Mahabharata
Mahabharata - 12 - Santi Parva - Parte 3
Santi Parva do Mahabharata, parte 3: ensinamentos, di?logos e reflex?es sobre dever, paz, sabedoria e ordem moral ap?s a grande guerra.
sobre tópicos apropriados em meio a assembléias, os primeiros começavam a escarnecer ou rir deles. Quando superiores veneráveis em idade chegavam, os indivíduos mais jovens, sentados à vontade, se recusavam a adorar os primeiros por se levantarem e saudá-los com respeito. Na presença de pais, filhos começaram a exercer poder (em questões que diziam respeito somente aos pais). Aqueles que não estavam em recebimento de pagamentos aceitavam serviço e proclamavam o fato desavergonhadamente. Aqueles entre eles que conseguiam acumular grande riqueza por fazer ações injustas e censuráveis vinham a ser estimados. Durante a noite eles começavam a gritar alto e agudamente. Seus fogos homa cessaram de lançar chamas brilhantes e ascendentes. Filhos começaram a mandar nos pais, e esposas dominaram maridos. Mães, pais, mais velhos, preceptores, convidados, e guias cessaram de impor respeito por sua posição superior. As pessoas cessaram de educar com afeição seus próprios filhos e começaram a abandoná-los. Sem doar a porção definida em esmolas e reservar a parte fixa para oferecer aos deuses, cada um comia o que tinha. De fato, sem oferecerem seus bens para as divindades em sacrifícios e sem dividi-los com os Pitris, os deuses, convidados, e os superiores veneráveis, eles se apropriavam deles para seu próprio uso desavergonhadamente. Seus cozinheiros não tinham mais qualquer consideração pela pureza de mente, ações, e palavras. Eles comiam o que era deixado descoberto. Seus cereais jaziam espalhados em quintais, expostos à devastação por corvos e ratos. Seu leite permanecia exposto, e eles começaram a tocar manteiga clarificada com mãos não lavadas depois de comerem. Suas espadas, facas domésticas, cestos, e pratos e xícaras de metal branco, e outros utensílios começaram a ficar espalhados em suas casas. Suas donas de casa se abstinham de cuidar delas. Eles não mais realizavam os reparos em suas casas e muros. Amarrando seus animais eles se abstinham de lhes dar alimento e bebida. Desconsiderando as crianças que somente olhavam, e sem terem alimentado seus dependentes, os Danavas comiam o que eles tinham. Eles começaram a preparar payasa (pudim de arroz cozido em leite adoçado) e krisara (leite, gergelim e arroz) e pratos de carne e bolos e sashkuli (torta feita de arroz ou cevada cozida em água adoçada), (não para deuses e convidados) mas para seus próprios escravos, e começaram a comer a carne de animais não mortos em sacrifícios. Eles costumavam dormir até depois de o sol ter nascido. Eles faziam noite de suas manhãs. Dia e noite disputas e discussões aumentavam em todas as casas deles. Aqueles que não eram respeitáveis entre eles não mostravam mais qualquer respeito por aqueles que mereciam respeito enquanto os últimos estavam sentados em algum lugar. Afastados de seus deveres definidos, eles pararam de reverenciar aqueles que tinham se dirigido para as florestas para levarem uma vida de paz e contemplação divina. A mistura de castas começou livremente entre eles. Eles pararam de cuidar da pureza do corpo ou da mente. Brahmanas eruditos nos Vedas cessaram de impor respeito entre eles. Aqueles também que desconheciam os Richs não eram condenados ou punidos. Ambos eram tratados em uma posição de igualdade, isto é, aqueles que mereciam respeito e aqueles que não mereciam respeito. Suas empregadas se tornaram pecaminosas em comportamento, e começaram a usar colares de ouro e outros ornamentos e mantos finos, e costumavam permanecer em suas casas ou ir embora perante seus próprios olhos. Eles começaram a derivar grande prazer de esportes e diversões nos quais suas mulheres eram vestidas como homens e seus homens como mulheres. Aqueles entre seus antepassados que eram ricos tinham feito doações de riquezas para pessoas dignas. Os descendentes dos doadores, mesmo quando em condições prósperas, começaram a retomar, por sua incredulidade, aquelas doações. Quando dificuldades ameaçavam a realização de algum propósito e amigo procurava o conselho de amigo, aquele propósito era frustrado pelo último mesmo se ele tivesse o menor interesse que lhe servisse por frustrá-lo. Mesmo entre as suas melhores classes tinham aparecido comerciantes e negociantes em bens, com a intenção de tirar a riqueza de outros. Os Sudras entre eles tinham se dedicado à prática de penitências. Alguns entre eles tinham começado a estudar, sem elaborarem quaisquer regras para regular suas horas e alimentação. Outros começaram a estudar, criando regras que eram inúteis. Discípulos se abstiveram de prestar obediência e serviço a preceptores. Preceptores também vieram a tratar discípulos como companheiros cordiais. Pais e mães estavam esgotados com trabalho, e se abstinham de se divertir em festas. Pais em velhice, privados de poder sobre filhos, eram forçados a mendigar seu alimento dos últimos. Entre eles, mesmo pessoas de sabedoria, conhecedoras dos Vedas, e parecendo com o próprio oceano em gravidade de comportamento, começaram a se dirigir à agricultura e outras ocupações semelhantes. Pessoas analfabetas e ignorantes começaram a ser alimentadas em Sraddhas. (Nenhum mérito se vincula ao ato de alimentar uma pessoa ignorante.) Todas as manhãs, discípulos, em vez de se aproximarem de preceptores para fazerem perguntas respeitosas para averiguar quais ações esperam realização e para procurar as ordens que eles têm que cumprir, são eles mesmos servidos por preceptores que cumprem aquelas funções. Noras, na presença das mães e pais de seus maridos, repreendem e castigam servos e empregadas, e chamando seus maridos os repreendem e criticam. Pais, com grande cuidado, procuram manter filhos em bom humor, ou dividindo por medo sua riqueza entre os filhos, vivem em miséria e aflição. Mesmo pessoas desfrutando da amizade das vítimas, vendo as últimas desprovidas de riqueza em incêndios ou por ladrões ou pelo rei, têm começado a se entregarem ao riso por sentimentos de zombaria. Eles se tornaram ingratos e incrédulos e pecaminosos e viciados em uniões adúlteras até com as esposas de seus preceptores. Eles têm se dirigido a comer alimento proibido. Eles têm ultrapassado todos os limites e restrições. Eles ficaram desprovidos daquele esplendor que os tinha distinguido antes. Por essas e outras indicações de má conduta, e a inversão de sua natureza anterior, eu não irei, ó chefe dos deuses, morar mais entre eles. Eu, portanto, vim a ti por minha própria vontade. Receba- me com respeito, ó marido de Sachi! Honrada por ti, ó chefe dos celestiais, eu receberei honra de todas as outras divindades. Lá, onde eu residir, as sete outras deusas com Jaya como sua oitava, que me amam, que estão inseparavelmente associadas comigo, e que dependem de mim, desejam viver. Elas são Esperança, Fé, Inteligência, Contentamento, Vitória, Progresso, e Bondade. Aquela que forma a oitava, isto é, Jaya, ocupa o lugar principal entre elas, ó castigador de Paka. Todas elas e eu mesma, tendo abandonado os Asuras, viemos para teus domínios. Nós iremos, de agora em diante, residir entre as divindades que são devotadas à retidão e fé.’” "Depois que a deusa tinha falado dessa maneira, o Rishi celeste Narada, e Vasava, o matador de Vritra, para alegrá-la, ofereceram a ela um acolhimento jubiloso. O deus do vento, aquele amigo de Agni, então começou a soprar gentilmente pelo céu, carregando odores deliciosos, refrescando todas as criaturas com quem ele entrava em contato, e contribuindo para a felicidade de cada um dos sentidos. Todas as divindades (ouvindo as notícias) se reuniram em um local puro e agradável e esperaram lá na expectativa de ver Maghavat sentado com Lakshmi ao lado dele. Então o chefe dos deuses, de mil olhos, acompanhado por Sree e seu amigo o grande Rishi, e sobre um carro esplêndido puxado por cavalos verdes, entrou naquela assembleia de celestiais, recebendo honra de todos. Então o grande Rishi Narada, cuja destreza era conhecida por todos os celestiais, observando um sinal que o manejador do raio fez e que a própria Sree aprovou, saudou a chegada da deusa lá e proclamou-a como extremamente auspiciosa. O céu se tornou claro e brilhante e começou a chover néctar sobre a região do Avô auto-nascido. Os timbales celestes, embora tocados por ninguém, começaram a tocar, e todos os pontos do horizonte, ficando sem nuvens, pareciam flamejar com esplendor. Indra começou a despejar chuva sobre colheitas que começaram a aparecer cada uma em sua estação apropriada. Ninguém então se desviou do caminho da retidão. A terra ficou adornada com muitas minas cheias de jóias e pedras preciosas, e o canto de recitações Védicas e outros sons melodiosos aumentaram na ocasião daquele triunfo dos celestiais. Seres humanos, dotados de mentes firmes, e todos aderindo ao caminho auspicioso que é trilhado pelos virtuosos, começaram a ter satisfação em ritos Védicos e em outros ritos e atos religiosos. Homens e deuses e Kinnaras e Yakshas e Rakshasas todos vieram a ser dotados de prosperidade e contentamento. Nem uma flor, o que dizer então de frutos, caiu prematuramente de uma árvore mesmo se o deus do vento a sacudisse com força. Todas as vacas começaram a produzir leite fresco sempre que ordenhadas por homens, e palavras cruéis e duras cessaram de ser proferidas qualquer um. Aqueles que, pelo desejo de progresso, se aproximarem perante assembléias de Brahmanas, e lerem essa narrativa da glorificação de Sree por todas as divindades com Indra em sua chefia, divindades que são competentes para conceder todos os desejos, conseguem obter grande prosperidade. Essas então, ó chefe dos Kurus, são as principais indicações de prosperidade e adversidade. Estimulado por ti, eu te contei tudo. Cabe a ti te comportares de acordo com as instruções transmitidas nelas, compreendendo-as depois de reflexão cuidadosa!'” 229 "Yudhishthira disse, 'Por qual disposição, qual rumo de deveres, qual conhecimento, e qual energia, alguém consegue alcançar Brahma que é imutável e que está além do alcance da natureza primordial?'” (Tudo mais sujeito a ser afetado pela natureza primordial. Somente a Alma Suprema não pode ser afetada. Por isso, Brahma é frequentemente citado como estando 'acima de Prakriti.') "Bhishma disse, 'Alguém que está engajado na prática da religião de nivritti, que come abstemiamente, e que tem seus sentidos sob completo controle, pode alcançar Brahma o qual é imutável e que está acima da natureza primordial. Em relação a isto é citada a antiga narrativa, ó Bharata, da conversa entre Jaigishavya e Asita. Uma vez Asita-Devala se dirigiu a Jaigishavya que era possuidor de grande sabedoria e totalmente familiarizado com as verdades de dever e moralidade.'” "Devala disse, 'Tu não te alegras quando elogiado. Tu não dás vazão à raiva quando culpado ou criticado. Qual, de fato, é tua sabedoria? De onde tu a conseguiste? E qual, de fato, é o refúgio daquela sabedoria?'” "Bhishma disse, 'Assim questionado por Devala, o puro Jaigishavya de penitências austeras disse estas palavras de grande importância, repletas de fé ilimitada e sentido profundo.'” "Jaigishavya disse, 'Ó principal dos Rishis, eu te falarei daquele que é o fim mais sublime, que é a meta suprema, que é tranquilidade, na avaliação de todas as pessoas de ações corretas. Aqueles, ó Devala, que se comportam uniformemente para com aqueles que os elogiam e aqueles que os criticam, aqueles que escondem seus próprios votos e boas ações, aqueles que nunca se entregam a recriminações, aqueles que nunca falam mesmo o que é bom quando isto é calculado para prejudicar (em vez de produzir algum benefício), aqueles que não desejam devolver insulto por insulto recebido, são citados como sendo homens possuidores de sabedoria. Eles nunca se afligem pelo que ainda está por vir. Eles estão interessados somente no que está diante deles, e eles agem como eles devem. Eles nunca se entregam à tristeza pelo que é passado ou mesmo o chamam às suas mentes. Possuidores de poder e mentes reguladas, eles fazem como lhes agrada, de acordo com a maneira na qual deve ser feito, o que se espera que eles façam em relação a todos os objetos, ó Devala, se solicitados respeitosamente a isso. De conhecimento maduro, de grande sabedoria, com ira sob completo controle, e com suas paixões mantidas sob domínio, eles nunca causam dano a alguém em pensamento, palavra, ou ação. Desprovidos de inveja, eles nunca ofendem outros, e possuidores de autocontrole, eles nunca ficam magoados ao verem a prosperidade de outras pessoas. Tais homens nunca fazem discursos exagerados, ou se põem a elogiar outros, ou a falar mal deles. Eles também nunca são afetados por louvor e censura proferidos por outros a respeito deles. Eles são tranquilos em relação a todos os seus desejos, e estão dedicados ao bem de todas as criaturas. Eles nunca dão vazão à raiva, ou se entregam a êxtases de alegria, ou ferem alguma criatura. Desatando todos os nós de seus corações, eles seguem adiante muito alegremente. Eles não têm amigos nem eles são os amigos de outros. Eles não têm inimigos nem eles são os inimigos de outras criaturas. De fato, homens que podem viver dessa maneira podem passar seus dias em felicidade para sempre. Ó melhor dos regenerados, aqueles que adquirem um conhecimento das regras de moralidade e virtude, e que cumprem aquelas regras na prática, conseguem ganhar alegria, enquanto aqueles que abandonam o caminho da retidão são afligidos por ansiedades e tristeza. Eu agora me dirigi ao caminho da retidão. Depreciado por outros, por que eu ficarei aborrecido com eles, ou, elogiado por outros, por que eu ficarei satisfeito? Que os homens obtenham quaisquer objetos que eles queiram de quaisquer ocupações nas quais eles se engajem. (Eu sou indiferente a aquisições e perdas.) Elogio e crítica não podem contribuir para meu progresso ou o oposto. Aquele que compreendeu as verdades das coisas fica satisfeito até com a desconsideração como se ela fosse ambrosia. O homem de sabedoria fica realmente aborrecido com a consideração como se ela fosse veneno. Aquele que é livre de todos os defeitos dorme destemidamente neste e no outro mundo mesmo se insultado por outros. Por outro lado, aquele que o insulta, sofre destruição. Aqueles homens de sabedoria que procuram alcançar o fim mais sublime, conseguem obtê-lo por observarem uma conduta tal como esta. O homem que conquistou todos os seus sentidos é considerado como tendo realizado todos os sacrifícios. Tal pessoa alcança o degrau mais alto, isto é, aquele de Brahma, o qual é eterno e que supera o alcance da natureza primordial. Os próprios deuses, os Gandharvas, os Pisachas, e os Rakshasas, não podem alcançar o degrau que é daquele que alcançou o fim mais sublime.'" 230 "Yudhishthira disse, 'Qual homem há que é querido para todos, que alegra todas as pessoas, e que é dotado de todo o mérito e todas as habilidades?'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto eu narrarei para ti as palavras que Kesava, perguntado por Ugrasena, disse a ele em uma ocasião passada.'” "Ugrasena disse, 'Todas as pessoas parecem ser muito desejosas de falar dos méritos de Narada. Eu penso que aquele Rishi celeste deve realmente possuir todos os tipos de mérito. Eu te peço, me diga isso, ó Kesava!'” "Vasudeva disse, 'Ó chefe dos Kukkuras, ouça-me enquanto eu menciono em resumo aquelas boas qualidades de Narada com as quais eu estou familiarizado, ó rei! Narada é tão versado nas escrituras quanto ele é bom e virtuoso em sua conduta. E contudo, por causa de sua conduta, ele nunca nutre orgulho que faz o sangue de alguém tão quente. É por essa razão que ele é adorado em todos os lugares. Descontentamento, cólera, leviandade, e medo, estes não existem em Narada. Ele é livre de procrastinação, e possuidor de coragem. Por isso ele é adorado em todos os lugares. Narada merece o culto respeitoso de todos. Ele nunca recua de suas palavras por desejo ou cobiça. Por isso ele é adorado em todos os lugares. Ele é totalmente familiarizado com os princípios que levam ao conhecimento da alma, inclinado à paz, possuidor de grande energia, e um mestre de seus sentidos. Ele é livre de fraude, e verdadeiro em palavras. Por isso ele é adorado com respeito em todos os lugares. Ele é eminente por energia, por fama, por inteligência, por conhecimento, por humildade, por nascimento, por penitências, e por idade. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele é de bom comportamento. Ele se veste e se aloja bem. Ele come alimento puro. Ele ama todos. Ele é puro em corpo e mente. Ele é de fala gentil. Ele é livre de inveja e malícia. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele está indubitavelmente sempre empenhado em fazer o bem para todas as pessoas. Nenhum pecado mora nele. Ele nunca se regozija com as desgraças de outras pessoas. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele sempre procura conquistar todos os desejos mundanos por ouvir recitações Védicas e prestar atenção nos Puranas. Ele é um grande renunciante e ele nunca desrespeita ninguém. Por isto ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele olha igualmente para todos; e, portanto, ele não tem alguém a quem ele ama e alguém a quem ele odeia. Ele sempre fala o que é agradável para o ouvinte. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele possui grande conhecimento das escrituras. Sua conversação é variada e encantadora. Seu conhecimento e sabedoria são grandiosos. Ele é livre de cobiça. Ele é livre também da ilusão. Ele é generoso. Ele venceu ira e a cupidez. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele tem nunca disputou com alguém por qualquer assunto ligado com lucro ou prazer. Todas as imperfeições foram removidas por ele. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Sua devoção (a Brahma) é firme. Sua alma é irrepreensível. Ele é bem versado nos Srutis. Ele é livre de crueldade. Ele está além da influência da ilusão ou falhas. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele não é apegado a todas as coisas que são objetos de apego (para outros). Apesar disso ele parece ter afeição por todas as coisas. (O sentido é este: embora realmente desapegado, ele parece ser apegado. Nisso há mérito especial. Um homem cumprindo os deveres de um chefe de família, sem, no entanto, ser apegado a esposa e filhos e posses, é uma pessoa muito superior. Tal pessoa é comparada a uma folha de lótus, a qual, quando mergulhada em água, nunca é molhada ou encharcada por ela. Alguns, vendo a dificuldade do combate, fogem. Nisso há pouco mérito. Enfrentar todos os objetos de desejo, desfrutar deles, mas permanecer todo o tempo tão desapegado deles a ponto de não sentir a menor aflição se separado deles, é mais meritório.) Ele nunca está sujeito à influência de alguma dúvida. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele não tem ânsia por objetos ligados com lucro e prazer. Ele nunca glorifica a si mesmo. Ele está livre de malícia. Ele é de fala gentil. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele observa os corações, diferentes uns dos outros, de todos os homens, sem criticar algum deles. Ele é bem versado em todas as questões ligadas com a origem das coisas. Ele nunca desrespeita ou demonstra ódio por qualquer tipo de ciência. Ele vive de acordo com seu próprio padrão de moralidade. Ele nunca permite que seu tempo passe inutilmente. Sua alma está sob seu controle. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele tem labutado em assuntos que merecem a aplicação de trabalho. Ele ganhou conhecimento e sabedoria. Ele nunca está saciado com yoga. Ele está sempre atento e pronto para o esforço. Ele é sempre cuidadoso. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele nunca tem que sentir vergonha por alguma deficiência dele. Ele é muito atencioso. Ele está sempre empenhado pelos outros em realizar o que é para o bem deles. Ele nunca divulga os segredos de outros. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Ele nunca se entrega a êxtases de alegria nem em ocasiões de fazer aquisições de valor. Ele nunca fica aflito por perdas. Sua compreensão é firme e estável. Sua alma é desapegada de todas as coisas. Por isso ele é adorado em todos os lugares com respeito. Quem, de fato, não amaria ele que é dessa maneira possuidor de todos os méritos e habilidades, que é inteligente em todas as coisas, que é puro em corpo e mente, que é totalmente auspicioso, que é bem versado no curso do tempo e sua oportunidade para ações específicas, e que conhece bem todas as coisas agradáveis?'" "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó tu da linhagem de Kuru, saber qual é a origem e qual é o fim de todas as criaturas; qual é a natureza de sua meditação e quais são suas ações; quais são as divisões de tempo, e os períodos de vida determinados nas respectivas eras. Eu desejo também saber integralmente a verdade acerca da gênese e da conduta do mundo; a origem de criaturas no mundo e a maneira de elas seguirem em frente. De fato, de onde vem sua criação e destruição? Ó melhor das pessoas virtuosas, se tu estás disposto a nos favorecer, nos fale sobre isso que eu te perguntei. Tendo ouvido antes aquele discurso excelente de Bhrigu para o sábio regenerado Bharadwaja que tu narraste, minha compreensão, purificada da ignorância, tornou-se extremamente ligada ao yoga, e afastada dos objetos mundanos repousa em pureza celestial. Eu te pergunto sobre o assunto, portanto, mais uma vez. Cabe a ti me falar (mais elaboradamente).'” "Bhishma disse, 'Sobre isso eu recitarei para ti uma antiga narrativa do que o divino Vyasa disse para seu filho Suka quando o último tinha questionado o primeiro. Tendo estudado os ilimitáveis Vedas com todos os seus ramos e os Upanishads, e desejoso de levar uma vida de Brahmacharya por ter obtido excelência de mérito religioso, Suka endereçou essas mesmas perguntas, sobre as quais suas dúvidas tinham sido esclarecidas, para seu pai, o Rishi Nascido na Ilha, que tinha removido (por estudo e contemplação) todas as dúvidas ligadas com o tópico da verdadeira importância dos deveres.'” "Suka disse, 'Cabe a ti me dizer quem é o Criador é de todos os seres, como fixado por um conhecimento de tempo, e quais são os deveres que devem ser realizados por um Brahmana.'” "Bhishma disse, 'Para seu filho que o tinha questionado, o pai, tendo um conhecimento do passado e do futuro, conhecedor de todos os deveres e dotado de onisciência, falou dessa maneira sobre o assunto.'” "Vyasa disse, 'Somente Brahma, que é sem início e sem fim, não nascido, resplandecente com refulgência, além da decadência, imutável, indestrutível, inconcebível, e que transcende o conhecimento, existe antes da Criação. Os Rishis, medindo o tempo, têm nomeado partes específicas por nomes específicos. Quinze piscadas de olho compõem o que é chamado de Kashtha. Trinta Kashthas constituem o que é chamado de Kala. Trinta Kalas, com a décima parte de um Kala somado, fazem o que é conhecido como um Muhurta. Trinta Muhurtas completam um dia e uma noite. Trinta dias e noites são chamados de mês, e doze meses são chamados de ano. Pessoas conhecedoras da ciência matemática dizem que um ano é composto de dois ayanas (dependente do movimento do sol), isto é, o do norte e o do sul. O sol faz o dia e a noite para o mundo de homens. A noite é para o sono de todas as criaturas vivas, e o dia é para se fazer ações. Um mês dos seres humanos é igual a um dia e noite dos Pitris. Essa divisão (em relação aos Pitris) consiste nisto: a quinzena iluminada (dos homens) é seu dia o qual é para se fazer ações; e a quinzena escura é sua noite para dormir. Um ano (dos seres humanos) é igual a um dia e noite dos deuses. A divisão (em relação aos deuses) consiste nisto: a metade do ano na qual o sol viaja do equinócio de primavera para o equinócio de outono é o dia das divindades, e a metade do ano na qual o sol viaja do último para o primeiro é sua noite. Calculando pelos dias e noites de seres humanos sobre os quais eu te falei, eu falarei do dia e da noite de Brahman e de seus anos também. Eu irei, em sua ordem, te dizer o número de anos, que são (dessa maneira) para diferentes propósitos computados diversamente em relação aos yugas Krita, Treta, Dwapara, e Kali. Quatro mil anos (das divindades) é a duração da primeira era ou Krita. A manhã daquela era consiste em quatrocentos anos e sua noite é de quatrocentos anos. (A duração total, portanto, do Krita yuga é de quatro mil e oitocentos anos das divindades.) Com relação aos outros yugas, a duração de cada um diminui gradualmente um quarto em relação ao período substancial com a parte conjunta e a própria parte conjunta. (Assim a duração do Treta é de três mil anos e sua manhã se estende por trezentos anos e sua noite por trezentos anos.) A duração do Dwapara é de dois mil anos, e sua manhã se estende por duzentos anos e sua noite também por duzentos anos. A duração do Kali yuga é mil anos, e sua manhã se estende por cem anos, e sua noite por cem anos. (O Krita se estende ao todo por 4.800 anos. O Treta por 3.600; o Dwapara por 2.400; e o Kali por 1.200. Estes são, no entanto, os anos das divindades.) Estes períodos sempre sustentam os mundos sem fim e eternos. Aqueles que conhecem Brahma, ó filho, consideram isto como o Imutável Brahma. Na era Krita todos os deveres existem em sua totalidade, junto com a Verdade. Nenhum conhecimento ou objeto vinha aos homens daquela era através de meios injustos ou proibidos. Nos outros yugas, o dever, ordenado nos Vedas, é visto declinar gradualmente um quarto em cada. A pecaminosidade cresce em consequência de roubo, mentira, e fraude. Na era Krita, todas as pessoas são livres de doenças e coroadas com sucesso em relação a todos os seus objetivos, e todas vivem por quatrocentos anos. Na era Treta, o período de vida diminui um quarto. É também sabido por nós que, no sucessivos yugas, as palavras dos Vedas, os períodos de vida, as bênçãos (proferidas por Brahmanas), e os frutos de ritos Védicos, todos diminuem gradualmente. Os deveres registrados para o Krita yuga são de um tipo. Aqueles para o Treta são outros. Aqueles para o Dwapara são diferentes. E aqueles para o Kali são outros. Isso está de acordo com aquele declínio que marca cada yuga sucessivo. Na era Krita, a Penitência ocupa o lugar mais importante. Na Treta, o Conhecimento é o principal. Na Dwapara, o Sacrifício é considerado como o principal. No Kali yuga, a Caridade é a única coisa que foi prescrita. Os eruditos dizem que esses doze mil anos (das divindades) constituem o que é chamado de um yuga (ou Devayuga). Mil de tais yugas compõem um único dia de Brahman. A mesma é a duração da noite de Brahman. Com o começo do dia de Brahman o universo começa a existir. Durante o período de dissolução universal o Criador dorme, tendo recorrido à meditação- yoga. Quando o período de sono expira, Ele desperta. Aquele então que é o dia de Brahman se estende por mil yugas. Suas noites também se estendem por mil yugas similares. Aqueles que sabem disso são citados como aqueles que conhecem o dia e a noite. No término de Sua noite, Brahman, despertando, modifica o indestrutível chit por fazê-lo ser coberto com Avidya. Ele então faz surgir a Consciência, de onde procede a Mente a qual é idêntica ao Manifesto.'" "Vyasa disse, 'Brahma é a semente refulgente da qual, existindo como ele existe por si mesmo, surgiu o universo inteiro consistindo em dois tipos de seres, isto é, os móveis e os imóveis. Na alvorada de Seu dia, despertando, Ele cria com a ajuda de Avidya este universo. Inicialmente surge aquilo que é chamado de Mahat (Inteligência Pura ou Sutil). Aquele Mahat é rapidamente transformado em Mente a qual é a alma do Manifesto. (O Manifesto começa a existir a partir da Mente ou tem a Mente como sua Alma.) Oprimindo o Chit, que é refulgente, com Avidya, a Mente cria sete grandes seres. (Estes sete grandes Seres ou entidades são Mahat, o mesmo rapidamente transformado em Mente, e as cinco entidades elementares de Espaço, etc.) Incitada pelo desejo de criar, a Mente, que é de longo alcance, que tem muitas direções, e que tem desejo e dúvida como suas principais indicações, começa a criar diversas espécies de objetos por modificações de si mesma. Primeiro surge dela o Espaço. Saiba que sua propriedade é o Som. Do Espaço, por modificação, surge o portador de todos os perfumes, isto é, o Vento puro e poderoso. É dito que ele possui o atributo de Toque. Do Vento também, por modificação, surge a Luz dotada de refulgência. Manifestada em beleza, e chamada também de Sukram, ela começa a existir, dessa maneira, possuindo o atributo de Forma. Da Luz, por modificação, surge a Água que tem o Sabor como seu atributo. Da Água surge a Terra que tem o Aroma como seu atributo. Estes são citados como representando a criação inicial. Estes, um depois do outro, adquirem as qualidades dos imediatamente precedentes dos quais eles surgiram. Cada um não tem somente o seu próprio atributo especial, mas cada um que vem em seguida tem as qualidades de todos os precedentes. (Assim o Espaço tem somente o Som como seu atributo. Depois do Espaço vem o Vento, que tem, portanto, Som e Toque como seus atributos. Do Vento vem a Luz ou Fogo, que tem Som, Toque, e Forma como seus atributos. Da Luz vem a Água, que tem Som, Toque, Forma, e Sabor como seus atributos. Da Água vem a Terra, que tem Som, Toque, Forma, Sabor, e Aroma como seus atributos). Se alguém, percebendo Aroma na Água, dissesse por ignorância que ele pertence à Água, ele cairia em um erro, pois o Aroma é o atributo da Terra embora ele possa existir em um estado de conexão com a Água e também com o Vento. Essas sete espécies de entidades, possuindo diversos tipos de energia, a princípio existiam separadamente umas das outras. Elas não podiam criar objetos sem elas todas se juntarem em um estado de mistura. Todas essas grandes entidades se unindo, e, se misturando umas com as outras, formam as partes constituintes do corpo que são chamadas de membros. Pela combinação daqueles membros, a soma total, investida com forma e tendo dezesseis partes constituintes (os cinco elementos e os onze sentidos de conhecimento e ação incluindo a mente), se torna o que é chamado de corpo. (Quando o corpo grosseiro está assim formado), o Mahat sutil, com o resíduo inesgotado das ações, então entra naquela combinação chamada de corpo grosseiro. (Dessa maneira há dois corpos, um grosseiro e o outro sutil chamado 'linga-sarira.' As grandes criaturas são os tan-mantras dos elementos grosseiros, isto é, suas formas sutis. A princípio o corpo grosseiro (com o princípio de crescimento) é formado, nele entra o corpo sutil ou o linga-sarira.) Então o Criador original de todos os seres, tendo por seu Maya dividido a Si Mesmo, entra naquela forma sutil para inspecionar ou supervisionar tudo. E visto que ele é o Criador original de todos os seres ele é por causa disso chamado de o Senhor de todos os seres. (Criação e destruição estão continuando infinitamente. O início da _primeira_ Criação é inconcebível. A Criação aqui descrita é uma de uma série. Isto é mais explicado nos versos seguintes.) É ele quem cria todos os seres móveis e imóveis. Depois de ter assim assumido a forma de Brahman ele cria os mundos dos deuses, os Rishis, os Pitris, e os homens; os rios, os mares, e os oceanos, os pontos do horizonte, países e províncias, colinas e montanhas, e grandes árvores, seres humanos, Kinnaras, Rakshasas, aves, animais domésticos e selvagens, e cobras. De fato, ele cria ambos os tipos de coisas existentes, isto é, as que são móveis e as que são imóveis; e as que são destrutíveis e as que são indestrutíveis. Desses objetos criados cada um obtém aqueles atributos os quais ele tinha durante a Criação anterior; e cada um, de fato, obtém repetidamente os mesmos atributos em cada Criação subsequente. Determinado em relação ao caráter por injúria ou quietude, suavidade ou ferocidade, justiça ou injustiça, veracidade ou falsidade, cada criatura, a cada nova criação, obtém aquela qualidade específica que ela tinha nutrido antes. É por isso que aquele atributo específico se liga a ela. É o próprio Ordenador quem atribui variedade às grandes entidades (de Espaço, Terra, etc.), aos objetos dos sentidos (tais como forma, etc.), e ao tamanho ou massa da matéria existente, e estabelece as relações das criaturas com aqueles entes multiformes. Entre os homens que têm se dedicado ao conhecimento das coisas há alguns que dizem que, na produção de efeitos, o esforço é supremo. Algumas pessoas eruditas dizem que o Destino é supremo, e alguns que é a Natureza que é o agente. Outros dizem que Ações fluindo do esforço (pessoal), e Destino, produzem efeitos, ajudados pela Natureza. Em vez de considerar algum desses como isoladamente competente para a produção de efeitos, eles dizem que é a união de todos os três que produz todos os efeitos. Com relação a este assunto, (isto é, essa variedade de Existência e essa variedade de relações), alguns dizem que tal é o caso; alguns, que tal não é o caso; alguns, que ambos não são o caso; e alguns, que não é que o oposto de ambos não são. Essas, é claro, são as contendas daqueles que dependem das Ações, com referência a objetos. Aqueles, no entanto, cuja visão é dirigida para a verdade consideram Brahma como a causa. Penitência é o maior bem para as criaturas vivas. As bases da penitência são tranquilidade e o autodomínio. Pela penitência alguém obtém todas as coisas que ele deseja em sua mente. Pela penitência alguém alcança aquele Ser que cria o universo. Aquele que (pela penitência) consegue alcançar aquele Ser se torna o mestre poderoso de todos os seres. É pela Penitência que os Rishis estão habilitados a lerem os Vedas incessantemente. No início o Auto-nascido fez aqueles sons Védicos excelentes, que são encarnações de conhecimento e que não têm início nem fim (surgirem e) fluírem (de preceptor para discípulo). Daqueles sons surgiram todos os tipos de ações. Os nomes dos Rishis, todas as coisas que foram criadas, as variedades de forma vistas nas coisas existentes, e o rumo das ações, têm sua origem nos Vedas. (Os Vedas são Fala ou Palavra, o Criador teve que proferir Palavras simbolizando suas ideias antes de criar alguma coisa.) De fato, o Mestre Supremo de todos os seres, no início, criou todas as coisas a partir das palavras dos Vedas. Realmente, os nomes dos Rishis, e tudo mais que foi criado, se acham nos Vedas. Após o término de sua noite (isto é, na alvorada de seu dia), o incriado Brahman cria, de protótipos que existiam antes, todas as coisas as quais são, é claro, bem feitas por Ele. Nos Vedas é indicado o tópico da Emancipação da Alma, junto com os dez meios constituídos por estudo dos Vedas, adoção do modo de vida familiar, penitências, observância de deveres comuns para todos os modos de vida, sacrifícios, realização de todos os atos que levam à fama pura, a meditação que é de três tipos, e aquele tipo de emancipação que é chamada de sucesso (Siddhi) obtenível nessa vida. Aquele Brahma incompreensível que tem sido declarado nas palavras dos Vedas, e que é revelado mais claramente nos Upanishads por aqueles que têm uma compreensão clara dos Vedas, pode ser percebido por seguir gradualmente as práticas acima referidas. Para uma pessoa que pensa que tem um corpo, essa consciência de dualidade, repleta também daqueles pares de opostos, é nascida somente de ações nas quais ela está envolvida. (Aquela consciência de dualidade cessa durante o sono sem sonhos ou quando a Emancipação é alcançada.) Aquela pessoa, no entanto, que alcançou a Emancipação, ajudada por seu conhecimento, forçosamente rechaça aquela consciência de dualidade. Dois Brahmas devem ser conhecidos, isto é, o Brahma representado pelo som (isto é, os Vedas), e em segundo lugar aquele que está além dos Vedas e é Supremo. Alguém que está familiarizado com Brahma representado pelo som consegue alcançar o Brahma que é Supremo. A matança de animais é o sacrifício prescrito para os Kshatriyas. O cultivo de cereais é o sacrifício prescrito para os Vaisyas. Servir as três outras classes é o sacrifício prescrito para os Sudras. Penitências (ou culto de Brahma) é o sacrifício prescrito para os Brahmanas. Na era Krita a realização de sacrifícios não era necessária. Tal realização se tornou necessária na era Treta. Na Dwapara, os sacrifícios começaram decair. Na Kali, o mesmo é o caso com eles. Na era Krita, os homens, cultuando somente um Brahma, consideravam os Richs, os Samans, os Yajuses e os ritos e sacrifícios que são realizados por motivos de lucro, como todos diferentes do objeto de seu culto, e praticavam somente Yoga, por meio de penitências. Na era Treta, apareceram muitos homens poderosos que dominaram todos os objetos móveis e imóveis. (Embora a maioria dos homens daquela época não fosse naturalmente inclinada à prática de virtude, contudo aqueles grandes líderes os forçaram à tal prática.) Consequentemente, naquela era, os Vedas, e sacrifícios e as distinções entre as várias classes, e os quatro modos de vida, existiam em um estado firme. Em consequência, no entanto, da diminuição no período de vida em Dwapara, todos esses, naquela era, decaíram daquela condição firme. Na era Kali, todos os Vedas se tornaram tão raros que eles nem sequer podem ser vistos pelos homens. Afligidos pela iniquidade, eles sofrem extermínio junto com os ritos e sacrifícios prescritos neles. A virtude que é vista na era Krita é agora visível nos Brahmanas que são de almas purificadas e dedicados a penitências e ao estudo das escrituras. Em relação aos outros yugas, é visto que sem abandonarem imediatamente os deveres e ações que são consistentes com a virtude, os homens, observadores das práticas de suas respectivas classes, e conhecedores das ordenanças dos Vedas, são levados, pela autoridade das escrituras, a se dirigirem por motivos de vantagem e interesse a sacrifícios e votos e peregrinações para águas e lugares sagrados. (Nos outros três yugas, mesmo no Kali, os homens realizam boas ações e sacrifícios e ritos Védicos e votos e observâncias escriturais, porém por motivos de ganho inferior e não como uma preparação para a Emancipação.) Como na estação das chuvas uma grande variedade de novos objetos da classe imóvel são feitos virem para a vida pelas chuvas que caem das nuvens, assim mesmo muitos novos tipos de dever ou observâncias religiosas são ocasionados em cada yuga. Como os mesmos fenômenos reaparecem com a reaparição das estações, assim mesmo, a cada nova Criação os mesmos atributos aparecem em cada novo Brahman e Hara. Eu, antes disso, te falei do Tempo que é sem início e sem fim, e que ordena essa variedade no universo. É o Tempo que cria e consome todas as criaturas. Todas as inúmeras criaturas que existem sujeitas aos pares de opostos e de acordo com suas respectivas naturezas, têm o Tempo como seu refúgio. É o Tempo que assume aquelas formas e é o Tempo que as mantém. Eu assim discursei para ti, ó filho, sobre os assuntos a respeito dos quais tu perguntaste, isto é, Criação, Tempo, Sacrifícios e outros ritos, os Vedas, o verdadeiro ator no universo, ação, e as consequências da ação.'" 233 "Vyasa disse, 'Eu agora te direi como, quando seu dia termina e sua noite chega, ele recolhe todas as coisas em si mesmo, ou como o Senhor Supremo, fazendo este universo grosseiro extremamente sutil, funde tudo em sua Alma. Quando chega a hora para a dissolução universal, uma dúzia de Sóis, e Agni com suas sete chamas, começam a queimar. O mundo inteiro, envolvido por aquelas chamas, começa a queimar em uma vasta conflagração. Todas as coisas móveis e imóveis que existem sobre a terra primeiro desaparecem e imergem na substância da qual este planeta é composto. Depois que todos os objetos móveis e imóveis assim desapareceram, a terra, desprovida de árvores e ervas, parece nua como um casco de tartaruga. Então a água toma o atributo da terra, isto é, o aroma. Quando a terra fica desprovida de seu principal atributo, aquele elemento está na véspera da dissolução. A Água então prevalece. Surgindo em poderosos vagalhões e produzindo bramidos tremendos, só a água enche este espaço e se move continuamente ou permanece imóvel. Então o atributo da água é tomado pelo Calor, e perdendo seu próprio atributo, a água encontra descanso naquele elemento. Chamas deslumbrantes de fogo, flamejando por toda parte, escondem o Sol que está no centro do espaço. De fato, então, o próprio espaço, cheio daquelas chamas ardentes, queima em uma vasta conflagração. Então o Vento vem e toma o atributo, isto é, a forma de Calor ou Luz, a qual então se torna extinta, se entregando ao Vento, o qual, possuidor de grande poder, começa a ficar terrivelmente agitado. O Vento, obtendo seu próprio atributo, isto é, som, começa a atravessar para cima e para baixo e transversalmente por todos os dez pontos. Então o Espaço toma o atributo, isto é, som, do Vento, após o que o último se extingue entra em uma fase de existência parecida com aquela do som não ouvido ou não proferido. Então o Espaço é o tudo o que resta, aquele elemento cujo atributo, o som, mora em todos os outros elementos, privado dos atributos de forma, e sabor, e toque, e cheiro, e sem forma de qualquer tipo, como o som em seu estado imanifestado de existência. Então o som, que é o atributo do espaço, é consumido pela Mente que é a essência de todas as coisas que são manifestas. Assim a Mente, que em si mesmo é imanifesta, recolhe tudo o que é manifestado pela Mente. Este retraimento da Mente como manifestada na Mente como não manifestada ou sutil, é chamada de destruição do vasto universo externo. Então Chandramas tendo feito a Mente recolher (dessa maneira) seu atributo em si mesma, a consome. Quando a Mente, cessando de existir, entra assim em Chandramas, os outros atributos que são possuídos por Iswara são tudo o que permanece. Este Chandramas, que é chamado também de Sankalpa, é então, depois de um tempo muito longo, trazido sob o domínio de Iswara, o motivo sendo que aquele Sankalpa tem que realizar um ato muito difícil, isto é, a destruição de Chitta ou das faculdades que são empregadas no processo chamado de raciocínio. Quando isso é efetuado, a condição alcançada é citada como sendo de Conhecimento superior. Então o Tempo consome este Conhecimento, e como o Sruti declara, o próprio Tempo, por sua vez, é consumido pelo Poder ou Energia. O Poder ou Energia, no entanto, é (outra vez) consumido pelo Tempo, o qual por fim é então trazido sob seu domínio por Vidya. Possuidor de Vidya, Iswara então consome a própria não-existência em sua Alma. Isto é o Brahma Supremo e Imanifesto, que é Eterno, e que é O Mais Sublime dos Sublimes. Assim todas as criaturas existentes são recolhidas em Brahma. Realmente isto, que deve ser concebido (com a ajuda das escrituras) e que é um tópico de Ciência, tem sido assim declarado por Yogins possuidores de Almas Supremas, depois de experiência real. Assim mesmo o Brahma Imanifesto repetidamente passa pelos processos de Elaboração e Retirada (isto é, Criação e Destruição), e assim cada Dia e cada Noite de Brahman consiste em mil yugas.'" 234 "Vyasa disse, 'Tu me perguntaste sobre a Criação de todos os seres; eu agora narrei aquilo para ti integralmente. Ouça-me enquanto eu te digo agora quais são os deveres de um Brahmana. Os rituais de todas as cerimônias para as quais taxas sacrificais são ordenadas, começando com Jatakarma e terminando com Samavartana, dependem para sua realização de um preceptor competente nos Vedas. (Jatakarma é a cerimônia que é realizada com certos mantras Védicos logo após o nascimento de uma criança. Há muitas cerimônias semelhantes a serem realizadas até Samavartana ou retorno da casa do preceptor depois da conclusão do período de pupilagem. Essas cerimônias são de tal maneira que elas devem ser realizadas pelo pai da criança ou alguém mais a quem o último possa convocar.) Tendo estudado todos os Vedas e tendo mostrado um comportamento submisso em direção a seu preceptor durante sua residência com ele, e tendo pagado o taxa do preceptor, o jovem deve voltar para casa com um conhecimento completo de todos os sacrifícios. (Nesse país não são cobradas taxas por instrução. O pupilo, no entanto, depois de completar seus estudos, pode dar para seu preceptor uma taxa final a qual é determinada pela escolha do próprio preceptor e que varia de acordo com os recursos do pupilo deixando a casa do preceptor por iniciativa própria.) Recebendo a permissão de seu preceptor, ele deve adotar um dos quatro modos de vida e viver nele no devido cumprimento de todos os seus deveres até que ele abandone seu corpo. Ele deve levar ou uma vida familiar com esposas e empenhado em criar filhos, ou viver na observância de Brahmacharya; ou na floresta na companhia de seu preceptor, ou na prática dos deveres prescritos para um yati. A vida familiar é citada como sendo a base de todos os outros modos de vida. Um chefe de família autocontrolado que conquistou todos os seus apegos a objetos mundanos sempre alcança êxito (em relação ao grande objetivo da vida). Um Brahmana, por gerar filhos, por adquirir um conhecimento dos Vedas, e por realizar sacrifícios, paga as três dívidas que ele tem. (Por gerar filhos, alguém paga sua dívida com os ancestrais; por estudar os Vedas, alguém para sua dívida com os Rishis; e por realizar sacrifícios alguém paga sua dívida com as divindades.) Ele deve então entrar nos outros modos de vida, tendo se purificado por meio de suas ações. Ele deve se estabelecer naquele local o qual ele possa verificar como sendo o local mais sagrado sobre a terra, e ele deve se esforçar em todas as questões que levam à fama, para alcançar uma posição de eminência. A fama de Brahmanas aumenta por penitências que são muito austeras, pelo domínio dos vários ramos de conhecimento, por sacrifícios, e por doações. De fato, uma pessoa desfruta de intermináveis regiões dos virtuosos (no mundo seguinte) tanto quanto seus feitos ou a memória deles durem neste mundo. Um Brahmana deve ensinar, estudar, oficiar em sacrifícios de outras pessoas, e oferecer sacrifícios ele mesmo. Ele não deve doar em vão ou aceitar presentes de outras pessoas em vão. Riqueza, em quantidade suficiente, que possa vir de alguém que é ajudado em um sacrifício, de um pupilo, ou de parentes (por casamento) de uma filha, deve ser gasta na realização de sacrifícios ou em fazer caridade. A riqueza vinda de alguma destas fontes nunca deve ser desfrutada isoladamente por um Brahmana. (É um pecado mortal aceitar alguma coisa do sogro ou outros parentes (por casamento) de uma filha. O que é obtido de tais fontes é, até hoje, gasto livremente. Aquelas pessoas que vendem suas filhas em casamento são universalmente reconhecidas como decaídas.) Para um Brahmana que leva uma vida familiar não há meios salvo a aceitação de doações por causa das divindades, ou Rishis, ou Pitris, ou preceptor ou os idosos, ou os doentes, ou os famintos. (O fato é, o dever de um chefe de família o obriga a cultuar as divindades e Pitris, e a se tornar hospitaleiro para os outros citados. O Brahmana, no entanto, não tem meios ostensivos para cumprir este dever. O único meio aberto para ele é aceitação de doações. Nesse caso, aceitação para tais fins não é produtiva de demérito.) Para aqueles que são perseguidos por inimigos não vistos, ou aqueles que estão se esforçando o melhor que podem para adquirir conhecimento, alguém deve fazer doações de suas próprias posses, incluindo até alimento cozido, mais do que se pode fornecer regularmente. Para uma pessoa merecedora não há nada que não possa ser dado. Aqueles que são bons e sábios merecem ter até o príncipe dos corcéis, chamado Uchchaisravas, pertencente ao próprio Indra. (Isto é, não há doação que seja valiosa demais para tais pessoas.) De votos superiores o (rei) Satyasandha, tendo, com humildade apropriada, oferecido seus próprios ares vitais para salvar a vida de um Brahmana, ascendeu para o céu. O filho de Sankriti, Rantideva, tendo dado somente água morna para Vasishtha de grande alma, ascendeu para o céu e recebeu grandes honras lá. O filho real de Atri, Indradamana, possuidor de grande inteligência, tendo doado diversos tipos de riquezas para uma pessoa digna, alcançou diversas regiões de bem-aventurança no mundo seguinte. O filho de Usinara, Sivi, tendo doado seus próprios membros e seu filho querido por causa de um Brahmana, ascendeu deste mundo para o céu. Pratardana, o soberano de Kasi, tendo dado seus próprios olhos para um Brahmana, obteve grande fama neste e no outro mundo. O Rei Devavridha, tendo doado um guarda-sol muito belo e caro, com oito varetas de ouro, procedeu para o céu com todo o povo de seu reino. Sankriti da linhagem de Atri, possuidor de grande energia, tendo dado instrução para seus discípulos sobre o assunto do Brahma Impessoal, procedeu para regiões de grande felicidade. Amvarisha de grande destreza, tendo doado para os Brahmanas onze Arvudas de vacas, procedeu para o céu com todo o povo de seu reino. Savitri, por dar seus brincos, e o rei Janamejaya, por doar seu próprio corpo, ambos procederam para regiões elevadas de bem-aventurança. Yuvanaswa, o filho de Vrishadarbha, por doar diversos tipos de pedras preciosas, uma mansão excelente, e muitas mulheres belas, ascendeu para o céu. Nimi, o soberano dos Videhas, doou seu reino; o filho de Jamadagni, (Rama), doou a terra inteira; e Gaya doou a terra com todas as suas cidades e populações, para os Brahmanas. Uma vez quando as nuvens cessaram de despejar chuva, Vasishtha, parecendo com o próprio Brahman, manteve vivas todas as criaturas como Prajapati as mantendo vivas (por sua energia e bondade). O filho de Karandhama, Marutta de alma pura, por dar sua filha para Angiras, ascendeu rapidamente para o céu. Brahmadatta, o soberano dos Panchalas, possuidor de inteligência superior, por doar duas jóias preciosas chamadas Nidhi e Sankha para alguns dos principais dos Brahmanas, alcançou muitas regiões de felicidade. O rei Mitrasaha, tendo dado sua própria esposa amada Madayanti para Vasishtha de grande alma, ascendeu para o céu com aquela sua esposa. O sábio real Sahasrajit, possuidor de grande fama, tendo rejeitado a própria vida preciosa por causa de um Brahmana, ascendeu para regiões de grande bem-aventurança. O rei Satadyumna, tendo dado para Mudgala uma mansão feita de ouro e cheia de todos os objetos de conforto e utilidade, ascendeu para o céu. O rei dos Salwas, conhecido pelo nome de Dyutimat, possuidor de grande coragem, deu para Richika seu reino inteiro e ascendeu para o céu. O sábio nobre Madiraswa, por dar sua filha de cintura fina para Hiranyahasta, ascendeu para tais regiões que são consideradas em estima pelos próprios deuses. O sábio real Lomapada, de grande destreza, por dar sua filha Santa para Rishyasringa, obteve a realização de todos os seus desejos. O rei Prasenajit, de grande energia, por doar cem mil vacas com bezerros, ascendeu para excelentes regiões de felicidade. Esses e muitos outros, possuidores almas grandiosas e bem reguladas e tendo seus sentidos sob controle, ascenderam, por meio de caridade e penitências, para o céu. A fama deles durará tanto quanto a própria terra durará. Todos eles, por meio de doações, sacrifícios e procriação de herdeiros, procederam para o céu.'" "Vyasa disse, 'O conhecimento chamado Trayi que se acha nos Vedas e seus ramos deve ser adquirido. Aquele conhecimento é para ser derivado dos Richs, dos Samans, e das ciências chamadas Varna e Akshara. Há, além desses, os Yajuses e os Atharvans. Nos seis tipos de ações indicadas neles, mora o Ser Divino. Aqueles que são bem versados nas declarações dos Vedas, que têm conhecimento da Alma, que são ligados à qualidade de Bondade, e que são altamente abençoados, conseguem compreender a origem e o fim de todas as coisas. Um Brahmana deve viver no cumprimento dos deveres prescritos nos Vedas. Ele deve fazer todas as suas ações como um bom homem de alma controlada. Ele deve ganhar seu sustento sem prejudicar qualquer criatura. Tendo recebido conhecimento dos bons e sábios, ele deve controlar suas paixões e propensões. Bem versado nas escrituras, ele deve praticar aqueles deveres que foram declarados para ele, e fazer todos os atos nesse mundo guiado pela qualidade de bondade. Mesmo levando o modo de vida familiar, o Brahmana deve ser observador das seis ações já citadas. Seu coração cheio de fé, ele deve adorar as divindades nos cinco sacrifícios bem conhecidos. Dotado de paciência, nunca negligente, tendo autocontrole, conhecedor dos deveres, com uma alma purificada, privado de alegria, orgulho, e raiva, o Brahmana nunca deve cair em langor. Doações, estudo dos Vedas, sacrifícios, penitências, modéstia, inocência, e autodomínio, estes aumentam a energia de alguém e destroem os pecados de alguém. Alguém dotado de inteligência deve ser moderado em dieta e deve dominar seus sentidos. De fato, tendo subjugado luxúria e ira, e tendo purificado todos os seus pecados, ele deve se esforçar para alcançar Brahma. Ele deve adorar o Fogo e os Brahmanas, e reverenciar as divindades. Ele deve evitar todos os tipos de conversa inauspiciosa e todos os atos de ofensa injusta. Essa direção de conduta preliminar é inicialmente prescrita para um Brahmana. Posteriormente, quando vem o conhecimento, ele deve se empenhar em ações, pois nas ações se encontra o êxito. (Estas são, é claro, atos religiosos.) O Brahmana que é dotado de inteligência consegue atravessar o rio da vida que é tão difícil de se cruzar e que é tão furioso e terrível, que tem os cinco sentidos como suas águas que tem cupidez como sua fonte, e ira como seu lodo. Ele nunca deve fechar seus olhos para o fato que o Tempo está atrás dele em uma atitude ameaçadora. O Tempo que é o grande entorpecente de todas as coisas, e que está armado com força muito grande e irresistível, emanando do próprio grande Ordenador. Gerado pela corrente da Natureza, o universo está sendo arrastado incessantemente. O poderoso rio do Tempo, coberto com redemoinhos constituídos pelos anos, tendo os meses como suas ondas e as estações como sua correnteza, as quinzenas como sua palha e grama flutuantes, e a elevação e queda das pálpebras como sua espuma, os dias e as noites como sua água, e desejo e luxúria como seus crocodilos terríveis, os Vedas e sacrifícios como suas balsas, e a virtude das criaturas como suas ilhas, e Lucro e Prazer como suas fontes, veracidade de palavras e Emancipação como suas margens, benevolência como as árvores que flutuam por ele, e os yugas como os lagos ao longo de seu curso; o poderoso rio do Tempo, o qual tem uma origem tão inconcebível quanto aquela do próprio Brahma, está arrastando incessantemente todos os seres criados pelo grande Ordenador em direção à residência de Yama. Pessoas possuidoras de sabedoria e paciência sempre conseguem atravessar este rio terrível por empregarem as balsas do conhecimento e sabedoria. O que, no entanto, tolos insensatos, desprovidos de balsas similares podem fazer (quando jogados naquela correnteza furiosa)? Que somente o homem de sabedoria consiga cruzar este rio, e não aquele que é ininteligente, é consistente com a razão. O primeiro observa de uma distância os méritos e falhas de tudo. (Consequentemente, ele consegue adotar ou rejeitar o que é digno de adoção ou rejeição.) O homem, no entanto, de compreensão pequena e instável, e cuja alma é cheia de desejo e cobiça, está sempre cheio de dúvidas. Então o homem desprovido de sabedoria nunca consegue atravessar aquele rio. Aquele também que senta inativamente (em dúvida) nunca pode transpô-lo. O homem desprovido da balsa da sabedoria, por ter que aguentar o peso opressivo de grandes erros, afunda. Alguém que é agarrado pelo crocodilo do desejo, mesmo se possuidor de conhecimento, nunca pode fazer do conhecimento sua balsa. Por essas razões, o homem de sabedoria e inteligência deve se esforçar para flutuar sobre a correnteza do Tempo (sem afundar nela). De fato, é aquele que consegue se manter flutuando que se torna conhecedor de Brahma. Alguém nascido em uma linhagem nobre, se abstendo dos três deveres de ensinar, de oficiar em sacrifícios de outros e de aceitar doações, e fazendo somente os três outros atos, isto é, estudar, sacrificar, e doar, deve, por aquelas razões, se esforçar para flutuar sobre a corrente. Tal homem sem dúvida a atravessará ajudado pela balsa da sabedoria. Alguém que é puro em conduta, que é autocontrolado e cumpridor de bons votos, cuja alma está sob controle, e que possui sabedoria, seguramente alcança o êxito neste e no outro mundo. O Brahmana levando um modo de vida familiar deve dominar ira e inveja, praticar as virtudes já citadas, e cultuar as divindades nos cinco sacrifícios, comer depois de ter alimentado as divindades, Pitris, e convidados. Ele deve agir de acordo com aqueles deveres que são cumpridos pelos bons; ele deve fazer todas as suas ações como uma pessoa de alma controlada; e ele deve, sem prejudicar alguma criatura, ganhar seu sustento por adotar um comportamento que não seja censurável. Alguém que é bem versado nas verdades dos Vedas e nos outros ramos de conhecimento, cujo comportamento é como aquele de uma pessoa de alma bem controlada, que é dotado de uma visão clara, que cumpre os deveres que são prescritos para sua classe, que, por suas ações, não produz uma mistura de deveres, que se dedica às observâncias registradas nas escrituras, que é cheio de fé, que é autocontrolado, que é possuidor de sabedoria, que é desprovido de inveja e malícia, e que conhece bem as distinções entre justiça e injustiça, consegue transpor todas as suas dificuldades. Aquele Brahmana que é possuidor de firmeza, que está sempre atento, que possui autodomínio, que está familiarizado com a virtude, cuja alma está sob controle, e que transcendeu alegria, orgulho, e raiva, nunca tem que languir em aflição. Este é o rumo de conduta que foi ordenado antigamente para um Brahmana. Ele deve se esforçar para a aquisição de Conhecimento, e fazer todas as ações escriturais. Por viver dessa maneira, ele sem dúvida obtém êxito. Alguém que não possui uma visão clara faz o mal até quando ele deseja fazer o que é certo. Tal pessoa, mesmo usando seu raciocínio, faz tais ações de virtude que partilham da natureza da injustiça. Desejando fazer o que é certo ela faz que é errado. Similarmente, desejando fazer o que é errado alguém faz o que é certo. Tal pessoa é um tolo. Não conhecendo os dois tipos de atos, ela tem que passar por repetidos renascimentos e mortes.'" 236 "Vyasa disse, 'Se a Emancipação é desejável, então o conhecimento deve ser adquirido. Para uma pessoa que é levada ora para cima ora para baixo ao longo da correnteza do Tempo ou vida, o conhecimento é a balsa pela qual ela pode alcançar a margem. Aqueles homens sábios que têm chegado a conclusões certas (com relação ao caráter da alma e daquilo que é chamado de vida) pela ajuda da sabedoria, podem ajudar os ignorantes a atravessarem o rio do tempo ou da vida com a balsa de conhecimento. Aqueles, no entanto, que são ignorantes, são incapazes de salvar a si mesmos ou outros. Aquele que se livrou do desejo e de todos os outros defeitos, e que se emancipou de todos os apegos, deve prestar atenção àqueles doze requisitos de yoga, isto é, local, atos, afeição, objetos, meios, destruição, certeza, olhos, alimento, supressão, mente e inspeção. (O local deve ser nivelado, não impuro, (tal como um crematório, etc.), livre de kankars, fogo, e areia, etc.; solitário e livre de barulho e outras fontes de perturbação. Atos incluem abstenção de alimento e divertimentos e distrações, abstenção de todos os tipos de trabalho tendo somente objetivos mundanos para efetuar, abstenção também de sono e sonhos. Afeição significa aquela por bons discípulos ou por progresso em yoga. Objetos se refere a combustível sagrado, água, e supressão de expectativa e ansiedade, etc. Meios se refere ao assento a ser usado, ao modo de sentar, e atitude de corpo. Destruição se refere à conquista do desejo e apegos, isto é, renúncia de todas as coisas atrativas. Certeza significa a fé inabalável que o é dito sobre yoga nos Vedas ou por preceptores é verdade. Olhos inclui os outros sentidos. Todos esses devem ser reprimidos. Alimentação significa alimento puro. Supressão se refere à subjugação de nossa inclinação natural em direção a objetos mundanos. Mente aqui se refere ao controle da determinação e seu oposto, isto é, irresolução. Inspeção significa reflexão sobre nascimento, morte, decrepitude, doença, tristeza, imperfeições, etc.) Aquele que deseja obter Conhecimento superior deve, pela ajuda de sua compreensão, reprimir a fala e a mente. Aquele que deseja ter tranquilidade deve, pela ajuda de seu conhecimento, dominar sua alma. Quer se torne compassivo ou cruel, conhecedor de todos os Vedas ou ignorante dos Richs, justo e observador de sacrifícios ou o pior dos pecadores, quer se torne eminente pela coragem e riqueza ou mergulhado em miséria, aquela pessoa que dirige sua mente em direção a esses (atributos dos quais eu tenho falado), sem dúvida cruzará o oceano da vida que é tão difícil de se atravessar. Sem falar dos resultados da obtenção de Brahma por yoga, pode ser dito que aquele que se determina somente a se informar a respeito da Alma transcende a necessidade de cumprir as ações prescritas nos Vedas. O corpo com jiva dentro dele é um carro excelente. Quando sacrifícios e ritos religiosos são feitos seu upastha (a parte do carro na qual o motorista senta), a vergonha seu varutha (a cerca de madeira ao redor do carro para proteger contra os efeitos das colisões, pois a vergonha é o sentimento que nos afasta das ações pecaminosas), Upaya e Apaya (que são os ‘meios’ e ‘destruição’ explicados acima) seu kuvara (a lança à qual jugo é ligado), o ar chamado Apana seu aksha (roda), o ar chamado Prana seu yuga (jugo), o conhecimento e o período concedido de existência seus pontos para atar os corcéis, a atenção seu belo vandhura (aquela parte do yuga onde ele é ligado à lança, isto é, seu meio, sobre o qual aparece algo como uma saliência arredondada), a adoção de bom comportamento seu nemi (a circunferência da roda), visão, tato, olfato, e audição seus quatro corcéis, a sabedoria seu nabhi (a parte central do carro na qual senta o passageiro ou guerreiro), todas as escrituras seu pratoda (o aguilhão com o qual o motorista incita os corcéis), conhecimento certo das declarações escriturais seu motorista, a alma seu passageiro sentado firmemente, fé e autodomínio seus precursores, a renúncia seu companheiro inseparável seguindo atrás e inclinado a fazer o bem, pureza o caminho pelo qual ele segue, meditação (ou União com Brahma) sua meta, então aquele carro pode alcançar Brahma e brilhar lá em refulgência. Eu agora te direi os meios rápidos que devem ser adotados pela pessoa que equiparia seu carro de tal maneira para atravessar esta selva do mundo para alcançar a meta constituída por Brahma, que está além de decrepitude e destruição. Fixar a mente em uma coisa de cada vez é chamado de Dharana. (Dharana corresponde ao exercício do poder pelo qual a mente é retida ou mantida ocupada em uma imagem ou noção específica. Esta faculdade é especialmente treinada por yogins. De fato, o passo inicial consiste em treiná-la até a extensão desejável.) O Yogin, cumprindo votos e restrições apropriados, pratica ao todo sete tipos de Dharana. Há, também, muitos tipos de Dharanas que se originam destes, sobre objetos que estão próximos ou distantes. (Os sete tipos de Dharanas se referem respectivamente à Terra, Vento, Espaço, Água, Fogo, Consciência e Compreensão.) Através desses o Yogin gradualmente obtém domínio sobre a Terra, Vento, Espaço, Água, Fogo, Consciência, e Compreensão. Depois disto ele gradualmente obtém domínio sobre o Imanifesto. Eu agora descreverei para ti os conceitos em sua ordem que são compreendidos por indivíduos específicos entre aqueles que estão engajados em yoga de acordo com as regras e ordenanças que foram declaradas. Eu te falarei também da natureza do sucesso que se liga ao yoga iniciado (de acordo com as regras) por aquele que olha dentro de seu próprio eu. O Yogin, que abandona seu corpo grosseiro, seguindo as instruções de seu preceptor, vê sua alma mostrando as seguintes formas em consequência de sua subtilidade. Para ele no primeiro estágio, o firmamento parece estar cheio de uma substância sutil semelhante a vapor nevoento. Da Alma que está livre do corpo, exatamente assim se torna a forma. Quando esse nevoeiro desaparece, uma segunda (ou nova) forma se torna visível. Pois, então, o Yogin contempla dentro de si mesmo, no firmamento de seu coração, a forma da Água. Depois do desaparecimento da água, a forma do Fogo se mostra. Quando este desaparece, a forma que é perceptível é aquela do Vento, tão refulgente quanto uma arma bem temperada de polimento excelente. Gradualmente, a forma mostrada pelo Vento se torna como aquela da mais fina teia de aranha. Então, tendo obtido alvura, e também a sutileza do ar, é dito que a alma de Brahman alcança a alvura e sutileza supremas do Éter. Ouça-me enquanto eu te digo as consequências dessas diversas condições quando elas ocorrem. Aquele Yogin que foi capaz de realizar a conquista do elemento terra, obtém por tal domínio o poder de Criação. Como um segundo Prajapati dotado de uma natureza que é perfeitamente imperturbável, ele pode a partir de seu próprio corpo criar todas as espécies de criaturas. Somente com seu dedo do pé, ou com sua mão ou pés, aquela pessoa que conseguiu o domínio do Vento pode sozinha fazer a Terra inteira tremer. Esse mesmo é o atributo do Vento como declarado no Sruti. O Yogin que conseguiu o domínio do Espaço pode existir brilhantemente no Espaço por ter obtido uniformidade com aquele elemento, e pode também desaparecer à vontade. Pelo domínio sobre a Água, alguém pode (como Agastya) esvaziar rios, lagos, e oceanos. Pelo domínio sobre o Fogo, o Yogin se torna tão resplandecente que sua forma não pode ser olhada. Ele se torna visível somente quando ele extingue sua consciência de individualidade; esses cinco elementos ficam sob seu domínio. Quando a Compreensão, a qual é a alma dos cinco elementos e da consciência de individualidade (porque estes seis dependem dela ou a têm como seu refúgio), é conquistada, o Yogin obtém Onipotência, e Conhecimento perfeito (ou percepção livre de dúvida e incerteza com respeito a todas as coisas), vem a ele. Por isso, o Manifesto se funde no Imanifesto ou Alma Suprema da qual o mundo emana e se torna o que é chamado de Manifesto. (É do Imanifesto ou a Alma Suprema que o mundo ou tudo o que é Manifesto surge ou emana. O yogin, por seu conhecimento superior, percebe que tudo o que é Manifesto é somente a Alma Suprema Imanifesta.) Escute agora a mim enquanto eu explico em detalhes a ciência do Imanifesto. Mas antes de tudo ouça-me sobre tudo o que é Manifesto como explicado no sistema de filosofia Sankhya. Em ambos, nos sistemas Yoga e Sankhya, vinte e cinco tópicos de conhecimento são tratados quase da mesma maneira. Escute-me enquanto eu menciono suas principais características. É citado como Manifesto aquilo que é possuidor desses quatro atributos: nascimento, crescimento, decadência, e morte. Aquilo que não possui estes atributos é citado como Imanifesto. Duas almas são mencionadas nos Vedas e nas ciências que são baseadas neles. A primeira (que é chamada de Jivatman), é dotada dos quatro atributos já mencionados, e tem um desejo pelos quatro objetos ou propósitos (isto é, Religião, Riqueza, Prazer e Emancipação). Essa alma é chamada de Manifesta, e é nascida do Imanifesto (Alma suprema). Ela é Inteligente e não-Inteligente. Eu assim te falei sobre Sattwa (matéria inerte) e Kshetrajna (espírito imaterial). Ambos os tipos de Alma, isto é dito nos Vedas, se tornam ligadas aos objetos dos sentidos. A doutrina dos Sankhyas é que alguém deve se manter indiferente ou dissociado dos objetos dos sentidos. O Yogin que é livre do apego e orgulho, que transcende todos os pares de opostos, tais como prazer e dor, calor e frio, etc., que nunca dá vazão à raiva ou ódio, que nunca fala uma inverdade, que, embora caluniado ou golpeado, ainda demonstra amizade pelo caluniador ou pelo que lhe bateu, que nunca pensa em fazer mal a outros, que reprime os três, isto é, palavras, ações, e mente, e que se comporta uniformemente para com todas as criaturas, consegue se aproximar da presença de Brahman. Aquela pessoa que não nutre desejos por objetos mundanos, que não é relutante em aceitar o que vem, que depende dos objetos mundanos somente naquela extensão em que é necessária para manter a vida, que é livre de cobiça, que rejeitou toda aflição, que tem reprimido seus sentidos, que passa por todas as ações necessárias, que é indiferente à aparência pessoal e vestuário, cujos sentidos estão todos serenos (por devoção aos verdadeiros objetivos da vida), cujos objetivos nunca são deixados não realizados, que se comporta com igual amizade em direção a todas as criaturas, que olha um torrão de terra e um de ouro com um olhar igual, que é igualmente disposto em direção a amigo e inimigo, que possui paciência, que aceita elogio e crítica da mesma maneira, que é livre do desejo com respeito a todos os objetos de desejo, que pratica Brahmacharya, e que é firme e resoluto em todos os seus votos e observâncias, que não tem malícia ou inveja por alguma criatura no universo, é um Yogin que, segundo o sistema Sankhya, consegue ganhar Emancipação. Escute agora ao caminho e aos meios pelos quais uma pessoa pode obter Emancipação através de Yoga (ou o sistema de Patanjali). Aquela pessoa que se move e age depois de ter transcendido o poderio que a prática de yoga ocasiona (nos estágios iniciais), consegue ganhar Emancipação. (É dito que com a prática de Yoga, durante os primeiros estágios, certos poderes extraordinários vêm para o Yogin ele os deseje ou não. Em um capítulo anterior foi dito que aquele Yogin que se permite ser levado por aquelas aquisições extraordinárias vai para o inferno, isto é, fracassa em alcançar a Emancipação ao lado da qual o próprio céu com a posição de Indra é somente inferno. Por isso, aquele que transcende a pujança que Yoga traz se torna Emancipado.) Eu assim te falei sobre aqueles tópicos (isto é, Emancipação de acordo com o sistema Sankhya e de acordo com o sistema Yoga) os quais são diferentes se o orador estiver disposto à tratá-los como tais (mas que na verdade, são um e o mesmo). Dessa maneira alguém pode elevar-se acima de todos os pares de opostos. Assim alguém pode alcançar Brahma.'" 237 "Vyasa disse, 'Carregado para cima e para baixo no oceano da vida, aquele que é capaz de meditar agarra a balsa do Conhecimento, e para alcançar sua Emancipação adere ao próprio Conhecimento, (sem estender seus braços para lá e para cá para agarrar algum outro suporte).'” "Suka disse, 'Qual é aquele Conhecimento? Ele é aquele saber pelo qual, quando o erro é dissipado, a verdade vem a ser descoberta? Ou, ele é aquele curso de deveres consistindo em ações a serem feitas ou realizadas, pela ajuda das quais o objetivo procurado pode ser compreendido ou alcançado? Ou, ele é aquele curso de deveres, chamado de abstenção de ações, pelo qual uma extensão da Alma é para ser procurada? Diga-me o que é, para que por sua ajuda, os dois, isto é, nascimento e morte, possam ser evitados.'” "Vyasa disse, 'Aquele tolo que, acreditando que tudo isso existe por sua própria natureza sem, realmente, um refúgio ou fundação existente, enche por tal instrução as aspirações de discípulos, dissipando por sua inventividade dialética os argumentos que os últimos possam usar em contrário, não consegue chegar à alguma verdade. Aqueles também que crêem firmemente que toda Causa é devido à natureza das coisas, falham em alcançar qualquer verdade mesmo por ouvirem homens (mais sábios) ou os Rishis (que são capazes de instruí-los). Aqueles homens de pouca inteligência que param (em suas especulações), tendo adotado uma dessas doutrinas, de fato, aqueles homens que consideram a natureza como a causa, nunca conseguem obter qualquer benefício para si mesmos. Essa crença na Natureza (como a Causa produtora e sustentadora), surgindo como surge de uma mente agindo sob a influência do erro, ocasiona a destruição da pessoa que a nutre. Escute agora à verdade com respeito a essas duas doutrinas que afirmam (1) que as coisas existem por sua própria natureza e (2) que elas fluem (por sua própria natureza) de outras que são diferentes e que as precedem. Homens sábios se dedicam à agricultura e lavoura, e à aquisição de colheitas (por aqueles meios) e de veículos (para locomoção) e assentos e tapetes e casas. Eles se dedicam também à instalação de jardins de divertimento, à construção de mansões espaçosas, e à preparação de remédios para doenças de todos os tipos. É a sabedoria (a qual consiste na aplicação de recursos) que leva à realização de propósitos. É a sabedoria que ganha resultados benéficos. É a sabedoria que permite aos reis exercerem e desfrutarem de soberania embora eles sejam possuidores de atributos iguais àqueles das pessoas sobre as quais eles governam. (É pela sabedoria que todos esses resultados são alcançados. Sabedoria é a aplicação de meios para a realização de objetivos. A Natureza nunca constrói palácios ou produz veículos e os diversos outros confortos que o homem desfruta. Aquele que confiasse na Natureza com relação a esses nunca os obteria por mais que ele pudesse esperar por muito tempo. A necessidade de esforço, mental e físico, e o êxito que coroa aquele esforço fornecem a melhor resposta, o orador pensa, para aqueles que acreditam naquelas doutrinas.) É pela sabedoria que o maior e o menor entre os seres são distinguidos. É pela sabedoria que os superiores e os inferiores entre os objetos criados são compreendidos. É a sabedoria ou conhecimento que é o maior refúgio de todas as coisas. Todos os diversos tipos de coisas criadas têm quatro tipos de nascimento. Eles são vivíparos, ovíparos, vegetais, e nascidos da sujeira. As criaturas, também, que são móveis, devem ser conhecidas como sendo superiores àquelas que são imóveis. É consistente com a razão que a energia inteligente, visto que ela diferencia (toda matéria não inteligente), deva ser considerada como superior à matéria (não inteligente). As criaturas móveis, que são inumeráveis, são de dois tipos, isto é, aquelas que têm muitas pernas e aquelas que têm duas. As últimas, no entanto, são superiores às primeiras. Os bípedes, também, são de duas espécies, isto é, aqueles que vivem sobre a terra e aqueles que são diferentes (como as aves que são chamadas de habitantes do céu ou do ar). Destes, os primeiros são superiores aos últimos. Os superiores comem diversos tipos de alimento cozido. Os bípedes que se movem sobre a terra são de dois tipos, isto é, os medianos ou intermediários, e os que são principais. Destes, os medianos ou intermediários são considerados como superiores (aos primeiros) por causa de sua observância dos deveres de casta. (É claro, os principais são os principais, e os intermediários nunca podem ser superiores a eles. Apesar disso, os intermediários são cumpridores dos deveres de casta; os principais não são assim, eles tendo transcendido tais distinções; por isso, como tentativa, a opinião popular ou ignorante é primeiro aceita, no sentido de que os observadores de casta são superiores àqueles que não observam Jatidharma.) Os medianos ou intermediários são citados como sendo de dois tipos, isto é, os que conhecem e os que não conhecem os deveres. Desses, os primeiros são superiores por seu discernimento a respeito do que deve e do que não deve ser feito. Aqueles familiarizados com os deveres são citados como sendo de dois tipos: os que conhecem e os que não conhecem os Vedas. Desses os primeiros são superiores, pois os Vedas são considerados como habitando neles. (Isto provavelmente significa que como os Vedas não tinham sido reduzidos à escrita, seus conteúdos repousavam ou moravam nas memórias de homens versados neles.) Aqueles que conhecem os Vedas são de dois tipos, isto é, aqueles que fazem e aqueles que não fazem preleções sobre os Vedas. Desses, os primeiros, que conhecem totalmente os Vedas, com os deveres e os ritos declarados neles, e os resultados daqueles deveres e ritos, são superiores por sua divulgação de todos aqueles deveres e ritos. De fato, todos os Vedas com os deveres declarados neles são citados como fluindo deles. Os preceptores dos Vedas são de dois tipos, os que conhecem e os que não conhecem a Alma. Desses, os primeiros são superiores por seu conhecimento do que significa Nascimento e Morte. (Compreender o que é nascimento e o que é morte, e evitar nascimento (somado, portanto, morte), são os maiores frutos do conhecimento da Alma. Aqueles que não têm conhecimento da Alma tem que viajar em uma ronda de repetidos renascimentos.) Com relação aos deveres, eles são, também, de dois tipos (isto é, Pravritti e Nivritti). Aquele que conhece os deveres é citado como sendo onisciente ou possuidor de conhecimento universal. Tal homem é um Renunciante. Tal homem é firme na realização de seus propósitos. Tal homem é verdadeiro, puro (externamente e internamente), e possuidor de pujança (isto é, o poder que vem de Yoga). Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que é devotado ao conhecimento de Brahma (e não aquele que conhece somente os deveres de Pravritti). Tal homem é versado também nos Vedas e seriamente dedicado ao estudo da Alma. Aqueles que têm conhecimento verdadeiro contemplam sua própria Alma como existente dentro e fora. Tais homens, ó filho, são realmente regenerados e tais homens são deuses. (Observar tudo no universo como seu próprio eu. A Alma é a mais alta aspiração de uma pessoa justa. É yoga que capacita alguém a alcançar o mais alto ideal de existência. Alguém que percebe isso é citado como sendo um verdadeiro Brahmana, uma pessoa realmente regenerada, de fato, um deus sobre a Terra.) Desses depende este mundo de Seres, neles mora todo este universo. Não há nada que seja igual à sua grandeza. Transcendendo nascimento e morte e as distinções e ações de todos os tipos, eles são os senhores das quatro espécies de criaturas e são iguais ao próprio Auto-nascido.'" 238 "Vyasa disse, 'Essas, então, são as ações obrigatórias ordenadas para Brahmanas. Alguém que possui conhecimento sempre alcança o êxito por praticar as ações (prescritas). Se nenhuma dúvida surge em relação às ações, então ações feitas sem dúvida levam ao sucesso. A dúvida à qual nós nos referimos é esta: se as ações são obrigatórias ou se elas são opcionais. (O conhecimento é essencial para o êxito ou emancipação. Se ações se tornam necessárias para levar ao conhecimento, a dúvida pode então surgir de modo que elas cessam de ser obrigatórias, pois pode ser suposto que o conhecimento é obtenível de outra maneira do que por meio de ações.) Com relação a esta (dúvida acerca do verdadeiro caráter das ações, deve ser dito que), se as ações são ordenadas para o homem para produzir conhecimento (somente pelo qual Brahma ou a Emancipação é para ser alcançado, então) elas devem ser consideradas como obrigatórias (e não opcionais). Eu agora falarei sobre elas pela luz de inferências e experiência. Ouça-me. Com respeito às ações alguns homens dizem que o Esforço é sua causa. Outros dizem que a Necessidade é sua causa. Outros afirmam que a Natureza é a causa. Alguns dizem que as ações são os resultados do Esforço e da Necessidade. Alguns afirmam que as ações fluem do Tempo, Esforço, e Natureza. Alguns dizem que dos três (isto é, Esforço, Necessidade, e Natureza), só um (e não os outros dois) é a causa. Alguns são de opinião que todos os três combinados são a causa. Algumas pessoas que estão empenhadas na realização de ações dizem, com respeito a todos os objetos, que eles existem, que eles não existem, que eles não podem ser citados como existentes, que eles não podem ser citados como não existentes, que não é que eles não podem ser citados como existentes, e por fim, que não é que eles não podem ser citados como não existentes. (Estes então são os diversos pontos de vista nutridos pelos homens.) Aqueles que são Yogins, no entanto, vêem Brahma como a causa universal. Os homens do Treta, do Dwapara, e do Kali Yugas são inspirados com dúvidas (com referência às declarações dos Srutis). Os homens do Krita Yuga, no entanto, são dedicados a penitências, têm almas tranquilas (isto é, não têm dúvidas), e são observadores de virtude. Naquela era todos os homens consideram os Richs, os Samans, e os Yajuses como idênticos apesar de sua aparente diversidade. Analisando desejo e aversão, eles cultuam somente a penitência. (No Treta e nos outros Yugas as pessoas são vistas professando apego ou devoção a somente um dos Vedas e não aos outros, seja ele o Richs, o Samans, ou o Yajuses. O orador, descontente com isso se refere à era Krita como uma na qual tal diferença de fé não era observável. Os homens naquela era consideravam todos os Vedas igualmente, e, de fato, até como idênticos.) Dedicado à prática de penitências, constante nelas, e rígido em sua observância, alguém consegue a realização de todos os seus desejos só pelas penitências. Pela penitência alguém alcança àquilo por se tornar o qual alguém cria o universo. Pela penitência alguém se torna aquilo pelo qual ele se torna o mestre poderoso de todas as coisas. (Jiva ou Chit se torna poderoso e consegue criar o universo por meio de penitência. Por meio de penitência alguém alcança Brahma, e, portanto, pujança universal.) Aquele Brahma está explicado nas declarações dos Vedas. Apesar disso, Brahma é inconcebível mesmo para aqueles que estão familiarizados com aquelas declarações. Brahma também foi declarado no Vedanta. Brahma, no entanto, não pode ser contemplado por meio de ações. (Este é um dos versos mais importantes nesse capítulo, pois, como o comentador explica, ele fornece a resposta para a questão proposta no capítulo anterior, isto é 'O que é aquele conhecimento?' Nos Vedas ações e conhecimento são mencionados. Na província de ações, Brahma é representado como Indra e os outros deuses. Brahma, portanto, é falado lá como oculto (ou inconcebível) até para aqueles que conhecem aquela província ou esfera dos Vedas. No Vedanta, também, conhecimento ou Vidya é falado como o meio pelo qual alcançar Brahma. O conhecimento ou Vidya, portanto, o qual é o assunto da questão, não é o que é implicado por Pravritti dharma ou por Nivritti como usado no capítulo anterior.) O sacrifício ordenado para Brahmanas consistem em japa (meditação e recitação), aquele para Kshatriyas consiste em matança de animais (puros) para a satisfação das divindades; aquele para Vaisyas consiste na produção de colheitas e na criação de animais domésticos; e aquele para Sudras em serviço humilde para as três outras classes. Por cumprir os deveres prescritos para ele e por estudar os Vedas e outras escrituras, alguém se torna um Dwija (regenerado). Se ele faz alguma outra ação ou não, ele se torna um Brahmana por se tornar o amigo de todas as criaturas. No início de Treta, os Vedas e sacrifícios e as divisões de casta e os vários modos de vida existiam em sua totalidade. Por consequência, no entanto, da duração de vida ser diminuída em Dwapara, aqueles são alcançados pelo declínio. Na era Dwapara como também na Kali, os Vedas são alcançados pela perplexidade. Perto do fim de Kali, é duvidoso se eles até se tornam visíveis para o olho. Naquela era, os deveres das respectivas classes desaparecem, e homens se tornam afligidos pela iniquidade. Os atributos suculentos de vacas, da terra, da água, e ervas (medicinais e comestíveis), desaparecem. (Isto é, as vacas não produzem mais leite doce e abundante, o solo cessa de ser fértil, e as ervas medicinais e comestíveis perdem suas virtudes de cura como também seu sabor.) Pela iniquidade (universal) os Vedas desaparecem e com eles todas as funções inculcadas neles, como também os deveres em relação aos quatro modos de vida. Aqueles que permanecem cumpridores dos deveres de sua própria classe são afligidos, e todos os objetos móveis e imóveis sofrem uma mudança para pior. Como as chuvas do céu fazem todos os produtos da terra crescerem, da mesma maneira os Vedas, em todas as eras, fazem todos os angas crescerem. (Angani significa as observâncias necessárias para a prática de Yoga como também todos os tipos de ritos e votos. Os Vedas fazem estes aumentarem, e eles, por sua vez, ajudam todos os estudantes dos Vedas a realizarem seus propósitos.) Sem dúvida, o Tempo assume diversas formas. Ele não tem início nem fim. É o Tempo que produz todas as criaturas e também as devora. Eu já falei disso para ti. O Tempo é a origem de todas as criaturas; o Tempo é aquilo que as faz crescer; o Tempo é aquilo que é seu destruidor; e por fim é o tempo que é seu soberano. Sujeitas aos pares de opostos (tais como calor e frio, prazer e dor, etc.), criaturas de variedade infinita dependem do Tempo de acordo com suas próprias naturezas (sem serem diferentes de como elas foram ordenadas pelo Brahma supremo).'” 239 "Bhishma disse, 'Assim endereçado (por seu pai), Suka, elogiando muito essas instruções do grande Rishi, se pôs a perguntar o seguinte, relativo à importância dos deveres que levam à Emancipação.'” "Suka disse, 'Por quais meios alguém que possui sabedoria, que conhece os Vedas, que é observador de sacrifícios, dotado de sabedoria, e livre de malícia, consegue alcançar Brahma que não pode ser compreendido por evidência direta ou inferência, e que não é suscetível de ser indicado pelos Vedas? Questionado por mim, me diga por quais meios Brahma deve ser compreendido? É por penitência, por Brahmacharya, pela renúncia de tudo, pela inteligência, pela ajuda da filosofia Sankhya, ou por Yoga? Por quais meios pode qual tipo de busca de um só fim ser alcançado por homens, com relação a ambos, isto é, a mente e os sentidos? Cabe a ti explicar tudo isso para mim.'” "Vyasa disse, 'Nenhum homem chega ao êxito por outros meios exceto a aquisição de conhecimento, a prática de penitências, a subjugação dos sentidos, e renúncia de tudo. (O comentador salienta que por esses quatro termos os quatro modos de vida são indicados.) As grandes entidades (cinco em número) representam a criação primeira (ou inicial) do Nascido por Si Mesmo. Elas têm sido colocadas amplamente em criaturas incorporadas incluídas no mundo de vida. Os corpos de todas as criaturas incorporadas são derivados da terra. Os líquidos orgânicos são da água. Seus olhos são citados como derivados da luz. Prana, Apana (e os três outros ares vitais) têm o vento como seu refúgio. E, por fim, todas as aberturas desocupadas dentro delas (tais como as narinas, as cavidades do ouvido, etc.) são do Espaço. Nos pés (das criaturas vivas) está Vishnu. Em seus braços está Indra. Dentro do estômago está Agni desejoso de alimento. Nos ouvidos estão os pontos do horizonte (ou da bússola) representando o sentido de audição. Na língua está a fala que é Saraswati. (O comentador explica que o objetivo deste verso é mostrar que a visão Yoga da Alma sendo somente o desfrutador mas não o ator não é correta. Por outro lado, a visão Sankhya da Alma não sendo o desfrutador nem o ator, é verdadeira. As divindades, permanecendo nos vários sentidos, agem e desfrutam. É por ignorância que a Alma atribui a si mesma seus prazeres e suas ações.) Os ouvidos, pele, olhos, língua e o nariz formando o quinto, são citados como os sentidos de conhecimento. Estes existem para os propósitos de percepção de seus respectivos objetos. Som, toque, forma, gosto e cheiro formando o quinto, são os objetos dos (cinco) sentidos. Estes devem sempre ser considerados como separados (ou independente) dos sentidos. Como o cocheiro colocando seus corcéis bem domados ao longo dos caminhos que lhe agradam, a mente coloca os sentidos (ao longo das direções que lhe agradam). A mente, por sua vez, é empregada pelo conhecimento situado no coração. A mente é o senhor de todos os sentidos em relação a empregá-los em suas funções e guiá-los ou reprimi-los. Similarmente, o conhecimento é o senhor da mente (por empregá-la, e guiá-la ou reprimi-la). Os sentidos, os objetos dos sentidos, os atributos daqueles objetos representados pela palavra natureza, conhecimento, mente, os ares vitais, e Jiva moram nos corpos de todas as criaturas incorporadas. (O que se quer dizer por os objetos dos sentidos residindo dentro dos corpos de criaturas vivas é que (como o comentador explica) seus conceitos existem na 'cavidade do coração' (provavelmente, mente) de modo que quando necessários ou requeridos, eles aparecem (perante a visão da mente).) O corpo dentro do qual o conhecimento mora não tem existência real. O corpo, portanto, não é o refúgio do conhecimento. A Natureza Primordial (Prakriti) tendo os três atributos (de Bondade e Paixão e Ignorância) é o refúgio do conhecimento o qual existe somente na forma de um som. A Alma também não é o refúgio do conhecimento. É o Desejo que cria o conhecimento. O Desejo, no entanto, nunca cria os três atributos. O homem de sabedoria, capaz de subjugar seus sentidos, contempla o décimo sétimo, isto é, a Alma, como cercada por dezesseis atributos, em seu próprio conhecimento pela ajuda da mente. A Alma não pode ser vista com a ajuda do olho ou com aquela dos todos os sentidos. Transcendendo todos, a Alma se torna visível somente pela luz da lâmpada da mente. Desprovida das propriedades de som e tato e forma, sem gosto e cheiro, indestrutível e sem um corpo (grosseiro ou sutil) e sem sentidos, ela é todavia vista dentro do corpo. Imanifesta e suprema, ela mora em todos os corpos mortais. Seguindo a orientação do preceptor e dos Vedas, aquele que a contempla após a morte se torna o eu de Brahma. Aqueles que possuem sabedoria olham com um olhar igual para um Brahmana possuidor de conhecimento e discípulos, uma vaca, um elefante, um cachorro, e um Chandala; (pois tais homens vêem Brahma em todas as coisas). Transcendendo todas as coisas, a Alma mora em todas as criaturas móveis e imóveis. De fato, todas as coisas são permeadas por ela. Quando uma criatura viva vê sua própria Alma em todas as coisas, e todas coisas em sua própria Alma, é dito que ela alcançou Brahma. Alguém ocupa aquele tanto da Alma Suprema que é proporcional ao que é ocupado em sua própria alma pelo som Védico. (Os Vedas ensinam que tudo é a alma de alguém. A extensão à qual alguém consegue perceber isso é a medida de sua obtenção de Brahma. Se alguém pode perceber isso completamente, ele alcança Brahma completamente. Se parcialmente, seu alcance de Brahma também é parcial.) Aquele que pode sempre perceber a identidade de todas coisas com seu próprio eu indubitavelmente obtém imortalidade. Os próprios deuses ficam estupefatos no caminho daquele homem sem rastro que constitui ele mesmo a alma de todas as criaturas, que é dedicado ao bem de todos os seres, e que deseja alcançar (Brahma, que é) o refúgio final (de todas as coisas). (O rastro de tal pessoa, é dito, é tão invisível quanto os céus. O comentador explica que os próprios deuses ficam estupefatos em relação ao objetivo que tal homem procura, o objetivo, é claro, sendo Brahma.) De fato, o caminho que é seguido pelos homens de conhecimento é tão visível quanto aquele de aves no céu ou de peixes na água. O Tempo, por seu próprio poder, cozinha todos os entes dentro de si mesmo. Ninguém, no entanto, conhece Aquele (Brahma) no qual o Tempo, por sua vez, é ele mesmo cozido. Aquele (do qual eu falo) não está em cima, ou no meio ou em baixo, ou em direção transversal ou em qualquer outra. Aquele é para a entidade tangível; ele não é para ser encontrado em algum lugar. (Por meio disso o orador diz que Brahma não é para ser encontrado em algum lugar específico por mais que sagrado.) Todos esses mundos estão dentro daquele. Não há nada nesses mundos que exista fora dele. Mesmo se alguém siga em frente incessantemente com a velocidade de uma flecha impelida pela corda do arco, mesmo se ele siga com a velocidade da própria mente, ele ainda não alcançará o fim daquele que é a causa de tudo isso. (Porque Brahma é infinito.) Aquilo é tão bruto que não há nada mais bruto. Suas mãos e pés se estendem por todos os lugares. Seus olhos, cabeça, e face estão em todos os lugares. Seus ouvidos estão em todos os lugares no universo. Ele existe submergindo todas as coisas. Ele é menor do que o menor, ele é o coração de todos os entes. Existindo, sem dúvida, ele ainda é imperceptível. Indestrutível e destrutível, estas são as formas duais de existência da Alma (suprema). Em todas as entidades móveis e imóveis a existência que ela manifesta é destrutível; enquanto a existência que ela manifesta em Chaitanya é celestial, imortal, e indestrutível. Embora o senhor dos seres existentes móveis e imóveis, embora inativa e desprovida de atributos, ela entra, todavia, na bem conhecida mansão de nove portas e se torna engajada em ação. Homens de sabedoria que são capazes de ver a outra margem dizem que o Não-Nascido (ou a Alma Suprema) vem a ser investido com o atributo de ação por causa de movimento, prazer e dor, variedade de forma, e as nove posses bem conhecidas. (O sentido é que a Alma residindo dentro do corpo é idêntica à Alma Suprema, e somente homens de sabedoria sabem disso.) Aquela Alma indestrutível que é citada como investida com o atributo de ação é nada mais do que aquela Alma indestrutível que é citada como sendo inativa. Uma pessoa de conhecimento, por alcançar àquela essência indestrutível, desiste para sempre de vida e nascimento.'" 240 "Vyasa disse, 'Ó filho excelente, questionado por ti, eu te falei realmente qual deve ser a resposta para tua pergunta segundo a doutrina de conhecimento como exposta no sistema Sankhya. Ouça-me agora enquanto eu te explico tudo o que deve ser feito (para o mesmo fim) de acordo com a doutrina Yoga. A união de Intelecto e Mente, e todos os sentidos, e a Alma que a tudo permeia é considerada como Conhecimento do tipo principal. Aquele Conhecimento deve ser adquirido (pela ajuda do preceptor) por alguém que é de uma disposição tranquila, que tem dominado seus sentidos, que é capaz (pela meditação) de dirigir seu olhar para a Alma, que tem prazer em (tal) meditação, é dotado de inteligência e puro em ações. Alguém deve procurar adquirir este Conhecimento por abandonar aqueles cinco impedimentos de Yoga que são conhecidos pelos sábios, isto é, desejo, ira, cupidez, medo, e sono. A ira é conquistada por tranquilidade de disposição. O desejo é conquistado por abandonar todos os propósitos. Por refletir com a ajuda da compreensão sobre tópicos dignos de reflexão, alguém dotado de paciência consegue abandonar o sono. Pela resistência firme alguém deve reprimir os órgãos de geração e o estômago (de indulgências indignas ou pecaminosas). Uma pessoa deve proteger suas mãos e pés por (usar) seus olhos. Deve-se proteger os olhos e ouvidos pela ajuda da mente, e a mente e a fala pelas ações. Deve-se evitar o medo pela atenção, e o orgulho por servir os sábios. Subjugando procrastinação, alguém deve, por estes meios, subjugar estes impedimentos de Yoga. Deve-se prestar adorações ao fogo e aos Brahmanas, e deve-se curvar a cabeça para as divindades. Deve-se evitar todos os tipos de conversa inauspiciosa, e palavras que são repletas de malícia, e palavras que são dolorosas para outras mentes. Brahma é a semente refulgente (de tudo). Ele é, também, a essência daquela semente de onde vem tudo isso. Brahma se tornou a visão, na forma deste universo móvel e imóvel, de todos os entes que tomaram nascimento. (O significado é este: Brahma abriu seus olhos para se tornar muitos, como os Srutis declaram, e por isso ele se tornou muitos. Por um olhar Brahma se tornou a Alma de todas as coisas móveis e imóveis.) Meditação, estudo, caridade, veracidade, modéstia, simplicidade, bondade, pureza de corpo, pureza de conduta, e domínio dos sentidos, esses aumentam a energia de alguém, a qual (quando aumentada) destrói seus pecados. Por se comportar igualmente para com todas as criaturas e por viver em contentamento com o que é adquirido facilmente e sem esforço, alguém obtém a realização de todos os seus objetivos e consegue obter conhecimento. Purificado de todos os pecados, dotado de energia, moderado em dieta, com sentidos sob total controle, alguém deve, depois de ter subjugado desejo e ira, procurar alcançar Brahma. Unindo firmemente os sentidos e a mente (tendo-os afastado de todos os objetos externos) com olhar fixo para dentro, alguém deve, nas horas silenciosas da noite ou naquelas antes da alvorada, colocar sua mente sobre o conhecimento. Se mesmo um dos cinco sentidos de um ser humano for mantido descontrolado, toda sua sabedoria pode ser vista escapar através dele como água por um buraco aberto no fundo de uma sacola de couro. Em primeiro lugar o Yogin deve procurar controlar a mente, da mesma maneira de um pescador procurando no início devolver aquele entre os peixes fracos do qual há o maior perigo para suas redes. Tendo primeiro subjugado a mente, o Yogin deve então proceder para subjugar seus ouvidos, então seus olhos, então sua língua, e então seu nariz. Tendo controlado estes, ele deve fixá-los na mente. Então, afastando a mente de todos os propósitos, ele deve fixá-la no conhecimento. De fato, tendo dominado os cinco sentidos, o Yati deve fixá-los na mente. Quando estes, a mente como seu sexto, ficam concentrados no conhecimento, e assim concentrados permanecem firmes e imperturbados, então Brahma se torna perceptível como um fogo sem fumaça de chamas fulgurantes ou o Sol de brilho refulgente. De fato, então alguém vê em si mesmo sua própria alma como fogo relampejando nos céus. Tudo então aparece nela e ela aparece em tudo por sua infinitude. Aqueles Brahmanas de grande alma que possuem sabedoria, que são dotados de firmeza, que são possuidores de conhecimento superior, e que estão empenhados no bem de todas as criaturas, conseguem contemplá-la. Engajado na observância de votos austeros, o Yogin que se comporta dessa maneira por seis meses, sentado sozinho em um local isolado, consegue alcançar uma igualdade com o Indestrutível. Aniquilação, extensão, poder de apresentar vários aspectos na mesma pessoa ou corpo, perfumes celestiais, e sons, e visões, as mais agradáveis sensações de gosto e tato, sensações agradáveis de frescor e calor, igualdade com o vento (rapidez de movimento, poder de desaparecer à vontade, e capacidade de se mover pelos céus), capacidade de compreensão (por luz interior) o significado de escrituras e todo trabalho de gênio, companhia de donzelas celestes; adquirindo todos esses por meio de Yoga o Yogin deve desconsiderá-los e fundi-los todos no conhecimento. Reprimindo a fala e os sentidos ele deve praticar Yoga durante as horas depois do crepúsculo, nas horas antes do amanhecer, e ao amanhecer do dia, sentado em um topo de montanha, ou na base de uma árvore agradável, ou com uma árvore à sua frente. Reprimindo todos os sentidos dentro do coração, ele deve, com faculdades concentradas, pensar no Eterno e Indestrutível como um homem do mundo pensando em riqueza e outras posses valiosas. Ele nunca deve, enquanto praticando Yoga, afastar sua mente disso. Ele deve com se dirigir com devoção àqueles meios pelos quais ele possa conseguir controlar a mente que é muito agitada. Ele nunca deve se permitir se afastar disso. Com os sentidos e a mente afastados de tudo mais, o Yogin (para praticar) deve se dirigir à cavernas vazias de montanhas, a templos consagrados às divindades, e a casas ou apartamentos vazios, para viver lá. Ele não deve se associar com outros nem em palavra, ação, ou pensamento. Desconsiderando todas as coisas, e comendo muito abstemiamente, o Yogin deve olhar com um olhar igual para objetos adquiridos ou perdidos. Ele deve se comportar da mesma maneira com alguém que o elogia e alguém que o critica. Ele não deve procurar o bem ou o mal de um ou de outro. Ele não deve se regozijar por uma aquisição ou sofrer ansiedade quando ele encontra fracasso ou perda. De comportamento uniforme para com todos os seres, ele deve imitar o vento (isto é, independente de todas as coisas). Para alguém cuja mente está assim voltada para si mesma, que leva uma vida de pureza, e que lança um olhar igual para todas as coisas, de fato, para alguém que está sempre engajado em Yoga dessa maneira exatamente por seis meses, Brahma como representado pelo som (Pranavah ou Om, o monossilábico místico significando a trindade,) aparece muito vividamente. Vendo todos os homens afligidos com ansiedade (por causa de ganhar riqueza e conforto), o Yogin deve olhar um torrão de terra, um pedaço de pedra, e um pedaço de ouro com um olhar igual. De fato, ele deve se afastar deste caminho (de ganhar riqueza), nutrindo uma aversão por isso, e nunca se permitir ser entorpecido. Mesmo se acontecer de uma pessoa pertencer à classe inferior (Sudra), mesmo se acontecer de ela uma mulher, ambos, por seguirem o caminho indicado acima, certamente alcançarão o fim mais sublime. (O comentador salienta que ao passo que somente as três classes superiores são consideradas elegíveis para o estudo de Sankhya e para revelação de tais Srutis como Tattwamasi (tu és Aquilo), aqui Vyasa declara que com relação ao caminho Yoga, _todos_ são elegíveis para se dirigirem a ele.) Aquele que subjugou sua mente vê em si mesmo, pela ajuda de seu próprio conhecimento, o Incriado, Antigo, Imperecível, e Eterno Brahma, Aquele que não pode ser alcançado exceto pelos sentidos fixados (na mente e esta na compreensão), Aquele que é mais sutil do que o mais sutil, e mais grosseiro do que o mais grosseiro, e que é a própria Emancipação.'” "Bhishma continuou, 'Por averiguar das bocas de preceptores e por eles mesmos refletirem com suas mentes sobre estas palavras que o Rishi grandioso e de grande alma falou tão adequadamente, pessoas possuidoras de sabedoria obtêm aquela igualdade (sobre a qual as escrituras falam) com o próprio Brahman, até, de fato, o tempo quando chega a dissolução universal que traga todos os seres existentes.'" 241 "Suka disse, 'As declarações dos Vedas são duplas. Elas uma vez prescrevem a ordem, 'Faça todas as ações'. Elas também indicam (o contrário, dizendo), 'Desista das ações'. Eu pergunto, 'Para onde vão as pessoas pela ajuda do Conhecimento e para onde elas vão pela ajuda de ações?' (Os Vedas proclamam a eficácia de ações e conhecimento. Ações não são prescritas para aqueles que têm conhecimento.) Eu desejo saber isso. Diga-me isso. De fato, estas declarações sobre conhecimento e ações são dissimilares e até contraditórias.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, o filho de Parasara disse estas palavras para seu filho, 'Eu explicarei para ti os dois caminhos, isto é, o destrutível e o indestrutível, dependentes respectivamente de ações e conhecimento. Escute com atenção concentrada, ó filho, a mim, enquanto eu te digo o lugar que é alcançado por alguém com a ajuda de conhecimento, e aquele outro lugar que é alcançado com a ajuda de ações. A diferença entre esses dois lugares é tão grande quanto o céu ilimitado. A pergunta que tu me fizeste me causou uma angústia similar àquela que um discurso ateísta dá para um homem de fé. Estes são os dois caminhos sobre os quais os Vedas estão estabelecidos; os deveres (ações) indicados por Pravritti, e aqueles baseados em Nivritti, que têm sido tratados de forma tão excelente. Por meio de ações, uma criatura viva é destruída. Pelo conhecimento, no entanto, ela se torna emancipada. Por esta razão, os Yogins que vêem o outro lado do oceano da vida nunca se dirigem a ações. Pelas ações alguém é forçado a renascer, depois da morte, com um corpo composto dos dezesseis ingredientes. Pelo conhecimento, no entanto, alguém vem a ser transformado naquilo que é Eterno, Imanifesto, e Imutável. Uma classe de pessoas de pouca inteligência louva as ações. Por isso elas têm que aceitar corpos (um depois do outro) incessantemente. Aqueles homens cujas percepções são afiadas a respeito dos deveres e que alcançaram aquela compreensão elevada (que leva ao conhecimento), nunca louvam ações assim como pessoas que dependem para beber água do abastecimento de rios nunca louvam poços e tanques. O fruto que alguém obtém de ações consiste em prazer e dor, em existência e não existência. Pelo conhecimento, alguém alcança àquilo onde não há ocasião para dor; onde ele se torna livre de nascimento e morte; onde não se está sujeito à decrepitude; onde alguém transcende o estado de existência consciente, onde está Brahma que é Supremo, Imanifesto, imutável, sempre existente, imperceptível, acima do alcance da dor, imortal, e que transcende a destruição; onde todos se tornam livres da influência de todos os pares de opostos (como prazer e dor, etc.), como também de desejo ou propósito. Alcançando aquele estágio, eles lançam olhares iguais sobre tudo, se tornam amigos universais e dedicados ao bem de todas as criaturas. Há um amplo abismo, ó filho, entre alguém dedicado ao conhecimento e alguém dedicado às ações. Saiba que o homem de conhecimento, sem sofrer destruição, permanece existente para sempre como a lua no último dia da quinzena escura existindo em uma forma sutil (mas não destruída). O grande Rishi (Yajnavalkya em Vrihadaranayaka) disse isso mais elaboradamente. Com relação ao homem dedicado às ações, sua natureza pode ser inferida por se observar a lua recém nascida que aparece como um fio curvado no firmamento. (O significado é este: o homem de ações é como a lua recém-nascida, isto é, sujeito a crescimento e decadência.) Saiba, ó filho, que a pessoa de ações renasce com um corpo com onze entidades, como seus ingredientes, que são os resultados de modificação, e com uma forma sutil que representa um total de dezesseis. A divindade que toma refúgio naquela forma (material), como uma gota de água em uma folha de lótus, deve ser conhecida como Kshetrajna (Alma), que é Eterna, e que consegue por meio de Yoga transcender a mente e o conhecimento. (A alma reside no corpo sem partilhar de algum dos atributos do corpo. Ela é, portanto, comparada a uma gota de água em uma folha de lótus, a qual, embora sobre a folha, contudo não está ligada a ela, tanto que ela pode partir sem molhar ou encharcar em absoluto qualquer parte da folha.) Tamas, Rajas, e Sattwa são os atributos do conhecimento. O conhecimento é o atributo da alma individual residindo dentro do corpo. A alma individual, por sua vez, vem da Alma Suprema. O corpo com a alma é citado como sendo o atributo de jiva. É jiva que age e faz todos os corpos viverem. Ele que tem criado os sete mundos é citado por aqueles que estão familiarizados com o que é Kshetra, (e com o que é Kshetrajna), como estando acima de jiva.'" 242 "Suka disse, 'Eu agora entendi que há dois tipos de criação, isto é, uma começando com Kshara (a qual é universal), e que é da Alma (universal). A outra, consistindo nos sentidos com seus objetos, é determinável ao poder do conhecimento. Esta última transcende a outra e é considerada como a principal. Eu desejo, no entanto, ouvir mais uma vez a respeito daquele rumo de virtude que se move neste mundo, regulado pela virtude do Tempo, (isto é, conforme cada Yuga específico), e de acordo com o qual todos os bons homens moldam sua conduta. Nos Vedas há ambos os tipos de declarações, isto é, fazer ações e evitar ações. Como eu conseguirei determinar a adequação deste ou daquele? Cabe a ti me explicar isto claramente. (Vyasa já explicou o caráter das duas declarações aparentemente hostis. O significado da questão de Suka, portanto, é que se duas declarações são só aparentemente hostis, se, como explicado no Gita, elas são idênticas, como aquela identidade é para ser averiguada claramente?) Tendo obtido, pelas tuas instruções, um conhecimento completo da direção de conduta de seres humanos (isto é, as diferenças entre certo e errado), tendo me purificado pela prática da virtude somente, e tendo purificado minha compreensão, eu irei, depois de rejeitar meu corpo, contemplar a Alma indestrutível.'” (Ou, ‘tendo rejeitado, por meio de Yoga, a consciência de corpo, eu verei minha própria Alma’.) "Vyasa disse, 'A direção de conduta que foi primeiro estabelecida pelo próprio Brahma foi devidamente observada pelas pessoas sábias e virtuosas de antigamente, isto é, os grandes Rishis dos tempos antigos. Os grandes Rishis conquistam todos os mundos pela prática de Brahmacharya. Procurando todas as coisas que são boas para si mesmo por fixar a mente sobre o conhecimento, praticando austeridades severas por residir na floresta e subsistir de frutas e raízes, por andar em locais sagrados, por praticar benevolência universal, e por sair em suas rondas de mendicância na hora apropriada para as cabanas de reclusos na floresta quando estas ficam sem fumaça, (isto é, quando os habitantes já cozinharam e comeram), e o som da vara de descascar estiver silenciado, (isto é, quando o pilão para limpar arroz não mais trabalha, e consequentemente quando os habitantes não estão aptos a darem muito para o mendicante), uma pessoa consegue alcançar Brahma. Abstendo-te de bajulação e de curvar tua cabeça para outros, e evitando os bons e os maus, viva na floresta por ti mesmo, apaziguando a fome de qualquer maneira que venha pelo caminho.'” "Suka disse, 'As declarações dos Vedas (já referidas a respeito de ações) são, na opinião dos incultos, contraditórias. Se esta é autoritária e aquela é igualmente, quando há este conflito, como elas podem ser citadas como sendo escriturais? (Há um aparente conflito entre as duas declarações. Se ambas são autoritárias, elas não podem ser consideradas como declarações escriturais por causa de seu conflito. Se uma é assim e a outra não, o caráter escritural da última pelo menos é perdido. As escrituras só podem ser indubitáveis e livres de imperfeições. Como então (a questão procede) se o caráter escritural de ambas for mantido?) Eu desejo saber: como ambas podem ser consideradas como autoritárias? Como, de fato, a Emancipação pode ser alcançada sem violar a ordenança acerca do caráter obrigatório das ações?'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, o filho de Gandhavati, isto é, o Rishi, elogiando essas palavras de seu filho possuidor de energia incomensurável, respondeu para ele, dizendo o seguinte.'” "Vyasa disse, 'Alguém que é um Brahmacharin, alguém que leva uma vida familiar, alguém que é um recluso na floresta, e alguém que leva uma vida de mendicância (religiosa), todos alcançam o mesmo fim sublime por cumprirem devidamente os deveres de seus respectivos modos de vida. Ou, se uma pessoa, livre de desejo e aversão, pratica (um depois do outro) todos esses quatro modos de vida segundo as ordenanças que foram declaradas, ela certamente tem condições (por tal conduta) de compreender Brahma. Os quatro modos de vida constituem uma escada ou escadaria. Aquela escadaria está ligada a Brahma. Por ascendê-la corretamente, alguém consegue chegar à região de Brahma. Pela quarta parte de sua vida, o Brahmacharin, conhecedor das distinções de dever e livre de malícia, deve viver com seu preceptor ou filho de seu preceptor. Enquanto residindo na casa do preceptor, ele deve ir para a cama depois que o preceptor tiver ido para a dele, e deve se levantar dela antes que o preceptor se levante da dele. Todos os atos que devem ser feitos pelo discípulo, como também aqueles que devem ser feitos por um empregado humilde, devem ser realizados por ele. Terminando estes ele deve humildemente se colocar ao lado do preceptor. Hábil em todos os tipos de trabalho, ele deve se comportar como um empregado servil, fazendo todas as ações para seu preceptor. Tendo realizado todas as ações (sem deixar alguma parte inacabada), ele deve estudar, sentando aos pés de seu preceptor, com desejo ávido de aprender. Ele deve sempre se comportar com simplicidade, evitar más palavras, e tomar aulas somente quando seu preceptor o convidar para isto. Tornando-se puro em corpo e mente, e adquirindo inteligência e outras virtudes, ele deve falar ocasionalmente o que for agradável. Subjugando seus sentidos, ele deve olhar para seu preceptor sem olhos de curiosidade ardente. (Significando: ele deve lançar olhares submissos ou humildes em vez de encarar audaciosamente ou rudemente.) Ele nunca deve comer antes que seu preceptor tenha comido; nunca beber antes que seu preceptor tenha bebido; nunca sentar antes que seu preceptor tenha se sentado; e nunca ir dormir antes que seu preceptor tenha ido dormir. Ele deve tocar gentilmente os pés de seu preceptor com palmas viradas para cima, o pé direito com a direita e o esquerdo com a esquerda. Saudando reverentemente o preceptor, ele deve dizer a ele, 'Ó ilustre, me ensine. Eu realizarei este (trabalho), ó ilustre! Este (outro trabalho) eu já realizei. Ó regenerado, eu estou pronto para realizar qualquer coisa mais que tua pessoa venerável possa querer ordenar.' Tendo dito tudo isso, e tendo devidamente se oferecido para ele (dessa maneira), ele deve realizar quaisquer ações que seu preceptor espere ver realizadas, e tendo-as terminado informar o preceptor mais uma vez de sua conclusão. Quaisquer aromas ou gostos dos quais o Brahmacharin possa ter se abstido enquanto levando realmente uma vida de Brahmacharya podem ser usados por ele depois de seu retorno da residência do preceptor. Isto é consistente com a ordenança. Quaisquer observâncias que tenham sido declaradas elaboradamente para Brahmacharins (nas escrituras) devem ser todas praticadas regularmente por ele. Ele deve, também, estar sempre perto de seu preceptor (preparado ao alcance da voz). Tendo contribuído para a satisfação de seu preceptor desse modo ao melhor de seus poderes, o discípulo deve, a partir daquele modo de vida, passar para os outros (um depois do outro) e praticar os deveres de cada um. Tendo (assim) passado uma quarta parte de sua vida no estudo dos Vedas, e na observância de votos e jejuns, e tendo dado ao preceptor a taxa (final), o discípulo deve, de acordo com a ordenança, se despedir e voltar para casa (para entrar em uma vida familiar). (Conhecimento nunca era vendido nesse país nos tempos antigos. A taxa final não é uma retribuição pelos serviços do preceptor mas uma indicação de gratidão do pupilo. Seu valor depende da habilidade do discípulo, embora haja histórias nas escrituras de discípulos sendo prejudicados por seu ardor persistente em pressionar a aceitação desta taxa. Veja a história de Galava no Udyoga Parva.) Então, tendo aceitado esposas, obtendo-as das maneiras indicadas nas ordenanças, e tendo estabelecido cuidadosamente o fogo doméstico, ele deve, todo o tempo observando votos e jejuns, se tornar um chefe de família e passar o segundo período de vida.'" 243 "Vyasa disse, 'Observador de votos meritórios, o chefe de família, no segundo período da vida, deve morar em sua casa, tendo tomado esposas de acordo com os caminhos indicados nas ordenanças e tendo estabelecido um fogo (de sua posse). Com relação ao modo de vida familiar, quatro tipos de conduta são prescritos pelos eruditos. O primeiro consiste em manter um estoque de grãos suficientes para durar por três anos. O segundo consiste em manter um estoque para durar por um ano. O terceiro consiste em abastecer para o dia sem pensar no dia seguinte. O quarto consiste em coletar grãos da mesma maneira que o pombo. (O quarto tipo de conduta, chamado kapoti é também chamado de unchha. Ele consiste em coletar tais sementes de grãos que caíram dos carros e que foram abandonados pelos ceifeiros.) Destes, cada um seguinte é superior em relação à mérito àquele que o precede, segundo o que é declarado nas escrituras. (Dessa maneira o segundo é mais meritório do que o primeiro, o terceiro do que o segundo, e o quarto do que o terceiro. O quarto ou último, portanto, é o primeiro com referência a mérito.) Um chefe de família observando o primeiro tipo de conduta pode praticar todos os seis deveres bem conhecidos (isto é, sacrifício no próprio interesse, sacrifício naquele de outros, ensino, aprendizado, fazer doações, e aceitar doações). Aquele que observa o segundo tipo de conduta deve praticar somente três destes deveres (isto é, aprender, doar, e receber). Aquele que observa o terceiro tipo de conduta deve praticar somente dois dos deveres da vida familiar (aprender e doar). O chefe de família praticando o quarto tipo de vida familiar deve cumprir somente um dever (isto é, estudar as escrituras). Os deveres do chefe de família são todos citados como sendo extremamente meritórios. O chefe de família nunca deve cozinhar qualquer alimento somente para seu próprio uso, nem deve matar animais (para alimentação) exceto em sacrifícios. (É dito que o chefe de família que cozinha deve dar uma parte do alimento cozido para um Brahmacharin ou Yati ou alguém que chegue como um convidado. Se ele não faz isso mas come tudo o que foi cozido, ele é considerado como comendo o que pertence a um Brahmana. Isso, naturalmente, é um grande pecado.) Se há algum animal que o chefe de família deseja matar (para se alimentar), ou alguma árvore que ele deseja derrubar (para fazer combustível), ele deve fazer ambas as ações de acordo com o ritual prescrito nos Yajuses pois aquilo é devido para as existências animadas e inanimadas. O chefe de família nunca deve dormir durante o dia, ou durante a primeira parte da noite, ou durante a última parte dela. Ele nunca deve comer duas vezes entre a manhã e a noite, e nunca deve convocar sua esposa para a cama exceto na época dela. Em sua casa, nenhum Brahmana deve ser permitido permanecer não alimentado ou não adorado. Ele deve sempre venerar tais convidados que são oferecedores de oferendas sacrificais, que são purificados pelo saber Védicos e observância de votos excelentes, que são nobres de nascimento e conhecedores das escrituras, que são cumpridores dos deveres de sua própria classe, que são autodominados, atentos a todos os atos religiosos, e dedicados a penitências. As escrituras ordenam que o que é oferecido às divindades e aos Pitris em sacrifícios e ritos religiosos está destinado ao serviço de convidados como esses. Neste modo de vida as escrituras ordenam que uma parte do alimento (que é cozido) deve ser dada para toda criatura (independente de seu nascimento ou caráter), para alguém, isto é, que por causa de exibição mantém suas unhas e barba, para alguém que por orgulho mostra quais são suas próprias práticas (religiosas), para alguém que abandonou impropriamente seu fogo sagrado, e até para alguém que ofendeu seu preceptor. Alguém que segue o modo de vida familiar deve dar (comida) para Brahmacharins e Sannyasins. O chefe de família deve todos os dias se tornar um comedor de vighasa, e deve todos os dias comer amrita. Misturados com manteiga clarificada, os restos do alimento que foi oferecido em sacrifícios constitui amrita. Aquele chefe de família que come depois de ter alimentado seus (parentes e) empregados é citado como comedor de vighasa. A comida que resta depois de os empregados terem sido alimentados é chamada de vighasa, e aquela que é deixada depois da apresentação de oferendas sacrificais é chamada de amrita. Alguém levando uma vida familiar deve estar contente com sua própria esposa. Ele deve ser autocontrolado. Ele deve evitar a malícia e subjugar seus sentidos. Ele nunca deve brigar com seu Ritwik, Purohita, e preceptor, com seu tio materno, convidados e dependentes, com os idosos e os muito jovens, com aqueles que sofrem de doenças, com aqueles que trabalham como médicos, com aparentados, com parentes, e amigos, com seus pais, com mulheres que pertencem à sua própria família paterna, com seu irmão e filho e esposa, com sua filha, e com seus empregados. Por evitar disputas com esses, o chefe de família vem a ser purificado de todos os pecados. Por conquistar tais disputas, ele consegue conquistar todas as regiões de felicidade (no mundo após a morte). Não há dúvida nisto. O preceptor (se devidamente reverenciado) é capaz de levar alguém para as regiões de Brahman. O pai (se reverenciado) pode levar às regiões de Prajapati. O convidado é poderoso o suficiente para levar à região de Indra. O Ritwik tem poder em relação às regiões das divindades. Parentes mulheres da linha paterna têm domínio a respeito das regiões das Apsaras, e parentes (por sangue), a respeito da região dos Viswedevas. Parentes por casamento e parentes colaterais têm poder em relação aos vários quadrantes do horizonte (isto é, norte, etc.), e a mãe e o tio materno têm poder sobre a terra. Os idosos, os jovens, os afligidos e os arruinados têm poder sobre o céu. (O sentido é este: essas várias pessoas, se devidamente reverenciadas pelo chefe de família, são capazes de mandar o último para os lugares indicados ou fazê-lo confortável naqueles locais.) O irmão mais velho é como o próprio pai (para todos os seus irmãos mais novos). A esposa e o filho são o próprio corpo de um homem. Os empregados de alguém são sua própria sombra. A filha é um objeto de grande afeição. Por essas razões, um chefe de família dotado de erudição, cumpridor dos deveres, e possuidor de paciência, deve tolerar, sem calor ou ansiedade de coração, todos os tipos de aborrecimento e até crítica dos últimos parentes citados. Nenhum chefe de família correto deve fazer alguma ação, incitado por considerações de riquezas. Há três direções de dever em relação a uma vida familiar; (das quatro, a primeira é deixada de fora aqui). Dessas, aquela que vem em seguida (na ordem de enumeração) é mais meritória do que a precedente. Com relação aos quatro (principais) modos de vida também, a mesma regra de mérito se aplica, isto é, o que vem depois é superior ao que o precede. Consequentemente, a vida familiar é superior a Brahmacharya, a vida na floresta é superior à vida familiar, e uma vida de mendicância ou renúncia completa é superior a uma vida na floresta. Alguém desejoso de prosperidade deve realizar todos aqueles deveres e ritos que são ordenados nas escrituras a respeito daqueles modos. Cresce em prosperidade aquele reino onde essas pessoas altamente merecedoras vivem, isto é, aquelas que levam uma vida familiar segundo o método Kumbhadhanya, aquelas que a levam de acordo com o método Unchha, e aquelas que a levam de acordo com o método Kapoti. O homem que leva alegremente uma vida familiar na observância daqueles deveres, consegue santificar dez gerações de seus antepassados acima e dez gerações de descendentes abaixo. Um chefe de família, cumprindo devidamente os deveres da vida familiar, obtém um fim que produz felicidade igual àquela que ocorre nas regiões alcançadas por grandes reis e imperadores. Este mesmo é o fim que foi ordenado para aqueles que têm subjugado seus sentidos. Para todos os chefes de família de grande alma o céu foi ordenado. Aquele céu está equipado com carros encantadores para cada um (que se movem à vontade do passageiro). Esse mesmo é o céu encantador indicado nos Vedas. Para todos os chefes de família de almas controladas, as regiões do céu constituem a recompensa excelente. O Auto-nascido Brahman ordenou que o modo de vida familiar deveria ser a causa produtiva do céu. E, já que foi assim ordenado, uma pessoa, por alcançar gradualmente o segundo modo de vida, obtém felicidade e respeito no céu. Depois deste vem aquele modo de vida elevado e superior, chamado de o terceiro, para aqueles que estão desejosos de rejeitar seus corpos. Superior àquela dos chefes de família, aquela é a vida de ascetas na floresta, daqueles, isto é, que desgastam seus corpos (por diversos tipos de austeridades) em esqueletos cobertos com peles secas. Escute enquanto eu te falo sobre isso.'" 244 "Bhishma disse, "Dessa maneira foram narrados os deveres da vida familiar como são ordenados pelos sábios. Escute agora, ó Yudhishthira, quais são aqueles deveres dos quais foi falado em seguida. Abandonando gradualmente o modo familiar, alguém deve entrar no terceiro modo que é excelente. Este é o modo no qual esposas se afligem por meio de austeridades. Este é o modo praticado por aqueles que vivem como reclusos na floresta. Abençoado sejas tu, ó filho, escute aos deveres observados por aqueles que levam este modo de vida no qual ocorrem as práticas de todos os homens e todos os modos de vida. Escute, de fato, aos deveres daqueles que são habitantes de locais sagrados e que recorreram a este modo depois de deliberação apropriada!'” "Vyasa disse, 'Quando o chefe de família vê rugas em seu corpo e cabelos brancos em sua cabeça, e filhos de seus filhos, ele deve então se retirar para a floresta. A terceira parte de sua vida ele deve passar na observância do modo Vanaprastha. Ele deve cuidar daqueles fogos dos quais ele tinha cuidado como um chefe de família. Desejoso de sacrificar, ele deve adorar as divindades (segundo os rituais ordenados). Observador de votos e moderado em dieta, ele deve comer somente uma vez, a hora disso sendo a parte sexta parte do dia. Ele deve estar sempre atento. Cuidando de seus fogos, ele deve manter algumas vacas, servindo-as devidamente. (A vaca é um animal sagrado e há mérito em alimentar e cuidar apropriadamente de uma vaca. Ascetas na floresta mantêm vacas por mérito como também para homa ou sacrifício com o ghee obtido delas. A história da vaca de Vasishtha é bem conhecida.) Ele deve se encarregar de todos os rituais de um sacrifício. Ele deve viver do arroz que cresce de modo indígena, do trigo crescido sob circunstâncias similares, de grãos de outros tipos, crescendo de modo selvagem (e pertencentes a ninguém). Ele deve comer o que restar depois de alimentar convidados. Neste terceiro modo de vida, ele deve apresentar oferendas de manteiga clarificada nos cinco Sacrifícios bem conhecidos. (Que são: Agnihotra, Darsapurnamasi, Chaturmasya, Pasu e Soma.) Quatro espécies de direções de conduta foram prescritas para observância no modo de vida Vanaprastha. Alguns coletam só o que é necessário para o dia. Alguns reúnem estoque para durar por um mês. Alguns armazenam grãos e outras coisas necessárias suficientes para durar por doze anos. Reclusos na floresta podem agir dessas maneiras para cultuar convidados e realizar sacrifícios. Eles devem, durante a estação das chuvas, se expor à chuva e se dirigir à água durante o outono. Durante o verão eles devem se sentar no meio de quatro fogos com o sol queimando por cima. Por todo o ano, no entanto, eles devem ser moderados em dieta. Eles sentam e dormem na terra nua. Eles ficam em pé somente sobre seus dedos dos pés. Eles se contentam com a terra nua e com pequenas esteiras de grama (não possuindo nenhuma outra mobília para assento ou cama). Eles realizam suas abluções de manhã, meio-dia, e à noite (preparatórias para sacrifícios). Alguns entre eles usam somente os dentes para limpar grãos. Outros usam somente pedras para aquele propósito. (Isto é, eles não usam um utensílio comum para descascar ou limpar os grãos que eles usam como alimento.) Alguns entre eles bebem, somente durante a quinzena iluminada, o mingau de trigo (ou outro grão) fervido muito levemente. (De modo que uma parte muito pequena do grão se mistura com a água.) Há muitos que bebem um mingau parecido somente durante a quinzena escura. Alguns comem somente o que vem pelo caminho (sem procurar obtê-lo). Alguns, adotando votos rígidos, vivem somente de raízes, alguns somente de frutas, e alguns somente de flores, observando devidamente o método seguido pelos Vaikhanasas. Essas e diversas outras observâncias são adotadas por aqueles homens de sabedoria e piedade. O quarto é (o modo chamado de Renúncia) baseado nos Upanishads. Os deveres declarados para ele podem ser observados em todos os modos de vida igualmente. Este modo diferente dos outros vem depois da vida familiar e da vida na floresta. Neste mesmo Yuga, ó filho, é sabido que muitos Brahmanas eruditos conhecedores das verdades de todas as coisas observam este modo. Agastya, os sete Rishis (isto é, Atri, Angiras, Pulastya, Pulaha, Vasishtha, Narada, e Kratu), Madhucchandas, Aghamarshana, Sankriti Sudivatandi que vivia onde quer que ele quisesse e que estava contente em aceitar o que vinha (nunca procurando por algo). Ahovirya Kavya, Tandya, o erudito Medhatithi, Karmanirvaka de energia imensa, e Sunyapala que tinha se esforçado imensamente (para adquirir poder ascético), foram os autores desta direção de deveres, e, eles mesmos os observando, procederam todos para o céu. Muitos grandes Rishis, ó filho, que tinham o poder de ver imediatamente os resultados de seu mérito ascético, (isto é, cujos desejos eram imediatamente coroados com sucesso, em relação a bênçãos e maldições, etc.), aqueles numerosos ascetas que são conhecidos pelo nome de Yayavaras, muitos Rishis de penitências muito rígidas e possuidores de conhecimento exato a respeito de distinções de dever, e muitos outros Brahmanas numerosos demais para mencionar, adotaram o modo de vida da floresta. Os Vaikhanasas, os Valikhilyas, os Saikatas, todos os quais eram dedicados a penitências austeras, que eram firmes em virtude, que tinham subjugado seus sentidos, e que costumavam ver os resultados de suas penitências imediatamente, adotaram este modo de vida e finalmente ascenderam para o céu. Livres do medo e não contados entre as estrelas e planetas, eles se tornaram visíveis no firmamento como corpos luminosos; (diferentes de estrelas e planetas mas todavia livres de escuridão). Quando a quarta ou última parte da vida é alcançada, e quando alguém está enfraquecido pela velhice e afligido por doença, ele deve abandonar o modo de vida da floresta (para o quarto modo chamado de Renúncia). Realizando um sacrifício que possa ser completado em um único dia e no qual o Dakshina deve ser tudo o que ele possa ser possuidor, ele mesmo deve realizar seu próprio Sraddha (ritos fúnebres). Afastado de todos os outros objetos, ele deve se devotar a si mesmo, tendo satisfação em si mesmo, e dependendo também de si mesmo. Ele deve estabelecer todos os seus fogos sacrificais (daquele tempo em diante) em si mesmo, e desistir de todos os tipos de vínculos e atrações. (No caso de ele fracassar em alcançar a Renúncia completa), ele deve sempre realizar ritos e sacrifícios que sejam completados em um único dia; (por exemplo, como aqueles chamados de Brahma-yajna, etc.) Quando, no entanto, a partir da realização dos sacrifícios (comuns) de sacrificadores, o Sacrifício em Si procede, então (ele pode interromper todos os sacrifícios comuns, e) para os três fogos sacrificar devidamente em seu próprio Eu por sua Emancipação. (Isto é, sem mais adorar seus fogos por ritos visíveis e efetiva recitação de mantras, ele deve, por causa de sua emancipação, cultuar em si mesmo ou procurar a extinção da mente e conhecimento em Yoga.) Sem achar defeito em sua comida ele deve comer cinco ou seis bocados, oferecendo-os devidamente aos cinco ares vitais (proferindo todo o tempo os bem conhecidos) mantras do Yajurveda. (Até hoje todo Brahmana ou Kshatriya ou Vaisya ortodoxo nunca come sem oferecer no início cinco pequenos bocados para os cinco ares vitais, isto é, Prana, Apana, Samana, Udana, e Vyana.) Empenhado na observância de austeridades enquanto levando a vida de um asceta na floresta, alguém deve raspar seu cabelo e pêlos e aparar suas unhas, e tendo se purificado pelas ações, passar para o quarto e último modo de vida que é repleto de grande santidade. (O modo de vida Sannyasa, como bem sabido, nunca pode ser entrado sem uma prévia barbeação.) A pessoa regenerada que entra no quarto modo de vida, dando garantias de segurança para todas as criaturas (sendo totalmente inofensivo), consegue ganhar muitas regiões de brilho refulgente após a morte e no final alcança o Infinito. De disposição e conduta excelentes, com pecados todos purificados, a pessoa que conhece a si mesma nunca deseja fazer alguma ação para este ou para o outro mundo. Livre da ira e do erro, sem ansiedade e sem amizade, tal pessoa vive nesse mundo como alguém totalmente desinteressado por seus assuntos. Alguém (na observância de Sannyasa) não deve se sentir relutante em cumprir os deveres incluídos em Yama (benevolência universal, veracidade, fé, Brahmacharya e liberdade de apego) e também aqueles que andam atrás deles (e estão incluídos em niyama, que são: pureza de corpo e mente, contentamento, austeridade, estudo dos Vedas, meditação sobre o Supremo). Tal pessoa deve viver com energia de acordo com as ordenanças em relação ao seu próprio modo, e jogar fora o estudo Védico (recitação) e o fio sagrado que é indicativo da classe de seu nascimento. Dedicada à virtude e com seus sentidos sob controle completo, tal pessoa, possuidora de auto- conhecimento, alcança sem dúvida o objetivo pelo qual ela se esforça (Emancipação). Depois do terceiro há o quarto modo de vida. Ele é muito superior, e repleto de numerosas virtudes superiores. Ele transcende a respeito de mérito os outros três modos de vida. É dito que ele ocupa o lugar mais elevado. Ouça-me enquanto eu falo sobre os deveres que pertencem àquele modo que é preeminente e que é o maior refúgio de todos!'" "Suka disse, 'Enquanto vivendo na devida observância dos principais deveres da vida, como deve alguém que procura alcançar Àquele que é o maior objeto de conhecimento, fixar sua alma em Yoga de acordo com o melhor que pode?'” "Vyasa disse, 'Tendo adquirido (pureza de conduta e corpo) pela prática dos dois primeiros modos de vida, isto é, Brahmacharya e vida familiar, alguém deve, depois disso, fixar sua alma em Yoga no terceiro modo de vida. Escute agora com atenção concentrada ao que deve ser feito para alcançar ao mais alto objeto de aquisição! Tendo subjugado todos os defeitos da mente e do coração por meios fáceis na prática dos primeiros três modos de vida (isto é, estudo, vida familiar, e reclusão) alguém deve passar para o mais excelente e o mais eminente de todos os modos, isto é, Sannyasa ou Renúncia. Passe então teus dias, tendo obtido aquela pureza. Escute também a mim. Uma pessoa deve, sozinha e sem alguém para ajudá-la ou lhe fazer companhia, praticar Yoga para alcançar êxito (em relação ao maior objeto de aquisição). Alguém que pratica Yoga sem companhia, que vê tudo como uma cópia de seu próprio eu, e que nunca exclui qualquer coisa (por todas as coisas serem permeadas pela Alma Universal), nunca decai da Emancipação. Sem manter os fogos sacrificais e sem uma habitação fixa, tal pessoa deve entrar em uma aldeia somente para pedir sua comida. Ele deve se abastecer para o dia sem armazenar para o dia seguinte. Ele deve se dirigir a penitências, com coração fixo no Supremo. Comendo pouco e até isso sob regulações apropriadas, ele não deve comer mais do que uma vez ao dia. As outras indicações de um mendicante (religioso) são a caveira humana (usada como recipiente para beber), abrigo sob árvores, trapos para vestir, solidão não rompida pela companhia de alguém, e indiferença por todas as criaturas. Aquela pessoa em quem palavras entram como elefantes apavorados em um poço, e de quem elas nunca voltam para o orador, é apta para levar este modo de vida que tem a Emancipação como seu objetivo. (Elefantes, quando lançados em um poço, se tornam totalmente desamparados e incapazes de sair. Aquela pessoa, portanto, em quem palavras entram como elefantes em um poço, é aquela que não responde as más palavras de outras. O que é dito aqui é que somente uma pessoa de tal clemência deve se dirigir à mendicância ou Sannyasa.) O mendicante (ou Renunciante) nunca deve considerar as más ações de alguma pessoa. Ele nunca deve ouvir o que é dito em menosprezo de outros. Especialmente ele deve evitar falar mal de um Brahmana. Ele deve sempre dizer somente o que é agradável para os Brahmanas. Quando qualquer coisa é falada em menosprezo (dele mesmo), ele deve, (sem responder), permanecer totalmente silencioso. Tal silêncio, de fato, é o tratamento medicinal prescrito para ele. Aquela pessoa que por sua solidão (pois considera tudo como sendo ela mesma), faz o lugar que ocupa se tornar como o céu do leste, e que pode fazer um local cheio de milhares de homens e coisas parecer para si mesma como perfeitamente solitário ou desocupado (este é o processo de Yoga chamado Pratyahara), é considerada pelas divindades como sendo um verdadeiro Brahmana. Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que se veste com o que vem pelo caminho, que subsiste do que quer que ele obtenha, e que dorme em qualquer lugar que ele encontre. Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que tem medo de companhia como de uma cobra; da medida completa de satisfação (de comestíveis doces e bebidas) como do inferno; e de mulheres como de um cadáver. (Um mendicante ou renunciante nunca deve comer até a total satisfação. Ele deve comer sem saciar completamente sua fome.) Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que nunca fica alegre quando honrado e que nunca fica zangado quando insultado, e que dá garantias de compaixão para todas as criaturas. Alguém na observância do último modo de vida não deve olhar a morte com alegria. Nem ele deve olhar a vida com alegria. Ele deve somente esperar por sua hora como um empregado esperando pela ordem (de seu patrão). Ele deve purificar seu coração de todos os defeitos. Ele deve purificar sua língua de todos os defeitos. Ele deve se purificar de todos os pecados. Como ele não tem inimigos, que medo pode atacá-lo? Aquele que não tem medo de qualquer criatura e a quem nenhuma criatura teme não pode ter medo de algum quadrante, livre como ele é de erros de todo tipo. Como as pegadas de todas as outras criaturas que se movem sobre pernas são engolfadas dentro daquelas de elefantes, da mesma maneira todos os postos e condições são absorvidos dentro de Yoga. (Os resultados de Yoga incluem ou absorvem os frutos de todos os outros atos. O posto e prestígio do próprio Indra é absorvido dentro daquele que é obtido por meio de Yoga. Não há tipo de felicidade que não seja engolfado na felicidade da Emancipação, a qual somente Yoga pode conceder.) Do mesmo modo, todos os outros deveres e observâncias são admitidos como engolfados dentro do único dever de abstenção de ferir (todas as criaturas). Vive uma vida eterna de felicidade aquele que evita prejudicar outras criaturas. Alguém que se abstém de injúria, que olha igualmente para todas as criaturas, que é devotado à verdade, que é dotado de firmeza, que tem seus sentidos sob controle, e que concede proteção para todos os seres, alcança um fim que está além de comparação. A condição chamada de morte não consegue superar tal pessoa que está contente com autoconhecimento, que é livre do medo, e que é desprovida de desejo e expectativa. Por outro lado, tal pessoa consegue transcender a morte. Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que está livre de atrações de todos os tipos, que é praticante de penitências, que vive como o espaço o qual enquanto ocupando tudo ainda assim não é ligado a qualquer coisa, que não tem nada que ele chame de seu, que leva uma vida de solidão, e que tem tranquilidade de alma. Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele cuja vida é para a prática de virtude, cuja virtude é para o bem daqueles que o servem respeitosamente, e cujos dias e noites existem somente para a aquisição de mérito. Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que está livre de desejo, que nunca se esforça para fazer ações que são feitas por homens mundanos, que nunca curva sua cabeça para ninguém, que nunca bajula outros, (e que está livre de apegos de todos os tipos). Todas as criaturas ficam satisfeitas com a felicidade e cheias de medo pela probabilidade de aflição. O homem de fé, portanto, que deve se sentir afligido pela probabilidade de encher outras criaturas com aflição, deve se abster totalmente das ações de todos os tipos. (Porque todas as ações são repletas de injúria para outros.) A doação de garantias de inofensividade para todas as criaturas transcende todas as outras doações em relação a mérito. Aquele que, no início, repudia a religião da injúria (isto é, a religião de sacrifícios e ações), consegue alcançar a Emancipação, na qual há a garantia de inofensividade para todas as criaturas. Aquele homem que não despeja em sua boca aberta nem os cinco ou seis bocados que são prescritos para o recluso na floresta, é citado como sendo o centro do mundo, e o refúgio do universo. A cabeça e outros membros, como também os atos bons e maus, se tornam possuídos pelo Fogo. Tal homem, que sacrifica em si mesmo, faz uma liberação de seus sentidos e mente no fogo que mora dentro do espaço limitado de seu próprio coração. Por consequência também de ele despejar tal libação em tal fogo dentro de si mesmo, o universo com todas as criaturas inclusive os próprios deuses, vem a ser satisfeito. Aquele que percebe a alma Jiva que é dotada de refulgência, que está envolvida em três coberturas, que tem três atributos como suas características, como Iswara partilhando daquilo que é o principal, isto é, da natureza da Alma Suprema, se torna objeto de grande respeito em todos os mundos. O próprios deuses com todos os seres humanos falam elogiosamente de seus méritos. Aquele que consegue contemplar na alma que reside em seu próprio corpo todos os Vedas, o espaço e os outros objetos de percepção, os rituais que se encontram nas escrituras, todas aquelas entidades que são compreensíveis somente no som e a natureza superior da Alma Suprema, é procurado para ser adorado pelas próprias divindades como o mais importante de todos os seres. Aquele que vê na alma que reside dentro de seu corpo aquele principal dos seres que não é ligado à terra, que é incomensurável mesmo no firmamento infinito, (isto é, mais vasto do que o firmamento); que é feito de ouro, (Chit tendo somente o conhecimento como seu atributo); que é nascido do ovo, (pertencente ao universo) e reside dentro do ovo, (isto é, capaz de ser percebido no coração); que é equipado com muitas penas, (tendo muitos membros cada um dos quais é presidido por uma divindade específica); que tem duas asas como uma ave, (ausência de atrações ou completa dissociação de tudo, e felicidade e contentamento e aptidão para a alegria), e que é tornado refulgente por muitos raios de luz (transformado em um agente vivo e ativo por meio de olhos, ouvidos, etc.); é procurado para ser adorado pelas próprias divindades como o principal de todos os seres. As próprias divindades adoram aquele em cuja compreensão está fixada a roda do Tempo, (isto é, aquele que compreende a roda do Tempo); a qual está girando constantemente, que não conhece decadência, que consome o período de existência de todas as criaturas, que tem as seis estações como seus cubos, que é equipada com doze raios consistindo nos doze meses, que tem juntas excelentes (que são os dias parva, ou seja, aquelas lunações sagradas nas quais os ritos religiosos são realizados), e em direção à cuja boca escancarada procede este universo (pronto para ser devorado). A Alma Suprema é a vasta inconsciência do sono sem sonhos. Aquela Inconsciência é o corpo do universo. Ela permeia todas as coisas criadas. Jiva, ocupando uma porção daquela vasta inconsciência gratifica as divindades. Estas últimas, estando gratificadas, gratificam a boca aberta daquela inconsciência. (O sentido do verso é este: Brahma, nos capítulos anteriores, tem sido falado como Sushupti ou a inconsciência do sono sem sonhos. O universo flui de Brahma. A inconsciência, portanto, é a causa ou origem ou corpo do universo. Aquela inconsciência, portanto, permeia todas as coisas, isto é, grosseiras e sutis. Jiva, encontrando um espaço dentro daquela inconsciência existindo na forma de grosseiro e sutil, satisfaz as divindades, prana e os sentidos. Estes, assim satisfeitos por Jiva, finalmente satisfazem a boca aberta da inconsciência original que espera para recebê-los ou engoli-los. Todos esses versos são baseados nas ideias metafóricas que encontram expressão nos Upanishads.) Dotado de refulgência como também do princípio de eternidade, Jiva não tem início. Ele adquire (por seguir caminhos específicos) regiões infinitas de felicidade eterna. Aquele de quem nenhuma criatura tem medo nunca tem que temer nenhuma criatura. Aquele que nunca faz algo criticável e que nunca critica outro, é considerado como sendo realmente uma pessoa regenerada. Tal homem consegue contemplar a Alma Suprema. Aquele cuja ignorância foi dissipada e cujos pecados foram purificados, nunca desfruta aqui ou após a morte da felicidade que é desfrutada por outros (mas alcança a Emancipação completa). Uma pessoa na observância do quarto modo de vida vaga sobre a terra como alguém não relacionado com tudo. Tal pessoa está livre de cólera e erro. Tal pessoa considera igualmente um torrão de terra e um pedaço de ouro. Tal homem nunca armazena qualquer coisa para seu uso. Tal pessoa não tem amigos e inimigos. Tal homem é completamente indiferente a elogio e crítica, e ao agradável e ao desagradável.'" 246 "Vyasa disse, 'A alma Jiva é dotada de todas aquelas entidades que são modificações de Prakriti. Estas não conhecem a Alma mas a Alma conhece elas todas. Como um bom motorista procedendo com a ajuda de corcéis fortes, bem domados, e bem vigorosos pelos caminhos que ele escolhe, a Alma age com a ajuda destes, chamados de sentidos, tendo a mente como seu sexto. Os objetos dos sentidos são superiores aos próprios sentidos. A mente é superior àqueles objetos. A compreensão é superior à mente. A Alma, também chamada de Mahat, é superior à compreensão. Superior a Mahat é o Imanifesto (ou Prakriti). Superior ao Imanifesto é Brahma. Não há nada Superior a Brahma. Ele é o maior limite da excelência e a meta mais alta. A Alma Suprema está oculta em toda criatura. Ela não está exposta para homens comuns verem. Somente Yogins com visão sutil vêem a Alma Suprema com a ajuda de sua compreensão perspicaz e sutil. Unindo os sentidos tendo a mente como seu sexto e todos os objetos dos sentidos dentro da Alma interna pela ajuda da Compreensão, e refletindo sobre os três estados de consciência, isto é, o objeto pensado, a ação de pensar, e o pensador, e se abstendo pela contemplação de todos os tipos de prazer, equipando sua mente com o conhecimento de que ele é o próprio Brahma, pondo de lado ao mesmo tempo toda a consciência de pujança, e assim fazendo sua alma perfeitamente tranquila, o Yogin obtém aquilo ao qual a imortalidade inere. Aquela pessoa, no entanto, que acontece de ser a escrava de todos os seus sentidos e cujas ideias de certo e errado estão confusas, sempre sujeita à morte como ela é, realmente encontra com a morte por tal rendição do eu às (paixões). Destruindo todos os desejos, deve-se imergir a Compreensão grosseira na Compreensão sutil. Tendo assim unido a Compreensão grosseira à sutil, uma pessoa seguramente se tornará uma segunda montanha Kalanjara (isto é, irremovível como a montanha assim chamada). Por purificar seu coração, o Yogin transcende a virtude e seu oposto. Por purificar seu coração e por viver em sua própria natureza verdadeira, ele obtém a maior felicidade. (A purificação aqui referida consiste em transcender a consciência de dualidade. A virtude deve ser evitada por causa de sua incapacidade de levar à emancipação a qual é muito superior ao céu.) A indicação daquela pureza de coração (da qual eu falo) é que alguém que a alcançou sente aquele estado de inconsciência (com respeito a todos os seus circundantes) que alguém experimenta no sono sem sonhos. O Yogin que alcançou aquele estado vive como a chama firme de uma lâmpada que queima em um lugar onde a atmosfera está perfeitamente imóvel. Tornando-se moderado em dieta, e tendo limpado seu coração, o Yogin que aplica sua Alma (Jiva) à Alma (Suprema) consegue ver a Alma na Alma. Este discurso, ó filho, planejado para tua instrução, é a essência de todos os Vedas. As verdades aqui reveladas não podem ser compreendidas somente pela ajuda de inferência ou por aquela de mero estudo das escrituras. Alguém deve compreender isso por si mesmo pela ajuda da fé. Por bater a riqueza que está contida em todos os trabalhos religiosos e em todos os discursos baseados na verdade, como também os dez mil Richs, este néctar foi formado. Como manteiga dos coalhos e fogo da madeira, exatamente este foi formado por causa de meu filho, este que constitui o conhecimento de todos os homens realmente sábios. Este discurso, ó filho, repleto de instrução sólida, é planejado para entrega para Snatakas (Brahmanas que terminaram o estudo dos Vedas e se dirigiram à vida familiar). Ele nunca deve ser dado para alguém que não tem uma alma tranquila, ou que não tem autodomínio, ou alguém que não tem passado por penitências. Ele não deve ser comunicado para alguém que não conhece os Vedas, ou alguém que não serve humildemente seu preceptor, ou que não está livre de malícia, ou que não possua sinceridade e franqueza, ou alguém que tenha um comportamento negligente. Ele nunca deve ser comunicado para alguém cujo intelecto foi consumido pela ciência de disputa, ou para alguém que é vil ou baixo. Para aquela pessoa, no entanto, que possui fama, ou que merece louvor (por suas virtudes), ou que é de alma tranquila, ou possuidora de mérito ascético, para um Brahmana que é dessa maneira, para um filho ou discípulo respeitoso, este discurso que contém a própria essência dos deveres deve ser comunicado, mas de modo algum ele deve ser comunicado para outros. Se alguma pessoa faz uma doação da terra inteira com todos os seus tesouros para alguém conhecedor da verdade, o último ainda considerará o presente deste conhecimento como sendo muitíssimo superior àquela doação. Eu agora te falarei sobre um assunto que é um mistério maior do que este, um assunto que está relacionado com a Alma, que transcende as compreensões comuns dos seres humanos, que é contemplado pelos principais dos Rishis, que tem sido tratado nos Upanishads, e que forma o tópico da tua pergunta. Diga-me: o que, depois disto, está em tua mente? Diga-me: sobre o que tu ainda tens alguma dúvida? Ouça, pois eu estou aqui, ó filho, rostos virados para todas as direções. O Sol e a Lua estão os dois sentados diante de ti! Sobre o que de fato, eu falarei mais uma vez para ti?'" "Suka disse, 'Ó ilustre, ó principal dos Rishis, fale mais uma vez para mim sobre Adhyatma mais elaboradamente. Diga-me o que, de fato, é Adhyatma e de onde ele vem?'” (Adhyatma é um assunto com relação à Alma. Aqui ele significa os vinte e sete tópicos usuais de discurso filosófico: os cinco órgãos de ação, os cinco órgãos de conhecimento, a mente e três outros chamados Chitta, etc., os cinco ares vitais, as cinco substâncias elementares, Desejo, Ações e Avidya.) "Vyasa disse, 'Aquilo, ó filho, que é considerado como Adhyatma com referência a seres humanos, eu agora mencionarei para ti, e escute a explicação que eu dou (de Adhyatma). Terra, água, luz, vento, e espaço, são as grandes entidades que formam as partes componentes de todas as criaturas, e, embora realmente um, eles contudo são considerados diferentes como as ondas do oceano (que embora idênticas com respeito à sua substância constituinte ainda são contadas como diferentes umas das outras). Como uma tartaruga esticando seus membros e recolhendo-os novamente, as grandes entidades (já nomeadas), por habitarem em inúmeras formas pequenas, passam por transformações (chamadas de criação e destruição). Todo este universo de objetos móveis e imóveis tem estas cinco entidades como suas partes componentes. Tudo, em relação à sua criação e destruição, é atribuível a esta entidade quíntupla. Estas cinco entidades se acham em todas as coisas existentes. O Criador de todas as coisas, no entanto, fez uma distribuição desigual daquelas entidades (por colocá- los em diferentes coisas em diferentes proporções) para servir a diferentes objetivos.'” "Suka disse, 'Como alguém pode conseguir compreender aquela distribuição desigual (das cinco grandes entidades das quais tu falas), nas diversas coisas do universo? Quais entre elas são os sentidos e quais os atributos? Como isso pode ser entendido?'” "Vyasa disse, 'Eu te explicarei isso devidamente um depois do outro. Escute com atenção concentrada ao assunto enquanto eu explico como o que eu disse realmente acontece. Som, o sentido de audição, e todas as cavidades dentro do corpo, esses três têm o espaço como sua origem. Os ares vitais, a ação dos membros e o tato formam os atributos do vento. Forma, olhos, e o fogo digestivo dentro do estômago são originados pela luz. Sabor, língua, e todos os líquidos orgânicos, esses três são da água. Aroma, nariz, e o corpo, esses três são os atributos da terra. Essas, então, como eu expliquei para ti, são as transformações das cinco (grandes) entidades com sentidos. O tato é citado como o atributo do vento; sabor da água; forma da luz. O som é citado como tendo sua origem no espaço, e o aroma é citado como sendo propriedade da terra. Mente, Compreensão, e Natureza, esses três, surgem de seus próprios estados anteriores, e, alcançando (a cada renascimento) uma posição superior aos atributos (que formam seus respectivos objetos), não transcendem aqueles atributos. (O significado é este: Mente, Compreensão, e Natureza (ou disposição individual de homem ou animal ou vegetal, etc.) são todos devido aos seus próprios estados anteriores. A Natureza especialmente sendo o resultado dos desejos de um estado passado de existência. Tal sendo sua origem, eles também são devidos às cinco entidades citadas. Com relação às suas funções, é dito que eles não transcendem os próprios gunas; ou em outras palavras tendo se tornado dotados da faculdade ou poder de agarrar atributos específicos (tais como cheiro, forma, etc.), eles realmente os agarram ou percebem.) Como a tartaruga estica seus membros e os recolhe novamente dentro de si mesma, assim mesmo a Compreensão cria os sentidos e novamente os recolhe em si mesma. (Em outras palavras, os sentidos e a mente são somente a compreensão manifestada em uma forma ou condição específica. A principal função da mente é nutrir e descartar impressões. A compreensão está empenhada em chegar à certeza de conclusões.) A consciência de identidade pessoal que surge em relação àquilo que está acima das solas dos pés e abaixo do topo da cabeça (isto é, o corpo inteiro ou eu ou a pessoa), é principalmente devido à ação da Compreensão. É a compreensão que é transformada nos (cinco) atributos (de forma, cheiro, etc.). É a compreensão também que é transformada nos (cinco) sentidos com a mente como seu sexto. Quando a Compreensão está ausente, onde estão os atributos? (Por isso, os atributos de forma etc., e os sentidos com a mente a qual percebe aqueles atributos, são a própria compreensão, de modo que quando a compreensão não existe, esses também não existem.) No homem há cinco sentidos. A mente é chamada de o sexto (sentido). A Compreensão é chamada de o sétimo. A Alma é o oitavo. Os olhos (e os outros sentidos) são somente para receber impressões de forma (e cheiro, etc.). A mente existe para duvidar (da exatidão daquelas impressões). A Compreensão decide aquelas dúvidas. A Alma somente testemunha todas as operações sem se misturar com elas. Rajas, Tamas, e Sattwa, estes três, surgem de suas próprias contrapartes. Eles existem igualmente em todas as criaturas (isto é, as divindades e seres humanos, etc.). Eles são chamados de atributos e devem ser conhecidos pelas ações que eles induzem. (Os três atributos de Rajas, Tamas, e Sattwa não surgem de alguma coisa diferente mas de suas próprias contrapartes existindo em um estado prévio de existência ou vida. Eles surgem de seus respectivos estados como eles existiam com Chitta ou compreensão em uma vida anterior. Por isso Chitta, e os objetos dos sentidos e os sentidos também surgindo dela, são todos afetados pelos três Gunas.) Com relação àquelas ações, todos os estados nos quais alguém se torna consciente de si como unido com alegria ou contentamento e os quais são tranquilos e puros, devem ser conhecidos como devidos ao atributo de Sattwa. Todos os estados nos quais o corpo ou a mente estão unidos com tristeza devem ser considerados como devidos à influência do atributo chamado Rajas. Todos os estados que existem com entorpecimento (dos sentidos, da mente ou da compreensão) cujas causas não são determináveis, e que são incompreensíveis (pela razão ou luz interior), devem ser conhecidos como atribuíveis à ação de Tamas. Deleite, contentamento, alegria, equanimidade, satisfação de coração, devidos à alguma causa conhecida ou surgindo de outra maneira, são todos efeitos do atributo de Sattwa. Orgulho, falsidade de palavras, cobiça, estupefação, índole vingativa, resultantes de alguma causa conhecida ou não, são indicações da qualidade de Rajas. Estupor de raciocínio, negligência, sono, letargia, e indolência, de qualquer causa que eles possam surgir, devem ser conhecidos como indicações da qualidade de Tamas.'" 248 "Vyasa disse, 'A mente cria (dentro de si mesma) numerosas ideias (de objetos ou coisas existentes). A Compreensão decide qual é qual. O coração discrimina qual é agradável e qual é desagradável. Essas são as três forças que impelem para ações. Os objetos dos sentidos são superiores aos sentidos. A mente é superior àqueles objetos. A compreensão é superior à mente. A Alma é considerada como superior à Compreensão. (Com relação a propósitos comuns do homem) a Compreensão é sua Alma. Quando a compreensão, por seu próprio movimento, forma ideias (de objetos) dentro de si mesma, ela então vem a ser chamada de Mente. Pelos sentidos serem diferentes uns dos outros (em relação a seus objetos e a maneira de sua operação), a Compreensão (que é única) apresenta diferentes aspectos em consequência de suas diferentes modificações. Quando ela ouve, ela se torna o órgão de audição, e quando ela toca, ela se torna o órgão de tato. Similarmente, quando ela vê, ela se torna o órgão de visão, e quando ela prova, ela se torna o órgão de paladar, e quando ela cheira, ela se torna o órgão de olfato. É a Compreensão que aparece sob diferentes aparências (para diferentes funções), por modificação. São as modificações da Compreensão que são chamadas de sentidos. Sobre eles está colocada como sua chefe presidente (ou supervisora) a Alma invisível. Residindo no corpo, a Compreensão existe nos três estados (de Sattwa, Rajas, e, Tamas). Às vezes ela obtém alegria, às vezes dá vazão à aflição; e às vezes sua condição se torna de tal maneira que ela não está unida nem com alegria nem com aflição. A Compreensão, no entanto, cuja principal função (como já dito) é criar entidades, transcende aqueles três estados assim como o oceano, aquele senhor dos rios, prevalece contra as correntes poderosas dos rios que caem dentro dele. Quando a Compreensão deseja algo, ela vem a ser chamada pelo nome de Mente. Os sentidos, embora (aparentemente diferentes) devem ser todos considerados como incluídos dentro da Compreensão. Os sentidos, que estão empenhados em trazer impressões de forma, cheiro, etc., devem ser todos subjugados. Quando um sentido específico se torna subserviente à Compreensão, a última embora em verdade não diferente (daquele sentido), entra na Mente na forma de coisas existentes. Isto mesmo é o que acontece com os sentidos um depois do outro (separadamente e não simultaneamente) com referência às ideias que são citadas como sendo compreendidas por eles. (Os sentidos são citados como sendo somente modificações da compreensão. A mente também é somente uma modificação da mesma. Um sentido específico, digamos a visão, se torna subserviente à compreensão em um momento específico. Logo que isso acontece, a compreensão, embora em realidade seja somente a visão, vem a ser unida com a visão, e entrando na mente cria uma imagem lá, a consequência disso é que aquela imagem é falada como sendo vista. Mundo externo há, naturalmente, como independente da mente e compreensão. Aquilo que é chamado de uma árvore é somente uma idéia ou imagem criada na mente pela compreensão com a ajuda do sentido de visão.) Todos os três estados que existem (isto é, Sattwa, Rajas, e Tamas), inerem a estes três (isto é, Mente, Compreensão, e Consciência) e como os raios de uma roda de carro agindo por causa de sua ligação à circunferência da roda, eles seguem os diferentes objetos (que existem na Mente, Compreensão, e Consciência). (O orador aqui combate a teoria que as qualidades de Sattwa, Rajas, e Tamas inerem aos próprios objetos dos sentidos. Seu próprio ponto de vista é que eles inerem à Mente, à Compreensão e à Consciência. As qualidades podem ser vistas existirem com objetos, mas na verdade elas seguem objetos por causa de sua conexão permanente com a mente, a compreensão e a consciência as quais têm agência na produção de objetos. O comentador cita o exemplo dos membros belos e simétricos de uma esposa. Estes excitam prazer no marido, inveja em uma co-esposa, e desejo (misturado com dor por ele não ser satisfeito) em um observador. Todo o tempo os membros permanecem inalterados. Então, além disso, o marido não está sempre satisfeito com eles, nem a co-esposa está sempre cheia de inveja à sua visão, nem o observador está sempre agitado. Como os raios de uma roda os quais estão ligados à circunferência e que se movem com a circunferência, as qualidades de Sattwa, etc., ligadas à mente, compreensão e consciência, se movem junto com eles, isto é, seguem aqueles objetos na produção dos quais a mente, etc., são causas.) A mente deve fazer uma lâmpada dos sentidos para dissipar a escuridão que exclui o conhecimento da Alma Suprema. Este conhecimento que é adquirido por Yogins com a ajuda de toda a ação especial de Yoga, é adquirido sem quaisquer esforços especiais pelos homens que se abstêm dos objetos mundanos. O universo é desta natureza (isto é, ele é somente uma criação da compreensão). O homem de conhecimento, portanto, nunca fica entorpecido (pela atração pelas coisas deste mundo). Tal homem nunca se aflige, nunca se regozija, e está livre de inveja (ao ver outro possuindo uma parte maior de objetos mundanos). A Alma não pode ser vista com a ajuda dos sentidos cuja natureza é vagar entre todos os objetos (mundanos) de desejo. Até homens virtuosos, cujos sentidos são puros, fracassam em ver a alma com sua ajuda, o que dizer então dos viciosos cujos sentidos são impuros? Quando, no entanto, uma pessoa, com a ajuda de sua mente, segura firmemente as rédeas deles, é então que sua Alma se revela como um objeto (não visto na escuridão) aparecendo para a visão por causa da luz de uma lâmpada. De fato, como todas as coisas se tornam visíveis quando a escuridão que as envolve é dissipada, assim a alma se torna visível quando a escuridão que a cobre é removida. (Logo que a ignorância da compreensão é dissipada e o verdadeiro conhecimento sucede, a Alma se torna visível.) Como uma ave aquática, embora se movendo sobre a água, nunca fica encharcada por aquele elemento, da mesma maneira o Yogin de alma livre nunca é manchado pelas imperfeições dos três atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas). Do mesmo modo, o homem de sabedoria, por desfrutar de todos os objetos mundanos sem ser apegado a algum deles, nunca é manchado por defeitos de qualquer tipo que surgem de tal desfrute no caso de outros. Aquele que evita os atos depois de tê-los feito devidamente (isto é, que adota o Sannyasa ou o último modo de vida depois de ter passado corretamente pelos precedentes), e tem satisfação na única entidade realmente existente, isto é, a Alma, que se constituiu a alma de todos os seres criados, e que consegue se manter afastado dos três atributos, obtém uma compreensão e sentidos que são criados pela Alma. As qualidades são incapazes de compreender a Alma. A Alma, no entanto, as compreende sempre. A Alma é a testemunha que observa as qualidades e devidamente as chama à existência. Veja, esta é a diferença entre a compreensão e a Alma, ambas as quais são extremamente sutis. Uma delas cria as qualidades. A outra nunca as cria. Embora elas sejam diferentes uma da outra por natureza, ainda assim elas estão sempre unidas. O peixe vivendo na água é diferente do elemento no qual ele vive. Mas como o peixe e a água formando seu lar estão sempre unidos, da mesma maneira Sattwa e Kshetrajna existem em um estado de união. O mosquito nascido dentro de um figo podre não é realmente o figo mas é diferente dele. Todavia, como o mosquito e o figo são vistos estarem unidos um com o outro, assim mesmo são Sattwa e Kshetrajna. Como a folha em uma moita de grama, embora distinta do grupo, todavia existe em um estado de união com ele, assim mesmo estes dois, embora diferentes um do outro, cada um existindo em si mesmo, são vistos em um estado de união constante.'" 249 "Vyasa disse, 'Os objetos pelos quais alguém está cercado são criados pela compreensão. A Alma, sem estar conectada com eles, permanece afastada, presidindo sobre eles. É a compreensão que cria todos os objetos. As três qualidades primárias estão sendo transformadas continuamente (para a produção de objetos). O Kshetrajna ou Alma, dotado de pujança, preside sobre eles todos, sem, no entanto, se misturar com eles. Os objetos que a compreensão cria partilham de sua própria natureza. De fato, como a aranha cria fios (os quais partilham de sua própria substância material), os objetos criados pela compreensão partilham da natureza da compreensão. Alguns afirmam que as qualidades, quando afastadas por Yoga ou conhecimento, não cessam de existir. Eles dizem isso porque quando uma vez perdidas, somente as indicações de seu retorno não são perceptíveis. (Mas não há evidência de sua real destruição.) Outros dizem que quando dissipadas pelo conhecimento, elas são destruídas imediatamente para nunca retornar. Refletindo apropriadamente sobre essas duas opiniões, uma pessoa deve se esforçar o melhor que pode de acordo com o modo que ela acha apropriado. É dessa maneira que alguém deve obter eminência e se refugiar somente em sua própria Alma. (De acordo com o orador então, não há muita diferença prática entre as duas opiniões aqui consideradas, e o rumo de conduta de uma pessoa não será muito afetado por qualquer uma das teorias que ela possa, depois de reflexão, adotar.) A Alma é sem início e sem fim. Compreendendo sua Alma corretamente o homem deve se mover e agir, sem dar vazão à ira, sem se entregar à alegria, e sempre livre de inveja. Cortando dessa maneira o nó que está em próprio coração, o nó cuja existência é devido à operação das faculdades da compreensão, o qual é difícil (de abrir ou cortar), mas que todavia pode ser destruído pelo conhecimento, alguém deve viver alegremente, sem se entregar à angústia (por qualquer coisa que aconteça), e com suas dúvidas dissipadas. Saiba que aqueles que se misturam nos assuntos deste mundo são tão afligidos em corpo e mente quanto pessoas ignorantes da arte da natação quando elas escorregam da terra e caem em um rio largo e profundo. O homem de erudição, no entanto, estando familiarizado com a verdade, nunca é afligido, pois ele se sente como alguém caminhando sobre terra sólida. De fato, aquele que compreende sua Alma como tal, isto é, como apresentando somente o caráter de Chit o qual tem somente conhecimento como sua indicação, nunca é afligido. De fato, uma pessoa, por compreender dessa maneira a origem e o fim de todas as criaturas, e por assim perceber suas desigualdades ou distinções, consegue obter a maior felicidade. Esse conhecimento é a posse de um Brahmana em especial em virtude de seu nascimento. Conhecimento da Alma, e felicidade como aquela que foi referida, são, cada um, perfeitamente capazes de levarem à Emancipação. Por adquirir tal conhecimento alguém realmente se torna erudito. Qual é a outra indicação de uma pessoa de conhecimento? Tendo adquirido tal conhecimento, aqueles que são sábios entre homens se consideram coroados com sucesso e se tornam emancipados. Aquelas coisas que se tornam fontes de medo para homens desprovidos de conhecimento não se tornam fontes de medo para aqueles que são dotados de conhecimento. Não há fim maior do que o fim eterno que é alcançado por uma pessoa possuidora de conhecimento. Um vê com aversão todos os objetos mundanos de prazer que são, naturalmente, repletos de imperfeições de todos os tipos. Outro, vendo outros se dirigem com prazer a tais objetos, ficam cheios de tristeza. Com relação a este assunto, no entanto, aqueles que estão familiarizados com ambos os objetos, isto é, aquele que é fictício e aquele que não é assim, nunca se entregam à tristeza e são realmente felizes. Aquilo que um homem faz sem expectativa de resultados destrói suas ações de uma vida anterior. As ações, no entanto, de tal pessoa nesta e em sua vida prévia não podem levar à Emancipação. Por outro lado, tal destruição de ações antigas e tais ações desta vida não podem levar ao que é desagradável (isto é, inferno), mesmo que o homem de sabedoria se engaje em ações.'" 250 "Suka disse, 'Que a tua reverência me fale daquele que é o principal de todos os deveres, de fato, daquele dever acima do qual não existe um superior neste mundo.'” "Vyasa disse, 'Eu agora te falarei dos deveres que têm uma origem muito antiga e declarados pelos Rishis, deveres que são distintos acima de todos os outros. Ouça-me com total atenção. Os sentidos que são insanos deve ser reprimidos cuidadosamente pela compreensão como um pai reprimindo seus próprios filhos inexperientes sujeitos a caírem em diversos maus hábitos. A retirada da mente e dos sentidos de todos os objetos indignos e sua devida concentração (em objetos dignos) é a maior penitência. Este é o principal de todos os deveres. De fato, este é citado como sendo o maior dever. Dirigindo, pela ajuda da compreensão, os sentidos tendo a mente como seu sexto, e sem, de fato, pensar em objetos mundanos os quais têm a virtude de inspirar inúmeros tipos de pensamentos, alguém deve viver satisfeito consigo mesmo. Quando os sentidos e a mente, afastados das pastagens entre as quais eles normalmente correm soltos, voltarem para morar em sua própria residência (Brahma), é então que tu verás em teu próprio eu a Alma Eterna e Suprema. Aqueles Brahmanas de grande alma que possuem sabedoria conseguem ver aquela Alma Suprema e Universal que é como um fogo ardente em refulgência. Como uma árvore grande, dotada de numerosos ramos e possuidora de muitas flores e frutos não sabe em qual parte ela tem flores e em qual ela tem frutos, da mesma maneira a Alma como modificada pelo nascimento e outros atributos, não sabe de onde ela veio e para onde ela vai. Há, no entanto, uma Alma interna, que contempla (sabe) tudo. Alguém vê a Alma por si mesmo com a ajuda da lâmpada acesa do conhecimento. Contemplando, portanto, tu mesmo com teu próprio eu, cesse de considerar teu corpo como tu mesmo e obtenha onisciência. Purificado de todos os pecados, como uma cobra que abandonou sua pele, alguém obtém inteligência sublime aqui e se torna livre de toda ansiedade e da obrigação de adquirir um novo corpo (em um nascimento subsequente). Sua corrente se espalhando em diversas direções, terrível é este rio de vida carregando o mundo para a frente em seu curso. Os cinco sentidos são seus crocodilos. A mente e seus propósitos são as margens. Cobiça e estupor de raciocínio são a grama e palha que flutuam sobre ele, cobrindo sua superfície. Luxúria e ira são os répteis ferozes que vivem nele. A verdade forma o tirtha por suas margens lamacentas. A mentira forma suas ondas, raiva seu lodo. Originando-se do Imanifesto, rápida é a sua correnteza, e incapaz de ser cruzada por pessoas de almas impuras. Tu, com a ajuda da compreensão, cruze aquele rio que tem desejos como seus jacarés. O mundo e seus assuntos constituem o oceano em direção ao qual aquele rio corre. Gênero e espécie constituem sua profundidade insondável que ninguém pode entender. O nascimento, ó filho, é a fonte da qual aquela corrente surge. Palavras constituem seus redemoinhos. Difícil de atravessar, somente os homens de conhecimento e sabedoria e compreensão conseguem atravessá-la. Cruzando-a, tu conseguirás te libertar de toda atração, obtendo um coração tranquilo, conhecendo a Alma, e tornando-te puro em todos os aspectos. Confiando então em uma compreensão purificada e elevada, tu conseguirás te tornar o próprio Brahma. Tendo te dissociado de todo apego mundano, tendo adquirido uma Alma purificada e transcendendo todo tipo de pecados, olhe para o mundo como uma pessoa olhando do topo de uma montanha para as criaturas rastejando abaixo na superfície da terra. Sem dar vazão à ira ou alegria, e sem conceber qualquer desejo cruel, tu conseguirás ver a origem e a destruição de todos os objetos criados. Aqueles que são dotados de sabedoria consideram tal ação como a principal de todas as coisas. De fato, este ato de cruzar o rio da vida é considerado pelas principais das pessoas virtuosas, por ascetas conhecedores da verdade, como o maior de todos os atos que alguém pode realizar. Esse conhecimento da Alma onipresente é destinado a ser dado para um filho. Ele deve ser inculcado para alguém que é de sentidos reprimidos, que é honesto em comportamento, e que é obediente ou submisso. Esse conhecimento da Alma, do qual eu agora mesmo falei para ti, ó filho, e a evidência de cuja verdade é fornecida pela própria Alma, é um mistério, de fato, o maior de todos os mistérios, e o maior conhecimento que alguém pode obter. Brahma não tem sexo, masculino, feminino, ou neutro. Ele não é nem tristeza nem felicidade. Ele tem por sua essência o passado, o futuro, e o presente. Qualquer que seja seu sexo, homem ou mulher, a pessoa que alcança o conhecimento de Brahma nunca tem que passar por renascimento. Este dever (de Yoga) foi inculcado para obter isenção de renascimento. Essas palavras que eu tenho usado para responder tua pergunta levam à Emancipação da mesma maneira como as diversas outras opiniões expostas por diversos outros sábios que têm tratado deste assunto. Eu expliquei o assunto para ti da mesma maneira na qual ele deve ser exposto. Aquelas opiniões às vezes se tornam produtivas de resultados e às vezes não. (As palavras, no entanto, que eu usei são de um tipo diferente, pois estas com certeza levam ao êxito.) Por esta razão, ó bom filho, um preceptor, quando questionado por um filho ou discípulo contente, meritório, e autocontrolado, deve, com um coração muito satisfeito, inculcar, de acordo com seu verdadeiro significado, essas instruções que eu inculquei para o teu benefício, meu filho!'" 251 "Vyasa disse, 'Não se deve mostrar qualquer afeição por perfumes e gostos e outras espécies de prazer. Nem se deve aceitar ornamentos e outros artigos que contribuem para o prazer dos sentidos de olfato e paladar. Não se deve cobiçar honra e realizações e fama. Esse mesmo é o comportamento de um Brahmana possuidor de perspicácia. Aquele que estudou todos os Vedas, tendo servido respeitosamente seu preceptor e observado o voto de Brahmacharya, aquele que conhece todos os Richs, Yajuses, e Samans, não é uma pessoa regenerada. (Isto é, alguém que somente conhece os Vedas tem praticado o voto de Brahmacharya não é um Brahmana superior. Para isso é preciso algo mais.) Alguém que se comporta em direção a todas as criaturas como alguém que é parente delas, e alguém que conhece Brahma, é considerado como sendo conhecedor de todos os Vedas. Alguém que é desprovido de desejo (estando satisfeito com conhecimento da alma), nunca morre. É por tal comportamento e tal estado de espírito que alguém realmente se torna uma pessoa regenerada. Tendo realizado somente vários tipos de ritos religiosos e diversos sacrifícios completados com doação de Dakshina, alguém não adquire a posição de um Brahmana se ele é sem compaixão e não desistiu do desejo. Quando alguém cessa de temer todas as criaturas e quando todas as criaturas cessam de temê-lo, quando ele nunca deseja algo nem nutre aversão por algo, então é dito que ele alcançou a posição de Brahma. Quando ele se abstém de ferir todas as criaturas em pensamento, palavra, e ação, então é dito que ele adquiriu a posição de Brahma. Há somente um tipo de escravidão neste mundo, isto é, a escravidão do desejo, e nenhuma outra. Alguém que está livre da escravidão do desejo obtém a posição de Brahma. Livre do desejo como a Lua emergida de nuvens escuras, o homem de sabedoria, purgado de todas máculas, vive na paciente expectativa de sua hora. Aquela pessoa em cuja mente todos os tipos de desejo entram como os diversos rios caindo no oceano sem poderem aumentar os limites dele por sua descarga, consegue obter tranquilidade, mas não aquela que nutre desejo por todos os objetos mundanos. Tal pessoa vem a ser feliz pela realização de todos os seus desejos, e não aquela que nutre desejo por objetos mundanos. A última, mesmo que ela alcance o céu, tem abandoná-lo. Os Vedas têm a verdade como seu objeto recôndito. A verdade tem a subjugação dos sentidos como seu objeto recôndito. A subjugação dos sentidos tem a caridade como seu objeto recôndito. A caridade tem a penitência como seu objeto recôndito. A penitência tem a renúncia como seu objetivo recôndito. A renúncia tem a felicidade como seu objeto recôndito. A felicidade tem o céu como seu objeto recôndito. O céu tem a tranquilidade como seu objeto recôndito. (O sentido do verso é que cada uma das coisas mencionadas é inútil sem aquela que vem em seguida; e como tranquilidade ou Brahma não envolvido com atributos é o objetivo final, os Vedas e verdade, etc., são valiosos somente porque eles levam à tranquilidade.) Pelo contentamento tu deves desejar obter uma compreensão serena, que é uma posse preciosa, sendo indicativa de Emancipação, e que, chamuscando aflição e todos os propósitos ou dúvidas junto com sede, os destrói completamente no fim. Alguém possuidor destes seis atributos, isto é, contentamento, liberdade de angústias, liberdade de atração, quietude, alegria, e liberdade de inveja, com certeza se tornará satisfeito ou completo. Aqueles que, transcendendo toda consciência de corpo, conhecem a Alma que reside dentro do corpo e que é compreendida somente por pessoas de sabedoria com a ajuda das seis entidades (já mencionadas, isto é, os Vedas e verdade, etc.), quando dotados somente do atributo de Sattwa, e com a ajuda também dos outros três (isto é, instrução, meditação e Yoga), conseguem alcançar a Emancipação. O homem de sabedoria, por compreender a Alma que preside dentro do corpo, a qual é desprovida dos atributos de nascimento e morte, que existe em sua própria natureza, que não sendo envolvida com atributos não requer ato de purificação, e que é idêntica a Brahma, desfruta de beatitude que não conhece fim. A satisfação que o homem de sabedoria obtém por impedir sua mente de vagar em todas as direções e por fixá- la totalmente na Alma é tal que sua semelhante não pode ser alcançada por alguém por quaisquer outros meios. É considerado como realmente conhecedor dos Vedas aquele que está familiarizado com aquilo que satisfaz alguém cujo estômago está vazio, que agrada a alguém que é indigente, e que revigora alguém cujos membros estão secos. Suspendendo seus sentidos que têm sido devidamente reprimidos de indulgência indigna, aquele que vive engajado em meditação Yoga é considerado um Brahmana. Tal pessoa é citada como sendo eminente sobre outras. Tal pessoa deriva suas alegrias da Alma. Com referência a alguém que vive depois de ter enfraquecido o desejo e que se dedica ao mais elevado tópico de existência, deve ser dito que sua felicidade é continuamente aumentada como o disco lunar (na quinzena iluminada). Como o Sol dissipando a escuridão, a felicidade dissipa as tristezas daquele Yogin que transcende os elementos grosseiros e os sutis, como também Mahat e o Imanifesto. Decrepitude e morte não podem atacar aquele Brahmana que chegou além da esfera das ações, que transcendeu a destruição dos próprios Gunas, (isto é, que desconsidera a verdadeira pujança que a destruição dos gunas ocasiona), e que não é mais ligado a objetos mundanos. De fato, quando o Yogin, livre de tudo, vive em um estado que transcende atração e aversão, ele transcende mesmo nesta vida seus sentidos e todos os seus objetos. Aquele Yogin, que tendo transcendido Prakriti alcança a Causa Maior, fica livre da obrigação de um retorno para o mundo por ter alcançado àquilo que é o mais sublime.'" 252 "Vyasa disse, 'Para um discípulo que deseja perguntar sobre a Emancipação depois de ter transcendido todos os pares de opostos e efetuado os negócios de lucro e religião, um preceptor ilustre deve primeiro relatar que tudo o que foi dito na seção precedente, a qual é elaborada, sobre o tópico de Adhyatma. Espaço, vento, luz, água e terra contada como o quinto, e bhava e abhava e tempo, existem em todas criaturas vivas tendo os cinco como seus ingredientes constituintes. (Bhava e abhava e kala são incluídos pelo orador dentro de bhutas ou elementos primários. Bhava implica as quatro entidades chamadas karma, samanya, visesha e samavaya. Abhava significa um estado negativo com respeito aos atributos não possuídos por uma coisa. Nós certamente não podemos pensar em uma coisa sem pensarmos nela como não investida com certos atributos quaisquer que sejam os outros atributos que ela possa possuir.) Espaço é intervalo desocupado. Os órgãos de audição constituem em espaço. Alguém conhecedor da ciência das entidades dotadas de forma deve saber que o espaço tem som como seu atributo. Os pés (que auxiliam na locomoção) têm o vento como sua essência. Os ares vitais são feitos de vento. O sentido de tato (pele) tem vento como sua essência, e tato é o atributo do vento. Calor, o fogo digestivo no estômago, a luz que revela todas as coisas, o calor que está no corpo, e o olho contado como o quinto, são todos da luz que tem forma de diversas cores como seu atributo. Erupções liquefeitas, solubilidade, e todas as espécies de matéria líquida são da água. Sangue, medula, e tudo mais (no corpo) que é fresco, deve ser conhecido como tendo água como sua essência. A língua é o sentido do paladar, e o paladar é considerado como o atributo da água. Todas as substâncias sólidas são da terra, como também ossos, dentes, unhas, barba, os pêlos no corpo, cabelo, nervos, tendões, e pele. O nariz é chamado de o sentido do olfato. O objeto daquele sentido, isto é, o cheiro, deve ser conhecido como o atributo da terra. Cada elemento subsequente possui o atributo ou atributos do precedente além do seu próprio. Em todas as criaturas vivas também estão as (três) entidades suplementares (isto é, avidya, kama, e karma; ou ignorância, desejo, e ações). Os Rishis declararam dessa maneira os cinco elementos e os efeitos e atributos que fluem deles ou pertencem a eles. A mente forma o nono no cálculo, e a compreensão é considerada como o décimo. A Alma, que é infinita, é chamada de décimo primeiro. Ela é considerada como isso tudo e como o mais alto. A mente tem dúvida como sua essência. A compreensão discrimina e causa certeza. A Alma (que, como já dito, é infinita), se torna conhecida como Jiva envolvido com corpo (ou jivatman) por consequências derivadas de ações. (Isto é, a alma quando investida com Avidya e desejo se torna uma criatura vivente e se engaja em ações. É por causa de consequências então que são derivadas de ações que a Alma infinita (ou Chit) se torna Jivatman.) O homem que considera todo o conjunto de criaturas vivas como sendo puro (isto é, aquele que as considera como Chit imaculado, ou seja, aquele que tem um conhecimento da Alma), embora dotado de todas essas entidades que têm o tempo como sua essência, nunca tem que recorrer a ações afetadas pelo erro.'" 253 "Vyasa disse, 'Aqueles que estão familiarizados com as escrituras (Yogins) contemplam, com a ajuda de ações prescritas nas escrituras, (isto é, práticas ligadas com Yoga) a Alma que está vestida em um corpo sutil, que é extremamente sutil e que é dissociada do corpo grosseiro no qual ela reside. Como os raios do Sol que correm em massas densas por todas as partes do firmamento não podem ser vistos pelo olho nu embora sua existência possa ser inferida pela razão, do mesmo modo, seres existentes livres de corpos grosseiros e vagando no universo estão além do alcance da visão humana. Como o disco refulgente do Sol é visto na água em uma imagem contrária, da mesma maneira o Yogin vê dentro dos corpos grosseiros o eu existente em sua imagem contrária. (Isto é, o Yogin vê dentro de seu próprio corpo e naquele de outros as Almas ou Chits residindo lá como envolvidos em formas sutis.) Todas aquelas almas também que estão envolvidas em formas sutis depois de estarem livres dos corpos grosseiros nos quais elas residiam, são perceptíveis para Yogins que subjugaram seus sentidos e que são dotados de conhecimento da alma. De fato, ajudados por suas próprias almas, Yogins vêem aqueles seres invisíveis. Dormindo ou acordados, durante o dia como na noite, e durante a noite como no dia, aqueles que se aplicam ao Yoga depois de rejeitarem todas as criações da compreensão (os objetos dos sentidos ou o mundo externo) e os Rajas nascidos de ações, como também o próprio poderio que Yoga gera, conseguem manter sua forma linga sob completo controle. (Isto é, eles têm suas formas sutis sob completo controle sob todas as circunstâncias e todo o tempo. Eles podem entrar à vontade em outras formas.) O Jiva que mora em tais Yogins, sempre dotados das sete entidades sutis (isto é, Mahat, consciência, e os cinco tanmatras das cinco entidades elementares), vagueia em todas as regiões de felicidade, livre de decrepitude e morte. Eu digo 'sempre', e ‘livre de morte’ somente de acordo com a forma comum de falar, pois na verdade, aquela forma linga é finita. (O significado óbvio do verso é que Yogins, em seu corpo linga, vagam por todos os lugares, não excluindo as regiões mais bem-aventuradas no próprio céu.) Aquele homem, no entanto, que (sem ser capaz de transcendê-las) está sob a influência de sua mente e compreensão, diferencia, até em seus sonhos, seu próprio corpo daquele de outro e sente (mesmo então) prazer e dor. (O significado é este: como Yogins, até homens comuns têm o linga-sariram. Em sonhos, o corpo grosseiro está inativo. Somente o corpo sutil age e sente.) Sim, mesmo em seus sonhos ele desfruta de felicidade e sofre miséria; e se entregando à ira e cupidez, encontra com calamidades de vários tipos. Em seus sonhos ele adquire grande riqueza e se sente muito satisfeito, realiza atos meritórios, e (vê e ouve, etc.) como ele faz em suas horas de vigília. Maravilhoso é observar que jiva, que tem que jazer dentro do útero e em meio a muito calor interno, e que tem que passar um período de dez meses completos naquele local, não é digerido e reduzido à destruição como alimento dentro do estômago. Homens oprimidos pelas qualidades de Rajas e Tamas nunca conseguem ver dentro do corpo grosseiro a alma-Jiva, a qual é uma porção da Alma Suprema de refulgência transcendente e que se encontra dentro do coração de toda criatura. Aqueles que se dirigem à ciência de Yoga para o propósito de obter (um conhecimento) daquela Alma transcendem o corpo grosseiro e inanimado, o corpo linga imperceptível, e o corpo karana que não é destruído nem na ocasião da destruição universal. (Os corpos karana são as potencialidades, existentes no tanmatra das substâncias elementares, de formar diversos tipos de corpos linga em consequência das ações de Jiva em períodos anteriores de existência.) Entre os deveres que foram prescritos para os diferentes modos de vida incluindo o quarto modo (ou Sannyasa), estes aos quais eu tenho me referido, os quais têm yoga como seu principal, e que implicam uma cessação de toda operação da Mente e da compreensão, foram declarados por Sandilya (no Chandogya Upanishad). (O que o orador deseja dizer neste verso é que dhyana não é prescrito somente para Sannyasins mas ele é prescrito também para todas as outras classes.) Tendo compreendido as sete entidades sutis (isto é, os sentidos, os objetos da mente, Mente, Compreensão, Mahat, o Imanifesto ou Prakriti, e Purusha), tendo compreendido também a Causa Suprema do universo com os seis atributos (isto é, onisciência, contentamento, compreensão ilimitada, independência, vigilância eterna, e onipotência), e tendo finalmente entendido que o universo é somente uma modificação de Avidya (ignorância) dotado das três qualidades, alguém consegue contemplar (guiado pelas escrituras), o sublime Brahma.'" 254 "Vyasa disse, 'Há uma árvore extraordinária, chamada Desejo, no coração de um homem. Ela é nascida da semente chamada Erro. Ira e orgulho constituem seu tronco largo. O desejo de agir é o vaso ao redor de sua base (para reter a água que é para nutri-la). Ignorância é a raiz daquela árvore, e negligência é a água que lhe dá sustento. Inveja constitui suas folhas. As más ações de vidas passadas a abastecem com energia. Perda de bom senso e ansiedade são seus galhos; aflição forma seus ramos grandes; e medo é seu broto. Sede (por diversos objetos) que é (aparentemente) agradável forma as trepadeiras que se enroscam ao redor dela por todos os lados. Homens excessivamente avarentos, atados em correntes de ferro, sentados em volta daquela árvore produtora de frutos, prestam suas adorações a ela, na expectativa de obter seus frutos. (As correntes de ferro aqui são os diversos desejos nutridos por homens mundanos, ou, talvez, os corpos com os quais os homens estão envolvidos.) Aquele que, subjugando aquelas correntes, derruba aquela árvore e procura rejeitar tristeza e alegria, consegue alcançar o fim de ambas. Aquele homem tolo que nutre esta árvore por indulgência nos objetos dos sentidos é destruído por aqueles mesmos objetos nos quais ele se abandona, assim como uma pílula venenosa destruindo o paciente a quem ela é administrada. Uma pessoa hábil, no entanto, pela ajuda de Yoga, arranca à força e corta com a espada de samadhi a raiz de grande alcance desta árvore. (A raiz da árvore, naturalmente, é Avidya ou Ignorância.) Alguém que sabe que o fim de todas as ações empreendidas somente pelo desejo de resultado é renascimento ou correntes que prendem, consegue transcender toda tristeza. O corpo é citado como sendo uma cidade. A compreensão é citada como sua mestra. A mente morando dentro do corpo é o ministro daquela mestra cuja principal função é decidir. Os sentidos são os cidadãos que são empregados pela mente (no serviço da mestra). Para cuidar daqueles cidadãos a mente mostra uma forte inclinação para atos de diversos tipos. Na questão daquelas ações, duas grandes falhas são observáveis, isto é, Tamas e Rajas. Dos frutos daquelas ações dependem aqueles cidadãos junto com os chefes da cidade (isto é, a Mente, a Compreensão, e a Consciência). (O significado, em resumo, é este: o corpo é uma cidade. A compreensão é sua mestra. A mente é o principal servidor dela. Os sentidos são os cidadãos sob a liderança da mente. Para nutrir os sentidos a mente se empenha em atos produtivos de resultados visíveis e invisíveis, isto é, sacrifícios e doações, e a aquisição de casas e jardins, etc. Aqueles atos estão sujeitos a Rajas e Tamas. Os sentidos (nesta vida e nas seguintes) dependem dos resultados (felicidade ou miséria) daqueles atos. Os sentidos, a mente e a compreensão, etc., são todos devido às ações. Estes, portanto, são considerados como dependentes dos atos e tirando seu sustento deles.) As duas falhas (já mencionadas) vivem dos frutos daquelas ações que são realizadas por meios proibidos. Este sendo o caso, a compreensão, que por si mesma é inconquistável (por Rajas ou Tamas), desce a um estado de igualdade com a mente (por se tornar tão corrompida quanto a mente que a serve). Então também os sentidos, agitados pela mente maculada, perdem a sua própria estabilidade. Aqueles objetos também por cuja aquisição a compreensão se esforça (por considerá-los benéficos) se tornam produtivos de aflição e no final encontram com a destruição. Aqueles objetos, depois da destruição, são lembrados pela mente, e consequentemente eles afligem a mente mesmo depois de estarem perdidos. A compreensão é afligida ao mesmo tempo, pois a mente é citada como sendo diferente da compreensão somente quando a mente é considerada em relação à sua principal função de receber impressões sobre cuja certeza ela não é para julgar. Na verdade, no entanto, a mente é idêntica à compreensão. O Rajas (produtivo somente de tristeza e mal de todo tipo) que há na compreensão então oprime a própria Alma, que está colocada sobre a compreensão manchada por Rajas como uma imagem sobre um espelho. (O sentido é que a compreensão estando maculada ou afligida, a Alma também vem a ser maculada ou afligida.) É a mente que primeiro se une em amizade com Rajas. Tendo se unido, ela captura a alma, a compreensão, e os sentidos (como um falso ministro capturando o rei e o cidadãos depois de ter conspirado com um inimigo) e os transfere para Rajas (com o qual ela se uniu).’” "Bhishma disse, 'Ó filho, ó impecável, escute mais uma vez, com sentimentos de grande orgulho, às palavras que saíram dos lábios do Rishi Nascido na Ilha sobre o assunto da enumeração das entidades. Como um fogo ardente (por ter transcendido toda ignorância), o grande Rishi disse essas palavras para seu filho que parecia com um fogo envolvido em fumaça; (porque o filho ainda não tinha obtido a luz do conhecimento completo). Instruído pelo que ele disse, eu também, ó filho, explicarei novamente para ti aquele conhecimento certo (que dissipa a ignorância). As propriedades possuídas pela terra são imobilidade, peso, dureza, produtividade, cheiro, densidade, capacidade de absorver cheiros de todos os tipos, coesão, habitabilidade (em relação a vegetais e animais), e aquele atributo da mente que é chamado de paciência da capacidade de suportar. As propriedades da água são frescor, gosto, umidade, liquidez, suavidade, agradabilidade, língua, fluidez, capacidade de ser congelada, e poder de dissolver muitos produtos da terra. As propriedades do fogo são energia irresistível, inflamabilidade, calor, capacidade de amolecer, luz, tristeza, doença, velocidade, fúria, e movimento ascendente invariável. As propriedades do vento são toque que não é nem quente nem frio, capacidade de ajudar o órgão da fala, independência (em relação a movimento), força, rapidez, poder de ajudar todos os tipos de emissão ou descarga, poder de erguer outros objetos, respirações inaladas e expiradas, vida (como o atributo de Chit) e nascimento (incluindo morte). As propriedades do espaço são som, extensão, capacidade de ser cercado, ausência de refúgio por se apoiar sobre a ausência de toda necessidade de tal refúgio, posição de ser imanifesto, capacidade para modificação, incapacidade para produzir resistência, causa material para produzir o sentido de audição, e as partes desocupadas do corpo humano. Estas são as cinquenta propriedades, como declaradas, que constituem a essência das cinco entidades elementares. Paciência, raciocínio ou discussão, lembrança, esquecimento ou erro, imaginação, resistência, propensão para o bem, propensão para o mal, e inquietação, estas são as propriedades da mente. A destruição dos pensamentos bons e maus (isto é, o sono sem sonhos), perseverança, concentração, decisão, e averiguação de todas as coisas que dependem de evidência direta, constituem as cinco propriedades da compreensão.'” "Yudhishthira disse, 'Como pode ser dito que a compreensão tem cinco propriedades? Como também, os cinco sentidos podem ser citados como propriedades (das cinco entidades elementares)? Explique para mim, ó avô, tudo isso que parece ser muito abstruso.'” "Bhishma disse, 'A compreensão é citada como possuindo ao todo sessenta propriedades, pois a compreensão inclui os cinco elementos. (Os elementos são cinco em número. Suas propriedades numeram cinquenta. As cinco propriedades especiais da compreensão devem ser adicionadas àquelas cinquenta e cinco. O total, portanto, das propriedade da compreensão chega a sessenta.) Todas aquelas propriedades existem em um estado de união com a Alma. Os Vedas declaram, ó filho, que os elementos, suas (cinquenta) propriedades (junto com a mente e a compreensão e suas nove e cinco propriedades) são todos criados por Aquele que está acima de toda deterioração. Essas (setenta e uma) entidades, portanto, não são eternas (como a Alma). As teorias contradizendo a Revelação que nos Vedas anteriores, ó filho, foram colocadas diante de ti (acerca da origem do Universo e seus outros incidentes) são todas defeituosas aos olhos da razão. Prestando atenção cuidadosamente, entretanto, neste mundo a tudo que eu tenho dito para ti sobre o Supremo Brahma, depois de obter a pujança que o conhecimento de Brahma oferece, procure ganhar tranquilidade de coração.'" 256 "Yudhishthira disse, 'Estes senhores de terra que jazem na superfície da terra em meio a suas respectivas hostes, estes príncipes dotados de grande poder, estão agora privados de animação. Cada um desses monarcas poderosos era possuidor de força igual àquela de dez mil elefantes. Ai! eles todos foram mortos por homens possuidores de igual coragem e poder. Eu não vejo ninguém mais (no mundo) que pudesse matar qualquer um destes homens em batalha. (Isto é, eles poderiam ser mortos somente por seus iguais que estavam envolvidos em batalha com eles, significando que todos aqueles guerreiros eram homens superiores. Eles possivelmente não poderiam ser mortos por outros exceto aqueles com quem eles lutaram.) Todos eles eram dotados de grande destreza, grande energia, e grande força. Possuidores também de grande sabedoria, eles estão agora jazendo na terra nua, carentes de vida. Com respeito a todos estes homens que estão desprovidos de vida, a expressão que é usada é que eles estão mortos. De bravura terrível, todos estes reis são citados como estando mortos. Sobre esse assunto uma dúvida surgiu em minha mente. De onde vem a animação e de onde vem a morte? Quem é aquele que morre? (É o corpo grosseiro, o corpo sutil, ou a Alma, que morre)? De onde vem a morte? Por que razão também a morte leva (as criaturas vivas)? Ó avô, me diga isso, ó tu que pareces um celestial!'” "Bhishma disse, 'Nos tempos passados, na era Krita, ó filho, havia um rei de nome Anukampaka. Seus carros e elefantes e cavalos e homens tendo sido reduzidos em número, ele foi trazido sob o domínio de seus inimigos em batalha. Seu filho chamado Hari, que parecia com o próprio Narayana em força, foi morto naquela batalha por seus inimigos junto com todos os seus seguidores e tropas. Afligido pela dor por causa morte de seu filho, e ele mesmo trazido sob o domínio de inimigos, o rei se dedicou portanto a uma vida de tranquilidade. Um dia, enquanto passeando sem um propósito ele encontrou com o sábio Narada sobre a terra. O monarca disse para Narada tudo o que tinha acontecido, isto é, a morte de seu filho em batalha e sua própria captura por seus inimigos. Tendo ouvido suas palavras, Narada, possuidor de riqueza de penitências, então contou para ele a seguinte narrativa para dissipar sua dor por causa da morte de seu filho.'” "Narada disse, 'Ouça agora, ó monarca, a seguinte narrativa de detalhes muito prolongados como estes ocorreram. Eu mesmo a ouvi antigamente, ó rei! Dotado de grande energia, o Avô, no tempo da criação do universo, criou um grande número de seres vivos. Estes se multiplicaram imensamente, e nenhum deles encontrou com a morte. Não havia uma parte do mundo que não estivesse superlotada com criaturas vivas, ó tu de glória imorredoura! De fato, ó rei, os três mundos pareciam inchar com seres vivos, e se tornaram como se estivessem sem fôlego. Então, ó monarca, surgiu na mente do Avô o pensamento de como ele deveria destruir aquela população excessivamente grande. Refletindo sobre o assunto, o Auto-nascido, no entanto, não pôde decidir os meios pelos quais a destruição da vida deveria ser ocasionada. Então, ó rei, Brahman cedeu à ira, e por causa de sua cólera um fogo saiu de seu corpo. Com aquele fogo nascido de sua ira, o Avô queimou todos os quadrantes do universo, ó monarca. De fato, aquela conflagração nascida da raiva do Senhor Divino, ó rei, queimou o céu e a terra e o firmamento e o universo inteiro com todos os seus seres móveis e imóveis. Realmente, quando o Avô deu vazão à ira dessa maneira, todos os seres móveis e imóveis começaram a ser consumidos pela energia irresistível daquela raiva. Então o divino e auspicioso Sthanu, aquele matador de heróis hostis, aquele senhor dos Vedas e das escrituras, cheio de compaixão, procurou gratificar Brahman. Quando Sthanu foi até Brahman por motivos de benevolência, o grande Deus queimando com energia se dirigiu a ele, dizendo, 'Tu mereces bênçãos das minhas mãos. Que desejo teu eu realizarei? Eu te farei bem por realizar o que quer que esteja em teu peito.'" 257 "Sthanu disse, 'Saiba, ó senhor, que as minhas solicitações a ti são em nome dos seres criados do universo. Estes seres foram criados por ti. Não fique zangado com eles, ó Avô! Pelo fogo nascido de tua energia, ó ilustre, todos os seres criados estão sendo consumidos. Vendo eles colocados em tal situação, eu estou comovido por compaixão. Não fique zangado com eles, ó senhor do universo.'” "O senhor de todos os seres criados disse, 'Eu não estou zangado, nem é meu desejo que todos os seres criados cessem de existir. É somente para aliviar a carga da terra que a destruição é desejável. A deusa Terra, afligida com o peso das criaturas, me pediu, ó Mahadeva, para destruí-las, especialmente porque Ela parecia afundar na água sob o peso delas. Quando depois de aplicar minha inteligência mesmo por um longo tempo eu não pude descobrir os meios pelos quais realizar a destruição dessa população enorme, foi então que a fúria tomou posse de meu peito.'” "Sthanu disse, 'Não te entregue à cólera, ó senhor das divindades, com respeito a este assunto sobre a destruição de criaturas vivas. Fique satisfeito. Não deixe estes seres móveis e imóveis serem destruídos. Todos os reservatórios, todas as espécies de grama e ervas, todos os seres imóveis, e todas as criaturas móveis também das quatro variedades, estão sendo consumidos. O mundo inteiro está prestes a ser desprovido de seres. Fique satisfeito, ó senhor divino! Ó tu de coração justo, este mesmo é o benefício que eu solicito das tuas mãos. Se forem destruídas, estas criaturas não voltarão. Portanto, que essa tua energia seja neutralizada por tua própria energia. Influenciado por compaixão por todos os seres criados ache algum meio para que, ó Avô, estas criaturas vivas não possam queimar. Oh, não deixe que estas criaturas vivas pereçam até com seus descendentes destruídos dessa maneira. Tu me nomeaste como o superior sobre a consciência de todas as criaturas vivas, ó senhor de todos os senhores do universo. Todo este universo móvel e imóvel de vida, ó senhor do universo, surgiu de ti. Pacificando-te, ó deus dos deuses, eu te rogo que as criaturas vivas possam voltar repetidamente ao mundo, passando por repetidas mortes.'” "Narada continuou, 'Ouvindo essas palavras de Sthanu, o divino Brahman de fala e mente controladas suprimiu aquela sua energia dentro de seu próprio coração. Suprimindo aquele fogo que estava devastando o universo, o ilustre Brahman, adorado de todos, e possuidor de pujança ilimitável, então providenciou nascimento e morte em relação a todas as criaturas vivas. Depois que o Nascido por Si Mesmo tinha retirado e suprimido aquele fogo, saiu, de todas as saídas do corpo dele, uma dama vestida em mantos de cores preta e vermelha, com olhos pretos, palmas pretas, usando um par de brincos excelentes, e enfeitada com ornamentos celestes. Tendo surgido do corpo de Brahman, a dama tomou seu lugar à direita dele. As duas principais das divindades então olharam para ela. Então, ó rei, o pujante Auto-nascido, a causa original de todos os mundos, a saudou e disse, 'Ó Morte, mate essas criaturas do universo. Cheio de ira e decidido a ocasionar a destruição dos seres criados, eu te chamei. (No caso de deuses e Rishis, pensar e convocar eram a mesma coisa.) Portanto, comece a destruir todas as criaturas tolas ou eruditas. Ó dama, mate todos os seres criados sem fazer exceção em favor de ninguém. Por minha ordem tu ganharás grande prosperidade.' Assim endereçada, a deusa, Morte, adornada com uma guirlanda de lotos, começou a refletir tristemente e a derramar lágrimas copiosas. Sem permitir que suas lágrimas caíssem, no entanto, ela as segurou, ó rei, em suas palmas unidas. Ela então suplicou ao Auto-nascido, impelida pelo desejo de fazer o bem para a humanidade.'" 258 "Narada disse, 'A dama de olhos grandes, controlando sua aflição por um esforço próprio, se dirigiu ao Avô, com mãos unidas e se curvando em um atributo de humildade como uma trepadeira. E ela disse, 'Como, ó principal dos oradores, uma dama como eu que surgiu de ti procederá para realizar tal feito terrível, um feito que com certeza inspirará todas as criaturas vivas com medo? Eu temo fazer qualquer coisa que seja perversa. Designe para mim um trabalho que seja virtuoso. Tu vês que eu estou assustada. Oh, lance um olhar compassivo sobre mim. Eu não serei capaz de matar criaturas vivas, crianças, jovens, e idosas, que não me fizeram mal. Ó senhor de todas as criaturas, eu te reverencio, fique satisfeito comigo. Eu não poderei matar filhos queridos e amigos e irmãos e mães e pais amados. Se estes morrerem (por minha ação), seus parentes sobreviventes certamente me amaldiçoarão. Eu estou cheia de temor pela probabilidade disto. As lágrimas dos sobreviventes enlutados me queimarão pela eternidade. Eu estou com muito medo deles (cujos parentes eu terei que matar). Eu busco tua proteção. Todas as criaturas pecaminosas (mortas por mim) terão que cair nas regiões infernais. Eu procuro te gratificar, ó deus concessor de bênçãos! Estenda a mim tua graça, ó senhor pujante! Eu procuro a satisfação deste desejo, ó Avô de todos os mundos. Ó principal de todos os deuses, eu busco, pela tua graça, este objetivo, isto é, permissão para praticar austeridades severas.'” "O Avô disse, 'Ó Morte, tu foste planejada por mim para a destruição de todas as criaturas. Vá, e te dedique à tarefa de matar todos. Não reflita (sobre a retidão ao não deste ato). Isto deve certamente acontecer. Não pode ser de outra maneira. Ó impecável, ó dama de membros impecáveis, cumpra a ordem que eu proferi.' Assim endereçada, ó tu de braços poderosos, a dama chamada Morte, ó conquistador de cidades hostis, não falou uma palavra, mas humildemente ficou lá com seus olhos erguidos na direção do Senhor de todas as criaturas. Brahman se dirigiu a ela repetidamente, mas a dama parecia ela mesma estar sem vida. Vendo ela dessa maneira, o deus dos deuses, aquele senhor dos senhores, ficou silencioso. De fato, o Auto-nascido, por um esforço de sua vontade, ficou satisfeito. Sorrindo, o senhor de todos os mundos então lançou seu olhar sobre o universo. Foi ouvido por nós que quando aquele senhor ilustre e inconquistado subjugou sua cólera, a dama (chamada Morte) partiu de seu lado. Deixando o lado de Brahman sem ter prometido realizar a destruição de criaturas vivas, a Morte procedeu rapidamente, ó rei, para o local sagrado conhecido pelo nome de Dhenuka. Lá a deusa praticou as mais severas austeridades por quinze bilhões de anos, todo o tempo permanecendo sobre um pé. (Um Padmaka consiste em dez dígitos, isto é, mil milhões ou um bilhão de acordo com o método de cálculo francês.) Depois que ela praticou tais austeridades extremamente rígidas naquele local, Brahman de grande energia mais uma vez disse a ela, 'Execute minha ordem, ó Morte!' Desconsiderando este comando, a dama mais uma vez praticou penitências ficando sobre um pé por vinte bilhões de anos, ó dador de honras! E mais uma vez, ó filho, ela levou uma vida nas florestas com os veados por outro longo período consistindo em dez mil bilhões de anos. (Levar uma vida na floresta com os veados e da mesma maneira dos veados confere grande mérito. Veja a história da filha de Yayati, Madhavi, no Udyoga Parva.) E uma vez, ó principal dos homens, ela passou duas vezes dez mil anos, vivendo somente de ar como seu sustento. Uma outra vez, ó monarca, ela cumpriu o voto excelente de silêncio por oito mil anos, passando todo o tempo na água. Então aquela donzela, ó melhor dos reis, foi ao rio Kausiki. Lá ela começou a passar seus dias na observância de outro voto, vivendo todo o tempo somente de água e ar. Depois disso, ó monarca, a donzela abençoada procedeu para o Ganges e então para as montanhas de Meru. Movida pelo desejo de fazer o bem para todas as criaturas vivas, ela ficou lá perfeitamente imóvel como um pedaço de madeira. Procedendo então para o topo de Himavat onde as divindades tinham realizado seu grandioso sacrifício, ela ficou lá por outros cem bilhões de anos, suportando seu peso somente sobre os dedos de seus pés com o objetivo de gratificar o Avô com tal ato de austeridade. Dirigindo-se para lá, o Criador e Destruidor do universo novamente se dirigiu a ela dizendo, 'No que tu estás empenhada, ó filha? Execute aquelas minhas palavras.' Dirigindo-se ao Avô divino, a donzela mais uma vez disse, 'Eu não posso matar criaturas vivas, ó deus! Eu procuro te gratificar (para que eu possa ser dispensada dessa ordem).' Amedrontada pela probabilidade de demérito ela suplicou ao Avô para ser dispensada da obediência à sua ordem. O Avô a silenciou, e mais uma vez se dirigiu a ela, dizendo, 'Nenhum demérito advirá, ó Morte! Ó donzela auspiciosa, dirija-te à tarefa de destruir criaturas vivas. Aquilo que eu proferi, ó moça amável, certamente não pode ser falsificado. A justiça eterna agora se refugiará em ti. Eu mesmo e todas as divindades sempre estaremos empenhados em procurar teu bem. Este outro desejo que está em teu coração eu te concedo. As criaturas vivas serão afligidas por doenças, e (morrendo) lançarão a culpa em ti. Tu te tornarás um macho em todos os seres masculinos, uma fêmea em todos os seres femininos, e um eunuco em todos aqueles que são do terceiro sexo. (O comentador explica que isso significa que a Morte alcançaria o posto de Brahma que permeia tudo. Essa é a bênção que o Nascido por Si Mesmo concede a ela para protegê-la contra a iniquidade e acalmar seus temores.) Assim endereçada por Brahman, ó rei, a donzela finalmente disse, com mãos unidas para aquele senhor imperecível e de grande alma de todas as divindades, estas palavras, 'Eu não posso obedecer tua ordem.' O grande Deus, sem ceder, falou a ela novamente, 'Ó Morte, mate homens. Eu ordenarei para que tu não incorras em qualquer demérito por fazer isso, ó dama auspiciosa! Aquelas lágrimas que eu vi caírem de teus olhos, e que tu ainda seguras em tuas mãos unidas, tomarão a forma de doenças terríveis e elas mesmas destruirão os homens quando a hora deles chegar. Quando se aproximar o fim de criaturas vivas, tu despacharás Desejo e a Raiva juntos contra elas. Mérito incomensurável será teu. Tu não incorrerás em iniquidade, sendo tu mesma perfeitamente igual em teu comportamento, (isto é, sendo livre de ira e aversão.). Por fazer isso tu somente praticarás virtude em vez de te afundar em iniquidade. Portanto, coloque teu coração na tarefa à mão, e endereçando Desejo e Cólera comece a matar todas as criaturas vivas.' Assim endereçada, aquela dama, chamada pelo nome de Morte, ficou com medo da maldição de Brahman e respondeu a ele dizendo, 'Sim!' Daquele tempo em diante ela começou a despachar Desejo e Cólera como as últimas horas das criaturas vivas, e pela mediação deles a pôr um fim nos ares vitais delas. Aquelas lágrimas que a Morte tinha derramado são as doenças pelas quais os corpos de homens vêm a ser afligidos. Pela destruição, portanto, de criaturas vivas, não se deve, compreendendo com a ajuda da inteligência (à qual causa tal destruição é devido), se entregar à dor. Como os sentidos de todas as criaturas desaparecem quando as últimas estão mergulhadas em sono sem sonhos e voltam novamente quando elas despertam, da mesma maneira todos os seres humanos, após a dissolução de seus corpos, têm que entrar no outro mundo e retornar daquele lugar para este, ó leão entre reis! O elemento chamado vento, que é dotado de energia terrível e bravura poderosa e rugidos ensurdecedores, opera como a vida em todas as criaturas vivas. Aquele vento, quando os corpos das criaturas vivas são destruídos, escapando dos antigos se torna empenhado em diversas funções em diversos corpos novos. Por essa razão, o vento é chamado de o senhor dos sentidos e é distinguido acima dos outros elementos que constituem o corpo grosseiro. Os deuses, sem exceção, (quando seus méritos cessam), têm que tomar nascimento como criaturas mortais sobre a terra. Similarmente, todas as criaturas mortais também (quando elas adquirem mérito suficiente), conseguem alcançar a posição de deuses. Portanto, ó leão entre reis, não sofra por teu filho. Teu filho alcançou o céu e está desfrutando de grande felicidade lá! Foi assim, ó monarca, que a Morte foi criada pelo Auto-nascido e é desse modo que ela mata regularmente todas as criaturas viventes quando suas horas chegam. As lágrimas que ela derramou se tornaram doenças, que, quando suas últimas horas chegam, arrebata todos os seres dotados de vida.'" 259 "Yudhishthira disse, 'Todos os homens que habitam esta terra estão cheios de dúvidas a respeito da natureza da retidão. O que é isto que é chamado de Retidão? De onde também a Retidão vem? Diga-me, ó avô! A Retidão é para ser útil neste mundo ou é para ser útil no próximo mundo? Ou, ela é para ser útil aqui e após a morte? Diga-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'As práticas dos bons, os Smritis, e os Vedas, são as três indicações (fontes) de retidão. Além disto, os eruditos têm declarado que o propósito (pelo qual uma ação é realizada) é a quarta indicação de retidão. (O trabalho de Vasishtha começa com a pergunta: ‘O que é dharmah?’ A primeira resposta é 'Algo consistente com os Srutis e os Smritis.') Os Rishis de antigamente declararam quais ações são justas e também as classificaram como superiores ou inferiores em relação a mérito. As regras de retidão têm sido prescritas para a administração dos assuntos do mundo. Em ambos os mundos, isto é, aqui e após a morte, a virtude produz felicidade como seu resultado. Uma pessoa pecaminosa incapaz de adquirir mérito por meios sutis, se torna maculada somente com pecado. Alguns são de opinião que pessoas pecaminosas nunca podem ser purificadas de seus pecados. Em épocas de infortúnio, uma pessoa mesmo por falar uma mentira adquire o mérito de falar a verdade, assim como uma pessoa que realiza uma ação injusta adquire por aquele mesmo meio o mérito de ter feito uma ação justa. A conduta é o refúgio da retidão. Tu deves saber o que é retidão, ajudado pela conduta. (É a natureza do homem que ele nem veja nem proclame suas próprias falhas mas perceba e proclame aquelas de outros.) O próprio ladrão, roubando o que pertence a outros, gasta os produtos de seu roubo em ações de virtude aparente. Durante um tempo de anarquia, o ladrão tem grande prazer em se apropriar do que pertence a outros. Quando outros, no entanto, roubam dele o que ele adquiriu por meio de roubo, ele então deseja em seguida um rei (para invocar punição sobre a cabeça dos criminosos). Mesmo em tal época, quando sua indignação por direitos de propriedade ofendidos está em seu ponto mais alto, ele secretamente cobiça a riqueza daqueles que estão contentes com o que possuem. Destemidamente e sem dúvida em sua mente (quando ele mesmo é vítima de roubo) ele se dirige ao palácio do rei com uma mente purificada de todo pecado. Mesmo dentro de seu próprio coração ele não vê a mancha de qualquer má ação. Falar a verdade é meritório. Não há nada superior à verdade. Tudo é mantido pela verdade, e tudo depende da verdade. Mesmo os pecaminosos e cruéis, jurando manter a verdade entre eles mesmos, põem de lado todos os motivos de briga e se unindo uns com os outros se dirigem para suas tarefas (pecaminosas), dependendo da verdade. Se eles se comportassem falsamente uns com os outros, eles então seriam destruídos sem dúvida. Alguém não deve pegar o que pertence a outros. Esta é uma obrigação eterna. Homens poderosos consideram isso como algo que foi introduzido pelos fracos. Quando, no entanto, o destino destes homens se torna adverso, esta injunção então encontra sua aprovação. Então também aqueles que superam outros em força ou destreza não se tornam necessariamente felizes. Portanto, nunca coloque teu coração sobre qualquer ação que seja errada. Alguém que se comporta dessa maneira não tem que temer homens desonestos ou ladrões ou o rei. Não tendo feito qualquer injúria para qualquer um, tal homem vive sem medo e com um coração puro. Um ladrão tem medo de todos, como um veado expulso dos bosques para o meio de uma aldeia habitada. Ele pensa que as outras pessoas são tão pecaminosas quanto ele mesmo. Alguém que tem um coração puro está sempre cheio de alegria e não tem medo de qualquer direção. Tal pessoa nunca vê seu próprio comportamento impróprio em outros; (implicando que tal homem está sempre consciente de suas próprias falhas, e nunca pensa que outros são culpados de uma ofensa que ele, em um momento de tentação, possa ter cometido). Pessoas dedicadas a fazer o bem para todas as criaturas dizem que a prática de caridade é outro dever superior. Aqueles que possuem riqueza pensam que este dever foi declarado por aqueles que são pobres. Quando, no entanto, aqueles homens ricos encontram com a pobreza por consequência de uma mudança de sorte, a prática de caridade então se recomenda para eles. Homens que são extremamente ricos não necessariamente encontram a felicidade. Sabendo quão doloroso é para si mesma, uma pessoa nunca deve fazer para os outros o que ela não gosta quando feito a ela por outros. O que pode um homem que se torna o amante da esposa de outro homem dizer para outro homem (culpado da mesma transgressão)? É visto, no entanto, que mesmo tal homem, quando ele vê sua senhora com outro amante, se torna incapaz de perdoar o ato. Como pode alguém que, tomando fôlego ele mesmo pensa em impedir outro por meio de uma ação homicida, de fazer o mesmo? Quaisquer desejos que alguém nutra com relação a si mesmo, ele deve certamente nutrir com relação a outros. Com a riqueza excedente que possa ocorrer de alguém possuir ele deve aliviar as misérias dos indigentes. É por esta razão que o Criador ordenou a prática de aumentar a própria riqueza (por meio de comércio ou por gastá-la por causa de lucro). (O excedente não deve ser cobiçado por sua própria causa mas para tal uso.) Alguém deve trilhar sozinho aquele caminho por prosseguir pelo qual ele possa esperar encontrar com as divindades; ou, em tais tempos quando riqueza é obtida, a aderência aos deveres de sacrifício e caridade é louvável. Os sábios dizem que a realização de objetivos por meio de maneiras agradáveis (pacíficas) é virtude. Veja, ó Yudhishthira, que este mesmo é o critério que foi mantido em vista em declarar as indicações de retidão e iniquidade. Nos tempos passados o Criador ordenou a retidão dotando-a do poder de manter o mundo unido. A conduta dos bons, que é repleta de excelência, está sujeita a (numerosas) restrições para obter virtude a qual depende de muitas considerações delicadas. As indicações de retidão agora foram relatadas para ti, ó principal da linhagem de Kuru! Portanto, em qualquer época, não coloque tua compreensão sobre alguma ação que seja errada.'" 260 "Yudhishthira disse, 'Tu disseste que a virtude ou dever depende de considerações delicadas, que é indicada pela conduta daqueles que são chamados de bons, e que é repleta de restrições (de numerosas ações), e que suas indicações estão também contidas nos Vedas. Me parece, no entanto, que eu tenho uma certa luz interior pela qual eu posso discriminar entre certo e errado por inferências. Numerosas perguntas que eu tinha planejado te fazer foram todas respondidas por ti. Há uma pergunta, no entanto, que eu farei agora. Ela não é motivada, ó rei, pelo desejo de discussão vazia. Todas essas criaturas incorporadas, parece, nascem, existem, e deixam seus corpos, por sua própria natureza. O dever e seu oposto, portanto, não podem ser averiguados, ó Bharata, somente pelo estudo das escrituras. (O argumento, como explicado pelo comentador é este: Bhishma disse que a virtude e seu oposto surgem dos atos de alguém produzindo felicidade ou miséria para outros, e que ambos afetam sua vida futura em relação à felicidade e miséria desfrutada ou suportada nela. Mas as criaturas vivas, diz Yudhishthira, são vistas tomarem seus nascimentos, existirem, e morrerem, por sua própria natureza. A natureza, portanto, parece ser a causa eficiente de nascimento, existência, e morte, e não as declarações nos Srutis, embora aquelas declarações possam ser consistentes com considerações de felicidade ou o oposto. O estudo dos Vedas, portanto, sozinho não pode levar a um conhecimento da retidão e seu contrário.) Os deveres de uma pessoa que está em boa situação são de um tipo. Aqueles de uma pessoa que caiu em infortúnio são de outro tipo. Como pode o dever a respeito das épocas de infortúnio ser averiguado somente pela leitura das escrituras? (O infortúnio pode ser de uma variedade infinita. Derrogação do dever pode, portanto, ser de uma variedade infinita. É impossível notar essas derrogações (justificáveis em vista do grau de angústia sentido) em qualquer código de ética, embora compreensível.) As ações dos bons, tu disseste, constituem retidão (ou virtude ou dever). Os bons, no entanto, devem ser averiguados por suas ações. A definição, portanto, tem por sua fundação um desvio da questão, com o resultado de que o se quer dizer por conduta dos bons permanece incerto. É visto que uma pessoa comum comete injustiça enquanto aparentemente realizando virtude. Algumas pessoas extraordinárias também podem ser vistas que realizam justiça por cometerem atos que são aparentemente injustos. (O comentador cita o exemplo de Sudras ouvindo escrituras proibidas na expectativa de mérito. Eles cometem pecado por tais atos. Então também Brahmanas como Agastya, por amaldiçoar os habitantes da floresta Dandaka, obtiveram grande mérito. Em pessoas geralmente chamadas de comuns e até inferiores são observáveis indicações de bom comportamento, e naquelas reconhecidas como boas e respeitáveis podem ser notados atos que não são bons. Portanto, aquilo que é chamado de conduta dos bons é extremamente indeterminável.) Então, a prova (do que eu digo) tem sido fornecida até por aqueles que conhecem bem as escrituras, pois é sabido por nós que as ordenanças dos Vedas desaparecem gradualmente em cada era sucessiva. Os deveres na era Krita são de um tipo. Aqueles na Treta são de outro tipo, e aqueles na Dwapara também são diferentes. Os deveres na era Kali, além disso, são totalmente de outro tipo. Parece, portanto, que os deveres são prescritos para as respectivas eras de acordo com os poderes dos seres humanos nas respectivas eras. Quando, portanto, todas as declarações nos Vedas não se aplicam igualmente a todas as eras, o ditado que as declarações dos Vedas são verdadeiras é somente uma forma popular de falar usada para a satisfação popular. Dos Srutis se originaram os Smritis cujo âmbito também é muito amplo. Se os Vedas são autoridade para tudo, então também se atribuiria autoridade aos Smritis, pois os últimos são baseados nos primeiros. Quando, no entanto, os Srutis e os Smritis contradizem uns aos outros, como um dos dois pode ser autoritário? Então, também, é visto que quando algumas pessoas pecaminosas de grande poder fazem certas partes de certos cursos de ações justas serem paradas, estes são destruídos para sempre. (O comentador usa o exemplo da parada do Sacrifício de Cavalo pela intervenção de Indra com Janamejaya quando o último estava decidido a celebrar um para a aquisição de mérito.) Se nós o conhecemos ou não, se nós podemos averiguá-lo ou não podemos averiguá-lo, o curso de dever é mais fino do que o fio de uma navalha e mais grosso até do que uma montanha. A virtude (na forma de sacrifícios e outras ações religiosas) a princípio aparece na forma de edifícios fabulosos de vapor vistos no céu distante. Quando, no entanto, ela é examinada pelos eruditos, ela desaparece e se torna invisível. (Os edifícios e formas vaporosas vistos no céu distante são chamados de Gandharva-nagara por causa da crença peculiar que eles são cidades habitadas pelos Gandharvas, uma classe de seres superiores ao homem. Eles aparecem para a visão somente para desaparecerem logo. O que o orador deseja dizer é que sacrifícios e atos religiosos a princípio parecem fabulosos e encantadores por causa dos resultados que eles exibem, isto é, céu e felicidade. Mas quando eles são examinados pela luz da filosofia, eles desaparecem ou recuam no nada, pois como ações, eles são transitórios e suas consequências também são do mesmo caráter.) Como os pequenos tanques nos quais o gado bebe ou os aquedutos rasos ao longo de campos cultivados que secam logo, as práticas eternas inculcadas nos Smritis, caindo em descontinuação, finalmente desaparecem totalmente (na era Kali). Entre homens que são bons alguns são vistos se tornarem hipócritas (em relação à aquisição de virtude) por se permitirem serem incitados pelo desejo. Alguns se tornam assim, incitados pelos desejos de outros. Outros, numerando muitos, seguem o mesmo caminho, influenciados por diversos outros motivos de caráter similar. Não pode ser negado que tais ações (embora realizadas por pessoas sob a influência de más paixões) são virtuosas. Os tolos dizem que a virtude é um som vazio entre aqueles chamados de bons. Eles ridicularizam tais pessoas e as consideram como homens desprovidos de razão. Muitos grandes homens, também, virando as costas (para os deveres de sua própria classe) se dirigem aos deveres da classe real). Nenhuma conduta, portanto, é vista (como observada por qualquer homem), que seja repleta de benevolência universal. (O comentador cita o exemplo de Drona e outros daquela classe. Esses homens devem ser considerados como Mahajanas e Sadhus, mas como sua conduta como ser considerada como correta? O que Yudhishthira quer dizer é que os estandartes de virtude ou aquilo pelo qual bons homens podem ser conhecidos é difícil de averiguar.) Por um certo rumo de comportamento alguém se torna realmente meritório. Aquele mesmo rumo de comportamento obstrui outro na aquisição de mérito. Outro, por praticar como lhe aprouver aquela conduta, isto é visto, permanece inalterado. (O exemplo de Viswamitra, Jamadagnya, e Vasishtha são citados pelo comentador. O primeiro ganhou preeminência por seu domínio sobre armas. O segundo perdeu seu caráter como um Brahmana pela profissão de armas. O terceiro não perdeu nada embora ele tivesse punido a insolência de Viswamitra por usar até armas mundanas.) Assim aquela conduta pela qual alguém se torna meritório impede outro na aquisição de mérito. Pode-se ver assim que todos os rumos de conduta perdem unidade de propósito e caráter. Parece, portanto, que somente aquilo que os eruditos dos tempos antigos chamavam de virtude é virtude até hoje, e através daquele curso de conduta, (que os eruditos assim fixaram), as distinções e limitações (que governam o mundo) se tornaram eternas.'" (O que Yudhishthira diz aqui é que retidão ou virtude ou dever não depende dos Srutis ou dos Smritis, nem de considerações de felicidade ou miséria. Por outro lado, a virtude é arbitrária em relação a seu estandarte, sendo chamado de justo aquilo que era chamado dessa maneira pelos eruditos dos tempos antigos. Em relação à felicidade ou miséria, sua causa é a natureza eterna.) 261 "Bhishma disse, 'Em relação a isso, (isto é, o assunto da verdadeira causa à qual deve ser atribuída a dispensação de felicidade ou seu oposto), é citada a velha narrativa da conversa de Tuladhara com Jajali sobre o tópico da retidão. Havia uma vez um Brahmana de nome Jajali que vivia em certa floresta, praticando os modos de um recluso na floresta. De penitências rígidas, ele procedeu em certa ocasião para o litoral, e tendo chegado lá começou a praticar as penitências mais severas. Observando muitos votos e restrições, com seu alimento regulado por muitas regras de jejum, seu corpo vestido em trapos e peles, portando cabelos emaranhados em sua cabeça, seu corpo inteiro coberto com sujeira e argila, aquele Brahmana possuidor de inteligência passou muitos anos lá, suspendendo a fala (e engajado em meditação Yoga). Possuidor de grande energia, aquele asceta regenerado, ó monarca, enquanto vivendo dentro das águas (do mar), vagou por todos os mundos com a velocidade da mente, desejoso de ver todas as coisas. (Seu corpo grosseiro estava dentro da água. Todavia, por poder de Yoga, ele era capaz de vagar pelo mundo em seu corpo sutil e via tudo o que ele desejava ver.) Tendo visto a terra inteira limitada pelo oceano e adornada com rios e lagos e florestas, um dia o asceta, enquanto sentado sob a água, começou a pensar dessa maneira, 'Nesse mundo de criaturas móveis e imóveis não há ninguém igual a mim. Quem pode viajar comigo entre as estrelas e planetas no firmamento e morar também dentro das águas?' Não vistos pelos Rakshasas enquanto ele repetia isto para si mesmo, os Pisachas disseram a ele, 'Não cabe a ti falar assim. Há um homem chamado Tuladhara, possuidor de grande fama e dedicado ao negócio de compra e venda. Mesmo ele, ó melhor das pessoas regeneradas, não é digno de dizer tais palavras como tu disseste.' Assim endereçado por aqueles seres, Jajali de penitências austeras respondeu a eles, dizendo, 'Eu verei esse famoso Tuladhara que possui tal sabedoria.' Quando o Rishi disse estas palavras, aqueles seres sobre-humanos o ergueram do mar, e disseram a ele, 'Ó melhor das pessoas regeneradas, vá por esta estrada.' Assim endereçado por aqueles seres, Jajali seguiu adiante com um coração triste. Chegando em Varanasi ele encontrou Tuladhara a quem ele se dirigiu dizendo as seguintes palavras.'” "Yudhishthira disse, 'Quais, ó majestade, são aquelas façanhas difíceis que Jajali tinha realizado antes pelas quais ele tinha alcançado tal sucesso superior? Cabe a ti descrevê-las para mim.'” "Bhishma disse, 'Jajali tinha se engajado em penitências das mais rígidas austeridades. Ele costumava realizar abluções de manhã e à noite. Cuidando atentamente de seus fogos, ele era devotado ao estudos dos Vedas. Bom conhecedor dos deveres prescritos para reclusos na floresta, Jajali (por causa de suas práticas) parecia brilhar com refulgência. Ele continuou a viver nas florestas, o tempo todo dedicado a penitências. Mas ele nunca se considerava como alguém que tivesse adquirido algum mérito por suas ações. Na época das chuvas ele dormia sob o céu aberto. No outono ele sentava na água. No verão ele se expunha ao sol e ao vento. Ainda assim ele nunca se considerava como alguém que tinha adquirido algum mérito através de tais ações. Ele costumava dormir em diversos tipos de camas dolorosas e também sobre a terra nua. Uma vez, aquele asceta, enquanto estava sob o céu na estação chuvosa, recebeu sobre sua cabeça repetidos aguaceiros das nuvens. Ele teve que passar pelas florestas repetidamente. Em parte com a exposição às chuvas e em parte com a sujeira que eles pegaram, os cabelos daquele Rishi impecável ficaram emaranhados e entrelaçados uns com os outros. Em uma ocasião, aquele grande asceta, se abstendo totalmente de alimento e vivendo só do ar, ficou de pé na floresta como um poste de madeira. De coração impassível, ele ficou lá, sem nem uma vez se mover uma polegada. Enquanto ele estava lá como um poste de madeira, perfeitamente imóvel, ó Bharata, um par de aves Kulinga, ó rei, construiu seu ninho sobre sua cabeça. Cheio de compaixão, o grande Rishi permitiu aquele casal emplumado construir seu ninho entre seus cabelos emaranhados com tiras de grama. E como o asceta ficou lá como um poste de madeira, as duas aves viveram alegremente e com confiança sobre a cabeça dele. As chuvas passaram e veio o outono. O par, incitado pelo desejo, se aproximou segundo a lei do Criador, e em completa confiança colocaram seus ovos, ó rei, na cabeça daquele Rishi. De votos rígidos e possuidor de energia, o asceta soube disso. Sabendo o que as aves tinham feito, Jajali não se moveu. Firmemente decidido a adquirir mérito, qualquer ação que envolvesse a menor injúria para outros não poderia se tornar atraente para ele. O casal emplumado, partindo e se movendo todo dia de e para sua cabeça, felizmente e confiantemente viveu lá, ó rei pujante! Quando com o passar do tempo os ovos se tornaram maduros e os filhotes saíram, eles começaram a crescer naquele ninho, pois Jajali não se moveu de modo algum. Firme no cumprimento de seus votos, o Rishi de alma virtuosa continuou a manter e proteger aqueles ovos por ficar sobre aquele mesmo local perfeitamente imóvel e absorto em meditação Yoga. Com o decorrer do tempo os jovens cresceram e vieram a ser equipados com asas. O Muni soube que os jovens Kulingas tinham alcançado aquele estágio de desenvolvimento. Aquele principal dos homens inteligentes, imperturbável na observância de votos, um dia viu aqueles filhotes e se encheu de satisfação. As aves pais, vendo seus filhotes equipados com asas, ficaram muito felizes e continuaram a morar com eles na cabeça do Rishi em perfeita segurança. O erudito Jajali viu que quando as aves jovens ficaram providas de asas elas davam um passeio toda noite e voltavam para sua cabeça sem terem ido longe. Ele ainda permaneceu imóvel naquele local. Às vezes, depois ele viu que, deixados por seus pais, eles saíam por si mesmos e voltavam também por si mesmos. Jajali ainda assim não se moveu. Um pouco depois, as aves jovens partindo de manhã passavam o dia todo fora de sua vista, mas voltavam à noite para residir no ninho. Às vezes, depois disso, deixando seu ninho por cinco dias a fio, eles voltavam no sexto dia. Jajali ainda assim não se moveu. Posteriormente, quando sua força ficou completamente desenvolvida eles o deixavam e não voltavam nem mesmo depois de muitos dias. Finalmente, em uma ocasião, o deixando, eles não voltaram nem depois de um mês. Então, ó rei, Jajali deixou aquele local. Quando eles tinham ido embora dessa maneira para sempre, Jajali se admirou muito, e pensou que ele tinha alcançado sucesso ascético. Então o orgulho entrou em seu coração. Firme na observância de votos, o grande asceta, vendo as aves assim deixá-lo depois de terem sido criadas sobre sua cabeça, pensou orgulhosamente de si mesmo, e se encheu de satisfação. Ele, então, banhou-se em um rio e despejou libações no fogo sagrado, e prestou suas adorações ao Sol nascente. De fato, tendo assim feito aquelas aves chataka crescerem em sua cabeça, Jajali, aquele principal dos ascetas, começou a bater em seu peito e proclamou ruidosamente pelo céu, 'Eu ganhei grande mérito.' Então uma voz invisível ergue-se no céu e Jajali ouviu estas palavras, 'Tu não és igual, ó Jajali, a Tuladhara em relação à virtude. Possuidor de grande sabedoria, Tuladhara vive em Baranasi. Mesmo ele não é digno de dizer o que tu disseste, ó regenerado.' Ouvindo estas palavras, Jajali se encheu de raiva, e desejoso de encontrar Tuladhara, ó monarca, começou a vagar pela terra inteira, cumprindo o voto de silêncio e passando a noite no local onde a noite o alcançasse. Depois de um tempo considerável ele alcançou a cidade de Baranasi, e viu Tuladhara ocupado em vender diversos artigos. (Uma loja de Beniya é um armazém variado. Ele contém principalmente temperos e remédios, mas não há artigo para uso doméstico que não possa ser encontrado em tal loja.) Logo que o lojista Tuladhara viu o Brahmana chegado em sua residência, ele se levantou alegremente e adorou o convidado com saudações apropriadas.’” "Tuladhara disse, 'Sem dúvida, ó Brahmana, eu sei que tu vieste a mim. Ouça, no entanto, ó principal das pessoas regeneradas, o que eu digo. Vivendo em uma terra baixa perto da costa tu praticaste penitências muito austeras. Mas tu não tinhas consciência de ter obtido virtude ou mérito. Quando tu finalmente alcançaste êxito ascético, certas aves nasceram sobre tua cabeça. Tu tomaste grande cuidado com as pequenas criaturas. Quando finalmente aquelas aves ficaram equipadas com asas e quando elas começaram a deixar tua cabeça para irem para lá e para cá à procura de comida, foi então que, por teres ajudado dessa maneira no nascimento daqueles Chatakas, tu começaste a sentir o impulso do orgulho, ó Brahmana, pensando que tu tinhas obtido grande mérito. Então, ó principal das pessoas regeneradas, tu ouviste no céu uma voz que se referia a mim. As palavras que tu ouviste te encheram de fúria, e como a consequência disto tu estás aqui. Diga-me, qual desejo teu eu realizarei, ó melhor dos Brahmanas!'" 262 "Bhishma disse, 'Assim endereçado pelo inteligente Tuladhara naquela ocasião, Jajali de grande inteligência, aquele principal dos ascetas, disse estas palavras para ele.'” "Jajali disse, 'Tu vendes todos os tipos de sucos e perfumes, ó filho de um comerciante, como também (cascas e folhas de) grandes árvores e ervas e suas frutas e raízes. Como tu conseguiste adquirir uma certeza ou estabilidade de compreensão? De onde este conhecimento vem para ti? Ó tu de grande inteligência, diga-me tudo isso em detalhes.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por aquele Brahmana possuidor de grande fama, Tuladhara da classe Vaisya, bem familiarizado com as verdades referentes às interpretações de moralidade e satisfeito com conhecimento, discursou para Jajali que tinha praticado penitências severas, sobre os caminhos da moralidade.’” "Tuladhara disse, 'Ó Jajali, eu conheço a moralidade, que é eterna, com todos os seus mistérios. Ela não é nada além do que aquela moralidade antiga que é conhecida por todos, e que consiste em amizade universal, e é repleta de beneficência para todas as criaturas. Aquele modo de vida que é fundado sobre uma total inofensividade em direção a todas as criaturas ou (em caso de necessidade real) sobre um mínimo de tal mal, é a moralidade mais elevada. Eu vivo de acordo com aquele modo, ó Jajali! Esta minha casa foi construída com madeira e grama cortadas pelas mãos de outras pessoas. Tintura laca, as raízes de lótus Nymphaea, filamentos de lótus, diversos tipos de bons perfumes e muitas espécies de líquidos, ó Rishi regenerado, com a exceção de vinhos, eu compro da mão de outras pessoas e vendo sem enganar. Ó Jajali, é citado como conhecedor do que é a moralidade ou virtude aquele que é sempre o amigo de todas as criaturas, e que está sempre dedicado ao bem de todas as criaturas, em pensamentos, palavras, e ações. Eu nunca incomodo ninguém. Eu nunca brigo com ninguém, eu nunca nutro aversão por ninguém. Eu nunca nutro desejo por algo. Eu olho igualmente para todas as coisas e todas as criaturas. Veja, ó Jajali, este é meu voto! Minha balança é perfeitamente equilibrada, ó Jajali, com relação a todas as criaturas. (Pesando as criaturas eu as considero como iguais, na minha balança um Brahmana não pesa mais do que um Chandala, ou um elefante pesa mais do que um cachorro ou gato.) Eu nem louvo nem critico as ações de outros, considerando esta variedade no mundo, ó principal dos Brahmanas, como igual à variedade observável no céu. (O sentido é este: há variedade neste mundo. Ela é, no entanto, como a variedade de aspectos a qual o céu mostra. É a mesma Divindade que se manifesta em diversas formas assim como é o mesmo céu que manifesta vários aspectos por causa do aparecimento e desaparecimento de nuvens.) Saiba, ó Jajali, que eu lanço um olhar igual sobre todas as criaturas. Ó principal dos homens inteligentes, eu não vejo diferença entre um torrão de terra, uma pedra, e um torrão de ouro. Como o cego, o surdo, e aqueles que são desprovidos de racionalidade, estão perfeitamente consolados pela perda de seus sentidos, da mesma maneira eu estou consolado, por seu exemplo (pelos prazeres dos quais eu me abstenho). Como aqueles que foram alcançados pela velhice, aqueles que são afligidos por doenças, e aqueles que estão enfraquecidos e emaciados não participam com prazer de divertimentos de qualquer tipo, da mesma maneira eu parei de sentir qualquer satisfação por riqueza ou prazeres ou divertimentos. Quando uma pessoa não teme nada e ela mesma não é temida, quando ela não nutre desejo e não tem aversão por qualquer coisa, ela então é citada como tendo alcançado Brahma. Quando uma pessoa não se comporta pecaminosamente em direção a alguma criatura em pensamentos, palavras, e ações, então ela alcançou Brahma. Não há passado, nem futuro. Não há moralidade ou virtude. Aquele que não é um objeto de medo para alguma criatura consegue alcançar um estado (Brahma) no qual não há medo. Por outro lado, aquela pessoa que por dureza de palavras e severidade de temperamento, é uma fonte de incômodo para todas as criaturas assim como a própria morte, certamente alcança um estado que é cheio de medo. Eu sigo as práticas de homens de grande alma e benevolentes de idade avançada que com seus filhos e netos vivem na devida observância da ordenança declarada nas escrituras. As práticas eternas (declaradas nos Vedas) são totalmente abandonadas por aquele que se permite ficar entorpecido por alguns erros que ele possa ter reparado na conduta daqueles que são reconhecidamente bons e sábios. Alguém, no entanto, que é dotado de conhecimento, ou alguém que tem subjugado seus sentidos, ou alguém que possui força mental, consegue alcançar a Emancipação, guiado por aquela mesma conduta. (O sentido é este: há um rumo eterno de virtude como prescrito nos Vedas. Aquela que é chamada de a conduta dos bons pode às vezes ser manchada por alguns erros. Tolos, levados por isso, desistem da própria virtude. Por outro lado, homens sábios, evitando aqueles erros, aceitam o que é bom e são salvos. Um velho ditado é citado pelo comentador no sentido de que quando tudo está ameaçado, um homem sábio desiste da metade para salvar o restante. Um tolo, no entanto, desiste do todo quando somente metade está ameaçada pela destruição.) O homem sábio que, tendo controlado seus sentidos, pratica, com um coração limpo de todo o desejo de ferir outros, a conduta que é seguida por aqueles que são chamados de bons, está certo, ó Jajali, de obter o mérito da virtude (e Emancipação a qual é seu fruto). Neste mundo, como em um rio, um pedaço de madeira que está sendo arrastado pela correnteza como ela quer, é visto entrar em contato (por algum tempo) com outro pedaço que está sendo arrastado da mesma maneira. Lá, na correnteza, outros pedaços de madeira que foram unidos, são vistos também se separarem uns dos outros. Grama, paus, e pedaços de esterco de vaca são vistos serem unidos juntos. Esta união é devido à casualidade e não por propósito ou desígnio. Aquele de quem nenhuma criatura tem o mínimo medo, ele mesmo, ó asceta, nunca é assustado por alguma criatura. Aquele, por outro lado, ó homem erudito, de quem todas as criaturas têm medo como de um lobo, vem a ser ele mesmo cheio de medo como animais aquáticos quando forçados a saltar sobre a margem por medo do crepitante fogo Vadava. Esta prática de inofensividade universal originou-se exatamente assim. Uma pessoa pode segui-la por todos meios em seu poder. Aquele que tem seguidores e aquele que tem riqueza podem procurar adotá-la. Ela com certeza leva também à prosperidade e o céu. Por sua capacidade de dissipar os temores dos outros, homens possuidores de riqueza e seguidores são considerados como os mais importantes pelos eruditos. Aqueles que vivem para a felicidade comum praticam este dever de inofensividade universal por causa de fama; enquanto que aqueles que são realmente hábeis praticam o mesmo para alcançar Brahma. Quaisquer resultados que alguém desfrute por penitências, por sacrifícios, por praticar generosidade, por falar a verdade, e por buscar sabedoria, podem todos ser obtidos pela prática do dever de inofensividade. Aquela pessoa que dá para todas as criaturas a garantia de inofensividade obtém o mérito de todos os sacrifícios e finalmente ganha destemor para si mesmo como sua recompensa. Não há dever superior ao dever da abstenção de ferir outras criaturas. Aquele de quem, ó grande asceta, nenhuma criatura tem o mínimo medo, obtém para si mesmo destemor de todas as criaturas. Aquele de quem todos têm medo como alguém tem de uma cobra abrigada dentro de seu quarto (de dormir), nunca adquire qualquer mérito neste mundo ou no próximo. Os próprios deuses, em sua busca por este, ficam pasmos no caminho daquela pessoa que transcende todos os estados, (isto é, falham em vê-lo ou encontrá-lo, pois tal pessoa transcende as mais elevadas regiões de felicidade, tais como até a região de Brahman, por causa da não eternidade delas), a pessoa, isto é, que constitui ela mesma a alma de todas as criaturas e que considera todas as criaturas como iguais ao seu próprio eu. De todas as doações, a garantia de inofensividade para todas as criaturas é o maior (a respeito de mérito). Eu te digo a verdade, creia-me, ó Jajali! Alguém que se dirige às ações a princípio ganha prosperidade, mas então (após o esgotamento de seus méritos) ele mais uma vez encontra adversidade. Vendo a destruição (do mérito) das ações, os sábios não elogiam as ações. Não há dever, ó Jajali, que não seja incitado por algum motivo (de felicidade). O dever, no entanto, é muito sutil. Os deveres foram declarados nos Vedas por causa de ambos, Brahma e o céu. (Nos Vedas se acham ambos os tipos de deveres, tais como Samah, etc., por Brahma, e sacrifícios, etc., pelo céu.) O assunto dos deveres tem muitos segredos e mistérios. Ele é tão sutil que não é fácil entendê-lo completamente. Entre as diversas ordenanças divergentes, alguns conseguem compreender o dever por observar os atos dos bons. (O comentador cita algumas ordenanças conflitantes a respeito da matança de vacas. O assunto do dever é assim confuso, declarações contraditórias sendo notáveis nos Vedas.) Por que tu não destróis aqueles que castram touros e furam seus narizes e os fazem suportar cargas pesadas, e os amarram e os colocam sob diversos tipos de restrições, e que comem a carne de criaturas vivas depois de matá-las? Homens são vistos possuírem homens como escravos, e por bater, por amarrar, e por sujeitá-los a restrições de outras maneiras, os fazem trabalhar dia e noite. Essas pessoas não são ignorantes da dor que resulta de bater e de prender em correntes. Em toda criatura que é dotada dos cinco sentidos vivem todas as divindades. Surya, Chandramas, o deus do vento, Brahman, Prana, Kratu, e Yama (estes moram nas criaturas vivas). Há homens que vivem por traficar criaturas vivas! Quando eles ganham a vida por tal conduta pecaminosa, que escrúpulos eles precisam sentir em vender carcaças mortas? A cabra é Agni. A ovelha é Varuna. O cavalo é Surya. A terra é a divindade Virat. A vaca e o bezerro são Soma. O homem que vende estes nunca pode obter êxito. Mas que falha pode se atribuir à venda de óleo, ou de Ghrita, ou mel, ou remédios, ó regenerado? Há muitos animais que crescem em tranquilidade e conforto em lugares livres de mosquitos e insetos que picam. Sabendo que eles são amados ternamente por suas mães, homens os perseguem de diversas maneiras, e os levam para lugares imundos cheios de insetos mordentes. Muitos animais de tiro são oprimidos com cargas pesadas. Outros, também, definham por causa de tratamento não sancionado pelas escrituras. Eu penso que tais atos de dano feitos para os animais não são diferentes, de nenhuma maneira, de feticídio. Pessoas consideram a profissão de agricultura como sem pecado. Aquela profissão, no entanto, está seguramente repleta de crueldade. O arado de face de ferro fere o solo e muitas criaturas que vivem no solo. Lance teus olhos, ó Jajali, naqueles bois unidos ao arado. As vacas são chamadas nos Srutis de ‘Não Matáveis’. Comete um grande pecado aquele homem que mata um touro ou uma vaca. Nos tempos antigos, muitos Rishis com sentidos controlados se dirigiram a Nahusha, dizendo, 'Tu, ó rei, mataste uma vaca que é declarada nas escrituras como sendo semelhante à mãe de alguém. (Por causa da função para a qual ela é útil, pois seu leite nutre toda criança tanto quando o peito da mãe.) Tu também mataste um touro, o qual é declarado como sendo semelhante ao próprio Criador. (Porque como Prajapati ele cria prole e ajuda o homem na produção de alimentos.) Tu cometeste uma má ação, ó Nahusha, e nós estamos extremamente magoados por isso.' (Nahusha tinha matado um touro e uma vaca para honrar os Rishis, eles, no entanto, expressaram sua insatisfação pelo fato.) Para purificar Nahusha, no entanto, eles dividiram aquele pecado em cento e uma partes e transformando os fragmentos em doenças os lançaram entre todas as criaturas. Assim, ó Jajali, aqueles Rishis altamente abençoados lançaram aquele pecado em todas as criaturas vivas, e se dirigindo a Nahusha que tinha sido culpado de feticídio, disseram, 'Nós não poderemos despejar libações em teu sacrifício.' Assim disseram aqueles Rishis e Yatis de grande alma conhecedores das verdades de todas as coisas, tendo averiguado por seu poder ascético que o rei Nahusha não tinha sido intencionalmente culpado daquele pecado. (O comentador explica que os Rishis se dirigiram a Nahusha daquela maneira mesmo quando eles sabiam que ele não tinha matado intencionalmente a vaca e o touro. O objetivo do orador é mostrar a enormidade do ato quando feito intencionalmente.) Estas, ó Jajali, são algumas das práticas pecaminosas e terríveis que são prevalecentes neste mundo. Tu as praticaste porque elas são praticadas por todos os homens desde os tempos antigos, e não porque elas se harmonizam com os ditames da tua compreensão purificada. Alguém deve praticar o que ele considera ser seu dever, guiado por razões, em vez de seguir cegamente as práticas do mundo. Ouça agora, ó Jajali, qual é meu comportamento em direção àquele que me ofende e àquele que me elogia. Eu considero ambos da mesma maneira. Eu não tenho alguém de quem eu goste e alguém de quem eu não goste. Os sábios aprovam tal rumo de conduta como consistente com dever ou religião. Este mesmo rumo de conduta, que é consistente com o bom senso, é seguido por Yatis. Os justos sempre o observam com olhos possuidores de visão aperfeiçoada.'" 263 "Jajali disse, 'Este rumo de dever que tu pregas, ó proprietário de balanças, fecha a porta do céu contra todas as criaturas e acaba com os próprios meios de sua subsistência. Da agricultura vem o alimento. Aquele alimento oferece subsistência até para ti. Com a ajuda de animais e de colheitas e ervas, os seres humanos, ó comerciante, são habilitados a manter sua existência. De animais e alimentos sacrifícios fluem. Tuas doutrinas têm laivos de ateísmo. Este mundo acabará se os meios pelos quais a vida é sustentada tiverem que ser abandonados.'” "Tuladhara disse, 'Eu agora falarei sobre o objeto dos meios de sustento. Eu, ó Brahmana, não sou um ateu. Eu não critico Sacrifícios. É muito raro, no entanto, o homem que realmente conhece o Sacrifício. Eu reverencio aquele Sacrifício que é ordenado para Brahmanas. Eu reverencio também aqueles que estão familiarizados com aquele Sacrifício. Ai, os Brahmanas, tendo abandonado o Sacrifício que é ordenado para eles, têm se dirigido à realização de Sacrifícios que são para Kshatriyas. (O fato é, todos os Sacrifícios nos quais é feito algum dano à vida vegetal ou animal são para Kshatriyas. O único Sacrifício que os Brahmanas devem realizar é Yoga.) Muitas pessoas de fé, ó regenerado, que são cobiçosas e afeiçoadas à riqueza, sem terem compreendido o verdadeiro significado das declarações dos Srutis, e proclamando coisas que são realmente falsas mas que têm a aparência de verdade, têm introduzido muitos tipos de Sacrifícios, dizendo, 'Isto deve ser doado neste Sacrifício. Esta outra coisa deve ser doada naquele outro Sacrifício. O primeiro disto é muito louvável.' A consequência, no entanto, de tudo isso, ó Jajali, é que roubo e muitas más ações surgem. (Sacrifícios são sempre atrativos por causa da fama que eles trazem. Sua realização depende de riqueza. A aquisição de riqueza leva ao cometimento de muitos atos maus.) Deve ser conhecido que somente a oferenda sacrifical que foi adquirida por meios justos pode gratificar os deuses. Há indicações abundantes nas escrituras que o culto das divindades pode ser realizado com votos, com libações despejadas no fogo, com recitações ou canto dos Vedas, e com plantas e ervas. Por causa de suas ações religiosas pessoas injustas obtêm prole pecaminosa. De homens cobiçosos nascem filhos que são cobiçosos, e daqueles que são satisfeitos nascem filhos que são satisfeitos. Se o sacrificador e o sacerdote se permitem serem movidos pelo desejo de resultado (em relação aos Sacrifícios que eles realizam ou ajudam a fazer), seus filhos recebem a mácula. Se, por outro lado, eles não se entregam ao desejo de fruto, os filhos nascidos para eles se tornam do mesmo tipo. De Sacrifícios nasce progênie como água pura do firmamento. As libações despejadas no fogo sacrifical sobem até o sol. Do Sol surge a chuva. Da chuva surge o alimento. Do alimento nascem criaturas vivas. Nos tempos antigos, homens corretamente dedicados a Sacrifícios costumavam obter deles a realização de todos os seus desejos. A terra produzia colheitas sem cultivo. As bênçãos proferidas pelos Rishis produziam ervas e plantas. (O sentido é que nos tempos antigos quando o verdadeiro significado de Sacrifício era compreendido e todos os homens os realizavam sem serem incitados pelos desejo de resultado, as consequências que fluíam eram a produção de colheitas sem cultivo (e sem dano para animais que vivem em buracos e tocas). Os bons desejos que os Rishis nutriam por todas as criaturas eram suficientes para produzir ervas e plantas e árvores.) Os homens dos tempos antigos nunca realizavam Sacrifícios pelo desejo de resultados e nunca se consideravam como qualificados para desfrutar daqueles frutos. Aqueles que de alguma maneira realizam sacrifícios, embora duvidando de sua eficácia, tomam nascimento em suas próximas vidas como homens desonestos, astutos, e avarentos extremamente cobiçosos de riqueza. Aquele homem que pela ajuda de raciocínio falso considera todas as escrituras autorizadas como repletas de males, indubitavelmente irá, por tal ação pecaminosa, para as regiões dos pecaminosos. Tal homem é certamente possuidor de uma alma pecaminosa, ó principal dos Brahmanas, e sempre permanece aqui, desprovido de sabedoria. Aquele homem que respeita aquelas ações obrigatórias que estão prescritas nos Vedas e ordenadas para serem realizadas todos os dias, que é tomado pelo medo se ele falha em realizá-las algum dia, que considera todos os elementos essenciais de Sacrifício como idênticos a Brahma (ou, que acredita que somente Brahma existe no mundo), e que nunca se considera o autor, é realmente um Brahmana. (Nós devemos fazer todos os atos acreditando que somos somente agentes ou instrumentos da Divindade Suprema. Atos são dele, nós somos somente Suas ferramentas. Tal convicção seguramente nos protegerá contra todos os atos maus.) Se as ações de tal pessoa ficarem incompletas, ou se sua conclusão for obstruída por todos os animais impuros, mesmo então aquelas ações são, como sabido por nós, de eficácia superior. (Quando Sacrifícios são feitos por um senso de dever, apesar de sua incompletude, eles se tornam eficazes.) Se, no entanto, aquelas ações são feitas pelo desejo de resultado (e se a sua conclusão for obstruída por tais obstáculos), então expiação se tornará necessária. Aqueles que cobiçam o alcance do maior objetivo da vida (isto é, Emancipação), que são desprovidos de cupidez em relação a todas as espécies de riqueza mundana, que se desfazem de toda provisão para o futuro, e que são livres de inveja, se dirigem à prática da verdade e autodomínio como seu Sacrifício. Aqueles que estão familiarizados com a distinção entre corpo e alma, são dedicados ao Yoga, e que meditam sobre o Pranava (Om), sempre conseguem gratificar outros. O Brahma universal (isto é, Pranava), que é a alma das divindades, mora naquele que conhece Brahma. Quando, portanto, tal homem come e é satisfeito, todas as divindades, ó Jajali, ficam gratificadas e estão satisfeitas. (O que se pretende dizer neste verso é que quando tal homem come e é satisfeito, o universo inteiro fica satisfeito. No Vana Parva, Krishna, por engolir uma partícula de sopa grossa satisfez a fome de milhares de pupilos de Durvasa.) Como alguém que está satisfeito com todos os tipos de sabores não sente desejo por algum sabor específico, da mesma maneira alguém que está satisfeito com conhecimento tem satisfação eterna a qual para ele é uma fonte de felicidade perfeita. Aqueles homens sábios que são o amparo da virtude e cujo deleite está na retidão, são pessoas que têm conhecimento certo do que deve ser feito e do que não deve ser feito. Alguém possuidor de tal sabedoria sempre considera que todas as coisas no universo têm surgido de seu próprio Eu. (Tal homem considera todas as coisas como Brahma, e ele mesmo como Brahma.) Alguns que são dotados de conhecimento, que se esforçam para alcançar a outra margem (deste oceano de vida), e que são possuidores de fé, conseguem chegar à região de Brahman, que é produtiva de bênçãos grandiosas, altamente sagrada, e habitada por pessoas justas, uma região que está livre de tristeza, de onde não há retorno, e onde não há qualquer tipo de agitação ou dor. Tais homens não cobiçam o céu. Eles não adoram Brahma em sacrifícios caros. Eles andam pelo caminho dos justos. Os Sacrifícios que eles realizam são realizados sem dano para qualquer criatura. Estes homens conhecem árvores e ervas e frutas e raízes como as únicas oferendas sacrificais. Sacerdotes cobiçosos, pois eles são desejosos de riqueza, nunca oficiam nos sacrifícios destes homens (pobres). Estes homens regenerados, embora todas as suas ações estejam completadas, ainda realizam sacrifícios pelo desejo de fazer o bem para todas as criaturas e constituindo a si mesmos como oferendas sacrificais. (Isto é, eles realizam Sacrifícios mentais.) Por esta razão, (isto é, porque eles não podem oficiar nos Sacrifícios daqueles que são realmente bons), sacerdotes ávidos oficiam somente nos Sacrifícios daquelas pessoas mal orientadas que, sem se esforçarem para alcançar a Emancipação, buscam o céu. Com relação àqueles, no entanto, que são realmente bons, eles sempre procuram, por realizarem seus próprios deveres, fazer outros ascenderem ao céu. (Eles cumprem seus próprios deveres não para beneficiar a si mesmos mas para o bem de outros.) Olhando para esses dois tipos de comportamento (aquele dos bons e aquele dos desencaminhados), ó Jajali, eu tenho (me abstido de ferir qualquer criatura no mundo e) vim a considerar todas as criaturas com um coração imparcial. Dotados de sabedoria, muitos dos principais Brahmanas realizam Sacrifícios (que com respeito a seus frutos são de dois tipos, pois alguns deles levam à Emancipação de onde não há retorno, e outros levam para regiões de felicidade de onde há retorno). Por realizar aqueles Sacrifícios, eles procedem, ó grande asceta, pelos caminhos trilhados pelos deuses. De uma classe de Sacrificadores (isto é, daqueles que sacrificam por desejo de resultado) há volta (da região que eles alcançam). Daqueles, no entanto, que são realmente sábios (isto é, aqueles que sacrificam sem serem incitados a isso pelo desejo de resultado), não há volta. Embora ambas as classes de sacrificadores, ó Jajali, procedam pelo caminho trilhado pelas divindades (por causa dos sacrifícios que eles realizam), contudo tal é a diferença entre seus fins derradeiros. Em consequência do sucesso que acompanha os propósitos formados na mente de tais homens, touros, sem serem forçados a isso, colocam de boa vontade seus ombros no arado para ajudar na agricultura, e na canga para puxar seus carros, e vacas emanam leite de úberes não tocados por mãos humanas. Criando estacas sacrificais (e as outras coisas necessárias para Sacrifício) por simples decretos da vontade, eles realizam muitos tipos de Sacrifícios bem completados com presentes abundantes. (O sentido parece ser que eles realizam Sacrifícios mentais, e não sacrifícios reais depois de terem criado por poder-Yoga todos os artigos necessários.) Alguém que é de tal alma purificada pode matar uma vaca (como uma oferenda em Sacrifício. O pecado não tocará tal pessoa, sua alma estando acima da influência das ações). Aqueles, portanto, que não estão nessa condição devem realizar Sacrifícios com ervas e plantas (e não com animais). Já que a Renúncia tem semelhante mérito, é por essa razão que eu a tenho mantido perante meus olhos ao falar contigo. Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que abandonou todo desejo de resultado, que não se esforça em relação a atos mundanos, que nunca curva sua cabeça para alguém, que nunca profere os louvores de outros, e que é dotado de força embora suas ações tenham sido todas enfraquecidas. (Estas são, naturalmente, indicações de completa Renúncia.) Qual, ó Jajali, será o fim daquele que não recita os Vedas para outros, que não realiza Sacrifícios (corretamente), que não faz doações para Brahmanas (dignos), e que segue uma ocupação na qual cede-se a todo tipo de desejo? Por honrar devidamente, no entanto, os deveres que concernem à Renúncia, alguém indubitavelmente alcança Brahma.'” "Jajali disse, 'Nós nunca antes, ó filho de um comerciante, ouvimos a respeito dessas doutrinas profundas de ascetas que realizam somente Sacrifícios mentais. Essas doutrinas são extremamente difíceis de compreender. É por esta razão que eu te pergunto (sobre elas). Os sábios de antigamente não eram seguidores daquelas doutrinas de Yoga. Por isso, os sábios que vieram depois deles não as apresentaram (para aceitação geral). Se tu dizes que somente homens de mentes estúpidas falham em realizar sacrifícios no solo da Alma, então, ó filho de um comerciante, por quais ações eles conseguirão realizar sua felicidade? Diga-me isto, ó tu de grande sabedoria! É grande a minha fé nas tuas palavras.'” "Tuladhara disse, 'Às vezes sacrifícios realizados por algumas pessoas não se tornam sacrifícios (por causa da ausência de fé daqueles que os realizam). Estes homens, isto deve ser dito, não são dignos de realizar qualquer sacrifício (interno ou externo). Com relação ao fiel, no entanto, uma única coisa, isto é, a vaca, é adequada para sustentar todos os sacrifícios por meio de libações abundantes de manteiga clarificada, leite, e coalhos, o pêlo da ponta de seu rabo, seus chifres, e seus cascos. (Com relação àqueles que são pobres, o pó do casco de uma vaca e a água na qual o rabo e os chifres de uma vaca foram lavados são suficientes para capacitá-los a realizar seus sacrifícios.) (Os Vedas declaram que sacrifícios não podem ser realizados por um homem não casado). Ao realizar sacrifícios, no entanto, segundo o modo que eu tenho indicado, (isto é, por se abster da matança de animais e oferecendo somente manteiga clarificada, etc.), alguém pode fazer da Fé sua esposa, por dedicar tais oferendas (inocentes) para as divindades. Por honrar devidamente tais sacrifícios, alguém com certeza alcança Brahma. À exclusão de todos animais (que são certamente impuros como oferendas em sacrifícios), a bola de arroz é uma oferenda digna em sacrifícios. Todos os rios são tão sagrados quanto o Saraswati, e todas as montanhas são sagradas. Ó Jajali, a Alma é ela mesma um Tirtha. (Um tirtha é um local que contém água sagrada. Uma pessoa deve procurar a aquisição de mérito na alma.) Não ande para cá e para lá sobre a terra para visitar lugares sagrados. Uma pessoa, por cumprir estes deveres (dos quais eu tenho falado e que não envolvem danos para outras criaturas), e por procurar a aquisição de mérito de acordo com sua própria habilidade, (isto é, da melhor maneira que pode, se ele pode realizar um sacrifício com manteiga clarificada ele não deve fazê-lo com o pó dos cascos de uma vaca), sem dúvida consegue alcançar regiões abençoadas após a morte.'” "Bhishma continuou, 'Estes são os deveres, ó Yudhishthira, que Tuladhara elogiou, deveres que são consistentes com a razão, e que são sempre cumpridos por aqueles que são bons e sábios.'" 264 "Tuladhara disse, 'Veja com teus próprios olhos, ó Jajali, quem, isto é, aqueles que são bons ou aqueles que não são, têm adotado este caminho de dever do qual eu falei. Tu então entenderás devidamente como a verdade permanece. Veja, muitas aves estão pairando no céu. Entre elas estão aquelas que foram criadas sobre tua cabeça, como também muitos falcões e muitas outras de outras espécies. Veja, ó Brahmana, aquelas aves contraíram suas asas e pernas para entrarem em seus respectivos ninhos. Convoque-as, ó regenerado! Lá aquelas aves, tratadas com afeição por ti, estão mostrando seu amor por ti que és pai delas. Sem dúvida, tu és pai delas, ó Jajali! Chame teus filhos.'” "Bhishma continuou, 'Então aquelas aves, convocadas por Jajali, responderam segundo os ditames daquela religião que não é repleta de injúria para qualquer criatura. Todas as ações que são feitas sem ferir alguma criatura se tornam úteis (para o fazedor) aqui e após a morte. Aquelas ações, no entanto, que envolvem dano para outros, destroem a fé, e a fé sendo destruída, envolvem o destruidor em ruína. Os sacrifícios daqueles que consideram aquisição e não aquisição da mesma maneira, que são dotados de fé, que são autocontrolados, que têm mentes tranquilas, e que realizam sacrifícios por um senso de dever (e não por desejo de resultado), se tornam produtivos de fruto. Fé com respeito a Brahma é a filha de Surya, ó regenerado. Ela é a protetora e ela é a concessora de bom nascimento. Fé é superior ao mérito nascido de recitações (Védicas) e meditação. Uma ação contaminada por defeito da fala (pronúncia incorreta de mantras), é salva pela Fé. Uma ação contaminada por defeito da mente (desatenção, pressa, etc.), é salva pela Fé. Mas nem a fala nem a mente podem salvar uma ação que é contaminada pela falta de Fé. Homens conhecedores das ocorrências do passado recitam sobre isso o seguinte verso cantado por Brahman. ‘As oferendas em sacrifícios de uma pessoa que é pura (em corpo e ações) mas desprovida de Fé, e de outra que é impura (em relação à sua dignidade de aceitação); o alimento, também, de uma pessoa conhecedora dos Vedas mas avarenta em comportamento, e aquela de um usurário de conduta generosa, as divindades, depois de consideração cuidadosa, consideraram como sendo iguais (em relação à sua dignidade de aceitação). O Senhor Supremo de todas as criaturas (Brahman) então disse a elas que elas tinham cometido um erro. O alimento de uma pessoa generosa é santificada pela Fé. O alimento, no entanto, da pessoa que é desprovida de Fé é perdido por tal falta de Fé. A comida de um usurário generoso é aceitável, mas não a comida de um avarento. Somente uma pessoa no mundo, isto é, aquela que é desprovida de Fé, é inadequada para fazer oferendas para as divindades. Somente a comida de tal homem é imprópria para ser comida. Esta é a opinião de homens conhecedores dos deveres. Falta de Fé é um grande pecado. A Fé é um purificador de pecados. Como uma cobra rejeitando sua pele, o homem de Fé consegue rejeitar todos os seus pecados. A religião de abstenção com Fé é superior a todas as coisas consideradas sagradas. Se abstendo de todos os defeitos de comportamento, aquele que se dirige à Fé se torna santificado. Que necessidade tal pessoa tem de penitências, ou de conduta, ou de resistência? Todo homem tem Fé. A Fé, no entanto, é de três tipos, isto é, como afetada por Sattwa, por Rajas e por Tamas, e de acordo com o tipo de Fé que alguém tem, alguém é chamado. Pessoas dotadas de bondade e possuidoras de compreensão clara do verdadeiro significado de moralidade declararam dessa maneira o assunto dos deveres. Nós, como o resultado de nossas indagações, aprendemos tudo isso do sábio Dharmadarsana. Ó tu de grande sabedoria, dirija- te à Fé, pois então tu obterás aquilo que é superior. Aquele que tem Fé (nas declarações dos Srutis), e que age de acordo com seu significado (na crença de que eles são bons para ele), é certamente de alma virtuosa. Ó Jajali, aquele que adere ao seu próprio caminho é sem dúvida uma pessoa superior.'” "Bhishma continuou, 'Pouco tempo depois, Tuladhara e Jajali, ambos os quais tinham sido dotados de grande sabedoria, ascenderam para o céu e se divertiram lá em grande felicidade (não na felicidade comum do céu mas na pujança de Yoga), tendo alcançado seus respectivos lugares ganhos por suas respectivas ações. Muitas verdades deste tipo foram faladas por Tuladhara. Aquela pessoa eminente compreendia completamente esta religião (da abstenção de ferir). Esses deveres eternos foram proclamados adequadamente por ele. O regenerado Jajali, ó filho de Kunti, tendo ouvido estas palavras de energia célebre, se dirigiu à tranquilidade. Dessa maneira, muitas verdades de grave importância foram proferidas por Tuladhara, ilustradas por exemplos para instrução. Que outras verdades tu desejas ouvir?'" 265 "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada uma antiga narrativa do que foi recitado pelo rei Vichakhy por compaixão por todas as criaturas. Vendo o corpo mutilado de um touro, e ouvindo os gemidos extremamente dolorosos das vacas em um sacrifício no qual vacas eram mortas, e observando os Brahmanas cruéis que se reuniram lá para ajudar nas cerimônias, aquele rei proferiu estas palavras, 'Prosperidade para todas as vacas do mundo!' Quando a matança tinha começado, estas palavras expressivas de uma bênção (para aqueles animais desamparados) foram pronunciadas. E o monarca em seguida disse, 'Somente aqueles que são transgressores de limites definidos, que são desprovidos de inteligência, ateus e céticos, e que desejam a aquisição de celebridade através de sacrifícios e ritos religiosos falam favoravelmente da matança de animais em sacrifícios. Manu de grande alma tem elogiado (a observância de) inofensividade em todas as ações (religiosas). De fato, homens matam animais em sacrifícios, incitados somente pelo desejo de resultado. Então, guiado por autoridade (em relação à matança e abstenção de matança ou inofensividade) alguém que conhece (as escrituras) deve praticar a verdadeira direção de dever, a qual é extremamente sutil. Inofensividade em direção a todas as criaturas é o maior de todos os deveres. Vivendo na vizinhança de um lugar habitado e ferindo a si mesmo pela observância de votos rígidos, e desconsiderando os frutos indicados de atos Védicos, alguém deve desistir da vida familiar, adotando uma vida de Renúncia. Somente aqueles que são vis são incitados pelo desejo de fruto. Mencionando com reverência sacrifícios e árvores e estacas sacrificais, homens não comem carne corrompida. Esta prática, no entanto, não é digna de louvor. (O significado é este: homens comuns se abstêm de carne corrompida, considerando toda carne que é obtida de animais que não são mortos em sacrifícios e no decorrer de atos religiosos como corrompida. O orador no entanto, considera que esta prática não é digna de aprovação, pois toda carne é corrompida, incluindo aquela de animais mortos em sacrifícios.) Vinho, peixe, mel, carne, álcool, e preparações de arroz e sementes de gergelim, foram introduzidos por patifes. O uso destes (em sacrifícios) não está prescrito nos Vedas. O desejo ardente por eles surge de orgulho, erro de julgamento, e cobiça. Aqueles que são verdadeiros Brahmanas percebem a presença de Vishnu em todo sacrifício. Seu culto, isto foi declarado, deve ser feito com Payasa adequado. (As folhas e flores de) tais árvores como tem sido indicado nos Vedas, qualquer ação que seja considerada como digna e tudo o que é considerado puro pelas pessoas de corações puros e naturezas purificadas, e por aqueles eminentes por conhecimento e santidade, são todos dignos de serem oferecidos à Divindade Suprema e não indignos de Sua aceitação.'” "Yudhishthira disse, 'O corpo e todos tipos de perigos e calamidades estão constantemente em guerra uns com os outros. Como, portanto, uma pessoa que está totalmente livre do desejo de fazer mal e que por causa disso não está apta para agir, conseguirá sustentar seu corpo?'” (O sentido é este: perigos estão sempre procurando destruir o corpo. O corpo está sempre procurando destruir aqueles destruidores. Essa guerra ou empenho perpétuo implica o desejo de ferir. Como então, pergunta Yudhishthira, é possível para algum homem levar uma vida perfeitamente inofensiva, dano estando implicado no próprio fato da existência continuada?) "Bhishma disse, 'Alguém deve, quando capaz, adquirir mérito e agir de tal maneira que seu corpo não possa enlanguescer e sofrer dor, e que a morte não possa vir.'" (O sentido, naturalmente, é que alguém deve adquirir mérito religioso sem arruinar seu corpo; alguém não deve fazer seu corpo ser destruído para ganhar mérito.) "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, és nosso maior preceptor na questão de todas as ações que são de realização difícil (pelas ordens de superiores de um lado e da crueldade que é envolvida nelas no outro). Eu pergunto, como alguém deve julgar uma ação em relação à obrigação de fazê-la ou de se abster dela? Isto é para ser decidido rapidamente ou com demora?'” "Bhishma disse, 'Sobre isso é citada a velha história do que ocorreu com relação a Chirakarin nascido na linhagem de Angirasa. Duas vezes abençoado é o homem que reflete muito antes de agir. Alguém que reflete muito antes de agir certamente é possuidor de grande inteligência. Tal homem nunca peca em relação a qualquer ato. Havia uma vez um homem de grande sabedoria, de nome Chirakarin, que era o filho de Gautama. Refletindo por um longo tempo sobre toda consideração ligada com ações propostas, ele costumava fazer tudo o ele tinha que fazer. Ele veio a ser chamado pelo nome de Chirakarin porque ele costumava refletir muito tempo sobre todas as questões, permanecer desperto por muito tempo, dormir por um longo tempo, e levar muito tempo para se pôr a realizar os atos que ele realizava. O clamor de ser um homem preguiçoso aderiu a ele. Ele era também considerado como uma pessoa tola, por todas as pessoas de uma compreensão leviana e desprovidas de previdência. Em certa ocasião, testemunhando uma ação de grande falha em sua esposa, o pai Gautama, ignorando os outros filhos, ordenou em cólera este Chirakarin, dizendo, 'Mate essa mulher.' Tendo dito estas palavras sem muita reflexão, o erudito Gautama, aquela principal das pessoas dedicadas à prática de Yoga, aquele asceta altamente abençoado, foi para as florestas. Tendo depois de um longo tempo concordado com isto, dizendo, 'Assim seja', Chirakarin, por sua própria natureza, e devido ao seu hábito de nunca realizar qualquer ação sem refletir bastante, começou a pensar por um longo tempo (sobre a retidão ou não do que ele tinha sido mandado fazer por seu pai). ‘Como eu obedecerei a ordem de meu pai e ainda como evitar matar minha mãe? Como eu evitarei afundar, como uma pessoa má, em pecado nessa situação na qual obrigações contraditórias estão me arrastando em direções opostas? Obediência às ordens do pai constitui o maior mérito. A proteção da mãe também é um dever evidente. A posição de um filho é repleta de dependência. Como eu evitarei ser afligido pelo pecado? Quem é que pode ser feliz depois de ter matado uma mulher, especialmente sua mãe? Quem também pode obter prosperidade e fama por desrespeitar seu próprio pai? Respeito pelas ordens do pai é obrigatório. A proteção de minha mãe igualmente é um dever. Como eu irei moldar minha conduta para que ambas as obrigações possam ser cumpridas? O pai coloca a si mesmo dentro do útero da mãe e toma nascimento como o filho, para continuar suas práticas, conduta, nome e linhagem. Eu fui gerado como um filho por ambos, minha mãe e meu pai. Conhecendo como eu conheço minha própria origem, por que eu não devo ter este conhecimento (de meu relacionamento com ambos)? As palavras proferidas pelo pai enquanto realizando o rito inicial depois do nascimento, e aquelas que foram proferidas por ele na ocasião do rito secundário (depois do retorno da residência do preceptor) são (evidência) suficiente para determinar a reverência devida a ele e, de fato, confirmam a reverência realmente prestada a ele. (Na ocasião do Jata-karma o pai diz 'Seja tu tão firme quanto diamante', 'Seja tu um machado (para todos os meus inimigos).' O rito upakarma ou secundário é realizado na ocasião de samavartana ou retorno da residência do preceptor. Ele é chamado de secundário porque ele não se encontra entre os ritos prescritos nos Griha Sutras. As palavras proferidas naquela ocasião são, 'Tu és meu próprio ser, ó filho.') Por ele criar o filho e instruí- lo, o pai é o principal dos superiores do filho, e a maior religião. Os próprios Vedas declaram como certo que o filho deve considerar o que o pai diz como seu maior dever. Para o pai o filho é somente uma fonte de alegria. Para o filho, no entanto, o pai é tudo em tudo. O corpo e tudo mais que o filho possui tem somente o pai como seu doador. Então, as ordens do pai devem ser obedecidas sem o menor questionamento. Os próprios pecados de alguém que obedece seu pai são purificados (por tal obediência). O pai é o dador de todos os artigos de alimento, de instruções nos Vedas, e de todo outro conhecimento com relação ao mundo. (Antes do nascimento do filho,) o pai é o realizador de tais ritos como Garbhadhana, (cerimonial ligado ao alcance da puberdade pela esposa), e Simantonnayana, (realizado pelo marido no quarto, sexto, e oitavo mês de gestação, o principal rito sendo a colocação de uma marca mínima sobre a cabeça da esposa, na linha de divisão dos cabelos dela). O pai é a religião. O pai é o céu. O pai é a maior penitência. O pai estando satisfeito, todas as divindades são satisfeitas. Quaisquer palavras que sejam pronunciadas pelo pai se tornam bênçãos que recaem sobre o filho. As palavras expressivas de alegria que o pai profere purificam o filho de todos os seus pecados. A flor é vista abandonar o caule. A fruta é vista abandonar a árvore. Mas o pai, quaisquer que sejam suas aflições, movido por afeto paterno, nunca abandona o filho. Essas então são minhas reflexões sobre a reverência devida do filho ao pai. Para o filho o pai não é um objeto comum. Eu agora pensarei (no que é devido) para a mãe. Desta união dos cinco elementos (primordiais) em mim devido ao meu nascimento como um ser humano, a mãe é a (principal) causa como o bastão de fogo. (Na Índia em toda casa dois bastões eram mantidos para produzir fogo por fricção. Estes foram substituídos pela pederneira e um pedaço de aço, e em seguida pelos palitos de fósforo.) A mãe é como o bastão de fogo com respeito aos corpos de todos os homens. Ela é a panacéia para todos os tipos de calamidades. A existência da mãe cobre alguém com proteção; o contrário priva alguém de toda proteção. O homem que, embora desprovido de prosperidade, entra em sua casa, proferindo as palavras, 'Ó mãe!' não tem que se entregar à aflição. Nem a decrepitude alguma vez o ataca. Um homem cuja mãe existe, mesmo se acontecer de ele possuir filhos e netos e mesmo que ele tenha cem anos, parece com uma criança de apenas dois anos de idade. Capaz ou incapaz, magro ou robusto, o filho é sempre protegido pela mãe. Ninguém mais, segundo a ordenança, é o protetor do filho. Então o filho se torna velho, então ele é tomado pela dor, então o mundo parece vazio aos seus olhos, quando ele fica privado de sua mãe. Não há abrigo (proteção contra o sol) como a mãe. Não há refúgio como a mãe. Não há defesa como a mãe. Não há ninguém tão querido quanto a mãe. Por ter carregado ele em seu útero a mãe é a Dhatri do filho. Por ter sido a principal causa de seu nascimento, ela é sua Janani. Por ter alimentado seus membros jovens para o crescimento, ela é chamada de Amva. Por gerar um filho possuidor de coragem ela é chamada de Virasu. Por cuidar e proteger o filho ela é chamada de Sura. A mãe é o próprio corpo de alguém. Qual homem racional mataria sua mãe, devido a cujo cuidado somente é que sua própria cabeça não se encontra ao lado da rua como uma cabaça seca? Quando marido e mulher se unem para a procriação, o desejo sentido com respeito ao filho (por nascer) é nutrido por ambos, mas em relação à sua realização mais depende da mãe do que do pai. A mãe conhece a família na qual o filho é nascido e o pai que o gerou. Desde o momento da concepção a mãe começa a demonstrar afeição por seu filho e a deleitar-se com ele. (Por esta razão, o filho deve se comportar igualmente para com ela.) Por outro lado, as escrituras declaram que a prole pertence somente ao pai. Se homens, depois de aceitarem as mãos de esposas em casamento e, se empenhando para ganhar mérito religioso sem estarem separados delas, procuram se unir com esposas de outros homens, eles então cessam de serem dignos de respeito. (A mãe tem conhecimento correto de quem é pai. As ordens do pai, portanto, podem ser colocadas de lado pelo motivo da suspeita que se vincula à sua própria posição como pai. Então, além disso, se o pai for adúltero, ele não deve ser respeitado por conta de sua pecaminosidade. Chirakarin pergunta, 'Como eu posso saber que Gautama é meu pai? Como também eu saberei que ele não é pecaminoso?') O marido, porque ele sustenta a esposa, é chamado de Bhartri, e, porque ele a protege, ele é por causa disso chamado de Pati. Quando estas duas funções desaparecem dele, ele cessa de ser ambos, Bhartri e Pati. (Quando Gautama parou de proteger sua esposa ele também deixou de ser marido dela, sua ordem, portanto, de matá-la, não poderia ser obedecida.) Então também a mulher não pode cometer algum erro. É somente o homem que comete erros. Por cometer uma ação de adultério, somente o homem fica manchado pela culpa. É dito que o marido é o maior objeto em relação à esposa e a maior divindade para ela. Minha mãe entregou sua pessoa sagrada para alguém que veio para ela na forma e aparência de seu marido. Mulheres não podem cometer algum erro. É o homem que fica maculado pelo erro. De fato, pela fraqueza natural do sexo como revelada em toda ação, e sua sujeição à importunação, as mulheres não podem ser consideradas como ofensoras. Então também a pecaminosidade (nesse caso) é manifesta do próprio Indra que (por agir da maneira que ele agiu) fez a recordação do pedido que tinha sido feito a ele nos tempos passados por uma mulher, (quando uma terceira parte do pecado de Brahmanicídio do qual o próprio Indra era culpado foi lançado sobre o sexo dela). Não há dúvida que minha mãe é inocente. Ela, a quem eu fui mandado matar, é uma mulher. Aquela mulher é também minha mãe. Ela ocupa, portanto, um lugar de maior reverência. Os próprios animais que são irracionais sabem que a mãe não deve ser morta. O pai deve ser conhecido como sendo uma combinação de todas as divindades juntas. À mãe, no entanto, se atribui uma combinação de todas criaturas mortais e de todas as divindades.’ (O sentido é este: o pai é todas as divindades juntas, pois por reverenciar o pai, todas as divindades são satisfeitas. A mãe, no entanto, é todas as criaturas mortais e imortais juntas, pois por gratificá-la alguém com certeza obtém sucesso aqui e após a morte.) Por seu hábito de refletir muito antes de agir, o filho de Gautama, Chirakarin, por se entregar a essas reflexões, passou um longo tempo (sem fazer a ação que ele tinha sido mandado fazer por seu pai). Quando muitos dias tinham se passado, seu pai Gautama retornou. Dotado de grande sabedoria, Medhatithi da linhagem de Gautama, dedicado à prática de penitências, voltou (para seu retiro), convencido, depois de ter refletido por aquele longo tempo, da impropriedade do castigo que ele tinha mandado ser infligido sobre sua esposa. Queimando de angústia e derramando lágrimas copiosas, pelo arrependimento que tinha vindo a ele em consequência dos efeitos benéficos daquela tranquilidade de temperamento que é ocasionada por um conhecimento das escrituras, ele proferiu estas palavras, 'O senhor dos três mundos, Purandara, veio ao meu retiro, na aparência de um Brahmana pedindo por hospitalidade. Ele foi recebido por mim com palavras (apropriadas), e honrado com um acolhimento (apropriado), e presenteado na forma devida com água para lavar seus pés e as oferendas usuais de Arghya. Eu também concedi a ele o repouso que ele tinha pedido. Eu em seguida disse a ele que eu tinha obtido um protetor nele. Eu pensei que tal conduta de minha parte iria induzi-lo a se comportar em direção a mim como um amigo. Quando, no entanto, apesar de tudo isso, ele se comportou mal, minha esposa Ahalya não poderia ser considerada como tendo cometido algum erro. Parece que nem minha esposa, nem eu mesmo, nem o próprio Indra que, enquanto passando pelo céu tinha visto minha esposa (e ficado privado de sua razão por sua extraordinária beleza), poderíamos ser considerados como tendo pecado. A culpa realmente se atribui ao descuido do meu poder-Yoga. (Gautama culpa seu próprio descuido em não ter se prevenido, por poder-Yoga, contra a comissão da ofensa.) Os sábios dizem que todas as calamidades provêm da inveja, que, por sua vez, provém do erro de julgamento. Por aquela inveja, também, eu fui arrastado de onde eu estava e fui mergulhado em um oceano de pecado (na forma de assassinato de esposa). Ai, eu matei uma mulher, uma mulher que também é minha esposa, alguém que, por ela compartilhar as calamidades de seu marido veio a ser chamada pelo nome de Vasita, alguém que foi chamada de Bharya devido à obrigação sob a qual eu estava de sustentá-la. Quem é que pode me resgatar deste pecado? Agindo negligentemente eu mandei Chirakarin de grande alma (matar aquela minha esposa). Se na presente ocasião ele confirmar seu nome então ele pode me salvar dessa culpa. Duas vezes abençoado sejas tu, ó Chirakaraka! Se nessa ocasião tu adiaste a realização do trabalho, então tu és realmente digno de teu nome. Salve a mim, e tua mãe, e as penitências que eu tenho realizado, como também a ti mesmo, de graves pecados. Seja realmente um Chirakaraka hoje! Geralmente, por tua grande sabedoria tu tomas um longo tempo para reflexão antes de realizar qualquer ação. Que tua conduta não seja outra hoje! Seja um verdadeiro Chirakaraka hoje. Tua mãe esperou tua chegada por muito tempo. Por muito tempo ela te carregou em seu útero. Ó Chirakaraka, que teu hábito de refletir muito antes de agir seja produtivo de resultados benéficos hoje. Talvez, meu filho Chirakaraka esteja demorando hoje (para concluir minha ordem) em vista da tristeza que me causaria (vê-lo executar aquela ordem). Talvez, ele esteja se preocupando muito com aquela ordem, levando-a em seu coração (sem qualquer intenção de realizá-la prontamente). Talvez, ele esteja adiando, por causa da angústia que isto causaria a ele e a mim, refletindo sobre as circunstâncias do caso.' Entregando-se a tal arrependimento, ó rei, o grande Rishi Gautama então viu seu filho Chirakarin sentado perto dele. Vendo seu pai voltar para sua residência, o filho Chirakarin, oprimido pela angústia, jogou fora a arma (que ele tinha pegado) e curvando sua cabeça começou a acalmar Gautama. Observando seu filho prostrado diante dele com cabeça inclinada, e vendo também sua esposa quase petrificada por vergonha, o Rishi se encheu de grande alegria. Desde aquele tempo o Rishi de grande alma, residindo naquele eremitério solitário, não viveu separadamente de sua cônjuge ou de seu filho cuidadoso. Tendo proferido a ordem que sua esposa deveria ser morta ele tinha ido embora de seu retiro para realizar algum propósito próprio. Desde aquele tempo seu filho tinha permanecido em uma postura humilde, arma na mão, para executar aquela ordem sobre sua mãe. Vendo seu filho prostrado aos seus pés, o pai pensou que, tomado pelo medo, ele estava pedindo perdão pelo delito que ele tinha cometido ao pegar uma arma (para matar sua própria mãe). O pai elogiou seu filho por um longo tempo, e cheirou sua cabeça por um longo tempo, e por muito tempo o segurou em um abraço apertado, e o abençoou, proferindo as palavras, 'Tenha uma vida longa!' Então, cheio de alegria e contente com o que tinha ocorrido, Gautama, ó tu de grande sabedoria, se dirigiu a seu filho e disse estas palavras, 'Abençoado sejas tu, ó Chirakaraka! Sempre reflita muito antes de agir. Pela tua demora em realizar minha ordem tu hoje me fizeste feliz para sempre!' Aquele erudito e melhor dos Rishis então proferiu estes versos sobre o assunto dos méritos de tais homens calmos que refletem por muito tempo antes de colocarem suas mãos para alguma ação. Se a questão é a morte de um amigo, ele deve realizar isto depois um longo tempo. Se é o abandono de um projeto já começado, ele deve abandoná-lo depois de um longo tempo. Uma amizade que é formada depois de um longo exame dura por muito tempo. Em dar vazão à ira, à arrogância, ao orgulho, a disputas, a atos pecaminosos, e para realizar tarefas desagradáveis demorar muito tempo merece louvor. Quando o delito não é claramente provado contra um parente, um amigo, um empregado, ou uma esposa, aquele que reflete muito antes de infligir o castigo é elogiado.' Assim, ó Bharata, Gautama ficou satisfeito com seu filho, ó tu da linhagem de Kuru, por aquela ação de adiamento da parte do último em cumprir a ordem do primeiro. Em todas as ações um homem deve, dessa maneira, refletir por um longo tempo e então decidir o que ele deve fazer. Por se comportar dessa maneira alguém com certeza evita aflição por um longo tempo. Aquele homem que nunca nutre sua raiva por muito tempo, que reflete por muito tempo antes de se determinar à realização de alguma ação, nunca faz qualquer ação que traga arrependimento. Alguém deve servir por um longo tempo aqueles que são idosos, e sentando perto deles lhes mostrar reverência. Ele deve desempenhar seus deveres por um longo tempo e ficar empenhado por um longo tempo em averiguá- los. Servindo por muito tempo aqueles que são eruditos, e servindo com reverência por muito tempo aqueles que são bons em comportamento, e mantendo sua própria alma por muito tempo sob controle apropriado, alguém consegue desfrutar do respeito do mundo por um longo tempo. Alguém dedicado a instruir outros sobre o assunto de religião e dever, quando questionado por outros por informações sobre estes assuntos, deve tomar um longo tempo para refletir antes de dar uma resposta. Ele pode então evitar se entregar ao arrependimento (por dar uma resposta incorreta cujas consequências práticas possam levar ao pecado). Com relação a Gautama de penitências austeras, aquele Rishi, tendo adorado as divindades por um longo tempo naquele seu retiro, finalmente ascendeu ao céu com seu filho.'" 267 "Yudhishthira disse, 'Como, de fato, o rei deve proteger seus súditos sem prejudicar alguém? Eu te pergunto isto, ó avô, diga-me, ó principal dos homens bons!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Dyumatsena e o rei Satyavat. Nós soubemos que após certo número de indivíduos terem sido levados para execução por ordem de seu pai (Dyumatsena), o príncipe Satyavat disse certas palavras que nunca antes tinham sido ditas por alguém mais. ‘Às vezes a justiça assume a forma de injustiça, e a injustiça assume a forma de justiça. Nunca pode ser possível que o assassinato de indivíduos possa ser uma ação correta.'” (Isto é, o príncipe Satyavat disse que as pessoas levadas para execução não deviam ser executadas. O poder dos reis não se estende sobre as vidas de seus súditos. Em outras palavras o príncipe argumentou contra a retidão de infligir punição máxima até sobre graves ofensores.) "Dyumatsena disse, 'Se poupar aqueles que merecem ser mortos for justiça, se ladrões forem poupados, ó Satyavat, então as distinções (entre virtude e vício) desaparecerão. 'Isto é meu', 'Este (outro) não é dele', ideias como essas (a respeito de propriedade, se os maus não fossem punidos) não prevaleceriam na era Kali. (Se os maus não fossem punidos) os assuntos do mundo chegariam a um beco sem saída. Se tu sabes como o mundo pode seguir em frente (sem punir os maus), então fale para mim sobre isso.'” "Satyavat disse, 'As três outras classes (isto é, Kshatriyas, Vaisyas, e Sudras) devem ser colocadas sob o controle dos Brahmanas. Se aquelas três classes forem mantidas dentro dos limites da retidão, então as classes secundárias (que surgiram de mistura) os imitarão em suas práticas. Aqueles entre eles que transgredirem (as ordens dos Brahmanas) devem ser apresentados ao rei. 'Este não atende minhas ordens,' após tal queixa ser proferida por um Brahmana, o rei infligirá castigo sobre o ofensor. Sem destruir o corpo do ofensor o rei deve fazer para ele aquilo que é indicado pelas escrituras. O rei não deve agir de outra maneira, deixando de refletir devidamente sobre o caráter da ofensa e sobre a ciência de moralidade. Por matar os pecaminosos, o rei (praticamente) mata um grande número de indivíduos que são inocentes. Veja, por matar um único ladrão, a esposa dele, mãe, pai e filhos são todos mortos (porque eles ficam privados dos meios de vida). Quando ofendido por uma pessoa má, o rei deve, portanto, refletir profundamente sobre a questão do castigo. Às vezes um homem pecaminoso é visto absorver bom comportamento de uma pessoa virtuosa. Então também de pessoas que são pecaminosas, bons filhos podem ser vistos nascerem. Os pecaminosos, portanto, não devem ser arrancados pelas raízes. O extermínio dos maus não é consistente com a prática eterna. Por atingi-los moderadamente eles podem ser feitos expiarem seus delitos. Por privá-los de todas as suas riquezas, por correntes e prisão em calabouços, por desfigurá-los (eles podem ser feitos expiarem sua culpa). Seus parentes não devem ser perseguidos pela imposição de sentenças capitais sobre eles. Se na presença do Purohita e outros, eles se entregam a ele por desejo de proteção e juram, dizendo, 'Ó Brahmana, nós nunca mais cometeremos qualquer ação pecaminosa,' eles então merecem ser perdoados sem qualquer punição. Esta é a ordem do próprio Criador. Até o Brahmana que usa uma camurça e o bastão de (mendicância) e que tem sua cabeça raspada, deve ser punido (quando ele transgride). (Isto é, o próprio Sannyasin, quando ele peca, merece ser castigado.) Se grandes homens transgridem, seu castigo deve ser proporcional à sua grandeza. Com relação àqueles que pecam repetidamente, eles não merecem ser dispensados sem castigo como na ocasião de sua primeira ofensa.'” "Dyumatsena disse, 'Enquanto aquelas barreiras dentro das quais os homens devem ser mantidos não forem ultrapassadas elas devem ser designadas pelo nome de Justiça. Se aqueles que ultrapassam aquelas barreiras não forem punidos com a morte, aquelas barreiras logo serão destruídas. Homens de tempos remotos e ainda mais remotos podiam ser governados com facilidade. (As punições não eram necessárias, ou as muito leves já eram suficientes). Eles eram muito verdadeiros (em palavras e comportamento). Eles eram pouco dispostos a disputas e brigas. Eles raramente se entregavam à raiva, ou, se eles o fizessem, sua ira nunca se tornavam incontrolável. Naqueles tempos o mero grito de vergonha, para os ofensores era castigo suficiente. Depois disso veio o castigo representado por palavras duras ou críticas. Então se seguiu o castigo de multas e confiscos. Nesta era, no entanto, o castigo de morte tornou-se generalizado. A medida de maldade aumentou a tal ponto que por matar um os outros não podem ser refreados; (então extermínio é a punição que se tornou desejável). O ladrão não tem ligação com homens, com as divindades, com os Gandharvas, e com os Pitris. O que ele é para quem? Ele não é alguém para qualquer (pessoa, então por matá-lo nenhum dano é feito para alguém neste ou no outro mundo). Esta é a declaração dos Srutis. O ladrão rouba os ornamentos de cadáveres de cemitérios e usa roupas de homens afligidos por espíritos (e, portanto, privados de razão). É um tolo o homem que faz algum acordo com aqueles patifes miseráveis ou exige algum juramento deles (por confiar nisto).’” "Satyavat disse, 'Se tu não consegues fazer homens honestos daqueles malandros e nem salvá-los por meios não relacionados com matança, então extermine-os por realizar algum sacrifício. (O príncipe fala de exterminar os elementos nocivos por matá-los como animais em um sacrifício por causa da declaração nos Srutis que aqueles mortos em sacrifícios ascendem para o céu, purgados de todos os seus pecados. Tais atos, portanto, parecem ser mais misericordiosos para o príncipe, comparados à morte por enforcamento ou no cadafalso (de guilhotina).) Reis praticam austeridades severas para permitir que seus súditos continuem prosperamente em suas ocupações. Quando ladrões e assaltantes se multiplicam em seus reinos eles ficam envergonhados. Eles, portanto, se dirigem para penitências para suprimir roubos e assaltos e para fazer seus súditos viverem felizmente. Os súditos podem ser feitos honestos somente por serem amedrontados (pelo rei). Bons reis nunca matam os pecaminosos por motivos de desforra. (Por outro lado, se eles matam, eles matam em sacrifícios, quando o motivo é fazer o bem para o morto.) Bons reis conseguem abundantemente governar seus súditos devidamente com a ajuda de boa conduta (em vez de imposições cruéis ou punitivas). Se o rei age apropriadamente, os súditos superiores o imitam. As pessoas inferiores, por sua vez, imitam seus superiores imediatos. Os homens são constituídos de maneira que eles imitam aqueles a quem eles consideram como seus superiores. Aquele rei que, sem reprimir a si mesmo, procura reprimir outros (de maus caminhos) se torna um objeto de riso para todos os homens por ele ser dedicado ao desfrute de todos os prazeres mundanos como um escravo de seus sentidos. Aquele homem que, por arrogância ou erro de julgamento, peca contra o rei de alguma maneira, deve ser reprimido por todos os meios. É por este caminho que ele é impedido de cometer delitos de novo. O rei deve primeiro controlar a si mesmo se ele deseja controlar outros que pecam. Ele deve punir severamente (se necessário) até amigos e parentes próximos. Naquele reino onde um delinquente vil não encontra com aflições severas, os delitos aumentam e a virtude diminui sem dúvida. Antigamente, um Brahmana, dotado de clemência e possuidor de conhecimento, me ensinou isso. Em verdade, neste sentido, ó majestade, eu fui instruído também por nosso avô nos tempos passados, que deu tais garantias de inofensividade para o povo, movido por compaixão. Suas palavras foram, 'Na era Krita, reis devem governar seus súditos por adotarem modos que sejam totalmente inofensivos. Na era Treta, reis se comportam de acordo com modos que correspondam com a virtude decaída uma quarta parte de sua quantidade total. Na era Dwapara, eles procedem segundo caminhos conformes com a virtude decaída à metade, e na era que se segue, segundo caminhos conformes com a virtude decaída três quartos. Quando a era Kali começa, pela maldade dos reis e pela natureza da própria época, quinze partes mesmo daquela quarta parte de virtude desaparecem, uma décima sexta parte dela é então tudo o que resta dela. Se, ó Satyavat, por adotar o método mencionado primeiro (isto é, a prática da inofensividade), a confusão começa, o rei, considerando o período de vida humana, a força dos seres humanos, e a natureza da época que chegou, deve conceder punições. (O período de vida humana diminui proporcionalmente em cada era sucessiva, como também a força dos seres humanos. Em conceder punições, o rei deve ser guiado por essas considerações.) De fato, Manu, o filho do Auto-nascido, por compaixão pelos seres humanos, indicou o caminho por meio do qual os homens podem aderir ao conhecimento (em vez de maldade) por causa da emancipação.'" 268 "Yudhishthira disse, 'Tu já me explicaste, ó avô, como a religião de Yoga, que leva aos seis atributos bem conhecidos, pode ser adotada e praticada sem ferir qualquer criatura. Fale-me, ó avô, daquela religião que leva a ambos os resultados, isto é, Prazer e Emancipação. Entre esses dois, isto é, os deveres da vida familiar ou aqueles de Yoga, ambos os quais levam ao mesmo fim, qual é superior?'” "Bhishma disse, 'Ambos os rumos de dever são altamente abençoados. Ambos são de realização extremamente difícil. Ambos são produtivos de resultados superiores. Ambos são praticados por aqueles que são reconhecidamente bons. Eu agora te falarei sobre a autoridade dessas duas direções de dever, para dissipar tuas dúvidas acerca de sua verdadeira importância. Ouça-me com atenção concentrada. Sobre isso é citada como exemplo a antiga narrativa da conversa entre Kapila e a vaca. Ouça-a, ó Yudhishthira! É sabido por nós que nos tempos antigos quando a divindade Tvashtri chegou à residência do rei Nahusha, o último, para cumprir os deveres de hospitalidade, estava prestes a matar uma vaca de acordo com a injunção verdadeira, antiga, e eterna dos Vedas. Vendo aquela vaca amarrada para ser morta, Kapila de alma generosa, sempre cumpridor dos deveres de Sattwa, sempre empenhado em controlar seus sentidos, possuidor de conhecimento verdadeiro, e moderado em dieta, tendo obtido uma compreensão excelente que era caracterizada pela fé, perfeitamente destemido, benéfico, firme, e sempre dirigido para a verdade, proferiu estas palavras uma vez, isto é, 'Ai os Vedas!' Naquela hora um Rishi, de nome Syumarasmi, entrando (por poder Yoga) na forma daquela vaca, se dirigiu ao Yati Kapila, dizendo, 'Silêncio, ó Kapila! Se os Vedas são meritórios (por aquelas declarações neles que sancionam a matança de criaturas vivas), por que motivo aqueles outros deveres (repletos de total inofensividade por todas as criaturas) vêm a ser considerados como autoritários? (Atos e conhecimento são indicados nos Vedas. Os Vedas, portanto, sendo autoridade com relação a ambos, um ou o outro não pode ser criticado ou elogiado.) Homens dedicados a penitências e dotados de inteligência, e que têm os Srutis e o conhecimento como seus olhos, consideram as injunções dos Vedas, que são declaradas e compiladas por Rishis, como sendo as palavras do próprio Deus. O que alguém pode dizer (como censura ou louvor) com respeito ao conteúdo dos Vedas, quando acontece de estas serem as palavras do próprio Ser Supremo que é livre do desejo de resultado, que é sem a febre (de inveja e aversão), que é afeito à nada, e que é desprovido de todo esforço (por causa da realização imediata de todos os seus desejos)?'” "Kapila disse, 'Eu não critico os Vedas. Eu não desejo dizer algo em depreciação a eles. É sabido por nós que as diferentes direções de dever prescritas para os diferentes modos de vida, todos levam ao mesmo fim. O Sannyasin alcança um fim sublime. O recluso na floresta também alcança um fim sublime. Os outros dois também, isto é, o chefe de família e o Brahmacharin, alcançam o mesmo fim. Todos os quatro modos de vida sempre foram considerados como caminhos Deva-yana, (isto é, aqueles pelos quais a Alma é alcançada). A relativa força ou fraqueza destes, como representada por sua relativa superioridade ou inferioridade, foram declaradas no caráter de seus respectivos fins. (O Sannyasin alcança Moksha ou Emancipação, o recluso na floresta a região de Brahma, o chefe de família alcança o céu (região das divindades presidida por Indra), e o Brahmacharin alcança a região dos Rishis.) Conhecendo estes, realize ações que levam para o céu e outras bênçãos, esta é uma declaração Védica. Não realize ações, esta também é outra declaração obrigatória dos Vedas. Se abstenção de ações é meritória, então sua realização deve ser extremamente repreensível. Quando as escrituras colocam dessa maneira, a força ou fraqueza de declarações específicas devem ser muito difíceis de serem averiguadas. Se tu conheces algum rumo de dever que seja superior à religião de inofensividade, e que dependa de evidência direta em vez de aquela das escrituras, então fale para mim sobre isso.'” "Syumarasmi disse, 'Alguém deve realizar sacrifício pelo desejo de céu, este Sruti é constantemente ouvido por nós. Pensando primeiro no resultado (que é para ser alcançado), ele faz os preparativos para o sacrifício. Cabra, cavalo, vaca, todas as espécie de aves, domésticas ou selvagens, e ervas e plantas, são alimento de (outras) criaturas vivas. Isto é sabido por nós. (O comentador explica que tendo começado com a afirmação que homens devem sacrificar por desejo de céu, o orador teme que o ouvinte possa negar a própria existência do céu. Por isso, ele usa um motivo mais garantido para justificar a matança, isto é, o motivo que está ligado com a consideração de alimento. Criaturas vivas devem comer para viver. A própria manutenção da vida depende da matança de vida. Matança, portanto, é justificada pela maior necessidade.) O alimento também é ordenado para ser comido dia após dia de manhã e à noite. Então também o Sruti declara que animais e grãos são os membros do Sacrifício, (isto é, são os requisitos essenciais do Sacrifício). O Senhor do universo os criou junto com Sacrifício. O Senhor pujante de todas as criaturas fez as divindades realizarem sacrifícios com sua ajuda. No total sete animais (domésticos, que são: vaca, cabra, homem, cavalo, ovelha, mula, e asno) e sete animais (selvagens, que são: leão, tigre, javali, búfalo, elefante, urso, e macaco) são indicados como adequados para sacrifício. Em vez de todos serem igualmente adequados, cada um sucessivo é inferior ao precedente. Os Vedas também declaram que todo o universo é designado para sacrifício. Aquele também que é chamado de Purusha os Vedas designaram para o mesmo propósito. Isto também foi sancionado por homens de tempos antigos e remotos. Que homem de erudição não selecionaria, segundo sua própria habilidade, indivíduos dentre criaturas vivas para sacrifício? Os animais inferiores, seres humanos, árvores, e ervas, todos desejam a obtenção do céu. Não há meios, no entanto, exceto sacrifício, pelos quais eles podem obter a realização daquele desejo. As ervas decíduas, animais, árvores, trepadeiras, manteiga clarificada, leite, coalhos, carne e outras coisas aprovadas (que são despejadas no fogo sacrifical), terra, os pontos do horizonte, fé, e o tempo que cria o total de doze, os Richs, os Yajuses, os Samans, e próprio sacrificador criando o total de dezesseis, e Fogo o qual deve ser conhecido como o chefe de família, estes dezessete são citados como sendo os membros do sacrifício. O Sacrifício, o Sruti declara, é a base do mundo e sua direção. Com manteiga clarificada, leite, coalhos, estrume, coalhos misturados com leite, pele, o cabelo de seu rabo, chifres, e cascos, só a vaca pode fornecer todos os artigos necessários para o sacrifício. Alguns específicos entre estes que são prescritos para sacrifícios específicos, unidos com Ritwijas e presentes (para os próprios sacerdotes e outros Brahmanas), juntos sustentam sacrifícios. (Todos os produtos da vaca que são citados aqui não são necessários em todos os sacrifícios. Alguns são requeridos em alguns, outros em outros. Aqueles então que são requeridos, quando unidos com Ritwijas e Dakshina, completam os respectivos sacrifícios ou os mantêm ou sustêm.) Por juntar essas coisas, pessoas realizam sacrifícios. Este Sruti, consistente com a verdade, é ouvido: que todas as coisas foram criadas para a realização de sacrifício. Foi dessa maneira que todos os homens dos tempos antigos se puseram a realizar sacrifícios. Com relação àquela pessoa, no entanto, que realiza sacrifícios por causa da convicção que sacrifícios devem ser realizados e não por causa do fruto ou recompensa, é visto que ela não fere qualquer criatura ou se comporta com hostilidade com qualquer coisa, ou se dirige para a realização de alguma tarefa mundana. Aquelas coisas que foram citadas como os membros do sacrifício, e aquelas outras coisas que foram mencionadas como requeridas em sacrifícios e que são indicadas nas ordenanças, todas sustêm umas às outras (para a conclusão de sacrifícios) quando usadas segundo o ritual sancionado. Eu vejo também os Smritis compilados pelos Rishis, nos quais os Vedas foram introduzidos. Homens de erudição os consideram como autoritários por eles seguirem os Brahmanas. (Brahmanas aqui significa aquela parte dos Vedas que contém o ritual.) Sacrifícios têm os Brahmanas como seus progenitores, e realmente eles dependem dos Brahmanas. O universo inteiro depende de sacrifício, e o sacrifício depende do universo. (Cada um constitui o refúgio do outro.) A sílaba Om é a base da qual os Vedas surgiram. (Todos os ritos, portanto, devem começar com a declaração daquela sílaba de vasta importância.) A respeito daquele que tem proferido por ele as sílabas Om, Namas, Swaha, Svadha, e Vashat, e que, segundo a extensão de sua habilidade, tem realizado sacrifícios e outros ritos, não há medo em relação à próxima vida em todos os três mundos. Assim dizem os Vedas, e sábios coroados com sucesso ascético, e os principais dos Rishis. Aquele em quem estão os Richs, os Yajuses, os Samans, e as expletivas (tais como hayi, havu, etc.) necessárias para completar o ritmo dos Samans de acordo com as regras prescritas em gramáticas Védicas, é, de fato, um Brahmana. Tu sabes, ó Brahmana adorável, quais são os frutas do Agnihotra, do Sacrifício Soma, e dos outros grandes sacrifícios. Eu digo, por esta razão, que alguém deve sacrificar e ajudar nos sacrifícios de outras pessoas, sem escrúpulos de qualquer tipo. Alguém que realiza tais sacrifícios que levam ao céu (tais como Jyotishtoma, etc.) obtém grandes recompensas após a morte na forma de beatitude celestial. Isto é certo, isto é, que aqueles que não realizam sacrifícios não têm nem este mundo nem o próximo. Aqueles que realmente conhecem as declarações dos Vedas consideram ambos os tipos de declarações (isto é, aquelas que incitam às ações e aquelas que pregam abstenção) como igualmente autoritárias.'" 269 "Kapila disse, 'Vendo que todos os frutos que são obteníveis pelas ações são finitos em vez de serem eternos, os Yatis, por adotarem autodomínio e tranquilidade, alcançam Brahma pelo caminho do conhecimento. Não há nada em algum dos mundos que possa impedi-los, (pois por meros decretos de sua vontade eles coroam todos os seus desejos com êxito). Eles estão livres da influência de todos os pares de opostos. Eles nunca curvam suas cabeças para alguma coisa ou alguma criatura. Eles estão acima de todos os grilhões da necessidade. A Sabedoria é deles. Eles são purificados de todos os pecados. Puros e sem mácula eles vivem e viajam por todos os lugares (em grande felicidade). Eles, em suas próprias compreensões, chegaram a conclusões firmes a respeito de todos os objetos destrutíveis e de uma vida de Renúncia (por compararem os dois). Devotados a Brahma, já tendo se tornado como Brahma, eles tomaram refúgio em Brahma. Transcendendo a dor, e livres da (qualidade de) Rajas, são deles as aquisições que são eternas. Quando o fim excelente que é destes homens está ao alcance, que necessidade alguém tem de praticar os deveres do modo de vida familiar?'” (Pois, como o comentador explica, alguém que obteve um império não procura uma esmola de caridade. Em vista do fim sublime que a Renúncia sem dúvida traz, que necessidade uma pessoa tem do modo de vida familiar o qual leva a recompensas que são insignificantes comparadas à outra?) "Syumarasmi disse, 'Se, de fato, aquele for o maior objeto de aquisição, se aquele for realmente o fim mais elevado (que é alcançado pela prática da Renúncia), então a importância do modo de vida familiar se torna evidente, porque sem o modo familiar nenhum outro modo de vida se torna possível. De fato, como todas as criaturas vivas podem viver por sua dependência de suas respectivas mães, da mesma maneira os três outros modos de vida existem por causa de sua dependência do modo familiar. O chefe de família que leva uma vida familiar realiza sacrifícios, e pratica penitências. O que quer que seja feito por alguém por desejo de felicidade tem por sua base o modo de vida familiar. Todas as criaturas vivas consideram a procriação de prole como uma fonte de grande felicidade. A procriação de prole, no entanto, se torna impossível em algum outro modo de vida (que não seja a vida familiar). Todas as espécies de grama e palha, todas as plantas e ervas (que produzem cereais ou grãos), e outros da mesma classe que crescem em colinas e montanhas, têm o modo de vida familiar como sua base, (porque eles são cultivados ou colhidos por pessoas que levam uma vida familiar). Deles depende a vida de criaturas vivas. E já que nada mais é visto (no universo) que não seja vivo, a vida familiar pode ser considerada o refúgio do universo inteiro. Quem então fala a verdade quando diz que a vida familiar não pode levar à conquista da Emancipação? Somente aqueles que são desprovidos fé e de sabedoria e perspicácia, somente aqueles que são desprovidos de reputação e que são indolentes e cansados de trabalhar, que têm miséria como sua quota em consequência de suas ações passadas, somente aqueles que são desprovidos de conhecimento, vêem a plenitude da tranquilidade em uma vida de mendicância. As distinções eternas e certas (declaradas nos Vedas) são as causas que sustentam os três mundos. Aquela pessoa ilustre da mais alta classe que está familiarizada com os Vedas é adorada desde a própria data de seu nascimento. Além da realização do Garbhadhana, mantras Védicos se tornam necessários para capacitar pessoas da classe regenerada para realizar todos os seus atos em relação a este e ao outro mundo. (Traduzidas literalmente, as palavras são: 'Sem dúvida, mantras Védicos entram em pessoas das classes regeneradas em relação a atos cujos efeitos são vistos e atos cujos efeitos em vez de serem vistos dependem da evidência das escrituras.') Ao cremar seu corpo (depois da morte), na questão de sua obtenção de um segundo corpo, naquela de sua bebida e comida depois de tal obtenção, da doação de vacas e outros animais para ajudá-lo a cruzar o rio que divide a região de vida daquela de Yama, naquela de afundar os bolos fúnebres em água, mantras védicos são necessários. Então também as três classes de Pitris, isto é, os Archishmats, os Varhishads, e os Kravyads, aprovam a necessidade de mantras no caso dos mortos, e mantras são admitidos como causas eficientes (para a obtenção de objetivos pelos quais estas cerimônias e ritos são mandados serem realizados). Quando os Vedas dizem isso tão sonoramente e quando também seres humanos são citados como tendo dívidas com os Pitris, os Rishis, e os deuses, como alguém pode alcançar a Emancipação? (Mantras são necessários para cremar o corpo de um Brahmana morto. Mantras também são necessários para ajudar o espírito morto a obter uma forma brilhante (no mundo seguinte ou neste se houver renascimento). Esses mantras são, naturalmente, proferidos em Sraddhas. Depois que o espírito morto foi provido, com a ajuda de mantras, com um corpo, alimento e bebida são oferecidos para ele com a ajuda de mantras. Vacas e animais são doados pelos representantes do morto para capacitar o ancestral morto a cruzar o Vaitarani (o rio que flui entre os dois mundos) e para habilitá-lo a se tornar feliz no céu. O bolo fúnebre, além disso, de acordo com a ordenança, é afundado em água para fazê- lo facilmente obtenível por aquele para quem ele é oferecido. Por se tornar um ser humano alguém herda três dívidas. Por meio de estudo ele paga sua dívida com os Rishis, pela realização de sacrifícios ele paga sua dívida com os deuses, e por gerar filhos ele se livra da dívida que ele tem com os Pitris. O argumento então é este: quando os Vedas, os quais são as palavras da Divindade Suprema, prescreveram esses mantras para a obtenção de tais objetos no mundo seguinte, como pode a Emancipação, a qual envolve uma existência incorpórea transcendente à própria (forma) Karana ser possível? As próprias declarações dos Vedas em favor das ações são inconsistentes com existência incorpórea ou com a negação de existência com consciência dual de conhecedor e conhecido.) Essa doutrina falsa (da existência incorpórea chamada Emancipação), aparentemente vestida em cores de verdade, mas subversiva do propósito real das declarações dos Vedas, tem sido introduzida por homens eruditos desprovidos de prosperidade e tomados pela ociosidade. Aquele Brahmana que realiza sacrifícios segundo as declarações dos Vedas nunca é seduzido pelo pecado. Através de sacrifícios, tal pessoa alcança regiões elevadas de felicidade junto com os animais que ele matou naqueles sacrifícios, e ele mesmo, satisfeito pela aquisição de todos os seus desejos consegue satisfazer aqueles animais por realizar os desejos deles. Por desconsiderar os Vedas, por fraude, ou por engano, alguém nunca consegue alcançar o Supremo. Por outro lado, é por praticar os ritos prescritos nos Vedas que alguém consegue alcançar Brahma.'” "Kapila disse, '(Se as ações são obrigatórias, então) há o Darsa, o Paurnamasa, o Agnihotra, o Chaturmasya, e outras ações para o homem de inteligência. Em seu desempenho existe mérito eterno. (Por que então realizar ações que envolvem crueldade)? Aqueles que se dirigiram ao modo de vida Sannyasa, que se abstêm de todas as ações, que são dotados de paciência, que estão purificados (da ira e de todos os defeitos), e que conhecem Brahma, conseguem por tal conhecimento de Brahma pagar as dívidas (das quais tu falaste) com os deuses (os Rishis, e os Pitris) descritos como sendo muito afeiçoados às libações despejadas em sacrifícios. Os próprios deuses ficam pasmos ao traçarem o caminho daquela pessoa sem rastro que constitui ela mesma a alma de todas as criaturas e que olha todas as criaturas com um olhar igual. Pelas instruções recebidas do preceptor alguém sabe que aquilo que mora dentro deste corpo (a Alma Universal) é de uma natureza quádrupla; (tudo envolvente, fina como o fio mais fino e que permeia tudo, possuidora de onisciência, e imaculada), tendo além disso quatro portas e quatro bocas. (Suas quatro bocas são suas quatro fontes de desfrute ou prazer, que são o corpo, os sentidos, a mente, e a compreensão.) Por (possuírem) dois braços, o órgão da fala, o estômago, e o órgão de prazer, os próprios deuses são citados como tendo quatro portas. Alguém deve, portanto, se esforçar o melhor que puder para manter aquelas portas sob controle. (O Kartritwa ou poder de ação é então indicado pela menção às portas que são os dois braços, etc., estes operam como portas para fechar ou confinar a alma dentro de sua câmara. Eles são as telas ou avaranas que escondem sua real natureza. Os próprios deuses sentem sua força, sendo incapazes de transcender a eles ou suas exigências. Aquele que deseja superá-los e brilhar em sua própria natureza imaculada deve procurar controlá-los ou reprimi-los.) Não se deve apostar com dados. Não se deve se apropriar do que pertence a outro. Não se deve ajudar no sacrifício de uma pessoa de nascimento ignóbil. Não se deve, cedendo à cólera, golpear outro com mãos ou pés. Aquele homem inteligente que se comporta dessa maneira é citado como tendo suas mãos e pés bem controlados. Uma pessoa não deve se entregar a insultos ou críticas vociferantes. Não se deve falar palavras que são inúteis. Deve-se se abster da desonestidade e de caluniar outros. Deve-se cumprir o voto de veracidade, ser econômico em palavras, e sempre atento.' Por se comportar dessa maneira alguém terá seu órgão de fala bem dominado. Não se deve se abster totalmente de comida. Não se deve comer demais. Deve-se rejeitar a cobiça, e sempre procurar a companhia dos bons. Deve-se comer somente tanto quanto é preciso para manter a vida. Por se comportar dessa maneira alguém consegue controlar devidamente a porta representada por seu estômago. Não se deve, ó herói, tomar outra esposa lascivamente quando se tem uma cônjuge casada (com quem realizar todas as ações religiosas). Nunca se deve convocar uma mulher para a cama exceto em sua época apropriada. O homem deve se limitar à sua própria esposa sem procurar ato sexual com outras mulheres. Por se comportar dessa maneira alguém é citado como tendo o órgão de prazer devidamente controlado. É realmente uma pessoa regenerada aquele homem de sabedoria que tem todas as suas quatro portas, isto é, o órgão de prazer, o estômago, os dois braços (e os dois pés), e o órgão da fala, devidamente controlados. Tudo se torna inútil daquela pessoa cujas portas não são bem controladas. O que pode fazer a penitência de tal homem? O que seus sacrifícios podem ocasionar? O que pode ser realizado por seu corpo? Os deuses reconhecem como um Brahmana aquele que rejeitou suas peças de roupa superiores (isto é, que se veste muito escassamente somente por causa de decência e não de esplendor), que dorme na terra nua, que faz de seu braço um travesseiro, e cujo coração possui tranquilidade. Aquela pessoa que, dedicada à contemplação, desfruta sozinha de toda a felicidade que casais desfrutam, e que não dirige sua atenção para as alegrias e angústias de outros, deve ser conhecida como um Brahmana. Aquele homem que compreende corretamente tudo isso como isso existe em realidade e suas transformações multiformes, e que sabe qual é o fim de todos os objetos criados, é conhecido pelos deuses como um Brahmana. (Em realidade todas as coisas são, naturalmente, Brahma. Seus aspectos externos são somente transformações. O fim de todas as criaturas é morte e renascimento até que ocorra absorção em Brahma por meio de Yoga.) Aquele que não tem medo de nenhuma criatura e de quem nenhuma criatura tem medo, e que constitui ele mesmo a alma de todas as criaturas, deve ser conhecido como um Brahmana. Sem terem obtido pureza de coração, a qual é o resultado verdadeiro de todos os atos pios tais como caridade e sacrifícios, homens de compreensões superficiais não conseguem obter um conhecimento do que é preciso para fazer de alguém um Brahmana, mesmo quando explicado por preceptores. Desprovidos de um conhecimento de tudo isso, aqueles homens desejam frutos de uma espécie diferente, isto é, o céu e suas alegrias. Incapazes de praticar até uma pequena parte daquela boa conduta que veio dos tempos remotos, que é eterna, que é caracterizada pela certeza, que entra como um fio em todos os nossos deveres, e por adotar a qual homens de conhecimento pertencentes a todos os modos de vida convertem seus respectivos deveres e penitências em armas terríveis para destruir a ignorância e males da mundanidade, homens de compreensões superficiais consideram as ações que são produtivas de resultados visíveis, que são repletas da maior pujança, e que são imortais, como inúteis afinal e como desvios (do curso apropriado) não sancionados pelas escrituras. Em verdade, no entanto, aquela conduta, envolvendo como envolve práticas exatamente opostas daquelas que são vistas em épocas de infortúnio, é a própria essência da atenção e nunca é afetada pela luxúria e ira e outras paixões de um tipo similar. (Em resumo, o orador, nesses três versos, deseja inculcar que homens sábios, qualquer que seja seu modo de vida, cumprem seus deveres. Mas em virtude do nishkama dharma que eles seguem, eles convertem aqueles deveres e suas penitências em meios eficientes para dissipar a escuridão da ignorância. Tolos, por outro lado, incapazes de praticar aquele nishkama dharma, consideram ele e o próprio Yoga como inúteis e sem valor embora as recompensas que estes conferem sejam visíveis.) Com relação a sacrifícios também, é muito difícil apurar todos os seus detalhes. Se apurados, é muito difícil cumpri-los na prática. Se praticados, os frutos aos quais eles levam são finitos. Note bem isto. (E, notando isto, te dirija ao caminho do conhecimento).'” "Syumarasmi disse, 'Os Vedas aprovam a ação e as desaprovam. De onde então é sua autoridade quando suas declarações contradizem dessa maneira umas às outras? A renúncia às ações, também, é produtiva de grande benefício. Ambas são indicadas nos Vedas. Fale-me sobre este assunto, ó Brahmana!'” "Kapila disse, 'Dirigindo-se para o caminho do bem (isto é, Yoga), percebam mesmo nesta vida seus resultados pela evidência direta de seus sentidos. Quais, no entanto, são os resultados visíveis daqueles outros objetos que vocês (homens de ações) perseguem?'” "Syumarasmi disse, 'Ó Brahmana, eu sou Syumarasmi por nome. Eu vim aqui para adquirir conhecimento. Desejoso de fazer bem para mim mesmo, eu comecei essa conversa em franqueza natural e não por desejo de discussão. A dúvida sombria tomou posse da minha mente. Ó ilustre, esclareça-a para mim. Tu disseste que aqueles que pegam o caminho do bem (Yoga), pelo qual Brahma é alcançado, percebem seus frutos pela evidência direta de seus sentidos. O que, de fato, é aquilo que é assim perceptível pela evidência direta dos sentidos e que é buscado por vocês mesmos? Evitando todas as ciências que têm somente a disputa como seu principal objetivo, eu estudei o Agama de modo que dominei seu verdadeiro significado. Por Agama eu entendo as declarações dos Vedas. Eu também incluo nesse termo aquelas ciências baseadas na lógica que têm por seu objetivo apresentar o sentido real dos Vedas. Sem evitar os deveres prescritos para o modo de vida específico que alguém possa levar, ele deve seguir as práticas declaradas no Agama. Tal observância das práticas prescritas no Agama coroam alguém com êxito. Pela certeza das conclusões de Agama, o sucesso ao qual o último leva pode ser citado como sendo quase realizável pela evidência direta. Como um barco que está amarrado a outro com destino a um porto diferente não pode levar seus passageiros ao porto que eles desejam alcançar, assim mesmo nós, arrastados por nossas ações devido a desejos passados, nunca podemos cruzar o rio interminável de nascimento e morte (e alcançar o céu de descanso e paz que nós possamos ter em vista). Fale para mim sobre este assunto, ó ilustre! Me ensine como um preceptor ensina um discípulo. Não pode ser encontrado entre os homens alguém que tenha renunciado completamente a todos os objetos mundanos, nem alguém que esteja perfeitamente contente consigo mesmo, nem alguém que tenha transcendido a dor, nem alguém que esteja perfeitamente livre de doenças, nem alguém que esteja absolutamente livre do desejo de agir (para seu próprio benefício), nem alguém que tenha uma aversão absoluta por companhia, nem alguém que tenha se abstido totalmente de ações de todos os tipos. Mesmo homens como vocês mesmos são vistos cederem à alegria e se entregarem à aflição como pessoas como nós. Como outras criaturas os sentidos de pessoas como vocês têm suas funções e objetos. Diga- me em que consiste então, se nós temos que investigar a questão da felicidade, a felicidade pura para todas as quatro classes de homens e todos os quatro modos de vida os quais têm, em relação às suas inclinações, a mesma base.'” "Kapila disse, 'Quaisquer que sejam os Sastras em conformidade como os quais alguém realize as ações que ele se sinta inclinado a fazer, as ordenanças prescritas neles para regular aquelas ações nunca se tornam inúteis. Qualquer que seja também a escola de opinião segundo a qual alguém se comporte, ele com certeza alcançará o fim mais elevado somente por cumprir os deveres de autodomínio de Yoga. O conhecimento ajuda aquele homem que o procura a atravessar (este rio interminável de vida e morte). Aquela conduta, no entanto, que homens seguem depois de se desviarem do caminho do conhecimento, os aflige (por sujeitá-los aos males de vida e morte). É evidente que vocês são possuidores de conhecimento e dissociados de todos os objetos mundanos que possam produzir aflição. Mas algum de vocês alguma vez conseguiu adquirir aquele conhecimento pelo qual tudo pode ser olhado como idêntico à única Alma Universal? (Este é aquele estado da mente no qual alguém percebe sua identidade com tudo no universo. Este é aquele conhecimento verdadeiro que traz Emancipação ou que é a própria Emancipação.) Sem uma compreensão correta das escrituras, há alguns, afeiçoados à disputa, que, por serem oprimidos por desejo e aversão, se tornam escravos do orgulho e da arrogância. Sem terem entendido corretamente o sentido das declarações escriturais, aqueles ladrões das escrituras (porque eles procuram privar as escrituras de seu verdadeiro significado), aqueles depredadores de Brahma (porque eles negam a própria existência da Divindade), influenciados por arrogância e erro, se recusam a buscar tranquilidade e praticar autodomínio. Estes homens vêem inutilidade por todos os lados, e se (por acaso), eles conseguem obter a pujança do conhecimento, eles nunca o comunicam para outros para resgatá-los. Compostos totalmente da qualidade de Tamas, eles têm somente Tamas como seu refúgio. Alguém se torna sujeito a todos os incidentes daquela natureza a qual ele absorve. Consequentemente, naquele que tem Tamas como seu refúgio, os sentimentos de inveja, luxúria, ira, orgulho, mentira, e vaidade crescem continuamente, pois as qualidades de alguém têm a natureza desse alguém como sua origem. Pensando desta maneira e vendo esses defeitos (pela ajuda de instruções recebidas de preceptores), os Yatis, que cobiçam o fim mais sublime, se dirigem para Yoga, deixando ambos, o bem e o mal.'” "Syumarasmi disse, 'Ó Brahmana, tudo o que eu tenho dito (sobre o caráter louvável das ações e o caráter oposto da Renúncia) está estritamente de acordo com as escrituras. É, no entanto, muito verdadeiro que sem uma compreensão correta do sentido das escrituras, alguém não se sente inclinado a obedecer o que as escrituras realmente declaram. Qualquer conduta que seja consistente com equidade é consistente com as escrituras. Isso mesmo é o que o Sruti declara. Similarmente, qualquer conduta que seja inconsistente com equidade não está de acordo com as escrituras. Isto também é declarado pelo Sruti. É certo que ninguém pode fazer uma ação que é escritural por contrariar as escrituras. Não é escritural também aquilo que é contra os Vedas. O Sruti declara isto. Muitos homens, que acreditam somente naquilo que apela diretamente para seus sentidos, vêem somente este mundo (e não o que é endereçado nas escrituras para a Fé). Eles não vêem o que as escrituras declaram como sendo defeitos. Eles têm, consequentemente, como nós, que ceder à aflição. Aqueles objetos dos sentidos com os quais homens como vocês estão relacionados são os mesmos com os quais outras criaturas vivas estão relacionadas. Contudo por causa de seu conhecimento da alma e da ignorância deles sobre isto, como é vasta a diferença que existe entre vocês e eles! Todas as quatro classes de homens e todos os quatro modos de vida, embora seus deveres sejam diferentes, procuram o mesmo fim único (isto é, a maior felicidade). Tu és possuidor de talentos e habilidades não questionados. Por determinar aquela direção específica de conduta (entre aqueles vários deveres), a qual é bem calculada para realizar o fim desejado, tu, por discursares para mim sobre o Infinito (Brahma), encheste minha alma de tranquilidade. Com relação a nós, por nossa incapacidade de compreender a Alma, nós somos desprovidos de uma compreensão correta da realidade. Nossa sabedoria está relacionada com coisas que são inferiores, e nós estamos envolvidos em densa escuridão. (A direção de conduta, no entanto, que tu indicaste para capacitar alguém para alcançar a Emancipação, é extremamente difícil de se praticar.) Somente aquele que é devotado ao Yoga, que tem cumprido todos os seus deveres, que é capaz de vagar por todos os lugares dependendo somente de seu próprio corpo, que tem trazido sua alma sob controle perfeito, que transcendeu os requisitos da ciência de moralidade e que desconsidera o mundo inteiro (e tudo pertencente a ele), pode contrariar as declarações dos Vedas com relação às ações, e dizer que há Emancipação. (Somente uma vida de Renúncia, tão difícil de seguir, pode levar à Emancipação.) Para alguém, no entanto, que vive no meio de parentes, este rumo de conduta é extremamente difícil de ser seguido. Caridade, estudo dos Vedas, sacrifícios, geração de prole, simplicidade de comportamento; quando mesmo por praticar estes ninguém consegue alcançar a Emancipação, que vergonha para aquele que procura alcançá-la, e para a própria Emancipação que é procurada! Parece que o trabalho gasto em alcançá-la é todo inútil. Alguém se torna acusável de ateísmo se ele desrespeita os Vedas por não fazer as ações que eles ordenam. Ó ilustre, eu desejo ouvir sem demora sobre aquela (Emancipação) que vem nos Vedas depois das declarações em favor das ações. Diga-me a verdade, ó Brahmana! Eu sento aos teus pés como um discípulo. Ensine-me amavelmente! Eu desejo saber tanto acerca da Emancipação quanto é sabido por ti, ó erudito!'” 270 "Kapila disse, 'Os Vedas são considerados como autoritários por todos. As pessoas nunca os desconsideram. Brahma é de dois tipos, isto é, Brahma como representado pelo som, e Brahma como Supremo (e intangível). (Os Vedas são Savda-Brahma ou Brahma como representado pelo som.) Alguém familiarizado com Brahma representado pelo som consegue alcançar o Brahma Supremo. Começando com os ritos de Garbhadhana, aquele corpo que o pai cria com a ajuda de mantras Védicos é purificado (depois do nascimento) pelos mantras Védicos. (Um homem se aproxima de sua esposa depois de realizar o rito de Garbhadhana. Naquele rito, diferentes divindades são invocadas para desenvolverem os diferentes órgãos e partes do corpo da criança a ser gerada. Assim gerado, o corpo da criança é, depois do nascimento, limpo ou purificado. Tudo isso requere a ajuda dos mantras Védicos. O que Kapila deseja ensinar é que começando com ações, o conhecimento deve finalmente ser adquirido.) Quando o corpo foi limpo pelos ritos purificatórios (realizados com a ajuda de mantras Védicos), o dono então vem a ser chamado de um Brahmana e se torna um recipiente adequado para receber conhecimento de Brahma. Saiba que a recompensa das ações é pureza de coração a qual somente leva à Emancipação. Eu agora te falarei disso. Se pureza de coração foi obtida ou não (por meio da realização de ações), é o que pode ser sabido pela própria pessoa que a obteve. Isto nunca pode ser conhecido com a ajuda dos Vedas ou inferência. Aqueles que não nutrem expectativa, que se desfazem de todo tipo de riqueza por não armazenarem qualquer coisa para uso futuro, que não são cobiçosos, e que estão livres de todo tipo de afeição e aversão, realizam sacrifícios por causa da convicção que sua realização é um dever. Fazer doações para pessoas dignas é o fim (uso correto) de toda riqueza. Nunca afeitos em qualquer tempo a ações pecaminosas, cumpridores daqueles ritos que são prescritos nos Vedas, capazes de coroar todos os seus desejos com realização, dotados de conclusões seguras através do conhecimento puro, nunca cedendo à ira, nunca se entregando à inveja, livres de orgulho e malícia, firmes em Yoga (que é o único caminho para o verdadeiro conhecimento), de nascimento sem mancha, conduta sem mancha, e conhecimento sem mancha, dedicados ao bem de todas as criaturas; haviam antigamente muitos homens que levavam vidas familiares e totalmente dedicados aos seus próprios deveres, haviam muitos reis também com as mesmas qualificações, dedicados ao Yoga (como Janaka, etc.), e muitos Brahmanas também do mesmo caráter (como Yajnavalkya e outros. Estes e homens como eles eram indicados como pessoas dignas de doações). Eles se comportavam igualmente para com todas as criaturas e eram dotados de sinceridade perfeita. O contentamento era deles, assim como a certeza de conhecimento. Eram visíveis as recompensas de sua retidão, e eles eram puros em comportamento e coração. Eles tinham fé em Brahma em ambas as formas (isto é, Brahma como possuidor de atributos e como livre de atributos). A princípio fazendo seus corações puros, eles observavam devidamente todos os votos (excelentes). Eles eram cumpridores dos deveres de virtude mesmo em ocasiões de angústia e dificuldade, sem fracassarem em qualquer pormenor. Unindo-se eles costumavam realizar atos meritórios. Nisto eles encontravam grande felicidade. E visto que eles nunca davam um passo em falso, eles nunca tinham que realizar alguma expiação. Confiando como eles confiavam na verdadeira direção de virtude, eles se tornaram dotados de energia irresistível. Eles nunca seguiam suas próprias compreensões na questão de ganhar mérito, mas seguiam somente os ditames das escrituras para aquele fim. Consequentemente eles nunca eram culpados de fraude na questão da realização de ações de virtude. (O que se quer dizer por fraude na prática de virtude pode ser exemplificado como segue. Grãos de cevada podem ser doados ao invés de roupas por alguém que não pode obter roupas para doar. Mas alguém que doa grãos de cevada sendo perfeitamente capaz de doar roupas seria culpado de fraude.) Por cumprirem unidamente as ordenanças absolutas das escrituras sem se dirigirem alguma vez para os ritos prescritos na alternativa, eles nunca estavam sob a necessidade de realizar expiação. (As escrituras frequentemente prescrevem ordenanças alternativas. As prescrições absolutas ou reais são para os que são capazes, e as alternativas são para os que não são capazes.) Não há expiação para homens que vivem na observância das ordenanças prescritas nas escrituras. O Sruti declara que a expiação existe somente para os homens que são fracos e incapazes de seguir as prescrições absolutas e essenciais da lei sagrada. Haviam muitos Brahmanas deste tipo antigamente, dedicados à realização de sacrifícios, de conhecimento profundo dos Vedas, possuidores de pureza e boa conduta, e dotados de renome. Eles sempre adoravam Brahma em sacrifícios, e eram livres de desejo. Possuidores de erudição eles superaram todos os vínculos da vida. Os sacrifícios desses homens, seu (conhecimento dos) Vedas, suas ações realizadas em obediência às ordenanças, seu estudo das escrituras nas horas fixadas, e os desejos que eles nutriam, livres como eles eram de luxúria e ira, observadores como eles eram de conduta e ações virtuosas apesar de todas as dificuldades, renomados como eles eram por realizarem os deveres de sua própria classe e modo de vida, purificadas como eram suas almas por sua própria natureza, caracterizados como eles eram por total sinceridade, dedicados como eles eram à tranquilidade, e cuidadosos como eles eram com suas próprias práticas, eram idênticos ao Infinito Brahma. Este mesmo é o Sruti eterno ouvido por nós. (O que se quer dizer pelos sacrifícios, etc., de tais homens sendo idênticos ao infinito Brahma é que esses homens eram idênticos a Brahma e o que quer que eles fizessem era Brahma. Eles não tinham consciência de eu, ou eles não faziam nada pelo eu. Eles eram a Alma do Universo.) As penitências de homens que eram de alma tão nobre, de homens cuja conduta e atos eram tão difíceis de observância e realização, de homens cujos desejos eram coroados com realização por causa do cumprimento rigoroso de seus deveres, se tornaram armas eficazes para a destruição de todos os desejos mundanos. Os Brahmanas dizem que aquela Boa Conduta, a qual é extraordinária, cuja origem pode ser traçada até tempos muito antigos, que é eterna e cujas características são imutáveis, que difere das práticas às quais mesmo os bons recorrem em épocas de infortúnio e representam suas ações em outras situações, que é idêntica à atenção, sobre a qual luxúria e ira e outros maus sentimentos nunca podem prevalecer, e por causa da qual não havia (uma vez) qualquer transgressão em toda a humanidade, posteriormente veio a ser distribuída em quatro subdivisões, correspondendo aos quatro modos de vida por pessoas incapazes de praticar seus deveres em detalhes exatos e totalmente. (O que é dito aqui é que a princípio havia somente um curso de deveres, chamado sadachara ou boa conduta, para todos os homens. Com o passar do tempo os homens vieram a ser incapazes de obedecer a todos os seus ditames em sua totalidade. Então tornou-se necessário dividir aqueles deveres em quatro subdivisões correspondentes aos quatro modos de vida.) Aqueles que são bons, por observarem devidamente aquela direção de Boa Conduta depois da adoção do modo de vida Sannyasa, alcançam o fim mais sublime. Aqueles também que se dirigem ao modo da floresta alcançam o mesmo fim superior (por observarem devidamente aquela conduta). Aqueles também que observam o modo de vida familiar alcançam o fim elevado (por praticarem devidamente a mesma conduta); e, por fim, aqueles que levam o modo Brahmacharya obtêm o mesmo (fim por uma devida observância da mesma conduta). Aqueles Brahmanas são vistos brilharem no firmamento como corpos luminosos derramando raios de luz benéficos por toda parte. Aquelas miríades de Brahmanas se tornaram estrelas e constelações colocadas em seus caminhos fixos. Pelo contentamento (ou Renúncia) eles todos alcançaram o Infinito como os Vedas declaram. Se tais homens têm que voltar para o mundo através dos úteros de criaturas vivas, eles nunca são maculados por pecados que têm o resíduo não esgotado de ações anteriores como sua causa originária. De fato, alguém que tem levado a vida de um Brahmacharin e servido respeitosamente seu preceptor, que tem chegado a conclusões seguras (a respeito da alma), e que tem se dedicado ao Yoga dessa maneira, é realmente um Brahmana. Quem mais mereceria ser chamado de Brahmana? Quando somente as ações determinam quem é um Brahmana e quem não é, as ações (boas ou más) devem ser consideradas para indicar a felicidade ou miséria de uma pessoa. Em relação àqueles que, por conquistarem todas as más paixões, obtiveram pureza da coração, nós temos ouvido o eterno Sruti que por causa do Infinito ao qual eles alcançam (por contemplarem a alma universal) e do conhecimento de Brahma (que eles adquirem pelas declarações dos Srutis), eles vêem tudo como Brahma. Os deveres (de tranquilidade, autodomínio, abstenção de ações, renúncia, devoção, e a abstração do Samadhi), seguidos por aqueles homens de corações puros, que estão livres de desejo, e que têm somente a Emancipação como seu objetivo, para a aquisição do conhecimento de Brahma, são igualmente prescritos para todas as quatro classes de homens e todos os quatro modos de vida. (Há quatro estados de consciência: vigília, sonho, sono sem sonhos (sushupti), e Turiya, o qual é alcançado por Samadhi (abstração de meditação-Yoga), e no qual Brahma se torna realizável. O que é dito aqui é que os deveres (dharmah), relativos ao Chaturthopanishat ou, o Conhecimento de Paramatman, são comuns para todas as quatro classes de homens e modos de vida. Aqueles deveres, naturalmente, são sama, dama, uparama, titiksha, sraddha, samadhi.) Em verdade, aquele conhecimento é sempre adquirido por Brahmanas de corações puros e alma controlada. (Pela ajuda daqueles deveres estes Brahmanas conseguem obter ou alcançar aquele Turiya ou consciência de Brahma.) Alguém cuja alma é para a Renúncia baseada no contentamento é considerado como o refúgio do verdadeiro conhecimento. A Renúncia, na qual está aquele conhecimento que leva à Emancipação, e que é altamente necessária para um Brahmana, é eterna (e desce de preceptor para pupilo eternamente). A Renúncia às vezes existe misturada com os deveres de outros modos. Mas existindo naquele estado ou por si mesma, alguém a pratica de acordo com a medida de sua força (que depende do grau de ausência de desejos mundanos). A Renúncia é a causa de benefício supremo para todo tipo de pessoa. Somente aquele que é fraco falha em praticá-la. Aquele homem de coração puro que procura alcançar Brahma vem a ser resgatado do mundo (com sua miséria).’” "Syumarasmi disse, 'Entre aqueles que são dados ao desfrute (de posses), aqueles que fazem doações, aqueles que realizam sacrifícios, aqueles que se dedicam ao estudo dos Vedas, e aqueles que se dirigem para uma vida de Renúncia depois de terem adquirido e desfrutado de riqueza e todos os seus prazeres, quando eles partem deste mundo, quem é que alcança o lugar mais importante no céu? Eu te pergunto isto, ó Brahmana! Diga-me isto realmente.'” "Kapila disse, 'Aqueles que levam uma vida familiar são certamente auspiciosos e obtêm excelência de todo tipo. Eles não podem, no entanto, desfrutar da felicidade que se vincula à Renúncia. Tu mesmo podes ver isso.'” (O comentador explica que o objetivo deste verso é mostrar que mesmo se houver igualdade em relação ao fim que é alcançado na próxima vida, há mais de felicidade real em uma vida de Renúncia do que em uma vida de desfrute.) "Syumarasmi disse, 'Vocês dependem do conhecimento como o meio (para alcançar a Emancipação). Aqueles que levam vidas familiares colocaram sua fé nas ações. No entanto, é dito que o fim de todos os modos de vida é a Emancipação. Nenhuma diferença, portanto, é observável entre eles em relação à sua superioridade ou inferioridade de pujança. Ó ilustre, diga-me então como fica a questão realmente.'” "Kapila disse, 'Atos somente limpam o corpo. O conhecimento, no entanto, é o fim mais alto (pelo qual alguém se esforça, pois pelo conhecimento a Emancipação é obtida). Quando todas as imperfeições do coração são curadas (pelas ações), e quando a felicidade de Brahma se torna estabelecida em conhecimento, benevolência, clemência, tranquilidade, compaixão, veracidade, e franqueza, abstenção de ferir, ausência de orgulho, modéstia, renúncia, e abstenção de trabalho são obtidos. Estes constituem o caminho que leva a Brahma. Por eles alguém alcança aquele que é O Mais Sublime. Que a cura de todas as imperfeições do coração é o resultado de ações se torna inteligível para o homem sábio quando estes são obtidos. Isso, de fato, é considerado como o maior fim que é alcançado por Brahmanas dotados de sabedoria, afastados de todas as ações, possuidores de pureza e da certeza de conhecimento. Alguém que consegue adquirir um conhecimento dos Vedas, daquilo que é ensinado pelos Vedas (isto é, Brahma como representado em ações), e as minúcias das ações, é citado como estando familiarizado com os Vedas. Qualquer outro homem é somente um saco de vento (pois ele respira ou vive em vão). Alguém que conhece os Vedas conhece tudo, pois tudo está estabelecido nos Vedas. Realmente, o presente, passado, e futuro, todos existem nos Vedas. Esta única conclusão é dedutível de todas as escrituras, isto é, que esse universo existe e não existe. Para o homem de conhecimento isso (tudo o que é percebido) é ambos: sat e asat. Para ele, isso tudo é o fim e o meio. (Enquanto aqueles que são ignorantes consideram o universo como existente e durável como diamante, o homem de conhecimento o considera como realmente não existente embora ele desenvolva a aparência de existência.) Esta verdade se baseia em todos os Vedas, isto é, que quando ocorre a Renúncia completa alguém obtém o que é suficiente. Então também o maior contentamento se segue e se baseia na Emancipação, a qual é absoluta, que existe como a alma de todas as coisas mortais e imortais, que é bem conhecida como alma universal, que é o mais elevado objeto de conhecimento como sendo idêntica a todas as coisas móveis e imóveis, que é completa, que é a perfeita bem-aventurança, que não tem dualidade, que é a principal de todas as coisas, que é Brahma, que é Imanifesta e também a causa de onde o Imanifesto tem surgido, e que é sem deterioração de qualquer tipo. (Na completa abstração de Yoga, isto é, Samadhi, está Brahma. Isso todos os Vedas ensinam. Na Emancipação além disso há a felicidade Suprema de Brahma.) Habilidade de subjugar os sentidos, perdão, e abstenção de trabalho por consequência da ausência de desejo, estes três são as causas da felicidade perfeita. Com a ajuda destas três qualidades, homens que têm a compreensão como seus olhos conseguem alcançar aquele Brahma que é incriado, que é a causa primordial do universo, que é imutável e que está além da destruição. Eu reverencio aquele Brahma, que é idêntico àquele que o conhece.'" 271 “Yudhishthira disse, ‘Os Vedas, ó Bharata, falam de Religião, Lucro, e Prazer. Diga-me, no entanto, ó avô, a obtenção de qual (entre estes três) é considerada como superior.’” "Bhishma disse, 'Eu irei, em relação a isto, contar para ti a antiga narrativa sobre a bênção que Kundadhara antigamente concedeu para alguém que era devotado a ele. Uma vez um Brahmana desprovido de riquezas procurou adquirir virtude, induzido pelo desejo de resultado. Ele colocou continuamente seu coração na riqueza para empregá-la na celebração de sacrifícios. Para realizar seu propósito se dirigiu à prática das penitências mais austeras. Decidido a realizar seu propósito, ele começou a cultuar as divindades com grande devoção. Mas ele fracassou em obter riqueza por tal culto das divindades. Ele então começou a refletir, dizendo para si mesmo, 'Qual é aquela divindade, até agora não adorada por homens, que possa estar favoravelmente disposta para comigo sem demora?' Enquanto refletia dessa maneira com uma mente calma, ele viu posicionado diante dele aquele servente das divindades, isto é, a Nuvem chamada Kundadhara. Logo que ele viu aquele ser poderosamente armado, os sentimentos de devoção do Brahmana foram excitados, e ele disse para si mesmo, 'Este certamente me concederá prosperidade. De fato, sua forma indica isso. Ele vive em próximo às divindades. Ele até agora não tem sido adorado por outros homens. Ele em verdade me dará riqueza abundante sem qualquer demora.' O Brahmana, então, tendo deduzido dessa maneira, adorou aquela Nuvem com dhupas e perfumes e guirlandas de flores da espécie mais superior, e com diversos tipos de oferendas. Assim adorada, a Nuvem logo ficou satisfeita com seu devoto e proferiu estas palavras repletas de benefícios para aquele Brahmana, 'Os sábios têm ordenado expiação para alguém culpado de Brahmanicídio, ou de beber álcool ou de roubar, ou de negligenciar todos os votos meritórios. Não há expiação, no entanto, para alguém que é ingrato. A Expectativa tem uma filha chamada Iniquidade. A Ira, também, é considerada como uma filha da Inveja. A Cobiça é a filha da Falsidade. A Ingratidão, no entanto, é estéril (e não tem prole).’ Depois disso, aquele Brahmana, esticado em uma cama de erva Kusa, e impregnado pela energia de Kundadhara, viu todos os seres vivos em um sonho. De fato, por sua ausência de paixão, penitências, e devoção, aquele Brahmana de alma purificada, permanecendo afastado de todos os prazeres (carnais), viu à noite aquele efeito de sua devoção à Kundadhara. De fato, ó Yudhishthira, ele viu Manibhadra de grande alma de grande refulgência posicionado no meio das divindades, empenhado em dar suas ordens. Lá os deuses pareciam estar ocupados em conceder reinos e riquezas para os homens, induzidos por seus bons feitos, e em tirá-los quando os homens se afastavam da bondade. Então, ó touro da raça Bharata, Kundadhara de grande esplendor, curvando-se, prostrou-se no chão perante os deuses na presença de todos os Yakshas. Por ordem dos deuses Manibhadra de grande alma se dirigiu ao prostrado Kundadhara e disse, 'O que Kundadhara quer?' Após o que Kundadhara respondeu, 'Se, de fato, os deuses estão satisfeitos comigo, lá, aquele Brahmana me reverencia imensamente. Eu rogo para que algum favor seja concedido a ele, alguma coisa que possa trazer felicidade a ele.' Ouvindo isso, Manibhadra, ordenado pelos deuses, mais uma vez disse para Kundadhara de grande inteligência estas palavras, 'Levante-se, levante-se, ó Kundadhara! Tua petição foi bem sucedida. Sejas feliz. Se este Brahmana está desejoso de riqueza, que riqueza seja dada a ele, isto é, tanta riqueza quanto este teu amigo deseja. Por ordem dos deuses eu darei a ele riqueza incalculável.' Kundadhara, então, refletindo sobre caráter fugaz e irreal da posição de humanidade, colocou seu coração, ó Yudhishthira, em inclinar o Brahmana para penitências. De fato, Kundadhara disse, 'Ó doador de riquezas, eu não peço por riqueza em nome deste Brahmana. Eu desejo a concessão de outro favor a ele. Eu não solicito para este meu devoto montanhas de pérolas e pedras preciosas ou mesmo a terra inteira com todas as suas riquezas. Eu desejo, no entanto, que ele seja virtuoso. Que seu coração encontre prazer na virtude. Que ele tenha a virtude como seu apoio. Que a virtude seja o principal de todos os objetivos para ele. Este mesmo é o favor que encontra com a minha aprovação.' Manibhadra disse, 'Os frutos da virtude são sempre soberania e felicidade de diversos tipos. Que ele desfrute daqueles resultados, sempre livre de dor física de todo tipo.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, Kundadhara, no entanto, de grande celebridade, repetidamente solicitou somente a virtude para aquele Brahmana. Os deuses ficaram muito satisfeitos com isso. Então Manibhadra disse, 'Os deuses estão todos satisfeitos contigo como também com este Brahmana. Ele se tornará uma pessoa de alma virtuosa. Ele dedicará sua mente à virtude.' A Nuvem, Kundadhara, ficou encantado, ó Yudhishthira, por ter sido assim bem sucedido em obter seu desejo. A bênção que ele obteve era uma que era inalcançável por alguém mais. O Brahmana então viu espalhados ao redor dele muitos tecidos de roupa delicados. Sem prestar atenção a eles absolutamente (embora tão caros), o Brahmana veio a sentir aversão pelo mundo.'” "O Brahmana disse, 'Quando este não põe qualquer valor sobre bons feitos, quem mais o fará? Eu faria melhor indo para as florestas para levar uma vida de virtude.'” (O Brahmana evidentemente se refere à indiferença de Kundadhara em direção a ele. Ele pensou que Kundadhara iria, em retorno por suas adorações, conceder riqueza a ele. Desapontado nisto, ele diz, 'Quando Kundadhara não se importa com minhas adorações, quem mais se importará? Eu farei melhor, portanto, em desistir de todo o desejo por riqueza e me retirar para as florestas.' A passagem, no entanto, parece ser inconsistente com a indiferença do Brahmana aos tecidos finos em volta dele.) "Bhishma continuou, 'Nutrindo uma repugnância pelo mundo, e através também da graça dos deuses, aquele principal dos Brahmanas entrou nas florestas e começou a passar pelas mais austeras das penitências. Subsistindo das frutas e raízes que restavam depois de servir as divindades e convidados, a mente daquela pessoa regenerada, ó monarca, estava estabelecida firmemente na virtude. Gradualmente, o Brahmana, renunciando às frutas e raízes, se dirigiu às folhas de árvores como seu alimento. Então, renunciando às folhas, ele tomou somente água como sua subsistência. Depois disso ele passou muitos anos por subsistir só do ar. Todo o tempo, a força dele não diminuiu. Isso parecia muito extraordinário. Devotado à virtude e dedicado à prática das austeridades mais rígidas, depois de muito tempo ele adquiriu visão espiritual. Ele então refletiu, dizendo para si mesmo, 'Se, estando satisfeito com alguém, eu lhe der riqueza, as minhas palavras nunca serão falsas.' (Pois as pessoas que conseguiam sucesso ascético proferiam um desejo e ele era imediatamente realizado.) Com o rosto iluminado por sorrisos, ele novamente começou a praticar austeridades mais severas. E, mais uma vez, tendo ganhado sucesso (superior), ele pensou que ele poderia, por um decreto da vontade, então criar os maiores objetos. 'Se, satisfeito com alguma pessoa eu lhe der até soberania, ele imediatamente se tornará um rei, pois minhas palavras nunca serão falsas.' Enquanto ele estava pensando dessa maneira, Kundadhara, induzido por sua amizade pelo Brahmana e não menos pelo sucesso ascético que o Brahmana tinha alcançado, se mostrou, ó Bharata (para seu amigo e devoto). Encontrando com ele o Brahmana lhe ofereceu culto segundo as observâncias ordenadas. O Brahmana, no entanto, sentiu alguma surpresa, ó rei. Então Kundadhara se dirigiu ao Brahmana, dizendo, 'Tu agora conseguiste uma visão excelente e espiritual. Contemple com essa tua visão o fim que é alcançado por reis, e examine todos os mundos além disso.' O Brahmana então, com sua visão espiritual, contemplou de uma distância milhares de reis caídos no inferno.'” "Kundadhara disse, 'Se depois de ter me adorado com devoção tu obtivesses tristeza como tua parte, qual então teria sido o bem feito a ti por mim, e qual o valor do meu favor? Olhe, procure qual é o fim dos homens que desejam a satisfação dos prazeres carnais. A porta do céu está fechada para tais homens.'” "Bhishma continuou, 'O Brahmana então viu muitos homens vivendo neste mundo, abraçando a luxúria, e ira, e cobiça, e medo, e orgulho, e sono e procrastinação, e inatividade.'” "Kundadhara disse, 'Com esses (vícios) todos os seres humanos são acorrentados. Os deuses temem os homens. Esses vícios, por ordem dos deuses, arruínam e perturbam por toda parte. Nenhum homem pode se tornar virtuoso a menos que permitido pelos deuses. (Pela permissão deles) tu te tornaste competente para doar reinos e riquezas através das tuas penitências.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, o Brahmana de alma justa, curvando sua cabeça para aquela Nuvem, se prostrou no chão e disse, 'Tu, de fato, me fizeste um grande favor. Inconsciente da grande afeição mostrada por ti em direção a mim, eu, pela influência do desejo e da cobiça, falhei em mostrar boa vontade em direção a ti.' Então Kundadhara disse para aquela principal das pessoas regeneradas, 'Eu te perdoei,' e, tendo-o abraçado com seus braços desapareceu imediatamente. O Brahmana então vagou por todos os mundos, tendo obtido sucesso ascético pela graça de Kundadhara. Pela pujança obtida de virtude e penitências, alguém adquire competência para viajar através dos céus e para frutificar todos os seus desejos e propósitos, e finalmente alcançar o fim mais sublime. Os deuses e Brahmanas e Yakshas e todos os bons homens e Charanas sempre adoram aqueles que são virtuosos, mas nunca aqueles que são ricos ou entregues à indulgência de seus desejos. Os deuses são realmente propícios para ti já que tua mente é dedicada à virtude. Na riqueza pode haver muito pouca felicidade, mas na virtude a medida de felicidade é muito grande.'” 272 "Yudhishthira disse, 'Entre os diversos tipos de sacrifícios, todos os quais, naturalmente, são considerados como tendo somente um objetivo (isto é, a limpeza do coração ou a glória de Deus), diga-me, ó avô, qual é o sacrifício que é ordenado somente por causa da virtude e não para a obtenção de céu ou riqueza!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto eu relatarei para ti a história antigamente recitada por Narada, de um Brahmana que para realizar sacrifícios vivia de acordo com o modo unchha.'” "Narada disse, 'Em um dos principais dos reinos que eram famosos também por virtude, vivia um Brahmana. Dedicado a penitências e vivendo em conformidade com o modo unchha, aquele Brahmana estava seriamente dedicado a adorar Vishnu em sacrifícios. (Alguém que subsiste de grãos de cereais colhidos dos campos depois que os ceifeiros os abandonaram é chamado de uma pessoa levando o modo de vida unchha.) Ele tinha Syamaka, (uma variedade de arroz chamada Panicum frumentaceum), como seu alimento, como também Suryaparni e Suvarchala e outras espécies de ervas cozidas em conserva que eram amargas e desagradáveis para o paladar. Por causa, no entanto, de suas penitências, todos esses tinham gosto doce. Abstendo-se de ferir alguma criatura, e levando a vida de um asceta na floresta, ele obteve sucesso ascético. Com raízes e frutas, ó opressor de inimigos, ele costumava adorar Vishnu em sacrifícios que eram planejados para conceder o céu para ele. (Isto é, ele nunca matava animais vivos para oferecê-los em sacrifícios por causa de sua incapacidade de obtê-los. Ele, portanto, colocava produtos vegetais no lugar daqueles animais. Seus sacrifícios, planejados para levá-lo para o céu, eram realmente cruéis em intenção.) O Brahmana, cujo nome era Satya, tinha uma esposa chamada Pushkaradharini. Ela era de mente pura, e tinha emaciado a si mesma pela observância de muitos votos austeros. (Ela mesma sendo de uma disposição bondosa, e seu marido sendo assim dedicado a sacrifícios que eram cruéis), ela não aprovava a conduta dele. Convocada, no entanto, para tomar seu assento ao lado dele como sua cônjuge (para a realização de um sacrifício), ela teve medo de incorrer em sua maldição e, portanto, se conformou com sua conduta. As peças de roupa que envolviam o corpo dela consistiam de plumas de pavões (rejeitadas). Embora relutante, ela ainda assim realizou aquele sacrifício por ordem de seu marido que tinha se tornado seu Hotri. Naquela floresta, perto do retiro do Brahmana vivia um vizinho dele, isto é, o virtuoso Parnada da linhagem de Sukra, tendo assumido a forma de um veado. Ele se dirigiu àquele Brahmana, cujo nome era Satya, em palavras articuladas e disse a ele estas palavras, 'Tu agirias muito impropriamente se esse teu sacrifício fosse realizado de maneira a ser defeituoso em mantras e outros detalhes do ritual. Eu, portanto, te peço para me matar e me cortar em pedaços para fazer as libações com eles sobre o fogo sacrifical. Faça isso e tornando-te irrepreensível ascenda para o céu.' Então a deusa que preside o disco solar, isto é, Savitri, chegou àquele sacrifício em sua própria forma incorporada e insistiu para aquele Brahmana fazer o que ele desejava fazer por meio daquele veado. Para aquela deusa, no entanto, que insistiu daquela maneira, o Brahmana respondeu, dizendo, 'Eu não matarei este veado que vive comigo nessa mesma vizinhança.' Assim endereçada pelo Brahmana, a deusa Savitri desistiu e entrou no fogo sacrifical pelo desejo de inspecionar o mundo inferior, e desejando evitar a visão dos (outros) defeitos naquele sacrifício. O veado, então, com mãos unidas, mais uma vez pediu para Satya (para ser cortado em pedaços e despejado no fogo sacrifical). Satya, no entanto, o abraçou em amizade e o dispensou, dizendo, 'Vá!' Nisto, o veado pareceu deixar aquele local. Mas depois que ele tinha dado oito passos ele voltou, e disse, 'Realmente, me mate. Verdadeiramente eu digo, morto por ti eu estou certo de alcançar um fim virtuoso. Eu te dou visão (espiritual). Veja as Apsaras celestes e os veículos belos dos Gandharvas de grande alma.' Contemplando (aquela visão) por um espaço de tempo prolongado, com olhos desejosos, e vendo o veado (desejoso de sacrifício), e pensando que residência no céu é alcançável somente pela matança, ele aprovou (os conselhos que o veado tinha dado). Era o próprio Dharma que tinha se tornado um veado que vivia naquelas florestas por muitos anos; (Dharma primeiro se tornou o Rishi Parnada e então, como Parnada, foi metamorfoseado em um veado). (Vendo o Brahmana tentado pela probabilidade que ele via), Dharma tomou providências para sua salvação e o aconselhou, dizendo, 'Isto, (a matança de criaturas vivas) não está de acordo com as ordenanças sobre Sacrifícios.’ As penitências, que tinham sido de medida muito grande, daquele Brahmana cuja mente tinha nutrido o desejo de matar o veado, diminuíram imensamente por causa daquele pensamento. Ferir criaturas vivas, portanto, não faz parte do sacrifício. Então o próprio ilustre Dharma (tendo assumido sua forma real), ajudou aquele Brahmana, por cumprir o ofício sacerdotal, a realizar um sacrifício. O Brahmana, depois disso, por suas penitências (renovadas), alcançou aquele estado de espírito o qual era de sua esposa. Abstenção de ferir é aquela religião que é completa em relação às suas recompensas. A religião, no entanto, da crueldade é somente benéfica até o ponto em que ela leva para o céu (o qual tem um término). Eu te falei daquela religião da Verdade que, de fato, é a religião daqueles que são proferidores de Brahma.'" 273 "Yudhishthira disse, 'Por quais meios um homem se torna pecaminoso, por quais ele obtém virtude, por quais ele alcança a Renúncia, e por quais ele ganha Emancipação?'” "Bhishma disse, 'Tu conheces todos os deveres. Essa pergunta que tu fizeste é somente para a confirmação das tuas conclusões. Escute agora a Emancipação, e Renúncia, e Pecado, e Virtude até suas próprias origens. Percebendo qualquer um dos cinco objetos (isto é, forma, gosto, cheiro, som, e toque), o desejo corre atrás disso a princípio. De fato, obtendo-os dentro do campo de ação dos sentidos, ó chefe da linhagem de Bharata, o desejo ou a aversão surge. Alguém, então, por causa daquele objeto, (ou seja, para a aquisição do que agrada e para evitar o que desagrada), se esforça e inicia ações que envolvem muito trabalho. Alguém se esforça o melhor que pode para desfrutar repetidamente daquelas formas e perfumes (e os três outros objetos dos três sentidos restantes) que parecem muito agradáveis. Gradualmente, atração, e aversão, e cobiça, e os erros de julgamento surgem. A mente de alguém oprimido pela cobiça e erro e afetado por atração e aversão nunca está dirigida para a virtude. Ele então começa com hipocrisia a fazer ações que são boas. De fato, com hipocrisia ele então procura adquirir virtude, e com hipocrisia ele gosta de adquirir riqueza. Quando alguém consegue, ó filho da linhagem de Kuru, ganhar riqueza com hipocrisia, ele coloca totalmente seu coração em tal aquisição. É então que ele começa a fazer ações que são pecaminosas, apesar das admoestações de benquerentes e dos sábios, para todos os quais ele dá respostas plausivelmente consistentes com a razão e obedientes às injunções das escrituras. Nascidos de atração e erro, seus pecados, de três tipos, aumentam rapidamente, pois ele pensa pecaminosamente, fala pecaminosamente, e age pecaminosamente. Quando ele regularmente começa no caminho do pecado, aqueles que são bons notam sua maldade. Aqueles, no entanto, que são de uma disposição similar àquela do homem pecaminoso, estabelecem amizade com ele. Ele não consegue ganhar felicidade nem aqui. Por qual motivo então ele conseguiria ganhar felicidade após a morte? É dessa maneira que alguém se torna pecaminoso. Escute agora a mim enquanto eu te falo de alguém que é justo. Tal homem, visto que ele procura o bem de outros, consegue ganhar bem para si mesmo. Por praticar deveres que estão repletos com o bem de outras pessoas, ele finalmente alcança um fim altamente agradável. Aquele que, ajudado por sua sabedoria, consegue ver de antemão as falhas acima advertidas, que é hábil em julgar o que é felicidade e o que é tristeza e como cada um é ocasionado, e que serve com reverência aqueles que são bons, faz progresso em conquistar virtude, por causa de seus hábitos e tal companhia dos bons. A mente de tal pessoa tem prazer na virtude, e ele vive, fazendo da virtude seu suporte. Se ele coloca seu coração na aquisição de riqueza, ele deseja somente tal riqueza que possa ser adquirida de maneiras justas. De fato, ele rega as raízes somente daquelas coisas nas quais ele vê mérito. Dessa maneira, alguém se torna justo e adquire amigos que são bons. Por sua aquisição de amigos, de riqueza, e de filhos, ele se diverte em felicidade aqui e após a morte. O domínio (em relação ao desfrute) que uma criatura viva obtém sobre som, toque, gosto, forma, e cheiro, ó Bharata, representa o resultado da virtude. (Este é o domínio ou pujança que é trazido por Yoga, de modo que a pessoa consegue, por decretos da vontade, criar tudo o que ela deseja.) Lembre disso. Tendo obtido o fruto da virtude, ó Yudhishthira, tal homem não se entrega à alegria. Sem estar satisfeito com tais resultados (visíveis) da virtude, ele se dirige à Renúncia, levado em frente pela visão do conhecimento. Quando, tendo obtido a visão do conhecimento, ele pára de ter prazer na satisfação do desejo, no gosto e no aroma, quando ele não permite que sua mente corra em direção ao som, toque e forma, é então que ele consegue se livrar do desejo. Ele, no entanto, mesmo então não rejeita a virtude ou as ações justas. Vendo então que todos os mundos estão sujeitos à destruição, ele se esforça para rejeitar a virtude (com suas recompensas na forma de céu e sua felicidade) e se esforça para alcançar a Emancipação pelos meios (bem conhecidos. Isto é, pela prática dos deveres sem desejo de resultado, pois somente tal rumo de conduta pode levar à Emancipação). Abandonando gradualmente todas as ações pecaminosas ele se dirige à Renúncia, e se tornando de alma justa consegue finalmente alcançar a Emancipação. Eu agora te falei, ó filho, daquilo acerca do qual tu me perguntaste, ou seja, os assuntos de Pecado, Virtude, Renúncia, e Emancipação, ó Bharata! Tu deves, portanto, ó Yudhishthira, aderir à virtude em todas as situações. Eterno é o sucesso, ó filho de Kunti, de ti que aderes à justiça.'" 274 "Yudhishthira disse, 'Tu disseste, ó avô, que a Emancipação é para ser ganha por meios e não de outra maneira. Eu desejo saber devidamente quais são aqueles meios.'” "Bhishma disse, 'Ó tu de grande sabedoria, essa pergunta que tu endereçaste a mim e que está relacionada com um assunto sutil, é realmente digna de ti, já que tu, ó impecável, sempre procuras realizar todos os teus objetivos pela aplicação de meios. Aquele estado de espírito que está presente quando alguém se põe a fazer um jarro de barro para seu uso, desaparece depois que o jarro está terminado. Da mesma maneira, aquela causa que incita as pessoas que consideram a virtude como a base do avanço e da prosperidade cessa de operar com aquelas que procuram alcançar a Emancipação. (O que é dito nesse verso é isto: quando um homem quer um jarro de barro, ele trabalha para criar um. Quando ele obteve um, ele não mais se encontra no mesmo estado de espírito, sua necessidade tendo sido satisfeita. Similarmente, com homens desejosos de céu e prosperidade mundana como a recompensa da virtude, o meio é Pravritti ou ações. Este ou estes cessam de operar com aqueles que tendo adquirido tal virtude se dirigem para a realização da Emancipação, pois com eles a religião de Nivritti é tudo em tudo.) Aquele caminho que leva ao Oceano Oriental não é o caminho pelo qual alguém pode ir para o Oceano Ocidental. Há um único caminho que leva à Emancipação. (Este não é idêntico a qualquer um daqueles que levam a algum outro objeto de aquisição.) Ouça-me enquanto eu te falo sobre isso em detalhes. Alguém deve, por praticar o perdão, exterminar a ira, e por abandonar todos os propósitos, extirpar o desejo. Por praticar a qualidade de Sattwa (isto é, por abandonar todos os tipos de preguiça), uma pessoa deve conquistar o sono. Pela atenção deve-se afastar o medo, e pela contemplação da Alma deve-se conquistar a respiração. (Isto é, por meditação-Yoga uma pessoa deve regular e finalmente suspender sua respiração. O Yogin pode suspender todas as funções físicas e ainda viver de era em era.) Desejo, aversão, e luxúria devem ser dissipados por paciência; erro, ignorância, e dúvida, pelo estudo da verdade. Pela busca do conhecimento deve-se evitar despreocupação e indagação sobre coisas de nenhum interesse. Por alimentação frugal e facilmente digerível deve-se afastar todas as desordens e doenças. Pelo contentamento deve-se dissipar cobiça e estupor de raciocínio, e todos os assuntos mundanos devem ser evitados por um conhecimento da verdade. (A verdade é que o mundo é irreal e não tem fim.) Por praticar benevolência alguém deve vencer a iniquidade, e por respeito por todas as criaturas deve-se adquirir virtude. Deve-se evitar expectativa pela reflexão que está relacionada com o futuro; e deve-se rejeitar riqueza por abandonar o próprio desejo. O homem de inteligência deve abandonar afeição por lembrar que tudo (aqui) é transitório. Ele deve subjugar a fome por praticar Yoga. Por praticar benevolência deve-se afastar todas as ideias de presunção, e rechaçar todos os tipos de desejo por adotar o contentamento. Pelo esforço deve-se subjugar a procrastinação, e pela certeza todas as espécies de dúvidas, pela taciturnidade, a loquacidade, e pela coragem, todo tipo de temor. (A fome é para ser subjugada por Yoga, isto é, por regular o vento dentro do corpo. A dúvida é para ser dissipada pela certeza; isto implica que conhecimento indubitável deve ser buscado para rechaçar a dúvida. 'Temor', nesse verso, significa a fonte de temor, ou o mundo. Este é para ser conquistado pela conquista dos seis, isto é, desejo, ira, cobiça, erro, orgulho, e inveja.) A fala e a mente devem ser subjugadas pela Compreensão, e a Compreensão, por sua vez, deve ser mantida sob controle pela visão do conhecimento. O conhecimento, também, é para ser controlado por familiaridade com a Alma, e finalmente a Alma é para ser controlada pela Alma. (O que é declarado aqui é o mesmo curso de treinamento que é indicado por Yoga. Primeiro, os sentidos devem ser fundidos na mente, então a mente deve ser fundida na Compreensão, então a Compreensão deve ser imersa na Alma ou aquilo que é conhecido como o Ego. Este Ego é para ser imerso finalmente na Alma Suprema. Quando o Ego é compreendido, ele vem a ser considerado como Brahma.) Esta última é alcançável por aqueles que são de ações puras e dotados de tranquilidade de alma, (esta tranquilidade é a purificação da alma por expulsar todas as emoções e desejos), os meios sendo a subjugação daqueles cinco impedimentos de Yoga dos quais os eruditos falam. Por rejeitar desejo e ira e cobiça e medo e sono, uma pessoa deve, reprimindo a fala, praticar o que é favorável ao Yoga, isto é, contemplação, estudo, caridade, verdade, modéstia, franqueza, perdão, pureza de coração, pureza em relação à alimentação, e a subjugação dos sentidos. Por estes a energia de alguém é aumentada, pecados são dissipados, desejos coroados com realização, e conhecimento (de diversos tipos) obtido. Quando alguém se torna purificado de seus pecados e possuidor energia e de alimentação frugal e o mestre de seus sentidos, ele então, tendo conquistado desejo e ira, procura alcançar Brahma. A evitação da ignorância (por escutar e estudar as escrituras), a ausência de atrações (pela Renúncia) e liberdade de desejo e cólera (pela adoção de contentamento e perdão), o poder que é ganho por meio de Yoga, a ausência de orgulho e arrogância, liberdade de ansiedade (pela subjugação de todo tipo de medo), ausência de apego a qualquer coisa como casa e família, estes constituem o caminho da Emancipação. Esse caminho é encantador, imaculado, e puro. Similarmente, o controle da fala, do corpo, e da mente (niyamah), quando praticado pela ausência de desejo (isto é, sem desejar yoga-siddhi), constituem também o caminho da Emancipação.'" 275 "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa que ocorreu entre Narada e Asita-Devala. Uma vez Narada, vendo aquele principal dos homens inteligentes, Devala de idade venerável, sentado tranquilamente, questionou-o acerca da origem e da destruição de todas as criaturas.'” "Narada disse, 'De onde, ó Brahmana, este universo, consistindo em objetos móveis e imóveis, foi criado? Quando também vem a destruição universal, em quem ele imerge? Que tua pessoa erudita fale para mim sobre isso.'” "Asita disse, 'Aqueles dos quais a Alma Suprema, quando chega a hora, movida pelo desejo de existência em formas múltiplas, cria todas as criaturas, são citados por pessoas conhecedoras dos objetos como sendo as cinco grandes essências. (Depois disso) o Tempo, impelido pela Compreensão cria outros objetos daquelas (cinco essências primordiais). (Kala aqui é, talvez, a encarnação da idéia abstrata da vida de criaturas vivas. Impelido pela Compreensão, Kala ou vida se dirige para a criação de outras criaturas. Estas últimas também são igualmente o resultado das mesmas cinco essências primordiais.) Aquele que diz que há algo mais além destes (isto é, as cinco essências primordiais, Kala, e a Compreensão), diz o que não é verdade. Saiba, ó Narada, que estes cinco são eternos, indestrutíveis, e sem início e sem fim. Com Kala como seu sexto, estas cinco essências primordiais são naturalmente possuidoras de energia poderosa. Água, Espaço, Terra, Vento, e Calor, estes são aquelas cinco essências. Sem dúvida, não há nada maior ou superior a estes (a respeito de pujança ou energia). A existência de nada mais (além dos cinco) pode ser afirmada por qualquer um de acordo com as conclusões deriváveis dos Srutis ou argumentos retirados da razão. Se alguém afirmasse a existência de qualquer coisa mais, então sua afirmação em verdade seria ineficiente ou inútil. Saiba que estes seis entram na produção de todos os efeitos. Aquilo do qual é tudo isso (que tu percebes) é chamado de Asat. (O sentido da última oração é que tudo isso é o efeito daquelas essências primordiais. Tudo isso, portanto, é daquelas essências. As últimas estão incluídas na palavra asat, ou irreal, como distinguido de sat ou real ou substancial. A alma é sat, e tudo mais é asat.) Estes cinco, e Kala (ou Jiva), as potências de ações passadas, e a ignorância; essas oito essências eternas são as causas do nascimento e da destruição de todas as criaturas. (Nos capítulos anteriores foi explicado como quando o Chit, o qual tem conhecimento puro como seu atributo, vem a ser envolvido com Ignorância, ele começa a atrair as essências primordiais em direção a si mesmo em consequência das potências de atos passados e toma nascimento em várias formas. (A idéia de atos passados é devido aos infinitos ciclos de criação e destruição, a exata primeira criação sendo inconcebível.) As causas da criação são, portanto, as cinco essências primordiais, Jiva (ou chit), as potências de atos passados, e Ignorância.) Quando as criaturas são destruídas é dentro destes que elas entram; e quando elas tomam nascimento, é novamente destas que elas o fazem. De fato, depois da destruição, uma criatura se desintegra naquelas cinco essências primordiais. Seu corpo é feito de terra; seu ouvido tem sua origem no espaço; seus olhos têm a luz como sua causa; sua vida (movimento) é do vento, e seu sangue é da água, sem dúvida. Os dois olhos, o nariz, os dois ouvidos, a pele, e a língua (constituindo o quinto), são os sentidos. Estes, os eruditos sabem, existem para a percepção de seus respectivos objetos. Ver, ouvir, cheirar, tocar e provar são as funções dos sentidos. Os cinco sentidos estão relacionados com cinco objetos de cinco maneiras. Conheça, pela inferência da razão, sua semelhança de atributos. (O olho é o sentido da visão. Ver é sua função. O objeto que ele apreende é a forma. O olho tem a luz como sua causa, e a forma é um atributo da luz. Então o olho entende ou apreende a forma. Pela inferência da razão, há semelhança em relação a atributo ou propriedade entre o olho, a visão, e a forma.) Forma, cheiro, gosto, toque, e som, são as cinco propriedades que são (respectivamente) apreendidas pelos cinco sentidos de cinco modos diferentes. Estas cinco propriedades, isto é, forma, cheiro, gosto, toque, e som, não são realmente compreendidas pelos sentidos (pois estes são inertes), mas é a Alma que os compreende através dos sentidos. Aquilo que é chamado de Chitta é superior à multidão dos sentidos. Superior à Chitta é Manas (Mente). Superior à Manas é Buddhi (Compreensão), e superior à Buddhi é o Kshetrajna (Alma). A princípio uma criatura viva percebe diferentes objetos pelos sentidos. Com Manas ela reflete sobre eles, e então com a ajuda de Buddhi ela chega à certeza de conhecimento. Possuidor de Buddhi, alguém chega à certeza de conclusões a respeito dos objetos percebidos pelos sentidos. Os cinco sentidos, Chitta, Mente e Compreensão (que é o oitavo), estes são considerados como órgãos de conhecimento por aqueles que conhecem a ciência de Adhyatma. As mãos, os pés, o ducto anal, o membro viril, a boca (formando o quinto), constituem os cinco órgãos de ação. A boca é citada como um órgão de ação porque ela contém o aparelho da fala, e aquele de alimentação. Os pés são os órgãos de locomoção e as mãos para fazerem vários tipos de trabalho. O ducto anal e o membro viril são dois órgãos que existem para um propósito similar, isto é, para evacuação. O primeiro é para a evacuação de fezes, o segundo para aquela da urina como também da semente vital quando alguém sente a influência do desejo. Além desses, há um sexto órgão de ação. Ele é chamado de poder muscular. Estes então são os nomes dos seis órgãos de ação segundo os tratados (aprovados) que têm ligação com o assunto. Eu agora mencionei para ti os nomes de todos os órgãos de conhecimento e de ação, e todos os atributos das cinco essências primordiais. Quando, pelos órgãos estarem fatigados, eles cessam de realizar suas respectivas funções, o dono daqueles órgãos, por causa de sua suspensão, é citado como estando dormindo. Se, quando as funções daqueles órgãos estão suspensas, as funções da mente não cessam, mas por outro lado a mente continua a se relacionar com seus objetos, a condição de consciência é chamada de Sonho. Durante a vigília há três estados da mente, isto é, aquele conectado com Bondade, aquele com Paixão, e aquele com Ignorância. No sonho também a mente se torna relacionada com os mesmos três estados. Aqueles mesmos estados, quando eles aparecem em sonhos, ligados com ações agradáveis, vêm a ser considerados com aprovação. Felicidade, sucesso, conhecimento, e ausência de apego são as indicações (do homem acordado em quem está presente) o atributo de Bondade. Quaisquer estados (de Bondade, Paixão, ou Ignorância) que sejam experimentados por criaturas vivas, como revelados em ações, durante suas horas de Vigília, reaparecem na memória durante suas horas de sono quando elas sonham. A passagem de nossas noções como elas existem durante a vigília para aquelas de sonhos, e aquela de noções como elas existem em sonhos para aquelas de vigília, são diretamente compreensíveis naquele estado de consciência que é chamado de sono sem sonhos. Aquele é eterno, e aquele é desejável. (Isso significa que nos homens comuns, as noções durante a vigília não são as noções que eles nutrem durante sonhos; nem suas noções durante sonhos são identificáveis com aquelas que eles nutrem enquanto despertos. Há similaridade mas não identidade. Em Sushupti eterno, no entanto, o qual é Emancipação, as noções de vigília passam para aquelas de sonho e aquelas de sonho passam para aquelas de vigília, isto é, ambas (ou melhor, a mesma, pois há então perfeita identidade entre elas) vêm a ser diretamente apreensíveis em Sushupti ou Emancipação. Sushupti ou Emancipação, portanto, é um estado no qual não há nem a consciência de vigília nem aquela de sonho, mas ambas correm juntas, suas diferenças desaparecendo totalmente.) Há cinco órgãos de conhecimento, e cinco de ação; com poder muscular, mente, compreensão, e Chitta, e também com os três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas; a conta, é dito, alcança dezessete. O décimo oitavo na enumeração é aquele que possui o corpo. De fato, aquele que vive neste corpo é eterno. Todos aqueles dezessete (com Avidya ou Ignorância fazendo dezoito), residindo no corpo, existem ligados àquele que possui o corpo. Quando o proprietário desaparece do corpo, aqueles dezoito (contando Avidya) cessam de residir juntos no corpo. Ou, este corpo composto das cinco essências (primordiais) é somente uma combinação (que deve se desagregar). Os dezoito atributos (incluindo Avidya), com aquele que possui o corpo, e contando o calor estomacal numerando o vigésimo, formam aquilo que é conhecido como a Combinação dos Cinco. Há um Ser chamado Mahat, o qual, com a ajuda do vento (chamado Prana), mantém esta combinação contendo as vinte coisas que foram citadas, e a respeito da destruição daquele corpo o vento (que é geralmente citado como a causa), é somente o instrumento nas mãos daquele mesmo Mahat. Qualquer criatura nascida é dissolvida mais uma vez nos cinco elementos constituintes após o esgotamento de seus méritos e deméritos; e, incitada novamente pelos méritos e deméritos ganhos naquela vida entra em outro corpo resultante de suas ações. Suas residências sempre resultando de Avidya, desejo, e ações, ele migra de corpo para corpo, abandonando um depois do outro repetidamente, incitado adiante pelo Tempo, como uma pessoa abandonando casa após casa em sucessão. Aqueles que são sábios, e dotados de certeza de conhecimento, não cedem à aflição após verem esta (migração). Somente aqueles que são tolos, erroneamente imaginando relacionamentos (onde em realidade não há relacionamento), se entregam à dor ao verem tais mudanças de residência. Este Jiva não é parente de alguém; não há alguém também que possa ser citado como pertencente a ele. Ele está sempre só, e ele mesmo cria seu próprio corpo e sua própria felicidade e tristeza. Este Jiva nunca nasce, e nunca morre. Livre do laço do corpo, ele consegue às vezes alcançar o fim mais elevado. Privado de corpo, porque foi liberto, pelo esgotamento das ações, dos corpos que são os resultados dos méritos e deméritos, Jiva finalmente alcança Brahma. Para o esgotamento de méritos e deméritos, o Conhecimento tem sido ordenado como a causa na escola Sankhya. Após o esgotamento de mérito e demérito, quando Jiva alcança a posição de Brahma, (aqueles que são versados nas escrituras) contemplam (com o olho das escrituras) o alcance de Jiva ao fim mais sublime.'" 276 "Yudhishthira disse, 'Cruéis e pecaminosos que nós somos, ai, nós matamos irmãos e pais e netos e parentes e amigos e filhos. Como, ó avô, nós dissiparemos esta sede por riqueza? Ai, por causa daquela sede nós cometemos muitos atos pecaminosos.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a antiga narrativa do que foi dito pelo soberano dos Videhas para o perguntador Mandavya. O soberano dos Videhas disse, 'Eu não tenho nada (neste mundo), ainda assim eu vivo em grande felicidade. Se Mithila inteiro (que é citado como sendo o meu reino), queimasse em uma conflagração, nada meu seria incendiado. Posses tangíveis, embora valiosas, são uma fonte de tristeza para os homens de conhecimento; enquanto posses mesmo de pouco valor fascinam os tolos. (O comentador salienta que posses de valor incluem até a região de Brahman. Homens de conhecimento, que buscam Emancipação, não colocam qualquer valor nem na alegria da região do Criador.) Qualquer felicidade que exista aqui, derivável da satisfação do desejo, e qualquer felicidade celestial de alto valor que exista, não alcança nem mesmo uma décima sexta parte da felicidade que está ligada ao desaparecimento total do desejo. Como os chifres de uma vaca crescem com o crescimento da própria vaca, da mesma maneira a sede por riqueza aumenta com aquisições crescentes de riqueza. Qualquer que seja o objeto pelo qual alguém sente um apego, aquele objeto se torna uma fonte de angústia quando ele é perdido. Não se deve nutrir desejo. Ligação com o desejo leva à tristeza. Quando riqueza for adquirida, alguém deve aplicá-la para propósitos de virtude. Deve-se mesmo então desistir do desejo. (O comentador explica que alguém não deve nutrir o desejo por riqueza nem para adquirir virtude com ela. Quando, no entanto, riqueza é obtida sem esforço, tal riqueza deve ser aplicada para a aquisição de virtude. Uma pessoa também é instruída a desistir do desejo de obter riqueza (mesmo por meios inocentes) a razão sendo que o desejo, quando nutrido, seguramente aumenta e tira o melhor do coração de alguém.) O homem de conhecimento sempre olha para outras criaturas assim como ele olha para si mesmo. Tendo purificado sua alma e alcançado o êxito, ele rejeita tudo aqui. Por rejeitar verdade e falsidade, alegria e dor, o agradável e o desagradável, o destemor e o medo, uma pessoa obtém tranquilidade, e fica livre de toda ansiedade. Alguém que consegue rejeitar aquela sede (por coisas mundanas) a qual é difícil de ser rejeitada por homens de compreensão superficial, que não enfraquece com o enfraquecimento do corpo, e que é considerada como uma doença fatal (por homens de conhecimento), sem dúvida encontra felicidade. O homem de alma virtuosa, por observar seu próprio comportamento que se tornou brilhante como a lua e livre de males de todos os tipos, consegue alegremente obter grande fama aqui e após a morte.' Ouvindo estas palavras do rei, o Brahmana se encheu de alegria, e elogiando o que ele ouviu, Mandavya se dirigiu para o caminho da Emancipação.'" 277 "Yudhishthira disse, 'O Tempo, que é repleto de terror para todas as criaturas, está seguindo seu rumo. Qual é aquela fonte de bem pela qual alguém deve se esforçar? Diga-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa de uma conversa entre um pai e um filho. Escute-a, ó Yudhishthira! Uma vez, ó filho de Pritha, uma pessoa regenerada dedicada somente ao estudo dos Vedas teve um filho muito inteligente que era conhecido pelo nome de Medhavin. Ele mesmo conhecedor da religião da Emancipação, o filho um dia fez para seu pai, que não conhecia aquela religião e que estava empenhado em seguir os preceitos dos Vedas, essa pergunta.'” "O filho disse, 'O que um homem de inteligência deve fazer, ó pai, sabendo que o período de existência concedido para os homens corre rápido? Diga-me isto realmente e na ordem apropriada, ó pai, para que, guiado por tuas instruções, eu possa me dirigir à aquisição de virtude.'” "O pai disse, 'Tendo estudado os Vedas todo o tempo cumprindo os deveres de Brahmacharya, ó filho, deve-se então desejar progênie para resgatar seus antepassados. Tendo então estabelecido um fogo e realizando os sacrifícios que são ordenados, deve-se então se retirar para as florestas e, (tendo vivido como um asceta na floresta), deve-se então se tornar um Muni (por abandonar tudo e esperar calmamente pela dissolução).'” "O filho disse, 'Quando o mundo é assim atacado e assim sitiado por todos os lados, e quando tais (raios) irresistíveis estão caindo em todas as direções, como você pode falar tão calmamente?'” "O pai disse, 'Como o mundo é atacado? Pelo que ele é sitiado? Quais são aqueles raios irresistíveis que estão caindo por todos os lados? Tu me assustas com tuas palavras!'” "O filho disse, 'O mundo é atacado pela Morte. Ele é sitiado pela Decrepitude. Dias e Noites estão caindo continuamente (como raios). Por que você não presta atenção a eles? Quando eu sei que a Morte não espera aqui por ninguém (mas arrebata de repente e sem aviso prévio), como eu posso possivelmente esperar (por sua vinda) assim envolvido em uma capa de Ignorância e atendendo (descuidadamente) a meus interesses? Quando cada noite passa o período de vida de todos passa com ela, quando, de fato, a posição de alguém é similar àquela de um peixe em uma parte de água rasa, quem pode se sentir feliz? A Morte encontra alguém no próprio meio de seus interesses, antes do alcance de seus objetivos, encontrando-o tão desatento quanto uma pessoa enquanto ocupada em colher flores. (Todos os Brahmanas têm que colher flores de manhã para oferecê-las às divindades que eles adoram. A tarefa leva muitos minutos, porque muitas têm que ser colhidas para o propósito. Esta sendo uma ocupação diária e, indo como eles vão a lugares cheios de flores, o ato de colher segue enquanto o colhedor está mentalmente envolvido com outras coisas.) Aquilo que é mantido para ser feito amanhã deve ser feito hoje; e aquilo que alguém pensa em fazer à tarde deve ser feito de manhã. A Morte não espera, atenta a alguém ter feito ou não suas ações. Faça hoje o que é para o teu bem (sem deixá-lo para amanhã). Cuide para que a Morte, que é irresistível, não possa te dominar (antes de tu realizares suas ações). Quem sabe se a Morte não virá para si neste mesmo dia? Antes das ações de alguém estarem terminadas, a Morte o leva à força. Alguém deve, portanto, começar a praticar virtude enquanto ainda é jovem (sem esperar pela velhice), pois a vida é incerta. Por adquirir virtude alguém com certeza terá felicidade eterna aqui e após a morte. Dominado por insensatez alguém cinge seus quadris para agir em favor de seus filhos e esposas. Por realizar ações justas ou injustas, ele satisfaz estes (parentes). Aquele que possui filhos e animais, e com mente lealmente apegada a eles, a Morte agarra e foge como tigre carregando um veado adormecido. Enquanto ele está ainda empenhado em ganhar diversos objetos de desejo, e enquanto ele ainda está insatisfeito com seu desfrute, a Morte o agarra e foge assim como uma loba agarrando uma ovelha e fugindo com ela. ‘Isto foi feito’, ‘Isto resta para ser feito’, ‘Este outro está metade feito’, alguém pode dizer assim para si mesmo; mas a Morte, sem consideração pelo desejo dele de terminar suas ações incompletas, o agarra e arrasta à força. Alguém que ainda não obteve o resultado do que ele já fez, entre aqueles apegados à ação, alguém ocupado com seu próprio campo ou loja ou casa, a Morte agarra e leva embora. O fraco, o forte; o sábio, o corajoso, o idiota, o erudito, ou o que ainda não obteve a satisfação de algum de seus desejos, a Morte agarra e leva embora. Morte, decrepitude, doença, tristeza, e muitas coisas semelhantes não podem ser evitadas por mortais. Como, então, ó pai, tu podes sentar-te tão tranquilamente? Logo que uma criatura nasce, a Decrepitude e a Morte vêm e a possuem para sua destruição. Todas essas formas de existência móveis e imóveis são possuídas por estas duas (isto é, Decrepitude e Morte). Quando os soldados que compõem o exército da Morte estão em sua marcha, nada pode resistir a eles, exceto uma coisa, isto é, o poder da Verdade, pois somente na Verdade a Imortalidade reside. O prazer que alguém sente em residir no meio de homens é a residência da Morte. O Sruti declara que aquilo que é chamado de floresta é o verdadeiro curral para os Devas, enquanto o deleite que alguém sente em residir entre os homens é, por assim dizer, a corda para amarrar o habitante (e fazê-lo desamparado). (Devas aqui evidentemente se refere aos sentidos. Os sentidos são, por assim dizer, gado. Seu verdadeiro curral é a floresta e não cidades povoadas. Na floresta não há tentações para atormentá-los como no meio das cidades.) Os justos a cortam e escapam. Os pecaminosos não conseguem cortá-la (e se libertarem). Aquele que não fere outras criaturas em pensamentos, palavras e ações, e que nunca prejudica outros para tirar seus meios de sustento, nunca é ferido por qualquer criatura. Por estas razões deve-se praticar o voto da verdade, ser firmemente devotado ao voto da verdade, e desejar somente a verdade. Reprimindo todos os seus sentidos e olhando para todas as criaturas com um olhar igual, alguém deve vencer a Morte com a ajuda da Verdade. Imortalidade e Morte estão plantadas no corpo. A Morte é encontrada por causa da tolice, e a Imortalidade é obtida pela Verdade. Transcendendo desejo e ira, e me abstendo de ferir, eu adotarei a Verdade e, realizando alegremente o que é para o meu bem, evitarei a Morte como um Imortal. Empenhado no Sacrifício que é constituído pela Paz, e empenhado também no Sacrifício de Brahma, e controlando meus sentidos, os Sacrifícios que eu realizarei serão aqueles da fala, mente, e ações, quando o sol entrar em seu curso norte. (O Sacrifício da Paz é oposto ao Sacrifício da Matança. O Sacrifício de Brahma é Yoga o qual leva ao conhecimento da Alma. O Sacrifício da Fala é recitação Védica ou Japa. O Sacrifício da Mente é contemplação, e aquele das Ações é banhos, realização de outros atos de pureza, servir devidamente o preceptor, etc.) Como pode alguém como eu realizar um Sacrifício Animal que é repleto de crueldade? Como pode alguém como eu, que é possuidor de sabedoria, realizar como um Pisacha cruel, um Sacrifício de Matança da mesma maneira do que é prescrito para os Kshatriyas, um Sacrifício que é, além disso, dotado de recompensas que são finitas? Em mim mesmo eu fui gerado por meu próprio eu. Ó pai, sem procurar procriar descendência, eu dependerei de mim mesmo. Eu realizarei o Sacrifício do Eu (isto é, fundirei a Alma na Alma Suprema), eu não preciso de prole para me resgatar. Aquele cujas palavras e pensamentos estão sempre bem controlados, aquele que tem Penitências e Renúncia, e Yoga, sem dúvida alcança tudo através destes. Não há olho igual ao Conhecimento. Não há recompensa igual ao Conhecimento. Não há tristeza igual ao apego. Não há felicidade igual à Renúncia. Para um Brahmana não pode haver riqueza como a residência em solidão, igual respeito por todas as criaturas, veracidade de palavras, observância constante de boa conduta, o total abandono da vara (de castigo), simplicidade, e a abstenção gradual de todas as ações. Que necessidade tu tens de riqueza e que necessidade de parentes e amigos, e de cônjuges? Tu és um Brahmana e tu tens a morte para encontrar. Busque teu próprio Eu que está oculto em uma caverna (corpo). Aonde foram teus avôs e aonde foi teu pai também?'” "Bhishma disse, 'Ouvindo estas palavras de seu filho, o pai agiu da maneira que foi indicada, ó rei! Aja tu também da mesma maneira, dedicado à religião da Verdade.'" 278 "Yudhishthira disse, 'De que comportamento um homem deve ser, de que atos, de que tipo de conhecimento, e ao que ele deve ser devotado, para alcançar a região de Brahma que transcende Prakriti e que é imutável?'” (Prakriti é natureza primordial consistindo nas cinco grandes essências de terra, água, etc.) "Bhishma disse, 'Alguém que é devotado à religião da Emancipação, moderado em alimentação, e mestre de seus sentidos, alcança aquele lugar elevado que transcende Prakriti e que é imutável. Afastando-se do lar, considerando ganho e perda da mesma maneira, reprimindo os sentidos, e desconsiderando todos os objetos de desejo mesmo quando eles estão preparados (para desfrute), ele deve adotar uma vida de Renúncia. Nem com os olhos, nem com as palavras, nem em pensamentos, alguém deve menosprezar outros. Nem ele deve falar mal de alguma pessoa dentro ou fora de sua audição. Ele deve se abster de ferir qualquer criatura, e se conduzir observando o rumo do Sol, (isto é, vagando como o Sol todos os dias por um caminho diferente, ou seja, nunca se confinando a um local). Tendo entrado nesta vida, ele não deve se comportar com hostilidade em direção a alguma criatura. Ele deve desconsiderar palavras ignominiosas, e nunca em arrogância se julgar superior a outro. Quando alguém procurar irritá-lo, ele ainda assim deve proferir palavras agradáveis. Mesmo quando caluniado, ele não deve caluniar em retorno. Ele não deve se comportar de maneira amistosa ou antipática no meios de seres humanos. Ele não deve circular visitando muitas casas em sua ronda de mendicância. Nem ele deve ir para alguma casa tendo recebido um convite prévio (para jantar). Mesmo quando salpicado com sujeira (por outros), ele deve, apoiando-se firmemente no cumprimento de seus deveres, se abster de se dirigir a tais salpicadores em palavras desagradáveis. Ele deve ser compassivo. Ele deve se abster de retornar uma ofensa. Ele deve ser destemido; ele deve se abster da auto-louvação. O homem de sentidos controlados deve procurar sua doação de caridade na residência de um chefe de família quando a fumaça cessou de se elevar dela, quando o som da vara de debulha foi silenciado, quando o fogo da lareira foi extinto, quando todos os habitantes terminaram suas refeições, ou quando acabou a hora de colocar os pratos. (O Muni deve ser moderado e por isso ele deve escolher uma hora como esta para pedir seu donativo, quando houver muito pouco na casa para dar.) Ele deve se contentar somente com o tanto que é necessário para manter corpo e alma juntos. Mesmo aquele tanto de alimento que produz satisfação não deve ser cobiçado por ele. Quando ele fracassa em obter o que ele quer, ele não deve se permitir nutrir descontentamento. O sucesso, também, em obter o que ele quer, não deve fazê-lo alegre. Ele nunca deve desejar coisas que são cobiçadas por homens comuns. Ele nunca deve comer na casa de alguém quando respeitosamente convidado para isso. Alguém como ele deve reprovar tais ganhos como os que são obtidos com honra, (isto é, quando tal homem é presenteado com alguma coisa, ele deve pegá-la em reprovação). Ele nunca deve achar defeito (por causa de rancidez, etc.) no alimento colocado à sua frente, nem deve elogiar seus méritos. Ele deve cobiçar uma cama e um assento que estejam distantes dos lugares frequentados por homens. Os lugares que ele deve procurar são tais como uma casa abandonada, a base de uma árvore, uma floresta, ou uma caverna. Sem permitir que suas práticas sejam conhecidas por outros, ou ocultando sua real natureza por parecer adotar outras (que são odiosas ou repulsivas), ele deve entrar em seu próprio Eu, (isto é, se afastar de tudo para compreender e contemplar a Alma). Por associação com Yoga e dissociação de companhia, ele deve ser perfeitamente equânime, firmemente estável, e uniforme. Ele não deve ganhar mérito ou demérito por meio de ações. Ele deve estar sempre gratificado, satisfeito, de rosto alegre e percepção alegre, destemido, sempre ocupado em recitação mental de mantras sagrados, silencioso, e dedicado a uma vida de Renúncia. Observando a repetida formação e dissolução de seu próprio corpo com os sentidos que originam-se de e se dissolvem nas essências elementares, e vendo também a vinda e partida de (outras) criaturas, ele deve se tornar livre de desejo e aprender a lançar olhares iguais para tudo, subsistindo de alimento cozido e não cozido. Frugal em relação à sua alimentação, e subjugando seus sentidos, ele conquista a tranquilidade do Eu pelo Eu. Ele deve controlar os impulsos (nascentes) de palavras, da mente, de ira, de inveja, de fome, e de luxúria. Dedicado a penitências para purificar seu coração, ele nunca deve permitir que as críticas (de outros) aflijam seu coração. Ele deve viver, tendo assumido uma posição de neutralidade com relação a todas as criaturas, e considerar elogio e crítica como iguais. Este, de fato, é o mais santo e mais elevado caminho do modo de vida Sannyasa. Possuidor de grande alma, o Sannyasin deve retrair seus sentidos de todas as coisas e se manter à distância de todas as atrações. Ele nunca deve ir aos lugares visitados por ele e pelos homens conhecidos por ele enquanto seguia os modos de vida anteriores. Agradável para todas as criaturas, e sem uma casa fixa, ele deve ser dedicado à contemplação do Eu. Ele nunca deve se misturar com chefes de família e ascetas da floresta. Ele deve comer tal comida que ele possa obter sem esforço (e sem ter pensado nela antes). (Pensar antes na comida que comerá converte a pessoa em um comilão. O Sannyasin, sem pensar na comida que ele receberá, e sem se entregar mentalmente a um antegozo dela deve comer o que ele obtém sem esforço.) Ele nunca deve permitir que a alegria possua seu coração. Para aqueles que são sábios tal vida de Renúncia é o meio para a obtenção de Emancipação. Para aqueles, no entanto, que são tolos, a prática destes deveres é extremamente penosa. O sábio Harita declarou que tudo isso é o caminho pelo qual a Emancipação é para ser alcançada. Aquele que parte de sua casa, tendo assegurado todas as criaturas de sua perfeita inofensividade, alcança muitas regiões luminosas de felicidade as quais demonstram ser intermináveis ou eternas.'" 279 "Yudhishthira disse, 'Todos os homens falam de nós como altamente afortunados. Na verdade, no entanto, não há pessoas mais desventuradas do que nós. Embora honrados por todo o mundo, ó melhor dos Kurus, e embora nós tenhamos nascido entre homens, ó avô, tendo sido gerados pelos próprios deuses, contudo quando tanta tristeza tem sido nossa sina, parece, ó superior venerável, que só o nascimento em uma forma incorporada é a causa de toda a tristeza. Ai, quando nós adotaremos uma vida de Renúncia que é destrutiva de tristeza? Sábios de votos rígidos livres dos dezessete (isto é, os cinco ares, mente, compreensão, e os dez órgãos de conhecimento e ação), das cinco falhas de Yoga (isto é, desejo, ira, cobiça, medo, e sono) que constituem as causas principais (para atar o homem às repetidas rondas de vida terrestre), e dos outros oito, ou seja, os cinco objetos dos sentidos e os três atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas), nunca têm que incorrer em renascimento. Quando, ó opressor de inimigos, nós conseguiremos abandonar a soberania para adotar uma vida de renúncia?'” "Bhishma disse, 'Tudo, ó grande monarca, tem um fim. Tudo tem limites designados para si. Até o renascimento, isto é bem conhecido, tem um fim. Neste mundo não há nada que seja imutável. Tu pensas, ó rei, que isso (isto é, a riqueza com a qual tu foste empossado é uma falha). Isso é verdade, em relação ao nosso assunto de investigação atual, (pois a afluência, por causa do apego que ela gera, fica no caminho da Emancipação). Vocês, no entanto, estão familiarizados com a virtude, e têm boa vontade. É certo, portanto, que vocês alcançarão o fim de sua tristeza, (isto é, Emancipação) em tempo. Jiva equipado com corpo, ó rei, não é o autor de seus méritos e deméritos (ou seus frutos representados por felicidade e tristeza). Por outro lado, ele vem a ser envolvido pela Escuridão (da Ignorância que tem atração e aversão como sua essência) que é nascida de seus méritos e deméritos. Como o vento impregnado com poeira de antimônio mais uma vez pega a eflorescência de realgar e, (embora ele mesmo desprovido de cor) assume as cores das substâncias que pegou e tinge os diferentes pontos do horizonte (os quais representam seu próprio progenitor sem cor, isto é, o espaço); da mesma maneira, Jiva, embora ele mesmo sem cor, assume uma cor por ser envolvido pela Escuridão e matizado pelas frutos das ações, e viaja de corpo para corpo (fazendo seu próprio progenitor sem mancha e imutável aparecer como manchado e mutável). (O vento tem o espaço como se progenitor. Jiva tem o imaculado e imutável Chit como seu progenitor. Como o vento, que é sem cor, apanhando cores de objetos circundantes e fazendo seu próprio progenitor parecer como se ele tivesse cores, Jiva também, embora em realidade sem mácula, apanha máculas de Ignorância e Ações e faz seu próprio progenitor, o imaculado e imutável Chit, mostrar máculas de todos os tipos. Assim é como o comentador formula o símile, completando os pontos que foram omitidos no texto.) Quando Jiva consegue dissipar por meio do Conhecimento a Escuridão que o envolve por causa da Ignorância, então o Imutável Brahma vem a ser revelado (em toda Sua glória). Os Sábios dizem que reversão para o Imutável Brahma não pode ser realizada por meio de Ações. Tu mesmo, outros no mundo, e as divindades também, devem reverenciar aqueles que alcançaram a Emancipação. Todos os grandes Rishis nunca desistem da cultura de Brahma. (Dizer que a obtenção de Brahma não depende de Ações significa isto: Ações são finitas. Suas consequências também são finitas. Ações, portanto, nunca podem ser os meios pelos quais Brahma pode ser alcançado, pois Brahma é infinito e eterno, não como a felicidade do céu a qual é mutável. O único meio pelo qual Jiva pode voltar para Brahma é por dissipar a Ignorância através do Conhecimento; ou, como os Upanishads declaram, alguém alcança àquilo como alguém obtém seu colar de ouro esquecido, o qual todo o tempo está no pescoço embora procurado com assiduidade em todos os lugares. O que se quer dizer pela instrução sobre reverenciar pessoas que alcançaram Brahma é isto: a existência de Brahma e a possibilidade de Jiva voltar para aquele estado Imutável são questões que dependem da concepção de tais homens. Brahma, além disso, é tão difícil de manter, que os grandes sábios nunca desistem por um momento da cultura que é necessária para sua retenção.) Em relação a isto é citado aquele discurso que foi cantado antigamente (pelo preceptor dos Daityas). Escute, ó monarca, com total atenção a direção de conduta que foi seguida pelo Daitya Vritra depois que ele ficou desprovido de toda sua prosperidade. Dependendo somente de sua inteligência, ele não se entregou à tristeza no meio de seus inimigos, embora ele estivesse privado de soberania, ó Bharata! Para Vritra, quando antigamente ele estava privado de soberania, (seu preceptor) Usanas disse, 'Eu espero, ó Danava, que por causa da tua derrota tu não nutras alguma angústia.'” "Vritra disse, 'Sem dúvida, tendo compreendido, pela ajuda da verdade e penitências, a chegada e partida de todas as criaturas vivas, eu parei de me entregar à tristeza ou alegria. Incitadas pelo Tempo as criaturas caem sem auxílio no inferno. Algumas também, o sábios dizem, vão para o céu. Todas essas passam seu tempo em contentamento. Passando seus períodos concedidos no céu e no inferno, e com alguma porção de seus méritos e deméritos inesgotada (por gozo e sofrimento), elas tomam nascimento repetidamente, impelidas pelo Tempo. Acorrentadas pelos laços do Desejo, as criaturas passam por miríades de vidas intermediárias (isto é, como animais e aves e répteis e vermes, etc.) e caem desamparadamente no inferno. Eu tenho visto que criaturas vêm e vão exatamente dessa maneira. A lição inculcada nas Escrituras é que as aquisições de alguém correspondem às suas ações; (isto é, se corretas, ele obtém alegria; se não, o oposto.) Criaturas tomam nascimento como homens ou como animais intermediários ou como deuses e vão para o inferno. Tendo agido em vidas, que são passadas de tal maneira quanto a merecê-las, todas as criaturas, sujeitas às ordenanças do Destruidor, encontram com felicidade e miséria, o agradável e o desagradável. Tendo desfrutado da medida de bem estar e angústia que corresponde com suas ações, as criaturas sempre voltam pelo velho caminho, o qual é medido pela medida das ações.' Então o ilustre Usanas se dirigiu ao Asura Vritra que estava assim falando do maior refúgio da criação, dizendo, 'Ó Daitya inteligente, por que, ó filho, tu proferes tais rapsódias tolas?'” "Vritra disse, 'As penitências severas que eu pratiquei por cobiça de vitória são bem conhecidas por ti como também pelos outros sábios. Apropriando-me de diversos perfumes e diversos tipos de sabores que as outras criaturas tinham para desfrutar, eu me expandi com minha própria energia, afligindo os três mundos. Decorado com miríades de raios refulgentes eu costumava vagar pelos céus (em meu carro celeste), incapaz de ser derrotado por qualquer criatura e temendo ninguém. Eu obtive grande prosperidade pelas minhas penitências e a perdi também através das minhas próprias ações. Confiando em minha firmeza, no entanto, eu não me aflijo por esta mudança. Desejoso (antigamente) de lutar com o grande Indra, o soberano de grande alma dos céus, eu vi naquela batalha o ilustre Hari, o pujante Narayana. (Hari foi ajudar Indra, e por isso Vritra o viu. Ele é chamado de Hari porque ele tira os pecados de alguém.) Ele que é chamado de Vaikuntha (aquele que une todas as criaturas), Purusha (completo), Ananta, Sukla (Puro), Vishnu (aquele que permeia tudo), Sanatana (uniforme ou imutável), Munjakesa (possuidor de cabelo amarelo, ou de cabelo da cor da erva Munja), Harismasru (aquele de barba fulva), e de Avô de todas as criaturas. Sem dúvida, ainda há um resto (para ser desfrutado por mim) das recompensas ligadas àquela penitência representada por uma visão do grandioso Hari. É por causa daquele resto inesgotado que eu fiquei desejoso de te perguntar, ó ilustre, acerca dos frutos da ação! (Penitências são meritórias. A própria visão de Hari que eu obtive foi tão eficaz quando um curso das penitências mais austeras. Naturalmente, por causa disso e de minhas outras penitências, grandes são as recompensas que eu tenho desfrutado. Parece, no entanto, que a medida completa de recompensas não foi colhida; o resto está para ser desfrutado por mim agora, pois eu estou prestes a te perguntar a respeito dos frutos das ações. Sagrada e altamente auspiciosa é minha indagação. Fazê-la é, em si mesmo, uma recompensa.) Sobre qual classe (de homens) foi estabelecida grande prosperidade Brahma? De que maneira, também, a grande prosperidade decai? De quem as criaturas surgem e vivem? Através de quem também elas agem? Qual é aquele Fruto sublime por alcançar o qual uma criatura consegue viver eternamente como Brahma? Por qual ação ou por qual Conhecimento aquele fruto pode ser alcançado? Cabe a ti, ó Brahmana erudito, explicar isso para mim.'” "Resumido por mim, ó leão entre reis, escute com toda atenção, ó touro de homens, com todos os teus irmãos, ao que o sábio Usanas então disse depois que ele tinha sido assim endereçado por aquele príncipe dos Danavas.'" 280 "Usanas disse, 'Eu reverencio aquele Ser ilustre e divino e pujante que segura esta terra com o firmamento em seus braços. Eu falarei para ti da grandeza preeminente daquele Vishnu cuja cabeça, ó melhor dos Danavas, é aquele lugar Infinito (chamado Emancipação).'” "Enquanto eles estavam assim conversando um com o outro aproximou-se deles o grande sábio Sanatkumara de alma justa para o propósito de dissipar suas dúvidas. Adorado pelo príncipe dos Asuras e pelo sábio Usanas, aquele principal dos sábios sentou em um assento suntuoso. Depois que Kumara de grande sabedoria estava sentado (à vontade), Usanas disse para ele, 'Fale para este comandante dos Danavas sobre a grandeza preeminente de Vishnu.' Ouvindo estas palavras, Sanatkumara proferiu o seguinte, repleto de grande importância, sobre a grandeza preeminente de Vishnu para o inteligente chefe dos Danavas, 'Ouça, ó Daitya, tudo sobre a grandeza de Vishnu. Saiba, ó opressor de inimigos, que o universo inteiro repousa em Vishnu. Ó tu de braços poderosos, é Ele quem cria todas as criaturas móveis e imóveis. No decorrer do Tempo é Ele, também, que recolhe todas as coisas, e no Tempo é Ele que mais uma vez as emite para fora de Si Mesmo. Em Hari todas as coisas são absorvidas na destruição universal e dele todas as coisas saem novamente. Homens possuidores de erudição escritural não podem obtê-lo por tal erudição. Nem Ele pode ser obtido por Penitências, nem por Sacrifícios. O único meio pelo qual Ele pode ser alcançado é por controlar os Sentidos. Nem sacrifícios são totalmente inúteis em direção a semelhante fim. Pois alguém, por confiar em ações externas e internas, e na própria mente, pode purificar (a eles) por sua própria compreensão. Por tais meios, alguém consegue desfrutar de infinidade (Emancipação) no mundo. Como um ourives purifica a escória de seu metal por lançá-lo ao fogo repetidamente com muitos esforços próprios persistentes, da mesma maneira Jiva consegue purificar a si mesmo por seu curso através de centenas de nascimentos. Alguém pode ser visto se purificar em uma única vida por esforços poderosos. Como alguém deve limpar com cuidado as manchas de seu corpo antes que elas se tornem espessas, da mesma maneira alguém deve, com esforços vigorosos, purificar as próprias imperfeições. (A comparação jaz no fato de as duas ações serem desejáveis. Ninguém gosta que as manchas que o corpo pode apanhar permaneçam não lavadas ou não eliminadas. Similarmente, ninguém deve deixar de limpar os defeitos que o coração possa contrair. Não há comparação entre as duas ações com relação ao grau de esforço necessário para realizar cada uma.) Por misturar somente umas poucas flores com eles, grãos de gergelim não podem ser feitos perderem seu odor próprio (e se tornarem fragrantes imediatamente). Do mesmo modo, não se pode, por purificar o coração somente um pouco, conseguir contemplar a Alma. Quando, no entanto, aqueles grãos são perfumados repetidamente com a ajuda de uma grande quantidade de flores, é então que eles perdem seu próprio odor e assumem aquele das flores com as quais eles são misturados. Dessa maneira, imperfeições, na forma de apegos a todos os nossos ambientes, são dissipadas pela compreensão no decurso de muitas vidas, com a ajuda de uma grande dose do atributo do Sattwa, e por meio de esforços nascidos da prática. (‘Esforços nascidos da prática’ se refere a Sadhana interno e externo.) Ouça, ó Danava, por quais meios criaturas ligadas às ações e aquelas não ligadas a elas obtêm as causas que levam aos seus respectivos estados mentais. Ouça- me com total atenção. Eu irei, em sua ordem devida, falar para ti, ó Danava pujante, sobre como as criaturas se dirigem para ação e como elas desistem da ação. O Senhor Supremo cria todas as criaturas móveis e imóveis. Ele é sem início e sem fim. Não dotado de atributos de qualquer tipo, ele assume atributos (quando Ele opta por criar). Ele é o Destruidor universal, o Refúgio de todas as coisas, o Ordenador Supremo, e Chit puro. Em todas as criaturas é Ele quem mora como o mutável e o imutável. É Ele quem, tendo onze modificações como Sua essência, bebe este universo com Seus raios. (O 'mutável' em todas as criaturas é a combinação das cinco essências primordiais. O 'imutável' nelas é Jiva, ou Chit como envolvido em ignorância. As onze modificações que constituem Sua essência são os sentidos de conhecimento e ação com a mente. Equipado com estes onze, Ele bebe o universo, isto é, desfruta dele. Os raios são os próprios sentidos. Equipado com os sentidos, Ele desfruta do universo com os sentidos.) Saiba que a Terra é Seus pés. Sua cabeça é constituída pelo Céu. Seus braços, ó Daitya, são os vários pontos da bússola ou do horizonte. O espaço intermediário é Seus ouvidos. A luz de Seu olho é o Sol, e Sua mente está na Lua; (isto é, sua mente é a Lua). Sua compreensão sempre reside no Conhecimento, e Sua língua está na Água. Ó melhor dos Danavas, os Planetas estão no meio de Sua testa. As estrelas e constelações são provenientes da luz de Seus olhos. A Terra está em Seus pés, ó Danava! Saiba também que os atributos de Rajas, Tamas, e Sattwa são dele. Ele é o fruto (ou fim) de todos os modos de vida, e Ele é quem deve ser conhecido como o fruto (ou recompensa) de todas as ações (piedosas, tais como Japa e Sacrifício, etc.). O Mais Sublime e Imutável, Ele é também o fruto da abstenção de todo trabalho. Os Chandas são os pêlos em Seu corpo, e Akshara (ou Pravana) é Sua palavra. As diversas classes (de homens) e os modos de vida são Seu refúgio. Suas bocas são muitas. O dever (ou religião) está plantado em seu coração. Ele é Brahma; Ele é a mais elevada Justiça; Ele é Sat e Ele é Asat; Ele é Sruti; Ele é as escrituras; Ele é o recipiente Sacrifical; Ele é os dezesseis Ritwijes; Ele é todos os Sacrifícios; Ele é o Avô (Brahman); Ele é Vishnu; Ele é os gêmeos Aswins; e Ele é Purandara; (Os grahas ou patras (recipientes) Sacrificais são chamados pelos nomes das divindades Indra, Vayu, Soma, etc. Os dezesseis Ritwijes são Brahman, Hotri, Adhyaryu, Udgatri, etc.) Ele é Mitra; Ele é Varuna; Ele é Yama; Ele é Kuvera o senhor dos tesouros. Embora os Ritwijes pareçam vê-lo como separado, Ele é, no entanto, conhecido para eles como único e o mesmo. (O Ser Divino é único. A variedade percebida é somente aparente, não real.) Saiba que todo este universo está sob o controle do Único Ser Divino. O Veda que está na alma, ó príncipe dos Daityas, considera a unidade das várias criaturas. Quando uma criatura viva percebe esta unidade em consequência do conhecimento verdadeiro, ela então é citada como tendo alcançado Brahma. O período de tempo pelo qual uma criação existe ou pelo qual ela cessa de existir é chamado de um Kalpa. As criaturas viventes existem por mil milhões de tais Kalpas. As criaturas imóveis também existem por um período igual. O período pelo qual uma criação específica existe é medido por muitos milhares de lagos (da seguinte maneira), ó Daitya! Conceba um lago que tem um Yojana de largura, um Krosa de profundidade, e quinhentos Yojanas de comprimento. Imagine muitos milhares de tais lagos. Procure então secar completamente aqueles lagos por tirar deles, somente uma vez por dia, tanta água quanto possa ser pega com a ponta de um único cabelo. O número de dias que se passariam em secá-los completamente por meio desse processo representa o período que é ocupado pela vida de uma criação desde seu primeiro início até a hora de sua destruição. A maior Evidência (para todas as coisas) diz que as criaturas têm seis cores, isto é, Escura, Morena, Azul, Vermelha, Amarela, e Branca. Estas cores procedem de misturas em várias proporções dos três atributos de Rajas, Tamas, e Sattwa. Onde Tamas predomina, Sattwa cai abaixo da marca, e Rajas mantém a marca, o resultado é a cor chamada Escura. Quando Tamas predomina como antes, mas as relações entre Sattwa e Rajas estão invertidas, o resultado é aquela cor chamada Morena. Quando Rajas predomina, Sattwa cai abaixo da marca, e Tamas mantém a marca, o resultado é a cor chamada Azul. Quando Rajas predomina como antes e a proporção é invertida entre Sattwa e Tamas, o resultado é a cor intermediária chamada Vermelha. Esta Cor é mais agradável (do que a precedente). Quando Sattwa predomina, Rajas cai abaixo da marca e Tamas mantém a marca, o resultado é a cor chamada Amarela. Esta é produtiva de felicidade. Quando Sattwa predomina e a proporção é invertida entre Rajas e Tamas, o resultado é a cor chamada Branca. Esta é produtiva de grande felicidade. (Isto é elaborado no Vishnu Purana, Parte 1, Capítulo 5. Há três criações primárias, isto é, Mahat, as cinco essências primordiais em suas formas sutis e os sentidos. Das Seis cores também surgiram seis outras criações. À cor Escura são atribuíveis todas as criaturas imóveis; à Morena toda a classe intermediária de criaturas (isto é, os animais inferiores e aves, etc.); à Azul são atribuíveis seres humanos, à Vermelha os Prajapatyas; à Amarela as divindades; e à Branca os Kumaras, isto é, Sanatkumara e outros.) O Branco é a cor principal. Ele é impecável por ser livre de atração e aversão. Ele é sem dor, e livre da labuta envolvida em Pravritti. Por isso, o Branco, ó príncipe dos Danavas, leva ao sucesso (ou Emancipação). Jiva, ó Daitya, tendo passado por milhares de nascimentos derivados através do útero, alcança o êxito. Aquele êxito é o mesmo fim o qual o divino Indra declarou depois de ter estudado muitos tratados espirituais auspiciosos e que têm por sua essência a compreensão da Alma. O fim também que as criaturas obtêm é dependente de sua cor, e a cor, por sua vez, depende do caráter do Tempo que se manifesta, ó Daitya! Os estágios de existência, ó Daitya, através dos quais Jiva deve passar não são ilimitados. Eles são catorze centenas de milhares em número. Por eles Jiva ascende, permanece, e cai conforme o caso possa ser. (Há dez sentidos de conhecimento e ação. A estes devem ser somados Manas, Buddhi, Ahankara e Chitta, que são às vezes chamados de os quatro Karanas. Por causa destes catorze, catorze diferentes tipos de mérito e demérito podem ser alcançados por Jiva que é seu possuidor. Estes catorze tipos de mérito e demérito também, são subdivididos em centenas de milhares cada um. Jiva, no decorrer de suas viagens pelo universo, ascende na escala de Existência, permanece em degraus específicos, e cai deles para degraus inferiores, conformemente. O que o orador deseja inculcar é que estes catorze devem estar sempre em direção ao atributo de Sattwa ou Bondade.) O fim que é alcançado por um Jiva de cor escura é muito inferior, pois ele se torna viciado em ações que levam ao inferno e então tem que apodrecer no inferno. (Esta vida, isso deve ser notado, leva à transformação de Jiva como um objeto imóvel. Uma criatura de cor Escura vem a ser viciada em atos perversos e apodrece no inferno. Sua existência como um objeto imóvel é o próprio inferno.) Os eruditos dizem que por causa de sua maldade, a permanência (em tal forma) de um Jiva é medida por muitos milhares de Kalpas. Tendo passado muitas centenas de milhares de anos naquela condição, Jiva então obtém a cor chamada Morena (e nasce como uma criatura intermediária). Naquela condição ele vive (por muitos longos anos), em total desamparo. Finalmente, quando seus pecados estão esgotados (por ele ter suportado toda a miséria que eles são capazes de trazer), sua mente, rejeitando todas as atrações, nutre a Renúncia. (As cores Escura e Morena de seus correspondentes estados de existência, isto é, o imóvel e o intermediário, são consideradas como estados de tolerância. Por isso, quando a miséria que é sua porção foi completamente suportada, é subitamente irradiada para a mente a lembrança da virtude que distinguia Jiva em eras muito remotas.) Quando Jiva vem a ser dotado da qualidade de Sattwa, ele então dissipa tudo conectado com Tamas pela ajuda de sua inteligência, e se esforça (para realizar o que é para o seu bem). Como resultado disso, Jiva obtém a cor Vermelha. Se a qualidade de Sattwa, no entanto, não for adquirida, Jiva então viaja em uma ronda de renascimentos no mundo inerte, tendo alcançado a cor chamada Azul. (Depois da Morena vem a Azul, isto é, depois da obtenção de existência como uma criatura intermediária Jiva obtém humanidade. Isso ocorre quando Sattwa não predomina.) Tendo alcançado aquele fim (isto é, Humanidade) e tendo sido afligido pela duração de uma criação pelos vínculos nascidos de seus próprios atos, Jiva então obtém a cor chamada de Amarelo (ou se torna uma divindade). Existindo naquela condição pelo espaço de cem criações, ele então a deixa (para se tornar um ser humano e) para voltar a ela mais uma vez. Tendo alcançado a cor Amarela, Jiva existe por milhares de Kalpas, se divertindo como um Deva. Sem, no entanto, ser emancipado (até então), ele tem que ficar no inferno, desfrutando ou suportando os resultados de suas ações de Kalpas passados e vagando por dezenove mil cursos. (Quando Jiva se torna um Deva, ele ainda tem os dez sentidos, os cinco Pranas, e as quatro posses internas de mente, compreensão, Chitta, e Ahankara, chegando ao todo a dezenove. Estes dezenove o impelem para milhares de ações. Então, mesmo quando transformado em Deva, Jiva não está livre das ações, mas está em niraya ou inferno, as ações sendo, sob todas as circunstâncias, equivalentes ao inferno.) Saiba que Jiva fica livre do inferno (das ações) como representado pelo céu ou divindade. Da mesma maneira, Jiva escapa de outros nascimentos (correspondentes às outras cores). Jiva se diverte por muitos longos Kalpas no mundo dos Devas. Caindo de lá, ele mais uma vez obtém a posição de Humanidade. Ele então fica naquela condição pelo espaço de cento e oito Kalpas. Ele então alcança mais uma vez a posição de um Deva. Se enquanto na posição de humanidade (pela segunda vez) ele decai através de (maus atos como representados por) Kala (na forma de Kali), ele então cai na cor Escura e assim ocupa o mais baixo de todos os estágios de existência.’” "Eu te direi agora, ó principal dos Asuras, como Jiva consegue efetuar sua Emancipação. Desejoso de Emancipação, Jiva, confiando em setecentos tipos de ações, cada um dos quais é caracterizado por uma predominância do atributo de Sattwa, segue gradualmente através do Vermelho e do Amarelo e finalmente alcança o Branco. (Os cinco sentidos, com a mente e a compreensão formam um total de sete. As ações realizadas através de cada um destes podem ser subdivididas em uma centena. Como estas sete posses aderem ao Jiva até que ele se torne emancipado, ele age através destes sete de muitas maneiras. Confiando, portanto, neste setecentos tipos de ações (os quais são somente formas variadas de uma única coisa, isto é, Ação), Jiva sucessivamente se torna Vermelho e Amarelo e Branco.) Chegando lá, Jiva viaja por várias regiões que são muito encantadoras e que têm as oito regiões bem conhecidas de felicidade abaixo delas, e todo o tempo procura aquela forma de existência imaculada e refulgente que é a própria Emancipação. (Chegado no Branco, Jiva percorre certas regiões refulgentes que são superiores à região do próprio Brahman, e que deixam para trás ou abaixo delas os Oito Puris (pelos quais, talvez, queira-se dizer o puri de Indra, aquele de Varuna, etc., ou, Kasi, Mathura, Maya, etc., ou estágios de progresso simbólicos, os quais são repletos de grande felicidade). Aquelas regiões refulgentes e adoráveis são obteníveis só por Conhecimento ou pelo resultado de Yoga.) Saiba que as Oito (já referidas e) que são idênticas às Sessenta (subdividas em) centenas, são, para aqueles que são altamente refulgentes, somente criações da mente (sem terem alguma existência real ou independente). (A este número de Sessenta chega-se dessa maneira: 1º, o estado de vigília; 2º, o corpo grosseiro composto das cinco essências primordiais; 3º, os cinco atributos de som, cheiro, forma, gosto, e toque; estes totalizam sete. Então vêm os dez sentidos de ação e conhecimento; os cinco ares; mente, compreensão, consciência, e chitta, estes formam 19. Então vem Avidya, Kama, e Karma. Com a Alma ou o Observador, a soma chega a 30. O número dobra quando o estado de Sonho é levado em consideração, pois como a vigília existindo com os 29, o Sonho também existe com os 29.) O maior objeto de aquisição de alguém que é de cor Branca, é aquela condição (chamada Turiya) que transcende os três outros estados de consciência, isto é, Vigília e Sonho e Sono sem Sonhos. Com relação àquele Yogin que não pode abandonar as felicidades que a pujança-Yoga traz, ele tem que morar (no mesmo corpo) por uma centena Kalpas em auspiciosidade (em uma forma de vida superior) e depois disso em quatro outras regiões (chamadas Mahar, Jana, Tapas, e Satya). Este mesmo é o fim mais elevado de alguém pertencente à sexta cor (isto é, a Branca), e que é malsucedido embora coroado com sucesso (isto é, que alcançou sucesso em Yoga, mas que ainda não pôde alcançar aquele êxito que consiste em contemplar Brahma), e que transcendeu todas as atrações e paixões. Aquele Yogin, também, que abandona as práticas de Yoga depois de ter alcançado a medida de eminência já descrita, reside no céu por uma centena de Kalpas com o resto inesgotado de suas ações passadas (para ser esgotado por desfrute ou tolerância conforme o caso), e com os sete (isto é, os cinco sentidos de conhecimento e a mente e a compreensão) purgados de todas as máculas por sua predisposição ou inclinação em direção ao atributo de Sattwa. E no término daquele período, tal pessoa tem que vir ao mundo dos homens onde ele obtém grande eminência. Regressando do mundo dos homens, ele parte para alcançar novas formas de existência que seguem cada vez mais alto na escala ascendente. Enquanto dedicado a isto, ele percorre sete regiões, (Bhur, Bhuvar, Swah, Mahar, Jana, Tapas, e Satya ou Brahmaloka), por sete vezes, sua pujança sendo sempre aumentada por seu Samadhi e do re-despertar a partir dele. O Yogin que é desejoso da Emancipação final suprime os sete por Conhecimento-Yoga, e continua a morar no mundo de vida, livre de apegos; e, considerando aqueles sete como meios certos de angústia, ele os rejeita e alcança subsequentemente aquele estado que é Indestrutível e Infinito. Alguns dizem que este é a região de Mahadeva; alguns, de Vishnu; alguns, de Brahman; alguns, de Sesha; alguns, de Nara; alguns, do Chit refulgente; e alguns, daquele que permeia tudo. (Os onze que o Yogin desejoso de Emancipação rejeita são ou as sete regiões já referidas, isto é, Bhu, Bhuva, Swah, Maha, Jana, Tapa, e Satya, ou os cinco sentidos de conhecimento com mente e compreensão. A primeira Devasya se refere a Mahadeva. Os Saivas chamam aquela região de Kailasa. Os Vaishnavas a chamam de Vaikuntha. Os Hiranya-garbhas a chamam de Brahman ou Brahmaloka. Sesha é Ananta, uma forma específica de Narayana. Aqueles que chamam esta região de Nara são, naturalmente, os Sankhyas, pois estes consideram a Emancipação como a meta de Jiva ou toda criatura.) Quando chega a destruição universal, aquelas pessoas que conseguiram consumir completamente pelo Conhecimento os seus corpos grosseiro e sutil e karana, sempre entram em Brahma. Todos os seus Sentidos também os quais têm ação como sua essência, e que não são iguais a Brahma, se fundem no mesmo. Quando chega a hora da destruição universal, aqueles Jivas que alcançaram a posição de Devas e que têm um resto não esgotado dos frutos das ações para desfrutar ou aguentar, voltam àqueles estágios de vida no Kalpa subsequente, os quais eram deles no anterior. Isso é devido à semelhança de cada Kalpa sucessivo com o anterior. Aqueles também cujos atos, no tempo da destruição universal, foram esgotados por gozo ou tolerância em relação a seus resultados, caindo do céu, tomam nascimento entre homens, no Kalpa subsequente, pois sem Conhecimento alguém não pode destruir suas ações nem em cem Kalpas. Todos os Seres superiores também, dotados de poderes similares e formas similares, voltam para seus respectivos destinos em uma nova criação depois de uma destruição universal, subindo e descendo precisamente da mesma maneira como durante a criação que foi dissolvida. Com relação à pessoa que conhece Brahma, enquanto ela continua a desfrutar ou suportar o resto inesgotado de suas ações de Kalpas anteriores, é dito que todas as criaturas e as duas ciências imaculadas (Paravidya e Aparavidya, isto é, todo o conhecimento incluindo aquele de Brahma) vivem em seu corpo. Quando seu Chitta se torna purificado por Yoga, e quando ele pratica Samyama, este universo perceptível aparece para ele como somente seus próprios sentidos quíntuplos. (O que o orador deseja inculcar neste verso é que para alguém familiarizado com Brahma, o universo inteiro até completa identidade com Brahma é tão contíguo quando uma ameixa na palma da mão. Quando o Chitta é purificado por Yoga como praticado por meio de Dhyana, Dharana, and Samadhi, então o universo perceptível aparece para ele como idêntico aos seus próprios sentidos.) Investigando com uma mente purificada, Jiva alcança um fim elevado e imaculado. ('com uma mente purificada', isto é, com a ajuda de Sarvana (audição), Manana (atenção), Dhyana (contemplação), e Abhyasa (meditação repetida.) Então ele alcança um lugar que não conhece deterioração, e então alcança o eterno Brahma que é tão difícil de ser alcançado. Dessa maneira, ó tu de grande poder, eu te falei da eminência de Narayana!'” "Vritra disse, 'Essas tuas palavras, eu vejo, estão perfeitamente de acordo com a verdade. De fato, quando isto é assim, eu não tenho (motivo para angústia). Tendo ouvido tuas palavras, ó tu de grandes poderes mentais, eu fiquei livre de tristeza e pecado de todo tipo. Ó Rishi ilustre, ó santo, eu vejo que esta roda do Tempo, dotada de energia imensa, do mais refulgente e Infinito Vishnu, foi posta em movimento. Eterno é aquele local do qual todos os tipos de criações surgem. Aquele Vishnu é a Alma Suprema. Ele é o principal dos Seres. Nele repousa todo este universo.'” "Bhishma continuou, 'Tendo dito estas palavras, ó filho de Kunti, Vritra abandonou seus ares vitais, unindo sua alma (em Yoga, com a Alma suprema), e alcançou a posição mais elevada.'” "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, se este Janardana (Krishna) é aquele Senhor ilustre e pujante de quem Sanatkumara falou para Vritra nos tempos passados.'” "Bhishma disse, 'A Divindade mais Sublime, dotada dos seis atributos de (força, etc.) está na Base. Permanecendo lá, a Alma Suprema, com sua própria energia, cria todas essas diversas coisas existentes. (O comentador diz que o objetivo deste verso é inculcar a Impessoalidade de Deus. Deus é a Base de todas as coisas. Ele existe em sua própria natureza inalterada, como Chit puro. Vidya (Conhecimento) e Avidya (Ignorância ou ilusão) existem nele. Por causa do último ele é Bhagavan, isto é, dotado dos seis grandiosos atributos de pujança, etc.) Saiba que este Kesava que não conhece deterioração vem de Sua oitava parte. Dotado da maior Inteligência, é este Kesava quem cria os três mundos com uma oitava parte (de Sua energia). Vindo imediatamente depois daquele que se encontra na Base, este Kesava que é eterno (comparado com todas as outras coisas existentes), muda no fim de cada Kalpa. Aquele, no entanto, que se encontra na Base e que é dotado de poder e força supremos, repousa nas águas quando chega a destruição universal (na forma da Semente potencial, (causas e efeitos), de todas as coisas). Kesava é aquele Criador de Alma pura que percorre todos os mundos eternos. Infinito e Eterno como Ele é, Ele enche todo o espaço (com emanações de Si Mesmo) e percorre o universo (na forma de tudo o que constitui o universo). Livre como Ele é de limitações de todo tipo tais como a posse de atributos implicaria, ele se permite ser envolvido com Avidya e despertado para a Consciência. Kesava de Alma Suprema cria todas as coisas. Nele repousa este universo magnífico em sua totalidade.'” "Yudhishthira disse, 'Ó tu que és conhecedor do maior objeto de conhecimento, eu penso que Vritra viu antes o fim excelente que o esperava. É por isso, ó avô, que ele estava feliz e não se entregou à aflição (em vista de sua morte próxima). Aquele que é de cor Branca, que tomou nascimento em uma linhagem pura ou imaculada, e que alcançou a categoria de um Sadhya não volta, ó impecável, (ao mundo por renascimento). Tal pessoa, ó avô, está livre de ambos, do inferno e da posição de todas as criaturas intermediárias. Aquele, no entanto, que obteve a cor Amarela ou Vermelha, é visto às vezes ser subjugado por Tamas e cair entre a classe de criaturas intermediárias. Com relação a nós, nós estamos muito aflitos e apegados a objetos que são produtivos de tristeza ou indiferença ou alegria. Ai, qual será o fim ao qual nós alcançaremos? Será a (cor) Azul ou a Escura que é a mais baixa de todas as cores?'” "Bhishma continuou, 'Vocês são Pandavas. Vocês nasceram em uma linhagem imaculada. Vocês são de votos rígidos. Tendo se divertido em alegria nas regiões dos deuses, vocês voltarão ao mundo dos homens. Vivendo felizmente enquanto a criação durar, todos vocês na próxima nova criação serão admitidos entre os deuses, e desfrutando de todos os tipos de felicidades finalmente serão numerados entre os Siddhas. Que nenhum medo seja seu. Sejam alegres.'" 281 "Yudhishthira disse, 'Quão grandioso era o amor de virtude possuído por Vritra de energia incomensurável, cujo conhecimento era incomparável e cuja devoção a Vishnu era tão grande. A posição ocupada por Vishnu de energia incomensurável é extremamente difícil de ser compreendida. Como, ó tigre entre reis, poderia Vritra (que era um Asura) compreendê-la (tão bem)? Tu falaste das ações de Vritra. Eu também te escutei em plena fé. No entanto, por eu ver que um ponto (do teu discurso) é incompreensível (e isso, portanto, requer explicação), minha curiosidade foi despertada para te questionar novamente. Como, de fato, Vritra, que era virtuoso, devotado a Vishnu, dotado do conhecimento da verdade derivável de uma compreensão correta dos Upanishads e Vedanta, foi derrotado por Indra, ó principal dos homens? Ó chefe dos Bharatas, esclareça esta minha dúvida. De fato, me diga, ó tigre entre reis, como Vritra foi derrotado por Sakra! Ó avô, ó tu de braços poderosos, me diga em detalhes como ocorreu a batalha (entre o chefe das divindades e o principal dos Asuras). Minha curiosidade para ouvi-la é muito grande.'” Bhishma disse, 'Antigamente, Indra, acompanhado pelas forças celestes, procedia em seu carro, e viu o Asura Vritra posicionado perante ele como uma montanha. Ele tinha quinhentas Yojanas completas de altura, ó castigador de inimigos, e trezentas Yojanas de circunferência. Vendo aquela forma de Vritra, que não podia ser derrotada pelos três mundos unidos juntos, o celestial foi tomado pelo medo e ficou cheio de ansiedade. De fato, vendo de repente aquela forma gigantesca de seu antagonista, ó rei, Indra foi afetado pela paralisia nas extremidades inferiores. Então, na véspera daquela grande batalha entre as divindades e os Asuras, ergueram-se gritos altos de ambos os lados, e baterias e outros instrumentos musicais começaram a ser tocados. Vendo Sakra posicionado à sua frente, ó tu da linhagem de Kuru, Vritra não sentiu nem admiração nem medo, nem ele estava disposto a reunir todas as suas energias para a luta. Então o combate começou, inspirando os três mundos com terror, entre Indra, o chefe das divindades, e Vritra de grande alma. O firmamento inteiro foi envolvido pelos combates de ambos os lados com espadas e machados, lanças, dardos e arpões, maças pesadas e rochas de diversos tamanhos, arcos de vibração alta e diversas espécies de armas celestes, e fogos e madeiras ardentes. Todos os celestiais com o Avô em sua dianteira, e todos os Rishis altamente abençoados, foram testemunhar a batalha, nos seus principais dos carros; e os Siddhas também, ó touro da raça Bharata, e os Gandharvas, com as Apsaras, em seus próprios e belos e principais dos carros, foram lá (para o mesmo propósito). Então Vritra, aquela principal das pessoas virtuosas, rapidamente oprimiu o firmamento e o chefe das divindades com uma chuva grossa de rochas. Os celestiais, nisto, cheios de raiva, dissiparam com suas chuvas de setas aquela chuva grossa de rochas despejada por Vritra em batalha. Então Vritra, ó tigre entre os Kurus, possuidor de força imensa e dotado de grandes poderes de ilusão, entorpeceu o chefe das divindades por lutar totalmente com a ajuda de seus poderes de ilusão. Quando ele de sem sacrifícios, assim afligido por Vritra, foi dominado pelo estupor, o sábio Vasishtha o restituiu aos seus sentidos por proferir Somanas.'” "Vasishtha disse, 'Tu és o principal dos deuses, ó chefe das divindades, ó matador de Daityas e Asuras! A força dos três mundos está em ti! Por que, então, ó Sakra, tu enlanguesces dessa maneira? Lá se encontram Brahman, e Vishnu, e Siva, aquele senhor do universo, o ilustre e divino Soma, e todos os grandes Rishis (te observando)! Ó Sakra, não ceda à fraqueza, como uma pessoa comum! Firmemente decidido em batalha, mate teus inimigos, ó chefe dos celestiais! Lá, aquele Mestre de todos os mundos, isto é, (Siva) de três olhos, o adorado de todos os mundos, está te olhando! Rejeite este entorpecimento, ó chefe dos celestiais! Lá, aqueles Rishis regenerados, encabeçados por Vrihaspati, estão te louvando, para tua vitória, em hinos celestiais.'” "Bhishma continuou, 'Enquanto Vasava de grande energia estava assim sendo restaurado à consciência por Vasishtha de grande alma, sua força veio a ser imensamente aumentada. O ilustre castigador de Paka então, confiando em sua inteligência, recorreu ao Yoga excelente e com sua ajuda dissipou aquelas ilusões de Vritra. Então Vrihaspati, o filho de Angiras, e aqueles principais dos Rishis possuidores de grande prosperidade, observando a destreza de Vritra, foram até Mahadeva, e impelidos pelo desejo de beneficiar os três mundos, o incitaram a destruir o grande Asura. A energia daquele senhor ilustre do universo então assumiu o caráter de uma febre feroz e penetrou no corpo de Vritra, o senhor dos Asuras. O ilustre e divino Vishnu, adorado de todos os mundos, inclinado a proteger o universo, entrou no raio de Indra. Então Vrihaspati de grande inteligência e Vasishtha de energia excelente, e todos os outros principais dos Rishis, indo até Ele de cem sacrifícios, isto é, Vasava concessor de bênçãos, o adorado de todos os mundos, se dirigiram a ele, dizendo, 'Mate Vritra, ó pujante, sem demora!'” "Maheswara disse, 'Lá, ó Sakra, está o grande Vritra, acompanhado por uma grande tropa. Ele é a alma do universo, capaz de ir a todos os lugares, dotado de grandes poderes de ilusão, e possuidor de grande celebridade. Este principal dos Asuras é, portanto, incapaz de ser derrotado até pelos três mundos juntos. Ajudado por Yoga, mate-o, ó chefe das divindades. Não o desconsidere. Por sessenta mil anos completos, ó chefe dos celestiais, Vritra praticou as mais severas penitências para obter força. Brahman deu a ele as bênçãos que ele pediu, isto é, a grandeza que pertence aos Yogins, grandes poderes de ilusão, excesso de poder, e energia superabundante. Eu te dou minha energia, ó Vasava! O Danava agora perdeu sua frieza. Portanto, mate-o agora com teu raio!'” "Sakra disse, 'Perante teus olhos, ó principal dos deuses, eu irei, pela tua graça, matar com meu raio este filho invencível de Diti.'” "Bhishma continuou, 'Quando o grande Asura ou Daitya foi alcançado por aquela febre (nascida da energia de Mahadeva), as divindades e os Rishis, cheios de alegria, proferiram aclamações altas. Ao mesmo tempo tambores, e conchas de clangor alto, e tímpanos e tambores pequenos começaram a ser tocados aos milhares. De repente todos os Asuras ficaram afligidos com perda de memória. Em um instante, seus poderes de ilusão também desapareceram. Os Rishis e as divindades, averiguando que o inimigo estava assim possuído, proferiram os louvores de Sakra e Isana, e começaram a incitar o primeiro (a não se demorar em destruir Vritra). A forma que Indra assumiu na véspera do combate, enquanto sentado em seu carro e enquanto seus louvores estavam sendo cantados pelos Rishis, se tornou de tal maneira que ninguém podia olhá-la sem terror.'" (Este relato do combate entre Vritra e Indra é substancialmente diferente daquele que se encontra no Vana Parva. Então também a parte que os Rishis tomaram na morte do Asura é sem dúvida criticável. Os grandes Rishis, mesmo para beneficiar os três mundos, certamente não deveriam prejudicar alguma criatura. No relato acima, Vasishtha e Vrihaspati e os outros são representados como pessoas que apostaram grandemente no sucesso de Indra. No relato que se encontra no Vana Parva, Indra é representado como estando com medo terrível de Vritra e lançando seu raio sem nem fazer pontaria deliberada, e se recusando a acreditar que seu inimigo estava morto até ser assegurado por todas as divindades. O presente relato parece ser muito mais antigo do que aquele no Vana Parva.) 282 "Bhishma disse, 'Ouça-me, ó rei, enquanto eu te digo os sintomas que apareceram no corpo de Vritra quando ele foi dominado por aquela febre (nascida da energia de Mahadeva). A boca do Asura heróico começou a emitir chamas de fogo. Ele ficou extremamente pálido. Seu corpo começou a tremer completamente. Sua respiração se tornou pesada e difícil. Seus cabelos eriçaram-se. Sua memória, ó Bharata, saiu de sua boca na forma de um chacal feroz, terrível, e inauspicioso. Meteoros brilhantes e ardentes caíram à sua direita e esquerda. Urubus e kanakas e grous, se reunindo, proferiram gritos ferozes, enquanto eles circulavam sobre a cabeça de Vritra. Então, naquele duelo, Indra, adorado pelos deuses e armado com o raio, olhou firme para o Daitya quando o último sentava em seu carro. Possuído por aquela febre violenta, o poderoso Asura, ó monarca, bocejou e proferiu gritos inumanos. Enquanto o Asura estava bocejando Indra arremessou seu raio nele. Dotado de energia extremamente grande e parecendo com o fogo que destrói a criação no fim do Yuga, aquele raio derrubou Vritra de forma gigantesca em um instante. Gritos altos foram mais uma vez proferidos pelos deuses em todos os lados quando eles viram Vritra morto, ó touro da raça Bharata! Tendo matado Vritra, Maghavat, aquele inimigo dos Danavas, possuidor de grande fama, entrou no céu com aquele raio permeado por Vishnu. Exatamente naquele momento, ó tu da linhagem de Kuru, o pecado de Brahmanicídio (em sua forma incorporada), feroz e horrível e inspirando todos os mundos com temor, saiu do corpo do morto Vritra. De dentes terríveis e horrível, medonha pela feiúra, e escura e morena, com cabelos despenteados, e olhos terríveis, ó Bharata, com uma guirlanda de caveiras ao redor de seu pescoço, e parecendo com um Encantamento (Atharvan em sua forma incorporada), ó touro da raça Bharata, completamente coberta com sangue, e vestida em trapos e cascas de árvores, ó tu de alma justa, ela saiu do corpo de Vritra. De tal forma e aparência terríveis, ó monarca, ela procurou o manejador do raio (para possuí-lo). Pouco tempo depois, ó tu da linhagem de Kuru, o matador de Vritra, em algum propósito ligado com o bem dos três mundos, estava procedendo para o céu. Vendo Indra de grande energia assim procedendo em sua missão, ela agarrou o chefe das divindades e daquele momento em diante aferrou-se a ele. Quando o pecado de Brahmanicídio assim aferrou-se à sua pessoa e inspirou-o com terror, Indra entrou nas fibras de um talo de lótus e morou lá por muitos longos anos. Mas o pecado de Brahmanicídio o perseguia de perto. De fato, ó filho de Kuru, agarrado por ela, Indra ficou desprovido de todas as suas energias. Ele fez grandes esforços para afastá-la de si, mas todos aqueles esforços fracassaram. Agarrado por ela, ó touro da raça Bharata, o chefe das divindades finalmente se apresentou perante o Avô e o adorou por inclinar sua cabeça. Compreendendo que Sakra estava possuído pelo pecado de Brahmanicídio, (pois Vritra era um descendente direto do grande sábio Kasyapa, o progenitor comum dos Devas e Asuras, então, ele era certamente uma pessoa muito superior), Brahman começou a refletir, ó melhor dos Bharatas, (sobre os meios de libertar seu suplicante). O Avô finalmente, ó tu de braços poderosos, dirigiu-se ao Brahmanicídio em uma voz gentil como se pelo desejo de acalmá-la, e disse, 'Ó amável, que o chefe dos celestiais, que é um favorito meu, seja liberto de ti. Diga-me o que eu farei por ti. Qual desejo teu eu realizarei?'” "Brahmanicídio disse, 'Quando o Criador dos três mundos, quando o deus ilustre adorado pelo universo, está satisfeito comigo, eu considero meus desejos como já realizados. Que minha residência seja agora designada. Desejoso de preservar os mundos, esta regra foi feita por ti. Foste tu, ó senhor, que introduziste esta ordenança importante. (As regras ou ordenança referida é a respeito do assassino de um Brahmana estar sujeito a ser tomado pelo pecado de Brahmanicídio.) Como tu estás satisfeito comigo, ó Senhor justo, ó Mestre pujante de todos os mundos, eu certamente deixarei Sakra! Mas me conceda uma residência para morar.'” "Bhishma continuou, 'O Avô respondeu para o Brahmanicídio, dizendo, 'Assim seja!' De fato, o Avô descobriu os meios para afastar o Brahmanicídio da pessoa de Indra. O Auto-criado lembrou-se de Agni de grande alma. O último imediatamente se apresentou para Brahman e disse estas palavras, 'Ó Senhor ilustre e divino, ó tu que não tens qualquer defeito, eu apareci diante de ti. Cabe a ti me dizer o que eu terei que realizar.'” "Brahman disse, 'Eu dividirei este pecado de Brahmanicídio em várias partes. Para libertar Sakra dela, pegue uma quarta parte daquele pecado.'” "Agni disse, 'Como eu serei resgatado dela, ó Brahman? Ó Senhor pujante, aponte uma maneira. Eu desejo saber os meios (de meu próprio livramento) em detalhes, ó adorado de todos os mundos!'” "Brahman disse, 'Naquele homem que, dominado pela qualidade de Tamas, se abstiver de te oferecer como uma oblação, quando ele te vir em tua forma brilhante, sementes, ervas, e sucos, aquela parte do Brahmanicídio que tu tomarás sobre ti mesmo entrará imediatamente, e te deixando habitará nele. Ó portador de oblações, que a febre do teu coração seja dissipada.'” "Bhishma disse, 'Assim endereçado pelo Avô o comedor de oblações e oferendas sacrificais aceitou sua ordem. Um quarto daquele pecado então entrou em seu corpo, ó rei! O Avô então convocou as árvores, as ervas, e todas as espécies de grama a ele, e solicitou a elas para tomarem sobre si mesmas um quarto daquele pecado. Endereçadas por ele, as árvores e ervas e gramas ficaram tão agitadas quanto Agni tinha ficado pelo pedido, e elas responderam ao Avô, dizendo, 'Como nós iremos, ó Avô de todos os mundos, nos salvar deste pecado? Cabe a ti não afligir a nós que já temos sido afligidas pelos destinos. Ó deus, nós temos sempre que suportar calor e frio e as chuvas (das nuvens) impelidas pelos ventos, além do corte e do arrancamento (que nós temos que sofrer nas mãos de homens). Nós estamos dispostas, ó Senhor dos três mundos, a aceitar por tua ordem (uma parte deste) pecado de Brahmanicídio. Que os meios, no entanto, de nosso resgate sejam indicados para nós.'” "Brahman disse, 'Este pecado que vocês receberão possuirá o homem que, por estupefação do bom senso, cortar ou arrancar alguma uma de vocês quando vierem os dias Parva.'” "Bhishma disse, 'Assim endereçadas por Brahman de grande alma, as árvores e ervas e gramas adoraram o Criador e então partiram sem se demorarem lá. O Avô de todos os mundos então convocou as Apsaras e gratificando-as com palavras gentis, ó Bharata, disse, 'Esta principal das senhoras, isto é, Brahmanicídio, saiu da pessoa de Indra. A meu pedido, tomem uma quarta parte dela em suas próprias pessoas (para salvar o Chefe das divindades).'” "As Apsaras disseram, 'Ó Senhor de todos os deuses, por tua ordem nós estamos totalmente dispostas a pegar uma parte deste pecado. Mas, ó Avô, pense nos meios pelos quais nós poderemos nos libertar (dos efeitos) deste acordo (que nós fazemos contigo).'” "Brahman disse, 'Que a febre de seus corações seja dissipada. A parte deste pecado que vocês tomarão sobre si mesmas as deixará para possuir imediatamente aquele homem que procurar ato sexual com mulheres em sua época menstrual!'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçadas pelo Avô, ó touro da raça Bharata, as diversas tribos de Apsaras, com almas alegres, foram para seus respectivos lugares e começaram a se divertir em alegria. O ilustre Criador dos três mundos, dotado de grande mérito ascético, então se lembrou das Águas que imediatamente foram até ele. Chegando à presença de Brahman de energia incomensurável, as Águas se curvaram e disseram estas palavras, 'Nós viemos diante de ti, ó castigador de inimigos, por tua ordem. Ó Mestre pujante de todos os mundos, diga-nos o que nós devemos realizar.'” "Brahman disse, 'Este pecado terrível tomou posse de Indra, por ele ter matado Vritra. Peguem uma quarta parte do Brahmanicídio.'” "As Águas disseram, 'Que seja como tu ordenas, ó mestre de todos os mundos. Cabe a ti, no entanto, ó nosso Senhor pujante, pensar nos meios pelos quais nós podemos (de nossa parte) ser resgatadas da (consequência) deste acordo. Tu és o Senhor de todas as divindades, e o refúgio supremo do universo. Quem mais há a quem nós possamos prestar nossas adorações para que ele possa nos livrar da angústia?'” "Brahman disse, 'Para aquele homem que, entorpecido por sua compreensão e pouco respeitando vocês, lançar em vocês catarro e urina e fezes, este (pecado) imediatamente irá e desde então residirá nele. Dessa maneira, em verdade eu digo a vocês que seu resgate será realizado.'” "Bhishma continuou, 'Então o pecado de Brahmanicídio, ó Yudhishthira, deixando o chefe das divindades, procedeu para as residências que foram ordenadas para ela por ordem do Avô. Foi assim, ó soberano de homens, que Indra veio a ser afligido por aquele pecado terrível (e foi assim que ele se livrou dela). Com a permissão do Avô Indra então resolveu realizar um Sacrifício de Cavalo. É ouvido, ó monarca, que Indra tendo sido assim possuído pelo pecado de Brahmanicídio depois ficou purificado dela através daquele Sacrifício. Recuperando sua prosperidade e matando milhares de inimigos, grande foi a alegria que Vasava obteve, ó senhor da Terra! Do sangue de Vritra, ó filho de Pritha, nasceram galos de cristas grandes. Por essa razão, aquelas aves são impuras (como alimento) para as classes regeneradas, e aqueles ascetas que passaram pelo rito de iniciação. Sob todas as circunstâncias, ó rei, realize o que é agradável para os duas vezes nascidos, pois estes, ó monarca, são conhecidos como deuses sobre a terra. Foi dessa maneira, ó tu da linhagem de Kuru, que o poderoso Asura Vritra foi morto por Sakra de energia incomensurável pela ajuda de inteligência sutil e pela aplicação de recursos. Tu também, ó filho de Kunti, não derrotado sobre a terra, te tornarás outro Indra e o matador de todos os teus inimigos. Aqueles homens que, em todo dia Parva, recitarem esta narrativa sagrada de Vritra no meio de Brahmanas nunca será manchado por qualquer pecado. Eu agora narrei para ti uma das maiores e mais maravilhosas façanhas de Indra relacionada com Vritra. O que mais tu desejas ouvir?'" 283 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, tu és possuidor de grande sabedoria e completamente conhecedor de todos os ramos de conhecimento. Dessa mesma narrativa da morte de Vritra surgiu em minha mente o desejo de te fazer uma pergunta. Tu disseste, ó soberano de homens, que Vritra foi (primeiro) entorpecido pela Febre, e que então, ó impecável, ele foi morto por Vasava com o raio. Como esta Febre, ó tu de grande sabedoria, surgiu? Ó senhor, eu desejo ouvir em detalhes sobre a origem da Febre.'” "Bhishma disse, 'Ouça, ó rei, à origem, célebre por todo o mundo, da Febre. Eu falarei em detalhes sobre este assunto, explicando totalmente como a Febre veio à existência pela primeira vez, ó Bharata! Antigamente, ó monarca, havia um topo, chamado Savitri, das montanhas de Meru. Adorado por todos os mundos, ele era dotado de grande esplendor e adornado com todos os tipos de jóias e pedras preciosas. Aquele topo era imensurável em extensão e para lá ninguém podia ir. Sobre aquele topo de montanha o divino Mahadeva costumava sentar-se em esplendor como se em uma armação de cama adornada com ouro. A filha do rei das montanhas, sentando ao lado dele, brilhava em luminosidade. (Uma ou Parvati, a filha de Himavat, a consorte de Siva.) As divindades de grande alma, os Vasus de energia incomensurável, os Aswins de grande alma, aqueles principais dos médicos, e o rei Vaisravana servido por muitos Guhyakas, aquele senhor dos Yakshas, dotado de prosperidade e pujança, e tendo sua residência no topo de Kailasa, todos serviam Mahadeva de grande alma. E o grande sábio Usanas, e os principais dos Rishis tendo Sanatkumara como seu principal, e os outros Rishis celestes encabeçados por Angiras, e o Gandharva Viswavasu, e Narada e Parvata, e as diversas tribos de Apsaras, todos iam lá para servir o Mestre do universo. Uma brisa pura e auspiciosa, carregando diversos tipos de perfumes, soprava lá. As árvores que haviam lá eram adornadas com as flores de todas as estações. Um grande número de Vidyadharas e Siddhas e ascetas também, ó Bharata, iam para lá para servir Mahadeva, o Senhor de todas as criaturas. Muitos seres fantasmais, também, de diversas formas e aspectos, e muitos Rakshasas terríveis e Pisachas poderosos, de diversos aspectos, loucos de alegria, e armados com diversos tipos de armas erguidas, formando o séquito de Mahadeva, permaneciam lá, cada um dos quais parecia com um fogo ardente em energia. O ilustre Nandi morava lá por ordem do grande deus, brilhando com sua própria energia e armado com uma lança que parecia uma chama de fogo. Ganga também, aquele principal de todos os Rios e nascida de todas as águas sagradas no universo, servia lá em sua forma incorporada, ó filho da linhagem de Kuru, aquela divindade ilustre. Assim adorado pelos Rishis celestes e pelos deuses, o ilustre Mahadeva de energia incomensurável morava sobre aquele topo de Meru.’” "Depois que algum tempo tinha passado, o Prajapati Daksha começou a realizar um Sacrifício segundo os ritos antigos (prescritos nos Vedas). (O auto- criado Brahman a princípio criou, por decretos de sua santa vontade, certos seres que foram encarregados de procriar para encher o universo com criaturas vivas. Esses eram os Prajapatis ou senhores de todas as criaturas. Entre eles estava Daksha. Outros relatos representam Daksha como o neto de Brahman.) Para o Sacrifício de Daksha, todas as divindades encabeçadas por Sakra, se reunindo, resolveram ir. É sabido por nós que as divindades de grande alma, com a permissão de Mahadeva, subiram em seus carros celestes parecendo com o fogo ou com o Sol em esplendor, e procederam para aquele local (sobre o Himavat) de onde se diz que o Ganges emerge. Vendo as divindades partirem, a excelente filha do rei das montanhas dirigiu-se ao seu cônjuge divino, o Senhor de todas as criaturas, e disse, 'Ó ilustre, onde aquelas divindades encabeçadas por Sakra estão indo? Ó tu que conheces a verdade, me diga realmente, pois uma grande dúvida encheu minha mente.'” "Maheswara disse, 'Ó dama que é altamente abençoada, o excelente Prajapati Daksha está adorando os deuses em um Sacrifício de Cavalo. Estes habitantes do céu estão procedendo para lá.'” "Uma disse, 'Por que, ó Mahadeva, tu não procedes para aquele Sacrifício? Que objeção há em tu ires para aquele local?'” "Maheswara disse, 'Ó senhora altamente abençoada, as divindades antigamente fizeram um arranjo em consequência do qual nenhuma parte foi atribuída para mim das oferendas em todos os Sacrifícios. De acordo com o modo de ação que foi sancionado por aquele arranjo, ó tu da aparência mais formosa, as divindades não me dão, seguindo o antigo costume, qualquer parte das oferendas sacrificais.'” "Uma disse, ‘Ó ilustre, entre todos os seres tu és o principal em força. Em mérito, em energia, em fama, e em prosperidade, tu não te sujeitas a ninguém, e tu és, de fato, superior a todos. Por causa, no entanto, desta incapacidade em relação a uma parte (nas oferendas Sacrificais), eu estou cheia de grande aflição, ó impecável, e um tremor me ultrapassa da cabeça aos pés.'” "Bhishma continuou, 'A deusa (Parvati), tendo dito estas palavras para seu cônjuge divino, o Senhor de todas as criaturas, ó monarca, ficou calada, enquanto seu coração queimava em aflição. Então Mahadeva, compreendendo o que estava em seu coração e quais eram seus pensamentos, (para acabar com aquela ignomínia), se dirigiu a Nandi, dizendo, 'Espere aqui (perto da deusa)’. Convocando toda sua força de Yoga, aquele Senhor de todos os senhores de Yoga, aquele deus de deuses, aquele manejador de Pinaka, possuidor de energia imensa, procedeu rapidamente para o local (onde Daksha estava sacrificando) acompanhado por todos os seus seguidores terríveis e destruiu aquele Sacrifício. Entre aqueles seguidores dele, alguns preferiam gritos altos, alguns riam terrivelmente, alguns, ó rei, extinguiram os fogos (Sacrificais) com sangue; e alguns, possuidores de rostos horríveis, levantando as estacas sacrificais, começaram a girá-las. Outros começaram a devorar aqueles que estavam contribuindo para o Sacrifício. Então aquele sacrifício, assim afligido por todos os lados, assumiu a forma de um veado e procurou fugir pelos céus. Vendo que o Sacrifício estava fugindo naquela forma, o pujante Mahadeva começou a persegui-lo com arco e flecha. Por causa da ira que então enchia o coração daquele principal de todos os deuses, possuidor de energia incomensurável, uma gota terrível de suor apareceu em sua testa. Quando aquela gota de suor caiu na terra, lá em seguida apareceu um fogo ardente parecido com a conflagração (todo-destrutiva) que aparece no fim de um Yuga. Daquele fogo saiu um ser terrível, ó monarca, de estatura muito baixa, possuidor de olhos cor de sangue e uma barba verde. Seu corpo estava totalmente coberto de pêlos como o de um falcão ou de uma coruja e seu cabelo estava ereto. De aspecto terrível, sua cor era escura e seu traje vermelho vivo. Como um fogo queimando uma pilha de grama ou palha seca, aquele Ser de grande energia consumiu rapidamente a forma incorporada do Sacrifício. Tendo realizado aquele feito, ele então se precipitou em direção às divindades e aos Rishis que tinham se reunido lá. As divindades, cheias de medo, fugiram em todas as direções. Por causa do andar daquele Ser, a terra, ó monarca começou a tremer. Exclamações de ‘Oh’ e ‘Ai’ ergueram-se por todo o universo. Notando isto, o Avô pujante, se mostrando para Mahadeva, dirigiu-se a ele nas seguintes palavras.'” "Brahman disse, 'Ó pujante, as divindades de agora em diante te darão uma parte das oferendas sacrificais! Ó Senhor de todas as divindades, que essa tua ira seja retraída por ti! Ó opressor de inimigos, lá, aqueles deuses, e os Rishis, por tua cólera, ó Mahadeva, ficaram extremamente agitados. Este Ser também, que surgiu do teu suor, ó principal dos deuses, vagará entre criaturas, ó tu de grande justa, sob o nome de Febre. Ó pujante, se a energia deste Ser permanecer toda reunida junta, então a própria terra inteira não poderá suportá-lo. Que ele, portanto, seja repartido em muitas partes.' Quando Brahman tinha dito estas palavras, e quando sua própria parte das oferendas sacrificais foi designada, Mahadeva respondeu para o Avô de grande energia, dizendo, 'Assim seja'. De fato, o manejador de Pinaka, isto é, Bhava, sorriu um pouco e ficou cheio de alegria. E ele aceitou a parte que o Avô designou para ele das oferendas em sacrifícios. Conhecedor das propriedades de tudo, Mahadeva então distribuiu a Febre em muitas partes, para a paz de todas as criaturas. Escute, ó filho, como ele fez isso. O calor que é perceptível nas cabeças de elefantes, o betume de montanhas (uma substância semelhante à laca que goteja das pedras de certas montanhas durante os meses quentes), o musgo que flutua sobre a água, a pele de cobras, as feridas que aparecem nos cascos de touros, as regiões estéreis da terra que estão cheias de substância salina, o embotamento de visão de todos os animais, as doenças que aparecem nas gargantas de cavalos, as cristas que aparecem nas cabeças de pavões, a doença do olho do cuco (que é a ave favorita de poetas indianos), cada um destes foi chamado de Febre por Mahadeva de grande alma. Isso é o que tem sido ouvido por nós. A doença do fígado da ovelha, e o soluço dos papagaios são também conhecidos como formas de Febre. A isto deve ser somado a fadiga que os tigres sofrem, pois isso também, ó rei justo, é conhecido como uma forma de Febre. Além disso, ó Bharata, entre os homens, a Febre entra em todos os corpos na hora do nascimento, da morte, e em outras ocasiões. Isto então que é chamado de Febre é conhecido como a energia terrível de Maheswara. Ele é dotado de autoridade sobre todas as criaturas e deve, portanto, ser considerado com respeito e adorado por todos. Foi por ele que Vritra, aquela principal das pessoas virtuosas, foi surpreendido quando ele bocejou. Foi então que Sakra arremessou seu raio nele. O raio, penetrando no corpo de Vritra, ó Bharata, o dividiu em dois. Dividido em dois pelo raio, o Asura poderoso possuidor de grandes poderes de Yoga procedeu para a região de Vishnu de energia incomensurável. Foi por sua devoção a Vishnu que ele tinha conseguido subjugar o universo inteiro. E foi por sua devoção a Vishnu que ele ascendeu, quando morto, para a região de Vishnu. Assim, ó filho, referente à história de Vritra eu narrei para ti em detalhes a narrativa a respeito da Febre. Sobre o que mais eu falarei para ti? O homem que ler este relato da origem da Febre com atenção cuidadosa e coração alegre se tornará livre de doença e sempre terá felicidade como sua parte. Cheio de alegria, ele terá realizados todos os desejos sobre os quais ele possa colocar seu coração.'" 284 "Janamejaya disse, 'Como, ó Brahmana, o Sacrifício de Cavalo do Prajapati Daksha, filho de Prachetas, foi destruído durante a era de Vaivaswata Manu? Compreendendo que a deusa Uma tinha ficado cheia de raiva e aflição, o pujante Mahadeva, que é a alma de todas as coisas, deu vazão à ira. Como, também, por sua graça, Daksha foi permitido reunir os membros divididos daquele Sacrifício? Eu desejo saber tudo isso. Diga-me como tudo isso realmente ocorreu, ó Brahmana.'” "Vaisampayana disse, 'Antigamente Daksha fez arranjos para realizar um Sacrifício no leito de Himavat, naquela região sagrada habitada por Rishis e Siddhas onde o Ganges sai das montanhas. Coberto com árvores e trepadeiras de diversas espécies aquele local abundava com Gandharvas e Apsaras. Cercado por multidões de Rishis, Daksha, aquele principal dos homens virtuosos, aquele progenitor de criaturas, era servido pelos habitantes da terra, do firmamento, e dos céus, com suas mãos unidas em reverência. Os deuses, os Danavas, os Gandharvas, os Pisachas, as Cobras, os Rakshasas, os dois Gandharvas chamados Haha e Huhu, Tumvuru e Narada, Viswavasu, Viswasena, os Gandharvas e as Apsaras, os Adityas, os Vasus, os Rudras, os Sadhyas, os Maruts, todos foram lá com Indra para tomar parte no Sacrifício. Os bebedores de Soma, os bebedores de fumaça, os bebedores de Ajya, os Rishis, e os Pitris foram lá com os Brahmanas. Estes, e muitas outras criaturas vivas pertencentes às quatro classes, isto é, vivíparas e ovíparas e nascidas da sujeira e vegetais, foram convidadas para aquele Sacrifício. Os deuses também, com seus cônjuges, respeitosamente convidados àquele lugar, chegaram em seus carros celestes e sentados sobre eles brilhavam como fogos ardentes. Vendo eles, o Rishi Dadhichi encheu-se de aflição e cólera, e disse, 'Isso não é um Sacrifício nem um rito meritório de religião, já que Rudra não é adorado nele. Vocês estão certamente se expondo à morte e servidão. Ai, quão desfavorável é o curso do tempo. Entorpecidos pelo erro vocês não vêem que a destruição os espera. Uma calamidade terrível se encontra à sua porta no decorrer desse grande Sacrifício. Vocês estão cegos para isso!' Tendo dito estas palavras, aquele grandioso Yogin viu o futuro com olhos de contemplação (Yoga). Ele viu Mahadeva, e sua cônjuge divina, isto é, aquela concessora de benefícios excelentes (sentados no topo de Kailasa) com Narada de grande alma sentado junto da deusa. Familiarizado com Yoga, Dadhichi ficou muito satisfeito, tendo averiguado o que estava prestes a acontecer. Todas as divindades e outros que tinham ido lá eram da mesma opinião com referência à omissão em convidar o Senhor de todas as criaturas. Somente Dadhichi, desejoso de deixar aquele local, então disse, 'Por adorar alguém que não deve ser adorado, e por se recusar a adorar aquele que deve ser adorado, um homem incorre no pecado de homicídio para sempre. Eu nunca antes falei uma inverdade, e uma inverdade eu nunca falarei. Aqui no meio dos deuses e dos Rishis eu digo a verdade. O Protetor de todas as criaturas, o Criador do universo, o Senhor de tudo, o Mestre pujante, o recebedor de oferendas sacrificais, logo virá a este Sacrifício e vocês todos o verão.'” "Daksha disse, 'Nós temos muitos Rudras armados com lanças e tendo cabelos emaranhados em suas cabeças. Eles são onze em número. Eu conheço eles todos, mas eu não sei quem é este (novo Rudra) Maheswara.'” "Dadhichi disse, 'Esta parece ser a opinião de todos os que estão aqui, isto é, que Maheswara não deve ser convidado. Como, no entanto, eu não vejo algum deus que possa ser citado como sendo superior a ele, eu estou certo de que esse proposto Sacrifício de Daksha seguramente será alcançado pela destruição.'” "Daksha disse, 'Aqui, neste recipiente de ouro, planejado para o Senhor de todos os Sacrifícios, está a oferenda sacrifical santificada por mantras e (ritos) segundo a ordenança. Eu pretendo fazer esta oferenda para Vishnu que está além de comparação. Ele é poderoso e o Mestre de todos, e para Ele sacrifícios devem ser realizados.'” 'Enquanto isso', continuou Vaisampayana, 'a deusa Uma, sentada com seu marido, disse estas palavras.'” "Uma disse, 'Quais são aquelas doações, quais são aqueles votos, e quais são aquelas penitências, que eu devo fazer ou praticar por meio dos quais meu marido ilustre possa obter uma metade ou uma terça parte das oferendas em sacrifícios?’ Para sua esposa que estava agitada com angústia e que repetiu estas palavras o ilustre Mahadeva disse com uma expressão alegre, 'Tu não me conheces, ó deusa! Tu não sabes, ó tu de membros delicados e ventre baixo, quais palavras são apropriadas para serem dirigidas ao Senhor dos Sacrifícios. Ó dama de olhos grandes, eu sei que é somente o pecaminoso, que é desprovido de contemplação, que não me compreende. (Tu, no entanto, não és assim, portanto, é causa de surpresa que tu ainda não me conheças.) É através do teu poder de ilusão que as divindades com Indra em sua chefia e os três mundos todos vêm a ser entorpecidos. (És tu que entorpeces outros, como é que tu foste entorpecida dessa maneira?) É para mim que os cantores proferem seus louvores em Sacrifícios. É para mim que os cantores de Samans cantam seus Rathantaras. É para mim que Brahmanas conhecedores dos Vedas realizam seus Sacrifícios. E é para mim que os Adhvaryus oferecem as partes de oferendas sacrificais.'” "A deusa disse, 'Até pessoas de habilidades comuns louvam e indultam a si mesmas na presença de seus cônjuges. Não há dúvida nisto.'” "O santo disse, 'Ó Rainha de todos os deuses, eu certamente não louvo a mim mesmo. Veja agora, ó dama de cintura fina, o que eu faço. Contemple o Ser que eu criarei, ó tu da aparência mais formosa, para (destruir) este Sacrifício (que te desagradou), ó minha bela esposa.’” "Tendo dito estas palavras para sua cônjuge Uma que era mais querida para ele do que sua própria vida, o pujante Mahadeva criou de sua boca um Ser terrível cuja própria visão podia arrepiar os cabelos de alguém. As chamas ardentes que emanavam de seu corpo o tornavam extremamente terrível de se contemplar. Seus braços eram muitos em número e em cada um havia uma arma que afligia o observador com medo. Aquele Ser, assim criado, ficou diante do grande deus, com mãos unidas, e disse, 'Quais ordens eu terei que cumprir?' Maheswara respondeu para ele, dizendo, 'Vá e destrua o Sacrifício de Daksha.' Assim ordenado, aquele Ser de bravura leonina que tinha saído da boca de Mahadeva desejou destruir o Sacrifício de Daksha, sem aplicar toda sua energia e sem a ajuda de alguém mais, para dissipar a cólera de Uma. Incitada por sua cólera, a esposa de Maheswara, ela mesma assumindo uma forma terrível que é conhecida pelo nome de Mahakali, procedeu na companhia daquele Ser que tinha saído da boca de Mahadeva, para testemunhar com seus próprios olhos a ação de destruição a qual era dela mesma (pois foi ela que tinha impelido seu marido a realizá-la por sua causa). Aquele Ser poderoso então partiu, tendo obtido a permissão de Mahadeva e tendo curvado sua cabeça para ele. Em energia, força, e forma, ele parecia com o próprio Maheswara que o tinha criado. De fato, ele era a encarnação viva da ira (de Mahadeva). De poder e energia incomensuráveis, e de coragem e bravura imensuráveis, ele veio a ser chamado pelo nome de Virabhadra, aquele dissipador da ira da deusa. Ele então criou dos poros de seu corpo um grande número de espíritos superiores conhecidos pelo nome de Raumyas. Aqueles bandos de espíritos ferozes, dotados de energia e destreza terríveis e parecendo com o próprio Rudra por causa disso, moveram-se com a força do trovão para aquele local onde Daksha estava fazendo preparativos para seu sacrifício, impelidos pelo desejo de destruí-lo. Possuidores de formas terríveis e gigantescas, eles constavam de centenas e milhares. Eles encheram o céu com seus gritos e guinchos desordenados. Aquele barulho encheu de medo os habitantes do céu. As próprias montanhas foram rachadas e a terra tremeu. Redemoinhos de vento começaram a soprar. O Oceano ergueu-se em uma onda. Os fogos que foram acesos se recusaram a brilhar. O Sol ficou ofuscado. Os planetas, as estrelas, e constelações, e a lua, não mais brilharam. Os Rishis, os deuses e os seres humanos pareciam pálidos. Uma escuridão geral se espalhou sobre a terra e o céu. Os Rudras insultados começaram a atear fogo em tudo. Alguns entre eles de formas terríveis começaram a bater e golpear. Alguns arrancaram as estacas sacrificais. Algum começaram a triturar e outros a esmagar. Dotados da velocidade do vento ou pensamento, alguns começaram a avançar perto e longe. Alguns começaram a quebrar os recipientes sacrificais e os ornamentos celestes. Os fragmentos espalhados polvilharam o solo como as estrelas salpicando o firmamento. Pilhas de iguarias excelentes, de garrafas de bebida, e de comestíveis que haviam lá pareciam com montanhas. Rios de leite corriam por todos os lados, com manteiga clarificada e Payasa como sua lama, coalhos cremosos como sua água, e açúcar cristalizado como suas areias. Aqueles rios continham todos os seis gostos. Haviam lagos de melado que pareciam muito belos. Carne de diversas espécies, da melhor qualidade, e outros comestíveis de vários tipos, e muitas variedades excelentes de bebida, e várias outras espécies de alimento que podiam ser lambidas e chupadas, começaram a ser comidas por aquele exército de espíritos com diversas bocas. E eles começaram a arremessar e espalhar aquelas variedades de comida em todas as direções. Por causa da ira de Rudra, cada um daqueles Seres gigantescos parecia com o fogo-Yuga todo-destrutivo. Agitando as tropas celestes eles as fizeram tremer de medo e fugir em todas as direções. Aqueles espíritos violentos se divertiam uns com os outros, e agarrando as donzelas celestes as empurravam e arremessavam para todos os lados. De atos selvagens, aqueles Seres, impelidos pela cólera de Rudra, logo queimaram aquele Sacrifício embora ele fosse protegido com grande cuidado por todas as divindades. Altos eram os rugidos que eles proferiam, os quais aterrorizavam todas as criaturas vivas. Tendo arrancado a cabeça do Sacrifício eles se entregaram à alegria e gritos. Então os deuses encabeçados por Brahman, e aquele progenitor de criaturas, isto é, Daksha, unindo suas mãos em reverência, se dirigiram àquele Ser poderoso, dizendo, 'Diga-nos quem tu és.'” "Virabhadra disse, 'Eu não sou nem Rudra nem sua esposa, a deusa Uma. Nem eu vim aqui para partilhar do alimento (fornecido neste Sacrifício). Sabendo do fato da ira de Uma, o Senhor pujante que é a alma de todas as criaturas deu vazão à ira. Eu não vim aqui para ver estes principais dos Brahmanas. Eu não vim aqui incitado por curiosidade. Saibam que eu vim aqui para destruir este seu Sacrifício. Eu sou conhecido pelo nome de Virabhadra e eu surgi da ira de Rudra. Esta dama (que é minha companheira), e que é chamada de Bhadrakali, surgiu da cólera da deusa. Ambos fomos enviados por aquele deus de deuses, e consequentemente viemos para cá. Ó principais dos Brahmanas, procurem a proteção daquele Senhor das divindades, o consorte de Uma. É preferível até incorrer na cólera daquele principal dos deuses do que obter benefícios de alguma outra Divindade.' Ouvindo as palavras de Virabhadra, Daksha, aquela principal de todas as pessoas justas, reverenciou Maheswara e procurou gratificá-lo por proferir o seguinte hino, 'Eu me jogo aos pés do refulgente Isana, que é Eterno, Imutável, e Indestrutível; que é o principal de todos os deuses, que é dotado de grande alma, que é o Senhor de todo o universo.' [Aqui seguem cinco slokas e meio que parecem ser interpolações.] Seus louvores tendo sido cantados dessa maneira, o grande deus Mahadeva, suspendendo Prana e Apana (os dois mais importantes dos cinco ares vitais) por fechar sua boca apropriadamente, e lançando olhares (bondosos) para todos os lados, se mostrou lá. Possuidor de muitos olhos, aquele subjugador de todos os inimigos, aquele Senhor até dos deuses de todos os deuses, ergueu-se de repente de dentro do buraco no qual era mantido o fogo sacrifical. Possuidor da refulgência de mil Sóis, e parecendo com outro Samvartaka, o grande deus sorriu gentilmente (para Daksha) e dirigindo-se a ele, disse, 'O que, ó Brahmana, eu farei por você?' Nesta conjuntura, o preceptor de todas as divindades adorou Mahadeva com os versos Védicos contidos nas seções Moksha. Então aquele progenitor de todas as criaturas, Daksha, unindo suas mãos em reverência, cheio de terror e medo, extremamente agitado, e com face e olhos banhados em lágrimas, dirigiu-se ao grande deus nas seguintes palavras.'” "Daksha disse, 'Se o grande deus está satisfeito comigo, se, de fato, eu me tornei um objeto de favor para ele, se eu mereço sua bondade, se o grande Senhor de todas as criaturas está disposto a me conceder bênçãos, então que todos esses meus artigos que foram queimados, comidos, bebidos, engolidos, destruídos, quebrados, e poluídos, que todos esses artigos sejam úteis para mim. Reunidos no decorrer de muitos longos anos com grande cuidado e esforço, que eles não sejam inúteis. Este mesmo é o benefício que eu anseio.’ Para ele o ilustre Hara, o arrancador dos olhos de Bhaga, disse, ‘Que seja como tu dizes!’ Estas mesmas foram as palavras daquele progenitor ilustre de todas as criaturas, aquele deus de três olhos, aquele protetor da justiça. (Mahadeva é chamado de Virupaksha por causa de seus três olhos, o terceiro olho fazendo suas feições terríveis de se olhar. Ele é também chamado de Tryaksha por sua posse de três olhos.) Tendo obtido aquele benefício de Bhava, Daksha se ajoelhou para ele e adorou aquela divindade que tem o touro como sua marca, por proferir seus mil e oito nomes.'” “Yudhishthira disse, ‘Cabe a ti, ó majestade, me dizer aqueles nomes pelos quais Daksha, aquele progenitor de criaturas, adorou a grande divindade. Ó impecável, uma curiosidade reverente me impele a ouvi-los.’” "Bhishma disse, 'Ouça, ó Bharata, quais são os nomes, secretos e proclamados, daquele deus de deuses, daquela divindade de feitos extraordinários, daqueles asceta de votos secretos.'” "Daksha disse, 'Eu te reverencio, ó senhor de todos os deuses, o destruidor das tropas dos Asuras. Tu és o paralisador da força do próprio comandante celeste. Tu és adorado por deuses e Danavas. Tu és de mil olhos, tu és de olhos ferozes, e tu és de três olhos. Tu és o amigo do soberano dos Yakshas. Tuas mãos e pés se estendem em todas as direções para todos os lugares. Também teus olhos e cabeça e boca estão virados para todos os lados. Teus ouvidos também estão em todos os lugares no universo, e tu mesmo estás em todos os lugares, ó Senhor! Tu és de orelhas de seta, tu és de orelhas amplas, e tu és de orelhas de pote. Tu és o receptáculo do Oceano. Tuas orelhas são como aquelas do elefante, ou do touro, ou como palmas estendidas. Saudações a ti! Tu tens cem estômagos, cem revoluções, e cem línguas. Eu te reverencio! Os proferidores do Gayatri cantam teus louvores ao proferirem o Gayatri, e os devotos do Sol te adoram ao adorarem o Sol. Os Rishis te consideram como Brahmana, como Indra, e como o (ilimitável) firmamento acima. Ó tu de forma poderosa, o Oceano e o Céu são tuas duas formas. Todas as divindades moram em tua forma assim como gado mora dentro do curral. Em teu corpo eu vejo Soma, e Agni, e o senhor das Águas, e Aditya, e Vishnu, e Brahmana, e Vrihaspati. Tu, ó ilustre, és Causa e Efeito e Ação e Instrumento de tudo irreal e real, e tu és Criação e Destruição. Eu me curvo a ti que és chamado de Bhava e Sarva e Rudra. Eu me curvo a ti que és o concessor de bênçãos. Eu sempre me curvo a ti que és o Senhor de todas as criaturas. Saudações a ti que és o matador de Andhaka. Saudações a ti que tens três madeixas emaranhadas, a ti que tens três cabeças, a ti que estás armado com um tridente excelente; a ti que tens três olhos e que és, portanto, chamado de Tryamvaka e Trinetra! Saudações a ti que és o destruidor da cidade tripla! Saudações a ti que és chamado de Chanda, e Kunda; a ti que és o ovo (universal) e também o portador do ovo (universal); a ti que és o portador do bastão do asceta, a ti que tens ouvidos em todos os lugares, e a ti que és chamado de Dandimunda! Saudações a ti cujos dentes e cabelos são virados para cima, para ti que és imaculado e branco, e que estás estendido por todo o universo; a ti que és vermelho, a ti que és moreno, e a ti que tens uma garganta azul! Saudações a ti que és de forma incomparável, que és de forma terrível, e que és altamente auspicioso! A ti que és Surya, que tens uma guirlanda de Suryas ao redor de teu pescoço, e que tens estandartes e bandeiras portando o emblema de Surya. Saudações a ti que és o Senhor dos espíritos e fantasmas, a ti que tens pescoço de touro, e que estás armado com o arco; a ti que esmagas todos os inimigos, a ti que és a personificação do castigo, e a ti que estás vestido em folhas (de árvores) e trapos. Saudações a ti que carregas ouro em teu estômago, a ti que estás envolvido em armadura dourada, a ti que és de crista de ouro, a ti que és o senhor de todo o ouro no mundo! Saudações a ti que tens sido adorado, que mereces ser adorado, e que ainda estás sendo adorado; a ti que és todas as coisas, que devoras todas as coisas, e que és a alma de todas as coisas! Saudações a ti que és o Hotri (em Sacrifícios), que és os mantras (Védicos) proferidos (em Sacrifícios), e que possuis bandeiras e estandartes brancos. Saudações a ti que és o centro do universo, que és causa e efeito na forma dos cinco elementos primordiais, e que és o envoltório de todas as coberturas. Saudações a ti que és chamado de Krisanasa, que tens membros magros, e que és magro. Saudações a ti que és sempre alegre e que és a personificação dos sons e vozes confusos. Saudações a ti que estás prestes a ser esticado na terra, que já estás esticado, e que permaneces em posição vertical. Saudações a ti que és fixo, que estás correndo, que és calvo, e que tens cabelos emaranhados em tua cabeça. Saudações a ti que és afeiçoado à dança e que golpeias tuas bochechas inchadas fazendo de tua boca um tambor. (Todo devoto de Mahadeva deve encher sua boca com ar e então, fechando seus lábios, bater em suas bochechas, deixando o ar sair suavemente a cada golpe, e ajudar com o ar dos pulmões para manter a corrente firme. Por fazer isso um tipo de barulho é feito como ‘Bom, Bom, Babam, Bom’. Mahadeva é afeiçoado a esta música e é representado fazendo-a muitas vezes.) Saudações a ti que gostas de lotos que florescem em rios, e que sempre gostas de cantar e de tocar instrumentos musicais. Saudações a ti que és o primogênito, que és a principal de todas as criaturas, e que és o aniquilador do Asura Vala. Saudações a ti que és o Mestre do Tempo, que és a personificação de Kalpa; que és a encarnação de todos os tipos de destruição, grandes e pequenas. Saudações a ti que ris terrivelmente e tão alto quanto a batida de um tambor, e que cumpres votos terríveis! Saudações para sempre a ti que és feroz, e que tens dez braços. Saudações a ti que estás armado com ossos e que gostas das cinzas das piras mortuárias. Saudações a ti que és impressionante, que és terrível de se contemplar, e que és um observador de votos e práticas temíveis. Saudações a ti que possuis uma boca feia, que tens uma língua parecida com uma cimitarra, e que tens dentes grandes. Saudações a ti que gostas de carne cozida e não cozida, e que consideras a Vina de cabaça como muito preciosa. Saudações a ti que causas a chuva, que ajudas a causa da justiça, que és identificável com a forma de Nandi, e que és a própria Justiça! Saudações a ti que estás sempre te movendo como vento e as outras forças, que és o controlador de todas as coisas, e que estás sempre empenhado em cozinhar todas as criaturas (no caldeirão do Tempo). Saudações a ti que és a principal de todas as criaturas, que és superior, e que és o dador de benefícios. Saudações a ti que tens as melhores guirlandas, os melhores perfumes, e os melhores mantos, e que dás as melhores bênçãos para as melhores criaturas. Saudações a ti que és afeiçoado, que és livre de todas as afeições, que és da forma da contemplação Yoga, e que és adornado com uma guirlanda de Akshas. Saudações a ti que és unido como causa e desunido como efeitos, e que tens a forma de sombra e de luz. Saudações a ti que és amável, e que és terrível, e que és extraordinariamente de tal maneira. Saudações a ti que és auspicioso, que és tranquilo, e que és o mais tranquilo. Saudações a ti que tens uma perna e muitos olhos, e que tens somente uma cabeça; a ti que és feroz, a ti que és satisfeito com pequenas oferendas, e a ti que és afeiçoado à equidade. Saudações a ti que és o artífice do universo, e que estás sempre unido com o atributo de tranquilidade. Saudações a ti que carregas um sino para assustar inimigos, que és da forma do tinido feito por um sino, e que és da forma do som quando ele não é perceptível pelo ouvido. Saudações a ti que és como mil sinos retinindo juntos, e que gostas de uma guirlanda de sinos, que és como o som que os ares vitais fazem, que és da forma de todos os aromas e do barulho confuso de líquidos ferventes. Saudações a ti que estás além de três Huns, e que gostas de dois Huns. (Huns são sons místicos que são como emblemas para várias coisas.) Saudações a ti que és extremamente tranquilo, e que tens as sombras das árvores das montanhas como tua habitação. Tu gostas da carne do coração de todas as criaturas, tu purificas de todos os pecados, e és da forma de oferendas sacrificais. Saudações a ti que tens a forma do Sacrifício, que és o próprio Sacrificador, que és o Brahmana em cuja boca é despejada a manteiga sacrifical, e que és o fogo no qual é despejada a manteiga inspirada com mantras. (Em Sacrifício a manteiga é despejada com mantras na boca de um Brahmana escolhido que representa os deuses, e também no fogo sagrado.) Saudações a ti que és da forma de Ritwijes (sacrificais), que tens teus sentidos sob controle, que és feito de Sattwa, e que tens Rajas também em teu feitio. Saudações a ti que és das margens de Rios, dos próprios Rios, e do senhor de todos os Rios (o Oceano)! Saudações a ti que és o dador de alimento, que és o senhor de todo o alimento, e que és idêntico àquele que ingere alimento! Saudações a ti que tens mil cabeças e mil pés, a ti que tens mil tridentes erguidos em tuas mãos, e mil olhos! Saudações a ti que és da forma do Sol nascente, e que és da forma de uma criança, que és o protetor dos servidores, todos os quais são da forma de crianças, (isto se refere aos passatempos de Krishna nos bosques de Vrinda com as crianças rústicas que eram seus companheiros), e que és, além disso, da forma de brinquedos de crianças. Saudações a ti que és velho, que és cobiçoso, que já estás agitado, e que estás prestes a ser agitado. Saudações a ti que tens mechas de cabelo marcadas pela corrente do Ganges, e que tens mechas de cabelo parecidas com folhas da erva Munja! (A corrente sagrada do Ganges, saindo dos pés de Vishnu, é segurada por Brahman em seu Kamandalu ou jarro. De lá ela sai, e percorrendo os céus cai na cabeça de Siva, pois somente Siva é poderoso o suficiente para suportar aquela queda. Os cabelos emaranhados de Siva levam a marca da queda.) Saudações a ti que és gratificado com as seis ações (bem conhecidas), e que és dedicado à realização dos três atos. (As seis ações bem conhecidas são: realizar sacrifícios, ajudar nos sacrifícios de outros, estudar, ensinar, fazer doações e aceitar doações, Siva está dedicado à primeira, à terceira, e à quinta dessas ações.) Saudações a ti que designaste os deveres dos respectivos modos de vida. Saudações a ti que mereces ser louvado em sons, que és da forma da tristeza, e que és da forma do barulho profundo e confuso. Saudações a ti que tens olhos brancos e castanhos, como também pretos e vermelhos. Saudações a ti que dominaste teus ares vitais, que és da forma de armas, que rachas todas as coisas, e que és extremamente magro. Saudações a ti que sempre falas de Religião, Prazer, Lucro, e Emancipação. Saudações a ti que és um Sankhya, que és o principal dos Sankhyas, e que és o introdutor do Sankhya-Yoga (Vedanta e Yoga). Saudações a ti que tens um carro e que não tens um carro (para tuas viagens. Isto é, capaz de rumar, sem obstrução, através da Água, Fogo, Vento e Espaço). Saudações a ti que tens as intersecções de quatro estradas em lugar de teu carro; a ti que tens a pele de um veado preto como tua peça de roupa superior, e que tens uma cobra como teu fio sagrado. Saudações a ti que és Isana (muito desejado, ou muito cobiçado por todas as pessoas), que és de corpo tão firme quanto o raio, e que tens madeixas verdes. Saudações a ti que és de três olhos, que és o marido de Amvika, que és Manifesto, e que és Imanifesto. Saudações a ti que és Desejo, que és o Concessor de todos os desejos, que és o Matador de todos os desejos, e que és o discriminador entre o gratificado e o não gratificado. Saudações a ti que és todas as coisas, que és o Dador de todas as coisas, e o Destruidor de todas as coisas. Saudações a ti que és as cores que aparecem no céu ao anoitecer. Saudações a ti que és de força imensa, que és de braços poderosos, que és um Ser poderoso, e que és de grande refulgência. Saudações a ti que pareces com uma massa poderosa de nuvens, e que és a encarnação da eternidade! Saudações a ti que és de corpo bem desenvolvido, que és de membros emaciados, que tens cabelos emaranhados em tua cabeça, e que estás vestido em cascas de árvores e peles de animais. Saudações a ti que tens madeixas emaranhadas tão refulgentes quanto o Sol ou o Fogo, e que tens cascas e peles como teus trajes. Saudações a ti que possuis o resplendor de mil Sóis, e que estás sempre engajado em penitências. Saudações a ti que és o excitamento da Febre, e que és dotado de madeixas emaranhadas encharcadas com as águas do Ganges caracterizadas por centenas de redemoinhos. Saudações a ti que repetidamente revolves a Lua, os Yugas, e as nuvens; (isto é, tu crias e destróis estes repetidamente ou os colocas em movimento.) Tu és alimento, tu és aquele que come aquele alimento, tu és o dador de alimento, tu és o cultivador do alimento, e tu és o criador do alimento. Saudações a ti que cozinhas comida e que comes comida cozida, e que és ambos, o vento e o fogo! Ó senhor de todos os senhores dos deuses, tu és as quatro classes de criaturas vivas, isto é, as vivíparas, as ovíparas, as nascidas da sujeira, e as plantas. Tu és o Criador do universo móvel e imóvel, e tu és seu Destruidor! Ó principal de todas as pessoas conhecedoras de Brahma, aqueles que estão familiarizados com Brahma te consideram como Brahma! Os proferidores de Brahma dizem que tu és a Fonte Suprema da Mente, e o Refúgio do qual Espaço, Vento, e Luz dependem. Tu és os Richs e os Samans, e a sílaba Om. Ó principal de todas as divindades, aqueles proferidores de Brahma que cantam os Samans constantemente cantam a ti quando eles preferem as sílabas Hayi-Hayi, Huva-Hayi, e Huva-Hoyi. (Estas são sílabas que todos os cantores de Samans proferem para prolongar palavras curtas para manter o ritmo.) Tu és composto dos Yajuses, dos Richs, e das oferendas despejadas no fogo sacrifical. Os hinos contidos nos Vedas e nos Upanishads adoram a ti! (Isto é, Aquele que é adorado naqueles hinos é tu mesmo e nenhum outro.) Tu és os Brahmanas e os Kshatriyas, os Vaisyas, e os Sudras, e as outras castas formadas por mistura. Tu és aquelas massas de nuvens que aparecem no céu; tu és Relâmpago; e tu és o ribombo do trovão. Tu és o ano, tu és as estações, tu és o mês, e tu és a quinzena. Tu és Yuga, tu és o tempo representado por um piscar de olhos, tu és Kashtha, tu és as Constelações, tu és os Planetas, tu és Kala. Tu és os topos de todas as árvores, tu és os topos mais altos de todas as montanhas. Tu és o tigre entre os animais inferiores, tu és Garuda entre as aves, e tu és Ananta entre cobras. Tu és o oceano de leite entre todos os oceanos e tu és o arco entre os instrumentos para lançar armas. Tu és o trovão entre as armas, e tu és a Verdade entre os votos. Tu és Aversão e tu és Desejo, tu és afeição e tu és estupor (de raciocínio), tu és Clemência e tu és Inclemência. Tu és Esforço, e tu és Paciência, tu és Cobiça, tu és Luxúria e tu és Ira, tu és Vitória e tu és Derrota. Tu estás armado com maça, e tu estás armado com flechas, tu estás armado com o arco, e tu carregas o Khattanga e o Jharjhara em tuas mãos. Tu és aquele que derruba e perfura e golpeia. Tu és aquele que guia (todas as criaturas) e aquele que lhes dá dor e aflição. Tu és Justiça que é marcada por dez virtudes; tu és Riqueza ou Lucro de todo tipo; e tu és Prazer. Tu és Ganga, tu és os Oceanos, tu és os Rios, tu és os lagos, e tu és os tanques. Tu és as trepadeiras finas, tu és as plantas rastejantes mais grossas, tu és todas as espécies de grama, e tu és as ervas decíduas. Tu és todos os animais inferiores e tu és as aves. Tu és a origem de todos os objetos e ações, e tu és aquela estação que produz frutas e flores. Tu és o início e tu és o fim dos Vedas; tu és o Gayatri, e tu és Om. Tu és Verde, tu és Vermelho, tu és Azul, tu és Escuro, tu és de cor Sangrenta, tu és da cor do Sol, tu és Moreno, tu és Dourado, e tu és Azul Escuro. (Estas são as dez cores conhecidas para os Rishis.) Tu és sem cor, tu és da melhor cor, tu és o fazedor de cores, e tu és sem comparação. Tu és do nome do Ouro, e tu gostas de Ouro. Tu és Indra, tu és Yama, tu és o Dador de bênçãos, tu és o Senhor da riqueza, e tu és Agni. Tu és o Eclipse, tu és o Fogo chamado Chitrabhanu, tu és Rahu, e tu és o Sol. Tu és o fogo sobre o qual manteiga sacrifical é derramada. Tu és Aquele que despeja a manteiga. Tu és Aquele em honra de quem a manteiga é despejada, tu és a própria manteiga que é despejada, e tu és o pujante Senhor de tudo. Tu és aquelas seções dos Brahmans que são chamadas de Trisuparna, tu és todos os Vedas; e tu és as seções chamadas Satarudriya nos Yajuses. Tu és o mais santo dos santos, e a mais auspiciosa de todas as coisas auspiciosas. Tu animas o corpo inanimado. Tu és o Chit que mora na forma humana. Investido com atributos, tu te tornas sujeito à Destruição. Tu és Jiva, que é Aquele que nunca está sujeito à destruição quando não envolvido com atributos. Tu és pleno, contudo tu te tornas sujeito à decadência e morte na forma do corpo que é o acompanhamento de Jiva. Tu és o ar da vida, e tu és Sattwa, tu és Rajas, tu és Tamas, e tu não estás sujeito ao erro. Tu és os ares chamados Prana, Apana, Samana, Udana, e Vyana. Tu és o abrir do olho e o fechar do olho. Tu és a ação de Espirrar e tu és a ação de Bocejar. Tu és de olhos vermelhos (isto é, da cor do lótus) que estão sempre virados para dentro (olhando a própria Alma, em Samadhi). Tu és de grande boca e estômago grande. As cerdas em teu corpo são como agulhas. Tua barba é verde. Teu cabelo está virado para cima. Tu és mais rápido do que o mais rápido. Tu és conhecedor dos princípios de música vocal e instrumental, e gostas de música vocal e instrumental. Tu és um peixe que vaga nas águas (como Jiva vaga no espaço), e tu és um peixe envolvido na rede, (como Jiva envolvido por Ignorância ou Ilusão é obrigado a tomar nascimento). Tu és completo, tu gostas de esportes, e tu és da forma de todas as brigas e disputas. Tu és o Tempo, tu és o mau tempo, tu és o tempo que é prematuro, e tu és o tempo que é maduro demais. Tu és o assassinato, tu és a navalha (que mata), e tu és aquele que é morto. Tu és o auxiliar e tu és o adversário, e tu és o destruidor de ambos, auxiliares e adversários. Tu és o tempo quando as nuvens aparecem (isto é, o tempo do dilúvio universal), tu és de dentes grandes, e tu és Samvartaka e Valahaka, (que são as nuvens que aparecem na ocasião da destruição universal). Tu estás manifesto na forma de esplendor. Tu estás oculto por estares envolvido por Maya (ou Ilusão). Tu és Aquele que conecta as criaturas com os frutos de suas ações. Tu tens um sino em tua mão. Tu brincas com todas as coisas móveis e imóveis (como com teus brinquedos). Tu és a causa de todas as causas. Tu és um Brahma (na forma de Pranava), tu és Swaha; tu és o portador do Danda, tua cabeça é calva (isto é, tu és um Paramahansa, alguém que renunciou ao mundo e seus costumes), e tu és aquele que tem suas palavras, ações e pensamentos sob controle. Tu és os quatro Yugas, tu és os quatro Vedas, tu és Aquele de quem os quatro fogos (Sacrificais, que são: Treta, Avasathya, Dakshina, e Sahya) têm fluído. Tu és o Diretor de todos os deveres dos quatro modos de vida. Tu és o fazedor das quatro Classes. Tu sempre gostas de jogar dados. Tu és astúcia. Tu és o chefe dos espíritos divididos em ganas (clãs), e seu soberano. Tu estás adornado com guirlandas vermelhas e vestido em mantos que são vermelhos. Tu dormes no leito da montanha, e tu gostas da cor vermelha. Tu és o artesão; tu és o principal dos artistas; e é de ti que todas as artes têm fluído. Tu és o arrancador dos olhos de Bhaga; tu és Feroz, e tu és Aquele que destruiu os dentes de Pushan. Tu és Swaha, tu és Swadha, tu és Vashat, tu és a forma da Saudação, e tu és as palavras Namas-Namas proferidas por todos os devotos. Tuas observâncias e penitências não são conhecidas para outros. Tu és Pranava; tu és firmamento salpicado com miríades de estrelas. Tu és Dhatri (Vishnu), e Vidhatri (de quatro cabeças), e Sandhatri (aquele que junta todas as coisas em uma), Vidhatri (o planejador de destinos), e o Refúgio de todas as coisas na forma da Causa Suprema, e tu és independente de todo Refúgio. Tu conheces Brahma, tu és Penitência, tu és Verdade, tu és a alma de Brahmacharya, e tu és Simplicidade. Tu és a alma das criaturas, tu és o Criador de todas as criaturas, tu és Existência Absoluta, e tu és a Causa de onde o Passado, o Presente, e o Futuro, têm surgido. Tu és Terra, tu és Firmamento, e tu és Céu. Tu és Eterno, tu és Auto-dominado, e tu és o grande deus. Tu és iniciado, e tu és não iniciado. Tu és perdoador; tu és rancoroso; e tu és o castigador de todos os que são rebeldes. Tu és o mês lunar, tu és o ciclo dos Yugas (isto é, Kalpa), tu és Destruição, e tu és Criação. Tu és Luxúria, tu és a semente vital, tu és sutil, tu és grosseiro, e tu gostas de guirlandas feitas de flores Karnikara. Tu tens um rosto como aquele de Nandi, tu tens um rosto que é terrível, tu tens um bonito rosto, tu tens um rosto feio, e tu és sem rosto. Tu tens quatro rostos, tu tens muitos rostos, e tu tens um rosto ardente quando envolvido em batalhas. Tu és de estômago de ouro (isto é, Narayana), tu és (independente de todas as coisas como) uma ave (não ligada à terra de onde ela deriva seu alimento e à qual ela pertence), tu és Ananta (o senhor das cobras poderosas), e tu és Virat (o mais imenso dos imensos). Tu és o destruidor da Injustiça, tu és chamado de Mahaparswa, tu és Chandradhara, e tu és o chefe dos clãs de espíritos. Tu mugiste como uma vaca, tu foste o protetor das vacas, e tu tens o senhor dos touros como teu servidor. (A identidade de Maheswara com Narayana ou Krishna é aqui pregada. Em sua encarnação de Krishna, Vishnu brincava com os filhos dos vaqueiros de Vrinda e mugia de modo divertido como uma vaca. Ele também protegeu o gado de Vrinda de enchentes, veneno, etc. Govrisheswara é Nandi, o atendente de Mahadeva.) Tu és o protetor dos três mundos, tu és Govinda, tu és o diretor dos sentidos, e tu não podes ser compreendido pelos sentidos. Tu és a principal de todas as criaturas, tu és fixo, tu és imóvel, tu não tremes, e tu és da forma do trêmulo! Tu não podes ser resistido, tu és o destruidor de todos os venenos, tu não podes ser resistido (em batalha), e tu não podes ser superado, tu não podes ser feito tremer, tu não podes ser medido, tu não podes ser derrotado, e tu és vitória. Tu és de velocidade rápida, tu és a Lua, tu és Yama (o destruidor universal), tu suportas (sem vacilar) frio e calor e fome e fraqueza e doença. Tu és todas as agonias mentais, tu és todas as doenças físicas, tu és o curador de todas as doenças, e tu és aquelas próprias doenças as quais tu curas. Tu és o destruidor do meu Sacrifício que tinha se esforçado para fugir na forma de veado. Tu és a chegada e a partida de todas as doenças. Tu tens uma crista alta. Tu tens olhos como pétalas de lótus. Tua habitação é no meio de um bosque de lotos. Tu carregas o bastão do asceta em tuas mãos. Tu tens os três Vedas como teus três olhos. Tuas punições são violentas e severas. Tu és o destruidor do ovo (de onde o universo surge). Tu és o bebedor de veneno e fogo, tu és a principal de todas as divindades, tu és o bebedor de Soma, tu és o senhor dos Maruts. (Siva é representado como aquele que aceita todas as coisas que são rejeitadas por outros. Nisto consiste sua verdadeira divindade, pois para a Divindade nada no universo pode ser inaceitável ou digno de ser rejeitado. As cinzas da pira mortuária são dele, o veneno produzido pelo batimento do oceano foi dele. Ele salvou o universo por engolir o veneno naquela ocasião.) Tu és o bebedor de Néctar. Tu és o Mestre do universo. Tu brilhas em glória, e tu és o senhor de todos os brilhantes. Tu proteges do veneno e da morte, e tu bebes leite e Soma. Tu és o principal dos protetores daqueles que caíram do céu, e tu proteges aquele que é a principal das divindades (Brahman). Ouro é a tua semente vital. Tu és homem, tu és mulher, tu és neutro. Tu és uma criança, tu és um jovem, tu és velho em idade com teus dentes gastos, tu és o principal dos Nagas, tu és Sakra, tu és o Destruidor do universo, e tu és seu Criador. Tu és Prajapati, e tu és adorado pelos Prajapatis, tu és o sustentador do universo, tu tens o universo como tua forma, tu és dotado de grande energia, e tu tens teus rostos virados em todas as direções. O Sol e a Lua são teus dois olhos, e o Avô é teu coração. Tu és o Oceano. A deusa Saraswati é tua fala e Fogo e Vento são teu poder. Tu és Dia e Noite. Tu és todos os atos inclusive o abrir e o fechar dos olhos. Nem Brahman, nem Govinda, nem os Rishis antigos são competentes para compreender tua grandeza, ó divindade auspiciosa, realmente. Aquelas formas sutis que tu tens são invisíveis para nós. Salve-me, ó, e proteja-me como um pai protege seu próprio filho. Ó, proteja alguém! Eu mereço tua proteção. Eu te reverencio, ó impecável! Tu, ó ilustre, és cheio de compaixão por teus devotos. Eu sou sempre devotado a ti. Que seja sempre meu protetor aquele que fica sozinho no outro lado do oceano, em uma forma ser difícil de ser compreendida, e subjugando muitos milhares de pessoas! (O comentador explica que por Mahadeva ficando 'sozinho' quer-se dizer que ele é o conhecedor, o conhecido, e o conhecimento. 'No outro lado do oceano' significa 'no outro lado do desejo e apego, etc.' 'Subjugando muitos milhares de pessoas' significa superando-as por sua energia e conhecimento.) Eu reverencio aquela Alma de Yoga que é contemplada na forma de uma Luz refulgente por pessoas que têm seus sentidos sob controle, que possuem o atributo de Sattwa, que têm regulado suas respirações, e que têm conquistado o sono, (isto é, os Yogins). Eu reverencio àquele que é dotado de cabelos emaranhados, que carrega o bastão do asceta em sua mão, que é possuidor de um corpo que tem um abdômen alongado, que tem um kamandalu atado às suas costas, e que é a Alma de Brahman. Eu reverencio a Ele que é a alma da água, em cujo cabelo estão as nuvens, nas juntas de cujo corpo estão os rios, e em cujo estômago estão os quatro oceanos. Eu procuro a proteção dele que, quando chega o fim do Yuga, devora todas as criaturas e se estica (para dormir) na ampla extensão de água que cobre o universo. Que Ele que, entrando na boca de Rahu bebe Soma à noite e que se tornando Swarbhanu devora Surya também, proteja-me! (Os eclipses da Lua e do Sol são causados, de acordo com a mitologia Purânica, por Rahu devorando a Lua e o Sol em certos intervalos bem conhecidos. Rahu é um Asura cuja cabeça somente ainda está viva. Veja Adi Parva, no Batimento do Oceano.) As divindades, que são meras crianças e que surgiram todas de ti depois da criação de Brahman, desfrutam de suas respectivas partes (nas oferendas sacrificais). Que elas desfrutem (pacificamente) daquelas oferendas feitas com Swaha e Swadha, e que elas derivem prazer daqueles presentes. Eu as reverencio. Que aqueles Seres que são da estatura do polegar e moram em todos os corpos, sempre me protejam e gratifiquem. (Estes seres são Rudras ou porções do grande Rudra.) Eu sempre reverencio aqueles Seres que, morando dentro das criaturas incorporadas, fazem as últimas gritarem de dor sem elas mesmas gritarem de dor, e que as alegram sem elas mesmas estarem alegres. Eu sempre reverencio aqueles Rudras que moram em rios, em oceanos, em colinas e montanhas, em cavernas de montanhas, nas raízes de árvores, em currais de vacas, em florestas inacessíveis, nas intersecções de estradas, em estradas, em praças abertas, em margens (de rios e lagos e oceanos), em abrigos de elefantes, em estábulos, em abrigos de carros, em jardins e casas abandonadas, nos cinco elementos primordiais, e nas direções principais e secundárias. Eu reverencio repetidamente aqueles que moram no espaço entre o Sol e a Lua, como também nos raios do Sol e da Lua, e aqueles que moram nas regiões inferiores, e aqueles que se dirigiram à Renúncia e outras práticas superiores por causa do Supremo. Eu sempre reverencio aqueles que são incontáveis, que são incomensuráveis, e que não têm forma, aqueles Rudras, isto é, que são dotados de atributos infinitos. Já que tu, ó Rudra, és o Criador de todas as criaturas, já que, ó Hara, tu és o Mestre de todas as criaturas, e já que tu és a Alma que mora em todas as criaturas, portanto tu não foste convidado por mim (para meus Sacrifícios). Já que tu és Aquele que é adorado em todos os sacrifícios com presentes abundantes, e já que Tu és o Criador de todas as coisas, portanto, eu não te convidei. Ou, talvez, ó deus, entorpecido por tua ilusão sutil eu falhei em te convidar. Fique satisfeito comigo, abençoado por ti mesmo, ó Bhava, comigo possuído pela qualidade de Rajas. Minha Mente, minha Compreensão, e meu Chitta todos moram em ti, ó deus!’” "Ouvindo essas adorações, aquele Senhor de todas as criaturas, Mahadeva, parou (de pensar em infligir danos adicionais sobre Daksha). De fato, muito satisfeita, a divindade ilustre se dirigiu a Daksha, dizendo, 'Ó Daksha de votos excelentes, eu estou satisfeito com essas tuas adorações. Tu não precisas me louvar mais. Tu alcançarás minha companhia. Pela minha graça, ó progenitor de criaturas, tu ganharás o resultado de mil Sacrifícios de Cavalo, e de cem Vajapeyas (por este teu sacrifício incompleto).’” "Uma vez mais, Mahadeva, aquele mestre completo de palavras, dirigiu-se a Daksha e disse a ele estas palavras repletas de grande consolação, 'Seja tu a principal de todas as criaturas no mundo. Tu não deves, ó Daksha, nutrir quaisquer sentimentos de angústia por esses danos infligidos a teu Sacrifício. Tem sido visto que em Kalpas anteriores eu também tive que destruir teu Sacrifício. (Então no Kalpa atual eu sou obrigado a fazer o mesmo, pois todos os Kalpas devem ser similares em relação aos eventos que acontecem neles.) Ó tu de votos excelentes, eu te concederei novamente mais algumas bênçãos. Receba-as de mim. Dissipando essa tristeza que cobre tua face, ouça-me com total atenção. Com a ajuda de argumentos dirigidos à razão as divindades e os Danavas têm extraído dos Vedas, que consistem em seis ramos, e do sistema de Sankhya e Yoga, um credo pelo qual eles têm praticado as mais austeras das penitências por muitos longos anos. A religião, no entanto, que eu extraí, é sem paralelo, e produtiva de benefícios por todos os lados. Ela está aberta para homens em todos os modos de vida praticarem-na. Ela leva à Emancipação. Ela pode ser adquirida em muitos anos ou através de mérito por pessoas que têm controlado seus sentidos. Ela está envolta em mistério. Aqueles que são desprovidos de sabedoria a consideram como censurável. Ela é oposta aos deveres declarados em relação às quatro classes de homens e os quatro modos de vida, e concorda com aqueles deveres somente em uns poucos detalhes. Aqueles que são hábeis na ciência de (tirar) conclusões (de premissas) podem compreender sua adequação, e aqueles que transcenderam todos os modos de vida são dignos de adotá-lo. Nos tempos antigos, ó Daksha, esta religião auspiciosa chamada Pasupata foi extraída por mim. A observância apropriada daquela religião produz benefícios imensos. Que aqueles benefícios sejam teus, ó altamente abençoado! Rejeite esta febre do teu coração.' Tendo dito estas palavras, Mahadeva, com sua cônjuge (Uma) e com todos os seus servidores desapareceu da vista de Daksha de destreza incomensurável. Aquele que recitar este hino que foi primeiro proferido por Daksha ou que escutá-lo quando recitado por outro, nunca encontrará nem o menor mal e obterá uma vida longa. De fato, como Siva é a principal de todas as divindades, assim mesmo este hino, em conformidade com os Srutis, é o principal de todos os hinos. Pessoas desejosas de fama, reino, felicidade, prazer, lucro, e riqueza, como também aquelas desejosas de saber, devem escutar com sentimentos de devoção à recitação deste hino. Alguém sofrendo de doença, alguém afligido pela dor, alguém mergulhado em melancolia, alguém afligido por ladrões ou por medo, alguém sob o descontentamento do rei em relação a seu cargo, fica livre do medo (por escutar ou recitar este hino). Por escutar ou recitar este hino, uma pessoa, mesmo nesse seu corpo terrestre, obtém igualdade com os espíritos que formam os servidores de Mahadeva. Alguém vem a ser dotado de energia e fama, e purificado de todos os pecados (através da virtude deste hino). Nem Rakshasas, nem Pisachas, nem fantasmas, nem Vinayakas criam distúrbios na casa onde este hino é recitado. A mulher, também, que escuta este hino com fé piedosa, enquanto cumpre as práticas de Brahmacharya, consegue culto como uma deusa na família de seu pai e naquela de seu marido. Sempre vêm a ser coroadas com êxito todas as ações daquela pessoa que escuta ou recita com atenção absorta este hino inteiro. Pela recitação deste hino todos os desejos que alguém forma na própria mente e todos os desejos que ele veste em palavras são coroados com fruição. Obtém todos os objetos de desfrute e prazer e todas as coisas que são desejadas por ele aquele homem que, praticando autodomínio, faz segundo os ritos devidos oferendas para Mahadeva, Guha, Uma, e Nandi, e depois disso profere seus nomes sem demora, na ordem apropriada e com devoção. Tal homem, partido desta vida, ascende para o céu, e nunca tem que tomar nascimento entre os animais ou aves intermediários. Isto foi dito até pelo pujante Vyasa, o filho de Parasara.'" 286 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, o que é Adhyatma com respeito ao homem e de onde ele surge.'” "Bhishma disse, 'Ajudado pela ciência de Adhyatma alguém pode conhecer tudo. Ele é, também, superior a todas as coisas. Eu irei, com a ajuda da minha inteligência, explicar para ti este Adhyatma acerca do qual tu me perguntaste. Escute, ó filho, a minha explicação. Terra, Vento, Espaço, Água, e a Luz formando a quinta, são as grandes essências. Estas são (as causas da) origem e da destruição de todas as criaturas. Os corpos das criaturas vivas (ambos, o sutil e o grosseiro), ó touro da raça Bharata, são o resultado da combinação das virtudes destes cinco. Aquelas virtudes (cujas combinações produzem os corpos das criaturas) repetidamente começam a existir e repetidamente se fundem na causa original de todas as coisas, isto é, a Alma Suprema. Daquelas cinco essências primordiais são criadas todas as criaturas, e naqueles cinco grandes elementos todas as criaturas se dissolvem, repetidamente, como as ondas infinitas do Oceano se erguendo do Oceano e baixando naquele que as causa. Como uma tartaruga estica suas pernas e as recolhe outra vez em si mesma, assim mesmo o número infinito de criaturas surge de (e entra) naquelas cinco grandes essências fixas. Na verdade, o som surge do Espaço, e toda a matéria densa é o atributo da terra. A vida é do Vento. O gosto é da Água. A forma é citada como sendo a propriedade da Luz. Todo o universo móvel e imóvel é dessa maneira estas cinco grandes essências existindo juntas em várias proporções. Quando chega a Destruição, a diversidade infinita de criaturas se dissolve naquelas cinco, e mais uma vez, quando começa a Criação, elas surgem das mesmas cinco. O Criador coloca em todas as criaturas as mesmas cinco grandes essências em proporções que Ele acha apropriadas. Som, os ouvidos, e todas as cavidades, esses três, têm o Espaço como sua causa produtora. Gosto, todas as substâncias aquosas ou suculentas, e a língua, são citados como sendo as propriedades da água. Forma, o olho, e o fogo digestivo no estômago, são citados como partilhando da natureza da Luz. Aroma, o órgão do olfato, e o corpo, são as propriedades da terra. Vida, toque, e ação são citados como sendo as propriedades do Vento. Eu assim expliquei para ti, ó rei, todas as propriedades das cinco essências primordiais. Tendo criado estas, a Divindade Suprema, ó Bharata, uniu com elas Sattwa, Rajas, Tamas, Tempo, Consciência de funções, e a Mente formando o sexto. (Karma-buddhi significa consciência ou percepção de funções. Cada sentido ou órgão sabe instintivamente qual é seu objeto e percebe aquele objeto imediatamente. Essa percepção de suas próprias funções, a qual cada sentido possui é aqui designada como Karma-buddhi.) Aquilo que é chamado de Compreensão mora no interior do que tu vês acima das solas dos pés e abaixo do topo da cabeça. No homem os sentidos (de conhecimento) são cinco. O sexto (sentido) é a Mente. O sétimo é chamado de Compreensão. O Kshetrajna ou Alma é o oitavo. Os sentidos e aquilo que é o Ator devem ser averiguados pela compreensão de suas respectivas funções. As condições ou estados chamados Sattwa, Rajas, e Tamas, dependem dos sentidos para seu refúgio ou formação. Os sentidos existem simplesmente para apreender as impressões de seus respectivos objetos. A Mente tem a dúvida como sua função. A Compreensão é para a averiguação. O Kshetrajna é citado como sendo somente uma testemunha inativa (das funções dos outros). Sattwa, Rajas, Tamas, Tempo, e Ações (de vidas passadas), ó Bharata, estes atributos dirigem a Compreensão. A Compreensão é os sentidos e os cinco atributos supracitados. Quando a Compreensão está ausente, os sentidos com a mente, e os cinco outros atributos (isto é, Sattwa, Rajas, Tamas, Tempo, e Ações) cessam de existir. Aquilo pelo qual a Compreensão vê é chamado de olho. Quando a Compreensão ouve, ela é chamada de ouvido. Quando ela cheira, ela se torna o sentido do olfato; e quando ela experimenta os vários objetos de paladar, ela vem a ser chamada pelo nome de língua. Quando também ela sente o toque dos vários objetos de tato, ela se torna o sentido do tato. É a Compreensão que vem a ser modificada diversamente e frequentemente. Quando a Compreensão deseja alguma coisa, ela se torna Mente. Os cinco sentidos com a Mente, os quais separadamente constituem as fundações (da Compreensão), são as criações da Compreensão. Eles são chamados de Indriyas. Quando eles ficam manchados, a Compreensão também se torna manchada. A Compreensão, residindo em Jiva, existe em três estados. Às vezes ela obtém alegria; às vezes ela cede à dor; e às vezes ela existe em um estado que não é nem prazer nem dor. Tendo como sua essência essas condições ou estados (Sattwa, Rajas, e Tamas), a Compreensão revolve por estes três estados, (ou seja, os ocupa um depois do outro). Como o senhor dos rios, isto é, o Oceano que sobe e desce, sempre se mantém dentro de seus continentes, assim mesmo a Compreensão, que existe em conexão com os (três) estados, existe na Mente (incluindo os sentidos). Quando o estado de Rajas é despertado, a Compreensão se torna modificada em Rajas. Êxtases de prazer, alegria, contentamento, felicidade, e satisfação de coração, estes, quando excitados de alguma maneira, são as propriedades de Sattwa. Inveja, aflição, tristeza, descontentamento, e rancor, surgindo de causas específicas, são o resultado de Rajas. Ignorância, apego e erro, negligência, estupor, e terror, avareza, melancolia, sono, e procrastinação, estes, quando ocasionados por causas específicas, são as propriedades de Tamas. Qualquer estado de corpo ou de mente, ligado com alegria ou felicidade, que surge, deve ser considerado como devido ao estado de Sattwa. Tudo o que for repleto de tristeza e desagradável para alguém deve ser considerado como proveniente de Rajas. Sem começar algum ato de tal maneira, alguém deve dirigir sua atenção para ele (para evitá-lo). Tudo o que é repleto de erro ou entorpecimento em corpo ou mente, e que é inconcebível e misterioso, deve ser conhecido como ligado a Tamas. Dessa maneira, eu expliquei para ti quais coisas neste mundo moram na Compreensão. Por conhecer isso alguém se torna sábio. O que mais pode ser a indicação de sabedoria? Saiba agora a diferença entre estas duas coisas sutis, isto é, Compreensão e Alma. Uma delas, a Compreensão, cria atributos. A outra, a Alma, não os cria. Embora elas sejam, por natureza, distintas uma da outra, ainda assim elas sempre existem em um estado de união. Um peixe é diferente da água na qual ele mora, mas o peixe e a água devem existir juntos. Os atributos não podem conhecer a Alma. A Alma, no entanto, os conhece. Aqueles que são ignorantes consideram a Alma como existindo em um estado de união com os atributos como qualidades existindo com seus possuidores. Este, no entanto, não é o caso, pois a Alma é realmente só uma Testemunha inativa de tudo. A Compreensão não tem refúgio; (isto é, não há materiais dos quais ela é constituída). Aquilo que é chamado de vida (envolvendo a existência da Compreensão), surge dos efeitos dos atributos se unindo. Outros (exceto esses atributos que são criados pela Compreensão), agindo como causas, criam a Compreensão que mora no corpo. Ninguém pode compreender os atributos em sua natureza ou forma de existência real. A Compreensão, como eu já disse, cria os atributos. A Alma simplesmente os contempla (como uma Testemunha inativa). Esta união que existe entre a Compreensão e a Alma é eterna. A Compreensão habitante percebe todas as coisas através dos Sentidos os quais são eles mesmos inanimados e não entendedores. Realmente os sentidos são somente como lâmpadas (que lançam sua luz para revelar objetos para outros sem elas mesmas serem capazes de vê- los). Exatamente esta é a natureza (dos Sentidos, da Compreensão, e da Alma). Sabendo disso, alguém deve viver alegremente, sem se entregar à tristeza ou alegria. Tal homem é citado como estando além da influência do orgulho. Que a Compreensão cria todos estes atributos é devido à sua própria natureza, assim como uma aranha tece fios por sua própria natureza. Estes atributos devem ser conhecidos como os fios que a aranha tece. Quando destruídos, os atributos não cessam de existir; sua existência cessa de ser visível. Quando, no entanto, uma coisa transcende o alcance dos sentidos, sua existência (ou não) é afirmada por inferência. Esta é a opinião de um grupo de pessoas. Outras afirmam que com a destruição os atributos cessam de existir. Resolvendo este problema complicado endereçado à compreensão e reflexão, e dissipando toda dúvida, uma pessoa deve rejeitar a tristeza e viver em alegria. (O que o orador inculca nesses versos é isto: alguns são de opinião que com a aparente destruição do corpo, os atributos que compõem o corpo não cessam de existir. É verdade que eles cessam de ser perceptíveis pelos sentidos, mas então, embora afastados do alcance dos sentidos, sua existência pode ser afirmada por inferência. O argumento é que, se destruídos, seu reaparecimento seria impossível. O reaparecimento, entretanto, é certo. (Pois o renascimento é uma doutrina que é aceita como uma verdade solene que não requere argumento para prová-lo). Por isso, os atributos, quando aparentemente destruídos, continuam a existir. Eles são considerados então como inerentes ao corpo linga ou sutil. A opinião contrária é que, quando destruídos, eles são destruídos para sempre. A última opinião é condenada pelo orador.) Como homens não familiarizados com seu fundo ficam angustiados quando eles caem sobre esta terra que é como um rio cheio com as águas do adormecimento, assim mesmo é afligido aquele homem que decai daquele estado no qual há uma união com a Compreensão. Homens de conhecimento, no entanto, conhecedores de Adhyatma e armados com fortaleza, nunca são afligidos, porque eles são capazes de atravessar para a outra margem daquelas águas. De fato, o Conhecimento é uma balsa eficiente (naquele rio). Homens de conhecimento não têm que enfrentar aqueles terrores pavorosos que alarmam aqueles que são desprovidos de conhecimento. Com relação aos virtuosos, nenhum deles alcança um fim que é superior àquele de alguma outra pessoa entre eles. De fato, os virtuosos mostram, neste aspecto, uma igualdade. Com relação ao homem de Conhecimento, quaisquer ações que tenham sido feitas por ele em tempos passados (enquanto ele estava imerso em Ignorância) e quaisquer atos repletos de grande iniquidade que ele faça (depois da obtenção de conhecimento), ele destrói ambos pelo Conhecimento como seu único meio. Então, após a obtenção de Conhecimento ele cessa de cometer estes dois males, isto é, criticar as más ações de outros e fazer quaisquer más ações ele mesmo sob a influência da atração.'" 287 "Yudhishthira disse, 'As criaturas vivas sempre têm medo da tristeza e da morte. Diga-me, ó avô, como a ocorrência destes dois pode ser impedida.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto, ó Bharata, é citada a antiga narrativa da conversa entre Narada e Samanga.'” "Narada disse, '(Enquanto outros saúdam seus superiores somente por uma inclinação de cabeça) tu saúdas teus superiores por te prostrares no chão até que teu peito entre em contato com o solo. Tu pareces estar empenhado em cruzar (o rio da vida) com tuas mãos. (Isto é, mesmo em tua angústia mais terrível tu dependes de ti mesmo. Cruzar o temível rio da vida sem uma balsa e somente com a ajuda dos braços nus implica em grande independência.) Tu pareces estar sempre livre de tristeza e extremamente alegre. Eu não vejo que tu tens a menor ansiedade. Tu estás sempre contente e feliz e pareces te divertir (em felicidade) como uma criança.'” "Samanga disse, 'Ó dador de honras, eu sei a verdade sobre o Passado, o Presente, e o Futuro. Então eu nunca fico triste. (Aquilo que não existiu e não existirá, não existe no momento presente. Tudo, portanto, que é da natureza de asat é inexistente. Nossas tristezas estão relacionadas com o asat. Sabendo disso, eu rejeitei todas as tristezas.) Eu sei também qual é o início das ações neste mundo, qual é a acessão de seus frutos, e quão variados são aqueles frutos. Por isso eu nunca me entrego à tristeza. (Eu compreendi que ações são para a tristeza; que os frutos das ações também são para a tristeza apesar do caráter aparente de alguns; e que os frutos das ações são variados, às vezes aparecendo outros resultados que não são aqueles esperados. Por isso eu não me entrego à tristeza, pois eu evito as ações e não me angustio por não obter os resultados das ações ou pela acessão de frutos que não são aqueles aparentemente agradáveis.) Veja, o analfabeto, o indigente, o próspero, ó Narada, o cego, idiotas e loucos, e nós também, todos vivemos. (Nós que evitamos as ações não estamos mortos; realmente, nós vivemos exatamente como os outros; e aqueles outros, tão desigualmente situados!) Estes vivem em virtude de suas ações de vidas passadas. As próprias divindades, que existem livres de doenças, existem (naquele estado) em virtude de suas ações passadas. Os fortes e os fracos, todos, vivem em virtude de suas ações passadas. É adequado, portanto, que tu nos considere em estima. Os donos de milhares vivem. Os donos de centenas também vivem. Aqueles que são oprimidos pela tristeza vivem. Veja, nós também estamos vivendo! Quando nós, ó Narada, não cedemos à tristeza, o que a prática dos deveres (de religião) ou a observância de ações (religiosas) podem fazer por nós? E já que todas as alegrias e tristezas também não são intermináveis, elas são, portanto, incapazes de nos agitar em absoluto. (A ignorância se encontra na base da tristeza. Por rejeitar a ignorância, nós temos evitado a tristeza. Por isso, nem religião ou atos religiosos tais como Sacrifícios, etc., podem nos fazer algum bem ou mal. Em relação à alegria e miséria também, essas duas não podem nos agitar em absoluto, já que nós conhecemos seu valor, ambas sendo efêmeras em comparação com o período pelo qual nós vivemos.) Aquilo pelo qual homens estão citados como sábios, de fato, a própria base da sabedoria, é a liberdade dos sentidos do erro. São os sentidos que se entregam ao erro e à angústia. Alguém cujos sentidos estão sujeitos ao erro nunca pode ser citado como tendo obtido sabedoria. Aquele orgulho ao qual cede um homem sujeito ao erro é somente uma forma de erro ao qual ele está sujeito. Com relação ao homem de erro, ele não tem nem este mundo nem o próximo. Deve ser lembrado que as angústias não duram para sempre e que a felicidade não pode ser tida sempre. (Por essa razão, ninguém deve se entregar ao orgulho, dizendo, 'Eu sou feliz,' nem se ceder à tristeza, dizendo, 'Eu sou miserável.' Felicidade e miséria são transitórias. O homem de sabedoria nunca deve se permitir ser agitado por esses estados transitórios de sua mente.) A vida mundana com todas as suas vicissitudes e incidentes dolorosos, alguém como eu nunca adotaria. Tal pessoa não se inquietaria por objetos desejáveis de prazeres, e não pensaria em absoluto na felicidade que sua posse pode ocasionar, ou, de fato, nas angústias que se apresentariam. Alguém capaz de depender de si mesmo nunca cobiçaria as posses de outros; não pensaria em lucros não obtidos, não sentiria grande prazer nem na aquisição de riqueza imensa; e não se entregaria à tristeza pela perda de riqueza. Nem amigos, nem riqueza, nem nascimento nobre, nem erudição escritural, nem mantras, nem energia, podem conseguir resgatar alguém da tristeza no mundo seguinte. É somente pela conduta que alguém pode obter felicidade lá. A Compreensão do homem não familiarizado com Yoga nunca pode ser dirigida para a Emancipação. Alguém não familiarizado com Yoga nunca pode ter felicidade. Paciência e a decisão de rejeitar a tristeza, estes dois indicam o advento da felicidade. Qualquer coisa agradável leva ao prazer. O prazer causa orgulho. O orgulho produz tristeza. Por estas razões eu evito todos esses. Angústia, Medo, Orgulho, estes que entorpecem o coração, e também Prazer e Dor, eu observo como uma testemunha (indiferente), já que meu corpo é dotado de vida e se move continuamente. (Eu sou obrigado a observá-los porque eu sou um ser vivo que tem um corpo, mas então eu os observo como uma testemunha tranquila.) Rejeitando riqueza e prazer, e sede e erro, eu vago pela terra, livre de aflição e todo tipo de ansiedade de coração. Como alguém que bebeu néctar eu não tenho medo, aqui ou na vida futura, da morte, ou iniquidade, ou cupidez, ou de qualquer coisa desse tipo. Eu obtive esse conhecimento, ó Brahmana, como o resultado de minhas penitências severas e indestrutíveis. É por esta razão, ó Narada, que a tristeza, mesmo quando ela vem pra mim, não consegue me afligir.'" 288 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó Avô, o que é benéfico para alguém que não conhece as verdades das escrituras, que está sempre em dúvida, e que se abstém do autodomínio e de outras práticas que têm como seu objetivo o conhecimento da Alma.'” "Bhishma disse, 'Cultuar o preceptor, sempre servir com reverência aqueles que são idosos, e escutar as escrituras (quando recitadas por Brahmanas competentes), estes são considerados como sendo de benefício supremo (para uma pessoa como aquela que tu descreveste). Em relação a isto é citada também a velha narrativa da conversa entre Galava e o Rishi celeste Narada. Uma vez Galava, desejoso de obter o que era para seu benefício, se dirigiu a Narada livre de erro e fadiga, erudito nas escrituras, satisfeito com conhecimento, um mestre completo de seus sentidos, e com alma dedicada ao Yoga, e disse, 'Aquelas virtudes, ó Muni, pela posse das quais uma pessoa se torna respeitada no mundo, eu vejo, moram permanentemente em ti. Tu és livre de erro e, como tal, cabe a ti remover as dúvidas que enchem as mentes de homens como nós que estamos sujeitos ao erro e que não conhecemos as verdades do mundo. Nós não sabemos o que nós devemos fazer, pois as declarações das escrituras geram uma inclinação para (a aquisição de) Conhecimento simultaneamente com a inclinação para ações. Cabe a ti nos falar sobre esses assuntos. (As escrituras contêm ambos os tipos de instrução. Há declarações que são totalmente a favor de Atos ou observâncias. Há também declarações a favor do Conhecimento. O que o orador deseja é que o Rishi discurse sobre o que o orador deve fazer, isto é, se ele deve se dirigir para a aquisição de Conhecimento ou para fazer ações.) Ó ilustre, os diferentes asramas aprovam diferentes rumos de conduta. ‘Isto é benéfico’, ‘Este (outro) é benéfico’, as escrituras nos exortam muitas vezes dessa maneira. Vendo os seguidores dos quatro asramas, que são assim exortados pelas escrituras e que aprovam totalmente o que as escrituras prescrevem para eles, movendo-se dessa maneira em diversas direções, e vendo que nós também estamos igualmente contentes com nossas próprias escrituras, nós falhamos em compreender o que é realmente benéfico. Se as escrituras fossem todas uniformes, então o que é realmente benéfico se tornaria manifesto. Por consequência, no entanto, das escrituras serem variadas, aquilo que é realmente benéfico se torna cercado com mistério. Por estas razões, aquilo que é realmente benéfico me parece estar envolvido em confusão. Então, ó ilustre, fale para mim sobre o assunto. Eu me aproximei de ti (para isto), ó, instrua-me!'” "Narada disse, 'Os Asramas, (formas de credo prevalecentes ao mesmo tempo na Índia), são quatro em número, ó filho! (O primeiro é que não há tal coisa como virtude ou justiça; o segundo é que a virtude consiste somente no culto de árvores, etc.; o terceiro é que a virtude é somente o que os Vedas declaram; e o quarto é que além da virtude e seu oposto há algo por cujo alcance alguém deve ser esforçar.) Todos eles servem aos propósitos para os quais eles foram planejados; e os deveres que eles pregam diferem uns dos outros. Averiguando-os primeiro de preceptores bem qualificados, reflita sobre eles, ó Galava! Veja, os anúncios dos méritos daqueles Asramas são variados em relação à sua forma, divergentes em relação a seus assuntos, e contraditórios em relação às observâncias que eles abarcam. Observados com visão vulgar, realmente, todos os Asramas se recusam a revelar claramente sua verdadeira intenção (a qual, naturalmente, é o conhecimento do Eu). Outros, no entanto, dotados de visão sutil, vêem seu maior objetivo. Aquilo que é realmente benéfico, e sobre o qual não há dúvida, isto é, ajuda a amigos, e supressão de inimigos, e a aquisição do agregado de três (Religião, Lucro, e Prazer), têm sido declarados pelos sábios como sendo de excelência suprema. Abstenção de atos pecaminosos, constância de disposição íntegra, bom comportamento em direção àqueles que são bons e piedosos, estes, sem dúvida, constituem excelência. Suavidade para com todas as criaturas, sinceridade de comportamento, e o uso de palavras gentis, estes, sem dúvida, constituem excelência. Uma partilha equitativa do que alguém tem entre as divindades, os Pitris, e os convidados, e lealdade aos servidores, estes, sem dúvida, constituem excelência. Veracidade de palavras é excelente. O conhecimento, no entanto, da verdade, é de aquisição muito difícil. Eu digo que é a verdade aquilo que é extremamente benéfico para as criaturas. (Em capítulos anteriores a natureza da Verdade foi discutida. Uma verdade formal pode ser tão pecaminosa quanto uma mentira, e uma mentira pode ser tão meritória quanto a Verdade. Por isso, a averiguação da Verdade não é fácil.) A renúncia ao orgulho, a supressão da negligência, contentamento, viver por si mesmo, estes são citados como constituindo excelência suprema. O estudo dos Vedas, e de seus ramos, de acordo com as regras bem conhecidas, e todas as indagações e atividades tendo como sua causa a aquisição de conhecimento, estes, sem dúvida, são excelentes. Alguém desejoso de alcançar o que é excelente nunca deve desfrutar de som e forma e gosto e toque e cheiro em excesso, e não deve desfrutar deles somente por causa deles. Vagar durante a noite, dormir durante o dia, indulgência em ociosidade, patifaria, arrogância, indulgência excessiva e total abstenção de toda indulgência em objetos dos sentidos, devem ser abandonados por alguém desejoso de alcançar o que é excelente. Alguém não deve procurar auto-elevação por depreciar outros. De fato, alguém deve, só por seus próprios méritos, procurar distinção sobre pessoas que são eminentes, mas nunca sobre aquelas que são inferiores. Homens realmente desprovidos de mérito e cheios de um senso de auto-admiração depreciam homens de mérito verdadeiro, por afirmarem suas próprias virtudes e riqueza. Enchendo-se de um senso de sua própria importância, estes homens, quando ninguém interfere com eles (para trazê-los a uma compreensão correta do que eles são), se consideram superiores aos homens de real distinção. Alguém possuidor de sabedoria verdadeira e dotado de méritos verdadeiros obtém grande renome por se abster de falar mal de outros e de se entregar ao auto-elogio. As flores derramam sua fragrância pura e doce sem proclamarem publicamente sua própria excelência. Similarmente, o Sol refulgente espalha seus esplendores no firmamento em perfeito silêncio. Da mesma maneira resplandecem no mundo com celebridade aqueles homens que, pela ajuda de sua inteligência, rejeitam esses e outros defeitos similares e que não proclamam suas próprias virtudes. O tolo nunca pode brilhar no mundo por espalhar o boato acerca de seu próprio louvor. O homem, no entanto, de mérito e conhecimento reais obtém celebridade mesmo que ele esteja escondido em um buraco. Palavras más, proferidas com qualquer vigor de voz, desaparecem (num abrir e fechar de olhos). Palavras boas, embora proferidas suavemente, resplandecem no mundo. Como o Sol mostra sua forma ígnea (na pedra preciosa chamada Suryakanta), assim mesmo a multidão de palavras, de pouco sentido, que tolos cheios de vaidade proferem, mostram somente (a baixeza de) seus corações. Por estas razões, homens procuram a aquisição de sabedoria de diversos tipos. Me parece que de todas as aquisições aquela de sabedoria é mais valiosa. Uma pessoa não deve falar até que seja solicitada; nem ela deve falar quando é solicitada impropriamente. Mesmo se possuidora de inteligência e conhecimento, ela deve ainda ficar em silêncio como uma idiota (até que seja solicitada a falar, e solicitada de forma apropriada). Ela deve procurar morar entre homens honestos dedicados à justiça e generosidade e ao cumprimento dos deveres de sua própria classe. Alguém desejoso de alcançar o que é excelente nunca deve morar em um lugar onde ocorra uma confusão nos deveres das várias classes. Pode ser vista viver uma pessoa que se abstém de todos os trabalhos (para ganhar os meios de seu sustento) e que está bem contente com qualquer coisa conseguida sem esforço. Por viver em meio aos justos, alguém consegue adquirir virtude pura. Da mesma maneira, alguém por viver em meio aos pecaminosos vem a ser maculado pelo pecado. (Mera companhia com os justos leva a atos justos; enquanto aquela com os pecaminosos leva a atos pecaminosos.) Como o toque da água ou fogo ou dos raios da lua imediatamente transmite a sensação de frio ou calor, do mesmo modo as impressões de virtude e vício se tornam produtivas de felicidade ou miséria. Aqueles que são comedores de Vighasa (isto é, homens bons e virtuosos) comem sem tomar qualquer conhecimento dos sabores dos comestíveis colocados diante deles. (Pois eles comem somente para encher seus estômagos, e não porque comer é uma fonte de desfrute e satisfação.) Aqueles, no entanto, que comem distinguindo cuidadosamente os sabores dos alimentos preparados para eles, devem ser conhecidos como pessoas ainda atadas pelos laços da ação. O homem justo deve deixar aquele local onde um Brahmana fala sobre deveres para discípulos desejosos de adquirir conhecimento, como baseado em razões, da Alma, mas que não perguntam sobre tal conhecimento com reverência. Quem, no entanto, deixaria aquele local onde existe em sua totalidade aquele comportamento entre discípulos e preceptores que é consistente com o que está declarado nas escrituras? Qual homem erudito desejoso de respeito para si mesmo moraria naquele local onde as pessoas espalham boatos sobre os defeitos dos eruditos mesmo quando tais não têm um fundamento em que se apoiar? Quem é que não deixaria aquele local, como uma peça de roupa cuja ponta tivesse pegado fogo, onde homens cobiçosos procuram derrubar as barreiras da virtude? Deve-se permanecer e morar naquele lugar, entre bons homens de disposição justa, onde pessoas dotadas de humildade estão empenhadas em praticar destemidamente os deveres de religião. Lá onde homens praticam os deveres de religião para adquirir riqueza e outras vantagens temporais não se deve morar, pois as pessoas desse lugar devem ser consideradas como pecaminosas. Deve-se fugir com toda a velocidade daquele local, como se de um quarto no qual há uma cobra, onde os habitantes, desejosos de obter os meios de vida, estão engajados na prática de atos pecaminosos. Alguém desejoso do que é benéfico deve, desde o início, abandonar aquele ato pelo qual alguém fica esticado, por assim dizer, em uma cama de espinhos, e pelo qual alguém fica investido com os desejos nascidos das ações de vidas passadas. (Os desejos nascidos dos atos passados de uma pessoa, isto é, atos de vidas anteriores, aderem à mente. Nada pode extingui-los, exceto Nivritti e Tattwajnanam ou conhecimento da verdade. Deve-se, portanto, praticar a religião de Nivritti e procurar adquirir conhecimento da Verdade.) O homem justo deve deixar aquele reino onde o rei e os oficiais do rei exercem autoridade igual e onde eles são dados ao hábito de comer antes de alimentar seus parentes (quando os últimos chegam como convidados). Deve-se morar naquele país onde Brahmanas possuidores de um conhecimento das escrituras são alimentados primeiro: onde eles estão sempre dedicados ao devido cumprimento dos deveres religiosos, e onde eles estão empenhados em ensinar discípulos e oficiar nos sacrifícios de outros. Deve-se morar sem hesitação naquele país onde os sons Swaha, Swadha, e Vashat são proferidos apropriadamente e repetidamente; (isto é, onde as pessoas são virtuosas e dadas à realização de seus deveres). Deve-se deixar aquele reino, como carne envenenada, onde alguém vê Brahmanas obrigados a se dirigirem para práticas profanas, sendo torturados por falta dos meios de vida. Com um coração contente e considerando todos os seus desejos como já satisfeitos, um homem justo deve morar naquele país cujos habitantes doam alegremente mesmo antes que eles sejam solicitados. Alguém deve viver e se mover entre bons homens dedicados a atos de virtude, naquele país onde a punição cai sobre aqueles que são perversos e onde respeito e apoio são a porção daqueles que são de almas subjugadas e purificadas. Deve-se morar sem hesitar naquele país cujo rei é devotado à virtude e o qual o rei governa virtuosamente, rejeitando desejos e possuidor de prosperidade, (isto é, que embora possua riqueza não é apegado a ela), e onde punições severas são dadas àqueles que afligem homens autocontrolados com as consequências de sua ira, que agem de modo perverso em direção aos justos, que são dados a atos de violência, e que são cobiçosos. Reis dotados de tal disposição trazem prosperidade para aqueles que moram em seus reinos quando a prosperidade está a ponto de deixá-los. Eu assim te disse, ó filho, em resposta à tua pergunta, o que é benéfico ou excelente. Ninguém pode descrever, por causa de seu caráter extremamente superior, o que é benéfico ou excelente para a Alma. (Ninguém pode enumerar tudo o que é benéfico para a Alma por causa da vastidão do assunto.) Muitas e grandiosas serão as excelências, através do cumprimento dos deveres prescritos para ele, do homem que para ganhar seu meio de vida durante o tempo de sua estada aqui se comporta da maneira indicada acima e que dedica sua alma ao bem de todas as criaturas.'" 289 "Yudhishthira disse, 'Como, ó avô, deve um rei como nós se comportar neste mundo, mantendo em vista o grande objeto de aquisição? Quais atributos, também, ele deve sempre possuir para que ele possa ser livre de atrações?'” "Bhishma disse, 'Eu irei em relação a isto contar para ti a velha narrativa que foi proferida por Arishtanemi para Sagara que tinha procurado seu conselho.'” "Sagara disse, 'Qual é aquele bem, ó Brahmana, por fazer o qual alguém pode desfrutar de bem-aventurança aqui? Como, de fato, alguém pode evitar aflição e agitação? Eu desejo saber tudo isso!'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por Sagara, Arishtanemi da linhagem de Tarkshya, conhecedor de todas as escrituras, considerando o indagador como sendo de todas as maneiras digno de suas instruções, disse estas palavras, 'A felicidade da Emancipação é a verdadeira felicidade no mundo. O homem de ignorância não a conhece, apegado como ele é a filhos e animais e possuidor de riqueza e cereais. Uma compreensão que é apegada a objetos mundanos e uma mente sofrendo de sede, estes dois frustram todo o tratamento habilidoso. O homem ignorante que está atado nas correntes da afeição é incapaz de alcançar a Emancipação. Eu logo te falarei de todos os vínculos que nascem das afeições. Escute-os com atenção. De fato, eles podem ser ouvidos com proveito por alguém que é possuidor de conhecimento. Tendo procriado filhos no devido tempo e os casado quando eles se tornaram homens jovens, e tendo averiguado se eles são competentes para ganhar seus meios de vida, te liberte de todas as afeições e vague em felicidade. Quando tu vires tua esposa ternamente estimada envelhecida em idade e apegada ao filho que ela deu à luz, deixe-a a tempo, mantendo em vista o maior objeto de aquisição (isto é, a Emancipação). Se tu obtiveste um filho ou não, tendo durante os primeiros anos da tua vida desfrutado apropriadamente com teus sentidos dos objetos que são endereçados a eles, te liberte das afeições e viaje sem rumo certo em felicidade. Tendo satisfeito os sentidos com seus objetos, tu deves suprimir o desejo de satisfazê-los mais. Libertando-te então dos apegos, tu deves vagar em felicidade, te contentando com que o que for obtido sem esforço e cálculo prévio, e olhando igualmente para todas as criaturas e objetos. Assim, ó filho, eu te disse em resumo (qual é o caminho para te libertar dos apegos). Ouça-me agora, pois eu agora te falarei, em detalhes, do fato da aquisição da Emancipação ser desejável. Aquelas pessoas que vivem neste mundo livres de apegos e medo conseguem obter felicidade. Aquelas pessoas, no entanto, quem são apegadas a objetos mundanos, sem dúvida encontram com a destruição. Vermes e formigas (como os homens) são dedicados à aquisição de alimento e são vistos morrerem na busca. Aqueles que são livres de apegos são felizes, enquanto aqueles que são apegados a objetos mundanos encontram com a destruição. Se tu desejas alcançar a Emancipação tu nunca deves conceder teus pensamentos aos teus parentes, pensando, ‘Como eles existirão sem mim?’ Uma criatura viva nasce sozinha, e cresce sozinha, e obtém felicidade e miséria, e morre só. Neste mundo as pessoas desfrutam e obtêm alimento e vestuário e outras aquisições ganhas por seus pais ou por elas mesmas. Isso é o resultado das ações de vidas passadas, pois nada pode ser tido nesta vida que não seja o resultado do passado. Todas as criaturas vivem sobre a Terra, protegidas por suas próprias ações, e obtendo seu alimento como o resultado do que é ordenado por Aquele que atribui os resultados das ações. Um homem é somente uma massa de barro, e é sempre completamente dependente de outras forças. Alguém, portanto, sendo assim, definitivamente, qual consideração racional ele pode ter por proteger e alimentar seus parentes? Quando teus parentes são arrebatados pela Morte na tua própria visão e mesmo apesar dos teus esforços extremos para salvá-los, esta circunstância sozinha deve te despertar. No tempo de vida de teus parentes e antes que teu próprio dever de alimentá-los e protegê-los esteja concluído, tu podes encontrar com a morte e abandoná-los. Depois que teus parentes forem levados deste mundo pela morte, tu não poderás saber o que será deles lá, isto é, se eles encontrarão felicidade ou miséria. Esta circunstância deve te despertar. Quando por consequência dos resultados de suas próprias ações teus parentes conseguem se manter neste mundo tu vivas ou morras, refletindo sobre isso tu deves fazer o que é para o teu próprio bem. Quando é sabido que este é o caso, quem no mundo é para ser considerado como de quem? Portanto, coloque teu coração na obtenção da Emancipação. Ouça agora o que mais eu te direi. É certamente emancipado aquele homem de Alma firme quem tem conquistado fome e sede e outros tais estados do corpo, como também ira e cobiça e erro. É sempre emancipado aquele homem que não esquece de si mesmo, por tolice, por se viciar no jogo e na bebida e no concubinato e na caça. Aquele homem que é realmente tocado pela tristeza por causa da necessidade que há de comer todo dia e toda noite para manter a vida, é citado como sendo ciente das imperfeições da vida. Alguém que, como resultado de reflexão cuidadosa, considera seus repetidos nascimentos como sendo somente devidos à união sexual com mulheres, é considerado como livre de atrações. É certamente emancipado aquele homem que conhece realmente a natureza do nascimento, da destruição, e do esforço (ou ações) das criaturas vivas. Certamente vem a ser livre aquele homem que considera (como digno de sua aceitação) somente um punhado de cereais, para o sustento da vida, dentre milhões e milhões de carroças carregadas com grãos, e que desconsidera a diferença entre uma choupana de bambu e juncos e uma mansão suntuosa. Certamente se torna liberado aquele homem que vê o mundo sendo afligido pela morte e doença e penúria. De fato, alguém que vê o mundo dessa maneira consegue se tornar contente; enquanto quem falha em contemplar o mundo de tal ponto de vista encontra com a destruição. O homem que está contente somente com um pouco é considerado como liberado. Aquele homem que vê o mundo como consistindo em comedores e comestíveis (e a si mesmo como diferente de ambos) e que nunca é tocado por prazer e dor os quais nascem da ilusão, é considerado como emancipado. Aquele homem que considera uma cama macia em uma armação de cama excelente e o solo duro como iguais, e que considera bom arroz sali e arroz grosso e duro como iguais, é emancipado. O homem que considera linho e tecido feito de grama como iguais, e em cuja avaliação roupa de seda e cascas de árvores são o mesmo, e que não vê diferença entre pele de carneiro limpa e couro impuro, é emancipado. Aquele homem que considera este mundo como o resultado da combinação das cinco essências primordiais, e que se comporta neste mundo mantendo esta noção em primeiro lugar, é emancipado. Aquele homem que considera o prazer e a dor como iguais, e ganho e perda como equivalentes, em cuja avaliação vitória e derrota não diferem, para quem gosto e desgosto são o mesmo, e que permanece inalterado sob medo e ansiedade, está totalmente emancipado. Aquele homem que considera seu corpo, o qual tem tantos defeitos, somente como uma massa de sangue, urina e fezes, como também de desordens e doenças, é emancipado. Se torna emancipado o homem que sempre lembra que este corpo, quando alcançado pela decrepitude, é tomado por rugas e cabelos brancos e magreza e palidez de cor e uma curvatura de forma. Aquele homem que lembra que seu corpo está sujeito à perda de virilidade, e fraqueza de visão, e surdez, e perda de força, está emancipado. O homem que sabe que os próprios Rishis, as divindades, e os Asuras são seres que têm que partir de suas respectivas esferas para outras regiões, é emancipado. Aquele homem que sabe que milhares de reis mesmo possuidores de grande afluência e poder partiram desta terra, consegue se tornar emancipado. Aquele homem que sabe que neste mundo a aquisição de objetos é sempre difícil, que a dor é abundante, e que o sustento de parentes está sempre ligado ao sofrimento, se torna emancipado. Vendo as abundantes imperfeições de filhos e de outros homens, quem é que não adoraria a Emancipação? Aquele homem que, despertado pelas escrituras e pela experiência do mundo, vê todo interesse humano neste mundo como insubstancial, se torna emancipado. Mantendo em mente essas minhas palavras, te comporte como alguém que se tornou emancipado, seja levando uma vida familiar ou buscando a emancipação sem permitir que tua compreensão seja confundida.' (Não há mal em levar uma vida familiar contanto que a pessoa se comporte da maneira indicada.) Ouvindo estas palavras dele com atenção, Sagara, aquele senhor da terra, adquiriu aquelas virtudes que são produtivas de Emancipação e continuou, com a ajuda delas, a governar seus súditos.'" 290 "Yudhishthira disse, 'Esta curiosidade, ó majestade, está sempre residindo em minha mente. Ó avô dos Kurus, eu desejo ouvir tudo sobre isto de ti. Por que o Rishi celeste, Usanas de grande alma, também chamado de Kavi estava empenhado em fazer o que era agradável para os Asuras e desagradável para as divindades? Por que ele estava empenhado em diminuir a energia das divindades? Por que os Danavas estavam sempre envolvidos em hostilidades com as principais das divindades? Possuidor do esplendor de um imortal, por que razão Usanas obteve o nome de Sukra? Como também ele adquiriu tal excelência superior? Diga-me tudo acerca dessas coisas. Embora possuísse grande energia, por que ele não conseguiu viajar para o centro do firmamento? Eu desejo, ó avô, aprender tudo sobre todos estes assuntos.'” (Supõe-se que o planeta Vênus seja o sábio Usanas ou Sukra.) "Bhishma disse, 'Ouça, ó rei, com atenção a tudo isso como realmente ocorreu. Ó impecável, eu narrarei estes assuntos para ti como eu os ouvi e entendi. De votos firmes e honrado por todos, Usanas, aquele descendente da linhagem de Bhrigu, tornou-se empenhado em fazer o que era desagradável para as divindades por uma causa adequada. (Pois antigamente Vishnu, induzido pelas divindades, usou seu disco para cortar a cabeça da mãe de Usanas. Por isso a ira de Usanas contra as divindades e seu desejo de ajudar seus inimigos, os Davanas.) O nobre Kuvera, o chefe dos Yakshas e dos Rakshasas, é o senhor da tesouraria de Indra, aquele mestre do universo. O grande asceta Usanas, coroado com êxito-Yoga, entrou na pessoa de Kuvera, e privando o senhor dos tesouros de sua liberdade por meio de Yoga, roubou dele toda sua riqueza. (Pessoas coroadas com sucesso-Yoga são competentes para entrar nos corpos de outras e privar as últimas do poder de vontade. De fato, a crença é que as últimas então se tornam meros autômatos incapazes de agir de qualquer outra maneira exceto como ordenadas pelo possessor animante.) Vendo sua riqueza roubada por ele, o senhor dos tesouros ficou muito descontente. Cheio de ansiedade, e sua ira também sendo excitada, ele foi àquele principal dos deuses, Mahadeva. Kuvera revelou o caso para Siva de energia incomensurável, aquele principal dos deuses, feroz e amável, e possuidor de várias formas. E ele disse, 'Usanas, tendo espiritualizado a si mesmo por Yoga entrou em minha forma e, me privando de liberdade, roubou toda minha riqueza. Tendo entrado em meu corpo por meio de Yoga ele em seguida o deixou.' Ouvindo estas palavras, Maheswara de supremos poderes-Yoga encheu-se de raiva. Seus olhos, ó rei, ficaram vermelho sangue, e erguendo sua lança ele esperou (pronto para derrubar Usanas). De fato, tendo erguido aquela principal das armas, o grande deus começou a dizer, 'Onde está ele? Onde está ele?' Enquanto isso, Usanas, tendo averiguado o propósito de Mahadeva (através de poder-Yoga) de uma distância, esperou em silêncio. De fato, tendo averiguado o fato da cólera de Maheswara de grande alma de poder- Yoga superior, o pujante Usanas começou a refletir se ele deveria ir até Maheswara ou fugir ou permanecer onde ele estava. Pensando, com a ajuda de suas penitências severas, em Mahadeva de grande alma, Usanas de alma coroada com sucesso-Yoga se colocou na ponta da lança de Mahadeva. Rudra armado com o arco, compreendendo que Usanas, cujas penitências tinham sido bem sucedidas e que tinha se convertido na forma de Conhecimento puro, estava na ponta da sua lança (e percebendo que ele não podia arremessar a lança em alguém que estava sobre ela), dobrou aquela arma com a mão. Quando o ferozmente armado e pujante Mahadeva de energia incomensurável dobrou sua lança dessa maneira (na forma de um arco), aquela arma veio a ser chamada daquele tempo em diante pelo nome de Pinaka. O marido de Uma, vendo Bhargava assim trazido sobre a palma de sua mão, abriu sua boca. O principal dos deuses então jogou Bhargava em sua boca e o engoliu de uma vez. O pujante Usanas de grande alma da linhagem de Bhrigu, entrando no estômago de Maheswara, começou a vagar lá.'” "Yudhishthira disse, 'Como, ó rei, Usanas podia conseguir vagar dentro do estômago daquele principal de inteligência superior? O que fez também aquele deus ilustre enquanto o Brahmana estava dentro de seu estômago?'” "Bhishma disse, 'Nos tempos passados (tendo engolido Usanas), Mahadeva de votos severos entrou nas águas e permaneceu lá como uma estaca imóvel de madeira, ó rei, por milhões de anos (ocupado em meditação-Yoga). Suas Penitências de Yoga do tipo mais austero estando terminadas, ele ergueu-se do lago imenso. Então aquele primevo deus dos deuses, isto é, o eterno Brahman, aproximou-se dele, e perguntou pelo progresso de suas penitências e sobre seu bem-estar. A divindade que tem o touro como seu emblema respondeu, dizendo, 'Minhas penitências têm sido bem praticadas'. De alma inconcebível, possuidor de grande inteligência, e sempre devotado à religião da verdade, Sankara viu que Usanas dentro de seu estômago tinha se tornado maior por consequência daquelas penitências dele. Aquele principal dos Yogins (isto é, Usanas), rico com aquela fartura de penitências e a riqueza (de Kuvera da qual ele tinha se apropriado), brilhava gloriosamente nos três mundos, dotado de grande energia. Depois disso, Mahadeva armado com Pinaka, aquela alma de Yoga, mais uma vez se dirigiu à meditação-Yoga. Usanas, no entanto, cheio de ansiedade, começou a vagar dentro do estômago do grande deus. O grande asceta começou a cantar os louvores do deus de onde ele estava, desejoso de achar uma saída para escapar. Rudra, no entanto, tendo fechado todas as suas saídas, o impediu de sair. O grande asceta Usanas, no entanto, ó castigador de inimigos, de dentro do estômago de Mahadeva, repetidamente se dirigiu ao deus, dizendo, 'Mostre-me tua bondade!' Para ele Mahadeva disse, 'Saia pela minha uretra.' Ele tinha bloqueado todas as outras saídas de seu corpo. Confinado por todos os lados e incapaz de achar a saída indicada, o asceta começou a vagar para lá e para cá, queimando todo o tempo com a energia de Mahadeva. Finalmente ele achou a saída e saiu através dela. Por causa desse fato ele veio a ser chamado pelo nome de Sukra, e foi por consequência também desse fato que ele não pôde alcançar (no decorrer de sua viagem) o ponto central do firmamento. Vendo-o sair de seu estômago e brilhando gloriosamente com energia, Bhava, cheio de raiva, ficou com a lança erguida em sua mão. O deusa Uma então interveio e impediu o senhor zangado de todas as criaturas, seu cônjuge, de matar o Brahmana. E por Uma ter assim impedido seu marido de realizar seu propósito o grande asceta Usanas (daquele dia em diante) se tornou o filho da deusa.'” "A deusa disse, 'Este Brahmana não merece mais ser morto por ti. Ele se tornou meu filho. Ó deus, alguém que sai do teu estômago não merece ser morto pelas tuas mãos.'” "Bhishma continuou, 'Acalmado por estas palavras de sua esposa, Bhava sorriu e disse repetidamente este palavras, ó rei, 'Que ele vá para onde quer que ele queira.' Curvando-se para o concessor de benefícios Mahadeva e também para sua esposa, a deusa Uma, o grande asceta Usanas, dotado de inteligência superior, procedeu para o lugar que ele escolheu. Eu assim narrei para ti, ó chefe dos Bharatas, a história de Bhargava de grande alma acerca da qual tu me perguntaste.'" 291 "Yudhishthira disse, 'Ó tu de braços poderosos, diga-me, depois disto, o que é benéfico para nós. Ó avô, eu nunca fico saciado com tuas palavras as quais me parecem como Amrita. Quais são aquelas boas ações, ó melhor dos homens, por realizar as quais um homem consegue obter o que é para seu maior benefício neste e no outro mundo, ó concessor de bênçãos?'” "Bhishma disse, 'Sobre isto eu narrarei para ti o que o célebre rei Janaka perguntou, antigamente, para Parasara de grande alma, 'O que é benéfico para todas as criaturas neste mundo e no próximo? Diga-me o que deve ser conhecido por todos em relação a isto.' Assim questionado, Parasara, possuidor de grande mérito ascético e conhecedor das ordenanças de toda religião (isto é, das religiões de todas as classes e todos os modos de vida), disse estas palavras, desejoso de favorecer o rei.'” "Parasara disse, 'Virtude obtida por meio de ações é benefício supremo neste mundo e no próximo. Os sábios de antigamente disseram que não há nada mais elevado do que a Virtude. Por realizar os deveres de virtude um homem vem a ser honrado no céu. A Virtude, também, das criaturas incorporadas, ó melhor dos reis, consiste na ordenança (declarada nas escrituras) sobre o assunto das ações. (As injunções escriturais são que alguém deve sacrificar em honra dos deuses, despejar libações no fogo sagrado, fazer doações, etc., nestes existe Virtude.) Todos os bons homens pertencentes aos vários modos de vida, colocando sua fé naquela virtude, realizam seus respectivos deveres. (Isto é, acreditando na eficácia da virtude, as pessoas de todos os modos de vida cumprem os deveres de seus respectivos modos.) Quatro métodos de vida, ó filho, têm sido ordenados neste mundo. (Aqueles quatro métodos são: a aceitação de doações para Brahmanas; a realização de impostos para Kshatriyas; agricultura para Vaisyas; e serviço das três outras classes para os Sudras.) Onde quer que homens vivam os meios de sustento vêm a eles por si mesmos. Realizando de várias maneiras ações que são virtuosas ou pecaminosas (para o propósito de ganhar seus meios de sustento), as criaturas viventes, quando dissolvidas em seus elementos constituintes alcançam diversos fins. (Os pecaminosos se tornam animais intermediários. Os virtuosos alcançam o céu. Os que são virtuosos e pecaminosos alcançam a posição de humanidade. Aqueles que adquirem Conhecimento se tornam Emancipados.) Como recipientes de metal branco, quando imersos em ouro ou prata liquefeitos, pegam a cor daqueles metais, assim mesmo uma criatura viva, que é totalmente dependente das ações de suas vidas passadas, pega sua cor do caráter daquelas ações. Nada pode brotar sem uma semente. Ninguém pode obter felicidade sem ter realizado ações capazes de levarem à felicidade. Quando o corpo de alguém é dissolvido (em seus elementos constituintes), ele consegue obter felicidade somente por consequência das boas ações das vidas anteriores. O cético argumenta, ó filho, dizendo: ‘Eu não vejo que alguma coisa neste mundo é o resultado do destino ou das ações virtuosas e pecaminosas das vidas passadas. A inferência não pode provar a existência ou operação do destino. (Destino aqui significa o resultado dos atos de vidas passadas.) As divindades, os Gandharvas e os Danavas se tornaram o que eles são por sua própria natureza (e não por suas ações de vidas passadas). As pessoas nunca lembram em suas próximas vidas das ações feitas por elas nas anteriores. Para explicar a aquisição de frutos em uma vida específica as pessoas raramente citam as quatro espécies de ações, (Nitya, Naimittika, Kamya, e Nishiddha), alegadas terem sido realizadas em vidas passadas. As declarações que têm os Vedas como sua autoridade são feitas para regular a conduta dos homens neste mundo, e para tranquilizar as mentes dos homens.’ Estas (o cético diz), ó filho, não podem representar as declarações de homens possuidores de sabedoria verdadeira. Esta opinião está errada. Na verdade, alguém obtém os resultados de quaisquer entre as quatro espécies de ações que ele faça com os olhos, a mente, a língua, e músculos. Como o fruto de suas ações, ó rei, uma pessoa às vezes obtém felicidade totalmente, às vezes miséria da mesma maneira, e às vezes felicidade e miséria misturadas. Sejam justas ou pecaminosas, as ações nunca são destruídas (exceto pelo desfrute ou tolerância de seus resultados). (O comentador mostra que esta é uma resposta para a afirmação do cético sobre a Natureza ser a causa de tudo. O fogo é quente por natureza, portanto, ele não se torna quente em um momento, frio em outro, e morno em outro momento. Uma pessoa se torna ou totalmente feliz ou totalmente infeliz ou totalmente feliz e infeliz ao mesmo tempo. A natureza do homem não deve ser de tal maneira. A diferença de estado é produzida por diferença de causas.) Às vezes, ó filho, a felicidade devido às boas ações permanece oculta e coberta de tal maneira que ela não se manifesta no caso da pessoa que está afundando no oceano da vida até que suas tristezas desapareçam. Depois que tristeza foi esgotada (pela tolerância), alguém começa a desfrutar (dos resultados) de suas boas ações. E saiba, ó rei, que após o esgotamento dos frutos das boas ações, aqueles das ações pecaminosas começam a se manifestar. Auto-domínio, clemência, paciência, energia, contentamento, veracidade em palavras, modéstia, abstenção de ferir, liberdade das práticas más chamadas vyasana, e inteligência, estes são produtivos de felicidade. Nenhuma criatura está eternamente sujeita aos resultados de seus atos bons ou maus. O homem possuidor de sabedoria deve sempre se esforçar para acalmar e fixar sua mente. Alguém nunca tem que desfrutar ou suportar as ações boas e más de outro. De fato, alguém desfruta e suporta somente os resultados daquelas ações que ele mesmo faz. A pessoa que rejeita felicidade e miséria anda por um caminho específico (isto é, o caminho do conhecimento). Aqueles homens, no entanto, ó rei, que se permitem serem vinculados a todos os objetos mundanos, andam por um caminho que é totalmente diferente. Uma pessoa não deve fazer aquela ação que, se feita por outra, provocaria sua crítica. De fato, por fazer uma ação que ela censura em outros, ela cai em ridículo. Um Kshatriya privado de coragem, um Brahmana que aceita todos os tipos de alimento (há muitas regras para regular a alimentação de um Brahmana), um Vaisya não dotado de esforço (em relação à agricultura e outras atividades lucrativas), um Sudra que é preguiçoso (e, portanto, avesso ao trabalho), uma pessoa erudita sem bom comportamento, alguém de nascimento nobre mas desprovido de conduta íntegra, um Brahmana decaído da verdade, uma mulher que é incasta e perversa, um Yogin dotado de afeições, alguém que cozinha comida para si mesmo (pois comida crua, como frutas, etc., alguém pode ingerir sem oferecer uma parte dela para convidados e outros; mas alimento cozido nunca pode ser comido sem uma parte dele ser dada para outros), uma pessoa ignorante empenhada em fazer um discurso, um reino sem um rei e um rei que não nutre afeição por seus súditos e que é desprovido de Yoga, todos esses, ó rei, são dignos de pena!'" 292 "Parasara disse, 'O homem que, tendo obtido este carro, isto é, seu corpo dotado de mente, segue em frente, refreando com as rédeas do Conhecimento os corcéis representados pelos objetos dos sentidos, deve certamente ser considerado como possuidor de inteligência. A homenagem (na forma de devoção e meditação concentrada no Supremo) por uma pessoa cuja mente é dependente de si mesma e que rejeitou os meios de vida é digna de grande louvor, aquela homenagem, a saber, ó regenerado, que é o resultado de instruções recebidas de alguém que conseguiu transcender as ações mas não obtidas de discussão mútua de homens no mesmo estado de progresso. Tendo obtido o período de vida concedido, ó rei, com tal dificuldade, alguém não deve diminuí-lo (por indulgência dos sentidos). Por outro lado, o homem deve sempre se esforçar, por meio de ações justas, pelo seu progresso gradual. Entre as seis diferentes cores que Jiva obtém em diferentes períodos de sua existência, aquele que decai de uma cor superior merece desonra e crítica. Por isso, alguém que alcançou o resultado de boas ações deve se comportar de tal maneira quanto a evitar todas as ações manchadas pela qualidade de Rajas. O homem alcança uma cor superior por ações justas. Incapaz de adquirir uma cor superior, pois tal aquisição é extremamente difícil, uma pessoa, por fazer atos pecaminosos somente mata a si mesmo (por afundar no inferno e decair para uma cor inferior). Todas as ações pecaminosas que são cometidas inconscientemente ou em ignorância são destruídas por meio de penitências. Uma ação pecaminosa, no entanto, que é cometida de propósito, produz muita tristeza. Por isso, nunca se deve cometer ações pecaminosas que têm somente tristeza como seu resultado. O homem de inteligência nunca faria uma ação que é pecaminosa em caráter mesmo que ela levasse à maior vantagem, assim como uma pessoa que é pura nunca tocaria um Chandala. Quão miserável é o resultado que eu vejo das ações pecaminosas! Pelo pecado a própria visão do pecador se torna perversa, e ele confunde seu corpo e seus acompanhamentos instáveis com a Alma. Aquele homem tolo que não consegue se dirigir à Renúncia neste mundo vem a ser afligido com grande angústia quando ele parte para o mundo seguinte. (Ou, alguém se dirige ao Yoga sem adotar a Renúncia encontra muita tristeza.) Um tecido incolor, quando sujo, pode ser limpo, mas não um tecido que foi tingido com corante preto; exatamente assim, ó rei, ouça-me com atenção, é o caso com o pecado. Aquele homem que, tendo cometido um pecado intencionalmente age virtuosamente para expiar aquele pecado, tem que desfrutar e suportar os resultados de suas ações boas e más separadamente. (O objetivo deste verso é mostrar que o pecado consciente nunca pode ser destruído por meio de expiação. O único meio pelo qual o pecado pode ser destruído é por aguentar seus resultados.) Os proferidores de Brahma afirmam, sob a autoridade do que está declarado nos Vedas, que todos os atos de injúria cometidos em ignorância são anulados por atos de justiça. Um pecado, no entanto, que é cometido conscientemente nunca é anulado pela justiça. Assim dizem os regenerados proferidores de Brahma que estão familiarizados com as escrituras de Brahmana. Com relação a mim mesmo, meu ponto de vista é que quaisquer ações que sejam feitas, sejam elas justas ou pecaminosas, feitas de propósito ou não, permanecem (e nunca são destruídas a menos que seus frutos sejam desfrutados ou suportados). Quaisquer atos que sejam feitos pela mente com total deliberação, produzem, de acordo com sua grosseria ou sutileza, resultados que são grosseiros ou sutis. Aqueles atos, no entanto, ó tu de alma justa, que são repletos de grande injúria, se feitos em ignorância, sem falha produzem consequências e até consequências que levam para o inferno, com a diferença que aquelas consequências são desproporcionais em relação à gravidade às ações que as produziram. (A opinião do orador é que todas as ações são produtivas de resultados. Se boas, os resultados são bons. Se más, os frutos são maus. Há esta diferença, entretanto, entre atos feitos conscientemente e aqueles feitos em ignorância: os primeiros produzem resultados proporcionais, isto é, se grosseiros, seus resultados são grosseiros; se sutis, os resultados são sutis; mas os últimos produzem frutos que não são assim, de modo que mesmo se abomináveis, os resultados não envolvem uma grande mas somente uma pequena medida de miséria. Não há outra diferença entre os dois tipos de ações.) Quanto àquelas ações (de uma natureza duvidosa ou injusta) que possam ser feitas pelas divindades ou ascetas de reputação, um homem justo nunca deve fazer suas semelhantes ou, informado delas, nunca deve censurá-las. (Tais ações formam a exceção e são mantidas fora da minha visão neste meu discurso sobre as ações. O Rishi Viswamitra causou a morte dos cem filhos de Vasishtha, e contudo ele não teve que ir para o inferno por isto.) Aquele homem que, refletindo com sua mente, ó rei, e averiguando sua própria habilidade, realiza ações justas, certamente obtém o que é para seu benefício. Água despejada em um recipiente não cozido gradualmente diminui e finalmente escapa totalmente. Se mantida, no entanto, em um recipiente cozido, ela permanece sem sua quantidade ser reduzida. Da mesma maneira, ações feitas sem reflexão com a ajuda da compreensão não se tornam benéficas; enquanto ações feitas com discernimento permanecem com excelência não diminuída e produzem felicidade como seu resultado. Se dentro de um recipiente contendo água outra água for despejada, a água que havia lá originalmente aumenta em quantidade; assim mesmo todas as ações feitas com raciocínio, sejam elas equitativas ou não, somente contribuem para o estoque de justiça de alguém. Um rei deve subjugar seus inimigos e todos os que procuram afirmar sua superioridade, e ele deve governar e proteger seus súditos apropriadamente. Um homem deve acender seus fogos sagrados e derramar libações sobre eles em diversos sacrifícios, e se retirando para as florestas na meia idade ou velhice, deve viver lá (praticando os deveres dos dois últimos modos de vida). Dotado de autocontrole, e possuidor de um comportamento justo, ele deve considerar todas as criaturas como se fossem ele mesmo. Ele deve também reverenciar seus superiores. Pela prática da veracidade e de boa conduta, ó rei, alguém sem dúvida obtém felicidade.'" 293 "Parasara disse, 'Ninguém neste mundo faz bem para outro. Ninguém é visto fazer doações para outros. Todas as pessoas são vistas agirem para si mesmas. As pessoas são vistas rejeitarem seus próprios pais e seus irmãos quando estes param de serem afetuosos. O que dizer então de parentes de outros graus? (Quando tais parentes próximos são rejeitados se percebidos serem desprovidos de afeição, não pode ser negado o fato que as pessoas nunca fazem bem para outras exceto quando elas esperam se beneficiar por meio de tais atos.) Doações para uma pessoa eminente e aceitação de doações feitas por uma pessoa eminente ambas levam ao mesmo mérito. Dessas duas ações, no entanto, a de fazer de uma doação é superior à aceitação de uma doação. (A aceitação de uma doação de uma pessoa superior é igual a respeito de mérito a uma doação feita por uma pessoa pobre. Um homem rico, por fazer uma doação, ganha maior mérito do que por aceitar uma doação). Aquela riqueza que é adquirida por meios apropriados e aumentada também por meios apropriados, deve ser protegida com cuidado para se adquirir virtude. Esta é uma verdade aceita. Alguém desejoso de adquirir virtude nunca deve ganhar riqueza por meios que envolvam danos a outros. Uma pessoa deve realizar suas ações de acordo com seu poder, sem perseguir ardorosamente riqueza. Por dar água, fria ou aquecida pelo fogo, com uma mente devotada, a um convidado (sedento), de acordo com o melhor que pode, alguém ganha o mérito vinculado à ação de dar alimento para um homem faminto. Rantideva de grande alma obteve êxito em todos os mundos por cultuar os ascetas somente com oferendas de raízes e folhas e frutas. O filho nobre de Sivi também alcançou as mais elevadas regiões de bem-aventurança por ter gratificado Surya junto com seu companheiro com oferendas do mesmo tipo. Todos os homens, por tomarem nascimento, incorrem em dívidas com os deuses, convidados, empregados, Pitris, e com eles mesmos. Todos devem, portanto, fazer o seu melhor para se livrarem dessas dívidas. Alguém se livra da dívida com os grandes Rishis por estudar os Vedas. Ele paga as dívidas com os deuses por realizar sacrifícios. Por realizar os ritos Sraddha ele se livra da dívida que tem com os Pitris. Ele paga a dívida para com os membros da raça humana por fazer bons préstimos para eles. Ele paga as dívidas que tem consigo mesmo por escutar as recitações Védicas e refletir sobre seu significado, por comer os restos de sacrifícios, e por sustentar seu corpo. Ele deve cumprir regularmente todas as ações, desde o início, que ele deve para seus empregados. Embora desprovidos de riqueza, homens são vistos alcançarem o êxito por grandes esforços. (Isto é, por Dhyana e Dharana.) Munis, por adorarem devidamente as divindades e por despejarem devidamente libações de manteiga clarificada no fogo sagrado, são vistos alcançarem êxito ascético. O filho de Richika tornou-se o filho de Vishwamitra. Por adorar as divindades que têm partes nas oferendas sacrificais, com Richs (ele alcançou êxito na vida após a morte). Usanas tornou-se Sukra por ter gratificado o deus dos deuses. De fato, por cantar os louvores da deusa (Uma), ele se diverte no firmamento, dotado de grande esplendor. (Pois alcançou a posição de um planeta, Vênus, no céu.) Então, também, Asita e Devala, e Narada e Parvata, e Karkshivat, e Rama o filho de Jamadagni, e Tandya possuidor de alma purificada, e Vasishtha, e Jamadagni, e Viswamitra e Atri, e Bharadwaja, e Harismasru, e Kundadhara, e Srutasravas, estes grandes Rishis, por adorarem Vishnu com mentes concentradas com a ajuda de Richs, e por penitências, conseguiram alcançar o êxito pela graça daquela grande divindade dotada de inteligência. Muitos homens não merecedores, por adorarem aquela boa divindade, obtiveram grande distinção. Não se deve procurar por progresso por realizar qualquer ato mau ou criticável. Aquela riqueza que é obtida de modo honrado é riqueza verdadeira. Vergonha para aquela riqueza, no entanto, que é obtida por meios injustos! A Justiça é eterna. Ela nunca deve, neste mundo, ser abandonada pelo desejo de riqueza. Aquela pessoa de alma justa que mantém seu fogo sagrado e oferece diariamente suas adorações às divindades é considerada como a principal das pessoas virtuosas. Todos os Vedas, ó principal dos reis, estão estabelecidos nos três fogos sagrados (chamados Dakshina, Garhapatya, e Ahavaniya). É citado como possuidor do fogo sagrado aquele Brahmana cujas ações existem em sua totalidade. É melhor abandonar de uma vez o fogo sagrado do que mantê-lo, enquanto se abstendo de ações. O fogo sagrado, a mãe, o pai que o gerou, e o preceptor, ó tigre entre homens, devem ser todos devidamente servidos e tratados com humildade. Aquele homem que, rejeitando todos os sentimentos de orgulho, visita e serve humildemente aqueles que são veneráveis por idade, que possui conhecimento e é desprovido de luxúria, que olha para todas as criaturas com um olhar de amor, que não tem riqueza, que é justo em suas ações, e que é desprovido do desejo de infligir qualquer tipo de mal (sobre alguém), aquele homem realmente respeitável é adorado neste mundo por aqueles que são bons e piedosos.'" 294 "Parasara disse, 'A classe mais baixa, isto é apropriado, deve derivar seu sustento das três outras classes. Tal serviço, prestado com afeição e reverência, os faz virtuosos. Se os antepassados de algum Sudra não eram dedicados ao serviço, ele todavia não deve se empenhar em alguma outra ocupação (exceto serviço). Realmente, ele deve se aplicar ao serviço como sua ocupação. Em minha opinião, é apropriado para eles se associarem, sob todas as circunstâncias, com bons homens dedicados à justiça, mas nunca com aqueles que são pecaminosos. Como nas colinas Orientais pedras preciosas e metais brilham com grande esplendor por sua adjacência ao Sol, assim mesmo a classe mais baixa brilha com esplendor por sua associação com os bons. Um pedaço de tecido branco assume aquela cor com a qual ele é tingido. Tal é o caso com os Sudras; (isto é, eles pegam as cores da companhia que eles mantêm. Por isso, é muito desejável viver com os bons). Por isso também, uma pessoa deve se ligar a todas as boas qualidades mas nunca às qualidades que são más. A vida de seres humanos neste mundo é fugaz e transitória. O homem sábio que, em felicidade como também em miséria, realiza somente o que é bom, é considerado como um verdadeiro cumpridor das escrituras. O homem que é dotado de inteligência nunca faria uma ação que é dissociada da virtude, por mais que pudessem ser grandes as vantagens daquela ação. De fato, tal ação não é considerada como realmente benéfica. Aquele rei sem lei que, arrebatando milhares de vacas de seus donos legais, as doa (para pessoas merecedoras), não adquire fruto (daquele ato de doação) além de um som vazio (expressivo da ação que ele faz). Por outro lado, ele incorre no pecado de roubo. O Auto-nascido a princípio criou o Ser chamado Dhatri considerado com respeito universal. Dhatri criou um filho que estava empenhado em sustentar todos os mundos. (Este filho de Dhatri é o deus das nuvens.) Cultuando aquela divindade, o Vaisya se dedica, pelos meios de seu sustento, à agricultura e à criação de gado. Os Kshatriyas devem se empregar na tarefa de proteger todas as outras classes. Os Brahmanas devem somente desfrutar. Com relação aos Sudras, eles devem se engajar na tarefa de reunir humildemente e honestamente os artigos que são para serem oferecidos em sacrifícios, e na limpeza de altares e de outros locais onde sacrifícios são para serem realizados. Se cada classe agisse dessa maneira, a justiça não sofreria qualquer diminuição. Se a justiça fosse preservada em sua totalidade, todas as criaturas que habitam a terra seriam felizes. Vendo a felicidade de todas as criaturas sobre a terra, as divindades no céu se enchem de alegria. Então, aquele rei que, segundo os deveres prescritos para sua classe, protege as outras classes, se torna digno de respeito. Similarmente, o Brahmana que está empenhado em estudar as escrituras, o Vaisya que está empenhado em ganhar riqueza, e o Sudra que está sempre empenhado em servir as três outras classes com atenção concentrada, se tornam objetos de respeito. Por se comportar de outras maneiras, ó chefe de homens, cada classe é citada como decaída da virtude. Mantendo aparte doações às milhares, mesmo vinte cauris que alguém possa dar penosamente, tendo-as obtido justamente, será produtivo de grande benefício. Aquelas pessoas, ó rei, que fazem doações para Brahmanas depois de reverenciá-los devidamente, colhem frutos excelentes compatíveis com aquelas doações. É altamente valorizada aquela doação que o doador faz depois de procurar o donatário e honrá-lo apropriadamente. É mediana aquela doação que o doador faz após solicitação. Aquela doação, no entanto, que é feita desdenhosamente e sem qualquer reverência, é citada como sendo muito inferior (em relação à mérito). Isso mesmo é o que aqueles proferidores da verdade, isto é, os sábios, dizem. Enquanto afundando neste oceano de vida, o homem deve sempre procurar cruzar este oceano por vários meios. De fato, ele deve se esforçar de modo que ele possa ser libertado dos grilhões deste mundo. O Brahmana brilha pelo auto-controle; o Kshatriya por vitória; o Vaisya por riqueza; enquanto o Sudra sempre brilha em glória por inteligência em servir (as três outras classes).’” "Parasara disse, 'No Brahmana, riqueza adquirida por aceitação de doações, no Kshatriya aquela obtida por vitória em batalha, no Vaisya aquela obtida por seguir os deveres prescritos para sua classe, e no Sudra aquela obtida por servir as três outras classes, embora pequena sua quantidade, é digna de louvor, e gasta para a aquisição de virtude é produtiva de grandes benefícios. O Sudra é citado como sendo o constante servidor das três outras classes. Se o Brahmana, oprimido em busca de um meio de vida, se dirige aos deveres do Kshatriya ou do Vaisya, ele não decai da virtude. Quando, no entanto, o Brahmana se dirige para os deveres da classe mais baixa, então ele certamente decai. Quando o Sudra não pode obter seu sustento por serviço das três outras classes, então comércio, criação de gado, e a prática dos ofícios mecânicas são lícitas para ele seguir. Aparecer no palco de um teatro e se disfarçar de várias formas, exibição pública de marionetes, a venda de bebidas alcoólicas e carne, e comércio em ferro e couro, nunca devem ser adotados para propósitos de sustento por alguém que nunca antes tinha se dedicado a estas profissões, todas as quais são consideradas como censuráveis no mundo. Tem sido ouvido por nós que se alguém dedicado a elas pode abandoná-las, ele então adquire grande mérito. Quando alguém que se tornou bem sucedido na vida se comporta pecaminosamente por sua mente estar cheia de arrogância, as ações dele sob tais circunstâncias nunca podem ser tomadas por autoridade. É ouvido nos Puranas que antigamente a humanidade era autocontrolada; que eles tinham a justiça em grande estima; que as práticas que eles seguiam para o sustento eram todas consistentes com a retidão e com as injunções declaradas nas escrituras, e que o único castigo que era necessário para castigá-los quando eles erravam era o grito de vergonha sobre eles. No tempo do qual nós falamos, ó rei, a Retidão, e nada mais, era muito elogiada entre os homens. Tendo alcançado grande progresso em retidão, os homens naqueles tempos veneravam somente todas as boas qualidades que eles viam. Os Asuras, no entanto, ó filho, não puderam tolerar aquela retidão que prevalecia no mundo. Multiplicando-se (em número e energia), os Asuras (na forma de Luxúria e Ira) entraram nos corpos dos homens. Então foi gerado nos homens o orgulho que é tão destrutivo da retidão. Do orgulho surgiu a arrogância, e da arrogância surgiu a ira. Quando os homens se tornaram assim oprimidos pela ira, a conduta envolvendo a modéstia e vergonha desapareceu deles, e então eles foram dominados pela negligência. Afligidos pela negligência, eles não podiam mais ver como antes, e como a consequência disso eles começaram a oprimir uns aos outros e assim adquirir riqueza sem qualquer escrúpulo. Quando os homens se tornaram dessa maneira, o castigo de somente gritar vergonha sobre ofensores deixou de ter qualquer efeito. Os homens, não mostrando reverência pelos deuses ou Brahmanas, começaram fazer a vontade de seus sentidos até sua satisfação. (Isto é, eles começaram a desfrutar de todos os objetos dos sentidos em excesso.) Naquele tempo as divindades foram até aquele principal dos deuses, isto é, Siva, possuidor de paciência, de aspecto multiforme, e dotado dos principais atributos, e procuraram sua proteção. As divindades concederam a ele sua energia conjunta, e nisso o grande deus, com uma única flecha, derrubou na terra aqueles três Asuras, isto é, Desejo, Ira, e Cobiça, que estavam morando no firmamento, junto com suas próprias habitações. (Este verso é tomado como uma declaração metafórica. Os três Asuras são, naturalmente, Kama, Krodha, and Lobha. 'Morando no firmamento' é interpretado como 'existindo em Maya'. 'Suas habitações' como 'com suas formas grosseiras, sutis, e potenciais;' 'derrubou na terra' é explicado como 'imergiu no puro chit.' O total é considerado como implicando uma destruição espiritual de todos os maus sentimentos e uma restauração do homem ao seu estado original de pureza.) O chefe feroz daqueles Asuras (Mahamoha ou grande Negligência) possuidor de fúria e destreza, que tinha afligido os Devas (ou sentidos) com terror, também foi morto por Mahadeva armado com a lança. Quando este chefe dos Asuras foi morto, os homens mais uma vez obtiveram suas próprias naturezas, e mais uma vez começaram a estudar os Vedas e as outras escrituras como era nos tempos passados. Então os sete Rishis antigos se apresentaram e instalaram Vasava como o chefe dos deuses e o soberano do céu. E eles tomaram sobre si mesmos a tarefa de segurar a vara de castigo sobre a humanidade. Depois dos sete Rishis veio o rei Viprithu (para governar a humanidade), e muitos outros reis, todos pertencentes à classe Kshatriya para governar separadamente grupos separados de seres humanos. (Quando Mahadeva dissipou todas as más paixões das mentes das criaturas) havia, naqueles tempos antigos, certos homens de idade de cujas mentes todos os sentimentos pecaminosos não haviam fugido. Então, por causa daquele estado pecaminoso de suas mentes e daqueles incidentes que estavam relacionados com ele, apareceram lá muitos reis de destreza terrível que começaram a se entregar somente a atos que eram adequados para Asuras. Aqueles seres humanos que eram extremamente tolos aderiram àquelas ações pecaminosas, as estabeleceram como autoridades, e as seguem na prática até hoje. Por esta razão, ó rei, eu te digo, que tendo refletido devidamente com a ajuda das escrituras, que uma pessoa deve se abster de todas as ações que são repletas de injustiça ou malícia, e procurar adquirir um conhecimento da Alma. O homem possuidor de sabedoria não procurará riqueza para a realização de ritos religiosos por caminhos que são injustos e que envolvem um abandono da moralidade. A riqueza obtida por tais meios nunca virá a ser benéfica. Torne-te então um Kshatriya deste tipo. Controle teus sentidos, seja agradável para teus amigos, e cuide, de acordo com os deveres de tua classe, de teus súditos, empregados, e filhos. Pela união de prosperidade e adversidade (na vida do homem), surgem amizades e animosidades. Milhares e milhares de existências estão revolvendo continuamente (em relação a cada Jiva), e em cada modo da existência de Jiva isto deve ocorrer. (Os próprios deuses estão sujeitos à prosperidade e adversidade, e seus efeitos de amores e ódios. Não há modo de vida no qual estes não possam ser encontrados.) Por esta razão, estejas ligado às boas qualidades de todos os tipos, mas nunca aos defeitos. Tal é o caráter das boas qualidades que se a pessoa mais insensata, privada de toda virtude, ouve a si mesma elogiada por alguma boa qualidade, ela fica cheia de alegria. Virtude e pecado existem, ó rei, somente entre homens. Eles não existem entre criaturas exceto homem. Alguém deve, portanto, em necessidade de alimento e outras necessidades da vida ou transcendendo tal necessidade, ser de disposição virtuosa, adquirir conhecimento, sempre olhar para todas as criaturas como a si mesmo, e se abster totalmente de infligir qualquer tipo de dano. Quando a mente de alguém se torna desprovida de desejo, e quando toda Ignorância é dissipada dela, é então que ele consegue obter que é auspicioso.'" 296 "Parasara disse, 'Eu agora te falei sobre quais são as ordenanças dos deveres em relação a alguém que leva um modo de vida familiar. Eu agora te falarei das ordenanças sobre penitências. Ouça-me enquanto eu falo sobre o assunto. É visto geralmente, ó rei, que por causa de sentimentos repletos de Rajas e Tamas, o sentido de ‘meu’, nascido do apego, surge no coração do chefe de família. Dirigindo-se ao modo de vida familiar, alguém adquire vacas, campos, riqueza de diversos tipos, cônjuges, filhos, e empregados. Alguém que se torna observador deste modo de vida constantemente lança seu olhar sobre estes objetos. Sob essas circunstâncias, suas atrações e aversões aumentam, e ele cessa de considerar suas posses (transitórias) como eternas e indestrutíveis. Quando uma pessoa vem a ser dominada por afeição e aversão, e se entrega ao domínio dos objetos mundanos, o desejo de prazer então o apanha, tendo sua origem na negligência, ó rei. Pensando que é abençoada aquela pessoa que tem a maior parte de prazeres neste mundo, o homem dedicado ao prazer, por seu apego a isto, não vê que há alguma outra felicidade além da que resulta da satisfação dos sentidos. Dominado pela cobiça que resulta de tal atração, ele então procura aumentar o número de seus parentes e servidores, e para satisfazer estes últimos ele procura aumentar sua riqueza por todos meios em seu poder. Cheio de afeição por filhos, tal pessoa comete, para adquirir riqueza, atos que ele sabe que são maus, e dá vazão à angústia se sua riqueza é perdida. Tendo ganhado honras e sempre se protegendo contra a frustração de seus planos, ele se dirige aos meios que satisfarão seu desejo de prazer. Finalmente ele encontra com a destruição como a consequência inevitável da conduta que ele segue. É bem conhecido, no entanto, que a verdadeira felicidade é daqueles que são dotados de inteligência, que são proferidores do eterno Brahma, que procuram realizar somente ações que são auspiciosas e benéficas, e que se abstêm de todas as ações que são opcionais e que provêm somente do desejo. Da perda de todos os objetos sobre os quais estão centradas nossas afeições, da perda de riqueza, ó rei, e da opressão das doenças físicas somadas à agonia mental, uma pessoa cai em desespero. Deste desespero surge o despertar da alma. De tal despertar procede o estudo das Escrituras. Da contemplação do significado das escrituras, ó rei, vê- se o valor da penitência. Uma pessoa possuidora do conhecimento do que é essencial e do que não é essencial, ó rei, é muito rara, isto é, aquela que procura passar por penitências, impressionada com a verdade que a felicidade que alguém deriva da posse de objetos agradáveis tais como cônjuges e filhos leva no final à miséria. (Aqueles que se dirigem às penitências como consequência do desespero são muitos. São muito raros os homens que adotam as penitências sendo imediatamente convencidos de que felicidade da vida familiar é irreal e termina em miséria.) As penitências, ó filho, são para todos. Elas são ordenadas até para a classe mais baixa de homens (Sudras). As penitências colocam o homem autocontrolado que tem domínio sobre todos os seus sentidos no caminho do céu. Foi através de penitências que o Senhor pujante de todas as criaturas, ó, rei, cumprindo votos em intervalos específicos, criou todos os objetos existentes. Os Adityas, os Vasus, os Rudras, Agni, os Aswins, os Maruts, os Viswedevas, os Saddhyas, os Pitris, os Maruts, os Yakshas, os Rakshasas, os Gandharvas, os Siddhas e os outros habitantes do céu, e, de fato, todos os outros celestiais, ó filho, foram todos coroados êxito através de suas penitências. Aqueles Brahmanas a quem Brahmana criou no início, conseguiram por suas penitências honrar não só a Terra mas também o céu no qual eles viajavam como lhes agradava. Neste mundo de mortais, aqueles que são reis, e aqueles outros que são chefes de família nascidos em famílias nobres, todos se tornaram o que eles são somente em consequência de suas penitências (de vidas passadas). Os mantos de seda que eles usam, os ornamentos excelentes que enfeitam seus corpos, os animais e veículos nos quais eles passeiam, e os assentos que eles usam são todos o resultado de suas penitências. As muitas mulheres encantadoras e belas, constando de milhares, que eles desfrutam, e sua residência em mansões suntuosas, são todas devido às suas penitências. Leitos caros e diversas espécies de iguarias deliciosas se tornam daqueles que agem justamente. Não há nada nos três mundos, ó opressor de inimigos, que as penitências não possam alcançar. Mesmo aqueles que são desprovidos de verdadeiro conhecimento ganham Renúncia como a consequência de suas penitências. Esteja em circunstâncias afluentes ou miseráveis, uma pessoa deve rejeitar a cobiça, refletindo sobre as escrituras com a ajuda de sua Mente e compreensão, ó melhor dos reis. O descontentamento é produtivo de miséria. (O descontentamento é o resultado da cobiça.) A cobiça leva ao adormecimento dos sentidos. O sentidos estando estupefatos, a sabedoria de alguém desaparece assim como conhecimento não conservado por aplicação contínua. Quando a sabedoria de alguém desaparece, ele falha em distinguir o que é apropriado do que é inapropriado. Então, quando a felicidade de alguém é destruída (e ele fica sujeito à miséria), ele deve praticar as mais austeras das penitências. Aquilo que é agradável é chamado de felicidade. Aquilo que é desagradável é citado como sendo miséria. Quando penitências são praticadas, o resultado é felicidade. Quando elas não são praticadas, o resultado é miséria. Veja os resultados da prática e da abstenção de penitências! Por praticar penitências imaculadas (isto é, sem desejo de resultado), as pessoas sempre encontram com consequências auspiciosas de todos os tipos, desfrutam de todas as coisas boas, e obtêm grande fama. Aquele, no entanto, que por abandonar (as penitências imaculadas), se dirige às penitências por desejo de fruto, encontra com muitas consequências desagradáveis, e desgraça e tristeza de diversos tipos, como os frutos delas, todos os quais têm as posses mundanas como sua causa. (Tais frutos lhes trazem diversos tipos de tristezas). Apesar da prática da virtude, penitências, e caridade ser desejável, surge em sua mente o desejo de realizar todos os tipos de ações proibidas. Por assim cometer diversos tipos de ações pecaminosas, ele vai para o inferno. Aquela pessoa, ó melhor dos homens, que, na felicidade e na tristeza, não abandona os deveres ordenados para ela, é citada como tendo as escrituras como sua visão. É dito que o prazer que alguém deriva da satisfação dos sentidos de tato, paladar, visão, olfato, e audição, ó monarca, duram somente o tempo que uma flecha impulsionada do arco leva para cair sobre a terra. Após a cessação daquele prazer, que é de duração tão curta, alguém sofre a mais violenta agonia. É somente o insensato que não louva a bem- aventurança da Emancipação que é inigualável. Vendo a miséria que acompanha a satisfação dos sentidos, aqueles que possuem sabedoria cultivam as virtudes de tranquilidade e autocontrole para o propósito de alcançar a Emancipação. Por seu comportamento íntegro, riqueza e prazer nunca podem conseguir afligi-los. Os chefes de família podem, sem qualquer remorso, desfrutar de riqueza e de outras posses que são obtidas sem Esforço. Com relação, no entanto, aos deveres de sua classe que são declarados nas escrituras, estes, na minha opinião, eles devem cumprir com a ajuda do Esforço. (Cônjuges, alimento, bebida, etc., alguém obtém como o resultado de atos passados. Em relação a estes, Esforço é fraco. Então, empregar Esforço para sua aquisição não seria sábio. Com relação à aquisição de virtude, no entanto, o Esforço é eficaz. Por isso, alguém deve, com Esforço procurar agir de acordo com seus próprios deveres como declarados nas escrituras.) A prática daqueles que são honrados, nascidos em famílias nobres, e que têm seus olhos sempre dirigidos para o significado das escrituras, não pode ser seguida por aqueles que são pecaminosos e que possuem mentes descontroladas. Todas as ações que são feitas pelo homem sob a influência da vaidade encontram com a destruição. Então, para aqueles que são respeitáveis e realmente justos não há outra ação neste mundo para se fazer exceto penitência. (Sacrifícios e todas as outras ações empreendidas por um senso de vaidade são destrutíveis com relação às suas consequências, pois o céu é finito. Penitências, no entanto, que são praticadas sem desejo de resultado não são assim, pois estas levam à Emancipação.) Em relação, no entanto, àqueles chefes de família que são viciados nas ações, eles devem, de todo o coração, se dirigir às ações. Seguindo os deveres de sua classe, ó rei, eles devem com inteligência e atenção realizar sacrifícios e outros ritos religiosos. De fato, como todos os rios, masculinos e femininos, têm seu refúgio no Oceano, assim mesmo os homens pertencentes a todas as outras classes têm seu refúgio no chefe de família.'" 297 "Janaka disse, 'De onde, ó grande Rishi, surgiu esta diferença de cor entre os homens pertencentes às diferentes classes? Eu desejo saber. Diga-me isto, ó principal dos oradores! Os Srutis dizem que a prole que alguém gera é a própria pessoa. Originalmente surgidos de Brahmana, todos os habitantes da terra deveriam ter sido Brahmanas. Nascidos de Brahmanas, por que os homens se dirigiram a práticas diferentes daquelas dos Brahmanas?'” "Parasara disse, 'É como tu dizes, ó rei! A prole procriada não é ninguém mais do que o próprio procriador. No entanto, por se afastarem da penitência, esta distribuição em classes de diferentes cores ocorreu. Quando o solo se torna bom e a semente também é boa, a prole produzida se torna meritória. Se, no entanto, o solo e a semente não são bons ou são inferiores, a prole que nascerá será inferior. Aqueles que estão familiarizados com as escrituras sabem que quando o Senhor de todas as criaturas se pôs a criar os mundos, algumas criaturas surgiram de sua boca, algumas de seus braços, algumas de suas coxas, e algumas de seus pés. Aqueles que assim surgiram de sua boca, ó filho, vieram a ser chamados de Brahmanas. Aqueles que surgiram de seus braços foram chamados de Kshatriyas. Aqueles, ó rei, que surgiram de suas coxas eram a classe rica, chamados de Vaisyas. E, por fim, aqueles que nasceram de seus pés eram a classe servil, isto é, os Sudras. Somente estas quatro classes de homens, ó monarca, foram assim criadas. Aqueles que pertencem às classes além destas e outras a não ser estas surgiram de uma mistura delas. Os Kshatriyas chamados Atirathas, Amvashthas, Ugras, Vaidehas, Swapakas, Pukkasas, Tenas, Nishadas, Sutas, Magadhas, Ayogas, Karanas, Vratyas, e Chandalas, ó monarca, surgiram todos das quatro classes originais por mistura umas com as outras.'” "Janaka disse, 'Quando todos surgiram somente de Brahmana, como os seres humanos vieram a ter diversidade em relação à raça? Ó melhor dos ascetas, é vista uma diversidade infinita de raças neste mundo. Como os homens dedicados às penitências poderiam alcançar a posição de Brahmanas, embora de origem indiscriminada? De fato, aqueles nascidos de úteros puros e aqueles de impuros, todos se tornaram Brahmanas.'” "Parasara disse, 'Ó rei, a posição de pessoas de grande alma que conseguiram purificar suas almas por penitências não pode ser considerada como afetada por seus nascimentos inferiores. Grandes Rishis, ó monarca, por gerarem filhos em úteros indiscriminados, concederam a eles a posição de Rishis por meio de seu poder de ascetismo. Meu avô Vasishtha, Rishyasringa, Kasyapa, Veda, Tandya, Kripa, Kakshivat, Kamatha, e outros, e Yavakrita, ó rei, e Drona, aquele principal dos oradores, e Ayu, e Matanga, e Datta, e Drupada, e Matsya, todos esses, ó soberano dos Videhas, obtiveram suas respectivas posições através de penitências. Originalmente somente quatro Gotras (raças) surgiram, ó monarca, isto é, Angiras, Kasyapa, Vasishtha, e Bhrigu. Por ações e comportamento, ó soberano de homens, muitos outros Gotras vieram à existência com o tempo. Os nomes daqueles Gotras são devidos às penitências daqueles que os fundaram. Boas pessoas os usam.'” "Janaka disse, 'Diga-me, ó santo, os deveres especiais das várias classes. Diga-me também quais são seus deveres comuns. Tu és conhecedor de tudo.'” "Parasara disse, 'Aceitação de doações, oficiar nos sacrifícios de outros, e o ensino de pupilos, ó rei, são os deveres especiais dos Brahmanas. A proteção das outras classes é própria para o Kshatriya. Agricultura, criação de gado e comércio são as ocupações dos Vaisyas. Enquanto o serviço das (três) classes regeneradas é a ocupação, ó rei, dos Sudras. Eu agora te disse quais são os deveres especiais das quatro classes, ó monarca. Ouça-me, ó filho, enquanto eu te falo quais são os deveres comuns de todas as quatro classes. Compaixão, abstenção de ferir, atenção, dar a outros o que é devido a eles, Sraddhas em honra de antepassados falecidos, hospitalidade para convidados, veracidade, domínio da ira, contentamento com as próprias esposas, pureza (interna e externa), liberdade de malícia, conhecimento do Eu, e Renúncia, esses deveres, ó rei, são comuns para todas as classes. Brahmanas, Kshatriyas, e Vaisyas, estas são as três classes regeneradas. Todas elas têm um direito igual à realização desses deveres, ó principal dos homens. Estas três classes, dirigindo-se a outros deveres a não ser aqueles prescritos para elas, fracassam, ó monarca (e caem de sua própria posição), assim como elas sobem e adquirem grande mérito por tomarem como modelo algum indivíduo honrado de suas respectivas classes que é devidamente observador de seus próprios deveres. O Sudra nunca cai (por fazer ações proibidas); nem ele é digno de algum dos ritos de regeneração. A direção de deveres que flui dos Vedas não é dele. Ele não é proibido, no entanto, de praticar os treze deveres que são comuns para todas as classes. Ó soberano dos Videhas, Brahmanas versados nos Vedas, ó monarca, consideram um Sudra (virtuoso) como igual ao próprio Brahmana. Eu, no entanto, ó rei, considero tal Sudra como o refulgente Vishnu do universo, o principal ser em todos os mundos. Pessoas da classe mais baixa, desejando exterminar as más paixões (de luxúria e cólera, etc.) podem se dirigir à observância da conduta dos bons; e, de fato, enquanto agindo dessa maneira, elas podem ganhar grande mérito por realizarem todos os ritos que levam ao progresso, omitindo os mantras que são pronunciados pelas outras classes enquanto realizando as mesmas cerimônias. Seja onde for que pessoas da classe mais baixa adotem o comportamento dos bons, elas conseguem obter felicidade pela qual elas podem passar seu tempo em bem- aventurança aqui e após a morte.'” "Janaka disse, 'Ó grande asceta, o homem é maculado por suas ações ou ele é maculado pela ordem ou classe na qual ele é nascido? Uma dúvida surgiu em minha mente. Cabe a ti esclarecer isto para mim.'” "Parasara disse, 'Sem dúvida, ó rei, ambos, ações e nascimento, são fontes de demérito. Ouça agora sua diferença. Aquele homem que, embora maculado por nascimento, não comete pecado, se abstém do pecado apesar do nascimento e ações. Se, no entanto, uma pessoa de nascimento superior comete atos censuráveis, tais atos o maculam. Então, dos dois, isto é, ações e nascimento, as ações mancham o homem (mais do que o nascimento).’” "Janaka disse, 'Quais são aquelas ações virtuosas neste mundo, ó melhor de todas as pessoas regeneradas, a realização das quais não inflige qualquer dano a outras criaturas?'” "Parasara disse, 'Ouça de mim, ó monarca, acerca do que tu me perguntaste, isto é, aquelas ações livres de injúria que sempre resgatam o homem. Aqueles que, mantendo de lado seus fogos domésticos, se dissociaram de todas as atrações mundanas, ficam livres de todas as ansiedades. Gradualmente ascendendo passo a passo, no caminho de Yoga, eles finalmente contemplam o estágio da maior felicidade (isto é, Emancipação). (Os estágios aqui referidos são vichara, vitarka, Ananda, e Asmita. O que é afirmado neste verso é que alguém que rejeita todos os apegos, e que se dedica ao Yoga, consegue obter a felicidade da Emancipação.) Dotados de fé e humildade, sempre praticando autodomínio, possuidores de inteligência afiada, e se abstendo de todas as ações, eles obtêm bem-aventurança eterna. Todas as classes de homens, ó rei, por realizarem apropriadamente atos que são justos, por falarem a verdade, e se absterem da injustiça neste mundo, ascendem para o céu. Nisto não há dúvida.'" 298 "Parasara disse, 'Os antepassados, os amigos, o preceptor, e as esposas dos preceptores de homens que são desprovidos de devoção não podem dar àqueles homens os méritos que se vinculam à devoção. Somente aqueles que são firmemente devotados a tais superiores, que falam o que é agradável para eles, que procuram seu bem-estar, e que são submissos a eles em comportamento, podem obter o mérito da devoção. O pai é maior das divindades para seus filhos. É dito que o pai é superior à mãe. A obtenção de Conhecimento é considerada como a maior aquisição. Aqueles que subjugaram os objetos dos sentidos (pela obtenção de conhecimento), alcançam o que é mais sublime (isto é, a Emancipação). Aquele príncipe Kshatriya que, indo para o campo de batalha, recebe ferimentos em meio a flechas ardentes voando em todas as direções e queima com isso, sem dúvida vai para regiões que são inalcançáveis pelas próprias divindades e, chegando lá, desfruta da felicidade do céu em contentamento perfeito. Um Kshatriya não deve, ó rei, golpear alguém que esteja fatigado, ou assustado, ou desarmado, ou alguém que esteja chorando, ou que esteja relutante em lutar, ou alguém que não esteja equipado com armadura e carros e cavalos e infantaria, ou alguém que parou de se empenhar na luta, ou alguém que esteja mal, ou que grita por piedade, ou alguém que seja muito jovem, ou um idoso. Um Kshatriya deve, em batalha, lutar com alguém de sua classe que esteja equipado com armadura e carros e cavalos e infantaria, que esteja preparado para o esforço e que ocupe uma posição de igualdade. Morte nas mãos de alguém que é igual ou de um superior é louvável, mas não aquela nas mãos de alguém que é inferior, ou de alguém que é um covarde, ou de alguém que é um patife. Isto é bem conhecido. Morte nas mãos de alguém que é pecaminoso, ou de alguém que é de nascimento inferior e má conduta, ó rei, é inglória e leva ao inferno. Alguém cujo período de vida terminou não pode ser resgatado por ninguém. Similarmente, alguém cujo período de vida não está esgotado nunca pode ser morto por alguém. Alguém deve impedir seus superiores afetuosos (como mães, etc.) de fazerem para ele (para seu benefício) atos como os que são feitos por criados, como também todos os atos que sejam repletos de dano para outros. Nunca se deve desejar prolongar a própria vida por tirar as vidas de outros. Quando eles sacrificam suas vidas, é louvável para todos os chefes de famílias cumpridores dos deveres de homens vivendo em lugares sagrados sacrificarem suas vidas nas margens de rios sagrados. Quando o período de vida de alguém se esgota, ele se dissolve nos cinco elementos. Às vezes isto ocorre repentinamente (através de acidentes) e às vezes isto é ocasionado por causas (naturais). Aquele que, tendo obtido um corpo, ocasiona sua dissolução (em um lugar sagrado por meio de algum acidente inglório), vem a ser envolvido com outro corpo de um tipo parecido. Embora estabelecido no caminho da Emancipação, contudo ele se torna um viajante e obtém outro corpo como uma pessoa indo de um quarto para outro. (Aquele que encontra com uma morte súbita em um tirtha ou local sagrado não se torna emancipado mas obtém outro corpo em sua próxima vida similar àquele que ele perde. Apesar de colocado no caminho da Emancipação ele se torna um viajante: seu estado é devido ao modo inglório de sua dissolução.) Na questão da obtenção de um segundo corpo de tal homem (apesar de sua morte em um local sagrado) a única causa é sua morte acidental. Não há uma segunda causa. Aquele novo corpo que as criaturas incorporadas obtêm (em consequência do caráter acidental de suas mortes em lugares sagrados) vem à existência e se torna ligado a Rudras e Pisachas. (O objetivo desse verso é mostrar que o homem morrendo em um local sagrado vem a renascer como um Rudra ou um Pisacha e alcança rapidamente a Emancipação por causa de sua proximidade a Siva.) Homens eruditos, conhecedores de Adhyatma, dizem que o corpo é uma conglomeração de artérias e tendões e ossos e matéria muito repulsiva e impura e um composto das essências (primordiais), e os sentidos e objetos dos sentidos nascidos do desejo, todos tendo uma cobertura externa de pele envolvendo-os. Desprovido (em realidade) de beleza e outras habilidades, esta conglomeração, pela força dos desejos de uma vida prévia, assume uma forma humana. (O composto das essências primordiais e das outras coisas mencionadas assume diferentes formas através da força dos desejos de vidas anteriores.) Abandonado pelo dono, o corpo se torna inanimado e imóvel. De fato, quando os ingredientes primordiais voltam para suas respectivas naturezas, o corpo se mistura com o pó. Causado por sua união com ações, este corpo reaparece sob circunstâncias determinadas por suas ações. De fato, ó soberano dos Videhas, sob quaisquer circunstâncias que este corpo encontre com a dissolução, seu próximo nascimento, determinado por aquelas circunstâncias, é visto desfrutar e suportar os resultados de todos os seus atos passados. Jiva, depois da dissolução do corpo que ele habitou, ó rei, não toma nascimento em um corpo diferente imediatamente. Ele vaga pelo céu por algum tempo como uma vasta nuvem. Obtendo um novo receptáculo, ó monarca, ele então nasce novamente. A alma está acima da mente. A mente está acima dos sentidos. As criaturas móveis, também, são os principais de todos os objetos criados. De todas as criaturas móveis aquelas que têm duas pernas são superiores. Entre as criaturas de duas pernas, aquelas que são regeneradas são superiores. Entre aquelas que são regeneradas aquelas que possuem sabedoria são superiores. Entre aquelas que são possuidoras de sabedoria aquelas que conseguiram adquirir um conhecimento da alma são superiores. Entre aquelas que possuem um conhecimento da alma, aquelas que são dotadas de humildade são superiores. Morte segue nascimento em relação a todos os homens. Isto está determinado. Criaturas, influenciadas pelos atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas, adotam ações as quais têm um fim. (Ações são todas perecíveis em relação às suas consequências.) É considerado como virtuoso aquele homem que encontra com a dissolução quando o Sol está na declinação do norte, e em um tempo e sob uma constelação que são sagrados e auspiciosos. É virtuoso aquele que, tendo se purificado de todos os pecados e realizado todas as suas ações de acordo com o melhor de seu poder e tendo se abstido de causar dor a algum homem, encontra com a morte quando ela chega. A morte que alguém encontra por tomar veneno, por enforcamento, por incêndio, nas mãos de ladrões, e nos dentes de animais, é citada como uma morte inglória. Aqueles homens que são justos nunca se expõem a tais mortes ou similares mesmo que eles sejam afligidos com doenças físicas e mentais do tipo mais doloroso. As vidas dos justos, ó rei, atravessando o Sol, ascendem para as regiões de Brahma. As vidas daqueles que são justos e pecaminosos vagam nas regiões intermediárias. As vidas daqueles que são pecaminosos caem nas profundidades mais inferiores. Há somente um inimigo (do homem) e nenhum outro. Aquele inimigo é identificável com a ignorância, ó rei. Dominado por ele, alguém é levado a cometer ações que são terríveis e extremamente cruéis. Aquele inimigo para resistir ao qual alguém deve empregar seu poder por servir aos idosos de acordo com os deveres prescritos nos Srutis, aquele inimigo que não pode ser vencido exceto por esforços constantes, encontra com a destruição, ó rei, somente quando é subjugado pelas flechas da sabedoria. O homem desejoso de obter mérito deve inicialmente estudar os Vedas e passar por penitências, se tornando um Brahmacharin. Ele deve em seguida, entrando no modo de vida familiar, realizar os Sacrifícios usuais. Estabelecendo sua linhagem, ele deve então entrar na floresta, reprimindo seus sentidos, e desejoso de ganhar Emancipação. Alguém nunca deve se emascular por se abster de algum prazer. De todos os nascimentos, a posição de humanidade é preferível mesmo se alguém tem que se tornar um Chandala. De fato, ó monarca, esta ordem de nascimento (isto é, humanidade) é a principal, já que por se tornar um ser humano uma pessoa consegue se resgatar por meio de ações meritórias. Homens sempre realizam atos virtuosos, ó senhor, guiados pela autoridade dos Srutis, de modo que eles não possam decair da posição de humanidade. Aquele homem que, tendo alcançado a posição humanidade que é tão difícil de se alcançar, se perde em malícia, desrespeita a justiça e se entrega ao desejo, é certamente traído por seus desejos. Aquele homem que olha para todas as criaturas com olhos guiados por afeição, considerando-as dignas de serem tratadas com ajuda amorosa, que desconsidera todos os tipos de riqueza, que lhes oferece consolação, lhes dá alimento, se dirige a elas em palavras agradáveis, e que se regozija com a felicidade delas e se aflige com suas dores, nunca tem que sofrer miséria no mundo seguinte. Indo ao Saraswati, às florestas Naimisha, às águas Pushkara, e a outros locais sagrados sobre a terra, uma pessoa deve fazer doações, praticar renúncia, apresentar um aspecto amável, ó rei, e purificar seu corpo com banhos e penitências. Aqueles homens que encontram com a morte dentro de suas casas devem ter os ritos de cremação realizados sobre seus corpos. Seus corpos devem ser levados para o crematório em veículos e lá eles devem ser queimados em conformidade com os ritos de purificação que estão declarados nas escrituras. Ritos religiosos, cerimônias benéficas, a realização de sacrifícios, oficiar nos sacrifícios de outros, doações, fazer outros atos meritórios, a realização, de acordo com o melhor que se pode, de tudo o que é ordenado no caso de ancestrais falecidos, tudo isso alguém faz para beneficiar a si mesmo. Os Vedas com seus seis ramos, e as outras escrituras, ó rei, foram criadas para o bem daquele que é de ações imaculadas.'” "Bhishma continuou, 'Tudo isso foi dito antigamente por aquele sábio de grande alma para o soberano dos Videhas, ó rei, para seu benefício.'" "Bhishma disse, 'Mais outra vez Janaka, o soberano de Mithila, questionou Parasara de grande alma dotado de conhecimento indubitável em relação a todos os deveres.'” "Janaka disse, 'O que é produtivo de bem? Qual é o melhor caminho (para as criaturas vivas)? O que é aquilo que sendo realizado nunca é destruído? Qual é aquele local indo para o qual alguém não tem que voltar? Diga-me tudo isso, ó tu de inteligência sublime!'” "Parasara disse, 'Dissociação (de afeições) é a base do que é bom. O conhecimento é o caminho mais elevado. As penitências praticadas nunca são destruídas. Doações também, feitas para pessoas dignas, não são perdidas. Quando uma pessoa, rompendo os laços do pecado, começa a ter satisfação na virtude, e quando ela faz aquela mais sublime de todas as doações, isto é, a garantia de inofensividade para todas as criaturas, ela então alcança o êxito. Aquele que doa milhares de vacas e centenas de cavalos (para pessoas merecedoras), e que dá para todas as criaturas a garantia de inofensividade, recebe em retorno a garantia de inofensividade de todos. Alguém pode viver no meio de todas as espécies de riqueza e prazer, ainda assim, se abençoado com inteligência, ele não vive neles, enquanto aquele que é desprovido de inteligência vive totalmente nos objetos de prazer que são mesmo insubstanciais. O pecado não pode se ligar a um homem de sabedoria assim como a água não pode encharcar as folhas do lótus. O pecado adere mais firmemente àquele que não tem afeições assim como laca e madeira aderem firmemente uma à outra. O pecado, o qual não pode ser extinto exceto pelo sofrimento de seus resultados, nunca abandona o fazedor. Na verdade, o fazedor, quando chega a hora, tem que aguentar as consequências que surgem dele. Aqueles, no entanto, que são de alma purificada e que percebem a existência de Brahma, nunca são afligidos pelos frutos de suas ações. Negligente em relação aos seus próprios sentidos de conhecimento e de ação, alguém que não é consciente de suas ações pecaminosas, e cujo coração está ligado ao bem e ao mal, vem a ser atormentado com grande medo. Alguém que em todos os momentos está totalmente livre de atrações e que domina completamente o sentimento de raiva, nunca é manchado pelo pecado mesmo que ele viva no desfrute de objetos mundanos. Como um dique construído de um lado a outro de um rio, se não levado pela água, faz as águas dele aumentarem, assim mesmo o homem que, sem ser apegado aos objetos de prazeres, cria o dique da justiça cujos materiais consistem nas limitações registradas nas escrituras, nunca tem que enlanguescer. Por outro lado, seus méritos e penitências aumentam. Como a pedra preciosa pura (chamada Suryakanta) absorve e atrai para si mesma os raios do Sol, assim mesmo, ó tigre entre reis, o Yoga procede pela ajuda da atenção concentrada. (Assim como a fabulosa pedra preciosa, Jiva atrai para si mesmo, através de Yoga, a posição de Brahma.) Como sementes de gergelim, por serem repetidamente misturadas com flores (fragrantes), se tornam muito agradáveis em relação à qualidade, assim a qualidade de Sattwa surge nos homens em proporção à medida de sua associação com pessoas de almas purificadas. Quando alguém fica desejoso de morar no céu, ele rejeita suas cônjuges e riquezas e posição e veículos e diversos tipos de boas ações. De fato, quando alguém alcança tal estado de espírito, a compreensão de tal pessoa é citada como estando dissociada dos objetos dos sentidos. (Por outro lado) aquele homem que, com a compreensão ligada aos objetos dos sentidos se torna cego ao que é para o seu verdadeiro bem, é arrastado (para sua ruína) por seu coração o qual corre atrás de todos os objetos mundanos, como um peixe (arrastado para sua ruína) pela isca de carne. Como o corpo que é composto de diferentes membros e órgãos, todas as criaturas mortais existem dependendo umas das outras. Elas são tão desprovidas de energia quanto o núcleo da bananeira. (Deixadas por si mesmas) elas afundam no oceano do mundo como um barco (feito de materiais fracos). Não há tempo fixo para a aquisição de virtude. A Morte não espera pelo homem. Quando o homem está correndo constantemente em direção às mandíbulas da Morte, a realização de ações virtuosas é apropriada em todos os momentos. Como um homem cego que, com atenção, é capaz de se mover por sua própria casa, o homem de sabedoria, com a mente fixa em Yoga, consegue progredir pelo caminho (que ele deve seguir, aquele do Conhecimento). É dito que a morte surge em consequência do nascimento. O nascimento está sujeito ao domínio da morte. Alguém não familiarizado com a direção dos deveres da Emancipação gira como uma roda entre nascimento e morte, incapaz de se libertar daquele destino. Alguém que anda pelo caminho recomendado pela compreensão ganha felicidade neste e no outro mundo. O Diverso é repleto de miséria, enquanto o Pouco é produtivo de felicidade. Os frutos representados pelo não-Alma são citados como constituindo o Diverso. A Renúncia é (citada como constituindo o Pouco que é) produtivo da felicidade da alma. (Por 'Diverso' quer-se dizer todos aqueles resultados que consistem em prazeres instáveis; consequentemente, os diversos atos declarados nos Vedas e outras escrituras. Por 'Pouco' quer-se dizer Renúncia, ou abstenção de ações. O que é dito, portanto, neste verso é isto: aqueles que se dirigem para as ações, as quais têm como seus frutos todos os tipos de prazer, encontra com a miséria; enquanto aqueles que se abstêm de ações ou praticam a Renúncia encontram com felicidade.) Como o caule do lótus (cresce e) deixa rapidamente a lama ligada a ele, assim mesmo a Alma pode rejeitar rapidamente a mente. É a mente que a princípio inclina a Alma para Yoga. A última então funde a primeira em si mesma. Quando a Alma alcança sucesso em Yoga, ela então vê a si mesma não envolvida com atributos. (O comentador explica que a intenção deste verso é explicar que o universo o qual é criado pela mente é destruído posteriormente pela própria mente.) Envolvido em meio aos objetos dos sentidos, alguém que considera tal envolvimento como sua própria ocupação abandona sua verdadeira ocupação por tal devoção àqueles objetos. A alma do homem sábio alcança, através de seus atos justos, um estado de grande bem-aventurança no céu, enquanto aquela do homem que não possui sabedoria cai muito baixo ou obtém nascimento entre criaturas intermediárias. Como uma substância líquida, se mantida em um recipiente de barro cozido, não escapa de lá mas permanece não diminuída, da mesma maneira o corpo com o qual alguém praticou austeridades desfruta (sem rejeitar) de todos os objetos de prazer (até os que estão contidos na região do próprio Brahma). Na verdade, aquele homem que desfruta de objetos mundanos nunca pode ser emancipado. O homem, por outro lado, que rejeita tais objetos (neste mundo), consegue desfrutar de grande felicidade futuramente. Como alguém afligido com cegueira congênita e, portanto, incapaz de ver seu caminho, o sensualista, com alma confinada em um estojo opaco, parece estar cercado por uma neblina e fracassa em ver (o verdadeiro objetivo pelo qual ele deve se esforçar). Como comerciantes, atravessando o oceano, fazem lucros proporcionais ao seu capital, assim mesmo as criaturas, neste mundo de mortais, alcançam fins de acordo com suas respectivas ações. Como uma cobra devorando ar, a Morte vaga neste mundo composto de dias e noites na forma de Decrepitude e devora todas as criaturas. Uma criatura, quando nasce, desfruta ou suporta os resultados das ações feitas por ela em suas vidas anteriores. Não há nada agradável ou desagradável que alguém desfrute ou aguente sem isto ser o resultado das ações que ele fez em suas vidas anteriores. Esteja ele deitado ou procedendo, sentado ociosamente ou dedicado às suas ocupações, em qualquer estado em que um homem possa estar, suas ações (de vidas passadas) boas e más sempre se aproximam dele. Alguém que alcançou a outra margem do oceano não deseja cruzá-lo para voltar à margem de onde ele partiu. (O sentido é que alguém que rejeita objetos de prazer e se torna emancipado não obtém renascimento.) Como o pescador, quando ele deseja, ergue com a ajuda de sua corda seu barco afundado nas águas (de um rio ou lago), da mesma maneira a mente, pela ajuda da contemplação-Yoga, ergue Jiva afundado no oceano do mundo e não emancipado da consciência de corpo. (A prática dos pescadores na Índia é afundar seus barcos quando eles os deixam e vão para suas casas, e erguê-los novamente quando precisam deles no dia seguinte. Eles não deixam seus barcos flutuando com medo dos danos que as ondas possam fazer para eles por jogá-los demais.) Como todos os rios, correndo em direção ao oceano, se unem com ele, assim mesmo a mente, quando empenhada em Yoga, vem a ser unida com Prakriti primordial. (Por Prakriti aqui quer-se dizer a harmonia de Sattwa, Rajas, e Tamas. Enquanto essas três qualidades estão em harmonia umas com as outras, isto é, enquanto não há preponderância de alguma delas sobre as outras duas, não pode haver criação ou as operações de buddhi ou compreensão.) Homens cujas mentes se tornam atadas pelas diversas correntes de afeição, e que estão mergulhados em ignorância, encontram com a destruição como casas de areia em água. Aquela criatura incorporada que considera seu corpo somente como uma casa, (isto é, como um acompanhamento da Alma ao invés de considerá-lo como sendo a Alma), e a pureza (interna e externa) como seu rio sagrado, (que sem se dirigir aos rios sagrados aonde outros vão para se purificarem pensa que somente a pureza é capaz de purificá-lo), e que anda pelo caminho da compreensão, consegue obter felicidade aqui e após a morte. O Diverso é produtivo de miséria; enquanto o Pouco é produtivo de felicidade. O Diverso são os frutos representado pelo não-Alma. A Renúncia (que é correspondente ao Pouco), produz o benefício da alma. Os amigos de alguém que surgem de sua determinação, e seus parentes cuja afeição é devido a razões (egoístas), seus cônjuges e filhos e empregados, somente devoram a riqueza de alguém. Nem a mãe, nem o pai podem conceder o menor benefício para alguém no mundo seguinte. Doações constituem a dieta da qual uma pessoa pode subsistir. De fato, uma pessoa deve desfrutar dos resultados de suas próprias ações. (O objetivo do verso é mostrar que alguém não deve, por causa de amigos e parentes e cônjuges e filhos, se abster de buscar seu verdadeiro objetivo. A prática de caridade além disso é a verdadeira dieta que sustenta um homem.) A mãe, o filho, o pai, o irmão, a mulher, e amigos, são como linhas traçadas com ouro ao lado do próprio ouro (legítimo, isto é, eles não têm valor ou utilidade na aquisição de prosperidade). Todas as ações, boas e más, feitas em vidas passadas vêm para o fazedor. Sabendo que tudo o que alguém desfruta ou suporta no presente é o resultado das ações de vidas passadas, a alma incita a compreensão em diferentes direções (para que ela possa agir de maneira a evitar todos os resultados desagradáveis). Confiando no esforço sério, e equipado com apoios apropriados, aquele que se dirige para realizar suas tarefas nunca encontra com o fracasso. Como os raios de luz nunca abandonam o Sol, assim mesmo a prosperidade nunca abandona alguém que é dotado de fé indubitável. Aquela ação que um homem de alma imaculada faz com fé e seriedade, com a ajuda de meios adequados, sem orgulho, e com inteligência, nunca é perdida. Uma criatura obtém desde o próprio período de sua residência no útero da mãe todas as ações boas e más que foram realizadas por ela em suas vidas passadas. A Morte, que é irresistível, ajudada pelo Tempo que ocasiona a destruição da vida, leva todas as criaturas para seu fim como vento espalhando o pó de madeira serrada. Pelas ações boas e más realizadas por ele mesmo em suas vidas passadas, o homem obtém ouro e animais e esposas, e filhos, e honra de nascimento, e posses de valor, e toda sua riqueza.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado em conformidade com a verdade pelo sábio, Janaka, aquela principal das pessoas justas, ó rei, ouviu tudo o que o Rishi disse e obteve grande felicidade disso.'" 300 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, homens eruditos louvam a verdade, autocontrole, perdão, e sabedoria. Que é tua opinião sobre estas virtudes?'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto eu contarei para ti uma velha narrativa, ó Yudhishthira, da conversa entre os Sadhyas e um Cisne. Uma vez o Não-Nascido e eterno Senhor de todas as criaturas (isto é, Brahman), assumindo a forma de um Cisne dourado, vagava pelos três mundos até que no curso de suas viagens ele encontrou com os Sadhyas.'” "Os Sadhyas disseram, 'Ó senhor, nós somos as divindades chamadas Sadhyas. Nós gostaríamos de te questionar. De fato, nós te perguntaremos sobre a religião da Emancipação. Tu a conheces bem. Nós temos ouvido, ó ave, que tu és possuidor de grande erudição, e eloquente e sábio em discurso. Ó ave, qual tu achas que é o maior de todos os objetivos? Ó tu de grande alma, no que tua mente encontra satisfação? Portanto, ó principal das aves, nos instrua quanto a qual é a única ação que tu consideras como a principal de todas as ações, e por fazer a qual, ó chefe da criação alada, alguém pode ser logo libertado de todos os vínculos.'” "O Cisne disse, 'Vocês que têm bebido Amrita, eu tenho ouvido que alguém deve recorrer a estes, isto é, penitências, autocontrole, verdade, e domínio da mente. Desatando todos os nós (apegos, desejos) do coração, deve-se também trazer sob seu controle o que é agradável e o que é desagradável. Não se deve ferir os órgãos vitais de outros. Não se deve proferir palavras cruéis. Nunca se deve aceitar preleções escriturais de uma pessoa que é mesquinha. Nunca se deve proferir palavras que infligem dor a outros, que fazem outros queimarem (com tristeza), e que levam ao inferno. Flechas verbais saem dos lábios. Perfurado por elas alguém (para quem elas são dirigidas) queima incessantemente. Aquelas flechas não atingem qualquer parte a não ser os próprios órgãos vitais da pessoa visada. Então aquele que é possuidor de erudição nunca deve apontá-las para outros. Se uma pessoa perfura profundamente um homem de sabedoria com flechas verbais, o homem sábio deve então adotar a paz (sem da vazão à ira). O homem que, embora procurem deixá-lo zangado, se regozija sem se entregar à raiva, toma do provocador todos os seus méritos. Aquele homem de alma justa, que, cheio de alegria e livre de malícia, subjuga sua cólera ardente a qual, se cedida, o levaria a falar mal de outros e em verdade se tornaria sua inimiga, leva os méritos de outros. Com relação a mim mesmo, eu nunca respondo quando outro fala mal de mim. Se atacado verbalmente, eu sempre perdôo o ataque. Os justos são da opinião que o perdão e verdade e sinceridade e compaixão são as principais (de todas as virtudes). A verdade é o arcano dos Vedas. O arcano da Verdade é o autodomínio. O arcano do autodomínio é a Emancipação. Este é o ensino de todas as escrituras. Eu considero como Brahmana e Muni aquela pessoa que domina o impulso crescente de falar, o impulso de raiva aparecendo na mente, o impulso de sede (por coisas indignas), e os impulsos do estômago e do órgão de prazer. Alguém que não cede à raiva é superior a alguém que o faz. Alguém que pratica a renúncia é superior a alguém que não o faz. Alguém que possui as virtudes de humanidade é superior a alguém que não as tem. Alguém que é dotado de conhecimento é superior a alguém que é desprovido dele. Atacado com palavras duras não se deve atacar em retorno. De fato, aquele que, sob tais circunstâncias, renuncia à ira, consegue queimar o atacante e tirar todos os seus méritos. (O atacante, encontrando sua vítima clemente, queima ele mesmo com arrependimento.) Aquela pessoa que quando atacada com palavras ríspidas não profere uma palavra ríspida em resposta, que quando elogiada não profere o que é agradável para ele que elogia, que é dotado de tal firmeza que não golpeia em retorno quando golpeado e nem mesmo deseja mal para o golpeador, encontra sua companhia sempre cobiçada pelos deuses. Aquele que é pecaminoso deve ser perdoado como se ele fosse justo, por alguém que é insultado, golpeado, e caluniado. Por agir dessa maneira uma pessoa obtém êxito. Embora todos os meus objetivos tenham sido realizados, contudo eu sempre sirvo com reverência aqueles que são virtuosos. Eu não tenho sede. Minha raiva tem sido suprimida. Seduzido pela cobiça eu não me afasto do caminho da retidão. Eu também não me aproximo de alguém (com solicitações) por riqueza. Se amaldiçoado, eu não amaldiçôo em retorno. Eu sei que o autodomínio é a porta da imortalidade. Eu revelo para vocês um grande mistério. Não existe posição que seja superior àquela de humanidade. Livre do pecado como a Lua das nuvens escuras, o homem de sabedoria, brilhando em resplandecência, alcança o sucesso por esperar pacientemente por sua hora. Uma pessoa de alma controlada, que se torna o objeto de adoração para todos por se tornar o principal dos pilares de suporte do universo, e para quem somente palavras agradáveis são faladas por todos, obtém a companhia das divindades. Insultadores nunca se apresentam para falar dos méritos de uma pessoa como eles falam de seus deméritos. Aquela pessoa cujas palavras e mente são devidamente controladas e sempre dedicadas ao Supremo, consegue obter os frutos dos Vedas, Penitências, e Renúncia. O homem de sabedoria nunca deve ultrajar (em retorno) aqueles que são desprovidos de mérito, por proferir sua desaprovação e por insultos. Ele não deve exaltar outros (sendo exaltado por eles) e nunca deve ofendê-los. O homem dotado de sabedoria e conhecimento considera insulto como néctar. Ultrajado, ele dorme sem ansiedade. O insultador, por outro lado, encontra com a destruição. Os sacrifícios que alguém realiza com raiva, as doações que alguém faz com raiva, as penitências que alguém pratica com raiva, e as oferendas e libações que alguém faz ao fogo sagrado com raiva, são de tal maneira que seus méritos são roubados por Yama. O trabalho árduo de um homem zangado se torna completamente inútil. Ó principais dos imortais, é citada como sendo conhecedora da justiça aquela pessoa cujas quatro portas, isto é, o órgão de prazer, o estômago, os dois braços, e a língua, são bem controlados. Aquela pessoa que, sempre praticando verdade, autocontrole, sinceridade, compaixão, paciência e renúncia, se torna dedicada ao estudo dos Vedas, não cobiça o que pertence a outros, e procura o que é bom com uma unidade de propósito, consegue alcançar o céu. Como um bezerro sugando todas as quatro tetas dos úberes de sua mãe, uma pessoa deve se dedicar à prática de todas essas virtudes. Eu não sei se existe alguma coisa que é mais sagrada do que a Verdade. Tendo vagado entre os seres humanos e as divindades, eu declaro que a Verdade é o único meio de alcançar o céu, assim como um navio é o único maio de cruzar o oceano. Uma pessoa vem a ser como aquelas com quem ela mora, e como aquelas a quem ela reverencia, e como aquelas as quais ela deseja ser. Se uma pessoa serve com reverência aquele que é bom ou aquele que não é, se ela serve com reverência um sábio possuidor de mérito ascético ou um ladrão, ela percorre seu caminho e pega sua cor como um tecido pegando a tintura na qual ele é mergulhado. As divindades sempre conversam com aqueles que são possuidores de sabedoria e bondade. Elas, portanto, nunca nutrem o desejo mesmo de ver os divertimentos nos quais os homens têm prazer. A pessoa que sabe que todos os objetos de prazer (que os seres humanos apreciam) são caracterizados por vicissitudes, tem poucos rivais, e é superior à própria Lua e ao Vento. (A Lua é dotada de néctar, e, portanto, poderia ser igual a tal homem; mas a Lua cresce e diminui; portanto, ela não pode se aproximar de uma igualdade com tal homem que é o mesmo sob todas as mudanças. Similarmente, o vento, embora não manchado pelo pó que ele carrega, não é igual a tal homem; pois o vento é mutável, tendo movimentos lentos, medianos e rápidos.) Quando o Purusha que mora no coração de alguém é puro, e anda no caminho dos justos, os deuses têm alegria nele. Os deuses rejeitam à distância aqueles que estão sempre dedicados à satisfação de seus órgãos de prazer e estômago, que são dedicados ao roubo, e que sempre proferem palavras cruéis, mesmo que eles expiem seus delitos por realizarem os ritos apropriados. Os deuses nunca estão satisfeitos com alguém de alma vil, com alguém que não observa restrições na questão de comida, e com alguém que é de atos pecaminosos. Por outro lado, os deuses se associam com aqueles homens que são observadores do voto de veracidade, que são gratos, e que são dedicados à prática da justiça. Silêncio é melhor do que falar. Falar a verdade é melhor do que silêncio. Além disso falar a verdade que está relacionada com a justiça é melhor do que falar a verdade. Falar aquilo que, além de ser verdadeiro e justo, é agradável, é melhor do que falar a verdade relacionada com justiça.'” "Os Sadhyas disseram, 'Pelo que este mundo é coberto? Por que alguém falha em brilhar? Por que causa as pessoas rejeitam seus amigos? Por que razão as pessoas fracassam em alcançar o céu?'” "O Cisne disse, 'O mundo é envolvido (pela escuridão da) Ignorância. Os homens falham em brilhar por causa da malícia. As pessoas rejeitam amigos induzidas pela cobiça. Homens fracassam em alcançar o céu por causa do apego.'” "Os Sadhyas disseram, 'Quem entre os Brahmanas é sempre feliz? Quem entre eles pode observar o voto de silêncio embora residindo no meio de muitos? Quem entre eles, embora fraco, ainda assim é considerado como forte? E só quem entre eles não disputa?'” "O Cisne disse, 'Somente aquele que possui sabedoria entre os Brahmanas é sempre feliz. Somente aquele que possui sabedoria entre os Brahmanas consegue observar o voto de silêncio, embora residindo no meio de muitos. Somente aquele entre os Brahmanas que é possuidor de sabedoria, embora realmente fraco, é considerado como forte. Somente aquele entre eles que tem sabedoria consegue evitar disputa.'” (O comentador explica que o objetivo deste verso é mostrar os méritos daquele homem cuja ignorância desapareceu.) "Os Sadhyas disseram, 'Em que consiste a divindade dos Brahmanas? Em que sua pureza? Em que sua impureza? E em que sua posição de humanidade?'” "O Cisne disse, 'No estudo dos Vedas está a divindade dos Brahmanas. Em seus votos e observâncias está sua pureza. Na infâmia está sua impureza. Na morte está sua humanidade.'” (Quando Brahmanas incorrem em infâmia eles são citados como impuros; eles são também considerados como possuidores da posição de humanidade somente porque eles morrem.) "Bhishma continuou, 'Assim eu contei para ti a excelente narrativa da conversa entre os Sadhyas (e o Cisne). O corpo (grosseiro e sutil) é a origem das ações, e a existência ou Jiva é a verdade.'” "Yudhishthira disse, 'Cabe a ti me explicar, ó majestade, qual é a diferença entre os sistemas de filosofia Sankhya e Yoga. Ó principal da linhagem de Kuru, tudo é conhecido por ti, ó tu que és conhecedor de todos os deveres!'” "Bhishma disse, 'Os seguidores de Sankhya louvam o sistema Sankhya e aquelas pessoas regeneradas que são Yogins louvam o sistema Yoga. Para estabelecer a superioridade de seus respectivos sistemas, cada um qualifica seu próprio sistema como o melhor. Homens de sabedoria dedicados ao Yoga atribuem razões apropriadas e muito boas, ó opressor de inimigos, para mostrar que alguém que não que acredita na existência de Deus não pode alcançar a Emancipação. Aquelas pessoas regeneradas, também, que crêem nas doutrinas Sankhya expõem boas razões para mostrar que alguém, por adquirir conhecimento verdadeiro de todos os fins, se torna dissociado de todos os objetos mundanos, e, depois de sair deste corpo, isto é evidente, se torna emancipado e que isto não pode ser de outra maneira. Homens de grande sabedoria assim expuseram a filosofia Sankhya de Emancipação. Quando as razões estão assim equilibradas em ambos os lados, aquelas que são atribuídas àquele lado ao qual alguém está de alguma maneira inclinado a adotar como suas próprias, devem ser aceitas. De fato, aquelas palavras que são ditas naquele lado devem ser consideradas como benéficas. Bons homens podem ser encontrados em ambos os lados. Pessoas como tu podem adotar qualquer opinião. As evidências de Yoga são dirigidas à compreensão direta dos sentidos; aquelas de Sankhya são baseadas nas escrituras. Ambos os sistemas de filosofia são aprovados por mim, ó Yudhishthira. Ambos aqueles sistemas de ciência, ó rei, têm a minha colaboração e a daqueles que são bons e sábios. Se praticados devidamente de acordo com as instruções prescritas, ambos irão, ó rei, fazer uma pessoa alcançar o maior objetivo. Em ambos os sistemas a pureza é igualmente recomendada como também compaixão por todas as criaturas, ó impecável. Em ambos, também, o cumprimento de votos tem sido igualmente prescrito. Somente as escrituras indicam que seus caminhos são diferentes.'” "Yudhishthira disse, 'Se os votos, a pureza, a compaixão, e os frutos deles recomendados em ambos os sistemas são os mesmos, me diga, ó avô, por que razão então suas escrituras (em relação aos caminhos recomendados) não são as mesmas?'” "Bhishma disse, 'Por rejeitar, pela ajuda de Yoga, estes cinco defeitos, isto é, atração, negligência, afeição, luxúria, e ira, uma pessoa alcança a Emancipação. Como peixes grandes, rompendo a rede, passam para seu próprio elemento (para vagarem em felicidade), da mesma maneira os Yogins (atravessando luxúria e ira, etc.) vêm a ser purificados de todos os pecados e obtêm a bem-aventurança da Emancipação. Como animais poderosos, rompendo as redes nas quais os caçadores os enredaram, escapam para a alegria da liberdade, da mesma maneira os Yogins, livres de todos os laços, alcançam o caminho impecável que leva à Emancipação. Realmente, ó rei, rompendo os laços nascidos da cobiça, os Yogins, dotados de força, alcançam o caminho impecável e auspicioso e sublime da Emancipação. Animais fracos, ó monarca, envolvidos em redes, são sem dúvida destruídos. Tal é o caso com as pessoas desprovidas da força de Yoga. Como peixes fracos, ó filho de Kunti, caídos na rede, ficam envolvidos nela, assim mesmo, ó monarca, homens desprovidos da força de Yoga encontram a destruição (em meio aos laços do mundo). Como aves, ó castigador de inimigos, quando envolvidas nas redes finas dos caçadores de aves (se fracas) encontram com sua ruína, mas se dotadas de força efetuam sua fuga, da mesma maneira isto acontece com os Yogins, ó castigador de inimigos. Amarrados pelos laços da ação, aqueles que são fracos encontram com a destruição, enquanto aqueles que são possuidores de força os rompem. Um fogo pequeno e fraco, ó rei, se extingue quando troncos grandes de madeira são colocados sobre ele. Assim mesmo o Yogin que é fraco, ó rei, encontra a ruína (quando entra em contato com o mundo e suas atrações). O mesmo fogo, no entanto, ó monarca, quando ele se torna forte, queimaria (sem se extinguir) com a ajuda do vento, a Terra inteira. Da mesma maneira, o Yogin, quando crescido em força, queimando com energia, e possuidor de poder, é capaz de chamuscar o Universo inteiro como o Sol que se ergue no tempo da dissolução universal. Como um homem fraco, ó rei, é levado por uma correnteza, assim mesmo um Yogin é carregado sem auxílio pelos objetos dos sentidos. Um elefante resiste a uma correnteza poderosa. Da mesma maneira, um Yogin, tendo adquirido pujança-Yoga, resiste a todos os objetos dos sentidos. Independentes de todas as coisas, os Yogins, dotados de pujança-Yoga e dotados de domínio, entram (nos corações) dos próprios senhores da criação, dos Rishis, das divindades, e dos Grandes Seres no universo. Nem Yama, nem o Destruidor, nem a própria Morte de destreza terrível, quando zangados, alguma vez conseguem prevalecer sobre o Yogin, ó rei, que é possuidor de energia incomensurável. O Yogin, adquirindo pujança-Yoga, pode criar milhares de corpos e com eles vagar sobre a terra. Alguns entre eles desfrutam de objetos dos sentidos e então mais uma vez se dedicam à prática de penitências austeras, e mais uma vez, como o Sol (retraindo seus raios), se afastam de tais penitências. (Os exemplos de Viswamitra e outros podem ser citados neste caso.) O Yogin, que é possuidor de força e a quem vínculos não atam, certamente consegue alcançar a Emancipação. Eu agora te falei, ó monarca, sobre todos esses poderes de Yoga. Eu mais uma vez te falarei quais são os poderes sutis de Yoga com suas indicações. Cultive, ó chefe da linhagem de Bharata, as indicações sutis do Dharana e do Samadhi da Alma (tais como Yoga ocasiona). (Dharana é manter a alma em auto-reflexão, impedindo-a de vagar. Samadhi é a abstração completa.) Como um arqueiro que é cuidadoso e atento consegue atingir o alvo, assim mesmo o Yogin, com alma absorta, sem dúvida alcança a Emancipação. Como um homem fixando sua mente em um recipiente cheio de algum líquido (colocado sobre sua cabeça), sobe uma escada com cuidado, assim mesmo o Yogin, fixado e absorto em sua alma, a purifica e a faz tão refulgente quanto o Sol. Como um barco, ó filho de Kunti, que é lançado na superfície do mar é logo levado à outra margem por um barqueiro atento, assim mesmo o homem de conhecimento por fixar sua alma em Samadhi alcança a Emancipação, que é tão difícil de se alcançar, depois de rejeitar seu corpo, ó monarca. Como um cocheiro atento, ó rei, tendo unido bons corcéis (ao seu carro) leva o guerreiro em carro ao local que ele deseja, assim mesmo o Yogin, ó monarca, atento em Dharana, logo alcança o local mais elevado (isto é, Emancipação) como uma flecha disparada do arco alcançando o objeto visado. O Yogin que permanece imovelmente depois de ter introduzido seu eu na alma, destrói seus pecados e alcança aquele local indestrutível que é a propriedade daqueles que são justos. Aquele Yogin que, cumprindo atentamente votos superiores, une devidamente, ó rei, sua alma Jiva com a Alma sutil no umbigo, na garganta, na cabeça, no coração, no peito, nos lados, nos olhos, nos ouvidos, e no nariz, queima todas as suas ações boas e más mesmo de proporções como aquelas de montanhas, e tendo recorrido ao excelente Yoga, alcança a Emancipação.'” "Yudhishthira disse, 'Cabe a ti me dizer, ó avô, quais são os tipos de dieta que por serem adotados, e quais são as coisas por conquistar as quais, o Yogin, ó Bharata, adquire pujança-Yoga.'” "Bhishma continuou, 'Empenhado, ó Bharata, em subsistir de grãos quebrados de arroz e bolos saturados de gergelim, e se abstendo de óleo e manteiga, o Yogin adquire pujança-Yoga. Por subsistir por muito tempo de cevada em pó não misturada com qualquer substância líquida, e por se limitar a uma única refeição por dia, o Yogin de alma purificada obtém pujança-Yoga. Por beber somente água misturada com leite, primeiro somente uma vez durante o dia, então uma vez durante uma quinzena, então uma vez durante um mês, então uma vez durante três meses, e então uma vez durante um ano inteiro, o Yogin obtém pujança- Yoga. Por se abster totalmente de carne, ó rei, o Yogin de alma purificada adquire força. Por subjugar luxúria, e ira, e calor, e frio e chuva, e medo, e dor, e a respiração, e todos os sons que são agradáveis para os homens, e objetos dos sentidos, e a inquietude, tão difícil de conquistar, que nasce da abstenção do ato sexual, e a sede que é tão terrível, ó rei, e os prazeres do toque, e sono, e a procrastinação que é quase inconquistável, ó melhor dos reis, Yogins de grande alma, desprovidos de afeições, e possuidores de grande sabedoria, auxiliados por suas compreensões, e equipados com riqueza de contemplação e estudo, fazem a alma sutil permanecer manifestada em toda sua glória. Este caminho sublime (Yoga) de Brahmanas eruditos é extremamente difícil de se trilhar. Ninguém pode andar por este caminho com facilidade. Este caminho é como uma floresta terrível cheia de inúmeras cobras e bichos rastejantes, com buracos (ocultos) em todos os lugares, sem água para matar a sede, e cheia de espinhos, e inacessível por causa disso. De fato, o caminho de Yoga é como uma estrada ao longo da qual não há comestíveis, que corre por um deserto tendo todas as suas árvores queimadas em um incêndio, e que se tornou perigosa por ser infestada com bandos de ladrões. Muito poucos homens jovens podem passar com segurança por ela (para alcançar a meta). Como um caminho dessa natureza, poucos Brahmanas podem trilhar sozinhos o caminho-Yoga com facilidade e conforto. Aquele homem que, tendo se dirigido a este caminho, cessa de ir em frente (mas volta atrás depois de ter feito algum progresso), é considerado como culpado de muitos erros. Homens de almas purificadas, ó senhor da Terra, podem permanecer com facilidade em contemplação-Yoga, a qual é como o gume afiado de uma navalha. Pessoas de almas impuras, no entanto, não podem permanecer nela. Quando a contemplação-Yoga vem a ser perturbada ou obstruída de outra maneira, ela nunca pode levar o Yogin para um fim auspicioso assim como um barco sem capitão não pode levar os passageiros para a outra margem. Aquele homem, ó filho de Kunti, que pratica contemplação-Yoga segundo os ritos devidos, consegue rejeitar nascimento e morte, e felicidade e tristeza. Tudo isso que eu te disse tem sido declarado nos diversos tratados que têm relação com Yoga. Os maiores resultados de Yoga são vistos em pessoas da classe regenerada. Aquele fruto mais elevado é identificação com Brahma. O Yogin de grande alma, possuidor de grandeza, pode entrar e sair, à sua vontade, do próprio Brahma que é o senhor de todas as divindades, e de Vishnu concessor de benefícios, e de Bhava, e de Dharma, e de Kartikeya de seis faces, e dos filhos (espirituais) de Brahmana, da qualidade de Ignorância que produz muita dor, e daquela de Paixão, e daquela de Sattwa que é pura, e de Prakriti que é a mais elevada, e da deusa Siddhi que é a esposa de Varuna, e de todas as espécies de energia, e de toda paciência contínua, e do senhor brilhante das estrelas no firmamento com as estrelas cintilando por todos os lados, e dos Viswas, e das (grandes cobras), e dos Pitris, e de todas as montanhas e colinas, e dos oceanos grandes e terríveis, e de todos os rios, e das nuvens carregadas de chuvas, e das serpentes, árvores, e Yakshas, e dos pontos principais e secundários da bússola, e dos Gandharvas, e de todas as pessoas masculinas e de todas as femininas também. Este discurso, ó rei, que é relacionado com o Ser Supremo de energia imensa deve ser considerado como auspicioso. O Yogin tem Narayana como sua alma. Predominando sobre todas as coisas (por sua contemplação da Divindade Suprema), o Yogin de grande alma é capaz de criar todas as coisas.'" 302 Yudhishthira disse, 'Ó rei, tu expuseste devidamente para mim, da maneira que deve ser, o caminho de Yoga que é aprovado pelos sábios, do mesmo modo de um preceptor carinhoso para seu pupilo. Eu pergunto agora sobre os princípios da filosofia Sankhya. Fale-me sobre aqueles princípios em sua totalidade. Qualquer conhecimento que exista nos três mundos é conhecido por ti!'” "Bhishma disse, 'Ouça agora quais são os princípios sutis dos seguidores da doutrina Sankhya que tem sido estabelecida por todos os grandes e pujantes Yatis tendo Kapila como seu primeiro. Naquela doutrina, ó chefe de homens, não há erros que possam ser descobertos. Muitos, de fato, são seus méritos. Realmente, não há defeito nela. Compreendendo com a ajuda do conhecimento que todos os objetos existem com imperfeições, de fato, compreendendo aqueles objetos, tão difíceis de serem rejeitados, com os quais os seres humanos e Pisachas e Rakshasas e Yakshas e cobras e Gandharvas e Pitris e aqueles que estão vagando nas classes intermediárias de seres (tais como aves e animais) e grandes aves (tais como Garuda e outros) e os Maruts e sábios reais e sábios regenerados e Asuras e Viswedevas e os Rishis celestes e Yogins investidos com força suprema e os Prajapatis e o próprio Brahman estão ocupados, e entendendo realmente qual é o maior limite do período de existência de alguém neste mundo, e percebendo também a grande verdade, ó principal dos homens eloquentes, sobre o que é chamado de felicidade aqui, tendo um conhecimento claro de quais são as tristezas que surpreendem quando chega a hora, todas aquelas que estão ligadas com objetos (transitórios) e conhecendo perfeitamente bem as tristezas daqueles que decaíram para as classes de existência intermediárias e daqueles que caíram no inferno, percebendo todos os méritos e todas as imperfeições do céu, ó Bharata, e todos os deméritos que se ligam às declarações dos Vedas e todas as excelências que estão relacionados com elas, reconhecendo os defeitos e os méritos dos sistemas de filosofia Yoga e Sankhya, percebendo também que a qualidade de Sattwa tem dez propriedades (isto é, alegria, satisfação, entusiasmo, fama, justiça, contentamento, fé, sinceridade, generosidade, e domínio); que a de Rajas tem nove, (isto é, crença nas divindades, caridade ostentosa, prazer e tolerância de felicidade e tristeza, desunião, exibição de coragem e luxúria e ira, intoxicação, orgulho, malícia, e disposição para insultar); e que a de Tamas tem oito (inconsciência, estupefação, excesso de estupor, confusão da compreensão; cegueira de resultados, sono, negligência, e procrastinação); que a Compreensão tem sete propriedades (Mahat, consciência, e as cinco essências sutis), a Mente tem seis (a própria Mente e os cinco sentidos), e o Espaço tem cinco (espaço, água, ar, luz, e terra), e também concebendo que a Compreensão (de acordo com uma escola de filosofia diferente) tem quatro propriedades (dúvida, averiguação, orgulho, e memória) e Tamas tem três (inabilidade de compreensão, compreensão parcial, e compreensão totalmente errônea), e Rajas tem dois (inclinação para agir e tristeza) e Sattwa tem um (a Iluminação), e realmente compreendendo o caminho que é seguido por todos os objetos quando a destruição os alcança e qual é a direção do autoconhecimento, os Sankhyas, possuidores de conhecimento e experiência e exaltados por suas percepções de causas, e adquirindo perfeita ventura, obtêm a felicidade da Emancipação como os raios do Sol, ou o Vento tomando refúgio no Espaço. A visão é ligada à forma; o sentido de olfato ao cheiro, o ouvido ao som, a língua aos sucos, e a pele (ou corpo) ao toque. O vento tem o Espaço como seu refúgio. O estupor tem Tamas (Escuridão) como seu refúgio. A cobiça tem os objetos dos sentidos como seu refúgio. Vishnu está ligado (aos órgãos de) movimento. Sakra está ligado (aos órgãos de) força. A divindade do fogo está ligada ao estômago, a Terra está ligada às Águas. As Águas têm Calor (ou fogo) como seu refúgio. O Calor se liga ao Vento; e o Vento tem o Espaço como seu refúgio; e o Espaço tem Mahat como seu refúgio, e Mahat tem a Compreensão como sua fundação. A Compreensão tem seu refúgio em Tamas; Tamas tem Rajas como seu refúgio; Rajas está fundado sobre Sattwa; e Sattwa está ligado à Alma. A Alma tem o glorioso e pujante Narayana como seu refúgio. Aquela divindade gloriosa tem a Emancipação como seu refúgio. A Emancipação é independente de todos os refúgios. Sabendo que este corpo, que é dotado de dezesseis posses, é o resultado da qualidade de Sattwa, entendendo completamente a natureza do organismo físico e o caráter do Chetana que mora dentro dele, reconhecendo o único Ser existente que vive no corpo, isto é, a Alma, a qual permanece à distância de todos os assuntos do corpo e a qual nenhum pecado pode vincular, percebendo a natureza daquele segundo objeto, isto é, as ações de pessoas apegadas aos objetos dos sentidos, compreendendo também o caráter dos sentidos e dos objetos sensuais que têm seu refúgio na Alma, apreciando a dificuldade da Emancipação e as escrituras que têm relação com isto, conhecendo totalmente a natureza dos ares vitais chamados Prana, Apana, Samana, Vyana,e Udana, como também os dois outros ares, isto é, o que se move para baixo e o outro que se move para cima, de fato, conhecendo aqueles sete ares ordenados para realizarem sete diferentes funções, averiguando a natureza dos Prajapatis e dos Rishis e dos caminhos superiores, muitos em número, da virtude ou justiça, e dos sete Rishis e dos inúmeros Rishis reais, ó opressor de inimigos, e dos grandes Rishis celestes e dos outros Rishis regenerados dotados da refulgência do Sol, vendo todos estes decaindo de sua pujança no decorrer de muitas longas eras, ó monarca, sabendo da destruição mesmo de todos os seres poderosos no universo, compreendendo também o fim inauspicioso que é alcançado, ó rei, por criaturas de ações pecaminosas, e as misérias suportadas por aqueles que caem dentro do rio Vaitarani nos reinos de Yama, e as viagens inauspiciosas das criaturas através de diversos úteros, e o caráter de sua residência nos úteros profanos em meio à sangue e água e fleuma e urina e fezes, todos de cheiro desagradável, e então em corpos que resultam da união de sangue e da semente vital, de medula e tendões, cheios de centenas de nervos e artérias e formando uma mansão impura de nove portas, compreendendo também que aquelas diversas combinações são para o seu próprio bem, as quais são produtivas de bem; vendo a conduta abominável de criaturas cujas naturezas são caracterizadas por Ignorância ou Paixão ou Bondade, ó chefe da linhagem de Bharata, conduta que é repreendida, devido à sua incapacidade de alcançar a Emancipação, pelos seguidores da doutrina Sankhya que são totalmente conhecedores da Alma, vendo o Sol e a Lua sendo engolidos por Rahu, a queda de estrelas de suas posições fixas e os desvios de constelações de suas órbitas, conhecendo a triste separação de todos os objetos unidos e o comportamento diabólico de criaturas ao devorarem umas às outras, vendo a ausência de toda inteligência na infância dos seres humanos e a deterioração e destruição do corpo, notando a pequena ligação que as criaturas têm com a qualidade de Sattwa por serem dominadas por ira e estupor, vendo também somente um entre milhares de seres humanos resolvido a lutar pela obtenção de Emancipação, entendendo a dificuldade de se alcançar a Emancipação de acordo com o que é declarado nas escrituras, vendo a preocupação marcante que as criaturas manifestam por todos os objetos não alcançados e sua comparativa indiferença por todos os objetos que foram alcançados, notando a maldade que resulta de todos os objetos dos sentidos, ó rei, e os corpos repulsivos, ó filho de Kunti, de pessoas privadas de vida, e a residência, sempre repleta de aflição, de seres humanos, ó Bharata, em casas (no meio de cônjuges e filhos), conhecendo o fim daqueles homens terríveis e decaídos que se tornaram culpados de matar Brahmanas, e daqueles Brahmanas pecaminosos que são viciados em beber estimulantes alcoólicos, e o fim igualmente triste daqueles que se tornam criminalmente ligados às esposas de seus preceptores, e daqueles homens, ó Yudhishthira, que não reverenciam devidamente suas mães, como também daqueles que não têm reverência e culto para oferecer às divindades, compreendendo também, com a ajuda daquele conhecimento (que sua filosofia concede), o fim de todos os perpetradores de atos perversos, e os diversos fins que alcançam aqueles que tomaram nascimento entre as classes intermediárias, averiguando as diversas declarações dos Vedas, o curso das estações, a passagem dos anos, dos meses, das quinzenas, e dos dias, vendo diretamente o crescimento e a diminuição da Lua, vendo a elevação e a baixa dos mares, e a diminuição de riqueza e seu aumento novamente, e a separação de objetos unidos, o lapso de Yugas, a destruição de montanhas, a secagem de rios, a deterioração (da pureza) das várias classes e o fim também daquela deterioração ocorrendo repetidamente, vendo o nascimento, velhice, morte, e tristezas de criaturas, conhecendo verdadeiramente os defeitos ligados ao corpo e as tristezas às quais os seres humanos estão sujeitos, e as vicissitudes às quais os corpos das criaturas estão sujeitos, e compreendendo todas as imperfeições que se vinculam às suas próprias almas, e também todas as imperfeições inauspiciosas que se ligam aos seus próprios corpos (os seguidores da filosofia Sankhya conseguem alcançar a Emancipação).’” "Yudhishthira disse, 'Ó tu de energia incomensurável, quais são aquelas imperfeições que tu vês que se ligam ao corpo de alguém? Cabe a ti me esclarecer esta dúvida completamente e verdadeiramente.'” "Bhishma disse, 'Ouça, ó matador de inimigos! Os Sankhyas ou seguidores de Kapila, que são familiarizados com todos os caminhos e dotados de sabedoria, dizem que há cinco imperfeições, ó pujante, no corpo humano. Elas são Desejo e Ira e Medo e Sono e Respiração. Essas imperfeições são vistas nos corpos de todas as criaturas incorporadas. Aqueles que são dotados de sabedoria cortam a raiz da ira com a ajuda do Perdão. O Desejo é removido pela rejeição de todos os propósitos. Pelo cultivo da qualidade de Bondade (Sattwa) o Sono é conquistado, e o Medo é conquistado pelo cultivo de Atenção. A Respiração é conquistada por moderação de dieta, ó rei. Realmente compreendendo os gunas pela ajuda de centenas de gunas, centenas de imperfeições, e diversas causas por centenas de causas, averiguando que o mundo é como a espuma da água, envolvido por centenas de ilusões fluindo de Vishnu, como um edifício pintado, e tão insubstancial quanto um junco, vendo que ele é (tão terrível quanto) uma cova escura, ou tão irreal quanto bolhas de água, pois os anos que compõem sua idade são tão efêmeros (comparados à duração da eternidade) quanto bolhas, vendo-o exposto à destruição imediata, desprovido de felicidade, tendo ruína incontestável como seu fim e da qual ele nunca pode escapar, afundado em Rajas e Tamas, e totalmente desamparado como um elefante afundado em lama, notando tudo isso, os Sankhyas, ó rei, dotados de grande sabedoria, rejeitando todas as afeições provenientes de seus relacionamentos com seus filhos, pela ajuda, ó rei, daquele conhecimento extenso e universal que seu sistema advoga e liquidando rapidamente, com a arma de conhecimento e a maça de penitências, ó Bharata, todos os vestígios inauspiciosos nascidos de Rajas, e todos os vestígios de natureza similar resultantes de Tamas, e todos os vestígios auspiciosos que surgem de Sattwa e todos os prazeres do tato (e dos outros sentidos) nascidos das mesmas três qualidades e inerentes ao corpo, de fato, ó Bharata, ajudados pelo Yoga do conhecimento, aqueles Yatis coroados com êxito cruzam o Oceano da vida. Aquele Oceano tão terrível tem tristeza como suas águas. Ansiedade e dor constituem seus lagos profundos. Doença e morte são seus jacarés gigantescos. Os grandes temores que afligem o coração a cada passo são suas cobras enormes. Os atos inspirados por Tamas são suas tartarugas. Aqueles inspirados por Rajas são seus peixes. A Sabedoria constitui a balsa para atravessá-lo. As afeições nutridas por objetos dos sentidos são sua lama. A decrepitude constitui sua região de dor e dificuldade. ('Durga' é uma região inacessível tal como uma floresta ou deserto que não pode ser atravessada exceto com grande dor e perigo.) O conhecimento, ó castigador de inimigos, é sua ilha. Ações constituem sua grande profundidade. Verdade é suas margens. Observâncias virtuosas constituem as ervas verdejantes flutuando em sua superfície. A inveja constitui sua correnteza rápida e poderosa. Os diversos sentimentos do coração constituem suas minas. Os diversos tipos de satisfação são suas pedras preciosas valiosas. Aflição e febre são seus ventos. Miséria e sede são seus redemoinhos poderosos. Doenças dolorosas e fatais são seus elefantes enormes. O conjunto de ossos é sua escada, e muco é sua espuma. Doações são suas margens peroladas. Os lagos de sangue são seus corais. Riso alto constitui seus bramidos. Diversas ciências são sua intransitabilidade. Lágrimas são sua salmoura. Renúncia à companhia constitui o maior refúgio (daqueles que procuram cruzá-lo). Filhos e cônjuges são suas inúmeras sanguessugas. Amigos e parentes são as cidades e municípios em suas margens. Abstenção de ferir e Verdade são sua linha divisória. Morte é sua onda de tempestade. O conhecimento de Vedanta é sua ilha (capaz de proporcionar abrigo para aqueles que são lançados sobre suas águas). Atos de compaixão em direção a todas as criaturas constituem suas bóias salva-vidas (no caso desse país jarros de água são usados como bóias), e Emancipação é a mercadoria inestimável oferecida para aqueles que viajam em suas águas à procura de comércio. Como seu arquétipo real com sua cabeça equina expelindo chamas de fogo, este oceano também tem seus terrores ígneos. Tendo transcendido a obrigação, que é tão difícil de transcender, de residir dentro do corpo grosseiro, os Sankhyas entram no espaço puro. Surya então carrega, com seus raios, aqueles homens justos que são praticantes das doutrinas Sankhya, como as fibras do caule do lótus transportando água para a flor para a qual eles todos convergem. Surya, absorvendo todas as coisas do universo, as transporta para aqueles homens sábios e bons. (Por praticarem a doutrina Sankhya os homens cessam de ter alguma consideração por seus corpos grosseiros. Eles conseguem perceber sua existência como independente de todos os objetos terrenos ou celestiais. O que se quer dizer pelo Sol carregando-os em seus raios e transportando para eles todas as coisas de todas as partes do universo é que aqueles homens obtém grande pujança. Esta não é a pujança de Yoga mas do conhecimento. Tudo sendo considerado como insubstancial e transitório, a própria posição de Indra, ou de Brahman é considerada como indigna de aquisição. Convicção sincera desse tipo e o rumo de conduta que é correspondente a ela é literalmente pujança no tipo mais elevado, pois todos os propósitos da pujança podem ser cumpridos por meio disso.) Lá, com afeições todas destruídas, possuidores de energia, dotados de riqueza de penitências, e coroados com sucesso, aqueles Yatis, ó Bharata, são levados por aquele vento que é sutil, refrescante, fragrante, e delicioso para o toque, ó Bharata! Realmente, aquele vento que é o melhor dos sete ventos, e que sopra em regiões de grande bem-aventurança, os leva, ó filho de Kunti, para aquele que é o maior fim no espaço. (Isto é aceito como significando que os Sankhyas são transportados para o firmamento do coração.) Então o espaço para o qual eles são levados, ó monarca, os transporta ao maior fim de Rajas, (os prazeres do céu). Rajas então os leva ao maior fim de Sattwa. Sattwa então os leva, ó tu de alma pura, ao Supremo e pujante Narayana. O pujante Narayana de grande alma finalmente, por si mesmo, os leva à Alma Suprema. Tendo alcançado a Alma Suprema, aquelas pessoas imaculadas que (nesse meio tempo) se tornaram o corpo do (que é citado), alcançam a imortalidade, e eles nunca têm que voltar posteriormente daquela posição, ó rei! Aquele é o fim mais elevado, ó filho de Pritha, que é alcançado por aqueles homens de grande alma que transcenderam a influência de todos pares de opostos.'" Yudhishthira disse, 'Ó impecável, aquelas pessoas de votos firmes, depois que eles alcançaram aquela posição excelente que é repleta de pujança e felicidade, têm alguma recordação de suas vidas incluindo nascimento e morte? Cabe a ti me falar devidamente qual é a verdade a este respeito, ó tu da linhagem de Kuru. Eu não acho apropriado questionar ninguém mais além de ti! Observando as escrituras que tratam de Emancipação, eu acho essa grande falha no assunto, (pois certas escrituras sobre o tópico declaram que a consciência desaparece no estado emancipado, enquanto outras escrituras declaram o próprio inverso disso). Se, tendo alcançado aquele estado superior, os Yatis continuam a viver em consciência, parecerá, ó rei, que a religião de Pravritti é superior. Se, além disso, a consciência desaparece do estado emancipado e alguém que se tornou emancipado somente parece com uma pessoa mergulhada em sono sem sonhos, então nada pode ser mais impróprio do que dizer que não há realmente consciência na Emancipação, (pois tudo o que acontece no sono sem sonhos é que a consciência de alguém está temporariamente obscurecida e suspensa, mas nunca perdida, pois ela volta quando ele desperta daquele sono).'” (A pergunta de Yudhishthira parece ser esta. Há ou não há consciência no estado emancipado? Diferentes escrituras respondem esta questão diferentemente. Se for dito que há consciência naquele estado, então por que descartar o céu e seus prazeres, ou religião de Pravritti ou ações a qual leva àqueles prazeres? Onde está a necessidade da religião e Nivritti ou abstenção de todas as ações? Na suposição de haver consciência no estado emancipado, a religião de Pravritti seria considerada como superior. Se, por outro lado, a existência de consciência fosse negada, isto seria um erro.) "Bhishma disse, 'Embora possa ser difícil responder a isso, a pergunta que tu fizeste, ó filho, é apropriada. Na verdade, a pergunta é de tal tipo que até aqueles que possuem grande erudição ficam confusos ao respondê-la, ó chefe da linhagem de Bharata. Apesar disso, ouça qual é a verdade como explicada por mim. Os seguidores de grande alma de Kapila têm fixado seu discernimento superior neste ponto. Os sentidos de conhecimento, ó rei, plantados nos corpos de criaturas incorporadas, são empregados em suas respectivas funções de percepção. Eles são os instrumentos da Alma, pois é através deles que aquele Ser sutil percebe. Separados da Alma, os sentidos são como pedaços de madeira, e são sem dúvida, destruídos (em relação às funções que eles servem) como a espuma que é vista na superfície do oceano. Quando a criatura incorporada, ó opressor de inimigos, cai no sono junto com seus sentidos, a Alma sutil então vaga entre todos os objetos como o vento através do espaço. A Alma sutil, durante o sono, continua a ver (todas as formas) e a tocar todos os objetos de toque, ó rei, e ocupada em outras percepções, assim como quando ela está desperta. Por sua incapacidade de agir sem seu diretor, os sentidos, durante o sono, se extinguem todos em seus respectivos lugares (e perdem seus poderes) como cobras privadas de veneno. Em tais momentos, a Alma sutil, dirigindo-se para o respectivo lugar de todos os sentidos, sem dúvida, cumpre todas as suas funções. (Pois a Alma, em sonhos, vê e ouve e toca e cheira etc., precisamente como ela faz quando acordada.) Todas as qualidades de Sattwa, todos os atributos da Compreensão, ó Bharata, como também aqueles da Mente, e Espaço, e Vento, ó tu de alma justa, e todos os atributos de substâncias líquidas, de Água, ó Partha, e de Terra, esses sentidos com essas qualidades, ó Yudhishthira, que são inerentes às almas-Jiva, junto com a própria Alma Jiva, são dominados pela Alma Suprema ou Brahma. As ações também, boas e más, oprimem aquela alma-Jiva. Como discípulos servindo seu preceptor com reverência, quando os sentidos também servem à alma-Jiva que transcende Prakriti, ela alcança Brahma que é imutável, que é o mais sublime, que é Narayana, e que está além de todos os pares de opostos, e que transcende Prakriti. Livre de mérito e demérito, a alma-Jiva entrando na Alma Suprema que é desprovida de todos os atributos, e que é o lar de toda ventura, não retorna de lá, ó Bharata. O que resta, ó filho, é a mente com os sentidos, ó Bharata. Estes têm para voltar mais uma vez na época estabelecida para cumprirem a ordem de seu grande mestre. (A pessoa que se torna emancipada nesta vida se torna assim em Samadhi, mas quando o estado de Samadhi termina, sua mente e sentidos retornam; e retornando eles cumprem a ordem do Supremo, isto é, ocasionam felicidade e miséria, as quais, naturalmente, são as consequências das ações de vidas passadas, embora aquela felicidade e miséria não sejam sentidas.) Logo depois, ó filho de Kunti, (quando este corpo é rejeitado) o Yati que se esforça pela Emancipação, dotado como ele é de conhecimento e desejoso como ele é de Guna, consegue obter aquela Paz da Emancipação a qual é daquele que se torna incorpóreo. (Há dois tipos de Emancipação: uma é obtenível aqui, neste corpo, ela é Jivan-mukti; a outra é Videha-kaivalya ou aquela que vem a ser de alguém quando ele está sem corpo.) Os Sankhyas, ó rei, são dotados de grande sabedoria. Eles conseguem alcançar o fim sublime por meio desse tipo de conhecimento. Não há conhecimento que seja igual a este. Não ceda a qualquer tipo de dúvida. O conhecimento que é descrito no sistema dos Sankhyas é considerado como o mais elevado. Aquele conhecimento é imutável e é eternamente seguro. Ele é Brahma eterno em plenitude. Ele não tem começo, meio e fim. Ele transcende todos os pares de opostos. Ele é a causa da criação do universo. Ele permanece em plenitude. Ele não tem qualquer tipo de deterioração. Ele é uniforme e eterno. Dessa maneira seus louvores são cantados pelos sábios. Dele fluem criação e destruição e todas as modificações. Os grandes Rishis falam dele e o louvam nas escrituras. Todos os Brahmanas eruditos e todos os homens justos o consideram como fluindo de Brahma, Supremo, Divino, Infinito, Imutável, e Imorredouro. Todos os Brahmanas também que são apegados aos objetos dos sentidos o adoram e louvam por atribuírem a ele atributos que pertencem à ilusão. (Tais homens cantam seus louvores por considerá-lo como a Divindade Suprema possuidora de atributos. Aqueles atributos, naturalmente, são o resultado de ilusão, pois em sua real natureza não pode haver atributos em Brahma.) O mesmo é o ponto de vista de Yogins observadores de penitências e meditação e de Sankhyas de discernimento incomensurável. Os Srutis declaram, ó filho de Kunti, que a forma de filosofia Sankhya é a forma daquele Informe uno. As cognições (segundo aquela filosofia), ó chefe da linhagem de Bharata, têm sido citadas como sendo o conhecimento de Brahma. (Brahma é conhecimento sem dualidade, isto é, conhecimento sem a consciência de conhecedor e conhecido. O conhecimento ou cognição de um objeto, quando o objeto é aniquilado, assume a forma daquele conhecimento que é chamado de Brahma.)’” "Há dois tipos de criaturas na Terra, ó senhor da Terra, isto é, as móveis e as imóveis. Destas aquelas que são móveis são superiores. Aquele conhecimento sublime, ó rei, que existe nas pessoas conhecedoras de Brahma, e aquele que se encontra nos Vedas, e aquele que é encontrado em outras escrituras, e aquele em Yoga, e aquele que pode ser visto nos diversos Puranas, são todos, ó monarca, para serem encontrados na filosofia Sankhya. (O comentador explica que o objetivo deste verso é mostrar que entre criaturas móveis aquelas dotadas de conhecimento são superiores, e entre todos os tipos de conhecimento, o conhecimento que se acha no sistema Sankhya é superior.) Qualquer conhecimento que é visto existir em grandes histórias, qualquer conhecimento que se ache, ó rei, nas ciências relativas à aquisição de riqueza como aprovadas pelos sábios, qualquer outro conhecimento que exista neste mundo, todos estes fluem, ó monarca de grande alma, do grande conhecimento que se acha entre os Sankhyas. Tranquilidade de alma, pujança superior, todo o conhecimento sutil do qual as escrituras falam, penitências de força sutil, e todos os tipos de felicidade, ó rei, foram todos devidamente ordenados no sistema Sankhya. Fracassando em adquirir, ó filho de Pritha, aquele conhecimento completo que é recomendado por seu sistema, os Sankhyas alcançam a posição de divindades e passam muitos anos em bem-aventurança. Dominando os celestiais como eles querem, eles caem, após o término do período concedido, entre Brahmanas e Yatis eruditos. (Isto é, se por causa de algum defeito na prática ou Sadhana, os Sankhyas fracassam em obter Emancipação, eles pelo menos vêm a ser transformados em deuses.) Rejeitando este corpo, aqueles regenerados que seguem o sistema Sankhya entram naquele estado superior de Brahma como os celestiais entrando no firmamento por se devotarem completamente àquele sistema encantador que é deles e que é adorado por todos os homens sábios. Aquelas pessoas regeneradas que são dedicadas à aquisição daquele conhecimento o qual é recomendado no sistema Sankhya, mesmo que elas fracassem em obter eminência, nunca são vistas caírem entre criaturas intermediárias, ou caírem para a posição de homens pecaminosos. Aquela pessoa de grande alma que conhece completamente aquele sistema Sankhya vasto, sublime, antigo, semelhante ao oceano, e incomensurável que é puro e bondoso e agradável, se torna, ó rei, igual a Narayana. Eu agora te disse, ó deus entre homens, a verdade sobre o sistema Sankhya. Ele é a encarnação de Narayana, do universo como ele existe desde o tempo mais remoto, (isto é, ele é tudo). Quando chega o tempo da Criação, Ele faz a Criação a começar a existir, e quando chega o tempo da destruição, Ele consome tudo. Tendo recolhido tudo dentro de seu próprio corpo ele vai dormir, aquela Alma interna do universo.'" (Aquele Narayana que faz tudo isso é a encarnação do sistema Sankhya). 303 "Yudhishthira disse, 'O que é aquilo que é chamado de Indeteriorável e por alcançar ao qual ninguém tem que voltar? O que, também, é aquilo que é chamado de Deteriorável, e por alcançar o qual alguém tem que voltar uma vez mais? Ó matador de inimigos, eu te pergunto a diferença que existe, ó tu de braços poderosos, entre o Deteriorável e o Indeteriorável para compreendê-los realmente. Ó encantador dos Kurus, Brahmanas conhecedores dos Vedas falam de ti como um Oceano de conhecimento. Rishis altamente abençoados e Yatis de grandes almas fazem o mesmo. Tu tens muito poucos dias de vida. Quando o Sol voltar do caminho do sul para entrar no do norte, tu alcançarás teu fim sublime. Quando tu nos deixares, de quem nós ouviremos a respeito de tudo o que benéfico para nós? Tu és a lâmpada da família de Kuru. De fato tu estás sempre brilhando com a luz do conhecimento. Ó perpetuador da linhagem de Kuru, eu desejo, portanto, ouvir tudo isso de ti. Escutando aos teus discursos que são sempre doces como néctar, minha curiosidade, sem ser saciada, está sempre aumentando!'” "Bhishma disse, 'Eu irei, em relação a isto, te contar a velha narrativa da conversa que ocorreu entre Vasishtha e o rei Karala da linhagem de Janaka. Uma vez quando aquele principal dos Rishis, isto é, Vasishtha, dotado da refulgência do Sol, estava sentado à vontade, o rei Janaka o questionou acerca daquele conhecimento mais elevado que é para o nosso bem supremo. Altamente competente naquele departamento de conhecimento que é relacionado com a Alma e possuidor de conclusões certas a respeito de todos os ramos daquela ciência, como Maitravaruni, aquele principal dos Rishis estava sentado quando o rei se aproximou dele com mãos unidas, e perguntou em palavras humildes, bem pronunciadas e gentis e desprovidas de todo espírito controverso, a questão: ‘Ó santo, eu desejo saber a respeito do Brahma Supremo e Eterno por alcançar o qual homens de sabedoria não têm que voltar. Eu desejo também conhecer aquilo que é chamado de Destrutível e Aquilo no qual este universo entra quando destruído. De fato, o que é Aquilo que é citado como sendo indestrutível, auspicioso, benéfico e livre de mal de todo tipo?’” "Vasishtha disse, ‘Ouça, ó senhor da Terra, como este universo é destruído, e, Aquilo que nunca foi destruído e que nunca será destruído em qualquer tempo. Doze mil anos, (de acordo com a medida dos celestiais), fazem um Yuga, quatro de tais Yugas tomados mil vezes fazem um Kalpa que mede um dia de Brahman. A noite de Brahman também, ó rei, tem a mesma medida. Quando o próprio Brahman é destruído (Mahapralaya), Sambhu de alma informe e a quem os atributos Yoga de Anima, Laghima, etc., são naturalmente inerentes, desperta, e mais uma vez cria aquela Primeira ou Mais Velha de todas as criaturas, possuidora de proporções vastas, de atos infinitos, dotada de forma, e identificável com o universo. Aquele Sambhu também é chamado de Isana (o senhor de tudo). Ele é Refulgência pura, e transcende toda deterioração, tendo suas mãos e pés estendidos em todas as direções, com olhos e cabeça e boca em todos os lugares, e com ouvidos também em todos os lugares. Aquele Ser existe, dominando o universo inteiro. O Ser primogênito é chamado de Hiranyagarbha. Este santo tem sido chamado de Compreensão (no Vedanta). Nas escrituras Yuga Ele é chamado de Grandioso, e Virinchi, e Não-Nascido. Nas escrituras Sankhya, Ele é indicado por diversos nomes, e considerado como tendo o Infinito como sua Alma. De diversas formas e constituindo a alma do universo, Ele é considerado como Único e Indestrutível. Os três mundos de ingredientes infinitos têm sido criados por Ele sem ajuda de qualquer fonte e têm sido subjugados por Ele. Por Suas formas múltiplas, Ele é citado como sendo de forma universal. Sofrendo modificações Ele cria a Si Mesmo por Si Mesmo. Dotado de energia imensa, Ele primeiro cria a Consciência e aquele Grande Ser chamado Prajapati dotado de Consciência. O Manifesto (ou Hiranyagarbha) é criado do Imanifesto. Isto é chamado pelos eruditos de a Criação do Conhecimento. A criação de Mahan (ou Virat) e Consciência, por Hiranyagarbha, é a criação da Ignorância. Imputação de atributos (dignos de culto) e a destruição deles, chamadas respectivamente pelos nomes de Ignorância e Conhecimento por pessoas instruídas pela interpretação dos Srutis, então surgiram, se referindo a isto, aquilo, ou aos outros três (isto é, Akshara, Hiranyagarbha, ou Virat). (Aqui diz que de Akshara surgiu Hiranyagarbha; de Hiranyagarbha surgiu Virat. Isto, aquilo e o outro são reverenciados por homens comuns, enquanto pessoas possuidoras de discernimento verdadeiro não envolvem nenhum deles com atributos dignos de culto. O orador diz que a imputação de tributos, chamada Ignorância, e a não- atribuição para destruição daquelas imputações chamada Conhecimento, (com relação a Virat ou Hiranyagarbha ou Akshara) então surgiram. Pode ser questionado que quando não havia homens naquele momento para cultuar ou condenar tal culto, como os dois poderiam surgir? A resposta é que os dois, em suas formas sutis, vieram à existência e foram posteriormente utilizados pelos homens quando os homens vieram a existir.) Saiba, ó rei, que a criação dos elementos (sutis) da consciência é a terceira. (De Akshara ou o Indestrutível é Hiranyagarbha. De Hiranyagarbha é Mahan ou Virat e Consciência. Do último são os elementos sutis.) Em todos os tipos de consciência está a quarta criação que flui por modificação da terceira. Esta quarta criação compreende Vento e Luz e Espaço e Água e Terra, com suas propriedades de som, toque, forma, gosto e cheiro. Este agregado de dez surgiu, sem dúvida, ao mesmo tempo. A quinta criação, ó monarca, é aquela que resulta da combinação dos elementos primordiais (citados acima). Isto inclui o ouvido, a pele, os olhos, a língua, e o nariz formando o quinto, e a fala, e as duas mãos, e as duas pernas, e o ducto inferior, e os órgãos de geração. Os primeiros cinco destes constituem os órgãos de conhecimento, e os últimos cinco os órgãos de ação. Todos estes, com a mente, surgiram simultaneamente, ó rei. Estes constituem os vinte e quatro princípios que existem nas formas de todas as criaturas vivas. Por compreender estes corretamente, Brahmanas possuidores de discernimento da verdade nunca têm que ceder à tristeza. Nos três mundos uma combinação destes, chamada corpo, é possuída por todas as criaturas incorporadas. De fato, ó rei, uma combinação destes é conhecida como tal em divindades e homens e Danavas, e Yakshas e espíritos e Gandharvas e Kinnaras e grandes cobras, e Charanas e Pisachas, em Rishis celestes e Rakshasas, em insetos mordentes, e vermes, e mosquitos, e bichos nascidos da sujeira e ratos, e cachorros e Swapakas e Chaineyas e Chandalas e Pukkasas, em elefantes e corcéis e jumentos e tigres, e árvores e vacas. Quaisquer outras criaturas que existam na água ou espaço ou na terra, pois não há outro lugar no qual criaturas existam como nós temos ouvido, têm esta combinação. Todos estes, ó majestade, incluídos dentro da classe chamada de Manifesto, são vistos serem destruídos dia após dia. Por isso, todas as criaturas produzidas por união destes vinte e quatro são citadas como sendo destrutíveis.’” "Isto então é o Indestrutível. E já que o universo, o qual é composto de Manifesto e Imanifesto, encontra com a destruição, portanto, ele é citado como Destrutível. O próprio Ser chamado Mahan que é o primogênito é sempre citado como um exemplo do Destrutível. Eu agora te disse, ó monarca, tudo o que tu me perguntaste. Transcendendo os vinte e quatro princípios já aludidos há o vigésimo quinto chamado Vishnu. Vishnu, pela ausência de todos os atributos, não é um objeto (de conhecimento) embora como aquele que permeia todos os objetos, ele é chamado assim pelos sábios. Já que aquilo que é destrutível tem causado tudo isso que é Manifesto, portanto, tudo isso é dotado de forma. Os vinte e quatro, que são Prakriti, são citados como presidindo sobre tudo isso (que surgiu das modificações dela). O vigésimo quinto, que é Vishnu, é informe e, portanto, não pode ser citado como presidindo sobre o universo. (Prakriti deve ser citada como sendo a Adhishthatri do universo. Vishnu não é assim. Vishnu, Brahma, Akshara, ou o Destrutível, no entanto, é citado como cobrindo ou permeando o universo (vyapnoti). Vishnu é Vyapka mais não Adhishthatri.) É aquele Imanifesto (Prakriti), que, quando dotado de corpo (em consequência de união com Chit), mora nos corações de todas as criaturas dotadas de corpo. Com relação ao eterno Chetana (o Indestrutível), embora ele seja sem atributos e sem forma, contudo ele (por uma união com Prakriti) assume todas as formas. Unindo-se com Prakriti que tem os atributos de nascimento e morte, ele também assume os atributos de nascimento e morte. E por causa de tal união ele se torna um objeto de percepção e embora realmente desprovido de todos os atributos ainda assim ele vem a ser investido com eles. É dessa maneira que a Alma-Mahan (Hiranyagarbha), tornando-se unido com Prakriti e envolvido com Ignorância, sofre modificações e se torna consciente de Si Mesmo. Unindo-se com os atributos de Sattwa e Rajas e Tamas, ele vem a ser identificado com diversas criaturas pertencentes a diversas classes de Existência, em consequência de seu esquecimento e de servir à Ignorância. Por seu nascimento e destruição resultantes do fato de ele residir com Prakriti, ele acha que ele mesmo não é outro a não o que ele aparentemente é. Considerando- se como isto ou aquilo, ele segue os atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Sob a influência de Tamas, ele alcança diversos tipos de condições que são afetadas por Tamas. Sob a influência de Rajas e Sattwa, ele obtém similarmente condições que são afetadas por Rajas e Sattwa. Há três cores em tudo, isto é, Branca, Vermelha, e Preta. Todas essas cores pertencem à Prakriti (de modo que é Ele que se torna Branco ou Vermelho ou Preto de acordo com a natureza da Prakriti com a qual Ele se identifica no momento). Por Tamas alguém vai para o inferno. Por Rajas alguém alcança e permanece na posição de humanidade. Por Sattwa, as pessoas ascendem para as regiões das divindades e se tornam participantes de grande bem-aventurança. Por aderir ao pecado repetidamente uma pessoa cai para a classe intermediária de seres. Por agir justamente e pecaminosamente alguém alcança a posição das divindades. Dessa maneira os vinte e cinco, isto é, Akshara (o Indestrutível), os sábios dizem, por união com o imanifesto (Prakriti), vem a ser transformado em Kshara (destrutível). Por meio do conhecimento, no entanto, o Indestrutível é revelado em Sua natureza verdadeira." 304 "'Vasishtha disse, 'Assim por causa de seu esquecimento a Alma segue a ignorância e obtém milhares de corpos um depois do outro. Ela obtém milhares de nascimentos entre as classes intermediárias e às vezes entre os próprios deuses por sua união com atributos (específicos) e da força dos atributos. Da posição de humanidade, ela vai para o céu e do céu ela volta para a humanidade, e da humanidade ela cai para o inferno por muitos longos anos. Como a lagarta que fabrica o casulo fecha a si mesma completamente por todos os lados por meio dos fios que ela mesma tece, assim mesmo a Alma, embora na verdade transcendendo todos os atributos, se envolve com atributos por todos os lados (e se priva de liberdade). Embora transcendendo (em sua real natureza) felicidade e miséria, é dessa maneira que ela se sujeita à felicidade e à miséria. É assim também que, embora transcendendo todas as doenças, a Alma se considera como sendo afligida por dor de cabeça e oftalmia e dor de dente e afecções da garganta e hidropisia abdominal, e sede ardente, e ampliação das glândulas, e cólera, e vitiligo, e lepra, e queimações, e asma e tuberculose pulmonar, e epilepsia, e quaisquer outras doenças de diversos tipos que são vistas nos corpos das criaturas incorporadas. Considerando-se, por erro, como nascida entre milhares de criaturas nas classes de seres intermediários, e às vezes entre os deuses, ela suporta miséria e desfruta dos resultados de suas boas ações. Envolvida pela Ignorância ela se considera às vezes como vestida em traje branco e às vezes em traje de cerimônia consistindo em quatro peças ou como deitado em chãos (em vez de em camas e armações de camas) ou com mãos e pés contraídos como aqueles de rãs ou como sentado aprumado na atitude de contemplação ascética, ou como vestido em trapos, ou como deitado ou sentado sob o abrigo do céu ou dentro de mansões construídas de tijolos e pedras ou em pedras ásperas ou em cinzas ou em pedras nuas ou na terra nua ou em camas ou em campos de batalha ou em água ou na lama ou em pranchas de madeira ou em diversos tipos de camas; ou, impelida pelo desejo de resultados, ela se considera como vestida em um pedaço escasso de tecido feito de grama ou como totalmente nua ou como vestida em seda ou em pele de antílope preto ou em tecido feito de linho ou em pele de ovelha ou em pele de tigre ou em pele de leão ou em tecido de cânhamo, ou em cascas de bétula ou em tecidos feitos dos produtos de plantas espinhosas, ou em vestes feitas de fios tecidos por vermes ou em trapos rasgados ou em diversas outras espécies de tecido numerosas demais para mencionar. A alma se considera também como usando diversas espécies de ornamentos e jóias, ou como comendo diversas espécies de alimento. Ela se considera às vezes como comendo a intervalos de uma noite, ou uma vez na mesma hora todos os dias, ou como na quarta, na sexta, e na oitava hora todos os dias, ou como uma vez em seis ou sete ou oito noites, ou como uma vez em dez ou doze dias, ou como uma vez em um mês, como comendo somente raízes, ou frutas, ou como subsistindo só do ar ou água, ou de bolos de casca de gergelim, ou de coalhos ou de esterco de vaca, ou da urina da vaca ou de ervas em conserva ou flores ou musgos ou comida crua, ou como subsistindo de folhas caíras das árvores ou frutas que caíram e que jazem espalhadas no chão, ou de diversos outros tipos de comida, impelida pelo desejo de obter êxito (ascético). A Alma se considera como adotando a observância de Chandrayana segundo os ritos ordenados nas escrituras, ou diversos outros votos e observâncias, e os rumos de dever prescritos para os quatro modos de vida, e mesmo de abandono do dever, e os deveres de outros modos de vida secundários incluídos nos quatro principais, e até diversos tipos de práticas que distinguem os maus e pecaminosos. A Alma se considera como desfrutando de lugares retirados e encantadoras sombras de montanhas e da vizinhança refrescante de nascentes e fontes e margens solitárias de rios e florestas retiradas, e locais sagrados dedicados às divindades, e lagos e águas afastados das caçadas ativas de homens, e grutas solitárias de montanhas fornecendo a acomodação que casas e mansões fornecem. A Alma se considera como empenhada na recitação de diferentes tipos de Mantras ocultos ou como cumprindo diferentes votos e regras e diversos tipos de penitências, e sacrifícios de muitas espécies, e ritos de tipos diversos. A Alma se considera às vezes como adotando o caminho de comerciantes e negociantes e as práticas de Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas e Sudras, e fazendo diversos tipos de doações para aqueles que são indigentes ou cegos ou desamparados. Por estar envolvida pela Ignorância, a Alma adota diferentes qualidades de Sattwa e Rajas e Tamas, e Justiça e Riqueza e prazer. A Alma sob a influência de Prakriti, sofrendo modificações, observa e adota e pratica todos esses e se considera como tal. De fato, a Alma se considera como empenhada na declaração dos mantras sagrados Swaha e Swadha e Vashat, e em se curvar àqueles que ela considera como seus Superiores; em oficiar nos sacrifícios de outros, em ensinar pupilos, em fazer doações e em aceitá-las; em realizar sacrifícios e estudar as escrituras, e em fazer todos os outros atos e ritos desse tipo. A Alma se considera como relacionada com nascimento e morte e disputas e matança. Todos esses, os eruditos dizem, constituem o caminho das ações boas e más. É a deusa Prakriti que causa nascimento e morte. Quando se aproxima o tempo da Destruição universal, todos os objetos e atributos existentes são recolhidos pela Alma Suprema a qual então existe sozinha como o Sol recolhendo à noite todos os seus raios; e quando chega a hora da Criação Ele mais uma vez os cria e os espalha como o Sol derramando e espalhando seus raios quando chega a manhã. Assim dessa maneira a Alma, por esporte, repetidamente se considera investida com todas essas condições, as quais são suas próprias formas e atributos, infinitos em número, e agradáveis para ela. É dessa maneira que a Alma, embora realmente transcendendo os três atributos, se torna ligada ao caminho das ações e cria por modificação Prakriti envolvida com os atributos de nascimento e morte e idêntica a todas as ações e condições que são caracterizadas pelos três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Chegando no caminho da ação, a Alma considera ações específicas como sendo dotadas de características específicas e produtivas de fins específicos. Ó monarca, todo este universo tem sido cegado por Prakriti e todas coisas têm sido diversamente oprimidas (por Prakriti) pelos atributos de Rajas e Tamas. É pela Alma estar envolvida por Prakriti que esses pares de opostos produtivos de felicidade e dor vêm repetidamente. É por causa dessa Ignorância que Jiva considera essas tristezas como suas e as imagina como perseguindo-o. De fato, ó monarca, através dessa Ignorância é que Jiva imagina que ele deve de qualquer modo passar por aquelas tristezas, e que ele deve, entrando nas regiões dos deuses, desfrutar da felicidade que resulta de todas as suas boas ações. É pela Ignorância que ele acha que deve desfrutar e suportar estes prazeres e estas dores aqui neste mundo. Pela Ignorância Jiva pensa ‘Eu devo assegurar minha felicidade. Por fazer boas ações constantemente, eu posso ter felicidade nesta vida até seu término e serei feliz em todas as minhas vidas futuras. No entanto, pelas ações (más) que eu fizer nesta vida uma tristeza interminável pode se tornar minha. A posição de humanidade é repleta de grande miséria, pois dela alguém cai no inferno. Do inferno, levará muitos longos anos antes que eu possa voltar à posição de humanidade. Da humanidade eu obterei posição dos deuses. Daquela posição superior eu terei que voltar novamente para a humanidade e então cair no inferno mais uma vez!’ Alguém que sempre considera esta combinação dos elementos primordiais e dos sentidos, com reflexo de Chit nela, como estando assim investida com as características da Alma, tem que vagar repetidamente entre deuses e seres humanos e cair no inferno. Estando sempre envolvida com a idéia de ‘meu’, Jiva tem que fazer uma ronda de tais nascimentos. Milhões e milhões de nascimentos têm que ser passados por Jiva nas formas sucessivas que ele assume, todas as quais estão sujeitas à morte. Aquele que age dessa maneira, que é repleta de frutos bons e maus, tem que assumir sucessivas formas nos três mundos e desfrutar e suportar resultados correspondentes a elas. É Prakriti que causa atos repletos de ações boas e más, e é Prakriti que desfruta e suporta os frutos delas nos três mundos. De fato, Prakriti segue a direção das ações. A posição dos seres
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