Mahabharata
Mahabharata - 12 - Santi Parva - Parte 2
Santi Parva do Mahabharata, parte 2: ensinamentos, di?logos e reflex?es sobre dever, paz, sabedoria e ordem moral ap?s a grande guerra.
difícil procura a segurança de sua vida. É melhor ter uma pessoa erudita como inimiga do que um tolo como amigo. Com relação a mim mesmo, minha vida agora está totalmente nas mãos de meu inimigo, o gato. Eu agora me dirigirei ao gato sobre o assunto de sua própria liberação. Talvez, neste momento, não seja errado tomar o gato por um inimigo inteligente e erudito.' Assim mesmo aquele rato, cercado por inimigos, prosseguiu suas reflexões. Tendo refletido dessa maneira, o rato, conhecedor da ciência de Lucro e bem familiarizado com ocasiões quando a guerra deve ser declarada e a paz deve ser feita, se dirigiu gentilmente ao gato, dizendo, 'Eu me dirijo a ti em amizade, ó gato! Tu estás vivo? Eu desejo que tu vivas! Eu desejo o bem de nós dois. Ó amável, tu não tens motivo para temer. Tu viverás alegremente. Eu te salvarei, se, de fato, tu não me matares. Há um recurso excelente neste caso, o qual se sugere para mim, e pelo qual você pode obter sua fuga e eu posso obter grande benefício. Por refletir seriamente eu descobri este recurso por tua causa e por minha causa, que beneficiará nós dois. Há o mangusto e a coruja, ambos esperando com más intenções. Somente enquanto, ó gato, eles não me atacarem, minha vida estará segura. Lá aquela coruja infame com olhares inquietos e gritos horrendos está me olhando do ramo daquela árvore. Eu estou extremamente assustado por isto. Amizade, em relação aos bons, é de sete passos. (Em relação aos bons homens, eles se tornam amigos imediatamente. Por darem somente sete passos em uma caminhada juntos, dois homens bons se tornam amigos.) Possuidor de sabedoria como tu és, tu és meu amigo. Eu agirei em direção a ti como um amigo. Tu não precisas mais temer. Sem meu auxílio, ó gato, tu não conseguirás rasgar a rede. Eu, no entanto, cortarei a rede para te ajudar, se tu te abstiveres de me matar. Tu tens vivido sobre esta árvore e eu tenho vivido em sua base. Nós dois temos morado aqui por muitos longos anos. Tu sabes tudo isso. Aquele em quem ninguém coloca sua confiança, e aquele que nunca confia em outro, nunca são elogiados pelos sábios. Ambos são infelizes. Por esta razão, que nosso amor um pelo outro aumente, e que haja união entre nós dois. Homens de sabedoria nunca aprovam o esforço para fazer uma ação quando sua oportunidade passou. Saiba que esta é a hora apropriada para tal entendimento entre nós. Eu desejo que tu vivas, e tu também desejas que eu viva. Um homem cruza um rio profundo e grande por meio de um pedaço de madeira. É visto que o homem leva o pedaço de madeira para o outro lado, e o pedaço de madeira também leva o homem ao outro lado. Como este, nosso acordo também trará felicidade para nós dois. Eu te salvarei, e tu também me salvarás.' Tendo dito essas palavras que eram benéficas para ambos, repletas de razão e por causa disso muito aceitáveis, o rato Palita esperou na expectativa de uma resposta.’” "'Ouvindo essas palavras bem escolhidas, repletas de razão e altamente aceitáveis, que o rato disse, o inimigo do rato possuidor de juízo e previdência, isto é, o gato, falou em resposta. Dotado de grande inteligência, e possuidor de eloquência, o gato, refletindo sobre sua própria situação, elogiou as palavras do orador e o honrou por meio de palavras amáveis em retorno. Possuidor de dentes incisivos afiados e de olhos que pareciam as pedras chamadas lápis lazúli, o gato chamado Lomasa, olhando gentilmente para o rato, respondeu o seguinte: ‘Eu estou encantado contigo, ó amável! Abençoado sejas tu que desejas que eu viva! Faça, sem hesitação, o que tu achas que terá consequências benéficas. Eu estou certamente em grande perigo. Tu estás, se possível, em um perigo ainda maior. Que haja um acordo entre nós sem demora. Eu farei o que for oportuno e necessário para a realização do nosso interesse, ó poderoso! Se tu me resgatares, o serviço não será em vão e eu me colocarei nas tuas mãos. Eu sou dedicado a ti. Eu te visitarei e te servirei como um discípulo. Eu procuro tua proteção e sempre obedecerei às tuas ordens,' Assim endereçado, o rato Palita, se dirigindo ao gato que estava completamente sob seu controle, disse estas palavras de grave significado e sabedoria: 'Tu falaste muito magnanimamente. Isto mal poderia ser inesperado de alguém como tu. Ouça-me enquanto eu revelo o recurso que eu descobri para beneficiar nós dois. Eu me agacharei embaixo do teu corpo. Eu estou extremamente assustado pelo mangusto. Salve-me. Não me mate. Eu sou competente para te resgatar. Proteja-me também da coruja, pois aquela vilã também deseja me agarrar como sua presa. Eu cortarei a armadilha que te enreda. Eu juro pela Verdade, ó amigo!' Ouvindo estas palavras judiciosas repletas de razão, Lomasa, cheio de alegria, olhou para Palita e o elogiou com exclamações cordiais. Tendo louvado Palita, o gato, disposto à amizade, refletiu por um momento, e disse alegremente sem perder qualquer tempo, 'Venha a mim rapidamente! Abençoado sejas, tu és, de fato, um amigo caro para mim como a vida. Ó tu de grande sabedoria, pela tua graça eu quase consegui minha vida de volta. O que quer que esteja em meu poder fazer por ti agora, me diga e eu o farei. Que haja paz entre nós, ó amigo! Livre deste perigo, eu irei, com todos os meus amigos e parentes, fazer tudo o que possa ser agradável e benéfico para ti. O amável, livre deste perigo, eu sem dúvida procurarei te alegrar, e te honrar e cultuar em todas as ocasiões em retorno por teus serviços. Uma pessoa, mesmo por fazer serviços abundantes em retorno, nunca se iguala à pessoa que lhe fez o bem em primeiro lugar. O primeiro faz aqueles serviços por causa dos serviços recebidos. O último, no entanto, deve ser considerado como tendo agido sem nenhum motivo.'” "Bhishma continuou, 'O rato, tendo assim feito o gato compreender seus próprios interesses, se agachou confiantemente abaixo do corpo de seu inimigo. Possuidor de conhecimento, e assim assegurado pelo gato, o camundongo confiantemente se deitou sob o peito do gato como ele fosse o colo de seu pai ou mãe. Vendo-o assim acomodado sob o corpo do gato, o mangusto e a coruja ficaram sem esperanças de agarrar sua presa. De fato, vendo aquela amizade íntima entre o rato e o gato, ambos, Harita e Chandraka, ficaram alarmados e cheios de surpresa. Ambos tinham força e inteligência. Hábeis em apanhar sua presa, embora próximos, o mangusto e a coruja se sentiram incapazes de afastar o camundongo e o gato daquele acordo. De fato, vendo que o gato e o rato tinham feito aquela aliança para realizarem seus objetivos mútuos, o mangusto e a coruja deixaram aquele local e foram para suas respectivas residências. Depois disto, o rato Palita, conhecedor dos requisitos de tempo e lugar, começou, enquanto estava sob o corpo do gato, a cortar as cordas da armadilha lentamente, esperando a hora apropriada para terminar seu trabalho. Afligido pelas cordas que o envolviam, o gato ficou impaciente ao ver o camundongo cortando lentamente a armadilha. Vendo o rato empenhado tão lentamente no trabalho, o gato desejando acelerá-lo na tarefa, disse: 'Como é, ó amável, que tu não prossegues com pressa em teu trabalho? Tu me desconsideras agora, tendo conseguido teu objetivo? Ó matador de inimigos, corte estas cordas rapidamente. O caçador logo virá para cá.' Assim endereçado pelo gato que tinha ficado impaciente, o rato possuidor de inteligência disse estas palavras benéficas repletas de seu próprio bem para o gato que não parecia possuir muita sabedoria: 'Espere em silêncio, ó amável! A pressa não é necessária. Abandone todos os teus temores. Nós conhecemos os requisitos de tempo. Nós não estamos perdendo tempo. Quando um ato é iniciado em uma hora imprópria, ele nunca se torna lucrativo quando realizado. A ação, por outro lado, que é começada no tempo apropriado sempre produz resultados esplêndidos. Se tu fores libertado em um momento impróprio, eu terei grande receio de ti. Portanto, espere pela hora apropriada. Não seja impaciente, ó amigo! Quando eu vir o caçador se aproximar deste local armado com armas, eu cortarei as cordas naquele momento de medo para nós dois. Livre então, tu subirás na árvore. Naquela hora tu não pensarás em nada além da segurança da tua vida. E quando tu, ó Lomasa, fugires com medo, eu entrarei em minha toca e tu subirás na árvore.' Assim endereçado pelo rato em palavras que eram benéficas para ele, o gato, possuidor de inteligência e eloquência, e impaciente para salvar sua vida, respondeu para o rato nas seguintes palavras. De fato, o gato, que tinha rapidamente e devidamente feito a sua própria parte no acordo, se dirigindo ao rato que não era diligente em cumprir sua parte, disse, 'Eu te resgatei de um grande perigo com presteza considerável. Ai! Pessoas honestas nunca fazem serviço para seus amigos dessa maneira. Cheios de alegria ao fazerem-no, eles o fazem de outra maneira. Tu deves fazer o que é para o meu bem com maior rapidez. Ó tu de grande sabedoria, te empenhe um pouco mais para que o bem possa ser feito para nós dois. Se, por outro lado, se lembrando da nossa antiga hostilidade tu estás somente esperando a hora para escapulir, saiba, ó indivíduo perverso, que a consequência dessa tua ação certamente diminuirá a duração da tua própria vida! (A virtude prolonga a vida, e pecado e maldade sempre a diminuem. Isto é declarado quase em todos os lugares nas escrituras hindus.) Se eu alguma vez, antes disto, inconscientemente fiz algum mal para ti, tu não deves manter isto na lembrança. Eu suplico teu perdão. Fique satisfeito comigo.' Depois que o gato tinha dito estas palavras, o rato, possuidor de inteligência e sabedoria e conhecimento das escrituras, disse estas palavras excelentes para ele: 'Eu, ó gato, ouvi o que tu disseste em apoio ao teu próprio objetivo. Escute, no entanto, a mim enquanto eu te digo o que é compatível com os meus próprios objetivos. Aquela amizade na qual há medo e que não pode ser mantida sem medo, deve ser preservada com grande cautela como a mão (do encantador de cobras) das presas da cobra. A pessoa que não se protege depois te ter feito uma aliança com um indivíduo mais forte, constata que aquele compromisso produz dano em vez de benefício. Ninguém é amigo de ninguém; ninguém é benquerente de ninguém; as pessoas se tornam amigas ou inimigas somente por motivos de interesse. Interesses atraem interesses assim como elefantes domesticados capturam indivíduos selvagens de sua espécie. Depois, também, de uma ação ter sido realizada, o fazedor mal é considerado. Por esta razão, todas as ações devem ser feitas de forma que alguma coisa possa permanecer para ser feita. Quando eu te libertar, tu irás, afligido pelo medo do caçador, fugir pela tua vida sem nem pensar em me capturar. Veja, todas as cordas desta rede foram cortadas por mim. Somente resta uma para ser cortada. Eu a cortarei também com pressa. Fique confortado, ó Lomasa!' Enquanto o rato e o gato estavam falando dessa maneira um com o outro, ambos em sério perigo, a noite passou gradualmente. Um grande medo, no entanto, entrou no coração do gato. Quando finalmente chegou a manhã, o Chandala, cujo nome era Parigha, apareceu em cena. Seu rosto era terrível. Seu cabelo era preto e fulvo. Seus quadris eram muito largos e seu aspecto era muito feroz. De uma boca grande que se estendia de orelha a orelha, e extremamente sujo, suas orelhas eram muito longas. Armado com armas e acompanhado por uma matilha de cachorros, o homem de aparência lúgubre apareceu em cena. Vendo o indivíduo que parecia um mensageiro de Yama, o gato se encheu de medo. Dominado pelo pavor, ele se dirigiu a Palita e disse, 'O que tu farás agora?' O rato muito rapidamente cortou a corda restante que retinha o gato. Livre da armadilha, o gato correu com velocidade e subiu na banian. Palita também, livre daquela situação de perigo e da presença de um inimigo terrível, fugiu rapidamente e entrou em seu buraco. Lomasa enquanto isso tinha subido na árvore alta. O caçador, vendo tudo, pegou a ponta de sua rede. Suas esperanças frustradas, ele também deixou aquele local rapidamente. De fato, ó touro da raça Bharata, o Chandala voltou para sua residência. Livre daquele grande perigo, e tendo obtido de volta sua vida que era assim tão valiosa, o gato dos ramos daquela árvore se dirigiu ao rato Palita então dentro do buraco, e disse, 'Sem ter conversado comigo, tu fugiste de repente. Eu espero que tu não suspeites que eu tenha alguma má intenção. Eu estou certamente grato e tu me fizeste um grande serviço. Tendo me inspirado com confiança e tendo me dado minha vida, por que tu não te aproximas de mim em uma hora quando amigos devem desfrutar da doçura da amizade? Tendo feito amigos, aquele que os esquece depois é considerado uma pessoa má e nunca consegue obter amigos em tempos de perigo e necessidade. Eu, ó amigo, fui honrado e servido por ti da melhor maneira que tu pudesses. Cabe a ti desfrutar da companhia da minha pobre pessoa que se tornou tua amiga. Como discípulos adorando seu preceptor, todos os amigos que eu tenho, todos os meus parentes e amigos, irão te respeitar e venerar. Eu mesmo também te adorarei com todos os teus amigos e parentes. Que pessoa agradecida não adoraria aquele que lhe deu a vida? Sejas tu o senhor do meu corpo e da minha casa. Sejas tu o dono de todas as minhas posses e riquezas. Sejas o meu honrado conselheiro e me ordene como um pai. Eu juro pela minha vida que tu não tens que ter medo de nós. Em inteligência tu és como o próprio Usanas. Pelo poder da tua compreensão tu nos conquistaste. Possuidor de força de política, tu nos deste nossa vida.' Endereçado em tais palavras calmantes pelo gato, o rato, familiarizado com tudo o que era produtivo do maior bem, respondeu nestas palavras gentis que eram benéficas para ele mesmo: 'Eu ouvi, ó Lomasa, tudo o que tu disseste. Escute agora enquanto eu falo o que me parece. Amigos devem ser bem examinados. Inimigos também devem ser bem estudados. Neste mundo, uma tarefa como esta é considerada até pelos eruditos como difícil e dependente de uma inteligência aguçada. Amigos assumem a aparência de inimigos, e inimigos assumem a aparência de amigos. Quando pactos de amizade são formados, é difícil para os partidos compreenderem se os outros partidos são realmente movidos por luxúria e ira. Não há tal coisa como um inimigo. Não há tal coisa em existência como um amigo. É a força das circunstâncias que cria amigos e inimigos. Aquele que considera seus próprios interesses assegurados contanto que outra pessoa viva e pensa que eles estarão em perigo quando aquela outra pessoa cessar de viver, toma a outra pessoa como um amigo e a considera assim desde que aqueles seus interesses não sejam contrariados. Não há uma condição que mereça permanentemente o nome amizade ou hostilidade. Amigos e inimigos provêm de considerações de interesses e lucro. Amizade se transforma em inimizade com o decorrer do tempo. Um inimigo também se torna um amigo. O egoísmo é muito poderoso. Aquele que deposita uma confiança cega em amigos e sempre se comporta com desconfiança em direção a inimigos, sem prestar nenhuma atenção às considerações de política, percebe que sua vida está sem segurança. Aquele que, desconsiderando todas as considerações de política, coloca seu coração em uma união afetuosa com amigos ou inimigos, vem a ser considerado como uma pessoa cuja compreensão foi confundida. Não se deve depositar confiança em uma pessoa não merecedora de confiança, nem se deve confiar demais em uma pessoa merecedora de confiança. O perigo que provém da confiança cega é tal que este corta as próprias raízes (da pessoa que deposita tal confiança). O pai, a mãe, o filho, o tio materno, o filho da irmã, e outros parentes e amigos, são todos guiados por considerações de interesses e lucro. Pai e mãe podem ser vistos rejeitarem o filho querido se decaído. (Isto é, se expulso da casta por causa de práticas irreligiosas.) As pessoas cuidam de si mesmas. Veja a eficácia do egoísmo. Ó tu que és possuidor de grande sabedoria, é muito difícil a fuga de quem imediatamente depois de estar livre do perigo procura os meios da felicidade de seu inimigo. Tu vieste do topo da árvore para este mesmo local. Tu não pudeste, por frivolidade de compreensão, verificar que uma rede tinha sido espalhada aqui. Uma pessoa, possuidora de frivolidade de compreensão, falha em proteger a si mesma. Como ela pode proteger outros? Tal pessoa, sem dúvida, arruína todas as suas ações. Tu me disseste em palavras gentis que eu sou muito caro para ti. Ouça, no entanto, ó amigo, as razões que existem do meu lado. Alguém se torna querido por uma causa adequada. Alguém se torna um inimigo por uma causa adequada. Todo este mundo de criaturas é movido pelo desejo de ganho (de alguma forma ou de outra). Alguém nunca se torna querido para outro (sem causa). A amizade entre dois irmãos, o amor entre marido e mulher, depende do interesse. Eu não conheço qualquer tipo de afeto entre quaisquer pessoas que não se apóie sobre algum motivo de egoísmo. Se, como é às vezes visto, irmãos ou marido e mulher, tendo discutido, se reconciliam por uma afeição natural, tal coisa não é vista em pessoas não relacionadas umas com as outras. Uma pessoa se torna querida por sua generosidade. Outra por suas palavras gentis. Uma terceira se torna assim por causa de seus atos religiosos. Geralmente, uma pessoa se torna cara pelo propósito que ela serve. O afeto entre nós resultou de uma causa suficiente. Aquela causa não existe mais. Por outro lado, por uma razão suficiente, aquele afeto entre nós acabou. Qual é a razão, eu pergunto, pela qual eu me tornei tão caro para ti, além do teu desejo de fazer de mim tua presa? Tu deverias saber que eu não me esqueci disto. O Tempo arruína razões. Tu procuras teus próprios interesses. Outros, no entanto, possuidores de sabedoria, compreendem seus próprios interesses. O mundo depende dos exemplos dos sábios. Tu não deves dirigir tais palavras para uma pessoa possuidora de erudição e competente para compreender seus próprios interesses. Tu és poderoso. A razão deste afeto que tu demonstraste por mim agora é fora de propósito. Guiado, no entanto, pelos meus próprios interesses, eu sou firme na paz e na guerra que são eles mesmos muito instáveis. As circunstâncias sob as quais a paz deve ser feita ou a guerra ser declarada mudam tão rapidamente quanto as nuvens mudam sua forma. Neste mesmo dia tu foste meu inimigo. Neste mesmo dia, também, tu foste meu amigo. E neste mesmo dia mais uma vez tu te tornaste meu inimigo. Veja a leviandade das considerações que movem as criaturas vivas. Havia amizade entre nós enquanto havia razão para a sua existência. Aquela razão, dependente do tempo, findou. Sem ela, aquela amizade também findou. Tu és meu inimigo por natureza. Pelas circunstâncias tu te tornaste meu amigo. Aquele estado de coisas já passou. O velho estado de inimizade natural retornou. Inteiramente conhecedor como eu sou dos ditames de política que foram declarados dessa maneira, me diga por que eu deveria entrar hoje, por tua causa, na rede que está espalhada para mim. Pelo teu poder eu fui libertado de um grande perigo. Pelo meu poder tu foste libertado de um perigo similar. Cada um de nós serviu o outro. Não há necessidade de nos unirmos outra vez em um relacionamento amistoso. Ó amável, o objetivo que tu tinhas foi realizado. O objetivo que eu tinha também foi realizado. Tu agora não tens uso para mim exceto me fazer tua refeição. Eu sou teu alimento. Tu és o comedor. Eu sou fraco. Tu és forte. Não pode haver uma união amistosa entre nós quando nós estamos situados tão desigualmente. Eu percebo tua sabedoria. Tendo sido resgatado da rede, tu me elogias para que tu possas conseguir facilmente fazer uma refeição de mim. Tu foste pego na rede por causa do alimento. Tu foste libertado dela. Tu agora sentes uma fome aguda. Tendo recorrido àquela sabedoria que resulta de um estudo das escrituras, tu procuras em verdade me comer hoje. Eu sei que tu estás faminto. Eu sei que esta é tua hora de te alimentares. Tu estás procurando por tua presa, com teus olhos dirigidos para mim. Tu tens filhos e esposas. Tu ainda procuras uma união amistosa comigo e desejas me tratar com afeição e me fazer préstimos. Ó amigo, eu não posso concordar com esta proposta. Me vendo contigo, por que tua cara cônjuge e teus filhos carinhosos não me comeriam alegremente? Eu não irei, portanto, me unir contigo em amizade. A razão para tal união não existe mais. Se, de fato, tu não esqueces meus bons préstimos, pense no que será benéfico para mim e fique satisfeito. Qual pessoa possuidora de alguma sabedoria se colocaria sob o poder de um inimigo que não é famoso pela retidão, que está com fome aguda, e que está à procura de uma presa? Sejas feliz então, eu agora te deixarei. Eu fico alarmado mesmo se eu te vejo de uma distância. Eu não me misturarei contigo, cesse tuas tentativas, ó Lomasa! Se tu achas que eu te fiz um serviço, siga então os ditames de amizade quando possa acontecer de eu vagar confiantemente ou descuidadamente. Isso mesmo será gratidão em ti. Uma residência perto de uma pessoa possuidora de força e poder nunca é aprovada, mesmo se o perigo que existiu for considerado como passado. Eu devo sempre ter receio de alguém mais poderoso do que eu. Se tu não procuras teus próprios interesses (do tipo indicado), me diga então o que eu devo fazer por ti. Eu certamente te darei tudo exceto minha vida. Para proteger a si mesma uma pessoa deve desistir dos próprios filhos, e reino, e jóias, e riqueza. Ela deve sacrificar tudo para proteger a si mesma. Se uma pessoa vive ela pode recuperar toda a riqueza que ela possa ter dado para inimigos para proteger sua vida. Não é desejável desistir da vida como da riqueza. De fato, a pessoa deve sempre se proteger, como eu já disse, por desistir de suas esposas e riqueza. Pessoas que são conscientes de sua própria proteção e que fazem todos os seus atos depois de uma consideração e pesquisa apropriadas, nunca incorrem em perigo como a consequência de suas ações. Aqueles que são fracos sempre conhecem como um inimigo aquele que possui maior força. Sua inteligência, firme nas verdades das escrituras, nunca perde sua firmeza.'” "Assim repreendido inteligentemente pelo rato Palita, o gato, corando de vergonha, se dirigiu ao rato e disse as seguintes palavras." "Lomasa disse, 'Realmente eu te juro que ferir um amigo é, em minha avaliação, muito censurável. Eu conheço tua sabedoria. Eu sei também que tu és dedicado ao meu bem. Guiado pela ciência de Lucro, tu disseste que há causa para um rompimento entre nós. Não cabe a ti, no entanto, ó bom amigo, me tomar pelo que eu não sou. Eu nutro uma grande amizade por ti por tu teres me concedido minha vida. Eu sou, também, conhecedor dos deveres. Eu sou todo apreciador dos méritos de outras pessoas. Eu sou muito grato por serviços recebidos. Eu sou dedicado a servir os amigos. Eu sou, também, especialmente dedicado a ti. Por estas razões, ó bom amigo, cabe a ti se reunir comigo. Se eu for mandado por ti, eu posso, com todos os meus amigos e parentes, sacrificar minha própria vida. Aqueles que são possuidores de erudição e sabedoria vêem grandes razões para colocar sua confiança em pessoas de tal disposição mental como nós. Ó tu que és conhecedor das verdades de moralidade, não cabe a ti nutrir qualquer suspeita em relação a mim.' Assim endereçado pelo gato, o rato, refletindo um pouco, disse estas palavras de grave significado para o último, 'Tu és muitíssimo bom. Eu ouvi tudo o que tu disseste e estou contente em te ouvir. Apesar de tudo isso, no entanto, eu não posso confiar em ti. É impossível para ti, por meio de tais elogios ou por presentes de grande riqueza, me induzir a me unir contigo outra vez. Eu te digo, ó amigo, que aqueles que possuem sabedoria nunca se colocam, quando não há razão suficiente, sob o poder de um inimigo. Uma pessoa fraca tendo feito um acordo com uma mais forte quando ambas são ameaçadas por inimigos, deve (quando o perigo em comum passar) se comportar com cautela e por considerações de política. Tendo alcançado seu objetivo, o mais fraco dos dois partidos não deve depositar confiança no forte novamente. Nunca se deve confiar em uma pessoa que não merece confiança. Nem se deve depositar uma confiança cega em uma pessoa merecedora de confiança. Uma pessoa deve sempre se esforçar para inspirar outras com confiança em si mesma. Ela não deve, no entanto, colocar confiança em inimigos. Por estas razões alguém deve, sob todas as circunstâncias, proteger a si mesmo. As posses e filhos e todas as coisas de uma pessoa somente têm valor enquanto ela está viva. Em resumo, a maior verdade de todos os tratados de política é a desconfiança. Por esta razão, desconfiar de todos produz o maior bem. Por mais que fracas que algumas pessoas possam ser, se elas desconfiarem de seus inimigos, os últimos, mesmo que fortes, nunca conseguem tê-las sob seu poder. Ó gato, alguém como eu deve sempre proteger sua vida de pessoas como tu. Proteja também tua própria vida do Chandala cuja raiva foi excitada.' Quando o rato falou dessa maneira, o gato, assustado pela menção do caçador, deixando depressa o ramo da árvore, fugiu com grande velocidade. Tendo assim mostrado seu poder de compreensão, o rato Palita também, conhecedor das verdades das escrituras e possuidor de sabedoria, entrou em outro buraco.'” "Bhishma continuou, 'Assim o rato Palita, possuidor de sabedoria, embora fraco e sozinho, conseguiu frustrar muitos inimigos poderosos. Alguém que possui inteligência e erudição deve fazer as pazes com um inimigo poderoso. O rato e o gato deveram sua fuga à sua confiança nos serviços um do outro. Eu assim te indiquei o curso dos deveres Kshatriya detalhadamente. Escute agora a mim em resumo. Quando duas pessoas que alguma vez estiveram envolvidas em hostilidades fazem as pazes entre si, é certo que cada uma delas tem em seu coração o desejo de levar a melhor sobre a outra. Em tal caso aquela que é possuidora de sabedoria tem êxito, pelo poder de sua inteligência, em superar a outra. Aquela, por outro lado, que é desprovida de sabedoria se permite, por sua desatenção, ser superada pela sábia. É necessário, portanto, que alguém com medo pareça estar destemido, e enquanto realmente desconfiando de outros ele deve parecer ser confiante. Alguém que age com tal atenção nunca dá um passo em falso, ou tropeçando, nunca é arruinado. Quando chega a hora para isto, deve- se fazer as pazes com um inimigo; e quando chega a hora, deve-se travar guerra até com um amigo. Assim mesmo uma pessoa deve se comportar, ó rei, como disseram aqueles que são familiarizados com as considerações de paz (e guerra). Sabendo disso, ó monarca, e mantendo as verdades da escritura em mente, alguém deve, com todos os seus sentidos ao seu redor e sem negligência, agir como uma pessoa com medo antes que a causa de medo se apresente verdadeiramente. Deve-se, antes que o motivo de temor tenha realmente chegado, agir como uma pessoa com medo, e fazer as pazes com inimigos. Tal medo e cautela levam à agudeza de inteligência. Se alguém age como um homem com medo antes que a causa de medo esteja à mão, ele nunca se enche de medo quando aquela causa está realmente presente. Do medo, no entanto, de uma pessoa que sempre age com destemor, um medo muito grande é visto surgir. (Tal homem, quando cheio de temor, se torna incapaz de repelir seus perigos e calamidades. A prudência requere que uma pessoa tema contanto que a causa de temor não esteja à mão. Quando, no entanto, aquela causa se apresenta verdadeiramente, ela deve aplicar sua coragem.) 'Nunca nutra medo', tal conselho nunca deve ser dado a alguém. A pessoa que nutre medo movida por uma consciência de sua fraqueza sempre procura os conselhos de homens sábios e experientes. Por estas razões, deve-se, quando com medo, parecer estar sem medo, e quando desconfiando de (outros) deve-se parecer estar confiante. Não se deve, mesmo em vista dos atos mais graves, se comportar em direção a outros com falsidade. Assim eu narrei para ti, ó Yudhishthira, a antiga história (do rato e do gato). Tendo-a escutado, aja devidamente no meio de teus amigos e parentes. Derivando daquela história uma grande compreensão, e aprendendo a diferença entre amigo e inimigo e o tempo apropriado para guerra e paz, tu deves descobrir os meios de escapar quando oprimido pelo perigo. Fazendo as pazes, em uma época de perigo em comum, com alguém que é poderoso, tu deves agir com consideração apropriada na questão de te unir com o inimigo (quando passar o perigo em comum). De fato, tendo alcançado teu objetivo, tu não deves confiar no inimigo novamente. Este caminho de política é consistente com o agregado de três (isto é, Virtude, Lucro,e Prazer), ó rei! Guiado por este Sruti, ganhe prosperidade por proteger teus súditos mais uma vez. Ó filho de Pandu, sempre procure a companhia de Brahmanas em todos os teus atos. Os Brahmanas constituem a grande fonte de benefício neste mundo e no próximo. Eles são professores de dever e moralidade. Eles são sempre gratos, ó pujante! Se adorados, eles com certeza te farão bem. Portanto, ó rei, tu deves sempre adorá- los. Tu irás então, ó rei, obter devidamente reino, grande bem, fama, realização e progênie em sua ordem correta. Com olhos dirigidos para essa história de paz e guerra entre o rato e o gato, essa história formulada em palavras excelentes e capaz de afiar a inteligência, um rei deve sempre se comportar no meio de seus inimigos.'" 139 "Yudhishthira disse, 'Tu declaraste, ó poderoso, que nenhuma confiança deve ser colocada em inimigos. Mas como o rei se manteria se ele não confiasse em alguém? Da confiança, ó rei, como tu disseste, surge um grande perigo para os reis. Mas como, ó monarca, um rei pode, sem confiar em outros, vencer seus inimigos? Bondosamente esclareça esta minha dúvida. Minha mente ficou confusa, ó avô, pelo que eu te ouvi dizer sobre o assunto da desconfiança.'” "Bhishma disse, 'Escute, ó rei, ao que aconteceu na residência de Brahmadatta, isto é, a conversa entre Pujani e o rei Brahmadatta. Havia uma ave chamada Pujani que viveu por um longo tempo com o rei chamado Brahmadatta nos aposentos internos de seu palácio em Kampilya. Como a ave Jivajivaka, Pujani podia imitar os gritos de todos os animais. Embora uma ave por nascimento, ela tinha grande conhecimento e era familiarizada com toda a verdade. Enquanto vivendo lá, ela deu à luz um filho de grande esplendor. Na mesma época o rei também teve um filho de sua rainha. Pujani, que era grata pela proteção do lar do rei, costumava ir todos os dias às margens do oceano e trazer um par de frutas para a nutrição de seu próprio filho e do jovem príncipe. Uma daquelas frutas ela dava para seu filho e a outra ela dava ao príncipe. As frutas que ela trazia eram doces como néctar, e capazes de aumentar a força e a energia. Todos os dias ela as trazia e diariamente ela as dispunha da mesma maneira. O jovem príncipe derivou grande força da fruta dada por Pujani que ele comia. Um dia o príncipe menino, enquanto carregado nos braços de sua babá, viu o pequeno filhote de Pujani. Descendo dos braços da babá, a criança correu em direção à ave, e, movido por impulso infantil, começou a brincar com ela, saboreando muito a diversão. Finalmente, erguendo a ave que tinha a mesma idade que ele em suas mãos, o príncipe espremeu sua jovem vida e então voltou para sua babá. A ave mãe, ó rei, que tinha estado fora em sua busca das frutas habituais, voltando ao palácio, viu seu filhote jazendo no chão, morto pelo príncipe. Vendo seu filho privado de vida, Pujani, com lágrimas correndo por suas bochechas, e coração queimando de dor, chorou amargamente e disse, 'Ai, ninguém deve viver com um Kshatriya ou fazer amizade com ele ou se deleitar em algum relacionamento com ele. Quando eles têm algum objetivo para cumprir, eles se comportam com cortesia. Quando aquele objetivo foi cumprido eles rejeitam o instrumento. Os Kshatriyas fazem mal para todos. Nunca se deve confiar neles. Mesmo depois de fazer uma injúria eles sempre procuram acalmar e assegurar o prejudicado em vão. Eu certamente me vingarei diretamente, por este ato de hostilidade, neste traidor de confiança ingrato e cruel. Ele é culpado de um pecado triplo por tirar a vida de alguém que nasceu no mesmo dia em que ele e que estava sendo criado com ele no mesmo lugar, que costumava comer com ele, e que era dependente dele por proteção.' Tendo dito estas palavras para si mesma, Pujani, com suas garras, perfurou os olhos do príncipe, e derivando algum consolo daquele ato de vingança, mais uma vez disse, 'Uma ação pecaminosa, cometida de propósito, ataca o fazedor sem qualquer perda de tempo. Aqueles, por outro lado, que se vingam de uma injúria, nunca perdem seu mérito por tal conduta. Se a consequência de uma ação pecaminosa não for vista no próprio perpetrador, ela certamente será vista, ó rei, em seus filhos ou filhos do filho ou filhos da filha.’ Brahmadatta, vendo seu filho cegado por Pujani e considerando o ato como uma vingança apropriada pelo que seu filho tinha feito, disse estas palavras para Pujani.'” "Brahmadatta disse, 'Uma injúria foi feita por nós a ti. Tu te vingaste por fazer uma injúria em retorno. A conta está liquidada. Não deixe esta tua residência. Por outro lado, continue a morar aqui, ó Pujani.'” "Pujani disse, 'Se uma pessoa tendo uma vez prejudicado outra, continua a morar com aquela outra, aqueles que possuem conhecimento nunca aprovam sua conduta. Sob tais circunstâncias é sempre melhor o ofensor deixar sua antiga moradia. Nunca se deve colocar confiança nas garantias calmantes recebidas de uma pessoa prejudicada. O tolo que confia em tais garantias logo encontra a destruição. A animosidade não se esfria rapidamente. Os próprios filhos e netos de pessoas que prejudicaram umas às outras encontram a destruição (em consequência da disputa descendente como uma herança). Por causa também de tal destruição de sua progênie, eles perdem o mundo seguinte também. Entre homens que prejudicaram uns aos outros, a desconfiança seria produtiva de felicidade. Não se deve confiar de modo algum em alguém que traiu confiança. Não se deve confiar em alguém não digno de confiança; nem se deve confiar demais em uma pessoa digna de confiança. O perigo que provém da confiança cega ocasiona uma destruição que é completa. Um homem deve procurar inspirar outros com confiança em si mesmo. No entanto, ele nunca depositar confiança em outros. Somente o pai e a mãe são os amigos mais importantes. A esposa é meramente um recipiente para colocar as sementes. O filho é somente a semente. O irmão é um inimigo. O amigo ou companheiro precisa ser adulado se for para ele permanecer assim. É a própria pessoa que desfruta ou sofre da própria felicidade ou tristeza. Entre pessoas que feriram umas às outras, não é aconselhável que haja paz (verdadeira). As razões pelas quais eu vivi aqui não existem mais. A mente de uma pessoa que feriu outra uma vez se torna naturalmente cheia de desconfiança, se ela vê a pessoa ofendida adorando-a com presentes e honras. Tal conduta, especialmente quando mostrada por aqueles que são fortes, sempre enche os fracos de alarme. Uma pessoa possuidora de inteligência deve deixar aquele local onde ela primeiro encontrou honra para em seguida encontrar somente desonra e ofensa. Apesar de alguma honra subsequente que ela possa obter de seu inimigo, ela deve se comportar dessa maneira. Eu tenho morado em tua residência por um longo tempo, sempre honrada por ti. Uma causa de inimizade, no entanto, finalmente surgiu. Eu devo, portanto, deixar este lugar sem qualquer hesitação.'” "Brahmadatta disse, 'Alguém que faz uma ofensa em retorno por uma ofensa recebida nunca é considerado como ofensor. De fato, o vingador ajusta sua conta por tal conduta. Portanto, ó Pujani, continue a residir aqui sem deixar este lugar.'” "Pujani disse, 'Nenhuma amizade pode ser consolidada mais uma vez entre uma pessoa que ofendeu e aquela que infligiu uma injúria em retorno. Os corações de nenhuma das duas pode esquecer o que aconteceu.'” "Brahmadatta disse, 'É necessário que uma união se realize entre um ofensor e o vingador daquela ofensa. A animosidade mútua, a partir de tal união, é vista esfriar. Nenhuma outra ofensa também tem se seguido em tais casos.'” "Pujani disse, 'A animosidade (nascida de ofensas mútuas) nunca pode morrer. A pessoa ofendida nunca deve confiar em seus inimigos, pensando, 'Ó, eu fui confortado com garantias de afeição.' Neste mundo, homens frequentemente encontram a destruição por causa de confiança (colocada em lugar errado). Por esta razão é necessário que nós não mais encontremos um ao outro. Aqueles que não podem ser reduzidos à submissão pela aplicação de força e armas afiadas, podem ser conquistados por conciliação (insincera) como elefantes (selvagens) através de uma elefanta (domesticada).'” "Brahmadatta disse, 'Do fato de duas pessoas residirem juntas, mesmo se uma inflige sobre a outra uma ofensa mortal, uma afeição surge naturalmente entre elas, como também confiança mútua como no caso do Chandala e do cachorro. Entre pessoas que prejudicaram umas às outras, residência em comum enfraquece a agudeza da animosidade. De fato, aquela animosidade não dura muito tempo, mas desaparece rapidamente como água derramada sobre a folha de um lótus.'” "Pujani disse, 'A hostilidade surge de cinco causas. Pessoas possuidoras de erudição sabem disto. Aquelas cinco causas são mulher, terra, palavras duras, incompatibilidade natural, e injúria. (A hostilidade entre Krishna e Sisupala era devida à primeira destas causas, entre os Kurus e os Pandavas à segunda, entre Drona e Drupada à terceira, aquela entre o rato e o gato à quarta, e aquela entre a ave e o rei, na presente história, à quinta.) Quando acontece de a pessoa com quem a hostilidade ocorre ser um homem de generosidade, ele nunca deve ser morto, especialmente por um Kshatriya, abertamente ou por meios velados. Em tal caso, o erro do homem deve ser pesado devidamente. (O ato que levou à hostilidade deve ser considerado calmamente pelo inimigo antes de ele dar vazão à raiva.) Quando surge hostilidade mesmo com um amigo, nenhuma confiança ulterior deve ser colocada nele. Sentimentos de animosidade existem escondidos como fogo em madeira. Como o fogo Aurvya dentro das águas do oceano, o fogo da animosidade nunca pode ser extinto por presentes de riquezas, por mostra de coragem, por conciliação, ou por conhecimento escritural. O fogo da animosidade, uma vez aceso, o resultado de uma ofensa uma vez infligida, nunca é extinto, ó rei, sem consumir inteiramente uma das partes. Alguém, tendo ferido uma pessoa, nunca deve confiar nela outra vez como uma amiga, mesmo que ela possa ter (depois da ofensa) o adorado com riquezas e honras. O fato da injúria infligida enche de medo o ofensor. Eu nunca te prejudiquei. Tu também nunca me fizeste uma injúria. Por esta razão eu morei em tua residência. Tudo aquilo está mudado, e no momento eu não posso confiar em ti.'” "Brahmadatta disse, 'É o Tempo que faz todas as ações. As ações são de diversos tipos, e todas elas procedem do Tempo. Quem, portanto, ofende quem? (Se é o Tempo que faz todos os atos não pode haver responsabilidade individual.) Nascimento e Morte acontecem da mesma maneira. As criaturas agem (isto é, nascem e vivem) por causa do Tempo, e é também pelo Tempo que elas cessam de viver. Algumas são vistas morrerem imediatamente. Algumas morrem em um tempo. Algumas são vistas viverem por longos períodos. Como fogo consumindo combustível, o Tempo consome todas as criaturas. Ó senhora abençoada, eu não sou, portanto, a causa da tua tristeza, nem tu és a causa da minha. É o Tempo que sempre ordena o bem e o mal das criaturas incorporadas. Continue então a morar aqui de acordo com tua vontade, com afeição por mim e sem medo de alguma injúria de mim. O que tu fizeste foi perdoado por mim. Perdoe-me também, ó Pujani!'” "Pujani disse, 'Se o Tempo, de acordo contigo, é a causa de todos os atos, então é claro que ninguém poderia nutrir sentimentos de animosidade em direção a alguém sobre a terra. Eu pergunto, no entanto, por que amigos e parentes procuram vingar eles mesmos os mortos. Por que também os deuses e os Asuras antigamente atingiram uns aos outros em batalha? Se é o Tempo que causa bem e mal e nascimento e morte, por que então médicos procuram aplicar remédios nos doentes? Se é o Tempo que está moldando tudo, que necessidade há de remédios? Por que as pessoas, privadas de sua razão pela dor, se entregam a tais rapsódias delirantes? Se o Tempo, de acordo contigo, é a causa das ações, como mérito religioso pode ser adquirido pelas pessoas realizando atos religiosos? Teu filho matou meu filho. Eu o feri por isso. Por aquele ato, ó rei, eu me tornei sujeita a ser morta por ti. Movida pelo sofrimento por meu filho, eu fiz este dano ao teu filho. Escute agora a razão pela qual eu me tornei sujeita a ser morta por ti. Homens desejam aves ou para matá-las para comer ou para mantê- las em gaiolas por divertimento. Não há terceira razão além de tal matança ou prisão pela qual homens procurariam indivíduos da nossa espécie. Aves, também, por medo de serem mortas ou presas pelos homens, procuram segurança na fuga. Pessoas conhecedoras dos Vedas dizem que morte e prisão são ambas dolorosas. A vida é cara para todos. Todas as criaturas são feitas miseráveis pela dor e aflição. Todas as criaturas desejam felicidade. A tristeza provém de várias fontes. Decrepitude, ó Brahmadatta, é tristeza. A perda de riqueza é tristeza. A proximidade de qualquer coisa desagradável ou má é tristeza. Separação ou dissociação de amigos e objetos agradáveis é tristeza. A tristeza surge da morte e prisão. A tristeza surge de causas ligadas com mulheres e de outras causas naturais. A tristeza que surge da morte de crianças altera e aflige imensamente todas as criaturas. Algumas pessoas tolas dizem que não há tristeza na tristeza de outros. (Isto é, elas são indiferentes à tristeza de outras pessoas.) Somente quem não sentiu qualquer tristeza ele mesmo pode falar assim no meio de homens. Aquele, no entanto, que tem sentido tristeza e miséria nunca ousaria falar dessa maneira. Alguém que sentiu as dores de todos os tipos de tristeza sente a tristeza dos outros como sua. O que eu te fiz, ó rei, e o que tu me fizeste, não pode ser limpo nem por cem anos. Depois do que nós fizemos um para o outro, não pode haver uma reconciliação. Sempre que acontecer de tu pensares em teu filho, tua animosidade em direção a mim será revigorada. Se uma pessoa, depois de se vingar de uma ofensa, deseja fazer as pazes com o ofendido, as partes não podem ser reunidas devidamente assim como os fragmentos de um vaso de terra. Homens conhecedores das escrituras declaram que confiar nunca produz felicidade. O próprio Usanas cantou dois versos para Prahlada nos tempos passados. Aquele que confia nas palavras, verdadeiras ou falsas, de um inimigo, encontra a destruição como um buscador de mel, em uma cova coberta com grama seca. (Buscadores de mel dirigem suas paradas por colinas e vales por observarem atentamente o curso do vôo de abelhas. Consequentemente eles encontram quedas frequentes.) Animosidades são vistas sobreviverem à própria morte de inimigos, pois pessoas falam das brigas anteriores de seus pais falecidos perante seus filhos sobreviventes. Reis extinguem animosidades por recorrerem à conciliação mas, quando chega a oportunidade, eles quebram seus inimigos em pedaços como jarros de terra cheios de água lançados sobre pedra. Se o rei prejudica uma pessoa, ele nunca deve confiar nela outra vez. Por confiar em uma pessoa que foi prejudicada, alguém tem que sofrer uma grande miséria.’” "Brahmadatta disse, 'Nenhum homem pode alcançar a realização de algum objetivo por se recusar a confiar (em outros). Por nutrir medo alguém é sempre obrigado a viver como uma pessoa morta.'” "Pujani disse, 'Alguém cujos pés foram feridos certamente sofrerá uma queda se ele procurar se movimentar, ele só pode se mover com cautela. Um homem que tem olhos feridos, por abri-los contra o vento, os encontra muito atormentados pelo vento. Aquele que, sem conhecer sua própria força, entra em um caminho vicioso e persiste em andar por ele, logo perde sua própria vida como a consequência. O homem que, desprovido de esforço, cultiva sua terra, desconsiderando a estação das chuvas, nunca consegue obter uma colheita. Aquele que come todos os dias alimento que é nutritivo, seja ele amargo ou adstringente ou saboroso ou doce, desfruta de uma vida longa. Aquele, por outro lado, que desconsidera alimento saudável e come aquele que é prejudicial sem olhar para as consequências, logo encontra com a morte. Destino e Esforço existem, dependendo um do outro. Aqueles que são de almas nobres realizam atos bons e grandiosos, enquanto eunucos somente cortejam o Destino. Seja rude ou brando, um ato que é benéfico deve ser feito. O infeliz homem de inação, no entanto, é sempre oprimido por todos os tipos de calamidade. Portanto, abandonando tudo mais, uma pessoa deve aplicar sua energia. De fato, desconsiderando tudo, homens devem fazer o que é produtivo de bem para si mesmos. Conhecimento, coragem, inteligência, força, e paciência são considerados como amigos naturais de uma pessoa. Aqueles que possuem sabedoria passam suas vidas neste mundo com a ajuda destes cinco. Casas, metais preciosos, terra, esposa, e amigos, estes são citados pelos eruditos como fontes secundárias de bem. Um homem pode obtê-los em todos os lugares. Uma pessoa possuidora de sabedoria pode estar muito satisfeita em todos os lugares. Tal homem brilha em todos os lugares. Ele nunca inspira medo em alguém. Se procurado ser assustado, ele nunca cede ao medo. A riqueza, embora pouca, que é possuída em qualquer tempo por um homem inteligente com certeza aumentará. Tal homem faz todas as ações com inteligência. Por autodomínio, ele consegue alcançar grande fama. Homens de pouca compreensão que mantêm um lar, têm que tolerar esposas rabugentas que comem sua carne como a cria de um caranguejo comendo sua mãe. Há homens que devido à perda de inteligência ficam muito tristes pela probabilidade de deixar o lar. Eles dizem para si mesmos, ‘Estes são nossos amigos! Este é nosso país! Ai, como nós iremos deixá-los?’ Uma pessoa deve certamente deixar o país de seu nascimento se ele for afligido por praga ou fome. Deve-se viver em seu próprio país, respeitado por todos, ou ir para um país estrangeiro para viver lá. Eu irei, por esta razão, me dirigir para alguma outra região. Eu não ouso viver mais neste lugar, pois eu fiz um grande mal para teu filho. Ó rei, um homem deve de uma distância abandonar uma má esposa, um mau filho, um rei mau, um amigo mau, uma aliança má, e um país mau. Não se deve colocar nenhuma confiança em um mau filho. Que alegria alguém pode ter com uma má esposa? Não pode haver alguma felicidade em um reino mau. Em um país mau não se pode esperar conseguir um meio de vida. Não pode haver companhia duradoura com um amigo mau cujo afeiçoamento é muito incerto. Em uma aliança má, quando não há necessidade para isso, há desgraça. É uma esposa, de fato, aquela que fala somente o que é agradável. É um filho aquele que faz o pai feliz. É um amigo aquele em quem alguém pode confiar. É um país, de fato, aquele onde alguém obtém seu sustento. É um rei de governo perfeito aquele que não oprime, que cuida dos pobres e em cujos territórios não há medo. Esposa, país, amigos, filhos, amigos, e parentes, todos esses um homem pode ter se acontecer de o rei ser possuidor de habilidades e olhos virtuosos. Se acontece de o rei ser pecaminoso, seus súditos, por suas opressões, encontram a destruição. A rei é a base do triplo agregado (Virtude, Riqueza, e Prazer) de uma pessoa. Ele deve proteger seus súditos com cuidado. Pegando deles uma sexta parte de sua riqueza, ele deve proteger eles todos. Aquele rei que não protege seus súditos é realmente um ladrão. Aquele rei que, depois de dar garantias de proteção, não as cumpre, por ganância, aquele soberano de alma pecaminosa, toma sobre ele mesmo os pecados de todos os seus súditos e ao final cai no inferno. O rei, por outro lado, que, tendo dado garantias de proteção, as cumpre, vem a ser considerado como um benfeitor universal por proteger todos os súditos. O senhor de todas as criaturas, isto é, Manu, disse que o rei tem sete atributos: ele é mãe, pai, preceptor, protetor, fogo, Vaisravana e Yama. O rei por se comportar com compaixão em direção a seu povo é chamado de seu pai. O súdito que se comporta falsamente para com ele toma nascimento em sua próxima vida como um animal ou uma ave. Por fazer bem para eles e por cuidar dos pobres, o rei se torna uma mãe para seu povo. Por chamuscar os maus ele vem a ser considerado como fogo, e por reprimir os pecaminosos ele vem a ser chamado de Yama. Por fazer presentes de riqueza àqueles que são queridos para ele, o rei vem a ser considerado como Kuvera, o concessor de desejos. Por dar instrução sobre moralidade e virtude, ele se torna um preceptor, e por exercer o dever de proteção ele se torna o protetor. Aquele rei que alegra o povo de suas cidades e províncias por meio de suas realizações, nunca é privado de seu reino por tal observância do dever. Aquele rei que sabe como honrar seus súditos nunca sofre de tristeza nem aqui nem após a morte. Aquele rei cujos súditos estão sempre cheios de ansiedade ou sobrecarregados com impostos, e oprimidos por males de todos os tipos, encontra a derrota nas mãos de seus inimigos. O rei, por outro lado, cujos súditos crescem como um lótus grande em um lago, consegue obter todas as recompensas aqui e finalmente encontra honra no céu. Hostilidade com uma pessoa que é poderosa, ó rei, nunca é aprovada. O rei que incorreu na hostilidade de um mais poderoso do que ele mesmo, perde o reino e a felicidade.'” "Bhishma continuou, 'A ave, tendo dito estas palavras, ó monarca, para o rei Brahmadatta, se despediu do rei e procedeu para a região que ela escolheu. Eu assim narrei para ti, ó principal dos reis, a conversa entre Brahmadatta e Pujani. O que mais tu desejas ouvir?'” 140 "Yudhishthira disse, 'Quando a justiça e os homens, ó Bharata, decaem em consequência do decorrer gradual do Yuga, e quando o mundo é afligido por ladrões, como, ó avô, um rei deve então se comportar?'” "Bhishma disse, 'Eu te direi, ó Bharata, a política que o rei deve seguir em tais tempos infelizes. Eu te direi como ele deve se conduzir em tal época, rejeitando a compaixão. Em relação a isto é citada a história antiga da conversa entre Bharadwaja e o rei Satrunjaya. Havia um rei chamado Satrunjaya entre os Sauviras. Ele era um grande guerreiro em carro. Indo até Bharadwaja, ele perguntou ao Rishi sobre as verdades da ciência de Lucro, dizendo, ‘Como um objeto não adquirido pode ser adquirido? Como também, quando adquirido, ele pode ser aumentado? Como também, quando aumentado, ele pode ser protegido? E como, quando protegido, ele deve ser utilizado?’ Assim questionado acerca das verdades da ciência de Lucro, o Rishi regenerado disse as seguintes palavras repletas de razão excelente àquele soberano para explicar aquelas verdades.’” "O Rishi disse, 'O rei deve sempre ficar com a vara de castigo erguida em sua mão. Ele deve sempre mostrar sua bravura. Ele mesmo sem negligências, ele deve observar as negligências de seus inimigos. De fato, seus olhos devem ser sempre usados para aquele propósito. À visão de um rei que tem a vara de castigo sempre erguida em sua mão, todos são afetados pelo medo. Por esta razão, o rei deve governar todas as criaturas com a vara de castigo. Homens possuidores de erudição e conhecimento da verdade louvam o Castigo. Então, dos quatro requisitos de governo, isto é, Conciliação, Presentes, Desunião, e Castigo, o Castigo é citado como o principal. Quando o fundamento daquilo que serve como um abrigo é rachado, todos os refugiados perecem. Quando as raízes de uma árvore são cortadas, como os ramos viveriam? Um rei possuidor de sabedoria deve cortar as próprias raízes de seu inimigo. Ele deve então conquistar e trazer sob seu domínio os aliados e partidários daquele inimigo. Quando calamidades alcançam o rei, ele deve, sem perder tempo, deliberar sabiamente, mostrar sua coragem devidamente, lutar com habilidade, e até se retirar com sabedoria. Somente em palavras o rei deve mostrar sua humildade, mas no fundo ele deve ser afiado como uma navalha. Ele deve rejeitar luxúria e ira, e falar gentilmente e brandamente. Quando chega a ocasião para uma relação com um inimigo, um rei possuidor de previdência deve fazer as pazes, sem confiar cegamente nele. Quando o negócio estiver acabado, ele deve se afastar rapidamente do novo aliado. Deve-se conciliar um inimigo com garantias amáveis como se ele fosse um amigo. No entanto, deve-se sempre temer aquele inimigo como se vivesse em um aposento dentro qual há uma cobra. Aquele cuja compreensão é para ser dominada por ti (com a ajuda do teu intelecto) deve ser confortado por garantias dadas no passado. Quem tem uma má compreensão deve ser assegurado por promessas de benefício futuro. A pessoa, no entanto, que possui sabedoria, deve ser assegurada por serviços atuais. A pessoa que está desejosa de alcançar prosperidade deve unir as mãos, jurar, usar palavras gentis, cultuar por baixar sua cabeça, e derramar lágrimas. (Isto é, fazer algum desses ou todos como a ocasião possa requerer.) Um homem deve carregar seu inimigo em seus ombros enquanto a época for desfavorável. Quando no entanto, chegar a oportunidade, ele deve quebrá-lo em pedaços como um jarro de terra sobre uma pedra. É melhor, ó monarca, que um rei se inflame por um momento como carvão de madeira de ébano do que queimar lentamente e fumegar como palhiço por muitos anos. Um homem que tem muitos propósitos para cumprir não deve hesitar em tratar até com uma pessoa ingrata. Se bem sucedido, ele pode desfrutar de felicidade. Se frustrado, ele perde estima. Portanto em realizar os atos de tais pessoas, deve-se, sem fazê-los completamente, sempre deixar alguma coisa incompleta. Um rei deve fazer o que é para o seu bem, imitando um cuco, (por fazer seus próprios amigos ou súditos serem mantidos por outros); um javali, (por arrancar seus inimigos pelas raízes); as montanhas de Meru, (apresentar tal face que ninguém possa ultrapassá-lo); um aposento vazio, (por manter dependências suficientes para armazenar aquisições); um ator, (por assumir diferentes aspectos) e um amigo leal, (em atender os interesses de seus súditos amáveis). O rei deve frequentemente, com aplicação atenta, ir às casas de seus inimigos, e mesmo se calamidades aconteçam a eles, lhes perguntar sobre seu bem. Aqueles que são preguiçosos nunca ganham riqueza; nem os que são desprovidos de coragem e esforço; nem os que são maculados pela vaidade; nem os que temem a impopularidade; nem os que são sempre procrastinadores. O rei deve agir de tal maneira que seu inimigo não consiga descobrir seus pontos fracos. Ele deve, no entanto, observar as negligências de seus inimigos. Ele deve imitar a tartaruga que oculta seus membros. De fato, ele deve sempre esconder suas próprias falhas. Ele deve pensar em todas as questões ligadas com as finanças como um grou. (O grou fica pacientemente por horas ao lado da água à espera de peixes.) Ele deve aplicar sua bravura como um leão. Ele deve ficar à espera como um lobo e cair sobre e perfurar seus inimigos como uma flecha. Bebida, dados, mulheres, caça, e música, destes ele deve desfrutar judiciosamente. Desejo compulsivo por estes é causador de males. Ele deve fazer arcos com bambus, etc.; ele deve dormir com cautela como o veado; ele deve ser cego quando for necessário que ele seja assim, ou ele deve até ser surdo quando é necessário ser surdo. O rei que possui sabedoria deve mostrar sua bravura, atento à hora e lugar. Se estes não forem favoráveis, bravura se torna inútil. Observando a oportunidade e inoportunidade, refletindo sobre sua própria força e fraqueza, e melhorando sua própria força por compará-la com aquela do inimigo, o rei deve se dirigir à ação. O rei que não esmaga um inimigo reduzido à submissão pela força militar, providencia a própria morte como o caranguejo fêmea quando ela concebe. Uma árvore com flores belas pode carecer de força. Uma árvore carregada de frutos pode ser difícil de subir; e às vezes árvores com frutos verdes parecem com árvores com frutos maduros. Vendo todos esses fatos um rei não deve se permitir ficar deprimido. Se ele se conduzir de tal maneira, ele então conseguirá se manter contra todos os inimigos. O rei deve primeiro fortalecer as esperanças (daqueles que se aproximam como pleiteantes). Ele deve então colocar obstáculos no caminho do cumprimento daquelas esperanças. Ele deve dizer que aqueles obstáculos são simplesmente devidos à ocasião. Ele deve em seguida revelar que aquelas ocasiões são realmente os resultados de causas graves. Enquanto a causa de temor não chegar realmente, o rei deve fazer todos os seus arranjos como uma pessoa inspirada com medo. Quando, no entanto, a causa de temor chegar até ele, ele deve atacar destemidamente. Nenhum homem pode colher benefício sem correr perigo. Se, também, ele conseguir preservar sua vida em meio ao perigo, ele certamente ganhará grandes benefícios. Um rei deve averiguar todos os perigos futuros; quando eles estiverem presentes, ele deve vencê-los; e para que eles não cresçam outra vez, ele deve, mesmo depois de vencê-los, pensar neles como não vencidos. O abandono da felicidade atual e a perseguição daquela que é futura, nunca é a política de uma pessoa possuidora de inteligência. O rei que tendo feito as pazes com um inimigo dorme tranquilamente em verdade é como um homem que dormindo no topo de uma árvore desperta depois de uma queda. Quando um homem cai em desgraça, ele deve se erguer por todos os meios em seu poder, brandos ou rigorosos; e depois de tal ascensão, quando competente, ele deve praticar virtude. O rei deve sempre honrar os inimigos de seus inimigos. Ele deve tomar seus próprios espiões como agentes empregados por seus inimigos. O rei deve cuidar para que seus próprios espiões não sejam reconhecidos por seu inimigo. Ele deve fazer espiões de ateus e ascetas e enviá-los aos territórios de seus inimigos. Ladrões pecaminosos, que pecam contra as leis da justiça e que são incômodos ao lado de todas as pessoas, entram em jardins e lugares de diversão e casas fundadas para dar água potável para viajantes com sede, e em hospedarias públicas e bares e casas de má fama e lugares santos e assembléias públicas. Eles devem ser reconhecidos e presos e suprimidos. O rei não deve confiar na pessoa que não merece confiança nem deve confiar demasiado em uma pessoa que merece confiança. O perigo surge da confiança. A confiança nunca deve ser colocada sem prévio exame. Tendo por razões plausíveis inspirado confiança no inimigo, o rei deve atingi-lo quando ele der um passo em falso. O rei deve ter medo de quem não há medo; e deve também sempre temer aqueles que devem ser temidos. Temor que provém de alguém não temido pode levar ao extermínio total. Por atenção (à aquisição de mérito religioso), por taciturnidade, pelo traje avermelhado dos ascetas, e usar cabelos emaranhados e peles, deve-se inspirar confiança em um inimigo, e então (quando vier a oportunidade) deve-se saltar sobre ele como o lobo. Um rei desejoso de prosperidade não deve hesitar em matar filho ou irmão ou pai ou amigo, se algum destes procura frustrar seus objetivos. O próprio preceptor, se acontecer de ele ser arrogante, ignorante do que deve e do que não deve ser feito, e um seguidor de caminhos iníquos, merece ser reprimido pelo castigo. Assim como certos insetos de ferrões afiados cortam todas as flores e frutas das árvores sobre as quais eles sentam, o rei deve, depois de ter inspirado confiança em seu inimigo por honras e saudações e presentes, se voltar contra ele e desprovê-lo de tudo. Sem perfurar os próprios órgãos vitais de outros, sem realizar muitos atos severos, sem massacrar criaturas vivas seguindo a maneira do pescador, não se pode adquirir grande prosperidade. Não há espécies separadas de criaturas chamadas de inimigos ou amigos. As pessoas se tornam amigas ou inimigas segundo a força das circunstâncias. O rei nunca deve permitir que seu inimigo escape mesmo que o inimigo se entregue a lamentações comoventes. Ele nunca deve ficar comovido por isso; por outro lado, é seu dever destruir a pessoa que lhe fez uma ofensa. Um rei desejoso de prosperidade deve tomar cuidado em unir a si mesmo tantos homens quanto ele possa, e lhes fazer bem. Em se comportar em direção a seus súditos ele deve ser sempre livre de malícia. Ele deve também, com grande cuidado, punir e controlar os maus e descontentes. Quando ele pretender tirar riqueza, ele deve dizer o que é agradável. Tendo pegado riqueza, ele deve dizer coisas similares. Tendo cortado a cabeça de alguém com sua espada, ele deve sofrer e derramar lágrimas. Um rei desejoso de prosperidade deve atrair outros para si mesmo por meio de palavras gentis, honras, e presentes. Assim ele deve vincular homens ao seu serviço. O rei nunca deve se engajar em disputas inúteis. Ele nunca deve cruzar um rio com a ajuda somente dos seus dois braços. Comer chifres de vaca é inútil e nunca é revigorante. Por comê-los os dentes são quebrados enquanto o paladar não é satisfeito. O agregado triplo (Virtude, Riqueza e Prazer) tem três desvantagens com três adjuntos inseparáveis. Considerando cuidadosamente aqueles adjuntos, as desvantagens devem ser evitadas. (As desvantagens todas provêm de uma busca imprudente de cada um. A Virtude é um impedimento no caminho da Riqueza; a Riqueza fica no caminho da Virtude; e o Prazer fica no caminho de ambas. Os adjuntos inseparáveis dos três, no caso dos comuns, são que a Virtude é praticada como um meio de Riqueza; a Riqueza é procurada como meio de Prazer; e o Prazer é procurado para satisfazer os sentidos. No caso dos realmente sábios, aqueles adjuntos são pureza de alma como o objetivo da Virtude; realização de sacrifícios como o objetivo da Riqueza; e a manutenção do corpo como o objetivo do Prazer.) A quantidade a pagar de uma dívida, o resto de um fogo não apagado, e o restante de inimigos não mortos, repetidamente crescem e aumentam. Portanto, todos aqueles devem ser extintos e exterminados completamente. A dívida, a qual sempre cresce, é certa de permanecer a menos que totalmente extinta. É o mesmo caso com inimigos derrotados e enfermidades negligenciadas. Estes sempre produzem grandes feitos. (Deve-se, portanto, sempre erradicá-los.) Toda ação deve ser feita minuciosamente. Deve-se estar sempre atento. Tal coisa miúda como um espinho, se mal extraído, leva a uma gangrena persistente. Por massacrar sua população, por arrancar suas estradas e danificá-las de outras maneiras, e por queimar e derrubar suas casas, um rei deve destruir um reino hostil. Um rei deve ver de longe como o urubu, ser imóvel como um grou, vigilante como um cachorro, valente como um leão, temível como um corvo, e penetrar nos territórios de seus inimigos como uma cobra, com facilidade e sem ansiedade. Um rei deve conquistar um herói por unir suas palmas, um covarde por inspirá-lo com medo, e um homem cobiçoso por meio de presentes de riqueza, enquanto com um igual ele deve travar guerra. Ele deve ser cuidadoso em produzir desunião entre os líderes de partidos e em conciliar aqueles que lhe são caros. Ele deve proteger seus ministros da desunião e destruição. Se o rei se torna compassivo as pessoas o desconsideram. Se ele se torna severo, as pessoas sentem isso como uma aflição. A regra é que ele deve ser rigoroso quando a ocasião requerer rigor, e suave quando a ocasião requerer suavidade. Pela suavidade o suave deve ser cortado. Pela suavidade alguém pode destruir aquilo que é feroz. Não há nada que a suavidade a não possa efetuar. Por essa razão, a suavidade é citada como sendo mais afiada do que a ferocidade. O rei que se torna indulgente quando a ocasião requer indulgência e que se torna severo quando severidade é necessária, tem sucesso em realizar todos os seus objetivos, e em eliminar todos os seus inimigos. Tendo atraído a animosidade de uma pessoa possuidora de conhecimento e sabedoria, não se deve tirar conforto da convicção de que está à uma distância (do inimigo). De longo alcance são os braços de um homem inteligente pelos quais ele fere quando ferido. Não se deve procurar cruzar o que realmente não pode ser cruzado. Não se deve arrebatar do inimigo aquilo que o inimigo possa recuperar. Não se deve procurar cavar em absoluto se por cavar não se conseguir chegar à raiz da coisa pela qual se cava. Nunca se deve golpear alguém cuja cabeça alguém não cortaria. Um rei não deve agir sempre dessa maneira. Este rumo de conduta que eu declarei deve ser seguido somente em épocas de dificuldade. Inspirado pelo motivo de fazer o bem para ti eu disse isso para te instruir a respeito de como tu deves te conduzir quando atacado por inimigos.’” "Bhishma continuou, 'O soberano do reino dos Sauviras, ouvindo estas palavras faladas por aquele Brahmana inspirado com o desejo de lhe fazer bem, obedeceu àquelas instruções alegremente e obteve com seus parentes e amigos uma prosperidade resplandecente.'" 141 "Yudhishthira disse, 'Quando a virtude superior sofre decadência e é desobedecida por todos, quando a injustiça se torna justiça, e a justiça assume a forma do seu contrário, quando todas as restrições salutares desaparecem, e todas as verdades em relação à virtude são perturbadas e confundidas, quando as pessoas são oprimidas por reis e ladrões, quando homens de todos os quatro modos de vida ficam confusos a respeito de seus deveres, e todos os atos perdem seu mérito, quando os homens vêem causas de medo em todas as direções por causa da luxúria e cobiça e tolice, quando todas as criaturas param de confiar umas nas outras, quando elas matam umas às outras por meios desonestos e enganam umas às outras em suas transações mútuas, quando casas são incendiadas por todo o país, quando os Brahmanas vêm a ser extremamente afligidos, quando as nuvens não despejam uma gota de chuva, quando as mãos de todos estão viradas contra seus vizinhos, quando todas as necessidades da vida caem sob o poder de ladrões, quando, de fato, tal época de infortúnio terrível começa, por quais meios deve viver um Brahmana que não deseja rejeitar a compaixão e seus filhos? Como, de fato, um Brahmana se mantém em tal época? Diga-me isto, ó avô! Como também deve viver o rei em tal tempo quando a pecaminosidade toma conta do mundo? Como, ó opressor de inimigos, o rei deve viver para que ele não possa se afastar da virtude e do lucro?'” "Bhishma disse, 'Ó tu de braços poderosos, a paz e a prosperidade dos súditos, chuva suficiente e de acordo com as estações, doença, morte e outros temores, são todos dependentes do rei. (Isto é, se acontece de o rei ser bom, prosperidade, etc., são vistos. Por outro lado, se o rei se torna opressivo e pecaminoso, a prosperidade desaparece, e todo o tipo de mal inicia.) Eu também não tenho dúvida disso, ó touro da raça Bharata, que Krita, Treta, Dwapara, e Kali, em relação ao seu início, são todos dependentes da conduta do rei. Quando tal época de miséria como foi descrita por ti começa, o virtuoso deve manter a vida pela ajuda do discernimento. Em relação a isto é citada a antiga história da conversa entre Viswamitra e o Chandala em uma aldeia habitada por Chandalas. Perto do fim de Treta e do início de Dwapara, uma seca terrível ocorreu, se estendendo por doze anos, em consequência do que os deuses tinham ordenado. Naquele tempo que era o fim de Treta e o começo de Dwapara, quando veio o período para muitas criaturas aposentadas pela idade perderem suas vidas, a divindade de mil olhos do céu não despejou chuva. O planeta Vrihaspati começou a se mover em um curso retrógrado, e Soma, abandonando sua própria órbita, retrocedeu em direção ao sul. Nem mesmo uma gota de orvalho podia ser vista, o que dizer então de nuvens reunidas? Os rios todos encolheram até se tornarem córregos estreitos. Em todos os lugares lagos e poços e nascentes desapareceram e perderam sua beleza por causa daquela ordem de coisas que os deuses ocasionaram. A água tendo se tornada escassa, os lugares fundados por caridade para sua distribuição se tornaram desolados. (Na Índia, durante os meses quentes, pessoas caridosas montam abrigos sombreados ao lado de estradas para a distribuição de água fresca e açúcar em estado natural e aveia saturada em água. Entre algumas das principais estradas que correm através do país, uma pessoa ainda pode ver centenas de tais instituições proporcionando verdadeiro alívio para viajantes sedentos.) Os Brahmanas se abstiveram de sacrifícios e da recitação dos Vedas. Eles não mais proferiram Vashats nem realizaram outros ritos propiciatórios. A agricultura e a criação de gado foram abandonados. Mercados e lojas foram abandonados. Estacas para amarrar animais sacrificais desapareceram. As pessoas não mais coletavam diversos tipos de artigos para sacrifícios. Todos os festivais e diversões pereceram. Em todos os lugares pilhas de ossos eram visíveis e todos os lugares ressoavam com os gritos e berros agudos de criaturas ferozes. (Tais como Rakshasas e Pisachas e aves e feras carnívoras.) As cidades e municípios da terra se tornaram vazios de habitantes. Aldeias e vilas foram incendiadas. Alguns afligidos por ladrões, alguns por armas, e alguns por reis maus, e com medo uns dos outros, começaram a fugir. Templos e lugares de culto ficaram desertos. Os idosos foram expulsos à força de suas casas. Vacas e cabras e ovelhas e búfalos brigavam (por alimento) e pereciam em grandes números. Os Brahmanas começaram a morrer por todos os lados. A proteção estava no fim. Ervas e plantas estavam completamente secas. A terra ficou desprovida de toda sua beleza e extremamente horrível como as árvores em um crematório. Naquele período de terror, quando a virtude não estava em lugar nenhum, ó Yudhishthira, homens com fome perderam a razão e começaram a comer uns aos outros. Os próprios Rishis, desistindo de seus votos e abandonando seus fogos e divindades, e deixando seus retiros nas florestas, começaram a vagar para lá e para cá (à procura de comida). O grande e santo Rishi Viswamitra, possuidor de grande inteligência, vagava desabrigado e afligido pela fome. Deixando sua mulher e filho em um lugar de abrigo, o Rishi vagava, sem fogo (isto é, abandonando seu fogo Homa) e sem lar, e indiferente a alimento puro e impuro. Um dia ele chegou a uma aldeia, no meio de uma floresta, habitada por caçadores cruéis dedicados à matança de vivas criaturas. A pequena vila abundava com jarros quebrados e panelas feitas de terra. Peles de cachorro estavam espalhadas aqui e ali. Ossos e caveiras, reunidos em pilhas, de javalis e jumentos, jaziam em lugares diferentes. Roupas despidas dos mortos estavam em alguns lugares, e as cabanas eram adornadas com guirlandas de flores gastas. (Isto é, flores já oferecidas para as divindades.) Muitas das habitações também estavam cheias de peles abandonadas por cobras. O lugar ressoava com o canto alto de galos e galinhas e o zurro dissonante de jumentos. Aqui e ali os habitantes disputavam uns com os outros, proferindo palavras duras em vozes agudas. Aqui e ali haviam templos de deuses portando desenhos de corujas e outras aves. Ressoando com o tilintar de sinos de ferro, a aldeia abundava com grupos caninos em pé ou deitados por todos os lados. O grande Rishi Viswamitra, incitado pela fome aguda e dedicado à busca de comida, entrou naquela aldeia e se esforçou o melhor que pôde para achar alguma coisa para comer. Embora o filho de Kusika suplicasse repetidamente, ainda assim ele fracassou em obter qualquer carne ou arroz ou frutas ou raízes ou qualquer outro tipo de comida. Ele então, exclamando, 'Ai, grande é a miséria que me alcançou!', caiu de fraqueza naquela aldeia de Chandalas. O sábio começou a refletir, dizendo a si mesmo, 'O que é melhor a fazer agora?' De fato, ó melhor dos reis, o pensamento que o ocupava era dos meios pelos quais ele poderia evitar a morte imediata. Ele viu, ó rei, um grande pedaço de carne, de um cachorro que tinha sido morto recentemente com uma arma, esticado no chão da cabana de um Chandala. O sábio refletiu e chegou à conclusão de que ele devia roubar aquela carne. E ele disse a si mesmo, 'Eu não tenho meios agora de sustentar a vida. O roubo é permitido em uma época de miséria mesmo para uma pessoa eminente. Isso não diminuirá sua glória. Mesmo um Brahmana para salvar sua vida pode fazê-lo. Isso é certo. Em primeiro lugar deve-se roubar de uma pessoa inferior. Faltando tal pessoa alguém pode roubar de uma igual. Na falta de uma igual, alguém pode roubar até de um homem eminente e justo. Eu irei então, nessa hora quando minha própria vida está diminuindo, roubar esta carne. Eu não vejo demérito em tal roubo. Eu irei, portanto, roubar esta coxa de carne de cachorro.' Tendo tomado esta decisão, o grande sábio Viswamitra se deitou para dormir naquele lugar onde o Chandala estava. Vendo algum tempo depois que a noite tinha avançado e que toda a vila Chandala tinha adormecido, o santo Viswamitra, se levantando quietamente, entrou naquela cabana. O Chandala que a possuía, com os olhos cobertos com muco, estava deitado como alguém adormecido. De aparência desagradável, ele disse estas palavras ríspidas em uma voz quebrada e dissonante.’” "O Chandala disse, 'Quem está aí, tentando abrir o trinco? Toda a aldeia Chandala está dormindo. Eu, no entanto, estou desperto e não dormindo. Quem quer que tu sejas, tu estás prestes a ser morto.' Estas foram as palavras duras que saudaram os ouvidos do sábio. Cheio de medo, seu rosto carmesim com rubores de vergonha, e seu coração agitado pela ansiedade causada por aquela ação de roubo que ele tinha tentado, ele respondeu, dizendo, 'Ó tu que és abençoado com uma vida longa, eu sou Viswamitra. Eu vim aqui oprimido pela fome aguda. Ó tu de compreensão correta, não me mate, se tua visão estiver clara.' Ouvindo estas palavras daquele grande Rishi de alma purificada, o Chandala ergueu-se em terror de sua cama e se aproximou do sábio. Unindo suas palmas por reverência e com olhos banhados em lágrimas, ele se dirigiu ao filho de Kusika, dizendo, 'O que você procura aqui à noite, ó Brahmana?' Conciliando o Chandala, Viswamitra disse, 'Eu estou extremamente faminto e prestes a morrer de fome. Eu desejo roubar aquela coxa de carne de cachorro. Estando faminto, eu me tornei pecaminoso. Alguém desejoso de comida não tem vergonha. É a fome que está me incitando a esse delito. É por isso que eu desejo levar embora aquela coxa de carne de cachorro. Meus ares vitais estão enfraquecendo. A fome destruiu minha erudição védica. Eu estou fraco e perdi minha razão. Eu não tenho escrúpulo a respeito de comida pura ou impura. Embora eu saiba que isso é pecaminoso, ainda assim eu desejo roubar aquela coxa de carne de cachorro. Depois que eu não consegui obter qualquer esmola, tendo vagado de casa em casa nessa tua aldeia, eu coloquei meu coração nesse ato pecaminoso de roubar esta carne de cachorro. O fogo é a boca dos deuses. Ele é também seu sacerdote. Ele deve, portanto, receber somente coisas que são puras e limpas. Às vezes, no entanto, aquele grande deus se torna um consumidor de tudo. Saiba que eu agora me tornei assim como ele em relação a isso.' Ouvindo estas palavras do grande Rishi, o Chandala respondeu a ele, dizendo, 'Escute-me. Tendo ouvido as palavras de verdade que eu digo, aja de tal maneira que teu mérito religioso não possa perecer. Ouça, ó Rishi regenerado, o que eu te digo acerca do teu dever. Os sábios dizem que um cachorro é menos puro do que um chacal. A coxa, também, de um cachorro, é muito pior do que as outras partes de seu corpo. Isto não foi sabiamente decidido por ti, portanto, ó grande Rishi, este ato que não está de acordo com a virtude, este roubo do que pertence a um Chandala, este roubo, além disso, de comida que é impura. Abençoado sejas, procure algum outro meio de preservar tua vida. Ó grande sábio, que tuas penitências não sejam destruídas por este teu forte desejo por carne de cachorro. Conhecendo como tu conheces os deveres prescritos nas escrituras, tu não deves fazer um ato cuja consequência é uma confusão de deveres. (Nenhuma das três classes regeneradas deve comer carne de cachorro, se tu a comesses, onde estaria a diferença entre pessoas daquelas classes e homens como Chandalas?) Não abandone a virtude, pois tu és a principal de todas as pessoas observadoras de virtude.' Assim endereçado, ó rei, o grande Rishi Viswamitra, afligido pela fome, ó touro da raça Bharata, mais uma vez disse, 'Muito tempo se passou sem eu ter comido algum alimento. Eu também não vejo nenhum meio de preservar minha vida. Uma pessoa deve, quando ela está morrendo, manter a vida por quaisquer meios em seu poder sem julgar seu caráter. Depois, quando competente, ela deve procurar a aquisição de mérito. Os Kshatriyas devem observar as práticas de Indra. É o dever dos Brahmanas se comportarem como Agni. Os Vedas são fogo. Eles constituem minha força. Eu irei, portanto, comer mesmo esta comida impura para apaziguar minha fome. Aquilo pelo qual a vida pode ser preservada deve certamente ser realizado sem hesitação. A vida é melhor do que a morte. Vivendo, alguém pode adquirir virtude. Desejoso de preservar minha vida, eu desejo, com o total exercício da minha compreensão, comer este alimento impuro. Deixe-me receber tua permissão. Continuando a viver eu procurarei a aquisição de virtude e destruirei por meio de penitências e por conhecimento as calamidades consequentes da minha conduta atual, como os corpos luminosos do firmamento destruindo até a escuridão mais densa.'” "O Chandala disse, 'Por comer esta comida alguém (como tu) não pode obter uma vida longa. Nem alguém (como tu) pode obter força (de tal comida), nem aquela satisfação que a ambrosia oferece. Procure algum outro tipo de esmola. Não deixe teu coração se inclinar a comer carne de cachorro. O cachorro é certamente um alimento impuro para os membros das classes regeneradas.'” "Viswamitra disse, 'Qualquer outro tipo de carne não é obtido facilmente durante uma escassez como essa. Além disso, ó Chandala, eu não tenho riqueza (com a qual comprar comida). Eu estou extremamente faminto. Eu não posso mais me movimentar. Eu estou completamente desesperado. Eu penso que todos aqueles seis tipos de sabor serão encontrados naquele pedaço de carne de cachorro.'” "O Chandala disse, 'Somente as cinco espécies de animais de cinco garras são alimento puro para Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas, como declarado nas escrituras. Não coloque teu coração no que é impuro (para ti).'” "Viswamitra disse, 'O grande Rishi Agastya, quando faminto, comeu o Asura chamado Vatapi. Eu caí em miséria. Eu estou faminto. Eu irei portanto, comer aquela coxa de carne de cachorro.'” "O Chandala disse, 'Procure alguma outra esmola. Não cabe a ti fazer tal coisa. Na verdade, tal ato nunca deve ser feito por ti. Se, no entanto, te agradar, tu podes levar este pedaço de carne de cachorro.'” "Viswamitra disse, 'Aqueles que são chamados de bons são autoridades em questões de dever. Eu estou seguindo seu exemplo. Eu agora considero esta coxa de cachorro como um alimento melhor do que qualquer coisa que seja altamente pura.'” "O Chandala disse, 'Aquela que é a ação de uma pessoa iníqua nunca pode ser considerada como uma prática eterna. Aquele que é um ato impróprio nunca pode ser um ato apropriado. Não cometa uma ação pecaminosa por engano.'” "Viswamitra disse, 'Um homem que é um Rishi não pode fazer o que é pecaminoso. (Agastya era Rishi. Ele não podia fazer o que era pecaminoso.) No presente caso, veado e cachorro, eu penso, são iguais (ambos sendo animais). Eu irei, portanto, comer esta coxa de cachorro.'” "O Chandala disse, "Solicitado pelos Brahmanas, o Rishi (Agastya) fez aquele ato. Sob as circunstâncias aquilo não podia ser um pecado. É virtude aquilo no qual não há pecado. Além disso, os Brahmanas, que são os preceptores das outras três classes, devem ser protegidos e preservados de todas as maneiras.'” "Viswamitra disse, 'Eu sou um Brahmana. Este meu corpo é meu amigo. Ele é muito valioso para mim e é digno da minha maior reverência. É pelo desejo de sustentar o corpo que é nutrido por mim o desejo de roubar aquela coxa de cachorro. Tão ávido eu me tornei que eu não tenho mais qualquer medo de ti e de teus confrades violentos.'” "O Chandala disse, 'Homens sacrificam suas vidas mas eles ainda assim não colocam seus corações em alimento que é impuro. Eles obtêm a realização de todos os seus desejos mesmo neste mundo por conquistarem a fome. Conquiste tu também tua fome e obtenha aquelas recompensas.'” "Viswamitra disse, 'Em relação a mim mesmo, eu sou cumpridor de votos rígidos e meu coração está estabelecido na paz. Para preservar a base de todo o mérito religioso, eu comerei alimento que é impuro. É evidente que tal ato seria considerado como justo em uma pessoa de alma purificada. Para uma pessoa, no entanto, de alma impura, comer carne de cachorro pareceria pecaminoso. Mesmo se a conclusão à qual eu cheguei estiver errada, (e se eu comer esta carne de cachorro) eu não irei, por aquela ação, me tornar alguém como tu.'” "O Chandala disse, 'É minha firme conclusão que eu devo me esforçar o melhor que posso para te refrear deste pecado. Um Brahmana, por cometer uma má ação, cai de seu estado elevado. É por isso que eu estou te repreendendo.'” "Viswamitra disse, 'As vacas continuam a beber, apesar do coaxar das rãs. Tu não podes ter a pretensão de declarar o que constitui a virtude (e o que não constitui). Não seja um auto-elogiador.'” "O Chandala disse, 'Eu me tornei teu amigo. Somente por esta razão eu estou te aconselhando. Faça o que é benéfico. Não faça, por tentação, o que é pecaminoso.'” "Viswamitra disse, 'Se tu és um amigo desejoso da minha felicidade, então me levante dessa angústia. Neste caso, cedendo esta coxa de cachorro, e eu poderei me considerar salvo pela ajuda da virtude (e não pela ajuda da pecaminosidade).'” "O Chandala disse, 'Eu não ouso fazer um presente deste pedaço de carne para ti, nem posso tranquilamente te permitir roubar minha própria comida. Se eu te der esta carne e se tu a aceitares, tu mesmo sendo um Brahmana, nós dois ficaremos sujeitos a cairmos em regiões de desventura no mundo seguinte.'” "Viswamitra disse, 'Por cometer este ato pecaminoso hoje eu certamente salvarei minha vida que é muito sagrada. Tendo salvado minha vida, eu praticarei virtude depois e limparei minha alma. Diga-me qual destes dois é preferível (morrer sem comida, ou salvar minha vida por comer comida impura).'” "O Chandala disse: 'No cumprimento dos deveres que pertencem à sua classe ou tribo, a própria pessoa é o melhor juiz (de sua retidão ou impropriedade). Tu mesmo sabes qual dessas duas ações é pecaminosa. Aquele que considera carne de cachorro como comida pura, eu penso, não se absteria de nada em questões de comida!'” "Viswamitra disse, 'Ao aceitar (um presente impuro) ou em comer (comida impura) há pecado. Quando a vida de uma pessoa, no entanto, está em perigo, não há pecado em aceitar tal presente ou comer tal comida. Além disso, comer comida impura, quando não acompanhado por matança e engano e quando a ação provocará somente uma reprimenda branda, não é caso de muita consequência.'” "O Chandala disse, 'Se essa é tua razão para comer comida impura, é claro então que tu não respeitas o Veda e a moralidade Arya. Ensinado pelo que tu irás fazer, eu vejo, ó principal dos Brahmanas, que não há pecado em desconsiderar a distinção entre alimento puro e alimento que é impuro.'” "Viswamitra disse, 'Não é visto que uma pessoa incorre em um pecado grave por comer (comida proibida). Que alguém se torna decaído por beber vinho é somente um preceito verbal (para impedir homens de beberem). As outras ações proibidas (do mesmo tipo), quaisquer que elas sejam, realmente, todos os pecados, não destroem o mérito de alguém.'” "O Chandala disse, 'A pessoa erudita que rouba carne de cachorro de um lugar indigno (como este), de um infeliz impuro (como eu), de alguém que leva tal vida pecaminosa (como eu), comete um ato que é oposto ao comportamento daqueles que são chamados de bons. Por consequência, também, de sua ligação com tal ato, ele com certeza sofrerá as dores do arrependimento.'” "Bhishma continuou, 'O Chandala, tendo dito estas palavras ao filho de Kusika, ficou silencioso. Viswamitra então, de entendimento refinado, pegou aquela coxa de carne de cachorro. O grande asceta, tendo se apoderado daquele pedaço de carne de cachorro para salvar sua vida, levou-a para as florestas e desejou comê- lo com sua mulher. Ele resolveu que tendo primeiro gratificado as divindades segundo os ritos devidos, ele deveria então comer aquela carne de cachorro como lhe aprouvesse. Acendendo um fogo segundo os ritos Brahma, o asceta, de acordo com aqueles ritos que levam o nome de Aindragneya, começou ele mesmo a cozinhar aquela carne em Charu sacrifical. Ele então, ó Bharata, começou as cerimônias em honra dos deuses e dos Pitris, por dividir aquele Charu em tantas porções quanto fossem necessárias, segundo as injunções das escrituras, e por invocar os deuses com Indra encabeçando-os (para aceitarem suas partes). Enquanto isso, o chefe dos celestiais começou a despejar (chuva) copiosamente. Reanimando todas as criaturas por aquelas chuvas, ele fez plantas e ervas crescerem uma vez mais. Viswamitra, no entanto, tendo completado os ritos em honra dos deuses e dos Pitris e tendo-os gratificado devidamente, comeu ele mesmo aquela carne. Queimando todos os seus pecados posteriormente por meio de suas penitências, o sábio, depois de um longo tempo, alcançou o mais extraordinário êxito (ascético). Assim, quando o fim em vista é a conservação da própria vida, alguém de grande alma possuidor de erudição e conhecedor dos meios deve salvar sua própria pessoa infeliz, quando caída em miséria, por todos os meios em seu poder. Por recorrer a tal compreensão uma pessoa deve sempre preservar a própria vida. Uma pessoa, se viva, pode ganhar mérito religioso e desfrutar de felicidade e prosperidade. Por esta razão, ó filho de Kunti, uma pessoa de alma purificada e possuidora de conhecimento deve viver e agir neste mundo, confiando em sua própria inteligência ao discriminar entre virtude e seu oposto.'" 142 "Yudhishthira disse, 'Se aquilo que é tão horrível e que como a mentira nunca deve ser um objeto de respeito, é citado (como dever), então qual ato há do qual eu devo me reprimir? Por que também ladrões não devem ser respeitados então? Eu estou pasmo! Meu coração está aflito! Todos os laços que me ligam à moralidade estão soltos! Eu não posso tranquilizar minha mente e ousar agir da maneira sugerida por você.'” "Bhishma disse, 'Eu não te instruo em relação ao dever, ensinado pelo que eu ouvi dos Vedas somente. O que eu te disse é o resultado de sabedoria e experiência. Este é o mel que os eruditos colheram. Reis devem colher sabedoria de várias fontes. Uma pessoa não pode realizar seu rumo pelo mundo com a ajuda de uma moralidade que é unilateral. O dever deve provir da compreensão; e as práticas daqueles que são bons devem ser sempre averiguadas, ó filho de Kuru! Preste atenção a estas minhas palavras. Somente reis que são possuidores de inteligência superior podem governar, esperando vitória. Um rei deve se preparar para a observância da moralidade pela ajuda de sua compreensão e guiado por conhecimento derivado de várias fontes. Os deveres de um rei nunca podem ser cumpridos por regras retiradas de uma moralidade que é unilateral. Um rei de mente fraca nunca pode mostrar sabedoria (no cumprimento de seus deveres) por não ter retirado qualquer sabedoria dos exemplos diante dele. A justiça às vezes toma a forma da injustiça. A última também às vezes toma a forma da primeira. Quem não sabe disso fica confuso quando confrontado por um caso real desse tipo. Antes que a ocasião chegue, deve-se, ó Bharata, compreender as circunstâncias sob as quais a virtude e seu oposto se tornam confusas. Tendo adquirido esse conhecimento, um rei sábio deve, quando vir a ocasião, agir adequadamente, ajudado por seu raciocínio. As ações que ele faz em tal época são mal compreendidas pelas pessoas comuns. Algumas pessoas possuem conhecimento verdadeiro. Algumas pessoas têm conhecimento falso. Determinando realmente a natureza de cada tipo de conhecimento, um rei sábio deriva conhecimento daqueles que são considerados como bons. Aqueles que são realmente violadores da moralidade criticam as escrituras. Aqueles que não têm riqueza proclamam as inconsistências dos tratados sobre aquisição de riqueza. Aqueles que procuram adquirir conhecimento somente para o objetivo de conquistar seu sustento por meio disso, ó rei, são pecaminosos além disso sendo inimigos da moralidade. Homens vis, de inteligência imatura, nunca podem conhecer as coisas realmente, assim como pessoas não conhecedoras das escrituras são incapazes de se orientarem pela razão em todos os seus atos. Com os olhos direcionados para as falhas das escrituras, eles as depreciam. Mesmo que eles entendam o sentido verdadeiro das escrituras, eles ainda têm o hábito de proclamar que as injunções escriturais não são sadias. Tais homens, por vituperarem o conhecimento de outros proclamam a superioridade de seu próprio conhecimento. Eles têm palavras como suas armas e palavras como suas setas e falam como se eles fossem mestres legítimos de suas ciências. Saiba, ó Bharata, que eles são comerciantes em conhecimento e Rakshasas entre homens. Pela ajuda de meros pretextos eles rejeitam aquela moralidade que foi estabelecida por homens bons e sábios. É sabido por nós que os textos de moralidade não são para serem compreendidos por discussão ou pela própria inteligência. O próprio Indra disse que essa é a opinião do sábio Vrihaspati. Alguns são de opinião que nenhum texto escritural foi formulado sem uma razão. Outros também, mesmo que entendam devidamente as escrituras, nunca agem de acordo com elas. Uma classe de homens sábios declara que a moralidade não é nada mais do que o rumo aprovado do mundo. O homem de conhecimento verdadeiro deve descobrir por si mesmo a moralidade declarada para os bons. Se um homem sábio fala de moralidade sob a influência da ira ou confusão de entendimento ou ignorância, até suas opiniões não têm valor. Discursos sobre moralidade feitos com a ajuda de uma inteligência que é derivada da letra e espírito verdadeiros das escrituras, são dignos de louvor e não aqueles que são feitos com a ajuda de qualquer outra coisa. Até as palavras ouvidas de uma pessoa ignorante, se em si mesmas elas forem repletas de sentido, vêm a ser consideradas como pias e sábias. Nos tempos passados, Usanas disse aos Daityas esta verdade, a qual deve remover todas as dúvidas, que escrituras não são escrituras se elas não podem resistir ao teste da razão. A posse ou ausência de conhecimento que está misturado com dúvidas é a mesma coisa. Cabe a ti rechaçar tal conhecimento depois de arrancá- lo pelas raízes. Aquele que não escuta a essas minhas palavras é para ser considerado como alguém que se permitiu ser enganado. Tu não vês que tu foste criado para a realização de atos bravios? Veja a mim, ó filho caro, como, por me dirigir aos deveres da classe de meu nascimento, eu despachei inúmeros Kshatriyas para o céu! Há alguns que não estão contentes comigo por isto. A cabra, o cavalo e o Kshatriya foram criados por Brahman para um propósito parecido (isto é, para serem úteis para todos). Um Kshatriya, portanto, deve constantemente procurar a felicidade de todas as criaturas. O pecado que se vincula a matar uma pessoa que não deveria ser morta é igual àquele em que se cai por não matar uma que merece ser morta. Tal é a ordem de coisas estabelecida que um rei de mente fraca nunca pensa em observar. Portanto, um rei deve mostrar severidade em fazer todos os seus súditos cumprirem seus respectivos deveres. Se isso não for feito, eles rondarão como lobos, devorando uns aos outros. É um canalha entre Kshatriyas aquele em cujos territórios ladrões circulam pilhando a propriedade de outras pessoas como corvos pegando peixes pequenos da água. Nomeando homens nobres de nascimento possuidores de conhecimento Védico como teus ministros, governe a terra, protegendo teus súditos justamente. Aquele Kshatriya que, ignorante dos costumes e planos estabelecidos, cobra impostos impropriamente de seu povo, é considerado como um eunuco de sua classe. Um rei não deve ser severo nem brando. Se ele governa justamente ele merece louvor. Um rei não deve rejeitar ambas as qualidades; por outro lado, se tornando severo (em ocasiões que exigem severidade), ele deve ser brando quando for necessário ser assim. Doloroso é o cumprimento dos deveres Kshatriya. Eu tenho um grande amor por ti. Tu foste criado para a realização de atos severos. Portanto, governe teu reino. Sakra possuidor de grande inteligência disse que em tempos de infortúnio o grande dever de um rei é castigar os maus e proteger os bons.’” "Yudhishthira disse, 'Há alguma regra (em relação aos deveres reais) que não deve, de jeito nenhum, ser violada? Eu te pergunto isto, ó principal das pessoas virtuosas! Diga-me, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Uma pessoa deve sempre adorar Brahmanas veneráveis por causa de conhecimento, dedicados a penitências, e ricos em conduta harmoniosa com as injunções dos Vedas. Este, de fato, é um dever sublime e sagrado. Que tua conduta em direção aos Brahmanas seja sempre aquela que tu observas em direção aos deuses. Os Brahmanas, se enfurecidos, podem infligir diversos tipos de males, ó rei. Se eles forem satisfeitos, grande fama será tua parte. Se for o contrário, grande será teu medo. Se gratificados, os Brahmanas se tornam como néctar. Se enfurecidos, eles se tornam como veneno.'" 143 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu de grande sabedoria, ó tu que és conhecedor de todos os tipos de escrituras, me diga qual é o mérito é de alguém que cuida de suplicante que anseia por proteção.'” "Bhishma disse, 'Grande é o mérito, ó monarca, de cuidar de um suplicante. Tu és digno, ó melhor dos Bharatas, de fazer tal pergunta. Aqueles reis de grande alma de antigamente, isto é, Sivi e outros, ó rei, obtiveram grande bem- aventurança no céu por terem protegido suplicantes. É sabido que um pombo recebeu com respeito um inimigo suplicante de acordo com os ritos devidos e até o alimentou com sua própria carne.'” "Yudhishthira disse, 'Como, de fato, um pombo nos tempos passados alimentou um inimigo suplicante com sua própria carne? Qual também foi o fim, ó Bharata, que ele ganhou por tal conduta?'” "Bhishma disse, 'Escute, ó rei, a esta excelente história que purifica aqueles que a ouvem de todos os pecados, a história, isto é, que o filho de Bhrigu (Rama) narrou para o rei Muchukunda. Essa mesma questão, ó filho de Pritha, tinha sido colocada para o filho de Bhrigu por Muchukunda com devida humildade. A ele desejoso de escutar com humildade, o filho de Bhrigu narrou esta história de como um pombo, ó monarca, ganhou êxito (dando-lhe o direito à bem-aventurança celestial mais sublime).'” "O sábio disse, 'Ó monarca de braços poderosos, ouça-me enquanto eu narro para ti essa história que está repleta de verdades ligadas com Virtude, Lucro, e Prazer. Um caçador de aves selvagens perverso e terrível, parecendo com o próprio Destruidor, costumava vagar no passado pela grande floresta. Ele era negro como um corvo e seus olhos eram de uma cor sangrenta. Ele parecia com o próprio Yama. Suas pernas eram compridas, seu pés curtos, sua boca grande, e suas bochechas protuberantes. Ele não tinha amigo, nem parente. Ele tinha sido rejeitado por todos eles por causa da vida extremamente cruel que ele levava. De fato, um homem de má conduta deve ser repudiado de longe pelos sábios, pois não se pode esperar que aquele que prejudica a si mesmo faça bem para outros. Aqueles homens cruéis e de alma vil que tiram as vidas de outras criaturas são sempre como cobras venenosas, uma fonte de incômodo para todas as criaturas. Levando suas redes consigo, e matando aves nas florestas, ele costumava vender a carne daquelas criaturas aladas, ó rei (como meio de vida). Seguindo tal conduta, o patife de alma pecaminosa viveu por muitos longos anos sem nem entender a pecaminosidade de sua vida. Acostumado por muitos longos anos a se divertir com sua mulher na floresta seguindo aquela atividade, e estupefato pelo destino, nenhuma outra profissão o agradava. Um dia quando ele estava vagando pela floresta concentrado em seu trabalho, surgiu uma grande tempestade que sacudia as árvores e parecia prestes a arrancá-las. Em um momento nuvens densas apareceram no céu, com clarões de relâmpagos tremulando entre elas, apresentando o aspecto de um mar coberto com barcos e navios de comerciantes. Ele de cem sacrifícios tendo entrado nas nuvens com uma grande provisão de chuva, em um momento a terra ficou inundada com água. Enquanto a chuva ainda caía em torrentes, o caçador perdeu seu juízo pelo medo. Tremendo com frio e agitado pelo medo, ele vagou pela floresta. O matador de aves não conseguiu achar algum lugar alto (que não estivesse sob a água). Os caminhos da floresta estavam todos submersos. Pela força da chuva, muitas aves foram privadas de vida ou caíram no chão. Leões e ursos e outros animais, se utilizando de alguns locais altos que eles tinham encontrado, se deitaram para descansar. Todos os habitantes da floresta se encheram de medo por causa daquela tempestade e chuva terríveis. Assustados e famintos eles vagavam pelas florestas em bandos, pequenos e grandes. O caçador, no entanto, com os membros endurecidos pelo frio, não podia nem parar onde ele estava nem se mover. Enquanto neste estado ele viu um pombo fêmea jazendo sobre o solo, endurecido com frio. O indivíduo pecaminoso, embora estivesse no mesmo apuro, vendo a ave, a apanhou e prendeu em uma gaiola. Ele mesmo oprimido pela aflição, ele não hesitou em oprimir uma criatura semelhante com aflição. De fato, o patife, somente pela força do hábito, cometeu aquele pecado mesmo em tal momento. Ele então viu no meio daquela floresta uma árvore nobre, azul como as nuvens. Ela era o refúgio de miríades de aves desejosas de sombra e abrigo. Ela parecia ter sido colocada lá pelo Criador para o bem de todas as criaturas como um homem bom no mundo. Logo o céu clareou e ficou coberto com miríades de estrelas, apresentando o aspecto de um lago magnificente alegre com lírios desabrochantes. Olhando para o firmamento claro rico com estrelas, o caçador começou a avançar, ainda tremendo de frio. Vendo o céu sem nuvens, ele olhou para todos os lados, e vendo que a noite já estava sobre si, ele começou a pensar, 'Minha casa está a uma grande distância de onde eu estou.' Ele então resolveu passar a noite sob o abrigo daquela árvore. Curvando-se a ela com mãos unidas, ele se dirigiu àquele monarca da floresta, dizendo, 'Eu sou um suplicante por abrigo a todas as divindades que têm esta árvore como seu refúgio.' Tendo dito estas palavras, ele espalhou algumas folhas para fazer uma cama, e se deitou sobre ela, descansando sua cabeça em uma pedra. Embora oprimido pela aflição, o homem logo adormeceu.'" 144 "Bhishma disse, 'Em um dos ramos daquela árvore, um pombo com penas belas, ó rei, vivia por muitos anos com sua família. Naquela manhã sua esposa tinha saído à procura de alimento mas ainda não tinha voltado. Vendo que a noite tinha chegado e que sua esposa não tinha retornado, a ave começou a se entregar a lamentações: 'Oh, grande foi a tempestade e dolorosa foi a chuva que veio hoje! Ai, tu ainda não retornaste, ó cara esposa! A desgraça está sobre mim, qual pode ser a causa pela qual ela ainda não voltou para nós? Está tudo bem com aquela minha cônjuge querida na floresta? Separado dela, esta minha casa me parece vazia! Uma casa de um chefe de família, mesmo se cheia de filhos e netos e noras e empregados, é considerada vazia se desprovida da dona da casa. A casa de um homem não é seu lar; somente a esposa é o lar de um homem. Uma casa sem a esposa é tão desolada quanto o deserto. Se aquela minha querida esposa, de olhos franjados com vermelho, de plumas multicores, e de voz doce, não voltar hoje, minha própria vida cessará de ser de algum valor. De votos excelentes, ela nunca come antes que eu coma, e nunca se banha antes que eu me banhe. Ela nunca senta antes que eu me sente, e nunca deita antes que eu me deite. Ela se regozija se eu me regozijo, e fica triste quando eu estou triste. Quando eu estou fora ela fica desanimada, e quando eu estou zangado ela não para de falar docemente. Sempre dedicada a seu marido e sempre confiando nele, ela sempre esteve empenhada em fazer o que fosse agradável e benéfico para seu marido. Digna de louvor é aquela pessoa sobre a terra que possui tal cônjuge. Aquela criatura amável sabe que eu estou cansado e faminto. Dedicada a mim e constante em seu amor, minha cônjuge excelente é extremamente meiga e me adora devotamente. Até a base de uma árvore é o lar de um homem se ele vive lá com sua cônjuge como companheira. Sem um cônjuge, mesmo um palácio é realmente um ermo deserto. Um cônjuge é um companheiro em todas as ações de Virtude, Lucro e Prazer. Quando um homem parte para uma terra desconhecida sua esposa é uma companheira de confiança. É dito que a esposa é a posse mais valiosa do marido. Neste mundo a esposa é a única companheira de seu marido em todos os assuntos da vida. (A idéia é que o homem vem sozinho para o mundo e sai dele sozinho. Somente a esposa é sua verdadeira associada pois só ela é uma participante de seus méritos, e sem ela nenhum mérito pode ser ganho. A idéia Hindu de casamento é uma união completa. A partir do dia do casamento as duas pessoas se tornam um indivíduo para a realização de todos os atos religiosos e outros.) A esposa é sempre o melhor dos remédios que um homem pode ter na doença e na dor. Não há amigo como a esposa. Não há melhor refúgio do que a esposa. Não há melhor aliado no mundo do que a esposa em atos empreendidos para a aquisição de mérito religioso. Aquele que não tem em sua casa uma esposa que é casta e de palavras agradáveis deve ir para as florestas. Para tal homem não há diferença entre casa e ermo.'" 145 "Bhishma disse, 'Ouvindo aquelas lamentações comoventes do pombo na árvore, a pomba capturada pelo caçador começou a dizer para si mesma o seguinte.'” "A pomba disse, 'Se eu tenho algum mérito ou não, em verdade não há limite para a boa sorte quando meu querido marido fala assim de mim. Não é uma esposa aquela com a qual o marido não está contente. No caso das mulheres, se seus maridos estiverem satisfeitos com elas todas as divindades também estarão. Já que o casamento ocorre na presença do fogo, o marido é a maior divindade da esposa. A esposa com quem seu marido não está satisfeito vem a ser reduzida a cinzas, assim como uma trepadeira adornada com ramos de flores em um incêndio na floresta.' Tendo refletido dessa maneira, a pomba, afligida pelo sofrimento, e presa pelo caçador dentro de sua gaiola, falou assim para seu marido dominado pela dor, 'Eu direi o que é benéfico para ti agora. Ouvindo-me siga meu conselho, ó marido querido, sejas tu o salvador de um suplicante. Este caçador deita aqui perto da tua residência, afligido com frio e fome. Faça a ele os deveres de hospitalidade. O pecado que uma pessoa comete por matar um Brahmana ou aquela mãe do mundo, isto é, uma vaca, é igual àquele em que se incorre por permitir que um suplicante pereça (por falta de ajuda). Tu possuis autoconhecimento. Cabe a alguém como tu, portanto, seguir aquela conduta que foi ordenada para nós como pombos pela ordem de nosso nascimento. (Nossa força, embora pouca, deve ser empregada por nós em desempenhar os deveres de hospitalidade da nossa própria maneira.) É sabido por nós que o chefe de família que pratica a virtude de acordo com a medida de suas habilidades, ganha regiões inesgotáveis de felicidade após a morte. Tu tens filhos. Tu tens progênie. Ó ave, rejeitando toda a bondade por teu próprio corpo, portanto, e para ganhar virtude e lucro, ofereça culto a este caçador para que seu coração possa ser satisfeito. Ó ave, não te entregue a qualquer sofrimento por minha causa. (Veja, quão insignificante eu sou!) Tu podes continuar a viver, aceitando outras esposas!' A pomba amável, dominada pela tristeza, e olhando para seu marido da gaiola do caçador dentro da qual ela tinha sido presa, disse estas palavras para ele.'" 146 "Bhishma disse, 'Ouvindo aquelas palavras repletas de moralidade e razão que foram faladas por sua esposa, o pombo sentiu grande deleite e seus olhos estavam banhados em lágrimas de alegria. Vendo aquele caçador cuja ocupação era a matança de aves, o pombo o honrou escrupulosamente segundo os ritos prescritos nas ordenanças. Dirigindo-se a ele, ele disse, 'Tu és bem vindo hoje. Diga-me o que eu devo fazer por ti. Tu não deves ficar descontente. Tu estás em casa. (Literalmente 'tu estás em casa', significando 'Eu não pouparei quaisquer esforços para te fazer sentir e desfrutar todos os confortos do lar neste local.) Diga-me rapidamente o que eu devo fazer e qual é teu desejo. Eu te pergunto isto em afeição, pois tu solicitaste abrigo em nossas mãos. Hospitalidade deve ser mostrada até para um inimigo quando ele vai à casa de alguém. A árvore não retira sua sombra nem da pessoa que se aproxima dela para cortá-la. Deve-se, com cuidado escrupuloso, cumprir os deveres de hospitalidade em direção a uma pessoa que anseia por abrigo. De fato, uma pessoa é especialmente obrigada a fazer isso se acontecer de ela levar uma vida familiar que consiste nos cinco sacrifícios. Se uma pessoa, enquanto levando uma vida familiar, por falta de discernimento não realiza os cinco sacrifícios, ela perde, segundo as escrituras, este mundo e o seguinte. Diga-me então confiantemente e em palavras inteligíveis quais são teus desejos. Eu realizarei eles todos. Não coloque teu coração na aflição.' Ouvindo estas palavras da ave, o caçador respondeu para ele, dizendo, 'Eu estou duro de frio. Que providências sejam tomadas para me aquecer.' Assim endereçada, a ave reuniu uma quantidade de folhas secas sobre o solo, e pegando uma única folha em seu bico saiu depressa para ir buscar fogo. Indo a um local onde fogo era mantido, ele obteve um pequeno fogo e voltou ao local. Ele então ateou fogo naquelas folhas secas, e quando elas resplandeceram em chamas vigorosas, ele se dirigiu a seu convidado, dizendo, 'Aqueça teus membros em confiança e sem medo'. Assim endereçado, o caçador disse, 'Assim seja', e se pôs a aquecer seus membros endurecidos. Recuperando (por assim dizer) seus ares vitais o caçador disse para seu anfitrião alado, 'A fome está me afligindo. Eu desejo que tu me dês algum alimento.' Ouvindo suas palavras a ave disse, 'Eu não tenho provisões com as quais apaziguar tua fome. Nós, habitantes das florestas, sempre vivemos do que nós conseguimos a cada dia. Como os ascetas da floresta nós nunca acumulamos para o dia seguinte.' Tendo dito estas palavras, o rosto da ave empalideceu (de vergonha). Ele começou a refletir silenciosamente quanto ao que ele deveria fazer e mentalmente desaprovou seu próprio método de viver. Logo, no entanto, sua mente se iluminou. Dirigindo-se ao matador de sua espécie, a ave disse, 'Eu te satisfarei. Espere um momento.' Dizendo estas palavras, ele acendeu um fogo com a ajuda de algumas folhas secas, e cheio de alegria, disse, 'Eu ouvi no passado de Rishis de grande alma e deuses e Pitris que há grande mérito em honrar um convidado. Ó amável, seja bondoso para mim. Eu te digo realmente que meu coração está determinado a honrar a ti que és meu convidado.' Tendo tomado esta decisão, a ave de grande alma, com um rosto sorridente, circungirou três vezes aquele fogo e então entrou em suas chamas. Vendo a ave entrar naquele fogo, o caçador começou a pensar, e se perguntou, 'O que eu fiz? Ai, sombrio e terrível será meu pecado, sem dúvida em consequência dos meus próprios atos! Eu sou extremamente cruel e digno de reprovação.’ De fato, observando a ave sacrificar suar vida, o caçador, depreciando seus próprios atos, começou a se entregar a lamentações copiosas como tu.'" 147 "Bhishma disse, 'O caçador, vendo o pombo cair dentro do fogo, encheu-se de compaixão e mais uma vez disse, 'Ai, cruel e insensível que eu sou, o que tenho feito! Eu sou certamente um canalha desprezível! Grande será meu pecado por anos eternos!’ Entregando-se a tais auto-reprovações ele começou a dizer repetidamente, 'Eu sou indigno de crédito. Minha mente é perversa. Eu sou sempre pecaminoso em minhas resoluções. Ai, abandonando todos os tipos de ocupação honrada, eu me tornei um caçador. Um canalha cruel que sou, sem dúvida, este pombo de grande alma, por sacrificar sua própria vida, me ensinou uma lição importante. Abandonando esposas e filhos, eu certamente rejeitarei meus ares vitais que são tão valiosos. O pombo de grande alma me ensinou aquele dever. Desse dia em diante, negando todo o conforto ao meu corpo, eu irei desgastá-lo assim como um tanque raso na estação do verão. Capaz de suportar fome, sede, e penitências, reduzido à emaciação, e totalmente coberto com veias visíveis, eu praticarei de diversas maneiras tais votos que têm relação com o outro mundo. Ai, por abandonar seu corpo, o pombo me mostrou o culto que deve ser prestado para um convidado. Ensinado por seu exemplo, eu de agora em diante praticarei virtude. A virtude é maior refúgio (de todas as criaturas). De fato, eu praticarei tal virtude como a que era vista no pombo virtuoso, aquela principal de todas as criaturas aladas.' Tendo tomado tal decisão e dito estas palavras, o caçador, outrora de atos violentos, procedeu para fazer uma viagem sem retorno pelo mundo, observando os votos mais rígidos. (Mahaprasthana é literalmente uma partida sem volta. Quando uma pessoa deixa seu lar para vagar pelo mundo até que a morte ponha em fim em suas vagueações, é dito que ela parte em Mahaprasthana.) Ele jogou fora seu bastão sólido, sua vara de ferro de ponta afiada, suas redes e armadilhas, e sua gaiola de ferro, e libertou a pomba que ele tinha capturado e prendido.'" "Bhishma disse, 'Depois que o caçador tinha deixado aquele local, a pomba, lembrando-se de seu marido e atormentada pelo sofrimento por sua causa, chorou copiosamente e se entregou a estas lamentações, 'Eu, ó marido querido, não posso me lembrar de uma única ocasião em que tu me fizeste uma injúria! Viúvas, mesmo se mães de muitas crianças, ainda são miseráveis! Sem seu marido, uma mulher se torna desamparada e um objeto de compaixão para seus amigos. Eu era sempre tratada com carinho por ti, e pelo grande respeito que tu tinhas por mim eu era sempre honrada por ti com palavras gentis, agradáveis, encantadoras, e graciosas. Eu me diverti contigo em vales, em nascentes de rios, e em encantadores topos de árvores. Eu também fui feita feliz por ti enquanto vagando contigo pelos céus. Eu costumava me divertir contigo antes, ó caro marido, mas onde estão aquelas alegrias agora? Limitados são os presentes do pai, do irmão, e do filho para uma mulher. Somente os presentes que seu marido dá para ela são ilimitados. Que mulher não iria, portanto, adorar seu marido? Uma mulher não tem protetor como seu marido, e nenhuma felicidade como seu marido. Abandonando toda a sua riqueza e posses, uma mulher deve tomar seu marido como seu único refúgio. A vida aqui não tem serventia para mim, ó marido, agora que eu estou separada de ti. Que mulher casta iria, quando privada do marido, ousar carregar o peso da vida?' Cheia de tristeza e se entregando a tais lamentações comoventes, a pomba, dedicada a seu marido, se lançou no fogo ardente. Ela então viu seu marido (falecido) adornado com braceletes, sentado em um carro (celeste), e adorado por muitos seres meritórios e de grande alma que estavam em volta dele. De fato, ele estava lá no firmamento, adornado com belas guirlandas, vestido em mantos excelentes, e enfeitado com todos os ornamentos. Ao redor dele estavam inúmeros carros celestes dirigidos por seres que tinham agido meritoriamente enquanto estavam neste mundo. Sentado em seu próprio carro celeste, a ave ascendeu para o céu, e obtendo honras apropriadas aos seus feitos neste mundo, continuou a se divertir em alegria, acompanhado por sua esposa.'" 149 "Bhishma disse, 'O caçador, ó rei, aconteceu de ver aquele casal enquanto sentado em seu carro celestial. Vendo o casal ele se encheu de tristeza (ao pensar em seu próprio infortúnio) e começou a refletir sobre os meios de alcançar o mesmo fim. E ele disse a si mesmo, 'Eu devo, por austeridades como aquelas do pombo, alcançar tal fim sublime!' Tendo tomado esta decisão, o caçador, que tinha vivido da matança de aves, saiu em uma viagem sem volta. Sem qualquer esforço (para obter alimento) e vivendo só do ar, ele rejeitou todas as afeições pelo desejo de alcançar o céu. Depois que ele tinha procedido por alguma distância, ele viu um lago extenso e encantador cheio água de fresca e pura, e adornado com lotos e cheio de diversas espécies de aves aquáticas. Sem dúvida, a própria visão de tal lago era capaz de matar o desejo de beber de uma pessoa sedenta. Emaciado com jejuns, o caçador, no entanto, ó rei, sem olhar para ele, penetrou alegremente em uma floresta habitada por animais predadores, tendo averiguado previamente sua ampla extensão. Depois que ele tinha entrado na floresta ele foi muito afligido por espinhos pontudos e afiados. Lacerado e cortado por espinhos, e completamente coberto com sangue, ele começou a vagar naquela floresta desprovida de homens mas cheia de animais de diversas espécies. Algum tempo depois, em consequência da fricção de algumas árvores poderosas causada por um vento forte, surgiu um incêndio que se espalhou por toda parte. O elemento furioso, mostrando um esplendor como o que ele assume no fim do Yuga, começou a consumir aquela floresta grande cheia de árvores altas e arbustos e trepadeiras espessos. De fato, com as chamas sopradas pelo vento e miríades de faíscas voando em todas as direções, a divindade que tudo consome começou a queimar aquela floresta densa abundando com aves e feras. O caçador, desejoso de abandonar seu corpo, correu com um coração encantado em direção àquela conflagração que se propagava. Consumido por aquele fogo o caçador se purificou de todos os seus pecados e alcançou, ó melhor dos Bharatas, êxito sublime. A febre de seu coração dissipada, ele finalmente se viu no céu, brilhando em esplendor como Indra no meio de Yakshas e Gandharvas e pessoas coroadas com êxito ascético. Assim, de fato, o pombo e sua cônjuge devotada, com o caçador, ascenderam ao céu por seus atos meritórios. A esposa que assim segue seu marido logo ascende para o céu e brilha lá em esplendor como a pomba da qual eu falei. Essa é a velha história do caçador e do pombo de grande alma. Dessa maneira eles alcançaram um fim altamente meritório por suas ações virtuosas. Nenhum mal acontece à pessoa que escuta todos os dias a esta história ou que a recita todos os dias, mesmo que o erro invada sua mente. (A teoria é que todos os infortúnios surgem originalmente do erro mental o qual nubla a compreensão.) Ó Yudhishthira, ó principal de todas as pessoas virtuosas, a proteção de um suplicante é realmente um ato nobre de mérito. Até o matador de uma vaca, por praticar este dever, pode ser purificado do pecado. Nunca será purificado, no entanto, o homem que mata um suplicante. Por escutar a esta história sagrada e purificadora de pecados uma pessoa se livra da aflição e finalmente alcança o céu.'" 150 "Yudhishthira disse, 'Ó melhor dos Bharatas, quando uma pessoa comete pecado por falta de raciocínio, como ela pode ser purificada disso? Conte-me tudo sobre isto.'” "Bhishma disse, 'Eu em relação a isto eu recitarei para ti a antiga narrativa, louvada pelos Rishis, do que o regenerado Indrota, o filho de Sunaka, disse para Janamejaya. Havia antigamente um rei possuidor de grande energia, chamado Janamejaya, que era o filho de Parikshit. Aquele senhor de terra em uma ocasião, por falta de raciocínio, tornou-se culpado de matar de um Brahmana. Depois disto, todos os Brahmanas junto com seus sacerdotes o abandonaram. Queimando dia e noite com remorso, o rei se retirou para as florestas. Abandonado também por seus súditos, ele tomou este passo para conseguir grande mérito. Consumido pelo arrependimento, o monarca passou pelas austeridades mais rígidas. Para se purificar do pecado de Brahmanicídio ele interrogou muitos Brahmanas, e vagou de país em país sobre a terra inteira. Eu agora te contarei a história de sua expiação. Queimando com a lembrança de sua ação pecaminosa, Janamejaya vagou para lá e para cá. Um dia, no decurso de suas vagueações, ele encontrou Indrota, o filho de Sunaka, de votos rígidos, e se aproximando dele tocou seus pés. O sábio, vendo o rei diante de si, o reprovou gravemente, dizendo, 'Tu cometeste um grande pecado. Tu és culpado de feticídio. Por que tu vieste aqui? Que assunto tu tens conosco? Não me toque de nenhuma maneira! Vá, vá embora! Tua presença não nos agrada. Tua pessoa cheira como sangue. A tua aparência é como a de um cadáver. Embora impuro, tu pareces ser puro, e embora morto tu te moves como um vivo! Morto por dentro, tu tens a alma impura, pois estás sempre planejando pecados. Embora tu durmas e despertes, tua vida, no entanto, é passada em grande miséria. Tua vida, ó rei, é inútil. Tu vives muito miseravelmente. Tu foste criado para atos ignóbeis e pecaminosos. Pais desejam filhos pelo desejo de obter diversos tipos de bênçãos, e esperando que eles realizem penitências e sacrifícios, adorem os deuses, e pratiquem renúncia (fazendo caridade). Veja, toda a linhagem de teus ancestrais caiu no inferno por causa das tuas ações. Todas as esperanças que teus ascendentes colocaram em ti foram inúteis. Tu vives em vão, pois tu estás sempre inspirado com ódio e malícia em direção aos Brahmanas, eles, que por adorar a quem os homens obtêm vida longa, fama, e céu. Deixando este mundo (quando chegar a hora), tu terás que cair (no inferno) de cabeça para baixo e permanecer naquela posição por incontáveis anos por consequência das tuas ações pecaminosas. Lá tu serás torturado por urubus e pavões de bicos de ferro. Voltando então para este mundo, tu terás que nascer em uma classe desprezível de criaturas. Se tu pensas, ó rei, que este mundo é nada e que o próximo mundo é a sombra de uma sombra, os seguidores de Yama nas regiões infernais te convencerão, dissipando tua incredulidade.'" 151 "Bhishma disse, 'Assim endereçado, Janamejaya respondeu ao sábio, dizendo, 'Tu repreendes alguém que merece ser repreendido. Tu censuras alguém que é merecedor de censura. Tu reprovas a mim e minhas ações. Eu imploro que tu sejas gracioso em direção a mim. Todos os meus atos têm sido pecaminosos. Eu queimo, no entanto, com o arrependimento como se eu estivesse no meio do fogo ardente! Minha mente, ao lembrar dos meus atos, está extremamente triste. Na verdade, eu estou com muito medo de Yama. Como eu posso suportar viver sem extrair aquele dardo do meu coração? Ó Saunaka, suprimindo toda a tua ira, instrua-me agora. Antigamente eu costumava mostrar respeito pelos Brahmanas. Eu declaro solenemente que eu vou mais uma vez demonstrar o mesmo respeito por ti. Não deixe que minha linhagem seja extinta. Não deixe que a linhagem na qual eu nasci afunde no pó. Não é apropriado que aqueles que foram injustos com Brahmanas e, pelas injunções dos Vedas, perderam todo o direito ao respeito do mundo e à relação social com seus semelhantes, devam ter algum portador de seus nomes para continuar suas famílias. Eu estou dominado pelo desespero. Eu, portanto, repito a minha decisão (sobre reparar minha conduta). Eu rogo a você que me proteja como sábios que não aceitam presentes protegendo os pobres. Indivíduos pecaminosos se abstendo de sacrifícios nunca alcançam o céu. Deixando (este mundo), eles têm que passar seu tempo nos abismos do inferno como Pullindas e Khasas. (Estas são tribos Mleccha de comportamento impuro.) Ignorante que eu sou, dê-me sabedoria como um preceptor erudito para seu pupilo ou como um pai para seu filho. Fique satisfeito comigo, ó Saunaka!'” "Saunaka disse, 'Que surpresa há que uma pessoa desprovida de sabedoria faça muitas ações impróprias? Sabendo disso, uma pessoa de sabedoria verdadeira nunca se zanga com as criaturas (quando elas se tornam culpadas de tolice). Por ascender ao topo do palácio da sabedoria, uma pessoa se aflige pelas outras, sendo em si mesma demasiado pura para se tornar um objeto de aflição de outras pessoas. Por sua própria sabedoria alguém examina todas as criaturas no mundo como uma pessoa no topo de uma montanha olhando as pessoas em baixo. A pessoa que se torna um objeto de crítica pelos homens bons, que odeia bons homens e que se esconde de sua vista, nunca consegue obter qualquer bênção e nunca entende a propriedade de ações. Tu sabes que a energia e a nobreza do Brahmana é declarada nos Vedas e em outras escrituras. Aja agora de tal maneira que a tranquilidade de coração possa ser tua e que os Brahmanas sejam teu refúgio. Se os Brahmanas cessarem de estar zangados contigo, eles assegurarão tua felicidade no céu. Se, também, tu te arrependeres de teu pecado, tua visão ficará clara e tu conseguirás ver a virtude.'” "Janamejaya disse, 'Eu estou arrependido de meus pecados. Eu nunca mais procurarei extinguir a virtude. Eu desejo obter bem-aventurança. Fique satisfeito comigo.'” "Saunaka disse, 'Dissipando arrogância e orgulho, ó rei, eu desejo que tu demonstres consideração por mim! (Isto é, por minhas instruções.) Empenhe-te no bem de todas as criaturas, sempre te lembrando dos mandatos de retidão. Eu não estou te reprovando por medo ou estreiteza de mente ou avareza. Escute agora, com estes Brahmanas aqui, as palavras de verdade que eu profiro. Eu não peço nada. Eu irei, no entanto, te instruir sobre os caminhos da virtude. Todas as pessoas irão coaxar e zurrar e gritar vergonha sobre mim (pelo que eu vou fazer). Elas até me chamarão de pecaminoso. Meus parentes e amigos me rejeitarão. (Pois era tão grande a repugnância sentida pelo assassino de um Brahmana que até falar com ele era considerado um pecado. Instruir tal homem nas verdades dos Vedas e da moralidade era profanar a própria religião.) Sem dúvida, no entanto, meus parentes e amigos, ouvindo as palavras que eu falar, conseguirão atravessar vigorosamente as dificuldades da vida. Alguns que são possuidores de grande sabedoria irão compreender (meus motivos) corretamente. Saiba, ó filho, quais são meus pontos de vista, ó Bharata, em relação aos Brahmanas. (Depois de me ouvir) aja de tal maneira que eles possam, pelos meus esforços, obter todas as bênçãos. Também, ó rei, empenhe tua palavra que tu não irás novamente prejudicar os Brahmanas.'” "Janamejaya disse, 'Eu juro, até tocando teus pés, que eu nunca mais, em pensamentos, palavras, ou ações, ofenderei os Brahmanas.'" 152 "Saunaka disse, 'Por essas razões eu te falarei sobre virtude, para ti cujo coração tem estado extremamente agitado. Possuidor de conhecimento e grande força, e com um coração contente, tu procuras virtude por tua própria vontade. Um rei, primeiro sendo extremamente severo, então mostra compaixão e faz o bem para todas as criaturas por seus atos. Isto é certamente muito admirável. O povo diz que um rei que começa com severidade queima o mundo inteiro. Antes tu eras severo. Mas tu volveste teus olhos para a virtude agora. Abandonando comida luxuosa e todos os artigos de prazer, tu te dirigiste por um longo tempo para penitências rígidas. Tudo isso, ó Janamejaya, seguramente parece extraordinário para aqueles reis que estão afundados em pecado. Que aquele que tem riqueza deva se tornar generoso, ou aquele que é dotado de riqueza de ascetismo deva se tornar relutante em gastá-la, não é surpreendente em absoluto. É dito que esses dois não vivem muito longe um do outro. (Isto é, a mesma causa que faz uma pessoa afluente caridosa opera para fazer um asceta cuidadoso do tipo de riqueza que ele tem.) Aquilo que é precipitado produz miséria em abundância. Aquilo, por outro lado, que é realizado com a ajuda do raciocínio correto leva a resultados excelentes. Sacrifício, caridade, compaixão, os Vedas, e a verdade, ó senhor da terra, estes cinco, são purificadores. O sexto é penitência bem realizada. Este último, ó Janamejaya, é altamente purificador para reis. Por se dirigir a isto devidamente, tu seguramente ganharás grande mérito e bem-aventurança. Visitar lugares sagrados também foi citado como sendo altamente purificador. Com relação a isto são citados os seguintes versos cantados por Yayati: 'O mortal que ganhar vida e longevidade deve, depois de ter realizado sacrifícios com devoção, renunciar a eles (na velhice) e praticar penitências.' O campo de Kuru é citado como sagrado. O rio Saraswati é citado como sendo mais ainda. Os tirthas do Saraswati são mais sagrados do que a própria Saraswati; e o tirtha chamado Prithudaka é mais sagrado do que os tirthas do Saraswati. Alguém que se banhou no Prithudaka e bebeu suas águas não terá que sofrer por uma morte prematura. Tu deves ir para Mahasaras, para todos os tirthas designados pelo nome de Pushkara, para Prabhasa, ao lago do norte Manasa, e para Kalodaka. Tu irás então recuperar a vida e adquirir longevidade. O lago Manasa está no local onde o Saraswati e o Drisadwati se misturam um com o outro. Uma pessoa possuidora de conhecimento Védico deve se banhar nesses lugares. Manu disse que a generosidade é o melhor de todos os deveres e que a renúncia é melhor do que a generosidade. Em relação a isto é citado o seguinte verso composto por Satyavat. (Uma pessoa deve agir) como uma criança cheia de simplicidade e desprovida de mérito ou pecado. Em relação a todas as criaturas não há nem tristeza nem felicidade. (Aquilo que é chamado de tristeza e aquilo que é chamado de felicidade são os resultados de uma imaginação perturbada.) Essa mesma é a natureza verdadeira de todas as criaturas vivas. De todas as criaturas, são superiores as vidas daquelas que se dirigiram à renúncia e que se abstiveram das ações meritórias e pecaminosas. Eu agora te direi aquelas ações que são melhores para um rei. Por empregar teu poder e generosidade conquiste o céu, ó rei! O homem que possui os atributos de poder e energia consegue alcançar a virtude. Governe a terra, ó rei, por causa dos Brahmanas e pela felicidade. Tu costumavas antigamente condenar os Brahmanas. Gratifique-os agora. Embora eles tenham gritado vergonha sobre ti e embora ele tenham te abandonado, ainda assim, guiado pelo conhecimento do eu, te empenhe solenemente para nunca ofendê-los. Envolvido em atos apropriados para ti, procure o que é para o teu maior bem. Entre os soberanos, alguns se tornam tão frios quanto a neve; alguns, tão ferozes quanto o fogo; alguns se tornam como um arado (arrancando todos os inimigos); e alguns, também, se tornam como um raio (queimando subitamente seus inimigos). Quem deseja impedir a autodestruição nunca deve se misturar com indivíduos vis, por razões gerais ou específicas. De um ato pecaminoso cometido uma única vez, alguém pode se purificar por se arrepender disso. De um ato pecaminoso cometido duas vezes, uma pessoa pode se purificar por jurar nunca cometê-lo outra vez. De tal ato cometido três vezes, ela pode se purificar pela decisão de se comportar corretamente mesmo posteriormente. Por cometer tal ação repetidamente, uma pessoa pode se purificar por uma viagem para lugares sagrados. Alguém desejoso de obter prosperidade deve fazer tudo o que resulta em bem-aventurança. Aqueles que vivem entre odores fragrantes se tornam eles mesmos fragrantes por consequência. Aqueles, por outro lado, que vivem no meio de fedor imundo se tornam eles mesmos imundos. Alguém dedicado à prática de penitências ascéticas é logo purificado de todos os pecados. Por cultuar o fogo (homa) por um ano, alguém maculado por diversos pecados se torna purificado. Alguém culpado de feticídio é purificado por cultuar o fogo por três anos. Alguém culpado de feticídio se purifica até a cem Yojanas de Mahasaras, ou dos tirthas chamados Pushkara, ou Prabhasa, ou Manasa no norte, se ele somente sai para algum deles. Um matador de criaturas é purificado de seus pecados por salvar do perigo iminente tantas criaturas daquela espécie específica quanto as que foram mortas por ele. Manu disse que por mergulhar em água depois de recitar três vezes os mantras Aghamarshana, uma pessoa obtém os frutos do banho final em um Sacrifício de Cavalo. (Esses mantras formam uma parte da prece da manhã, do meio-dia e da noite de todo Brahmana. Aghamarshana era um Rishi Védico de grande santidade.) Tal ação logo purifica uma pessoa de todos os seus pecados, e ela recupera em consequência a estima do mundo. Todas as criaturas se tornam obedientes a tal pessoa como idiotas impotentes (obedientes àqueles que os circundam). Os deuses e os Asuras, antigamente, se aproximando do preceptor celeste Vrihaspati, ó rei, humildemente lhe perguntaram, dizendo, 'Tu conheces, ó grande Rishi, os frutos da virtude, como também os frutos daqueles outros atos que levam ao inferno no mundo seguinte. Não consegue se libertar de mérito e pecado a pessoa para quem os dois (prosperidade e dor) são iguais? Nos diga, ó nobre Rishi, quais são os frutos da virtude, e como uma pessoa correta dissipa seus pecados.'” "Vrihaspati respondeu, 'Se tendo cometido um pecado por tolice, alguém faz atos meritórios compreendendo sua natureza, ele consegue, por tal virtude, se purificar do pecado assim como um pedaço de tecido sujo é limpo por meio de alguma substância salina. Não se deve contar vantagem depois de ter cometido pecado. Por recorrer à fé e por se livrar da malícia, uma pessoa consegue obter bem-aventurança. A pessoa que cobre as falhas, até quando expostas, de bons homens, obtém bem-aventurança mesmo depois de ter cometido erros. Como o nascer do sol de manhã dissipa a escuridão, alguém dissipa todos os seus pecados por agir honradamente.'” "Bhishma continuou, 'Indrota, o filho de Sunaka, tendo dito essas palavras ao rei Janamejaya, o ajudou, por seu sacerdócio, no desempenho do Sacrifício de Cavalo. O rei, purificado de seus pecados e recuperando bem-aventurança, brilhou com esplendor como um fogo ardente, e aquele matador de inimigos então entrou em seu reino como Soma em sua forma cheia entrando no céu.'" 153 "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, já viste ou ouviste de algum mortal devolvido à vida depois de ter sucumbido à morte?'” "Bhishma disse, 'Escute, ó rei, a esta história da conversa entre um urubu e um chacal como aconteceu antigamente. De fato, a ocorrência foi na floresta de Naimisha. Era uma vez um Brahmana que tinha, depois de grandes dificuldades, obtido um filho de olhos grandes. A criança morreu de convulsões infantis. Alguns (entre seus parentes), extremamente agitados pelo sofrimento e se entregando a lamentações altas, pegaram o jovem menino, aquela única riqueza de sua família. Pegando a criança falecida eles procederam na direção do crematório. Chegando lá, eles começaram a pegar a criança do peito uns dos outros e a chorar mais amargamente em sofrimento. Lembrando com corações pesados as antigas palavras de seu querido repetidas vezes, eles eram incapazes de voltar para casa deixando o corpo no solo nu. Chamado por seus gritos, um urubu chegou lá e disse estas palavras: 'Vão embora e não permaneçam, vocês que têm que deixar apenas uma criança. Parentes sempre vão embora deixando neste lugar milhares de homens e milhares de mulheres trazidos aqui no decorrer do tempo. Vejam, todo o universo está sujeito ao bem e ao mal. União e desunião podem ser vistas em turnos. Aqueles que vêm ao crematório trazendo com eles os corpos de parentes mortos, e aqueles que sentam ao lado daqueles corpos (por afeição), eles mesmos desaparecem do mundo em consequência de suas próprias ações quando terminam os períodos concedidos de suas próprias vidas. Não há necessidade de sua demora no crematório, neste lugar horrível, que é cheio de urubus e chacais e de esqueletos e que inspira medo em todas as criaturas. Amigo ou inimigo, ninguém nunca volta para a vida tendo uma vez sucumbido ao poder do Tempo. Tal, de fato, é o destino de todas as criaturas. Nesse mundo de mortais, todos os que nascem certamente morrerão. Quem devolveria à vida alguém que está morto e partiu ordenado pelo Destruidor? Nesta hora quando os homens estão prestes a terminarem sua labuta diária, o Sol está se retirando para as colinas Asta. Vão para suas casas, rejeitando essa afeição pela criança.' Ouvindo estas palavras do urubu, a dor dos parentes pareceu diminuir, e colocando a criança na terra nua eles se prepararam para ir embora. Se assegurando do fato de que a criança tinha morrido e se desesperando de vê-lo outra vez, eles começaram a retroceder seus passos, cedendo a altas lamentações. Assegurados sem dúvida alguma, e sem esperança da devolução dos mortos para a vida, eles abandonaram aquele filho de sua linhagem, e se preparam para voltar daquele local. Naquela hora um chacal, preto como um corvo, saiu de sua toca e se dirigiu aos parentes que iam embora, dizendo, 'Certamente, vocês que são parentes da criança falecida não têm aflição. O sol ainda brilha lá no céu, seus tolos! Se entreguem a seus sentimentos, sem medo. Diversas são as virtudes da hora. Ele pode voltar para a vida! Espalhando umas poucas folhas de erva Kusa no chão e abandonando aquela criança querida no crematório, por que vocês vão embora com corações de aço e rejeitando toda a afeição pelo amado? Certamente, vocês não têm afeição por esta jovem criança de voz doce, cujas palavras, logo que deixavam seus lábios, costumavam alegrar vocês imensamente. Vejam a afeição que até as aves e feras têm por sua prole. Eles não têm retribuição por criar seus filhotes. Como os sacrifícios dos Rishis (que nunca são empreendidos pelo desejo de fruto ou recompensa) a afeição de quadrúpedes, de aves e insetos, não tem recompensas no céu. Embora encantados com suas crias, eles nunca são vistos derivar qualquer beneficio das últimas nem aqui nem após a morte. Ainda assim eles cuidam de seus filhotes com afeto. Seus filhos, crescendo, nunca cuidam deles na velhice. Mas eles não se afligem quando eles não vêem seus pequenos? Onde, de fato, é para ser vista a afeição nos seres humanos do que na própria influência da aflição? Aonde vocês iriam deixando aqui esta criança que é o perpetuador de sua família? Vocês derramaram lágrimas por ele por algum tempo, e o olharam um pouco mais com afeto? Objetos tão queridos são, de fato, difíceis de se abandonar. São os amigos e não outros que esperam ao lado daquele que está fraco, do que é processado por um tribunal de justiça, daquele que é conduzido em direção ao crematório. Os ares vitais são preciosos para todos, e todos sentem a influência da afeição. Vejam a afeição que é nutrida até por aqueles que pertencem a espécies intermediárias! (Como aves e animais.) Como, de fato, vocês podem ir embora, abandonando este menino de olhos grandes como as pétalas do lótus, e belo como um jovem recém casado banhado e adornado com guirlandas florais?' Ouvindo estas palavras do chacal que tinha estado se entregando a tais expressões de dor comovente, os homens voltaram atrás por causa do cadáver.'” "O urubu disse, 'Ai, homens desprovidos de força mental, por que vocês voltaram atrás por ordem de um chacal cruel e vil de pouca inteligência? Por que vocês choram a morte daquele composto de cinco elementos abandonado por suas divindades presidentes, não mais ocupado (pela alma), imóvel, e rígido como um pedaço de madeira? Por que vocês não choram por si mesmos? Vocês praticam penitências rígidas pelas quais vocês conseguirão se purificar do pecado? Tudo pode ser tido por meio de penitências. O que as lamentações farão? A má sorte é nascida com o corpo. É por aquela má sorte que este menino partiu, mergulhando vocês em dor infinita. Riqueza, vacas, ouro, jóias preciosas, filhos, tudo tem sua fonte em penitências. Penitências também são os resultados de yoga (união da alma com a Divindade). Entre as criaturas, a medida de felicidade ou dor é dependente das ações de uma vida prévia. De fato, todas as criaturas vêm ao mundo trazendo consigo a sua própria medida de dor e alegria. O filho não é limitado pelas ações do pai, ou o pai pelas do filho. Limitados por suas próprias ações, boas e más, todos têm que viajar por esta estrada em comum. Pratiquem devidamente todos os deveres, e se abstenham das ações injustas. Sirvam reverentemente, segundo as indicações das escrituras, os deuses e os Brahmanas. Rejeitem tristeza e desânimo, e se abstenham do afeto parental. Deixem a criança sobre este solo exposto, e vão embora sem demora. O ator somente desfruta dos frutos das ações, boas ou más, que ele faz. Que relação os parentes têm com eles? Abandonando um parente (falecido), embora querido, os parentes deixam este local. Com olhos banhados em lágrimas, eles vão embora, cessando de demonstrar afeto pelos mortos. Sábios ou ignorantes, ricos ou pobres, todos sucumbem ao Tempo, dotados de ações, boas e más. O que vocês farão pelo luto? Por que vocês choram por alguém que está morto? O Tempo é o senhor de tudo, e em conformidade com sua própria natureza ele lança um olhar igual sobre todas as coisas. No orgulho da juventude ou na infância desamparada, aguentando o peso dos anos ou jazendo no útero da mãe, todos estão sujeitos a serem atacados pela Morte. Tal de fato, é o rumo do mundo.'” "O chacal disse, 'Ai, a afeição nutrida por suas pessoas lacrimosas que estão oprimidas pela angústia por sua criança falecida foi diminuída por aquele urubu de inteligência iluminada. Este deve ser mesmo o caso, já que por causa de suas palavras bem aplicadas repletas de tranquilidade e capazes de produzir convicção, lá aquele volta para a cidade, rejeitando a afeição que é tão difícil de abandonar. Ai, eu supunha que era grande o pesar sentido pelos homens que se entregam a altas lamentações pela morte de uma criança e pelo cadáver em um crematório, como aquele da vaca privada de bezerros. Hoje, no entanto, eu entendo qual é a medida do pesar dos seres humanos na terra. Testemunhando sua grande afeição eu mesmo tinha derramado lágrimas, (parece, no entanto, que sua afeição não é forte)! Uma pessoa deve sempre se esforçar. Então ela tem êxito por meio do destino. Esforço e destino, juntos, produzem resultados. Deve- se sempre se esforçar com esperança. Como a felicidade pode ser tida a partir do desânimo? Objetos de desejo podem ser ganhos pela resolução. Por que então vocês voltam tão cruelmente? Aonde vocês vão, abandonando no ermo este seu filho, este perpetuador da linhagem de teus pais? Fiquem aqui até que o sol se ponha e o crepúsculo da noite venha. Você podem então levar este menino com vocês ou ficar com ele.'” "O urubu disse, 'Eu tenho, ó homens, mil anos completos de idade hoje, mas eu nunca vi uma criatura morta, homem ou mulher ou de sexo ambíguo, reviver depois da morte. Alguns morrem no útero; alguns morrem logo depois do nascimento; alguns morrem (na infância) enquanto engatinhando; alguns morrem na juventude; e alguns na velhice. As sortes de todas as criaturas, incluindo até animais e aves, é instável. Os períodos de vida de todas as criaturas móveis e imóveis são fixados previamente. Privados de cônjuges e entes queridos e cheios de tristeza (pela morte) de filhos, homens deixam este lugar todos os dias com corações agoniados para voltar para casa. Deixando neste lugar amigos e inimigos contados aos milhares, parentes afligidos pelo pesar voltam para suas casas. Rejeitem este corpo sem vida que não tem mais nenhum calor animal nele e que está tão rígido quanto um pedaço de madeira! Por que então vocês não vão embora, deixando o corpo desta criança que se tornou como um pedaço de madeira e cuja vida entrou em um novo corpo? Esta afeição (que vocês estão demonstrando) é sem sentido e abraçar a criança assim é inútil. Ele não vê com seus olhos ou ouve com seus ouvidos. Deixando-o aqui, vão embora sem demora. Assim endereçados por mim em palavras que são aparentemente cruéis mas que na verdade são repletas de razão e têm uma relação direta com a religião excelente da emancipação, voltem para as suas respectivas casas.' Endereçados assim pelo urubu dotado de sabedoria e conhecimento e capaz de dar inteligência e despertar a compreensão, aqueles homens se prepararam para dar suas costas ao crematório. A aflição, de fato, aumenta duas vezes sua medida à visão de seu objeto e à lembrança das ações daquele objeto (em vida). Tendo ouvido essas palavras do urubu, os homens resolveram deixar o local. Justamente naquela hora o chacal, indo lá com passos rápidos, lançou seus olhos sobre a criança deitada no sono de morte.'” "O chacal disse, 'Por que, de fato, vocês deixam, pela ordem do urubu, esta criança de cor dourada, enfeitada com ornamentos, e capaz de dar o bolo fúnebre para seus antepassados? Se vocês o abandonarem, sua afeição não acabará, nem estas lamentações comoventes. Por outro lado, sua angústia certamente será maior. É sabido que um Sudra chamado Samvuka tendo sido morto e a justiça tendo sido mantida por Rama de destreza verdadeira, uma criança Brahmana foi devolvida à vida. (A alusão é à história de Rama tendo ressuscitado um menino Brahmana morto. Durante o reinado justo de Rama não haviam mortes prematuras em seu reino. Aconteceu, no entanto, um dia que um pai Brahmana chegou à corte de Rama e se queixou da morte prematura de seu filho. Rama imediatamente começou a perguntar o motivo. Algum ato pecaminoso em algum canto do reino, suspeitava-se, tinha causado a morte. Logo Rama descobriu um Sudra de nome Samvuka empenhado em penitências ascéticas no coração de uma floresta profunda. O rei instantaneamente cortou a cabeça do homem visto que um Sudra por nascimento não tinha o direito de fazer o que aquele homem estava fazendo. Logo que a justiça foi mantida, o menino Brahmana morto reviveu. (Ramayana, Uttarakandam.)) Similarmente, o filho do sábio nobre Sweta morreu (prematuramente). Mas o monarca, dedicado à virtude, conseguiu ressuscitar seu filho morto. Da mesma maneira, no seu caso também, algum sábio ou divindade pode estar disposto a conceder seu desejo e mostrar compaixão por vocês que estão chorando de modo tão comovente.' Assim endereçados pelo chacal, os homens, afligidos pela angústia e cheios de afeto pela criança, retrocederam seus passos, e colocando a cabeça da criança em seus colos um depois do outro, começaram a lamentar copiosamente. Convocado por seus gritos, o urubu, indo àquele local, falou a eles o seguinte.'” "O urubu disse, 'Por que vocês estão banhando esta criança com suas lágrimas? Por que vocês o estão apertando desse modo com o toque de suas mãos? Pela ordem do rei lúgubre da justiça a criança foi enviada para aquele sono o qual não conhece despertar. Aqueles que são dotados do mérito de penitências, aqueles que são possuidores de riqueza, aqueles que têm grande inteligência, realmente, todos sucumbem à morte. Este mesmo é o lugar planejado para os mortos. É sempre ser visto que parentes, abandonando milhares de parentes jovens e velhos, passam suas noites e dias em angústia, rolando sobre o solo nu. Cessem este ardor em colocar os ornamentos do infortúnio. Que esta criança voltaria para a vida é o que diz a fé. Ele não obterá sua vida de volta pela ordem do chacal. Se uma pessoa uma vez morre e deixa seu corpo, seu corpo nunca recupera animação. Centenas de chacais, por sacrificarem suas próprias vidas, não conseguirão ressuscitar esta criança em centenas de anos. Se, no entanto, Rudra, ou Kumara, ou Brahman, ou Vishnu, concederem uma bênção a ele, somente então esta criança pode voltar à vida. Nem o derramamento lágrimas, nem longos suspiros, nem lamentações copiosas irão trazê-lo de volta à vida. Eu mesmo, o chacal, vocês todos, e todos os parentes dele, com todos os nossos méritos e pecados, estamos na mesma estrada (que ele tomou). Por esta razão alguém que possui sabedoria deve, de longe, evitar comportamento que desagrada outros, palavras duras, a inflição de dano a outros, o desfrute de esposas de outros homens, e o pecado e a mentira. Procurem cuidadosamente a retidão, veracidade, o bem dos outros, justiça, compaixão por todas as criaturas, sinceridade, e honestidade. Incorrem em pecado aqueles que, enquanto vivendo, não lançam seus olhos em suas mães e pais e parentes e amigos. O que vocês farão, por chorar, para ele depois de morto, que não vê com seus olhos e nem se mexe de modo algum?' Assim endereçados, os homens, oprimidos pela tristeza e queimando de angústia por causa de sua afeição pela criança, foram para suas casas, deixando o corpo (no crematório).’” "O chacal disse, 'Ai, terrível é o mundo dos mortais! Aqui nenhuma criatura pode escapar. O período de vida de cada criatura, também, é curto. Amigos queridos estão sempre partindo. Ele é cheio de vaidades e mentiras, de acusações e más notícias. Observando este incidente que aumenta a dor e a angústia, eu não gosto nem por um momento deste mundo de homens. Ai, que vergonha para vocês, homens, que voltam dessa maneira, como pessoas tolas, por ordem do urubu, embora vocês estejam queimando de pesar por causa da morte desta criança. Ó indivíduos cruéis, como vocês podem ir embora, abandonando a afeição parental ao ouvirem as palavras de um urubu pecaminoso de alma impura? A felicidade é seguida pela tristeza, e a tristeza pela felicidade. Neste mundo que é envolvido por ambas, felicidade e tristeza, nenhum desses dois existe ininterruptamente. Vocês homens de pouca compreensão, para onde iriam, deixando na terra nua esta criança de tanta beleza, este filho que é um ornamento de sua linhagem? Em verdade, eu não posso dissipar a idéia da minha mente de que esta criança dotada de graça e mocidade e resplandecendo com beleza está viva. Não é adequado que ele deva morrer. (Isto é, com certeza ele voltará à vida.) Parece que vocês com certeza obterão felicidade. Vocês que estão afligidos pela angústia por causa da morte desta criança certamente terão boa sorte hoje. Prevendo a probabilidade de inconveniência e dor (se vocês permanecerem aqui à noite) e colocando seus corações no seu próprio conforto, aonde vocês vão, como pessoas de pouca inteligência, deixando este ente querido?'” "Bhishma continuou, 'Assim, ó rei, os parentes da criança falecida, incapazes de decidir sobre o que eles deviam fazer, foram, para a realização de seu próprio propósito, induzidos por aquele chacal pecaminoso que proferia mentiras agradáveis, aquele habitante do crematório que vagava toda noite em busca de alimento, a ficarem naquele local.'” "O urubu disse, 'Terrível é este lugar, este ermo, que ressoa com os gritos de corujas e está cheio de espíritos e Yakshas e Rakshasas. Terrível e horrível, seu aspecto é como aquele de uma massa de nuvens azuis. Deixando o corpo morto, terminem a cerimônia fúnebre. De fato, jogando fora o corpo, realizem aqueles ritos antes do sol se pôr e antes que os pontos do horizonte fiquem envolvidos em escuridão. Os falcões estão proferindo seus gritos dissonantes. Chacais estão uivando ferozmente. Leões estão rugindo. O sol está se pondo. As árvores no crematório estão assumindo uma cor escura por causa da fumaça azul das piras mortuárias. Os habitantes carnívoros deste lugar, afligidos pela fome, estão gritando enfurecidos. Todas aquelas criaturas de formas horríveis que vivem neste lugar terrível, todos aqueles animais carnívoros de feições lúgubres que assombram este deserto, logo atacarão vocês. Este ermo é certamente pavoroso. O perigo os alcançará. De fato, se vocês ouvirem a estas palavras falsas e inúteis do chacal contra o seu próprio bom senso, em verdade, todos vocês com certeza serão destruídos.'” "O chacal disse, 'Fiquem onde vocês estão! Não há medo neste deserto enquanto o sol brilha. Até que o deus do dia se ponha, permaneçam aqui esperançosamente, induzidos por afeto parental. Sem nenhum medo, se entregando a lamentações como lhes agradar, continuem a olhar esta criança com olhares de afeição. Embora este ermo seja assustador, nenhum perigo alcançará vocês. Na verdade este ermo apresenta um aspecto de quietude e paz. É aqui que os Pitris aos milhares se despediram do mundo. Esperem enquanto o sol brilhar. O que são as palavras deste urubu para vocês? Se com mentes entorpecidas vocês aceitarem as palavras duras e cruéis do urubu, então seu filho nunca voltará à vida!'” "Bhishma continuou, 'O urubu então se dirigiu àqueles homens, dizendo que o sol tinha se posto. O chacal disse que não era assim. Ambos, o urubu e o chacal, sentiam fome aguda e assim se dirigiam aos parentes da criança morta. Ambos tinham se preparado para realizar seus respectivos propósitos. Exaustos com fome e sede, eles assim disputaram, recorrendo às escrituras. Movidos (alternadamente) por aquelas palavras, doces como néctar, daquelas duas criaturas, isto é, a ave e o animal, os quais eram dotados da sabedoria do conhecimento, os parentes em um momento desejavam ir embora e em outro ficar lá. Finalmente, movidos pela dor e desânimo, eles esperaram lá, se entregando a amargas lamentações. Eles não sabiam que o animal e a ave, hábeis na realização de seus próprios propósitos, tinham somente os confundido (por meio de seus discursos). Enquanto a ave e o animal, ambos possuidores de sabedoria, estavam assim disputando e enquanto os parentes da criança falecida sentavam escutando a eles, o grande deus Sankara, incitado por sua cônjuge divina (Uma), chegou lá com olhos banhados em lágrimas de compaixão. Dirigindo-se aos parentes da criança falecida, o deus disse, 'Eu sou Sankara o concessor de bênçãos'. Com corações pesados de angústia, aqueles homens se prostraram perante a divindade ilustre e disseram a ele em resposta, 'Privados desta que era nossa única criança, todos nós estamos prestes a morrer. Cabe a ti nos conceder vida por conceder vida a este nosso filho.' Assim solicitada, a divindade ilustre, pegando uma quantidade de água em suas mãos, concedeu àquela criança morta uma vida que se prolongou por cem anos. Sempre empenhado no bem de todas as criaturas, o ilustre manejador de Pinaka concedeu um benefício ao chacal e ao urubu pelo qual sua fome foi apaziguada. Cheios de deleite e tendo obtido grande prosperidade, os homens se curvaram ao deus. Coroados com sucesso, eles então, ó rei, deixaram aquele lugar em grande alegria. Pela esperança persistente e firme resolução e pela graça do grande deus, os frutos dos atos de uma pessoa são obtidos sem demora. Veja a combinação de circunstâncias e a resolução daqueles parentes. Enquanto eles estavam chorando com corações torturados, suas lágrimas foram enxugadas e secadas completamente. Veja, como dentro de somente um tempo curto, pela sua firmeza de resolução, eles obtiveram a graça de Sankara, e com suas aflições dissipadas, eles ficaram felizes. De fato, pela graça de Sankara, ó chefe dos Bharatas, aqueles parentes tristes se encheram de maravilha e alegria pela devolução da criança à vida. Então, ó rei, rejeitando aquela dor da qual seu filho tinha sido a causa, aqueles Brahmanas, cheios de deleite, voltaram rapidamente para sua cidade levando a criança recuperada com eles. Comportamento como esse é declarado para todas as quatro classes. Por escutar frequentemente a esta história auspiciosa repleta de virtude, lucro, e salvação, um homem obtém felicidade aqui e após a morte.'" 154 "Yudhishthira disse, "Se uma pessoa, fraca, sem valor, e despreocupada, ó avô, por tolice provoca, por meio de palavras inconvenientes e vaidosas, um inimigo poderoso sempre residindo em sua vizinhança, competente para fazer o bem (quando agradado) e para castigar (quando desagradado), e sempre pronto para agir, como deve o primeiro, confiando em sua própria força, agir quando o último avança contra ele com fúria e pelo desejo de exterminá-lo?'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada, ó chefe dos Bharatas, a velha história da conversa entre Salmali e Pavana. Havia uma árvore nobre (Salmali) em uma das alturas de Himavat. Tendo crescido por muitos séculos, ela tinha espalhado seus ramos totalmente ao redor. Seu tronco também era enorme e seus galhos e folhas eram incontáveis. Sob sua sombra elefantes cansados no cio, banhados em suor, costumavam descansar, e muitos animais de outras espécies também. A circunferência de seu tronco era de quatrocentos cúbitos, e densa era a sombra de seus ramos e folhas. Carregada com flores e frutas, ela era a residência de papagaios inumeráveis, machos e fêmeas. Ao viajarem por suas rotas, caravanas de comerciantes e mercadores, e ascetas, residindo nas florestas, costumavam descansar sob o abrigo daquele monarca encantador da floresta. Um dia, o sábio Narada, ó touro da raça Bharata, vendo os ramos incontáveis e amplamente estendidos daquela árvore e a circunferência de seu tronco, se aproximou e se dirigiu a ela, dizendo, 'Ó, tu és encantador! Tu és fascinante! Ó principal das árvores, ó Salmali, eu fico sempre encantado à tua visão! Ó árvore fascinante, aves encantadoras de diversas espécies, e elefantes e outros animais, vivem alegremente; nos teus ramos e sob tua sombra. Teus ramos, ó monarca de ramos extensos da floresta, e teu tronco são gigantescos. Eu nunca vi algum deles quebrado pelo deus do vento. O caso é, ó filho, que Pavana está satisfeito contigo e é teu amigo e então ele te protege sempre nessas florestas? O ilustre Pavana possuidor de grande velocidade e força move de seus lugares as árvores mais altas e fortes, e até topos de montanhas. Aquele sagrado carregador de perfumes, soprando (quando ele deseja) seca rios e lagos e mares, inclusive a própria região inferior. Sem dúvida, Pavana te protege por amizade. É por esta razão que, embora possua ramos inumeráveis, tu ainda estás enfeitado com folhas e flores. Ó monarca da floresta, este teu verdor é encantador já que estas criaturas aladas, ó filho, cheias de alegria, se divertem em teus galhos e ramos. Durante a estação quando tu desenvolves tuas flores, as doces notas de todos esses habitantes dos teus ramos são ouvidas separadamente quando eles se entregam às suas canções melodiosas. Então, também, ó Salmali, esses elefantes que são os ornamentos de sua espécie, banhados em suor e gritando (de alegria), se aproximam de ti e encontram felicidade aqui. Similarmente, diversas outras espécies de animais habitantes das florestas contribuem para te adornar. De fato, ó árvore, tu pareces bela assim como as montanhas de Meru povoadas por criaturas de todos os tipos. Frequentada também por Brahmanas coroados com sucesso ascético, por outros dedicados a penitências, e por Yatis dedicados à contemplação, essa tua região, eu penso, parece com o próprio céu.'" 155 "Narada disse, 'Sem dúvida, ó Salmali, o terrível e irresistível deus do vento sempre te protege por simpatia ou amizade. Parece, ó Salmali, que uma intimidade próxima veio a existir entre ti e o Vento. Parece que tu disseste a ele estas palavras, isto é, 'Eu sou teu,' e que é por essa razão que o deus do vento te protege. Eu não vejo a árvore ou montanha ou mansão neste mundo que não possa, eu penso, ser quebrada pelo Vento. Sem dúvida tu permaneces aqui com todos os teus ramos e galhos e folhas simplesmente porque, ó Salmali, tu és protegida pelo Vento por uma razão ou razões (desconhecidas para nós).'” "A Salmali disse, 'O Vento, ó regenerado, não é nem meu amigo nem companheiro nem benquerente. De fato, ele não é nem meu grande Ordenador que ele deva me proteger. Minha energia e poder selvagem, ó Narada, são maiores do que os do Vento. Em verdade, a força do Vento alcança somente cerca de uma décima oitava parte da minha. Quando o Vento vem em fúria, arrancando árvores e montanhas e outras coisas, eu refreio sua força por empregar a minha. De fato, o Vento que quebra muitas coisas foi ele mesmo repetidamente quebrado por mim. Por esta razão, ó Rishi Celeste, eu não tenho medo dele nem quando ele vem em fúria.'” "Narada disse, 'Ó Salmali, tua proteção parece ser completamente incorreta. Não há dúvida nisto. Não há coisa criada que seja igual ao Vento em força. Mesmo Indra, ou Yama, ou Vaisravana, o senhor das águas, não são iguais ao deus do vento em poder. O que dizer, portanto, de ti que és somente uma árvore? Qualquer criatura neste mundo, ó Salmali, qualquer ação que faça, o ilustre Deus do vento é em todos tempos a causa daquela ação, já que é ele quem dá a vida. Quando aquele deus se esforça com propriedade, ele faz todas as criaturas vivas viverem tranquilamente. Quando, no entanto, ele se esforça impropriamente, as calamidades alcançam as criaturas do mundo. O que mais pode ser além da fraqueza de compreensão que te induz a negar dessa maneira teu culto ao deus do vento, aquela principal das criaturas no universo, aquele ser merecedor de culto? Tu és indigno e de uma má compreensão. De fato, tu somente te abandonas em jactância sem sentido. Tua inteligência estando confundida pela raiva e outros maus sentimentos, tu somente falas mentiras, ó Salmali! Eu estou certamente zangado contigo por tu te entregares a tais discursos. Eu mesmo comunicarei ao deus do vento todas essas tuas palavras depreciativas. Chandanas, e Syandanas, e Salas, e Saralas e Devadarus e Vetavas e Dhanwanas e outras árvores de boas almas que são de longe mais fortes do que tu és, nunca, ó tu de compreensão perversa, proferiram tais injúrias contra o Vento. Todas elas conhecem o poder do Vento como também o poder que cada uma delas possui. Por essas razões aquelas principais das árvores curvam suas cabeças em respeito àquela divindade. Tu, no entanto, por tolice, não conheces o poder infinito do Vento. Eu irei, portanto, à presença daquele deus (para informá-lo do teu desprezo por ele).'" 156 "Bhishma continuou, 'Tendo dito estas palavras para a Salmali, aquela principal de todas as pessoas conhecedoras de Brahma, Narada, relatou ao deus do vento tudo o que a Salmali tinha dito sobre ele.'” "Narada disse, 'Há certa Salmali no leito de Himavat, adornada com ramos e folhas. Suas raízes se estendem profundas dentro da terra e seus ramos se espalham amplamente ao redor. Aquela árvore, ó deus do vento, te desconsidera. Ele falou muitas palavras repletas de ofensas sobre ti. Não é apropriado, ó Vento, que eu as repita na tua audição. Eu sei, ó Vento, que tu és a principal de todas as coisas criadas. Eu sei também que tu és um ser muito superior e muito poderoso, e que em fúria tu pareces o próprio Destruidor.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras de Narada, o deus do vento, indo até aquela Salmali, se dirigiu a ela com raiva e disse o seguinte.'” "O Deus do vento disse, 'Ó Salmali, tu falaste depreciativamente de mim perante Narada. Saiba que eu sou o deus do vento. Eu certamente te mostrarei minha força e poder. Eu te conheço bem. Tu não és desconhecida para mim. O pujante Avô, enquanto empenhado em criar o mundo, descansou por algum tempo debaixo de ti. É por causa desse incidente que eu tenho até agora te mostrado benevolência. Ó pior das árvores, é por isso que tu permaneces ilesa, e não por causa do teu próprio poder. Tu me consideras ligeiramente como se eu fosse uma coisa comum. Eu me mostrarei para ti de tal maneira que tu não poderás me desrespeitar novamente.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçada, a Salmali deu risada em menosprezo e respondeu, dizendo, 'Ó deus do vento, tu estás zangado comigo. Não deixe de mostrar a extensão do teu poder. Vomite toda a tua ira sobre mim. Por dar vazão à tua ira, o que tu farás para mim? Mesmo se teu poder fosse teu próprio (em vez de ser derivado), eu ainda assim não te temeria. Eu sou superior a ti em poder. Eu não devo ter medo de ti. São realmente fortes aqueles que têm compreensão. Aqueles, por outro lado, que possuem somente força física não são para serem considerados fortes.' Assim endereçado, o Deus do Vento disse, 'Amanhã eu testarei tua força.' Depois disso, a noite veio. A Salmali, concluindo mentalmente qual era a extensão do poder do Vento e vendo-se inferior ao deus, começou a dizer a si mesma, 'Tudo o que eu disse para Narada é falso. Eu sou certamente inferior em poder ao Vento. Em verdade, ele é forte em sua força. O Vento, como Narada disse, é sempre poderoso. Sem dúvida, eu sou mais fraca do que outras árvores. Mas em inteligência nenhuma árvore é minha igual. Portanto, confiando em minha inteligência eu considerarei este temor que provém do Vento. Se todas as outras árvores na floresta confiam no mesmo tipo de inteligência, então, em verdade, nenhum dano pode resultar para elas do deus do Vento quando ele fica zangado. Todas elas, no entanto, são desprovidas de compreensão, e, portanto, elas não sabem, como eu sei, por que ou como o Vento consegue sacudi-las e arrancá-las.'" 157 "Bhishma disse, 'Tendo decidido isso em sua mente, a Salmali, em tristeza, ela mesma fez todos os seus ramos, principais e secundários, serem cortados. Rejeitando seus ramos e folhas e flores, pela manhã a árvore olhou firmemente para o Vento, quando ele veio em sua direção. Cheio de raiva e respirando fortemente, o Vento avançou, derrubando árvores grandes, em direção àquele local onde a Salmali estava. Vendo-a privada de topo e ramos e folhas e flores, o Vento, cheio de alegria, dirigiu-se sorridente àquele senhor da floresta que tinha antes uma aparência gigantesca, estas palavras.'” "O Vento disse, 'Cheio de raiva, ó Salmali, eu teria te feito exatamente o que tu fizeste a ti mesma por cortar todos os teus ramos. Tu estás agora desprovida do teu topo orgulhoso e flores, e estás agora sem teus brotos e folhas. Pelas tuas próprias más ideias, tu foste trazida sob meu poder.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras do Vento, a Salmali sentiu grande vergonha. Lembrando também das palavras que Narada tinha dito, ele começou a se arrepender imensamente de sua tolice. Exatamente dessa maneira, ó tigre entre reis, uma pessoa fraca e tola, por provocar a inimizade de uma poderosa, é finalmente obrigada a se arrepender como a Salmali na fábula. Até quando possuidoras de poder igual, as pessoas não travam hostilidades repentinamente com aquelas que as prejudicaram. Por outro lado, elas mostram seu poder gradualmente, ó rei! Uma pessoa de compreensão superficial nunca deve provocar a hostilidade de uma que é possuidora de inteligência. Em tais casos a inteligência do homem inteligente penetra (no assunto sobre o qual ele está empenhado) como fogo penetrando em uma pilha de grama seca. A inteligência é a posse mais preciosa que uma pessoa pode ter. Similarmente, ó rei, um homem não pode ter nada aqui mais valioso do que o poder. Uma pessoa deve, portanto, deixar passar os males infligidos por uma pessoa possuidora de força superior, assim como deve-se deixar passar (por compaixão) os atos de uma criança, de um idiota, ou de alguém que é cego ou surdo. A sabedoria desse ditado é testemunhada no teu caso, ó matador de inimigos. Os onze Akshauhinis (de Duryodhana), ó tu de grande esplendor, e os sete (reunidos por ti mesmo), não eram iguais em poder a Arjuna de grande alma sozinho. Todas as tropas (de Duryodhana), portanto, foram derrotadas e mortas por aquele Pandava ilustre, aquele filho do castigador de Paka, enquanto ele percorria o campo de batalha, confiando em sua própria força. Eu, ó Bharata, te falei sobre os deveres dos reis e a moralidade dos deveres em detalhes. O que mais, ó rei, tu desejas ouvir?'" 158 "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó touro da raça Bharata, ouvir em detalhes sobre a fonte da qual o pecado procede e o fundamento sobre o qual ele se apóia.'” "Bhishma disse, 'Ouça, ó rei, qual é o fundamento do pecado. Somente a cobiça é o grande destruidor (de mérito e bondade). Da cobiça procede o pecado. É dessa fonte que o pecado e a irreligiosidade fluem, junto com grande miséria. A cobiça é a fonte também de toda a astúcia e hipocrisia no mundo. É a cobiça que faz homens cometerem pecados. Da cobiça procede a cólera; da cobiça flui a luxúria, e é da cobiça que a perda de juízo, fraude, orgulho, arrogância, e malícia, como também índole vingativa, falta de vergonha, perda de prosperidade, perda de virtude, ansiedade, e infâmia surgem. Avareza, cupidez, desejo por todos os tipos de atos impróprios, orgulho de nascimento, orgulho de conhecimento, orgulho de beleza, orgulho de riqueza, impiedade por todas as criaturas, malevolência em direção a todos, desconfiança em relação a todos, insinceridade para com todos, apropriação da riqueza de outras pessoas, rapto das esposas de outros homens, dureza de palavras, ansiedade, propensão para falar mal dos outros, ânsia violenta pelo prazer da luxúria, gula, sujeição à morte prematura, propensão violenta para a malícia, simpatia irresistível pela mentira, apetite inconquistável para ceder às paixões, desejo insaciável de satisfazer a audição, maledicência, jactância, arrogância, não cumprimento de deveres, impetuosidade, e perpetração de todos os tipos de más ações, todos esses procedem da cobiça. Em vida, os homens são incapazes, sejam crianças ou jovens ou adultos, de abandonar a cobiça. Tal é a natureza da cobiça que ela nunca decai nem com a decadência da vida. Como o oceano que nunca pode ser cheio nem pela constante descarga de rios incontáveis de profundidades imensuráveis, a cobiça é incapaz de ser satisfeita por aquisições à qualquer extensão. A cobiça, no entanto, que nunca é satisfeita por aquisições e saciada pela realização de desejos, que não é conhecida em sua real natureza pelos deuses, os Gandharvas, os Asuras, as grandes cobras, e, realmente, por todas as classes de seres, aquela paixão irresistível, junto com aquela tolice que convida o coração para as irrealidades do mundo, deve sempre ser dominada por uma pessoa de alma purificada. Orgulho, malícia, calúnia, desonestidade, e incapacidade de ouvir o bem de outras pessoas, são vícios, ó descendente de Kuru, que são vistos em pessoas de alma impura sob o domínio da cobiça. Até pessoas de grande erudição que têm em suas mentes todas as volumosas escrituras, e que são capazes de dissipar as dúvidas de outros, demonstram em relação a isso serem de compreensão fraca e sentem grande tristeza por causa dessa emoção. Homens cobiçosos são apegados à inveja e raiva. Eles estão fora do limite do bom comportamento. De corações desonestos, as palavras que eles proferem são doces. Eles parecem, portanto, buracos escuros cujas bocas estão cobertas com grama. Eles se vestem com o manto hipócrita da religião. De mentes inferiores, eles roubam o mundo, levantando (se for preciso) a bandeira da religião e virtude. Confiando na força de razões aparentes, eles criam diversas espécies de divisões na religião. Com a intenção de realizar os propósitos de cupidez, eles destroem os caminhos da virtude. Quando pessoas de alma pecaminosa sob o domínio da cobiça aparentemente praticam os deveres de virtude, a consequência que resulta é que os sacrilégios cometidos por eles logo se tornam generalizados entre homens. Orgulho, raiva, arrogância, insensibilidade, paroxismos de alegria e tristeza, e presunção, todos estes, ó descendente de Kuru, são vistos nas pessoas influenciadas pela cobiça. Saiba que aqueles que estão sempre sob a influência da cobiça são perversos. Eu agora te falarei acerca dos quais tu perguntaste, isto é, aqueles que são chamados de bons e cujas praticas são puras. Aqueles que não têm medo de uma obrigação de voltar para este mundo (depois da morte), aqueles que não temem o mundo seguinte, aqueles que não são viciados em comida animal e que não têm preferência pelo que é agradável e que não têm aversão pelo que não o é, aqueles para quem o bom comportamento é sempre estimado, em quem há autodomínio, aqueles para quem prazer e dor são iguais, aqueles que têm a verdade como seu maior amparo, aqueles que doam mas não tiram, aqueles que têm compaixão, aqueles que adoram Pitris, deuses e convidados, que estão sempre prontos para se esforçarem (pelo bem de outros), aqueles que são benfeitores universais, aqueles que possuem grande coragem (mental), aqueles que cumprem todos os deveres declarados nas escrituras, aqueles que são dedicados ao bem de todos, aqueles que podem dar tudo de si e sacrificar suas próprias vidas por outros, são considerados como bons e virtuosos, ó Bharata! Aqueles promotores da retidão não podem ser afastados do caminho da virtude. Sua conduta, compatível com o modelo fixado pelos homens honrados de antigamente, nunca pode ser diferente. Eles são perfeitamente destemidos, eles são tranquilos, eles são gentis, e eles sempre aderem ao caminho correto. Cheios de compaixão, eles são sempre adorados pelos bons. Eles são livres de luxúria e ira. Eles não são apegados a qualquer objeto mundano. Eles não têm orgulho. Eles são cumpridores de votos excelentes. Eles são sempre objetos de respeito. Portanto, sempre visite-os e procure instrução deles. Eles nunca adquirem virtude, ó Yudhishthira, por causa de riqueza ou de fama. Eles a adquirem, por outro lado, porque este é um dever como aquele de nutrir o corpo. Neles não há medo, ira, inquietação, nem tristeza. Não há o traje externo de religião para enganar seus companheiros. Não há mistério com eles. Eles são perfeitamente contentes. Não há erro de julgamento proveniente da cobiça. Eles são sempre devotados à verdade e sinceridade. Seus corações nunca se afastam da retidão. Tu deves mostrar teu respeito por eles sempre, ó filho de Kunti! Eles nunca ficam alegres por alguma aquisição ou atormentados por alguma perda. Sem apego a qualquer coisa, e livres do orgulho, eles são unidos à qualidade de bondade, e eles olham a todos igualmente. Ganho e perda, felicidade e aflição, o agradável e o desagradável, vida e morte, são iguais aos olhos daqueles homens de andar firme, empenhados na busca do conhecimento (divino), e devotados ao caminho da tranquilidade e virtude. Mantendo teus sentidos sob controle e sem te renderes à negligência, tu deves sempre adorar aquelas pessoas de grande alma que têm tal amor pela virtude. Ó abençoado, as palavras de uma pessoa se tornam produtivas de benefícios somente pelo favor dos deuses. Sob outras circunstâncias, palavras produzem más consequências."' 159 "Yudhishthira disse, 'Tu disseste, ó avô, que a fundação de todos os males é a cobiça. Eu desejo, ó senhor, ouvir sobre a ignorância em detalhes.'” "Bhishma disse, 'A pessoa que comete pecado por ignorância, que não sabe que seu fim está perto, e que sempre odeia aqueles que são de bom comportamento, logo atrai infâmia no mundo. Pela ignorância uma pessoa cai no inferno. A ignorância é a fonte da miséria. Pela ignorância uma pessoa sofre aflições e incorre em grande perigo.'” "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó rei, saber em detalhes a origem, o lugar, o crescimento, a decadência, a elevação, a raiz, a atributo inseparável, o rumo, o tempo, a causa, e a consequência, da ignorância. A miséria que é sentida aqui é toda nascida da ignorância.'” "Bhishma disse, 'Apego, ódio, perda de bom senso, alegria, tristeza, vaidade, luxúria, raiva, orgulho, protelação, ociosidade, desejo, aversão, ciúmes, e todos os outros atos pecaminosos são todos conhecidos pelo nome em comum de ignorância. Ouça agora, ó rei, em detalhes, sobre sua tendência, crescimento e outros aspectos dos quais tu perguntaste. Esses dois, isto é, ignorância e cobiça, saiba, ó rei, são o mesmo (em substância). Ambos produzem os mesmos frutos e os mesmos erros, ó Bharata! A ignorância tem sua origem na cobiça. Quando a cobiça cresce, a ignorância também cresce. A ignorância existe onde a cobiça existe. Quando a cobiça diminui, a ignorância também diminui. Ela surge com o surgimento da cobiça. Múltiplo também é o rumo que ela toma. A base da cobiça é a perda do bom senso. A perda do bom senso, também, é seu atributo inseparável. A eternidade é o rumo da ignorância. O tempo quando a ignorância aparece é quando objetos de cobiça não são obtidos. Da ignorância de alguém procede a cobiça, e da última procede a ignorância. (A cobiça, portanto, é a causa e a consequência da ignorância.) A cobiça produz o mal. Por essas razões, todos devem evitar a cobiça. Janaka, e Yuvanaswa, e Vrishadarbhi, e Prasenajit, e outros reis alcançaram o céu por terem reprimido a cobiça. Tu também, na visão de todas as pessoas, evite a cobiça por uma resolução forte, ó chefe dos Kurus! Evitando a cobiça tu obterás felicidade neste mundo e no seguinte.'" 160 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu de alma virtuosa, o que, de fato, é citado como produtivo de grande mérito para uma pessoa dedicada atentamente ao estudo dos Vedas e desejosa de adquirir virtude? Aquilo que é considerado neste mundo como produtivo de grande mérito é de diversos tipos como demonstrado nas escrituras. Fale-me, ó avô, sobre aquilo que é considerado como tal aqui e após a morte. O caminho do dever é longo e tem ramos inumeráveis, ó Bharata! Entre os deveres quais são aqueles poucos que devem, de acordo contigo, ser preferidos a todos os outros para observância? Fale-me, ó rei, em detalhes, sobre isso que é tão abrangente e que tem tantas ramificações.'” "Bhishma disse, 'Eu te falarei sobre aquilo pelo qual tu podes obter grande mérito. Possuidor como tu és de sabedoria, tu ficarás satisfeito com o conhecimento que eu te darei, como uma pessoa satisfeita por ter bebido néctar. As regras de dever que têm sido proferidas pelos grandes Rishis, cada um confiando em sua própria sabedoria, são muitas. A maior entre elas todas é o autodomínio. Aqueles entre os antigos que eram conhecedores da verdade disseram que o autodomínio leva ao mais alto mérito. Em relação ao Brahmana em particular, o autocontrole é seu dever eterno. É do autocontrole que ele obtém a devida fruição de suas ações. O autodomínio, no caso dele, supera (em mérito) a caridade e o sacrifício e o estudo dos Vedas. O autodomínio aumenta (sua) energia. O autodomínio é altamente sagrado. Pelo autodomínio um homem vem a ser purificado de todos os seus pecados e dotado de energia, e como consequência, alcança a maior bem-aventurança. Nós não sabemos que há algum outro dever em todos os mundos que possa se igualar ao autodomínio. O autodomínio, segundo todas as pessoas virtuosas, é a maior das virtudes neste mundo. Pelo autodomínio, ó principal dos homens, uma pessoa obtém a maior felicidade aqui e após a morte. Dotada de autodomínio, uma pessoa adquire grande virtude. O homem autodominado dorme em felicidade e desperta em felicidade, e se move pelo mundo em felicidade. Sua mente está sempre alegre. O homem que não tem autodomínio sempre sofre tristeza. Tal homem traz sobre si mesmo muitas calamidades todas nascidas de seus próprios erros. É dito que em todos os quatro modos de vida o autodomínio é o melhor dos votos. Eu agora te direi aquelas indicações cuja soma total é chamada de autodomínio. Bondade, paciência, abstenção de ferir, imparcialidade, verdade, sinceridade, conquista dos sentidos, inteligência, suavidade, modéstia, constância, generosidade, liberdade de raiva, contentamento, delicadeza de palavras, benevolência, liberdade de malícia; a união de todos esses é autodomínio. Ele também consiste, ó filho de Kuru, de veneração ao preceptor e compaixão universal. O homem autodominado evita adulação e calúnia. Depravação, infâmia, palavras falsas, luxúria, cobiça, orgulho, arrogância, auto-glorificação, medo, inveja e desrespeito, são todos evitados pelo homem autocontrolado. Ele nunca atrai infâmia. Ele é livre de inveja. Ele nunca está satisfeito com pequenas aquisições (na forma de felicidade mundana de qualquer tipo). Ele é assim como o oceano o qual nunca pode ser cheio. (O sentido é que tal homem nunca coloca seu coração em coisas deste mundo, e consequentemente essas, quando obtidas, nunca podem satisfazê-lo. Suas aspirações são tão grandes e tão acima de qualquer coisa que este mundo pode dar a ele que até o alcance da região de Brahma não pode satisfazê-lo. À primeira vista isso pode parecer falta de contentamento, mas em realidade, não é assim. A grandeza de suas aspirações é procurada ser reforçada. O contentamento se aplica somente às aquisições comuns, incluindo até bem- aventurança no céu.) O homem de autodomínio nunca é limitado pelos afetos que provêm de relações mundanas como aquelas envolvidas em sentimentos como estes, 'Eu sou teu, Tu és meu, Eles estão em mim, e Eu estou neles.' Tal homem, que adota as práticas das cidades ou das florestas, e que nunca se entrega à calúnia ou adulação, alcança a emancipação. Praticando amizade universal, e possuidor de comportamento virtuoso, de alma alegre e dotado de conhecimento da alma, e livre das diversas atrações da terra, para mim, grande é a recompensa que tal pessoa obtém no mundo. De conduta excelente e cumpridor de deveres, de alma alegre e possuidor de erudição e conhecimento do eu, tal homem ganha estima enquanto aqui e alcança um fim sublime após a morte. Todos os atos que são considerados bons sobre a terra, todos aqueles atos que são praticados pelos justos, constituem o caminho do asceta possuidor de conhecimento. Uma pessoa que é boa nunca se desvia daquele caminho. Se retirando do mundo e se dirigindo para uma vida nas florestas, aquela pessoa erudita tendo um controle completo sobre os sentidos que trilha aquele caminho, em quieta expectativa de sua morte, com certeza obtém o estado de Brahma. Aquele que não tem medo de nenhuma criatura e de quem nenhuma criatura tem medo, depois da dissolução de seu corpo, não tem medo para enfrentar. (Isto é, tal homem sem dúvida obterá um fim abençoado.) Aquele que esgota seus méritos (por divertimento atual) sem procurar acumulá-los, que lança um olhar igual sobre todas as criaturas e pratica uma conduta de amizade universal, alcança Brahma. Como o rastro de aves pelo céu ou de aves aquáticas sobre a superfície da água não pode ser discernido, assim mesmo o caminho de tal pessoa (sobre a terra) não atrai atenção. Por ele, ó rei, que abandonando o lar adota a religião da emancipação, muitos mundos brilhantes esperam para serem desfrutados pela eternidade. Se, abandonando todas as ações, abandonando penitências no devido tempo, abandonando os diversos ramos de estudo, realmente, abandonando todas as coisas (sobre as quais homens mundanos colocam seus corações), uma pessoa se torna pura em seus desejos, livre de todas as restrições (tais como distinções de casta, de vestuário, de alimento, etc.), de alma alegre, conhecedor de si mesmo, e de coração puro, então ela ganha estima neste mundo e finalmente alcança o céu. A eterna região do Avô a qual surge de penitências Védicas, e que está oculta em uma caverna, pode ser alcançada somente pelo autodomínio. (Uma referência à região de Brahma, a qual se supõe ser localizada dentro de cada coração. Uma pessoa alcança aquela região através de penitências e desprendimento.) Quem tem gosto pelo conhecimento verdadeiro, que se tornou erudito, e que nunca fere nenhuma criatura, não tem medo de voltar para este mundo, menos ainda, qualquer medo em relação aos outros. Há somente uma imperfeição no autocontrole. Nenhuma segunda imperfeição é perceptível nele. Uma pessoa que tem autocontrole é considerada pelos homens como fraca e imbecil. Ó tu de grande sabedoria, este atributo tem somente uma falha. Seus méritos são muitos. Pela bondade (a qual é somente outra forma de autocontrole), o homem de autocontrole pode facilmente alcançar mundos inumeráveis. Que necessidade tem de uma floresta um homem de autocontrole? Similarmente, ó Bharata, de que utilidade é a floresta para aquele que não tem autocontrole? É uma floresta onde o homem de autocontrole mora, e aquele é seu refúgio sagrado.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras de Bhishma, Yudhishthira ficou muito satisfeito como se ele tivesse bebido néctar. Novamente o rei questionou aquele principal dos homens virtuosos. Aquele perpetuador da linhagem de Kuru (questionado por seu neto) mais uma vez começou a falar alegremente (sobre o tópico levantado).’” 161 "Bhishma disse, 'Aqueles que possuem conhecimento dizem que tudo tem penitência como sua base. A pessoa tola que não passou por penitências não encontra com as recompensas de suas próprias ações. O pujante Criador criou todo esse universo com a ajuda de penitências. Da mesma maneira, os Rishis adquiriram os Vedas pelo poder das penitências. Foi pela ajuda das penitências que o Avô criou alimento, frutas e raízes. É pelas penitências que as pessoas coroadas com sucesso ascético contemplam os três mundos, com almas extasiadas. Remédios e todos os antídotos para substâncias prejudiciais, e as diversas ações (vistas aqui), produzem seus resultados planejados pela ajuda de penitência. A realização de todos os propósitos depende da penitência. Quaisquer coisas que existam que são aparentemente inalcançáveis certamente serão alcançadas pela ajuda de penitências. Sem dúvida, os Rishis obtiveram seus seis atributos divinos através de penitência. Uma pessoa que bebe estimulantes alcoólicos, uma que se apropria das posses de outras sem seu consentimento, uma culpada de feticídio, e uma que viola o leito do preceptor, são todas purificadas por penitências devidamente praticadas. As penitências são de muitos tipos. Elas se revelam por várias saídas. De todas as espécies de penitências, no entanto, que alguém pode praticar acerca de se abster de prazer e divertimento, a abstenção de alimento é a mais elevada e melhor. A penitência envolvida em abstenção de alimento é superior, ó rei, até à compaixão, veracidade de palavras, caridade, e controle dos sentidos. Não há ação mais difícil de realizar do que a caridade. Não há modo de vida que seja superior a servir a própria mãe. Não há criatura superior àquelas que estão familiarizadas com os três Vedas. Similarmente, a Renúncia constitui a maior penitência. As pessoas mantêm seus sentidos sob controle para cuidarem de sua virtude e céu. Em relação a tal controle sobre os sentidos como também na aquisição de virtude, não há penitência superior à abstenção de alimento. Os Rishis, os deuses, seres humanos, animais, aves, e quaisquer outras criaturas que existam, móveis ou imóveis, são todas dedicadas a penitências, e qualquer sucesso que elas possam ganhar é alcançado por penitência. Assim, foi pela penitência que os deuses adquiriram sua superioridade. Estes (corpos luminosos no firmamento) que conseguiram suas quotas de felicidade, são sempre os resultados de penitência. Sem dúvida, pela penitência a própria posição de divindade pode ser adquirida.'" 162 "Yudhishthira disse, 'Brahmanas e Rishis e Pitris e os deuses todos louvam o dever da verdade. Eu desejo ouvir sobre a verdade. Fale para mim sobre isto, ó avô! Quais são as indicações, ó rei, da verdade? Como ela pode ser adquirida? O que é ganho por praticar a verdade, e como? Diga-me tudo isso.'” "Bhishma disse, 'Uma confusão dos deveres das quatro classes nunca é aprovada. Isso que é chamado de Verdade sempre existe em um estado puro e genuíno em cada uma daquelas quatro classes. Com aqueles que são bons, a Verdade é sempre um dever. De fato, a Verdade é um dever eterno. Uma pessoa deve se curvar reverentemente à Verdade. A Verdade é o maior refúgio (de todos). Verdade é dever; Verdade é penitência; Verdade é Yoga; e Verdade é o eterno Brahma. A Verdade é citada como o Sacrifício de uma ordem superior. (Isto é, ambos são igualmente eficazes.) Tudo se apóia sobre a Verdade. Eu agora te direi as formas da Verdade uma após outra, e suas indicações também na devida ordem. Cabe a ti ouvir também como a Verdade pode ser adquirida. A Verdade, ó Bharata, como ela existe em todo o mundo, é de treze tipos. As formas que a Verdade assume são: imparcialidade, autocontrole, clemência, modéstia, paciência, bondade, renúncia, contemplação, dignidade, fortaleza, compaixão, e abstenção de ferir. Estas, ó nobre monarca, são as treze formas da Verdade. A Verdade é imutável, eterna, e permanente. Ela pode ser adquirida através de práticas que não sejam contrárias a nenhuma das outras virtudes. Ela pode ser adquirida também através de Yoga. Quando desejo e aversão, como também luxúria e ira, são destruídos, aquele atributo pelo qual uma pessoa é capaz de olhar para si mesma e para seu inimigo, para seu bem e seu mal, com um olhar imutável, é chamado de imparcialidade. O autocontrole consiste em nunca desejar as posses de outro homem, em gravidade e paciência e capacidade para acalmar os temores de outros em relação a si mesmo, e imunidade de doença. Ele pode ser adquirido pelo conhecimento. Dedicação à prática de generosidade e a observância de todos os deveres são considerados pelos sábios como constituindo a benevolência. Uma pessoa vem a adquirir benevolência universal pela dedicação constante à verdade. Em relação à não clemência e à clemência, deve ser mencionado que o atributo através do qual um homem bom e estimado suporta o que é agradável e o que é desagradável, é citado como clemência. Esta virtude pode ser adequadamente adquirida pela prática da veracidade. Aquela virtude pela qual um homem inteligente, contente em mente e palavra, realiza muitos atos bons e nunca atrai a crítica de outros, é chamada de modéstia. Ela é adquirida pela ajuda da retidão. Aquela virtude que perdoa por causa da virtude e lucro é chamada de tolerância. Ela é uma forma de clemência. Ela é adquirida pela paciência, e seu propósito é unir pessoas a si mesmo. Abandonar a afeição como também todas as posses mundanas é chamado de renúncia. A renúncia nunca pode ser alcançada exceto por alguém que é desprovido de raiva e malícia. Aquela virtude pela qual uma pessoa faz o bem, com vigilância e cuidado, para todas as criaturas, é chamada de bondade. Ela não tem forma específica e consiste no despojamento de todos os afetos egoístas. Aquela virtude devido à qual alguém permanece inalterado na felicidade e na tristeza é chamada de fortaleza. O homem sábio que deseja seu próprio bem sempre praticar esta virtude. Deve-se sempre praticar a clemência e a devoção à verdade. O homem de sabedoria que consegue abandonar a alegria, o medo e a raiva, consegue adquirir fortaleza. Abstenção de ferir em relação a todas as criaturas em pensamentos, palavras, e ações, bondade, e caridade, são os deveres eternos daqueles que são bons. Esses treze atributos, embora aparentemente distintos uns dos outros, tem somente uma e a mesma forma, isto é, a Verdade. Todos esses, ó Bharata, sustentam a Verdade e a fortalecem. É impossível, ó monarca, esgotar os méritos da Verdade. É por essas razões que os Brahmanas, os Pitris, e os deuses louvam a Verdade. Não há dever que seja maior do que a Verdade, e nenhum pecado mais hediondo do que a falsidade. De fato, a Verdade é o próprio alicerce da justiça. Por esta razão, nunca se deve destruir a Verdade. Da Verdade procede a caridade, e os sacrifícios com presentes, bem como os Agnihotras triplos, os Vedas, e tudo mais que leva à virtude. Uma vez mil Sacrifícios de Cavalo e a Verdade foram pesados um contra o outro na balança. A Verdade pesou mais do que mil Sacrifícios de Cavalo."' 163 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó tu de grande sabedoria, tudo acerca daquilo do qual surge ira e luxúria, ó touro da raça Bharata, e a tristeza e a perda da razão, e a tendência para fazer (mal aos outros), e ciúmes e malícia e orgulho, e inveja, e calúnia, e incapacidade de tolerar o bem de outros, e crueldade, e medo. Diga-me tudo realmente e em detalhes sobre isso.'” "Bhishma disse, 'Esses treze vícios são considerados como inimigos muito poderosos de todas as criaturas. Eles, ó Monarca, se aproximam e tentam os homens de todos os lados. Eles aguilhoam e afligem um homem desatento ou um que é insensato. De fato, logo que eles vêem uma pessoa, eles a atacam poderosamente como lobos saltando sobre sua presa. Deles procedem todas as espécies de aflições. Deles procedem todas as espécies de pecados. Todo mortal, ó principal dos homens, deve sempre saber disso. Eu agora te falarei da origem deles, dos objetos dos quais eles dependem, e dos meios de sua destruição, ó senhor da terra! Escute, primeiro, ó rei, com atenção indivisa, sobre a origem da ira realmente e em detalhes. A ira surge da cobiça. Ela é fortalecida pelos erros de outros. Pela clemência ela permanece dormente, e pela bondade ela desaparece. Em relação à luxúria, ela surge da resolução. A indulgência a fortalece. Quando o homem de sabedoria resolutamente se desvia dela, ela desaparece e morre. A inveja de outros procede da ira e cobiça em conjunto. Ela desaparece pela compaixão e autoconhecimento. Pela compaixão por todas as criaturas, e daquela desconsideração por todos os objetos mundanos (que o conhecimento traz em seu séquito), ela desaparece. Ela também resulta de ver as falhas de outras pessoas. Mas nos homens de inteligência ela desaparece rapidamente em consequência do conhecimento verdadeiro. A perda da razão tem sua origem na ignorância e procede de hábitos pecaminosos. Quando o homem a quem este defeito assalta começa a se deleitar (na companhia e conselhos de) homens sábios, o vício imediatamente esconde sua cabeça. Homens, ó tu da linhagem de Kuru, vêem escrituras divergentes. Daquela circunstância surge o desejo por diversos tipos de ação. Quando o Conhecimento verdadeiro é obtido, aquele desejo é acalmado. A tristeza de uma criatura incorporada surge da afeição a qual é reavivada pela separação. Quando, no entanto, uma pessoa aprende que os mortos não retornam (qualquer que seja a tristeza que ela sinta por eles), ela diminui. A incapacidade de tolerar o bem de outras pessoas procede da ira e cobiça. Por compaixão por todas as criaturas e por um desinteresse por todos os objetos mundanos, ela é extinta. A malícia procede do abandono da verdade e da indulgência na maldade. Este vício, ó filho, desaparece por visitar os sábios e os bons. O orgulho, nos homens, surge do nascimento, erudição, e prosperidade. Quando aqueles três, no entanto, são realmente conhecidos, aquele vício desaparece imediatamente. O ciúme surge da luxúria e deleite em pessoas inferiores e vulgares. Pela sabedoria ele é destruído. Dos erros (de conduta) inconsistentes com os costumes comuns de homens, e por palavras desagradáveis expressivas de aversão, a calúnia tem sua origem. Ela desaparece, ó rei, a partir de uma avaliação do mundo inteiro. Quando a pessoa que ofende é poderosa e a ofendida não pode vingar a ofensa, o ódio se mostra. Ele diminui, no entanto, pela bondade. A compaixão procede de uma observação das pessoas desamparadas e miseráveis com as quais o mundo abunda. Aquele sentimento desaparece quando uma pessoa compreende a força da virtude. (A compaixão, como os defeitos enumerados acima, agita o coração e deve ser controlada por causa da felicidade individual e tranquilidade de alma.) A cobiça em todas as criaturas provém da ignorância. Vendo a instabilidade de todos os objetos de prazer, ela sofre destruição. É dito que somente a tranquilidade de alma pode subjugar todos esses treze defeitos. Todas esses treze defeitos manchavam os filhos de Dhritarashtra. Tu mesmo, sempre desejoso da verdade, conquistaste todos aqueles vícios por teu respeito pelos superiores.'" 164 "Yudhishthira disse, 'Eu sei o que é benevolência, por minha observação de pessoas que são boas. Eu, no entanto, não conheço aquelas que são malévolas, nem a natureza de seus atos, ó Bharata. De fato, as pessoas evitam pessoas malévolas de ações cruéis assim como elas evitam espinhos e armadilhas e fogo. É evidente, ó Bharata, que aquele que é malévolo com certeza queima (com miséria) aqui e após a morte. Portanto, ó tu da linhagem de Kuru, me diga quais são, em verdade, as ações de tal pessoa.'” "Bhishma disse, 'Pessoas malévolas sempre fazem ações pecaminosas e sentem uma inclinação irresistível para fazê-las. Elas caluniam outras e atraem infâmia sobre si mesmas. Elas sempre se consideram como enganadas no que lhes é devido. O homem malévolo se gaba de seus próprios atos de caridade. Ele olha os outros com olhos maliciosos. Ele é muito mesquinho. Ele é enganador, e cheio de astúcia. Ele nunca dá aos outros o que lhes é devido. Ele é arrogante. Ele mantém má companhia e é sempre vaidoso. Ele tem medo e suspeita de todos com quem entra em contato. Ele tem uma compreensão leviana. Ele pratica usura. Ele elogia seus associados. Ele nutre uma aversão e ódio imoderados por todos os reclusos que se retiraram para as florestas. Ele tem prazer em ferir outros. Ele é totalmente negligente em distinguir os méritos e imperfeições de outros. Ele é cheio de mentiras. Ele é descontente. Ele é extremamente cobiçoso, e sempre age cruelmente. Tal pessoa considera um homem virtuoso e educado como uma peste, e pensando que todos os outros são como ele mesmo nunca confia em ninguém. Tal pessoa proclama os defeitos de outras pessoas embora aqueles defeitos possam ser insuspeitos. Em relação a tais defeitos, no entanto, que são similares àqueles que maculam ele mesmo, ele não se refere nem remotamente, por causa da vantagem que ele colhe deles. Ele considera a pessoa que faz o bem para ele como um simplório a quem ele inteligentemente enganou. Ele é cheio de arrependimento por ter, em qualquer tempo, feito algum presente de riqueza até para um benfeitor. Saiba que é uma pessoa malévola e vil aquela que tranquilamente e sozinha pega comestíveis e bebidas e outras espécies de alimentos que são considerados finos, até quando pessoas estão presentes com olhos desejosos. Quem, por outro lado, dedica a primeira porção para Brahmanas e pega o que resta, dividindo-o com amigos e parentes, obtém grande felicidade no mundo seguinte e felicidade infinita neste. Eu agora, ó chefe dos Bharatas, te disse quais são as indicações do homem malévolo e vil. Tal pessoa deve ser sempre evitada por um homem de sabedoria.'" 165 "Bhishma disse, 'Para habilitar Brahmanas pios e empobrecidos que tiveram sua riqueza roubada (por ladrões), que são dedicados à realização de sacrifícios, que conhecem bem todos os Vedas, e que são desejosos de adquirir o mérito da virtude, a cumprirem suas obrigações com preceptores e Pitris, e passarem seus dias recitando e estudando as escrituras, riqueza e conhecimento, ó Bharata, devem ser dados. (Na Índia, desde os tempos mais remotos, preceptores não cobram de seus pupilos quaisquer taxas pela instrução que eles dão. Sem dúvida, a taxa final, chamada de Gurudakshina, é exigível, mas ela é exigível depois que o pupilo terminou seus estudos. Vender conhecimento por dinheiro é um grande pecado. Até hoje em todos os Tols (um tipo de instituição de ensino) nativos do país, instrução é dada livre de todas as despesas. Além do mais, os pupilos são alimentados por seus preceptores. Os últimos, por sua vez, são sustentados pela caridade do país inteiro.) Para aqueles Brahmanas que não são pobres, somente o Dakshina, (o presente ou doação feito em sacrifícios), ó melhor dos Bharatas, deve ser dado. Em relação àqueles que decaíram (por seus atos pecaminosos) da posição de Brahman, alimento não cozido deve ser dado para eles fora dos limites do altar sacrifical. Os Brahmanas são os próprios Vedas e todos os Sacrifícios com grandes presentes. Desejosos de sobrepujar uns aos outros, eles sempre realizam sacrifícios, impelidos por suas tendências virtuosas. O rei deve, portanto, fazer presentes de diversos tipos de riquezas de valor para eles. O Brahmana que tem uma quantidade suficiente de suprimentos para alimentar sua família por três anos ou mais, merece beber o Soma. (Isto é, tal pessoa pode realizar um sacrifício grandioso no qual Soma é oferecido para os deuses e bebido pelo sacrificador e os sacerdotes.) Se apesar da presença de um rei virtuoso no trono, o sacrifício começado por alguém, especialmente por um Brahmana, não puder ser completado por falta somente de uma quarta das despesas calculadas, então o rei deve, para a conclusão daquele sacrifício, tirar de seus parentes a riqueza de um Vaisya que tem um grande rebanho de gado mas que é contrário a sacrifícios e se abstém de beber Soma. O Sudra não tem competência para realizar um sacrifício. O rei deve, portanto, tirar (riqueza para tal propósito) da casa de um Sudra. O rei deve também, sem nenhum escrúpulo, tirar dos parentes a riqueza daquele que não realiza sacrifícios embora possua cem vacas e também daquele que se abstém de sacrifícios embora possua mil vacas. O rei deve sempre tirar publicamente a riqueza da pessoa que não pratica caridade, por agir dessa maneira o rei ganha grande mérito. Ouça-me novamente. O Brahmana que foi forçado por pobreza a seguir sem seis refeições (isto é, que jejuou por três dias inteiros), pode tirar sem permissão, segundo a regra, de uma pessoa que se importa somente com o hoje sem nenhum pensamento no amanhã, somente o que é necessário para uma única refeição, do tonel de debulha ou do campo ou do jardim ou de qualquer outro lugar mesmo de um homem de ocupações inferiores. Ele deve, no entanto, questionado ou não, informar o rei de seu ato. Se o rei é familiarizado com o dever ele não deve infligir nenhum castigo sobre tal Brahmana. Ele deve se lembrar que um Brahmana é afligido pela fome somente pela falha do Kshatriya. (Se o Brahmana sofre fome, isto é devido ao rei ter negligenciado seu dever de providenciar para ele.) Tendo averiguado o conhecimento e o comportamento de um Brahmana, o rei deve fazer uma provisão para ele, e protegê-lo como um pai protege o próprio filho. No fim de cada ano, uma pessoa deve realizar o sacrifício Vaisvanara (se ela não puder realizar algum sacrifício animal ou Soma). Aqueles que são conhecedores da religião dizem que a prática de uma ação declarada na alternativa não é destrutiva de virtude. Os Viswedevas, os Sadhyas, os Brahmanas, e os grandes Rishis, temendo a morte em épocas de infortúnio, não hesitam em recorrer a tais cláusulas nas escrituras que foram prescritas na alternativa. O homem, no entanto, que enquanto capaz de viver de acordo com a prescrição primária, se dirige à alternativa, vem a ser considerado como uma pessoa má e nunca consegue obter qualquer felicidade no céu. Um Brahmana conhecedor dos Vedas nunca deve falar de sua energia e conhecimento para o rei. (É o dever do rei averiguar isso por si mesmo.) Comparando a energia de um Brahmana com aquela do rei, a primeira sempre será julgada superior à última. Por esta razão a energia dos Brahmanas dificilmente pode ser suportada ou resistida por um rei. O Brahmana é citado como criador, soberano, ordenador, e deus. Nenhuma palavra ofensiva, nem palavras rudes, devem ser dirigidas a um Brahmana. O Kshatriya deve cruzar todas as suas dificuldades pela ajuda do poder das suas armas. O Vaisya e o Sudra devem vencer suas dificuldades pela riqueza; o Brahmana deve fazer isso por Mantras e homa. Nenhum destes, isto é, uma donzela, uma mulher jovem, uma pessoa não familiarizada com mantras, um sujeito ignorante, ou um que é impuro, é competente para despejar libações no fogo sacrifical. Se algum deles fizer isto, ele ou ela com certeza cairá no inferno, com aquele para quem eles agem. Por esta razão, ninguém exceto um Brahmana, conhecedor dos Vedas e hábil em todos os sacrifícios, deve se tornar aquele que despeja as libações sacrificais. Aqueles que conhecem as escrituras dizem que o homem que, tendo acendido o fogo sacrifical, não doa o alimento oferecido como Dakshina, não é o acendedor de um fogo sacrifical. Uma pessoa deve, com seus sentidos sob controle, e com devoção apropriada, fazer todas as ações de mérito (indicadas nas escrituras). Nunca se deve adorar as divindades em sacrifícios nos quais nenhum Dakshina é dado. Um sacrifício não completado com Dakshina, (em vez de produzir mérito) ocasiona a destruição dos filhos, animais, e céu de uma pessoa. Tal sacrifício destrói também a compreensão, a fama, as realizações e o próprio período de vida que alguém tem. Os Brahmanas que se deitam com mulheres em sua época, ou que nunca realizam sacrifícios, ou cuja famílias não têm membros conhecedores dos Vedas, são considerados como Sudras em ação. O Brahmana que, tendo casado com uma garota Sudra, reside por doze anos contínuos em uma aldeia que tem somente um poço para seu abastecimento de água, se torna um Sudra em ação. O Brahmana que convoca para sua cama uma moça solteira, ou permite que um Sudra, julgando-o digno de respeito, sente sobre o mesmo tapete com ele, deve sentar-se em uma cama de grama seca atrás de um Kshatriya ou Vaisya e dar a ele respeito dessa maneira. É desse modo que ele pode ser purificado. Escute, ó rei, as minhas palavras sobre este assunto. O pecado que um Brahmana comete em uma única noite por servir respeitosamente um membro de uma classe inferior ou por se divertir com ele no mesmo local ou na mesma cama, é purificado por observar a prática de sentar-se atrás de um Kshatriya ou um de Vaisya em uma cama de grama seca por três anos contínuos. Uma mentira falada de brincadeira não é pecaminosa; nem uma que é falada para uma mulher, ó rei, nem uma que é falada em uma ocasião de casamento; nem uma falada para beneficiar o próprio preceptor; nem uma falada para salvar a própria vida. É dito que estes cinco tipos de mentira em palavras não são pecaminosos. Alguém pode adquirir conhecimento útil até de uma pessoa de ocupações inferiores, com devoção e reverência. Uma pessoa pode pegar ouro, sem nenhum escrúpulo, mesmo de um lugar impuro. Uma mulher que é o ornamento de seu sexo pode ser tomada (como esposa) até de uma família vil. Amrita, se extraído do veneno, pode ser bebido; mulheres, jóias e outros objetos de valor, e água, nunca podem, segundo as escrituras, ser impuros ou vis. Para o benefício de Brahmanas e vacas, e em ocasiões de transfusão de castas, até um Vaisya pode fazer uso de armas para sua própria segurança. Tomar bebidas alcoólicas, matar um Brahmana, e violar a cama do preceptor são pecados que, se cometidos conscientemente, não têm expiação. A única expiação prescrita para eles é a morte. O mesmo pode ser dito de roubar ouro e do roubo da propriedade de um Brahmana. Por tomar bebidas alcoólicas, por ter união sexual com alguém com quem tal união é proibida, por se misturar com uma pessoa decaída, e (uma pessoa de alguma das outras três classes) por união sexual com uma Brahmani, um homem se torna inevitavelmente decaído. Por se unir com uma pessoa decaída por um ano inteiro em questões tais como oficiar em sacrifícios e ensino e união sexual, alguém se torna decaído. Uma pessoa, no entanto, não se torna assim por se unir com uma pessoa decaída em questões tais como viajar no mesmo veículo, sentar-se no assento mesmo, e comer na mesma fileira. Excluindo os cinco pecados graves que foram mencionados acima, todos os outros pecados têm expiações, providenciadas para eles. Expiando aqueles pecados de acordo com as ordenanças prescritas para eles, uma pessoa não deve se entregar a eles novamente. No caso daqueles que foram culpados dos três primeiros destes cinco pecados, (isto é, tomar bebidas alcoólicas, matar um Brahmana, e violar a cama do preceptor), não há restrição para seus parentes (sobreviventes) sobre se alimentar e usar ornamentos, mesmo se suas cerimônias fúnebres permanecerem não executadas quando eles morrem. Os parentes vivos não devem ter escrúpulos sobre tais coisas em tais ocasiões. Um homem virtuoso deve, no cumprimento de seus deveres, se separar de seus próprios amigos e superiores veneráveis. Realmente, até que eles realizem expiação, aqueles que são virtuosos não devem nem conversar com os pecadores. Um homem que agiu pecaminosamente destrói seu pecado por agir virtuosamente depois e por penitências. Por chamar um ladrão de ladrão, uma pessoa incorre no pecado de roubo. Por chamar de ladrão uma pessoa que, no entanto, não é um ladrão, uma pessoa incorre exatamente no dobro do pecado de roubo. A donzela que permite que sua virgindade seja deflorada incorre em três quartos do pecado de Brahmanicídio, enquanto o homem que a deflorou incorre em um pecado igual a uma quarta parte daquele de Brahmanicídio. Por caluniar Brahmanas ou por bater neles, uma pessoa cai em infâmia por cem anos. Por assassinar um Brahmana alguém cai no inferno por mil anos. Ninguém, portanto, deve falar mal de um Brahmana ou matá-lo. Se uma pessoa golpeia um Brahmana com uma arma, ele terá que viver no inferno por tantos anos quanto os grãos de poeira que forem molhados pelo sangue fluindo do ferido. Alguém culpado de feticídio (ou de alguns dos pecados que são considerados equivalentes ao feticídio, como o assassinato de um Brahmana, etc.) se torna purificado se ele morre de ferimentos recebidos em batalha lutada por causa de vacas e Brahmanas. Ele pode também ser purificado por lançar sua pessoa em um fogo ardente. Um tomador de bebidas alcoólicas se purifica por beber álcool quente. Seu corpo sendo queimado com aquela bebida quente, ele é purificado através morte no outro mundo. Um Brahmana manchado por tal pecado alcança regiões de felicidade por tal procedimento e não por outro qualquer. Por violar a cama de um preceptor, o canalha pecaminoso e de alma vil se purifica pela morte que provém de abraçar uma figura feminina de ferro aquecido. Ou, cortando fora seu órgão e testículos e levando-os em suas mãos, ele deve seguir em uma direção reta para o sudoeste e então rejeitar sua vida. Ou, por encontrar a morte para beneficiar um Brahmana, ele pode se limpar de seu pecado. Ou, depois de realizar um Sacrifício de Cavalo ou um Sacrifício de Vaca ou um Agnishtoma, ele pode recuperar a estima aqui e após a morte. O assassino de um Brahmana deve praticar o voto de Brahmacharya por doze anos e se dedicando a penitências, vagar, segurando em suas mãos a caveira do morto todo o tempo e proclamando seu pecado para todos. Ele deve adotar tal conduta, dedicado a penitências e levando a vida de um asceta. Tal é a expiação fornecida para alguém que mata uma mulher grávida, sabendo sua condição. O homem que mata de propósito tal mulher incorre no dobro do pecado que vem depois do Brahmanicídio. Um tomador de bebidas alcoólicas deve viver de alimento frugal, praticando votos Brahmacharya, e dormir sobre a terra nua, e realizar por mais de três anos o sacrifício seguinte ao Agnishtoma. Ele deve então fazer um presente de mil vacas com um touro (para um bom Brahmana). Fazendo tudo isso, ele recuperará sua pureza. Tendo matado um Vaisya alguém deve realizar tal sacrifício por dois anos e fazer um presente de cem vacas com um touro. Tendo matado um Sudra, deve-se realizar tal sacrifício por um ano e fazer um presente de cem vacas com um touro. Tendo matado um cachorro ou urso ou camelo, deve-se realizar a mesma penitência que é declarada para o assassinato de um Sudra. Por matar um gato, um chasa, uma rã, um corvo, um réptil, ou um rato, é dito que alguém incorre no pecado de matança animal, ó rei! Eu agora te falarei de outros tipos de expiações em sua ordem. Por todos os pecados menores uma pessoa deve se arrepender ou praticar algum voto por um ano. Por união sexual com a esposa de um Brahmana conhecedor dos Vedas, um homem deve praticar por três anos o voto de Brahmacharya, comendo pouco alimento na quarta parte do dia. Por tal união com alguma outra mulher (que não é a esposa de alguém), um homem deve praticar penitência semelhante por dois anos. Por se deleitar na companhia de uma mulher por sentar-se com ela no mesmo lugar ou no mesmo assento, um homem deve viver somente de água por três dias. Por fazer isso ele pode se purificar de seu pecado. O mesmo é prescrito para alguém que suja um fogo ardente (por jogar coisas impuras nele). Aquele que, sem causa adequada, rejeita seu pai ou mãe ou preceptor, certamente se torna decaído, ó tu da linhagem de Kuru, como é a conclusão das escrituras. Somente comida e roupas devem ser dadas, como é a injunção, para uma esposa culpada de adultério ou alguém confinado em uma prisão. De fato, os votos que são prescritos para um homem culpado de adultério devem também ser observados por uma mulher que é culpada do mesmo. A mulher que, abandonando um marido de uma casta superior, tem ato sexual com um homem vil (de uma classe inferior), deve ser feita pelo rei ser devorada por cães em um lugar público no meio de uma grande assembleia de espectadores. Um rei sábio deve fazer o homem que cometeu adultério sob tais circunstâncias ser colocado sobre uma cama de ferro aquecido e então, colocando feixes de paus por baixo, queimar o pecador nela. O mesmo castigo, ó rei, é dado à mulher que é culpada de adultério. O pecador perverso que não realiza expiação dentro de um ano da perpetração do pecado incorre em demérito que é o dobro do que se atribui ao pecado original. Alguém que se associa com tal pessoa por dois anos deve vagar por sobre a terra, se dedicando a penitências e vivendo de caridade. Alguém que se associou com um pecador por quatro anos deve adotar tal modo de vida por cinco anos. Se um irmão mais novo se casa antes de seu irmão mais velho, então o irmão mais novo, o irmão mais velho e a mulher que se casou, todos os três, por causa de tal casamento, se tornam decaídos. Todos eles devem cumprir os votos prescritos para uma pessoa que negligenciou seu fogo sacrifical, ou praticar o voto de Chandrayana por um mês, ou algum outro voto doloroso, para se purificarem de seu pecado. O irmão mais novo, se casando, deve dar sua esposa para seu irmão mais velho solteiro. Depois, tendo obtido a permissão do irmão mais velho, o irmão mais novo pode pegar sua esposa de volta. Por tais meios todos os três podem ser purificados de seu pecado. Por matar animais exceto uma vaca, o matador não é maculado. Os eruditos sabem que o homem tem domínio sobre todos os animais inferiores. Um pecador, segurando em sua mão um rabo de iaque e uma panela de barro, deve vagar, proclamando seu pecado. Ele deve todos os dias mendigar de somente sete famílias, e viver do que possa ser assim obtido. Por fazer isso por doze dias ele pode ser purificado de seu pecado. Aquele que se torna incapaz de portar em sua mão o rabo de iaque enquanto pratica este voto, deve observar o voto de mendicância (como declarado acima) por um ano inteiro. Entre homens tal expiação é a melhor. Para aqueles que podem praticar caridade, a prática da caridade é prescrita em todos os tais casos. Aqueles que têm fé e virtude podem se purificar por doarem somente uma vaca. Alguém que come ou bebe a carne, excremento, ou urina, de um cachorro, um javali, um homem, um galo, ou um camelo, deve ter sua investidura do fio sagrado realizada novamente. Se um Brahmana bebedor de Soma inala o cheiro de álcool da boca de alguém que o bebeu, ele deve beber água quente por três dias ou leite quente pelo mesmo período. Ou, bebendo água quente por três dias, ele deve viver só de ar por aquele período. Estas são as injunções eternas declaradas para a expiação de pecados, especialmente para um Brahmana que cometeu esses pecados por ignorância e falta de bom senso.'" 166 "Vaisampayana disse, 'Após a conclusão deste discurso, Nakula, que era um espadachim talentoso, assim questionou o avô Kuru deitado sobre seu leito de flechas.'” "Nakula disse, 'O arco, ó avô, é considerado como a principal das armas neste mundo. Minha mente, no entanto, se inclina para a espada, já que quando o arco, ó rei, é cortado ou quebrado, quando corcéis estão mortos ou enfraquecidos, um bom guerreiro, bem treinado na espada, pode se proteger por meio de sua espada. Um herói armado com a espada pode, sozinho, resistir a muitos arqueiros, e a muitos adversários armados com maças e dardos. Eu tenho essa dúvida, e eu me sinto curioso para saber a verdade. Qual, ó rei, é realmente a principal das armas em todas as batalhas? Como a primeira espada foi criada e para qual propósito? Quem também foi o primeiro preceptor na arma? Diga-me tudo isso, ó avô.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras do inteligente filho de Madri, o virtuoso Bhishma, o mestre perfeito da ciência do arco, esticado sobre sua cama de setas, deu esta resposta repleta de muitas palavras refinadas de significado encantador, melodiosa com vogais devidamente colocadas, e mostrando habilidade considerável, para Nakula de grande alma, aquele discípulo de Drona, dotado de treinamento hábil.'” "Bhishma disse, 'Ouça a verdade, ó filho de Madri, acerca do que tu me perguntaste. Eu estou excitado por essa tua pergunta, como uma colina de greda vermelha. (Isto é, a pergunta de Nakula excitou o coração de Bhishma e causou um fluxo de sangue através de seus ferimentos. Então Bhishma se compara a uma colina de greda vermelha.) Nos tempos antigos o universo era uma vasta extensão de água, imóvel e sem firmamento, e sem essa terra ocupando algum espaço nele. Envolvido em escuridão, e intangível, seu aspecto era extremamente terrível. Completo silêncio reinando por todos os lados, ele era imensurável em extensão. No seu próprio tempo apropriado o Avô (do universo) teve seu nascimento. Ele então criou o vento e o fogo, e também o sol de grande energia. Ele também criou o céu, os lugares de eterna bem-aventurança, as regiões inferiores, terra, as direções, o firmamento com a lua e as estrelas, as constelações, os planetas, o ano, as estações, os meses, as duas quinzenas (clara e escura) e as divisões menores de tempo. O Avô divino então, assumindo uma forma visível, gerou (pelo poder de sua vontade) alguns filhos possuidores de grande energia. Eles são os sábios Marichi, Atri, Pulastya, Pulaha, Kratu, Vasishtha, Angiras, e o poderoso e pujante senhor Rudra, e Prachetas. O último gerou Daksha, que por sua vez, gerou sessenta filhas. Todas aquelas filhas foram recebidas como esposas por sábios regenerados com o objetivo de gerar filhos nelas. Delas surgiram todas as criaturas do universo, incluindo os deuses, Pitris, Gandharvas, Apsaras, diversas espécies de Rakshasas, aves e animais e peixes, macacos, grandes cobras, e diversas espécies de aves que percorrem o ar ou se divertem na água, e vegetais, e todos os seres que são ovíparos ou vivíparos ou nascidos da sujeira. Desse modo surgiu todo o universo consistindo em criaturas móveis e imóveis. O Avô universal, tendo assim chamado à existência todas as criaturas móveis e imóveis, então promulgou a religião eterna declarada nos Vedas. Aquela religião foi aceita pelos deuses, com seu preceptores, sacerdotes, os Adityas, os Vasus, os Rudras, os Sadhyas, os Maruts, os Aswins, Bhrigu, Atri, Angiras, os Siddhas, Kasyapa rico em penitências, Vasishtha, Gautama, Agastya, Narada, Parvata, os Rishis Valikhilya, aqueles outros Rishis conhecidos sob os nomes de Prabhasas, os Sikatas, os Ghritapas, os Somavayavyas, os Vaiswanaras, Marichipas, os Akrishtas, os Hansas, aqueles nascidos do Fogo, os Vanaprasthas, e os Prasnis. Todos eles viviam em obediência a Brahman. Os principais dos Danavas, no entanto, desprezando as ordens do Avô, e se entregando à ira e cobiça, começaram a causar a destruição da justiça. Eles eram Hiranyakasipu, e Hiranyaksha, e Virochana, e Samvara, e Viprachitti, e Prahlada, e Namuchi, e Vali. Estes e muitos outros Daityas e Danavas, ultrapassando todas as restrições de dever e religião, se divertiram e se deleitaram em todos os tipos de más ações. Se considerando iguais aos deuses em relação a nascimento, eles começaram a desafiá-los e aos sábios de comportamento puro. Eles nunca faziam algum bem para as outras criaturas do universo ou mostravam compaixão por alguma delas. Desconsiderando os três meios bem conhecidos, eles começaram a perseguir e afligir todas criaturas por manejarem somente a vara de castigo. De fato, aqueles principais dos Asuras, cheios de orgulho, abandonaram toda comunicação amistosa com outras criaturas. Então o divino Brahman, acompanhado pelos sábios regenerados, procedeu para um topo encantador de Himavat, se estendendo pela área de cem Yojanas, adornado com diversas espécies de jóias e pedras preciosas, e sobre cuja superfície as estrelas pareciam descansar como muitos lotos em um lago. Naquele príncipe das montanhas, ó senhor, coberto com florestas de árvores florescentes, aquele principal dos deuses, isto é, Brahman, ficou por algum tempo para realizar o trabalho do mundo. Depois do lapso de mil anos, o pujante senhor fez arranjos para um sacrifício grandioso de acordo com as ordenanças declaradas nas escrituras. O altar sacrifical foi adornado com Rishis hábeis em sacrifícios e competentes para realizar todas as ações referentes a isso, com feixes de combustível sacrifical, e com fogos ardentes. E ele parecia muito belo por causa dos pratos e recipientes sacrificais todos feitos de ouro. Todos os principais entre os deuses tomaram seus assentos nele. A plataforma foi em seguida adornada com Sadasyas todos os quais eram Rishis regenerados ilustres. Eu soube dos Rishis que logo uma coisa muito terrível aconteceu naquele sacrifício. É sabido que uma criatura pulou (do fogo sacrifical) espalhando as chamas ao seu redor, e cujo esplendor se igualava àquele da própria Lua quando ela se ergue no firmamento coberto de estrelas. Sua cor era escura como aquela das pétalas do lótus azul. Seus dentes eram afiados. Seu abdome era magro. Sua estatura era alta. Ele parecia ser irresistível e possuidor de energia excessiva. Após o aparecimento daquele ser, a terra tremeu. O Oceano ficou agitado com grandes vagalhões e redemoinhos tremendos. Meteoros pressagiando grandes desastres percorreram o céu. Os ramos das árvores começaram a cair. Todos os pontos do horizonte ficaram agitados. Ventos inauspiciosos começaram a soprar. Todas as criaturas começaram a tremer de medo a todo momento. Vendo aquela agitação horrível do universo e aquele Ser surgido do fogo sacrifical, o Avô disse estas palavras aos grandes Rishis, aos deuses, e aos Gandharvas. ‘Este Ser foi pensado por mim. Possuidor de grande energia, seu nome é Asi (espada ou cimitarra). Para a proteção do mundo e a destruição dos inimigos dos deuses, eu o criei.’ Aquele ser então, abandonando a forma que ele tinha assumido primeiro, tomou a forma de uma espada de grande esplendor, altamente polida, de gume afiado, surgida como o Ser todo-destrutivo no fim do Yuga. Então Brahman transferiu aquela arma para Rudra de garganta azul, que tem como desenho em sua bandeira o principal dos touros, para capacitá-lo a eliminar a irreligião e o pecado. Nisto, o divino Rudra de alma imensurável, louvado pelos grandes Rishis, ergueu aquela espada e assumiu uma forma diferente. Desenvolvendo quatro braços, ele se tornou tão alto que embora estando na terra ele tocava o próprio sol com sua cabeça. Com olhos virados para cima e com todos os membros estendidos largamente, ele começou a vomitar chamas de fogo de sua boca. Assumindo diversas cores tais como azul e branco e vermelho, vestindo uma camurça preta salpicada com estrelas de ouro, ele possuía em sua testa um terceiro olho que parecia com o sol em esplendor. Seus dois outros olhos, um dos quais era preto e o outro fulvo, resplandeciam muito brilhantemente. O divino Mahadeva, o portador do Sula, o arrancador dos olhos de Bhaga, erguendo a espada cujo esplendor parecia aquele do fogo Yuga todo-destrutivo, e manejando um escudo largo com três grandes saliências que parecia com uma massa de nuvens escuras adornada com lampejos de relâmpago, começou a realizar diversos tipos de evoluções. Possuidor de grande destreza, ele começou a girar a espada no céu, desejoso de um duelo. Altos foram os rugidos que ele proferiu, e impressionante o som de sua risada. De fato, ó Bharata, a forma então assumida por Rudra era extremamente terrível. Sabendo que Rudra tinha assumido aquela forma para realizar atos violentos, os Danavas, cheios de alegria, começaram a ir em direção a ele com grande velocidade, despejando rochas enormes sobre ele enquanto eles se aproximavam, e pedaços de madeira ardentes, e diversos tipos de armas terríveis feitas de ferro e todas dotadas do corte da navalha. A hoste Danava, no entanto, vendo aquele principal de todos os seres, o indestrutível Rudra, crescendo com poder, ficou estupefata e começou a tremer. Embora Rudra estivesse sozinho e sem ajuda, ele se movia tão rapidamente pelo campo de batalha com a espada em seu braço que os Asuras pensaram que haviam mil Rudras semelhantes lutando com eles. Rasgando e perfurando e afligindo e partindo e cortando e triturando, o grande deus se movia com velocidade entre as massas compactas de seus inimigos como um incêndio florestal se espalhando em meio a pilhas de grama seca. Os Asuras poderosos, subjugados pelo deus com os giros de sua espada, com braços e pernas e peitos cortados e perfurados, e com cabeças cortadas de seus troncos, começaram a cair no chão. Outros entre os Danavas, afligidos pelos golpes da espada, se dividiram e fugiram em todas as direções, alegrando uns aos outros enquanto eles fugiam. Alguns penetraram nas entranhas da terra; outros ficaram sob o abrigo de montanhas, alguns foram para cima; outros entraram nas profundidades do oceano. Durante o progresso daquela batalha terrível e violenta, a terra se tornou lamacenta com carne e sangue e visões horríveis se apresentavam de todos os lados. Coberta com os corpos mortos de Danavas cobertos com sangue, a terra parecia como se coberta com topos de montanha cobertos com Kinsukas. Encharcada com sangue, a terra parecia extremamente bela, como uma dama de aparência formosa embriagada com álcool e vestida em mantos carmesins. Tendo matado os Danavas e restaurado a Justiça sobre a terra, o auspicioso Rudra abandonou sua forma horrível e assumiu sua própria forma benéfica. Então todos os Rishis e todos os celestiais adoraram aquele deus de deuses com aclamações altas desejando vitória para ele. O divino Rudra, depois disso, deu a espada, aquela protetora da religião, tingida com o sangue dos Danavas, para Vishnu com as devidas adorações. Vishnu a deu para Marichi. O divino Marichi a deu para todos os grandes Rishis. Os últimos a deram para Vasava. Vasava a deu para os Regentes do mundo. Os Regentes, ó filho, deram aquela grandiosa espada para Manu, o filho de Surya. Na hora de dá-la para Manu, eles disseram, 'Tu és o senhor de todos os homens. Proteja todas as criaturas com esta espada que contém a religião dentro de seu ventre. Infligindo castigo devidamente àqueles que ultrapassaram os limites da virtude por causa do corpo ou da mente, eles devem ser protegidos em conformidade com as ordenanças mas nunca de acordo com capricho. Alguns devem ser punidos com reprimendas verbais, e com multas e confiscos. Perda de membro ou morte nunca devem ser infligidos por razões leves. Estes castigos, consistindo em reprimendas verbais como seu primeiro, são considerados como as muitas formas da espada. Estas são as formas que a espada assume por causa das transgressões de pessoas sob a proteção (do rei). Em tempo Manu instalou seu próprio filho Kshupa na soberania de todas as criaturas, e deu a ele a espada para a proteção delas. De Kshupa ela foi recebida por Ikshvaku, e de Ikshvaku por Pururavas. De Pururavas ela foi recebida por Ayus, e de Ayus por Nahusha. De Nahusha ela foi recebida por Yayati, e de Yayati por Puru. De Puru ela foi recebida por Amurtarya, de Amurtarya ela passou para o nobre Bhumisaya. De Bhumisaya foi recebida pelo filho de Dushmanta, Bharata. De Bharata, ó monarca, ela foi recebida pelo correto Ailavila. De Ailavila ela foi recebida pelo rei Dhundumara. De Dhundumara ela foi recebida por Kamvoja, e de Kamvoja ela foi recebida por Muchukunda, de Muchukunda foi recebida por Marutta, e de Marutta por Raivata. De Raivata ela foi recebida por Yuvanaswa, e de Yuvanaswa por Raghu. De Raghu ela foi recebida pelo corajoso Harinaswa. De Harinaswa a espada foi recebida por Sunaka e de Sunaka por Usinara de grande alma. Do último ela foi recebida pelos Bhojas e os Yadavas. Dos Yadus ela foi recebida por Sivi. De Sivi ela passou para Pratardana. De Pratardana ela foi recebida por Ashtaka, e de Ashtaka por Prishadaswa. De Prishadaswa ela foi recebida por Bharadwaja, e do último por Drona. Depois de Drona ela foi recebida por Kripa. De Kripa aquela melhor das espadas foi obtida por ti com teus irmãos. A constelação sob qual a espada nasceu é Krittika. Agni é sua divindade, e Rohini é seu Gotra (origem). Rudra é o seu preceptor excelente. A espada tem oito nomes que não são geralmente conhecidos. Escute-me enquanto eu os menciono para você. Se alguém os menciona, ó filho de Pandu, ele pode sempre obter vitória. Aqueles nomes então são Asi, Vaisasana, Khadga, afiada, de aquisição difícil, Sirgarbha, vitória, e protetor da justiça. De todas as armas, ó filho de Madravati, a espada é a principal. Os Puranas realmente declaram que ela foi primeiro manejada por Mahadeva. Em relação ao arco, ó castigador de inimigos, foi Prithu quem primeiro o criou. Foi com a ajuda desta arma que o filho de Vena, enquanto ele governava a terra virtuosamente por muitos anos, ordenhou suas colheitas e grãos em profusão. Cabe a ti, ó filho de Madri, considerar o que os Rishis disseram como prova conclusiva. Todas as pessoas hábeis em batalha devem reverenciar a espada. Eu agora te disse realmente a primeira parte da tua pergunta, em detalhes, sobre a origem e criação da espada, ó touro da raça Bharata! Por escutar a esta história excelente da origem da espada, um homem consegue ganhar fama neste mundo e felicidade eterna no próximo.'" "Vaisampayana disse, 'Quando Bhishma, depois de ter dito isso, ficou silencioso, Yudhishthira (e os outros) voltaram para casa. O rei, se dirigindo a seus irmãos com Vidura formando o quinto, disse, 'O rumo do mundo depende de Virtude, Riqueza, e Desejo. Entre estes três, qual é o principal, qual o segundo, e qual o último, em ponto de importância? Para subjugar o agregado triplo (isto é, luxúria, ira, e cobiça), sobre qual dos três primeiros (isto é, Virtude, Riqueza, e Desejo) a mente deve ser fixada? Cabe a vocês todos responderem alegremente esta questão em palavras que sejam verdadeiras.' Assim endereçado pelo chefe Kuru, Vidura, que era familiarizado com a ciência de Lucro, com o rumo do mundo, e com a verdade (que diz respeito à natureza real das coisas), e possuidor de grande luminosidade de intelecto, falou primeiro estas palavras, lembrando dos conteúdos das escrituras.'” "Vidura disse, 'Estudo de várias escrituras, ascetismo, caridade, fé, realização de sacrifícios, bondade, sinceridade de disposição, compaixão, veracidade, autodomínio, constituem as posses da Virtude. Adote a Virtude. Não deixe teu coração se desviar disso. Virtude e Lucro têm suas bases neles. Eu penso que todos estes podem ser incluídos em um termo. É pela Virtude que os Rishis têm cruzado (o mundo com todas as suas dificuldades). É da Virtude que todos os mundos dependem (para sua existência). É pela Virtude que os deuses alcançaram sua posição de superioridade. É sobre a Virtude que o Lucro ou Riqueza se apóia. A Virtude, ó rei, é a principal a respeito de mérito. O Lucro é citado como mediano. O Desejo, é dito pelos sábios, é o mais inferior dos três. Por esta razão, uma pessoa deve viver com alma controlada, dando sua atenção mais para a Virtude. Uma pessoa deve também se comportar em direção a todas as criaturas como ela deve se comportar consigo mesma.'” "Vaisampayana continuou, 'Depois que Vidura tinha terminado o que ele tinha a dizer, o filho de Pritha, Arjuna, bem hábil na ciência de Lucro, e conhecedor também das verdades de Virtude e Lucro, estimulado (pelo significado da pergunta de Yudhishthira), disse estas palavras.'” "Arjuna disse, 'Este mundo, ó rei, é o campo de ação. A ação, portanto, é louvada aqui. Agricultura, comércio, criação de gado, e diversos tipos de ofícios constituem o que é chamado de Lucro. O Lucro, também, é o objetivo de todas essas ações. Sem Lucro ou Riqueza, a Virtude e (os objetos de) Desejo não podem ser adquiridos. Esta é a declaração do Sruti. Mesmo pessoas de almas impuras, se possuidoras de diversos tipos de Riqueza, podem realizar os maiores atos de virtude e satisfazer desejos que são aparentemente difíceis de serem satisfeitos. Virtude e Desejo são os membros da Riqueza como o Sruti declara. Com a aquisição de Riqueza, ambos, Virtude e os objetos de Desejo, podem ser ganhos. Como todas as criaturas cultuando Brahman, até pessoas de nascimento superior cultuam um homem possuidor de Riqueza. Até aqueles que estão vestidos em camurças e têm madeixas emaranhadas em suas cabeças, que são autocontrolados, que cobrem seus corpos com lama, que têm seus sentidos sob controle completo, até aqueles que têm cabeças raspadas e que são Brahmacharins devotados, e que vivem separados uns dos outros, nutrem um desejo por Riqueza. Outros vestidos em mantos amarelos, tendo barbas compridas, agraciados com modéstia, possuidores de erudição, contentes, e livres de todos os apegos, se tornam desejosos de Riqueza. Outros, seguindo as práticas de seus antepassados, e cumpridores de seus respectivos deveres, e outros desejosos de céu, fazem o mesmo. Crentes e não crentes e aqueles que são praticantes rígidos do mais sublime Yoga, todos atestam a excelência da Riqueza. É citado como realmente possuidor de Riqueza aquele que cuida de seus dependentes com objetos de prazer, e aflige seus inimigos com punições. Esta, ó principal dos homens inteligentes, é realmente minha opinião. Escute agora, no entanto, a estes dois (isto é, Nakula e Sahadeva) que estão prestes a falar.'” "Vaisampayana continuou, 'Depois que Arjuna tinha parado, os dois filhos de Madri, Nakula e Sahadeva, disseram estas palavras de grande importância.'” "Nakula e Sahadeva disseram, 'Sentado ou deitado, andando e parado, um homem deve se esforçar pela aquisição de Riqueza até pelos meios mais enérgicos. Se a Riqueza, que é de difícil aquisição e muito agradável, for ganha, a pessoa que a ganhou, sem dúvida, é vista obter todos os objetos de Desejo. Aquela Riqueza que está ligada com Virtude, como também aquela Virtude que está ligada com Riqueza, é certamente como néctar. Por esta razão, nossas opiniões são as seguintes. Uma pessoa sem riqueza não pode satisfazer nenhum desejo; similarmente, não pode haver Riqueza em alguém que é desprovido de Virtude. Aquele, portanto, que está fora do âmbito de Virtude e Riqueza é um objeto de temor para o mundo. Por esta razão, deve-se procurar a aquisição de Riqueza com uma mente devotada, sem desconsiderar os requisitos de Virtude. Aqueles que acreditam (na sabedoria) deste ditado conseguem adquirir o que quer que eles desejem. Uma pessoa deve primeiro praticar Virtude; em seguida adquirir Riqueza sem sacrificar a Virtude; e então procurar a satisfação do Desejo, pois esta deve ser a última ação de alguém que conseguiu adquirir Riqueza.'” "Vaisampayana continuou, 'Os filhos gêmeos dos Aswins, depois terem dito estas palavras, ficaram calados. Então Bhimasena começou a dizer o seguinte.'” "Bhimasena disse, ‘Alguém sem Desejo nunca deseja Riqueza. Alguém sem Desejo nunca deseja Virtude. Alguém que é desprovido de Desejo nunca pode sentir qualquer desejo. Por esta razão, o Desejo é o principal de todos os três. É sob a influência do Desejo que os próprios Rishis se dedicam a penitências subsistindo de frutas, vivendo de raízes ou do ar somente. Outros possuidores de conhecimento Védico estão dedicados aos Vedas e seus ramos ou a ritos de fé e atos sacrificais, ou a fazer doações ou aceitá-las. Comerciantes, agricultores, criadores de gado, artistas e artesãos, e aqueles que estão ocupados em ritos de conciliação, todos agem por Desejo. Há alguns que mergulham nas profundidades do oceano, induzidos pelo Desejo. O Desejo, de fato, toma várias formas. Tudo é permeado pelo princípio do Desejo. Um homem fora da paliçada do Desejo nunca é, foi, ou será visto neste mundo. Esta, ó rei, é a verdade. Virtude e Riqueza estão baseadas sobre o Desejo. Como a manteiga representa a essência dos coalhos, assim mesmo o Desejo é a essência do Lucro e Virtude. Óleo é melhor do que sementes oleaginosas. Ghee é melhor do que leite azedo. Flores e frutas são melhores do que madeira. Similarmente, Desejo é melhor do que Virtude e Lucro. Como um suco doce como mel é extraído das flores, assim é dito que o Desejo é extraído desses dois. O Desejo é o pai da Virtude e do Lucro. O Desejo é a alma desses dois. Sem Desejo os Brahmanas nunca dariam doces ou riquezas para Brahmanas. Sem Desejo os diversos tipos de ações que são vistos no mundo nunca teriam sido vistos. Por essas razões, o Desejo é visto ser o principal do agregado triplo. Aproximando-te de belas donzelas vestidas em mantos excelentes, enfeitadas com todos os ornamentos, e alegradas com vinhos doces, te divirta com elas. O Desejo, ó rei, deve ser o principal dos três para nós. Refletindo sobre a pergunta até seus próprios fundamentos, eu cheguei a esta conclusão. Não hesite em aceitar esta conclusão, ó filho de Dharma! Estas minhas palavras não são de significado vazio. Repletas de virtude como elas são, elas serão aceitáveis para todos os bons homens. Virtude, Lucro, e Desejo, todos devem ser igualmente atendidos. O homem que se dedica somente a um deles certamente não é uma pessoa superior. É citado como mediano quem se dedica a somente dois deles. Por outro lado, é o melhor de sua espécie aquele que se encarrega de todos os três.’ Tendo dito estas palavras em resumo como também em detalhes, para aqueles heróis, Bhima possuidor de sabedoria, cercado por amigos, coberto com pasta de sândalo, e enfeitado com guirlandas e ornamentos excelentes, permaneceu silencioso. Então o rei Yudhishthira, o justo, o principal dos homens virtuosos, possuidor de grande erudição, refletindo devidamente por um instante sobre as palavras faladas por todos eles, e achando que todas aquelas palavras eram filosofia falsa, falou o seguinte.'” "Yudhishthira disse, 'Sem dúvida, todos vocês têm conclusões firmes em relação às escrituras, e todos vocês são familiarizados com autoridades. Essas palavras repletas de certeza que vocês falaram foram ouvidas por mim. Escutem agora, com atenção concentrada, ao que eu lhes digo. Aquele que não está empenhado em mérito ou em pecado, aquele que não se dedica a Lucro, ou Virtude, ou Desejo, que está acima de todos os defeitos, que considera ouro e um pedaço de tijolo com olhos iguais, se torna livre do prazer e da dor e da necessidade de realizar seus propósitos. Todas as criaturas estão sujeitas ao nascimento e à morte. Todas estão sujeitas à ruína e mudança. Despertadas repetidamente pelos diversos benefícios e males da vida, todas elas louvam a Emancipação. Nós não sabemos, no entanto, o que é Emancipação. O autonascido e divino Brahman disse que não há Emancipação para aquele que está amarrado com laços de atração e afeição. Aqueles, no entanto, que são possuidores de erudição procuram a Extinção. (Há pouca dúvida de que esta é uma referência distinta ao principal artigo de fé no Budismo. Emancipação aqui é identificada com Extinção ou Aniquilação. A palavra usada é Nirvana. O conselho dado é abstenção de apegos de todos os tipos. Estas partes do Santi são ou interpolações, ou foram escritas depois da expansão do Budismo.) Por essa razão, nunca se deve considerar qualquer coisa como ou agradável ou desagradável. Este ponto de vista parece ser o melhor. Ninguém neste mundo pode agir como lhe agrada. Eu ajo exatamente como eu sou feito agir (por um poder superior). O Grande Ordenador faz todas as criaturas procederem como Ele deseja. O Ordenador é Supremo. Saibam disso, todos vocês. Ninguém pode, por suas ações, obter o que não é obtenível. Aquilo que é para ser, acontece. Saibam disso. E já que aquele que se afasta do triplo agregado consegue ganhar Emancipação, parece, portanto, que a Emancipação é produtiva do maior bem.'” "Vaisampayana continuou, 'Tendo escutado a todas estas palavras importantes repletas de razão e aceitáveis para o coração, Bhima e os outros ficaram encantados e, unindo suas mãos, reverenciaram aquele príncipe da linhagem de Kuru. De fato, aqueles principais dos homens, ó rei, tendo ouvido aquele discurso do monarca, bem adornado com letras e sílabas agradáveis, aceitável para o coração, e desprovido de sons e palavras dissonantes, começaram a aplaudir muito Yudhishthira. O filho de grande alma de Dharma, em retorno, possuidor de grande energia, elogiou seus ouvintes convencidos; e mais uma vez o rei se dirigiu ao filho do principal dos rios, possuidor de uma grande alma, para perguntar sobre deveres.'" 168 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu que és possuidor de grande sabedoria, eu te farei uma pergunta. Cabe a ti, ó tu que aumentas a felicidade dos Kurus, me falar detalhadamente sobre isto. Qual tipo de homens é citado como sendo de disposição gentil? Com quem a amizade mais encantadora pode existir? Nos diga também quem pode fazer o bem no tempo presente e no fim. Eu sou de opinião que nem aumento de riqueza, nem parentes, nem amigos, ocupam aquele lugar o qual amigos benquerentes ocupam. Um amigo capaz de escutar a conselhos benéficos, e também de fazer o bem, é extremamente raro. Cabe a ti, ó principal dos homens virtuosos, me falar detalhadamente sobre estes assuntos.'” "Bhishma disse, 'Ouça-me, ó Yudhishthira, enquanto eu te falo, em detalhes, daqueles homens com quem amizades podem ser formadas e daqueles com quem amizades não podem ser formadas. Um homem que é cobiçoso, um que é impiedoso, um que renunciou aos deveres de sua classe, um que é desonesto, um que é patife, um que é vil, um que é de práticas pecaminosas, um que suspeita de todos, um que é preguiçoso, um que é procrastinador, um que é de disposição desonesta, um que é um objeto de maledicência geral, um que desonra a vida de seu preceptor, viciado nos sete vícios bem conhecidos, um que abandona amigos afligidos, um possuidor de alma má, um que é sem vergonha, um cuja vista está sempre direcionada para o pecado, um que é um ateu, um que é caluniador dos Vedas, um cujos sentidos não são reprimidos, um que dá livre indulgência à luxúria, um que é mentiroso, um que é abandonado por todos, um que transgride todas as restrições, um que é enganador, um que é desprovido de sabedoria, um que é invejoso, um que é dedicado ao pecado, um cuja conduta é má, um cuja alma não tem sido purificada, um que é cruel, um que é um jogador, um que sempre procura prejudicar amigos, um que cobiça riqueza pertencente a outros, aquele indivíduo de alma pecaminosa que nunca expressa satisfação com o que outro possa dar a ele de acordo com a extensão de seus recursos, um que nunca está satisfeito com seus amigos, ó touro entre homens, um que fica zangado em ocasiões que não justificam raiva, um que é de mente agitada, um que briga sem motivo, aquele sujeito pecaminoso que não tem escrúpulos em abandonar amigos bem intencionados, aquele patife que está sempre atento aos seus próprios interesses e que, ó rei, briga com amigos quando aqueles fazem a ele uma injúria muito leve ou infligem a ele um mal inconscientemente, um que age como um inimigo mas fala como um amigo, um que é de percepções perversas, um que é cego (ao seu próprio bem), um que nunca se alegra no que é bom para ele mesmo ou outros, deve ser evitado. Um que toma bebidas alcoólicas, um que odeia outros, um que é colérico, um que é desprovido de compaixão, um que fica aflito ao ver a felicidade de outros, um que ofende amigos, um que está sempre ocupado em tirar as vidas de criaturas vivas, um que é ingrato, um que é desprezível, deve ser evitado. Alianças (de amizade) nunca devem ser formadas com nenhum deles. Similarmente, nenhuma aliança (de amizade) deve ser formada com aquele que está sempre atento em observar os defeitos de outros. Ouça-me agora enquanto eu indico as pessoas com quem alianças (de amizade) podem ser formadas. Aqueles que são bem nascidos, aqueles que possuem eloquência e gentileza de palavras, aqueles que são dotados de conhecimento e ciência, aqueles que possuem mérito e outros talentos, aqueles que são livres de cobiça, aqueles que nunca são esgotados por trabalho, aqueles que são bons para seus amigos, aqueles que são gratos, aqueles que são possuidores de conhecimento e informação variados, aqueles que são desprovidos de avareza, aqueles que são possuidores de qualidades agradáveis, aqueles que são firmes na verdade, aqueles que têm subjugado seus sentidos, aqueles que são dedicados a esportes e outros exercícios, aqueles que são de boas famílias, aqueles que são perpetuadores de suas linhagens (isto é, aqueles que têm esposas e filhos), aqueles que são desprovidos de defeitos, aqueles que são possuidores de fama, devem ser aceitos por reis para formar alianças (de amizade) com eles. Aqueles, também, ó monarca, que ficam satisfeitos e contentes se alguém se comporta com eles de acordo com o melhor de seus poderes, aqueles que nunca se zangam em ocasiões que não justificam raiva, aqueles que nunca ficam insatisfeitos sem causa suficiente, aquelas pessoas que conhecem bem a ciência de Lucro e que, mesmo quando aborrecidas, conseguem manter suas mentes tranquilas, aqueles que se dedicam ao serviço de amigos em sacrifício pessoal, aqueles que nunca estão afastados dos amigos mas que continuam inalterados (em sua dedicação) como um cobertor vermelho feito de lã (o qual não muda sua cor facilmente); aqueles que nunca desconsideram, por raiva, aqueles que são pobres; aqueles que nunca desonram mulheres jovens por ceder à luxúria e perda de razão, aqueles que nunca indicam caminhos errados para amigos, aqueles que são dignos de confiança, aqueles que são dedicados à prática da virtude, aqueles que consideram ouro e pedaços de tijolo da mesma maneira, aqueles que aderem com firmeza a amigos e benquerentes, aqueles que reúnem seu próprio povo e procuram a realização do interesse de amigos indiferentes à sua própria dignidade e rejeitando todos os sinais de sua própria respeitabilidade, devem ser considerados como pessoas com quem alianças (de amizade) devem ser feitas. De fato, os domínios daquele rei que faz alianças de amizade com tais homens superiores se espalham em todas as direções, como a luz do senhor das estrelas. Devem ser formadas alianças com homens que são bem experientes em armas, que subjugaram sua raiva completamente, que são sempre fortes em batalha e possuidores nascimento nobre, bom comportamento, e habilidades variadas. Entre aqueles homens viciosos, ó impecável, que eu mencionei, os mais vis, ó rei, são aqueles que são ingratos e que prejudicam amigos. Aquelas pessoas de comportamento perverso devem ser evitadas por todos. Esta, de fato, é uma conclusão segura.'” "Yudhishthira disse, 'Eu desejo ouvir em detalhes essa descrição. Diga-me quem são aqueles que são chamados de ofensores de amigos e de pessoas ingratas.'” "Bhishma disse, 'Eu narrarei para ti uma velha história cujos incidentes ocorreram no país, ó monarca, dos Mlecchas que se localiza ao norte. Havia certo Brahmana pertencente ao país do meio. Ele era desprovido de conhecimento Védico. (Um dia), vendo uma aldeia próspera, o homem entrou nela pelo desejo de obter caridade. Naquela aldeia vivia um ladrão possuidor de grande riqueza, conhecedor dos aspectos distintivos de todas as classes (de homens), devotado aos Brahmanas, firme em verdade, e sempre empenhado em fazer doações. Indo à residência daquele ladrão, o Brahmana pediu por esmolas. De fato, ele pediu uma casa para morar e artigos necessários para viver que durassem por um ano. Assim solicitado pelo Brahmana, o ladrão deu a ele um pedaço de tecido novo com seus fim completos (isto é, não era um pedaço arrancado de um pedaço inteiro, mas suas extremidades estavam lá), e uma mulher viúva possuidora de juventude. Obtendo todas essas coisas do ladrão, o Brahmana se encheu de alegria. De fato, Gautama começou a viver felizmente naquela casa confortável que o ladrão tinha designado para ele. Ele começou a manter os parentes e amigos da mulher escrava que ele tinha obtido do chefe ladrão. Dessa maneira ele viveu por muitos anos naquela aldeia próspera de caçadores. Ele começou a praticar com grande dedicação a arte de manobrar arco e flecha. Todos os dias, como os outros ladrões que residiam lá, Gautama, ó rei, ia para as florestas e matava grous selvagens em abundância. Sempre empenhado em matar criaturas vivas, ele se tornou bem habilidoso nessa ação e logo disse adeus à compaixão. Por causa de sua intimidade com ladrões ele se tornou como um deles. Enquanto ele vivia alegremente naquela aldeia de ladrões por muitos meses, grande era o número de grous selvagens que ele matava. Um dia outro Brahmana chegou àquela aldeia. Ele estava vestido em trapos e camurças e tinha cabelos emaranhados em sua cabeça. De comportamento altamente puro, ele era dedicado ao estudo dos Vedas. De uma disposição humilde, de alimentação frugal, devotado aos Brahmanas, totalmente conhecedor dos Vedas, e cumpridor de votos Brahmacharya, aquele Brahmana tinha sido um amigo querido de Gautama e pertencia àquela parte do país da qual Gautama tinha emigrado. No decurso de suas viagens, como eu já disse, o Brahmana chegou àquela aldeia de ladrões onde Gautama tinha tomado sua residência. Ele nunca aceitava qualquer alimento dado por um Sudra e, portanto, começou a procurar pela casa de um Brahmana lá (para aceitar os deveres de hospitalidade). (Até hoje existem muitos Brahmanas na Índia que são asudra-pratigrahins, isto é, que não aceitam doação, por mais que valiosa, de um Sudra.) Consequentemente, ele vagou em todas as direções naquela aldeia cheia de famílias de ladrões. Finalmente aquele principal dos Brahmanas chegou à casa possuída por Gautama. E aconteceu que justamente naquela hora Gautama também, voltando das florestas, estava entrando em sua residência. Os dois amigos se encontraram. Armado com arco e espada, ele portava nos ombros uma carga de grous mortos, e seu corpo estava coberto com o sangue que escorria do saco em seus ombros. Vendo aquele homem que então parecia um canibal e que tinha abandonado as práticas puras da classe de seu nascimento, entrando em sua casa, o convidado recém chegado, reconhecendo-o, ó rei, disse estas palavras: 'O que é que tu estás fazendo aqui por tolice? Tu és um Brahmana, e o perpetuador de uma família Brahmana. Nascido em uma família respeitável pertencente ao País do Meio, como é que tu te tornaste como um ladrão em tuas práticas? Lembre, ó regenerado, teus parentes famosos dos tempos passados, todos os quais eram bem versados nos Vedas. Nascido na tua linhagem, ai, tu te tornaste um estigma para ela. Desperte a ti mesmo por teus próprios esforços. Lembrando da energia, do comportamento, do conhecimento, do autodomínio, da compaixão (que são teus pela ordem de teu nascimento), deixe esta tua residência atual, ó regenerado!' Assim endereçado por aquele seu amigo bem intencionado, ó rei, Gautama respondeu a ele em grande aflição de coração, dizendo, ‘Ó principal dos regenerados, eu sou pobre. Eu também sou desprovido de um conhecimento dos Vedas. Saiba, ó melhor dos Brahmanas, que eu tomei minha residência aqui somente por causa da riqueza. À tua visão, no entanto, eu sou abençoado hoje. Nós partiremos juntos deste lugar amanhã. Passe a noite aqui comigo.’ Assim endereçado, o Brahmana recém chegado, cheio de compaixão como ele era, passou a noite lá, não tocando em nada. De fato, embora faminto e rogado repetidamente o convidado se recusou a tocar em qualquer alimento naquela casa.'" 169 "Bhishma disse, 'Depois que a noite tinha passado e que aquele melhor dos Brahmanas tinha deixado a casa, Gautama, saindo de sua residência, começou a proceder em direção ao mar, ó Bharata! No caminho ele viu alguns comerciantes que costumavam fazer viagens no mar. Com aquela caravana de comerciantes ele procedeu em direção ao oceano. No entanto aconteceu, ó rei, que aquela grande caravana foi atacada, enquanto passava através de um vale, por um elefante enfurecido. Quase todas as pessoas foram mortas. Escapando daquele grande perigo de alguma maneira, o Brahmana fugiu em direção ao norte para salvar sua vida, não sabendo para onde procedia. Separado da caravana e levado muito longe daquele local, ele começou a vagar só em uma floresta, como Kimpurusha. (Kimpurusha é metade homem e metade cavalo. Supõe-se que o corpo é aquele de um cavalo, e a face aquela de um homem.) Finalmente encontrando uma estrada que levava em direção ao oceano, ele viajou até que alcançou uma floresta encantadora e celestial cheia de árvores florescentes. Ela era adornada com árvores de manga que desenvolviam flores e frutas o ano inteiro. Ela parecia com os próprios bosques de Nandana (no céu) e era habitada por Yakshas e Kinnaras. Ela era também adornada com Salas e palmeiras e Tamalas, com cachos de aloés negros, e muitas árvores grandes de sândalo. Sobre os planaltos encantadores que ele viu lá, fragrantes com perfumes de diversos tipos, aves das principais espécies eram sempre ouvidas cantando suas melodias. Outros habitantes alados do ar, chamados Bharundas, e tendo rostos parecendo aqueles de seres humanos, e aqueles chamados Bhulingas, e outros pertencentes às regiões montanhosas e ao mar, trinavam docemente lá. Gautama procedeu por aquela floresta, escutando, enquanto seguia, aqueles acordes encantadores dos coristas da natureza. Em seu caminho ele contemplou um lugar de terreno nivelado muito agradável e encantador, coberto com praias douradas e parecendo o próprio céu, ó rei, por sua beleza. Naquele local havia uma banian grande e bela com um topo esférico. Possuidora de muitos ramos que correspondiam com a árvore mãe em beleza e tamanho, aquela banian parecia com um guarda-sol colocado sobre a planície. O lugar debaixo daquela árvore magnífica era molhado com água perfumada com o sândalo mais fragrante. Dotado de grande beleza e abundando em flores deliciosas por toda parte, o local parecia com a residência do próprio Avô. Contemplando aquele lugar fascinante e inigualável, cheio de árvores florescentes, sagrado, e parecendo com a residência de um celestial, Gautama ficou muito alegre. Chegando lá, ele sentou-se com o coração bem satisfeito. Quando ele estava lá sentado, ó filho de Kunti, uma brisa deliciosa, agradável, e auspiciosa, portando o perfume de muitas espécies de flores, começou a soprar suavemente, refrescando os membros de Gautama e enchendo-o de prazer celestial, ó monarca! Abanado por aquela brisa perfumada o Brahmana ficou revigorado, e pelo prazer que sentiu ele logo adormeceu. Enquanto isso o sol se pôs atrás das colinas Asta. Quando o luminar resplandecente entrou em seus aposentos no oeste e a hora do crepúsculo chegou, uma ave, que era a principal de sua espécie, voltou para aquele local, o qual era sua casa, das regiões de Brahman. Seu nome era Nadijangha e ele era um caro amigo do criador. Ele era um príncipe dos Grous, possuidor de grande sabedoria, e um filho do (sábio) Kasyapa. Ele era também muito conhecido na terra pelo nome de Rajadharman. De fato, ele superava todos na terra em fama e sabedoria. Filho de uma donzela celeste, possuidor de grande beleza e erudição, ele parecia com um celestial em esplendor. Enfeitado com muitos ornamentos que ele usava e que eram tão brilhantes quanto o próprio sol, aquele filho de uma donzela celeste parecia resplandecer com beleza. Vendo aquela ave chegando naquele local, Gautama ficou cheio de admiração. Esgotado com fome e sede, o Brahmana começou a olhar para a ave pelo desejo de matá-la.’” "Rajadharman disse, 'Bem vindo, ó Brahmana! Por boa sorte eu tenho a ti hoje em minha residência. O sol se pôs. O crepúsculo noturno chegou. Tendo chegado à minha residência, tu és hoje meu convidado caro e excelente. Tendo recebido meu culto segundo os ritos prescritos nas escrituras, tu poderás partir para onde desejas ir amanhã de manhã.'" “Bhishma disse, ‘Ouvindo essas palavras gentis, Gautama ficou muito admirado. Sentindo ao mesmo tempo uma grande curiosidade, ele olhou para Rajadharman sem poder tirar seus olhos dele.’” "Rajadharman disse, 'Ó Brahmana, eu sou o filho de Kasyapa com uma das filhas do (sábio) Daksha. Possuidor de grandes méritos, tu hoje és meu convidado. Tu és bem vindo, ó principal dos Brahmanas!'” "Bhishma continuou, 'Tendo oferecido a ele hospitalidade segundo os ritos declarados nas escrituras, o grou fez uma cama excelente de flores Sala que haviam por toda parte. Ele também ofereceu a ele vários peixes grandes capturados das águas profundas do Bhagirathi. De fato, o filho de Kasyapa ofereceu, para a aceitação de seu convidado Gautama, um fogo ardente e certos peixes grandes. Depois que o Brahmana tinha comido e ficado satisfeito, a ave, possuindo riqueza de penitências, começou a abaná-lo com suas asas para afastar sua fadiga. Vendo seu convidado sentado tranquilamente, ele lhe perguntou sobre sua genealogia. O homem respondeu, dizendo, 'Eu sou um Brahmana conhecido pelo nome de Gautama,' e então ficou calado. A ave deu para seu convidado uma cama macia feita de folhas e perfumada com muitas flores fragrantes. Gautama se deitou nela, e sentiu grande felicidade. Quando Gautama tinha se deitado, o eloquente filho de Kasyapa, que parecia com o próprio Yama em seu conhecimento de deveres, perguntou a ele sobre a causa de sua chegada lá. Gautama respondeu, dizendo, 'Eu sou, ó tu de grande alma, muito pobre. Para ganhar riqueza, eu estou desejando ir para o oceano.' O filho de Kasyapa disse alegremente a ele: 'Não cabe a ti sentir qualquer ansiedade. Tu terás êxito, ó principal dos Brahmanas, e voltarás para casa devidamente. O sábio Vrihaspati falou de quatro tipos de meios para a aquisição de riqueza, isto é, herança, acessão repentina devido à sorte ou ao favor dos deuses, aquisição por meio de trabalho, e aquisição através ajuda ou bondade de amigos. Eu me tornei teu amigo. Eu nutro bons sentimentos por ti. Eu irei, portanto, me esforçar de tal maneira que tu possas conseguir adquirir riqueza.’ A noite passou e a manhã chegou. Vendo seu convidado se levantar alegremente de cama, a ave se dirigiu a ele, dizendo, 'Vá, ó amável, por essa mesma rota e tu com certeza serás bem sucedido. À distância de cerca de três Yojanas deste local, há um rei poderoso dos Rakshasas. Possuidor de grande força, seu nome é Virupaksha, e ele é um amigo meu. Vá até ele, ó principal dos Brahmanas! Aquele comandante, induzido pelo meu pedido, irá, sem dúvida, te dar tanta riqueza quanto tu desejares.' Assim endereçado, ó rei, Gautama partiu alegremente daquele local, comendo no caminho, até se saciar, frutas doces como ambrosia. Contemplando as árvores de sândalo e aloés e bétulas que ficavam ao longo da estrada, e desfrutando de suas sombras refrescantes, o Brahmana procedeu rapidamente. Ele então alcançou a cidade conhecida pelo nome de Meruvraja. Ela tinha grandes pórticos feitos de pedra, e muros altos do mesmo material. Era também cercada por todos os lados por uma trincheira, e grandes pedaços de rocha e máquinas de muitos tipos eram mantidas preparadas sobre os terraplenos. Ele logo se tornou conhecido ao chefe Rakshasa de grande inteligência, ó rei, como um convidado querido enviado a ele pelo amigo do comandante (o Grou). O dirigente recebeu Gautama muito alegremente. O rei dos Rakshasas então, ó Yudhishthira, ordenou seus servidores, dizendo, 'Que Gautama seja logo trazido do portão para cá.' Por ordem do rei, certas pessoas, rápidas como falcões, saíram do palácio esplêndido de seu soberano, e procederam para o portão abordado por Gautama. Os mensageiros reais, ó monarca, disseram àquele Brahmana, 'Venha rapidamente, o rei deseja ver-te. Tu deves ter ouvido falar do rei dos Rakshasas, de nome Virupaksha, possuidor de grande coragem. Ele mesmo está impaciente para te ver. Venha rapidamente e não demore.' Assim endereçado, o Brahmana, esquecendo seu cansaço em sua surpresa, correu com os mensageiros. Vendo a grande riqueza da cidade, ele ficou maravilhado. Logo ele entrou no palácio do rei na companhia dos mensageiros ansioso para ver o rei dos Rakshasas.'" 171 "Bhishma disse, 'Levado para um aposento espaçoso, Gautama foi apresentado para o rei dos Rakshasas. Adorado pelo último (com as oferendas usuais), ele tomou seu assento em um assento excelente. O rei perguntou a ele sobre a linhagem de seu nascimento e suas práticas, seu estudo dos Vedas e sua observância do voto Brahmacharya. O Brahmana, no entanto, sem responder as outras perguntas, somente declarou seu nome e linhagem. O rei, tendo averiguado somente o nome e a linhagem de seu convidado, e vendo que ele era desprovido de esplendor Brahmânico e estudos Védicos, perguntou em seguida sobre o país de sua residência.'” "O Rakshasa disse, 'Onde é tua residência, ó abençoado, e a qual tribo tua esposa pertence? Nos diga realmente, não temas. Confie em nós sem ansiedade.'” "Gautama disse, 'Eu pertenço por nascimento ao País do Meio. Eu vivo em uma aldeia de caçadores. Eu me casei com uma esposa Sudra que era viúva. Tudo isso que eu te digo é a verdade.'” "Bhishma continuou, 'O rei então começou a refletir quanto ao que ele deveria fazer. De fato, o rei começou a pensar como ele poderia conseguir adquirir mérito. Ele disse para si mesmo, 'Este homem é por nascimento um Brahmana. Ele é, também, um amigo de Rajadharman de grande alma. Ele foi enviado para mim por aquele filho de Kasyapa. Eu devo fazer o que é agradável para meu amigo. Ele é meu amigo muito íntimo. De fato, ele é meu irmão, e um parente querido. Ele é realmente um amigo do meu coração. Neste dia do mês de Kartika, mil Brahmanas da ordem principal devem ser entretidos em minha casa. Este Gautama também será entretido com eles e eu darei riqueza para ele também. Este é um dia sagrado. Gautama veio para cá como um convidado. A riqueza que é para ser doada (para os Brahmanas), está preparada. O que há então para se pensar?' Exatamente naquela hora mil Brahmanas, possuidores de grande erudição, com corpos purificados por banhos e enfeitados (com pasta de sândalo e flores) e vestidos em longos mantos de linho, chegaram ao palácio. O rei Rakshasa Virupaksha, ó monarca, recebeu os convidados, quando eles chegaram, devidamente e segundo os ritos prescritos nas escrituras. Por ordem do rei, peles foram espalhadas para eles. Os empregados reais então, ó melhor dos Bharatas, colocaram esteiras de erva Kusa sobre o solo. (Em tais festas, hindus, até hoje, sentam em assentos separados quando comendo. Se alguém toca o assento de outro, ambos se tornam impuros e não podem comer mais. Antes de comer, no entanto, quando conversando ou ouvindo, os convidados podem ocupar um assento em comum, isto é, uma grande esteira ou cobertor ou tecido, etc. espalhado sobre o solo.) Aqueles principais dos Brahmanas, tendo sido devidamente adorados pelo rei se sentaram naqueles assentos. O chefe Rakshasa mais uma vez cultuou seus convidados, como estipulado pela ordenança, com sementes de gergelim, folhas verdes de ervas, e água. Alguns entre eles foram selecionados para representar os Viswedevas, os Pitris, e as divindades do fogo. Eles foram cobertos com pasta de sândalo, e flores foram oferecidas para eles. Eles foram também adorados com outras espécies de oferendas valiosas. Depois de tal culto, cada um deles parecia tão refulgente quanto a lua no firmamento. Então pratos de ouro brilhantes e polidos, adornados com gravuras, e cheios de alimento excelente preparado com ghee e mel, foram dados àqueles Brahmanas. Todos os anos (nos dias de lua cheia) dos meses de Ashadha e Magha, um grande número de Brahmanas costumava receber do chefe Rakshasa, depois das honras apropriadas, os melhores tipos de comida que eles desejavam. Especialmente no dia da lua cheia do mês de Kartika, depois do término do outono, o rei costumava dar para os Brahmanas muita riqueza de diversos tipos, incluindo ouro, prata, pedras preciosas, jóias, pérolas, diamantes de grande valor, pedras da variedade lápis lazúli, camurças, e peles de veado Ranku. De fato, ó Bharata, separando uma pilha de riqueza de muitas espécies para dá-la como Dakshina (para seus convidados regenerados), o poderoso Virupaksha, se dirigindo àqueles principais dos Brahmanas, disse a eles, 'Peguem tanto destas jóias e pedras preciosas quanto vocês desejarem e possam esperar carregar.' E ele também costumava dizer a eles, ó Bharata, estas palavras: 'Levando aqueles pratos e recipientes de ouro que vocês usaram para seu jantar, partam, ó principais dos Brahmanas.' Quando estas palavras foram proferidas pelo rei Rakshasa de grande alma (na ocasião daquele banquete específico), aqueles touros entre Brahmanas pegaram tanta riqueza quanto cada um desejava. Cultuados com aquelas pedras preciosas e jóias valiosas, aqueles melhores dos Brahmanas, vestidos em mantos excelentes, se encheram de alegria. Mais uma vez, o rei Rakshasa, tendo reprimido os Rakshasas que tinham ido para seu palácio de diversas terras, se dirigiu àqueles Brahmanas e disse, 'Somente neste dia, ó regenerados, vocês não precisam ter medo dos Rakshasas aqui. Divirtam- se como desejarem, e então vão embora rapidamente.' Os Brahmanas então, deixando aquele local, partiram em todas as direções com grande velocidade. Gautama também, tendo pegado uma pesada quantidade de ouro sem qualquer perda de tempo, foi embora. Carregando a carga com dificuldade, ele alcançou aquela mesma banian (sob a qual ele tinha encontrado o grou). Ele se sentou, fatigado, cansado pelo esforço, e faminto. Enquanto Gautama estava descansando lá, aquela melhor das aves, isto é, Rajadharman, ó rei, chegou lá. Dedicado aos amigos, ele alegrou Gautama por lhe dar boas vindas. Por agitar suas asas ele começou a abanar seu convidado e dissipou sua fadiga. Possuidor de grande inteligência, ele adorou Gautama, e fez arranjos para sua alimentação. Tendo comido e se refrescado, Gautama começou a pensar, 'Pesada é esta carga que eu peguei de ouro brilhante, movido por cobiça e tolice. Eu tenho um longo caminho para viajar. Eu não tenho alimento com o qual manter a vida em meu caminho. O que eu devo fazer para manter a vida?' Estes eram seus pensamentos então. E aconteceu que mesmo depois de pensar muito ele fracassou em ver algum alimento que ele pudesse comer no caminho. Ingrato como ele era, ó tigre entre homens, este foi o pensamento que ele então concebeu, 'Este príncipe dos grous, tão grande e contendo grande quantidade de carne, permanece ao meu lado. Matando-o e ensacando-o, eu deixarei este lugar e seguirei com grande velocidade.'" 172 "Bhishma disse, 'Lá, sob aquela banian, para a proteção de seu convidado, o príncipe das aves tinha acendido e mantido um fogo com chamas altas e brilhantes. (É dito que Agni ou fogo é uma divindade que tem Vayu (o deus do vento) como seu cocheiro. O costume, até hoje, com todos os viajantes na Índia é acender um grande fogo quando eles têm que passar a noite em bosques e florestas ou lugares inabitados. Tais fogos sempre conseguem espantar animais selvagens. De fato, até tigres, vagando com fome, não se aproximam do lugar onde um fogo brilhante é mantido.) Em um lado do fogo, a ave dormiu confiantemente. O patife ingrato e de alma pecaminosa se preparou para matar seu anfitrião adormecido. Com a ajuda daquele fogo ardente ele matou a ave confiante, e tendo-a matado, se encheu de deleite, nunca pensando que havia pecado no que ele fez. Tirando as penas e as penugens, ele assou a carne naquele fogo. Então pegando o ouro que ele tinha trazido, o Brahmana saiu rapidamente daquele local. No dia seguinte, o rei Rakshasa, Virupaksha, se dirigindo a seu filho, disse, 'Ai, ó filho, eu não vejo Rajadharman, aquela melhor das aves, hoje. Todas as manhãs ele viaja para as regiões de Brahman para adorar o Avô. Quando volta, ele nunca vai para casa sem me fazer uma visita. Essas duas manhãs e duas noites se passaram sem ele ter vindo à minha residência. Minha mente, portanto, não está em paz. Que se pergunte pelo meu amigo. Gautama, que veio aqui, não tem estudos Védicos e é desprovido de esplendor Brahmânico. Ele encontrou seu caminho para a residência de meu amigo. Eu temo imensamente que aquele pior dos Brahmanas tenha matado Rajadharman. De práticas más e mente pecaminosa, eu o leio através dos sinais que ele mostra. Sem compaixão, de aparência cruel e lúgubre, e perverso, aquele mais vil dos homens é como um ladrão. Aquele Gautama foi à residência de meu amigo. Por esta razão, meu coração está extremamente ansioso. Ó filho, procedendo com grande velocidade à residência de Rajadharman, averigúe se aquela ave de alma pura ainda está viva. Não demore.' Assim endereçado por seu pai, o príncipe, acompanhado por outros Rakshasas, procedeu com grande velocidade. Chegando ao pé daquela banian, ele viu os restos de Rajadharman. Chorando pela angústia, o filho do inteligente rei dos Rakshasas correu com grande velocidade e ao máximo de seu poder, para agarrar Gautama. Os Rakshasas não tinham ido longe quando eles conseguiram pegar o Brahmana e descobrir o corpo de Rajadharman desprovido de asas, ossos, e pés. Levando o cativo com eles, os Rakshasas voltaram rapidamente para Meruvraja, e mostraram para o rei o corpo mutilado de Rajadharman, e aquele canalha ingrato e pecaminoso, Gautama. Contemplando os restos de seu amigo, o rei, com seus conselheiros e sacerdote, começou a lamentar alto. De fato, alta era a voz de lamentação que foi ouvida em sua residência. A cidade inteira do rei Rakshasa, homens, mulheres, e crianças, ficou mergulhada na dor. O rei então se dirigiu a seu filho, dizendo, 'Que este canalha pecaminoso seja morto. Que estes Rakshasas aqui se banqueteiem alegremente da carne dele. De atos pecaminosos, de hábitos pecaminosos, de alma pecaminosa, e habituado ao pecado, este patife, eu penso, deve ser morto por vocês.' Assim endereçados pelo rei Rakshasa, muitos Rakshasas de bravura terrível expressaram sua repugnância em comer a carne daquele pecador. De fato, aqueles viajantes da noite, dirigindo- se ao seu rei, disseram, 'Que este mais vil dos homens seja dado aos ladrões!' Curvando suas cabeças para seu rei, eles lhe disseram isso, acrescentando, 'Não cabe a ti nos dar este canalha pecaminoso como nossa comida.' O rei disse a eles, 'Que seja assim! Que este indivíduo ingrato seja dado aos ladrões então sem demora.' Assim endereçados por ele, os Rakshasas armados com lanças e machados de batalha cortaram aquele patife pecaminoso em pedaços e os deram aos ladrões. Aconteceu, no entanto, que os próprios ladrões se recusaram a comer a carne daquele homem vil. Embora canibais, ó monarca, eles não comeriam uma pessoa ingrata. Para alguém que mata um Brahmana, para alguém que bebe álcool, para alguém que rouba, para alguém que abandonou um voto, há expiação, ó rei. Mas não há expiação para uma pessoa ingrata. O homem cruel e vil que fere um amigo e se torna ingrato não é comido pelos próprios canibais nem pelos vermes que se alimentam de carniça.'” 173 "Bhishma disse, 'O rei Rakshasa então ordenou que fosse feita uma pira mortuária para aquele príncipe dos grous e a enfeitou com jóias e pedras preciosas, e perfumes, e mantos caros. Ateando fogo a ela com o corpo daquele príncipe das aves, o chefe poderoso dos Rakshasas fez com que os ritos fúnebres de seu amigo fossem realizados de acordo com a ordenança. Naquela hora, a auspiciosa deusa Surabhi (a vaca celeste), a filha de Daksha, apareceu no céu acima do lugar onde a pira havia sido montada. Seus peitos estavam cheios de leite. De sua boca, ó monarca impecável, espuma misturada com leite caiu sobre a pira mortuária de Rajadharman. Nisto, o príncipe das aves reviveu. Erguendo-se, ele se aproximou de seu amigo Virupaksha, o rei dos Rakshasas. Naquela hora, o próprio chefe dos celestiais chegou à cidade de Virupaksha. Dirigindo-se ao rei Rakshasa, Indra disse, 'Por boa sorte, tu ressuscitaste o príncipe dos grous.' O chefe das divindades em seguida narrou para Virupaksha a velha história da maldição proferida pelo Avô sobre aquela melhor das aves chamada Rajadharman. Dirigindo-se ao rei ele disse, 'Uma vez, ó monarca, este príncipe dos grous se ausentou da região de Brahman (quando sua presença era esperada). Enfurecido o Avô disse a este príncipe das aves, 'Já que este grou vil não se apresentou hoje na minha assembleia, portanto, ele de alma má não morrerá logo (para poder deixar a terra).' Por causa daquelas palavras do Avô, o príncipe dos grous, embora morto por Gautama, voltou à vida, pela virtude do néctar com o qual seu corpo foi molhado.' Depois que Indra tinha ficado silencioso, Rajadharman, tendo reverenciado o chefe dos celestiais, disse 'Ó principal dos deuses, se teu coração estiver inclinado em direção a mim com benevolência, então que meu querido amigo Gautama seja ressuscitado!' Ouvindo estas palavras dele, Vasava, ó principal dos homens, salpicou néctar sobre o Brahmana Gautama e lhe devolveu a vida. O príncipe dos grous, se aproximando de seu amigo Gautama, que ainda portava em seus ombros a carga de ouro (que ele tinha conseguido do rei dos Rakshasas) o abraçou e sentiu grande alegria. Rajadharman, aquele príncipe dos grous, se despedindo de Gautama de atos pecaminosos, junto com sua riqueza, voltou para sua própria residência. Na hora devida ele viajou (no dia seguinte) para a região do Avô. O último honrou a ave de grande alma com tais atenções como as que são mostradas para um convidado. Gautama também, voltando para sua casa na aldeia dos caçadores, gerou muitos filhos pecaminosos em sua mulher Sudra. Uma maldição pesada foi proferida sobre ele pelos deuses no sentido de que, dentro de poucos anos, tendo gerado no corpo de sua esposa casada novamente muitos filhos, aquele pecador ingrato cairia em um inferno terrível por muitos anos. Tudo isso, ó Bharata, foi narrado para mim antigamente por Narada. Lembrando dos incidentes desta história séria, ó touro da raça Bharata, eu narrei para ti todos os seus detalhes devidamente. De onde uma pessoa ingrata pode derivar fama? Onde é seu lugar? De onde ela pode ter felicidade? Uma pessoa ingrata não merece confiança. Alguém que é ingrato nunca pode escapar. Nenhuma pessoa deve ferir um amigo. Quem fere um amigo cai em um inferno terrível e eterno. Todos devem ser gratos e todos devem procurar beneficiar seus amigos. Tudo pode ser obtido de um amigo. Honras podem ser obtidas de amigos. Pelos amigos alguém pode desfrutar de vários objetos de prazer. (Honras, etc., podem ser obtidas através de amigos, isto é, os últimos podem dar riqueza ou colaborar para sua aquisição.) Pelos esforços de amigos, alguém pode escapar de vários tipos de perigo e infortúnio. Quem é sábio honrará seus amigos com suas melhores atenções. Um indivíduo mal- agradecido, sem vergonha, e pecaminoso, deve ser evitado por aqueles que são sábios. Aquele que fere seus amigos é um patife de sua raça. Tal indivíduo pecaminoso é o mais vil dos homens. Eu assim te disse, ó principal de todos os homens virtuosos, quais são as características daquele canalha pecaminoso que é maculado pela ingratidão e que fere seus amigos. O que mais tu desejas ouvir?'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras faladas por Bhishma de grande alma, Yudhishthira, ó Janamejaya, ficou muito satisfeito.'” 174 (Mokshadharma Parva) "Yudhishthira disse, 'Ó avô, tu falaste sobre os deveres auspiciosos (da pessoa em infortúnio) ligados com os deveres de reis. Cabe a ti agora, ó rei, me falar daqueles principais dos deveres que pertencem àqueles que levam os (quatro) modos de vida.'” "Bhishma disse, 'A religião tem muitas portas. A observância (dos deveres prescritos pela) religião nunca pode ser inútil. Deveres foram declarados em relação a todos os modos de vida. (Os resultados daqueles deveres são invisíveis, sendo obteníveis no mundo seguinte.) Os resultados, no entanto, da Penitência dirigida para a alma são obteníveis neste mundo. Qualquer que seja o objetivo ao qual alguém se dedique, aquele objetivo, ó Bharata, e nada mais, parece para ele como a maior das aquisições repleta das maiores bênçãos. Quando uma pessoa reflete apropriadamente (seu coração sendo purificado por tal reflexão), ela vem a saber que as coisas deste mundo são tão sem valor quanto palha. Sem dúvida, ela é então libertada do apego em relação àquelas coisas. Quando o mundo, ó Yudhishthira, o qual é cheio de defeitos, é assim constituído, todo homem de inteligência deve se esforçar para obter a emancipação de sua alma.'” "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, por qual disposição de alma alguém deve matar a própria angústia quando ele perde sua riqueza, ou quando sua esposa, ou filho, ou pai, morre.'” "Bhishma disse, 'Quando a riqueza é perdida, ou a esposa ou filho ou pai está morto, um homem certamente diz a si mesmo 'Ai, esta é uma grande tristeza!' Mas então ele deve, pela ajuda de reflexão, procurar matar aquela tristeza. Em relação a isto é citada a antiga história do discurso que um regenerado amigo dele, chegando à corte de Senajit, fez para aquele rei. Vendo o monarca agitado pelo sofrimento e queimando de tristeza por causa da morte de seu filho, o Brahmana se dirigiu àquele soberano de coração muito triste e disse estas palavras, 'Por que tu estás entorpecido? Tu és sem qualquer inteligência. Tu mesmo um objeto de tristeza, por que tu te afliges (por outros)? Daqui a poucos dias outros irão chorar por ti, e por sua vez eles serão pranteados por outros. Tu mesmo, eu mesmo, e outros que te servem, ó rei, iremos todos para aquele local de onde todos nós viemos.'” "Senajit disse, 'Qual é aquela inteligência, qual é aquela penitência, ó Brahmana erudito, qual é aquela concentração mental, ó tu que tens riqueza de ascetismo, qual é aquele conhecimento, e qual é aquela erudição, por adquirir a qual tu não te entregas à tristeza?'” "O Brahmana disse, 'Veja, todas as criaturas, as superiores, as medianas, e as inferiores, por causa de suas respectivas ações, estão envolvidas na tristeza. Eu não considero nem o meu próprio eu como meu. Por outro lado, eu considero o mundo inteiro como meu. Eu também penso que tudo isso (que eu vejo) é tanto meu quanto ele pertence a outros. A aflição não pode se aproximar de mim por causa deste pensamento. Tendo obtido tal compreensão, eu não cedo nem à alegria nem à tristeza. Como dois pedaços de madeira flutuando no oceano se unem em um momento e são novamente separados, exatamente assim é a união das criaturas (viventes) neste mundo. Filhos, netos, amigos, e parentes são todos desse tipo. Uma pessoa nunca deve sentir afeição por eles, pois a separação com eles é certa. Teu filho veio de uma região invisível. Ele partiu e se tornou invisível. Ele não te conheceu. Tu não o conheceste. Quem és tu e por quem tu sofres? A dor surge da doença constituída pelo desejo. Felicidade também provém da doença do desejo sendo curada. Da alegria também surge tristeza, e então tristeza surge repetidamente. A tristeza vem depois da alegria, e a alegria depois da tristeza. As alegrias e tristezas dos seres humanos estão girando em uma roda. Depois da felicidade a tristeza veio para ti. Tu terás a felicidade novamente. Ninguém sofre de tristeza para sempre, e ninguém desfruta de felicidade para sempre. O corpo é o refúgio de ambas, tristeza e alegria. (E não a Alma. Com a morte do corpo alegria e tristeza desaparecem.) Quaisquer atos que uma criatura incorporada faça com a ajuda de seu corpo, as consequências disso ela tem que sofrer naquele corpo. A vida surge com o surgimento do corpo. Os dois existem juntos, e os dois perecem juntos. Homens de almas impuras, unidos a coisas mundanas por vários vínculos, encontram com a destruição como diques de areia em água. Dores de vários tipos, nascidas da ignorância, agem como prensadores de sementes oleaginosas, por atacarem todas as criaturas por causa de seus apegos. Estas as pressionam como sementes oleaginosas na máquina de fazer óleo representada pela sucessão de renascimentos (à qual elas estão sujeitas). Um homem, por causa de sua esposa (e outros), comete numerosas ações más, mas sofre sozinho diversos tipos de miséria neste e no mundo seguinte. Todos os homens, apegados a filhos e esposas e amigos e parentes, afundam no mar lamacento da dor como elefantes selvagens, quando desprovidos de força, afundando em um pântano lodoso. De fato, ó senhor, pela perda de riqueza ou filhos ou amigos ou parentes, um homem sofre grande angústia, a qual parece, em relação ao seu poder de queimar, uma conflagração na floresta. Todos estes, isto é, alegria e dor, existência e não-existência, dependem do destino. Alguém que tem amigos assim como alguém que não os tem, alguém que tem inimigos assim como alguém desprovido de inimigos, alguém que tem sabedoria assim como alguém desprovido de sabedoria, todos e cada um entre estes obtém felicidade através do destino. Amigos não são a causa da felicidade de uma pessoa. Inimigos não são a causa da miséria de uma pessoa. A sabedoria não é competente para trazer uma acessão de riqueza; nem a riqueza é competente para trazer uma acessão de felicidade. A inteligência não é a causa da riqueza, nem a estupidez é a causa da pobreza. Somente aquele que é possuidor de sabedoria, e ninguém mais, compreende a ordem do mundo. Entre o inteligente, o heróico, o tolo, o covarde, o idiota, o erudito, o fraco, ou o forte, a felicidade vai àquele para quem ela está ordenada. Entre o bezerro, o vaqueiro que a possui, e o ladrão, a vaca de fato pertence àquele que bebe seu leite. Aqueles cuja compreensão está absolutamente inativa, e aqueles que alcançaram aquele estado da mente que está além da esfera do intelecto, conseguem desfrutar de felicidade. Somente aqueles que estão entre as duas classes estão sujeitos à tristeza. (Há quatro estágios de consciência. Estes são vigília, sonho, sono profundo ou sem sonhos, e Turiya ou Samadhi absoluto, o qual somente o Yogin pode alcançar.) Aqueles que possuem sabedoria se deleitam nos dois extremos, (sono sem sonhos e Turiya ou Samadhi), mas não nos estados que são intermediários (vigília e sono com sonhos). Os sábios dizem que o alcance de algum destes dois extremos constitui felicidade. Miséria consiste nos estados intermediários entre os dois. Aqueles que conseguiram alcançar a felicidade real (que o samadhi pode trazer), e que se tornaram livres dos prazeres e dores deste mundo, e que são desprovidos de inveja, nunca são agitados pela aquisição de riqueza ou por sua perda. Aqueles que não conseguiram obter aquela inteligência a qual leva à felicidade verdadeira, mas que superaram a tolice e a ignorância (pela ajuda de um conhecimento das escrituras), dão vazão à alegria excessiva e à tristeza excessiva. Homens desprovidos de todas as noções de bem ou mal, insensatos com orgulho e com sucesso sobre outros, se entregam a êxtases de deleite como os deuses no céu. (Orgulho por terem insultado ou humilhado outros, e sucesso sobre outros tais como vitórias em batalha e outros negócios do mundo.) Felicidade deve terminar em miséria. Ociosidade é miséria; enquanto inteligência (em ação) é a causa da felicidade. Riqueza e prosperidade moram em alguém que possui inteligência, mas não em alguém que é indolente. Seja felicidade ou tristeza, seja agradável ou desagradável, o que vem para alguém deve ser desfrutado ou suportado com um coração invicto. Todos os dias mil motivos para tristeza, e cem motivos para o medo assaltam o homem de ignorância e tolice, mas não o homem que possui sabedoria. A tristeza nunca pode tocar o homem que é possuidor de inteligência, que adquiriu sabedoria, que é atento em escutar as instruções dos seus superiores, que é desprovido de inveja, e que é autocontrolado. Confiando em tal compreensão, e protegendo seu coração (das influências do desejo e das paixões), o homem de sabedoria deve se comportar aqui. De fato, a tristeza não pode tocar aquele que conhece aquele Ser Supremo do qual tudo surge e no qual tudo desaparece. A própria base daquilo pelo qual a dor, ou ressentimento, ou tristeza é sentida ou pelo qual uma pessoa é impelida para o esforço, deve, mesmo se ela for uma parte do corpo, ser rejeitada. Aquele objeto, o que quer que ele possa ser, em relação ao qual a idéia de ‘meu’ é nutrida, se torna uma fonte de dor e ciúme. Quaisquer objetos, entre as coisas que são desejadas, que são abandonados se tornam fontes de felicidade. O homem que persegue objetos de desejo encontra com a destruição no decorrer da busca. Nem a felicidade que é derivada de uma satisfação dos sentidos nem aquela grande felicidade que alguém pode desfrutar no céu, se aproxima de uma décima sexta parte da felicidade que provém da destruição de todos os desejos. As ações de uma vida passada, boas ou más, visitam, em suas consequências, os sábios e os tolos, os valentes e os medrosos. É assim que a alegria e a tristeza, o agradável e o desagradável, constantemente revolvem (como em uma roda) entre as criaturas vivas. Confiando em tal compreensão, o homem de inteligência e sabedoria vive em paz. Uma pessoa deve desprezar todos os seus desejos, e nunca permitir que sua raiva leve a melhor sobre si. Esta ira surge no coração e cresce lá em vigor e exuberância. Esta ira que mora nos corpos de homens e nasce em suas mentes, é citada pelos sábios como a Morte. Quando uma pessoa consegue se afastar de todos os seus desejos como uma tartaruga recolhendo todos os seus membros, então sua alma, que é autoluminosa, consegue olhar dentro de si mesma. (Em todos os tratados sobre Yoga, é dito que quando é passado o primeiro estágio, o neófito consegue olhar para seu próprio eu. O significado parece ser que ele experimenta um tipo de existência dupla de modo que ele tem êxito em ele mesmo olhar para seu próprio eu.) Aquele objeto, o que quer que ele possa ser, em relação ao qual a idéia de ‘meu’ é nutrida, se torna uma fonte de dor e ciúmes. Quando uma pessoa não sente medo, e não é temida por ninguém, quando ela não nutre desejo e nem aversão, é dito que ela então alcançou o estado de Brahma. Rejeitando verdade e mentira, dor e alegria, medo e coragem, o agradável e o desagradável, tu poderás te tornar de alma tranquila. Quando uma pessoa se abstém de fazer mal para qualquer criatura, em pensamentos, palavras, ou ações, ela então alcançou o estado de Brahma. A felicidade verdadeira é daquele que pode rejeitar aquela sede a qual não pode ser rejeitada pelos desencaminhados, que não diminui com a velhice, e que é considerada como uma doença fatal. Em relação a isto, ó rei, são ouvidos os versos cantados por Pingala sobre a maneira na qual ela obteve mérito eterno mesmo em um momento que tinha sido muito desfavorável. A uma mulher decaída de nome Pingala, tendo ido ao lugar de um encontro, foi negada a companhia de seu amante por causa de um acidente. Naquela hora de grande tristeza, ela conseguiu obter tranquilidade de alma.'” "Pingala disse, 'Ai, eu tenho vivido por muitos longos anos, todo o tempo tomada pela agitação, ao lado daquele Ser Querido em quem há somente tranquilidade. A Morte tem estado à minha porta. Antes disto, no entanto, eu não me aproximei daquela Essência de Pureza. Eu cobrirei esta casa de uma coluna e nove portas (por meio do Verdadeiro Conhecimento). (A casa referida é o corpo. A única coluna sobre o qual ele é mantido é a espinha dorsal, e as nove portas são os olhos, os ouvidos, as narinas, etc.) Qual mulher há que considera aquela Alma Suprema como seu marido querido, mesmo quando Ele se aproxima? (O sentido é que as mulheres sempre consideram seus amantes humanos como queridos sem considerarem dessa maneira o Ser Supremo, embora Ele esteja sempre com elas.) Agora eu estou desperta. Eu despertei do sono da ignorância. Eu não sou mais influenciada pelo desejo. Amantes humanos, que são realmente as formas incorporadas do inferno, não vão mais me enganar por se aproximarem de mim lascivamente. O mal produz bem através do destino ou dos atos de uma vida anterior. Despertada (do sono da ignorância), eu abandonei todo o desejo por objetos mundanos. Eu consegui um domínio completo sobre meus sentidos. Alguém livre de desejo e de expectativa dorme em felicidade. Liberdade de toda esperança e desejo é bem-aventurança. Tendo rejeitado desejo e esperança, Pingala dorme em bem-aventurança.'” "Bhishma continuou, 'Convencido por estas e outras palavras proferidas pelo Brahmana erudito, o rei Senajit (rejeitando sua tristeza), sentiu deleite e ficou muito feliz.'" 175 "Yudhishthira disse, 'O Tempo, que destrói todas as coisas criadas, está passando. (Isto é, seguindo adiante, sem esperar por ninguém.) Diga-me, ó avô, qual é aquela coisa boa que deve ser procurada.'” "Bhishma disse, 'Sobre isto, ó rei, é citada a narrativa antiga de uma conversa entre pai e filho, ó Yudhishthira! Certo Brahmana, ó Partha, que era dedicado ao estudo dos Vedas, tinha um filho muito inteligente que (por isso) era chamado de Medhavin (literalmente, inteligente). Um dia, o filho, bom conhecedor das verdades da religião da Emancipação, e conhecedor também dos assuntos do mundo, dirigiu-se a seu pai dedicado ao estudo dos Vedas.'” "O filho disse, 'O que deve fazer um homem sábio, ó pai, vendo que o período de vida humana está passando tão rapidamente? Ó pai, me diga quais deveres ele deve realizar, sem omitir mencionar os resultados. Tendo te escutado, eu desejo cumprir aqueles deveres.' "O pai disse, 'Ó filho, observando o modo de vida Brahmacharya, um homem deve primeiro estudar os Vedas. Ele deve então desejar filhos para resgatar seus antepassados. Estabelecendo seu fogo em seguida, ele deve procurar realizar os sacrifícios (prescritos) de acordo com os ritos devidos. Finalmente, ele deve entrar na floresta para se dedicar à contemplação.'” "O filho disse, 'Quando o mundo está assim cercado por todos lados e é assim atacado, e quando tais coisas irresistíveis de consequências fatais caem sobre ele, como você pode dizer estas palavras tão calmamente?' "O pai disse, ‘Como o mundo é atacado? O que é aquilo pelo qual ele é cercado? Quais, também, são aquelas coisas irresistíveis de consequências fatais que caem sobre ele? Por que tu me assustas dessa maneira?' "O filho disse, 'A Morte é aquilo pelo qual o mundo é atacado. A decrepitude o cerca. Aquelas coisas irresistíveis que vêm e vão são as noites (que estão diminuindo continuamente o período de vida humana). Quando eu sei que a Morte não tarda para ninguém (mas se aproxima firmemente em direção a todas as criaturas), como eu posso passar meu tempo sem me cobrir com o traje do conhecimento? Quando cada noite sucessiva, passando diminui o período determinado de existência de uma pessoa, o homem de sabedoria deve considerar o dia como inútil. (Quando a morte está se aproximando constantemente) quem há que iria, como um peixe em água rasa, se sentir feliz? A Morte vem para um homem antes de seus desejos estarem satisfeitos. A Morte arrebata uma pessoa quando ela está ocupada em colher flores e quando seu coração está colocado em outras coisas, como uma tigresa levando um carneiro. A partir de hoje mesmo, realize aquilo que é para o teu bem. Não deixe esta Morte vir para ti. A Morte arrasta suas vítimas antes de suas ações estarem terminadas. As ações de amanhã devem ser feitas hoje, aquelas da tarde na manhã. A Morte não espera para ver se as ações de sua vítima foram todas concluídas ou não. Quem sabe se a Morte não virá a ele hoje mesmo? Na juventude uma pessoa deve se dedicar à prática de virtude. A vida é transitória. Se a virtude for praticada, fama aqui e felicidade após a morte serão as consequências. Dominado pela ignorância, um homem está disposto a se esforçar por seus filhos e esposas. Realizando atos virtuosos ou viciosos, ele os cria e os engrandece. Como um tigre levando um veado adormecido, a Morte arrebata o homem afeito à satisfação dos desejos e ocupado no desfrute de filhos e animais. Antes que ele tenha podido colher as flores sobre as quais ele colocou seu coração, antes que ele esteja satisfeito pela aquisição dos objetos de seu desejo, a Morte o leva embora como um tigre leva sua presa. A Morte domina um homem enquanto o último ainda está em meio à felicidade que advém da satisfação do desejo, e enquanto ainda pensando, ‘Isso foi feito’; ‘aquilo deve ser feito’; ‘daquilo foi feito metade’.' A Morte leva o homem, embora designado segundo sua profissão, afeiçoado ao seu campo, sua loja, ou sua casa, antes que ele tenha obtido os frutos de suas ações. A Morte leva o fraco, o forte, o corajoso, o tímido, o idiota, e o erudito, antes que qualquer um deles obtenha os frutos de suas ações. Quando a morte, a decrepitude, a doença, e a tristeza proveniente de diversas causas, estão todas residindo em teu corpo, como é que tu vives como se tu fosses perfeitamente saudável? Logo que uma criatura nasce, Decrepitude e Morte a perseguem para (efetuar) sua destruição. Todas as coisas existentes, móveis e imóveis, são afetadas por estas duas. A afeição que alguém sente por morar em aldeias e cidades (em meio aos companheiros) é considerada como a própria boca da Morte. A floresta, por outro lado, é considerada como a cerca dentro da qual os sentidos podem ser confinados. Isto é declarado pelos Srutis. A atração que uma pessoa sente por residir em uma aldeia ou cidade (em meio a homens) é como uma corda que o ata efetivamente. Aqueles que são bons rompem aquela corda e alcançam a emancipação, enquanto aqueles que são maus não conseguem rompê-la. Aquele que nunca prejudica criaturas vivas por pensamentos, palavras, ou ações, nunca é prejudicado por agentes que destroem vida e propriedade. (Isto é, animais selvagens e homens sem lei.) Nada pode resistir aos mensageiros (doença e velhice) da Morte quando eles avançam exceto a Verdade a qual devora a Mentira. Na Verdade há imortalidade. Por essas razões uma pessoa deve praticar o voto de Verdade; ela deve se dedicar a uma união com a Verdade; ela se deve aceitar a Verdade como seu Veda; e reprimindo seus sentidos, ela deve derrotar o Destruidor por meio da Verdade. Morte e Imortalidade estão plantadas no corpo. Uma pessoa chega à Morte pela ignorância e perda de razão; enquanto a Imortalidade é alcançada através da Verdade. Eu, portanto, me absterei de ferir e procurarei alcançar a Verdade, e ultrapassando o domínio do desejo e da ira, considerarei prazer e dor da mesma maneira, e obtendo tranquilidade, evitarei a Morte como um imortal. Após a chegada daquela estação quando sol procede em direção ao norte, eu irei, controlando meus sentidos, me dedicar à realização do Sacrifício Santi, do Sacrifício Brahma, do Sacrifício da Palavra, do Sacrifício da Mente, e do Sacrifício do Trabalho. (Santi é tranquilidade. O Sacrifício Santi é o esforço para praticar desprendimento em tudo; em outras palavras, reprimir todos os tipos de propensões ou inclinações. O Sacrifício Brahma é reflexão sobre as verdades declaradas nos Upanishads. O Sacrifício da Palavra consiste na recitação silenciosa (japa) do Pravana ou Om, o mantra inicial. O Sacrifício da Mente é contemplação da Alma Suprema. O Sacrifício do Trabalho consiste em banhos, asseio, e servir o preceptor.) Como alguém como eu pode cultuar seu Criador em sacrifícios de animais que envolvem crueldade, ou em sacrifícios do corpo, tais como somente Pisachas podem realizar e que produzem resultados que são transitórios? A pessoa cujas palavras, pensamentos, penitências, renúncia, e meditação yoga, todos se apóiam em Brahma, consegue ganhar o maior bem. Não há visão que seja igual (à visão do) Conhecimento. Não há penitência como (aquela envolvida em) Verdade. Não há tristeza igual (àquela envolvida em) apego. Não há felicidade (igual àquela que é obtenível da) renúncia. Eu nasci de Brahma através de Brahma. Eu me devotarei a Brahma, embora eu não tenha filhos. Eu voltarei para Brahma. Eu não preciso de um filho para me resgatar. Um Brahmana não pode ter riqueza semelhante ao estado de estar sozinho, o estado pelo qual ele é capaz de considerar tudo com um olhar imparcial, a prática de veracidade, bom comportamento, paciência, abstenção de injúria, simplicidade, e evitação de todos os ritos e sacrifícios visíveis. Que necessidade tu tens, ó Brahmana, de riqueza ou amigos e parentes, de esposas, quando tu terás que morrer? Procure teu Eu o qual está oculto em uma caverna. (Ou, procure Brahma em tua compreensão. A palavra Atman é frequentemente sinônimo de Eu Supremo.) Onde estão teus avôs e onde está teu pai?’” "Bhishma continuou, 'Tu também, ó monarca, te comporte daquela maneira na qual o pai (nesta história), se comportou, devotado à religião da Verdade, depois de ter escutado ao discurso de seu filho.'” 176 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, de onde e como felicidade e tristeza vem para aqueles que são ricos, como também aqueles que são pobres, mas que vivem na observância de diferentes ritos e práticas.'” (O comentador explica que o objetivo da pergunta de Yudhishthira é este: no capítulo ou lição anterior foi inculcado que uma pessoa pode procurar a aquisição da religião de moksha ou emancipação mesmo quando ela é jovem. Yudhishthira pergunta se a riqueza (tão necessária para a realização de sacrifícios) é necessária para a aquisição daquela religião. Se a riqueza for necessária, o homem pobre então não poderia obter aquela religião. Por isso a questão sobre o modo no qual alegria e tristeza vem para o rico e o pobre.) "Bhishma continuou, 'Em relação a isto é citada a antiga narrativa do que foi cantado por Sampaka que tinha obtido tranquilidade e obtido emancipação por si mesmo. Nos tempos passados certo Brahmana, tornado miserável por uma má esposa, mal vestido, e faminto, e vivendo na observância do voto de renúncia, me disse estes versos, 'Diversos tipos de tristeza e felicidade alcançam, desde o dia do nascimento, a pessoa que nasce sobre a terra. Se ela pudesse atribuir qualquer um dos dois à ação do Destino, ela então não se sentiria contente quando a felicidade viesse ou miserável quando a tristeza o alcançasse. Embora tua mente esteja desprovida de desejo, tu ainda carregas um fardo pesado. Tu não procuras conquistar teu bem (isto é, a emancipação). Tu não és bem sucedido em controlar tua mente? Se vagares, tendo renunciado à casa e posses desejáveis, tu provarás felicidade real. Uma pessoa privada de tudo dorme em felicidade, e desperta em felicidade. Completa pobreza, neste mundo, é felicidade. Ela é um bom regime, ela é uma fonte de bênçãos, ela é liberdade de perigo. Este caminho sem inimigos é inalcançável (por pessoas que nutrem desejo) e é facilmente alcançável (por aqueles que estão livres do desejo). Lançando meus olhos em todas as partes dos três mundos, eu não vejo a pessoa que é igual a um homem pobre de conduta pura e sem apego (a coisas mundanas). Eu pesei a pobreza e a soberania em uma balança. A pobreza pesou mais do que a soberania e pareceu possuir méritos maiores. Entre a pobreza e a soberania há esta grande diferença, isto é, que o soberano, possuidor de riqueza, está sempre agitado pela ansiedade e parece estar dentro das próprias mandíbulas da morte. Em relação, no entanto, ao homem pobre, que pela privação de toda a riqueza se livrou das esperanças e se emancipou, nem fogo, nem inimigo, nem morte, nem ladrões, podem levar a melhor sobre ele. Os próprios deuses louvam o homem que vaga de acordo com sua vontade amável, que deita no solo nu com seu braço como travesseiro, e que é possuidor de tranquilidade. Afetado por ira e cupidez, o homem de riqueza é maculado por um coração mau. Ele lança olhares oblíquos e fala secamente. Ele se torna pecaminoso, e seu rosto está sempre obscurecido por olhares carrancudos. Mordendo seus lábios, e excitado com cólera, ele profere palavras duras e cruéis. Mesmo se tal homem desejasse fazer um presente do mundo inteiro, quem há que gostaria até de olhar para ele? A companhia constante da Prosperidade estupefaz uma pessoa de raciocínio fraco. Ela leva embora sua razão assim como o vento soprando as nuvens outonais. A companhia da Prosperidade o induz a pensar, ‘Eu sou belo! Eu tenho riqueza! Eu sou nobre de nascimento! Eu tenho sucesso em tudo o que faço! Eu não sou um ser humano comum!’ Seu coração se intoxica por causa destas três razões. Com coração profundamente ligado a posses mundanas, ele desperdiça a riqueza acumulada por seus antepassados. Reduzido à pobreza, ele então considera a apropriação da riqueza de outras pessoas como inocente. Nesse estágio, quando ele ultrapassa todas as barreiras e seres para se apropriar das posses de outros de qualquer maneira, os soberanos de homens o impedem e afligem como caçadores afligindo com flechas afiadas um veado que é avistado nas florestas. Tal homem é então oprimido por muitas outras aflições de um tipo similar que se originam em fogo e armas. Portanto, desconsiderando todas as propensões mundanas (tais como desejo por filhos e esposas), junto com todas as irrealidades fugazes (tais como o corpo, etc.,) um homem deve, ajudado por sua inteligência, aplicar o remédio apropriado para a cura daquelas aflições dolorosas. Sem Renúncia uma pessoa nunca pode obter felicidade. Sem Renúncia nunca se pode obter o mais alto benefício. Sem Renúncia nunca se pode dormir tranquilamente. Portanto, renunciando a tudo, faça tua a felicidade. Tudo isso foi dito para mim no passado em Hastinapura por um Brahmana, a respeito do que Sampaka tinha cantado. Por esta razão, eu considero a Renúncia como a coisa mais importante.'" 177 "Yudhishthira disse, 'Se uma pessoa, desejando realizar atos (de caridade e sacrifícios), fracassa em encontrar (a necessária) riqueza, e a sede por riquezas a oprime, o que é que ela deve fazer para obter felicidade?'” "Bhishma disse, 'Aquele que considera tudo (isto é, alegria e tristeza, honra e insulto, etc.,) da mesma maneira, que nunca se esforça ele mesmo (para satisfazer seus desejos de posses mundanas), que pratica veracidade de palavras, que é livre de todos os tipos de apego, e que não tem desejo por ação, é, ó Bharata, um homem feliz. Estes cinco, dizem os antigos, são os meios para a aquisição de tranquilidade perfeita ou emancipação. Estes são chamados de Céu. Estes são Religião. Estes constituem a felicidade mais sublime. Em relação a isto é citada a velha narrativa do que Manki cantou, quando livre de apegos. Ouça, ó Yudhishthira! Desejoso de riqueza, Manki descobriu que ele estava fadado a ter decepções repetidamente. Finalmente com um pequeno resto de sua propriedade ele comprou um par de touros jovens com uma canga para treiná-los (para o trabalho agrícola). Um dia os dois touros devidamente atados à canga foram levados para treinamento (nos campos). Se assustando ao verem um camelo que estava deitado na estrada, os animais correram subitamente em direção ao camelo, e caíram sobre seu pescoço. Enfurecido ao perceber os touros caindo sobre seu pescoço, o camelo, dotado de grande velocidade, se ergueu e correu em um passo rápido, carregando as duas criaturas desamparadas pendendo de ambos os lados de seu pescoço. Vendo seus dois touros assim carregados para longe por aquele camelo forte, e vendo que eles estavam prestes a morrer, Manki começou a dizer, 'Se a riqueza não está ordenada pelo destino, ela nunca pode ser adquirida nem por um homem inteligente se esforçando com atenção e confiança e realizando com habilidade tudo o que é necessário para aquele objetivo. Eu, antes disto, tinha me esforçado por diversos meios e dedicação para ganhar riqueza. Vejam esta desgraça ocasionada pelo destino à propriedade que eu tinha! Meus touros estão sendo carregados, subindo e descendo, enquanto o camelo está correndo em um rumo irregular. Esta ocorrência parece ser um acidente. (Kakataliyam é, literalmente, 'da mesma maneira do corvo e do fruto de palmeira.' A história é que uma vez quando um corvo pousou sobre uma palmeira um fruto (que estava maduro) caiu. O fruto caiu por causa de sua madureza. Seria um erro aceitar o pouso do corvo como a causa da queda. O pouso foi somente um acidente. Contudo homens muito frequentemente, em investigar causas, aceitam acidentes em lugar de causas induzidoras. Tais homens são citados como enganados pela 'falácia do corvo e do fruto de palmeira.') Ai, aqueles meus touros preciosos estão balançando no pescoço do camelo como um par de jóias! Isto é somente o resultado do Destino. O esforço é inútil no que é devido ao Acaso. Ou, se a existência de alguma coisa como Esforço (como um agente na produção de resultados) for admitida, uma busca mais profunda descobriria o Destino no fundo. (Esforço para ser bem sucedido deve depender de circunstâncias. A combinação de circunstâncias é destino.) Então, a pessoa que deseja felicidade deve renunciar a todo o afeto. O homem sem afetos, não mais nutrindo qualquer desejo de ganhar riqueza, pode dormir felizmente. Isto foi bem dito por Suka enquanto indo para a grande floresta a partir da residência de seu pai, renunciando a tudo! (É difícil resistir à crença de que muitas das passagens do Santi são adições posteriores. Suka era o filho de Vyasa. Citar um ditado de Suka (ou Sukadeva Goswanin como ele era chamado), se Vyasa foi o escritor real desta passagem, é um pouco suspeito.) Entre esses dois, isto é, alguém que obtém a realização de todos os seus desejos, e alguém que abandona todo o desejo, o último, que renuncia a tudo, é superior ao primeiro que obtém a realização de tudo. Ninguém pode alcançar ao fim do desejo. (Isto é, chegar a tal ponto que nada resta para ele desejar.) Somente quem é desprovido de conhecimento e bom senso sente uma avidez para proteger seu corpo e vida. Te abstenha de todo o desejo por ação. Ó minha Alma que estás possuída pela cupidez, adote a tranquilidade por te libertar de todos os apegos! Repetidamente tu tens sido enganada (por desejo e esperança). Como é que tu ainda não te libertaste dos apegos? Se eu não sou alguém que merece destruição nas tuas mãos, se eu sou alguém com quem tu deves te divertir em deleite, então, ó minha Alma que cobiça riqueza, não me induza em direção à cupidez. Tu tens perdido repetidamente tua riqueza acumulada. Ó minha Alma tola e cobiçosa de riqueza, quando tu conseguirás te emancipar do desejo de riqueza? Que vergonha para minha tolice! Eu me tornei teu brinquedo! É assim que alguém se torna escravo de outros. Ninguém nascido na terra alguma vez alcançou o fim do desejo, e ninguém que nascerá conseguirá alcançá-lo. Rejeitando todas as ações, eu finalmente fui despertado do sono. Agora eu estou desperto. Sem dúvida, ó Desejo, teu coração é tão duro quanto diamante, já que embora afetado por uma centena de angústias, tu não te partes em cem pedaços! Eu te conheço, ó Desejo, e todas aquelas coisas que te são caras! Procurando o que é caro para ti, eu sentirei felicidade em meu próprio Eu. (Isto é, com o propósito de te fazer bem, eu me emanciparei de todos os apegos e desfrutarei da bem-aventurança da tranquilidade.) Ó Desejo, eu conheço tua origem. Tu vens da Vontade. (Aqui a teoria do desejo parece ser virada em sentido contrário. Desejo é mero anseio por alguma coisa. Quando sua satisfação é procurada, a forma que ele assume é aquela de determinação ou vontade. Se, no entanto, Kama for aceito como o desejo formulado a respeito de objetos específicos, então, talvez, a Vontade pode ser considerada como sua fundação, pelo menos, em relação à aflição e dificuldades que vêm em seu séquito.) Eu irei, portanto, evitar a Vontade. Tu serás então destruído com tuas bases. O desejo por riqueza nunca pode estar repleto de felicidade. Se adquirida, grande é a ansiedade que sente quem a adquire. Se perdida depois de aquisição, isto é sentido como a morte. Por fim, a respeito da própria aquisição, ela é muito incerta. A riqueza não pode ser obtida nem pela rendição de uma pessoa. O que pode ser mais doloroso do que isto? Quando adquirida, uma pessoa nunca está satisfeita com sua quantidade, mas ela continua a procurá-la. Como a água doce do Ganges, a riqueza somente aumenta o desejo ardente de uma pessoa. Ela é minha destruição. Eu estou desperto agora. Ó Desejo, deixe-me! Que aquele Desejo que se refugiou neste meu corpo, esta combinação de (cinco) elementos, vá para onde quer que ele escolha e viva alegremente onde quer que ele queira. Vocês todos que não são da Alma ( isto é, todos os atributos que são fundados em Rajas e Tamas), eu não tenho alegria em vocês, porque vocês seguem o comando do Desejo e Cupidez! Abandonando todos vocês eu me refugiarei na qualidade de Bondade. Vendo todas as criaturas em meu próprio corpo e minha própria mente, (isto é, me identificando com todas as criaturas ou nunca tomando- as como distintas e separadas de mim; em outras palavras, professando e praticando o princípio de amor universal), e devotando minha razão ao Yoga, minha vida às instruções dos sábios, e alma à Brahma, eu vagarei alegremente pelo mundo, sem apego e sem calamidades de qualquer tipo, para que tu não possas mergulhar-me outra vez em tais tristezas! Se eu continuar a ser agitado por ti, ó Desejo, eu necessariamente não terei um caminho (pelo qual efetuar minha libertação). Tu, ó Desejo, és sempre o progenitor da sede, da aflição, e da fadiga e cansaço. Eu acho que a aflição que alguém sente pela perda de riqueza é muito forte e muito maior do que a que alguém sente sob quaisquer outras circunstâncias. Parentes e amigos desconsideram aquele que perdeu sua riqueza. Com vários tipos de humilhação que numeram às milhares, há muitos males nas posses que são mais dolorosos ainda. Por outro lado, a pequena felicidade que reside na riqueza está misturada com dor e tristeza. Ladrões matam, à vista de todos, a pessoa que possui riqueza, ou a afligem com vários tipos de severidade, ou sempre a enchem de medo. Finalmente, depois de um longo tempo, eu entendi que o desejo por riqueza está repleto de tristeza. Qualquer que seja o objeto, ó Desejo, sobre qual tu colocas teu coração, tu me forças a persegui-lo! Tu não tens bom senso. Tu és um tolo. Tu és difícil de ser contentado. Tu não podes ser satisfeito. Tu queimas como fogo. Tu não indagas (ao perseguir um objeto) se é fácil ou difícil de alcançá-lo. Tu não podes ser cheio até a borda, como a região inferior. Tu desejas mergulhar-me em tristeza. Desse dia em diante, ó Desejo, eu não posso viver contigo! Eu que tinha sentido desespero, a princípio, pela perda de minha propriedade, agora alcancei o estado sublime de liberdade perfeita de atrações. Neste momento eu não mais penso em ti e teu séquito. Eu, antes disso, senti grande tristeza por tua causa. Eu (agora) não me considero como desprovido de inteligência. Tendo adotado a Renúncia por causa da perda de minha propriedade, eu agora posso descansar, livre de todo tipo de febre. Eu te rejeito, ó Desejo, com todas as paixões do meu coração. Tu não mais morarás comigo ou te divertirás comigo. Eu perdoarei aqueles que me caluniarem ou falarem mal de mim. Eu não ferirei nem mesmo quando ferido. Se alguém por aversão falar palavras desagradáveis de mim, desconsiderando aquelas palavras eu me dirigirei a ele com palavras agradáveis. Em contentamento de coração e com todos os meus sentidos em paz, eu sempre viverei do que possa ser obtido por mim. Eu não contribuirei para a satisfação dos desejos nutridos por ti que és meu inimigo. Liberdade de atrações, emancipação do desejo, contentamento, tranquilidade, verdade, autocontrole, generosidade, e compaixão universal são as qualidades que agora vieram a mim. Portanto, que Desejo, cupidez, ânsia, e avareza me evitem. Eu agora adotei o caminho da Bondade. Tendo rejeitado Desejo e Cupidez, grande é minha felicidade agora. Eu não vou mais ceder à influência da Cupidez e não mais sentirei tristeza como uma pessoa de alma impura. Uma pessoa está certa de obter felicidade de acordo com a medida dos desejos que ela seja capaz de rejeitar. Realmente, aquele que se entrega ao Desejo sempre sofre miséria. Quaisquer paixões ligadas ao Desejo que são rejeitadas por uma pessoa, todas concernem à qualidade de Paixão. Tristeza e impudência e descontentamento todos provêm de Desejo e Riqueza. Como uma pessoa na estação quente mergulhando em um lago frio, eu agora entrei em Brahma, eu me abstive do labor. Eu me livrei da aflição. Pura felicidade agora veio a mim. A felicidade que resulta da satisfação do Desejo, ou aquela outra felicidade mais pura que alguém desfruta no céu, não chega nem à décima sexta parte daquela que provém do abandono de todas as espécies de sede! Matando o princípio do desejo, o qual com o corpo compõe um agregado de sete, e o qual é um inimigo implacável, eu agora entrei na cidade imortal de Brahma e passarei meus dias lá em felicidade como um rei!' Confiando em tal inteligência, Manki se livrou das atrações, rejeitando todos os desejos e alcançando Brahma, aquela residência da maior felicidade. De fato, por causa da perda de seus dois touros, Manki obteve a imortalidade. De fato, porque ele cortou as próprias raízes do desejo, ele obteve, através desse meio, bem-aventurança sublime.'" 178 "Bhishma continuou, 'Em relação a isto é também citada a antiga narrativa dos versos cantados por Janaka, o soberano dos Videhas, que obteve tranquilidade de alma. O que o monarca disse foi, 'Ilimitada é minha riqueza. Ao mesmo tempo eu não tenho nada, se todo (o meu reino) Mithila for consumido em uma conflagração, eu não incorrerei em perda.' Relativo a isto é também citado o discurso que Vodhya proferiu a respeito deste mesmo assunto, isto é, liberdade de apegos. Escute-o, ó Yudhishthira! Uma vez o filho nobre de Nahusha (Yayati) questionou o Rishi Vodhya que tinha, pelo abandono dos desejos, obtido tranquilidade de alma e que tinha um conhecimento profundo das escrituras. O monarca disse, 'Ó tu de grande sabedoria, dê-me instruções sobre tranquilidade. No que é que tu confias que tu consegues vagar pelo mundo em tranquilidade de alma e livre de todas as ações?'” "Vodhya disse, 'Eu me conduzo de acordo com as instruções de outros, mas eu mesmo nunca instruo outros. Eu irei, no entanto, mencionar as indicações daquelas instruções (segundo as quais minha conduta é moldada). Tu podes apreender seu sentido por meio de reflexão. Meu seis preceptores são Pingala, a águia pescadora, a cobra, a abelha na floresta, o fabricante de flechas (da história), e a donzela (da história).’” "Bhishma continuou, 'A esperança é muito poderosa (em agitar o coração), ó rei! Liberdade de esperança é grande felicidade. Reduzindo a esperança para uma ausência de expectativa, Pingala dorme em paz. (A alusão é à história de Pingala.) Vendo uma águia pescadora com carne em seu bico, outras, que não encontraram carne, a atacam e destroem. Certa águia obteve felicidade por se abster totalmente de carne. Construir uma casa para si mesmo é produtivo de tristeza e não de felicidade. A cobra, tomando sua residência no domicílio de outra criatura, vive em felicidade. Os ascetas vivem alegremente, se dirigindo à mendicância, sem serem prejudicados por qualquer criatura, como abelhas na floresta. Certo fabricante de flechas, enquanto empenhado eu seu trabalho, estava tão profundamente atento a este que ele não notou o rei que passou ao seu lado. Quando muitos estão juntos, seguem-se disputas. Mesmo quando dois residem juntos, eles com certeza conversam. Eu, no entanto, vago sozinho como a argola feita de conchas do mar no pulso da moça na história.'" (A história, evidentemente uma muito antiga, é dada integralmente no Bhagavat. Uma vez uma donzela, residindo na casa de seu pai, desejou alimentar secretamente vários Brahmanas. Enquanto removendo os grãos do celeiro, suas pulseiras, feitas de conchas, começaram a retinir. Temendo ser descoberta através daquele barulho, ela quebrou todas as suas pulseiras exceto uma para cada mão.) 179 "Yudhishthira disse, 'Ó tu que conheces a conduta dos homens, me diga por qual conduta uma pessoa pode ter sucesso neste mundo, livre de aflição. Como também uma pessoa deve agir neste mundo para que ela possa alcançar um fim excelente?'” "Bhishma disse, 'Sobre isso é citada a velha história da conversa entre Prahlada e o sábio Ajagara. Uma vez o rei Prahlada de grande inteligência questionou um Brahmana vagueador de inteligência superior e de alma tranquila e pura.'” "Prahlada disse, 'Livre do desejo, com uma alma purificada, possuidor de humildade e autodomínio, sem desejo de ação, livre de malícia, agradável em palavras, dotado de dignidade e inteligência e sabedoria, tu vives (em simplicidade) como uma criança. Tu nunca cobiças qualquer tipo de lucro, e nunca te afliges por qualquer tipo de perda. Tu estás sempre contente, ó Brahmana, e não pareces estimar qualquer coisa no mundo. Enquanto todas as outras criaturas estão sendo carregadas na correnteza do desejo e paixão, tu estás perfeitamente indiferente a todos os atos concernentes à Religião, Lucro, e Prazer. Tu pareces estar em um estado de quietude (sem a possibilidade de agitação). Desconsiderando todos os objetos dos sentidos, tu te moves como uma pessoa emancipada, somente testemunhando tudo (mas nunca tomando parte em algo). Qual, ó sábio, é tua sabedoria, qual é teu conhecimento, e qual é teu comportamento (pelo qual tudo isso se torna possível)? Diga-me isto sem demora, se, ó Brahmana, tu achas que isto me fará bem!' "Bhishma continuou, 'Aquele Brahmana inteligente que era bom conhecedor dos deveres do mundo, assim questionado por Prahlada, respondeu a ele em palavras gentis de grave significado. ‘Veja, ó Prahlada, a origem das criaturas, seu crescimento, decadência, e morte, são determináveis a nenhuma causa (inteligível). É por isto que eu não me entrego à alegria ou tristeza. Todas as propensões (para ação) que existem no universo podem ser vistas fluírem das próprias naturezas das criaturas (às quais elas são inerentes). Todas as coisas (no universo) dependem de suas respectivas naturezas. Então, eu não me regozijo com nada. (Como tudo depende de sua própria natureza, isto não pode, por sua ação, me alegrar ou me afligir. Se um filho nasce para mim eu não fico alegre. Se ele morre, eu não fico aflito. Seu nascimento e morte dependem de sua própria natureza como um mortal. Eu não tenho poder para alterar aquela natureza ou afetá-la de qualquer maneira.) Veja, ó Prahlada, todos os tipos de união tem uma tendência à desunião. Todas as aquisições com certeza terminarão em destruição. Então eu nunca coloco meu coração na aquisição de qualquer objeto. Todas as coisas possuidoras de qualidades seguramente encontrarão com a destruição. O que resta então a fazer para uma pessoa que (como eu) conhece a origem e o fim das coisas? De todas as coisas, grandes ou pequenas, nascidas no oceano de águas, o fim é evidente. Eu vejo também a morte, a qual é evidente, ó chefe de Asuras, de todas as coisas, móveis e imóveis, pertencentes à terra. Ó melhor dos Danavas, a morte vem na hora mesmo para a mais forte das criaturas aladas que percorrem o céu. Eu vejo também que os corpos luminosos, grandes e pequenos, que se movem no firmamento, caem quando sua hora chega. Possuidor de conhecimento, vendo todas as coisas criadas assim sujeitas a serem afetadas pela morte, e pensando que todas as coisas possuem a mesma natureza, eu durmo em paz sem ansiedade de coração. Se eu consigo sem incômodo uma refeição abundante, eu não tenho escrúpulos em desfrutar dela. Por outro lado, eu passo muitos dias sem comer nada. Às vezes as pessoas me alimentam com iguarias caras em profusão, às vezes com uma pequena quantidade, às vezes com menos ainda, e às vezes eu não consigo nenhum alimento. Eu às vezes como somente uma porção de um grão; às vezes bolos secos de gergelim dos quais o óleo foi retirado, eu às vezes como arroz e outro alimento do tipo mais rico. Às vezes eu durmo em uma armação de cama elevada do melhor tipo. Às vezes eu durmo na terra nua. Às vezes minha cama é feita dentro de um belo palácio ou mansão. Eu estou às vezes vestido em trapos, às vezes em panos feitos de sacos, às vezes em trajes de textura de excelente qualidade, às vezes em camurças, às vezes em mantos do tipo mais caro. Eu nunca rejeito tais prazeres que são consistentes com virtude e que são obtidos por mim sem esforço. Ao mesmo tempo, eu não me esforço para obter tais objetos que são de aquisição difícil. O voto rígido que eu adotei é chamado de Ajagara. (A palavra Ajagara implica 'da mesma maneira de uma grande cobra que não pode se mover.' Acredita-se que tais cobras, sem se moverem, permanecem no mesmo local à espera de vítimas, comendo quando alguma coisa se aproxima e reduzidas à fome quando não há nada.) Aquele voto pode assegurar imortalidade. Ele é auspicioso e sem aflições. Ele é incomparável e puro. Ele é consistente com os conselhos dos sábios. Ele é desaprovado por pessoas de compreensão leviana que nunca o seguem. Com um coração puro eu me comporto de acordo com ele. Minha mente nunca se desvia deste voto. Eu não me desviei das práticas de minha ordem. Eu sou moderado em tudo. Eu conheço o passado e o presente. Privado de medo e ira e cupidez e erros de julgamento, eu sigo este voto com um coração puro. Não há restrições a respeito de comida e bebida e outros objetos de prazer para alguém praticando este voto. Como tudo depende do destino, não há observância das considerações de hora e lugar para alguém como nós. O voto que eu sigo contribui para a verdadeira felicidade do coração. Ele nunca é cumprido por aqueles que são pecaminosos. Eu o sigo com um coração puro. Induzidos por cupidez, homens buscam diferentes espécies de riqueza. Se frustrados na busca, eles ficam deprimidos pela tristeza. Refletindo apropriadamente sobre tudo isso pela ajuda de minha inteligência que penetrou nas verdades das coisas, eu sigo este voto com um coração puro. Eu tenho visto pessoas em infortúnio procurando, para a aquisição de riqueza, a proteção de homens, bons e maus. Dedicado à tranquilidade, e com minhas paixões sob controle, eu sigo este voto com um coração puro. Vendo, pela ajuda da verdade, que a felicidade e tristeza, perda e lucro, apego e renúncia, morte e vida, são todos ordenados pelo destino, eu sigo este voto com um coração puro. Privado de medo e atração e erros de julgamento e orgulho, e dotado de sabedoria, inteligência, e compreensão, e devotado à tranquilidade e sabendo que grandes cobras que sem se moverem aproveitam o fruto que vem a elas por si mesmo, eu sigo sua prática com um coração puro. Sem restrições de qualquer tipo em relação à cama e comida, dotado por minha natureza de autodomínio, moderação, voto puro, verdade, e pureza de conduta, e sem qualquer desejo de guardar (para uso futuro) as recompensas da ação, eu sigo, com um coração encantado e puro, este voto. Todas as causas de tristeza fugiram de mim por eu ter rechaçado os objetos de desejo. Tendo recebido uma acessão de conhecimento, eu sigo este voto com um coração puro, para controlar minha alma que é ansiosa e desregrada, mas que é capaz (sob treino apropriado) de depender de si mesma (sem a necessidade de objetos externos para mantê-la ocupada). Sem prestar qualquer atenção aos assuntos para os quais meu coração, mente, e palavras gostariam de me conduzir, e observando que a felicidade que está relacionada com eles é de aquisição difícil e fugaz em relação à duração, eu sigo este voto com um coração puro. Homens eruditos possuidores de grande inteligência, enquanto desejosos de proclamar suas próprias façanhas, enquanto estabelecendo suas próprias teorias e criticando aquelas de outros, têm dito isso e aquilo sobre esse tópico o qual não pode ser decidido por discussão. Homens tolos fracassam em compreender este voto de forma apropriada. Eu, no entanto, o vejo como destrutivo de Ignorância. Considerando-o também repleto de imortalidade e como um remédio contra diversas espécies de males, eu vago entre homens, tendo dominado todos os defeitos e me libertado da ânsia (por bens mundanos)!'” "Bhishma continuou, 'A pessoa de grande alma que, tendo se libertado das atrações e do medo, da cupidez; da tolice, e da ira, segue este voto Ajagara, ou abandona-se neste esporte, como ele pode ser chamado, certamente consegue passar seus dias em grande deleite.'" 180 "Yudhishthira disse, 'Qual destes, ó avô, isto é, parentes, ou ações, ou riqueza, ou sabedoria, devem ser o refúgio de uma pessoa? Questionado por mim, responda-me isto!'” "Bhishma disse, 'A Sabedoria é o refúgio das criaturas. A Sabedoria é considerada como a maior das aquisições. A Sabedoria é a maior felicidade no mundo. A Sabedoria é o céu na opinião dos bons e virtuosos. Foi através da sabedoria que Vali, Prahlada, Namuchi, e Manki, quando eles perderam sua prosperidade (terrena), conseguiram obter felicidade. O que há que é superior à sabedoria? Em relação a isto é citada a antiga história da conversa entre Indra e Kasyapa. Escute-a, ó Yudhishthira! Uma vez um Vaisya próspero, no desfrute de prosperidade, e orgulhoso de sua riqueza, jogou ao chão, por dirigir seu carro negligentemente, o filho de um Rishi de votos rígidos chamado Kasyapa, dedicado a penitências. Prostrado no chão, o homem jovem, com muita dor, deu vazão à sua ira; e sob a influência do desespero resolveu, dizendo, 'Eu rejeitarei minha vida. Um homem pobre não precisa de vida neste mundo.' Enquanto o Brahmana jazia naquele estado, silencioso e agitado, privado de energia e prestes a morrer, Indra apareceu em cena na forma de um chacal e dirigindo-se a ele, disse, 'Todas as criaturas (inferiores) cobiçam nascimento na raça humana. Entre os homens, também, a posição de um Brahmana é muito desejada. Tu, ó Kasyapa, és um ser humano! Entre os seres humanos, tu também és um Brahmana. Entre os Brahmanas, tu estás familiarizado com os Vedas. Tendo obtido aquilo que é obtenível com dificuldade muito grande, não cabe a ti desistir da vida por insensatez! Todos os tipos de aquisições (mundanas) estão repletas de orgulho. A declaração dos Srutis a este respeito é perfeitamente verdadeira. Tu pareces o retrato do contentamento. Ao tomar tal decisão (a qual é tão depreciativa de ti mesmo), de abandonar tua vida, tu ages por cupidez! Ó, são coroados com sucesso aqueles que têm mãos! Eu desejo avidamente a posição daquelas criaturas que têm mãos! Nós cobiçamos mãos tão avidamente quanto vocês cobiçam riquezas. Não há aquisição mais valiosa do que a aquisição de mãos. Veja, ó Brahmana, eu não posso extrair esse espinho que entrou em meu corpo, ou esmagar esses insetos e vermes que estão me mordendo e me afligindo imensamente! Aqueles que tiveram concedidas para eles duas mãos com dez dedos, conseguem jogar longe ou esmagar (por coçar) os vermes que mordem seus membros. Eles conseguem construir abrigos para si mesmos contra chuva, frio, e calor. Eles conseguem também desfrutar de roupas excelentes para si mesmos, boa comida, camas confortáveis, e habitações excelentes. Estando nesta Terra, aqueles que têm mãos desfrutam de vacas e outros animais e os fazem carregar cargas ou puxar seus veículos, e pela ajuda de diversos meios trazem aqueles animais sob domínio (para seus próprios propósitos). Aquelas criaturas vivas que não têm línguas, que são impotentes, de pouca força, e desprovidas de mãos, suportam todas as várias espécies de miséria (indicadas acima). Por boa sorte, ó asceta, tu não és como eles. Por boa sorte, tu não és um chacal, nem um verme, nem um rato, nem uma rã, nem um animal de alguma outra classe miserável. Com esta medida de benefício (que tu ganhaste), tu deves, ó Kasyapa, ficar satisfeito! Quão feliz também tu deves te sentir ao pensamento de que entre as criaturas vivas tu és um Brahmana superior! Esses vermes estão me mordendo! Por falta de mãos eu sou incapaz de rechaçá-los. Veja essa minha situação miserável! Eu não rejeito a vida porque fazer isso é um ato muito pecaminoso, e para que eu não caia, de fato, para uma classe mais miserável de existência! Essa classe de existência, isto é, a de um chacal, à qual eu pertenço agora é um tanto suportável. Miserável como ela é, há muitas ordens de existência abaixo dela que são mais miseráveis ainda. Por nascimento certas classes de criaturas se tornam mais felizes do que outras que ficam sujeitas à grande aflição. Mas eu nunca vejo que há alguma classe de existência que possa ser citada como estando na posse da felicidade perfeita. Seres humanos, obtendo riquezas, desejam em seguida a soberania. Tendo obtido soberania seu próximo desejo é pela posição de deuses. Tendo ganhado tal posição eles então desejam a supremacia dos celestiais. Se tu te tornares rico, tu nunca conseguirás te tornar um rei (pois tu és um Brahmana por nascimento), nem te tornar um deus (porque, na verdade, tua posição de Brahmana é igual se não superior àquela de um deus). Se por algum meio (levado pela probabilidade tentadora de felicidade celestial) tu te tornares um deus (em vez de alcançar uma posição superior), tu então cobiçarás a supremacia dos deuses. Em nenhuma condição tu estarás satisfeito. O contentamento não resulta da aquisição de objetos desejáveis. A sede nunca é satisfeita embora haja profusão de água. (O significado é que mesmo goles abundantes não matam a sede permanentemente, pois depois de ser saciada, ela com certeza voltará.) A sede por aquisição só se inflama com cada nova aquisição como um fogo com novos feixes de madeira jogados nele. Em ti há tristeza. Mas a alegria também mora em ti. Ambas, felicidade e tristeza, moram em ti. Por que então tu te entregas à tristeza? Uma pessoa deve prender, como aves em uma gaiola, as próprias fontes, isto é, a compreensão e os sentidos, de todos os seus desejos e ações. Não pode haver o corte de uma segunda cabeça, nem de uma terceira mão. Aquilo que não existe não pode causar medo. Alguém que não conhece o prazer que certo objeto proporciona nunca sente um desejo por aquele objeto. Os desejos surgem da experiência real dos prazeres que tato ou visão, ou audição dá. Tu não tens idéia do gosto do vinho chamado Varuni ou da carne das aves chamadas Ladwaka. Não há bebida e nem comida mais deliciosos do que esses. Tu não tens idéia também, ó Kasyapa, de todos os outros tipos de bebida e comida superiores que existem entre homens, porque tu nunca os provaste. Sem dúvida, portanto, não provar, não ver, deve ser o voto de um homem se ele quer obter felicidade. Criaturas que têm mãos, sem dúvida, se tornam fortes e ganham riqueza. Homens são reduzidos por homens a um estado de servidão, e são repetidamente afligidos (nas mãos de sua própria espécie) com morte, prisão, e outras torturas. Embora tal seja sua condição, ainda assim eles (sem se entregarem à tristeza) riem e se divertem e se entregam à alegria. Outros também, embora sejam dotados de força de braços, e possuidores de conhecimento e grande energia mental, seguem profissões censuráveis, pecaminosas e miseráveis. Eles procuram mudar tais profissões por outras atividades (que sejam mais dignas) mas então eles são limitados por suas próprias ações (de uma vida anterior) e pela força do Destino. O homem mais vil da classe Pukkasa ou Chandala nunca deseja abandonar sua vida. Ele está bastante contente com a classe de seu nascimento. Veja a ilusão a este respeito! Vendo aqueles entre tua espécie que são desprovidos de braços, ou atingidos pela paralisia, ou afligidos com outras doenças, tu podes te considerar como muito feliz e possuidor de acompanhamentos de valor entre os membros de tua própria ordem. Se este teu corpo regenerado permanecer são e salvo, e livre de doença, e todos os teus membros permanecem perfeitos, tu com certeza nunca incorrerás em qualquer repreensão entre homens. Não cabe a ti, ó Brahmana, rejeitar tua vida mesmo se alguma culpa, fundada em fato e capaz de ocasionar tua exoneração da casta, recair sobre ti! Levante, e pratique virtude. Não é apropriado que tu jogues tua vida fora! Se, ó regenerado, tu me escutares e dares crédito às minhas palavras, tu então obterás a maior recompensa da religião inculcada nos Vedas. Dirija-te a estudos Védicos, e mantenha devidamente teu fogo sagrado, e pratique verdade, e autodomínio, e caridade. Nunca te compare vaidosamente com outro. Aqueles que, por se dedicarem ao estudo dos Vedas, se tornam competentes para realizar sacrifícios para si mesmos e para outros, não têm necessidade de se entregarem a qualquer tipo de desgosto ou temerem algum tipo de mal. Aqueles que nascem sob uma constelação auspiciosa (tal como Pushya), em uma lunação auspiciosa e em uma hora auspiciosa, se esforçam o melhor que podem para realizar sacrifícios, praticar caridade, e procriar crianças, e desejando passar seu tempo alegremente naquelas ações, finalmente obtêm grande felicidade. Aqueles, por outro lado, que nascem sob constelações más (tais como Mula Aslesha, Magha, etc.), lunações não auspiciosas, e em horas más, se tornam desprovidos de sacrifícios e prole e finalmente caem para a classe Asura. Em minha vida anterior eu tinha muito conhecimento inútil. Eu sempre procurava por razões e tinha muito pouca fé. Eu era um difamador dos Vedas. Eu era desprovido dos (quatro) objetivos da vida, e era dedicado àquela ciência de argumentação que é baseada sobre provas oculares ou tangíveis. Eu costumava proferir palavras baseadas em razões (plausíveis). De fato, em assembléias, eu sempre falava de razões (e nunca de fé). Eu costumava falar de modo irreverente das declarações dos Srutis e me dirigir aos Brahmanas em tons arrogantes. Eu era um incrédulo, cético de tudo, e embora realmente ignorante, orgulhoso da minha erudição. Essa posição de um chacal que eu obtive nesta vida é a consequência, ó regenerado, daqueles meus pecados! Se mesmo depois de centenas de dias e noites eu que sou um chacal puder obter mais uma vez a posição de humanidade, eu então passarei minha vida em contentamento, atento aos verdadeiros objetivos da existência, e engajado em sacrifícios e doações. Eu então conhecerei o que deve ser conhecido, e evitarei o que deve ser evitado!' Assim endereçado, o asceta Kasyapa, se levantando, disse, 'Ó, tu és certamente possuidor de conhecimento e grande inteligência! Eu estou realmente surpreso com tudo isso!' Com olhos cuja visão foi ampliada pelo conhecimento, o Brahmana então viu que aquele ser que tinha se dirigido a ele era Indra, chefe dos deuses e marido de Sachi. Kasyapa então adorou aquele deus tendo o melhor dos corcéis como o animal que o carregava. Recebendo depois a permissão do deus, o Brahmana voltou para sua residência.'" 181 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, se doações, sacrifícios, penitências, e serviços respeitosos voltados aos preceptores são produtivos de sabedoria e grande felicidade.'” 'Bhishma disse, 'Se a mente se torna afetada pelo desejo, ira e outras paixões más, ela então corre em direção ao pecado. Se os atos de alguém são manchados pelo pecado, ele é obrigado a morar em regiões dolorosas. Homens pecaminosos nascem em circunstâncias pobres e repetidamente sofrem as dores de fome, aflições, medo, e morte. Aqueles que são virtuosos em suas ações, e que possuem fé, e que têm seus sentidos sob controle, nascem como homens ricos e repetidamente se divertem em festividades e céu e felicidade. Descrentes, com seus braços amarrados, são enviados para regiões tornadas inacessíveis por animais carnívoros e elefantes e cheias de terrores por causa de cobras e ladrões. O que mais pode ser dito deles? Aqueles, por outro lado, que têm reverência por deuses e convidados, que são generosos, que gostam de homens bons e honestos, vão, por suas ações de caridade, por aquele caminho alegre que pertence às pessoas de almas purificadas. Aqueles que não têm reverência pela virtude são tão vis entre homens como grãos sem sementes entre cereais ou o mosquito entre aves. Aquilo que está ordenado em consequência das ações de uma vida passada persegue o ator mesmo que o último se esforce o melhor que pode para deixá-lo para trás. (Isto é, mesmo se ele procura evitá-lo.) Aquilo dorme quando ele dorme e faz qualquer outra coisa que ele faça. (Isto é, se torna seu associado inseparável.) Como sua sombra aquilo descansa quando ele descansa, procede quando ele procede, e age quando ele age. Quaisquer atos que um homem faça ele seguramente tem que obter os resultados deles. A Morte está arrastando todas as criaturas que estão certamente destinadas a cair (para as classes de existência que elas merecem) e que sem dúvida estão sujeitas a desfrutar ou sofrer aquilo que foi ordenado como a consequência de seus atos. As ações de uma vida passada desenvolvem suas consequências em seu próprio tempo assim como flores e frutos, sem esforços externos de qualquer tipo, e nunca deixam de aparecer quando chega a hora certa. Depois que as consequências, como ordenadas, das ações de uma vida passada, se esgotam (por meio de prazer ou sofrimento), honra e ignomínia, lucro e perda, decadência e crescimento não fluem mais ou aparecem em relação a alguém. Isso acontece repetidamente. (Uma vez que as consequências dos atos de uma vida passada são esgotados, a criatura (com respeito a quem tal esgotamento ocorre), está livre de todas as vicissitudes da vida. No entanto, para que tal criatura não se torne emancipada, a visão ortodoxa é que é sempre deixado um resto de mérito e demérito, para que um novo nascimento possa acontecer e as consequências do que é assim deixado como um resto possam começar a serem desfrutadas ou sofridas. Isto não é referido aqui, mas esta é a visão de todos os hindus ortodoxos.) Uma criatura enquanto ainda no útero da mãe desfruta ou sofre a felicidade ou a tristeza que foi ordenada para ela em consequência de suas próprias ações. Na infância ou juventude ou velhice, em qualquer período da vida no qual alguém faça uma ação boa ou má, as consequências dela com certeza a visitarão em sua próxima vida exatamente no mesmo período. Como um bezerro reconhece e se aproxima de sua mãe mesmo no meio de mil vacas, assim mesmo as ações de uma vida passada reconhecem e visitam o fazedor em sua nova vida. Lavado em água um pedaço de tecido (sujo) fica limpo. Similarmente, homens queimando de arrependimento obtêm felicidade infinita por meio de penitências apropriadas. Aqueles que vão residir nas florestas e por realizarem austeridades por um longo período podem se purificar de seus pecados, conseguem alcançar os objetivos que sobre os quais eles colocaram seus corações. Como ninguém pode distinguir o rastro de aves no céu ou de peixes na água, similarmente, o rastro de pessoas cujas almas foram purificadas pelo conhecimento não pode ser notado por ninguém. (É difícil compreender em qual sentido é dito que o rastro dos virtuosos não pode ser notado. Talvez isto signifique que tais homens não deixam qualquer história ou registro atrás deles, eles tendo se abstido de todos os tipos de ação boa ou má.) Não há necessidade de mais eloquência ou de mais alguma referência a ações pecaminosas. Basta dizer que uma pessoa deve, com raciocínio apropriado e como melhor lhe convém, fazer o que é para o seu próprio bem. Este é o meio pelo qual a sabedoria e a maior felicidade podem ser alcançadas.'" 182 "Yudhishthira disse, 'De onde este universo consistindo em criaturas móveis e imóveis foi criado? Quem o faz proceder até quando a destruição começa? Diga- me isto, ó avô! De fato, por quem o universo com seus oceanos, seu firmamento, suas montanhas, suas nuvens, suas terras, seu fogo, e seu vento, foi criado? Como foram criados todos os objetos? De onde veio esta divisão em classes separadas de existência? De onde vem sua pureza e impureza, e as ordenanças sobre virtude e vício? De que tipo é a vida das criaturas vivas? Aonde também vão aqueles que morrem? Nos diga tudo acerca deste e do outro mundo.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isso é citada a velha narrativa das palavras sagradas que Bhrigu disse em resposta às perguntas de Bharadwaja. Vendo o grande Rishi Bhrigu brilhando com energia e esplendor, sentado no topo Kailasa, Bharadwaja se dirigiu a ele nas seguintes palavras.'” "Bharadwaja disse, 'Por quem este mundo com seu oceano, seu firmamento, suas montanhas, suas nuvens, suas terras, seu fogo, e seu vento, foi criado? Como todas as criaturas foram criadas inicialmente? De onde veio essa distinção de castas? De onde a pureza e a impureza de (comportamento), e de onde as ordenanças sobre virtude e vício, para criaturas vivas? De que espécie é a vida das criaturas vivas? Aonde elas vão quando morrem? Cabe a ti me dizer tudo sobre este e o outro mundo.' Assim endereçado acerca de suas dúvidas por Bharadwaja, o ilustre e regenerado Rishi Bhrigu que parecia com o próprio Brahma respondeu para ele, dizendo estas palavras.'” "Bhrigu disse, 'Há um Ser Primevo, conhecido pelos grandes Rishis, de nome Manasa. Ele é sem início e sem fim. Aquele Ser Divino não pode ser penetrado por armas. Ele é sem decadência e é Imortal. Ele é citado como o Imanifesto. Ele é Eterno, Imperecível, e Imutável. Através Dele as criaturas nascem e através Dele elas morrem. Ele primeiro criou um Ser Divino conhecido pelo nome de Mahat. (Manasa significa 'concernente à mente,' ou mais propriamente, a Vontade. Mahat literalmente significa grande.) Mahat criou a Consciência. Aquele Ser Divino criou o Espaço. Aquele Ser pujante é o mantenedor de todos os objetos criados. Do Espaço nasceu a Água, e da Água nasceram Fogo e Vento. Através da união do Fogo e do Vento nasceu a Terra. Nascido por si mesmo Manasa então criou um Lótus divino rico em Energia. Daquele Lótus surgiu Brahman, aquele Oceano de Veda. (Veda é aqui usado no sentido de Conhecimento e Poder.) Os Srutis dizem que logo que nasceu, aquele Ser Divino proferiu as palavras, 'Eu Sou Ele!' Por isto Ele veio a ser chamado pelo nome de Consciência. Ele tem todas as coisas criadas como seu corpo e Ele é seu Criador. Estes cinco elementos que nós vemos são aquele Brahman de grande energia. As montanhas são seus ossos. A terra é sua gordura e carne. Os oceanos são seu sangue. O Espaço é seu estômago. O Vento é sua respiração. O Fogo é sua energia. Os rios são suas artérias e veias. Agni e Soma, também chamados Sol e Lua, são chamados de seus olhos. O firmamento acima é sua cabeça. A terra é seus dois pés. Os pontos cardeais e secundários do horizonte são seus braços. Sem dúvida, Ele não pode ser conhecido e Sua Alma é inconcebível até para pessoas coroadas com êxito ascético. O Ser Divino, que permeia o universo inteiro, é também conhecido pelo nome de Ananta (Infinito). Ele vive na Consciência, e não pode ser conhecido por pessoas de almas impuras. Questionado por ti eu agora te falei dEle que criou a Consciência para chamar à existência todos os objetos criados, e de quem este universo surgiu.'” "Bharadwaja disse, 'Qual é a extensão do firmamento, dos pontos do horizonte, da superfície desta terra, e do Vento? Por me dizer a verdade, esclareça minhas dúvidas.'’ "Bhrigu disse, 'O céu que tu vês acima é Infinito. Ele é a residência de pessoas coroadas com êxito ascético e de seres divinos. Ele é encantador, e consiste em várias regiões. Seus limites não podem ser averiguados. O Sol e a Lua não podem ver, acima ou abaixo, além dos limites de seus próprios raios. Lá onde os raios do Sol e da Lua não podem alcançar há corpos luminosos que são autorefulgentes e que possuem um esplendor como aquele do Sol ou do fogo. Saiba, ó concessor de honras, que, possuidores de esplendor célebre, mesmo estes últimos não vêem os limites do firmamento por causa da inacessibilidade e infinitude daqueles limites. Este Espaço, o qual os próprios deuses não podem medir, está repleto de mundos resplandecentes e auto-luminosos cada um acima do outro. Além dos limites da terra há oceanos de água. Além da água há escuridão. Além da escuridão há água novamente, e além da última há fogo. Para baixo, além das regiões inferiores, há água. Além da água há a região pertencente às grandes cobras. Além dela há o céu mais uma vez, e além do céu há água novamente. Assim há água e céu alternadamente sem fim. Tais são os limites da Divindade representados pela água. Os próprios deuses são incapazes de determinar os limites do fogo, do vento e da água. A natureza do fogo, vento, água, e terra, é como aquela do espaço. Eles são diferençados pela falta de Conhecimento verdadeiro. Os sábios lêem em diversas escrituras os limites que foram declarados dos três mundos e do oceano. Quem, no entanto, colocaria limites para o que não pode ser apreendido pela visão e que é inacessível (em todas as suas partes)? Mesmo que se tornasse possível averiguar os limites do firmamento o qual é o caminho dos deuses e dos seres coroados com êxito ascético, nunca seria possível determinar limites para aquilo que é ilimitado e conhecido pelo nome de Infinito, àquilo que corresponde ao nome pelo qual é conhecido, isto é, que tem sido chamado de Manasa de grande alma. Quando também Sua forma está às vezes contraída e às vezes expandida, como alguém mais exceto alguém que fosse igual a Ele poderia compreender Seus limites? Do Lótus (do qual eu já falei) foi primeiro criado o senhor Onisciente, Brahman, dotado de forma, de essência consistindo em Retidão, e o Criador de todas as coisas móveis e imóveis.” "Bharadwaja disse, 'Se Brahman nasceu do Lótus, então o Lótus deve ser considerado como o Primogênito e não Brahman. Por que, no entanto, Brahma é citado como o primeiro? Esclareça esta minha dúvida.'” "Bhrigu disse, 'A Terra é aquilo que é chamado de Lótus. Ela foi criada para dar um assento para aquela forma de Manasa que se tornou Brahman. Alcançando o próprio céu, o Sumeru se tornou o pericarpo do Lótus. Permanecendo dentro dele, o pujante Senhor do Universo criou todos os mundos.'" 183 "Bharadwaja disse, 'Diga-me, ó melhor dos Brahmanas, como o pujante Brahman residindo dentro de Meru, criou estes diversos tipos de objetos.'” "Bhrigu disse, 'O grande Manasa (em sua forma de Brahman) criou os diversos tipos de objetos por decreto de Vontade. Então, para a proteção de todas as criaturas, ele primeiro criou a água. A água é a vida de todas as criaturas, e é a água que ajuda seu crescimento. Se não houvesse água, todas as criaturas pereceriam. O mundo inteiro é permeado por água. Terra, montanhas, nuvens, e todas as coisas que têm forma, devem ser conhecidas como transformações de água. Elas todas foram produzidas pela solidificação daquele elemento.'” Bharadwaja disse, 'Como a água surgiu? Como Fogo e Vento? Como também a terra foi criada? Eu tenho grandes dúvidas sobre estes pontos.'” "Bhrigu disse, 'Ó regenerado, em tempos muito antigos chamados de Brahma- kalpa, os Rishis de grande alma da classe regenerada, quando eles se reuniram, sentiram esta mesma dúvida acerca da criação do universo. Contendo as palavras, eles permaneceram imóveis, dedicados à contemplação (ascética). Tendo abandonado todo o alimento, eles subsistiram só do ar, e permaneceram assim por mil anos celestes. No fim daquele período, certas palavras tão sagradas quanto aquelas dos Vedas alcançaram simultaneamente os ouvidos de todos. De fato, uma voz celeste foi ouvida no firmamento dizendo, 'Antigamente havia somente o Espaço infinito, perfeitamente inerte e imóvel. Sem sol, lua, estrelas, e vento, ele parecia estar adormecido. Então a água surgiu como uma coisa mais escura dentro da escuridão. Então da pressão da água surgiu o vento. Como um recipiente vazio sem um orifício parece a princípio ser sem qualquer som, mas quando enchido com água o ar aparece e faz um grande barulho, assim mesmo quando o Espaço infinito foi cheio com água, o vento surgiu com um grande barulho, penetrando através da água. Aquele vento, assim gerado pela pressão do oceano de água, ainda se movia. Entrando no Espaço (não obstruído), seu movimento nunca é parado. Então, pela fricção do vento e da água, surgiu o fogo possuidor de grande poder e energia resplandecente, com chamas dirigidas para cima. Aquele fogo dissipou a escuridão que tinha coberto o Espaço. Ajudado pelo vento, o fogo contraiu Espaço e Água juntos. De fato, combinado com o vento, o fogo se tornou solidificado. Enquanto descia do céu, a parte líquida do fogo se solidificou novamente e se tornou o que é conhecido como a terra. A terra ou solo, na qual tudo nasce, é a origem de todos os tipos de gosto, de todas espécies de cheiro, de todas espécies de líquidos, e de todas as espécies de animais.'" 184 "Bharadwaja disse, 'Quando Brahman de grande alma criou milhares de criaturas, por que é que somente estes cinco elementos que ele criou primeiro, os quais permeiam todo o universo e que são grandes criaturas, vieram a ter o nome de criaturas aplicado a eles exclusivamente?'” (Todas as coisas criadas são chamadas de Bhutas, mas os cinco elementos principais, isto é, fogo, ar, terra, água, e espaço, são especialmente chamados de Bhutas ou Mahabhutas.) "Bhrigu disse, 'Todas as coisas pertencentes à categoria do Infinito ou do Vasto recebem o título de Grandes. É por esta razão que estes cinco elementos vieram a ser chamados de Grandes criaturas. Atividade é vento. O som que é ouvido é espaço. O calor que está dentro dele é fogo. Os sucos líquidos que se acham nele são água. A matéria solidificada, isto é, carne e ossos, são terra. Os corpos (das criaturas vivas) são feitos dessa maneira dos cinco elementos (primevos). Todos os objetos móveis e imóveis são feitos destes cinco elementos. Os cinco sentidos também das criaturas vivas partilham dos cinco elementos. O ouvido partilha das propriedades do espaço, o nariz da terra; a língua da água; o tato do vento; e os olhos da luz (do Fogo).'” "Bharadwaja disse, 'Se todos os objetos móveis e imóveis são compostos destes cinco elementos, por que é que em todos os objetos imóveis aqueles elementos não são visíveis? As árvores não parecem ter qualquer calor. Elas não parecem ter algum movimento. Elas também são compostas de partículas densas. Os cinco elementos não são evidentes nelas. Árvores não ouvem, elas não vêem; elas não são capazes de ter percepções de cheiro ou gosto. Elas também não têm a percepção de tato. Como então elas podem ser consideradas como compostas dos cinco elementos (primevos)? Me parece que pela ausência de algum material líquido nelas, de calor, de terra, de vento, e de espaço vazio, as árvores não podem ser consideradas como compostas dos cinco elementos (primevos).'” "Bhrigu disse, 'Sem dúvida, embora possuam densidade, as árvores têm espaço dentro delas. A manifestação de flores e frutos está sempre ocorrendo nelas. Elas têm calor dentro de si pelo qual folhas, cascas, frutos, e flores são vistos murcharem. Elas ficam doentes e secam completamente. Isso mostra que elas têm percepção de tato. Pelo som do vento e do fogo e do trovão, seus frutos e flores caem. O som é percebido pelo ouvido. Árvores têm, portanto, ouvidos, e ouvem. Uma trepadeira se enrola ao redor de uma árvore e a circula por todos os seus lados. Uma coisa cega não pode achar seu caminho. Por esta razão é evidente que as árvores têm visão. Então também árvores recuperam vigor e dão flores por influência de odores, bons e maus, do perfume sagrado de diversas espécies de dhupas. É claro que as árvores têm olfato. (Isto é certamente curioso pois mostra que os antigos hindus sabiam como tratar plantas doentes e devolver vigor a elas.) Eles bebem água por suas raízes. Elas pegam doenças de vários tipos. Aquelas doenças também são curadas por diferentes operações. Disto é evidente que árvores têm percepções de paladar. Como alguém pode sugar água através de um talo de lótus dobrado, as árvores também, com a ajuda do vento, bebem por suas raízes. Elas são sensíveis ao prazer e à dor, e crescem quando cortadas ou podadas. A partir dessas circunstâncias eu vejo que as árvores têm vida. Elas não são inanimadas. Fogo e vento fazem a água assim sugada ser digerida. De acordo, também, com a quantidade da água tomada, a árvore avança em crescimento e fica úmida. Nos corpos de todas as coisas móveis os cinco elementos se encontram. Em cada um as proporções são diferentes. É por causa destes cinco elementos que objetos móveis podem mover seus corpos. Pele, carne, ossos, medula, e artérias e veias, que existem juntos no corpo são feitos de terra. Energia, ira, olhos, calor interno, e aquele outro calor que digere o alimento ingerido, estes cinco, constituem o fogo que se encontra em todas as criaturas incorporadas. Os ouvidos, narinas, boca, coração, e estômago, estes cinco, constituem o elemento de espaço que se encontra nos corpos de criaturas vivas. Fleuma, bílis, suor, gordura, sangue, são os cinco tipos de água que se encontram nos corpos móveis. Pelo ar chamado Prana uma criatura viva é permitida se mover. Por aquele chamado Vyana, ela aplica força para ação. Aquele chamado Apana se move para baixo. Aquele chamado Samana reside dentro do coração. Através daquele chamado Udana uma pessoa arrota e pode falar por ele passar através (dos pulmões, da garganta, e da boca). Estes são os cinco tipos de vento que fazem uma criatura incorporada viver e se mover. As propriedades do olfato uma criatura incorporada conhece pelo elemento terra nele. Do elemento água ela percebe o gosto. Do elemento fogo representado pelos olhos, ela percebe formas, e do elemento vento ela obtém a percepção do tato. Aroma, toque, gosto, visão, e som, são considerados como as propriedades (gerais) de todos os objetos móveis e imóveis. Eu falarei primeiro dos vários tipos de aroma. Eles são agradáveis, desagradáveis, doces, pungentes, os que vão longe, variados, secos, indiferentes. Todos estes nove tipos de cheiro estão fundados sobre o elemento terra. A luz é vista pelos olhos e o toque pelo elemento vento. Som, toque, visão e paladar são as propriedades da água. Eu falarei agora (em detalhes) da percepção do paladar. Ouça-me. Rishis de grande alma têm falado de diversos tipos de gosto. Eles são doce, salgado, amargo, adstringente, azedo, e pungente. Estes são os seis tipos de gostos concernentes ao elemento água. A luz contribui para a visão da forma. A forma é de diversos tipos. Baixa, alta, grossa, quadrada, redonda, branca, preta, vermelha, azul, amarela, avermelhada, dura, brilhante, lisa, oleosa, macia, e terrível. Estes são os dezesseis diferentes tipos de forma que constituem a propriedade da luz ou visão. A propriedade do elemento vento é o toque. O toque é de vários tipos: quente, frio, agradável, desagradável, indiferente, queimante, suave, macio, leve, e pesado. Ambos, som e toque, são as duas propriedades do elemento vento. Estas são as onze qualidades que concernem ao vento. O espaço tem uma única propriedade. Ela é chamada de som. Eu agora te falarei dos diferentes tipos de som. Eles são as sete notas originais chamadas Shadja, Rishabha, Gandhara, Mahdhyama, Panchama, Dhaivata e Nishada. Estes são os sete tipos da propriedade que concerne ao espaço. O som é inerente como o Ser Supremo em todo o espaço embora ligado especialmente a tambores e outros instrumentos. Qualquer som que seja ouvido dos tambores pequenos e grandes, e conchas, e nuvens, e carros, e criaturas animadas e inanimadas, estão todos incluídos nestes os sete tipos de som já enumerados. Assim o som, o qual é a propriedade do espaço, é de vários tipos. Os eruditos dizem que o som nasce do espaço. Quando causado pelos diferentes tipos de toque, o qual é a propriedade do vento, ele pode ser ouvido. Ele não pode ser ouvido, no entanto, quando os diferentes tipos de toque estão inativos. Os elementos, se misturando com suas contrapartes no corpo, aumentam e crescem. Água, fogo e ar estão sempre despertos nos corpos de criaturas vivas. Eles são os fundamentos do corpo. Permeando os cinco ares vitais (já mencionados), eles residem no corpo.'" 185 "Bharadwaja disse, 'Como o fogo ou calor corpóreo, entrando o corpo, reside lá? Como também o vento, obtendo espaço para si mesmo, faz o corpo se mover e se esforçar?'” "Bhrigu disse, 'Eu te falarei, ó regenerado, da direção na qual o vento se move, e como, ó impecável, aquele elemento poderoso faz os corpos das criaturas viventes se moverem e se esforçarem. O calor reside dentro da cabeça (cérebro) e protege o corpo (de perecer). O vento ou ar chamado Prana, residindo dentro da cabeça e o calor que lá está, causam todos os tipos de esforço. Aquele Prana é a criatura viva, a alma universal, o Ser eterno, e a Mente, Intelecto, e Consciência de todas as criaturas vivas, como também todos os objetos dos sentidos. Assim a criatura viva é, em todos os aspectos, feita pelo Prana se mover e se esforçar. Então pelo outro ar chamado Samana, cada um dos sentidos é feito agir como ele age. O ar chamado Apana, recorrendo ao calor que está na uretra e nos intestinos abdominais, se move, empenhado em conduzir urina e fezes para fora. Aquele único ar o qual opera nestes três, é chamado de Udana por aqueles que são familiarizados com ciência. Aquele ar que opera, residindo em todas as juntas dos corpos de homens, é chamado Vyana. Há calor no corpos de criaturas vivas o qual é circulado por todo o sistema pelo ar Samana. Residindo dessa maneira no corpo, aquele ar opera sobre os diferentes tipos de substâncias aquosas e outras substâncias elementares e todos os líquidos orgânicos maus. Aquele calor, residindo entre Apana e Prana, na região do umbigo, opera, com a ajuda daqueles dois ares, na digestão de todo alimento que é ingerido por uma criatura viva. Há um ducto que começa na boca e vai até o canal anal. Sua extremidade é chamada de ânus. Deste ducto principal numerosos ductos secundários se ramificam nos corpos de todas as criaturas vivas. (A palavra para ducto é Srotas. Ela também pode ser traduzida 'canal'. Muito semelhante à artéria principal ou aorta.) Em consequência do movimento rápido dos vários ares citados acima (através desses ductos), aqueles ares se misturam. O calor (que reside em Prana) é chamado de Ushman. É este calor que causa a digestão em todas as criaturas possuidoras de corpos. O ar chamado Prana, o portador de uma corrente de calor, desce (da cabeça) até a extremidade do canal anal e dali é enviado para cima mais uma vez. Voltando para seu assento na cabeça, ele mais uma vez manda para baixo o calor que ele carrega. Abaixo do umbigo é a região de matéria digerida. Acima dele está aquela para o alimento que é ingerido. No umbigo estão todas as forças de vida que sustentam o corpo. Incitados pelos dez tipos de ares tendo Prana como seu principal, os ductos (já mencionados), se ramificando a partir do coração, transportam os sucos líquidos que o alimento concede, para cima, para baixo, e em direções transversais. O ducto principal que vai da boca ao ânus é o caminho pelo qual yogins, vencedores da fadiga, de perfeita equanimidade em alegria e tristeza, e possuidores de grande paciência, conseguem alcançar Brahma por manterem a alma dentro do cérebro. (Em trabalhos sobre yoga é declarado que o ducto principal deve ser trazido sob o controle da vontade. A alma pode então, por um ato de volição, ser afastada do sistema físico inteiro nas convoluções do cérebro na cabeça. O cérebro, na linguagem de yogins, é um lótus de mil pétalas. Se a alma for recolhida dentro dele, a criatura viva então ficará livre da necessidade de alimento e sono, etc., e viverá de era em era, absorvida em contemplação da divindade e em perfeita beatitude.) Dessa maneira o calor pulsa nos ares chamados Prana e Apana e outros, de todas as criaturas incorporadas. Aquele calor está sempre queimando lá como um fogo colocado em algum recipiente (visível).'” 186 "Bharadwaja disse, 'Se é o vento que nos mantém vivos, se é o vento que causa nosso movimento e esforço, se é o vento que nos faz respirar e falar, então parece que a vida vale pouco. Se o calor animal (que digere todo o alimento) é da natureza do fogo, e se é aquele fogo que ajuda na digestão por dissolver o alimento que ingerimos, então a vida vale pouco. Quando um animal morre, aquilo que é chamado de sua vida nunca é visto deixando-o. Somente a respiração o deixa, e o calor interno se extingue. Se a vida fosse nada mais do que vento, ou se a vida dependesse somente do vento, ela então poderia ser vista como o oceano de ar externo, e quando partindo ela se misturaria com aquele ar. Se a vida depende do ar, e se ela termina com a fuga daquele ar do corpo, ela então se misturaria com outra porção de ar (que existe fora) como uma porção de água escapando para o grande oceano e assim somente mudando seu lugar de residência. Se uma quantidade de água é jogada em um poço, ou se a chama de uma lâmpada é jogada em um fogo ardente, eles, entrando em um elemento homogêneo, perdem sua existência independente ou separada. Se a vida fosse ar, ela também, quando o animal morresse, se misturaria com o grande oceano de ar exterior. Como nós podemos dizer que há vida neste corpo animal que é composto dos cinco elementos (primordiais)? Se um daqueles elementos desaparece, a união dos outros quatro se dissolve. O elemento água seca se alimento não for ingerido. O elemento ar desaparece se a respiração for impedida. O elemento espaço desaparece se as excreções cessam. Assim também o elemento fogo se extingue se não entra alimento. O elemento terra se rompe em pedaços por causa de doenças, ferimentos, e outros sofrimentos. Se somente um dos cinco vem a ser afligido, a união sendo dissolvida, os cinco partem em cinco direções diferentes. Quando o corpo o qual é uma união dos elementos, vem a ser separado em cinco componentes, para onde a vida vai? O que ela sabe então? O que ela ouve? O que ela diz? Esta vaca (que é doada para um Brahmana santo), isto é dito, me resgatará no outro mundo. O próprio animal, no entanto, que é doado, morre. Quem então esta vaca resgatará? O recebedor da vaca (em doação) e o doador são iguais (ambos estando sujeitos à morte). Ambos encontram com a extinção neste mundo. Como então eles se encontrarão novamente? Como a pessoa que foi comida por aves, ou aquela que foi quebrada em pedaços por uma queda de um topo de montanha, ou que foi consumida pelo fogo, recupera vida? A raiz de uma árvore que foi derrubada não cresce outra vez. Somente as sementes manifestam brotos. Onde está a pessoa que tendo morrido volta (para algum novo tipo de existência)? Somente sementes foram criadas originalmente. Todo este universo é o resultado de sementes em sucessão. Aqueles que morrem, morrem para perecer. Sementes resultam de sementes.'" 187 "Bhrigu disse, 'Não há destruição da criatura viva, ou daquilo que é doado, ou de nossas outras ações. A criatura que morre somente entra em outra forma. Somente o corpo se dissolve. A criatura viva, embora dependente do corpo, não encontra destruição quando o corpo é destruído. Ela não é vista depois da destruição da forma física assim como o fogo não é visto depois do consumo do combustível com qual ele foi aceso.'” "Bharadwaja disse, 'Se não há destruição da criatura viva como aquela do fogo, eu alego, o próprio fogo não é visto depois do consumo do combustível (que o acendeu). Quando o abastecimento de combustível é parado, o fogo se extingue, e, tanto quanto eu sei, vem a ser aniquilado. Certamente deve ser considerado como destruído aquilo que não tem mais nenhuma ação, que não fornece prova de sua existência, e que não mais ocupa qualquer espaço.'” "Bhrigu disse, 'É verdade que após o consumo do combustível o fogo não é mais visto. Ele se mistura com o espaço porque não há mais qualquer objeto visível no qual inerir, e então não pode ser percebido por nós. Similarmente, após deixar o corpo, a criatura vive no espaço, e não pode ser vista por causa de sua extrema subtilidade, como é sem dúvida o caso com o fogo. É o fogo ou calor que sustenta os ares chamados Prana e os outros. Saiba que aquele calor (existindo dessa maneira) é chamado de vida ou agente vivo. Aquele calor o qual é o sustentador dos ares se extingue pela supressão da respiração. Após aquele calor no corpo físico ser extinto, a própria forma perde animação. Perecendo, ela é transformada em terra, pois este é o seu destino final. O ar que está em todos os objetos móveis e imóveis se mistura com o espaço, e o calor que está neles segue aquele ar. Estes três (isto é, espaço, ar, e fogo), se misturam. Os outros dois (isto é, água e terra), existem juntos na forma de terra. Há vento onde há espaço, e há fogo onde há vento. Eles são informes, isso deve ser conhecido, e se tornam dotados de forma somente em relação às criaturas incorporadas.'” "Bharadwaja disse, 'Se nos corpos físicos de todas as criaturas vivas há calor, vento, terra, espaço e água, quais, então, são as indicações do agente vivo? Diga- me isto, ó impecável! Eu desejo conhecer a natureza da vida que está nos corpos dos seres vivos, corpos feitos dos cinco elementos primordiais, empenhados nas cinco ações, dotados dos cinco sentidos e possuidores de animação. Após a dissolução do corpo que é uma união de carne e sangue, e uma massa de gordura, tendões e ossos, aquele que é o agente vivo não pode ser visto. Se este corpo, composto dos cinco elementos, for desprovido do que é chamado de vida, quem ou o que então é aquilo que sente tristeza pelo aparecimento de dor mental ou corporal? O agente vivo ouve o que é dito, com a ajuda dos ouvidos. Acontece, no entanto, ó grande Rishi, que o mesmo agente não ouve quando a Mente está ocupada de outra maneira. Parece, portanto, que aquele que é chamado de agente vivo não serve um propósito. Toda a cena que o agente vivo vê com olhos agindo em companhia da mente, a visão não contempla, mesmo quando colocada diante dele, se a mente está ocupada de outra maneira. Então, também, quando ele está sob a influência do sono, aquele agente nem vê nem cheira, nem ouve, nem fala, nem experimenta as percepções de tato e paladar. Quem ou o que então é aquilo que sente alegria, fica zangado, se entrega à tristeza, e experimenta tribulação? O que é aquilo que deseja, pensa, sente aversão, e profere palavras?'” "Bhrigu disse, 'A mente também é feita dos cinco elementos em comum com o corpo. Por esta razão ela é sem importância em relação às ações mencionadas por ti. Somente a Alma interna sustenta o corpo. É ela que percebe cheiro, gosto, som, toque e forma e outras propriedades (que existem na natureza externa). Aquela Alma, permeando todos os membros, é a testemunha (dos atos) da mente dotada de cinco atributos e residindo dentro do corpo composto dos cinco elementos. É ela que sente prazer e dor, e quando separada dela o corpo não mais as experimenta. Quando não há mais qualquer percepção de forma ou de tato, quando não há calor no fogo que reside dentro do corpo, de fato, quando aquele calor animal se extingue, o corpo, em consequência de seu abandono pela Alma, encontra a destruição. O universo inteiro é composto de água. A água é a forma de todas as criaturas incorporadas. Naquela água está a Alma a qual está manifestada na mente. Aquela Alma é o Criador Brahman que existe em todas as coisas. Quando a Alma se torna dotada de atributos grosseiros, ela vem a ser chamada de Kshetrajna. Quando livre daqueles atributos, ela vem a ser chamada de Paramatman ou Alma Suprema. Conheça aquela Alma. Ela é inspirada com benevolência universal. Ela reside no corpo como uma gota de água em um lótus. Conheça bem aquilo que é chamado de Kshetrajna e que tem benevolência universal. Ignorância, Paixão, e Bondade são as qualidades do agente vivo. Os eruditos dizem que a Alma tem Consciência e existe com as qualidades da vida. A alma se manifesta e faz tudo se manifestar. Pessoas que têm um conhecimento da Alma dizem que a Alma é diferente da vida. É a Alma Suprema que cria os sete mundos e os coloca em andamento. Não há destruição do agente vivo quando a dissolução do corpo ocorre. Homens desprovidos de inteligência dizem que ele morre. Isto é certamente falso. Tudo o que um agente vivo faz é ir de um corpo para outro. Aquilo que é chamado de morte é somente a dissolução do corpo. É assim que a Alma, envolvida em diversas formas, migra de forma para forma, despercebida e não notada por outros. Pessoas possuidoras de Conhecimento verdadeiro contemplam a Alma por meio de sua inteligência sutil e aguçada. O homem de sabedoria, vivendo de alimentação frugal, e com coração limpo de todos os pecados, se dedicando à meditação yoga, consegue toda noite, antes e depois do sono, contemplar sua Alma pela ajuda de sua Alma. (É dito frequentemente que em um estágio avançado de yoga uma pessoa é capacitada a ver sua própria Alma, ou, um tipo de existência dupla é percebido pelo qual a Alma se torna um objeto de visão interna para a própria Alma.) Por um coração contente, e por abandonar todas as ações boas e más, uma pessoa pode obter felicidade infinita por confiar na própria Alma. O rei, de refulgência ardente, residindo dentro da mente é chamado de agente vivo. É daquele Senhor de tudo que esta criação tem surgido. Esta é a conclusão a que se chega pela pesquisa sobre a origem das criaturas e da alma.'” 188 "Bhrigu disse, 'Brahman primeiro criou uns poucos Brahmanas que vieram a ser chamados de Prajapatis (senhores da criação). Possuidores de esplendor igual àquele do fogo ou do Sol, eles foram criados da energia daquele Ser Primogênito. O pujante Senhor então criou a Verdade, o Dever, a Penitência, os Vedas eternos, todos os tipos de atos virtuosos, e a Pureza, para permitir às criaturas alcançarem o céu (por praticá-las). Depois disso, as Divindades e os Danavas, os Gandharvas, os Daityas, os Asuras, as grandes cobras, os Yakshas, os Rakshasas, as Serpentes, os Pisachas, e os seres humanos com suas quatro divisões, isto é, Brahmanas, Kshatriyas, Vaisyas, e Sudras, ó melhor dos regenerados, e todas as outras classes de criaturas que existem, foram criadas. A cor que os Brahmanas obtiveram foi o branco (Bondade, Sattwa); a que os Kshatriyas obtiveram foi o vermelho (Paixão, Rajas); a dos Vaisyas foi o amarelo (Bondade e Paixão, Sattwa e Rajas); e a que foi dada aos Sudras foi a preta (Ignorância, Tamas).'” "Bharadwaja disse, 'Se a distinção entre as quatro classes (de seres humanos) for feita somente por meio da cor (atributo), então parece que todas as quatro ordens estão misturadas. Luxúria, ira, medo, cupidez, dor, ansiedade, fome, fadiga, dominam e prevalecem sobre todos os homens. Como os homens podem ser diferenciados pela posse de atributos? Os corpos de todos os homens emitem suor, urina, fezes, fleuma, bílis, e sangue. Como então os homens podem ser divididos em classes? De objetos móveis o número é infinito; as espécies também de objetos imóveis são inumeráveis. Como, então, objetos de tão grande diversidade podem ser distribuídos em classes?'” "Bhrigu disse, 'Realmente não há distinção entre as diferentes classes. O mundo inteiro a princípio consistia em Brahmanas. Criados (iguais) por Brahman, os homens, por causa de suas ações, vieram a ser divididos em classes diferentes. Aqueles que se tornaram aficionados em satisfazer o desejo e desfrutar de prazeres, possuidores dos atributos de severidade e ira, dotados de coragem, e negligentes aos deveres de piedade e culto, aqueles Brahmanas possuidores do atributo de Paixão, se tornaram Kshatriyas. Aqueles Brahmanas que, sem cumprirem os deveres prescritos para eles, se tornaram possuidores de ambas as qualidades de Bondade e Paixão, e adotaram as profissões de criação de gado e agricultura, se tornaram Vaisyas. Aqueles Brahmanas que se tornaram afeiçoados à mentira e a prejudicar outras criaturas, possuidores de cobiça, empenhados em todos os tipos de ações para viver, e que se desviaram da pureza de comportamento, e assim se ligaram ao atributo de Ignorância, se tornaram Sudras. Separados por estas ocupações, os Brahmanas, se afastando de sua própria classe, se tornaram membros das outras três ordens. Todas as quatro classes, portanto, têm sempre o direito à realização de todas as funções virtuosas e de sacrifícios. Assim mesmo as quatro classes a princípio foram criadas iguais por Brahman que ordenou para todas elas (as observâncias expostas) nas palavras de Brahma (nos Vedas). Somente pela cobiça, muitos decaíram, e foram possuídos pela ignorância. Os Brahmanas estão sempre dedicados às escrituras sobre Brahma; e conscientes de votos e restrições, são capazes de apreender o conceito de Brahma. Suas penitências, portanto, nunca são em vão. Aqueles entre eles que não são Brahmanas são incapazes de compreender que cada coisa criada é o Brahma Supremo. Estes, decaindo, se tornam membros das diversas classes (inferiores). Perdendo a luz do conhecimento, e se dirigindo a uma conduta desregrada, eles tomam nascimento como Pisachas e Rakshasas e Pretas e como indivíduos das diversas espécies Mleccha. Os grandes Rishis que no início surgiram (pela Vontade de Brahman) posteriormente criaram, por meio de suas penitências, homens dedicados aos deveres ordenados para eles e ligados aos ritos declarados nos Vedas Eternos. Aquela outra Criação, no entanto, que é eterna e imperecível, que é baseada em Brahma e que surgiu do Deus Primevo, e que tem seu refúgio em yoga, é uma criação mental.'" (A distinção aqui declarada parece ser esta: a criação eterna é devido ao yoga ou ação mental da Divindade Primeva. Esta criação que nós vemos é o resultado das penitências daqueles sábios que foram criados primeiro. Talvez, o que se queira dizer é que o princípio de vida, de vida procedendo de vida, e a matéria primordial com espaço, etc., são todos devidos à ordem de Deus; enquanto todos os objetos visíveis e tangíveis, provenientes da ação daqueles princípios e da matéria primordial e espaço, são atribuíveis aos sábios antigos.) "Bharadwaja disse, 'Por quais ações alguém se torna um Brahmana? Por quais, também, alguém se torna um Kshatriya? Ó melhor dos regenerados, por quais atos alguém se torna um Vaisya ou um Sudra? Diga-me isto, ó principal dos oradores.'” "Bhrigu disse, 'É chamado de Brahmana aquele que é santificado por tais ritos como aqueles chamados jata e outros; que é puro em comportamento; que é devotado a estudar os Vedas; que é dedicado às seis ações bem conhecidas (de abluções toda manhã e noite, recitação silenciosa de mantras, despejar libações no fogo sacrifical, cultuar as divindades, cumprir os deveres de hospitalidade para com os convidados, e oferecer comida aos Viswedevas); que é devidamente observador de todas as ações pias; que nunca ingere alimento sem tê-lo oferecido devidamente aos deuses e convidados; que é cheio de reverência por seu preceptor; e que está sempre dedicado a votos e verdade. É chamado de Brahmana aquele em quem há verdade, caridade, abstenção de dano a outros, compaixão, vergonha, benevolência, e penitência. Aquele que é dedicado à profissão de batalha, que estuda os Vedas, que faz doações (para Brahmanas) e tira riqueza (daqueles a quem ele protege) é chamado de Kshatriya. Aquele que ganha fama por criar gado, que está empenhado em agricultura e nos meios de adquirir riqueza, que é puro em comportamento e atento ao estudo dos Vedas, é chamado de Vaisya. Aquele que tem prazer em comer todos os tipos de alimento, que está empenhado em fazer todas as espécies de trabalho, que é impuro em comportamento, que não estuda os Vedas, e cuja conduta é impura, é considerado um Sudra. Se estas características forem observáveis em um Sudra, e se elas não forem encontradas em um Brahmana, então tal Sudra não é Sudra, e, tal Brahmana não é Brahmana. Por todos os meios a cobiça e a ira devem ser refreadas. Isto como também o autodomínio, são os maiores resultados do Conhecimento. Aquelas duas paixões (cobiça e ira), devem, com toda a coragem, ser resistidas. Elas fazem seu aparecimento para destruir o maior bem de alguém. Uma pessoa deve sempre proteger sua prosperidade de sua ira, suas penitências do orgulho; seu conhecimento de honra e desonra; e sua alma do erro. Aquela pessoa inteligente, ó regenerado, que faz todos os atos sem desejo de resultado, cuja riqueza inteira existe para a caridade, e que realiza o Homa diário, é um verdadeiro Renunciante. Uma pessoa deve se comportar como um amigo para todas as criaturas, se abstendo de todos os atos de injúria. Rejeitando a aceitação de todas as doações, ela deve, pela ajuda de sua própria inteligência, dominar completamente suas emoções. Ela deve viver em sua própria alma onde não pode haver aflição. Então ela não terá medo aqui e alcançará uma região sem medo após a morte. Ela deve viver sempre dedicada a penitências, e com todas as paixões completamente refreadas; cumprindo o voto de taciturnidade, e com alma concentrada em si mesma; desejosa de conquistar os sentidos indomados, e livre no meio das atrações. Todas as coisas que podem ser percebidas pelos sentidos são chamadas de Manifestas. Deve-se procurar conhecer, entretanto, tudo o que é Imanifesto, que está além da compreensão dos sentidos, que pode ser averiguado somente pelos sentidos sutis. (O mundo grosseiro é perceptível pelos sentidos comuns. Além do mundo grosseiro há um sutil o qual os sentidos sutis, isto é, os sentidos afiados por meio de yoga, podem perceber. Com a morte, somente o corpo é dissolvido. O corpo ou forma sutil, chamado de Linga-sarira, e composto do que é chamado de Tanmatras dos elementos primordiais, permanece. Ele retém todas as características do mundo em uma forma incipiente. O Linga-sarira também deve ser destruído antes que a absorção em Brahma possa ocorrer.) Se não há fé, nunca se conseguirá obter aquele sentido sutil. Portanto, uma pessoa deve se manter na fé. A mente deve ser unida com Prana, e Prana deve então ser mantido dentro de Brahma. Por se dissociar de todos os apegos alguém pode obter absorção em Brahma. Não há necessidade de se dedicar a qualquer outra coisa. Um Brahmana pode facilmente alcançar Brahma pelo caminho da Renúncia. As indicações de um Brahmana são pureza, bom comportamento e compaixão por todas as criaturas.'" 190 "Bhrigu disse, 'Verdade é Brahma; Verdade é Penitência; é a Verdade que cria todas as criaturas. É pela Verdade que todo o universo é mantido; e é com a ajuda da Verdade que alguém vai para o céu. A mentira é somente outra forma de Ignorância. É a Ignorância que leva para baixo. Aqueles que são afligidos pela Ignorância e cobertos por ela fracassam em ver as regiões iluminadas do céu. É dito que o Céu é Luz e que o Inferno é Escuridão. As criaturas que moram no universo alcançam ambos, céu e inferno. Neste mundo também, verdade e mentira levam a rumos de conduta opostos e a direções opostas, tais como Justiça e Injustiça, luz e escuridão, prazer e dor. Entre esses, aquilo que é Verdade é Justiça; aquilo que é Justiça é Luz; e aquilo que é Luz é Felicidade. Do mesmo modo, aquilo que é Mentira é Injustiça; aquilo que é Injustiça é Escuridão; e aquilo que é Escuridão é Tristeza ou Miséria. Em relação a isso é dito que aqueles que possuem sabedoria, vendo que o mundo de vida é oprimido pela tristeza, corporal e mental, e pela felicidade que sempre termina em miséria, nunca se permitem ser entorpecidos. Aquele que é Sábio se esforçará para se salvar da tristeza. A felicidade das criaturas vivas é instável neste e no outro mundo. (A felicidade que é obtida no céu não é perpétua, sendo limitada em relção à duração pelo grau ou extensão de mérito que é obtido aqui.) A felicidade de criaturas que estão dominadas pela Ignorância desaparece como o esplendor da Lua quando afligida por Rahu. (A teoria Purânica sobre o eclipse solar e lunar é que o Daitya Rahu procura devorar o Sol e a Lua.) É dito que a felicidade é de dois tipos, isto é, física e mental. Neste e no outro mundo, os frutos visíveis e invisíveis (das ações) são especificados (nos Vedas) por causa da felicidade. (Os Vedas declaram aqueles frutos para que os homens possam se esforçar por eles quando eles levam à felicidade.) Não há nada mais importante do que a felicidade entre os frutos ou consequências do agregado triplo. A felicidade é desejável. Ela é um atributo da Alma. Virtude e Lucro são procurados por causa dela. A virtude é sua base. Esta, de fato, é sua origem. Todas as ações têm por fim a obtenção de felicidade.'” "Bharadwaja disse, 'Você disse que a felicidade é o maior objetivo, eu não compreendo isso. Este atributo da alma que (você diz) é tão desejável não é procurado pelos Rishis que são considerados como estando dedicados a algo que promete uma recompensa superior. É sabido que o Criador dos três mundos, isto é, o pujante Brahman, vive sozinho, observador do voto de Brahmacharya. Ele nunca se dedica à felicidade obtenível da satisfação do desejo. Também, o Mestre divino do universo, o marido de Uma, reduziu Kama (a divindade do desejo) à extinção. Por esta razão, nós dizemos que a felicidade não é aceitável para pessoas de grande alma. Nem ela parece ser uma qualidade superior da Alma. Eu não posso pôr fé no que tua pessoa divina disse, isto é, que não há nada mais elevado do que a felicidade. Que há dois tipos de consequências em relação aos nossos atos, isto é, o surgimento de felicidade das boas ações e de tristeza das ações pecaminosas, é somente um ditado que é corrente no mundo.'” "Bhrigu disse, 'Sobre isto é dito o seguinte: da Mentira surge Ignorância. Aqueles que estão oprimidos pela Ignorância seguem somente a Injustiça e não a Justiça, sendo dominados por ira, cobiça, malícia, falsidade, e males similares. Eles nunca obtêm felicidade aqui ou após a morte. Por outro lado, eles são afligidos por várias espécies de doenças e dores e incômodos. Eles são também torturados por Morte, prisão, e diversas outras aflições daquele tipo, e pelas tristezas, como fome e sede e fadiga. Eles são também atormentados por numerosas aflições corpóreas que provêm de chuva e vento e calor ardente e frio excessivo. Eles são também afligidos por numerosas angústias mentais causadas por perda de riqueza e separação de amigos, como também por aflições causadas por decrepitude e morte. Aqueles que não são tocados por esses diversos tipos de aflições físicas e mentais sabem o que é felicidade. Esses males nunca são encontrados no céu. Lá sopram brisas deliciosas. No céu há também uma fragrância perpétua. No céu não há fome, nem sede, nem decrepitude, nem pecado. Neste mundo há felicidade e miséria. No inferno há somente miséria. Portanto, a felicidade é o maior objetivo de conquista. A Terra é a progenitora de todas as criaturas. As fêmeas partilham de sua natureza. O animal masculino é como o próprio Prajapati. A semente vital, isto deve ser conhecido, é a energia criativa. Desta maneira Brahman ordenou nos tempos passados que a criação deveria continuar. Cada um, afetado por suas próprias ações, obtém felicidade ou miséria.'" 191 "Bharadwaja disse, 'Qual é citada como a consequência da caridade? Qual da Justiça? Qual da conduta? Qual das Penitências bem realizadas? Qual do estudo e recitação dos Vedas? E qual de despejar libações sobre o fogo?'” 'Bhrigu disse, 'Por despejar libações no fogo sagrado o pecado é queimado. Pelo estudo dos Vedas se obtém tranquilidade abençoada. Pela caridade se obtém prazer e artigos de prazer. Por Penitências, alguém alcança o céu abençoado. É dito que as doações são de duas espécies: doações pelo outro mundo, e aquelas por este. O que quer que seja dado aos bons serve ao doador no outro mundo. O que quer que seja dado para aqueles que não são bons produz consequências agradáveis aqui. As consequências das doações são compatíveis com as próprias doações.'” "Bharadwaja disse, 'Qual curso de deveres deve ser realizado por quem? Quais são também as características do dever? Quantos tipos de dever existem? Cabe a ti me dizer isto.'” "Bhrigu disse, 'Aqueles homens sábios que estão engajados em praticar os deveres prescritos para eles conseguem alcançar o céu como sua recompensa. Por fazerem de outra maneira as pessoas se tornam culpadas de insensatez.'” "Bharadwaja disse, 'Cabe a ti me falar acerca dos quatro modos de vida que foram declarados antigamente por Brahman, e das práticas ordenadas para cada um deles.'” "Bhrigu disse, 'Nos tempos passados, o divino Brahman, para beneficiar o mundo, e para a proteção da virtude, indicou quatro modos de vida. Entre eles, habitar na residência do preceptor é mencionado como o primeiro (em ordem de tempo). Quem está neste modo de vida deve ter sua alma limpa por pureza de conduta, por ritos Védicos, e por restrições e votos e humildade. Ele deve adorar o crepúsculo da manhã e da noite, o Sol, seu próprio fogo sagrado, e as divindades. Ele deve rejeitar procrastinação e ociosidade. Ele deve purificar sua alma por saudar seu preceptor, por estudar os Vedas, e por escutar as instruções de seu preceptor. Ele deve realizar suas abluções três vezes (isto é, de manhã, meio-dia, e à noite). Ele deve levar uma vida de celibato; cuidar de seu fogo sagrado; servir respeitosamente seu preceptor; sair diariamente em uma ronda da mendicância (para se sustentar); e dar de bom grado para seu preceptor tudo o que foi obtido em esmolas. Cumprindo de boa vontade tudo o que as ordens do preceptor possam indicar, ele deve estar preparado para receber tanta instrução Védica quanto seu preceptor possa dar a ele como um favor. (Um pupilo nunca deve pedir instrução a seu preceptor. Ele deve atender somente quando o preceptor o chamar. Até hoje, a regra é observada rigidamente em todos os Tols por toda a Índia. Deve ser adicionado para o crédito daqueles empenhados em ensinar que eles muito raramente negligenciam seus pupilos.) Sobre este assunto há um verso: O Brahmana que obtém seu Veda por servir seu preceptor com reverência consegue alcançar o céu e obter a realização de todos os seus desejos. O modo de vida familiar é considerado o segundo (na questão de tempo). Nós lhe explicaremos todas as ações pias e indicações daquele modo. Aqueles que tendo completado sua residência na casa do preceptor voltam para casa, cuja conduta é virtuosa, que desejam os resultados de um comportamento virtuoso com cônjuges em sua companhia, têm este modo de vida ordenado para eles. Nele Virtude, Riqueza, e Prazer, todos podem ser obtidos. Ele é, (dessa maneira) apropriado para cultivo do agregado triplo. Adquirindo riqueza por meio de ações irrepreensíveis, ou com riqueza de grande eficácia que é obtida da recitação dos Vedas, ou vivendo de tais meios como os que são utilizados pelos Rishis regenerados (isto é, apanhando grãos caídos do campo depois que a safra foi cortada e removida pelo proprietário), ou com os produtos de montanhas e minas, ou com a riqueza representada pelas oferendas feitas em sacrifícios e no término de votos e outras observâncias, e aquelas feitas às divindades, o chefe de família deve seguir esse modo de vida. Este modo de vida é considerado como a base de todos os outros. Aqueles que são residentes nas casas de preceptores, aqueles que levam vidas de mendicância, e outros que vivem na observância de votos e restrições nos quais eles estão empenhados, derivam deste modo os meios dos quais eles vivem, as oferendas que eles fazem aos Pitris e às divindades, em resumo, todo o seu sustento. O terceiro modo de vida é chamado de Vida na Floresta. Para aqueles que o seguem, não há armazenamento de riqueza e artigos. Geralmente, aqueles homens bons e virtuosos, subsistindo de boa comida, e dedicados a estudar os Vedas, vagam pela terra para viajar para tirthas e visitar diversos reinos. Ficar de pé, se adiantar, proferir palavras gentis em sinceridade, fazer doações de acordo com a medida da competência do doador, oferecer assentos e camas do melhor tipo, e presentes de alimentos excelentes, são alguns dos meios para lhes mostrar respeito. Sobre esse assunto há um verso: Se um convidado vai embora de uma casa com expectativas não satisfeitas, supõe-se que ele leva os méritos do chefe de família e deixa ao último todos os seus delitos. Então também no modo de vida familiar as divindades são gratificadas por sacrifícios e outros ritos religiosos; os Pitris pela realização de ritos fúnebres; os Rishis pelo cultivo de conhecimento (Védico), por ouvir as instruções de preceptores, e por encerrar na memória as escrituras; e por fim o Criador por gerar filhos. (É geralmente dito que por procriar descendência um homem satisfaz os Pitris ou paga o débito que ele tem com seus ancestrais falecidos. Aqui Bhrigu diz que por aquele ato alguém satisfaz o Criador. A idéia é a mesma que forma a base do comando dado aos Judeus, 'Vão e multipliquem.') Sobre este assunto há dois versos: Na observância deste modo de vida deve-se falar para todas as criaturas palavras cheias de afeição e agradáveis para os ouvidos. Causar dor, infligir mortificações, e falar palavras duras é censurável. Insulto, arrogância, e fraude também devem ser evitados. Abstenção de ferir, veracidade, e ausência de ira produzem os méritos de penitências em todos os (quatro) modos de vida. No modo de vida familiar estes são permitidos, isto é, o uso e desfrute de guirlandas florais, ornamentos, mantos, óleos e unguentos perfumados; desfrute de prazeres derivados da dança e da música, vocal e instrumental, e de todas as vistas e cenas agradáveis para a visão; o desfrute de vários tipos de iguarias e bebidas pertencentes às principais classes de víveres, isto é, aqueles que são engolidos, aqueles que são lambidos, aqueles que são bebidos, e aqueles que são chupados; e o desfrute dos prazeres deriváveis de esportes e todos os tipos de diversão e satisfação de desejos. O homem que na observância deste modo de vida procura a aquisição do conjunto triplo (Religião, Riqueza, e Prazer), com aquele grande fim dos três atributos de Bondade e Paixão e Ignorância (o fim destes atributos é Moksha ou Emancipação), desfruta de grande felicidade aqui e finalmente alcança ao fim que está reservado para pessoas que são virtuosas e boas. Mesmo aquele chefe de família que cumpre os deveres de seu modo de vida por seguir a prática de apanhar grãos de cereais caídos nas fendas dos campos, e que abandona o prazer sensual e apego à ação, não encontra dificuldades em alcançar o céu.'" "Bhrigu disse, 'Reclusos nas florestas procurando a aquisição de virtude vão à águas e rios e fontes sagrados, e fazem penitências em florestas solitárias e retiradas cheias de veados e búfalos e javalis e tigres e elefantes selvagens. Eles abandonam todos os tipos de mantos e comidas e prazeres pelos quais as pessoas vivendo em sociedade têm uma predileção. Eles subsistem abstemiamente de ervas selvagens e frutas e raízes e folhas de diversas espécies. A terra nua é seu assento. Eles deitam na terra nua ou rochas ou seixos ou cascalho ou areia ou cinza. Eles cobrem seus membros com grama e peles de animais e cascas de árvores. Eles nunca raspam suas cabeças e barbas ou aparam suas unhas. Eles realizam suas abluções a intervalos regulares. Eles despejam libações sobre o solo, como também sobre o fogo sagrado na hora apropriada sem falta. Eles nunca desfrutam de algum descanso até terminarem a coleta diária de combustível sagrado (para seus fogos homa) e flores e ervas sagradas (para sacrifício e culto) e até que eles tenham varrido e esfregado para limpar (seus altares sacrificais). Eles suportam sem a darem mínima atenção frio e calor, chuva e vento, e, portanto, a pele de seus corpos está totalmente rachada; e por observarem e prescreverem para si mesmos vários tipos de ritos e votos e ações, sua carne e sangue e pele e ossos se tornam emaciados. Dotados de grande paciência e resistência, eles vivem, sempre praticando a qualidade de bondade. A pessoa que, com alma controlada, observa tal curso de deveres originalmente ordenado por Rishis regenerados, queima todos os seus pecados como fogo e alcança regiões de felicidade difíceis de serem alcançadas.'” "Eu agora descreverei a conduta daqueles chamados Parivrajakas. Ela é a seguinte: se livrando do apego ao fogo sagrado, riquezas, cônjuge e filhos, e mantos, assentos, camas, e outros objetos de prazer, e rompendo os laços de afeição, eles vagueiam, considerando como iguais um pedaço de terra ou rocha e ouro. Eles nunca colocam seus corações na aquisição ou desfrute do agregado triplo. Eles olham igualmente para inimigos e amigos e neutros ou desconhecidos. Eles nunca ferem, em pensamento, palavra, ou ação, coisas imóveis ou criaturas que são vivíparas, ou ovíparas ou nascidas da sujeira, ou chamadas de vegetais. Eles não têm casas. Eles vagam por colinas e montanhas, sobre margens de rios ou mares, sob sombras de árvores, e entre templos de divindades. Eles podem ir para cidades ou aldeias para residência. Em uma cidade, no entanto, eles não devem viver por mais do que cinco noites, enquanto em uma aldeia sua residência nunca deve exceder uma noite. Entrando em uma cidade ou aldeia, eles devem, para manter a vida, ir somente às residências de Brahmanas de atos generosos. (Os hindus não tinham leis para os pobres. As injunções de suas escrituras sempre foram suficientes para manter os pobres, especialmente seus mendicantes religiosos. Os próprios mendicantes são impedidos de perturbar os chefes de família frequentemente. Ninguém exceto os abastados devem ser visitados pelos mendicantes, de modo que homens de recursos escassos não podem ser obrigados a sustentar os reclusos.) Eles nunca devem pedir esmolas exceto a que é lançada na tigela (de madeira) que eles carregam. Eles devem se livrar da luxúria, ira, orgulho, cobiça, ilusão, avareza, falsidade, calúnia, vaidade, e de injúria para criaturas vivas. Sobre este assunto há alguns versos: a pessoa que, observando o voto de taciturnidade, vaga sem causar medo à qualquer criatura, nunca é inspirado por medo por qualquer criatura. A pessoa erudita que realiza o Agnihotra (não por acender fogo externo mas) com a ajuda do fogo que é seu próprio corpo, de fato, que despeja libações em sua própria boca e sobre o fogo que existe em seu próprio corpo, consegue alcançar numerosas regiões de felicidade por aquele fogo ser alimentado com tais libações obtidas por uma vida de mendicância. Aquela pessoa de nascimento regenerado que observa da maneira supracitada este modo de vida que tem a Emancipação como seu fim, com um coração puro e com uma compreensão livre de resolução, alcança Brahma da mesma maneira que um raio tranquilo de luz que não é alimentado por qualquer combustível ardente.'” "Bharadwaja disse, 'Além desta região (que nós habitamos) há uma região da qual nós temos ouvido mas nunca visto. Eu desejo saber tudo acerca dela. Cabe a ti descrevê-la para mim.'” "Bhrigu disse, 'Em direção ao norte, no outro lado de Himavat, que é sagrado e possuidor de todo mérito, há uma região que é sagrada, abençoada, e altamente desejável. Ela é chamada de outro mundo. Os homens que habitam aquela região são justos em ação, virtuosos, de corações puros, livres de cobiça e erros de julgamento, e não sujeitos a aflições de nenhum tipo. Aquela região é, de fato, igual ao céu, possuidora como ela é de tais qualidades excelentes. A Morte chega lá na época apropriada. Doenças nunca tocam os habitantes. Ninguém nutre qualquer desejo pelos cônjuges de outras pessoas. Cada um está dedicado ao seu próprio cônjuge. Aquelas pessoas não afligem ou matam umas às outras, ou cobiçam as coisas umas das outras. Lá nenhum pecado ocorre, nenhuma dúvida surge. (Isto é, todo o conhecimento lá é exato.) Lá os frutos de todas as ações (religiosas) são visíveis. Lá alguns desfrutam de assentos e bebidas e iguarias da melhor espécie, e vivem dentro de palácios e mansões. Lá alguns, adornados com ornamentos de ouro, se circundam com todos os artigos de prazer. Há, também, alguns que comem muito abstemiamente, somente para manter corpo e alma juntos. Lá alguns, com grande esforço, procuram conter os ares vitais (isto é, praticam yoga). Aqui (nesta região que é habitada por nós), alguns homens estão dedicados à justiça e alguns à fraude. Alguns são felizes e alguns são miseráveis; alguns são pobres e outros são ricos. Aqui esforço, medo, ilusão, e fome dolorosa fazem seu aparecimento. Aqui cobiça por riqueza também é vista, uma emoção que entorpece até aqueles que são eruditos entre homens. Aqui diversas opiniões prevalecem, espalhadas por aqueles que fazem atos que são virtuosos ou pecaminosos. Aquele homem possuidor de sabedoria que conhece todas aquelas opiniões, as quais podem ser divididas em dois tipos, nunca é maculado pelo pecado. Engano com fraude, roubo, calúnia, malícia, opressão, injúria, traição, e mentira, e vícios tiram parte do mérito das penitências daquele que as pratica. Aquele, por outro lado, possuidor de conhecimento, que os evita, encontra o mérito de suas penitências aumentado. Aqui há muita reflexão sobre atos que são justos e aqueles que são injustos. Esta região que nós habitamos é o campo de ação. Tendo feito bem e mal aqui, uma pessoa obtém bem por suas boas ações e mal pelas ações que são más. Aqui o próprio Criador nos tempos passados, e todos os deuses com os Rishis, tendo realizado penitências apropriadas, se purificaram e alcançaram Brahma. A parte norte da terra é altamente auspiciosa e sagrada. Aqueles pertencentes a esta região (que nós habitamos) que são fazedores de atos virtuosos ou que mostram respeito por yoga, nascem naquela região. Outros (que são de uma disposição diferente), nascem nas espécies intermediárias. Alguns, também, quando seus períodos determinados se esgotam, se tornam perdidos sobre a terra. Empenhados em se alimentarem uns dos outros e manchados por cobiça e ilusão, estes homens voltam para esta mesma região sem poderem ir (após a morte) para aquela região norte. Aqueles homens de sabedoria que com votos e cumpridores de Brahmacharya escutam com veneração as instruções de preceptores, conseguem conhecer os fins reservados para todas as classes de homens. Eu agora te disse em resumo o curso dos deveres ordenados por Brahman. De fato, é considerado possuidor de inteligência aquele que sabe o que é virtude e qual é seu contrário neste mundo.'” "Bhishma continuou, 'Dessa maneira, ó rei, Bhrigu falou para Bharadwaja de grande energia. De alma altamente virtuosa, o último ficou cheio e admiração e adorou o grande sábio com veneração. Assim, ó monarca, a origem do universo foi narrada para ti em detalhes. O que, ó tu de grande sabedoria, tu desejas saber depois disto?"' 193 "Yudhishthira disse, 'Eu acho, ó avô, que tu és conhecedor de tudo, ó tu que estás familiarizado com os deveres. Eu desejo te ouvir falar, ó impecável, das ordenanças acerca da conduta.'” "Bhishma disse, 'Aqueles que são de má conduta, de más ações, de mente pecaminosa, e impetuosidade excessiva, são chamados de homens maus ou pecaminosos. Aqueles, no entanto, que são chamados de bons são distinguidos por pureza de conduta e práticas. Aqueles que são bons homens nunca respondem chamados da natureza nas rodovias, em currais de vacas, ou em campos cobertos com arrozal. Tendo terminado as ações necessárias uma pessoa deve realizar abluções em rios e gratificar as divindades com oblações de água. É dito que este é o dever de todos os homens. Surya deve ser sempre adorado. Não se deve dormir depois do nascer do sol. De manhã e à noite as orações (ordenadas nas escrituras) devem ser ditas, sentando-se com rosto virado para o leste e para o oeste respectivamente. Lavando os cinco membros (as duas mãos, os dois pés, e o rosto), deve-se comer silenciosamente com rosto virado em direção ao leste. Nunca se deve menosprezar a comida que se tem para comer. Deve-se comer alimento que é bom para o paladar. Depois de comer deve-se lavar as mãos e se levantar. (Esta pode ser uma instrução geral para lavar as mãos depois de comer, ou ela pode se referir ao Gandusha final, isto é, o ato de pegar um pouco de água na mão direita, erguê-la aos lábios, e jogá-la ao chão, repetindo uma fórmula curta.) Nunca se deve adormecer à noite com pés molhados. O Rishi celeste Narada disse que estas são indicações de boa conduta. Deve-se todo dia circungirar um local sagrado, um touro, uma imagem sagrada, um curral, um lugar onde quatro estradas se encontram, um Brahmana virtuoso, e uma árvore sagrada. Não se deve fazer distinções entre seus convidados e servidores e parentes em questões de alimento. Igualdade (a este respeito) com empregados é aprovada. Comer (duas vezes ao dia) de manhã e à noite é uma ordenança dos deuses. Não é prescrito que se deve comer (uma vez mais) em nenhum período intermediário. Aquele que come segundo esta regra adquire o mérito de um jejum. Nas horas ordenadas para Homa deve-se despejar libações no fogo sagrado. Sem procurar a companhia das esposas de outros homens, o homem de sabedoria que procura sua própria esposa no período apropriado adquire o mérito de Brahmacharya. Os restos do prato de um Brahmana são como ambrosia. Eles são como o alimento lácteo que é produzido pelo peito da mãe. As pessoas valorizam muito aqueles restos. Os bons, por comê-los, alcançam Brahma. Aquele que soca turfa para argila (para fazer altares sacrificais), ou que corta as ervas (para fazer combustível sacrifical), ou que usa suas unhas somente (e não armas de qualquer tipo) para comer (carne santificada), ou que sempre subsiste dos restos dos pratos de Brahmanas, ou aquele que age, induzido por desejo de recompensa, não tem que viver muito tempo no mundo. Alguém que tem se abstido de carne (sob algum voto) não deve comê-la mesmo se ela for santificada com mantras do Yajurveda. Deve-se também evitar a carne ao redor da coluna vertebral (de algum animal) e a carne de animais não mortos em sacrifícios. No seu próprio local ou em uma terra desconhecida, nunca se deve fazer um convidado jejuar. Tendo obtido esmolas e outros frutos de atos opcionais, deve-se oferecê-los para os mais velhos. Deve-se sempre oferecer assentos para os mais velhos e saudá-los com respeito. Por reverenciar os mais velhos obtém-se vida longa, fama, e prosperidade. Nunca se deve contemplar o Sol no momento em que nasce, nem se deve olhar em direção a uma mulher nua que é cônjuge de outro homem. Ato sexual com a esposa (na época apropriada) não é pecaminosa mas é uma ação que sempre deve ser feita em privacidade. O coração de todos os locais e santuários sagrados é o Preceptor. O coração de todas as coisas puras e purificadoras é o Fogo. Todas as ações feitas por uma pessoa boa e virtuosa são boas e louváveis, inclusive até o toque no pêlo do rabo de uma vaca. Sempre que se encontrar com outro, deve-se fazer perguntas educadas. Saudar os Brahmanas toda manhã e noite é ordenado. Em templos de deuses, em meio a vacas, ao realizar os ritos de religião prescritos para os Brahmanas, na leitura dos Vedas, e ao comer, a mão direita deve ser erguida. (No sentido de ser movida ou usada. O comentador adiciona que o fio sagrado também deve ser envolvido no polegar, como os Grihyasutras declaram.) O culto de Brahmanas, da manhã e à noite, segundo os ritos devidos, produz grande mérito. Por tal culto a mercadoria do comerciante e os produtos dos agricultores se tornam abundantes. Grande também se torna a produção de todas as espécies de cereais e o suprimento de todos os artigos que os sentidos podem desfrutar se torna copioso. Quando dando comestíveis para outro (colocando em seu prato), deve-se dizer, 'Isto é suficiente?' Quando ofertando bebida, deve-se perguntar 'Isto vai satisfazer?', e quando dando leite e arroz adoçados, ou mingau de cevada açucarado, ou leite com gergelim ou ervilha, deve-se perguntar 'Isto tem caído?' (Em todos os casos, a pessoa que recebe deve dizer 'Totalmente suficiente' 'Até a saciedade', e 'Tem caído copiosamente' ou palavras neste sentido.) Depois de se barbear, depois de cuspir, depois do banho, e depois de comer, as pessoas devem adorar Brahmanas com reverência. Tal culto com certeza concede longevidade a homens doentios. Não se deve expelir urina com rosto virado para o sol, nem se deve ver as próprias fezes. Não se deve deitar na mesma cama com uma mulher, nem comer com ela. Ao se dirigir aos mais velhos nunca se deve aplicar o pronome ‘você’ a eles ou usar seus nomes. ‘Tu’ ou usar os nomes não é censurável ao se dirigir aos inferiores ou iguais em idade. (A forma polida de se dirigir é Bhavan. Ela é na terceira pessoa do singular. A segunda pessoa é evitada, sendo direta demais.) Os corações de homens pecaminosos revelam os pecados cometidos por eles. Aqueles homens pecaminosos que ocultam seus pecados conscientes de bons homens encontram a destruição. Somente tolos ignorantes procuram esconder os pecados que eles cometem conscientemente. É verdade que seres humanos não vêem aqueles pecados, mas os deuses os vêem. Um pecado oculto por outro pecado leva a novos pecados. Uma ação de mérito, também, se escondida por uma ação de mérito, aumenta o mérito. As ações de um homem virtuoso sempre seguem no encalço da virtude. Um homem desprovido de compreensão nunca pensa nos pecados que cometeu. Aqueles pecados, no entanto, alcançam o fazedor que se desviou das escrituras. Como Rahu vem para Chandra (no seu tempo apropriado), aquelas ações pecaminosas vão ao homem tolo. Os objetos que são armazenados com expectativa mal são desfrutados. Tal armazenamento nunca é aprovado pelos sábios, pois a morte não espera por ninguém (mas arrebata sua presa ela estando pronta ou não). Os sábios dizem que a retidão de todas as criaturas é um atributo da mente. Por esta razão, um homem deve, em sua mente, fazer bem para todos. Deve-se praticar virtude sozinho. Na prática de virtude não se tem necessidade da ajuda de outros. Se alguém obtém somente as ordenanças das escrituras, o que pode um amigo fazer? Virtude é a origem da humanidade. Virtude é a ambrosia dos deuses. Depois da morte, os homens desfrutam, pela Virtude, de felicidade eterna.'” 194 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, o que e de que natureza é aquilo que é chamado pelo nome de Adhyatma e que é declarado para todas as pessoas. (Adhyatma é algo que depende da mente. Todas as especulações sobre o caráter da mente e suas relações com objetos externos estão incluídas na palavra Adhyatma.) Ó tu que conheces Brahma, de onde foi criado este universo consistindo em coisas móveis e imóveis? Quando a destruição universal começa, para quem ele vai? Cabe a ti me falar sobre este assunto.'” "Bhishma disse 'Isto, Adhyatma, ó filho de Pritha, sobre o qual tu me perguntaste, eu logo falarei. Isto é altamente agradável e produtivo de grande felicidade. Grandes professores (antes disso) mostraram as verdades sobre a Criação e a Destruição (do universo). Conhecendo essas verdades, uma pessoa pode alcançar, mesmo neste mundo, grande satisfação e felicidade. Tal conhecimento também pode levar à aquisição de grandes resultados, e ele é altamente benéfico para todas as criaturas. Terra, ar, espaço, água, e luz numerada como a quinta, são considerados como Grandes Criaturas. Estes constituem a origem e a destruição de todos os objetos criados. Para ele de quem estes grandes elementos primordiais têm sua origem, eles voltam repetidamente, se separando de todas as criaturas (em cujas composições eles entram), assim como as ondas do oceano (baixando naquele do qual elas parecem se erguer). Como a tartaruga estica seus membros e os recolhe novamente, assim a Alma Suprema cria todos os objetos e novamente os recolhe em Si Mesmo. O Criador coloca os cinco elementos primordiais em todos os objetos criados em diferentes proporções. A criatura viva, no entanto, não vê isso (por ignorância). O som, os órgãos de audição, e todos os orifícios, estes três, surgem do Espaço como seu progenitor. Toque, ação, e pele são os atributos triplos do Vento. Forma, olho, e digestão são os atributos triplos do Fogo ou Energia. Sabor, todas as secreções líquidas, e a língua representam os três atributos da Água. Cheiros, o nariz, e o corpo são as propriedades triplas da Terra. Os grandes elementos (primordiais) são cinco. A mente é o sexto. Os sentidos e a mente, ó Bharata, são (as fontes de todas) as percepções de uma criatura viva. O sétimo é chamado de compreensão; e o oitavo é a alma. (Geralmente, na filosofia Hindu, particularmente da escola Vedanta, uma distinção é concebida entre a mente, a compreensão, e a alma. A mente é o assento ou fonte de todos os sentimentos e emoções como também todas as nossas percepções, ou daquelas que são chamadas de cognições na escola Kantiana, incluindo Comparação a qual (na escola Kantiana) é chamada de Vernuft ou Razão. Esta última é chamada de Compreensão ou Buddhi. A alma é considerada como algo distinto do corpo e da mente. Ela é o Ser a quem o corpo e a mente pertencem. Ela é representada como inativa, e como a testemunha que tudo vê dentro do corpo físico. Ela é uma porção da Alma Suprema.) Os sentidos são para perceber; a mente (incapaz de lidar com aquelas percepções) produz incerteza. A compreensão reduz todas as percepções à certeza. A Alma existe como uma testemunha (sem agir). Tudo o que está acima dos dois pés, tudo o que está atrás, e tudo o que está acima, são vistos pela Alma. Saiba que a Alma permeia o ser inteiro sem deixar qualquer espaço desocupado. Todos os homens devem conhecer os sentidos, a mente, e a compreensão completamente. Os três estados ou qualidades chamados de Ignorância, Paixão, e Bondade, existem, dependendo dos sentidos, da mente, e da compreensão. (Bondade inclui todas as qualidades morais superiores do homem. Paixão significa amor, afeição, e outras emoções que pertencem a objetos mundanos. Ignorância significa raiva, luxúria, e outras propensões prejudiciais semelhantes.) O homem, por compreender com a ajuda de sua inteligência, a maneira na qual as criaturas chegam ao mundo e o deixam, gradualmente obtém uma tranquilidade imperturbável. As três qualidades (já mencionadas, isto é, Ignorância, Paixão, e Bondade), levam a compreensão (para atrações mundanas). Neste aspecto, a Compreensão (ou Inteligência) é idêntica aos Sentidos e à Mente. A Compreensão, portanto, é idêntica aos seis (os cinco sentidos e a mente), e também aos objetos compreendidos por ela. Quando, no entanto, a Compreensão é destruída, as três qualidades (de Ignorância, Paixão, e Bondade) não podem levar à ação. Este universo de coisas móveis e imóveis consiste naquela inteligência. É daquela Inteligência que tudo surge e é dentro dela que tudo cessa. Por esta razão, as escrituras indicam que tudo é uma manifestação da Inteligência. Aquilo pelo qual alguém ouve é o ouvido. Aquilo pelo qual alguém cheira é chamado de órgão do olfato, e aquilo pelo qual alguém distingue o gosto é chamado de língua. Pela pele que cobre o corpo alguém obtém percepção de tato. Aquilo que é chamado de Inteligência sofre modificações. Quando a Inteligência deseja alguma coisa ela vem a ser chamada de Mente. As fundações sobre quais a Inteligência se apóia são cinco em número, cada um servindo a um propósito diferente. Eles são chamados de sentidos. O princípio invisível, isto é, a Inteligência, se apóia neles. A Inteligência que existe em uma criatura viva participa dos três estados (chamados de Paixão, Ignorância, e Bondade). Às vezes ela obtém alegria e às vezes tristeza. E às vezes ela fica desprovida de ambas, alegria e tristeza. Assim a Inteligência existe nas mentes de todos os homens. Às vezes a Inteligência que é composta dos três estados (já mencionados), transcende aqueles três estados (por meio de yoga), como o senhor dos rios, isto é, o Oceano, com suas ondas, ultrapassando seus altos continentes. Aquela Inteligência que transcende as três qualidades existe na mente em um estado puro de existência (inalterada): sozinha. A qualidade de Ignorância, no entanto, que impele para a ação, logo a persegue. Naquele momento, a Inteligência estabelece todos os sentidos para a ação. As propriedades dos três são exatamente dessa maneira: alegria mora na Bondade; tristeza na Paixão; e ilusão na Ignorância. Todos os estados (da mente) que existem estão incluídos nesses três (que foram citados). Eu agora, ó Bharata, te falei sobre o curso da Compreensão. Um homem inteligente deve subjugar todos os seus sentidos. As três qualidades de Bondade, Paixão, e Ignorância, estão sempre ligadas às criaturas vivas. Três espécies de inteligência também são evidentes em todas as criaturas, isto é, aquela que está sob o domínio da Bondade, aquela da Paixão, e aquela da Ignorância, ó Bharata. A qualidade de Bondade traz felicidade; a qualidade de Paixão produz tristeza; e se estes dois se combinam com a qualidade de Ignorância, então nem felicidade nem tristeza são produzidas (mas, em vez disso, somente ilusão ou erro). Todo estado de felicidade que aparece no corpo ou na mente é devido à qualidade de Bondade. Um estado de tristeza, desagradável em si mesmo, que vem, é devido somente à qualidade de Paixão. Nunca se deve pensar nela com medo. (Por outro lado, dirigindo os pensamentos corajosamente em direção a ela, uma pessoa deve apurar sua causa e dissipar aquela causa, a qual, como declarado aqui, é a Paixão.) Aquele estado, também, que está aliado com ilusão e erro, e pelo qual alguém não sabe o que fazer, que não é determinável, que é desconhecido, deve ser considerado como pertencente à qualidade de Ignorância. Alegria, satisfação, deleite, felicidade, tranquilidade de coração, estas são as propriedades do estado de Bondade. O homem às vezes obtém uma quantidade deles. Descontentamento, inveja, mágoa, cobiça, e índole vingativa são todas indicações do estado de Paixão. Elas são vistas com ou sem causas adequadas para produzi-las. Desgraça, ilusão, erro, sono e estupefação, que surpreendem alguém por excesso de má sorte, são as várias propriedades do estado de Ignorância. Aquela pessoa cuja mente é de longo alcance, capaz de se estender em todas as direções, desconfiada em relação à obtenção dos objetos que deseja, e bem controlada, é feliz neste e no outro mundo. Note a distinção entre estas duas coisas sutis, isto é, Inteligência e Alma. Uma dessas (a inteligência), manifesta as qualidades. A outra (a Alma), não faz nada do tipo. Um mosquito e um figo podem ser vistos unidos um ao outro. Embora unidos, no entanto, cada um é distinto do outro. Do mesmo modo, Inteligência e Alma, embora diferentes uma da outra, por suas respectivas naturezas, ainda podem ser vistas sempre existindo em um estado de união. Um peixe e água existem em um estado de união, cada um, no entanto, é diferente do outro. O mesmo é o caso com a Inteligência e a Alma. As qualidades não conhecem a Alma, mas a Alma conhece todas elas. A Alma é o espectador das qualidades e as considera como provenientes de si mesma. A alma, agindo através dos sentidos, da mente, e da compreensão, contada como o sétimo, todos os quais são inativos e não têm autoconsciência, descobre os objetos (em meio aos quais ela existe) como uma lâmpada (coberta) mostrando todos os objetos ao redor dela por derramar seus raios através de uma abertura na cobertura. A compreensão ou Inteligência cria todas as qualidades. A Alma somente as contempla (como uma testemunha). Tal é certamente a conexão entre a inteligência e a Alma. Não há refúgio do qual Inteligência ou Alma depende. A Compreensão cria a mente, mas nunca as qualidades. Quando a Alma, por meio da mente, reprime suficientemente os raios que emanam dos sentidos, é então que ela se torna manifesta (para a Compreensão) como uma lâmpada queimando dentro de um recipiente que a cobre. A pessoa que renuncia a todas as ações inferiores, pratica penitências, se dedica a estudar a Alma, se deleita com isso, e se considera como a Alma de todas as criaturas, obtém um fim sublime. Como uma ave aquática, enquanto se movendo sobre as águas, nunca é encharcada naquele elemento, assim mesmo uma pessoa de sabedoria se move (no mundo) entre as criaturas. Pela ajuda da inteligência deve-se agir no mundo dessa maneira, sem aflição, sem alegria, olhando igualmente para tudo, e desprovido de malícia e inveja. Alguém que vive dessa maneira consegue criar as qualidades (em vez de ser afetado por elas), como uma aranha criando fios. As qualidades devem, de fato, ser consideradas como os fios da aranha. Alguns dizem que as qualidades em relação a tais homens não são perdidas. Alguns dizem que elas são todas perdidas. Aqueles que dizem que elas não são perdidas confiam nas escrituras reveladas (isto é, os Srutis), as quais não contêm nenhuma declaração do contrário. Aqueles, por outro lado, que dizem que as qualidades são todas perdidas confiam nos Smritis. Refletindo sobre essas duas opiniões, uma pessoa deve julgar por si mesma qual delas está certa. Deve-se assim vencer esta questão difícil e complicada que é capaz de perturbar o entendimento pela dúvida, e assim obter felicidade. Quando aquela dúvida for removida, a pessoa não terá mais que se entregar à tristeza de nenhum tipo. Homens de corações corruptos podem obter sucesso pelo conhecimento como pessoas mergulhando em um rio bem cheio se purificando de toda sujeira. Alguém que tem que atravessar um rio largo não se sente feliz em somente ver a outra margem. Se o caso fosse outro (isto é, se só por olhar a outra margem se pudesse alcançá-la com um barco), então alguém poderia se tornar feliz. O caso é diferente com alguém conhecedor da Verdade. O mero conhecimento da Verdade lhe trará felicidade. Logo que tal conhecimento começa a dar frutos, a pessoa pode ser considerada como tendo alcançado a outra margem. Aqueles que assim sabem que a Alma é livre de todos os objetos mundanos e é somente Uma, obtêm o conhecimento mais elevado e excelente. Uma pessoa por conhecer a origem e o fim de todas as criaturas, o qual é exatamente assim, e por refletir sobre a questão, gradualmente obtém felicidade infinita. Aquele que compreendeu o triplo agregado (isto é, que ele está sujeito à destruição em vez de ser eterno), e que refletindo sobre ele, o rejeita, consegue por meio de yoga ver a Verdade e obter felicidade perfeita. A Alma não pode ser vista a menos que os sentidos, os quais estão ocupados com diversos objetos e que são difíceis de serem controlados, estejam todos devidamente dominados. Aquele que sabe disso é realmente sábio. Que outra indicação há de um homem sábio? Adquirindo este conhecimento, homens possuidores de inteligência se consideram coroados com sucesso. Aquilo que inspira os ignorantes com medo nunca pode inspirar medo em pessoas de Conhecimento. Não há objetivo maior para alguém (do que a Emancipação). Por causa, no entanto, do excesso ou da falta de boas qualidades, os sábios dizem que diferenças são observáveis em relação ao grau de Emancipação. Uma pessoa por agir sem esperança de resultados consegue (por aquelas ações) aniquilar suas ações pecaminosas de um período anterior. Para alguém possuidor de sabedoria, as ações de um período anterior (assim purificadas) e aquelas desta vida também (que são realizadas sem expectativa de resultado), não se tornam produtivas de qualquer consequência desagradável (tal como ser emparedado no inferno). Mas como podem os atos, se ele continua empenhado em realizar atos, ocasionar o que é agradável (isto é, a Emancipação)? As pessoas criticam uma pessoa que está afligida (com luxúria, inveja, e outras paixões más). Aqueles vícios lançam a pessoa em sua próxima vida em diversas espécies de classes inferiores. Observe com firme atenção os viciosos neste mundo que sofrem extremamente pela perda de suas posses (tais como filhos e esposas, etc.). Veja também aqueles que são dotados de bom senso e que nunca se afligem quando lançados em circunstâncias parecidas. Aqueles que estão familiarizados com ambas (isto é, com a Emancipação gradual e a Emancipação imediata), merecem ser chamados verdadeiramente de sábios.'" (Bhishma aqui indica a superioridade do último tipo de Emancipação sobre o primeiro; por isso atos ou ritos Védicos devem ceder àquele yoga o qual treina a mente e a compreensão e os capacita a transcender todas as influências terrenas.) 195 "Bhishma disse, 'Eu irei agora, ó filho de Pritha, te falar sobre os quatro tipos de meditação yoga. Os grandes Rishis, obtendo um conhecimento dos mesmos, obtêm sucesso eterno mesmo aqui. Grandes Rishis satisfeitos com conhecimento, com corações colocados na Emancipação, e conhecedores de yoga, agem de tal maneira que sua meditação yoga possa progredir devidamente. Estes, ó filho de Pritha, sendo livres das imperfeições do mundo, nunca voltam (por renascimento). Livres da sujeição ao renascimento, eles vivem em seu estado de Alma original. (O estado de alma original é o estado de pureza. Uma pessoa decai dele por causa das atrações mundanas. Pode-se recuperá-lo por meio de yoga o qual auxilia alguém a se libertar daquelas atrações.) Livres da influência de todos os pares de opostos (tais como calor e frio, alegria e tristeza, etc.), sempre existindo em seu próprio estado (original), livres (de apegos), nunca aceitando qualquer coisa (em doação), eles vivem em lugares livres da companhia de esposas e filhos, sem outros com quem disputas possam surgir, e favoráveis à perfeita tranquilidade de coração. Lá tal pessoa, reprimindo a fala, senta como um pedaço de madeira, subjugando todos os sentidos, e com a mente indivisivelmente unida (com a Alma Suprema) pela ajuda de meditação. Ele não tem percepção de som através do ouvido; não tem percepção de tato através da pele; não tem percepção de forma pelo olho; nem percepção de gosto através da língua. Ele não tem percepção também dos cheiros pelo órgão do olfato. Imerso em yoga, ele abandona todas as coisas, absorto em meditação. Possuidor de grande energia mental, ele não tem desejo por qualquer coisa que excita os cinco sentidos. O homem sábio, recolhendo seus cinco sentidos na mente, deve então fixar a mente instável com os cinco sentidos (no Intelecto). Possuidor de paciência, o yogin deve fixar sua mente, a qual sempre vaga (entre objetos mundanos), para que seus cinco portões (sob a influência do treinamento), possam ser tornados estáveis em relação a coisas que são elas mesmas instáveis. Ele deve, no firmamento do coração, fixar sua mente no caminho da meditação, fazendo-a independente do corpo ou de qualquer outro refúgio. Eu falei do caminho da meditação como o primeiro, já que o yogin tem primeiro que subjugar seus sentidos e a mente (e dirigi-los para aquele caminho). A mente, que constitui o sexto, quando assim reprimida, procura lampejar para fora como o relâmpago caprichoso e inconstante se movendo em travessura entre as nuvens. Como uma gota de água em uma folha de (lótus) é instável e se move em todas as direções, assim mesmo se torna a mente do yogin quando primeiramente fixada no caminho da meditação. Quando fixada, por um espaço de tempo a mente fica naquele caminho. Quando, no entanto, ela se força outra vez no caminho do vento, ela se torna tão volúvel quanto o vento. A pessoa conhecedora dos métodos de meditação-yoga, não desencorajada por isto, nunca dando atenção à perda do esforço passado, rejeitando ociosidade e malícia, deve dirigir sua mente à meditação novamente. Observando o voto de silêncio, quando alguém começa a fixar sua mente em yoga, então discernimento, conhecimento, e poder para evitar o mal, são obtidos por ele. Embora se sentindo aborrecido por causa da frivolidade de sua mente, ele deve fixá-la (em meditação). O yogin nunca deve se desesperar, mas sim procurar seu próprio bem. Como uma pilha de pó ou cinzas, ou de estrume de vaca queimado, quando molhada com água, não parece estar molhada, de fato, como ela continua seca se molhada parcialmente, e requer rega incessante antes de ficar totalmente encharcada, assim mesmo o yogin deve controlar todos os seus sentidos gradualmente. Ele deve afastá-los gradualmente (de todos os objetos). O homem que age dessa maneira consegue controlá-los. Alguém, ó Bharata, por si mesmo dirigindo sua mente e sentidos para o caminho da meditação, consegue trazê-los sob perfeito controle por yoga constante. A felicidade que sente quem conseguiu controlar sua mente e sentidos é tal que sua semelhante nunca pode ser obtida por Esforço ou Destino. Unido com tal felicidade, ele continua a ter prazer no ato de meditação. Dessa maneira os yogins obtêm Nirvana o qual é altamente abençoado.'" 196 "Yudhishthira disse, 'Tu falaste sobre os quatro modos de vida e seus deveres. Tu também falaste dos deveres dos reis. Tu narraste muitas histórias de diversos tipos e ligadas com diversos assuntos. Eu também ouvi de ti, ó tu de grande inteligência, muitos discursos ligados com moralidade. Eu tenho, no entanto, uma dúvida. Cabe a ti esclarecê-la. Eu desejo, ó Bharata, saber dos resultados que os Recitadores silenciosos de mantras sagrados adquirem (por sua prática). Quais são os frutos que foram indicados para tais homens? Qual é aquela região para a qual eles vão depois da morte? Cabe a ti também, ó impecável, me dizer todas as regras que foram prescritas a respeito de tal recitação silenciosa. Quando a palavra Recitador é proferida, o que eu devo entender por isto? Tal homem deve ser considerado como seguidor das ordenanças de Sankhya ou yoga ou trabalho? Ou, tal homem deve ser considerado como observador das ordenanças sobre sacrifícios (mentais)? Como é para ser chamado o caminho dos Recitadores? Tu és, como eu penso, de conhecimento universal. Diga-me tudo isso.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha história do que ocorreu entre Yama, o Tempo, e certo Brahmana. Sábios conhecedores dos meios de alcançar a Emancipação têm falado de dois métodos, isto é, o Sankhya e o Yoga. Entre estes, no primeiro, que também é chamado de Vedanta, a Renúncia é pregada em relação à recitação silenciosa. As declarações dos Vedas pregam Abstenção (de ritos), são repletas de tranquilidade, e dizem respeito a Brahma. (De acordo com Sankhya, não há necessidade de recitação silenciosa de mantras. Meditação mental, sem a expressão vocal de palavras específicas, pode levar a Brahma.) De fato, os dois caminhos citados pelos sábios determinados a realizar o que é para o seu bem, isto é, Sankhya e Yoga, são de tal maneira que ambos têm relação e também não têm relação (com recitações silenciosas). (Ambos declaram, como o comentador explica, que enquanto alguém não consegue contemplar sua Alma, ele pode recitar silenciosamente o Pravana ou a palavra original Om. Quando, no entanto, alguém consegue ver sua Alma ele então pode abandonar tal recitação.) A maneira pela qual a recitação silenciosa está ligada (com cada um dos dois caminhos) e o motivo eu agora explicarei. Em ambos como no caso da recitação silenciosa, são necessários a subjugação dos sentidos e fixação da mente (depois de afastá-la dos objetos externos); como também verdade, manutenção do fogo (sagrado), residência em solidão, meditação, penitência, autodomínio, generosidade, benevolência, moderação em relação à alimentação, afastamento de atrações mundanas, a ausência de loquacidade, e tranquilidade. Estes constituem um sacrifício em atos (levando à realização de desejos em relação ao céu ou felicidade na próxima vida). (Há dois caminhos que alguém pode seguir neste mundo. Um é chamado de Pravritti dharma e o outro Nrivritti dharma. O primeiro é um curso de ações, o segundo de abstenção de ações.) Escute agora ao rumo que consiste em abstenção (de ações). O modo no qual as ações do Recitador observando o voto de Brahmacharya podem cessar, eu logo declararei. Tal pessoa deve se conduzir de todas as maneiras segundo o que (já) foi dito por mim. (Isto é, ele deve primeiro purificar seu coração por observar as virtudes acima enumeradas.) Dirigindo-se ao caminho da abstenção, ele deve procurar extinguir sua dependência do Externo e do Interno. Sentando sobre erva kusa, com kusa na mão, e amarrando seus cabelos com kusa, ele deve se circundar com kusa e ter kusa como mantos. Reverenciando todos os assuntos mundanos, ele deve se despedir deles e nunca pensar neles. Assumindo equanimidade pela ajuda de sua mente, ele deve fixar sua mente na própria mente. Recitando a composição altamente benéfica (isto é, o Gayatri), ele medita com a ajuda de seu intelecto em Brahma somente. Depois ele deixa até isto, estando então absorto em contemplação concentrada. (Samadhi é aquela meditação na qual os sentidos tendo sido todos recolhidos dentro da mente, a mente, como explicado previamente, é feita residir em Brahma somente.) Por sua dependência da força do Gayatri que ele recita, esta contemplação concentrada virá por si mesma. Por penitências ele obtém pureza de alma, e autodomínio, e cessação de aversão e desejo. Livre de atração e ilusão, acima da influência de todos os pares de opostos (tais como calor e frio, alegria e tristeza, etc.), ele nunca se aflige e nunca se permite ser arrastado em direção a objetos mundanos. Ele não se considera como o ator nem como o desfrutador ou sofredor das consequências de seus atos. Ele nunca fixa sua mente em alguma coisa por egoísmo. Sem estar empenhado na aquisição de riqueza, ele se abstém também de desrespeitar ou insultar outros, mas não do trabalho. O trabalho no qual ele está empenhado é aquele de meditação; ele é devotado à meditação, e procura a meditação inalteravelmente. Pela meditação ele consegue ocasionar a contemplação concentrada, e então gradualmente deixa a própria meditação. Naquele estado ele desfruta da felicidade ligada ao abandono de todas as coisas. Tendo dominado completamente o princípio do desejo, ele rejeita seus ares vitais e então entra no corpo Brâhmico. Ou, se ele não deseja entrar no corpo Brâhmico, ele alcança imediatamente a região de Brahma e nunca tem que passar por renascimento. Tendo se tornado a própria tranquilidade, e estando livre de todos os tipos de calamidade, tal pessoa, por depender de sua própria inteligência, consegue alcançar aquela Alma que é pura e imortal e que não tem máculas.'" 197 "Yudhishthira disse, 'Tu disseste, em relação aos Recitadores, que eles alcançam este fim muito sublime. Eu peço para perguntar se este é seu único fim ou há algum outro ao qual eles alcançam.'” (O fim declarado por Bhishma no capítulo anterior é o sucesso de yoga, ou liberdade de decrepitude e morte, ou morte à vontade, ou absorção em Brahma, ou existência independente em uma condição beatífica.) "Bhishma disse, 'Escute com atenção concentrada, ó monarca poderoso, ao fim que os Recitadores silenciosos alcançam, e aos diversos tipos de infernos nos quais eles caem, ó touro entre homens! Aquele Recitador que a princípio não se comporta segundo o método que está prescrito, e que não pode completar o ritual ou curso de disciplina declarado, tem que ir para o inferno. (Deve ser notado que 'inferno', como aqui usado, significa o oposto de Emancipação. O recitador pode obter as alegrias do céu, mas comparadas com a Emancipação, elas são inferno, havendo a obrigação de renascimento ligada a elas.) Aquele Recitador que segue sem fé, que não está contente com seu trabalho, e que não tem prazer nele, vai para o inferno, sem dúvida. Aqueles que seguem o ritual com orgulho em seus corações, vão todos para o inferno. Aquele Recitador que insulta e desconsidera outros tem que ir para o inferno. O homem que se dirige à recitação silenciosa sob a influência da estupefação e por desejo de resultados, obtém todas aquelas coisas sobre as quais seu coração vem a estar colocado. (Até isso é um tipo de inferno, pois há renascimento ligado a isso.) Aquele Recitador cujo coração se coloca sobre os atributos que levam o nome de divindade, tem que cair no inferno e nunca se livra dele. (Aiswvarya ou os atributos de divindade são certos poderes extraordinários obtidos por yogins e Recitadores. Eles são o poder de se tornar minúsculo ou enorme em forma, ou ir para onde quer que se deseje, etc. Estes são comparados ao inferno, porque a obrigação de renascimento se vincula a eles. Nada menos que Emancipação ou absorção na Alma Suprema é o fim para o qual deve-se trabalhar.) O Recitador que se dirige à recitação sob a influência de apegos (a objetos mundanos tais como riquezas, esposas, etc.) obtém aqueles objetos sobre os quais seu coração está colocado. O Recitador de má compreensão e alma impura que se põe a trabalhar com uma mente instável, obtém um fim instável ou vai para o inferno. O Recitador que não é dotado de sabedoria e que é tolo, vem a ser entorpecido ou iludido; e por tal ilusão tem que ir para o inferno onde ele é obrigado a se entregar a arrependimentos. Se uma pessoa mesmo de coração firme, resolvendo completar a disciplina, se dirige à recitação, mas fracassa em alcançar a conclusão por ter se libertado das atrações por um esforço violento sem a genuína convicção de sua inutilidade ou caráter prejudicial, ele também tem que ir para o inferno.’” "Yudhishthira disse, 'Quando o Recitador alcança a essência daquilo que existe em sua própria natureza (sem ser qualquer coisa como objetos nascidos ou criados), o qual é Supremo, o qual é indescritível e inconcebível, e que mora na sílaba om formando o assunto de recitação e meditação (de fato, quando Recitadores alcançam a um estado de Brahma), por que é que eles têm que nascer novamente em formas incorporadas?'” "Bhishma disse, 'Por ausência de conhecimento e sabedoria verdadeiros, os Recitadores obtêm diversas classes de inferno. A disciplina seguida por Recitadores é certamente muito superior. Estas, no entanto, das quais eu falei, são as falhas concernentes a ela.'" "Yudhishthira disse, 'Diga-me, qual classe de inferno é obtida por um Recitador? Eu sinto, ó rei, uma curiosidade por saber isso. Cabe a ti me falar sobre o assunto.'” "Bhishma disse, 'Tu surgiste de uma porção do deus da justiça. Tu és observador da justiça por natureza. Escute, ó impecável, com total atenção, a estas palavras apoiadas na justiça como sua base. Aquelas regiões que são possuídas pelos deuses de grande alma, que são de diversos aspectos e cores, de diversas descrições e produtivas de diversos frutos, e que são de grande excelência, cujos carros também se movem à vontade dos passageiros, aquelas belas mansões e salões, aqueles vários jardins agradáveis embelezados com lotos dourados, aquelas regiões que pertencem aos quatro Regentes e Sukra e Vrihaspati e aos Maruts e Viswedevas e Sadhyas e Aswins, e Rudras e Adityas e Vasus, e outros habitantes do céu, são, ó majestade, citadas como infernos, quando comparadas com a região da Alma Suprema. A região citada por último é sem qualquer medo (de mudança para o pior), incriada (e portanto, em sua natureza verdadeira), sem aflições de qualquer tipo (tais como ignorância e ilusão), sem qualquer elemento agradável ou desagradável, além do alcance dos três atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas), livre dos oito incidentes, (isto é, os cinco elementos primordiais, os sentidos, a mente, e o intelecto), sem as três (distinções entre o conhecedor, o conhecido, e o ato de conhecer); livre também dos quatro atributos (ver, ouvir, pensar, e conhecer, pois lá não existem formas para se tornarem objetos de tais funções. Lá tudo é puro conhecimento, independente daquelas operações comuns que ajudam os seres criados a obterem conhecimento); sem as quatro causas (de conhecimento), sem alegria e prazer e tristeza e doença. O tempo (em suas formas de passado, presente, e futuro) surge lá para uso. O tempo não é soberano lá. Aquela região suprema é a soberana do Tempo como também do Céu. Aquele Recitador que se torna identificado com sua Alma (por recolher tudo dentro dela) vai para lá. Ele, depois disso, nunca tem que sentir qualquer tristeza. Aquela região é chamada de Suprema. As outras regiões (das quais eu falei primeiro) são inferno. Eu não te falei de todas as regiões que são chamadas de inferno. De fato, em comparação com aquela principal das regiões todas as outras são chamadas de inferno.'” 199 "Yudhishthira disse, 'Tu te referiste à disputa entre o Tempo, Mrityu, Yama, Ikshvaku, e um Brahmana. Cabe a ti narrar a história integralmente.'” "Bhishma disse, 'Em relação a este assunto do qual eu estou falando, é citada a antiga história do que ocorreu entre o filho de Surya Ikshvaku e certo Brahmana, e o Tempo e Mrityu. Ouça-me quanto ao que aconteceu, e qual foi a conversação que ocorreu entre eles, e o lugar onde ela aconteceu. Havia certo Brahmana de grande fama e comportamento pio. Ele era um Recitador. Possuidor de grande sabedoria, ele estava familiarizado com os seis Angas (dos Vedas, que são Siksha, Kalpa, Vyakarana, Nirukta, Chhandas, e Jyotish). Ele era da linhagem Kusika e filho de Pippalada. Ele adquiriu (por meio de suas austeridades) discernimento espiritual dos Angas (isto é, uma compreensão clara não obtida de modo comum mas por intuição). Residindo na base de Himavat, ele era devotado aos Vedas. Silenciosamente recitando a composição Gayatri, ele praticou austeridades severas para alcançar Brahma. Mil anos se passaram sobre sua cabeça enquanto ele estava dedicado à observância de votos e jejuns. A deusa (de Gayatri ou Savitri) se mostrou a ele e disse, 'Eu estou satisfeita contigo'. Continuando a recitar o mantra sagrado, o Brahmana ficou calado e não falou uma palavra para a deusa. A deusa sentiu compaixão por ele e ficou muito satisfeita. Então aquela progenitora dos Vedas elogiou aquela recitação na qual o Brahmana estava empenhado. Depois de terminar sua recitação (por aquele dia) o Brahmana levantou e, curvando sua cabeça, se prostrou perante os pés da deusa. O Recitador de alma virtuosa, dirigindo-se à deusa, disse, 'Por boa sorte, ó deusa, tu ficaste satisfeita comigo e apareceste para mim. Se, de fato, tu estás satisfeita comigo, a bênção que eu peço é que meu coração possa ter prazer no ato de recitação.'” "Savitri disse, 'O que tu pedes, ó Rishi regenerado? Qual desejo teu eu realizarei? Diga-me, ó principal dos Recitadores, tudo será como tu desejas.' Assim endereçado pela deusa, o Brahmana, conhecedor dos deveres, respondeu dizendo, 'Que meu desejo sobre continuar minhas recitações continue a aumentar a todo momento. Que também, ó deusa auspiciosa, a absorção da minha mente em Samadhi seja mais completa.' A deusa disse docemente, 'Que seja como tu desejas'. Desejando fazer bem para o Brahmana, a deusa mais uma vez se dirigiu a ele, dizendo, 'Tu não terás que ir para o inferno, isto é, para onde grandes Brahmanas vão. Tu irás para a região de Brahma que é incriada e livre de toda imperfeição. Eu partirei daqui, mas o que tu me pediste acontecerá. Continue recitando com alma controlada e atenção absorta. O deus Dharma em pessoa virá a ti. O Tempo, Mrityu e Yama também se aproximarão todos da tua presença. Então haverá uma disputa aqui entre tu e eles sobre uma questão de moralidade.'” 'Bhishma continuou, 'Tendo dito estas palavras, a deusa voltou para sua própria residência. O Brahmana continuou dedicado à recitação por mil anos celestes. Reprimindo a ira, e sempre controlando a si mesmo, ele passou seu tempo, se devotando firmemente à verdade e livre de malícia. Após a conclusão de sua observância pelo inteligente Brahmana, Dharma, satisfeito com ele, mostrou sua pessoa para aquele indivíduo regenerado.'” 'Dharma disse, 'Ó regenerado, contemple a mim que sou Dharma. Eu vim aqui para te ver. Tu ganhaste a recompensa dessa recitação na qual tu tens estado engajado. Escute qual é aquela recompensa. Tu ganhaste todas as regiões de felicidade que pertencem a deuses ou homens. Ó bom homem, tu ascenderás além de todas as residências das divindades. Ó asceta, rejeite teus ares vitais então, e vá para quaisquer regiões que tu queiras. Por abandonar teu corpo tu ganharás muitas regiões de bem-aventurança.'” "O Brahmana disse, 'Que assunto eu tenho com aquelas regiões de bem- aventurança das quais tu falas? Ó Dharma, vá para onde quer que te agrade. Eu não irei, ó senhor pujante, rejeitar este corpo que está sujeito à muita felicidade e miséria.'” "Dharma disse, 'Teu corpo, ó principal dos ascetas, deve sem dúvida ser rejeitado. Ascenda para o céu, ó Brahmana! Ou, nos diga o que mais te agrada, ó impecável!'” "O Brahmana disse, 'Ó senhor poderoso, eu não desejo residir no próprio céu sem este meu corpo. Deixe-me, ó Dharma! Eu não tenho desejo de ir para o próprio céu sem este meu corpo.'” "Dharma disse, 'Sem colocar teu coração (dessa maneira) em teu corpo, rejeite- o e seja feliz. Entre em regiões que estão livres do atributo de Paixão. De fato, indo para lá, tu nunca terás que sentir qualquer tristeza.'” "O Brahmana disse, 'Ó altamente abençoado, eu tenho grande prazer na recitação. Que necessidade eu tenho daquelas regiões eternas das quais tu falas? De fato, ó senhor pujante, eu não desejo ir para o céu mesmo com este meu corpo.'” "Dharma disse, 'Se tu não desejas rejeitar teu corpo, veja, ó regenerado, lá está o Tempo, e lá está Mrityu, e lá está Yama, que estão todos se aproximando de ti!'” 'Bhishma continuou, 'Depois que Dharma tinha dito isso, o filho de Vivaswat (Yama), o Tempo, e Mrityu, o trio (que arrebata todas as criaturas da terra), se aproximou daquele Brahmana, ó rei abençoado, e se dirigiu a ele dessa maneira.'” "Yama disse, 'Eu sou Yama. Eu te digo que uma grande recompensa te espera por essas tuas penitências bem realizadas, e por esta conduta virtuosa que tu tens observado.'” "O Tempo disse, 'Tu ganhaste uma grande recompensa que é, de fato, proporcional a este curso de recitação que tu terminaste. Chegou a hora para ti ascenderes para o céu. Eu sou o Tempo e eu cheguei para ti.'” "Mrityu disse, 'Ó tu que conheces a retidão, saiba que eu sou a própria Mrityu em sua própria forma. Eu vim para ti em pessoa, incitada pelo Tempo, para te levar daqui, ó Brahmana.'” "O Brahmana disse, 'Boas vindas ao filho de Surya, ao Tempo possuidor de grande alma, a Mrityu, e a Dharma! O que eu realizarei por vocês todos?” "Bhishma continuou, 'Naquela reunião, o Brahmana deu a eles água para lavar seus pés, e os artigos usuais do Arghya. Muito satisfeito, ele então se dirigiu a eles, dizendo, 'O que eu devo fazer por vocês todos por exercer meu próprio poder?' Justamente naquela hora, um monarca, (rei) Ikshvaku, que tinha saído em uma viagem para águas e santuários sagrados, chegou àquele local onde aquelas divindades estavam reunidas. O sábio nobre Ikshvaku curvou sua cabeça e adorou todos eles. Aquele melhor dos reis então perguntou sobre o bem-estar de todos. O Brahmana deu ao rei um assento, como também água para lavar seus pés, e o Arghya usual. Tendo em seguida feito as perguntas costumeiras de cortesia, ele disse, 'Tu és bem vindo, ó grande monarca! Diga-me tudo o que tu desejas! Que tua nobre pessoa me diga o que eu terei que realizar para ti por aplicar meu poder.'” "O rei disse, 'Eu sou um rei. Tu és um Brahmana na observância dos seis deveres bem conhecidos. (Eu não posso pedir), eu te darei alguma riqueza. Isto é bem conhecido. Me diga quanto eu te darei.'” "O Brahmana disse, 'Há dois tipos de Brahmanas, ó monarca! Moralidade de virtude também é de dois tipos; apego ao trabalho, e abstenção do trabalho. Em relação a mim mesmo, eu me abstive da aceitação de doações. Dê presentes para aqueles, ó rei, que estão dedicados ao dever de trabalho e aceitação. Eu, portanto, não aceitarei nada em doação. Por outro lado, eu te pergunto, o que é para o teu bem? O que, de fato, eu te darei? Diga-me, ó principal dos reis, e eu o realizarei com a ajuda de minhas penitências.'” "O rei disse, 'Eu sou um Kshatriya. Eu não sei como dizer a palavra 'Dê'. A única coisa, ó melhor das pessoas regeneradas, que nós podemos dizer (a fim de pedir) é ‘Nos dê combate.'” "O Brahmana disse, 'Tu estás contente com o cumprimento dos deveres de tua classe. Do mesmo modo, eu estou contente com os deveres da minha, ó rei! Há, portanto, pouca diferença entre nós. Faça como quiseres!'” "O rei disse, 'Tu disseste estas palavras primeiro, isto é, 'Eu te darei de acordo com meu poder.' Eu, portanto, te peço, ó regenerado. Dê-me os frutos dessa recitação (que tu tens praticado).'” "O Brahmana disse, 'Tu estavas te vangloriando que tuas declarações sempre solicitam combate. Por que então tu não solicitas combate comigo?'” "O rei disse, 'É dito que Brahmanas são armados com o trovão da palavra, e que os Kshatriyas têm força de braços. Então, Brahmana erudito, este combate verbal se iniciou entre nós dois.'” "O Brahmana disse, 'No que me diz respeito, aquela é mesmo minha resolução hoje. O que eu te darei de acordo com meu poder? Diga-me, ó rei de reis, e eu te darei, tendo minha própria riqueza. Não tarde.'” "O rei disse, 'Se, de fato, tu desejas me dar alguma coisa, então me dê os frutos que tu ganhaste por praticar recitação por esses mil anos.'” "O Brahmana disse, 'Leve o maior fruto das recitações que eu tenho praticado. De fato, pegue metade, sem qualquer escrúpulo, daquele fruto. Ou, ó rei, se tu desejas, pegue sem qualquer escrúpulo todos os frutos de minhas recitações.'” "O rei disse, 'Abençoado sejas tu, eu não tenho necessidade dos frutos de tuas recitações os quais eu pedi. Bênçãos sobre tua cabeça. Eu estou prestes a te deixar. Diga-me, no entanto, quais são aqueles frutos (de tuas recitações).'” "O Brahmana disse, 'Eu não tenho conhecimento dos frutos que ganhei. No entanto, eu te dei aqueles frutos que eu adquiri por meio de recitação. Estes, isto é, Dharma e o Tempo, e Yama, e Mrityu, são testemunhas (do ato de doação).'” "O rei disse, 'O que aqueles frutos, que são desconhecidos, dessas tuas observâncias, farão por mim? Se tu não me disseres quais são os frutos de tuas recitações, que eles sejam teus, pois sem dúvida eu não os desejo.'” "O Brahmana disse, 'Eu não aceitarei qualquer outra declaração (de ti). Eu te dei os frutos de minhas recitações. Que, ó sábio real, as tuas palavras e as minhas se tornem verdadeiras. Em relação às minhas recitações, eu nunca nutri algum desejo específico para realizar. Como então, ó tigre entre reis, eu deveria ter qualquer conhecimento de quais são os frutos daquelas recitações? Tu disseste, 'Dê!' eu disse ‘Eu dou!’ e eu não falsificarei estas palavras. Mantenha a verdade. Fique calmo! Se tu pedes para guardar minha promessa, ó rei, grande será teu pecado devido à mentira. Ó castigador de inimigos, não fica bem para ti proferir o que é falso. Similarmente, eu ouso não falsificar o que proferi. Eu, antes disto, disse sem hesitar, 'Eu dou!' Se, portanto, tu és firme em verdade, aceite meu presente. Vindo aqui, ó rei, tu me pediste os frutos de minhas recitações. Portanto, pegue o que eu te dei, se, de fato, tu és firme em verdade. Aquele que é afeito à mentira não tem nem este mundo nem o seguinte. Tal pessoa fracassa em resgatar seus antepassados (falecidos). Como também ele conseguirá fazer bem para sua progênie (por nascer)? As recompensas de sacrifício e doações, como também de jejuns e observâncias religiosas, não são tão eficazes em resgatar (uma pessoa do mal e do inferno) quanto a Verdade, ó touro entre homens, neste mundo e no seguinte. Todas as penitências que foram praticadas por ti e todas aquelas que tu praticarás no futuro por centenas e milhares de anos não possuem eficácia maior do que a da Verdade. A Verdade é o único Brahma imperecível. A Verdade é a única Penitência imperecível. A Verdade é o único sacrifício imperecível. A Verdade é o único Veda imperecível. A Verdade está desperta nos Vedas. Os frutos ligados à Verdade são considerados como os mais elevados. Da Verdade provêm Virtude e o autodomínio. Tudo depende da Verdade. A Verdade é os Vedas e seus ramos. A Verdade é o Conhecimento. A Verdade é a Ordenança. A Verdade é a observância de votos e jejuns. A Verdade é a Palavra Primordial Om. A Verdade é a origem das criaturas. A Verdade é sua progênie. É pela Verdade que o Vento se move. É pela Verdade que o Sol dá calor. É pela Verdade que o Fogo queima. É sobre a Verdade que o Céu se apóia. Verdade é Sacrifício, Penitência, Vedas, a declaração dos Samans, Mantras, e Saraswati. É sabido por nós que uma vez a Verdade e todas as observâncias religiosas foram colocadas em um par de balanças. Quando ambas foram pesadas, foi visto que a balança sobre a qual a Verdade estava era a mais pesada. Há Verdade onde há Retidão. Tudo progride pela Verdade. Por que, ó rei, tu desejas fazer uma ação é maculada pela mentira? Seja firme em Verdade. Não aja falsamente, ó monarca! Por que tu falsificarias tuas palavras ‘Dê-(me)’, as quais tu proferiste? Se tu te recusares, ó monarca, a aceitar os frutos de minhas recitações que eu te dei, tu então terás que vagar pelo mundo, decaído da Virtude! Aquela pessoa que não dá depois de ter prometido, e aquela também que não aceita depois de ter pedido, são ambas maculadas pela mentira. Cabe a ti, portanto, não falsificar tuas próprias palavras.'” "O rei disse, 'Lutar e proteger (súditos) são os deveres de Kshatriyas. É dito que Kshatriyas são dadores (de presentes). Como então eu aceitaria qualquer coisa de ti (em doação)?'” "O Brahmana disse, 'Eu nunca insisti, ó rei (para ti aceitares qualquer coisa de mim em primeiro lugar). Eu não procurei tua casa. Tu mesmo, vindo aqui, me pediste. Por que então tu não aceitas?'” "Dharma disse, 'Saibam os dois que eu sou o próprio Dharma. Que não aja disputa entre vocês. Que o Brahmana se torne dotado da recompensa ligada à doação, e que o monarca também obtenha o mérito da Verdade.'” "O Céu disse, 'Saiba, ó grande rei, que eu sou o próprio Céu em minha forma incorporada, e vim aqui pessoalmente. Que esta disputa entre vocês cesse. Vocês são iguais em relação ao mérito ou recompensas obtidas.'” "O rei disse, 'Eu não tenho necessidade de Céu. Vá, ó Céu, para o lugar de onde você veio. Se este Brahmana erudito deseja se dirigir a ti, que ele receba as recompensas que eu tenho obtido (por minhas ações em vida).'” "O Brahmana disse, 'Em meus dias de jovem eu, por ignorância, estiquei minha mão (para aceitação de doações). No momento, no entanto, eu recito o Gayatri, observando o dever de abstenção. (Trabalho e Abstenção de trabalho são os dois cursos de dever prescritos ou seguidos.) Por que tu, ó rei, me tentas dessa maneira, eu que tenho por um longo tempo cumprido o dever de abstenção? Eu farei o que é meu dever. Eu não desejo ter qualquer parte das recompensas ganhadas por ti, ó monarca! Eu sou devotado a penitências e ao estudo dos Vedas, e tenho me abstido da aceitação.'” "O rei disse, 'Se, ó Brahmana, tu deves realmente me dar a excelente recompensa da tua recitação, então que metade daquela recompensa seja minha, tu mesmo levando ao mesmo tempo metade da recompensa que eu ganhei por minhas ações. Os Brahmanas estão engajados no dever de aceitação. Pessoas nascidas na classe real estão engajadas no dever de doação. Se tu não és inconsciente dos deveres (prescritos para ambas as classes), que nossos frutos sejam iguais (de acordo com a sugestão que eu fiz). Ou, se tu não desejas ser meu igual em relação às nossas recompensas, leve então toda a recompensa que eu possa ter ganhado. Pegue o mérito que eu ganhei, se tu desejas me mostrar graça.'” "Bhishma continuou, 'Naquela hora, dois indivíduos de aspecto muito desajeitado chegaram lá. Cada um tinha seu braço sobre o ombro do outro; ambos estavam mal vestidos. Eles diziam estas palavras, 'Tu não me deves nada. Eu realmente te devo. Se nós disputamos dessa maneira, aqui está o rei que governa indivíduos. Eu digo que realmente tu não me deves nada! Tu falas falsamente. Eu tenho uma dívida contigo.’ Ambos, ficando muito veementes em discussão, então se dirigiram ao rei, dizendo, 'Cuide, ó monarca, para que nenhum de nós possa ser maculado pelo pecado.'” "Virupa disse, 'Eu ganhei de meu companheiro Vikrita, ó monarca, os méritos da doação de uma vaca. Eu estou desejando saldar esta dívida. Este Vikrita, no entanto, se recusa a aceitar a retribuição.'” (Vikrita tinha doado uma vaca e então feito uma doação para Virupa do mérito que ele tinha ganhado por aquele ato virtuoso.) "Vikrita disse, 'Este Virupa, ó monarca, não me deve nada. Ele fala uma mentira com a aparência de verdade, ó rei.'” "O rei disse, "Diga-me, ó Virupa, o que é que tu deves para teu amigo aqui. É minha resolução te ouvir e então fazer o que for apropriado.'” "Virupa disse, 'Ouça atentamente, ó rei, todas as circunstâncias em detalhes, acerca de como eu devo para meu companheiro, isto é, este Vikrita, ó soberano de homens. Vikrita, no passado, para ganhar mérito, ó impecável, doou uma vaca auspiciosa, ó sábio real, para um Brahmana dedicado a penitências como o estudo dos Vedas. Indo até ele, ó rei, eu pedi dele a recompensa daquele ato. Com um coração puro, Vikrita me fez um presente daquela recompensa. Eu então, para minha purificação, fiz algumas boas ações. Eu também comprei duas vacas kapila com bezerros, ambas as quais costumavam produzir grandes quantidades de leite. Eu então fiz uma doação, de acordo com os ritos devidos e com devoção apropriada, daquelas duas vacas para um Brahmana pobre que vivia pelo método Unchha. (Isto é, apanhando grãos solitários das fendas nos campos depois que as colheitas foram reunidas e levadas embora.) Tendo antigamente aceitado o presente de meu companheiro, eu desejo, ó senhor, aqui mesmo, devolver a ele a recompensa em dobro! (Ele me deu o mérito que ele ganhou por doar uma vaca. Eu desejo dar a ele em retorno o mérito que eu ganhei por doar duas vacas.) As circunstâncias sendo essas, ó tigre entre homens, quem entre nós dois será inocente e que será culpado (segundo teu julgamento)? Disputando um com o outro sobre isto, nós viemos a ti, ó monarca! Tu julgues corretamente ou incorretamente, nos estabeleça na paz. Se este meu companheiro não deseja aceitar de mim em retorno um presente igual ao que ele me deu, tu terás que julgar pacientemente e nos colocar no caminho correto.'” "O rei disse, 'Por que você não aceita o pagamento que ele procura fazer da dívida que é devida a ti? Não te detenha, mas aceite o pagamento do que tu sabes que te é devido.'” "Vikrita disse, 'Ele diz que me deve. Eu digo a ele que o que eu dei, eu dei de graça. Ele, portanto, não me deve nada. Que ele vá para onde quer que ele deseje.'” "O rei disse, 'Ele está disposto a te dar. Tu, no entanto, estás relutante em aceitar. Isto não me parece apropriado. Eu acho que tu mereces punição por isto. Há pouca dúvida nisto.'” "Vikrita disse, 'Eu fiz um presente para ele, ó sábio real! Como eu posso pegá-lo de volta? Se eu sou culpado nisto, pronuncie o castigo, ó pujante.'” "Virupa disse, 'Se tu te recusares a aceitar quando eu estou disposto a dar, este rei certamente te punirá, pois ele é um mantenedor da justiça.'” "Vikrita disse, 'Solicitado por ele eu dei a ele o que era meu. Como eu agora retomarei isso? Tu podes ir embora. Tu tens minha permissão.'” "O Brahmana disse, 'Tu ouviste, ó rei, as palavras desses dois. Aceite sem escrúpulos o que eu prometi te dar.'” "O rei disse, 'Esta questão é, de fato, tão profunda (em importância) quanto um abismo insondável. Como a pertinácia deste Recitador terminará? Se eu não aceitar o que foi dado por este Brahmana, como eu evitarei ser maculado por um grande pecado?' O sábio real então disse para os dois disputantes, 'Vão ambos, tendo obtido seus respectivos objetos. Eu devo cuidar para que os deveres reais, conferidos a mim, não se tornem inúteis. É determinado que reis devem cumprir os deveres declarados para eles. Para minha desgraça, no entanto, o curso de deveres prescritos para Brahmanas foi possuído pela minha pessoa desventurada.'” "O Brahmana disse, 'Aceite, ó rei! Eu te devo. Tu o solicitaste, e eu também me comprometi (a te dar). Se, no entanto, tu te recusares a aceitar, ó monarca, eu te amaldiçoarei sem dúvida.'” "O rei disse, 'Que vergonha para os deveres reais, a conclusão segura sobre a operação dos quais é esta mesma. Eu devo, contudo, aceitar o que tu dás, por esta única razão, isto é, tornar os dois cursos de dever exatamente iguais. Esta minha mão, que nunca antes foi (estendida para aceitação de doações), está agora estendida (para aceitação como também) para doar. Dê-me o que tu me deves.'” "O Brahmana disse, 'Se eu ganhei quaisquer frutos por recitar o Gayatri, aceite eles todos.'” "O rei disse, 'Estas gotas de água, veja, ó principal dos Brahmanas, caíram sobre minha mão. Eu também desejo te dar. Aceite minha doação. Que haja igualdade entre nós (por tu aceitares meu presente como eu aceitei o teu).'” "Virupa disse, 'Saiba, ó rei, que nós dois somos Desejo e Ira. Foi por nós que tu foste induzido a agir dessa maneira. Tu fizeste uma doação em retorno para o Brahmana. Que aja igualdade entre tu e esta pessoa regenerada em relação a regiões de felicidade no mundo seguinte. Este Vikrita realmente não me deve nada. Nós apelamos para ti por tua própria causa. O Tempo, Dharma, Mrityu, e nós dois examinamos tudo sobre ti, aqui na tua própria presença, por produzirmos este atrito entre tu e este Brahmana. Vá agora, como tu escolheres, para aquelas regiões de felicidade que tu ganhaste por meio de teus feitos.'” "Bhishma continuou, 'Eu agora te disse como Recitadores obtêm os resultados (de suas recitações) e qual, de fato, é seu fim, qual o local, e quais as regiões, que um Recitador pode alcançar. Um Recitador do Gayatri vai para o deus supremo Brahman, ou vai para Agni ou entra na região de Surya. Se ele se diverte lá em sua (nova) forma enérgica, então estupefato por tal atração ele pega os atributos daquelas regiões específicas. (Isto não é Emancipação, mas meramente felicidade finita.) O mesmo vem a ser o caso com ele se ele vai para Soma, ou Vayu, ou Terra, ou Espaço. O fato é, ele habita em todos estes, com apego, e mostra os atributos peculiares àquelas regiões. Se, no entanto, ele vai para aquelas regiões depois de ter se livrado de atrações, e sente uma desconfiança (a respeito da felicidade que ele desfruta), e deseja Aquela que é Suprema e Imutável, ele então entra exatamente Naquela. Nesse caso ele alcança a ambrosia da ambrosia, a um estado livre de desejo e desprovido de consciência separada. Ele se torna o próprio Brahma livre da influência de opostos, feliz, tranquilo, e sem dor. (Alcança a Emancipação ou Absorção na essência de Brahma.) De fato, ele alcança aquela condição que é livre de aflição, que é a própria tranquilidade, a qual é chamada de Brahma, de onde não há retorno, e que é intitulada a Única e Imutável. Ele se torna livre dos quatro meios de compreensão (que são: Conhecimento Direto através dos sentidos, Revelação, Inferência e Intuição), das seis condições (fome, sede, dor, ilusão, doença e morte), e também dos outros dezesseis atributos (os cinco ares vitais, os dez sentidos, e a mente). Transcendendo o Criador (Brahman), ele alcança absorção na Única Alma Suprema. Ou, se sob a influência de atrações, ele não desejar tal absorção, mas desejar ter uma existência separada como dependente daquela Causa Suprema de tudo, ele então obtém a realização de tudo pelo qual ele nutre um desejo. Ou, se ele olha (com aversão) para todas as regiões de felicidade, as quais têm sido (como declarado previamente) chamadas de infernos, ele então, rejeitando desejo e livre de tudo, desfruta de felicidade suprema exatamente naquelas mesmas regiões. (Três diferentes fins são citados. Um é absorção em Brahma; o outro é o desfrute de felicidade comum, o qual, é claro, é finito, e o último é o desfrute daquela felicidade a qual é devido a uma liberdade de desejo e atrações.) Assim, ó monarca, eu te falei sobre o fim alcançado pelos Recitadores. Eu te disse tudo. O que mais tu desejas ouvir?'" 200 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, que resposta foi dada a Virupa pelo Brahmana ou pelo monarca depois da conclusão das palavras do último. Qual foi o tipo de fim, entre aqueles descritos por ti, que eles alcançaram? Qual, de fato, foi a conversa que ocorreu entre eles, e o que eles fizeram lá?'” "Bhishma disse, 'O Brahmana, dizendo, 'Que sejas como tu dizes', adorou Dharma e Yama e Tempo e Mrityu e o Céu, todos os quais eram dignos de adoração. Ele também adorou todos aqueles principais dos Brahmanas que tinham ido lá para curvar suas cabeças a eles. Dirigindo-se ao monarca então, ele disse, 'Dotado da recompensa de minhas recitações, ó sábio nobre, obtenha uma posição de eminência. Com tua permissão eu me dedicarei a minhas recitações novamente. Ó tu de grande poder, a deusa Savitri me deu um benefício, dizendo, 'Que tua dedicação às recitações seja contínua.'” "O rei disse, 'Se teu sucesso (em recitação) se tornou inútil (por tu teres me dado aqueles frutos), e se teu coração está determinado a praticar outra vez, vá, ó Brahmana erudito, meio a meio comigo, e que a recompensa de tuas recitações sejam tuas (compartilhe comigo desta recompensa).'” "O Brahmana disse, 'Tu fizeste esforços árduos perante todas essas pessoas (para fazer de mim um participante das recompensas acumuladas por ti como as consequências de tuas próprias ações). Que nós então nos tornemos iguais em relação às nossas recompensas (na próxima vida), e vamos receber aquele fim o qual é nosso.' Sabendo da decisão à qual eles haviam chegado lá, o chefe dos deuses foi àquele local, acompanhado pelas divindades e os Regentes do mundo. Os Sadhyas, os Viswas, os Mantras, diversos tipos de música alta e suave, os Rios, as Montanhas, os Mares, as Águas Sagradas, as Penitências, as Ordenanças sobre yoga, os Vedas, os Sons que acompanham o canto dos Samans, Saraswati, Narada, Parvata, Viswavasu, os Hahas, os Huhus, o Gandharva Chitrasena com todos os membros de sua família, os Nagas, os Sadhyas, os Munis, o deus de deuses, isto é, Prajapati, e o próprio Vishnu inconcebível e de mil cabeças, chegaram lá. Tambores e trombetas foram batidos e soprados no firmamento. Flores celestes foram derramadas sobre aqueles seres de grande alma. Grupos de Apsaras dançavam por toda parte. O Céu, em sua forma incorporada, chegou lá. Dirigindo-se ao Brahmana, ele disse, 'Tu alcançaste o sucesso. Tu és altamente abençoado.' Dirigindo-se em seguida ao monarca, ele disse, 'Tu também, ó rei, alcançaste o sucesso.' Aquelas duas pessoas então, ó monarca (isto é, o Brahmana e o rei), tendo feito bem um ao outro, afastaram seus sentidos dos objetos do mundo. Fixando os ares vitais Prana, Apana, Samana, Udana e Vyana no coração, eles concentraram a mente em Prana e Apana unidos. Eles então colocaram os dois ares unidos no abdômen, e dirigiram seu olhar fixo à ponta do nariz e então imediatamente abaixo das duas sobrancelhas. Eles em seguida mantiveram os dois ares, com a ajuda da mente, no lugar que fica entre as sobrancelhas, levando-os lá muito gradualmente. Com corpos totalmente inativos, eles estavam absortos com olhar fixo. Tendo controle sobre suas almas, eles então colocaram a alma dentro do cérebro. Então, atravessando o topo da cabeça do Brahmana de grande alma uma chama ígnea de esplendor magnífico ascendeu ao céu. Altas exclamações de pesar, proferidas por todas as criaturas, foram então ouvidas por todos os lados. Seus louvores cantados por todos, aquele esplendor então entrou no próprio Brahman. O Grandioso Avô, se adiantando, dirigiu-se àquele esplendor que tinha assumido uma forma da altura de um palmo, dizendo, 'Bem vindo!' E mais uma vez ele proferiu essas palavras, 'Em verdade, os Recitadores alcançam o mesmo fim com os yogins. O alcance pelo yogin de seu fim é um objeto de visão direta para todos esses (aqui reunidos). (Os yogins alcançam Brahma aqui mesmo.) Em relação aos Recitadores, há esta distinção, que é ordenado para eles a honra de Brahman se adiantar para recebê-los (depois de sua partida da terra). Habite em mim.’ Assim falou Brahman e mais uma vez deu consciência àquele esplendor. De fato, o Brahmana então, livre de todas as ansiedades, entrou na boca do Criador. O monarca (Ikshvaku) também, da mesma maneira, entrou no Avô divino como aquele principal dos Brahmanas. As divindades (reunidas) saudaram o auto- nascido e disseram, 'Um fim muito superior é, de fato, ordenado para os Recitadores. Este esforço (que nós te vimos empregar) é em prol dos Recitadores. Com relação a nós, nós viemos aqui para ver isto. Tu fizeste estes dois iguais, deste a eles honra igual, e concedeste a eles um fim igual. O fim sublime que está reservado para yogins e Recitadores foi visto por nós hoje. Transcendendo todas as regiões (de felicidade), estes dois são capazes de ir para onde quer que eles desejem.'” "Brahman disse, 'Também aquele que ler o grande Smriti (isto é, o Veda), e também aquele que ler os outros Smritis auspiciosos que seguem o primeiro (isto é, o de Manu e o resto), irá, dessa maneira, alcançar a mesma região comigo. Aquele também que é dedicado ao yoga alcançará desse modo, sem dúvida, depois da morte, as regiões que são minhas. Eu partirei daqui. Vão vocês todos para seus respectivos lugares para a realização de seus objetivos.'” "Bhishma continuou, 'Tendo dito estas palavras, aquele principal dos deuses desapareceu. As divindades reunidas, tendo previamente se despedido dele, voltaram para suas respectivas residências. Todos aqueles seres de grande alma, tendo honrado Dharma, prosseguiram com corações bem satisfeitos, ó monarca, seguindo aquela grande divindade. Estas são as recompensas dos recitadores e este é seu fim. Eu os descrevi para ti como eu mesmo ouvi a respeito deles. O que mais, ó monarca, tu desejas ouvir?'" 201 "Yudhishthira disse, 'Quais são os frutos do yoga representado pelo Conhecimento, de todos os Vedas, e das (várias) observâncias e votos? Como também a alma-criatura pode ser conhecida? Nos diga, isto, ó Avô!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a antiga narrativa da conversa entre aquele senhor de criaturas, isto é, Manu, e o grande Rishi Vrihaspati. Nos tempos passados, o principal dos Rishis celestes, Vrihaspati, que era um discípulo de Manu, reverenciou seu preceptor e, se dirigindo àquele senhor e principal das criaturas, disse, 'Qual é a causa (do universo)? De onde as ordenanças (sobre sacrifícios e outras observâncias virtuosas) fluíram? Quais são aqueles frutos que os eruditos dizem que são ligados ao Conhecimento? Diga-me também realmente, ó ilustre, o que é aquilo que os próprios Vedas não têm podido revelar? Quais são aqueles frutos que são adorados por personagens eminentes conhecedores da ciência de Artha, dos Vedas, e dos Mantras, através de sacrifícios e doações abundantes de gado? De onde surgem aqueles frutos? Onde eles são encontrados? Conte-me também aquela velha história, isto é, de onde a terra, todos os objetos terrestres, vento, firmamento, criaturas aquáticas, água, céu, e os habitantes do céu, todos surgiram? As inclinações do homem tendem em direção àquele objeto acerca do qual ele procura conhecimento. Eu não tenho conhecimento daquele Antigo e Supremo. Como eu me salvarei de uma manifestação falsa de inclinações em direção a Ele? (O fato é, eu não sei nada dele, mas eu ainda professo adorá-lo. Este é um comportamento falso. Como eu serei salvo de tal falsidade?) Eu tenho estudado os Riks, todos os Samans, todos os Yajuses, os Chhandas (as regras de Métrica como aplicáveis aos hinos Védicos), Astronomia (Jyotish, que forma um Anga dos Vedas), Nirukta (que fornece regras para interpretação de passagens obscuras dos Vedas, e também dá os significados de palavras técnicas ou obscuras usadas neles), Gramática, Sankalpa (Kalpa é a descrição de ritos religiosos), e Siksha (a ciência de Pronúncia como aplicada a mantras e hinos Védicos). Mas eu não tenho conhecimento da natureza das grandes criaturas (os cinco elementos primordiais) que entram na composição de tudo. Diga-me tudo o que eu te perguntei, por usar somente afirmações simples e diferenciando adjetivos ou atributos. Diga-me quais são os frutos do Conhecimento e quais são aqueles frutos que são ligados a sacrifícios e outros ritos religiosos. Explique-me também como um ser incorporado parte de seu corpo e como ele obtém outro corpo.'” "Manu disse, 'Aquilo que é agradável para alguém é dito que constitui sua felicidade. Similarmente, aquilo que é desagradável para alguém é dito que constitui sua tristeza. ‘Por isto eu obterei felicidade e afastarei a tristeza’, de um sentimento como esse fluem todos os atos religiosos. Os esforços para a aquisição de Conhecimento, no entanto, provêm de um sentimento para evitar felicidade e tristeza. (Aqueles que acreditam que a felicidade não é eterna e que, portanto, eles não devem procurá-la, se afastam de todos os atos pios os quais levam à felicidade. Eles buscam Conhecimento como o melhor meio para evitar tudo o que é transitório e mutável. Eles procuram moksha ou Emancipação completa a qual foi descrita nos capítulos anteriores.) As ordenanças sobre sacrifícios e outras observâncias, que se encontram nos Vedas, são todas ligadas com desejo. Aquele, no entanto, que se liberta do desejo, consegue alcançar Brahma. O homem que, pelo desejo de obter felicidade, anda pelo caminho das ações, as quais são de diversos tipos, tem que ir para o inferno.'” (O significado de 'inferno' como aplicado em tais passagens foi explicado antes.) "Vrihaspati disse, 'As aspirações dos homens estão ligadas à aquisição do agradável que termina em felicidade, e à evitação do desagradável que traz tristeza. Tal aquisição e tal evitação também são realizadas por meio de ações.'” "Manu disse, 'É por se libertar das ações que alguém consegue entrar em Brahma. As ordenanças sobre ações fluíram por este mesmo objetivo. (O sentido é que uma pessoa deve se dedicar às ações como um tipo de preparação. Posteriormente ela deve abandoná-las para obter o fim mais sublime. As ações, portanto, têm seu uso, e ajudam uma pessoa, embora indiretamente, na obtenção de Brahma.) As ordenanças sobre ações tentam somente aqueles cujos corações não estão livres do desejo. Por se libertar das ações (como já dito) alguém alcança o estado mais elevado. Alguém desejoso de felicidade (Emancipação), se dirigindo a ritos religiosos, fica purificado (das atrações) por meio de ações que têm como seu objetivo a purificação da alma, e finalmente ganha grande esplendor. Por se libertar das ações, alguém alcança o fim mais sublime, isto é, Brahma, o qual está muitíssimo acima da recompensa que os atos dão. Todas as criaturas foram criadas por Mente e Ação. Estes também são os dois melhores caminhos adorados por todos. Ações externas produzem frutos que são transitórios como também eternos. Para adquirir os últimos não há outro meio além do abandono dos frutos pela mente (isto é, atos podem ser praticados, mas seus resultados nunca devem ser cobiçados). Como a visão, quando a noite passa e o véu da escuridão é removido dela, guia seu possuidor por seu próprio poder, assim a Compreensão, quando ela vem a ser dotada de Conhecimento, consegue ver todos os males que são dignos de serem evitados. Cobras, folhas de kusa de pontas afiadas, e buracos, os homens evitam quando eles percebem que estão em seu caminho. Se alguns pisam ou caem dentro deles, eles fazem isso por ignorância. Veja a superioridade dos frutos do conhecimento (sobre aqueles da ignorância). Mantras aplicados devidamente, sacrifícios, os presentes chamados de Dakshina, doações de alimento, e concentração da mente (para contemplação divina), estas são as cinco ações que são citadas como produtivas de frutos, não havendo mais nenhuma. As ações têm (os três) atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas) por sua alma. Os Vedas dizem isto. (Os Vedas consistem em Mantras). Os Mantras, portanto, têm as mesmas três qualidades, já que é com Mantras que as ações devem ser realizadas. O ritual também deve estar sujeito às mesmas três qualidades. Os resultados da ação dependem da mente (isto é, do motivo das ações). É a criatura incorporada que desfruta daqueles resultados. Todos os excelentes tipos de som, forma, gosto, toque, e aroma, são os frutos de ações, sendo obteníveis na região de ações (isto é, céu). Em relação, no entanto, aos frutos do conhecimento, o homem os obtém aqui mesmo antes da morte. Quaisquer atos que sejam realizados por meio do corpo, uma pessoa desfruta dos resultados deles em um estado de existência física. O corpo é, de fato, a estrutura à qual a felicidade inere, como também a estrutura à qual a tristeza inere. (O resultado de todos os atos realizados por meio do corpo é o céu onde uma pessoa em um estado físico (embora sutil) desfruta daqueles resultados. Se a Emancipação é para ser procurada, ela deve ser alcançada através da mente.) Quaisquer atos que sejam realizados por meio de palavras, seus frutos serão desfrutados em um estado no qual palavras possam ser faladas. Similarmente, quaisquer atos que sejam realizados pela mente, seus frutos são desfrutados em um estado no qual alguém não esteja livre da mente. Dedicada aos frutos das ações, quaisquer tipos de ações (Sattwikas, ou Rajasikas, ou Tamasikas) que uma pessoa cobiçosa de resultados realize, os frutos, bons ou maus, que ela realmente desfruta compartilham do caráter delas. Como peixes indo contra uma corrente de água, as ações de uma vida passada chegam ao ator. A criatura incorporada sente felicidade por suas boas ações, e tristeza pelas más. Ele de quem este universo surgiu, Ele por conhecer a quem pessoas de almas purificadas transcendem este mundo, Ele que não é expressado por mantras e palavras Védicos, eu agora indicarei. Ouça-me enquanto eu falo daquele mais sublime dos sublimes. Ele mesmo livre dos vários tipos de gosto e cheiro, e som e toque e forma, Ele não pode ser compreendido pelos sentidos, imanifesto, sem cor, o Único, e Ele tem criado os cinco tipos de objetos (isto é, sabor, etc.) para Suas criaturas. Ele não é nem feminino, nem masculino, nem de sexo neutro. Ele não é existente (como átomo), nem inexistente (como espaço), nem existente-não- existente (como Maya ou ilusão). Somente aqueles que conhecem Brahma vêem a Ele. Ele não conhece direção."' 202 "Manu disse, 'Daquele eterno e imperecível Um surgiu primeiro o Espaço; do espaço veio o Vento; do vento veio a Luz; da luz veio a Água; da água surgiu o Universo; e do universo, todas as coisas que existem nele. Os corpos de todas as coisas (terrenas), (depois da dissolução), primeiro entram na água, então na luz ou calor, então no vento, e então no espaço. Aqueles que procuram Emancipação não têm que voltar do espaço. Por outro lado, eles alcançam Brahma. O refúgio da Emancipação, isto é, Brahma, não é nem quente, nem frio, nem suave nem ardente, nem azedo nem adstringente, nem doce nem amargo. Ele não é dotado de som, ou cheiro, ou forma. Ele transcende todos esses e tudo, e é sem dimensões. A pele percebe toque; a língua, gosto; o nariz, cheiro; os ouvidos, sons; e os olhos, formas. Homens não familiarizados com Adhyatma não conseguem ver o que está acima destes. Tendo afastado a língua dos sabores, o nariz dos perfumes, os ouvidos dos sons, a pele do toque, e os olhos das formas, alguém consegue ver seu próprio eu (como independente dos sentidos e da mente e, portanto, dos atributos). (Isto é, ele vê sua própria alma.) É dito que aquilo que é a Causa do ator, a ação, o material com o qual a ação é feita, o lugar e a hora da ação, e as tendências e propensões em relação à felicidade e tristeza, é chamado de Eu (ou Alma). Aquilo que permeia tudo, que faz tudo (assumindo as formas de criaturas vivas), aquilo que existe no universo assim como os mantras declaram (isto é, que embora um, se divide em milhares de formas como a imagem da lua em uma quantidade de água agitada), aquilo que é a causa de tudo, aquilo que é o mais alto dos altos, e aquilo que é Um sem um segundo e que faz todas as coisas, é a Causa. Tudo mais é efeito. É visto que uma pessoa, por causa dos atos realizados por ela, obtém resultados bons e maus, os quais (embora aparentemente incompatíveis uns com os outros, ainda assim) vivem juntos em harmonia. De fato, como os frutos bons e maus nascidos de suas próprias ações moram juntos nos corpos de criaturas os quais são seu refúgio, assim mesmo o Conhecimento mora no corpo. (A analogia consiste nisto: frutos bons e maus, embora incompatíveis, moram juntos; similarmente, o conhecimento, embora não material, reside no corpo material. É claro, conhecimento é usado aqui no sentido da mente ou da compreensão.) Como uma lâmpada acesa, enquanto queimando, revela outros objetos diante de si, assim os cinco sentidos que são como lâmpadas fixadas em árvores altas, descobrem seus respectivos objetos quando acesos pelo Conhecimento. Como os vários ministros de um rei, unidos, dão conselhos a ele, assim mesmo os cinco sentidos que estão corpo são todos subservientes ao Conhecimento. O último é superior a todos eles. Como as chamas do fogo, a corrente do vento, os raios do sol, e as águas dos rios vêm e vão repetidamente, assim mesmo os corpos das criaturas incorporadas estão indo e vindo repetidamente. Como uma pessoa por pegar um machado não pode, por cortar um pedaço de madeira, achar fumaça ou fogo nele, assim mesmo não se pode, por abrir os braços e pés e estômago de uma pessoa, ver o princípio de conhecimento, o qual, é claro, não tem nada em comum com o estômago, os braços e os pés. Como também, vê-se fumaça e fogo em madeira por friccioná-la contra outro pedaço, assim uma pessoa de inteligência e sabedoria bem direcionadas, por unir (por meio de yoga) os sentidos e a alma, pode ver a Alma Suprema a qual, é claro, existe em sua própria natureza (isto é, não afetada por atributos e qualidades e acidentes). Como no meio de um sonho uma pessoa vê seu próprio corpo deitado no chão como alguma coisa distinta de si mesma, assim mesmo uma pessoa, dotada dos cinco sentidos, a mente, e a compreensão, vê (depois da morte) seu próprio corpo e então vai de uma para outra forma. A Alma não está sujeita a nascimento, crescimento, decadência, e destruição. Pelos atos da vida serem dotados de efeitos, a Alma, vestida em corpo, passa deste corpo (quando privado de animação) para outro, não vista por outros. Ninguém pode ver com o olho a forma da Alma. A Alma não pode, também, formar o objeto de toque de alguém. Com aqueles (isto é, os sentidos), a Alma não realiza atos. Os sentidos não se aproximam da Alma. A Alma, no entanto, compreende eles todos. Como qualquer coisa, colocada em um fogo ardente perante um espectador, assume uma certa cor por causa da luz e calor que operam sobre ela, sem tomar qualquer outra cor ou atributo, assim mesmo a forma da Alma é vista pegar sua cor do corpo. Do mesmo modo, o homem, rejeitando um corpo, entra em outro, despercebido por todos. De fato, abandonando seu corpo para os (cinco) grandes elementos primordiais, ele assume uma forma que é similarmente feita dos mesmos (cinco) elementos. A criatura incorporada (após a destruição de seu corpo) entra no espaço, vento, fogo, água, e terra de tal maneira que cada elemento específico em seu corpo se mistura com o elemento específico (fora de seu corpo) com cuja natureza ele é consoante. Os sentidos também, que estão engajados em diversas ocupações e dependem dos cinco elementos (para o exercício de suas funções), entram naqueles cinco elementos que fazem surgir suas funções. O ouvido deriva sua capacidade do espaço; e o sentido do olfato, da terra. Forma, a qual é a propriedade da visão, é a consequência da luz ou fogo. O fogo ou calor é citado como a causa dependente da água. A língua, que tem o paladar como sua propriedade imerge na água. A pele, que tem o tato como sua propriedade, se perde no vento de cuja natureza ela compartilha. Os cinco atributos, (isto é, som, etc.) moram nas (cinco) grandes criaturas (isto é, os cinco elementos primordiais). Aqueles cinco objetos dos sentidos (isto é, espaço, etc.) moram nos (cinco) sentidos. Todos estes (os cinco atributos, os cinco elementos, e o cinco sentidos) seguem a liderança da mente. A mente segue a liderança da Compreensão, e a Compreensão segue a liderança daquilo que existe em sua natureza verdadeira e imaculada (isto é, a Alma Suprema). O fazedor em seu novo corpo recebe todas as ações boas e más feitas por ele como também todos os atos feitos por ele em sua existência passada. Todos os atos feitos nesta vida e nas próximas a virem seguem a mente assim como animais aquáticos passam ao longo de uma corrente amena. Como uma coisa agitada e que se move rapidamente se torna um objeto de visão, como um objeto minúsculo parece possuir grandes dimensões (quando visto através de lentes), como um espelho mostra a uma pessoa seu próprio rosto (o qual não pode ser visto de outra maneira), assim mesmo a Alma (embora sutil e invisível) se torna um objeto de percepção da Compreensão.'" 203 "Manu disse, 'A mente unida com os sentidos, lembra depois de um longo tempo as impressões dos objetos recebidas no passado. Quando os sentidos estão todos suspensos (em relação às suas funções, no sono), o Supremo (a Alma), na forma de Compreensão, existe em sua própria natureza verdadeira. Quando a Alma (em tal momento) não considera de maneira alguma todos aqueles objetos dos sentidos em relação à sua simultaneidade ou o oposto em relação a tempo, mas reunindo-os de todas as direções os mantém juntos diante de si, necessariamente acontece que ela vaga entre todas as coisas que são incongruentes. Ela é, portanto, a Testemunha (silenciosa). Então a Alma envolvida em corpo é uma coisa que tem uma existência distinta e independente. (Quando a alma, em um sonho, reúne juntas as ocorrências e objetos de diferentes tempos e lugares, quando, de fato, coerência em relação a tempo e lugar não se aplica a ela, ela deve ser considerada como tendo uma existência que é distinta e independente dos sentidos e do corpo.) Há Rajas, há Tamas, e há Sattwa, o terceiro. Há também três estados da compreensão, isto é, vigília, sonho, e sono profundo. A Alma tem conhecimento dos prazeres e dores, os quais são todos contraditórios, daqueles estados, e os quais partilham da natureza dos três atributos mencionados primeiro. (A Alma somente tem conhecimento dos prazeres e dores surgidos em consequência de Sattwa e Rajas e Tamas e em conexão com os três estados da compreensão devidos aos mesmos três atributos. A Alma, no entanto, embora os conhecendo, não os desfruta ou os sofre. Ela é somente a Testemunha silenciosa e inativa de tudo.) A Alma entra nos sentidos como o vento entrando no fogo em um pedaço de madeira. (O objetivo do símile é mostrar que como o vento é uma entidade separada embora existindo com o fogo em um pedaço de madeira, assim a Alma, embora existindo com os sentidos é distinta deles.) Não se pode ver a forma da Alma através da visão, nem pode o sentido de tato, entre os sentidos, apreendê-la. A Alma não é, também, um objeto de compreensão pela audição. Ela pode, no entanto, ser vista pela ajuda dos Srutis e das instruções dos sábios. Em relação aos sentidos, aquele sentido específico que a compreende perde após tal compreensão sua existência como um sentido. Os próprios sentidos não podem compreender suas respectivas formas por si mesmos. A Alma é onisciente (visto que ela compreende ambos, o conhecedor e o conhecido). Ela contempla todas as coisas. Sendo onisciente, é a Alma que vê os sentidos (sem, como já foi dito, os sentidos poderem compreendê-la). Ninguém viu o outro lado das montanhas Himavat, nem o reverso do disco da lua. Ainda assim não pode ser dito que eles não existem. Similarmente, embora nunca apreendida pelos sentidos, contudo ninguém pode dizer que a Alma, a qual mora em todas as criaturas, que é sutil, e que tem conhecimento como sua essência, não existe. As pessoas vêem o mundo refletido no disco da lua na forma de manchas. Embora vendo, elas não sabem que é o mundo que é refletido lá dessa maneira. Assim é o conhecimento da Alma. Aquele conhecimento deve vir por si mesmo. A Alma depende da própria Alma. Homens de sabedoria, refletindo sobre a informidade dos objetos visíveis antes do nascimento e depois da destruição, vêem pela ajuda da inteligência a informidade de objetos que têm formas aparentes. (O comentador usa a ilustração de uma árvore. Antes do nascimento não havia árvore, e depois da destruição também não há árvore, somente no intervalo ela existe. Sua informidade ou inexistência é evidente a partir destes dois estados, pois é dito que aquilo não existiu no passado e não existirá no futuro não pode ser considerado como existente no presente.) Assim também, embora o movimento do Sol não possa ser visto, as pessoas, por verem seu nascimento e ocaso, concluem que o sol tem movimento. Similarmente, aqueles que são dotados de sabedoria e erudição vêem a Alma pela ajuda da lâmpada da inteligência, embora ela esteja a uma grande distância deles, e procuram imergir os cinco elementos, os quais estão perto, em Brahma. Em verdade, um objetivo não pode ser realizado sem a aplicação de meios. Pescadores pegam peixes por meio de redes feitas de fios. Animais são capturados por empregar animais como os meios. Aves são apanhadas por empregar aves como os meios. Elefantes são pegos por empregar elefantes. Desse modo, a Alma pode ser compreendida pelo princípio de conhecimento. Nós temos ouvido que somente uma cobra pode ver as pernas de uma cobra. Da mesma maneira uma pessoa vê, através do Conhecimento, a Alma envolvida em forma sutil e residindo dentro do corpo grosseiro. As pessoas não podem, através de seus sentidos, conhecer os sentidos. Similarmente, a mera Inteligência mais elevada não pode contemplar a Alma a qual é suprema. A lua, no décimo quinto dia da quinzena escura, não pode ser vista por sua forma estar escondida. Não pode ser dito, no entanto, que a destruição a alcança. O mesmo é o caso com a Alma residindo no corpo. No décimo quinto dia da quinzena escura, o corpo grosseiro da lua se torna invisível. Do mesmo modo, a Alma, quando livre do corpo, não pode ser percebida. Como a lua, alcançando outro ponto no firmamento começa a brilhar novamente, similarmente, a Alma, obtendo um novo corpo, começa a se manifestar mais uma vez. O nascimento, crescimento e desaparecimento da lua podem ser todos apreendidos diretamente pela visão. Estes fenômenos, no entanto, concernem à forma grosseira daquele corpo luminoso. Os semelhantes não são os atributos da Alma. A lua, quando ela se mostra depois de seu desaparecimento no décimo quinto dia da quinzena escura, é considerada como o mesmo corpo luminoso que tinha se tornado invisível. Do mesmo modo, apesar das mudanças representadas por nascimento, crescimento e velhice, uma pessoa é considerada como o mesmo indivíduo sem qualquer dúvida de sua identidade. Não pode ser visto claramente como Rahu se aproxima e deixa a lua. Da mesma maneira, não pode ser visto como a Alma deixa um corpo e entra em outro. Rahu fica visível somente quando ele existe com o sol ou a lua. Similarmente, a Alma se torna um objeto de percepção somente quando ela existe com o corpo. Quando livre do sol ou da lua, Rahu poder não pode mais ser visto. Do mesmo modo, a Alma, livre do corpo, não pode mais ser vista. Então, também, como a lua, mesmo quando ela desaparece no décimo quinto dia da quinzena escura, não é abandonada pelas constelações e as estrelas, a Alma também, mesmo que separada do corpo, não é abandonada pelos resultados dos atos que ela realizou naquele corpo.'" 204 "Manu disse, 'Como em um sonho este (corpo) manifesto repousa (inativo) e o espírito animante em sua forma sutil, separando-se do primeiro, vaga adiante da mesma maneira, no estado chamado de sono profundo (ou morte), a forma sutil com todos os sentidos se torna inativa e a Compreensão, separada destes permanece desperta. O mesmo é o caso com Existência e Não-Existência. Como quando uma quantidade de água está límpida, as imagens refletidas nela podem ser vistas pelo olho, do mesmo modo, se os sentidos estão imperturbados, a Alma pode ser vista pela compreensão. Se, no entanto, a quantidade de água fica agitada, a pessoa que está ao lado dela não pode mais ver aquelas imagens. Similarmente, se os sentidos ficam perturbados, a Alma não pode mais ser vista pela compreensão. Ignorância gera Ilusão. A ilusão afeta a mente. Quando a mente se torna viciada, os cinco sentidos que têm a mente como seu refúgio ficam viciados também. Sobrecarregado com Ignorância, e caído no atoleiro de objetos mundanos, alguém não pode desfrutar das doçuras do contentamento ou tranquilidade. A Alma (assim situada), não separada de suas ações boas e más, volta repetidamente para os objetos do mundo. Pelo pecado a sede de alguém nunca é saciada. A sede de alguém é saciada somente quando o pecado dele é destruído. Por causa da atração por objetos mundanos, a qual tem uma tendência para se perpetuar, uma pessoa deseja coisas além daquelas pelas quais alguém deveria desejar, e consequentemente fracassa em alcançar o Supremo. Da destruição de todos os atos pecaminosos, o conhecimento surge nos homens. Após o aparecimento do Conhecimento, alguém vê a própria Alma na própria compreensão assim como alguém vê o próprio reflexo em um espelho polido. Alguém obtém miséria por seus sentidos serem descontrolados. Alguém obtém felicidade por seus sentidos serem controlados. Portanto, deve-se reprimir a mente por um auto-esforço dos objetos compreendidos pelos sentidos. Acima dos sentidos está a mente; acima da mente está a compreensão; acima da compreensão está a Alma; acima da Alma está o Supremo ou Grandioso. Do Imanifesto surgiu a Alma; da Alma surgiu a Compreensão; da Compreensão surgiu a Mente. Quando a Mente se torna associada com os sentidos, ela então percebe som e os outros objetos dos sentidos. Aquele que rejeita aqueles objetos, como também tudo o que é manifesto, aquele que se liberta de todas as coisas que surgem da matéria primordial (que são todas as formas sutis ou existentes que são compostas dos tanmatras dos elementos mais grosseiros), sendo assim livre, desfruta de imortalidade. O Sol nascendo difunde seus raios. Quando se põe, ele recolhe dentro de si mesmo aqueles mesmos raios que foram difundidos por ele. Do mesmo modo, a Alma, entrando no corpo, obtém os cinco objetos dos sentidos por difundir sobre eles seus raios representados pelos sentidos. Quando, no entanto, ela retrocede, é dito que ela se põe por recolher aqueles raios dentro de si mesma (ou, recupera sua real natureza). Repetidamente levada pelo caminho que é criado pelas ações, ela obtém os resultados de suas ações por ter seguido a prática de ações. O desejo por objetos dos sentidos se mantém longe de uma pessoa que não se entrega à tal desejo. O próprio princípio do desejo, no entanto, deixa aquele que viu sua alma, a qual, é claro, é totalmente livre do desejo. (Por se abster dos objetos dos sentidos alguém pode vencer seu desejo por eles. Mas ele não consegue só por aquele método se livrar totalmente do próprio princípio de desejo. Quando uma pessoa consegue ver a própria alma o próprio princípio de desejo dela vem a ser suprimido.) Quando a Compreensão, livre da atração pelos objetos dos sentidos, se torna fixa na mente, então alguém consegue alcançar Brahma, pois é lá que a mente, com a compreensão recolhida dentro dela, pode possivelmente ser extinta. Brahma não é um objeto de tato, ou de audição, ou de paladar, ou de visão, ou de olfato, ou de qualquer inferência dedutiva do Conhecido. Somente a Compreensão (quando afastada de tudo mais) pode alcançá-lo. Todos os objetos que a mente percebe através dos sentidos podem ser recolhidos dentro da mente; a mente pode ser recolhida dentro da Compreensão; a Compreensão pode ser recolhida dentro da Alma, e a Alma no Supremo. (A existência separada de um mundo objetivo é negada na primeira parte da frase aqui. Todos os objetos dos sentidos são citados como tendo somente uma existência subjetiva; por isso a possibilidade de eles serem recolhidos dentro da mente.) Os sentidos não podem contribuir para o êxito da mente. A mente não pode entender a Compreensão. A Compreensão não pode entender a Alma manifestada. A Alma, no entanto, que é sutil, contempla eles todos.'" 205 "Manu disse, 'Após o aparecimento de tristeza física e mental, alguém não se torna capaz de praticar yoga. É aconselhável, portanto, não meditar sobre tal tristeza. O remédio para a tristeza é a abstenção de pensar sobre ela. Quando a tristeza é meditada, ela vem agressivamente e aumenta em violência. Deve-se aliviar a tristeza mental pela sabedoria, enquanto a tristeza física deve ser curada por medicamentos. A Sabedoria ensina isto. Não se deve, enquanto sob tristeza, se comportar como uma criança. O homem de sabedoria nunca deve nutrir um desejo por juventude, beleza, duração de vida, acúmulo de riqueza, saúde, e a companhia daqueles que são queridos, todos os quais são transitórios. Alguém não deve sofrer sozinho por uma tristeza que afeta toda uma comunidade. Sem sofrer, ele deve, se ele vir uma oportunidade, procurar aplicar um remédio. Sem dúvida, a medida de tristeza é muito maior do que aquela de felicidade na vida. Para alguém que está contente com os objetos dos sentidos, a morte que é desagradável vem em consequência de sua estupefação. O homem que evita tristeza e alegria em verdade consegue alcançar Brahma. Tais pessoas, que possuem sabedoria, nunca têm que sofrer. Posses mundanas ocasionam tristeza. Em protegê-las tu não poderás ter qualquer felicidade. Elas são também obtidas com miséria. Não se deve portanto, considerar sua perda. O Conhecimento Puro (ou Brahma) é considerado (por ignorância) como existindo nas diversas formas que são objetos de Conhecimento. Saiba que a mente é somente um atributo do Conhecimento. Quando a mente se torna unida com as faculdades de conhecimento, então a Compreensão (a qual representa as formas das coisas) começa. Quando a Compreensão, livre dos atributos de ação, vem a ser dirigida para a mente (depois de ser retirada dos objetos externos), ela então consegue conhecer Brahma por meditação ou Yoga terminando em completa absorção (samadhi). A Compreensão fluindo da Ignorância, e possuidora dos sentidos e atributos, corre em direção aos objetos externos, como um rio emanando de um topo de montanha e fluindo em direção a outras regiões. Quando a Compreensão, recolhida dentro da mente, consegue se absorver na contemplação que é livre de atributos, ela obtém um conhecimento de Brahma como o toque de ouro em uma pedra de toque. A mente é aquilo que percebe os objetos dos sentidos. Ela deve primeiro ser extinta (antes que Brahma possa ser alcançado). Dependente das qualidades dos objetos que estão diante dela, a mente nunca pode mostrar aquilo que não tem qualidades. Fechando todas as portas constituídas pelos sentidos, a Compreensão deve ser recolhida dentro da mente. Neste estado, quando absorta em contemplação, ela alcança o conhecimento de Brahma. Como as cinco grandes criaturas (em sua forma grosseira) após a destruição dos atributos pelos quais elas são conhecidas, vêm a serem recolhidas (em sua forma sutil chamada Tanmatra), da mesma maneira a Compreensão pode habitar só na mente, com os sentidos todos afastados de seus objetos. Quando a Compreensão, embora possuidora do atributo de certeza, mora na mente, ocupada com a natureza interna, mesmo então ela é só a mente (sem ser algo superior a ela). Quando a mente ou consciência, que alcança excelência através da contemplação, consegue identificar os atributos com aqueles que são considerados como seus possuidores, ela então pode rejeitar todos os atributos e alcançar Brahma que não tem atributos. (Homens comuns consideram todos os objetos como possuidores de uma existência independente, e seus atributos também como coisas diferentes das substâncias as quais os possuem. O primeiro passo a realizar é a convicção que atributos e substâncias são o mesmo, ou que os atributos são as substâncias. O estágio seguinte, é claro, é aniquilar os próprios atributos por meio de contemplação. O resultado disso é a obtenção de Brahma.) Não há indicação que seja digna o suficiente para produzir um conhecimento do que é Imanifesto (Brahma). Aquilo que não pode se converter em assunto de linguagem, não pode ser adquirido por alguém. Com alma purificada, deve-se procurar se aproximar do Brahma Supremo, através da ajuda fornecida por penitências, por inferências, por autodomínio, pelas práticas e observâncias como declaradas para sua própria classe, e pelos Vedas. Pessoas de visão clara (além de verem o Supremo dentro delas mesmas), o procuram até em formas externas por se livrarem dos atributos. O Supremo, que é chamado pelo nome de Jneya (isto é, aquele que deve ser conhecido), pela ausência de todos os atributos ou de sua própria natureza, nunca pode ser compreendido por raciocínio. Quando a Compreensão se torna livre de atributos, somente então ela pode alcançar Brahma. Quando não emancipada dos atributos, ela se retira do Supremo. De fato, tal é a natureza da compreensão que ela se precipita em direção aos atributos e se move entre eles como fogo entre combustível. Como no estado chamado Sushupti (sono profundo e sem sonhos) os cinco sentidos existem livres de suas respectivas funções, da mesma maneira o Brahma Supremo existe muito acima de Prakriti, livre de todos os seus atributos. As criaturas incorporadas assim se dirigem para a ação por causa dos atributos. Quando elas se abstêm disso, elas alcançam a Emancipação. Algumas também (pela ação) vão para o céu. A criatura viva, a natureza primordial, a compreensão, os objetos dos sentidos, os sentidos, a consciência, a convicção de identidade pessoal, são chamados de criaturas (pois eles estão sujeitos à destruição). A criação original de todos estes fluiu do Supremo. Sua segunda criação ou seguinte é devido à ação de duplas ou pares (de sexos opostos) e está limitada a todas as coisas salvo os cinco primordiais, e é restringida por leis pelas quais a mesma espécie produz a mesma espécie. Da virtude criaturas (vivas) obtêm um fim excelente, e da pecaminosidade elas ganham um fim que é inferior. Aquele que não se emancipou das atrações encontra o renascimento; enquanto aquele que é emancipado delas alcança o Conhecimento (ou Brahma).'" 206 "Manu disse, 'Quando os cinco atributos estão unidos com os cinco sentidos e a mente, então Brahma é visto pelo indivíduo como um fio passando através de uma pedra preciosa. Como um fio, além disso, pode se encontrar dentro de ouro ou pérola ou coral ou algum objeto feito de terra, assim mesmo a alma de alguém, por causa de suas próprias ações, pode viver dentro de uma vaca, um cavalo, um homem, um elefante, ou outro animal qualquer, ou dentro de um verme ou um inseto. Os bons feitos que um indivíduo realiza em um corpo específico produzem recompensas que ele desfruta naquele corpo específico. Um solo, aparentemente molhado com um tipo específico de líquido, fornece para cada espécie diferente de erva ou planta que cresce nele o tipo de suco que ela requer para si mesma. Da mesma maneira, a Compreensão, cujo curso é testemunhado pela alma, é obrigada a seguir o caminho marcado pelas ações de vidas anteriores. Do conhecimento surge o desejo. Do desejo surge a resolução. Da resolução flui a ação. Da ação procedem os frutos (isto é, consequências, boas e más). Os frutos, portanto, são dependentes de ações como sua causa. As ações têm a compreensão como sua causa. A compreensão tem o conhecimento como sua causa; e o conhecimento tem a Alma como sua causa. Aquele resultado excelente que é alcançado em consequência da destruição do conhecimento, dos frutos, da compreensão, e das ações, é chamado de Conhecimento de Brahma. (O primeiro 'conhecimento' se refere à percepção da verdadeira conexão entre Alma e não- Alma. 'Frutos' significa as formas físicas que são obtidas em novos nascimentos. A destruição da compreensão ocorre quando os sentidos e a mente são recolhidos dentro dela e todos eles, unidos, são dirigidos para a Alma.) Grandiosa e sublime é aquela Essência auto-existente, que os yogins contemplam. Aqueles que são desprovidos de sabedoria, e cujas compreensões estão dedicadas a posses mundanas nunca vêem aquilo que existe na própria Alma. Água é superior à Terra em extensão; Luz é superior à Água; Vento é superior à Luz; Espaço é superior ao Vento; Mente é superior ao Espaço; Compreensão é superior à Mente; Tempo é superior à Compreensão. O divino Vishnu, de quem é este universo, é superior ao Tempo. Aquele deus não tem início, meio, e fim. Por ele ser sem início, meio, e fim, ele é Imutável. Ele transcende toda a tristeza, pois a tristeza tem limites. (A tristeza surge da relação do conhecedor e do conhecido. Todas as coisas que dependem daquela relação são transitórias. Elas não podem formar parte daquilo que é eterno e que transcende aquela relação.) Aquele Vishnu tem sido chamado de Brahma Supremo. Ele é o refúgio ou objeto daquilo que é chamado de O Mais Sublime. Conhecendo Ele, aqueles que são sábios, livres de tudo o que possui o poder do Tempo, alcançam o que é chamado de Emancipação. Todos estes (que nós percebemos) estão expostos em atributos. Aquilo que é chamado de Brahma, sendo sem atributos, é superior a estes. Abstenção das ações é a religião mais elevada. Aquela religião sem dúvida leva à imortalidade (Emancipação). Os Richs, o Yajuses, e os Samans, têm o corpo como seu refúgio. Eles fluem do fim da língua. Eles não podem ser adquiridos sem esforço e estão sujeitos à destruição. Brahma, no entanto, não pode ser adquirido dessa maneira, pois (sem depender do corpo) ele depende daquele que tem o corpo como seu refúgio (isto é, o conhecedor ou Alma). Sem início, meio, ou fim, Brahma não pode ser adquirido por esforço (como aquele que é necessário para a aquisição dos Vedas). Os Richs, os Samans, os Yajuses têm cada um início. Aquilo que tem um início tem também um fim. Mas Brahma é citado como sem início. E porque Brahma não tem nem início nem fim, ele é citado como sendo infinito e imutável. Por imutabilidade, Brahma transcende toda a tristeza como também todos os pares de opostos. Por destino desfavorável, por incapacidade para descobrir os meios apropriados, e pelos obstáculos oferecidos pelas ações, os mortais não conseguem ver o caminho pelo qual Brahma pode ser alcançado. Por causa da atração por posses mundanas, de uma visão das alegrias do céu mais elevado, e de cobiçarem alguma coisa a não ser Brahma, os homens não alcançam o Supremo. (Os próprios Yogins, se levados pelo desejo de obter poderes extraordinários e a beatitude do mais alto céu não vêem o Supremo.) Outros vendo objetos mundanos cobiçam sua posse. Desejosos de tais objetos, eles não têm desejo por Brahma por Ele transcender todos os atributos. Como aquele que está apegado a atributos que são inferiores chegará ao conhecimento daquele que é possuidor de atributos que são superiores? É por inferência que se pode chegar a um conhecimento dele que transcende tudo isso em atributos e forma. Somente pela inteligência sutil nós podemos conhecê-lo. Nós não podemos descrevê-lo em palavras. A mente pode ser apreendida pela mente, a visão pela visão. (Aquilo que é chamado de mundo externo não tem existência objetiva. Ele é puramente subjetivo. Então, é a mente que vê e ouve e toca a própria mente.) Pelo conhecimento a compreensão pode ser purificada de sua escória. A compreensão pode ser empregada para purificar a mente. Pela mente os sentidos devem ser controlados. Realizando tudo isso, alguém pode alcançar o Imutável. Alguém que, pela contemplação, se tornou livre de apegos, e que foi enriquecido pela posse de uma mente perspicaz, consegue alcançar Brahma que não tem desejos e que está acima de todos os atributos. Como o vento se mantém longe do fogo que está embutido dentro de um pedaço de madeira, assim mesmo pessoas que estão agitadas (pelo desejo por posses mundanas) se mantêm afastadas daquele que é Supremo. Após a destruição de todos os objetos mundanos a mente sempre alcança Aquele que é maior do que a Compreensão; enquanto em sua separação a mente sempre alcança aquilo que está abaixo da Compreensão. A pessoa que, em conformidade com o método já descrito, se torna engajada em destruir objetos mundanos, alcança absorção no corpo de Brahma. (O que se quer dizer pela destruição de 'guna' ou atributo ou objetos mundanos é fundi-los em buddhi por meio de yoga; em outras palavras, um retraimento dos sentidos na mente, e dos sentidos e da mente na compreensão. 'Em sua separação' quer dizer quando acredita-se que esses objetos são reais e como existindo independentemente da mente. O resultado disso seria a aquisição de 'budhyavara,' implicando a aquisição daqueles mesmos objetos.) Embora a Alma seja imanifesta; contudo quando vestida com qualidades, seus atos se tornam imanifestos. Quando a dissolução (do corpo) chega, ela mais uma vez se torna manifesta. A Alma é realmente inativa. Ela existe, unida com os sentidos que produzem felicidade ou tristeza. Unida com todos os sentidos e dotada de corpo, ela se refugia nos cinco elementos primordiais. Por falta de poder, no entanto, ela fracassa em agir quando privada de força pelo Supremo e Imutável. Nenhum homem vê o fim da terra mas sabe disso, isto é, que o fim da terra certamente virá. (O que é dito aqui é que Felicidade e Tristeza têm um fim, embora ele não possa ser visto, e a Alma seguramente chegará ao seu lugar de descanso final. Isto está de acordo com a doutrina de progresso espiritual infinito.) O homem, agitado aqui (pelas atrações), é levado com certeza para seu último refúgio como o vento levando um barco lançado ao mar para um porto seguro finalmente. O Sol, espalhando seus raios, se torna o possuidor de um atributo, (isto é, o iluminador do mundo); recolhendo seus raios (na hora de se pôr), ele mais uma vez se torna um objeto desprovido de atributos. Do mesmo modo, uma pessoa, abandonando todas as distinções (atrações), e se dirigindo a penitências, finalmente entra no indestrutível Brahma que é privado de todos os atributos. Por discernir Ele que é sem nascimento, que é o maior refúgio de todas as pessoas corretas, que é auto-nascido, de quem tudo surge e para quem todas as coisas retornam, que é imutável, que é sem início, meio, e fim, e que é a própria certeza e o supremo, uma pessoa alcança imortalidade (Emancipação).'" 207 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu de grande sabedoria, eu desejo ouvir em detalhes, ó chefe dos Bharatas, sobre aquele de olhos de lótus e indestrutível, que é o Criador de tudo mas que não foi criado por ninguém, que é chamado de Vishnu (por ele permear tudo), que é a origem de todas as criaturas e para quem todas as criaturas retornam, que é conhecido pelos nomes de Narayana e Hrishikesa e Govinda e Kesava, e que não pode ser vencido por ninguém.'” "Bhishma disse, 'Eu ouvi sobre este assunto do filho de Jamadagni, Rama, enquanto ele discursava sobre isso; do Rishi celeste Narada, e de Krishna- Dwaipayana. Asita-Devala, ó filho, Valmiki de penitências austeras, e Markandeya falam de Govinda como o mais Maravilhoso e o Supremo. Kesava, ó chefe da linhagem de Bharata, é o divino e pujante Senhor de tudo. Ele é chamado de Purusha, e permeia tudo, tendo se feito muitos. Escute agora, ó Yudhishthira de braços poderosos, àqueles atributos os quais grandes Brahmanas dizem que são encontrados no manejador de grande alma de Saranga. Eu irei também, ó príncipe de homens, narrar para ti aqueles atos que as pessoas conhecedoras das histórias antigas atribuem a Govinda. Ele é citado como a Alma de todas as criaturas, de grande alma, e o principal de todos os seres. Ele criou (por sua vontade) os cinco elementos, isto é, Vento, Luz, Água, Espaço, e Terra. Aquele poderoso Senhor de todas as coisas, aquele de grande alma, aquele principal de todos os seres, tendo criado a terra, deitou-se sobre a superfície das águas. Enquanto assim flutuando sobre as águas, aquele principal de todos os seres, aquele refúgio de todos os tipos de energia e esplendor, criou a Consciência, o primogênito dos seres no universo. Nós temos ouvido que Ele criou a Consciência junto com a Mente; Consciência a qual é o refúgio de todas as coisas criadas. Aquela Consciência mantém todas as criaturas e o passado e o futuro. Depois que aquele Grande Ser, ó poderosamente armado, isto é, a Consciência, tinha surgido, um lótus extremamente belo, possuidor de resplendor como o do Sol, cresceu do umbigo do Ser Supremo (flutuando nas águas). Então, ó filho, o ilustre e divino Brahman, o Avô de todas as criaturas, surgiu daquele lótus, iluminando todos os pontos do horizonte com sua refulgência. Depois que o Avô de grande alma tinha, ó tu de braços poderosos, assim surgido do lótus primordial, um grande Asura de nome Madhu, não tendo início, nasceu, surgindo do atributo de Escuridão (Tamas). O principal de todos os seres, (isto é, a Divindade Suprema), para beneficiar Brahman, matou aquele Asura feroz de atos violentos, empenhado mesmo então no ato violento (de matar o Avô). A partir daquela morte, ó filho, (do Asura chamado Madhu), todos os deuses e os Danavas e os homens vieram a chamar aquela principal de todas as pessoas justas pelo nome de Madhusudana (matador de Madhu). Depois disto, Brahman criou, por um decreto de sua vontade, sete filhos com Daksha completando a conta. Eles eram Marichi, Atri, Angiras, Pulastya, Pulaha, Kratu, (e o já mencionado Daksha). O primogênito, isto é, Marichi, gerou, por um decreto de sua vontade, um filho chamado Kasyapa, cheio de energia e a principal de todas as pessoas conhecedoras de Brahma. Do dedo de seu pé, Brahman tinha, mesmo antes do nascimento de Marichi, criado um filho. Aquele filho, ó chefe da linhagem de Bharata, era Daksha, o progenitor de criaturas. (Prajapati literalmente significa 'senhor de criaturas.' Ele é um nome aplicado àqueles filhos de Brahman que geraram descendentes.) Para Daksha primeiro nasceram treze filhas, ó Bharata, a mais velha das quais se chamava Diti. O filho de Marichi, Kasyapa, ó majestade, que era familiarizado com todos os deveres e suas distinções, que era de atos justos e grande fama, tornou-se o marido daquelas treze filhas. O altamente abençoado Daksha (além das treze já citadas) gerou em seguida dez outras filhas. O progenitor de criaturas, isto é, o justo Daksha, as entregou para Dharma. Dharma se tornou pai dos Vasus, dos Rudras de energia incomensurável, dos Viswedevas, dos Sadhyas, e dos Maruts, ó Bharata. Daksha em seguida gerou vinte e sete outras filhas jovens. O altamente abençoado Soma tornou-se o marido delas todas. As outras esposas de Kasyapa deram nascimento a Gandharvas, cavalos, aves, vacas, Kimpurushas, peixes, e árvores e plantas. Aditi deu à luz os Adityas, os principais entre os deuses, e possuidores de grande força. Entre eles Vishnu nasceu na forma de um anão. Também chamado de Govinda, ele se tornou o principal deles todos. Por causa de sua destreza, a prosperidade dos deuses aumentou. Os Danavas foram derrotados. A prole de Diti foram os Asuras. Danu deu nascimento aos Danavas tendo Viprachitti como seu principal. Diti deu nascimento a todos os Asuras de grande força.’” "O matador de Madhu também criou o Dia e a Noite, e as Estações em sua ordem, e a Manhã e o Entardecer. Depois de reflexão, ele também criou as nuvens, e todos os (outros) objetos móveis e imóveis. Possuidor de energia abundante, ele também criou os Viswas e a terra com todas as coisas sobre ela. Então o altamente abençoado e pujante Krishna, ó Yudhishthira, mais uma vez criou de sua boca uma centena de Brahmanas principais. De seus dois braços, ele criou uma centena de Kshatriyas, e de suas coxas uma centena de Vaisyas. Então, ó touro da raça Bharata, Kesava criou de seus dois os pés uma centena de Sudras. Possuidor de grande mérito ascético, o matador de Madhu, tendo assim criado as quatro classes de homens, fez Dhatri (Brahman) o senhor e soberano de todos os seres criados. De esplendor incomensurável, Brahman veio a ser também o expositor do conhecimento dos Vedas. E Kesava fez ele, chamado Virupaksha, o soberano dos espíritos e fantasmas e daqueles seres femininos chamados de Matrikas (mães). E ele fez Yama o soberano dos Pitris e de todos os homens pecaminosos. A Alma Suprema de todas as criaturas também fez Kuvera o senhor de todos os tesouros. Ele então criou Varuna o senhor das águas e governador de todos os animais aquáticos. O pujante Vishnu fez Vasava o chefe de todas as divindades. Naqueles tempos, os homens viviam tanto quando eles escolhiam viver, e não tinham qualquer medo de Yama. Ato sexual, ó chefe dos Bharatas, então não era necessário para perpetuar a espécie. Naqueles dias descendência era gerada por decreto da vontade. Na era que se seguiu, isto é, Treta, filhos eram gerados somente pelo toque. As pessoas daquela era, ó monarca, estavam acima da necessidade de ato sexual. Foi na era seguinte, isto é, Dwapara, que a prática da ato sexual se originou, ó rei, para prevalecer entre o gênero humano. Na era Kali, ó monarca, os homens vieram a se casar e viver em pares.’” "Eu agora te falei do Senhor supremo de todas as criaturas. Ele é também chamado de Soberano de tudo e de todos. Eu te falarei agora, ó filho de Kunti, sobre as criaturas pecaminosas da terra. Ouça-me. Aqueles homens, ó rei, são nascidos na região sul e são chamados de Andrakas, Guhas, Pulindas, Savaras, Chuchukas, Madrakas. Aqueles que nasceram na região norte, eu também mencionarei. Eles são Yamas, Kamvojas, Gandharas, Kiratas e Barbaras. Todos eles, ó majestade, são pecaminosos, e se movem sobre esta Terra, caracterizados por práticas similares àquelas de Chandalas e corvos e urubus. Na era Krita, ó majestade, eles não estavam em lugar algum sobre a terra. Foi a partir da era Treta que eles tiveram sua origem e começaram a se multiplicar, ó chefe da linhagem de Bharata. Quando chegou o período terrível, juntando Treta e Dwapara, os Kshatriyas, se aproximando um dos outros, se envolveram em combate.’” "Assim, ó chefe da família de Kuru, este universo teve seu nascimento por Krishna de grande alma. Aquele observador de todos os mundos, isto é, o Rishi celeste Narada, disse que Krishna é o Deus Supremo. Até Narada, ó rei, admite a supremacia de Krishna e sua eternidade, ó chefe de braços poderosos da linhagem de Bharata. Assim, ó de braços fortes, é Kesava de destreza invencível. Aquele de olhos de lótus não é um mero homem. Ele é inconcebível.'" 208 "Yudhishthira perguntou, 'Quem eram os primeiros Prajapatis, ó touro da raça Bharata? Quais Rishis altamente abençoados há em existência e em quais pontos do horizonte cada um deles mora?'” "Bhishma disse, 'Ouça-me, ó chefe dos Bharatas, acerca do que tu me perguntaste. Eu te direi quem eram os Prajapatis e quais Rishis são mencionados como habitando em qual ponto do horizonte. Havia a princípio um Eterno, Divino, e Nascido por Si Mesmo Brahman. Brahman auto-nascido gerou sete filhos ilustres. Eles eram Marichi, Atri, Angiras, Pulastya, Pulaha, Kratu, e o altamente abençoado Vasishtha que era igual ao próprio auto-nascido. Estes sete filhos são mencionados nos Puranas como sete Brahmanas. Eu agora mencionarei todos os Prajapatis que vieram depois destes. Na linhagem de Atri nasceu o eterno e divino Varhi, o antigo, que tinha penitências como sua origem. De Varhi, o antigo, surgiram os dez Prachetasas. Os dez Prachetasas tiveram um filho entre eles, isto é, o Prajapati chamado pelo nome de Daksha. O último tinha dois nomes no mundo, isto é, Daksha e Kasyapa. Marichi teve um filho chamado Kasyapa. Este último também tinha dois nomes. Alguns o chamavam de Arishtanemi, e alguns de Kasyapa. Atri teve outro filho, o belo e magnífico Soma de grande energia. Ele realizou penitências por mil Yugas celestes. O divino Aryaman e aqueles que nasceram para ele como seus filhos, ó monarca, são descritos como determinadores de ordens e criadores de todas as criaturas. Sasavindu teve dez mil esposas. Em cada uma delas seu marido gerou mil filhos, e assim a conta alcançou dez milhões. Aqueles filhos se recusaram a chamar alguém mais salvo eles mesmos como Prajapatis. Os Brahmanas antigos concederam um título às criaturas do mundo, derivadas de Sasavindu. Aquela linhagem extensa do Prajapati Sasavindu tornou-se com o tempo a progenitora da linhagem Vrishni. Estes que eu mencionei são célebres como os ilustres Prajapatis. Depois disto, eu mencionarei as divindades que são os senhores dos três mundos. Bhaga, Ansa, Aryyaman, Mitra, Varna, Savitri, Dhatri, Vivaswat de grande poder, Tvashtri, Pushan, Indra, e Vishnu conhecido como o décimo segundo, estes são os doze Adityas, todos nascidos de Kasyapa. Nasatya e Dasra são mencionados como os dois Aswins. Estes dois são os filhos do ilustre Martanda, o oitavo na conta acima. Estes foram chamados primeiro os deuses e as duas classes de Pitris. Tvashtri teve muitos filhos. Entre eles estavam os belos e famosos Viswarupa, Ajaikapat, Ahi, Bradhna, Virupaksha, e Raivata. Então havia Hara e Vahurupa, Tryamvaka, o chefe das Divindades, e Savitrya, Jayanta e Pinaki, o invencível. Os altamente abençoados Vasus, oito em número, foram outrora enumerados por mim. Eles foram reconhecidos como deuses no tempo do Prajapati Manu. Estes foram a princípio chamados de deuses e de Pitris. Entre os Siddhas e os Sadhyas haviam duas classes por conduta e juventude. As divindades foram antigamente consideradas como sendo de duas classes, isto é, os Ribhus e os Maruts. Assim os Viswas, os deuses e os Aswins, foram enumerados. Entre eles, os Adityas são Kshatriyas, e os Maruts são Vaisyas. Os dois Aswins, engajados em penitências severas, são citados como Sudras. As divindades surgidas da linha de Angirasa são citadas como Brahmanas. Isto é certo. Assim eu te falei sobre as quatro classes entre os deuses. A pessoa que, depois de levantar de sua cama pela manhã, recita os nomes destas divindades, é purificada de todos os seus pecados sejam estes cometidos por ele intencionalmente ou sem querer, ou nascidos de seu relacionamento com outros. Yavakriti, Raivya, Arvavasu, Paravasu, Ausija, Kashivat, e Vala são citados como os filhos de Angiras. Estes, e Kanwa, filho do Rishi Medhatithi, e Varhishada, e os sete bem conhecidos Rishis que são os progenitores dos três mundos, todos residem no Leste. Unmucha, Vimucha, Svastyatreya de grande energia, Pramucha, Idhmavaha, e o divino Dridhavrata, e o filho de Mitravaruna, Agastya de grande energia, estes Rishis regenerados residem todos no sul. Upangu, Karusha, Dhaumya, Parivyadha de grande energia, e aqueles grandiosos Rishis chamados Ekata, Dwita, e Trita, e o filho de Atri, isto é, o ilustre e pujante Saraswata, estes de grande alma residem no oeste. Atreya, e Vasishtha, e o grande Rishi Kasyapa, e Gautama, Bharadwaja, e Viswamitra, o filho de Kusika, e o ilustre filho de Richika de grande alma, isto é, Jamadagni, este sete vivem no norte. Assim eu te falei sobre os grandiosos Rishis de energia ardente que vivem nos diferentes pontos do horizonte. Aqueles de grandes almas são as testemunhas do universo, e são os criadores de todos os mundos. Dessa maneira eles moram em seus respectivos quadrantes. Por recitar seus nomes alguém se purifica de todos os seus pecados. Uma pessoa por se dirigir àqueles pontos vem a ser purificada de todos os seus pecados e consegue voltar para casa em segurança.'" 209 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu de grande sabedoria e bravura invencível em batalha, eu desejo ouvir em detalhes sobre Krishna que é imutável e onipotente. Ó touro entre homens, me fale realmente tudo sobre sua grande energia e as grandes façanhas realizadas por ele nos tempos passados. Por que aquele pujante assumiu a forma de um animal, e para realizar qual ato específico? Diga- me tudo isso, ó guerreiro poderoso!'” "Bhishma disse, 'Antigamente, em uma ocasião, quando fora caçando, eu cheguei ao eremitério de Markandeya. Lá eu vi diversas classes de ascetas sentados aos milhares. Os Rishis me honraram pela oferta de mel e coalhos. Aceitando seu culto, eu os saudei com reverência em retorno. O que eu narrarei a seguir foi narrado lá pelo grandioso Rishi Kasyapa. Escute com atenção aquele relato excelente e encantador. Nos tempos passados, os principais Danavas, dotados de ira e cupidez, e Asuras poderosos contados às centenas e embriagados com poder, e inúmeros outros Danavas que eram invencíveis em batalha, ficaram extremamente ciumentos da prosperidade inigualável dos deuses. Oprimidos (finalmente) pelos Danavas, os deuses e os Rishis celestes, fracassando em obter paz, fugiram em todas as direções. Os habitantes do céu viram a terra parecendo com alguém mergulhado em angústia dolorosa. Coberta com poderosos Danavas de aparência terrível, a terra parecia estar oprimida com um peso opressivo. Triste e agoniada, ela parecia estar afundando nas profundidades inferiores. Os Adityas, tomados pelo medo, foram até Brahman, e se dirigindo a ele, disseram, 'Como, ó Brahman, nós continuaremos a aguentar essas opressões dos Danavas?' O Nascido por Si Mesmo respondeu a eles, dizendo, 'Eu já ordenei o que é para ser feito nesse assunto. Dotados de bênçãos, e possuidores de poder, e inchados de orgulho, aqueles patifes insensatos não sabem que Vishnu de forma invisível, aquele Deus incapaz de ser derrotado pelas próprias divindades todas agindo juntas, assumiu a forma de um javali. Aquela Divindade Suprema, se apressando para o local onde aqueles canalhas entre os Danavas, de aspecto terrível, estão residindo aos milhares abaixo da terra, matará eles todos.' Ouvindo estas palavras do Avô, as principais entre as divindades sentiram grande alegria. Algum tempo depois, Vishnu de energia poderosa, envolvido na forma de um Javali, penetrando nas regiões inferiores, avançou contra aquela prole de Diti. Vendo aquela criatura extraordinária, todos os Daityas, se unindo e estupefatos pelo Tempo, procederam rapidamente contra ele para exercerem sua força, e ficaram circundando-o. Logo depois, todos eles avançaram contra aquele Javali e o agarraram simultaneamente. Cheios de raiva eles se esforçaram para arrastar o animal de todos os lados. Aqueles principais dos Danavas, de corpos enormes, possuidores de energia imensa, inchados com força, não conseguiram, no entanto, ó monarca, fazer qualquer coisa para aquele Javali. Nisto eles se surpreenderam muito e então se encheram de medo. Constando de milhares, eles consideraram que sua última hora tinha chegado. Então aquele Deus Supremo de todos os deuses, tendo yoga como sua alma e yoga como seu companheiro, ficou absorto em yoga, ó chefe dos Bharatas, e começou a proferir rugidos tremendos, agitando aqueles Daityas e Danavas. Todos os mundos e os dez pontos do horizonte ressoaram com aqueles rugidos, os quais, por esta razão, agitaram todas as criaturas e as encheram de medo. Os próprios deuses com Indra em sua liderança ficaram aterrorizados. Todo o universo ficou quieto por causa daquele som. Foi uma hora terrível. Todos os seres móveis e imóveis ficaram estupefatos por aquele som. Os Danavas, apavorados por aquele som, começaram a cair sem vida, paralisados pela energia de Vishnu. O Javali, com seus cascos, começou a perfurar aqueles inimigos dos deuses, aqueles habitantes das regiões inferiores, e rasgar sua carne, gordura, e ossos. Por aqueles rugidos tremendos, Vishnu veio a ser chamado pelo nome de Sanatana. (Esta é certamente uma etimologia singular da palavra Sanatana, a qual comumente implica eterno.) Ele também é chamado de Padmanabha. Ele é o principal dos yogins. Ele é o Preceptor de todas as criaturas, e seu Senhor supremo. Todas as tribos de deuses então foram ao Avô. Chegando ao local, aqueles ilustres se dirigiram ao Senhor do universo, dizendo, 'Que tipo de barulho é este, ó pujante? Nós não compreendemos isso. Quem é este, ou de quem é este som pelo qual o universo ficou estupefato? Com a energia deste som ou de seu fazedor, todos os deuses e os Danavas foram privados de seus sentidos.' Enquanto isso, ó poderosamente armado, Vishnu em sua forma Porcina estava na visão dos deuses reunidos, seus louvores cantados pelos grandes Rishis.'” "O Avô disse, 'Aquele é o Deus Supremo, o Criador de todos os seres, a alma de todas as criaturas, o principal de todos os yogins. De corpo enorme e grande força, ele vem aqui, tendo matado os principais entre os Danavas. Ele é o Senhor de todos os seres, o mestre de yoga, o grande asceta, a Alma de todos os seres vivos. Fiquem calmos, todos vocês. Ele é Krishna, o destruidor de todos os obstáculos e impedimentos. Aquele Deus Supremo, de esplendor incomensurável, aquele grande refúgio de todas as bênçãos, tendo realizado a façanha mais difícil que é incapaz de ser realizada por outros, voltou para sua própria natureza pura. É Ele de cujo umbigo o lótus primordial surgiu. Ele é o principal dos yogins. De alma suprema, Ele é o criador de todos os seres. Não há necessidade de tristeza ou medo ou angústia, ó principais dos deuses! Ele é o Ordenador. Ele é o Princípio Criador. Ele é o Tempo todo-destrutivo. É Ele que sustém todo o mundo. Os rugidos que alarmaram vocês estão sendo proferidos por aquele de grande alma. De braços poderosos, Ele é o objeto do culto universal. Incapaz de sofrer deterioração, aquele de olhos de lótus é a origem de todos os seres e seu senhor.'" 210 "Yudhishthira disse, 'Fale-me, ó majestade, daquele yoga superior pelo qual, ó Bharata, eu posso alcançar a Emancipação, ó principal dos oradores, eu realmente desejo saber tudo acerca daquele yoga.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a antiga narrativa da conversa entre um preceptor e seu discípulo sobre o assunto da Emancipação. Havia um preceptor regenerado que era o principal dos Rishis. Ele parecia com uma massa de esplendor. Possuidor de uma alma elevada, ele era firme em verdade e um mestre completo de seus sentidos. Uma vez, um discípulo de grande inteligência e atenção concentrada, desejoso de obter o que era para o seu maior bem, tocou os pés do preceptor, e permanecendo com mãos unidas diante dele, disse, ‘Se, ó ilustre, tu estás satisfeito com o culto que tenho te oferecido, cabe a ti esclarecer uma grande dúvida minha. De onde eu sou e de onde tu és? Diga-me isto integralmente. Diga-me também qual é a causa final. Por que também, ó melhor dos regenerados, quando a causa material em todos seres é a mesma, sua origem e destruição acontecem de tais modos diferentes? Cabe a ti, ó tu de grande erudição, também explicar o objetivo das declarações nos Vedas (sobre a diferença de ritos em relação às diferentes classes de homens), o significado das injunções dos Smritis e daquelas injunções que se aplicam a todos os casos de homens.'” (O sentido é que quando todos os homens são iguais em relação à sua causa material, por que há tais diferenças nos srutis e smritis sobre os deveres de homens?) "O preceptor disse, 'Ouça, ó discípulo, ó tu de grande sabedoria! Isto que tu me perguntaste está oculto nos próprios Vedas e é o assunto mais elevado para pensamento ou discurso. Ele é chamado de Adhyatma e é o mais valioso de todos os ramos de ciência e de todos os institutos sagrados. Vasudeva é a (causa) Suprema do universo. Ele é a origem dos Vedas (isto é, Om). Ele é Verdade, Conhecimento, Sacrifício, Renúncia, Autodomínio, e Retidão. Pessoas conhecedoras dos Vedas conhecem Ele como Aquele que permeia tudo, Eterno, Onipresente, o Criador e o Destruidor, o Imanifesto, Brahma, Imutável. Ouça agora a história dele que nasceu na linhagem de Vrishni. Um Brahmana deve ouvir a respeito da grandeza daquele Deus de deuses, isto é, Ele chamado Vishnu de energia incomensurável, dos lábios de Brahmanas. Uma pessoa da classe real deve ouvi-la de pessoas daquela classe. Um Vaisya deve ouvi-la de Vaisyas, e um Sudra de grande alma deve ouvi-la de Sudras. Tu mereces ouvi-la. Escute agora ao relato auspicioso de Krishna, aquela narrativa que é a principal de todas as narrativas. Vasudeva é a roda do Tempo, sem início e sem fim. Existência e Não- Existência são os atributos pelos quais Sua natureza real é conhecida. O universo gira como uma roda dependendo daquele Senhor de todos os seres. Ó melhor dos homens, Kesava, aquele principal de todos os seres, é citado como aquele que é Indestrutível, que é Imanifesto, que é Imortal, Brahma, e Imutável. O mais sublime dos sublimes, e ele mesmo sem mudança ou deterioração, ele criou os Pitris, os deuses, os Rishis, os Yakshas, os Rakshasas, os Nagas, os Asuras, e os seres humanos. É Ele também quem criou os Vedas e os deveres eternos e costumes de homens. Tendo reduzido tudo à não-existência, ele uma vez mais, no início de um (novo) yuga, cria Prakriti (matéria primordial). Como os diversos fenômenos das várias estações aparecem uns depois dos outros de acordo com a estação que chega, da mesma maneira as criaturas começam a existir no início de cada yuga (celeste). Correspondente com aquelas criaturas que começam a viver é o conhecimento das regras e deveres que têm por seu objetivo o regulamento do curso do mundo. (No começo de todo yuga celeste, isto é, quando o Ser Supremo despertando do sono deseja criar criaturas mais uma vez, as criaturas ou seres começam a existir novamente. Com tal começo de todos os seres, as regras que regulam suas ações e relações também surgem, pois sem um conhecimento daquelas regras a nova criação logo seria um caos e chegaria ao fim. Dessa maneira quando homem e mulher começam a existir, eles não comem um ao outro mas se unem para perpetuar a espécie. Com o aumento da espécie humana, além disso, surge um conhecimento em todo peito dos deveres de retidão e das diversas outras práticas, todas as quais ajudam a regular a nova criação até que o próprio Criador, no fim do yuga, mais uma vez recolha tudo em si mesmo.) No fim de todo yuga (celeste, quando a destruição Universal começa), os Vedas e todas as outras escrituras desaparecem (como o resto). Pela graça do Auto-nascido, os grandes Rishis, através de suas penitências, primeiro re- adquirem os Vedas e as escrituras perdidas. O Auto-nascido (Brahman) adquiriu primeiro os Vedas. Seus ramos chamados Angas foram primeiro adquiridos por Vrihaspati (o preceptor celeste). O filho de Bhrigu, (Sukra) adquiriu primeiro a ciência de moralidade que é tão benéfica para o universo. A ciência de música foi adquirida por Narada; a de armas por Bharadwaja; a história dos Rishis celestes por Gargya, aquela da medicina pelo filho de cor escura de Atri. Diversos outros Rishis, cujos nomes estão relacionados com elas, promulgaram diversas outras ciências tais como Nyaya, Vaiseshika, Sankhya, Patanjala, etc. Que aquele Brahma o qual aqueles Rishis têm indicado por argumentos retirados da razão, por meio dos Vedas, e por inferências retiradas da evidência direta dos sentidos, seja adorado. Nem os deuses nem os Rishis eram (a princípio) capazes de compreender Brahma, que é sem início e que é o mais alto dos altos. Somente o criador divino de todas as coisas, isto é, o pujante Narayana, tinha conhecimento de Brahma. De Narayana, os Rishis, os principais entre as divindades e os Asuras, e os sábios reais de antigamente, derivaram o conhecimento daquele grande remédio da cura da tristeza. Quando a matéria primordial produz existências através da energia primordial, o universo com todas as suas potências começa a fluir disto. De uma lâmpada acesa milhares de outras lâmpadas podem ser acesas. Da mesma maneira, a matéria primordial produz milhares de coisas existentes. Por causa, também, de sua infinidade, a matéria primordial nunca se esgota. Do Imanifesto flui a Compreensão determinada pelas ações. A Compreensão produz a Consciência. Da Consciência procede o Espaço. Do Espaço procede o Vento. Do Vento procede o Calor. Do Calor procede a Água, e da Água é produzida a Terra. Estes oito constituem a Prakriti primordial. O universo se apóia neles. Daqueles Oito se originaram os cinco órgãos de conhecimento, os cinco órgãos de ação, os cinco objetos dos (primeiros cinco) órgãos, e o único, isto é, a Mente, formando o décimo sexto, o qual é o resultado da modificação deles. O ouvido, a pele, os dois olhos, a língua, e o nariz são os cinco órgãos de conhecimento. Os dois pés, o ducto inferior, o órgão de geração, os dois braços, e a fala, são os cinco órgãos de ação. Som, toque, forma, gosto, e cheiro são os cinco objetos dos sentidos, cobrindo todas as coisas. A Mente se estende sobre todos os sentidos e seus objetos. Na percepção de gosto, é a Mente que se torna a língua, e na fala é a Mente que se torna palavras. Dotada dos diferentes sentidos, é a Mente que se torna todos os objetos que existem em sua percepção. Estes dezesseis, existindo em suas respectivas formas, devem ser conhecidos como divindades. Estes adoram Aquele que cria todo o conhecimento e que mora dentro do corpo. Paladar é o atributo da água; olfato é o atributo da terra; a audição é o atributo do espaço; a visão é o atributo do fogo ou luz; e o tato deve ser conhecido como o atributo do vento. Este é o caso com todas as criaturas sempre. A Mente, é dito, é o atributo da existência. A existência surge do Imanifesto (de Prakriti), o qual, toda pessoa inteligente deve saber, se apóia naquele que é a Alma de todos os seres existentes. Estas existências, dependendo da Divindade suprema que está acima de Prakriti e que é sem qualquer inclinação para ação, sustenham todo o universo de móveis e imóveis. Este edifício sagrado de nove portas (isto é, o corpo) é dotado de todas essas existências. Aquilo que está acima delas, a Alma, mora dentro dele, permeando-o completamente. Por esta razão, ela é chamada de Purusha. A Alma é sem decadência e não está sujeita à morte. Ela tem conhecimento do que é manifesto e do que é imanifesto. Ela também penetra tudo, é possuidora de atributos, sutil, e o refúgio de todas as existências e atributos. Como uma lâmpada revela todos os objetos grandes ou pequenos (independente de seu próprio tamanho), da mesma maneira a Alma mora em todas as criaturas como o princípio de conhecimento (apesar dos atributos ou acidentes daqueles criaturas). Incitando o ouvido a ouvir o que ele ouve, é a Alma que ouve. Similarmente, empregando a visão, é a Alma que vê. Este corpo fornece os meios pelos quais a Alma deriva conhecimento. Os órgãos corpóreos não são os fazedores, mas é a Alma que é o fazedor de todas as ações. Há fogo na madeira, mas ele nunca pode ser visto por se abrir um pedaço de madeira. Da mesma maneira, a Alma mora dentro do corpo, mas ela nunca pode ser vista por se dissecar o corpo. O fogo que mora na madeira pode ser visto por se empregar meios apropriados, isto é, friccionando a madeira com outro pedaço de madeira. Assim mesmo, a Alma que mora dentro do corpo pode ser vista por se empregar meios apropriados, isto é, yoga. Água deve existir em rios. Raios de luz estão sempre ligados ao sol. Do mesmo modo, a Alma tem um corpo. Esta conexão não cessa por causa da constante sucessão de corpos que a Alma tem que entrar. (Um rio não pode existir sem água. Quando um rio é mencionado, água é implicada. A conexão entre um rio e água não é um acidente mas é necessária. O mesmo pode ser dito do sol e seus raios. Do mesmo modo, a conexão entre a Alma e um corpo é necessária e não um acidente.) Em um sonho, a Alma, dotada dos cinco sentidos, deixa o corpo e vaga por amplas áreas. Do mesmo modo, quando a morte ocorre, a Alma (com os sentidos em suas formas sutis) sai de um corpo para entrar em outro. A Alma é limitada pelas suas próprias ações anteriores. Limitada por suas próprias ações feitas em um estado de existência, ela obtém outro estado. De fato, ela é levada de um corpo para outro pelos seus próprios atos, os quais são muito poderosos em relação às suas consequências. Como o dono de um corpo humano, deixando seu corpo, entra em outro, e então novamente em outro, como, de fato, todo o conjunto de seres é o resultado de suas respectivas ações (de vidas presentes e passadas), eu logo direi a você.'" 211 "Bhishma disse, 'Todos os seres móveis e imóveis, distribuídos em quatro classes, são citados como sendo de nascimento imanifesto e morte imanifesta. Existindo somente na Alma imanifesta, a Mente é citada como sendo possuidora dos atributos do imanifesto. (Pois ela só existe junto com a Alma, assim como uma segunda lua é vista na água, mas que não existe se não existir a lua original e verdadeira.) Como uma enorme árvore está oculta dentro uma pequena flor Aswattha não desabrochada e se torna observável somente quando ela sai, assim mesmo ocorre o nascimento do que é imanifesto. Um pedaço de ferro, que é inanimado, corre em direção a um pedaço de pedra ímã. Similarmente, tendências e propensões devidos a instintos naturais, e tudo mais, correm em direção à Alma em uma nova vida. (Logo que a Alma toma uma nova forma ou corpo, todas as propensões e inclinações, como dependentes de seus atos passados, tomam posse dela; Avidya ou Maya também tomam posse dela.) De Fato, assim como aquelas propensões e posses nascidas de Ignorância e Ilusão, e inanimadas em relação à sua natureza, são unidas com a Alma quando renascida, da mesma maneira, aquelas outras propensões e aspirações da Alma que têm seu olhar dirigido em direção a Brahma se tornam unidas com ela, vindas a ela diretamente do próprio Brahma. (Como todas as propensões e posses mais sombrias e indiferentes que vão à Alma em sua nova vida, nascidas dos atos de vidas passadas, todas as aspirações superiores também da Alma vão até ela diretamente de Brahma.) Nem terra, nem céu, nem firmamento, nem coisas, nem os ares vitais, nem virtude e vício, nem qualquer coisa mais, existia antes, exceto a Alma-chit. Nem eles têm qualquer ligação necessária mesmo com a Alma-chit corrompida pela Ignorância (pois ela existe independentemente deles). A Alma é eterna. Ela é indestrutível. Ela se encontra em todas as criaturas. Ela é a causa da Mente. Ela é sem atributos. Este universo que nós percebemos foi declarado (nos Vedas) como sendo devido à Ignorância ou Ilusão. As percepções da Alma de forma, etc., são devido a desejos passados. A Alma, quando ela vem a ser dotada daquelas causas (isto é, desejo), é levada ao estado de estar envolvida em ações. Por causa daquela condição (pois aquelas ações novamente produzem desejos para terminarem em ações de novo e assim sucessivamente), esta enorme roda da existência gira, sem início e sem fim. O Imanifesto, isto é, a Compreensão (com os desejos), é o cubo daquela roda. O Manifesto (isto é, o corpo com os sentidos) constitui seu conjunto de raios, as percepções e ações formam sua circunferência. Impulsionada pela qualidade de Rajas (Paixão), a Alma preside sobre ela (testemunhando suas revoluções). Como fazedores de óleo pressionando sementes oleaginosas em sua máquina, as consequências nascidas da Ignorância, atacando o universo (de criaturas), o qual está umedecido por Rajas, o comprimem ou trituram naquela roda. Naquela sucessão de existências, a criatura viva, apanhada pela idéia do Eu em consequência do desejo, se envolve em ações. Na união de causa e efeito, aquelas ações outra vez se tornam (novas causas). Efeitos não entram em causas. Nem causas entram em efeitos. Na produção de efeitos, o Tempo é a Causa. As essências primordiais (oito em número como mencionado antes), e suas modificações (dezesseis em número), repletas de causas, existem em um estado de união, por serem sempre presididas pela Alma. Como poeira seguindo o vento que a move, a Alma-criatura, privada de corpo, mas dotada ainda de inclinações nascidas de Paixão e Ignorância e com princípios de causas constituídos pelas ações da vida que acabou, se move adiante, seguindo a direção que a Alma Suprema dá a ela. A Alma, no entanto, nunca é tocada por aquelas inclinações e propensões. Nem aquelas são tocadas pela Alma que é superior a elas. O vento, que é naturalmente puro, nunca é manchado pelo pó que ele carrega. Como o vento é realmente separado do pó que carrega, assim mesmo, o homem de sabedoria deve saber, é a ligação entre aquilo que é chamado de existência ou vida e a Alma. Ninguém deve presumir que a Alma, por sua aparente união com o corpo e os sentidos e as outras propensões e crenças e descrenças, é realmente dotada deles como suas qualidades necessárias e absolutas. Por outro lado, a Alma deve ser considerada como existente em sua própria natureza.’ Assim o Rishi divino esclareceu a dúvida que tinha tomado posse da mente de seu discípulo. Apesar disso, as pessoas dependem dos meios consistindo em ações e ritos das escrituras para rejeitar miséria e ganhar felicidade. Sementes que são chamuscadas pelo fogo não manifestam brotos. Do mesmo modo, se tudo o que contribui para a miséria for consumido pelo fogo do verdadeiro conhecimento, a Alma escapa da obrigação de renascimento no mundo.” "Bhishma disse, 'Pessoas dedicadas à prática de ações consideram muito a prática de ações. Similarmente, aquelas que são devotadas ao Conhecimento não consideram qualquer outra coisa além do Conhecimento. Pessoas totalmente conhecedoras dos Vedas e dependentes das declarações contidas neles são raras. Aqueles que são mais inteligentes desejam o caminho da abstenção das ações como o melhor dos dois, isto é, céu e emancipação. (Os Vedas contêm declarações de ambos os tipos, isto é, eles incitam à ação como também à abstenção da ação. A primeira é necessária como um degrau para a última. São raros os homens que compreendem as declarações dos Vedas dessa maneira e que agem de acordo com aquelas declarações.) Abstenção das ações é praticada por aqueles que possuem grande sabedoria. Aquela conduta, portanto, é louvável. A inteligência a qual incita à abstenção das ações, é aquela pela qual alguém alcança a Emancipação. Possuidora de corpo, uma pessoa, por insensatez, e dotada de ira e cobiça e todas as propensões nascidas de Paixão e Ignorância, se torna ligada a todos os objetos mundanos. Alguém, portanto, que deseja destruir sua conexão com o corpo, nunca deve se entregar a alguma ação impura. Por outro lado, ele deve criar por meio de suas próprias ações um caminho para alcançar a emancipação, sem desejar regiões de felicidade (no mundo seguinte). Como ouro, quando unido com ferro, perde sua pureza e falha em brilhar, assim mesmo o Conhecimento, quando existindo com apego a objetos mundanos e tais outros defeitos, falha em manifestar seu esplendor. Aquele que, influenciado pela cobiça e seguindo os ditames do desejo e da ira, pratica a maldade, contrariando o caminho da retidão, encontra com a destruição completa. Alguém que deseja se beneficiar nunca deve seguir, com excesso de atrações, posses mundanas representadas pelos objetos dos sentidos. Se ele fizer isso, ira e alegria e tristeza nascem umas das outras (e o fazem miserável). Quando o corpo de todos é feito dos cinco elementos originais como também dos três atributos de Bondade, Paixão, e Ignorância, quem uma pessoa adorará e quem ela repreenderá com quais palavras? Somente aqueles que são tolos se tornam ligados aos objetos dos sentidos. Por tolice eles não sabem que seus corpos são somente modificações. Como uma casa feita de terra é rebocada com terra, assim mesmo este corpo que é feito de terra é protegido da destruição pelo alimento o qual é somente uma modificação da terra. Mel e óleo e leite e manteiga e carne e sal e melado e grãos de todos os tipos e frutas e raízes, são todos modificações de terra e água. Reclusos que vivem na selva, abandonando todo o desejo (por alimento rico e saboroso), comem comida simples, que também é sem sabor, somente para manter o corpo. Da mesma maneira, uma pessoa que mora na selva do mundo deve estar preparada para o trabalho e deve ingerir alimento para passar pela vida, como um paciente tomando remédio. Uma pessoa de alma nobre, examinando todas as coisas de uma natureza mundana que se aproximam dela, pela ajuda da verdade, pureza, franqueza, um espírito de renúncia, esclarecimento, coragem, benevolência, fortaleza, inteligência, reflexão, e austeridades, e desejosa de obter tranquilidade, deve controlar seus sentidos. Todas as criaturas, entorpecidas, por causa da Ignorância, pelos atributos de Bondade e Paixão e Ignorância, estão girando continuamente como uma roda. Todos os erros, portanto, que são nascidos da Ignorância, devem ser examinados de perto, e a idéia de Eu que tem sua origem na Ignorância, e que produz miséria, deve ser evitada. Os cinco elementos, os sentidos, as qualidades de Bondade, Paixão, e Ignorância, os três mundos com o próprio Ser Supremo, e as ações, todos dependem da Consciência do Eu. (A princípio havia somente jiva ou a Alma tendo só o conhecimento como seu atributo. Quando ela veio a ser coberta pela Ignorância, o universo surgiu em volta dela. A consciência é devido àquela união da Alma com a Ignorância. Então, todas as coisas dependem da Consciência, e a Consciência é a base de toda a tristeza.) Como o Tempo, sob suas próprias leis, sempre mostra os fenômenos das estações uns depois dos outros, assim mesmo alguém deve saber que a Consciência em todas as criaturas é aquilo que induz às ações. (Se todas as coisas dependem da consciência que é um atributo da Ignorância ou Ilusão, porque então esta uniformidade em vez da irregularidade que caracteriza todas as percepções em sonhos? A resposta é que a uniformidade é o resultado de atos passados, de atos que são devidos à Consciência. Estes produzem uniformidade de percepções assim como o tempo, sujeito às suas próprias leis, produz os fenômenos das estações com uniformidade.) Tamas (do qual procede a Consciência) deve ser conhecido como produtivo de ilusões. Ele é como a Escuridão e é nascido da Ignorância. Aos três atributos de Bondade, Paixão, e Ignorância estão ligadas todas as alegrias e tristezas (das criaturas). Escute agora àquelas consequências que provêm das qualidades de Bondade, Paixão, e Ignorância. Contentamento, a satisfação que surge da alegria, certeza, inteligência, e memória, essas são as consequências nascidas do atributo de Bondade. Eu agora mencionarei as consequências da Paixão e Ignorância. Desejo, ira, erro, cupidez, estupefação, medo, e fadiga, pertencem ao atributo de Paixão. Melancolia, angústia, descontentamento, vaidade, orgulho, e maldade, todos pertencem à Ignorância. Examinando a gravidade ou leveza desses e outros defeitos que moram na Alma, uma pessoa deve refletir sobre cada um deles um depois do outro (para averiguar quais deles existem, quais têm se tornado fortes ou fracos, quais foram rechaçados, e quais restam).'” "Yudhishthira disse, 'Quais defeitos são abandonados pelas pessoas desejosas de Emancipação? Quais são aqueles que são enfraquecidos por elas? Quais são os defeitos que vêm repetidamente (e são, portanto, incapazes de serem eliminados)? Quais, também, são considerados como fracos, por estupefação (e, portanto, como permissíveis)? Quais, de fato, são aquelas faltas sobre cuja força e fraqueza um homem sábio deve refletir com a ajuda de inteligência e bom senso? Eu tenho dúvidas sobre esses assuntos. Fale para mim sobre eles, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Uma pessoa de Alma pura, por arrancar todos os seus defeitos por suas raízes, consegue obter Emancipação. Como um machado feito de aço corta uma corrente do aço (e realizando a ação quebra a si mesmo), do mesmo modo, uma pessoa de Alma purificada, destruindo todos os defeitos que provêm da Ignorância e que são nascidos com a Alma (quando ela renasce), consegue dissolver sua conexão com o corpo (e alcançar a Emancipação). As qualidades que têm sua origem na Paixão, aquelas que provêm da Ignorância, e aquelas imaculadas caracterizadas pela pureza (isto é, aquelas incluídas sob a qualidade da Bondade), constituem a semente da qual todas as criaturas incorporadas crescem. Entre estas, só a qualidade de Bondade é a causa através da qual pessoas de Almas purificadas conseguem alcançar a Emancipação. Uma pessoa de alma pura, portanto, deve abandonar todas as qualidades nascidas de Paixão e Ignorância. Então, quando a qualidade de Bondade se torna livre daquelas de Paixão e Ignorância, ela fica mais resplandecente ainda. Alguns dizem que sacrifícios e outras ações realizadas com a ajuda de mantras, e que certamente contribuem para a purificação da Alma, são ações más ou cruéis. (Este ponto de vista não é correto.) Por outro lado, aqueles atos são os meios principais para dissociar a Alma de todos os apegos mundanos, e para a observância da religião de tranquilidade. Pela influência das qualidades nascidas da Paixão, todas as ações injustas são realizadas, e todos os atos repletos de propósitos mundanos como também todos os atos que provêm do desejo são realizados. Pelas qualidades nascidas da Ignorância, alguém faz todas as ações repletas de cobiça e surgidas da ira. Pelo atributo de Ignorância, uma pessoa adota sono e procrastinação e fica viciada em todas as ações de crueldade e prazer carnal. Aquela pessoa, no entanto, que, possuidora de fé e conhecimento das escrituras, é observadora do atributo de Bondade, faz somente todas as coisas boas, e se torna dotada de beleza (moral) e alma livre de toda mácula.'” 213 "Bhishma disse, 'Do atributo de Paixão surge ilusão ou perda de bom senso. Do atributo de Ignorância, ó touro da raça Bharata, surgem raiva e cobiça, medo e orgulho. Quando todos estes são destruídos, uma pessoa se torna pura. Por obter pureza, uma pessoa consegue chegar ao conhecimento da Alma Suprema, a qual é resplandecente com refulgência, incapaz de deterioração, sem mudança, que permeia todas as coisas, tem o imanifesto como seu refúgio, e é a principal de todas as divindades. Envolvidos em seu maya, homens se afastam do conhecimento e se tornam insensatos, e, por seu conhecimento estar obscurecido, se entregam à ira. (Nos Srutis é dito que Brahma tem dois atributos, Vidya (Conhecimento), e Avidya (Ignorância) com Maya (ilusão). É por causa deste Maya que as almas-chit ou jivas se tornam ligadas a coisas mundanas. É por este Maya que as pessoas, mesmo quando elas compreendem que tudo é nada, não podem se dissociar totalmente delas.) Da ira, eles se tornam sujeitos ao desejo. Do desejo surgem cobiça e ilusão e vaidade e orgulho e egoísmo. De tal egoísmo procedem vários tipos de ações. Das ações surgem diversos laços de afeição e daqueles laços de afeição surge tristeza ou miséria e dos atos repletos de alegria e tristeza procede a sujeição a nascimento e morte. Pela obrigação de nascimento, alguém incorre na sujeição a uma residência dentro do útero, devido à união da semente vital e sangue. Aquela residência é poluída com fezes e urina e muco, e sempre suja com o sangue que é gerado lá. Oprimida pela sede, a Alma-chit se torna ligada à raiva e ao restante que foi enumerado acima. Ela procura, no entanto, escapar daqueles males. Em relação a isto, mulheres devem ser consideradas como instrumentos que determinam a continuidade da corrente da Criação. Por sua natureza, as mulheres são Kshetra, e os homens são Kshetrajna em relação a atributos. Por esta razão, homens de sabedoria nunca devem perseguir mulheres em especial (entre outros objetos do mundo). (A força do símile jaz nisto: Prakriti vincula Kshetrajna ou a Alma e a obriga a tomar nascimento, etc. Mulheres são Prakriti, homens são Almas. Como a Alma deve procurar evitar o contato de Prakriti e se esforçar pela emancipação, assim mesmo homens devem procurar evitar mulheres. Deve ser adicionado que mulheres, em quase todos os dialetos da Índia derivados do Sânscrito, são comumente chamadas de Prakriti ou símbolos de Prakriti, assim ilustrando a extraordinária popularidade da doutrina filosófica sobre Prakriti e Purusha.) De fato, mulheres são como terríveis poderes mântricos. Elas estupefazem homens desprovidos de sabedoria. Elas estão submersas no atributo de Paixão. Elas são a encarnação eterna dos sentidos. (Kritya é poder mântrico ou a eficácia dos ritos Atharvan. O que é dito aqui é que mulheres são tão terríveis quanto ritos Atharvan que podem levar destruição até sobre inimigos não vistos.) Por causa do forte desejo que homens nutrem por mulheres, a prole procede deles, devido à (ação da) semente vital. Como alguém expulsa do próprio corpo tais vermes que nascem lá mas que não são uma parte de si mesmo por causa disso, assim mesmo deve-se rejeitar aqueles vermes do corpo que são chamados de filhos, que, embora considerados como da própria pessoa, não são da própria pessoa na verdade. Da semente vital como do suor (e outras imundícies) criaturas surgem do corpo, influenciadas pelas ações de vidas anteriores ou no curso da natureza. Portanto, alguém que possui sabedoria não deve sentir consideração por elas. (O sentido é este: vermes parasíticos nascem do suor e outras sujeitas emitidas pelo corpo. Filhos nascem da semente vital. No primeiro caso, é Swabhava (natureza) que fornece a energia ativa. No último, a imperecível influência de atos e propensões anteriores fornece a força ativa. Os filhos de uma pessoa, portanto, são como vermes parasíticos no corpo dela. A sabedoria ensina desconsideração ou indiferença pelos dois.) O atributo de Paixão se apóia naquele de Ignorância. O atributo de Bondade, também, se apóia no de Paixão. A Ignorância, que é imanifesta, se difunde em Conhecimento, e causa os fenômenos de Inteligência e Consciência. (Rajas (paixão) é a causa de Pravritti ou propensão para ações. Sattwa (bondade) é iluminação ou aspirações superiores que levam a Brahma. Ambos dependem de Tamas (ignorância), o primeiro imediatamente, o último mediatamente. Chit ou Jiva é Conhecimento puro. Quando dominado por Tamas ou Avyakta, ele vem a ser provido daquela existência que é chamada de vida ou que nós percebemos no mundo, as condições daquela vida sendo Consciência e Inteligência.) Aquele conhecimento que possui os atributos de Inteligência e Consciência é citado como sendo a semente de Almas incorporadas. Aquilo, também, que é a semente de tal conhecimento é chamado de Jiva (ou Alma-Chit). (Chit ou Alma é Conhecimento completo. Quando coberto com Ignorância ou Escuridão, ele se torna manifesto por meio de Inteligência ou Consciência, isto é, assume uma forma ou corpo. Conhecimento coberto por Ignorância, portanto, ou Conhecimento com os atributos de Inteligência ou Consciência, é a causa de Chit ou alma ou Jiva assumir um corpo. Tal conhecimento, portanto, é chamado de a semente do corpo. Então, além disso, a tadvijam (a segunda expressão), isto é, a fundação sobre a qual o conhecimento coberto por ignorância (ou conhecimento com os atributos de inteligência e consciência) se apóia, é, naturalmente, Conhecimento puro ou chit ou jiva ou Alma como ela existia antes da vida.) Por consequência de ações e da virtude do tempo, a Alma passa por nascimento e repetidas rondas de renascimento. Como em um sonho a Alma se diverte como se envolvida com um corpo, o qual, é claro, é devido à ação da mente, da mesma maneira, ela obtém um corpo no útero da mãe por consequência de atributos e propensões tendo ações (passadas) como sua origem. Quaisquer percepções enquanto ela está lá, despertadas por ações passadas como a causa operacional, vêm a ser geradas na Consciência pela mente co-existindo com ligações. (Enquanto no útero da mãe, a Alma recorda os atos de vidas passadas, e aqueles atos influenciam e determinam o crescimento de seus sentidos como também o caráter que ela revelará em sua próxima vida.) Pelos pensamentos passados de som que são despertados nela, a Alma, sujeita a tais influências, recebe o órgão de audição. Similarmente, por atração por formas, sua visão é produzida, e de seu desejo a respeito de aroma seu órgão de olfato. Dos pensamentos a respeito de tato ela adquire a pele. Do mesmo modo os cinco ares são adquiridos por ela, isto é, Prana, Apana, Vyana, Udana, e Samana, que contribuem para manter o corpo existindo. Envolvida em corpo com todos os membros completamente desenvolvidos em consequência (como mostrado acima) de ações passadas, a Alma toma nascimento, com tristeza, física e mental, no início, meio, e fim. Deve ser sabido que a tristeza surge do próprio fato da aceitação de corpo (no útero). Ela aumenta com a idéia de Eu. Da renúncia destes (apegos os quais são a causa do nascimento), a tristeza encontra com um fim. Aquele que está familiarizado com o fim da tristeza alcança a Emancipação. Ambas, a origem e a destruição dos sentidos se apóiam no atributo de Paixão. O homem de sabedoria deve agir com escrutínio apropriado com a ajuda do olho constituído pelas escrituras. (Os sentidos são originados em Rajas. Pela destruição, também, de Rajas, eles podem ser destruídos. O que é necessário, portanto, é a conquista de Rajas ou Paixão. Isso pode ser efetuado com a ajuda do olho cuja visão foi afiada por conhecimento escritural.) Os sentidos de conhecimento, mesmo que eles consigam ganhar todos os seus objetos, nunca conseguem oprimir o homem que não tem desejo. A Alma incorporada, por fazer seus sentidos fracos, escapa da obrigação do renascimento.'" 214 "Bhishma disse, 'Eu agora te direi quais são os meios (para conquistar os sentidos) como vistos com o olho das escrituras. Uma pessoa, ó rei, alcançará o fim mais elevado pela ajuda de tal conhecimento e por modelar sua conduta em conformidade com ele. Entre todas as criaturas vivas é dito que o homem é a principal. Entre homens, aqueles que são regenerados são chamados de os principais; e entre os regenerados, aqueles que conhecem os Vedas. Estes últimos são considerados como as almas de todas as criaturas vivas. De fato, aqueles Brahmanas que estão familiarizados com os Vedas são considerados como os que tudo vêem e como oniscientes. Eles são pessoas que se tornaram conhecedoras de Brahma. Como um homem cego, sem um guia, encontra muitas dificuldades em uma estrada, assim uma pessoa desprovida de conhecimento encontra muitos obstáculos no mundo. Por esta razão, aqueles que possuem conhecimento são considerados superiores ao resto. Aqueles que desejam adquirir virtude praticam diversos tipos de ritos segundo os ditames das escrituras. Eles, no entanto, não conseguem alcançar a Emancipação, tudo o que eles ganham sendo aquelas boas qualidades das quais eu logo falarei. (O orador deseja mostrar a diferença entre a religião de Pravritti ou ações e aquela de Nivritti ou abstenção de ações. Aqueles que seguem a primeira não podem obter Emancipação. O que eles ganham são certas boas qualidades mencionadas a seguir, as quais, no entanto, são igualmente obtidas pelos seguidores da religião de Nivritti.) Pureza de palavras, de corpo, e de mente, generosidade, veracidade, constância, e inteligência, estas boas qualidades são mostradas pelas pessoas virtuosas observadoras de ambos os tipos de religião. Aquela que é chamada Brahmacharya (religião de abstenção ou yoga) é considerada como o meio de alcançar Brahma. Aquela é a principal de todas as religiões. É pela prática daquela religião que alguém alcança o fim mais elevado (isto é, a Emancipação). Brahmacharya é desprovida de toda conexão com os cinco ares vitais, mente, compreensão, os cinco sentidos de percepção, e os cinco sentidos de ação. Ela é, por causa disso, livre de todas as percepções que os sentidos dão. Ela é ouvida somente como uma palavra, e sua forma, sem ser vista, somente pode ser concebida. Ela é um estado de existência que depende somente da mente. Ela é livre de toda conexão com os sentidos. Aquele estado puro deve ser alcançado somente pela compreensão. Quem o pratica devidamente alcança Brahma; quem o pratica parcialmente alcança a condição dos deuses; enquanto aquele que o pratica indiferentemente, toma nascimento entre Brahmanas e possuidor de erudição obtém eminência. Brahmacharya é extremamente difícil de se praticar. Escute agora aos meios (pelos quais alguém pode praticá-lo). Aquela pessoa regenerada que se dirige a ele deve subjugar a qualidade de Paixão logo que ela começa a se manifestar ou logo que ela começa a ser poderosa. Um homem que se dirigiu àquele voto não deve falar com mulheres. Ele nunca deve lançar seus olhos em uma mulher despida. A visão de mulheres, mesmo sob circunstâncias indiferentes, enche todos os homens de mente fraca com Paixão. Se um homem (enquanto cumprindo este voto) sente um desejo por mulheres surgindo em seu coração, ele deve (como uma expiação) observar o voto chamado Krichcchra (certos jejuns) e também passar três dias na água (isto é, permanecer em um tanque ou rio com água até o queixo). Se o desejo é nutrido no curso de um sonho, se deve, mergulhando em água, repetir mentalmente por três vezes os três Riks por Aghamarshana. (Os três Riks começam com Ritancha, Satyancha etc. Todo Brahmana que sabe suas preces matutinas e vespertinas conhece bem esses três Riks.) O homem sábio que se dirigiu à prática deste voto deve, com uma mente expandida e culta, queimar os pecados em sua mente, os quais são todos devidos à qualidade de Paixão. Como o ducto que carrega o refugo do corpo está conectado estreitamente com o corpo, assim mesmo a Alma incorporada está conectada estreitamente com o corpo que a confina. Os diferentes tipos de sucos, passando pela rede de artérias, nutrem o ar e a bílis e o muco, sangue e pele e carne, intestinos e ossos e medula, e o corpo inteiro de homens. Saiba que há dez ductos principais. Estes ajudam nas funções dos cinco sentidos. Daqueles dez se ramificam milhares de outros ductos que são mais miúdos em forma. Como rios enchendo o oceano na estação apropriada, todos esses ductos, contendo sucos, nutrem o corpo. Levando ao coração há um ducto chamado Manovaha (Sushumna). Ele retira de todas as partes do corpo do ser humano a semente vital que é nascida do desejo. Numerosos outros ductos se ramificando daquele principal se estendem por todas as partes do corpo e levando o elemento de calor causam o sentido de visão (e o resto). Como a manteiga que jaz dentro do leite é batida por agitar varas, assim mesmo os desejos que são gerados na mente (pela visão ou pensamento em mulheres) contraem a semente vital que jaz dentro do corpo. Até no meio de nossos sonhos a paixão tendo nascimento na imaginação assalta a mente, com o resultado que o ducto já citado, isto é, Manovaha, expulsa a semente vital nascida do desejo. O grandioso e divino Rishi Atri conhece bem o assunto da geração da semente vital. Os sucos que são produzidos pelo alimento, o ducto chamado Manovaha, e o desejo que é nascido da imaginação, esses três são as causas que originam a semente vital, a qual tem Indra como sua divindade presidente. A paixão que ajuda na emissão deste fluido é, portanto, chamada de Indriya. Aquelas pessoas que sabem que o curso da semente vital é a causa (daquele estado pecaminoso de coisas chamado) mistura de castas, são homens de paixões refreadas. Seus pecados são considerados destruídos pelo fogo, e eles nunca estão sujeitos ao renascimento. Aquele que se dirige à ação simplesmente para os propósitos de sustentar seu corpo, reduzindo com a ajuda da mente (isto é, por meio de yoga) os (três) atributos (de Bondade, Paixão, e Ignorância) a um estado de uniformidade (àquele estado de conhecimento que é independente dos sentidos), e traz em seus últimos momentos os ares vitais para o ducto chamado Manovaha, escapa da obrigação de renascimento. (Embora levar os ares vitais ao ducto chamado Manovaha ou Sushumna seja um ato físico, sua realização se torna possível somente por um longo curso de penitências consistindo no afastamento da mente de objetos externos.) A Mente com certeza ganha Conhecimento. É a Mente que toma a forma de todas as coisas. As mentes de todas as pessoas de grande alma, alcançando êxito pela meditação, se tornam livres do desejo, eternas, e luminosas (oniscientes e onipotentes). (O Conhecimento falado aqui é aquele conhecimento que é independente dos sentidos. O que o orador diz é que tal Conhecimento não é mito mas com certeza surgirá. Quando ele surge, seu possuidor vem a saber que o mundo externo, etc., é somente a mente transformada, como as visões vistas e sons ouvidos e pensamentos nutridos em um sonho.) Portanto, para destruir a mente (como mente, isto é, fundi-la na Alma), alguém deve fazer somente atos impecáveis e, se libertando dos atributos de Paixão e Ignorância, ele seguramente alcançará um fim que é muito desejável. O conhecimento (ordinariamente) adquirido na juventude se torna enfraquecido com a decrepitude. Uma pessoa, no entanto, de compreensão madura consegue, devido a efeitos auspiciosos de vidas passadas, destruir seus desejos. (O homem de compreensão madura, por destruir seus desejos, obtém aquele conhecimento que não está sujeito à decadência com a idade. Então, tal conhecimento é superior ao conhecimento adquirido de modo comum.) Tal pessoa, por transcender os vínculos do corpo e dos sentidos, como um viajante cruzando um caminho cheio de obstáculos, e ultrapassando todos os defeitos que ele vê, consegue provar o néctar (da Emancipação).'" 215 "Bhishma disse, 'As criaturas vivas, por estarem ligadas aos objetos dos sentidos, os quais estão sempre repletos de males, se tornam desamparadas. Aquelas pessoas de grande alma, no entanto, que não estão ligadas a eles, alcançam o fim mais sublime. O homem de inteligência, vendo o mundo oprimido pelos males constituídos por nascimento, morte, velhice, tristeza, doença, e ansiedades, deve se esforçar para alcançar a Emancipação. Ele deve ser puro em palavras, pensamentos, e corpo; ele deve ser livre de orgulho. De alma tranquila e possuidor de conhecimento, ele deve levar uma vida de mendicância, e buscar felicidade sem ser vinculado a algum objeto mundano. Também, se o apego for visto possuir a mente por compaixão por criaturas, ele deve, vendo que o universo é o resultado de ações, mostrar indiferença em relação à própria compaixão. (Compaixão pode às vezes levar a excesso de apego, como no caso de Bharata em direção a seu pequeno veado. O universo é o resultado de atos porque atos determinam o caráter da vida que a alma assume. No caso de Bharata, ele foi obrigado a tomar nascimento como um veado em sua vida seguinte por seus pensamentos na vida anterior terem sido centrados em um veado.) Quaisquer boas ações que sejam realizadas, ou quaisquer pecados (cometidos), o fazedor prova as consequências. Então se deve, em palavras, pensamentos, e ações, fazer somente atos que são bons. Consegue obter felicidade aquele que pratica abstenção de ferir (outros), veracidade de palavras, honestidade em direção a todas as criaturas, e generosidade, e que nunca é negligente. Então uma pessoa, exercitando sua inteligência, deve fixar sua mente, depois de treiná-la, na paz em direção a todas as criaturas. O homem que considera a prática das virtudes enumeradas acima como o maior dever, como conducente à felicidade de todas as criaturas, e como destrutiva de todos os tipos de tristezas, é possuidor do conhecimento mais elevado, e consegue obter felicidade. Então (como já dito), se deve, exercitando a inteligência, dispor a mente, depois de treiná-la, na paz em direção a todas as criaturas. Nunca se deve pensar em fazer mal a outros. Não se deve cobiçar o que está muito acima de seu poder de alcançar. Não se deve dirigir os pensamentos para objetos que são inexistentes. Deve-se, por outro lado, dirigir a mente para o conhecimento, por tais esforços persistentes que são certos de terem êxito. Com a ajuda das declarações dos Srutis e de esforços persistentes calculados para trazer sucesso, aquele Conhecimento fluirá infalivelmente. Alguém que deseja dizer boas palavras ou seguir uma religião que é purificada de toda escória, deve proferir somente a verdade que não seja repleta de qualquer malícia ou crítica. Alguém que possui um coração honrado deve proferir palavras que não sejam repletas de desonestidade, que não sejam ríspidas, nem cruéis, nem más, e que não sejam caracterizadas por loquacidade. O universo é vinculado pela palavra. (O que quer que seja falado nunca é destruído e afeta permanentemente tanto a pessoa que fala quanto a que ouve, de modo que não somente em uma vida, mas no infinito curso de vidas o falador será afetado por bem ou por mal pelas palavras que escapam de seus lábios. Isto está totalmente de acordo com a descoberta da ciência moderna, tão eloquentemente e poeticamente enunciada por Babbage, da indestrutibilidade da força ou energia quando uma vez aplicada. Quão temível é a sanção (a qual não é um mito) sob a qual falar mal é proibido.) Alguém disposto à renúncia (de todos os objetos mundanos) deve então proclamar, com a mente repleta de humildade e uma compreensão purificada, seus próprios atos maus. (Tal auto-revelação destrói os efeitos daqueles atos e evita sua repetição.) Quem se dirige à ação, impelido a isto por propensões repletas do atributo de Paixão, obtém muita miséria neste mundo e ao final cai no inferno. Deve-se, portanto, praticar autodomínio em corpo, fala, e mente. Pessoas ignorantes suportando as cargas do mundo são como ladrões carregados com seu saque de ovelhas extraviadas (segregadas de rebanhos levados para pastar). Os últimos estão sempre atentos às estradas que são desfavoráveis para eles (devido à presença da vigilância do rei). De fato, como os ladrões têm que jogar fora sua pilhagem se eles desejam segurança, assim mesmo uma pessoa deve rejeitar todos os atos ditados pela Paixão e Ignorância se ela deseja obter felicidade. Sem dúvida, uma pessoa que é sem desejo, que é livre dos vínculos do mundo, contente em viver em solidão, moderada em dieta, dedicada a penitências e com sentidos sob controle, que tem queimado todas as suas tristezas pela (aquisição de) conhecimento, que tem prazer em praticar todos os detalhes da disciplina yoga, e que tem uma alma purificada, consegue, por sua mente ser recolhida em si mesma, alcançar Brahma ou Emancipação. Alguém dotado de paciência e uma alma purificada, deve, sem dúvida, controlar sua compreensão. Com a compreensão (assim disciplinada), deve-se em seguida controlar a mente, e então com a mente dominar os objetos dos sentidos. Após a mente ser assim trazida sob controle e os sentidos serem todos subjugados, os sentidos se tornarão luminosos e entrarão alegremente em Brahma. Quando os sentidos são recolhidos na mente, o resultado que ocorre é que Brahma se torna manifestado nela. De fato, quando os sentidos são destruídos, e a alma volta ao atributo de existência pura, ela vem a ser considerada como transformada em Brahma. Então, além disso, uma pessoa nunca deve fazer uma exibição de seu poder de yoga. Por outro lado, ela deve sempre se esforçar para dominar seus sentidos por praticar as regras de yoga. De fato, alguém dedicado à prática das regras de yoga deve fazer todos aqueles atos pelos quais a própria conduta e disposição possam se tornar puros. (Sem fazer dos poderes de yoga os meios de subsistência), alguém deve antes viver de grãos de milho quebrados, feijões maduros, bolos secos de sementes das quais o óleo foi espremido, ervas cozidas e mantidas em conserva, cevada meio madura, farinha de grãos de leguminosas fritos, frutas, e raízes, obtidos em esmolas. Refletindo sobre as características de hora e lugar, ele deve, de acordo com suas próprias inclinações, depois de um exame apropriado, cumprir votos e regras sobre jejuns. Não se deve suspender uma observância que foi iniciada. Como alguém lentamente criando um fogo, deve-se estender gradualmente uma ação que é instigada por conhecimento. Por agir dessa maneira, Brahma gradualmente brilha em alguém como o Sol. A Ignorância que tem o Conhecimento como seu solo de apoio, estende sua influência sobre todos os três estados (vigília, sonho e sono sem sonhos). (A Alma tinha, antes da criação, somente Conhecimento como seu atributo. Quando Ignorância ou Ilusão, procedendo do Brahma Supremo, tomou posse dela, a Alma se tornou uma criatura comum, isto é, consciência, mente, etc., se originaram. Esta Ignorância, portanto, se estabeleceu sobre o Conhecimento e transformou o caráter original da Alma.) O Conhecimento, também, que segue a Compreensão, é atacado pela Ignorância. (O conhecimento comum que segue a liderança da compreensão é afetado pela ignorância, o resultado disso é que a Alma toma aquelas coisas que realmente surgem de si mesma como coisas diferentes de si mesma e possuindo uma existência independente.) A pessoa de coração mau fracassa em obter um conhecimento da Alma por considerá-la como unida com os três estados, embora na verdade ela transcenda eles todos. Quando, no entanto, ela consegue compreender os limites sob os quais os dois, isto é, a união com os três estados e a separação deles, são manifestados, é então que ela se torna livre de apegos e alcança a Emancipação. Quando tal compreensão é alcançada, uma pessoa transcende os efeitos da idade, se ergue acima das consequências de decrepitude e morte, e alcança Brahma que é eterno, imortal, imutável, imperecível.'" 216 "Bhishma disse, 'O yogin que deseja sempre praticar Brahmacharya impecável e que está impressionado com as imperfeições ligadas aos sonhos deve, com todo seu coração, procurar abandonar o sono. Em sonhos, a alma incorporada, afetada pelos atributos de Paixão e Ignorância, parece se tornar possuidora de outro corpo e se move e age influenciada pelo desejo. Por aplicação pela aquisição de conhecimento e contínua reflexão e recapitulação, o yogin permanece sempre desperto. De fato, o yogin pode se manter desperto continuamente por se dedicar ao conhecimento. Sobre este assunto foi perguntado qual é esse estado no qual a criatura incorporada se imagina cercada por e envolvida em objetos e ações? A verdade é que o ser incorporado, com seus sentidos realmente suspensos, ainda se considera como possuidora de corpo com todos os sentidos de conhecimento e de ação. Com relação à questão levantada, é dito que aquele mestre de yoga, chamado Hari, compreende realmente como isto acontece. Os grandes Rishis dizem que a explicação oferecida por Hari é correta e consistente com a razão. Os eruditos dizem que é pelos sentidos estarem esgotados com fadiga que sonhos são experienciados por todas as criaturas. (Embora os sentidos estejam suspensos) a mente, no entanto, nunca desaparece (ou se torna inativa) e por isso surgem sonhos. Esta é citada por todos como sendo sua causa notável. Como as imaginações de uma pessoa que está desperta e engajada em ações são devido somente ao poder criativo da mente, da mesma maneira as impressões em um sonho pertencem somente à mente. Uma pessoa com desejo e apego obtém aquelas imaginações (em sonhos) baseadas sobre as impressões de incontáveis vidas no passado. Nada que impressiona a mente uma vez jamais é perdido, e a Alma sendo conhecedora de todas aquelas impressões as faz saírem da obscuridade. Qualquer um entre os três atributos de Bondade, Paixão, e Ignorância que seja ocasionado pela influência de ações passadas, e por quaisquer entre eles que a mente esteja afetada no momento de qualquer maneira, os elementos (em suas formas sutis) manifestam ou indicam em conformidade (por meio de imagens). (O sentido é este: um atributo específico entre os três, isto é, Bondade, Paixão, ou Ignorância, é trazido à mente pela influência de atos passados desta ou de alguma vida anterior. Aquele atributo imediatamente afeta a mente de um modo definido. O resultado disso é que os elementos em suas formas sutis realmente produzem as imagens que correspondem com ou pertencem ao atributo que afeta e a maneira na qual ele afeta a mente.) Depois que as imagens foram assim produzidas, o atributo específico de Bondade ou Paixão ou Ignorância que pode ter sido trazido por ações passadas surge na mente e conduz ao seu último resultado, isto é, felicidade ou tristeza. Aquelas imagens tendo vento, bílis, e muco como suas causas principais, as quais os homens percebem por ignorância e por causa de propensões repletas de Paixão e Ignorância, não podem, é dito, ser facilmente descartadas. (Nada menos do que yoga pode descartá-las ou destruí-las, por elas realmente nascem de desejos gerados por atos passados.) Quaisquer objetos também que uma pessoa percebe na mente (enquanto desperta), através dos sentidos em um estado de clareza, são percebidos pela mente em sonhos enquanto os sentidos estão obscurecidos em relação às suas funções. A Mente existe livremente em todas as coisas. Isto é devido à natureza da Alma. A Alma deve ser compreendida. Todos os elementos e os objetos que eles compõem existem na Alma. (Os mundos externo e interno são devido à Consciência, a qual, por sua vez, nasce da ilusão afetando a Alma. Aquilo que é chamado de Mente é somente um produto da Alma. O mundo externo e interno é somente o resultado da Mente como explicado em capítulos anteriores. Por isso a Mente existe em todas as coisas. O que se quer dizer por todas as coisas existindo na Alma é que a Alma é onisciente e aquele que consegue conhecer a Alma ganha onisciência.) No estado chamado sono sem sonhos (sushupti), o corpo humano manifestado, o qual, é claro, é a porta dos sonhos, desaparece na mente. Ocupando o corpo a mente entra na alma, a qual é manifesta, e da qual todas as coisas existentes e inexistentes dependem, e vem a ser transformada em uma testemunha desperta com certeza de compreensão. Assim morando na Consciência pura que é a alma de todas as coisas; ela é considerada pelos eruditos como transcendendo a Consciência e todas as coisas no universo. (O corpo é chamado de porta dos sonhos porque o corpo é o resultado de ações passadas, e sonhos não podem ocorrer até que a Alma, através de atos passados, venha a estar envolvida em um corpo. O que se quer dizer pelo corpo desaparecendo na mente é que no sono sem sonhos a mente não mais retém qualquer percepção do corpo. O corpo estando assim perdido na mente, a mente (com o corpo perdido nela) entra na Alma, ou vem a ser recolhida nela. No sono sem sonhos os sentidos são recolhidos na mente, e a mente vem a ser recolhida na Alma. É somente a Alma que então vive em seu estado de pureza original, consciência e todas as coisas que procedem dela desaparecendo naquele momento.) Aquele yogin que por desejo cobiça algum dos atributos divinos (de Conhecimento ou Renúncia, etc.) deve considerar uma mente pura como idêntica com o objeto de seu desejo. Todas as coisas dependem de uma mente ou alma pura. (Isto é, a mente se tornando pura, ele ganha onisciência e onipotência.) Este é o resultado alcançado por alguém que é dedicado a penitências. Aquele yogin, no entanto, que atravessou a Escuridão ou Ignorância, se torna possuidor de esplendor transcendente. Quando a escuridão ou ignorância foi superada, a Alma incorporada se torna o Brahma Supremo, a causa do universo. As divindades têm penitências e ritos Védicos. Escuridão (ou orgulho e crueldade), que é destrutiva dos primeiros, é adotada pelos Asuras. Aquele, isto é, Brahma, o qual é citado como tendo somente o Conhecimento como seu atributo, é difícil de ser alcançado pelas divindades ou os Asuras. Deve ser conhecido que os atributos de Bondade, Paixão e Ignorância pertencem às divindades e aos Asuras. A Bondade é o atributo das divindades; enquanto que os dois outros pertencem aos Asuras. Brahma transcende todos aqueles atributos. Ele é Conhecimento puro. Ele é Imortalidade. Ele é pura refulgência. Ele é imperecível. Aquelas pessoas de almas purificadas que conhecem Brahma alcançam o fim mais sublime. Alguém que tem o conhecimento como seu olho pode dizer isso com a ajuda da razão e analogia. Brahma, que é indestrutível, pode ser compreendido somente por remover os sentidos e a mente (dos objetos externos dentro da própria alma, isto é, por Pratyahara).'" 217 "Bhishma disse, 'Não pode dizer que conhece Brahma aquele que não conhece os quatro tópicos (isto é, sonhos, sono sem sonhos, Brahma como indicado por atributos, e Brahma como transcendendo todos os atributos), como também o que é Manifesto (isto é, o corpo), e o que é Imanifesto (a Alma-Chit), o qual o grandioso Rishi (Narayana) descreveu como Tattwam. (Isto é, aquilo que existe em pureza original e não toma sua cor ou forma da mente.) Aquilo que é manifesto deve ser conhecido como sujeito à morte. Aquilo que é imanifesto (a Alma-Chit), deve ser conhecido como transcendente à morte. O Rishi Narayana descreveu a religião de Pravritti. Dela depende todo o universo com suas criaturas móveis e imóveis. A religião de Nivritti leva ao imanifesto e eterno Brahma. (A religião de Pravritti consiste em ações. Ela não pode libertar alguém do renascimento. Toda a cadeia de existências, sendo o resultado de ações, depende da religião de Pravritti. A religião de Nivritti, por outro lado, ou abstenção de ações, leva à Emancipação ou Brahma.) O Criador (Brahma) descreveu a religião de Pravritti. Pravritti implica renascimento ou retorno. Nivritti, por outro lado, implica o fim mais sublime. O asceta que deseja discernir com exatidão entre o bem e o mal, que está sempre decidido a compreender a natureza da Alma, e que se dedica à religião de Nivritti, alcança o fim sublime. Alguém desejoso de realizar isto deve conhecer o Imanifesto e Purusha dos quais eu logo falarei. (Avyakta ou Imanifesto é Prakriti ou matéria primordial grosseira e sutil.) Aquele (isto é, a Alma Suprema ou Brahma), também, que é diferente de ambos, do Imanifesto e Purusha, e que transcende os dois, e que é distinto de todos os seres, deve ser especialmente examinado por alguém possuidor de inteligência. Prakriti e Purusha são sem início e sem fim. Ambos não podem ser conhecidos por seus semelhantes. Ambos são eternos e indestrutíveis. Ambos são maiores do que os maiores (dos seres). Nisto eles são parecidos. Há pontos de dessemelhança entre eles. (Destes eu falarei agora). Prakriti está repleto dos três atributos (de Bondade, Paixão, e Ignorância). Ele está também engajado em criação. Os atributos verdadeiros de Kshetrajna (Purusha ou a Alma) devem ser conhecidos como diferentes. (Isto é, Purusha é não-criador e transcende os três atributos.) Purusha é o entendedor de todas as transformações de Prakriti (mas ele mesmo não pode ser compreendido). Ele transcende (em relação à sua natureza original) todos os atributos. Com relação ao Purusha e à Alma Suprema, ambos são incompreensíveis. Por ambos serem sem atributos pelos quais eles possam ser distinguidos, ambos são muito distintos de tudo mais. Uma pessoa com um turbante tem sua cabeça rodeada por três voltas de um pedaço de tecido. (A pessoa, no entanto, não é idêntica ao turbante que ela usa.) Do mesmo modo, a Alma incorporada é investida com as três qualidades de Bondade, Paixão, e Ignorância. Mas embora assim envolvida, a Alma não é idêntica àquelas qualidades. Então estes quatro tópicos, os quais estão cobertos por estas quatro considerações, devem ser compreendidos. (Os quatro tópicos são estes: os pontos de semelhança entre Prakriti e Purusha, os pontos de diferença entre eles, os pontos de semelhança entre Purusha e Iswara, e os pontos de diferença entre eles. As quatro considerações que cobrem estes tópicos são ausência de começo e fim, existência como chit e em animação, distinção de todas as outras coisas, e a noção de atividade.) Alguém que compreende tudo isso nunca fica estupefato quando ele tem que tirar conclusões (em relação a todos os assuntos de investigação). Quem está desejoso de alcançar a maior prosperidade deve se tornar puro em mente, e se dirigindo a práticas austeras em relação ao corpo e aos sentidos, deve se dedicar ao yoga sem desejo de resultados. O universo é permeado por poder yoga circulando secretamente por todas as partes dele e iluminando-o brilhantemente. O sol e a lua brilham com refulgência no firmamento do coração por poder yoga. O resultado de yoga é Conhecimento. Yoga é falado em termos muito elogiosos no mundo. Quaisquer atos que sejam destrutivos de Paixão e Ignorância constituem yoga em relação ao seu caráter real. Brahmacharya e abstenção de ferir são citados como constituindo yoga do corpo; enquanto controlar mente e fala apropriadamente são citados como constituindo o yoga da mente. O alimento que é obtido em esmolas de pessoas regeneradas conhecedoras do ritual é diferente de todos os outros alimentos. Por ingerir aquele alimento abstemiamente, os pecados de alguém, nascidos da Paixão, começam a enfraquecer. Um yogin que subsiste de tal alimento percebe seus sentidos gradualmente afastados de seus objetos. Então, ele deve pegar somente aquela quantidade de alimento que é estritamente necessária para o sustento de seu corpo. (Outro conselho que pode ser oferecido é que) aquele conhecimento que alguém obtém gradualmente pela mente dedicada ao yoga deve ser feito seu próprio alegremente durante seus últimos momentos por um enérgico esforço de poder. A Alma incorporada, quando privada de Rajas (isto é, livre dos sentidos e das propensões derivadas de sua indulgência, não alcança a Emancipação imediatamente mas) assume uma forma sutil com todos os sentidos de percepção e se move no espaço. Quando sua mente não é afetada pelas ações, ela, por tal renúncia (perde aquela forma sutil) e imerge em Prakriti (sem no entanto, ainda alcançar Brahma ou Emancipação a qual transcende Prakriti). Depois da destruição deste corpo grosseiro, alguém que por ausência de negligência escapa de todos os três corpos (isto é, o grosseiro, o sutil e o karana), consegue alcançar a Emancipação. (O corpo karana é uma forma de existência mais sutil do que o Linga-sarira.) O nascimento e morte de criaturas sempre dependem da causa constituída pela Ignorância original (ou Avidya). Quando nasce o conhecimento de Brahma, a necessidade não mais persegue a pessoa. Aqueles, no entanto, que aceitam o que é o oposto da verdade (por acreditarem que é Eu aquilo que realmente é não-Eu) são homens cujas compreensões estão sempre relacionadas com o nascimento e morte de todas as coisas existentes. (Tais pessoas nem sonham com a Emancipação.) (O objetivo do verso é mostrar que tais pessoas equivocadas que tomam o corpo, os sentidos, etc., todos os quais são não-Eu, como Eu, estão sempre envolvidas com a idéia de que as coisas morrem e nascem, mas que não há nada como emancipação ou uma fuga total do renascimento.) Mantendo seus corpos pela ajuda da paciência, afastando seus corações de todos os objetos externos pela ajuda de sua compreensão, e se afastando do mundo dos sentidos, alguns yogins adoram os sentidos por causa de sua sutileza. Alguns entre eles, com mente purificada por yoga, procedendo de acordo com (os estágios indicados nas) escrituras e alcançando o mais alto, conseguem conhecer pela ajuda da compreensão e morar naquele que é o mais sublime e que, sem se apoiar em outra coisa, depende de si mesmo. Alguns cultuam Brahma em imagens. Alguns cultuam Ele como existindo com atributos. Alguns repetidamente percebem a maior Divindade que é descrita como um lampejo de relâmpago e que é também indestrutível. Outros que têm queimado seus pecados por meio de penitências, alcançam Brahma no fim. Todas aquelas pessoas de grande alma obtêm o fim mais sublime. Com o olho da escritura alguém deve observar as qualidades sutis dessas várias formas, como diferenciadas por qualidades, de Brahma que são (assim) adoradas pelos homens. O yogin que transcendeu a necessidade de depender do corpo, que rejeitou todos os vínculos, e cuja mente está devotada à abstração yoga, deve ser conhecido como outro exemplo de Infinito, como a Divindade Suprema, ou como aquilo que é Imanifesto. Aqueles cujos corações são devotados à aquisição de conhecimento conseguem primeiro se libertar do mundo dos mortais. Posteriormente, por rejeitarem todos os vínculos eles compartilham da natureza de Brahma e finalmente alcançam o fim mais sublime.’” "Assim pessoas conhecedoras dos Vedas têm falado da religião que leva à realização de Brahma. Todos aqueles que seguem esta religião segundo a medida de seu conhecimento conseguem alcançar o fim grandioso. Mesmo aquelas pessoas que conseguem adquirir conhecimento que não pode ser abalado (por ataques de ceticismo) e que faz seus possuidores livres de vínculos de todos os tipos, alcançam várias regiões elevadas depois da morte e se tornam emancipados de acordo com a medida de seu conhecimento. Aquelas pessoas de corações puros que absorvem contentamento do conhecimento, e que abandonaram todos os desejos e apegos, gradualmente se aproximam mais e mais em relação à sua natureza, de Brahma que tem o imanifesto como seu atributo, que é divino, e sem nascimento e morte. Percebendo que Brahma mora em suas Almas, eles mesmos se tornam imutáveis e nunca têm que voltar (para a terra). Alcançando aquele estado supremo que é indestrutível e eterno, eles existem em bem-aventurança. O conhecimento com respeito a este mundo é exatamente este: ele existe (no caso de pessoas enganadas), e ele não existe (no caso daquelas que não ficaram entorpecidas pelo erro). O universo inteiro, em ligação estreita com o desejo, está girando como uma roda. Como as fibras de um caule de lótus se espalham por todas as parte do caule, da mesma maneira as fibras do desejo, que não tem início nem fim, se espalham sobre todas as partes do corpo. Como um tecelão lança seus fios em um tecido por meio de sua lançadeira, do mesmo modo os fios que constituem o tecido do universo são tecidos pela lançadeira do Desejo. Quem conhece devidamente as transformações de Prakriti, a própria Prakriti e Purusha, se torna livre do Desejo e alcança a Emancipação. O divino Rishi Narayana, aquele refúgio do universo, por compaixão por todas as criaturas, promulgou claramente estes meios para a conquista da imortalidade.'" 218 "Yudhishthira disse, 'Por seguir qual conduta, ó tu que conheces todos os rumos de conduta, Janaka, o soberano de Mithila, versado na religião da Emancipação, conseguiu alcançar a Emancipação, depois de rejeitar todos os prazeres mundanos?'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a antiga narrativa da conduta específica pela qual aquele soberano, totalmente familiarizado com todas as direções de conduta, conseguiu alcançar a maior felicidade. Havia um soberano em Mithila de nome Janadeva da linhagem de Janaka. Ele estava sempre empenhado em refletir sobre as direções de conduta que podiam levar à realização de Brahma. Uma centena de preceptores sempre costumava viver em seu palácio, ensinando-o sobre os diversos rumos de dever seguidos pelas pessoas que tinham se dirigido para diversos modos de vida. Dado ao estudo dos Vedas, ele não estava muito satisfeito com as especulações de seus instrutores sobre o caráter da Alma, e com suas doutrinas de extinção após a dissolução do corpo ou de renascimento depois da morte. Uma vez um grande asceta de nome Panchasikha, o filho de Kapila, tendo vagado pelo mundo inteiro, chegou a Mithila. Dotado de conclusões corretas em relação a todas as especulações acerca dos diversos deveres ligados à renúncia, ele estava acima de todos os pares de opostos (tais como calor e frio, felicidade e tristeza), e de dúvidas ele não tinha nenhuma. Ele era considerado como o principal dos Rishis. Morando onde quer que lhe agradasse, ele desejava colocar ao alcance de todos os homens a felicidade eterna que é tão difícil de ser alcançada. Parecia que ele vagava, maravilhando o mundo, tendo assumido a forma de ninguém mais do que aquele grande Rishi, aquele senhor de criaturas, a quem os seguidores da doutrina Sankhya conheciam pelo nome de Kapila. Ele era o principal de todos os discípulos de Asuri e era chamado de eterno. Ele tinha realizado um Sacrifício mental que tinha durado por mil anos. Ele era firme em mente, e tinha completado todos os ritos e sacrifícios que são ordenados nas escrituras e que levam à realização de Brahma. Ele conhecia totalmente os cinco revestimentos que cobrem a alma. (Estes são o annamaya, o pranamaya, o manomaya, o vijnanamaya, e o anandamaya.) Ele era dedicado aos cinco atos ligados com a adoração de Brahma, e tinha as cinco qualidades (de tranquilidade, autodomínio, etc.). Conhecido (como eu já disse) pelo nome de Panchasikha, ele se aproximou um dia de uma grande multidão de Rishis que seguiam as doutrinas Sankhya e perguntou a eles acerca do mais alto objeto de aquisição humana, isto é, o Imanifesto ou aquele do qual os cinco Purushas ou coberturas (já citadas) dependem. Para obter um conhecimento da Alma, Asuri tinha questionado seu preceptor. Pelas instruções do último e por suas próprias penitências, Asuri compreendia a diferença entre corpo e Alma e tinha adquirido visão divina. Naquela assembleia de ascetas, Asuri fez sua exposição do Único Imutável, e Indestrutível Brahma que é visto em diversas formas. Panchasikha se tornou um discípulo de Asuri. Ele vivia de leite humano. Havia certa Brahmani de nome Kapila. Ela era a esposa de Asuri. Panchasikha foi aceito por ela como um filho e ele costumava sugar seus peitos. Por isto, ele veio a ser conhecido como o filho de Kapila e sua compreensão se tornou fixa em Brahma. Tudo isso, acerca das circunstâncias de seu nascimento e daquelas que o levaram a se tornar o filho de Kapila, foi dito para mim pelo Rishi divino (Markandeya ou Sanatkumara). O último também me contou sobre a onisciência de Panchasikha. Conhecedor de todos os cursos de dever, Panchasikha, depois de ter adquirido conhecimento excelente, (se aproximou de Janaka) e sabendo que aquele rei tinha reverência igual por todos os seus preceptores, começou a assombrar aquela centena de preceptores (por uma exposição de sua doutrina repleta) de razões abundantes. Observando o talento de Kapileya, Janaka se tornou extremamente ligado a ele, e, abandonando seus cem preceptores, começou a segui-lo especialmente. Então Kapileya começou a discursar para Janaka, que tinha, de acordo com a ordenança, curvado sua cabeça para ele (como um discípulo deve), e que era totalmente competente para compreender as instruções do sábio sobre aquela elevada religião de Emancipação, a qual é explicada em tratados Sankhya. Demonstrando em primeiro lugar as tristezas do nascimento, ele falou em seguida das tristezas dos atos (religiosos). Tendo terminado aquele tópico ele explicou as tristezas de todos os estados de vida terminando mesmo com aquele na região superior do Criador. (A doutrina Sankhya procede da hipótese que todos os estados de vida contêm tristeza. Encontrar um remédio para isso, isto é, escapar permanentemente de toda tristeza, é o objetivo daquela filosofia.) Ele também falou daquela Ilusão por cuja causa há a prática de religião, e ações, e seus frutos, e que é muito indigna de confiança, destrutível, instável, e incerta. (Estas são as características daquela Ilusão sob a qual o homem toma nascimento neste mundo e continua vivendo até que ele possa conquistar permanentemente toda tristeza.) ‘Céticos dizem que quando a morte (do corpo) é vista e é uma questão de evidência direta testemunhada por todos, aqueles que afirmam, por sua fé nas escrituras, que alguma coisa distinta do corpo, chamada de Alma, existe, são necessariamente vencidos em discussão. Eles também argumentam que a morte de alguém significa a extinção de sua Alma, e que tristeza, velhice, e doença implicam morte (parcial) da Alma. Aquele que afirma, devido ao erro, que a Alma é distinta do corpo e existe depois da perda do corpo, nutre uma opinião que é irracional. Se for considerado como existente aquilo que realmente não existe no mundo, então pode ser mencionado que o rei, sendo considerado dessa maneira, nunca está realmente sujeito à velhice ou morte. Mas se acredita, por causa disso, que ele esteja realmente acima da velhice e da morte? (Este e todos os versos seguintes são afirmações dos argumentos dos céticos.) Quando a questão é se um objeto existe ou não existe, e quando aquele cuja existência é afirmada apresenta todas as indicações de não existência, o que é aquilo no qual as pessoas comuns confiam em determinar os assuntos da vida? A evidência direta é a base das inferências e das escrituras. As escrituras podem ser contestadas pela evidência direta. Quanto à inferência, seu efeito comprobatório não é muito. Qualquer que seja o assunto, este cessa de apresentar razões só pela inferência. Não há nada mais chamado de jiva além deste corpo. Em uma semente de banian está contida a capacidade para produzir folhas e flores e frutas e raízes e cascas. Da grama e água que são ingeridos por uma vaca são produzidos leite e manteiga, substâncias cuja natureza é diferente daquela das causas produtoras. Substâncias de diferentes espécies, quando permitidas se decomporem em água por algum tempo, produzem bebidas alcoólicas cuja natureza é bastante diferente daquela das substâncias que as produzem. Da mesma maneira, da semente vital é produzido o corpo e suas qualidades, com a compreensão, consciência, mente, e outras posses. Dois pedaços de madeira, friccionados, produzem fogo. A pedra chamada Suryakanta, entrando em contato com os raios do Sol, produz fogo. Qualquer substância metálica sólida, aquecida em fogo, seca a água quando entra em contato com ela. Similarmente, o corpo material produz a mente e seus atributos de percepção, memória, imaginação, etc. Como a pedra ímã move o ferro, da mesma maneira, os sentidos são controlados pela mente. Assim argumentam os céticos. Os céticos, no entanto, estão em erro. Pois o desaparecimento (somente da força animante) após o corpo se tornar sem vida, (e não a extinção simultânea do corpo após a ocorrência daquele evento) é a prova (da verdade que o corpo não é a Alma mas que a Alma é algo separado do corpo e sobrevive a ele sem dúvida. Se, de fato, corpo e Alma fossem a mesma coisa, ambos desapareciam no mesmo instante de tempo. Em vez disso, o corpo morto pode ser visto por algum tempo depois da ocorrência da morte. A morte, portanto, significa a fuga do corpo de alguma coisa que é diferente do corpo). A petição às divindades pelos próprios homens que negam a existência separada da Alma é outro bom argumento para a afirmação de que a Alma é separada do corpo ou tem existência que pode ser independente de um invólucro material grosseiro. As divindades para quem aqueles homens rezam não podem ser vistas ou tocadas. Acredita-se que elas existam em forma sutil. (Realmente, se uma crença em divindades desprovidas de formas materiais grosseiras não prejudica sua razão, por que somente a existência de uma Alma imaterial deveria fazer tal dano à sua razão?) Outro argumento contra o cético é que sua afirmação sugere uma destruição das ações (pois se corpo e Alma morrem juntos, as ações desta vida também pereceriam, uma conclusão à qual nenhum homem possivelmente pode chegar se ele tem que explicar as desigualdades ou condições testemunhadas no universo). Aqueles que têm sido mencionados, e que têm formas materiais, não podem possivelmente ser as causas (da Alma imaterial e seus acompanhamentos imateriais de percepção, memória, e semelhantes). A identidade de existências imateriais com objetos que são materiais não pode ser compreendida. (Por isso objetos que são eles mesmos materiais não podem ser de nenhuma maneira causas para a produção de coisas imateriais.) Alguns são de opinião que há renascimento e que isso é causado pela Ignorância, desejo de agir, cobiça, negligência, e aderência a outras imperfeições. Eles dizem que Ignorância (Avidya) é a alma. Ações constituem a semente que é colocada naquele solo. O Desejo é a água que faz aquela semente crescer, desse modo eles explicam o renascimento. Eles afirmam que aquela ignorância estando arraigada de um modo imperceptível, um corpo mortal sendo destruído, outro vem imediatamente dele; e que quando ela é queimada pela ajuda do conhecimento, a destruição da própria existência se segue ou a pessoa obtém o que é chamado de Nirvana. Essa opinião também é errônea. [Essa é a doutrina dos budistas.] Pode ser questionado que quando o ser que é assim renascido é um diferente em relação à sua natureza, nascimento, e propósitos ligados à virtude e vício, por que então eu devo ser considerado como tendo alguma identidade com o ser que era? De fato, a única inferência que pode ser retirada é que a série inteira de existências de um ser específico não é realmente uma corrente de elos conectados (mas aquelas existências em sucessão não são conectadas umas com as outras). (A objeção à teoria budista é que mera ignorância e karma não podem explicar o renascimento. Deve haver uma Alma indestrutível. Isto os budistas não reconhecem, pois eles acreditam que Nirvana ou aniquilação é possível. A argumentação, como esboçada, procede dessa maneira: o ser que é o resultado do renascimento é aparentemente um ser diferente. Que direito nós temos de afirmar sua identidade com o ser que existia antes? Ignorância e karma não podem criar uma Alma embora eles possam afetar os circundantes da Alma em seu novo nascimento.) Então, além disso se o ser que é o resultado de um renascimento for realmente diferente daquele que ele era em uma fase prévia de existência, pode ser perguntado que satisfação pode surgir para uma pessoa do exercício da virtude da caridade, ou da aquisição de conhecimento ou de poder ascético, já que as ações realizadas por alguém vão se concentrar sobre outra pessoa em outra fase de existência (sem o próprio realizador sendo existente para desfrutar delas?) Outro resultado da doutrina sob refutação seria que alguém nesta vida poderia ser tornado miserável pelas ações de outro em uma vida prévia, ou tendo se tornado miserável poderia se tornar feliz. Por ver, no entanto, o que realmente acontece no mundo, uma conclusão apropriada pode ser retirada em relação ao não visto. (O sentido é este: nunca é visto no mundo que os atos de uma pessoa afetam para o bem ou para o mal outra pessoa. Se Chaitra se expõe ao ar noturno, Maitra nunca pega resfriado por isso. Essa evidência direta deve decidir a controvérsia a respeito do não visto, isto é, se os atos de alguém em uma vida anterior podem afetar outra em uma vida subsequente se não houver identidade entre os dois seres em duas vidas.) A Consciência separada que é o resultado do renascimento é (segundo o que pode ser inferido da teoria de vida budista), diferente da Consciência que a precedeu em uma vida anterior. A maneira, no entanto, na qual a elevação ou aparecimento daquela Consciência separada é explicada por aquela teoria não parece ser consistente ou razoável. A Consciência (como ela existia na vida anterior) era o próprio oposto de eterna, sendo somente transitória, se estendendo como ela se estendeu até a dissolução do corpo. Aquilo que teve um fim não pode ser considerado como a causa para a produção de uma segunda Consciência aparecendo depois da ocorrência do fim. Se, além disso, a própria perda da Consciência anterior for considerada como a causa da produção da segunda Consciência, então após a morte de um corpo humano ser ocasionada por uma clava pesada, um segundo corpo surgiria do corpo que foi assim privado de animação. Mais uma vez, sua doutrina da extinção da vida (ou Nirvana ou Sattwasankshaya) está exposta à objeção que aquela extinção se tornará um fenômeno periódico como aquele das estações, ou o ano, ou o yuga, ou calor, ou frio, ou objetos que são agradáveis ou desagradáveis. (Se, como já foi dito, a segunda Consciência for o efeito resultante da perda ou da própria destruição da Consciência anterior, então destruição não é aniquilação, e, necessariamente, depois que o Nirvana foi uma vez alcançado, pode haver uma nova Consciência ou nascimento, e, dessa maneira, depois de ter alcançado o Nirvana o mesmo resultado pode se seguir. O Nirvana budista, portanto, não pode levar àquela Emancipação final que é indicada nas escrituras Brahmânicas.) Se, para o propósito de evitar essas objeções, os seguidores desta doutrina afirmam a existência de uma Alma que é permanente e à qual cada nova Consciência se vincula, eles se expõe à nova objeção que aquela substância permanente, por ser dominada pela decrepitude, e pela morte que ocasiona destruição, pode com o tempo ser ela mesma enfraquecida e destruída. Se os suportes de uma mansão são enfraquecidos pelo tempo, a própria mansão com certeza cairá finalmente. (Os budistas então, de acordo com este argumento, não são beneficiados em absoluto por afirmarem a existência de uma Alma permanente à qual cada Consciência repetida pode inerir. A Alma, segundo as escrituras Brahmânicas, não tem atributos ou posses. Ela é eterna, imutável, e independente de todos os atributos. A afirmação de atributos com respeito à Alma leva diretamente à inferência de sua destrutibilidade, e então a asserção de sua permanência ou indestrubilidade sub tais condições é uma contradição em termos, de acordo com o que é frisado neste verso.) Os sentidos, a mente, vento, sangue, carne, ossos (e todos os constituintes do corpo), um depois do outro, encontram com a destruição e entram cada um em sua própria causa produtiva. (O comentador explica que o objetivo deste verso é mostrar que os sentidos, quando destruídos, imergem em suas causas produtivas ou nas substâncias das quais eles são atributos. É claro, aquelas causas ou substâncias são os elementos ou matéria primordial. Isso leva à inferência que embora atributos possam encontrar destruição, contudo as substâncias (das quais eles são atributos) podem permanecer intactas. Isso pode salvar a doutrina budista, pois a Alma, sendo permanente e possuindo consciência, etc., como seus atributos, pode sobreviver, como a matéria primordial, à destruição de seus atributos. Mas o orador frisa que esta doutrina não é filosófica e que a analogia não durará. Substância é combinação de atributos. Os atributos sendo destruídos, a substância também é destruída. Na filosofia européia também, a matéria, como uma essência desconhecida à qual extensão, divisibilidade, etc., são inerentes, não é mais acreditada ou considerada como científica.) Se também for afirmada a existência de uma Alma eterna que é imutável, que é o refúgio da compreensão, consciência, e outros atributos do tipo comum, e que é dissociada de todos esses, tal afirmação estaria exposta a uma séria objeção, pois então tudo o que é usualmente feito no mundo seria sem sentido, especialmente com referência à obtenção dos resultados da caridade e outras ações religiosas. Todas as declarações nos Srutis incitando àquelas ações, e todas as ações ligadas à conduta de homens no mundo seriam igualmente sem sentido, pois a Alma sendo dissociada da compreensão e da mente, não haveria alguém para desfrutar dos resultados das boas ações e ritos Védicos. (Aqui o orador ataca a doutrina brahmânica ortodoxa do caráter da Alma.) Assim diversos tipos de especulações surgem na mente. Se esta opinião está certa ou errada, não há meios de determinar. Empenhadas em refletir sobre aquelas opiniões, certas pessoas seguem linhas específicas de especulação. As compreensões destas pessoas, dirigidas para teorias específicas, se tornam totalmente relacionadas com elas e são finalmente totalmente perdidas nelas. Dessa maneira todos os homens são tornados miseráveis por buscas, boas ou más. Os Vedas, por trazê-los de volta ao caminho correto, os guiam por ele, como tratadores conduzindo seus elefantes. Muitos homens, com mentes enfraquecidas, cobiçam objetos que estão repletos de grande felicidade. Eles, no entanto, logo têm que encontrar com uma medida muito grande de tristeza, e então, forçosamente arrancados de sua carne cobiçada, eles têm reconhecer o domínio da morte. Que utilidade tem alguém que está destinado à destruição e cuja vida é instável, de parentes e amigos e esposas e outras posses desse tipo? Aquele que encontra a morte depois de ter rejeitado todos estes sai facilmente do mundo e nunca tem que retornar. Terra, espaço, água, calor e vento, sempre nutrem e mantêm o corpo. Refletindo sobre isto, como alguém pode sentir alguma afeição por seu corpo? De fato, o corpo, que está sujeito à destruição, não tem alegria nele.’ Tendo ouvido essas palavras de Panchasikha que eram livres de engano, não relacionadas com ilusão (porque desencorajavam sacrifícios e outros atos Védicos), altamente salutares, e tratando da Alma, o rei Janadeva ficou muito admirado, e se preparou para se dirigir ao Rishi mais uma vez.'" 219 "Bhishma disse, 'Janadeva da linhagem de Janaka, assim instruído pelo grande Rishi Panchasikha, mais uma vez o questionou sobre o assunto da existência ou não existência depois da morte.'” "Janadeva disse, 'Ó ilustre, se nenhuma pessoa retém qualquer conhecimento depois de partir deste estado de existência, se, de fato, isto é verdade, onde então está a diferença entre Ignorância e Conhecimento? O que nós ganhamos então pelo conhecimento e o que nós perdemos pela ignorância? Veja, ó principal das pessoas regeneradas, que se a Emancipação for desta maneira, então todos os atos e votos religiosos terminam somente em aniquilação. De que utilidade seria então a distinção entre atenção e negligência? Se Emancipação significa separação de todos os objetos de gozo aprazível ou uma associação com objetos que não são duradouros, por que então homens nutririam um desejo por ação, ou, tendo se aplicado à ação, continuariam a planejar os meios necessários para a realização de fins desejados? Qual então é a verdade (com relação a este tópico)?'” "Bhishma continuou, 'Vendo o rei envolvido em uma densa escuridão, estupefato pelo erro, e desamparado, o erudito Panchasikha o tranquilizou por se dirigir a ele mais uma vez nas seguintes palavras, 'Nisto (Emancipação) a consumação não é Extinção. Nem aquela consumação é algum tipo de Existência (que alguém possa conceber facilmente). Isso que nós vemos é uma união de corpo, sentidos, e mente. Existindo independentemente como também controlando uns aos outros, estes seguem agindo. Os materiais que constituem o corpo são água, espaço, vento, calor, e terra. Estes existem juntos (formando o corpo) de acordo com sua própria natureza. Eles se separam também segundo sua própria natureza. Espaço e vento e calor e água e terra, estes cinco objetos em um estado de união constituem o corpo. O corpo não é um elemento. Inteligência, calor estomacal, e os ares vitais, chamados Prana, etc., que são todos vento, estes três são citados como os órgãos de ação. Os sentidos, os objetos dos sentidos (isto é, som, forma, etc.), o poder (morando naqueles objetos) pelo qual eles se tornam capazes de serem percebidos, as faculdades (residentes nos sentidos) pelas quais eles conseguem percebê-los, a mente, os ares vitais chamados Prana, Apana e o resto, e os vários sucos e líquidos orgânicos que são os resultados dos órgãos digestivos, fluem dos três órgãos já citados. (Os cinco primeiros são os efeitos da inteligência; os ares vitais, do vento; e os sucos e líquidos, do calor estomacal.) Audição, tato, paladar, visão, e olfato, estes são os cinco sentidos. Eles derivam seus atributos da mente a qual, de fato, é sua causa. A mente, existindo como um atributo de Chit, tem três estados, isto é, prazer, dor, e ausência de ambos. Som, tato, forma, gosto, cheiro, e os objetos aos quais eles inerem, estes até o momento da morte são as causas da produção do conhecimento de alguém. Dos sentidos dependem todas as ações (que levam ao céu), como também a renúncia (levando à obtenção de Brahma), e também a averiguação da verdade em relação a todos os tópicos de investigação. Os eruditos dizem que a averiguação (da verdade) é o maior objetivo da existência, e que ela é a semente ou base da Emancipação; e, com relação à Inteligência, eles dizem que ela leva à Emancipação e Brahma. Aquela pessoa que considera esta união de atributos perecíveis (chamada de corpo e de objetos dos sentidos) como a Alma, sente, por tal imperfeição de conhecimento, muita miséria que também vem a ser interminável. Aquelas pessoas, por outro lado, que consideram todos os objetos mundanos como não-Alma, e que por causa disso cessam de ter qualquer afeição ou atração por eles, nunca têm que sentir qualquer tristeza, pois a tristeza no caso delas carece de alguma fundação sobre a qual se apoiar. Em relação a isto existe o ramo inigualável de conhecimento que trata da Renúncia. Ele é chamado de Samyagradha. Eu te falarei sobre ele. Escute a isto por causa de tua Emancipação. A renúncia das ações é (prescrita) para todas as pessoas que se esforçam seriamente pela Emancipação. Aqueles, no entanto, que não foram ensinados corretamente (e que por causa disso acham que tranquilidade pode ser obtida sem renúncia) têm que aguentar uma carga pesada de tristeza. Sacrifícios Védicos e outros ritos existem para a renúncia de riqueza e outras posses. Para a renúncia de todos os prazeres existem votos e jejuns de diversos tipos. Para renúncia do prazer e felicidade existem penitências e yoga. A renúncia, no entanto, de tudo, é o tipo mais elevado de renúncia. Isso que eu agora te direi é o único caminho indicado pelos eruditos para aquela renúncia de tudo. Aqueles que se dirigem para aquele caminho (que consiste em yoga) conseguem rechaçar toda tristeza. Aqueles, no entanto, que se desviam dele colhem angústia e miséria. Falando primeiro dos cinco órgãos de conhecimento tendo a mente como o sexto, todos os quais residem na compreensão, eu irei te falar dos cinco órgãos de ação tendo a força como seu sexto. As duas mãos constituem dois órgãos de ação. As duas pernas são os dois órgãos para se mover de um lugar para outro. O órgão sexual existe para o prazer e a continuação da espécie. O ducto inferior, levando do estômago para baixo, é o órgão para a expulsão de toda a matéria usada. Os órgãos de expressão vocal existem para a expressão de sons. Saiba que estes cinco órgãos de ação concernem ou pertencem à mente. Estes são os onze órgãos de conhecimento e de ação (contando a mente). Alguém deve rapidamente rejeitar a mente com a compreensão. (Por rejeitar a mente alguém rejeita os cinco órgãos de ação. Por rejeitar sua compreensão, alguém rejeita os órgãos de conhecimento com a mente.) No ato de ouvir, três causas devem existir juntas, isto é, dois ouvidos, som, e a mente. O mesmo é o caso com a percepção de tato; o mesmo com aquela de forma; o mesmo com aquela de paladar e olfato. (Isto é, em cada uma dessas operações três causas devem existir juntas.) Estes quinze acidentes ou atributos são necessários para os vários tipos de percepção indicados. Todo homem, por causa deles, fica consciente de três coisas separadas a respeito daquelas percepções (isto é, um órgão material, sua função específica, e a mente sobre a qual aquela função age). Há também (em relação a todas as percepções da mente) três classes, isto é, aquelas que concernem à Bondade, aquelas que concernem à Paixão, e aquelas que concernem à Ignorância. Nelas passam três tipos de consciência, incluindo todos os sentimentos e emoções. Êxtases, satisfação, alegria, felicidade, e tranquilidade, surgindo na mente de alguma causa perceptível ou na ausência de qualquer causa aparente, pertencem ao atributo de Bondade. Descontentamento, desgosto, angústia, cobiça, e disposição para a vingança, sem causa ou ocasionados por alguma causa perceptível, são as indicações do atributo conhecido como Paixão. Julgamento errado, entorpecimento, negligência, sonhos, e sonolência, embora causados, pertencem ao atributo de Ignorância. Qualquer estado de consciência que exista, com respeito ao corpo ou à mente, unido com alegria ou satisfação, deve ser considerado como devido à qualidade de Bondade. Qualquer estado de consciência que exista unido com algum sentimento de descontentamento ou tristeza deve ser considerado como ocasionado por uma acessão do atributo de Paixão na mente. Qualquer estado, em relação ao corpo ou à mente, que exista com erro ou negligência, deve ser conhecido como indicativo de Ignorância a qual é incompreensível e inexplicável. O órgão de audição depende do espaço; ele é o próprio espaço (sob limitações); (o som tem aquele órgão como seu refúgio). (O som, portanto, é uma modificação do espaço.) Em perceber som, alguém pode não adquirir imediatamente um conhecimento do órgão de audição e do espaço. Mas quando som é percebido, o órgão de audição e espaço não permanecem desconhecidos por muito tempo. (Por destruir o ouvido, som e espaço podem ser destruídos; e, finalmente, por destruir a mente tudo pode ser destruído.) O mesmo é o caso com a pele, os olhos, a língua, e o nariz constituindo o quinto. Eles existem em tato, forma, gosto, e cheiro. Eles constituem a faculdade de percepção e eles são a mente. (A inferência é que as funções sendo destruídas, os órgãos são destruídos, e a mente também é destruída, ou, a mente sendo destruída, todos são destruídos.) Cada um empenhado em sua própria função específica, todos os cinco órgãos de ação e os cinco outros de conhecimento existem juntos, e após a união dos dez a mente reside como o décimo primeiro e sobre a mente a compreensão como o décimo segundo. Se for dito que estes doze não existem juntos, então a consequência que resultaria seria a morte no sono sem sonhos. Mas como não há morte no sono sem sonhos, deve ser admitido que estes doze existem juntos em relação a si mesmos mas separadamente da Alma. A coexistência desses doze com a Alma, que é aludida em linguagem comum é somente uma forma comum de falar com os incultos para propósitos comuns no mundo. O sonhador, pelo aparecimento de impressões sensuais passadas, se torna consciente de seus sentidos em suas formas sutis, e dotado como ele já é dos três atributos (de bondade, paixão, e ignorância), ele considera seus sentidos como existindo com seus respectivos objetos e, portanto, age e se move com um corpo imaginário do mesmo modo que sua própria pessoa enquanto desperta. Esta separação da Alma da compreensão e da mente com os sentidos (resultado do sono sem sonhos), que desaparece rapidamente, que não tem estabilidade, e que a mente faz surgir somente quando influenciada pela ignorância, é a felicidade que partilha, como os eruditos dizem, da natureza da ignorância e é experimentada somente neste corpo grosseiro. (A felicidade da Emancipação seguramente difere dela.) Sobre a felicidade da Emancipação também, a felicidade a qual é despertada pelo ensino inspirado dos Vedas e na qual ninguém vê a menor traço de tristeza, a mesma ignorância indescritível e que esconde a verdade parece se espalhar (como no sono sem sonhos, mas na verdade a felicidade da Emancipação não é maculada pela ignorância). Como o que ocorre no sono sem sonhos, na Emancipação também, existências subjetivas e objetivas (de Consciência dos objetos dos sentidos, todos incluídos), que têm sua origem nas ações de uma pessoa, são todas descartadas. Em alguns, que são oprimidos por Avidya, elas existem, firmemente enxertadas com eles. Para outros que transcenderam Avidya e ganharam conhecimento, elas nunca vêm em nenhum momento. Aqueles que estão familiarizados com especulações acerca do caráter de Alma e não-Alma, dizem que esta soma total (dos sentidos, etc.) é o corpo (kshetra). Aquela coisa existente que se baseia na mente é chamada de Alma (kshetrajna). Quando tal é o caso, e quando todas as criaturas, pela causa bem conhecida (que consiste em ignorância, desejo, e ações cujo início não pode ser concebido), existem, devido também à sua natureza primária (a qual é um estado de união entre corpo e Alma), (deste dois) qual então é destrutível, e como pode aquele, (isto é, a Alma), que é citado como sendo eterno, sofrer destruição? Como pequenos rios caindo em maiores perdem suas formas e nomes, e os maiores (assim aumentados) chegando ao oceano, perdem suas formas e nomes também, do mesmo modo ocorre aquela forma de extinção de vida chamada Emancipação. (Isto é, o corpo grosseiro desaparece no sutil, o sutil na forma de existência potencial (karana), e este último na Alma Suprema.) Sendo este o caso, quando jiva o qual é caracterizado por atributos, é recebido dentro da Alma Universal, e quando todos os seus atributos desaparecem, como ele pode ser objeto de menção por diferenciação? Alguém que conhece aquela compreensão que é dirigida para a realização da Emancipação e que procura atentamente conhecer a Alma, nunca é maculado pelos maus resultados de suas ações, assim como uma folha de lótus, embora mergulhada em água, nunca é molhada por ela. Quando alguém se torna livre dos vínculos muito fortes, muitos em número, ocasionados por afeição por filhos e cônjuges e amor por sacrifícios e outros ritos, quando alguém rejeita alegria e tristeza e transcende todas as atrações, ele então alcança o fim mais sublime e entrando na Alma Universal se torna incapaz de diferenciação. Quando uma pessoa compreendeu as declarações dos Srutis que levam a inferências corretas (sobre Brahma) e tem praticado aquelas virtudes auspiciosas que as mesmas e outras escrituras inculcam, ela pode se deitar em paz, desprezando os medos de velhice e morte. Quando ambos, méritos e pecados desaparecem, e os resultados, na forma de alegria e tristeza, surgidos deles, são destruídos, os homens, livres de tudo, se refugiam primeiro em Brahma investido com personalidade, e então contemplam Brahma impessoal em suas compreensões. Jiva no curso de sua descida sob a influência de Avidya vive aqui, (dentro de sua cela formada por ações), da mesma maneira de um bicho da seda residindo dentro de sua cela feita de fios tecidos por si mesmo. Como o bicho da seda livre que abandona sua cela, jiva também abandona sua casa gerada por suas ações. O resultado final que ocorre é que suas tristezas são então destruídas como um torrão de terra caindo com violência sobre uma massa rochosa. Como o Ruru rejeitando seus chifres velhos ou a cobra abandonando sua pele segue em frente sem atrair qualquer atenção, do mesmo modo uma pessoa que não é apegada rejeita todas as suas tristezas. Como uma ave abandona uma árvore que está prestes a cair sobre a água e assim se separando dela pousa em um (novo) lugar de descanso, do mesmo modo a pessoa livre de vínculos rejeita alegria e tristeza e dissociada até de suas formas sutis e mais sutis alcança aquele fim que é repleto da maior prosperidade. Seu próprio antepassado Janaka, ó chefe de Mithila, vendo esta cidade queimando em uma conflagração, proclamou, 'Neste incêndio nada meu está queimando'.’ O rei Janadeva, tendo escutado estas palavras capazes de produzir imortalidade e proferidas por Panchasikha, e chegando à verdade depois de refletir cuidadosamente sobre tudo o que o último tinha dito, rejeitou suas tristezas e viveu no desfrute de grande felicidade. Aquele que lê este discurso, ó rei, que trata de emancipação, e que sempre reflete sobre ele, nunca é atormentado por qualquer calamidade, e, livre da tristeza, alcança a emancipação como Janadeva, o soberano de Mithila, depois de seu encontro com Panchasikha.'" 220 "Yudhishthira disse, 'Por fazer o que alguém obtém felicidade, e o que é aquilo que por fazer o qual alguém encontra com aflição? O que também é aquilo, ó Bharata, por fazer o qual alguém se torna livre do medo e permanece aqui coroado com sucesso (em relação aos objetivos da vida)?'” "Bhishma disse, 'Os antigos que tinham suas compreensões dirigidas para os Srutis louvavam altamente o dever de autodomínio para todas as classes em geral mas para os Brahmanas em especial. Sucesso em relação a ritos religiosos nunca ocorre no caso de alguém que não é autocontrolado. Ritos religiosos, penitências, veracidade, todos estes estão estabelecidos no autodomínio. O autodomínio aumenta a energia de alguém. O autodomínio é citado como sagrado. O homem de autodomínio se torna impecável e destemido e obtém grandes resultados. Alguém que é autocontrolado dorme alegremente e acorda alegremente. Ele permanece alegremente no mundo e sua mente sempre permanece contente. Todo tipo de excitamento é controlado calmamente pelo autodomínio. Alguém que não é autocontrolado fracassa em um esforço parecido. O homem de autodomínio olha para seus inúmeros inimigos (na forma de luxúria, desejo, e raiva, etc.), como se eles morassem em um corpo separado. Como tigres e outros animais carnívoros, pessoas desprovidas de autodomínio sempre inspiram todas as criaturas com medo. Para controlar esses homens, o Nascido por Si Mesmo (Brahman) criou reis. Em todos os (quatro) modos de vida, a prática de autodomínio é eminente sobre todas as outras virtudes. Os resultados do autodomínio são muito maiores do que aqueles obteníveis em todos os modos de vida. Eu agora mencionarei para ti as indicações daquelas pessoas que apreciam muito o autodomínio. Elas são nobreza, disposição tranquila, contentamento, fé, generosidade, simplicidade invariável, ausência de loquacidade, humildade, reverência por superiores, benevolência, compaixão por todas as criaturas, franqueza, abstenção de conversa sobre reis e homens em autoridade, de todas as conversas falsas e inúteis, e de louvores e críticas a outros. O homem autocontrolado se torna desejoso de emancipação e, suportando quietamente alegrias e aflições atuais, nunca se alegra ou deprime pelas (alegrias e aflições) aguardadas. Desprovido de desejo de vingança e de todos os tipos de fraude, e inalterado por elogio e crítica, tal homem é bem comportado, tem boas maneiras, é puro de alma, tem firmeza ou constância, e é um mestre perfeito de suas paixões. Recebendo honras neste mundo, tal homem na vida após a morte vai para o céu. Fazendo todas as criaturas adquirirem o que elas não poderiam adquirir sem sua ajuda, tal homem se regozija se torna feliz. (Dar alimento e roupas para os pobres e necessitados em tempos de escassez é referido aqui.) Dedicado à benevolência universal, tal homem nunca nutre animosidade por alguém. Tranquilo como o oceano em uma calma sem movimento, a sabedoria enche sua alma e ele nunca está alegre. Possuidor de inteligência, e merecedor de reverência universal, o homem de autodomínio nunca sente medo de alguma criatura e não é temido por alguma criatura em retorno. Aquele homem que nunca se regozija nem com grandes aquisições e que nunca sente tristeza quando oprimido pela calamidade, é citado como sendo possuidor de sabedoria contente. Tal homem é considerado como autocontrolado. De fato, tal homem é citado como um ser regenerado. Versado nas escrituras e dotado de uma alma pura, o homem de autodomínio, realizando todas aquelas ações que são feitas pelos bons, desfruta de seus resultados superiores. Aqueles, no entanto, que são de alma pecaminosa nunca se dirigem para o caminho representado pela benevolência, perdão, tranquilidade, contentamento, gentileza de palavras, veracidade, generosidade e auxílio. Seu caminho consiste em luxúria e cólera e cobiça e inveja de outros e jactância. Subjugando luxúria e cólera, praticando o voto de Brahmacharya e se tornando um mestre completo de seus sentidos, o Brahmana, se esforçando com resistência nas mais austeras das penitências, e observando as restrições mais rígidas, deve viver neste mundo, esperando calmamente por sua hora como alguém parecendo ter um corpo embora sabendo perfeitamente que ele não está sujeito à destruição.'" 221 "Yudhishthira disse, 'As três classes regeneradas, que são dadas a sacrifícios e outros ritos, às vezes comem os restos, consistindo em carne e vinho, de sacrifícios em honra das divindades, por motivos de obter filhos e céu. Qual, ó avô, é o caráter desta ação?'” "Bhishma disse, 'Aqueles que comem alimento proibido sem serem celebradores dos sacrifícios e votos ordenados nos Vedas são considerados como homens teimosos. (Eles são considerados como decaídos mesmo aqui.) Aqueles, por outro lado, que comem tal alimento na observância de sacrifícios e votos Védicos e induzidos pelo desejo de frutos na forma de céu e crianças, ascendem para o céu mas caem no esgotamento de seus méritos.'” "Yudhishthira disse, 'Pessoas comuns dizem que jejuar é tapas (penitência). É o jejum, no entanto, realmente assim, ou a penitência é algo diferente?'” "Bhishma disse, 'As pessoas consideram o jejum, medido por meses ou quinzenas ou dias, como penitência. Na opinião, no entanto, dos bons, isso não é penitência. Por outro lado, o jejum é um obstáculo para a aquisição do conhecimento da Alma. (O objetivo das duas respostas de Bhishma é mostrar que causar dor a outros (sacrificando animais) é censurável, e causar dor a si mesmo é igualmente censurável.) A renúncia das ações (que é tão difícil para todos) e humildade (consistindo no culto de todas as criaturas e consideração por todas elas) constituem a penitência mais elevada. Ela é eminente sobre todos os tipos de penitência. Aquele que se dirige para tal penitência é considerado como alguém que está sempre jejuando e que está sempre levando uma vida de Brahmacharya. Tal Brahmana será um Muni sempre, uma divindade eternamente, sem sono para sempre, e alguém dedicado somente à procura de virtude, mesmo que ele viva no seio de uma família. Ele será um vegetariano sempre, e puro para sempre. Ele sempre será um comedor de ambrosia, e um adorador de deuses e convidados. De fato, ele será considerado como alguém sempre subsistindo de restos sacrificais, como alguém sempre dedicado ao dever de hospitalidade, como alguém sempre cheio de fé, e como alguém sempre cultuando deuses e convidados.'” "Yudhishthira disse, 'Como alguém praticando tal penitência pode vir a ser considerado como alguém que está sempre jejuando ou como alguém que está sempre dedicado ao voto de Brahmacharya, ou como alguém que está sempre subsistindo de restos sacrificais ou como alguém que é sempre atencioso com convidados?'” "Bhishma disse, 'Ele será considerado como alguém que está sempre jejuando se ele comer uma vez durante o dia e uma vez durante a noite nas horas determinadas, sem comer nada durante o intervalo. Tal Brahmana, por sempre falar a verdade e por aderir sempre à sabedoria, e por ir até sua esposa somente na época dela e nunca em outros momentos, se torna um Brahmacharin (celibatário). Por nunca comer carne de animais não mortos para sacrifício ele se tornará um vegetariano rigoroso. Por sempre ser caridoso ele sempre será puro, e por se abster de dormir durante o dia ele se tornará alguém que está sempre desperto. Saiba, ó Yudhishthira, que aquele homem que come somente depois de ter alimentado seus empregados e convidados se torna sempre um comedor de ambrosia. Aquele Brahmana que nunca come até que os deuses e convidados estejam alimentados, ganha, por tal abstenção, o próprio céu. É citado como subsistindo de restos sacrificais aquele que come somente o que resta depois de alimentar os deuses, os Pitris, empregados, e convidados. Tais homens ganham inúmeras regiões de felicidade na próxima vida. Para suas casas vão, com o próprio Brahman, os deuses e as Apsaras. Aqueles que partilham seu alimento com as divindades e os Pitris passam seus dias em felicidade constante com seus filhos e netos e finalmente, deixando este corpo, obtêm um fim muito elevado.'" 222 "Yudhishthira disse, 'Neste mundo, ó Bharata, os atos bons e maus se ligam ao homem para o propósito de produzir resultados para desfrute ou tolerância. O homem, no entanto, deve ser considerado como seu fazedor ou ele não deve ser considerado dessa maneira? Dúvida enche minha mente com respeito a esta questão. Eu desejo ouvir isto de ti em detalhes, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto, ó Yudhishthira, é citada a antiga narrativa de uma conversa entre Prahlada e Indra. O chefe dos Daityas, isto é, Prahlada, era indiferente a todos os objetos mundanos. Seus pecados tinham sido purificados. De ascendência respeitável, ele possuía grande erudição. Livre de estupefação e orgulho, sempre observador da qualidade de bondade, e dedicado a vários votos, ele recebia louvor e crítica igualmente. Possuidor de autodomínio, ele estava então passando seu tempo em um aposento vazio. Conhecedor da origem e destruição de todos os objetos criados, móveis e imóveis, ele nunca se zangava com coisas que o desagradavam e nunca se regozijava pela acessão de objetos que eram agradáveis. Ele lançava um olhar igual sobre ouro e um pedaço de terra. Firmemente engajado no estudo da Alma e em alcançar a Emancipação, e firme em conhecimento, ele tinha chegado a conclusões fixas em relação à verdade. Conhecedor do que é supremo e do que não é assim entre as todas coisas, onisciente e de visão universal, quando ele estava sentado um dia em um aposento solitário com seus sentidos sob controle total, Sakra se aproximou dele, e desejoso de despertá-lo, disse estas palavras, 'Ó rei, eu vejo residindo em ti permanentemente todas aquelas qualidades pelas quais uma pessoa ganha a estima de todos. Tua compreensão parece ser como aquela de uma criança, livre de atração e aversão. Tu conheces a Alma. Quais, tu pensas, são os melhores meios pelos quais um conhecimento da Alma pode ser obtido? Tu estás agora amarrado em cordas, decaído da tua posição anterior, trazido sob o domínio de teus inimigos, e desprovido de prosperidade. Tuas circunstâncias presentes são tais que podem muito bem inspirar aflição. Ainda assim como é que, ó Prahlada, tu não te entregas à aflição? É isto devido, ó filho de Diti, à aquisição de sabedoria ou é por causa da tua firmeza? Veja tuas calamidades, ó Prahlada, e contudo tu pareces com alguém que está feliz e tranquilo.' Assim incitado por Indra, o chefe dos Daityas, dotado de conclusões decisivas a respeito da verdade, respondeu ao primeiro nestas palavras gentis e indicativas de grande sabedoria.'” "Prahlada disse, 'Aquele que não conhece a origem e a destruição de todos os objetos criados, é, por tal ignorância, entorpecido. Aquele, no entanto, que está familiarizado com estas duas coisas, nunca fica entorpecido. Todos os tipos de entidades e não-entidades tomam forma ou cessam em consequência de sua própria natureza. Nenhum tipo de esforço pessoal é necessário (para a produção de tais fenômenos). Na ausência, portanto, de esforço pessoal, é evidente que nenhum agente pessoal existe para a produção de tudo isso que nós percebemos. Mas embora (em realidade) a pessoa (ou o chit) nunca faça alguma coisa, contudo (pela influência da Ignorância) uma consciência em relação à ira se espalha sobre ela. Aquele que se considera como o fazedor de ações boas ou más, possui uma sabedoria que é contaminada. Tal pessoa não é, de acordo com meu julgamento, conhecedora da verdade. Se, ó Sakra, o ser chamado pessoa fosse realmente o ator, então todas as ações empreendidas para seu próprio benefício seriam certamente coroadas com êxito. Nenhuma daquelas ações seria malograda. Mesmo entre as pessoas que se esforçam o máximo a suspensão do que não é desejado e a ocorrência do que é desejado não são vistos. O que acontece então com o esforço pessoal? No caso de alguns, nós vemos que sem qualquer esforço de sua parte, o que não é desejado é afastado e o que é desejado é realizado. Isto então deve ser o resultado da Natureza. Algumas pessoas também são vistas apresentarem aspectos extraordinários, pois embora possuidoras de inteligência superior elas têm que pedir riqueza de outras que são comuns em aspecto e dotadas de pouca inteligência. De fato, quando as qualidades, boas ou más, entram em uma pessoa, incitadas pela natureza, que motivo há para alguém se vangloriar (de suas posses superiores)? Todas essas fluem da Natureza. Esta é minha conclusão segura. Até Emancipação e conhecimento do eu, de acordo comigo, fluem da mesma fonte.” "Neste mundo todos os resultados, bons ou maus, que se ligam às pessoas, são considerados como o resultado de ações. Eu agora te falarei integralmente sobre o assunto das ações. Ouça-me. Como um corvo, enquanto comendo algum alimento, proclama a presença daquele alimento (para os membros de sua espécie) por crocitar repetidamente, da mesma maneira todas as nossas ações somente proclamam as indicações da Natureza. Aquele que está familiarizado somente com as transformações da Natureza mas não com a Natureza que é suprema e existe por si mesma, sente estupefação por causa de sua ignorância. Quem, no entanto, entende a diferença entre a Natureza e suas transformações nunca fica estupefato. Todas as coisas existentes têm sua origem na Natureza. Por sua certeza de convicção a este respeito, uma pessoa nunca será afetada por orgulho ou arrogância. Quando eu sei qual é a origem de todas as ordenanças de moralidade e quando eu estou familiarizado com a instabilidade de todos os objetos, eu sou incapaz, ó Sakra, de me entregar à aflição. Tudo isso é dotado de um fim. Sem afeições, sem orgulho, sem desejo e esperança, livre de todos os vínculos, e dissociado de tudo, eu estou passando meu tempo em grande felicidade, ocupado em observar o aparecimento e desaparecimento de todos os objetos criados. Para alguém que possui sabedoria, que é autocontrolado, que é contente, que é sem desejo e expectativa, e que vê todas as coisas com a luz do autoconhecimento, nenhum aborrecimento ou ansiedade existe, ó Sakra! Eu não tenho afeição ou aversão pela Natureza ou suas transformações. Eu não vejo alguém agora que é meu inimigo nem alguém que é meu próprio. Eu não cobiço, ó Sakra, em tempo algum, o céu, ou este mundo, ou as regiões inferiores. Não é o caso que não há felicidade na compreensão da Alma, mas a Alma, sendo dissociada de tudo, não pode desfrutar de felicidade. Então eu não desejo nada.'” "Sakra disse, 'Diga-me os meios, ó Prahlada, pelos quais este tipo de sabedoria pode ser obtido e pelos quais este tipo de tranquilidade pode ser possuído por alguém. Eu te peço.'” "Prahlada disse, 'Por simplicidade, por atenção, por purificar a Alma, por dominar as paixões, e por servir superiores idosos, ó Sakra, uma pessoa consegue alcançar a Emancipação. Saiba, no entanto, que alguém adquire sabedoria da Natureza, e que a aquisição de tranquilidade também é devido à mesma causa. De fato, tudo mais que tu percebes é devido à Natureza.’” "Assim endereçado pelo senhor dos Daityas, Sakra se encheu de admiração, e elogiou aquelas palavras, ó rei, com um coração alegre. O senhor dos três mundos então, tendo adorado o senhor dos Daityas, se despediu e procedeu para sua própria residência.'" 223 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, por adotar qual tipo de inteligência pode um monarca, que foi privado de prosperidade e esmagado pela clava pesada do Tempo, ainda viver sobre esta terra.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Vasava e o filho de Virochana, Vali. Um dia Vasava, depois de ter subjugado todos os Asuras, foi até o Avô e unindo suas mãos o reverenciou e perguntou sobre o paradeiro de Vali. ‘Diga-me, ó Brahman, aonde eu posso agora encontrar aquele Vali cuja riqueza continuava não diminuída ainda que ele costumasse doá-la tão profusamente quanto ele desejava. Ele era o deus do vento. Ele era Varuna. Ele era Surya. Ele era Soma. Ele era Agni que costumava aquecer todas as criaturas. Ele se tornou água (para o uso de todos). Eu não descubro onde ele está agora. De fato, ó Brahman, me diga onde posso achar Vali agora. Antigamente, era ele quem costumava iluminar todos os pontos do horizonte (como Surya) e se pôr (quando chegava a noite). Rejeitando ociosidade, era ele quem costumava despejar chuva sobre todas as criaturas na estação apropriada. Eu agora não vejo aquele Vali. De fato, me diga, ó Brahmana, aonde eu posso encontrar aquele principal dos Asuras agora.'” "Brahman disse, 'Não fica bem para ti, ó Maghavat, perguntar dessa maneira por Vali agora. Não se deve, no entanto, falar uma mentira quando se é questionado por outro. Por esta razão, eu te falarei do paradeiro de Vali. Ó marido de Sachi, Vali agora pode ter tomado seu nascimento entre camelos ou touros ou jumentos ou cavalos, e tendo se tornado o principal de sua espécie pode estar agora permanecendo em um apartamento vazio.'” "Sakra disse, 'Se, ó Brahman, acontecer de eu encontrar com Vali em um apartamento vazio, eu devo matá-lo ou poupá-lo? Diga-me como eu devo agir.'” "Brahman disse, 'Não fira Vali, ó Sakra, Vali não merece a morte. Tu deves, por outro lado, ó Vasava, solicitar instrução dele sobre moralidade, ó Sakra, como quiseres.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado pelo Criador divino, Indra vagou pela terra, sentado nas costas de Airavata e acompanhado por circunstâncias de grande esplendor. Ele conseguiu se encontrar com Vali, que, como o Criador tinha dito, estava vivendo em um apartamento vazio vestido na forma de um asno.'” "Sakra disse, 'Tu és agora, ó Danava, nascido como um asno subsistindo de palhiço como teu alimento. Essa tua classe de nascimento é certamente uma inferior. Tu te afliges ou não por isto? Eu vejo o que eu nunca tinha visto antes, isto é, tu trazido sob o domínio de teus inimigos, privado de prosperidade e amigos, e sem energia e destreza. Antigamente, tu costumavas avançar pelos mundos com tua comitiva consistindo em milhares de veículos e milhares de parentes, e te movias para diante, chamuscando todos com teu esplendor e nos considerando como nada. Os Daityas, te considerando como seu protetor, viviam sob teu domínio. Pelo teu poder, a terra costumava produzir colheitas sem esperar por cultura. Hoje, no entanto, eu te vejo tragado por esta calamidade terrível. Tu te entregas ou não à aflição por isto? Quando antigamente tu costumavas, com orgulho refletido em teu rosto, dividir nas margens leste do oceano tua vasta riqueza entre teus parentes, qual era o estado da tua mente então? Antigamente, por muitos anos, quando resplandecente com magnificência, tu costumavas te divertir, milhares de donzelas celestes costumavam dançar diante de ti. Todas elas eram enfeitadas com guirlandas de lotos e todas tinham companheiras brilhantes como ouro. Qual, ó senhor dos Danavas, era o estado da tua mente então e qual é ele agora? Tu tinhas um guarda-sol muito grande feito de ouro e adornado com jóias e pedras preciosas. Quarenta e dois mil Gandharvas costumavam naqueles tempos dançar diante de ti. Em teus sacrifícios tu tinhas uma estaca que era muito grande e feita totalmente de ouro. Em tais ocasiões tu doavas milhões e milhões de vacas. Qual, ó Daitya, era o estado da tua mente então? Antigamente, empenhado em sacrifício, tu percorreste a terra inteira, seguindo a regra do arremesso do Samya (um pedaço de madeira.) Qual era o estado da tua mente então? Eu agora não vejo aquele teu jarro dourado, nem aquele teu guarda-sol, nem aqueles leques. Eu não vejo também, ó rei dos Asuras, aquela tua guirlanda que te foi dada pelo Avô.'” "Vali disse, 'Tu não vês agora, ó Vasava, meu jarro e guarda-sol e leques. Tu não vês também minha guirlanda, aquele presente do Avô. Aquelas minhas posses preciosas sobre as quais tu perguntas estão agora enterradas na escuridão de uma caverna. Quando chegar minha hora novamente, tu sem dúvida os verás novamente. Este teu comportamento, no entanto, não convém à tua fama ou nascimento. Tu mesmo em prosperidade, tu desejas zombar de mim que estou afundado em adversidade. Aqueles que adquiriram sabedoria, e obtiveram contentamento dela, aqueles que são de almas tranquilas, que são virtuosos e bons entre as criaturas, nunca se afligem em miséria nem se regozijam em felicidade. Levado, no entanto, por uma inteligência grosseira, tu te entregas à vaidade, ó Purandara! Quando tu te tornares como eu tu então não te entregarás a palavras como essas.'" 224 "Bhishma disse, 'Mais uma vez, rindo de Vali que estava suspirando como uma cobra, Sakra se dirigiu a ele para dizer alguma coisa mais penetrante do que o que tinha dito antes.’” "Sakra disse, 'Antigamente, escoltado por uma comitiva que consistia em milhares de veículos e parentes, tu costumavas fazer teus progressos, chamuscando todos os mundos com teu esplendor e nos desdenhando. Tu estás agora, no entanto, abandonado por ambos, parentes e amigos. Vendo essa situação miserável que te alcançou, tu te abandonas ou não à aflição? Antigamente, todos os mundos estavam sob teu domínio e era grande tua alegria. Eu pergunto, tu te entregas ou não à aflição agora, por essa tua queda em relação a esplendor externo?'” "Vali disse, 'Considerando tudo isso como transitório, devido, de fato, à passagem do tempo, ó Sakra, eu não me entrego à aflição. Essas coisas têm um fim. Estes corpos que as criaturas possuem, ó chefe dos celestiais, são todos transitórios. Por esta razão, ó Sakra, eu não sofro (por esta minha forma asinina). Nem esta forma é devido à alguma falha minha. O princípio animante e o corpo vêm à existência juntos, por sua própria natureza. Eles crescem juntos, e encontram a destruição juntos. Tendo obtido esta forma de existência eu não estou permanentemente escravizado por ela. Já que eu sei disso, eu não tenho motivo para tristeza por causa daquele conhecimento. Como o lugar de repouso final de todos rios é o oceano, assim mesmo o fim de todas as criaturas incorporadas é a morte. Aquelas pessoas que sabem bem disso nunca são entorpecidas, ó manejador do raio! Aqueles, no entanto, que estão dominados pela Paixão e perda do bom senso, não sabem disso, aqueles cuja compreensão está perdida, afundam sob o peso da desgraça. Uma pessoa que obtém uma compreensão aguçada consegue destruir todos os seus pecados. Uma pessoa impecável adquire a qualidade de Bondade, e tendo-a adquirido se torna alegre. Aqueles, no entanto, que se afastam do atributo de Bondade, e obtêm repetidos renascimentos, são obrigados a se entregarem à tristeza e dor, levados pelo desejo e pelos objetos dos sentidos. Sucesso ou o oposto, em relação à obtenção de todos os objetos de desejo, vida ou morte, os frutos da ação que são representados por prazer ou dor, eu não gosto nem desgosto. Quando alguém mata outro, ele mata somente o corpo daquele outro. Aquele homem que pensa que é ele que mata outro, ele mesmo está morto. (A pessoa que considera a si mesma como o matador está imersa em ignorância, pois a Alma nunca é um ator.) De fato, ambos, aquele que mata e aquele que é morto, são ignorantes da verdade. Aquela pessoa, ó Maghavat, que tendo matado ou derrotado alguém se gaba de sua virilidade, deve saber que ele não é o ator, mas a ação (da qual ele se gaba) foi realizada por um agente real (que é diferente). Quando vem a pergunta quanto a quem é que causa a criação e a destruição de coisas no mundo, é geralmente considerado que alguma pessoa (que foi ela mesma causada ou criada) causou a ação (de criação ou destruição). Saiba, no entanto, que a pessoa que é assim considerada tem (como já dito) um criador. Terra, luz ou calor, espaço, água, e vento constituindo o quinto, destes surgem todas as criaturas. (Quando isto é conhecido por mim) que tristeza eu posso sentir (por esta mudança em minha condição)? Alguém que possui grande erudição, alguém que não tem muita erudição, alguém que possui força, alguém que é desprovido de força, alguém que possui beleza pessoal, e alguém que é muito feio, alguém que é afortunado e alguém que não é abençoado pela sorte, são todos varridos pelo Tempo, o qual é profundo demais para ser sondado, por sua própria energia. Quando eu sei que eu fui vencido pelo Tempo, que tristeza eu posso sentir (por essa alteração em minhas circunstâncias)? Alguém que queima algo queima uma coisa que realmente já foi queimada. Alguém que mata, somente mata uma vítima já morta. Alguém que é destruído já foi destruído antes. Algo que é adquirido por uma pessoa é aquilo ao qual já foi chegado e destinado para sua aquisição. Este Tempo é como um oceano. Não há ilha nele. Onde, de fato, é a sua outra margem? Seu limite não pode ser visto. Mesmo refletindo profundamente, eu não vejo o fim dessa corrente contínua que é o grande ordenador de todas coisas e é certamente celestial. Se eu não compreendesse que é o Tempo que destrói todas as criaturas, então, talvez, eu teria sentido as emoções de alegria e orgulho e cólera, ó marido de Sachi! Tu vens aqui para me condenar, tendo averiguado que eu estou agora portando a forma de um asno que subsiste de palhiço e que está agora passando seus dias em um lugar solitário distante das habitações de homens? Se eu desejar, agora mesmo eu posso assumir várias formas terríveis, vendo qualquer uma das quais tu baterias em retirada rapidamente da minha presença. É o Tempo que dá tudo e também tira tudo. É o Tempo que ordena todas as coisas. Ó Sakra, não te gabe de tua virilidade. Antigamente, ó Purandara, em ocasiões de minha ira tudo costumava se tornar agitado. Eu sou conhecedor, no entanto, ó Sakra, dos atributos eternos de todas as coisas no mundo. Conheça tu também a verdade. Não te permita ficar maravilhado. A riqueza e sua origem não estão sob o controle de alguém. Tua mente parece ser como aquela de uma criança. Ela é a mesma que era antes. Abra teus olhos, ó Maghavat, e adote uma compreensão estabelecida sobre certeza e verdade. Os deuses, os homens, os Pitris, os Gandharvas, as cobras, e os Rakshasas, estavam todos sob meu domínio nos tempos passados. Tu sabes disto, ó Vasava! Com suas compreensões estupefatas pela ignorância, todas as criaturas costumavam me lisonjear, dizendo, 'Saudações àquele ponto do horizonte onde o filho de Virochana, Vali possa estar residindo agora!' Ó marido de Sachi, eu não sofro em absoluto quando eu penso naquela honra (que não é mais prestada a mim). Eu não sinto tristeza por esta minha queda. Minha compreensão é firme a este respeito, isto é, que eu viverei obediente ao domínio do Ordenador. É visto que alguém de nascimento nobre, possuidor de belas feições, e dotado de grande destreza, vive em miséria, com todos os seus conselheiros e amigos. Isto acontece por causa disto ter sido ordenado. Similarmente, alguém nascido em uma linhagem ignóbil, desprovido de conhecimento, e até com uma mácula em seu nascimento, é visto, ó Sakra, viver em felicidade com todos os seus conselheiros e amigos.Isto também acontece por ter sido ordenado. Uma mulher bela e auspiciosa, ó Sakra, é vista passar sua vida em miséria. Similarmente, uma mulher feia com todas as marcas inauspiciosas é vista passar seus dias em grande felicidade. Isso que nós nos tornamos agora não é devido a algum ato nosso, ó Sakra! Que tu és assim agora não é devido, ó manejador do raio, à qualquer ação tua. Tu não fizeste alguma coisa, ó tu de cem sacrifícios, pela qual tu estás agora desfrutando dessa afluência. Nem eu fiz algo pelo qual eu estou agora privado de afluência. Afluência e seu oposto vêm um depois do outro. Eu agora te vejo brilhando com esplendor, dotado de prosperidade, possuidor de beleza, colocado na liderança de todas as divindades, e bramindo dessa maneira para mim. Isto nunca seria exceto pelo fato do Tempo que estava próximo ter depois me atacado. De fato, se o Tempo não tivesse me atacado, eu hoje teria te matado somente com um golpe de meus punhos apesar do fato de tu estares armado com o trovão. Esta, no entanto, não é a hora para empregar minha bravura. Por outro lado, o tempo que chegou é para adotar um comportamento de paz e tranquilidade. É o Tempo que estabelece todas as coisas. O Tempo trabalha sobre todas as coisas e as leva para sua consumação final. (Literalmente, ‘O Tempo cozinha tudo’.) Eu era o adorado senhor dos Danavas. Queimando tudo com minha energia, eu costumava rugir em força e orgulho. Quando o Tempo atacou até a mim mesmo, quem ele não atacará? Antigamente, ó chefe das divindades, sozinho eu suportava a energia de todos os doze Adityas ilustres contigo mesmo entre eles. Era eu que costumava carregar água e então despejá- la como chuva, ó Vasava! Era eu que costumava dar luz e calor aos três mundos. Era eu que costumava proteger e era eu que costumava destruir. Era eu quem dava e era eu quem tirava. Era eu que costumava atar e era eu que costumava desatar. Em todos os mundos eu era o único mestre poderoso. Aquele domínio soberano que eu tinha, ó chefe dos celestiais, não existe mais. Eu estou agora vituperado pelas forças do Tempo. Aquelas coisas, portanto, não são mais vistas brilharem em mim. Eu não sou o fazedor (dos atos que são aparentemente feitos por mim). Tu não és o fazedor (dos atos feitos por ti). Ninguém mais, ó marido de Sachi, é o fazedor (daqueles atos). É o Tempo, ó Sakra, que protege ou destrói todas as coisas. Pessoas familiarizadas com os Vedas dizem que o Tempo (Eternidade) é Brahma. As quinzenas e meses são seu corpo. Aquele corpo é coberto com dias e noites como seus mantos. As estações são seus sentidos. O ano é sua boca. Algumas pessoas, por sua inteligência superior, dizem que tudo isso (todo o universo) deve ser concebido como Brahma. Os Vedas, no entanto, ensinam que os cinco revestimentos que envolvem a Alma devem ser considerados como Brahma. Brahma é profundo e inacessível como um vasto oceano de águas. É dito que ele não tem nem início nem fim, e que ele é indestrutível e destrutível. (Brahma é indestrutível como jiva ou Alma, e é destrutível como manifestado na forma de não-Eu.) Embora ele seja sem atributos por si mesmo, ainda assim ele entra em todos os objetos existentes e como tal assume atributos. Aquelas pessoas que conhecem a verdade consideram Brahma como eterno. Pela ação da Ignorância, Brahma faz os atributos de materialidade envolverem o Chit ou Alma o qual é espírito imaterial (tendo somente o conhecimento como seu atributo). Aquela materialidade, no entanto, não é o atributo essencial da Alma, pois após o aparecimento de um conhecimento da causa verdadeira de tudo, aquela materialidade cessa de envolver a Alma. Brahma na forma de Tempo é o refúgio de todas as criaturas. Onde tu irias transcender o Tempo? O Tempo ou Brahma, de fato, não pode ser evitado nem por correr nem por ficar imóvel. Todos os cinco sentidos são incapazes de perceber Brahma. Alguns dizem que Brahma é Fogo; alguns que ele é Prajapati; alguns que ele é as Estações; alguns que ele é o Mês; alguns que ele é a Quinzena; alguns que ele é os Dias; alguns que ele é as Horas; alguns que ele é a Manhã; alguns que ele é o Meio-dia; alguns que ele é a Noite; e alguns que ele é o Momento. Assim diversas pessoas falam diversamente dele que é único. Saiba que ele é a Eternidade, sob cujo domínio estão todas as coisas. Muitos milhares de Indras passaram, ó Vasava, cada um dos quais era possuidor de grande força e destreza. Tu também, ó marido de Sachi, terás que passar da mesma maneira. A ti, também, ó Sakra, que és possuidor de poder superior e que és o chefe das divindades, quando tua hora chegar, o Tempo todo-poderoso extinguirá! O Tempo varre todas as coisas. Por esta razão, ó Indra, não te vanglorie. O Tempo não pode ser aquietado nem por ti ou por mim ou por aqueles que passaram antes de nós. Esta prosperidade real que tu alcançaste e que tu pensas estar além de comparação, antigamente era possuída por mim. Ela é insubstancial e irreal. Ela não mora muito tempo em um lugar. De fato, ela morou em milhares de Indras antes de ti, todos os quais, também, eram muitíssimo superiores a ti. Instável como ela é, me abandonando ela agora se aproximou de ti, ó chefe das divindades! Ó Sakra, não te entregue a tal jactância novamente. Cabe a ti te tornares tranquilo. Sabendo que tu és cheio de vaidade, ela logo te abandonará.'" "Bhishma disse, 'Depois disso, aquele de cem sacrifícios viu a deusa da Prosperidade, em sua própria forma incorporada que brilhava em esplendor, sair da forma de Vali de grande alma. O ilustre castigador de Paka, vendo a deusa brilhando com radiância, se dirigiu a Vali nessas palavras, com olhos arregalados de admiração.'” "Sakra disse, 'Ó Vali, quem é esta, assim brilhando com esplendor, assim enfeitada com plumas, assim adornada com pulseiras douradas na parte superior de seus braços, e emitindo dessa maneira um halo de glória por todos os lados por sua energia que está saindo do teu corpo?'” "Vali disse, 'Eu não sei se ela é uma donzela Asura ou uma celestial ou uma humana. Tu podes questioná-la tu mesmo. Faça o que te agradar.'” "Sakra disse, 'Ó tu de doces sorrisos, quem és tu que és possuidora de tal brilho e adornada com plumas que emerges dessa maneira do corpo de Vali? Eu não te conheço. Bondosamente me diga teu nome. Quem, de fato, és tu que estás aqui como a própria Maya, brilhando com teu próprio esplendor, depois de ter abandonado o senhor dos Daityas? Ó, diga-me isto conforme eu te perguntei.'” "Sree disse, 'Virochana não me conhece. Este Vali que é o filho de Virochana também não me conhece. Os eruditos me chamam pelo nome de Duhshaha (alguém que é mantido com grande dificuldade). Alguns me conhecem pelo nome de Vidhitsa, (literalmente, o desejo por ação, então fartura ou abundância que é o resultado de ação ou labor). Eu tenho outros nomes também, ó Vasava! Eles são Bhuti, Lakshmi, e Sree. (Todos esses nomes implicam abundância e prosperidade.) Tu não me conheces, ó Sakra, nem alguma entre as divindades me conhece.'” "Sakra disse, 'Ó dama que é difícil de ser mantida, por que tu abandonas Vali agora depois de teres vivido nele por um longo tempo? Isto é devido a alguma ação minha ou é devido a alguma ação que Vali tem feito?'” "Sree disse, 'Nem o Criador nem o Ordenador me governam. É o Tempo que me move de um lugar para outro. Ó Sakra, não desrespeite Vali.'” "Sakra disse, 'Por que razão, ó deusa adornada com plumas, você abandona Vali? Por que também você se aproxima de mim (para viver em mim)? Diga-me isto, ó tu de doces sorrisos!'” 'Sree disse, 'Eu vivo na verdade, na caridade, em bons votos, em penitências, em destreza, e em virtude. Vali decaiu de todos esses. Antigamente, ele era devotado aos Brahmanas. Ele era sincero e tinha controlado suas paixões. Ultimamente, no entanto, ele começou a nutrir sentimentos de animosidade em direção aos Brahmanas e tocou manteiga clarificada com mãos sujas. (Isto é, com mãos não lavadas depois de se erguer de suas refeições ou enquanto continuando com suas refeições.) Antigamente, ele estava sempre empenhado na realização de sacrifícios. Finalmente, cegado pela ignorância e afligido pelo Tempo ele começou a se gabar perante todas as pessoas, dizendo que suas adorações em direção a mim eram incessantes. Abandonando-o (por causa dessas falhas) eu morarei em ti de agora em diante, ó Sakra. Tu deves me manter sem negligência, e com penitências e destreza.'” "Sakra disse, 'Ó tu que moras em meio a lotos, não há uma única pessoa entre deuses, homens, e todas as criaturas, que possa te possuir para sempre.'” "Sree disse, 'Realmente, ó Purandara, não há ninguém entre deuses, Gandharvas, Asuras, ou Rakshasas, que possa me manter para sempre.'” "Sakra disse, 'Ó dama auspiciosa, me diga como eu devo me comportar para que tu possas morar em mim sempre. Eu certamente obedecerei tuas ordens. Cabe a ti me responder verdadeiramente.'” "Sree disse, 'Ó chefe das divindades, eu te direi como eu poderei ser permitida morar em ti sempre. Me divida em quatro partes de acordo com a ordenança declarada nos Vedas.'” "Sakra disse, 'Eu atribuirei as habitações de acordo com sua força e poder em te manter. Com relação a mim, eu sempre tomarei cuidado, ó Lakshmi, para que eu não possa te ofender de nenhuma maneira. Entre homens, a terra, aquela progenitora de todas as coisas, mantém todos eles. Ela manterá uma quarta parte de ti. Eu penso que ela tem a força para fazer isso.'” "Sree disse, 'Aqui, eu entrego um quarto de mim mesma. Que ele seja estabelecido sobre a terra. Depois disto, faça um arranjo apropriado, ó Sakra, para o meu segundo quarto.'” "Sakra disse, 'As águas, entre homens, em sua forma líquida, fazes vários serviços para os seres humanos. Que as águas tenham uma quarta parte de tua pessoa. Elas têm a força para manter uma porção tua.'” "Sree disse, 'Eu entrego outro quarto meu que deve ser estabelecido nas águas. Depois disto, ó Sakra, designe um lugar apropriado para o meu terceiro quarto.'” "Sakra disse, 'Os Vedas, os sacrifícios, e as divindades estão todos estabelecidos no Fogo. O Fogo manterá teu terceiro quarto, quando este for colocado nele.'” "Sree disse, 'Aqui eu entrego meu terceiro quarto o qual é para ser colocado no Fogo. Ó Sakra, depois disto, atribua um lugar apropriado para o meu último quarto.'” "Sakra disse, 'Aqueles que são bons entre homens, devotados aos Brahmanas, e verdadeiros em palavras, podem manter tua última quarta parte. Os bons têm o poder para mantê-la.'” "Sree disse, 'Aqui eu entrego a minha quarta parte que é para ser colocada entre os bons. Minhas porções assim designadas para diferentes criaturas, continue a me proteger, ó Sakra.'” "Sakra disse, 'Escute estas minhas palavras. Eu te distribuí dessa maneira entre diferentes criaturas. Aquelas entre as criaturas que pecarem contra ti serão castigadas por mim.’ O chefe dos Daityas, isto é, Vali, assim abandonado por Sree, então disse estas palavras.'” "Vali disse, 'No momento o Sol brilha tanto no leste como no oeste, e tanto no norte como no sul. Quando, no entanto, o Sol, se retirando de todos os lados, brilhar somente sobre a região de Brahman situada no meio de Sumeru, então novamente ocorrerá uma grande batalha entre os deuses e os Asuras, e naquela batalha eu seguramente derrotarei todos vocês. Quando o Sol, se retirando de todos os lados, brilhar fixamente somente sobre a região de Brahman, então novamente ocorrerá uma grande luta entre os deuses e os Asuras, e naquela luta eu certamente vencerei todos vocês.'” (O comentador explica que de acordo com a teoria Purânica, o mundo está situado todo em volta das montanhas de Meru. A região de Brahman está localizada em seu topo. O sol viaja em volta de Meru e brilha sobre todas as direções ou pontos do horizonte. Isso acontece na era chamada de Vaivaswata Manwantara (a era ou época de Manu o filho de Vivaswat). Mas depois da passagem dessa era, quando chegar o Savarnika Manwantara, o sol brilhará somente sobre a região no topo de Meru, e por toda parte haverá escuridão.) "Sakra disse, 'Brahman me ordenou dizendo que eu nunca deveria te matar. É por esta razão, ó Vali, que eu não arremesso meu raio sobre tua cabeça. Vá para onde quer que tu querias, ó chefe dos Daityas! Ó grande Asura, paz para ti! Não virá época quando o Sol brilhará somente do meridiano. O Auto-nascido (Brahman) antes disso ordenou as leis que regulam os movimentos do Sol. Dando luz e calor para todas as criaturas, ele segue em frente sem cessar. Por seis meses ele viaja em uma direção norte e então nos outros seis em uma direção sul. O sol viaja por estas direções (uma depois da outra), criando inverno e verão para todas as criaturas.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por Indra, ó Bharata, Vali, o chefe dos Daityas, foi para o sul. Purandara procedeu em direção ao norte. Indra de mil olhos, depois de ter escutado aquele discurso de Vali que era caracterizado por uma total ausência de orgulho, então ascendeu aos céus.'” 226 "Bhishma disse, 'Em relação a isto também é citada a antiga narrativa da conversa entre aquele de cem sacrifícios e o Asura Namuchi, ó Yudhishthira. Quando o Asura Namuchi, que estava familiarizado com o nascimento e a morte de todas as criaturas, estava sentado, privado de prosperidade mas de coração imperturbado, como o vasto oceano em perfeita tranquilidade, Purandara endereçou a ele estas palavras: 'Decaído do teu lugar, amarrado com cordas, trazido sob o domínio de teus inimigos, e privado de prosperidade, tu, ó Namuchi, te entregas à dor ou passas teus dias alegremente?'” "Namuchi respondeu, 'Por ceder à tal tristeza que não pode ser repelida alguém somente perde o próprio corpo e alegra seus inimigos. Então, também, ninguém pode aliviar a tristeza de outro por tomar alguma parte dela sobre si. Por essas razões, ó Sakra, eu não me entrego à tristeza. Tudo isso que tu vês tem um fim. (Isto é, todas as coisas são destrutíveis em vez de serem eternas.) Indulgência em tristeza destrói beleza pessoal, prosperidade, vida, e a própria virtude, ó chefe das divindades! Sem dúvida, suprimindo aquela tristeza que vem sobre si mesmo e que nasce de uma disposição imprópria da mente, alguém possuidor de conhecimento verdadeiro deve refletir em sua mente a respeito daquilo que é produtivo do maior bem e que mora no próprio coração. Quando alguém coloca sua mente no que é para o seu maior bem, sem dúvida, o resultado que ocorre é que todos os seus objetivos são realizados. (Como explicado anteriormente, alguém que se esforça para obter Emancipação deve se dirigir ao yoga. Como uma consequência de yoga, ele adquire (sem desejá-los) muitos poderes extraordinários. A realização de seus objetivos então segue-se como uma coisa natural.) Há Um Ordenador, e nenhum segundo. Seu controle se estende sobre o ser que se encontra dentro do útero. Controlado pelo grande Ordenador eu sigo como Ele me determina, como água correndo por um caminho para baixo. Sabendo o que é existência e o que é emancipação, e compreendendo também que a última é superior à primeira, eu, no entanto, não me esforço para alcançá-la. Fazendo ações que tendem em direção à virtude e também aquelas que tendem para a direção oposta, eu sigo em frente como Ele me determina. Alguém consegue aquelas coisas que estão ordenadas para serem conseguidas. Aquilo que é para acontecer realmente acontece. Alguém tem que residir repetidamente em tais úteros nos quais ele é colocado pelo Ordenador. Ele não tem escolha na questão. Nunca fica entorpecida aquela pessoa que, quando colocada em qualquer condição específica, a aceita como aquela na qual ela foi ordenada estar. Homens são afetados por prazer e dor que vêm em turnos no decorrer do Tempo. Não há ação pessoal (na questão de prazer ou dor para alguém). Nisto existe tristeza, isto é, que aquele que tem aversão à tristeza se considera como o ator. (O sentido é este: um homem sábio nunca se considera como o ator, e então nunca sente tristeza. Qualquer tristeza que o alcança ele observa impassível e a aceita como o resultado do que foi ordenado. Não é assim com o homem tolo. Ele se julga o ator e considera a tristeza como o resultado de seus próprios atos. Então, ele não pode observá-la indiferente. Tristeza, portanto, se encontra em alguém se considerar como o ator, o verdadeiro ponto de vista sendo que uma pessoa em vez de ser um ator é somente um instrumento nas mãos do grande Ordenador.) Entre Rishis, deuses, grandes Asuras, pessoas totalmente conhecedoras dos três Vedas, e ascetas na floresta, de quem as calamidades não se aproximam? Aqueles, no entanto, que conhecem a Alma e o que é não-Alma nunca temem calamidades. A pessoa de sabedoria, permanecendo naturalmente imóvel como Himavat, nunca cede à raiva; nunca se permite ser vinculada aos objetos dos sentidos; nunca enlanguesce na tristeza ou se regozija na felicidade. Quando oprimida mesmo até pelas maiores aflições, tal pessoa nunca se entrega à aflição. É muito superior aquela pessoa a quem mesmo o maior sucesso não pode alegrar e até calamidades terríveis não podem afligir, e que tolera prazer e dor, e aquilo que há entre ambos, com um coração inabalável. Em qualquer condição que uma pessoa possa cair, ela deve convocar contentamento sem se entregar à tristeza. De fato, dessa maneira alguém deve afastar de si mesmo a dor crescente que é nascida na mente e que, (se não for dissipada), sem dúvida causará dor. Aquela assembleia de pessoas eruditas envolvidas em discussão a respeito de deveres baseados nos Srutis e nos Smritis não é uma boa assembleia, de fato, ela não merece ser chamada pelo nome de assembleia, entrando na qual um homem pecaminoso não se torna tomado pelo medo (nascido de seus atos maus). É o principal homem de sua espécie aquele que tendo sondado e investigado a retidão consegue agir de acordo com as conclusões às quais ele chega. (O objetivo deste verso é mostrar que conclusões corretas em relação aos deveres são muito raras.) As ações de um homem sábio não são facilmente compreensíveis. Aquele que é sábio nunca fica entorpecido quando desgraças caem sobre ele. Mesmo que ele decaia de sua posição como Gautama em sua velhice, por calamidade muito grande, ele não se permite ser entorpecido. (Este é um golpe duro, o ouvinte, isto é, Indra, tinha violado, sob circunstâncias da mais perversa fraude, a castidade da esposa de Gautama, Ahalya. Gautama teve que punir sua esposa por transformá-la em uma pedra. Essa punição, no entanto, teve um efeito sobre Gautama visto que ela pôs um fim à sua carga de uma vida familiar. Apesar de tal aflição terrível Gautama não permitiu que seu contentamento partisse de seu coração. O efeito da alusão é dizer a Indra que o orador não é como ele mas como Gautama, isto é, que Namuchi não era o escravo de suas paixões mas que ele o mestre de seus sentidos.) Por qualquer um desses, isto é, mantras, força, energia, sabedoria, destreza, comportamento, conduta, ou a afluência de riqueza, uma pessoa pode adquirir aquilo que não foi ordenado para ser adquirido por ela? Que tristeza então há pela não aquisição daquilo no qual alguém colocou seu coração? Antes que eu nascesse, aqueles que têm a questão em suas mãos tinham ordenado o que eu deveria fazer e sofrer. Eu estou realizando o que foi dessa maneira ordenado para mim. O que então a morte pode fazer para mim? Alguém obtém somente aquilo que foi ordenado para ser obtido. Alguém vai para aquela parte onde foi ordenado que ele é para ir. São obtidas aquelas tristezas e alegrias que estão ordenadas para serem obtidas. O homem que sabendo disso perfeitamente, não se permite ser entorpecido, e que está contente sob felicidade e tristeza, é considerado como o principal de sua espécie.'" 227 "Yudhishthira disse, 'O que, de fato, é bom para um homem que está caído em infortúnio terrível, quando perda de amigos ou perda de reino, ó monarca, ocorreu? Neste mundo, ó touro da raça Bharata, tu és o principal de nossos instrutores. Eu te pergunto isto. Cabe a ti me dizer o que eu perguntei.'” "Bhishma disse, 'Para alguém que foi privado de filhos e esposas e prazeres de todos os tipos e riqueza, e está mergulhado em angústia terrível, a firmeza é o maior bem, ó rei! Nunca está emaciado o corpo de alguém que é sempre possuidor de firmeza. Não se afligir traz felicidade, e também saúde que é uma posse superior. Pela saúde do corpo, alguém pode obter prosperidade novamente. Aquele homem sábio, ó majestade, que adere a uma direção de conduta correta (enquanto afligido pelo infortúnio) consegue adquirir prosperidade, paciência, e perseverança na realização de todos os seus objetivos. Em relação isto é mais uma vez citada a antiga narrativa da conversa entre Vali e Vasava, ó Yudhishthira! Depois que a batalha entre os deuses e os Asuras, na qual um grande número de Daityas e Danavas morreu, tinha acabado, Vali se tornou rei. Ele foi enganado por Vishnu que uma vez mais estabeleceu seu domínio sobre todos os mundos. Ele de cem sacrifícios foi mais uma vez empossado com a soberania das divindades. Depois que o governo das divindades tinha sido assim restabelecido, e as quatro classes de homens tinham sido restabelecidas na prática de seus respectivos rumos de dever, os três mundos mais uma vez cresceram com prosperidade, e o Auto-nascido ficou muito contente. Naquele tempo, acompanhado pelos Rudras, os Vasus, os Adityas, os Aswins, os Rishis celestes, os Gandharvas, os Siddhas, e outras classes de seres superiores, o poderoso Sakra, sentado em esplendor sobre seu príncipe de elefantes de quatro presas chamado Airavata, fez uma jornada por todos os mundos. Um dia, enquanto assim empenhado, o manejador do raio viu o filho de Virochana, Vali, dentro de certa caverna de montanha no litoral. Vendo o príncipe dos Danavas, ele se aproximou dele. Vendo o chefe das divindades, isto é, Indra, assim sentado nas costas de Airavata e cercado pelas várias classes dos celestiais, o príncipe dos Daityas não mostrou sinais de tristeza ou agitação. Indra também, vendo Vali permanecer impassível e destemido, se dirigiu a ele das costas do seu principal dos elefantes, dizendo, 'Como é, ó Daitya, que tu estás assim impassível? É isto devido ao teu heroísmo ou por tu teres servido com reverência pessoas idosas? Isto é devido à tua mente ter sido purificada por penitências? À qualquer causa que isto seja devido, este estado de espírito é certamente muito difícil de ser alcançado. Lançado de uma posição que era certamente a mais alta, tu estás agora privado de todas as tuas posses, e tu foste trazido sob o domínio de teus inimigos. Ó filho de Virochana, o que é aquilo por teres recorrido ao qual tu não sofres embora a ocasião seja para aflição? Antigamente, quando tu estavas na posse da soberania da tua própria classe, prazeres inigualáveis eram teus. Agora, no entanto, tu estás privado de tua riqueza e jóias e soberania. Diga-nos por que estás assim inalterado. Tu eras antes disso um deus, sentado no trono de teu pai e avôs. Vendo a ti mesmo hoje despojado por teus inimigos, por que tu não te afliges? Tu estás atado no laço de Varuna e foste atingido por meu raio. Tuas esposas foram tiradas e tua riqueza também. Diga-nos por que tu não te entregas à dor. Privado de prosperidade e decaído da afluência, tu não cedes à angústia. Isto, de fato, é algo que é muito notável. Quem mais, ó Vali, além de alguém como tu, ousaria suportar o peso da existência depois de ser despojado da soberania dos três mundos?' Ouvindo sem nenhum sofrimento essas e outras palavras cortantes que Indra endereçou a ele, enquanto afirmando sua própria superioridade sobre ele, Vali, o filho de Virochana, respondeu destemidamente para seu interrogador, dizendo as seguintes palavras.'” "Vali disse, 'Quando calamidades têm me oprimido, ó Sakra, o que tu ganhas com tal jactância agora? Hoje eu te vejo, ó Purandara, diante de mim com o raio erguido em tua mão! Antigamente, no entanto, tu não podias te comportar dessa maneira. Agora de alguma maneira tu ganhaste aquele poder. De fato, quem mais além de ti poderia proferir tais palavras cruéis? Aquela pessoa que, embora capaz de punir, mostra compaixão em direção a um inimigo heróico derrotado e trazido sob seu domínio, é realmente um indivíduo muito superior. Quando duas pessoas lutam, vitória em combate é certamente duvidosa. Uma das duas certamente se torna vitoriosa, e a outra vem a ser derrotada. Ó chefe das divindades, não deixe que tua disposição seja assim! Não imagine que tu te tornaste o soberano de todas as criaturas depois de ter conquistado todos com teu poder e destreza! Aquilo que nós nos tornamos, ó Sakra, não é o resultado de alguma ação nossa. Que tu te tornaste assim, ó manejador do raio, não é o resultado de algum ato teu. O que eu sou agora tu serás no futuro. Não me desconsidere, pensando que tu fizeste uma façanha extremamente difícil. Uma pessoa obtém felicidade e miséria uma depois da outra no decorrer do Tempo. Tu, ó Sakra, obtiveste a soberania do universo no curso do Tempo, mas não por causa de algum mérito especial em ti. É o Tempo que me leva em seu curso. Este mesmo Tempo também te leva para diante. É por isso que eu não sou o que tu és hoje, e tu também não és o que nós somos! Serviços respeitosos feitos aos pais, culto reverente das divindades, prática devida de alguma boa qualidade, nenhum destes pode outorgar felicidade a alguém. Nem conhecimento, nem penitências, nem caridade, nem amigos, nem parentes podem resgatar alguém que está afligido pelo Tempo. Homens não podem evitar, mesmo por mil recursos, uma calamidade iminente. Inteligência e força são inúteis em tais casos. Não há um salvador de homens que estão afligidos pelo curso do Tempo. Que tu, ó Sakra, te considerasses como o ator jaz na base de toda tristeza. Se o pretenso fazedor de uma ação é ator real dela, aquele fazedor então não seria ele mesmo o trabalho de alguém mais (isto é, o Ser Supremo). Então, porque o fazedor aparente é ele mesmo o produto de outro, aquele outro é o Ser Supremo acima de quem não há nada superior. Ajudado pelo Tempo eu te derrotei. Ajudado pelo Tempo tu me derrotaste. É o Tempo que é o movedor de todos os seres que se movem. É o Tempo que destrói todos os seres. Ó Indra, por tua inteligência ser de uma espécie vulgar tu não vês que a destruição espera todas as coisas. Alguns, de fato, te consideram altamente como alguém que adquiriu por suas próprias ações a soberania do universo. Apesar de tudo isso, como pode alguém como nós que conhece o rumo do mundo, se entregar ao pesar por ter sido afligido pelo Tempo, ou permitir que nossa compreensão seja entorpecida, ou ceder à influência do erro? A minha compreensão ou aquela de alguém como eu, mesmo quando nós estamos oprimidos pelo Tempo, entrando em contato com uma calamidade, se permitirá ser destruída como um barco naufragado no mar? Eu mesmo, tu, e todos aqueles que no futuro se tornarão chefes das divindades teremos, ó Sakra, que seguir o caminho pelo qual centenas de Indras seguiram antes de ti. Quando tua hora amadurecer, o Tempo sem dúvida te destruirá como eu, tu que és agora tão invencível e que agora brilhas com esplendor sem igual. No decorrer do Tempo muitos milhares de Indras e de divindades são varridos yuga após yuga. O Tempo, de fato, é irresistível. Tendo obtido tua posição atual, tu te consideras muito, assim como o Criador de todos os seres, o divino e eterno Brahman. Essa tua posição foi alcançada por muitos antes de ti. Com ninguém ela demonstrou ser estável ou interminável. Por causa, no entanto, de uma compreensão superficial, só tu a consideras como imutável e eterna. Tu confias naquilo que não é merecedor de confiança. Tu julgas eterno aquilo que não é eterno. Ó chefe das divindades, alguém que está dominado e estupefato pelo Tempo realmente se considera dessa maneira. Levado pela insensatez tu consideras essa tua atual prosperidade régia como tua. Saiba, no entanto, que ela nunca é estável em relação a ti ou a mim ou outros. Ela pertenceu a inúmeras pessoas antes de ti. Passando por elas, ela agora se tornou tua. Ela ficará contigo, ó Vasava, por algum tempo e então demonstrará sua instabilidade. Como uma vaca abandonando uma vala de beber por outra, ela sem dúvida te abandonará por outro alguém. Tantos soberanos se foram antes de ti que eu não me arrisco a fazer uma enumeração. No futuro também, ó Purandara, inumeráveis soberanos se erguerão depois de ti. Eu não vejo agora aqueles soberanos que antigamente desfrutaram dessa terra com suas árvores e plantas e pedras preciosas e criaturas vivas e águas e minas. Prithu, Aila, Maya, Bhima, Naraka, Samvara, Aswagriva, Puloman, Swarbhanu, cujo estandarte era de uma altura imensurável, Prahlada, Namuchi, Daksha, Vipprachitti, Virochana, Hrinisheva, Suhotra, Bhurihan, Pushavat, Vrisha, Satyepsu, Rishava, Vahu, Kapilaswa, Virupaka, Vana, Kartaswara, Vahni, Viswadanshtra, Nairiti, Sankocha, Varitaksha, Varaha, Aswa, Ruchiprabha, Viswajit, Pratirupa, Vrishanda, Vishkara, Madhu, Hiranyakasipu, o Danava Kaitabha, e muitos outros que eram Daityas e Danavas e Rakshasas, esses e muitos mais não citados, pertencentes a épocas remotas e ainda mais remotas, grandes Daityas e principais dos Danavas, cujos nomes nós temos ouvido, de fato, muitos principais dos Daityas dos tempos antigos, tendo partido, deixaram a Terra. Todos eles foram afligidos pelo Tempo. O Tempo demonstrou ser mais forte do que todos eles. Todos eles tinham adorado o Criador em centenas de sacrifícios. Tu não és a única pessoa que fez isso. Todos eles eram devotados à justiça e todos sempre realizavam sacrifícios grandiosos. Todos eles eram capazes de viajar pelos céus, e todos eram heróis que nunca mostravam suas costas em batalha. Todos eles tinham corpos muito fortes e todos tinham braços que pareciam com pesadas clavas. Todos eles eram mestres de centenas de ilusões, e todos podiam assumir qualquer forma que desejassem. Nós nunca ouvimos que tendo se envolvido em batalha algum deles alguma vez sofreu uma derrota. Todos eles eram firmes cumpridores do voto de veracidade, e todos se divertiam como eles desejavam. Dedicados aos Vedas e ritos Védicos, todos eles eram possuidores de grande erudição. Possuidores de grande poder, todos eles tinham obtido a maior prosperidade e riqueza. Mas nenhum daqueles soberanos de grande alma tinha o menor traço de orgulho por causa da soberania. Todos eles eram generosos, dando a cada um o que cada um merecia. Todos eles se comportaram devidamente e apropriadamente em direção a todas as criaturas. Todos eles eram a progênie das filhas de Daksha. Dotados de grande força, todos eram senhores da criação. Chamuscando todas as coisas com a energia todos eles brilhavam com esplendor. Ainda assim todos eles foram varridos pelo tempo. Em relação a ti, ó Sakra, é evidente que quando tu tiveres, depois de desfrutar da terra, que deixá-la, tu não serás capaz de controlar tua aflição. Rejeite este desejo que tu nutres por objetos de afeição e prazer. Rejeite este orgulho que é nascido da prosperidade. Se tu agires dessa maneira, tu então poderás suportar a dor que está ligada à perda de soberania. Quando chega a hora de tristeza, não ceda à tristeza. Similarmente, quando chega a hora de alegria, não te regozije. Desconsiderando o passado e o futuro, viva contente com o presente. Quando o Tempo que nunca dorme veio sobre mim que sempre estava atento aos meus deveres, dirija teu coração aos caminhos de paz, ó Indra, porque aquele mesmo Tempo logo virá sobre ti! Tu me perfuras com tuas palavras, e tu pareces estar decidido a inspirar medo em mim. De fato, me encontrando sereno, tu consideras muito tua própria pessoa. O Tempo me atacou primeiro. Ele está agora mesmo atrás de ti. Eu fui inicialmente derrotado pelo Tempo. E foi por essa razão que tu depois conseguiste me derrotar, pelo que tu bradas em orgulho dessa maneira. Antigamente, quando acontecia de eu me zangar, qual pessoa sobre a terra poderia resistir diante de mim em batalha? O Tempo, no entanto, é mais forte. Ele me subjugou. É por essa razão, ó Vasava, que tu és capaz de resistir perante mim! Aqueles mil (anos celestes), que são a extensão de teu domínio, com certeza acabarão. Tu então cairás e teus membros se tornarão tão miseráveis quanto os meus agora, embora eu seja possuidor de energia imensa. Eu decaí da posição elevada que é ocupada pelo soberano dos três mundos. Tu és agora o Indra vigente no céu. Neste mundo encantador de seres vivos, tu és agora, por causa da passagem do Tempo, um objeto de adoração universal. Tu podes dizer o que é aquilo por teres feito o qual tu te tornaste Indra hoje e o que também é aquilo por termos feito o qual nós caímos da posição que nós tínhamos? O Tempo é o único criador e destruidor. Nada mais é causa (no universo para a produção de algum efeito). Declínio, queda, soberania, felicidade, tristeza, nascimento e morte, uma pessoa erudita por encontrar algum destes nem se regozija nem cede à tristeza. Tu, ó Indra, nos conhece. Nós também, ó Vasava, te conhecemos. Por que então tu te gabas dessa maneira perante mim, esquecendo, ó desavergonhado, que foi o Tempo que fez de ti o que tu és? Tu testemunhaste qual era minha destreza naqueles tempos. A energia e poder que eu costumava expor em todas as minhas batalhas fornecem evidência suficiente. Os Adityas, os Rudras, os Sadhyas, os Vasus, e os Maruts, ó marido de Sachi, foram todos derrotados por mim. Tu sabes muito bem, ó Sakra, que na grande batalha entre os deuses e os Asuras, as divindades reunidas foram rapidamente derrotadas por mim pela fúria do meu ataque. Montanhas com suas florestas e os habitantes que viviam naquelas florestas, foram repetidamente arremessados por nós. Muitos foram os topos de montanha com extremidades escarpadas que eu quebrei sobre tua cabeça. O que, no entanto, eu posso fazer agora? O Tempo não pode ser detido. Se isto não fosse assim, não pense que eu não teria ousado te matar com aquele teu raio mesmo com um golpe de meu punho. O presente, no entanto, não é o meu momento para a mostra de bravura. A hora que chegou é tal que eu agora devo adotar tranquilidade e tolerar tudo. É por esta razão, ó Sakra, que eu suporto toda essa tua insolência. Saiba, no entanto, que eu sou menos capaz de tolerar insolência do que tu. Tu te vanglorias perante alguém que, após seu tempo ter amadurecido, está cercado por todos os lados pela conflagração do Tempo e atado fortemente nas cordas do Tempo. Lá está aquele indivíduo sombrio que não pode ser resistido pelo mundo. De forma feroz, ele permanece lá, tendo me atado como um animal inferior amarrado com cordas. Lucro e perda, felicidade e tristeza, luxúria e ira, nascimento e morte, cativeiro e liberdade, todos esses alguém encontra no decorrer do Tempo. Eu não sou o ator. Tu não és o ator. É o ator aquele que, de fato, é onipotente. O Tempo me amadurece (para me jogar ao chão) como uma fruta que apareceu em uma árvore. Há certas ações que por fazer as quais uma pessoa obtém felicidade no decorrer do Tempo. Por fazer aquelas mesmas ações outra obtém miséria no decorrer do Tempo. Versado como eu sou nas virtudes do Tempo, cabe a mim não me entregar à aflição quando é o Tempo que tem me atacado. É por essa razão, ó Sakra, que eu não sofro. A aflição não pode nos fazer algum bem. A dor de alguém que se entrega à aflição nunca dissipa sua calamidade. Por outro lado, a aflição destrói o poder de alguém. É por isso que eu não me entrego ao pesar.'” "Assim endereçado pelo chefe dos Daityas, ele de cem sacrifícios, isto é, o poderoso e de mil olhos castigador de Paka, reprimiu sua fúria e disse estas palavras.'” "Sakra disse, 'Vendo este meu braço erguido, equipado com o raio, e aqueles laços de Varuna, quem há cuja compreensão não seria agitada, incluindo o próprio Destruidor que empreende a morte de todos os seres? Tua compreensão, no entanto, tão firme e tão dotada da visão da verdade, não foi agitada. Ó tu de coragem invencível, em verdade, tu estás impassível hoje por tua firmeza. Vendo que todas as coisas neste universo são fugazes, quem há nele que, dotado de corpo, ousaria depositar confiança em seu corpo ou em todos os objetos de seu desejo? Como tu eu também sei que este universo não é eterno, e que ele tem sido lançado dentro da conflagração do Tempo que é terrível embora escondida da visão, que está queimando continuamente, e que é realmente infinita. Todos aqui são atacados pelo Tempo. Nada entre os seres que são sutis ou grosseiros desfruta de uma imunidade do domínio do Tempo. Todas as coisas estão sendo cozidas no caldeirão do Tempo. O Tempo não tem mestre. O Tempo está sempre atento. O Tempo está sempre cozinhando todas as coisas dentro de si mesmo. Ninguém, tendo uma vez entrado no domínio do Tempo que está avançando incessantemente, pode escapar dele. Todos os seres incorporados podem estar desatentos ao Tempo, mas o Tempo está atento e plenamente acordado atrás deles. Ninguém alguma vez foi visto afastar o Tempo de si. Antigo e eterno, e a encarnação da justiça, o Tempo é uniforme em relação a todas as criaturas vivas. O Tempo não pode ser evitado, e não há retrocesso em seu curso. Como um usurário somando seus interesses, o Tempo soma suas porções sutis representadas por kalas, e lavas, e kashthas, e kshanas, e meses, e dias e noites. Como a corrente de um rio arrastando uma árvore cujas raízes foram alcançadas por ela, o Tempo, alcançando aquele que diz, 'Isso eu farei hoje mas esta outra ação farei amanhã', o varre para longe. O Tempo elimina alguém e os homens exclamam, 'Eu o vi há pouco tempo atrás. Como ele morreu?' Riqueza, confortos, postos, prosperidade, tudo cai vítima do Tempo. Aproximando-se de todas as criaturas vivas, o Tempo rouba suas vidas. Todas as coisas que erguem orgulhosamente alto suas cabeças estão destinadas a caírem. Aquilo que é existente é somente outra forma do inexistente. Tudo é transitório e instável. À tal convicção, no entanto, é difícil de se chegar. Tua compreensão, tão firme e dotada de visão verdadeira, é inabalável. Tu não percebes, mesmo mentalmente, o que tu eras algum tempo atrás. O Tempo que é forte, atacando o universo, o cozinha dentro de si mesmo e varre tudo sem consideração de superioridade de idade ou o oposto. Apesar disso, alguém que está sendo arrastado pelo Tempo está inconsciente do laço jogado em volta de seu pescoço. As pessoas, dadas aos ciúmes e vaidade e cupidez, à luxúria, ira, e medo, ao desejo, negligência, e orgulho, se permitem serem entorpecidas. Tu, no entanto, conheces a verdade da existência. Tu és possuidor de erudição e dotado de sabedoria e penitências. Tu vês o Tempo tão claramente como se ele fosse um emblic myrobalan (fruto da groselheira-espinhosa) na palma de tua mão. Ó filho de Virochana, tu conheces completamente o assunto da conduta do Tempo. Tu és bem versado em todos os ramos de conhecimento. Tu és de Alma purificada e és um mestre perfeito de tuas paixões. Tu és, por isto, um objeto de afeição com todas as pessoas dotadas de sabedoria. Tu, com teu discernimento, compreendeste completamente o universo inteiro. Embora tu tenhas desfrutado de todo tipo de felicidade, tu nunca és apegado a algo, e então tu não és maculado por nada. As qualidades de Paixão e Ignorância não te poluem pois tu conquistaste teus sentidos. Tu serves somente tua Alma que é desprovida de alegria e tristeza. O amigo de todas as criaturas, sem animosidade, com teu coração colocado na tranquilidade, vendo-te assim, meu coração se inclina à compaixão em direção a ti. Eu não desejo afligir uma pessoa culta como tu por mantê-lo em uma condição cativa. Abstenção de ferir é a religião mais elevada. Eu sinto compaixão por ti. Estes laços de Varuna, com os quais tu foste amarrado, se desatarão no decorrer do Tempo em consequência do comportamento impróprio dos homens. Abençoado sejas tu, ó grande Asura! Quando a nora colocar a sogra idosa para trabalhar, quando o filho, por ilusão, mandar o pai trabalhar para ele, quando Sudras tiverem seus pés lavados por Brahmanas e tiverem união sexual destemidamente com mulheres de famílias regeneradas, quando homens descarregarem a semente vital em úteros proibidos, quando o refugo de casas começar a ser carregado sobre pratos e recipientes feitos de metal branco, e quando oferendas sacrificais destinadas para as divindades começarem a ser carregadas sobre recipientes proibidos, quando todas as quatro classes violarem todas as restrições, então estes teus laços começarão, um por um, a se soltar. De nós tu não tens que temer. Espere tranquilamente. Sejas feliz. Fique livre de toda tristeza. Que teu coração seja alegre. Que nenhuma doença seja tua.' Tendo dito essas palavras para ele, o divino Indra, tendo o príncipe dos elefantes como seu veículo, deixou aquele local. Tendo derrotado todos os Asuras, o chefe das divindades se regozijou em alegria e se tornou o único senhor de todos os mundos. Os grandes Rishis cantaram os louvores daquele senhor de todas as criaturas móveis e imóveis. A divindade do fogo começou mais uma vez a conduzir as libações de manteiga clarificada que eram despejadas (por todos) em sua forma visível, e o grande deus se encarregou do néctar que era entregue aos seus cuidados. Seus louvores cantados pelos principais dos Brahmanas engajados em sacrifícios, o senhor Indra, brilhando com esplendor, sua ira aplacada, e seu coração tranquilizado, ficou satisfeito, e, voltando para sua própria residência no céu, começou a passar seus dias em grande alegria.'" (Essas coisas não tinham acontecido por muitos anos por causa da maldade dos Asuras. Com a vitória de Indra os sacrifícios retornaram, e com eles paz universal.) 228 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, as indicações de futura grandeza e futura queda a respeito de uma pessoa.'” "Bhishma disse, 'A própria mente, abençoado sejas tu, indica os sintomas premonitórios da prosperidade futura e da queda futura de alguém. Em relação a isto é citada a velha história da conversa entre Sree e Sakra. Ouça-a, ó Yudhishthira! O grande asceta Narada, de energia cuja refulgência é tão incomensurável quando o próprio Brahma, com seus pecados todos destruídos, capaz de ver pela prosperidade de suas penitências este e o outro mundo ao mesmo tempo, e igual aos Rishis celestiais na região do Criador, vagava de acordo com sua vontade pelo mundo triplo. Um dia, levantando-se ao amanhecer, ele desejou realizar suas abluções, e para aquele propósito foi ao rio Ganga onde ela saía da passagem conhecida pelo nome de Dhruva e mergulhava na corrente. Naquele momento Indra de mil olhos também, o manejador do raio, e o matador de Samvara e Paka, chegou na mesma margem onde Narada estava. O Rishi e a divindade, ambos de almas sob perfeito controle, terminaram suas abluções, e tendo completado suas recitações silenciosas, sentaram juntos. Eles usaram a hora para recitar e escutar as narrativas excelentes faladas pelos grandes Rishis celestes descritivas de muitos feitos bons e excelentes. De fato, com atenção concentrada os dois estavam envolvidos em tal conversa agradável sobre história antiga. Enquanto sentados lá eles viram o Sol nascente lançando seus mil raios retos diante dele. Vendo o orbe inteiro, ambos ficaram de pé e cantaram seus louvores. Justamente naquela hora eles viram no céu, em uma direção oposta àquela da estrela nascente do dia, um objeto luminoso, resplandecente como fogo ardente e parecendo ser uma segunda estrela do dia. E eles viram, ó Bharata, que aquele objeto luminoso estava gradualmente se aproximando na direção de ambos. Viajando sobre o veículo de Vishnu adornado com Garuda e próprio Surya, aquele objeto brilhava com esplendor inigualável, e parecia iluminar os três mundos. O objeto que eles viram era ninguém mais do que a própria Sree, acompanhada por muitas Apsaras dotadas de beleza esplêndida. De fato, ela mesma parecia com um grande disco solar, possuindo uma refulgência parecendo aquela do fogo. Enfeitada com ornamentos que pareciam com estrelas verdadeiras, ela usava uma coroa que parecia uma guirlanda de pérolas. Indra viu aquela deusa chamada Padma tendo sua habitação em meio a lotos. Descendo de seu principal dos carros, aquela dama sem igual começou a se aproximar do senhor dos três mundos e do Rishi celeste Narada. Seguido por Narada, Maghavat também procedeu em direção àquela dama. Com mãos unidas, ele se apresentou para ela, e versado como ele era em todas as coisas, ele a adorou com reverência e sinceridade nunca superadas. As adorações terminadas, o senhor dos celestiais, ó rei, dirigiu-se a Sree nas seguintes palavras.'” "Sakra disse, 'Ó tu de doces sorrisos, quem, de fato, és tu e para que assunto tu vieste aqui? Ó tu de belas sobrancelhas, de onde tu vieste e para onde tu irás, ó dama auspiciosa?'” "Sree disse, 'Nos três mundos cheios de sementes auspiciosas, todas as criaturas, móveis e imóveis, se esforçam de todo o coração para ganhar uma associação comigo. Eu sou aquela Padma, aquela Sree enfeitada com lotos, que surgiu do lótus que floresce ao toque dos raios de Surya, para a prosperidade de todas as criaturas. Eu sou chamada Lakshmi, Bhuti, e Sree, ó matador de Vala! Eu sou Fé, eu sou Inteligência, eu sou Afluência, eu sou Vitória, e eu sou Imutabilidade. Eu sou Paciência, eu sou Sucesso, eu sou Prosperidade. Eu sou Swaha, eu sou Swadha, eu sou Reverência, eu sou Destino, e eu sou Memória. Eu moro na vanguarda e nos estandartes dos soberanos vitoriosos e virtuosos, como também em suas casas e cidades e domínios. Eu sempre resido, ó matador de Vala, com aqueles principais dos homens, isto é, heróis ofegantes depois da vitória e que não fogem da batalha. Eu também resido sempre com pessoas que são firmemente ligadas à virtude, que são dotadas de grande inteligência, que são devotadas a Brahma, que são sinceras em palavras, que possuem humildade, e que são generosas. Antigamente, eu morava com os Asuras por minha disposição de ser segurada por verdade e mérito. Vendo, no entanto, que os Asuras assumiram naturezas adversas, eu os deixei então e desejo residir em ti.'” "Sakra disse, 'Ó tu de rosto formoso, por qual comportamento dos Asuras tu moraste com eles? O que tu viste lá pelo qual tu vieste para cá, tendo abandonado os Daityas e os Danavas?'” "Sree disse, ‘Eu me ligo firmemente àqueles que são dedicados aos deveres de sua própria classe, àqueles que nunca abandonam a paciência, àqueles que têm prazer em andar pelo caminho que leva ao céu. Eu sempre resido com aqueles que são eminentes por generosidade, por estudo das escrituras, por sacrifícios, por outros ritos escriturais, e por culto de Pitris, divindades, preceptores, mais velhos, e convidados. Antigamente, os Danavas costumavam manter suas residências limpas, manter suas mulheres sob controle, despejar libações no fogo sacrifical, servir respeitosamente seus preceptores, reprimir suas paixões, ser obedientes aos Brahmanas, e ser sinceros em palavras. Eles eram cheios de fé; eles mantinham sua ira sob controle; eles praticavam a virtude de caridade; eles nunca invejavam outros; eles costumavam manter seus amigos e conselheiros, e seus cônjuges; eles nunca eram ciumentos. Antigamente, eles nunca atacavam uns aos outros, cheios de fúria. Eles eram todos contentes e nunca sentiam desgosto à visão da afluência e prosperidade de outras pessoas. Eles eram todos caridosos e econômicos; de conduta respeitável, e dotados de compaixão. Eles eram extremamente inclinados à benevolência, possuidores de simplicidade de conduta, firmes em fé, e tinham suas paixões sob completo controle. Eles costumavam manter seus empregados e conselheiros contentes, e eram gratos e dotados de fala gentil. Eles costumavam servir a todos como cada um merecia por sua posição e honra. Eles eram dotados de vergonha. Eles eram de votos rígidos. Eles costumavam realizar suas abluções em todos os dias sagrados. Eles costumavam se cobrir apropriadamente com perfumes e unguentos auspiciosos. Eles também enfeitavam seus corpos devidamente. Eles eram praticantes de jejuns e penitências, eram confiantes, e proferidores de hinos Védicos. O Sol nunca se erguia sobre eles enquanto eles estavam dormindo. Eles nunca dormiam demais. Eles sempre se abstinham de coalhos e cevada socada. Eles costumavam todas as manhãs olhar para manteiga clarificada e outros artigos auspiciosos, e com sentidos recolhidos eles costumavam recitar os Vedas e adorar Brahmanas com doações. Suas palavras eram sempre virtuosas, e eles nunca aceitavam doações. Eles sempre iam dormir à meia-noite e nunca dormiam durante o dia. Eles sempre gostavam de mostrar compaixão pelos afligidos, pelos desamparados, idosos, fracos, doentes, e mulheres, e desfrutavam de todas as suas posses por dividi-las com eles. Eles sempre costumavam compreender e confortar os agitados, os tristes, os ansiosos, os apavorados, os doentes, os fracos e emaciados, os roubados, e os aflitos. Eles seguiam os ditames de virtude e nunca feriam uns aos outros. Eles eram propensos e bem dispostos para ações de todos os tipos (que mereciam ser realizadas). Eles costumavam cuidar e servir com reverência os indivíduos superiores e idosos. Eles adoravam devidamente os Pitris, as divindades, e convidados, e comiam todos os dias o que era deixado depois de satisfazer estes. Eles eram firmemente dedicados à verdade e penitências. Nenhum entre eles comia sozinho algum alimento que fosse bom, e nenhum deles tinha relações sexuais com cônjuges de outras pessoas. Em relação à compaixão, eles se comportavam em direção a todas as criaturas como em direção a si mesmos. Eles nunca permitiam a emissão da semente vital no espaço vazio, em animais inferiores, em úteros proibidos, ou em dias sagrados. Eles eram sempre notáveis por doações, por inteligência, por simplicidade, por esforço auspicioso, por humildade, por cordialidade, e por clemência. E, ó pujante, verdade, caridade, penitência, pureza, compaixão, palavras gentis e ausência animosidade em direção a amigos, todos estes estavam sempre neles. Inatividade, procrastinação, mau humor, inveja, falta de previsão, descontentamento, melancolia, e cobiça nunca os assaltavam. Pelos Danavas terem sido notáveis por essas boas qualidades, eu morei com eles desde o início da criação por muitos yugas juntos. Os Tempos foram alterados, e aquela alteração ocasionou uma alteração no caráter dos Danavas. Eu vi que a virtude e a moralidade os abandonaram e eles começaram ser dominados por luxúria e ira. Pessoas, embora elas mesmas inferiores em capacidades, começaram a nutrir animosidades em direção a superiores em idade possuidores de qualificações superiores, e quando os últimos, possuidores de virtude e mérito, costumavam falar
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