sul, foram designados para Bhimasena como sua parte. Karna, o filho de Vikartana, e Jayadratha o rei dos Sindhus, foram designados para Arjuna como sua parte. E aqueles heróis também sobre a terra quem são incapazes de ser resistidos e que são orgulhosos de seu poder foram aceitos por Arjuna como sua parte. E aqueles arqueiros poderosos, os cinco irmãos reais de Kekaya, aplicarão sua força em batalha, aceitando os guerreiros Kekaya (do lado de Dhritarashtra) como adversários. E em sua parte estão incluídos os Malavas também, e os Salwakas, como também os dois famosos guerreiros da hoste Trigarta que juraram vencer ou morrer. E todos os filhos de Duryodhana e Dussasana, como também o rei Vrihadvala foram designados para o filho de Subhadra como sua parte. E aqueles arqueiros formidáveis, os filhos de Draupadi, tendo carros equipados com estandartes bordados com ouro, todos liderados por Dhrishtadyumna, ó Bharata, avançarão contra Drona. E Chekitana em seu carro deseja enfrentar Somadatta em duelo com ele, enquanto Satyaki está ansioso para lutar contra o chefe Bhoja, Kritavarman. E o filho heróico de Madri, Sahadeva, que dá rugidos terríveis em batalha, planejou tomar como sua parte teu cunhado, o filho de Suvala. E Nakula também, o filho de Madravati, planejou tomar como sua parte o enganador Uluka e as tribos dos Saraswatas. Quanto a todos os outros reis da terra, ó monarca, que vão para a batalha, os filhos de Pandu, por nomeá-los, os distribuíram para suas próprias partes respectivas. Assim a hoste Pandava foi distribuída em divisões. Agora, sem demora, com teus filhos, aja como tu achares melhor.' "Dhritarashtra disse, 'Ai, todos os meus filhos tolos, viciados nos dados enganosos, já estão mortos quando é o poderoso Bhima com quem eles desejam lutar no campo de batalha. Todos os reis da terra também, consagrados pela própria Morte para sacrifício, avançarão para o Gandiva, como muitas mariposas para o fogo. Parece-me que minha hoste já foi afugentada por aqueles guerreiros ilustres antigamente ofendidos por mim. Quem, de fato, seguiria para a batalha meus guerreiros, cujas tropas serão rompidas pelos filhos de Pandu no confronto? Todos eles são poderosos guerreiros em carros, possuidores de grande coragem, de realizações famosas, dotados de grande destreza, iguais ao sol ardente em energia, e todos vitoriosos em batalha. Aqueles que têm Yudhishthira como seu líder, o matador de Madhu como seu protetor, os heróicos Savyasachin e Vrikodara como seus guerreiros, e Nakula, e Sahadeva, e Dhrishtadyumna, o filho de Prishata, e Satyaki, e Drupada, e Dhrishtaketu com seu filho, e Uttamaujas, e o invencível Yudhamanyu dos Panchalas, e Sikhandin, e Kshatradeva, e Uttara, o filho de Virata, e Kasayas, os Chedis, os Matsyas, os Srinjayas, Vabhru o filho de Virata, os Panchalas, e os Prabhadrakas, para lutar por eles, aqueles, de fato, de quem o próprio Indra não pode, se eles não quiserem isso, roubar esta terra, aqueles heróis, impassíveis e firmes em combate, que podem rachar as próprias montanhas, ai, é com eles que são dotados de todas as virtudes e possuidores de destreza sobre-humana que este meu filho vicioso, ó Sanjaya, deseja lutar, me desconsiderando embora eu esteja gritando rouco!' "Duryodhana disse, 'Ambos os Pandavas e nós somos da mesma família; ambos andamos sobre a mesma terra, por que tu pensas que a vitória se revelará somente para os Pandavas? Bhishma, Drona, Kripa, o invencível Karna, Jayadratha, Somadatta, e Aswatthaman, todos arqueiros poderosos e dotados de grande energia, são incapazes de ser subjugados pelo próprio Indra unido com os celestiais. O que tu dizes então, ó pai, dos Pandavas? Todos estes reis nobres e heróicos da terra, portando armas, ó pai, são bastante capazes, por minha causa, de resistir aos Pandavas, enquanto os últimos não são capazes nem de fitar minhas tropas. Eu sou poderoso o suficiente para enfrentar em batalha os Pandavas com seus filhos. Ó Bharata, todos estes soberanos da terra, que estão ansiosos pelo meu bem-estar, certamente apanharão todos os Pandavas como um bando de veados jovens por meio de rede. Eu te digo, por nossas multidões de carros e armadilhas de flechas, os Panchalas e os Pandavas serão todos derrotados.' "Dhritarashtra disse, 'Ó Sanjaya, este meu filho fala como um homem louco, pois ele é incapaz de vencer em batalha Yudhishthira o justo. Bhishma realmente conhece o poder dos Pandavas famosos, poderosos, virtuosos, e de grande alma e seus filhos, pois ele não deseja uma batalha com aqueles ilustres. Mas fale-me novamente, ó Sanjaya, dos movimentos deles. Diga-me quem está incitando aqueles arqueiros poderosos e ilustres e dotados de grande energia, como sacerdotes acendendo fogos (Homa) com libações de manteiga clarificada?' "Sanjaya disse, 'Ó Bharata, Dhrishtadyumna está sempre incitando os Pandavas para guerra, dizendo, 'Lutem, ó melhores entre os Bharatas. Não nutram o menor receio. Todos aqueles soberanos da terra que, cortejados pelo filho de Dhritarashtra, se tornarão naquele combate feroz alvos de chuvas de armas, de fato, eu sozinho enfrentarei todos aqueles reis zangados reunidos com seus parentes, como uma baleia pegando pequenos peixes da água. Bhishma e Drona e Kripa e Karna e o filho de Drona e Salya e Suyodhana, a eles todos eu resistirei, como a margem resiste à elevação do mar.' Para ele que assim falava, o rei virtuoso Yudhishthira disse, 'Os Panchalas e os Pandavas dependem totalmente da tua destreza e firmeza. Nos resgate com segurança da guerra. Eu sei, ó poderosamente armado, que tu és firme nos deveres da classe Kshatriya. Tu és, de fato, bastante competente para derrotar sozinho os Kauravas. Quando os últimos ávidos por luta ficarem diante de nós, o que tu, ó repressor de inimigos, arranjarás sem dúvida será para o nosso bem. Esta mesma é a opinião daqueles que conhecem as escrituras: que o herói que, mostrando sua bravura, liberta aqueles que depois da derrota fogem do campo de batalha, procurando por proteção, é para ser adquirido com mil. Tu, ó touro entre homens, és bravo, forte, e poderoso. Sem dúvida, tu és aquele libertador daqueles que estão dominados pelo medo no campo de batalha.' E quando o virtuoso Yudhishthira o filho de Kunti disse isso, Dhrishtadyumna se dirigiu destemidamente a mim nestas palavras, 'Vá, ó Suta, sem demora, e diga para todos aqueles que vieram lutar por Duryodhana, diga para os Kurus da dinastia de Pratipa com os Vahlikas, o filho de Saradwata e Karna e Drona, e o filho de Drona, e Jayadratha, e Dussasana, e Vikarna e o rei Duryodhana, e Bhishma, ‘Não se permitam serem mortos por Arjuna, que é protegido pelos celestiais. Antes disso acontecer, que algum bom homem se aproxime de Yudhishthira e implore àquele filho de Pandu, aquele melhor dos homens, para aceitar o reino (renunciado por eles) sem demora. Não há guerreiro sobre a terra como Savyasachin, filho de Pandu, de destreza incapaz de ser frustrada. O carro celeste do portador do Gandiva é protegido pelos próprios deuses. Ele é incapaz de ser vencido por seres humanos. Portanto, não inclinem suas mentes para a guerra!'" 58 "Dhritarashtra disse, ‘Yudhishthira o filho de Pandu é dotado de energia Kshatriya e leva o modo de vida Brahmacharya desde sua juventude. Ai, com ele estes meus filhos tolos desejam lutar, desconsiderando a mim que estou lamentando dessa maneira. Eu te peço, ó Duryodhana, ó principal da linhagem Bharata, desista da hostilidade. Ó castigador de inimigos, sob quaisquer circunstâncias, a guerra nunca é aprovada. Metade da terra é bastante suficiente para o sustento de ti mesmo e de todos os teus seguidores. Devolva para os filhos de Pandu, ó castigador de inimigos, sua parte apropriada. Todos os Kauravas consideram apenas isto como compatível com justiça: que tu deves fazer as pazes com os filhos de grande alma de Pandu. Reflita dessa maneira, ó filho, e tu descobrirás que este teu exército é para a tua própria morte. Tu não compreendes isto por causa da tua própria insensatez. Eu mesmo não desejo guerra, nem Vahlika, nem Bhishma, nem Drona, nem Aswatthaman, nem Sanjaya, nem Somadatta, nem Salya, nem Kripa, nem Satyavrata, nem Purumitra, nem Bhurisravas, de fato, nenhum destes deseja guerra. De fato, aqueles guerreiros em quem os Kauravas, quando afligidos pelo inimigo, terão que confiar, não aprovam a guerra. Ó filho, que isto seja aceitável para ti. Ai, tu não a procuras por tua própria vontade, mas é Karna e Dussasana de mente má e Sakuni, o filho de Suvala, que estão te levando a isto.' "Duryodhana disse, 'Eu desafio os Pandavas para a batalha, sem depender de ti, de Drona, ou de Aswatthaman, ou de Sanjaya, ou Vikarna, ou Kamvoja, ou Kripa, ou Vahlika, ou Satyavrata, ou Purumitra, ou Bhurisravas, ou outros do teu partido. Mas, ó touro entre homens, eu mesmo somente e Karna, ó pai, estamos preparados para celebrar o sacrifício da batalha com todos os ritos necessários, fazendo Yudhishthira a vítima. Naquele sacrifício, meu carro será o altar; minha espada será a concha menor, minha maça, a maior, para derramar libações; minha cota de malha será a assembleia de espectadores; meus quatro corcéis serão os sacerdotes oficiantes; minhas flechas serão as folhas de erva Kusa; e fama será a manteiga clarificada. Ó rei, realizando, em honra de Yama, tal sacrifício em batalha, os ingredientes do qual serão todos fornecidos por nós mesmos, nós voltaremos vitoriosamente cobertos com glória, depois de termos matado nossos inimigos. Três de nós, ó pai, ou seja, eu mesmo e Karna e meu irmão Dussasana, mataremos os Pandavas em batalha. Ou eu, matando os Pandavas, governarei esta Terra, ou os filhos de Pandu, tendo me matado, desfrutarão desta Terra. Ó rei, ó tu de glória imorredoura, eu sacrificaria minha vida, reino, riqueza, tudo, mas não seria capaz de viver lado a lado com os Pandavas. Ó venerável, eu não entregarei aos Pandavas nem aquela quantidade de terra que possa ser coberta pela ponta afiada de uma agulha.' "Dhritarashtra disse, 'Eu agora abandono Duryodhana para sempre. Contudo eu me aflijo por vocês todos, ó reis, que seguirão este tolo que está prestes a proceder para a residência de Yama. Como tigres entre um bando de veados, aqueles principais dos batedores, os filhos de Pandu, derrotarão seus principais líderes reunidos para a batalha. Parece-me que a hoste Bharata, como uma mulher desamparada, será afligida e oprimida e lançada a uma distância por Yuyudhana de braços longos. Se juntando à força do exército de Yudhishthira, o qual sem ele já era suficiente, o filho de Sini tomará sua posição no campo de batalha e espalhará suas flechas como sementes em um campo cultivado. E Bhimasena tomará sua posição na própria vanguarda dos combatentes, e todos os seus soldados destemidamente permanecerão em sua retaguarda, como atrás de um baluarte. De fato, quando tu, ó Duryodhana, vires elefantes, enormes como colinas, prostrados no chão com suas presas inválidas, suas têmporas esmagadas e corpos tingidos com sangue coagulado, de fato, quando tu os vires jazendo no campo de batalha como colinas partidas, então, com medo de uma colisão com ele tu te lembrarás destas minhas palavras. Vendo tua hoste consistido em carros, corcéis e elefantes, consumida por Bhimasena, e apresentando o espetáculo de um rastro de um incêndio muito espalhado, tu te lembrarás destas minhas palavras. Se nós não fizermos as pazes com os Pandavas, uma calamidade esmagadora será nossa. Mortos por Bhimasena com sua maça, vocês descansarão em paz. De fato, quando tu vires a hoste Kuru arrasada ao chão por Bhima, como uma grande floresta arrancada pelas raízes, então tu te lembrarás destas minhas palavras.' "Vaisampayana continuou, ‘Tendo dito isto para todos aqueles soberanos da terra, o rei se dirigindo a Sanjaya novamente questionou-o como segue.'" 59 Dhritarashtra disse, 'Diga-me, ó tu de grande sabedoria, o que Vasudeva e Dhananjaya de grande alma disseram. Eu estou ansioso para ouvir de ti tudo sobre isto.' "Sanjaya disse, 'Ouça, ó rei, enquanto eu te falo do estado no qual eu encontrei Krishna e Dhananjaya. Eu também, ó Bharata, te falarei o que aqueles heróis disseram. Ó rei, com olhar dirigido para baixo e mãos unidas, e com sentidos bem controlados, eu entrei nos aposentos internos para conferenciar com aqueles deuses entre homens. Nem Abhimanyu nem os gêmeos podem se dirigir para aquele local onde estão os dois Krishnas e Draupadi e a dama Satyabhama. Lá eu vi aqueles castigadores de inimigos, alegres com o vinho Bassia, e com seus corpos enfeitados com guirlandas de flores. Vestidos em mantos excelentes e adornados com ornamentos celestes, eles se sentavam em um estrado dourado enfeitado com numerosas pedras preciosas, e coberto com tapetes de diversas texturas e cores. E eu vi os pés de Kesava repousando sobre o colo de Arjuna enquanto aqueles de Arjuna de grande alma repousavam sobre os colos de Krishna e Satyabhama. Partha então indicou para mim (como um assento) um tamborete feito de ouro. Tocando-o com minha mão, eu me sentei no chão. E quando ele retirou seus pés do supedâneo eu vi marcas auspiciosas em ambas as suas solas. Estas consistiam em duas linhas longitudinais correndo dos calcanhares para o dedão do pé. Ó majestade, dotados de cores negras, de estatura alta, e eretos como troncos Sala, vendo aqueles heróis jovens, ambos sentados sobre o mesmo assento, um grande medo tomou conta de mim. Eles me pareciam ser Indra e Vishnu sentados juntos. Embora Duryodhana de raciocínio fraco não conheça consequência de sua confiança em Drona e Bhishma e nas altas fanfarrices de Karna. Naquele mesmo momento, eu estava convencido de que os desejos de Yudhishthira o justo, que tinha aqueles dois para obedecer a suas ordens, sem dúvida seriam realizados. Sendo hospitaleiramente entretido com comida e bebida, e honrado com outras cortesias, eu transmiti para eles tua mensagem, colocando minhas mãos unidas sobre minha cabeça. Então Partha, removendo os auspiciosos pés de Kesava de seu colo, com sua mão cheia de cicatrizes pelos açoites da corda do arco, incitou-o a falar. Sentando-se ereto como o estandarte de Indra, enfeitado com todos os ornamentos, e parecendo com o próprio Indra em energia, Krishna então se dirigiu a mim. E as palavras que aquele melhor dos oradores disse eram gentis, encantadoras e suaves, embora terríveis e alarmantes para o filho de Dhritarashtra. De fato, as palavras proferidas por Krishna, que é o único digno de falar, eram de ênfase e tonalidade corretas, e cheias de significado, embora de partir o coração no fim. E Vasudeva disse, 'Ó Sanjaya, diga estas palavras para o sábio Dhritarashtra e na audição daquele principal dos Kurus, Bhishma, e também de Drona, tendo primeiro saudado a nosso pedido, ó Suta, todos os idosos e tendo perguntado sobre o bem-estar dos mais jovens, 'Celebrem diversos sacrifícios, fazendo doações para os Brahmanas, e se regozijem com seus filhos e esposas, pois um grande perigo ameaça vocês. Doem riqueza para pessoas merecedoras, gerem filhos desejáveis, e façam préstimos agradáveis para aqueles que são queridos para vocês, pois o rei Yudhishthira está ávido pela vitória'. Enquanto eu estava a uma distância, Krishna com lágrimas se dirigindo a mim disse, 'Aquela dívida, acumulada com o tempo, ainda não foi paga por mim. Vocês provocaram hostilidades com Savyasachin, que tem por seu arco o invencível Gandiva, de energia ardente, e que tem a mim como seu colaborador. Quem, mesmo se ele fosse o próprio Purandara, desafiaria Partha tendo a mim como seu colaborador a menos que, é claro, seu período de vida estivesse completo? Aquele que é capaz de derrotar Arjuna em batalha é, de fato, hábil para sustentar a Terra com seus dois braços, para destruir todas as coisas criadas em fúria e lançar os celestiais do Céu. Entre os celestiais, Asuras, e homens, entre Yakshas, Gandharvas, e Nagas, eu não encontro a pessoa que possa enfrentar Arjuna em batalha. Aquela admirável história que é ouvida de um combate na cidade de Virata entre uma única pessoa de um lado e inumeráveis guerreiros do outro é prova suficiente disto. Que vocês todos tenham fugido em todas as direções sendo derrotados na cidade de Virata por aquele filho de Pandu sozinho é prova suficiente disto. Poder, destreza, energia, velocidade, agilidade de mão, infatigabilidade e paciência não são encontradas em ninguém mais exceto Partha.' Assim falou Hrishikesa animando Partha com suas palavras e rugindo como nuvens carregadas de chuva no firmamento. Tendo ouvido estas palavras de Kesava, Arjuna enfeitado com diadema, de corcéis brancos, também falou no mesmo sentido.'" 60 "Vaisampayana disse, 'Tendo ouvido estas palavras de Sanjaya, o monarca dotado da visão da sabedoria levou aquelas palavras em consideração com relação aos seus méritos e deméritos. E tendo contado em detalhes os méritos e deméritos tanto quanto ele podia, e tendo averiguado exatamente a força e fraqueza de ambos os partidos, o rei erudito e inteligente, sempre desejoso da vitória de seus filhos então começou a comparar os poderes de ambos os lados. E tendo finalmente averiguado que os Pandavas eram dotados de força e energia humana e divina, e que os Kurus eram muito mais fracos, Dhritarashtra disse para Duryodhana, 'Esta ansiedade, ó Duryodhana, sempre toma conta de mim. De fato, ela não me deixa. Realmente, parece que eu a vejo com minha visão. Esta convicção não é uma questão de inferência. Todos os seres criados mostram grande afeição por suas proles, e fazem, da melhor maneira que podem, o que é agradável e benéfico para elas. Isto é geralmente visto também no caso de benfeitores. Aqueles que são bons sempre desejam retribuir o bem feito a eles e fazer o que é muito agradável para seus benfeitores. Lembrando-se do que foi feito para ele em Khandava, Agni, sem dúvida, prestará ajuda a Arjuna neste terrível combate entre os Kurus e os Pandavas. E por afeto paterno, Dharma e outros celestiais devidamente invocados virão juntos para ajudar os Pandavas. Eu penso que para salvá-los de Bhishma e Drona e Kripa os celestiais estarão cheios de ira, parecendo o raio em seus efeitos. Dotados de energia e bem versados no uso de armas, aqueles tigres entre homens, os filhos de Pritha, quando unidos com os celestiais, não poderão nem ser olhados por guerreiros humanos. Ele que tem o Gandiva irresistível, excelente e celeste como seu arco, ele que tem um par de aljavas celestes obtidas de Varuna, grandes, cheias de flechas, e inesgotáveis, ele em cujo estandarte, que é desimpedido como fumaça em sua ação, está colocada a imagem do macaco de origem celeste, cujo carro é inigualável sobre a terra envolvida pelos quatro mares, e o estrépito do qual como ouvido por homens é semelhante ao rugido das nuvens, e o qual como o ribombar do trovão assusta o inimigo; ele a quem o mundo inteiro considera como sobre-humano em energia; ele a quem todos os reis da terra conhecem como o vencedor dos próprios deuses em batalha; ele que pega quinhentas flechas em um instante e em um piscar de olhos as dispara, não visto por outro, a uma grande distância; aquele filho de Pritha e tigre entre os guerreiros em carros e castigador de inimigos, a quem Bhishma e Drona e Kripa e o filho de Drona e Salya, o rei dos Madras, e de fato, todas as pessoas imparciais consideram como incapaz de ser derrotado até por reis terrestres dotados de destreza sobre-humana, que quando pronto para a luta dispara em um estiramento (do arco) quinhentas flechas completas, e que é igual a Kartavirya em força de braços; aquele arqueiro formidável, Arjuna, igual a Indra ou Upendra em destreza, eu vejo aquele grande guerreiro cometendo uma grande destruição nesta batalha terrível. Ó Bharata, refletindo dia e noite sobre isto, eu estou triste e insone por ansiedade pelo bem-estar dos Kurus. Uma destruição terrível está prestes a alcançar os Kurus, se não houvesse nada exceto a paz para terminar esta disputa. Eu sou a favor da paz com os Parthas e não da guerra. Ó filho, eu sempre considero os Pandavas mais fortes do que os Kurus.'" 61 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras de seu pai, o filho impetuoso de Dhritarashtra inflamado com grande ira novamente disse estas palavras, de inveja, 'Tu pensas que os Parthas tendo os celestiais como seus aliados não podem ser vencidos. Que este teu receio, ó melhor dos reis, seja dissipado. Os deuses alcançaram sua divindade por meio da ausência de desejo, cobiça, e de inimizade, como também por sua indiferença a todos os assuntos mundanos. Antigamente, Dwaipayana-Vyasa e Narada de grandes austeridades acéticas, e Rama, o filho de Jamadagni, nos disseram isto. Os deuses nunca se engajam em trabalho como seres humanos, ó touro da raça Bharata, por desejo, ou cólera, ou cobiça, ou inveja. De fato, se Agni, ou Vayu, ou Dharma, ou Indra, ou os Aswins tivessem alguma vez se engajado em trabalhos por desejos mundanos, então os filhos de Pritha nunca teriam caído em infortúnio. Portanto, de nenhuma maneira te entregues a tal ansiedade, porque os deuses, ó Bharata, sempre fixam seus olhares em assuntos dignos deles mesmos. Se, no entanto, inveja ou luxúria se tornam observáveis nos deuses por eles se entregarem ao desejo, então, de acordo com o que tem sido ordenado pelos próprios deuses, tal inveja ou avidez nunca pode prevalecer. Enfeitiçado por mim, Agni será extinto instantaneamente, mesmo que ele resplandeça por toda a parte para consumir todas as criaturas. A energia com a qual os deuses são dotados é, de fato, grande, mas saiba, ó Bharata, que a minha é maior do que aquela dos deuses. Se a própria Terra se partir em duas, ou topos de montanha se partirem, eu posso reuni-los, ó rei, por meio de meus encantamentos diante dos olhos de todos. Se para a destruição deste universo de criaturas animadas e inanimadas, móveis e imóveis, acontecer uma terrível tempestade ou chuva de pedras de ribombar alto, eu posso sempre, por compaixão pelos seres criados, pará-la diante dos olhos de todos. Quando as águas são solidificadas por mim, até carros e infantaria podem se movimentar sobre elas. Sou eu que estou determinando o andamento de todos os assuntos dos deuses e Asuras. Para quaisquer países que eu vá com meus Akshauhinis em alguma missão, meus corcéis se movem onde quer que eu deseje. Dentro dos meus domínios não há cobras temíveis, e protegidas por meus encantamentos, as criaturas dentro dos meus territórios nunca são prejudicadas por outras que são assustadoras. As próprias nuvens, ó rei, derramam, com relação àqueles que moram em meus domínios, as chuvas tanto quanto eles desejam e quando eles desejam. Todos os meus súditos, além disso, são devotados à religião e nunca estão sujeitos a calamidades do tempo. Os Aswins, Vayu, Agni, Indra com os Maruts, e Dharma não ousarão proteger meus inimigos. Se estes tivessem sido capazes de proteger por seu poder meus adversários, os filhos de Pritha nunca teriam caído em tal desgraça por treze anos. Eu te digo realmente que nem deuses, nem Gandharvas nem Asuras nem Rakshasas são capazes de salvar aquele que incorreu em meu desagrado; eu nunca antes fui frustrado com relação à recompensa ou castigo que eu pretendi conceder ou infligir ao amigo ou inimigo. Se alguma vez, ó repressor de inimigos, eu disse que isto é, isto tem sempre sido. As pessoas, portanto, tem sempre me conhecido como alguém que fala a verdade. Todas as pessoas podem dar testemunho da minha grandeza, a fama da qual se espalhou por toda a parte. Eu menciono isto, ó rei, para tua informação e não por orgulho. Eu nunca, ó rei, tinha me elogiado antes, pois elogiar a si mesmo é desprezível. Tu saberás da derrota dos Pandavas e dos Matsyas, dos Panchalas e dos Kekayas, de Satyaki e Vasudeva, por minhas mãos. De fato, como rios, ao entrarem no oceano, são totalmente perdidos nele, assim os Pandavas com todos os seus seguidores, ao se aproximarem de mim, serão todos aniquilados. Minha inteligência é superior, minha energia é superior, minha coragem é superior, meu conhecimento é superior, meus recursos são muito superiores àqueles dos Pandavas. Qualquer conhecimento de armas que exista no Avô, em Drona, e Kripa, e Salya, e Shalya, existem em mim também.’ Tendo dito estas palavras, ó Bharata, Duryodhana, aquele repressor de inimigos, novamente questionou Sanjaya para averiguar os procedimentos de Yudhishthira inclinado à guerra." 62 "Vaisampayana disse, 'Sem prestar muita atenção a Dhritarashtra, o filho de Vichitravirya que estava prestes a perguntar sobre Partha, Karna disse para o filho de Dhritarashtra estas palavras, animando o espírito dos Kurus reunidos, 'Vindo a saber do falso pretexto sob o qual eu obtive a arma Brahma antigamente de Rama, o último me disse, ‘Quando tua hora chegar tua memória te falhará em relação a esta arma’. Assim por uma ofensa tão grande eu fui amaldiçoado tão levemente por aquele grande Rishi, meu preceptor. Aquele grande Rishi de energia ardente é capaz de consumir até a Terra inteira com seus mares. Por meio de atenção e coragem pessoal eu tranquilizei seu coração. Eu tenho aquela arma comigo ainda, e meu período ainda não passou. Eu sou, portanto, totalmente competente (para obter vitória). Que a responsabilidade seja minha. Tendo obtido o favor daquele Rishi, eu matarei em um piscar de olhos os Panchalas, os Karushas, os Matsyas, e os filhos de Pritha com seus filhos e netos, e entregarei para ti numerosas regiões obtidas por meio das minhas armas. Que o Avô, e Drona e todos os reis fiquem contigo. Eu matarei os filhos de Pritha, marchando adiante com os principais guerreiros do meu exército. Que essa tarefa seja minha.' Para ele que estava falando dessa maneira Bhishma disse, 'O que tu dizes, ó Karna? Teu intelecto está nublado pela aproximação da tua hora. Tu não sabes, ó Karna, que quando o chefe estiver morto, os filhos de Dhritarashtra serão todos mortos? Tendo ouvido do feito realizado por Dhananjaya, com Krishna somente como seu aliado, no incêndio da floresta Khandava, cabe a ti com teus amigos e parentes reprimir tua mente. A flecha que o ilustre e adorável chefe dos celestiais, o grande Indra, te deu, tu verás, será quebrada e reduzida a cinzas quando atingida por Kesava com seu disco. Aquela outra flecha de boca serpentina que brilha (em tua aljava) e é respeitosamente venerada por ti com guirlandas floridas, ó Karna, quando atingida pelo filho de Pandu com suas flechas perecerá contigo. Ó Karna, o matador de Vana e do filho de Bhumi (Naraka), o próprio Vasudeva, que tem, na parte mais densa da batalha, matado inimigos iguais e até superiores a ti, protege Arjuna enfeitado com diadema.’ "Karna disse, 'Sem dúvida o chefe dos Vrishnis é assim mesmo. Além disso, eu admito que aquele de grande alma é ainda mais do que isto. Que, no entanto, o Avô escute ao efeito do pedaço de discurso ríspido que ele proferiu. Eu deponho minhas armas. O Avô de agora em diante me verá na corte somente e não em batalha. Depois que tu ficares quieto, os soberanos da terra verão minha destreza neste mundo.' "Vaisampayana continuou, 'Tendo dito isso, aquele grande arqueiro (Karna), deixando a corte foi para sua própria residência. Bhishma, no entanto, ó rei, se dirigindo a Duryodhana no meio dos Kurus, e dando risada, disse, 'Quão verdadeiramente o filho do Suta mantém sua promessa! Por que tendo repetidamente dado sua palavra, dizendo, ‘Os reis de Avanti e Kalinga, Jayadratha, e Chediddhaja e Valhika permanecendo como espectadores, eu matarei guerreiros hostis aos milhares e dezenas de milhares,’ como ele cumprirá aquela obrigação? Tendo distribuído suas divisões em formação contrária e espalhando cabeças às milhares, (ele) verá a destruição cometida por Bhimasena. De fato, naquele momento, quando, se revelando como um Brahmana para o santo e irrepreensível Rama, o filho de Vikartana obteve aquela arma, aquele patife vil perdeu sua virtude e ascetismo.' Ó rei de reis, quando Bhishma disse isto depois que Karna tinha ido embora abandonando suas armas, Duryodhana, aquele filho tolo do filho de Vichitravirya, se dirigiu ao filho de Santanu nestas palavras.'" 63 "Duryodhana disse, 'Os filhos de Pritha são todos como outros homens, e são, em fato, de nascimento terrestre como outros homens. Por que então tu pensas que eles estão certos de obter vitória? Ambos nós e eles somos iguais em energia, em coragem, em idade, em inteligência, em conhecimento das escrituras, em armas, na arte da guerra, em agilidade de mão, e em habilidade. Todos nós somos da mesma espécie, todos sendo homens por nascimento. Como então, ó avô, tu sabes que a vitória será deles? Eu não procuro a realização do meu propósito por confiar em ti, ou Drona, ou Kripa ou Valhika, ou nos outros reis. Eu mesmo, e Karna, o filho de Vikartana, e meu irmão Dussasana mataremos em batalha os cinco filhos de Pandu por meio de flechas afiadas. Então nós gratificaremos, ó rei, Brahmanas por realizar sacrifícios grandiosos de diversos tipos, com Dakshinas abundantes, e por doações de vacas e cavalos e riqueza. Quando minhas tropas arrastarem pela ajuda de suas armas poderosas os Pandavas em batalha, como caçadores arrastando um bando de veados com uma rede, ou redemoinhos de água puxando um barco sem tripulação, então os filhos de Pandu, nos vendo seu inimigo, auxiliados por multidões e carros e elefantes, abandonarão seu orgulho, e não só eles, mas Kesava também.' Ouvindo isto, Vidura disse, 'Pessoas veneráveis de conhecimento infalível dizem que neste mundo o autodomínio é muito benéfico. No caso do Brahmana especialmente, é seu dever. Aquele cujo autodomínio segue caridade, ascetismo, conhecimento, e estudo dos Vedas, sempre obtém êxito, perdão, e o fruto de suas doações. O autodomínio aumenta energia, e é um atributo excelente e santo. Livre do pecado e com sua energia aumentada por meio do autodomínio, uma pessoa alcança até Brahma através dele. As pessoas sempre temem aqueles que não têm autodomínio, como se os últimos fossem verdadeiros Rakshasas. E é para manter estes sob controle que o Auto-existente criou os Kshatriyas. É dito que o Autodomínio é um voto excelente para todos os quatro modos de vida. Eu considero como suas indicações aqueles atributos que devem sua origem ao autodomínio. Aquelas indicações são perdão, firmeza de mente, abstenção de ferir, uma consideração igual por todas as coisas, falar a verdade, simplicidade, controle sobre os sentidos, paciência, gentileza em palavras, modéstia, firmeza, generosidade, suavidade, contentamento, e fé. Aquele que tem autodomínio abandona luxúria, avareza, orgulho, cólera, torpor, bazófia, amor próprio, malícia, e tristeza. Pureza e ausência de desonestidade e fraude são os sinais distintivos de um homem de autodomínio. Aquele que não é cobiçoso, que está satisfeito com pouco, que não considera objetos que provocam luxúria, e que é tão grave como o oceano, é conhecido como um homem de autodomínio. Aquele que é bem educado, de boa disposição e alma satisfeita, que conhece a si mesmo e que é possuidor de sabedoria, ganha grande respeito aqui e alcança a um estado bem- aventurado futuramente. Possuidor de sabedoria madura, aquele que não tem medo de outras criaturas e de quem outras criaturas não têm medo é citado como o principal dos homens. Procurando o bem de todos, ele é um amigo universal, e ninguém é tornado infeliz por ele. Dotado de gravidade semelhante àquela do oceano e desfrutando de contentamento por sua sabedoria, tal homem é sempre calmo e alegre. Regulando sua conduta segundo as ações praticadas pelos virtuosos dos tempos antigos e diante de seus olhos, aqueles que são autocontrolados, sendo dedicados à paz, se regozijam neste mundo. Ou, abandonando a Ação, porque (está) satisfeita pelo Conhecimento, tal pessoa, com seus sentidos sob controle, se move rapidamente neste mundo, esperando pela hora inevitável e absorção em Brahma. E como o rastro das criaturas aladas no céu é incapaz de ser percebido, assim o rastro do sábio que desfruta do contentamento por consequência do Conhecimento não é visível. Abandonando o mundo aquele que se dirige, em busca da emancipação, ao modo de vida Sannyasa, tem regiões brilhantes e eternas designadas para ele no céu.'" 64 "Vidura disse, 'Nós ouvimos, ó majestade, de homens idosos, que uma vez um caçador de aves selvagens espalhou sua rede no chão para capturar habitantes emplumados do ar. E naquela rede foram apanhadas ao mesmo tempo duas aves que viviam juntas. E erguendo a rede, as duas criaturas aladas se ergueram juntas no ar. E vendo elas se erguerem ao céu, o caçador, sem ceder ao desespero, começou a segui-las na direção em que elas voavam. Naquele momento, um asceta que vivia em um eremitério (próximo), que tinha terminado suas orações matinais, viu o caçador correndo daquela maneira esperando ainda prender as criaturas emplumadas. E vendo aquele morador da terra perseguindo rapidamente aqueles moradores do ar, o asceta, ó Kaurava, se dirigiu a ele neste Sloka, ‘Ó caçador, parece muito estranho e admirável para mim que tu, que és um caminhante da terra, persigas ainda um par de criaturas que são moradoras do ar.’ O caçador disse, 'Estes dois, juntos, estão levando embora minha armadilha. Lá, no entanto, onde eles disputarem eles cairão sob meu controle.' "Vidura continuou, 'As duas aves, fadadas à morte, brigaram logo depois. E quando o par tolo brigou, ambas caíram no chão. E quando, apanhadas nas malhas da morte, elas começaram a lutar com raiva uma contra a outra, o caçador se aproximou despercebido e apanhou ambas. Assim mesmo aqueles parentes que brigam uns com os outros por causa de riqueza caem nas mãos do inimigo como as aves que eu mencionei, por consequência de sua briga. Comer juntos, falar juntos, estes são os deveres de parentes, e não brigar sob quaisquer circunstâncias. Aqueles parentes, que com corações afetuosos servem os idosos, se tornam inconquistáveis como uma floresta guardada por leões. Enquanto aqueles, ó touro da raça Bharata, que tendo ganhado riquezas enormes todavia se comportam como homens de mentes vis sempre contribuem para a prosperidade de seus inimigos. Parentes, ó Dhritarashtra, ó touro da raça Bharata, são como tições chamuscados, os quais resplandecem quando unidos mas somente soltam fumaça quando desunidos. Eu agora te falarei outra coisa que eu vi em um leito de montanha. Tendo escutado a isso também, faça, ó Kaurava, o que é para o teu bem. Uma vez nós nos dirigimos para a montanha do norte, acompanhados por alguns caçadores e diversos Brahmanas, que gostavam muito de falar sobre encantamentos e plantas medicinais. Aquela montanha do norte, Gandhamadana, parecia com um bosque. Como seu leito estava coberto com árvores e diversas espécies de ervas medicinais luminosas, ela era habitada por Siddhas e Gandharvas. E lá nós todos vimos uma quantidade de mel, de uma cor amarela brilhante e da medida de um jarro, colocada em um precipício inacessível da montanha. Aquele mel, o qual era a bebida favorita de Kuvera, era protegido por cobras de veneno virulento. E ele era de tal maneira que um mortal, bebendo dele ganharia a imortalidade, um homem cego obteria visão, e um homem velho se tornaria um jovem. Foi assim que aqueles Brahmanas familiarizados com feitiçaria falaram sobre aquele mel. E os caçadores, vendo aquele mel, desejaram, ó rei, obtê-lo. E eles todos pereceram naquela caverna inacessível da montanha cheia de cobras. Da mesma maneira, este teu filho deseja desfrutar da terra inteira sem um rival. Ele vê o mel, mas não vê, por insensatez, a queda terrível. É verdade, Duryodhana deseja um confronto em batalha com Savyasachin, mas eu não vejo aquela energia ou destreza nele a qual possa levá-lo a salvo através disto. Sobre um único carro Arjuna conquistou toda a terra. Na vanguarda de suas hostes Bhishma e Drona e outros foram intimidados por Arjuna e completamente derrotados na cidade de Virata. Lembre-te do que aconteceu naquela ocasião. Ele releva, todavia, olhando o teu rosto e esperando para saber o que tu farás. Drupada, e o rei dos Matsyas, e Dhananjaya, quando zangados, como chamas de fogo incitadas pelo vento, não deixarão resto (do teu exército). Ó Dhritarashtra, tome o rei Yudhishthira sobre teu colo já que ambos os partidos não podem, de modo algum, obter vitória quando tua vontade estiver envolvida na batalha.'" 65 "Dhritarashtra disse, 'Considere, ó Duryodhana, ó filho querido, o que eu te digo. Como um viajante ignorante tu pensas que o caminho errado é o certo, já que tu estás desejoso de roubar a energia dos cinco filhos de Pandu, que são assim como os cinco elementos do universo em sua forma sutil sustentando todas as coisas móveis e imóveis. Sem o sacrifício indubitável da tua vida tu és incapaz de vencer Yudhishthira, o filho de Kunti, que é a principal de todas as pessoas virtuosas neste mundo. Ai, como uma árvore afrontando a tempestade poderosa, tu te encolerizas por causa de Bhimasena que não tem seu igual (entre homens) em força e que é igual ao próprio Yama em batalha. Que homem de inteligência enfrentaria em batalha o manejador do Gandiva, que é o principal de todos os manejadores de armas, como Meru entre as montanhas? Que homem há a quem Dhrishtadyumna, o príncipe de Panchala, não possa derrotar, disparando suas flechas entre os inimigos, como o chefe dos celestiais arremessando seu raio? Aquele guerreiro honrado entre os Andhakas e os Vrishnis, o irresistível Satyaki, sempre dedicado ao bem dos Pandavas, também massacrará a tua hoste. Que homem de razão, além disso, enfrentaria Krishna de olhos de lótus, que, com relação à medida de sua energia e poder, supera os três mundos? Quanto a Krishna, suas esposas, amigos, parentes, sua própria alma e toda a terra, postos em um prato da balança, se comparam com Dhananjaya no outro. Aquele Vasudeva, em quem Arjuna confia, é irresistível, e aquela hoste onde Kesava está se torna irresistível em todos os lugares. Ouça, portanto, ó filho, aos conselhos daqueles teus benquerentes cujas palavras são sempre para o teu bem. Aceite teu avô idoso, Bhishma, o filho de Santanu, como teu guia. Escute ao que eu digo, e ao que estes benquerentes dos Kurus, Drona, e Kripa, e Vikarna, e o rei Vahlika, dizem. Estes todos são como eu mesmo. Cabe a ti respeitar a eles tanto quanto tu me respeitas, já que, ó Bharata, todos eles estão familiarizados com moralidade e têm afeição por ti tanto quanto eu mesmo tenho. O pânico e derrota, diante dos teus olhos, na cidade de Virata, de todas as tuas tropas com teus irmãos, depois da rendição do rei, de fato, aquela história extraordinária que é ouvida de um combate naquela cidade entre um e muitos, é prova suficiente (da sabedoria do que eu digo). Quando Arjuna sozinho realizou tudo isso, o que os Pandavas não realizarão quando unidos juntos? Tome eles pelas mãos como teus irmãos, e os aprecie com uma parte do reino.'" 66 "Vaisampayana disse, 'Tendo se dirigido a Suyodhana dessa maneira, o altamente abençoado e sábio Dhritarashtra outra vez questionou Sanjaya, dizendo, 'Diga-me, ó Sanjaya, o que tu ainda não disseste, isto é, o que Arjuna te disse depois da conclusão do discurso de Vasudeva, pois é grande minha curiosidade para ouvir isto.' "Sanjaya disse, 'Tendo ouvido as palavras faladas por Vasudeva, o irresistível Dhananjaya, o filho de Kunti, quando veio a oportunidade, disse estas palavras na audição de Vasudeva, 'Ó Sanjaya, nosso avô, o filho de Santanu, e Dhritarashtra, e Drona, e Kripa, e Karna, e o rei Vahlika, e o filho de Drona, e Somadatta, e Sakuni o filho de Suvala; e Dussasana, e Sala, e Purumitra, e Vivingsati; Vikarna, e Chitrasena, e o rei Jayatsena, e Vinda e Anuvinda, os dois chefes de Avanti, e Bhurisravas, e o rei Bhagadatta, e o rei Jarasandha e outros soberanos da terra, reunidos lá para lutar pelo bem dos Kauravas, estão todos na véspera da morte. Eles foram reunidos pelo filho de Dhritarashtra para serem oferecidos como libações no ardente fogo Pandava. Em meu nome, Sanjaya, pergunte pelo bem- estar daqueles reis reunidos de acordo com suas respectivas tropas, lhes prestando respeito apropriado ao mesmo tempo. Tu deves também, ó Sanjaya, dizer isto, na presença de todos os reis, para Suyodhana, aquele principal de todos os homens pecaminosos. Colérico e perverso, de alma pecaminosa e extremamente cobiçoso, ó Sanjaya, providencie para que aquele tolo com seus conselheiros ouça tudo o que eu digo.' E com este prefácio, o filho de Pritha Dhananjaya, dotado de grande sabedoria, e possuidor de olhos grandes com cantos vermelhos, olhando de relance para Vasudeva, então falou para mim estas palavras repletas de virtude e lucro, 'Tu já ouviste as palavras medidas faladas pelo chefe de grande alma da linhagem de Madhu. Diga para os reis reunidos que aquelas também são minhas palavras. E diga isto também por mim, para aqueles reis, ‘Tentem juntos agir de tal maneira que libações não tenham que ser derramadas no fogo de flechas do grande sacrifício da batalha, no qual a batida das rodas dos carros soarão como mantras, e o arco que derrota tropas agirá como a concha. Se, de fato, vocês não entregarem para Yudhishthira, aquele matador de inimigos, sua própria parte do reino pedida de volta por ele, eu então, por meio das minhas flechas, mandarei todos vocês, com cavalaria, infantaria, e elefantes, para as regiões inauspiciosas dos espíritos dos mortos.' Então me despedindo de Dhananjaya e de Hari de quatro braços e reverenciando a ambos, eu vim para cá com grande velocidade para transmitir aquelas palavras de grave significado para ti, ó tu que és dotado de refulgência igual àquela dos próprios deuses.'” 67 "Vaisampayana disse, 'Quando Duryodhana, o filho de Dhritarashtra, mostrou pouca consideração pelas palavras faladas por Sanjaya, e quando o restante permaneceu silencioso, os reis reunidos se levantaram e se retiraram. E depois que todos os reis da terra tinham se retirado, o rei Dhritarashtra, que sempre seguia os conselhos de seu filho por afeto, desejando sucesso para os reis reunidos, começou a perguntar em segredo de Sanjaya acerca da resolução do seu próprio partido, e dos Pandavas que eram hostis a ele. E Dhritarashtra disse, 'Diga-me realmente, ó filho de Gavalgana, em que consiste a força e fraqueza da nossa própria hoste. Minuciosamente familiarizado como tu és com os assuntos dos Pandavas, diga-me no que se encontra sua superioridade e no que, sua inferioridade. Tu conheces completamente a força de ambos os partidos. Tu conheces todas as coisas, e és versado em todas as questões de virtude e lucro. Perguntado por mim, ó Sanjaya, diga qual dos partidos, quando engajado na batalha, perecerá?' "Sanjaya disse, 'Eu não direi coisa alguma para ti em segredo, ó rei, pois então tu poderás nutrir ressentimentos por mim. Traga para cá, ó Ajamida, teu pai Vyasa de votos sublimes e tua rainha Gandhari. Familiarizados com moralidade, de percepção aguçada, e capazes de chegar à verdade, eles removerão quaisquer ressentimentos que tu possas nutrir contra mim. Na presença deles, ó rei, eu te direi tudo acerca da força de Kesava e Partha.'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado, Dhritarashtra fez ambos, Gandhari e Vyasa, serem levados lá. E introduzidos por Vidura eles entraram na corte sem demora. E compreendendo as intenções de Sanjaya e seu filho, Krishna-Dwaipayana dotado de grande sabedoria disse, 'Fale, ó Sanjaya, para o questionador Dhritarashtra tudo o que ele deseja saber. Diga a ele realmente tudo o que tu sabes sobre Vasudeva e Arjuna.'" 68 "Sanjaya disse, 'Aqueles arqueiros adoráveis, Arjuna e Vasudeva, que são perfeitamente iguais um ao outro em relação à sua natureza divina, tomaram seus nascimentos por sua própria vontade. Ó senhor, o disco possuído por Vasudeva, de energia abundante, ocupa um espaço de cinco cúbitos completos em diâmetro, é capaz também de ser arremessado no inimigo (em formas grandes ou pequenas) segundo a vontade do próprio manejador, e ele depende de ilusão. Sempre notável por sua refulgência, ele é invisível para os Kurus; e em averiguar a força ou fraqueza dos Pandavas, aquele disco oferece a melhor base. De fato, aquele descendente da família de Madhu, dotado de grande poder, venceu com um esforço e em aparente brincadeira os formidáveis Naraka e Samvara e Kansa e (Sisupala) o chefe dos Chedis. Possuidor de divindade e de alma superior a tudo, aquele mais sublime dos seres masculinos pode, somente por sua vontade, trazer a terra, firmamento, e céu sob seu controle. Tu me questionaste repetidamente, ó rei, acerca dos Pandavas para saber sua força e fraqueza. Escute agora a tudo isso em resumo. Se o universo inteiro for colocado em um prato da balança e Janardana no outro, mesmo então Janardana terá mais valor do que o universo inteiro. Janardana, à sua vontade, pode reduzir o universo a cinzas, mas o universo inteiro é incapaz de reduzir Janardana a cinzas. Onde quer que haja veracidade, onde quer que haja virtude, modéstia, simplicidade, lá mesmo está Govinda. E lá onde Krishna está, o êxito deve estar. Aquela alma de todas as criaturas, o mais sublime dos seres masculinos, Janardana, guia, como se em diversão, a terra inteira, o firmamento, e o céu. Fazendo dos Pandavas os meios indiretos, e encantando o mundo inteiro, Janardana deseja destruir teus filhos perversos que são todos viciados no pecado. Dotado de atributos divinos, Kesava, pelo poder de sua alma faz a roda do Tempo, a roda do Universo, e a roda do Yuga girar incessantemente. E eu te digo realmente que aquele Ser glorioso é sozinho o Senhor do Tempo, da Morte, e deste Universo de objetos móveis e imóveis. Aquele grande asceta Hari, embora o Senhor do Universo inteiro, contudo se dirige ele mesmo para o trabalho, como um humilde operário que cultiva os campos. De fato, Kesava ilude a todos pela ajuda de Sua ilusão. Aqueles homens, no entanto, que alcançaram a Ele não são enganados.'" "Dhritarashtra disse, 'Como tu, ó Sanjaya, és capaz de reconhecer Madhava como o Senhor Supremo do universo? E como é que eu sou incapaz de reconhecer a Ele como tal? Diga-me isto, ó Sanjaya.' "Sanjaya disse, 'Ouça, ó rei! Tu não tens Conhecimento, ao passo que meu Conhecimento não sofreu diminuição. Aquele que não tem Conhecimento e está envolvido com a escuridão da ignorância não conhece Kesava. Ajudado por meu conhecimento, ó majestade, eu conheço o matador de Madhu como a união do Grosseiro, do Sutil e da Causa; e que Ele é o Criador de tudo, mas é Ele Mesmo incriado; e também que, dotado de Divindade, é Ele de quem tudo se origina e é Ele para quem todas as coisas retornam.' "Dhritarashtra disse, 'Ó filho de Gavalgana, qual é a natureza daquela Fé que tu tens em Janardana e pela qual tu identificas o matador de Madhu como a união do Grosseiro, do Sutil, e da Causa?' "Sanjaya disse, 'Abençoado sejas tu, ó rei, eu não tenho consideração pela ilusão (que está identificada com prazeres mundanos) e eu nunca pratico as virtudes inúteis (de votos e trabalho sem confiança n’Ele e pureza de Alma). Tendo obtido pureza de Alma através da Fé, eu tenho conhecido Janardana a partir das escrituras.’ "Dhritarashtra disse, 'Ó Duryodhana, procure a proteção de Janardana, também chamado Hrishikesa. Ó filho, Sanjaya é um dos nossos amigos mais fidedignos. Procure refúgio com Kesava.' "Duryodhana disse, 'Se o divino filho de Devaki unido em amizade com Arjuna fosse matar toda a humanidade, eu não poderia, mesmo então, me submeter à Kesava.' "Dhritarashtra disse, 'Este teu filho de mente má, ó Gandhari, está resolvido a afundar em miséria. Invejoso, de alma pecaminosa, e vaidoso, ele despreza as palavras de todos os seus superiores.' "Gandhari disse, 'Tu infeliz cobiçoso que desconsideras as ordens dos idosos, abandonando teu pai e eu mesma e abandonando prosperidade e vida, aumentando a alegria dos teus inimigos, e me afligindo com angústia profunda, ó tolo, tu te lembrarás das palavras do teu pai, quando atingido por Bhimasena, tu fores vencido.' "Vyasa disse, 'Ouça-me, ó rei! Tu, ó Dhritarashtra, és o amado de Krishna. Quando Sanjaya foi teu enviado, ele realmente te levará ao teu bem. Ele conhece Hrishikesa, aquele Ser antigo e sublime. Se tu o ouvires com atenção, ele sem dúvida te salvará do grande perigo que pende sobre ti. Ó filho de Vichitravirya, sujeitos à cólera e alegria, os homens são enredados em várias armadilhas. Aqueles que não estão satisfeitos com suas próprias posses, privados de razão como eles são por avareza e desejo, repetidamente se tornam sujeitos à Morte por consequência das suas próprias ações, como homens cegos (caindo em buracos) quando conduzidos pelo cego. O caminho que é trilhado pelos sábios é o único (que leva a Brahma). Aqueles que são superiores, mantendo aquele caminho em vista, vencem a morte e alcançam a meta por isto.' "Dhritarashtra disse, 'Fale-me, ó Sanjaya, daquele caminho sem terrores pelo qual, alcançando Hrishikesa, a salvação pode ser minha.' "Sanjaya disse, 'Um homem de mente descontrolada não pode de nenhuma maneira conhecer Janardana cuja alma está sob perfeito comando. A realização de sacrifícios sem o controle dos próprios sentidos não é meio para aquele fim. A renúncia aos objetos de nossos sentidos excitados é devido à luz espiritual; luz espiritual e abstenção de ferir surgem sem dúvida de sabedoria verdadeira. Portanto, ó rei, resolva subjugar teus sentidos com toda a energia possível; não deixe teu intelecto se desviar do conhecimento verdadeiro; e reprima teu coração de tentações mundanas que o circundam. Brahmanas eruditos descrevem a subjugação dos sentidos como sabedoria verdadeira; e esta sabedoria é o caminho pelo qual homens eruditos procedem para sua meta. Ó rei, Kesava não é alcançável por homens que não subjugaram seus sentidos. Aquele que subjugou seus sentidos deseja conhecimento espiritual, despertado pelo conhecimento das escrituras e o prazer de absorção-Yoga.'” 70 "Dhritarashtra disse, 'Eu te peço, ó Sanjaya, para me falar novamente de Krishna de olhos de lótus; pois, por conhecer a significação dos seus nomes, eu posso, ó filho, alcançar aquele mais sublime dos seres masculinos.' "Sanjaya disse, 'Os nomes auspiciosos (de Kesava) foram anteriormente ouvidos por mim. Daqueles eu te direi tanto quanto eu sei. Kesava, no entanto, é incomensurável, estando acima do poder das palavras para descrever. Ele é chamado de Vasudeva por ele envolver todas as criaturas com a tela da ilusão, ou de seu esplendor glorioso, ou de Ele ser o suporte e lugar de descanso dos deuses. Ele é chamado de Vishnu por causa de sua natureza que a tudo permeia. Ele é chamado de Madava, ó Bharata, por causa de sua prática como um Muni, concentração mental na verdade e absorção-Yoga. Ele é chamado de Madhusudana por ele ter matado o Asura Madhu, e também por ele ser a substância dos vinte e quatro objetos de conhecimento. Nascido da linhagem Sattwata, ele é chamado de Krishna porque ele une em si mesmo o que é implicado pelas duas palavras ‘Krishi’ que significa 'o que existe' e ‘na’ que significa 'paz eterna'. Ele é chamado de Pundarikaksha de ‘Pundarika’ implicando sua residência sublime e eterna, e ‘Aksha’ implicando 'indestrutível'; e ele é chamado de Janardana porque ele inflige medo nos corações de todos os seres maus. Ele é chamado de Sattwata porque o atributo de Sattwa nunca está dissociado dele e também porque ele nunca está dissociado disto; e ele é chamado de Vrishabhakshana de ‘Vrishabha’ implicado os 'Vedas' e ‘ikshana’ implicando 'olho', a união dos dois significando que os Vedas são seus olhos, ou os Vedas são os olhos através dos quais ele pode ser visto. Aquele conquistador de hostes é chamado de Aja, ou ‘não nascido’, porque ele não tomou seu nascimento de algum ser de modo comum. Aquela Alma Suprema é chamada de Damodara porque diferentemente dos deuses sua refulgência é incriada e própria, e também porque ele tem auto-controle e grande esplendor. Ele é chamado de Hrishikesa, de ‘Hrishika’ significando ‘felicidade eterna’ e ‘Isa’ significando ‘os seis atributos divinos’, a união significando alguém que tem alegria, felicidade, e divindade. Ele é chamado de Mahavahu porque ele sustenta a terra e o céu com seus dois braços. Ele é chamado de Adhakshaja porque ele nunca decai ou sofre alguma deterioração, e é chamado de Narayana por ser o refúgio de todos os seres humanos. Ele é chamado de Purusottama de ‘Puru’ implicando 'aquele que cria e preserva' e ‘so’ significando ‘aquele que destrói’, a união significando alguém que cria, preserva, e destrói o universo'. Ele possui o conhecimento de todas as coisas, e, portanto, é chamado de Sarva; Krishna está sempre na Verdade e a Verdade está sempre n’Ele, e Govinda é a Verdade da Verdade. Portanto, ele é chamado de Satya. Ele é chamado de Vishnu por causa de sua destreza, e Jishnu por causa de seu êxito. Ele é chamado de Ananta por sua eternidade, e Govinda por seu conhecimento de discurso de todos os tipos. Ele faz o irreal aparecer como real e assim ilude todas as criaturas. Possuidor de tais atributos, sempre dedicado à justiça, e dotado de divindade, o matador de Madhu, aquele poderosamente armado incapaz de decadência, virá para cá para impedir o massacre dos Kurus.'" 71 "Dhritarashtra disse, 'Ó Sanjaya, eu invejo aqueles dotados de visão, que verão diante deles aquele Vasudeva cujo corpo dotado de grande beleza brilha com refulgência, iluminando os pontos cardeais e subsidiários do espaço; que dará expressão a palavras que serão ouvidas com respeito pelos Bharatas; palavras que serão auspiciosas para os Srinjayas, aceitáveis por aqueles desejosos de prosperidade, impecáveis em todos os aspectos, e inaceitáveis por aqueles que estão fadados à morte; que é cheio de resoluções elevadas, eterno, possuidor de heroísmo inigualável, que é o touro dos Yadavas e seu líder, e que é o matador e inspirador de temor de todos os inimigos, e que é o destruidor da fama de todo inimigo! Os Kauravas reunidos verão aquele de grande alma e adorável, aquele matador de inimigos, aquele chefe dos Vrishnis, proferindo palavras cheias de bondade, e fascinando todos do meu partido. Eu me ponho nas mãos daquele Eterno, aquele Rishi dotado de autoconhecimento, aquele oceano de eloquência, aquele Ser que é facilmente alcançável por ascetas, aquela ave chamada Arishta provida de asas belas, aquele destruidor de criaturas, aquele refúgio do universo; aquele de mil cabeças, aquele Criador e Destruidor de todas as coisas, aquele Antigo, aquele sem início, meio, ou fim, aquele de realizações infinitas, aquela causa da semente primordial, aquele não nascido, aquele Ser da Eternidade, mais sublime dos sublimes, Criador dos três mundos, aquele Criador de deuses, Asuras, Nagas, e Rakshasas, principal de todas as pessoas eruditas e soberano de homens, aquele irmão mais novo de Indra.'" 72 (Bhagwat Yana Parva) "Janamejaya disse, 'Quando o bom Sanjaya (deixando o acampamento Pandava) voltou aos Kurus, o que meus antepassados, os filhos de Pandu, fizeram então? Ó principal dos Brahmanas, eu desejo saber tudo isto. Diga-me isto, portanto.' "Vaisampayana disse, 'Depois que Sanjaya tinha ido, Yudhishthira o justo se dirigiu a Krishna da linhagem Dasarha, aquele principal de todos os Sattwatas, dizendo, 'Ó tu que és dedicado aos amigos, chegou a hora dos amigos demonstrarem sua amizade. Eu não vejo quaisquer outras pessoas além de ti que possam nos salvar neste tempo de angústia. Confiando em ti, ó Madhava, nós destemidamente pedimos de volta nossa parte de Duryodhana que está cheio de orgulho imensurável e de seus conselheiros. Ó castigador de inimigos, tu proteges os Vrishnis em todas as suas calamidades, agora proteja os Pandavas também de um grande perigo, pois eles merecem tua proteção.' "O Divino Krishna disse, 'Aqui estou eu, ó poderosamente armado. Diga-me o que tu desejas dizer, pois, ó Bharata, eu realizarei o que quer que tu me digas.' "Yudhishthira disse, 'Tu ouviste qual é a intenção de Dhritarashtra e seus próprios. Tudo o que Sanjaya, ó Krishna, disse para mim certamente tem o consentimento de Dhritarashtra. Sanjaya é a alma de Dhritarashtra, e declarou seu parecer. Um enviado fala de acordo com suas instruções, pois se ele falar de outra maneira ele merece ser morto. Sem olhar igualmente para todos os que são dele, movido por avareza e um coração pecaminoso, Dhritarashtra procura fazer as pazes conosco sem nos devolver nosso reino. De fato, por ordem de Dhritarashtra nós passamos doze anos nas florestas e um ano adicional escondidos, acreditando cabalmente, ó senhor, que Dhritarashtra permaneceria firmemente fiel àquele nosso compromisso. Que nós não nos desviamos da nossa promessa é bem conhecido para os Brahmanas que estavam conosco. O cobiçoso rei Dhritarashtra está agora relutante em cumprir as virtudes Kshatriya. Devido à afeição por seu filho, ele está escutando aos conselhos de homens perversos. Aceitando os conselhos de Suyodhana, o rei, ó Janardana, influenciado por avareza e procurando seu próprio benefício, se comporta falsamente em direção a nós. O que pode ser mais triste, ó Janardana, do que isto, que eu esteja incapaz de manter minha mãe e meus amigos? Tendo os Kasis, os Panchalas, os Chedis, e os Matsyas como meus aliados e contigo, ó matador de Madhu, como meu protetor, eu pedi somente cinco aldeias, ou seja, Avishthala, Vrikasthala, Makandi, Varanavata, com alguma outra, ó Govinda, como a quinta; ‘Nos conceda,’ nós dissemos, ‘cinco aldeias ou cidades, ó majestade, onde nós cinco possamos morar em união, pois nós não desejamos a destruição dos Bharatas.’ O filho de mente má de Dhritarashtra, no entanto, considerando o domínio do mundo como dele, não concorda nem com isso. O que pode ser mais triste do que isto? Quando um homem nasce e, criado em uma família respeitável, cobiça as posses de outros, aquela sua avareza destrói sua inteligência; e a inteligência sendo destruída, a vergonha é perdida; e perda da vergonha leva à diminuição de virtude; e perda de virtude ocasiona perda de prosperidade. A destruição da prosperidade, por sua vez, arruína uma pessoa, pois a pobreza é a morte de uma pessoa. Parentes e amigos e Brahmanas evitam um homem pobre como aves evitam, ó Krishna, uma árvore que não tem flores nem frutas. Isto mesmo, ó senhor, é morte para mim: que parentes me evitem, como se eu fosse alguém decaído, como o ar vital abandonando um corpo morto. Samvara disse que nenhuma condição de vida poderia ser mais miserável do que aquela na qual uma pessoa está sempre atormentada pela ansiedade causada pelo pensamento, ‘Eu não tenho carne para hoje, o que será de mim amanhã?’ É dito que riqueza é a maior virtude, e tudo depende da riqueza. Aqueles que têm riqueza são citados como vivos, ao passo que aqueles que não têm riqueza estão mais mortos do que vivos. Aqueles que por violência roubam um homem de sua riqueza não matam somente o roubado, mas destroem também sua virtude, lucro e prazer. Alguns homens quando tragados pela pobreza escolhem a morte; outros se mudam de cidades para aldeias, outros se retiram à floresta; enquanto outros, além disso, se tornam mendicantes religiosos para destruir suas vidas. Alguns por causa de riqueza são levados à loucura; outros por riqueza vivem sob submissão a seus inimigos; enquanto muitos outros, também, por riqueza, se dirigem à servidão de outros. A pobreza de um homem é ainda mais angustiante para ele do que a morte, pois riqueza é a única causa de virtude e prazer. A morte natural de uma pessoa não é muito considerada, pois este é o caminho eterno de todas as criaturas. De fato, nenhum entre os seres criados pode transgredi-la. Ó Krishna, um homem que é pobre por nascimento não é tão afligido como alguém que, tendo uma vez possuído grande prosperidade e tendo sido criado no luxo, é privado daquela prosperidade. Tendo por seu próprio erro caído em infortúnio, tal pessoa culpa os próprios deuses com Indra e a si mesma. De fato, o conhecimento até de todas as escrituras fracassa em mitigar suas dores. Às vezes ele se zanga com seus empregados, e às vezes ele nutre malícia até em direção a seus benquerentes. Sujeito à raiva constante, ele perde sua própria razão, e seus sentidos estando nublados, ele pratica maus atos. Por pecaminosidade tal pessoa contribui para uma fusão de castas. Uma fusão de castas leva ao inferno e é a principal de todas as ações pecaminosas. Se ele não for despertado a tempo, ele vai, sem dúvida, ó Krishna, para o inferno, e, de fato, a sabedoria é a única coisa que pode despertá-lo, pois se ele obtiver de volta a visão da sabedoria, ele estará salvo. Quando a sabedoria é recuperada, tal homem dirige sua atenção para as escrituras; e atenção às escrituras auxilia sua virtude. Então a vergonha se torna seu melhor ornamento. Aquele que tem vergonha tem uma aversão contra o pecado, e sua prosperidade também aumenta; e aquele que tem prosperidade realmente se torna um homem. Aquele que é sempre devotado à virtude, e tem sua mente sob controle, e sempre age depois de deliberação nunca se inclina em direção à iniquidade e nunca se engaja em alguma ação que é pecaminosa. Aquele que é sem vergonha e razão não é nem homem nem mulher. Ele é incapaz de ganhar mérito religioso, e é como um Sudra. Aquele que tem vergonha gratifica os deuses, os Pitris, e até a si mesmo, e por isto ele alcança a emancipação, a qual, de fato, é o maior objetivo de todas as pessoas corretas. Tu tens, ó matador de Madhu, visto tudo isto em mim com teus próprios olhos. Não é desconhecido para ti como, privados de reino, nós temos vivido esses anos. Nós não podemos abandonar legalmente aquela prosperidade (que era nossa). Nossos primeiros esforços serão de tal maneira, ó Madhava, que nós e os Kauravas, unidos em paz, desfrutemos tranquilamente de nossa prosperidade. Do contrário, depois de matarmos os piores dos Kauravas, nós recuperaremos aquelas províncias, embora êxito através do derramamento de sangue pela destruição mesmo de inimigos desprezíveis que são aparentados conosco tão afetuosamente seja o pior de todos os atos violentos, ó Krishna. Nós temos numerosos parentes, e numerosos também são os veneráveis mais velhos que tomaram este ou aquele outro lado. A matança destes seria muito pecaminosa. Que benefício, portanto, pode haver na batalha? Ai, tais práticas pecaminosas são os deveres da classe Kshatriya! Nós tomamos nossos nascimentos nesta classe desventurada! Se aquelas práticas são pecaminosas ou virtuosas, qualquer outra exceto a profissão de armas seria censurável para nós. Um Sudra serve; um Vaisya vive por meio de comércio; o Brahmana escolheu a tigela de madeira (para mendigar), enquanto nós devemos viver por matança! Um Kshatriya mata um Kshatriya; peixes vivem de peixes; um cachorro se alimenta de um cachorro! Veja, ó tu da linhagem Dasarha, como cada um destes segue sua virtude peculiar. Ó Krishna, Kali está sempre presente em campos de batalha; vidas são perdidas por toda parte. É verdade, força regulada por política é invocada; contudo êxito e derrota são independentes do desejo dos combatentes. As vidas também das criaturas são independentes de seus próprios desejos, e nem bem nem mal podem ser de alguém quando não chegou a hora para isto, ó melhor da linhagem Yadu. Às vezes um homem mata muitos, às vezes muitos e unidos matam um. Um covarde pode matar um herói, e alguém desconhecido à fama pode matar um herói de celebridade. Ambos os partidos não podem obter êxito, nem ambos podem ser derrotados. A perda, no entanto, em ambos os lados pode ser igual. Se alguém foge, perda de vida e fama é dele. Sob todas as circunstâncias, no entanto, a guerra é um pecado. Quem ao atingir outro não é ele mesmo atingido? Com relação à pessoa, no entanto, que é atingida, vitória e derrota, ó Hrishikesa, são o mesmo. É verdade que derrota não é muito diferente de morte, mas a perda também, ó Krishna, daquele que obtém vitória, não é menor. Ele mesmo pode não ser morto, mas seus adversários matarão ao menos alguém que é caro para ele, ou alguns outros e assim o homem, ó senhor, privado de força e não vendo à sua frente seus filhos e irmãos, se torna indiferente, ó Krishna, à própria vida. Aqueles que são calmos, modestos, virtuosos, e compassivos são geralmente mortos em batalha, enquanto aqueles que são pecaminosos escapam. Mesmo depois de matar os inimigos, o arrependimento, ó Janardana, domina o coração. Aquele que sobrevive entre os inimigos causa problemas, pois o sobrevivente, reunindo uma força, busca destruir o vencedor sobrevivente. Na esperança de terminar a disputa, alguém muitas vezes procura exterminar o inimigo. Assim a vitória cria animosidade, e aquele que é derrotado vive em tristeza. Aquele que é pacífico dorme em felicidade, abandonando todos os pensamentos de vitória e derrota, ao passo que aquele que provocou hostilidade sempre dorme em miséria, de fato, com o coração ansioso, como se dormisse com uma cobra no mesmo quarto. Aquele que extermina raramente ganha renome. Por outro lado, tal pessoa colhe infâmia eterna na avaliação de todos. Hostilidades, mantidas por muito tempo, não cessam; pois se há mesmo alguém vivo na família do inimigo nunca faltam narradores para lembrá-lo do passado. Inimizade, ó Kesava, nunca é neutralizada por inimizade; por outro lado, ela é fomentada por inimizade, como fogo alimentado por manteiga clarificada. Portanto, não pode haver paz sem a aniquilação de um partido, pois falhas podem sempre ser detectadas das quais vantagem pode ser tirada por um lado ou outro. Aqueles que estão engajados em procurar por falhas têm este mau hábito. Confiança na própria destreza perturba o ânimo do coração como uma doença incurável. Sem renunciar àquilo imediatamente, ou morte, não pode haver paz. É verdade, ó matador de Madhu, que exterminar o inimigo pelas próprias bases pode levar a bom resultado na forma de grande prosperidade, contudo tal ato é o mais cruel. A paz que pode ser ocasionada por nossa renúncia ao reino mal é diferente da morte, a qual está implicada pela perda do reino, pelo intento do inimigo e da nossa ruína completa. Nós não desejamos desistir do reino, nem desejamos ver a extinção da nossa linhagem. Sob estas circunstâncias, portanto, a paz que é obtida mesmo por humilhação é a melhor. Quando aqueles que se esforçam pela paz de todas as maneiras, sem naturalmente desejarem a guerra, constatam que a conciliação falhou, a guerra se torna inevitável, e então é o momento para a exibição de bravura. De fato, quando a conciliação fracassa, resultados terríveis se seguem. Os eruditos notam tudo isso em uma peleja canina. Primeiro, vem o abanar de rabos, então o latido, então o latido em resposta, então o andar à roda, então o mostrar dos dentes, então repetidos rugidos, e então finalmente a briga. Em tal peleja, ó Krishna, o cachorro que é mais forte, derrotando seu adversário, ganha a carne do último. O mesmo é exatamente o caso com homens. Não há qualquer diferença. Aqueles que são poderosos devem ser indiferentes para evitar disputas com os fracos que sempre se submetem. O pai, o rei, e aqueles que são veneráveis em idade, sempre merecem respeito. Dhritarashtra, portanto, ó Janardana, é digno do nosso respeito e reverência. Mas, ó Madhava, o afeto de Dhritarashtra por seu filho é grande. Obediente ao seu filho, ele rejeitará nossa submissão. O que tu, ó Krishna, achas melhor neste momento crítico? Como nós podemos, ó Madhava, preservar ambos: nossos interesses e virtude? Quem também, além de ti, ó matador de Madhu, e principal dos homens, nós consultaremos nesse caso difícil? Que outro amigo nós temos, ó Krishna, que como tu seja tão querido para nós, que procure nosso bem-estar dessa maneira, que seja tão familiarizado com o andamento de todas as ações, e que seja tão conhecedor da verdade?'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado, Janardana respondeu para Yudhishthira o justo, dizendo, 'Eu irei à corte dos Kurus por causa de ambos vocês. Se sem sacrificar teus interesses eu puder obter paz, ó rei, uma ação de grande mérito religioso será minha, produtiva de grandes frutos. Eu então também salvarei das malhas da morte os Kurus e os Srinjayas inflamados com cólera, os Pandavas e os Dhritarashtras, e, realmente, esta terra inteira.' "Yudhishthira disse, ‘Não é meu desejo, ó Krishna, que tu vás aos Kurus, pois Suyodhana nunca agirá de acordo com tuas palavras, mesmo se tu o aconselhares bem. Todos os Kshatriyas do mundo obedientes ao comando de Duryodhana estão reunidos lá. Eu não quero que tu, ó Krishna, procedas para seu meio. Se alguma injúria for feita para ti, ó Madhava, sem falar de felicidade; nada, nem divindade, nem mesmo a soberania sobre todos os deuses, nos alegrará.' "O santo disse, 'Eu conheço, ó monarca, a pecaminosidade do filho de Dhritarashtra, mas por irmos lá nós escaparemos da crítica de todos os reis da terra. Como outros animais à frente do leão, todos os reis da terra reunidos não são competentes para permanecerem calmos diante de mim em batalha quando eu estou enfurecido. Se, afinal, eles me fizerem alguma injúria, então eu destruirei todos os Kurus. Esta mesma é minha intenção. Minha ida para lá, ó Partha, não será inútil, pois se nosso objetivo não for realizado, nós pelo menos escaparemos de toda crítica.' "Yudhishthira disse, 'Faça, ó Krishna, como te agradar. Abençoado sejas tu, vá então aos Kurus. Eu espero te ver retornar bem sucedido e próspero. Indo aos Kurus, ó senhor, faça as pazes de maneira que todos os filhos de Bharata possam viver juntos com corações alegres e contentes. Tu és nosso irmão e amigo, querido para mim tanto quanto para Vibhatsu. Tal tem sido nossa intimidade contigo que nós não receamos negligência de nossos interesses de ti. Vá lá para o nosso bem. Tu nos conheces, tu conheces nossos antagonistas, tu sabes quais são nossos propósitos, e tu sabes também o que dizer. Tu dirás, ó Krishna, para Suyodhana tais palavras que sejam para nosso benefício. Se a paz é para ser estabelecida por (aparente) pecado ou por quaisquer outros meios, ó Kesava, fale palavras que demonstrem ser benéficas para nós.'” 73 "O santo disse, 'Eu ouvi as palavras de Sanjaya e agora eu ouvi as tuas. Eu sei tudo acerca dos propósitos dele como também dos teus. Teu coração se inclina para a retidão, ao passo que a tendência deles é em direção à inimizade. Aquilo que é obtido sem guerra é de grande valia para ti. Uma longa vida Brahmacharya não é, ó senhor da terra, o dever de um Kshatriya. De fato, homens de todas as quatro classes dizem que um Kshatriya nunca deve subsistir de esmolas; vitória ou morte em batalha foram eternamente ordenadas pelo Criador; este mesmo é o dever de um Kshatriya. Covardia não é aprovada (em um Kshatriya). Subsistência, ó Yudhishthira, não é possível por covardia, ó tu de braços poderosos. Mostre tua bravura, e vença, ó castigador de inimigos, teus inimigos. O cobiçoso filho de Dhritarashtra, ó castigador de inimigos, vivendo por um longo tempo (com muitos reis) por afeição e amizade se tornou muito poderoso. Portanto, ó rei, não há esperança dele fazer as pazes contigo. Eles se consideram fortes, tendo Bhishma e Drona e Kripa e outros com eles. Enquanto tu, ó rei, ó opressor de inimigos, te comportares brandamente com eles, eles reterão o teu reino. Nem por compaixão, nem por brandura, nem por um sentimento de justiça os filhos de Dhritarashtra, ó castigador de inimigos, realizarão teus desejos. Esta, ó filho de Pandu, é outra prova de que eles não farão as pazes contigo: tendo te afligido tão profundamente por te fazerem vestir um Kaupina eles não foram aguilhoados pelo remorso. Na própria vista do Avô (Bhishma) e de Drona e do sábio Vidura, de muitos Brahmanas santos, do rei, dos cidadãos, e de todos os principais Kauravas, o cruel Duryodhana, te derrotando fraudulentamente no jogo de dados, a ti que és caridoso, amável, autocontrolado, virtuoso, e de votos rígidos, não estava, ó rei, envergonhado de sua ação vil. Ó monarca, não mostre qualquer compaixão por aquele canalha de semelhante disposição. Eles merecem a morte nas mãos de todos, quão mais então de ti, ó Bharata? Ó Bharata, com que discursos impróprios Duryodhana com seus irmãos, cheio de alegria e se gabando muito, te afligiu com teus irmãos! Ele disse, 'Os Pandavas agora não têm nada deles nesta terra extensa. Seu próprio nome e linhagem estão extintos. Com o Tempo, que é sem fim, a derrota será deles. Todas as suas virtudes tendo imergido em mim, eles agora serão reduzidos aos cinco elementos.' Enquanto a partida de dados estava em progresso, o patife Dussasana de alma mais pecaminosa, agarrando a dama lamentosa pelo cabelo arrastou a princesa Draupadi, como se ela não tivesse protetores, para a assembleia de reis, e na presença de Bhishma e Drona e outros, repetidamente a chamou de ‘Vaca! Vaca!’ Reprimidos por ti, teus irmãos de bravura terrível, atados também pelos laços da virtude, não fizeram nada para vingar isto; e depois que tu foste exilado para as florestas, Duryodhana tendo proferido tais e outras palavras cruéis contou vantagem em meio aos seus parentes. Sabendo que tu eras inocente, aqueles que estavam reunidos sentaram silenciosos na casa de assembleia, lamentando com voz sufocada. Os reis reunidos com os Brahmanas não o elogiaram por isto. De fato, todos os cortesãos presentes lá o criticaram. Para um homem de descendência nobre, ó opressor de inimigos, a crítica é a morte. A morte é até muitas vezes melhor do que uma vida de censura. Exatamente então, ó rei, ele morreu, quando ao ser censurado por todos os reis da terra ele não sentiu vergonha! Aquele cujo caráter é tão abominável pode ser facilmente destruído assim como uma árvore arrancada permanecendo ereta sobre uma única raiz fraca. O pecaminoso Duryodhana de mente má merece a morte nas mãos de todos, assim como uma serpente. Mate-o, portanto, ó matador de inimigos, e não hesite de modo algum. Isto cabe a ti, ó impecável, e eu gosto disto também, que tu prestes homenagem para teu pai Dhritarashtra e também para Bhishma. Indo para lá eu removerei as dúvidas de todos os homens que ainda estão indecisos quanto à maldade de Duryodhana. Lá na presença de todos os reis eu enumerarei todas aquelas tuas virtudes que não são encontradas em todos os homens, como também todos os maus hábitos de Duryodhana. E me ouvindo falar palavras benéficas, repletas de virtude e lucro, os soberanos de vários reinos te considerarão como possuidor de uma alma virtuosa, e como um falador da verdade, enquanto ao mesmo tempo, eles entenderão como Duryodhana é influenciado pela avareza. Eu também falarei da maldade de Duryodhana diante dos cidadãos e dos habitantes do país, diante de jovens e velhos, de todas as quatro classes que estarão reunidas lá. E como tu pedes paz ninguém te acusará de pecaminoso, enquanto todos os chefes da terra criticarão os Kurus e Dhritarashtra; e quando Duryodhana for morto por ser abandonado por todos os homens, não restará nada a fazer. Faça então o que deve ser feito agora. Indo até os Kurus, eu me esforçarei para fazer as pazes sem sacrificar teus interesses, e notando a inclinação deles para a guerra e todos os seus procedimentos, eu logo voltarei, ó Bharata, para a tua vitória. Eu penso que a guerra com o inimigo é indubitável. Todos os presságios que são perceptíveis por mim apontam para isso. Aves e animais dão guinchos terríveis e uivam na aproximação do crepúsculo. Os principais dos elefantes e corcéis assumem formas horríveis; o próprio fogo exibe diversas espécies de cores terríveis! Este nunca seria o caso exceto pelo fato da própria Devastação destruidora do mundo estar chegando em nosso meio! Aprontando suas armas, máquinas, cotas de malha, e carros, elefantes, e corcéis, que todos os teus guerreiros fiquem preparados para a batalha, e que eles cuidem de seus elefantes e cavalos e carros. E, ó rei, reúna tudo o que tu precisas para a guerra iminente. Enquanto ele viver, Duryodhana não será capaz, de nenhuma maneira, de devolver para ti, ó rei, aquele teu reino que, cheio de prosperidade, foi anteriormente obtido por ele por meio dos dados!'" 74 "Bhima disse, 'Fale, ó matador de Madhu, de tal maneira que possa haver paz com os Kurus. Não os ameace com guerra. Se ofendendo com tudo, com sua cólera sempre excitada, hostil ao seu próprio bem e arrogante, Duryodhana não deve ser endereçado de forma rude. Comporte-te em direção a ele com suavidade. Duryodhana é pecaminoso por natureza de coração semelhante ao de um ladrão, embriagado com o orgulho de prosperidade, hostil aos Pandavas, sem previdência, cruel em palavras, sempre disposto a censurar outros, de bravura perversa, de cólera que não é facilmente apaziguada, não suscetível de ser ensinado, de alma má, enganador em comportamento, capaz de desistir da sua própria vida em vez de ceder ou abandonar sua própria opinião. Paz com tal pessoa, ó Krishna, é, eu suponho, muito difícil. Sem respeito pelas palavras até de seus simpatizantes, desprovido de virtude, amando a falsidade, ele sempre age contra as palavras de seus conselheiros e fere seus corações. Como uma serpente escondida dentro de juncos, ele naturalmente comete ações pecaminosas, dependendo da sua própria disposição perversa, e obediente ao impulso da ira. Que exército Duryodhana tem, qual é sua conduta, qual é sua natureza, seu poder, e sua destreza, são todos bem conhecidos por ti. Antes disto, os Kauravas com seu filho passavam seus dias em alegria, e nós também com nossos amigos nos regozijávamos como o irmão mais novo de Indra com o próprio Indra. Ai, por causa da cólera de Duryodhana, ó matador de Madhu, os Bharatas serão todos consumidos, assim como florestas pelo fogo no fim das estações úmidas, e, ó matador de Madhu, são bem conhecidos aqueles dezoito reis que aniquilaram seus amigos e parentes. Assim como, quando Dharma se tornou extinto, Kali nasceu na raça de Asuras florescentes com prosperidade e resplandecentes com energia, assim nasceu Udavarta entre os Haihayas, Janamejaya entre os Nepas, Vahula entre os Talajanghas, o orgulhoso Vasu entre os Krimis, Ajavindu entre os Suviras, Rushardhik entre os Surashtras, Arkaja entre os Valihas, Dhautamulaka entre os Chinas, Hayagriva entre os Videhas, Varayu entre os Mahaujasas, Vahu entre os Sundaras, Pururavas entre os Diptakshas, Sahaja entre os Chedis e Matsyas, Vrishaddhaja entre os Praviras, Dharana entre os Chandra-batsyas, Bigahana entre os Mukutas e Sama entre os Nandivegas. Estes indivíduos vis, ó Krishna, nascem no fim de cada Yuga, em suas respectivas raças, para a destruição de seus parentes. Assim Duryodhana, a própria encarnação do pecado e a ignomínia de sua família, nasceu, no fim do Yuga, entre nós os Kurus. Portanto, ó tu de bravra feroz, tu deves te dirigir a ele lentamente e brandamente, não em palavras amargas, mas em palavras gentis repletas de virtude e lucro, e discursar completamente sobre o assunto de maneira a atrair seu coração. Todos nós, ó Krishna, preferiríamos em humilhação seguir Duryodhana submissamente, mas, oh, não deixe os Bharatas serem aniquilados. Ó Vasudeva, aja de tal maneira que nós possamos antes viver como estranhos para os Kurus do que incorrer no pecado de ocasionar a destruição da linhagem inteira que deve atingi-los. Ó Krishna, que o avô idoso e os outros conselheiros dos Kurus sejam pedidos para provocar sentimentos fraternos entre irmãos e acalmar o filho de Dhritarashtra. Isto mesmo é o que eu digo. O rei Yudhishthira também aprova isto, e Arjuna também é contrário à guerra, pois há grande compaixão nele.'" 75 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras de Bhima, que eram repletas de tal brandura e que eram tão inesperadas como se as colinas tivessem perdido seu peso e o fogo tivesse se tornado frio, o irmão mais novo de Rama, Kesava da linhagem Sura e braços poderosos, manejando o arco chamado Saranga, riu alto, e como se para estimular Bhima com suas palavras, como a brisa abanando um fogo, se dirigiu a ele que estava então dominado dessa maneira pelo impulso de bondade, dizendo, 'Em outros tempos, ó Bhimasena, tu aprovavas somente a guerra, desejoso de oprimir os filhos pecaminosos de Dhritarashtra que se deleitam com a destruição de outros. Ó castigador de inimigos, tu não dormias mas ficavas desperto a noite inteira, sentado com o rosto para baixo. Tu proferias frequentemente exclamações terríveis de cólera, indicativas da tempestade dentro do teu coração. Inflamado com o fogo da tua própria fúria, tu suspiravas, ó Bhima, com o coração inquieto, como uma chama de fogo misturada com fumaça. Te afastando de companhia tu te deitavas dando suspiros ansiosos, como um homem fraco oprimido por uma carga pesada. Aqueles que não sabem a causa te consideram como louco. Como um elefante quebrando em fragmentos árvores arrancadas colocadas sobre o solo grunhe com raiva enquanto as pisoteia, assim tu também, ó Bhima, prosseguias, dando suspiros profundos e sacudindo a terra sob o passo. Aqui nesta região tu não tens alegria em companhia mas passas teu tempo em privacidade. Noite ou dia, nada te agrada tanto quanto reclusão. Sentando à parte tu às vezes dás risadas altas de repente, e às vezes colocando tua cabeça entre teus dois joelhos, tu continuas naquela postura por muito tempo com olhos fechados. Em outras ocasiões, ó Bhima, contraindo tuas sobrancelhas frequentemente e mordendo teus lábios, tu olhas ferozmente à tua frente. Tudo isto é indicativo de ira. Uma vez tu tinhas, no meio dos teus irmãos, agarrado a maça, proferindo este juramento, 'Como o sol é visto se erguendo no leste expondo seu brilho, e como ele realmente se põe no oeste viajando em volta de Meru, assim eu juro que eu sem dúvida matarei o insolente Duryodhana com esta minha maça, e este meu juramento nunca será falso.' Como então aquele teu mesmo coração, ó castigador de inimigos, agora segue os conselhos de paz? Ai, quando o medo entra no teu coração, ó Bhima, é certo que os corações de todos os que desejam guerra estão perturbados porque a guerra se torna realmente iminente. Dormindo ou acordado, tu vês, ó filho de Pritha, presságios inauspiciosos. Talvez é por isto que tu desejas paz. Ai, como um eunuco, tu não mostras qualquer sinal da tua virilidade em ti. Tu estás dominado pelo pânico, e é por isso que teu coração está perturbado. Teu coração treme, tua mente está dominada pelo desespero, tuas coxas tremem, e é por isso que tu desejas paz. Os corações dos mortais, ó Partha, são sem dúvida tão inconstantes como as vagens da semente Salmali expostas à força do vento. Esta tua disposição de ânimo é tão estranha como fala articulada em gados. De fato, os corações dos teus irmãos estão prestes a afundar em um oceano de desespero, como nadadores no mar sem uma balsa para resgatá-los. Que tu, ó Bhimasena, profiras palavras tão inesperadas de ti é tão estranho quanto o deslocamento de uma colina. Lembrando-te dos teus próprios feitos e da família também na qual tu és nascido, levante, ó Bharata, não ceda à aflição, ó herói, e seja firme. Tal langor, ó repressor de inimigos, não é digno de ti, pois um Kshatriya nunca desfruta daquilo que ele não adquiriu por meio de bravura.'" 76 "Vaisampayana disse, 'Assim endereçado por Vasudeva, o sempre colérico Bhima, incapaz de tolerar insultos, foi imediatamente incitado como um corcel de grande vigor, e respondeu sem perder um momento, dizendo, 'Ó Achyuta, eu desejo agir de um modo específico; tu, no entanto, me compreendeste de um ponto de vista completamente diferente. Que eu tenho grande prazer na guerra e que minha bravura é incapaz de ser frustrada deve, ó Krishna, ser bem conhecido por ti por nós termos vivido juntos por um longo tempo. Ou pode ser que tu não me conheças, como alguém nadando em um lago ignorante de sua profundidade. É por isto que tu me admoestas com tais palavras inapropriadas. Quem mais, ó Madhava, sabendo que eu sou Bhimasena, poderia se dirigir a mim com tais palavras inapropriadas como tu fizeste? Portanto, eu te falarei, ó encantador dos Vrishnis, acerca da minha própria destreza e poder incomparáveis. Embora falar da própria destreza seja sempre uma ação ignóbil, contudo, perfurado como eu estou por tuas críticas descorteses, eu falarei da minha própria força. Veja, ó Krishna, estes: o firmamento e a terra, os quais são imóveis, imensos, e infinitos, e que são o refúgio de, e nos quais nascem essas criaturas inumeráveis. Se por raiva eles colidissem de repente como duas colinas, somente eu, com meus braços, poderia mantê-los separados com todos os seus objetos móveis e imóveis. Veja as juntas destes meus braços semelhantes a maças. Eu não encontro a pessoa que possa se soltar tendo uma vez entrado dentro do seu alcance. O Himavat, o oceano, o próprio poderoso manejador do raio, isto é, o matador de Vala, mesmo estes três não podem, com todo seu poder, soltar a pessoa atacada por mim. Eu facilmente calcarei sobre o chão sob meus pés todos os Kshatriyas que virão lutar contra os Pandavas. Não é sabido por ti, ó Achyuta, com que bravura eu derrotei os reis da terra e os trouxe sob submissão? Se, de fato, tu realmente não conheces minha bravura que é como a energia feroz do sol do meio-dia então tu irás conhecê-la, ó Janardana, na escaramuça violenta da batalha. Tu me feriste com tuas palavras cruéis, me atormentando com a dor da abertura de um tumor fétido. Mas saiba que eu sou mais poderoso do que o que eu disse de mim mesmo por minha própria vontade. Naquele dia, quando a devastação violenta e destrutiva da batalha começar, tu então me verás lançando por terra elefantes e combatentes, guerreiros em carros, em corcéis e aqueles em elefantes, e matando com raiva os principais dos guerreiros Kshatriya. Tu, assim como outros, me verás fazer tudo isso e oprimir os principais dos combatentes. A medula dos meus ossos ainda não se enfraqueceu, nem meu coração treme. Se o mundo inteiro avançar contra mim em cólera, eu ainda assim não sentirei a influência do medo. É somente por compaixão, ó matador de Madhu, que eu sou a favor de mostrar boa vontade para o inimigo. Eu estou suportando demasiado calmamente todas as nossas injúrias para que a linhagem Bharata não seja extirpada.'" 77 "O santo disse, ‘Foi somente por afeição que eu te disse tudo isso, desejando conhecer tua disposição, e não pelo desejo de te repreender, nem por orgulho de erudição, nem por raiva, nem pelo desejo de fazer um discurso. Eu conheço tua magnanimidade de alma, e também tua força, e teus feitos. Não foi por esta razão que eu te repreendi. Ó filho de Pandu, mil vezes maior será o benefício conferido por ti à causa dos Pandavas do que aquele o qual tu achas que és capaz de conferir a ela. Tu, ó Bhima, com teus parentes e amigos, és exatamente o que deve ser alguém que tomou seu nascimento em uma família como a tua, que é respeitada por todos os reis da terra. O fato, no entanto, é que nunca podem chegar à verdade aqueles que, sob a influência da dúvida, passam a perguntar sobre as consequências futuras de virtude e vício, ou sobre a força e fraqueza de homens. Por isso é visto que o que é a causa do êxito do objetivo de uma pessoa se torna também a causa de sua ruína. Atos humanos, portanto, são duvidosos em suas consequências. Homens eruditos, capazes de julgar os males das ações decretam um curso de ação específico como digno de ser seguido. Isto produz, no entanto, consequências, o completo oposto do que estava previsto, muito semelhante à direção do vento. De fato, até aquelas ações de homens que são os resultados de deliberação e política bem direcionada, e que são compatíveis com considerações de retidão, são frustradas pelas dispensações da Providência. Então, além disso, dispensações Providenciais, tais como calor e frio e chuva e fome e sede, que não são as consequências de ações humanas, podem ser frustradas por esforço humano. Então também, além daquelas ações as quais uma pessoa está preordenada a praticar (como o resultado das ações de vidas passadas), uma pessoa pode sempre se livrar de todas as outras ações começadas por sua vontade, como é testificado pelos Smritis e os Srutis. Portanto, ó filho de Pandu, uma pessoa não pode continuar no mundo sem agir. Ela deve, por essa razão, se dedicar ao trabalho sabendo que seu propósito será alcançado por uma combinação de Destino e Esforço. Aquele que se engaja em ações sob esta convicção nunca é atormentado pelo fracasso, nem encantado pelo sucesso. Este, ó Bhimasena, foi o significado pretendido das minhas palavras. Não foi planejado por mim que a vitória seria certa em um confronto com o inimigo. Uma pessoa, quando sua mente está perturbada não deve perder sua alegria e não deve se entregar nem ao langor nem à depressão. É por isso que eu falei para ti da maneira que eu fiz. Quando vier o dia seguinte, ó Pandava, eu irei à presença de Dhritarashtra. Eu me esforçarei para fazer as pazes sem sacrificar seus interesses. Se os Kauravas fizerem as pazes, então fama ilimitada será minha. Seus propósitos estarão alcançados, e eles também colherão grande benefício. Se, no entanto, os Kauravas, sem escutarem às minhas palavras, decidirem manter sua opinião, então sem dúvida haverá uma guerra formidável. Nessa guerra a responsabilidade se apóia sobre ti, ó Bhimasena. Aquela responsabilidade deve também ser levada por Arjuna, enquanto outros guerreiros devem ser todos liderados por vocês dois. No caso de a guerra acontecer, eu sem dúvida serei o motorista do carro de Vibhatsu, pois esse, de fato, é o desejo de Dhananjaya e não que eu mesmo não esteja desejoso de lutar. É por isto que, te ouvindo proferir tua intenção, eu reacendi aquela tua energia, ó Vrikodara.'" 78 "Arjuna disse, 'Ó Janardana, Yudhishthira já disse o que deve ser dito. Mas, ó castigador de inimigos, ouvindo o que tu disseste, me parece que tu, ó senhor, não pensas que a paz é facilmente obtenível ou por causa da cobiça de Dhritarashtra ou de nossa fraqueza atual. Tu pensas também que destreza humana só é inútil, e também que sem empregar destreza os propósitos de alguém não podem ser realizados. O que tu disseste pode ser verdade, mas ao mesmo tempo isto não pode ser sempre verdade. Nada, no entanto, deve ser considerado como impraticável. Isto é verdade, a paz te parece ser impossível por nossa condição aflitiva, contudo eles ainda estão agindo contra nós sem colher os frutos de suas ações. Paz, portanto, se devidamente proposta, ó senhor, pode ser firmada. Ó Krishna, esforce-te, portanto, para fazer as pazes com o inimigo. Tu, ó herói, és o principal de todos os amigos dos Pandavas e dos Kurus, assim como Prajapati é dos deuses e dos Asuras. Realize, portanto, aquilo que é para o bem dos Kurus e dos Pandavas. A realização do nosso bem não é, eu creio, difícil para ti. Se tu te esforçares, ó Janardana, de tal maneira é esta ação que ela estará logo efetuada. Logo que tu fores para lá, isto estará realizado. Se, ó herói, tu tencionares tratar Duryodhana de mente má de alguma outra maneira, aquele teu propósito será realizado exatamente como tu desejas. Se é paz ou guerra com o inimigo que tu desejas, qualquer desejo, ó Krishna, que tu possas nutrir, certamente será respeitado por nós. Duryodhana mente má com seus filhos e parentes não merece a destruição quando, incapaz de suportar a visão da prosperidade de Yudhishthira e não encontrando um meio impecável, aquele canalha, ó matador de Madhu, nos despojou do nosso reino pelo pecaminoso expediente dos dados enganosos? Que arqueiro há, que, nascido na classe Kshatriya e convidado para o combate se desviaria da luta mesmo que ele esteja certo de morrer? Nos vendo derrotados por meios pecaminosos e banidos para as florestas, exatamente então, ó tu da tribo Vrishni, eu pensei que Suyodhana merecia a morte nas minhas mãos. O que tu, no entanto, ó Krishna, desejas fazer por teus amigos mal é incomum, embora pareça inexplicável como o objetivo em vista é capaz de ser efetuado por suavidade ou seu contrário. Ou, se tu consideras preferível a destruição imediata deles, que isto seja efetuado logo sem mais deliberação. Certamente, tu sabes como Draupadi foi insultada no meio da assembleia por Duryodhana de alma pecaminosa e como também nós suportamos isto com paciência. Que Duryodhana, ó Madhava, se comportará com justiça em direção aos Pandavas é o que eu não posso crer. Conselhos sábios estarão perdidos nele como semente semeada em uma terra estéril. Portanto, faça sem demora o que tu, ó tu da linhagem Vrishni, pensas ser apropriado e benéfico para os Pandavas, ou o que, de fato, deve ser feito em seguida.'" 79 "O santo disse, 'Será, ó tu de armas poderosas, o que tu, ó Pandava, disseste. Eu me esforçarei para causar aquilo que será benéfico para os Pandavas e os Kurus. Entre os dois tipos de ações, guerra e paz, a última, ó Vibhatsu, está talvez dentro do meu poder. Veja, o solo é umedecido e privado de ervas daninhas por esforço humano. Sem chuva, no entanto, ó filho de Kunti, ele nunca produz colheitas. De fato, na ausência de chuva alguns falam de irrigação artificial como os meios de sucesso devido ao esforço humano, mas mesmo então pode ser visto que a água artificialmente introduzida é secada por seca providencial. Vendo tudo isto, os homens sábios de antigamente disseram que os assuntos humanos são colocados em andamento pela cooperação de expedientes providenciais e humanos. Eu farei tudo o que puder ser feito por esforço humano da melhor maneira. Mas eu não serei, de nenhuma maneira, capaz de controlar o que é providencial. Duryodhana de mente má age desprezando ambos: virtude e o mundo. Nem ele sente algum remorso por agir dessa maneira. Além do mais, suas tendências pecaminosas são alimentadas por seus conselheiros Sakuni e Karna e seu irmão Dussasana. Suyodhana nunca fará as pazes por desistir do reino, sem, ó Partha, sofrer em nossas mãos uma destruição indiscriminada com seus parentes. O rei Yudhishthira o justo não deseja desistir do reino submissamente. Duryodhana de mente má também, por nossa solicitação, não entregará o reino. Eu, portanto, acho que mal é apropriado entregar a mensagem de Yudhishthira para ele. O pecaminoso Duryodhana da família de Kuru não realizará, ó Bharata, os objetivos citados por Yudhishthira. Se ele recusar complacência, ele merecerá a morte nas mãos de todos. De fato, ele merece a morte nas minhas mãos, como também, ó Bharata, de todos já que em sua infância ele sempre perseguia vocês todos, e já que aquele patife perverso e pecaminoso roubou de vocês seu reino e não podia aguentar a visão da prosperidade de Yudhishthira. Muitas vezes, ó Partha, ele se esforçou para me afastar de ti, mas eu nunca considerei aquelas más tentativas dele. Tu sabes, ó tu de armas poderosas, quais são as intenções nutridas por Duryodhana, e tu sabes também que eu procuro o bem-estar do rei Yudhishthira o justo. Conhecendo, portanto, o coração de Duryodhana e quais são meus maiores desejos, por que então tu, ó Arjuna, nutres tais apreensões em relação a mim como alguém não familiarizado com tudo? Aquele ato importante também o qual foi ordenado no céu é conhecido por ti. Como então, ó Partha, a paz pode ser firmada com o inimigo? O que, no entanto, ó Pandavas, puder ser feito ou por palavras ou ação, será tudo feito por mim. Não espere, no entanto, ó Partha, que a paz seja possível com o inimigo. Cerca de um ano atrás, na ocasião de atacar o gado de Virata, Bhishma, no seu caminho de volta, não solicitou Duryodhana acerca desta mesma paz tão benéfica para todos? Acredite em mim, eles foram derrotados naquele tempo quando sua derrota foi resolvida por ti. De fato, Suyodhana não concorda em ceder a menor parte do reino nem pelo mais curto período de tempo. Com relação a mim, eu sou sempre obediente às ordens de Yudhishthira, e, portanto, as ações pecaminosas daquele canalha perverso devem ser novamente ponderadas em minha mente!'" 80 "Nakula disse, 'Muito foi dito, ó Madhava, pelo rei Yudhishthira o justo que é familiarizado com a moralidade e dotado de generosidade, e tu ouviste o que foi dito por Falguni também. Com relação à minha própria opinião, ó herói, tu repetidamente a expressaste. Ouvindo primeiro quais são os desejos do inimigo e desconsiderando todos, faça o que tu considerares apropriado para a ocasião. Ó Kesava, diversas são as conclusões chegadas com relação a diversas questões. Êxito, no entanto, ó castigador de inimigos, é obtido quando um homem faz aquilo que deve ser feito em vista da ocasião. Quando uma coisa é decidida de uma maneira em uma ocasião, isto se torna inadequado quando a ocasião se torna diferente. As pessoas, portanto, neste mundo, ó principal dos homens, não podem manter a mesma opinião em todas as ocasiões. Enquanto nós estávamos vivendo nas florestas, nossos corações estavam inclinados para um rumo de ação específico. Enquanto nós estávamos passando o período escondidos, nossos desejos eram de um tipo, e agora, no tempo presente, ó Krishna, quando se esconder não é mais necessário, nossos desejos se tornaram diferentes. Ó tu da tribo Vrishni, enquanto nós vagávamos nas florestas, a atração pelo reino não era tão grande como agora. O período do nosso exílio tendo acabado, saiba, ó herói, que nós tendo retornado, um exército numerando sete Akshauhinis completos, por tua graça, ó Janardana, foi reunido. Contemplando estes tigres entre homens, de força e coragem inconcebíveis, permanecendo equipados para a batalha armados com armas, que homem há que não seria tomado pelo medo? Portanto indo para o meio dos Kurus, fale primeiro palavras repletas de brandura e então aquelas repletas de ameaças, para que o pecaminoso Suyodhana possa ser agitado pelo medo. Que homem mortal, de carne e sangue, enfrentaria em batalha Yudhishthira e Bhimasena, os invencíveis Vibhatsu e Sahadeva, eu mesmo, tu mesmo e Rama, ó Kesava, e Satyaki de energia poderosa, Virata com seus filhos, Drupada com seus aliados, e Dhrishtadyumna, ó Madhava, e o soberano de Kasi de grande destreza e Dhrishtaketu o senhor dos Chedis? Tão logo tu fores para lá então tu realizarás, sem dúvida, ó tu de braços fortes, o objetivo desejado do rei Yudhishthira o justo. Vidura, e Bhishma e Drona e Vahlika, estes talentos, ó impecável, te compreenderão quando tu proferires palavras de sabedoria. Eles pedirão àqueles soberanos de homens, Dhritarashtra e Suyodhana de disposição pecaminosa, com seus conselheiros, para agirem de acordo com o conselho. Quando tu, ó Janardana, és o orador e Vidura o ouvinte, que assunto há que não possa ser tornado agradável e claro?'" 81 "Sahadeva disse, 'O que foi dito pelo rei é, de fato, virtude eterna, mas tu, ó castigador de inimigos, deves agir de tal maneira que a guerra possa acontecer sem dúvida. Mesmo se os Kauravas expressarem seu desejo de paz com os Pandavas, ainda assim, ó tu da tribo de Dasarha, provoque uma guerra com eles. Tendo visto, ó Krishna, a princesa de Panchala levada naquela situação para o meio da assembleia, como minha raiva pode ser apaziguada sem a morte de Suyodhana? Se, ó Krishna, Bhima e Arjuna e o rei Yudhishthira o justo estão dispostos a serem virtuosos, abandonando a virtude eu desejo um confronto com Duryodhana em batalha.' "Satyaki disse, 'Sahadeva de grande alma, ó tu de armas poderosas, falou a verdade. A raiva que eu sinto por Duryodhana pode ser apaziguada somente por sua morte. Tu não te lembras da raiva que tu também sentiste ao veres nas florestas os Pandavas afligidos vestidos em trapos e camurças? Portanto, ó principal dos homens, todos os guerreiros reunidos aqui concordam unanimemente com o que o filho heróico de Madri, feroz em batalha, disse!' "Vaisampayana continuou, 'A estas palavras de Yuyudhana de grande alma, um rugido leonino foi dado por todos os guerreiros reunidos lá. E todos os heróis, aplaudindo muito aquelas palavras de Satyaki, o elogiaram, dizendo, 'Excelente! Excelente!' E ansiosos para lutar, eles todos começaram a expressar sua alegria.'" 82 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo as palavras pacíficas do rei que eram repletas de virtude e lucro, a filha do rei Drupada, Krishna, de longos cabelos negros, atormentada com grande angústia, aplaudindo Sahadeva e aquele poderoso guerreiro em carro Satyaki, se dirigiu a Madhava sentado ao seu lado. E vendo Bhimasena se declarar em favor da paz, aquela dama inteligente, dominada pela dor e com olhos banhados em lágrimas, disse, 'Ó matador de Madhu, é sabido por ti, ó tu de braços fortes, por quais meios fraudulentos, ó justo, o filho de Dhritarashtra com seus conselheiros roubou dos Pandavas, ó Janardana, sua felicidade. Tu sabes também, ó tu da tribo de Dasarha, que mensagem foi entregue privadamente para Sanjaya pelo rei. Tu também ouviste tudo o que foi dito para Sanjaya. Ó tu de grande esplendor, aquelas palavras foram estas mesmas, 'Que somente cinco aldeias sejam concedidas para nós, isto é, Avishthala, e Vrikasthala, e Makandi, e Varanavata, e como a quinta, qualquer outra.’ Ó tu de braços poderosos, ó Kesava, esta mesma era a mensagem que era para ser entregue para Duryodhana e seus conselheiros. Mas, ó Krishna, ó tu da raça de Dasarha, ouvindo aquelas palavras de Yudhishthira, dotado de modéstia e ansioso pela paz, Suyodhana não agiu de acordo com elas. Se, ó Krishna, Suyodhana deseja fazer as pazes sem entregar o reino, não há necessidade de ir lá para fazer semelhante paz. Os Pandavas com os Srinjayas, ó tu de armas poderosas, são bastante capazes de resistir à feroz hoste Dhritarashtra inflamada com fúria. Quando eles não são mais sensíveis a estas artes de conciliação, não é apropriado, ó matador de Madhu, que tu lhes mostre piedade. Aqueles inimigos, ó Krishna, com quem a paz não pode ser estabelecida por conciliação ou presentes devem ser tratados com severidade por alguém desejoso de salvar sua vida. Portanto, ó Achyuta de braços fortes, pesado deve ser o castigo que merece ser rapidamente infligido a eles por ti ajudado pelos Pandavas e os Srinjayas. De fato, isto mesmo ficaria bem para o filho de Pritha, e contribuiria para tua glória, e se realizado, ó Krishna, será uma fonte de grande felicidade para toda a classe Kshatriya. Aquele que é cobiçoso, se pertencente à classe Kshatriya ou alguma outra, salvo é claro um Brahmana, mesmo se mais pecaminoso, deve sem dúvida ser morto por um Kshatriya que é fiel aos deveres da sua própria classe. A exceção no caso de um Brahmana, ó senhor, é devido ao Brahmana ser o preceptor de todas as outras classes, como também o primeiro repartidor de tudo. Pessoas conhecedoras das escrituras declaram, ó Janardana, que se incorre em pecado por matar alguém que não merece ser morto. Assim há igual pecado em não matar alguém que merece ser morto. Aja, portanto, ó Krishna, de tal maneira com as forças armadas dos Pandavas e dos Srinjayas, que o pecado não possa te tocar. Por excesso de confiança em ti, ó Janardana, eu repetirei o que foi dito repetidas vezes. Que mulher semelhante a mim, ó Kesava, existe sobre a terra? Eu sou a filha do rei Drupada, surgida do altar sacrifical. Eu sou a irmã de Dhrishtadyumna, tua amiga querida, ó Krishna. Eu por casamento me tornei uma senhora da linhagem de Ajamida, a nora do ilustre Pandu. Eu sou a rainha dos filhos de Pandu, que parecem com cinco Indras em esplendor. Eu tenho, com estes cinco heróis, cinco filhos que são todos poderosos guerreiros em carros, e que são moralmente vinculados a ti, ó Krishna, como o próprio Abhimanyu. Sendo de tal maneira, ó Krishna, eu fui agarrada pelos cabelos, arrastada para a assembleia e insultada na própria vista dos filhos de Pandu e no teu tempo de vida. Ó Kesava, os filhos de Pandu, os Panchalas, e os Vrishnis estando todos vivos, exposta ao olhar da assembleia eu fui tratada como uma escrava por aqueles desgraçados pecaminosos. E quando os Pandavas vendo isso tudo ficaram silenciosos sem cederem à cólera, em meu coração eu te chamei, ó Govinda, dizendo, ‘Salve-me! Ó, salve-me!’ Então o rei ilustre Dhritarashtra, meu sogro, disse a mim, 'Peça algum benefício, ó princesa de Panchala. Tu mereces benefícios e até honra das minhas mãos.' Assim endereçada eu disse, 'Que os Pandavas sejam homens livres com seus carros e armas.' Após isto os Pandavas, ó Kesava, estavam livres mas somente para serem exilados nas florestas. Ó Janardana, tu conheces todas estas minhas tristezas. Salve-me, ó de olhos de lótus, com meus maridos, amigos, e parentes, desta angústia. Moralmente, ó Krishna, eu sou a nora de ambos, Bhishma e Dhritarashtra. Embora seja assim, eu, contudo fui feita uma escrava à força. Que vergonha para a perícia de Partha com o arco, oh, que vergonha para a força de Bhimasena já que Duryodhana, ó Krishna, vive mesmo por um momento. Se eu mereço algum favor das tuas mãos, se tu tens alguma compaixão por mim, que a tua ira, ó Krishna, seja dirigida para os filhos de Dhritarashtra.' "Vaisampayana continuou, 'Tendo dito isso, a bela Krishna de olhos que eram negros em cor e grandes como folhas de lótus, banhada em lágrimas, e andando como uma elefanta se aproximou de Krishna de olhos de lótus, e pegando com sua mão esquerda seus próprios cabelos belos de pontas encaracoladas, de cor azul profundo e perfumados com todos os perfumes, dotados de todos os sinais auspiciosos, e embora reunidos em uma trança, ainda macios e lustrosos como uma cobra poderosa, falou estas palavras, 'Ó tu de olhos de lótus que estás ansioso pela paz com o inimigo, tu deves, em todas as tuas ações, te lembrar destes meus cabelos agarrados pelas mãos rudes de Dussasana! Se Bhima e Arjuna, ó Krishna, se tornaram tão baixos a ponto de ansiar pela paz, meu pai idoso então com seus filhos guerreiros se vingarão por mim em batalha. Meus cinco filhos também que são dotados de grande energia, com Abhimanyu, ó matador de Madhu, em sua dianteira, lutarão com os Kauravas. Que paz esse meu coração pode conhecer a menos que eu veja o braço escuro de Dussasana cortado de seu tronco e triturado a átomos? Treze longos anos eu passei na expectativa de tempos melhores, escondendo em meu coração minha ira como um fogo queimando sem chama. E agora perfurada pelos dardos verbais de Bhima esse meu coração está prestes a se partir, pois Bhima de braços poderosos agora lança seu olhar em moralidade.’ Proferindo estas palavras com voz sufocada em lágrimas, Krishna de olhos grandes começou a chorar alto, com soluços convulsivos, e lágrimas se derramavam por suas bochechas. E aquela dama, com quadris cheios e redondos, começou a encharcar seu busto compacto e profundo com as lágrimas que ela derramava as quais eram quentes como fogo líquido. Kesava de braços poderosos então falou, consolando-a com estas palavras, 'Logo, ó Krishna, tu verás as damas da família de Bharata chorarem como tu choras. Elas mesmas, ó tímida, chorarão como tu, seus parentes e amigos estando mortos. Aqueles com quem, ó senhora, tu estás zangada, têm seus parentes e guerreiros já mortos. Com Bhima e Arjuna e os gêmeos, por ordem de Yudhishthira, e em conformidade com o destino e o que foi ordenado pelo Ordenador, eu realizarei tudo isto. Sua hora tendo chegado, os filhos de Dhritarashtra, se eles não escutarem minhas palavras, certamente jazerão sobre o solo transformados em bocados de cachorros e chacais. As montanhas de Himavat podem mudar sua localização, a própria Terra pode se partir em centenas de fragmentos, o próprio firmamento com suas miríades de estrelas pode cair, contudo minhas palavras nunca podem ser inúteis. Pare tuas lágrimas, eu te juro, ó Krishna, logo tu verás teus maridos, com seus inimigos mortos, e com prosperidade os coroando.'" 83 "Arjuna disse, 'Tu és agora, ó Kesava, o melhor amigo de todos os Kurus. Relacionado com ambos os partidos, tu és o amigo querido de ambos. Cabe a ti ocasionar paz entre os Pandavas e o filho de Dhritarashtra. Tu, ó Kesava, és competente e, portanto, cabe a ti causar uma reconciliação. Ó de olhos de lótus, procedendo daqui pela paz, ó matador de inimigos, diga para nosso irmão sempre colérico Suyodhana, o que, de fato, deve ser dito. Se o tolo Duryodhana não aceitar teus conselhos auspiciosos e benéficos repletos de virtude e lucro, ele sem dúvida então será a vítima de seu destino.' "O santo disse, 'Sim, eu irei até o rei Dhritarashtra, desejoso de realizar o que é consistente com retidão, o que pode ser benéfico para nós, e o que também é para o bem dos Kurus.'” "Vaisampayana continuou, 'A noite tendo passado, um sol brilhante se ergueu no leste. A hora chamada Maitra começou, e os raios do sol ainda eram suaves. O mês era (Kaumuda Kartika) sob a constelação Revati. Era a estação do orvalho, o Outono tinha passado. A terra estava coberta com colheitas abundantes por toda parte. Foi em tal época que Janardana, a principal das pessoas poderosas, no desfrute de saúde excelente, tendo ouvido as palavras auspiciosas, de som sagrado e gentis de Brahmanas gratificados, como o próprio Vasava ouvindo as adorações dos Rishis (celestes), e tendo também passado pelas ações costumeiras e ritos da manhã, se purificou com um banho, e enfeitou seu corpo com unguentos e ornamentos, e adorou o Sol e o Fogo. E tendo tocado o rabo de um touro e reverentemente se curvado aos Brahmanas, andado em volta do fogo sagrado, e lançado seus olhos nos (usuais) artigos auspiciosos colocados à vista, Janardana se lembrou da ordem de Yudhishthira e se dirigiu ao neto de Sini, Satyaki, sentado perto, dizendo, 'Que meu carro seja aprontado e que minha concha e disco junto com minha maça, e aljavas e dardos e todas as espécies de armas, ofensivas e defensivas, sejam colocadas sobre ele, pois Duryodhana e Karna e o filho de Suvala que são todos de almas perversas, e inimigos, embora desprezíveis, nunca devem ser desconsiderados nem por uma pessoa poderosa.’ Compreendendo os desejos de Kesava, o manejador do disco e da maça, seus servidores imediatamente se dirigiram para unir seu carro. E aquele carro parecia em refulgência com o fogo que se mostra na hora da dissolução universal, e ele mesmo em velocidade. E ele estava equipado com duas rodas que pareciam com o sol e a lua em brilho. E ele portava brasões de luas, crescentes e cheias, e de peixes, animais, e aves e estava adornado com guirlandas de diversas flores e com pérolas e pedras preciosas de várias espécies por toda parte. E dotado do esplendor do sol nascente, ele era grande e vistoso. E matizado com pedras preciosas e ouro, ele estava equipado com um excelente mastro de bandeira portando belas flâmulas. E bem abastecido com todos os artigos necessários, e incapaz de ser resistido pelo inimigo, ele estava coberto com peles de tigre, e capaz de roubar a fama de todo inimigo, ele aumentou a alegria dos Yadavas. E eles uniram a ele aqueles corcéis excelentes chamados Saivya e Sugriva e Meghapushpa e Valahaka, depois que estes tinham sido banhados e vestidos em arreios belos. E ressaltando a dignidade de Krishna ainda mais, Garuda, o senhor da criação emplumada, chegou e pousou no mastro de bandeira daquele carro que produzia um estrépito terrível. E Saurin então subiu naquele carro, alto como o topo do Meru, e produzindo um estrépito profundo e alto como o som do timbale ou das nuvens e que parecia com o carro celeste que segue de acordo com a vontade do passageiro. E levando Satyaki também sobre ele, aquele melhor dos seres masculinos partiu, enchendo a terra e o céu com o som das rodas de seu carro. E o céu ficou sem nuvens, e ventos auspiciosos começaram a soprar em volta, e a atmosfera livre de poeira se tornou pura. De fato, quando Vasudeva partiu, animais e aves auspiciosos, se movendo pelo lado direito, começaram a segui-lo, e garças e pavões e cisnes todos seguiram o matador de Madhu, proferindo gritos de bons presságios. O próprio fogo, alimentado com libações Homa em acompanhamento com Mantras, livres de fumaça resplandeceram alegremente, enviando suas chamas em direção à direita. E Vasishtha e Vamadeva, e Bhuridyumna e Gaya, e Kratha e Sukra e Kusika e Bhrigu, e outros Brahmarshis e Rishis celestes reunidos, todos ficaram no lado direito de Krishna, aquele encantador dos Yadavas, aquele irmão mais novo de Vasava. E assim reverenciado por aqueles e outros Rishis ilustres e homens santos, Krishna partiu para a residência dos Kurus. E enquanto Krishna estava procedendo, Yudhishthira, o filho de Kunti, o seguiu, como também Bhima e Arjuna e aqueles outros Pandavas, os gêmeos filhos de Madri. E os bravos Chekitana e Dhrishtaketu, o soberano dos Chedis, e Drupada e o rei de Kasi e aquele poderoso guerreiro em carro Sikhandin, e Dhrishtadyumna, e Virata com seus filhos, e os príncipes de Kekaya também, todos estes Kshatriyas seguiram aquele touro da linhagem Kshatriya para honrá-lo. E o rei ilustre Yudhishthira o justo, tendo seguido Govinda até alguma distância, dirigiu a ele algumas palavras na presença de todos aqueles reis. E o filho de Kunti abraçou aquela principal de todas as pessoas, que nunca, por desejo, ou raiva, ou medo, ou objetivo de lucro cometeu o menor mal, cuja mente era sempre constante, que era um estranho para a cobiça, que era familiarizado com moralidade e dotado de grande inteligência e sabedoria, que conhecia os corações de todas as criaturas e era o senhor de tudo, que era o Deus dos deuses, que era eterno, que era possuidor de todas as virtudes, e que portava a marca auspiciosa em seu peito. E o abraçando o rei começou a indicar o que ele deveria fazer.' "Yudhishthira disse, 'Aquela senhora que nos criou desde nossa infância; que está sempre engajada em ações e penitências ascéticas e ritos e cerimônias propiciatórias; que é devotada ao culto dos deuses e convidados; que está sempre empenhada em servir seus superiores, que é afeiçoada a seus filhos, tendo por eles uma afeição que não conhece limites; que, ó Janardana, é ternamente amada por nós; que, ó opressor de inimigos, repetidamente nos salvou das armadilhas de Suyodhana, como um navio salvando a tripulação de um barco naufragado dos terrores pavorosos do mar; e que, ó Madhava, embora não merecedora de aflição, tem por nossa causa suportado inúmeros sofrimentos, deve ser questionada sobre seu bem-estar. Saúde e abrace, e, oh, a console vezes sem conta, dominada pela angústia como ela está por causa de seus filhos por falares dos Pandavas. Desde seu casamento ela tem sido vítima, embora não merecedora, de tristezas e aflições devido à conduta de seu sogro, e sofrimento tem sido sua situação. Eu, ó Krishna, alguma vez verei o tempo quando, ó castigador de inimigos, minhas aflições estando terminadas, eu serei capaz para fazer minha triste mãe feliz? Na véspera do nosso exílio, por afeição por seus filhos, ela correu atrás de nós em angústia, chorando amargamente. Mas deixando-a para trás nós entramos nas florestas. A tristeza não necessariamente mata. É possível, portanto, que ela esteja viva, sendo hospitaleiramente entretida pelos Anartas, embora afligida com tristeza por causa de seus filhos. Ó Krishna glorioso, saúde ela por mim, o rei Kuru Dhritarashtra também, e todos aqueles monarcas que são superiores a nós em idade, e Bhishma, e Drona, e Kripa, e o rei Vahlika, e o filho de Drona e Somadatta, e de fato, todos da família Bharata, e também Vidura dotado de grande sabedoria, aquele conselheiro dos Kurus, de intelecto profundo e conhecimento íntimo de moralidade, devem todos, ó matador de Madhu, ser abraçados por ti!' Tendo na presença dos reis dito estas palavras para Kesava, Yudhishthira, com a permissão de Krishna, retornou tendo a princípio andado em volta dele. Então Arjuna, procedendo uns poucos passos, em seguida falou para seu amigo, aquele touro entre homens, aquele matador de heróis hostis, aquele guerreiro invencível da tribo de Dasarha, 'É conhecido por todos os reis, ó Govinda ilustre, que em nossa consulta foi decidido que nós deveríamos pedir o reino de volta. Se sem nos insultar, se te respeitando eles honestamente nos derem o que nós exigimos, então, ó de braços poderosos, eles me agradarão imensamente e escaparão de um perigo terrível. Se, no entanto, o filho de Dhritarashtra, que sempre adota meios impróprios, agir de outra maneira, então eu sem dúvida, ó Janardana, aniquilarei a raça Kshatriya.' "Vaisampayana continuou, 'Quando Arjuna disse estas palavras, Vrikodara ficou cheio de alegria. E aquele filho de Pandu tremia continuamente com raiva; e enquanto ainda tremia de raiva e com o deleite que encheu seu coração ao ouvir as palavras de Dhananjaya, ele deu um grito terrível. E ouvindo aquele seu grito, todos os arqueiros tremeram de medo e corcéis e elefantes foram vistos expelir urina e fezes. E tendo se dirigido a Kesava então e o informado de sua resolução, Arjuna retornou com a permissão de Janardana, tendo primeiro o abraçado. E depois que todos os reis tinham desistido de segui-lo, Janardana partiu com o coração alegre em seu carro puxado por Saivya, Sugriva, e outros. E aqueles corcéis de Vasudeva, incitados por Daruka, seguiram adiante, devorando o céu e bebendo a estrada. E em seu caminho Kesava de braços poderosos encontrou com alguns Rishis que resplandeciam com brilho Brâhmico, permanecendo em ambos os lados da estrada. E logo descendo de seu carro, Janardana os saudou reverentemente. E os reverenciando devidamente, ele os questionou, dizendo, 'Há paz em todo o mundo? A virtude está sendo devidamente praticada? E as outras três classes são obedientes aos Brahmanas?’ E tendo devidamente adorado eles, o matador de Madhu outra vez disse, 'Onde estiveram vocês coroados com êxito? Para onde vocês irão, e para que objetivo? O que também eu farei por vocês? O que trouxe suas pessoas ilustres para a terra?' Assim endereçado, o filho de Jamadagni, o amigo de Brahma, aquele senhor de deuses e Asuras, se aproximou de Govinda, o matador de Madhu, o abraçou, e disse, 'Os Rishis celestes de feitos pios, e Brahmanas de extenso conhecimento das escrituras, e sábios reais, ó Dasarha, e ascetas veneráveis, estas testemunhas, ó ilustre, das façanhas antigas de deuses e Asuras, estão desejosos de ver todos os Kshatriyas da terra reunidos de toda parte como também os conselheiros sentados na assembleia, os reis, e tu mesmo, a encarnação da verdade, ó Janardana. Ó Kesava, nós iremos para lá para contemplar aquela visão maravilhosa. Nós estamos também ansiosos, ó Madhava, para ouvir àquelas palavras repletas de virtude e lucro que serão faladas por ti, ó castigador de inimigos, para os Kurus na presença de todos os reis. De fato, Bhishma, e Drona, e outros, como também o ilustre Vidura e tu mesmo, ó tigre entre os Yadavas, vocês todos estarão reunidos juntos em conclave! Nós desejamos, ó Madhava, ouvir as palavras excelentes, sinceras, e benéficas que tu proferirás e eles também, ó Govinda. Tu estás agora informado do nosso propósito, ó tu de armas poderosas. Nós te encontraremos novamente. Vá para lá com segurança, ó herói. Nós esperamos te ver no meio do conclave, sentado em um assento excelente reunindo toda tua energia e poder.'" 84 "Vaisampayana disse, 'Ó batedor de inimigos, quando o filho de Devaki de armas poderosas partiu (para Hastinapura), dez poderosos guerreiros em carros, capazes de matar heróis hostis, completamente armados, seguiram em sua comitiva. E mil soldados de infantaria, e mil cavaleiros, e servidores às centenas também formavam sua comitiva, carregando, ó rei, provisões em abundância.' "Janamejaya disse, 'Como o matador ilustre de Madhu, da linhagem de Dasarha, procedeu em sua viagem? E que presságios foram vistos quando aquele herói partiu?' "Vaisampayana continuou, 'Ouça-me enquanto eu narro todos aqueles presságios naturais e antinaturais que foram observados no momento quando o ilustre Krishna partiu (para Hastinapura). Embora não houvesse nuvens no céu, ainda assim o ribombar do trovão acompanhado por luzes de relâmpago foi ouvido. E nuvens fofas em um céu limpo derramavam chuva incessantemente na retaguarda! Os sete grandes rios incluindo o Sindhu (Indus) embora fluíssem para o leste então fluíram em direções opostas. As próprias direções pareciam estar invertidas e nada podia ser distinguido. Fogos resplandeceram em todos os lugares, ó monarca, e a terra tremeu repetidamente. Os conteúdos de poços e recipientes de água às centenas se elevaram e transbordaram. O universo inteiro estava envolvido em escuridão. A atmosfera estando cheia de pó, nem os pontos cardeais nem os pontos secundários do horizonte podiam, ó rei, ser distinguidos. Altos rugidos eram ouvidos no céu sem ser visível algum ser de quem eles poderiam emanar. Este fenômeno extraordinário, ó rei, por percebido por todo o país. Um vento do sudoeste, com o estrépito dissonante do trovão, arrancando árvores às milhares, oprimiu a cidade de Hastinapura. Naqueles lugares, no entanto, ó Bharata, pelos quais ele da linhagem Vrishni passou, brisas deliciosas sopraram e tudo se tornou auspicioso. Chuvas de lotos e flores fragrantes caíram lá. A própria estrada se tornou encantadora, estando livre de grama espinhenta e espinhos. Naqueles locais onde ele ficou, Brahmanas aos milhares glorificaram aquele doador de riqueza com (louvação) e o reverenciaram com pratos de coalhos, ghee, mel, e presentes de riqueza. As próprias mulheres, saindo na estrada, derramaram flores selvagens de grande fragrância sobre a pessoa daquele herói ilustre, dedicado ao bem-estar de todas as criaturas. Ele então chegou em um local encantador chamado Salibhavana que estava cheio de todos os tipos de colheitas, um local que era delicioso e sagrado, depois de ter, ó touro da raça Bharata, visto várias aldeias abundando em abelhas, e pitorescas para a visão, e deleitáveis para o coração, e depois de ter passado por diversas cidades e reinos. Sempre alegres e de bom ânimo, bem protegidos pelos Bharatas e, portanto livres de todas as ansiedades por conta dos projetos de invasores, e não familiarizados com calamidades de qualquer tipo, muitos dos cidadãos de Upaplavya, saindo de sua cidade, permaneceram juntos no caminho, desejosos de ver Krishna. E vendo aquele ilustre parecido com um fogo ardente chegando ao local, eles reverenciaram a ele que merecia seu culto com todas as honras de um convidado chegado em sua residência. Quando finalmente aquele matador de heróis hostis, Kesava, chegou a Vrikasthala, o sol parecia avermelhar o céu com seus esparsos raios de luz. Descendo de seu carro, ele devidamente passou pelos ritos purificatórios usuais, e ordenando que os corcéis fossem desarreados, ele se pôs a dizer suas orações noturnas. E Daruka também, libertando os corcéis, cuidou deles segundo as regras da ciência equina, e tirando os jugos e tirantes, deixou-os soltos. Depois que isto estava feito, o matador de Madhu disse, ‘Nós devemos passar a noite aqui por causa da missão de Yudhishthira.’ Averiguando que aquela era sua intenção, os servidores logo fixaram uma residência temporária e prepararam em um instante comida e bebida excelentes. Entre os Brahmanas, ó rei, que residiam na vila, aqueles que eram de descendência nobre e elevada, modestos, e obedientes às injunções dos Vedas em sua conduta se aproximaram daquele castigador ilustre de inimigos, Hrishikesa, e o honraram com suas bênçãos e palavras auspiciosas. E tendo honrado a ele da linhagem de Dasarha que merecia honra de todos, eles colocaram à disposição daquela pessoa ilustre suas casas, abundando em riqueza. Dizendo para eles 'Basta!', o ilustre Krishna lhes prestou homenagem apropriada, cada um segundo sua posição, e se dirigindo com eles para suas casas, ele voltou em sua companhia para sua própria (tenda). E alimentando todos os Brahmanas com doces e ele mesmo tomando suas refeições com eles, Kesava passou a noite alegremente lá.'" "Vaisampayana disse, 'Enquanto isso, sendo informado por seus espiões de que o matador de Madhu tinha partido, Dhritarashtra, com seu cabelo em pé, se dirigindo respeitosamente aos poderosamente armados Bhishma e Drona e Sanjaya e ao ilustre Vidura, disse estas palavras para Duryodhana e seus conselheiros, 'Ó filho da linhagem de Kuru, estranhas e maravilhosas são as notícias que nós ouvimos. Homens, mulheres e crianças estão falando disto. Outros estão falando disto respeitosamente, e outros além disso se reuniram. Dentro de casas onde homens se congregam e em locais abertos, as pessoas estão discutindo isto. Todos dizem que Dasarha de grande destreza virá para cá por causa dos Pandavas. O matador de Madhu é, sem dúvida, digno de honra e adoração em nossas mãos. Ele é o Senhor de todas as criaturas, e nele se apóia o progresso de tudo no universo. De fato, inteligência e destreza e sabedoria e energia, todos residem em Madhava. Digno de respeito nas mãos de todas as pessoas virtuosas ele é o principal de todos os homens, e é, de fato, Virtude eterna. Se reverenciado sem dúvida ele concederá felicidade; e se não reverenciado ele sem dúvida infligirá miséria. Se aquele batedor de inimigos, Dasarha, ficar satisfeito com nossas oferendas, todos os nossos desejos podem ser obtidos por nós, por sua graça, no meio dos reis. Ó castigador de inimigos, faça sem perda de tempo todos os arranjos para sua recepção. Que pavilhões sejam fixados na estrada, providos de todos os objetos de prazer. Ó filho de braços fortes de Gandhari, faça tais arranjos para que ele possa ficar gratificado contigo. O que Bhishma pensa sobre esta questão?' Nisto, Bhishma e outros, todos aplaudindo aquelas palavras do rei Dhritarashtra, disseram, 'Excelente!' O rei Duryodhana então, compreendendo seus desejos, ordenou que terrenos encantadores fossem escolhidos para a construção de pavilhões. Muitos pavilhões foram então construídos ricos em pedras preciosas de todas as espécies, em intervalos apropriados e em lugares agradáveis. E o rei enviou para lá belos assentos dotados de qualidades excelentes, moças belas, e perfumes e ornamentos, e mantos finos, e iguarias excelentes, e bebidas de qualidades diversas, e guirlandas fragrantes de muitos tipos. E o rei dos Kurus tomou cuidado especial em erigir, para a recepção de Krishna, um pavilhão muito belo em Vrikasthala, cheio de pedras preciosas. E tendo feito todos estes arranjos que eram divinos e muito acima da capacidade de seres humanos, o rei Duryodhana informou Dhritarashtra do mesmo. Kesava, no entanto, da tribo de Dasarha, chegou à capital dos Kurus sem lançar um único olhar para todos aqueles pavilhões e todas aquelas pedras preciosas de diversos tipos.'" 86 "Dhritarashtra disse, 'Ó Vidura, Janardana partiu de Upaplavya. Ele está agora em Vrikasthala e virá para cá amanhã. Janardana é o líder dos Ahukas, a pessoa mais importante entre todos os membros da linhagem Sattwata, é de grande alma, e dotado de grande energia e grande poder. De fato, Madhava é o guardião e protetor do reino próspero dos Vrishnis e é o ilustre Avô grandioso dos três mundos. Os Vrishnis adoram a sabedoria do inteligente Krishna, assim como os Adityas, os Vasus, e os Rudras adoram a sabedoria de Vrihaspati. Ó virtuoso, eu oferecerei, na tua presença, culto àquele descendente ilustre da linhagem de Dasarha. Ouça-me acerca daquele culto. Eu darei a ele dezesseis carros feitos de ouro, cada um puxado por quatro corcéis excelentes e bem enfeitados de cor uniforme e da raça Vahlika. Ó Kaurava, eu darei a ele oito elefantes com suco temporal sempre escorrendo e presas tão grandes quanto estacas de arado, capazes de prostrar tropas hostis, e cada um tendo oito servidores humanos. Eu darei a ele uma centena de belas criadas da cor do ouro, todas virgens, e darei a ele o mesmo número de criados homens. Eu darei a ele dezoito mil cobertores de lã macios ao toque, todos oferecidos para nós pelos homens das colinas. Eu também darei a ele mil peles de veado trazidas de China e outras coisas do tipo que sejam dignas de Kesava. Eu também darei a ele esta pedra preciosa clara dos raios mais puros que brilha dia e noite, pois somente Kesava a merece. Este meu carro puxado por mulas que faz um circuito de catorze yojanas completas por dia eu também darei a ele. Eu colocarei diante dele provisões diárias oito vezes maiores do que o que é necessário para os animais e servidores que formam sua comitiva. Em seus carros, tendo seus corpos bem enfeitados, todos os meus filhos e netos, exceto Duryodhana, sairão para recebê-lo. E milhares de dançarinas graciosas e bem enfeitadas sairão a pé para receber o ilustre Kesava. E as belas moças que sairão da cidade para receber Janardana sairão sem véu. Que todos os cidadãos com suas esposas e filhos vejam o matador ilustre de Madhu com tanto respeito e devoção como eles mostram quando lançam seus olhos no sol da manhã. Que o céu por toda parte, por minha ordem, seja apinhado com flâmulas e estandartes, e que a estrada, pela qual Kesava virá, seja bem regada e suas poeiras removidas. Que a residência de Dussasana, a qual é melhor do que a de Duryodhana, seja limpa e bem adornada sem demora. Aquela mansão consistindo em muitas construções belas é agradável e encantadora, e está cheia com a abundância de todas as estações. É naquela residência que toda a minha riqueza, como também a de Duryodhana, está depositada. Que tudo o que aquele descendente da linhagem Vrishni merece seja dado a ele.'" 87 "Vidura disse, 'Ó monarca, ó melhor dos homens, tu és respeitado pelos três mundos. Tu, ó Bharata, és amado e respeitado por todos. Venerável em idade como tu és, o que tu dirás nesta idade nunca pode ser contra os ditames das escrituras ou as conclusões da razão bem direcionada, pois tua mente é sempre calma. Teus súditos, ó rei, estão bem assegurados de que, como caracteres na pedra, luz no sol, e vagalhões no oceano, a virtude reside em ti permanentemente. Ó monarca, todos são honrados e felizes por tuas virtudes numerosas. Esforce-te, portanto, com teus amigos e parentes para manter aquelas tuas virtudes. Oh, adote sinceridade de comportamento. Por insensatez, não cause uma destruição indiscriminada dos teus filhos, netos, amigos, parentes, e todos os que são caros para ti. É muito, ó rei, o que tu desejas dar para Kesava como teu convidado. Saiba, no entanto, que Kesava merece tudo isto e muito mais, sim, a própria terra inteira. Eu realmente juro por minha própria alma que tu não desejas dar tudo isso para Krishna por motivos de virtude ou para o objetivo de fazer o que é agradável para ele. Ó doador de grande riqueza, tudo isto evidencia somente fraude, mentira, e insinceridade. Pelas ações externas, ó rei, eu conheço o teu propósito secreto. Os cinco Pandavas, ó rei, desejam somente cinco aldeias. Tu, no entanto, não desejas lhes dar nem isso. Tu estás, portanto, relutante em fazer as pazes. Tu procuras fazer o poderosamente armado herói da raça Vrishni teu por meio da tua riqueza; de fato, por estes meios, tu procuras separar Kesava dos Pandavas. Eu te digo, no entanto, tu és incapaz, por riqueza, ou atenção, ou culto, de separar Krishna de Dhananjaya. Eu conheço a magnanimidade de Krishna; eu conheço a firme devoção de Arjuna por ele, eu sei que Dhananjaya, que é a vida de Kesava, é incapaz de ser abandonado pelo último. Salvo somente um recipiente de água, salvo somente a lavação de seus pés, salvo somente as perguntas (usuais) pelo bem-estar (daqueles que ele verá), Janardana não aceitará alguma outra hospitalidade ou fixará seus olhos em alguma outra coisa. Ofereça a ele, no entanto, ó rei, aquela hospitalidade que é a mais agradável para aquele ilustre merecedor de todo o respeito, pois não há respeito que não possa ser oferecido para Janardana. Dê para Kesava, ó rei, aquele objetivo na expectativa do qual, pelo desejo de beneficiar ambos os partidos, ele vem aos Kurus. Kesava deseja que a paz seja estabelecida entre ti e Duryodhana de um lado e os Pandavas no outro. Siga seus conselhos, ó monarca. Tu és pai deles, ó rei, e os Pandavas são teus filhos. Tu és idoso, e eles são crianças para ti em idade, te comporte como pai em direção a eles que estão dispostos a te prestar respeito filial." 88 "Duryodhana disse, 'Tudo o que Vidura disse acerca de Krishna, de fato, foi dito verdadeiramente; pois Janardana é imensamente dedicado aos Pandavas e nunca pode ser separado deles. Todas as diversas espécies de riqueza, ó principal dos reis, que foram propostas para serem concedidas para Janardana nunca devem ser concedidas a ele. Kesava não é, naturalmente, indigno do nosso culto, mas hora e lugar estão contra isto, pois ele (Krishna), ó rei, ao receber nosso culto, muito provavelmente pensará que nós o estamos reverenciando por medo. É minha convicção certa, ó rei, que um Kshatriya inteligente não deve fazer aquilo que possa trazer ignomínia sobre ele. É bem sabido por mim que Krishna de olhos grandes merece o culto mais reverente dos três mundos. É completamente fora de propósito, portanto, ó rei ilustre, dar a ele alguma coisa agora, pois a guerra tendo sido decidida, ela nunca deve ser protelada por hospitalidade.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras dele, o Avô dos Kurus falou estas palavras para o filho real de Vichitravirya, 'Adorado ou não adorado, Janardana nunca fica zangado. Ninguém, no entanto, pode tratá-lo com desrespeito, pois Kesava não é desprezível. Qualquer coisa, ó poderoso, que ele tencione fazer é incapaz de ser frustrada por alguém por todos meios em seu poder. Faça sem hesitação o que Krishna de braços poderosos disser e faça as pazes com os Pandavas através de Vasudeva. Realmente Janardana, possuidor de alma virtuosa, dirá o que é consistente com religião e lucro. Cabe a ti, portanto, com todos os teus amigos, dizer somente o que é agradável para ele.' "Duryodhana disse, 'Ó avô, eu não posso, de nenhuma maneira, viver por dividir esta minha grande prosperidade com os Pandavas. Ouça, esta, de fato, é uma grande decisão que eu tomei: eu prenderei Janardana que é o refúgio dos Pandavas. Ele virá para cá amanhã de manhã; e quando ele estiver preso, os Vrishnis e os Pandavas, sim, a terra inteira, se submeterá a mim. Quais são os meios para realizar isto, para que Janardana não possa adivinhar nossa intenção, e para que nenhum perigo também possa nos alcançar, cabe a ti dizer.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras terríveis de seu filho sobre encarcerar Krishna, Dhritarashtra, com todos os seus conselheiros, estava muito atormentado e ficou profundamente aflito. O rei Dhritarashtra então falou estas palavras para Duryodhana, 'Ó soberano de homens, nunca diga isto novamente, este não é o costume imemorial. Hrishikesa vem aqui como um embaixador. Ele é, além disso, parente e é querido para nós. Ele não nos fez mal; como então ele merece a prisão?' "Bhishma disse, 'Este teu filho perverso, ó Dhritarashtra, tem sua hora chegada. Ele escolhe o mal, não o bem, embora rogado por seus benquerentes. Tu também segues na esteira deste canalha mau de circundantes pecaminosos, que trilha um caminho espinhoso desprezando as palavras de seus simpatizantes. Este teu filho extremamente mau, com todos os seus conselheiros, entrando em contato com Krishna de atos imaculados, será destruído num momento. Eu ouso não escutar as palavras deste patife pecaminoso e perverso que abandonou toda a virtude.' 'Tendo dito isso, aquele chefe idoso da família Bharata, Bhishma de bravura imbatível, inflamado com raiva se levantou e deixou aquele local.'" 89 "Vaisampayana disse, 'Levantando-se (de sua cama) na alvorada, Krishna praticou seus ritos matinais, e se despedindo dos Bharatas, partiu para a cidade (dos Kurus). E todos os habitantes de Vrikasthala, se despedindo daquele poderoso de braços longos quando ele estava prestes a partir, voltaram todos para suas casas. E todos os Dhartarashtras exceto Duryodhana, vestidos em mantos excelentes, e com Bhishma, Drona, Kripa, e outros, saíram para encontrar com ele. E os cidadãos aos milhares, ó rei, em carros de diversos tipos, e muitos a pé também saíram, desejosos de ver Hrishikesa. E encontrando no caminho Bhishma de feitos sem mácula, e Drona, e os filhos de Dhritarashtra, ele entrou na cidade, cercado por eles todos. E em honra de Krishna a cidade estava belamente adornada, e as principais ruas estavam enfeitadas com diversas jóias e pedras preciosas. E, ó rei, ó touro da raça Bharata, naquela ocasião ninguém, homem, mulher, ou criança, permaneceu dentro de casa, tão ávidos estavam os cidadãos para ver Vasudeva. E todos os cidadãos saíram e se alinharam nas ruas e inclinaram suas cabeças até o solo cantando louvores em sua honra, ó rei, quando Hrishikesa entrou na cidade e passou por ela. E mansões abastadas, cheias de damas de nascimento nobre, pareciam estar prestes a cair ao chão por causa de seu peso vivo. E embora os corcéis de Vasudeva fossem dotados de grande velocidade eles se moveram muito lentamente através daquela massa densa de seres humanos. E ele de olhos de lótus, opressor de inimigos, então entrou no palácio de Dhritarashtra de cor cinza que era enriquecido com construções numerosas. E tendo passado pelos primeiros três aposentos do palácio, aquele castigador de inimigos, Kesava, se aproximou do filho real de Vichitravirya. E quando aquele filho da linhagem de Dasarha se aproximou de sua presença, o monarca cego de grande renome se levantou junto com Drona e Bhishma, Kripa e Somadatta, e o rei Vahlika também, todos ficaram de pé para honrar Janardana. E o herói Vrishni, tendo se aproximado do rei Dhritarashtra de grande fama, reverenciou a ele e Bhishma com palavras apropriadas e sem perder tempo. E tendo oferecido aquele culto a ele segundo o costume estabelecido, Madhava, o matador de Madhu, saudou os outros reis segundo sua superioridade em idade. E Janardana então abordou o ilustre Drona e seu filho, e Vahlika, e Kripa, e Somadatta. E lá naquela câmara estava colocado um assento espaçoso de belo acabamento, feito de ouro e adornado com jóias. E a pedido de Dhritarashtra, Achyuta tomou aquele assento; e os sacerdotes de Dhritarashtra devidamente ofereceram a Janardana uma vaca, mel e coalhos e água. E depois que os ritos de hospitalidade estavam terminados, Govinda permaneceu lá por um tempo, circundado pelos Kurus, rindo e gracejando com eles segundo seu relacionamento com ele. E aquele opressor ilustre de inimigos, honrado e adorado por Dhritarashtra, saiu com a permissão do rei. E Madhava tendo devidamente saudado todos os Kurus em sua assembleia, então foi à encantadora residência de Vidura; e Vidura, tendo se aproximado de Janardana da linhagem de Dasarha assim chegado em sua residência, o adorou com todas as oferendas auspiciosas e desejáveis. E ele disse, 'Qual a necessidade, ó de olhos de lótus, de te falar da alegria que eu sinto nesta tua chegada? Pois tu és a Alma interna de todas as criaturas incorporadas.' E depois que a recepção hospitaleira estava terminada, Vidura, familiarizado com todos os princípios de moralidade, questionou Govinda, o matador de Madhu, acerca do bem-estar dos Pandavas. E aquele descendente da linhagem de Dasarha, aquele chefe dos Vrishnis, para quem o passado e o futuro eram como o presente, sabendo que Vidura era amado pelos Pandavas e amigável em direção a eles, e erudito, e firme em moralidade, e honesto, e que não nutria cólera (contra os Pandavas), e sábio, começou a dizer a ele tudo em detalhes sobre os procedimentos dos filhos de Pandu.'" 90 "Vaisampayana disse, 'Janardana, o castigador de inimigos, depois de seu encontro com Vidura, foi então à tarde até sua tia paterna, Pritha. E vendo Krishna cujo semblante brilhava com a refulgência do sol radiante chegar à sua residência, ela envolveu o pescoço dele com seus braços e começou a emitir suas lamentações recordando seus filhos. E à visão, depois de muito tempo, de Govinda da tribo de Vrishni, o companheiro daqueles filhos poderosos dela, as lágrimas de Pritha fluíram rápido. E depois que Krishna, aquele principal dos guerreiros, tinha tomado seu assento tendo primeiro recebido os ritos de hospitalidade, Pritha, com rosto abatido e voz sufocada com lágrimas se dirigiu a ele, dizendo, ‘Eles que, desde seus primeiros anos sempre serviram seus superiores com reverência; eles que em amizade têm afeição um pelo outro; eles, que, privados fraudulentamente de seu reino foram para reclusão, embora dignos de viver no meio de amigos e servidores, eles, que tendo subjugado ira e alegria são devotados a Brahman, e sinceros em palavras, aqueles meus filhos que, abandonando reino e alegria e deixando minha pessoa miserável para trás, foram para as florestas, arrancando as próprias raízes do meu coração, aqueles filhos ilustres de Pandu, ó Kesava, que têm suportado aflições embora não merecedores disso, como, ai, eles viveram na floresta profunda cheia de leões e tigres e elefantes? Privados em sua infância de seu pai, eles foram todos afetuosamente criados por mim. Como, também, eles viveram na floresta imensa, sem ver ambos os seus pais? Desde sua infância, ó Kesava, os Pandavas eram despertados de suas camas pela música de conchas e baterias e flautas. Que eles que enquanto em casa costumavam dormir em grandes câmaras suntuosas em cobertores macios e peles de veado Ranku, e eram levantados de manhã pelo grunhido de elefantes, o relincho de corcéis, o ruído de rodas de carros e a música de conchas e pratos em acompanhamento com as notas de flautas e liras, que, adorados de manhã cedo com hinos de sons sagrados proferidos por Brahmanas, reverenciavam aqueles entre eles que mereciam tal culto com mantos e jóias e ornamentos, e que eram abençoados com as bênçãos auspiciosas daqueles membros ilustres da classe regenerada, como um retorno pela homenagem que os últimos recebiam, que eles, ó Janardana, pudessem dormir nas florestas profundas ressoando com os gritos agudos e dissonantes de animais predadores mal pode ser acreditado, não merecedores como eles eram de tanta miséria. Como poderiam eles, ó matador de Madhu, que eram despertados de seus leitos pela música de pratos e baterias e conchas e flautas, com os acordes melíferos de cantoras e os louvores cantados por bardos e narradores profissionais, ai, como eles podiam ser despertados nas florestas profundas pelos gritos de bestas selvagens? Ele que é dotado de modéstia, é firme na verdade, com sentidos sob controle e compaixão por todas as criaturas, ele que subjugou luxúria e malícia e sempre trilha o caminho dos justos, ele que habilmente carregou a responsabilidade pesada carregada por Amvarisha e Mandhatri, Yayati e Nahusha e Bharata e Dilip e Sivi o filho de Usinara e outros sábios reais de antigamente, ele que é dotado de um caráter e disposição excelentes, ele que está familiarizado com a virtude, e cuja destreza é incapaz de ser frustrada, ele que é digno de se tornar o monarca dos três mundos por sua posse de todas as habilidades, que é o principal de todos os Kurus legitimamente e em relação à erudição e disposição, que é bonito e de braços fortes e que não tem inimigos, oh, como está aquele Yudhishthira de alma virtuosa, e de cor semelhante àquela do ouro puro? Ele que tem a força de dez mil elefantes e a velocidade do vento, ele que é poderoso e sempre colérico entre os filhos de Pandu, ele que sempre faz bem para seus irmãos e é, portanto, querido para eles todos, ele, ó matador de Madhu, que matou Kichaka com todos os seus parentes, ele que é o matador dos Krodhavasas, de Hidimva, e de Vaka, ele que em destreza é igual a Sakra, e em poder ao Deus do vento, ele que é terrível, e em cólera igual ao próprio Madhava, ele que é o principal de todos os batedores, aquele colérico filho de Pandu e castigador de inimigos, que, reprimindo sua raiva, poder, impaciência, e controlando sua alma, é obediente às ordens de seu irmão mais velho, fale para mim, ó Janardana, diga-me como está aquele batedor de coragem imensurável, aquele Bhimasena, que em aspecto também justifica seu nome, aquele Vrikodara possuindo braços como maças, aquele segundo filho poderoso de Pandu? Ó Krishna, aquele Arjuna de dois braços que sempre se considera superior ao seu xará de antigamente de mil braços, e que em uma esticada dispara quinhentas flechas, aquele filho de Pandu que no uso de armas é igual ao rei Kartavirya, em energia a Aditya, em restrição dos sentidos a um grande sábio, em perdão à Terra, e em destreza ao próprio Indra, ele, por cuja bravura, ó matador de Madhu, os Kurus entre todos os reis da terra obtiveram este império extenso, brilhando com refulgência, ele cuja força de braços é sempre adorada pelos Pandavas, aquele filho de Pandu que é o principal de todos os guerreiros em carros e cuja destreza é incapaz de ser frustrada, ele, de um confronto com quem em batalha nenhum inimigo alguma vez escapou com vida, ele, ó Achyuta, que é o conquistador de todos, mas que é incapaz de ser conquistado por alguém, ele que é o refúgio dos Pandavas como Vasava dos celestiais, como, ó Kesava, está aquele Dhananjaya agora, aquele teu irmão e amigo? Ele que é compassivo para todas as criaturas, é dotado de modéstia e conhecedor de armas poderosas, é gentil e delicado e virtuoso, ele que é querido para mim, aquele arqueiro poderoso Sahadeva, aquele herói e ornamento de assembléias, ele, ó Krishna, que é jovem em idade, é dedicado ao serviço de seus irmãos, e é familiarizado com virtude e lucro, cujos irmãos, ó matador de Madhu, sempre elogiam a disposição daquele meu filho bem educado e de grande alma, fale-me, ó tu da tribo Vrishni, daquele heróico Sahadeva, aquele principal dos guerreiros, aquele filho de Madri, que sempre serve submissamente seus irmãos mais velhos e a mim tão reverentemente. Ele que é delicado e jovem em idade, ele que é corajoso e bonito pessoalmente, aquele filho de Pandu que é querido para seus irmãos como também para todos, e que, de fato, é sua própria vida embora andando com um corpo separado, ele que é familiarizado com vários modos de combate, ele que é dotado de grande força e é um arqueiro poderoso, fale-me, ó Krishna, se aquele meu filho querido, Nakula, que foi criado no luxo, está agora bem em corpo e mente? Ó tu de armas poderosas, eu alguma vez verei de novo meu Nakula, aquele poderoso guerreiro em carro, aquele jovem delicado criado em todo luxo e não merecedor de infortúnio? Veja, ó herói, eu estou viva hoje, eu mesma, que não podia conhecer paz por perder Nakula de vista pelo curto espaço de tempo tomado por um piscar de olhos. Mais do que todos os meus filhos, ó Janardana, a filha de Drupada é querida para mim. De nascimento nobre e possuidora de grande beleza, ela é dotada de todas as habilidades. Sincera em palavras, ela escolheu a companhia de seus maridos, abandonando aquela de seus filhos. De fato, deixando seus filhos queridos para trás, ela seguiu os filhos de Pandu. Servida antigamente por uma grande comitiva de empregados, e adorada por seus maridos com todos os objetos de prazer, possuidora de todos os sinais e talentos auspiciosos, como, ó Achyuta, está aquela Draupadi agora? Tendo cinco maridos heróicos que são todos batedores de inimigos e todos arqueiros poderosos, cada um igual a Agni em energia, ai, o infortúnio contudo foi a sina da filha de Drupada. Eu não vi, por catorze longos anos, ó castigador de inimigos, a princesa de Panchala, aquela minha nora que tem sido uma vítima constante de ansiedade por conta de seus filhos, a quem ela não viu por aquele período. Quando a filha de Drupada dotada de semelhante disposição não desfruta de felicidade ininterrupta, parece, ó Govinda, que a felicidade que alguém desfruta nunca é o resultado de suas ações. Quando eu me lembro que Draupadi foi arrastada à força para a assembleia, então nem Vibhatsu nem Yudhishthira, nem Bhima, nem Nakula, nem Sahadeva se tornam um objeto de afeto para mim. Nunca antes uma dor mais pesada foi minha do que a que trespassou meu coração quando aquele canalha Dussasana, movido por cólera e cobiça, arrastou Draupadi, naquele momento em suas regras, e, portanto vestida em uma única peça de roupa, à presença de seu sogro na assembleia e a expôs ao olhar de todos os Kurus. É sabido que entre aqueles que estavam presentes, o rei Vahlika, Kripa, Somadatta, foram tomados pela angústia por causa dessa visão, mas de todos os presentes naquela assembleia, é Vidura a quem eu venero. Nem por erudição nem por riqueza uma pessoa se torna digna de homenagem. É somente por disposição que alguém se torna respeitável. Ó Krishna, dotado de grande inteligência e sabedoria profunda, o caráter do ilustre Vidura, como um ornamento (que ele usa) enfeita o mundo inteiro.' "Vaisampayana continuou, 'Cheia de alegria pela chegada de Govinda, e afligida pela tristeza (por causa de seus filhos), Pritha deu expressão a todas as suas diversas angústias. E ela disse, 'Pode o jogo e a matança de veados, que, ó castigador de inimigos, ocuparam todos os reis maus de antigamente, ser uma ocupação agradável para os Pandavas? O pensamento consome, ó Kesava, que sendo arrastada à presença de todos os Kurus em sua assembleia pelos filhos de Dhritarashtra, insultos piores do que a morte foram feitos à Krishna. Ó castigador de inimigos, o banimento dos meus filhos de sua capital e suas vagueações na selva, estas e outras várias angústias, ó Janardana, têm sido minhas. Nada poderia ser mais doloroso para mim ou para meus próprios filhos, ó Madhava, do que eles terem que passar um período escondidos, fechados na casa de um estranho. Catorze anos completos se passaram desde o dia quando Duryodhana primeiro exilou meus filhos. Se a tristeza é destrutiva dos resultados de pecados, e felicidade é dependente dos resultados do mérito religioso, então parece que a felicidade ainda pode ser nossa depois de tanta tristeza. Eu nunca fiz alguma distinção entre os filhos de Dhritarashtra e os meus (no que diz respeito à afeição materna). Por esta verdade, ó Krishna, eu certamente te verei junto com os Pandavas sair com segurança do conflito atual com seus inimigos mortos, e o reino recuperado por eles. Os próprios Pandavas cumpriram sua promessa com tal veracidade aderindo ao Dharma que eles não podem ser derrotados por seus inimigos. Na questão das minhas tristezas atuais, no entanto, eu não culpo nem eu mesmo nem Suyodhana, mas somente meu pai. Como um homem rico dando uma soma de dinheiro de presente, meu pai me deu para Kuntibhoja. Enquanto eu era uma criança brincando com uma bola em minhas mãos, teu avô, ó Kesava, me deu para seu amigo, o ilustre Kuntibhoja. Abandonada, ó castigador de inimigos, por meu próprio pai, e meu sogro, e afligida por desgraças insuportáveis, que necessidade, ó Madhava, há de eu estar viva? Na noite do nascimento de Savyasachin, no quarto de resguardo, uma voz invisível me disse, 'Este teu filho conquistará o mundo inteiro, e sua fama alcançará os próprios céus. Matando os Kurus em uma grande batalha e recuperando o reino, teu filho Dhanajaya, com seus irmãos, realizará três sacrifícios formidáveis.' Eu não duvido da verdade daquele anúncio. Eu reverencio Dharma que sustém a criação. Se Dharma não for um mito, então, ó Krishna, tu sem dúvida realizarás tudo o que a voz invisível disse. Nem a perda de meu marido, ó Madhava, nem perda de riqueza, nem nossa hostilidade com os Kurus alguma vez infligiu tais dores dilacerantes em mim como esta separação de meus filhos. Que paz meu coração pode conhecer quando eu não vejo diante de mim aquele manejador do Gandiva, Dhananjaya, aquele principal de todos os portadores de armas? Eu não tenho visto, por catorze anos, ó Govinda, Yudhishthira, e Dhananjaya, e Vrikodara. Homens realizam os funerais daqueles que estão perdidos por muito tempo, tomando-os como mortos. Praticamente, ó Janardana, meus filhos estão todos mortos para mim e eu estou morta para eles. Diga para o virtuoso rei Yudhishthira, ó Madhava, que ‘Tua virtude, ó filho, está diminuindo diariamente. Aja, portanto, de tal maneira que teu mérito religioso não possa diminuir.’ Vergonha para aqueles que vivem, ó Janardana, por dependência de outros. Até a morte é melhor do que um sustento obtido por meio de baixeza. Tu deves também dizer para Dhananjaya e para o sempre preparado Vrikodara que ‘Chegou a hora para aquele acontecimento em virtude do qual uma mulher Kshatriya cria um filho. Se vocês permitirem que o tempo passe sem terem realizado alguma coisa, então, embora no momento vocês sejam respeitados por todo o mundo, vocês estarão somente fazendo o que será considerado como desprezível. E se o desprezo tocar vocês, eu abandonarei vocês para sempre. Quando chega a hora, até a vida, que é tão preciosa, deve ser sacrificada.’ Ó principal dos homens, tu deves também dizer para os filhos de Madri que são sempre dedicados aos costumes Kshatriya, ‘Mais do que a própria vida, se esforcem para obter aqueles objetos de prazer obteníveis por meio de bravura, já que somente objetos ganhados por bravura podem satisfazer o coração de uma pessoa desejosa de viver segundo os costumes Kshatriya.’ Dirigindo-te para lá, ó poderosamente armado, diga para aquele principal de todos os manejadores de armas, Arjuna o heróico filho de Pandu, ‘Trilhe o caminho que for indicado para ti por Draupadi.’ É sabido por ti, ó Kesava, que quando excitados pela raiva, Bhima e Arjuna, cada um como o próprio Destruidor universal, podem matar os próprios deuses. Aquele foi um grande insulto oferecido a eles, isto é, que sua esposa Krishna sendo arrastada para assembleia tenha sido endereçada em tais termos humilhantes por Dussasana e Karna. O próprio Duryodhana insultou Bhima de energia imensa na própria presença dos chefes Kuru. Eu estou certa de que ele colherá o fruto daquele comportamento, pois Vrikodara, provocado por um inimigo, não conhece paz. De fato, uma vez provocado, Bhima não esquece isto por um longo tempo, até aquele opressor de inimigos exterminar o inimigo e seus aliados. A perda do reino não me afligiu; a derrota nos dados não me afligiu. Que a ilustre e bela princesa de Panchala tenha sido arrastada à assembleia enquanto vestida em uma única peça de roupa e feita ouvir palavras amargas me afligiu muito. O que, ó Krishna, poderia ser uma aflição maior para mim? Ai, sempre dedicada aos costumes Kshatriya e dotada de grande beleza, a princesa, enquanto indisposta, sofreu aquele tratamento cruel, e embora possuindo protetores poderosos estava então tão desamparada como se ela não tivesse ninguém. Ó matador de Madhu, tendo a ti e aquela principal de todas as pessoas poderosas, Rama, e aquele poderoso guerreiro em carro Pradyumna como meus protetores e de meus filhos e tendo, ó principal dos homens, meus filhos os invencíveis Bhima e Vijaya que não recuam ambos vivos, que eu ainda tenha que suportar tal aflição é estranho sem dúvida!'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado por ela, Sauri, o amigo de Partha, então consolou seu tia paterna, Pritha, afligida com angústia por conta de seus filhos. E Vasudeva disse, 'Que mulher existe, ó tia, no mundo, que seja como tu? Ó filha do rei Surasena, tu foste, por casamento, admitida na linhagem de Ajamida. De nascimento nobre e altamente casada, tu és como um lótus transplantado de um lago imenso para outro. Dotada de toda prosperidade e grande ventura, tu foste adorada por teu marido. Esposa de herói, tu além disto deste à luz filhos heróicos. Possuidora de todas as virtudes, e dotada de grande sabedoria, cabe a ti tolerar com paciência ambas: felicidade e tristeza. Vencendo torpor e langor, e cólera e alegria, e fome e sede, e frio e calor, teus filhos estão sempre no desfrute daquela felicidade que, como heróis, deve ser deles. Dotados de grande esforço e grande poder, teus filhos, sem ligarem para os confortos deriváveis dos sentidos tais como os que satisfazem somente os inferiores e os vis, sempre buscam aquela felicidade à qual como heróis eles devem. Nem eles estão satisfeitos como homens mesquinhos tendo desejos inferiores. Aqueles que são sábios desfrutam ou sofrem o mesmo de qualquer coisa agradável ou sofrível. De fato, pessoas comuns, apegadas aos confortos que satisfazem os inferiores e os vis, desejam um estado uniforme de embotamento, sem excitamentos de qualquer tipo. Aqueles, no entanto, que são superiores, desejam ou o mais agudo sofrimento humano ou o mais elevado de todos os prazeres que é dado para o homem. Os sábios sempre se deleitam em extremos. Eles não encontram prazer no meio; eles consideram o extremo como felicidade, enquanto aquilo que se encontra no meio é considerado por eles como tristeza. Os Pandavas com Krishna te saúdam através de mim. Descrevendo a si mesmos como estando bem, eles perguntaram pelo teu bem-estar. Tu logo os verás se tornarem os senhores do mundo inteiro, com seus inimigos mortos, e eles mesmos investidos com prosperidade.' Assim consolada por Krishna, Kunti, afligida com tristeza por conta de seus filhos, mas logo dissipando a ignorância causada por sua perda temporária de compreensão, respondeu para Janardana, dizendo, 'O que quer que, ó de braços fortes, tu, ó matador de Madhu, consideres apropriado para ser feito, que isto seja feito sem sacrificar a retidão, ó castigador de inimigos, e sem a menor fraude. Eu sei, ó Krishna, qual é o poder da tua verdade e da tua linhagem. Eu conheço também qual discernimento e qual destreza tu trazes para apoiar a realização de qualquer coisa que interesse aos teus amigos. Em nossa família, tu és a própria Virtude, tu és Verdade, e tu és a encarnação de austeridades ascéticas. Tu és o grandioso Brahma, e tudo se apóia em ti. O que, portanto, tu disseste deve ser verdade.'” "Vaisampayana continuou, 'Despedindo-se dela e respeitosamente andando em volta dela, Govinda de braços poderosos então partiu para a mansão de Duryodhana.'" 91 "Vaisampayana disse, 'Com a permissão de Pritha e tendo andado em volta dela, o castigador de inimigos, Govinda, também chamado Sauri, foi para o palácio de Duryodhana era suprido com grande abundância, adornado com assentos belos, e semelhante à residência do próprio Purandara. Não obstruído pelos ordenanças em serviço, aquele herói de grande renome cruzou três pátios espaçosos em sucessão e então entrou naquela mansão parecida com uma massa de nuvens, alta como o topo de uma colina, e brilhando em esplendor. E lá ele viu o filho de Dhritarashtra de braços fortes sentado em seu trono no meio de mil reis e cercado por todos os Kurus. E ele também viu lá Dussasana e Karna e Sakuni, o filho de Suvala, sentados em seus respectivos assentos ao lado de Duryodhana. E após aquele filho da linhagem de Dasarha entrar na corte, o filho de Dhritarashtra de grande fama se levantou de seu assento com seus conselheiros para honrar o matador de Madhu. E Kesava então saudou os filhos de Dhritarashtra e todos os seus conselheiros como também os reis que estavam presentes lá, segundo suas respectivas idades. E Achyuta da tribo de Vrishni então tomou seu assento em um assento belo feito de ouro e coberto com um tapete bordado com ouro. E o rei Kuru então ofereceu para Janardana uma vaca, e mel e coalhos e água, e colocou à seu serviço palácios e mansões e o reino inteiro. E então os Kauravas, com todos os reis lá presentes, reverenciaram Govinda em seu assento e parecendo o próprio sol em esplendor. O culto estando terminado, o rei Duryodhana convidou ele da tribo de Vrishni, aquele principal dos vitoriosos, para comer em sua casa, Kesava, no entanto não aceitou o convite. O rei Kuru Duryodhana sentado no meio dos Kurus, em uma voz amável mas com fraude espreitando atrás de suas palavras, olhando para Karna, e se dirigindo a Kesava, então disse, 'Por que, ó Janardana, tu não aceitas os diversos tipos de iguarias e bebidas, mantos e camas que foram todos preparados e mantidos prontos para ti? Tu concedeste ajuda para ambos os lados; tu estás engajado no bem de ambos os partidos. Tu és, além disso, o principal dos parentes de Dhritarashtra e muito amado por ele. Tu, ó Govinda, também conheces completamente religião e lucro, e todas as coisas em detalhes. Eu, portanto, desejo saber, ó portador do disco e da maça, qual é a verdadeira razão desta tua recusa.' "Vaisampayana continuou, 'Govinda de grande alma, de olhos como folhas de lótus, então erguendo seu poderoso braço (direito), e em uma voz profunda como aquela das nuvens, respondeu para o rei em palavras excelentes repletas de razões, palavras que eram claras, distintas, corretamente pronunciadas, e sem uma única letra suprimida, dizendo, 'Enviados, ó rei, comem e aceitam adoração somente depois do sucesso de suas missões. Portanto, ó Bharata, depois que a minha missão se tornar bem sucedida tu poderás entreter a mim e meus servidores.' Assim respondido, o filho de Dhritarashtra falou novamente para Janardana, ‘Não cabe a ti, ó Kesava, se comportar conosco dessa maneira. Tu te tornes bem sucedido ou frustrado, nós estamos nos esforçando para te agradar, ó matador de Madhu, por causa do teu relacionamento conosco. Parece, no entanto, que todos os nossos esforços, ó tu da linhagem de Dasarha, são inúteis. Nem nós vemos a razão, ó matador de Madhu, pela qual, ó principal dos homens, tu não aceitas o culto oferecido por nós por amor e amizade. Contigo, ó Govinda, nós não temos hostilidade, nenhuma guerra. Portanto, após reflexão, parecerá para ti que palavras tais como essas não te ficam bem.'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado pelo rei, Janardana da linhagem de Dasarha, lançando seus olhos no filho de Dhritarashtra e em seus conselheiros, respondeu, dizendo, 'Nem por desejo, nem por ira, nem por malícia, nem por lucro, nem por causa de argumentação, nem por tentação eu abandonaria a virtude. Uma pessoa aceita a comida de outra quando ela está em infortúnio. No momento, no entanto, ó rei, tu não tens inspirado amor em mim por meio de qualquer ação tua, nem eu mesmo estou mergulhado em infortúnio. Sem qualquer motivo, ó rei, tu odeias, desde o momento de seu nascimento, teus irmãos queridos e amáveis, os Pandavas, dotados de todas as virtudes. Este teu ódio irracional pelos filhos de Pritha não te fica bem. Os filhos de Pandu são todos dedicados à virtude. Quem, de fato, pode fazer a eles a menor injúria? Aquele que odeia a eles odeia a mim; aquele que os ama, ama a mim. Saiba que os Pandavas virtuosos e eu temos somente uma alma em comum. Aquele que, seguindo os impulsos da luxúria e ira, e por escuridão de alma, odeia e procura ferir alguém que é possuidor de todas as boas qualidades é considerado como o mais vil dos homens. Aquele infeliz colérico de alma descontrolada que, por ignorância e avareza odeia seus parentes dotados de todas as qualidades auspiciosas, nunca pode desfrutar de sua prosperidade por muito tempo. Aquele, por outro lado que, por bons préstimos conquista o apoio de pessoas dotadas de boas qualidades, mesmo que ele tenha aversão por elas dentro de seu coração, desfruta de prosperidade e fama para sempre. Maculado pela maldade, todo este alimento, portanto, não é digno de ser comido por mim. Somente o alimento fornecido por Vidura deve, eu penso, ser comido por mim.' Tendo dito isso para Duryodhana que era sempre incapaz de tolerar qualquer coisa contra seus próprios desejos, Kesava de armas poderosas então saiu do palácio resplandecente do filho de Dhritarashtra. E Vasudeva de grande alma de braços fortes, saindo daquela mansão, dirigiu seus passos para a residência do ilustre Vidura. E enquanto aquele poderosamente armado permaneceu dentro da residência de Vidura, para lá foram até ele Drona, e Kripa, e Bhishma, e Vahlika, e muitos dos Kauravas. E os Kauravas que foram lá se dirigiram a Madhava, o matador heróico de Madhu, dizendo, 'Ó tu da tribo de Vrishni, nós colocamos à tua disposição nossas casas com toda a riqueza dentro delas.' O matador de Madhu, de energia imensa, respondeu a eles dizendo, 'Vocês podem ir embora. Eu estou muito honrado por estas suas ofertas.' E depois que os Kurus tinham ido embora, Vidura com grande cuidado entreteve aquele herói invencível da linhagem de Dasarha com todos os objetos de desejo. E Kunti então colocou à frente do ilustre Kesava comida pura e saborosa em abundância. Com ela o matador de Madhu primeiro gratificou os Brahmanas. De fato, daquela comida ele deu primeiro uma porção, junto com muita riqueza, para diversos Brahmanas familiarizados com os Vedas, e então para seus atendentes, como Vasava no meio dos Marutas, ele jantou o que restou da comida limpa e saborosa fornecida por Vidura.'" 92 "Vaisampayana disse, 'Depois que Kesava tinha jantado e estava revigorado, Vidura disse para ele durante a noite, 'Ó Kesava, esta tua chegada não foi bem calculada, pois, ó Janardana, o filho de Dhritarashtra viola as regras de lucro e religião, é mau e colérico, insulta outros, embora desejoso de respeito, e desobedece as ordens dos idosos. Ele é, ó Madhava, um transgressor das escrituras, ignorante, e de alma perversa, já tragado pelo destino, intratável, e disposto a fazer mal para aqueles que procuram seu bem. Sua alma está possuída por desejo e luxúria. Ele tolamente se considera muito sábio. Ele é o inimigo de todos os seus amigos verdadeiros. Sempre suspeitoso, sem qualquer controle sobre sua alma, e ingrato, ele abandonou toda a virtude e está em amor com pecado. Ele é tolo, com mente pouco desenvolvida, um escravo de seus sentidos, sempre obediente aos impulsos de luxúria e avareza, e irresoluto em toda ação que deve ser feita. Ele é dotado desses e muitos outros defeitos. Embora tu vás indicar para ele o que é para seu bem, ele contudo desconsiderará tudo isso, movido por orgulho e raiva. Ele tem grande fé em Bhishma, e Drona, e Kripa, e Karna, e no filho de Drona, e Jayadratha, e, portanto, ele nunca fixa seu coração na paz, ó Janardana. Os filhos de Dhritarashtra, com Karna, acreditam firmemente que os Pandavas são incapazes até de olhar para Bhishma, Drona, e outros heróis, sem falar de lutar contra eles. O tolo Duryodhana de visão limitada, tendo reunido um exército enorme considera, ó matador de Madhu, que seus propósitos já estão alcançados. O tolo filho de Dhritarashtra chegou à conclusão de que Karna, sem ajuda, é competente para vencer seus inimigos. Ele, portanto, nunca fará as pazes. Tu, ó Kesava, desejas estabelecer paz e sentimentos fraternos entre os dois partidos. Mas saiba que todos os filhos de Dhritarashtra chegaram à conclusão de que eles não devem dar para os Pandavas aquilo ao qual, de fato, os últimos têm direito. Com aqueles que estão assim decididos tuas palavras certamente virão a ser inúteis. Onde, ó matador de Madhu, palavras, boas ou más, são do mesmo efeito, nenhum homem sábio gastaria seu fôlego para nada, como um cantor diante do surdo. Como um Brahmana diante de um conclave de Chandalas, tuas palavras, ó Madhava, não imporiam respeito entre aqueles patifes ignorantes e pecaminosos que não têm reverência por todos os que merecem reverência. Insensato, desde que ele tenha força, ele nunca obedecerá teus conselhos. Quaisquer palavras que tu possas falar para ele serão completamente inúteis. Não me parece apropriado, ó Krishna, que tu devas ir para o meio daqueles canalhas de mente perversa reunidos. Não me parece apropriado, ó Krishna, que indo para lá tu profiras palavras contra aqueles indivíduos de alma pecaminosa, insensatos e iníquos, fortes em número. Por eles nunca terem reverenciado os idosos, por eles terem sido cegados por prosperidade e orgulho, e devido ao orgulho de juventude e ira, eles nunca aceitarão o bom conselho que tu possas colocar diante deles. Ele reuniu um exército poderoso, ó Madhava, e ele tem suas suspeitas de ti. Ele, portanto, nunca obedecerá qualquer conselho que tu possas oferecer. Os filhos de Dhritarashtra, ó Janardana, estão inspirados com a firme crença que no momento o próprio Indra, na vanguarda de todos os celestiais, é incapaz de derrotá-los em batalha. Eficazes como as tuas palavras sempre são, elas não virão a ser de eficácia com pessoas impressionadas com semelhante convicção e que sempre seguem os impulsos de luxúria e ira. Permanecendo no meio de suas tropas de elefantes e de seu exército consistindo em carros e infantaria heróica, o tolo e pecaminoso Duryodhana, com todos os receios dissipados, considera que a terra inteira já foi subjugada por ele. De fato, o filho de Dhritarashtra cobiça o império extenso na terra sem quaisquer rivais. A paz, portanto, com ele é inalcançável. Aquilo que ele tem em sua posse ele considera como inalteravelmente seu. Ai, a destruição sobre a terra parece estar perto por causa de Duryodhana, pois, impelidos pelo destino, os reis da terra, com todos os guerreiros Kshatriya, se reuniram, desejosos de lutar com os Pandavas! Todos aqueles reis, ó Krishna, estão em inimizade contigo e todos foram privados de suas posses antes disto por ti. Por medo de ti aqueles monarcas heróicos se reuniram com Karna e fizeram uma aliança com os filhos de Dhritarashtra. Indiferentes às suas próprias vidas, todos aqueles guerreiros se uniram com Duryodhana e estão cheios de alegria pela probabilidade de lutar com os Pandavas. Ó herói da linhagem de Dasarha, não se recomenda para mim que tu entres no meio deles. Como, ó opressor de inimigos, tu te dirigirás para o meio daqueles teus inimigos numerosos, de almas perversas, e sentados juntos? Ó tu de armas poderosas, tu és, de fato, incapaz de ser vencido pelos próprios deuses, e eu conheço, ó matador de inimigos, tua coragem e inteligência. Ó Madhava, o amor que eu tenho por ti é igual àquele que eu tenho pelos filhos de Pandu. Eu digo, portanto, estas palavras para ti por causa do meu afeto, respeito, e amizade por ti. Que necessidade há de expressar para ti o deleite que tem sido meu à visão da tua pessoa? Pois tu, ó tu de olhos como lótus, és a Alma interna de todas as criaturas incorporadas.'" 93 "O santo disse, 'Aquilo, de fato, que deve ser dito por uma pessoa de grande sabedoria; aquilo, de fato, que deve ser dito por alguém possuidor de grande previdência; aquilo de fato, que deve ser dito por alguém como tu para um amigo como eu; aquilo de fato, que é digno de ti, sendo consistente com virtude e lucro e verdade; aquilo, ó Vidura, foi dito por ti, como pai e mãe, para mim. Isso que tu me disseste é sem dúvida verdadeiro, digno de aprovação e consistente com o bom senso. Ouça, no entanto, com atenção, ó Vidura, à razão da minha vinda. Conhecendo bem a pecaminosidade do filho de Dhritarashtra e a hostilidade dos Kshatriyas que tomaram o partido dele, eu ainda assim, ó Vidura, vim aos Kurus. Grande será o mérito ganho por aquele que libertar das malhas da morte a terra inteira, com seus elefantes, carros e corcéis, oprimida por uma calamidade terrível. Se um homem se esforçando ao melhor de suas habilidades para realizar uma ação virtuosa encontra o fracasso, eu não tenho a menor dúvida de que o mérito daquela ação se torna seu, apesar de tal fracasso. Também é sabido por aqueles que são familiarizados com religião e escrituras, que se uma pessoa tendo planejado mentalmente cometer uma ação pecaminosa realmente não a comete, o demérito daquela ação nunca pode ser dela. Eu me esforçarei sinceramente, ó Vidura, para ocasionar a paz entre os Kurus e os Srinjayas que estão prestes a ser massacrados em batalha. Aquela terrível calamidade (que pende sobre eles todos) tem sua origem na conduta dos Kurus, pois isto é devido diretamente à ação de Duryodhana e Karna, os outros Kshatriyas somente seguindo a liderança destes dois. Os eruditos consideram um canalha aquele que por sua solicitação não procura salvar um amigo que está prestes a afundar em calamidade. Se esforçando da melhor maneira que pode, até a ponto de agarrá-lo pelo cabelo, uma pessoa deve procurar dissuadir um amigo de uma ação imprópria. Nesse caso, aquele que age assim, em vez de incorrer em crítica, colhe elogios. Cabe ao filho de Dhritarashtra, portanto, ó Vidura, com seus conselheiros, aceitar meus conselhos bons e benéficos que são compatíveis com virtude e lucro e apropriados para dissipar a atual calamidade. Eu, portanto, me esforçarei sinceramente para ocasionar o bem dos filhos de Dhritarashtra e dos Pandavas, como também de todos os Kshatriyas sobre a face da terra. Se enquanto me esforçando para ocasionar o bem (de meus amigos), Duryodhana me julgar injustamente, eu terei a satisfação da minha própria consciência, e um amigo verdadeiro é alguém que assume as funções de um intercessor quando dissensões irrompem entre parentes. A fim de que, além disso, pessoas injustas, tolas, e hostis não digam depois que embora competente Krishna não fez qualquer tentativa para impedir os zangados Kurus e os Pandavas de massacrarem uns aos outros, eu vim aqui. De fato, é para servir a ambos os partidos que eu vim para cá. Tendo me esforçado para ocasionar paz, eu escaparei da reprovação de todos os reis. Se depois de escutar minhas palavras auspiciosas, repletas de virtude e lucro, o tolo Duryodhana não aceitá-las, ele somente convidará seu destino. Se sem sacrificar os interesses dos Pandavas eu puder ocasionar paz entre os Kurus, minha conduta será considerada muito meritória, ó de grande alma, e os próprios Kauravas estarão livres das malhas da morte. Se os filhos de Dhritarashtra refletirem calmamente sobre as palavras que eu falarei, palavras repletas de sabedoria, compatíveis com retidão, e possuidoras de significado importante, então aquela paz que é meu objetivo será ocasionada e os Kauravas também me adorarão (como o agente disso). Se, por outro lado, eles procurarem me ferir, eu te digo que todos os reis da terra; juntos, não estão à minha altura, como um bando de veados incapazes de resistir diante de um leão enfurecido.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo dito estas palavras, aquele touro da raça Vrishni e encantador de Yadavas então se deitou em sua cama macia para dormir.'" 94 "Vaisampayana disse, 'Em tal conversação entre aquelas duas pessoas eminentes, ambas as quais eram dotadas de grande inteligência, aquela noite, luminosa com estrelas brilhantes, passou. De fato, a noite passou contra os desejos do ilustre Vidura, que tinha estado escutando a conversa variada de Krishna repleta de virtude, lucro, e desejo, e composta de palavras encantadoras e sílabas de significação agradável; e também (contra) aqueles do próprio Krishna, de destreza incomensurável, escutando a discursos iguais em estilo e caráter. Então, na alvorada uma banda de coristas e bardos dotados de vozes melodiosas despertou Kesava com sons agradáveis de conchas e pratos. E levantando da cama, Janardana da linhagem de Dasarha, aquele touro entre todos os Sattwatas, passou por todas as ações costumeiras da manhã. E tendo se purificado com um banho, recitado os Mantras sagrados e derramado libações de manteiga clarificada no fogo sacrifical, Madhava enfeitou seu corpo e começou a cultuar o sol nascente. E enquanto o invencível Krishna da linhagem de Dasarha ainda estava engajado em suas devoções matinais, Duryodhana e o filho de Suvala, Sakuni, foram a ele e disseram, ‘Dhritarashtra está sentado em sua corte, com todos os Kurus encabeçados por Bhishma e com todos os reis da terra. Eles estão todos solicitando a tua presença, ó Govinda, como os celestiais no céu desejando a presença do próprio Sakra.’ Assim endereçado, Govinda cumprimentou ambos com perguntas gentis e corteses. E quando o sol tinha subido um pouco mais, Janardana, aquele castigador de inimigos, convocando vários Brahmanas, fez a eles presentes de ouro e mantos e vacas e corcéis. E depois que ele tinha doado dessa maneira muita riqueza e tomado seu assento, seu motorista (Daruka) chegou e saudou aquele herói invicto da linhagem de Dasarha. E Daruka logo retornou com o carro grande e brilhante de seu chefe equipado com fileiras de sinos tilintantes e adornado com corcéis excelentes. E compreendendo que seu carro vistoso enfeitado com todos os ornamentos e produzindo um som profundo como o ribombar das massas poderosas de nuvens estava pronto, Janardana de grande alma, aquele encantador de todos os Yadavas, andando ao redor do fogo sagrado e de um grupo de Brahmanas, e colocando a pedra preciosa conhecida pelo nome de Kaustubha, e resplandecendo com beleza, cercado pelos Kurus, e bem protegido pelos Vrishnis, subiu nele. E Vidura, conhecedor de todos os preceitos de religião, seguiu no seu próprio carro aquele descendente da linhagem de Dasarha, aquela mais importante de todas as criaturas vivas, aquela principal de todas as pessoas dotadas de inteligência. E Duryodhana e o filho de Suvala Sakuni também em um carro seguiram Krishna, aquele castigador de inimigos. E Satyaki e Kritavarman e os outros poderosos guerreiros em carros da tribo Vrishni todos foram atrás de Krishna em carros e corcéis e elefantes. E, ó rei, os carros belos daqueles heróis, adornados com ouro e puxados por corcéis excelentes e cada um produzindo um estrépito alto, conforme eles se moviam adiante, brilhavam gloriosamente. E Kesava, dotado de grande inteligência, e radiante com beleza, logo chegou a uma rua larga que tinha sido previamente varrida e regada, e que era digna de ser usada pelo maior dos reis. E quando aquele filho da linhagem de Dasarha partiu, pratos começaram a ser tocados, e conchas começaram a ser sopradas, e outros instrumentos também a emitir sua música. E grande número de heróis jovens, os mais notáveis no mundo por heroísmo, e possuidores de bravura semelhante à do leão, procederam, cercando o carro de Sauri. E muitos milhares de soldados, vestidos em trajes matizados, portando espadas e lanças e machados, marcharam à frente de Kesava. E havia quinhentos elefantes no total, e carros aos milhares, que seguiram aquele herói invicto da linhagem de Dasarha enquanto ele procedia. E, ó castigador de inimigos, todos os cidadãos da capital, de todas as idades e ambos os sexos, desejosos de ver Janardana, saíram às ruas. E os terraços e varandas das casas estavam tão apinhados com damas que as casas estavam prestes a cair com o peso. E reverenciado pelos Kurus, e escutando várias palavras agradáveis, e respondendo os cumprimentos de todos como cada um merecia, Kesava seguiu ao longo da rua, lançando seus olhares em todos. E finalmente, quando Kesava alcançou a corte Kuru, seus servidores ruidosamente sopraram suas conchas e trombetas e encheram o firmamento com aquele clangor. E, nisso, toda a assembleia de reis, de destreza incomensurável, tremeu com deleite na expectativa de logo fixar seus olhos em Krishna. E ouvindo o estrépito de seu carro, que ressoava como o ribombar profundo de nuvens carregadas de chuva, os monarcas compreenderam que Krishna estava perto, e os pêlos de seus corpos se arrepiaram de prazer. E tendo alcançado o portão da corte, Sauri, aquele touro entre os Satwatas, descendo de seu carro, que parecia o topo de Kailasa, entrou na corte que parecia uma massa de nuvens recém surgidas, e brilhava com beleza, e parecia com a própria residência do grande Indra. E aquele herói ilustre entrou na corte, de braços dados com Vidura e Satyaki de ambos os lados, e eclipsando com seu próprio o esplendor de todos os Kurus, como o sol eclipsando o brilho de luzes menores no firmamento. E diante de Vasudeva sentavam-se Karna e Duryodhana, enquanto atrás dele estavam sentados os Vrishnis com Kritavarman. E Bhishma e Drona, e outros com Dhritarashtra estavam a ponto de se levantar de seus assentos para honrar Janardana. De fato, logo que ele, da linhagem de Dasarha, chegou, o ilustre monarca cego, Drona e Bhishma, todos se levantaram de seus assentos. E quando aquele soberano poderoso de homens, o rei Dhritarashtra, se ergueu de seu assento, aqueles reis aos milhares em volta dele se levantaram todos também. E por ordem de Dhritarashtra, um belo assento todo coberto e adornado com ouro foi mantido lá para Krishna. E depois de tomar seu assento, Madhava cumprimentou sorridente o rei, e Bhishma, e Drona, e todos os outros soberanos, cada um segundo sua idade. E todos os reis da terra, e todos os Kurus também, vendo Kesava chegar naquela assembleia, o reverenciaram devidamente. E quando aquele castigador de inimigos, aquele subjugador de cidades hostis, aquele herói da linhagem de Dasarha estava sentado lá, ele viu os Rishis a quem ele tinha visto enquanto procedia para Hastinapura, permanecendo no firmamento. E vendo aqueles Rishis com Narada em sua chefia, ele da linhagem de Dasarha se dirigiu lentamente a Bhishma, o filho de Santanu, dizendo, ‘Ó rei, os Rishis vieram para ver este nosso conclave terrestre. Convide-os com oferta de assentos e cortesia abundante, pois se eles não se sentarem ninguém aqui é capaz de tomar seu assento. Que culto adequado, portanto, esteja oferecido rapidamente para estes Rishis com almas sob controle apropriado.’ E vendo os Rishis então no portão do palácio, o filho de Santanu rapidamente mandou os empregados trazerem assentos para eles. E logo eles trouxeram assentos grandes e belos bordados com ouro e enfeitados com jóias. E depois que os Rishis, ó Bharata, tinham tomado seus assentos e aceitado os Arghyas oferecidos a eles, Krishna tomou seu assento, e assim também os reis. E Dussasana deu um assento excelente para Satyaki, enquanto Vivingsati deu outro dourado para Kritavarman. E não longe de onde Krishna estava, aquele par ilustre e colérico, Karna e Duryodhana, estava sentado junto no mesmo assento. E Sakuni, o rei de Gandhara, cercado pelos chefes de seu país, sentava lá, ó rei, com seu filho ao seu lado. E Vidura de grande alma sentava em um assento enfeitado com pedras preciosas coberto com uma camurça branca que quase tocava o assento de Krishna. E todos os reis na assembleia, embora eles olhassem para Janardana da linhagem de Dasarha por um longo tempo, não estavam, no entanto, satisfeitos em olhá-lo, como bebedores de Amrita que nunca estão saciados por beber medida atrás de medida. E Janardana vestido em mantos amarelos tendo a cor da flor Atasi estava sentado no meio daquela assembleia como uma safira engastada em ouro. E depois que Govinda tinha tomado seu assento um completo silêncio se seguiu, pois ninguém lá presente falou uma única palavra.'" 95 "Vaisampayana disse, 'E depois que todos os reis tinham se sentado e perfeito silêncio tinha se seguido, Krishna, possuidor de dentes excelentes e tendo uma voz profunda como aquela do tambor, começou a falar. E Madhava, embora ele se dirigisse a Dhritarashtra, falou em uma voz profunda como o ribombar de nuvens na estação chuvosa, fazendo a assembleia inteira ouvir. E ele disse, 'Para que, ó Bharata, a paz possa ser estabelecida entre os Kurus e os Pandavas sem um massacre de heróis, eu vim para cá. Além disto, ó rei, eu não tenho outras palavras benéficas para proferir, ó castigador de inimigos, tudo o que deve ser aprendido neste mundo já é conhecido por ti. Esta tua linhagem, ó rei, devido à sua erudição e comportamento, e devido a ela ser também adornada com todas as habilidades, é a mais distinta entre todas as dinastias reais. Alegria na felicidade de outros, aflição à visão da tristeza de outras pessoas, desejo de aliviar a angústia, abstenção de ferir, sinceridade, perdão, e veracidade, estes, ó Bharata, prevalecem entre os Kurus. Então tua linhagem, portanto, ó rei, é tão nobre, que seria uma pena se alguma coisa imprópria fosse feita por alguém pertencente a ela, e maior pena ainda se isto fosse feito por ti. Ó chefe dos Kurus, tu és o primeiro daqueles que devem reprimir os Kurus se eles se comportarem fraudulentamente em direção a estranhos ou àqueles incluídos com eles mesmos. Saiba, ó tu da linhagem de Kuru, que aqueles teus filhos pecaminosos, encabeçados por Duryodhana, abandonando virtude e lucro, desconsiderando a moralidade, e privados de sua razão pela avareza, estão agora agindo muito injustamente em direção, ó touro dos homens, aos seus principais parentes. Aquele perigo terrível (o qual ameaça a todos) tem sua origem na conduta dos Kurus. Se tu te tornares indiferente a isto, isto então produzirá uma matança geral. Se, ó Bharata, tu estiveres disposto, tu podes ser capaz de atenuar aquele perigo agora mesmo, pois, ó touro da raça Bharata, a paz, eu penso, não é de aquisição difícil. O estabelecimento da paz, ó rei, depende de ti e de mim mesmo, ó monarca. Corrija teus filhos, ó tu da família de Kuru, e eu corrigirei os Pandavas. Qualquer que seja teu comando, ó rei, cabe aos teus filhos com seus seguidores obedecê-lo. Se, além disso, eles viverem em obediência a ti, isto seria o melhor que eles poderiam fazer. Se tu te esforçares pela paz por reprimires os teus filhos, isto será para o teu benefício, ó rei, como também para o benefício dos Pandavas. Tendo refletido com cuidado, aja tu mesmo, ó rei. Que aqueles filhos de Bharata (os Pandavas), sejam, ó soberano de homens, teus aliados. Auxiliado pelos Pandavas, ó rei, procure ambos: religião e lucro. Por todo o esforço em teu poder, tu não podes ter, ó rei, aliados tais como eles que são de tal maneira. Protegido pelos ilustres filhos de Pandu, o próprio Indra na chefia dos celestiais não será capaz de te derrotar. Como seria possível então para meros reis terrestres resistir à tua destreza? Se com Bhishma, e Drona, e Kripa, e Karna, e Vivingsati, e Aswatthaman, Vikarna, e Somadatta, e Vahlika e o chefe dos Sindhus, e o soberano dos Kalingas, e Sudakshina, o rei dos Kamvojas, estivessem Yudhishthira, e Bhimasena e Savyasachin, e os gêmeos, e se Satyaki de energia poderosa, e Yuyutsu, aquele poderoso guerreiro em carro, estivessem posicionados, quem, ó touro da raça Bharata, de tal inteligência mal orientada lutaria com eles? Se, ó matador de inimigos, tu tiveres ambos os Kurus e os Pandavas em teu apoio, a soberania do mundo inteiro e invencibilidade diante de todos os inimigos serão teus. Todos os soberanos da terra, ó monarca, que são iguais ou superiores a ti, então procurarão aliança contigo. Protegido por todos os lados por filhos, netos, pais, irmãos, e amigos, tu poderás então viver em felicidade excelente. Mantendo estes diante de ti e tratando-os com bondade como nos tempos de antigamente tu, ó monarca, desfrutarás da soberania da terra inteira. Com estes como teus partidários e com os filhos de Pandu também, ó Bharata, tu serás capaz de conquistar todos os teus inimigos. Esta mesma é tua melhor vantagem. Se, ó castigador de inimigos, tu estiveres unido com teus filhos e parentes e conselheiros, tu desfrutarás da soberania da terra inteira obtida para ti por eles. Em batalha, ó grande rei, somente uma destruição indiscriminada é visível. De fato, na destruição de ambos os partidos, que mérito tu vês? Se os Pandavas forem massacrados em batalha, ou se teus próprios filhos poderosos caírem, diga-me, ó touro da raça Bharata, de que felicidade tu desfrutarás? Todos eles são corajosos e hábeis em armas. Todos eles estão desejosos de lutar, os Pandavas como também teus filhos. Oh, salve-os do perigo terrível que os ameaça. Depois da batalha tu não verás todos os Kurus ou todos os Pandavas; guerreiros em carros mortos por guerreiros em carros, tu verás os heróis de ambos os partidos reduzidos em número e força. Todos os governantes da terra, ó melhor dos reis, estão reunidos. Excitados com cólera, eles certamente exterminarão a população da terra. Salve, ó rei, o mundo. Não deixe a população da terra ser exterminada. Ó filho da linhagem de Kuru, se tu recuperares tua disposição natural, a terra poderá continuar a ser povoada como agora. Salve, ó rei, estes monarcas, que são todos de descendência pura, dotados de modéstia e generosidade e piedade, e ligados uns aos outros por laços de relacionamento ou aliança, do perigo terrível que os ameaça. Abandonando cólera e inimizade, ó castigador de inimigos, que estes reis, abraçando uns aos outros em paz, comendo e bebendo juntos, vestidos em mantos excelentes e enfeitados com guirlandas, e fazendo cortesias uns para os outros, voltem para suas respectivas casas. Que a afeição que tu tinhas pelos Pandavas seja reavivada em teu peito, e que isto, ó touro da raça Bharata, leve ao estabelecimento da paz. Privados de seu pai enquanto eles eram crianças, eles foram criados por ti. Trate-os agora como é adequado para ti, ó touro da raça Bharata, como se eles fossem teus próprios filhos. É teu dever protegê-los. E especialmente é assim quando eles estão afligidos. Ó touro da raça Bharata, não deixe que tua virtude e lucro sejam ambos perdidos. Cumprimentando-te e propiciando-te, os Pandavas te disseram, 'Por tua ordem nós temos, com nossos seguidores, sofrido grande miséria. Por estes doze anos nós vivemos nas florestas, e pelo décimo terceiro ano nós vivemos incógnitos em uma parte habitada do mundo. Nós não quebramos nossa promessa, acreditando firmemente que nosso pai também seria fiel à dele. Que nós não violamos nossa palavra é conhecido pelos Brahmanas que estavam conosco. E como nós, ó touro da raça Bharata, cumprimos nossa promessa, cumpra a tua também. Nós sofremos a maior miséria por muito tempo, mas nos deixe agora ter nossa parte do reino. Completamente familiarizado como tu és com virtude e lucro, cabe a ti nos resgatar. Sabendo que nossa obediência é devida a ti, nós temos passado quietamente por muita tristeza. Comporte-te então em direção a nós como um pai ou irmão. Um preceptor deve se comportar como um preceptor em direção a seus discípulos, e como discípulos nós estamos dispostos a nos comportar como tais em direção a ti, nosso preceptor. Aja, portanto, conosco como um preceptor deve. Se nós erramos, é o dever do nosso pai nos corrigir. Portanto, nos estabeleça no caminho e trilhe tu também o caminho excelente da retidão.' Aqueles teus filhos, ó touro da raça Bharata, também disseram para estes reis reunidos na corte estas palavras, 'Se os membros de uma assembleia são familiarizados com moralidade, nada impróprio deve ser permitido por eles acontecer. Onde, na presença dos membros virtuosos de uma assembleia, se procura subjugar a retidão pela iniquidade, e a verdade pela mentira, são aqueles próprios membros que são derrotados e mortos. Quando a retidão, perfurada pela iniquidade, procura a proteção de uma assembleia, se a flecha não é extraída, são os próprios membros que são perfurados por aquela flecha. De fato, nesse caso, a retidão mata os membros daquela assembleia, como um rio destruindo as raízes das árvores em sua margem.' Julgue agora, ó touro da raça Bharata. Os Pandavas, com seus olhos voltados para a retidão e refletindo sobre tudo, estão mantendo uma atitude calma, e o que eles disseram é consistente com verdade e virtude e justiça. Ó soberano de homens, o que tu podes dizer para eles, exceto que tu estás disposto a devolver a eles seu reino? Que estes soberanos da terra que estão sentados aqui digam (qual deve ser a resposta)! Se te parece que o que eu falei depois de refletir bem sobre a virtude é verdadeiro, salve todos estes Kshatriyas, ó touro da raça Bharata, das malhas da morte. Efetue a paz, ó chefe da linhagem de Bharata, e não ceda à raiva. Dando para os Pandavas sua parte justa do reino paterno, desfrute então, com teus filhos, ó castigador de inimigos, de felicidade e luxo, teus desejos sendo todos coroados com êxito. Saiba que Yudhishthira sempre trilha o caminho que é trilhado pelos justos. Tu sabes também, ó rei, qual é o comportamento de Yudhishthira em direção a ti e teus filhos. Embora tu tenhas procurado queimá-lo até a morte e o tenhas exilado de habitação humana, ainda assim ele voltou e mais uma vez depositou confiança em ti. Além disso, tu com teus filhos não o baniste para Indraprastha? Enquanto lá, ele trouxe todos os reis da terra à submissão e ainda olhou para teu rosto, ó rei, sem procurar te desrespeitar. Embora ele tenha se comportado dessa maneira, ainda assim o filho de Suvala, desejoso de roubá-lo de seus domínios e riqueza e posses, aplicou o meio muito eficaz do jogo de dados. Reduzido àquela condição e até vendo Krishna arrastada à assembleia, Yudhishthira de alma incomensurável, contudo não se desviou dos deveres de um Kshatriya. Com relação a mim, eu desejo, ó Bharata, teu bem como também o deles. Por causa de virtude, de lucro, de felicidade, faça as pazes, ó rei, e não permita que a população da Terra seja massacrada, considerando mal como bem e bem como mal. Reprima teus filhos, ó monarca, que por cobiça foram longe demais. Com relação aos filhos de Pritha, eles estão igualmente preparados para te atender em serviço respeitoso ou para lutar. Adote aquilo que, ó castigador de inimigos, te pareça ser para o teu bem!' "Vaisampayana continuou, 'Todos os soberanos da terra lá presentes aplaudiram muito as palavras de Kesava dentro de seus corações, mas nenhum deles ousou dizer qualquer coisa na presença de Duryodhana.'” 96 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras proferidas por Kesava de grande alma, todas as pessoas que estavam sentadas naquela assembleia ficaram caladas, com seus cabelos arrepiados. E todos os reis pensaram consigo mesmos que não havia homem que ousaria responder àquele discurso. E vendo que todos os reis sentavam silenciosos, o filho de Jamadagni (se dirigindo a Duryodhana) então disse estas palavras naquela assembleia de Kurus, 'Ouça confiantemente minhas palavras ilustradas por um exemplo, e procure teu próprio benefício se meu discurso se recomendar para ti. Houve um rei antigamente chamado Dambhodbhava, que era o Chefe da terra. É ouvido por nós que sua soberania se estendia sobre o mundo inteiro. E aquele poderoso guerreiro em carro, se levantando toda manhã depois que a noite tinha passado, chamava os Brahmanas e os Kshatriyas para si e os questionava, dizendo, 'Seja um Sudra, um Vaisya, um Kshatriya, ou um Brahmana, existe alguém que seja superior ou mesmo igual a mim em batalha?' E proferindo estas palavras aquele rei vagava pela terra, embriagado de orgulho e não pensando em nada mais. E aconteceu que certos Brahmanas dotados de grandes almas, familiarizados com os Vedas, e não temendo nada sobre a terra, aconselharam o monarca, que repetidamente se gabava de sua coragem, a refrear seu orgulho. Mas embora proibido por aqueles Brahmanas de se jactar daquela maneira, o rei continuou a fazer aos Brahmanas como antes a mesma pergunta dia após dia. E alguns Brahmanas de grande alma então, dotados de mérito ascético e conhecedores das provas fornecidas pelos Vedas, estavam inflamados pela raiva, e se dirigindo àquele rei orgulhoso e vaidoso embriagado com prosperidade, disseram a ele, 'Há duas pessoas que são os mais importantes de todos os homens e que são sempre vitoriosos em batalha. Tu, ó rei, de nenhuma maneira estará à altura deles se tu procurares um confronto com qualquer um deles.' E assim endereçado por eles, o rei questionou aqueles Brahmanas, dizendo, ‘Onde estes dois heróis podem ser encontrados? Em que linhagem eles são nascidos? Que façanhas eles têm realizado? E quem são eles?’ E os Brahmanas responderam a ele, dizendo, ‘É sabido por nós que aquelas duas pessoas são ascetas chamados Nara e Narayana. Os dois tomaram seus nascimentos na raça dos homens. Vá e lute com eles, ó rei. É aquele par ilustre, Nara e Narayana, que está agora praticando as mais severas das penitências em uma região oculta das montanhas de Gandhamadana.' Ouvindo aquelas palavras dos Brahmanas, aquele rei rapidamente reuniu seu exército grande consistindo em seis espécies de tropas, (carros, elefantes, cavalos, infantaria, veículos e outros exceto carros, e guerreiros lutando das costas de camelos), e incapaz de tolerar a reputação deles, marchou para o local onde aqueles ascetas invencíveis estavam, e chegou nas montanhas acidentadas e terríveis de Gandhamadana. Ele começou a procurar por aqueles Rishis, e finalmente os encontrou escondidos dentro das florestas. E vendo aquelas melhores das pessoas emaciadas com fome e sede, suas veias inchadas e visíveis, e eles mesmos muito afligidos pelos ventos frios e os raios quentes do sol, ele se aproximou deles, e tocando seus pés, perguntou pelo seu bem-estar. E os dois Rishis receberam o rei hospitaleiramente, com frutas e raízes, e um assento e água. E eles então perguntaram pelo propósito do rei, dizendo, 'Que isto seja feito.' E assim endereçado por eles, o rei disse para eles as mesmas palavras que ele costumava dizer para todos. E ele disse, 'A terra inteira foi conquistada pelo poder de minhas armas. Todos os meus inimigos estão mortos. Desejando um combate com vocês dois eu vim para esta montanha. Ofereçam-me esta hospitalidade. Eu venho nutrindo este desejo por muito tempo.' Assim endereçados, Nara e Narayana disseram, 'Ó melhor dos reis, cólera e cobiça não têm lugar neste retiro. Como pode uma batalha, portanto, ser possível aqui? Não há armas aqui, e nada de iniquidade e malícia. Procure batalha em outro lugar. Há muitos Kshatriyas sobre a terra.' "Rama continuou, 'Embora assim endereçado, o rei, contudo os pressionou para lhe darem combate. Os Rishis, no entanto, continuamente o acalmaram e deixaram passar sua importunidade. O rei Dambhodbhava, ainda desejoso de lutar, repetidamente convocou aqueles Rishis para o combate. Nara, então, ó Bharata, pegando um punhado de folhas de grama, disse, 'Desejoso de lutar como tu estás, venha, ó Kshatriya, e lute! Pegue todas as tuas armas, e organize tuas tropas. Eu refrearei tua avidez por batalha futuramente!' Dambhodbhava então disse, ‘Se, ó asceta, tu achas esta tua arma adequada para ser usada contra nós, eu lutarei contigo embora tu uses esta arma, pois eu vim para cá desejoso de lutar.' Dizendo isso, Dambhodbhava com todas as suas tropas, desejoso de matar aquele asceta, cobriu todos os lados com uma chuva de flechas. Aquele asceta, no entanto, por meio daquelas folhas de grama frustrou todas aquelas flechas terríveis do rei que eram capazes de mutilar os corpos de guerreiros hostis. O Rishi invencível então atirou em direção ao rei sua própria arma terrível feita de folhas de grama e que era incapaz de ser neutralizada. E muito extraordinário foi aquilo que aconteceu, pois aquele asceta, incapaz de errar seu alvo, perfurou e cortou, por meio daquelas folhas de grama somente, os olhos e orelhas e narizes dos guerreiros hostis, ajudado também por seu poder de ilusão. E vendo o firmamento inteiro alvejado por aquelas folhas de grama, o rei caiu aos pés do Rishi e disse, ‘Que eu seja abençoado!’ Sempre inclinado a conceder proteção para aqueles que a procuravam, Nara então, ó rei, disse para aquele monarca, 'Seja obediente aos Brahmanas e seja virtuoso. Nunca faça isto novamente. Ó rei, ó tigre entre monarcas, um conquistador de cidades hostis, um Kshatriya consciente dos deveres da sua própria classe nunca deve, nem dentro de seu coração, ser como tu és. Cheio de orgulho, nunca insulte alguém em qualquer ocasião, seja inferior ou superior a ti. Tal conduta conviria a ti. Adquirindo sabedoria, abandonando cobiça e orgulho, controlando tua alma, reprimindo tuas paixões, praticando perdão e humildade, e te tornando amável, ó rei, vá, e cuide dos teus súditos. Sem averiguar a força e fraqueza de homens, nunca insulte alguém sob quaisquer circunstâncias. Abençoado sejas tu, e com nossa permissão, vá, e nunca mais te comporte dessa maneira. Por nossa ordem, pergunte sempre aos Brahmanas a respeito do que é para o teu bem!’ O rei então, reverenciando os pés daqueles dois Rishis ilustres, voltou para sua cidade, e desde aquele tempo começou a praticar retidão. Grandiosa de fato foi aquela façanha realizada antigamente por Nara. Narayana, além disso, se tornou superior a Nara por muito mais qualidades. Portanto, ó rei, antes que tais armas como Kakudika, Suka, Naka, Akshisantarjana, Santana, Nartana, Ghora, e Asyamodaka, sejam colocadas na corda daquele melhor dos arcos chamado Gandiva, vá até Dhananjaya, pondo de lado o teu orgulho. Atingidos por estas armas, homens sempre entregam suas vidas. De fato, estas armas têm outros significados correspondentes às oito paixões, tais como luxúria, cólera, cobiça, vaidade, insolência, orgulho, malícia, e egoísmo. Atingidos por elas, os homens são confundidos, e se movem freneticamente privados de sua razão. Sob sua influência, as pessoas sempre dormem pesadamente, fazem tolices, vomitam, expelem urina e fezes, choram, e riem constantemente. De fato, é irresistível em luta aquele Arjuna que tem Narayana como seu amigo, o Criador e Senhor de todos os mundos, totalmente familiarizado com o rumo de tudo. Quem há nos três mundos, ó Bharata, que ousaria derrotar aquele herói, Jishnu de estandarte de Macaco, que não tem igual em batalha? Inumeráveis são as virtudes que residem em Partha. Janardana, além disso, é superior a ele. Tu mesmo és bem familiarizado com Dhananjaya, o filho de Kunti. Aqueles que eram Nara e Narayana nos tempos de antigamente são agora Arjuna e Kesava. Saiba então, ó grande rei, quem são aquelas pessoas corajosas e importantes. Se tu acreditas nisto e não suspeitas de mim adote uma resolução virtuosa e faça as pazes com os filhos de Pandu. Se tu consideras isto como teu bem, isto é, que não deve haver desunião na tua família, então faça as pazes, ó principal da família de Bharata, e não fixe teu coração na batalha. Ó tu que és o principal da linhagem de Kuru, a família à qual tu pertences é muito respeitada sobre a terra. Que aquele respeito continue a ser prestado a ela. Abençoado sejas tu, pense no que leva ao teu próprio bem-estar.'" 97 "Vaisampayana disse, 'Tendo escutado as palavras de Jamadagnya, o ilustre Rishi Kanwa também disse estas palavras para Duryodhana naquela assembleia dos Kurus.' "Kanwa disse, 'Brahman, o Avô do universo, é indestrutível e eterno. Aqueles Rishis ilustres, Nara e Narayana, são do mesmo caráter. De todos os filhos de Aditi, somente Vishnu é eterno. Somente ele é inconquistável e indestrutível, existindo para sempre, o Senhor de tudo, e o possuidor de atributos divinos. Todos os outros, tais como o sol e a lua, terra e água, vento, fogo e firmamento, planetas, e estrelas, estão sujeitos à destruição. Todos estes, quando chega o fim do universo, partem dos três mundos. Eles são destruídos e criados repetidas vezes. Outros também, tais como homens e animais e aves, e criaturas pertencentes a outras ordens de existência viva, de fato, tudo o que se move neste mundo de homens é dotado de vida curta. E com relação aos reis, todos eles, tendo desfrutado de grande prosperidade, alcançam, finalmente, a hora da destruição e renascem para desfrutar dos resultados de atos bons e maus. Cabe a ti então fazer as pazes com Yudhishthira. Que os Pandavas e os Kauravas governem juntos esta terra. Ó Suyodhana, uma pessoa não deve pensar dessa maneira: ‘Eu sou forte!’ pois, ó touro entre homens, é visto que há pessoas mais fortes do que aquelas geralmente consideradas fortes. Ó filho da linhagem de Kuru, força física mal é considerada como força por aqueles que são realmente fortes. Em relação aos Pandavas, dotados como todos eles são de destreza igual àquela dos celestiais, eles são também considerados como fortes. Relacionado a isto é citada uma história antiga, como um exemplo, a história, a saber, de Matali procurando por um noivo a quem entregar sua filha. O rei dos três mundos (Indra) tinha um quadrigário, chamado Matali, a quem ele ternamente amava. Para ele nasceu uma filha célebre pelo mundo por beleza. Dotada de beleza celestial, aquela filha de Matali era conhecida pelo nome de Gunakesi. E, de fato, em graciosidade e simetria de figura corpórea ela superava de longe outros membros de seu sexo. Sabendo que o momento para entregá-la tinha chegado, Matali com sua esposa ficou muito ansioso, pensando, ó monarca, no que ele deveria fazer em seguida. E ele pensou consigo mesmo, 'Ai, o nascimento de uma filha nas famílias daqueles que são bem educados e de nascimento elevado e possuidores de reputação e humildade de caráter, é sempre acompanhado de maus resultados. Filhas, quando nascidas em famílias respeitáveis, sempre põem em perigo a honra de três famílias, isto é, suas famílias materna e paterna e a família na qual elas são adotadas por casamento. Olhando na visão da minha mente os mundos de deuses e homens, eu tenho procurado em ambos, mas eu não encontrei nenhum noivo elegível.' "Kanwa continuou, 'E assim aconteceu que entre os deuses, os Daityas e Gandharvas, homens e Rishis numerosos, ninguém era considerado por Matali como um marido elegível para sua filha. E tendo mantido uma consulta então à noite com sua esposa Sudharma, Matali fixou seu coração em fazer uma viagem ao mundo dos Nagas. E ele pensou consigo mesmo, 'Entre deuses e homens eu não encontrei um marido adequado, em relação à beleza, para minha Gunakesi. Certamente, alguém poderá ser encontrado entre os Nagas.' E dizendo isto ele se despediu de sua esposa, e cheirando a cabeça de sua filha Matali entrou nas regiões inferiores.'" 98 "Kanwa disse, 'Quando Matali estava seguindo seu caminho, ele viu o grande Rishi Narada procedendo à vontade para prestar uma visita para Varuna (o deus das águas). E vendo Matali, Narada o questionou, dizendo, 'Para onde tu vais? É, ó quadrigário, em alguma missão própria, ou é por ordem de Satakratu que esta tua viagem é empreendida?' Assim endereçado no caminho por Narada que estava procedendo em direção ao seu destino, Matali devidamente informou Narada de sua missão. E o Rishi, informado de tudo, então disse para Matali, 'Nós iremos juntos. Com relação a mim, é para ver o Senhor das águas que eu estou procedendo, tendo deixado os céus, procurando as regiões inferiores, eu direi tudo a você. Depois de uma boa procura lá, nós escolheremos um noivo, ó Matali!’ E penetrando então nas regiões inferiores, aquele par ilustre, Matali e Narada, viu aquele Regente do mundo, o Senhor das águas. E lá Narada recebeu culto devido a um Rishi celeste, e Matali recebeu aquele igual ao que é oferecido ao grande Indra. E ambos habilidosos em negócios informaram Varuna de seu propósito, e obtendo sua permissão eles começaram a vagar naquela região dos Nagas. E Narada que conhecia todos os residentes das regiões inferiores então começou a descrever em detalhes para seu companheiro tudo acerca dos habitantes do mundo Naga.' "E Narada disse, 'Tu, ó quadrigário, viste Varuna cercado por seus filhos e netos. Contemple os domínios do Senhor das águas. Ele é encantador por toda parte, e cheio de riquezas. O filho, dotado de grande sabedoria, de Varuna, o Senhor do Oceano, é mesmo muito distinto por sua conduta e disposição e por sua santidade. Possuidor de olhos parecidos com folhas de lótus, este Pushkara é, de fato, o filho muito amado de Varuna, dotado de grande beleza e encantador de se olhar. Ele foi escolhido pela filha de Soma como seu marido. Aquela filha de Soma, igual em beleza a uma segunda Sree, é conhecida pelo nome de Jyotsnakali. De fato, é dito que ela uma vez antes tinha escolhido o mais velho e principal dos filhos de Aditi como seu marido. Veja agora, ó companheiro do Senhor dos celestiais, aquela residência, feita totalmente de ouro, e cheia do vinho chamado Varuni. De fato, tendo obtido aquele vinho, os deuses adquiriram sua divindade. Estas armas brilhantes também de todos os tipos que tu vês, pertenceram, ó Matali, aos Daityas que foram privados de sua soberania. Estas armas são incapazes de deterioração, e quando arremessadas no inimigo sempre voltam para a mão que as lançou. Obtidas pelos deuses como os despojos da guerra, elas requerem energia mental considerável para serem usadas contra inimigos. Aqui moravam antigamente muitas tribos de Rakshasas e Daityas, possuidores de muitas espécies de armas celestes, mas eles foram todos vencidos pelos deuses. Veja lá, no lago de Varuna está aquele fogo de chamas ardentes, e aquele disco de Vishnu cercado pelo esplendor brilhante de imenso calor. Veja, lá se encontra aquele arco nodoso que foi criado para a destruição do mundo. Ele é sempre protegido com grande vigilância pelos deuses, e é por causa deste arco que aquele manejado por Arjuna recebeu seu nome. Dotado da força de cem mil arcos, o poder que ele assume na hora da batalha é indescritivelmente formidável. Ele pune todos os reis pecaminosos puníveis dotados da natureza de Rakshasas. Esta arma feroz foi primeiro criada por Brahman, o proferidor dos Vedas. O grande preceptor Sukra disse que esta arma é terrível em relação a todos os reis. Dotada de grande energia, ela é mantida pelos filhos do Senhor das águas. Veja, lá na sala do guarda-sol está o guarda-sol do Senhor das águas. Ele derrama chuvas refrescantes como as nuvens. A água caída deste guarda-sol, embora pura como a lua, é, contudo envolvida por tal escuridão que ela não pode ser vista por ninguém. Aqui, nestas regiões, ó Matali, são inúmeras as maravilhas a serem vistas. Teu negócio, no entanto, sofrerá se nós passarmos mais tempo aqui. Nós, portanto, deixaremos esta região logo.'" 99 "Narada continuou, 'Aqui no verdadeiro centro do mundo dos Nagas está situada a cidade conhecida pelo nome de Patalam. Célebre por todo o universo, ela é adorada pelos Daityas e Danavas. Criaturas habitando a terra, se trazidas para cá pela força da corrente de água, gritam ruidosamente, afligidas pelo medo. Aqui o fogo conhecido pelo nome de fogo-Asura (ou fogo-Badava) e que é alimentado por água brilha continuamente. Retido firmemente pelo plano dos celestiais, ele não se move, se considerando como limitado e confinado. Foi aqui que os deuses, tendo primeiro vencido e matado seus inimigos, beberam o Amrita e depositaram o resíduo. É deste lugar que o diminuir e aumentar da lua é visto. É aqui que o filho de Aditi, (Vishnu) de cabeça de cavalo, na repetição de toda ocasião auspiciosa, se ergue, enchendo em tais tempos o universo, também chamado Suvarna, com o som de hinos e Mantras Védicos. E porque todas as formas aquosas tais como a Lua e outras derramam sua água sobre a região, portanto esta região excelente foi chamada de Patala. É daqui que o elefante celeste Airavata, para o benefício do universo, pega água fria para dá-la às nuvens, e é esta água que Indra despeja como chuva. Aqui moram diversas espécies de animais aquáticos, de várias formas tais como o Timi e outros, que subsistem dos raios da lua. Ó quadrigário, aqui existem muitas espécies de criaturas que morrem durante o dia, sendo perfuradas pelos raios do sol, mas todas as quais revivem à noite, a razão sendo que a lua, se elevando aqui todo dia, tocando aquelas criaturas falecidas com Amrita por meio de raios, que constituem seus braços, as ressuscita por meio daquele toque. Privados de sua prosperidade por Vasava, é aqui que muitos Danavas pecaminosos vivem presos, derrotados por ele e afligidos pelo Tempo. Foi aqui que o Senhor das criaturas, aquele grande Mestre de todos os seres criados, Mahadeva, praticou as mais severas das austeridades ascéticas para o benefício de todas as criaturas. Aqui moram muitos regenerados e grandes Rishis cumpridores de votos chamados 'Go' e emaciados com a recitação e estudo dos Vedas, e que, tendo suspendido o ar vital chamado Prana, alcançaram o céu por força de suas austeridades. É dito que um homem adota o voto chamado Go quando ele dorme onde quer que ele deseje, e quando ele subsiste de qualquer coisa que outros coloquem diante dele, e se veste com mantos que outros possam fornecer. Aqui na raça do elefante célebre Supratika nasceram aqueles melhores dos elefantes conhecidos pelos nomes de Airavata, Vamana, Kumuda e Anjana, o primeiro sendo o rei de sua tribo. Veja, ó Matali, se há algum noivo aqui, que seja distinto pela posse de méritos superiores, pois então eu irei até ele para respeitosamente pedi-lo para aceitar tua filha. Veja, aqui jaz um ovo nestas águas, resplandecendo com beleza. Desde o começo da criação ele está aqui. Ele não se move, nem se rompe. Eu nunca ouvi alguém falando de seu nascimento ou natureza. Ninguém sabe quem é seu pai ou mãe. É dito, ó Matali, que quando chega o fim do mundo, um poderoso fogo irrompe de dentro dele, e se espalhando consome os três mundos com todos os seus objetos móveis e imóveis.' Ouvindo aquelas palavras de Narada, Matali respondeu a ele, dizendo, 'Ninguém aqui me parece ser elegível. Vamos embora, portanto, sem demora!'" 100 "Narada continuou, 'Aqui é aquela espaçosa e célebre cidade das cidades, chamada Hiranyapura, pertencente aos Daityas e Danavas, possuindo cem diversas espécies de ilusão. Aqui nestas regiões chamadas Patala ela foi construída com grande cuidado pelo artífice divino, e planejada pelo Danava Maya. Dotados de grande energia e heroísmo, muitos Danavas, tendo obtido bênçãos (de Brahman) antigamente viviam aqui, exibindo mil espécies diferentes de ilusão. Eles eram incapazes de ser vencidos por Sakra ou algum outro celestial, isto é, ou por Yama, ou Varuna, ou o Senhor dos tesouros (Kuvera). Aqui moram, ó Matali, aqueles Asuras chamados Kalakhanjas que surgiram de Vishnu, e aqueles Rakshasas também chamados Yatudhanas que surgiram dos pés de Brahman. Todos eles são dotados de dentes terríveis, ímpeto terrível, a velocidade e bravura do vento, e grande energia dependendo de poderes de ilusão. Além desses, outra classe de Danavas chamados Nivatakavachas, que são invencíveis em batalha, têm sua residência aqui. Tu sabes como Sakra não pode derrotá-los. Muitas vezes, ó Matali, tu, com teu filho Gomukha, e o chefe dos celestiais e marido de Sachi, junto com seu filho, tiveste que te retirar diante deles. Veja suas casas, ó Matali, que são todas feitas de prata e ouro, e bem adornadas com decorações feitas de acordo com as regras de arte. Todas aquelas mansões são ornamentadas com lápis lazúli e coral, e feitas refulgentes com o brilho do Arkasphatika, e o brilho da pedra preciosa chamada Vajrasara. E muitas daquelas residências suntuosas parecem como se elas tivessem sido feitas do brilho destas pedras preciosas chamadas Padmaragas, ou de mármore claro, ou de madeira excelente. E elas são também possuidoras do brilho do sol, ou do fogo ardente. E todos os edifícios, adornados com pedras preciosas e jóias, são muito altos e próximos uns dos outros. De proporções espaçosas e grande beleza arquitetônica, é impossível dizer de que material estas mansões são construídas ou descrever seu estilo de beleza. De fato, elas são extremamente belas por causa de suas decorações. Veja estes retiros dos Daityas para recreação e esporte, estas camas deles para dormir, estes utensílios caros deles enfeitados com pedras preciosas, e estes assentos também para seu uso. Veja estas colinas deles, parecendo com as nuvens, aquelas fontes de água, estas árvores também que se movem por sua própria vontade e produzem todas as frutas e flores que alguém possa pedir. Veja, ó Matali, se pode haver algum noivo aqui, aceitável para ti. Se ninguém puder ser encontrado, nós iremos, se tu quiseres, daqui para alguma outra parte do mundo.' Assim endereçado, Matali respondeu para Narada, dizendo, 'Ó Rishi celeste, não me cabe fazer qualquer coisa que possa ser desagradável para os habitantes do céu. Os deuses e os Danavas, embora irmãos estão sempre em hostilidade uns com os outros. Como eu posso, portanto, fazer uma aliança com aqueles que são nossos inimigos? Vamos, portanto, para algum outro lugar. Não cabe a mim procurar entre os Danavas. Com relação a ti, eu sei que o teu coração está sempre fixado em fomentar disputas.'" 101 "Narada disse, 'Este região pertence às aves, todas as quais possuem penas excelentes. Elas todas subsistem de cobras. Elas nunca sentem qualquer fadiga em empregar sua bravura, ou em fazer viagens, ou em conduzir cargas. Esta raça, ó quadrigário, se multiplicou dos seis filhos de Garuda. Eles são Sumukha, Sunaman, Sunetra, Suvarchas, Suanch e aquele príncipe das aves chamado Suvala. Nascidas da linhagem de Kasyapa e aumentando a glória da família de Vinata muitas criaturas aladas, as principais da sua espécie, por gerar filhos têm fundado e aumentado mil dinastias de aves, todos dotadas de nobreza de sangue. Todas estas criaturas são dotadas de grande prosperidade, tem o vórtice auspicioso chamado Sreevatsa, possuem grande riqueza, e são inspiradas com grande poder. Por suas ações elas podem ser citadas como pertencentes à ordem Kshatriya, mas elas são todas sem qualquer compaixão, subsistindo como elas fazem de cobras. Elas nunca alcançam iluminação espiritual por elas matarem seus parentes para comer. Eu agora enumerarei as principais por seus nomes, ouça-me, ó Matali. Esta raça é muito respeitada por causa da predileção que é mostrada a ela por Vishnu. Eles todos adoram Vishnu, e Vishnu é seu protetor. Vishnu sempre mora em seus corações, e Vishnu é seu grande refúgio. Estes então são seus nomes: Suvarnachuda, Nagasin Daruna, Chandatundaka, Anala, Vaisalaksha, Kundalin, Pankajit, Vajraviskambha, Vainateya, Vamana, Vatavega, Disachakshu, Nimisha, Animisha, Trirava, Saptarava, Valmiki, Dipaka, Daityadwipa, Saridwipa, Sarasa, Padmaketana, Sumukha, Chitraketu, Chitravara, Anagha, Meshahrit, Kumuda, Daksha, Sarpanta, Somabhojana, Gurubhara, Kapota, Suryanetra, Chirantaka, Vishnudharman, Kumara, Parivarha, Hari, Suswara, Madhuparka, Hemavarna, Malaia, Matariswan, Nisakara e Divakara. Estes filhos de Garuda que eu citei moram somente em uma única província desta região. Eu mencionei só aqueles que ganharam distinção por poder, fama e realizações. Se tu não gostaste de ninguém aqui, venha, nós partiremos, ó Matali. Eu te levarei para outra região onde tu possas achar um marido qualificado para tua filha.'" 102 "Narada disse, 'A região onde nós estamos agora é chamada de Rasatala e é a sétima camada abaixo da Terra. Aqui mora Surabhi, a mãe de todas as vacas, ela que nasceu do Amrita. Ela sempre produz leite o qual é a essência de todas as melhores coisas da terra, e que, excelente como é, e de um gosto, surge da essência das seis diferentes espécies de gostos (que são mencionados). A própria impecável Surabhi surgiu nos tempos passados da boca do Avô, satisfeito por beber o Amrita e vomitando as melhores coisas. Um jato único somente de seu leite, caindo na terra, criou o que é conhecido como o sagrado e o excelente 'Oceano Leitoso.' A margem daquele oceano está sempre coberta por toda parte com espuma branca parecendo um cinto de flores. Aqueles melhores dos ascetas que são conhecidos pelo nome de 'Bebedores de espuma' moram em volta daquele oceano, subsistindo daquela espuma somente. Eles são chamados de 'Bebedores de espuma' porque eles vivem, ó Matali, de nada mais salvo aquela espuma. Engajados na prática das mais severas das austeridades, sabe-se que os próprios deuses os temem. Dela (Surabhi) nasceram quatro outras vacas, ó Matali, sustentando os quatro quadrantes e portanto, elas são chamadas de sustentadoras dos quadrantes (Dikpali). Nascida da própria Surabhi, aquela que sustenta o quadrante leste é chamada Surupa. Aquela que sustenta o quadrante sul é chamada Hansika. Aquela vaca ilustre, ó Matali, de forma universal, que sustenta o quadrante oeste governado por Varuna é conhecida pelo nome de Subhadra. O quadrante norte abrangendo a região da virtude, e que recebeu o nome de Kuvera o Senhor de tesouros, é sustentado pela vaca chamada Sarva- kamadugha. Os deuses, se unindo com os Asuras, e fazendo da montanha Mandara sua vara, bateram as águas do oceano e obtiveram o vinho chamado Varuni, e (a Deusa da Prosperidade e Graça chamada) Lakshmi, e Amrita, e aquele príncipe dos corcéis chamado Uchchhaisrava, e aquela melhor das jóias chamada Kaustubha. Aquelas águas, ó Matali, que produziram estas coisas preciosas tinham sido todas misturadas com o leite destas quatro vacas. Em relação à Surabhi, o leite que ela produziu se tornou Swaha para aqueles que vivem de Swaha, Swadha para aqueles que vivem de Swadha, e Amrita para aqueles que vivem de Amrita. O dístico (parelha de versos) que era cantado pelos habitantes de Rasatala antigamente, ainda é ouvido recitado no mundo pelas pessoas de erudição. Aquele dístico é este, 'Nem na região dos Nagas, nem em Swarga, nem em Vimana, nem em Tripishtapa a residência é tão feliz como em Rasatala!'" "Narada disse, 'Esta principal das cidades que tu vês e que parece com a Amaravati do próprio chefe dos celestiais é conhecida pelo nome de Bhogavati. Ela é governada por Vasuki, o rei dos Nagas. Mora aqui aquele Shesha que, por suas austeridades ascéticas da principal ordem é capaz de sustentar esta terra com toda sua vastidão. Seu corpo é como aquele de uma montanha branca. Ele está enfeitado com ornamentos celestes. Ele tem mil cabeças. Suas línguas são ardentes como chamas de fogo, e ele é dotado de grande força. Nesse lugar moram em felicidade inúmeros Nagas, filhos de Surasa, possuidores de formas diversas, e enfeitados com ornamentos de diversos tipos, portando os sinais de pedras preciosas, Suástica, círculos e recipientes para beber. Todos eles dotados de grande força são ferozes por natureza. Alguns têm mil cabeças, alguns quinhentas, e alguns três. E alguns têm duas cabeças, e alguns cinco, e alguns têm sete faces. E todos eles são possuidores de corpos enormes que parecem as montanhas se estendendo sobre a terra. Milhões e dezenas de milhões são eles, realmente, incontáveis, mesmo com relação àqueles que pertencem a uma única família. Ouça, no entanto, a mim enquanto eu cito uns poucos dos mais famosos entre eles. Eles são Vasuki, Takshaka, Karkotaka, Dhanjaya, Kaliya, Nahusha, Aswatara, Vakyakunda, Mani, Apurana, Khaga, Vamana, Elapatra, Kukura, Kukuna, Aryaka, Nandaka, Kalasa, Potaka, Kalilasaka, Pinjaraka, Airavata, Sumanmukha, Dadhimukha, Sankha, Nanda, Upanandaka, Apta, Kotaraka, Sikhi, Nishthuraka, Tittiri, Hastibhadra, Kumuda, Maylapindaka, os dois Padmas, Pundarika, Pushpa, Mudgaraparnaka, Karavira, Pitharaka, Samvritta, Vritta, Pindara, Vilwapatra, Mushikada, Sirishaka, Dilipa, Sankha-sirsha, Jyotishka, Aparajita, Kauravya, Dhritarashtra, Kuhara, Krisaka, Virajas, Dharana, Savahu, Mukhara, Jaya, Vidhira, Andha, Visundi, Virasa, e Sarasa. Há estes e muitos outros entre os filhos de Kasyapa. Veja, ó Matali, se há alguém aqui a quem tu possas eleger.' "Kanwa continuou, 'Matali enquanto isso tinha estado olhando atentamente para uma pessoa que estava perto. E depois que Narada tinha parado de falar, o quadrigário celeste com mente satisfeita questionou o Rishi, dizendo, 'De que linhagem é aquele encantador, aquele jovem gracioso de grande esplendor, que está à frente de Aryaka da linhagem Kauravya? Quem é seu pai, e quem é sua mão? De que família Naga ele é? De fato, de que linhagem ele permanece como uma haste elevada? Por sua inteligência, sua paciência, sua beleza, e sua juventude, meu coração, ó Rishi celeste, foi atraído para ele. Aquele jovem será o melhor dos maridos para minha Gunakesi.' "Kanwa continuou, 'Vendo a satisfação de Matali ao ver o Naga chamado Sumukha, Narada informou-o da nobreza de sua ascendência e de suas façanhas. E ele disse, 'Nascido na linhagem de Airavata aquele príncipe dos Nagas se chama Sumukha. Ele é o neto favorito de Aryaka, e o filho da filha de Vamana. O pai deste jovem era, ó Matali, o Naga chamado Chikura. Não muito antes ele foi morto pelo filho de Vinata.' Ouvindo isto Matali ficou muito satisfeito, e se dirigindo a Narada o quadrigário disse, 'Este melhor de Nagas é, ó senhor, muito aceitável para mim como um genro. Faça um esforço para assegurá-lo, pois eu estou muito satisfeito ao pensar em entregar a este Naga, ó Muni, minha filha querida.'" 104 "Narada então disse (para Aryaka), 'Este é o quadrigário de nome Matali. Ele é, além disso, um amigo querido de Sakra. Puro em conduta, ele tem uma excelente disposição e possui virtudes numerosas. Dotado de força mental, ele tem grande energia e grande poder. Ele é o amigo, conselheiro, e quadrigário de Sakra. É visto em toda batalha que é pouca a diferença que existe entre ele e Vasava em relação à coragem e força. Em todas as batalhas entre os deuses e Asuras é este Matali que dirige, só por meio de sua mente, aquele sempre vitorioso e melhor dos carros pertencentes a Indra, o qual é puxado por mil corcéis. Vencidos por seu manejo dos corcéis, os inimigos dos deuses são subjugados por Vasava pelo uso de suas mãos. Derrotados antes por Matali, os Asuras são posteriormente mortos por Indra. Matali tem uma filha excelente, que em beleza é incomparável no mundo. Sincera e possuidora de todas as habilidades, ela é conhecida pelo nome de Gunakesi. Ele estava procurando nos três mundos por um noivo elegível. Ó tu que és possuidor do esplendor de um celestial, teu neto, Sumukha, se tornou aceitável para ele como um marido para sua filha. Se, ó melhor das serpentes, sua proposta for aceitável para ti, decida rapidamente, ó Aryaka, receber sua filha de presente para teu neto. Como Lakshmi na casa de Vishnu, ou Swaha naquela de Agni, assim deixe Gunakesi de cintura fina ser uma esposa na tua família. Que Gunakesi, portanto seja aceita por ti para teu neto, como Sachi para Vasava que a merece. Embora este jovem tenha perdido seu pai, contudo nós o escolhemos por suas virtudes, e pela tua respeitabilidade e de Airavata. De fato, é pelos méritos de Sumukha, sua disposição, pureza, autodomínio e outras qualificações que Matali ficou desejoso de entregar sua filha para ele. Cabe a ti, portanto, honrar Matali.' "Kanwa continuou, 'Assim endereçado por Narada, Aryaka vendo seu neto escolhido como um noivo e se lembrando da morte de seu filho estava cheio de alegria e tristeza ao mesmo tempo. E ele então se dirigiu a Narada e disse, 'Como, ó Rishi celeste, eu posso desejar Gunakesi como nora? Não é, ó grande Rishi, que tuas palavras não são muito respeitadas por mim, pois quem não desejaria uma aliança com o amigo de Indra? Eu hesito, no entanto, ó grande Muni, por causa da instabilidade da própria causa que não faria aquela aliança durável. Ó tu de grande refulgência, o criador desta jovem, isto é, meu filho, foi devorado por Garuda. Nós estamos afligidos com tristeza por conta disso. Mas pior ainda, ó senhor, o filho de Vinata, na hora de deixar estas regiões, disse, ‘Depois de um mês eu devorarei este Sumukha também.’ Certamente, isto acontecerá como ele disse, pois nós sabemos com quem nós temos lidado. Por causa destas palavras, portanto, de Suparna nós ficamos desconsolados!' "Kanwa continuou, 'Matali então disse para Aryaka, 'Eu formei um plano. Este teu neto está escolhido por mim como meu genro. Deixe este Naga então, procedendo comigo e Narada, ir ao Senhor do céu, o chefe dos celestiais, ó melhor dos Nagas. Eu então me esforçarei para colocar obstáculos no caminho de Suparna, e como um último recurso, nós averiguaremos o período de vida que foi concedido para Sumukha. Abençoado sejas tu, ó Naga, deixe Sumukha, portanto, vir comigo à presença do Senhor dos celestiais.' Dizendo isto, eles levaram Sumukha com eles, e todos os quatro, dotados de grande esplendor, indo para o céu viram Sakra, o chefe dos deuses, sentado em toda sua glória. E aconteceu que o ilustre Vishnu de quatro braços estava também presente lá. Narada então relatou toda a história acerca de Matali e sua escolha.' "Kanwa continuou, 'Ouvindo tudo o que Narada disse, Vishnu se dirigiu a Purandara, o Senhor do universo, dizendo, 'Que Amrita seja dado para este jovem, e que ele seja feito imortal como os próprios deuses. Que Matali, e Narada, e Sumukha, ó Vasava, todos realizem seu desejo por meio da tua graça.' Purandara, no entanto, refletindo sobre a bravura do filho de Vinata disse para Vishnu, 'Que Amrita seja dado a ele por ti.' Assim endereçado, Vishnu disse, ‘Tu és o Senhor de todas as criaturas móveis e imóveis. Quem, ó senhor, recusaria um presente feito por ti?’ Por estas palavras Sakra deu para aquele Naga extensão de dias. O matador de Vala e Vritra não o fez um bebedor de Amrita. Sumukha, tendo obtido aquele benefício, (em realidade) se tornou Sumukha (literalmente, alguém que tem uma bela ou excelente face), pois seu rosto estava coberto com sinais de alegria. E tendo se casado com a filha de Matali, ele voltou para casa alegremente. E Narada e Aryaka também cheios de alegria pelo êxito de seu objetivo partiram, depois de terem adorado o glorioso chefe dos celestiais.'" 105 "Kanwa disse, 'Enquanto isso, ó Bharata, o poderoso Garuda soube o que tinha acontecido, isto é, a concessão por Sakra de extensão de dias ao Naga Sumukha. E inflamado com grande ira aquele viajante do firmamento, Suparna, atingindo os três mundos com o furacão causado pelas batidas de suas asas, foi rapidamente até Vasava. E Garuda disse, 'Ó ilustre, me desrespeitando por que tu interferiste com meu sustento? Tendo me concedido um benefício por tua própria vontade, por que tu agora o retiras? O Senhor Supremo de todas as criaturas, desde o início, ordenou qual deve ser meu alimento. Por que tu então ficas no caminho daquele decreto divino? Eu tinha escolhido este grande Naga e tinha fixado tempo, pois, ó deus, eu pretendia oferecer a carne de seu corpo como sustento para minha numerosa prole. Quando ele, portanto, obteve um benefício de ti e se tornou indestrutível por mim, como eu posso de agora em diante ousar matar outro de sua espécie? Tu te divertes assim, ó Vasava, como tu queres? Eu, no entanto, terei que morrer, como também os membros da minha família e os empregados que eu contratei em minha casa. Isso, eu penso, te satisfará, ó Vasava! De fato, ó matador de Vala e Vritra, eu mereço tudo isso, não, mais ainda, já que sendo o senhor dos três mundos em força, eu contudo consenti em me tornar empregado de outro. Ó monarca dos três mundos, Vishnu, no entanto, não é a única causa da minha inferioridade, pois embora, ó Vasava, eu seja realmente teu igual, entretanto a soberania dos três mundos se apóia em ti, ó chefe dos celestiais. Como tu, eu também tenho uma filha de Daksha como minha mãe e Kasyapa como meu pai. Como tu, eu também posso, sem qualquer fadiga, aguentar o peso dos três mundos. Eu tenho força que é incomensurável e incapaz de ser resistida por qualquer criatura. Na guerra com os Daityas eu também realizei grandes feitos. Srutasri e Srutasena e Vivaswat, e Rochanamukha, e Prasrura, e Kalakaksha entre os filhos de Diti foram mortos por mim. Pousando ainda sobre o mastro de bandeira do carro do teu irmão mais novo eu o protejo cuidadosamente em batalha, e às vezes eu também carrego aquele teu irmão em minhas costas. É, talvez, por isso que tu me desconsideras. Quem mais há no universo que seja capaz de carregar tais cargas pesadas? Quem há que seja mais forte do que eu? Embora eu seja superior, eu ainda carrego em minhas costas aquele teu irmão mais novo com todos os seus amigos. Quando, no entanto, me desconsiderando tu interferiste com minha alimentação, tu, ó Vasava, infligiste desgraça sobre mim, como este teu irmão mais novo tem estado até agora me desgraçando por me fazer carregá-lo em minhas costas. Em relação a ti, ó Vishnu, entre todos aqueles dotados de coragem e força que nasceram do útero de Aditi, tu és superior em força. Contudo eu te carrego sem qualquer fadiga, com somente uma das minhas penas. Pense friamente então, ó irmão, quem entre nós é mais forte?' "Kanwa continuou, 'Ouvindo as palavras orgulhosas daquela ave prenunciando perigo o portador do disco, provocando Tarkshya ainda mais, disse para ele, 'Embora tão fraco, por que tu, ó Garuda, ainda te consideras forte? Ó criatura ovípara, não cabe a ti te vangloriar dessa maneira em nossa presença. Os três mundos juntos não podem suportar o peso do meu corpo. Eu mesmo suporto meu próprio peso e o teu também. Aproxime-te agora, aguente o peso deste meu braço direito. Se tu puderes aguentar exatamente isto, tua jactância será considerada razoável.’ Dizendo isso, o santo colocou seu braço nos ombros de Garuda. Nisso o último caiu, afligido com seu peso, confuso, e privado de seus sentidos. E Garuda sentiu que o peso daquele braço de Vishnu era tão grande como aquele da Terra inteira com suas montanhas. Dotado de poder infinitamente maior, Vishnu, no entanto, não o afligiu muito. De fato, Achyuta não tirou sua vida. Aquele que percorre o céu, afligido então por aquele peso imenso, ofegou, e começou a perder suas penas. Com todos os membros enfraquecidos, e completamente confuso, Garuda estava quase privado de sua razão. O filho alado de Vinata então, assim confuso e quase privado de seus sentidos, e tornado completamente impotente, se curvando a Vishnu com cabeça inclinada, dirigiu-se a ele fracamente, dizendo, 'Ó Senhor ilustre, a essência daquela força que sustenta o universo reside neste teu corpo. É de admirar, portanto, que eu seja esmagado no solo por um único braço teu, esticado à tua vontade? Cabe a ti, ó Senhor Divino, perdoar esta criatura alada que pousa no teu mastro de bandeira, este tolo embriagado com orgulho de força, mas agora tornado completamente incapaz. Tua grande força, ó Senhor Divino, nunca foi antes conhecida por mim. Era por isso que eu considerava meu próprio poder como inigualável.' Assim endereçado, o ilustre Vishnu ficou satisfeito, e se dirigindo a Garuda com afeição, disse, 'Que teu comportamento não seja assim novamente.' E dizendo isso, Upendra jogou Sumukha com o dedo de seu pé sobre o peito de Garuda. E desde aquele tempo, ó rei, Garuda sempre viveu em amizade com aquela cobra. Foi assim, ó rei, que aquele poderoso e ilustre Garuda, o filho de Vinata, afligido pelo poder de Vishnu, foi curado de seu orgulho.' "Kanwa continuou, 'Da mesma maneira, ó filho de Gandhari, tu vives, ó filho, enquanto tu não te aproximas dos filhos heróicos de Pandu em batalha. Quem há a quem Bhima, aquele principal dos batedores, aquele poderoso filho de Vayu, e Dhananjaya, o filho de Indra, não possam matar em batalha? O próprio Vishnu, e Vayu e Dharma, e os Aswins, esses deuses são teus inimigos. Sem falar de um confronto com eles, tu não és competente nem para olhar para eles no campo. Portanto, ó príncipe, não fixe teu coração na guerra; que a paz seja feita através da agência de Vasudeva. Cabe a ti salvar tua família dessa maneira. Este grande asceta Narada testemunhou com seus próprios olhos o incidente (que eu relatei para ti) o qual mostra a grandeza de Vishnu, e saiba que este Krishna é aquele portador do disco e da maça!'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras do Rishi, Duryodhana contraiu suas sobrancelhas e começou a respirar pesadamente. E lançando seus olhos então no filho de Radha, ele caiu na gargalhada. E desprezando aquelas palavras do Rishi, aquele canalha perverso começou a bater em sua coxa que parecia com a tromba de um elefante. E se dirigindo ao Rishi, ele disse, 'Eu sou, ó grande Rishi, precisamente o que o Criador me fez. O que é para ser, deve ser. O que também foi ordenado no meu caso deve acontecer, eu não posso agir de outra maneira. De que utilidade essas declamações sem sentido, portanto, podem ser?'" 106 "Janamejaya disse, 'Interminavelmente dedicado ao mal, cegado pela avareza, viciado em comportamentos pecaminosos, decidido a trazer destruição sobre sua cabeça, inspirando aflição nos corações dos parentes, aumentando as dores de amigos, afligindo todos os seus simpatizantes, aumentando as alegrias de inimigos, e trilhando o caminho errado, por que seus amigos não procuraram reprimi-lo, e por que também aquele amigo formidável (da família de Kuru), o Santo; com alma tranquila, ou o avô não disseram alguma coisa a ele por afeição?' "Vaisampayana disse, 'Sim, o santo falou. Bhishma também falou o que era benéfico. E Narada também falou muito. Ouça tudo o que eles disseram.' "Vaisampayana continuou, 'Narada disse, 'Pessoas que escutam os conselhos de amigos são raras. Também são raros os amigos que oferecem conselhos benéficos, pois um amigo (necessitado de conselhos) nunca está lá onde um amigo (oferecendo conselho) está. Ó filho da linhagem de Kuru, eu penso que as palavras de amigos devem ser escutadas. Obstinação deve ser evitada; pois ela é repleta de grande mal. Em relação a isto é citada uma velha história a respeito de Galava ter encontrado desgraça por teimosia. Nos tempos antigos, para testar Viswamitra, que estava então engajado em austeridades ascéticas, Dharma foi pessoalmente até ele, tendo assumido a forma do Rishi Vasishtha. Assumindo dessa maneira, ó Bharata, a forma de um dos sete Rishis, e fingindo estar faminto e desejoso de comer, ele foi, ó rei, ao eremitério de Kausika. Nisso, Viswamitra dominado por temor respeitoso começou a cozinhar Charu (que era uma preparação de arroz e leite). E pelo cuidado que ele tomou em preparar aquela comida excelente ele não pôde servir devidamente seu convidado. E não foi até depois de o convidado ter jantado a comida oferecida pelos outros eremitas que Viswamitra conseguiu se aproximar dele com o Charu que ele tinha cozinhado e que ainda estava fumegando. 'Eu já jantei; espere aqui,' foram as palavras que o santo disse. E tendo dito aquilo o santo foi embora. E por esse motivo, o ilustre Viswamitra, ó rei, esperou lá. E sustentando aquele alimento sobre sua cabeça e segurando-o com seus braços, aquele asceta de votos rígidos ficou de pé em seu eremitério, imóvel com um poste, subsistindo de ar. E enquanto ele estava lá, um asceta de nome Galava, por motivos de respeito e reverência e afeição e desejo de fazer o que era agradável, começou a servi-lo. E depois que cem anos tinham passado, Dharma, assumindo novamente a forma de Vasishtha, se aproximou de Kausika pelo desejo de comer. E vendo o magnífico Rishi Viswamitra, que era dotado de sabedoria superior, de pé lá com aquela comida sobre sua cabeça, ele mesmo subsistindo todo o tempo de ar, Dharma aceitou aquele alimento que ainda estava quente e fresco. E tendo comido aquele alimento, o deus disse, ‘Eu estou satisfeito, ó Rishi regenerado.’ E dizendo isso, ele partiu. E por aquelas palavras de Dharma, Viswamitra privado da condição de Kshatriya por ser dotado da condição de um Brahmana ficou cheio de alegria. (A história da promoção de Viswamitra para a condição de um Brahmana é muito característica. Engajado em uma disputa com o Rishi Brahmana Vasishtha, Viswamitra era um rei Kshatriya (o filho de Kusika), que descobriu, por experiência amarga, que a energia e poder Kshatriya auxiliados por toda a ciência de armas não tinha nenhuma eficácia contra o poder de um Brahmana, pois Vasishtha por meio de seus poderes ascéticos criou miríades e miríades de tropas ferozes que infligiram uma derrota notável ao grande rei Kshatriya. Frustrado dessa maneira, Viswamitra se retirou para o leito de Himavat e prestou homenagem a Siva. O grande Deus apareceu e Viswamitra lhe pediu o domínio de toda a ciência de armas. O deus concedeu seu rogo. Viswamitra então voltou e procurou um combate com Vasishtha, mas o último somente com a ajuda de seu bastão Brahmânico (bambu) frustrou as armas mais violentas de Viswamitra, mesmo de eficácia celeste. Humilhado e desgraçado Viswamitra fixou seu coração em se tornar um Brahmana. Ele abandonou seu reino e se retirando para as florestas com sua rainha começou a praticar as mais severas austeridades. Depois do término de dez mil anos o Criador Brahma apareceu diante dele e se dirigiu a ele como um Rishi nobre. Desanimado por isto, ele se dedicou a austeridades ainda mais rígidas. Finalmente, por ordem de Dharma, o grande rei Kshatriya se tornou um Brahmana. Este, nas escrituras hindus, é o único caso de uma pessoa pertencente a uma ordem inferior se tornando um Brahmana por meio de austeridades ascéticas.) E satisfeito como ele estava com os serviços e devoção de seu discípulo, o asceta Galava, Viswamitra se dirigiu a ele e disse, 'Com minha permissão, ó Galava, vá para onde quer que tu queiras.' Assim mandado por seu preceptor, Galava, muito contente, disse em uma voz agradável para Viswamitra de grande resplendor, ‘Que presente final eu farei para ti por teus serviços como preceptor? Ó concessor de honras, é por causa da doação (final) que um sacrifício se torna bem sucedido. O doador de tais presentes obtém a emancipação. De fato, estes presentes constituem os resultados (que alguém desfruta no céu). Eles são considerados como paz e tranquilidade personificados. O que, portanto, eu devo obter para meu preceptor? Oh, que isto seja dito.' O ilustre Viswamitra sabia que ele realmente tinha sido conquistado por Galava por meio dos serviços do último, e o Rishi, portanto, procurou dispensá-lo por dizer repetidamente, 'Vá, Vá.' Mas apesar de ser repetidamente mandado embora por Viswamitra, Galava contudo se dirigiu a ele dizendo, 'O que eu darei?' E vendo essa teimosia da parte do asceta Galava, Viswamitra sentiu uma leve elevação de raiva e finalmente disse, 'Dê-me oitocentos corcéis, todos os quais devem ser tão brancos quanto os raios da lua, e todos os quais devem tem uma orelha preta. Vá agora, ó Galava, e não demore.'" 107 "Narada disse, 'Assim endereçado por Viswamitra de grande inteligência Galava ficou cheio de tal ansiedade que ele não podia ficar sentado ou deitado, ou consumir sua comida. Uma vítima de ansiedade e arrependimento, lamentando amargamente, e queimando com remorso, Galava empalideceu, e foi reduzido a um esqueleto. E atingido por tristeza, ó Suyodhana, ele se entregou a essas lamentações, 'Onde eu encontrarei amigos ricos? Onde eu encontrarei dinheiro? Eu tenho algumas economias? Onde eu encontrarei oitocentos corcéis de brancura lunar? Que prazer eu posso ter em comer? Que felicidade pode ser minha em objetos de prazer? O próprio amor à vida está extinto em mim. Que necessidade eu tenho da vida? Dirigindo-me para a outra margem do grande oceano, ou ao limite mais longe da terra, eu abandonarei minha vida. De que utilidade a vida pode ser para mim? Que felicidade, sem esforço severo, pode ser daquele que é pobre, frustrado, privado de todas as boas coisas da vida, e carregado com dívida? A morte é preferível à vida em relação àquele que tendo desfrutado da riqueza de amigos por causa da amizade deles por ele não pode retribuir seu favor. Perdem sua eficácia as ações religiosas daquele homem que tendo prometido fazer uma ação fracassa em realizá-la e é assim maculado pela mentira. Alguém que está manchado pela mentira não pode ter beleza, ou filhos, ou poder, ou influência. Como, portanto, tal pessoa pode alcançar um estado bem- aventurado? Qual homem ingrato alguma vez ganhou renome? Onde, de fato, está seu lugar, e onde sua felicidade? Uma pessoa mal-agradecida nunca pode ganhar estima e afeto. A salvação também nunca pode ser dela. Aquele que é desprovido de riqueza é um desgraçado que mal pode ser considerado como vivo. Tal infeliz não pode sustentar seus parentes e amigos. Incapaz de dar algum retorno pelos benefícios que recebe, ele certamente encontra a destruição. Eu mesmo sou aquele desgraçado, mal-agradecido, desprovido de recursos, e manchado pela mentira, pois tendo obtido meus objetos de meu preceptor, eu sou incapaz de cumprir sua ordem. Tendo primeiro me esforçado ao máximo, eu sacrificarei minha vida. Antes disto, eu nunca ansiei por alguma coisa dos próprios deuses. As divindades me consideram por isto em local sacrifical. Eu irei e procurarei a proteção de Vishnu, o Senhor divino dos três mundos, de Krishna, o grande refúgio de todos os que são abençoados com proteção. Reverenciando a ele, eu desejo ver aquele maior de todos os ascetas, o Eterno Krishna de quem fluem todas aquelas posses e prazeres que são possuídos por deuses e Asuras.' E enquanto Galava estava lamentando dessa maneira, seu amigo Garuda, o filho de Vinata, apareceu em sua visão. E Garuda, pelo desejo de lhe fazer bem, se dirigiu alegremente a ele, dizendo, ‘Tu és um amigo querido para mim. É o dever de um amigo, quando ele mesmo em prosperidade, cuidar da realização dos desejos de seus amigos. A prosperidade que eu tenho, ó Brahmana, é constituída pelo irmão mais novo de Vasava, Vishnu. Antes disto, eu falei para ele em teu nome e ele ficou satisfeito em conceder meus desejos. Venha agora, nós iremos juntos. Eu te levarei confortavelmente para a outra margem do oceano, ou à extremidade mais distante da terra. Venha, ó Galava, e não demore.'" 108 "Garuda disse, 'Ó Galava, eu fui mandado por Deus, que é a causa de todo o conhecimento. Eu te pergunto, em direção à qual quadrante eu devo te levar primeiro para ver o que se encontra lá? O leste, o sul, o oeste, ou o norte, em direção à qual, ó melhor das pessoas regeneradas, eu irei, ó Galava? Aquele quadrante no qual Surya, o iluminador do universo, se eleva primeiro; onde, à noite, os Sadhyas se engajam em suas austeridade ascéticas; onde aquela Inteligência, que permeia todo o universo, surge primeiro; onde os dois olhos de Dharma, assim como ele mesmo, estão colocados; onde a manteiga clarificada derramada primeiro em sacrifício posteriormente fluiu por toda parte; aquele quadrante, ó melhor de todas as pessoas regeneradas, é o portão do Dia e Tempo. Lá as filhas de Daksha, nos tempos primitivos, deram à luz seus filhos. Lá os filhos de Kasyapa primeiro se multiplicaram. Aquele quadrante é a fonte de toda a prosperidade dos deuses, pois foi lá que Sakra foi primeiro ungido como o rei dos celestiais. Foi lá, ó Rishi regenerado, que Indra e os deuses praticaram suas penitências ascéticas. É por isto, ó Brahmana, que este quadrante é chamado de Purva (o Primeiro). E porque nos tempos mais antigos este quadrante estava coberto pelos Suras, é por isto que ele é chamado de Purva. Os deuses, desejosos de prosperidade, realizavam todas as suas cerimônias religiosas aqui. Foi aqui que o Criador divino do universo cantou primeiro os Vedas. Foi aqui que o Gayatri foi proclamado primeiro por Surya para os declamadores daquele hino sagrado. Foi aqui, ó melhor dos Brahmanas, que os Yajurvedas foram entregues por Surya (para Yajnavalkya). Foi aqui que o suco Soma, santificado por bênçãos, foi bebido primeiro em sacrifícios por Suras. Foi aqui que os fogos Homa, (satisfeitos por mantras), beberam primeiro artigos de origem cognata. (Estes artigos de origem cognata são manteiga clarificada, leite, e outras coisas usadas como libações em sacrifícios.) Foi aqui que Varuna primeiro se dirigiu às regiões inferiores e obteve toda sua prosperidade. Foi aqui, ó touro entre os duas vezes nascidos, que o nascimento, crescimento, e morte do antigo Vasishtha ocorreram. Aqui cresceram primeiro os cem ramos diferentes do Om! (Isto é, as subdivisões do Pravana, o Mantra misterioso, o qual é o começo de tudo, foram declaradas primeiro aqui.) Foi aqui que os Munis comedores de fumaça comeram a fumaça de fogos sacrificais. Foi nessa região que miríades de javalis e outros animais foram mortos por Sakra e oferecidos como porções sacrificais para os deuses. É aqui que o sol de mil raios, se erguendo, consome, por ira, todos aqueles que são maus e ingratos entre homens e Asuras. Este é o portão dos três mundos. Este é o caminho do céu e felicidade. Este quadrante é chamado Purva (leste). Nós iremos para lá, se isto te agradar. Eu sempre farei o que é agradável para aquele que é meu amigo. Diga-me, ó Galava, se algum outro quadrante te agrada, pois nós então iremos para lá. Escute agora ao que eu digo de outro quadrante.'" 109 "Garuda continuou, 'Antigamente, Vivaswat, tendo realizado um sacrifício, deu este quadrante como um presente (Dakshina) para seu preceptor, e é por isso que essa região é conhecida pelo nome de Dakshina (sul). É aqui que os Pitris dos três mundos têm sua habitação. E, ó Brahmana, é dito que uma classe de celestiais que subsiste só de fumaça também vive lá. Aqueles celestiais também que levam o nome de Viswedevas sempre moram nessa região junto com os Pitris. Adorados em sacrifícios em todos os mundos, eles são repartidores iguais com os Pitris. Este quadrante é chamado de a segunda porta de Yama. É aqui que os períodos concedidos para os homens são calculados em Trutis e Lavas. (Pequenas divisões de tempo). Nesta região sempre moram os Rishis celestes, os Pitriloka Rishis, e os Rishis reais, em grande felicidade. Aqui estão religião e verdade. É aqui que as ações (das pessoas) exibem seus resultados. Esta região, ó melhor dos duas vezes nascidos, é a meta das ações dos mortos. É esta região, ó melhor das pessoas regeneradas, para onde todos devem se dirigir. E como as criaturas estão todas dominadas pela escuridão, elas não podem, portanto, vir para cá em felicidade. Aqui, ó touro entre as pessoas regeneradas, há muitos milhares de Rakshasas malévolos para serem vistos pelos pecaminosos. Aqui, ó Brahmana, nos caramanchões sobre o leito de Mandara e nas residências de Rishis regenerados, os Gandharvas cantam salmos, roubando o coração e o intelecto. Foi aqui que Raivata (um Daitya), ouvindo os hinos Sama cantados em uma voz doce, se retirou para as florestas, deixando sua mulher e amigos e reino. Nesta região, ó Brahmana, Manu e o filho de Yavakrita juntos estabeleceram um limite que Surya nunca pode ultrapassar. Foi aqui que o descendente ilustre de Pulastya, Ravana, o rei dos Rakshasas, praticando austeridades ascéticas, solicitou (a bênção da) imortalidade dos deuses. Foi aqui que (o Asura) Vritra, em consequência de sua má conduta, incorreu na inimizade de Sakra. É nesta região que vidas de diversas formas todas chegam e são então dissociadas em seus cinco elementos (constituintes). É nesta região, ó Galava, que homens de atos perversos apodrecem (em torturas). É aqui que o rio Vaitarani flui, cheio com os corpos de pessoas condenadas ao inferno. Chegando aqui, as pessoas alcançam os extremos de felicidade e tristeza. Alcançando esta região, o sol derrama águas doces e dali procedendo novamente para a direção que recebeu o nome de (Vasishtha), mais uma vez derrama orvalho. Foi aqui que eu uma vez obtive (como alimento), um elefante prodigioso que lutava com uma tartaruga enorme. Foi aqui que o grande sábio Chakradhanu tomou seu nascimento de Surya. Aquele sábio divino depois veio a ser conhecido pelo nome de Kapila, e foi por ele que os (sessenta mil) filhos de Sagara foram afligidos. Foi aqui que uma classe de Brahmanas chamados Sivas, dominando completamente os Vedas, vieram a ser coroados com êxito (ascético). Tendo estudado todos os Vedas eles finalmente alcançaram salvação eterna. Nesta região está a cidade chamada Bhogavati que é governada por Vasuki, pelo Naga Takshaka e também por Airavata. Aqueles que têm que viajar para cá (depois da morte) enfrentam aqui uma densa escuridão. E tão espessa é aquela escuridão que ela não pode ser penetrada nem pelo próprio Sol ou por Agni. Digno de culto como tu és, até tu terás que passar por esta estrada. Diga-me agora se tu desejas viajar para esta direção. Além disso, ouça um relato sobre a direção oeste.'" 110 "Garuda disse, 'Este quadrante é o favorito do rei Varuna, o soberano do oceano. De fato, o senhor das águas teve sua origem aqui, e é para cá que se encontra sua soberania. E já que é aqui que perto do fim do dia (paschat) o sol dispensa seus raios que este quadrante, ó melhor dos duas vezes nascidos, é chamado de oeste (paschima). Para governar sobre todas as criaturas aquáticas e para a proteção das próprias águas, o ilustre e divino Kasyapa instalou Varuna aqui (como o rei desta região). Bebendo todos os seis sucos de Varuna, a lua, a dissipadora de escuridão, se torna jovem novamente no início da quinzena. Foi neste quadrante, ó Brahmana, que os Daityas foram derrotados e retidos firmemente pelo Deus do vento. E afligidos por uma tempestade poderosa, e respirando com dificuldade (enquanto fugiam), eles finalmente se deitaram nesta região para dormir (o sono que não conhece despertar). Para cá está aquela montanha chamada Asta que é a causa do crepúsculo noturno, e que (diariamente) recebe o sol carinhosamente virando em direção a ele. É deste quadrante que Noite e Sono, saindo no fim do dia, se espalham, como se para roubar de todas as criaturas vivas metade dos seus períodos concedidos de vida. Foi aqui que Sakra, vendo (sua madrasta) a deusa Diti jazendo adormecida em um estado de gravidez, cortou o feto (em quarenta e nove partes), de onde surgiram os (quarenta e nove) Maruts. É perto desta direção que as bases de Himavat se estendem em direção à eterna Mandara (afundada no oceano). Por viajar por até mil anos uma pessoa não pode chegar ao fim dessa base. É nesta região que Surabhi (a mãe das vacas), se dirigindo às margens do lago extenso, adornado com lotos dourados, emana seu leite. Aqui no meio do oceano é visto o tronco sem cabeça do ilustre Swarbhanu (Rahu) que está sempre inclinado a devorar o sol e a lua. Aqui é ouvido o alto canto dos Vedas por Suvarnasiras, que é invencível e de energia incomensurável, e cujo cabelo é eternamente verde. Foi nesta região que a filha do Muni Harimedhas permaneceu paralisada no céu pela injunção de Surya formulada nas palavras ‘Pare. Pare.’ Aqui, ó Galava, vento, e fogo, e terra, e água, são todos libertos, dia e noite, de suas sensações dolorosas. É a partir desta região que o rumo do sol começa a se desviar do caminho reto, e é nesta direção que todos os corpos luminosos (as constelações) entram na região solar. E tendo se movido por vinte e oito noites com o sol, eles saem do curso do sol para se movimentarem na companhia da lua. É nesta região que os rios que sempre alimentam o oceano têm suas fontes. Aqui, na residência de Varuna, estão as águas dos três mundos. Nesta região está situada a residência de Anarta, o príncipe das cobras. E aqui é a residência inigualável também de Vishnu, que é sem início e sem fim. Nesta região está também situada a residência do grande Rishi Kasyapa, o filho de Maricha. O quadrante oeste foi assim relatado para ti na sequência de te falar dos diferentes pontos. Diga-me agora, ó Galava, em direção a qual lado, ó melhor das pessoas regeneradas, nós iremos?'" 111 "Garuda disse, 'Ó Brahmana, já que este quadrante salva do pecado, e já que uma pessoa alcança a salvação aqui, é por este poder de salvar (Uttarana) que ele é chamado de norte (uttara). E, ó Galava, porque a residência de todos os tesouros do norte se estende em uma linha em direção ao leste e ao oeste, portanto o norte é às vezes chamado de região central (madhyama). E, ó touro entre os duas vezes nascidos, nesta região que é superior a todas não pode viver alguém que seja hostil, ou de paixões desenfreadas, ou injusto. Para cá, no retiro conhecido pelo nome de Vadari, moram eternamente Krishna que é o próprio Narayana, e Jishnu, aquele mais exaltado de todos os seres masculinos, e Brahman (o Criador). Aqui, no leito de Himavat sempre mora Maheswara dotado da refulgência do fogo que resplandece no fim do Yuga. Como Purusha, ele se diverte aqui com Prakriti (a mãe universal). Exceto por Nara e Narayana, ele é incapaz de ser visto pelas diversas classes de Munis, os deuses com Vasava em sua chefia, os Gandharvas, os Yakshas, e os Siddhas. Embora coberto com Maya, a ele somente o Vishnu eterno, de mil cabeças e mil pernas, pode contemplar. Foi nesta região que Chandramas (a lua) foi instalada na soberania de toda a ordem regenerada. Foi nesta região, ó tu principal de todos os conhecedores de Brahma, que Mahadeva recebendo-a primeiro sobre sua cabeça, depois deixou (a sagrada corrente) Ganga cair dos céus para o mundo dos homens. Foi aqui que a Deusa (Uma) praticou suas austeridades ascéticas por seu desejo de obter Maheswara (como seu marido). Foi nesta região que Kama, a ira (de Siva), Himavat, e Uma, resplandeceram todos juntos brilhantemente. Foi aqui, sobre o leito de Kailasa, ó Galava, que Kuvera foi instalado na soberania dos Rakshasas, dos Yakshas, e dos Gandharvas. É nesta região que se encontram (os jardins de Kuvera chamados) Chitraratha, e é aqui que o retiro dos (Munis chamados) Vaikhanasas está situado. É aqui, ó touro entre os duas vezes nascidos, que a corrente celeste chamada Mandakini, e a montanha Mandara são vistos. É aqui que os jardins chamados Saugandhi-kanaka são sempre protegidos pelos Rakshasas. Aqui se encontram muitas planícies cobertas com verdor gramíneo, como também a floresta de bananeiras, e aquelas árvores celestes chamadas Sautanakas. É nesta região, ó Galava, que os Siddhas, com almas sempre sob controle e sempre se divertindo à vontade, têm suas residências dignas, abundando com todos os objetos de prazer. É aqui que os sete Rishis com Arundhati podem ser vistos. É aqui que a constelação Swati é para ser vista, e é aqui que ela primeiro se eleva à visão. É nesta região que o Avô Brahman mora na vizinhança de Yajna (sacrifício incorporado). É neste quadrante que o sol, a lua, e os outros corpos luminosos são vistos girar regularmente. É nesta região, ó principal dos Brahmanas, que aqueles Munis ilustres e falantes da verdade chamados pelo nome de Dharma protegem a fonte do Ganges. A origem e aspecto físico e penitências ascéticas destes Munis não são conhecidos por todos. Os mil pratos que eles usam para servir o alimento oferecido em hospitalidade e os comestíveis também que eles criam à vontade são todos um mistério. O homem, ó Galava, que passa além do ponto protegido por estes Munis, é certo, ó principal dos Brahmanas, de encontrar a destruição. Ninguém mais, ó touro entre os Brahmanas, exceto o divino Narayana, e o eterno Nara chamado também de Jishnu, conseguiu passar além do ponto assim protegido. É nesta região que as montanhas de Kailasa estão localizadas, a residência de Ailavila (Kuvera). É aqui que as dez Apsaras conhecidas nome de Vidyutprabha tiveram sua origem. Ao cobrir, ó Brahmana, os três mundos com três passos no sacrifício de Vali (o rei Asura), Vishnu cobriu toda esta região norte; e, consequentemente, há um local aqui chamado Vishnupada. E ele dessa maneira recebeu o nome da pegada de Vishnu causada naquela ocasião. Aqui, neste quadrante, em um lugar chamado Usiravija, ao lado do lago dourado, o rei Marutta realizou, ó principal dos Brahmanas, um sacrifício. Foi aqui que as brilhantes e luminosas minas de ouro de Himavat se mostraram para o ilustre e regenerado Rishi Jimuta. E Jimuta doou toda aquela riqueza para os Brahmanas. E a tendo doado, aquele grande Rishi pediu a eles para chamá-la pelo seu próprio nome. E por isso aquela riqueza é conhecida pelo nome de ouro Jaimuta. Aqui, nesta região, ó touro entre os Bharatas, os regentes dos mundos, ó Galava, toda manhã e noite, proclamam, 'Qual propósito de qual pessoa nós executaremos?' É por estes, ó principal dos Brahmanas, e outros incidentes, que a região norte é superior a todos os quadrantes. E porque esta região é superior (uttara) a todas, portanto, ela é chamada de norte (uttara). As quatro regiões foram assim descritas, ó senhor, uma depois da outra para ti em detalhes. Em direção a qual quadrante então tu desejas ir? Eu estou pronto, ó principal dos Brahmanas, para te mostrar todos os quadrantes da terra!'" 112 "Galava disse, 'Ó Garuda, ó matador das principais cobras, ó tu de belas penas, ó filho de Vinata, leve-me, ó Tarkhya, para o leste onde os dois olhos de Dharma são abertos primeiramente. Ó, leve-me para o leste o qual tu descreveste primeiro, e onde, tu disseste, os deuses estão sempre presentes. Tu disseste que lá residem verdade e virtude. Eu desejo encontrar todos os deuses. Portanto, ó irmão mais novo de Aruna, leve-me para lá, para que eu possa ver os deuses.' "Narada continuou, 'Assim endereçado, o filho de Vinata respondeu para aquele Brahmana dizendo, 'Suba nas minhas costas.' E nisso, o Muni Galava viajou nas costas de Garuda. E Galava disse, 'Tua beleza, ó devorador de cobras, enquanto tu procedes, parece ser como a do próprio de manhã, aquele criador do dia dotado de mil raios. E, ó viajante dos céus, tua velocidade é tão grande que as próprias árvores, quebradas pela tempestade causada pelo bater das tuas asas, parecem te perseguir no percurso. Tu pareces, ó morador do céu, arrastar com a tempestade causada por tuas asas a própria Terra com todas as águas de seus oceanos, e com todas as suas montanhas, bosques e florestas. De fato, a tempestade causada pelo movimento das tuas asas parece erguer continuamente para o meio do ar as águas do mar, com todos os seus peixes e cobras e crocodilos. Eu vejo peixes possuidores de faces similares, e Timis e Timingilas e cobras dotadas de rostos humanos, todos oprimidos pela tempestade erguida por tuas asas. Meus ouvidos estão ensurdecidos pelo rugido do mar. Tão atordoado eu estou que eu não posso nem ouvir nem ver alguma coisa. De fato, eu esqueci meu próprio propósito. Diminua tua velocidade, ó viajante do céu, se lembrando do risco para a vida de um Brahmana. Ó senhor, nem o sol, nem os pontos cardeais, nem o próprio firmamento é mais perceptível para mim. Eu vejo somente uma densa escuridão à minha volta. O corpo não é mais visível para mim. Eu vejo somente teus dois olhos, ó ser ovíparo, parecendo duas jóias radiantes. Eu não posso ver o teu corpo nem o meu próprio. A cada passo, eu vejo faíscas de fogo emitidas do teu corpo. Pare sem demora estas faíscas de fogo e extinga o brilho deslumbrante dos teus olhos. Ó filho de Vinata, diminua essa velocidade excessiva do teu percurso. Ó devorador de cobras, eu não tenho interesse em ir contigo. Desista, ó abençoado, eu não posso suportar esta tua velocidade. Eu prometi dar para meu preceptor oitocentos corcéis brancos de refulgência lunar, cada um tendo uma orelha de cor preta. Eu não vejo modo, ó ser ovíparo, de cumprir minha promessa. Há somente uma maneira que eu posso ver, e esta é sacrificar minha própria vida. Eu não tenho riqueza própria, nem algum amigo rico, nem pode riqueza, embora imensa, obter a realização do meu objetivo.' "Narada continuou, 'Para Galava que estava proferindo estas e muitas outras palavras de rogo e tristeza, o filho de Vinata, sem diminuir sua velocidade, respondeu de modo risonho, dizendo, 'Tu tens pouca sabedoria, ó Rishi regenerado, já que tu desejas pôr um fim na tua própria vida. A morte nunca pode ser ocasionada por esforço próprio. De fato, a Morte é o próprio Deus. Por que tu, antes disto, não me informaste do teu propósito? Há meios excelentes pelos quais tudo isso pode ser realizado. Lá está aquela montanha chamada Rishabha na orla marítima. Descansando aqui por algum tempo e nos revigorando com alimento, ó Galava, eu retornarei.'" "Narada disse, 'Descendo então no pico de Rishabha, o Brahmana e a Ave viram uma dama Brahmana de nome Sandili, engajada lá em penitências ascéticas. E Galava e Garuda a cumprimentaram por inclinarem suas cabeças, e a reverenciaram. E nisso, a dama perguntou pelo seu bem-estar e lhes deu assentos. E tendo tomado seus assentos, ambos aceitaram o alimento cozido que a dama lhes ofereceu, depois de terem primeiro o oferecido aos deuses com Mantras. E tendo ingerido aquele alimento, eles se deitaram no chão e caíram em um sono profundo. E Garuda, por causa do desejo de deixar aquele local, após despertar, descobriu que suas asas tinham caído. De fato, ele tinha se tornado como uma bola de carne, com somente sua cabeça e pernas. E vendo ele chegar àquela situação, Galava tristemente perguntou, dizendo, 'Que condição é esta que tomou conta de ti como consequência da tua estada aqui? Ai, por quanto tempo nós teremos que residir aqui? Tu nutriste algum pensamento mau e pecaminoso na tua mente? Não pode, eu estou certo, ser algum pecado insignificante do qual tu foste culpado.' Assim endereçado, Garuda respondeu para o Brahmana, dizendo, 'De fato, ó regenerado, eu nutri o pensamento de levar embora esta dama coroada com êxito ascético deste lugar para onde o próprio Criador, o divino Mahadeva, o eterno Vishnu, e ambos: Virtude e Sacrifício personificados, vivem juntos, pois como eu pensei esta dama deve viver lá. Eu agora, pelo desejo de me fazer bem, me prostrarei diante dessa dama santa, e rogarei a ela, dizendo, ‘Com o coração cheio de compaixão, eu tinha, de fato, nutrido tal pensamento. Se eu agi corretamente ou erradamente, este mesmo era o desejo, evidentemente contra o teu próprio, que era nutrido por mim por causa do meu respeito por ti. Cabe a ti, portanto, me conceder perdão, por tua nobreza de coração.' Aquela dama ficou satisfeita com aquele príncipe das aves e aquele touro dos Brahmanas. E se dirigindo a Garuda, ela disse, 'Não temas, ó tu de penas belas. Retome tuas asas, e abandone teus receios. Eu fui desprezada por ti, mas saiba que eu não perdôo desprezo. Aquele ser pecaminoso que nutre desprezo por mim abandonará rapidamente todas as regiões bem-aventuradas. Sem uma única indicação inauspiciosa sobre mim, e perfeitamente irrepreensível como eu sou, eu tenho, pela pureza do meu comportamento, alcançado êxito ascético superior. Pureza de conduta dá virtude como seu fruto. Pureza de conduta dá riqueza como seu fruto. É pureza de conduta que ocasiona prosperidade. E é pureza de conduta que expulsa todas as indicações inauspiciosas. Vá, ó abençoado príncipe das aves, para onde quer que tu desejes, deste lugar. Nunca nutra desprezo por mim, e tome cuidado para que tu não desprezes mulheres que possam mesmo ser realmente faltosas. Tu serás novamente, como antes, investido com força e energia.' A estas palavras daquela dama Garuda teve suas asas de volta, e elas se tornaram até mais fortes do que antes. E então com a permissão de Sandili Garuda partiu com Galava em suas costas. Mas eles fracassaram em encontrar a espécie de corcéis que eles estavam procurando. E aconteceu que Viswamitra encontrou Galava no caminho. E nisso aquele principal dos oradores se dirigiu a Galava na presença do filho de Vinata e disse, 'Ó regenerado, já chegou o momento quando tu deves me dar a riqueza que tu me prometeste por iniciativa própria. Eu não sei o que tu fizeste. Eu tenho esperado muito tempo. Eu esperarei mais algum tempo. Procure o caminho pelo qual tu possas ter êxito (na questão da tua promessa).' Ouvindo estas palavras, Garuda se dirigiu ao desanimado Galava que estava dominado pela tristeza, dizendo, 'O que Viswamitra disse para ti antes foi agora repetido na minha presença. Venha, portanto, ó Galava, melhor dos Brahmanas, nós deliberaremos sobre a questão. Sem dar para o teu preceptor toda a riqueza (prometida por ti), tu não podes nem sentar-te.'” 114 "Narada disse, 'Garuda então, aquele principal dos seres alados, se dirigiu ao triste Galava e disse, 'Porque ela é criada por Agni nas entranhas da terra e avolumada por Vayu, e porque também a própria terra é citada como sendo Hiranmaya, portanto, a riqueza é chamada de Hiranya. E porque a riqueza suporta o mundo e sustenta a vida, portanto, ela é chamada de Dhana. É para servir a estes fins que Dhana (riqueza) existe desde o início nos três mundos. Naquela Sexta-feira, quando uma ou outra das duas constelações, a Purvabhadra ou a Uttarabhadra, está ascendente, Agni, criando riqueza por um decreto de sua vontade, a concede à humanidade para o aumento do estoque de Kuvera. A riqueza que está entranhada na Terra é protegida pelas divindades chamadas de Ajaikapats e Ahivradnas, e também por Kuvera. Extremamente difícil de obtenção, aquela riqueza, portanto, ó touro entre os Brahmanas, é raramente alcançada. Sem riqueza não há chance da tua aquisição dos corcéis prometidos. Peça, portanto, de algum rei nascido na linhagem de algum sábio nobre que possa, sem oprimir seus súditos, coroar nosso pedido com sucesso. Há um rei nascido na linhagem lunar, que é meu amigo. Nós iremos a ele, pois ele, entre todos sobre a Terra, tem grande riqueza. Aquele sábio real é conhecido pelo nome de Yayati, e ele é o filho de Nahusha. Sua destreza é incapaz de ser frustrada. Solicitado por ti em pessoa, e incitado por mim, ele dará o que nós procuramos, pois ele tem riqueza imensa, igual à que pertence a Kuvera, o senhor dos tesouros. Assim mesmo, por aceitar uma doação, ó erudito, salde tua dívida com teu preceptor.' Falando dessa maneira, e pensando sobre o que era melhor para ser feito, Garuda e Galava foram juntos ao rei Yayati, que estava então em sua capital chamada Pratisthana. O rei os recebeu hospitaleiramente e deu a eles Arghya excelente e água para lavar seus pés. E o rei então lhes perguntou o motivo de sua vinda. E nisso Garuda respondeu, dizendo, 'Ó filho de Nahusha, este oceano de ascetismo, chamado Galava, é meu amigo. Ele foi, ó monarca, um discípulo de Viswamitra por muitos milhares de anos. Este Brahmana santo, quando mandado embora por Viswamitra para onde quer que ele escolhesse, se dirigiu ao seu preceptor naquele momento, dizendo, ‘Eu desejo dar alguma coisa como taxa do preceptor.’ Sabendo que os recursos dele eram escassos, Viswamitra não pediu qualquer coisa. Mas quando ele foi repetidamente endereçado por este Brahmana sobre o assunto da taxa tutorial, o preceptor, sob uma leve acessão de cólera, disse, 'Dê-me oitocentos corcéis brancos de boa raça e de brilho lunar, e cada um tendo uma orelha de cor preta. Se, ó Galava, tu desejas dar alguma coisa para teu preceptor, que isto então seja dado!' Foi assim que Viswamitra dotado de riqueza de ascetismo falou a ele com raiva. E por causa disso este touro entre os Brahmanas está sofrendo com grande angústia. Incapaz de cumprir aquela ordem (de seu preceptor), ele agora vem procurar tua proteção. Ó tigre entre homens, aceitando isto como esmolas de ti, e cheio de alegria novamente, depois de pagar a dívida com seu preceptor, ele se dedicará novamente a praticar penitências ascéticas. Um Rishi nobre como tu és, e, portanto, dotado da tua própria riqueza de ascetismo, este Brahmana, por te dar uma parte da sua riqueza de ascetismo te fará mais rico em riqueza desse tipo. Tantos pêlos, ó senhor de homens, quantos existam no corpo de um cavalo, tantas regiões de bem-aventurança, ó soberano da Terra, são alcançadas por aquele que dá um cavalo em doação. Este é tão digno de aceitar uma doação quanto tu és de fazer uma doação. Que, portanto, tua doação neste caso seja como leite depositado em uma concha.'" 115 "Narada disse, 'Assim endereçado por Suparna em palavras excelentes repletas de verdade, aquele realizador de mil sacrifícios, aquele principal dos doadores, aquele soberano generoso de todos os Kasis, o senhor Yayati, revolvendo aquelas palavras em sua mente e refletindo sobre elas calmamente, e vendo diante de si seu amigo querido, Tarkshya, e aquele touro entre os Brahmanas, Galava, e considerando as esmolas procuradas como uma indicação, altamente louvável, de mérito ascético (de Galava), e em vista particularmente do fato de que aqueles dois tinham ido a ele tendo ignorando todos os reis da linhagem Solar, disse, 'Abençoada é minha vida hoje, e a linhagem também na qual eu nasci, de fato, foi hoje abençoada. Esta própria província minha também foi igualmente abençoada por ti, ó impecável Tarkshya. Há uma coisa, no entanto, ó amigo, que eu desejo dizer para ti, e esta é, que eu não sou tão rico agora como tu pensas, pois minha riqueza sofreu uma grande diminuição. Eu não posso, no entanto, ó viajante dos céus, fazer inútil a tua vinda aqui. Nem eu posso ousar frustrar as esperanças nutridas por este Rishi regenerado. Eu darei a ele, portanto, aquilo que realizará seu propósito. Se alguém tendo vindo por esmolas volta desapontado, ele pode destruir a família inteira (do anfitrião). Ó filho de Vinata, é dito que não há ação mais pecaminosa do que aquela de dizer, 'Eu não tenho nada,' destruindo dessa maneira a esperança de alguém que vem dizendo, 'Dê.' O homem decepcionado cujas esperanças foram mortas e seu objetivo não realizado pode destruir os filhos e netos da pessoa que falhou em lhe fazer bem. Portanto, ó Galava, leve esta minha filha, esta perpetuadora de quatro famílias. Em beleza, ela parece uma filha dos celestiais. Ela é capaz de inspirar todas as virtudes. De fato, devido à sua beleza, ela é sempre solicitada (de minhas mãos) por deuses e homens, e Asuras. Sem falar de oitocentos corcéis cada um com uma orelha preta, os reis da terra darão seus reinos inteiros como seu dote. Leve, portanto, esta minha filha, chamada Madhavi. Meu único desejo é que eu possa ter um neto por meio dela.’ Aceitando aquela filha em doação, Galava então, com Garuda, partiu, dizendo, 'Nós te veremos novamente'. E eles levaram aquela moça com eles. E o amigo ovíparo de Galava se dirigiu a ele, dizendo, 'Finalmente foram obtidos os meios pelos quais os corcéis podem ser obtidos.' E dizendo isto, Garuda partiu para sua própria residência, tendo obtido a permissão de Galava. E depois que o príncipe das aves tinha ido, Galava, com aquela moça em sua companhia, começou a pensar em ir a algum entre os reis que seria capaz de dar dote (adequado) pela moça. E ele primeiro pensou naquele melhor dos reis, Haryyaswa da linhagem de Ikshaku, que governava em Ayodhya, era dotado de grande energia, possuidor de um grande exército consistindo em quatro espécies de tropas, tinha uma tesouraria bem cheia e abundância de grãos, e que era ternamente amado por seus súditos, e que amava os Brahmanas apropriadamente. Desejoso de filhos, ele estava vivendo na quietude e paz, e engajado em austeridades excelentes. E o Brahmana Galava, se dirigindo a Haryyaswa, disse, 'Esta moça, ó rei de reis, aumentará a família de seu marido por gerar filhos. Aceite-a de mim, ó Haryyaswa, como tua esposa, por me dares um dote. Eu te direi qual dote tu terás que dar. Ouvindo isto, decida o que tu farás.'" 116 "Narada disse, 'Aquele melhor dos monarcas, o rei Haryyaswa, depois de refletir por um longo tempo e dando um suspiro longo e ansioso acerca do nascimento de um filho, finalmente disse, 'Os seis membros que devem ser elevados (proeminentes) são elevados nesta moça. (A opinião geral é que estes seis são: as costas de cada palma, os dois dorsos, e os dois seios devem ser elevados; outra opinião indicaria que os dois seios, os dois quadris, e os dois olhos devem ser assim.) Aqueles sete, além disso, que devem ser finos são finos nela. (Os sete que devem ser delicados ou finos são a pele, o cabelo, os dentes, os dedos das mãos, os dedos dos pés, a cintura, e o pescoço.) Aqueles três, também, que devem ser profundos são profundos nela. (Os três que devem ser profundos são o umbigo, a voz e a compreensão.) E por fim, aqueles cinco que devem ser vermelhos são vermelhos nela. (Os cinco que devem ser vermelhos são as duas palmas, os dois cantos externos dos olhos, a língua, os lábios, e o palato.) Parece que ela é digna de ser olhada até pelos deuses e os Asuras, e é talentosa em todas as artes e ciências. Possuidora de todos os sinais auspiciosos, ela certamente gerará muitas crianças. Ela é até capaz de gerar um filho que possa se tornar um imperador. Quanto à minha riqueza, diga-me, ó principal dos Brahmanas, qual deve ser seu dote.' Galava disse, 'Dê-me oitocentos corcéis, nascidos em um bom país, de brancura lunar, e cada um com uma orelha de cor preta. Esta moça auspiciosa e de olhos grandes então se tornará a mãe dos teus filhos, como o bastão de fogo se tornando a geratriz do fogo.'" "Narada continuou, 'Ouvindo estas palavras, aquele sábio real, o rei Haryyaswa, cheio de tristeza, mas cegado pela luxúria, se dirigiu a Galava, aquele principal dos Rishis, dizendo, 'Eu tenho somente duzentos corcéis em volta de mim da espécie que tu queres, embora de outras espécies todas dignas de sacrifício eu tenha muitos milhares se movimentando (em meus domínios). Ó Galava, eu desejo gerar somente um filho nesta donzela. Bondosamente conceda este meu pedido.' Ouvindo estas palavras do rei, aquela donzela disse para Galava, 'Um recitador de Brahma me concedeu um benefício que depois de cada parto eu seria uma donzela novamente. Entregue-me, portanto, para este rei, aceitando seus excelentes corcéis. Dessa maneira, oitocentos corcéis no total podem ser obtidos por ti de quatro reis em sucessão, e eu também posso ter quatro filhos. Recolha a riqueza destinada para teu preceptor dessa maneira. Isto mesmo é o que eu penso. Depende, no entanto, de ti, ó Brahmana, quanto a como tu deves agir.' Assim endereçado por aquela moça, o Muni Galava disse estas palavras para o rei Haryyaswa, 'Ó Haryyaswa, ó melhor dos homens, aceite esta donzela por uma quarta parte do dote que eu fixei, e gere somente um filho nela.' Recebendo então aquela moça e reverenciando Galava, o rei no hora e lugar devidos teve com ela um filho do tipo desejado. E o filho assim nascido veio a ser chamado pelo nome de Vasumanas. Mais rico do que todos os reis ricos da terra, e parecendo com um dos próprios Vasus ele se tornou um rei e doador de grande riqueza. Depois de algum tempo, o inteligente Galava voltou e se aproximando do muito satisfeito Haryyaswa disse para ele, 'Tu, ó rei, obtiveste um filho. De fato, esta criança é como o próprio sol em esplendor. Chegou o momento, ó principal dos homens, de eu ir para algum outro rei em busca de esmolas.' Ouvindo estas palavras, Haryyaswa que era mesmo sincero em palavras e firme em ações de virilidade, e se lembrando de que o restante de seiscentos corcéis não poderia ser suprido por ele, devolveu Madhavi para Galava. E Madhavi também, abandonando aquela resplandecente prosperidade majestosa, e mais uma vez se tornando uma donzela, seguiu os passos de Galava. E Galava também, dizendo, 'Que os corcéis permaneçam contigo' então foi, acompanhado pela moça, ao rei Divodasa.'" 117 "Narada disse, 'Galava então, se dirigindo a Madhavi, disse, ‘O soberano dos Kasis é um rei ilustre conhecido pelo nome de Divodasa. Ele é o filho de Bhimasena, é dotado de grande coragem, e é um poderoso soberano. Ó moça abençoada, nós estamos agora indo até ele. Siga-me lentamente e não te aflijas. Aquele soberano de homens é virtuoso e devotado à verdade e tem suas paixões sob controle.' "Narada Continuou, 'Quando o Muni chegou diante daquele rei ele foi recebido com devida hospitalidade pelo último. Galava, então, começou a incitar o monarca a gerar um filho. Assim endereçado, Divodasa disse, 'Eu ouvi sobre tudo isto antes. Tu não precisas falar muito. Ó Brahmana, eu posso te dizer, ó melhor dos Brahmanas, que logo que eu ouvi sobre este assunto, meu coração foi fixado nisto. Também é um sinal de grande honra para mim que passando por cima de todos os outros reis tu vieste a mim. Sem dúvida, teu objetivo será obtido. Na questão dos corcéis, ó Galava, minha riqueza é semelhante àquela do rei Haryyaswa. Eu gerarei, portanto, somente um filho nobre nesta donzela.' Ouvindo estas palavras, aquele melhor dos Brahmanas deu aquela donzela para o rei, e, o rei, nisso, casou-se devidamente com ela. E o sábio real então se divertiu com ela, como Surya com Prabhavati, Agni com Swaha, Vasava com Sachi, Chandra com Rohini, Yama com Urmila, Varuna com Gauri, Kuvera com Riddhi, Narayana com Lakshmi, Sagara com Jahnavi, Rudra com Rudrani, o Avô com Saraswati, Saktri o filho de Vasishtha com Adrisyanti, Vasishtha com Arundhati (chamada também Akshamala), Chyavana com Sukanya, Pulastya com Sandhya, Agastya com a princesa de Vidarbha Lopamudra, Satyavan com Savitri, Bhrigu com Puloma, Kasyapa com Aditi, Jamadagni o filho de Richika com Renuka, Viswamitra o filho de Kusika com Himavati, Vrihaspati com Tara, Sukra com Sataprava, Bhumipati com Bhumi, Pururavas com Urvasi, Richika com Satyavati, Manu com Saraswati, Dushyanta com Sakuntala, o eterno Dharma com Dhriti, Nala com Damayanti, Narada com Satyavati, Jaratkaru com Jaratkaru, Pulastya com Pratichya, Urnayus com Menaka, Tumvuru com Rambha, Vasuki com Satasirsha, Dhananjaya com Kamari, Rama com a princesa de Videha Sita, ou Janardana com Rukmini. E para o rei Divodasa, que se divertiu e se deleitou com ela, Madhavi deu um filho chamado Pratardana. E depois que ela tinha dado um filho a ele, o santo Galava foi até Divodasa no tempo fixado, e disse para ele, 'Deixe a moça vir comigo, e que os corcéis também que tu deves me dar permaneçam contigo, pois eu desejo ir a outro lugar, ó soberano da Terra, em busca de dote.' Assim endereçado, o rei virtuoso Divodasa, que era devotado à verdade, por isso, devolveu a moça para Galava no tempo estabelecido.'" 118 "Narada disse, 'A ilustre Madhavi, fiel à sua promessa, abandonando aquela prosperidade e mais uma vez se tornando uma donzela, seguiu os passos do Brahmana Galava. E Galava, cujo coração estava fixado na realização do seu próprio propósito, refletindo sobre o que ele devia fazer em seguida então foi à cidade dos Bhojas para visitar o rei Usinara. E chegando diante daquele rei de destreza imbatível Galava se dirigiu a ele, dizendo, 'Esta moça de dará dois filhos nobres. E, ó rei, gerando nela dois filhos iguais ao Sol e à Lua, tu poderás alcançar todos os teus objetivos neste e no outro mundo. Como seu dote, no entanto, ó tu que és familiarizado com todos os deveres, tu terás que me dar quatrocentos corcéis de esplendor lunar, cada um tendo uma orelha de cor preta. Este meu esforço para obter os corcéis é somente por causa do meu preceptor, do contrário eu mesmo não teria nada que fazer com eles. Se tu és capaz de aceitar (meus termos), faça como eu te ofereço sem qualquer hesitação. Ó sábio real, tu estás agora sem filhos. Gere, ó rei, um par de filhos. Com prole assim gerada como uma balsa, salve teus Pitris e a ti mesmo também. Ó sábio real, aquele que tem frutos na forma de prole para desfrutar nunca cai do céu. Nem tal pessoa tem que ir para aquele inferno terrível para onde os sem filhos estão fadados a ir.' Ouvindo estas e outras palavras de Galava, o rei Usinara respondeu para ele, dizendo, 'Eu ouvi o que tu, ó Galava, disseste. Meu coração também tende a fazer o que tu pedes. O Ordenador Supremo, no entanto, é todo-poderoso. Eu tenho somente duzentos corcéis do espécie indicada por ti, ó melhor dos Brahmanas. De outras espécies, eu tenho muitos milhares se movimentando em meus domínios. Eu gerarei, ó Galava, somente um filho nela, por trilhar o caminho que foi trilhado por outros tais como Haryyaswa e Divodasa. Eu agirei da mesma maneira deles na questão do dote. Ó melhor dos Brahmanas, minha riqueza existe somente para meus súditos residentes na cidade e no país, e não para meus próprios confortos e prazeres. Aquele rei, ó virtuoso, que dá para seu próprio prazer a riqueza que pertence a outros nunca pode ganhar virtude ou renome. Que esta donzela, dotada do brilho de uma moça celeste, seja apresentada a mim. Eu a aceitarei para gerar somente um filho.' Ouvindo estas e muitas outras palavras que Usinara falou, aquele melhor dos Brahmanas, Galava, então elogiou o monarca e lhe entregou a moça. E fazendo Usinara aceitar aquela donzela, Galava foi para as florestas. E como um homem justo desfrutando da prosperidade (ganha por seus feitos), Usinara começou a se divertir e desfrutar com aquela donzela em vales e vales de montanhas, perto de fontes e cascatas de rios, em mansões, câmaras encantadoras, jardins coloridos, florestas e bosques, lugares agradáveis, e terraços de casas. E, no tempo devido, nasceu para ele um filho do esplendor do sol da manhã, que depois se tornou um rei excelente, célebre pelo nome Sivi. E depois do nascimento daquele filho, o Brahmana Galava foi até Usinara, e pegando a moça de volta dele, foi, ó rei, ver o filho de Vinata.'" 119 "Narada disse, 'Vendo Galava, o filho de Vinata se dirigiu a ele sorridente, dizendo, 'Por boa sorte é, ó Brahmana, que eu te vejo bem sucedido.' Galava, no entanto, ouvindo as palavras faladas por Garuda informou-o que uma quarta parte da tarefa ainda não estava terminada.' Garuda então, aquele principal de todos os oradores, disse para Galava, 'Não faça qualquer esforço (para obter os duzentos restantes), pois isto não sucederá. Antigamente, Richika procurou em Kanyakuyja a filha de Gadhi, Satyavati, para fazê-la sua esposa. Nisso Gadhi, ó Galava, se dirigindo ao Rishi, disse, 'Ó santo, que mil corcéis de brilho lunar, cada um com uma orelha de cor preta, sejam oferecidos a mim.' Assim pedido, Richika disse, 'Assim seja'. E então seguindo seu caminho para o grande mercado de corcéis (Aswatirtha) na residência de Varuna, o Rishi obteve o que ele procurava e os deu para o rei. Realizando um sacrifício então de nome Pundarika, aquele monarca doou aqueles corcéis (como Dakshina) para os Brahmanas. Os três reis a quem tu recorreste compraram aqueles cavalos dos Brahmanas, cada um ao número de duzentos. Os quatrocentos restantes, ó melhor dos Brahmanas, enquanto eram transportados sobre o rio, foram levados pelo (rio) Vitasta (um dos cinco rios do Punjab). Portanto, ó Galava, tu nunca poderás ter aquilo que não é para ser tido. Então, ó virtuoso, apresente para Viswamitra esta moça como um equivalente a duzentos corcéis, junto com os seiscentos que tu já obtiveste. Tu então, ó melhor dos Brahmanas, serás libertado da tua aflição e coroado com êxito.’ Galava então, dizendo, 'Assim seja' e levando consigo a moça e os corcéis, foi com Garuda em sua companhia até Viswamitra. E chegando em sua presença, Galava disse, 'Aqui estão seiscentos corcéis da espécie exigida por ti. E esta moça é oferecida como um equivalente aos duzentos restantes. Que todos estes sejam aceitos por ti. Após esta moça ter gerado três filhos virtuosos com três sábios reais, que um quarto, mais importante de todos, seja gerado nela por ti. E assim, que o número de corcéis, oitocentos, seja considerado por ti como completo, e deixe-me também, sendo liberado da tua dívida, partir e praticar penitências ascéticas como eu desejo.' Viswamitra então, vendo Galava na companhia da ave, e aquela moça muito bela, disse, 'Por que, ó Galava, tu não me desde esta moça antes? Quatro filhos então, santificadores da minha linhagem, teriam sido todos só meus. Eu aceito esta moça tua para gerar nela um filho. Em relação aos corcéis, deixe-os pastarem em meu retiro.' Dizendo isso, Viswamitra de grande esplendor começou a passar seu tempo felizmente com ela. E Madhavi deu a ele um filho de nome Ashtaka. E logo que aquele filho nasceu, o grande Muni Viswamitra o endereçou para virtude e lucro, e deu a ele aqueles seiscentos corcéis. Ashtaka então foi para uma cidade brilhante como a cidade de Soma. E o filho de Kusika Viswamitra também tendo transferido a donzela para seu discípulo, foi para as florestas. E Galava também, com seu amigo Suparna, tendo dessa maneira conseguido dar para seu preceptor o taxa que ele tinha exigido, com o coração alegre se dirigiu àquela moça e disse, 'Tu geraste um filho que é extremamente caridoso, e outro que é extremamente corajoso, e um terceiro que é devotado à verdade e justiça, e ainda outro que é um realizador de grandes sacrifícios. Ó moça bela, tu, por meio destes filhos, não salvaste somente teu pai, mas quatro reis e eu mesmo, também. Vá agora, ó tu de cintura fina.' Dizendo isso, Galava dispensou Garuda, aquele devorador de cobras, e devolvendo a donzela para seu pai ele mesmo entrou nas florestas.'" 120 "Narada disse, 'O rei Yayati então, desejoso novamente de dispor de sua filha em Swayamvara, foi para um eremitério na confluência do Ganga e do Yamuna, levando Madhavi consigo em uma carruagem, seu corpo enfeitado com guirlandas de flores. E Puru e Yadu seguiram sua irmã para aquele retiro sagrado. E naquele local estava reunida uma vasta assembleia de Nagas e Yakshas e seres humanos, de Gandharvas e animais e aves, e de habitantes de montanhas e árvores e florestas, e de muitos habitantes daquela província específica. E os bosques em volta daquele retiro estavam cheios de numerosos Rishis parecidos com o próprio Brahman. E quando a seleção de marido tinha começado, aquela moça da cor mais formosa, ignorando todos os noivos lá reunidos, escolheu a floresta como seu marido. Descendo de sua carruagem e cumprimentando todos os seus amigos, a filha de Yayati entrou na floresta que é sempre sagrada, e se dedicou a austeridades ascéticas. Reduzindo seu corpo por meio de jejuns de várias espécies e ritos religiosos e votos rígidos, ela adotou o modo de vida dos veados. E subsistindo de folhas de grama macias e verdes, parecendo os brotos de lápis lazúli e que eram amargas e doces ao paladar, e bebendo a água doce, pura, fria, cristalina, e muito superior de correntes sagradas da montanha, e vagando com os veados em florestas desprovidas de leões e tigres, em desertos livres de incêndios florestais, e em bosques densos, aquela moça, levando a vida de uma corça selvagem, ganhou grande mérito religioso pela prática de austeridades Brahmacharya. (Enquanto isso) o rei Yayati, seguindo a prática de reis antes dele, cedeu à influência do Tempo, depois de ter vivido por muitos milhares de anos. A progênie de dois dos seus filhos, aqueles principais dos homens, Puru e Yadu, se multiplicou imensamente, e por isso o filho de Nahusha ganhou grande respeito neste e no outro mundo. Ó monarca, residindo no céu, o rei Yayati, parecendo com um grande Rishi, se tornou um objeto de muito respeito, e desfrutou dos frutos mais sublimes daquelas regiões. E depois que muitos milhares de anos tinham passado em grande felicidade, em uma ocasião enquanto sentado entre os ilustres sábios reais e grandes Rishis, o rei Yayati, por insensatez, ignorância, e orgulho, desprezou mentalmente todos os deuses e Rishis, e todos os seres humanos. Nisso o divino Sakra, o matador de Vala, imediatamente leu seu coração. E aqueles sábios reais também se dirigiram a ele dizendo, 'Que vergonha! Que vergonha!' E vendo o filho de Nahusha, foram feitas as perguntas, ‘Quem é esta pessoa? Ele é filho de qual rei? Por que ele está no céu? Por quais ações ele obteve êxito? Onde ele ganhou mérito ascético? Pelo que ele é conhecido aqui? Quem o conhece?’ Os habitantes do céu, falando assim daquele monarca, fizeram uns aos outros estas perguntas acerca de Yayati, aquele soberano de homens. E centenas de quadrigários do céu, e centenas daqueles que protegiam os portões do céu, e daqueles que estavam encarregados de assentos do céu, assim questionados, todos responderam, 'Nós não o conhecemos.' E as mentes de todos estavam temporariamente nubladas, pelo que ninguém reconheceu o rei e por causa disso o monarca foi logo privado de seu esplendor.'" 121 "Narada disse, 'Removido de seu lugar e rechaçado de seu assento com coração tremendo de medo, e consumido por remorso ardente, com suas guirlandas opacas em esplendor e seu conhecimento nublado, privado de sua coroa e braceletes, com cabeça atordoada e todos os membros relaxados privados de ornamentos e mantos, incapaz de ser reconhecido, às vezes não vendo os outros residentes do céu, cheio de desespero, e sua mente um perfeito vazio, o rei Yayati caiu de cabeça em direção à terra. E antes do rei cair, ele pensou consigo mesmo, 'Que pensamento inauspicioso e pecaminoso foi nutrido por mim pelo qual eu sou lançado do meu lugar?' E todos os reis lá, como também os Siddhas e as Apsaras, riram ao verem Yayati perdendo seu apoio, e a ponto de cair. E logo, ó rei, por ordem do rei dos deuses, chegou lá uma pessoa cujo propósito era arremessar para baixo aqueles cujos méritos estavam esgotados. E chegando lá, ele disse para Yayati, 'Extremamente embriagado com orgulho, não há ninguém a quem tu não tenhas desrespeitado. Por este teu orgulho o céu não é mais para ti. Tu não mereces uma residência aqui, ó filho de um rei. Tu não és reconhecido aqui, vá e caia.' Assim mesmo o mensageiro celeste falou para ele. O filho de Nahusha então disse, repetindo as palavras três vezes, 'Se eu devo cair, que eu caia entre os virtuosos.' E dizendo isso, aquela principal das pessoas que tinha alcançado regiões elevadas por suas ações começou a pensar na região específica na qual ele deveria cair. Vendo enquanto isso quatro reis poderosos, isto é, Pratardana, Vasumanas, Sivi, o filho de Usinara, e Ashtaka, reunidos nos bosques de Naimisha, o rei caiu entre eles. E aqueles monarcas estavam então engajados em gratificar o senhor dos celestiais pela realização do sacrifício conhecido pelo nome de Vajapeya. E a fumaça que se erguia do seu altar sacrifical alcançava os próprios portões do céu. E a fumaça que subia dessa maneira parecia com um rio conectando a terra e o céu. E ela parecia com a corrente sagrada Ganga enquanto descendo do céu para a terra. E cheirando aquela fumaça e guiando seu rumo por ela, Yayati, o senhor do mundo, desceu sobre a terra. E o rei assim caiu entre aqueles quatro leões entre os soberanos, que eram todos dotados de grande beleza, que eram os principais de todos os realizadores de sacrifícios, que eram, de fato, seus próprios parentes, e que pareciam os quatro regentes dos quatro quadrantes, e pareciam quatro poderosos fogos sacrificais. E assim, pelo esgotamento dos seus méritos, o sábio real Yayati caiu entre eles. E vendo-o brilhando com beleza aqueles reis o questionaram, dizendo, ‘Quem és tu? De que família, país, ou cidade tu és? Tu és um Yaksha, ou um deus, um Gandharva, ou um Rakshasa? Tu não pareces ser um ser humano. Que objetivo tu tens em vista?' Assim questionado, Yayati respondeu, 'Eu sou o sábio real Yayati. Eu caí do céu por causa do término da minha virtude. Tendo desejado cair entre os virtuosos, eu caí entre vocês.' Os reis então disseram, 'Ó principal das pessoas, que aquele teu desejo seja realizado. Aceite nossas virtudes e os frutos de todos os nossos sacrifícios.' Yayati respondeu dizendo, 'Eu não sou um Brahmana qualificado para aceitar uma doação. Por outro lado, eu sou um Kshatriya. Nem meu coração se inclina em direção a diminuir as virtudes de outros.' "Narada continuou, 'Nesta ocasião, Madhavi, no curso de suas vagueações sem propósito, chegou lá. Vendo ela, aqueles monarcas a saudaram e disseram, 'Que objetivo tu tens em vir aqui? Que ordem tua nós obedeceremos? Tu mereces nos comandar, pois todos nós somos teus filhos, ó tu que és dotada de riqueza de ascetismo!' Ouvindo estas palavras deles, Madhavi estava cheia de alegria e se aproximando então de seu pai, ela saudou Yayati com reverência. E tocando as cabeças de todos os seus filhos, aquela dama dedicada a austeridades ascéticas disse para seu pai, 'Sendo meus filhos, esses todos são filhos da tua filha, ó rei de reis. Eles não são estranhos para ti. Eles te salvarão. A prática não é nova, sua origem se estende à antiguidade. Eu sou tua filha Madhavi, ó rei, vivendo nas florestas da mesma maneira dos veados. Eu também tenho obtido virtude. Pegue uma metade. E porque, ó rei, todos os homens têm o direito de desfrutar de uma porção dos méritos ganhos por sua progênie, é por isto que eles desejam ter netos. Este mesmo foi o caso contigo, ó rei (quando tu me transferiste para Galava).' A estas palavras de sua mãe, aqueles monarcas a saudaram, e reverenciando também seu avô materno, repetiram aquelas mesmas palavras em uma voz alta, incomparável, e agradável, e fazendo, de certo modo, a terra inteira ressoar com elas, para resgatar aquele avô materno deles que tinha caído do céu. E naquele momento Galava também chegou lá, e se dirigindo a Yayati, disse, 'Aceitando uma oitava parte das minhas austeridades ascéticas, ascenda para o céu novamente.'" 122 "Narada disse, 'Logo que aquele touro entre homens, o rei Yayati, foi reconhecido por aquelas pessoas virtuosas, ele se elevou outra vez para o céu, sem ter que tocar a superfície da terra. E ele recuperou sua forma celeste e teve todas as suas ansiedades totalmente dissipadas. E ele se ergueu novamente, enfeitado com guirlandas e mantos celestes, adornado com ornamentos celestes, borrifado com perfumes celestes, e provido de atributos celestiais, e sem ter sido compelido a tocar a terra com seus pés. Enquanto isso, Vasumanas que era famoso no mundo por sua generosidade, se dirigindo primeiro ao rei, proferiu estas palavras em voz alta, 'O mérito que eu tenho ganho na terra por minha conduta impecável em direção a homens de todas as classes eu dou para ti. Que ele seja todo teu, ó rei. O mérito que alguém ganha por generosidade e perdão, o mérito que é meu pelos sacrifícios que eu tenho realizado, que tudo isso também seja teu.' Depois disto, Pratardana, aquele touro entre os Kshatriyas, disse, ‘Sempre dedicado à virtude como também à guerra, a fama que aqui foi minha como um Kshatriya, pelo título de herói (pelo qual eu sou conhecido), seja teu aquele mérito.’ Depois disto, Sivi, o filho inteligente de Usinara, disse estas palavras agradáveis, 'Para crianças e mulheres em brincadeira, perigo, ou calamidade, em angústia, ou no jogo de dados, eu nunca falei uma mentira. Por esta verdade a qual eu nunca sacrifiquei ascenda para o céu. Eu posso, ó rei, abandonar todos os objetos de desejo e prazer, meu reino, sim, a própria vida, mas a verdade eu não posso abandonar. Por esta verdade, ascenda para o céu; aquela verdade pela qual Dharma, aquela verdade pela qual Agni, aquela verdade pela qual ele de cem sacrifícios, cada um tem sido gratificado por mim, por aquela verdade ascenda para o céu.' E por fim, o sábio real Ashtaka, a prole do filho de Kusika e Madhavi, se dirigindo ao filho de Nahusha Yayati que tinha realizado muitas centenas de sacrifícios, disse, 'Eu tenho, ó senhor, realizado centenas de sacrifícios Pundarika, Gosava e Vajapeya. Receba o mérito destes. Riqueza, pedras preciosas, mantos, eu não tenho poupado nada para a realização de sacrifícios. Por esta verdade ascenda para o céu.' E aquele rei então deixando a terra, começou a ascender em direção ao céu, cada vez mais alto, conforme aqueles filhos da filha dele, um depois do outro, diziam aquelas palavras para ele. E foi assim que aqueles reis por seus bons atos salvaram rapidamente Yayati, que tinha sido lançado do céu. Foi dessa maneira que aqueles netos nascidos em quatro linhagens reais, aqueles multiplicadores de suas famílias, por meio de suas virtudes, sacrifícios, e doações, fizeram seu sábio avô materno ascender outra vez para o céu. E aqueles monarcas conjuntamente disseram, 'Dotados dos atributos de realeza e possuidores de todas as virtudes, nós somos, ó rei, filhos da tua filha! (Em virtude dos nossos bons feitos) ascenda para o céu.'" "Narada disse, 'Mandado de volta para o céu por aqueles reis virtuosos, distintos pela generosidade de suas doações sacrificais, Yayati possuidor de filhos da filha os dispensou e alcançou as regiões celestes. Alcançando a região eterna obtida pelo mérito de seus netos, e adornado por seus próprios feitos, Yayati, banhado em chuva de flores fragrantes e acariciado por brisas perfumadas e deliciosas, brilhou com grande beleza. E alegremente recebido de volta no céu com sons de pratos, ele foi entretido com canções e danças por várias tribos de Gandharvas e Asuras. E diversos Rishis celestes e reais e Charanas começaram a prestar suas adorações a ele. E divindades o adoraram com um Arghya excelente e o encantaram com outras honras. E depois que ele assim tinha alcançado novamente o céu e tranquilidade de coração, e uma vez mais ficado livre de ansiedade, o Avô, gratificando-o com suas palavras disse, 'Tu ganhaste a medida completa de virtude por teus feitos terrestres, e esta região (que tu alcançaste) é eterna, como teus feitos são no céu. Tu, no entanto, ó sábio real, destruíste tua aquisição somente por tua vaidade, e assim cobriste os corações de todos os habitantes do céu com escuridão pela qual nenhum deles podia te reconhecer. E já que tu não podias ser reconhecido, tu foste arremessado daqui! Salvo mais uma vez pelo amor e afeição dos filhos da tua filha, tu chegaste aqui de novo, e recuperaste esta região imutável, eterna, sagrada, excelente, estável, e indestrutível alcançada antes por teus próprios feitos.' Assim endereçado, Yayati disse, 'Ó santo, eu tenho uma dúvida, a qual cabe a ti dissipar. Ó Avô de todos os mundos, não me cabe questionar alguém mais. Grande era meu mérito, aumentado por um governo (virtuoso) sobre meus súditos por muitos milhares de anos e ganho por inumeráveis sacrifícios e doações. Como poderia mérito (tão grande) ser esgotado tão rapidamente em consequência do qual eu fui arremessado daqui? Tu sabes, ó santo, que as regiões criadas para mim eram todas eternas. Por que todas aquelas minhas regiões foram destruídas, ó tu de grande refulgência?’ O Avô respondeu, dizendo, 'Teu mérito, aumentado por um governo (virtuoso) sobre teus súditos por muitos milhares de anos e ganho por sacrifícios inumeráveis e presentes foi esgotado por uma única falha, pela qual tu foste arremessado (desta região). Aquela falha, ó rei de reis, foi tua vaidade pela qual tu te tornaste um objeto de desprezo para todos os residentes do céu. Ó sábio real, esta região nunca pode ser tornada eterna por vaidade, ou orgulho de força, ou malícia, ou falsidade, ou engano. Nunca desrespeite aqueles que são inferiores, ou superiores, ou na posição intermediária. Não há um pecador maior do que aquele que é consumido pelo fogo da vaidade. Aqueles homens que conversarem sobre esta tua queda e re-ascensão serão, sem dúvida, protegidos mesmo se alcançados pela calamidade.' "Narada continuou, 'Ó monarca, tal mesmo foi o infortúnio no qual Yayati caiu por consequência da vaidade, e tal é o infortúnio no qual Galava caiu devido à sua teimosia. Aqueles que desejam seu próprio bem devem escutar os amigos que desejam seu bem. Obstinação nunca deve ser nutrida, pois obstinação é sempre a base da ruína. Por esta razão, ó filho de Gandhari, abandone vaidade e cólera, ó herói, faça as pazes com os filhos de Pandu. Evite a raiva, ó rei, (pois assim) aquilo que é doado, aquilo que é feito, as austeridades que são praticadas, as libações que são despejadas no fogo, nenhum desses é destruído ou sofre alguma diminuição. Ninguém mais, além disso, desfruta dos resultados desses exceto aquele que é seu agente. Aquele que consegue compreender esta história realmente superior e excelente, que é aprovada por pessoas de grande erudição também como por aquelas que estão livres de raiva e luxúria, e que é reforçada por várias referências às escrituras e razão, obtém um conhecimento de virtude e lucro e desejo, e desfruta da soberania do mundo inteiro!'" 124 "Dhritarashtra disse, 'Ó santo, é mesmo assim como tu, ó Narada, dizes. Meu desejo também é precisamente este, mas, ó santo, eu não tenho poder (para realizá-lo)!' "Vaisampayana continuou, 'O rei Kuru, tendo dito estas palavras para Narada, então se dirigiu a Krishna e disse, 'Tu, ó Kesava, me disseste aquilo que leva ao céu, que é benéfico para o mundo, consistente com virtude, e repleto de razão. Eu, no entanto, ó senhor, não sou independente. Duryodhana nunca faz o que é agradável para mim. Portanto, ó Krishna de braços poderosos, ó melhor das pessoas, esforce-te para persuadir aquele meu filho tolo e mau, que desobedece minhas ordens. Ó poderosamente armado, ele nunca ouve as palavras benéficas, ó Hrishikesa, de Gandhari, ou do sábio Vidura, ou de outros amigos encabeçados por Bhishma, todos os quais procuram seu bem. Portanto, aconselhe tu mesmo aquele príncipe desonesto, insensato, e de alma perversa, de disposição má e coração pecaminoso. Por fazeres isto, ó Janardana, tu farás aquela ação nobre a qual um amigo deve sempre fazer.' Assim endereçado, ele da linhagem de Vrishni, conhecedor das verdades de virtude e lucro, se aproximou mais do sempre colérico Duryodhana e disse para ele estas palavras gentis, 'Ó Duryodhana, ó melhor dos Kurus, ouça estas minhas palavras, proferidas especialmente para o teu bem, como também, ó Bharata, para aquele dos teus seguidores. Tu és nascido em uma família que é distinta por sua grande sabedoria. Cabe a ti agir honradamente como eu indico. Possuidor de erudição e dotado de comportamento excelente, tu és adornado com todas as qualidades excelentes. Aqueles que são nascidos em famílias ignóbeis, ou que são de alma perversa, cruéis, e sem vergonha, somente eles, ó senhor, agem da maneira que parece aceitável para ti. Neste mundo, somente as inclinações daqueles que são virtuosos parecem ser compatíveis com os ditames de virtude e lucro. As inclinações, no entanto, daqueles que são injustos parecem ser perversas. Ó touro da raça Bharata, a disposição que tu estás repetidamente manifestando é daquela espécie perversa. Persistência em tal comportamento é pecaminosa, terrível, muito má, e capaz de levar à própria morte. Isso é, além disso, infundado, enquanto, também, tu não podes, ó Bharata, aderir a isso por muito tempo. Se por evitares isso que é produtivo somente de desgraça tu realizarás teu próprio bem, se, ó castigador de inimigos, tu escaparás dos feitos pecaminosos e infames dos teus irmãos, seguidores, e conselheiros, então, ó tigre entre homens, faça as pazes, ó touro entre os Bharatas, com os filhos de Pandu que são todos dotados de grande sabedoria e grande coragem, com grande esforço e grande erudição e todos os quais têm suas almas sob completo controle. Tal conduta seria agradável e conducente à felicidade de Dhritarashtra que é dotado de grande sabedoria, do avô (Bhishma), Drona, de Kripa de grande alma, Somadatta, do sábio Vahlika, Aswatthaman, Vikarna, Sanjaya, Vivingsati, e de muitos dos teus parentes, ó castigador de inimigos, e muitos dos teus amigos também. O mundo inteiro, ó senhor, derivará benefício daquela paz. Tu és dotado de modéstia, nascido em uma família nobre, tens erudição e bondade de coração. Seja obediente, ó senhor, às ordens do teu pai, e também da tua mãe, ó touro da raça Bharata. São bons filhos aqueles que sempre respeitam aquilo que é benéfico o qual seus pais mandam. De fato, quando alcançados por calamidade, todos se lembram das injunções de seus pais. Paz com os Pandavas, ó senhor, se recomenda para teu pai. Que isto, portanto, ó chefe dos Kurus, se recomende para ti também com teus conselheiros. Aquele mortal que tendo ouvido os conselhos de amigos não age segundo eles é consumido no fim pelas consequências de sua desconsideração, como aquele que engole a fruta chamada Kimpaka. Aquele que por insensatez não aceita conselhos benéficos, enfraquecido por procrastinação e incapaz de alcançar seu objetivo, é obrigado a se arrepender no fim. Aquele, por outro lado, que tendo escutado conselhos benéficos os aceita imediatamente, abandonando sua opinião, sempre ganha felicidade no mundo. Quem rejeita as palavras de amigos bem intencionados, considerando aquelas palavras como contrárias ao seu interesse, mas aceita palavras que são realmente assim contrárias, é logo subjugado por seus inimigos. Desconsiderando as opiniões dos corretos aquele que aceita as opiniões dos maus logo faz seus amigos chorarem por ele, por ele ser mergulhado em infortúnio. Abandonando conselheiros superiores aquele que procura o conselho dos inferiores logo cai em grande tormento e não consegue salvar a si mesmo. Aquele companheiro do pecaminoso, que se comporta falsamente e nunca ouve bons amigos, que honra desconhecidos, mas odeia aqueles que são seus próprios, é logo, ó Bharata, expulso pela Terra. Ó touro da raça Bharata, tendo brigado com aqueles (os filhos de Pandu), tu procuras proteção de outros, isto é, daqueles que são pecaminosos, incapazes, e tolos. Que outro homem há sobre a terra além de ti, que, desconsiderando parentes, que são todos quadrigários poderosos, e cada um dos quais parece o próprio Sakra, procuraria proteção e ajuda de estranhos? Tu tens perseguido os filhos de Kunti desde seu próprio nascimento. Eles não estão zangados contigo, pois os filhos de Pandu são de fato virtuosos. Embora tu tenhas te comportado enganosamente em direção aos Pandavas desde seu próprio nascimento, contudo, ó poderosamente armado, aquelas pessoas distintas têm agido generosamente em direção a ti. Cabe a ti, portanto, ó touro da raça Bharata, agir em direção àqueles teus principais parentes com igual generosidade. Não te entregue à influência da cólera. Ó touro da raça Bharata, os esforços dos sábios estão sempre associados com virtude, lucro, e desejo. Se, de fato, todos estes três não podem ser alcançados, os homens seguem pelo menos virtude e lucro. Se, além disso, estes três são buscados separadamente, é visto que aqueles que têm seus corações sob controle escolhem a virtude; aqueles que não são nem bons nem maus, mas ocupam um estado intermediário escolhem o lucro, que é sempre assunto de disputa; enquanto aqueles que são tolos escolhem a satisfação do desejo. O tolo que por tentação abandona virtude e busca lucro e desejo por meios injustos, é logo destruído por seus sentidos. Aquele que busca lucro e desejo deve, contudo praticar a virtude no início, pois nem lucro nem desejo estão (realmente) dissociados de virtude. Ó rei, é dito que somente a virtude é a causa dos três, pois aquele que busca os três pode, só pela ajuda da virtude, crescer como fogo quando entra em contato com uma pilha de grama seca. Ó touro da raça Bharata, tu procuras obter, ó senhor, por meios injustos este império extenso, florescendo com prosperidade e bem conhecido por todos os monarcas da terra. Ó rei, aquele que se comporta falsamente em direção àqueles que vivem e se comportam justamente certamente derruba a si mesmo, como uma floresta com um machado. Uma pessoa não deve procurar confundir a compreensão daquele cuja ruína ela não deseja, pois se a compreensão de alguém está confusa, ele nunca pode dedicar sua atenção ao que é benéfico. Alguém que tem sua alma sob controle nunca, ó Bharata, desrespeita alguém nos três mundos, não, nem mesmo a criatura mais comum, menos ainda aqueles touros entre homens, os filhos de Pandu. Aquele que se entrega à influência da ira perde sua compreensão do bem e do mal. Crescimento extremo deve sempre ser cortado. Veja, ó Bharata, esta é a prova. No momento, ó senhor, união com os filhos de Pandu é melhor para ti do que tua união com os maus. Se tu fizeres as pazes com eles, tu poderás obter a realização de todos os teus desejos. Ó melhor dos reis, enquanto desfrutando do reino que foi fundado pelos Pandavas tu procuras proteção de outros, desconsiderando os próprios Pandavas. Depositando os cuidados do teu estado em Dussasana, Durvisaha, Karna, e no filho de Suvala, tu desejas a continuação da tua prosperidade, ó Bharata. Estes, no entanto, são muito inferiores aos Pandavas em conhecimento, em virtude, em capacidade para adquirir riqueza, e em destreza. De fato, ó Bharata, (sem falar dos quatro que eu mencionei) todos estes reis juntos, contigo em sua chefia, são incapazes até de olhar para o rosto de Bhima, quando zangado, no campo de batalha. Ó senhor, este exército consistindo em todos os reis da terra está, de fato, ao teu alcance. Há também Bhishma, e Drona, e este Karna, e Kripa, e Bhurisrava, e Somadatta, e Aswatthaman, e Jayadratha. Todos estes juntos são incapazes de lutar contra Dhananjaya. De fato, Arjuna é incapaz de ser derrotado em batalha até por todos os deuses, Asuras, homens, e Gandharvas. Não estabeleça teu coração em prol da batalha. Tu vês o homem em alguma das linhagens reais da terra, que tendo enfrentado Arjuna em batalha possa voltar para casa são e salvo? Ó touro da raça Bharata, que vantagem há em uma matança geral? Mostre-me um único homem que derrotará aquele Arjuna, por derrotar a quem somente a vitória pode ser tua? Quem enfrentará aquele filho de Pandu em batalha, que venceu todos os celestiais com os Gandharvas, Yakshas e Pannagas em Khandavaprastha? Então também o relato maravilhoso que é ouvido do que aconteceu na cidade de Virata, concernente àquele combate entre um e muitos, é prova suficiente disto. Tu esperas vencer em batalha Arjuna que quando excitado com raiva é invencível, irresistível, sempre vitorioso, e sem deterioração; Arjuna, aquele herói que gratificou o Deus dos deuses, o próprio Siva, em combate? Comigo mesmo, além disso, como seu segundo, quando aquele filho de Pritha avançar para o campo de batalha contra um inimigo, quem é que será competente para desafiá-lo então? Pode o próprio Purandara fazer isso? Aquele que derrotasse Arjuna em batalha sustentaria a Terra em seus braços, consumiria com raiva toda a população da Terra, e arremessaria os próprios deuses do céu. Olhe para teus filhos, teus irmãos, parentes, e outros aparentados. Não deixe estes chefes da linhagem de Bharata perecerem todos por tua causa. Não deixe a linhagem dos Kauravas ser exterminada ou reduzida. Ó rei, não deixe as pessoas dizerem que tu és o exterminador da tua linhagem e o destruidor de suas realizações. Aqueles poderosos guerreiros em carros, os Pandavas (se a paz for feita) te instalarão como o Yuvaraja, e teu pai Dhritarashtra, aquele senhor de homens, como o soberano deste extenso império. Ó senhor, não desconsidere a prosperidade que está te esperando e está certa de vir. Dando aos filhos de Pritha metade do reino, ganhe grande prosperidade. Fazendo as pazes com os Pandavas e agindo de acordo com os conselhos dos teus amigos, e te regozijando com eles, tu sem dúvida obterás o que é para o teu bem para sempre.'" 125 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo, ó touro da raça Bharata, estas palavras de Kesava, Bhishma, o filho de Santanu, então disse para o vingativo Duryodhana, ‘Krishna falou a ti, desejoso de ocasionar paz entre parentes. Ó majestade, siga aqueles conselhos, e não ceda à influência da ira. Se tu não agires, ó senhor, segundo as palavras de Kesava de grande alma, nem prosperidade, nem felicidade, nem o que é para o teu bem, tu terás. Kesava de braços fortes, ó senhor, disse para ti o que é compatível com virtude e lucro. Aceite aquele propósito, e ó rei, não extermine a população da terra. Esta prosperidade resplandecente dos Bharatas entre todos os reis da terra, durante a própria vida de Dhritarashtra, tu destruirás por tua maldade, e tu também, por causa desta tua disposição arrogante, privarás tu mesmo com todos os teus conselheiros, filhos, irmãos, e parentes, de vida, se, ó tu principal da linhagem de Bharata, tu contrariares as palavras de Kesava, de teu pai, e do sábio Vidura, palavras que são compatíveis com verdade e repletas de benefício para ti mesmo. Não seja o exterminador da tua linhagem, não seja um homem mau, não deixe o teu coração ser pecaminoso, não trilhe o caminho da iniquidade. Não afunde teus pais em um oceano de dor.' Depois que Bhishma tinha concluído, Drona também disse estas palavras para Duryodhana, que, cheio de raiva, estava então respirando pesadamente, 'Ó majestade, as palavras que Kesava falou para ti estão repletas de virtude e lucro, o filho de Santanu Bhishma também disse o mesmo. Aceite aquelas palavras, ó monarca. Ambos são sábios, dotados de grande inteligência, com almas sob controle, desejosos de fazer o que é para o teu bem, e possuidores de grande erudição. Eles disseram o que é benéfico. Aceite as palavras deles, ó rei, ó tu possuidor de grande sabedoria, aja segundo o que Krishna e Bhishma disseram. Ó castigador de inimigos, não, por ilusão de compreensão, desconsidere Madhava. Aqueles que estão sempre te encorajando são incapazes de te darem vitória. Durante o tempo da batalha eles jogarão a carga de hostilidade sobre os pescoços de outros. Não massacre a população da Terra. Não mate teus filhos e irmãos. Saiba que é invencível aquela hoste no meio da qual estão Vasudeva e Arjuna. Se, ó Bharata, tu não aceitares as palavras sinceras dos teus amigos, Krishna e Bhishma, então, ó majestade, tu certamente terás que te arrepender. Arjuna é até maior do que o que o filho de Jamadagni o descreveu como sendo. Com respeito a Krishna, o filho de Devaki, ele é incapaz de ser resistido até pelos deuses. Ó touro da raça Bharata, que utilidade há em te dizer o que é realmente conducente à tua felicidade e bem? Tudo agora foi dito para ti. Faça o que tu desejares. Eu não desejo dizer nada mais para ti, ó principal da linhagem de Bharata.' "Vaisampayana continuou, 'Depois que Drona tinha cessado, Vidura, também chamado Kshatri, lançando seus olhos em Duryodhana, disse para aquele vingativo filho de Dhritarashtra, 'Ó Duryodhana, ó touro da raça Bharata, eu não me aflijo por ti. Eu sofro, no entanto, por este casal idoso, Gandhari e teu pai. Tendo a ti de alma perversa como seu protetor (de quem eles em breve estarão privados), eles terão que vagar com ninguém para cuidar deles, e privados também de amigos e conselheiros, como um par de aves desprovido de suas asas. Tendo gerado tal filho pecaminoso que é o exterminador de sua linhagem, ai, estes dois terão que vagar sobre terra em tristeza, subsistindo de esmolas.' Depois disto, o rei Dhritarashtra, se dirigindo a Duryodhana, sentado no meio de seus irmãos e cercado por todos os reis, disse, 'Escute, ó Duryodhana, ao que o Sauri de grande alma disse. Aceite aquelas palavras que são eternas, altamente benéficas e conducentes ao que é para o teu maior bem. Com a ajuda deste Krishna de feitos impecáveis, nós entre todos os reis estamos certos de obter todos os nossos objetos apreciados. Firmemente unidos por Kesava, reconcilie-te, ó senhor, com Yudhishthira. Dirija-te para este grande bem dos Bharatas como para uma cerimônia augusta de conciliação. Através da agência de Vasudeva, vincule-te estreitamente com os Pandavas. Eu penso que chegou a hora para isto. Não deixe a oportunidade passar. Se, no entanto, tu desconsiderares Kesava, que por um desejo de realizar o que é para o bem está te pedindo para fazer as pazes, então a vitória nunca será tua.'" 126 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras de Dhritarashtra, Bhishma e Drona que concordavam com o velho rei se dirigiram novamente ao desobediente Duryodhana e disseram, 'Até agora os dois Krishnas não estão envolvidos em armadura, até agora Gandiva repousa inativo, até agora Dhaumya não consome a força do inimigo por derramar libações sobre o fogo da guerra, até agora aquele poderoso arqueiro Yudhishthira, tendo a modéstia como seu ornamento, não lançou olhares zangados nas tuas tropas, assim deixe que a hostilidade cesse. Até agora aquele arqueiro poderoso, Bhimasena, o filho de Pritha, não é visto colocado no meio de sua divisão, assim deixe que a hostilidade cesse. Até agora Bhimasena, com maça na mão, não anda no campo de batalha, oprimindo divisões hostis, assim que a paz seja feita com os Pandavas. Até agora Bhima, com sua maça matadora de heróis não faz as cabeças dos guerreiros lutando das costas de elefantes rolarem no campo de batalha, como frutos da palmeira na época de seu amadurecimento, assim que a hostilidade cesse. Até agora Nakula, e Sahadeva, Dhrishtadyumna da linhagem de Prishata, e Virata, e Sikhandin, e o filho de Sisupala, envolvidos em armadura e todos bem versados em armas, não penetram nas tuas tropas, como crocodilos enormes penetrando no mar, e despejam sua chuva de flechas, assim que a hostilidade cesse. Até agora flechas ferozmente aladas não caem sobre os corpos delicados dos reis reunidos, assim deixe a hostilidade cessar. Até agora armas violentas feitas de ferro e aço, atiradas infalivelmente por poderosos arqueiros bem habilidosos em armas, dotados de agilidade de mão e capazes de acertar de qualquer longa distância, não penetraram nos peitos de guerreiros, cobertos com sândalo e outros unguentos fragrantes, e adornados com guirlandas douradas e jóias, assim que hostilidade cesse. Deixe aquele elefante entre os reis, Yudhishthira o Justo, te receber com um abraço enquanto tu o cumprimentas inclinando tua cabeça. Ó touro da raça Bharata, deixe aquele rei, distinto pela generosidade de seus presentes sacrificais, colocar no teu ombro aquele braço direito dele, a palma do qual tem as marcas do estandarte e do gancho. Deixe-o, com mãos vermelhas e enfeitadas com pedras preciosas, adornadas com dedos, bater de leve nas tuas costas enquanto tu estás sentado. Deixe Vrikodara de braços fortes, com ombros largos como aqueles da árvore Sala, te abraçar, ó touro da raça Bharata, e gentilmente conversar contigo em prol da paz. E, ó rei, saudado com reverência por aqueles três, isto é, Arjuna e os gêmeos, cheire suas cabeças e converse com eles carinhosamente. E vendo-te unido com teus irmãos heróicos, os filhos de Pandu, que todos estes monarcas derramem lágrimas de alegria. Deixe as notícias desta união cordial serem proclamadas nas cidades de todos os reis. Que a Terra seja governada por ti com sentimentos de afeto fraterno (em teu peito), e que o teu coração fique livre da febre (de ciúmes e cólera).'" 127 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo naquela assembleia dos Kurus estas palavras que eram desagradáveis para ele, Duryodhana respondeu para o poderosamente armado Kesava de grande renome dizendo, 'Cabe a ti, ó Kesava, falar depois de refletir sobre todas as circunstâncias. De fato, proferindo tais palavras duras, tu, sem qualquer razão, criticaste só a mim, endereçado respeitosamente como tu sempre és pelos filhos de Pritha, ó matador de Madhu. Mas tu me repreendes, tendo avaliado a força e fraqueza (de ambos os lados)? De fato, tu mesmo e Kshattri, o Rei, o Preceptor, e o Avô, todos repreendem somente a mim e não algum outro monarca. Eu, no entanto, não encontro a menor falha em mim mesmo. Contudo todos vocês, incluindo o próprio (velho) rei, me odeiam. Ó repressor de inimigos, mesmo depois de reflexão, eu não vejo qualquer falha grave em mim, ou mesmo, ó Kesava, algum defeito por mais que minúsculo. No jogo de dados, ó matador de Madhu, que foi aceito alegremente por eles, os Pandavas foram vencidos e seu reino foi ganho por Sakuni. Que culpa pode ser minha com respeito a isso? Por outro lado, ó matador de Madhu, a riqueza que foi ganha dos Pandavas então, foi ordenada por mim ser devolvida para eles. Não pode, além disso, ó principal dos vencedores, ser qualquer falha nossa que os Pandavas invencíveis foram derrotados uma outra vez nos dados e tiveram que ir para as florestas. Imputando que falta a nós eles nos consideram como seus inimigos? E, ó Krishna, embora (realmente) fracos, por que os Pandavas ainda procuram tão alegremente uma disputa conosco, como se eles fossem fortes? O que nós temos feito a eles? Por que injúria (feita para eles) os filhos de Pandu, junto com os Srinjayas, procuram matar os filhos de Dhritarashtra? Nós não iremos por algum feito violento, ou palavra (alarmante) deles, nos curvar a eles com medo, privados de nossa razão. Nós não podemos nos curvar ao próprio Indra, sem falar dos filhos de Pandu. Eu, ó Krishna, não vejo o homem, observador das virtudes Kshatriya, que possa, ó matador de inimigos, ousar nos conquistar em batalha. Sem falar dos Pandavas, ó matador de Madhu, os próprios deuses não são competentes para vencer Bhishma, Kripa, Drona e Karna, em batalha. Se, ó Madhava, nós formos, no cumprimento de práticas da nossa ordem, cortados com armas em batalha, quando nosso fim chegar, isso mesmo nos levará para o céu. Este mesmo, ó Janardana, é nosso maior dever como Kshatriyas, isto é, que nós devemos nos deitar no campo de batalha sobre um leito de flechas. Se, sem nos submetermos a nossos inimigos, for nosso o leito de flechas em batalha, isso, ó Madhava, nunca nos afligirá. Quem, nascido em uma família nobre e agindo de acordo com as práticas Kshatriya, se submeteria por medo a um inimigo, desejoso somente de salvar sua vida? Aqueles Kshatriyas que desejam seu próprio bem aceitam respeitosamente este ditado de Matanga, isto é, que (com respeito a um Kshatriya), ele deve sempre se manter ereto, e nunca se curvar, pois somente esforço é virilidade; ele deve antes se quebrar nas junções do que se dobrar. Uma pessoa como eu deve somente se curvar aos Brahmanas por piedade, sem considerar alguém mais. (Com relação a outras pessoas exceto Brahmanas), deve-se, enquanto estiver vivo, agir segundo o ditado de Matanga. Este mesmo é o dever de Kshatriyas; essa mesma é sempre minha opinião. Aquela parte do reino que foi antigamente dada a eles por meu pai nunca mais, ó Kesava, será obtenível por eles enquanto eu viver. Enquanto, ó Janardana, o rei Dhritarashtra viver, nós e eles, embainhando nossas armas, ó Madhava, devemos viver na dependência dele. Entregue antigamente por ignorância ou medo, quando eu era uma criança e dependente de outros, o reino, ó Janardana, incapaz de ser doado novamente, ó encantador da linhagem de Vrishni, não será obtenível pelos Pandavas. No momento, ó Kesava de braços fortes, enquanto eu viver, mesmo aquela quantidade de nossa terra que possa ser coberta pela ponta de uma agulha afiada, ó Madhava, não será dada para nós aos Pandavas.'" 128 "Vaisampayana disse, 'Refletindo (por um momento), com olhos vermelhos de raiva, ele da linhagem de Dasarha, se dirigindo a Duryodhana naquela assembleia dos Kurus, então disse estas palavras, 'Tu desejas um leito de heróis? Na verdade, tu irás tê-lo, com teus conselheiros. Espere (pouco tempo), uma grande matança se sucederá. Tu pensas, ó tu de pouca inteligência, que tu não cometeste ofensa contra os Pandavas? Que os monarcas (reunidos) julguem. Atormentado pela prosperidade dos Pandavas de grande alma tu conspiraste, ó Bharata, com o filho de Suvala acerca do jogo. Ó senhor, como poderiam aqueles teus parentes virtuosos, honestos, e superiores (de outra maneira) se engajarem em tal ação pecaminosa com o enganoso Sakuni? Ó tu que és dotado de grande sabedoria, o jogo rouba a compreensão até dos bons, e em relação aos maus, desunião e consequências terríveis surgem disto. Foste tu que planejaste com teus conselheiros perversos aquela fonte terrível de calamidade na forma de jogo, sem consultar com pessoas de comportamento justo. Quem mais há, capaz de insultar a esposa de um irmão da maneira que tu fizeste ou de arrastá-la à assembleia e se dirigir a ela na linguagem que tu usaste em direção a Draupadi? De ascendência nobre, e dotada de comportamento excelente, e mais preciosa para eles do que suas próprias vidas, a rainha consorte dos filhos de Pandu foi tratada assim mesmo por ti. Todos os Kauravas sabem quais palavras foram endereçadas em sua assembleia por Dussasana para aqueles castigadores de inimigos, os filhos de Kunti, quando eles estavam prestes a partir para as florestas. Quem seria capaz de se comportar de modo tão ignóbil para com seus próprios parentes honestos, que estão sempre engajados na prática de virtude, que não são maculados pela avareza, e que são sempre corretos em seu comportamento? Tal linguagem que fica bem somente naqueles que são cruéis e desprezíveis foi frequentemente repetida por Karna e Dussasana e também por ti. Tu fizeste grandes esforços para matar queimados, em Varanavata, os filhos de Pandu com sua mãe, enquanto eles eram crianças, embora aquele teu esforço não tenha sido coroado com sucesso. Depois disto, os Pandavas com sua mãe foram obrigados a viver por um longo tempo escondidos na cidade de Ekachakra na residência de um Brahmana. Com veneno, com cobras e cordas, tu tinhas, por todos os meios, procurado a destruição dos Pandavas, embora nenhum dos teus projetos tenha sido bem sucedido. Com tais sentimentos quando tu tens sempre agido em direção a eles tão enganosamente, como tu podes dizer que não pecaste contra os Pandavas de grande alma? Tu não estás, ó homem pecaminoso, desejando dar eles sua parte paterna do reino, embora eles estejam pedindo isto de ti. Tu terás que dá-la a eles, desse modo, quando privado de prosperidade, tu serás destruído. Tendo, como um sujeito cruel, feito inumeráveis males aos Pandavas e te comportado tão desonestamente em direção a eles, tu procuras agora aparecer de uma maneira diferente. Embora repetidamente pedido por teus pais, por Bhishma, Drona, e Vidura, para fazer as pazes, tu, contudo, ó rei, não fazes as pazes. Grande é a vantagem na paz, ó rei, para ti mesmo e Yudhishthira. A paz, no entanto, não se recomenda para ti. Ao que mais isto pode ser devido, exceto à tua perda de compreensão? Desobedecendo as palavras dos teus amigos, tu nunca poderás alcançar o que é para o teu benefício. Pecaminosa e infame é aquela ação que tu, ó rei, estás prestes a fazer.' “Vaisampayana continuou, ‘Enquanto ele da linhagem de Dasarha estava dizendo isto, Dussasana se dirigiu ao vingativo Duryodhana e disse para ele estas palavras no meio dos Kurus, ‘Se, ó rei, tu não fizeres prontamente as pazes com os Pandavas, na verdade os Kauravas te amarrarão (mãos e pés) e te transferirão ao filho de Kunti. Bhishma, e Drona, e teu (próprio) pai, ó touro entre homens, entregarão nós três, a saber, o filho de Vikartana, tu, e eu mesmo, para os Pandavas!’” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras de seu irmão, o filho de Dhritarashtra, mau, sem vergonha, desobediente, desrespeitoso, e vaidoso Suyodhana, respirando pesadamente como uma grande cobra se levantou de seu assento com raiva, e desrespeitando Vidura, e Dhritarashtra e o grande rei Vahlika, e Kripa, e Somadatta, e Bhishma, e Drona, e Janardana, realmente, todos eles, saiu da corte. E vendo aquele touro entre homens deixar a corte, seus irmãos e todos os seus conselheiros, e todos os reis o seguiram. E vendo Duryodhana se levantar e deixar a corte enraivecido com seus irmãos, o filho de Santanu, Bhishma, disse, 'Os inimigos daquela pessoa que, abandonando virtude e lucro, segue os impulsos da cólera, se regozijam ao vê-la mergulhada em desgraça em data não distante. Este filho mau de Dhritarashtra, não familiarizado com os verdadeiros meios (de realizar seus objetivos), este tolo que é injustamente vaidoso de sua soberania, obedece somente os ditames da ira e avareza. Eu vejo também, ó Janardana, que a hora de todos aqueles Kshatriyas é chegada, pois todos aqueles reis, por ilusão, com seus conselheiros seguiram Duryodhana.' Ouvindo estas palavras de Bhishma, o herói de olhos de lótus da linhagem de Dasarha, possuidor de poderes formidáveis, se dirigindo a todos aqueles (que ainda estavam lá) encabeçados por Bhishma e Drona, disse, 'Esta é uma grande transgressão, da qual todos os mais velhos da família de Kuru estão se tornando culpados, pois eles não agarram e amarram à força este rei perverso no desfrute da soberania. Ó castigadores de inimigos, eu penso que chegou a hora de fazer isto. Se for feito, isto ainda pode ser produtivo de bem. Ouçam-me, ó impecáveis. As palavras que eu falarei logo levarão a resultados benéficos, se, de fato, ó Bharatas, vocês aceitarem o que eu disser por isso se recomendar a vocês. O filho pecaminoso, de alma mal-regulada, do velho rei Bhoja, tendo usurpado a soberania de seu pai durante o tempo de vida do último, se expôs à morte. De fato, Kansa, o filho de Ugrasena, abandonado por seus parentes, foi morto por mim em um grande confronto, por desejo de beneficiar meus parentes. Nós mesmos com nossos parentes então, tendo prestado honras devidas a Ugrasena, o filho de Ahuka, instalamos aquele ampliador do reino Bhoja no trono. E todos os Yadavas e Andhakas e os Vrishnis, abandonando uma única pessoa, isto é, Kansa, por causa de toda sua família, têm prosperado e obtido felicidade. Ó rei, quando os deuses e Asuras estavam enfileirados para a batalha e armas estavam erguidas para golpear, o senhor de todas as criaturas, Parameshthin, falou dessa maneira (algo que se aplica ao caso à mão). De fato, ó Bharata, quando a população dos mundos estava dividida em dois partidos e estava prestes a ser massacrada, a divina e santa Causa do universo, o Criador, disse, 'Os Asuras e os Daityas com os Danavas serão vencidos, e os Adityas, os Vasus, os Rudras e outros habitantes do céu serão vitoriosos. De fato, os deuses, e Asuras, e seres humanos, e Gandharvas, e Cobras, e Rakshasas, massacrarão com raiva uns aos outros nesta batalha.' Pensando assim, o Senhor de todas as criaturas, Parameshthin, ordenou Dharma, dizendo, 'Amarrando rapidamente os Daityas e os Danavas, os transfira para Varuna.' Assim endereçado, Dharma, por ordem de Parameshthin, atando os Daityas e os Danavas, os transferiu para Varuna. E Varuna, o Senhor das águas, tendo atado aqueles Danavas com o laço de Dharma, como também com seu próprio, os mantém dentro das profundidades do oceano, sempre os vigiando com cuidado. Amarrando da mesma maneira Duryodhana e Karna e Sakuni, o filho de Suvala, e Dussasana, os transfira para os Pandavas. Por uma família, um indivíduo pode ser sacrificado. Por uma aldeia, uma família pode ser sacrificada. Por uma província, uma aldeia pode ser sacrificada. E por fim, por causa da alma de uma pessoa a terra inteira pode ser sacrificada. Ó monarca, amarrando Duryodhana firmemente, faça as pazes com os Pandavas. Ó touro entre os Kshatriyas, não deixe toda a classe Kshatriya ser massacrada por tua causa.'" 129 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras de Krishna, o rei Dhritarashtra não demorou a se dirigir a Vidura, que estava familiarizado com todos os ditames de virtude. E o rei disse, 'Vá, ó filho, até Gandhari, possuidora de grande sabedoria e previdência e traga-a para cá. Com ela eu solicitarei aquele (meu filho) de coração perverso. Se ela puder pacificar aquele indivíduo pecaminoso, de coração mau, nós ainda seremos capazes de agir de acordo com as palavras de nosso amigo Krishna. Pode ser que falando palavras em recomendação de paz, ela possa ainda conseguir indicar o caminho correto para aquele tolo, afligido pela avareza e tendo aliados pecaminosos. Se ela puder dissipar esta calamidade grande e terrível (prestes a ser) causada por Duryodhana, isto levará então à obtenção e preservação de felicidade e paz para sempre.' Ouvindo estas palavras do rei, Vidura, por ordem de Dhritarashtra, levou Gandhari (lá), possuidora de grande previdência. E Dhritarashtra então se dirigiu a Gandhari e disse, 'Veja, ó Gandhari, este teu filho de alma má, desobedecendo todas as minhas ordens, está prestes a sacrificar soberania e vida por sua cobiça pela soberania. De alma perversa e pouca compreensão, ele, como alguém de mente inculta, deixou a corte, com seus conselheiros pecaminosos, desrespeitando seus superiores e desprezando as palavras de seus benquerentes.' "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras de seu marido, aquela princesa de grande fama, Gandhari, desejosa do que era altamente benéfico, disse estas palavras, 'Tragam para cá, sem perda de tempo, aquele meu filho doente, cobiçoso de reino. Ele que é de alma pouco desenvolvida e sacrifica virtude e lucro não merece governar um reino. Apesar de tudo isso, no entanto, Duryodhana, que é desprovido de humildade, por todos os meios, obteve um reino. De fato, ó Dhritarashtra, tu tão afeiçoado ao teu filho és muitíssimo culpado por isto, pois conhecendo bem sua pecaminosidade tu ainda seguiste seu conselho. Aquele teu filho, totalmente possuído por luxúria e cólera é agora o escravo da ilusão, e é, portanto, incapaz, ó rei, de ser agora feito voltar atrás à força por ti. Tu estás agora colhendo o fruto, ó Dhritarashtra, de ter transferido o reino para um tolo ignorante de alma perversa, possuído por avareza e tendo conselheiros pecaminosos. Por que o rei está indiferente (hoje) àquela desunião, que está prestes a ocorrer entre pessoas relacionadas tão de perto? De fato, vendo-te desunido com aqueles que são teus próprios, teus inimigos rirão de ti. Quem usaria força para transpor aquela calamidade, ó rei, que pode ser vencida por conciliação e presentes?' "Vaisampayana continuou, 'Kshattri então, por ordem de Dhritarashtra, e da mãe dele também, mais uma vez fez o vingativo Duryodhana entrar na corte. Expectante das palavras de sua mãe, o príncipe reentrou na corte, com olhos vermelhos como cobre de ira, e respirando pesadamente como uma cobra. E vendo seu filho, que estava andando em um caminho errado, entrar na corte, Gandhari o repreendeu severamente e disse a ele estas palavras para ocasionar paz.' "Gandhari disse, 'Ó Duryodhana, preste atenção, ó filho querido, a estas palavras minhas que são benéficas para ti como também para todos os teus seguidores, palavras que tu és competente para obedecer e que conduzirão à tua felicidade. Ó Duryodhana, obedeça as palavras dos teus benquerentes, aquelas palavras que aqueles melhores dos Bharatas, teu pai, e Bhishma, e Drona, e Kripa, e Kshattri, têm falado. Se tu fizeres as pazes, tu por meio disto prestarás homenagem a Bhishma, ao teu pai, a mim, e a todos os teus simpatizantes com Drona em sua chefia. Ó tu de grande sabedoria, ninguém, ó melhor dos Bharatas, consegue só por seu próprio desejo adquirir e manter ou desfrutar de um reino. Alguém que não tem seus sentidos sob controle não pode desfrutar da soberania por qualquer duração de tempo. Aquele que tem sua alma sob controle e é dotado de grande inteligência pode governar um reino. Luxúria e ira afastam um homem de suas posses e prazeres. Conquistando estes inimigos primeiro, um rei traz a terra sob sua submissão. Soberania sobre homens é uma coisa formidável. Aqueles que são de almas perversas podem facilmente desejar ganhar um reino, mas eles não são competentes para manter um reino (quando ganho). Aquele que deseja obter império extenso deve atar seus sentidos à lucro e virtude, pois se os sentidos são reprimidos a inteligência aumenta, como fogo que aumenta quando alimentado com combustível. Se não controlados, eles podem até matar seu possuidor, como cavalos não domados e furiosos, capazes de matar um cavaleiro não habilidoso. Alguém que procura conquistar seus conselheiros sem conquistar a si mesmo, e conquistar inimigos sem conquistar seus conselheiros, é logo vencido e é arruinado. Aquele que conquista primeiro seu próprio eu, tomando-o por um inimigo, não procurará em vão conquistar seus conselheiros e inimigos depois. A prosperidade reverencia imensamente aquela pessoa que conquistou seus sentidos e seus conselheiros, que inflige castigos em transgressores, que age depois de deliberação, e que é possuidor de sabedoria. Luxúria e cólera que habitam no corpo são privados de sua força pela sabedoria, como um par de peixes apanhados em uma rede com buracos estreitos. Aqueles dois pelos quais os deuses fecham os portões do céu contra alguém, que livre de propensões mundanas está desejoso de ir para lá, são excitados por luxúria e cólera. Aquele rei que sabe bem como conquistar luxúria e cólera e avareza e bazófia e orgulho pode possuir a soberania da terra inteira. Aquele rei que está desejoso de ganhar riqueza e virtude e vencer seus inimigos deve sempre estar engajado em controlar suas paixões. Influenciado por luxúria, ou por ira, aquele que se comporta enganosamente em direção a seus próprios parentes ou outros nunca pode ganhar muitos aliados. Unindo-te com aqueles castigadores de inimigos, os filhos heróicos de Pandu, que são todos dotados de grande sabedoria, tu podes, ó filho, desfrutar da terra em felicidade. O que Bhishma, o filho de Santanu, e aquele poderoso guerreiro em carro, Drona, disseram, ó filho, é realmente verdadeiro, Krishna e Dhananjaya são invencíveis. Procure, portanto, a proteção deste poderosamente armado, deste que não é preocupado por esforço, pois se Kesava se tornar benevolente, ambos os lados serão felizes. Aquele homem que não é obediente aos desejos de amigos sábios e eruditos, que sempre procuram sua prosperidade, somente alegra seus inimigos. Ó filho, não há bem na batalha, nem virtude, nem lucro. Como ela pode trazer felicidade então? Mesmo a vitória não é sempre certa. Não coloque teu coração, portanto, na batalha. Ó tu de grande sabedoria, Bhishma e teu pai e Vahlika (antigamente) deram para os Pandavas sua parte (do reino) por medo. Ó castigador de inimigos, nunca pense em desunião com eles. Tu vês hoje o resultado daquela cessão (pacífica) no fato da tua soberania sobre a terra inteira, com todos os seus espinhos removidos por aqueles heróis. Dê, ó castigador de inimigos, para os filhos de Pandu o que lhes é devido. Se tu desejas desfrutar, com teus conselheiros igualmente de metade (do império), deixe a parte deles então ser dada a eles. Metade da terra é suficiente para produzir os meios de sustento para ti e teus conselheiros. Por agires segundo as palavras dos teus benquerentes, ó Bharata, tu ganharás grande renome. Uma disputa com os filhos de Pandu que são todos dotados de prosperidade, que têm suas almas sob controle completo, que são possuidores de grande inteligência e têm conquistado suas paixões, somente te privará da tua grande prosperidade. Dissipando a cólera de todos os teus simpatizantes, governe teu reino como te convém, dando, ó touro da raça Bharata, para os filhos de Pandu a parte que pertence a eles. Ó filho, perseguição aos filhos de Pandu por treze anos completos foi suficiente. Aumentado por luxúria e ira, apague (aquele fogo) agora, ó tu de grande sabedoria. Tu que cobiças a riqueza dos Pandavas não és um páreo para eles, nem este filho de Suta, que é extremamente colérico, nem este teu irmão Dussasana. De fato, quando Bhishma e Drona e Kripa e Karna e Bhimasena e Dhananjaya e Dhrishtadyumna estiverem enfurecidos, a população da terra será exterminada. Sob a influência da cólera, ó filho, não extermine os Kurus. Não deixe a terra extensa ser destruída por tua causa. De pouca compreensão como tu és, tu pensas que Bhishma, e Drona, e Kripa, e todos os outros lutarão (por ti) com todo seu poder. Isso nunca acontecerá, pois com relação a estes, que são dotados de auto-conhecimento, a afeição deles pelos Pandavas e por vocês é igual. Se por causa do sustento que eles têm obtido do rei (Dhritarashtra), eles consentirem em entregar suas próprias vidas, eles, contudo não serão capazes de lançar olhares zangados sobre o rei Yudhishthira. Nunca é visto neste mundo que homens adquirem riqueza por avareza. Abandone tua avareza então, ó filho, e desista, ó touro da raça Bharata.'" "Vaisampayana disse, 'Desconsiderando estas palavras de significado importante, faladas por sua mãe, Duryodhana foi embora, com raiva, daquele lugar para a presença de pessoas perversas. E indo para longe da corte, o príncipe Kuru começou a consultar com o filho real de Suvala, Sakuni, o mais hábil nos dados. E foi esta a resolução à qual Duryodhana e Karna e o filho de Suvala Sakuni, com Dussasana como seu quarto, chegaram, 'Este Janardana, rápido em ação, busca, com o rei Dhritarashtra e o filho de Santanu, nos apanhar primeiro. Nós, no entanto, apanharemos à força este tigre entre homens, Hrishikesa, primeiro, como Indra agarrando à força o filho de Virochana (Vali). Sabendo que ele da linhagem de Vrishni foi apanhado, os Pandavas perderão seu ânimo e se tornarão incapazes de esforço, como cobras cujas presas estão quebradas. Este de braços poderosos é, de fato, o refúgio e proteção deles todos. Se este concessor de desejos, este touro de todos os Satwatas, for confinado, os Pandavas com os Somakas ficarão deprimidos e incapazes de qualquer esforço. Portanto, desconsiderando os gritos de Dhritarashtra, nós prenderemos aqui mesmo este Kesava, que é rápido em ação, e então lutaremos com o inimigo.' Depois que aqueles homens pecaminosos de almas perversas tinham chegado a esta decisão pecaminosa, o muito inteligente Satyaki, capaz de ler o coração por meio de sinais, logo veio a saber disso. E por causa desse conhecimento ele logo saiu da corte, acompanhado pelo filho de Hridika (Kritavarman). E Satyaki se dirigiu a Kritavarman, dizendo, 'Organize as tropas logo. E vestido em armadura e com tuas tropas enfileiradas para batalha, espere na entrada da corte, até que eu relate esta questão para Krishna, não fatigado por esforço.' Dizendo isso, aquele herói reentrou na corte, como um leão entrando em um caverna de montanha. E ele (primeiro) informou Kesava de grande alma e então Dhritarashtra, e então Vidura daquela conspiração. E tendo informado eles daquela resolução, ele disse de modo risonho, 'Estes homens pecaminosos pretendem cometer aqui uma ação que é desaprovada pelos bons por consideração de virtude, lucro, e desejo. Eles, no entanto, nunca serão capazes de realmente executar isto. Estes tolos de almas pecaminosas reunidos, estes patifes dominados por luxúria, raiva e se entregando à cólera e cobiça, estão prestes a cometer um ato muito impróprio. Aqueles canalhas de pouca inteligência e desejosos de prender a ele de olhos de lótus são como idiotas e crianças desejando apanhar um fogo ardente por meio de suas peças de roupa.' Ouvindo estas palavras de Satyaki, Vidura, dotado de grande previdência disse estas palavras para Dhritarashtra de braços fortes no meio dos Kurus, 'Ó rei, ó castigador de inimigos, a hora de todos os teus filhos é chegada, pois eles estão se esforçando para cometer uma ação muito infame, embora eles sejam incapazes de realmente realizá-la. Ai, unidos eles desejam subjugar este irmão mais novo de Vasava, e prender este de olhos de lótus. De fato, enfrentando este tigre entre homens, este invencível e irresistível, eles todos perecerão como insetos em um fogo ardente. Se Janardana desejar, ele pode enviar todos, mesmo que eles lutem em conjunto, para a residência de Yama, como um leão enfurecido despachando uma manada de elefantes. Ele, no entanto, nunca fará algum ato pecaminoso e censurável semelhante. Esta melhor das pessoas, de glória imperecível, nunca se desviará da virtude.' Depois que Vidura tinha dito estas palavras, Kesava, lançando seus olhos em Dhritarashtra, disse no meio daquelas pessoas bem intencionadas, que escutavam as palavras de outros, 'Ó rei, se estes (homens) desejam me castigar por usar violência, os permita me castigarem. Ó monarca, quanto ao meu castigo para eles, pois eu ouso castigar todos eles juntos que estão tão excitados com raiva, eu, no entanto, não cometerei qualquer ato pecaminoso e censurável. Cobiçando as posses dos Pandavas, teus filhos perderão as deles. Se eles desejam cometer tal ato, o objetivo de Yudhishthira então será (facilmente) realizado, pois, neste mesmo dia, ó Bharata, prendendo-os com todos os que os seguem, eu posso transferi-los para os filhos de Pritha. O que há que seja difícil de obtenção por mim? Eu não cometerei, no entanto, ó Bharata, na tua presença, ó grande monarca, algum ato censurável como este, que pode proceder somente da ira e de uma mente pecaminosa. Que seja, ó rei, como Duryodhana deseja. Eu dou permissão, ó monarca, para todos os teus filhos fazerem isto.' "Ouvindo estas palavras (de Kesava), Dhritarashtra se dirigiu a Vidura dizendo, 'Traga rapidamente para cá o pecaminoso Duryodhana, que é tão cobiçoso de soberania, com seus amigos, conselheiros, irmãos, e seguidores. Eu verei se de fato, fazendo mais um esforço eu posso levá-lo ao caminho correto.’ Assim endereçado por Dhritarashtra, Kshattri mais uma vez fez o teimoso Duryodhana entrar na corte com seus irmãos, e cercado pelos reis (que o seguiam). O rei Dhritarashtra então se dirigiu a Duryodhana, circundado por Karna e Dussasana e todos aqueles reis, dizendo, 'Ó infeliz de pecados acumulados, tendo como teus aliados homens de ações desprezíveis, infame é o ato que tu, unido com amigos pecaminosos, procuras fazer. De pouca inteligência, tu, infâmia da tua linhagem, só alguém como tu poderias procurar fazer uma ação tão infame e desaprovada pelos bons, embora ela seja impossível de ser realmente realizada. Unindo-te com aliados pecaminosos, tu desejas castigar este invencível e irresistível de olhos semelhantes a folhas de lótus? Como uma criança desejando ter a lua, tu procuras, ó tolo, fazer o que não pode ser feito pelos próprios deuses encabeçados por Vasava com toda sua força? Tu não sabes que Kesava não pode ser resistido em batalha por deuses e homens e Gandharvas e Asuras e Uragas? Como o vento o qual ninguém pode agarrar de ser agarrado com suas mãos, como a lua a qual nenhuma mão pode alcançar, como a Terra a qual ninguém pode sustentar sobre sua cabeça, Kesava não pode ser (apanhado) à força.' "Depois que Dhritarashtra tinha dito estas palavras, Vidura (lançando) seus olhos em Duryodhana, se dirigiu àquele filho vingativo de Dhritarashtra, dizendo, 'Ó Duryodhana, escute agora estas minhas palavras. Nos portões de Saubha, aquele principal dos macacos, conhecido pelo nome de Dwivida, cobriu Kesava com uma chuva imensa de pedras. Desejoso de capturar Madhava por aplicar sua destreza e esforço, ele contudo não conseguiu agarrá-lo. Tu procuras prender aquele Kesava à força? Quando Sauri foi para Pragjyotisha, Naraka com todos os Danavas não conseguiu apanhá-lo lá. Tu procuras capturá-lo à força? Matando aquele Naraka em batalha, ele levou (de sua cidade) mil donzelas e casou-se com elas todas, de acordo com a ordenança. Na cidade de Nirmochana, seis mil poderosos Asuras fracassaram em apanhá-lo com seus laços. Tu procuras prender aquele Kesava pela força? Quando somente uma criança, ele matou Putana e dois Asuras assumindo a forma de aves, e ó touro da linhagem de Bharata, ele levantou as montanhas de Govardhana (sobre seu dedo mínimo) para proteger o gado (de um chuva contínua). Ele também matou Aristha, e Dhenuka e Chanura de grande força, e Aswaraja, e Kansa, o fazedor do mal. Ele matou Jarasandha, e Vakra, e Sisupala de energia poderosa, e Vana em batalha, e numerosos outros reis também foram mortos por ele. De força imensurável, ele venceu o rei Varuna e também Pavaka (Agni), e na ocasião de trazer (das regiões celestes) a (flor celestial chamada) Parijata, ele derrotou o próprio marido de Sachi. Enquanto flutuando no vasto oceano, ele matou Madhu e Kaitabha, e em outro nascimento ele matou Hayagriva (de pescoço de cavalo). Ele é o criador de tudo mas é ele mesmo feito por ninguém. Ele é a Causa de todo o poder. Qualquer coisa que Sauri deseja ele executa sem qualquer esforço. Tu não conheces o impecável Govinda, de bravura terrível e incapaz de deterioração? Este, parecendo com uma cobra zangada de veneno virulento, é a interminável fonte de energia. Ao procurar usar violência em direção a Krishna, dotado de braços fortes e incansável por esforço, tu, com todos os teus seguidores, perecerás como um inseto caindo no fogo.'" 131 "Vaisampayana disse, 'Depois que Vidura tinha dito isso, Kesava, aquele matador de divisões hostis, dotado de grande energia, se dirigiu ao filho de Dhritarashtra, Duryodhana, e disse, ‘Por ilusão, ó Suyodhana, tu achas que eu estou sozinho, e é por isto, ó tu de pouca inteligência, que tu procuras me fazer um prisioneiro depois de me subjugar por violência. Aqui, no entanto, estão todos os Pandavas e todos os Vrishnis e Andhakas. Aqui estão todos os Adityas, os Rudras, e os Vasus, com todos os grandes Rishis.’ Dizendo isto Kesava, aquele matador de heróis hostis, deu uma risada alta. E quando Sauri de grande alma riu, de seu corpo, que parecia um fogo ardente, emergiram miríades de deuses, cada um do esplendor do relâmpago, e não maiores do que o polegar. E em sua testa apareceu Brahman, e em seu peito Rudra. E em seus braços apareceram os regentes do mundo, e de sua boca emergiram Agni, os Adityas, os Sadhyas, os Vasus, os Aswins, os Marutas, com Indra, e os Viswedevas. E miríades de Yakshas, e os Gandharvas, e Rakshasas também, da mesma medida e forma, emergiram dali. E de seus dois braços saíram Sankarshana e Dhananjaya. E Arjuna ficou à sua direita, arco na mão, e Rama ficou à sua esquerda, armado com o arado. E atrás dele ficaram Bhima, e Yudhishthira, e os dois filhos de Madri, e à frente dele estavam todos os Andhakas e os Vrishnis com Pradyumna e outros chefes levando armas poderosas erguidas. E nos seus diversos braços eram vistos a concha, o disco, a maça, o arco chamado Saranga, o arado, o dardo, o Nandaka, e todas as outras armas, todas brilhando com refulgência, e erguidas para golpear. E de seus olhos e nariz e orelhas e de todas as partes de seu corpo saíram faíscas ferozes de fogo misturadas com fumaça. E dos poros de seu corpo saíram faíscas de fogo como os raios do sol. E vendo aquela forma terrível de Kesava de grande alma, todos os reis fecharam seus olhos com corações aterrorizados, exceto Drona, e Bhishma, e Vidura, dotado de grande inteligência, o imensamente abençoado Sanjaya, e os Rishis possuidores de riqueza de ascetismo, pois o divino Janardana deu a eles sua visão divina na ocasião. E vendo na corte (Kuru) aquela visão muito extraordinária, baterias celestes foram tocadas (no céu) e uma chuva floral caiu (sobre ele). E a Terra inteira tremeu (naquela hora) e os oceanos estavam agitados. E, ó touro da raça Bharata, todos os habitantes da terra estavam muito admirados. Então aquele tigre entre homens, aquele castigador de inimigos, retraiu aquela forma divina e estupenda, e extremamente variada e auspiciosa. E de braços dados com Satyaki de um lado e o filho de Hridika (Kritavarman) no outro, e obtendo permissão dos Rishis, o matador de Madhu saiu. E durante o tumulto que então ocorreu, os Rishis, Narada e outros desapareceram, para se dirigirem para seus respectivos lugares. E este também foi outro incidente extraordinário que aconteceu. E vendo aquele tigre entre homens deixar a corte, os Kauravas com todos os reis o seguiram, como os deuses seguindo Indra. Sauri, no entanto, de alma incomensurável, sem conceder um único pensamento àqueles que o seguiam, saiu da corte, como um fogo resplandecente misturado com fumaça. E ele viu (no portão seu quadrigário) Daruka esperando com seu carro branco grande, equipado com fileiras de sinos tilintantes, decorado com ornamentos dourados, e dotado de grande velocidade, o estrépito de cujas rodas ressoava como o ribombar das nuvens, e que estava totalmente coberto com peles brancas de tigre, e ao qual estavam arreados seus corcéis Saivya (e outros). E lá também apareceu, sobre seu carro, aquele herói favorito dos Vrishnis, o poderoso guerreiro em carro Kritavarman, o filho de Hridika. E (quando) aquele castigador de inimigos, Sauri, que tinha seu carro pronto, estava prestes a partir, o rei Dhritarashtra se dirigiu a ele mais uma vez e disse, 'Ó opressor de inimigos, tu viste, ó Janardana, o poder que eu tenho sobre meus filhos! Tu, de fato, testemunhaste tudo com teus próprios olhos. Nada agora é desconhecido para ti. Vendo meu esforço para ocasionar paz entre os Kurus e os Pandavas, realmente, sabendo o estado (no qual eu estou), não cabe a ti nutrir alguma suspeita com relação a mim. Ó Kesava, eu não tenho sentimentos pecaminosos pelos Pandavas. Tu sabes quais palavras foram faladas por mim para Suyodhana. Os Kauravas e todos os reis da Terra, também sabem, ó Madhava, que eu tenho feito todos os esforços para ocasionar paz.' "Vaisampayana continuou, 'O poderosamente armado Janardana então se dirigiu a Dhritarashtra, Drona, ao avô Bhishma, Kshattri, Vahlika, e Kripa e disse, 'Vocês testemunharam tudo o que aconteceu na assembleia dos Kurus, isto é, como o pecaminoso Duryodhana, como um canalha inculto, deixou a corte por raiva, e como o rei Dhritarashtra também descreve a si mesmo como impotente. Com a permissão de vocês todos, eu agora voltarei para Yudhishthira.' Saudando- os, aquele touro entre homens, Sauri, então subiu em seu carro e partiu. E aqueles touros heróicos entre os Bharatas, aqueles arqueiros poderosos, isto é, Bhishma, Drona, e Kripa, e Kshattri, e Aswatthaman e Vikarna, e aquele poderoso guerreiro em carro Yuyutsu, todos começaram a segui-lo. E Kesava, em seu carro branco grande, equipado com fileiras de sinos tilintando, procedeu então, na própria vista dos Kurus, para a residência de sua tia paterna (Kunti).'" 132 "Vaisampayana disse, 'Entrando em sua residência e reverenciando seus pés, Kesava explicou a ela brevemente tudo o que tinha ocorrido na assembleia dos Kurus. E Vasudeva disse, 'Diversas palavras, dignas de serem aceitas e repletas de razões, foram ditas por mim e os Rishis, mas Duryodhana não as aceitou. Quanto a Suyodhana e seus seguidores, sua hora é chegada. Com tua permissão agora, eu irei rapidamente até os Pandavas. O que eu devo dizer para os Pandavas como tuas instruções para eles? Diga-me isso, ó tu dotada de grande sabedoria. Eu desejo ouvir tuas palavras.' "Kunti disse, 'Ó Kesava, diga para o rei Yudhishthira de alma virtuosa estas palavras, 'Tua virtude, ó filho, está diminuindo imensamente. Não aja futilmente, ó rei, como um leitor dos Vedas incapaz de compreender seu real significado, e, portanto, realmente inculto. Tua mente, afetada somente pelas palavras dos Vedas, considera só a virtude. Lance teu olhar nos deveres da tua própria classe, como ordenado pelo Auto-criado. Para todos os atos implacáveis e para a proteção do povo, dos braços (do Brahmana) foi criado o Kshatriya, que deve depender da destreza de seus próprios braços. Ouça, um exemplo é citado com relação a isto, ele foi ouvido por mim dos idosos. Antigamente, Vaisravana, tendo sido gratificado, fez uma doação desta Terra ao sábio real Muchukunda. O último sem aceitar o presente, disse, 'Eu desejo desfrutar daquela soberania que é ganha por destreza de braços.' Nisto, Vaisravana ficou muito satisfeito e muito surpreso. O rei Muchukunda então, cumprindo totalmente os deveres da classe Kshatriya governou esta terra, tendo-a conquistado pela destreza de seus braços. Então além disso, uma sexta parte da virtude praticada por súditos bem protegidos pelo rei, é obtida, ó Bharata, pelo rei. A virtude também que o próprio rei pratica confere divindade a ele, enquanto se ele comete pecado, ele vai para o inferno. O código penal, devidamente aplicado pelo soberano, faz as quatro classes aderirem aos seus respectivos deveres, e leva a uma aquisição (pelo próprio governante) de virtude (lucro, e salvação). Quando o rei é devidamente fiel ao código penal, sem fazer qualquer parte dele uma letra morta, então aquele melhor dos períodos chamado de Krita Yuga se inicia. Que esta dúvida não seja tua, isto é, se a era é a causa do rei, ou o rei a causa da era, pois (saiba com certeza que) o rei é a causa da era. É o rei que cria a era Krita, a Treta, ou a Dwapara. De fato, o rei é a causa também do quarto Yuga (o Kali). Aquele rei que faz a era Krita se iniciar desfruta muito do céu. Aquele rei que faz a era Treta se iniciar, desfruta do céu, mas não muito. Por fazer a era Dwapara se iniciar, um rei desfruta do céu segundo seu devido. O rei, no entanto, que faz a era Kali se iniciar ganha muito pecado. Por isso, aquele rei de atos perversos reside no inferno por inúmeros anos. De fato, os pecados do rei afetam o mundo, e os pecados do mundo o afetam. Cumpra aqueles deveres reais que condizem com tua linhagem. Não é a conduta de um sábio real aquela na qual tu desejas permanecer. De fato, aquele que está maculado por fraqueza de coração e adere à compaixão, e é instável, nunca obtém o mérito nascido de tratar seus súditos com amor. Aquela compreensão segundo a qual tu estás agora agindo nunca foi desejada (para ti) por Pandu, ou eu mesma, ou teu avô, quando nós proferimos bênçãos sobre ti antes; sacrifício, doações, mérito, e coragem, súditos e filhos, grandeza de alma, e poder, e energia, eram sempre rogados por mim para ti. Brahmanas que desejam o bem devidamente adoraram e gratificaram os deuses e os Pitris por tua vida longa, riqueza, e filhos, por juntar Swaha e Swadha. A mãe e o pai, como também os deuses, sempre desejam para seus filhos generosidade e presentes e estudo e sacrifício e domínio sobre súditos. Se tudo isso é justo ou injusto, você deve praticá-lo, por consequência do teu próprio nascimento. (Veja, ó Krishna, até aqui por fazer tudo isto), embora nascidos em uma família nobre, eles ainda estão desprovidos dos próprios meios de sustento, e estão afligidos com miséria. Homens famintos, se aproximando de um monarca valente e generoso, são satisfeitos, e vivem ao seu lado. Que virtude pode ser superior a isto? Uma pessoa virtuosa, ao adquirir um reino, deve neste mundo fazer todas as pessoas suas próprias, conquistando algumas por presentes, algumas à força, e algumas por palavras gentis. Um Brahmana deve adotar mendicância; um Kshatriya deve proteger (súditos); um Vaisya deve ganhar riqueza; e um Sudra deve servir os outros três. Mendicância, portanto, está proibida para ti. Nem agricultura é apropriada para ti. Tu és um Kshatriya e, portanto, o protetor de todos em infortúnio. Tu deves viver pela destreza dos teus braços. Ó tu de braços poderosos, recupere a tua parte paterna do reino a qual tu perdeste, por conciliação, ou por induzir desunião entre teus inimigos, ou por doações de dinheiro ou violência, ou política bem direcionada. Qual pode ser uma causa de maior aflição do que esta: que eu, carente de amigos, deva viver de alimento fornecido por outros, depois de ter gerado a ti, ó realçador das alegrias de teus amigos? Lute, segundo as práticas de reis. Não afunde teus antepassados (em infâmia). Com teu mérito esgotado, com teus irmãos mais novos, não obtenha um fim pecaminoso.'" 133 "Kunti disse, 'Em relação a isto, ó castigador de inimigos, é citada uma velha história da conversa entre Vidula e seu filho. Cabe a ti dizer para Yudhishthira qualquer coisa que possa ser concluída disso ou qualquer coisa mais benéfica do que isso.’ 'Havia uma dama de nascimento nobre de grande previdência, chamada Vidula. Ela era famosa, levemente colérica, de disposição falsa, e dedicada às virtudes Kshatriya. Bem educada, ela era conhecida por todos os reis da terra. De grande erudição, ela tinha escutado aos discursos e instruções de diversos modos. E a princesa Vidula, um dia, repreendeu seu próprio filho, que, depois de sua derrota pelo rei dos Sindhus, jazia prostrado com coração deprimido pelo desespero. E ela disse, 'Tu não és meu filho, ó realçador das alegrias de inimigos. Tu não foste gerado por mim e teu pai! De onde tu vieste? Sem cólera como tu és, tu não podes ser contado como um homem. Tuas feições te revelam como um eunuco. Tu afundas em desespero enquanto tu estás vivo? Se tu estás desejoso do teu próprio bem-estar, aguentes a carga (das tuas obrigações em teus ombros). Não desgrace tua alma. Não a permita ser satisfeita com um pouco. Ponha teu coração no teu bem-estar, e não tenha medo. Abandone teus temores. Levante-te, ó covarde. Não deite dessa maneira, depois da tua derrota, alegrando todos os teus inimigos e afligindo os amigos, e privado de todo o senso de honra. Pequenas correntes são cheias completamente somente com uma quantidade de água. As palmas de um camundongo são cheias somente com uma pequena quantidade. Um covarde está logo satisfeito com aquisições que são pequenas. Antes perecer em arrancar as presas de uma cobra do que morrer miserável como um cachorro. Use tua coragem mesmo com o risco da tua vida. Como um falcão que percorre o céu destemidamente, tu também vague destemidamente ou empregue tua destreza, ou vigie silenciosamente os teus inimigos em busca de uma oportunidade. Por que tu deitas como uma carcaça ou como alguém atingido pelo raio? Levante-te, ó covarde, não durma depois de ter sido vencido pelo inimigo. Não desapareça da vista de todos tão miseravelmente. Faça-te conhecido pelos teus feitos. Nunca ocupe a posição intermediária, a inferior, ou a mais baixa. Resplandeça (como um fogo bem alimentado). Como um tição de madeira Tinduka, inflame-te mesmo que por um momento, mas nunca queime sem chama de desejo, como um fogo sem chamas de resíduos de arroz. É melhor se inflamar por um momento do que fumegar para sempre. Que nenhum filho nasça em uma família real que seja extremamente violento ou extremamente brando. Indo ao campo de batalha e realizando todas as grandes façanhas que são possíveis para o homem realizar, um homem corajoso é liberto da dívida que tem para com os deveres da ordem Kshatriya. Tal pessoa nunca desgraça a si mesma. Se ele alcança seu objetivo ou não, aquele que é possuidor de inteligência nunca se entrega à aflição. Por outro lado, tal pessoa executa o que deve ser feito em seguida, sem se importar nem mesmo com sua vida. Portanto, ó filho, mostre tua coragem, ou obtenha aquele fim que é inevitável. Por que, de fato, tu vives, desconsiderando os deveres da tua classe? Todos os teus ritos religiosos, ó eunuco, e todas as tuas realizações estão perdidas. A verdadeira raiz de todos os teus prazeres está cortada. Por que tu vives então? Se um homem deve cair e afundar, ele deve agarrar o inimigo pelos quadris (e assim cair com o inimigo). Mesmo que as raízes de alguém estejam cortadas, ele contudo não deve ceder ao desespero. Cavalo de grande vigor aplica toda sua destreza para arrastar ou carregar pesos pesados. Lembrando do comportamento dele, reúna toda a tua força e senso de honra. Saiba também no que consiste tua virilidade. Esforce-te para erguer aquela linhagem que afundou, por causa de ti. Aquele que não realizou um grande feito que forme o assunto de conversação de homens somente aumenta o número da população. Ele não é homem nem mulher. Ele cuja fama não está construída em relação à caridade, ascetismo, verdade, erudição e aquisição de riqueza, é somente as fezes de sua mãe. Por outro lado, aquele que supera outros em erudição, ascetismo, riqueza, coragem, e feitos, é (realmente) um homem. Não cabe a ti adotar a ociosa, desventurada, infame, e miserável profissão de mendicância que é digna somente de um covarde. Amigos nunca derivam alguma felicidade em obter como amiga aquela pessoa fraca à cuja visão inimigos ficam satisfeitos, que é desprezada por homens, que não tem assentos e mantos, que é satisfeita com pequenas aquisições, que é necessitada, que não tem coragem, e é inferior. Ai, exilados de nosso reino, expulsos de casa, privados de todos os meios de diversão e prazer, e necessitados de recursos, nós teremos que perecer por falta dos próprios meios de vida! Comportando-te mal no meio daqueles que são bons, e o destruidor da tua linhagem e família, por te gerar, ó Sanjaya, eu criei o próprio Kali na forma de um filho. Oh, que nenhuma mulher crie tal filho (como tu) que és sem ira, sem esforço, sem energia, e que és a alegria dos inimigos. Não queime sem chamas. Inflame-te, mostrando eficazmente teu heroísmo. Mate teus inimigos. Por apenas um momento, mesmo que por um pequeno espaço de tempo, brilhe sobre as cabeças de teus inimigos. É um homem aquele que nutre cólera e não perdoa. Por outro lado, aquele que é clemente e sem cólera não é nem um homem nem mulher. Contentamento e suavidade de coração e estes dois, isto é, falta de esforço e medo, são destrutivos de prosperidade. Aquele que não se esforça nunca obtém o que é grande. Portanto, ó filho, te liberte, por teus próprios esforços, destes defeitos que levam à derrota e queda. Endureça teu coração e procure recuperar o que é teu. Um homem é chamado de Purusha porque ele é competente para incomodar seu inimigo (param). Aquele, portanto, que vive como uma mulher é chamado erroneamente de Purusha (homem). Um rei corajoso de força poderosa, e que se move como um leão pode seguir o caminho de todas as criaturas. Os súditos, no entanto, que residem em seus domínios, contudo não se tornam infelizes. Aquele rei que, desconsiderando sua própria felicidade e prazeres busca a prosperidade de seu reino, consegue logo alegrar seus conselheiros e amigos.' "Ouvindo estas palavras, o filho disse, 'Se tu não me vires, de que uso a terra inteira seria para ti, de que uso teus ornamentos, de que uso todos os meios de prazer e até a própria vida?' A mãe disse, 'Que sejam obtidas por nossos inimigos aquelas regiões que pertencem àqueles que são inferiores. Que também aqueles que são amigos vão para aquelas regiões que são obteníveis por pessoas cujas almas são consideradas com respeito. Não adote o modo de vida que é seguido por aquelas pessoas desventuradas, que, desprovidas de força, e sem empregados e servidores (para cumprir suas ordens), vivem do alimento fornecido por outros. Como as criaturas da terra que dependem das nuvens, ou os deuses dependendo de Indra, que os Brahmanas e todos os teus amigos dependam de ti para seu sustento. Ó Sanjaya, não é em vão a vida daquele de quem todas as criaturas dependem para seu sustento, como aves se dirigindo para uma árvore cheia de frutas maduras. A vida daquele homem valente é, de fato, louvável, através de cuja bravura amigos derivam felicidade, como os deuses derivando felicidade pela bravura de Sakra. Aquele homem que vive em grandeza dependendo da destreza de seus próprios braços consegue ganhar renome neste mundo e estado abençoado no próximo!'" "Vidula disse, 'Se, tendo caído em tal situação, tu desejas abandonar a coragem, tu terás então, imediatamente, que seguir o caminho que é trilhado por aqueles que são inferiores e ignóbeis. Aquele Kshatriya que, pelo desejo de vida, não mostra sua energia segundo o melhor de seu poder e bravura é considerado como um ladrão. Ai, como remédio para um homem moribundo, estas palavras que são repletas de significado importante, e são apropriadas e razoáveis, não fazem qualquer impressão em ti! É verdade, o rei dos Sindhus tem muitos seguidores. Eles, no entanto, não são levados em conta. Por fraqueza, e ignorância dos meios apropriados, eles estão esperando pelo infortúnio de seu mestre (sem serem capazes de efetuar uma libertação para si mesmos por seus próprios esforços). Em relação a outros (seus inimigos diretos), eles virão para ti com seus auxiliares se eles te virem aplicar tua destreza. Unindo-te com eles, procure proteção agora em fortalezas de montanha, esperando por aquela época quando a calamidade alcançará o inimigo, como ela deve, pois ele não está livre de doença e morte. Por nome tu és Sanjaya (o vitorioso). Eu, no entanto, não vejo qualquer indicação semelhante em ti. Seja verdadeiro para teu nome. Seja meu filho. Oh, não faça teu nome falso. Observando-te quando tu eras uma criança, um Brahmana de grande previdência e sabedoria disse, 'Este, caindo em grande desgraça novamente alcançará a grandeza.' Lembrando-me das palavras dele, eu espero por tua vitória. É por isso, ó filho, que eu te falo assim, e te falarei repetidas vezes. Aquele homem que busca a realização de seus objetivos segundo os caminhos de política e pelo sucesso de cujos objetivos outras pessoas se esforçam cordialmente, está sempre certo de obter êxito. Se o que eu tenho for ganho ou perdido, eu não desistirei, com tal resolução. Ó Sanjaya, ó erudito, engaje-te na guerra, sem te afastares disto. Samvara disse, 'Não há estado mais miserável do que aquele no qual alguém está ansioso por seu alimento dia a dia.' Um estado tal como este é citado como mais triste do que a morte do marido e filhos de alguém. Aquilo que é chamado de pobreza é somente uma forma de morte. Quanto a mim, nascida em uma família nobre, eu fui transplantada de um lago para outro. Possuidora de todas as coisas auspiciosas, e adorada por meu marido, meu poder se estendia sobre todos. Ficando no meio de amigos, nossos amigos antigamente me viam enfeitada com guirlandas e ornamentos caros, com corpo bem lavado, vestida em mantos excelentes, e eu mesma sempre alegre. Quando tu vires a mim e tua esposa enfraquecidas (por falta de comida), tu então, ó Sanjaya, mal desejarás viver. De que uso a vida será para ti quando tu vires todos os nossos empregados engajados em nos atender, nossos preceptores e nossos sacerdotes ordinários e extraordinários, nos deixando por falta de sustento? Se, além disso, eu agora não vejo em ti aquelas realizações louváveis e famosas nas quais tu estavas antigamente engajado, que paz meu coração pode conhecer? Se eu tiver que dizer não para um Brahmana meu coração rebentará, pois nem eu nem meu marido alguma vez dissemos não para um Brahmana antes. Nós éramos o refúgio de outros, sem termos alguma vez nos refugiado com outros. Tendo sido assim, se eu tiver que sustentar a vida por depender de outro eu sem dúvida abandonarei minha vida. Seja nossos meios de cruzar o oceano que é difícil de atravessar. Na ausência de barcos, seja tu nosso barco. Faça para nós um lugar onde não há nenhum lugar. Reviva a nós que estamos mortos. Tu és competente para enfrentar todos os inimigos se tu não nutrires o desejo de viver. Se, no entanto, tu és a favor de adotar este modo de vida que é adequado somente para um eunuco, então com alma perturbada e coração deprimido seria melhor para ti sacrificar tua vida. Um homem valente ganha fama até por matar um único inimigo. Por matar Vritra, Indra se tornou o grande Indra e obteve a soberania de todos os deuses e a xícara para beber Soma, e o domínio de todos os mundos. Proclamando seu nome em batalha, desafiando seus inimigos envolvidos em aço, e oprimindo ou matando os principais guerreiros das tropas hostis, quando um herói ganha fama que se estende longe em combate justo, seus inimigos então são atormentados e se submetem a ele. Aqueles que são covardes se tornam impotentes e contribuem por sua própria conduta para conceder todos os objetos de desejo àqueles que são hábeis e corajosos e que lutam indiferentes às suas vidas. Se reinos forem tragados por grande ruína, ou se a própria vida for posta em perigo, aqueles que são nobres nunca desistem até eles exterminarem os inimigos dentro do seu alcance. Soberania é ou a porta do céu ou Amrita. Considerando-a como um desses, e mantendo em mente que isto está agora fechado contra ti, caia como um tição ardente no meio dos teus inimigos. Ó rei, mate teus inimigos em batalha. Cumpra os deveres da tua classe. Não me deixe te ver triste, ó realçador dos medos dos teus inimigos. Não me deixe em desânimo ver-te permanecendo em miséria, cercado por nós tristes e inimigos jubilosos. Regozije-te, ó filho, e faça-te feliz na posse de riqueza na companhia das filhas dos Sauviras e não, em fraqueza de coração, seja governado pelas filhas dos Saindhavas. Se um homem jovem como tu, que é possuidor de beleza pessoal, erudição e nascimento nobre, e fama mundial, agir de tal modo impróprio, como um touro vicioso na questão de carregar sua carga, então isso, eu penso, seria igual à própria morte. Que paz meu coração pode conhecer se eu vir-te proferindo discursos laudatórios em honra de outros ou andando (submissamente) atrás deles? Oh, nunca nasceu nesta linhagem alguém que andou atrás de outro. Ó filho, não cabe a ti viver como um dependente de outro. Eu sei o que a eterna essência das virtudes Kshatriya é, como citada pelos idosos e os mais antigos e por aqueles que vieram mais tarde e mais recentemente ainda. Eterno e inabalável, isto foi ordenado pelo próprio Criador. Aquele que, neste mundo, nasceu como um Kshatriya em alguma família nobre e adquiriu um conhecimento dos deveres dessa classe, nunca por medo ou por causa de sustento se submeterá a alguém sobre a terra. Ele deve permanecer ereto com coragem e não se curvar, pois empenho é virilidade. Ele deve antes quebras nas juntas do que se render neste mundo aqui a alguém. Um Kshatriya de grande alma deve sempre vagar como um elefante enfurecido. Ele deve, ó Sanjaya, reverenciar somente Brahmanas, por causa de virtude. Ele deve governar sobre todas as outras classes, destruindo todos os que fazem mal. Possuidor de aliados, ou desprovido deles, ele deve ser assim enquanto ele viver.'" "Kunti disse, 'Ouvindo estas palavras de sua mãe o filho disse, ‘Ó mãe implacável e colérica, ó tu que pensas favoravelmente de heroísmo marcial, teu coração é certamente feito de aço batido naquela forma. Que vergonha para as práticas Kshatriya, de acordo com as quais tu me incitas para batalha, como se eu fosse um estranho para ti, e por causa das quais tu falas para mim, teu único filho, tais palavras como se tu não fosses minha mãe. Se tu não me vires, se tu estiveres separada de mim, teu filho, de que uso então seria a terra inteira para ti, de que uso todos os teus ornamentos e todos os meios de diversão, de fato, de que uso seria a própria vida para ti?' "A mãe disse, 'Todas as ações daqueles que são sábios, são (empreendidas), ó filho, por causa de virtude e lucro. Mirando estes (virtude e lucro) somente, eu te incito, ó Sanjaya, para a batalha. A hora adequada chegou para tu mostrares teu valor. Se em tal momento tu não recorreres à ação, então desrespeitado pelo povo tu farás aquilo que será mais desagradável para mim. Se, ó Sanjaya, tu estivesses prestes a ser maculado com infâmia e eu (por afeição) não te dissesse nada, então aquela afeição, sem valor e irracional, seria como aquela da jumenta por seu filhote. Não trilhe o caminho que é desaprovado pelos sábios e adotado pelos tolos. Grande é a ignorância aqui. Inumeráveis criaturas do mundo têm tomado seu refúgio nisto. Se tu, no entanto, adotares o comportamento dos sábios, tu então serás querido para mim. De fato, se tu recorreres à virtude e lucro, se com Deus acima tu confiares no esforço humano, se teu comportamento se tornar como aquele dos bons, então é por isto e não por quaisquer outros meios que tu te tornarás querido para mim. Aquele que se deleita com filhos e netos que são bem instruídos (desfruta de um deleite que é real). Aquele, por outro lado, que se encanta com um filho que é desprovido de esforço, teimoso, e de mente má, não tem realizado o verdadeiro objetivo pelo qual um filho é desejado. Aqueles piores dos homens que nunca fazem o que é apropriado e sempre fazem o que é censurável não obtêm felicidade neste ou no outro mundo. Um Kshatriya, ó Sanjaya, foi criado para batalha e vitória. Se ele vence ou perece, ele alcança a região de Indra. A felicidade que um Kshatriya obtém por reduzir seus inimigos à submissão é tal que igual a ela não existe no céu na região sagrada de Indra. Queimando de raiva, um Kshatriya de grande energia, se derrotado muitas vezes, deve esperar desejando vencer seus inimigos. Sem perder sua própria vida ou matar seus inimigos, como ele pode obter paz mental por meio de algum outro procedimento? Aquele que é possuidor de sabedoria considera qualquer coisa pequena como desagradável. Para a pessoa para quem qualquer coisa pequena se torna agradável, aquele pouco (no final) se torna uma fonte de dor. O homem que não tem o que é desejável logo se torna infeliz. De fato, ele logo sente toda a miséria e é perdido como o Ganga ao entrar no oceano.' “O filho disse, ‘Tu não deves, ó mãe, dar expressão a tais pontos de vista diante do teu filho. Mostre bondade a ele agora, ficando ao seu lado, como um ser silencioso e taciturno.’” "A mãe disse, 'Grande é minha satisfação já que tu falas assim. Eu que posso ser incitada (por ti a fazer o que é meu dever) sou dessa maneira incitada por ti. Eu, portanto, te incitarei mais (para fazer o que tu deves fazer). Eu, de fato, te respeitarei então quando eu te vir coroado com completo sucesso depois do massacre de todos os Saindhavas.' "O filho disse, 'Sem riqueza, sem aliados, como sucesso e vitória podem ser meus? Consciente deste meu estado extremamente miserável, eu tenho me abstido do desejo de reino, como um fazedor do mal se abstendo do desejo de céu. Se, portanto, ó tu de sabedoria madura, tu vês quaisquer meios (pelos quais tudo isto pode ser efetuado), fale detalhadamente disto para mim como eu peço, pois eu farei tudo o que tu possas me ordenar fazer.' "A mãe disse, 'Não desgrace tua alma, ó filho, por antecipações de fracasso. Objetivos não alcançados têm sido alcançados; enquanto aqueles alcançados têm sido perdidos. A realização de objetivos nunca deve ser procurada com raiva e tolice. Em todas as ações, ó filho, a obtenção de êxito é sempre incerta. Sabendo que o sucesso é incerto, as pessoas ainda agem, pelo que elas às vezes têm êxito e às vezes não. Aqueles, no entanto, que se abstêm da ação nunca obtêm êxito. Na ausência de esforço, há somente um resultado, isto é, a ausência de sucesso. Há, no entanto, dois resultados no caso de esforço, isto é, a aquisição do sucesso ou sua não aquisição. Aquele, ó príncipe, que decidiu de antemão que todas as ações são incertas em relação a seus resultados faz sucesso e prosperidade inalcançáveis para si mesmo. ‘Isto será’, com tal convicção uma pessoa deve, expulsando toda preguiça, se esforçar e despertar e se dirigir para toda ação. Aquele rei sábio que, ó filho, se engaja em ações, tendo realizado todos os ritos auspiciosos e com os deuses e os Brahmanas ao seu lado, logo obtém sucesso. Como o sol abraçando o leste, a deusa da prosperidade o abraça. Eu vejo que tu te mostras preparado para as várias sugestões e meios e discursos encorajadores que tu tens tido de mim. Mostre (agora) tua coragem. Cabe a ti alcançar, por todo empenho, o objetivo que tu tens em vista. Traga juntos para o teu próprio lado aqueles que estão zangados (com teus inimigos), aqueles que são cobiçosos, aqueles que foram enfraquecidos (por teus inimigos), aqueles que estão com ciúmes (de teus inimigos), aqueles que têm sido humilhados (por eles), aqueles que sempre desafiam (eles) por excesso de orgulho, e todos os outros desta classe. Por estes meios tu serás capaz de dividir a hoste poderosa (do teu inimigo) como uma tempestade impetuosa e que surge violenta espalhando as nuvens. Dê a eles (teus futuros aliados) riqueza antes que ela seja devida, obtenha seu alimento, seja versátil e prestativo, e fale gentilmente para eles todos. Eles então te farão bem, e te colocarão em sua chefia. Quando o inimigo vem a saber que seu inimigo se tornou indiferente à sua vida, então ele fica perturbado por conta do último, (assim como) por causa de uma cobra em seu aposento. Se, sabendo que alguém é poderoso, seu inimigo não se esforça para subjugá-lo, ele deve pelo menos torná-lo amistoso pela aplicação das artes de conciliação, presentes, e coisas semelhantes. Isso mesmo seria equivalente à subjugação. Obtendo um intervalo por meio da arte de conciliação, a riqueza de uma pessoa pode aumentar. E se a riqueza dela aumenta, ela é venerada e procurada como um refúgio por seus amigos. Se, além disso, alguém está privado de riqueza, ele é abandonado por amigos e parentes, e mais do que isso, até suspeitado e desprezado por eles. É completamente impossível para ele alguma vez recuperar seu reino, que, tendo se unido com seu inimigo, vive confiantemente.'" 136 "A mãe disse, 'Em qualquer adversidade que um rei possa cair, ele ainda não deve mostrar isso. Vendo o rei afligido com medo, o reino inteiro, o exército, os conselheiros, todos se rendem ao temor, e todos os súditos se tornam desunidos. Alguns partem e adotam o lado do inimigo; outros simplesmente abandonam o rei; e outros também, que antes tinham sido humilhados, se esforçam para atacar. Aqueles, no entanto, que são amigos íntimos esperam ao seu lado, e embora desejando seu bem-estar ainda por incapacidade de fazer alguma coisa esperam sem poder fazer nada, como uma vaca cujo bezerro foi amarrado. Como amigos se afligem por amigos que estão mergulhados em infortúnio, assim aqueles benquerentes também sofrem ao ver seu senhor mergulhado em aflição. Tu mesmo tens muitos amigos a quem tu veneraste antes. Tu tens muitos amigos do teu coração, que sentem por teu reino e que desejam tomar o estado de tuas calamidades sobre eles mesmos. Não assuste aqueles amigos, e não permita que eles te abandonem ao te verem afligido com medo. Desejando testar tua força, virilidade, e compreensão, e desejando também te encorajar, eu digo tudo isso para aumentar tua energia. Se tu compreendeste o que eu disse, e se tudo o que eu disse parece apropriado e suficiente, então, ó Sanjaya, reúna a tua paciência e cinja teus quadris para a vitória. Nós temos um grande número grande de casas de tesouro desconhecidas para ti. Só eu sei de sua existência, e nenhuma outra pessoa. Eu colocarei todas elas à tua disposição. Tu tens também, ó Sanjaya, mais do que um amigo que simpatiza contigo em tuas alegrias e aflições, e que, ó herói, nunca se retira do campo de batalha. Ó opressor de inimigos, aliados tais como esses sempre desempenham o papel de conselheiros fiéis para uma pessoa que procura seu próprio bem-estar e deseja obter o que é agradável para si mesma.' "Kunti continuou, 'Ouvindo este discurso de sua mãe repleto de palavras excelentes, e sentido, o desespero que tinha tomado conta do coração de Sanjaya cessou imediatamente, embora aquele príncipe não fosse dotado de grande inteligência. E o filho disse, 'Quando eu tenho a ti que és tão vigilante do meu bem-estar futuro como minha guia, eu sem dúvida resgatarei meu reino paterno que está afundado em água ou perecerei na tentativa. Durante teu discurso eu fui quase um ouvinte silencioso. Só de vez em quanto eu interpunha uma palavra. Isto foi, no entanto, somente com o objetivo de te prolongar, para que eu pudesse ouvir mais sobre o assunto. Eu não tenho sido saciado com tuas palavras, como uma pessoa não saciada por beber amrita. Derivando apoio de quaisquer aliados, veja, eu cinjo meus quadris para reprimir meus inimigos e obter a vitória.' "Kunti continuou, 'Perfurado pelas flechas verbais de sua mãe, o filho se incitou como um corcel de ímpeto orgulhoso e realizou tudo o que sua mãe tinha indicado. Quando um rei está afligido por inimigos e dominado pelo desespero, seu ministro deve fazê-lo ouvir esta história excelente que aumenta energia e inspira poder. De fato, esta história é chamada de Jaya e deve ser ouvida por todos os que desejam vitória. De fato, tendo escutado a isto, uma pessoa pode logo subjugar a terra inteira e oprimir seus inimigos. Esta história faz uma mulher gerar um filho heróico, a mulher grávida que a ouve repetidamente certamente dá nascimento a um herói. A mulher Kshatriya que a ouve gera um filho corajoso de destreza irresistível, alguém que é principal em erudição, principal em austeridades ascéticas, principal em generosidade, dedicado a ascetismo, resplandecente com beleza Brâhmica, enumerável com os bons, radiante com refulgência, dotado de grande energia, abençoado, um poderoso guerreiro em carro, possuidor de grande inteligência, irresistível (em batalha), sempre vitorioso, invencível, um castigador dos maus e um protetor de todos os que praticam a virtude.'" 137 "Kunti disse, 'Diga para Arjuna estas palavras, ‘Quando tu nasceste no quarto de resguardo e quando eu estava sentada no eremitério cercada por senhoras, uma voz celestial e encantadora foi ouvida no céu, dizendo, 'Ó Kunti, este teu filho rivalizará a divindade de mil olhos. Ele derrotará em batalha todos os Kurus reunidos. Ajudado por Bhima, ele conquistará a Terra inteira e sua fama tocará os próprios céus. Com Vasudeva como seu aliado, ele matará os Kurus em batalha e recuperará sua parte paterna perdida do reino. Dotado de grande prosperidade, ele, com seus irmãos, realizará três sacrifícios grandiosos.' Ó tu glória de imperecível, tu sabes quão firme, em verdade, é Vibhatsu, também chamado Savyasachin, quão irresistível ele é. Ó tu da linhagem de Dasarha, que seja como aquela voz (celeste) disse. Se, ó tu da linhagem de Vrishni, existe alguma coisa como justiça, aquelas palavras serão verdadeiras, já que então, Krishna, tu mesmo realizarás isto tudo. Eu não duvido do que aquela voz disse. Eu reverencio a justiça que é superior a tudo. É a justiça que sustenta todas as criaturas. Tu deves dizer estas palavras para Dhananjaya. Para Vrikodara também, que está sempre pronto para esforço, tu dirás estas palavras, 'Chegou a hora para aquilo em vista do qual uma dama Kshatriya cria um filho! Aqueles que são os principais entre os homens nunca ficam desanimados quando eles têm hostilidades para travar.’ Tu sabes qual é o estado da mente de Bhima. Aquele opressor de inimigos nunca fica pacificado até ele exterminar seus inimigos. Tu dirás, ó Madhava, em seguida para a auspiciosa Krishna de grande renome, aquela nora de Pandu de grande alma, que está familiarizada com os detalhes de toda virtude, estas palavras, 'Ó tu que és muito abençoada, ó tu de ascendência nobre, ó tu que és dotada de grande fama, aquele comportamento adequado o qual tu sempre mostraste em direção aos meus filhos é, de fato, digno de ti.' Tu deves também dizer para os filhos de Madri que estão sempre dedicados às virtudes Kshatriya, estas palavras, 'Desejem mais do que a própria vida aqueles prazeres que são adquiridos por meio de coragem. Objetos obtidos por coragem sempre agradaram o coração de uma pessoa que vive de acordo com as práticas Kshatriya. Engajados como vocês estão em adquirir todos os tipos de virtude, diante dos seus olhos a princesa de Panchala foi endereçada em epítetos cruéis e ofensivos. Quem é que pode perdoar aquele insulto? A privação de seu reino não me afligiu. Sua derrota nos dados não me afligiu. Mas que a nobre e formosa Draupadi, no entanto, enquanto chorava no meio da assembleia, tivesse que ouvir aquelas palavras cruéis e insultantes é o que me aflige mais. Ai, a muito bela Krishna, sempre dedicada às virtudes Kshatriya, não encontrou protetor naquela ocasião, embora ela fosse casada com tais protetores poderosos.’ Ó tu de braços fortes, diga para aquele tigre entre homens, Arjuna, aquele principal de todos os manejadores de armas, que ele deve sempre andar no caminho que possa ser indicado por Draupadi. Tu sabes muito bem, Kesava, que Bhima e Arjuna, aquele par de Yamas ferozes e destruidores de tudo, são capazes de fazer os próprios deuses seguirem o caminho de todas as criaturas. Não é um insulto para eles que (sua esposa) Krishna tenha sido arrastada à assembleia? Ó Kesava, faça-os se lembrarem de todas aquelas palavras cruéis e ríspidas que Dussasana disse para Bhima na própria presença de todos os guerreiros da família de Kuru. Pergunte (em meu nome) sobre o bem-estar dos Pandavas com seus filhos e Krishna. Diga para eles, ó Janardana, que eu estou bem. Vá no teu caminho auspicioso, e proteja meus filhos!'” "Vaisampayana continuou, 'Saudando e andando ao redor ela, o poderosamente armado Krishna cujo modo de andar parecia com o modo de andar majestoso do leão, então saiu da residência de Pritha. E ele então dispensou aqueles chefes entre os Kurus com Bhishma em sua chefia (que o tinham seguido), e levando Karna sobre sua carruagem, deixou (a cidade Kuru), acompanhado por Satyaki. E depois que ele da linhagem de Dasarha tinha partido, os Kurus se reuniram e começaram a falar daquele incidente muito extraordinário e maravilhoso relacionado com ele. E eles disseram, 'Dominada por ignorância, a terra inteira foi enredada nas malhas da morte!' E eles também disseram, 'Por causa da insensatez de Duryodhana, todos estão fadados à destruição.' Tendo saído da cidade (Kuru), aquela principal das pessoas prosseguiu, deliberando com Karna por um longo tempo. E aquele encantador de todos os Yadavas então dispensou Karna e incitou seus corcéis para maior velocidade. E dirigidos por Daruka, aqueles corcéis rápidos dotados da velocidade da tempestade da mente seguiram adiante como se sorvendo os céus. E rapidamente atravessando um caminho longo como falcões velozes, eles logo alcançaram Upaplavya, levando o manejador do Saranga.'" 138 "Vaisampayana disse, 'Ouvindo as palavras de Kunti, os poderosos guerreiros em carros, Bhishma e Drona, então falaram estas palavras para o desobediente Duryodhana, 'Tu, ó tigre entre homens, ouviste as palavras bravias de grave significado, excelentes e consistentes com virtude, que Kunti falou na presença de Krishna? Seus filhos agirão de acordo com elas, especialmente porque elas são aprovadas por Vasudeva. Ó Kaurava, eles seguramente não desistirão sem sua parte do reino (ser dada a eles). Tu tens infligido muita dor aos filhos de Pritha. E Draupadi também foi afligida por ti na assembleia. Eles estavam, no entanto, então limitados pelos laços da verdade e foi por isso que eles toleraram aquele tratamento. Obtendo Arjuna agora, que é habilidoso em todas as armas, e Bhima de resolução firme, e Gandiva e o par de aljavas (inesgotáveis), e aquele carro (de Arjuna) e aquele estandarte (portando o emblema do macaco), e Nakula e Sahadeva, ambos dotados de grande poder e energia, e Vasudeva também, como seus aliados, Yudhishthira não (te) perdoará. Ó de braços fortes, tu testemunhaste com teus próprios olhos como o inteligente Arjuna venceu todos nós em combate antes, na cidade de Virata. De fato, depois disto, aquele (guerreiro) de estandarte de macaco consumiu em batalha, erguendo suas armas ferozes, aqueles Danavas de feitos terríveis chamados de Nivatakavachas. Na ocasião também da contagem dos gados, quando capturados pelos Gandharvas, este Karna e todos estes teus conselheiros e tu mesmo envolvido em armadura e no teu carro foram todos libertados da posse dos Gandharvas por aquele Arjuna. Isso é uma prova suficiente. Portanto, ó principal dos Bharatas, com todos os teus irmãos faça as pazes com os filhos de Pandu. Salve esta terra inteira das mandíbulas da destruição. Yudhishthira é teu irmão mais velho, virtuoso em comportamento, afetuoso em direção a ti, de palavras gentis e erudito. Abandonando tuas intenções pecaminosas, una-te com aquele tigre entre homens. Se o filho de Pandu vir-te despojado do teu arco, e sem as rugas de raiva na tua fronte, e alegre, isto mesmo será para o bem da nossa família. Aproximando-te com todos os teus conselheiros abrace-o fraternamente. Ó repressor de inimigos, saúde o rei respeitosamente como antes. E deixe Yudhishthira, o filho de Kunti, o irmão mais velho de Bhima, considerado com afeição, te cumprimentar com seus braços. E deixe aquele principal dos batedores, Bhima, possuidor de ombros leoninos e coxas redondas, e braços longos e fortes, te abraçar. E então deixe aquele filho de Kunti, Dhananjaya, chamado também de Partha, de olhos como pétalas de lótus, e cabelo encaracolado e pescoço semelhante à concha, te cumprimentar respeitosamente. Então deixe aqueles tigres entre homens, os gêmeos Aswins, incomparáveis sobre a terra por beleza, servirem a ti com afeição e reverência como a seu preceptor. E deixe todos os reis com ele da linhagem de Dasarha em sua chefia derramarem lágrimas de alegria. Abandonando teu orgulho, una-te com teus irmãos. Governe toda a terra, com teus irmãos. Deixe todos os reis voltarem alegremente para suas respectivas casas, tendo abraçado uns aos outros. Não há necessidade de batalha, ó rei de reis. Escute as dissuasões dos teus amigos. Na batalha que se seguirá uma grande destruição dos Kshatriyas está indicada sem dúvida. As estrelas são todas hostis. Os animais e aves têm todos assumido aspectos medonhos. Diversos presságios, ó herói, são visíveis, todos indicando os massacres dos Kshatriyas. Todos esses presságios, além disso, são visíveis particularmente em nossas residências. Meteoros ardentes estão afligindo tua hoste. Nossos animais estão todos desanimados e parecem, ó rei, estar chorando. Urubus estão voando em volta das tuas tropas. Nem a cidade nem o palácio parecem como antes. Chacais, soltando gritos ameaçadores, estão correndo por todos os quatro quadrantes que estão em chamas com conflagrações. Obedeça aos conselhos dos teus pais como também de nós que somos teus benquerentes. Guerra e paz, ó tu de armas poderosas, estão dentro do teu controle. Se, ó opressor de inimigos, tu não agires de acordo com as palavras dos teus amigos, tu terás então que te arrepender ao vires teu exército afligido pelas flechas de Partha. Ouvindo em batalha os gritos terríveis proferidos pelo poderoso Bhima e o som do Gandiva, tu te lembrarás dessas nossas palavras. De fato, se o que nós dizemos parece inaceitável para ti, então será como nós dissemos.'" 139 "Vaisampayana disse, 'Assim endereçado por eles, Duryodhana, contraindo o espaço entre suas sobrancelhas, ficou desanimado, e com rosto abaixado começou lançar olhares enviesados. E ele não disse uma palavra em resposta. Vendo-o triste, aqueles touros entre homens, Bhishma e Drona, olhando um para o outro, mais uma vez se dirigiram a ele, e disseram (estas palavras).' "Bhishma disse, 'O que pode ser uma causa de maior tristeza para nós do que nós termos que lutar contra aquele Yudhishthira que é dedicado ao serviço de seus superiores, desprovido de inveja, conhecedor de Brahma, e sincero em palavras?' "Drona disse, 'Meu afeto por Dhananjaya é maior do que aquele que eu tenho por meu filho Aswatthaman. Há maior reverência também e humildade (em direção a mim) naquele herói de estandarte de macaco (do que em Aswatthaman). Ai, no cumprimento dos deveres Kshatriya, eu terei que lutar até contra aquele Dhananjaya que é mais querido para mim do que meu filho. Que vergonha para a profissão Kshatriya! Aquele Vibhatsu que não tem outro arqueiro no mundo como seu igual, por minha graça, obteve esta superioridade sobre todos os arqueiros. Aquele que odeia seus amigos, aquele que é de disposição perversa, aquele que nega a Divindade, aquele que é desonesto e enganador nunca obtém o respeito dos virtuosos, como uma pessoa ignorante presente em um sacrifício. Embora desaconselhado de pecado, um homem pecaminoso ainda desejará cometer atos pecaminosos; enquanto aquele que é virtuoso, embora tentado pelo pecado, ainda não abandonará a retidão. Embora tu tenhas te conduzido com falsidade e engano em direção a eles, os Pandavas ainda estão desejosos de fazer o que é agradável para ti. Em relação a ti, ó tu melhor dos Bharatas, todas as tuas falhas estão calculadas para ocasionar desastres sobre ti. Tu tens sido endereçado pelo mais velho dos Kurus, por mim, por Vidura, e por Vasudeva. Tu, entretanto não entendes o que é benéfico para ti mesmo. ‘Eu tenho uma grande força’, com esta convicção tu desejas penetrar na hoste Pandava, cheia de heróis, como a corrente do Ganga perfurando o oceano abundando com tubarões e jacarés e makaras. Tendo obtido a prosperidade de Yudhishthira como os mantos ou guirlandas rejeitados de outro, tu a consideras como tua própria. Se o filho de Pritha e Pandu ficar mesmo nas florestas com Draupadi, e cercado por seus irmãos armados, quem, mesmo na posse de um reino, é competente para subjugá-lo? Na presença até daquele Ailavila (Kuvera) sob cujo comando todos os Yakshas vivem como empregados, Yudhishthira o Justo brilhou com esplendor. Tendo procedido para a residência de Kuvera e tendo obtido riqueza de lá, os Pandavas estão agora desejosos de atacar teu reino excelente e ganhar soberania para si mesmos. (Em relação a nós dois), nós temos feito doações, derramado libações sobre o fogo, estudado (as escrituras), e gratificado os Brahmanas com presentes de riqueza. Os períodos (concedidos) de nossa vida também terminaram. Saiba que nosso trabalho está feito. (Em relação a ti, no entanto), abandonando felicidade, reino, amigos, e riqueza, grande será tua calamidade se tu procurares guerra com os Pandavas. Como tu podes vencer o filho de Pandu, quando Draupadi que é sincera em palavras e dedicada a votos e austeridades rígidas reza pelo sucesso dele? Como tu vencerás aquele filho de Pandu que tem Janardana como seu conselheiro, e que tem como um irmão aquele Dhananjaya que é o principal dos manejadores de armas? Como tu derrotarás aquele filho de Pandu, de austeridades severas, que tem tantos Brahmanas como seus aliados, dotado de inteligência e domínio sobre seus sentidos? De acordo com o que um amigo desejando prosperidade deve fazer quando ele vê seus amigos afundando em um oceano de angústia, eu outra vez te digo, não há necessidade de guerra. Faça as pazes com aqueles heróis para a prosperidade dos Kurus. Não corteje a derrota, com teus filhos, conselheiros, e o exército!'" 140 "Dhritarashtra disse, 'Ó Sanjaya, no meio de todos os príncipes e os empregados, o matador de Madhu colocou Karna sobre seu carro e saiu (da nossa cidade). O que aquele matador de heróis hostis, aquele de alma incomensurável, disse para o filho de Radha? Que palavras conciliadoras Govinda falou para o filho de Suta? Diga-me, ó Sanjaya, quais foram aquelas palavras, brandas ou bravias, que Krishna, possuidor de uma voz profunda como aquelas das nuvens recém surgidas durante a estação chuvosa disse para Karna?' “Sanjaya disse, ‘Ouça-me, ó Bharata, enquanto eu repito na devida ordem aquelas palavras, intimidantes e gentis, agradáveis e consistentes com virtude, verdadeiras e benéficas, e agradáveis ao coração, que o matador de Madhu, de alma incomensurável, disse para o filho de Radha.’” "Vasudeva disse, 'Ó filho de Radha, tu tens reverenciado muitos Brahmanas totalmente familiarizados com os Vedas. Com atenção concentrada e mente livre de inveja tu tens também (em muitas ocasiões) perguntado a eles sobre a verdade. Tu sabes, portanto, ó Karna, qual é o ditado eterno dos Vedas. Tu és também bem versado em todas as conclusões sutis das escrituras. É dito por aqueles que conhecem as escrituras que os dois tipos de filhos chamados Kanina e Sahoda que são nascidos de uma moça, têm como seu pai aquele que se casa com a moça. Tu, ó Karna, nasceste dessa maneira. Tu és, portanto, moralmente o filho de Pandu. Venha, seja um rei, de acordo com a injunção das escrituras. No lado do teu pai tu tens os filhos de Pritha, no lado da tua mãe tu tens os Vrishnis, (como teus parentes). Ó touro entre homens, saiba que tu tens estes dois como teus próprios. Procedendo hoje mesmo comigo daqui, ó senhor, deixe os Pandavas te conhecerem como um filho de Kunti nascido antes de Yudhishthira. Os irmãos, os cinco Pandavas, o filho de Draupadi, e o filho invencível de Subhadra, todos abraçarão teus pés. Todos os reis e príncipes, além disso, que estão reunidos pela causa Pandava, e todos os Andhakas e Vrishnis, também abraçarão teus pés. Deixe as rainhas e princesas trazerem jarros de ouro e prata e barro (cheios de água) e ervas deliciosas e todas as espécies de sementes e pedras preciosas, e trepadeiras, para a tua instalação. Durante o sexto período, Draupadi também se aproximará de ti (como uma esposa). Deixe aquele melhor dos Brahmanas, Dhaumya, de alma controlada, derramar libações de manteiga clarificada no fogo (sagrado), e deixe aqueles Brahmanas que consideram todos os quatro Vedas como autoritários (e que estão agindo como sacerdotes para os Pandavas), realizarem a cerimônia da tua instalação. Deixe que o sacerdote da família dos Pandavas que é devotado a ritos Védicos, e aqueles touros entre homens, aqueles irmãos, os cinco filhos de Pandu, e os cinco filhos de Draupadi, e os Panchalas, e os Chedis, e eu mesmo também, te instalemos como o senhor da terra inteira. Deixe o filho de Dharma Yudhishthira, de alma justa e votos rígidos, ser teu herdeiro presuntivo, governando o reino sob ti. Segurando o chamara branco em sua mão (para te abanar), deixe Yudhishthira, o filho de Kunti, andar no mesmo carro atrás de ti. Depois de tua instalação estar terminada, deixe aquele outro filho de Kunti, o poderoso Bhimasena, segurar o guarda-sol branco sobre tua cabeça. De fato, Arjuna então guiará teu carro equipado com cem sinos tilintando, seus lados cobertos com peles de tigre, e com corcéis brancos arreados a ele. Então Nakula e Sahadeva, e os cinco filhos de Draupadi, e os Panchalas com aquele poderoso guerreiro em carro Sikhandin, todos procederão atrás de ti. Eu mesmo, com todos os Andhakas e os Vrishnis, andaremos atrás de ti. De fato, todos os Dasarhas e os Dasarnas, ó rei, serão numerados com teus parentes. Desfrute da soberania da terra, ó tu de braços poderosos, com teus irmãos os Pandavas, com yapas e homas e ritos auspiciosos de diversos tipos realizados em tua honra. Deixe os Dravidas, com os Kuntalas, os Andhras, e os Talacharas, e os Shuchupas, e os Venupas, todos andarem diante de ti. Deixe os cantores e panegiristas te elogiarem com hinos laudatórios inumeráveis. Deixe os Pandavas proclamarem, ‘Vitória para Vasusena.’ Cercado pelos Pandavas, como a lua pelas estrelas, governe o reino, ó filho de Kunti, e alegre a própria Kunti. Deixe os teus amigos se regozijarem, e teus inimigos sofrerem. Deixe haver, neste dia, uma união fraterna entre ti e teus irmãos, os filhos de Pandu.’" 141 "Karna disse, 'Sem dúvida, ó Kesava, tu disseste estas palavras por teu amor, afeição, e amizade por mim, como também pelo teu desejo de me fazer bem, ó tu da linhagem de Vrishni. Eu sei tudo o que tu disseste para mim. Moralmente, eu sou o filho de Pandu, como também pelas injunções das escrituras, como tu, ó Krishna, pensas. Minha mãe, quando moça, me levou em seu útero, ó Janardana, por causa de sua relação com Surya. E por ordem do próprio Surya ela me abandonou logo que eu nasci. Assim mesmo, ó Krishna, eu vim para o mundo. Moralmente, portanto, eu sou o filho de Pandu. Kunti, no entanto, me abandonou sem pensar no meu bem-estar. O Suta, Adhiratha, logo que ele me viu, me levou para sua casa, e por sua afeição por mim os seios de Radha se encheram com leite naquele mesmo dia, e ela, ó Madhava, limpou minha urina e evacuações. Como pode alguém como nós, conhecedor dos deveres e sempre engajado em escutar as escrituras privá-la de seu Pinda? Assim também Adhiratha da classe Suta me considera como um filho, e eu também, por afeto, sempre o considero como (meu) pai. Ó Madhava, aquele Adhiratha, ó Janardana, por afeição paterna fez todos os ritos de infância serem realizados sobre minha pessoa segundo as regras prescritas nas escrituras. Foi aquele Adhiratha, também, que fez o nome Vasusena ser concedido a mim pelos Brahmanas. Quando também eu alcancei a juventude, eu me casei com esposas de acordo com suas escolhas. Através delas nasceram meus filhos e netos, ó Janardana. Meu coração também, ó Krishna, e todos os laços de afeto e amor, estão fixados neles. Por alegria ou temor, ó Govinda, eu não posso ousar destruir aqueles laços nem por causa da terra inteira ou pilhas de ouro. Por consequência também da minha conexão com Duryodhana da família de Dhritarashtra, eu tenho, ó Krishna, desfrutado da soberania por treze anos, sem um tormento ao meu lado. Eu tenho realizado muitos sacrifícios, sempre no entanto com relação a pessoas da tribo Suta. Todos os meus ritos de família e ritos de casamento têm sido realizados com os Sutas. Obtendo-me, ó Krishna, Duryodhana, ó tu da linhagem de Vrishni, fez estes preparativos para um confronto armado e provocou hostilidades com os filhos de Pandu. E é por isto, ó Achyuta, que na batalha (que se seguirá), eu, ó Krishna, fui escolhido como o grande adversário de Arjuna para avançar contra ele em um duelo. Por causa de morte, ou dos laços de sangue, ou medo, ou tentação, eu não posso ousar, ó Janardana, me comportar falsamente em direção ao filho inteligente de Dhritarashtra. Se eu agora não me engajar em um duelo com Arjuna, ó Hrishikesa, isso será inglório para ambos: eu mesmo e Partha. Sem dúvida, ó matador de Madhu, tu me disseste tudo isso para me fazer bem. Os Pandavas também, obedientes como eles são a ti, sem dúvida farão tudo o que tu disseste. Tu deves, no entanto, esconder essa nossa conversa por ora, ó matador de Madhu. Nisso jaz nosso benefício, eu penso, ó encantador de todos os Yadavas. Se o rei Yudhishthira, de alma virtuosa e sentidos bem controlados, vier a me conhecer como o filho primogênito de Kunti, ele nunca aceitará o reino. Se, além disso, ó matador de Madhu, este império imenso e crescente se tornar meu eu irei, ó repressor de inimigos, sem dúvida transferi-lo para Duryodhana somente. Deixe Yudhishthira de alma virtuosa se tornar rei para sempre. Aquele que tem Hrishikesa como seu guia, e Dhananjaya e aquele poderoso guerreiro em carro Bhima como seus combatentes, como também Nakula e Sahadeva, e os filhos de Draupadi, é digno, ó Madhava, de governar a terra inteira. Dhrishtadyumna, o príncipe dos Panchalas, aquele poderoso guerreiro em carro Satyaki, Uttamaujas, Yudhamanyu, o príncipe dos Somakas que é devotado à verdade, o soberano dos Chedis, Chekitana, o invencível Sikhandin, os irmãos Kekaya, todos da cor de insetos Indragopaka, o tio de Bhimasena Kuntibhoja de grande alma e possuidor de corcéis dotados das cores do arco-íris, o poderoso guerreiro em carro Syenajit, Sanka o filho de Virata, e tu mesmo, ó Janardana, como um oceano, formidável é esta assembleia, ó Krishna, de Kshatriyas (que foi feita por Yudhishthira). Este reino resplandecente, célebre entre todos os reis da terra, já está ganho (por Yudhishthira). Ó tu da linhagem de Vrishni, um grande sacrifício de armas está prestes a ser celebrado pelo filho de Dhritarashtra. Tu, ó Janardana, serás o Upadrashtri daquele sacrifício. O ofício de Adhyaryu também, ó Krishna, naquele sacrifício, será teu. Vibhatsu de estandarte de macaco envolvido em armadura será o Hotri, (seu arco) Gandiva será a concha sacrifical, e a coragem dos guerreiros será a manteiga sacrifical (que é para ser consumida). As armas chamadas Aindra, Pasupata, Brahma, e Sthunakarna, aplicadas por Arjuna, ó Madhava, serão os mantras (daquele sacrifício). Parecendo com seu pai, ou talvez, superando-o em heroísmo, o filho de Subhadra (Abhimanyu) será o principal hino Védico a ser cantado. Aquele destruidor de tropas de elefantes, aquele que profere rugidos ferozes em batalha, aquele tigre entre homens, o extremamente poderoso Bhima, será Udgatri e Prastotri naquele sacrifício. O rei Yudhishthira de alma virtuosa, sempre engajado em Yapa e Homa, ele mesmo será o Brahma daquele sacrifício. Os sons de conchas, tambores, e baterias, e os rugidos leoninos se erguendo alto no céu, serão os chamados aos convidados para comer. Os dois filhos de Madri, Nakula e Sahadeva, de grande fama e destreza, serão os matadores dos animais sacrificais; fileiras de carros brilhantes equipados com estandartes de cores variadas, ó Govinda, serão as estacas (para amarrar os animais), ó Janardana, neste sacrifício. Flechas farpadas e Nalikas, e setas compridas, e flechas com cabeças como o dente do bezerro, desempenharão o papel de colheres (com as quais distribuir o suco Soma) enquanto Tomaras serão os recipientes de Soma, e arcos serão pavitras. As espadas serão Kapalas, as cabeças (dos guerreiros mortos) os Purodasas e o sangue dos guerreiros a manteiga clarificada, ó Krishna, neste sacrifício. As lanças e maças brilhantes (dos guerreiros) serão atiçadores (para atiçar o fogo sacrifical) e as estacas angulares (para impedir a lenha de cair). Os discípulos de Drona e Kripa, o filho de Saradwat, serão os Sadasyas (sacerdotes auxiliares). As flechas disparadas pelo manejador do Gandiva e por (outros) poderosos guerreiros em carros, e por Drona e o filho de Drona, farão o papel de conchas para distribuir o Soma. Satyaki cumprirá os deveres do principal assistente do Adhyaryu. Deste sacrifício, o filho de Dhritarashtra será instalado como o realizador, enquanto este exército vasto será sua esposa. Ó tu de armas poderosas, quando os ritos noturnos de sacrifício começarem, o poderoso Ghatotkacha desempenhará o papel de matador das vítimas (consagradas). O poderoso Dhrishtadyumna, que surgiu do fogo sacrifical, tendo como sua boca os ritos celebrados com mantras, ó Krishna, será o Dakshina daquele sacrifício. Por aquelas palavras duras, ó Krishna, que eu disse diante dos filhos de Pandu para a satisfação do filho de Dhritarashtra, por aquele meu mau comportamento, eu estou consumido pelo arrependimento. Quando, ó Krishna, tu me vires morto por Arjuna, então o Punachiti deste sacrifício começará. Quando o (segundo) filho de Pandu beber o sangue de Dussasana (que estará) rugindo ruidosamente, então o ato de beber o Soma deste sacrifício terá acontecido! Quando os dois príncipes de Panchala (Dhrishtadyumna e Sikhandin) derrotarem Drona e Bhishma, então, ó Janardana, este sacrifício será suspenso por um intervalo. Quando o poderoso Bhimasena matar Duryodhana, então, ó Madhava, este sacrifício do filho de Dhritarashtra estará terminado. Quando as esposas dos filhos e netos de Dhritarashtra reunidas, privadas, ó Kesava, de seus maridos e filhos e sem protetores, se entregarem a lamentações com Gandhari em seu meio, no campo de batalha assombrado por cachorros e urubus e outras aves carnívoras, então, ó Janardana, o banho final deste sacrifício se realizará. Eu rogo a ti, ó touro da classe Kshatriya, não deixe que os Kshatriyas, velhos em erudição e velhos em idade, pereçam miseravelmente, ó Janardana, por tua causa. Oh, que esta hoste de Kshatriyas que se expande pereça por meio de armas sobre aquele mais sagrado de todos os locais nos três mundos, isto é, Kurukshetra, ó Kesava. Ó tu de olhos como folhas de lótus, realize neste local o que tu tens em mente, para que, ó tu da linhagem de Vrishni, toda a classe Kshatriya possa alcançar o céu. Tanto, ó Janardana, quanto as colinas e os rios durarem, assim durará a fama destas realizações. Os Brahmanas narrarão esta grande guerra dos Bharatas. A fama, ó tu da linhagem de Vrishni, que eles alcançam em batalhas é a riqueza que os Kshatriyas possuem. Ó Kesava, traga o filho de Kunti (Arjuna) diante de mim para combate, mantendo para sempre esta nossa conversa em segredo, ó castigador de inimigos.'" 142 "Sanjaya disse, 'Ouvindo estas palavras de Karna, Kesava, aquele matador de heróis hostis, falou sorridente para ele estas palavras, 'Os meios de ganhar um império não se recomendam para ti, ó Karna? Tu não desejas governar a terra inteira dada por mim para ti? A vitória dos Pandavas, portanto, é muito certa. Não parece haver dúvida nisto. O estandarte triunfal do filho de Pandu, com o macaco feroz sobre ele, parece já estar levantado. O artífice divino, Bhaumana, aplicou tal ilusão celeste (em sua construção) que ele permanece no alto, exposto como o estandarte de Indra. Várias criaturas celestiais de formas impressionantes, indicando vitória, são vistas naquele estandarte. Se estendendo por um yojana para cima e por todos os lados, aquele estandarte belo de Arjuna, parecendo com o fogo em brilho, ó Karna, quando levantado, nunca é obstruído por colinas ou árvores. Quando tu vires Arjuna em batalha, em seu carro puxado por corcéis brancos e guiado por Krishna, usando armas Aindra, Agneya e Maruta, e quando tu ouvires o som do Gandiva atravessando o firmamento como o próprio trovão, então todos os sinais das eras Krita, Treta, e Dwapara desaparecerão (mas, em vez disso, Kali incorporada estará presente). Quando tu vires em batalha o filho de Kunti, o invencível Yudhishthira, dedicado a Yapa e Homa e parecendo com o próprio sol em brilho, protegendo seu próprio exército imenso e queimando o exército de seus inimigos, então todos os sinais das eras Krita, Treta, e Dwapara desaparecerão. Quando tu vires em batalha o poderoso Bhimasena dançando, depois de ter bebido o sangue de Dussasana, como um elefante feroz com têmporas fendidas depois de ter matado um adversário poderoso, então todos os sinais das eras Krita, Treta, e Dwapara desaparecerão. Quando tu vires em batalha Arjuna reprimindo Drona e o filho de Santanu e Kripa e o rei Suyodhana, e Jayadratha linhagem de Sindhu, todos avançando ferozmente para o confronto, então todos os sinais das eras Krita, Treta e Dwapara desaparecerão. Quando tu vires em batalha os dois filhos fortes de Madri, aqueles heróicos guerreiros em carros, capazes de quebrar em pedaços todos os carros hostis, agitando, desde o momento quando armas começarem a se chocar, o exército dos filhos de Dhritarashtra como um par de elefantes enfurecidos, então todos os sinais das eras Krita, Treta e Dwapara desaparecerão. Voltando daqui, ó Karna, diga para Drona e o filho de Santanu e Kripa que o mês atual é encantador, e que comida, bebida, e combustível são abundantes agora. Todas as plantas e ervas estão vigorosas agora, todas as árvores cheias de frutas, e não há insetos. As estradas estão livres de lama, e as águas são de gosto agradável. O tempo não está nem muito quente nem muito frio e é, portanto, muito agradável. Sete dias depois será o dia da lua nova. Que a batalha comece então, pois aquele dia, isto tem sido dito, é presidido por Indra. Diga também para todos os reis que vieram para lutar que eu realizarei integralmente o desejo nutrido por eles. De fato, todos os reis e príncipes que obedecem às ordens de Duryodhana, obtendo a morte por meio de armas, alcançarão um estado excelente.'" 143 "Sanjaya disse, 'Ouvindo estas palavras benéficas e auspiciosas de Kesava, Karna venerou Krishna, o matador de Madhu, e disse estas palavras, 'Sabendo (tudo), por que tu ainda, ó tu de armas poderosas, procuras me iludir? A destruição da terra inteira está próxima por causa de Sakuni, e eu mesmo, e Dussasana, e do rei Duryodhana, o filho de Dhritarashtra. Sem dúvida, ó Krishna, uma batalha formidável e violenta está perto entre os Pandavas e os Kurus a qual cobrirá a terra com lama sangrenta. Todos os reis e príncipes seguindo a liderança de Duryodhana, consumidos pelo fogo de armas procederão para a residência de Yama. Diversas visões pavorosas são vistas, ó matador de Madhu, e muitos presságios terríveis, e perturbações violentas também. Todos esses presságios, fazendo os cabelos (dos espectadores) se arrepiarem, indicam, ó tu da linhagem de Vrishni, a derrota do filho de Dhritarashtra e a vitória de Yudhishthira. Aquele planeta ameaçador de grande refulgência, Sanaischara (Saturno), está afligindo a constelação chamada Rohini, a fim de afligir imensamente as criaturas da terra. O planeta Angaraka (Marte), se virando, ó matador de Madhu, para a constelação Jeshthya, se aproxima em direção a Anuradhas, indicando um grande massacre de amigos. Sem dúvida, ó Krishna, uma calamidade terrível se aproxima dos Kurus especialmente quando, ó tu da linhagem de Vrishni, o planeta Mahapat aflige a constelação Chitra. A mancha sobre o disco lunar mudou sua posição; e Rahu também se aproxima em direção ao sol. Meteoros estão caindo do céu com barulho alto e movimento tremente. Os elefantes estão dando gritos terríveis, enquanto os corcéis, ó Madhava, estão derramando lágrimas, sem terem qualquer deleite com comida e bebida. Eles dizem, ó tu de armas poderosas, que no aparecimento destes presságios uma catástrofe terrível se aproxima, produtiva de um grande massacre. Ó Kesava, entre os corcéis, elefantes e soldados, em todas as divisões do exército de Duryodhana, é visto, ó matador de Madhu, que enquanto é pouca a comida que estes ingerem, amplas são as fezes que eles evacuam. Os sábios dizem que isto é uma indicação de deficiência. Os elefantes e corcéis dos Pandavas, ó Krishna, todos parecem estar contentes, enquanto todos os animais se movimentam à sua direita. Isto também é uma indicação de seu sucesso. Os mesmos animais, ó Kesava, passam pelo lado esquerdo do exército de Duryodhana, enquanto vozes incorpóreas são constantemente ouvidas (sobre suas cabeças). Tudo isso é uma indicação de derrota. Todas as aves auspiciosas, tais como pavões, cisnes, garças, Chatakas, Jivajivas, e grandes bandos de Vakas seguem os Pandavas, enquanto urubus, Kankas, falcões, Rakshasas, lobos e abelhas, em bandos e rebanhos, seguem os Kauravas. As baterias no exército do filho de Dhritarashtra não produzem sons, enquanto aquelas dos Pandavas produzem sons sem serem batidas. Os poços no meio do acampamento de Duryodhana emitem rugidos altos como aqueles de touros enormes. Tudo isso é uma indicação de derrota. Os deuses estão derramando carne e sangue, ó Madhava, sobre os soldados de Duryodhana. Edifícios vaporosos de grande refulgência com muros altos, trincheiras profundas e pórticos belos estão aparecendo de repente nos céus (sobre o acampamento Kuru). Um círculo negro cercando o disco solar aparece à vista. Os crepúsculos no nascer e pôr do sol indicam grandes terrores. Os chacais gritam horrivelmente. Tudo isso é uma indicação de derrota. Diversas aves, cada uma tendo somente uma asa, um olho, e uma perna, proferem gritos terríveis. Tudo isso, ó matador de Madhu, indica derrota. Aves selvagens com asas pretas e pernas vermelhas pairam sobre o acampamento Kuru ao anoitecer. Tudo isso é uma indicação de derrota. Os soldados de Duryodhana demonstram ódio por Brahmanas primeiro, e então por seus preceptores, e então por todos os seus empregados afetuosos. O horizonte leste (do acampamento de Duryodhana) se mostra vermelho; o sul da cor de armas; e oeste, ó matador de Madhu, de uma cor de terra. Todos os quadrantes em volta do acampamento de Duryodhana parecem, ó Madhava, estar em chamas. No aparecimento de todos esses presságios, grande é o perigo que é indicado. Eu em uma visão, ó Achyuta, vi Yudhishthira ascendendo com seus irmãos um palácio sustentado por mil colunas. Todos eles apareciam com coberturas brancas para a cabeça e em mantos brancos. E todos eles me pareciam estar sentados em assentos brancos. No meio da mesma visão, tu, ó Janardana, foste visto por mim empenhado em envolver a terra tingida de sangue com armas. Yudhishthira ao mesmo tempo, de energia incomensurável, subindo sobre uma pilha de ossos, estava comendo alegremente manteiga payasa de uma xícara dourada. Eu, além disso, vi Yudhishthira empenhado em engolir a terra entregue a ele por ti. Isso indica que ele realmente governará a terra. Eu vi aquele tigre entre homens, Vrikodara, de feitos selvagens, permanecendo no ponto mais alto, com maça na mão, e como se devorando esta terra. Isto indica claramente que ele matará todos nós em combate feroz. É sabido por mim, ó senhor dos sentidos, que a vitória está lá onde a retidão está. Eu vi também Dhananjaya, o manejador do Gandiva, sentado nas costas de um elefante branco, contigo, ó senhor dos sentidos, e brilhando com grande beleza. Eu não tenho dúvida, ó Krishna, de que vocês matarão em batalha todos os reis encabeçados por Duryodhana. Eu vi Nakula e Sahadeva e aquele poderoso guerreiro em carro Satyaki enfeitados com braceletes brancos, couraças brancas, guirlandas brancas, e vestes brancas. Aqueles tigres entre homens estavam sentados em veículos excelentes carregados sobre os ombros de homens. E eu vi que guarda-sóis eram segurados sobre as cabeças de todos os três. Entre os soldados do filho de Dhritarashtra, três, ó Janardana, foram vistos por mim enfeitados com proteções brancas para a cabeça. Saiba, ó Kesava, que aqueles três eram Aswatthaman, Kripa, e Kritavarman da linhagem de Satwata. Todos os outros reis, ó Madhava, foram vistos por mim terem proteções vermelho-sangue para a cabeça. Eu vi também, ó tu de armas poderosas, que aqueles poderosos guerreiros em carros Bhishma e Drona subindo em um veículo puxado por camelos, e por eu mesmo, e pelo filho de Dhritarashtra, procediam, ó senhor, para o quadrante governado por Agastya, ó Janardana. Isso indica que nós logo teremos que proceder para a residência de Yama. Eu não tenho dúvida de que eu mesmo e os outros reis, de fato, a assembleia inteira de Kshatriyas terá que entrar no fogo Gandiva.' "Krishna disse, 'De fato, a destruição da terra está próxima quando minhas palavras, ó Karna, não se tornam aceitáveis para o teu coração. Ó senhor, quando a destruição de todas as criaturas se aproxima, o mal assumindo a aparência do bem não deixa o coração.' "Karna disse, 'Se, ó Krishna, nós sairmos com vida desta grande batalha que será tão destrutiva de Kshatriyas heróicos, então, ó tu de armas poderosas, nós podemos nos encontrar aqui novamente. Do contrário, ó Krishna, nós certamente nos encontraremos no céu. Ó impecável, me parece agora que somente lá é possível nós nos encontrarmos.' "Sanjaya disse, 'Tendo falado estas palavras, Karna apertou Madhava estreitamente em seu peito. Dispensado por Kesava, ele então desceu do carro. E viajando em seu próprio carro adornado com ouro, o filho de Radha, imensamente abatido, voltou conosco!'" 144 "Vaisampayana disse, 'Após o fracasso das solicitações de Krishna (por paz), e depois que ele tinha partido para os Pandavas dos Kurus, Kshatri se aproximou de Pritha e disse estas palavras lentamente em aflição, 'Ó mãe de filhos vivos, tu sabes que minha inclinação é sempre para a paz, e embora eu apele até ficar rouco, Suyodhana ainda não aceita minhas palavras. O rei Yudhishthira, tendo os Chedis, os Panchalas, e os Kekayas, Bhima e Arjuna, Krishna, Yuyudhana, e os gêmeos como seus aliados, permanece ainda em Upaplavya, e por afeição pelos parentes, procura retidão somente, como um homem fraco, embora ele seja possuidor de grande força. O rei Dhritarashtra aqui, embora velho em idade, não efetua paz, e embriagado com orgulho de filhos, trilha um caminho pecaminoso. Pela pecaminosidade de Jayadratha e Karna e Dussasana e do filho de Suvala, dissensões internas irromperão. Eles que se comportam injustamente em direção àquele que é justo, realmente aquele pecado deles logo produz suas consequências. Quem é que não se encherá de tristeza à visão dos Kurus oprimindo a retidão dessa maneira? Quando Kesava retornar sem ter podido ocasionar paz, os Pandavas certamente se dirigirão para a batalha. Por causa disso, o pecado dos Kurus levará a uma destruição de heróis. Refletindo sobre tudo isto, eu não consigo dormir de dia ou de noite.' "Ouvindo estas palavras proferidas por Vidura, que sempre desejou aos filhos dela a realização de seus objetivos, Kunti começou a suspirar pesadamente, afligida pela angústia, e começou a pensar consigo mesma, 'Que vergonha para a riqueza, por causa da qual este grande massacre de parentes está prestes a se realizar. De fato, nesta guerra, aqueles que são amigos sofrerão derrota. Qual pode ser uma dor maior do que esta: que os Pandavas, os Chedis, os Panchalas, e os Yadavas, reunidos, lutem com os Bharatas? Na verdade, eu vejo demérito na guerra. (Por outro lado) se nós não lutarmos, pobreza e humilhação serão nossas. Em relação à pessoa que é pobre, até a morte é benéfica (para ela). (Por outro lado) o extermínio dos parentes não é vitória. Enquanto eu reflito sobre isto, meu coração se enche de tristeza. O avô (Bhishma), o filho de Santanu, o preceptor (Drona), que é o principal dos guerreiros, e Karna, tendo adotado o lado de Duryodhana, aumentam meus temores. O preceptor Drona, me parece, nunca lutará de bom grado contra seus pupilos. Em relação ao avô, por que ele não mostrará alguma afeição pelos Pandavas? Há somente este pecaminoso Karna então, de mente iludida e sempre seguindo a liderança iludida do pecaminoso Duryodhana, que odeia os Pandavas. Obstinadamente procurando aquilo que prejudica os Pandavas, este Karna é, além disso, muito poderoso. É isto que me angustia no momento. Procedendo para gratificá-lo, eu hoje revelarei a verdade e procurarei atrair seu coração em direção aos Pandavas. Satisfeito comigo, enquanto eu estava vivendo nos aposentos internos do palácio do meu pai, Kuntibhoja, o santo Durvasa me deu um benefício na forma de uma invocação consistindo em mantras. Refletindo muito tempo com o coração trêmulo sobre a força ou fraqueza daqueles mantras e o poder também das palavras do Brahmana, e por consequência também da minha disposição como uma mulher, e minha natureza como uma moça imatura, deliberando repetidamente e enquanto protegida por uma ama de confiança e cercada por minhas criadas, e pensando também em como não incorrer em alguma censura, como manter a honra do meu pai, e como eu mesma podia ter uma acessão de boa sorte sem ser culpada de alguma transgressão, eu, finalmente, me lembrei daquele Brahmana e o reverenciei, e tendo obtido aqueles mantras, por excesso de curiosidade e insensatez, eu convoquei, durante minha virgindade, o deus Surya. Ele, portanto, que foi levado em meu útero durante minha juventude, porque ele não deveria obedecer minhas palavras que são sem dúvida aceitáveis e benéficas para seus irmãos?’ E refletindo desta maneira, Kunti tomou uma excelente decisão. E tendo tomado aquela decisão, ela foi à sagrada corrente que recebeu o nome de Bhagiratha. E tendo alcançado as margens do Ganga, Pritha ouviu o canto dos hinos Védicos por seu filho, dotado de grande bondade e firmemente devotado à verdade. E enquanto Karna permanecia com rosto virado para o leste e com braços erguidos, então a desamparada Kunti, por causa de seus interesses ficou atrás dele, esperando a conclusão das orações. E a senhora da linhagem de Vrishni, aquela esposa da casa de Kuru, afligida pelo calor do sol começou a parecer com uma guirlanda murcha de lótus. E, finalmente, ela ficou na sombra fornecida pelas peças de roupas superiores de Karna. E Karna, de votos regulados, disse suas orações até suas costas ficarem aquecidas pelos raios do sol. Então se virando para trás, ele viu Kunti e ficou cheio de surpresa. E saudando-a de forma apropriada e com palmas unidas aquela principal das pessoas virtuosas, dotada de grande energia e orgulho, isto é, Vrisha, o filho de Vikartana, se curvou a ela e disse (as seguintes palavras)."' 145 "Karna disse, 'Eu sou Karna, filho de Radha e Adhiratha. Para que, ó senhora, tu vieste aqui? Diga-me o que eu posso fazer por ti.' "Kunti disse, 'Tu és filho de Kunti, e não de Radha. Nem Adhiratha é teu pai. Tu, ó Karna, não és nascido na classe Suta. Acredite no que eu digo. Tu foste gerado por mim enquanto uma donzela. Eu te levei primeiro em meu útero. Ó filho, tu nasceste no palácio de Kuntiraja. Ó Karna, aquele Surya divino que resplandece em luz e faz tudo visível, ó principal de todos os manejadores de armas, te gerou em mim. Ó irresistível, tu, ó filho, foste dado à luz por mim na residência do meu pai, enfeitado com brincos (naturais) e envolvido em uma cota de malha (natural), e resplandecendo em beleza. Que tu, sem conhecer teus irmãos, deva, portanto, por ignorância, servir o filho de Dhritarashtra, não é apropriado. Isto é impróprio especialmente em ti, ó filho. A satisfação do pai e da mãe, que é a única que mostra afeição (por seu filho), tem, ó filho, na questão de determinar os deveres dos homens, sido declarada como o maior de todos os deveres. Adquirida antigamente por Arjuna, a prosperidade de Yudhishthira, por avareza, foi tirada à força por pessoas más. Tomando-a de volta dos filhos de Dhritarashtra, desfrute daquela prosperidade. Deixe os Kurus verem hoje a união de Karna e Arjuna. Vendo a ti e teu irmão unidos em laços de amor fraterno, deixe aquelas pessoas perversas se curvarem a vocês. Que Karna e Arjuna sejam chamados da mesma maneira como Rama e Janardana. Se vocês dois estiverem juntos, o que não poderá ser realizado no mundo? Ó Karna, cercado por teus irmãos, tu sem dúvida brilharás como o próprio Brahma cercado pelos deuses na plataforma de um grande sacrifício. Dotado de todas as virtudes, tu és o principal de todos os meus parentes. Não deixe o epíteto filho de Suta se vincular a ti. Tu és um Partha, dotado de grande energia.'" 146 "Vaisampayana disse, ‘(Depois que Kunti tinha dito isso), Karna ouviu uma voz afetuosa saída do círculo solar. Vinda de uma grande distância, aquela voz foi proferida pelo próprio Surya com afeto paterno. (E ela dizia), ‘As palavras ditas por Pritha são verdadeiras. Ó Karna, aja de acordo com as palavras de tua mãe. Ó tigre entre homens, grande bem resultará para ti se tu seguires completamente aquelas palavras.' "Vaisampayana continuou, 'Embora assim endereçado por sua mãe, e por também seu pai, o próprio Surya, o coração de Karna, contudo não vacilou, pois ele era firmemente dedicado à verdade. E ele disse, 'Ó dama Kshatriya, eu não posso admitir o que tu disseste, isto é, que obediência às tuas ordens constitui (no meu caso) o maior dos meus deveres. Ó mãe, eu fui abandonado por ti logo que eu nasci. Esta grande injúria, envolvendo risco para a própria vida, que tu me fizeste, tem sido destrutiva das minhas realizações e fama. Se, de fato, eu sou um Kshatriya, eu fui, por ti, privado de todos os ritos de um Kshatriya. Que inimigo teria me feito uma injúria maior? Sem me mostrar piedade, quando tu deverias tê- la mostrado, e tendo me mantido privado de todos os ritos (que são obrigatórios por consequência da ordem de meu nascimento), portanto, tu não porás teu comando sobre mim hoje! Tu nunca antes procuraste meu bem como uma mãe deve. Tu te diriges a mim hoje, no entanto, desejando fazer bem para ti mesma. Quem é que não teria medo de Dhananjaya tendo Krishna com ele (como o motorista de seu carro)? Se, portanto, eu for hoje aos Parthas, quem é que não me consideraria como fazendo isso por medo? Até agora, ninguém sabia que eu era irmão deles. Se, anunciando na véspera da batalha que eu sou seu irmão, eu fosse aos Pandavas, o que todos os Kshatriyas diriam? Provido com todos os objetos de desejo, e adorado por eles com o objetivo de me fazer feliz, como eu posso tornar aquela amizade dos filhos de Dhritarashtra completamente vã? Tendo provocado hostilidades com outros, eles sempre me servem respeitosamente, e sempre reverenciam a mim, como os Vasus reverenciam Vasava. Eles pensam que ajudados por meu poder eles são capazes de enfrentar o inimigo. Como eu posso então frustrar aquela esperança nutrida por deles? Comigo como seu navio, eles desejam cruzar o oceano intransponível da batalha. Como eu posso então abandonar a eles que estão desejosos de cruzar aquele oceano o qual não tem outra balsa? Esta é a hora quando todos aqueles que têm sido sustentados pelos filhos de Dhritarashtra devem se esforçar por seus mestres. Eu sem dúvida agirei por eles, indiferente até à minha vida. Aqueles homens pecaminosos de coração instável que, bem alimentados e bem supridos (com todo necessário) por seus mestres, desfazem o benefício recebido por eles quando chega a hora de devolvê-lo, são ladrões dos bolos dos seus mestres, não têm nem este nem o outro mundo para eles. Eu não falarei enganosamente para ti. Por causa do filho de Dhritarashtra, eu lutarei contra teus filhos com toda a minha força e poder. Eu não devo, no entanto, abandonar a bondade e a conduta que convém aos bons. Tuas palavras, portanto, embora benéficas não podem ser obedecidas por mim agora. Esta tua solicitação a mim, contudo não será inútil. Exceto Arjuna, teus outros filhos, Yudhishthira, Bhima, e os gêmeos, embora capazes de serem resistidos por mim em luta e capazes também de serem mortos, não serão mortos por mim. É com Arjuna somente, entre todos os combatentes de Yudhishthira, que eu lutarei. Matando Arjuna em batalha, eu alcançarei grande mérito, ou morto por Savyasachin, eu serei coberto com glória. Ó dama famosa, o número de teus filhos nunca será menor do que cinco. Cinco ele sempre será, ou comigo, ou com Arjuna, e eu mesmo morto.' "Ouvindo estas palavras de Karna, Kunti que estava tremendo com aflição, abraçou seu filho que estava impassível por sua fortaleza, e disse, 'De fato, ó Karna, mesmo que o que tu dizes pareça ser possível, os Kauravas certamente serão exterminados. Destino é tudo. Tu, no entanto, ó opressor de inimigos, concedeste para teus quatro irmãos a promessa de segurança. Que esta promessa seja levada na tua lembrança no momento do disparo de armas em batalha.' E tendo dito tudo isso, Pritha também se dirigiu a Karna, dizendo, 'Abençoado sejas tu, e que saúde seja tua.' E Karna respondeu para ela, dizendo, 'Assim seja.' E eles então deixaram o local, indo em direções diferentes.'" 147 "Vaisampayana disse, 'Voltando para Upaplavya de Hastinapura, aquele castigador de inimigos, Kesava, relatou para os Pandavas tudo o que tinha acontecido, e deliberando com eles por um longo espaço de tempo, e mantendo repetidas consultas, Sauri foi para seus próprios aposentos para descansar. E dispensando todos os reis, com Virata e outros em suas lideranças, os cinco irmãos, os Pandavas, quando o sol tinha se posto, disseram suas orações noturnas. E com corações sempre fixados em Krishna eles começaram a pensar nele. E, finalmente, trazendo Krishna da linhagem de Dasarha para seu meio, eles começaram a deliberar novamente acerca do que eles deveriam fazer. E Yudhishthira disse, 'Ó tu de olhos parecidos com pétalas de lótus, cabe a ti nos dizer tudo o que tu disseste para o filho de Dhritarashtra na assembleia (dos Kurus), tendo ido para Nagapura.' Vasudeva disse, 'Tendo ido para Nagapura, eu enderecei ao filho de Dhritarashtra na assembleia palavras que eram verdadeiras, razoáveis, e benéficas. Aquele indivíduo de mente perversa, no entanto, não as aceitou.' "Yudhishthira disse, 'Quando Duryodhana desejou seguir pelo caminho errado, o que o idoso avô Kuru disse, ó Hrishikesa, para aquele príncipe vingativo? O que também o preceptor altamente abençoado, o filho de Bharadwaja, disse? E o que seus pais Dhritarashtra e Gandhari disseram? O que o irmão mais novo do nosso pai, Kshattri, que é a principal de todas as pessoas familiarizadas com virtude, e que está sempre afligido com tristeza por causa de nós a quem ele considera como seus filhos, disse para o filho de Dhritarashtra? O que disseram também todos os reis que se encontravam naquela assembleia? Ó Janardana, diga tudo isso para nós, exatamente como aconteceu. Tu já disseste para nós todas as palavras desagradáveis que os chefes Kuru (Bhishma e Dhritarashtra) e outros naquela assembleia dos Kurus disseram para o pecaminoso Duryodhana que está dominado pela luxúria e cobiça, e que se considera sábio. Aquelas palavras, no entanto, ó Kesava, desapareceram da minha memória. Ó Govinda, eu desejo ouvir, ó senhor, todas aquelas palavras novamente. Aja de tal maneira que a oportunidade não possa passar. Tu, ó Krishna, és nosso refúgio, tu és nosso senhor, tu és nosso guia!' "Vasudeva disse, 'Ouça, ó rei, as palavras que foram endereçadas para o rei Suyodhana no meio da assembleia dos Kurus, e, ó rei de reis, mantenha-as em tua mente. Depois que minhas palavras estavam terminadas, o filho de Dhritarashtra riu alto. Muito enfurecido por isto, Bhishma então disse, 'Ouça, ó Duryodhana, o que eu digo para (a preservação da) nossa família, e tendo ouvido isso, ó tigre entre reis, faça o que é benéfico para a tua própria casa. Ó senhor, ó rei, meu pai Santanu era amplamente conhecido no mundo. Eu era, inicialmente, seu único filho. Um desejo surgiu de repente em seu coração quanto a como ele poderia obter um segundo filho, pois os sábios dizem que um único filho é nenhum filho, ‘Que minha linhagem não seja extinta e que minha fama possa ser propagada.’ Este mesmo era seu desejo. Sabendo que este era seu desejo, eu obtive Kali para se tornar minha mãe, tendo eu mesmo feito uma promessa muito difícil de se cumprir, por meu pai como também por nossa família. Como, por consequência daquela promessa eu não posso ser rei e parei minha semente vital, é, naturalmente, conhecido por ti. (Eu não me aflijo por isso). Cumprindo aquele meu voto, veja, eu estou vivendo em felicidade e alegria. Nela, ó rei, nasceu meu irmão mais novo, aquele sustentador belo de braços fortes da família de Kuru, ou seja, Vichitravirya de alma virtuosa. Depois da ascensão do meu pai para o céu, eu instalei Vichitravirya como o soberano do reino, que era meu, enquanto eu me coloquei sob ele como um empregado dele. Ó rei de reis, eu então trouxe para ele esposas adequadas, tendo derrotado muitos monarcas reunidos. Tu ouviste sobre isto muitas vezes. Algum tempo depois, eu estava engajado em um duelo com o (formidável) Rama. Por medo de Rama, meu irmão fugiu, além do mais igualmente seu súdito o abandonou. Durante este período, ele ficou muito apegado às suas duas esposas e consequentemente teve um ataque de tísica. Após sua morte, houve anarquia no reino e o chefe dos deuses não derramou uma gota de chuva (sobre o reino). Os súditos então, afligidos por medo da fome, se apressaram em direção a mim e disseram, 'Teus súditos estão a ponto de ser exterminados. Seja tu nosso rei por causa do nosso bem. Dissipe esta seca. Abençoado sejas tu, ó perpetuador da linhagem de Santanu. Teus súditos estão sendo imensamente afligidos por enfermidades severas e terríveis. Muito poucos deles ainda estão vivos. Cabe a ti, ó filho de Ganga, salvá-los. Dissipe estas torturas. Ó herói, cuide dos teus súditos corretamente. Já que tu estás vivo, não deixe o reino ir para a destruição.' Ouvindo estas palavras deles proferidas em uma voz lamentosa, meu coração estava imperturbado. Lembrando-me do comportamento dos bons, eu desejei manter minha promessa. Então, ó rei, os cidadãos, minha própria mãe Kali auspiciosa, nossos empregados, os sacerdotes e os preceptores (da nossa casa), e muitos Brahmanas de grande erudição, todos afligidos com grande angústia, me pediram para ocupar o trono. E eles disseram, 'Quando tu estás vivo, o reino governado (antigamente) por Pratipa, irá para a ruína? Ó tu de coração magnânimo, seja tu o rei para o nosso bem.' Assim endereçado por eles, eu juntei minhas mãos e, eu mesmo cheio de angústia e muito afligido, revelei a eles o voto que eu tinha feito por respeito filial. Eu repetidamente os informei que por causa da nossa família eu tinha feito votos de viver com a semente vital interrompida e renegando o trono. Foi especialmente por minha mãe, além disso, que eu fiz isso. Eu, portanto, pedi a eles para não me subjugarem. Eu novamente juntei minhas mãos e conciliei minha mãe, dizendo, 'Ó mãe, gerado por Santanu e sendo um membro da linhagem de Kuru, eu não posso falsificar minha promessa.' Eu repetidamente disse isto a ela. E, ó rei, eu disse também, ‘Foi por ti especialmente, ó mãe, que eu fiz este voto; eu sou na verdade teu empregado e escravo, ó mãe, tu que és distinta por afeto materno.' Tendo rogado à minha mãe e ao povo dessa maneira, eu então pedi ao grande sábio Vyasa para gerar filhos nas esposas de meu irmão. De fato, ó rei, eu mesmo e minha mãe gratificamos aquele Rishi. Finalmente, ó rei, o Rishi concedeu nossos rogos na questão das crianças. E ele gerou três filhos ao todo, ó melhor da família de Bharata. Teu pai nasceu cego, e por causa deste defeito congênito de um sentido ele não pôde se tornar rei. O célebre Pandu de grande alma se tornou rei. E como Pandu se tornou rei, seus filhos devem obter sua herança paterna. Ó senhor, não dispute, dê a eles metade do reino. Quando eu estou vivo, que outro homem é competente para reinar? Não desconsidere minhas palavras. Eu somente desejo que haja paz entre vocês. Ó senhor, ó rei, eu não faço distinção entre tu e eles (mas amo todos vocês igualmente). O que eu tenho dito para ti representa também a opinião de teu pai, de Gandhari, e também de Vidura. As palavras daqueles que são idosos devem sempre ser ouvidas. Não desconsidere estas minhas palavras. Não destrua tudo o que tu tens e a terra também.'" 148 "Vasudeva disse, 'Depois que Bhishma tinha dito estas palavras, Drona, sempre competente para falar, então se dirigiu a Duryodhana no meio dos monarcas (reunidos) e disse estas palavras que são benéficas para ti. E ele disse, 'Ó senhor, como o filho de Pratipa, Santanu, era dedicado ao bem-estar de sua família, e como Devavrata, também chamado de Bhishma, é dedicado ao bem-estar de sua família, assim era o nobre Pandu, aquele rei dos Kurus, que era firmemente devotado à verdade, que tinha suas paixões sob controle, que era virtuoso, de votos excelentes, e atento a todos os deveres. (Embora rei por direito) aquele perpetuador da linhagem de Kuru contudo transferiu a soberania para seu irmão mais velho, Dhritarashtra, dotado de grande sabedoria, e para seu irmão mais novo Kshattri (Vidura). E colocando este Dhritarashtra de glória imorredoura no trono, aquele filho nobre da família de Kuru foi para a floresta com suas duas esposas. E aquele tigre entre homens, Vidura, com grande humildade, se colocando em submissão a Dhritarashtra, começou a servi-lo como um escravo, abanando-o com o ramo de uma palmeira jovem. E todos os súditos então, ó senhor, devidamente ofereceram sua submissão ao rei Dhritarashtra exatamente como eles tinham feito ao próprio rei Pandu. E tendo transferido o reino para Dhritarashtra e Vidura, aquele conquistador de cidades hostis, Pandu, vagou por toda a terra. Sempre devotado à verdade, Vidura então tomou conta das finanças, doações, superintendência dos empregados (do estado), e da alimentação de todos, enquanto aquele conquistador de cidades hostis, Bhishma, de energia poderosa, supervisionou a criação de guerra e paz e a necessidade de fazer ou de reter presentes para reis. Quando o rei Dhritarashtra de grande força estava no trono, Vidura de grande alma estava perto dele. Nascido na família de Dhritarashtra como tu ousas causar uma desunião na família? Unindo-te com teus irmãos (os Pandavas) desfrute de todos os objetos de prazer. Ó rei, eu não te digo isso por covardia, nem por causa de riqueza. Eu estou desfrutando da riqueza que Bhishma me deu, e não tu, ó melhor dos reis. Eu não desejo, ó rei, obter de ti meus meios de sustento. Onde Bhishma está, lá Drona deve estar. Faça o que Bhishma te disse. Ó opressor de inimigos, dê metade do reino para os filhos de Pandu. Ó senhor, eu agi como preceptor deles tanto como teu. De fato, assim como Aswatthaman é para mim, assim é Arjuna de corcéis brancos. Que uso há de muita declamação? A vitória está lá onde a retidão está.' "Vasudeva continuou, 'Depois que Drona, de energia imensurável, tinha dito isso, o virtuoso Vidura então, ó rei, que é devotado à verdade, disse a ele estas palavras, virando em direção a seu tio (Bhishma) e olhando para seu rosto. E Vidura disse, 'Ó Devavrata, preste atenção nas palavras que eu falo. Esta linhagem de Kuru, quando se tornou extinta, foi revivida por ti. É por isto que tu estás indiferente às minhas lamentações agora. Nesta nossa família, sua mácula é este Duryodhana, cujas tendências são seguidas por ti, embora ele esteja escravizado pela avareza, e seja perverso e ingrato e privado de sua razão pela luxúria. Os Kurus certamente sofrerão consequências das ações daquele Duryodhana que desobedece a ordem de seu pai, observador de virtude e lucro. Ó grande rei, aja tu para que os Kurus não pereçam. Como um pintor produzindo um quadro, foste tu, ó rei, que fizeste com que eu e Dhritarashtra surgíssemos. O Criador, tendo criado criaturas, as destrói novamente. Não aja como ele. Vendo diante dos teus próprios olhos esta extinção da tua linhagem, não seja indiferente a isto. Se, no entanto, tua compreensão está perdida por consequência da matança geral que está perto, vá então para as florestas, levando a mim e Dhritarashtra contigo. Do contrário, amarrando hoje mesmo o pecaminoso Duryodhana que tem falsidade como sua sabedoria, governe este reino com os filhos de Pandu protegendo-o em volta. Ceda, ó tigre entre reis. Um grande massacre dos Pandavas, dos Kurus, e de outros reis de energia imensurável está diante de nós.' Tendo dito isso, Vidura parou, seu coração transbordando de tristeza. E refletindo sobre a questão, ele começou suspirar repetidamente. Então a filha do rei Suvala, alarmada por causa da probabilidade da destruição de uma linhagem inteira, disse, por ira, estas palavras repletas de virtude e benefício, para o cruel Duryodhana de coração pecaminoso, na presença dos monarcas reunidos, 'Que todos os reis presentes nesta nobre assembleia e que os Rishis regenerados que formam os outros membros deste conclave, escutem (a mim) enquanto eu proclamo a culpa da tua pessoa pecaminosa apoiada por todos os teus conselheiros. O reino dos Kurus deve ser possuído em perfeita ordem de sucessão. Este mesmo sempre foi o costume da nossa família. De alma pecaminosa e extremamente mau em ações, tu procuras a destruição do reino Kuru por tua iniquidade. O sábio Dhritarashtra está em posse do reino, tendo Vidura de grande previdência sob ele (como seu conselheiro). Passando por cima destes dois, por que, ó Duryodhana, tu, por ilusão, cobiça a soberania agora? Até o rei de grande alma e Kshattri, quando Bhishma está vivo, devem ser ambos subordinados a ele. De fato, este principal dos homens, este filho de Ganga, Bhishma de grande alma, por sua retidão, não deseja a soberania. É por esta razão que este reino invencível veio a ser de Pandu. Seus filhos, portanto, são donos hoje e nenhum outro. O reino extenso então, por direito paterno, pertence aos Pandavas e aos seus filhos e netos na devida ordem. Observando os costumes da nossa linhagem e a regra com respeito ao nosso reino, todos nós realizamos completamente aquilo que este chefe sábio e de grande alma dos Kurus, Devavrata, firmemente aderindo à verdade, diz. Que o rei (Dhritarashtra) e Vidura também, por ordem de Bhishma de votos grandiosos, proclamem a mesma coisa. Este mesmo é um ato que deve ser feito por aqueles que são benquerentes (desta família). Mantendo virtude à frente, que Yudhishthira, o filho de Dharma, guiado pelo rei Dhritarashtra e estimulado pelo filho de Santanu, governe por muitos longos anos este reino dos Kurus legalmente obtenível por ele.'" 149 "Vasudeva disse, 'Depois que Gandhari tinha dito isso, aquele soberano de homens, Dhritarashtra, então disse estas palavras para Duryodhana no meio dos monarcas reunidos, 'Ó Duryodhana, escute, ó filho, o que eu digo, e abençoado sejas tu; faça isto se tu tens algum respeito por teu pai. O senhor das criaturas, Soma, foi o progenitor original da linhagem de Kuru. Sexto em descendência de Soma era Yayati, o filho de Nahusha. Yayati teve cinco melhores dos sábios reais como seus filhos. Entre eles, o senhor Yadu de energia poderosa era o primogênito. Mais novo que Yadu era Puru, que, como nosso progenitor, gerou com Sarmistha a filha de Vrishaparvan. Yadu, ó melhor do Bharatas, nasceu de Devayani e, portanto, ó senhor, era o filho da filha de Sukra, também chamado de Kavya, de energia incomensurável. Dotado de grande força e coragem, aquele progenitor dos Yadavas, cheio de orgulho e possuidor de mente má, humilhou todos os Kshatriyas. Embriagado com orgulho de força, ele não obedeceu às injunções de seu pai. Invencível em batalha, ele insultou seu pai e irmão. Sobre esta terra envolvida nos quatro lados pelo mar, Yadu virou todo-poderoso, e reduzindo todos à submissão, ele se estabeleceu nesta cidade que recebeu o nome do elefante. Seu pai Yayati, o filho de Nahusha, enfurecido com ele, amaldiçoou aquele filho dele, e, ó filho de Gandhari, até o expulsou do reino. Yayati zangado também amaldiçoou aqueles irmãos de Yadu que obedeceram àquele irmão mais velho deles, que era tão orgulhoso de sua força. E tendo amaldiçoado estes seus filhos, aquele melhor dos reis colocou em seu trono seu filho mais novo Puru que era dócil e obediente a ele. Assim mesmo o filho mais velho pode ser ignorado e privado do reino, e filhos mais jovens podem, por seu comportamento respeitoso para com os idosos, obter o reino. Assim também, conhecedor de todas as virtudes havia o avô do meu pai, o rei Pratipa, que era célebre pelos três mundos. Para aquele leão entre reis, que governou seu reino virtuosamente, nasceram três filhos de grande fama e parecendo com três deuses. Deles, Devapi era o mais velho, Vahlika o seguinte e Santanu de grande inteligência, que, ó senhor, foi meu avô, era o mais novo. Devapi, dotado de grande energia, era virtuoso, de fala sincera, e sempre dedicado a servir seu pai. Mas aquele melhor dos reis tinha uma doença de pele. Popular com os cidadãos e os súditos das províncias, respeitado pelos bons, e ternamente amado pelos jovens e velhos, Devapi era generoso aderindo firmemente à verdade, dedicado ao bem de todas as criaturas, e obediente às instruções de seu pai como também dos Brahmanas. Ele era ternamente amado por seu irmão Vahlika como também por Santanu de grande alma. Grande, de fato, era o amor fraterno que prevalecia entre ele e seus irmãos de grande alma. No decorrer do tempo, o idoso e melhor dos reis, Pratipa, fez todos os preparativos segundo as escrituras para a instalação de Devapi (no trono). De fato, o senhor Pratipa fez toda preparação auspiciosa. A instalação de Devapi, no entanto, foi proibida pelos Brahmanas e todas as pessoas idosas entre os cidadãos e os habitantes das províncias. Sabendo que a instalação de seu filho estava proibida, a voz do velho rei ficou sufocada com lágrimas e ele começou a sofrer por seu filho. Assim, embora Devapi fosse generoso, virtuoso, devotado à verdade, e amado pelos súditos, contudo por causa de sua doença de pele ele foi excluído de sua herança. Os deuses não aprovam um rei que é defeituoso de um membro. Pensando nisto, aqueles touros entre os Brahmanas proibiram o rei Pratipa de instalar seu filho mais velho. Devapi então, que era defeituoso de um membro, viu o rei (seu pai) impedido (de instalá-lo no trono) e cheio de tristeza por sua causa, se retirou para as florestas. Quanto a Vahlika, abandonando seu reino (paterno) ele morou com seu tio materno. Abandonando seu pai e irmão, ele obteve o reino muito rico de seu avô materno. Com a permissão de Vahlika, ó príncipe, Santanu de fama mundial, após a morte de seu pai (Pratipa), se tornou rei e governou o reino. Dessa maneira também, ó Bharata, embora eu seja o mais velho, contudo sendo defeituoso de um membro, eu fui excluído do reino pelo inteligente Pandu, sem dúvida, depois de muita reflexão. E o próprio Pandu, embora mais novo do que eu em idade, obteve o reino e se tornou rei. Na morte dele, ó castigador de inimigos, aquele reino deve passar para seus filhos. Quando eu não poderia obter o reino, como tu podes cobiçá-lo? Tu não és o filho de um rei, e, portanto, não tens direito a este reino. Tu, no entanto, desejas te apropriar da propriedade de outros. Yudhishthira de grande alma é o filho de um rei. Este reino é legalmente dele. De alma magnânima, ele mesmo é o soberano e senhor desta família de Kuru. Ele é devotado à verdade, de percepção clara, obediente aos conselhos de amigos, honesto, amado pelos súditos, bondoso para todos os benquerentes, mestre de suas paixões, e o castigador de todos aqueles que não são bons. Perdão, renúncia, autocontrole, conhecimento das escrituras, piedade de todas as criaturas, competência para governar segundo os ditames da virtude, todos estes atributos de realeza existem em Yudhishthira. Tu não és o filho de um rei, e estás sempre inclinado pecaminosamente em direção a teus parentes. Ó infeliz, como tu podes ter êxito em te apropriares deste reino que legalmente pertence a outros? Dissipando esta ilusão, dê metade do reino com (uma parte dos) animais e outras posses. Então, ó rei, tu podes esperar viver por algum tempo com teus irmãos mais novos.'" "Vasudeva disse, 'Embora assim endereçado por Bhishma, e Drona, e Vidura, e Gandhari, e Dhritarashtra, aquele indivíduo perverso, contudo não poderia ser trazido à razão. Por outro lado, o pecaminoso Duryodhana, desconsiderando eles todos, se levantou com olhos vermelhos de raiva. E todos os reis (convidados por ele), preparados para sacrificar suas vidas, seguiram atrás dele. O rei Duryodhana então repetidamente ordenou aqueles soberanos de coração pecaminoso, dizendo, ‘Hoje a constelação Pushya está ascendente, marchem (hoje mesmo) para Kurukshetra.’ Impelidos pelo Destino, aqueles monarcas então, com seus soldados, partiram alegremente, fazendo Bhishma seu generalíssimo. Onze Akshauhinis de tropas foram, ó rei, reunidos pelos Kauravas. Na vanguarda daquela hoste brilha Bhishma, com o emblema da palmeira no estandarte de seu carro. Em vista, portanto, do que aconteceu, faça agora, ó monarca, aquilo que pareça ser apropriado. Eu disse para ti, ó rei, ó Bharata, tudo o que foi dito por Bhishma, Drona, Vidura, Gandhari e Dhritarashtra, na minha presença. As artes começando com conciliação foram todas, ó rei, aplicadas por mim pelo desejo de estabelecer sentimentos fraternos (entre vocês e seus primos), para a conservação desta linhagem, e para o crescimento e prosperidade da população (da terra). Quando conciliação falhou, eu empreguei a arte de (produzir) dissensões e mencionei, ó Pandavas, todos os seus feitos ordinários e extraordinários. De fato, quando Suyodhana não mostrou respeito pelas palavras conciliadoras, (que eu falei), eu fiz todos os reis serem reunidos e me esforcei para produzir dissensões (entre eles). Indicações extraordinárias e horríveis e terríveis e sobre-humanas, ó Bharata, foram então manifestadas por mim. Ó senhor, repreendendo todos os reis, fazendo pouco de Suyodhana, apavorando o filho de Radha e repetidamente criticando o filho de Suvala pelo jogo dos filhos de Dhritarashtra, e novamente me esforçando para desunir todos os reis por meio de palavras e intrigas, eu outra vez recorri à conciliação. Pela unidade da família de Kuru e em vista dos requisitos especiais do propósito (à mão), eu falei também de presentes. De fato, eu disse, 'Aqueles heróis, os filhos de Pandu, sacrificando seu orgulho, viverão na dependência de Dhritarashtra, Bhishma e Vidura. Que o reino seja dado para ti. Que eles não tenham poder. Que tudo seja como o rei (Dhritarashtra), como o filho de Ganga (Bhishma) e como Vidura dizem para o teu bem. Que o reino seja teu. Ceda somente cinco aldeias (para os Pandavas). Ó melhor dos reis, sem dúvida eles merecem ser sustentados pelo teu pai.’ Embora endereçado dessa maneira, aquela pessoa má entretanto não lhes dá sua parte. Eu, portanto, vejo que punição, e nada mais, é agora o meio que deve ser empregado contra aquelas pessoas pecaminosas. De fato, todos aqueles reis já marcharam para Kurukshetra. Eu agora te falei tudo o que aconteceu na assembleia dos Kurus. Eles não vão, ó filho de Pandu, te dar o reino sem batalha. Com a morte esperando diante deles, eles todos se tornaram a causa de uma destruição geral.'" "Vaisampayana disse, 'Ouvindo estas palavras de Janardana, o rei Yudhishthira o justo, de alma virtuosa, se dirigiu a seus irmãos na presença de Kesava e disse, 'Vocês ouviram tudo o que aconteceu na corte dos Kurus reunidos. Vocês também entenderam as palavras proferidas por Kesava. Ó melhores dos homens, coloquem, portanto, minhas tropas agora em formação de batalha na qual elas devem lutar. Aqui estão sete Akshauhinis de tropas reunidos para nossa vitória. Ouçam os nomes daqueles sete guerreiros célebres que conduzirão estes sete Akshauhinis. Eles são Drupada, e Virata, e Dhristadyumna, e Sikhandin, e Satyaki, Chekitana, e Bhimasena de grande energia. Aqueles heróis serão os líderes de minhas tropas. Todos eles estão familiarizados com os Vedas. Dotados de grande coragem, todos eles têm praticado votos excelentes. Possuidores de modéstia, todos são familiarizados com política, e aperfeiçoados em guerra. Bem habilidosos com flechas e armas, todos eles são competentes no uso de todas as espécies de armas. Diga-nos agora, ó Sahadeva, ó filho da linhagem de Kuru, quem é aquele guerreiro, familiarizado com todos os tipos de formações de combate, que pode se tornar o líder destes sete e pode também resistir em batalha a Bhishma que é como um fogo tendo flechas como suas chamas. Nos dê tua própria opinião, ó tigre entre homens, quanto a quem é digno de ser nosso generalíssimo.' "Sahadeva disse, 'Relacionado estreitamente conosco, simpatizando conosco em nosso infortúnio, dotado de grande poder, conhecedor de todas as virtudes, hábil em armas, e irresistível em batalha, o rei poderoso dos Matsyas, Virata, confiando em quem nós esperamos recuperar nossa parte do reino, será capaz de resistir em batalha a Bhishma e a todos aqueles poderosos guerreiros em carros.'” "Vaisampayana continuou, 'Depois que Sahadeva tinha dito isso, o eloquente Nakula então disse estas palavras, 'Ele que em idade, em conhecimento de escrituras, em perseverança, em família e nascimento, é respeitável; ele que é dotado de modéstia, força, e prosperidade; ele que é versado em todos os ramos de erudição; ele que estudou a ciência de armas (com o sábio Bharadwaja); ele que é irresistível e firmemente devotado à verdade; ele que sempre desafia Drona e o poderoso Bhishma; ele que pertence a uma das principais das casas reais; ele que é um líder famoso de hostes; ele que parece com uma árvore de cem ramos por causa dos filhos e netos que o circundam; aquele rei que, com sua esposa, realizou, movido por ira, as penitências mais austeras para a destruição de Drona; aquele herói que é um ornamento de assembléias; aquele touro entre os monarcas que sempre nos aprecia como um pai; aquele nosso sogro, Drupada, deve ser nosso generalíssimo. É minha opinião que ele poderá resistir a ambos Drona e Bhishma avançando para a batalha, pois aquele rei é o amigo do descendente de Angira, Drona, e está familiarizado com armas celestes.' Depois que os dois filhos de Madri tinham expressado dessa maneira suas opiniões individuais, o filho de Vasava, Savyasachin, que era igual ao próprio Vasava, disse estas palavras, 'Esta pessoa celeste da cor do fogo e dotada de braços fortes, que surgiu pelo poder de penitências ascéticas e da satisfação de sábios; que emanou do buraco do fogo sacrifical armado com arco e espada, envolvido em armadura de aço, sobre um carro ao qual estavam unidos corcéis excelentes da melhor raça, e o estrépito de cujas rodas é tão profundo como o ribombar de massas imensas de nuvens; aquele herói dotado daquela energia e força e parecendo com o próprio leão em sua estrutura de corpo e bravura, e possuidor de ombros, braços, e peito leoninos, e voz como o rugido do leão; este herói de grande refulgência; este guerreiro de sobrancelhas bonitas, bons dentes, bochechas redondas, braços compridos, de feitio corpulento, coxas excelentes, grandes olhos expansivos, pernas excelentes, e corpo forte; este príncipe que é incapaz de ser penetrado por armas de qualquer tipo, e que parece com um elefante com têmporas fendidas; este Dhrishtadyumna de fala sincera, e com paixões sob controle, nasceu para a destruição de Drona. É este Dhrishtadyumna, eu penso, que será capaz de resistir às flechas de Bhishma as quais golpeiam com a intensidade do raio e parecem cobras com bocas ardentes, que parecem com os mensageiros de Yama em velocidade, e caem como chamas de fogo (consumindo tudo o que tocam), e que foram resistidas antes somente por Rama em batalha. Eu, ó rei, não vejo o homem exceto Dhrishtadyumna que possa resistir a Bhishma de votos formidáveis. Isto é exatamente o que eu penso. Dotado de grande agilidade de mão e conhecedor de todos os modos de guerra, envolvido em cota de malha que é incapaz de ser penetrada por armas, este herói bonito, parecendo com o líder de uma manada de elefantes, é, segundo minha opinião, apto para ser nosso generalíssimo.' "Bhima então disse, 'Aquele filho de Drupada, Sikhandin, que nasceu para a destruição de Bhishma, como é dito, ó rei, pelos sábios e Siddhas em conjunto, cuja forma no campo de batalha, enquanto expondo armas celestes, será vista por homens se assemelhando com a do próprio Rama ilustre, eu não vejo, ó rei, a pessoa que seja capaz de perfurar com armas aquele Sikhandin, quando ele está posicionado para batalha em seu carro, envolvido em armadura. Exceto o heróico Sikhandin, não há outro guerreiro que possa matar Bhishma em duelo. É por isto, ó rei, que eu acho que Sikhandin é apto para ser nosso generalíssimo.' "Yudhishthira disse, 'Ó senhores, a força e fraqueza, poder e debilidade de tudo no universo, e as intenções de todas as pessoas aqui, são bem conhecidos pelo virtuoso Kesava. Hábil ou não-hábil em armas, velho ou jovem, que seja o líder dos meus exércitos aquele que for indicado por Krishna da linhagem de Dasarha. Ele mesmo é a base do nosso sucesso ou derrota. Nele estão nossas vidas, nosso reino, nossa prosperidade e adversidade, nossa felicidade e tristeza. Ele mesmo é o Ordenador e Criador. Nele está estabelecida a realização dos nossos desejos. Portanto, que seja o líder da nossa hoste aquele que possa ser nomeado por Krishna. Que aquele principal dos oradores diga, pois a noite se aproxima. Tendo escolhido nosso líder, reverenciado nossas armas com oferendas de flores e perfumes, nós iremos, no romper do dia, sob as ordens de Krishna marchar para o campo de batalha!' "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras do rei inteligente, Yudhishthira o justo, Krishna de olhos de lótus disse, olhando para Dhananjaya, o branco, (e disse), ‘Ó rei, eu aprovo totalmente todos aqueles guerreiros poderosos que vocês citaram para se tornarem os líderes das tuas tropas. Todos eles são competentes para resistir aos teus inimigos. De fato, eles podem assustar o próprio Indra em grande batalha, sem falar dos filhos cobiçosos e de mente má de Dhritarashtra. Ó tu de braços fortes, pelo teu bem eu fiz grandes esforços para impedir a batalha por ocasionar a paz. Por isso nós estamos livres da dívida que temos para com a virtude. Pessoas repreensivas não poderão nos repreender por nada. O tolo Duryodhana, desprovido de inteligência, se considera hábil em armas, e embora realmente fraco se acha possuidor de força. Organize tuas tropas logo, pois matança é o único meio pelo qual eles podem ceder às nossas exigências. De fato, os filhos de Dhritarashtra nunca poderão manter seu terreno quando eles virem Dhananjaya com Yuyudhana como seu segundo, e Abhimanyu, e os cinco filhos de Draupadi, e Virata, e Drupada, e os outros reis de bravura feroz, todos senhores de Akshauhinis. Nosso exército é possuidor de grande força, e é invencível e incapaz de ser resistido. Sem dúvida, ele matará a hoste de Dhritarashtra. Com relação ao nosso líder, eu indicarei aquele castigador de inimigos, Dhrishtadyumna.'" 152 "Vaisampayana disse, 'Quando Krishna disse isso, todos os monarcas lá se encheram de alegria. E o grito dado por aqueles reis contentíssimos foi tremendo. E as tropas começaram a se movimentar com grande velocidade, dizendo, 'Alinhem-se! Alinhem-se!' E os relinchos de corcéis e rugidos de elefantes e o estrépito de rodas de carros e o clangor de conchas e o som de baterias, ouvidos em todos os lugares, produziram um rumor tremendo. E abundando com carros e soldados de infantaria e corcéis e elefantes, aquela hoste invencível dos Pandavas que marchava se movendo para lá e para cá, vestindo suas armaduras, e proferindo seus gritos de guerra, parecia com a corrente impetuosa do Ganga quando em sua cheia, agitada com redemoinhos e ondas violentas. E na vanguarda daquela hoste marchavam Bhimasena, e os dois filhos de Madri envolvidos em suas cotas de malha, e o filho de Subhadra e os cinco filhos de Draupadi e Dhrishtadyumna da linhagem de Prishata. E os Prabhadrakas e os Panchalas marchavam atrás de Bhimasena. E o rumor feito pelas hostes marchantes, cheias de alegria, era semelhante aos rugidos do oceano quando a maré é mais alta no dia da lua nova. De fato, o tumulto era tal que ele parecia alcançar os próprios céus. E capazes de romper tropas hostis, aqueles guerreiros vestidos em armadura marcharam assim, cheios de alegria. E o filho de Kunti, o rei Yudhishthira, marchava entre eles, levando com ele os carros e outros veículos para transporte, os estoques de alimento e forragem, as tendas, carruagens, e os gados de carga, os cofres, as máquinas e armas, os cirurgiões e médicos, os inválidos, e todos os soldados emaciados e fracos, e todos os servidores e vivandeiros. E a sincera Draupadi, a princesa de Panchala, acompanhada pelas senhoras da família, e cercada por servos e empregadas, permaneceu em Upaplavya. E fazendo seu tesouro e damas serem protegidos por grupos de soldados, alguns dos quais estavam colocados como linhas permanentes de circunvalação e alguns mandados se movimentarem em volta a uma distância daquela linha, os Pandavas partiram com sua hoste imensa. E tendo feito presentes de vacas e ouro para os Brahmanas, que andaram em volta deles e proferiram bênçãos, os filhos de Pandu começaram a marchar em seus carros ornamentados com jóias. E os príncipes de Kekaya, e Dhrishtaketu, e o filho do rei dos Kasis, e Srenimat, e Vasudana, e o invencível Sikhandin, todos sãos e bem dispostos, vestidos em armaduras e armados com armas e enfeitados com ornamentos marcharam atrás de Yudhishthira, mantendo-o em seu centro. E na retaguarda estavam Virata, o filho de Yajnasena da linhagem de Somaka (Dhrishtadyumna), Susarman, Kuntibhoja, os filhos de Dhrishtadyumna, quarenta mil carros, cinco vezes esse número de cavaleiros, infantaria dez vezes mais numerosa (do que a última), e sessenta mil elefantes. E Anadhrishti, e Chekitana e Dhrishtaketu e Satyaki marchavam todos cercando Vasudeva e Dhananjaya. E alcançando o campo de Kurukshetra com suas tropas em formação de batalha, aqueles batedores, os filhos de Pandu, pareciam com touros rugindo. E entrando no campo, aqueles castigadores de inimigos sopraram suas conchas. E Vasudeva e Dhananjaya também sopraram suas conchas. E ouvindo o clangor da concha chamada Panchajanya, que parecia o ribombar do trovão, todos os guerreiros (do exército Pandava) ficaram cheios de alegria. E os rugidos leoninos daqueles guerreiros, dotados de grande agilidade de mão e rapidez de movimento, se misturando com o clangor de conchas e batida de baterias, fizeram a terra inteira, o firmamento, e os oceanos ressoarem com eles.'" 153 "Vaisampayana disse, 'O rei Yudhishthira então fez suas tropas acamparem em uma parte do campo que era nivelada, fresca, e abundando com grama e combustível. Evitando cemitérios, templos e solos consagrados às divindades, retiros de sábios, santuários, e outros locais sagrados, o filho de grande alma de Kunti, Yudhishthira, montou seu acampamento em uma parte encantadora, fértil, acessível e sagrada da planície. E levantando-se, novamente, depois que seus animais tinham descansado o suficiente, o rei partiu alegremente cercado por centenas e milhares de monarcas. E Kesava acompanhado por Partha começou a se movimentar, dispersando numerosos soldados de Dhritarashtra (mantidos como postos avançados). E Dhrishtadyumna da linhagem de Prishata e aquele poderoso guerreiro em carro de grande energia, isto é, Yuyudhana, também chamado Satyaki, mediram a área para o acampamento. E chegando, ó Bharata, no sagrado Hiranwati que flui através de Kurukshetra, o qual estava cheio com água sagrada, e cujo leito era desprovido de seixos pontudos e lama, e que era considerado como um tirtha excelente, Kesava fez um fosso ser escavado lá, e para sua proteção colocou um número suficiente de tropas com instruções apropriadas. E as regras que eram observadas em relação às tendas dos Pandavas de grande alma foram seguidas por Kesava a respeito das tendas que ele fez serem montadas para os reis (que vieram como seus aliados). E, ó monarca, tendas caras, incapazes de serem atacadas, separadas umas das outras, foram, às centenas e milhares, montadas para aqueles reis sobre a superfície da terra, que pareciam com residências suntuosas e abundavam com combustíveis e comestíveis e bebidas. E lá estavam reunidos centenas e centenas de mecânicos habilidosos, recebendo salários regulares, e cirurgiões e médicos, bem versados em sua própria ciência, e equipados com todos os componentes que eles pudessem precisar. E o rei Yudhishthira fez serem colocadas em todos os pavilhões grandes quantidades, altas como colinas, de cordas de arcos e arcos e cotas de malha e armas, mel e manteiga clarificada, laca socada, água, forragem de gado, debulha e carvões, máquinas pesadas, flechas compridas, lanças, machados de batalha, bastões de arco, peitorais, cimitarras e aljavas. E inúmeros elefantes envolvidos em chapas de aço com ferrões sobre elas, enormes como colinas, e capazes de lutar com centenas e milhares, eram vistos lá. E sabendo que os Pandavas tinham acampado naquele campo, seus aliados, ó Bharata, com suas forças e animais, começaram a marchar para lá. E muitos reis que tinham praticado votos Brahmacharya, bebido Soma (consagrado) e tinham feitos grande presentes para Brahmanas em sacrifícios, foram lá para o êxito dos filhos de Pandu.'" 154 "Janamejaya disse, 'Sabendo que Yudhishthira tinha, com suas tropas, marchado pelo desejo de batalha e acampado em Kurukshetra, protegido por Vasudeva, e ajudado por Virata e Drupada com seus filhos, e circundado pelos Kekayas, os Vrishnis, e outros reis às centenas, e guardado por numerosos guerreiros em carros poderosos como o próprio grande Indra pelos Adityas, que medidas foram planejadas pelo rei Duryodhana? Ó de grande alma, eu desejo ouvir em detalhes tudo o que aconteceu em Kurujangala naquela ocasião terrível. O filho de Pandu, com Vasudeva e Virata e Drupada e Dhrishtadyumna, o príncipe Panchala e aquele poderoso guerreiro em carro Sikhandin e o forte Yudhamanyu, incapaz de ser resistido pelos próprios deuses, poderiam afligir as próprias divindades em batalha com Indra em sua chefia. Eu, portanto, desejo ouvir em detalhes, ó tu que és possuidor de riqueza de ascetismo, todas as ações dos Kurus e dos Pandavas conforme elas aconteceram.' "Vaisampayana disse, 'Quando ele da linhagem de Dasarha tinha partido (da corte Kuru), o rei Duryodhana, se dirigindo a Karna e Dussasana e Sakuni, disse estas palavras, 'Kesava foi aos filhos de Pritha sem ter sido capaz de alcançar seu objetivo. Cheio de ira como ele está, ele certamente estimulará os Pandavas. Uma batalha entre eu e os Pandavas é muito desejada por Vasudeva. Bhimasena e Arjuna são sempre da mesma opinião que ele. Yudhishthira, também, está muito sob a influência de Bhimasena. Antes disto, Yudhishthira com todos os seus irmãos foi perseguido por mim. Virata e Drupada com quem eu tinha empreendido hostilidades, obedientes a Vasudeva, se tornaram ambos os líderes da hoste de Yudhishthira. A batalha, portanto, que ocorrerá, será violenta e terrível. Expulsando toda indolência, façam todas as preparações para o combate. Que os reis (meus aliados) montem suas tendas às centenas e milhares em Kurukshetra, todas as quais devem ser espaçosas, incapazes de serem aproximadas por inimigos, perto suficiente de lugares ricos em água e combustível, em tais posições que as passagens para lá para enviar suprimentos não possam ser interrompidas em qualquer tempo pelo inimigo; cheias de armas de diversos tipos, e ornamentadas com flâmulas e bandeiras. Que a estrada da nossa cidade para o campo seja tornada plana para sua marcha. Que seja anunciado hoje mesmo, sem perda de tempo, que nossa marcha começará amanhã.' (Ouvindo estas palavras do rei), eles disseram, 'Assim seja,' e quando chegou o dia seguinte, aquelas pessoas de grande alma fizeram tudo o que elas tinham sido mandadas fazer para a acomodação dos monarcas. E todos aqueles monarcas (enquanto isso), ouvindo a ordem do rei, se levantaram de seus assentos caros, com ira tendo o inimigo como seu objeto. E eles começaram lentamente a esfregar seus braços semelhantes a maças, brilhando com pulseiras de ouro, e enfeitados com pasta de sândalo e outras substâncias fragrantes. E eles também começaram, com aquelas mãos como lotos deles, a vestir suas proteções para a cabeça e peças de roupa inferiores e superiores e diversas espécies de ornamentos. E muitos principais dos guerreiros em carros começaram a superintender o equipamento de seus carros, e pessoas familiarizadas com o cuidado de cavalos começaram a arrear seus corcéis, enquanto aqueles versados em assuntos relativos a elefantes começaram a equipar aqueles animais enormes. E todos aqueles guerreiros começaram a vestir diversas espécies de armaduras belas feitas de ouro, e a se armarem com diversas armas. E os soldados de infantaria começaram a pegar vários tipos de armas e envolver seus corpos em vários tipos de armaduras enfeitadas com ouro. E, ó Bharata, a cidade de Duryodhana então, cheia como estava com milhões jubilosos, apresentava o aspecto brilhante de uma ocasião festiva. E, ó rei, a capital Kuru na expectativa da batalha parecia com o oceano no aparecimento da lua, com as multidões vastas de humanidade representando suas águas com seus redemoinhos; os carros, elefantes, e cavalos representando seus peixes; o tumulto de conchas e baterias, seu ribombar; os cofres, suas pedras preciosas e jóias; as diversas espécies de ornamentos e armaduras suas ondas; as armas brilhantes sua espuma branca; as fileiras de casas as montanhas em suas margens; e as estradas e lojas, como lagos!'" 155 "Vaisampayana disse, 'Lembrando-se das palavras faladas por Vasudeva, Yudhishthira mais uma vez se dirigiu àquele descendente da linhagem de Vrishni, dizendo, 'Como, ó Kesava, o perverso Duryodhana pôde dizer isto? Ó tu de glória imorredoura, o que nós devemos fazer em vista da ocasião que chegou? Por agir de que maneira nós podemos continuar no caminho do nosso dever? Tu, ó Vasudeva, conheces as opiniões de Duryodhana, Karna, e Sakuni, o filho de Suvala. Tu sabes também quais ideias são nutridas por eu mesmo e meus irmãos. Tu ouviste as palavras proferidas por Vidura e Bhishma. Ó tu de grande sabedoria, tu também ouviste em sua totalidade as palavras de sabedoria faladas por Kunti. Examinando tudo isto, nos diga, ó tu de braços fortes, depois de reflexão, e sem hesitação, o que é para o nosso bem.' Ouvindo estas palavras do rei Yudhishthira o justo, que eram repletas de virtude e lucro, Krishna respondeu em uma voz profunda como aquelas das nuvens ou pratos, dizendo, 'Correspondendo à sua vantagem e consistentes com virtude e lucro, aquelas palavras que foram proferidas por mim na corte Kuru não encontraram resposta no príncipe Kuru Duryodhana em quem falsidade preenche o lugar de sabedoria. Aquele patife de mente pecaminosa não ouviu de maneira alguma aos conselhos de Bhishma ou Vidura ou meus. Ele contrariou a todos. Ele não deseja ganhar virtude, nem ele deseja renome. Aquele indivíduo de alma perversa, confiando em Karna, considera tudo como já ganho. De fato, Suyodhana de coração mau e pecaminoso em suas resoluções até ordenou meu encarceramento embora ele, no entanto, não tenha obtido a realização de seu desejo. Nem Bhishma nem Drona disseram alguma coisa sobre aquele assunto. De fato, todos seguem Duryodhana, exceto Vidura. Ó tu de gloria imperecível, Sakuni, o filho de Suvala, e Karna, e Dussasana, todos igualmente tolos, deram ao tolo e vingativo Duryodhana muitos conselhos impróprios com relação a ti. De fato, que utilidade há em eu repetir para ti tudo aquilo que o príncipe Kuru disse? Em resumo, aquele sujeito de alma perversa não tem boa vontade em direção a ti. Nem mesmo em todos estes reis juntos, que formam teu exército, existe aquela medida de pecaminosidade e maldade que reside em Duryodhana sozinho. Em relação a nós, nós não desejamos fazer as pazes com os Kauravas por abandonar nossa propriedade. Guerra, portanto, é o que deve acontecer agora.' "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras proferidas por Vasudeva, todos os reis (lá presentes), ó Bharata, sem dizerem qualquer coisa, olharam para o rosto de Yudhishthira. E Yudhishthira, compreendendo a intenção dos monarcas, disse, com Bhima e Arjuna e os gêmeos, 'Organizem as tropas em formação de batalha.' E a palavra de ordem tendo sido passada, um grande tumulto surgiu entre o exército Pandava e todos os soldados estavam cheios de alegria. O rei Yudhishthira o justo, no entanto, vendo o (iminente) massacre daqueles que não mereciam ser mortos, começou a suspirar profundamente, e se dirigindo a Bhimasena e Vijaya, disse, 'Aquilo por causa do qual eu aceitei um exílio nas florestas e pelo qual eu sofri tanta miséria, aquele grande infortúnio nos alcançou deliberadamente. Aquilo pelo qual nós nos esforçamos tanto nos deixa como se por causa do nosso próprio esforço. Por outro lado, uma grande desgraça nos alcança, embora nós não tenhamos feito nada para atraí-la. Como nós lutaremos com aqueles (nossos) superiores veneráveis a quem nós de modo nenhum podemos matar? Que espécie de vitória nós obteremos por matar nossos preceptores de idade venerável?' Ouvindo estas palavras do rei Yudhishthira o justo, Savyasachin repetiu para seu irmão mais velho todas aquelas palavras que Vasudeva tinha dito. E se dirigindo a Yudhishthira, Arjuna continuou, 'Tu, ó rei, sem dúvida entendeste todas as palavras faladas por Kunti e Vidura, que foram repetidas para ti pelo filho de Devaki. Eu sei com certeza que nem Vidura nem Kunti diriam qualquer coisa que fosse pecaminosa. Além disto, ó filho de Kunti, nós não podemos nos retirar sem nos empenharmos em combate.' Ouvindo estas palavras de Savyasachin, Vasudeva também disse para Partha, ‘É assim mesmo (como tu disseste).’ Os filhos de Pandu então, ó grande rei, se decidiram pela guerra, e passaram aquela noite com seus soldados em grande felicidade.'" 156 "Vaisampayana disse, 'Depois que a noite tinha passado, o rei Duryodhana, ó Bharata, distribuiu (em ordem apropriada) seus onze Akshauhinis de tropas. E organizando seus homens, elefantes, carros, e corcéis em três classes, isto é, superior, mediana, e inferior, o rei os distribuiu entre suas divisões (por colocá-los na vanguarda, centro, e retaguarda das tropas). E equipadas com madeira e tábuas para consertar os danos que seus carros poderiam sofrer na pressão da batalha, com grandes aljavas levadas sobre carros, com peles de tigre e outros couros firmes para envolver os lados dos carros, com dados farpados para serem lançados pela mão, com aljavas levadas nas costas de corcéis e elefantes, com lanças de ferro de cabo longo e mísseis, com aljavas levadas nas costas de soldados de infantaria, com cassetetes pesados de madeira, com mastros de bandeira e estandartes, com longas flechas pesadas disparadas de arcos, com diversas espécies de laços e laçadores, com armaduras de vários tipos, com clavas de madeira com pontas afiadas, com óleo, melaço, e areia, com vasos de barro cheios com cobras venenosas, com laca triturada e outras substâncias inflamáveis, com lanças curtas equipadas com sinos tilintando, com diversas armas de ferro, e máquinas para arremessar melaço quente, água, e pedras, com clavas sibilantes de madeira dura, com cera e malhos pesados, com bastões de madeira tendo pontas de ferro, com estacas de arado e dardos envenenados, com seringas compridas para despejar melaço quente e pranchas de caniço, com machados de batalha e lanças bifurcadas, com manoplas com ferrões, com machados e cavilhas de ferro pontudas, com carros tendo seus lados cobertos com peles de tigre e leopardo, com pranchas de madeira circulares de cantos afiados, com chifres, com dardos e várias outras armas de ataque, com machados do tipo kuthara, e espadas, com tecidos molhados em óleo, e com manteiga clarificada, as divisões de Duryodhana, reluzindo com mantos bordados com ouro e ornamentada com várias espécies de jóias e pedras preciosas e consistindo em guerreiros dotados de corpos bonitos, brilhavam como fogo. E envolvidas em cotas de malha e bem habilidosas com armas, talentosas em cuidar de cavalos, pessoas corajosas de bom nascimento foram empregadas como motoristas de carro. E todos os carros estavam equipados com vários remédios, e com cavalos tendo fileiras de sinos e pérolas em suas cabeças, e com estandartes e mastros de bandeira, e com ornamentos enfeitando seus campanários e torres e com escudos, espadas, e lanças, e dardos e maças com ferrões. E a cada um daqueles carros estavam unidos quatro corcéis da melhor raça. E sobre cada um deles eram mantidos cem arcos. E cada carro tinha um motorista encarregado do par de corcéis à frente, e dois motoristas encarregados do par de corcéis ligados às rodas nos dois lados. E ambos os motoristas citados por último eram hábeis guerreiros em carros, enquanto o próprio guerreiro do carro era também hábil em dirigir corcéis. E milhares de carros assim equipados e ornados com ouro, e protegidos como cidades fortificadas e incapazes de ser conquistados por inimigos, estavam estacionados por toda parte. E os elefantes também estavam equipados com fileiras de sinos e pérolas e enfeitados com diversos ornamentos. E nas costas de cada um daqueles animais montavam sete guerreiros. E por causa de tais acessórios aqueles animais pareciam com colinas adornadas com jóias. E entre os sete, dois estavam armados com ganchos, dois eram arqueiros excelentes, dois eram espadachins de primeira categoria, e um, ó rei, estava armado com uma lança e tridente. E, ó rei, o exército do ilustre rei Kuru estava cheio de inúmeros elefantes enfurecidos, levando em suas costas carregamentos de armas e aljavas cheias de flechas. E havia também milhares de corcéis conduzidos por soldados valentes vestidos em armadura, enfeitados com ornamentos, e equipados com bandeiras. E numerando centenas e milhares, todos aqueles corcéis eram livres do hábito de riscar o solo com suas patas dianteiras. E eles eram todos bem treinados, e enfeitados com ornamentos de ouro, e muito obedientes aos seus cavaleiros. E de soldados de infantaria havia centenas de milhares de diversas aparências, vestidos em armaduras de diversos tipos e armados também com armas de diversas espécies, e enfeitados com ornamentos dourados. E para cada carro estavam designados dez elefantes, e para cada elefante dez cavalos, e para cada cavalo dez soldados de infantaria, como protetores. Além disso, uma grande formação de tropas foi mantida como uma reserva para reagrupar as tropas que fossem divididas. E esta reserva consistia em carros, a cada dos quais estavam ligados cinquenta elefantes; e a cada elefante estavam ligados cem cavalos; e a cada cavalo estavam ligados sete soldados de infantaria. Quinhentos carros, o mesmo número de elefantes (quinze centenas de cavalos, e dois mil e quinhentos soldados de infantaria) constituem um Sena. Dez Senas constituem um Pritana; e dez Pritanas, um Vahini. Em linguajar comum, no entanto, as palavras Sena, Vahini, Pritana, Dhwajini, Chamu, Akshauhini, e Varuthini são usadas no mesmo sentido. Foi dessa maneira que o inteligente Kaurava organizou seu exército. Entre os dois lados, o número total era de dezoito Akshauhinis. Disto, a força Pandava consistia em sete Akshauhinis, enquanto a força Kaurava consistia em dez Akshauhinis e mais um. Cinco vezes cinquenta homens constituem um Patti. Três Pattis fazem um Senamukha ou Gulma. Três Gulmas fazem um Gana. No exército de Duryodhana havia milhares e centenas de tais Ganas consistindo em guerreiros capazes de derrotar (o inimigo) e ansiosos pela batalha. E o rei poderosamente armado Duryodhana, selecionando dentre eles guerreiros corajosos e inteligentes, tornou-os líderes de suas tropas. E colocando um Akshauhini de tropas sob cada um destes melhores dos homens, isto é, Kripa, Drona, Salya, Jayadratha, o rei dos Sindhus, Sudakshina o soberano dos Kamvojas, Kritavarman, o filho de Drona (Aswatthaman), Karna, Bhurisravas, Sakuni, o filho de Suvala, e o poderoso Vahlika, o rei costumava trazê-los diariamente diante dele e em todas as horas, e falar a eles. E ele repetidamente lhes oferecia culto perante seus próprios olhos. E assim nomeados, todos os guerreiros, com todos os seus seguidores, ficaram desejosos de fazer o que era mais agradável para o rei.'" "Vaisampayana disse, ‘O filho de Dhritarashtra, acompanhado por todos os reis, então se dirigiu a Bhishma, filho de Santanu, e com mãos unidas disse a ele estas palavras, 'Sem um comandante, até um exército poderoso é derrotado em batalha como um bando de formigas. A inteligência de duas pessoas nunca pode combinar. Diferentes comandantes, além disso, são ciumentos um do outro em relação à sua destreza. Ó tu de grande sabedoria, é sabido (por nós) que (uma vez) os Brahmanas, erguendo um estandarte de erva Kusa, enfrentaram em batalha os Kshatriyas do clã Haihaya dotado de energia incomensurável. Ó avô, os Vaisyas e os Sudras seguiram os Brahmanas, pelo que todas as três classes estavam de um lado, enquanto aqueles touros entre os Kshatriyas estavam sós no outro. Nas batalhas, no entanto, que se seguiram, as três classes repetidamente se dividiram, enquanto os Kshatriyas, embora sós, venceram aquele exército grande que se opunha a eles. Então aqueles melhores dos Brahmanas perguntaram aos próprios Kshatriyas (quanto à causa disto). Ó avô, aqueles que eram virtuosos entre os Kshatriyas deram a resposta verdadeira aos perguntadores, dizendo, 'Em batalha nós obedecemos às ordens de uma pessoa dotada de grande inteligência, enquanto vocês são desunidos uns com os outros e agem de acordo com sua compreensão individual.' Os Brahmanas então nomearam um entre eles mesmos como seu comandante, que era corajoso e conhecedor dos caminhos de política. E eles então conseguiram derrotar os Kshatriyas. Assim sempre conquistam seus inimigos em batalha aquelas pessoas que nomeiam um comandante hábil, valente, e impecável, atento ao bem das forças armadas sob ele. Em relação a ti, tu és igual ao próprio Usanas, e sempre procuras meu bem. Incapaz de ser morto, tu és, além disso, devotado à virtude. Seja tu, portanto, nosso comandante. Como o sol entre todos os corpos luminosos, como a lua para todas as ervas deliciosas, como Kuvera entre os Yakshas, como Vasava entre os deuses, como Meru entre as montanhas, Suparna entre as aves, Kumara entre os deuses, Havyavaha entre os Vasus, és tu entre nós. Como os deuses protegidos por Sakra, nós, protegidos por ti, seguramente nos tornaremos invencíveis pelos próprios deuses. Como o filho de Agni (Kumara) na chefia dos deuses, marche tu em nossa vanguarda, e nos deixe seguir a ti como bezerros seguindo a liderança de um touro poderoso.' "Bhishma disse, 'Ó de braços fortes, é assim mesmo, ó Bharata, como tu disseste. Mas os Pandavas são tão queridos para mim quanto vocês. Portanto, ó rei, eu devo certamente procurar o bem deles também, embora eu deva certamente lutar por ti, tendo te dado uma promessa (antes) com essa finalidade. Eu não vejo o guerreiro sobre a terra que esteja à minha altura, exceto aquele tigre entre homens, Dhananjaya, o filho de Kunti. Dotado de grande inteligência, ele está familiarizado com inúmeras armas celestes. Aquele filho de Pandu, no entanto, nunca lutará comigo abertamente. Com o poder das minhas armas, eu posso, em um instante, destruir este universo consistindo em deuses, Asuras, Rakshasas, e seres humanos. Os filhos de Pandu, no entanto, ó rei, não podem ser exterminados por mim. Eu, portanto, matarei todo dia dez mil guerreiros. Se, de fato, eles não me matarem primeiro em batalha, eu continuarei a massacrar suas tropas dessa maneira. Não há outro entendimento pelo qual eu possa me tornar de boa vontade o comandante dos teus exércitos. Cabe a ti escutar a isso, ó senhor da terra: ou Karna deve lutar primeiro, ou eu lutarei primeiro. O filho de Suta sempre conta vantagem de sua destreza em batalha, comparando-a com a minha.' "Karna disse, 'Enquanto o filho de Ganga viver, ó rei, eu nunca lutarei. Depois que Bhishma estiver morto eu lutarei com o manejador do Gandiva.' "Vaisampayana continuou, 'Depois disto, o filho de Dhritarashtra devidamente fez de Bhishma o comandante de sua força militar, distribuindo grandes presentes. E depois de sua instalação no comando, ele resplandeceu com beleza. E por ordem do rei, músicos alegremente tocaram baterias e sopraram conchas às centenas e milhares. E numerosos rugidos leoninos foram dados e todos os animais no campo proferiram seus gritos juntos. E embora o céu estivesse sem nuvens, uma chuva sangrenta caiu e tornou o solo lamacento. E violentos redemoinhos de vento, e terremotos, e rugidos de elefantes, ocorrendo, deprimiram os corações de todos os guerreiros. Vozes incorpóreas e lampejos de quedas meteóricas foram ouvidos e vistos no firmamento. E chacais, uivando ferozmente, predisseram grande calamidade. E, ó monarca, estes e uma centena de outros tipos de presságios violentos fizeram seu aparecimento quando o rei instalou o filho de Ganga no comando de suas tropas. E depois de fazer Bhishma, aquele opressor de hostes hostis, seu general, e tendo feito também abundantes presentes de vacas e ouro aos Brahmanas para pronunciarem bênçãos sobre ele, e glorificado por aquelas bênçãos, e cercado por suas tropas, e com o filho de Ganga na vanguarda, e acompanhado por seus irmãos, Duryodhana marchou para Kurukshetra com sua grande hoste. E o rei Kuru, passando pela planície com Karna em sua companhia, fez seu campo ser medido sobre uma parte nivelada, ó monarca, daquela planície. E o acampamento, montado em um local encantador e fértil rico em grama e combustível, brilhava como a própria Hastinapura.'" 158 "Janamejaya disse, 'Quando Yudhishthira soube que Bhishma, o filho de grande alma de Ganga, o principal de todos os manejadores de armas, o avô dos Bharatas, o chefe de todos os reis, o rival de Vrihaspati em intelecto, parecendo o oceano em gravidade, as montanhas de Himavat em calma, o próprio Criador em nobreza, e o sol em energia, e capaz de matar hostes hostis como o próprio grande Indra por derramar suas flechas, tinha sido instalado, até sua remoção por morte, no comando do exército Kuru na véspera do grande sacrifício da batalha, terrível em sua aparência e capaz de fazer os cabelos se arrepiarem, o que aquele filho de braços fortes de Pandu, aquele principal dos manejadores de armas, disse? O que também Bhima e Arjuna disseram? E o que também Krishna disse?' "Vaisampayana disse, 'Quando foi recebida a notícia disto, Yudhishthira dotado de grande inteligência e bem familiarizado com que devia ser feito em vista de perigo e calamidade convocou todos os seus irmãos e também o eterno Vasudeva (à sua presença). E aquele principal dos oradores então disse em uma voz suave, 'Façam suas rondas entre os soldados, e permaneçam cuidadosamente se envolvendo em armadura. Nosso primeiro encontro será com nosso avô. Procurem por (sete) líderes para os sete Akshauhinis de minhas tropas.' Krishna disse, 'Aquelas palavras de grave significado, as quais, ó touro da raça Bharata, cabe a ti proferir em uma ocasião como esta, foram, de fato, proferidas por ti. Isto mesmo, ó poderosamente armado, é o que eu também acho bom. Que, portanto, seja feito aquilo que deve ser feito em seguida. Que, de fato, sete líderes sejam escolhidos para o teu exército.'” "Vaisampayana continuou, 'Convocando então aqueles guerreiros ávidos pela batalha, isto é, Drupada e Virata, e aquele touro da linhagem de Sini, e Dhrishtadyumna o príncipe de Panchala, e o rei Dhrishtaketu, e o príncipe Shikhandi de Panchala, e Sahadeva, o soberano dos Magadhas, Yudhishthira devidamente os nomeou no comando de suas sete divisões. E acima deles todos foi colocado no comando de todas as tropas aquele Dhrishtadyumna que tinha surgido do ardente fogo (sacrifical) para a destruição de Drona. E Dhananjaya, de cabelo encaracolado, foi feito o líder de todos aqueles líderes de grande alma. E o belo Janardana dotado de grande inteligência, ele que era o irmão mais novo de Sankarshana, foi escolhido como o guia de Arjuna e o condutor de seus corcéis. E vendo que uma batalha muito destrutiva estava prestes a se realizar, chegaram lá, ó rei, ao acampamento Pandava, Halayudha, acompanhado por Akrura, e Gada e Samva, e Uddhava, e o filho de Rukmini (Pradyumna), e os filhos de Ahuka, e Charudeshna, e outros. E cercado e protegido por aqueles principais guerreiros da linhagem Vrishni, parecendo com um bando de tigres poderosos, como Vasava no meio dos Maruts, o belo Rama de braços fortes, vestido em roupas de seda azul e parecendo o pico da montanha Kailasa, e dotado do modo de andar esportivo do leão e possuidor de olhos tendo suas extremidades avermelhadas com bebida, chegou lá (em tal momento). E vendo ele, o rei Yudhishthira o justo, e Kesava de grande refulgência, e o filho de Pritha Vrikodara de feitos terríveis, e (Arjuna) o manejador do Gandiva, e todos os outros reis que estavam lá, se ergueram de seus assentos. E eles todos ofereceram culto a Halayudha quando ele chegou àquele local. E o rei Pandava tocou as mãos de Rama com as suas. E aquele castigador de inimigos, Halayudha, em retorno, abordando eles todos com Vasudeva em sua dianteira, e saudando (respeitosamente) Virata e Drupada que eram mais velhos em idade, sentou-se no mesmo assento com Yudhishthira. E depois que os reis tinham tomado seus assentos, o filho de Rohini, lançando seus olhos em Vasudeva, começou a falar. E ele disse, 'Este massacre terrível e violento é inevitável. Ele é, sem dúvida, um decreto do destino, e eu penso que isto não pode ser impedido. Deixem-me esperança, no entanto, de ver todos vocês, com seus amigos, saírem com segurança desta luta, com corpos intactos e perfeitamente saudáveis. Sem dúvida, todos os Kshatriyas do mundo que estão reunidos têm sua hora chegada. Uma escaramuça feroz cobrindo (a terra) com uma lama de carne e sangue com certeza se realizará. Eu disse para Vasudeva repetidamente em particular, 'Ó matador de Madhu, para aqueles que têm relacionamento igual conosco, observe um comportamento igual. Como os Pandavas são para nós, assim mesmo é o rei Duryodhana. Portanto, dê a ele também a mesma ajuda. De fato, ele repetidamente solicita isto.’ Por tua causa, no entanto, o matador de Madhu não considerou minhas palavras. Olhando para Dhananjaya, ele com todo seu coração está dedicado à sua causa. Isto mesmo é o que eu penso sem dúvida, ou seja, que a vitória dos Pandavas é certa, pois o desejo de Vasudeva, ó Bharata, é exatamente este. Em relação a mim mesmo, eu não ouso lançar meus olhos no mundo sem Krishna (ao meu lado). É por isto que eu sigo o que quer que Krishna procure realizar. Ambos destes heróis, bem habilidosos em combate com a maça, são meus discípulos. Minha afeição, portanto, por Bhima é igual àquela pelo rei Duryodhana. Por estas razões, eu irei agora para o tirtha de Saraswati para abluções, pois eu não serei capaz de contemplar com indiferença a destruição dos Kauravas.’ Tendo dito isso, Rama de braços poderosos, obtendo a permissão dos Pandavas, e fazendo o matador de Madhu desistir (de segui-lo mais longe), partiu em sua jornada para as águas sagradas.'" 159 "Vaisampayana disse, 'Perto dessa hora entrou no acampamento Pandava o filho de Bhishmaka, principal entre todas as pessoas de resolução sincera, e muito conhecido pelo nome de Rukmi. Bhishmaka de grande alma, que era também chamado de rei Hiranyaroman, era amigo de Indra. E ele era o mais ilustre entre os descendentes de Bhoja e era o soberano do país sulista inteiro. E Rukmi foi um discípulo daquele leão entre os Kimpurushas que era conhecido pelo nome de Drona, tendo sua residência nas montanhas de Gandhamadana. E ele tinha aprendido de seu preceptor toda a ciência de armas com suas quatro divisões. E aquele guerreiro de braços fortes tinha obtido também o arco chamado Vijaya de feitura celeste, pertencente ao grande Indra, e que era igual ao Gandiva em energia e também ao Sarnga (possuído por Krishna). Havia três arcos celestiais possuídos pelos habitantes do céu, isto é, Gandiva possuído por Varuna, o arco chamado Vijaya possuído por Indra, e aquele outro arco celeste de grande energia citado como possuído por Vishnu. Este último (Sarnga), capaz de infligir medo nos corações de guerreiros hostis, era possuído por Krishna. O arco chamado Gandiva foi obtido pelo filho de Indra (Arjuna) de Agni na ocasião do incêndio de Khandava, enquanto o arco chamado Vijaya foi obtido de Drona por Rukmi de grande energia. Frustrando os laços de Mura e matando por seu poder aquele Asura, e subjugando Naraka, o filho da Terra, Hrishikesa, enquanto recuperava os brincos enfeitados com pedras preciosas (de Aditi), com dezesseis mil moças e várias espécies de jóias e pedras preciosas, obteve aquele arco excelente chamado Sarnga. E Rukmi tendo obtido o arco chamado Vijaya cujo som parecia com o ribombar das nuvens foi até os Pandavas, como se inspirando o universo inteiro com temor. Antigamente, orgulhoso do poder de seus próprios braços, o heróico Rukmi não pôde tolerar o rapto de sua irmã Rukmini pelo sábio Vasudeva. Ele saiu em perseguição, tendo jurado que não voltaria sem ter matado Janardana. E acompanhado por um grande exército consistindo em quatro espécies de tropas que ocupava (enquanto marchava) uma porção muito grande da terra, envolvido em belas cotas de malha e armado com diversas armas e parecendo com a correnteza cheia do Ganga, aquele principal de todos os manejadores de armas partiu em perseguição a Vasudeva da linhagem de Vrishni. E tendo se aproximado dele da linhagem de Vrishni, que era senhor e mestre de tudo obtenível por austeridades ascéticas, Rukmi, ó rei, foi derrotado e coberto com vergonha. E por isto ele não voltou para (sua cidade) Kundina. E no local onde aquele matador de heróis hostis foi vencido por Krishna ele construiu uma excelente cidade chamada Bhojakata. E, ó rei, aquela cidade cheia com grandes tropas e abundando em elefantes e corcéis é amplamente conhecida na terra por esse nome. Dotado de grande energia, aquele herói, vestido em armadura e armado com arcos, grades, espadas e aljavas, entrou rapidamente no acampamento Pandava, cercado por um Akshauhini de tropas. E Rukmi entrou naquele exército vasto, sob um estandarte refulgente como o sol, e se fez conhecer aos Pandavas, pelo desejo de fazer o que era agradável para Vasudeva. O rei Yudhishthira, avançando uns poucos passos, lhe ofereceu culto. E devidamente adorado e elogiado pelos Pandavas, Rukmi saudou-os em retorno e descansou por um tempo com suas tropas. E se dirigindo a Dhananjaya, o filho de Kunti, no meio dos heróis lá reunidos ele disse, 'Se, ó filho de Pandu, tu estás com medo, eu estou aqui para te prestar auxílio na batalha. A ajuda que eu te darei será insuportável por teus inimigos. Não há homem neste mundo que seja igual a mim em heroísmo. Eu matarei aqueles teus inimigos que tu, ó filho de Pandu, designares para mim. Eu matarei um daqueles heróis: Drona e Kripa, e Bhishma, e Karna. Ou, que todos estes reis da terra fiquem à distância. Matando em batalha teus inimigos eu mesmo, eu te darei a Terra.' E ele disse isso na presença do rei Yudhishthira o justo e de Kesava e na audição dos monarcas (reunidos) e de todos os outros (no campo). Então lançando seus olhos em Vasudeva e no filho de Pandu o rei Yudhishthira o justo, Dhananjaya, o filho inteligente de Kunti, sorridente, mas em uma voz amistosa disse estas palavras, 'Nascido da família de Kuru, sendo especialmente o filho de Pandu, citando Drona como meu preceptor, tendo Vasudeva como meu aliado, e possuindo, além disso, o arco chamado Gandiva, como eu posso dizer que eu estou com medo? Ó herói, quando na ocasião da contagem do gado eu lutei com os Gandharvas poderosos, quem estava lá para me ajudar? Naquele combate terrível também com os Deuses e Danavas reunidos em grandes números em Khandava, quem era meu aliado quando eu lutei? Quando, também, eu lutei com os Nivatakavachas e com aqueles outros Danavas chamados Kalakeyas, quem foi meu aliado? Quando, além disso, na cidade de Virata eu lutei com os inumeráveis Kurus, quem foi meu aliado naquela luta? Tendo prestado meus respeitos, por causa da batalha, a Rudra, Sakra, Vaisravana, Yama, Varuna, Pavaka, Kripa, Drona, e Madhava, e manejando aquele resistente arco celeste de grande energia chamado Gandiva, e equipado com flechas inesgotáveis e armado com armas celestes, como pode uma pessoa como eu, ó tigre entre homens, dizer, mesmo a respeito de Indra armado com o raio, palavras tais como ‘Eu estou com medo’? Palavras que privam alguém de todo o seu renome? Ó tu de armas poderosas, eu não estou com medo, nem tenho qualquer necessidade da tua ajuda. Vá, portanto, ou fique, como isto te agradar ou te for conveniente.' Ouvindo estas palavras de Arjuna, Rukmi, levando com ele seu exército vasto como o mar, se dirigiu então, ó touro da linhagem de Bharata, até Duryodhana. E o rei Rukmi, se dirigindo para lá, disse as mesmas palavras para Duryodhana. Mas aquele rei orgulhoso de sua coragem o rejeitou da mesma maneira. Assim, ó rei, duas pessoas se retiraram da batalha, ou seja, o filho de Rohini (Rama) de linhagem de Vrishni, e o rei Rukmi. E depois que Rama tinha partido em sua peregrinação aos tirthas, e o filho de Bhishmaka Rukmi tinha partido dessa maneira, os filhos de Pandu mais uma vez se sentaram para consultar uns com os outros. E aquele conclave presidido pelo rei Yudhishthira o justo, cheio de monarcas numerosos, brilhava como o firmamento coberto com corpos luminosos menores com a lua em seu meio.'" 160 “Janamejaya disse, ‘Depois que os soldados tinham sido organizados dessa maneira para a batalha (no campo de Kurukshetra), o que, ó touro entre os Brahmanas, os Kauravas fizeram então, incitados como eles foram pelo próprio destino?’” “Vaisampayana disse, ‘Depois que os soldados, ó touro da raça Bharata, tinham sido organizados assim em ordem de batalha, Dhritarashtra, ó rei, disse estas palavras para Sanjaya.’” "Dhritarashtra disse, 'Venha, ó Sanjaya, conte-me com os detalhes mais completos tudo o que aconteceu no acampamento das tropas Kuru e Pandava. Eu considero o destino como superior, e o esforço inútil, pois embora eu compreenda as más consequências da guerra que levará somente à ruína, contudo eu sou incapaz de impedir meu filho que se regozija em jogar e considera a falsidade como sabedoria. Compreendendo tudo, eu ainda não sou capaz de assegurar meu próprio bem-estar. Ó Suta, minha inteligência é capaz de ver os defeitos (das medidas), mas quando eu me aproximo de Duryodhana, aquela minha inteligência se desvia (daquele caminho correto). Quando tal é o caso, ó Sanjaya, será aquilo que deve ser. De fato, o sacrifício do corpo físico em batalha é o dever louvável de todo Kshatriya.' Sanjaya disse, 'Esta questão, ó grande rei, que tu formulaste, é de fato, digna de ti. Não cabe a ti, no entanto, imputar toda a culpa a Duryodhana somente. Ouça-me, ó rei, enquanto eu falo disto exaustivamente. Aquele homem que obtém infortúnio por seu próprio comportamento impróprio nunca deve atribuir a falha ao tempo ou aos deuses. Ó grande rei, aquele entre os homens que perpetra todas as ações más merece ser morto por cometer aquelas ações. Afligidos com injúrias por causa da partida de dados, os filhos de Pandu, no entanto, com todos os seus conselheiros suportaram quietamente todas aquelas injúrias, olhando, ó melhor dos homens, para teu rosto somente. Ouça de mim detalhadamente, ó rei, sobre o massacre que está prestes a se realizar em batalha, de corcéis e elefantes e reis dotados de energia incomensurável. Ouvindo pacientemente, ó tu que és dotado de grande sabedoria, a respeito da destruição do mundo na batalha violenta que foi ocasionada, chegue a esta conclusão e nenhuma outra, ou seja, que o homem nunca é o agente de seus atos certos ou errados. De fato, como um mecanismo de madeira, o homem não é um agente (em tudo o que ele faz). A este respeito, três opiniões são nutridas; alguns dizem que tudo é ordenado por Deus; alguns dizem que nossas ações são o resultado do livre-arbítrio; e outros dizem que nossas ações são o resultado daquelas das nossas vidas passadas. Escute então, portanto, com paciência, ao mal que veio sobre nós.'" 161 (Uluka Dutagamana Parva) "Sanjaya disse, 'Depois que os Pandavas de grande alma, ó rei, tinham acampado ao lado do Hiranwati, os Kauravas também fixaram seus acampamentos. E o rei Duryodhana tendo postado fortemente suas tropas e prestado homenagem a todos os reis (do seu lado) e plantado postos avançados e grupos de soldados para a proteção de guerreiros, convocou aqueles soberanos de homens, ou seja, Karna e Dussasana e Sakuni, o filho de Suvala, e começou, ó Bharata, a consultar com eles. E o rei Duryodhana, ó Bharata, tendo (primeiro) consultado com Karna, e (em seguida), ó monarca, com Karna e seu (próprio) irmão Dussasana, e o filho de Suvala todos juntos, então convocou, ó touro entre homens, Uluka e trazendo-o à sua presença em particular disse a ele, ó rei, estas palavras, 'Ó Uluka, ó filho de um perito no jogo de dados, vá até os Pandavas e os Somakas. E indo para lá, repita estas minhas palavras (para Yudhishthira) na audição de Vasudeva. ‘Esta batalha terrível entre os Kurus e os Pandavas, que era esperada desde muito tempo atrás, finalmente chegou. Aquelas palavras jactanciosas que Sanjaya trouxe para mim, no meio dos Kurus e que tu, com Vasudeva e teus irmãos mais novos, proferiste em rugido profundo, finalmente chegou a hora, ó filho de Kunti, de confirmá-las. Realizem, portanto, tudo o que vocês mesmos garantiram realizar.’ Para o filho mais velho de Kunti tu deves dizer, como minhas palavras, o seguinte, 'Virtuoso como tu és, como tu podes então, com todos os teus irmãos, com os Somakas, e os Kekayas, fixar teu coração na iniquidade? Como tu podes desejar a destruição do mundo, quando, como eu penso, tu deves ser o dissipador dos temores de todas as criaturas? Ó touro da raça Bharata, este sloka cantado antigamente por Prahlada quando seu reino tinha sido tirado à força dele pelos deuses, foi ouvido por nós, ‘Ó deuses, aquela pessoa cujo estandarte de retidão está sempre no alto, mas cujos pecados estão sempre escondidos é citada como adotando o comportamento do gato (na história).' Eu aqui repetirei para ti, ó rei, esta história excelente recitada por Narada para meu pai. Um gato malvado, ó rei, uma vez fixou sua residência nas margens do Ganges, abandonando todo o trabalho e com suas mãos erguidas (da mesma maneira de um devoto). Fingindo ter purificado seu coração, ele disse para todas as criaturas estas palavras, para inspirar confiança nelas: ‘Eu estou agora praticando a virtude.’ Depois de um longo tempo, todas as criaturas ovíparas depositaram confiança nele, e indo até ele todas juntas, ó monarca, elas todas elogiavam aquele gato. E adorado por todas as criaturas emplumadas, aquele devorador de criaturas aladas considerou seu propósito já realizado, como também o propósito de suas austeridades. E depois de mais algum tempo os ratos foram àquele lugar. E estes também todos viram que ele era um ser virtuoso engajado no cumprimento de votos, e orgulhosamente se esforçando em um grande ato. E tendo chegado àquela firme convicção, eles nutriram o seguinte desejo, ó rei, ‘Nós temos muitos inimigos. Que este, portanto, se torne nosso tio materno, e que ele sempre proteja todos os velhos e os jovens da nossa raça.’ E indo finalmente ao gato, todos eles disseram, 'Pela tua graça nós desejamos vagar em felicidade. Tu és nosso abrigo benevolente, tu és nosso grande amigo. Por isto, todos nós nos colocamos sob tua proteção. Tu és sempre devotado à virtude, tu estás sempre engajado na aquisição de virtude. Ó tu de grande sabedoria, nos proteja, portanto, como o manejador do raio protegendo os celestiais.' Assim endereçado, ó rei, por todos os ratos, o gato respondeu a eles, dizendo, 'Eu não vejo a compatibilidade destes dois, isto é, minhas buscas ascéticas e esta proteção (que eu sou rogado a conceder). Eu não posso evitar, no entanto, fazer bem a vocês em conformidade com seu pedido. Vocês todos, ao mesmo tempo, devem sempre obedecer minhas palavras. Permanecendo como eu estou na observância de um voto rígido, eu estou enfraquecido por minhas práticas ascéticas. Eu, portanto, não vejo os meios de me mover de lugar para lugar. Vocês todos devem, portanto, me levar daqui todos os dias para a margem do rio.' Dizendo, 'Assim seja' os ratos então, ó touro da raça Bharata, transferiram todos os seus velhos e jovens para aquele gato. Então aquela criatura pecaminosa de alma perversa, se alimentando de ratos, gradualmente se tornou gordo e de boa cor e forte em seus membros. E assim enquanto os ratos começaram a ser reduzidos em número, o gato começou a crescer em vigor e força. Então todos os ratos, se reunindo, disseram uns aos outros, 'Nosso tio está diariamente se tornando robusto, enquanto nós estamos sendo diariamente reduzidos (em número)!' Então certo camundongo dotado de sabedoria, chamado Dindika, disse, ó rei, estas palavras para o grande bando de ratos reunido lá, 'Vão todos vocês à margem do rio juntos. Eu seguirei vocês, acompanhando nosso tio.' 'Excelente! Excelente!' eles disseram, e aplaudiram aquele de seu número. E eles todos fizeram exatamente como aquelas palavras de grave significado faladas por Dindika pareciam indicar. O gato, no entanto, não sabendo de tudo isto, comeu Dindika naquele dia. Todos os ratos então, sem perderem muito tempo, começaram a se aconselhar uns com os outros. Então um camundongo muito velho, chamado Kilika disse estas palavras justas, ó rei, na presença de todos os seus parentes, 'Nosso tio não está realmente desejoso de ganhar virtude. Ele, como um hipócrita, se tornou nosso amigo quando na verdade ele é nosso inimigo. De fato, as fezes de uma criatura que vive somente de frutas e raízes nunca contém pêlo ou pele. Então, além disso, enquanto seus membros estão crescendo, nosso número está diminuindo. Além disso, Dindika não foi visto por estes oito dias.' Ouvindo estas palavras, os ratos fugiram em todas as direções. E aquele gato também de alma perversa voltou para o lugar de onde ele veio. Ó tu de alma pecaminosa, tu também és um praticante de tal comportamento felino. Tu te comportas em direção aos teus parentes da mesma maneira que o gato (na história) em direção aos ratos. Tuas palavras são de um tipo, e teu comportamento é de outro. Tua (devoção à) escritura e tua quietude de comportamento são somente para exibição diante dos homens. Abandonando esta hipocrisia, ó rei, adote as práticas de um Kshatriya e faça tudo o que alguém deve fazer como tal. Tu não és virtuoso, ó touro entre homens? Obtendo a terra por meio da destreza de teus braços, faça presentes, ó melhor dos Bharatas, para os Brahmanas e para os espíritos dos teus antepassados falecidos como se deve. Procurando o bem daquela tua mãe que tem sido afligida com angústia por uma série de anos, seque as lágrimas dela, e conceda honras a ela por venceres (teus inimigos) em batalha. Tu, com grande abjeção, solicitaste somente cinco aldeias. Até isso foi rejeitado por nós, pois como nós poderíamos ocasionar uma batalha, como nós poderíamos conseguir enfurecer os Pandavas, era tudo o que nós procurávamos. Lembrando-te de que foi por tua causa que o pecaminoso Vidura foi expulso (por nós) e que nós tentamos queimar vocês todos na casa de laca, seja um homem agora; no momento da partida de Krishna (de Upaplavya) para a corte Kuru, tu através dele comunicaste esta mensagem (a nós), ou seja: ‘Ouça, ó rei, eu estou preparado para guerra ou paz!’ Saiba, ó monarca, que chegou a hora de lutar. Ó Yudhishthira, eu fiz todos estes preparativos em vista disso. O que um Kshatriya considera como uma acessão (de boa sorte) mais apreciável do que a batalha? Tu nasceste na classe Kshatriya. Tu também és conhecido no mundo. Tendo obtido também armas de Drona e Kripa, por que, ó touro da raça Bharata, tu confias em Vasudeva que pertence à mesma ordem de vida que tu e que não é superior a ti em poder?' Tu deves também dizer para Vasudeva na presença dos Pandavas estas palavras, ‘Por tua própria causa, como também pelos Pandavas, resista a mim em batalha com todas as tuas forças! Assumindo mais uma vez aquela forma que tu assumiste antes na corte Kuru, avance com Arjuna contra mim (no campo)! Um conjurador de truques ou ilusões pode (às vezes) inspirar terror. Mas em relação à pessoa que permanece armada para lutar, tais ilusões (em vez de inspirarem medo) somente provocam raiva! Nós também somos competentes, por nossos poderes de ilusão, de ascender para o céu ou o firmamento, ou penetrar na região inferior, ou na cidade de Indra! Nós também podemos expor várias formas em nosso próprio corpo! O grande Ordenador traz todas as criaturas à submissão por um decreto de Sua vontade (e nunca por meio de tal conjurador de truques)! Tu sempre dizes, ó tu da linhagem de Vrishni, estas palavras, isto é, ‘Fazendo os filhos de Dhritarashtra serem mortos em batalha, eu concederei soberania incontestável aos filhos de Pritha!’ Estas tuas palavras foram trazidas a mim por Sanjaya. Tu também disseste, 'Saibam, ó Kauravas, que é com Arjuna, tendo a mim como seu segundo, que vocês provocaram hostilidades!' Sinceramente aderindo àquele penhor, empregue tua energia pelos Pandavas e lute agora em batalha com todas as tuas forças! Mostre-nos que tu podes ser um homem! É citado como estando realmente vivo aquele que, tendo averiguado (a bravura de seus) inimigos inspira aflição neles por recorrer à verdadeira virilidade! Sem qualquer razão, ó Krishna, grande tem sido tua fama espalhada no mundo! No entanto, logo será sabido que há muitos homens no mundo que são realmente eunucos embora possuidores dos sinais de virilidade. Um escravo de Kansa, especialmente como tu és, um monarca como eu nunca deve se cobrir em armadura contra ti!’ Diga (em seguida) repetidamente, de mim, ó Uluka, para aquele estúpido, ignorante, glutão Bhimasena, que é mesmo como um touro embora privado de chifres, estas palavras: ‘Ó filho de Pritha, tu te tornaste um cozinheiro, conhecido pelo nome de Vallabha, na cidade de Virata! Tudo isso é evidência da tua virilidade! Não deixe o voto que tu fizeste antes no meio da corte Kuru ser falsificado! Que o sangue de Dussasana seja bebido se tu és capaz! Ó filho de Kunti, tu muitas vezes disseste, ‘Eu matarei rapidamente os filhos de Dhritarashtra em combate!’ Agora chegou a hora de realizar isso! Ó Bharata, tu mereces ser recompensado na arte culinária! A diferença, no entanto, é muito grande entre temperar comida e lutar! Lute agora, seja um homem! De fato, tu terás que jazer, carente de vida, sobre a terra, abraçando a tua maça, ó Bharata! A jactância à qual tu te entregaste no meio da assembleia é toda inútil, ó Vrikodara!’ Diga, ó Uluka, para Nakula, de minha parte, estas palavras: ‘Lute agora, ó Bharata, pacientemente! Nós desejamos, ó Bharata, ver tua coragem, tua reverência por Yudhishthira, e teu ódio por mim! Recorde em sua totalidade os sofrimentos que Krishna tem sofrido!’ Em seguida, tu deves dizer estas minhas palavras para Sahadeva na presença dos monarcas (reunidos), ‘Lute em batalha agora, com todas as tuas forças! Lembre-te de todas as suas aflições!’ Diga em seguida, de mim, para Virata e Drupada, estas palavras: ‘Desde o início da criação, escravos, mesmo dotados de grandes talentos, nunca puderam entender completamente seus mestres. Nem reis ricos têm sido sempre capazes de entender seus escravos! ‘Este rei não merece louvor,’ possivelmente, sob tal crença, vocês vêm contra mim! Juntos, lutem, portanto, contra mim para efetuar minha morte, e realizem os objetivos que vocês têm em vista, como também aqueles que os Pandavas têm!’ Diga também, de mim, para Dhrishtadyumna, o príncipe dos Panchalas, estas palavras: ‘A hora agora chegou para ti, e tu também chegaste à tua hora! Aproximando-te de Drona em batalha tu saberás o que é bom para ti! Realize o propósito do teu amigo! Realize aquela façanha que é de realização difícil!’ Diga em seguida, repetidamente, de mim, ó Uluka, para Sikhandin, estas palavras, ‘O poderosamente armado Kaurava, principal de todos os arqueiros, o filho de Ganga (Bhishma), não te matará, sabendo que tu és somente uma mulher! Lute agora sem qualquer medo! Realize em batalha o que tu podes com todas as tuas forças! Nós desejamos ver a tua coragem!'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo dito isso, o rei Duryodhana deu risada. E se dirigindo a Uluka outra vez, ele disse, 'Diga novamente para Dhananjaya na audição de Vasudeva estas palavras: ‘Ó herói, ou nos derrotando governe este mundo, ou derrotado por nós jaza no campo (carente de vida)! Recordando os sofrimentos ocasionados por seu banimento do reino, as dores da sua estada nas florestas, e a aflição de Krishna, seja homem, ó filho de Pandu! Aquilo pelo qual uma dama Kshatriya cria um filho está agora chegando! Mostrando, portanto, em batalha, teu poder, energia, coragem, virilidade, e grande destreza e velocidade no uso de armas, satisfaça tua ira! Afligido com miséria, e desanimado e exilado (de casa) por muito tempo, e expulso de seu reino, quem há cujo coração não se partiria? Quem há, bem nascido, e bravo, e não cobiçoso da riqueza de outro, que não teria sua cólera excitada quando seu reino descendo de geração a geração é atacado? Realize em atos aquelas palavras nobres que tu disseste! Alguém que só se gaba sem ser capaz fazer alguma coisa é considerado como um homem sem valor por aqueles que são bons. Recupere teu reino e aquelas posses que são agora possuídas por teus inimigos! Estes dois são os propósitos que uma pessoa desejosa de guerra tem em vista. Mostre, portanto, tua virilidade! Tu foste ganho (como um escravo) no jogo de dados! Krishna foi levada por nós à assembleia! Aquele que se considera um homem deve certamente mostrar sua ira por isto! Por doze longos anos tu ficaste exilado de casa nas florestas, e um ano inteiro tu passaste a serviço de Virata! Lembrando-te das aflições do desterro do reino e da tua estada nas florestas, como também daquilo que Krishna sofreu, seja homem! Mostre tua ira em direção àqueles que repetidamente proferem palavras cruéis para ti e teus irmãos! De fato, cólera (tal como esta) consistirá em virilidade! Que tua raiva, teu poder e destreza, e conhecimento, e tua agilidade de mão no uso de armas, sejam mostrados! Lute, ó filho de Pritha, e prove ser um homem! Os encantamentos em relação a todas as tuas armas foram realizados. O campo de Kurukshetra está livre de lama. Teus corcéis estão robustos e fortes. Teus soldados têm recebido seu pagamento. Com Kesava, portanto, como (teu) segundo, lute (conosco)! Sem enfrentar Bhishma até agora, por que tu te entregas a semelhantes jactâncias? Como um tolo que, sem ter subido as montanhas Gandhamadana, se gaba (de sua façanha imaginária), tu, ó filho de Kunti, estás te jactando da mesma maneira, seja homem! Sem ter vencido em batalha o invencível Karna da classe Suta, ou Salya, aquela principal das pessoas, ou Drona, o principal de todos os guerreiros poderosos e igual ao marido de Sachi em batalha, como tu podes, ó Partha, cobiçar o teu reino? Ele que é um preceptor de conhecimento Védico e arte de manejar arco e flecha, ele que cruzou ambos aqueles ramos de conhecimento, ele que é o mais importante em batalha e imperturbável (como uma torre), ele cuja força não conhece diminuição, aquele comandante de exércitos, Drona de grande refulgência, a ele, ó Partha, tu desejas em vão conquistar! Nunca é ouvido que o pico Sumeru foi despedaçado pelo vento. Contudo até o vento levará Sumeru para longe, o próprio céu cairá na terra, os próprios Yugas serão alterados em relação ao seu curso, se o que tu me disseste se tornar verdadeiro! Que homem há, desejoso de vida, seja Partha ou alguém mais, que tendo se aproximado daquele opressor de inimigos seria capaz de voltar para casa com corpo intacto? Que pessoa há, andando sobre a terra com seus pés, que, enfrentado por Drona e Bhishma e atingido por suas flechas, escaparia da batalha com vida? Como uma rã tendo sua residência em um poço, por que tu não és capaz de perceber o poder deste vasto exército de monarcas reunidos, invencível, parecendo com a própria hoste celeste, e protegido por estes senhores de homens, como a hoste celeste pelos próprios deuses, protegido que é pelos reis do Leste, do Oeste, do Sul e do Norte, pelos Kamvojas, os Sakas, os Khasas, os Salwas, os Matsyas, os Kurus do país do meio, os Mlechchhas, os Pulindas, os Dravidas, os Andhras, e os Kanchis, esta hoste de muitas nações, pronta para a batalha, e parecendo a correnteza do Ganga que não se pode cruzar? Ó tu de pouca inteligência, como tu podes, ó tolo, ousar lutar comigo quando posicionado no meio da minha hoste de elefantes? Tuas aljavas inesgotáveis, teu carro dado a ti por Agni, e teu estandarte celeste, ó Partha, serão todos, ó Bharata, testados por nós em batalha! Lute, ó Arjuna, sem te gabares! Por que tu te entregas a tanta jactância? Sucesso em batalha resulta do método no qual ela é lutada. Uma batalha nunca é ganha por jactância. Se, ó Dhananjaya, as ações neste mundo tivessem êxito por bazófia, todas as pessoas então teriam tido êxito em seus objetivos, pois quem não é competente para se gabar? Eu sei que tu tens Vasudeva como teu aliado. Eu sei que teu Gandiva tem seis cúbitos completos de comprimento. Eu sei que não há guerreiro igual a ti. Sabendo de tudo isto eu ainda retenho o teu reino! Um homem nunca obtém êxito por causa dos atributos de linhagem. É o Ordenador Supremo somente que por seu decreto de vontade faz coisas (hostis) amigavelmente subservientes. Por estes treze anos, eu tenho desfrutado da soberania enquanto vocês estavam chorando. Eu continuarei a governar da mesma maneira, matando a ti com teus parentes. Onde estava o teu Gandiva então, quando tu foste feito escravo ganho em aposta? Onde, ó Falguni, estava a força de Bhima então? Tua libertação então não veio nem de Bhimasena, armado com maça, nem de ti armado com Gandiva, mas da impecável Krishna. Foi ela, a filha da casa de Prishata, que libertou vocês todos, afundados em escravidão, engajados em ocupações dignas somente dos inferiores, e trabalhando como servidores. Eu caracterizei vocês todos como sementes de gergelim sem núcleo. Isto é verdade. Pois Partha, (algum tempo depois) não usou uma trança quando vivia na cidade de Virata? Nos aposentos da cozinha de Virata, Bhimasena estava fatigado por fazer o trabalho de um cozinheiro. Isto mesmo, ó filho de Pritha, é (evidência da) minha coragem! Fugindo de um confronto, com quadris e tranças e fitas na cintura, tu mesmo amarrando teu cabelo estavas empenhado em ensinar as moças a dançar? É assim que Kshatriyas sempre infligem castigo em Kshatriyas! Por medo de Vasudeva, ou por medo de ti, ó Falguni, eu não desistirei do reino! Lute com Kesava como teu aliado! Nem ilusão, nem conjuração de truques, nem prestidigitação podem apavorar o homem armado dirigido para a luta. Por outro lado, estes provocam somente sua ira. Mil Vasudevas, cem Falgunis, se aproximando de mim cujos braços e armas nunca avançam em vão certamente fugirão em todas as direções. Enfrente Bhishma em combate, ou bata na colina com tua cabeça, ou atravesse só com a ajuda dos teus dois braços o oceano vasto e profundo! Com relação ao meu exército, ele é um verdadeiro oceano com o filho de Saradwat como seu peixe grande, Vivingsati como sua cobra enorme, Bhishma como sua correnteza de força imensurável, Drona como seu jacaré inconquistável, Karna e Salwa e Salya seus peixes e redemoinhos, o soberano dos Kamvojas sua cabeça equina emitindo fogo, Vrihadvala suas ondas violentas, o filho de Somadatta sua baleia, Yuyutsu e Durmarshana suas águas, Bhagadatta seu vento forte, Srutayus e o filho de Hridika seus golfos e baías, Dussasana sua corrente, Sushena e Chitrayuda seus elefantes aquáticos (hipopótamos) e crocodilos, Jayadratha sua rocha (submarina), Purumitra sua profundidade, e Sakuni suas margens! Quando, tendo mergulhado neste oceano se movimentando com suas ondas inesgotáveis de armas, tu, por fadiga, fores privado de sentidos e tiveres todos os teus parentes e amigos mortos, então o arrependimento possuirá teu coração! Então também teu coração se desviará do pensamento de governar a terra, como o coração de uma pessoa de feitos impuros se desviando da (esperança do) céu. De fato, para tu ganhares um reino para governar é tão impossível quanto para alguém não possuidor de mérito ascético alcançar o céu!'" 162 “Sanjaya disse, ‘Tendo alcançado o acampamento Pandava, o filho do jogador (Uluka) se apresentou perante os Pandavas, e se dirigindo a Yudhishthira disse, ‘Tu és totalmente familiarizado com o que enviados dizem! Não cabe a ti, portanto, ficar zangado comigo se eu somente repetir aquelas palavras que Duryodhana me instruiu a dizer!’ Ouvindo isto, Yudhishthira disse, ‘Tu não tens que temer, ó Uluka! Diga-nos sem qualquer ansiedade quais são as opiniões do cobiçoso Duryodhana de visão limitada!’ Então, no meio e presença dos Pandavas ilustres e de grande alma, dos Srinjayas, e de Krishna possuidor de grande renome, de Drupada com seus filhos, de Virata, e de todos os monarcas, Uluka disse estas palavras.’” "Uluka disse, 'Isso mesmo é o que o rei Duryodhana de grande alma, na presença de todos os heróis Kuru, disse para ti! Ouça àquelas palavras, ó Yudhishthira! ‘Tu foste derrotado nos dados, e Krishna foi levada para a assembleia! Nisto, uma pessoa que se considera um homem seria justificado em ceder à ira! Por doze anos tu foste banido de casa para as florestas! Por um ano inteiro tu viveste no serviço de Virata. Lembrando-te da razão que há para cólera, teu exílio, e a perseguição de Krishna, seja homem, ó filho de Pandu! Embora fraco, Bhima, porém, ó Pandava, fez um voto! Que ele, se capaz, beba o sangue de Dussasana! Tuas armas têm sido devidamente adoradas e suas divindades presidentes têm sido invocadas! O campo de Kurukshetra também está sem lama. As estradas estão planas. Teus corcéis estão bem alimentados. Empenhe-te na batalha, portanto, no dia seguinte, com Kesava como teu aliado! Sem ter ainda se aproximado Bhishma em batalha, por que tu te entregas a jactâncias? Como um tolo que se gaba de sua intenção de subir as montanhas de Gandhamadana, tu, ó filho de Kunti, estás te gabando em vão. Sem ter vencido em batalha o filho de Suta (Karna) que é invencível, e Salya, aquela principal das pessoas poderosas, e aqueles principais dos guerreiros e são iguais ao próprio marido de Sachi em combate, por que, ó filho de Pritha, tu desejas soberania? Um preceptor nos Vedas e no arco, ele alcançou o fim de ambos estes ramos de conhecimento. Tu desejas inutilmente, ó filho de Pritha, derrotar aquele líder de tropas, o ilustre Drona, que luta na vanguarda, é incapaz de ser agitado, e cuja força não conhece diminuição. Nós nunca ouvimos que as montanhas de Sumeru foram quebradas pelo vento! Mas o vento levará Sumeru para longe, o próprio céu cairá na terra, os próprios Yugas serão invertidos se o que tu me disseste realmente ocorrer! Quem, apegado à vida, lutando das costas de um elefante ou de um cavalo ou de um carro, voltaria para casa (são e salvo), depois de ter enfrentado aquele opressor de inimigos? Que criatura pisando a terra com seus pés escaparia com vida da batalha, tendo sido atacada por Drona e Bhishma, ou perfurada por suas flechas terríveis? Como uma rã dentro de um poço, por que tu não percebes a força desta hoste reunida de monarcas, que parece a própria hoste celeste, e que é protegida por estes reis como os deuses protegendo a deles no céu, e que, enxameando com os reis do Leste, Oeste, Sul, e Norte, com Kamvojas, Sakas, Khasas, Salwas, Matsyas, Kurus do país do meio, Mlechchhas, Pulindas, Dravidas, Andhras, e Kanchis, de fato, com muitas nações, todas dirigidas para a batalha, impossível de atravessar como a maré elevada do Ganga? Ó tolo de pouca compreensão, como tu podes lutar comigo enquanto eu estiver colocado no meio da minha tropa de elefantes?' Tendo dito estas palavras para o rei Yudhishthira, o filho de Dharma, Uluka, virando seu rosto então em direção a Jishnu, disse a ele estas palavras, 'Lute sem te gabares, ó Arjuna! Por que tu te gabas tanto? Sucesso resulta da aplicação de método. Uma batalha nunca é ganha por jactância. Se as ações neste mundo, ó Dhananjaya, fossem bem sucedidas somente por jactâncias, então todos os homens teriam êxito em seus objetivos, pois quem não é competente para se gabar? Eu sei que tu tens Vasudeva como teu aliado. Eu sei que o teu Gandiva tem seis cúbitos completos de comprimento. Eu sei que não há guerreiro igual a ti. Sabendo de tudo isso, eu ainda retenho o teu reino! Um homem nunca alcança êxito por consequência do atributo de linhagem. É somente o Ordenador Supremo que por seu decreto torna (coisas hostis) amistosas e subservientes. Por estes treze anos eu tenho desfrutado da soberania, enquanto vocês estavam chorando! Eu continuarei a governar da mesma maneira, matando a ti com teus parentes! Onde estava teu Gandiva então quando tu foste feito um escravo ganho nos dados? Onde, ó Falguni, estava a força de Bhimasena então? Tua libertação então não veio nem de Bhimasena armado com maça, nem de ti armado com Gandiva, mas da impecável Krishna. Foi ela, a filha da casa de Prishata, que libertou vocês todos, afundados em escravidão, engajados em ocupações dignas somente dos inferiores, e trabalhando como servidores! Eu caracterizei vocês como sementes de gergelim sem núcleo. Isto é realmente verdade, pois Partha não usou uma trança enquanto vivia na cidade de Virata? Nos aposentos da cozinha de Virata, Bhimasena estava fatigado por fazer o trabalho de um cozinheiro. Isto mesmo, ó filho de Pritha, é (evidência da) tua virilidade! Fugindo de um confronto, com tranças e fitas na cintura e amarrando teu cabelo em uma trança, tu foste empregado em ensinar as moças a dançar! É assim que Kshatriyas sempre infligem punição em um Kshatriya! Por medo de Vasudeva, ou por medo de ti, ó Falguni, eu não desistirei do reino. Lute, com Kesava como teu aliado! Nem ilusão, nem conjuração de truques, nem prestidigitação podem apavorar um homem armado preparado para lutar. Por outro lado, tudo isso provoca somente sua ira. Mil Vasudevas, cem Falgunis, se aproximando de mim cuja pontaria e armas sempre são eficazes, fugirão em todas as direções. Enfrente Bhishma em combate, ou perfure as colinas com tua cabeça, ou atravesse com a ajuda dos teus dois braços o oceano vasto e profundo! Com relação ao meu exército, ele é um verdadeiro oceano com o filho de Saradwat como seu peixe grande; Vivingsati, seu peixe menor; Vrihadvala suas ondas; o filho de Somadatta sua baleia; Bhishma sua força imensa, Drona seu jacaré inconquistável; Karna e Salya seus peixes e redemoinhos, Kamvoja sua cabeça equina vomitando fogo, Jayadratha sua rocha (submarina); Purumitra sua profundidade; e Durmarshana suas águas, e Sakuni suas margens! Quando, tendo mergulhado neste oceano se movimentando com suas ondas inesgotáveis de armas, tu por fadiga fores privado dos teus sentidos, e tiveres todos os teus parentes e amigos mortos, então o arrependimento tomará conta do teu coração! Então teu coração se desviará, ó Partha, do pensamento de governar a terra como o coração de uma pessoa de feitos impuros se desviando da (esperança do) céu. De fato, tu ganhares um reino para governar é tão impossível quanto alguém não possuidor de mérito ascético alcançar o céu!'" 163 "Sanjaya disse, 'Ó monarca, provocando mais ainda Arjuna que era como uma cobra de veneno virulento, por meio daqueles seus golpes verbais Uluka mais uma vez repetiu as palavras que ele tinha falado uma vez. Os Pandavas, diante de tal repetição, tinham sido suficientemente provocados, mas ouvindo aquelas palavras (uma segunda vez) e recebendo aquelas críticas através do filho do jogador, eles foram provocados além de resistência. Eles todos se levantaram, e começaram a esticar seus braços. E parecendo com cobras de veneno virulento enfurecidas, eles começaram a olhar uns para os outros. E Bhimasena, com rosto para baixo, e respirando pesadamente como uma cobra, começou a olhar obliquamente para Kesava, dirigindo os cantos vermelho vivo de seus olhos em direção a ele. E vendo o filho do deus do vento muito atormentado e extremamente provocado com raiva, ele da linhagem de Dasarha se dirigiu sorridente ao filho do jogador e disse, 'Parta daqui sem a demora de um momento, ó filho do jogador, e diga para Suyodhana estas palavras: ‘Tuas palavras foram ouvidas e o sentido compreendido. Que se realize aquilo que tu desejas.' Tendo dito isso, ó melhor dos monarcas, Kesava de braços fortes olhou mais uma vez para Yudhishthira dotado de grande sabedoria. Então no meio e presença de todos os Srinjayas, de Krishna possuidor de grande fama, de Drupada com seus filhos, de Virata, e de todos os reis (lá reunidos), Uluka mais uma vez repetiu para Arjuna as palavras que ele tinha dito, provocando ele ainda mais por meio disso, como alguém incomodando uma cobra colérica de veneno virulento por meio de uma estaca. E ele também disse para todos eles, ou seja, Krishna e outros, aquelas palavras que Duryodhana tinha instruído ele a dizer. E ouvindo aquelas palavras duras e muito desagradáveis proferidas por Uluka, Partha estava muito irritado e limpou o suor de sua testa. E vendo Partha, ó rei, naquela condição, aquela assembleia de monarcas não pôde tolerar isso em absoluto. E por causa daquele insulto à Krishna e à Partha de grande alma, os guerreiros em carros dos Pandavas estavam muito agitados. Embora dotados de grande firmeza de mente, aqueles tigres entre homens começaram a queimar com raiva. E Dhrishtadyumna e Sikhandin e aquele poderoso guerreiro em carro, Satyaki, e os cinco irmãos Kekaya, e o Rakshasa Ghatotkacha, os filhos de Draupadi, e Abhimanyu, e o rei Dhrishtaketu, e Bhimasena, dotado de grande bravura, e aqueles poderosos guerreiros em carros, os gêmeos, pularam de seus assentos, seus olhos vermelhos de raiva, agitando seus belos braços enfeitados com pasta vermelha de sândalo e ornamentos de ouro. Então Vrikodara, o filho de Kunti, entendendo seus gestos e ânimos, se levantou de um salto de seu assento. E rangendo seus dentes, e lambendo com sua língua os cantos de sua boca, e queimando com raiva, e apertando suas mãos e girando seus olhos ferozmente, disse estas palavras para Uluka, ‘Tolo ignorante, agora foram ouvidas tuas palavras que Duryodhana disse para ti com o objetivo de nos provocar como se nós fôssemos um grupo de imbecis! Ouça agora as palavras que eu digo e que tu deves repetir para o inacessível Suyodhana no meio de todos os Kshatriyas e na audição do filho de Suta e de Sakuni de coração mau. ‘Nós sempre procuramos gratificar nosso irmão mais velho! Foi por isto, ó tu de comportamento pecaminoso, que nós toleramos tuas ações. Tu não consideras isto como muito venturoso para ti? Foi somente para o bem da nossa família que o rei Yudhishthira o justo, dotado de grande inteligência, enviou Hrishikesa aos Kurus para ocasionar paz! Impelido pelo Destino, sem dúvida, tu estás desejoso de ir para a residência de Yama! Venha, lute conosco. Isso, no entanto, sem dúvida vai se realizar amanhã! Eu, de fato, fiz votos de matar a ti com teus irmãos! Ó tolo pecaminoso, não nutra a menor dúvida, pois será como eu prometi! O próprio oceano, a residência de Varuna, pode de repente ultrapassar seus continentes. As próprias montanhas podem se partir, contudo minhas palavras nunca podem ser falsas! Se o próprio Yama, ou Kuvera, ou Rudra te ajudarem, os Pandavas ainda realizarão o que eles prometeram! Eu certamente beberei o sangue de Dussasana segundo minha vontade! E eu também prometo que qualquer Kshatriya que se aproxime de mim com raiva, mesmo que ele venha com o próprio Bhishma na dianteira, eu o enviarei para a residência de Yama! Aquilo que eu disse no meio de uma assembleia Kshatriya sem dúvida será verdadeiro. Eu juro por minha alma!’ Ouvindo estas palavras de Bhimasena, o colérico Sahadeva também, com olhos vermelhos de raiva disse estas palavras na presença das tropas (reunidas), palavras que ficaram bem naquele herói orgulhoso. E ele disse, 'Ouça, ó pecaminoso, as palavras que eu profiro e que devem ser repetidas para teu pai! Uma divergência nunca teria ocorrido entre nós e os Kurus se Dhritarashtra não tivesse relacionamento contigo! De ações pecaminosas e o exterminador da tua própria família, tu nasceste como uma encarnação da disputa para a destruição do mundo inteiro como também para a destruição da linhagem de Dhritarashtra! Desde nosso nascimento, ó Uluka, aquele teu pai pecaminoso sempre procurou nos fazer injúria e mal. Eu desejo alcançar a margem oposta daquela relação hostil. Matando a ti primeiro diante dos próprios olhos de Sakuni, eu então matarei o próprio Sakuni na vista de todos os arqueiros!' Ouvindo estas palavras de Bhima e Sahadeva, Falguni sorridente se dirigiu a Bhima, dizendo, 'Ó Bhimasena, aqueles que provocaram hostilidades contigo não podem viver! Embora eles possam morar alegremente em suas casas, aqueles tolos contudo estão enredados nas malhas da morte! Ó melhor dos homens, Uluka não merece ser endereçado severamente por ti! Que erro enviados cometem, repetindo como eles fazem somente o que eles são instruídos (a dizer)?' E tendo se dirigido dessa maneira a Bhima de bravura terrível, aquele herói de braços fortes então se dirigiu a seus aliados heróicos e simpatizantes encabeçados por Dhrishtadyumna, dizendo, 'Vocês ouviram as palavras do filho pecaminoso de Dhritarashtra em censura a Vasudeva e especialmente a mim! E ouvindo-as vocês estão cheios de raiva porque vocês nos desejam bem! Mas pelo poder de Vasudeva e seus esforços, eu não considero nem todos os Kshatriyas da terra juntos! Com sua permissão eu agora comunicarei para Uluka qual é a resposta àquelas palavras, o que, de fato, ele deve dizer para Duryodhana! Quando chegar a manhã, posicionado na dianteira da minha divisão, eu darei a resposta a estas palavras através do Gandiva! Pois aqueles que são eunucos respondem em palavras!' Ouvindo isso, todos aqueles melhores dos reis aplaudiram Dhananjaya, surpresos pela simplicidade daquela resposta. O rei Yudhishthira o justo, então, tendo falado brandamente a todos os reis cada um de acordo com sua idade e como cada um merecia disse, finalmente, para Uluka estas palavras para que ele pudesse levá-las para Duryodhana. E Yudhishthira disse, 'Nenhum bom rei deve tolerar pacientemente um insulto. Tendo até agora ouvido o que tu tinhas a dizer, eu agora te direi qual é minha resposta!' Tendo ouvido então, ó melhor da linhagem de Bharata, aquelas palavras de Duryodhana, Yudhishthira, aquele touro da raça Bharata, com olhos muito vermelhos de raiva e suspirando como uma cobra de veneno virulento, lambendo os cantos de sua boca com sua língua, como se inchando com cólera, e lançando seus olhos em Janardana e em seus próprios irmãos, disse para Uluka estas palavras eram repletas de suavidade e energia. E sacudindo seus braços massivos ele disse para o filho do jogador, 'Vá, ó Uluka, e diga para Duryodhana, aquele ingrato, encarnação de mente perversa de hostilidades, aquele patife infame de sua linhagem, estas palavras: ‘Ó patife pecaminoso, tu sempre te comportaste com desonestidade em direção aos Pandavas! Ó tolo pecaminoso, aquele que mostra sua coragem confiando na sua própria força e convoca seus inimigos (para a batalha) e cumpre suas próprias palavras, ele mesmo é um homem da classe Kshatriya! Seja um Kshatriya, ó canalha pecaminoso, e nos convoque para a batalha! Ó infame de tua raça, não venha para a batalha colocando em tua dianteira outros a quem nós professamos respeito! Ó Kaurava, confiando no teu próprio poder e naquele dos teus servos convoque os filhos de Pritha para batalha! Seja Kshatriya de todas as maneiras! Aquele que convoca seus inimigos confiando no poder de outros, ele mesmo incapaz de recebê-los é, de fato, um eunuco! Tu, no entanto, pensas grandemente sobre ti mesmo confiando no poder de outros! Sendo fraco e incapaz, por que então tu ruges assim (em palavras) para nós?' "Krishna disse, 'Minhas palavras também, ó filho do jogador, devem ser comunicadas para Suyodhana. Que chegue para ti aquela manhã na qual a batalha vai se realizar. Ó tu de alma má, seja homem! Ó tolo, tu pensas: Janardana não lutará, já que ele foi escolhido pelos Pandavas para agir somente como um quadrigário, assim tu não estás alarmado. Isso, no entanto, não será, nem por um momento. Se minha ira for excitada, eu posso então destruir todos os reis (reunidos por ti) como um fogo consumindo uma pilha de palha. Por ordem de Yudhishthira, no entanto, eu somente cumprirei as funções de quadrigário para Falguni de grande alma, de sentidos sob controle completo e que sozinho, (entre nós dois) lutará! Se tu fugires além dos limites dos três mundos, se tu mergulhares nas profundidades da terra, tu verás, mesmo nesses locais, o carro de Arjuna amanhã de manhã. Tu pensas que as palavras de Bhima foram faladas em vão! Mas saiba que o sangue de Dussasana já foi bebido. Saiba também que embora tu tenhas proferido tais palavras zangadas e perversas, contudo nem Partha, nem o rei Yudhishthira, nem Bhimasena, nem algum dos gêmeos tem a mínima consideração por ti!'" 164 "Sanjaya disse, 'Tendo ouvido aquelas palavras de Duryodhana, Gudakesha de grande renome olhou para o filho do jogador com olhos extremamente vermelhos. E olhando para Kesava também e sacudindo seus braços massivos, ele se dirigiu ao filho do jogador, dizendo, 'Aquele que, confiando na sua própria força convoca seus inimigos e luta com eles destemidamente é considerado como um homem. Ele, no entanto, que, confiando na força de outros convoca seus inimigos é um Kshatriya infame. Por sua incapacidade, ele é considerado como o mais inferior dos homens. Confiando na força de outros, tu (ó Duryodhana), sendo tu mesmo um covarde, desejas ainda, ó tolo, repreender teus inimigos. Tendo instalado (Bhishma) o mais velho de todos os Kshatriyas, cujo coração está sempre inclinado a fazer o que é bom, que tem todas as suas paixões sob controle, e que é dotado de grande sabedoria, no comando das tuas tropas e o feito sujeito à morte certa, tu te gabas! Ó tu de mente perversa, teu objetivo (ao fazer isso) é totalmente conhecido por nós, ó infame da tua raça! Tu fizeste isso acreditando que os filhos de Pandu, por bondade, não matarão o filho de Ganga. Saiba, no entanto, ó filho de Dhritarashtra, que eu matarei aquele Bhishma primeiro na visão de todos os arqueiros, confiando em cuja força tu te entregas a tais jactâncias! Ó filho do jogador, indo (daqui) até os Bharatas e te aproximando de Duryodhana, o filho de Dhritarashtra, diga a ele que Arjuna disse, ‘Assim seja! Depois que esta noite tiver passado, o confronto violento de armas se realizará. De fato, Bhishma de poder inexaurível e aderindo firmemente à verdade disse para ti no meio dos Kurus estas palavras: ‘Eu matarei o exército dos Srinjayas e os Salweyas. Que esta seja minha tarefa. Exceto Drona eu posso matar o mundo inteiro. Tu não precisas, portanto, nutrir qualquer medo dos Pandavas!’ Por causa disso, tu, ó Duryodhana, consideras o reino como teu e pensas que os Pandavas mergulharam em angústia. Tu te encheste de orgulho por isso. Tu não vês, no entanto, o perigo que está em ti mesmo. Eu matarei primeiro, portanto, em batalha, diante dos teus próprios olhos Bhishma, o mais velho dos Kurus! No nascer do sol (amanhã) na vanguarda das tropas, com estandartes e carros, protejam aquele líder das suas forças firme em suas promessas. Eu irei, com minhas flechas, derrubar ele que é seu refúgio de seu carro diante dos olhos de vocês todos! Quando a manhã chegar, Suyodhana saberá o que é se gabar, vendo o avô coberto com minhas flechas! Tu, ó Suyodhana, logo verás o cumprimento daquilo que Bhimasena com raiva disse, no meio da assembleia, para teu irmão, aquele homem de visão limitada, Dussasana, ligado à iniquidade, sempre brigão, de mente má, e cruel em comportamento. Tu logo verás os efeitos terríveis da vaidade e orgulho, da cólera e arrogância, da jactância e crueldade, palavras mordazes e ações, de aversão à retidão, e pecaminosidade, e de falar mal de outros, de desobedecer aos conselhos dos idosos, de visão oblíqua, e de todas as espécies de vícios! A escória da humanidade, como tu podes, ó tolo, esperar por vida ou reino se eu, tendo Vasudeva como meu segundo, ceder à raiva? Depois que Bhishma e Drona tiverem sido aquietados e depois que o filho de Suta tiver sido derrotado, tu estarás sem esperança de vida, reino e filhos! Sabendo do massacre de teus irmãos e filhos, e atingido mortalmente por Bhimasena, ó Suyodhana, tu te lembrarás de todos os teus crimes!’ Diga a ele, ó filho do jogador, que eu não prometo uma segunda vez. Eu digo a ti realmente que tudo isso será verdade! Partindo daqui, ó Uluka, diga, ó senhor, estas minhas palavras para Suyodhana! ‘Não cabe a ti compreender meu comportamento pela luz do teu próprio! Saiba que há diferença entre a tua conduta e a minha, a qual é exatamente a diferença entre verdade e mentira! Eu não desejo ferir nem insetos e formigas. O que eu direi, portanto, de eu alguma vez desejar ferir meus parentes? Ó senhor, foi por isso que cinco aldeias somente foram solicitadas por mim! Por que, ó tu de mente perversa, tu não vês a calamidade terrível que te ameaça? Tua alma dominada pela luxúria, tu te gabas por falha de compreensão. É por isso também que tu não aceitaste as palavras benéficas de Vasudeva. Qual a necessidade agora de muita conversa? Lute (contra nós) com todos os teus amigos!’ Diga, ó filho do jogador, para o príncipe Kuru que sempre faz o que é injurioso para mim (estas palavras também:) ‘Tuas palavras foram ouvidas; seu significado também foi entendido. Que seja como tu desejas!' Ó filho de rei, Bhimasena então mais uma vez disse estas palavras, 'Ó Uluka, diga essas palavras minhas para Suyodhana de mente pecaminosa, enganador, e injusto, que é uma encarnação do pecado, que é ligado à fraude, e cujo comportamento é extremamente mau; ‘Tu terás que morar no estômago de um urubu ou em Hastinapura. Ó escória da espécie humana, eu seguramente cumprirei a promessa que eu fiz no meio da assembleia. Eu juro em nome da Verdade: matando Dussasana em batalha, eu beberei seu sangue vital! Matando também teus (outros) irmãos, eu esmagarei tuas próprias coxas. Sem dúvida, ó Suyodhana, eu sou o destruidor de todos os filhos de Dhritarashtra, como Abhimanyu é de todos os príncipes (mais jovens)! Eu, por meus feitos, recompensarei todos vocês! Ouça mais uma vez a mim. Ó Suyodhana: matando- te, com todos os teus irmãos, eu baterei no topo da tua cabeça com meu pé na visão do rei Yudhishthira o justo!' Nakula, então, ó rei, disse estas palavras, 'Ó Uluka, diga para o filho de Dhritarashtra, Suyodhana, da família de Kuru, que todas as palavras proferidas por ele agora foram ouvidas e seu sentido compreendido. Eu farei, ó Kauravya, tudo o que tu me recomendaste fazer.' E Sahadeva também, ó monarca, disse estas palavras de grave significado, 'Ó Suyodhana, será tudo como tu desejas! Tu terás que te arrepender, ó grande rei, junto com teus filhos, parentes, e conselheiros, assim como tu estás agora te gabando alegremente por causa dos nossos sofrimentos.' Então Virata e Drupada, ambos veneráveis em idade, disseram estas palavras para Uluka, ‘É mesmo nosso desejo nos tornarmos escravos de uma pessoa virtuosa! Se, no entanto, nós somos escravos ou mestres será conhecido amanhã, como também quem possui qual virilidade!' Depois deles, Sikhandin disse estas palavras para Uluka, 'Tu deves dizer para o rei Duryodhana que é sempre viciado na pecaminosidade, estas palavras, ‘Veja, ó rei, que feito bravio será cometido por mim em batalha! Eu matarei teu avô em seu carro, confiando em cuja destreza tu estás certo de sucesso em batalha! Sem dúvida, eu fui criado pelo Criador de grande alma para a destruição de Bhishma. Eu seguramente matarei Bhishma na vista de todos os arqueiros.' Depois disto, Dhrishtadyumna também disse para Uluka, o filho do jogador, estas palavras, 'Diga para o príncipe Suyodhana estas minhas palavras, ‘Eu matarei Drona com todos os seus seguidores e amigos. E eu farei uma façanha a qual ninguém nunca mais fará.' O rei Yudhishthira mais uma vez disse estas palavras nobres repletas de clemência, ‘Ó monarca, eu nunca desejo o massacre de meus parentes. Ó tu de mente má, é por causa do teu erro que tudo isso indubitavelmente acontecerá. Eu, naturalmente, terei que sancionar o cumprimento de suas grandes façanhas por todos estes (ao meu redor). Parta daqui, ó Uluka, sem demora, ou fique aqui, ó senhor, pois, abençoado sejas, nós também somos teus parentes.' Uluka, então, ó rei, recebendo permissão de Yudhishthira, o filho de Dharma, foi para onde o rei Suyodhana estava. Assim endereçado, o filho do jogador mantendo cuidadosamente em mente tudo o que ele tinha ouvido, voltou ao lugar do qual ele tinha vindo. E chegando lá, ele relatou integralmente para o vingativo Duryodhana tudo o que Arjuna tinha lhe ordenado. E ele também comunicou fielmente para o filho de Dhritarashtra as palavras de Vasudeva, de Bhima, do rei Yudhishthira o justo, de Nakula e Virata e Drupada, ó Bharata e as palavras de Sahadeva e Dhrishtadyumna e Sikhandin, e as palavras que também foram faladas (posteriormente) por Kesava e Arjuna. E tendo escutado as palavras do filho do jogador, Duryodhana, aquele touro da linhagem de Bharata, ordenou que Dussasana e Karna e Sakuni, ó Bharata, e suas próprias tropas e as tropas dos aliados, e todos os reis (reunidos) se organizassem em divisões e ficassem prontos para a batalha antes do nascer do sol (na manhã seguinte). Mensageiros então, instruídos por Karna e subindo rapidamente em carros e camelos e éguas e bons corcéis dotados de grande velocidade, percorreram rapidamente o acampamento. E ao comando de Karna eles promulgaram a ordem ‘Organizem-se antes de nascer do sol amanhã!'" 165 'Sanjaya disse, 'Tendo escutado as palavras de Uluka, Yudhishthira, o filho de Kunti, moveu seu exército encabeçado por Dhrishtadyumna e outros. E aquele vasto exército comandado por Dhrishtadyumna, consistindo em quatro tipos de tropas, ou seja, soldados de infantaria e elefantes e carros e cavalaria, terrível, e impassível como a própria terra, e protegido por poderosos guerreiros em carros liderados por Bhimasena e Arjuna, podia ser comparado ao vasto oceano repousando em tranquilidade. E na chefia daquela vasta força estava aquele arqueiro poderoso, o príncipe dos Panchalas, invencível em batalha, Dhrishtadyumna, desejoso de obter Drona como seu adversário. E Dhrishtadyumna começou a escolher combatentes (do seu próprio exército) para colocá-los contra guerreiros específicos da força hostil. E ele deu ordens para seus guerreiros em carros, condizentes à sua força e coragem. E ele colocou Arjuna contra o filho de Suta (Karna), Bhima contra Duryodhana, Dhrishtaketu contra Salya, Uttamaujas contra o filho de Gautama (Kripa), Nakula contra Kritavarman, Yuyudhana contra o soberano dos Sindhus (Jayadratha). E ele colocou Sikhandin na vanguarda, colocando-o contra Bhishma. E ele incitou Sahadeva contra Sakuni, e Chekitana contra Sala, e os cinco filhos de Draupadi contra os Trigartas. E ele instigou o filho de Subhadra (Abhimanyu) contra Vrishasena (o filho de Karna), e também contra todo o restante dos reis, pois ele considerava Abhimanyu superior ao próprio Arjuna em batalha. E distribuindo seus guerreiros dessa maneira, individualmente e coletivamente, aquele arqueiro poderoso, da cor do fogo ardente, manteve Drona como sua própria parte. E aquele líder de líderes de tropas, o arqueiro poderoso e inteligente Dhrishtadyumna, tendo organizado suas tropas devidamente, esperou pela batalha com o coração firme. E tendo organizado os combatentes dos Pandavas como indicado acima, ele esperou, com mente serena, no campo para assegurar vitória para os filhos de Pandu.'" 166 "Dhritarashtra disse, ‘Depois que Falguni prometeu matar Bhishma em batalha, o que meus filhos maus encabeçados por Duryodhana fizeram? Ai, eu já vejo meu pai, o filho de Ganga, morto em batalha por aquele arqueiro de pulso firme, Partha, tendo Vasudeva como seu aliado! E o que também aquele arqueiro poderoso, aquele principal dos batedores, Bhishma, dotado de sabedoria incomensurável, disse ao ouvir as palavras de Partha? Tendo aceitado também o comando dos Kauravas, o que aquele principal dos guerreiros, o filho de Ganga, de inteligência e destreza excelentes, fez?'” “Vaisampayana continuou, ‘Assim questionado, Sanjaya disse a ele tudo acerca do que aquele mais velho dos Kurus, Bhishma de energia incomensurável, tinha dito.’” "Sanjaya disse, 'Ó monarca, obtendo o comando, Bhishma o filho de Santanu disse estas palavras para Duryodhana, alegrando-o muito, 'Reverenciando o líder das forças celestes, Kumara armado com a lança, eu serei, sem dúvida, o comandante do teu exército hoje! Eu sou bem versado em todos os assuntos poderosos, como também em vários tipos de formações de combate. Eu sei também como fazer soldados regulares cumprirem seus deveres. Na questão da marcha das tropas e em organizá-las, em combates e retirada, eu sou tão bem versado, ó grande rei, como Vrihaspati (o preceptor dos celestiais), é! Eu conheço todos os métodos de organizar exércitos predominantes entre os celestiais, Gandharvas, e seres humanos. Com estes eu confundirei os Pandavas. Que a ansiedade do teu (coração) seja dissipada. Eu lutarei (com o inimigo), protegendo devidamente o teu exército e segundo as regras da ciência (militar)! Ó rei, que a febre do teu coração seja dissipada!' Ouvindo estas palavras Duryodhana disse, 'Ó filho de Ganga de armas poderosas, eu te digo realmente, eu não tenho medo nem de todos os deuses e Asuras juntos! Quanto menos, portanto, é meu medo quando tua pessoa invencível se tornou o líder das minhas tropas e quando aquele tigre entre homens, Drona, também espera desejosamente pela batalha! Quando vocês dois, os mais importantes dos homens, estão dedicados a lutar ao meu lado, a vitória, não só isso, até a soberania celeste não pode seguramente ser inalcançável por mim! Eu desejo, no entanto, ó Kaurava, saber quais entre todos os guerreiros do inimigo e meus próprios devem ser contados como Rathas e quais (como) Atirathas. Tu, ó avô, conheces bem (a destreza dos) combatentes do inimigo, e também dos nossos! Eu desejo saber isso, com todos estes senhores da terra!' "Bhishma disse, 'Ouça, ó filho de Gandhari, ó rei de reis, a contagem de Rathas no teu próprio exército! Ouça, ó rei, quem são Rathas e quem são Atirathas! Há no teu exército muitos milhares, muitos milhões, e muitas centenas de milhões de Rathas. Escute, no entanto, a mim enquanto eu cito somente os principais. Primeiramente, com teu povo de irmãos incluindo Dussasana e outros, tu és o principal dos Rathas! Todos vocês são hábeis em golpear, e competentes em cortar carruagens e perfurar. Todos vocês são motoristas talentosos de carruagens quando sentados na cabina do motorista, e guias talentosos de elefantes quando sentados nos pescoços daqueles animais. Todos vocês são inteligentes golpeadores com maças e dardos farpados e espadas e escudos. Vocês são talentosos com armas e competentes em exercer cargos de responsabilidade. Vocês todos são discípulos de Drona e de Kripa, o filho de Saradwat, em flechas e outras armas. Ofendidos pelos filhos de Pandu, estes Dhartarashtras, dotados de energia, seguramente matarão na batalha os Panchalas irresistíveis em combate. Então, ó principal dos Bharatas, venho eu, o líder de todas as tuas tropas, que exterminarei teus inimigos, subjugando os Pandavas! Não cabe a mim falar dos meus próprios méritos. Tu me conheces. O principal de todos os manejadores de armas, (o chefe) Bhoja, Kritavarman, é Atiratha. Sem dúvida, ele realizará teu propósito em batalha. Incapaz de ser humilhado por pessoas talentosas com armas, atirando ou arremessando suas armas a uma grande distância, e um severo golpeador, ele destruirá as tropas do inimigo como o grande Indra destruindo os Danavas. O soberano dos Madras, o poderoso arqueiro Salya, é, como eu penso, um Atiratha. Aquele guerreiro se gaba como à altura de Vasudeva, em toda batalha (que ele luta). Tendo abandonado os filhos da sua própria irmã, aquele melhor dos reis, Salya, se tornou teu. Ele enfrentará em batalha os Maharathas do partido Pandava, inundando o inimigo com suas flechas parecendo as próprias ondas do mar. O poderoso arqueiro Bhurisravas, o filho de Somadatta, que é talentoso com armas e é um dos teus amigos bem intencionados, é um líder de líderes de divisões de carros. Ele, certamente, fará uma grande destruição entre os combatentes dos teus inimigos. O rei dos Sindhus, ó monarca, é, no meu julgamento, igual a dois Rathas. Aquele melhor dos guerreiros em carros lutará na batalha, mostrando grande bravura. Humilhado, ó rei, pelos Pandavas na ocasião em que ele sequestrou Draupadi, e mantendo aquela humilhação em mente, aquele matador de heróis hostis lutará (por ti). Tendo praticado depois disso, ó rei, as austeridades mais severas, ele obteve um benefício de aquisição muito difícil, para enfrentar os Pandavas em batalha. Aquele tigre entre guerreiros em carros, portanto, lembrando-se de sua antiga hostilidade, ó senhor, lutará com os Pandavas em batalha, indiferente à sua própria vida que é tão difícil de se sacrificar.'" 167 "Bhishma disse, 'Sudhakshina, o soberano dos Kamvojas, na minha opinião é igual a um único Ratha. Desejando o sucesso do teu objetivo, ele certamente lutará com o inimigo em batalha. Ó melhor dos reis, os Kauravas verão a destreza daquele leão entre os guerreiros em carros empregada para ti, igual àquela do próprio Indra em batalha. Com respeito ao exército de carros deste rei, ó monarca, aqueles batedores de ímpeto feroz, os Kamvojas, cobrirão uma grande área como um bando de gafanhotos! Vindo (da província) de Mahishmati, Nila, equipado com armadura azul, é um dos teus Rathas. Com seu exército de carros ele causará uma grande destruição entre teus inimigos. Ó filho, ele teve hostilidades com Sahadeva. Ó rei, ele continuamente lutará por ti, ó tu da linhagem de Kuru. Talentoso em batalha, e de energia e destreza bravias, (os príncipes) Vinda e Anuvinda de Avanti são ambos considerados como excelentes Rathas. Estes dois heróis entre homens destruirão as tropas dos teus inimigos, com maças e dardos farpados, e espadas e flechas longas, e dardos lançados de suas mãos. Como um par de líderes (elefantes) se divertindo no meio de suas manadas, estes dois príncipes, ó monarca, ansiosos pela batalha, percorrerão o campo, cada um como o próprio Yama. Os cinco irmãos (reais) de Trigarta são, na minha opinião, todos os mais importantes dos Rathas. Os filhos de Pritha provocaram hostilidades com eles na cidade Virata naquela ocasião (bem conhecida). Como Makaras enormes, ó rei, agitando a corrente do Ganges encrespada com ondas altas, eles agitarão as tropas dos Parthas em batalha. Todos os cinco, ó rei, são Rathas, tendo Satyaratha (entre eles) como seu principal. Lembrando-se dos males infligidos a eles antigamente por aquele filho de Pandu que é o irmão mais novo de Bhima, quando o último, ó Bharata, em seu carro puxado por corcéis brancos estava empenhado, ó monarca, em subjugar todos os reis da terra, eles certamente se esforçarão bravamente em batalha. Enfrentando muitos Maharathas, principais dos arqueiros, líderes de Kshatriyas, do lado dos Parthas, eles sem dúvida os matarão. Teu filho Lakshmana e o filho também de Dussasana, aqueles tigres entre homens são ambos guerreiros que não recuam em batalha. No início da juventude, de membros delicados, dotados de grande energia, aqueles dois príncipes, bem versados em batalhas e capazes de liderar todos, aqueles tigres entre os Kurus, aqueles guerreiros em carros, são, eu penso, dois dos nossos melhores Rathas. Dedicados aos deveres da classe Kshatriya, aqueles dois heróis realizarão grandes façanhas. Dandadhara, ó monarca, é, ó touro entre homens, igual a um único Ratha. Protegido por seus próprios soldados, ele lutará em batalha por ti. Dotado de grande ímpeto e destreza, o rei Vrihadvala, o soberano dos Kosalas, é, na minha opinião, ó senhor, igual a um Ratha. Bravio com armas, este poderoso arqueiro, dedicado ao bem dos Dhritarashtras, se esforçará poderosamente em batalha, alegrando seus próprios amigos. Kripa, o filho de Saradwat é, ó rei, um líder de líderes de tropas de carros. Indiferente até à vida que é tão preciosa, ele consumirá teus inimigos. Nascido em uma moita de urzes como o filho daquele sábio formidável, ou seja, o preceptor Gautama, também chamado de Saradwat, ele é tão invencível como o próprio Kartikeya. Consumindo guerreiros incontáveis armados com várias armas e arcos, ó senhor, ele vagará pelo campo de batalha como um fogo ardente.'" 168 "Bhishma disse, 'Este teu tio materno Sakuni é, ó rei, igual a um único Ratha. Tendo feito as (atuais) hostilidades (irromperem) com os filhos de Pandu, ele lutará. Não há dúvida nisto. Suas tropas são irresistíveis quando avançam para a batalha. Armados com vários tipos de armas em abundância, em velocidade eles são iguais ao próprio vento. O arqueiro poderoso (Aswatthaman) que é filho de Drona supera todos os arqueiros. Familiarizado com todos os modos de guerra, e de armas imbatíveis, ele é um Maharatha. Como o manejador do Gandiva, as flechas deste guerreiro, disparadas de seu arco, procedem em uma linha contínua, tocando umas às outras. Se ele desejar, este Maharatha é capaz de destruir os três mundos. Engajado em austeridades em seu eremitério, ele, por meio destas, aumentou sua fúria e energia. Possuidor de grande inteligência, ele foi favorecido por Drona com (o presente de todas as) armas celestes. Há, no entanto, ó touro da raça Bharata, um grande defeito nele, pelo qual, ó melhor dos reis, eu não o considero nem como um Ratha ou um Maharatha. Este homem regenerado é extremamente apegado à vida, a vida sendo muito preciosa para ele. Entre os guerreiros de ambos os exércitos não há ninguém que possa ser considerado como seu igual. Em um único carro ele pode aniquilar o próprio exército dos celestiais. Possuidor de um corpo forte, ele pode fender as próprias montanhas pelos golpes da corda de seu arco, batendo contra a proteção de couro em seu braço esquerdo. Dotado de qualidades inumeráveis, aquele batedor de refulgência ardente vagará (sobre o campo de batalha), incapaz de ser resistido como o próprio Yama, maça na mão. Parecendo com o fogo no fim do Yuga em relação à sua fúria, possuidor de pescoço leonino, e dotado de grande brilho, Aswatthaman extinguirá as brasas desta batalha entre os Bharatas. Seu pai (Drona) é dotado de grande energia, e embora idoso, ainda é superior a muitos homens jovens. Ele realizará façanhas grandiosas em batalha. Eu não tenho dúvida disto. Permanecendo imovelmente (no campo), ele consumirá as tropas de Yudhishthira. O exército Pandava desempenhará o papel da grama seca e combustível nos quais aquele fogo se originará, enquanto o ímpeto de suas próprias armas será o vento para atiçá-lo para uma chama (imensa). Este touro entre homens é um líder de grupos de guerreiros em carros. O filho de Bharadwaja realizará feitos bravios para o teu benefício! O preceptor de todos os Kshatriyas de linhagem real, o venerável preceptor exterminará os Srinjayas. Dhananjaya, no entanto, é querido para ele. Este arqueiro poderoso, portanto, lembrando-se dos seus próprios célebres e muito meritórios serviços como preceptor, nunca será capaz de matar Partha que é capaz de realizar façanhas formidáveis sem qualquer problema. Ó herói, Drona sempre se gaba das numerosas habilidades de Partha. De fato, Bharadwaja olha para ele com maior afeição do que para seu próprio filho. Dotado de grande coragem, ele pode, em um único carro, vencer em batalha por meio de suas armas celestes todos os deuses, Gandharvas, e seres humanos juntos. Aquele tigre entre os reis é, ó monarca, um dos teus Maharathas. Capaz de romper as tropas de carros de heróis hostis, ele, na minha opinião, é um dos principais dos teus guerreiros em carros. Afligindo as tropas do inimigo na vanguarda da sua própria grande tropa ele consumirá os Panchalas como fogo consumindo uma pilha de grama seca. Possuidor de fama verdadeira, o príncipe Vrihadvala é igual a um único Ratha. Ele, ó monarca, vagará em meio às tropas dos teus inimigos como a própria Morte. Suas tropas, ó rei de reis, equipadas com várias espécies de armaduras e armadas com diversas espécies de armas, vagarão no campo, matando todos os guerreiros opostos a eles. Vrishasena, o filho de Karna, é um dos teus principais guerreiros em carros e é um Maharatha. Aquele principal dos homens poderosos consumirá as tropas do teu inimigo. Dotado de grande energia, Jalasandha, ó rei, é um dos teus principais Rathas. Nascido na tribo de Madhu, aquele matador de heróis hostis está preparado para perder sua própria vida em batalha. Hábil em batalha, aquele guerreiro poderosamente armado, espalhando as tropas do inimigo diante dele, lutará em batalha sobre um carro ou das costas do elefante. Aquele melhor dos reis, ó monarca, na minha opinião é um Ratha. Ele, em batalha violenta, perderá por tua causa sua própria vida com todas as suas tropas; possuidor de grande heroísmo e familiarizado com todos os modos de guerra, ó rei, ele lutará destemidamente com teus inimigos em batalha. Nunca recuando da batalha, corajoso, e parecendo com o próprio Yama, Vahlika, ó rei, na minha opinião é um Atiratha. Avançando para o combate ele nunca volta atrás. De fato, ele matará guerreiros hostis em batalha como o próprio deus do vento. Aquele aniquilador de tropas de carros hostis, aquele guerreiro em carro de feitos extraordinários em batalha, comandante das tuas tropas, Satyavan, ó rei, é um Maharatha. Ele nunca nutre angústia na perspectiva da batalha. Confundindo aqueles guerreiros que ficam no caminho de seu carro, ele cai sobre eles. Sempre mostrando sua bravura contra o inimigo, aquele melhor dos homens, por tua causa, na violenta pressão da batalha realizará tudo o que um bom Kshatriya deve. Aquele chefe de Rakshasas, Alambhusha, de feitos cruéis, é um Maharatha. Lembrando-se de suas antigas hostilidades (com os Pandavas), ele cometerá grandes execuções entre o inimigo. Ele é o melhor dos Rathas entre todos os guerreiros Rakshasa. Possuindo poderes de ilusão, e firme em inimizade, ele vagará ferozmente no campo. O soberano de Pragjyotisha, o valente Bhagadatta de coragem excelente é o principal daqueles que seguram o gancho do elefante, e é hábil também em lutar de um carro. Um combate ocorreu entre ele e o manejador do Gandiva por dias seguidos, ó rei, cada um desejoso de vitória sobre o outro. Então Bhagadatta, ó filho de Gandhari, que considerava Indra como seu amigo, fez amizade com (o filho de Indra), o Pandava de grande alma. Hábil em lutar do pescoço do elefante, este rei lutará em batalha como Vasava entre os celestiais, lutando de seu (elefante) Airavata.'" 169 "Bhishma disse, 'Ambos os irmãos Achala e Vrisha são Rathas. Invencíveis (em batalha), eles matarão teus inimigos. Dotados de grande força, aqueles tigres entre homens, aqueles principais dos Gandharvas, são firmes em ira. Jovens e bonitos, eles são possuidores de grande força. Em relação a este teu amigo sempre caro, este que é sempre vaidoso de sua habilidade em batalha, este que sempre te incita, ó rei, a lutar com os Pandavas, este arrogante vil, Karna, o filho de Surya, este que é teu conselheiro, guia, e amigo, este sujeito vaidoso que é desprovido de razão, este Karna não é nem um Ratha nem um Atiratha. Sem inteligência, ele foi privado de sua armadura natural. Sempre bondoso, ele também foi privado de seus brincos celestes. Pela maldição de Rama (seu preceptor em armas) como também das palavras de um Brahmana (que o amaldiçoou em outra ocasião), devido também à sua privação dos equipamentos de batalha, ele, na minha opinião, é somente metade de um Ratha. Tendo se aproximado de Falguni (em batalha), ele certamente não escapará com vida!' Ouvindo isso, Drona, aquele principal de todos os manejadores de armas, disse, 'É assim mesmo como tu disseste. Isso não é incorreto! Ele se gaba na véspera de toda batalha, mas contudo ele é visto se retirar de todo combate. Bondoso (fora de época) e descuidado, é por isto que Karna, na minha opinião, é somente metade de um Ratha!' "Ouvindo estas palavras, o filho de Radha, arregalando seus olhos de raiva, e afligindo Bhishma com palavras como ganchos afiados, disse para o filho de Ganga estas palavras, 'Ó avô, embora eu seja inocente, contudo por tua aversão por mim tu me mutilas dessa maneira, segundo tua vontade, com tuas flechas verbais a cada passo. Eu suporto, no entanto, tudo isto por Duryodhana. Indicando-me como somente metade de um Ratha, tu me consideras sem valor, como se, de fato, eu fosse um covarde! Que dúvida há nisto? Eu não falo uma mentira quando eu digo que tu, ó filho de Ganga, és um inimigo do universo inteiro, e especialmente de todos os Kurus! O rei, no entanto, não sabe disso! Quem mais procuraria desunir e abater dessa maneira a energia desses reis que são todos iguais e que são todos igualmente corajosos, como tu, por teu ódio de mérito, procuras fazer? Ó Kaurava, nem idade, nem rugas, nem riqueza, nem posse de amigos dão direito a um Kshatriya ser considerado como um Maharatha! É dito que um Kshatriya adquire eminência somente através da força, como Brahmanas adquirem eminência através superioridade em mantras, como Vaisyas por riqueza, e Sudras pela idade. Influenciado, no entanto, por luxúria e inveja, e agindo por ignorância, tu indicaste Rathas e Atirathas de acordo somente com teu próprio capricho! Abençoado sejas tu, ó Duryodhana de braços poderosos, julgue devidamente! Que este Bhishma perverso, que somente te faz mal, seja abandonado por ti! Teus guerreiros, uma vez desunidos, podem com dificuldade ser unidos novamente. Ó tigre entre homens, teu exército principal, sob tais circunstâncias, pode ser unido com dificuldade; muito maior será a dificuldade em unir um exército reunido de várias províncias! Veja, ó Bharata, dúvida (do êxito) já surgiu nos corações dos teus guerreiros! Este Bhishma enfraquece nossa energia na nossa própria presença! Onde está a tarefa de averiguar os méritos de Rathas, e onde está Bhishma de pouca compreensão? Eu sozinho resistirei ao exército dos Pandavas. Entrando em contato comigo, cujas flechas nunca partem em vão, os Pandavas e os Panchalas fugirão em todas as direções como bois quando eles entram em contato com um tigre! Onde, oh, estão luta, a pressão do confronto armado, bons conselhos e palavras bem expressadas, e onde está Bhishma, que é obsoleto e de alma pecaminosa, e que é impelido pelos próprios destinos a se tornar sua vítima? Sozinho ele desafia todo o universo! De visão falsa ele não considera ninguém mais como um homem. É verdade que as escrituras ensinam que as palavras dos idosos devem ser escutadas. Isso, no entanto, não se refere àqueles que são muito velhos, pois estes, na minha opinião, se tornam crianças novamente. Sozinho eu exterminarei o exército dos Pandavas! A fama, no entanto, de semelhante façanha se atribuirá à Bhishma, ó tigre entre reis, pois este Bhishma, ó monarca, foi feito por ti o comandante das tuas tropas, e o renome sempre se liga ao líder e não àqueles que lutam sob ele. Eu, portanto, ó rei, não lutarei enquanto o filho de Ganga viver! Depois que Bhishma, no entanto, tiver sido derrotado, eu lutarei com todos os Maharathas do inimigo juntos!' "Bhishma disse, 'Esta responsabilidade, vasta como o oceano, na questão da batalha de Duryodhana (com os Pandavas), está prestes a ser tomada por mim. Eu tenho pensado nisto por muitos anos. Agora que chegou a hora daquele combate terrível dissensões entre nós não devem ser criadas por mim. É por isto, filho de Suta, que tu estás vivo! Do contrário, embora eu seja obsoleto e tu sejas jovem em idade, eu abrandaria o teu desejo de combate e esmagaria tua esperança de vida! (Teu preceptor) Rama, o filho de Jamadagni, disparando suas armas formidáveis, não poderia me causar a menor dor. O que tu podes, portanto, fazer a mim? Aqueles que são bons não aprovam auto-elogio. Patife infame da tua raça, saiba que eu cedo à pouca jactância porque eu estou enfurecido. Subjugando em um único carro todos os Kshatriyas do mundo reunidos no Swayamvara das filhas do soberano de Kasi, eu sequestrei aquelas moças. Sozinho, eu parei no campo de batalha o avanço de reis inumeráveis com seus soldados! Obtendo a ti como encarnação da discórdia, uma grande calamidade está prestes a alcançar os Kurus! Esforce-te então para matar nossos adversários. Seja homem, lute com aquele Partha, a quem tu desafiaste tão frequentemente. Ó tu de mente má, eu desejo ver-te sair daquele duelo com tua vida!' "O rei Duryodhana então disse para Bhishma de grande destreza, 'Olhe para mim, ó filho de Ganga! Grandioso é o propósito que está à mão! Pense seriamente como eu posso ser mais beneficiado! Vocês dois me prestarão grandes serviços! Eu desejo agora saber dos melhores guerreiros em carros entre o inimigo, isto é, daqueles que são Atirathas entre eles e daqueles que são líderes de divisões de carros. Ó Kaurava, eu desejo ouvir sobre a força e fraqueza de meus inimigos, já que quando esta noite amanhecer, nossa grande batalha se realizará.'" 170 "Bhishma disse, 'Eu agora, ó rei, indiquei quem são teus Rathas e quem são teus Atirathas e meio Rathas. Ouça agora a contagem de Rathas e Atirathas entre os Pandavas. Se tu sentes alguma curiosidade, escute então, ó rei, com estes monarcas, a contagem de Rathas no exército dos Pandavas. O próprio rei, filho de Pandu e Kunti, é um Ratha poderoso. Sem dúvida, ó senhor, ele deslizará pelo campo de batalha como um fogo ardente; Bhimasena, ó rei, é considerado igual a oito Rathas. Em um confronto com a maça ou mesmo com flechas, não há ninguém igual a ele. Dotado da força de dez mil elefantes, e cheio de orgulho, em energia ele é sobre-humano. Aqueles dois touros entre homens, os filhos de Madri, são ambos Rathas. Em beleza, eles são iguais aos gêmeos Aswins, e eles são dotados de grande energia. Posicionados na vanguarda de suas divisões, todos eles, lembrando-se de seus grandes sofrimentos, sem dúvida vagarão pelo campo como dois Indras! Todos eles são dotados de grandes almas, e são altos em estatura como troncos de árvores Sala. Mais altos do que outros homens por meio cúbito em estatura, todos os filhos de Pandu são bravos como leões e dotados de grande força. Todos eles, ó senhor, têm praticado votos Brahmacharya e outras austeridades ascéticas. Dotados de modéstia, aqueles tigres entre homens são possuidores de força impetuosa como os verdadeiros tigres. Em velocidade, em golpear, e em esmagar (inimigos), todos eles são mais do que humanos. Todos eles, na ocasião da campanha de conquista universal, derrotaram grandes reis, ó touro da linhagem de Bharata! Nenhum outro homem pode manejar suas armas, maças, e flechas. De fato, ó Kaurava, não há homens que possam mesmo encordoar seus arcos, ou erguer suas maças, ou atirar suas flechas em batalha. Em velocidade, em acertar o alvo, em comer, e em esportes sobre o pó eles costumavam superar todos vocês mesmo quando eles eram crianças. Possuidores de poder ardente quando eles enfrentarem esta força eles a exterminarão em batalha. Um conflito, portanto, com eles, não é desejável. Cada um deles pode matar sozinho todos os reis da terra! Aquilo que aconteceu, ó grande rei, na ocasião do sacrifício Rajasuya ocorreu diante dos teus próprios olhos! Lembrando-se dos sofrimentos de Draupadi e das palavras cruéis proferidas depois da sua derrota nos dados, eles vagarão em batalha como muitos Rudras. Com relação à Gudakesha, de olhos avermelhados, tendo Narayana como seu aliado, não há entre ambos os exércitos algum bravo guerreiro em carro que possa ser considerado como seu igual. Sem falar de homens, não foi ouvido por nós que mesmo entre deuses, Asuras, Uragas, Rakshasas e Yakshas, alguma vez nasceu ou nascerá futuramente algum guerreiro em carro semelhante a ele! Ó grande rei, o inteligente Partha possui aquele carro que está equipado com o estandarte portando o emblema do macaco; o motorista daquele carro é Vasudeva! O próprio Dhananjaya é o guerreiro que luta sobre ele; seu, também, é aquele arco celeste chamado Gandiva; ele possui, além disso, aqueles corcéis velozes como o vento; sua cota de malha é impenetrável e de feitio celeste; suas duas aljavas grandes são inesgotáveis; suas armas foram obtidas do grande Indra, Rudra, Kuvera, Yama e Varuna; e sobre seu carro, também, estão aquelas maças de aparência terrível, e diversas outras armas formidáveis tendo o raio entre elas! Que guerreiro em carro pode ser considerado como igual a ele que, posicionado sobre um único carro matou em batalha mil Danavas, tendo sua residência em Hiranyapura? Inflamado com cólera, possuidor de grande poder e destreza, incapaz de ser frustrado, aquele guerreiro de braços poderosos, enquanto protegendo seu próprio exército, certamente exterminará tuas tropas! Eu mesmo e o preceptor (Drona) entre os dois exércitos, e nenhum terceiro guerreiro em carro, ó grande rei, podemos avançar contra Dhananjaya, aquele espalhador de chuvas de flechas! Despejando suas flechas, como as próprias nuvens durante a estação chuvosa quando propelidas por ventos poderosos, aquele filho de Kunti tendo Vasudeva como seu segundo marcha para a batalha! Ele é habilidoso e jovem, enquanto nós dois estamos velhos e desgastados!' "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras de Bhishma, e relembrando com o coração trêmulo a bem conhecida coragem dos filhos de Pandu e pensando nisto, como se eles estivesses presentes diante de seus olhos, os braços massivos dos reis, enfeitados com braceletes e cobertos com pasta de sândalo, pareceram pender privados de força.'" 171 "Bhishma disse, 'Todos os cinco filhos de Draupadi, ó monarca, são Maharathas. O filho de Virata, Uttara, é, na minha opinião, um dos principais dos Rathas. Abhimanyu de braços fortes é um líder de líderes de divisões de carros. De fato, aquele matador de inimigos é igual em batalha ao próprio Partha ou Vasudeva. Dotado de grande agilidade de mão em disparar armas, e conhecedor de todos os modos de guerra, ele é possuidor de grande energia e é firme na observância de votos. Lembrando-se dos sofrimentos de seu próprio pai, ele empregará sua destreza. O bravo Satyaki da linhagem de Madhu é um líder de líderes de divisões de carros. Principal entre os heróis da tribo Vrishni, ele é dotado de grande ira, e é perfeitamente destemido. Uttamaujas também, ó rei, é um excelente guerreiro em carro na minha opinião. E Yudhamanyu, também, de grande destreza, é, no meu julgamento, um excelente guerreiro em carro. Todos estes chefes possuem muitos milhares de carros e elefantes e cavalos e eles lutarão, indiferentes às suas próprias vidas, pelo desejo de fazer o que é agradável para os filhos de Kunti. Unindo-se com os Pandavas, ó grande rei, eles passarão impetuosamente entre tuas tropas como o fogo ou o vento, desafiando teus guerreiros. Invencíveis em batalha, aqueles touros entre homens, os idosos Virata e Drupada, ambos dotados de grande coragem, são, na minha opinião, ambos Maharathas. Embora velhos em idade os dois ainda estão dedicados à observância das virtudes Kshatriya. Andando pelo caminho que é trilhado por heróis, ambos se esforçarão com o melhor de seu poder. Por seu relacionamento (com os Pandavas) e devido também, ó rei, a eles serem dotados de força e destreza, aqueles grandes arqueiros dedicados a votos puros têm ambos derivado força adicional da intensidade de sua afeição. Conforme é a causa, todos os homens fortemente armados se tornam, ó touro da raça Kuru, heróis ou covardes. Influenciados por uma unidade de propósito, ambos estes reis, que são arqueiros poderosos, sacrificarão suas próprias vidas ao causarem um grande massacre das tuas tropas com todas as suas forças, ó matador de inimigos! Ferozes em batalha, estes heróis eminentes, estes arqueiros poderosos, indiferentes, ó Bharata, às suas vidas, na vanguarda dos seus respectivos Akshauhinis, realizarão grandes façanhas, justificando seu relacionamento e a confiança que é depositada neles (pelos Pandavas).'" 172 "Bhishma disse, 'Aquele subjugador de cidades hostis, Sikhandin, o filho do rei dos Panchalas, é, ó rei, na minha opinião, um dos principais dos Rathas de Yudhishthira. Tendo renunciado ao seu sexo anterior, ele lutará em batalha e ganhará grande fama, ó Bharata, entre tuas tropas! Ele tem um grande número de tropas, Panchalas e Prabhadrakas, para apoiá-lo. Com aquelas hostes de carros ele realizará grandes façanhas. Dhrishtadyumna também, ó Bharata, o líder de todo o exército de Yudhishthira, aquele poderoso guerreiro em carro que é também um discípulo de Drona, é, ó rei, na minha opinião, um Atiratha. Afligindo todos os inimigos em batalha ele sozinho percorrerá impetuosamente o campo, como o próprio Deus que porta o Pinaka em fúria na ocasião da dissolução universal. Até grandes guerreiros falarão das divisões de carros dele, tão numerosas elas são, como parecidas com o próprio oceano ou aquela dos deuses, em batalha! Kshattradharman, o filho de Dhrishtadyumna, devido a seus poucos anos, como também por sua falta de exercício em armas, é, na minha opinião, ó rei, somente metade de um Ratha. Aquele parente dos Pandavas, o arqueiro poderoso Dhrishtaketu, o filho heróico de Sisupala, o rei dos Chedis, é um Maharatha. Aquele corajoso soberano dos Chedis, ó rei, com seu filho, realizará façanhas que são difíceis até para um Maharatha. Kshattradeva, aquele subjugador de cidades hostis, que é dedicado às virtudes Kshatriya, é, ó grande rei, no meu julgamento, um dos melhores Rathas entre os Pandavas. Aqueles guerreiros corajosos entre os Panchalas, ou seja, Jayanta e Amitaujas e o grande guerreiro em carro Satyajit são todos, ó rei, Maharathas de grande alma. Eles todos, ó senhor, lutarão em batalha como elefantes furiosos. Aja e Bhoja, ambos dotados de grande heroísmo, são ambos Maharathas. Possuidores de grande poder, aqueles dois heróis lutarão pelos Pandavas. Ambos são dotados de grande agilidade de mão no uso de armas. Ambos estão familiarizados com todos os modos de guerra, ambos são bem habilidosos e possuidores de coragem firme. Os cinco irmãos Kshatriya, ó rei, que são difíceis de serem vencidos, e todos os quais têm estandartes vermelho sangue, são principais dos Rathas. Kasika, e Sukumara, e Nila, e aquele outro, Suryadatta, e Sankha, também chamado de Madiraswa, são todos na minha opinião principais dos Rathas. Possuidores de todas as qualificações que os tornam adequados para a batalha, eles conhecem todas as armas, e todos eles são dotados de almas elevadas. Vardhakshemi, ó rei, na minha opinião é um Maharatha. O rei Chitrayudha é, no meu julgamento, um dos melhores Rathas. Ele é, além disso, um ativo em batalha e devotadamente ligado àquele enfeitado com diadema (Arjuna). Aqueles poderosos guerreiros em carros, aqueles tigres entre homens, Chekitana e Satyadhriti, são os dois dos melhores Rathas dos Pandavas na minha opinião. Vyaghradatta, ó monarca, e Chandrasena também, ó Bharata, são sem dúvida dois dos melhores Rathas, como eu penso, dos Pandavas. Senavindu, ó rei, também chamado pelo nome de Krodhahantri, que, ó senhor, é considerado como igual a Vasudeva e Bhimasena, lutará com grande coragem em batalha contra teus guerreiros. De fato, aquele melhor dos reis, que sempre se gaba de suas façanhas em batalha, deve ser considerado por ti exatamente como eu mesmo, Drona e Kripa são considerados por ti! Aquele melhor dos homens, digno de louvor, isto é, Kasya, é dotado de grande agilidade de mão no uso de armas. De fato, aquele subjugador de cidades hostis é conhecido por mim como igual a um Ratha. O filho de Drupada, Satyajit, jovem em idade e que demonstra grande coragem em batalha, deve ser considerado como igual a oito Rathas. De fato, sendo igual a Dhrishtadyumna, ele é um Atiratha. Desejoso de espalhar a fama dos Pandavas, ele realizará atos formidáveis. Dedicado aos Pandavas e dotado de grande coragem, há outro grande Ratha dos Pandavas, ou seja, o rei Pandya, aquele arqueiro de energia imensa. O poderoso arqueiro Dhridadhanwan é outro Maharatha dos Pandavas. Ó subjugador de cidades hostis, aquele principal dos Kurus, ou seja, Srenimat e o rei Vasudeva são ambos, na minha opinião, Atirathas.'" 173 "Bhishma disse, 'Ó grande rei, Rochamana é outro Maharatha dos Pandavas. Ó Bharata, ele lutará em batalha contra guerreiros hostis, como um segundo deus. Aquele subjugador de inimigos, o arqueiro poderoso Kuntibhoja de grande força, o tio materno de Bhimasena, é, na minha opinião, um Atiratha. Aquele arqueiro forte e heróico é bem versado e muito hábil em combate. Familiarizado com todos os modos de guerra, este touro entre os guerreiros em carros é considerado extremamente competente por mim. Mostrando sua coragem ele lutará como um segundo Indra contra os Danavas. Aqueles célebres soldados que ele possui são todos talentosos em luta. Posicionado ao lado dos Pandavas e dedicado ao que é agradável e benéfico para eles, aquele herói, pelos filhos de sua irmã, realizará façanhas extraordinárias. Aquele príncipe dos Rakshasas (Ghatotkacha), ó rei, nascido de Bhima e Hidimva, e dotado de amplos poderes de ilusão, é, na minha opinião, um líder de líderes de divisões de carros. Amoroso de batalha, e dotado de poderes de ilusão, ele, ó rei, lutará seriamente em batalha. Aqueles Rakshasas heróicos que são seus conselheiros ou dependentes também lutarão sob ele. Estes e muitos outros governantes de províncias, encabeçados por Vasudeva, se reuniram pelo filho de Pandu. Estes, ó rei, são principalmente os Rathas, Atirathas, e meio Rathas do Pandava de grande alma, e estes, ó rei, liderarão em batalha o exército terrível de Yudhishthira que é protegido, também, por aquele herói enfeitado com diadema (Arjuna), que é assim como o próprio grande Indra. É com eles (assim) dotados de poderes de ilusão e estimulados pelo desejo de sucesso que eu lutarei em batalha, expectante de vitória ou morte. Eu avançarei contra estes dois principais dos guerreiros em carros, Vasudeva e Arjuna, portando (respectivamente) Gandiva e o disco, e parecendo o sol e a lua como vistos juntos no anoitecer. Eu também enfrentarei, no campo de batalha, aqueles outros guerreiros em carros de Yudhishthira (que eu mencionei) na chefia de suas respectivas tropas. Os Rathas e Atirathas, de acordo com sua precedência, foram agora declarados por mim para ti, e aqueles também que são meio Rathas, pertencentes a ti ou a eles, ó chefe dos Kauravas! A Arjuna e Vasudeva e a outros senhores da terra que possam estar lá, a todos eles sobre quem meu olhar possa cair eu resistirei, ó Bharata! Mas, tu de armas poderosas, eu não atingirei ou matarei Sikhandin o príncipe dos Panchalas, mesmo que eu o veja avançando contra mim em batalha com armas erguidas. O mundo sabe como por um desejo de fazer o que era agradável para meu pai, que eu renunciei ao reino que tinha se tornado meu e vivi na observância do voto Brahmacharya. Eu então instalei Chitrangada na soberania dos Kauravas, fazendo ao mesmo tempo a criança Vichitravirya o Yuvaraja. Tendo notificado meu voto divino entre todos os reis da terra, eu nunca matarei uma mulher ou alguém que era antigamente uma mulher. Pode ser conhecido por ti, ó rei, que Sikhandin antigamente era uma mulher. Tendo nascido como uma filha, ela posteriormente veio a ser transformada (em uma pessoa do) sexo masculino. Ó Bharata, eu não lutarei contra ele. Eu certamente derrotarei todos os outros reis, ó touro da raça Bharata, que eu possa enfrentar em batalha. Eu, no entanto, ó rei, não serei capaz de matar os filhos de Kunti!'" 174 "Duryodhana disse, 'Por que razão, ó chefe dos Bharatas, tu não matarás Sikhandin mesmo que tu o vejas se aproximar de ti como um inimigo com armas erguidas? Tu, ó poderosamente armado, me disseste antigamente, ‘Eu matarei os Panchalas com os Somakas.' Ó filho de Ganga, diga-me, ó avô (a razão da presente reserva).' "Bhishma disse, 'Ouça, ó Duryodhana, a esta história, com todos estes senhores da terra, quanto ao porque eu não matarei Sikhandin mesmo que eu o veja em batalha! Meu pai, Santanu, ó rei, era célebre por todo o mundo. Ó touro da raça Bharata, aquele rei de alma virtuosa pagou sua dívida para a natureza com o tempo. Cumprindo minha promessa, ó chefe dos Bharatas, eu então instalei meu irmão, Chitrangada, no trono do reino extenso dos Kurus. Depois do falecimento de Chitrangada, obediente aos conselhos de Satyavati, eu instalei, de acordo com a ordenança, Vichitravirya como rei. Embora jovem em idade, contudo sendo instalado devidamente por mim, ó monarca, o virtuoso Vichitravirya me consultava em tudo. Desejoso de casá-lo, eu fixei meu coração em obter as filhas de uma família apropriada. (Naquela época) eu soube, ó tu de braços fortes, que três moças, todas inigualáveis em beleza, filhas do soberano de Kasi, de nomes Amva, Amvika, e Amvalika escolheriam maridos para si mesmas, e que todos os reis da terra, ó touro da raça Bharata, tinham sido convidados. Entre aquelas donzelas Amva era a mais velha, Amvika a segunda, enquanto a princesa Amvalika, ó monarca, era a mais nova. Dirigindo-me em um único carro à cidade do soberano de Kasi eu vi, ó tu de braços fortes, as três moças enfeitadas com ornamentos e também todos os reis da terra convidados para lá na ocasião. Então, ó touro da raça Bharata, desafiando para a batalha todos aqueles reis que estavam prontos para o confronto, eu coloquei aquelas moças sobre meu carro e disse repetidamente para todos os reis lá reunidos estas palavras, ‘Bhishma, o filho de Santanu, está levando embora à força estas donzelas. Ó reis, se esforcem todos com o melhor de seu poder para resgatá-las! Pela força eu as levo embora, ó touros entre homens, fazendo vocês espectadores do meu ato!’ A estas palavras minhas aqueles soberanos da terra se levantaram repente com armas desembainhadas. E eles incitaram com raiva os motoristas de seus carros, dizendo, 'Aprontem os carros! Aprontem os carros!' E aqueles monarcas se levantaram para o resgate, com armas desembainhadas; guerreiros em carros sobre seus carros parecendo com massas de nuvens, aqueles que lutavam de elefantes em seus elefantes, e outros em seus corcéis robustos e roliços. Então todos aqueles reis, ó monarca, me cercaram por todos os lados com um grande número de carros. Com uma chuva de flechas eu parei sua investida por todos os lados e os venci como o chefe dos celestiais vencendo hordas de Danavas. Risonhamente, com facilidade eu derrubei os estandartes matizados, adornados com ouro, dos reis que avançavam, com flechas ardentes, ó touro da raça Bharata! Naquele combate eu derrubei seus corcéis e elefantes e motoristas de carros, cada um com uma única flecha. Vendo aquela minha agilidade (de mão), eles desistiram (da luta) e se dividiram. E tendo subjugado todos aqueles soberanos da terra eu voltei para Hastinapura. Eu então, ó tu de armas poderosas, transferi aquelas moças, destinando-as por meus irmãos para Satyavati e relatei a ela tudo o que eu tinha feito.'" "Bhishma disse, 'Então, ó chefe dos Bharatas, me aproximando de minha mãe, aquela filha do clã Dasa, e saudando aquela mãe de heróis, eu disse estas palavras, ‘Tendo derrotado todos os reis, estas filhas do soberano de Kasi, tendo somente a beleza como seu dote, foram sequestradas por mim por causa de Vichitravirya!’ Então, ó rei, Satyavati com olhos banhados em lágrimas, cheirou minha cabeça e disse alegremente, 'Por boa sorte é, ó filho, que tu triunfaste!' Quando em seguida, com o consentimento de Satyavati, as núpcias se aproximaram, a filha mais velha do soberano de Kasi disse estas palavras com grande acanhamento, ‘Ó Bhishma, tu és familiarizado com moralidade e és bem versado em todas as nossas escrituras! Ouvindo minhas palavras, cabe a ti fazer em direção a mim aquilo que é consistente com moralidade. O soberano dos Salwas foi antes disto escolhido mentalmente por mim como meu marido. Por ele também, sem o conhecimento do meu pai, eu fui solicitada em particular. Como, ó Bhishma, nascido especialmente como tu és na família de Kuru, tu violarias as leis de moralidade e farias alguém que anseia por outro viver na tua residência? Sabendo disto, ó touro da raça Bharata, e deliberando na tua mente, cabe a ti, ó de braços fortes, realizar o que é apropriado. Ó monarca, é evidente que o soberano dos Salwas espera (por mim). Cabe a ti, portanto, ó melhor dos Kurus, me permitir partir. Ó poderosamente armado, seja piedoso para mim, ó principal das pessoas virtuosas! Tu, ó herói, és devotado à verdade, isto é bem conhecido por toda a terra!'" 176 "Bhishma disse, 'Eu então coloquei a questão perante (minha mãe) Kali, também chamada Gandhavati, como também todos os nossos conselheiros, e também perante nossos sacerdotes especiais e comuns e então permiti, ó rei, que a mais velha daquelas moças, Amva, partisse. Permitida por mim, aquela moça então foi para a cidade do governante dos Salwas. E ela tinha como sua escolta diversos Brahmanas idosos e estava também acompanhada por sua própria ama. E tendo viajado toda a distância (entre Hastinapura e a cidade de Salwa), ela se aproximou do rei Salwa e disse estas palavras, ‘Eu venho, ó tu de braços fortes, expectante de ti, ó de grande alma!’ Para ela, no entanto, ó rei, o senhor dos Salwas disse com uma risada, 'Ó tu de cor mais formosa, eu não desejo mais fazer uma esposa de ti que eras para estar casada com outro. Portanto, ó abençoada, volte para lá para a presença de Bhishma. Eu não desejo mais a ti que foste raptada à força por Bhishma. De fato, quando Bhishma, tendo vencido os reis, te levou embora, tu o acompanhaste alegremente. Porque tendo humilhado e subjugado todos os reis da terra Bhishma te levou embora eu não te desejo mais, ó tu da cor mais formosa, como uma esposa, a ti que eras para ter sido casada com outro! Como pode um rei como eu, que conhece todos os ramos de conhecimento e que prescreve leis para orientação de outros, admitir (em sua residência) uma mulher que era para estar casada com outro? Ó dama abençoada, vá para onde quer que tu queiras, sem gastares teu tempo em vão!' Ouvindo estas palavras dele, Amva então, ó rei, afligida pelas flechas do deus do amor, se dirigiu a Salwa, dizendo, 'Não fale dessa maneira, ó senhor da terra, pois isto não é assim! Ó opressor de inimigos, eu não estava alegre quando levada embora por Bhishma! Ele me levou à força, tendo derrotado todos os reis, e eu estava chorando o tempo todo. Uma moça inocente que eu sou e afeiçoada a ti, aceite-me, ó senhor dos Salwas! O abandono (por alguém) daqueles que são afeiçoados (a ele) nunca é aprovado nas escrituras. Tendo solicitado o filho de Ganga que nunca se retira da batalha, e tendo finalmente obtido sua permissão, eu venho a ti! De fato, Bhishma de braços fortes, ó rei, não me deseja! Foi sabido por mim que sua ação (nesta questão) foi por causa de seu irmão. Minhas duas irmãs Amvika e Amvalika, que foram sequestradas comigo ao mesmo tempo, ó rei, foram concedidas pelo filho de Ganga ao seu irmão mais novo Vichitravirya! Ó senhor dos Salwas, eu juro, ó tigre entre homens, por tocar minha própria cabeça que eu nunca pensei em algum outro marido exceto tu! Eu, ó grande rei, não venho a ti como alguém que devia estar casada com outro! Eu te digo a verdade, ó Salwa, realmente jurando por minha alma! Me aceite, ó tu de olhos grandes, a mim, uma donzela que vem a ti por iniciativa própria, que não é noiva de outro, desejosa da tua graça!' Embora ela falasse dessa maneira, Salwa, no entanto, ó chefe dos Bharatas, rejeitou aquela filha do soberano de Kasi, como uma cobra rejeitando sua pele. De fato, embora aquele rei fosse fervorosamente solicitado com diversas expressões tais como essas, o senhor dos Salwas, contudo, ó touro da raça Bharata, não manifestou qualquer inclinação para aceitar a moça. Então a filha mais velha do soberano de Kasi, cheia de raiva, e com seus olhos banhados em lágrimas, disse estas palavras com uma voz sufocada com lágrimas e angústia, 'Rejeitada, ó rei, por ti, para onde quer que eu possa ir, os virtuosos serão meus protetores, pois a verdade é indestrutível!' "Foi assim, ó tu da família de Kuru, que o senhor dos Salwas rejeitou aquela moça que se dirigiu a ele em linguagem tal como essa e que estava soluçando em aflição tão ternamente. ‘Vá! Vá!’ Foram as palavras que Salwa disse a ela repetidamente. ‘Eu estou com medo de Bhishma, ó tu de quadris formosos, tu és captura de Bhishma!’ Assim endereçada por Salwa desprovido de previdência, aquela moça saiu de sua cidade tristemente e lamentando como uma águia pescadora.'" 177 "Bhishma disse, 'Saindo da cidade, Amva refletiu tristemente dessa maneira: 'Não há no mundo inteiro uma mulher jovem em tal situação miserável como eu! Ai, sem amigos, eu fui rejeitada por Salwa também! Eu não posso voltar à cidade que recebeu o nome de elefante, pois eu fui permitida por Bhishma deixar aquela cidade, expectante de Salwa! Quem então eu culparei? Eu mesma? Ou o invencível Bhishma? Ou, aquele meu pai tolo que fez arranjos para minha escolha de marido? Talvez, isto seja minha própria falha! Por que eu não saltei na frente do carro de Bhishma, quando aconteceu aquela batalha violenta, para ir até Salwa? Que eu esteja tão atormentada agora, como se privada de minha razão, é o resultado daquela minha omissão! Amaldiçoado seja Bhishma! Amaldiçoado seja meu próprio pai infeliz de mente insensata, que tinha arranjado destreza como meu dote, me mandando sair como se eu fosse uma mulher (disposta) por um pagamento! Amaldiçoada seja eu mesma! Amaldiçoado seja o próprio rei Salwa e amaldiçoado seja meu criador também! Amaldiçoados sejam aqueles por cuja falha tal grande miséria é minha! Seres humanos sempre sofrem o que está destinado para eles. A causa, no entanto, da minha presente aflição é Bhishma, o filho de Santanu; eu, portanto, vejo que no momento minha vingança deve cair sobre ele, ou por austeridades ascéticas ou por batalha, pois ele é a causa da minha dor! Mas que rei ousaria derrotar Bhishma em batalha?’ Tendo decidido isso, ela saiu da cidade para ir para um retiro de ascetas de grande alma de feitos virtuosos. À noite ela ficou lá, cercada por aqueles ascetas. E aquela dama de sorrisos doces disse àqueles ascetas, ó Bharata, tudo o que tinha acontecido a ela com os mínimos detalhes, ó poderosamente armado, sobre seu sequestro, e sua rejeição por Salwa. Vivia lá naquele retiro um Brahmana eminente de votos rígidos, e seu nome era Saikhavatya. Dotado de mérito ascético de uma ordem elevada, ele era um preceptor das escrituras e dos Aranyakas. E o sábio Saikhavatya, de grande mérito ascético se dirigiu àquela donzela aflita, àquela moça casta suspirando pesadamente em angústia, e disse, 'Se isto foi assim, ó dama abençoada, o que podem ascetas de grande alma, residindo em seus retiros (arborizados) e engajados em penitências, fazer?' Aquela moça, no entanto, ó rei, respondeu a ele, dizendo, 'Que piedade seja mostrada por mim; eu desejo uma vida nas florestas, tendo renunciado ao mundo. Eu praticarei as mais severas das austeridades ascéticas. Tudo o que eu sofro agora é certamente o fruto daqueles pecados que eu cometi por ignorância na minha vida anterior. Eu não ouso voltar para meus parentes, ó ascetas, rejeitada e triste como estou sabendo que eu fui humilhada por Salwa! Vocês que têm purificado seus pecados, divinos como vocês são, eu desejo que vocês me instruam em penitência ascética! Oh, que piedade seja mostrada por mim!' Assim endereçado, aquele sábio então consolou a moça por exemplos e fundamentos tirados das escrituras. E a tendo consolado dessa maneira, ele prometeu, com os outros Brahmanas, fazer o que ela desejava.'" 178 "Bhishma disse, 'Aqueles ascetas virtuosos então iniciaram suas ocupações usuais, pensando todo o tempo quanto ao que eles deviam fazer por aquela moça. E alguns entre eles disseram, 'Que ela seja levada para a residência de seu pai.' E alguns entre eles colocaram seus corações em nos repreender. E alguns pensaram que se dirigindo ao governante dos Salwas, ele deveria ser solicitado a aceitar a moça. E alguns disseram, 'Não, isso não deve ser feito, pois ela foi rejeitada por ele.' E depois que algum tempo tinha passado dessa maneira, aqueles ascetas de votos rígidos mais uma vez disseram a ela, 'O que, ó dama abençoada, podem ascetas com sentidos sob controle fazer? Não te dedique a uma vida nas florestas, renunciando ao mundo! Ó dama abençoada, escute a estas palavras que são benéficas para ti! Parta daqui, abençoada sejas, para a mansão do teu pai! O rei, teu pai, fará o que deve ser feito em seguida. Ó auspiciosa, cercada por todo conforto, tu podes viver lá em felicidade. Tu és uma mulher! No momento, portanto, ó abençoada, tu não tens outro protetor exceto teu pai. Ó tu da cor mais formosa, em relação a uma mulher, ela tem seu pai ou seu marido como seu protetor. Seu marido é seu protetor quando ela está em circunstâncias confortáveis, mas quando mergulhada em miséria ela tem seu pai como seu protetor. Uma vida nas florestas é extremamente dolorosa, especialmente para alguém que é delicado. Tu és uma princesa por nascimento; além disso tu és, também, muito delicada, ó dama bela! Ó dama abençoada, há numerosos desconfortos e dificuldades ligados a uma vida em um retiro (nas florestas), nenhum dos quais, ó tu da compleição mais formosa, tu terás que suportar na residência do teu pai!' Outros ascetas, vendo aquela moça desamparada disseram a ela, 'Vendo a ti sozinha nas florestas profundas e solitárias, reis podem te cortejar! Portanto, não coloque teu coração em tal conduta!' "Ouvindo estas palavras Amva disse, 'Eu sou incapaz de voltar para a residência do meu pai na cidade de Kasi, pois sem dúvida eu então serei desrespeitada por todos os meus parentes. Ó ascetas, eu vivi lá, na residência do meu pai, durante minha infância. Eu não posso, portanto, ir agora para lá onde meu pai está. Protegida pelos ascetas, eu desejo praticar austeridades ascéticas, para que mesmo em minha vida futura tais aflições dolorosas não possam ser minhas! Ó melhores dos ascetas, eu desejo, portanto, praticar austeridades ascéticas!' "Bhishma continuou, 'Quando aqueles Brahmanas estavam pensando assim sobre ela chegou lá naquela floresta aquele melhor dos ascetas, o sábio real Hotravahana. Então aqueles ascetas reverenciaram o rei com culto, perguntas de boas-vindas e cortesia, um assento, e água. E depois que ele estava sentado e tinha descansado por um tempo, aqueles habitantes da floresta mais uma vez começaram a se dirigir àquela moça na audição daquele sábio real. Ouvindo a história de Amva e do rei de Kasi, aquele sábio nobre de grande energia ficou muito ansioso. Ouvindo ela falar daquela maneira, e vendo-a (angustiada), aquele sábio real de austeridades rígidas, Hotravahana de grande alma, ficou cheio de compaixão. Então, ó senhor, aquele avô materno dela se ergueu com corpo trêmulo e fazendo aquela moça sentar em seu colo, começou a confortá-la. Ele então perguntou a ela em detalhes acerca daquela sua aflição desde seu início. E ela, por isso, explicou a ele minuciosamente tudo o que tinha acontecido. Ouvindo tudo o que ela disse, o sábio real estava cheio de compaixão e dor. E aquele grande sábio decidiu o que ela faria. Tremendo de agitação ele se dirigiu à moça aflita mergulhada em infortúnio, dizendo, 'Não volte para a residência do teu pai, ó moça abençoada! Eu sou o pai da tua mãe. Eu dissiparei tua dor. Confie em mim, ó filha! Grande, de fato, deve ser tua aflição porque tu estás muito emaciada! Por meu conselho, vá até o asceta Rama, o filho de Jamadagni. Rama dissipará esta tua grande aflição e dor. Ele matará Bhishma em batalha se o último não obedecer sua ordem. Vá, portanto, até aquele principal da linhagem de Bhrigu que parece o próprio fogo do Yuga em energia! Aquele grande asceta te colocará novamente no caminho correto!' Ouvindo isso, aquela donzela, derramando lágrimas todo o tempo, saudou seu avô materno, Hotravahana, com uma inclinação de sua cabeça e se dirigiu a ele, dizendo, 'Eu irei por tua ordem! Mas eu conseguirei ver aquele senhor venerável célebre pelo mundo? Como ele dissipará esta minha aflição pungente? E como eu irei até aquele descendente de Bhrigu? Eu desejo saber tudo isto.' "Hotravahana disse, 'Ó donzela abençoada, tu verás o filho de Jamadagni, Rama, que é devotado à verdade e dotado de grande poder e engajado em penitências austeras na grande floresta. Rama sempre mora naquela principal das montanhas chamada Mahendra. Muitos Rishis, versados nos Vedas, e muitos Gandharvas e Apsaras também moram lá. Vá, abençoada sejas tu, e diga a ele estas palavras minhas, tendo saudado com tua cabeça inclinada aquele sábio de votos rígidos e grande mérito ascético. Diga a ele também, ó moça abençoada, tudo o que tu procuras. Se tu me mencionares, Rama fará tudo por ti, pois Rama, o filho heróico de Jamadagni, aquele principal de todos os manejadores de armas, é um amigo meu muito satisfeito comigo, e sempre me deseja bem!' E enquanto o rei Hotravahana estava dizendo tudo isso para aquela moça, apareceu lá Akritavrana, um companheiro caro de Rama. E na sua chegada aqueles Munis às centenas, e o rei Srinjaya Hotravahana, velhos em idade, ficaram todos de pé. E aqueles habitantes da floresta, se reunindo, fizeram a ele todos os ritos de hospitalidade. E eles todos tomaram seus assentos o circundando. E cheios, ó monarca, com satisfação e alegria, eles então iniciaram vários assuntos de conversa agradáveis, louváveis, e encantadores. E depois que sua conversa tinha acabado, aquele sábio real, Hotravahana de grande alma, questionou Akritavrana acerca de Rama, aquele principal dos grandes sábios, dizendo, 'Ó tu de braços poderosos, onde, ó Akritavrana, aquela mais importante das pessoas conhecedoras dos Vedas, ou seja, o filho de Jamadagni de grande bravura, pode ser visto?' Akritavrana respondeu a ele dizendo, 'Ó senhor, Rama sempre fala de ti, ó rei, dizendo, ‘Aquele sábio real dos Srinjayas é meu caro amigo;’ Eu acredito que Rama estará aqui amanhã de manhã. Tu o verás aqui mesmo quando ele chegar para te ver. Em relação a esta moça, por que, ó sábio real, ela veio para a floresta? De quem é ela, e o que ela é para ti? Eu desejo saber tudo isso.' Hotravahana disse, 'A filha favorita do soberano de Kasi, ela é, ó senhor, filha da minha filha! Filha mais velha do rei de Kasi, ela é conhecida pelo nome de Amva. Junto com suas duas irmãs mais novas, ó impecável, ela estava no meio de suas cerimônias Swayamvara. Os nomes de suas duas irmãs mais jovens são Amvika e Amvalika, ó tu dotado de riqueza de ascetismo! Todos os reis Kshatriya da terra estavam reunidos na cidade de Kasi. E, ó Rishi regenerado, grandes festividades estavam acontecendo lá por causa (da escolha própria) daquelas donzelas. No meio destas, o filho de Santanu, Bhishma, de coragem imensa, desconsiderando todos os reis, sequestrou as moças. Derrotando todos os monarcas, o príncipe Bhishma de alma pura da família de Bharata então alcançou Hastinapura, e relatando tudo para Satyavati, ordenou que o casamento de seu irmão Vichitravirya se realizasse com as moças que ele tinha trazido. Vendo concluídos os arranjos para aquelas núpcias, esta donzela, ó touro entre Brahmanas, então se dirigiu ao filho de Ganga na presença de seus ministros e disse, ‘Eu, ó herói, dentro do meu coração escolhi o senhor dos Salwas para ser meu marido. Como tu és familiarizado com moralidade, não cabe a ti me entregar para teu irmão, cujo coração está entregue para outro!’ Ouvindo estas palavras dela, Bhishma se aconselhou com seus ministros. Deliberando sobre o assunto, ele, finalmente, com o consentimento de Satyavati, dispensou esta donzela. Permitida assim por Bhishma, esta moça se dirigiu alegremente para Salwa, o senhor de Saubha, e se aproximando dele disse, ‘Eu fui dispensada por Bhishma. Cuide para que eu não me desvie da virtude! No meu coração, eu escolhi a ti como meu marido, ó touro entre reis.’ Salwa, no entanto, a rejeitou, suspeitando da pureza de seu comportamento. Ela mesma veio para estas florestas, sagradas para ascetismo, estando ardentemente inclinada a se dedicar a penitências ascéticas! Ela foi reconhecida por mim a partir do relato que ela deu de sua ascendência. Em relação à sua tristeza, Bhishma é considerado por ela como sua origem!' Depois que Hotravahana tinha cessado, a própria Amva disse, 'Ó santo, é assim mesmo como este senhor da terra, este criador do corpo da minha mãe, Hotravahana da linhagem Srinjaya, disse. Eu não posso ousar voltar para minha própria cidade, ó tu que és dotado de riqueza de ascetismo, por vergonha e medo de ignomínia, ó grande Muni! No momento, ó santo, esta mesma é minha determinação, isto é, que será meu maior dever aquilo que o santo Rama, ó melhor dos Brahmanas, puder indicar para mim!'" 179 "Akritavrana disse, 'Destas tuas duas aflições, para qual, ó dama abençoada, tu procuras um remédio? Diga-me isto. É teu desejo que o senhor de Saubha seja incitado a se casar contigo? Rama de grande alma certamente o incitará pelo desejo de te fazer bem. Ou, se tu desejares ver o filho de Ganga, Bhishma, derrotado em batalha pelo inteligente Rama, Bhargava satisfará até este desejo teu. Ouvindo o que Srinjaya tem a dizer, e o que tu também, ó tu de doces sorrisos, possa ter a dizer, que seja decidido hoje mesmo o que deve ser feito por ti.' Ouvindo essas palavras, Amva disse, 'Ó santo, eu fui sequestrada por Bhishma agindo por ignorância, pois, ó regenerado, Bhishma não sabia que meu coração tinha sido entregue para Salwa. Pensando nisto em tua mente, que seja decidido por ti aquilo que é compatível com justiça, e que passos sejam dados para realizar aquela decisão. Faça, ó Brahmana, o que é apropriado para ser feito em direção ou àquele tigre entre os Kurus, Bhishma, sozinho, ou em direção ao soberano dos Salwas, ou em direção a ambos! Eu te falei verdadeiramente sobre a causa da minha dor. Cabe a ti, ó santo, fazer aquilo que é consistente com a razão.' "Akritavrana disse, 'Isto, ó dama abençoada, ó tu da cor mais formosa, que tu dizes com olhos fixos na virtude, é, de fato, digno de ti. Ouça, no entanto, o que eu digo! Se o filho de Ganga nunca tivesse te levado para a cidade que recebeu o nome de elefante, então, ó moça tímida, Salwa teria, por ordem de Rama, te colocado sobre sua cabeça! É porque Bhishma te levou embora à força que as suspeitas do rei Salwa foram despertadas a respeito de ti, ó tu de cintura fina! Bhishma é orgulhoso de sua coragem e é coroado com sucesso. Portanto, tu deves fazer tua vingança cair sobre Bhishma (e nenhum outro)!' Ouvindo estas palavras do sábio, Amva disse, 'Ó regenerado, este desejo tem sido nutrido por mim também no meu coração, isto é, que, se possível, Bhishma deve ser feito por mim ser morto em batalha! Ó tu de braços fortes, seja Bhishma ou seja o rei Salwa, puna aquele homem a quem tu pensas ser culpado e por causa de cujo ato eu tenho sido tão miserável!' "Bhishma continuou, 'Em conversação tal como esta aquele dia passou e a noite também, ó melhor da linhagem de Bharata, com sua brisa deliciosa que não era nem fria nem quente. Então Rama apareceu lá, brilhando com energia. E aquele sábio usando madeixas emaranhadas em sua cabeça e vestido em peles de veado estava cercado por seus discípulos. E dotado de alma magnânima, ele tinha seu arco na mão. E levando também uma espada e um machado de batalha, aquele impecável, ó tigre entre reis, se aproximou do rei Srinjaya (Hotravahana) naquela floresta. E os ascetas que moravam lá e aquele rei também que era dotado de grande mérito ascético, vendo ele, todos se levantaram e esperaram, ó rei, com mãos unidas. E aquela moça desamparada também fez o mesmo. E eles todos alegremente adoraram Bhargava com a oferta de mel e coalhos. Sendo adorado devidamente por eles, Rama sentou-se com eles sentados em volta dele. Então, ó Bharata, o filho de Jamadagni e Hotravahana, sentados assim juntos, começaram a conversar. E depois que sua conversa tinha acabado, o sábio Hotravahana oportunamente disse em uma voz gentil estas palavras de grave significado para aquele mais importante da linhagem de Bhrigu, Rama de força imensa, 'Ó Rama, esta é filha da minha filha, ó senhor, sendo a filha do rei de Kasi. Ela tem algo a ser feito por ela! Oh, escute a isto devidamente, ó tu que és hábil em todas tarefas!' Ouvindo estas palavras de seu amigo, Rama se dirigiu àquela donzela e disse, 'Diga-me o que tu tens a dizer.' A estas palavras, Amva se aproximou de Rama que parecia com um fogo ardente, e reverenciando seus pés com sua cabeça inclinada, tocou-os com suas mãos que pareciam, em radiância, com um par de lótus e ficou silenciosamente diante dele. E cheia de aflição, ela chorou alto, seus olhos banhados em lágrimas. E ela então procurou a proteção daquele descendente de Bhrigu que era o refúgio de todas as pessoas aflitas. E Rama disse, 'Diga-me qual dor está no teu coração. Eu agirei de acordo com tuas palavras!' Assim encorajada, Amva disse, 'Ó tu de votos grandiosos, ó santo, hoje eu procuro tua proteção! Ó senhor, tire-me deste oceano insondável de tristeza.' "Bhishma continuou, 'Vendo sua beleza e seu corpo jovem e sua grande delicadeza, Rama começou a pensar, ‘O que ela dirá?’ E aquele perpetuador da linhagem de Bhrigu, pensando interiormente sobre isto, ficou muito tempo em silêncio, cheio de compaixão. Ele então se dirigiu novamente àquela moça de sorrisos doces, dizendo, 'Nos diga o que tu tens a dizer.' Assim encorajada, ela relatou tudo verdadeiramente para Bhargava. E o filho de Jamadagni, ouvindo as palavras da princesa, e tendo primeiro decidido o que ele deveria fazer, se dirigiu àquela donzela da cor mais formosa, dizendo, 'Ó dama bela, eu enviarei ordem para Bhishma, aquele principal da família Kuru. Tendo ouvido qual é minha ordem, aquele rei certamente a obedecerá. Se, no entanto, o filho de Jahnavi não agir segundo minhas palavras, eu então o destruirei em batalha, ó moça abençoada, com todos os seus conselheiros! Ou, ó princesa, se tu desejares, eu posso até me dirigir ao soberano heróico dos Salwas a respeito do assunto à mão.' Ouvindo estas palavras de Rama, Amva disse, 'Eu fui dispensada por Bhishma, ó filho da linhagem de Bhrigu, logo que ele soube que meu coração tinha sido anteriormente entregue livremente ao governante dos Salwas. Me aproximando então do senhor de Saubha, eu me dirigi a ele em linguagem que era inconveniente. Duvidoso da pureza da minha conduta, ele se recusou a me aceitar. Refletindo sobre tudo isso, com a ajuda da tua própria compreensão, cabe a ti, ó filho da família de Bhrigu, fazer aquilo que deve ser feito em vista dessas circunstâncias. Bhishma, no entanto, de votos grandiosos é a causa do meu infortúnio, pois ele me trouxe sob seu poder me colocando (sobre seu carro) por meio de violência! Mate aquele Bhishma, ó tu de armas poderosas, por cuja causa, ó tigre da linhagem de Bhrigu, subjugada por semelhante desgraça, eu sofro tal tristeza pungente! Bhishma, ó tu da família de Bhrigu, é cobiçoso, e vil, e orgulhoso de sua vitória. Portanto, ó impecável, tu deves dar a ele o que ele merece. Enquanto, ó senhor, eu estava sendo sequestrada por ele, este mesmo era o desejo que eu nutri em meu coração, ou seja, que eu deveria fazer aquele herói de grande votos ser morto. Portanto, ó impecável Rama, satisfaça este meu desejo! Ó tu de armas poderosas, mate Bhishma, assim como Purandara matou Vritra.'" 180 "Bhishma disse, 'Ó senhor, repetidamente incitado por aquela donzela a matar Bhishma, Rama respondeu para aquela moça chorosa dizendo, 'Ó filha de Kasi, ó tu da cor mais formosa, eu, por qualquer motivo, não faço uso de armas agora exceto por causa daqueles que estão familiarizados com os Vedas. Diga-me, portanto, o que mais eu posso fazer por ti? Bhishma e Salwa são, ó princesa, muito obedientes a mim. Não sofra, eu realizarei teu objetivo. Eu, no entanto, ó dama bela, não utilizarei armas, exceto por ordem de Brahmanas. Esta tem sido minha regra de conduta.' "Amva disse, 'Minha tristeza, ó santo, deve de qualquer maneira ser dissipada por ti. Esta minha miséria foi causada por Bhishma. Mate-o, portanto, ó senhor, sem muita demora.' "Rama disse, 'Ó filha de Kasi, diga somente a ordem e Bhishma, embora merecedor de reverência de ti, irá, por minha ordem, colocar teus pés sobre sua cabeça!' "Amva disse, 'Ó Rama, mate em batalha aquele Bhishma que ruge como um Asura. De fato, convocado para o confronto (por ele), mate-o, ó Rama, se tu desejas (fazer) o que é agradável para mim. Cabe a ti, além disso, fazer verdadeira tua promessa.' "Bhishma continuou, 'Enquanto, ó rei, Rama e Amva estavam conversando dessa maneira entre si, o Rishi (Akritavrana) de alma muito virtuosa disse essas palavras, 'Não cabe a ti, ó poderosamente armado, abandonar esta moça que procura tua proteção! Se convocado para lutar Bhishma vier para o confronto e disser ‘Eu estou derrotado’, ou se ele obedecer tuas palavras, então aquilo que está moça procura será realizado, ó filho da linhagem de Bhrigu, e as palavras faladas por ti, ó herói, também, ó senhor, serão verdadeiras! Este também foi, ó grande Muni, o voto então feito por ti, ó Rama, a promessa feita por ti diante de Brahmanas depois que tu tinhas conquistado todos os Kshatriyas, ou seja, que tu matarias em batalha a pessoa, fosse ela um Brahmana, um Kshatriya, um Vaisya, ou um Sudra, que fosse um inimigo para os Brahmanas. Tu em seguida prometeste que enquanto tu vivesses tu não abandonarias aqueles que fossem a ti com medo e procurassem tua proteção, e que tu, ó Bhargava, matarias aquele guerreiro orgulhoso que derrotasse em batalha todos os Kshatriyas da terra reunidos! Ó Rama, o próprio Bhishma, aquele perpetuador da linhagem de Kuru, alcançou tal sucesso (sobre todos os Kshatriyas)! Aproximando-te dele, ó filho da linhagem de Bhrigu, enfrente-o agora em combate!' "Rama disse, 'Ó melhor dos Rishis, eu me lembro daquela minha promessa feita antes. Eu, no entanto (no caso atual) farei aquilo que a conciliação possa indicar. Essa tarefa que a filha de Kasi tem em sua mente é grave, ó Brahmana! Levando esta moça comigo, eu irei para o lugar onde Bhishma está. Se Bhishma, orgulhoso de suas realizações em batalha, não obedecer minha ordem, eu então matarei aquele indivíduo arrogante. Esta mesma é minha resolução fixa. As flechas disparadas por mim não se fixam nos corpos das criaturas incorporadas (mas passam através deles). Isto é sabido por vocês a partir do que vocês viram em meus confrontos com os Kshatriyas!' Tendo dito isso, Rama então, junto com todos aqueles buscadores de Brahma, resolveu partir daquele retiro, e o grande asceta então se levantou de seu assento. Então aqueles ascetas, passando aquela noite lá, realizaram (na manhã seguinte) seus ritos homa e recitaram suas orações. E então eles todos partiram, desejosos de tirar minha vida. E Rama, acompanhado por todos aqueles devotos de Brahma, então veio para Kurukshetra, ó monarca, com aquela donzela, ó Bharata, em sua companhia. E aqueles ascetas de grande alma, com aquele principal da linhagem de Bhrigu na dianteira, tendo chegado nas margem da corrente do Saraswati, se aquartelaram lá.'" 181 "Bhishma disse, 'Depois que ele tinha se aquartelado lá, no terceiro dia, ó rei, o filho de Jamadagni de votos superiores enviou uma mensagem para mim, dizendo, 'Eu cheguei aqui, faça o que é agradável para mim.' Sabendo que Rama, de grande poder, tinha chegado aos confins do nosso reino, eu fui rapidamente com o coração alegre até aquele mestre que era um oceano de energia. E eu fui até ele, ó rei, com uma vaca colocada na frente da minha comitiva, e acompanhado por muitos Brahmanas e sacerdotes (comuns da nossa família), e por outros, parecendo os próprios deuses em esplendor, empregados por nós em ocasiões especiais. E me vendo chegado em sua presença, o filho de Jamadagni, de grande destreza aceitou o culto que eu ofereci a ele e disse essas palavras para mim.' "Rama disse, 'Tu mesmo desprovido de desejo, com que disposição de mente, ó Bhishma, tu sequestraste, na ocasião da sua própria escolha (de marido), a filha do rei de Kasi e, além disso, a dispensaste posteriormente? Por ti esta dama famosa foi dissociada da virtude! Contaminada pelo toque das tuas mãos antes, quem poderia se casar com ela agora? Ela foi rejeitada por Salwa porque tu, ó Bharata, a sequestraste. Aceite-a, portanto, para ti mesmo, ó Bharata, por minha ordem. Que esta filha de um rei, ó tigre entre homens, seja encarregada com os deveres de seu sexo! Ó rei, ó impecável, não é apropriado que esta humilhação seja dela!’ Vendo-o mergulhado em tristeza (por causa da donzela) eu disse a ele, ‘Ó Brahmana, eu não posso, de maneira nenhuma, entregar esta moça ao meu irmão. Ó tu da linhagem de Bhrigu, foi para mim mesmo que ela disse, ‘Eu sou de Salwa!’ E foi por mim que ela foi permitida ir para a cidade de Salwa. Em relação a mim mesmo, é meu firme voto que eu não posso abandonar as práticas Kshatriya por medo ou compaixão, ou cobiça de riqueza, ou luxúria!’ Ouvindo estas minhas palavras, Rama se dirigiu a mim, com olhos rolando de raiva, dizendo, 'Se, ó touro entre homens, tu não agires de acordo com minhas palavras, eu te matarei hoje mesmo junto com todos os teus conselheiros!' De fato, com olhos rolando de raiva, Rama em grande ira me disse estas palavras repetidamente. Eu, no entanto, ó castigador de inimigos, então o supliquei em palavras gentis. Mas embora suplicado por mim, ele não se acalmou. Reverenciando com minha cabeça aquele melhor dos Brahmanas eu então perguntei dele a razão pela qual ele procurava lutar comigo. Eu também disse, ‘Ó tu de armas poderosas, quando eu era uma criança foste tu que me instruíste nas quatro espécies de armas. (A ciência de armas (Dhanurveda), classifica armas sob quatro categorias, ou seja, Mukta, Amukta, Muktamukta, e Yantramukta. Uma arma Mukta é uma que é lançada da mão, como um disco. Uma Amukta não é lançada da mão, como uma espada. Uma Muktamukta é uma que é às vezes arremessada e às vezes não, como uma maça. Uma Yantramukta é uma disparada de um mecanismo, como uma flecha ou uma bala. Todas as armas Mukta são Astras, enquanto todas as Amukta são chamadas de sastras.) Eu sou, portanto, ó tu da linhagem de Bhrigu, teu discípulo!’ Então Rama me respondeu com olhos vermelhos de raiva, 'Tu me reconheces, ó Bhishma, como teu preceptor, e, contudo, ó Kauravya, tu não aceitas, para agradar a mim, esta filha do soberano de Kasi! Ó encantador dos Kurus, eu não posso ser satisfeito a menos que tu ajas dessa maneira! Ó poderosamente armado, aceite esta moça e preserve tua linhagem! Tendo sido sequestrada por ti, ela não obteve um marido.’ Para Rama, aquele subjugador de cidades hostis, eu respondi, dizendo, ‘Isto não pode ser, ó Rishi regenerado! Todo o teu trabalho é inútil. Ó filho de Jamadagni, lembrando-me do teu antigo cargo de preceptor, eu estou me esforçando, ó santo, para te gratificar! Com relação a esta moça, ela foi recusada por mim antes sabendo quais são as imperfeições, produtivas de grandes males, do sexo feminino; quem admitiria em sua residência uma mulher cujo coração é de outro e que, (por causa disso) é assim como uma cobra de veneno virulento? Ó tu de votos elevados, nem por medo de Vasava eu abandonaria o dever! Seja bondoso para mim, ou faça a mim sem demora aquilo que tu achas apropriado. Este sloka também, ó tu de alma pura, é ouvido nos Puranas, ó senhor, cantado por Marutta de grande alma, ó tu de grande inteligência! ‘É sancionada pela ordenança a renúncia de um preceptor que é cheio de vaidade, que é desprovido do conhecimento do certo e errado, e que está trilhando um caminho errôneo.’ Tu és meu preceptor e é por isso que eu por amor tenho te reverenciado imensamente. Tu, no entanto, não conheces o dever de um preceptor, e é por isso que eu lutarei contigo. Eu não mataria algum preceptor em batalha, especialmente também um Brahmana, e mais especialmente alguém dotado de mérito ascético. É por isto que eu te perdôo. É verdade bem conhecida, dedutível das escrituras, que não é culpado de matar um Brahmana quem mata em batalha uma pessoa daquela ordem que utiliza armas como Kshatriya e luta colericamente sem procurar fugir. Eu sou um Kshatriya colocado na prática dos deveres Kshatriya. Uma pessoa não incorre em pecado, nem atrai sobre si algum mal por se comportar em direção a uma pessoa exatamente como aquela pessoa merece. Quando uma pessoa familiarizada com as propriedades de hora e lugar, e bem versada em questões concernentes a lucro e virtude se sente duvidosa com relação a alguma coisa, ela deve sem escrúpulos de qualquer tipo se dedicar à aquisição de virtude que concederá o maior benefício a ela. E já que tu, ó Rama, em uma questão ligada com lucro de retidão duvidosa ages injustamente, eu certamente lutarei contigo em um grande combate. Veja a força de meus braços e minha destreza que é sobre-humana! Em vista de tais circunstâncias, eu certamente farei, ó filho de Bhrigu, o que eu puder. Eu lutarei contigo, ó regenerado, no campo de Kurukshetra! Ó Rama de grande refulgência, equipe-te como tu desejares para duelar! Venha e te coloque no campo de Kurukshetra onde, afligido com minhas flechas em grande batalha, e santificado por minhas armas, tu poderás alcançar aquelas regiões que foram ganhas por ti (através de tuas austeridades). Ó tu de braços poderosos e riqueza de ascetismo, lá eu me aproximarei de ti para combate, de ti que gostas tanto de combate! Lá, ó Rama, onde antigamente tu propiciaste teus antepassados (falecidos com oblações de sangue Kshatriya), matando-te lá, ó filho de Bhrigu, eu propiciarei os Kshatriyas mortos por ti! Vá lá, ó Rama, sem demora! Lá, ó tu que és difícil de ser vencido, eu refrearei teu velho orgulho sobre o qual os Brahmanas falam! Por muitos longos anos, ó Rama, tu te gabaste, dizendo, ‘Eu, sozinho, venci todos os Kshatriyas da Terra!’ Ouça agora o que te permitiu ceder àquela jactância! Naqueles dias Bhishma não era nascido, ou algum Kshatriya semelhante a Bhishma! Kshatriyas realmente dotados de valor tomaram seus nascimentos mais tarde! Com relação a ti mesmo, tu consumiste somente pilhas de palha! A pessoa que facilmente abrandará teu orgulho de batalha nasceu desde então! Ele, ó poderosamente armado, não é outro a não ser eu mesmo, o próprio Bhishma, este subjugador de cidades hostis! Sem dúvida, ó Rama, eu sozinho suprimirei teu orgulho de combate!' "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas minhas palavras, Rama se dirigiu a mim, dizendo risonhamente, 'Por boa sorte é, ó Bhishma, que tu desejas lutar comigo em batalha! Ó tu da família de Kuru, agora mesmo eu vou contigo para Kurukshetra! Eu farei o que tu disseste! Vá para lá, ó castigador de inimigos! Que tua mãe, Jahnavi, ó Bhishma, te veja morto naquela planície, perfurado com minhas flechas, e te tornares o alimento de urubus, corvos, e outras aves carnívoras! Que aquela deusa adorada por Siddhas e Charanas, aquela filha abençoada de Bhagiratha, na forma de um rio, que gerou tua pessoa pecaminosa, chore hoje, ó rei, vendo-te morto por mim e jazendo miserável sobre aquela planície, embora ela não seja merecedora de ver tal visão! Venha, ó Bhishma, e siga-me, ó indivíduo orgulhoso, sempre desejoso de batalha! Ó tu da linhagem de Kuru, leve contigo, ó touro da linha de Bharata, teus carros e todos os outros equipamentos de batalha!' Ouvindo estas palavras de Rama, aquele subjugador de cidades hostis, eu o reverenciei com uma inclinação de minha cabeça e respondi a ele, dizendo, ‘Assim seja!’ Tendo dito tudo isso, Rama então foi para Kurukshetra por desejo de combate, e eu também, entrando em nossa cidade, relatei tudo para Satyavati. Então fazendo cerimônias propiciatórias serem realizadas (por minha vitória), e sendo abençoado também por minha mãe, e fazendo os Brahmanas proferirem bênçãos sobre mim, eu subi em um carro bonito feito de prata e ao qual, ó tu de grande glória, estavam unidos corcéis de cor branca. E cada parte daquele carro era bem-construída, e ele era extremamente cômodo e coberto por todos os lados com peles de tigre. E ele estava equipado com muitas armas formidáveis e guarnecido com todos os artigos necessários. E ele era dirigido por um quadrigário que era bem nascido e corajoso, que era versado no conhecimento de cavalos, cuidadoso em batalha, e bem treinado em sua arte, e que tinha visto muitos combates. E eu estava equipado com uma cota de malha de cor branca, e tinha meu arco na mão. E o arco que eu peguei também era branco. E assim equipado eu parti, ó melhor da família de Bharata! E um guarda-sol branco era segurado sobre minha cabeça. E, ó rei, eu era abanado com leques que também eram brancos. E vestido de branco, com uma proteção também branca para a cabeça, todos os meus enfeites eram brancos. E elogiado (com hinos laudatórios) por Brahmanas me desejando vitória, eu saí da cidade que recebeu o nome de elefante, e procedi para Kurukshetra, que, ó touro da raça Bharata, era para ser o campo de batalha! E aqueles corcéis, velozes como a mente ou o vento, incitados por meu quadrigário, logo me levaram, ó rei, para aquele grande confronto. E chegados no campo de Kurukshetra, eu e Rama, ávidos para lutar, ficamos desejosos de mostrar um ao outro nossa destreza. E chegado dentro da visão do grande asceta Rama, eu peguei minha concha excelente e dei um sopro alto. E muitos Brahmanas, ó rei, e muitos ascetas que tinham suas residências na floresta, como também os deuses com Indra em sua chefia, estavam posicionados lá para ver o grande confronto. E muitas guirlandas celestes e diversas espécies de música celeste e muitos pálios como nuvens podiam ser observados lá. E todos aqueles ascetas que tinham vindo com Rama, desejando se tornar espectadores da luta permaneceram todos em volta do campo. Exatamente neste momento, ó rei, minha mãe divina dedicada ao bem de todas as criaturas apareceu diante de mim em sua própria forma e disse, 'O que é isto que tu procuras fazer? Dirigindo-me ao filho de Jamadagni, ó filho da linhagem de Kuru, eu repetidamente o solicitarei dizendo, ‘Não lute com Bhishma que é teu discípulo!’ Ó filho, sendo um Kshatriya não fixe teimosamente teu coração em um confronto em batalha com o filho de Jamadagni que é um Brahmana!' De fato, foi dessa maneira que ela me reprovou. E ela também disse, 'Ó filho, Rama, igual em destreza ao próprio Mahadeva, é o exterminador da classe Kshatriya! Isto não é sabido por ti, que tu desistas de uma luta com ele.' Assim endereçado por ela, eu saudei a deusa reverentemente e respondi a ela com mãos unidas, dando a ela, ó chefe dos Bharatas, um relato de tudo o que tinha ocorrido naquela escolha de marido (da filha de Kasi). Eu também disse a ela tudo, ó rei de reis, sobre como eu tinha suplicado a Rama (para desistir do combate). Eu dei a ela também uma história de todas as ações passadas da filha (mais velha) de Kasi. Minha mãe então, o grande Rio, indo até Rama, começou, por mim, a suplicar ao Rishi da linhagem de Bhrigu. E ela disse a ele estas palavras, ‘Não lute com Bhishma que é teu discípulo!’ Rama, no entanto, disse para ela enquanto ela o estava suplicando dessa maneira, 'Vá e faça Bhishma desistir! Ele não realizou meu desejo! É por isto que eu o desafiei!' "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçada por Rama, Ganga, por afeição por seu filho, voltou para Bhishma. Mas Bhishma, com olhos rolando de raiva, se recusou a cumprir sua ordem. Justamente nesse momento, o poderoso asceta Rama, aquele principal da linhagem de Bhrigu, apareceu na visão de Bhishma. E então aquele melhor dos duas vezes nascidos o desafiou para o confronto.'" 182 "Bhishma disse, 'Eu então me dirigi sorridente a Rama posicionado para a batalha, dizendo, ‘Eu mesmo em meu carro, eu não desejo lutar contigo que estás sobre a terra! Suba em um carro, ó herói, e equipe teu corpo com armadura, ó de braços fortes, se de fato, ó Rama, tu desejas lutar comigo em combate!’ Então Rama sorridente respondeu para mim naquele campo de batalha, dizendo, 'A Terra, ó Bhishma, é meu carro, e os Vedas, como bons corcéis, são os animais que me carregam! O vento é o motorista do meu carro, e minha cota de malha é constituída por aquelas mães nos Vedas (Gayatri, Savitri e Saraswati). Bem coberto por estas em batalha, ó filho da família de Kuru, eu lutarei!' Tendo dito isso, ó filho de Gandhari, Rama de destreza incapaz de ser frustrada me cobriu por todos os lados com uma chuva grossa de flechas. Eu então vi o filho de Jamadagni posicionado sobre um carro equipado com todos os tipos de armas excelentes! E o carro no qual ele estava era extremamente belo e era de aparência extraordinária. E ele tinha sido criado por um decreto de sua vontade, e era belo como uma cidade. E corcéis celestes estavam unidos a ele, e ele estava bem protegido pelas defesas necessárias. E ele estava todo decorado com ornamentos de ouro. E ele estava bem coberto com peles resistentes por todos os lados, e tinha o emblema do sol e da lua. Rama estava armado com arco e equipado com uma aljava, e com dedos envolvidos em proteções de couro! Akritavrana, o amigo caro de Bhargava, bem versado nos Vedas, cumpria os deveres de um motorista de carro para aquele guerreiro. E ele, da família de Bhrigu, repetidamente me convocando para o combate, dizendo, ‘Venha! Venha!’ alegrou meu coração. E eu então sozinho obtive para meu adversário aquele exterminador invencível e poderoso da classe Kshatriya, Rama erguido como o próprio sol em esplendor, desejoso (de sua parte) de lutar sozinho! E depois que ele tinha despejado três chuvas de flechas em mim refreando meus corcéis, eu desci do meu carro e colocando meu arco de lado procedi a pé até aquele melhor dos Rishis. E chegando diante dele eu adorei o melhor dos Brahmanas com reverência. E tendo-o saudado devidamente eu disse a ele estas palavras excelentes, ‘Ó Rama, seja tu igual ou superior a mim, eu lutarei contigo, meu preceptor virtuoso, em batalha! Ó senhor, abençoe-me, me desejando vitória!' "Rama, assim endereçado, disse, 'Ó principal da família de Kuru, aquele que deseja prosperidade deve agir assim mesmo! Ó tu de armas poderosas, aqueles que lutam com guerreiros mais eminentes do que eles têm este dever a cumprir. Ó rei, eu teria te amaldiçoado se tu não tivesses te aproximado de mim dessa maneira! Vá, lute cuidadosamente e convocando toda a tua paciência, ó tu da linhagem de Kuru! Eu não posso, no entanto, te desejar vitória, pois eu mesmo estou aqui para te subjugar! Vá, lute justamente! Eu estou satisfeito com teu comportamento!’ Curvando-me a ele, eu então voltei rapidamente, e subindo em meu carro eu mais uma vez soprei minha concha enfeitada com ouro, E então, ó Bharata, começou o combate entre nós. E ele durou por muitos dias, cada um de nós, ó rei, estando desejoso de vencer o outro. E naquela batalha, foi Rama quem me atacou primeiro com novecentas e sessenta flechas retas equipadas com asas de urubu. E com aquela chuva de flechas, ó rei, meus quatro corcéis e quadrigários foram totalmente cobertos! Apesar de tudo isto, no entanto, eu permaneci calmo naquele combate, envolvido em minha cota de malha! Reverenciando os deuses, e especialmente os Brahmanas, eu então me dirigi sorridente a Rama posicionado para batalha, dizendo, ‘Embora tu tenhas mostrado pouco respeito por mim, eu contudo honrei completamente tua condição de preceptor! Escute também, ó Brahmana, a um outro dever auspicioso que deve ser cumprido se a virtude é para ser ganha! Os Vedas que estão no teu corpo, e a nobre posição de Brahmana que está também em ti, e o mérito ascético que tu tens ganhado pelas mais severas das austeridades, eu não ataco estes! Eu ataco, no entanto, aquela condição de Kshatriya que tu, ó Rama, tens adotado! Quando um Brahmana utiliza armas, ele se torna um Kshatriya. Veja agora o poder do meu arco e a energia dos meus braços! Eu cortarei rapidamente este teu arco com uma flecha afiada!’ Dizendo isso eu disparei nele, ó touro da raça Bharata, uma flecha afiada de cabeça larga, e cortando fora um dos chifres de seu arco com isto, eu o fiz cair no chão. Eu então disparei no carro (do filho) de Jamadagni cem flechas retas aladas com penas de urubu. Trespassando o corpo de Rama e levadas adiante pelo vento, aquelas flechas percorrendo o espaço pareciam vomitar sangue (de suas bocas) e pareciam verdadeiras cobras. Totalmente coberto com sangue e com sangue saindo de seu corpo. Rama, ó rei, brilhava em batalha, como a montanha Sumeru com correntezas de metal líquido deslizando em seu leito, ou como a árvore Asoka na chegada da primavera, quando coberta com ramos vermelhos de flores, ou, ó rei, como a árvore Kinsuka quando vestida em seu traje florido! Pegando então outro arco, Rama, cheio de ira, despejou sobre mim numerosas flechas muito afiadas, equipadas com asas douradas. E aquelas flechas ardentes de ímpeto tremendo, parecendo cobras, ou fogo, ou veneno, vindo a mim de todos os lados, perfuraram meus próprios órgãos vitais e me fizeram tremer. Convocando toda minha frieza eu então me dirigi para o combate, e cheio de ira eu perfurei Rama com cem flechas. E afligido por aquelas cem flechas ardentes parecendo com fogo ou com o sol ou parecendo cobras de veneno virulento, Rama pareceu perder seus sentidos! Cheio, ó Bharata, de compaixão (à visão), eu parei por iniciativa própria e disse, ‘Oh, que vergonha para a luta! Que vergonha para a prática Kshatriya!’ E dominado, ó rei, pela aflição, eu repetidamente disse, ‘Ai, grande é o pecado cometido por mim pela observância das práticas Kshatriya já que eu tenho afligido com flechas meu preceptor que é um Brahmana dotado de uma alma virtuosa!’ Depois disso, ó Bharata, eu parei de atingir mais o filho de Jamadagni. Nesse momento, o corpo luminoso de mil raios, tendo aquecido a terra com seus raios, procedeu no fim do dia para seus aposentos no oeste e a batalha também entre nós cessou.'" 183 "Bhishma disse, 'Depois que a batalha tinha parado, meu quadrigário, bem hábil em tais operações, tirou do seu próprio corpo, dos corpos dos meus corcéis, e do meu corpo também as flechas que tinham atingido lá. Na manhã seguinte, quando o sol nasceu, a batalha começou outra vez, meus cavalos tendo sido (pouco tempo antes) banhados e permitidos rolar no chão e tendo sua sede saciada e assim revigorados. E vendo-me indo rapidamente para o combate vestido em uma cota de malha e posicionado em meu carro, o poderoso Rama equipou seu carro com grande cuidado. E eu também, vendo Rama vindo em direção a mim por desejo de batalha, coloquei de lado meu arco e desci rapidamente do meu carro. Saudando Rama eu voltei a subir nele, ó Bharata, e desejoso de dar combate, permaneci destemidamente diante daquele filho de Jamadagni. Eu então o oprimi com uma chuva espessa de flechas, e ele também me cobriu com uma chuva de flechas em retorno. E cheio de cólera, o filho de Jamadagni mais uma vez atirou em mim várias flechas ardentes de grande força e bocas em chamas parecendo verdadeiras cobras! E eu também, ó rei, disparando flechas afiadas às centenas e milhares, repetidamente cortava as flechas de Rama no meio do ar antes que elas pudessem chegar a mim. Então o filho poderoso de Jamadagni começou a lançar armas celestes em mim, todas as quais eu repelia, desejoso de realizar façanhas mais poderosas, ó tu de braços fortes, com minhas armas. E alto foi o estrondo que se ergueu então no firmamento por todos os lados. Naquele momento, eu arremessei em Rama a arma chamada Vayavya que Rama neutralizou, ó Bharata, por meio da arma chamada Guhyaka. Então eu apliquei, com mantras apropriados, a arma chamada Agneya, mas o senhor Rama neutralizou aquela minha arma por meio de uma (dele) chamada Varuna. E foi dessa maneira que eu neutralizei as armas celestes de Rama, e aquele castigador de inimigos, Rama também, dotado de grande energia e conhecedor de armas celestes, neutralizou as armas disparadas por mim. Então, ó monarca, aquele melhor dos Brahmanas, o filho poderoso de Jamadagni, cheio de ira, inesperadamente se virando para minha direita, me perfurou no peito. Nisto, ó melhor dos Bharatas, eu desmaiei sobre o melhor dos meus carros. E vendo-me privado de consciência meu quadrigário rapidamente me levou para longe do campo. E vendo-me afligido e perfurado pelas armas de Rama e levado para longe enlanguescido e desmaiado, todos os seguidores de Rama, incluindo Akritavrana e outros e a princesa de Kasi, cheios de alegria, ó Bharata, começaram a gritar! Recuperando a consciência então eu me dirigi ao meu quadrigário, dizendo, ‘Vá para onde Rama está! Minhas dores me deixaram, e eu estou pronto para combater!’ Assim instruído, meu quadrigário logo me levou para onde Rama estava, com a ajuda daqueles meus corcéis muito belos que pareciam dançar conforme eles percorriam (a planície) e que eram dotados da velocidade do vento. E me aproximando de Rama então, ó tu da família de Kuru, e cheio de ira, pelo desejo de derrotar sua pessoa zangada, eu o submergi com uma chuva de flechas! Mas Rama, disparando três para cada uma das minhas, cortou em fragmentos todas as minhas flechas retas de curso reto em meio ao ar antes que alguma delas pudesse alcançá-lo! E vendo minhas flechas bem equipadas às centenas e milhares, cada uma cortada em dois pelas flechas de Rama, todos os seguidores de Rama estavam cheios de alegria. Impelido então pelo desejo de matá-lo eu disparei em Rama, o filho de Jamadagni, uma fecha vistosa de refulgência brilhante com a própria Morte sentada em sua cabeça. Atingido com muita força por ela e sucumbindo ao seu ímpeto, Rama desfaleceu e caiu no chão. E quando Rama caiu assim sobre o solo, exclamações de ‘Oh’ e ‘Ai’ surgiram por todos os lados, e o universo inteiro, ó Bharata, estava cheio de confusão e alarme, tal como poderia ser testemunhado se o próprio sol estivesse alguma vez para cair do firmamento! Então todos aqueles ascetas junto com a princesa de Kasi procederam quietamente, ó filho da linhagem de Kuru, com grande ansiedade em direção a Rama. E o abraçando, ó Kaurava, eles começaram a confortá-lo suavemente com o toque de suas mãos, tornadas frias pelo contato com água, e com garantias de vitória. Assim confortado, Rama se levantou e fixando uma flecha em seu arco ele se dirigiu a mim em uma voz agitada, dizendo, ‘Fique, ó Bhishma! Tu já estás morto!’ E disparada por ele, aquela flecha perfurou rapidamente meu lado esquerdo naquele confronto violento. E atingido por ela eu comecei a tremer como uma árvore sacudida pela tempestade. Matando meus cavalos então em combate terrível, Rama, lutando com grande frieza, me cobriu com enxames de flechas aladas, atiradas com notável agilidade de mão. Nisto, ó poderosamente armado, eu também comecei a atirar flechas com grande agilidade de mão para obstruir a chuva de flechas de Rama. Então aquelas flechas disparadas por eu mesmo e Rama, cobrindo totalmente o firmamento, ficaram lá mesmo (sem cair). E, nisso, envolvido por nuvens de flechas, o próprio sol não podia derramar seus raios através delas. E o próprio vento, obstruído por aquelas nuvens, parecia ser incapaz de passar através delas. Então, pelo movimento obstruído do vento, os raios do sol, e o estrépito das flechas umas contra as outras, um incêndio foi causado no céu. E então aquelas flechas brilharam pelo fogo gerado por elas mesmas, e caíram sobre a terra, reduzidas a cinzas! Então Rama, ó Kaurava, cheio de raiva, me cobriu com centenas e milhares e centenas de milhares e centenas de milhões de flechas! E eu também, ó rei, com minhas flechas parecidas com cobras de veneno virulento, cortei em fragmentos todas aquelas flechas de Rama e as fiz caírem no chão como cobras cortadas em pedaços. E foi assim, ó melhor dos Bharatas, que aquele combate se realizou. Quando, no entanto, as sombras da noite se aproximaram, meu preceptor se retirou da luta.'" 184 "Bhishma disse, 'No dia seguinte, ó touro da raça Bharata, terrível novamente foi o combate que ocorreu entre Rama e eu quando eu o enfrentei mais uma vez. Aquele herói de alma virtuosa, familiarizado com armas celestes, o senhor Rama, dia a dia, começou a usar diversas espécies de armas celestes. Indiferente à própria vida, a qual é tão difícil de ser sacrificada, naquele combate violento, ó Bharata, eu frustrei todas aquelas armas com semelhantes das minhas que eram capazes de frustrá-las. E, ó Bharata, quando diversas armas foram neutralizadas dessa maneira e frustradas por meio de contra-armas, Rama, de energia imensa, começou a lutar contra mim naquela batalha indiferente à sua própria vida. Vendo todas as suas armas frustradas, o filho de grande alma de Jamadagni então arremessou em mim uma lança ardente, brilhante como um meteoro, com boca flamejante, enchendo o mundo inteiro, por assim dizer, com sua refulgência, e parecendo com o dardo arremessado pela própria Morte! Eu, no entanto, com minhas flechas cortei em três fragmentos aquele dardo ardente que avançava contra mim, e parecendo em esplendor com o sol que se eleva no fim do Yuga! Nisto, brisas carregadas com odores fragrantes começaram a soprar (em volta de mim). Vendo aquele seu dardo cortado, Rama, queimando com raiva, arremessou uma dúzia de outros dardos ardentes. Suas formas, ó Bharata, eu sou incapaz de descrever por sua grande refulgência e velocidade. Como, de fato, eu descreverei suas formas? Vendo aqueles dardos de diversas aparências se aproximarem de mim por todos os lados, como línguas compridas de fogo e resplandecendo com energia ardente como a dúzia de sóis que surge na época da destruição do universo, eu estava cheio de temor. Vendo uma rede de flechas avançando contra mim, eu a frustrei com uma chuva das minhas, e então enviei uma dúzia de flechas com as quais eu destruí aquela dúzia de dardos de aparência ardente de Rama. Então, ó rei, o filho de grande alma de Jamadagni despejou sobre mim numerosos dardos de aparência ardente, equipados com cabos matizados decorados com ouro, possuidores de asas douradas, e parecendo meteoros flamejantes! Frustrando aqueles dardos brilhantes por meio do meu escudo e espada, e fazendo-os caírem no chão naquele combate, eu então, com nuvens de flechas excelentes, cobri os excelentes corcéis de Rama e seu quadrigário. Então aquele batedor de grande alma do senhor dos Haihayas, (o Arjuna de mil mãos, chamado também de Kartaviryarjuna, o subjugador de Ravana, o chefe do clã Haihaya de Kshatriyas tendo sua capital em Mahishmati nas margens do Narmada (Nerbuda), foi morto por Rama); vendo aqueles meus dardos equipados com cabos decorados com ouro e parecendo cobras saindo de seus buracos, e cheio de ira à visão, recorreu mais uma vez a armas celestes! Então enxames de flechas ardentes, parecendo com bandos de gafanhotos, caíram sobre mim e oprimiram a mim, meus corcéis, meu quadrigário, e meu carro! De fato, ó rei, meu carro, cavalos, e quadrigário foram totalmente cobertos por aquelas flechas! E o jugo, mastro, rodas, e os raios das rodas do meu carro, submersos por aquela chuva de flechas, se quebraram imediatamente. Depois que aquela chuva de flechas, no entanto, estava terminada, eu também cobri meu preceptor com uma chuva densa de flechas. Nisso, aquela massa de mérito Brâhmico, mutilado por aquela torrente de flechas, começou a sangrar copiosa e repetidamente. De fato, como Rama afligido com minhas nuvens de flechas, eu também estava densamente perfurado com suas flechas. Quando finalmente ao anoitecer o sol se pôs atrás das colinas ocidentais, nosso combate chegou a um fim.'" 185 "Bhishma disse, 'Na manhã seguinte, ó rei, quando o sol nasceu brilhantemente, o combate entre eu e ele da linhagem de Bhrigu começou novamente. Então Rama, aquele principal dos batedores, posicionado em seu carro de movimento rápido, derramou sobre mim uma torrente grossa de flechas como as nuvens sobre o leito da montanha. Meu quadrigário querido então, afligido por aquela chuva de flechas, se desviou de seu lugar no carro, me enchendo de aflição por sua causa. Uma total inconsciência então veio sobre dele. E assim ferido por aquela torrente de flechas ele caiu no chão desmaiado. E afligido como ele tinha sido pelas flechas de Rama, ele logo abandonou sua vida. Então, ó grande rei, o medo entrou no meu coração. E quando, na morte do meu quadrigário, eu ainda estava lamentando por ele com coração perturbado pela tristeza, Rama começou a atirar em mim muitas flechas concessoras de morte. De fato, exatamente quando posto em perigo pela morte do meu quadrigário eu estava lamentando por ele, ele da linhagem de Bhrigu, estirando o arco com força, me perfurou profundamente com uma flecha! Ó rei, aquela flecha bebedora de sangue, caindo sobre meu peito, me trespassou e caiu simultaneamente com minha pessoa sobre a terra! Então, ó touro da raça Bharata, pensando que eu estava morto, Rama repetidamente rugiu alto como as nuvens e se regozijou muito! De fato, ó rei, quando eu caí ao solo dessa maneira, Rama, cheio de alegria, deu gritos altos junto com seus seguidores, enquanto todos os Kauravas que estavam ao meu lado e todos aqueles que tinham ido lá para testemunhar o combate estavam angustiados com grande dor ao me verem cair. Enquanto jazia prostrado, ó leão entre reis, eu vi oito Brahmanas dotados da refulgência do sol ou do fogo. Eles ficaram me circundando naquele campo de batalha e me sustentando em seus braços. De fato, sustentado por aqueles Brahmanas eu não tive que tocar o solo. Como amigos eles me sustentaram no meio do ar enquanto eu estava respirando pesadamente. E eles estavam me borrifando com gotas de água. E me sustentando tanto quanto eles aguentavam, eles então, ó rei, repetidamente disseram para mim, 'Não temas! Que a prosperidade seja tua!' Confortado então por aquelas palavras deles, eu me ergui rapidamente. Eu então vi minha mãe Ganga, aquele principal dos rios, posicionada sobre meu carro. De fato, ó rei dos Kurus, foi a grande deusa-rio que controlou meus corcéis no combate (depois da queda do meu quadrigário)! Reverenciando então os pés de minha mãe e dos espíritos dos meus ancestrais, eu subi no meu carro. Minha mãe então protegeu meu carro, corcéis, e todos os instrumentos de batalha. Com as mãos unidas eu roguei a ela para ir embora. Tendo dispensado ela, eu mesmo reprimi aqueles corcéis dotados da velocidade do vento, e lutei com o filho de Jamadagni, ó Bharata, até o fim do dia! Então, ó chefe dos Bharatas, no decorrer daquele combate, eu atirei em Rama uma flecha poderosa e dilacerante dotada de grande velocidade. Afligido com aquela flecha, Rama então, seu arco solto de suas mãos, caiu na terra sobre seus joelhos, privado de consciência! E quando Rama, aquele doador de muitos milhares (de moedas de ouro) caiu, massas de nuvens cobriram o firmamento, despejando uma chuva copiosa de sangue! E meteoros caíram às centenas, e o ribombar de trovões foram ouvidos, fazendo tudo tremer! E de repente Rahu envolveu o sol brilhante, e ventos tempestuosos começaram a soprar! E a própria terra começou a tremer. E urubus e corvos e garças começaram a descer em alegria! E os pontos do horizonte pareciam estar em chamas e chacais começaram repetidamente a gritar ferozmente! E baterias, não batidas (por mãos humanas), começaram a produzir um som dissonante! De fato, quando Rama de grande alma abraçou a terra, privado de consciência, todos estes presságios terríveis e alarmantes de mal foram vistos! Então se levantando de repente, Rama se aproximou de mim uma vez mais, ó Kaurava, para lutar, esquecendo tudo e privado de sua razão pela raiva. E aquele de braços fortes pegou seu arco dotado de grande força e também uma flecha mortal. Eu, no entanto, resisti a ele com sucesso. Os grandes Rishis então (que permaneciam lá) ficaram cheios de pena à visão, enquanto ele, no entanto, da linhagem de Bhrigu, estava cheio de grande ira. Eu então peguei uma flecha parecida com o fogo ardente que aparece no fim do Yuga, mas Rama de alma incomensurável frustrou aquela minha arma. Então, coberto por nuvens de poeira, o esplendor do disco solar foi ofuscado, e o sol foi para o monte ocidental. E a noite veio com suas brisas deliciosas e frescas, e então nós dois desistimos da luta. Dessa maneira, ó rei, quando a noite vinha a batalha violenta cessava, e (no dia seguinte) com o reaparecimento do sol ela começava novamente. E ela durou por vinte e três dias seguidos.'" 186 "Bhishma disse, 'Então, ó grande rei, durante a noite, tendo reverenciado os Brahmanas, os Rishis, os deuses, e todas aquelas criaturas que vagam durante a escuridão, e também os reis da terra, eu me deitei em minha cama, e na solidão do meu quarto eu comecei a refletir do seguinte modo: ‘Por muitos dias este combate violento de consequência terrível tem durado entre eu mesmo e Jamadagni. Eu sou incapaz, no entanto, de vencer no campo de batalha aquele Rama de energia poderosa. Se de fato, eu sou competente para vencer em batalha aquele Brahmana de força poderosa, ou seja, o filho de Jamadagni de grande destreza, então que os deuses se mostrem bondosamente para mim esta noite!’ Mutilado com flechas eu deitei adormecido. Ó grande rei, aquela noite ao meu lado direito, perto da manhã, aqueles principais dos Brahmanas que tinham me erguido quando eu caí do meu carro e me segurado e dito para mim ‘Não temas’ e que tinham me confortado, se mostraram para mim, ó rei, em um sonho! E eles permaneceram me circundando e disseram estas palavras. Escute a elas conforme eu as repito para ti, ó perpetuador da linhagem de Kuru! ‘Levante-se, ó filho de Ganga, tu não precisas temer! Nós te protegeremos, pois tu és nosso próprio corpo! Rama, o filho de Jamadagni, nunca será capaz de te vencer em batalha! Tu, ó touro da raça Bharata, serás o conquistador de Rama em combate! Esta arma querida, ó Bharata, chamada Praswapa, pertencente ao senhor de todas as criaturas, e forjada pelo artífice divino, virá ao teu conhecimento, pois ela era conhecida por ti na tua vida passada! Nem Rama, nem alguma pessoa sobre a terra a conhece. Lembre-te dela, portanto, ó tu de armas poderosas, e aplique-a com força! Ó rei de reis, ó impecável, ela virá a ti por si mesma! Com ela, ó Kaurava, tu serás capaz de controlar todas as pessoas dotadas de energia poderosa! Ó rei, Rama não será morto completamente por ela, tu não irás, portanto, ó concessor de honras, incorrer em algum pecado por usá-la! Afligido pela força desta tua arma, o filho de Jamadagni dormirá! Subjugando-o dessa maneira, tu o despertarás novamente em batalha, ó Bhishma, com aquela arma preciosa chamada Samvodhana! Faça o que nós te dissemos, ó Kauravya, de manhã, posicionado em teu carro. Dormindo ou morto nós consideramos isto como o mesmo, ó rei, Rama certamente não morrerá! Aplique, portanto, esta arma Praswapa tão felizmente recordada!’ Tendo dito isso, ó rei, aqueles principais dos Brahmanas, oito em número e parecidos uns com os outros em forma, e possuidores de corpos refulgentes, todos desapareceram da minha visão!'" 187 "Bhishma disse, 'Depois que a noite tinha passado, eu despertei, ó Bharata, e me lembrando do meu sonho eu estava cheio de grande alegria. Então, ó Bharata, o combate começou entre ele e eu, um combate que era violento e inigualável e que fazia os cabelos de todas as criaturas se arrepiarem. E Bhargava despejou em mim uma chuva de flechas que eu frustrei com uma chuva das minhas flechas. Então cheio de ira pelo que ele tinha visto na véspera e pelo que ele via naquele dia Rama arremessou em mim um dardo, firme como o raio de Indra e possuidor de refulgência, parecido com a maça de Yama! Ele veio em direção a mim como uma chama de fogo ardente e sorvendo, por assim dizer, todos os quadrantes daquele campo de batalha! Então, ó tigre entre os Kurus, ele caiu, ó perpetuador da linha de Kuru, sobre meu ombro, como a chama do relâmpago que percorre o céu. Ferido assim por Rama, ó tu de olhos vermelhos, meu sangue, ó poderosamente armado, começou a fluir copiosamente como correntezas de terra vermelha de uma montanha (depois de uma chuva)! Cheio de grande cólera eu então atirei no filho de Jamadagni uma flecha mortal, fatal como o veneno de uma cobra. Aquele heróico e melhor dos Brahmanas, atingido com ela na testa, ó monarca, então parecia tão belo como uma colina cristada! Extremamente zangado, aquele herói então, mudando sua posição e puxando a corda do arco com grande força, mirou em mim uma flecha terrível parecida com a própria Morte que a tudo destrói, e capaz de oprimir todos os inimigos! Aquela flecha ardente caiu sobre meu peito, silvando (pelo ar) como uma cobra. Coberto com sangue, eu caí sobre a terra, ó rei, atingido dessa maneira. Recuperando a consciência, eu arremessei no filho de Jamadagni um dardo terrível, refulgente como o raio. Aquele dardo caiu sobre o peito daquele principal dos Brahmanas. Privado de seus sentidos nisto, Rama começou a tremer todo. Aquele grande asceta então, isto é, seu amigo, o regenerado Akritavrana, o abraçou e com diversas palavras de conforto o acalmou. Assim tranquilizado, Rama de votos elevados estava então cheio de ira e disposição para vingança. Ele invocou a formidável arma Brahma. Para frustrá-la eu também usei a mesma arma excelente. Chocando-se uma contra a outra, as duas armas começaram a resplandecer brilhantemente, mostrando o que acontece no fim do Yuga! Sem poderem alcançar eu mesmo ou Rama, aquelas duas armas, ó melhor do Bharatas, encontraram uma à outra no meio do ar. Então todo o firmamento parecia estar em chamas, e todas as criaturas, ó monarca, ficaram muito atormentadas. Afligidos pela energia daquelas armas, os Rishis, os Gandharvas, e os deuses estavam todos muito angustiados. Então a terra, com suas montanhas e mares e árvores começou a tremer, e todas as criaturas, aquecidas com a energia das armas, estavam imensamente aflitas. O firmamento, ó rei, ficou em chamas e os dez pontos do horizonte ficaram cheios com fumaça. As criaturas, portanto, que percorrem o firmamento não podiam permanecer em seu elemento. Quando, em tudo isto, o mundo inteiro com os deuses, os Asuras e os Rakshasas começaram a proferir exclamações de dor, eu pensei ‘Este é o momento’, e fiquei desejoso, ó Bharata, de disparar rapidamente a arma Praswapa por ordem daqueles reveladores de Brahma (que tinham aparecido para mim no meu sonho!). Os Mantras também para invocar aquela arma excelente vieram de repente à minha mente!'" 188 "Bhishma disse, 'Quando eu tinha tomado esta decisão, ó rei, um rumor de vozes tumultuadas surgiu no céu. E ele dizia, ‘Ó filho da linhagem de Kuru, não dispare a arma Praswapa!’ Apesar disso, eu contudo mirei aquela arma no descendente de Bhrigu. Quando eu a tinha mirado, Narada se dirigiu a mim, dizendo, 'Lá, ó Kauravya, estão os deuses no céu! Até eles estão te proibindo hoje! Não mire a arma Praswapa! Rama é um asceta possuidor de mérito Brahma, e ele é, além disso, teu preceptor! Nunca, Kauravya, o humilhe.' Enquanto Narada estava me dizendo isto, eu vi aqueles oito reveladores de Brahma posicionados no céu. Sorridentes, ó rei, eles me disseram lentamente, ‘Ó chefe dos Bharatas, faça exatamente o que Narada diz. Isso mesmo, ó melhor da linhagem de Bharata, é muito benéfico para o mundo!' Eu então retirei aquela arma formidável chamada Praswapa e invoquei de acordo com a ordenança a arma chamada Brahma no combate. Vendo a arma Praswapa retirada, ó leão entre reis, Rama estava muito ofendido, e de repente exclamou, 'Infeliz que eu sou, eu estou derrotado, ó Bhishma!' Então o filho de Jamadagni viu diante dele seu pai venerável e os pais de seu pai. Eles permaneceram circundando ele lá, e se dirigiram a ele nestas palavras de consolação, 'Ó senhor, nunca mostre tal impetuosidade outra vez, ou seja, a impetuosidade de te engajares em combate com Bhishma, ou especialmente com qualquer Kshatriya, ó descendente da linhagem de Bhrigu, pois lutar é o dever de um Kshatriya! Estudo (dos Vedas) e prática de votos são as maiores riquezas dos Brahmanas! Por uma razão, antes disto, tu foste ordenado por nós utilizar armas. Tu então cometeste aquele ato terrível e impróprio. Que esta batalha com Bhishma seja realmente tua última, pois tu já tiveste o suficiente disto. Ó tu de armas poderosas, deixe o combate. Abençoado sejas tu, que esta realmente seja a última ocasião de tu fazeres uso do arco! Ó invencível, jogue teu arco de lado, e pratique austeridades ascéticas, ó tu da família de Bhrigu! Veja, Bhishma, o filho de Santanu, é proibido por todos os deuses! Eles estão se esforçando para acalmá-lo, dizendo repetidamente, ‘Desista desta batalha! Não lute com Rama que é teu preceptor. Não é apropriado para ti, ó perpetuador da linhagem de Kuru, subjugar Rama em batalha! Ó filho de Ganga, mostre a este Brahmana toda a honra no campo de batalha!’ Em relação a ti, nós somos os teus superiores e, portanto te proibimos! Bhishma é um dos principais dos Vasus! Ó filho, é afortunado que tu ainda estejas vivo! O filho de Santanu com Ganga, um célebre Vasu como ele é, como ele pode ser derrotado por ti? Desista, portanto, ó Bhargava! Aquele principal dos Pandavas, Arjuna, o poderoso filho de Indra, foi ordenado pelo Auto-criado para ser o matador de Bhishma!' "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por seus próprios antepassados, Rama respondeu a eles, dizendo, 'Eu não posso desistir do combate. Este mesmo é o voto solene que eu fiz. Antes disto, eu nunca deixei o campo, abandonando a batalha! Ó antepassados, se vocês quiserem, façam o filho de Ganga desistir da luta! Com relação a mim mesmo, eu não posso, de nenhuma maneira, desistir do combate!' Ouvindo estas palavras dele, ó rei, aqueles ascetas com Richika em sua dianteira, vindo a mim com Narada em sua companhia, me disseram, 'Ó senhor, desista da batalha! Honre aquele principal dos Brahmanas!' Por causa da moralidade Kshatriya, eu respondi a eles, dizendo, ‘Este mesmo é o voto que eu fiz neste mundo, ou seja, que eu nunca desistiria da batalha virando minhas costas, ou permitiria que minhas costas fossem feridas com flechas! Eu não posso, por tentação ou angústia, ou medo, ou por riqueza, abandonar meu dever eterno! Esta mesma é minha decisão fixa!’ Então todos aqueles ascetas com Narada em sua frente, ó rei, e minha mãe Bhagirathi ocuparam o campo de batalha (diante de mim). Eu, no entanto, permaneci quietamente com arco e flechas como antes, decidido a lutar. Eles então mais uma vez viraram em direção a Rama e se dirigiram a ele, dizendo, 'Os corações dos Brahmanas são feitos de manteiga. Fique calmo, portanto, ó filho da linhagem de Bhrigu! Ó Rama, ó Rama, desista desta luta, ó melhor dos Brahmanas! Bhishma é incapaz de ser morto por ti, como de fato, tu, ó Bhargava, és incapaz de ser morto por ele!' Dizendo estas palavras enquanto eles permaneciam obstruindo o campo, os Pitris fizeram aquele descendente da linhagem de Bhrigu colocar de lado suas armas. Exatamente naquele momento eu vi novamente aqueles oito reveladores de Brahma, brilhando com refulgência e parecendo com estrelas brilhantes surgidas no firmamento. Posicionado para batalha como eu estava, eles disseram estas palavras para mim com grande afeição, ‘Ó tu de armas poderosas, vá até Rama que é teu preceptor! Faça o que é benéfico para todos os mundos.’ Vendo então que Rama tinha desistido devido às palavras de seus benquerentes, eu também, para o bem dos mundos, aceitei as palavras dos meus benquerentes. Embora muito mutilado, eu, contudo me aproximei de Rama e o adorei. O grande asceta Rama então, sorridente, e com grande afeição, disse para mim, 'Não há Kshatriya igual a ti sobre a terra! Vá agora, ó Bhishma, pois neste combate tu me agradaste muito!' Convocando então em minha presença aquela donzela (a filha de Kasi), Bhargava tristemente disse a ela estas palavras no meio de todas aquelas pessoas de grande alma.'" 189 "Rama disse, 'Ó donzela, na própria vista de todas essas pessoas, eu lutei de acordo com o melhor do meu poder e mostrei minha coragem! Por usar até a melhor das armas eu não fui capaz de obter alguma vantagem sobre Bhishma, aquele principal de todos os manejadores de armas! Eu empreguei agora toda a minha força e poder. Ó dama bela, vá para onde quer que tu desejes! Que outro propósito teu eu posso realizar? Procure a proteção do próprio Bhishma! Tu não tens outro refúgio agora! Disparando armas poderosas Bhishma me derrotou!' Tendo dito isso, Rama de grande alma suspirou e ficou calado. Aquela donzela então se dirigiu a ele, dizendo, 'Ó santo, é assim mesmo como tua pessoa santa disse! Este Bhishma de grande inteligência é incapaz de ser vencido em batalha até pelos deuses! Tu realizaste meu propósito com o melhor do teu esforço e poder. Tu expuseste nesta batalha energia incapaz de ser frustrada e armas também de diversos tipos. Tu contudo não pudeste obter alguma vantagem sobre Bhishma em combate. Com relação a mim mesma, eu não irei uma segunda vez a Bhishma. Eu irei, no entanto, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, para onde, ó tu dotado de riqueza de ascetismo, eu possa (obter os meios para) eu mesma matar Bhishma em batalha!' Dizendo estas palavras aquela moça foi embora, com olhos agitados com raiva, e pensando em realizar minha morte, ela firmemente resolveu se dedicar ao ascetismo. Então aquele principal da linhagem de Bhrigu, acompanhado por aqueles ascetas, se despedindo de mim, partiu, ó Bharata, para as montanhas de onde ele tinha vindo. Eu também, subindo em meu carro, e elogiado pelos Brahmanas, entrei na nossa cidade e relatei para minha mãe Satyavati tudo o que tinha ocorrido, e ela, ó grande rei, proferiu bênçãos sobre mim. Eu então designei pessoas dotadas de inteligência para averiguar os atos daquela moça. Dedicados ao meu bem, benquerente deles, aqueles meus espiões com grande aplicação me traziam relatos do seu curso de ação, suas palavras e ações, dia a dia. Quando aquela moça foi para as florestas, decidida com relação a austeridades ascéticas, naquele momento eu fiquei triste, e afligido pela dor, eu perdi o teor do meu coração. Exceto alguém familiarizado com Brahma e cumpridor de votos, que são louváveis devido às austeridades que eles envolvem, nenhum Kshatriya alguma vez, por sua destreza, me venceu em combate! Eu então, ó rei, humildemente expliquei para Narada como também para Vyasa tudo o que a moça fez. Eles ambos me disseram, 'Ó Bhishma, não ceda à tristeza por causa da filha de Kasi. Quem ousaria frustrar o destino por meio do esforço individual?' Enquanto isso, ó grande rei, aquela moça, entrando em um agrupamento de retiros praticou austeridades que estavam além dos poderes humanos (de resistência). Sem comida, emaciada, seca, com madeixas emaranhadas e pretejada com sujeira, por seis meses ela viveu do ar somente, e permaneceu imóvel como um poste de rua. E aquela dama, possuidora de riqueza de ascetismo, abandonando todo alimento pelo jejum que ela mantinha, passou um ano inteiro depois disto de pé nas águas do Yamuna. Dotada de grande ira, ela passou todo o ano seguinte de pé sobre a parte anterior dos seus dedos dos pés e tendo comido somente uma folha caída (de uma árvore). E assim por doze anos ela fez os céus quentes por suas austeridades. E embora desaconselhada por seus parentes, ela não pôde por quaisquer meios ser afastada (daquele curso de ação). Ela então foi ao Vatsabhumi frequentado pelos Siddhas e Charanas, e que era o retiro de ascetas de grande alma de feitos pios. Banhando-se frequentemente nas águas sagradas daquele retiro, a princesa de Kasi vagou de acordo com sua vontade. Procedendo em seguida (um após o outro) para o retiro, ó rei, de Narada e para o retiro auspicioso de Uluka e àquele de Chyavana, e ao local sagrado para Brahmana, e para Prayaga, a plataforma sacrifical dos deuses, e para aquela floresta sagrada para os deuses, e para Bhogawati, e, ó monarca, ao retiro do filho de Kusika (Viswamitra), e ao retiro de Mandavya, e também ao retiro de Dwilipa, e para Ramhrada, e, ó Kaurava, ao retiro de Garga, a princesa de Kasi, ó rei, realizou abluções nas águas sagradas de todos esses, cumprindo todo o tempo os mais difíceis dos votos. Um dia, minha mãe das águas a questionou, ó Kauravya, dizendo, 'Ó dama abençoada, para que tu te afliges assim? Diga-me a verdade!' Assim perguntada, ó monarca, aquela donzela impecável respondeu a ela com mãos unidas, dizendo, 'Ó tu de olhos bonitos, Rama foi vencido em batalha por Bhishma. Que outro rei (Kshatriya) então ousaria derrotar o último quando preparado com suas armas? Com relação a mim mesma, eu estou praticando as mais severas penitências para a destruição de Bhishma. Eu vago pela terra, ó deusa, para que eu possa matar aquele rei! Em tudo o que eu faço, ó deusa, este mesmo é o grande objetivo dos meus votos!' Ouvindo estas palavras dela, a que vai para o oceano (o rio Ganga) respondeu a ela, dizendo, 'Ó dama, tu estás agindo tortuosamente! Ó moça fraca, este teu desejo tu não serás capaz de realizar, ó impecável! Se, ó princesa de Kasi, tu cumpres estes votos para a destruição de Bhishma, e se tu deixares teu corpo enquanto os cumpre, (no teu próximo nascimento) tu virarás um rio, tortuoso em seu curso e de água somente durante as chuvas! Todos os lugares de banho ao longo do teu curso serão difíceis de se aproximar, e cheia somente durante as chuvas, tu serás seca por oito meses (durante o ano)! Cheia de jacarés terríveis, e criaturas de aparência terrível tu inspirarás temor em todas as criaturas!’ Dirigindo-se a ela dessa maneira, ó rei, minha mãe, aquela senhora altamente abençoada, em semblante risonho, dispensou a princesa de Kasi. Aquela donzela muito formosa então mais uma vez começou a praticar votos, abandonando toda comida, sim, até água, às vezes por oito meses e às vezes por dez meses! E a filha do rei de Kasi, vagando para lá e para cá por seu desejo ardente de tirthas, mais uma vez voltou, ó Kauravya, para Vatsabhumi. E é lá, ó Bharata, que ela é conhecida como tendo se tornado um rio, cheio somente durante as estações chuvosas, abundando com crocodilos, tortuoso em seu curso, e desprovido de acesso fácil à sua água. E, ó rei, por causa de seu mérito ascético somente metade do seu corpo se tornou tal rio em Vatsabhumi, enquanto com a outra metade ela permaneceu uma moça como antes!' 190 "Bhishma disse, 'Então todos aqueles ascetas (que moram em Vatsabhumi), vendo a princesa de Kasi firmemente resolvida com relação a austeridades ascéticas, a desaconselharam e a questionaram, dizendo, 'Qual é teu propósito?' Assim endereçada, a moça respondeu àqueles ascetas, maduros em penitências ascéticas, dizendo, 'Eu fui expulsa por Bhishma, impedida por ele (de obter) a virtude que teria sido minha por viver com um marido! Minha observância deste voto é para sua destruição e não por regiões de felicidade, ó dotados de riqueza de ascetismo! Tendo executado a morte de Bhishma, a paz será minha. Esta é minha resolução. Ele por quem este estado de dor contínua tem sido meu, ele por quem eu fui privada da região que teria sido minha se eu pudesse obter um marido, ele por quem eu me tornei nem mulher nem homem, sem matar em batalha aquele filho de Ganga eu não desistirei, ó dotados de riqueza de ascetismo. Isto mesmo que eu disse é o propósito que está no meu coração. Como uma mulher, eu não tenho mais algum desejo. Eu estou, no entanto, decidida a obter masculinidade, pois eu serei vingada em Bhishma. Eu não devo, portanto, ser desaconselhada por vocês.' A eles ela disse estas palavras repetidamente. Logo, o marido divino de Uma, portando o tridente, se mostrou em sua própria forma para aquela mulher asceta no meio daqueles grandes Rishis. Sendo pedida para solicitar a bênção que ela desejava, ela rogou da divindade minha derrota. ‘Tu o matarás’, foram as palavras que o deus disse para aquela dama de grande força mental. Assim assegurada, a moça, no entanto, mais uma vez disse para Rudra, 'Como pode acontecer, ó deus, que sendo uma mulher eu ainda serei capaz de alcançar vitória em batalha? Ó senhor de Uma, como uma mulher, meu coração está muito tranquilo. Tu, no entanto, me prometeste, ó senhor das criaturas, a derrota de Bhishma. Ó senhor que tens o touro como tua montaria, aja de tal maneira que tua promessa possa se tornar verdadeira, que enfrentando Bhishma, o filho de Santanu, em batalha, eu possa ser capaz de matá-lo.' O deus dos deuses, tendo o touro como seu símbolo, então disse àquela donzela, 'As palavras que eu proferi não podem ser falsas. Ó dama abençoada, verdadeiras elas serão. Tu matarás Bhishma, e certamente obterás masculinidade. Tu também te lembrarás de todos os incidentes (desta vida) mesmo quando tu obtiveres um novo corpo. Nascida na família de Drupada, tu te tornarás um Maharatha. Rápido no uso de armas e um guerreiro feroz, tu serás bem hábil em batalha. Ó dama abençoada, tudo que eu disse será verdade. Tu te tornarás um homem no término de algum tempo (desde teu nascimento)!' Tendo dito isso, o deus dos deuses, chamado também de Kapardin, tendo o touro como seu símbolo, desapareceu lá mesmo, na própria vista daqueles Brahmanas. Após isto, aquela moça impecável da cor mais formosa, a filha mais velha filha do rei de Kasi, obtendo madeira daquela floresta na própria vista daqueles grandes Rishis, fez uma grande pira mortuária nas margens do Yamuna, e tendo ateado fogo nela, entrou naquele fogo ardente, ó grande rei, com o coração queimado com cólera, e proferindo, ó rei, as palavras, ‘(Eu faço isso) para a destruição de Bhishma!'" 191 "Duryodhana disse, 'Diga-me, ó avô, como Sikhandin, ó filho de Ganga, tendo antes nascido uma filha, depois se tornou um homem, ó principal dos guerreiros.' "Bhishma disse, 'Ó grande rei, a rainha mais velha e querida do rei Drupada era, ó monarca, sem filhos (a princípio). Durante aqueles anos, o rei Drupada, ó monarca, prestou sua adoração ao deus Sankara por progênie, resolvendo em sua mente realizar minha destruição e praticando as mais rígidas das penitências. E ele rogou a Mahadeva, dizendo, 'Que um filho, e não uma filha, nasça para mim. Eu desejo, ó deus, um filho para me vingar de Bhishma.' Nisso, aquele deus dos deuses disse a ele, 'Tu terás um filho que será mulher e homem. Desista, ó rei, isto não será de outra maneira.' Voltando então para sua capital, ele se dirigiu à sua esposa, dizendo, 'Ó grande deusa, formidável tem sido o esforço feito por mim. Praticando austeridades ascéticas, eu prestei minhas adorações a Siva, e eu fui dito por Sambhu que meu filho se tornando uma filha (primeiro) posteriormente se tornaria uma pessoa masculina. E embora eu o solicitasse repetidamente, contudo Siva disse, ‘Este é o decreto do Destino. Isto não será de outra maneira. Aquilo que está destinado deve se realizar!' Então aquela senhora de grande energia, a rainha do rei Drupada, quando seu período chegou, observando todos os regulamentos (acerca de pureza), se aproximou de Drupada. E no devido tempo a esposa de Prishata concebeu, em conformidade com o decreto do Destino, como eu fui informado, ó rei, por Narada. E aquela senhora, de olhos parecidos com pétalas de lótus, continuou a manter o embrião em seu útero. E, ó filho da linhagem de Kuru, o rei Drupada de braços fortes, por afeto paterno, cuidou de todo o conforto daquela sua esposa querida. E, ó Kaurava, a esposa daquele senhor de terra, o rei Drupada, que não tinha filhos, teve todos os seus desejos satisfeitos. E no devido tempo, ó monarca, aquela deusa, a rainha de Drupada deu à luz uma filha de grande beleza. Nisso, a mulher de mente forte daquele rei, o sem filhos Drupada, anunciou, ó monarca, que a criança que ela tinha gerado era um filho. E então o rei Drupada, ó soberano de homens, fez todos os ritos prescritos para uma criança masculina serem realizados em relação àquela filha descrita enganosamente, como se ela fosse realmente um filho. E dizendo que a criança era um filho, a rainha de Drupada manteve seus planos muito cuidadosamente. E nenhum outro homem na cidade, salvo Prishata, sabia o sexo daquela criança. Acreditando nas palavras daquela divindade de energia imperecível, ele também ocultou o sexo real de sua criança, dizendo, ‘Ela é um filho.’ E, ó rei, Drupada fez todos os ritos de infância, prescritos para um filho, serem realizados em relação àquela criança, e ele deu o nome de Sikhandin a ela. Só eu, através dos meus espiões e das palavras de Narada, sabia a verdade, informado como eu tinha sido anteriormente das palavras do deus e das austeridades ascéticas de Amva!'" 192 "Bhishma disse, 'Drupada, ó castigador de inimigos, concedeu grande atenção em tudo com relação àquela filha dele, ensinando a ela escrita e pintura e todas as artes. E em flechas e armas aquela criança se tornou um discípulo de Drona. E a mãe da criança, de compleição superior, então instou o rei (seu marido) para encontrar, ó monarca, uma esposa para ela, como se ela fosse um filho. Então Prishata, vendo que aquela sua filha tinha alcançado o total desenvolvimento da juventude e assegurado de seu sexo começou a consultar com sua rainha. E Drupada disse, 'Esta minha filha que aumenta assim minha aflição alcançou sua mocidade. Escondida, no entanto, ela foi até agora por mim por causa das palavras da divindade portadora do tridente!' A rainha respondeu, 'Aquilo, ó grande rei, nunca pode ser falso! Por que, de fato, o Senhor dos três mundos diria o que não ocorrerá? Se isto te agrada, ó rei, eu falarei, e escute as minhas palavras, e, ó filho da linhagem de Prishata, tendo escutado a mim, siga tua própria inclinação! Que o casamento desta criança com uma mulher seja realizado com cuidado. As palavras daquele deus serão verdadeiras. Esta é minha crença indubitável!' Então aquele casal real, tendo assentado sua resolução daquele caso, escolheram a filha do rei dos Dasarnakas como esposa de seu filho. Depois disto, o nobre Drupada, aquele leão entre reis, tendo perguntado acerca da pureza de descendência, de todos os soberanos da terra, escolheu a filha do rei dos Dasarnakas como esposa para Sikhandin. Ele que era chamado de rei dos Dasarnakas se chamava Hiranyavarman; e ele entregou sua filha para Sikhandin. E Hiranyavarman, o rei dos Dasarnakas, era um monarca poderoso, incapaz de ser facilmente vencido. Incapaz de ser resistido, aquele monarca de grande alma possuía um exército grande. E algum tempo depois do casamento, a filha de Hiranyavarman, ó melhor dos monarcas, alcançou sua mocidade enquanto a filha de Drupada também tinha alcançado a dela. E Sikhandin, depois do casamento, voltou para Kampilya. E a primeira logo veio a saber que a última era uma mulher como ela mesma. E a filha de Hiranyavarman, tendo averiguado que Sikhandin era realmente uma mulher, timidamente relatou para suas amas e companheiras tudo acerca do assim chamado filho do rei dos Panchalas. Então, ó tigre entre reis, aquelas amas do país Dasarnakas ficaram cheias de grande aflição e enviaram emissários para seu rei. E aqueles emissários relataram para o rei dos Dasarnakas tudo sobre o embuste que tinha ocorrido. E, nisso, o rei dos Dasarnakas ficou cheio de raiva. De fato, ó touro da raça Bharata, Hiranyavarman, ouvindo as notícias depois do término de poucos dias, estava muito atormentado pela ira. O governante dos Dasarnakas então, cheio de cólera violenta, enviou um mensageiro para a residência de Drupada. E o mensageiro do rei Hiranyavarman, tendo se aproximado sozinho de Drupada, levou-o para um lado e disse a ele em particular, 'O rei dos Dasarnakas, ó monarca, enganado por ti e enfurecido, ó impecável, pelo insulto que tu ofereceste a ele, disse estas palavras para ti: ‘Tu me humilhaste! Sem dúvida isto não foi sabiamente feito por ti! Tu, por insensatez, solicitaste minha filha para tua filha! Ó pecaminoso, colha agora a consequência daquele ato de fraude! Eu agora matarei a ti com todos os teus parentes e conselheiros! Espere um pouco!'" 193 "Bhishma disse, 'Assim endereçado, ó rei, por aquele mensageiro, o rei Drupada, como um ladrão pego (na ação), não pôde falar. Ele se esforçou muito, por enviar emissários de palavras agradáveis com sua própria instrução para eles, dizendo, ‘Isto não é assim,’ para acalmar seu irmão. O rei Hiranyavarman, no entanto, averiguando novamente que o filho do rei dos Panchalas era realmente uma filha, saiu de sua cidade sem perder tempo. Ele então enviou mensagens para todos os seus amigos poderosos sobre aquela fraude praticada sobre sua filha, da qual ele tinha sabido a partir das amas dela. Então, aquele melhor dos reis, tendo reunido um grande exército, resolveu, ó Bharata, marchar contra Drupada. Então, ó monarca, o rei Hiranyavarman deliberou com seus ministros acerca do soberano dos Panchalas. E foi decidido entre aqueles reis de grande alma que se, ó monarca, Sikhandin fosse realmente uma filha, eles deveriam amarrar o soberano dos Panchalas e arrastá-lo de sua cidade, e instalando outro rei sobre os Panchalas eles deveriam matar Drupada com Sikhandin. Tomando aquela como a resolução fixa (de todos a quem ele tinha convocado) o rei Hiranyavarman uma vez mais mandou um enviado ao descendente de Prishata, dizendo 'Eu te matarei, fique calmo.' "Bhishma continuou, 'O rei Drupada não era naturalmente corajoso. Em consequência, além disso, daquela sua ofensa, ele ficou cheio de medo. Mandando seus enviados outra vez ao soberano dos Dasarnakas, o rei Drupada, afligido pela angústia, se aproximou de sua esposa e se aconselhou com ela. E possuído por grande pavor e com coração atormentado pela angústia o rei dos Panchalas disse para sua esposa predileta, a mãe de Sikhandin, estas palavras, 'Meu irmão poderoso, o rei Hiranyavarman, tendo reunido uma grande tropa, está vindo em direção a mim com raiva. Tolos que nós dois somos, o que nós vamos fazer agora em relação a esta nossa filha? Suspeita-se que teu filho, Sikhandin, é uma filha. Sob esta suspeita, Hiranyavarman com seus aliados e seguido por seu exército deseja me matar pensando que ele foi enganado por mim! Ó tu de quadris belos, nos diga agora o que é verdadeiro ou falso nisto, ó bela dama! Ó dama abençoada, ouvindo de ti primeiro, eu decidirei como agir. Eu estou em grande perigo e este filho, Sikhandin, também está igualmente assim. De fato, ó rainha, ó tu da cor mais formosa, tu também estás ameaçada pelo perigo! Para o alívio de todos, diga a mim que te pergunto qual é a verdade! Ó tu de belos quadris e sorrisos doces, ouvindo o que tu tens a dizer eu agirei apropriadamente. Embora eu tenha sido enganado por ti quanto aos deveres que eu tenho para com um filho, contudo, ó senhora bela, por bondade eu agirei em direção a ambas de uma maneira apropriada. Portanto, não temas, nem deixe esta tua filha ter medo de alguma coisa. De fato, eu enganei o rei dos Dasarnakas. Diga-me, ó dama muito abençoada, como eu posso agir em direção a ele para que tudo possa ainda acabar bem!' De fato, embora o rei soubesse de tudo ele se dirigiu à sua esposa na presença de outros dessa maneira, para proclamar sua própria inocência diante de outros. Sua rainha então lhe respondeu nas seguintes palavras.'" 194 "Bhishma disse, 'Então, ó rei de braços poderosos, a mãe de Sikhandin relatou para seu marido a verdade acerca de sua filha, Sikhandin. E ela disse, 'Sem filhos, ó grande rei, como eu era, por medo das minhas co-esposas, quando Sikhandini, minha filha, nasceu, eu contei para você que era um filho! Por teu amor por mim, tu também confirmaste isto, e, ó touro entre reis, tu realizaste todos os ritos prescritos para um filho em relação a esta minha filha! Tu então a casaste, ó rei, com a filha do rei dos Dasarnakas. Eu também aprovei esta ação, me lembrando das palavras do (grande) deus! De fato, eu não impedi isto, me lembrando das palavras de Siva, ‘Nascida uma filha, ela se tornará um filho!’’ Ouvindo tudo isso, Drupada, de também chamado Yajnasena, informou todos os seus conselheiros destes fatos. E, ó monarca, o rei então se aconselhou com ministros para a proteção apropriada de seus súditos (do suposto invasor). Embora ele mesmo tivesse enganado o rei dos Dasarnakas, contudo anunciando que a aliança que ele tinha feito era apropriada, ele começou a arranjar seus planos com total atenção. A cidade do rei Drupada era, ó Bharata, naturalmente bem protegida. Porém na chegada do perigo, ó monarca, eles começaram a protegê-la toda com mais cuidado e a fortalecê-la (com trabalhos defensivos). O rei, no entanto, com sua rainha, estava imensamente aflito, pensando em como uma guerra poderia não acontecer com seu irmão. Refletindo sobre isto, ele começou a prestar suas adorações aos deuses. Sua esposa respeitada, vendo-o confiando nos deuses e prestando suas adorações a eles, então se dirigiu a ele, ó rei, e disse, 'Homenagem aos deuses é produtiva de benefícios! Ela é, portanto, aprovada pelos virtuosos. O que eu direi, além disso, daqueles que estão afundados em um oceano de infortúnio? Portanto, preste homenagem àqueles que são teus superiores e que todos os deuses também sejam adorados, enquanto fazes grandes presentes (para os Brahmanas)! Que oblações sejam derramadas sobre o fogo para pacificar o soberano dos Dasarnakas. Ó senhor, pense nos meios pelos quais, sem uma guerra, tu possas acalmar teu irmão! Pela graça de todos os deuses tudo isso acontecerá. Para a preservação desta cidade, ó tu de olhos grandes, tu te aconselhaste com teus ministros. Faça tudo, ó rei, o que aqueles conselhos parecem indicar, pois confiança nos deuses, quando apoiada por esforço humano, sempre, ó rei, leva ao sucesso. Se estes dois não seguirem lado a lado, o sucesso se torna inalcançável. Portanto, com todos os teus conselheiros, faça tais arranjos em tua cidade que sejam apropriados, e preste homenagem, ó monarca, como tu quiseres, aos deuses.' Enquanto marido e mulher estavam conversando assim entre si, ambos cheios de aflição, sua filha impotente, Sikhandini, estava cheia de vergonha. Ela então refletiu, dizendo, 'É por minha causa que esses dois estão mergulhados em aflição!' Pensando assim, ela resolveu pôr um fim em sua própria vida. Tendo tomado essa decisão, ela deixou a casa, cheia de grande tristeza, e entrou em uma floresta densa e solitária que era o abrigo, ó rei, de um Yaksha formidável chamado Sthunakarna. Por medo daquele Yaksha homens nunca entravam naquela floresta. E dentro dela ficava uma mansão com paredes altas e um portão, rebocada com terra em pó, e rica com fumaça portando a fragrância de arroz frito. Entrando naquela mansão, Sikhandini, a filha de Drupada, ó rei, começou a reduzir a si mesma por abandonar todo alimento por muitos dias. Nisso, o Yaksha chamado Sthuna, que era dotado de bondade, se mostrou para ela. E ele a questionou, dizendo, 'Para que objetivo é este teu esforço? Eu o realizarei, diga-me sem demora!' Assim perguntada, a moça lhe respondeu, dizendo repetidamente, 'Tu és incapaz de realizar isto!' O Guhyaka, no entanto, replicou, sem a demora de um momento, dizendo, 'Eu o realizarei! Eu sou um seguidor do Senhor dos tesouros, eu posso, ó princesa, conceder bênçãos! Eu te concederei até aquilo que não pode ser dado! Diga-me o que tu tens a dizer!' Assim assegurada, Sikhandini relatou em detalhes tudo o que tinha acontecido, para aquele chefe de Yakshas chamado Sthunakarna. E ela disse, 'Meu pai, ó Yaksha, logo encontrará a destruição. O soberano dos Dasarnakas marcha contra ele em fúria. Aquele rei equipado em armadura dourada é dotado de grande poder e grande coragem. Portanto, ó Yaksha, salve a mim, minha mãe, e meu pai! De fato, tu já prometeste aliviar minha angústia! Pela tua graça, ó Yaksha, eu me tornarei um homem perfeito! Enquanto aquele rei não se afastar da minha cidade, ó grande Yaksha, mostre-me benevolência, ó Guhyaka!'" 195 "Bhishma disse, 'Ouvindo, ó touro da raça Bharata, aquelas palavras de Sikhandini, afligida pelo destino, aquele Yaksha disse depois refletir em sua mente, estas palavras. De fato, estava ordenado para ser assim, e, ó Kaurava, isto estava ordenado para minha aflição! O Yaksha disse, 'Ó dama abençoada, eu sem dúvida farei o que tu desejas! Escute, no entanto, à condição que eu faço. Por certo período eu te darei minha masculinidade. Tu deves, no entanto, voltar a mim no devido tempo. Prometa fazer isso! Possuidor de imenso poder, eu sou um viajante dos céus, vagando à minha vontade, e capaz de realizar o que quer que eu planeje. Pela minha graça, salve a cidade e teus parentes totalmente! Eu manterei tua feminilidade, ó princesa! Garanta tua honestidade para mim, eu farei o que é agradável para ti!' Assim endereçada, Sikhandini disse a ele, 'Ó santo de votos excelentes, eu te darei de volta tua masculinidade! Ó vagueador da noite, mantenha minha feminilidade por um tempo curto! Depois que o governante dos Dasarnakas que está envolvido em uma armadura dourada tiver partido (da minha cidade) eu mais uma vez me tornarei uma moça e tu te tornarás um homem!' "Bhishma continuou, 'Tendo dito isso (um ao outro), os dois, ó rei, fizeram um pacto, e deram ao corpo um do outro seus sexos. E o Yaksha Sthuna, ó Bharata, se tornou uma mulher, enquanto Sikhandini obteve a forma resplandecente do Yaksha. Então, ó rei, Sikhandini da linhagem de Panchala, tendo obtido masculinidade, entrou em sua cidade em grande alegria e se aproximou de seu pai. E ele relatou para Drupada tudo o que tinha acontecido. E Drupada, ouvindo tudo isto ficou muito contente. E junto com sua esposa o rei lembrou-se das palavras de Maheswara. E ele em seguida enviou, ó rei, um mensageiro para o soberano dos Dasarnakas, dizendo, 'Meu filho é um homem. Que tu acredites nisto!' O rei dos Dasarnakas enquanto isso, cheio com tristeza e dor, de repente se aproximou de Drupada, o soberano dos Panchalas. E chegado a Kampilya, o rei Dasarnaka despachou, depois de prestar a ele honras apropriadas, um enviado que era um dos principais daqueles familiarizados com os Vedas. E ele se dirigiu ao enviado, dizendo, 'Instruído por mim, ó mensageiro, diga para aquele pior dos reis, o soberano dos Panchalas, estas palavras, ou seja, ‘Ó tu de mente má, tendo escolhido minha filha como uma esposa para alguém que é tua filha, tu verás hoje, sem dúvida, o resultado dessa ação de fraude.' Assim endereçado e despachado por ele, ó melhor dos reis, o Brahmana partiu para a cidade de Drupada como enviado de Dasarnaka. E tendo chegado à cidade, o sacerdote foi até a presença de Drupada. O rei dos Panchalas então, com Sikhandin, ofereceu ao enviado, ó rei, uma vaca e mel. O Brahmana, no entanto, sem aceitar aquela adoração, disse para ele estas palavras que tinham sido comunicadas através dele pelo corajoso governante dos Dasarnakas que estava vestido em uma armadura dourada. E ele disse, 'Ó tu de comportamento vil, eu fui enganado por ti através da tua filha (como os meios)! Eu exterminarei a ti com teus conselheiros e filhos e parentes!' Tendo, no meio de seus conselheiros, sido feito por aquele sacerdote ouvir aquelas palavras repletas de censura e proferidas pelo soberano dos Dasarnakas, o rei Drupada então, ó chefe da família de Bharata, assumindo um comportamento suave por motivos de amizade, disse, ‘A resposta a estas palavras de meu irmão que tu disseste para mim, ó Brahmana, serão levadas àquele monarca por meu enviado!' E o rei Drupada então enviou para Hiranyavarman de mente elevada um Brahmana versado nos Vedas como seu enviado. E aquele enviado, indo ao rei Hiranyavarman, o soberano dos Dasarnakas, disse a ele, ó monarca, a informação que Drupada tinha lhe confiado.' E ele disse, 'Este meu filho é realmente um homem. Que isto seja tornado claro por meio de testemunha! Alguém tem falado falsamente para ti. Isso não ser crido!' Então o rei dos Dasarnakas, ouvindo as palavras de Drupada, ficou cheio de tristeza e despachou várias damas de grande beleza para averiguarem se Sikhandin era homem ou mulher. Enviadas por ele, aquelas damas, tendo averiguado (a verdade) disseram alegremente ao rei dos Dasarnakas tudo, ou seja, que Sikhandin, ó chefe dos Kurus, era uma poderosa pessoa do sexo masculino. Ouvindo aquele testemunho, o governante dos Dasarnakas ficou cheio de grande alegria, e indo então até seu irmão Drupada, passou uns poucos dias com ele em alegria. E o rei, alegre como ele estava, deu para Sikhandin muita riqueza, muitos elefantes e corcéis e vacas. E reverenciado por Drupada (enquanto ele permaneceu), o rei Dasarnaka então partiu, tendo repreendido sua filha. E depois que o rei Hiranyavarman, o soberano dos Dasarnakas, tinha partido em alegria e com sua raiva suprimida, Sikhandin começou a regozijar muito. Enquanto isso, algum tempo depois (que a troca de sexos tinha ocorrido) Kuvera, que era sempre carregado sobre os ombros de seres humanos, no decorrer de uma viagem (pela terra), chegou à residência de Sthuna. Permanecendo (no firmamento) acima daquela mansão, o protetor de todos os tesouros viu que a excelente residência do Yaksha Sthuna estava bem adornada com guirlandas belas de flores, e perfumada com raízes fragrantes de ervas e muitos perfumes agradáveis. E ela estava decorada com dosséis, e incenso perfumado. E ela era também bela com estandartes e pendões. E ela estava cheia com comestíveis e bebidas de todos os tipos. E vendo aquela residência bela do Yaksha totalmente adornada, e cheia também com guirlandas de jóias e pedras preciosas e perfumada com a fragrância de espécies diversas de flores, e bem irrigada, e bem varrida, o senhor dos Yakshas se dirigiu aos Yakshas que o seguiam, dizendo, 'Vocês que são dotados de destreza incomensurável, esta mansão de Sthuna está bem enfeitada! Por que, no entanto, aquele indivíduo de má compreensão não vem até mim? E já que ele de alma pecaminosa, sabendo que eu estou aqui, não se aproxima de mim, portanto, algum castigo severo deve ser infligido a ele! Esta mesma é minha intenção!' Ouvindo estas palavras dele os Yakshas disseram, 'Ó rei, o rei Drupada teve uma filha nascida para ele, de nome Sikhandini! Para ela, por alguma razão, Sthuna deu sua própria masculinidade, e tendo tomado sua feminilidade sobre si ele fica dentro de sua residência tendo se tornado uma mulher! Portando uma forma feminina, ele, portanto, não se aproxima de ti em vergonha! É por esta razão, ó rei, que Sthuna não vem a ti! Sabendo de tudo isso, faça o que possa ser apropriado!' ‘Que o carro seja parado aqui! Que Sthuna seja trazido a mim,’ foram as palavras que o senhor dos Yakshas proferiu, e repetidamente disse, ‘Eu irei puni-lo!’ Convocado então pelo Senhor dos Yakshas, Sthuna portando uma forma feminina foi até lá, ó rei, e ficou diante dele envergonhado. Então, ó tu da família de Kuru, o doador de riqueza o amaldiçoou em fúria, dizendo, 'Ó Guhyakas, que a feminilidade do patife permaneça como está!' E o senhor de grande alma dos Yakshas também disse, 'Já que humilhando todos os Yakshas, tu, ó tu de feitos pecaminosos, entregaste teu próprio sexo para Sikhandini e pegaste dela, ó tu de mente má, sua feminilidade, já que, ó canalha pecaminoso, tu fizeste o que nunca foi feito por alguém, portanto deste dia em diante tu permanecerás uma mulher e ela permanecerá um homem!' A estas palavras dele, todos os Yakshas começaram a acalmar Vaisravana por causa de Sthunakarna dizendo repetidamente, 'Estabeleça um limite para tua maldição.' O senhor de grande alma dos Yakshas então disse para todos aqueles Yakshas que o seguiam, pelo desejo de estabelecer um limite para sua maldição, estas palavras, ‘Depois da morte de Sikhandin, ó Yakshas, este recuperará sua própria forma! Portanto, que este Yaksha Sthuna de grande alma fique livre de sua ansiedade!’ Tendo dito isso, o rei ilustre e divino dos Yakshas, recebendo culto devido, partiu com todos os seus seguidores que eram capazes de atravessar uma grande distância dentro do mais curto espaço de tempo. E Sthuna, com aquela maldição pronunciada sobre ele, continuou a viver lá. E quando chegou a hora, Sikhandin sem perder um momento foi àquele vagueador da noite. E se aproximando de sua presença ele disse, ‘Eu vim a ti, ó santo!’ Sthuna então repetidamente disse a ele, 'Eu estou satisfeito contigo!' De fato, vendo aquele príncipe retornar a ele sem fraude, Sthuna disse a Sikhandin tudo o que tinha acontecido. De fato, o Yaksha disse, 'Ó filho de um rei, por tua causa eu fui amaldiçoado por Vaisravana. Vá agora, e viva felizmente entre os homens como tu escolheres. Tua vinda aqui e a chegada do filho de Pulastya estavam, eu penso, ambos ordenados antecipadamente. Tudo isto não podia ser evitado!' "Bhishma continuou, 'Assim endereçado pelo Yaksha Sthuna, Sikhandin, ó Bharata, foi para sua cidade, cheio de grande alegria. E ele adorou com diversos perfumes e guirlandas de flores e presentes caros pessoas da classe regenerada, divindades, árvores grandes e cruzamentos. E Drupada, o soberano dos Panchalas, junto com seu filho Sikhandin cujos desejos tinham sido coroados com êxito, e também com seus parentes, ficou muito contente. E o rei então, ó touro da raça Kuru, deu seu filho, Sikhandin, que tinha sido uma mulher, como um pupilo, ó monarca, para Drona. E o príncipe Sikhandin obteve, junto com vocês mesmos, toda a ciência de armas com suas quatro divisões. E (seu irmão) Dhrishtadyumna da linhagem de Prishata também obteve o mesmo. De fato, tudo isto foi relatado para mim, ó senhor, pelos espiões, disfarçados como idiotas e como pessoas sem os sentidos de visão e audição que eu tinha colocado perto de Drupada. Foi assim, ó rei, que aquele melhor dos Rathas, Sikhandin, o filho de Drupada, tendo primeiro nascido uma mulher, posteriormente se tornou uma pessoa do outro sexo. E foi a filha mais velha do soberano de Kasi, célebre pelo nome de Amva, que foi, ó touro da linhagem de Bharata, nascida na linhagem de Drupada como Sikhandin. Se ele se aproximar de mim com arco na mão e desejoso de lutar, eu não olharei para ele nem por um momento nem o atingirei, ó tu de glória imorredoura! Este mesmo é meu voto, conhecido por todo o mundo, ou seja, que eu não irei, ó filho da família de Kuru, disparar armas sobre uma mulher, ou alguém que era uma mulher antes ou alguém portando um nome feminino, ou alguém cuja forma pareça com a de uma mulher. Por esta razão eu não matarei Sikhandin. Esta mesma, ó senhor, é a história que eu averiguei do nascimento de Sikhandin. Eu, portanto, não o matarei em batalha mesmo que ele se aproxime de mim com arma na mão. Se Bhishma matar uma mulher os virtuosos todos falarão mal dele. Eu não irei, portanto, matá-lo mesmo que eu o veja esperando para lutar!' "Sanjaya continuou, 'Ouvindo estas palavras de Bhishma, o rei Duryodhana da família de Kuru, refletindo por um momento, pensou que aquele comportamento era apropriado para Bhishma.'" 196 "Sanjaya disse, 'Quando a noite passou e a manhã se aproximou, teus filhos mais uma vez, no meio de todas as tropas, questionaram seu avô, dizendo, 'Ó filho de Ganga, este exército que está pronto para lutar, do filho de Pandu, que abunda com homens, elefantes, e corcéis, que está apinhado com Maharathas, que é protegido por estes arqueiros poderosos dotados de grande força, ou seja, Bhima e Arjuna e outros encabeçados por Dhrishtadyumna e todos parecendo os próprios regentes do mundo, que é invencível e incapaz de ser resistido, que parece com o oceano ilimitado, este mar de guerreiros incapaz de ser agitado pelos próprios deuses em batalha, em quantos dias, ó filho de Ganga, ó tu de grande refulgência, tu podes aniquilá-lo, e em quanto tempo pode aquele arqueiro poderoso, nosso preceptor (Drona), em quanto tempo também o poderoso Kripa, em quanto tempo Karna que tem prazer em batalha, e em quanto tempo aquele melhor dos Brahmanas, ou seja, o filho de Drona, podem cada um aniquilá-lo? Vocês que estão no meu exército são todos conhecedores de armas celestes! Eu desejo saber isto, pois a curiosidade que eu sinto em meu coração é grande! Ó tu de armas poderosas, cabe a ti dizer isso para mim!' "Bhishma disse, 'Ó principal dos Kurus, ó senhor da terra, tu perguntaste sobre a força e fraqueza do inimigo. Isto, de fato, é digno de ti. Ouça, ó rei, enquanto eu te digo o limite máximo do meu poder em batalha, ou da energia das minhas armas, ou da força dos meus braços, ó tu de braços fortes! Com relação a combatentes comuns, deve-se lutar com eles naturalmente. Com respeito àqueles que são possuidores de poderes de ilusão, deve-se lutar com eles auxiliado pelos modos de ilusão. Isto mesmo é o que é prescrito sobre os deveres dos guerreiros. Eu posso aniquilar o exército Pandava, ó monarca abençoado, pegando toda manhã dez mil guerreiros (comuns) e mil guerreiros em carros como minha parte dia a dia. Equipado em armadura e sempre me esforçando ativamente, eu posso, ó Bharata, aniquilar esta grande força, de acordo com este arranjo em relação a número e tempo. Se, no entanto, posicionado em batalha, eu disparar minhas grandes armas que matam centenas e milhares de uma vez, então eu posso, ó Bharata, terminar a matança em um mês.' "Sanjaya continuou, 'Ouvindo estas palavras de Bhishma, o rei Duryodhana então questionou Drona, ó monarca, aquele principal da linhagem de Angira, dizendo, 'Ó preceptor, em quanto tempo tu podes aniquilar as tropas do filho de Pandu?' Assim endereçado por ele, Drona disse sorridente, 'Eu sou velho, ó de braços fortes! Minha energia e atividade ambas se tornaram fracas. Com o fogo das minhas armas eu posso consumir o exército dos Pandavas, como o filho de Santanu, Bhishma, eu penso, no tempo de um mês. Este mesmo é o limite do meu poder, este mesmo é o limite da minha força.' Então o filho de Saradwat, Kripa, disse ele podia aniquilar o inimigo no tempo de dois meses. O filho de Drona (Aswatthaman) prometeu aniquilar o exército Pandava em dez noites, Karna, no entanto, familiarizado como ele era com armas de grande eficácia, se comprometeu em realizar aquela façanha em cinco dias. Ouvindo as palavras do filho de Suta, o filho daquela que ruma para o oceano (Ganga), deu risada e disse, 'Enquanto, ó filho de Radha, tu não enfrentares em batalha Partha com suas flechas, concha, e arcos e avançando para o combate em seu carro com Vasudeva em sua companhia, tu podes pensar assim! Por que tu és capaz de dizer qualquer coisa, exatamente o que te agrada!'" 197 “Vaisampayana disse, ‘Ouvindo estas palavras (dos líderes do exército Kuru), o filho de Kunti Yudhishthira, convocando todos os seus irmãos, disse para eles estas palavras em particular.’” "Yudhishthira disse, 'Os espiões que eu coloquei no exército do filho de Dhritarashtra me trouxeram estas notícias de manhã. Duryodhana questionou o filho de Ganga de votos grandiosos, dizendo, 'Ó senhor, em quanto tempo tu podes aniquilar as tropas dos filhos de Pandu?' De fato, o perverso Duryodhana foi respondido por ele nestas palavras, ou seja, ‘Em um mês!’ Drona também declarou que ele podia fazer a mesma façanha mais ou menos no mesmo tempo. Gautama (Kripa) indicou duas vezes aquele período, como foi ouvido por nós. O filho de Drona conhecedor de armas de grande eficácia declarou que o período (no seu caso) seria dez noites. Karna também, conhecedor de armas de grande eficácia, perguntado no meio dos Kurus, declarou que poderia completar a matança em cinco dias. Portanto, eu também, ó Arjuna, estou desejoso de ouvir tuas palavras, 'Em quanto tempo tu podes, ó Falguni, exterminar o inimigo?' Assim endereçado pelo rei, Dhananjaya de cabelo ondulado, lançando um olhar sobre Vasudeva, disse estas palavras, 'Todos estes (Bhishma e outros) são (guerreiros) de grande alma, habilidosos com armas e familiarizados com todos os modos de guerra. Sem dúvida, ó rei, eles podem exterminar (nossas tropas) exatamente assim! Que a angústia do teu coração, no entanto, seja dissipada. Eu te digo realmente que com Vasudeva como meu aliado eu posso, em um único carro, exterminar os três mundos até com os imortais, de fato, todas as criaturas móveis que existiram, existem, e existirão, em um piscar de olhos. Isto é o que eu penso. Aquela arma terrível e poderosa que o Senhor de todas as criaturas (Mahadeva) me deu na ocasião da minha luta corpo a corpo com ele (no disfarce de) um caçador, ainda está comigo. De fato, ó tigre entre homens, aquela arma a qual o Senhor de todas as criaturas usa no fim do Yuga para destruir as coisas criadas está comigo. O filho de Ganga não conhece aquela arma; nem Drona nem Gautama (Kripa); nem o filho de Drona, ó rei! Como, portanto, o filho de Suta pode conhecê-la? No entanto, não é apropriado matar homens comuns em batalha por meio de armas celestes. Nós (por outro lado) venceremos nossos inimigos em um combate justo. Então, estes tigres entre homens, ó rei, são teus aliados! Todos eles são bem versados em armas celestes, e todos eles estão ávidos para lutar. Todos eles depois de sua iniciação nos Vedas passaram pelo banho final em sacrifícios. Todos eles são invictos. Eles são competentes, ó filho de Pandu, para matar em batalha até o exército dos celestiais. Tu tens como teus aliados Sikhandin, e Yuyudhana e Dhristadyumna da linhagem de Prishata; e Bhimasena, e esses gêmeos, e Yudhamanyu, e Uttamaujas, e Virata e Drupada que são iguais em batalha a Bhishma e Drona; e o poderosamente armado Sankha, e o filho de Hidimva de poder formidável; e este filho do último Anjanparvan dotado de grande força e bravura; e o descendente de Sini de braços fortes e bem versado em batalha, e o poderoso Abhimanyu e os cinco filhos de Draupadi! Tu mesmo, além disso, és competente para exterminar os três mundos! Ó tu que és dotado de refulgência igual àquela do próprio Sakra, eu sei disso, ó Kaurava, pois é evidente que aquele homem sobre quem tu possas lançar teu olhar em fúria sem dúvida será aniquilado!'" "Vaisampayana disse, 'Na manhã seguinte, sob um céu sem nuvens, todos os reis, incitados pelo filho de Dhritarashtra, Duryodhana, partiram contra os Pandavas. E todos eles tinham se purificado por meio de banhos, estavam enfeitados em guirlandas, e vestidos em mantos brancos. E tendo derramado libações sobre o fogo, feito Brahmanas proferirem bênçãos sobre eles, eles pegaram suas armas e ergueram seus (respectivos) estandartes. E todos eles eram conhecedores dos Vedas, e dotados de grande coragem, e tinham praticado votos excelentes. E todos eram concessores de desejos (de outras pessoas), e todos eram hábeis em batalha. Dotados de grande força, eles partiram, depositando confiança uns nos outros, e com unidade de propósito desejando alcançar em batalha as regiões mais elevadas. E primeiro Vinda e Anuvinda, ambos de Avanti, e os Kekayas, e os Vahlikas, todos partiram com o filho de Bharadwaja em sua dianteira. Então vinha Aswatthaman, e o filho de Santanu (Bhishma), e Jayadratha do país do Sindhu, e os reis dos países do sul e do oeste e das regiões montanhosas, e Sakuni, o soberano dos Gandharas, e todos os chefes das regiões leste e norte, e os Sakas, os Kiratas, e Yavanas, os Sivis e os Vasatis com seus Maharathas na dianteira de suas respectivas divisões. Todos estes grandes guerreiros em carro marchavam na segunda divisão. Então vinha Kritavarman na dianteira de suas tropas, e aquele poderoso guerreiro em carro, o soberano dos Trigartas, e o rei Duryodhana cercado por seus irmãos, e Sala, e Bhurisravas, e Salya, e Vrihadratha, o soberano dos Kosalas. Estes todos marcharam na retaguarda, com os filhos de Dhritarashtra encabeçando-os. E todos estes Dhartarashtras dotados de grande poder, se unindo em ordem apropriada, e todos vestidos em armadura, tomaram sua posição na outra extremidade de Kurukshetra, e, ó Bharata, Duryodhana fez seu acampamento ser tão adornado a ponto de fazê-lo parecer com uma segunda Hastinapura. De fato, ó rei, até aqueles que eram espertos entre os cidadãos de Hastinapura não podiam distinguir sua cidade do acampamento. E o rei Kuru fez pavilhões inacessíveis, parecidos com o seu próprio, serem construídos às centenas e milhares para os (outros) reis (em seu exército). E aquelas tendas, ó rei, para a acomodação das tropas estavam bem plantadas em uma área medindo cinco yojanas completos daquele campo de batalha. E naquelas tendas às milhares que estavam cheias de provisões, os soberanos da terra entraram, cada um segundo sua coragem e segundo a força que ele possuía. E o rei Duryodhana ordenou que provisões excelentes fossem fornecidas para todos aqueles reis de grande alma com suas tropas consistindo em infantaria, elefantes, e cavalos, e com todos os seus seguidores. E com relação a todos aqueles que subsistiam de artes mecânicas e todos os bardos, cantores, e panegiristas dedicados à sua causa, e vendedores e comerciantes, e prostitutas, e espiões, e pessoas que tinham ido para testemunhar a batalha, o rei Kuru fez provisão devida para todos.'" "Vaisampayana disse, 'Como Duryodhana, o rei Yudhishthira também, o filho de Kunti e Dharma, mandou partir, ó Bharata, seus guerreiros heróicos encabeçados por Dhrishtadyumna. De fato, ele ordenou que aquele matador de inimigos e comandante de tropas, aquele líder, firme em coragem, dos Chedis, dos Kasis, e dos Karushas, isto é, Dhrishtaketu, como também Virata, e Drupada, e Yuyudhana, e Sikhandin, e aqueles dois arqueiros poderosos, aqueles dois príncipes de Panchala, Yudhamanyu e Uttamaujas, partissem. Aqueles bravos guerreiros, envolvidos em belas cotas de malha e enfeitados com brincos dourados, brilhavam como fogos no altar sacrifical quando alimentado com manteiga clarificada. De fato, aqueles arqueiros poderosos pareciam resplandecentes como os planetas no firmamento. Então aquele touro entre homens, o rei Yudhishthira, tendo devidamente honrado todos os seus combatentes, mandou-os marchar. E o rei Yudhishthira ordenou excelentes provisões de alimentos para aqueles reis de grande alma com suas tropas consistindo em infantaria, e elefantes e cavalos, e com todos os seus seguidores, como também para todos aqueles que subsistiam de artes mecânicas. E o filho de Pandu primeiro ordenou Abhimanyu, e Vrihanta, e os cinco filhos de Draupadi, marcharem com Dhrishtadyumna em sua dianteira. E ele então despachou Bhima, e Dhananjaya o filho de Pandu, na segunda divisão de suas tropas. E o rumor feito pelos homens se movimentando e correndo para lá e para cá para arrearem seus corcéis e elefantes e carregarem os carros com instrumentos de batalha, e os gritos dos combatentes alegres, parecia tocar os próprios céus. E por último, o próprio rei marchava, acompanhado por Virata e Drupada e os outros monarcas (ao seu lado). E aquele exército de arqueiros ferozes comandado por Dhrishtadyumna, até então estacionado em um local, mas agora estendido em colunas para marchar, parecia com a (impetuosa) corrente do Ganga. Então o inteligente Yudhishthira dependendo de sua sabedoria dispôs suas divisões em uma ordem diferente, confundindo os filhos de Dhritarashtra. E o filho de Pandu ordenou que aqueles arqueiros poderosos, os (cinco) filhos de Draupadi, e Abhimanyu, e Nakula, e Sahadeva, e todos os Prabhadrakas, e dez mil cavalos, e dois mil elefantes, e dez mil soldados de infantaria, e quinhentos carros, constituindo a primeira divisão irresistível de seu exército, fosse colocada sob o comando de Bhimasena. E ele colocou na divisão do meio de seu exército Virata e Jayatsena, e aqueles dois poderosos guerreiros em carros, Yudhamanyu e Uttamauja, os dois príncipes de grande alma de Panchala, ambos dotados de grande destreza e ambos armados com maça e arco. E nesta divisão do meio marchavam Vasudeva e Dhananjaya. Lá estavam (colocados) combatentes muito talentosos em armas e queimando com raiva. Entre eles estavam corcéis montados por guerreiros valentes, e cinco mil elefantes, e multidões de carros por toda parte. E soldados de infantaria aos milhares, que eram todos bravos e armados com arcos, espadas, e maças, marchavam atrás deles, como mil marchavam à frente deles. E naquela parte daquele mar de tropas onde o próprio Yudhishthira estava estavam posicionados numerosos senhores de terra. E lá também havia milhares de elefantes, e corcéis às dezenas de milhares, e carros e soldados de infantaria também aos milhares. E lá também marchava, ó touro entre reis, Chekitana com sua própria tropa grande, e o rei Dhrishtaketu, o líder dos Chedis. E lá também estava aquele arqueiro poderoso, Satyaki, o principal guerreiro em carro dos Vrishnis, aquele combatente poderoso, cercado por centenas e milhares de carros e levando (eles para a batalha)! E aqueles touros entre homens, Kshatrahan e Kshatradeva, em seus carros, marcharam atrás, protegendo a retaguarda. E lá (na retaguarda) estavam as carroças, tendas, uniformes, veículos e animais de tiro. Lá também estavam milhares de elefantes e cavalos às dezenas de milhares. E levando todos os inválidos e mulheres, e todos os que estavam emaciados e fracos, e todos os animais que carregavam seus tesouros, e todos os seus armazéns, com a ajuda de suas divisões de elefantes, Yudhishthira marchou lentamente. E ele era seguido por Sauchitti, que aderia firmemente à verdade e era invencível em batalha, e Srenimat, e Vasudeva e Vibhu, o filho do soberano de Kasi, com vinte mil carros, e cem milhões corcéis de grande vigor, cada um levando grande número de sinos em seus membros, e vinte mil elefantes golpeadores com presas tão longas quanto relhas de arado, todos de boa raça e têmporas divididas e todos parecendo massas de nuvens moventes. De fato, estes andavam habitualmente atrás daqueles monarcas. Além destes, ó Bharata, os elefantes que Yudhishthira tinha em seus sete Akshauhinis, numerando setenta mil, com líquido orgânico gotejando de suas trombas e de suas bocas, e parecendo (por causa disso) com nuvens de chuvas, também seguiam o rei, como colinas moventes. Assim foi organizado aquele exército terrível do filho inteligente de Kunti. E confiando naquele exército ele lutou com Suyodhana, o filho de Dhritarashtra. Além daqueles já mencionados, outros homens às centenas e milhares e dezenas de milhares, em divisões contadas às milhares, seguiram (o exército Pandava), rugindo ruidosamente. E os guerreiros aos milhares e dezenas de milhares, cheios de alegria, bateram suas baterias às milhares e sopraram conchas às dezenas de milhares!'” Fim do Udyoga Parva.

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