Mahabharata - 12 - Santi Parva - Parte 4

Mahabharata

Mahabharata - 12 - Santi Parva - Parte 4

Santi Parva do Mahabharata, parte 4: ensinamentos, di?logos e reflex?es sobre dever, paz, sabedoria e ordem moral ap?s a grande guerra.

Ilustração em rabisco a lápis para Santi Parva, com tema de ensinamentos de Bhishma sobre governo, paz, dever e libertação.
Imagem criada para este post em estilo de desenho a lápis com atmosfera épica e gótica.

intermediários, da humanidade, e dos deuses igualmente, estas três esferas de ação, devem ser conhecidas como se originando em Prakriti que tem sido citada como desprovida de todos os atributos. Sua existência é afirmada somente por causa de suas ações (começando com Mahat). Da mesma maneira, Purusha (ou Alma), embora ele mesmo sem atributos, tem sua existência afirmada por causa das ações que o corpo faz quando ele recebe seu reflexo. Embora a Alma não esteja sujeita a modificações de qualquer tipo e seja o princípio ativo que põe Prakriti em movimento, contudo entrando em um corpo que está unido com os sentidos de conhecimento e ação, ela considera todas as ações daqueles sentidos como suas. Os cinco sentidos de conhecimento começando com o ouvido, e aqueles de ação começando com a fala, se unindo com os atributos de Sattwa e Rajas e Tamas, ficam envolvidos em numerosos objetos. Jiva imagina que é ele que faz as ações de sua vida e que os sentidos de conhecimento e ação pertencem a ele, embora na verdade ele não tenha sentidos. De fato, embora não equipado com corpo, ele imagina que ele tem um corpo. Embora desprovido de atributos, ele se considera como dotado deles, e embora transcendendo o Tempo, ele se imagina estando sob o controle do Tempo. Embora desprovido de compreensão, ele se considera como dotado dela, e embora transcendendo os (vinte e quatro) objetos, ele se considera incluído entre eles. Embora imortal, ele ainda se considera como sujeito à morte, e embora imóvel se considera dotado de movimento. Embora não possuidor de um invólucro material, ele ainda se considera como possuidor de um; e embora não nascido, ele se considera como investido com nascimento. Embora transcendendo penitências, ele ainda se considera como engajado em penitências, e embora ele não tenha fim (pelo qual se esforçar), ele se considera como propenso a alcançar fins (de diversos tipos). Embora não dotado de movimento e nascimento, ele ainda se considera como dotado de ambos, e embora transcendendo o medo, ele ainda se considera como sujeito ao medo. Embora Indestrutível, ele ainda se considera Destrutível. Envolvida em Ignorância, a Alma pensa dessa maneira sobre si mesma." 305 "'Vasishtha disse, 'É assim, por sua Ignorância e sua associação com outros que estão envolvidos pela Ignorância, que Jiva recorre a milhões e milhões de nascimentos cada um dos quais tem dissolução no fim. Por sua transformação em Chit envolvido com Ignorância, Jiva vai para milhões de residências todas as quais estão sujeitas a terminar em destruição, entre seres intermediários e homens e divindades. Por causa da Ignorância, Jiva, como Chandramas, tem que crescer e minguar milhares e milhares de vezes. Esta é realmente a natureza de Jiva quando investido com ignorância. Saiba que Chandramas tem em realidade dezesseis partes no total. Somente quinze destas estão sujeitas a crescimento e diminuição. A décima sexta (isto é, aquela parte que permanece invisível e que aparece na noite de Lua-Nova) permanece constante. Do mesmo modo que Chandramas, Jiva também tem dezesseis partes ao todo. Somente quinze destas, (isto é, Prakriti com o reflexo de Chit, os dez sentidos de conhecimento e ação, e as quatro faculdades internas) aparecem e desaparecem. A décima sexta (isto é, Chit em sua pureza) não está sujeita à modificação. Envolvido com Ignorância, Jiva repetidamente e constantemente toma nascimento nas quinze partes citadas acima. Com a eterna e imutável parte de Jiva a essência primordial se torna unida e esta união ocorre repetidamente. Aquela décima sexta parte é sutil. Ela deve ser conhecida como Soma (eterna e imutável). Ela nunca é sustentada pelos sentidos. Por outro lado, os sentidos são sustentados por ela. Já que aquelas dezesseis partes são a causa do nascimento das criaturas, as criaturas nunca podem, ó monarca, tomar nascimento sem sua ajuda. Elas são chamadas de Prakriti. A destruição da sujeição de Jiva a ser unido com Prakriti é chamada de Emancipação. A Alma-Mahat, que é a vigésima quinta, se ela estima aquele corpo de dezesseis partes chamado de Imanifesto (feito de Chit e não-Chit combinados), tem que assumi-lo repetidamente. Por não conhecer Aquilo que é imaculado e puro, e por sua devoção àquilo que é o resultado de uma combinação de Puro e Impuro, a Alma, que na realidade é pura, vem a ser, ó rei, Impura. De fato, por sua devoção à Ignorância, Jiva, embora caracterizado por Conhecimento vem a ser repetidamente associado com a Ignorância. Embora, ó monarca, livre de erro de todo tipo, ainda assim, por sua devoção aos três atributos de Prakriti, ele se torna dotado daqueles atributos.'" 306 '"Janaka disse, ‘Ó santo, é dito que a relação entre homem e mulher é como aquela que existe entre o Indestrutível e o Destrutível (ou Purusha e Prakriti). Sem um homem, uma mulher nunca pode conceber. Sem uma mulher um homem também nunca pode criar forma. Por sua união um com o outro, e cada um dependendo dos atributos do outro, as formas (das criaturas vivas) são vistas fluírem. Este é o caso com todas as classes de seres. Por união umas com as outras para propósitos de ato (sexual), e por cada uma depender dos atributos das outras, formas (das criaturas vivas) fluem em períodos menstruais. Eu falarei para ti as indicações disso. Ouça quais são os atributos que pertencem ao pai e quais são aqueles que pertencem à mãe. Ossos, tendões e medula, ó regenerado, nós sabemos, são derivados do pai. Pele, carne, e sangue, nós sabemos que são derivados da mãe. Isso mesmo, ó principal das pessoas regeneradas, é o que pode ser lido nos Vedas e outras escrituras. O que quer que seja lido como declarado nos Vedas e em outras escrituras é considerado como autoridade. A autoridade, também, dos Vedas e outras escrituras (não inconsistentes com os Vedas), é eterna. Se Prakriti e Purusha estão sempre unidos dessa maneira por cada um se opor e depender dos atributos do outro, eu vejo, ó santo, que a Emancipação não pode existir. Tu, ó santo, possuis visão espiritual, de modo que tu vês todas as coisas como se elas estivessem presentes perante teus olhos. Se, portanto, há alguma evidência direta da existência da Emancipação, me fale dela. Nós estamos desejosos de alcançar a Emancipação. De fato, nós desejamos alcançar Aquilo que é auspicioso, incorpóreo, não sujeito à decrepitude, eterno além do alcance dos sentidos, e ao qual não há nada superior.’” '"Vasishtha disse, ‘O que tu dizes sobre as indicações dos Vedas e das outras escrituras (a respeito do assunto) é assim mesmo. Tu aceitas aquelas indicações da maneira na qual elas devem ser aceitas. Tu carregas, no entanto, em tua compreensão, somente os textos dos Vedas e das outras escrituras. Tu não és, ó monarca, realmente conhecedor do real significado daqueles textos. Aquela pessoa que porta em sua compreensão meramente os textos dos Vedas e das outras escrituras sem conhecer o verdadeiro sentido ou significado daqueles textos, os carrega inutilmente. De fato, alguém que mantém os conteúdos de um trabalho na memória sem compreender seu significado é citado como estando carregando uma carga inútil. Aquele, no entanto, que está familiarizado com o sentido verdadeiro de um tratado, é citado como tendo estudado aquele tratado utilmente. Questionada com relação ao significado de um texto, cabe a uma pessoa comunicar aquele significado que ela compreendeu por um estudo cuidadoso. Aquela pessoa de inteligência embotada que se recusa a explicar os significados de textos em meio a um conclave de eruditos, aquela pessoa de compreensão superficial, nunca consegue explicar o sentido corretamente. (A obrigação de explicar um tratado em meio a um conclave sempre estimula as melhores capacidades, e se for um conclave de eruditos a fricção de intelectos seguramente fará surgir o sentido correto.) Uma pessoa ignorante, indo explicar o sentido verdadeiro de tratados, cai em ridículo. Mesmo aqueles possuidores de um conhecimento da Alma têm que incorrer no ridículo em tais ocasiões (se eles forem explicar o que não foi adquirido por estudo). Escute agora a mim, ó monarca, quanto a como o assunto da Emancipação tem sido explicado (por preceptores para discípulos desde antigamente) entre pessoas de grande alma familiarizadas com os sistemas Sankhya e Yoga de filosofia. Aquilo que o Yogin contempla é exatamente aquilo que os Sankhyas chegam a alcançar. Aquele que vê os sistemas Sankhya e Yoga como idênticos é citado como sendo dotado de inteligência. Pele, carne, sangue, gordura, bílis, medula, e tendões, e estes sentidos (de conhecimento e ação), sobre os quais tu estavas me falando, existem. Objetos fluem de objetos; os sentidos dos sentidos. Do corpo alguém obtém um corpo, como uma semente é obtida de semente. Quando o Ser Supremo é sem sentidos, sem semente, sem matéria, sem corpo, Ele deve ser desprovido de todos os atributos! E por Ele ser assim, como, de fato, Ele pode ter atributos de qualquer tipo? O espaço e outros atributos surgem dos atributos de Sattwa e Rajas e Tamas, e desaparecem neles ao final. Dessa maneira os atributos provêm de Prakriti. Pele, carne, sangue, gordura, bílis, medula, ossos, e tendões, esses oito que são feitos de Prakriti, saiba, ó rei, podem às vezes ser produzidos somente da semente vital (do macho). A alma Jiva e o universo são citados como compartilhando de Prakriti caracterizada pelos três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. A Alma Suprema é diferente da alma Jiva e do universo. Como as estações, embora não dotadas de formas, são todavia inferidas a partir do aparecimento de frutos e flores específicos, da mesma maneira, Prakriti, embora informe, é inferida a partir dos atributos de Mahat e do restante que provém dele. Dessa maneira da existência de Chaitanya no corpo, a Alma Suprema, privada de todos os atributos e perfeitamente imaculada, é inferida. Sem início e destruição, sem fim, a supervisora de todas as coisas, e auspiciosa, aquela Alma, somente por se identificar com o corpo e outros atributos, vem a ser aceita como investida com atributos. Aquelas pessoas que são realmente familiarizadas com os atributos sabem que somente objetos dotados de atributos podem ter atributos, mas que Aquilo que transcende todos os atributos não pode tê-los. Quando a alma Jiva conquista todos os atributos nascidos de Prakriti e os quais ela assume sob erro, somente então ela vê a Alma Suprema. Somente os maiores Rishis conhecedores dos sistemas Sankhya e Yoga conhecem aquela Alma Suprema que Sankhyas e Yogins e crentes em todos os outros sistemas dizem que está além da Compreensão, que é considerada como o Conhecedor e dotada da mais alta sabedoria por rejeitar toda a consciência de identificação com Prakriti, que transcende o atributo de Ignorância ou Erro, que é Imanifesta, que está além de todos os atributos, que é chamada de Suprema, que está dissociada de todos os atributos, que ordena todas as coisas, que é Eterna e Imutável, que domina Prakriti e todos os atributos nascidos de Prakriti, e que, transcendendo os vinte e quatro tópicos de investigação, forma o vigésimo quinto. Quando homens de conhecimento, que temem o nascimento, das várias condições da consciência viva, e da morte, conseguem conhecer o Imanifesto, eles conseguem compreender a Alma Suprema ao mesmo tempo. Um homem inteligente considera a unidade da alma Jiva com a Alma Suprema como consistente com as escrituras e como perfeitamente correta, enquanto o homem desprovido de inteligência considera as duas como diferentes uma da outra. Isto forma a diferença entre o homem de inteligência e o homem que é desprovido dela. As indicações de Kshara e Akshara (destrutível e indestrutível) foram agora ditas para ti. Akshara é Singularidade ou Unidade, enquanto multiplicidade ou variedade é citada como sendo Kshara. Quando alguém começa a estudar e compreende corretamente os vinte e cinco tópicos de investigação, ele então se compreende que a Unidade da Alma é consistente com as escrituras e sua multiplicidade é que se opõe a elas. Estas são as várias indicações do que está incluído no número de tópicos ou princípios criados e que transcende aquele número. Os sábios dizem que o número de tópicos é somente vinte e cinco. Aquilo que transcende os tópicos está além desse número e forma o vigésimo sexto. O estudo ou compreensão das coisas criadas (numeradas vinte e cinco) de acordo com seus agregados (de cinco) é o estudo e compreensão dos tópicos. Transcendendo estes está Aquele que é eterno.'" 307 '"Janaka disse, ‘Tu, ó principal dos Rishis, disseste que a Unidade é o atributo daquilo que é Akshara (Indestrutível) e a variedade ou multiplicidade é o atributo do que é conhecido como Kshara (Destrutível). Eu, no entanto, não entendi claramente a natureza desses dois. Dúvidas ainda estão espreitando em minha mente. Homens ignorantes consideram a Alma como dotada do incidente de multiplicidade. Aqueles, no entanto, que possuem conhecimento e sabedoria consideram a Alma como única. Eu, no entanto, tenho uma compreensão muito embotada. Eu sou, portanto, incapaz de compreender como tudo isso pode acontecer. As causas também que tu atribuíste à unidade e à multiplicidade de Akshara e Kshara eu quase esqueci por causa da agitação da minha mente. Eu portanto, desejo te ouvir discursar mais uma vez sobre aqueles mesmos incidentes de unidade e multiplicidade, sobre aquele que é instruído, sobre o que é desprovido de conhecimento, sobre a alma Jiva, Conhecimento, Ignorância. Akshara, Kshara, e sobre os sistemas Sankhya e Yoga, em detalhes e separadamente e em conformidade com a verdade.’” "'Vasishtha disse, ‘Eu te direi o que tu perguntaste! Escute, de qualquer modo, a mim, ó monarca, enquanto eu te explico as práticas de Yoga separadamente. A contemplação, que constitui uma prática obrigatória para Yogins, é sua maior força; (pois ela os capacita a vencer a Ignorância). Aqueles conhecedores do Yoga dizem que a Contemplação é de dois tipos. Uma é a concentração da mente, e a outra é chamada de Pranayama (regulação da respiração). Pranayama é citado como sendo dotado de substância; enquanto a concentração da mente não é dotada dela. (Como Pranayama é realizado com a ajuda de mantras ou yapa, ele é citado como sendo saguna ou sagarbha ou dotado de substância. A concentração da mente, no entanto, é feita sem a ajuda de tal yapa.) Exceto as três vezes quando um homem expele urina e fezes e come, ele deve dedicar todo seu tempo à contemplação. Retirando os sentidos de seus objetos pela ajuda da mente, alguém possuidor de inteligência, tendo se purificado, deve em conformidade com os vinte e dois modos de conduzir o ar Prana, unir a alma Jiva com Aquilo que transcende o vigésimo quarto tópico (chamado Ignorância ou Prakriti), que é considerado pelos sábios como residindo em todas as partes do corpo e como transcendendo decadência e destruição. (Os vinte de dois sanchodans de Preranas são os vinte e dois modos de conduzir o ar Prana do dedo do pé para o topo da cabeça. Aquilo que transcende Prakriti é a Alma Suprema.) É por meio daqueles vinte e dois métodos que a Alma pode sempre ser conhecida, como ouvido por nós. É certo que esta prática de Yoga é daquele cuja mente nunca é afetada por maus sentimentos. Ela não é de alguma outra pessoa. Dissociado de todas as atrações, moderado em dieta, e subjugando todos os sentidos, alguém deve fixar sua mente na Alma, durante a primeira e a última parte da noite, depois de ter, ó rei de Mithila, suspendido as funções dos sentidos, acalmado a mente pela compreensão, e assumido uma postura tão imóvel quanto aquela de um bloco de pedra. Quando homens de conhecimento, conhecedores das regras de Yoga, ficam tão fixos quanto uma estaca de madeira, e tão imóveis quanto uma montanha, então eles são citados como estando em Yoga. Quando alguém não ouve, nem cheira, nem sente gosto, e nem vê; quando ele não está consciente de qualquer toque; quando sua mente se torna perfeitamente livre de todo propósito; quando ele não está consciente de qualquer coisa, quando ele não nutre pensamento; quando ele se torna como um pedaço de madeira, então ele é qualificado pelos sábios como estando em Yoga perfeito. Em tal momento ele brilha como uma lâmpada que queima em um lugar onde não há vento; em tal momento ele fica livre até da sua forma sutil, e perfeitamente unido com Brahma. Quando ele alcança tal progresso, ele não tem mais que ascender ou cair entre seres intermediários. Quando pessoas como nós dizem que há uma completa identificação do Conhecedor, do Conhecido, e do Conhecimento, então o Yogin é citado como contemplando a Alma Suprema. Enquanto em Yoga, a Alma Suprema se revela no coração do Yogin como um fogo ardente, ou como o Sol brilhante, ou como a chama do relâmpago no céu. Aquela Alma Suprema que é Não-Nascida e que é a essência do néctar, que é vista por Brahmanas de grande alma dotados de inteligência e sabedoria e conhecedores dos Vedas, é mais sutil do que o que é sutil e mais vasto do que o que é vasto. Aquela Alma, embora morando em todas as criaturas, não é vista por elas. O criador dos mundos, Ele é visto somente por uma pessoa dotada de riqueza de inteligência quando ajudada pela lâmpada da mente. Ele mora na outra margem da densa Escuridão e transcende aquele chamado Iswara. Pessoas conhecedoras dos Vedas e dotadas de onisciência O chamam de dissipador da Escuridão, imaculado, transcendente à Escuridão, sem atributos e dotado deles.’” "'Isto é o que é chamado de Yoga dos Yogins. Qual é a outra indicação de Yoga? Por tais práticas os Yogins conseguem ver a Alma Suprema que transcende destruição e decadência. Desse modo eu te falei em detalhes assuntos sobre a ciência de Yoga. Eu agora te falarei daquela filosofia Sankhya pela qual a Alma Suprema é vista através da destruição gradual dos erros. Os Sankhyas, cujo sistema é construído sobre Prakriti, diz que Prakriti, que é Imanifesta, é a principal. De Prakriti, eles dizem, ó monarca, o segundo princípio chamado Mahat é produzido. É ouvido por nós que de Mahat flui o terceiro princípio chamado Consciência. Os Sankhyas abençoados com visão da Alma dizem que da Consciência fluem as cinco essências sutis de som, forma, toque, gosto, e cheiro. Todos esses oito eles chamam pelo nome de Prakriti. As modificações desses oito são dezesseis em número. Elas são as cinco essências grosseiras de espaço, luz, terra, água, e vento, e os dez sentidos de ação e de conhecimento incluindo a mente. Homens de sabedoria devotados ao caminho Sankhya e conhecedores de todas as suas ordenanças e revelações consideram esses vinte e quatro tópicos como abarcando toda a área de pesquisa Sankhya. Aquilo que é produzido vem a ser absorvido no producente. Criados pela Alma Suprema um depois do outro, esses princípios são destruídos em uma ordem inversa. Em toda nova Criação, os Gunas entram em existência na ordem lateral (como declarado acima), e (quando chega a Destruição) eles se fundem, (cada um em seu progenitor) em uma ordem inversa, como as ondas do oceano desaparecendo no oceano que lhes dá nascimento. Ó melhor dos reis, esta é a maneira na qual a Criação e a Destruição de Prakriti ocorrem. O Ser Supremo é tudo o que permanece quando a Destruição Universal ocorre, e é Ele que assume diversas formas quando a Criação começa. Isto é exatamente assim, ó rei, como averiguado por homens de conhecimento. É Prakriti que faz o Purusha que preside assumir assim a diversidade e voltar novamente à unidade. A própria Prakriti também tem as mesmas indicações. Somente aqueles que conhecem completamente a natureza dos tópicos de investigação sabem que Prakriti também assume o mesmo tipo de diversidade e unidade, pois quando vem a Destruição ela volta para a unidade e quando a Criação flui ela assume diversidade de forma. A Alma faz Prakriti, a qual contém os princípios de produção ou crescimento, assumir diversas formas. Prakriti é chamada de Kshetra (ou solo). Transcendendo os vinte e quatro tópicos ou princípios está a Alma que é grandiosa. Ela preside sobre aquela Prakriti ou Kshetra. Então, ó grande rei, os principais dos Yatis dizem que a Alma é a Presidente. De fato, tem sido ouvido por nós que pela Alma presidir sobre todos os Kshetras Ela é chamada de a Presidente. E porque Ela conhece aquele Kshetra Imanifesto, Ela é, portanto, também chamada de Kshetrajna (Conhecedor de Kshetra). E porque também a Alma entra no Kshetra Imanifesto (isto é, o corpo), portanto Ela é chamada de Purusha. Kshetra é algo bastante diferente de Kshetrajna. Kshetra é Imanifesto. A Alma, que transcende os vinte e quatro princípios, é chamada de o Conhecedor. O conhecimento e o objeto conhecido são diferentes um do outro. O conhecimento, também, é citado como sendo Imanifesto, enquanto o objeto de conhecimento é a Alma que transcende os vinte e quatro princípios. O Imanifesto é chamado de Kshetra, Sattwa (compreensão), e também Iswara (o Senhor Supremo), enquanto Purusha, que é o vigésimo quinto princípio, não tem nada superior a ele e não é um princípio (pois ele transcende todos os princípios e é somente chamado de princípio convencionalmente). Este mesmo, ó rei, é um relato da filosofia Sankhya. Os Sankhyas intitularam a causa do universo, e fundindo todos os princípios grosseiros no Chit contemplam a Alma Suprema. Estudando corretamente os vinte e quatro tópicos junto com Prakriti, e averiguando sua verdadeira natureza, os Sankhyas conseguem ver Aquele que transcende os vinte e quatro tópicos ou princípios. Jiva na verdade é aquela mesma Alma que transcende Prakriti e que está além dos vinte e quatro tópicos. Quando ele consegue conhecer aquela Alma Suprema por se dissociar de Prakriti, ele então se torna identificável com a Alma Suprema. Eu agora te disse tudo sobre o sistema Sankhya realmente. Aqueles que estão familiarizados com esta filosofia conseguem obter tranquilidade. De fato, tais homens cujas compreensões não estão sujeitas ao erro têm conhecimento direto de Brahma. Aqueles que conseguem alcançar aquele estado nunca têm que voltar para este mundo depois da dissolução de seus corpos; enquanto em relação àqueles que são citados como sendo emancipados nesta vida, pujança, e aquela bem-aventurança indescritível que se liga ao Samadhi, e imutabilidade, se tornam deles, por eles terem alcançado a natureza do Indestrutível. (Os Srutis declaram que o conhecedor de Brahma se torna Brahma.) Aqueles que vêem este universo como muitos (em vez de vê-lo como um e uniforme) vêem incorretamente. Aqueles homens estão cegos para Brahma. Ó castigador de inimigos, tais pessoas têm que voltar repetidamente ao mundo e aceitar corpos (em diversas ordens de Existência). Aqueles que estão familiarizados com tudo o que foi dito acima vêm a ser possuidores de onisciência, e consequentemente quando eles saem deste corpo não ficam mais sujeitos ao controle de outros corpos físicos. Todas as coisas, (ou o universo inteiro), é citado como sendo o resultado do Imanifesto. A Alma, que é o vigésimo quinto, transcende todas as coisas. Aqueles que conhecem a Alma não têm medo de voltar para o mundo.'" 308 "'Vasishtha disse, ‘Eu assim te falei até aqui sobre a filosofia Sankhya. Ouça-me agora enquanto eu te digo o que é Vidya (conhecimento) e o que é Avidya (ignorância), um depois do outro. Os eruditos dizem que Prakriti, que é repleta dos atributos de Criação e Destruição, é chamada de Avidya; enquanto Purusha, que é livre dos atributos de Criação e Destruição e que transcende os vinte e quatro tópicos ou princípios, é chamado de Vidya. Ouça-me primeiro enquanto eu te falo o que é Vidya entre conjuntos sucessivos de outras coisas, como explicado na filosofia Sankhya. Entre os sentidos de conhecimento e aqueles de ação, os sentidos de conhecimento são citados como constituindo o que é conhecido como Vidya. Dos sentidos de conhecimento e seus objetos, os primeiros constituem Vidya como tem sido ouvido por nós. Dos objetos dos sentidos e a mente, os sábios dizem que a mente constitui Vidya. Da mente e as cinco essências sutis, as cinco essências sutis constituem Vidya. Das cinco essências sutis e Consciência, a Consciência constitui Vidya. Da Consciência e Mahat, Mahat, ó rei, é Vidya. De todos os tópicos ou princípios começando com Mahat, e Prakriti, é Prakriti, a qual é imanifesta e suprema, que é chamada de Vidya. De Prakriti, e aquela chamada Vidhi que é Suprema, a última deve ser conhecida como Vidya. Transcendendo Prakriti está o vigésimo quinto (chamado Purusha) que deve ser conhecido como Vidya. De todo o conhecimento aquele que é o Objeto de Conhecimento é citado como o Imanifesto, ó rei. (Por isso, como o comentador explica, por conhecer o que é chamado de Imanifesto alguém é capaz de obter onisciência.) Além disso, o Conhecimento tem sido citado como sendo Imanifesto e o Objeto de conhecimento como aquele que transcende os vinte e quatro. Mais uma vez, o Conhecimento é citado como sendo Imanifesto, e o Conhecedor é aquele que transcende os vinte e quatro. Eu agora te disse qual é realmente a significação de Vidya e Avidya. Ouça-me agora enquanto eu te falo tudo o que tem sido dito sobre o Indestrutível, e o Destrutível. Ambos, Jiva e Prakriti, são citados como Indestrutíveis, e ambos são citados como Destrutíveis. Eu te direi a razão disto corretamente como eu o compreendi. Ambos, Prakriti e Jiva, são sem início e sem fim ou destruição. Ambos são considerados como supremos (a respeito da Criação). Aqueles que possuem conhecimento dizem que ambos devem ser chamados de tópicos ou princípios. Por seus atributos de Criação e Destruição (repetidas), o Imanifesto (ou Prakriti) é chamado de Indestrutível. Aquele Imanifesto vem a ser repetidamente modificado para o propósito de criar os princípios. E porque os princípios começando com Mahat são produzidos por Purusha também, e porque também Purusha e o Imanifesto são mutuamente dependentes um do outro, portanto Purusha também, o vigésimo quinto, é chamado de Kshetra (e então Akshara ou Indestrutível). (O que é dito aqui é isto: o Imanifesto ou Prakriti, por modificação, produz Mahat e os outros princípios. Mas a agência de Purusha também é necessária para tal produção, pois Prakriti não pode fazer nada sem Purusha, e Purusha também não pode fazer nada sem Prakriti. Os princípios de Mahat e o restante, portanto, podem ser citados como tendo sua origem tanto em Purusha quanto em Prakriti. Além disso, os dois sendo naturalmente dependentes um do outro, se Prakriti for chamada de Kshara, Purusha também pode ser chamado dessa maneira.) Quando o Yogin recolhe e imerge todos os princípios na Alma Imanifesta (ou Brahma), então o vigésimo quinto, (isto é, Jiva ou Purusha) também, com todos aqueles princípios desaparece nela. Quando os princípios vêm a ser absorvidos cada um em seu progenitor, então o único que resta é Prakriti. Quando Kshetrajna (isto é, Jiva ou Purusha) também, ó filho, é absorvido em sua própria causa produtora então (tudo o que resta é Brahma e, portanto) Prakriti com todos os princípios nela se torna Kshara (ou encontra com a destruição), e alcança também a condição de ser sem atributos por causa de sua dissociação de todos os princípios. Assim é que Kshetrajna, quando seu conhecimento de Kshetra desaparece, se torna, por sua natureza, desprovido de atributos, como tem sido ouvido por nós. Quando ele se torna Kshara ele então assume atributos. Quando, no entanto, ele alcança sua própria natureza real, ele então consegue compreender sua própria condição de ser realmente desprovido de atributos. Por rejeitar Prakriti e começar a perceber que é diferente dela, o inteligente Kshetrajna então vem a ser considerado como puro e imaculado. Quando Jiva cessa de existir em um estado de união com Prakriti, então ele se torna identificável com Brahma. Quando, no entanto, ele existe unido com Prakriti, ele então, ó rei, parece ser diferente de Brahma. De fato, quando Jiva não demonstra afeição por Prakriti e seus princípios, ele então consegue ver o Supremo e tendo visto Ele uma vez então não deseja se afastar daquela felicidade. Quando o conhecimento da verdade se expande sobre ele, Jiva começa a lamentar dessa maneira: ‘Ai, quão tolamente eu tenho agido por cair por ignorância neste corpo composto de Prakriti como um peixe envolvido em uma rede! Ai, por ignorância, eu tenho migrado de corpo para corpo como um peixe de água para água pensando que água é único elemento no qual ele pode viver. De fato, como um peixe que não reconhece nada mais além de água como seu elemento, eu também nunca reconheci algo como meu além de filhos e esposas! Vergonha para mim que por ignorância tenho estado migrando repetidamente de corpo para corpo em esquecimento (da Alma Suprema)! Somente a Alma Suprema é minha amiga. Eu tenho capacidade para ter amizade com Ela. Qualquer que seja minha natureza e quem quer que eu possa ser, eu sou competente para ser como Ela e para alcançar uma igualdade com Ela. Eu vejo minha semelhança com Ela. Eu sou, de fato, como Ela. Ela é imaculada. É evidente que eu sou da mesma natureza. Por ignorância e adormecimento, eu me tornei associado com a inanimada Prakriti. Embora realmente sem ligações, eu passei este longo tempo em um estado de ligação com Prakriti. Ai, por ela eu fui subjugado dessa maneira por tanto tempo sem ter sido capaz de saber disso. Várias são as formas, superiores (como os deuses), medianas (como os seres humanos), e inferiores (como os animais), que Prakriti assume. Oh, como eu morarei naquelas formas? Como eu viverei conjuntamente com ela? Somente por minha ignorância eu me dirijo à sua companhia. Eu estarei agora fixado (em Sankhya ou Yoga). Eu não mais ficarei na companhia dela. Por ter passado um tempo tão longo com ela, eu devo pensar que eu fui enganado por ela todo este tempo, pois eu mesmo sendo realmente isento de modificação, como eu poderia me associar com alguém que está sujeito à modificação? Ela não pode ser considerada como responsável por isto. A responsabilidade é minha, já que me desviando da Alma Suprema eu me tornei ligado a ela por iniciativa própria. Por essa ligação, eu mesmo, embora informe em realidade, tive que residir em formas multifárias. De fato, embora informe por natureza eu vim a ser dotado de formas por causa do meu senso de ‘meu’, e assim insultado e afligido. Por causa do meu senso de ‘meu’, relativo ao resultado de Prakriti, eu sou forçado a aceitar nascimento em diversas classes de Existência. Ai, embora realmente desprovido de qualquer senso de ‘meu’, contudo por assumi-lo, quais diversas ações de uma natureza má foram cometidas por mim naquelas classes nas quais eu tomei nascimento enquanto eu permaneci nelas com uma alma que tinha perdido todo o conhecimento! Eu não tenho nada mais o que fazer com ela que, com essência composta de consciência, se divide em muitos fragmentos e que procura me unir com eles. Foi somente agora que eu fui despertado e compreendi que eu sou por natureza sem qualquer senso de ‘meu’ e sem aquela consciência que cria as formas de Prakriti que me envolvem por todos os lados. Rejeitando aquele senso de ‘meu’ que eu sempre tive com relação a ela e cuja essência é composta de consciência, e rejeitando a própria Prakriti, eu me refugiarei naquele que é auspicioso. Eu estarei unido com Ele, e não com Prakriti que é inanimada. Se eu me unir com Ele, isto será produtivo de meu benefício. Eu não tenho semelhança de natureza com Prakriti!’ O vigésimo quinto, (isto é, Jiva), quando ele consegue compreender dessa maneira o Supremo, se torna capaz de rejeitar o Destrutível e obter identidade com aquilo que é Indestrutível e que é a essência de tudo o que é auspicioso. Desprovido de atributos em sua natureza verdadeira e realmente Imanifesto, Jiva vem a ser envolvido com o que é Manifesto e assume atributos. Quando ele consegue ver aquilo que é sem atributos e que é a origem do Imanifesto, ele obtém, ó soberano de Mithila, a identidade do mesmo.’’ "'Eu agora te disse quais são as indicações do que é Indestrutível e do que é Destrutível, segundo o melhor do meu conhecimento e segundo o que é explicado nas escrituras. Eu agora te direi, de acordo com o que eu tenho ouvido, como surge o Conhecimento que é sutil, imaculado, e seguro. Ouça-me. Eu já te disse o que são os sistemas Sankhya e Yoga de acordo com suas respectivas indicações como expostas em suas respectivas escrituras. Em verdade, a ciência que é explicada nos tratados Sankhya é idêntica àquela que é declarada nas escrituras Yoga. O conhecimento, ó monarca, que o Sankhya prega, é capaz de despertar todos. Nas escrituras Sankhya, aquele Conhecimento está inculcado muito claramente para o benefício dos discípulos. Os eruditos dizem que este sistema Sankhya é muito extenso. O Yogin tem grande respeito por aquele sistema como também pelos Vedas. No sistema Sankhya nenhum tópico ou princípio transcendente ao vigésimo quinto é admitido. Aquilo que os Sankhyas consideram como seu mais elevado tópico ou princípio foi devidamente descrito (por mim). Na filosofia Yoga, é dito que Brahma, o qual é a essência do conhecimento sem dualidade, se torna Jiva somente quando investido com Ignorância. Nas escrituras Yoga, portanto, ambos, Brahma e Jiva, são mencionados.’” 309 "'Vasishtha disse, ‘Ouça-me agora enquanto eu te falo sobre Buddhas (Alma suprema) e Abuddha (Jiva), o qual é a dispensação de atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Assumindo muitas formas (sob a influência da ilusão) a Alma Suprema, tornando-se Jiva, considera todas aquelas formas como reais. (Budha é Bodha ou conhecimento puro. Abudha é o oposto de Budha. A Alma Suprema é Conhecimento, enquanto Jiva é Ignorância.) Por (se considerar idêntico a) tais transformações, Jiva fracassa em compreender a Alma Suprema, pois ele possui os atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas) e cria e recolhe em si mesmo o que ele cria. Incessantemente por seu esporte, ó monarca, Jiva sofre modificações, e porque ele é capaz de compreender a ação do Imanifesto, portanto ele é chamado de Budhyamana (o Entendedor). (Por causa da união ou ligação de Jiva com Prakriti, Jiva aceita este objeto como um vaso, aquele como uma montanha, e aquele outro como um terceiro. Quando vem o conhecimento, Jiva consegue entender que todas as suas impressões são errôneas e que o mundo externo é somente uma modificação do Eu. Pela capacidade de Jiva entender isso, ele é chamado de Budhyamana ou Entendedor.) O Imanifesto ou Prakriti nunca pode compreender Brahma que é realmente sem atributos mesmo quando ele se manifesta com atributos. Por isso Prakriti é chamada de Ininteligente. Há uma declaração dos Srutis no sentido de que se Prakriti alguma vez consegue conhecer o vigésimo quinto (isto é, Jiva), Prakriti então, (em vez de ser alguma coisa diferenciada de Jiva) se torna identificada com Jiva que está unido com ela. (Com relação, no entanto, à Alma Suprema, a qual está sempre desunida e dissociada, e que transcende o vigésimo quinto, Prakriti nunca pode compreendê- la.) Por causa disso (isto é, sua ligação ou união com Prakriti), Jiva ou Purusha, que não é manifesto e que em sua natureza real não está sujeito a modificações, vem a ser chamado como o Não-desperto ou Ignorante. De fato, porque o vigésimo quinto pode compreender o Imanifesto, ele é portanto, chamado de Budhyamana (ou Entendedor). Ele, no entanto, não pode compreender facilmente o vigésimo sexto, que é imaculado, que é Conhecimento sem dualidade, que é incomensurável, e que é eterno. O vigésimo sexto, no entanto, pode conhecer ambos, Jiva e Prakriti, numerando o vigésimo quinto e vigésimo quarto respectivamente. Ó tu de grande refulgência, somente homens de sabedoria conseguem conhecer aquele Brahma que é Imanifesto, que inere em sua natureza real a tudo o que é visto e não visto (isto é, que permeia todas as coisas e se une com elas sem ele mesmo ser mudado com relação à sua própria natureza), e que, ó filho, é a única essência independente no universo. Quando Jiva se considera diferente do que ele realmente é (ou seja, quando ele se considera como gordo ou magro, claro ou escuro, um Brahmana ou um Sudra), é somente então que ele fracassa em conhecer a Alma Suprema e a si mesmo e Prakriti com a qual ele está unido. Quando Jiva consegue compreender Prakriti (e sabendo que ela é algo diferente dele), então ele é citado como sendo restabelecido à sua natureza verdadeira e então ele obtém aquela compreensão superior que é pura e imaculada e que está relacionada com Brahma. Quando Jiva consegue, ó tigre entre reis, obter aquela compreensão excelente, ele então alcança aquele Conhecimento Puro (sem dualidade) que é chamado de o vigésimo sexto ou (Brahma). Ele então rejeita o Imanifesto ou Prakriti que é repleto dos atributos de Criação e Destruição. Quando Jiva consegue conhecer Prakriti, a qual é ininteligente e sujeita à ação dos três atributos de Sattwa, e Rajas e Tamas, ele então se torna ele mesmo desprovido de atributos. Por compreender dessa maneira o Imanifesto (como sendo algo diferente dele), ele consegue adquirir a natureza da Alma Suprema. Os eruditos dizem que quando ele está livre dos atributos de Sattwa e Rajas e Tamas e unido em natureza com a Alma Suprema, então Jiva vem a ser identificado com aquela Alma. A Alma Suprema é chamada de Tattwa (isto é, envolvida com alguma forma por causa da Ignorância), assim como não-Tattwa (isto é, sempre dentro do alcance da compreensão), e transcende decadência e destruição. Ó concessor de honras, a Alma, embora ela tenha os princípios manifestados (ou seja, o corpo) como seu lugar de descanso, ainda assim não pode ser citada como tendo adquirido a natureza daqueles princípios. Os sábios dizem que incluindo a alma Jiva há vinte e cinco princípios em tudo. De fato, ó filho, a Alma não é para ser considerada como possuidora de algum dos princípios (Mahat e o restante). Dotada de Inteligência, ela transcende os princípios. Ela rejeita rapidamente até aquele princípio que é a indicação do Conhecedor ou de alguém desperto. (Esta indicação é ‘Eu sou Brahma’. Tal convicção ou conhecimento o qual caracteriza aqueles que são despertos ou Buddha, é rejeitado pelo vigésimo sexto.) Quando Jiva vem a se considerar como o vigésimo sexto, o qual é desprovido de decadência e destruição, é então que, sem dúvida, ele consegue por sua própria força alcançar semelhança com o vigésimo sexto. Embora despertado pelo vigésimo sexto que é Inteligência Pura, Jiva contudo fica sujeito à Ignorância. Isto é a causa de Jiva, grande diversidade (em relação a formas) como explicado nos Srutis e nas escrituras Sankhya. Quando Jiva, que é dotado de Chetana e Prakriti Ininteligente, perde toda a Consciência de um Eu distinto ou individual, ele então, perdendo sua grande diversidade, retoma sua Unidade. Ó soberano de Mithila, quando Jiva, que é encontrado estando em união com felicidade e miséria, e que raramente está livre da consciência do Eu, consegue alcançar uma semelhança com a Alma Suprema que está além do alcance da compreensão, então ele se torna livre de virtude e vício. De fato, quando Jiva, alcançando o vigésimo sexto, o qual é Não-nascido e Pujante e que é dissociado de todas as ligações, consegue compreendê-lo totalmente, ele mesmo se torna possuidor de pujança e rejeita totalmente o Imanifesto ou Prakriti. Por compreender o vigésimo sexto, os vinte e quatro princípios parecem ser insubstanciais ou de nenhum valor para Jiva. Eu assim te falei, ó impecável, segundo a indicação dos Srutis, da natureza do Ininteligente ou Prakriti, e de Jiva, como também daquilo que é Puro Conhecimento, isto é, a Alma Suprema, em conformidade com a verdade. Guiado pelas escrituras, variedade e unidade devem ser compreendidas dessa maneira. A diferença entre o mosquito e o Udumvara, ou aquela entre o peixe e a água, ilustra a diferença entre a alma Jiva e a Alma Suprema. (Estes exemplos são frequentemente usados para explicar a diferença entre a alma-Jiva e a Alma Suprema. O Udumvara é o fruto do Ficus glomerate. Quando maduro e partido, o centro oco é visto conter muitos insetos adultos. O inseto vive na fruta mas não é a fruta, assim como o peixe embora vivendo na água não é a água que é seu lar. Jiva, da mesma maneira, embora vivendo na Alma Suprema, não é a Alma Suprema.) A Multiplicidade e Unidade desses dois são então compreendidas desse modo. Isto é chamado de Emancipação, isto é, esta compreensão ou conhecimento de si mesmo como alguma coisa distinta de Prakriti Ininteligente ou Imanifesta. O vigésimo quinto, que reside nos corpos das criaturas vivas, deve ser emancipado por fazê-lo conhecer o Imanifesto ou a Alma Suprema que transcende a compreensão. De fato, aquele vigésimo quinto é capaz de alcançar a Emancipação somente dessa maneira e não através de qualquer outro meio, isto é certo. Embora realmente diferente do Kshetra no qual ele reside por enquanto, ele compartilha da natureza daquele Kshetra por causa de sua união com ele. Unindo-se com o que é Puro, ele se torna Puro. Unindo-se com o Inteligente, ele se torna Inteligente. Por se unir, ó principal dos homens, com alguém que é Emancipado, ele vem a ser Emancipado. Por se unir com alguém que está livre de atrações de todos os tipos, ele se torna livre de todas as atrações. Por se unir com alguém que se esforça pela Emancipação, ele mesmo, partilhando da natureza de seu companheiro, se esforça pela Emancipação. Por se unir com alguém de ações puras ele se torna puro e de ações puras e dotado de refulgência brilhante. Por se unir com alguém de alma imaculada, ele mesmo se torna alguém de alma imaculada. Por se unir com a única Alma independente, ele se torna Uno e Independente. Unindo-se com Alguém que é dependente de Si mesmo, ele vem a ter a mesma natureza e obtém Independência.’” "'Ó monarca, eu te disse devidamente tudo isso que é perfeitamente verdadeiro. Eu te falei sinceramente sobre este assunto, isto é, o Brahma Eterno e Imaculado e Primordial. Tu podes comunicar este conhecimento superior, capaz de despertar a alma, para aquela pessoa, ó rei, que embora não conheça os Vedas todavia é humilhe e tem um grande desejo de adquirir o conhecimento de Brahma. Ele nunca deve ser dado para alguém que é apegado à mentira, ou alguém que é astuto ou malandro, ou alguém que não tem alguma força mental ou que tem uma mente desonesta, ou para alguém que tem inveja dos homens de conhecimento, ou para alguém que causa dor a outros. Ouça-me enquanto eu te digo quem são aqueles para quem este conhecimento pode ser comunicado com segurança. Ele deve ser dado para alguém que é dotado de fé, ou alguém que é possuidor de mérito, ou alguém que sempre se abstém de falar mal de outros, ou alguém que é dedicado a penitências pelos mais puros dos motivos, ou para alguém que é dotado de conhecimento e sabedoria, ou alguém que conhece os sacrifícios e outros ritos prescritos nos Vedas, ou alguém que possui uma disposição clemente, ou alguém que é inclinado a ter compaixão e fazer o bem para todas as criaturas; ou alguém que gosta de viver em privacidade e solidão, ou alguém que gosta de cumprir todas as ações declaradas nas escrituras, ou alguém que é contrário a discussões e disputas, ou alguém que é possuidor de grande erudição ou alguém dotado de sabedoria, ou alguém possuidor de benignidade e autodomínio e tranquilidade de alma. Este elevado conhecimento de Brahma nunca deve ser comunicado para alguém que não possui tais qualificações. É sido dito que, por dar este conhecimento para alguém que não pode ser considerado um receptáculo digno para mantê-lo, nenhuma vantagem ou bom resultado pode surgir. Para alguém que não é cumpridor de quaisquer votos e restrições, este conhecimento excelente nunca deve ser comunicado mesmo que ele dê em troca a Terra inteira cheia de pedras preciosas e riquezas de todos os tipos. Sem dúvida, no entanto, ó rei, este conhecimento deve ser dado para alguém que dominou seus sentidos. Ó Karala, que nenhum medo seja teu em tempo algum, já que tu ouviste hoje de mim tudo isso a respeito do Brahma sublime! Eu te falei devidamente sobre Brahma sublime e santo que é sem início e meio (e fim), e que é capaz de dissipar todas as espécies de aflição. Vendo Brahma cuja visão é capaz de dissipar ambos, nascimento e morte, ó rei, que é cheio ventura, que remove todo medo, e que beneficia, e tendo adquirido esta essência de todo o conhecimento, rejeite todo o erro e estupor hoje! Eu adquiri este conhecimento do próprio Hiranyagarbha eterno, ó rei, que o comunicou para mim por eu ter gratificado cuidadosamente aquele Grande Ser de toda Alma superior. Perguntado por ti hoje, ó monarca, eu te comuniquei o conhecimento do eterno Brahma assim como eu mesmo o adquiri do meu professor. De fato, este conhecimento superior que é o refúgio de todas as pessoas conhecedoras da Emancipação foi comunicado para ti exatamente como eu o obtive do próprio Brahman!'” "Bhishma continuou, ‘Eu assim te falei do Brahma sublime de acordo com o que o grande Rishi (Vasishtha) disse (para o rei Karala da linhagem de Janaka), por alcançar ao qual o vigésimo quinto (ou Jiva) nunca tem que retornar. Jiva, por não conhecer realmente a Alma Suprema que não está sujeita à decadência e morte, é obrigado a voltar para o mundo frequentemente. Quando, no entanto, Jiva consegue adquirir aquele conhecimento excelente, ele não tem mais que voltar. Tendo-o ouvido, ó rei, do Rishi celeste, eu, ó filho, comuniquei para ti este conhecimento superior produtivo do maior bem. Este conhecimento foi obtido de Hiranyagarbha pelo Rishi Vasishtha de grande alma. Daquele principal dos Rishis, isto é, Vasishtha, ele foi adquirido por Narada. De Narada eu adquiri este conhecimento que é realmente identificável com o Brahma eterno. Tendo ouvido este discurso de grande importância, repleto de palavras excelentes, ó principal dos Kurus, não ceda mais à angústia. Aquele homem que conhece Kshara e Akshara se torna livre do medo. De fato, ó rei, é obrigado a nutrir medo aquele que é desprovido deste conhecimento. Por causa da Ignorância (a respeito de Brahma), o homem de alma tola tem que voltar repetidamente para este mundo. De fato, partindo desta vida, ele tem que nascer em milhares e milhares de ordens de Existência todas as quais têm a morte ao final. Ora no mundo das divindades, ora entre homens, e ora entre classes de seres intermediários, ele tem que aparecer repetidas vezes. Se no decorrer do tempo ele consegue cruzar aquele Oceano de Ignorância no qual ele está submerso, ele então consegue evitar totalmente o renascimento e obter identidade com a Alma Suprema. O Oceano de Ignorância é terrível. Ele é sem fundo e chamado de Imanifesto. Ó Bharata, dia após dia, criaturas são vistas caírem a afundarem naquele Oceano. Já que tu, ó rei, foste liberto daquele Oceano eterno e ilimitado de Ignorância, tu, portanto, te tornaste livre de Rajas e também de Tamas.'" 310 "Bhishma disse, 'Uma vez um rei da linhagem de Janaka, enquanto percorrendo as florestas inabitadas à caça de veados, viu um Brahmana ou Rishi superior da linhagem de Bhrigu. Curvando sua cabeça àquele Rishi que estava sentado à vontade, o rei Vasuman tomou seu assento perto dele e obtendo sua permissão fez a ele esta pergunta: ‘Ó santo, o que é produtivo do maior benefício, aqui e após a morte, para o homem que é dotado de um corpo instável e que é o escravo de seus desejos?’ Devidamente honrado pelo rei, e assim questionado, aquele Rishi de grande alma possuidor de mérito ascético então disse para ele estas palavras que eram altamente benéficas.’” "O Rishi disse, ‘Se tu desejas aqui e após a morte o que é agradável para tua mente, então, com teus sentidos controlados, te abstenha de fazer o que é desagradável para todas as criaturas. A Retidão é benéfica para aqueles que são bons. A Retidão é o refúgio daqueles que são bons. Da Retidão têm fluído os três mundos com suas criaturas móveis e imóveis. Ó tu que estás avidamente desejoso de desfrutar de todos os objetos agradáveis, como é que tu ainda não estás saciado com objetos de desejo? Tu vês o mel, ó tu de pouca compreensão, mas estás cego à queda. (Este é um símile usado muito frequentemente para ilustrar o perigo de perseguir objetos dos sentidos. Coletores de mel costumavam vagar por montanhas, guiados pela visão de abelhas voando. Aqueles homens frequentemente encontravam com a morte por quedas de precipícios.) Como alguém desejoso de ganhar os frutos do conhecimento deve se dirigir à aquisição de conhecimento, assim mesmo alguém desejoso de ganhar os frutos da Retidão dever se dirigir à aquisição de Retidão. Se um homem mau, por desejo de virtude, se esforça para realizar uma ação que é pura e imaculada, a satisfação de seu desejo se torna impossível. Se, por outro lado, um bom homem, impelido pelo desejo de ganhar virtude, se esforça para realizar uma ação mesmo que seja difícil, sua realização se torna fácil para ele. Se, enquanto residindo nas florestas, alguém age de tal maneira quanto a desfrutar de todos os prazeres de uma residência entre homens nas cidades, ele vem a ser considerado não como um asceta da floresta mas como um habitante das cidades. Similarmente, se alguém, enquanto residindo em cidades, age de tal maneira quanto desfrutar da felicidade que se vincula à vida de um asceta da floresta, ele vem a ser considerado não como um habitante das cidades mas como um asceta da floresta. Averiguando os méritos da religião da Ação e aqueles da Abstenção de ações, com teus sentidos concentrados, te dedique às práticas de retidão que concernem aos pensamentos, palavras, e ações. Avaliando a adequação de hora e lugar, purificado pela observância de votos e outros ritos purificatórios, e solicitado (por eles), sem malícia, faça grandes doações para aqueles que são bons. Adquirindo riqueza por meios justos, uma pessoa deve doá-la para aqueles que são merecedores. Ela deve fazer doações, rejeitando a raiva; e tendo-as feito nunca ela deve ceder à tristeza nem proclamar aquelas doações com sua própria boca. O Brahmana que é cheio de compaixão, que é observador de franqueza, e cujo nascimento é puro, é considerado como uma pessoa merecedora de doações. Uma pessoa é citada como sendo pura em nascimento quando ela é nascida de mãe que tem somente um marido e que pertence à mesma classe à qual seu marido pertence. De fato, tal Brahmana, conhecedor dos três Vedas, isto é, Rich, Yajurh, e Saman, possuidor de erudição, devidamente cumpridor dos seis deveres (de sacrificar por sua própria conta, oficiar nos sacrifícios de outros, aprender, ensinar, fazer doações, e receber doações), é considerado como merecedor de doações. A justiça se torna injustiça, e a injustiça se torna justiça, de acordo com o caráter do fazedor, do tempo, e do lugar. O pecado é rejeitado como a sujeira sobre o corpo de alguém, um pouco com um pequeno esforço e uma quantidade maior quando o esforço é maior. Uma pessoa, depois de purgar seus intestinos, deve tomar ghee (manteiga clarificada), a qual a opera muito beneficamente em seu sistema (como um tônico saudável). Da mesma maneira, quando alguém se purificou de todos os defeitos e se dirigiu à aquisição de virtude, aquela virtude, no mundo seguinte, vem a ser produtiva da maior felicidade. Pensamentos bons e maus existem nas mentes de todas as criaturas. Afastando a mente dos maus pensamentos, ela deve ser sempre dirigida para bons pensamentos. Deve-se reverenciar sempre as práticas de sua própria classe. Esforce-te, portanto, para agir de tal maneira que tu possas ter fé nas práticas da tua própria classe. Ó tu que és dotado de uma alma impaciente, dirija-te à prática de paciência. Ó tu que tens uma compreensão superficial, procure ser possuidor de inteligência! Desprovido de tranquilidade, procure ser tranquilo, e privado de sabedoria como tu és, procure agir sabiamente! Aquele que se move na companhia dos justos consegue, por sua própria energia, adquirir os meios de realizar o que é benéfico para ele neste mundo e no seguinte. Realmente, a base do benefício (que assim se torna dele aqui e após a morte) é firmeza resoluta. O sábio nobre Mahabhisha, por falta desta firmeza, caiu do céu. Yayati, também, embora seus méritos tivessem se esgotado (por causa de sua ostentação e embora tenha sido arremessado do céu), conseguiu recuperar regiões de bem-aventurança por sua firmeza. Tu seguramente obterás grande inteligência, como também aquilo que é para o teu maior bem, por cortejar pessoas virtuosas e eruditas possuidoras de mérito ascético.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras do sábio, o rei Vasuman, possuidor de uma boa disposição, afastando sua mente das atividades do desejo, fixou-a sobre a aquisição de Retidão.'" 311 "Yudhishthira disse, 'Cabe a ti, ó avô, me falar sobre aquilo que é livre do dever e seu oposto, que é livre de todas as dúvidas, que transcende nascimento e morte, como também virtude e pecado, que é ventura, que é destemor eterno, que é Eterno e Indestrutível, e Imutável, que é sempre Puro, e que está sempre livre do trabalho do esforço.'” "Bhishma disse, 'Eu sobre isso te contarei a velha narrativa, ó Bharata, da conversa entre Yajnavalkya e Janaka. Uma vez o famoso rei Daivarati da linhagem de Janaka, totalmente familiarizado com a importância de todas as questões, endereçou essa questão para Yajnavalkya, aquele principal dos Rishis.’” "'Janaka disse, 'Ó Rishi regenerado, quantos tipos de sentidos existem? Quantos tipos de Prakriti existem também? O que é o Imanifesto e o Brahma sublime? O que é mais elevado do que Brahma? O que é o nascimento e o que é a morte? Quais são os limites da Idade? Cabe a ti, ó principal dos Brahmanas, falar sobre todos esses tópicos para mim que estou desejoso de obter tua graça; eu sou ignorante enquanto tu és um Oceano de conhecimento. Então eu te pergunto! Na verdade, eu desejo te ouvir discursar sobre todos esses assuntos!’” "'Yajnavalkya disse, ‘Ouça, ó monarca, o que eu digo em uma resposta a essas tuas perguntas. Eu te darei o conhecimento superior o qual Yogins valorizam, e especialmente aquele que é possuído pelos Sankhyas. Nada é desconhecido para ti. Tu ainda assim me perguntas. Alguém que é questionado, no entanto, deve responder. Esta é a prática eterna. Oito princípios são chamados pelo nome de Prakriti, enquanto dezesseis são chamados de modificações. Do Manifesto, há sete. Estes são os pontos de vista daquelas pessoas que estão familiarizadas com a ciência de Adhyatma. O Imanifesto (ou Prakriti original), Mahat, Consciência, e os cinco elementos sutis de Terra, Vento, Espaço, Água, e Luz, estes oito são conhecidos pelo nome de Prakriti. Escute agora a enumeração daqueles chamados de modificações. Eles são o ouvido, a pele, a língua, e o nariz; e som, toque, forma, gosto, e cheiro, como também a fala, os dois braços, os dois pés, o ducto inferior (dentro do corpo), e os órgãos de prazer. (Estes, incluindo a Mente, formam os dezesseis chamados de Vrikriti ou modificações de Prakriti.) Entre esses, os dez começando com som, e tendo sua origem nos cinco grandes princípios (sutis ou Tanmatras), são chamados de Visesha. Os cinco sentidos de conhecimento são chamados de Savisesha, ó soberano de Mithila. Pessoas conhecedoras da Ciência de Adhyatma consideram a mente como o décimo sexto. Isto é compatível com tuas próprias ideias como também com aquelas de outros homens eruditos conhecedores das verdades sobre princípios. Do Imanifesto, ó rei, surgiu a alma Mahat. Os eruditos citam esta como a primeira criação relativa a Pradhana (ou Prakriti). De Mahat, ó rei dos homens, é produzida a Consciência. Esta é chamada de segunda criação tendo a Compreensão como sua essência. (Mahat é às vezes chamado de Buddhi por isso a criação da Consciência a partir de Mahat deve ser a criação relativa a Buddha.) Da Consciência surgiu a Mente que é a essência do som e os outros que são os atributos do espaço e o restante. Esta é a terceira criação, citada como relacionada com a Consciência. Da Mente surgiram os grandes elementos, (numerando cinco), ó rei! Saiba que esta é a quarta criação chamada mental, como eu digo. Pessoas conhecedoras dos elementos primordiais dizem que Som e Toque e Forma e Gosto e Cheiro são a quinta criação, relativa aos Grandes Elementos primordiais. A criação do Ouvido, da Pele, da Língua, e do Olfato, forma a sexta e é considerada como tendo por sua essência a multiplicidade de pensamento. Os sentidos que vêm depois do Ouvido e dos outros (isto é, os sentidos de ação) então surgem, ó monarca. Esta é chamada a sétima criação e se relaciona aos sentidos de Conhecimento. Então, ó monarca, vem o ar que sobe (Prana) e aqueles que têm um movimento transversal (Samana, Udana, e Vyana). Esta é a oitava criação e é chamada de Arjjava. (Arjjava significa ‘relativo a caminhos ou cursos retos’, assim chamada por causa da direção reta desses ares ou ventos.) Então vêm os ares que correm transversalmente nas partes inferiores do corpo (isto é, Samana, Udana e Vyana) e também aquele chamado Apana que ruma para baixo. Esta nona criação também é chamada de Arjjava, ó rei. Estes nove tipos de criação, e estes princípios, ó monarca, os quais numeram vinte e quatro, foram declarados para ti segundo o que está declarado nas escrituras. Depois disto, ó rei, ouça-me enquanto eu te falo as durações de tempo como indicadas pelos eruditos a respeito destes princípios ou atributos.'" 312 "Yajnavalkya disse, ‘Ouça-me, ó principal dos homens, enquanto eu te digo qual é a duração de tempo em relação ao Imanifesto (ou o Purusha Supremo). Dez mil Kalpas são citados como constituindo um único dia dele. A duração de sua noite é igual. Quando sua noite termina, ele desperta, ó monarca, e primeiro cria ervas e plantas que constituem o sustento de todas as criaturas incorporadas. Ele então cria Brahman que surge de um ovo dourado. Aquele Brahman é a forma de todas as coisas criadas, como tem sido ouvido por nós. Tendo morado por um ano inteiro dentro daquele ovo, o grande asceta Brahman, chamado também de Prajapati (Senhor de todas as criaturas), sai dele e cria a Terra inteira e o Céu acima. O Senhor então, isto é lido nos Vedas, ó rei, colocou o firmamento entre o Céu e a Terra separados um do outro. Sete mil e quinhentos Kalpas medem o dia de Brahman. Pessoas conhecedoras da ciência de Adhyatma dizem que sua noite também é de uma duração igual. Brahmana, chamado Mahan, então cria a Consciência chamada Bhuta (por causa de sua capacidade de criar os Grandes Bhutas, cinco em número), e dotada de essência excelente. Antes de criar quaisquer corpos físicos externos dos ingredientes chamados de Grandes elementos, Mahan ou Brahma, dotado de penitências, criou quatro outros chamados de seus filhos. Eles são os pais dos pais originais, ó melhores dos reis, como ouvido por nós. (Estes quatro são Mente, Buddhi ou Compreensão, Consciência, e Chitwa, que são os pais dos pais primordiais porque deles surgiram os Mahabhutas ou Grandes Criaturas, isto é, os cinco elementos primordiais.) Foi também ouvido por nós, ó monarca, que os sentidos (de conhecimento) junto com as quatro faculdades internas, surgiram dos (cinco Grandes Elementos chamados) Pitris, e que o universo inteiro de seres móveis e imóveis tem sido preenchido com aqueles Grandes elementos. (Os Devas são os Filhos dos Pitris; com os Devas, todos os mundos de Existência Móvel têm sido cobertos.) A Consciência pujante criou os cinco Bhutas. Estes são Terra, Ar, Espaço, Água, e Luz numerando o quinto. Esta Consciência (que é um Grande Ser e) de quem surge a terceira criação, tem cinco mil Kalpas como sua noite, e seu dia é de duração igual. Som, Toque, Forma, Gosto, e Cheiro, estes cinco são chamados de Visesha. Eles são inerentes aos cinco grandes Bhutas. Todas as criaturas, ó rei, permeadas incessantemente por estes cinco, desejam a companhia umas das outras, se tornam subservientes umas às outras; e desafiando umas às outras, transcendem umas às outras; e levadas por aqueles princípios imutáveis e sedutores, as criaturas matam umas às outras e vagam nesse mundo entrando em numerosas ordens de Existência. (Estes dois versos se referem ao poder dos atributos de som, etc., sobre Jiva. Amores e ódios, e todos os tipos de relacionamento de Jiva são devido à ação dos atributos citados.) Três milhares de Kalpas representam a duração de seu dia (dos Mahabhutas). A medida de sua noite também é a mesma. A Mente vaga sobre todas as coisas, ó rei, levada pelos Sentidos. Os Sentidos não percebem qualquer coisa. É a Mente que percebe através deles. O Olho vê formas quando ajudado pela Mente mas nunca por si mesmo. Quando a Mente está distraída, o Olho falha em perceber até os objetos inteiramente diante dele. Geralmente é dito que os Sentidos percebem. Isto não é verdade, pois é a Mente que percebe através dos Sentidos. Quando ocorre a cessação da atividade da Mente, a cessação da atividade dos Sentidos se segue. É a cessação da atividade dos Sentidos aquela que é a cessação da atividade da Mente. Deve-se assim considerar os Sentidos como estando sob a dominação da Mente. De fato, a Mente é citada como sendo o Senhor de todos os Sentidos. Ó tu de grande fama, estes são todos os vinte Bhutas no Universo.'" 313 "Yajnavalkya disse, ‘Eu te falei, uma depois da outra, a ordem da criação, com seu número total, dos vários princípios, como também a extensão da duração de cada um. Ouça-me agora enquanto eu te falo da destruição deles. Ouça como Brahman, que é eterno e imperecível, e que é sem início e sem fim, repetidamente cria e destrói todos os objetos criados. Quando seu dia termina e chega a noite, ele fica desejoso de dormir. Em tal hora o imanifesto e santo incita o Ser chamado Maharudra, que é consciente dos seus grandes poderes, (para destruir o mundo). Incitado pelo imanifesto, aquele Ser assumindo a forma de Surya de centenas de milhares de raios, se divide em uma dúzia de partes cada uma parecendo com um fogo ardente. Ele então consome com sua energia, ó monarca, sem qualquer perda de tempo, as quatro espécies de seres criados, isto é, vivíparos, ovíparos, nascidos da sujeira, e vegetais. Dentro de um piscar de olhos todas as criaturas móveis e imóveis sendo assim destruídas, a Terra se torna por todos os lados tão despida quanto uma casca de tartaruga. Tendo queimado tudo sobre a face da Terra, Rudra, de poder incomensurável, então rapidamente enche a Terra nua com Água possuidora de grande força. Ele então cria o fogo-Yuga que seca completamente aquela Água (na qual a Terra nua foi dissolvida). A Água desaparecendo, o grande elemento do Fogo continua a queimar violentamente. Então vem o poderoso Vento de força incomensurável, em suas oito formas, que consome rapidamente aquele fogo ardente de força transcendente, possuidor de sete chamas, e identificável com o calor existente em todas as criaturas. Tendo consumido aquele fogo, o Vento corre em todas as direções, para cima, para baixo, e transversalmente. Então o Espaço de extensão incomensurável consome aquele Vento de energia transcendente. Então a Mente consome alegremente aquele Espaço incomensurável. Então aquele Senhor de todas as criaturas, isto é, a Consciência, que é a Alma de todas as coisas, consome a Mente. A Consciência, por sua vez, é consumida pela alma Mahat que conhece o Passado, o Presente, e o Futuro. A incomparável alma Mahat ou Universo é então consumida por Sambhu, aquele Senhor de todas as coisas, a quem os atributos de Yoga de Anima, Laghima, Prapti, etc., inerem naturalmente, que é considerado como a Refulgência Suprema e pura que é Imutável. Suas mãos e pés se estendem sobre todas as partes; seus olhos e cabeças e rostos estão em todos os lugares, seus ouvidos alcançam todos os lugares, e ele existe subjugando todas as coisas. Ele é o coração de todas as criaturas; Sua medida é a de um dígito do polegar. Aquela Alma Infinita e Suprema, aquele Senhor de tudo, assim consome o Universo. Depois disso, o que permanece é o Imperecível e o Imutável. Alguém que não tem defeitos de qualquer tipo, que é o Criador do Passado, do Presente, e do Futuro; e que é perfeitamente impecável. Eu assim, ó monarca, devidamente te falei da Destruição. Eu irei agora discursar para ti sobre os assuntos de Adhyatma, Adhibhuta, e Adhidaivata.'” 314 'Yajnavalkya disse, ‘Brahmanas conhecedores dos tópicos de investigação falam dos dois pés como Adhyatma, da ação de andar como Adhibhuta, e de Vishnu como Adhidaivatam (daqueles dois membros). O ducto inferior é Adhyatma; sua função de expulsar as fezes é Adhibhuta, e Mitra (Surya) é o Adhidaivata (daquele órgão). O órgão de geração é chamado Adhyatma. Sua função agradável é chamada Adhibhuta, e Prajapati é seu Adhidaivata. As mãos são Adhyatma; sua função como representada por ações é Adhibhuta; e Indra é o Adhidaivata daqueles membros. Os órgãos da fala são Adhyatma; as palavras proferidas por eles são Adhibhuta; e Agni é seu Adhidaivata. O olho é Adhyatma; visão ou forma é seu Adhibhuta; e Surya é o Adhidaivata daquele órgão. O ouvido é Adhyatma; o som é Adhibhuta; e os pontos do horizonte são seu Adhidaivata. A língua é Adhyatma, o gosto é seu Adhibhuta; e a Água é seu Adhidaivata. O sentido do olfato é Adhyatma; o odor é seu Adhibhuta; e a Terra é seu Adhidaivata. A pele é Adhyatma; o toque é seu Adhibhuta; e o Vento é seu Adhidaivata. A mente é chamada de Adhyatma; aquilo com o qual a Mente está ocupada é Adhibhuta; e Chandramas é seu Adhidaivata. Consciência é Adhyatma; a convicção da própria identidade com Prakriti é seu Adhibhuta; e Mahat ou Buddhi é seu Adhidaivata. Buddhi é Adhyatma; aquilo que é para ser compreendido é seu Adhibhuta; e Kshetrajna é seu Adhidaivata. Eu assim realmente expus para ti, ó rei, com seus detalhes tomados individualmente, a pujança do Supremo (em Se manifestar em diferentes formas) no início, no meio, e no fim, ó tu que conheces completamente a natureza dos tópicos ou princípios originais. Prakriti, alegremente e por sua própria iniciativa, como se por esporte, ó monarca, produz, por sofrer modificações em si mesma, milhares e milhares de combinações de suas transformações originais chamadas Gunahs. Como homens podem acender milhares de lâmpadas somente de uma única lâmpada, da mesma maneira Prakriti, por modificação, multiplica em milhares de objetos existentes os (três) atributos (de Sattwa e Rajas e Tamas) de Purusha. Paciência, alegria, prosperidade, satisfação, claridade de todas as faculdades, felicidade, pureza, saúde, contentamento, fé, generosidade, compaixão, perdão, firmeza, benevolência, equanimidade, verdade, quitação de obrigações, suavidade, modéstia, tranquilidade, pureza externa, simplicidade, observância de práticas obrigatórias, desapaixonamento, destemor de coração, indiferença pelo aparecimento ou não de bem e mal como também por ações passadas, apropriação de objetos somente quando obtidos por doações, a ausência de cobiça, respeito pelos interesses de outros, compaixão por todas as criaturas; estas têm sido citadas como as qualidades ligadas ao atributo de Sattwa. A lista das qualidades que se vinculam ao atributo de Rajas consiste em orgulho de beleza pessoal, afirmação de domínio, guerra, desinclinação para doar, ausência de compaixão, desfrute ou tolerância de felicidade e tristeza, prazer em de falar mal de outros, indulgência em discussões e disputas de todos os tipos, arrogância, indelicadeza, ansiedade, indulgência em hostilidades, tristeza, apropriação do que pertence aos outros, cinismo, desonestidade, desuniões, aspereza, luxúria, ira, orgulho, afirmação de superioridade, malícia, e calúnia. Estas são citadas como surgindo dos atributos de Rajas. Eu agora te falarei daquele conjunto de qualidades que surgem de Tamas. Elas são adormecimento do raciocínio, obscurecimento de todas as faculdades, escuridão e escuridão cega. Por escuridão é implicada morte, e por escuridão cega se quer dizer a ira. Além dessas, as outras indicações de Tamas são ganância em relação a todos os tipos e alimento, apetite contínuo por comida e bebida, gostar de perfumes e vestes e esportes e camas e assentos e dormir durante o dia e maledicência e todos os tipos de ações procedendo da negligência, ter prazer, por ignorância (de fontes mais puras de alegria) em dançar e em música instrumental e vocal, e aversão por todos os tipos de religião. Estas, de fato, são as indicações de Tamas.'” 315 "'Yajnavalkya disse, ‘Estes três, ó principal dos homens, (isto é, Sattwa, Rajas,e Tamas), são os atributos de Prakriti. Estes se ligam a todas as coisas do universo e sempre são inerentes a eles. O Purusha Imanifesto dotado dos seis atributos de Yoga se transforma por si mesmo em centenas e milhares e milhões e milhões de formas (por aceitar estes três atributos). Aqueles que estão familiarizados com a ciência de Adhyatma dizem que para o atributo de Sattwa está designado um lugar alto, para Rajas um mediano, e para Tamas, um lugar baixo no universo. Pela ajuda da virtude pura alguém alcança um fim elevado (isto é, aquele das divindades ou de outros seres celestiais). Pela virtude misturada com pecado alguém obtém a posição de humanidade. Enquanto através do pecado puro alguém afunda em um fim vil (por se tornar um animal ou um vegetal etc.). Escute agora a mim, ó rei, enquanto eu te falo da mistura ou combinações dos três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Às vezes Rajas é visto existindo com Sattwa. Tamas também existe com Rajas. Com Tamas também pode ser visto Sattwa. Então também podem Sattwa e Rajas e Tamas ser vistos existindo juntos e em proporções iguais. Eles constituem o Imanifesto ou Prakriti. Quando o Imanifesto (Purusha) vem a ser dotado somente de Sattwa, ele alcança as regiões das divindades. Dotado de Sattwa e Rajas, ele nasce entre os seres humanos. Dotado de Rajas e Tawas, ele nasce entre a classe de existência intermediária. Dotado de todos os três, isto é, Sattwa e Rajas e Tamas, ele alcança a posição de humanidade. Aquelas pessoas de grande alma que transcendem a virtude e o pecado, isto é dito, alcançam aquele local que é eterno, imutável, imperecível, e imortal. Homens de conhecimento obtêm nascimentos que são muito superiores, e seu lugar é impecável e imperecível, transcendendo o alcance dos sentidos, livre da ignorância, acima de nascimento e morte, e cheio de luz que dissipa todos os tipos de escuridão. Tu me perguntaste acerca da natureza do Supremo residindo no Imanifesto, (isto é, Purusha). Eu te falarei, ouça-me, ó rei. Mesmo quando residindo em Prakriti, Ele é citado como residindo em Sua própria natureza sem partilhar da natureza de Prakriti. (Purusha, mesmo quando residindo no invólucro que Prakriti fornece para ele, não partilha da natureza de Prakriti mas continua a ser não corrompido por ela.) Prakriti, ó rei, é inanimada e ininteligente. Somente quando presidida por Purusha, ela pode então criar e destruir.’” "'Janaka disse, ‘Ambos, Prakriti e Purusha, ó tu de grande inteligência, são sem início e sem fim. Ambos não têm forma. Ambos são imperecíveis. Ambos, também, são incompreensíveis. Como então, ó principal dos Rishis, pode ser dito que um deles é inanimado e ininteligente? Como, também, o outro é citado como sendo animado e inteligente? E por que o último é chamado de Kshetrajna? Tu, ó principal dos Brahmanas, conheces completamente toda a religião da Emancipação. Eu desejo ouvir em detalhes sobre a religião da Emancipação em sua totalidade. Fale para mim então da existência e Unidade de Purusha, de sua separatividade de Prakriti, das divindades que se ligam ao corpo, do lugar para o qual as criaturas incorporadas vão quando elas morrem, e daquele lugar para o qual elas podem no final, com o decorrer do tempo, ser capazes de ir. Fale-me também do Conhecimento descrito no sistema Sankhya, e do sistema Yoga separadamente. Cabe a ti também falar dos sintomas premonitórios de morte, ó melhor dos homens. Todos esses tópicos são bem conhecidos por ti assim como um (emblic) myrobalan (fruto da groselheira-espinhosa) em tua mão!'" 316 "'Yajnavalkya disse, ‘Aquilo que é sem atributos, ó filho, nunca pode ser explicado por atribuir atributos a ele. Ouça-me, no entanto, enquanto eu te explico o que é possuidor de atributos e o que é destituído deles. Munis de grande alma conhecedores da verdade com relação a todos os tópicos ou princípios dizem que quando Purusha apreende atributos como um cristal capturando o reflexo de uma flor vermelha, ele vem a ser chamado como possuidor de atributos; mas quando livre de atributos como o cristal livre do reflexo, ele vem a ser observado em sua natureza real, ou seja, como além de todos os atributos. A Prakriti Imanifesta é por sua natureza dotada de atributos. Ela não pode transcendê-los. Desprovida de inteligência por natureza, ela se torna ligada aos atributos. A Prakriti Imanifesta não pode conhecer alguma coisa, enquanto Purusha, por sua natureza, é possuidor de conhecimento, ‘Não há nada maior do que eu mesmo’, disso mesmo é que Purusha está sempre consciente. Por esta razão o imanifesto (ou Prakriti), embora naturalmente inanimado e ininteligente, ainda se torna inanimado e inteligente por sua união com Purusha que é Eterno e Indestrutível em vez de permanecer em sua própria natureza devido à destrutibilidade. (Prakriti, a qual é realmente ininteligente e incapaz de gozo e sofrimento, se torna inteligente e capaz de gozo ou sofrimento por estar unida com Purusha que é inteligente. Dessa maneira quando sensações aprazíveis ou dolorosas são sentidas, é o corpo que parece senti-las somente por causa da Alma que preside sobre ele.) Quando Purusha, por ignorância, se torna associado com atributos repetidamente, ele falha em compreender sua própria natureza real e portanto ele fracassa em alcançar a Emancipação. Pelo domínio de Purusha sobre os princípios que fluem de Prakriti, é dito que ele partilha da natureza daqueles princípios. Por causa também de sua agência na questão da criação, é dito que ele possui o atributo de criação. Por sua agência na questão do Yoga, é dito que ele possui o atributo do Yoga. Por seu domínio sobre aqueles princípios específicos conhecidos pelo nome de Prakriti, é dito que ele possui a natureza de Prakriti. Por sua agência na questão de criar as sementes (de todos os objetos imóveis), é dito que ele partilha da natureza daquelas sementes. E porque ele faz os vários princípios ou atributos começarem a viver, ele é, portanto, citado como estando sujeito à decadência e destruição (pois aqueles mesmos princípios estão sujeitos a isso). Por ele ser também a testemunha de tudo, e também por não haver nada mais além dele, como também por sua consciência de identidade com Prakriti, Yatis coroados com êxito ascético, conhecedores de Adhyatma, e livres de febre de todos os tipos, o consideram como existindo por si mesmo sem um segundo, imutável, imanifesto (na forma de causa), instável, e manifesto (na forma de efeitos). Isto é o que foi ouvido por nós. Aqueles Sankhyas, no entanto, que dependem somente do Conhecimento (para sua Emancipação) e da prática de compaixão por todas as criaturas, dizem que é Prakriti que é Única mas que Purushas são muitos. (Isto se refere à opinião dos Sankhyas ateístas.) Na realidade, Purusha é diferente de Prakriti, a qual embora instável, ainda aparece como estável. Como uma folha de junco é diferente de sua cobertura exterior, assim mesmo Purusha é diferente de Prakriti. De fato, o verme que está acomodado dentro do Udumvara deve ser conhecido como diferente do Udumvara. Embora existindo com o Udumvara, o verme não deve ser considerado como formando uma parte do Udumvara. O peixe é distinto da água na qual ele vive, e a água é distinta do peixe que vive nela. Embora o peixe e a água existam juntos, ainda assim ele nunca é encharcado pela água. O fogo que está contido em uma panela de barro é distinto da panela de barro, e a panela é distinta do fogo que ela contém. Embora o fogo exista dentro e com a panela, ainda assim ele não deve ser considerado como formando alguma parte dela. A folha de lótus que flutua sobre uma quantidade de água é distinta da parte de água na qual ela flutua. Sua coexistência com a água não a faz uma parte da água. A existência perene daqueles objetos em e com aqueles mencionados nunca é entendida corretamente por pessoas comuns. Aqueles que vêem Prakriti e Purusha de algum outro ponto de vista são citados como possuidores de uma opinião que é incorreta. É certo que eles têm que afundar repetidamente no inferno terrível. Eu assim te falei da filosofia dos Sankhyas, aquela ciência excelente pela qual todas as coisas têm sido averiguadas corretamente. Averiguando a natureza de Purusha e Prakriti dessa maneira, os Sankhyas alcançam a Emancipação. Eu também te falei dos sistemas daqueles outros que estão familiarizados com os grandes princípios do universo. Eu agora te falarei da ciência dos Yogins.'" 317 "Yajnavalkya disse, ‘Eu já te falei da ciência dos Sankhyas. Ouça-me agora enquanto eu te falo realmente da ciência dos Yogins como ouvida e vista por mim, ó melhor dos reis! Não há conhecimento que possa se comparar com aquele dos Sankhyas. Não há força que se compare com aquela do Yoga. Estes dois ordenam as mesmas práticas, e ambos são considerados como capazes de levar à Emancipação. Aqueles homens que não são abençoados com inteligência consideram os sistemas Sankhya e Yoga como sendo diferentes um do outro. Nós, no entanto, ó rei, os consideramos como um e o mesmo, de acordo com a conclusão à qual nós chegamos (depois de estudo e reflexão). Aquilo que os Yogins têm em vista é o mesmo que os Sankhyas também têm em vista. Aquele que vê ambos os sistemas Sankhya e Yoga como idênticos é para ser considerado como realmente conhecedor dos tópicos ou princípios que ordenam o universo. Saiba, ó rei, que os ares vitais e os sentidos são os principais meios para praticar Yoga. Somente por regular aqueles ares e os sentidos, os Yogins vagam por todos os lugares à sua vontade; (em seus corpos sutis ou linga-sarira). Quando o corpo grosseiro é destruído, os Yogins, dotados de corpos sutis possuidores dos oito atributos de Yoga de Anima, Laghima, Prapti, etc., vagam pelo universo, desfrutando (naquele corpo) de todos os tipos de felicidade, ó impecável. Os sábios, nas escrituras, têm falado de Yoga como concedendo oito tipos de força. Eles têm falado de Yoga como possuidor de oito membros. (Que são Pranayama, Pratyahara, Dhyana, Dharana, Tarka, Samadhi, com os dois adicionais de Yama e Niyama.) De fato, ó rei, eles não têm falado de qualquer outro tipo de Yoga. É dito que as práticas dos Yogins, excelentes como elas são (por seus resultados), são de dois tipos. Aqueles dois tipos, segundo as indicações existentes nas escrituras, são práticas dotadas de atributos e aquelas livres de atributos. A concentração da mente (Dharana) nos dezesseis objetos citados (nos tratados sobre Yoga), com regulação simultânea da respiração, ó rei, é um tipo. A concentração da mente de tal maneira quanto a destruir toda a diferença entre o contemplador, o objeto contemplado, e o ato de contemplação junto com a subjugação dos sentidos, é de outro tipo. O primeiro tipo de Yoga é citado como possuidor de atributos; o segundo tipo é citado como sendo livre de atributos. Então, também, a regulação da respiração é Yoga com atributos. No Yoga sem atributos, a mente, livre de suas funções, deve ser fixada. Somente a regulação da respiração que é citada como sendo dotada de atributos deve, em primeiro lugar, ser praticada, pois, ó soberano de Mithila, se a respiração (que é inalada e suspensa) for expirada sem refletir mentalmente durante esse tempo sobre uma imagem definida (fornecida por um mantra restrito), o ar no sistema do neófito irá aumentar para seu grande prejuízo. (Em Saguna Pranayama, quando o ar é inalado, a inalação é medida pelo tempo tomado em recitar mentalmente um mantra bem conhecido. Assim quando a respiração inalada é suspensa, a suspensão é medida pelo tempo tomado para recitar mentalmente um mantra específico. Quando, portanto, o fôlego suspenso deve ser expirado, isto deve ser feito por medir o tempo da expiração da mesma maneira. Para principiantes, este Saguna Pranayama é recomendado. Naturalmente somente a exalação foi citada mas isto se aplica igualmente à inalação e suspensão. Estes três processos, em linguagem de Yoga, são Puraka, Kumbhaka, e Rechaka.) No primeiro Yama da noite, doze meios de reter a respiração são recomendados. Depois do sono, no último Yama da noite, outras doze maneiras de fazer o mesmo são prescritas. Sem dúvida, alguém dotado de tranquilidade, de sentidos subjugados, vivendo em isolamento, se regozijando em si mesmo, e totalmente conhecedor da importância das escrituras, deve (regulando sua respiração dessas vinte e quatro maneiras) fixar a própria Alma (na Alma Suprema). Dissipando as cinco imperfeições dos cinco sentidos, isto é, (retirando-os de seus objetos de) som, forma, toque, gosto, e cheiro, e dissipando aquelas condições chamadas Pratibha e Apavarga, ó soberano dos Mithilas, todos os sentidos devem ser fixados na mente. A mente deve então ser fixada na Consciência, ó rei, a Consciência deve em seguida ser fixada na inteligência ou Buddhi, e Buddhi deve então ser fixada em Prakriti. Fundindo dessa maneira estes um depois do outro, Yogins contemplam a Alma Suprema que é Una, que é livre de Rajas, que é imaculada, que é Imutável e Infinita e Pura e sem defeitos, que é Purusha Eterno, que é Imutável, que é Indivisível, que é sem decadência e morte, que é eterna, que transcende diminuição, e que é Brahma Imutável. Escute agora, ó monarca, as indicações de alguém que está em Yoga. Todas as indicações de contentamento alegre que são daquele que está dormindo satisfeito são vistos na pessoa que está em Samadhi. A pessoa em Samadhi, os sábios dizem, parece com a chama fixa e ascendente de uma lâmpada que está cheia de óleo e que queima em um local sem brisa. Ele é como uma rocha que não pode ser movida no menor grau mesmo por um aguaceiro pesado das nuvens. Ele não pode ser alterado pelo barulho de conchas e baterias, ou por canções ou pelo som de centenas de instrumentos musicais batidos ou soprados juntos. Esta mesma é a indicação de alguém em Samadhi. Como um homem de coragem fria e determinação, enquanto subindo uma escada com um recipiente cheio de óleo em sua mão, não derrama nem uma gota do líquido se assustado e ameaçado por pessoas armadas com armas, assim mesmo o Yogin, quando sua mente foi concentrada e quando ele contempla a Alma Suprema em Samadhi, por causa da parada total das funções de seus sentidos em tal momento, não se move no menor grau. Exatamente estas devem ser conhecidas como as indicações do Yogin enquanto ele está em Samadhi. Enquanto em Samadhi, o Yogin vê Brahma que é Supremo e Imutável, e que está situado como uma Refulgência ardente no meio da densa Escuridão. É por estes meios que ele alcança, depois de muitos anos, a Emancipação depois de abandonar este corpo inanimado. Isso mesmo é o que o Sruti eterno declara. Isso é chamado de Yoga dos Yogins. O que mais é isso? Conhecendo-o, aqueles que são dotados de sabedoria se consideram coroados com sucesso.’” 318 'Yajnavalkya disse, ‘Escute agora a mim, com atenção, ó rei, quanto a quais são os lugares para os quais aqueles que morreram têm que ir. Se a alma Jiva escapa através dos pés, é dito que o homem vai para a região de Vishnu. Se através das panturrilhas, é sabido por nós que o homem vai para as regiões dos Vasus. Se através dos joelhos, ele alcança a companhia daquelas divindades que são chamadas de Sadhyas. Se através do ducto inferior, o homem alcança as regiões de Mitra. Se através dos dorsais, o homem volta à Terra, e se pelas coxas para a região de Prajapati. Se através dos flancos, o homem alcança as regiões dos Maruts, e se através das narinas, a região de Chandramas. Se pelos braços, o homem vai à região de Indra, e se através do peito, para aquela de Rudra. Se através do pescoço, o homem vai para a região excelente daquele principal dos ascetas conhecido pelo nome de Nara. Se através da boca, o homem alcança a região dos Viswadevas e se através das orelhas, à região das divindades dos vários pontos do horizonte. Se através do nariz, o homem alcança a região do Deus do Vento; e se através dos olhos, a região de Agni. Se através das sobrancelhas, o homem vai para a região dos Aswins; e se através da testa, para aquela dos Pitris. Se através do topo da cabeça, o homem alcança a região do pujante Brahman, aquele principal dos deuses. Eu assim te disse, ó soberano de Mithila, os vários lugares para os quais os homens vão de acordo com a maneira pela qual suas almas Jiva saem de seus corpos. Eu agora te falarei da indicação premonitória, como declarada pelos sábios, daqueles que têm somente um ano de vida. Alguém, que tendo anteriormente visto a estrela fixa chamada Arandhati, falha em vê-la, ou aquela outra estrela chamada Dhruva (a estrela Polar), ou alguém que vê a Lua cheia ou a chama de uma lâmpada ardente ser desviada em direção ao sul, tem somente um ano de vida. Aqueles homens, ó rei, que não podem mais ver imagens deles mesmos refletidas nos olhos de outros, têm somente um ano de vida. Alguém que, sendo dotado de esplendor o perde, ou sendo dotado de sabedoria a perde, de fato, alguém cuja natureza interna e externa é assim mudada, tem somente seis meses mais de vida. Aquele que desrespeita as divindades, ou briga com os Brahmanas, ou alguém que, sendo naturalmente de uma cor escura fica com uma cor pálida, tem somente seis meses mais de vida. Alguém que vê o disco lunar ter muitos buracos como uma teia de aranha, ou alguém que vê o disco solar ter buracos similares tem somente uma semana mais para viver. Alguém que, quando cheirando perfumes fragrantes em lugares de culto, os percebe como sendo tão ofensivos quanto o cheiro de cadáveres, tem somente uma semana mais de vida. O enfraquecimento de atividade do nariz ou dos ouvidos, a descoloração dos dentes ou dos olhos, a perda de toda a consciência, e a perda também de todo calor animal, são sintomas indicando a morte naquele mesmo dia. Se, sem qualquer causa perceptível, uma corrente de lágrimas flui de repente do olho esquerdo de alguém, e se vapores são vistos emanarem de sua cabeça, esta é uma indicação certa de que o homem irá morrer antes daquele dia terminar. Conhecendo todos esses sintomas premonitórios, o homem de alma purificada dia e noite une sua alma com a Alma Suprema (em Samadhi). Assim ele deve continuar até que chegue o dia de sua dissolução. Se, no entanto, em vez de desejar morrer ele deseja viver neste mundo, ele rejeita todos os prazeres, todos os perfumes e gostos, ó rei, e vive em abstinência. Ele assim conquista a morte por fixar sua alma na Alma Suprema. De fato, o homem que é abençoado com conhecimento da Alma, ó monarca, pratica o rumo de vida recomendado pelos Sankhyas e conquista a morte por unir sua alma com a Alma Suprema. Finalmente, ele alcança ao que é totalmente indestrutível, que é sem nascimento, que é auspicioso, e imutável, e eterno, e estável, e que não pode ser alcançado por homens de almas impuras.'" 319 "Yajnavalkya disse, 'Tu me perguntaste, ó monarca, daquele Brahma Supremo que reside no Imanifesto. A tua questão diz respeito a um mistério profundo. Ouça-me com atenção cuidadosa, ó rei! Tendo me comportado com humildade segundo as ordenanças declaradas pelos Rishis eu obtive os Yajushes, ó rei, de Surya. Com as penitências mais austeras eu antigamente adorei a divindade que dá calor. O pujante Surya, ó impecável, satisfeito comigo, disse, ‘Peça, ó Rishi regenerado, o benefício sobre o qual tu colocaste teu coração, embora ele possa ser de aquisição difícil, eu irei, com alma alegre, concedê-lo para ti. É muito difícil me inclinar à graça!’ Reverenciando-o com uma inclinação de minha cabeça, aquele principal dos corpos luminosos dador de calor foi endereçado por mim nestas palavras, ‘Eu não tenho conhecimento dos Yajushes. Eu desejo conhecê- los sem perda de tempo!’ O santo, assim solicitado, me disse, ‘Eu te darei os Yajushes. Composta da essência da palavra, a deusa Saraswati entrará em teu corpo.’ A divindade então me mandou abrir minha boca. Eu fiz como tinha sido mandado. A deusa Saraswati então entrou em meu corpo, ó impecável. Nisto, eu comecei a queimar. Incapaz de suportar a dor eu mergulhei em um rio. Não compreendendo que o que Surya de grande alma tinha feito para mim era para o meu bem, eu fiquei até zangado com ele. Enquanto eu estava queimando com a energia da deusa, o santo Surya me disse, ‘Aguente essa sensação ardente somente por pouco tempo. Isso logo cessará e tu ficarás frio.’ De fato eu fiquei frio. Me vendo restabelecido à tranquilidade, o Fazedor de luz me disse, ‘Todos os Vedas, mesmo com aquelas partes que são consideradas como seu apêndice, junto com os Upanishads, aparecerão em ti por luz interior, ó regenerado! Os Satapathas inteiros também tu irás editar, ó principal dos regenerados. Depois disso, tua compreensão se voltará para o caminho da Emancipação. Tu também alcançarás aquele fim que é desejável e que é cobiçado por Sankhyas e Yogins!’ Tendo dito estas palavras para mim, o divino Surya procedeu para as colinas Asta. Ouvindo suas últimas palavras, e depois que ele tinha partido do local onde eu estava, eu fui para casa em alegria e então me lembrei da deusa Saraswati. Lembrada por mim, a auspiciosa Saraswati apareceu imediatamente diante de meus olhos, adornada com todas as vogais e as consoantes e tendo colocado a sílaba Om na dianteira. Eu então, de acordo com a ordenança, ofereci para a deusa o Arghya usual, e dediquei outro para Surya, aquela principal de todas as divindades que dão calor. Cumprindo este dever eu tomei meu assento, devotado a ambas aquelas divindades. Então, todos os Brahmanas Satapatha, com todos os seus mistérios e com todos os seus resumos como também seus apêndices, apareceram perante minha visão mental, pelo qual eu fiquei cheio de grande alegria. Eu então os ensinei para uma centena de bons discípulos e assim fiz o que era desagradável para meu tio materno de grande alma (Vaisampayana) com os discípulos reunidos ao redor dele. (Pois Vaisampayana era um reconhecido professor dos Vedas e ficou com ciúmes quando seu sobrinho Yajnavalkya, tendo obtido os Vedas de Surya, começou a ensiná-los.) Então, brilhando no meio de meus discípulos como o próprio Sol com seus raios, eu peguei a administração do Sacrifício do teu pai de grande alma, ó rei. Naquele Sacrifício surgiu uma disputa entre mim e meu tio materno quanto a quem deveria ser permitido se apropriar do Dakshina que foi pago pela recitação dos Vedas. Na própria presença de Devala, eu peguei metade daquele Dakshina (a outra metade indo para meu tio materno). Teu pai e Sumantra e Paila e Jaimini e outros contratados todos concordaram com esse acordo. (Isto mostra que eu fui então considerado como igual ao próprio Vaisampayana na questão de conhecimento Védico. Sumanta e Paila e Jaimini, com Vaisampayana foram os Rishis que ajudaram o grande Vyasa na tarefa de organizar os Vedas).” 'Eu assim obtive de Surya os cinquenta Yajushes, ó monarca. Eu então estudei os Puranas com Romaharshana. Mantendo perante mim aqueles Mantras (originais) e a deusa Saraswati, eu então, ó rei, ajudado pela inspiração de Surya, me pus a compilar os excelentes Brahmanas Satapatha, e consegui realizar a tarefa nunca antes empreendida por ninguém mais. Aquele caminho o qual eu tinha desejado tomar foi tomado por mim e eu também o ensinei para meus discípulos. De fato, todos aqueles Vedas com seus resumos foram dados por mim para aqueles meus discípulos. Puros em mente e corpo, todos aqueles discípulos, pelas minhas instruções, ficaram cheios de alegria. Tendo estabelecido (para o uso de outros) este conhecimento consistindo em cinquenta ramos que eu obtive de Surya, eu agora medito no grande objeto daquele conhecimento (isto é, Brahma). O Gandharva Viswavas, bom conhecedor das escrituras Vedanta, desejoso, ó rei, de averiguar o que é benéfico para os Brahmanas neste conhecimento e qual verdade se encontra nele, e qual é o objeto excelente deste conhecimento, uma vez me questionou. Ele me fez ao todo vinte e quatro perguntas, ó rei, relativas aos Vedas. Finalmente, ele me fez uma vigésima quinta pergunta, relacionada ao ramo de conhecimento que diz respeito às inferências de raciocínio. Aquelas questões são as seguintes: O que é universo e o que é não- Universo? O que é Aswa e Aswa? O que é Mitra? O que é Varuna? O que é o Conhecimento? O que é Objeto de conhecimento? O que é Ininteligente? O que é Inteligente? Quem é Kah? Quem é possuidor do princípio de mudança? Quem não é possuidor do mesmo? O que é que devora o Sol e o que é o Sol? O que é Vidya e o que é Avidya? O que é Imóvel e o que é Móvel? O que não tem começo, o que é Indestrutível, e o que é Destrutível? Estas foram as perguntas excelentes feitas a mim por aquele principal dos Gandharvas. Depois que o rei Viswavasu, aquele principal dos Gandharvas, tinha me feito estas perguntas uma depois da outra, eu as respondi devidamente. A princípio, no entanto, eu disse a ele, ‘Espere por um breve espaço de tempo, até eu refletir sobre tuas perguntas!’ ‘Assim seja’, o Gandharva disse, e ficou em silêncio. Eu então pensei mais uma vez na deusa Saraswati em minha mente. As respostas então para aquelas questões então surgiram naturalmente em minha mente como manteiga de coalhos. Mantendo em vista a elevada ciência do raciocínio inferencial, eu bati com minha mente, ó monarca, os Upanishads e as escrituras suplementares relativas aos Vedas. A quarta ciência (as outras três sendo os Vedas, cultura Eixo, e a ciência de moralidade e punição), então, que trata da Emancipação, ó principal dos reis, e sobre a qual eu já te falei, e que é baseada sobre o vigésimo quinto, isto é, Jiva, eu então expliquei para ele. Tendo dito tudo isso, ó monarca, para o rei Viswavasu, eu então me dirigi a ele, dizendo, ‘Ouça agora as respostas que eu dou para as várias perguntas que tu me fizeste. Eu agora me dirijo à pergunta, ó Gandharva, que tu fizeste, isto é, ‘O que é Universo e o que é não-Universo? O Universo é Prakriti Imanifesta e original dotada dos princípios de nascimento e morte que são terríveis (para aqueles que desejam a Emancipação). Ela é, além disso, possuidora dos três atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas em proporções exatamente iguais), por produzir princípios todos os quais estão repletos daqueles atributos. (Todos os princípios de Mahat, etc., que fluem de Prakriti, são caracterizados por esses três atributos em diversas proporções.) Aquilo que é Não-universo é Purusha desprovido de todos os atributos. Por Aswa e Aswa se quer dizer o feminino e o masculino, isto é, a primeira é Prakriti e o último é Purusha. Similarmente, Mitra (a divindade que dá luz e calor) é Purusha, e Varuna (as águas que compõem o universo) é Prakriti. O conhecimento, também, é citado como sendo Prakriti, enquanto o objeto a ser conhecido é chamado de Purusha. O Ignorante (Jiva), e o Conhecedor ou Inteligente são ambos Purusha sem atributos (pois é Purusha que se torna Jiva quando investido com Ignorância). Tu perguntaste o que é Kah, o que é dotado de mudança e o que não é dotado dela. Eu respondo, Kah é Purusha (Ananda ou bem-aventurança). Aquilo que é dotado de mudança é Prakriti. Aquilo não dotado dela é Purusha. Similarmente, aquilo que é chamado de Avidya (o incompreensível) é Prakriti; e aquilo que é chamado de Vidya é Purusha. Tu me perguntaste acerca do Móvel e do Imóvel. Ouça qual é minha resposta. Aquilo que é móvel é Prakriti, a qual, passando por modificação, constitui a causa da Criação e Destruição. O Imóvel é Purusha, pois sem sofrer modificações ele ajuda na Criação e Destruição. (Segundo um sistema diferente de filosofia) aquilo que é Vedya é Prakriti; enquanto aquilo que é Avedya é Purusha. Ambos Prakriti e Purusha são citados como sendo ininteligentes, estáveis, indestrutíveis, não nascidos e eternos, segundo as conclusões às quais chegaram filósofos conhecedores dos tópicos incluídos no nome de Adhyatma. Por causa da indestrutibilidade de Prakriti na questão da Criação, Prakriti, que é não nascida, é considerada como não sujeita à decadência ou destruição. Purusha, também, é indestrutível e imutável, pois ele não tem mudanças. Os atributos que residem em Prakriti são destrutíveis, mas não a própria Prakriti. Os eruditos, portanto, chamam Prakriti de indestrutível. Prakriti também, por sofrer modificações, opera como a causa da Criação. Os resultados criados aparecem e desaparecem, mas não a Prakriti original. Por isso Prakriti também é chamada de indestrutível. Dessa maneira eu te disse as conclusões da Quarta Ciência baseada nos princípios de inferência raciocinativa e que tem Emancipação como seu fim. Tendo adquirido pela ciência de inferência raciocinativa e por servir preceptores, o Rik, os Samans, e os Yajushes, todas as práticas obrigatórias devem ser observadas e todos os Vedas estudados com reverência, ó Viswavasu! Ó principal dos Gandharvas, aqueles que estudam os Vedas com todos os seus ramos, mas que não conhecem a Alma Suprema da qual todas as coisas têm seu nascimento e na qual todas as coisas são absorvidas quando chega a destruição, e que é o único objeto cujo conhecimento os Vedas procuram inculcar; de fato, aqueles que não conhecem aquilo que os Vedas procuram estabelecer, estudam os Vedas inutilmente e carregam sua carga de tal estudo em vão. Se uma pessoa desejosa de manteiga bate leite de jumenta, sem achar o que procura ela simplesmente encontrará uma substância que tem um cheiro tão repugnante quanto esterco. Da mesma maneira, se alguém, tendo estudado os Vedas, fracassa em compreender o que é Prakriti e o que é Purusha, ele somente demonstra sua própria tolice de entendimento e carrega uma carga inútil (na forma de erudição Védica). (A comparação se encontra na tolice das duas pessoas indicadas. Alguém batendo leite de jumenta em busca de manteiga é somente um tolo. Similarmente, alguém fracassando em compreender a natureza de Prakriti e Purusha a partir dos Vedas é somente um tolo.) Uma pessoa deve, com atenção dedicada, refletir sobre Prakriti e Purusha, para que ele possa evitar repetidos nascimentos e mortes. Refletir sobre o fato dos próprios nascimentos e mortes repetidos e evitar a religião das ações que é produtiva na melhor das hipóteses de resultados destrutíveis, ela deve se dirigir à indestrutível religião de Yoga. Ó Kasyapa, se alguém reflete continuamente sobre a natureza da alma Jiva e sua conexão com a Alma Suprema, ele então consegue se livrar de todos atributos e ver a Alma Suprema. A Eterna e Imanifesta Alma Suprema é considerada por homens inteligência superficial como sendo diferente do vigésimo quinto ou alma Jiva. Aqueles que são dotados de sabedoria vêem ambas como realmente idênticas. Amedrontados pelos repetidos nascimentos e mortes, os Sankhyas e os Yogins consideram a alma Jiva e a Alma Suprema a mesma.'” "Viswavasu então disse, 'Tu, ó principal dos Brahmanas, disseste que a alma Jiva é indestrutível e realmente indistinta da Alma Suprema. Isto, no entanto, é difícil de entender. Cabe a ti me falar novamente sobre este tópico. Eu tenho ouvido discursos sobre este assunto de Jaigishavya, Aista, Devala, do sábio regenerado Parasara, do inteligente Varshaganya, Bhrigu, Panchasikha Kapila, Suka, Gautama, Arshtisena, de Garga de grande alma, Narada, Asuri, do inteligente Paulastya, Sanatkumara, de Sukra de grande alma, e do meu pai Kasyapa. Posteriormente eu ouvi os discursos de Rudra e do inteligente Viswarupa, de várias das divindades, dos Pitris e dos Daityas. Eu adquiri tudo o que eles disseram, pois eles geralmente falam daquele objeto eterno de todo conhecimento. Eu desejo, no entanto, ouvir o que tu podes dizer sobre aqueles tópicos com a ajuda da tua inteligência. Tu és a principal de todas as pessoas, e um conferencista versado nas escrituras, e dotado de grande inteligência. Não há nada que seja desconhecido por ti. Tu és um oceano de Srutis, como descrito, ó Brahmana, no mundo das divindades e Pitris. Os grandes Rishis que residem na região de Brahma dizem que o próprio Aditya, o senhor eterno de todos os corpos luminosos, é teu preceptor (na questão deste ramo de conhecimento). Ó Yajnavalkya, tu obtiveste toda a ciência, ó Brahmana, dos Sankhyas, como também as escrituras dos Yogins particularmente. Sem dúvida, tu és erudito, totalmente conhecedor do universo móvel e imóvel. Eu desejo te ouvir falar sobre aquele conhecimento, o qual pode ser comparado à manteiga clarificada dotada de grãos sólidos.'” "Yajnavalkya disse, 'Tu és, ó principal dos Gandharvas, competente para compreender todo conhecimento. Como, no entanto, tu me pedes, ouça-me então discursar para ti de acordo com o que eu mesmo obtive do meu preceptor. Prakriti, que é ininteligente, é compreendida por Jiva. Jiva, no entanto, não pode ser compreendido por Prakriti, ó Gandharva. Por Jiva ser refletido em Prakriti, o último é chamado de Pradhana por Sankhyas e Yogins conhecedores dos princípios originais como indicados nos Srutis. Ó impecável, o outro (isto é, a alma como distinta de seu reflexo sobre Prakriti, em seu caráter real como independente de Prakriti), contemplando, vê o vigésimo quarto (Prakriti) e o vigésimo quinto (Alma); não contemplando, ele vê o vigésimo sexto. (Isto é, quando a Alma, em seu caráter real, contempla ou age como uma testemunha de tudo (isto é, como existe nos estados de vigília e sonho), ela se torna consciente de si mesma (o vigésimo quinto) e de Prakriti (o vigésimo quarto) quando, no entanto, ela cessa de contemplar ou agir como tal testemunha (isto é, no estado de sono sem sonhos do samadhi do Yoga), ela consegue contemplar a Alma Suprema ou o Vigésimo Sexto. Ela é consciente de si mesma e de Prakriti no estado de vigília e sonho, e somente em Samadhi ela contempla a Alma Suprema.) O vigésimo quinto pensa que não há nada mais alto do que ele mesmo. Na verdade, no entanto, embora contemplando, ele não vê aquilo (isto é, o vigésimo sexto) que o vê. (O vigésimo sexto ou a Alma Suprema sempre vê o vigésimo quinto ou a alma Jiva. A última, no entanto, cheia de vaidade, considera que não há nada superior a ela. Ela pode facilmente, no samadhi-Yoga, ver o vigésimo sexto. Embora assim competente para contemplar a Alma Suprema, ela fracassa ordinariamente em contemplá-la.) Homens possuidores de sabedoria nunca devem aceitar o vigésimo quarto (isto é, Prakriti, que é ininteligente ou inerte) como identificável com o vigésimo quinto ou a Alma que tem uma existência real e independente. O peixe vive na água. Ele vai para lá impelido por sua própria natureza. Como o peixe, embora vivendo na água, deve ser considerado como separado dela, da mesma maneira o vigésimo quinto deve ser compreendido (isto é, embora o vigésimo quinto exista em um estado de contato com o vigésimo quarto ou Prakriti, ele é, no entanto, em sua natureza real, separado e independente de Prakriti.) Quando subjugada pela consciência do ‘meu’ ou eu, e quando incapaz de compreender sua identidade com o vigésimo sexto, de fato, por causa da ilusão que a envolve, de sua coexistência com Prakriti, e de sua própria maneira de pensar, a alma Jiva sempre cai, mas quando livre de tal consciência ela vai para cima. Quando a alma Jiva consegue compreender que ela é uma, e Prakriti com a qual ela reside é outra, somente então, ó regenerado, ela consegue contemplar a Alma Suprema e alcançar a condição de Unidade com o universo. O Supremo é um, ó rei, e vigésimo quinto (ou alma Jiva) é outro. Em consequência, no entanto, do Supremo revestir a alma Jiva os sábios consideram ambos como iguais. (O exemplo da corda e da cobra é citado. A princípio a corda é erroneamente considerada como a cobra. Quando o erro é dissipado, a corda aparece como a corda. Assim a Alma Suprema e a alma Jiva vêm a ser consideradas como a mesma quando vem o conhecimento verdadeiro.) Por estas razões, os Yogins, e os seguidores do sistema de filosofia Sankhya, apavorados pelo nascimento e morte, abençoados com a visão do vigésimo sexto, puros em corpo e mente, e devotados à Alma Suprema, não recebem com agrado a alma Jiva como indestrutível. (A doutrina comum é que a alma Jiva é indestrutível, pois ela é não nascida e imortal, seus assim chamados nascimentos e mortes sendo somente mudanças das formas pelas quais Prakriti passa no curso de sua associação com ela, uma associação que continua enquanto alma Jiva não consegue efetuar sua emancipação. Neste verso a doutrina comum é abandonada. O que é dito aqui é que a alma Jiva _não_ é imortal, pois quando ela vem a ser identificada com a Alma Suprema, aquela alteração pode ser considerada como sua morte.) Quando alguém vê a Alma Suprema e perdendo toda consciência de individualidade se torna identificado com o Supremo, ele então se torna onisciente, e possuidor de tal onisciência ele fica livre da obrigação do renascimento. Eu assim te falei realmente, ó impecável, sobre Prakriti que é ininteligente, e a alma Jiva que é possuidora de inteligência, e a Alma Suprema que é dotada de onisciência, segundo as indicações que se encontram nos Srutis. Aquele homem que não vê alguma diferença entre o conhecedor e o conhecido, é Kevala e não-Kevala, (isto é, tal pessoa, embora ainda aparecendo como Jiva para outros, é na realidade identificável com a Alma Suprema), é a causa original do universo, é a alma Jiva e a Alma Suprema.’” "Viswavasu disse, 'Ó pujante, tu falaste devidamente e adequadamente sobre aquilo que é a origem de todas as divindades e que é produtivo de Emancipação. Tu disseste o que é verdadeiro e excelente. Que bênçãos inesgotáveis possam sempre te acompanhar, e que tua mente possa estar sempre unida com a inteligência!'” "Yajnavalkya continuou, 'Tendo dito aquelas palavras, o príncipe dos Gandharvas procedeu em direção ao céu, brilhando em resplandecência de beleza. Antes de me deixar, ele de grande alma me honrou corretamente por dar as voltas habituais ao redor de minha pessoa, e eu o olhei com respeito, muito satisfeito. Ele inculcou a ciência que ele obteve de mim para aqueles celestiais que moram nas regiões de Brahman e outras divindades, para aquelas que moram sobre a Terra, também para os habitantes das regiões inferiores, e para aqueles que tinham adotado o caminho da Emancipação, ó rei. Os Sankhyas são dedicados às práticas de seu sistema. Os Yogins são devotados às práticas inculcadas por seu sistema. Há outros que desejam alcançar sua Emancipação. Para esses últimos esta ciência é produtiva de resultados visíveis, ó leão entre reis. Emancipação flui do Conhecimento. Sem Conhecimento ela nunca pode ser alcançada. Os sábios têm dito isto, ó monarca. Por isso, uma pessoa deve se esforçar o melhor que pode para adquirir Conhecimento verdadeiro em todos os seus detalhes, pelo qual ela pode conseguir se libertar do nascimento e da morte. Obtendo conhecimento de um Brahmana ou de um Kshatriya ou Vaisya ou até de um Sudra que é de nascimento inferior, alguém dotado de fé deve sempre mostrar reverência por tal conhecimento. Nascimento e morte não podem atacar alguém que é dotado de fé. Todas as classes de homens são Brahmanas. Todas surgiram de Brahma. Todos os homens proferem Brahma. (No sentido de que todos os homens falam, e como a fala é Brahma, todos os homens podem ser considerados como proferidores de Brahma. Se, além disso, Brahma for tomado como significando os Vedas em especial, isto pode implicar que todos os homens proferem os Vedas ou são competentes para estudar os Vedas. Tal sentimento generoso proveniente da boca de Yajnavalkya é compatível somente com a religião de Emancipação que ele ensinava.) Ajudado por uma compreensão que é derivada de e dirigida para Brahma, eu inculquei esta ciência que trata de Prakriti e Purusha. De fato, todo este universo é Brahma. Da boca de Brahma surgiram os Brahmanas; dos seus braços, surgiram os Kshatriyas; do seu umbigo, os Vaisyas; e dos seus pés, os Sudras. Todas as classes, (tendo surgido dessa maneira) não devem ser consideradas como se furtando umas das outras. Impelidos pela Ignorância, todos os homens encontram com a morte e obtêm, ó rei, nascimento que é a causa das ações. (A doutrina é que a menos que as ações sejam destruídas, não pode haver Emancipação.) Desprovidas de Conhecimento, todas as classes de homens, arrastadas pela Ignorância terrível, caem em variadas classes de existência devido aos princípios que fluem de Prakriti. Por esta razão, todos devem, por todos os meios, procurar adquirir Conhecimento. Eu te disse que toda pessoa tem direito a se esforçar por sua aquisição. Alguém que é possuidor de Conhecimento é um Brahmana. Outros, (isto é, Kshatriyas e Vaisyas e Sudras) são possuidores de conhecimento. Então, esta ciência da Emancipação está sempre aberta para eles todos. Isto, ó rei, é dito pelos Sábios. As perguntas que tu me fizeste foram todas respondidas por mim segundo a verdade. Portanto, rejeite toda aflição. Vá para o outro fim dessa indagação. Tuas questões foram boas. Bênçãos sobre tua cabeça para sempre!’” "Bhishma continuou, ‘Assim instruído pelo inteligente Yajnavalkya, o rei de Mithila ficou cheio de alegria. O rei honrou aquele principal dos ascetas por andar ao redor de sua pessoa. Despedido pelo monarca, ele partiu de sua corte. O rei Daivarati, tendo obtido o conhecimento da religião da Emancipação, tomou seu assento, e tocando um milhão de vacas e uma quantidade de ouro e uma quantidade de jóias e pedras preciosas, os doou para vários Brahmanas. Instalando seu filho na soberania dos Videhas, o velho rei começou a viver, adotando as práticas dos Yatis. Pensando principalmente em todos os deveres comuns e seu abandono (como prescritos nas escrituras), o rei começou a estudar a ciência dos Sankhyas e dos Yogins em sua totalidade. Considerando-se como Infinito, ele começou a refletir somente sobre o Eterno e Independente. Ele abandonou todos os deveres ordinários e suas negligências, Virtude e Vício, Verdade e Mentira, Nascimento e Morte, e todas outras coisas que concernem aos princípios produzidos por Prakriti. Ambos, Sankhyas e Yogins, segundo os ensinos das suas ciências, consideram que este universo é devido à ação do Manifesto e do Imanifesto. Os eruditos dizem que Brahma é livre de bem e mal, é independente, o maior dos maiores, Eterno, e Puro. Portanto, ó monarca, torne-te Puro! O doador, o recebedor da doação, a própria doação, e aquilo que é ordenado para ser doado, são todos para serem considerados como a Alma Imanifesta. A Alma é a única posse da Alma. Quem, portanto, pode ser um desconhecido para alguém? Pense sempre dessa maneira. Nunca pense de outra maneira. Aquele que não sabe o que é Prakriti possuidora de atributos e o que é Purusha que transcende os atributos, somente ele, não possuidor como ele é de conhecimento, vai para águas sagradas e realiza sacrifícios. Nem pelo estudo dos Vedas, nem por penitências, nem por sacrifícios, ó filho de Kuru, alguém pode alcançar a posição de Brahma. Somente quando alguém consegue compreender o Supremo ou Imanifesto ele vem a ser considerado com reverência. Aqueles que servem Mahat alcançam as regiões de Mahat. Aqueles que servem a Consciência, alcançam o local que pertence à Consciência. Aqueles que servem o que é mais elevado alcançam lugares que são mais altos de que esses. Aquelas pessoas, versadas nas escrituras, que conseguem compreender o Brahma Eterno que é mais elevado do que a Prakriti Imanifesta, consegue alcançar aquilo que transcende o nascimento e a morte, que é livre de atributos, e que é existente e inexistente. Eu obtive todo esse conhecimento de Janaka. O último o obteve de Yajnavalkya. O Conhecimento é muito superior. Sacrifícios não podem se comparar com ele. Com a ajuda do Conhecimento alguém consegue cruzar o oceano do mundo que é cheio de dificuldades e perigos. Uma pessoa nunca pode cruzar este oceano por meio de sacrifícios. O nascimento e a morte, e outros obstáculos, ó rei, os homens de conhecimento dizem, não podem ser ultrapassados por esforço comum. Homens alcançam o céu por sacrifícios, penitências, votos, e observâncias. Mas eles têm que cair outra vez de lá na Terra. Portanto, adore com reverência aquilo que é Supremo, o mais puro, abençoado, imaculado, e sagrado, e que transcende todos os estados (sendo a própria Emancipação). Por compreender Kshetra, ó rei, e por realizar o Sacrifício que consiste na aquisição de Conhecimento, tu serás realmente sábio. Nos tempos antigos, Yajnavalkya fez aquele bem para o rei Janaka, o qual é derivável de um estudo dos Upanishads. O Eterno e Imutável Supremo era o tópico sobre o qual o grande Rishi tinha falado para o rei de Mithila. Isto o tornou apto para alcançar aquele Brahma que é auspicioso, e imortal, e que transcende todos os tipos de tristeza." 320 "Yudhishthira disse, 'Tendo adquirido grande poder e grande riqueza, e tendo obtido um longo período de vida, como alguém pode conseguir evitar a morte? Por qual destes meios, isto é, penitências, ou a realização das diversas ações (prescritas nos Vedas), ou por conhecimento dos Srutis, ou a aplicação de medicamentos, alguém pode conseguir evitar decrepitude e morte?'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a antiga narrativa de Panchasikha que era um Bhikshu em suas práticas e Janaka. Uma vez Janaka, o soberano dos Videhas, questionou o grande Rishi Panchasikha, que era a principal de todas as pessoas conhecedoras dos Vedas e que tinha suas dúvidas removidas a respeito do propósito e importância de todos os deveres. O rei disse, ‘Por qual conduta, ó santo, alguém pode transcender decrepitude e morte? É por penitências, ou pela compreensão, ou por atos religiosos (como sacrifícios e votos), ou por estudo e conhecimento das escrituras?’ Assim endereçado pelo soberano dos Videhas, o erudito Panchasikha, conhecedor de todas as coisas invisíveis, respondeu dizendo, ‘Não há prevenção desses dois (isto é, velhice e morte); nem é verdade que não podem ser impedidos sob quaisquer circunstâncias. Nem dias, nem noites, nem meses cessam de seguir em frente. Somente aquele homem que, embora transitório, se dirige para o caminho eterno (da religião de Nivritti ou abstenção de todas as ações) consegue evitar nascimento e morte. A destruição alcança todas as criaturas. Todas as criaturas parecem ser incessantemente carregadas pela correnteza infinita do tempo. Aqueles que são levados ao longo da correnteza infinita do tempo que não tem uma balsa (para resgate) e que é infestada por aqueles dois jacarés poderosos, isto é, decrepitude e morte, afundam sem alguém vir ajudá-los. Conforme alguém é levado de roldão por aquela correnteza, ele fracassa em achar algum amigo para ajudá-lo e fracassa em ser inspirado com interesse por alguém mais. Alguém encontra com cônjuges e outros amigos somente de passagem. Nunca antes alguém desfrutou desse tipo de companhia com alguém por alguma duração de tempo. As criaturas, enquanto elas são levadas pela correnteza do tempo, vêm a ser repetidamente atraídas em direção umas às outras como massas de nuvens movidas pelo vento se encontrando com som alto. Decrepitude e morte são devoradoras de todas as criaturas, como lobos. De fato, elas devoram os fortes e os fracos, os baixos e os altos. Entre as criaturas, portanto, que são todas tão transitórias, somente a Alma existe eternamente. Por que alguém deveria então se regozijar quando criaturas nascem e por que ele deveria sofrer quando elas morrem? De onde eu vim? Quem sou eu? Para onde eu irei? De quem eu sou? Perante o que eu permaneço? O que eu serei? Por que razão então tu te afliges pelo que? Quem mais além de ti irá ver o céu ou inferno (por causa do que tu fazes)? Por isso, sem jogar de lado as escrituras, uma pessoa deve fazer doações e realizar sacrifícios!" 321 "Yudhishthira disse, 'Sem abandonar o modo de vida familiar, ó sábio nobre da linhagem de Kuru, quem já alcançou a Emancipação a qual é a aniquilação da Compreensão (e das outras faculdades)? Diga-me isto! Como o grosseiro e o sutil podem ser rejeitados? Ó avô, me diga também qual é a excelência suprema da Emancipação.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Janaka e Sulabha, ó Bharata! Antigamente havia um rei de Mithila de nome Dharmadhyaja, da linhagem de Janaka. Ele era dedicado às práticas da religião da Renúncia. Ele conhecia bem os Vedas, as escrituras sobre Emancipação, e as escrituras que tinham ligação com seu próprio dever como um rei. Subjugando seus sentidos, ele governava sua Terra. Sabendo de seu bom comportamento no mundo, muitos homens de sabedoria, bem familiarizados com a sabedoria, ó principal dos homens, desejaram imitá-lo. No mesmo Satya Yuga, uma mulher de nome Sulabha, pertencente à classe mendicante, praticava os deveres de Yoga e vagava por toda a Terra. No decorrer de suas viagens sobre a Terra, Sulabha ouviu de muitos Dandis de lugares diferentes que o soberano de Mithila era devotado à religião da Emancipação. Ouvindo este rumor sobre o rei Janaka e desejosa de averiguar se ele era verdadeiro ou não, Sulabha ficou desejosa de ter uma entrevista pessoal com Janaka. Abandonando, por seus poderes de Yoga, sua forma e aspecto anteriores, Sulabha assumiu as feições mais impecáveis e beleza inigualável. Num piscar de olhos e com a velocidade da flecha mais rápida, a dama de bela fronte de olhos como pétalas de lótus dirigiu-se à capital dos Videhas. Chegando na cidade principal de Mithila abundando com uma grande população, ela adotou a aparência de uma mendicante e se apresentou perante o rei. O monarca, observando sua forma delicada, ficou muito surpreso e perguntou quem ela era, de quem ela era, e de onde ela vinha. Dando as boas vindas a ela, ele designou para ela um assento excelente, a honrou por oferecer água para lavar seus pés, e a gratificou com refrescos excelentes. Refrescada devidamente e satisfeita com os ritos de hospitalidade oferecidos a ela, Sulabha, a mendicante feminina, pediu para o rei, que estava cercado por seus ministros e sentado no meio de estudiosos eruditos, (para se manifestar a respeito da sua adesão à religião da Emancipação). Duvidando se Janaka tinha conseguido alcançar a Emancipação, por seguir a religião de Nivritti, Sulabha, dotada de poder de Yoga, entrou na compreensão do rei por meio de sua própria compreensão. Reprimindo, por meio dos raios de luz que emanavam de seus próprios olhos, os raios emanados dos olhos do rei, a dama, desejosa de averiguar a verdade, atou o rei Janaka com laços de Yoga, (isto é, questionou o rei internamente ou por poder de Yoga). Aquele melhor dos monarcas, orgulhando-se de sua própria invencibilidade e derrotando as intenções de Sulabha, capturou a resolução dela com sua própria resolução. O rei, em sua forma sutil, estava sem o guarda-sol e cetro reais. A dama Sulabha, na dela, estava sem o bastão triplo. Ambos ficando então na mesma forma (grosseira), conversaram dessa maneira entre si. Ouça aquela conversa como ela ocorreu entre o monarca e Sulabha.’” "Janaka disse, ‘Ó senhora santa, a que direção te conduta tu estás dedicada? De quem tu és? De onde tu vens? Depois de terminares teu assunto aqui, para onde tu irás? Ninguém pode, sem questionar, averiguar o conhecimento de outro das escrituras, ou idade, ou classe de nascimento. Tu deves, portanto, responder estas minhas perguntas, quando tu vieste a mim. Saiba que eu estou realmente livre de toda vaidade em relação ao meu guarda-sol e cetro reais. Eu desejo te conhecer completamente. Eu considero que tu és merecedora do meu respeito. Ouça-me enquanto eu te falo sobre a Emancipação pois não há ninguém mais (neste mundo), que possa te falar sobre este tópico. Ouça-me também enquanto eu te digo quem é aquela pessoa de quem antigamente eu adquiri este conhecimento notável. Eu sou o querido discípulo do venerável Panchasikha de grande alma, pertencente à classe mendicante, da linhagem de Parasara. Minhas dúvidas foram dissipadas e eu conheço completamente os sistemas Sankhya e Yoga, e as ordenanças a respeito de sacrifícios e outros ritos, que constituem os três caminhos bem conhecidos da Emancipação. (O valor de Karma no caminho da Emancipação é purificar a Alma.) Vagando sobre a terra e enquanto isso procurando o caminho que é indicado pelas escrituras, o erudito Panchasikha antigamente morou em felicidade na minha residência por um período de quatro meses na estação chuvosa. Aquele principal dos Sankhyas falou para mim, de acordo com a verdade, e de uma maneira inteligível adequada para a minha compreensão, sobre os vários tipos de meios para chegar à Emancipação. Ele, no entanto, não me ordenou desistir do meu reino. Livre de atrações, e fixando minha Alma no Brahma Supremo, e indiferente à companhia, eu vivi, praticando em sua totalidade aquela conduta tripla que é prescrita em tratados sobre Emancipação. Renúncia (a todos os tipos de atrações) é o meio mais elevado prescrito para a Emancipação. É dito que do Conhecimento flui a Renúncia pela qual alguém vem a ser livre. Do Conhecimento surge o esforço por Yoga, e é por aquele esforço que alguém obtém conhecimento do Eu ou Alma. Pelo conhecimento do Eu alguém transcende alegria e tristeza. Ele capacita uma pessoa a transcender a morte e alcançar grande êxito. Aquela inteligência superior (conhecimento do Eu), foi adquirida por mim, e consequentemente eu superei todos os pares de opostos. Mesmo nesta vida eu estou livre de adormecimento e transcendi todos os apegos. Como uma terra, saturada com água e amolecida dessa maneira, faz a semente (semeada) brotar, da mesma maneira, as ações dos homens causam renascimento. Como uma semente, frita em uma panela ou de outra maneira, se torna incapaz de brotar embora a capacidade de brotar estivesse lá, do mesmo modo minha compreensão, tendo sido liberta do princípio produtivo constituído pelo desejo, pela instrução do santo Panchasikha da classe mendicante, ela não mais produz seu fruto na forma de atração pelos objetos dos sentidos. Eu nunca sinto amor por minha cônjuge ou ódio por meus inimigos. De fato, eu me mantenho afastado de ambos, vendo a inutilidade da afeição e cólera. Eu considero ambas as pessoas igualmente, isto é, aquela que cobre minha mão direita com pasta de sândalo e aquela que fere a minha esquerda. Tendo alcançado meu (verdadeiro) objetivo, eu sou feliz, e olho igualmente para um torrão de terra, uma pedra, e um pedaço de ouro. Eu estou livre de atrações de todos os tipos, embora eu esteja empenhado em governar um reino. Por tudo isso eu sou eminente sobre todos os portadores de bastões triplos. Alguns principais dos homens que estão familiarizados com o assunto da Emancipação dizem que a Emancipação tem um caminho triplo, (estes são conhecimento, Yoga, e sacrifícios e ritos). Alguns consideram o conhecimento tendo todas coisas do mundo como seu objeto como o meio de emancipação. Alguns consideram que a renúncia total às ações (externas e internas) é o meio para isto. Outra classe de pessoas conhecedoras das escrituras sobre Emancipação diz que o Conhecimento é o único meio. Outros, isto é, Yatis, dotados de visão sutil, consideram que as ações constituem os meios. Panchasikha de grande alma, descartando ambas as opiniões sobre conhecimento e ações, considerava a terceira como o único meio de Emancipação. Se os homens que levam o modo de vida familiar forem dotados de Yama e Niyama, eles se tornam iguais aos Sannyasins. Se, por outro lado, Sannyasins foram dotados de desejo e aversão e cônjuges e honra e orgulho e afeto, eles se tornam iguais aos homens que levam o modo de vida familiar. Se alguém pode alcançar a Emancipação por meio do conhecimento, então a Emancipação pode existir em bastões triplos (pois não há nada para impedir os portadores de tais bastões de obterem o conhecimento necessário). Por que então a Emancipação não pode existir no guarda-sol e no cetro também, especialmente quando há razão igual em erguer o bastão triplo e o cetro? (Portar o cetro é somente um modo de vida como aquele dos portadores do bastão triplo. Ambos, o rei e o Sannyasin, são livres para adquirir conhecimento e ambos, portanto, podem chegar à Emancipação apesar de seus respectivos emblemas. Nos próprios emblemas não há eficácia ou desqualificação.) Uma pessoa se torna ligada a todas aquelas coisas e ações das quais ela tem necessidade por si mesma por razões particulares. (Todas as pessoas, levadas por interesse, se tornam ligadas a coisas específicas. A grandeza ou pequenez daquelas coisas não pode ajudar ou barrar o caminho das pessoas para a Emancipação. 'Eu posso ser um rei, diz Janaka, e tu podes ser uma mendicante. Nem tua mendicância nem minha realeza podem ajudar ou impedir nossa Emancipação. Nós dois, por meio do Conhecimento, podemos realizar o que nós desejamos, apesar de nossos circundantes externos.') Se alguém, vendo as imperfeições do modo de vida familiar, o abandona para adotar outro modo (que ele considera repleto de grande mérito), ele não pode, por tal rejeição e adoção, ser considerado como alguém que está livre de uma vez de todos os apegos, (pois tudo o que ele fez foi se vincular a um novo modo depois de ter se livrado do anterior). (Por isso, por trocar minha vida de rei por aquela de um portador do bastão triplo eu não posso ganhar nada.) A soberania é repleta da recompensa e do castigo de outros. A vida de um mendicante está igualmente repleta do mesmo (pois mendicantes também recompensam e castigam aqueles que eles podem). Quando, portanto, os mendicantes são similares aos reis neste aspecto, por que somente os mendicantes alcançariam a Emancipação, e não os reis? Apesar da posse da soberania, portanto, alguém se torna purificado de todos os pecados somente por meio do conhecimento, enquanto vive no Brahma Supremo. Vestir roupas marrons, raspar a cabeça, carregar o bastão triplo, e o Kamandalu, esses são os sinais externos do modo de vida de alguém. Esses não têm valor em ajudar alguém a alcançar a Emancipação. Quando, apesar da adoção desses emblemas de um modo específico de vida, somente o conhecimento se torna a causa de alguém se emancipar da tristeza, parece que a adoção de meros emblemas é totalmente inútil. Ou, se, vendo o alívio da tristeza nisto, tu te dirigiste a estes emblemas de Sannyasi, por que então o alívio da tristeza não deveria ser visto no guarda-sol e no cetro ao quais eu me dirigi? Emancipação não existe na pobreza; nem escravidão é para ser encontrada na riqueza. Uma pessoa alcança a Emancipação somente através do Conhecimento, seja ela rica ou indigente. Por essas razões, saiba que eu estou vivendo em uma condição de liberdade, embora ostensivamente engajado nos gozos de religião, riqueza, e prazer, na forma de reino e cônjuges, os quais constituem um campo de escravidão (para a maioria dos homens). Os laços constituídos por reino e riqueza, e a escravidão dos apegos, eu cortei com a espada da Renúncia afiada na pedra das escrituras que tratam de Emancipação. Com relação a mim mesmo então, eu te digo que eu me tornei livre dessa maneira. Ó dama da classe mendicante, eu nutro uma afeição por ti. Mas isso não me impede de te dizer que teu comportamento não corresponde às práticas do modo de vida ao qual tu te dirigiste! Tu tens grande delicadeza de formação. Tu tens uma forma muito simétrica. Tu és jovem. Tu tens tudo isso, e tu tens Niyama (subjugação dos sentidos). Eu duvido disto realmente. Tu bloqueaste meu corpo (por entrar em mim com a ajuda do poder Yoga), para averiguar se eu sou realmente emancipando ou não. Essa tua ação mal corresponde àquele modo de vida cujos emblemas tu carregas. Para o Yogin que é dotado de desejo o bastão triplo é inadequado. Com relação a ti, tu não aderiste ao teu bastão. Com relação aos que são livres, cabe a eles mesmos se protegerem da queda. Escute agora a mim quanto a qual foi tua transgressão por teu contato comigo e por teres entrado em meu corpo grosseiro com a ajuda da tua compreensão. À qual razão é para ser atribuída tua entrada em meu reino ou meu palácio? Ao sinal de quem tu entraste em meu coração? (Pois ele, o rei, não tinha feito acordo com a dama pelo qual ela poderia ser justificada de entrar em seu corpo.) Tu pertences à principal de todas as classes, sendo, como tu és, uma mulher Brahmana. Com relação a mim, no entanto, eu sou um Kshatriya. Não há união para nós dois. Não ajude a causar uma mistura de cores. Tu vives na prática daqueles deveres que levam à Emancipação. Eu vivo no modo de vida familiar. Este teu ato, portanto, é outro mal que tu fizeste, pois isto produz uma união antinatural de dois modos de vida opostos. Eu não sei se tu pertences ao meu próprio gotra ou não pertences a ele. Com respeito a ti mesma também, tu não sabes quem eu sou (isto é, a qual gotra eu pertenço). Se tu és do meu próprio grota, tu, por entrares em meu corpo, produziste outro mal, o mal da união antinatural. Se, também, teu marido estiver vivo e residindo em um lugar distante, tua união comigo produziu o quarto mal de pecaminosidade, pois tu não és alguém com quem eu possa ser unido legalmente. Tu cometeste todas essas ações pecaminosas, impelida pelo motivo de realizar um objetivo específico? Tu fizeste isso por ignorância ou por inteligência pervertida? Se, também, por tua natureza má tu te tornaste totalmente independente ou desenfreada em teu comportamento, eu te digo que se tu tens algum conhecimento das escrituras, tu compreenderás que tudo o que tu fizeste foi produtivo de mal. Uma terceira falha se vincula a ti em consequência dessas tuas ações, uma falha que é destrutiva da paz mental. Por te esforçares para mostrar tua superioridade, a indicação de uma mulher pecaminosa é vista em ti. Desejosa de afirmar tua vitória como tu és, não é só a mim mesmo que tu desejas derrotar, pois é claro que tu desejas obter uma vitória mesmo sobre toda minha corte (consistindo nestes Brahmanas eruditos e muito superiores), por lançar teu olhar dessa maneira em direção a todos estes Brahmanas meritórios, é evidente que tu desejas humilhar eles todos e glorificar a ti mesma (às custas deles). Estupefata por teu orgulho de poder Yoga que nasceu do teu ciúme (à visão do meu poder) tu causaste uma união da tua compreensão com a minha e assim realmente misturaste néctar com veneno. Aquela união, também, de homem e mulher, quando um cobiça o outro, é doce como néctar. Aquela associação, no entanto, de homem e mulher quando a última, ela mesma cobiçando, falha em obter um indivíduo do sexo oposto que não a cobiça, é, em vez de ser um mérito, somente uma falha que é tão nociva quanto veneno. Não continue a me tocar. Saiba que eu sou justo. Aja de acordo com tuas próprias escrituras. A pergunta que tu desejaste fazer, isto é, se eu sou ou não emancipado, foi terminada. Não cabe a ti esconder de mim todos os teus motivos secretos. Não cabe a ti, que te disfarças dessa maneira, esconder de mim qual é teu objetivo, se essa tua visita foi incitada pelo desejo de realizar algum objetivo teu ou se tu vieste para realizar o objetivo de algum outro rei (que é hostil a mim). Alguém nunca deve aparecer enganadoramente perante um rei; nem perante um Brahmana; nem perante sua esposa quando aquela esposa possui todas as virtudes próprias de uma esposa. Aqueles que aparecem em aparência enganadora perante esses três logo encontram com a destruição. O poder dos reis consiste em sua soberania. O poder de Brahmanas conhecedores dos Vedas está nos Vedas. As mulheres manejam um grande poder por sua beleza e juventude e bem-aventurança. Esses então são poderosos na posse desses poderes. Aquele, portanto, que deseja realizar seu próprio objetivo deve sempre se aproximar desses três com sinceridade e franqueza, insinceridade e falsidade fracassam em produzir êxito (nesses três casos). Cabe a ti, portanto, me informar da classe à qual tu pertences por nascimento, da tua erudição e conduta e disposição e natureza, como também do objetivo que tu tens em vista ao vires para este local!"" "Bhishma continuou, 'Embora repreendida pelo rei nestas palavras desagradáveis, impróprias, e mal aplicadas, a dama Sulabha não estava envergonhada em absoluto. Depois que o rei tinha dito estas palavras, a bela Sulabha então se dirigiu a ele dizendo em resposta as seguintes palavras que eram mais belas do que sua pessoa.’” "'Sulabha disse, ‘Ó rei, a fala deve sempre ser livre das nove falhas verbais e das nove falhas de julgamento. Ela deve também, enquanto anunciando o sentido com clareza, ser possuidora dos dezoito méritos bem conhecidos. (Estas falhas e méritos são anunciados nos versos seguintes.) Ambiguidade, averiguação das falhas e méritos de premissas e conclusões, ponderação da relativa força ou fraqueza daquelas falhas e méritos, estabelecimento da conclusão, e o elemento de persuasão ou não que se atribui à conclusão assim chegada; estas cinco características concernentes ao sentido constituem a autoridade do que é dito. Escute agora as características desses requisitos começando com ambiguidade, um depois do outro, enquanto eu os explico segundo as combinações. Quando o conhecimento depende da distinção pelo objeto a ser conhecido ser diferente de um outro, e quando (com relação à compreensão do assunto) a compreensão depende de muitos pontos um depois do outro, a combinação de palavras (em cujo caso isso ocorra) é citada como sendo contaminada pela ambiguidade. (Por exemplo, uma frase é composta contendo algumas palavras cada uma das quais é empregada em diversos sentidos, como o bem conhecido verso de Parasara o qual tem sido interpretado como sancionando o segundo casamento de viúvas hindus. Aqui, o objetivo indicado pelas palavras usadas é variado. Chega-se ao conhecimento definitivo do sentido de cada palavra por meio de distinções, isto é, por diferenciar cada sentido de todos os outros. Em tais casos, a compreensão antes de chegar ao sentido definitivo se apóia em sucessão sobre diversos pontos, ora sobre um, ora sobre outro. De fato, é para se chegar ao significado verdadeiro por um processo de eliminação em tais casos. Quando tal processo se torna necessário para apreender o sentido de alguma frase, a falha é citada como sendo a falta de exatidão, ou ambiguidade.) Pela determinação (das falhas e méritos), chamada Sankhya, se quer dizer o estabelecimento, por eliminação, das falhas ou méritos (em premissas e conclusões), adotando significados tentativos. (Usando o mesmo exemplo; primeiro tome as bem conhecidas palavras de Parasara como realmente sancionando o segundo casamento de viúvas. Várias palavras no verso indicam este significado, várias outras não. Pesando probabilidades e justificações, que seja adotado tentativamente o significado que um segundo marido é sancionado pelo Rishi para a viúva Hindu. Isto é Sankhya.) Krama ou ponderar a relativa força ou fraqueza das falhas ou méritos (averiguados pelo processo acima), consiste em decidir a propriedade da prioridade ou subsequência das palavras empregadas em uma frase. Este é o significado dado à palavra Krama por pessoas conhecedoras da interpretação de frases ou textos. Por Conclusão se quer dizer a determinação final, depois desse exame do que foi dito sobre os assuntos de religião, prazer, riqueza, e Emancipação, em relação ao que é especificamente que foi dito no texto. (Tendo adotado tentativamente o significado que um segundo marido é sancionado pelo verso referido, a conclusão deve ser sua aceitação ou rejeição. Por ver a incompatibilidade do significado tentativo com outras conclusões seguras em relação a outros textos ou outros escritores, o significado tentativo pode ser rejeitado, e a conclusão final chegada no sentido de que o segundo marido é para ser aceito somente de acordo com o Niyoga-vidhi e não por casamento.) A tristeza nascida do desejo ou aversão aumenta para uma grande proporção. A conduta, ó rei, que alguém segue em tal questão (para dissipar a tristeza experimentada) é chamada de Prayojanam. (Por prayojanam se quer dizer a conduta que alguém segue para satisfazer seu desejo de adquirir ou evitar algum objeto. Desejo, em relação à aquisição ou evitação, se insatisfeito, se torna uma fonte de dor. A conduta que alguém adota para remover aquela dor é chamada de Prayojanam.) Tome por certo, ó rei, pela minha palavra, que estas características de Ambiguidade e as outras (cinco ao todo), quando ocorrendo juntas (quando elas são tratadas devidamente por um orador ou escritor), constituem uma sentença completa e inteligível. As palavras que eu proferirei serão repletas de significado, livres de ambiguidade (por cada uma delas não ser símbolo de muitas coisas), lógicas, livres de pleonasmo ou tautologia, polidas, certas, livres de linguagem bombástica, agradáveis ou gentis, verdadeiras, não inconsistentes com o conjunto de três, (isto é, Virtude, Riqueza e Prazer), refinadas (isto é, livres de Prakriti), não elípticas ou imperfeitas, desprovidas de dureza ou dificuldade de compreensão, caracterizadas por ordem adequada, não forçadas em relação a sentido, emendadas umas com as outras como causa e efeito e cada uma tendo um objeto específico. (Estas características, o comentador salienta, embora totalizando dezesseis, incluem as vinte e quatro mencionadas por Bhojadeva em sua Retórica chamada Saraswati-kanthabharana.) Eu não te direi qualquer coisa, incitada por desejo ou ira ou medo ou cobiça ou vileza ou falsidade ou vergonha ou compaixão ou orgulho. (Eu te respondo porque é apropriado para eu responder o que tu disseste.) Quando o orador, o ouvinte, e as palavras ditas, concordam totalmente uns com os outros no decorrer de um discurso, então o sentido ou significado aparece muito claramente. Quando, na questão do que é para ser dito, o orador demonstra desrespeito pela inteligência do ouvinte por proferir palavras cujo sentido é entendido por si mesmo, então, embora aquelas palavras possam ser boas, elas se tornam incapazes de serem apreendidas pelo ouvinte. Aquele orador, também, que, abandonando todo o respeito por seu próprio significado usa palavras que são de som e significado excelentes, desperta somente impressões errôneas na mente do ouvinte. Tais palavras em tal relação se tornam certamente defeituosas. Aquele orador, no entanto, que emprega palavras que, enquanto expressam seu próprio sentido, são inteligíveis para o ouvinte também, realmente merece ser chamado de orador. Nenhum outro homem merece o nome. Cabe a ti, portanto, ó rei, ouvir com atenção concentrada estas minhas palavras, repletas de significado e dotadas de riqueza de vocábulos. Tu me perguntaste quem eu sou, de quem eu sou, de onde eu estou vindo, etc. Ouça, ó rei, com mente indivisa, como eu respondo estas suas questões. Como laca e madeira, como grãos de pó e gotas de água, existem misturados quando juntados, assim mesmo são as existências de todas as criaturas. (O que Sulabha diz aqui é isto: os grandes elementos primordiais são os mesmos eles construam este corpo ou aquele outro corpo; e então é o mesmo Chit que permeia toda combinação dos grandes elementos. O objetivo dessa observação é mostrar que Janaka não deveria ter feito estas perguntas sobre Sulabha, ele e ela sendo essencialmente a mesma pessoa. Considerar os dois como diferentes indicaria obscurecimento de visão.) Som, toque, gosto, forma, e cheiro, estes e os sentidos, embora diversos em relação às suas essências, existem ainda em um estado de mistura como laca e madeira. É bem conhecido também que ninguém questiona algum destes, dizendo, quem és tu? Cada em deles também não tem conhecimento de si mesmo ou dos outros. O olho não pode ver a si mesmo. O ouvido não pode ouvir a si mesmo. O olho, também, não pode cumprir as funções de algum dos outros sentidos, nem algum dos sentidos pode cumprir as funções de algum sentido exceto as suas. Mesmo se todos eles se misturassem, ainda assim eles falhariam em conhecer a si mesmos assim como pó e água misturados não podem conhecer um ao outro embora existindo em um estado de união. Para cumprir suas respectivas funções, eles esperam o contato de objetos que são externos a eles. O olho, forma, e luz, constituem os três requisitos da operação chamada de visão. O mesmo, como neste caso, acontece em relação às operações dos outros sentidos e das ideias que são seu resultado. Então, além disso, entre as funções dos sentidos (chamadas de visão, audição, etc.) e as ideias as quais são seu resultado (isto é, forma, som, etc.), a mente é uma entidade diferente dos sentidos e é considerada como tendo uma ação própria. Com sua ajuda alguém distingue o que é existente do que é inexistente para chegar à certeza (na questão de todas as ideias derivadas dos sentidos). Com os cinco sentidos de conhecimento e os cinco sentidos de ação, a mente faz um total de onze. O décimo segundo é a Compreensão. Quando surge a dúvida a respeito do que é para ser conhecido, a Compreensão se apresenta e decide todas as dúvidas (para ajudar no entendimento correto). Depois do décimo segundo, Sattwa é outro princípio (que existe nas constituições de criaturas) numerando o décimo terceiro. Com sua ajuda as criaturas são distinguidas como possuindo mais dele ou menos dele em suas constituições. Depois disso, a Consciência (do eu) é outro princípio (numerando o décimo quarto). Ela ajuda alguém a ter um entendimento do eu como diferente do que não é eu. O Desejo é o décimo quinto princípio, ó rei. A ele inere o universo inteiro. (Enquanto existe o princípio do Desejo, o renascimento se torna possível. O universo, portanto, se apóia sobre o princípio do Desejo ou Vasana. Os sentidos, etc., todos surgem deste princípio de Vasana.) O décimo sexto princípio é Avidya. A ele inerem os décimo sétimo e décimo oitavo princípios chamados Prakriti e Vyakti (isto é, Maya e Prakasa). Felicidade e tristeza, decrepitude e morte, aquisição e perda, o fim agradável e o desagradável, estes constituem o décimo nono princípio e são chamados de pares de opostos. Além do décimo nono princípio há outro, isto é, o Tempo, chamado de vigésimo. Saiba que o nascimento e a morte de todas as criaturas são devido à ação deste vigésimo princípio. Esses vinte existem juntos. Além desses, os cinco grandes elementos primordiais, e existência e não-existência, fazem o número subir para vinte e sete. Além desses, há três outros, chamados Vidhi (aquela justiça e seu inverso que constituem a semente do Desejo), Sukra (aquilo que ajuda aquela semente a crescer ou desenvolver seus elementos iniciais), e Vala (o esforço que alguém faz para satisfazer o próprio desejo), fazem o número chegar a trinta. Aquilo no qual esses trinta princípios se encontram é citado como sendo o corpo. Algumas pessoas consideram a Prakriti imanifesta como a fonte ou causa desses trinta princípios. (Este é o ponto de vista da escola ateísta Sankhya.) Os Kanadas de visão grosseira consideram o Manifesto (ou átomos) como sendo a causa deles. Se o Imanifesto ou o Manifesto for sua causa, ou se os dois (isto é, o Supremo ou Purusha e o Manifesto ou átomos) forem considerados como sua causa, ou em quarto lugar, se os quatro juntos (isto é, o Supremo ou Purusha e seu Maya e Jiva e Avidya ou Ignorância) forem a causa, aqueles que estão familiarizados com Adhyatma vêem Prakriti como a causa de todas as criaturas. Aquela Prakriti que é Imanifesta vem a ser manifesta na forma daqueles princípios. Eu mesma, tu mesmo, ó monarca, e todos os outros que são dotados de corpo são o resultado daquela Prakriti (no que diz respeito aos nossos corpos). Inseminação e outras condições (embrionárias) são devido à mistura de semente vital e sangue. Pela inseminação o resultado que aparece primeiro é chamado pelo nome de 'Kalala'. De 'Kalala' surge o que é chamado de Vudvuda (bolha). Do estágio chamado 'Vudvuda' surge o que é chamado de ‘Pesi’. Da condição chamada 'Pesi' surge aquele estado no qual os vários membros se tornam manifestados. Dessa última condição aparecem unhas e cabelo. Após o término do nono mês, ó rei de Mithila, a criatura nasce de modo que, seu sexo sendo conhecido, ela vem a ser chamada de menino ou menina. Quando a criatura sai do útero, a forma que ela apresenta é tal que suas unhas e dedos parecem ser da cor do cobre polido. O próximo estágio é citado como sendo a infância, quando a forma que foi vista no tempo do nascimento se torna mudada. Da infância a juventude é alcançada, e da juventude, a velhice. Conforme a criatura avança de um estágio para outro, a forma apresentada no estágio anterior vem a ser mudada. Os elementos constituintes do corpo, que são úteis para diversas funções na organização geral, sofrem mudanças em todos os momentos em todas as criaturas. Aquelas mudanças, no entanto, são tão minúsculas que elas não podem ser notadas. O nascimento de partículas, e sua morte, em cada condição sucessiva, não podem ser notados, ó rei, assim como não se pode perceber a mudança na chama de uma lâmpada queimando. (O exemplo citado para ilustrar a mudança de partículas corporais é certamente um muito feliz. A chama de uma lâmpada ardente, embora perfeitamente firme (como em um local sem brisa), é realmente o resultado da combustão sucessiva de partículas de óleo e a sucessiva extinção de tal combustão.) Quando tal é o estado dos corpos de todas as criaturas, quando aquilo que é chamado de corpo está mudando incessantemente assim como a locomoção rápida de um corcel vigoroso, quem então veio ou não veio de onde, ou de quem ele é ou não é, ou de onde ele não surgiu? Que ligação existe entre as criaturas e seus próprios corpos? (Por isso as questões de Janaka, perguntando quem a dama era ou de quem, eram fúteis.) Como do contato da pederneira com ferro, ou de dois paus de madeira quando friccionados um contra o outro, fogo é gerado, assim mesmo as criaturas são geradas da combinação dos (trinta) princípios já citados. De fato, como tu mesmo vês teu próprio corpo em teu corpo e como tu vês tua alma em tua própria alma, por que é que tu não vês teu próprio corpo e tua própria alma nos corpos e almas de outros? Se é verdade que tu vês uma igualdade de ti mesmo com os outros, por que então tu me perguntas quem eu sou e de quem? Se é verdade que tu, ó rei estás livre do conhecimento de dualidade que diz (erroneamente) ‘Isto é meu e este outro não é meu’, então que utilidade há para tais perguntas como ‘Quem és tu, de quem tu és e de onde tu vens?’ Quais indicações de Emancipação podem ser citadas como sendo encontradas naquele rei que age como outros agem em direção a inimigos e aliados e indiferentes e na vitória e trégua e guerra? Quais indicações de Emancipação ocorrem naquele que não conhece a verdadeira natureza do conjunto de três como manifestados de sete maneiras em todos os atos e que, por causa disso, está ligado àquele conjunto de três? (As sete maneiras são as seguintes: Virtude e Riqueza e Prazer independentemente e distintos uns dos outros contam três, então o primeiro e segundo, o primeiro e terceiro, e segundo e terceiro, contam três e por fim, todos os três existindo juntos. Em todas as ações, um ou outro destes sete podem ser encontrados. O primeiro e segundo existem em todas as ações cujo resultado é a aquisição justa de riqueza; o primeiro e terceiro existem na procriação de filhos em matrimônio legal; o segundo e terceiro em ações comuns de homens mundanos. Das ações nas qual todos os três se combinam, a criação dos filhos pode ser mencionada, pois ela é ao mesmo tempo um dever, um fonte de riqueza, e um prazer.) Quais indicações de Emancipação existem naquele que fracassa em lançar um olhar imparcial para o agradável, o fraco, e o forte? Indigno como tu és dela, tua pretensão de Emancipação deve ser suprimida por teus conselheiros! Esse teu esforço para alcançar a Emancipação (quando tu tens tantas imperfeições) é como o uso de remédio por um paciente que se entrega a todos os tipos de alimentos e práticas proibidos. Ó castigador de inimigos, refletindo sobre cônjuges e outras fontes de apego, uma pessoa deve ver estes em sua própria alma. O que mais pode ser considerado como a indicação de Emancipação? Ouça-me agora enquanto eu te falo em detalhes dessas e certas outras pequenas fontes de apego concernentes às quatro ações bem conhecidas (de deitar para dormir, se divertir, comer, e se vestir) às quais tu ainda estás atado embora tu declares ter adotado a religião da Emancipação. Aquele homem que tem que governar o mundo inteiro deve, de fato, ser um único rei sem um segundo. Ele é obrigado a viver somente em um único palácio. Naquele palácio ele tem também um único quarto de dormir. Naquele quarto ele tem, novamente, somente uma cama na qual à noite ele se deita. Metade daquela cama ele é obrigado a dar para sua Rainha-consorte. Isto pode servir como um exemplo de quão pequena é a parte do rei de tudo o que se diz que ele possui. Este é o caso com seus objetos de prazer, com o alimento que ele come, e com os mantos que ele veste. Ele está assim ligado a uma parte muito limitada de todas as coisas. Ele está, também, ligado aos deveres de recompensa e punição. O rei é sempre dependente de outros. Ele desfruta de uma parte muito pequena de tudo o que se supõe que ele possui, e àquela pequena parte ele é forçado a ser vinculado (assim como outros estão ligados às suas respectivas posses). Na questão também de paz e guerra, o rei não pode citado como independente. Na questão de mulheres, de esportes e outros tipos de divertimento, as inclinações do rei são extremamente restringidas. Na questão de se aconselhar e na assembleia de seus conselheiros, que independência pode-se dizer que o rei tem? Quando, de fato, ele estabelece suas ordens sobre outros homens, ele é citado como sendo totalmente independente. Mas então no momento seguinte, nas várias questões de suas ordens, sua independência é barrada pelos próprios homens a quem ele ordenou. (O rei pode mandar alguns homens fazerem algumas coisas. Aqueles homens, depois de obedecerem aquelas ordens, voltam para ele para relatarem o fato do que eles realizaram. O rei é obrigado a lhes conceder entrevistas para escutá-los.) Se o rei deseja dormir, ele não pode satisfazer seu desejo, impedido por aqueles que têm negócios a realizar com ele. Ele deve dormir quando permitido, e quando dormindo ele é obrigado a acordar para se encarregar daqueles que têm negócios urgentes com ele, --tome banho, toque, beba, coma, despeje libações no fogo, realize sacrifícios, fale, ouça,-- estas são as palavras que reis têm que ouvir de outros e ouvindo-as eles têm que labutar para aqueles que as proferem. Homens vão ao rei em grupos e apelam a ele por doações. Sendo, no entanto, o protetor da tesouraria geral, ele não pode fazer doações nem para os mais merecedores. Se ele faz doações, a tesouraria vem a ser empobrecida. Se ele não faz, solicitadores desapontados o olham de forma hostil. Ele fica aborrecido e, como o resultado disso, sentimentos misantrópicos logo invadem sua mente. Se muitos homens sábios e heróicos e ricos residem juntos, a mente do rei começa a se encher de desconfiança em consequência. Mesmo quando não há causa de medo, o rei nutre medo daqueles que sempre o servem e adoram. Aqueles que eu mencionei, ó rei, também o criticam. Veja, de que maneira os temores do rei podem provir até deles! Então também todos os homens são reis em suas próprias casas. Todos os homens, também, em suas próprias casas são chefes de família. Como reis, ó Janaka, todos os homens em suas próprias casas castigam e recompensam. Como reis outros também têm filhos e cônjuges e seus próprios interesses e tesourarias e amigos e suprimentos. Nestes aspectos o rei não é diferente de outros homens. ‘O país está em ruínas’, ‘A cidade está consumida pelo fogo’, ‘O principal dos elefantes está morto’, por tudo isso o rei se entrega à aflição como outros, pouco considerando que estas impressões são todas devido à ignorância e erro. O rei raramente está livre de angústias mentais causadas por desejo e aversão e medo. Ele geralmente é afligido também por dores de cabeça e diversas doenças do tipo. O rei é afligido (como outros) por todos os pares de opostos (como prazer e dor, etc.). Ele fica inquieto por causa de tudo. De fato, cheio de inimigos e obstáculos como o reino é, o rei, enquanto desfruta dele, passa noites de insônia. A soberania, portanto, é dotada de uma parte de felicidade extremamente pequena. A miséria da qual ela é dotada é muito grande. Ela é tão insubstancial quanto chamas ardentes alimentadas por palha ou as bolhas de espuma vistas na superfície da água. Quem é que gostaria de obter soberania, ou tendo obtido soberania pode esperar conseguir tranquilidade? Tu consideras este reino e este palácio como teus. Tu pensas também que este exército, esta tesouraria, e estes conselheiros pertencem a ti. De quem, no entanto, eles são na verdade, e de quem eles não são? Aliados, ministros, capital, províncias, castigo, tesouraria, e o rei, estes sete que constituem os membros de um reino existem, dependendo uns dos outros, como três bastões ficando de pé com o apoio uns dos outros. Os méritos de cada um são partilhados pelos méritos dos outros. Qual deles pode então ser citado como superior ao resto? Alguns específicos são considerados como eminentes acima do resto naquelas épocas quando algum fim importante é servido através de sua agência. Superioridade, no momento presente, se atribui àquele cuja eficácia é assim vista. Os sete membros já mencionados, ó melhor dos reis, e os outros três (que são Vriddhi, Kshaya, e Sthana, todos os quais provêm da diplomacia), formando um conjunto de dez, sustentando uns aos outros, são citados como desfrutando do reino como o próprio rei. (Alguns dos sete membros são inanimados, tal como a tesouraria. Mas é dito que a tesouraria mantém os ministros, e os ministros mantêm a tesouraria.) Aquele rei que é dotado de grande energia e que é firmemente ligado às práticas Kshatriya, deve estar satisfeito somente com uma décima parte da produção do campo do súdito. São vistos outros reis que estão satisfeitos com menos do que uma décima parte de tais produtos. Não há ninguém que possua a posição real sem alguém mais possuí-la no mundo, e não há reino sem um rei. (Por isso, quando todo reino tem um rei, e os reis também são muitos, ninguém deve se entregar ao orgulho ao pensamento de que ele é um rei.) Se não houvesse reino, não poderia haver justiça, e se não houvesse justiça, de onde a Emancipação poderia surgir? Qualquer mérito que seja o mais sagrado e o maior, pertence aos reis e reinos. (O objetivo do verso é mostrar que como Janaka governa seu reino sem de ser afeiçoado a ele, ele não pode reivindicar ao mérito que pertence aos reis.) Por governar bem um reino, um rei ganha o mérito que se atribui a um Sacrifício de Cavalo com a Terra inteira doada como Dakshina. Mas há quantos reis que governam bem seus reinos? Ó soberano de Mithila, eu posso mencionar centenas e milhares de imperfeições como estas que se vinculam a reis e reinos. Então, também, quando eu não tenho conexão real mesmo com meu corpo, como então eu posso ser citada como tendo algum contato com os corpos de outros? Tu não podes me acusar de ter me esforçado para ocasionar uma mistura de castas. Tu ouviste a religião de Emancipação em sua totalidade dos lábios de Panchasikha junto com seus meios, seus métodos, suas práticas, e sua conclusão? Se tu triunfaste sobre todos os teus vínculos e te libertaste de todas as atrações, eu posso te perguntar, ó rei, porque tu ainda preservas tuas conexões com este guarda-sol e esses outros anexos de realeza? Eu penso que tu não escutaste as escrituras, ou, tu as escutaste sem qualquer vantagem, ou, talvez, tu escutaste alguns outros tratados parecidos com as escrituras. Parece que tu possuis somente conhecimento mundano, e como um homem comum do mundo tu és limitado pelos laços de contado e esposas e mansões e semelhantes. Se é verdade que tu estás emancipado de todos os vínculos, que mal eu te fiz por entrar em teu corpo somente com meu Intelecto? Com Yatis, entre todas as classes de homens, o costume é morar em residências inabitadas ou abandonadas. Que mal então eu fiz para quem por entrar em tua compreensão a qual é de conhecimento real? Eu não te toquei, ó rei, com minhas mãos, ou braços, ou pés, ou coxas, ó impecável, ou com qualquer outra parte do corpo. Tu és nascido em uma linhagem nobre. Tu tens modéstia. Tu tens previdência. Se o ato foi bom ou mau, minha entrada em teu corpo foi secreta, dizendo respeito a nós dois somente. Não foi impróprio para ti divulgar aquela ação particular perante toda a tua corte? Estes Brahmanas são todos dignos de respeito. Eles são os principais dos preceptores. Tu também tens direito ao respeito deles, sendo seu rei. Fazendo-lhes reverência, tu tens direito a receber reverência deles. Refletindo sobre tudo isso, não é apropriado para ti proclamar perante estes principais dos homens o fato dessa união entre duas pessoas de sexos opostos, se, de fato, tu és realmente conhecedor das regras de decência em relação a palavras. Ó rei de Mithila, eu estou permanecendo em ti sem te tocar em absoluto assim como uma gota de água em uma folha de lótus que permanece sobre ela sem encharcá-la o mínimo. Apesar das instruções de Panchasikha da classe mendicante, teu conhecimento se tornou abstraído dos objetos sensuais com os quais ele se relaciona? Tu, isto é óbvio, abandonaste o modo de vida familiar mas ainda não alcançaste a Emancipação à qual é tão difícil de se chegar. Tu permaneces entre os dois, fingindo que alcançaste a meta da Emancipação. O contato de alguém que é emancipado com outro que é assim, ou Purusha com Prakriti, não pode levar a uma mistura do tipo que tu temes. Somente aqueles que consideram a alma como idêntica ao corpo, e que pensa que as várias classes e modos de vida são realmente diferentes uns dos outros, está aberto ao erro de supor que uma mistura é possível. Meu corpo é diferente do teu. Mas minha alma não é diferente da tua alma. Quando eu posso perceber isso, eu não tenho a menor dúvida de que minha compreensão não está realmente permanecendo na tua embora eu tenha entrado em ti por Yoga. Uma panela é carregada na mão. Na panela há leite. No leite há uma mosca. Embora a mão e a panela, a panela e o leite, e o leite e a mosca, existam juntos, ainda assim eles são todos diferentes uns dos outros. A panela não compartilha a natureza do leite. Nem o leite compartilha a natureza da mosca. A condição de cada um é dependente de si mesma, e nunca pode ser alterada pela condição daquele outro com o qual ele possa existir temporariamente. Dessa maneira, cores e práticas, embora elas possam existir juntas com e em uma pessoa que é emancipada, realmente não se vinculam a ela. Como então uma mistura de classes pode ser possível por causa dessa união de mim mesma contigo? Então, também, eu não sou superior a ti em cor. Eu não sou uma Vaisya, nem uma Sudra. Eu sou, ó rei, da mesma classe que tu, nascida de uma linhagem pura. Há um sábio nobre de nome Pradhana. É evidente que tu ouviste falar dele. Eu nasci na linhagem dele, e meu nome é Sulabha. Nos sacrifícios realizados por meus antepassados, o principal dos deuses, Indra, costumava vir, acompanhado por Drona e Satasringa, e Chakradwara (e outros gênios que presidem as grandes montanhas). Nascida em tal linhagem, descobriu-se que nenhum marido que fosse digno de mim poderia ser obtido por mim. Instruída então na religião da Emancipação, eu vago só sobre a Terra, observadora das práticas de ascetismo. Eu não pratico hipocrisia na questão da vida de Renúncia. Eu não sou um ladrão que se apropria do que pertence a outros. Eu não confundo as práticas pertencentes às diferentes classes. Eu sou firme nas práticas que pertencem àquele modo de vida ao qual eu pertenço devidamente. Eu sou firme e imperturbável em meus votos. Eu nunca profiro alguma palavra sem refletir sobre sua adequação. Eu não vim a ti sem ter deliberado devidamente, ó monarca! Tendo ouvido que tua compreensão tinha sido purificada pela religião da Emancipação, eu vim aqui pelo desejo de algum benefício. De fato, foi para te perguntar acerca da Emancipação que eu vim. Eu não digo isso para glorificar a mim mesma e humilhar meus oponentes. Mas eu digo isso impelida somente pela sinceridade. O que eu digo é, aquele que está emancipado nunca se entrega àquele combate intelectual que é implicado por uma discussão dialética pela vitória. Por outro lado, é realmente emancipado aquele que se devota a Brahma, aquele único alicerce da tranquilidade. Como uma pessoa da classe mendicante reside por uma única noite em uma casa vazia (e a deixa na manhã seguinte), da mesma maneira eu residirei por esta única noite em tua pessoa (a qual, como eu já disse, é como um quarto vazio, sendo desprovida de conhecimento). Tu me honraste com palavras e outras ofertas que são devidas de um anfitrião para um convidado. Tendo dormido esta única noite em tua pessoa, ó soberano de Mithila, a qual é como se fosse meu próprio quarto agora, eu partirei amanhã.’” "Bhishma continuou, 'Ouvindo essas palavras repletas de significado excelente e com razão, o rei Janaka fracassou em dar qualquer resposta a isso.'" (As palavras de Sulabha eram irrefutáveis, pois para alcançar a Emancipação uma pessoa deve praticar uma vida de Renúncia em vez de continuar no modo de vida familiar). "Yudhishthira disse, 'Como Suka, o filho de Vyasa, antigamente, conquistou a Renúncia? Eu desejo te ouvir narrar a história. Minha curiosidade a este respeito é irreprimível. Cabe a ti, ó tu da linhagem de Kuru, me falar sobre as conclusões a respeito do Imanifesto (Causa), do Manifesto (Efeitos), e da Verdade (ou Brahma) que está neles, mas não ligada a eles, como também das ações do auto-nascido Narayana, como elas são conhecidas por tua compreensão.’” "Bhishma disse, 'Vendo seu filho Suka vivendo destemidamente como homens comuns vivem, em práticas que são consideradas inofensivas por eles, Vyasa lhe ensinou os Vedas inteiros e então um dia lhe falou estas palavras: 'Vyasa disse, ‘Ó filho, tornando-te o mestre dos sentidos, subjugue frio extremo e calor extremo, fome e sede, e o vento também, e tendo-os subjugado (como Yogins fazem), pratique a virtude. Observe devidamente verdade e sinceridade, e liberdade de ira e malícia, e autodomínio e penitências, e os deveres de benevolência e compaixão. Permaneça na verdade, firmemente dedicado à justiça, abandonando todo tipo de insinceridade e engano. Mantenha tua vida do que resta de comida depois de alimentar os deuses e convidados. Teu corpo é tão transitório quanto a espuma sobre a superfície da água. A alma Jiva está colocada sobre ele livre como uma ave em uma árvore. A companhia de todo objeto agradável é de duração extremamente curta. Por que então, ó filho, tu dormes em tal esquecimento? Teus inimigos (os sentimentos) estão atentos e despertos e sempre prontos (para surgirem em ti) e sempre alertas à sua oportunidade. Por que tu és tão tolo quanto a não saber disso? Conforme os dias se seguem um depois do outro, o período da tua vida está sendo diminuído. De fato quando tua vida está sendo encurtada incessantemente, por que tu não deverias correr para os preceptores (para aprender os meios de salvação)? Somente aqueles que são desprovidos de fé (na existência da vida seguinte) colocam seus corações em coisas deste mundo que têm o único efeito de aumentar carne e sangue. Eles estão totalmente desatentos a tudo o que está relacionado com o mundo seguinte. Aqueles homens que estão entorpecidos por compreensões errôneas demonstram um ódio pela justiça. O homem que caminha atrás daquelas pessoas enganadas que se dirigiram para caminhos desviados e errôneos é afligido igualmente com elas. Aqueles, no entanto, que são satisfeitos, devotados às escrituras, dotados de grandes almas, e possuidores de grande poder, se dirigem ao caminho da justiça. Visite-os com reverência e procure instrução deles. Aja segundo as instruções recebidas daqueles homens sábios cujos olhos estão fixos na justiça. Com compreensão purificada por tais lições e tornada superior, reprima então teu coração o qual está sempre pronto para se desviar da direção correta. Aqueles cujas compreensões estão sempre relacionadas com o presente, que destemidamente consideram o amanhã como uma coisa bastante remota, aqueles que não observam quaisquer restrições a respeito de comida, são realmente pessoas insensatas que falham em entender que este mundo é somente um campo de provação. (Literalmente, o mundo é somente um campo de ação, implicando que as criaturas, vindo aqui, têm que agir; essas ações levam a recompensas e punições, aqui e após a morte. O caminho da Emancipação é por esgotar as consequências das ações por gozo ou sofrimento e por se abster de atos adicionais por adotar a religião de Nivritti.) Indo para a escada constituída pela Justiça, suba aqueles degraus um após outro. No momento tu és como um verme que está empenhado em tecer seu casulo ao redor de si mesmo e assim se privando de todos os meios de fuga. Mantenha à tua esquerda, sem qualquer escrúpulo, o ateu que transgride todas as restrições, que está situado como uma casa ao lado de uma correnteza violenta e que vai além dos limites, (pois ele procura a destruição), e que (para outros) parece permanecer como um bambu com sua cabeça erguida em orgulho. Com a balsa do Yoga, cruze o oceano do mundo cujas águas são constituídas pelos teus cinco sentidos. Tendo Desejo e Ira e Morte como seus monstros ferozes, e possuindo nascimento como seu redemoinho. Atravesse, com a balsa da Justiça, o mundo que é afetado pela Morte e afligido pela Decrepitude, e sobre o qual os raios constituídos pelos dias e noites estão caindo constantemente. Quando a morte está te procurando em todos os momentos, isto é, quando tu estás sentado ou deitado, é certo que a Morte pode te pegar como sua vítima a qualquer momento. De onde tu obterás tua salvação? Como uma loba arrebatando um cordeiro, a Morte arrebata alguém que ainda está empenhado em ganhar riqueza e ainda insatisfeito na indulgência de seus prazeres. Quando tu estás destinado a entrar no escuro, segure a lâmpada brilhante feita de compreensão correta e cuja chama tem sido bem economizada. Caindo em várias formas uma após outra no mundo de homens, uma criatura obtém a posição de Brahmana com grande dificuldade. Tu obtiveste esta posição. Então, ó filho, te esforce para mantê-la (adequadamente, isto é, por cumprir os deveres de um Brahmana). Um Brahman não nasceu para a satisfação do desejo. Por outro lado, seu corpo é planejado para estar sujeito à mortificação e penitências neste mundo para que felicidade incomparável possa ser dele no mundo seguinte. A posição de Brahmana é adquirida com a ajuda de penitências muito longas e austeras. Tendo alcançado esta posição, alguém nunca deve desperdiçar seu tempo na satisfação de seus sentidos. Sempre engajado em penitências e autodomínio e desejoso do que é para o teu bem, viva e aja, dedicado à paz e tranquilidade. O período de vida de todos os homens é como um corcel. A natureza daquele corcel é imanifesta. Os (dezesseis) elementos (mencionados anteriormente) constituem seu corpo. Sua natureza é extremamente sutil. Kshanas, e Trutis, e Nimeshas são os pêlos em seu corpo. Os crepúsculos constituem as juntas de seus ombros; as quinzenas iluminadas e escuras são seus dois olhos de igual poder. Os meses são seus outros membros. Aquele corcel está correndo incessantemente. Se teus olhos não são cegos, vendo então aquele corcel se movendo adiante continuamente em seu curso invisível, coloque teu coração na justiça, depois de ouvires o que teus preceptores têm a dizer sobre o assunto do mundo seguinte. Aqueles que abandonam a justiça e se comportam temerariamente, que sempre demonstram malícia em direção a outros e se dirigem para maus caminhos são obrigados a assumir corpos (físicos) nas regiões de Yama e sofrer diversas aflições, por consequência de suas ações injustas de diversos tipos. Aquele rei que é devotado à justiça e que protege e castiga os bons e os maus com discernimento, alcança aquelas regiões que pertencem ao homem de ações justas. Por fazer diversos tipos de boas ações, ele obtém tal felicidade que é impecável e não pode ser alcançada mesmo por passar por milhares de nascimentos. (O comentador explica que este verso é para assegurar Yudhishthira que reis são competentes para obter felicidade no mundo seguinte.) Cães furiosos de aparência terrível, corvos de bicos de ferro, bandos de corvos e urubus e outras aves, e vermes chupadores de sangue, atacam o homem que desobedece as ordens de seus pais e preceptores quando ele vai para o inferno depois da morte. Aquele patife pecaminoso que, por seu atrevimento, transgride os dez limites que foram fixados pelo próprio Auto-nascido, é obrigado a passar seu tempo em grande aflição no desertos selvagens que se encontram nos domínios do rei dos Pitris. (Os dez limites ou mandamentos, como citados pelo comentador, são os cinco positivos, isto é, Pureza, Contentamento, Penitências, Estudo dos Vedas, Meditação em Deus; e os cinco negativos, isto é, abstenção da crueldade, da mentira, do roubo, do não cumprimento de votos, e da aquisição de riqueza.) Aquele homem que é corrompido pela cobiça, que ama a mentira, que sempre tem prazer na desonestidade e trapaça, e que causa dano a outros por praticar hipocrisia e fraude, tem que ir para o inferno profundo e sofrer grande dor e aflição por seus atos de maldade. Tal homem é forçado a se banhar no rio largo chamado Vaitarani cujas águas são escaldantes, a entrar em uma floresta de árvores cujas folhas são tão afiadas quanto espadas, e então a deitar em uma cama de machados de batalha. Ele tem assim que passar seus dias no inferno terrível em grande aflição. Tu viste somente as regiões de Brahman e outras divindades, mas tu estás cego para aquela que é a mais elevada (isto é, a Emancipação). Ai, tu estás sempre cego também àquilo que traz a Morte em seu séquito, (isto é, decrepitude e velhice). Vá (pelo caminho da Emancipação)! Por que tu tardas? Um terror medonho, destrutivo de tua felicidade, está diante de ti! Tome medidas imediatas para realizar tua Emancipação! Logo depois da morte tu com certeza serás levado perante Yama por ordem dele. Para obter felicidade no mundo seguinte, esforce-te para obter virtude pela prática de votos difíceis e severos. O pujante Yama, indiferente aos sofrimentos de outros, logo tira as vidas de todas as pessoas, isto é, de ti mesmo e teus amigos. Não há ninguém capaz de resistir a ele. Logo o vento de Yama soprará à tua frente (e te levará para a presença dele). Logo tu serás levado àquela presença terrível completamente sozinho. Realize o que será para o teu bem lá. Onde está agora aquele vento da morte que logo soprará perante ti? (Tu estás consciente disso?) Logo os pontos do horizonte, quando aquele momento chegar, vão começar a girar diante dos teus olhos. (Tu estás consciente disso?) Ó filho, logo (quanto chegar a hora) teus Vedas desaparecerão da tua visão quando tu fores sem auxílio àquela presença terrível. Portanto, coloque teu coração na abstração Yoga que é possuidora de grande excelência. Procure chegar àquele único tesouro (Samadhi ou Brahma) para que tu não tenhas que sofrer pela recordação (depois da Morte) de tuas antigas ações boas e más, todas as quais são caracterizadas pelo erro. (Atos, sejam bons ou maus, todos surgem do erro. Abstenção de ações é o verdadeiro caminho para a Emancipação.) A decrepitude logo enfraquece teu corpo e rouba tua força e membros e beleza. Portanto, procure aquele único tesouro. Logo o Destruidor, com Doença como seu cocheiro, irá, com uma mão forte, para tirar tua vida, perfurar e quebrar teu corpo. Portanto pratique penitência ascética. Logo, aqueles lobos terríveis que residem dentro do teu corpo (as emoções), te atacarão por todos os lados. Esforce-te, portanto, para realizar ações de virtude. Logo tu irás, completamente só, ver uma escuridão densa, e logo tu verás árvores douradas no topo da colina. Portanto, te apresse para realizar ações de virtude. (A visão de árvores douradas é um sinal premonitório de Morte.) Logo aqueles teus maus companheiros e inimigos, (isto é, os sentidos), vestidos na aparência de amigos, te desviarão da visão correta. Então, ó filho, te esforce para obter aquilo que é do maior benefício. Ganhe aquela riqueza pela qual alguém não tem que temer reis ou ladrões, e a qual alguém não tem que abandonar mesmo na Morte. Obtida pelas próprias ações, aquela riqueza nunca tem que ser dividida entre co- proprietários. Cada um desfruta daquela riqueza (no mundo seguinte), a qual cada um ganhou por si mesmo. Ó filho, ofereça para outros aquilo pelo qual eles possam ser capazes de viver no mundo seguinte. Também te dirija para a aquisição daquela riqueza que é indestrutível e durável. Não pense que tu deves primeiro desfrutar de todos os tipos de prazeres e então dirigir teu coração para a Emancipação, pois antes que tu estejas saciado com o prazer tu podes ser alcançado pela Morte. Em vista disso, te apresse para fazer ações de bondade. (Literalmente traduzido, o verso correria dessa maneira: 'Antes do cozimento do Yavaka de um homem rico estar terminado, de fato, enquanto ele ainda não está cozido, tu podes encontrar com a morte. Portanto, te apresse.' Yavaka é um tipo específico de alimento feito de ghee e farinha de trigo ou cevada.) Nem mãe, nem filho, nem parentes, nem amigos queridos, mesmo quando solicitados com honras, acompanham o homem que morre. Para as regiões de Yama uma pessoa tem que ir por si mesma, desacompanhada. Somente aquelas ações, boas e más, que ele fez antes da morte, acompanham o homem que vai para o outro mundo. O ouro e pedras preciosas que alguém ganhou por meios bons e maus não se tornam produtivos de qualquer benefício para alguém quando seu corpo encontra com a dissolução. Dos homens que foram para o outro mundo, não há testemunha, melhor do que a alma, de todas as ações feitas ou não feitas em vida. Que quando o ativo Chaitanya (alma Jiva) entra na testemunha Chaitanya, a destruição do corpo acontece, é visto pela inteligência Yoga quando Yogins entram no firmamento de seus corações. (A existência da Alma quando o corpo não existe é possível, pois Yogins, em Yoga, vivem em sua Alma enquanto estão inconscientes de seus corpos. A entrada do ativo Chaitanya naquele Chaitanya o qual sobrevive como a testemunha significa a morte do corpo.) Mesmo aqui, o deus do Fogo, do Sol e do Vento, estes três residem no corpo. Estes, observando como eles fazem todas as práticas da vida de alguém se tornam suas testemunhas. Dias e Noites, o primeiro caracterizado pela virtude de expor todas as coisas e a última caracterizada pela virtude de ocultar todas as coisas, estão correndo incessantemente e tocando todas as coisas (e assim diminuindo seus períodos concedidos de existência). Portanto, seja observador dos deveres da tua própria classe. A estrada no outro mundo (que leva às regiões de Yama), é infestada por muitos inimigos (na forma de aves de bicos de ferro e lobos) e por muitos insetos e vermes terríveis e repulsivos. Cuide das tuas próprias ações, pois somente as ações o acompanharão ao longo daquela estrada. Alguém não tem que compartilhar suas ações com outros, mas cada um desfruta ou suporta os resultados daquelas ações as quais ele mesmo realizou. Como Apsaras e grandes Rishis alcançam frutos de grande felicidade, da mesma maneira, os homens de atos justos, como os frutos de suas respectivas ações justas, obtêm no outro mundo carros de brilho transcendente que se movem por todos os lugares à vontade dos passageiros. Homens de ações imaculadas e almas purificadas e nascimento puro obtêm no mundo seguinte frutos que correspondem às suas próprias ações corretas nessa vida. Por andar pela estrada excelente constituída pelos deveres da vida familiar, homens obtêm fins felizes por alcançarem a região de Prajapati ou Vrihaspati ou daquele de cem sacrifícios. Eu posso te dar milhares e milhares de instruções. Saiba, no entanto, que o poderoso purificador (isto é, a Retidão), mantém todas as pessoas tolas no Escuro. Tu passaste dos vinte e quatro anos. Tu tens agora vinte e cinco anos de idade completos. Teus anos estão passando. Comece a preparar teu estoque de virtude. O Destruidor que mora dentro do erro e negligência logo privará teus sentidos dos seus respectivos poderes. Antes que a consumação seja ocasionada, te apresse para cumprir teus deveres, confiando em teu corpo somente. Quando é teu dever seguir ao longo daquela estrada na qual somente tu mesmo estarás na frente e somente tu mesmo estarás na retaguarda (isto é, a estrada do Autoconhecimento), que necessidade tu tens então de teu corpo ou tua esposa e filhos? Quando homens têm que ir individualmente e sem companheiros para a região de Yama, é claro que em vista de tal situação de terror tu deves procurar adquirir aquele único tesouro (isto é, Retidão ou Yogasamadhi). O pujante Yama, indiferente às aflições de outros, arrebata os amigos e parentes da família de alguém pelas próprias raízes. Ninguém pode resistir a ele. Portanto, procure adquirir um estoque de virtude. Eu te dou essas lições, ó filho, que estão todas em conformidade com as escrituras que eu sigo. Pratique-as por agir de acordo com sua importância. Aquele que sustenta seu corpo por seguir os deveres prescritos para sua própria classe, e que faz doações para ganhar quaisquer frutos que possam se vincular a tais ações, vem a ser livre das consequências que nascem da ignorância e erro. O conhecimento que um homem de ações justas adquire das declarações Védicas (tais como Tattwamasi, etc.) leva à onisciência. Aquela onisciência é idêntica ao conhecimento do maior objeto de aquisição humana (isto é, a Emancipação). Instrução, dada ao grato, se torna benéfica (por levar ao alcance daquele maior objeto de aquisição humana). A satisfação que alguém tem em viver em meio às habitações de homens é realmente uma corda que ata rapidamente. Rompendo aquela corda, homens de ações justas vão para regiões de grande bem- aventurança. Homens pecaminosos, no entanto, fracassam em romper aquele laço. Que necessidade tu tens de riqueza, ó filho, ou de parentes, ou de filhos, já que tu tens que morrer? Dedique-te a procurar por tua alma que está escondida em uma caverna. Aonde foram todos os teus antepassados? Faça hoje aquilo que tu deixarias para amanhã. Faça de manhã o que tu deixarias para a tarde. A Morte não espera por ninguém, para ver se ele terminou ou não sua tarefa. Seguindo o corpo depois da morte (para o crematório), os parentes e amigos de uma pessoa voltam, jogando-o na pira mortuária. Sem um escrúpulo evite aqueles homens que são céticos, que são desprovidos de compaixão, e que são devotados a maus caminhos, e te esforce para procurar, sem desatenção ou apatia, aquilo que é para o teu maior bem. Quando, portanto, o mundo é assim afligido pela Morte, tu, com todo teu coração, conquiste virtude, ajudado todo o tempo por paciência inabalável. Aquele homem que conhece bem os meios de chegar à Emancipação e que cumpre devidamente os deveres de sua classe, seguramente obtém grande felicidade no outro mundo. Para ti que não reconheces a morte na obtenção de um corpo diferente e que não te desvias do caminho trilhado pelos justos, não há destruição. Aquele que aumenta o estoque de virtude é realmente sábio. Aquele, por outro lado, que abandona a virtude é citado como sendo um tolo. Alguém que está empenhado na realização de boas ações alcança o céu e outras recompensas como os frutos daquelas ações; mas aquele que é dedicado às más ações tem que afundar no inferno. Tendo alcançado a posição de humanidade, de aquisição tão difícil, que é o ponto de partida para o céu, uma pessoa deve fixar sua alma em Brahma para que ela não possa decair mais uma vez. Aquele homem cuja compreensão, dirigida ao caminho do céu, não se desvia disso, é considerado pelos sábios como realmente um homem de retidão e quando ele morre seus amigos devem se entregar à aflição. Aquele homem cuja mente não é inquieta e que está dirigida para Brahma e que alcançou o céu, fica livre de um grande terror (isto é, o inferno). Aqueles que nascem em retiros de ascetas e que morrem lá, não ganham muito mérito por se absterem toda a sua vida de prazeres e da satisfação do desejo. Aquele, no entanto, que embora possuidor de objetos de prazer os rejeita e se engaja na prática de penitências, consegue adquirir tudo. Os resultados das penitências de tal homem são, eu penso, muito superiores. Mães e pais e filhos e cônjuges, às centenas e milhares, todos tiveram e terão neste mundo. Quem, no entanto, eram eles e de quem somos nós? Eu estou bastante só. Eu não tenho alguém a quem eu possa chamar de meu. Nem eu pertenço a alguém mais. Eu não vejo aquela pessoa de quem eu sou, nem vejo aquela a quem eu possa chamar de minha. Eles não têm nada a fazer contigo. Tu não tens nada a fazer com eles. (O sentido é que no decorrer dos nossos repetidos renascimentos nós obtemos esses relacionamentos repetidamente e os obteremos repetidamente. Mas nós somos, na verdade, totalmente não relacionados com eles. Sua união conosco é como a união de pedaços de madeira flutuando em um rio, ora unidos temporariamente, ora separados.) Todas as criaturas nascem segundo suas ações de vidas passadas. Tu também terás que partir daqui (para nascer em uma nova classe) determinada por tuas próprias ações. Neste mundo é visto que somente os amigos e seguidores daqueles que são ricos se comportam para com os ricos com dedicação. Os amigos e seguidores daqueles, no entanto, que são pobres, os abandonam mesmo durante a vida dos pobres. Um homem comete numerosas más ações por causa de sua esposa (e filhos). Daquelas más ações ele deriva muita aflição aqui e após a morte. O homem sábio vê o mundo de vida devastado pelas ações realizadas por todos os seres vivos. Portanto, ó filho, aja de acordo com todas as instruções que eu tenho te dado! O homem possuidor de visão verdadeira, vendo este mundo somente como um campo de ação, deve, pelo desejo de felicidade no mundo seguinte, fazer ações que são boas. O Tempo, exercendo sua força irresistível, cozinha todas as criaturas (em seu próprio caldeirão), com a ajuda de sua concha constituída por meses e estações, o sol como seu fogo, e dias e noites como seu combustível, dias e noites, isto é, que são as testemunhas dos frutos de todas as ações feitas por todas as criaturas. Para qual propósito é aquela riqueza que não é doada e que não é desfrutada? Para qual propósito é aquela força que não é empregada em resistir ou subjugar os inimigos? Para qual propósito é aquele conhecimento das escrituras que não impele alguém para ações de virtude? E para qual propósito é aquela alma que não subjuga os sentidos nem se abstém de más ações?’” "Bhishma continuou, 'Tendo ouvido essas palavras benéficas faladas pelo Nascido na Ilha (Vyasa), Suka, deixando seu pai, procedeu para procurar um preceptor que pudesse ensinar a ele a religião de Emancipação.'" 323 "Yudhishthira disse, 'Se há alguma eficácia em doações, em sacrifícios, em penitências bem realizadas, e em serviços respeitosos prestados para preceptores e outros superiores veneráveis, ó avô, fale da mesma para mim.’” "Bhishma disse, 'Uma compreensão associada com o mal faz a mente cair em pecado. Neste estado alguém macula suas ações, e então cai em grande angústia. Aqueles que são de ações pecaminosas têm que nascer como pessoas de condições muito indigentes. De fome para fome, de dor para dor, de medo para medo, é sua mudança. Eles estão mais mortos do que aqueles que estão mortos. Possuidores de riqueza, de alegria para alegria, de céu para céu, de felicidade para felicidade, procedem aquele que possuem fé, que são autodominados, e que estão dedicados a ações virtuosas. Aqueles que são descrentes têm que passar, com mãos tateantes, por regiões infestadas por animais predadores e elefantes e regiões sem trilhas cheias de cobras e ladrões e outras causas de temor. O que mais precisa ser dito desses? Aqueles, por outro lado, que são dotados de reverência por deuses e convidados, que são generosos, que têm respeito apropriado pelas pessoas que são boas, e que fazem doações em sacrifícios, têm como seu o caminho (de bem-aventurança) que pertence aos homens de almas purificadas e subjugadas. Aqueles que não são justos não devem ser contados entre homens assim como grãos sem núcleo não são contados entre grãos e como baratas não são contadas entre aves. As ações que alguém faz o seguem mesmo que ele corra rápido. Quaisquer ações que alguém faça se deitam com o fazedor que se deita. De fato, os pecados que alguém faz sentam quando o fazedor senta, e correm quando ele corre. Os pecados agem quando o fazedor age, e realmente seguem o fazedor como sua sombra. Quaisquer que sejam as ações que alguém faça por quaisquer meios e sob quaisquer circunstâncias, indubitavelmente serão desfrutadas e suportadas (em relação aos seus resultados), pelo fazedor em sua próxima vida. De todos os lados o Tempo está sempre arrastando todas as criaturas, cumprindo devidamente a regra a respeito da distância à qual elas são jogadas e a qual é compatível com seus atos. (O Tempo, como um agente personificado, está jogando todas criaturas a distâncias desiguais. Algumas são jogadas perto e algumas a uma grande distância. Essas distâncias são reguladas pela natureza das ações feitas pelas criaturas jogadas. Algumas são lançadas entre animais, algumas entre homens. Jogando ou lançando-as dessa maneira, o Tempo as arrasta novamente, as cordas de amarrar estando sempre em suas mãos.) Como flores e frutas, sem serem incitadas, nunca permitem que seu tempo apropriado passe sem fazerem seu aparecimento, assim mesmo as ações que alguém fez na vida passada fazem seu aparecimento no tempo apropriado. Honra e desonra, lucro e perda, destruição e crescimento, são vistos se manifestarem. Ninguém pode resistir a eles (quando eles vêm). Nenhum deles é duradouro, pois ele deve desaparecer depois do aparecimento. A tristeza que alguém sofre é o resultado de suas próprias ações. A felicidade que alguém desfruta flui de suas próprias ações. Desde o momento em que jaz dentro do útero da mãe uma pessoa começa a desfrutar e suportar seus atos de uma vida passada. Quaisquer ações boas ou más feitas na infância, juventude, ou velhice, alguém desfruta ou suporta suas consequências em uma próxima vida em idades similares. Como o bezerro reconhece sua mãe mesmo que a última possa estar entre milhares de sua espécie, do mesmo modo as ações feitas por alguém em sua vida passada chegam a ele em sua vida seguinte (sem qualquer equívoco) embora ele viva entre milhares de sua espécie. Como uma peça de roupa suja é branqueada por ser lavada em água, do mesmo modo os virtuosos, purificados pela exposição contínua ao fogo de jejuns e penitências, finalmente obtêm felicidade interminável. Ó tu de grande inteligência, os desejos e propósitos daquele cujos pecados têm sido purificados por penitências bem realizadas continuadas por longo tempo se tornam coroados com fruição. O caminho dos justos não pode ser percebido assim como aquele das aves no céu, ou aquele dos peixes na água. Não há necessidade de falar mal dos outros, nem de recitar os casos nos quais outros têm errado. Por outro lado, uma pessoa deve sempre fazer o que é encantador, agradável, é benéfico para si mesmo.'" 324 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, como Suka de grande alma de penitências austeras nasceu como o filho de Vyasa, e como ele conseguiu alcançar o maior sucesso? Em qual mulher Vyasa, dotado de riqueza de ascetismo, gerou aquele filho dele? Nós não sabemos quem foi a mãe de Suka, nem sabemos alguma coisa do nascimento daquele asceta de grande alma. Como foi que, quando ele era um mero menino, sua mente veio a ser dirigida para o conhecimento do (Brahma) sutil? De fato, neste mundo nenhuma segunda pessoa pode ser vista na qual tais predileções pudessem ser notadas tão cedo em idade. Eu desejo saber tudo isso em detalhes, ó tu de grande inteligência. Eu nunca estou saciado com a audição de tuas palavras excelentes e como néctar. Fale-me, ó avô, em sua ordem apropriada, da grandeza e do conhecimento de Suka e de sua união com a Alma (Suprema)!" "Bhishma continuou, 'Os Rishis não fazem mérito dependendo de idade ou decrepitude ou riqueza ou amigos. Eles disseram que era grande entre eles aquele que estudava os Vedas. Tudo isso sobre o que tu perguntaste tem penitências como seu fundamento. As penitências, ó filho de Pandu, provêm da subjugação dos sentidos. Sem dúvida, uma pessoa cai em erro por largar as rédeas de seus sentidos. É somente por controlá-los que alguém consegue ganhar sucesso. O mérito que se vincula a mil Sacrifícios de Cavalo ou cem Vajapeyas não pode chegar nem a uma décima sexta parte do mérito que provêm do Yoga. Eu irei, na presente ocasião, narrar para ti as circunstâncias do nascimento de Suka, os frutos que ele ganhou por suas penitências, e o principal fim que ele alcançou (por suas ações), tópicos que não podem ser entendidos por pessoas de alma impura. Uma vez sobre o topo de Meru adornado com flores karnikara, Mahadeva se divertia, acompanhado pelos espíritos terríveis que eram seus associados. A filha do rei das montanhas, isto é, a deusa Parvati, também estava lá. Na vizinhança daquele topo, o Nascido na Ilha (Vyasa) passava por austeridades extraordinárias. Ó melhor dos Kurus, dedicado às práticas de Yoga, o grande asceta se recolheu por Yoga em sua própria Alma, e empenhado em Dharana, praticou muitas austeridades para (obter) um filho. A oração que ele endereçou ao grande Deus foi: ‘Ó pujante, me permita ter um filho que tenha a força do Fogo e Terra e Água e Ar e Espaço.’ Engajado nas mais austeras das penitências, o Rishi Nascido na Ilha rogou daquele Deus que não pode ser aproximado por pessoas de almas impuras, (não por palavras mas) por sua resolução Yoga. O pujante Vyasa permaneceu lá por cem anos, subsistindo só de ar, empenhado em adorar Mahadeva de formas diversas, o marido de Uma. Para lá foram todos os Rishis regenerados e sábios reais e os Regentes do mundo e os Sadhyas junto com os Vasus, e os Adityas, os Rudras, e Surya e Chandramas, e os Maruts, e os Oceanos, e os Rios e os Aswins, as Divindades, os Gandharvas, e Narada e Parvata e o Gandharva Viswavasu, e os Siddhas, e as Apsaras. Lá Mahadeva, chamado também pelo nome de Rudra, sentou, enfeitado com uma guirlanda excelente de flores Karnikara, e brilhou com refulgência como a Lua com seus raios. Naqueles bosques encantadores e celestiais densamente povoados com divindades e Rishis celestes o grande Rishi permaneceu, dedicado à sublime contemplação Yoga, pelo desejo de obter um filho. Sua força não sofreu diminuição, nem ele sentiu alguma dor. Nisto os três mundos estavam muito surpresos. Enquanto o Rishi, possuidor de energia incomensurável, estava em Yoga, seus cabelos emaranhados, por causa de sua energia, foram vistos resplandecerem como chamas de fogo. Foi do ilustre Markandeya que eu soube disso. Ele sempre costumava contar para mim as ações das divindades. É por isso que os cabelos emaranhados do Krishna de grande alma e (Nascido na Ilha), assim iluminados por sua energia naquela ocasião, parecem até hoje serem dotados da cor do fogo. Satisfeito com tais penitências e tal devoção, ó Bharata, do Rishi, o grande Deus resolveu (conceder a ele seu desejo). A divindade de três olhos, sorrindo com prazer, dirigiu-se a ele e disse, ‘Ó Nascido na Ilha, tu obterás um filho como o que tu desejas! Possuidor de grandeza, ele será tão puro quanto o Fogo, o Ar, a Terra, a Água, e o Espaço! Ele possuirá a consciência de ser o próprio Brahma; sua compreensão e alma serão devotadas a Brahma, e ele dependerá completamente de Brahma de tal modo a ser identificável com ele!'" 325 "Bhishma disse. 'O filho de Satyavati, tendo obtido este grande benefício do grande Deus, estava um dia empenhado em friccionar seus gravetos para fazer um fogo. Enquanto estava assim ocupado, o Rishi ilustre, ó rei, viu a Apsara Ghritachi, que, por sua energia, era então possuidora de grande beleza. Contemplando a Apsara naqueles bosques, o ilustre Rishi Vyasa, ó Yudhishthira, ficou de repente afetado pelo desejo. A Apsara (Ghritachi), vendo o coração do Rishi perturbado pelo desejo, se transformou em um papagaio fêmea e foi àquele local. Embora ele visse a Apsara disfarçada em outra forma, o desejo que tinha surgido no coração do Rishi (sem desaparecer) se espalhou por todas as partes de seu corpo. Convocando toda sua paciência, o asceta se esforçou para suprimir aquele desejo; com todo seu esforço, no entanto, Vyasa não conseguiu controlar sua mente agitada. Por causa da inevitabilidade do que estava para acontecer, o coração do Rishi estava atraído pela bela forma de Ghritachi. Ele se aplicou mais seriamente à tarefa de fazer um fogo para suprimir sua emoção, mas apesar de todos os seus esforços sua semente vital saiu. Aquele melhor dos regenerados, no entanto, ó rei, continuou a friccionar os gravetos sem sentir quaisquer escrúpulos pelo que tinha acontecido. Da semente que caiu nasceu um filho para ele, chamado Suka. Pelas circunstâncias ligadas ao seu nascimento, ele veio a ser chamado pelo nome de Suka. De fato, foi assim que aquele grande asceta, aquele principal dos Rishis e maior dos Yogins, nasceu dos dois gravetos (que seu pai tinha para fazer fogo). Como em um sacrifício um fogo ardente derrama sua refulgência por todos os lados quando libações de manteiga clarificada são despejadas sobre ele, da mesma maneira Suka teve seu nascimento, brilhando com esplendor por sua própria energia. Assumindo a forma e cor excelentes que eram de seu pai, Suka, ó filho de Kuru, de Alma purificada, brilhou como um fogo sem fumaça. O principal dos rios, Ganga, ó rei, chegando ao leito de Meru, em sua própria forma incorporada, banhou Suka (depois de seu nascimento) com suas águas. Lá caiu do firmamento, ó filho de Kuru, um bastão de asceta e uma camurça escura para o uso, ó monarca, de Suka de grande alma. Os Gandharvas cantaram repetidamente e as diversas tribos de Apsaras dançaram; e timbales celestes de som alto começaram a ser batidos. O Gandharva Viswavasu, e Tumvuru e Varada, e aqueles outros Gandharvas chamados pelos nomes de Haha, e Huhu, elogiaram o nascimento de Suka. Lá foram os regentes do mundo com Sakra em sua dianteira, como também as divindades e os Rishis celestes e regenerados. O Deus do Vento despejou chuvas de flores celestes sobre o local. Todo o universo, móvel e imóvel, se encheu de alegria. Mahadeva de grande alma de grande refulgência, acompanhado pela Deusa, e movido por afeição, chegou lá e logo depois do nascimento do filho do Muni o investiu com o fio sagrado. Sakra, o chefe dos deuses, deu a ele, por afeição, um Kamandalu celeste de forma excelente, e alguns mantos celestes. Cisnes e Satapatras e grous aos milhares, e muitos papagaios e Chasas, ó Bharata, voaram de forma circular sobre sua cabeça. Dotado de grande esplendor e inteligência, Suka, tendo obtido seu nascimento dos dois gravetos, continuou a viver lá, empenhado no cumprimento atento de muitos votos e jejuns. Logo que Suka nasceu, os Vedas com todos os seus mistérios e todos os seus resumos vieram para residir nele, ó rei, assim como eles residiam em seu pai. Apesar de tudo isso, Suka escolheu Vrihaspati, que estava familiarizado com todos os Vedas junto com seus ramos e comentários, como seu preceptor, guardando a prática universal. (Embora os Vedas tivessem vindo a Suka por iniciativa própria, contudo ele era, em respeito ao costume universal, obrigado a adquiri-los formalmente de um preceptor.) Tendo estudado todos os Vedas junto com todos os seus mistérios e resumos, como também todas as histórias e a ciência de administração, ó monarca pujante, o grande asceta voltou para casa, depois de dar para seu preceptor a taxa de ensino. Adotando o voto de um Brahmacharin, ele então começou a praticar as mais penitências mais rígidas concentrando toda sua atenção nelas. Mesmo em sua infância, ele se tornou um objeto de respeito com os deuses e Rishis por seu conhecimento e penitência. A mente do grande asceta, ó rei, não tinha satisfação nos três modos de vida com o familiar entre eles, mantendo em vista, como ele mantinha, a religião da Emancipação.'" 326 "Bhishma disse, 'Pensando na Emancipação, Suka se aproximou de seu pai, e como ele era humilde e desejoso de alcançar seu maior bem, ele saudou seu grande preceptor e disse, ‘Tu és bem versado na religião da Emancipação. Ó ilustre, me fale sobre isto, para que a tranquilidade suprema de mente, ó pujante, possa ser minha!’ Ouvindo estas palavras de seu filho, o grande Rishi disse a ele, ‘Estude, ó filho, a religião da Emancipação e todos os diversos deveres da vida!’ À esta ordem de seu pai, Suka, aquele principal de todos os homens justos, dominou a fundo todos os tratados sobre Yoga, ó Bharata, como também a ciência promulgada por Kapila. Quando Vyasa viu seu filho possuindo a resplandecência dos Vedas, dotado da energia de Brahma, e totalmente conhecedor da religião da Emancipação, ele se dirigiu a ele, dizendo, ‘Vá até Janaka, o soberano de Mithila. O rei de Mithila te dirá tudo para tua Emancipação.’ Cumprindo a ordem de seu pai, ó rei, Suka procedeu para Mithila para indagar seu rei sobre a verdade dos deveres e o Refúgio da Emancipação. Antes de ele sair seu pai lhe disse mais, ‘Vá até lá por aquele caminho que os seres humanos comuns tomam. Não recorra ao teu poder-Yoga para proceder pelos céus.’ Nisto Suka não ficou surpreso em absoluto (pois ele era humilde por natureza). Em seguida lhe foi dito que ele deveria proceder para lá com simplicidade e não pelo desejo de divertimento. ‘Ao longo do teu caminho não procure por amigos e esposas, já que amigos e cônjuges são causas de apego ao mundo. Embora o soberano de Mithila seja alguém em cujo sacrifícios nós oficiamos, tu ainda assim não deves te entregar a qualquer sentimento de superioridade enquanto vivendo com ele. Tu deves viver sob sua orientação e em obediência a ele. Assim ele dissipará todas as tuas dúvidas. (Vyasa era o sacerdote ou Ritwija da casa de Mithila e como tal os reis de Mithila eram seus Yajyas ou Yajamanas. O dever de um Yajamana é reverenciar todos os membros da família do sacerdote. O pai, portanto, adverte o filho de que ele não deve, enquanto estiver vivendo com o rei de Mithila, afirmar sua superioridade sobre ele em nenhum aspecto.) Aquele rei é bem versado em todos os deveres e conhece bem as escrituras sobre Emancipação. Ele é alguém para quem eu oficio em sacrifícios. Tu deves, sem qualquer escrúpulo, fazer o que ele ordenar.’ Assim instruído, Suka de alma justa procedeu para Mithila a pé embora ele pudesse percorrer os céus sobre toda a Terra com seus mares. Cruzando muitas colinas e montanhas, muitos rios, muitas águas e lagos, e muitos bosques e florestas cheios de feras predadoras e outros animais, cruzando os dois Varshas de Meru e Hari sucessivamente e em seguida o Varsha de Himavat, ele finalmente chegou ao Varsha conhecido pelo nome de Bharata. Tendo visto muitos países habitados por Chins e Huns, o grande asceta finalmente alcançou Aryavarta. Em obediência às ordens de seu pai e levando-as constantemente em sua mente, ele gradualmente percorreu seu caminho sobre a Terra como uma ave passando pelo ar. Atravessando muitas cidades encantadoras e populosas, ele viu diversos tipos de riqueza sem parar para observá-las. Em seu caminho ele passou por muitos jardins encantadores e planícies e muitas águas sagradas. Antes que muito tempo tivesse passado ele alcançou o país dos Videhas que era protegido pelo virtuoso Janaka de grande alma. Lá ele viu muitas aldeias populosas, e muitos tipos de comida e bebida e iguarias e habitações de vaqueiros cheias de homens e muitos rebanhos de gado. Ele contemplou muitos campos cheios de arroz e cevada e outros grãos, e muitos lagos e rios habitados por cisnes e garças e adornados com belos lotos. Atravessando o país Videha cheio de pessoas abastadas, ele chegou aos jardins encantadores de Mithila magníficos com muitas espécies de árvores. Abundando com elefantes e cavalos e carros, e povoados por homens e mulheres, ele passou por eles sem parar para observar alguma das coisas que foram apresentadas à sua visão. Portando aquela carga em sua mente e incessantemente apoiando-se nisto (isto é, o desejo de dominar a fundo a religião da Emancipação), Suka de alma alegre e que se deleitava somente em pesquisa interna finalmente alcançou Mithila. Chegando no portão, ele enviou mensagem pelos guardas. Dotado de tranquilidade mental, dedicado à contemplação e Yoga, ele entrou na cidade, tendo obtido permissão. Procedendo pela rua principal cheia de homens prósperos, ele alcançou o palácio do rei e entrou nele sem quaisquer escrúpulos. Os porteiros o impediram com palavras rudes. Por causa disso, Suka, sem qualquer raiva, parou e esperou. Nem o sol nem a longa distância que ele tinha andado o tinham cansado o mínimo. Nem fome, nem sede, nem o esforço que ele tinha feito o tinham enfraquecido. O calor do Sol não o tinha chamuscado ou magoado ou afligido em qualquer grau. Entre aqueles porteiros havia um que sentiu compaixão por ele, vendo-o permanecendo lá como o Sol do meio-dia em seu brilho. Adorando-o de forma devida e saudando-o apropriadamente, com mãos unidas ele o conduziu ao primeiro aposento do palácio. Sentado lá, Suka, ó filho, começou a pensar somente na Emancipação. Possuidor de esplendor uniforme ele olhava igualmente para um local sombreado e um exposto aos raios do Sol. Logo depois, o ministro do rei, chegando àquele local com mãos unidas, o conduziu ao segundo aposento do palácio. Aquele aposento levava para um jardim espaçoso que formava uma parte dos apartamentos internos do palácio. Ele parecia com um segundo Chaitraratha. Belas quantidades de água se encontravam aqui e ali em intervalos regulares. Árvores encantadoras, todas as quais estavam em sua estação florescente, se encontravam naquele jardim. Grupos de donzelas, de beleza transcendente, estavam em serviço. O ministro conduziu Suka do segundo aposento para aquele local encantador. Mandando aquelas donzelas darem um assento para o asceta, o ministro o deixou lá. Aquelas donzelas bem vestidas eram de belas feições, possuidoras de quadris excelentes, jovens, e estavam vestidas em mantos vermelhos de boa textura, e enfeitadas com muitos ornamentos de ouro polido. Elas eram bem hábeis em conversação agradável e festanças de enlouquecer, e mestras completas das artes de dança e canto. Sempre abrindo seus lábios com sorrisos, elas eram iguais às próprias Apsaras em beleza. Habilidosas em todas as ações de flerte, competentes para ler os pensamentos dos homens a quem elas serviam, possuidoras de todas as habilidades, cinquenta donzelas, de uma classe muito superior e de virtude natural, cercaram o asceta. Presenteando-o com água para lavar seus pés, e cultuando-o respeitosamente com a oferta dos artigos usuais, elas o gratificaram com iguarias excelentes de acordo com a estação. Depois que ele tinha comido, aquelas donzelas então, uma depois da outra, separadamente o conduziram pelos jardins, mostrando para ele todos os objetos de interesse, ó Bharata. Se divertindo e rindo e cantando, aquelas donzelas, conhecedoras dos pensamentos de todos os homens, entretiveram aquele asceta auspicioso de alma nobre. O asceta de alma pura nascido nos bastões de fogo, cumpridor sem escrúpulos de qualquer tipo de seus deveres, tendo todos os seus sentidos sob controle completo, e um mestre perfeito de sua raiva, não ficou nem satisfeito nem zangado com tudo aquilo. Então aquelas principais das mulheres belas lhe deram um assento excelente. Lavando seus pés e outros membros, Suka recitou suas orações noturnas, sentado naquele assento excelente, e começou a pensar no objetivo pelo qual ele tinha ido lá. Na primeira parte da noite ele se dedicou ao Yoga. O asceta pujante passou a parte intermediária da noite dormindo. Logo acordando de seu sono ele praticou os ritos necessários de limpeza de seu corpo, e embora cercado por aquelas mulheres belas, ele novamente se dedicou ao Yoga. Foi dessa maneira, ó Bharata, que o filho do Krishna Nascido na Ilha passou a última parte daquele dia e toda aquela noite no palácio do rei Janaka.'" 327 "Bhishma disse, ‘Na manhã seguinte, o rei Janaka, ó Bharata, acompanhado por seu ministro e toda a família, foi até Suka, colocando seu sacerdote na dianteira. Trazendo consigo assentos caros e diversas espécies de jóias e pedras preciosas, e carregando os ingredientes do Arghya sobra sua própria cabeça, o monarca se aproximou do filho de seu preceptor venerável. O rei, pegando com suas próprias mãos, das mãos de seu sacerdote, aquele assento adornado com muitas pedras preciosas, cobriu-o com um lençol excelente, belo em todas as suas partes, e extremamente caro, e o ofereceu com grande reverência para o filho de seu preceptor, Suka. Depois que o filho do Krishna (Nascido na Ilha) tinha tomado seu assento nisto, o rei o adorou segundo os ritos prescritos. Inicialmente oferecendo-lhe água para lavar seus pés, ele então o presenteou com o Arghya e vacas. O asceta aceitou aquele culto oferecido com ritos e mantras devidos. Aquela principal das pessoas regeneradas, tendo assim aceitado o culto oferecido pelo rei, e recebendo também as vacas que lhe foram ofertadas, então saudou o monarca. Possuidor de grande energia, ele em seguida perguntou sobre o bem- estar e prosperidade do rei. De fato, ó rei, Suka incluiu em sua pergunta o bem- estar dos seguidores do monarca e oficiais também. Recebendo a permissão de Suka, Janaka sentou-se com todos os seus seguidores. Dotado de uma alma nobre e possuidor de nascimento nobre, o monarca, com mãos unidas, sentou-se no chão sem coberta e perguntou sobre o bem-estar e a prosperidade que não decresce do filho de Vyasa. O monarca então perguntou para seu convidado o objetivo de sua visita.’” "Suka disse, ‘Abençoado sejas tu, meu pai me disse que seu Yajamana, o soberano dos Videhas, no mundo inteiro conhecido pelo nome de Janaka, é bem versado na religião da Emancipação. Ele me mandou vir a ele sem demora, se eu tivesse quaisquer dúvidas requerendo solução na questão da religião de Pravritti ou Nivritti. Ele me deu a entender que o rei de Mithila dissiparia todas as minhas dúvidas. Eu, portanto, vim aqui, por ordem de meu pai, com o propósito de receber aulas de li. Cabe a ti, ó principal de todas as pessoas justas, me instruir! Quais são os deveres de um Brahmana, e qual é a essência daqueles deveres que têm a Emancipação como seu objetivo? Como também a Emancipação é para ser obtida? Ela é obtenível pela ajuda do conhecimento ou pela ajuda de penitências?’” 'Janaka disse, ‘Ouça quais são os deveres de um Brahmana desde o momento de seu nascimento. Depois de sua investidura, ó filho, com o fio sagrado, ele deve dedicar sua atenção ao estudo dos Vedas. Por praticar penitências e servir respeitosamente seu preceptor e cumprir os deveres de Brahmacharya, ó pujante, ele deve saldar a dívida que ele tem com as divindades e os Pitris, e rejeitar toda a malícia. Tendo estudado os Vedas com atenção cuidadosa e subjugado seus sentidos, e tendo dado para seu preceptor a taxa de instrução, ele deve, com a permissão do preceptor, voltar para casa. Voltando para casa, ele deve se dirigir ao modo de vida familiar e, casando com uma cônjuge, se limitar a ela, e viver se livrando de todos os tipos de malícia, e tendo estabelecido seu fogo doméstico. Vivendo no modo familiar, ele deve procriar filhos e netos. Depois disso, ele deve se retirar para a floresta, e continuar a adorar os mesmos fogos e entreter convidados com hospitalidade cordial. Vivendo virtuosamente na floresta, ele deve finalmente estabelecer seu fogo em sua alma, e livre de todos os pares de opostos, e abandonando todos as afeições da alma, ele deve passar seus dias no modo chamado Sannyasa que também é chamado de modo de Brahma.’” "'Suka disse, ‘Se alguém consegue alcançar uma compreensão purificada pelo estudo das escrituras e conceitos verdadeiros de todas as coisas, e se o coração consegue se libertar permanentemente dos efeitos de todos os pares de opostos, ainda é necessário que tal pessoa adote, um depois do outro, os três modos de vida chamados Brahmacharya, Garhastya, e Vanaprastha? Isto é o que eu te pergunto. Cabe a ti me dizer. De fato, ó soberano de homens, me fale disto segundo a verdadeira significação dos Vedas!’” "'Janaka disse, ‘Sem a ajuda de uma compreensão purificada pelo estudo das escrituras e sem aquele conceito verdadeiro de todas as coisas que é conhecido pelo nome de Vijnana, o alcance da Emancipação é impossível. Aquela compreensão purificada, também, é dito, é inalcançável sem uma ligação com um preceptor. O preceptor é o timoneiro, e conhecimento é o barco (ajudado pelos quais alguém consegue cruzar o oceano do mundo). Depois de ter adquirido aquele barco, uma pessoa vem a ser coroada com êxito. De fato, tendo cruzado o oceano, ela pode abandonar ambos. Para impedir a destruição de todos os mundos e para impedir a destruição das ações (das quais o mundo depende), os deveres concernentes aos quatro modos de vida foram praticados pelos sábios de antigamente. Por abandonar as ações, boas e más, de acordo com esta ordem de ações alguém consegue, no decorrer de muitos nascimentos, alcançar a Emancipação. (É certo que alguém deve abandonar todas as ações antes que ele possa obter a Emancipação. Mas então as ações não devem ser rejeitadas subitamente. É de acordo com esta ordem que elas devem ser abandonadas, isto é, na ordem dos vários modos de vida.) Aquele homem que, por penitências realizadas no decurso de muitos nascimentos, consegue obter uma mente e compreensão e alma purificadas, certamente se torna capaz de alcançar a Emancipação (em um novo nascimento) até no primeiro modo, isto é, Brahmacharya. Quando, tendo obtido uma compreensão purificada, a Emancipação se torna dele e por isso ele passa a possuir conhecimento em relação a todas as coisas visíveis, qual objeto desejável há para alcançar por observar os três outros modos de vida? (Isto é, quando Emancipação e onisciência foram obtidas no primeiro modo de vida, não existe mais necessidade de sujeitar-se aos três outros modos de vida.) Uma pessoa deve sempre rejeitar aquelas falhas nascidas dos atributos de Rajas e Tamas. Aderindo ao caminho de Sattwa, ela deve conhecer a Si Mesma por Si Mesma. (Isto é, ver a Alma Suprema por meio de sua própria Alma). Vendo a si mesma em todas as criaturas e todas as criaturas em si mesma, ela deve viver (sem estar vinculada a alguma coisa) como animais aquáticos vivendo na água sem serem encharcados por aquele elemento. Aquele que consegue transcender todos os pares de atributos e resistir à sua influência, consegue rejeitar todos os apegos, e obtém felicidade infinita no mundo seguinte, indo para lá como uma ave subindo da terra para o céu. Em relação a isto há um ditado cantado antigamente pelo rei Yayati e mantido na lembrança, ó senhor, por todas as pessoas conhecedoras das escrituras que tratam da Emancipação. O raio refulgente (isto é, a Alma Suprema) existe na Alma de alguém e não em algum outro lugar. Ela existe igualmente em todas as criaturas. Alguém pode vê-la por si mesmo se seu coração estiver devotado ao Yoga. Quando uma pessoa vive de tal maneira que outros não sejam inspirados com medo à sua visão, e quando ela mesma não é inspirada com medo à visão de outros, quando uma pessoa cessa de nutrir desejo e ódio, ela é citada como tendo alcançado Brahma. Quando uma pessoa cessa de nutrir uma atitude pecaminosa em direção a todas as criaturas em pensamentos, palavras, e ações, ela então é citada como tendo alcançado Brahma. Por controlar a mente e a alma, por rejeitar a malícia que entorpece a mente, e por se livrar do desejo e do estupor, ela é citada como tendo alcançado Brahma. Quando uma pessoa assume uma igualdade de atitude em relação a todos os objetos de audição e visão (e às operações dos outros sentidos) como também em relação a todas as criaturas vivas, e transcende todos os pares de opostos, ela então é citada como tendo alcançado Brahma. Quando uma pessoa considera imparcialmente louvor e repreensão, ouro e ferro, felicidade e miséria, calor e frio, bem e mal, o agradável e o desagradável, vida e morte, ela então é citada como tendo alcançado Brahma. Alguém que cumpre os deveres das classes mendicantes deve controlar seus sentidos e a mente assim como uma tartaruga recolhendo seus membros esticados. Como uma casa envolvida em escuridão é capaz de ser vista com a ajuda de uma lâmpada acesa, da mesma maneira a alma pode ser vista com a ajuda da lâmpada da compreensão. Ó principal das pessoas inteligentes, eu vejo que todo esse conhecimento que eu estou te comunicando reside em ti. Qualquer coisa a mais que deva ser conhecida por alguém desejoso de aprender a religião da Emancipação já é conhecida por ti. Ó Rishi regenerado, eu estou convencido pela graça do teu preceptor e pelas instruções que tu recebeste, que tu já transcendeste todos os objetos dos sentidos. Ó grande asceta, pela graça daquele teu pai eu obtive onisciência, e então eu consegui te conhecer. Teu conhecimento é muito maior do que o que pensas que tu tens. Tuas percepções também que provêm da intuição são muito maiores do que as que tu achas que tu tens. Tua pujança também é muito maior do que tu estás ciente. Por causa da tua idade jovem, ou das dúvidas que tu não foste capaz de dissipar, ou do temor que é devido ao não alcance da Emancipação, tu não estás consciente daquele conhecimento devido à intuição embora ele tenha surgido em tua mente. Depois que as dúvidas de alguém foram dissipadas por pessoas como nós, alguém consegue abrir os nós do próprio coração e então, por um esforço virtuoso ele alcança e se torna consciente daquele conhecimento. Com relação a ti mesmo, tu és alguém que já adquiriste conhecimento. Tua inteligência é firme e tranquila. Tu estás livre da cobiça. Apesar de tudo isso, ó Brahmana, alguém nunca consegue alcançar Brahma, que é o maior objeto de aquisição, sem esforço. Tu não vês diferença entre felicidade e tristeza. Tu não és cobiçoso. Tu não tens desejo de dançar e cantar. Tu não tens apegos. Tu não tens vínculos com amigos. Tu não tens medo de coisas que inspiram temor. Ó abençoado, eu vejo que tu lanças um olhar igual sobre um pedaço de ouro e um torrão de terra. Eu mesmo, e outras pessoas possuidoras de sabedoria, te vemos estabelecido no caminho superior e indestrutível da tranquilidade. Tu permaneces, ó Brahmana, naqueles deveres os quais obtêm para o Brahmana aquele fruto que deve ser dele e que é idêntico à essência do objeto representado pela Emancipação. O que mais tu desejas me perguntar?'" 328 "Bhishma disse, 'Tendo ouvido estas palavras do rei Janaka, Suka de alma purificada e conclusões firmes começou a permanecer em sua Alma por sua Alma, tendo naturalmente visto o Eu por meio do Eu. (Isto é, ele direcionou o olhar de sua alma para sua Alma e se afastou de todos os objetos mundanos.) Seu objetivo sendo realizado, ele se tornou feliz e tranquilo, e sem fazer mais perguntas para Janaka ele procedeu na direção norte, para as montanhas de Himavat com a velocidade do vento e como o vento. (Ele não caminhou mais como homens comuns. Sem seguir ao longo do apoio sólido da Terra, ele procedeu pelo céu.) Aquelas montanhas abundavam com diversas tribos de Apsaras e ecoavam com muitos sons altos. Cheias de milhares de Kinnaras e Bhringarajas (popularmente, Bhimaraja, a Lanius Malabaricus), elas eram adornadas, além disso, com muitos Madgus e Khanjaritas e muitos Jivajivakas de cores variadas. E haviam também muitos pavões de cores magníficas, proferindo seus gritos agudos porém melodiosos. Muitos bandos de cisnes, e muitos bandos de Kokilas alegres também adornavam o lugar. O príncipe das aves, Garuda, vivia sobre aquele topo constantemente. Os quatro Regentes do mundo, as divindades, e diversas classes de Rishis, costumavam sempre ir lá pelo desejo de fazer bem para o mundo. Foi lá que Vishnu de grande alma tinha praticado as mais severas das austeridades com o objetivo de obter um filho. E foi lá que o generalíssimo celeste chamado Kumara, em seus dias de juventude, desconsiderando os três mundos com todos os habitantes celestes, jogou seu dardo, perfurando a Terra com ele. Jogando seu dardo, Skanda se dirigiu ao universo, dizendo, ‘Se existe alguma pessoa que seja superior a mim em poder, ou que considere os Brahmanas como mais queridos, ou que possa se comparar comigo em devoção aos Brahmanas e aos Vedas, ou que seja possuidora de energia como eu, que ela puxe este dardo ou pelo menos o balance!’ Ouvindo esse desafio, os três mundos se encheram de ansiedade, e todas as criaturas questionaram umas às outras, dizendo, ‘Quem erguerá este dardo?’ Vishnu viu todas as divindades e Asuras e Rakshasas perturbados em seus sentidos e mentes. Ele refletiu sobre o que seria o melhor a ser feito sob as circunstâncias. Sem poder tolerar aquele desafio em relação ao arremesso do dardo, ele olhou para Skanda, o filho do Deus do fogo. Vishnu de alma pura agarrou o dardo refulgente com sua mão esquerda, e começou a sacudi-lo. Quando o dardo estava sendo assim sacudido por Vishnu possuidor de grande poder, a Terra inteira com suas montanhas, florestas, e mares, tremeu com o dardo. Embora Vishnu fosse perfeitamente competente para erguer o dardo, ainda assim ele se contentou somente com sacudi-lo. Nisto, o senhor pujante somente manteve a honra de Skanda intacta. Tendo-o sacudido ele mesmo, o divino Vishnu, se dirigindo a Prahlada, disse, ‘Veja o poder de Kumara! Ninguém mais no universo pode erguer este dardo!’ Incapaz de tolerar isso, Prahlada resolveu erguer o dardo. Ele o agarrou, mas não pôde sacudi-lo em absoluto. Proferindo um grito alto, ele caiu desmaiado no topo da colina. De fato, o filho de Hiranyakasipu caiu sobre a Terra. Dirigindo-se para o lado norte daquelas grandes montanhas, Mahadeva, tendo o touro como seu símbolo, tinha praticado as mais rígidas das penitências. O santuário onde Mahadeva tinha passado por aquelas austeridades é rodeado por todos os lados com um fogo ardente. Inalcançável por pessoas de almas impuras, aquela montanha é conhecida pelo nome de Aditya. Há um cercado de fogo ao redor dela, da largura de dez Yojanas, e Yakshas e Rakshasas e Danavas não podem se aproximar dela. O ilustre de deus do Fogo, possuidor de energia imensa, mora lá em pessoa empenhado em remover todos os obstáculos do lado de Mahadeva de grande sabedoria que permaneceu lá por mil anos celestes, todo o tempo permanecendo sobre um pé. Residindo ao lado daquela principal das montanhas, Mahadeva de votos excelentes (por meio de suas penitências) oprimiu muito as divindades. (Acredita-se que uma pessoa, por realizar penitências ascéticas, oprime os três mundos. É por causa deste efeito das penitências que as divindades superiores eram sempre obrigadas pelos Asuras e Danavas a lhes concederem quaisquer benefícios que eles solicitassem.) Na base daquelas montanhas, em um local retirado, o filho de Parasara de grande mérito ascético, isto é, Vyasa, ensinou os Vedas para seus discípulos. Aqueles discípulos eram os altamente abençoados Sumantra, Vaisampayana, Jaimini de grande sabedoria, e Paila de grande mérito ascético. Suka procedeu para aquele retiro encantador onde seu pai, o grande asceta Vyasa, estava morando, cercado por seus discípulos. Sentado em seu santuário, Vyasa viu seu filho se aproximar como um fogo resplandecente de chamas espalhadas, ou parecendo com o próprio sol em refulgência. Conforme Suka se aproximava, ele não parecia tocar as árvores ou as rochas da montanha. Completamente dissociado de todos os objetos dos sentidos, engajado em Yoga, o asceta de grande alma se aproximou, parecendo, em velocidade, com uma flecha atirada de um arco. Nascido dos bastões de fogo, Suka, se aproximando de seu pai, tocou seus pés. Com as formalidades adequadas ele então abordou os discípulos de seu pai. Com grande alegria ele então contou para seu pai todos os detalhes de sua conversação com o rei Janaka. Vyasa, o filho de Parasara, depois da chegada de seu filho pujante, continuou a morar lá no Himavat empenhado em ensinar seus discípulos e seu filho. Um dia quando ele estava sentado, seus discípulos, todos bem hábeis nos Vedas, tendo seus sentidos sob controle, e dotados de almas tranquilas, sentaram-se em volta dele. Todos eles tinham dominado completamente os Vedas com seus ramos. Todos eles eram praticantes de penitências. Com mãos unidas eles se dirigiram a seu preceptor nas seguintes palavras.” "Os discípulos disseram, ‘Nós, pela tua graça, fomos dotados de grande energia. Nossa fama também se espalhou. Há um favor que nós humildemente te pedimos para nos conceder.’ Ouvindo estas palavras deles, o Rishi regenerado respondeu a eles, dizendo, ‘Ó filhos, me digam qual é o benefício que vocês desejam que eu lhes conceda!’ Ouvindo esta resposta de seu preceptor, os discípulos se encheram de alegria. Inclinando novamente suas cabeças para seu preceptor e unindo suas mãos, todos eles em uma voz disseram, ó rei, estas palavras excelentes: ‘Se nosso preceptor está satisfeito conosco, então, ó melhor dos sábios, nós com certeza estamos coroados com sucesso! Todos nós te pedimos, ó grande Rishi, para nos conceder uma bênção. Esteja inclinado a ser bondoso para conosco. Que nenhum sexto discípulo (além de nós cinco) consiga alcançar a fama! Nós somos quatro. O filho do nosso preceptor forma o quinto. Que os Vedas brilhem somente como cinco! Este mesmo é o benefício que nós pedimos.’ Ouvindo estas palavras de seus discípulos, Vyasa, o filho de Parasara, possuidor de grande inteligência, bom conhecedor do significado dos Vedas, dotado de uma alma justa, e sempre empenhado em pensar nos objetos que conferem benefícios para uma pessoa no mundo futuro, disse para seus discípulos estas palavras corretas repletas de grande benefício: ‘Os Vedas devem sempre ser dados para aquele que é um Brahmana, ou para alguém que esteja desejoso de ouvir instruções Védicas, ou para aquele que deseja avidamente obter uma residência na região de Brahman! Multipliquem, que os Vedas se espalhem (pelos seus esforços). Os Vedas nunca devem ser dados para alguém que não se tornou um discípulo formalmente. Nem eles devem ser dados para quem não é cumpridor de bons votos. Nem eles devem ser dados para residirem em alguém que tem uma alma impura. Estas devem ser conhecidas como as qualificações apropriadas das pessoas que podem ser aceitas como discípulos (para a comunicação do conhecimento Védico). Nenhuma ciência deve ser comunicada para alguém sem um exame apropriado do seu caráter. Como o ouro puro é testado pelo calor, corte e fricção, da mesma maneira discípulos devem ser testados por seu nascimento e habilidades. Vocês nunca devem colocar seus discípulos para tarefas para as quais eles não devem ser colocados, ou para tarefas que sejam repletas de perigo. O conhecimento de uma pessoa é sempre proporcional à sua compreensão e zelo em estudo. Que todos os discípulos conquistem todas as dificuldades, e que todos eles encontrem com o sucesso auspicioso. Vocês são competentes para fazerem preleções sobre as escrituras para pessoas de todas as classes. Só que vocês devem, enquanto ensinando, se dirigir a um Brahmana, colocando-o na dianteira. Estas são as regras a respeito do estudo dos Vedas. Esta também é considerada como uma tarefa excelente. Os Vedas foram criados pelo Auto-nascido para o propósito de louvar as divindades com eles. Aquele homem que, por entorpecimento do intelecto, fala mal de um Brahmana bem familiarizado com os Vedas, seguramente encontra com a humilhação por consequência de tal ação. Aquele que, desrespeitando todas as regras justas, solicita conhecimento, e aquele que, desconsiderando as regras de justiça, comunica conhecimento, ambos decaem, e em vez daquela afeição que deve prevalecer entre preceptor e discípulo, tal questionamento e comunicação certamente produzem desconfiança e suspeita. Eu agora lhes disse tudo acerca da maneira na qual os Vedas devem ser estudados e ensinados. Vocês devem agir desse modo em direção aos seus discípulos, mantendo estas instruções em suas mentes.'" 329 "Bhishma disse, 'Ouvindo estas palavras de seu preceptor, os discípulos de Vyasa dotados de energia se encheram de alegria e se abraçaram. Dirigindo-se uns aos outros, eles disseram, ‘Aquilo que foi dito pelo nosso preceptor ilustre em vista do nosso bem futuro viverá em nossa lembrança e nós certamente agiremos de acordo com aquilo.’ Tendo dito isso uns para os outros com corações alegres, os discípulos de Vyasa, que eram mestres perfeitos de palavras, mais uma vez se dirigiram ao seu preceptor e disseram, ‘Se te agradar, ó pujante, nós desejamos descer desta montanha para a Terra, ó grande asceta, para o propósito de subdividir os Vedas!’ Ouvindo estas palavras de seus discípulos, o pujante filho de Parasara respondeu para eles nestas palavras benéficas que eram repletas, além disso, de virtude e lucro, ‘Vocês podem se dirigir para a Terra ou para as regiões dos celestiais, como vocês quiserem. Vocês devem estar sempre atentos, pois os Vedas são de tal maneira que eles estão sempre sujeitos a serem mal interpretados!’ Permitidos por seu preceptor de palavras sinceras, os discípulos o deixaram depois de circungirá-lo e de inclinarem suas cabeças para ele. Descendo para a Terra eles realizaram o Agnishtoma e outros sacrifícios; e eles começaram a oficiar nos sacrifícios de Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas. Passando seus dias alegremente no modo de vida familiar, eles eram tratados pelos Brahmanas com grande respeito. Possuidores de grande fama e prosperidade, eles estavam empenhados em ensinar e oficiar em sacrifícios. Depois que seus discípulos tinham ido embora, Vyasa permaneceu em seu retiro, somente com seu filho em sua companhia. Passando seus dias em meditação ansiosa, o grande Rishi, possuidor de sabedoria, manteve silêncio, sentado em um canto isolado do retiro. Naquele tempo Narada de grande mérito ascético chegou àquele local para ver Vyasa, e dirigindo-se a ele disse estas palavras de som melodioso.’” "'Narada disse, ‘Ó Rishi regenerado da linhagem de Vasishtha, por que os sons Védicos estão silenciosos agora? Por que tu estás sentado silencioso e sozinho engajado em meditação como alguém absorto em um pensamento que prende a atenção? Ai, desprovida de ecos Védicos, esta montanha perdeu sua beleza, assim como a Lua desprovida de esplendor quando atacada por Rahu ou envolvida em poeira. (Em muitas partes da Índia Superior, grandes quantidades de poeira são erguidas por ventos rodopiantes à tarde e à noite chamados Andhi, as nuvens de poeira cobrem a lua por horas.) Embora habitada por Rishis celestes, contudo desprovida de sons Védicos, a montanha não parece mais bela agora, mas parece com uma aldeola de Nishadas. (A classe mais baixa de homens, que vive da matança de animais.) Os Rishis, as divindades, e os Gandharvas, também, não brilham mais como antes por estarem privados do som Védico!’ Ouvindo estas palavras de Narada, Krishna Nascido na Ilha respondeu, dizendo, ‘Ó grande Rishi, tu és conhecedor das declarações dos Vedas, tudo o que tu disseste é agradável para mim e realmente cabe a ti me dizer isto! Tu és onisciente, tu tens visto tudo. Tua curiosidade também envolve todas as coisas dentro de sua esfera. Tudo o que já ocorreu nos três mundos é bem conhecido por ti. Então, ó Rishi regenerado, ordene-me. Ó, diga-me o que eu devo fazer! Diga- me, ó Rishi regenerado, o que deve ser feito por mim. Separado de meus discípulos, minha mente se tornou muito triste agora.’” 'Narada disse, ‘A mácula dos Vedas é a suspensão da sua recitação. A mácula dos Brahmanas é sua não observância de votos. A raça Valhika é a mácula da Terra. A curiosidade é a mácula das mulheres. Recite os Vedas com teu filho inteligente, e com os ecos dos sons Védicos dissipe os temores provenientes de Rakshasas.’” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras de Narada, Vyasa, a principal de todas as pessoas familiarizadas com os deveres e firmemente devotado à recitação Védica, se encheu de alegria e respondeu para Narada dizendo, ‘Assim seja.’ Com seu filho Suka, ele se pôs a recitar os Vedas em uma voz alta e sonora, observando todas as regras de Ortoepia e, por assim dizer, enchendo os três mundos com aquele som. Um dia quando pai e filho, que conheciam bem todos os deveres, estava empenhados em recitar os Vedas, ergueu-se um vento violento que parecia ser impelido pelas ventanias que sopram na superfície do oceano. Compreendendo a partir desta circunstância que a hora não era adequada para recitação sagrada, Vyasa imediatamente mandou seu filho suspender a recitação. Suka, assim proibido por seu pai, encheu-se de curiosidade. Ele questionou seu pai, dizendo, ‘Ó regenerado, de onde é este vento? Cabe a ti me dizer tudo acerca da conduta do Vento.’ Ouvindo esta pergunta de Suka, Vyasa encheu-se de perplexidade. Ele respondeu para Suka, por dizer a ele que aquilo era um presságio que indicava que a recitação dos Vedas deveria ser suspensa. ‘Tu obtiveste visão espiritual. Tua mente também, por si mesma, se tornou purificada de toda impureza. Assim tu estás livre dos atributos de Paixão e Ignorância. Tu permaneces agora no atributo de Bondade. Tu vês agora tua Alma com tua Alma assim como alguém vê sua própria sombra em um espelho. Permanecendo em tua própria Alma, reflita sobre os Vedas. O caminho da Alma Suprema é chamado de Deva-yana (o caminho dos deuses). O caminho que é composto do atributo de Tamas é chamado de Pitri-yana (o caminho dos Pitris). Estes são os dois caminhos no mundo após a morte. Por um, as pessoas vão para o céu. Pelo outro, as pessoas vão para o inferno. Os ventos sopram na superfície da Terra e no firmamento. Há sete direções nas quais eles sopram. Ouça-me enquanto eu as relato uma por uma. O corpo está equipado com os sentidos que são dominados pelos Sadhyas e muitos grandes seres de força imensa. Estes deram nascimento a um filho invencível chamado Samana. De Samana nasceu um filho chamado Udana. De Udana surgiu Vyana, de Vyana surgiu Apana, e por fim de Apana surgiu o vento chamado Prana. Aquele opressor invencível de todos os inimigos, isto é, Prana, ficou sem filhos. Eu agora narrarei para ti as diferentes funções daqueles ventos. O ar é a causa das diferentes funções de todas as criaturas vivas, e porque as criaturas são habilitadas a viverem por ele, portanto, o ar é chamado de Prana (ou vida). Aquele vento que é o primeiro na enumeração acima e que é conhecido pelo nome de Pravaha (Samana) impulsiona, ao longo da direção principal, massas de nuvens nascidas de fumaça e calor. Percorrendo o firmamento, e entrando em contato com a água contida nas nuvens, aquele vento se expõe em refulgência entre os dardos de relâmpago. O segundo vento chamado Avaha sopra com um barulho alto. É este vento que faz Soma e os outros corpos luminosos se erguerem e aparecerem. Dentro do corpo (o qual é um microcosmo do universo) aquele vento é chamado de Udana pelos sábios. Aquele vento que absorve água dos quatro oceanos, e tendo-a absorvido a dá para as nuvens no céu, e que, tendo-a dado às nuvens oferta-as para a divindade da chuva, é o terceiro na enumeração e conhecido pelo nome de Udvaha. Aquele vento que suporta as nuvens e as divide em diversas porções, que as liquefaz por despejar chuva e mais uma vez as solidifica, que é percebido como o som das nuvens ribombantes, que existe para a preservação do mundo por ele mesmo assumir a forma das nuvens, que sustenta os carros de todos os seres celestiais pelo céu, é conhecido pelo nome de Samvaha. O quarto na enumeração é dotado de grande força de maneira que ele é capaz de destruir as próprias montanhas. O quinto vento é repleto de grande força e velocidade. Ele é seco e arranca e quebra todas as árvores. Existindo com ele, as nuvens vêm a ser chamadas pelo nome de Valahaka. Aquele vento causa fenômenos calamitosos de muitos tipos, e produz sons estrondosos no firmamento. Ele é conhecido pelo nome de Vivaha. O sexto vento carrega todas as águas celestes no firmamento e as impede de cair. Sustentando as águas sagradas do Ganga celeste, aquele vento sopra, impedindo-as de terem um curso para baixo. Obstruído por aquele vento de uma distância, o Sol, que é realmente a fonte de mil raios, e que ilumina o mundo, aparece como um corpo luminoso de um raio somente. Pela ação daquele vento, a Lua, depois de minguar, cresce novamente até que revela seu disco cheio. Aquele vento é conhecido, ó principal dos ascetas, pelo nome de Parivaha (significando o mais importante de todos em força e energia). Aquele vento que tira a vida de todas as criaturas vivas quando chega a hora apropriada, cujo rastro é seguido pela Morte e o filho de Surya Yama, que se torna a fonte daquela imortalidade que é alcançada pelos Yogins de visão sutil que estão sempre engajados em meditação Yoga, por cuja ajuda os milhares de netos de Daksha, aquele senhor de criaturas, por seus dez filhos, conseguiram antigamente alcançar os fins do universo, cujo toque permite alguém chegar à Emancipação por se livrar da obrigação de voltar para o mundo, aquele vento é chamado pelo nome de Paravaha. O principal de todos os ventos, ele é incapaz de ser resistido por alguém. Maravilhosos são estes ventos, todos os quais são os filhos de Diti. Capazes de irem a todos os lugares e de sustentarem todas as coisas, eles sopram ao redor de ti sem serem ligados a ti em qualquer momento. Isto, no entanto, é muito extraordinário, isto é, que esta principal das montanhas seja assim subitamente sacudida por esse vento que começou a soprar. Esse vento é a respiração das narinas de Vishnu. Quando incitado adiante com velocidade, ele começa a soprar com grande força pela qual todo o universo vem a ser agitado. Por isso, quando o vento começa a soprar com violência, pessoas conhecedoras dos Vedas não recitam os Vedas. Os Vedas são uma forma de vento. Se proferidos com força, o vento externo vem a ser torturado." "Tendo dito estas palavras, o pujante filho de Parasara mandou seu filho (quando o vento tinha cessado) continuar com sua recitação Védica. Ele então deixou aquele local para mergulhar nas águas do Ganga celeste.'" (É dito que o rio Ganga sagrado tem três cursos ou correntes. Uma flui sobre a superfície da Terra; a segunda flui pelas regiões inferiores, e a terceira flui pelo céu). 330 "Bhishma disse, 'Depois que Vyasa tinha deixado o local, Narada, atravessando o céu, se aproximou de Suka que estava empenhado em estudar as escrituras. O Rishi celeste chegou com o objetivo de perguntar para Suka o significado de certas partes dos Vedas. Vendo o Rishi celeste Narada chegando em seu retiro, Suka o adorou por oferecer a ele o Arghya segundo os ritos prescritos nos Vedas. Satisfeito com as honras concedidas, Narada se dirigiu a Suka, dizendo, ‘Diga-me, ó principal das pessoas justas, por quais meios, ó filho caro, eu posso realizar o que é para o teu maior bem!’ Ouvindo estas palavras de Narada, Suka disse a ele, ó Bharata, estas palavras: ‘Cabe a ti me instruir em relação àquilo que possa ser benéfico para mim.’” 'Narada disse, ‘Antigamente o ilustre Sanatkumara disse essas palavras para certos Rishis de almas purificadas que tinham se dirigido a ele para perguntarem sobre a verdade: Não há visão como aquela do conhecimento. Não há penitência como a renúncia. Abstenção de ações pecaminosas, prática firme da retidão, boa conduta, o devido cumprimento de todos os deveres, estes constituem o maior bem. Tendo obtido a posição de humanidade que está repleta de tristeza, aquele que se torna apegado a ela vem a ser entorpecido, tal homem nunca consegue se emancipar da tristeza. O apego (às coisas do mundo) é uma indicação de tristeza. A compreensão da pessoa que tem afeição por coisas mundanas se torna cada vez mais emaranhada na rede do entorpecimento. O homem que fica emaranhado na rede do entorpecimento obtém tristeza, aqui e após a morte. Uma pessoa deve, por todos meios em seu poder, reprimir desejo e ira se ela procura alcançar o que é para o seu bem. Aqueles dois (desejo e ira) surgem somente para destruir o bem de alguém. Alguém deve sempre proteger suas penitências da cólera, e sua prosperidade do orgulho. Ele deve sempre proteger o próprio conhecimento da honra e desonra e, sua alma do erro. (As penitências devem ser protegidas da cólera. Pelas penitências alguém obtém grande poder. O poder do asceta frequentemente se iguala àquele do próprio Brahman. Se, no entanto, o asceta cede à ira e amaldiçoa alguém por cólera, sua pujança vem a ser diminuída. Por esta razão, o perdão é citado como a maior virtude que um Brahmana pode praticar. O poder de um Brahmana está no perdão. O conhecimento também deve ser protegido de honra e desonra, isto é, alguém nunca deve receber honra por seu conhecimento, ou seja, fazer alguma coisa para o objetivo de obter honra. Similarmente, nunca se deve fazer alguma coisa que possa ter o efeito de desonrar o próprio conhecimento. Estes são alguns dos mais elevados deveres pregados nas escrituras.) A compaixão é a maior virtude. O perdão é o maior poder. O conhecimento do eu é o maior conhecimento. Não há nada superior à verdade. É sempre apropriado falar a verdade. É melhor também falar o que é benéfico do que falar o que é verdadeiro. Eu considero que é verdade aquilo que é repleto do maior benefício para todas as criaturas. (As escrituras não dizem que a verdade deve ser sacrificada em vista de que é benéfico, pois tal ponto de vista iria contra o ditado que não há nada superior à verdade. O ditado se refere àqueles casos excepcionais onde a verdade se torna uma fonte de mal positivo. A história do Rishi que falou a verdade a respeito do lugar onde certos viajantes estavam escondidos, quando questionado por certos ladrões que queriam assassinar os viajantes, é um exemplo disso. O filho do ourives que morreu com uma mentira em seus lábios para permitir que seu príncipe legítimo escapasse das mãos de seus perseguidores fez um ato meritório de lealdade.) É citado como realmente erudito e realmente possuidor de sabedoria aquele homem que abandona toda ação, que nunca cede à esperança, que é completamente dissociado de todos os ambientes mundanos, e que renunciou a tudo o que concerne ao mundo. Aquela pessoa que, sem ser apegada a eles, desfruta de todos os objetos dos sentidos com a ajuda dos sentidos que estão totalmente sob seu controle, que possui uma alma tranquila, que nunca é alterado por alegria e tristeza, que é dedicado à meditação-Yoga, que vive na companhia das divindades que presidem sobre seus sentidos e dissociado também delas, e que, embora dotado de um corpo, nunca se considera como identificável com ele, se torna emancipado e logo alcança aquilo que é o maior bem. Alguém que nunca vê outros, nunca toca outros, nunca fala com outros, logo, ó asceta, alcança o que é para o seu maior bem. Não se deve ferir nenhuma criatura. Por outro lado, alguém deve se comportar com perfeita cordialidade em direção a todos. Tendo obtido a posição de humanidade, alguém nunca deve se comportar com hostilidade em direção a algum ser. Uma total indiferença por todas as coisas (mundanas), contentamento perfeito, abandono de esperança de todo tipo, e paciência, estes constituem o maior bem de alguém que tem subjugado seus sentidos e adquirido um conhecimento de si mesmo. Rejeitando todas as atrações, ó filho, subjugue todos os teus sentidos, e por estes meios obtenha felicidade neste e no outro mundo. Aqueles que estão livres da cobiça nunca têm que sofrer alguma tristeza. Uma pessoa deve, portanto, expulsar toda cobiça da própria alma. Por expulsar a cobiça, ó amável e abençoado, tu serás capaz de te libertar da dor e tristeza. Alguém que deseja conquistar aquilo que é inconquistável (isto é, alcançar Brahma) deve viver se dedicando às penitências, ao autodomínio, à taciturnidade, e à subjugação da alma. Tal pessoa deve viver no meio de atrações sem ser vinculado a elas. Aquele Brahmana que vive no meio de atrações sem ser apegado a elas e que sempre vive em reclusão logo alcança a maior bem- aventurança. Aquele homem que vive em felicidade por si mesmo no meio de criaturas que são vistas se deleitarem em levarem vidas de união sexual, deve ser reconhecida como uma pessoa cuja sede foi saciada pelo conhecimento. É bem conhecido que o homem cuja sede foi saciada pelo conhecimento nunca tem que se entregar à dor. Alguém alcança a posição das divindades por meio de boas ações, a posição de humanidade por meio de ações que são boas e más; enquanto por ações que são puramente más alguém cai desamparadamente entre os animais inferiores. Sempre atacada pela tristeza e decrepitude e morte, uma criatura viva está sendo cozida neste mundo (no caldeirão do Tempo). Tu não sabes disso? Tu frequentemente consideras benéfico aquilo que é realmente prejudicial; como sendo certo aquilo que é realmente incerto; e como desejável e bom aquilo que é indesejável e não bom. Ai, por que tu não despertas para uma compreensão correta disso? Como o bicho-da-seda se envolve em seu próprio casulo, tu estás te envolvendo continuamente em um casulo feito de tuas próprias ações incontáveis nascidas do entorpecimento e erro. Ai, por que tu não despertas para uma compreensão correta da tua situação? Não há necessidade de te apegar às coisas deste mundo. Apego aos objetos mundanos é produtivo de mal. O bicho-da-seda que tece um casulo ao redor de si mesmo é finalmente destruído por sua própria ação. Aquelas pessoas que se tornam apegadas a filhos e cônjuges e parentes encontram com a destruição no final, assim como elefantes selvagens caídos na lama de um lago são gradualmente enfraquecidos até a Morte. Veja, todas as criaturas que se permitem serem arrastadas pela rede da afeição ficam sujeitas à grande angústia assim como peixes na terra, arrastados a ela por meio de grandes redes! Parentes, filhos, cônjuges, o próprio corpo, e todas as posses armazenadas com cuidado, são insubstanciais e demonstram ser de nenhum auxílio no mundo seguinte. Somente as ações, boas e más, que alguém faz, o seguem para o outro mundo. Quando é certo que tu terás que ir sem ajuda ao outro mundo, deixando para trás todas essas coisas, ai, por que tu então te permites ser apegado a tais coisas insubstanciais de nenhum valor, sem prestares atenção àquelas que constituem tua riqueza real e durável? O caminho que tu terás que percorrer não tem lugares de descanso de qualquer tipo (nos quais descansar). Não há apoio ao longo daquele caminho, o qual alguém possa pegar para se sustentar. O país pelo qual ele passa é desconhecido e encoberto. Ele está, também, envolvido em uma densa escuridão. Ai, como tu procederás por aquele caminho sem te equipares com os custos necessários? Quando tu tiveres que seguir ao longo daquela estrada, ninguém seguirá contigo. Somente os teus atos, bons e maus, seguirão atrás de ti quando tu partires deste mundo para o próximo. Alguém procura seu objetivo dos objetivos por meio de erudição, ações, pureza (externa e interna), e grande conhecimento. Quando aquele principal dos objetivos é alcançado, ele se torna livre (do renascimento). O desejo que alguém sente por viver no meio de habitações humanas é como uma corda que amarra. Aqueles que são de boas ações conseguem romper aquele laço e se libertar. Somente aqueles de ações pecaminosas não conseguem rompê-lo. O rio da vida (ou o mundo) é terrível. Beleza pessoal ou forma constitui suas ribanceiras. A mente é a velocidade de sua correnteza. Toque forma sua ilha. Sabor constitui sua correnteza. Aroma é sua lama. Som é suas águas. Aquela parte específica dele que leva para o céu está ligada a grandes dificuldades. O corpo é o barco pelo qual alguém deve cruzar aquele rio. O perdão é o remo pelo qual ele deve ser impulsionado. A verdade é o lastro que é para firmar aquele barco. A prática de virtude é a corda que é para ser ligada ao mastro para puxar à força aquele barco ao longo de águas difíceis. Caridade constitui o vento que impulsiona as velas daquele barco. Dotado de velocidade rápida, é com aquele barco que alguém deve cruzar o rio da vida. Rejeite virtude e vício, e verdade e falsidade. Tendo rejeitado verdade e falsidade, rejeite aquilo pelo qual estes são para serem rejeitados. Por rejeitar todo propósito, rejeite virtude; rejeite também o pecado por rejeitar todo desejo. Com a ajuda da compreensão, rejeite verdade e mentira; e, finalmente, rejeite a própria compreensão pelo conhecimento do tópico mais elevado (isto é, a Alma suprema). Rejeite este corpo tendo ossos como seus pilares; tendões como suas cordas e barbantes que amarram; carne e sangue como seu reboco exterior; a pele como sua cobertura exterior; cheio de urina e fezes e, portanto, emitindo um cheiro repugnante; exposto aos ataques de decrepitude e tristeza; formando o assento de doença e enfraquecido pela dor; possuidor do atributo de Rajas em predominância, não permanente ou durável, e que serve como a habitação (temporária) da criatura que o habita. Este universo inteiro de matéria, e aquilo que é chamado de Mahat ou Buddhi, são compostos dos (cinco) grandes elementos. Aquilo que é chamado de Mahat é devido à ação do Supremo. Os cinco sentidos, os três atributos de Tamas, Sattwa, e Rajas, estes (junto com aqueles que foram mencionados antes), constituem um total de dezessete. Estes dezessete, que são conhecidos pelo nome de Imanifesto, com tudo aquilo que é chamado de Manifesto, isto é, os cinco objetos dos cinco sentidos, (ou seja, forma, gosto, som, toque, e cheiro), com a Consciência e a Compreensão, formam o bem conhecido número de vinte e quatro. Quando dotado dessas vinte e quatro posses, alguém vem a ser chamado pelo nome de Jiva (ou Puman). Aquele que conhece o agregado de três (isto é, Religião, Riqueza, e Prazer), como também felicidade e tristeza e vida e morte, realmente e em todos os seus detalhes, é citado como sendo conhecedor do crescimento e decadência. Quaisquer objetos de conhecimento que existam devem ser conhecidos gradualmente, um depois do outro. Todos os objetos que são percebidos pelos sentidos são chamados de Manifestos. Quaisquer objetos que transcendam os sentidos e sejam percebidos somente por meio de suas indicações são citados como sendo Imanifestos. Por reprimir os sentidos, uma pessoa ganha grande satisfação, assim como um viajante sedento e ressecado em uma chuva deliciosa. Tendo subjugado os sentidos uma pessoa vê sua alma se estender para abarcar todos os objetos, e todos os objetos em sua alma. Tendo suas raízes no conhecimento, nunca é perdida a força do homem que (assim) vê o Supremo em sua alma, do homem, ou seja, que sempre vê todas as criaturas em todas as condições (em sua própria alma). Aquele que pela ajuda do conhecimento transcende todos os tipos de dor nascidos do erro e entorpecimento, nunca pega algum mal por entrar em contato com todas as criaturas. (O homem que transcende todas as atrações nunca é prejudicado se levado à união com outras criaturas.) Tal homem, com a sua compreensão sendo totalmente desenvolvida, nunca encontra erro na direção de conduta que prevalece no mundo. Alguém familiarizado com a Emancipação diz que a Alma Suprema é sem início e sem fim; que ela toma nascimento como todas as criaturas; que ela reside (como uma testemunha) na alma Jiva; que ela é inativa, e sem forma. Somente aquele homem que encontra com a dor em consequência de seus próprios delitos mata numerosas criaturas para o propósito de repelir aquela dor. (O objetivo deste verso é mostrar que homens de conhecimento não realizam sacrifícios, nos quais, como uma coisa natural, um grande número de criaturas é morto. Homens ligados à religião de Pravritti realizam sacrifícios; vindo para o mundo por consequência de atos passados, eles procuram felicidade (por irem para o céu) pelo caminho de sacrifícios e ritos religiosos. Um grande número de criaturas é morto, pois além das vítimas ostensivamente oferecidas, um número infinito de criaturas menores ou minúsculas são mortas nos fogos sacrificais e no decorrer de outras preparações que são feitas em sacrifícios.) Por causa de tais sacrifícios, os realizadores têm que obter renascimentos e necessariamente têm que realizar inúmeras ações por todos os lados. Tal homem, cegado pelo erro, e considerando ser felicidade aquilo que é realmente uma fonte de dor, é continuamente tornado infeliz assim como uma pessoa doente que come alimento que é impróprio. Tal homem é pressionado e triturado por suas ações como alguma substância que é batida. Obrigado por suas ações, ele obtém renascimento, a ordem de sua vida sendo determinada pela natureza de suas ações. Sofrendo muitos tipos de tortura, ele viaja em uma ronda de renascimentos repetidos assim como uma roda gira incessantemente. Tu, no entanto, tens cortado todos os teus laços. Tu te abstiveste de todas as ações! Possuidor de onisciência e o mestre de todas as coisas, que o sucesso seja teu, e venha a ser livre de todos os objetos existentes. Através da subjugação de seus sentidos e do poder de suas penitências, muitas pessoas (antigamente), destruíram os vínculos da ação, e alcançaram grande êxito e bem-aventurança ininterrupta.'" 331 "'Narada disse, ‘Por escutar tais escrituras que são abençoadas, que trazem tranquilidade, que dissipam a aflição, e que são produtivas de felicidade, uma pessoa obtém uma compreensão (pura), e tendo-a obtido ela conquista a maior felicidade. Mil causas de tristeza, e cem causas de medo, dia a dia, afligem alguém que é desprovido de compreensão, mas não alguém que possui sabedoria e conhecimento. Portanto, ouça algumas narrativas antigas enquanto eu as recito para ti, para o objetivo de dissipar tuas aflições. Se alguém pode subjugar sua compreensão, ele com certeza alcançará felicidade. Pela associação do que é indesejável e dissociação do que é agradável, somente homens de pouca inteligência ficam sujeitos à tristeza mental de todo tipo. Quando coisas se tornaram passadas, uma pessoa não deve se afligir, pensando nos méritos delas. Aquele que pensa em tais coisas passadas com afeição nunca pode se emancipar. Alguém deve sempre procurar descobrir as imperfeições daquelas coisas às quais ele começa a se tornar apegado. Ele deve sempre considerar tais coisas como sendo repletas de muitos males. Por fazer isso, ele deve logo se libertar delas. O homem que sofre pelo que é passado fracassa em adquirir riqueza ou mérito religioso ou fama. Aquilo que não existe mais não pode ser obtido. Quando tais coisas terminam, elas não voltam (por mais que seja agudo o pesar ao qual alguém se entregue por sua causa). As criaturas às vezes adquirem e às vezes perdem objetos mundanos. Nenhum homem neste mundo pode ser afligido por todos os incidentes que caem sobre ele. Morto ou perdido, aquele que se angustia pelo que é passado somente obtém tristeza por tristeza. Ao invés de uma tristeza, ele obtém duas. (Tristeza aumenta por indulgência.) Aqueles homens que, observando o rumo da vida e da morte no mundo com a ajuda de sua inteligência, não derramam lágrimas, são citados como observando corretamente. Tais pessoas nunca têm que derramar lágrimas, (por alguma coisa que possa acontecer). Quando alguma calamidade chega, produtiva de dor física ou mental, que não possa ser repelida nem pelos seus melhores esforços, alguém deve parar de refletir sobre ela com tristeza. Este é o remédio para a tristeza, isto é, não pensar nela. Por pensar nela, alguém nunca poderá dissipá-la; por outro lado, por pensar sobre a tristeza, alguém somente a aumenta. Aflições mentais devem ser mortas pela sabedoria; enquanto dor física deve ser dissipada por remédios. Este é o poder do conhecimento. Alguém não deve, em tais questões, se comportar como homens de pouca compreensão. Juventude, beleza, vida, riqueza acumulada, saúde, associação com aqueles que são amados, tudo isso é extremamente transitório. Alguém possuidor de sabedoria nunca deve cobiçá-los. Uma pessoa não deve lamentar individualmente por uma ocorrência triste que diz respeito a uma comunidade inteira. Em vez de se entregar à dor quando ela chega, uma pessoa deve procurar evitá-la e aplicar um remédio logo que ela veja a oportunidade de fazer isso. Não há dúvida que nesta vida a medida de miséria é muito maior do que aquela de felicidade. Não há dúvida que todos os homens demonstram apego pelos objetos dos sentidos e que a morte é considerada como desagradável. Aquele homem que rejeita alegria e tristeza, é citado como tendo alcançado Brahma. Quando tal homem parte deste mundo, homens de sabedoria nunca se entregam a alguma tristeza por causa dele. Em gastar riqueza há dor. Em protegê-la há dor. Em adquiri-la há dor. Então, quando a riqueza de alguém encontra com a destruição, ele não deve ceder à tristeza por isso. Homens de pouca compreensão, obtendo diferentes graus de riqueza, não conseguem ganhar contentamento e finalmente perecem em miséria. Homens de sabedoria, no entanto, estão sempre satisfeitos. Todas as combinações estão destinadas a terminarem em dissolução. Todas as coisas que são altas estão destinadas a caírem e se tornarem baixas. União com certeza termina em desunião e vida com certeza termina em morte. A sede é insaciável. O contentamento é a maior felicidade. Por isso, pessoas de sabedoria consideram o contentamento como a riqueza mais preciosa. O período de vida concedido a alguém está correndo continuamente. Ele não pára em seu curso nem por um único momento. Quando o próprio corpo não é durável, que outra coisa há (neste mundo) que se deva considerar como durável? Aquelas pessoas que, refletindo sobre a natureza de todas as criaturas e concluindo que ela está além do alcance da mente, dirigem sua atenção para o caminho mais elevado, e que, pondo-se a caminho, alcançam um bom progresso nele, não têm que se entregar à tristeza. (Há homens que estão empenhados em refletir sobre a natureza das coisas, estes devem saber que tal ocupação é inútil, pois realmente a natureza das coisas está além do alcance da mente. O maior filósofo é ignorante de todas as virtudes de uma folha de grama, o propósito para o qual ela existe, as mudanças que ela sofre a todos os instantes de tempo e dia a dia. Aqueles homens, no entanto, que deixam tal ocupação não lucrativa para andar pelo caminho mais sublime, isto é, o caminho que leva a Brahma, se libertam da aflição.) Como um tigre agarrando e fugindo com sua presa, a Morte agarra e leva embora o homem que está empenhado em tal ocupação (não lucrativa) e que ainda não está saciado com os objetos de desejo e prazer. Uma pessoa deve sempre procurar se emancipar da tristeza. Ela deve procurar dissipar a tristeza por começar suas ações com alegria, isto é, sem se entregar à tristeza durante esse tempo. Tendo se livrado de uma tristeza específica, ela deve agir de tal maneira quanto a manter a tristeza à distância por se abster de todos os defeitos de conduta. Os ricos e os pobres igualmente não encontram nada no som e toque e forma e cheiro e gosto, depois do desfrute imediato destes. (A satisfação dos sentidos não deixa nada atrás de si. O prazer dura contanto que continue o contato dos objetos com os sentidos.) Antes da união, as criaturas nunca estão sujeitas à tristeza. Por isso, alguém que não decaiu da sua natureza original nunca se entrega à tristeza quando aquela união vem a terminar. (Um homem tem cônjuges e filhos, ou riqueza, etc. Não havia tristeza quando não haviam estes: com sua união com eles sua tristeza começa. Então, quando estas coisas desaparecem, um homem inteligente não deve se entregar à alguma tristeza. Vínculos ou apegos são sempre produtivos de aflição. Quando os laços são cortados ou destruídos, não deve haver tristeza.) Uma pessoa deve reprimir seu apetite sexual e o estômago com a ajuda de paciência. Ela deve proteger suas mãos e pés com a ajuda dos olhos. A visão e a audição e os outros sentidos devem ser protegidos pela mente. A mente e a fala devem ser governadas com a ajuda da sabedoria. Rejeitando amor e afeição por pessoas que são conhecidas assim como por aquelas que são desconhecidas, uma pessoa deve se comportar com humildade. Tal pessoa é citada como sendo possuidora de sabedoria, e ela sem dúvida encontra felicidade. Aquele homem que está satisfeito com sua própria Alma, (isto é, cujos prazeres não dependem de objetos externos tais como cônjuges e filhos), que é dedicado ao Yoga, que não depende de nada fora de si mesmo, que não tem cobiça, e que se conduz sem a ajuda de alguma coisa exceto ele mesmo, consegue obter felicidade.'" "'Narada disse, Quando as vicissitudes de felicidade e tristeza aparecem ou desaparecem, as transições não podem ser impedidas por sabedoria ou política ou esforço. Sem se permitir decair de sua natureza verdadeira, uma pessoa deve se esforçar da melhor maneira para proteger seu próprio Eu. Aquele que se dirige a tal cuidado e esforço nunca tem que enlanguescer. Considerando o Eu como algo precioso, ele deve sempre procurar se salvar da decrepitude, morte, e doença. Doenças mentais e físicas afligem o corpo, como flechas de pontas afiadas atiradas do arco por um arqueiro forte. O corpo de uma pessoa que é torturada pela sede, que é agitada pela agonia, que é totalmente desamparada, e que está desejosa de prolongar sua vida, é arrastado em direção à destruição. Dias e noites estão correndo sem parar levando em sua corrente os períodos de vida de todos os seres humanos. Como correntes de rios, estes fluem incessantemente sem jamais retroceder. (Vyasa vivia no norte da Índia e era evidentemente não familiarizado com as marés que aparecem nos rios bengaleses.) A sucessão contínua das quinzenas escuras e iluminadas está desgastando todas as criaturas mortais sem parar nem por um momento neste trabalho. Nascendo e se pondo dia após dia, o Sol, que é ele mesmo imperecível, está cozinhando continuamente as alegrias e tristezas de todos os homens. As noites estão passando incessantemente, levando com elas os incidentes bons e maus que acontecem ao homem, que dependem do destino, e que são inesperados por ele. Se os frutos das ações do homem não dependessem de outras circunstâncias, então ele obteria qualquer objeto que ele desejasse. Mesmo os homens de sentidos controlados, de habilidade, e de inteligência, se desprovidos de ações, nunca conseguirão ganhar quaisquer resultados. (O objetivo deste verso é mostrar a utilidade e necessidade de ações. Sem agir ninguém, embora inteligente, pode ganhar algum resultado.) Outros, embora desprovidos de inteligência e não dotados de habilidades de algum tipo, e que são realmente os mais inferiores dos homens, são vistos, mesmo quando não anseiam pelo êxito, serem coroados com a realização de todos os seus desejos. Algum outro, que está sempre pronto para fazer atos de injúria para todas as criaturas, e que está engajado em enganar todo mundo, é visto nadar em felicidade. Alguém que senta preguiçosamente obtém grande prosperidade; enquanto outro, por se esforçar seriamente, é visto perder frutos desejáveis quase dentro do seu alcance. Refira-te a isso como uma das imperfeições do homem! A semente vital, tendo origem na natureza de alguém pela visão de uma pessoa, vai para outra pessoa. Quando concedida ao útero, ela às vezes produz um embrião e às vezes falha. Quando a união sexual falha, ela parece com uma mangueira que lança muitas flores sem, no entanto, produzir um único fruto. Em relação a alguns homens que são desejosos de ter prole e que, para a realização de seu objetivo, se esforçam sinceramente (por cultuarem diversas divindades), eles fracassam em procriar um embrião no útero. Algumas pessoas também, que temem o nascimento de um embrião como alguém teme uma cobra de veneno virulento, encontram um filho de vida longa nascido para eles e que parecem ser eles mesmos de volta aos estágios através dos quais eles passaram. Muitas pessoas com desejo ardente por prole e tristes por causa disso, depois de sacrificarem para muitas divindades e passarem por austeridades severas, finalmente geram filhos, devidamente carregados por dez longos meses (nos úteros de suas esposas), que demonstram ser verdadeiros canalhas de sua raça. Outros, que foram obtidos por virtude de tais ritos e observâncias abençoados, imediatamente obtêm riqueza e grãos e outras diversas fontes de prazer obtidas e armazenadas por seus pais. Em uma ação de ato sexual, quando duas pessoas de sexos opostos entram em contato uma com a outra, o embrião nasce no útero, como uma calamidade afligindo a mãe. Logo depois da suspensão dos ares vitais, outras formas físicas possuem aquela criatura incorporada cujo corpo grosseiro foi assim destruído, mas cujas ações foram todas realizadas com aquele corpo grosseiro feito de carne e muco. Após a dissolução do corpo, outro corpo, o qual é tão destrutível quanto aquele que foi destruído, é mantido pronto para a criatura queimada e destruída (migrar) assim como um barco vai para outro para transferir para si mesmo os passageiros do outro. Por causa de uma união sexual, uma gota da semente vital, que é inanimada, é lançada no útero. Eu te pergunto, através de quem ou qual cuidado o embrião é mantido vivo? Aquela parte do corpo para a qual vai a comida que é ingerida e onde ela é digerida, é o lugar onde o embrião reside, mas ele não é digerido lá. No útero, em meio a urina e fezes, a estada de alguém é regulada pela Natureza. Na questão de residência ou fuga de lá, a criatura nascida não é um agente livre. De fato, nesses aspectos, ela é totalmente indefesa. Alguns embriões caem do útero (em um estado não desenvolvido). Alguns saem vivos (e continuam a viver). Enquanto alguns encontram com a destruição no útero, depois de serem estimulados com vida, por alguns outros corpos estarem prontos para eles (pela natureza de suas ações, pois seus atos de vidas passadas trazem para eles outros corpos exatamente naquele estágio). Aquele homem que, em uma ação de união sexual, injeta o fluido vital, obtém disto um filho ou filha. A prole assim obtida, quando chega o momento, toma parte em uma ação de união similar. Quando o período de vida concedido a alguém está no fim, os cinco elementos primordiais de seu corpo alcançam o sétimo e o nono estágios e então cessam de existir. A pessoa, no entanto, não sofre mudança. (Os dez estágios da vida de uma pessoa são: (1) residência dentro do útero, (2) nascimento, (3) infância até 5 anos, (4) infância até 12 anos, (5) Pauganda até os 16 anos, (6) juventude até os 48 anos, (7) velhice, (8) decrepitude, (9) suspensão da respiração, (10) destruição de corpo.) Sem dúvida, quando pessoas são afligidas por doenças como animais pequenos atacados por caçadores, elas então perdem os poderes de se levantar e se mexer. Se quando os homens são afligidos por doenças, eles desejam gastar mesmo uma vasta riqueza, os médicos com os seus melhores esforços fracassam em aliviar sua dor. Até os médicos, que são bem hábeis e bem informados em suas escrituras e bem equipados com remédios excelentes, são eles mesmos afligidos por doenças como animais atacados por caçadores. Mesmo que os homens bebam muitos adstringentes e diversas espécies de ghee medicinal, eles são vistos serem quebrados pela decrepitude como árvores por elefantes fortes. Quando animais e aves e feras predadoras e homens pobres estão afligidos por doenças, quem os trata com remédios? De fato, estes não são vistos ficarem doentes. Como animais maiores atacando menores, indisposições são vistas afligirem até reis terríveis de energia feroz e destreza invencível. Todos os homens, privados até do poder de proferirem gritos que revelam dor, e oprimidos por erro e aflição, são vistos serem carregados pela corrente violenta na qual eles foram lançados. As criaturas incorporadas, mesmo quando procurando conquistar a natureza, são incapazes de conquistá-la com a ajuda de riqueza, de poder soberano, ou das penitências mais austeras. (Natureza aqui significa as grandes leis às quais a existência humana está sujeita: a lei de nascimento, de morte, de doença e decrepitude etc.) Se todas as tentativas que os homens fizessem fossem coroadas com sucesso, então os homens nunca estariam sujeitos à decrepitude, nunca seriam surpreendidos por alguma coisa desagradável, e por fim seriam coroados com realização em relação a todos os seus desejos. Todos os homens desejam obter superioridade gradual de posição. Para satisfazer este desejo eles se esforçam da melhor maneira que podem. O resultado, no entanto, não corresponde com o desejo. (Se alguém se torna rico, ele deseja se tornar um conselheiro; se um conselheiro, ele deseja ser primeiro ministro; e assim adiante. O sentido do verso é que o desejo do homem de se elevar é insaciável.) Mesmo homens que são perfeitamente atentos, que são honestos, e valentes e dotados de destreza, são vistos prestarem suas adorações para homens intoxicados com o orgulho de riqueza e até com estimulantes alcoólicos. Alguns homens são vistos cujas calamidades desaparecem antes mesmo que elas sejam percebidas ou notadas por eles. Há outros que são vistos possuírem nenhuma riqueza mas que estão livres de miséria de todo tipo. Uma grande desigualdade é observável em relação aos resultados provenientes das combinações de ações. Alguns são vistos carregarem veículos em seus ombros, enquanto alguns são vistos passearem sobre aqueles veículos. Todos os homens estão desejosos de riqueza e prosperidade. Somente poucos têm carros (e elefantes e cavalos) puxados (ou andando) em suas procissões. Há alguns que não conseguem ter uma única esposa quando suas primeiras esposas morrem; enquanto outros têm centenas de esposas para chamar de suas. Miséria e felicidade são duas coisas que existem lado a lado. Homens têm ambos, miséria e felicidade. Veja, este é um tema de admiração! Porém, não te permita ser entorpecido pelo erro por causa de tal visão! Rejeite virtude e pecado! Rejeite também verdade e falsidade! Tendo rejeitado verdade e falsidade, rejeite então aquilo com cuja ajuda tu rejeitaste os primeiros! Ó melhor dos Rishis, eu agora te falei daquilo que é uma grande miséria! Com a ajuda de tais instruções, as divindades (que foram todas seres humanos) conseguiram deixar a Terra para se tornarem os habitantes do céu!’” "'Ouvindo estas palavras de Narada, Suka, dotado de grande inteligência e possuidor de tranquilidade mental, refletiu sobre a força das instruções que recebeu, mas não pôde chegar a alguma certeza de conclusão. Ele entendeu que alguém sofre grande miséria por causa da acessão de filhos e cônjuges; que alguém tem que passar por muito trabalho para a aquisição de ciência e erudição Védica. Ele, portanto, questionou a si mesmo, dizendo, ‘Qual é aquela situação que é eterna e que está livre de miséria de todo tipo mas na qual há grande prosperidade?’ Refletindo por um momento sobre o rumo ordenado para ele seguir, Suka, que conhecia bem o início e o fim de todos os deveres, resolveu alcançar o fim mais elevado que é repleto da maior bem-aventurança. Ele questionou a si mesmo, dizendo, ‘Como eu irei, rompendo todas as ligações e me tornando perfeitamente livre, alcançar aquele fim excelente? Como, de fato, eu chegarei àquela situação excelente de onde não há volta para o oceano de diversos tipos de nascimento? Eu desejo obter aquela condição de existência de onde não há retorno! Rejeitando todos os tipos de apegos, chegando à certeza por reflexão com a ajuda da mente, eu alcançarei aquele fim! Eu alcançarei aquela situação na qual minha Alma terá tranquilidade, e na qual eu poderei ficar pela eternidade sem estar sujeito à decrepitude ou mudança. É, no entanto, certo que aquele fim sublime não pode ser alcançado sem a ajuda de Yoga. Alguém que alcançou ao estado de conhecimento e iluminação perfeitos nunca recebe uma acessão de ligações inferiores através das ações. (De fato, a aquisição do próprio corpo é uma ligação assim. O que é dito aqui é que Jiva que se tornou iluminado fica livre da obrigação de renascimento ou contado com o corpo novamente.) Eu, portanto, recorrerei ao Yoga, e rejeitando este corpo que é a minha residência atual, eu me transformarei em vento e entrarei naquela massa de refulgência que é representada pelo Sol; (isto é, Brahma, que é pura refulgência, aquela refulgência é adorada no Gayatri). Quando Jiva entra naquela massa de refulgência, ele não sofre mais como Shoma que, com os deuses, após o esgotamento do mérito, cai na Terra e, tendo mais uma vez adquirido mérito suficiente, volta para os céus. (Aquele que entra na refulgência solar não tem que passar por alguma mudança, diferentemente de Shomah e as divindades que têm que sofrer mudanças, pois elas caem após o esgotamento de seu mérito e re- ascendem quando elas adquirem mérito novamente. O fato é, há dois caminhos, archiradi-margah e dhumadi-margah. Aqueles que vão pelo primeiro alcançam Brahma e nunca têm que retornar, enquanto aqueles que vão pelo último caminho desfrutam de felicidade por algum tempo e então retornam.) A lua é sempre vista minguar e crescer novamente. Vendo este aumento e diminuição que continua repetidamente, eu não desejo ter uma forma de existência na qual haja tais mudanças. O Sol aquece todos os mundos por meio de seus raios ardentes. Seu disco nunca sofre alguma diminuição. Permanecendo inalterado, ele absorve energia de todas as coisas. Por isso, eu desejo entrar no Sol de esplendor brilhante. (Aqui as palavras Sol e Lua são indicativas dos dois caminhos diferentes já mencionados.) Lá eu viverei, invencível por todos, e em minha alma interna livre de todo medo, tendo rejeitado este meu corpo na região solar. Com os grandiosos Rishis eu entrarei na energia insuportável do Sol. Eu declaro para todas as criaturas, para estas árvores, estes elefantes, estas montanhas, para a própria Terra, para os vários pontos do horizonte, o firmamento, as divindades, os Danavas, os Gandharvas, os Pisachas, os Uragas, e os Rakshasas, que eu irei, realmente, entrar em todas as criaturas no mundo. (Isto é, ele irá alcançar o Brahma universal e assim se identificar com todas as coisas.) Que todos os deuses com os Rishis vejam o valor do meu Yoga hoje!’ Tendo dito estas palavras, Suka informou sua intenção para o mundialmente famoso Narada. Obtendo a permissão de Narada, Suka então procedeu para onde seu pai estava. Chegado na presença do grande Muni, isto é, o Krishna Nascido na Ilha de grande alma, Suka andou ao redor dele e dirigiu a ele as perguntas usuais. Sabendo da intenção de Suka, o Rishi de grande alma ficou muito satisfeito. Dirigindo-se a ele, o grande Rishi disse, ‘Ó filho, ó filho querido, fique aqui hoje para que eu possa te ver por algum tempo para satisfazer meus olhos.’ Suka, no entanto, ficou indiferente àquele pedido. Livre de afeição e toda dúvida ele começou a pensar somente na Emancipação, e colocou seu coração na jornada. Deixando seu pai, aquele principal dos Rishis então procedeu para o leito espaçoso de Kailasa que era habitado por multidões de ascetas coroados com êxito.'" 333 "Bhishma disse, ‘Tendo subido o topo da montanha, ó Bharata, o filho de Vyasa sentou-se sobre um local plano livre de folhas de grama e afastado dos lugares frequentados por outras criaturas. De acordo com a direção das escrituras e as ordenanças prescritas, aquela asceta, conhecedor da ordem gradual dos processos sucessivos de Yoga, manteve sua alma primeiro em um lugar e então em outro, começando a partir de seus pés e prosseguindo através de todos os membros. Então, quando o Sol não tinha subido muito, Suka sentou-se, com seu rosto virado para o Leste, e mãos e pés contraídos, em uma atitude humilde. Naquele local onde o filho inteligente de Vyasa sentou preparado para se dirigir ao Yoga, não havia bandos de aves, nem som, e nenhuma visão que fosse repulsiva ou que inspirasse terror. Ele então viu sua própria Alma livre de todas as conexões. Contemplando aquela mais sublime de todas as coisas, ele riu em alegria. Ele mais uma vez ficou preparado para Yoga para alcançar o caminho da Emancipação. Tornando-se o grande mestre de Yoga, ele transcendeu o elemento espaço. Ele então circungirou o Rishi celeste Narada, e relatou para aquele principal dos Rishis o fato de ele ter se dirigido para o Yoga mais elevado.’” "Suka disse, ‘Eu consegui ver o caminho (da Emancipação), eu me dirigi a ele. Abençoado sejas, ó tu de riqueza de penitências! Eu irei, pela tua graça, ó tu de grande esplendor, alcançar um fim que é altamente desejável!" "Bhishma disse, ‘Tendo recebido a permissão de Narada, Suka, o filho de Vyasa Nascido na Ilha, saudou o Rishi celeste e mais uma vez se estabeleceu em Yoga e entrou no elemento espaço. Ascendendo então do leito da montanha Kailasa, ele subiu ao céu. Capaz de viajar através do céu, o abençoado Suka de conclusão fixa então se identificou com o elemento Vento. Quando aquele principal dos regenerados, possuidor de refulgência como aquela de Garuda, estava percorrendo os céus com a velocidade do vento ou pensamento, todas as criaturas o olharam. Dotado do esplendor do fogo ou do Sol, Suka então considerou os três mundos em sua totalidade como um Brahma homogêneo, e procedeu por aquele caminho de grande extensão. De fato, todas as criaturas móveis e imóveis lançaram seus olhos sobre ele enquanto ele procedia com atenção concentrada, e uma alma tranquila e sem medo. Todas as criaturas, conforme as ordenanças e segundo seu poder, o adoraram com reverência. Os habitantes do céu derramaram chuvas de flores celestes sobre ele. Vendo-o, todas as tribos de Apsaras e Gandharvas ficaram muito surpresos. Os Rishis também, que eram coroados com sucesso, ficaram igualmente assombrados. E eles perguntaram para si mesmos, ‘Quem é este que alcançou o êxito por suas penitências?’, ‘Com olhar afastado de seu próprio corpo mas virado para cima ele está nos enchendo de satisfação por seus olhares!’ De alma muito virtuosa e célebre pelos três mundos, Suka procedeu em silêncio, seu rosto virado para o Leste e olhar fixo dirigido para o Sol. Conforme ele procedia, ele parecia encher o firmamento inteiro com um barulho que permeava tudo. Vendo-o indo por aquele caminho, todas as tribos de Apsaras, tomadas pela admiração, ó rei, ficaram maravilhadas. Encabeçadas por Panchachuda e outras, elas olharam Suka com olhos arregalados por assombro. E elas se perguntaram, dizendo; ‘Qual divindade é esta que alcançou tal fim elevado? Sem dúvida, ele vem para cá, livre de todos os apegos e emancipado de todos os desejos!’ Suka então procedeu para as montanhas Malaia onde Urvasi e Purvachitti costumavam morar sempre. Ambas, contemplando a energia do filho do grande Rishi regenerado, ficaram muito surpresas. E elas disseram, ‘Extraordinária é esta concentração de atenção (em Yoga) de um jovem regenerado que estava habituado à recitação e estudo dos Vedas! Logo ele irá atravessar todo o firmamento como a Lua. Foi por serviço respeitoso e ajuda humilde para seu pai que ele adquiriu esta compreensão excelente. Ele é firmemente ligado ao seu pai, possuidor de penitências austeras, e é muito amado por seu pai. Ai, por que ele foi despedido por seu pai desatento para proceder (assim) por um caminho de onde não há retorno?’ Ouvindo estas palavras de Urvasi, e prestando atenção em seu significado, Suka, aquela principal de todas as pessoas conhecedoras dos deveres, olhou para todos os lados, e mais uma vez viu o firmamento inteiro, toda a Terra com suas montanhas e águas e florestas, e também todos os lagos e rios. Todas as divindades também de ambos os sexos, unindo suas mãos, prestaram reverência ao filho do Rishi Nascido na Ilha e o fitaram com admiração e respeito. Aquele principal de todos os homens justos, Suka, dirigindo-se a todos, disse estas palavras, ‘Se meu pai me seguir e repetidamente me chamar por meu nome, vocês todos juntos dêem a ele uma resposta por mim. Movidos pela afeição que todos vocês têm por mim, realizem este meu pedido!’ Ouvindo estas palavras de Suka, todos os pontos do horizonte, todas as florestas, todos os mares, todos os rios, e todas as montanhas, responderam a ele de todos os lados, dizendo, ‘Nós aceitamos tua ordem, ó regenerado! Será como tu disseste! É dessa maneira que nós respondemos as palavras faladas pelo Rishi!’” 334 "Bhishma disse, 'Tendo falado desse modo (para todas as coisas), o Rishi regenerado de penitências austeras, Suka, permaneceu em seu sucesso rejeitando os quatro tipos de falhas. Rejeitando também os oito tipos de Tamas, ele descartou os cinco tipos de Rajas. Dotado de grande inteligência, ele então rejeitou o atributo de Sattwa. Tudo isso parecia muito extraordinário. Ele então morou naquele lugar eterno que é desprovido de atributos, livre de toda indicação, isto é, em Brahma, brilhando como um fogo sem fumaça. Meteoros começaram a cair. Os pontos da bússola parecia estar em chamas. A Terra tremeu. Todos esses fenômenos pareciam muito admiráveis. As árvores começaram a perder seus ramos e as montanhas seus topos. Foram ouvidos estrondos sonoros (como do trovão) que pareciam rachar as montanhas Himavat. O sol parecia naquele momento estar privado de esplendor. O fogo se recusou a queimar. Os lagos e rios e mares estavam todos agitados. Vasava despejou chuvas de gosto e fragrância excelentes. Uma brisa pura começou a soprar, carregando perfumes excelentes. Suka, conforme ele procedia pelo firmamento, viu dois topos belos, um pertencendo a Himavat e o outro a Meru. Estes estavam em contato estreito um com o outro. Um deles era feito de ouro e era, portanto, amarelo; o outro era branco, sendo feito de prata. Cada um deles, ó Bharata, tinha cem yojanas de altura e a mesma medida de largura. De fato, enquanto Suka viajava em direção ao norte, ele viu aqueles dois topos belos. Com um coração destemido ele colidiu contra aqueles dois topos que estavam unidos um ao outro. Incapazes de suportar a força, os topos foram subitamente rachados em dois. A visão que eles então apresentaram, ó monarca, era muito esplêndida de se contemplar. Suka atravessou aqueles topos, pois eles não podiam parar seu movimento para diante. Nisto um grande barulho ergueu-se no céu, feito pelos habitantes de lá; os Gandharvas e os Rishis também e outros que moravam naquela montanha sendo partida em duas e Suka passando através dela. De fato, ó Bharata, um barulho alto foi ouvido em todos os lugares naquele momento, consistindo nas palavras ‘Excelente! Excelente!’ Ele foi adorado pelos Gandharvas e Rishis, por multidões de Yakshas e Rakshasas, e por todas as tribos de Vidyadharas. Todo o firmamento ficou coberto com flores celestes despejadas do céu naquele momento quando Suka atravessou dessa maneira aquela barreira impenetrável, ó monarca! Suka de alma justa então viu de uma região alta o rio celeste Mandakini de grande beleza, correndo abaixo por uma região adornada por muitas flores e arvoredos e florestas. Naquelas águas muitas Apsaras belas estavam se divertindo. Vendo Suka que estava sem corpo, aqueles seres aéreos despidos sentiram vergonha. Sabendo que Suka tinha empreendido sua grande viagem, seu pai Vyasa, cheio de afeição, o seguiu pelo caminho mesmo aéreo. Enquanto isso Suka, procedendo por aquela região do firmamento que está acima da região do vento, mostrou sua destreza-Yoga e se identificou com Brahma. (Os Rishis sabiam que a altura da atmosfera não é interminável.) Adotando o caminho sutil de Yoga superior, Vyasa de penitências austeras alcançou dentro de um piscar de olhos aquele local de onde Suka começou a empreender sua viagem. Prosseguindo pelo mesmo caminho, Vyasa viu o topo da montanha rachado em dois e pelo qual Suka tinha passado. Encontrando o asceta Nascido na Ilha, os Rishis começaram a relatar para ele as realizações de seu filho. Vyasa, no entanto, começou a lamentar, chamando seu filho ruidosamente pelo nome e fazendo os três mundos ressoarem com o barulho que ele fazia. Enquanto isso, Suka de alma justa, que tinha entrado nos elementos, se tornado a alma deles e adquirido onipresença, respondeu para seu pai por proferir o monossílabo Bho na forma de um eco. Nisto, todo o universo de criaturas móveis e imóveis, proferindo o monossílabo Bho, ecoou a resposta de Suka. Desde aquele tempo até este, quando sons são proferidos em cavernas de montanha ou em leitos de montanha, os últimos, como se em resposta a Suka ainda os ecoam (com o monossílabo Bho). Tendo rejeitado todos os atributos de som, etc., e mostrando sua destreza-Yoga no modo de seu desaparecimento, Suka dessa maneira alcançou a região mais elevada. Vendo aquela glória e pujança de seu filho de energia incomensurável, Vyasa sentou-se no leito da montanha e começou a pensar em seu filho com aflição. As Apsaras que estavam se divertindo nas margens da corrente celeste Mandakini, vendo o Rishi sentado lá, ficaram todas agitadas com grave vergonha e coração perdido. Algumas delas, para esconder sua nudez, mergulharam no rio, e algumas entraram nos bosques ao lado, e algumas pegaram suas roupas rapidamente, ao verem o Rishi. (Nenhuma delas tinha revelado quaisquer sinais de agitação à visão de seu filho.) O Rishi, vendo aqueles movimentos, compreendeu que seu filho estava emancipado de todas as atrações, mas que ele mesmo não estava livre delas. Nisto ele se encheu de alegria e vergonha. Quando Vyasa estava sentado lá, o deus auspicioso Siva, armado com Pinaka, cercado por todos os lados por muitas divindades e Gandharvas e adorado por todos os grandes Rishis chegou lá. Consolando o Rishi Nascido na Ilha que estava queimando de tristeza por causa de seu filho, Mahadeva disse estas palavras para ele. ‘Tu antigamente solicitaste de mim um filho possuidor da energia do Fogo, da Água, do Vento, e do Espaço. Procriado por tuas penitências, o filho que nasceu para ti era exatamente daquele tipo. Procedendo da minha graça, ele era puro e cheio da energia- Brahma. Ele alcançou o fim mais elevado, um fim ao qual não pode chegar alguém que não tenha subjugado completamente seus sentidos, nem pode ser obtido até por alguma das divindades. Por que então, ó Rishi regenerado, tu te afliges por aquele filho? Enquanto as colinas durarem, enquanto o oceano durar, a fama do teu filho permanecerá não diminuída! Pela minha graça, ó grande Rishi, tu verás neste mundo uma forma vaga parecida com teu filho, se movendo ao teu lado e nunca te abandonando por um único momento!’ Assim favorecido pelo próprio Rudra ilustre, ó Bharata, o Rishi viu uma sombra de seu filho ao seu lado. Ele voltou daquele local, cheio de alegria por isso. Eu agora te disse, ó chefe da linhagem de Bharata, tudo com relação ao nascimento e vida de Suka sobre o qual tu me perguntaste. O Rishi celeste Narada e o grande Yogin Vyasa repetidamente me contaram tudo isso antigamente quando o assunto era sugerido a eles no decorrer de conversação. Aquela pessoa dedicada à tranquilidade que ouve esta história sagrada diretamente ligada ao assunto da Emancipação com certeza alcançará o fim mais elevado." (Neste capítulo, Bhishma narra para Yudhishthira o fato da partida de Suka deste mundo, e a dor Vyasa por causa daquela ocorrência. Ele fala do fato como algo que tinha sido relatado a ele em tempos passados por Narada e pelo próprio Vyasa. Disto é evidente que o Suka que narrou o Srimad Bhagavat para Parikshit, o neto de Arjuna, não poderia possivelmente ser o Suka que era o filho de Vyasa.) 335 "Yudhishthira disse, 'Se um homem for um chefe de família ou um Brahmacharin, um asceta na floresta ou um mendicante, e se ele desejar alcançar sucesso, qual divindade ele deve adorar? Como ele pode certamente chegar ao céu e obter aquilo que é do maior benefício (isto é, Emancipação)? Segundo quais ordenanças ele deve realizar o homa em honra dos deuses e dos Pitris? Qual é a região para a qual alguém vai quando ele se torna emancipado? Qual é a essência da Emancipação? O que alguém deve fazer para que, tendo alcançado o céu, não tenha que cair de lá? Quem é a divindade das divindades? E quem é o Pitri dos Pitris? Quem é aquele que é superior a ele, quem é a divindade das divindades e o Pitri dos Pitris? Diga-me tudo isso, ó avô!'” "Bhishma disse, ‘Ó tu que estás bem familiarizado com a arte de questionar, esta pergunta que tu me fizeste, ó impecável, é uma que diz respeito a um mistério profundo. Uma pessoa não pode responder a ela com a ajuda da ciência de argumentação, mesmo se ela se esforçasse por uma centena de anos. Sem a graça de Narayana, ó rei, ou uma acessão de conhecimento superior, esta tua pergunta é incapaz de ser respondida. (Pois sem fé este assunto não pode ser compreendido.) Embora este tópico esteja ligado com um mistério profundo, ainda assim eu irei, ó matador de inimigos, explicá-lo para ti! Em relação a isto é citada a antiga história da conversa entre Narada e o Rishi Narayana. Eu a ouvi do meu pai que na era Krita, ó monarca, durante a época do Manu Nascido por Si Mesmo, o eterno Narayana, a Alma do universo, tomou nascimento como o filho de Dharma em uma forma quádrupla, isto é, como Nara, Narayana, Hari, e o Auto-Criado Krishna ( Swayambhuvah). Entre todos eles, Narayana e Nara passaram pelas austeridades mais severas por se dirigirem ao retiro Himalayan conhecido pelo nome de Vadari, por viajarem em seus carros dourados. Cada um daqueles carros era equipado com oito rodas, e composto dos cinco elementos primordiais, e parecia extremamente belo. (Os carros dourados referidos aqui são os corpos materiais das duas divindades. O corpo é chamado de carro porque, como o carro, ele é acionado por alguma força exceto a Alma, a qual o possui por algum tempo, a Alma sendo inativa. Ele é considerado como dourado porque todos se tornam apegados a ele como uma coisa muito valiosa. As oito rodas são Avidya e o resto.) Aqueles regentes originais do mundo que tinham nascido como os filhos de Dharma ficaram muito emaciados em pessoa por causa das austeridades que eles tinham praticado. De fato, por aquelas austeridades e por sua energia, as próprias divindades não podiam olhar para eles. Somente aquela divindade com quem eles estivessem propiciados podia contemplá-los. Sem dúvida, com seu coração devotado a eles, e impelido por um desejo ardente de vê-los, Narada desceu sobre Gandhamadana de um topo das altas montanhas de Meru e vagou por todo o mundo. Possuidor de grande velocidade, ele finalmente se dirigiu para aquele local onde estava situado o retiro de Vadari. Impelido pela curiosidade ele entrou naquele retiro na hora de Nara e Narayana realizarem seus ritos diários. Ele disse a si mesmo; ‘Este é realmente o retiro daquele Ser em quem estão estabelecidos todos os mundos incluindo as divindades, os Asuras, os Gandharvas, os Kinnaras, e as grandes cobras! Havia somente uma forma deste grande Ser antes. Aquela forma tomou nascimento em quatro formas para a expansão da linhagem de Dharma que foi criado por aquela divindade. Quão maravilhoso é que Dharma tenha sido honrado dessa maneira por estas quatro grandes divindades, isto é, Nara, Narayana, e Hari e Krishna! Neste local Krishna e Hari moraram antigamente. Os outros dois, no entanto, Nara e Narayana, estão agora morando aqui engajados em penitências para o objetivo de aumentar seu mérito. Estes dois são o maior amparo do universo. Qual pode ser a natureza dos ritos diários que estes dois realizam? Eles são os progenitores de todas as criaturas, e as divindades ilustres de todos os seres. Dotados de inteligência sublime, qual é aquela divindade a quem estes dois cultuam? Quem são aqueles Pitris a quem estes dois Pitris de todos os seres adoram?’ Pensando nisto em sua mente, e cheio de devoção por Narayana, Narada apareceu de repente perante aqueles dois deuses. Depois que aquelas duas divindades tinham terminado sua adoração para _suas_ divindades e para os Rishis, eles olharam para o Rishi celeste chegado ao seu retiro. O último foi honrado com aqueles ritos eternos que são ordenados nas escrituras. Observando aquela conduta extraordinária das duas divindades originais em elas mesmas cultuarem outras divindades e Pitris, o ilustre Rishi Narada tomou seu assento lá, bem satisfeito com as honras que ele tinha recebido. Com uma alma alegre ele olhou então para Narayana, e reverenciando Mahadeva ele disse estas palavras.’” "Narada disse, ‘Nos Vedas e nos Puranas, nos Angas e nos Angas secundários tu és cantado com reverência, tu és não nascido e eterno. Tu és o Criador. Tu és a mãe do universo. Tu és a encarnação da Imortalidade e tu és a principal de todas as coisas. O Passado e o Futuro, de fato, o universo inteiro foi fundado em ti! Os quatro modos de vida, ó senhor, tendo o familiar como seu principal, incessantemente sacrificam para ti que és de diversas formas. Tu és o pai e a mãe e o eterno preceptor do universo. Nós não sabemos quem é aquela divindade ou aquele Pitri para quem tu estás sacrificando hoje!’” "O santo disse, ‘Este tópico é um sobre o qual nada deve ser dito. Este é um mistério antigo. Tua devoção por mim é muito grande. Por isso, ó regenerado, eu te falarei sobre isto de acordo com a verdade. Aquilo que é minúsculo, que é inconcebível, imanifesto, imóvel, durável, desprovido de toda conexão com os sentidos e os objetos dos sentidos, aquilo que é dissociado dos (cinco) elementos, aquilo é chamado de Alma que mora em todas as criaturas existentes. Aquilo é conhecido pelo nome de Kshetrajna. Transcendendo os três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas, aquilo é considerado como Purusha nas escrituras. Dele seguiu- se o imanifesto, ó principal dos regenerados, possuidor dos três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Embora realmente imanifesta, ela é chamada de Prakriti indestrutível e mora em todas as formas manifestas. Saiba que Ela é a fonte de onde nós dois surgimos. Aquela Alma que permeia tudo, que é composta de todas as coisas existentes e não existentes, é adorada por nós. É Ele mesmo que nós adoramos em todos aqueles ritos que nós realizamos em honra das divindades e dos Pitris. Não há divindade ou Pitri superior a Ele. Ó regenerado, Ele deve ser reconhecido como nossa Alma. É a Ele que nós adoramos. Esta direção de deveres seguida pelos homens, ó regenerado, foi promulgada por Ele. É Sua ordenança que nós devemos realizar devidamente todos os ritos prescritos em relação às divindades e aos Pitris. Brahman, Sthanu, Manu, Daksha, Bhrigu, Dharma, Yama, Marichi, Angiras, Atri, Pulastya, Pulaha, Kratu, Vasishtha, Parameshthi, Vivaswat, Shoma, ele que foi chamado de Karddama, Krodha, Avak, e Krita, essas vinte e uma pessoas, chamadas Prajapatis, nasceram primeiro. Todos eles obedeceram a lei eterna do Deus Supremo. Praticando todos os ritos, em detalhes, que foram ordenados em honra das divindades e dos Pitris, todos aqueles principais dos regenerados adquiriram todos os objetos que eles procuraram. Os habitantes incorpóreos do próprio Céu reverenciam aquela divindade Suprema e por Sua graça eles alcançam aqueles resultados e aquele fim que Ele ordena para eles. É uma conclusão segura das escrituras que as pessoas livres destes dezessete atributos, (isto é, os cinco sentidos de conhecimento, os cinco sentidos de ação, os cinco ares vitais, e mente e compreensão), que rejeitaram todas as ações, e que estão privadas dos quinze elementos que constituem o corpo grosseiro, são citadas como sendo Emancipadas. Aquilo que os Emancipados alcançam como seu último fim é chamado pelo nome de Kshetrajna. Ele é considerado (nas escrituras) como possuidor e como livre de todos os atributos. Ele pode ser compreendido apenas pelo Conhecimento. Nós dois surgimos dele. Conhecendo-o dessa maneira, nós adoramos aquela Alma eterna de todas as coisas. Os Vedas e todos os modos de vida, embora caracterizados por divergências de opinião, todos adoram a Ele com devoção. É Ele que, movido rapidamente à benevolência, confere a eles fins sublimes repletos de bem-aventurança. Aquelas pessoas neste mundo que, cheias com Seu espírito, se tornam completamente e decisivamente devotadas a Ele, alcançam fins que são muito elevados, pois elas conseguem entrar nele e vêm a ser absorvidas em seu Eu. Eu agora, ó Narada, te falei sobre o que é um grande mistério movido pelo amor que eu tenho por ti pela tua devoção por mim. De fato, por essa devoção que tu professas em direção a mim, tu conseguiste escutar estas minhas palavras!" 336 "Bhishma disse, 'Endereçado por Narayana, aquele principal dos seres, nessas palavras, Narada, o principal dos homens, então disse estas palavras para Narayana para o bem do mundo.’” "Narada disse, ‘Que seja realizado aquele objetivo pelo qual tu, ó Ser nascido por Si mesmo, nasceste em quatro formas na casa de Dharma! Eu agora irei (para a Ilha Branca) para contemplar tua natureza original. Eu sempre cultuo meus superiores. Eu nunca divulguei os segredos de outros. Ó senhor do universo, eu tenho estudado os Vedas com cuidado. Eu tenho passado por penitências ascéticas. Eu nunca falei uma inverdade. Como ordenado nas escrituras, eu sempre protegi os quatros que devem ser protegidos. (Isto é, as mãos, os pés, o estômago, e o órgão de prazer. As mãos são citadas como estando protegidas quando elas são impedidas de cometerem todas as ações impróprias; os pés são devidamente protegidos quando eles são impedidos de tocarem todos os lugares impróprios. O estômago é protegido quando alguém nunca ingere qualquer tipo de alimento impróprio, e quando alguém se abstém de todas as más ações para apaziguar sua fome. E por fim, alguém é citado como reprimindo o órgão de prazer quando ele abstém de todas ações de união sexual imprópria.) Eu sempre me comportei igualmente em direção a amigos e inimigos. Totalmente e decisivamente devotado a Ele, aquela principal das divindades, isto é, a Alma Suprema, eu incessantemente adoro a Ele. Tendo purificado minha alma por essas ações de mérito especial, por que eu não conseguiria obter uma visão daquele Senhor Infinito do universo?’ Ouvindo estas palavras do filho de Parameshthi, Narayana, aquele protetor das escrituras, o despediu, dizendo, ‘Vá, ó Narada!’ Antes de despedi-lo, no entanto, a grande divindade adorou o Rishi celeste com aqueles ritos e cerimônias que foram declarados nas escrituras por ele mesmo. Narada também deu as honras devidas ao antigo Rishi Narayana. Depois que tais honras tinham sido mutuamente dadas e recebidas, o filho de Parameshthi partiu daquele local. Dotado de grande pujança-Yoga, Narada repentinamente se elevou ao firmamento e alcançou o topo das montanhas de Meru. Procedendo para um local isolado naquele topo, o grande asceta descansou por um tempo curto. Ele então olhou na direção noroeste e contemplou uma visão muito extraordinária. Em direção ao norte, no oceano de leite, há uma grande ilha chamada de Ilha Branca. Os eruditos dizem que sua distância das montanhas de Meru é maior do que trinta e duas mil Yojanas. Os habitantes daquele reino não têm sentidos. Eles vivem sem ingerir alimentos de qualquer tipo. Seus olhos não piscam. Eles sempre emitem perfumes excelentes. Suas cores são brancas. Eles são purificados de todos os pecados. Eles explodem os olhos daqueles pecadores que olham para eles. Seus ossos e corpos são tão duros quanto o trovão. Eles consideram honra e desonra da mesma maneira. Eles todos parecem como se eles fossem de origem celestial. Além disso, todos eles são dotados de marcas auspiciosas e grande força. Suas cabeças parecem ser como guarda-sóis. Suas vozes são profundas como aquela das nuvens. Cada um deles tem quatro Mushkas (ou braços). As solas de seus pés são marcadas por centenas de linhas. Eles têm sessenta dentes, todos os quais são brancos (e grandes), e oito menores. Eles têm muitas línguas. Com aquelas línguas eles parecem lamber o próprio Sol cuja face está virada para todas as direções. De fato, eles parecem ser capazes de devorar aquela divindade de quem surgiu o universo inteiro, os Vedas, as divindades, e os Munis dedicados ao atributo de tranquilidade.’” "Yudhishthira disse, 'Ó avô, tu disseste que aqueles seres não têm sentidos, que eles não comem nada para sustentar suas vidas; que seus olhos não piscam; e que eles sempre emitem perfumes excelentes. Eu pergunto, como eles nascem? Qual também é o fim superior que eles alcançam? Ó chefe da linhagem de Bharata, as indicações daqueles homens que se tornam emancipados são as mesmas pelas quais os habitantes da Ilha Branca são distinguidos? Dissipe minhas dúvidas! A curiosidade que eu sinto é muito grande. Tu és o repositório de todas as histórias e discursos. Em relação a nós, nós dependemos totalmente de ti para conhecimento e instrução!’” "Bhishma continuou, 'Esta narrativa, ó monarca, a qual eu ouvi do meu pai, é extensa. Eu agora a contarei para ti. De fato, ela é considerada como a essência de todas as narrativas. Havia, em tempos passados, um rei sobre a Terra de nome Uparichara. Ele era conhecido como o amigo de Indra, o chefe dos celestiais. Ele era devotado a Narayana conhecido também pelo nome de Hari. Ele era cumpridor de todos os deveres prescritos nas escrituras. Sempre dedicado a seu pai, ele estava sempre atento e pronto para a ação. Ele ganhou a soberania do mundo por causa de um benefício que ele obteve de Narayana. Seguindo o ritual Sattwata (Pancharatra) que tinha sido declarado antigamente pelo próprio Surya, o rei Uparichara costumava adorar o Deus dos deuses (Narayana), e quando seu culto acabava, ele costumava adorar (com o que restava) o avô do universo. Depois de cultuar os Avôs (Pitris), ele adorava os Brahmanas. Ele então dividia as oferendas entre aqueles que eram seus dependentes. Com o que restava depois de servir aqueles, o rei satisfazia sua própria fome. Dedicado à verdade, o monarca se abstinha de fazer alguma injúria para qualquer criatura. Com toda sua alma, o rei era devotado àquele Deus dos deuses, isto é, Janarddana, que é sem início e meio e fim, que é o Criador do universo, e que é sem deterioração de qualquer tipo. Vendo a devoção à Narayana daquele matador de inimigos, o próprio chefe divino dos celestiais dividiu com ele seu próprio assento e cama. Seu reino e riqueza e esposas e animais eram todos considerados por ele como obtidos de Narayana. Ele, portanto, ofereceu todas as suas posses para aquela grande divindade. (Isto é, dedicou suas posses ao serviço de Narayana, e as manteve como o administrador do grande Deus. Em outras palavras, ele nunca considerou sua riqueza como sua propriedade, mas estava sempre pronto para empregá-la para todos os propósitos bons e pios.) Adotando o ritual Sattwata, o rei Uparichara, com alma concentrada, costumava cumprir todos os seus atos e observâncias sacrificais, opcionais e obrigatórios. No domicílio daquele rei ilustre, muitos dos Brahmanas principais, conhecedores do ritual Pancharatra, costumavam comer antes de todos os outros o alimento oferecido ao deus Narayana. Enquanto aquele matador de inimigos continuou a governar seu reino justamente, nenhuma mentira alguma vez escapou de seus lábios e nenhum mau pensamento alguma vez entrou em sua mente. Com seus membros ele nunca cometeu nem o menor pecado. Os sete Rishis célebres, isto é, Marichi, Atri, Angiras, Pulastya, Pulaha, Kratu, e Vasishta de grande energia, que vieram a ser conhecidos pelo nome de Chitra-sikhandins, se reunindo no leito daquela principal das montanhas, Meru, promulgaram um tratado excelente sobre deveres e observâncias que era consistente com os quatro Vedas. Os conteúdos daquele tratado foram proferidos por sete bocas, e constituíam o melhor compêndio dos deveres e observâncias humanos. Conhecidos, como já foi dito, pelo nome de Chitra-sikhandins, aqueles sete Rishis constituem os sete (Pravriti) elementos (de Mahat, Ahankara, etc.) e o Manu Auto-nascido, que é o oitavo na enumeração, constituiu a Prakriti original. Estes oito mantêm o universo, e foram estes oito que promulgaram o referido tratado. Com seus sentidos e mentes sob controle completo, e sempre dedicados ao Yoga, estes oito ascetas, com almas concentradas, conhecem totalmente o Passado, o Presente e o Futuro, e são devotados à religião da Verdade. ‘Isto é bom, isto é Brahma’, ‘isto é altamente benéfico’, refletindo em suas mentes dessa maneira, aqueles Rishis criaram os mundos, e a ciência de moralidade e dever que governa aqueles mundos. Naquele tratado os autores falaram sobre Religião e Riqueza e Prazer, e subsequentemente sobre Emancipação também. Eles também declararam nele as várias restrições e limitações planejadas para a Terra como também para o Céu. Eles compuseram aquele tratado depois de terem adorado com penitências o pujante e ilustre Narayana também chamado de Hari, por mil anos celestes, em companhia com muitos outros Rishis. Satisfeito com suas penitências e culto, Narayana mandou a deusa da fala, Saraswati, entrar na pessoa daqueles Rishis. A deusa, para o bem dos mundos, fez o que lhe foi ordenado. Em consequência da entrada da deusa da fala em suas pessoas, aqueles Rishis, bem familiarizados com penitências, conseguiram compor aquele principal dos tratados a respeito de vocábulos, significação, e argumentos. (Isto é, o tratado que aqueles Rishis compuseram era o principal do seu tipo a respeito de escolha e harmonia de vocábulos, de significação ou sentido, e de argumentos com os quais cada afirmação era fortalecida.) Tendo composto aquele tratado santificado com a sílaba Om, os Rishis antes de mais nada o leram para Narayana que ficou muito satisfeito com que ele ouviu. O principal de todos os seres então se dirigiu àqueles Rishis em uma voz incorpórea e disse, ‘Excelente é esse tratado que vocês compuseram e consistindo em cem mil versos. Os deveres e observâncias de todos os mundos fluirão desse seu trabalho! Em harmonia completa com os quatro Vedas, isto é, os Riks, os Yajushes, os Samans, e os Atharvans de Angiras, o tratado de vocês será uma autoridade em todos os mundos em relação a Pravritti e Nivritti. (Há duas religiões, isto é, aquela de Pravritti, implicando ação e observâncias, e aquela de Nivritti, implicando uma abstenção completa de todas as ações e observâncias. A última é também chamada de religião da Emancipação.) De acordo com a autoridade das escrituras eu criei Brahman do atributo de Graça, Rudra da minha Cólera, e vocês mesmos, ó Brahmanas, como representando os elementos-Pravriti (de Mahat, Ahankara, etc.), Surya, e Chandramas, Vento e Terra, Água e Fogo, todas as estrelas e planetas e constelações, tudo mais que é chamado pelo nome de criaturas, e proferidores de Brahma (ou os Vedas), eles todos vivem e agem em suas respectivas esferas e são todos respeitados como autoridades. Esse mesmo tratado que vocês compuseram será considerado por todas as pessoas da mesma maneira, isto é, como um trabalho da maior autoridade. Esta é minha ordem. Guiado por esse tratado, o próprio Manu Auto-nascido irá declarar para o mundo sua direção de deveres e observâncias. Quando Usanas e Vrihaspati surgirem, eles também promulgarão seus respectivos tratados sobre moralidade e religião, guiados por e citando esse seu tratado. (Se algum trabalho sobre moralidade e religião foi realmente composto pelos sete Rishis ou não, nenhum trabalho semelhante, isto é certo, está em existência agora. Além dessa menção do trabalho no Mahabharata, nenhuma referência a ele foi feita em algum outro lugar.) Depois da publicação de seu tratado pelo Manu Auto-nascido e daquele por Usanas, e depois da publicação do tratado também por Vrihaspati, esta ciência composta por vocês será adquirida pelo rei Vasu (também conhecido pelo nome de Uparichara). De fato, ó principais dos regenerados, aquele rei irá adquirir este conhecimento desse trabalho de Vrihaspati. Aquele rei, cheio de todos os bons pensamentos, virá a ser profundamente devotado a mim. Guiado por esse tratado ele realizará todas as suas ações e observâncias religiosas. Em verdade, esse tratado composto por vocês será o principal de todos os tratados sobre moralidade e religião. Possuidor de excelência, esse tratado é repleto de instruções para adquirir ambos: Riqueza e Mérito Religioso, e é cheio de mistérios. Pela promulgação desse seu tratado, vocês serão progenitores de uma linhagem extensa. O rei Uparichara também virá a ser dotado de grandeza e prosperidade. Após a morte, no entanto, daquele rei, esse tratado eterno desaparecerá do mundo. Eu lhes digo tudo isso.’ Tendo dito estas palavras para todos aqueles Rishis, o invisível Narayana os deixou e procedeu para algum lugar que não era conhecido por eles. Então aqueles progenitores do mundo, aqueles Rishis que concederam seus pensamentos sobre os fins procurados pelo mundo, promulgaram devidamente aquele tratado que é a origem eterna de todos os deveres e observâncias. Posteriormente, quando Vrihaspati nasceu na linhagem de Angiras na primeira era ou era Krita, aqueles sete Rishis o encarregaram da tarefa de promulgar seu tratado, o qual era consistente com os Upanishads e os vários ramos dos Vedas. Eles mesmos que eram protetores do universo e os primeiros promulgadores de deveres e observâncias religiosas, então procederam para o local que eles escolheram, resolvidos a se dedicarem a penitências.'" 337 "Bhishma disse, 'Então após o término do grande Kalpa, quando o Purohita celeste Vrihaspati nasceu na linhagem de Angiras, todas as divindades ficaram muito felizes. As palavras, Vrihat, Brahma, e Mahat todos tinham o mesmo sentido. (Grupos de palavras expressivas da mesma significação são chamados de Paryyayas.) O Purohita celeste, ó rei, veio a ser chamado de Vrihaspati porque ele era dotado de todos esses atributos. O rei Uparichara, também chamado de Vasu, tornou-se um discípulo de Vrihaspati e logo veio a ser o principal dos seus discípulos. Admitido como tal, ele começou a estudar aos pés de seu preceptor aquela ciência que foi composta pelos sete Rishis quem eram (também) conhecidos pelo nome de Chitrasikhandins. Com alma purificada de todos os tipos de males por sacrifícios e outros ritos religiosos, ele governou a Terra como Indra governando o Céu. O rei ilustre realizou um grande Sacrifício de Cavalo no qual seu preceptor Vrihaspati tornou-se o Hota. Os próprios filhos de Prajapati (Brahman), isto é, Ekata, Dwita, e Trita, se tornaram os Sadasyas naquele sacrifício. (O Hotri tem que despejar libações no fogo sacrifical recitando mantras. Sadasyas são pessoas que vigiam o sacrifício, isto é, cuidam para que as ordenanças das escrituras sejam cumpridas devidamente.) Haviam outros também que vieram a ser Sadasyas naquele sacrifício, isto é, Dhanusha, Raivya, Arvavasu, Parvavasu, o Rishi Medhatithi, o grande Rishi Tandya, o abençoado Rishi Santi, também chamado de Vedasiras, o principal dos Rishis, isto é, Kapila, que era o pai de Salihotra, o primeiro Kalpa, Tittiri, o irmão mais velho de Vaisampayana, Kanwa, e Devahotra, ao todo formando dezesseis. Naquele sacrifício grandioso, ó monarca, todos os artigos necessários foram reunidos. Nenhum animal foi morto nele. O rei tinha ordenado assim. Ele era cheio de compaixão. De mente pura e generosa, ele tinha rejeitado todos os desejos, e conhecia bem todos os ritos. Todos os requisitos daquele sacrifício consistiam nos produtos da selva. O antigo Deus dos deuses (Hari), ficou muito satisfeito com o rei por causa daquele sacrifício. Incapaz de ser visto por alguém mais, o Deus sublime se mostrou para seu devoto. Aceitando a parte oferecida a ele por cheirar seu aroma, ele mesmo pegou o Purodasa. (Manteiga clarificada oferecida em sacrifícios, com bolos de cevada em pó molhados nela.) O grande Deus pegou as oferendas sem ser visto por ninguém. Nisto, Vrihaspati ficou zangado. Pegando a concha ele a arremessou com violência para o céu, e começou a derramar lágrimas de raiva. Dirigindo-se ao rei Uparichara ele disse, ‘Aqui, eu coloco isto como a parte de Narayana das oferendas sacrificais. Sem dúvida, ele a pegará diante de meus olhos.’” "Yudhishthira disse, 'No grande sacrifício de Uparichara, todas as divindades apareceram em suas respectivas formas para pegar suas partes das oferendas sacrificais e foram vistas por todos. Por que é que somente o pujante Hari agiu de outra maneira por pegar sua parte invisivelmente?'” "Bhishma continuou, 'Quando Vrihaspati cedeu à cólera, o grande rei Vasu e todos os seus Sadasyas procuraram pacificar o grande Rishi. Calmos, todos eles se dirigiram a Vrihaspati, dizendo, ‘Não cabe a ti ceder à raiva. Nesta era Krita, a raiva à qual tu deste vazão não deve ser característica de ninguém. A grande divindade para quem a parte das oferendas sacrificais foi designada por ti, é ela mesma livre de raiva. Ele não pode ser visto por nós ou por ti, ó Vrihaspati! Somente pode vê-lo aquele para quem Ele se torna benevolente.’ Então os Rishis Ekata, Dwita, e Trita, que conheciam bem a ciência de moralidade e deveres compilados pelos sete Rishis, se dirigiram àquele conclave e começaram a seguinte narração. ‘Nós somos os filhos de Brahman, gerados por um decreto de sua vontade (e não da maneira comum). Uma vez nós nos dirigimos para o norte para obtermos o que é para o nosso maior bem. Tendo praticado penitências por milhares de anos e adquirido grande mérito ascético, nós também permanecemos sobre somente um pé como estacas fixas de madeira. O país onde nós passamos pelas mais austeras das penitências está localizado ao norte das montanhas de Meru e nas margens do Oceano de Leite. O objetivo que nós tínhamos em mente era ver o divino Narayana em sua própria forma. Após a conclusão de nossas penitências e depois que nós tínhamos realizado as abluções finais, uma voz incorpórea foi ouvida por nós, ó pujante Vrihaspati, ao mesmo tempo profunda como aquela das nuvens e extremamente suave, e que enchia o coração de alegria. A voz disse, ‘Ó Brahmanas, vocês têm realizado bem essas penitências com almas alegres. Devotados a Narayana, vocês procuram saber como vocês podem conseguir contemplar aquele deus de grande pujança! Nas margens norte do Oceano de Leite há uma ilha de grande esplendor chamada pelo nome de Ilha Branca. Os homens que habitam aquela ilha têm compleições tão brancas quanto os raios da Lua e são devotados a Narayana. Devotos daquele principal de todos os Seres, eles são dedicados a Ele com todas as suas almas. Eles todos entram naquela divindade ilustre e eterna de mil raios. Eles são desprovidos de sentidos. Eles não subsistem de algum tipo de alimento. Seus olhos não piscam. Seus corpos sempre emitem uma fragrância. De fato, os habitantes da Ilha Branca crêem e adoram somente um Deus. Vão para lá, ó ascetas, pois lá Eu tenho me revelado!’ Todos nós, ouvindo estas palavras incorpóreas, procedemos ao país descrito pelo caminho indicado. Avidamente desejosos vê-lo e com nossos corações cheios dele, nós finalmente chegamos naquela grande ilha chamada de Ilha Branca. Chegando lá, nós não podíamos ver nada. De fato, nossa vista foi cegada pela energia da grande divindade e consequentemente nós não podíamos vê-lo. Nisto, devido à graça do próprio grande Deus, surgiu em nossas mentes a idéia de que alguém que não tivesse praticado penitências suficientes não poderia ver Narayana rapidamente. Sob a influência dessa idéia nós mais uma vez nos dirigimos à prática de algumas austeridades severas, adequadas ao tempo e lugar, por cem anos. Após a conclusão de nossos votos, nós vimos vários homens de feições auspiciosas. Todos eles eram brancos e pareciam com a Lua (em cor) e possuíam todos os sinais de bem-aventurança. Suas mãos estavam sempre unidas em oração. Os rostos de alguns estavam virados para o Norte e de alguns para o Leste. Eles estavam engajados em pensar silenciosamente em Brahma. (Yapa significa a recitação silenciosa de certos mantras sagrados ou do nome de alguma divindade. No caso dos habitantes da Ilha Branca, a recitação silenciosa não era recitação de mantras ou palavras, mas era uma meditação no Brahma incorpóreo.) O Yapa realizado por aquelas pessoas de grande alma era um yapa mental (e não consistia na real recitação de quaisquer mantras em palavras). Por seus corações estarem totalmente fixados sobre Ele, Hari ficou muito satisfeito com eles. A refulgência que era emitida por cada um daqueles homens parecia, ó principal dos ascetas, o esplendor que Surya assume quando chega a hora da dissolução do universo. De fato, nós pensamos que a Ilha era o lar de toda a Energia. Todos os habitantes eram perfeitamente iguais em energia. Não havia superioridade ou inferioridade lá entre eles. Nós então repentinamente vimos mais uma vez surgir uma luz que parecia ser a refulgência concentrada de mil Sóis, ó Vrihaspati. Os habitantes, se reunindo, correram em direção àquela luz, com mãos unidas em atitude reverente, cheios de alegria, e proferindo somente a palavra Namas (nós te reverenciamos!) Nós então ouvimos um barulho muito alto proferido por todos eles juntos. Parecia que aqueles homens estavam empenhados em oferecer um sacrifício para o grande Deus. Com relação a nós, nós ficamos de repente privados de nossos sentidos por sua Energia. Desprovidos de visão e força e todos os sentidos, nós não podíamos ver ou sentir nada. Nós somente ouvimos um volume alto de som proferido pelos habitantes reunidos. Ele dizia, ‘Vitória para ti, ó tu de olhos como pétalas de lótus! Saudações a ti, ó Criador do universo! Saudações a ti, ó Hrishikesa, ó principal dos Seres, ó tu que és o Primogênito!’ Este mesmo foi o som que nós ouvimos, proferido claramente e de acordo com as regras de Ortoepia. (A ciência de Ortoepia é um dos Angas (membros) dos Vedas. Os Vedas eram sempre cantados melodiosamente, a ciência de Ortoepia era cultivada pelos Rishis com grande cuidado.) Enquanto isso, uma brisa, fragrante e pura, soprou, portando perfumes de flores celestes, e de certas ervas e plantas que eram de utilidade na ocasião. Aqueles homens, dotados de grande devoção, possuidores de corações cheios de reverência, conhecedores das ordenanças prescritas no Pancharatra, estavam então cultuando a grande divindade com a mente, as palavras, e as ações. (O Pancha- kala, ou Pancha-ratra, ou Sattwatas vidhi, significa certas ordenanças prescritas por Narada e outros Rishis a respeito do culto de Narayana.) Sem dúvida, Hari apareceu naquele local de onde surgiu o som que nós ouvimos. Em relação a nós, entorpecidos por Sua ilusão, nós não pudemos vê-lo. Depois que a brisa tinha parado e o sacrifício tinha terminado, nossos corações ficaram agitados com ansiedade, ó principal da linhagem de Angira. Enquanto nós ficamos entre aqueles milhares de homens, todos os quais eram de descendência pura, ninguém nos honrou com um olhar rápido ou aceno de cabeça. Aqueles ascetas, todos os quais eram alegres e cheios de devoção e que estavam todos praticando o estado de espírito Brahma, não mostraram qualquer tipo de sentimento por nós. (O sentido é este; como todos eles estavam praticando aquele estado de espírito o qual parece Brahma, eles não nos consideraram, isto é, nem nos honraram nem nos desonraram.) Nós estávamos extremamente cansados. Nossas penitências tinham nos emaciado. Naquele momento, um Ser incorpóreo dirigiu-se a nós do céu e nos disse estas palavras, ‘Esses homens brancos, que são desprovidos de todos os sentidos externos, são capazes de ver (Narayana). Somente aquelas principais das pessoas regeneradas a quem estes homens brancos honraram com seus olhares se tornam competentes para ver o grande Deus. Voltem, ó Munis, para o lugar de onde vocês vieram. Aquela grande Divindade não pode nem ser vista por alguém que é desprovido de devoção. Incapaz de ser visto por causa de sua refulgência deslumbrante, aquela Divindade ilustre pode ser contemplada somente por aquelas pessoas que no decorrer de longas eras conseguiram se devotar totalmente e unicamente a Ele. Ó principais dos regenerados, vocês têm um grande dever para realizar. Depois do término desta era Krita, quando a era Treta vier no transcurso do ciclo Vivaswat, uma grande calamidade surpreenderá os mundos. Ó Munis, vocês então terão que se tornar os aliados das divindades (para dissipar aquela calamidade).’ Tendo ouvido estas palavras notáveis que eram doces como néctar, nós logo voltamos para o lugar que nós desejávamos, pela graça daquela grande Divindade. Quando mesmo com a ajuda de tais penitências austeras e de oferendas devotamente dadas em sacrifícios nós falhamos em ter uma visão da grande Divindade, como, de fato, você pode esperar vê-lo tão facilmente? Narayana é um Grande Ser, Ele é o Criador do universo. Ele é adorado em sacrifícios com oferendas de manteiga clarificada e outros alimentos ofertados com a ajuda de mantras Védicos. Ele não tem início nem fim. Ele é Imanifesto. Ambos, as Divindades e os Danavas, adoram a Ele.’ Induzido por estas palavras faladas por Ekata e aprovadas por seus companheiros, isto é, Dwita e Trita, e solicitado também pelos outros Sadasyas, o generoso Vrihaspati levou aquele sacrifício a uma conclusão depois de oferecer devidamente as adorações habituais para as Divindades. O rei Uparichara também, tendo completado seu grandioso sacrifício, começou a governar seus súditos justamente. Finalmente, rejeitando seu corpo, ele ascendeu para o céu. Depois de algum tempo, pela maldição dos Brahmanas, ele caiu daquelas regiões de felicidade e desceu profundamente nas entranhas da Terra. O rei Vasu, ó tigre entre monarcas, era sempre devotado à religião verdadeira. Embora caído profundamente nas entranhas da Terra, sua dedicação à virtude não diminuiu. Sempre devotado a Narayana, e sempre recitando mantras sagrados tendo Narayana como sua divindade, ele mais uma vez ascendeu para o céu pela graça de Narayana. Ascendendo das entranhas da Terra, o rei Vasu, pelo fim muito elevado que ele alcançou, procedeu para um local que é superior até à região do próprio Brahman.'" "Yudhishthira disse, ‘Quando o grande rei Vasu era tão completamente devotado a Narayana, por que razão então ele caiu do céu e por que também ele teve que descer abaixo da superfície da Terra?’" 'Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada uma velha narrativa, ó Bharata, de uma conversa entre os Rishis e os deuses. Os deuses, uma vez, se dirigindo a muitos dos principais Brahmanas, disseram a eles que sacrifícios deveriam ser realizados por oferecer Ajas como vítimas. Pela palavra Aja deve ser entendido a cabra e nenhum outro animal.'” Os Rishis disseram, ‘O Sruti Védico declara que em sacrifícios as oferendas devem consistir em sementes (vegetais). Sementes são chamadas de Ajas. Não cabe a vocês matar cabras. Ó divindades, não pode ser a religião de pessoas boas e justas aquela na qual a matança de animais é prescrita. Esta, também, é a era Krita. Como animais podem ser massacrados nesta época de retidão?'” "Bhishma continuou, ‘Enquanto estava ocorrendo esta conversa entre os Rishis e as divindades, aquele principal dos reis, isto é, Vasu, foi visto vir por aquele caminho. Dotado de grande prosperidade, o rei estava se aproximando pelo firmamento, acompanhado por suas tropas e veículos e animais. Vendo o rei Vasu chegando àquele local através dos céus, os Brahmanas se dirigiram às divindades e disseram, ‘Este removerá nossas dúvidas. Ele realiza sacrifícios. Ele é generoso em fazer doações. Ele sempre procura o bem de todas as criaturas. Como, de fato, o grandioso Vasu falará de outra maneira?’ Tendo falado assim uns para os outros, as divindades e os Rishis se aproximaram rapidamente do rei Vasu e o questionaram, dizendo, ‘Ó rei, com o que alguém deve realizar sacrifícios? Ele deve sacrificar com a cabra ou com ervas e plantas? Dissipe esta nossa dúvida. Nós te constituímos nosso juiz nessa questão.’ Assim endereçado por eles, Vasu uniu suas mãos em humildade e disse para eles, ‘Digam-me realmente, ó principais dos Brahmanas, qual opinião é nutrida por vocês nesse assunto?’” "'Os Rishis disseram, ‘A opinião nutrida por nós, ó rei, é que sacrifícios devem ser realizados com grãos. As divindades, no entanto, afirmam que sacrifícios devem ser realizados com animais. Julgue entre nós e nos diga qual destas opiniões é correta.'” "Bhishma continuou, 'Sabendo qual era a opinião das divindades, Vasu, movido por predileção por eles, disse que sacrifícios deveriam ser realizados com animais. A esta resposta, todos os Rishis, dotados do esplendor do Sol, ficaram muito zangados. Dirigindo-se a Vasu que estava sentado em seu carro e que tinha (erradamente) tomado o lado das divindades, eles disseram para ele, ‘Já que tu tomaste (erroneamente) o lado das divindades, caia do céu. Desse dia em diante, ó monarca, tu perderás o poder de viajar pelo céu. Por causa da nossa maldição, tu cairás profundamente abaixo da superfície da Terra.’ Depois que os Rishis tinham dito estas palavras, o rei Uparichara caiu imediatamente, ó monarca, e afundou em um buraco na Terra. Por ordem, no entanto, de Narayana, a memória de Vasu não o deixou. Para a boa sorte de Vasu, as divindades, aflitas pela maldição pronunciada sobre ele pelos Brahmanas, começaram a pensar ansiosamente quanto a como aquela maldição poderia ser neutralizada. Elas disseram, ‘Este rei de grande alma foi amaldiçoado por nossa causa. Nós, habitantes do céu, devemos nos unir para fazer o que é bom para ele em retribuição pelo que ele tem feito por nós.’ Tendo decidido isso rapidamente em suas mentes com a ajuda de reflexão, as divindades procederam para o local onde o rei Uparichara estava. Chegando em sua presença, elas se dirigiram a ele, dizendo, ‘Tu és devotado ao grande Deus dos Brahmanas (isto é, Narayana). Aquele grande Senhor das divindades e dos Asuras, satisfeito contigo, te salvará da maldição pronunciada sobre ti. É apropriado, no entanto, que os Brahmanas de grandes almas sejam honrados. Na verdade, ó melhor dos reis, as penitências deles devem produzir resultados. (Isto é, como eles te amaldiçoaram, a maldição deles deve frutificar. Tu não deves fazer alguma coisa que possa ter o efeito de anular aquela maldição.) De fato, tu já caíste do céu sobre a Terra. Nós desejamos, no entanto, ó melhor dos reis, te favorecer em um aspecto. Enquanto tu, ó impecável, morares neste buraco, tu receberás (o devido sustento, pela nossa bênção)! Aquelas faixas de manteiga clarificada que Brahmanas com mentes concentradas despejam em sacrifícios em acompanhamento com mantras sagrados, e que são chamadas pelo nome de Vasudhara, serão tuas, por nosso cuidado por ti! De fato, fraqueza ou angústia não te tocarão. (Até hoje, em muitos ritos religiosos, essas faixas de ghee são despejadas com mantras sendo recitados. Elas são chamadas de Vasudhara e são derramadas pela superfície de uma parede. Primeiro, uma linha ondulada de vermelho é desenhada horizontalmente na parede. Então sete manchas são feitas sob aquela linha. Então, com a concha sacrifical, o Ghee é despejado de cada uma das manchas de tal maneira que uma listra espessa é derramada pela parede. O comprimento daquelas listras é geralmente de 3 a 4 pés e sua largura cerca da metade de uma polegada.) Enquanto residires, ó rei dos reis, no buraco da Terra, nem fome nem sede te afligirão pois tu beberás aquelas faixas de manteiga clarificada chamadas Vasudhara. Tua energia também continuará sem diminuir. Em consequência também deste nosso benefício que nós te concedemos, o Deus dos deuses, Narayana, ficará satisfeito contigo, e Ele te levará daqui para a região de Brahman!’ Tendo concedido estes benefícios para o rei, os habitantes do céu, como também todos aqueles Rishis possuidores de riqueza de penitências, voltaram todos para seus respectivos lugares. Então Vasu, ó Bharata, começou a adorar o Criador do universo e a recitar em silêncio aqueles mantras (Védicos) sagrados que tinham saído da boca de Narayana antigamente. Embora residindo em uma cova da Terra, o rei ainda assim adorou Hari, o Senhor de todas as divindades, nos cinco sacrifícios bem conhecidos que são realizados cinco vezes todos os dias, ó matador de inimigos! Por causa daquelas adorações, Narayana, também chamado Hari, ficou muito satisfeito com ele que assim se mostrou ser totalmente devotado a Ele, por confiar nele totalmente como seu único amparo, e que tinha subjugado completamente seus sentidos. O ilustre Vishnu, aquele dador de benefícios, então se dirigindo a Garuda de grande velocidade, aquela principal das aves, que o servia como seu empregado, disse estas palavras agradáveis: ‘Ó principal das aves, ó tu que és altamente abençoado, escute o que eu digo! Há um grande rei de nome Vasu que é de alma justa e votos rígidos. Pela ira dos Brahmanas, ele caiu em uma cova da Terra. Os Brahmanas foram honrados suficientemente (pois sua maldição produziu resultado). Vá até aquele rei agora. Por minha ordem, ó Garuda, vá até aquele principal dos reis, Uparichara, que está agora residindo em um buraco na Terra e que não pode mais viajar pelo céu, e o traga sem demora para o firmamento.’ Ouvindo estas palavras de Vishnu, Garuda, estendendo suas asas e se movendo com a velocidade do vento, entrou naquele buraco na Terra no qual o rei Vasu estava vivendo. Erguendo o rei repentinamente, o filho de Vinata subiu ao céu e lá soltou o rei de seu bico. Naquele momento, o rei Uparichara adquiriu novamente sua forma celestial e reentrou na região de Brahman. Foi dessa maneira, ó filho de Kunti, que aquele grande rei primeiro caiu pela maldição dos Brahmanas por uma falha de palavra, e mais uma vez ascendeu para o céu por ordem do grande Deus (Vishnu). Somente o pujante Senhor Hari, aquele principal de todos os Seres, foi cultuado devotamente por ele. Foi por aquele culto dedicado que o rei conseguiu escapar logo da maldição pronunciada sobre ele pelos Brahmanas e recuperar as regiões felizes de Brahman.’” "Bhishma continuou, 'Eu assim te disse tudo a respeito da origem dos filhos espirituais de Brahman. Ouça-me com total atenção, pois eu agora narrarei para ti como o Rishi celeste Narada procedeu antigamente para a Ilha Branca.'" 339 "Bhishma disse, 'Chegando ao vasto reino chamado de Ilha Branca, o Rishi ilustre viu aqueles mesmos homens brancos possuidores de esplendor lunar (dos quais eu já te falei). Adorado por eles, o Rishi os adorou em retorno por inclinar sua cabeça e reverenciando-os em sua mente. Desejoso de ver Narayana, ele começou a residir lá, engajado atentamente na recitação silenciosa de mantras sagrados para ele, e cumprindo votos do tipo mais difícil, com mente concentrada, o Rishi regenerado, com braços erguidos, permaneceu em Yoga, e então cantou o seguinte hino para o Senhor do universo, Ele, isto é, que é ao mesmo tempo a alma dos atributos e desprovido de todos os atributos.’” "Narada disse, ‘Saudações a ti, ó Deus dos deuses, ó tu que és livre de todas as ações! Tu és aquele que é desprovido de todos os atributos, que é a Testemunha de todos os mundos, que é chamado de Kshetrajna, que é o principal de todos os Seres, que é Infinito, que é chamado de Purusha, que é o grandioso Purusha, que é o principal de todos os Purushas, que é a alma dos três atributos, que é chamado de o Principal, que é Amrita (néctar), que é chamado de Imortal, que é chamado de Ananta (Sesha), que é Espaço, (no sentido de não ser modificado, assim como o espaço é uma entidade que não pode ser modificada de nenhum modo), que não tem início, que é Manifesto e Imanifesto como coisas existentes e não existentes, que é citado como tendo seu lar na Verdade, (isto é, que está manifestado sem qualquer modificação, tudo mais sendo modificações de Ti mesmo), que é o primeiro dos deuses (Narayana), que é o dador de riqueza (ou dos frutos das ações), identificado com Daksha e outros Senhores da Criação, que é o Aswattha e outras árvores grandes, que é o Brahman de quatro cabeças, que é o Senhor de todos os seres criados, que é o Senhor da Palavra, (isto é, de quem a palavra fluiu, ou que é Vrihaspati, o sacerdote celeste, tão famoso por sua erudição e inteligência), que é o Senhor do universo (ou Indra), que é a Alma que permeia tudo, que é o Sol, que é o ar chamado Prana, que é o Senhor das águas (Varuna), que é identificável com o Imperador ou o Rei, que é identificável com os Regentes dos vários pontos do horizonte, que é o refúgio do universo quando ele é dissolvido na destruição final, que é Não-Revelado, que é o dador dos Vedas para Brahman, que é identificável com os sacrifícios e estudos Védicos realizados por Brahmanas com a ajuda dos seus corpos, que é identificável com as quatro classes principais das divindades, que é cada uma das quatro classes, que é possuidor de refulgência, que é possuidor de refulgência grandiosa, que é aquele para quem as sete maiores oferendas em sacrifícios são apresentadas com o Gayatri e outros mantras sagrados, que é Yama, que é Chitragupta e os outros servidores de Yama, que é chamado de a esposa de Yama, que é aquela classe das divindades chamada Tushita, que é aquela outra classe chamada Mahatushita, que é o moinho universal (Morte), que é o desejo e todas as doenças que foram criadas para ajudar a chegada da Morte, que é saúde e liberdade de doença, que está sujeito a desejo e paixões, que está livre da influência do desejo e paixões, que é Infinito como manifestado em espécies e formas, que é aquele que é castigado, que é aquele que é o castigador, que é todos os sacrifícios menores (como Agnihotra e outros), que é todos os sacrifícios maiores (como aqueles chamados Brahma, etc.), que é todos os Ritwijas, que é a origem de todos os sacrifícios (isto é, os Vedas), que é fogo, que é o próprio coração de todos os sacrifícios (isto é, os mantras e hinos proferidos neles), que é aquele que é louvado em sacrifícios, que aceita aquelas partes das oferendas sacrificais que são oferecidas para ele, que é a encarnação dos cinco sacrifícios, que é o criador das cinco seções ou divisões de tempo (isto é, dia, noite, mês, estação e ano), que é incapaz de ser compreendido exceto por aquelas escrituras que são chamadas de Pancharatra, que nunca recua diante de alguma coisa, que é invicto, que é só Mente (sem um corpo físico), que é conhecido somente por nome, que é o Senhor do próprio Brahman, que completou todos os votos e observâncias mencionados nos Vedas, (isto é, que realizou o avabhrita ou banho final após a conclusão de todos os votos e observâncias e sacrifícios), que é o Hansa (portador do bastão triplo), que é o Parama-hansa (desprovido do bastão), que é o principal de todos os sacrifícios, que é Sankhya-Yoga, que é a encarnação da filosofia Sankhya, que mora em todos os Jivas, que vive em cada coração, que reside em todos os sentidos, que flutua no oceano de água, que vive nos Vedas, que jaz no lótus (a imagem do ovo de onde o universo surgiu), que é o Senhor do universo, e cujas tropas vão a todos os lugares para proteger seus devotos. Tu tomas nascimento como todas as criaturas. Tu és a origem do universo (de todas as criaturas). Tua boca é fogo. Tu és aquele fogo que percorre as águas do oceano, saindo todo o tempo de uma cabeça Equina. Tu és a manteiga santificada que é despejada no fogo sacrifical. Tu és o motorista do carro (fogo ou calor que impele o corpo e o faz viver e crescer). Tu és Vashat. Tu és a sílaba Om. Tu és Penitências. Tu és Mente. Tu és Chandramas. Tu santificas a manteiga sacrifical. Tu és o Sol. Tu és os Dikgajas (Elefantes) que estão posicionados nos quatro pontos cardeais do horizonte. Tu iluminas os pontos cardeais do horizonte. Tu iluminas os pontos secundários também. Tu és a cabeça Equina. Tu és os primeiros três mantras do Rig Veda. Tu és o protetor das várias classes de homens (isto é, Brahmanas, Kshatriyas, Vaisyas, e Sudras). Tu és os cinco fogos (começando com Garhapatya). Tu és Aquele que tem acendido três vezes o fogo sacrifical chamado Nachi. (Isto é, tu tens realizado sacrifícios.) Tu és o refúgio dos seis membros. (Os Vedas têm três membros ou divisões.) Tu és o principal daqueles Brahmanas que estão empenhados em cantar os Samans em sacrifícios e outros ritos religiosos. Tu és Pragjyotish (um Saman específico; isto é, tu és o principal dos Samanas), e tu és aquele que canta o primeiro Saman. Tu és o cumpridor daqueles votos que dependem dos Vedas e que são cumpridos por cantores de Samanas. Tu és a encarnação do Upanishad, chamado pelo nome de Atharvasiras. Tu és aquele que é o tópico das cinco principais escrituras (isto é, aquelas que concernem ao culto de Surya, de Sakti, de Ganesa, de Siva, e de Vishnu). Tu és chamado de o preceptor que subsiste somente da espuma da água. Tu és um Valikhilya. Tu és a encarnação daquele que não decaiu do Yoga. Tu és a encarnação da correção de julgamento de raciocínio. Tu és o início dos Yugas, tu és o meio dos Yugas e tu és seu fim. Tu és Akhandala (Indra). Tu és os dois Rishis Prachina-garbha e Kausika. Tu és Purusthuta, tu és Puruhuta, tu és o artífice do universo. Tu tens o universo como tua forma. Teus movimentos são infinitos. Teus corpos são infinitos; tu és sem fim e sem início, e sem meio. Teu meio é imanifesto. Teu fim é imanifesto. Tu tens votos como tua residência. Tu resides no oceano. Tu tens teu lar na Fama, nas Penitências, no Autodomínio, na Prosperidade, no Conhecimento, nas grandes Realizações, e em Tudo o que pertence ao universo. Tu és Vasudeva. Tu és o concessor de todos os desejos. Tu és Hanuman que carregou Rama em seus ombros. Tu és o grande Sacrifício de Cavalo. Tu recebes tua parte nas oferendas feitas em grandes sacrifícios. (O comentador explica que por Mahayajna, grande sacrifício, quer-se dizer Yoga. A alma Jiva é como a libação derramada no sacrifício, pois por meio de Yoga a alma Jiva é aniquilada e fundida à Alma Suprema.) Tu és o concessor de bênçãos, de felicidade, de riqueza. Tu és devotado a Hari. Tu és a Restrição dos sentidos. Tu és votos e observâncias. Tu és mortificações, tu és mortificações severas, tu és mortificações muito severas. Tu és aquele que pratica votos e ritos religiosos e outros ritos pios. Tu estás livre de todos os erros. Tu és um Brahmacharin. Tu tomaste nascimento no útero de Prisni. Tu és aquele de quem têm fluído todos os ritos e ações Védicas. Tu és não-nascido. Tu permeias todas as coisas. Teus olhos estão sobre todas as coisas. Tu não deves ser apreendido pelos sentidos. Tu não estás sujeito à deterioração. Tu és possuidor de grande pujança. Teu corpo é vasto de modo inconcebível. Tu és santo, tu estás além do alcance da lógica ou razão. Tu és incognoscível. Tu és a principal das Causas. Tu és o Criador de todas as criaturas e tu és seu Destruidor. Tu és o possuidor de vastos poderes de ilusão. Tu és chamado de Chittrasikhandin. Tu és o dador de benefícios. Tu és o recebedor da tua parte das oferendas sacrificais. Tu obtiveste o mérito de todos os sacrifícios. Tu és aquele que está livre de todas as dúvidas. Tu és onipresente. Tu és da forma de um Brahmana. Tu és amigo dos Brahmanas. Tu tens o universo como tua forma. Tua forma é muito vasta. Tu és o maior amigo. Tu és bondoso para todos os teus devotos. Tu és a grande divindade dos Brahmanas. Eu sou teu discípulo devotado. Eu estou desejoso de te ver. Saudações a ti que és da forma da Emancipação!'" 340 "Bhishma disse, 'Assim louvado com nomes que não são conhecidos por outros, o Divino Narayana tendo o universo como sua forma se mostrou para o asceta Narada. Sua forma era um pouco mais pura do que a lua e diferia da lua em alguns aspectos. Ele parecia um pouco com um fogo ardente em cor. O Senhor pujante era levemente da forma de Vishti, (que é uma conjunção específica de corpos celestes. Esta conjunção é representada como tendo uma forma peculiar). Ele parecia em alguns pontos com as penas do papagaio, e em alguns com uma massa de cristal puro. Ele parecia em alguns aspectos com uma colina de antimônio e em alguns com uma massa de ouro puro. Sua cor parecia um pouco com o coral quando inicialmente formado, e era um pouco branca. Em alguns pontos aquela cor parecia com a cor do ouro e em alguns aquela do lápis lazúli. Em alguns pontos ela parecia com a cor do azul lápis lazúli e em alguns com aquela da safira. Em alguns pontos ela parecia com a cor do pescoço do pavão, e em alguns com um colar de pérolas. Tendo esses diversos tipos de cores em sua pessoa, a Divindade eterna apareceu perante Narada. Ele tinha mil olhos e possuía grande beleza. Ele tinha cem cabeças e cem pés. Ele tinha mil estômagos e mil braços. Ele parecia ser ainda inconcebível para a mente. Com uma de suas bocas ele proferiu a sílaba Om e então o Gayatri seguindo o Om. Com a mente sob controle completo, a grande Divindade, chamada pelos nomes de Hari e Narayana, por suas outras bocas, muito numerosas, proferiu muitos mantras dos quatro Vedas que são conhecidos pelo nome de Aranyaka. O Senhor de todas as divindades, o grande Deus que é adorado em sacrifícios, segurava em suas mãos um altar sacrifical, um Kamandalu, poucas pedras preciosas brancas, um par de sandálias, um feixe de folhas Kusa, uma camurça, um palito de dente, e um pequeno fogo brilhante. (Ou seja, Narayana apareceu com todos os requisitos de um Brahmacharin em sua pessoa.) Com alma alegre, aquela principal das pessoas regeneradas, isto é, Narada de fala controlada, curvou-se ao grande Deus e o adorou. Para ele cuja cabeça ainda estava inclinada em veneração, a principal de todas as divindades, que está livre de deterioração, disse as seguintes palavras.’” "'O Santo disse, ‘Os grandes Rishis, Ekata, Dwita, e Trita, vieram para este reino pelo desejo de obter uma visão minha. Eles, no entanto, não puderam ter a realização de seus desejos. Ninguém pode ter uma visão minha salvo aquelas pessoas que são devotadas a mim de todo o coração. Com respeito a ti, tu és na verdade a principal de todas as pessoas devotadas a mim com todas as suas almas. Estes são meus corpos, os melhores que eu assumo. Eles nasceram, ó regenerado, na casa de Dharma. Cultue-os sempre, e realize aqueles ritos que estão prescritos nas ordenanças com relação àquele culto. Ó Brahmana, peça de mim os benefícios que desejares. Eu estou satisfeito contigo hoje, e eu apareço para ti agora em minha forma universal como livre de decadência e deterioração.’” "Narada disse, ‘Já que, ó santo, eu hoje consegui obter uma visão de ti, eu considero que eu ganhei sem qualquer demora os frutos das minhas penitências, ó Deus, do meu autodomínio, e de todos os votos e observâncias que eu tenho praticado. Este, de fato, é o maior benefício que tu me concedeste por teres te mostrado para mim hoje. Ó Senhor Eterno, tu, ó santo, tens o universo como tua visão. Tu és o Leão. Tua forma é identificável com tudo. Possuidor de pujança, tu, ó Senhor, és vasto e infinito.’” “Bhishma continuou, 'Tendo assim mostrado a Si Mesmo para Narada, o filho de Parameshthi, o grande Deus se dirigiu ao asceta e disse, ‘Vá, ó Narada, e não demore! Esses meus devotos, possuidores de cores lunares, são desprovidos de todos os sentidos e não subsistem de qualquer tipo de alimento. Eles são, também, todos Emancipados; com suas mentes totalmente concentradas em Mim, as pessoas devem pensar em Mim. Tais devotos nunca encontrarão com quaisquer obstáculos. Esses homens são todos coroados com sucesso ascético e são altamente abençoados. Nos tempos antigos eles se tornaram totalmente devotados a mim. Eles estão livres dos atributos de Rajas e Tamas. Sem dúvida, eles são competentes para entrarem em mim e serem absorvidos em meu Eu. --Ele que não pode ser visto com os olhos, tocado com o sentido do tato, cheirado com o sentido do olfato, e que está além do alcance do sentido do paladar. Ele a quem os três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas não tocam, que permeia todas as coisas e é a única Testemunha do universo, e que é descrito como a Alma do universo inteiro; Ele que não é destruído após a destruição dos corpos de todas as coisas criadas, que é não-nascido e imutável e eterno, que está livre de todos os atributos, que é indivisível e inteiro; Ele que transcende os duas vezes doze tópicos de investigação e é considerado o Vigésimo quinto, que é chamado pelo nome de Purusha, que é inativo, e que é citado como sendo percebido somente pelo Conhecimento, Ele em quem as principais das pessoas regeneradas entram e se tornam emancipadas, Ele que é a Alma Suprema eterna e é conhecido pelo nome de Vasudeva. Veja, ó Narada, a grandeza e pujança de Deus. Ele é nunca é tocado por ações boas ou más. Sattwa, Rajas e Tamas são citados como os três atributos (originais). Estes moram e agem nos corpos de todas as criaturas. A alma Jiva, chamada de Kshetrajna, desfruta e endossa a ação desses três atributos. Ele, no entanto, os transcende e eles não podem tocá-lo. Livre desses atributos, Ele também é seu desfrutador e endossante. Tendo-os criado Ele Mesmo, Ele está acima deles todos. Ó Rishi celeste, a Terra, que é o refúgio do universo, desaparece (isto é, imerge, quando chega a hora da dissolução universal) na água, a Água desaparece na Luz, e a Luz no Vento, o Vento desaparece no Espaço, e o Espaço na Mente. A Mente é uma grande criatura, e ela desaparece na Prakriti Imanifesta. A Prakriti Imanifesta, ó Brahmana, desaparece no Purusha inativo. Não há nada mais elevado do que Purusha o qual é Eterno. Não há nada entre as coisas móveis e imóveis no universo que seja imutável, exceto Vasudeva, o Purusha eterno. Dotado de grande pujança, Vasudeva é a Alma de todas as criaturas. Terra, Vento, Espaço, Água, e Luz formando o quinto, são os elementos primordiais de grande pujança. Misturando- se eles formam o que é chamado de corpo. Possuidor de destreza sutil e invisível para todos os olhos, ó Brahmana, o pujante Vasudeva então entra naquela combinação dos cinco elementos primordiais, chamada de corpo. Tal entrada é chamada de seu nascimento, e ato de tomar nascimento. Ele faz o corpo se mexer e agir. Sem uma combinação dos cinco elementos primordiais nenhum corpo pode ser formado. Sem, também, a entrada de Jiva no corpo, a mente que reside dentro dele não pode fazê-lo se mover e agir. Aquele que entra no corpo é possuidor de grande pujança e é chamado de Jiva. Ele é conhecido também por outros nomes, isto é, Sesha e Sankarshana. Ele que tem sua origem daquele Sankarshana, por suas próprias ações, Sanatkumara, e em quem todas as criaturas imergem quando chega a dissolução universal, é a Mente de todas as criaturas e é chamado pelo nome de Pradyumna. Dele (Pradyumna), surge Aquele que é o Criador, e que é ambos, Causa e Efeito. Deste último, tudo, isto é, o universo móvel e imóvel, tem sua origem. Este é chamado de Aniruddha. Ele também é chamado de Isana, e Ele está manifestado em todos os atos. (Esta cosmogonia está de acordo com as escrituras Vaishnava. Acima de todos, sem início está Vasudeva. De Vasudeva é Sankarshana. De Sankarashana é Pradyumna. De Pradyumna é Aniruddha.) Aquele ilustre, Vasudeva, que é chamado de Kshetrajna, e que está livre de atributos, deve, ó rei de reis, ser conhecido como o pujante Sankarshana, quando ele toma nascimento como Jiva. (O leitor é requisitado a notar o trato 'rei de reis'. Este é evidentemente um deslize da caneta. O discurso inteiro é aquele de Narayana e Narada é o ouvinte.) De Sankarshana surge Pradyumna que é chamado de 'Aquele que é nascido como Mente.' De Pradyumna é Ele que é Aniruddha. Ele é Consciência, Ele é Iswara (Senhor Supremo). É de mim que todo o universo móvel e imóvel surge. É de mim, ó Narada, que o indestrutível e o destrutível, o existente e o inexistente, fluem. Aqueles que são devotados a mim entram em mim e se tornam emancipados. Eu sou conhecido como Purusha. Sem ações, eu sou o Vigésimo quinto. Transcendendo os atributos, eu sou inteiro e indivisível. Eu estou acima de todos os pares de atributos opostos e livre de todos os vínculos. Isto, ó Narada, tu falharás em compreender. Tu me vês como dotado de uma forma. Em um momento, se surgir o desejo, eu posso dissolver esta forma. Eu sou o Senhor Supremo e o Preceptor do universo. Isso que tu vês de mim, ó Narada, é somente uma ilusão minha. Eu agora pareço ser dotado dos atributos de todas as coisas criadas. Tu não és capaz de me conhecer. Eu tenho revelado para ti devidamente a minha forma quádrupla. Eu sou, ó Narada, o Fazedor, Eu sou a Causa, e Eu sou o Efeito. Eu sou a soma total de todas as criaturas vivas. Todas as criaturas vivas têm seu refúgio em mim. Não pense que tu viste o Kshetrajna. Eu permeio todas as coisas. Ó Brahmana, e sou a alma Jiva de todas as criaturas. Quando os corpos de todas as criaturas, no entanto, são destruídos, eu não sou destruído. Aqueles homens altamente abençoados que, tendo alcançado êxito ascético, são totalmente devotados a mim, se tornam livres dos atributos de Rajas e Tamas e conseguem, por causa disso, entrar em mim, ó grande asceta. Aquele que é chamado de Hiranyagarbha, que é o início do mundo, que tem quatro faces, que não pode ser compreendido com a ajuda de Nirukta, que também é chamado de Brahman, que é uma divindade eterna, está empenhado em cuidar de muitos dos meus assuntos. A divindade Rudra, nascida da minha ira, surgiu da minha testa. Veja, os onze Rudras estão crescendo (com poder) no lado direito do meu corpo. Os doze Adityas estão no lado esquerdo do meu corpo. Veja, os oito Vasus, aquelas principais das divindades, estão em minha frente, e veja, Nasatya e Dasra, aqueles dois médicos celestes (Aswini Kumars), estão em minha retaguarda. Veja em meu corpo todos os Prajapatis e veja os sete Rishis também. Veja também os Vedas, e todos os Sacrifícios consistindo em centenas, o Amrita (néctar), e todas as ervas e plantas (medicinais), e Penitências, e votos e observâncias de diversos tipos. Veja também em mim os oito atributos indicativos de pujança, isto é, aqueles particularmente chamados de atributos de Domínio, todos morando juntos em meu corpo em sua forma unida e incorporada. Veja também Sree e Lakshmi, e Kirti, e a Terra com sua elevação como também a deusa, Saraswati, aquela mãe dos Vedas, residindo em mim. Veja, ó Narada, Dhruva, aquele principal dos corpos luminosos percorrendo o firmamento, como também todos os Oceanos, aqueles receptáculos de água, e lagos, e rios, residindo em mim. Veja também, ó melhor dos homens, os quatro principais entre os Pitris em suas formas incorporadas, como também os três atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas), os quais são informes residindo em mim. As ações feitas em honra dos Pitris são superiores (em relação a mérito) àquelas feitas em honra das divindades. Eu sou o Pitri de ambos, das divindades e dos Pitris, e estou existindo desde o início (isto é, desde um tempo quando eles não existiam). Tornando-me a Cabeça Equina eu vago pelo oceano Ocidental e pelo oceano do Norte e bebo libações sacrificais devidamente despejadas com mantras e alimento sacrifical sólido oferecido com reverência e devoção. Antigamente eu criei Brahman que me adorou em sacrifícios. Satisfeito com ele por conta disso eu concedi a ele muitas bênçãos excelentes. Eu disse para ele que no início do Kalpa ele nasceria para mim como meu filho, e a soberania de todos os mundos seria concedida a ele, junto com diversos nomes outorgados a diversos objetos em consequência do começo de Ahankara à existência. (Como Brahman é para ser o filho de Narayana no começo de um Kalpa quando não há outro objeto existente móvel ou imóvel, o mesmo Brahman é para ser investido com domínio sobre todas as coisas as quais ele mesmo criaria através de Ahankara. Naturalmente, enquanto Brahman está sem Ahankara não pode haver Criação, isto é, objetos móveis ou imóveis a serem conhecidos por diferentes nomes.) Eu também disse a ele que ninguém alguma vez violaria os limites e fronteiras que ele designaria (para a observância das criaturas), e, além disso, que ele seria o concessor de benefícios para as pessoas que iriam (em sacrifícios e por meio de ações apropriadas) pedi-los a ele. Eu em seguida o assegurei que ele seria um objeto de adoração para todas as divindades e Asuras, todos os Rishis e Pitris, e as diversas criaturas que formam a criação. Eu também dei a entender a ele que eu sempre me manifestaria para executar os assuntos das divindades e que no que diz respeito àqueles assuntos eu me permitiria ser comandado por ele assim como um filho por seu pai. (Algumas pessoas acreditam que Narayana tem que se manifestar ele mesmo sempre para realizar os negócios das divindades. Essa Terra não é o único mundo onde tais manifestações são necessárias. Quanto ao objetivo das manifestações uma considerável diferença de opinião prevalece. No Gita, a própria grande divindade explica que aquele objetivo é resgatar os bons e destruir os maus. Outros afirmam que este é somente um objetivo secundário, o primário sendo alegrar os corações dos devotos por fornecer a eles oportunidades de reverenciá- lo e louvar seus atos, e se entregar a novas alegrias por servir seus próprios adoradores.) Concedendo esses e outros benefícios muito agradáveis para Brahman de energia incomensurável por estar satisfeito com ele eu (mais uma vez) adotei a direção ditada por Nivritti. A mais elevada Nivritti é idêntica à aniquilação de todos os deveres e ações. Por isso, por adotar Nivritti alguém deve se conduzir em completa bem-aventurança. Preceptores eruditos, com convicções seguras deduzidas das verdades da filosofia Sankhya, têm falado de mim como Kapila dotado da pujança do Conhecimento, residindo dentro da refulgência de Surya (Sol), e concentrado em Yoga. (Isso não quer dizer o Sol visível, mas aquela pura fonte de refulgência a qual é inconcebível por seu brilho deslumbrante.) Nos Chcchandas (Vedas) eu tenho sido louvado repetidamente como o ilustre Hiranyagarbha. Nas escrituras Yoga, ó Brahmana, eu tenho sido citado como alguém que se deleita em Yoga. Eu sou eterno. Assumindo uma forma que é manifesta, eu moro, no momento, nos céus. No fim de mil Yugas eu mais uma vez recolherei o universo em mim mesmo. Tendo recolhido todas as criaturas móveis e imóveis em mim mesmo, eu existirei completamente só, somente com o conhecimento como meu companheiro. Depois do lapso de eras eu novamente criarei o universo, com a ajuda daquele conhecimento. Aquela que é minha quarta forma cria o indestrutível Sesha. Aquele Sesha é chamado pelo nome de Sankarshana. Sankarshana cria Pradyumna. De Pradyumna eu mesmo tomo nascimento como Aniruddha. Eu crio (a mim mesmo) repetidamente. De Aniruddha surge Brahman. O último toma nascimento do umbigo de Aniruddha. De Brahman surgem todas as criaturas móveis e imóveis. Saiba que a Criação surge dessa maneira repetidamente no início de cada Kalpa. Criação e destruição sucedem uma à outra assim como o nascer e o pôr do sol neste mundo. Então, também, como o Tempo, dotado de energia incomensurável, forçosamente traz de volta o Sol depois de seu desaparecimento, da mesma maneira eu irei, assumindo a forma de javali e empregando minha força, trazer de volta a Terra com sua faixa de mares para sua própria posição para o bem de todas as criaturas quando ela ficar submersa em água. Eu então matarei o filho de Diti, chamado Hiranyaksha, cheio com orgulho de força. (A grande divindade faz essas ações no início de cada Kalpa quando ele recria a Terra. Todos os ciclos ou Kalpas são similares em relação aos incidentes que ocorrem neles.) Assumindo então a forma de um Homem-Leão (Narsingha), eu irei, para beneficiar as divindades, matar Hiranyakasipu o filho de Diti, que será um grande destruidor de sacrifícios. Para Virochana (o filho de Prahlada) nascerá um poderoso filho de nome Vali. Aquele grande Asura não poderá ser morto em todo o universo consistindo em divindades, Asuras e Rakshasas. Ele tirará Sakra da soberania do universo. Quando depois de derrotar o Senhor de Sachi, aquele Asura pegar para si mesmo a soberania dos três mundos, eu tomarei nascimento no útero de Aditi, por meio de Kasyapa, como o décimo segundo Aditya. Eu irei (tomando a soberania dos três mundos de Vali) devolvê-la para Indra de esplendor incomensurável, e recolocar as divindades, ó Narada, em suas respectivas posições. Com relação a Vali, aquele principal dos Danavas, que não poderá ser morto por todas as divindades, eu o farei habitar nas regiões inferiores. Na era Treta eu tomarei nascimento como Rama na linhagem de Bhrigu, e exterminarei os Kshatriyas que vão se tornar orgulhosos de sua força e posses. Perto do fim de Treta e do início de Dwapara, eu tomarei nascimento como Rama, o filho de Dasaratha na linha real de Iskshaku. Naquele tempo, os dois Rishis, isto é, os dois filhos de Prajapati chamados pelos nomes de Ekata e Dwita, por causa da injúria feita por eles para seu irmão Trita, terão que tomar nascimento como macacos, perdendo a beleza da forma humana. Aqueles macacos que nascerão na raça de Ekata e Dwita se tornarão dotados de grande força e energia imensa e se igualarão ao próprio Sakra em destreza. Todos aqueles macacos, ó regenerado, se tornarão meus aliados para executarmos os assuntos das divindades. Eu então matarei o terrível senhor dos Rakshasas, aquele vilão da linhagem de Pulastya, isto é, o feroz Ravana, aquela autoridade real de todos os mundos, junto com seus filhos e seguidores. Perto do fim de Dwapara e do início da era Kali, eu novamente aparecerei no mundo tomando nascimento na cidade de Mathura para o propósito de matar Kansa. Então, depois de matar inúmeros Danavas que serão uma fonte de incômodo para as divindades, eu tomarei minha residência em Kusasthali na cidade de Dwaraka. Enquanto residindo naquela cidade eu matarei o Asura Naraka, o filho da Terra, aquele que fará uma injúria para Aditi, como também alguns outros Danavas dos nomes de Muru e Pitha. Matando também outro principal dos Danavas, isto é, o senhor de Pragjyotisha, eu transplantarei sua cidade encantadora equipada com diversos tipos de riqueza para Dwaraka. Eu então subjugarei os dois deuses adorados de todas as divindades, isto é, Maheshwara (Mahadeva ou Siva) e Mahasena (Kartikeya, o generalíssimo das forças celestes), que se tornarão amigos do Danava Vana e farão para ele diversos bons préstimos e que se esforçarão vigorosamente por aquele devoto deles. Derrotando em seguida o filho do Danava Vali, isto é, Vana, que será dotado de mil braços, eu em seguida destruirei todos os habitantes da cidade Danava chamada Saubha. (Vana, o filho de Vali, era um devoto de Mahadeva. A filha de Mina, Usha, se apaixonou pelo neto de Krishna, Aniruddha. Aniruddha foi encarcerado por Vana. Foi para resgatar Aniruddha que Krishna lutou com Vana, depois de ter derrotado Mahadeva e Kartikeya. Os mil e um braços de Vana, menos dois, foram cortados por Krishna. Saubha era o nome de uma cidade voadora dos Danavas. Krishna derrubou aquela cidade no oceano, tendo matado todos os seus habitantes Danavas.) Eu irei em seguida, ó principal dos Brahmanas, empreender a morte de Kalayavana, um Danava que será dotado de grande poder por ele estar equipado com a energia de Gargya. (Perseguido pelo Danava, Krishna se refugiou em uma caverna de montanha na qual um rei do Satya Yuga estava deitado dormindo. Entrando na caverna, Krishna ficou na cabeceira do rei adormecido. O Danava, entrando na caverna depois de Krishna, encontrou o rei adormecido e o despertou. Logo que o rei olhou para o Danava, o último foi reduzido a cinzas, pois os deuses tinham dado uma bênção para o rei que aquele que o despertasse seria consumido por um olhar dele.) Um Asura orgulhoso aparecerá como um rei em Girivraja, de nome Jarasandha, que disputará com todos os outros reis do mundo. Sua morte será realizada por mim através de outro alguém guiado por minha inteligência. Eu em seguida matarei Sisupala no sacrifício do rei Yudhishthira, o filho de Dharma, ao qual sacrifício todos os reis do mundo levarão tributo. Em algumas dessas façanhas, somente Arjuna, o filho de Vasava, se tornará meu assistente. Eu estabelecerei Yudhishthira com todos os seus irmãos em seu reino ancestral. As pessoas me chamarão e Arjuna como Narayana e Nara, quando, dotados de pujança, nós dois, exercendo nossa força, consumirmos um grande número de Kshatriyas, para fazer bem para o mundo. Tendo aliviado a carga da Terra segundo nossa vontade, eu absorverei todos os principais Sattwatas como também Dwaraka, minha cidade predileta, em meu próprio eu, reunindo meu Conhecimento universal. Dotado de quatro formas, eu irei, dessa maneira, realizar muitas façanhas de grande destreza, e alcançarei finalmente aquelas regiões de felicidade criadas por mim e honradas por todos os Brahmanas. Aparecendo nas formas de um cisne, uma tartaruga, um peixe, ó principal dos regenerados, eu irei então me manifestar como um javali, então como um Homem-leão (Nrisingha), então como um anão, então como Rama da linhagem de Bhrigu, então como Rama, o filho de Dasaratha, então como Krishna o descendente da linhagem Sattwata, e por fim como Kalki. Quando as audições nos Vedas desapareceram do mundo, eu as trouxe de volta. Os Vedas com as audições neles foram recriados por mim na era Krita. Eles mais uma vez desapareceram ou podem ser só parcialmente ouvidos aqui e ali nos Puranas. Muitos dos meus melhores aparecimentos no mundo também se tornaram eventos do passado. Tendo realizado o bem dos mundos naquelas formas nas quais eu apareço, elas têm reentrado em minha própria Prakriti. O próprio Brahman (o Criador) nunca obteve uma visão de mim nesta minha forma, a qual tu, ó Narada, viste hoje por tua total devoção a mim. Eu agora disse tudo, ó Brahmana, para ti que és totalmente devotado a mim, eu te revelei meus aparecimentos antigos e futuros também, ó melhor dos homens, junto com todos os seus mistérios.’ "Bhishma continuou, ‘A divindade santa e ilustre, de forma universal e imutável, tendo dito estas palavras para Narada, desapareceu imediatamente. Narada também, dotado de grande energia, tendo obtido o grande favor que ele tinha solicitado, então procedeu com grande velocidade para o retiro chamado Vadari, para ver Nara e Narayana. Este grande Upanishad, perfeitamente consistente com os quatro Vedas, em harmonia com Sankhya-Yoga, e chamado por ele pelo nome de escrituras Pancharatra, e contado pelo próprio Narayana com sua própria boca, foi repetido por Narada na presença de muitos ouvintes na residência de Brahman (seu pai) exatamente da mesma maneira na qual Narayana (quando aquele grande deus tinha se mostrado para ele) o tinha contado, e na qual ele o tinha ouvido de seus próprios lábios.’” "Yudhishthira disse, 'Brahman, o Criador de todas as coisas, não era familiarizado com esta narrativa extraordinária da glória de Narayana dotado de inteligência que ele a ouviu dos lábios de Narada? O ilustre Avô de todos os mundos é de algum modo diferente ou inferior ao grande Narayana? Como então é que ele não conhecia a pujança de Narayana de energia incomensurável?'” “Bhishma continuou, 'Centenas e milhares de grandes Kalpas, centenas e milhares de Criações e Dissoluções, ó rei de reis, acabaram e se tornaram incidentes do passado. (A idéia de Eternidade sem algum início e fim concebíveis era tão completamente concebida pelos sábios hindus que a supremacia do próprio Céu era para eles o assunto de um momento. Nada menos do que bem- aventurança imutável por todos os tempos era o objetivo que eles buscavam. Todas as outras coisas e estados sendo mutáveis, e somente Brahman sendo imutável, o que eles procuravam era uma identificação com Brahma. Tal identificação com a Alma Suprema era a Emancipação que eles buscavam. Nenhuma outra religião jamais foi capaz de pregar semelhante ideal sublime. A preocupação do Hindu é com a Eternidade. Ele considera sua existência aqui como tendo somente a duração da milionésima parte de um momento. Como impedir renascimento e obter uma identificação com a Alma Suprema é o objetivo de sua busca.) No início de cada ciclo de Criação, Brahman, dotado de grande pujança e que cria todas as coisas, é lembrado (por Narayana). Brahman sabe bem, ó rei, que Narayana, aquele principal de todos os deuses, é muitíssimo superior a ele. Ele sabe que Narayana é a Alma Suprema, que Ele é o Senhor Supremo, que Ele é o Criador do próprio Brahman. Foi somente para aquele conclave de Rishis, coroados com sucesso ascético, que foi à residência de Brahman, que Narada recitou sua narrativa a qual é muito antiga, e que é perfeitamente consistente com os Vedas. A divindade Surya, tendo ouvido aquela narrativa daqueles Rishis coroados com êxito ascético, a repetiu para os sessenta e seis milhares de Rishis, ó rei, de almas purificadas, que seguiam em sua comitiva. E Surya, a divindade que dá calor para todos os mundos, repetiu aquela narrativa para aqueles Seres também, de almas purificadas, que foram criados (por Brahma) para sempre viajarem na dianteira de Surya. Os Rishis de grande alma que seguem na comitiva de Surya, ó filho, repetiram aquela narrativa excelente para as divindades reunidas no leito de Meru. Aquele melhor dos ascetas, isto é, o regenerado Asita, então tendo ouvido a narrativa das divindades, a repetiu para os Pitris, ó rei de reis. Eu a ouvi do meu pai Santanu, ó filho, que a contou para mim antigamente. Eu mesmo tendo-a ouvido do meu pai, eu a repeti para ti, ó Bharata. Divindades e Munis que ouviram esta antiga narrativa excelente, a qual é um Purana, todos adoram a Alma Suprema. Esta narrativa, pertencente aos Rishis e transmitida de um para outro, não deve, ó rei, ser comunicada por ti para alguém que não é um devoto de Vasudeva. Esta narrativa, ó rei, é realmente a essência das centenas de outras narrativas que tu ouviste de mim. Antigamente, ó monarca, as divindades e os Asuras, se unindo, bateram o Oceano e acharam o Amrita. Da mesma maneira, os Brahmanas, se unindo antigamente, bateram todas as escrituras e criaram esta narrativa que parece néctar. Aquele que lê frequentemente esta narrativa, e aquele frequentemente a escuta com atenção concentrada, em um local retirado, e cheio de devoção, consegue se tornar um habitante, possuidor de cor lunar, da ilha espaçosa conhecida pelo nome de Ilha Branca. Sem dúvida, tal homem consegue entrar em Narayana de mil raios. Uma pessoa doente, por escutar esta narrativa desde o início, fica livre de sua doença. O homem que simplesmente deseja ler ou escutar esta narrativa obtém a realização de todos os seus desejos. O adorador devotado, por ler ou por escutar a ela, alcança o fim que está reservado para adoradores devotados. Tu também, ó monarca, deves sempre cultuar e adorar aquele principal de todos os Seres. Ele é o pai e a mãe de todas as criaturas, e Ele é um objeto de reverência para o universo inteiro. Que o Deus ilustre e Eterno dos Brahmans, isto é, Janarddana de inteligência sublime, fique satisfeito contigo, ó Yudhishthira de braços poderosos!'" Vaisampayana continuou, "Tendo escutado a melhor das narrativas, ó Janamejaya, o rei Yudhishthira o justo, e todos os seus irmãos, se tornaram devotados a Narayana. E todos eles, ó Bharata, dirigindo-se à prática de meditação silenciosa a respeito de Narayana (daquele dia em diante), proferiram estas palavras para Sua glorificação, 'Vitória para aquele Ser santo e ilustre.' Ele, também, que é nosso melhor dos preceptores, isto é, o Krishna Nascido na Ilha, dedicado a penitências, cantou proferindo a palavra Narayana aquele mantra sublime que é digno de ser recitado em silêncio. Viajando pelo firmamento para o Oceano de Leite que é sempre a residência do néctar, e cultuando o grande Deus lá, ele voltou para seu próprio eremitério.’” "Bhishma continuou, 'Eu agora repeti para ti a narrativa que foi contada por Narada (para o conclave de Rishis reunidos na residência de Brahman). Aquela narrativa tem passado de uma pessoa para outra desde tempos muito antigos. Eu a ouvi do meu pai que antigamente a repetiu para mim.'" Suta continuou, “Eu agora disse a vocês tudo o que Vaisampayana narrou para Janamejaya. Tendo escutado a narração de Vaisampayana, o rei Janamejaya cumpriu devidamente todos os seus deveres segundo as ordenanças prescritas nas escrituras. Vocês todos têm passado por penitências muito severas e observado muitos votos superiores e excelentes. Residindo nessa floresta sagrada que é conhecida pelo nome de Naimisha, vocês são as principais de todas as pessoas conhecedoras dos Vedas. Ó principais dos regenerados, vocês todos vieram a este grande sacrifício de Saunaka. Todos vocês cultuem e adorem aquele Senhor Eterno e Supremo do universo em sacrifícios excelentes, despejando apropriadamente libações de manteiga clarificada no fogo com a ajuda de mantras e oferecendo as mesmas para Narayana. Em relação a mim mesmo, eu ouvi esta narrativa excelente que tem passado de geração para geração, do meu pai que a contou para mim nos tempos passados.” 341 Saunaka disse, “Como aquele deus ilustre, isto é, o pujante Narayana, que conhece totalmente os Vedas e seus ramos, é ao mesmo tempo o fazedor e o desfrutador de sacrifícios? Dotado de clemência, ele tem adotado, também, a religião de Nivritti (abstenção). De fato, é aquele mesmo santo e pujante que tem ordenado os deveres de Nivritti. Por que então ele fez muitas das divindades as recebedoras de partes em sacrifícios os quais, naturalmente, são todos devido à disposição de Pravritti? Por que ele também criou alguns com uma disposição contrária, em lugar de eles seguirem as ordenanças da religião de abstenção? Ó Suta, dissipe esta nossa dúvida. Esta dúvida parece ser eterna e está relacionada com um grande mistério. Tu ouviste todos os discursos sobre Narayana, discursos que são consistentes com as (outras) escrituras.’” Sauti disse, “Ó Saunaka excelente, eu narrarei para ti o que Vaisampayana, o discípulo do inteligente Vyasa, disse quando questionado sobre esses mesmos tópicos pelo rei Janamejaya. Tendo ouvido o discurso sobre a glória de Narayana que é a Alma de todas as criaturas incorporadas, Janamejaya, dotado de grande inteligência e sabedoria, questionou Vaisampayana sobre esses mesmos assuntos. Janamejaya disse, "O mundo inteiro de Seres, com Brahma, as divindades, os Asuras e seres humanos, é visto estar profundamente ligado às ações que têm sido citadas como produtivas de prosperidade. A Emancipação, ó regenerado, foi citada por ti como sendo a maior bem-aventurança e consiste na cessação de existência. Aqueles que, sendo desprovidos de mérito e demérito, se tornam emancipados, conseguem, nós ouvimos, entrar no grande Deus de mil raios. Parece, ó Brahmana, que a religião eterna de Emancipação é de observância extremamente difícil. Desviando-se dela, todas as divindades se tornaram desfrutadoras das libações de manteiga clarificada despejadas com mantras em fogos sacrificais e outras oferendas apresentadas para eles pelos mesmos meios ou similares. Então, também, Brahman, e Rudra, o pujante Sakra, o matador de Vala, Surya, Chandramas (o Senhor das estrelas), o Deus do vento, a Divindade do Fogo, a Divindade das Águas, o Espaço Infinito (como Ser vivo), o Universo também (como um agente consciente), e o restante dos habitantes do céu, eles, parece, são ignorantes do caminho de assegurar aniquilação da existência consciente, que é capaz de ser ocasionada pela auto-realização. (O que o rei diz aqui é, 'Se a religião de Nivritti é tão superior por causa de seu fim superior, por que é que as divindades que são todas superiores a nós não a adotaram? Elas eram ignorantes do método pelo qual a Emancipação é obtenível? Elas eram ignorantes dos meios pelos quais obter cessação de existência?) Por isso, talvez, elas não se dirigiram para o caminho que é certo, indestrutível, e imutável. Por isso, talvez, se desviando daquele caminho eles têm adotado a religião de Pravritti, que leva à existência consciente que é medida pelo tempo. Este, de fato, é um grande erro que se vincula àqueles que são apegados às ações, pois todas as suas recompensas são finitas. Essa dúvida, ó regenerado, está cravada em meu coração como um punhal. Remova-a por narrar para mim alguns discursos antigos sobre este tópico. Grande é minha curiosidade para te escutar. Por qual razão, ó regenerado, as divindades têm sido citadas como sendo recebedoras de suas respectivas partes das oferendas sacrificais feitas a elas com a ajuda de mantras em sacrifícios de diversos tipos? Por que também os habitantes do céu são adorados em sacrifícios? E, ó melhor das pessoas regeneradas, para quem eles, que pegam suas partes das oferendas em sacrifícios realizados para sua honra, fazem oferendas quando eles realizam grandes sacrifícios?" Vaisampayana disse, "A pergunta que tu me fizeste, ó soberano de homens, se relaciona a um mistério profundo. Nenhum homem que não tenha passado por penitências, e que não conheça os Puranas, pode respondê-la rapidamente. Eu irei, no entanto, te responder por contar para ti o que meu preceptor, o Krishna Nascido na Ilha, também chamado Vyasa, o grande Rishi que tem classificado os Vedas, nos disse em uma ocasião antiga quando questionado por nós. Sumanta, e Jaimini, e Paila de votos firmes, e eu mesmo numerando o quarto, e Suka formando o quinto, éramos discípulos do ilustre Vyasa. Nós totalizando cinco ao todo, dotados de autodomínio e pureza de observâncias, tínhamos subjugado completamente a ira e controlado nossos sentidos. Nosso preceptor costumava nos ensinar os Vedas, tendo o Mahabharata como seu quinto. Uma vez, enquanto nós estávamos empenhados em estudar os Vedas no leito daquela principal das montanhas, a encantadora Meru, habitada por Siddhas e Charanas, surgiu em nossas mentes essa mesma dúvida que foi expressada por ti hoje. Nós, portanto, questionamos nosso preceptor sobre isto. Eu ouvi a resposta que nosso preceptor deu. Eu agora narrarei aquela resposta para ti, ó Bharata. Ouvindo aquelas palavras que foram endereçadas a ele por seus discípulos, aquele dissipador de todos os tipos de escuridão representada por ignorância, isto é, o abençoado Vyasa, o filho de Parasara, disse estas palavras: ‘Tendo praticado penitências muito severas, realmente, as mais austeras das penitências, ó melhores dos homens, eu conheço totalmente o Passado, o Presente, e o Futuro. Em consequência daquelas minhas penitências e da restrição sob a qual eu mantive meus sentidos enquanto eu morei nas margens do Oceano de leite, Narayana ficou satisfeito comigo. Como o resultado da satisfação do grande Deus, essa onisciência com relação ao Passado, ao Presente, e ao Futuro, que era desejada por mim, surgiu em minha mente. Ouçam-me agora enquanto eu falo a vocês, na devida ordem, sobre esta grande dúvida que tem perturbado suas mentes. Eu tenho visto, com a visão do conhecimento, tudo o que ocorreu no início do Kalpa. Ele a quem ambos, os Sankhyas e aqueles familiarizados com Yoga, chamam pelo nome de Paramatma (a Alma Suprema) vem a ser considerado como Mahapurusha (o Grande Purusha) por suas próprias ações. Dele surge Abyakta (o Imanifesto), a quem os eruditos chamam de Pradhana. Do Imanifesto pujante surgiu, para a criação de todos os mundos, o Manifesto (Byakta). Ele é chamado de Aniruddha. Aquele Aniruddha é conhecido entre todas as criaturas pelo nome de Mahat Atma. É aquele Aniruddha que, tornando-se manifesto, criou o Avô Brahman. Aniruddha é conhecido por outro nome, isto é, Ahankara (consciência) e é dotado de todo tipo de energia. Terra, Vento, Espaço, Água, e Luz numerando o quinto, são os cinco Mahabhutas (elementos) que surgiram de Ahankara. Tendo criado os Mahabhutas (cinco em número), ele então criou seus atributos. (Isto é, os atributos de visão para Luz, gosto para Água, som para Espaço, toque para Vento, e cheiro para Terra.) Combinando os Mahabhutas, ele então criou diversos Seres incorporados. Ouçam-me enquanto eu os relato para vocês. Marichi, Angiras, Atri, Pulastya, Pulaha, Kratu, Vasishtha de grande alma, e o Manu auto- nascido, devem ser conhecidos como os oito Prakritis. Destes dependem todos os mundos. Então o Avô de todo mundo, Brahman, criou, para a realização de todas as criaturas, os Vedas com todos os seus ramos, como também os Sacrifícios com seus membros. Daqueles oito Prakritis tem surgido este universo vasto. Então surgiu Rudra do princípio da ira; passando a existir, ele criou dez outros que eram como ele. Estes onze Rudras são chamados pelo nome de Vikara-Purushas. Os Rudras, os (oito) Prakritis, e os vários Rishis celestes, tendo começado a viver, se aproximaram de Brahman com o objetivo de manter o universo e suas operações. Dirigindo-se ao Avô eles disseram, ‘Nós fomos criados, ó santo, por ti, ó tu de grande pujança. Diga a cada um de nós, ó Avô, as respectivas jurisdições com as quais nós seremos investidos. Quais jurisdições específicas foram criadas por ti para supervisionar os diferentes assuntos? Cada um de nós deve ser dotado de que tipo de consciência e tomará conta de qual destas? Ordene também para cada um de nós a medida de força que nós devemos ter para cumprir os deveres de nossas respectivas jurisdições.' Assim endereçado por eles, o grande deus respondeu para eles da seguinte maneira.” "Brahman disse, ‘Vocês fizeram bem, ó divindades, em me falarem sobre essa questão. Abençoados sejam todos vocês! Eu estava pensando neste mesmo assunto que tem chamado sua atenção. Como os três mundos devem ser sustentados e mantidos? Como sua força e a minha devem ser utilizadas para aquele fim? Que todos nós, deixando este lugar, nos dirijamos até aquele imanifesto e principal dos Seres que é a testemunha do mundo, para procurar sua proteção. Ele nos dirá o que é para o nosso bem.’ Depois disso, aquelas divindades e Rishis, com Brahman, procederam até as margens do norte do Oceano de leite, desejosos de fazer o bem para os três mundos. Chegando lá, eles começaram a praticar aquelas penitências rígidas que são declaradas por Brahman nos Vedas. Aquelas mais austeras das penitências são conhecidas pelo nome de Mahaniyama (os principais votos e observâncias). Eles permaneceram lá com mente estável, imóveis como pilares de madeira, com olhos virados para cima e braços erguidos. Por mil anos celestes eles ficaram engajados naquelas penitências ascéticas. Na conclusão daquele período eles ouviram estas palavras agradáveis em harmonia com os Vedas e seus ramos.” "'O abençoado e santo disse, ‘Ó divindades e Rishis possuidores de riqueza de ascetismo, com Brahman em sua companhia, depois das adequadas boas-vindas a vocês todos, eu digo a vocês estas palavras. Eu sei o que está em seus corações. Na verdade, os pensamentos que ocupam vocês são para o bem dos três mundos. Eu aumentarei sua energia e força investindo as mesmas com Pravritti (predileção por ações). Ó deuses, vocês têm praticado bem essas penitências pelo desejo de me adorar. Ó principais dos Seres, desfrutem agora os frutos excelentes das austeridades que vocês têm praticado. Este Brahman é o Senhor de todos os mundos. Dotado de pujança, ele é o Avô de todas as criaturas. Vocês também são as principais das divindades. Vocês todos, com mentes concentradas, realizem sacrifícios para minha glória. Nos sacrifícios que vocês realizarão, sempre me dêem uma parte das oferendas sacrificais. Eu irei então, ó senhores da criação, designar para cada um de vocês suas respectivas jurisdições e ordenarei o que será para o seu bem!"' Vaisampayana continuou, "Ouvindo estas palavras daquele Deus dos deuses, todas aquelas divindades e grandes Rishis e Brahman se encheram de tal alegria que os pêlos de seus corpos se arrepiaram. Eles em seguida fizeram arranjos para um sacrifício em honra de Vishnu segundo as ordenanças prescritas nos Vedas. Naquele sacrifício, o próprio Brahman ofereceu uma parte das oferendas para Vishnu. As divindades e os Rishis celestes também, do mesmo modo que Brahman, ofereceram porções similares para o grande Deus. As porções, assim oferecidas com grande reverência para Vishnu, em relação à medida e à qualidade dos artigos usados, estavam de acordo com as ordenanças prescritas para a era Krita. As divindades e os Rishis e Brahman, naquele sacrifício, adoraram o grande Deus como alguém dotado da cor do Sol, como o principal dos Seres, situado além do alcance de Tamas, vasto, permeando todas as coisas, o Senhor Supremo de tudo, o concessor de bênçãos, e possuidor de pujança. Assim adorado por eles, o dador de benefícios e grande Deus, invisível e incorpóreo, dirigiu-se do céu àqueles celestiais reunidos e disse a eles: ‘Todas as oferendas dedicadas por vocês nesse sacrifício chegaram a mim. Eu estou satisfeito com todos vocês. Eu lhes darei recompensas que, no entanto, serão repletas de fins de onde haverá retorno. Este será seu aspecto distintivo, ó deuses, deste dia em diante, por minha graça e bondade por vocês. Realizando sacrifícios em todo Yuga, com grandes doações, vocês se tornarão os desfrutadores dos frutos nascidos de Pravritti. Ó deuses, aqueles homens também que realizarão sacrifícios segundo as ordenanças dos Vedas, darão para todos vocês partes de suas oferendas sacrificais. Nos Veda-sutras eu faço ele o recebedor (em tais sacrifícios) de uma parte similar àquela que ele mesmo ofereceu naquele sacrifício. Criados para cuidarem daqueles assuntos que pertencem às suas respectivas jurisdições, sustentem os mundos segundo as medidas de sua força como dependente das partes que vocês recebem naqueles sacrifícios. De fato, retirando força daqueles ritos e observâncias que serão generalizados nos vários mundos, tendo sua origem dos frutos de Pravritti (isto é, tendo sua origem em seu desejo por tais frutos que pertencem à religião de Pravritti ou ações), continuem a apoiar os assuntos daqueles mundos. Fortalecidos pelos sacrifícios que serão realizados pelos homens, vocês me fortalecerão. Estes são os pensamentos que eu nutro para vocês todos. É para este propósito que eu criei os Vedas e sacrifícios e plantas e ervas. Devidamente servidas com estes pelos seres humanos sobre a Terra, as divindades serão satisfeitas. Ó principais das divindades, até o fim desse Kalpa eu ordenei sua criação, fazendo sua constituição depender da consequência da religião de Pravritti. Ó principais dos Seres, então, com relação às suas respectivas jurisdições, se empenhem em procurar o bem dos três mundos. Marichi, Angiras, Atri, Pulastya, Pulaha, Kratu, e Vasishtha, estes sete Rishis foram criados por um decreto da vontade. Eles se tornarão as principais das pessoas conhecedoras dos Vedas. Realmente, eles se tornarão os preceptores dos Vedas. Eles serão devotados à religião de Pravritti, pois eles foram planejados para se dedicarem à ação de procriar descendência. Este é o caminho eterno que eu revelo das criaturas dedicadas às ações e observâncias. O Senhor pujante que é encarregado da criação de todos os mundos é chamado de Aniruddha. Sana, Sanatsujata, Sanaka, Sanandana, Sanatkumara, Kapila, e Sanatana numerando o sétimo, estes sete Rishis são conhecidos como os filhos espirituais de Brahman. Seu conhecimento vem a eles por si mesmo (sem ser dependente de estudo ou esforço). Estes sete são devotados à religião de Nivritti. Eles são as principais de todas as pessoas conhecedoras de Yoga. Eles possuem também conhecimento profundo da filosofia Sankhya. Eles são preceptores das escrituras sobre dever e são eles que introduzem os deveres da religião de Nivritti e os fazem fluir nos mundos. Do Imanifesto (Prakriti) fluiu a Consciência e os três grandes atributos (de Sattwa, Rajas, e Tamas). Transcendendo Prakriti está ele chamado Kshetrajna. Aquele Kshetrajna sou eu mesmo. O caminho daqueles que são dedicados ao Karma que emerge de Ahankara é repleto de retorno. Por aquele caminho alguém não pode alcançar aquele local de onde não há retorno. Diferentes criaturas são criadas com diferentes fins. Algumas estão destinadas ao caminho de Pravritti e algumas àquele de Nivritti. De acordo com o caminho que uma criatura segue é a recompensa que ela desfruta. (Alguém que segue o caminho de Pravritti não pode esperar chegar ao local de onde não há retorno. É pelo caminho de Nivritti que aquele local pode ser alcançado. O caminho de Pravritti é sempre repleto de retorno. Alguém pode se tornar, por andar por aquele caminho, o próprio chefe dos celestiais, mas aquela posição não é eterna, já que desde o início (se um início pode ser concebido), milhões e milhões de Indras têm se erguido e caído.) Este Brahman é o mestre de todos os mundos. Dotado de pujança é ele que cria o universo. Ele é sua mãe e pai, e ele é seu avô. Por minha ordem, ele será o concessor de bênçãos para todas as criaturas. Seu filho Rudra, que surgiu da sua fronte por sua ordem, dotado de pujança, sustentará todos os seres criados. Vão para suas respectivas jurisdições, e procurem, segundo as ordenanças, o bem dos mundos. Que todas as ações escriturais fluam em todos os mundos. Que não haja demora nisto. Ó principais dos celestiais, ordenem as ações de todas as criaturas e os fins que elas devem alcançar consequentemente. Estabeleçam também os limites dos períodos pelos quais todas as criaturas devem viver. Esta época vigente é a principal de todas as épocas e deve ser conhecida pelo nome de Krita. Neste Yuga as criaturas vivas não devem ser mortas nos sacrifícios que possam ser realizados. Isto deve ser como eu ordeno e que não seja de outra maneira. Nesta era, ó celestiais, a Justiça florescerá em sua totalidade. (Literalmente, com seus quatro quartos completos.) Depois dessa era virá aquela época chamada Treta. Os Vedas, naquele Yuga, perderão um quarto. Somente três deles existirão. Nos sacrifícios que serão realizados naquela era, animais, depois de oferecimento com a ajuda de mantras sagrados, serão mortos. Com relação à Justiça também, ela perderá um quarto; somente três quartos dela vão florescer. No término do Treta virá aquele Yuga misturado conhecido pelo nome de Dwapara. Naquele Yuga, a Justiça perderá dois quartos e somente dois quartos dela irão florescer. Após o término de Dwapara o Yuga que começará será chamado de Kali yuga, o qual virá sob a influência da constelação Tisya. A Justiça perderá três quartos completos. Somente um quarto dela existirá em todos os lugares.” “Quando o grande Deus disse estas palavras, as divindades e os Rishis celestes se dirigiram a ele e disseram, ‘Se somente uma quarta parte de Justiça é para existir naquela era em todos os lugares, nos diga, ó santo, para onde nós devemos ir então e o que nós faremos!’” “O abençoado e santo disse, ‘Ó principais dos celestiais, vocês deverão ir, naquela era, para tais lugares onde os Vedas e sacrifícios e Penitências e Verdade e Autodomínio, acompanhados por deveres repletos de compaixão por todas as criaturas, ainda continuarem a florescer. O pecado nunca será capaz de tocar vocês em absoluto!’” "'Vyasa continuou, 'Assim comandados pelo grande Deus, as divindades com todos os Rishis inclinaram suas cabeças para ele e então procederam para os lugares que eles desejavam. Depois que os Rishis e habitantes do céu tinham deixado aquele lugar, Brahman permaneceu lá, desejoso de ver a grande Divindade eminente na forma de Aniruddha. A principal das divindades então se manifestou para Brahman, tendo assumido uma forma que tinha uma vasta cabeça equina. Carregando uma tigela (Kamandalu) e o bastão triplo, ele se manifestou perante Brahman, recitando os Vedas com todos os seus ramos. Vendo a grande Divindade de energia incomensurável naquela forma coroada com uma cabeça equina, o pujante Brahman, o Criador de todos os mundos, movido pelo desejo de fazer o bem para sua Criação, adorou aquele Senhor concessor de benefícios com uma inclinação de sua cabeça, e permaneceu diante dele com mãos unidas em reverência. A grande Divindade abraçou Brahman e então disse a ele estas palavras.’” “O santo disse, ‘Ó Brahman, pense devidamente nas direções de ações que as criaturas devem seguir. Tu és o grande ordenador de todos os seres criados. Tu és o mestre e o senhor do universo. Colocando esta responsabilidade sobre ti eu logo estarei livre de ansiedade. Em tais tempos, entretanto, quando for difícil para ti realizares os propósitos das divindades, eu irei então aparecer em formas encarnadas conforme meu autoconhecimento.’ Tendo dito estas palavras, aquela forma grandiosa com a cabeça equina desapareceu imediatamente. Tendo recebido sua ordem, Brahman também procedeu rapidamente para sua própria região. É por isso, ó abençoado, que a Divindade eterna, com o lótus em seu umbigo, se tornou o aceitante da primeira parte oferecida em sacrifícios e por isso é que Ele veio a ser chamado como o sustentador eterno de todos os Sacrifícios. Ele mesmo adotou a religião de Nivritti, o fim pelo qual se esforçam aquelas criaturas que desejam frutos indestrutíveis. Ele ordenou ao mesmo tempo a religião de Pravritti para outros, com a intenção de dar variedade ao universo. Ele é o início, Ele é o meio, e Ele é o fim de todos os seres criados. Ele é seu Criador e Ele é seu único objeto de meditação. Ele é o ator e Ele é o ato. Tendo recolhido o universo em Si Mesmo no fim do Yuga, Ele vai dormir, e, despertando no começo de outro Yuga, Ele mais uma vez cria o universo. Todos vocês reverenciem aquele Ser ilustre que possui uma grande alma e que transcende os três atributos, que é não nascido, cuja forma é o universo, e que é a residência ou refúgio de todos os habitantes do céu. Reverenciem Ele que é o Senhor Supremo de todas as criaturas, que é o Senhor dos Adityas, e dos Vasus também. Curvem- se a Ele que é o Senhor dos Aswins, e o Senhor dos Maruts, que é o senhor de todos os Sacrifícios ordenados nos Vedas, e o Senhor dos Vedangas. Reverenciem Ele que sempre reside no Oceano, e que é chamado de Hari, e cujo cabelo é como as folhas da erva Munja. Reverenciem Ele que é Paz e Tranquilidade, e que comunica a religião de Moksha para todas as criaturas. Reverenciem Ele que é o Senhor das Penitências, de todos os tipos de energia, e da Fama, que é sempre o Senhor da Fala e o Senhor de todos os Rios também. Reverenciem Ele que é chamado de Kaparddin (Rudra), que é o Grande Javali, que é Unicórnio, e que é possuidor de grande inteligência, que é o Sol, que assumiu a forma bem conhecida com a cabeça equina; e que está sempre manifestado em uma forma quádrupla. Reverenciem Ele que é não revelado, que só pode ser percebido pelo conhecimento, que é indestrutível e destrutível. A Divindade suprema, que é imutável, permeia todas as coisas. Ele é o Senhor Supremo que pode ser conhecido somente com a ajuda do olho do conhecimento. Foi assim que, ajudado pelo olho do Conhecimento, eu vi antigamente aquela principal das divindades. Questionado por vocês, eu lhes disse tudo em detalhes, ó discípulos, e ajam de acordo com minhas palavras e sirvam respeitosamente o Senhor Supremo chamado Hari. Cantem Seus louvores em palavras Védicas e adorem e cultuem a Ele também de acordo com os ritos devidos!'" Vaisampayana continuou, "Foi dessa maneira que o organizador dos Vedas, dotado de grande inteligência, discursou para nós, questionado por nós naquela ocasião. Seu filho, o altamente justo Suka, e todos os seus discípulos (nós) o escutamos enquanto ele proferia aquele discurso. Nosso preceptor, conosco, ó rei, então adorou a grande Divindade com Richs tirados dos quatro Vedas. Eu assim te disse tudo sobre o que tu me perguntaste. Foi assim, ó rei, que nosso preceptor Nascido na Ilha discursou para nós. Aquele que, tendo proferido as palavras: ‘Eu reverencio o Senhor divino’, ouve frequentemente, com atenção concentrada, a este discurso ou o lê ou narra para outros, vem a ser dotado de inteligência e saúde, e possuidor de beleza e força. Se doente, ele fica livre daquela doença, se atado, livre de seus grilhões. O homem que nutre desejos obtêm (por isto) a realização de todos os seus desejos, e obtém facilmente uma vida longa também. Um Brahmana, por fazer isso, vem a ser conhecedor de todos os Vedas, e um Kshatriya vem a ser coroado com êxito. Um Vaisya, por fazer isso, faz lucros consideráveis, e um Sudra obtém grande felicidade. Um homem sem filhos obtém um filho. Uma donzela obtém um marido desejável. Uma mulher que concebeu dá à luz um filho. Uma mulher estéril concebe e consegue fartura de filhos e netos. Aquele que recita este discurso no caminho consegue passar felizmente e sem obstáculos de qualquer tipo por seu caminho. Realmente, alguém alcança quaisquer objetivos que ele nutra, se ele lê ou recita esta narrativa. Ouvindo estas palavras do grande Rishi, repletas de certeza de conclusão, e incorporando uma narração dos atributos daquele de grande alma que é o principal de todos os seres, ouvindo esta narrativa do grande conclave de Rishis e outros habitantes do céu, homens que são devotados à Divindade suprema derivam grande felicidade.'" 342 Janamejaya disse, "Ó santo, cabe a ti me dizer o significado daqueles diversos nomes por proferir os quais o grande Rishi Vyasa com seus discípulos cantou os louvores do ilustre matador de Madhu. Eu estou desejoso de ouvir aqueles nomes de Hari, aquele Senhor Supremo de todas as criaturas. De fato, por escutar aqueles nomes, eu serei santificado e purificado assim como a brilhante lua outonal.” “Vaisampayana disse, ‘Escute, ó rei, quais são os significados dos diversos nomes, devidos a atributos e atos, de Hari como o próprio Hari pujante de alma alegre os explicou para Phalguna. Aquele matador de heróis hostis, Phalguna, questionou Kesava uma vez, perguntando sobre a significação de alguns dos nomes pelos quais Kesava de grande alma é adorado.’” "Arjuna disse, "Ó santo, ó ordenador Supremo do Passado e do Futuro. Ó Criador de todos os Seres, ó Imutável, ó Refúgio de todos os mundos, ó Senhor do universo, ó dissipador dos medos de todas as pessoas, eu desejo ouvir de ti em detalhes, ó Kesava, o significado de todos aqueles teus nomes, ó Deus, os quais foram mencionados pelos grandes Rishis nos Vedas e nos Puranas em consequência das tuas diversas ações. Ninguém mais além de ti, ó Senhor, é competente para explicar os significados daqueles nomes.'" "O santo disse, 'No Rigveda, no Yajurveda, nos Atharvans e nos Samans, nos Puranas e nos Upanishads, como também nos tratados sobre Astrologia, ó Arjuna, nas escrituras Sankhya, nas escrituras Yoga, e também nos tratados sobre a Ciência da Vida, muitos são os nomes que têm sido mencionados pelos grandes Rishis. Alguns daqueles nomes são deriváveis dos meus atributos e alguns deles se relacionam com minhas ações. Ouça, com atenção concentrada, ó impecável, qual é o significado de cada um daqueles nomes (em particular) que se referem às minhas ações. Eu os relatarei para você. É dito que antigamente você era metade meu corpo. Saudações para Ele de grande glória, Ele, isto é, que é a Alma Suprema de todas as criaturas incorporadas. (Esta saudação de Krishna à Alma Suprema é muito característica. Ele saúda a si mesmo por saudar a Alma Suprema.) Saudações a Narayana, a Ele que é identificável com o universo, a Ele que transcende os três atributos (primordiais de Sattwa, Rajas e Tamas), a Ele que é, também, a Alma daqueles atributos. Da Sua benevolência surgiu Brahman e de da Sua ira surgiu Rudra. Ele é a fonte de onde têm surgido todas as criaturas móveis e imóveis. Ó principal de todas as pessoas dotadas de Sattwa, o atributo de Sattwa consiste em dezoito qualidades. Aquele atributo é Natureza Suprema tendo como sua alma o Céu e a Terra e conseguindo sustentar o universo por meio de suas forças criativas. Aquela Natureza é idêntica ao fruto de todas as ações (na forma das diversas regiões de bem-aventurança as quais as criaturas alcançam por suas ações). Ela também é o puro Chit. Ela é imortal, e invencível, e é chamada de Alma do universo. Dela fluem todas as modificações de Criação e Destruição. (Ela é idêntica à minha Prakriti ou Natureza.) Desprovida de sexo, Ela ou Ele é as penitências que as pessoas praticam. Ele é o sacrifício que é realizado e o sacrificador que realiza o sacrifício. Ele é o antigo e o infinito Purusha. Ele também é chamado de Aniruddha e é a fonte da Criação e da Destruição do universo. Quando acabou a noite de Brahma, pela graça daquele Ser de energia incomensurável, um lótus fez seu aparecimento primeiramente, ó tu de olhos como pétalas de lótus. Dentro daquele lótus nasceu Brahma, surgindo da graça de Aniruddha. Perto da noite do dia de Brahma, Aniruddha se encheu de cólera, e como consequência disto surgiu de sua testa um filho chamado Rudra investido com o poder de destruir tudo (quando chega a hora da destruição). Esses dois, isto é, Brahma e Rudra, são as principais de todas as divindades, tendo surgido respectivamente da Benevolência e da Ira (de Aniruddha). Agindo de acordo com a direção de Aniruddha, essas duas divindades criam e destroem. Embora capazes de conceder benefícios para todas as criaturas, eles são, no entanto, na questão dos assuntos dos quais eles se encarregam (Criação e Destruição), meramente instrumentos nas mãos de Aniruddha. (É Aniruddha que faz tudo, fazendo de Brahma e Rudra os agentes visíveis em relação ao universo.) Rudra também é chamado de Kaparddin. Ele tem cabelos emaranhados em sua cabeça, e às vezes manifesta uma cabeça que é calva. Ele adora morar no meio de crematórios, os quais constituem seu lar. Ele é um praticante dos votos mais austeros. Ele é um Yogin de pujança e energia imensas. Ele é o destruidor do sacrifício de Daksha e o arrancador dos olhos de Bhaga. Ó filho de Pandu, Rudra deve ser conhecido como tendo sempre Narayana como sua Alma. Se aquela divindade das divindades, isto é, Maheswara, for adorado, então ó Partha, o pujante Narayana também é adorado. Eu sou a Alma, ó filho de Pandu, de todos os mundos, de todo o universo. Rudra, também, é minha Alma. É por isso que eu sempre o adoro. Se eu não adorasse o auspicioso e concessor de bênçãos Isana ninguém então adoraria a mim mesmo. As ordenanças que eu estabeleço são seguidas por todos os mundos. Aquelas ordenanças devem sempre ser adoradas, e é por isso, portanto, que eu as adoro. Aquele que conhece Rudra conhece a mim, e aquele que conhece a mim conhece Rudra. Aquele que segue Rudra segue a mim, Rudra é Narayana. Ambos são um; e um está manifestado em duas formas diferentes. Rudra e Narayana, formando uma pessoa, permeiam todas as coisas manifestadas e as fazem agir. Ninguém além de Rudra é competente para me conceder um benefício. Ó filho de Pandu, tendo decidido isto em minha mente, antigamente eu adorei o antigo e pujante Rudra para obter a bênção de um filho. Ao adorar Rudra dessa maneira eu adorei a mim mesmo. Vishnu nunca curva sua cabeça para alguma divindade exceto para si mesmo. É por esta razão que eu adoro Rudra, (Rudra sendo, como eu já te disse, eu mesmo). Todas as divindades, inclusive Brahma e Indra e as divindades e os grandes Rishis, adoram Narayana, aquela principal das divindades, também chamada pelo nome de Hari. Vishnu é o principal de todos os Seres passados, presentes, ou futuros, e como tal deve sempre ser cultuado e adorado com reverência. Curve tua cabeça para Vishnu. Curve tua cabeça para Ele que dá proteção para todos. Reverencie, ó filho de Kunti, aquela grande divindade que concede benefícios, aquela principal das divindades, que come as oferendas feitas para ele em sacrifícios. Eu tenho ouvido que há quatro tipos de devotos, isto é, aqueles que anseiam por uma vida religiosa, aqueles que são inquisitivos, aqueles que se esforçam para compreender o que eles aprendem e aqueles que são sábios. Entre eles todos, aqueles que estão dedicados a perceberem o eu e não adoram alguma outra divindade, são os principais. Eu sou o fim que eles procuram, e embora engajados em ações, eles nunca buscam os resultados delas. As três classes restantes de meus devotos são aqueles que desejam os frutos de suas ações. Eles alcançam regiões de grande bem-aventurança, mas então eles têm que cair de lá após o esgotamento de seus méritos. Aqueles entre meus devotos, portanto, que estão totalmente despertos (e, como tais, sabem que toda felicidade é finita exceto a que é alcançável pelas pessoas que se tornam identificadas comigo), obtém o que é mais importante (e inestimável, ou seja, Emancipação ou total identificação com a Alma Suprema). Aqueles que estão despertos, e cuja conduta revela tal iluminação, podem estar engajados em adorar Brahman ou Mahadeva ou as outras divindades que se encontram no céu, mas eles conseguem alcançar a mim de qualquer forma. Eu assim te disse, ó Partha, quais são as distinções entre meus devotos. Tu mesmo, ó filho de Kunti, e eu mesmo, somos conhecidos como Nara e Narayana. Nós dois assumimos corpos humanos somente para o propósito de aliviar o peso da Terra. Eu sou totalmente conhecedor do autoconhecimento. Eu sei quem eu sou e de onde eu sou, ó Bharata. Eu conheço a religião de Nivritti, e tudo o que contribui para a prosperidade das criaturas. Eterno como Eu sou, Eu sou o único Refúgio de todos os homens. As águas são chamadas pelo nome de Nara, pois elas surgiram daquele chamado Nara. E já que as águas nos tempos passados eram meu refúgio, Eu sou, portanto, chamado pelo nome de Narayana. Assumindo a forma do Sol Eu cubro o universo com meus raios. E porque Eu sou o lar de todas as criaturas, portanto, Eu sou chamado pelo nome de Vasudeva. Eu sou o fim de todas as criaturas e seu progenitor, ó Bharata. Eu permeio todo o firmamento no alto e a Terra, ó Partha, e meu esplendor transcende todo outro esplendor. Eu sou Ele, ó Bharata, a quem todas as criaturas desejam alcançar na hora da morte. E porque Eu permeio todo o universo, Eu vim a ser chamado pelo nome de Vishnu. Desejosas de alcançar sucesso pela restrição de seus sentidos, as pessoas procuram alcançar a mim que sou céu e Terra e o firmamento entre os dois. Por isso Eu sou chamado pelo nome de Damodara. A palavra Prisni inclui alimento, os Vedas, água, e néctar. Esses quatro estão sempre em meu estômago. Então eu sou chamado pelo nome de Prisnigarbha. Os Rishis dizem que uma vez quando o Rishi Trita foi jogado em um poço por Ekata e Dwiti, o aflito Trita me invocou, dizendo, ‘Ó Prisnigarbha, salve o caído Trita!’ Aquele principal dos Rishis, Trita, o filho espiritual de Brahma, tendo me chamado dessa maneira, foi resgatado da cova. Os raios que emanam do Sol que dá calor ao mundo, do fogo brilhante, e da Lua, constituem meu cabelo. Por isso os principais dos Brahmanas eruditos me chamam pelo nome de Kesava. Utathya de grande alma, tendo fecundado sua esposa, desapareceu do lado dela por uma ilusão dos deuses. O irmão mais novo Vrihaspati então apareceu perante a esposa daquele de grande alma. Para aquele principal dos Rishis que tinha ido para lá pelo desejo de união sexual, a criança no útero da esposa de Utathya, ó filho de Kunti, cujo corpo já tinha sido formado dos cinco elementos primordiais, disse, ‘Ó concessor de benefícios, eu já entrei nesse útero. Não cabe a ti atacar minha mãe.’ Ouvindo estas palavras da criança por nascer Vrihaspati encheu-se de raiva e pronunciou uma maldição sobre ela, dizendo, ‘Já que tu me obstruíste dessa maneira quando eu vim para cá pelo desejo dos prazeres do ato sexual, portanto tu, pela minha maldição, serás afligido pela cegueira, sem dúvida!’ Por causa dessa maldição daquele principal dos Rishis o filho de Utathya nasceu cego, e cego ele permaneceu por um longo tempo. Foi por esta razão que aquele Rishi, antigamente, veio a ser conhecido pelo nome de Dirghatamas. Ele, no entanto, adquiriu os quatro Vedas com seus membros eternos e partes secundárias. Depois disso ele frequentemente me invocava por meio desse meu nome secreto. De fato, segundo a ordenança prescrita, ele repetidamente me chamava pelo nome de Kesava. Pelo mérito que ele adquiriu por proferir este nome repetidamente, ele veio a ser curado de sua cegueira e então veio a ser chamado pelo nome de Gotama. Esse meu nome, portanto, ó Arjuna, é produtivo de benefícios para aqueles que o proferem entre todas as divindades e os Rishis de grande alma. A divindade do Fogo (Apetite) e Shoma (alimento) combinados juntos, vêm a ser transformados em uma única substância. É por esta razão que o universo inteiro de criaturas móveis e imóveis é citado como sendo permeado por aquelas duas divindades. (O objetivo deste verso, o comentador diz, é explicar o significado da palavra Hrishikesa. Agni é o fogo digestivo, e Shoma é alimento. Unindo-se, Agni e Shoma, portanto, sustêm o universo. Na forma de fogo digestivo e alimento, Agni e Shoma são os dois alegradores do universo. Por causa disso eles são chamados de Hrishi (no número dual). E já que eles são, por assim dizer, o kesa ou cabelo de Narayana, portanto ele é chamado de Hrishikesa. A palavra Hrishikesa também pode ser explicada como Isa ou senhor de Hrishika ou os sentidos.) Nos Puranas, Agni e Soma são citados como complementares um do outro. As divindades também são citadas como tendo Agni como sua boca. É por causa de esses dois seres serem dotados de naturezas que levam à unificação que eles são citados como dignos um do outro e sustentadores do universo.'" 343 "Arjuna disse, 'Como Agni e Shoma, antigamente, obtiveram uniformidade em relação à sua natureza original? Esta dúvida surgiu em minha mente. Dissipe-a, ó matador de Madhu!'” "O sublime e santo disse, 'Eu narrarei para ti, ó filho de Pandu, uma história antiga de incidentes originados da minha própria energia. Ouça-a com atenção absorta! Quando decorrem quatro mil Yugas de acordo com a medida dos celestiais vem a dissolução do universo. O Manifesto desaparece no Imanifesto. Todas as criaturas, móveis e imóveis, encontram com a destruição. Luz, Terra, Vento, tudo desaparece. Escuridão se espalha sobre o universo que se torna uma extensão de água infinita. Quando aquela infinita devastação de água existe só como Brahma sem segundo, não é nem dia nem noite. Nem existente nem inexistente existem; nem manifesto nem imanifesto. Então somente Brahman indiferenciado existe. Quando tal é a condição do universo, o principal dos Seres surge de Tamas (escuridão primordial), isto é, o eterno e imutável Hari que é a combinação dos atributos (de onipotência e o resto), pertencente a Narayana, que é indestrutível e imortal, que não tem sentidos, que é inconcebível e não nascido, que é a própria Verdade repleta de compaixão, que é dotado da forma de existência a qual os raios da pedra preciosa chamada Chintamani têm, que faz diversos tipos de inclinações fluírem em diversas direções, que é desprovido dos princípios de hostilidade e deterioração e mortalidade e decadência, que é informe e que permeia tudo, e que é dotado do princípio de Criação universal e de Eternidade sem início, meio, ou fim. Há autoridade para esta afirmação. O Sruti declara, ‘Não havia dia. Não havia noite. Não havia existente. Não havia inexistente. No início havia somente Tamas (a escuridão primordial, não o atributo de Ignorância) na forma do universo, e ela é a noite de Narayana de forma universal. Este mesmo é o significado da palavra Tamas. Daquele Purusha (chamado Hari), assim nascido de Tamas e tendo Brahman por seu pai, veio a existir o Ser chamado Brahman. Brahman, desejando criar criaturas, fez Agni e Shoma surgirem de seus próprios olhos. Depois quando as criaturas vieram a ser criadas, as pessoas criadas apareceram em sua ordem devida como Brahmanas e Kshatriyas. Aquele que veio à existência como Shoma era ninguém mais do que Brahma; e aqueles que nasceram como Brahmanas na verdade eram todos Shoma. Aqueles que vieram à existência como Kshatriyas eram ninguém mais do que Agni. Os Brahmanas se tornaram dotados de maior energia do que os Kshatriyas. Se você perguntar a razão, a resposta é que esta superioridade dos Brahmanas sobre os Kshatriyas é um atributo que é evidente para o mundo inteiro. Isto ocorreu como segue. Os Brahmanas representam a mais antiga criação em relação aos homens. Ninguém foi criado antes, que fosse superior aos Brahmanas. Aquele que oferece alimento para a boca de um Brahmana é considerado como despejando libações em um fogo ardente (para satisfazer as divindades). Eu digo que tendo ordenado as coisas compreendidas dessa maneira, a criação de criaturas foi realizada por Brahma. Tendo estabelecido todos os seres criados em suas respectivas posições, ele sustém os três mundos. Há uma declaração no mesmo sentido nos Mantras dos Srutis. Tu, ó Agni, és o Hotri em sacrifícios, e o benfeitor do universo. Tu és o benfeitor das divindades, dos homens, e de todos os mundos. Há (outra) autoridade também para isto. Tu és, ó Agni, o Hotri do universo e dos sacrifícios. Tu és a fonte através da qual as divindades e os homens fazem bem para o universo. Agni é realmente o Hotri e o realizador de sacrifícios. Agni é também o Brahma do sacrifício. Nenhuma libação pode ser despejada no fogo sacrifical sem proferir mantras; não pode haver penitências sem uma pessoa para realizá-las; o culto das divindades e homens (mortos ou Pitris) e Rishis é realizado pelas libações despejadas com mantras. Por isso, ó Agni, tu tens sido considerado como o Hotri em sacrifícios. Tu és, também, todos os outros mantras que têm sido declarados em relação aos ritos Homa dos homens. Para os Brahmanas está ordenado o dever de oficiar para outros nos sacrifícios que eles realizam. As duas outras classes, Kshatriyas e Vaisyas, que estão incluídas dentro da classe regenerada ou duas vezes nascida, não têm o mesmo dever prescrito para elas. Então, os Brahmanas são como Agni, que mantém sacrifícios. Os sacrifícios (que os Brahmanas realizam) fortalecem as divindades. Fortalecidas dessa maneira, as divindades fertilizam a Terra (e assim sustentam todas as criaturas vivas). Mas o resultado que pode ser alcançado pelos principais dos sacrifícios pode ser igualmente efetuado através da boca dos Brahmanas. Aquela pessoa erudita que oferece alimento para a boca de um Brahmana é citada como despejando libações no fogo sagrado para gratificar as divindades. Desse modo os Brahmanas vieram a ser considerados como Agni. Aqueles que são possuidores de erudição adoram Agni. Agni é, também, Vishnu. Entrando em todas as criaturas ele mantém seus ares vitais. Em relação a isto há um verso cantado por Sanatkumara. Brahman, ao criar o universo, primeiro criou os Brahmanas. Os Brahmanas se tornam imortais por estudarem os Vedas, e vão para o céu pela ajuda de tal estudo. A inteligência, palavras, atos e observâncias, fé, e as penitências dos Brahmanas sustentam a Terra e o céu como laços de cordas sustentando o néctar bovino. Não há maior dever do que a Verdade. Não há superior mais digno de reverência do que a mãe. Não há ninguém mais eficiente do que o Brahmana para conferir felicidade aqui e após a morte. Os habitantes daqueles reinos onde Brahmanas não têm meios seguros de sustento (de terras e outros tipos de propriedades concedidas para eles) se tornam muito miseráveis. Lá os bois não carregam as pessoas ou puxam o arado, nem veículos de qualquer tipo os conduzem. Lá o leite mantido em jarros nunca é batido para produzir manteiga. Por outro lado, os residentes ficam privados de prosperidade de todo tipo, e se dirigem aos caminhos de ladrões (em vez de poderem desfrutar das bênçãos da paz). (Nos tempos passados reis e dirigentes sempre costumavam lotear terras isentas de aluguel para Brahmanas eruditos para seu sustento. Aqueles países onde Brahmanas não tinham tais terras designadas para eles eram, por assim dizer, excomungados. O que é dito neste verso é que em tais países as bênçãos da paz estavam faltando.) Nos Vedas, nos Puranas, nas histórias e outros escritos autoritários, é dito que Brahmanas, que são as almas de todas as criaturas, que são os criadores de todas as coisas, e que são identificáveis com todos os objetos existentes, surgiram da boca de Narayana. De fato, é dito que os Brahmanas vieram primeiro no tempo quando o grande deus concessor de bênçãos tinha reprimido sua fala como uma penitência e que as outras classes se originaram dos Brahmanas. Os Brahmanas são eminentes acima das divindades e Asuras, já que eles foram criados por mim mesmo em minha forma indescritível como Brahma. Como eu criei as divindades e os Asuras e os grandes Rishis assim eu coloquei os Brahmanas em suas respectivas posições e tenho que puni-los de vez em quando. Por seu ataque licencioso sobre Ahalya, Indra foi amaldiçoado por Gautama, marido dela, pelo que Indra adquiriu uma barba verde em seu rosto. Por causa daquela maldição de Kausika Indra perdeu, também, seus próprios testículos, cuja perda depois (pela bondade das outras divindades) foi compensada pela substituição dos testículos de um carneiro. Quando, no sacrifício do rei Sarjiati, o grande Rishi Chyavana ficou desejoso de fazer os gêmeos Aswins participantes das oferendas sacrificais, Indra objetou. Após Chyavana insistir, Indra procurou arremessar seu raio nele. O Rishi paralisou os braços de Indra. Exasperado pela destruição de seu sacrifício por Rudra, Daksha mais uma vez se dirigiu à prática de austeridades severas e obtendo grande pujança fez algo como um terceiro olho aparecer na testa de Rudra para a destruição de Tripurasura. (Por causa desse terceiro olho na testa de Rudra ele veio a ser chamado pelo nome de Virupaksha ou o feio ou de olhar feroz.) Quando Rudra se dirigiu para a destruição da cidade tripla pertencente aos Asuras, o preceptor dos Asuras, isto é, Usanas, provocado além da tolerância, arrancou uma madeixa emaranhada de sua própria cabeça e a arremessou em Rudra. Daquela madeixa emaranhada de Usanas surgiram muitas serpentes. Aquelas serpentes começaram a morder Rudra, pelo que a garganta dele se tornou azul. Durante um período passado, isto é, aquele relacionado ao Manu Nascido por Si Mesmo, é dito que Narayana agarrou Rudra pela garganta e então a garganta de Rudra se tornou azul. (Um Manwantarah consiste em cerca de 72 Chaturyugas, isto é, 288 yugas de acordo com a medida dos celestiais. O yuga atual é chamado de Vaivaswat Manwantarah, isto é, o período conectado com Manu o filho de Vivaswat. A cada Manwantarah um novo Manu aparece. O Manu auto-nascido era uma pessoa diferente.) Na ocasião do batimento do Oceano para fazer aparecer o amrita, Vrihaspati da linhagem de Angiras sentou-se nas margens do Oceano para realizar o rito de Puruscharana. Quando ele pegou um pouco de água para o propósito do achamana inicial, a água lhe pareceu estar muito lamacenta. Por isso Vrihaspati ficou zangado e amaldiçoou o Oceano, dizendo, ‘Já que tu continuas a estar tão sujo apesar do fato de eu ter vindo a ti para te tocar, já que tu não te tornaste claro e transparente, portanto desse dia em diante tu serás corrompido com peixes e tubarões e tartarugas e outros animais aquáticos.’ Desde aquele tempo, as águas do oceano ficaram infestadas com diversas espécies de animais e monstros marinhos. Viswarupa, o filho de Tashtri, antigamente tornou-se o sacerdote das divindades. Ele era, do lado de sua mãe, relacionado aos Asuras, pois sua mãe era a filha de um Asura. Enquanto oferecendo publicamente para as divindades suas partes das oferendas sacrificais, ele privadamente oferecia partes delas para os Asuras. Os Asuras, com seu chefe Hiranyakasipu em sua dianteira, então foram até sua irmã, a mãe de Viswarupa, e solicitaram um benefício dela, dizendo, ‘O filho Viswarupa por Tashtri, também chamado de Trisiras, é agora o sacerdote das divindades. Enquanto ele dá para as divindades a parte delas das oferendas sacrificais publicamente, ele nos dá nossas partes das mesmas privadamente. Em consequência disto, as divindades estão sendo engrandecidas, e nós estamos sendo enfraquecidos. Cabe a ti, portanto, persuadi-lo de que ele pode adotar nossa causa.’ Assim endereçada por eles, a mãe de Viswarupa se dirigiu ao seu filho que estava então residindo nos bosques Nandana (de Indra) e disse para ele, ‘Como é, ó filho, que tu estás engajado em engrandecer a causa dos teus inimigos e em enfraquecer aquela dos teus tios maternos? Não cabe a ti agir dessa maneira.’ Viswarupa, assim solicitado por sua mãe, pensou que ele não deveria desobedecer as suas palavras, e como a consequência daquela reflexão ele mudou para o lado de Hiranyakasipu, depois de ter prestado os respeitos apropriados para sua mãe. O rei Hiranyakasipu, após a chegada de Trisiras, despediu seu velho Hotri, isto é, Vasishtha, o filho de Brahma, e nomeou Trisiras para aquele posto. Enraivecido por isto, Vasishtha amaldiçoou Hiranyakasipu, dizendo, ‘Já que tu me despediste e nomeaste outra pessoa como teu Hotri, este teu sacrifício não será completado, e algum Ser cujo semelhante não existiu anteriormente te matará!’ Por causa desta maldição, Hiranyakasipu foi morto por Vishnu na forma de um homem-leão. Viswarupa, tendo adotado o lado de seus parentes maternos, se empenhou em austeridades severas para engrandecê-los. Impelido pelo desejo de fazê-lo se desviar de seus votos, Indra despachou para ele muitas Apsaras belas. Vendo aquelas ninfas celestes de beleza transcendente, o coração de Viswarupa ficou agitado. Dentro de um tempo muito curto ele ficou extremamente apegado a elas. Compreendendo que ele tinha ficado apegado a elas, as ninfas celestes disseram para ele um dia, ‘Nós não iremos mais nos demorar aqui. Realmente, nós voltaremos para o local de onde nós viemos.’ Para elas que falaram dessa maneira, o filho de Tashtri respondeu, ‘Aonde vocês vão? Fiquem comigo. Eu lhes farei bem.’ Ouvindo-o falar assim, as Apsaras replicaram, ‘Nós somos ninfas celestes chamadas Apsaras. Nós escolhemos antigamente o ilustre e concessor de benefícios Indra de grande pujança’, Viswarupa então disse a elas, ‘Nesse mesmo dia eu ordenarei que todas as divindades com Indra em sua liderança cessem de existir.’ Dizendo isso, Trisiras começou a recitar mentalmente certos Mantras sagrados de grande eficácia. Em virtude daqueles Mantras ele começou a crescer em energia. Com uma de suas bocas ele começou a beber todo o Soma que Brahmanas empenhados em Sacrifícios despejavam em seus fogos sagrados com ritos devidos. Com uma segunda boca ele começou a comer todo o alimento (que era oferecido em sacrifícios). Com sua terceira boca ele começou a beber a energia de todas as divindades com Indra como seu líder. Vendo-o se crescendo com energia em toda parte de seu corpo que era fortalecido pelo Soma que ele estava bebendo, todas as divindades, então, com Indra em sua companhia, foram até o Avô Brahma. Chegando a sua presença, eles se dirigiram a ele e disseram, ‘Todo o Soma que é devidamente oferecido nos sacrifícios realizados em todos os lugares está sendo bebido por Viswarupa. Nós não obtemos mais nossas partes. Os Asuras estão sendo engrandecidos, enquanto nós estamos sendo enfraquecidos. Cabe a ti, portanto, ordenar o que é para o nosso bem.’ Depois que as divindades cessaram, o Avô respondeu, ‘O grande Rishi Dadhichi da linhagem de Bhrigu está agora engajado em praticar austeridades severas. Vão, ó divindades, até ele e peçam um benefício dele. Arranjem de tal maneira que ele possa rejeitar seu corpo. Com seus ossos que seja criada uma nova arma chamada Raio.’ Assim instruídas pelo Avô, as divindades procederam para aquele local onde o santo Rishi Dadhichi estava engajado em suas austeridades. As divindades com Indra em sua dianteira se dirigiram ao sábio, dizendo, ‘Ó santo, tuas austeridades, nós esperamos, estão sendo bem realizadas e ininterruptas.’ Para eles o sábio Dadhichi disse, ‘Bem vindos todos vocês. Digam-me o que eu devo fazer por vocês. Eu certamente farei o que vocês disserem.’ Eles então disseram a ele, ‘Cabe a ti rejeitar teu corpo para beneficiar todos os mundos.’ Assim solicitado, o sábio Dadhichi, que era um grande Yogin e que considerava felicidade e miséria da mesma maneira, sem ficar triste em absoluto, concentrou sua Alma por seu poder Yoga e rejeitou seu corpo. Quando sua Alma deixou sua habitação temporária de barro, Dhatri, pegando seus ossos, criou uma arma irresistível chamada Raio. Com o Raio assim feito com os ossos de um Brahmana, o qual era impenetrável por outras armas e irresistível e permeado pela energia de Vishnu, Indra golpeou Viswarupa o filho de Tashtri. Tendo matado o filho de Tashtri dessa maneira, Indra cortou sua cabeça do corpo. Do corpo sem vida, no entanto, de Viswarupa, quando ele foi pressionado, a energia que ainda estava residindo nele deu à luz um poderoso Asura de nome Vritra. Vritra se tornou o inimigo de Indra, mas Indra também o matou com o Raio. Pelo pecado de Brahmanicídio ser assim dobrado, Indra foi dominado por um grande medo como consequência disso ele teve que abandonar a soberania do céu. Ele entrou em um caule de lótus fresco que crescia no lago Manas. Pelo atributo Yoga de Anima, ele se tornou muito minúsculo e entrou nas fibras daquele talo de lótus. (Por praticar Yoga alguém adquire certos poderes sobre-humanos. Estes são chamados de Yogaiswaryya. Eles incluem Anima, pelo qual alguém pode se tornar muito pequeno; Laghima, pelo qual alguém pode se tornar muito bruto, etc.). Quando o senhor dos três mundos, o marido de Sachi, tinha desaparecido de vista assim por medo do pecado de Brahmanicídio, o universo ficou sem soberano. Os atributos de Rajas e Tamas atacaram as divindades. Os Mantras proferidos pelos grandes Rishis perderam toda eficácia. Rakshasas apareceram em todos os lugares. Os Vedas estavam prestes a desaparecer. Os habitantes de todos os mundos, estando sem um rei, perderam sua força e começaram a se tornar vítimas fáceis de Rakshasas e outros seres maus. Então as divindades e os Rishis, se reunindo, fizeram Nahusha, o filho de Ayusha, o rei dos três mundos e o coroaram apropriadamente como tal. Nahusha tinha sobre sua fronte quinhentos corpos luminosos de refulgência fulgurante, os quais tinham a virtude de despojar toda criatura de energia. Assim equipado Nahusha continuou a reger o céu. Os três mundos foram restaurados à sua condição normal. Os habitantes do universo mais uma vez se tornaram felizes e alegres. Nahusha então disse, ‘Tudo o que Indra costumava desfrutar está diante de mim. Só sua esposa Sachi não está perto.’ Tendo dito isso, Nahusha procedeu para onde Sachi estava e, dirigindo-se a ela, disse, ‘Ó senhora abençoada, eu me tornei o senhor das divindades. Me aceite.’ Para ele Sachi respondeu, dizendo, ‘Tu és, por natureza, dedicado à justiça de comportamento. Tu pertences, também, à linhagem de Shoma. Não cabe a ti atacar a esposa de outra pessoa.’ Nahusha, assim endereçado por ela, disse, ‘A posição de Indra está agora sendo ocupada por mim. Eu mereço desfrutar dos domínios e de todas as posses preciosas de Indra. Em desejar desfrutar de ti não pode haver pecado. Tu eras de Indra e, portanto, deves ser minha.’ Sachi então disse a ele, ‘Eu estou cumprindo um voto que ainda não foi completado. Depois de realizar as abluções finais eu irei até ti dentro de poucos dias.’ Arrancando esta promessa da esposa de Indra, Nahusha deixou sua presença. Enquanto isso Sachi, afligida pela dor e aflição, ansiosa para encontrar seu marido e assaltada por seu medo de Nahusha, foi até Vrihaspati (o principal sacerdote dos celestiais). À primeira vista Vrihaspati percebeu que ela estava afligida pela ansiedade. Ele imediatamente recorreu à meditação-Yoga e soube que ela estava planejando fazer o que fosse necessário para restaurar seu marido à sua verdadeira posição. Vrihaspati então se dirigiu a ela, dizendo, ‘Provida de penitências e o mérito que será teu em consequência desse voto que tu estás cumprindo, invoque a deusa Upasruti concessora de bênçãos. Invocada por ti, ela aparecerá e te mostrará onde marido teu marido está morando.’ Enquanto na observância daquele voto muito austero, ela invocou com a ajuda de Mantras apropriados a deusa Upasruti concessora de benefícios. Invocada por Sachi, a deusa se apresentou perante ela e disse, ‘Eu estou aqui por tua ordem. Invocada por ti eu vim. Qual desejo nutrido por ti eu irei realizar?’ Reverenciando-a com uma inclinação de cabeça, Sachi disse, ‘Ó dama abençoada, cabe a ti me mostrar onde meu marido está. Tu és Verdade. Tu és Rita.’ Assim endereçada, a deusa Upasruti a levou ao lago Manasa. Chegando lá, ela apontou para Sachi seu marido Indra residindo dentro das fibras de um caule de lótus. Vendo sua esposa pálida e emaciada, Indra ficou extremamente ansioso. E o senhor do céu disse para si mesmo, ‘Ai, grande é a tristeza que me alcançou. Eu caí da posição que é minha. Esta minha cônjuge, afligida com pesar por minha causa, descobriu minha pessoa perdida e veio até mim aqui.’ Tendo refletido dessa maneira, Indra se dirigiu à sua esposa querida e disse, ‘Em qual condição tu estás agora?’ Ela respondeu a ele, ‘Nahusha me convidou para me fazer sua esposa. Eu obtive um adiamento dele, tendo fixado o tempo quando eu tenho que ir até ele.’ Para ela Indra então disse, ‘Vá e diga para Nahusha que ele deve vir a ti em um veículo nunca usado antes, isto é, um ao qual alguns Rishis devem ser arreados, e chegando até ti naquele estado ele deve se casar contigo. Indra tem muitos tipos de veículos que são todos belos e encantadores. Todos esses têm te conduzido. Nahusha, no entanto, deve vir sobre tal veículo que o próprio Indra não possuiu.’ Assim aconselhada por seu marido, Sachi deixou aquele local com um coração alegre. Indra também mais uma vez entrou nas fibras daquele caule de lótus. Vendo a Rainha de Indra voltar para o céu, Nahusha dirigiu-se a ela dizendo, ‘O tempo que tu fixaste acabou.’ Para ele Sachi disse o que Indra a tinha instruído dizer. Arreando vários grandes Rishis ao veículo que ele usava, Nahusha saiu de seu domicílio para ir para onde Sachi estava vivendo. O principal dos Rishis, Agastya, nascido dentro de um jarro, da semente vital de Maitravaruna, viu aqueles principais dos Rishis insultados por Nahusha daquela maneira. Nahusha bateu nele com seu pé. Para ele Agastya disse, ‘Patife, como tu te dirigiste para uma ação altamente imprópria, caia sobre a Terra. Seja transformado em uma cobra e continue a viver naquela forma enquanto a Terra e suas colinas durarem.’ Logo que estas palavras foram proferidas pelo grande Rishi, Nahusha caiu daquele veículo. Os três mundos mais uma vez ficaram sem mestre. As divindades e os Rishis então se uniram e procederam para onde Vishnu estava e apelaram para ele ocasionar a restauração de Indra. Aproximando-se dele eles disseram, ‘Ó santo, cabe a ti resgatar Indra que está oprimido pelo pecado de Brahmanicídio.’ Vishnu concessor de bênçãos respondeu para eles, dizendo, ‘Que Sakra realize um Sacrifício de Cavalo em honra de Vishnu. Ele então será restaurado à sua antiga posição.’ As divindades e os Rishis começaram a procurar por Indra, mas quando eles não puderam achá-lo, eles foram até Sachi disseram a ela, ‘Ó senhora abençoada, vá até Indra e traga-o aqui.’ Requisitada por eles, Sachi mais uma vez foi até lago Manasa. Indra, erguendo-se do lago, foi até Vrihaspati. O sacerdote celeste Vrihaspati então fez arranjos para um grande Sacrifício de Cavalo, substituindo um antílope preto por um bom corcel adequado de todas as maneiras para ser oferecido em sacrifício. Fazendo Indra, o senhor dos Maruts, montar sobre aquele mesmo corcel (que foi salvo da morte) Vrihaspati levou-o para o seu próprio lugar. O senhor do céu foi então adorado com hinos por todas as divindades e os Rishis. Ele continuou a governar no céu, purificado do pecado de Brahmanicídio que foi dividido em quatro partes e mandado residir em mulheres, fogo, árvores, e águas. Foi assim que Indra, fortalecido pela energia de um Brahmana, conseguiu matar seu inimigo (e quando, como o resultado daquele seu ato, ele foi dominado pelo pecado, foi a energia de outro Brahmana que o resgatou). Foi dessa maneira que Indra mais uma vez recuperou sua posição.’” "'Antigamente, enquanto o grande Rishi Bharadwaja estava dizendo suas orações ao lado do Ganga celeste, um dos três pés de Vishnu, quando ele assumiu sua forma de três passos, alcançou aquele local. (Vishnu assumiu sua forma de três passos para enganar Vali da soberania do universo. Com um passo ele cobriu a Terra, com outro ele cobriu o firmamento. Não havia espaço restante para ele dar seu terceiro passo.) Contemplando aquela visão desconhecida, Bharadwaja atacou Vishnu com um punhado de água, após o que o peito de Vishnu recebeu uma marca (chamada Sreevatsa, que é um belo vórtice sobre o peito de Vishnu). Amaldiçoado por aquele principal dos Rishis, isto é, Bhrigu, Agni foi obrigado e se tornar um devorador de todas as coisas. Uma vez, Aditi, a mãe das divindades, cozinhou algum alimento para seus filhos. Ela pensou que, comendo aquele alimento e fortalecidas por isto, as divindades conseguiriam matar os Asuras. Depois que a comida estava cozida, Vudha (a divindade que preside o corpo celeste conhecido por aquele nome), tendo completado a observância de um voto austero, apresentou-se perante Aditi e disse a ela, ‘Dê-me esmolas.’ Aditi, embora assim solicitada por alimento não lhe deu nenhum, pensando que ninguém deveria comer da comida que ela tinha cozinhado, antes que seus filhos, as divindades, a comessem primeiro. Enraivecido pela conduta de Aditi que assim se recusou a lhe dar esmolas, Vudha, que era o próprio Brahma pelo voto austero que tinha completado, a amaldiçoou, dizendo que como Aditi lhe tinha recusado esmolas ela teria uma dor em seu útero quando Vivaswat, em seu segundo nascimento no útero de Aditi, nascesse na forma de um ovo. Aditi se lembrou de Vivaswat no momento da maldição de Vudha, e é por essa razão que Vivaswat, a divindade que é adorada em Sraddhas, saindo do útero de Aditi, veio a ser chamado pelo nome de Martanda. O Prajapati Daksha tornou-se o pai de sessenta filhas. Entre elas, treze foram entregues por ele para Kasyapa; dez para Dharma; dez para Mann; e vinte e sete para Shoma. Embora todas as vinte e sete que eram chamadas Nakshatras e concedidas para Shoma fossem iguais em relação à beleza e habilidades, ainda assim Shoma se tornou mais afeiçoado a uma, Rohini, do que ao restante. O restante de suas esposas, cheias de ciúmes, deixando-o, se dirigiram ao seu pai e o informaram dessa conduta de seu marido, dizendo, ‘Ó santo, embora todas nós sejamos iguais em relação à beleza, ainda assim nosso marido Shoma é exclusivamente afeiçoado à nossa irmã Rohini.’ Enraivecido por essa queixa de suas filhas, o Rishi celeste Daksha amaldiçoou Shoma, dizendo que daquele tempo em diante a doença tísica atacaria seu genro e residiria nele. Por causa dessa maldição de Daksha, a tísica atacou o pujante Shoma e entrou em seu corpo. Atacado pela tísica dessa maneira, Shoma foi até Daksha. O último se dirigiu a ele dizendo, ‘Eu te amaldiçoei por causa do teu comportamento desigual para com tuas esposas.’ O Rishi então disse para Shoma, ‘Tu estás sendo reduzido pela doença tísica que te atacou. Há uma água sagrada chamada Hiranyasarah no oceano Ocidental. Indo até aquela água sagrada, banhe-te lá.’ Aconselhado pelo Rishi, Shoma procedeu para lá. Chegando a Hiranyasarah, Soma se banhou naquela água sagrada. Realizando suas oblações ele se purificou de seu pecado. E porque aquela água sagrada foi iluminada (abhasita) por Shoma, portanto desde aquele dia ela foi chamada pelo nome de Prabhasa. Em consequência, no entanto, da maldição pronunciada sobre ele antigamente por Daksha, Shoma, até hoje, começa a minguar a partir da noite de lua cheia até seu desaparecimento total na noite de lua nova, de onde ele novamente começa a aumentar até a noite de lua cheia. O brilho também do disco lunar desde aquele tempo recebeu uma mancha, pois o corpo de Shoma, desde então, veio a apresentar certas manchas escuras. Realmente, o disco esplêndido da lua, desde aquele dia, veio a exibir a marca de uma lebre. Uma vez, um Rishi de nome Sthulasiras estava dedicado a praticar austeridades muito severas sobre o leito norte das montanhas de Meru. Enquanto engajado naquelas austeridades, um brisa pura, carregada com todas as espécies de perfumes deliciosos, começou a soprar lá e abanar seu corpo. Chamuscado como seu corpo estava pelas austeridades muito severas que ele estava praticando, e vivendo como ele vivia só do ar com a exclusão de todo tipo de alimento, ele ficou muito gratificado por aquela brisa deliciosa que soprou ao redor dele. Enquanto ele estava assim satisfeito com a brisa deliciosa que o abanava, as árvores em volta dele (movidas pelo ciúme) desenvolveram suas flores para fazer uma exibição e extorquir seu louvor. Desagradado por essa conduta das árvores porque ela era ditada por ciúme, o Rishi as amaldiçoou, dizendo, ‘Daqui em diante, vocês não poderão manifestar suas flores em todas as épocas.’ Antigamente, para fazer bem para o mundo, Narayana nasceu como o grande Rishi Vadavamukha. Enquanto empenhado em praticar austeridades ascéticas no leito de Meru, ele convocou o Oceano à sua presença. O Oceano, no entanto, desobedeceu a sua convocação. Enraivecido por isto, o Rishi, com o calor de seu corpo, fez as águas do Oceano se tornarem tão salgadas em sabor quanto o suor humano. O Rishi em seguida disse, ‘Tuas águas de agora em diante cessarão de ser potáveis. Somente quando a cabeça Equina, vagando dentro de ti, beber tuas águas, elas serão tão doces quanto mel.’ É por esta maldição que as águas do Oceano até hoje são salgadas para o paladar e não são bebidas por ninguém mais além da cabeça Equina. (As escrituras hindus mencionam que há uma cabeça Equina de vastas proporções que vaga pelos mares. Fogos resplandecentes saem constantemente de sua boca e estas bebem a água do mar. Ela sempre faz um barulho estrondoso. Ela é chamada de Vadava-mukha. O fogo que emana dela é chamado de Vadavanala. As águas do Oceano são como manteiga clarificada. A cabeça Equina as bebe como o fogo sacrifical bebe as libações de manteiga clarificada despejadas sobre ele. A origem do fogo Vadava às vezes é atribuída à cólera de Urva, um Rishi da linhagem de Jamadagni. Por isso ele é às vezes chamado de fogo Aurvya.) A filha, chamada Uma, das montanhas Himavat, foi desejada por Rudra em casamento. Depois que Himavat tinha prometido a mão de Uma para Mahadeva, o grande Rishi Bhrigu, aproximando-se de Himavat, dirigiu-se a ele dizendo, ‘Dê-me esta tua filha em casamento.’ Himavat respondeu para ele, dizendo, ‘Rudra é o noivo já selecionado por mim para minha filha.’ Enfurecido por esta resposta, Bhrigu disse, ‘Já que tu recusaste meu pedido pela mão da tua filha e me insultaste dessa maneira, tu não mais serás cheio de pedras preciosas e jóias.’ Até hoje, por causa das palavras do Rishi, as montanhas de Himavat não têm quaisquer jóias e pedras preciosas. Tal é a glória dos Brahmanas. É pelo favor dos Brahmanas que os Kshatriyas podem possuir a Terra eterna e que não se deteriora como sua esposa e desfrutar dela. O poder dos Brahmanas, também, é composto de Agni e Shoma. O universo é sustentado por aquele poder e, portanto, é sustentado por Agni e Shoma unidos. É dito que Surya e Chandramas são os olhos de Narayana. Os raios de Surya constituem meus olhos. Cada um deles, isto é, o Sol e a Lua, revigora e aquece o universo respectivamente. E por que o Sol e a Lua assim aquecem e revigoram o universo, eles vieram a ser considerados como o Harsha (alegria) do universo. É por estas ações de Agni e Shoma que sustêm o universo que eu vim a ser chamado pelo nome de Hrishikesa, ó filho de Pandu. De fato, eu sou Isana concessor de benefícios, o Criador do universo. (Agni e Shoma são chamados pelo nome de 'Hrishi' no número dual. É chamado de Hrishikesa aquele que tem aqueles dois como seu kesa ou cabelo. Em outro lugar, a palavra é explicada como o Isa ou senhor de Hrishika.) Pela virtude dos Mantras com os quais libações de manteiga clarificada são despejadas no fogo sagrado, eu pego e me aproprio da parte (principal) das oferendas feitas em sacrifícios. Minha cor também é a daquela principal das jóias chamada Harit. É por essas razões que eu sou chamado pelo nome de Hari. Eu sou a mais elevada residência de todas as criaturas e sou considerado pelas pessoas familiarizadas com as escrituras como idêntico à Verdade ou Néctar. Eu sou, por esta razão, chamado por Brahmanas eruditos pelo nome de Ritadhama (residência da Verdade ou Néctar). Quando antigamente a Terra ficou submersa nas águas e perdida para a visão, eu a encontrei e a ergui das profundidades do Oceano. Por esta razão as divindades me adoram pelo nome de Govinda. Sipivishta é outro nome meu. A palavra Sipi indica uma pessoa que não tem pêlos em seu corpo. Aquele que permeia todas as coisas na forma de Sipi é conhecido pelo nome de Sipivishta. O Rishi Yaksha, com alma tranquila, em muitos sacrifícios me invocou pelo nome Sipivishta. É por esta razão que eu vim a ter este nome secreto. Yaksha de grande inteligência, tendo me adorado pelo nome Sipivishta, conseguiu restaurar os Niruktas que tinham desaparecido da superfície da Terra e caído nas regiões inferiores. Eu nunca nasci. Eu nunca tomo nascimento. Nem eu nascerei alguma vez. Eu sou o Kshetrajna de todas as criaturas. Por isso eu sou chamado pelo nome de Aja (não nascido). (Eu sou a Alma de todas as criaturas, e, portanto, não nascido, a Alma sendo Eterna, sem início e sem fim. Por isso eu sou chamado de Não Nascido.) Eu nunca proferi alguma coisa abjeta ou alguma coisa que fosse obscena. A divina Saraswati que é a própria Verdade, que é a filha de Brahma e que também é chamada pelo nome de Rita, representa minha fala e sempre mora em minha língua. O existente e o inexistente têm sido absorvidos por mim em minha Alma. Os Rishis residentes em Pushkara, que é considerada como a residência de Brahman, me chamaram pelo nome de Verdade. Eu nunca me desviei do atributo de Sattwa, e saiba que o atributo de Sattwa tem fluído de mim. Neste meu nascimento também, ó Dhananjaya, meu antigo atributo de Sattwa não me deixou, de tal modo que mesmo nesta vida, me estabelecendo em Sattwa, eu me dirijo às ações sem jamais desejar seus frutos. Purificado de todos os pecados como eu sou pelo atributo de Sattwa, o qual é minha natureza, eu posso ser visto somente pela ajuda do conhecimento que provém da adoção do atributo de Sattwa. Eu sou contado também entre aqueles que são dedicados àquele atributo. Por essas razões eu sou conhecido pelo nome de Sattwata. (A tribo na qual Krishna nasceu era conhecida pelo nome de Sattwata.) Eu cultivo a Terra, assumindo a forma de uma grande relha (de arado) de ferro negro. E porque minha cor é negra, portanto eu sou chamado pelo nome de Krishna. Eu tenho unido a Terra com Água, Espaço com Mente, e Vento com Luz. Portanto eu sou chamado de Vaikuntha. (Terra, Água, Luz, Vento e Espaço são os cinco elementos primordiais. Cada um desses é dividido em cinco partes e as partes assim formadas são então unidas ou misturadas formando as diferentes substâncias do universo, as proporções nas quais elas são misturadas sendo desiguais.) A cessação da existência consciente separada pela identificação com Brahman Supremo é o maior atributo ou condição para um agente vivo alcançar. E já que eu nunca me desviei daquele atributo ou condição, eu sou, portanto, chamado pelo nome de Achyuta (Inabalável). A Terra e o Firmamento são conhecidos como se estendendo em todas as direções. E porque eu sustenho ambos, portanto, eu sou chamado pelo nome de Adhokshaja. Pessoas conhecedoras dos Vedas e empenhadas em interpretar as palavras usadas naquelas escrituras me adoram em sacrifícios por me chamarem pelo mesmo nome. Antigamente, os grandes Rishis, enquanto empenhados em praticar austeridades severas, disseram, ‘Ninguém mais no universo além do pujante Narayana pode ser chamado pelo nome de Adhokshaja.’ A manteiga clarificada que sustenta as vidas de todas as criaturas no universo constitui minha refulgência. É por esta razão que Brahmanas conhecedores dos Vedas e possuidores de almas concentradas me chamam pelo nome de Ghritarchis. (A manteiga clarificada é o grande sustentador do universo, pois as libações despejadas no fogo sacrifical sustentam as divindades, e as divindades, assim sustentadas, derramam chuva que faz as colheitas e outros alimentos crescerem, dos quais, naturalmente, vive o universo de criaturas vivas.) Há três elementos bem conhecidos constituintes do corpo. Eles têm sua origem na ação, e são chamados de Bílis, Fleuma, e Vento. O corpo é chamado de uma união desses três. Todas as criaturas vivas são sustentadas por esses três, e quando esses três ficam enfraquecidos, as criaturas vivas também ficam enfraquecidas. É por esta razão que todas as pessoas familiarizadas com as escrituras que tratam da ciência da Vida me chamam pelo nome de Tridhatu. (Os elementos constituintes do corpo, chamados Dhatu são Bílis, Fleuma e Vento. Eles são devidos às ações porque o próprio nascimento é devido às ações. Não pode haver nascimento sem um corpo, e nem corpo sem esses três. Então, esses três têm sua origem nas ações anteriores não esgotadas por desfrute ou tolerância.) O santo Dharma é conhecido entre todas as criaturas pelo nome de Vrisha, ó Bharata. Por isso é que eu sou chamado de o excelente Vrisha no léxico Védico chamado Nighantuka. A palavra 'Kapi' significa o principal dos javalis, e Dharma também é conhecido pelo nome de Vrisha. É por esta razão que aquele senhor de todas as criaturas, isto é, Kasyapa, o progenitor comum das divindades e Asuras, me chamou pelo nome Vrishakapi. As divindades e os Asuras nunca puderam averiguar meu início, meu meio, ou meu fim. É por esta razão que eu sou cantado como Anadi, Amadhya e Ananta. Eu sou o Senhor Supremo dotado de pujança, e eu sou a testemunha eterna do universo (vendo como eu vejo suas sucessivas criações e destruições). Eu sempre ouço palavras que são puras e santas, ó Dhananjaya, e nunca seguro alguma coisa que seja pecaminosa. Então eu sou chamado pelo nome de Suchisravas. Assumindo, antigamente a forma de um javali com uma única presa, ó aumentador das alegrias de outros, eu ergui a Terra submersa do fundo do oceano. Por esta razão eu sou chamado pelo nome de Ekasringa. Quando eu assumi a forma do javali imenso para este propósito, eu tinha três corcovas em minhas costas. De fato, é por esta peculiaridade da minha forma naquele tempo que eu vim a ser chamado pelo nome de Trikakud (de três corcovas). Aqueles que conhecem a ciência proposta por Kapila chamam a Alma Suprema pelo nome de Virincha. Aquele Virincha também é chamado de grande Prajapati (ou Brahman). Na verdade eu sou idêntico a Ele, chamado Virincha, por eu dar animação para todas as criaturas vivas, pois eu sou o Criador do universo. Os preceptores da filosofia Sankhya, possuidores de conclusões definitivas (a respeito de todos os tópicos), me chamam de o eterno Kapila permanecendo no meio do disco solar (Savitri-mandala) somente com o Conhecimento como meu companheiro. Na Terra eu sou reconhecido como idêntico Àquele que tem sido cantado nos versos Védicos como o refulgente Hiranyagarbha e que é sempre adorado por Yogins. Eu sou considerado como a forma incorporada do Rich Veda consistindo em vinte e um mil versos. Pessoas familiarizadas com os Vedas também me chamam de a encarnação dos Samans de mil ramos. Assim mesmo Brahmanas eruditos que são meus adoradores devotados e que são muito raros me cantam nos Aranyakas. Nos Adhyaryus eu sou cantando como o Yajur-Veda de cinquenta e seis e oito e sete e trinta ramos. (O Yajur-Veda consiste, segundo este cálculo, em cento e um ramos.) Brahmanas eruditos conhecedores dos Atharvans me consideram como idêntico aos Atharvans consistindo nos cinco Kalpas e todos os Krityas. (Os Krityas são atos de encantamento, realizados com a ajuda de Mantras Atharvan. Eles são de grande eficácia. Brahmanas conhecedores dos Atharvans são competentes, com a ajuda de Krityas, para alterar as leis da Natureza e confundir o próprio universo.) Todas as subdivisões que existem dos diferentes Vedas em relação aos ramos e todos os versos que compõem aqueles ramos, e todas as vogais que ocorrem naqueles versos, e todas as regras em relação à pronúncia, saiba, ó Dhananjaya, são meu trabalho. Ó Partha, aquele que se ergue (no início da Criação do Oceano de Leite na mais intensa invocação de Brahmana e todas as divindades) e que dá diversos benefícios para as diversas divindades, é ninguém mais do que eu mesmo. Eu sou Ele que é o repositório da ciência de sílabas e pronúncia que é tratada nas partes suplementares dos Vedas. Seguindo o caminho indicado por Vamadeva, o Rishi Panchala de grande alma, por minha graça, obteve daquele Ser eterno as regras a respeito da divisão de sílabas e palavras (para a leitura dos Vedas). De fato, Galava, nascido na tribo Vabhravya, tendo alcançado êxito ascético e obtido um benefício de Narayana, compilou as regras a respeito da divisão de sílabas e palavras (para a leitura dos Vedas). De fato, Galava, nascido na tribo Vabhravya, tendo alcançado êxito ascético e obtido um benefício de Narayana, compilou as regras a respeito da divisão de sílabas e palavras e aquelas sobre ênfase e acento em elocução, e brilhou como o primeiro estudioso que se tornou conhecedor daqueles dois assuntos. Kundrika e o rei Brahmadatta de grande energia, pensando repetidamente na tristeza que acompanha nascimento e morte, obtiveram aquela prosperidade que é adquirida por pessoas dedicadas ao Yoga, no decorrer de sete nascimentos, por minha generosidade. Antigamente, ó Partha, por alguma razão, eu nasci como o filho de Dharma, ó chefe da linhagem de Kuru, e por causa de tal nascimento meu eu fui celebrado sob o nome de Dharmaja. Eu tomei nascimento em duas formas, isto é, como Nara e Narayana. Viajando no veículo (corpo) que ajuda rumo à realização de deveres escriturais e outros, eu pratiquei, naquelas duas formas, austeridades infinitas no leito de Gandhamadana. Naquele tempo ocorreu o grande sacrifício de Daksha. Daksha, no entanto, naquele seu sacrifício, se recusou a dar uma parte para Rudra, ó Bharata, das oferendas sacrificais. Incitado pelo sábio Dadhichi, Rudra destruiu aquele sacrifício. Ele arremessou um dardo cujas chamas resplandeciam a todo instante. Aquele dardo, tendo consumido todos os preparativos do sacrifício de Daksha, veio com grande força em direção a nós (Nara e Narayana) no retiro de Vadari. Com grande violência aquele dardo então caiu sobre o peito de Narayana. Atacado pela energia daquele dardo, o cabelo na cabeça de Narayana tornou-se verde. De fato, por causa dessa mudança na cor do meu cabelo eu vim a ser chamado pelo nome de Munjakesa. (Munja literalmente significa verde, ou uma erva de espécie específica.) Rechaçado por uma exclamação de Hun que Narayana proferiu, o dardo, sua energia sendo perdida, voltou para as mãos de Sankara. Nisto, Rudra ficou muito zangado e como o resultado disso ele avançou em direção aos Rishis Nara e Narayana, dotados da pujança de austeridades severas. Narayana então agarrou Rudra que avançava com sua mão pela garganta. Agarrado por Narayana, o senhor do universo, a garganta de Rudra mudou de cor e se tornou escura. Desde aquele tempo Rudra veio a ser chamado pelo nome de Sitikantha. Enquanto isso Nara, para o propósito de destruir Rudra, ergueu uma folha de grama, e a inspirou com Mantras. A folha de grama, assim inspirada, foi convertida em um poderoso machado de batalha. Nara repentinamente arremessou aquele machado de batalha em Rudra mas ele se quebrou em pedaços. Por aquela arma ter sido quebrada em pedaços dessa maneira, eu vim a ser chamado pelo nome de Khandaparasu.'” (Nara e Narayana eram a mesma pessoa. Então, a arma de Nara tendo sido quebrada em pedaços, Narayana veio a ser chamado por este nome. Em outra parte é explicado que Mahadeva é chamado de Khandaparasu por ter desistido de seu parasu (machado de batalha) para Rama da linhagem de Bhrigu.) "Arjuna disse, 'Naquela batalha capaz de ocasionar a destruição dos três mundos, quem obteve a vitória? Ó Janarddana, diga-me isso!'" "O abençoado e santo disse, 'Quando Rudra e Narayana ficaram engajados em combate dessa maneira, todo o universo ficou repentinamente cheio de ansiedade. A divindade do fogo parou de aceitar libações até da mais pura manteiga clarificada devidamente despejada em sacrifícios com a ajuda de Mantras Védicos. Os Vedas não brilharam mais por luz interior nas mentes dos Rishis de almas purificadas. Os atributos de Rajas e Tamas possuíram as divindades. A Terra tremeu. A abóbada do firmamento pareceu se dividir em duas. Todos os corpos luminosos ficaram desprovidos do seu esplendor. O próprio Criador, Brahman, caiu de seu assento. O próprio Oceano se tornou seco. As montanhas de Himavat foram rachadas. Quando tais presságios terríveis apareceram em todos os lugares, ó filho de Pandu, Brahma circundado por todas as divindades e os Rishis de grande alma logo chegaram àquele local onde a batalha ocorria. Brahma de quatro rostos, capaz de ser compreendido somente com a ajuda dos Niruktas, uniu suas mãos e dirigindo-se a Rudra, disse, ‘Deixe que aconteça o bem para os três mundos. Jogue ao chão tuas armas, ó senhor do universo, pelo desejo de beneficiar o universo. Aquele que é imanifesto, indestrutível, imutável, supremo, a origem do universo, uniforme, e o supremo ator, aquele que transcende todos pares de opostos, e que é inativo, optando por ser manifestado, ficou satisfeito em assumir esta forma abençoada, (pois embora duplo, os dois representam somente a mesma forma). Este Nara e Narayana (as formas manifestadas do Brahman Supremo) nasceu na linhagem de Dharma. As principais de todas divindades, estes dois são observadores dos votos mais elevados e dotados das penitências mais severas. Por alguma razão melhor conhecida por Ele, eu mesmo surgi do atributo de Sua Graça. Eterno como tu és, pois tu sempre exististe desde todas as criações passadas, tu também surgiste de Sua Ira. Comigo mesmo então, estas divindades, e todos os grandes Rishis, adore esta forma manifestada de Brahma, e que haja paz para todos os mundos sem qualquer demora.’ Assim endereçado por Brahma, Rudra em seguida rejeitou o fogo de sua cólera, e se pôs a gratificar o ilustre e pujante Deus Narayana. (Ele ficou satisfeito em assumir as formas dos Rishis Nara e Narayana.) De fato, ele logo se colocou à disposição do adorável concessor de benefícios e pujante Deus Narayana. Aquele Deus concessor de benefícios, Narayana, que tinha sua ira e os sentidos sob controle, logo ficou satisfeito e reconciliado com Rudra. Bem adorado pelos Rishis, por Brahma, e por todas as divindades, aquele grande Deus, o Senhor do universo, também chamado pelo nome de Hari, então se dirigiu ao ilustre Isana e disse a ele estas palavras: ‘Aquele que te conhece, me conhece. Aquele que te segue, me segue. Não há diferença entre nós. Nunca pense de outra maneira. A marca feita por tua lança em meu peito desde hoje assumirá a forma de um belo vórtice, e a marca da minha mão em tua garganta também assumirá uma forma bela pelas qual tu irás, deste dia em diante, ser chamado pelo nome de Sreekantha.'" "O abençoado e santo continuou, 'Tendo mutuamente feito tais marcas no corpo um do outro, os dois Rishis Nara e Narayana assim fizeram amizade com Rudra, e despedindo as divindades, mais uma vez se dirigiram à prática de penitências com uma alma tranquila. Eu assim te disse, ó filho de Pritha, como naquela batalha que ocorreu antigamente entre Rudra e Narayana, o último obteve a vitória. Eu também te disse os muitos nomes secretos pelos quais Narayana é chamado e quais são os significados, ó Bharata, de alguns daqueles nomes, os quais, como eu te falei, os Rishis têm dado ao grande Deus. Desse modo, ó filho de Kunti, assumindo diversas formas eu vago à vontade pela Terra, a região do próprio Brahma, e aquela outra região eterna e sublime de bem- aventurança chamada Goloka. Protegido por mim na grande batalha, tu ganhaste uma grande vitória. Aquele Ser a quem, no tempo de todas as tuas batalhas, tu viste atacando na tua vanguarda, saiba, ó filho de Kunti, não é outro a não ser Rudra, aquele deus dos deuses, também chamado pelo nome de Kaparddin. Ele também é conhecido pelo nome de Kala, (Kala é literalmente Tempo ou Eternidade, mas frequentemente significa morte ou destruição, ou aquele que ocasiona morte ou destruição), e deve ser conhecido como alguém que surgiu da minha ira. Aqueles inimigos os quais tu mataste foram todos, em primeiro lugar, mortos por ele. (Arjuna foi somente o instrumento ostensivo.) Curve tua cabeça para aquele deus dos deuses, aquele marido de Uma, dotado de força incomensurável. Com alma concentrada, curve tua cabeça para aquele Senhor ilustre do universo, aquela divindade indestrutível, também chamada pelo nome de Hari. Ele é ninguém mais do que aquela divindade que, como eu te falei repetidamente, surgiu da minha ira. Tu, antes disto, ouviste, ó Dhananjaya, da pujança e energia que residem nele!'" 344 Saunaka disse, "Ó Sauti, é excelente esta narrativa que tu contaste. Na verdade, estes ascetas, tendo-a ouvido estão todos maravilhados. É dito, ó Sauti, que um discurso que tem Narayana como seu tópico é mais produtivo de mérito do que estadas em todos os retiros sagrados e abluções realizadas em todas as águas sagradas sobre a Terra. Tendo escutado este teu discurso que tem Narayana como seu tópico, que é sagrado e capaz de purificar alguém de todos os pecados, todos nós certamente nos tornamos santos. Adorada por todos os mundos, aquela ilustre e principal das divindades é incapaz de ser contemplada pelas divindades com Brahma numerando entre elas e todos os Rishis. Que Narada pudesse obter uma visão do Deus Narayana, também chamado Hari, foi devido, ó filho de Suta, à graça especial daquele Senhor divino e pujante. Quando, no entanto, o Rishi celeste Narada tinha conseguido obter uma visão do Senhor Supremo do universo, uma residindo na forma de Aniruddha, por que ele procedeu tão rapidamente (para o retiro de Vadari no leito de Himavat) para ver aqueles dois principais Rishis divinos, Nara e Narayana? Ó Sauti, nos diga a razão de tal conduta da parte de Narada." Sauti disse, ‘Durante a continuação do seu sacrifício de cobras, Janamejaya, o filho nobre de Parikshit, utilizando-se de um intervalo nos ritos sacrificais, e quando todos os Brahmanas eruditos estavam descansando, ó Saunaka, aquele rei de reis dirigiu-se ao avô do seu avô, isto é, o Krishna Nascido na Ilha, também chamado Vyasa, aquele oceano de erudição Védica, aquele principal dos ascetas dotado de pujança, e disse estas palavras.’” Janamejaya disse, "Depois que o Rishi celeste Narada tinha voltado da Ilha Branca, refletindo, conforme vinha, sobre as palavras faladas a ele pelo santo Narayana, o que, de fato, o grande asceta fez em seguida? Chegando ao retiro conhecido pelo nome de Vadari no leito das montanhas Himavat, e vendo os dois Rishis Nara e Narayana que estavam empenhados em austeridades severas naquele local, por quanto tempo Narada morou lá e quais foram os tópicos de conversação entre ele e os dois Rishis? Este discurso sobre Narayana, que é realmente um oceano de conhecimento, foi criado pela tua pessoa inteligente por bater aquela história vasta chamada Bharata que consiste em cem mil versos. Como manteiga é criada dos coalhos, sândalo das montanhas de Malaia, os Aranyakas dos Vedas, e néctar de todas as ervas medicinais, da mesma maneira, ó oceano de austeridades, este discurso que é como néctar e que tem Narayana como seu objeto foi criado por ti, ó Brahmana, de diversas histórias e Puranas existentes no mundo, Narayana é o Senhor Supremo. Ilustre e dotado de grande pujança, Ele é a alma de todas as criaturas. De fato, ó principal dos regenerados, a energia de Narayana é irresistível. Em Narayana, no fim do Kalpa, entram todas as divindades tendo Brahman como seu principal, todos os Rishis com os Gandharvas, e todas as coisas móveis e imóveis. Eu penso, portanto, que não há nada mais santo sobre a terra ou no céu, e nada mais elevado, do que Narayana. Uma permanência em todos os retiros sagrados da Terra, e abluções realizadas em todas as águas sagradas, não são produtivas de tanto mérito quanto um discurso que tem Narayana como seu tópico. Tendo escutado desde o começo este discurso sobre Hari, o senhor do universo, que destrói todos os pecados, nós sentimos que nós estamos purificados de todos os nossos pecados e totalmente santificados. Nada extraordinário foi realizado por meu antepassado Dhananjaya que foi o vencedor na grande batalha em Kurukshetra, pois deve ser lembrado que ele tinha Vasudeva como seu aliado. Eu penso que não poderia haver nada inalcançável nos três mundos para a pessoa que tivesse como seu aliado o próprio Vishnu, aquele grande Senhor do universo. Extremamente afortunados e meritórios eram aqueles meus antepassados, já que eles tiveram o próprio Janarddana para cuidar de sua prosperidade mundana e espiritual. Adorado de todos os mundos, o santo Narayana só pode ser visto com a ajuda de austeridades. Eles, no entanto, conseguiram ver Narayana, adornado com o belo vórtice em seu peito. Mais afortunado do que meus antepassados foi o Rishi celeste Narada, o filho de Pramesthi. De fato, eu penso que Narada, que transcende toda destruição, era dotado de uma energia que não era pouca, pois se dirigindo para a Ilha Branca ele conseguiu ver a pessoa de Hari. De fato, é evidente que a visão que ele obteve do Senhor Supremo foi devido somente à graça daquele Ser. Afortunado foi Narada visto que ele conseguiu contemplar Narayana como existente na forma de Aniruddha. Tendo contemplado Narayana naquela forma, por que Narada se apressou novamente para o retiro de Vadari para o propósito de ver Nara e Narayana? Qual foi a razão, ó asceta, desse passo dado por Narada? Por quanto tempo também Narada, o filho de Pramesthi, depois do seu retorno da Ilha Branca e chegada em Vadari e encontro com os dois Rishis Nara e Narayana, viveu lá, e quais conversações ele teve com eles? O que aqueles dois principais Rishis de grande alma disseram para ele? Cabe a ti me dizer tudo isso!'" (As perguntas de Janamejaya, parece, eram endereçadas a Vyasa. Todas as edições, no entanto, fazem Vaisampayana responder aquelas perguntas.) Vaisampayana disse, "Saudações para o santo Vyasa de energia incomensurável. Por sua graça eu recitarei esta narrativa tendo Narayana como seu tópico. Chegado na Ilha Branca, Narada viu o imutável Hari. Deixando aquele local ele procedeu rapidamente, ó rei, para as montanhas de Meru, levando em sua mente aquelas palavras importantes que Paramatma (o Senhor Supremo) tinha dito para ele. Chegando a Meru ele ficou muito admirado ao pensar, ó rei, no que ele tinha conseguido. E ele disse para si mesmo, 'Quão maravilhoso é isto! A viagem que eu realizei é longa. Tendo procedido para semelhante distância, eu voltei são e salvo.’ Das montanhas de Meru ele então procedeu em direção a Gandhamadana. Atravessando os céus ele desceu rapidamente sobre aquele retiro extenso conhecido pelo nome de Vadari. Lá ele viu aquelas divindades antigas, aqueles dois principais dos Rishis, (chamados Nara e Narayana), dedicados à prática de penitências, cumprindo votos excelentes, e devotados ao culto de si mesmos. Ambas aquelas pessoas encantadoras portavam em seus peitos os belos vórtices chamados Sreevatsa, e ambos tinham madeixas emaranhadas em suas cabeças. E pela refulgência com a qual eles iluminavam o mundo eles pareciam superar o próprio Sol em energia. As palmas de cada um tinham a marca chamada de o pé do cisne. As solas dos seus pés tinham a marca do disco. Seus peitos eram muito largos; seus braços alcançavam seus joelhos. Cada um deles tinha quatro 'Mushkas' (juntas de ombros). Cada um deles tinha sessenta dentes e quatro braços. A voz de cada um era tão profunda quanto o ribombo das nuvens. Seus rostos eram extremamente belos, suas testas largas, suas sobrancelhas formosas, suas bochechas bem formadas, e seus narizes aquilinos. As cabeças daquelas duas divindades eram grandes e redondas, parecendo com guarda-sóis abertos. Possuidores dessas marcas, eles eram certamente pessoas muito superiores em aparência. Vendo-os, Narada ficou cheio de alegria. Ele os saudou com reverência e foi saudado por eles em retorno. Eles receberam o Rishi celeste, dizendo 'Bem vindo!', e fizeram as perguntas costumeiras. Contemplando aqueles dois principais dos Seres, Narada começou a refletir dentro de si mesmo, ‘Estes dois principais dos Rishis parecem ser muito semelhantes, em aparência, àqueles Rishis respeitados por todos, os quais eu vi na Ilha Branca.’ Pensando dessa maneira, ele circungirou a ambos e então se sentou no assento excelente feito de erva Kusa que tinha sido oferecido para ele. Depois disso, aqueles dois Rishis que eram a residência das penitências, de realizações famosas, e de energia, e que eram dotados de tranquilidade de coração e autodomínio, praticaram seus ritos matinais. Eles então, com corações controlados, adoraram Narada com água para lavar seus pés e os ingredientes usuais do Arghya. (É dito que com a maioria dos homens jovens o que ocorre é que seus corações a princípio os deixam quando eles vêem chegar um convidado respeitado que é para ser recebido com honras devidas. Pouco depois, eles recebem de volta seus corações. Em Nara e Narayana, no entanto, nada desse tipo aconteceu quando eles viram Narada primeiramente, embora Narada fosse alguém a quem sua reverência era devida.) Tendo terminado seus ritos matinais e as observâncias necessárias para receber seu convidado, eles se sentaram em dois assentos feitos de pranchas de madeira. Quando aqueles dois Rishis tomaram seus assentos, aquele lugar começou a brilhar com beleza peculiar assim como o altar sacrifical resplandece com beleza por causa dos fogos sagrados quando libações de manteiga clarificada são derramadas sobre eles. Então Narayana, vendo Narada revigorado da fadiga e sentado tranquilamente e bem satisfeito com os ritos de hospitalidade que ele tinha recebido, se dirigiu a ele, dizendo estas palavras.’” "Nara e Narayana disseram, 'Tu viste na Ilha Branca o Paramatma (Alma suprema), que é eterno e divino, e que é a fonte sublime de onde nós surgimos?'” "Narada disse, 'Eu vi aquele Ser belo que é imutável e que tem o universo como sua forma. Nele habitam todos os mundos, e todas as divindades com os Rishis. Agora mesmo eu vejo aquele Ser imutável, ao contemplar vocês dois. Aquelas marcas e indicações que caracterizam o próprio Hari de forma não manifestada, caracterizam vocês dois que são dotados de formas manifestadas diante dos sentidos. (Nara e Narayana são formas manifestadas do Hari não manifestado.) Na verdade, eu vejo vocês ao lado daquele grande Deus. Despedido pela Alma Suprema, eu hoje vim para cá. Em energia e fama e beleza, quem mais nos três mundos pode se igualar a Ele do que vocês dois que nasceram na linhagem de Dharma? Ele me disse a direção inteira de deveres com relação a Kshetrajna. Ele também me falou de todas aquelas encarnações as quais ele irá, no futuro, ter neste mundo. Os habitantes da Ilha Branca, os quais eu vi, são todos desprovidos dos cinco sentidos que são possuídos pelas pessoas comuns. Todos eles são de almas despertas, dotados como eles são do conhecimento verdadeiro. Eles são, também, totalmente devotados ao principal dos Seres, o Senhor Supremo do universo. Eles estão sempre dedicados a cultuar aquela grande Divindade, e a última sempre passa o tempo com eles. A Alma Suprema e santa é sempre amiga daqueles que são devotados a Ele. Ele é amigo também dos regenerados. Sempre afeiçoado àqueles que são devotados a Ele, Ele passa o tempo com aqueles Seus devotos. Desfrutador do universo, permeando tudo, o ilustre Madhava é sempre afetuoso para seus devotos. Ele é o Ator; Ele é a Causa; e Ele é o efeito. Ele é dotado de onipotência e esplendor incomensurável. Ele é Causa de onde todas as coisas surgem. Ele é a encarnação de todas as ordenanças escriturais. Ele é a encarnação de todos os tópicos. Ele possui grande fama. Unindo-se com penitências, Ele tem iluminado a Si Mesmo com um esplendor que é citado como representando uma energia que é maior do (que a que se encontra na) Ilha Branca. De alma purificada por penitências, Ele tem ordenado Paz e Tranquilidade nos três mundos. Com tal compreensão auspiciosa, ele está dedicado à observância de um voto muito superior o qual é a encarnação da santidade. Aquele reino onde ele reside, engajado em penitências austeras, o Sol não aquece e a Lua não faz brilhar. Lá o vento não sopra. Tendo construído um altar medindo a largura de oito dedos, o ilustre Criador do universo está praticando penitências lá, permanecendo sobre um pé, com braços erguidos, e com rosto virado para o Leste, recitando os Vedas com seus ramos, ele está engajado em praticar as austeridades mais severas. Quaisquer libações de manteiga clarificada ou carne que sejam despejadas sobre o fogo sacrifical segundo as ordenanças de Brahma, pelos Rishis, pelo próprio Pasupati, pelo resto das divindades principais, pelos Daityas, os Danavas, e os Rakshasas, todas alcançam os pés daquela grande divindade. Quaisquer ritos e atos religiosos que sejam realizados por pessoas cujas almas são totalmente devotadas a ele, são todas recebidas por aquela grande Divindade sobre sua cabeça. Ninguém é mais caro para ele nos três mundos do que aquelas pessoas que são despertas e possuidoras de grandes almas. Mais caro ainda do que aquelas pessoas é alguém que é totalmente devotado a ele. Despedido por ele que é a Alma Suprema, eu vim aqui. Isso foi o que o próprio Hari ilustre e santo disse para mim. Eu de agora em diante residirei com você dois, devotado a Narayana na forma de Aniruddha.'" 345 "Nara e Narayana disseram, 'Tu és digno do maior louvor, e tu foste altamente favorecido, já que tu viste o próprio Narayana pujante (na forma de Aniruddha). Ninguém mais, nem mesmo o próprio Brahma que surgiu do lótus primordial, é capaz de contemplá-lo. Aquele principal dos Purushas, dotado de pujança e santidade, é de origem imanifesta e incapaz de ser visto. Estas palavras que nós te dizemos são muito verdadeiras, ó Narada. Não existe ninguém no universo que seja mais querido para ele do que aquele que o adora com devoção. É por isso, ó melhor dos regenerados, que ele se mostrou para ti. Ninguém pode se dirigir para aquele reino onde a Alma Suprema está dedicada à observância de penitências, exceto nós dois, ó principal das pessoas regeneradas. Por aquele local ser adornado por Ele, seu esplendor parece com a refulgência de mil Sóis reunidos juntos. Daquele Ser ilustre, ó Brahmana, dele que é a origem do Criador do universo, ó principal de todas as pessoas dotadas de clemência, surge o atributo de clemência que se atribui à Terra. (Tão perdoador quanto a Terra é uma forma comum de expressão em quase todos os dialetos Indianos.) É daquele Ser ilustre que procura o bem-estar de todos seres, que Rasa (Gosto) surgiu. O atributo de Rasa se vincula às águas que são, também, líquidas. É dele que surgiu o Calor ou Luz tendo o atributo de forma ou visão. Ele se vincula ao sol pelo que o Sol se torna capaz de brilhar e dar calor. É daquele ilustre e principal dos Seres também que o Tato surgiu. Ele está ligado ao Vento, pelo qual o Vento se move continuamente no mundo produzindo a sensação de toque. É daquele Senhor pujante de todo o universo que o Som surgiu. Ele se vincula ao Espaço, o qual, em consequência disso, existe descoberto e desimpedido. É daquele Ser ilustre que a Mente, a qual permeia todos os Seres, surgiu. Ela se liga a Chandramas, pelo que Chandramas vem a ser investido com o atributo de revelar todas as coisas. Aquele local onde o divino Narayana, aquele participante das libações e outras oferendas feitas em sacrifícios, reside somente com o Conhecimento como seu companheiro, nos Vedas, tem sido chamado pelo nome de causa produtiva de todas as coisas ou Sat. O caminho que é daqueles, ó principal das pessoas regeneradas, que são imaculados e que são livres de virtude e pecado, é repleto de ventura e felicidade. Aditya, que é o dissipador da escuridão de todos os mundos, é citado como sendo a porta (pela qual o Emancipado deve passar). Entrando em Aditya, os corpos de tais pessoas vêm a ser consumidos por seu fogo. Eles então se tornam invisíveis pois depois disso eles não podem ser vistos por alguém em qualquer tempo. Reduzidos a átomos invisíveis, eles então entram (em Narayana em forma manifestada e residindo no meio da região coberta por Aditya) na forma de Aniruddha. Perdendo todos os atributos físicos e sendo totalmente transformados em Mente apenas, eles então entram em Pradyumna. Indo além de Pradyumna, aquelas principais das pessoas regeneradas, incluindo aquelas que são familiarizadas com a filosofia Sankhya e aquelas que são devotadas à divindade Suprema, então entram em Sankarsana que também é chamado de Jiva. Depois disso, desprovidos dos três atributos primordiais de Sattwa, Rajas, e Tamas, aqueles principais dos seres regenerados rapidamente entram no Paramatma (Alma Suprema) também chamado de Kshetrajna e que transcende os três atributos primordiais. Saiba que Vasudeva é Ele quando chamado de Kshetrajna. Na verdade tu deves saber que Vasudeva é a residência ou o refúgio original de todas as coisas no universo. Somente aqueles cujas mentes são concentradas, que são observadores de todos os tipos de restrição, cujos sentidos são controlados, e que são devotados ao Único, conseguem entrar em Vasudeva. Nós dois, ó principal dos regenerados, nascemos na casa de Dharma. Residindo neste retiro encantador e espaçoso nós estamos passando pelas mais austeras das penitências. Nós estamos engajados dessa maneira, ó regenerado, sendo movidos pelo desejo de beneficiar aquelas manifestações da Divindade Suprema, caras para todos os celestiais, que irão ocorrer nos três mundos (para realizar diversas façanhas que não podem ser realizadas por algum outro Ser). De acordo com tais ordenanças que são raras e que se aplicam somente a nós dois, ó melhor das pessoas regeneradas, nós estamos praticando devidamente todos os votos excelentes e sublimes repletos das mais rigorosas das penitências. Tu, ó Rishi celeste, dotado de riqueza de penitências, foste visto por nós na Ilha Branca quando tu foste lá. Tendo encontrado com Narayana, tu tomaste uma resolução específica, a qual é conhecida por nós. Nos três mundos consistindo em seres móveis e imóveis não há nada que seja desconhecido para nós. Do bem ou mal que ocorrerá ou que ocorreu ou que está ocorrendo, aquele Deus dos deuses, ó grande asceta, te informou!'" Vaisampayana continuou, "Tendo ouvido essas palavras de Nara e Narayana, ambos os quais eram dedicados à prática de penitências severas, o Rishi celeste Narada uniu suas mãos em reverência e tornou-se totalmente devotado a Narayana. Ele empregou seu tempo em recitar mentalmente, com as observâncias apropriadas, inúmeros Mantras sagrados que eram aprovados por Narayana. Cultuando a Divindade Suprema Narayana, e adorando aqueles dois Rishis antigos também que tinham nascido na casa de Dharma, o ilustre Rishi Narada, dotado de grande energia, continuou a residir, assim ocupado, naquele retiro, chamado Vadari, no leito de Himavat, pertencente a Nara e Narayana, por mil anos como medidos pelo padrão dos celestiais.'" 346 Vaisampayana disse, "Em uma ocasião, enquanto residindo no retiro de Nara e Narayana, Narada, o filho de Pramesthi, tendo realizado devidamente os ritos e observâncias em honra das divindades, se pôs a realizar depois disso os ritos em honra dos Pitris. Vendo-o assim preparado, o filho mais velho de Dharma, isto é, o pujante Nara, dirigiu-se a ele, dizendo, 'Quem tu estás cultuando, ó principal das pessoas regeneradas, por estes ritos e observâncias relativos às divindades e os Pitris? Ó principal de todas as pessoas dotadas de inteligência, diga-me isto, de acordo com as escrituras. O que é isto que tu estás fazendo? Quais também são os frutos desejados por ti daqueles ritos que tu te dedicas a realizar?'” "Narada disse, "Tu me disseste que em uma ocasião anterior que ritos e observâncias em honra das divindades devem ser realizados. Tu disseste que os ritos em honra das divindades constituem o sacrifício mais elevado e são equivalentes ao culto da Alma Suprema eterna. Instruído por aquele ensino, eu sempre sacrifico em honra do eterno e imutável Vishnu, por estes ritos que eu realizo em cultuar as divindades. É daquela Divindade Suprema que Brahma, o Avô de todos os mundos, teve seu surgimento antigamente. Aquele Brahma, também chamado de Prameshthi, cheio de alegria, fez meu pai (Daksha) vir à existência. Eu fui o filho de Brahma, criado antes de todos os outros, por um decreto de sua vontade (embora eu tivesse que tomar nascimento depois como o filho de Daksha por causa de uma maldição daquele Rishi). Ó justo e ilustre, eu estou realizando estes ritos em honra dos Pitris por causa de Narayana, e em conformidade com aquelas ordenanças que foram prescritas por ele mesmo. O ilustre Narayana é o pai, mãe, e avô (de todas as criaturas). Em todos os sacrifícios realizados em honra dos Pitris, é aquele Senhor do universo que é cultuado e adorado. Em uma ocasião, as divindades, que eram pais, ensinaram os Srutis para seus filhos. Tendo perdido seu conhecimento dos Srutis, os pais tiveram que adquiri-lo outra vez daqueles filhos para quem eles o tinham comunicado. Por causa desse incidente, os filhos, que tinham assim comunicado os Mantras para seus pais, adquiriram a posição de pais (e os pais, por terem obtido os Mantras de seus filhos, adquiriram a posição de filhos). (A história é que uma vez as divindades, na véspera de saírem em uma campanha contra os Asuras, comunicaram os Vedas para seus filhos, Agnishatta e outros. Por consequência, no entanto, da duração do tempo pelo qual eles ficaram ocupados no campo, eles esqueceram seus Vedas. Voltando para o céu, eles tiveram realmente que readquiri-los de seus próprios filhos e discípulos. As Escrituras declaram que o preceptor é sempre o pai, e o discípulo é o filho. Diferença de idade não perturba o relacionamento. Um jovem de dezesseis pode assim ser o pai de um octogenário. Com Brahmanas, a reverência é devida ao conhecimento, não à idade.) Sem dúvida, o que as divindades fizeram naquela ocasião é bem conhecido por vocês dois. Filhos e pais (naquela ocasião) tiveram assim que cultuar uns aos outros. Tendo primeiro espalhado algumas folhas de erva Kusa, as divindades e os Pitris (que eram seus filhos) colocaram três Pindas sobre elas e dessa maneira adoraram uns aos outros. Eu desejo saber, no entanto, a razão por que os Pitris antigamente adquiriram o nome de Pindas.'” "Nara e Narayana disseram, 'A Terra, antigamente, com sua faixa de mares, desapareceu de vista. Govinda, assumindo a forma de um javali gigantesco, a ergueu (com sua presa imensa). Tendo recolocado a Terra em sua posição anterior, aquele principal dos Purushas, seu corpo coberto com água e lama, se pôs a fazer o que era necessário para o mundo e seus habitantes. Quando o sol alcançou o meridiano, e chegou a hora, portanto, de dizer suas orações matinais, o Senhor pujante, livrando-se repentinamente de três bolas de lama de sua presa, colocou-as sobre a Terra, ó Narada, tendo previamente espalhado sobre ela certas folhas de grama. O pujante Vishnu ofereceu aquelas bolas de lama para si mesmo, de acordo com os ritos prescritos na ordenança eterna. Considerando as três bolas de lama que o Senhor pujante tinha tirado de suas presas como Pindas, ele então, com sementes de gergelim de núcleo oleoso que provieram do calor do seu próprio corpo, realizou ele mesmo o rito de consagração, sentando com o rosto virado para o Leste. Aquela principal das divindades então, impelida pelo desejo de estabelecer regras de conduta para os habitantes dos três mundos, disse estas palavras: "Vrishakapi disse, ‘Eu sou o Criador dos mundos. Eu estou decidido a criar aqueles que devem ser chamados de Pitris.’ Dizendo estas palavras, ele começou a pensar naquelas ordenanças superiores que devem regular os ritos a serem praticados em honra dos Pitris. Enquanto assim ocupado, ele viu que as três bolas de lama, sacudidas da sua presa, tinham caído em direção ao Sul. Ele então disse para si mesmo, ‘Essas bolas, sacudidas da minha presa, caíram sobre a Terra em direção ao Sul de sua superfície. Levado por isto, eu declaro que essas devem ser conhecidas de agora em diante pelo nome de Pitris. Que essas três que não têm uma forma específica, e que são somente redondas, venham a ser consideradas como Pitris no mundo. Dessa maneira eu crio os Pitris eternos. Eu sou o pai, o avô, e o bisavô, e eu devo ser considerado como residindo nesses três Pindas. Não há alguém que seja superior a mim. Quem há a quem eu mesmo poderia cultuar ou adorar com ritos? Quem, além disso, é meu pai no universo? Eu mesmo sou meu avô. Eu sou, de fato, o Avô e o Pai. Eu sou a única causa (de todo o universo).’ Tendo dito estas palavras, aquele Deus de deuses, Vrishakapi por nome, ofereceu aqueles Pindas, ó Brahmana erudito, no leito das montanhas Varaha, com ritos elaborados. Por meio daqueles ritos Ele adorou a Si mesmo, e tendo terminado o culto, desapareceu. Por isso os Pitris vieram a ser chamados pelo nome de Pinda. Este mesmo é o fundamento da denominação. De acordo com as palavras proferidas por Vrishakapi naquela ocasião, os Pitris recebem o culto oferecido por todos. Aqueles que realizam sacrifícios em honra de e adoram os Pitris, as divindades, o preceptor ou outros convidados superiores veneráveis chegados à casa, vacas, Brahmanas superiores, a deusa Terra, e suas mães, em pensamentos, palavras, e ações, são considerados como adorando e sacrificando para o próprio Vishnu. Permeando os corpos de todas as criaturas existentes, o Senhor ilustre é a Alma de todas as coisas. Inalterado por felicidade ou miséria, Sua atitude em direção a todos é a mesma. Dotado de grandeza, e de grande alma, Narayana é citado como sendo a alma de todas as coisas no universo.'" 347 Vaisampayana disse, 'Tendo ouvido estas palavras de Nara e Narayana, o Rishi Narada se encheu de devoção pelo Ser Supremo. De fato, com sua toda sua alma ele se devotou a Narayana. Tendo residido por mil anos completos no retiro de Nara e Narayana, tendo contemplado o imutável Hari, e ouvido o discurso excelente tendo Narayana como seu tópico, o Rishi celeste dirigiu-se para seu próprio retiro no leito de Himavat. Aqueles principais dos ascetas, isto é, Nara e Narayana, no entanto, continuaram a residir em seu encantador retiro de Vadari, dedicados à prática das mais severas austeridades. Tu és nascido na família dos Pandavas. Tu és de energia incomensurável. Ó perpetuador da linhagem dos Pandavas, tendo escutado este discurso sobre Narayana desde o início, tu foste certamente purificado de todos os teus pecados e tua alma foi santificada. Nem este mundo nem o mundo seguinte, ó melhor dos reis, é daquele que odeia em vez de amar e reverenciar o imutável Hari. Os antepassados daquela pessoa que odeia Narayana, que é a principal das divindades, e também é chamado de Hari, caem no inferno pela eternidade. Ó tigre entre homens, Vishnu é a alma de todos os seres. Como então Vishnu pode ser odiado, visto que ao odiá-lo uma pessoa odiaria a si mesma? Ele que é nosso preceptor, isto é, o Rishi Vyasa, o filho de Gandhavati, ele mesmo narrou para nós este discurso sobre a glória de Narayana, aquela glória a qual é a mais sublime e que é imutável. Eu o ouvi dele e o recitei para ti exatamente como eu o ouvi, ó impecável. Este culto, com seus mistérios e seu resumo de detalhes, foi obtido por Narada, ó rei, daquele Senhor do universo, o próprio Narayana. Tais são os detalhes deste grande culto. Eu, antes disto, ó principal dos reis, o expliquei para ti no Hari-Gita, com uma referência breve às suas ordenanças. (O Hari-Gita é o Bhagavad-Gita. Ele é às vezes chamado também de Narayana-Gita.) Saiba que o Krishna Nascido na Ilha, também chamado de Vyasa, é Narayana sobre a Terra. Quem mais além dele, ó tigre entre reis, poderia compilar tal tratado como o Mahabharata? Quem mais além daquele Rishi pujante poderia falar sobre os diversos tipos de deveres e cultos para a observância e adoção dos homens? Tu resolveste realizar um sacrifício grandioso. Que este teu sacrifício prossiga como determinado por ti. Tendo escutado aos diversos tipos de deveres e cultos, que teu Sacrifício de Cavalo continue." Sauti continuou, ‘Aquele melhor dos reis, tendo ouvido este grandioso discurso, iniciou todos aqueles ritos que estão prescritos na ordenança para a conclusão do seu grande sacrifício. Questionado por ti, ó Saunaka, eu narrei devidamente para ti e todos esses Rishis que são habitantes da floresta Naimisha, aquele grande discurso tendo Narayana como seu tópico. Antigamente Narada o recitou para meu preceptor na audição de muitos Rishis e os filhos de Pandu e na presença de Krishna e Bhishma também. A divindade Suprema Narayana é o Senhor de todos os principais dos Rishis, e dos três mundos. Ele é o sustentador da própria Terra de vastas proporções. Ele é o receptáculo dos Srutis e do atributo de humildade. Ele é o grande receptáculo de todas aquelas ordenanças que devem ser praticadas para obter tranquilidade de coração, como também de todas aquelas que levam o nome de Yama. Ele está sempre acompanhado pelas principais das pessoas regeneradas. Que aquela divindade sublime seja teu refúgio. Hari sempre faz o que é agradável e benéfico para os habitantes do céu. Ele é sempre o matador de tais Asuras (que se tornam incômodos para os três mundos). Ele é o receptáculo de penitências. Ele é possuidor de grande fama. Ele é o matador dos Daityas conhecidos pelo nome de Madhu e Kaitabha. Ele é o ordenador dos fins que são alcançados por pessoas conhecedoras e observadoras dos deveres escriturais e outros. Ele dissipa os medos de todas as pessoas. Ele pega as principais daquelas oferendas que são dedicadas em sacrifícios. Ele é teu refúgio e proteção. Ele é dotado de atributos. Ele é livre de atributos. Ele é dotado de uma forma quádrupla. Ele compartilha dos méritos provenientes da consagração de tanques e da observância de ritos religiosos similares. Insuperável e possuidor de grande poder, é Ele que sempre ordena o fim acessível somente à Alma, dos Rishis de atos justos. Ele é a testemunha dos mundos; (pois ele tem testemunhado inúmeras Criações de Destruições e as testemunhará pela eternidade). Ele é não nascido. Ele é o único Purusha antigo. Dotado da cor do Sol, Ele é o Senhor Supremo, e ele é o refúgio de todos. Todos vocês curvem suas cabeças para Ele (Vasudeva), já que Ele que surgiu das águas (isto é, o próprio Narayana) curva sua cabeça para Ele. Ele é a origem do universo. Ele é aquele Ser que é chamado de Amrita. Ele é perfeito. Ele é o refúgio do qual todas as coisas dependem. Ele é o único Ser a quem o atributo de imutabilidade se vincula. Os Sankhyas e Yogins, de almas controladas, mantêm Ele que é eterno em suas compreensões.’” 348 Janamejaya disse, 'Eu ouvi de ti a glória da Alma Divina e Suprema. Eu soube também do nascimento da Divindade Suprema na casa de Dharma, na forma de Nara e Narayana. Eu ouvi também de ti a respeito da origem do Pinda a partir do poderoso Baraha (javali) (cuja forma a Divindade suprema assumiu para erguer a Terra submersa). Eu ouvi de ti acerca daquelas divindades e Rishis que foram ordenados para a religião de Pravritti e daqueles que foram ordenados para a religião de Nivritti. Tu também, ó regenerado, nos falaste sobre outros assuntos. Tu nos falaste também daquela forma vasta, com a cabeça Equina, de Vishnu, aquele participante das libações e outras oferendas feitas em sacrifícios, isto é, a forma que apareceu no grande oceano no Nordeste. Aquela forma foi vista pelo ilustre Brahman, também conhecido pelo nome de Parameshthi. Quais, no entanto, eram as feições exatas, e qual a energia, cuja semelhante entre todos os objetos grandiosos nunca apareceu antes, daquela forma que Hari, o mantenedor do universo, mostrou naquela ocasião? O que Brahman fez, ó asceta, depois de ter visto aquela principal das divindades, cuja semelhante nunca tinha sido vista antes, que era de energia incomensurável, que tinha a cabeça Equina, e que era a própria Santidade? Ó regenerado, esta dúvida surgiu em nossa mente acerca desse assunto antigo de conhecimento. Ó tu da mais notável inteligência, por qual razão a Divindade Suprema assumiu aquela forma e se mostrou nela para Brahman? Tu certamente nos tem santificado por nos falar sobre esses diversos assuntos sagrados!'” Sauti disse, ‘Eu narrarei para ti aquela história antiga, a qual é perfeitamente consistente com os Vedas, e que o ilustre Vaisampayana contou para o filho de Parikshit na ocasião do grande Sacrifício de Cobras. Tendo ouvido o relado da forma poderosa de Vishnu, equipada com a cabeça de cavalo, o filho nobre de Parikshit também teve a mesma dúvida e fez as mesmas perguntas para Vaisampayana.’” Janamejaya disse, "Diga-me, ó melhor dos homens, por que razão Hari apareceu naquela forma poderosa equipada com uma cabeça de cavalo e a qual Brahma, o Criador, viu nas margens do grande Oceano do norte na ocasião referida por você mesmo?" Vaisampayana disse, "Todos os objetos existentes, ó rei, neste mundo, são o resultado de uma combinação dos cinco elementos primordiais, uma combinação devido à inteligência do Senhor Supremo. O pujante Narayana, dotado de infinidade, é o Senhor Supremo e Criador do universo. Ele é a Alma interna de todas as coisas, e o dador de benefícios. Desprovido de atributos, ele também é possuidor deles. Ouça-me agora, ó melhor dos reis, enquanto eu narro para ti como a Destruição de todas as coisas é ocasionada. Inicialmente, o elemento Terra imerge na Água e nada então é visto exceto uma vasta extensão de Água por todos os lados. A Água então imerge no Calor, e o Calor no Vento. O Vento então imerge no Espaço, o qual por sua vez imerge na Mente. A Mente imerge no Manifesto (também chamado de Consciência ou Ego). O Manifesto imerge no Imanifesto (ou Prakriti). O Imanifesto (ou Prakriti) imerge em Purusha (Jivatman) e Purusha na Alma Suprema (ou Brahman). Então a Escuridão se estende sobre a superfície do universo, e nada pode ser percebido. Daquela Escuridão primordial surge Brahma (dotado do princípio de Criação). A Escuridão é primeva e repleta de imortalidade. Brahma que surge da Escuridão primeva se desenvolve (por sua própria potência) na idéia do universo, e assume a forma de Purusha. Tal Purusha é chamado de Aniruddha. Privado de sexo, ele também é chamado pelo nome de Pradhana (Supremo ou Primitivo). Ele é também conhecido pelo nome de Manifesto, ou a combinação do atributo triplo, ó melhor dos reis. Ele existe somente com o Conhecimento como seu companheiro. Aquele Ser ilustre e pujante é também chamado pelo nome de Viswaksena ou Hari. Entregando-se ao sono-Yoga, ele se deita sobre as águas. Ele então pensa na Criação do Universo de fenômenos diversificados e repleto de atributos imensuráveis. Enquanto ocupado em pensar na Criação, ele se lembra de seus próprios atributos superiores. Disto surge o Brahma de quatro faces representando a Consciência de Anirudha. O ilustre Brahma, também chamado de Hiranyagarbha, é o Avô de todos os mundos. Dotado de olhos como pétalas de lótus, ele nasce dentro do Lótus que surge (do umbigo) de Anirudha. Sentado sobre aquele Lótus, o ilustre, pujante, e eterno Brahma de aspecto extraordinário viu que as águas estavam por todos os lados. Adotando o atributo de Sattwa Brahma, também chamado Parameshthi, ele então começou a criar o universo. No Lótus primevo que era dotado da refulgência do Sol, duas gotas de água foram lançadas por Narayana que eram repletas de grande mérito. O ilustre Narayana, sem início e sem fim, e transcendente à destruição, lançou seus olhos naquelas duas gotas de água. Uma daquelas duas gotas de água, de uma forma muito bela e brilhante, parecia com uma gota de mel. Daquela gota surgiu, por ordem de Narayana, um Daitya de nome Madhu composto do atributo de Tamas (Embotamento). A outra gota de água dentro do Lótus era muito sólida. Dela surgiu o Daitya Kaitabha composto do atributo de Rajas. Dotados assim dos atributos de Tamas e Rajas, os dois Daityas possuidores de poder e armados com maças, imediatamente depois de seu nascimento, começaram a vagar dentro daquele vasto Lótus primevo. Eles viram dentro dele Brahma de esplendor incomensurável, empenhado em criar os quatro Vedas, cada um dotado da forma mais encantadora. Aqueles dois principais dos Asuras, possuidores de corpos, vendo os quatro Vedas, inesperadamente os apanharam na própria vista de seu Criador. Os dois Danavas poderosos, tendo se apoderado dos Vedas eternos, mergulharam rapidamente no oceano de águas que eles viram e procederam para seu fundo. Vendo os Vedas tirados de si à força, Brahma encheu-se de angústia. Roubado dos Vedas dessa maneira, Brahma então se dirigiu ao Senhor Supremo nestas palavras.” "Brahma disse, 'Os Vedas são meus grandes olhos. Os Vedas são minha grande força. Os Vedas são meu grande refúgio. Os Vedas são meu Brahman sublime. Todos os Vedas, no entanto, foram roubados de mim à força pelos dois Danavas. Privados dos Vedas, os mundos que eu criei foram envolvidos em escuridão. Sem os Vedas (junto de mim), como eu conseguirei fazer minha Criação excelente começar a existir? Ai, grande é a angústia que eu sofro em consequência da perda dos Vedas (por tal ação). Meu coração está muitíssimo atormentado. Ele se tornou a residência de uma grande tristeza. Quem me salvará desse oceano de dor no qual eu caí por causa da perda que eu sofri? Quem me trará os Vedas que eu perdi? Quem terá compaixão por mim?’ Enquanto Brahma estava proferindo estas palavras, ó melhor dos reis, surgiu de repente a resolução em sua mente, ó principal das pessoas inteligentes, de cantar os louvores de Hari nestas palavras. O poderoso Brahma então, com mãos unidas em reverência, e pegando os pés de seu progenitor, cantou este mais elevado dos hinos em honra de Narayana.'" "Brahma disse, 'Eu te reverencio, ó coração de Brahman. Eu reverencio a ti que nasceste antes de mim. Tu és a origem do universo. Tu és a principal de todas as residências. Tu, ó pujante, és o oceano de Yoga com todos os seus ramos. Tu és o Criador do que é Manifesto e do que é Imanifesto. Tu andas pelo caminho cuja ventura é de extensão inconcebível. Tu és o consumidor do universo. Tu és o Antaratma (Alma Interna) de todos criaturas. Tu és sem origem. Tu és o refúgio do universo. Tu és auto-nascido; pois tu não tens origem que não seja tu mesmo. Com relação a mim, eu surgi através da tua Graça. De ti eu derivei meu nascimento. Meu primeiro nascimento de ti, o qual é considerado sagrado por todas as pessoas regeneradas, foi devido a um decreto da tua Mente. Meu segundo nascimento de ti nos tempos passados foi dos teus olhos. Pela tua Graça, meu terceiro nascimento foi da tua palavra. Meu quarto nascimento, ó Senhor pujante, foi dos teus ouvidos. Meu quinto nascimento, excelente em todos os aspectos, foi do teu nariz. Ó Senhor, meu sexto nascimento foi, por ti, de um ovo. Este é meu sétimo nascimento. Ele ocorreu, ó Senhor, dentro deste Lótus, e é destinado a estimular o intelecto e desejos de todos os seres. Em cada Criação eu nasço de ti como teu filho, ó tu que és privado das três qualidades. De fato, ó tu de olhos de lótus, eu nasço como teu filho mais velho, composto de Sattwa, a principal das três qualidades. Tu és dotado daquela natureza que é Suprema. Tu nasces de ti mesmo. Eu fui criado por ti. Os Vedas são meus olhos. Por essa razão, eu transcendo o próprio Tempo. Os Vedas, que constituem meus olhos, foram roubados de mim. Eu, portanto, fiquei cego. Desperte desse sono-Yoga. Me devolva meus olhos. Eu sou caro para ti e tu és caro para mim.’ Assim louvado por Brahma, o ilustre Purusha, com face virada para todos os lados, então se livrou do seu sono, resolvido a recuperar os Vedas (dos Daityas que os tinham roubado). Aplicando sua pujança-Yoga ele assumiu uma segunda forma. Seu corpo, ornado com um nariz excelente, tornou-se tão brilhante como a Lua. Ele assumiu uma cabeça equina de grande esplendor, a qual era a residência dos Vedas. O firmamento, com todos os seus corpos luminosos e constelações, tornou-se a coroa de sua cabeça. Suas madeixas eram muito longas e ondeantes, e tinham o brilho dos raios do Sol. As regiões superiores e inferiores se tornaram seus dois ouvidos. A Terra tornou-se sua testa. Os dois rios Ganga e Saraswati se tornaram seu dois quadris. Os dois oceanos viraram suas duas sobrancelhas. O Sol e a Lua se tornaram seus dois olhos. O crepúsculo tornou-se seu nariz. A sílaba Om se tornou sua memória e inteligência. A relâmpago tornou-se sua língua. Os Pitris bebedores de Soma se tornaram, é dito, seus dentes. As duas regiões de felicidade, isto é, Goloka e Brahmaloka, se tornaram seus lábios superior e inferior. A noite terrível que se segue à destruição universal, e que transcende os três atributos, tornou-se seu pescoço. Tendo assumido esta forma da cabeça equina e tendo diversas coisas como seus diversos membros, o Senhor do universo desapareceu imediatamente, e procedeu para as regiões inferiores. Tendo alcançado aquelas regiões, ele fixou-se em Yoga elevado. Adotando uma voz regulada pelas regras da ciência chamada Siksha, ele começou a proferir Mantras Védicos ruidosamente. Sua pronúncia era distinta e reverberava pelo ar, e era agradável em todos os aspectos. O som de sua voz encheu a região inferior de ponta a ponta. Dotada das propriedades de todos os elementos, ela era produtiva de grandes benefícios. Os dois Asuras, marcando um compromisso com os Vedas em relação à hora em que eles iriam voltar para pegá-los novamente, os jogaram na região inferior, e correram para o local de onde aqueles sons pareciam vir. Enquanto isso, ó rei, o Senhor Supremo com a cabeça equina, também chamado Hari, que estava ele mesmo na região inferior, pegou todos os Vedas. Voltando para onde Brahma estava, ele deu os Vedas para ele. Tendo devolvido os Vedas para Brahma, o Senhor Supremo mais uma vez retornou para sua própria natureza. O Senhor Supremo também estabeleceu sua forma com a cabeça equina na região Nordeste do grande oceano. Tendo (dessa maneira) estabelecido ele que era a residência dos Vedas, ele mais uma vez se tornou a forma de cabeça equina que ele era. Os dois Danavas Madhu e Kaitabha, não encontrando a pessoa de quem aqueles sons procediam, voltaram rapidamente para aquele local. Eles olharam ao redor mas viram que o lugar no qual eles tinham jogado os Vedas estava vazio. Aqueles dois principais dos Seres poderosos, adotando grande velocidade de movimento, ergueram-se da região inferior. Voltando para onde estava o Lótus primevo que lhes deu nascimento, eles viram o Ser pujante, o Criador original, permanecendo na forma de Aniruddha de aparência formosa e dotado de um esplendor parecido com aquele da Lua. De destreza incomensurável, ele estava sob a influência do sono-Yoga, seu corpo esticado nas águas e ocupando um espaço tão vasto quanto o próprio. Possuidor de grande refulgência e dotado do atributo imaculado de Sattwa, o corpo do Senhor Supremo deitado sobre o excelente capelo de uma cobra parecia emitir chamas de fogo pela resplandecência ligada a ele. Contemplando o Senhor assim deitado, os dois principais dos Danavas deram uma alta gargalhada. Dotados dos atributos de Rajas e Tamas, eles disseram, ‘Este é aquele Ser de cor branca. Ele está agora deitado adormecido. Sem dúvida, foi ele quem trouxe os Vedas da região inferior. De quem é ele? De quem é ele? Quem é ele? Por que ele está dormindo assim sobre o capelo de uma cobra?’ Proferindo estas palavras, os dois Danavas acordaram Hari do seu sono-Yoga. O principal dos Seres, (isto é, Narayana), assim despertado, percebeu que os dois Danavas pretendiam ter um duelo com ele em batalha. Vendo os dois principais dos Asuras preparados para lutar com ele, ele também decidiu satisfazer aquele desejo deles. Então ocorreu um combate entre aqueles dois de um lado e Narayana do outro. Os Asuras Madhu e Kaitabha eram encarnações das qualidades de Rajas e Tamas. Narayana matou ambos para gratificar Brahma. Ele desde então veio a ser chamado pelo nome de Madhusudana (matador de Madhu). Tendo empreendido a destruição dos dois Asuras e devolvido os Vedas para Brahma, o Ser Supremo dissipou a angústia de Brahma. Ajudado então por Hari e auxiliado pelos Vedas, Brahma criou todos os mundos com suas criaturas móveis e imóveis. Depois disso, Hari, concedendo ao Avô inteligência da principal categoria relacionada à Criação, desapareceu para ir para o local de onde ele tinha vindo. Foi assim que Narayana, tendo assumido a forma equipada com a cabeça de cavalo, matou os dois Danavas Madhu e Kaitabha (e desapareceu da visão de Brahma). Mais uma vez, no entanto, ele assumiu a mesma forma para fazer a religião de Pravritti fluir no universo.'” "Assim o abençoado Hari assumiu nos tempos passados aquela forma grandiosa tendo a cabeça equina. Esta, de todas as suas formas, dotada de pujança, é celebrada como a mais antiga. A pessoa que frequentemente escuta ou narra mentalmente esta história da adoção por Narayana da forma equipada com a cabeça equina, nunca esquecerá seu saber Védico ou outro. Tendo adorado com as mais rígidas penitências a divindade ilustre com a cabeça de cavalo, o Rishi Panchala (também conhecido como Galava) adquiriu a ciência de Krama, (isto é, a ciência por cuja ajuda as palavras usadas nos Vedas são separadas umas das outras) por seguir pelo caminho indicado pela divindade (Rudra). Eu assim contei para ti, ó rei, a velha história de Hayasiras, consistente com os Vedas, sobre a qual tu me perguntaste. Quaisquer formas que a Divindade Suprema deseje assumir com a intenção de ordenar os vários assuntos do universo, ele assume aquelas formas imediatamente dentro dele mesmo por exercício dos seus próprios poderes inerentes. A Divindade Suprema, dotada de toda prosperidade, é o receptáculo dos Vedas. Ele é o receptáculo das Penitências também. O pujante Hari é Yoga. Ele é a encarnação da filosofia Sankhya. Ele é aquele Para Brahman do qual nós ouvimos. A Verdade tem seu refúgio em Narayana. Rita tem Narayana como sua alma. A religião de Nivritti, na qual não há retorno, tem Narayana como sua residência sublime. A outra religião que tem Pravritti como sua base tem igualmente Narayana como sua alma. O principal de todos os atributos que pertence ao elemento Terra é o Aroma. O Aroma tem Narayana como sua alma. Os atributos da Água, ó rei, são chamados de Sabores (de vários tipos). Estes Sabores têm Narayana como sua alma. O principal atributo da Luz é a forma. A Forma também tem Narayana como sua alma. O Toque, o qual é o atributo do Vento, é também citado como tendo Narayana como sua alma. O Som, o qual é um atributo do espaço, tem como os outros Narayana como sua alma. A Mente também, a qual é o atributo do imanifesto (Prakriti), tem Narayana como sua alma. O Tempo o qual é computado pelo movimento dos corpos celestes luminosos tem similarmente Narayana como sua alma. As divindades presidentes da Fama, da Beleza, e da Prosperidade, têm a mesma Divindade Suprema como sua alma. Ambas, a filosofia Sankhya e Yoga, têm Narayana como sua alma. O Ser Supremo é a causa de tudo isso, como Purusha. Ele é, também, a causa de tudo, como Pradhana (ou Prakriti). Ele é Swabhaba (a base sobre a qual todas as coisas se apóiam). Ele é o fazedor ou agente, e é a causa daquela variedade que é testemunhada no universo. Ele é os diversos tipos de energia que agem no universo. Dessas cinco maneiras ele é a influência invisível controladora de tudo da qual as pessoas falam. Aqueles empenhados em investigar os vários tópicos de investigação com a ajuda de razões que são de ampla aplicação, consideram Hari idêntico às cinco razões referidas acima e como o refúgio final de todas as coisas. De fato, o pujante Narayana, dotado do maior poder de Yoga, é o único tópico (de indagação). Os pensamentos dos habitantes de todos os mundos incluindo Brahma e os Rishis de grande alma, daqueles que são Sankhyas e Yogins, daqueles que são Yatis, e daqueles, geralmente, que são familiarizados com a Alma, são totalmente conhecidos por Kesava, mas nenhum desses pode saber quais são os pensamentos dele. Quaisquer atos que sejam realizados em honra dos deuses ou dos Pitris, quaisquer doações que sejam feitas, quaisquer penitências que sejam realizadas, têm Vishnu como seu refúgio, que está estabelecido sobre suas próprias ordenanças supremas. Ele é chamado de Vasudeva por ele ser a residência de todas as criaturas. Ele é imutável. Ele é Supremo. Ele é o principal dos Rishis. Ele é dotado da maior pujança. É dito que ele transcende os três atributos. Como o Tempo (que corre suavemente sem algum sinal) assume indicações quando ele se manifesta na forma de estações sucessivas, assim mesmo é Ele, embora realmente privado de atributos (para manifestar a Si mesmo). Mesmo aqueles que são de grandes almas não conseguem compreender seus movimentos. Somente aqueles principais dos Rishis que têm conhecimento de suas Almas conseguem contemplar em seus corações aquele Purusha que transcende todos os atributos." 349 Janamejaya disse, "O ilustre Hari se torna benevolente para aqueles que são devotados a ele com todas as suas almas. Ele aceita também todo culto que é oferecido para Ele em conformidade com a ordenança. Daquelas pessoas que queimaram seu combustível (isto é, aquelas que se livraram do desejo), e que são desprovidas de mérito e demérito, que obtiveram Conhecimento como passado de preceptor para preceptor, tais pessoas sempre chegam àquele fim que é chamado de o quarto, isto é, a essência do Purushottama ou Vasudeva, através dos outros três. (Vasudeva é chamado de Quarto porque abaixo dele estão Sankarshana, Pradyumna, e Aniruddha.) Aquelas pessoas, no entanto, que são devotadas a Narayana com todas as suas almas imediatamente obtêm o fim mais sublime. (O que é dito nesses dois versos é a diferença entre os fins daqueles que confiam no Conhecimento, e aqueles que são devotados a Narayana com todas as suas almas. Os primeiros alcançam Vasudeva, é verdade, mas então eles têm que passar gradualmente pelos outros três um após outro, isto é, Aniruddha, Pradyumna, e Sankarshana. Os últimos, no entanto, alcançam Vasudeva imediatamente.) Sem dúvida, a religião da devoção parece ser superior (àquela do Conhecimento) e é muito querida para Narayana. Esses, sem passarem pelos três estágios sucessivos (de Aniruddha, Pradyumna, e Sankarshana), alcançam imediatamente o imutável Hari. O fim que é alcançado por Brahmanas, que, desempenhando as devidas observâncias, estudam os Vedas com os Upanishads segundo as regras declaradas para regular tal estudo, e por aqueles que adotam a religião de Yatis, é inferior, eu penso, àquele alcançado por pessoas devotadas a Hari com todas as suas almas. Quem promulgou primeiro esta religião da Devoção? Foi uma divindade ou um Rishi que a declarou? Quais são as práticas daqueles que são citados como devotados com todas as suas almas? Quando aquelas práticas começaram? Eu tenho dúvidas sobre esses tópicos. Remova aquelas dúvidas. Grande é minha curiosidade para te ouvir explicar estes vários pontos." Vaisampayana disse, "Quando as diversas divisões dos exércitos Pandava e Kuru estavam alinhadas em formação de combate e quando Arjuna ficou desanimado, o próprio divino explicou a questão sobre qual é o fim e qual não é o fim alcançado por pessoas de diferentes qualidades. Eu antes disso já narrei para ti as palavras do santo. A religião pregada pelo santo naquela ocasião é de compreensão difícil. Homens de almas impuras não podem compreendê-la em absoluto. Tendo criado esta religião nos tempos antigos, na era Krita, em perfeita consonância com os Samans, ela é mantida, ó rei, pelo Senhor Supremo, isto é, o próprio Narayana. Este mesmo tópico foi levantado pelo altamente abençoado Partha para Narada (pelas palavras do último) no meio dos Rishis e na presença de Krishna e Bhishma. Meu preceptor, o Krishna Nascido na Ilha, ouviu o que Narada disse. Recebendo-a do Rishi celeste, ó melhor dos reis, meu preceptor a comunicou para mim exatamente da mesma maneira na qual ele a tinha obtido do Rishi celeste. Eu agora a relatarei para ti, ó monarca, da mesma maneira como ela foi recebida de Narada. Escute, portanto, a mim. Naquele Kalpa quando Brahma, o Criador, ó rei, nasceu na mente de Narayana e saiu da boca do último, o próprio Narayana realizou, ó Bharata, seus ritos Daiva e Paitra de acordo com esta religião. Aqueles Rishis que vivem da espuma da água então a obtiveram de Narayana. Dos Rishis comedores de espuma, esta religião foi obtida por aqueles Rishis levam o nome de Vaikanasas. Dos Vaikanasas, Shoma a obteve. Depois, ela desapareceu do universo. Depois do segundo nascimento de Brahma, ou seja, quando ele surgiu dos olhos de Narayana, ó rei, o Avô (Brahma) então recebeu esta religião de Shoma. Tendo-a recebido dessa maneira, Brahma comunicou esta religião, a qual tem Narayana como sua alma, para Rudra. Na era Krita daquele Kalpa antigo, Rudra, devotado ao Yoga, ó monarca, a comunicou para todos aqueles Rishis que são conhecidos pelo nome de Valikhilyas. Pela ilusão de Narayana, ela mais uma vez desapareceu do universo. No terceiro nascimento de Brahma, o qual foi devido à fala de Narayana, esta religião surgiu mais uma vez, ó rei, do próprio Narayana. Então um Rishi de nome Suparna a obteve daquele principal dos Seres. O Rishi Suparna costumava recitar esta religião excelente, este principal dos cultos, três vezes durante o dia. Por isto ela veio a ser chamada pelo nome de Trisauparna no mundo. Esta religião foi apresentada no Rigveda. Os deveres que ela inculca são de observância extremamente difícil. Do Rishi Suparna, esta religião eterna foi obtida, ó principal dos homens, pelo Deus do vento, aquele sustentador das vidas de todas as criaturas no universo. O Deus do vento a comunicou para os Rishis que subsistiam do que restava das oferendas sacrificais depois de alimentarem convidados e outros. Daqueles Rishis esta religião excelente foi obtida pelo Grande Oceano. Ela mais uma vez desapareceu do universo e imergiu em Narayana. No nascimento seguinte de Brahman de grande alma, quando ele surgiu do ouvido de Narayana, escute, ó chefe de homens, o que aconteceu naquele Kalpa. O ilustre Narayana, também chamado Hari, quando decidiu sobre a Criação, pensou em um Ser que seria poderoso suficiente para criar o universo. Enquanto pensando nisto, surgiu de seus ouvidos um Ser competente para criar o universo. O Senhor de tudo o chamou pelo nome de Brahma. Dirigindo-se a Brahma, o Supremo Narayana disse para ele, ‘Ó filho, crie todas as espécies de criaturas da tua boca e pés. Ó tu de votos excelentes, eu farei o que for benéfico para ti, pois eu te darei energia e força suficientes para te tornar competente para essa tarefa. Receba também de mim esta religião excelente conhecida pelo nome de Sattwata. Ajudado por esta religião crie a era Krita e ordene-a devidamente.’ Assim endereçado, Brahma curvou sua cabeça para o ilustre Hari, o deus dos deuses, e recebeu dele aquele principal de todos os cultos com todos os seus mistérios e seu resumo de detalhes, junto com os Aranyakas, isto é, aquele culto que emergiu da boca de Narayana. Narayana então instruiu Brahma de energia incomensurável naquele culto, e dirigindo-se a ele, disse, ‘Tu és o criador dos deveres que devem ser cumpridos nos respectivos Yugas.’ Tendo dito isso para Brahma, Narayana desapareceu e procedeu para aquele local que está além do alcance de Tamas, onde o Imanifesto reside, e que é conhecido pelos homens de ações sem desejo de resultados. Depois disso, o concessor de bênçãos Brahma, o Avô dos mundos, criou os diferentes mundos com suas criaturas móveis e imóveis. A era que começou primeiro era altamente auspiciosa e veio a ser chamada pelo nome de Krita. Naquela era, a religião de Sattwa existia, permeando o universo inteiro. (Isto é, todas as criaturas eram justas e compassivas. De mau, não havia nada naquela era.) Com a ajuda daquela religião primeva da virtude, Brahma, o Criador de todos os mundos, adorou o Senhor de todas as divindades, o pujante Narayana, também chamado Hari. Então para a difusão daquela religião e desejoso de beneficiar os mundos, Brahman instruiu aquele Manu que é conhecido pelo nome de Swarochish naquele culto. Swarochish-Manu, aquele Senhor de todos os mundos, aquela principal de todas as pessoas dotadas de força, então alegremente deu o conhecimento daquele culto para seu próprio filho, ó rei, que era conhecido pelo nome de Sankhapada. O filho de Manu, Sankhapada, comunicou aquele conhecimento para seu próprio filho Suvarnabha que era o Regente dos pontos principais e secundários do horizonte. Quando, após o término do Krita Yuga, chegou o Treta, aquele culto mais uma vez desapareceu do mundo. Em um nascimento subsequente de Brahman, ó melhor dos reis, isto é, aquele que foi derivado do nariz de Narayana, ó Bharata, o ilustre e pujante Narayana ou Hari com olhos como pétalas de lótus cantou ele mesmo esta religião na presença de Brahma. Então o filho de Brahma, criado por um decreto de sua vontade, Sanatkumara, estudou este culto. De Sanatkumara, o Prajapati Virana, no início da era Krita, ó tigre entre os Kurus, obteve este culto. Virana, tendo-o estudado dessa maneira, o ensinou para o asceta Raivya. Raivya, por sua vez, a comunicou para seu filho de alma pura, bons votos, e grande inteligência, isto é, Kukshi, aquele Regente justo dos pontos cardeais e secundários do horizonte. Depois disso, aquele culto, nascido da boca de Narayana, mais uma vez desapareceu do mundo. No próximo nascimento de Brahma, aquele do qual ele foi originado de um ovo que emergiu de Hari, este culto mais uma vez emanou da boca de Narayana. Ele foi recebido por Brahma, ó rei, e praticado devidamente em todos os seus detalhes por ele. Brahma então o comunicou, ó monarca, para aqueles Rishis que são conhecidos pelo nome de Varhishada. Dos Varhishadas ele foi obtido por um Brahmana bem versado no Sama-Veda, e conhecido pelo nome de Jeshthya. E porque ele era bem versado nos Samans, portanto ele foi também conhecido pelo nome de Jeshthya-Samavrata Hari. (Um dos principais dos Samans é chamado pelo nome de Jeshthya. Alguém conhecedor do Jeshthya Saman teria esse nome.) Do Brahmana conhecido pelo nome de Jeshthya, este culto foi obtido por um rei de nome Avikampana. Depois disso, aquele culto, derivado do poderoso Hari, desapareceu mais uma vez do mundo. Durante o sétimo nascimento de Brahma devido ao lótus, que surgiu do umbigo de Narayana, ó rei, aquele culto foi uma vez mais declarado pelo próprio Narayana, para o Avô de alma pura, o Criador de todos os mundos, no início deste Kalpa. O Avô o deu nos tempos passados para Daksha (um de seus filhos criados por um decreto de sua vontade). Daksha, por sua vez, o comunicou para o mais velho de todos os filhos de suas filhas, ó monarca, ou seja, Aditya, que é mais velho do que Savitri em idade. De Aditya, Vivaswat o obteve. No início do Treta Yuga, Vivaswat comunicou o conhecimento deste culto para Manu. Manu, para a proteção e sustento de todos os mundos, então a deu para seu filho Ikshaku. (Ikshaku foi o progenitor da raça solar de reis.) Promulgado por Ikshaku, aquele culto se difundiu por todo o mundo. Quando chegar a destruição universal, ele mais uma vez voltará para Narayana e será absorvido nele. A religião que é seguida e praticada pelos Yatis, ó melhor dos reis, foi narrada para ti antes disso no Hari Gita, com todas as suas ordenanças em resumo. O Rishi celeste Narada a obteve daquele Senhor do universo, o próprio Narayana, ó rei, com todos os seus mistérios e resumo de detalhes. Assim, ó monarca, este principal dos cultos é primevo e eterno. Incapaz de ser compreendido com facilidade e extremamente difícil de ser praticado, ele é sempre mantido por pessoas unidas ao atributo de Sattwa. É por meio de atos que são bem realizados e efetuados com um total conhecimento dos deveres e nos quais não há nada que prejudique alguma criatura, que Hari, o Senhor Supremo, vem a ser satisfeito. Algumas pessoas adoram Narayana como possuidor de uma só forma, isto é, aquela de Aniruddha. Algumas o adoram como dotado de duas formas, a de Aniruddha e Pradyumna. Algumas o adoram como tendo três formas, isto é, Aniruddha, Pradyumna, e Sankarshana. Uma quarta classe o adora como consistindo em quatro formas, Aniruddha, Pradyumna, Sankarshana, e Vasudeva. Hari é Ele mesmo o Kshetrajna (Alma). Ele é sem partes (sendo sempre inteiro). Ele é o Jiva em todas as criaturas, transcendendo os cincos elementos primordiais. Ele é a Mente, ó monarca, que dirige e controla os cinco sentidos. Dotado da maior inteligência, Ele é o Ordenador do universo, e o Criador dele. Ele é ativo e inativo. Ele é a Causa e o Efeito. Ele é o único Purusha imutável, que se diverte como Ele quer, ó rei. Assim eu recitei para ti a religião dos Devotos sem desejos, ó melhor dos reis, incapaz de ser compreendida por pessoas de almas impuras, que eu adquiri pela graça do meu preceptor. São muito raras, ó rei, as pessoas que são devotadas a Narayana com todas as almas. Se, ó filho da linhagem de Kuru, o mundo estivesse cheio de tais pessoas, que são cheias de compaixão universal, e dotadas do conhecimento da alma, e estão sempre empenhadas em fazer bem para outros, então a era Krita teria começado. Todos os homens se dirigiriam à realização de ações sem desejo de resultado. Foi exatamente desta maneira, ó monarca, que aquela principal das pessoas regeneradas (o ilustre Vyasa), meu preceptor, totalmente conhecedor de todos os deveres, falou para o rei Yudhishthira, o justo, sobre esta religião da Devoção, na presença de muitos Rishis e na audição de Krishna e Bhishma. Ele a obteve do Rishi celeste Narada dotado de riqueza de penitências. Aquelas pessoas que são devotadas a Narayana com todas as suas almas e não têm desejo conseguem chegar à região da maior das divindades, idêntica a Brahma, pura em cor, possuidora da refulgência da lua e dotada de imutabilidade.’” Janamejaya disse, "Eu vejo que aquelas pessoas regeneradas cujas almas despertaram praticam diversos tipos de deveres. Por que é que outros Brahmanas em vez de praticarem aqueles deveres se dirigem à observância de outros tipos de votos e ritos?" Vaisampayana disse, "Três tipos de tendência, ó monarca, foram criadas em relação a todas as criaturas incorporadas, isto é, aquela que se relaciona com o atributo de Sattwa, aquela que se relaciona com o atributo de Rajas, e por fim aquela que se relaciona com o atributo de Tamas, ó Bharata. Em relação às criaturas incorporadas, ó perpetuador da linhagem de Kuru, é a principal aquela pessoa que é unida ao atributo de Sattwa, pois, ó tigre entre homens, é certo que ela chegará à Emancipação. É com a ajuda deste mesmo atributo de Sattwa que alguém dotado dele consegue compreender a pessoa que conhece Brahma. Com relação à Emancipação, ela depende totalmente de Narayana. Por isso é que as pessoas que se esforçam pela Emancipação são consideradas como compostas da qualidade de Sattwa. Por pensar em Purushottama, o principal dos Seres, o homem que é devotado com toda sua alma a Narayana, adquire grande sabedoria. Aqueles pessoas que são dotadas de sabedoria, que têm se dirigido para as práticas de Yatis e à religião da Emancipação, aquelas pessoas de sede extinta, sempre descobrem que Hari as favorece com a realização de seu desejo. (Esse desejo, naturalmente, se relaciona com a aquisição de Emancipação.) O homem sujeito a nascimento (e morte) sobre quem Hari lança um olhar bondoso deve ser conhecido como dotado da qualidade de Sattwa e dedicado ao alcance da Emancipação. A religião seguida por uma pessoa que é devotada com toda sua alma a Narayana é considerada como semelhante ou igual em mérito ao sistema dos Sankhyas. Por adotar aquela religião alguém alcança o fim mais sublime e chega à Emancipação que tem Narayana como sua alma. Aquela pessoa para quem Narayana olha com compaixão consegue se tornar desperta. (Buddha ou Pratibuddha literalmente significa _desperto_. O sentido é que tal pessoa conseguiu rejeitar todas as impurezas e desejos. Ela, por assim dizer, despertou do sono da ignorância e escuridão.) Ninguém, ó rei, pode se tornar desperto por meio de seus próprios desejos. Aquela natureza que partilha de Rajas e Tamas é citada como sendo misturada. Hari nunca lança um olhar benigno sobre a pessoa sujeita a nascimento (e morte) que é dotada de tal natureza misturada e tem, por causa disso, o princípio de Pravritti em si. Somente Brahma, o Avô dos mundos, olha para a pessoa que está sujeita a nascimento e morte por sua mente estar dominada pelos dois atributos inferiores de Rajas e Tamas. (Aqueles que seguem a religião de Pravritti obtêm céu, etc., através de seus méritos. Méritos, no entanto, são esgotáveis. Eles têm, portanto, que cair do céu. O Criador Brahma lança seu olhar sobre aqueles que seguem Pravritti. A religião de Nivritti leva à Emancipação. É Narayana que olha para os homens que se dirigem a Nivritti.) Sem dúvida, as divindades e os Rishis são unidos aos atributos de Sattwa, ó melhor dos reis. Mas então aqueles que são desprovidos daquele atributo em sua forma sutil são sempre considerados como sendo de natureza mutável." (O que é dito aqui é que as divindades e Rishis são seguramente dotados de Sattwa. Mas então aquele Sattwa é de uma grande forma. Por isso, eles não podem chegar à Emancipação. É somente aquele Sattwa que é de forma sutil que leva à Emancipação. As divindades, sem serem capazes de alcançar a Emancipação permanecem em um estado que é mutável ou repleto de mudança.) Janamejaya disse, "Como pode alguém que é repleto do princípio de mudança conseguir chegar àquele Purushottama (o principal Purusha)? Diga-me tudo isso, que é, sem dúvida, conhecido por ti. Fale-me também de Pravritti na devida ordem." Vaisampayana disse, "Aquilo que é o vigésimo quinto (na enumeração dos tópicos feita no sistema Sankhya) ou seja, quando ele é capaz de se abster totalmente das ações, consegue alcançar o Purushottama que é extremamente sutil, que é investido com o atributo de Sattwa (em sua forma sutil), e que é repleto das essências simbolizadas por três letras do alfabeto (isto é, A, U, e M). O sistema Sankhya, o Aranyaka-Veda, e as escrituras Pancharatra, são todos o mesmo e formam partes de um total. Esta mesma é a religião daqueles que são devotados com todas as suas almas a Narayana, a religião que tem Narayana como sua essência. (Ou seja, as práticas que constituem a religião dos Ekantins não são realmente diferentes daquelas declaradas nas escrituras referidas acima.) Como ondas do oceano, erguendo-se do oceano, se movem para longe dele somente para voltar para ele no fim, assim mesmo diversos tipos de conhecimento, emergindo de Narayana, voltam para Narayana no fim. Eu assim expliquei para ti, ó filho da linhagem de Kuru, qual é a religião de Sattwa. Se tu fores qualificado para isto, ó Bharata, pratique esta religião devidamente. Assim o altamente abençoado Narada explicou para meu preceptor, o Krishna Nascido na Ilha, o eterno e imutável processo, chamado Ekanta, (terminando em Um), seguido pelos Brancos (chefes de família ou os habitantes da Ilha Branca), como também pelos Yatis de mantos amarelos. Vyasa, satisfeito com o filho de Dharma Yudhishthira, comunicou esta religião para o rei Yudhishthira, o justo, que era possuidor de grande inteligência. Recebida do meu preceptor eu também a comuniquei para ti! Ó melhor dos reis, esta religião é, por essas razões, de prática extremamente difícil. Outros, ouvindo-a, ficam tão confusos quanto tu te permitiste ficar. É Krishna que é o protetor do universo e seu enganador. É Ele que é o destruidor e a causa, ó monarca." 350 Janamejaya disse, "O sistema Sankhya, as escrituras Pancharatra, e os Aranyaka-Vedas, esses diferentes sistemas de conhecimento ou religião, ó Rishi regenerado, são prevalecentes no mundo. Todos esses sistemas pregam o mesmo método de deveres, ou os métodos de deveres pregados por eles, ó asceta, são diferentes uns dos outros? Questionado por mim, me fale sobre Pravritti na devida ordem!" Vaisampayana disse, "Eu reverencio aquele grande Rishi que é o dissipador da escuridão, e a quem Satyavati deu à luz por Parasara no meio de uma ilha, que é possuidor de grande conhecimento e que é dotado de grande generosidade de alma. Os eruditos dizem que ele é a origem do Avô Brahma; que ele é a sexta forma de Narayana; que ele é o mais importante dos Rishis; que ele é dotado de pujança-Yoga; que como o único filho de seus pais ele é uma porção encarnada de Narayana; e que, nascido sob circunstâncias extraordinárias em uma Ilha, ele é o receptáculo inesgotável dos Vedas. Na era Krita, Narayana de pujança grandiosa e energia imensa o criou como seu filho. Na verdade, Vyasa de grande alma é não nascido e antigo e é o receptáculo inesgotável dos Vedas!" Janamejaya disse, "Ó melhor das pessoas regeneradas, foste tu que disseste antes que o Rishi Vasishtha teve um filho de nome Saktri e que Saktri teve um filho de nome Parasara, e que Parasara gerou um filho chamado Krishna Nascido na Ilha dotado de grande mérito ascético. Tu me disseste também que Vyasa é o filho de Narayana. Eu pergunto, foi em algum nascimento antigo que Vyasa de energia incomensurável nasceu de Narayana? Ó tu de inteligência sublime, fale- me daquele nascimento de Vyasa que foi devido a Narayana!" Vaisampayana disse, "Desejoso de compreender o significado dos Srutis, meu preceptor, aquele oceano de penitências, que é extremamente dedicado à observância de todos os deveres escriturais e à aquisição de conhecimento, morou por algum tempo em uma região específica das montanhas Himavat. Dotado de grande inteligência, ele ficou fatigado com suas penitências por causa da grande tensão em suas energias ocasionada pela composição do Mahabharata. Naquele tempo, Sumanta e Jaimini e Paila de votos firmes e eu mesmo numerando o quarto, e Suka, seu próprio filho, o atendíamos. Todos nós, ó rei, em vista da fadiga que nosso preceptor sentia, o servíamos respeitosamente, empenhados em fazer tudo o que era necessário para dissipar aquela fadiga dele. Cercado por aqueles seus discípulos, Vyasa brilhava em beleza no leito das montanhas Himavat como o Senhor de todos os seres fantasmais, Mahadeva, no meio daqueles seus servidores fantasmais. Tendo resumido os Vedas com todos os seus ramos como também os significados de todos os Versos no Mahabharata, um dia, com atenção absorta, todos nós nos aproximamos do nosso preceptor que, tendo controlado seus sentidos, estava na hora absorto em pensamento. Nos aproveitando de um intervalo na conversação, nós pedimos àquela principal das pessoas regeneradas para explicar para nós os significados dos Vedas e dos Versos do Mahabharata e para narrar para nós os incidentes também do seu próprio nascimento a partir de Narayana. Conhecedor como ele era de todos os tópicos de indagação, ele a princípio discursou para nós sobre as interpretações dos Srutis e do Mahabharata, e então se pôs a narrar para nós os seguintes incidentes relativos ao seu nascimento de Narayana.” "Vyasa disse, 'Escutem, ó discípulos, a esta principal das narrativas, a esta melhor das histórias que diz respeito além disso ao nascimento de um Rishi. Pertencente à era Krita, esta narrativa foi conhecida por mim através das minhas penitências, ó regenerados. Na ocasião da sétima criação, ou seja, aquela que foi devido ao Lótus primevo, Narayana, dotado das mais penitências mais severas, transcendendo bem e mal, e possuidor de esplendor inigualável, a princípio criou Brahma, a partir de seu umbigo. Depois que Brahma tinha nascido, Narayana dirigiu-se a ele, dizendo; ‘Tu nasceste do meu umbigo. Dotado de pujança em relação à criação, ponha-te a criar diversas espécies de criaturas, racionais e irracionais.’ Assim endereçado por seu criador, Brahma com sua mente penetrada pela ansiedade, sentiu a dificuldade de sua tarefa e ficou relutante em fazer o que ele tinha começado a fazer. Curvando sua cabeça ao ilustre Hari dador de bênçãos, o Senhor do universo, Brahma, disse estas palavras a ele, ‘Eu te reverencio, ó Senhor das divindades, mas eu pergunto: qual pujança eu tenho para criar diversas criaturas? Eu não tenho sabedoria. Ordene o que deve ser ordenado em vista disso.’ Assim endereçado por Brahma, o Senhor do universo, Narayana, desapareceu imediatamente da vista de Brahma. O Senhor Supremo, o deus dos deuses, o principal daqueles dotados de inteligência, então começou a pensar. A Deusa da Inteligência em seguida fez seu aparecimento diante do pujante Narayana. Ele mesmo transcendendo todo Yoga, Narayana então, por força de Yoga, aplicou a Deusa da Inteligência apropriadamente. O ilustre e poderoso e imutável Hari, dirigindo-se à Deusa da Inteligência que era dotada de presteza e bondade e toda a pujança de Yoga, disse a ela estas palavras: ‘Para a realização da tarefa de criar todos os mundos entre em Brahma.’ Ordenada assim pelo Senhor Supremo, a Inteligência em seguida entrou em Brahma. Quando Hari viu que Brahma tinha se unido com a Inteligência, Ele mais uma vez se dirigiu a ele, dizendo, ‘Crie agora diversas espécies de criaturas.’ Respondendo a Narayana por proferir a palavra ‘Sim’, Brahma aceitou reverentemente a ordem do seu progenitor. Narayana então desapareceu da presença de Brahma e em um momento foi para seu próprio lugar, conhecido pelo nome de Deva (Luz ou Refulgência). Voltando para Sua própria disposição (de Não Manifestação), Hari permaneceu naquele estado de unidade. Depois da tarefa de criação, no entanto, ter sido realizada por Brahma, outro pensamento surgiu na mente de Narayana. De fato, ele refletiu dessa maneira: ‘Brahma, também chamado Parameshthi, criou todas essas criaturas, consistindo em Daityas e Danavas e Gandharvas e Rakshasas. A Terra desamparada ficou sobrecarregada com o peso das criaturas. Muitos entre os Daityas e Danavas e Rakshasas na Terra se tornarão dotados de grande força. Possuidores de penitências, eles diversas vezes conseguirão obter muitos benefícios excelentes. Enchendo-se de orgulho e poder por causa daqueles benefícios que eles conseguirão obter, eles oprimirão e afligirão as divindades e os Rishis possuidores de poder ascético. É, portanto, apropriado que eu deva de vez em quando aliviar a carga da Terra, por assumir diversas formas uma após outra como a ocasião requerer. Eu realizarei essa tarefa por castigar os maus e defender os justos. (Assim cuidada por mim), a Terra, a qual é a encarnação da Verdade, conseguirá suportar sua carga de criaturas. Assumindo a forma de uma cobra imensa eu mesmo tenho que manter a Terra no espaço vazio. Sustentada por mim dessa maneira, ela sustentará a criação inteira, móvel e imóvel. Encarnado na Terra, portanto, em diferentes formas, eu terei que resgatá- la em tais tempos de perigo.’ Tendo refletido dessa maneira, o ilustre matador de Madhu criou diversas formas em sua mente nas quais aparecer de tempos em tempos para realizar a tarefa em vista. ‘Assumindo a forma de um Javali, de Homem-Leão, de um Anão, e de seres humanos, eu dominarei ou matarei tais inimigos das divindades que se tornarem perversos e incontroláveis.’ Depois disso, o Criador original do universo mais uma vez proferiu a sílaba, Bho, fazendo a atmosfera ressoar com ela. Desta sílaba de palavra (Saraswati) surgiu um Rishi de nome Saraswat. O filho, assim nascido da Palavra de Narayana, veio também a ser chamado pelo nome de Apantara-tamas, (que significa alguém cuja ignorância ou escuridão foi dissipada). Dotado de grande pujança, ele conhecia completamente o passado, o presente, e o futuro. Firme na observância de votos, ele era verdadeiro em palavras. Àquele Rishi que, depois do nascimento, tinha curvado sua cabeça para Narayana, o último, que era o Criador original de todas as divindades e possuidor de uma natureza que era imutável, disse estas palavras: ‘Tu deves dedicar tua atenção à distribuição dos Vedas, ó principal de todas as pessoas dotadas de inteligência. Portanto, ó asceta, faça o que eu te ordeno.’ Em obediência a esta ordem do Senhor Supremo de cuja Palavra o Rishi Apantaratamas surgiu, o último, no Kalpa que recebeu o nome do Manu Nascido por Si mesmo, distribuiu e arranjou os Vedas. Por aquela ação do Rishi, o ilustre Hari ficou satisfeito com ele, como também por suas penitências bem realizadas, seus votos e observâncias, e seu controle dos sentidos ou paixões. Dirigindo-se a ele, Narayana disse, ‘Em cada Manwantara, ó filho, tu agirás dessa maneira em relação aos Vedas. Tu, por causa dessa tua ação, serás imutável, ó regenerado, e incapaz de ser superado por alguém. Quando a era Kali começar, certos príncipes da linhagem de Bharata, a serem chamados pelo nome de Kauravas, irão nascer de ti. Eles serão famosos sobre a Terra como príncipes de grandes almas governando reinos poderosos. Nascidos de ti, dissensões irão irromper entre eles terminando em sua destruição pelas mãos uns dos outros com exceção de você mesmo. Ó principal das pessoas regeneradas, naquela era também, dotado de penitências austeras, tu distribuirás os Vedas para diversas classes. De fato, naquela idade escura, tua cor se tornará escura. Tu farás fluir diversos tipos de deveres e diversos tipos de conhecimento também. Embora dotado de penitências austeras, contudo tu nunca poderás te livrar do desejo e apego ao mundo. Teu filho, no entanto, será livre de todo apego como a Alma Suprema, pela graça de Madhava. Isto não será de outra maneira. Ele a quem Brahmanas eruditos chamam de filho nascido da mente do Avô, isto é, Vasishtha, dotado de grande inteligência e como um oceano de penitências, e cujo esplendor transcende aquele do próprio Sol, será o progenitor de uma linhagem na qual um grande Rishi de nome Parasara, possuidor de energia e destreza imensas, terá seu nascimento. Aquela principal das pessoas, aquele oceano de Vedas, aquela residência de penitências, se tornará teu pai (quando tu nasceres na era Kali). Tu nascerás como o filho de uma donzela residindo na casa do pai dela, por meio de um ato sexual com o grande Rishi Parasara. Tu não terás nenhuma dúvida com relação à significação de coisas passadas, presentes, e futuras. Dotado de penitências e instruído por mim, tu verás os incidentes de milhares e milhares de eras passadas há muito tempo. Tu verás através de milhares e milhares de eras no futuro também. Tu, naquele nascimento, me verás, ó asceta, eu que sou sem nascimento e morte, encarnado na Terra (como Krishna da linhagem de Yadu), armado com o disco. Tudo isso acontecerá para ti, ó asceta, pelo mérito que será teu por tua devoção incessante a mim. Estas minhas palavras nunca serão diferentes. Tu serás uma das principais criaturas. Grandiosa será tua fama. O filho de Surya, Sani (Saturno) irá, em um futuro Kalpa, nascer como o grande Manu daquele período. Durante aquele Manwantara, ó filho, tu serás, em relação a méritos, superior até aos Manus dos vários períodos. Sem dúvida, tu serás assim pela minha graça. O que quer que exista no mundo representa o resultado do meu esforço. Os pensamentos de outros podem não corresponder às suas ações. Com relação a mim, no entanto, eu sempre ordeno o que eu penso, sem o mínimo impedimento!’ Tendo dito estas palavras para o Rishi Apantaratamas, também chamado pelo nome de Saraswat, o Senhor Supremo o despediu, dizendo a ele, ‘Vá’. Eu sou aquele que nasceu como Apantaratamas pela ordem de Hari. Mais uma vez eu nasci como o célebre Krishna-Dwaipayana, um alegrador da linhagem de Vasishtha. (O filho ou o neto é chamado de 'alegrador' por ele ser uma fonte de alegria para o pai ou o avô com os outros membros da família.) Eu assim disse a vocês, meus caros discípulos, as circunstâncias do meu próprio nascimento anterior que foi devido à graça de Narayana, de tal maneira que eu era mesmo uma parte do próprio Narayana. Ó principais das pessoas inteligentes, eu passei, antigamente, pelas mais severas das penitências, com a ajuda da maior abstração da mente. Ó filhos, movido por minha grande afeição por vocês que são devotados a mim com reverência, eu lhes disse tudo relativo ao que vocês desejavam saber de mim, ou seja, meu primeiro nascimento em dias de antiguidade remota e aquele outro nascimento posterior àquele (isto é, o atual)!” Vaisampayana continuou, "Eu assim narrei para ti, ó monarca, as circunstâncias ligadas ao nascimento anterior do nosso venerável preceptor, Vyasa de mente pura, como pedido por ti. Ouça-me mais uma vez. Existem diversos tipos de cultos, ó sábio nobre, que levam nomes diversos tais como Sankhya, Yoga, o Pancha-ratra, Vedas, e Pasupati. É dito que o promulgador do culto Sankhya é o grande Rishi Kapila. O primevo Hiranyagarbha, e ninguém mais, é o promulgador do sistema Yoga. O Rishi Apantaratamas é citado como o preceptor dos Vedas, alguns chamam aquele Rishi pelo nome de Prachina- garbha. O culto conhecido pelo nome de Pasupata foi promulgado pelo Marido de Uma, aquele mestre de todas as criaturas, ou seja, o alegre Siva, também conhecido pelo nome de Sreekantha, o filho de Brahma. O ilustre Narayana é ele mesmo o promulgador do culto, em sua totalidade, contido nas escrituras Pancharatra. Em todos esses cultos, ó principal dos reis, é visto que o pujante Narayana é o único objeto de explicação. Segundo as escrituras desses cultos e a medida de conhecimento que eles contêm, Narayana é o único objeto de culto que eles inculcam. Aquelas pessoas cujas visões, ó rei, foram cegadas pela escuridão, falham em compreender que Narayana é a Alma Suprema que permeia o universo inteiro. Aquelas pessoas de sabedoria que são os autores das escrituras dizem que Narayana, que é um Rishi, é o único objeto de culto reverente no universo. Eu digo que não há outro ser como Ele. A Divindade Suprema, chamada pelo nome de Hari, reside nos corações daqueles que conseguiram (com a ajuda das escrituras e de inferência) dissipar todas as dúvidas. Madhava nunca reside nos corações daqueles que estão sob o domínio de dúvidas e que questionariam tudo com a ajuda de falsa dialética. Aqueles que conhecem as escrituras Pancharatra, que são devidamente cumpridores dos deveres prescritos nelas, e que são devotados a Narayana com todas as suas almas, conseguem entrar em Narayana. Os sistemas Sankhya e Yoga são eternos. Todos os Vedas, também, ó monarca, são eternos. Os Rishis, em todos esses sistemas de culto, têm declarado que este universo existindo desde os tempos antigos é o próprio Narayana. Tu deves saber que quaisquer atos, bons ou maus, que são declarados nos Vedas e ocorrem no céu e na Terra, entre o céu e as águas, são todos causados por e fluem daquele antigo Rishi Narayana.” Janamejaya disse, "Ó regenerado, existem muitos Purushas ou há somente um? Quem, no universo, é o principal dos Purushas? O que, também, é citado como a fonte de todas as coisas?" Vaisampayana disse, ‘Nas especulações dos sistemas Sankhya e Yoga muitos Purushas são mencionados, ó jóia da linhagem de Kuru. Aqueles que seguem esses sistemas não aceitam que há somente um Purusha no universo. Da mesma maneira na qual os muitos Purushas são citados como tendo origem no Purusha Supremo, pode ser dito que todo este universo é idêntico àquele único Purusha de atributos superiores. Eu explicarei isto agora, depois de reverenciar meu preceptor Vyasa, aquele principal dos Rishis, que é conhecedor da alma, dotado de penitências, autodominado, e digno de culto reverente. Essa especulação sobre Purusha, ó rei, ocorre em todos os Vedas. Isto é bem conhecido como igual a Rita e Verdade. O principal dos Rishis, Vyasa, pensou sobre isso. Tendo se ocupado com reflexão sobre o que é chamado de Adhyatma, diversos Rishis, ó rei, tendo Kapila como seu principal, têm declarado suas opiniões sobre o tema, de modo geral e detalhadamente. Pela graça de Vyasa de energia incomensurável, eu irei expor para ti o que Vyasa disse em resumo sobre esta questão da Unidade de Purusha. Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Brahma, ó rei, e Mahadeva de três olhos. No meio do Oceano de leite há uma montanha muita alta de grande refulgência como aquela do ouro, conhecida, ó monarca, pelo nome de Vaijayanta. Indo para lá completamente só, a partir da sua própria residência de grande esplendor e felicidade, a divindade ilustre Brahma costumava passar seu tempo muito frequentemente, empenhado em pensar no curso de Adhyatma. Enquanto Brahma de quatro faces de grande inteligência estava sentado lá, seu filho Mahadeva, que tinha surgido de sua testa o encontrou um dia no decorrer de suas viagens pelo universo. Nos tempos antigos, Siva de três olhos dotado de pujança e Yoga superior, enquanto procedendo pelo céu, viu Brahma sentado naquela montanha e, portanto, desceu rapidamente em seu topo. Com um coração alegre ele se apresentou perante seu progenitor e adorou seus pés. Vendo Mahadeva prostrado aos seus pés, Brahma o levantou com sua mão esquerda. Tendo assim erguido Mahadeva, Brahma, aquele pujante e único Senhor de todas as criaturas, então se dirigiu ao seu filho, a quem ele encontrou depois de muito tempo, nestas palavras.” "O Avô disse, 'Tu és bem vindo, ó tu de braços poderosos. Por boa sorte eu te vejo vir à minha presença depois de um longo tempo. Eu espero, ó filho, que esteja tudo certo com tuas penitências e teus estudos e recitações Védicas. Tu és sempre observador das mais austeras penitências. Então eu te pergunto sobre o progresso e bem-estar daquelas tuas penitências!'” "Rudra disse, 'Ó ilustre, pela tua graça, tudo está bem com minhas penitências e estudos Védicos. Está tudo bem, também, com o universo. Eu vi tua pessoa ilustre há muito tempo atrás em teu próprio lar de felicidade e refulgência. Eu estou vindo daquele lugar para esta montanha que é agora a residência dos teus pés (isto é, tua residência). Grande é a curiosidade provocada em minha mente por essa tua retirada para tal local solitário da tua região habitual de felicidade e esplendor. Deve haver uma grande razão, ó avô, para tal ato da tua parte. Tua própria residência principal é livre dos tormentos de fome e sede, e habitada pelas divindades e Asuras, por Rishis de esplendor incomensurável, como também por Gandharvas e Apsaras. Abandonando tal local de felicidade, tu resides sozinho nesta principal das montanhas. A causa disso deve ser importante.” "Brahma disse, 'Esta principal das montanhas, chamada Vaijayanta, é sempre minha residência. Aqui, com mente concentrada, eu medito no único Purusha universal de proporções infinitas.'” "Rudra disse, 'Tu és auto-nascido. Muitos são os Purushas que foram criados por ti. Outros, também, ó Brahma, estão sendo criados por ti. O Purusha Infinito, no entanto, de quem tu falas, é um e único. Quem é aquele principal dos Purushas, ó Brahma, que está sendo meditado por ti? É grande a curiosidade que eu sinto sobre este assunto. Dissipe amavelmente a dúvida que tomou posse da minha mente.” "Brahma disse, 'Ó filho, muitos são aqueles Purushas dos quais tu falas. O único Purusha, no entanto, em quem eu estou pensando, transcende todos os Purushas e é invisível. Os muitos Purushas que existem no universo têm aquele Purusha como sua base; e já que um Purusha é citado como sendo a fonte de onde todos os inúmeros Purushas têm surgido, por isso todos os últimos, se eles conseguirem se despojar de atributos, se tornam competentes para entrar naquele único Purusha que é identificado com o universo, que é supremo, que é o principal dos principais, que é eterno, e que é ele mesmo desprovido de e que está acima de todos os atributos." 352 'Brahma disse, 'Escute, ó filho, como aquele Purusha é indicado. Ele é eterno e imutável. Ele é imperecível e incomensurável. Ele permeia todas as coisas. Ó melhor de todas as criaturas, aquele Purusha não pode ser visto por ti, ou por mim, ou por outros. Aqueles que são dotados da compreensão e dos sentidos mas desprovidos de autocontrole e tranquilidade de alma não podem obter uma visão dele. O Purusha Supremo é citado como alguém que pode ser visto somente com a ajuda do conhecimento. Embora privado de corpo, Ele mora em todos os corpos. Embora morando, também, em corpos, Ele nunca é tocado pelas ações realizadas por aqueles corpos. Ele é meu Antaratma (alma interna). Ele é tua alma interna. Ele é a Testemunha que tudo vê habitando dentro de todas as criaturas incorporadas e empenhado em observar suas ações. Ninguém pode pegá-lo ou compreendê-lo em qualquer tempo. O universo é a coroa de sua cabeça. O universo é seus braços. O universo é seus pés. O universo é seus olhos. O universo é seu nariz. Só e único, ele vagueia por todos os Kshetras (corpos) incontido por quaisquer limitações à sua vontade e como lhe agrada. Kshetra é outro nome para corpo. E porque ele conhece todos os Kshetras como também todos os atos bons e maus, portanto ele, que é a alma do Yoga, é chamado pelo nome de Kshetrajna. (Atos são chamados de sementes. Sementes produzem árvores. Atos levam à obtenção de corpos. Para a produção de corpos, portanto, atos operam como sementes.) Ninguém consegue perceber como ele entra nas criaturas incorporadas e como ele sai delas. Segundo o modo Sankhya, como também com a ajuda de Yoga e a devida observância das ordenanças prescritas por este, eu estou ocupado em pensar na causa daquele Purusha, mas ai, eu não posso compreender aquela causa, excelente como ela é. Eu irei, no entanto, segundo a extensão do meu conhecimento, falar para ti sobre aquele Purusha eterno e sua Unidade e grandeza supremas. Os eruditos falam dele como o único Purusha. Aquele Ser eterno merece o título de Mahapurusha (o grande Purusha supremo). O Fogo é um elemento, mas ele pode ser visto queimar em mil lugares sob mil circunstâncias diferentes. O Sol é um e único, mas seus raios se estendem pelo amplo universo. Penitências são de diversos tipos, mas elas têm uma origem comum de onde elas têm fluído. O Vento é um, mas ele sopra em diversas formas no mundo. O grande Oceano é o único pai de todas as águas no mundo vistas sob diversas circunstâncias. Privado de atributos, aquele único Purusha é o universo manifestado em infinidade. Fluindo dele, o universo infinito entra novamente naquele único Purusha, que transcende todos os atributos, quando chega a hora de sua destruição. Por rejeitar a consciência de corpo e os sentidos, por rejeitar todas as boas e más ações, por rejeitar verdade e falsidade, alguém consegue se despojar de atributos. A pessoa que percebe aquele Purusha inconcebível, e compreende sua existência sutil na forma quádrupla de Aniruddha, Pradyumna, Sankarshana, e Vasudeva, e que, por tal compreensão, obtém perfeita tranquilidade de coração, consegue entrar em e se identificar com aquele único Purusha auspicioso. Algumas pessoas possuidoras de conhecimento falam dele como a alma suprema. Outras o consideram como a única alma. Uma terceira classe de homens eruditos o descreve como a alma. (No sistema Yoga Ele é chamado de Alma Suprema, pois Yogins afirmam a existência de duas almas, a Jivatman e a Alma Suprema, e asseveram a superioridade da última sobre a primeira. Os Sankhyas consideram a alma Jiva e a Alma Suprema como uma e a mesma. Uma terceira classe de homens pensa em tudo como Alma, não havendo diferença entre a única Alma e o universo manifestado em infinidade.) A verdade é que ele que é a Alma Suprema é sempre desprovido de atributos. Ele é Narayana. Ele é a alma universal, e ele é o único Purusha. Ele nunca é afetado pelos frutos das ações assim como a folha do lótus nunca é encharcada pela água que alguém possa jogar sobre ela. O Karamta (Alma ativa) é diferente. Esta Alma está às vezes engajada em ações e quando ela consegue rejeitar as ações alcança a Emancipação ou identidade com a Alma Suprema. A Alma ativa é dotada de dezessete propriedades. (A Alma ativa está abrigada no Linga-sarira com o qual ela se torna ora um ser humano, ora uma divindade, ora um animal, etc. As dezessete posses são os cinco pranas, mente, inteligência e os dez órgãos dos sentidos.) Dessa maneira é dito que há inúmeros tipos de Purushas em ordem devida. Na verdade, no entanto, há somente um Purusha. Ele é a residência de todas as ordenanças em relação ao universo. Ele é o maior objeto de conhecimento. Ele é ao mesmo tempo o conhecedor e o objeto a ser conhecido. Ele é ao mesmo tempo o pensador e o objeto do pensamento. Ele é o comedor e o alimento que é comido. Ele é aquele que cheira e o perfume que é cheirado. Ele é ao mesmo tempo aquele que toca e o objeto que é tocado. Ele é o agente que vê e o objeto que é visto. Ele é o ouvinte e o objeto que é ouvido. Ele é aquele que concebe e o objeto que é concebido. Ele é possuidor de atributos e é livre deles. O que foi anteriormente, ó filho, chamado de Pradhana, e é a mãe do Mahat tattwa não é outro a não ser a Refulgência da Alma Suprema; porque Ele é que é eterno, sem destruição e nenhum fim e sempre imutável. Ele é quem cria a primeira ordenança em relação ao próprio Dhatri. Brahmanas eruditos o chamam pelo nome de Aniruddha. Quaisquer atos, possuidores de méritos excelentes e repletos de bênçãos, que fluem dos Vedas no mundo, têm sido causados por Ele. Todas as divindades e todos os Rishis, possuidores de almas tranquilas, ocupando seus lugares no altar, dedicam a ele a primeira parte de suas oferendas sacrificais. Eu, que sou Brahma, o mestre primevo de todas as criaturas, nasci dele, e tu nasceste de mim. De mim tem fluído o universo com todas as suas criaturas móveis e imóveis, e todos os Vedas, ó filho, com seus mistérios. Dividido em quatro partes (isto é, Aniruddha, Pradyumna, Sankarshana, e Vasudeva), Ele se diverte como Ele quer. Aquele Senhor ilustre e divino é de tal maneira, despertado por Seu próprio conhecimento. Eu assim te respondi, ó filho, de acordo com tuas perguntas, e em conformidade com a maneira na qual a questão é exposta no sistema Sankhya e na filosofia Yoga." 353 "Sauti disse, 'Depois que Vaisampayana tinha explicado para o rei Janamejaya dessa maneira a glória de Narayana, ele começou a falar sobre um outro tópico por narrar a pergunta de Yudhishthira e a resposta que Bhishma deu na presença de todos os Pandavas e dos Rishis como também do próprio Krishna. De fato, Vaisampayana começou por dizer o seguinte.’” "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, nos falaste sobre os deveres pertencentes à religião da Emancipação. Cabe a ti agora nos dizer quais são os principais deveres das pessoas pertencentes aos vários modos de vida!'” (O objetivo da pergunta é averiguar qual é o principal de todos os modos de vida. Embora a Renúncia tenha sido descrita como o melhor de todos os modos, no entanto os deveres daquele modo são de prática extremamente difícil. Por isso, Yudhishthira deseja saber se os deveres de algum outro modo podem ser considerados como superiores.) "Bhishma disse, 'Os deveres ordenados a respeito de cada modo de vida são capazes, se bem realizados, de levar para o céu e ao fruto sublime da Verdade. Deveres são como muitas portas, para grandes sacrifícios e doações, e nenhuma das práticas inculcadas por eles é inútil em relação à consequência. Alguém que adota deveres específicos com fé firme e imperturbável, louva aqueles deveres adotados por ele à exclusão do resto, ó chefe da linhagem de Bharata. Este tópico específico, no entanto, sobre o qual tu desejas que eu fale foi antigamente o assunto de conversação entre o Rishi celeste Narada e o chefe das divindades, Indra. O Rishi grande Narada, ó rei, reverenciado por todo o mundo é um siddha, isto é, seu sadhana encontrou realização. Ele vaga por todos os mundos totalmente desimpedido, como o próprio vento que tudo permeia. Uma vez ele foi à residência de Indra. Devidamente honrado pelo chefe das divindades, ele sentou perto de seu anfitrião. Vendo-o sentado à vontade e livre de fadiga, o marido de Sachi dirigiu-se a ele, dizendo, ‘Ó grande Rishi, há alguma coisa extraordinária que tenha sido vista por ti, ó impecável? Ó Rishi regenerado, coroado com sucesso ascético, tu vagas, movido pela curiosidade, pelo universo de objetos móveis e imóveis, testemunhando todas as coisas. Ó Rishi celeste, não há nada no universo que seja desconhecido para ti. Fale-me, portanto, de algum incidente admirável que tu possas ter visto ou ouvido ou sentido.’ Assim questionado, Narada, aquele principal dos oradores, ó rei, então começou a narrar para o chefe dos celestiais a história extensa que se segue. Ouça-me enquanto eu conto aquela história que Narada contou diante de Indra. Eu a narrarei da mesma maneira na qual o Rishi celeste a narrou, e para o mesmo propósito que ele tinha em vista!'" 354 "Bhishma disse, 'Em uma cidade excelente chamada pelo nome de Mahapadma, que era situada no lado sul do rio Ganga, vivia, ó melhor dos homens, um Brahmana de alma concentrada. Nascido na linhagem de Atri, ele era dotado de amabilidade. Todas as suas dúvidas tinham sido dissipadas (pela Fé e contemplação) e ele conhecia bem o caminho que ele tinha que seguir. Sempre cumpridor dos deveres religiosos, ele tinha sua raiva sob controle total. Sempre contente, ele era o perfeito dominador de todos os seus sentidos. Dedicado a penitências e ao estudo dos Vedas, ele era honrado por todos os bons homens. Ele adquiriu riqueza por meios justos e sua conduta em todas as coisas correspondia ao modo de vida que ele levava e à classe à qual ele pertencia. A família à qual ele pertencia era grande e célebre. Ele tinha muitos amigos e parentes, e muitos filhos e esposas. Seu comportamento era sempre respeitável e impecável. Observando que ele tinha muitos filhos, o Brahmana se dirigiu à realização de ações religiosas em grande escala. Suas observâncias religiosas, ó rei, tinham relação com os costumes da sua própria família. (Costumes de família são sempre observados com grande cuidado. Mesmo quando inconsistentes com as ordenanças das escrituras, tais costumes não perdem sua força obrigatória. Repreensível como é a venda de uma filha ou irmã, o grande rei Salya, quando ele entregou sua irmã Madri para Pandu, insistiu em receber uma soma de dinheiro, alegando costume familiar não somente como uma desculpa mas como algo que era obrigatório. Até hoje, animais são mortos em sacrifícios de muitas famílias que seguem a fé Vaishnava, a justificação sendo costume de família.) O Brahmana refletiu que três tipos de deveres foram formulados para observâncias. Havia em primeiro lugar os deveres ordenados nos Vedas a respeito da classe na qual ele era nascido e ao modo de vida que ele estava levando (isto é, um Brahmana na observância de vida familiar). Havia em segundo lugar, os deveres prescritos nas escrituras, ou seja, aqueles especialmente chamados de Dharmasastras. E, em terceiro lugar, havia aqueles deveres que homens eminentes e veneráveis dos tempos antigos tinham seguido embora não se encontrassem nem nos Vedas nem nas escrituras. (Os Vedas, no sentido exato da palavra, não são escrituras, pois eles são _ouvidos_, as escrituras sendo aquelas ordenanças que são escritas. Naturalmente, os Vedas foram postos em forma escrita, mas apesar disso, eles continuam a ser chamados de Srutis.) ‘Qual desses deveres eu devo seguir? Quais deles, também, seguidos por mim, provavelmente levarão ao meu benefício? Qual, de fato, deve ser meu refúgio?’ Pensamentos como esses sempre o incomodavam. Ele não podia esclarecer suas dúvidas. Enquanto incomodado com tais reflexões, um Brahmana de alma concentrada e praticante de uma religião muito superior chegou à casa dele como um convidado. O chefe de família honrou seu convidado devidamente segundo aquelas ordenanças de culto que são prescritas nas escrituras. Vendo seu convidado refrescado e sentado tranquilo, o anfitrião dirigiu-se a ele nas seguintes palavras." "O Brahmana disse, 'Ó impecável, eu me tornei extremamente afeiçoado a ti por causa da gentileza da tua conversação. Tu te tornaste meu amigo. Ouça-me, pois eu desejo te dizer uma coisa. Ó principal dos Brahmanas, depois de transferir os deveres de um chefe de família para meu filho, eu desejo cumprir os mais elevados deveres do homem. Qual, ó regenerado, deve ser meu caminho? Confiando na alma Jiva, eu desejo alcançar existência na única Alma (Suprema). Ai, amarrado pelos vínculos do apego, eu não tenho coração para realmente me dirigir para a realização daquela tarefa. E já que a melhor parte da minha vida foi passada na observância da vida familiar, eu desejo dedicar o resto da minha vida a ganhar os meios de custear as despesas da minha viagem em relação à hora que se aproxima. Surgiu na minha mente o desejo de cruzar o oceano do mundo. Ai, de onde eu obterei a balsa da religião (com a qual realizar meus propósitos)? Sabendo que até as próprias divindades são perseguidas e têm que aguentar os resultados de suas ações, e vendo as fileiras das bandeiras e estandartes de Yama (isto é, as diversas doenças) flutuando sobre as cabeças de todas as criaturas, meu coração falha em derivar prazer dos diversos objetos de prazer com os quais ele entra em contato. Vendo também que os Yatis dependem para seu sustento de esmolas obtidas no decurso de suas rondas de mendicância, eu também não tenho respeito pela religião dos Yatis. Ó meu convidado venerável, ajudado por aquela religião que é fundada sobre as bases da inteligência e razão, estabeleça para mim o cumprimento de um método específico de deveres e observâncias!'” "Bhishma continuou, 'Dotado de grande sabedoria, o convidado, ouvindo este discurso de seu anfitrião, o qual era consistente com a retidão, disse estas palavras gentis em uma voz melodiosa.'” "O convidado disse, 'Eu mesmo também estou confuso com relação a este assunto. O mesmo pensamento ocupa minha mente. Eu não posso chegar a conclusões definitivas. O Céu tem muitas portas. Há alguns que louvam a Emancipação. Algumas pessoas regeneradas louvam os frutos obteníveis pela realização de sacrifícios. Há alguns que se refugiam no modo de vida da floresta. Alguns, também, se dirigem ao modo de vida familiar. Alguns confiam nos méritos alcançáveis por uma observância dos deveres dos reis. Alguns confiam nos resultados daquele treino que consiste em controlar a alma. Alguns pensam que os méritos resultantes de uma obediência respeitosa aos preceptores e superiores são eficazes. Alguns se dirigem a restrições impostas sobre a fala. Alguns, por servirem respeitosamente suas mães e pais, vão para o céu. Alguns vão para o céu por praticarem o dever da compaixão, e alguns por praticarem a Verdade. Alguns vão para a batalha, e depois de sacrificarem suas vidas alcançam o céu. Alguns, também, obtendo sucesso por praticarem o voto chamado Unccha, se dirigem ao caminho de céu. Alguns se dedicam ao estudo dos Vedas. Dotados de boa ventura e dedicados a tal estudo, esses homens, possuidores de inteligência, com almas tranquilas, e tendo seus sentidos sob controle completo, chegam ao céu. Outros caracterizados por simplicidade e verdade são mortos por homens de perversidade. Dotados de almas puras, tais homens de verdade e simplicidade se tornam honrados habitantes do céu. Neste mundo, é visto que homens se dirigem ao céu através de mil portas de dever, todas totalmente abertas. Minha mente ficou agitada pela tua pergunta, como uma nuvem macia perante o vento.'" 355 "O convidado continuou, 'Apesar disso, ó Brahmana, eu me esforçarei para te instruir devidamente. Ouça-me enquanto eu narro para ti aquilo que eu ouvi do meu preceptor. Naquele lugar de onde, no decorrer de uma criação anterior, a roda da justiça foi posta em movimento, naquela floresta que é conhecida pelo nome de Naimisha, e que está situada nas margens do Gomati, há uma cidade que recebeu o nome dos Nagas. Lá, naquela região, todas as divindades, se reunindo, realizaram antigamente um sacrifício grandioso. Lá o principal dos reis terrestres, Mandhatri, derrotou Indra, o chefe dos celestiais. Um Naga poderoso, de alma justa, mora na cidade que fica naquela região. Aquele grande Naga é conhecido pelo nome de Padmanabha ou Padma. Andando pelo caminho triplo (de ações, conhecimento, e adoração) ele gratifica todas as criaturas em pensamentos, palavras, e atos. Refletindo sobre todas as coisas com grande cuidado, ele protege os justos e castiga os maus por adotar a política quádrupla de conciliação, provocar dissensões, fazer presentes ou subornos, e de usar a força. Indo para lá, tu deves fazer para ele as perguntas que desejares. Ele te mostrará realmente qual é a religião mais elevada. Aquele Naga é sempre afetuoso com convidados. Dotado de grande inteligência, ele conhece bem as escrituras. Ele possui todas as virtudes desejáveis, iguais às quais não são percebidas em nenhuma outra pessoa. Por disposição ele é sempre observador daqueles deveres que são realizados com ou na água. Ele é dedicado ao estudo dos Vedas. Ele é dotado de penitências e autodomínio. Ele tem grande riqueza. Ele realiza sacrifícios, faz doações, se abstém de infligir dano e pratica bondade. Sua conduta em todos os aspectos é excelente. Verdadeiro em palavras e livre de malícia, seu comportamento é bom e seus sentidos estão sob controle adequado. Ele come depois de alimentar todos os seus convidados e servidores. Ele é de fala gentil. Ele tem conhecimento do que é benéfico e do que é simples e certo e do que é censurável. Ele avalia o que ele faz e o que ele deixa inacabado. Ele nunca age com hostilidade em direção a alguém. Ele está sempre dedicado a fazer o que é benéfico para todas as criaturas. Ele pertence a uma família que é tão pura e imaculada quanto a água de um lago no meio do Ganges.'" 356 "O anfitrião respondeu, 'Eu ouvi essas tuas palavras, que são tão confortantes, com tanta satisfação quanto a que é sentida por uma pessoa pesadamente carregada quando aquela carga é tirada da sua cabeça ou ombros. A satisfação que um viajante que fez uma longa viagem a pé sente quando ele deita em uma cama, aquela que uma pessoa sente quando ela encontra um assento depois de ter ficado em pé por longo tempo por falta de espaço, ou aquela que é sentida por uma pessoa sedenta quando ela encontra um copo de água fresca, ou aquela que é sentida por um homem faminto quando ele encontra comida saborosa colocada à sua frente, ou aquela que um convidado sente quando um prato de alimento desejável é colocado diante de si na hora apropriada, ou aquela que é sentida por um homem velho quando depois de desejar por muito tempo ele consegue um filho, ou aquela que é sentida por alguém quando encontrando com um amigo querido ou parente sobre quem ele tinha ficado extremamente ansioso, parece com essa que eu sinto por causa dessas palavras proferidas por ti. Como uma pessoa com olhar fixo virado para cima eu ouvi o que saiu dos teus lábios e estou refletindo sobre sua importância. Com estas tuas palavras sábias tu realmente me instruíste! Sim, eu farei o que tu me ordenaste fazer. Tu podes partir amanhã no alvorecer, passando a noite alegremente comigo e dissipando tua fadiga por tal descanso. Veja, os raios do divino Surya foram obscurecidos parcialmente e o deus do dia está prosseguindo em seu rumo para baixo!" "Bhishma continuou, 'Servido com hospitalidade por aquele Brahmana, o convidado erudito, ó matador de inimigos, passou aquela noite na companhia de seu anfitrião. De fato, ambos passaram a noite felizmente, conversando animadamente um com o outro sobre o assunto dos deveres do quarto modo de vida, isto é, Sannyasa (renúncia). Tão interessante era a natureza da sua conversa que a noite passou como se fosse dia. Quando chegou a manhã, o convidado foi adorado com os ritos devidos pelo Brahmana cujo coração estava colocado ansiosamente na realização do que (segundo as palavras do convidado) era considerado por ele como benéfico para si. Tendo dado licença para seu convidado partir, o Brahmana justo, decidido a realizar seu propósito, despediu-se de seus amigos e parentes, e saiu na hora apropriada para a residência daquele principal dos Nagas, com o coração firmemente dirigido para isto.'" "Bhishma disse, 'Procedendo por muitas florestas encantadoras e lagos e águas sagradas, o Brahmana finalmente chegou ao retiro de certo asceta. Chegando lá, ele perguntou para ele, em palavras apropriadas, acerca do Naga de quem ele tinha ouvido de seu convidado, e instruído por ele prosseguiu sua viagem. Com uma idéia clara do objetivo de sua viagem, o Brahmana então chegou à casa do Naga. Entrando nela devidamente, ele se anunciou em palavras adequadas, dizendo, ‘Ho! Quem está aí? Eu sou um Brahmana, vim para cá como um convidado!’ Ouvindo estas palavras, a casta esposa do Naga, possuidora de grande beleza e dedicada à observância de todos os deveres, apareceu. Sempre atenta aos deveres de hospitalidade, ela adorou o convidado com os ritos devidos, e dando as boas-vindas a ele, disse, 'O que eu posso fazer por você?'” "O Brahmana disse, 'Ó senhora, eu sou suficientemente honrado por ti com as palavras gentis que tu me disseste. A fadiga da minha viagem também foi dissipada. Eu desejo, ó senhora abençoada, ver teu marido excelente. Este é meu grande objetivo. Este é o único objetivo do meu desejo. É por esta razão que eu vim hoje à residência do Naga, teu marido.'” "A esposa do Naga disse, 'Senhor venerável, meu marido foi puxar o carro de Surya por um mês. Ó Brahmana erudito, ele estará de volta em quinze dias, e irá, sem dúvida, se mostrar para ti. Eu assim te disse a razão da ausência de meu marido de casa. Seja como for, o que mais eu posso fazer por ti? Diga-me isto!'” "O Brahmana disse, 'Ó senhora casta, eu vim para cá com o objetivo de ver teu marido. Ó dama venerável, eu morarei na floresta adjacente, esperando pelo retorno dele. Quando teu marido voltar, diga-lhe gentilmente que eu cheguei neste lugar impelido pelo desejo de vê-lo. Tu deves também me informar da volta dele quando aquele evento ocorrer. Ó senhora abençoada, eu irei, até então, residir nas margens do Gomati, esperando por seu retorno e todo o tempo vivendo de alimentação frugal.’ Tendo dito isto repetidamente para a esposa do Naga, aquele principal dos Brahmanas procedeu para as margens do Gomati para residir lá até a hora do retorno do Naga.'" 358 "Bhishma continuou, 'Os Nagas daquela cidade ficaram extremamente aflitos quando eles viram que aquele Brahmana, dedicado à prática de penitências, continuou a residir na floresta, se abstendo totalmente de alimento, na expectativa da chegada do chefe Naga. Todos os amigos e parentes do grande Naga, incluindo seu irmão e filhos e esposa, se reunindo, foram ao local onde o Brahmana estava permanecendo. Chegando às margens do Gomati, eles viram aquela pessoa regenerada sentada em um lugar retirado, se abstendo de alimento de todo tipo, enquanto observava votos excelentes, e ocupada em recitar silenciosamente certos Mantras. Aproximando-se da presença do Brahmana e oferecendo a ele culto apropriado, os amigos e parentes do grande Naga disseram para ele estas palavras repletas de franqueza: ‘Ó Brahmana, dotado de riqueza de ascetismo, este é o sexto dia da tua chegada aqui, mas tu não disseste uma palavra a respeito da tua alimentação. Ó regenerado, tu és dedicado à virtude. Tu vieste até nós. Nós estamos aqui a teu serviço. É absolutamente necessário que nós façamos os deveres de hospitalidade para ti. Nós somos todos parentes do chefe Naga com quem tu tens negócio. Raízes ou frutas, folhas, ou água, ou arroz ou carne, ó melhor dos Brahmanas, cabe a ti pegar para teu sustento. Por causa da tua residência nesta floresta sob tais circunstâncias de total abstenção de comida, toda a comunidade de Nagas, jovens e velhos, está sendo afligida, já que este teu jejum implica negligência da nossa parte em cumprir os deveres de hospitalidade. Nós não temos ninguém entre nós que seja culpado de Brahmanicídio. Nenhum de nós jamais perdeu um filho imediatamente após o nascimento. Ninguém nascido em nosso povo se alimenta antes de servir as divindades ou convidados ou parentes chegados à sua residência.’” "O Brahmana disse, 'Por causa desses apelos de vocês todos, eu posso ser considerado como tendo quebrado meu jejum. Estão faltando oito dias para o dia do retorno do chefe dos Nagas. Se, no término da oitava noite a partir de hoje, o chefe dos Nagas não voltar, eu irei então quebrar meu jejum por me alimentar. De fato, este voto de me abster de todo alimento que eu estou cumprindo é por meu respeito pelo chefe Naga. Vocês não devem se afligir pelo que eu estou fazendo. Vocês todos retornem para o lugar de onde vocês vieram. Este meu voto está por conta dele. Vocês não devem fazer alguma coisa por consequência da qual este meu voto possa ser quebrado.’ Os Nagas reunidos, assim endereçados pelo Brahmana, foram dispensados por ele, depois do que, ó principal dos homens, eles voltaram para suas respectivas residências.'" 359 "Bhishma disse, 'Após o término do período de quinze dias completos, o chefe Naga (Padmanabha), tendo terminado sua tarefa de arrastar o carro de Surya e obtendo a permissão do último, voltou para sua própria casa. Vendo-o de volta, sua esposa aproximou-se dele rapidamente para lavar seus pés e cumprir respeitosamente outras tarefas de natureza semelhante. Tendo realizado aquelas tarefas, ela tomou seu assento ao lado dele. O Naga então, revigorado da fadiga, dirigiu-se à sua esposa casta e respeitosa, dizendo, ‘Eu espero, minha cara esposa, que durante a minha ausência tu não tenhas te descuidado de cultuar as divindades e convidados de acordo com as instruções que eu te dei, e segundo as ordenanças declaradas nas escrituras. Eu espero que sem cederes àquela compreensão impura que é natural nas pessoas do teu sexo, tu tenhas, durante a minha ausência de casa, sido firme no cumprimento dos deveres de hospitalidade. Eu confio que tu não tenhas ultrapassado os limites do dever e retidão.'” "A esposa do Naga disse, 'O dever dos discípulos é servir seu preceptor com reverência executando suas ordens; o dos Brahmanas é estudar os Vedas e mantê-los na memória; o dos empregados é obedecer as ordens de seus patrões; o do rei é proteger seu povo por cuidar dos bons e castigar os maus. É dito que os deveres de um Kshatriya incluem a proteção de todas criaturas do mal e da opressão. O dever do Sudra é servir com humildade pessoas das três classes regeneradas, Brahmanas, Kshatriyas e Vaisyas. A religião do chefe de família, ó chefe dos Nagas, consiste em fazer o bem para todas as criaturas. Frugalidade de alimentação e observância de votos na devida ordem constituem mérito (para pessoas de todas as classes) por causa da conexão que existe entre os sentidos e os deveres de religião. (Frugalidade de alimentação e observância de votos constituem mérito para pessoas de todas as classes. Esses implicam na restrição dos sentidos, pois se os sentidos não forem controlados ninguém pode cumprir votos ou praticar moderação. Há uma conexão, dessa maneira, entre os deveres de religião e os sentidos.) ‘Quem sou eu? De onde eu vim? O que são os outros para mim e o que eu sou para os outros?’ Estes são os pensamentos para os quais deve sempre ser dirigida a mente daquele que leva o modo de vida que conduz à Emancipação. Castidade e obediência ao marido constituem os maiores deveres da esposa. Pela tua instrução, ó chefe dos Nagas, eu aprendi bem isto. Eu, portanto, que conheço bem o meu dever, e tenho a ti como meu marido, tu que és dedicado à retidão, ó, por que eu iria, me desviando do caminho do dever, trilhar o caminho da desobediência e pecado? Durante tua ausência de casa, as adorações às divindades não decaíram em nenhum aspecto. Eu também, sem a mínima negligência, me encarreguei dos deveres de hospitalidade em direção às pessoas que chegaram como convidados em tua residência. Quinze dias atrás um Brahmana veio aqui. Ele não me revelou seu objetivo. Ele deseja ter uma entrevista contigo. Morando no momento nas margens do Gomati ele está esperando teu retorno ansiosamente. De votos rígidos, aquele Brahmana está sentado lá, empenhado na recitação dos Vedas. Ó chefe dos Nagas, eu fiz uma promessa para ele no sentido de que eu iria te enviar até ele logo que tu voltasses para tua residência. Ouvindo estas minhas palavras, ó melhor dos Nagas, cabe a ti ir para lá. Ó tu que ouves com teus olhos, cabe a ti conceder para aquela pessoa regenerada o objeto que o trouxe para cá!'" (Acredita-se que os Nagas ou cobras não têm ouvidos, mas usam seus olhos para ver e ouvir. Os Nagas parecem ter sido uma classe de seres muito superiores, tendo sua residência nas regiões inferiores.) 360 "O Naga disse, 'Ó tu de doces sorrisos, por quem tu tomas aquele Brahmana? Ele é realmente um ser humano ou ele é alguma divindade que veio para cá no disfarce de um Brahmana? Ó tu de grande fama, quem entre os seres humanos estaria desejoso de me ver ou seria competente para o propósito? Pode um ser humano, desejando me ver, deixar tal ordem contigo para me enviar até ele para lhe fazer uma visita no lugar onde ele está morando? Entre as divindades e Asuras e Rishis celestes, ó senhora amável, os Nagas são dotados de grande energia. Possuidores de grande velocidade, eles são também dotados de fragrância excelente. Eles merecem ser adorados. Eles são capazes de conceder benefícios. De fato, nós também merecemos ser seguidos por outros em nosso séquito. Eu te digo, ó senhora, que nós não podemos ser vistos por seres humanos.'” "A cônjuge do Naga chefe disse, 'Julgando por sua simplicidade e franqueza eu sei que aquele Brahmana não é alguma divindade que subsiste de ar. Ó tu de grande cólera, eu também sei disto: que ele te reverencia com todo seu coração. Seu coração está colocado na realização de algum objetivo que depende da tua ajuda. Como a ave chamada Chataka, a qual gosta muito de chuva, espera na mais intensa expectativa de uma chuva (para matar sua sede), assim mesmo aquele Brahmana está esperando na expectativa de um encontro contigo. (O pássaro indiano Chataka tem um buraco natural na parte superior de seu longo pescoço por causa do qual ele é visto sempre ficar com bico virado para cima, de modo que a parte de cima do pescoço mantém o buraco coberto. O Chataka não pode matar sua sede em um lago ou rio, pois ele não pode inclinar seu pescoço para baixo. Água da chuva é o que ele deve beber. Expectativa ávida com relação a alguma coisa é sempre comparada à expectativa do Chataka de água da chuva.) Não deixe alguma calamidade acontecer a ele por sua incapacidade de obter uma visão de ti. Nenhuma pessoa nascida como tu em uma família respeitável pode permanecer respeitável por negligenciar um convidado chegado à sua casa. Rejeitando aquela ira que é natural pata ti, cabe a ti ir e ver aquele Brahmana. Não cabe a ti te permitir ser consumido por desapontar aquele Brahmana. O rei ou o príncipe, por se recusar a secar as lágrimas das pessoas que vão até ele com esperanças de alívio, incorre no pecado de feticídio. Por se abster de falar alguém obtém sabedoria. Por praticar caridade alguém adquire grande fama. Por aderir à veracidade de palavras, alguém adquire o dom da eloquência e vem a ser honrado no céu. Por doar terra alguém alcança aquele fim elevado que é ordenado para Rishis que levam o modo de vida sagrado. Por ganhar riqueza por meios justos, alguém consegue obter muitos frutos desejáveis. Por fazer em sua totalidade o que é benéfico para si mesmo, alguém pode evitar ir para o inferno. Isso é o que os justos dizem.’” "O Naga disse, 'Eu não tive arrogância devido ao orgulho. Por causa, no entanto, do meu nascimento, a medida da minha arrogância era considerável. De ira, a qual é nascida do desejo, ó senhora abençoada, eu não tenho nada. Ela foi toda consumida pelo fogo das tuas instruções excelentes. Eu não vejo, ó dama abençoada, uma escuridão que seja mais densa do que a ira. No entanto, pelos Nagas terem excesso de ira, eles se tornaram objetos de repreensão com todas as pessoas. Por sucumbir à influência da ira Ravana de dez cabeças de grande coragem tornou-se o rival de Sakra e foi por aquela razão morto por Rama em batalha. Sabendo que o Rishi Rama da linhagem de Bhrigu tinha entrado nos aposentos internos de seu palácio para levar o bezerro da vaca Homa de seu pai, os filhos de Karttaviryya, cedendo à cólera, tomaram tal entrada como um insulto à sua casa real, e como a consequência disto eles encontraram com a destruição nas mãos de Rama. De fato, Karttaviryya de grande força, parecendo com o próprio Indra de mil olhos, por ter cedido à ira, foi morto em batalha por Rama da linhagem de Jamadagni. Realmente, ó senhora amável, pelas tuas palavras eu reprimi minha fúria, aquela inimiga de penitências, aquela destruidora de tudo o que é benéfico para mim. Eu louvo a mim mesmo imensamente já que, ó tu de olhos grandes, eu sou afortunado o suficiente para ter a ti como minha esposa, tu que és possuidora de toda virtude e que tens méritos inesgotáveis. Eu agora irei para aquele local onde o Brahmana está. Eu certamente me dirigirei àquele Brahmana em palavras apropriadas e ele certamente irá embora, seus desejos sendo realizados." 361 "Bhishma disse, 'Tendo dito essas palavras para sua querida esposa, o chefe dos Nagas procedeu para aquele local onde o Brahmana estava na expectativa de uma entrevista com ele. Enquanto ele procedia, ele pensou no Brahmana e se perguntou quanto a que assunto poderia tê-lo trazido para a cidade Naga. Chegando à sua presença, ó chefe de homens, aquele principal dos Nagas dedicado por natureza à justiça, dirigiu-se ao seu convidado em palavras gentis, dizendo, ‘Ó Brahmana, não ceda à ira. Eu me dirijo a ti em paz. Não fique zangado. Atrás de quem tu vieste aqui? Qual é teu objetivo? Vindo até ti, eu te pergunto em amizade, ó regenerado, a quem tu adoras neste lugar retirado nas margens do Gomati!'” "O Brahmana disse, 'Saiba que meu nome é Dharmaranya, e que eu vim para cá para obter uma visão do Naga Padmanabha, ó principal de todas as pessoas regeneradas. Com ele eu tenho um assunto. Eu soube que ele não está em casa e que, portanto, eu agora não estou perto do seu abrigo atual. Como um Chataka esperando na expectativa das nuvens, eu estou esperando por ele a quem eu considero como caro para mim. Para afastar todo mal dele e fazer o que é benéfico para ele, eu estou ocupado em recitar os Vedas até que ele venha e estou em Yoga e passando meu tempo alegremente.'” "O Naga disse, 'Na verdade, tua conduta é extremamente boa. Tu és virtuoso e dedicado ao bem de todas as pessoas justas. Ó Brahmana altamente abençoado, todo louvor é devido a ti. Tu vês o Naga com olhos de amizade. Eu sou aquele Naga, ó Rishi erudito, a quem tu procuras. Ordene-me, como tu desejares, em relação ao que é agradável para ti e o que eu devo fazer por ti. Sabendo pela minha cônjuge que tu estás aqui, eu me aproximei deste local, ó regenerado, para te ver. Como tu vieste aqui, tu com certeza voltarás daqui com teu objetivo cumprido. Cabe a ti, ó principal das pessoas regeneradas, me empregar em qualquer tarefa com toda confiança. Todos nós fomos certamente comprados por ti com teus méritos, (uma forma de expressão significando que 'nós somos seus escravos') já que tu, desconsiderando o que é para o teu próprio bem, empregaste teu tempo em procurar o nosso bem.'” "O Brahmana disse, 'Ó Naga altamente abençoado, eu vim para cá movido pelo desejo de obter um visão de ti. Eu vim aqui, ignorante como eu sou de todas as coisas, para te perguntar acerca de uma coisa. Ó Naga, confiando na alma Jiva, eu desejo alcançar a Alma Suprema a qual é o fim da alma Jiva. Eu não sou nem ligado ao mundo nem dissociado dele. Tu brilhas com a refulgência dos teus próprios méritos cobertos por pura fama, com uma refulgência que é tão agradável quanto aquela da lua. Ó tu que vives só do ar, responda primeiro uma pergunta que eu desejo te fazer. Depois eu te informarei do objetivo que me trouxe para cá!'" 362 "O Brahmana disse, 'Tu partiste para puxar o carro de uma roda de Vivaswat de acordo com teu turno. Cabe a ti descrever para mim qualquer coisa extraordinária que tu possas ter reparado naquelas regiões pelas quais tu viajaste!'” "O Naga disse, 'O divino Surya é o refúgio ou lar de inúmeras maravilhas. Todas as criaturas que habitam os três mundos fluíram de Surya. Incontáveis Munis, coroados com sucesso ascético, junto com todas as divindades, residem nos raios de Surya como aves pousando nos ramos de árvores. O que, também, pode ser mais extraordinário do que isto, que o Vento poderoso, emanando de Surya, se refugie em seus raios e se mova pelo universo? O que pode ser mais maravilhoso do que isto, ó Rishi regenerado, que Surya, dividindo o Vento em muitas porções por desejar fazer bem para todas as criaturas, crie chuva que cai na estação chuvosa? O que pode ser mais maravilhoso do que isto, que a Alma Suprema, de dentro do disco solar, ela mesma banhada em resplendor fulgurante, observe o universo? O que pode ser mais maravilhoso do que isto, que Surya tenha um raio escuro que se transforma em nuvens carregadas de chuva e derrama chuvas quando chega a estação? O que pode ser mais maravilhoso do que isto, que absorvendo por oito meses a chuva que ele despeja, ele as despeje outra vez na estação chuvosa? Em certos raios de Surya, é dito que reside a Alma do universo. Dele é a semente de todas as coisas, e é Ele que sustenta a Terra com todas as suas criaturas móveis e imóveis. O que pode ser mais extraordinário, ó Brahmana, do que isto, que aquele principal dos Purushas, eterno e de braços poderosos, dotado de refulgência excelente, eterno, e sem início e sem fim, resida em Surya? Escute, no entanto, a uma coisa que eu te direi agora. Isto é a maravilha das maravilhas. Eu vi isto no céu claro, por causa da minha proximidade com Surya. Nos tempos antigos, um dia na hora do meio-dia, enquanto Surya estava brilhando em toda sua glória e dando calor para tudo, nós vimos um Ser vindo em direção a Surya, que parecia brilhar com uma refulgência que era igual àquela do próprio Surya. Fazendo todos os mundos brilharem com sua glória e enchendo-os com sua energia, ele se aproximou, como eu já te disse, em direção a Surya, rasgando o firmamento, por assim dizer, para fazer seu caminho através dele. Os raios que emanavam de seu corpo pareciam com o brilho fulgurante de libações de manteiga clarificada despejadas no fogo sacrifical. Por sua energia e esplendor ele não podia ser olhado. Sua forma parecia ser indescritível. De fato, ele para nós parecia ser como um segundo Surya. Logo que ele se aproximou, Surya estendeu suas duas mãos (para dar a ele uma recepção respeitosa). Para honrar Surya em retorno, ele também estendeu sua mão direita. O último então, atravessando o firmamento, entrou no disco de Surya. Misturando- se então com a energia de Surya, ele parecia estar transformado no próprio Surya. Quando as duas energias assim se reuniram, nós estávamos tão confusos que não podíamos mais distinguir qual era qual. De fato, nós não podíamos decifrar quem era Surya que nós levávamos em seu carro, e quem era o Ser que nós tínhamos visto vindo pelo céu. Cheios de perplexidade, nós então nos dirigimos a Surya, dizendo, 'Ó ilustre, quem é este Ser que se misturou contigo e foi transformado no teu segundo eu?'” 363 "Surya disse, 'Este Ser não é o deus do fogo, ele não é um Asura. Nem ele é um Naga. Ele é um Brahmana que alcançou o céu por ter sido coroado com sucesso na observância do voto chamado Unccha. (Foi explicado nos capítulos anteriores que o voto Unccha consiste em subsistir de grãos recolhidos dos campos depois que os cereais foram colhidos e levados embora pelos donos. Ele é um voto muito difícil de praticar. O mérito vinculado a ele é, portanto, muito grande.) Esta pessoa subsistia de frutas e raízes e das folhas caídas das árvores. Ele às vezes subsistia de água, e às vezes só de ar, passando seus dias com alma concentrada. A divindade Mahadeva foi satisfeita por ele com recitação constante dos Samhitas. Ele se esforçou para realizar aqueles atos que levam para o céu. Pelos méritos daqueles atos ele agora chegou ao céu. Sem riqueza e sem desejo de qualquer tipo, ele tinha observado o voto chamado Unccha a respeito de seu sustento. Este Brahmana erudito, ó Nagas, era dedicado ao bem de todas as criaturas. Nem divindades, nem Gandharvas, nem Asuras, nem Nagas podem ser considerados como superiores àquelas criaturas que alcançam este fim excelente de entrar no disco solar.’ Esse mesmo, ó regenerado, foi o incidente extraordinário que eu observei naquela ocasião. Aquele Brahmana, que foi coroado com sucesso pela observância do voto Unccha e que assim obteve um fim que pessoas coroadas com sucesso ascético alcançam, até hoje, ó regenerado, circunda a Terra, permanecendo no disco de Surya!'” 364 “O Brahmana disse, ‘Sem dúvida, isso é muito extraordinário, ó Naga, eu estou muito satisfeito por escutar-te. Por estas palavras tuas que estão repletas de significado sutil, tu me mostraste o caminho que eu devo seguir. Abençoado sejas tu, eu desejo partir daqui, ó melhor dos Nagas, tu deves te lembrar de mim ocasionalmente e perguntar sobre mim por enviar teu empregado.’” "O Naga disse, 'O maior objetivo que te trouxe aqui ainda está em teu peito, pois tu ainda não o revelaste para mim. Aonde então tu irás? Diga-me, ó regenerado, o que deve ser feito por mim, e qual é o objetivo que te trouxe aqui. Depois da realização do teu negócio, qualquer que ele seja, expressado ou não expressado em palavras, tu podes ir, ó principal das pessoas regeneradas, me saudando e despedido por mim alegremente, ó tu de votos excelentes. Tu concebeste uma amizade por mim. Ó Rishi regenerado, não cabe a ti partir deste local depois de ter somente me visto, tu mesmo sentado sob a sombra desta árvore. Tu te tornaste caro para mim e eu me tornei caro para ti, sem dúvida. Todas as pessoas nessa cidade são tuas. Qual objeção há, então, ó impecável, em passar algum tempo em minha casa?'' "O Brahmana disse, 'É assim mesmo, ó tu de grande sabedoria, ó Naga que adquiriste um conhecimento da alma. É realmente verdade que as divindades não são superiores a ti em nenhum aspecto. Aquele que é tu mesmo, é em verdade eu mesmo, como aquele que é eu mesmo é realmente tu mesmo. Eu mesmo, tu mesmo, e todas as outras criaturas, todas teremos que entrar na Alma Suprema. Uma dúvida entrou em minha mente, ó chefe dos Nagas, a respeito da melhor maneira para ganhar virtude ou mérito. Aquela dúvida foi dissipada pelas tuas palavras, pois eu aprendi o valor do voto Unccha. Eu por essa razão seguirei este que é muito eficaz em relação a consequências benéficas. Esta, ó abençoado, tornou-se minha conclusão certa agora, baseado em razões excelentes. Eu me despeço de ti. Bênçãos para ti. Meu objetivo foi concluído, ó Naga.'" "Bhishma disse, 'Tendo saudado aquele principal dos Nagas dessa maneira, o Brahmana (chamado Dharmaranya), firmemente resolvido a seguir o modo de vida Unccha, procedeu à presença, ó rei, de Chyavana da linhagem de Bhrigu, pelo desejo de ser oficialmente instruído e iniciado naquele voto. (A iniciação formal ou diksha é uma cerimônia de grande importância. Nenhum sacrifício ou voto, nenhum rito religioso, pode ser realizado sem o diksha. O rito de diksha é realizado com a ajuda de um preceptor ou sacerdote. Ao deixar o modo de vida familiar pela vida de um asceta na floresta, o diksha é necessário. Ao seguir o voto Unccha, este rito é necessário. Qualquer ato religioso realizado por alguém sem ter passado pelo diksha formal vem a ser estéril de resultados.) Chyavana realizou os ritos Samskara do Brahmana e o iniciou formalmente no modo de vida Unccha. O filho de Bhrigu, ó monarca, contou essa história para o rei Janaka. O rei Janaka, por sua vez, narrou-a para o Rishi celeste Narada de grande alma. O Rishi celeste Narada também, de atos imaculados, indo em uma ocasião à residência de Indra, o chefe das divindades, deu para Indra essa história após ser questionado por ele. O chefe dos celestiais, tendo-a obtido assim de Narada, contou essa história abençoada para um conclave consistindo em todos os principais Brahmanas, ó monarca. Na ocasião, também, do meu terrível combate com Rama da linhagem de Bhrigu (no campo de Kurukshetra), os Vasus celestes, ó rei, me contaram essa história. Pedido por ti, ó principal dos homens justos, eu narrei essa história que é excelente e sagrada e repleta de grande mérito. Tu me perguntaste sobre o que constitui o dever mais elevado, ó rei. Essa história é minha resposta à tua pergunta. Era um homem valente aquele, ó monarca, que se dirigiu à prática do voto Unccha dessa maneira, sem esperança de qualquer resultado. Firmemente decidido, aquele Brahmana, instruído pelo chefe de Nagas dessa maneira sobre seu dever, dirigiu-se à prática de Yama e Niyama, e enquanto subsistia do alimento que era permitido pelo voto Unccha, procedeu para outra floresta.'” Fim do Santi Parva.

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