Mahabharata - 13 - Anusasana Parva

Mahabharata

Mahabharata - 13 - Anusasana Parva

O Anusasana Parva continua os ensinamentos de Bhishma. O foco recai sobre deveres, votos, doações, disciplina espiritual e modos de viver de acordo com o dharma depois da destruição causada pela guerra.

Estratégia da série: um post por parva, preservando a unidade tradicional da obra e tornando a leitura navegável para blog.

Ilustração em rabisco a lápis para Anusasana Parva, com tema de deveres, votos, dádivas, disciplina e continuidade dos ensinamentos.
Imagem criada para este post em estilo de desenho a lápis com atmosfera épica e gótica.

O MAHABHARATA de Krishna-Dwaipayana Vyasa LIVRO 13 ANUSASANA PARVA Traduzido para a Prosa inglesa do Texto Sânscrito Original por Kisari Mohan Ganguli [1883-1896] AVISO DE ATRIBUIÇÃO Escaneado em sacred-texts.com, Janeiro de 2005. Verificado por John Bruno Hare. Este texto é de domínio público. Estes arquivos podem ser usados para qualquer propósito não comercial, desde que este aviso de atribuição seja mantido intacto. Traduzido para o Português por Eleonora Meier. Capítulo Conteúdo Página 1 Caçador, serpente, Kala, Mrityu, Gautami sobre quem é responsável por más ações. Karma. Yudhishthira consolado com relação a instrumento em batalha. 7 2 História da descendência de Ikswaku, até Sudarsana. Conquista de Mrityu por cumprir os deveres de chefe de chefe de família, um Brahmana é permitido desfrutar de sua esposa. 12 3 Yudhishthira pergunta como Viswamitra subiu de Kshatriya para Brahmana. 16 4 Nascimento de Viswamitra relatado, benefícios de Gadhi, mas árvores trocadas para que embora nascido na classe Kshatriya ele fosse destinado a ser um grande Brahmana. 17 5 Suka (papagaio) e árvore para ilustrar devoção e compaixão. 19 6 Destino e esforço. 21 7 Frutos das ações boas e más. 23 8 Bhishma afirma quão altamente ele considera os Brahmanas. 25 9 Chacal e macaco que decaíram por não fazerem doações, ou se apropriarem indevidamente de (posses de) Brahmanas. 27 10 Nobres de nascimento não devem dar instrução para pessoas de casta inferior. 29 11 Deusa da prosperidade residindo ou evitando certos tipos de homens e mulheres.

34 12 Rei Bhangaswana transformado em uma mulher por punição de Indra. Mulheres derivam mais prazer que os homens através da relação sexual, têm mais afeição pelos filhos. 35 13 O que um homem deve fazer para passar agradavelmente esta vida e a vida após a morte (evitar 3 ações do corpo, 4 da fala, 3 da mente; 10 ações). 38 14 Krishna questionado sobre os nomes de Mahadeva. Krishna inicia uma longa descrição de como ele obteve um filho por adorar Mahadeva. 39 15 Krishna obtém benefícios. 64 16 Upamanyu completa descrição do Rishi Tandi adorando Mahadeva. 65 17 Vasudeva canta (detalhadamente) vários nomes e formas de Mahadeva. 69 18 Rishis contam para Yudhishthira como cada um deles se libertou do pecado por adorar Mahadeva. 92 19 Yudhishthira pergunta sobre os deveres de todos e união de casamento. História de Ashtavakra pedindo para Vadanya sua filha. Mandado subir para o Norte: ele passa tempo com Kuvera e Apsaras (mencionadas), e também com a dama no palácio que se aproxima dele em busca de sexo. 97 20 Dama é Brahmacharya, deseja se casar com o Rishi. 103 21 Ashtavakra se mantém fiel, ela foi enviada para testá-lo. Ele obtém a filha de Vadanya. 104 22 Conversa entre Yudhishthira e Bhishma sobre glorificar Brahmanas com presentes, e aderência aos deveres. 106 23 Oferecimento de doações, ritos, conveniência do Brahmana em funerais. 109 24 Vyasa para Bhishma sobre ações equivalentes ao Brahmanicídio. 117 25 Angiras para Gautama sobre Thirtas sagrados nos quais se banhar. 118 Bhishma visitado por muitos Rishis.

Yudhishthira pergunta sobre o principal dos lugares para se visitar. Rishi para Brahmana sobre o voto Sila, visita Ganga. 122 27 Yudhishthira pergunta como alguém pode ganhar a posição de Brahmana. História da jumenta e Matanga. 129 28 Indra tenta deter Matanga. Duração de tempo em cada casta. 131 29 Matanga finalmente aceita uma bênção, ele não pode obter a posição de Brahmana. 132 30 Como o rei Vitahavya obteve a posição de Brahmana com palavras de Bhrigu. 133 31 Narada para Vasudeva sobre aqueles cuja conduta é venerada. 137 32 História do falcão, pombo e Vrishadarbha sobre os méritos da proteção. 139 33 Veneração aos Brahmanas é o principal dos deveres reais. 142 34 Terra para Vasudeva sobre culto dos Brahmanas. 144 35 Últimas palavras sobre tratamento aos Brahmanas. 146 36 Samvara (um Asura) instrui Sakra sobre conduta em direção aos Brahmanas. 147 37 Virtuosa doação de presentes. 149 38 Apsara Panchachuda para Narada sobre disposição e defeitos das mulheres. 150 39 Yudhishthira pergunta por que os homens se associam com mulheres. 152 40 Bhishma concorda que as mulheres são a incorporação do pecado, incontroláveis. Proteção – Devarsarman pede para Vipula proteger sua esposa de Indra. 153 41 Indra chega chamando, mas a esposa está protegida. 156 42 Vipula ouve que ele está severamente em apuro. 159 43 Aliviado dos pecados. Bhishma conclui que os homens devem desfrutar companhia de mulheres com relutância e liberdade de apego. Somente aqueles de grande alma podem proteger as mulheres. 160 44 Casamento, entrega de filha, dotes. 162 45 Herança de riqueza por filhas.

167 46 Daksha sobre cuidado e proteção das mulheres. 169 47 Número de esposas aceito por cada classe; partilha de riqueza para descendentes de cada esposa. 170 48 Mistura de classes dando 15 classes inferiores, e assim por diante. Nenhum dever para as classes inferiores. 175 49 Mais sobre quem possui filhos, mistura de classes. 178 50 Compaixão por outros. Chyavana arrastado com peixes enquanto praticando penitências. 182 51 Comprado por vaca. 183 52 Yudhishthira pergunta sobre o nascimento de Rama (de Jamadagni). Chyavana e Kausika. 186 53 Kausika sujeitado a todos os tipos de tormentos por Chyavana. 188 54 Kausika passa pelas trilhas colocadas por Chyavana. 192 55 Chyavana explica que ele estava tentando extrair ira. Kausika obtém bênção de neto Brahmana. 194 56 Linhagem para o nascimento de Rama de Jamadagni, e profecia de ocorrência entre Kshatriyas e Brahmanas. 196 Bhishma vence o desgosto de Yudhishthira por levar modo de vida de chefes de família. 197 58 Méritos do plantio de árvores e construção de tanques. 200 59 Doações. 202 60 Doação para os Brahmanas que pedem e para os que não pedem. 205 61 Doações e sacrifícios. 206 62 Fazendo doações de terra. 209 63 Narada para Bhishma sobre doação de alimento. 213 64 Narada para Devaki sobre quais doações são dadas sob quais condições. 216 65 Bhishma sobre doações de água, ouro, etc. para Brahmanas. 219 66 Sementes de gergelim, (sacrifícios por ações trazendo resultados), doação de terra, vacas. 220 67 Comida e bebida doadas juntas.

223 68 Yama para Brahmana sobre doações de sementes de gergelim, água, luz, pedras preciosas. 224 69 Doação de Vacas. 227 70 História de Nriga doando vacas, como lagarto no poço após a morte. 228 71 Uddalaka e Nachiketa na residência de Yama – Yama sobre doações de vacas. 230 72 Avô para Sakra sobre regiões alcançadas por doar vacas. 235 73 Avô responde para Sakra. 236 74 Punição por matar vacas. 240 75 Méritos ligados a votos, Brahmacharya. 241 76 Mais sobre mérito, e como doar vacas. 243 77 Criação da vaca Kapila de Daksha. 246 78 Vasishtha para Saudasa sobre vacas. 249 79 Vacas desejaram salvar os mundos. 251 80 Ghee. 253 81 Vyasa para Suka sobre culto das vacas. 254 82 Deusa da Prosperidade, Sri, reside no excremento de vacas. 257 83 Indra instruído por Brahman sobre vacas. 258 84 Yudhishthira pergunta sobre ouro. Ouro é a essência do fogo e Soma. 261 85 História do nascimento do ouro para a destruição do Asura Taraka. 265 86 Skanda matou Asura Taraka. 275 87 Yudhishthira pergunta sobre culto dos ancestrais. 277 88 Oferendas para os Pitris e duração de tempo que elas duram. 278 89 Sraddhas opcionais. 279 90 Brahmanas pecaminosos e purificadores e doação de presentes. 280 91 Nimi realizando Sraddha por seu filho. Ritos de Atri do primeiro Sraddha explicados. 284 92 O fogo também deve ser honrado junto com os Pitris. 287 93 História dos Rishis não aceitando doações de pessoas injustas mesmo quando zangadas. Jejum como uma penitência. 288 94 Maldições por Rishis e Indra quando Agastya tem seus caules de lotos roubados.

299 95 Yudhishthira pergunta sobre guarda-sóis e sandálias. História de Jamadagni, esposa Renuka, sobre aniquilar o sol. 304 96 Surya dá para Jamadagni guarda-sóis e sandálias para proteger do calor. 305 97 Vasudeva instruído no modo de um chefe de família. 306 98 Manu e Suvana sobre doações de flores e luz. 308 99 Nahusha como líder dos deuses, maltratando Rishis. Agastya e Bhrigu conspiram contra ele. 312 100 Nahusha lançado para baixo como uma cobra quando ele golpeia Agastya na cabeça com seu pé. 314 101 Fim para aqueles que tiram propriedades de Brahmanas. 316 102 Diferentes regiões alcançáveis após a morte. 318 103 Jejum como a maior penitência. 323 104 Ações que aumentam e diminuem a vida. 327 105 Comportamento de irmãos uns para com os outros. 337 106 Duração de tempo e mérito de jejuns. 338 107 Mérito de jejuns como iguais a sacrifícios. 342 108 Mérito do Tirtha sagrado (banhando-se em sua própria alma). 349 109 Resultados de sacrifícios. 351 110 Beleza e disposição – nomes de deuses para partes do corpo. 352 111 Vrihaspati fala para Yudhishthira sobre vida após a morte e vida no inferno. 352 112 Fim daqueles que seguem virtude. 360 113 Vrihaspati relata o maior bem para os humanos, isto é, compaixão. Ascende de volta para o céu. 361 114 Religião da compaixão: exemplo é a abstenção de carne. 362 115 Bhishma para Yudhishthira sobre abstenção de carne. 363 116 Méritos da abstenção de crueldade e carne. 368 117 Verme e Vyasa sobre medo da morte, apego à vida. 370 118 Verme renascido como Kshatriya – vai até Vyasa. 372 119 Finalmente alcança a região de Brahma.

373 120 Vyasa e Maitreya sobre conhecimento, penitências, caridade. 374 121 Maitreya sobre doações de alimento. 376 122 Conhecimento e penitências. 377 123 Deveres das mulheres castas e boas. 378 124 Conciliação e doações. Brahmana conciliado com Rakshasa. 380 125 Pitris explicam ações e grandes méritos associados com certos direitos. 382 126 Atos e sacrifícios que satisfazem Vishnu. 387 127 Mais sobre méritos da parte das divindades. 390 128 Vayu sobre certas observâncias. 392 129 Lomasa sobre certas observâncias. 393 130 Esposa de Vashishtha fala. 394 131 Pramathas (viajantes espectrais) explicam como eles são mantidos longe. 396 132 Renuka enviado para questionar os elefantes que sustentam o mundo, sobre religião e dever. 397 133 Maheswara sobre bondade para vacas. 398 134 Skanda e Vishnu terminam discussão sobre religião e dever. 399 135 Yudhishthira pergunta sobre as quatro classes aceitando alimento. 400 136 Como os Brahmanas expiam seus pecados por aceitarem alimento impróprio. 401 137 Bhishma relata nomes de grandes chefes de família chegando ao céu através da caridade. 402 138 Cinco tipos de doações (mérito, lucro, medo, livre escolha, piedade). 404 139 Bhishma relata história de Krishna queimando um topo de montanha. 405 140 Uma questiona seu marido Mahadeva. 407 141 Resposta à questão sobre religião, dever, especialmente do chefe de família. 410 142 Uma pergunta sobre deveres dos ascetas da floresta. 418 143 Quatro classes, e como elas surgem e caem entre vidas. 422 144 Deveres dos homens. 426 145 Uma pergunta quais ações levam ao céu, e quais para o inferno.

429 146 Uma agora pedida para falar sobre o dever das mulheres. 433 147 Mahadeva descreve a glória de Krishna. 437 148 Conclusão do discurso de Sankara e Uma, em culto de Krishna. 440 149 Bhishma narra os mil nomes de Krishna. 444 150 Bhishma explica os Mantras Savitri. 463 151 Culto dos Brahmanas. 468 152 Recompensas por cultuar os Brahmanas. História de Pavana e Arjuna (não o Pandava). 469 153 Arjuna aconselhado pelo deus do vento por não cultuar os Brahmanas. 471 154 Deus do vendo narra feitos de grandes Brahmanas. 472 155 Façanhas de Agastya e Vasishtha. 473 156 Façanhas de Atri e Chyavana. 475 157 Arjuna reconhece a grandeza dos Brahmanas. 477 158 Yudhishthira pergunta sobre os frutos de Bhishma de cultuar Brahmanas. Bhishma é nublado – louva Krishna e pede a ele para responder. 479 159 Krishna fala sobre o Rishi Durvasa residindo em sua casa. 482 160 Krishna relata quem Durvasa é (deus Mahadeva). 485 161 Krishna louva Mahadeva. 488 162 Yudhishthira pergunta sobre a maior autoridade: escrituras ou percepção direta. Virtude. 489 163 Discurso sobre fortuna, atos do passado, obtenção de riqueza. 494 164 Rumo da Virtude e Iniquidade. Recompensa eterna. 495 165 Recitação dos nomes dos Deuses e Rishis, para destruir pecados. 496 166 Pandavas se despedem de Bhishma. 499 167 Retorno depois do período a Bhishma que tinha estado sobre o leito por 58 noites. Bhishma pede permissão de Krishna. 500 168 Bhishma morre. Ganga consolada. Bhishma era um dos Vasus. 503 Índice escrito por Duncan Watson. Traduzido por Eleonora Meier. (Anusasanika Parva) Om!

Reverenciando Narayana, e Nara o principal dos seres masculinos, como também a deusa Saraswati, a palavra "Jaya" deve ser proferida. "Yudhishthira disse, 'Ó avô, a tranquilidade da mente é citada como sendo sutil e de diversas formas. Eu tenho ouvido todos os teus discursos, mas a tranquilidade mental ainda não é minha. Nessa questão, vários meios de aquietar a mente têm sido relatados (por ti), ó majestade, mas como a paz mental pode ser adquirida somente de um conhecimento dos diferentes tipos de tranquilidade, quando eu mesmo fui o instrumento de ocasionar tudo isso? Vendo teu corpo coberto com setas e inflamado com feridas pungentes, eu fracasso em encontrar, ó herói, qualquer paz de mente, ao pensar nos males que eu fiz. Contemplando teu corpo, ó mais valente dos homens, banhado em sangue, como uma colina coberta com água de suas fontes, eu estou enlanguescendo com aflição assim como o lótus na estação chuvosa. O que pode ser mais doloroso do que isto, que tu, ó avô, tenhas sido trazido a essa situação por minha causa pelo meu povo lutando contra seus inimigos no campo de batalha? Outros príncipes também, com seus filhos e parentes, encontraram com a destruição por minha causa. Ai, o que pode ser mais doloroso do que isto? Diga-nos, ó príncipe, qual destino espera por nós e pelos filhos de Dhritarashtra, que, movidos por destino e raiva, fizemos este ato odioso. Ó senhor de homens, eu acho que o filho de Dhritarashtra é afortunado em não te ver nesse estado.

Mas para mim, que sou a causa da tua morte como também daquela de nossos amigos, é negada toda a paz mental por te ver na terra nua nessa condição lamentável. O pecaminoso Duryodhana, o mais infame de sua raça, com todas as suas tropas e seus irmãos, pereceu em batalha, no cumprimento dos deveres Kshatriya. Aquele indivíduo de alma pecaminosa não te vê jazendo no chão. Na verdade, por esta razão, eu julgaria a morte como preferível à vida. Ó herói que nunca te desviaste da virtude, tivesse eu com meus irmãos encontrado com a destruição antes disso nas mãos dos nossos inimigos no campo de batalha, eu não teria te encontrado nessa situação deplorável, assim perfurado com flechas. Certamente, ó príncipe, o Criador nos criou para sermos perpetradores de más ações. Ó rei, se tu desejas me fazer bem, então me instrua de tal maneira que eu possa ser purificado desse pecado até no outro mundo.'” "Bhishma respondeu, 'Por que, ó afortunado, tu consideras tua alma, a qual é dependente (de Deus e do Destino e do Tempo) como a causa das tuas ações? A manifestação de sua inação é sutil e imperceptível para os sentidos. Em relação a isto é citada a história antiga da conversa entre Mrityu e Gautami com Kala e o caçador de aves selvagens e a serpente. Havia, ó filho de Kunti, uma senhora idosa de nome Gautami, que possuía grande paciência e tranquilidade mental. Um dia ela encontrou seu filho morto por ter sido mordido por uma serpente. Um caçador zangado, de nome Arjunaka, amarrou a serpente com uma corda e levou- a perante Gautami.

Ele então disse para ela, ‘Esta serpente vil foi a causa da morte do teu filho, ó senhora abençoada. Diga-me depressa como esta desgraçada deve ser destruída. Eu devo jogá-la no fogo ou cortá-la em pedaços? Esta destruidora infame de uma criança não merece viver mais.'” "Gautami respondeu, 'Ó Arjunaka de pouca compreensão, liberte esta serpente. Ela não merece a morte nas tuas mãos. Quem é tão tolo quanto a desconsiderar a sina inevitável que o espera e se sobrecarregando com tal tolice cai em pecado? Aqueles que se fizeram leves pela prática de atos virtuosos conseguem cruzar o mar do mundo, assim como um navio cruza o oceano. Mas aqueles que se fizeram pesados com pecado descem até o fundo, assim como uma flecha lançada na água. Por matar a serpente este meu menino não será devolvido à vida, e por deixá-la viva, nenhum mal será causado para ti. Quem iria para as regiões intermináveis da Morte por matar esta criatura viva?'” "O caçador disse, 'Eu sei, ó senhora que conhece a diferença entre bem e mal, que os grandes são afligidos pelas aflições de todas as criaturas. Mas estas palavras que tu falaste são repletas de instrução somente para uma pessoa independente de coisas externas (e não para alguém mergulhado em tristeza). Portanto, eu devo matar esta serpente. Aqueles que dão valor à paz mental atribuem tudo ao decorrer do Tempo como a causa, mas homens práticos logo aliviam sua dor (pela vingança). As pessoas, por ilusão constante, temem perda de beatitude (no próximo mundo por ações como essas).

Portanto, ó senhora, amenize tua dor por ter esta serpente destruída (por mim).’” “Gautami respondeu, ‘Pessoas como nós nunca são afligidas por (tal infortúnio). Bons homens têm suas almas sempre concentradas na virtude. A morte do menino estava predestinada, portanto, eu não posso aprovar a destruição desta serpente. Brahmanas não guardam ressentimento, porque o ressentimento leva à dor. Ó bom homem, perdoe e liberte esta serpente por compaixão.’” “O caçador respondeu, ‘Que nós ganhemos mérito grande e inesgotável após a morte por matar (esta criatura), assim como um homem adquire grande mérito, e o confere para sua vítima sacrificada também, por sacrifício sobre o altar. Mérito é adquirido por matar um inimigo: por matar esta criatura desprezível, tu obterás mérito grande e verdadeiro após a morte.’” “Gautami respondeu, ‘Que bem há em atormentar e matar um inimigo, e qual benefício é ganho por não libertar um inimigo em nosso poder? Portanto, ó tu de expressão afável, por que nós não devemos perdoar esta serpente e tentar ganhar mérito por libertá-la?’” "O caçador respondeu, 'Um grande número (de criaturas) deve ser protegido (da maldade) dela, em vez desta única criatura ser protegida (em preferência a muitas).

Homens virtuosos abandonam os viciosos (ao seu destino), portanto, mate esta criatura perversa.'” “Gautami respondeu, ‘Por matar esta serpente, ó caçador, meu filho não será restituído à vida, nem eu vejo qualquer outro fim que seria alcançado pela morte dela, portanto, ó caçador, liberte esta criatura viva de uma serpente.’” “O caçador disse, ‘Por matar Vritra, Indra assegurou a melhor parte (das oferendas sacrificais), e por destruir um sacrifício Mahadeva garantiu sua parte das oferendas sacrificais, portanto, destrua esta serpente imediatamente sem quaisquer receios em tua mente!’” "Bhishma continuou, 'Gautami de grande alma, embora repetidamente incitada pelo caçador para a destruição da serpente não dirigiu sua mente para aquele ato pecaminoso. A serpente, dolorosamente amarrada pela corda, suspirando um pouco e mantendo sua compostura com grande dificuldade, então proferiu estas palavras lentamente, em uma voz humana.'” “A serpente disse, ‘Ó tolo Arjunaka, qual é minha falha? Eu não tenho vontade própria, e não sou independente. Mrityu me enviou nessa missão. Por sua ordem eu mordi esta criança, e não por raiva ou escolha da minha parte. Portanto, se houver algum pecado nisto, ó caçador, o pecado é dele.’” “O caçador disse, ‘Se tu fizeste este mal, levado a isto por outro, o pecado é teu também já que tu és um instrumento na ação. Como na fabricação de um recipiente de barro a roda do oleiro e vara e outras coisas são todas consideradas como causas, assim tu és, ó serpente, (causa na produção deste efeito). Aquele que é culpado merece a morte em minhas mãos.

Tu, ó serpente, és culpada. De fato, tu te confessaste assim nesta questão!’” “A serpente disse, ‘Como todos esses, isto é, a roda do oleiro, vara, e outras coisas, não são causas independentes, exatamente assim eu não sou uma causa independente. Portanto, este não é um erro meu, como tu deves admitir. Tu deves pensar de outra maneira, então esses devem ser considerados como causas trabalhando em harmonia umas com as outras. Por trabalharem assim umas com as outras, surge uma dúvida com relação à sua relação como causa e efeito. Tal sendo o caso, isso não é erro meu, nem eu mereço a morte por causa disso, nem sou culpado de algum pecado. Ou, se tu achas que há pecado (mesmo em tal causação), o pecado se encontra no agregado de causas.’” “O caçador disse, ‘Se tu não és nem a causa principal nem o agente nesta questão, tu ainda és a causa da morte (do filho dela). Portanto, tu mereces a morte em minha opinião. Se, ó serpente, tu pensas que quando uma má ação é feita o fazedor não é implicado nisso, então não pode haver causa nessa questão; mas tendo feito isso, tu realmente mereces a morte. O que mais tu pensas?’” “A serpente disse, ‘Se alguma causa existe ou não, nenhum efeito é produzido sem uma ação (intermediária). Portanto, a causação não sendo importante em qualquer caso, minha agência somente como a causa (nessa questão) deve ser considerada em sua relação apropriada.

Se, ó caçador, tu achas que eu sou a causa em verdade, então a culpa deste ato de matar um ser vivo se apóia sobre os ombros de outro que me incitou a este fim.’” "O caçador disse, 'Não merecedor de vida, ó tolo, por que tu atiras tantas palavras, ó desgraçada de uma serpente? Tu mereces a morte pelas minhas mãos. Tu fizeste um ato atroz por matar este menino.'” "A serpente disse, 'Ó caçador, como os sacerdotes oficiantes em um sacrifício não adquirem o mérito da ação por oferecerem oblações de manteiga clarificada para o fogo, assim mesmo eu devo ser considerado com respeito ao resultado em relação a isto.'” “Bhishma continuou, ‘A serpente dirigida por Mrityu tendo dito isso, o próprio Mrityu apareceu lá e dirigindo-se à serpente falou dessa maneira.’” “Mrityu disse, ‘Guiado por Kala, eu, ó serpente, te enviei nesta missão, e nem tu és nem eu sou a causa da morte desta criança. Assim como as nuvens são lançadas para lá e para cá pelo vento, eu sou como as nuvens, ó serpente, influenciado por Kala. Todas as atitudes concernentes a Sattwa ou Rajas, ou Tamas, são provocadas por Kala, e operam em todas as criaturas. Todas as criaturas móveis e imóveis, no céu ou na terra, são influenciadas por Kala. O universo inteiro, ó serpente, está imbuído com essa mesma influência de Kala. Todos os atos neste mundo e todas as abstenções, como também todas as suas modificações, são citadas como sendo influenciadas por Kala.

Surya, Soma, Vishnu, Água, Vento, a divindade de cem sacrifícios, Fogo, Céu, Terra, Mitra e Parjanya, Aditi, e os Vasus, Rios e Oceanos, todos os objetos existentes e inexistentes, são criados e destruídos por Kala. Sabendo disso por que tu, ó serpente, me consideras culpado? Se alguma falha se atribui a mim nisto, tu também deves ser acusado.’” “A serpente disse, ‘Eu, ó Mrityu, não te culpo, nem te absolvo de toda culpa. Eu somente assevero que eu sou dirigido e influenciado por ti (em minhas ações). Se alguma culpa se atribui a Kala, ou, se não for desejável atribuir alguma culpa a ele, não é para eu esquadrinhar a falha. Nós não temos o direito de fazer isso. Como é minha incumbência me absolver dessa culpa, assim é meu dever cuidar para que nenhuma culpa se atribua a Mrityu.’” “Bhishma continuou, ‘Então a serpente, dirigindo-se a Arjunaka, disse, ‘Tu escutaste o que Mrityu disse. Portanto, não é apropriado para ti atormentar a mim, que sou inocente, por me amarrar com esta corda.’” “O caçador disse, ‘Eu te escutei, ó serpente, assim como as palavras de Mrityu, mas estas, ó serpente, não te absolvem de toda culpa. Mrityu e tu mesmo são as causas da morte da criança. Eu considero vocês dois como a causa e eu não chamo de causa aquilo que não é realmente assim. Maldito seja o pecaminoso e vingativo Mrityu que causa aflição para os bons. Eu matarei a ti também, que és pecaminoso e estás engajado em atos pecaminosos!’” “Mrityu disse, ‘Nós não somos agentes livres, mas somos dependentes de Kala, e ordenados para fazer nosso trabalho designado.

Tu não deves nos criticar se tu não levas em consideração esta questão minuciosamente.’” “O caçador disse, ‘Se vocês dois, ó serpente e Mrityu, dependem de Kala, eu estou curioso para saber como prazer (resultante de fazer o bem) e raiva (resultante de fazer o mal) são causados.’” “Mrityu disse, ‘O que quer que seja feito é feito sob a influência de Kala. Eu já disse antes, ó caçador, que Kala é a causa de tudo e que por esta razão nós dois, agindo sob a inspiração de Kala, fazemos nosso trabalho designado e portanto, ó caçador, nós dois não merecemos crítica de ti de nenhuma maneira!’” “Bhishma continuou, ‘Então Kala chegou àquela cena de disputa sobre esta questão de moralidade, e falou dessa maneira para a serpente e Mrityu e o caçador Arjunaka reunidos.’” "Kala disse, 'Nem Mrityu, nem esta serpente, nem eu, ó caçador, somos culpados da morte de alguma criatura. Nós somos meramente as causas estimulantes imediatas do evento. Ó Arjunaka, o Karma desta criança formou a causa estimulante da nossa ação neste caso. Não houve outra causa pela qual esta criança obteve sua morte. Ele foi morto como um resultado do seu próprio Karma. Ele encontrou com a morte como o resultado do seu Karma no passado. Seu Karma foi a causa da sua destruição. Todos nós estamos sujeitos à influência do nosso respectivo Karma. O Karma é uma ajuda para a salvação assim como os filhos são, e o Karma também é um indicador de virtude e vício no homem. Nós impelimos uns aos outros assim como as ações impelem umas às outras.

Como homens fazem de uma massa de argila o que quer que eles desejem fazer, exatamente assim os homens obtêm vários resultados determinados pelo Karma. Como luz e sombra estão relacionadas uma à outra, assim os homens estão relacionados ao Karma por suas próprias ações. Portanto, nem tu, nem eu, nem Mrityu, nem a serpente, nem esta senhora idosa Brahmana é a causa da morte deste menino. Ele mesmo é a causa aqui.’ Após Kala, ó rei, explicar a questão dessa maneira, Gautami, convencida em sua mente que os homens sofrem de acordo com suas ações, falou assim para Arjunaka.'” “Gautami disse, ‘Nem Kala, nem Mrityu, nem a serpente é a causa neste caso. Este menino encontrou com a morte como o resultado do seu próprio Karma. Eu também agi de tal modo (no passado) que meu filho morreu (como sua consequência). Deixe agora Kala e Mrityu se retirarem deste lugar, e também, ó Arjunaka, liberte esta serpente.’” "Bhishma continuou, 'Então Kala e Mrityu e a serpente voltaram para seus respectivos destinos, e Gautami foi consolada em mente como também o caçador. Tendo ouvido tudo isso, ó rei, renuncie à toda dor, e obtenha paz mental. Homens alcançam o céu ou o inferno como o resultado do seu próprio Karma. Este mal não foi nem tua própria criação, nem de Duryodhana.

Saiba que estes senhores da Terra foram todos mortos (nessa guerra) como um resultado dos atos de Kalas.'" Vaisampayana disse, "Ter ouvido tudo isso, o poderoso e virtuoso Yudhishthira ficou consolado em mente, e novamente indagou o seguinte." “Yudhishthira disse, ‘Ó avô, ó mais sábio dos homens, ó tu que és versado em todas as escrituras, eu ouvi essa história excelente, ó principal dos homens inteligentes. Eu estou desejoso de ouvir outra vez a narração de alguma história cheia de instrução religiosa, e cabe a ti me satisfazer. Ó senhor da Terra, me diga se algum chefe de família alguma vez conseguiu conquistar Mrityu pela prática da virtude. Narre isto para mim com todos os detalhes!’” "Bhishma disse, 'Esta história antiga é citada como um exemplo do assunto da conquista por um chefe de família sobre Mrityu, pela prática da virtude. O Prajapati Manu tinha um filho, ó rei, de nome Ikshwaku. Daquele rei, ilustre como Surya, nasceram cem filhos. Seu décimo filho, ó Bharata, se chamava Dasaswa, e este príncipe virtuoso de destreza infalível tornou-se o rei de Mahismati. O filho de Dasaswa, ó rei, era um príncipe justo cuja mente estava constantemente dedicada à prática da verdade e caridade e devoção. Ele era conhecido pelo nome de Madiraswa e governou sobre a Terra como seu senhor. Ele era constantemente dedicado ao estudo dos Vedas como também da ciência de armas. O filho de Madiraswa era o rei chamado Dyutimat que possuía muito boa sorte e poder e força e energia.

O filho de Dyutimat era o rei altamente devoto e pio que foi famoso em todos os mundos sob o nome de Suvira. Sua alma estava concentrada na religião e ele possuía riqueza como outro Indra, o senhor das divindades. Suvira também teve um filho que era invencível em batalha, e que era o melhor de todos os guerreiros e conhecido pelo nome de Sudurjaya. E Durjya também, possuidor de um corpo como aquele de Indra, teve um filho que brilhou com esplendor como aquele do fogo. Ele era o grande monarca chamado Duryodhana, que era um dos principais dos sábios reais. Indra costumava derramar chuva profusamente no reino daquele monarca, que nunca fugia do campo de batalha e que era possuidor de coragem como o próprio Indra. A cidade e o reino daquele rei eram cheios de riquezas e jóias e gado e grãos de várias espécies. Não havia avaro em seu reino nem alguma pessoa afligida com angústia ou pobreza. Nem havia em seu reino alguma pessoa que fosse fraca em corpo ou afligida com doença. Aquele rei era muito inteligente, polido em palavras, sem inveja, um mestre de suas emoções, de uma alma justa, cheio de compaixão, dotado de bravura, e não dado a se gabar. Ele realizava sacrifícios, e era autodominado e inteligente, devotado aos Brahmanas e à Verdade. Ele nunca humilhava outros, e era caridoso, e versado nos Vedas e no Vedanta. O rio celeste Narmada, auspicioso e sagrado e de águas frescas, em sua própria natureza, ó Bharata, o cortejou. Ele gerou naquele rio uma filha de olhos de lótus, de nome Sudarsana, que era, ó rei, dotada de grande beleza.

Nenhuma criatura, ó Yudhishthira, alguma vez tinha nascido entre o sexo feminino, que possuísse tal beleza como aquela donzela excelente que era filha de Duryodhana. O próprio deus Agni cortejou a bela princesa Sudarsana, e tomando a forma de um Brahmana, ó monarca, pediu sua mão do rei. O rei estava relutante em dar sua filha em casamento para o Brahmana que era pobre e que não era da mesma classe que ele mesmo. Então Agni desapareceu do seu grande sacrifício. O rei, profundamente angustiado, então se dirigiu aos Brahmanas, dizendo, ‘De que pecado eu, ó Brahmanas excelentes, ou vocês, somos culpados, que Agni devesse desaparecer deste sacrifício, assim como o bem feito para homens pecaminosos desaparece de sua apreciação? Grande, de fato, deve ser aquele nosso pecado pelo qual Agni desapareceu dessa maneira. Ou o pecado deve ser seu, ou, ele deve ser meu. Investiguem o caso plenamente.’ Então ouvindo as palavras do rei, ó príncipe mais importante da linhagem de Bharata, os Brahmanas, reprimindo as palavras, procuraram com faculdades concentradas a proteção do deus do fogo. O divino portador de oblações, resplandecente como o Sol outonal, apareceu perante eles, envolvendo a si mesmo em refulgência gloriosa. Agni grande alma então se dirigiu àqueles Brahmanas excelentes, dizendo, ‘Eu peço a filha de Duryodhana para mim mesmo.’ Nisto todos aqueles Brahmanas foram tomados de surpresa, e levantando-se no dia seguinte, eles relataram para o rei o que tinha sido dito pelo Deus do fogo.

O monarca sábio, ouvindo as palavras daqueles proferidores de Brahma, ficou encantado, e disse, ‘Assim seja.’ O rei pediu um benefício do ilustre Deus do fogo como o dote de casamento, ‘Ó Agni, digne-se a permanecer sempre conosco aqui.’ ‘Assim seja’, disse o divino Agni para aquele senhor da Terra. Por esta razão Agni sempre esteve presente no reino de Mahismati até hoje, e foi visto por Sahadeva no decurso de sua expedição conquistadora para o sul. Então o rei deu sua filha, vestida em roupas novas e enfeitada com jóias, para a divindade de grande alma, e Agni também aceitou, de acordo com os ritos Védicos, a princesa Sudarsana como sua noiva, assim como ele aceita libações de manteiga clarificada em sacrifícios. Agni estava bem satisfeito com sua aparência, sua beleza, graça, caráter, e nobreza de nascimento, e estava desejoso de gerar prole nela. E um filho de Agni, de nome Sudarsana, logo nasceu dela. Sudarsana era também, em aparência, tão belo quanto a lua cheia, e mesmo em sua infância ele obteve um conhecimento do Brahma supremo e eterno. Havia também um rei de nome Oghavat, que era o avô de Nriga. Ele teve uma filha de nome Oghavati, e um filho também de nome Ogharatha nascidos para ele. O rei Oghavat deu sua filha Oghavati, bela como uma deusa, para o erudito Sudarsana como esposa. Sudarsana, ó rei, levando a vida de um chefe de família com Oghavati, costumava morar em Kurukshetra com ela. Aquele príncipe inteligente de energia ardente tomou o voto, ó senhor, de conquistar a Morte mesmo por levar uma vida de chefe de família.

O filho de Agni, ó rei, disse para Oghavati, ‘Nunca aja contrariamente (aos desejos) daqueles que procuram nossa hospitalidade. Não tenha escrúpulo sobre os meios pelos quais convidados devem ser recebidos, mesmo que tu tenhas que oferecer tua própria pessoa. Ó bela, este voto está sempre presente na mente, já que para chefes de família não há virtude maior do que a hospitalidade concedida para convidados. Sempre tenha isto em mente sem jamais duvidar, se minhas palavras são alguma autoridade para ti. Ó impecável e abençoada, se tu tens alguma fé em mim, nunca desconsidere um convidado esteja eu ao teu lado ou longe de ti!’ Para ele, com mãos unidas e colocadas sobre sua cabeça, Oghavati respondeu, dizendo, 'Eu não deixarei inacabado nada do que tu me ordenaste.’ Então Mrityu, ó rei, desejando superar Sudarsana, começou a observá-lo para descobrir seus pontos fracos. Em certa ocasião, quando o filho de Agni saiu para ir buscar lenha na floresta, um Brahmana elegante procurou a hospitalidade de Oghavati com estas palavras: ‘Ó senhora bela, se tu tens alguma fé na virtude da hospitalidade como prescrita para os chefes de família, então eu te peço para estender os ritos de hospitalidade para mim hoje.’ A princesa de grande fama, assim endereçada por aquele Brahmana, ó rei, recebeu-o de acordo com os ritos prescritos nos Vedas. Tendo lhe oferecido um assento, e água para lavar seus pés, ela perguntou, dizendo, ‘Qual é o teu negócio? O que eu posso te oferecer?’ O Brahmana disse para ela, ‘Meu negócio é com tua pessoa, ó abençoada.

Aja adequadamente sem qualquer hesitação em tua mente. Se os deveres prescritos para chefes de família são aceitáveis para ti, ó princesa, me satisfaça por te oferecer para mim.’ Embora tentado pela princesa com ofertas de diversas outras coisas, o Brahmana, no entanto, não pediu algum outro presente a não ser a oferta da pessoa dela. Vendo-o decidido, aquela senhora, se lembrando das instruções que antes tinham sido dadas para ela por seu marido, mas dominada pela vergonha, disse para aquele Brahmana excelente, ‘Assim seja.’ Lembrando-se das palavras de seu marido que estava desejoso de adquirir a virtude dos chefes de família, ela se aproximou alegremente do Rishi regenerado. Enquanto isso, o filho de Agni, tendo coletado sua lenha, voltou para sua casa. Mrityu, com sua natureza feroz e inexorável, estava constantemente ao seu lado, assim como alguém acompanha um amigo leal. Quando o filho de Pavaka voltou para seu próprio eremitério, ele chamou Oghavati pelo nome, e (não recebendo resposta) exclamou repetidamente, ‘Onde tu foste?’ Mas a dama casta, devotada a seu marido, estando então apertada nos braços daquele Brahmana, não deu resposta para seu marido. De fato, aquela mulher casta, se considerando contaminada ficou sem fala, dominada pela vergonha. Sudarsana, dirigindo-se a ela novamente, exclamou, ‘Onde pode estar minha esposa casta? Para onde ela foi? Nada pode ser de maior importância para mim do que isto (seu desaparecimento).

Por que aquela dama simples e sincera, dedicada a seu marido, ai, não responde ao meu chamado hoje como ela costumava fazer antes com sorrisos doces?’ Então aquele Brahmana, que estava dentro da cabana, respondeu assim para Sudarsana, ‘Saiba, ó filho de Pavaka, que chegou um convidado Brahmana, e embora tentado por essa tua esposa com diversas outras ofertas de boas vindas, eu, ó melhor dos Brahmanas, desejei somente a pessoa dela, e esta dama de rosto formoso está empenhada em me dar as boas-vindas com os ritos devidos. Tu estás em liberdade para fazer o que quer que tu aches conveniente para esta ocasião.’ Mrityu, armado com a clava de ferro, perseguiu o Rishi naquele momento, desejoso de realizar a destruição de alguém que iria, ele pensou, se desviar de sua promessa. Sudarsana foi tomado de surpresa, mas rejeitando todo ciúme e raiva por olhares, palavras, ações, ou pensamentos, disse, ‘Desfrute, ó Brahmana. Isto é um grande prazer para mim. Um chefe de família obtém o maior mérito por honrar um convidado. É dito pelos eruditos que, com relação ao chefe de família, não há mérito superior ao que provêm para ele de um convidado partindo de sua casa depois de ter sido honrado devidamente por ele. Minha vida, minha esposa, e quaisquer outras posses mundanas que eu tenho, são todas dedicadas ao uso dos meus convidados. Exatamente este é o voto que eu adotei. Como eu realmente fiz esta afirmação, por aquela verdade, ó Brahmana, eu obterei o conhecimento do Eu.

Ó principal dos homens virtuosos, os cinco elementos, isto é, fogo, ar, terra, água, e céu, e a mente, o intelecto e a Alma, e tempo e espaço e os dez órgãos dos sentidos, estão todos os presentes nos corpos dos homens, e sempre testemunham as ações boas e más que os homens fazem. Esta verdade foi hoje proferida por mim, e que os deuses me abençoem por isto ou me destruam se eu falei falsamente.’ Nisto, ó Bharata, lá se ergueu em todas as direções, em ecos repetidos, uma voz, bradando, ‘Isto é verdade, isto não é falso.’ Então aquele Brahmana saiu da cabana, e como o vento se erguendo e abarcando Terra e céu, e fazendo os três mundos ecoarem com sons Védicos, e chamando aquele homem virtuoso pelo nome, e o felicitando, disse, ‘Ó impecável, eu sou Dharma; Toda glória para ti. Eu vim aqui, ó amante da verdade, para te testar, e eu estou bem satisfeito contigo por saber que tu és virtuoso. Tu subjugaste e conquistaste Mrityu que sempre tem te perseguido, procurando teus pontos fracos! Ó melhor dos homens, ninguém nos três mundos tem a habilidade para insultar, mesmo com olhares, esta senhora casta devotada a seu marido, muito menos para tocar seu corpo. Ela tem sido protegida da violação pela tua virtude e por sua própria castidade. Não pode haver nada contrário ao que esta dama orgulhosa dirá. Esta proferidora de Brahma, dotada de penitências austeras, para a salvação do mundo, será metamorfoseada em um rio poderoso.

E tu chegarás a todos os mundos neste teu corpo, e como realmente a ciência de Yoga está dentro do seu controle, esta senhora altamente abençoada te seguirá somente com metade de seu eu corpóreo, e com a outra metade ela será célebre como o rio Oghavati! E tu alcançarás com ela a todos os mundos que adquiriste através de penitências. Aqueles mundos eternos e perpétuos dos quais ninguém volta serão alcançados por ti mesmo neste teu corpo grosseiro. Tu venceste a Morte, e obtiveste a maior de todas as bem- aventuranças, e, pelo teu próprio poder (mental), obtendo a velocidade do pensamento, tu te elevaste acima do poder dos cinco elementos! Por aderir dessa maneira aos deveres de um chefe de família, tu conquistaste tuas paixões, desejos, e raiva, e esta princesa, ó príncipe dos homens virtuosos, por te servir, venceu aflição, desejo, ilusão, inimizade e lassidão mental!'” "Bhishma continuou, 'Então o glorioso Vasava (o senhor dos deuses), em uma carruagem excelente puxada por mil cavalos brancos, se aproximou daquele Brahmana. Morte e Alma, todos os mundos, todos os elementos, intelecto, mente, tempo, e espaço como também desejo e ira, foram todos conquistados. Portanto, ó melhor dos homens, tenha isto em mente, que para um chefe de família não há divindade superior ao convidado. É dito pelos eruditos que as bênçãos de um convidado honrado são mais eficazes do que o mérito de uma centena de sacrifícios.

Quando um convidado digno procura a hospitalidade de um chefe de família e não é honrado por ele, ele leva (com ele) todas as virtudes do último dando a ele seus pecados (em retribuição). Eu agora contei para ti, meu filho, essa história excelente de como a Morte foi vencida antigamente por um chefe de família. A narração dessa história excelente confere glória, fama, e longevidade (para aqueles que a escutam). O homem que procura prosperidade mundana deve considerá-la como eficaz em remover todo mal. E, ó Bharata, o homem erudito que recita diariamente essa história da vida de Sudarsana chega às regiões dos abençoados.'" "Yudhishthira disse, 'Se, ó príncipe, a posição de Brahmana é tão difícil de ser alcançada pelas três classes (Kshatriyas, Vaisyas e Sudras), como foi então que Viswamitra de grande alma, ó rei, embora um Kshatriya (por nascimento), alcançou a posição de um Brahmana? Eu desejo saber isto, ó majestade. Portanto, relate realmente este caso para mim. Aquele homem poderoso, ó majestade, em virtude de suas austeridades, destruiu em um momento os cem filhos de Vasishtha de grande alma. Enquanto sob a influência da raiva, ele criou numerosos espíritos maus e Rakshasas de energia poderosa e parecendo com o próprio grande destruidor Kala. Aquela grandiosa e erudita linhagem de Kusika, numerando centenas de sábios regenerados e muito elogiada pelos Brahmanas, foi fundada neste mundo dos homens por ele.

Sunasepha de penitências austeras, o filho de Richika, tendo sido procurado ser morto como um animal no grande sacrifício de Amvarisha, obteve sua libertação por Viswamitra. Harishchandra, tendo satisfeito os deuses em um sacrifício, tornou-se um filho do sábio Viswamitra. Por não ter honrado seu irmão mais velho Devarat, a quem Viswamitra obteve como um filho dos deuses, os outros cinquenta irmãos dele foram amaldiçoados, e todos eles se tornaram Chandalas. Trisanku, o filho de Ikshwaku, pela maldição de Vasistha tornou-se um Chandala, e quando abandonado por seus amigos, e permanecendo suspenso com sua cabeça para baixo nas regiões inferiores, foi levado para o céu pela vontade de Viswamitra. Viswamitra tinha um rio amplo, de nome Kausika, que era frequentado por Rishis celestes. Aquela correnteza sagrada e auspiciosa era frequentada pelos deuses e Rishis regenerados. Por perturbar suas práticas religiosas, a ninfa celeste famosa Rambha de belos braceletes foi amaldiçoada e transformada em uma rocha. Por medo de Viswamitra o glorioso Vasishtha, nos tempos antigos, se amarrando com trepadeiras, jogou-se em um rio e veio novamente à superfície livre de seus laços. Por isso aquele rio grande e sagrado tornou-se célebre desde então pelo nome de Vipasa (literalmente, o libertador de laços). Ele rezou para o glorioso e pujante Indra que ficou satisfeito com ele e o absolveu de uma maldição. (Isto se refere à maldição pronunciada sobre Viswamitra pelo filho de Vasishtha, quando o último agia como o sacerdote de Trisanku.

A maldição era que Viswamitra partilharia de carne canina por oficiar como o sacerdote de alguém que partilhava de tal carne. É dito que em uma época de grande escassez, Viswamitra foi obrigado a recorrer à carne de cachorro para comer, e que quando ele estava prestes a cozinhá-la Indra se lançou sobre ela e levou-a embora.) Permanecendo no lado norte do firmamento, ele derrama seu brilho de uma posição no meio dos sete Rishis regenerados (a constelação Ursa Maior), e Dhruva, o filho de Uttanpada (a Estrela Polar). Estas são suas realizações assim como muitas outras. Ó descendente de Kuru, como elas foram realizadas por um Kshatriya, minha curiosidade foi despertada neste caso. Portanto, ó principal da linhagem de Bharata, relate este assunto para mim realmente. Como sem rejeitar sua estrutura corpórea e tomar outra habitação de carne ele pôde se tornar um Brahmana? Ó majestade, conte verdadeiramente este caso para mim como tu me contaste a história de Matanga. Matanga nasceu como um Chandala, (foi gerado em uma mulher Brahmana por um pai Sudra), e não pôde alcançar a posição de Brahmana, (com todas as suas austeridades), mas como este homem pôde chegar à posição de um Brahmana?" 4 "Bhishma disse, 'Ouça realmente em detalhes, ó filho de Pritha, como antigamente Viswamitra chegou à posição de um Rishi Brahmana. Havia, ó principal dos descendentes de Bharata, na linhagem de Bharata, um rei de nome Ajamida, que realizou muitos sacrifícios e era o melhor de todos os homens virtuosos. Seu filho era o grande rei chamado Jahnu. Ganga era a filha daquele príncipe magnânimo.

O afamado e igualmente virtuoso Sindhudwipa era o filho daquele príncipe. De Sindhudwipa nasceu o grande sábio nobre Valakaswa. Seu filho se chamava Vallabha que era como um segundo Dharma em forma incorporada. Seu filho também era Kusika que era refulgente com glória como Indra de mil olhos. O filho de Kusika era o ilustre rei Gadhi que, sendo sem filhos e desejando ter um filho nascido para ele, dirigiu-se à floresta. Enquanto vivendo lá, nasceu uma filha para ele. Ela se chamava Satyavati por nome, e em beleza de aparência ela não tinha igual sobre a Terra. O filho ilustre de Chyavana, célebre pelo nome de Richika, da linhagem de Bhrigu, dotado de penitências austeras, pediu a mão daquela dama. Gadhi, o destruidor de seus inimigos, pensando que ele era pobre, não a entregou em casamento para Richika de grande alma. Mas quando o último, assim despedido, estava indo embora, o rei excelente, dirigindo- se a ele, disse, 'Se tu me deres um dote de casamento tu terás minha filha como tua esposa.'” "Richika disse, 'Qual dote, ó rei, eu devo te oferecer pela mão da tua filha? Diga-me realmente, sem qualquer sentimento hesitação no assunto.’ Gadhi disse, 'Ó descendente de Bhrigu, dê-me mil cavalos velozes como o vento, e possuidores da cor dos raios da lua, e cada um tendo uma orelha negra.'” "Bhishma disse, 'Então aquele poderoso filho de Chyavana que era o principal da linhagem de Bhrigu suplicou para a divindade Varuna, o filho de Aditi, que era o senhor de todas as águas.

‘Ó melhor dos deuses, eu te suplico para me dar mil cavalos, todos dotados da velocidade do vento e com cor tão refulgente quanto a da lua, mas cada um tendo uma orelha preta.’ O deus Varuna, o filho de Aditi, disse para aquele descendente excelente da linhagem de Bhrigu, ‘Assim seja. Onde quer que tu procures, os cavalos surgirão (na tua presença).’ Logo que Richika pensou neles, ergueram-se lá das águas de Ganga mil cavalos de grande vigor, tão brilhantes em cor quanto a lua. Não longe de Kanyakubja, a margem sagrada do Ganga ainda é famosa entre os homens como Aswatirtha por causa do aparecimento daqueles cavalos naquele local. Então Richika, aquele melhor dos ascetas, satisfeito em mente, deu aqueles mil cavalos excelentes para Gadhi como o dote de casamento. O rei Gadhi, muito admirado e temendo ser amaldiçoado, deu sua filha, enfeitada com jóias, para aquele filho de Bhrigu. Aquele principal dos Rishis regenerados aceitou sua mão em casamento segundo os ritos prescritos. A princesa também ficou bem satisfeita ao se descobrir a esposa daquele Brahmana. Aquele principal dos Rishis regenerados, ó Bharata, ficou bem satisfeito com a conduta dela e expressou um desejo de lhe conceder um benefício. A princesa, ó rei excelente, relatou isto para sua mãe. A mãe se dirigiu à filha que estava perante ela com olhar baixo, dizendo, ‘Cabe a ti, ó minha filha, assegurar um favor do teu marido para mim também.

Aquele sábio de penitências ascéticas é capaz de me conceder um benefício, isto é, a bênção do nascimento de um filho para mim.’ Então, ó rei, voltando rapidamente para seu marido Richika, a princesa relatou para ele tudo o que era desejado por sua mãe. Richika disse, ‘Por meu favor, ó abençoada, ela logo dará à luz um filho possuidor de toda virtude. Teu pedido pode ser realizado. De ti também nascerá um filho poderoso e glorioso que, dotado de virtude, perpetuará minha linhagem. Realmente eu digo isto para ti! Quando vocês duas se banharem em sua época, ela irá abraçar uma figueira-dos-pagodes, e tu, ó senhora excelente, irás igualmente abraçar uma figueira, e por fazer isso vocês obterão o objeto de seu desejo. Ó dama de sorriso doce, vocês duas terão que partilhar dessas duas oferendas sacrificais (charu, uma oblação de arroz, cevada, e grãos de leguminosa, fervido com manteiga e leite para oferecimento para os deuses em um sacrifício ou culto comum), consagradas com hinos, e então vocês obterão filhos (como desejado).’ Nisto, Satyavati, com coração encantado, disse para sua mãe tudo o que tinha sido dito por Richika como também dos dois bolos de charu. Então a mãe, dirigindo-se a sua filha Satyavati, disse, ‘Ó filha, como eu mereço maior consideração de ti do que teu marido, obedeça as minhas palavras. O charu, devidamente consagrado com hinos, o qual teu marido de teu, dê para mim e pegue aquele que foi prescrito para mim.

Ó tu de sorriso doce e de caráter inocente, se tu tens algum respeito pela minha palavra, vamos trocar as árvores respectivamente designadas para nós. Todos desejam possuir um ser excelente e imaculado como seu próprio filho. O glorioso Richika também deve ter agido por um motivo similar neste caso, como aparecerá no fim. Por esta razão, ó bela moça, meu coração se inclina para teu charu, e tua árvore, e tu também deves considerar como assegurar um irmão excelente para ti mesma.’ A mãe e a filha Satyavati tendo agido dessa maneira, ambas, ó Yudhishthira, ficaram grávidas. E aquele grande Rishi, o descendente excelente de Bhrigu, percebendo sua esposa grávida, satisfeito, e dirigindo-se a ela, disse, ‘Ó senhora excelente, tu não fizeste bem em trocar o charu como logo se tornará evidente. É claro também que tu trocaste as árvores. Eu coloquei toda a energia acumulada de Brahma no teu charu e a energia Kshatriya no charu da tua mãe. Eu tinha arranjado de tal maneira que tu darias à luz um Brahmana cujas virtudes seriam famosas por todos os três mundos, e que ela (tua mãe) daria nascimento a um Kshatriya excelente. Mas agora, ó senhora excelente, que tu inverteste assim a ordem (do charu), tua mãe dará à luz um Brahmana excelente e tu também, ó senhora excelente, darás à luz um Kshatriya terrível em ação. Tu não fizeste bem, ó senhora, por agir dessa maneira por afeição por tua mãe.’ Ouvindo isto, ó rei, a excelente senhora Satyavati, tomada pela tristeza, caiu no chão como uma bela trepadeira cortada em dois.

Recuperando seus sentidos e reverenciando seu marido com (uma inclinação) de cabeça, a filha de Gadhi disse para seu marido, aquele principal da linhagem de Bhrigu, ‘Ó Rishi regenerado, ó tu que és o principal dentre aqueles versados em Brahma, tenha pena de mim, tua esposa, que está assim te apaziguando e ordene que um filho Kshatriya não possa nascer para mim. Que meu neto seja alguém que será famoso por suas realizações terríveis, se isto for teu desejo, mas não meu filho, ó Brahmana. Conceda-me este favor.’ ‘Assim seja’, disse aquele homem de penitências austeras para sua esposa e então, ó rei, ela deu à luz um filho abençoado chamado Jamadagni. A esposa célebre de Gadhi também à luz ao regenerado Rishi Viswamitra versado no conhecimento de Brahma, pelo favor daquele Rishi. O altamente devoto Viswamitra, embora um Kshatriya, alcançou ao estado de um Brahmana e tornou-se o fundador de uma linhagem de Brahmanas. Seus filhos se tornaram progenitores de grande alma de muitas linhagens de Brahmanas, que eram dedicados a penitências austeras, versados nos Vedas, e fundadores de muitos clãs.

O adorável Madhuchcchanda e o poderoso Devrat, Akshina, Sakunta, Vabhru, Kalapatha, o famoso Yajnavalkya, Sthula de votos superiores, Uluka, Mudgala, e o sábio Saindhavayana, o ilustre Valgujangha e o grande Rishi Galeva, Ruchi, o célebre Vajra, como também Salankayana, Liladhya e Narada, aquele conhecido como Kurchamuka, e Vahuli, Mushala, como também Vakshogriva, Anghrika, Naikadrik, Silayupa, Sita, Suchi, Chakraka, Marrutantavya, Vataghna, Aswalayana, e Syamayana, Gargya, e Javali, como também Susruta, Karishi, Sangsrutya, e Para Paurava, e Tantu, o grande sábio Kapila, Tarakayana, Upagahana, Asurayani, Margama, Hiranyksha, Janghari, Bhavravayani, e Suti, Bibhuti, Suta, Surakrit, Arani, Nachika, Champeya, Ujjayana, Navatantu, Vakanakha, Sayanya, Yati, Ambhoruha, Amatsyasin, Srishin, Gardhavi Urjjayoni, Rudapekahin, e o grande Rishi Naradin, estes Munis eram todos filhos de Viswamitra e eram versados no conhecimento de Brahma. Ó rei Yudhishthira, o altamente austero e devoto Viswamitra, embora um Kshatriya (por descendência), tornou-se um Brahmana por Richika ter colocado a energia do Brahma supremo (no charu). Ó príncipe mais importante da linhagem de Bharata, eu agora relatei para ti, com todos os detalhes, a história do nascimento de Viswamitra que possuía a energia do sol, da lua, e do deus do fogo.

Ó melhor dos reis, se tu tens alguma dúvida com relação a algum outro assunto, deixe-me conhecê-la, para que eu possa removê-la.'" 5 “Yudhishthira disse, ‘Ó tu que conheces as verdades de religião, eu desejo ouvir dos méritos da compaixão, e das características dos homens devotos. Ó majestade, descreva-os para mim.’” "Bhishma disse, ‘Em relação a isto, esta lenda antiga, a história de Vasava e do generoso Suka, é citada como uma ilustração. Nos territórios do rei de Kasi, um caçador, tendo flechas envenenadas com ele, saiu de sua aldeia em uma excursão de caça à procura de antílopes. Desejoso de obter carne, quando em uma floresta grande em busca da caça, ele descobriu uma manada de antílopes não longe dele, e atirou suas flechas em um deles. As setas daquele caçador de braços irresistíveis, disparadas para a destruição do antílope, perderam seu alvo e perfuraram uma poderosa árvore da floresta. A árvore, violentamente perfurada com aquela flecha com ponta de veneno virulento, definhou, desprendendo suas folhas e frutos. A árvore tendo assim definhado, um papagaio que tinha vivido em um oco de seu tronco toda a sua vida não deixou seu ninho por afeição pelo senhor da floresta. Imóvel e sem alimento, silencioso e triste, aquele papagaio grato e virtuoso também definhou com a árvore. O conquistador de Paka (Indra) ficou admirado por encontrar aquela ave de grande alma e de coração generoso assim não influenciada por miséria ou felicidade e possuindo uma resolução extraordinária.

Então surgiu o pensamento na mente de Sakra, ‘Como esta ave pôde vir a possuir sentimentos humanos e generosos, os quais são impossíveis em alguém pertencente ao mundo dos animais inferiores? Talvez, não haja nada extraordinário no caso, pois todas as criaturas são vistas demonstrarem sentimentos bondosos e generosos em direção a outras.’ Assumindo então a forma de um Brahmana, Sakra desceu sobre a Terra e dirigindo-se à ave, disse, ‘Ó Suka, ó melhor das aves, a neta (Suki) de Daksha se tornou abençoada (por ter-te como sua prole). Eu te pergunto, por que razão tu não deixas esta árvore murcha?’ Assim questionado, Suka curvou-se a ele e respondeu: ‘Bem vindo, ó chefe dos deuses, eu te reconheci pelo mérito das minhas penitências austeras.’ ‘Bem feito, bem feito!’ Exclamou a divindade de mil olhos. Então o último o elogiou em sua mente, dizendo, ‘Ó, quão extraordinário é o conhecimento que ele possui.’ Embora o destruidor de Vala soubesse que o papagaio tinha um caráter altamente virtuoso e era meritório em ação, ele ainda perguntou sobre a razão de sua afeição pela árvore. ‘Esta árvore está murcha e está sem folhas e frutos e é inadequada para ser o refúgio de aves. Por que tu então te apegas a ela? Esta floresta, também, é vasta e nesta selva há numerosas outras árvores excelentes cujos ocos são cobertos com folhas e as quais tu podes escolher livremente e à vontade.

Ó paciente, aplicando o devido discernimento em tua sabedoria, abandone esta velha árvore que está morta e inútil e desprovida de todas as suas folhas e que não é mais capaz de algum bem.'" "Bhishma disse, 'O virtuoso Suka, ouvindo estas palavras de Sakra, deu um suspiro profundo e respondeu tristemente para ele dizendo, ‘Ó consorte de Sachi e chefe dos deuses, as ordenanças das divindades são sempre para serem obedecidas. Ouça a razão do caso a respeito do qual tu me questionaste. Aqui, dentro desta árvore, eu nasci, e aqui nesta árvore eu adquiri todos os bons traços do meu caráter, e aqui nesta árvore eu fui protegido em minha infância dos ataques de meus inimigos. Ó impecável, por que tu estás, em tua bondade, mexendo (indevidamente) com o princípio da minha conduta em vida? Eu sou compassivo, e devotamente concentrado na virtude, e firme em conduta. Bondade de sentimento é o grande teste de virtude entre os bons, e este mesmo sentimento compassivo e humano é a fonte de felicidade perene para o virtuoso. Todos os deuses te pedem para remover suas dúvidas em religião, e por esta razão, ó senhor, tu foste colocado na soberania sobre eles todos. Não cabe a ti, ó de mil olhos, me aconselhar agora a abandonar esta árvore para sempre. Quando ela era capaz de bem, ela sustentou minha vida. Como eu posso abandoná-la agora?’ O virtuoso destruidor de Paka, satisfeito com estas palavras bem intencionadas do papagaio, falou dessa maneira para ele: ‘Eu estou satisfeito com tua disposição humana e compassiva.

Peça uma bênção de mim.’ Nisto, o papagaio compassivo lhe pediu este benefício, dizendo, ‘Que esta árvore reviva.’ Conhecendo o grande apego do papagaio àquela árvore e seu caráter elevado, Indra, bem satisfeito, fez a árvore ser rapidamente salpicada com néctar. Então aquela árvore ficou reabastecida e obteve grandeza extraordinária pelas penitências do papagaio, e o último também, ó grande rei, no fim de sua vida, obteve a companhia de Sakra em virtude daquele ato de compaixão. Dessa maneira, ó senhor de homens, por comunhão e companhia com os virtuosos as pessoas obtêm todos os objetos de seu desejo, assim como a árvore morta por sua companhia com o papagaio.'" 6 “Yudhishthira disse, ‘Diga-me, ó antepassado erudito que és versado em todas as escrituras, do Esforço e Destino qual é o mais poderoso?’” "Bhishma disse, 'Esta história antiga da conversação de Vasishtha e Brahma, ó Yudhishthira, é um exemplo no assunto. Nos tempos antigos o adorável Vasishtha perguntou para Brahma qual entre esses dois, isto é, o Karma de uma criatura adquirido nesta vida, ou aquele adquirido em vidas anteriores (e chamado de Destino), é o mais potente em moldar sua vida. Então, ó rei, o grande deus Brahma, que surgiu do lótus primordial, respondeu para ele nestas palavras primorosas e bem fundamentadas, cheias de significado.'" "Brahma disse, 'Nada vem a existir sem semente. Sem semente, frutos não crescem. De sementes surgem outras sementes. Por isso os frutos são conhecidos como gerados de sementes.

Boas ou más conforme são as sementes que o marido semeia em seu campo, bons ou maus são os frutos que ele colhe. Como, não plantado com sementes, o solo, embora cultivado, torna-se inútil, assim, sem Esforço individual, o Destino é inútil. Os próprios atos de alguém são como o solo, e o Destino (ou a soma de suas ações em nascimentos anteriores) é comparado à semente. Da união da terra e da semente a colheita cresce. É observado todos os dias no mundo que o fazedor colhe os frutos de seus atos bons e maus; que felicidade resulta das boas ações, e dor das más; que ações, quando feitas, sempre frutificam; e que, se não feitas, nenhum fruto surge. Um homem de (boas) ações adquire méritos com boa sorte, enquanto um preguiçoso decai de sua posição, e ceifa o mal como a infusão de matéria alcalina injetada em um ferimento. Por aplicação dedicada alguém adquire beleza, sorte, e riquezas de vários tipos. Tudo pode ser obtido pelo Esforço, mas nada pode ser ganho só pelo Destino, por um homem que é desprovido de Esforço pessoal. Assim mesmo alguém alcança o céu, e todos os objetos de prazer, como também a realização dos desejos de seu coração por meio de Esforço individual bem dirigido. Todos os corpos luminosos no firmamento, todas as divindades, os Nagas, e os Rakshasas, como também o Sol e a Lua e os Ventos, alcançaram suas posições superiores pela evolução da posição de homem, pela força de sua própria ação. Riquezas, amigos, prosperidade passada de geração a geração, como também as graças da vida são de obtenção difícil por aqueles que são desprovidos de Esforço.

O Brahmana obtém prosperidade por meio de vida santa, o Kshatriya por bravura, o Vaisya por esforço valoroso, e o Sudra por serviço. Riquezas e outros objetos de prazer não seguem o mesquinho, nem o impotente, nem o preguiçoso. Nem estes são obtidos pelo homem que não é ativo ou valoroso ou dedicado ao exercício de austeridades religiosas. Mesmo ele, o adorável Vishnu, que criou os três mundos com os Daityas e todos os deuses, até Ele está engajado em penitências austeras na superfície do mar. Se o Karma de alguém não desse fruto, então todas as ações seriam inúteis, e confiando no Destino os homens se tornariam preguiçosos. Aquele que, sem seguir os modos de ação humanos, segue somente o Destino, age em vão, como a mulher que tem um marido impotente. Neste mundo a apreensão que advém da realização de ações boas ou más não é tão grande se o Destino for desfavorável como a apreensão de alguém do mesmo no outro mundo se Esforço estiver faltando enquanto ele está aqui. (Se o Destino é desfavorável, não precisa haver muito medo com relação a este mundo. Mas se alguém for desprovido de Esforço, grande deve ser seu medo com relação ao mundo seguinte, pois felicidade nunca pode ser obtida no próximo mundo a menos que alguém aja justamente enquanto está aqui.) Os poderes do homem, se devidamente exercidos, somente seguem seu Destino, mas só o Destino é incapaz de conferir algum bem onde o Esforço está faltando.

Quando é visto que até nas regiões celestes a posição das próprias divindades é instável, como as divindades manteriam suas próprias posições ou aquelas de outros sem Karma apropriado? As divindades não aprovam sempre as boas ações de outros neste mundo, pois, temendo sua própria derrubada, elas tentam frustrar as ações de outros. Há uma rivalidade constante entre as divindades e os Rishis, e se eles todos têm que passar por seu Karma, contudo nunca pode ser afirmado que não há tal coisa como Destino, pois é o último que inicia todo Karma. Como o Karma se origina, se o Destino forma a primeira origem da ação humana? (A resposta é) que por estes meios, um acréscimo de muitas virtudes é feito mesmo nas regiões celestes. O próprio eu é seu próprio amigo e seu inimigo também, como também a testemunha de suas ações boas e más. Bem e mal se manifestam pelo Karma. Ações boas e más não dão resultados adequados. A Virtude é o refúgio dos deuses, e pela virtude tudo é alcançado. O Destino não frustra o homem que obteve virtude e justiça. Antigamente, Yayati, decaindo de sua alta posição no céu desceu à Terra mas foi novamente recolocado nas regiões celestes pelas boas ações de seus netos virtuosos. O sábio nobre Pururavas, célebre como o descendente de Ila, alcançou o céu pela intercessão dos Brahmanas. Saudasa, o rei de Kosala, embora dignificado pela realização do Aswamedha e outros sacrifícios, obteve a posição de Rakshasa comedor de homens, pela maldição de um grande Rishi.

Aswatthaman e Rama, embora ambos guerreiros e filhos de Munis, fracassaram em chegar ao céu por causa de suas próprias ações neste mundo. Vasu, embora tivesse realizado cem sacrifícios como um segundo Vasava, foi mandado para as regiões mais inferiores, por fazer uma única afirmação falsa. Vali, o filho de Virochana, justamente obrigado por sua promessa, foi enviado para as regiões sob a Terra, pela destreza de Vishnu. Janamejaya, que seguia as pegadas de Sakra, não foi detido e derrubado pelos deuses por assassinar uma mulher Brahmana? O Rishi regenerado Vaisampayana também, que matou um Brahmana em ignorância, e que estava poluído pela morte de uma criança, não foi derrubado pelos deuses? Antigamente o sábio real Nriga foi transmutado em um lagarto. Ele tinha feito doações de gado para os Brahmanas em seu grande sacrifício, mas isto não o beneficiou. O sábio real Dhundhumara foi subjugado pela decrepitude mesmo enquanto empenhado em realizar seus sacrifícios, e abandonando todos os méritos deles, ele adormeceu em Girivraja. Os Pandavas também recuperaram seu reino perdido, do qual eles foram privados pelos filhos poderosos de Dhritarashtra, não pela intercessão dos destinos, mas por recorrerem ao seu próprio heroísmo. Munis de votos rígidos, e dedicados à prática de penitências austeras, pronunciam suas maldições com a ajuda de algum poder sobrenatural ou pelo exercício de sua própria pujança obtida por atos individuais? Todo o bem neste mundo o qual é obtido com dificuldade, que é possuído pelos maus, é logo perdido por eles.

O Destino não ajuda o homem que está imerso em ignorância espiritual e avareza. Assim como um fogo de proporções pequenas, quando abanado pelo vento vem a ter força imensa, assim o Destino, quando unido com Esforço individual, aumenta imensamente (em potencialidade). Como com a diminuição de óleo na lâmpada sua luz é extinguida, assim a influência do Destino é perdida se as ações de alguém param. Tendo obtido vasta riqueza, e mulheres e todos os prazeres deste mundo, o homem sem ação não pode desfrutá-los por muito tempo, mas o homem de grande alma, que é sempre diligente, é capaz de encontrar riquezas enterradas profundamente na Terra e vigiada pelos destinos. O bom homem que é pródigo (em caridades e sacrifícios religiosos) é procurado pelos deuses por sua boa conduta, o mundo celeste sendo melhor do que o mundo dos homens, mas a casa do avaro embora cheia de riqueza é considerada pelos deuses como a casa de um morto. O homem que não se esforça nunca está satisfeito neste mundo nem pode o Destino alterar o rumo de um homem que tem tomado um mal caminho. Assim não há autoridade inerente no Destino. Como o pupilo segue sua própria percepção individual, assim o Destino segue o Esforço. Nos assuntos nos quais o próprio Esforço de alguém é aplicado, somente lá o Destino mostra sua mão. Ó melhor dos Munis, eu assim descrevi todos os méritos do Esforço individual, depois de tê-los sempre conhecido em seus significados verdadeiros com a ajuda do meu discernimento yogue. Pela influência do Destino, e por empregar o próprio Esforço individual, os homens alcançam o céu.

A ajuda combinada de Destino e Esforço se torna eficaz.'" 7 "Yudhishthira disse, 'Ó melhor da linhagem de Bharata e o principal dos grandes homens, eu desejo saber quais são os frutos das boas ações. Esclareça- me sobre este ponto.'" "Bhishma disse, 'Eu te direi o que tu perguntaste. Ó Yudhishthira, ouça este que constitui o conhecimento secreto dos Rishis. Ouça-me enquanto eu explico quais são os fins, muito cobiçados, que são alcançados pelos homens depois da morte. Quaisquer que sejam as ações realizadas por seres corpóreos específicos, os frutos delas são colhidos pelos fazedores enquanto dotados de corpos materiais similares; por exemplo, os resultdos de ações feitas com a mente são desfrutados no momento dos sonhos, e aqueles das ações realizadas fisicamente são desfrutados no estado fisicamente ativo. Em quaisquer estados que as criaturas realizem ações boas ou más, elas colhem os frutos delas em estados similares de vidas sucessivas. Nunca algum ato feito com a ajuda dos cinco órgãos de percepção sensual é perdido. Os cinco órgãos sensuais e a alma imortal que é o sexto permanecem suas testemunhas. Alguém deve dedicar sua visão para o serviço do convidado e deve dedicar seu coração ao mesmo; ele deve proferir palavras que são agradáveis; e deve também seguir e cultuar (seu convidado). Isto é chamado de Sacrifício Panchadakshin, (o Sacrifício com cinco doações). Aquele que oferece boa comida para os viajantes fatigados desconhecidos e exaustos por uma longa jornada obtém grande mérito.

Aqueles que usam a plataforma sacrifical como sua única cama obtêm mansões e camas cômodas (em nascimentos subsequentes). Aquele que usa somente trapos e cascas de árvores como vestimenta obtém bom vestuário e ornamentos no próximo nascimento. Alguém possuidor de penitências e tendo sua alma em Yoga consegue veículos e animais de condução (como o fruto de sua renúncia nesta vida). O monarca que deita ao lado do fogo sacrifical obtém energia e coragem. O homem que renuncia ao desfrute de todas as iguarias consegue prosperidade, e aquele que se abstém de comida animal obtém filhos e gado. Aquele que deita com sua cabeça para baixo, ou que vive em água, ou que vive retirado e sozinho na prática de Brahmacharya, alcança a todos os fins desejados. Aquele que oferece abrigo para um convidado e o recebe com água para lavar seus pés como também com alimento, luz e cama, obtém os méritos do sacrifício com as cinco doações. Aquele que se deita sobre o leito de um guerreiro no campo de batalha na postura de um guerreiro, vai para aquelas regiões eternas onde todos os objetos de desejo são realizados. Um homem que faz doações generosas, ó rei, obtém riquezas. Alguém assegura obediência às suas ordens pelo voto de silêncio, todos os prazeres da vida pela prática de austeridades, vida longa por Brahmacharya, e beleza, prosperidade e liberdade de doença por se abster de injúria para outros. Soberania cai como o lote daqueles que subsistem somente de frutas e raízes. Residência no céu é alcançada por aqueles que vivem somente de folhas das árvores.

Um homem, ó rei, é citado como obtendo felicidade por abstenção de alimento. Por limitar a própria dieta somente a ervas, uma pessoa se torna possuidora de vacas. Por viver de grama alguém chega às regiões celestes. Por renunciar a todas as relações sexuais com a própria esposa e fazer abluções três vezes durante o dia e por inalar o ar somente para propósitos de subsistência, alguém obtém o mérito de um sacrifício. O céu é alcançado pela prática da veracidade, nobreza de nascimento por sacrifícios. O Brahmana de práticas puras que subsiste somente de água, e realiza o Agnihotra incessantemente, e recita o Gayatri, obtém um reino. Por se abster de comida ou por regulá-la, alguém obtém residência no céu. Ó rei, por se abster de tudo exceto da dieta prescrita enquanto engajado em sacrifícios, e por fazer peregrinação por doze anos, alguém chega a um lugar melhor do que as residências reservadas para heróis. Por ler todos os Vedas uma pessoa é imediatamente liberada da miséria, e por praticar virtude em pensamento alguém alcança as regiões celestiais. Aquele homem que é capaz de renunciar àquela ânsia intensa do coração pela felicidade e prazeres materiais, uma ânsia que é difícil de ser conquistada pelos tolos e que não diminui com a diminuição do vigor corpóreo e que se gruda a ele como uma doença fatal, é capaz de garantir felicidade. Como o bezerro jovem é capaz de reconhecer sua mãe dentre mil vacas, assim as ações anteriores de um homem o perseguem (em todas as suas diferentes transformações).

Como as flores e frutos de uma árvore, não incitados por influências visíveis, nunca perdem sua estação apropriada, assim o Karma feito em uma existência prévia traz seus resultados no tempo apropriado. Com a idade, o cabelo do homem fica cinzento, seus dentes ficam frouxos; seus olhos e ouvidos também ficam obscurecidos em ação; mas a única coisa que não diminui é seu desejo por prazeres. Prajapati é satisfeito com aqueles atos que agradam o pai de alguém, e a Terra é satisfeita com aqueles atos que agradam a mãe de alguém, e Brahma é adorado com aquelas ações que agradam ao preceptor. A virtude é honrada por aquele que honra estes três. As ações daqueles que desprezam estes três não os beneficiam.'" "Vaisampayana disse, 'Os príncipes da linhagem de Kuru ficaram muito admirados ao ouvirem este discurso de Bhishma. Todos eles ficaram satisfeitos em mente e dominados pela alegria. Como Mantras aplicados com um desejo ganhar vitória, ou a realização do sacrifício Shoma feito sem doações apropriadas, ou oblações despejadas no fogo sem hinos apropriados, se tornam inúteis e levam a más consequências, assim mesmo pecado e maus resultados fluem da falsidade em palavras. Ó príncipe, eu assim relatei para ti esta doutrina da fruição de ações boas e más, como narrada pelos Rishis de antigamente. O que mais tu desejas ouvir?" 8 "Yudhishthira disse, 'Quem são merecedores de culto? Quem são aqueles para quem alguém pode se curvar? Quem são aqueles, ó Bharata, para quem tu inclinarias tua cabeça? Quem, também, são aqueles de quem tu gostas? Diga-me tudo isso, ó príncipe.

O que é aquilo sobre o qual tua mente reside quando a aflição te domina? Fale para mim sobre o que é benéfico aqui, isto é, nesta região de seres humanos, como também após a morte.'" "Bhishma disse, 'Eu gosto daquelas pessoas regeneradas cuja maior riqueza é Brahman, cujo céu consiste no conhecimento da alma, e cujas penitências são constituídas por seu estudo diligente dos Vedas. Meu coração anseia por aqueles em cuja linhagem pessoas, jovens e velhas, carregam diligentemente as cargas ancestrais sem enlanguescerem sob elas. Brahmanas bem treinados nos vários ramos de conhecimento, autocontrolados, de fala gentil, conhecedores das escrituras, bem educados, possuidores do conhecimento de Brahman e justos em conduta, discursam em assembléias respeitáveis como bandos de cisnes. (O comentador explica que a alusão aqui é ao ditado que cisnes ao beberem leite misturado com água sempre bebem o leite deixando a água. Brahmanas eruditos são como cisnes pois mesmo ao discursarem sobre os assuntos do mundo eles selecionam o que é bom e instrutivo mas rejeitam o que é mau e pecaminoso.) Auspiciosas, agradáveis, excelentes, e bem pronunciadas são as palavras, ó Yudhishthira, que eles proferem com uma voz tão profunda quanto aquelas das nuvens. Repletas de felicidade temporal e espiritual, tais palavras são proferidas por eles nas cortes de monarcas, eles mesmos sendo recebidos com honra e atenção e servidos com reverência por aqueles soberanos de homens.

De fato, meu coração anseia por aqueles que ouvem as palavras proferidas em assembléias ou nas cortes de reis por pessoas dotadas de conhecimento e todas as qualidades agradáveis, e são respeitados por outros. Meu coração, ó monarca, sempre anseia por aqueles que, para a satisfação de Brahmanas, ó Yudhishthira, dão para eles, com devoção, alimento que é bem cozido e limpo e saudável. É fácil lutar em batalha, mas não é fácil fazer uma doação sem orgulho ou vaidade. Neste mundo, ó Yudhishthira, há homens valentes e heróis às centenas. Enquanto tomando-os em consideração, aquele que é um herói em doações deve ser considerado como superior. Ó amável, se eu fosse um Brahmana vulgar, eu me consideraria como muito importante, para não falar de alguém nascido em uma boa família Brahmana dotada de retidão de conduta, e dedicada a penitências e erudição. Não há ninguém, ó filho de Pandu, neste mundo que seja mais caro para mim do que tu, ó chefe da linhagem de Bharata, mas mais caro para mim do que tu são os Brahmanas. E já que, ó melhor dos Kurus, os Brahmanas são muito mais caros para mim do que tu, é por esta verdade que eu espero ir para todas aquelas regiões de bem-aventurança que foram alcançadas por meu pai Santanu. Nem meu pai, nem o pai do meu pai, nem alguém mais ligado a mim por sangue é mais caro para mim do que os Brahmanas. Eu não espero qualquer fruto, grande ou pequeno, do meu culto aos Brahmanas (pois eu os cultuo como divindades porque eles são merecedores de tal culto).

Por causa do que eu tenho feito para os Brahmanas em pensamentos, palavras, e ações, eu não sinto qualquer dor agora (embora eu esteja deitado em uma cama de setas). As pessoas costumavam me chamar como alguém devotado aos Brahmanas. Este estilo de tratamento sempre me agradou muito. Fazer bem para os Brahmanas é a mais sagrada de todas as ações sagradas. Eu vejo muitas regiões de beatitude esperando por mim que tenho caminhado com reverência atrás dos Brahmanas. Logo eu me dirigirei para aquelas regiões por tempo eterno, ó filho. Neste mundo, ó Yudhishthira, os deveres das mulheres têm referência a e dependem de seus maridos. Para uma mulher, na verdade, o marido é a divindade e ele é o maior fim pelo qual ela deve se esforçar. Como o marido é para a esposa, assim mesmo são os Brahmanas para os Kshatriyas. Se há um Kshatriya de cem anos completos de idade e um bom menino Brahmana de somente dez anos, o último deve ser considerado como um pai e o primeiro como um filho, pois entre os dois, realmente, o Brahmana é superior. Uma mulher na ausência de seu marido aceita o irmão mais novo dele como seu marido; assim mesmo a Terra, não tendo obtido o Brahmana, fez do Kshatriya seu marido. Os Brahmanas devem ser protegidos como filhos e adorados como pais ou preceptores. De fato, ó melhor dos Kurus, eles devem ser servidos com reverência assim como as pessoas servem com reverência seus fogos sacrificais ou Homa. Os Brahmanas são dotados de simplicidade e virtude. Eles são devotados à verdade. Eles estão sempre dedicados ao bem de todas as criaturas.

Porém quando zangados eles são como cobras de veneno virulento. Eles devem, por essas razões, ser sempre servidos e satisfeitos com reverência e humildade. Alguém deve, ó Yudhishthira, sempre temer estes dois, isto é, Energia e Penitências. Ambos devem ser evitados ou mantidos à distância. Os efeitos de ambos são rápidos. Há superioridade, no entanto, das Penitências, isto é, que Brahmanas dotados de Penitências, ó monarca, podem, se zangados, matar o objeto de sua ira (não obstante a quantidade de Energia com a qual aquele objeto possa ser dotado). Energia e Penitências, cada uma da maior extensão, vêm a ser neutralizadas se aplicadas contra um Brahmana que venceu a ira. Se as duas, isto é, Energia e Penitências, forem colocadas uma contra a outra, então a destruição alcançaria ambas, mas não destruição sem um resto, pois enquanto a Energia, aplicada contra Penitências, é certa de ser destruída sem deixar um resto, as penitências aplicadas contra a Energia não podem ser completamente destruídas. (Isto é, alguém deve se manter afastado de ambas, Energia e Penitências, pois ambas podem consumir, se incomodadas ou perturbadas. Por 'Energia' se quer dizer força física e mental, ela pertence ao Kshatriya como as Penitências pertencem ao Brahmana.) Como o pastor, bastão na mão, protege o rebanho, assim mesmo o Kshatriya deve sempre proteger os Vedas e os Brahmanas. De fato, o Kshatriya deve proteger todos os Brahmanas justos assim como um pai protege seus filhos.

Ele deve sempre ter seu olhar sobre a casa dos Brahmanas para cuidar para que seus meios de subsistência não possam estar faltando.'" 9 "Yudhisthira disse, 'Ó avô, ó tu de grande esplendor, o que se tornam aqueles homens que, por entorpecimento do intelecto, não fazem doações para Brahmanas depois de terem prometido fazer aquelas doações? Ó tu que és a principal de todas as pessoas justas, me diga quais são os deveres em relação a isto. De fato, qual se torna o fim daqueles indivíduos perversos que não doam depois de terem prometido doar?'" "Bhishma disse, 'A pessoa que, depois de ter prometido, não doa, seja pouco ou muito, tem a mortificação de ver suas esperanças (em todas as direções) se tornarem inúteis como as esperanças de um eunuco em relação à progênie. Quaisquer boas ações que tal pessoa faça entre o dia do seu nascimento e aquele da sua morte, ó Bharata, quaisquer libações que ele despeje sobre o fogo sacrifical, quaisquer doações que ele faça, ó chefe da linhagem de Bharata, e quaisquer penitências que ele realize todos se tornam infrutíferos. Aqueles que são familiarizados com as escrituras declaram esta como sua opinião, chegando a ela, ó chefe dos Bharatas, com a ajuda de uma compreensão bem organizada. Pessoas conhecedoras das escrituras também são de opinião que tal homem pode ser purificado por doar mil cavalos com orelhas de uma cor escura. Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre um chacal e um macaco. Quando ambos eram seres humanos, ó opressor de inimigos, eles eram amigos íntimos.

Depois da morte um deles se tornou um chacal e o outro um macaco. Vendo o chacal um dia comendo uma carcaça animal no meio de um crematório, o macaco, se lembrando do nascimento anterior do amigo e do seu próprio como seres humanos, dirigiu-se a ele, dizendo, ‘Realmente, qual pecado terrível tu cometeste no teu nascimento anterior por consequência do qual tu és obrigado neste nascimento a te alimentares em um crematório de tal comida repulsiva como a carcaça pútrida de um animal?’ Assim endereçado, o chacal respondeu para o macaco, dizendo, ‘Tendo prometido doar para um Brahmana eu não lhe fiz a doação. É por causa daquele pecado, ó macaco, que eu caí nessa classe de existência desprezível. É por esta razão que, quando faminto, eu sou obrigado a comer tal alimento.'” “Bhishma continuou, ‘O chacal então, ó melhor dos homens, se dirigiu ao macaco e disse, ‘Qual pecado tu cometeste pelo qual tu te tornaste um macaco?’” "O macaco disse, 'Em minha vida anterior eu costumava me apropriar das frutas pertencentes a Brahmanas. Por isso eu me tornei um macaco. Então é evidente que alguém possuidor de inteligência e erudição nunca deve se apropriar do que pertence aos Brahmanas. Na verdade, assim como alguém deve se abster disto, ele deve evitar também todas as disputas com Brahmanas. Tendo prometido, uma pessoa deve certamente fazer a doação prometida para eles.'” "Bhishma continuou, 'Eu ouvi isto, ó rei, do meu preceptor enquanto ele estava ocupado em discursar sobre o assunto de Brahmanas.

Eu ouvi isto daquela pessoa justa quando ele narrou a antiga e sagrada declaração sobre este tópico. Eu ouvi isto de Krishna também, ó rei, enquanto ele estava ocupado em discursar, ó filho de Pandu, sobre Brahmanas. (O comentador pensa que por Krishna quer- se dizer o Krishna Nascido na Ilha ou Vyasa.) Nunca deve-se tomar posse da propriedade de um Brahmana. Eles devem sempre ser deixados em paz. Pobres ou avaros, ou jovens em idade, eles nunca devem ser desconsiderados. Os Brahmanas sempre me ensinaram isto. Tendo lhes prometido fazer uma doação, a doação deve ser feita. Um Brahmana superior nunca deve ser desapontado na questão de suas expectativas. Um Brahmana, ó rei, em quem uma expectativa foi criada, ó rei, é citado como semelhante a um fogo ardente. (O sentido é que tal Brahmana, se sua expectativa não for satisfeita, é competente para consumir a pessoa que criou falsamente aquela expectativa.) Aquele homem sobre quem um Brahmana com expectativas criadas lança seu olhar, está certo, ó monarca, de ser consumido assim como uma pilha de palha pode ser consumida por um fogo ardente. Quando o Brahmana, satisfeito pelo rei (com honras e doações), se dirige ao rei em palavras encantadoras e afetuosas, ele se torna, ó Bharata, uma fonte de grande benefício para o rei, pois ele continua a viver no reino como um médico combatendo diversos tipos de doenças do corpo.

(Como um médico cura diversas doenças do corpo, da mesma maneira, um Brahmana satisfeito cura diversas imperfeições no reino no qual ele continua a viver honrado e satisfeito pelo rei.) Tal Brahmana seguramente mantém por sua pujança e bons desejos, os filhos e netos e animais e parentes e ministros e outros oficiais e a cidade e as províncias do rei. Exatamente esta é a energia do Brahmana, tão grandiosa como aquela do próprio Surya de mil raios sobre a Terra. Portanto, ó Yudhishthira, se alguém deseja obter uma classe de existência respeitável ou feliz no seu próximo nascimento, ele deve, tendo proferido a promessa para um Brahmana, certamente mantê-la por realmente fazer a doação para ele. Por fazer doações para um Brahmana seguramente alguém alcança o céu mais sublime. Na verdade, fazer caridade é o maior dos atos que alguém pode realizar. Pelas doações que alguém faz para um Brahmana, as divindades e os pitris são sustentados. Por isso alguém possuidor de conhecimento deve sempre fazer doações para os Brahmanas. Ó chefe dos Bharatas, o Brahmana é considerado como o objeto mais elevado para quem doações devem ser feitas. Em nenhum momento um Brahmana deve ser recebido sem ser adorado adequadamente.’” 10 "Yudhisthira disse, 'Eu desejo saber, ó sábio nobre, se atrai sobre si alguma falha alguém que por amizade interessada ou desinteressada dá instruções para uma pessoa pertencente a uma classe de nascimento inferior! Ó avô, eu desejo saber isto, explicado para mim em detalhes. O rumo do dever é extremamente sutil.

Homens são vistos muitas vezes ficarem estupefatos em relação àquele rumo.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto, ó rei, eu contarei para ti, na devida ordem, o que eu ouvi certos Rishis dizerem antigamente. Instrução não deve ser dada para alguém que pertence a uma casta inferior ou vil. É dito que o preceptor que dá instrução para tal pessoa incorre em grande erro. Ouça-me, ó chefe da linhagem de Bharata, enquanto eu narro para ti, ó Yudhishthira, este exemplo que ocorreu nos tempos passados, ó monarca, das más consequências de se dar instrução para uma pessoa de nascimento inferior caída em infortúnio. O incidente que eu relatarei ocorreu no retiro de certos sábios regenerados que se localizava no leito auspicioso de Himavat. Lá, no leito daquele príncipe das montanhas, havia um retiro sagrado adornado com árvores de diversas espécies. Coberto também com diversos tipos de trepadeiras e plantas, ele era o recanto de muitos animais e aves. Habitado por Siddhas e Charanas também, ele era extremamente encantador pelos bosques que floresciam em todas as estações. Muitos eram os Brahmacharins que moravam lá, e muitos pertencentes ao modo de vida da floresta. Muitos também eram os Brahmanas que tinham tomado sua residência lá, que eram altamente abençoados e que pareciam com o sol ou o fogo em energia e refulgência. Ascetas de diversos tipos, observadores de várias restrições e votos, como também outros, ó chefe dos Bharatas, que tinham passado por Diksha e eram frugais em alimentação e possuidores de almas purificadas, tomaram sua redidência lá.

Grande número de Valakhilyas e muitos que eram cumpridores do voto de Sanyasa também costumavam morar lá. O santuário, por tudo isso, ressoava com o canto dos Vedas e dos Mantras sagrados proferidos por seus habitantes. Uma vez um Sudra dotado de compaixão por todas as criaturas ousou entrar naquele retiro. Chegando naquele retiro, ele foi devidamente honrando por todos os ascetas. Vendo aqueles ascetas de diversas classes que eram dotados de grande energia, que pareciam com as divindades (em pureza e poder), e que estavam cumprindo diversas espécies de Diksha, ó Bharata, o Sudra ficou profundamente satisfeito. Contemplando tudo, ó chefe da linhagem de Bharata, o Sudra sentiu-se inclinado a se dedicar à prática de penitências. Tocando os pés do Kulapati (o chefe do grupo, pois um Kulapati é um asceta que possui dez mil ascetas como seus discípulos, por exemplo, Kanwa, o pai adotivo de Sakuntala, era um Kulapati), ó Bharata, ele se dirigiu a ele dizendo, 'Pela tua graça, ó principal das pessoas regeneradas, eu desejo aprender (e praticar) os deveres de religião. Cabe a ti, ó ilustre, me falar sobre aqueles deveres e me introduzir (por realizar os ritos de iniciação) em uma vida de Renúncia. Eu sou certamente inferior em cor, ó ilustre, pois eu sou por casta um Sudra, ó melhor dos homens. Eu desejo servir e ser útil para vocês aqui. Fique satisfeito comigo que humildemente procuro tua proteção.'" "O Kulapati disse, 'É impossível que um Sudra viva aqui adotando os símbolos especialmente destinados para aqueles que praticam vidas de Renúncia.

Se te agrada, tu podes ficar aqui, dedicado a nos servir e a nos ser útil. Sem dúvida, por tal serviço tu alcançarás muitas regiões de grande bem-aventurança.'" "Bhishma continuou, 'Assim endereçado pelo asceta, o Sudra começou a refletir em sua mente, ó rei, dizendo, ‘Como eu devo agir agora? É grande minha reverência por aqueles deveres religiosos que levam ao mérito. Que isto, no entanto, seja decidido, que eu farei o que for para o meu benefício.' (Isto é, renunciando ao serviço que é o dever ordenado para a pessoa de sua classe, ele desejava se dirigir à Renúncia universal ou Sannyasa, sem, no entanto, o lingam ou símbolos daquele voto.) Procedendo para um local que era distante daquele retiro, ele fez uma cabana de gravetos e folhas de árvores. Erigindo também uma plataforma sacrifical, e fazendo um pequeno espaço para seu sono, e algumas plataformas para o uso das divindades, ele começou, ó chefe dos Bharatas, a levar uma vida regulada por observâncias e votos rígidos e a praticar penitências, se abstendo totalmente de falar todo o tempo. Ele começou a realizar abluções três vezes ao dia, cumprir outros votos (em relação à alimentação e sono), fazer sacrifícios para as divindades, derramar libações no fogo sacrifical, e adorar e cultuar as divindades dessa maneira. Reprimindo todos os desejos carnais, vivendo abstemiamente de frutas e raízes, controlando todos os seus sentidos, ele diariamente recebia e entretinha todos aqueles que chegavam ao seu retiro como convidados, oferecendo a eles ervas e frutas que cresciam abundantemente em volta.

Dessa maneira ele passou um tempo muito longo naquele seu eremitério. Um dia um asceta foi ao retiro daquele Sudra para o propósito de fazer seu conhecimento. O Sudra recebeu e adorou o Rishi com os ritos devidos, e o agradou muito. Dotado de grande energia, e possuidor de uma alma justa, aquele Rishi de votos rígidos conversou com seu anfitrião sobre muitos assuntos agradáveis e o informou do lugar de onde ele tinha vindo. Desse modo, ó chefe dos Bharatas, aquele Rishi, ó melhor dos homens, foi ao retiro do Sudra inúmeras vezes para o objetivo de vê-lo. Em uma dessas ocasiões, o Sudra, ó rei, se dirigindo ao Rishi disse, ‘Eu desejo realizar os ritos que são ordenados para os Pitris. Instrua-me bondosamente neste assunto.’ ‘Muito bem’, o Brahmana disse a ele em resposta, ó monarca. O Sudra então, se purificando por meio de um banho, trouxe água para o Rishi para lavar seus pés, e ele também trouxe alguma grama Kusa, e ervas e frutas selvagens, e um assento sagrado, e o assento chamado Vrishi. O Vrishi, no entanto, foi colocado pelo Sudra em direção ao sul, com sua cabeça virada para o oeste. Vendo isso e sabendo que isso era contra a ordenança, o Rishi dirigiu-se ao Sudra, dizendo, ‘Coloque o Vrishi com sua cabeça virada em para o Leste, e tendo te purificado, sente com teu rosto virado para o norte.’ O Sudra fez tudo como o Rishi indicou.

Possuidor de grande inteligência, e praticante de virtude, o Sudra recebeu toda instrução sobre o Sraddha, como prescrita na ordenança, daquele Rishi dotado de penitências, com respeito à maneira de espalhar a grama Kusa, e colocação dos Arghyas, e com relação aos ritos a serem observados na questão das libações a serem despejadas e o alimento a ser oferecido. Depois que os ritos em honra dos Pitris tinham sido concluídos, o Rishi foi despedido pelo Sudra, depois do que ele voltou para sua própria residência. (Nenhum Brahmana, as escrituras declaram, jamais deve ajudar um Sudra na realização de seus ritos religiosos ou Pitri. Aqueles Brahmanas que violam esta injunção decaem de sua posição superior. Eles são condenados como Sudra-yajins. Aqui o Rishi, somente por dar indicações para o Sudra quanto a como os ritos Pitri eram para ser realizados, se tornou um Sudra- yajin. Há muitas famílias até hoje cuja posição foi rebaixada por causa de tais atos de indiscrição ou similares da parte de seus ancestrais.) Depois de muito tempo, todo o qual ele passou na prática de tais penitências e votos, o Sudra asceta morreu naquelas florestas. Por causa do mérito que ele adquiriu por aquelas práticas, o Sudra, na próxima vida, nasceu na família de um grande rei, e com o decorrer do tempo veio a possuir grande esplendor. O Rishi regenerado também, quando chegou o momento, pagou sua dívida com a Natureza. Na sua próxima vida, ó chefe da linhagem de Bharata, ele nasceu na família de um sacerdote.

Foi dessa maneira que aqueles dois, isto é, aquele Sudra que tinha passado uma vida de penitências e aquele Rishi regenerado que por generosidade tinha dado para o primeiro algumas instruções na questão dos ritos realizados em honra dos Pitris, renasceram, um como o descendente de uma linhagem real e o outro como o membro de uma família sacerdotal. Ambos começaram a crescer e ambos adquiriram grande conhecimento nos ramos usuais de estudo. O Brahmana se tornou bem versado nos Vedas como também nos Atharvans. (Os Atharvans não eram geralmente incluídos sob o termo Veda pelo qual se queria dizer somente os três primeiros Vedas.) Na questão, também, de todos os sacrifícios ordenados nos Sutras, daquele Vedanga que trata de ritos e observâncias religiosos, astrologia e astronomia o Rishi renascido obteve grande excelência. Na filosofia Sankhya também ele começou ter grande satisfação. Enquanto isso, o Sudra renascido que tinha se tornado um príncipe, quando seu pai, o rei, morreu, realizou seus últimos ritos; e depois que ele tinha se purificado por finalizar todas as cerimônias fúnebres, ele foi instalado pelos súditos de seu pai como seu rei em seu trono paterno. Mas logo depois da sua própria instalação como rei, ele instalou o Rishi renascido como seu sacerdote. De fato, tendo feito o Brahmana seu sacerdote, o rei começou a passar seus dias em grande felicidade. Ele governava seu reino justamente e protegia e cuidava de todos os seus súditos.

Diariamente, na entanto, o rei, na ocasião de receber bênçãos de seu sacerdote como também na realização de ritos religiosos e outros ritos sagrados, sorria ou dava risada dele ruidosamente. (Punyaha-vachana é um rito peculiar. O sacerdote ou algum outro Brahmana é convidado. Doações são então feitas a ele, e ele profere bênçãos em retorno sobre o doador. Yudhishthira costumava convidar todos os dias um grande número de Brahmanas e fazia presentes valiosos para eles para obter suas bênçãos.) Dessa maneira, ó monarca, o Sudra renascido que tinha se tornado um rei ria à visão de seu sacerdote em inúmeras ocasiões. O sacerdote, notando que o rei sempre sorria ou gargalhava quando acontecia de lançar seus olhos nele, ficou zangado. Em uma ocasião ele encontrou o rei em um local onde não havia ninguém mais. Ele agradou o rei por meio de uma conversa agradável. Tomando vantagem daquele momento, ó chefe da linhagem de Bharata, o sacerdote se dirigiu ao rei, dizendo, 'Ó tu de grande esplendor, eu te suplico para me conceder um único benefício.'” "O rei disse, 'Ó melhor das pessoas regeneradas, eu estou disposto a te conceder uma centena de benefícios, o que dizer então de um somente? Pela afeição que eu tenho por ti e pela reverência na qual eu te considero, não há nada que eu não possa te dar.'” “O sacerdote disse, ‘Eu desejo ter somente um benefício, ó rei, tu estás satisfeito comigo. Jure que tu me dirás a verdade em vez de uma inverdade.’” “Bhishma continuou, ‘Assim endereçado pelo sacerdote, ó Yudhishthira, o rei disse para ele, ‘Assim seja.

Se o que tu me perguntares for conhecido por mim, eu certamente te direi a verdade. Se, por outro lado, o assunto for desconhecido para mim, eu não direi nada.’” "O sacerdote disse, 'Todos os dias, em ocasiões de obter minhas bênçãos, quando, também, eu estou ocupado na realização de ritos religiosos em teu nome, em ocasiões também do Homa e outros ritos de conciliação, por que é que tu dás risada ao me ver? Vendo-te rir de mim em todas as ocasiões, minha mente se encolhe de vergonha. Eu te fiz jurar, ó rei, que tu me responderias verdadeiramente. Não cabe a ti me dizer o que é falso. Deve haver alguma razão grave para o teu comportamento. Teu riso não pode ser infundado. Grande é minha curiosidade para saber a razão. Fale-me a verdade.'” "O rei disse, 'Como tu te dirigiste a mim desse modo, ó regenerado, eu sou obrigado a te esclarecer, mesmo se fosse um assunto que não devesse ser divulgado na tua audição. Eu devo te dizer a verdade. Ouça-me com toda atenção, ó regenerado. Escute-me, ó principal das pessoas duas vezes nascidas, enquanto eu te revelo o que aconteceu (a nós) em nossos nascimentos anteriores. Eu me lembro daquele nascimento. Ouça-me com mente concentrada. Em minha vida anterior eu era Sudra empenhado na prática de penitências severas. Tu, ó melhor das pessoas regeneradas, eras um Rishi de penitências austeras. Ó impecável, satisfeito comigo, e impelido pelo desejo de me fazer bem, tu, ó Brahmana, ficaste contente em me dar certas instruções nos ritos que eu realizei (em uma ocasião) em honra dos meus Pitris.

As instruções que tu me destes eram a respeito da maneira de espalhar o Vrishi e as folhas Kusa e de oferecer libações e carne e outros alimentos aos espíritos dos mortos, ó principal dos ascetas. Em consequência dessa tua transgressão tu tomaste nascimento como um sacerdote, e eu tomei nascimento como um rei, ó principal dos Brahmanas. Veja as vicissitudes que o Tempo ocasiona. Tu colheste este fruto por teres me instruído (em meu nascimento anterior). É por esta razão, ó Brahmana, que eu sorrio ao te ver, ó principal das pessoas regeneradas. Eu certamente não rio de ti pelo desejo de te desconsiderar. Tu és meu preceptor (ou superior). Por esta mudança de condição eu estou realmente muito pesaroso. Meu coração queima ao pensamento. Eu me lembro dos nossos nascimentos anteriores, por isso eu dou risada à visão de ti. Tuas penitências ascéticas foram todas destruídas pelas instruções que tu me deste. Abandonando teu ofício atual de sacerdote, te esforce para recuperar um nascimento superior. Empenhe-te de tal maneira que tu não possas obter na tua próxima vida um nascimento mais inferior do que o teu atual. Pegue tanta riqueza quanto tu desejares, ó Brahmana erudito, e purifique tua alma, ó melhor dos homens.'” "Bhishma continuou, 'Despedido pelo rei (da posição de sacerdote), o Brahmana fez muitas doações, para pessoas da sua própria classe, de riquezas e terra e aldeias. Ele praticou votos muitos rígidos e severos como declarados pelos principais dos Brahmanas. Ele viajou para muitas águas sagradas e fez muitas doações para Brahmanas naqueles locais.

Fazendo doações de gado para pessoas da classe regenerada, sua alma foi purificada e ele conseguiu obter um conhecimento dela. Dirigindo-se para aquele mesmo retiro onde tinha vivido em seu nascimento anterior, ele praticou muitas penitências severas. Como consequência de tudo isso, ó principal dos reis, aquele Brahmana conseguiu alcançar o maior êxito. Ele tornou-se um objeto de veneração para todos os ascetas que moravam naquele retiro. Dessa maneira, ó melhor dos monarcas, aquele Rishi regenerado caiu em grande infortúnio. Para Sudras, portanto, os Brahmanas nunca devem dar instruções. Por isso, ó rei, o Brahmana deve evitar dar instruções (para aqueles que são de nascimento inferior), pois por dar instrução para uma pessoa de nascimento baixo um Brahmana foi prejudicado. Ó melhor dos reis, o Brahmana nunca deve desejar obter instrução de, ou dar instrução para, uma pessoa que pertence à classe mais baixa. Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas, as três classes, são consideradas como duas vezes nascidas. Por dar instrução a estas, um Brahmana não incorre em alguma falha. Aqueles, portanto, que são bons, nunca devem falar sobre algum assunto, para dar alguma instrução, perante pessoas da classe inferior. O rumo da moralidade é extremamente sutil e incapaz de ser compreendido por pessoas de almas impuras. É por esta razão que ascetas adotam o voto de silêncio, e sendo respeitados por todos, passam pelo Diksha (iniciação, o rito pelo qual alguém passa a fim de se preparar para aqueles sacrifícios e votos que ele procura realizar) sem se entregar às palavras.

Por medo de dizer o que é incorreto ou o que possa ofender, os ascetas muitas vezes renunciam à própria fala. Sabe-se que até homens que são justos e possuidores de todas as habilidades, e dotados de veracidade e simplicidade de comportamento, incorrem em grandes erros por causa de palavras faladas impropriamente. Nunca se deve dar instrução sobre alguma coisa para qualquer pessoa. Se por consequência das instruções dadas, o instruído cometer algum pecado, aquele pecado se atribui ao Brahmana que deu a instrução. O homem de sabedoria, portanto, que deseja ganhar mérito, deve sempre agir com sabedoria. Aquela instrução que é dada em troca de dinheiro sempre polui o instrutor. Solicitada por outros, uma pessoa deve dizer somente o que é correto depois de determiná-lo com a ajuda da reflexão. Alguém deve dar instrução de tal maneira que ele possa, por dá-la, ganhar mérito. Eu assim te disse tudo a respeito do assunto de instruções. Com muita frequência pessoas vêm a ser lançadas em grandes aflições por darem instruções. Por isso é apropriado que uma pessoa se abstenha de dar instruções para outras.'" 11 “Yudhishthira disse, ‘Diga-me, ó avô, em qual tipo de homem ou mulher, ó chefe dos Bharatas, a deusa da prosperidade sempre reside?’” "Bhishma disse, 'Eu irei, sobre isto, narrar para ti algo que ocorreu e que eu soube. Uma vez, vendo a deusa da prosperidade resplandecendo com beleza e dotada da cor do lótus, a princesa Rukmini, a mãe de Pradyumna que portava o emblema do Makara em seu estandarte, cheia de curiosidade, fez esta pergunta na presença do filho de Devaki.

‘Quem são aqueles seres ao cujo lado tu permaneces e a quem tu favoreces? Quem também, são aqueles a quem tu não abençoas com proteção? Ó tu que és cara para Ele que é o senhor de todas as criaturas, me diga isto realmente, ó tu que és é igual a um grande Rishi em penitências e pujança.’ Assim endereçada pela princesa, a deusa da prosperidade, com um rosto tão belo quanto a lua, e movida pela generosidade, na presença daquele que tem Garuda em seu estandarte, disse em resposta estas palavras que eram gentis e encantadoras.'” "Sree disse, 'Ó senhora abençoada, eu sempre resido com aquele que é eloquente, ativo, atento ao trabalho, livre de cólera, dado ao culto das divindades, dotado de gratidão, que tem suas paixões sob controle completo, e que é generoso em tudo. Eu nunca resido com alguém que é desatento ao trabalho, que é um incrédulo, que causa uma mistura de classes por causa de sua luxúria, que é ingrato, que é de práticas impuras, que usa e palavras duras e cruéis, que é um ladrão, que nutre malícia em direção a seus preceptores e outros superiores, aquelas pessoas que são dotadas de pouca energia, força, vida, e honra, que ficam aflitas por todas as ninharias, e que sempre se entregam à raiva. Eu nunca resido com aqueles que pensam de uma maneira e agem de maneira diferente (isto é, hipócritas). Eu nunca resido também com aquele que nunca deseja alguma aquisição para si mesmo, dele que está tão cego quanto o resto, contente com a sorte na qual ele se encontra sem qualquer esforço ou com aqueles que ficam contentes com aquisições pequenas.

Eu resido com aqueles que são cumpridores dos deveres de sua própria classe, ou aqueles que estão familiarizados com os deveres de virtude, ou aqueles que são dedicados ao serviço dos idosos ou aqueles que têm suas emoções sob controle, ou aqueles que são dotados de almas purificadas ou aqueles que cumprem a virtude do perdão, ou aqueles que são hábeis e rápidos em ação, ou com tais mulheres que são bondosas e autocontroladas. Eu também resido com aquelas mulheres que são devotadas à verdade e sinceridade e que adoram as divindades. Eu não resido com aquelas mulheres que não tomam conta da mobília da família e provisões espalhadas por toda a casa, e que sempre proferem palavras contrárias aos desejos de seus maridos. Eu sempre evito aquelas mulheres que têm predileção pelas casas de outras pessoas e que não têm modéstia. Por outro lado, eu resido com aquelas mulheres que são dedicadas a seus maridos, que são abençoadas em comportamento, e que estão sempre enfeitadas com ornamentos e vestidas em bons trajes. Eu sempre resido com aquelas mulheres que são sinceras em palavras, que têm feições belas e agradáveis, que são abençoadas e dotadas de todas as habilidades. Eu sempre evito mulheres que são pecaminosas e incastas ou impuras, que sempre lambem os cantos de suas bocas, que não têm paciência ou fortaleza, que gostam de disputas e brigas, que são dadas a dormir muito, e que sempre deitam.

Eu sempre resido nos meios de transporte e nos animais que os puxam, em donzelas, em ornamentos e boas vestimentas, em sacrifícios, em nuvens carregadas de chuva, lotos completamente desabrochados, e naquelas estrelas que salpicam o firmamento outonal. Eu resido em elefantes, em currais de vacas, em bons assentos, e em lagos adornados com lotos desabrochados. Eu vivo também em tais rios que murmuram docemente em seu curso, melodiosos com a música das garças, tendo margens enfeitadas com fileiras de diversas árvores, e frequentados por Brahmanas e ascetas e outros coroados com sucesso. Eu também sempre resido naqueles rios que têm volumes profundos e grandes de águas ondulantes tornadas lodosas por leões e elefantes mergulhando nelas para se banhar ou matar sua sede. Eu resido também em elefantes enfurecidos, em machos bovinos, em reis, no trono e bons homens. Eu sempre resido naquela casa na qual o habitante despeja libações no fogo sacrifical e cultua vacas, Brahmanas e as divindades. Eu resido naquela casa onde no momento apropriado oferendas são feitas para as divindades, no decorrer do culto. Eu sempre resido em Brahmanas que são dedicados ao estudo dos Vedas, em Kshatriyas dedicados ao cumprimento da justiça, em Vaisyas dedicados ao cultivo, e nos Sudras dedicados ao serviço (humilde) das três classes superiores. Eu resido, com um coração firme e imutável, em Narayana, em meu eu incorporado. Nele há justiça em sua perfeição e total medida, devoção aos Brahmanas, e a qualidade de agradabilidade.

Eu não posso dizer, ó senhora, que eu não resido em minha forma incorporada, (em algum desses lugares que eu mencionei, exceto Narayana)? Aquela pessoa em quem eu resido em espírito cresce em virtude e fama e riqueza e objetos de desejo.'" 12 "Yudhishthira disse, 'Cabe a ti, ó rei, me dizer realmente qual dos dois, o homem ou a mulher, deriva o maior prazer de um ato de união um com o outro. Bondosamente esclareça minha dúvida a este respeito.’" "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada esta velha narrativa da conversa entre Bhangaswana e Sakra como um precedente para ilustrar a pergunta. Antigamente vivia um rei de nome Bhangaswana. Ele era extremamente justo e era conhecido como um sábio nobre. Ele, no entanto, não tinha filhos, ó chefe de homens, e portanto realizou um sacrifício pelo desejo de obter descendentes. O sacrifício que aquele monarca poderoso realizou foi o Agnishtuta. Pelo fato que somente a divindade do fogo é adorada naquele sacrifício, ele sempre desagrada Indra. Contudo ele é o sacrifício que é desejado pelos homens quando para o propósito de obter herdeiros eles procuram se purificar de seus pecados. (A crença é que um homem permanece sem filhos por causa de seus pecados.

Se estes pecados puderem ser purificados, ele poderá seguramente obter filhos.) O altamente abençoado chefe dos celestiais, Indra, sabendo que o monarca estava desejoso de realizar o Agnishtuta, começou desde aquele momento a procurar os pontos fracos daquele sábio real de alma de bem moderada (pois se ele pudesse conseguir encontrar alguns pontos fracos, ele poderia então punir seu desdenhador). Apesar de toda sua vigilância, no entanto, ó rei, Indra fracassou em descobrir quaisquer negligências da parte do monarca de grande alma. Algum tempo depois, um dia, o rei saiu em uma expedição de caça. Dizendo para si mesmo, ‘Esta, de fato, é uma oportunidade’, Indra entorpeceu o monarca. O rei procedeu sozinho em seu cavalo, confundido porque o chefe dos celestiais tinha entorpecido seus sentidos. Afligido com fome e sede, a confusão do rei era tão grande que ele não podia determinar os pontos do horizonte. De fato, afligido pela sede, ele começou a vagar para lá e para cá. Ele então viu um lago que era extremamente belo e cheio de água transparente. Descendo de seu corcel, e mergulhando no lago, ele fez seu animal beber. Amarrando seu cavalo então, cuja sede tinha sido saciada, em uma árvore, o rei mergulhou no lago outra vez para realizar suas abluções. Para seu assombro ele descobriu que ele tinha sido convertido, em virtude das águas, em uma mulher. Vendo-se assim transformado em relação ao próprio sexo, o rei foi dominado pela vergonha.

Com seus sentidos e mente completamente agitados, ele começou a refletir com todo seu coração desta maneira: ‘Ai, como eu montarei meu corcel? Como eu voltarei para minha capital? Pelo sacrifício Agnishtuta eu consegui cem filhos, todos dotados de grande poder, e todos eles meus próprios filhos. Ai, transformado dessa maneira, o que eu direi a eles? O que eu direi para minhas esposas, meus parentes e benquerentes, e para os meus súditos da cidade e das províncias? Rishis conhecedores das verdades de dever e religião e outros assuntos dizem que suavidade e brandura e sujeição à agitação extrema são os atributos das mulheres, e que atividade, dureza, e energia são os atributos dos homens. Ai, minha virilidade desapareceu. Por que razão a feminilidade veio sobre mim? Por causa desta transformação de sexo, como eu conseguirei montar meu cavalo novamente?’ Tendo se entregado a estes pensamentos tristes, o monarca, com grande esforço, montou em seu corcel e voltou para sua capital, embora ele tivesse sido transformado em uma mulher. Seus filhos e esposas e empregados, e seus súditos da cidade e das províncias, vendo aquela transformação extraordinária, ficaram extremamente admirados. Então aquele sábio nobre, aquele principal dos homens eloquentes, dirigindo-se a eles todos, disse, ‘Eu saí em uma expedição de caça, acompanhado por uma grande tropa. Perdendo todo o conhecimento dos pontos da bússola, eu entrei em uma floresta densa e terrível, impelido pelos destinos. Naquela floresta terrível eu fiquei afligido pela sede e perdi meus sentidos.

Eu então vi um belo lago cheio de aves de todas as espécies. Mergulhando naquela correnteza para realizar minhas abluções, eu fui transformado em uma mulher!’ Convocando então suas esposas e conselheiros, e todos os seus filhos por seus nomes, aquele melhor dos monarcas transformado em mulher disse para eles estas palavras: ‘Desfrutem desse reino em felicidade. Como relação a mim, eu irei para as florestas, ó filhos.’ Tendo falado dessa maneira para seus filhos, o monarca procedeu para a floresta. Chegando lá, ela encontrou um retiro habitado por um asceta. Por meio daquele asceta o monarca transformado deu à luz uma centena de filhos. Levando todos aqueles seus filhos, ela se dirigiu para onde seus primeiros filhos estavam, e dirigindo-se a eles, disse, ‘Vocês são os filhos que eu tive enquanto eu era um homem. Estes são os filhos que eu gerei neste estado de transformação. Ó filhos, todos vocês desfrutem do meu reino juntos, como irmãos nascidos dos mesmos pais.’ Por esta ordem de seu pai, todos os irmãos, se unindo, começaram a desfrutar do reino como sua propriedade em comum. Vendo todos aqueles filhos do rei desfrutando conjuntamente do reino como irmãos nascidos dos mesmos pais, o chefe dos celestiais, cheio de cólera, começou a refletir, ‘Parece que por transformar este sábio real em uma mulher eu lhe fiz bem em vez de prejudicá-lo.’ Dizendo isso, o chefe dos celestiais, Indra de cem sacrifícios, assumindo a forma de um Brahmana, dirigiu-se à capital do rei e encontrando todos os filhos conseguiu desunir os príncipes.

Ele disse para eles, ‘Irmãos nunca permanecem em paz mesmo quando acontece de eles serem filhos do mesmo pai. Os filhos do sábio Kasyapa, isto é, as divindades e os Asuras, disputaram uns com os outros por causa da soberania dos três mundos. Com respeito a vocês príncipes, vocês são filhos do sábio real Bhangaswana. Estes outros são os filhos de um asceta. As divindades e os Asuras são filhos de um pai em comum, e ainda assim os últimos brigaram uns com os outros. Quanto mais, portanto, vocês devem brigar uns com os outros? Este reino que é sua propriedade paterna está sendo desfrutado por esses filhos de um asceta.’ Com estas palavras, Indra conseguiu causar uma discórdia entre eles, de modo que eles logo estavam envolvidos em combates e mataram uns aos outros. Sabendo disso, o rei Bhangaswana, que estava vivendo como uma mulher asceta, queimou de angústia e emitiu suas lamentações. O senhor dos celestiais, Indra, assumindo o disfarce de um Brahmana, chegou àquele local onde a senhora asceta estava vivendo e encontrando-a, disse, ‘Ó tu que possuis um rosto belo, com qual angústia tu queimas tanto que tu estás emitindo tuas lamentações?’ Contemplando o Brahmana a senhora disse a ele em uma voz comovente, ‘Duzentos filhos meus, ó regenerado, foram mortos pelo Tempo. Eu antigamente era um rei, ó Brahmana erudito, e naquele estado eu tive cem filhos. Estes foram gerados por mim conforme minha própria forma, ó melhor das pessoas regeneradas. Em uma ocasião eu saí em uma expedição de caça. Entorpecido, eu vaguei em meio a uma floresta densa.

Vendo finalmente um lago, eu mergulhei nele. Vindo à superfície, ó principal dos Brahmanas, eu descobri que eu tinha me tornado uma mulher. Voltando para minha capital eu instalei meus filhos na soberania dos meus domínios e então parti para a floresta. Transformado em uma mulher, eu dei à luz cem filhos para meu marido que é um asceta de grande alma. Todos eles nasceram no retiro do asceta. Eu os levei para a capital. Meus filhos, pela influência do Tempo, brigaram uns com os outros, ó duas vezes nascido. Assim afligida pelo Destino, eu estou me entregando ao pesar.’ Indra se dirigiu a ela nestas palavras, ‘Antigamente, ó senhora, tu me deste grande dor, pois tu realizaste um sacrifício que é antipatizado por Indra. De fato, embora eu estivesse presente, tu não me invocaste com honras. Eu sou Indra, ó tu de má compreensão. Foi comigo que tu procuraste hostilidades deliberadamente.’ Vendo Indra, o sábio real caiu aos seus pés, tocando-os com sua cabeça, e disse, ‘Fique satisfeito comigo, ó principal das divindades. O sacrifício do qual tu falas foi realizado pelo desejo de prole (e não por algum desejo de te ferir). Cabe a ti, portanto, me conceder teu perdão.’ Indra, vendo o monarca transformado se prostrar dessa maneira para ele, ficou satisfeito com ele e desejou lhe dar um benefício.

‘Quais dos teus filhos, ó rei, tu desejas que revivam, aqueles que foram criados por ti transformado em uma mulher, ou aqueles que foram gerados por ti em tua condição como uma pessoa do sexo masculino?’ A senhora asceta, unindo suas mãos, respondeu para Indra, dizendo, ‘Ó Vasava, que venham à vida aqueles filhos que foram criados por mim como uma mulher.’ Muito surpreso com esta resposta, Indra mais uma vez questionou a senhora, ‘Por que tu tens menos afeição por aqueles teus filhos que foram gerados por ti em tua forma de uma pessoa do sexo masculino? Por que é que tu tens maior afeição por aqueles filhos que foram criados por ti em teu estado transformado? Eu desejo saber a razão dessa diferença em relação ao teu afeto. Cabe a ti me dizer tudo.'” "A senhora disse, 'A afeição que é nutrida por uma mulher é muito maior do que aquela que é nutrida por um homem. Por isso, ó Sakra, é que eu desejo que voltem à vida aqueles filhos que foram criados por mim como uma mulher.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, Indra ficou muito satisfeito e disse para ela, ‘Ó senhora que és tão sincera, que todos os teus filhos voltem à vida. Aceite outro benefício, ó principal dos reis, realmente, qualquer benefício que tu queiras. Ó tu de votos excelentes, receba de mim qualquer condição que tu escolheres, aquela de mulher ou de homem.'” "A senhora disse, 'Eu desejo permanecer uma mulher, ó Sakra.

De fato, eu não desejo ser restituída à condição de masculinidade, ó Vasava.’ Ouvindo esta resposta, Indra mais uma vez a questionou, dizendo, ‘Por que é, ó pujante, que abandonando a posição de masculinidade tu desejas a de feminilidade?’ Assim questionado, aquele principal dos monarcas transformado em uma mulher respondeu, 'Em atos sexuais, o prazer que as mulheres desfrutam é sempre muito maior do que o que é desfrutado por homens. É por esta razão, ó Sakra, que eu desejo continuar uma mulher; ó principal das divindades, realmente eu te digo que eu derivo maior prazer na minha condição atual de feminilidade. Eu estou bastante contente com esta posição de feminilidade que eu tenho agora. Deixe-me agora, ó senhor do céu.’ Ouvindo estas palavras dela, o senhor dos celestiais respondeu, ‘Assim seja’, e despedindo-se dela procedeu para o céu. Assim, ó monarca, é sabido que a mulher deriva um prazer muito maior do que o homem sob as circunstâncias que tu perguntaste.'" 13 “Yudhishthira disse, ‘O que um homem deve fazer a fim de passar agradavelmente por este e pelo outro mundo? Como, de fato, alguém deve se comportar? Quais práticas ele deve adotar com este fim em vista?’” "Bhishma disse, 'Alguém deve evitar os três atos que são feitos com o corpo, os quatro que são feitos com a fala, os três que são feitos com a mente, e os dez caminhos de ação. O três atos que são feitos com o corpo e que devem ser totalmente evitados são a destruição das vidas de outras criaturas, roubo ou apropriação do que pertence a outras pessoas, e o desfrute dos cônjuges de outras pessoas.

As quatro ações que são feitas com a fala, ó rei, e que nunca devem ser indultadas ou mesmo pensadas são: má conversação, palavras duras, divulgar as falhas de outras pessoas, e falsidade. Cobiçar as posses de outros, prejudicar outros, e não crer nas ordenanças dos Vedas são os três atos feitos com a mente os quais devem ser sempre evitados. Então, alguém nunca deve fazer algum mal em palavra, corpo, ou mente. Por fazer ações boas e más, uma pessoa indubitavelmente tem que desfrutar ou aguentar as justas consequências disso. Nada pode ser mais certo do que isto.'" 14 "Yudhishthira disse, 'Ó filho do rio Ganga, tu ouviste todos os nomes de Maheswara, o Senhor do universo. Diga-nos, ó avô, todos os nomes que são aplicados, ó pujante, a Ele que é chamado de Isa e Sambhu. Diga-nos todos aqueles nomes que são aplicados a Ele que é chamado de Vabhru ou vasto, Ele que tem o universo como sua forma, Ele que é o preceptor ilustre de todas as divindades e Asuras, que é chamado de Swayambhu (auto-criador) e que é causa da origem e da dissolução do universo. Fale-nos também da pujança de Mahadeva.'” "Bhishma disse, 'Eu sou muito incompetente para relatar as virtudes de Mahadeva de inteligência sublime. Ele permeia todas as coisas no universo e contudo não é visto em nenhum lugar. Ele é o criador do eu universal e o próprio Pragna (conhecimento) e ele é seu mestre. Todas as divindades, de Brahman aos Pisachas, o cultuam e adoram. Ele transcende Prakriti e Purusha. É nele que Rishis, conhecedores de Yoga e possuidores de um conhecimento dos tattwas, pensam e meditam.

Ele é o Brahman indestrutível e Supremo. Ele é existente e inexistente. Agitando Prakriti e Purusha por meio de Sua energia, Ele cria deles o senhor universal das criaturas, isto é, Brahma. Quem há que é competente para dizer as virtudes daquele deus dos deuses, que é dotado de Inteligência suprema? O homem está sujeito à concepção (no útero da mãe), nascimento, decrepitude, e morte. Sendo dessa maneira, que homem como eu é competente para compreender Bhava? Somente Narayana, ó filho, aquele portador do disco e da maça, pode compreender Mahadeva. Ele é sem deterioração. Ele é o principal de todos os seres em atributos. Ele é Vishnu, por permear o universo. Ele é irresistível. Dotado de visão espiritual, Ele possui Energia suprema. Ele vê todas as coisas com a visão de Yoga. É pela devoção de Krishna de grande alma ao ilustre Rudra a quem ele agradou por meio de penitências, ó Bharata, no retiro de Vadari, que ele tem conseguido permear o universo inteiro. Ó rei de reis, é por meio de Maheswara de visão celeste que Vasudeva obteve o atributo de agradabilidade universal, uma agradabilidade que é muito maior do que a que é possuída por todos os objetos incluídos sob o nome de riqueza. (A riqueza é sempre agradável para todas as pessoas, mas Vasudeva é mais agradável do que a riqueza.

Este atributo de ser mais agradável do que a própria riqueza, que é ser agradável para todo o universo, é devido ao favor de Mahadeva.) Por mil anos completos este Madhava passou pelas mais austeras das penitências e finalmente conseguiu satisfazer o ilustre e concessor de benefícios Siva, aquele Mestre de todo o universo móvel e imóvel. Em cada novo Yuga, Krishna (por meio de tais penitências) agrada Mahadeva. Em cada Yuga Mahadeva é gratificado com a grande devoção de Krishna de grande alma. Quão grande é a pujança de Mahadeva de grande alma, aquela causa original do universo, foi visto com seus próprios olhos por Hari que transcende toda deterioração, na ocasião de suas penitências no retiro de Vadari, praticadas para obter um filho. (A alusão é às penitências de Krishna para satisfazer Mahadeva a fim de obter um filho. O filho assim obtido, isto é, como uma bênção de Mahadeva, foi Pradyumna gerado por Krishna em Rukmini, sua esposa favorita.) Eu, ó Bharata, não vejo alguém que seja superior a Mahadeva. Para explicar os nomes daquele deus dos deuses integralmente e sem criar o desejo de ouvir mais somente Krishna é competente. Só este de braços poderosos da linhagem de Yadu é competente para falar os atributos do ilustre Siva.

Na verdade, ó rei, somente ele é capaz de discursar sobre a pujança, em sua totalidade, da divindade Suprema!'” “Vaisampayana continuou, ‘Tendo dito estas palavras, o ilustre Bhishma, o avô dos Kurus, dirigindo-se a Vasudeva, disse as seguintes palavras, tratando do assunto da grandeza de Bhava, ó monarca.’” "Bhishma disse, 'Tu és o Mestre de todas as divindades e dos Asuras. Tu és ilustre. Tu és Vishnu por permeares o universo inteiro. Cabe a ti falar sobre aqueles assuntos ligados a Siva de forma universal sobre o qual Yudhishthira me perguntou. Antigamente, o Rishi Tandin, surgido de Brahma, recitou na região de Brahma e perante o próprio Brahma os mil nomes de Mahadeva. Recite aqueles nomes perante este conclave para que estes Rishis dotados de riqueza de ascetismo, cumpridores de votos superiores, possuidores de autodomínio, e numerando o Krishna Nascido na Ilha entre eles, possam te ouvir. Fale sobre a grande bem-aventurança dele que é imutável, que está sempre alegre e feliz, que é Hotri, que é o Protetor universal, que é o Criador do universo, e que é chamado de Mundin e Kaparddin.'” "Vasudeva disse, 'As próprias divindades com Indra, e o Avô Brahma numerando entre eles, e os grandes Rishis também, são incompetentes para entender o curso das ações de Mahadeva realmente e em todos os seus detalhes. Ele mesmo é o fim ao qual todas as pessoas justas alcançam. Os próprios Adityas que são dotados de visão sutil não podem ver sua residência. Como então alguém que é meramente um homem pode conseguir compreendê-lo?

(Tais versos são explicados pela escola esotérica de um modo diferente. O significado então seria: 'Como pode alguém que é meramente um homem compreender Sambhu a quem os sentidos não podem compreender, pois Sambhu mora no firmamento do coração e não pode ser visto exceto pela visão interna que o Yoga fornece?’) Eu irei, portanto, narrar realmente para vocês alguns dos atributos daquele ilustre matador de Asuras, que é considerado como o Senhor de todos os sacrifícios e votos.’” "Vaisampayana continuou, 'Tendo dito estas palavras, o ilustre Vasudeva começou seu discurso sobre os atributos de Mahadeva de grande alma dotado da inteligência mais sublime, depois de ter se purificado por tocar água.’" "Vasudeva disse, 'Ouçam, ó principais dos Brahmanas e tu Yudhishthira também, ó majestade, e ouça também, ó filho de Ganga, os nomes que são aplicados a Kaparddin. Ouçam como nos tempos antigos eu obtive uma visão, tão difícil de obter, (daquele grande deus), por causa de Samva. Na verdade, naqueles dias a divindade ilustre foi vista por mim por abstração-Yoga. (É dito que para obter um filho digno Krishna praticou as mais austeras das penitências no leito de Himavat, para satisfazer o deus Mahadeva. O filho obtido como um benefício de Mahadeva foi Samva, como parecerá a partir deste verso e dos seguintes. Em outra parte, no entanto, é afirmado que o filho assim obtido era Pradyumna gerado em Rukmini.

A inconsistência desaparecerá se nós supormos que Krishna adorou Mahadeva duas vezes para obter filhos.) Depois que tinham passado doze anos do tempo quando Pradyumna, o filho de Rukmini, que é dotado de grande inteligência, matou o Asura Samvara antigamente, minha cônjuge Jamvavati se dirigiu a mim. De fato, contemplando Pradyumna e Charudeshna e outros filhos nascidos de Rukmini, Jamvavati, desejosa de um filho, disse estas palavras para mim, ó Yudhishthira, ‘Conceda-me, ó tu de glória imperecível, um filho dotado de heroísmo, o principal dos homens poderosos, possuidor das feições mais agradáveis, impecável em conduta, e semelhante a ti mesmo. E ó, que não haja demora da tua parte em conceder esta minha súplica. Não há nada nos três mundos que seja inalcançável para ti, ó perpetuador da linhagem de Yadu, tu podes criar outro mundo se tu somente desejares isto. Cumprindo um voto por doze anos e purificando-te, tu adoraste o Senhor de todas as criaturas (Mahadeva) e então geraste em Rukmini os filhos que ela obteve de ti, isto é, Charudeshna e Sucharu e Charuvesa e Yasodhana e Charusravas e Charuyasas e Pradyumna e Sambhu. Ó matador de Madhu, conceda-me um filho como aqueles de grandes poderes que tu geraste em Rukmini?’ Assim endereçado pela princesa, eu respondi para ela de cintura fina, ‘Que eu tenha tua permissão (para te deixar por algum tempo), ó rainha. Eu certamente obedecerei a tua ordem.’ Ela me respondeu, dizendo, ‘Vá, e que o sucesso e a prosperidade sempre te acompanhem.

Que Brahma e Siva e Kasyapa, os Rios, aquelas divindades que presidem sobre a mente, o solo, todas as ervas decíduas, aqueles Chhandas (rimas) que são considerados como transportadores das libações derramadas em sacrifícios, os Rishis, a Terra, os Oceanos, os presentes sacrificais, aquelas sílabas que são proferidas para completar as cadências dos Samans, os Rikshas, os Pitris, os Planetas, os cônjuges das divindades, as donzelas celestes, as mães celestes, os grandes ciclos, vacas, Chandramas, Savitri, Agni, Savitri, o conhecimento dos Vedas, as estações, o ano, pequenas e grandes divisões de tempo, os Kshanas, os Labas, os Muhurtas, os Nimeshas, e os Yugas em sucessão, te protejam, ó Yadava, e te mantenham em felicidade, onde quer que tu possas estar. Que nenhum perigo te alcance em teu caminho, e que nenhuma negligência seja tua, ó impecável.’ Assim abençoado por ela, eu parti, me despedindo da filha do príncipe dos macacos. Dirigindo-me então à presença daquele principal dos homens, isto é, meu pai, de minha mãe, do rei, e de Ahuka, eu os informei do que a filha do príncipe dos Vidyadharas, em grande aflição, tinha me dito. Despedindo-me deles com um coração triste, eu então me dirigi a Gada e a Rama de grande poder. Estes dois se dirigiram a mim alegremente, dizendo, ‘Que tuas penitências aumentem sem qualquer obstrução.’ Tendo obtido a permissão de todos eles, eu pensei em Garuda. Ele imediatamente veio a mim e me levou para Himavat (por minha ordem). Chegando em Himavat, eu o despedi.

Lá sobre aquela principal das montanhas, eu contemplei muitas vistas extraordinárias. Eu vi um retiro excelente, maravilhoso, e agradável para a prática de penitências. Aquele retiro encantador era possuído por Upamanyu de grande alma que era um descendente de Vyaghrapada. Aquele retiro é louvado e reverenciado pelas divindades e os Gandharvas, e parecia estar coberto com beleza Védica. Ele era adornado com Dhavas e Kakubhas e Kadamvas e Cocas, com Kuruvakas e Ketakas e Jamvus e Patalas, com figueiras-de-bengala e Varunakas e Vatsanabhas e Vilwas, com Saralas e Kapitthas e Piyalas e Salas e palmeiras com Vadaris e Kundas e Punnagas e Asokas e Amras e Kovidaras e Champakas e Panasas, e com diversas outras árvores dotadas de frutos e flores. E aquele retiro era também decorado com os caules retos do Musa Supienta. Realmente, aquele santuário era adornado com diversas outras espécies de árvores e com diversos tipos de frutos formando o alimento de diversas espécies de aves. Pilhas de cinzas (de fogos sacrificais) estavam jogadas em lugares apropriados por toda parte, as quais contribuíam para a beleza da cena. Ele abundava com Rurus e macacos e tigres e leões e leopardos, com veados de diversas espécies e pavões, e com gatos e cobras. De fato, grandes números de outros animais também eram vistos lá, como também búfalos e ursos. Brisas deliciosas sopravam constantemente carregando os acordes melodiosos de ninfas celestes.

Os murmúrios dos regatos e fontes da montanha, as doces notas dos cantores alados, os grunhidos dos elefantes, os deliciosos tons dos Kinnaras, e as vozes auspiciosas dos ascetas cantando os Samans, ó herói, e diversos outros tipos de música, tornavam aquele retiro extremamente encantador. A própria imaginação não pode conceber outro retiro tão encantador quanto aquele que eu contemplei. Havia também casas grandes naquele retiro, destinadas para a manutenção do fogo sagrado, e cobertas por todos os lados com trepadeiras florescentes. Ele era adornado com o rio Ganga de água límpida e sagrada. De fato, a filha de Jahnu (Ganga) sempre permanecia lá; (em espírito, desejosa de conferir mérito àqueles que a reverenciassem). Ele estava ornado também com muitos ascetas que eram as principais de todas as pessoas justas, que eram dotados de grandes almas, e que pareciam com o próprio fogo em energia. Alguns daqueles ascetas subsistiam de ar e alguns de água, alguns estavam dedicados ao Japa ou à recitação silenciosa de Mantras sagrados, e alguns estavam empenhados na limpeza de suas almas por praticarem as virtudes de compaixão, enquanto alguns entre eles eram Yogins dedicados à abstração da meditação- Yoga. Alguns entre eles subsistiam somente de fumaça, e alguns subsistiam de fogo, e alguns de leite. Dessa maneira aquele retiro era adornado com muitas das principais das pessoas regeneradas. E havia alguns lá entre eles que haviam feito o voto de comer e beber como as vacas, isto é, por abandonarem o uso das mãos de uma vez.

E alguns usavam somente dois pedaços de pedra para descascar seus grãos, e alguns usavam somente seus dentes para esse propósito. E alguns subsistiam por beberem somente os raios da lua, e alguns por beberem somente espuma. E alguns tinham se dirigido ao voto de viver como o veado, (isto é, nunca procurando por alimento, mas comendo o que eles viam, e nunca usando suas mãos também). E havia alguns que viviam dos frutos da Ficus religiosa, e alguns que costumavam viver de água. E alguns se vestiam em trapos e alguns em peles de animais e alguns em cascas de árvores. De fato, eu vi diversos ascetas da classe principal cumprindo estes e outros votos dolorosos. Eu desejei então entrar naquele santuário. Na verdade, aquele santuário era honrado e adorado pelas divindades e por todos os seres de grande alma, por Siva e outros, ó Bharata, e por todas as criaturas de atos virtuosos. Assim tratado, ele se localizava em toda sua beleza no leito de Himavat, como o disco lunar no firmamento. O mangusto se divertia lá com a cobra, e o tigre com o veado, como amigos, esquecendo sua inimizade natural, por causa da energia daqueles ascetas de penitências resplandecentes e por sua proximidade àqueles de grande alma.

Naquele principal dos santuários, que era encantador para todas as criaturas, habitado por muitos dos Brahmanas principais totalmente conhecedores dos Vedas e seus ramos, e por muitos Rishis de grande alma célebres pelos votos difíceis que eles observavam, eu vi, logo que eu entrei, um Rishi pujante com madeixas emaranhadas na cabeça e vestido em trapos, que parecia brilhar como fogo com suas penitências e energia. Servido por seus discípulos e possuidor de alma tranquila, aquele principal dos Brahmanas era jovem em aspecto. Seu nome era Upamanyu. Para mim que o cumprimentei com um aceno de cabeça, ele disse, ‘Sejas bem vindo, ó tu de olhos como pétalas de lótus. Hoje, por esta tua visita, nós vemos que nossas penitências têm dado resultado. Tu és digno da nossa adoração, mas ainda assim tu nos adora. Tu és digno de seres visto, mas tu desejas me ver.’ Unindo minhas mãos eu dirigi a ele as perguntas usuais a respeito do bem-estar dos animais e aves que residiram em seu santuário, do progresso da sua virtude, e dos seus discípulos. O ilustre Upamanyu então se dirigiu a mim em palavras que eram extremamente gentis e encantadoras, ‘Tu, ó Krishna, obterás sem dúvida um filho parecido contigo mesmo. Dirigindo-te às penitências severas, agrade Isana, o Senhor de todas as criaturas. Aquele Mestre Divino, ó Adhokshaja, passa o tempo aqui com sua esposa ao seu lado.

Ó Janarddana, foi aqui que as divindades com todos os Rishis, antigamente, gratificaram aquela principal das divindades por suas penitências e Brahmacharya e verdade e autocontrole, e conseguiram obter a realização de muitos desejos nobres. Aquele deus ilustre é na verdade o vasto receptáculo de todas as energias e penitências. Projetando para a existência e recolhendo novamente em si mesmo todas as coisas repletas de bem e mal, aquela Divindade inconcebível a quem tu procuras, ó destruidor de inimigos, vive aqui com sua esposa. Ele que tomou nascimento como o Danava chamado Hiranyakashipu, cuja força era tão grande que ele podia sacudir as próprias montanhas de Meru, conseguiu obter de Mahadeva a pujança pertencente a todas as divindades e desfrutou dela por dez milhões de anos. Ele que foi o principal de todos os seus filhos e que foi famoso pelo nome de Mandara, conseguiu, pelo benefício que ele tinha obtido de Mahadeva, lutar com Sakra por um milhão de anos. O disco terrível de Vishnu e o raio de Indra eram ambos incapazes de fazer a mais leve marca, ó Kesava, antigamente, sobre o corpo daquela grande causa de aflição universal. O disco que tu possuis, ó impecável, foi dado para ti por Mahadeva depois que ele tinha matado um Daitya que era orgulhoso da sua força e que costumava viver dentro das águas. Este disco, fulgurante com energia e parecido com o fogo, foi criado pelo grande deus que tem o touro como seu emblema. Extraordinário e irresistível em energia ele foi dado para ti por aquele deus ilustre.

Por causa de sua energia resplandecente ele não podia ser olhado por nenhuma pessoa exceto Siva, o manejador do Pinaka. Foi por esta razão que Bhava (Siva), deu a ele o nome de Sudarsana. Desde aquele tempo o nome Sudarsana veio a ser corrente em todos os mundos. Mesmo esta arma, ó Kesava, falhou em fazer a menor impressão no corpo do filho de Hiranyakashipu, Mandara, que surgiu como um planeta mau nos três mundos. Centenas de Chakras como o teu e raios como o de Sakra não puderam infligir um arranhão no corpo daquele mau planeta dotado de grande poder, que tinha obtido um benefício de Mahadeva. Afligidas pelo poderoso Mandara, as divindades lutaram duramente contra ele e seus associados, todos os quais tinham obtido bênçãos de Mahadeva. Satisfeito com outro Danava chamado Vidyutprabha, Mahadeva concedeu a ele a soberania dos três mundos. Aquele Danava permaneceu o soberano dos três mundos por cem mil anos. E Mahadeva disse para ele, ‘Torne-te um dos meus atendentes.’ De fato, o Senhor pujante em seguida concedeu a ele a bênção de cem milhões de filhos. O Mestre sem nascimento de todas as criaturas em seguida deu ao Danava a região conhecida pelo nome de Kusadwipa como seu reino. Outro grande Asura, de nome Satamukha, foi criado por Brahma. Por cem anos ele despejou sobre o fogo sacrifical (como oferendas para Mahadeva), a carne do seu próprio corpo. Satisfeito com tais penitências, Sankara disse para ele, ‘O que eu posso fazer por ti?’ Satamukha respondeu a ele dizendo, ‘Ó tu que és o mais admirável, que eu tenha o poder de criar novos animais e criaturas.

Dê também para mim, ó principal de todas as divindades, poder eterno.’ ‘O Senhor pujante, assim endereçado por ele, disse, ‘Assim seja.’ O Brahma Nascido por Si Mesmo, concentrando sua mente em Yoga (poder de criação), antigamente, fez um sacrifício por trezentos anos, com o objetivo de obter filhos. Mahadeva concedeu a ele mil filhos possuidores de qualificações proporcionais aos méritos do sacrifício. Sem dúvida, tu conheces, ó Krishna, o senhor do Yoga, aquele que é cantado pelas divindades. O Rishi conhecido pelo nome de Yajnavalkya é extremamente virtuoso. Por adorar Mahadeva ele obteve grande fama. O grande asceta que é o filho de Parasara, isto é, Vyasa, de alma fixa em Yoga, adquiriu grande celebridade por adorar Sankara. Os Valikhilyas em uma ocasião passada foram desrespeitados por Maghavat. Cheios de raiva por isto, eles agradaram o ilustre Rudra. Aquele senhor do universo, aquela principal de todas as divindades, assim agradada pelos Valikhilyas, disse a eles, ‘Vocês conseguirão por meio de suas penitências criar uma ave que roubará o Amrita de Indra.’ Por causa da ira de Mahadeva em uma ocasião antiga, todas as águas desapareceram. As divindades o satisfizeram por realizarem um sacrifício chamado Saptakapala, e fizeram, por sua graça, outras águas fluírem nos mundos. Na verdade, quando a divindade de três olhos ficou satisfeita, a água apareceu novamente no mundo.

A esposa de Atri, que era familiarizada com os Vedas, abandonou seu marido em um acesso de ira e disse, ‘Eu não vou mais viver em submissão àquele asceta.’ Tendo dito estas palavras, ela procurou a proteção de Mahadeva. Por medo de seu marido, Atri, ela passou trezentos anos se abstendo de todo alimento. E todo esse tempo ela dormiu sobre maças de madeira para o propósito de agradar Bhava. A grande divindade então apareceu para ela e dirigiu-se sorridente a ela, dizendo, ‘Tu obterás um filho. E tu terás aquele filho sem a necessidade de um marido, simplesmente através da graça de Rudra. Sem dúvida aquele filho, nascido na linhagem de seu pai, se tornará célebre por seu mérito, e assumirá um nome como o teu.’ O ilustre Vikarna também, ó matador de Madhu, cheio de devoção por Mahadeva, o satisfez com penitências severas e obteve êxito excelente e feliz. Sakalya, também, de alma controlada, adorou Bhava em um sacrifício mental que ele realizou por novecentos anos, ó Kesava. Satisfeita com ele a divindade ilustre disse para ele, ‘Tu te tornarás um grande criador. Ó filho, será inesgotável tua fama nos três mundos. Tua linhagem também nunca acabará e será adornada por muitos Rishis grandiosos que nascerão nela. Teu filho se tornará o principal dos Brahmanas e fará os Sutras do teu trabalho.’ Havia um Rishi famoso de nome Savarni na era Krita. Aqui, neste retiro, ele passou por penitências severas por seis mil anos. O ilustre Rudra disse, ‘Eu estou satisfeito contigo, ó impecável!

Sem estar sujeito à decrepitude ou à morte, tu te tornarás um criador famoso por todos os mundos!’ Nos tempos antigos, Sakra, também, em Baranasi, cheio de devoção, ó Janarddana, adorou Mahadeva que tem somente o espaço vazio como seus trajes e que está coberto com cinzas como um unguento agradável. Tendo adorado Mahadeva dessa maneira, ele obteve a soberania dos celestiais. Narada também, antigamente, adorou o grande Bhava com devoção de coração. Satisfeito com ele, Mahadeva, aquele preceptor do preceptor celestial, disse estas palavras; ‘Ninguém se igualará a ti em energia e penitências. Tu sempre me servirás com tuas canções e música instrumental.’ Ouça também, ó Madhava, como nos tempos passados eu consegui obter uma visão daquele deus dos deuses, aquele Mestre de todas as criaturas. Ó Senhor, ouça também em detalhes para qual objetivo, ó tu de grande pujança, eu invoquei com sentidos e mente controlados aquela divindade ilustre dotada de energia suprema. Eu irei, ó impecável, te contar com todos os detalhes tudo o que eu consegui obter daquele deus dos deuses, Maheswara. Antigamente, na era Krita, ó filho, havia um Rishi de grande fama, chamado Vyaghrapada. Ele era famoso por seu conhecimento e domínio sobre os Vedas e seus ramos. Eu nasci como o filho daquele Rishi e Dhaumya tomou nascimento como meu irmão mais novo. Em certa ocasião, Madhava, acompanhado por Dhaumya eu encontrei um retiro de certos Rishis de almas purificadas. Lá eu vi uma vaca que estava sendo ordenhada. Eu vi o leite e ele me deu a impressão de ser parecido com o próprio Amrita em sabor.

Eu então fui para casa, e impelido pela infantilidade eu me dirigi à minha mãe e disse, ‘Dê-me algum alimento preparado com leite.’ Não havia leite na casa, e consequentemente minha mãe ficou muito angustiada por eu pedir por ele. Minha mãe pegou um pedaço de bolo (de arroz) e o ferveu em água, Madhava. A água ficou branqueada e minha mãe a colocou diante de nós dizendo que aquilo era leite e nos mandou bebê-la. Eu antes tinha bebido leite em uma ocasião, pois meu pai, no tempo de um sacrifício, tinha me levado à residência de alguns dos nossos parentes nobres. Uma vaca celeste, que deleita as divindades, estava sendo ordenhada naquela ocasião. Bebendo seu leite que parecia com Amrita em gosto, eu soube quais eram as virtudes do leite. Eu, portanto, percebi imediatamente a origem da substância que minha mãe me ofereceu, me dizendo que ela era leite. Na verdade, o gosto daquele bolo, ó filho, não me proporcionou nenhum prazer. Impelido por infantilidade eu então me dirigi à minha mãe, dizendo, ‘Isto que tu me deste, ó mãe, não é uma preparação de leite.’ Cheia de dor e tristeza por isto, e me abraçando por afeição materna e cheirando minha cabeça, ó Madhava, ela me disse, ‘De onde, ó filho, ascetas de almas purificadas podem obter comida preparada com leite? Tais homens sempre residem na floresta e subsistem de bulbos e raízes e frutas. De onde nós que vivemos pelas margens dos rios que são o recanto dos Valikhilyas, nós que temos as montanhas e florestas como nosso lar, de onde, de fato, ó filho, nós obteremos leite?

Nós, filho querido, vivemos (às vezes) de ar e às vezes de água. Nós moramos em retiros no meio de florestas e bosques. Nós habitualmente nos abstemos de todos os tipos de alimento que são consumidos por pessoas que vivem em aldeias e cidades. Nós estamos acostumados somente com alimentos como os que são fornecidos pelos frutos da selva. Não pode haver leite, ó filho, na selva onde não há prole de Surabhi (a vaca celestial, a progenitora original de todas as vacas no céu e sobre a Terra). Residindo nas margens de rios ou em cavernas ou em leitos de montanha, ou em tirthas e outros lugares do tipo, nós passamos nosso tempo na prática de penitências e na recitação de Mantras sagrados, Siva sendo nosso maior refúgio. Sem agradar o concessor de bênçãos Sthanu de glória imperecível, ele, isto é, que tem três olhos, de onde, ó filho, alguém pode conseguir alimento preparado com leite e bons mantos e outros objetos de prazer no mundo? Dedique-te, ó filho querido, a Sankara com toda tua alma. Pela sua graça, ó filho, tu com certeza obterás todos os objetos tais como os que darão deleite a todos os teus desejos.’ Ouvindo estas palavras de minha mãe, ó matador de inimigos, naquele dia, eu juntei minhas mãos em reverência e me curvando a ela, disse, ‘Ó mãe, quem é este Mahadeva? De que maneira alguém pode agradá-lo? Onde este deus reside? Como ele pode ser visto? Com o que ele fica satisfeito? Qual também é a forma de Sarva? Como alguém pode conseguir obter um conhecimento dele?

Se satisfeito, ele irá, ó mãe, se mostrar para mim?’ Depois que eu tinha dito estas palavras, ó Krishna, para minha mãe, ela, cheia de afeição materna, cheirou minha cabeça, ó Govinda, com seus olhos cobertos de lágrimas. Afagando gentilmente meu corpo, ó matador de Madhu, minha mãe, adotando um tom de grande humildade, dirigiu-se a mim nas seguintes palavras, ó melhor das divindades.'” "Minha mãe disse, 'Mahadeva é extremamente difícil de ser conhecido por pessoas de almas impuras. Estes homens são incapazes de tê-lo em seus corações e de compreendê-lo em absoluto. Eles podem retê-lo em suas mentes. Eles não podem entendê-lo, nem podem obter uma visão dele. Homens de sabedoria afirmam que suas formas são muitas. Muitos, também, são os lugares nos quais ele reside. Muitas são as formas de sua Graça. Quem é que pode compreender em seus detalhes os atos, que são todos excelentes, de Isa, ou todas as formas que ele assumiu antigamente? Quem pode relatar como Sarva se diverte e como ele fica satisfeito? Maheswara de forma universal reside nos corações de todas as criaturas. Enquanto Munis discursavam sobre as ações auspiciosas e excelentes de Isana, eu ouvi deles como, impelido por compaixão por seus devotos, ele lhes concede uma visão de sua pessoa. Para o propósito fazer um favor para os Brahmanas, os habitantes do céu recitaram para sua informação as diversas formas que foram assumidas por Mahadeva nos tempos passados. Tu me perguntaste sobre elas.

Eu as relatarei para ti, ó filho.'” "Minha mãe continuou, 'Bhava assume as formas de Brahma e Vishnu e do chefe dos celestiais, dos Rudras, dos Adityas, e dos Aswins; e daquelas divindades que são chamadas de Viswadevas. Ele assume também as formas de homens e mulheres, de Pretas e Pisachas, de Kiratas e Savaras, e de todos os animais aquáticos. Aquela divindade ilustre assume também as formas daqueles Savaras que moram nos bosques e florestas. Ele assume as formas de tartarugas e peixes e moluscos. É Ele que assume as formas daqueles brotos de coral que são usados como ornamentos por homens. Ele assume também as formas de Yakshas, Rakshasas e Cobras, de Daityas e Danavas. De fato, o deus ilustre assume as formas de todas as criaturas que vivem em tocas. Ele assume as formas de tigres e leões e veados, de lobos e ursos e aves, de corujas e de chacais também. É Ele que assume as formas de cisnes e corvos e pavões, de camaleões e lagartos e cegonhas. É Ele que assume as formas de grous e urubus e Chakravakas. Realmente, é Ele que assume as formas de Chasas e de montanhas também. Ó filho, é Mahadeva que assume as formas de vacas e elefantes e cavalos e camelos e jumentos. Ele assume também as formas de cabras e leopardos e diversas outras variedades de animais. É Bhava que assume as formas de diversas espécies de aves de plumagem bela. É Mahadeva que possui as formas das pessoas com bastões (Sannyasin) e daquelas com guarda- sóis (reis) e daquelas com cabaças (mendicantes) entre Brahmanas. Ele às vezes se torna de seis faces e às vezes se torna multifacetado.

Ele às vezes assume formas que têm três olhos e formas que têm muitas cabeças. E Ele às vezes assume formas que têm muitos milhões de pernas e formas que têm inúmeros estômagos e rostos e formas dotadas de inúmeros braços e lados incontáveis. Ele às vezes aparece cercado por inumeráveis espíritos e fantasmas. É Ele que assume as formas de Rishis e Gandharvas, e de Siddhas e Charanas. Ele às vezes assume uma forma que é tornada branca com as cinzas que ele espalha sobre ela e é adornado com uma meia lua sobre a testa. Cultuado com diversos hinos proferidos com diversos tipos de vozes e adorado com diversos Mantras repletos de louvores, ele, que é às vezes chamado de Sarva, é o Destruidor de todas as criaturas no universo, e é sobre ele, também, que todas as criaturas se apóiam como sua fundação universal. Mahadeva é a alma de todas as criaturas. Ele permeia todas as coisas. Ele é o orador de todos os discursos (sobre deveres e rituais). Ele reside em todos os lugares e deve ser conhecido como residindo nos corações de todas as criaturas no universo. Ele conhece o desejo nutrido por cada um de seus devotos. Ele fica familiarizado com o objetivo no qual alguém lhe presta adorações. Então, se te agrada, procure a proteção da principal das divindades. Ele às vezes se regozija, e às vezes cede à ira, e às vezes profere a sílaba Hum com um barulho muito alto. Ele às vezes se arma com o disco, às vezes com o tridente, às vezes com a maça, às vezes com os malhos pesados, às vezes com a cimitarra, e às vezes com o machado de batalha.

É Ele que assume a forma de Sesha que sustenta o mundo em sua cabeça. Ele tem cobras como seu cinto, e suas orelhas são enfeitadas com brincos feitos de cobras. Cobras formam também o fio sagrado que ele usa. (Todas as pessoas pertencentes às três classes superiores têm o Upavita ou fio-sagrado como seu distintivo. As divindades também, incluindo Mahadeva, portam o Upavita. O Upavita de Mahadeva é feito de cobras vivas.) Uma pele de elefante forma sua peça de roupa superior. Ele às vezes dá risada e às vezes canta e às vezes dança maravilhosamente. Circundado por inúmeros espíritos e fantasmas, ele às vezes toca instrumentos musicais. Diversos também são os instrumentos nos quais ele toca, e agradáveis os sons que eles produzem. Ele às vezes vagueia (em crematórios), às vezes boceja, às vezes grita, e às vezes faz outros gritarem. Ele às vezes assume a aparência de alguém que é louco, e às vezes de alguém que está embriagado, e ele às vezes profere palavras que são extremamente gentis. Dotado de ferocidade apavorante, ele às vezes ri ruidosamente, assustando todas as criaturas com seus olhos. Ele às vezes dorme e às vezes permanece desperto e às vezes boceja como lhe agrada. Ele às vezes recita Mantras sagrados e às vezes se torna a divindade daqueles Mantras que são recitados. Ele às vezes realiza penitências e às vezes se torna a divindade para cuja adoração aquelas penitências são praticadas. Ele às vezes faz doações e às vezes recebe aquelas doações; às vezes se coloca em posição de Yoga e às vezes se torna o objeto da contemplação-Yoga de outros.

Ele pode ser visto na plataforma sacrifical ou na estaca sacrifical; no meio do curral ou no fogo. Ele também pode não ser visto lá. Ele pode ser visto como um menino ou como um homem velho. Ele se diverte com as filhas e as esposas dos Rishis. Seu cabelo é comprido e permanece ereto. Ele está totalmente nu, pois ele tem o horizonte como suas roupas. Ele é dotado de olhos terríveis. Ele é formoso, ele é um pouco escuro, ele é escuro, ele é pálido, ele é da cor da fumaça, e ele é vermelho. Ele é possuidor de olhos que são grandes e terríveis. Ele tem o espaço vazio como sua cobertura e é ele quem cobre todas as coisas. Quem é que pode compreender realmente os limites de Mahadeva que é informe, que é uno e indivisível, que conjura ilusões, que é a causa de todas as ações e operações destrutivas no universo, que assume a forma de Hiranyagarbha, e que é sem início e sem fim, e que é sem nascimento. Ele vive no coração (de todas as criaturas). Ele é o prana, ele é a mente, e ele é Jiva (que está envolvido no invólucro material). (O que é afirmado é que ele é os vários invólucros dos quais Jiva é composto enquanto em seu estado não emancipado, isto é, o Annamaya kosha, o Pranamaya kosha, o Manomaya kosha, e o Vijnanmaya kosha.) Ele é a alma do Yoga, e é o que é chamado de Yoga. Ele é a contemplação-Yoga na qual Yogins entram. Ele é a Alma Suprema. De fato, Maheswara, a pureza em essência, pode ser compreendido não pelos sentidos mas somente pela Alma apreendendo sua existência. Ele toca diversos instrumentos musicais. Ele é um vocalista.

Ele tem cem mil olhos, ele tem uma boca, ele tem duas bocas, ele tem três bocas, e ele tem muitas bocas. Devotando- te a ele, colocando teu coração nele, dependendo dele, e o aceitando como teu único refúgio, ó filho, adore Mahadeva e então tu poderás obter a realização de todos os teus desejos.’ Ouvindo estas palavras de minha mãe, ó matador de inimigos, desde aquele dia minha devoção foi dirigida para Mahadeva, tendo nada mais como seu objeto. Eu então me dediquei à prática das penitências mais severas para agradar Sankara. Por mil anos eu permaneci sobre meu dedo do pé esquerdo. Depois disso eu passei mil anos subsistindo somente de frutas. Os próximos mil anos eu passei subsistindo de folhas caídas de árvores. Os próximos mil anos eu passei subsistindo somente de água. Depois disso eu passei setecentos anos subsistindo só de ar. Dessa maneira, eu adorei Mahadeva por mil anos completos dos celestiais. Depois disto, o pujante Mahadeva, o Mestre de todo o universo, ficou satisfeito comigo. Desejoso de averiguar se eu era devotado exclusivamente a ele e somente a ele, ele apareceu diante de mim na forma de Sakra cercado por todas as divindades. Como o célebre Sakra, ele tinha mil olhos em seu corpo e estava armado com o raio. E ele montava um elefante cuja cor era do branco mais puro, com olhos vermelhos, orelhas dobradas, o suco temporal escorrendo em suas bochechas, com tromba contraída, terrível de se olhar, e dotado de quatro presas. De fato, montado sobre tal elefante, o chefe ilustre das divindades parecia brilhar com sua energia.

Com uma bela coroa em sua cabeça e adornado com guirlandas em volta de seu pescoço e braceletes em volta de seus braços, ele se aproximou do local onde eu estava. Um guarda-sol branco era segurado sobre sua cabeça. E ele era servido por muitas Apsaras, e muitos Gandharvas cantavam seu louvor. Dirigindo-se a mim, ele disse, ‘Ó principal das pessoas regeneradas, eu estou satisfeito contigo. Peça de mim qualquer benefício que tu desejares.’ Ouvindo estas palavras de Sakra eu não fiquei contente. Na verdade, ó Krishna, eu respondi ao chefe dos celestiais nestas palavras, ‘Eu não desejo algum benefício das tuas mãos, ou das mãos de alguma outra divindade. Ó divindade amável, eu te digo realmente, que é Mahadeva somente de quem eu tenho benefícios para pedir. Verdadeiras, sinceras, ó Sakra, verdadeiras são estas palavras que eu digo para ti. Não são agradáveis para mim em absoluto outras palavras salvo aquelas que se relacionam com Maheswara. Pela ordem de Pashupati, aquele Senhor de todas as criaturas, eu estou preparado para me tornar um verme ou uma árvore com muitos ramos. Se não obtida pela graça representada pelas bênçãos de Mahadeva, a própria soberania dos três mundos não seria aceitável para mim. Que eu nasça entre os próprios Chandalas mas que eu ainda seja devotado aos pés de Hara. Além disso, sem ser devotado àquele Senhor de todas as criaturas, eu não gostaria de nascer no palácio do próprio Indra.

Se uma pessoa for desprovida de devoção por aquele Senhor do universo, aquele Mestre das divindades e dos Asuras, sua miséria não terminará mesmo se por falta de alimento ela tiver que subsistir somente de ar e água. (O homem que não é devotado a Mahadeva seguramente está sujeito à miséria. Seu infortúnio não conhecerá limites. Pensar que tal homem alcançou a mais baixa profundidade da miséria quando somente por falta de comida ele tem que viver de água ou ar não seria correto.) Qual é a necessidade de outros discursos, mesmo que sejam repletos de outros tipos de moralidade e justiça, para aquelas pessoas que não gostam de viver nem um momento sem pensar nos pés de Mahadeva? Quando chega o injusto ou pecaminoso Kali Yuga, uma pessoa nunca deve passar um momento sem devotar seu coração a Mahadeva. Alguém que bebeu o Amrita constituído pela devoção a Hara fica livre do medo do mundo. Alguém que não obteve a graça de Mahadeva nunca pode conseguir se devotar a Mahadeva por um único dia ou pela metade um dia ou por um Muhurta ou por um Kshana ou por um Lava (unidade de tempo muito pequena). Pela ordem de Mahadeva eu alegremente me tornaria um verme ou um inseto, mas eu não teria satisfação nem na soberania dos três mundos, se outorgada por ti, ó Sakra. Pela palavra de Hara eu me tornaria até um cachorro. Realmente, isto estaria de acordo com meu maior desejo. Se não dada por Maheswara, eu não teria a soberania das próprias divindades. Eu não desejo ter este domínio dos Céus. Eu não desejo ter a soberania dos celestiais. Eu não desejo ter a região de Brahma.

De fato, eu não desejo ter aquela cessação da existência individual que é chamada de Emancipação e que envolve uma identificação completa com Brahma. Mas eu quero me tornar o escravo de Hara. Enquanto aquele Senhor de todas as criaturas, o ilustre Mahesa, com coroa em sua cabeça e corpo possuidor da pura cor branca do disco lunar, não ficar satisfeito comigo, eu suportarei alegremente todas aquelas aflições, devidas a cem repetições de decrepitude, morte e nascimento, que sobrevêm como a sina dos seres incorporados. Qual pessoa no universo pode obter tranquilidade sem satisfazer Rudra que é livre de decrepitude e morte, que é dotado da refulgência do Sol, da Lua, ou do fogo, que é a raiz ou causa original de tudo real e irreal nos três mundos, e que existe como uma entidade e indivisível? Se, por causa das minhas falhas, renascimentos forem meus, eu irei, naqueles novos nascimentos, me devotar unicamente a Bhava.'" "Indra disse, 'Qual fundamento tu podes atribuir para a existência de um Ser Supremo ou para Sua ser a causa de todas as causas?'" "Upamanyu disse, 'Eu peço bênçãos daquela grande Divindade chamada Siva a quem proferidores de Brahma têm descrito como existente e inexistente, manifesto e imanifesto, eterno ou imutável, um e muitos. Eu peço bênçãos dele que é sem início e meio e fim, que é Conhecimento e Força, que é inconcebível e que é a Alma Suprema. Eu solicito benefícios dele de onde vem toda a Pujança, que não tem sido produzido por ninguém, que é imutável, e que, embora ele mesmo não surgido de alguma semente, é a semente de todas as coisas no universo.

Eu peço bênçãos dele que é Refulgência brilhante (além da Escuridão), que é a essência de todas as penitências, que transcende todas as faculdades das quais nós somos possuidores e as quais nós podemos dedicar para o propósito de compreendê-lo, e por conhecer a quem todos se tornam livres da dor ou tristeza. Eu adoro Ele, ó Purandara, que está familiarizado com a criação de todos os elementos e os pensamentos de todas as criaturas vivas, e que é a causa original da existência ou criação de todas as criaturas, que é onipresente, e que tem a pujança para dar tudo. Eu peço bênçãos dele que não pode ser compreendido por raciocínio, que representa o objetivo dos sistemas de filosofia Sankhya e Yoga, e que transcende todas as coisas, e a quem todas as pessoas conhecedoras dos tópicos de investigação cultuam e adoram. (Sem os Srutis, Ele não pode ser compreendido, pois Ele está acima de toda dialética ou argumentos. O objetivo que o sistema Sankhya tem em vista flui dele, e o objetivo também que os Yogins têm em vista tem sua origem nele.) Eu peço bênçãos dele, ó Maghavat, que é a alma do próprio Maghavat, que é citado como sendo o Deus dos deuses, e que é o Mestre de todas as criaturas. Eu peço bênçãos dele que primeiro criou Brahma, aquele criador de todos os mundos, tendo preenchido o Espaço (com sua energia) e evocado à existência o ovo primordial. (Mahadeva primeiro encheu o Espaço com sua energia, o Espaço formando, por assim dizer, o material com o qual tudo mais foi criado.

Tendo enchido o Espaço com energia criativa, ele criou o ovo primordial e colocou Brahma ou o Avô do universo dentro dele.) Quem além daquele Senhor Supremo poderia ser o criador do Fogo, Água, Ar, Terra, Espaço, Mente, e daquilo que é chamado de Mahat? Diga-me, ó Sakra, quem mais além de Siva poderia criar Mente, Compreensão, Consciência ou Ego, os Tanmatras (elementos sutis), e os sentidos? Quem é maior do que Siva? Os sábios dizem que o Avô Brahma é o criador deste universo. Brahma, no entanto, adquiriu sua grande pujança e prosperidade por adorar e satisfazer Mahadeva, aquele Deus dos deuses. Aquela grande força (consistindo em todos os três atributos de criação, proteção, e destruição), que moram naquele Ser ilustre que é dotado da qualidade de ser uno, que criou Brahma, Vishnu, e Rudra, foi derivada de Mahadeva. Diga-me quem é superior ao Senhor Supremo? (Aqui Mahadeva é representado como Brahman Supremo. Então, o Ser que criou Brahma, Vishnu, e Rudra, derivou seu poder para criar de Mahadeva. Assim Mahadeva é Brahma Imanifesto.) Quem mais além daquele Deus dos deuses é competente para unir os filhos de Diti com domínio e pujança, julgando pela soberania e o poder de oprimir conferidos aos principais dos Daityas e Danavas? Os diferentes pontos do horizonte, o Tempo, o Sol, todos os entes ígneos, planetas, vento, água, e as estrelas e constelações, estes, saiba, são de Mahadeva. Diga-nos quem é maior do que o Senhor Supremo? Quem mais há, exceto Mahadeva, na questão da criação do Sacrifício e na destruição de Tripura?

Quem mais exceto Mahadeva, o opressor de inimigos, tem oferecido domínio aos principais? Qual a necessidade, ó Purandara, de muitas afirmações bem ressonantes repletas de amplos sofismas, quando eu contemplo a ti de mil olhos, ó melhor das divindades, tu que és adorado por Siddhas e Gandharvas e as divindades e pelos Rishis? Ó melhor dos Kusikas, tudo isso é devido à graça daquele Deus dos deuses, isto é, Mahadeva. Saiba, ó Kesava, que tudo isso, consistindo em existências animadas e inanimadas com céu e outras entidades despercebidas, que se encontra neste mundo, e que tem o Senhor que a tudo permeia como sua alma, tem fluído de Maheswara e tem sido criado (por ele) para ser desfrutado por Jiva. (Aqui a compaixão de Mahadeva é mostrada.) Nos mundos que são conhecidos pelos nomes de Bhu, Bhuva, Swah, e Maha, no meio das montanhas de Lokaloka, nas ilhas, nas montanhas de Meru, em todas as coisas que produzem felicidade, e nos corações de todas as criaturas, ó ilustre Maghavat, reside Mahadeva, como dizem as pessoas conhecedoras de todos os tópicos investigação. Se, ó Sakra, os Devas (divindades) e os Asuras pudessem ver alguma outra forma pujante a não ser a de Bhava, ambos, especialmente os primeiros, quando combatidos e afligidos pelos últimos, não teriam procurado a proteção daquela forma? Em todos os combates hostis das divindades, dos Yakshas, dos Uragas e dos Rakshasas, que acabaram em destruição mútua, é Bhava quem dá para aqueles que encontraram a destruição pujança compatível com suas respectivas posições como dependentes de suas ações.

Diga-me, quem há exceto Maheswara para outorgar benefícios, e novamente castigar Andhaka e Sukra e Dundubhi e Maharshi e muitos principais dos Yakshas, Indra e Vala e Rakshasas e os Nivatakavachas? Não foi a semente vital de Mahadeva, aquele Mestre das divindades e dos Asuras, derramada como uma libação sobre o fogo? Daquela semente surgiu uma montanha de ouro. Quem mais existe cuja semente pode ser citada como sendo possuidora de semelhante virtude? (A alusão é assim explicada pelo comentador; uma vez a semente de Mahadeva caiu em um fogo ardente. A divindade do fogo a removeu, incapaz de consumi-la. A semente, no entanto, assim removida veio a ser convertida em uma montanha de ouro.) Quem mais neste mundo é louvado como tendo somente o horizonte como sua vestimenta? Quem mais pode ser citado como um Brahmacharin com sua semente vital parada? Quem mais existe que tenha metade de seu corpo ocupada por sua querida esposa? (Isto se refere à transformação de Mahadeva em uma forma metade da qual era masculina e metade feminina, a metade masculina sendo a metade da sua própria forma usual, e a metade feminina a forma de sua querida esposa Uma ou Parvati. Esta transformação é conhecida pelo nome de Haragauri.) Quem mais poderia subjugar Kama, o deus do desejo? Diga-me, ó Indra, que outro Ser possui aquela região sublime de felicidade suprema que é louvada por todas as divindades? Quem mais tem o crematório como seu campo de esporte? Quem mais é tão louvado por sua dança? Cuja pujança e culto permanecem imutáveis? Quem mais há que se diverte com espíritos e fantasmas?

Diga-me, ó divindade, quem mais tem associados que são possuidores de força como a sua própria e são, portanto, orgulhosos daquela força e pujança? Quem mais há cuja posição é louvada como imutável e cultuada com reverência pelos três mundos? Quem mais há que despeja chuva, dá calor, e resplandece em Energia? De quem mais nós derivamos nossa abundância de ervas? Quem mais sustém todas as espécies de riqueza? Quem mais se diverte tanto quanto lhe agrada nos três mundos de coisas móveis e imóveis? Ó Indra, conheça Maheswara como a causa original (de tudo). Ele é adorado por Yogins, por Rishis, pelos Gandharvas, e pelos Siddhas, com a ajuda do conhecimento, do sucesso (ascético), e dos ritos prescritos nas ordenanças escriturais. Ele é adorado pelas divindades e pelos Asuras com a ajuda de sacrifícios por meio de ações e da aflição do ritual prescrito nas escrituras. Os frutos das ações nunca podem tocá-lo, pois ele os transcende todos. Sendo assim, eu o chamo de a causa original de tudo. Ele é grosseiro e sutil. Ele não tem comparação. Ele não pode ser concebido pelos sentidos. Ele é dotado de atributos e ele é desprovido deles. Ele é o senhor dos atributos, pois eles são sob seu controle. Este mesmo é o lugar que é de Maheswara. Ele é a causa da manutenção e da criação (do universo). Ele é a causa do universo e a causa também de sua destruição. Ele é o Passado, o Presente, e o Futuro. Ele é o pai de todas as coisas. Na verdade, Ele é a causa de todas as coisas.

Ele é aquilo que é mutável, Ele é o imanifesto, Ele é Conhecimento; Ele é ignorância; Ele é toda ação, Ele é toda omissão; Ele é justiça; e Ele é injustiça. Ele, ó Sakra, eu chamo de a causa de tudo. Veja, ó Indra, na imagem de Mahadeva as indicações de ambos os sexos. Aquele deus dos deuses, isto é, Rudra, aquela causa da criação e destruição, mostra em sua forma as indicações de ambos os sexos como a única causa da criação do universo. Minha mãe antigamente me disse que ele é a causa do universo e a única causa de tudo. Não há alguém que seja maior do que Isa, ó Sakra. Se te agrada, te jogue em sua bondade e proteção. Tu tens evidência visível, ó chefe dos celestiais, do fato que o universo surgiu da união dos sexos (como representada por Mahadeva). O universo, tu sabes, é a soma de que é investido com atributos e do que mais é privado de atributos e tem como sua causa imediata as sementes de Brahma e outros. Brahma e Indra e Hutasana e Vishnu e todas as outras divindades, junto com os Daityas e os Asuras, coroados com a fruição de mil desejos, sempre dizem que não há ninguém que seja superior a Mahadeva. Impelido pelo desejo, eu procuro, com mente reprimida, aquele deus conhecido por todo o universo móvel e imóvel, ele que tem sido citado como o melhor e mais sublime de todos os deuses, e que é a própria bem-aventurança, para obter sem demora aquela maior de todas as aquisições, isto é, a Emancipação. Que necessidade há de outras razões (para demonstrar) o que eu acredito? O supremo Mahadeva é a causa de todas as causas.

Nós nunca soubemos que as divindades, em qualquer época, adoraram o símbolo de algum outro deus a não ser Mahadeva. Se Maheswara não é aceito, me diga, se tu alguma vez soubeste disso, quem mais há cujo símbolo seja adorado ou esteja sendo adorado por todas as divindades? Ele cujo símbolo é sempre adorado por Brahma, por Vishnu, por ti, ó Indra, com todas as outras divindades, é na verdade a principal de todas as divindades adoráveis. Brahma tem o lótus como seu símbolo, Vishnu tem o disco como o dele, Indra tem o raio como seu símbolo. Mas as criaturas do mundo não ostentam algum dos sinais que distinguem estas divindades. Por outro lado, todas as criaturas têm os sinais que distinguem Mahadeva e sua esposa. Então, todas as criaturas devem ser consideradas como pertencentes a Maheswara. Todas as criaturas do sexo feminino surgiram da natureza de Uma como sua causa, e é por essa razão que elas portam a marca da feminilidade que distingue Uma; enquanto todas as criaturas que são masculinas, tendo surgido de Siva, portam a marca masculina que distingue Siva. Aquela pessoa que diz que há, nos três mundos com suas criaturas móveis e imóveis, alguma outra causa a não ser o Senhor Supremo, e aquela que não é marcada com o sinal de Mahadeva ou de sua esposa deve ser considerada como muito ignóbil e não deve ser contada entre as criaturas do universo. Todos os seres com a marca do sexo masculino devem ser conhecidos como sendo de Isana, enquanto todos os seres com a marca do sexo feminino devem ser conhecidos como sendo de Uma.

Este universo de criaturas móveis e imóveis é produzido por dois tipos de formas (masculina e feminina). É de Mahadeva que eu desejo obter bênçãos. Fracassando nisto, ó Kausika, eu antes preferiria a própria dissolução. Vá ou fique, ó Sakra, como tu, ó matador de Vala, desejares. Eu desejo ter bênçãos ou maldições de Mahadeva. Eu nunca reconhecerei alguma outra divindade, nem eu terei de alguma outra divindade a realização de todos os meus desejos.’ Tendo dito estas palavras para o chefe dos celestiais, eu fui dominado pela aflição ao pensar que Mahadeva não estava satisfeito comigo apesar das minhas austeridades severas. Em um piscar de olhos, no entanto, eu vi o elefante celeste que eu tinha contemplado diante de mim transformado em um touro tão branco quanto um cisne, ou o Jasminum pubescens, ou um caule de lótus ou prata, ou o oceano de leite. De corpo enorme, o pêlo de seu rabo era preto e a cor de seus olhos era fulva como aquela do mel. Seus chifres eram duros como diamante e tinham a cor do ouro. Com suas extremidades muito afiadas, cuja cor era um vermelho suave, o touro parecia rasgar a Terra. O animal estava adornado por todos os lados com ornamentos feitos do ouro mais puro. Seu rosto e cascos e nariz e orelhas eram extremamente belos e sua cintura também era extremamente bem formada. Seus flancos possuíam grande beleza e seu pescoço era muito grosso. Sua forma inteira era extremamente agradável e bela de se olhar. Sua corcova brilhava com grande beleza e parecia ocupar toda a sua junta de ombro.

E ele parecia com o topo de uma montanha de neve ou com um rochedo de nuvens brancas no céu. Sobre as costas daquele animal eu vi sentados o ilustre Mahadeva com sua esposa Uma. Na verdade, Mahadeva brilhava como o senhor das estrelas quando ele está no seu auge. O fogo nascido de sua energia parecia em refulgência com o relâmpago que reluz em meio às nuvens. Realmente, parecia como se mil sóis se elevassem lá, enchendo todos os lados com um esplendor deslumbrante. A energia do Senhor Supremo parecia com o fogo Samvartaka que destrói todas as criaturas no fim do Yuga. Coberto com aquela energia, o horizonte ficou de tal maneira que eu não podia ver nada em qualquer lado. Cheio de ansiedade eu mais uma vez pensei no que isso poderia significar. Aquela energia, no entanto, não permeou todos os lados por alguma duração de tempo, pois logo, pela ilusão daquele deus dos deuses, o horizonte tornou-se claro. Eu então vi o ilustre Sthanu ou Maheswara sentado nas costas de seu touro, de aparência abençoada e agradável e parecendo com um fogo sem fumaça. E o grande deus estava acompanhado por Parvati de feições impecáveis. De fato, eu vi Sthanu de garganta azul e grande alma, independente de tudo, aquele receptáculo de todas as espécies de força, dotado de dezoito braços e enfeitado com todos os tipos de ornamentos. Vestido em trajes brancos, ele usava guirlandas brancas, e tinha unguentos brancos espalhados sobre seus membros. A cor de seu estandarte, irresistível no universo, era branca. O fio sagrado ao redor de seu corpo também era branco.

Ele estava cercado por companheiros, todos possuidores de destreza igual à sua própria, que estavam cantando ou dançando ou tocando diversos tipos de instrumentos musicais. Uma lua crescente, de cor pálida, formava sua coroa, e colocada em sua fronte ela parecia com a lua que se eleva no firmamento outonal. Ele parecia deslumbrar com esplendor, por causa de seus três olhos que pareciam com três sóis. A guirlanda do branco mais puro, que estava em seu corpo, brilhava como uma coroa de lotos, de branco puro, adornada com jóias e pedras preciosas. Eu também contemplei, ó Govinda, as armas em suas formas incorporadas e repletas de todos os tipos de energia, pertencentes a Bhava de bravura incomensurável. A divindade de grande alma segurava um arco cujas cores pareciam com aquelas do arco-íris. Aquele arco é famoso sob o nome de Pinaka e é em realidade uma cobra poderosa. De fato, aquela cobra de sete cabeças e corpo vasto, de presas afiadas e veneno virulento, de pescoço grande e do sexo masculino, estava entrelaçada com a corda que servia como sua corda de arco. E havia uma flecha cujo esplendor parecia com aquele do sol ou do fogo que aparece no fim do Yuga. Na verdade, aquela flecha era o excelente Pasupata, aquela arma poderosa e terrível, que é sem uma segunda, indescritível por seu poder, e capaz de infligir medo em todas as criaturas. De proporções vastas, ele parecia vomitar faíscas de fogo constantemente. Possuidor de um pé, de dentes grandes, e mil cabeças e mil estômagos, ele tinha mil braços, mil línguas, e mil olhos.

De fato, ele parecia vomitar fogo continuamente. Ó tu de braços poderosos, aquela arma é superior às armas Brahma, Narayana, Aindra, Agneya, e Varuna. Na verdade, ela é capaz de neutralizar todas as outras armas no universo. Foi com aquela arma que o ilustre Mahadeva, antigamente, queimou e destruiu em um momento a cidade tripla dos Asuras. Com a maior facilidade, ó Govinda, Mahadeva, usando aquela única seta, realizou aquela façanha. Aquela arma, atirada pelos braços de Mahadeva, pode sem dúvida consumir em metade do tempo tomado por um piscar de olhos o universo inteiro com todas as suas criaturas móveis e imóveis. No universo não há algum ser, incluindo mesmo Brahma e Vishnu e as divindades, que não possa ser morto por aquela arma. Ó majestade, eu vi aquela arma excelente, extraordinária e incomparável na mão de Mahadeva. Há outra arma misteriosa e muito poderosa que é igual ou talvez superior à arma Pasupata. Eu a vi também. Ela é célebre em todos os mundos como a Soma de Mahadeva armado de Sula. Arremessada pela divindade ilustre, aquela arma é competente para rachar a Terra inteira ou secar completamente as águas do oceano ou aniquilar o universo inteiro. Antigamente, o filho de Yuvanaswa, o rei Mandhatri, aquele conquistador dos três mundos, possuidor de domínio imperial e dotado de energia abundante, foi, com todas as suas tropas, destruído por meio daquela arma. Dotado de grande poder e grande energia e parecendo com o próprio Sakra em destreza, o rei, ó Govinda, foi morto pelo Rakshasa Lavana com a ajuda deste Sula que ele tinha obtido de Siva.

O Sula tem uma ponta muito afiada. Extremamente terrível, ele é capaz de fazer os cabelos de todos se arrepiarem. Eu o vi na mão de Mahadeva, como se rugindo com raiva, tendo contraído sua testa em três rugas. Ele parecia, ó Krishna, um fogo sem fumaça ou o sol que nasce no fim do Yuga. O cabo daquele Sula era feito de uma cobra imensa. Ele é realmente indescritível. Ele parecia com o próprio Destruidor armado com seu laço. Eu vi esta arma, ó Govinda, na mão de Mahadeva. Eu vi também outra arma, isto é, aquele machado de batalha afiado o qual, no passado, foi dado para Rama pelo satisfeito Mahadeva para capacitá-lo a exterminar os Kshatriyas. Foi com aquela arma que Rama (da linhagem de Bhrigu) matou em batalha terrível o grande Karttaviryya que era o soberano de todo o mundo. Foi com aquela arma que o filho de Jamadagni, ó Govinda, pôde exterminar os Kshatriyas por vinte e uma vezes. De gume brilhante e extremamente terrível, aquele machado estava pendurando no ombro, adornado com uma cobra, de Mahadeva. De fato, ele brilhava no corpo de Mahadeva como a chama de um fogo ardente. Eu vi inúmeras outras armas celestes com Mahadeva de grande inteligência. Eu, no entanto, mencionei somente poucas, ó impecável, por seu caráter principal. No lado esquerdo do grande deus estava o Avô Brahma sentado em um carro excelente ao qual estavam unidos cisnes dotados da velocidade da mente. No mesmo lado podia ser visto Narayana também, sentado sobre o filho de Vinata, e portando a concha, o disco, e a maça.

Perto da deusa Uma estava Skanda sentado em seu pavão, levando seu dardo e sinos fatais, e parecendo com outro Agni. Na frente de Mahadeva eu vi Nandi permanecendo armado com seu Sula e parecendo com um segundo Sankara (por bravura e energia). Os Munis encabeçados pelo Manu auto-nascido e Rishis tendo Bhrigu como seu principal, e as divindades com Sakra em sua dianteira, todos foram lá. Todas as tribos de espíritos e fantasmas, e as Mães celestes, permaneceram circundando Mahadeva e saudando-o com reverência. As divindades estavam empenhadas em cantar os louvores de Mahadeva por proferirem diversos hinos. O Avô Brahma proferindo um Rathantara louvava Mahadeva. Narayana também, proferindo o Jyestha Saman, cantava os louvores de Bhava. Sakra também fazia o mesmo com a ajuda daquele principal dos Mantras Védicos, isto é, o Sata-Rudriam. Realmente, Brahma e Narayana e Sakra, aquelas três divindades de grande alma, brilhavam lá como três fogos sacrificais. Em seu meio brilhava o Deus ilustre como o sol no meio de seu halo, saído das nuvens outonais. Eu contemplei miríades de sóis e luas, também no céu, ó Kesava. Eu então louvei o Senhor ilustre de tudo, o Mestre supremo do universo.’” "Upamanyu continuou, 'Eu disse, ‘Saudações para ti, ó ilustre, ó tu que constituis o refúgio de todas as coisas, ó tu que és chamado de Mahadeva! Saudações para ti que assumes a forma de Sakra, que és Sakra, e que te disfarças na forma e vestimentas de Sakra. Saudações para ti que estás armado com o raio, a ti que és moreno, e a ti que estás sempre armado com o Pinaka.

Saudações para ti que sempre carregas a concha e o Sula. Saudações para ti que estás vestido em preto, a ti que tens cabelo escuro e encaracolado, a ti que tens uma camurça preta como tua peça de roupa superior, a ti que presides sobre a oitava lunação da quinzena escura. Saudações para ti que és de cor branca, para ti que és chamado de branco, para ti que estás vestido em mantos brancos, para ti que tens teus membros cobertos com cinzas brancas, para ti que estás sempre engajado em ações brancas. Saudações para ti que és de cor vermelha, a ti que estás vestido em trajes vermelhos, para ti que possuis um estandarte vermelho com bandeiras vermelhas, para ti que usas guirlandas vermelhas e unguentos vermelhos. Saudações para ti que és moreno em cor, para ti que estás vestido em trajes marrons, para ti que tens um estandarte marrom com bandeiras marrons, para ti que usas guirlandas marrons e unguentos marrons. Saudações para ti que tens o guarda-sol da realeza segurado sobre tua cabeça, para ti que usas a principal das coroas. Saudações para ti que estás adornado com meia guirlanda e meio bracelete, para ti que estás enfeitado com um anel por um ano, a ti que és dotado da velocidade da mente, a ti que és dotado de grande refulgência. Saudações para ti que és a principal das divindades, para ti que és o principal dos ascetas, para ti que és o principal dos celestiais. Saudações para ti que usas meia coroa de lotos, para ti que tens muitos lotos em teu corpo.

Saudações para ti que tens metade do teu corpo coberta com pasta de sândalo, para ti que tens metade do teu corpo enfeitado com guirlandas de flores e coberto com unguentos fragrantes. (O corpo de Mahadeva é metade homem e metade mulher. A metade masculina tem guirlandas de ossos, a feminina tem guirlandas de flores. A metade masculina tem tudo o que é rejeitado por outros; a metade feminina tem todas as coisas que são cobiçadas por outros. Esta forma específica de Mahadeva é chamada de Hara-Gauri.) Saudações para ti que és da cor do Sol, para ti que és como o Sol, para ti cujo rosto é como o Sol, para ti que tens olhos cada um dos quais é como o Sol. Saudações para ti que és Soma, a ti que és tão suave quanto Soma, a ti que portas o disco lunar, a ti que és de aspecto lunar, a ti que és a principal de todas as criaturas, a ti que estás ornado com um conjunto dos mais belos dentes. Saudações para ti que és de uma cor escura, para ti que tens uma aparência bela, para ti que tens uma forma metade da qual é amarela e metade branca, para ti que tens um corpo metade do qual é homem e metade mulher, para ti que és ambos, homem e mulher. Saudações para ti que possuis um touro como teu veículo, para ti que procedes montado no principal dos elefantes, para ti que és alcançado com dificuldade, para ti que podes ir a lugares inacessíveis para outros. Saudações para ti cujos louvores são cantados pelos Ganas, para ti que és dedicado aos diversos Ganas, para ti que segues o caminho que é trilhado pelos Ganas, para ti que és sempre devotado aos Ganas como a um voto.

Saudações para ti que és da cor de nuvens brancas, para ti que tens o esplendor das nuvens noturnas, para ti que não podes ser descrito por nomes, para ti que tens tua própria forma (não tendo nada mais no universo com a qual ela possa ser comparada). Saudações para ti que usas uma guirlanda bela de cor vermelha, para ti que estás vestido em mantos de cor vermelha. Saudações para ti que tens a coroa da cabeça enfeitada com pedras preciosas, a ti que estás enfeitado com uma meia-lua, a ti que usas muitas pedras preciosas belas em teu diadema, para ti que tens oito flores sobre tua cabeça. Saudações para ti que tens uma boca ígnea e olhos ígneos, para ti que tens olhos possuidores da refulgência de mil luas, para ti que és da forma do fogo, para ti que és belo e agradável, para ti que és inconcebível e misterioso. Saudações para ti que percorres o firmamento, para ti que amas e resides em terras que proporcionam pastagem para as vacas, para ti que caminhas sobre a Terra, para ti que és a Terra, para ti que és infinito, para ti que és extremamente auspicioso. Saudações para ti que estás despido (ou que tens somente o horizonte como teu traje), para ti que fazes um lar feliz de todo local onde possa acontecer de tu estares no momento. Saudações para ti que tens o universo como tua casa, para ti que tens Conhecimento e Felicidade como tua Alma. Saudações para ti que sempre usas um diadema, para ti que usas um grande bracelete, para ti que tens uma cobra como guirlanda ao redor do teu pescoço, para ti que usas muitos ornamentos belos em teu corpo.

Saudações para ti que tens o Sol, a Lua, e Agni como teus três olhos, para ti que possuis mil olhos, para ti que és homem e mulher, para que és desprovido de sexo, para ti que és um Sankhya, para ti que és um Yogin. Saudações para ti que és da graça daquelas divindades que são adoradas em sacrifícios, para ti que és os Atharvans, para ti que és aquele que alivia todos os tipos de doença e dor, a ti que és o dissipador toda tristeza. Saudações para ti que brames tão profundamente quanto as nuvens, a ti que empregas diversos tipos de ilusões, a ti que presides sobre o solo e sobre a semente que é semeada nele, a ti que és o Criador de tudo. Saudações para ti que és o Senhor de todos os celestiais, a ti que és o Mestre do universo, a ti que és dotado da velocidade do vento, a ti que és da forma do vento. Saudações para ti que usas uma guirlanda de ouro, para ti que te divertes em colinas e montanhas, para ti que és adorado por todos os que são inimigos dos deuses, para ti que possuis velocidade e energia furiosas. Saudações para ti arrancaste uma das cabeças do Avô Brahma, para ti que mataste o Asura chamado Mahisha, para ti que assumes três formas, para ti que ostentas todas as formas. Saudações para ti que és o destruidor da cidade tripla dos Asuras, para ti que és o destruidor do sacrifício (de Daksha), para ti que és o destruidor do corpo de Kama (a divindade do Desejo), para ti que manejas a vara da destruição.

Saudações para ti que és Skanda, para ti que és Visakha, para ti que és a vara do Brahmana, para ti que és Bhava, para ti que és Sarva, para ti que és de forma universal. Saudações para ti que és Isana, para ti que és o destruidor de Bhaga, para ti que és o matador de Andhaka, para ti que és o universo, para ti que és possuidor de ilusão, para ti que és concebível e inconcebível. Tu és o único fim de todas as criaturas, tu és o principal, tu és o coração de tudo. Tu és o Brahma de todas as divindades, tu és o Nilardhita Vermelho e Azul dos Rudras. Tu és a Alma das criaturas, tu és Aquele que é chamado de Purusha na filosofia Sankhya, tu és o Rishabha entre todas as coisas sagradas, tu és aquilo que é chamado de auspicioso por Yogins e o qual, segundo eles, é sem partes (sendo indivisível). Entre aqueles que são praticantes dos diferentes modos de vida, tu és o chefe de família, tu és o grande Senhor entre os senhores do universo. Tu és Kuvera entre todos os Yakshas, e tu és Vishnu (o principal) entre todos os sacrifícios. Tu és Meru entre as montanhas, tu és a Lua entre todos os corpos luminosos do firmamento, tu és Vasishtha entre os Rishis, tu és Surya entre os planetas. Tu és o leão entre todos os animais selvagens, e entre todos os animais domésticos tu és o touro que é adorado por todas as pessoas. Entre os Adityas tu és Vishnu (Upendra), entre os Vasus tu és Pavaka, entre as aves tu és o filho de Vinata (Garuda), e entre as cobras tu és Ananta (Sesha).

Entre os Vedas tu és os Samans, entre os Yajushes tu és o Sata-Rudriyam, entre os Yogins tu és Sanatkumara, e entre os Sankhyas tu és Kapila. Entre os Maruts tu és Sakra, entre os Pitris tu és Devarat, entre todas as regiões (para a residência dos seres criados) tu és a região de Brahman, e entre todos os fins que as criaturas alcançam tu és Moksha ou Emancipação. Tu és o Oceano de leite entre todos os oceanos, entre todos os cumes rochosos tu és Himavat, entre todas as classes tu és o Brahmana, e entre todos os Brahmanas eruditos tu és aquele que tem praticado e é cumpridor do Diksha. Tu és o Sol entre todas as coisas no mundo, tu és o destruidor chamado Kala. Tu és tudo mais que possui energia superior de eminência que existe no universo. Tu possuis força suprema. Isso mesmo é o que representa minha conclusão segura. Saudações para ti, ó pujante e ilustre, ó tu que és bondoso para todos os teus devotos. Saudações para ti, ó senhor dos Yogins. Eu te reverencio, ó causa original do universo. Esteja satisfeito comigo que sou teu devoto, que sou muito miserável e impotente, ó Senhor Eterno, torne- te o refúgio desse teu adorador que é muito fraco e miserável. Ó Senhor Supremo, cabe a ti perdoar todas aquelas transgressões das quais eu me tornei culpado, tendo compaixão por mim pela razão de eu ser teu devoto dedicado. Eu fui entorpecido por ti, ó Senhor de todas as divindades, pelo disfarce no qual tu te mostrastes para mim.

Ó Maheswara, eu não te dei o Arghya ou água para lavar teus pés.’ (Estes artigos devem ser oferecidos para um visitante, ele precise deles ou não.) Tendo cantado os louvores de Isana dessa maneira, eu ofereci para ele, com grande devoção, água para lavar seus pés e os ingredientes do Arghya, e então, com mãos unidas, eu me submeti a ele, estando preparado para fazer o que quer que ele ordenasse. Então, ó majestade, uma chuva auspiciosa de flores caiu sobre minha cabeça, possuidoras de fragrância celestial e orvalhadas com água fria. Os músicos celestes começaram a tocar seus timbales. Uma brisa deliciosa, fragrante e agradável, começou a soprar e a me encher de prazer. Então Mahadeva, acompanhado por sua esposa, e tendo o touro como seu símbolo, estando satisfeito comigo, se dirigiu aos celestiais reunidos lá nestas palavras, me enchendo de grande alegria, ‘Vejam, ó divindades, a devoção de Upamanyu de grande alma.

Na verdade, imperturbável e grandiosa é esta devoção, e totalmente imutável, pois ela existe inalteravelmente.’ Assim endereçadas pelo grande Deus armado com o Sula, as divindades, ó Krishna, tendo se curvado a ele e unindo suas mãos em reverência, disseram estas palavras, ‘Ó ilustre, ó Deus dos deuses, ó mestre do universo, ó Senhor de tudo, que esta melhor das pessoas regeneradas obtenha de ti a realização de todos os seus desejos.’ Assim endereçado por todas as divindades, com o Avô Brahma entre eles, Sarva, também chamado Isa e Sankara, disse estas palavras como se sorrindo para mim.'" "O ilustre Sankara disse, 'Ó caro Upamanyu, eu estou satisfeito contigo. Veja- me, ó principal dos Munis, ó Rishi erudito, tu és firmemente devotado a mim e tu foste bem testado por mim. Eu estou muito satisfeito contigo por esta tua devoção por Siva. Eu irei, portanto, te dar hoje a realização de quaisquer desejos que tu possas ter em teu coração.’ Assim endereçado por Mahadeva de grande sabedoria, lágrimas de alegria vieram aos meus olhos e meus cabelos se arrepiaram (por emoção). Ajoelhando-me para ele e me curvando repetidamente, eu então, com uma voz que estava sufocada com deleite, disse para ele, ‘Ó deus ilustre, me parece que eu estava morto até agora e que foi somente hoje que eu tive meu nascimento, e que meu nascimento deu resultado hoje, já que eu estou agora na presença dele que é o Mestre das divindades e dos Asuras!

Quem é mais louvável do que eu, já que eu estou vendo com esses meus olhos Ele que é de destreza incomensurável a quem as próprias divindades são incapazes de contemplar sem primeiro prestar culto sincero? Aquilo o qual aqueles que possuem erudição e sabedoria dizem que é o mais sublime de todos os tópicos, que é Eterno, que é distinto de tudo mais, que é não nascido, que é Conhecimento, e que é indestrutível, é idêntico a ti, ó pujante e ilustre, a ti que és o início de todos os tópicos, que és indestrutível e imutável, que estás familiarizado com as ordenanças que governam todos os tópicos, que és o principal dos Purushas, a ti que és o mais nobre dos nobres. Tu és aquele que criou do teu lado direito o Avô Brahma, o Criador de todas as coisas. Tu és aquele que criou do teu lado esquerdo Vishnu para proteger a Criação. Tu és aquele Senhor pujante que criou Rudra quando veio o fim do Yuga e quando a Criação era para ser dissolvida mais uma vez. Aquele Rudra, que surgiu de ti, destruiu a Criação com todos os seus seres móveis e imóveis, assumindo a forma de Kala de grande energia, da nuvem Samvartaka (carregada com água a qual miríades de oceanos não seriam vastos o suficiente para suportar), e do fogo que a tudo consome. Na verdade, quando chega o período para a dissolução do universo, aquele Rudra se levanta, pronto para destruir o universo. Tu és aquele Mahadeva, que é o Criador original do universo com todos os seus entes móveis e imóveis. Tu és aquele que, no fim do Kalpa, permanece, recolhendo todas as coisas em si mesmo.

Tu és aquele que permeia todas as coisas, que és a Alma de todas as coisas, tu és o Criador do Criador de todas as entidades. Incapaz de ser visto até por alguma das divindades, tu és aquele que existe, permeando todas as entidades. Se, ó senhor, tu estás satisfeito comigo e se tu me concederás bênçãos, que esta seja a bênção, ó Senhor de todas as divindades: que minha devoção por ti possa permanecer inalterada. Ó melhor das divindades, me deixe, pela tua graça, ter conhecimento do Presente, do Passado, e do Futuro. E que eu também, com todos os meus parentes e amigos, sempre coma alimentos misturados com leite. E que tua pessoa ilustre esteja para sempre presente em nosso retiro.’ Assim endereçado por mim, o ilustre Maheswara dotado de energia suprema, aquele Mestre de tudo móvel e imóvel, isto é, Siva, adorado por todo o universo, então me disse estas palavras.'” "A Divindade ilustre disse, 'Seja livre de toda miséria e dor, e esteja acima da decrepitude e da morte. Seja possuidor de fama, seja dotado de grande energia, e que o conhecimento espiritual seja teu. Tu, pela minha graça, serás sempre procurado pelos Rishis. Seja teu comportamento bom e justo, seja teu todo atributo desejável, seja possuidor de conhecimento universal, e seja de aspecto agradável. Que juventude sem declínio seja tua, e que tua energia seja como aquela do fogo. Aonde quer que, além disso, tu possas desejar a presença do oceano de leite que é tão agradável para ti, lá aquele oceano aparecerá diante de ti (pronto para ser utilizado por ti e teus amigos para propósitos de tua alimentação).

Tu, com teus amigos, sempre obtenha alimento preparado com leite, com o néctar celeste também sendo misturado com ele. Depois do término de um Kalpa tu então obterás minha companhia. Tua família e linhagem e parentes serão inesgotáveis. Ó principal dos regenerados, tua devoção por mim será eterna. E, ó melhor dos Brahmanas, eu sempre proporcionarei minha presença ao teu retiro. Viva, ó filho, aonde quer que tu queiras, e que nenhuma ansiedade seja. Pensado por ti, eu irei, ó Brahmana erudito, te conceder uma visão minha novamente.’ Tendo dito estas palavras e me concedido estas bênçãos, o ilustre Isana, dotado do esplendor de milhões de sóis, desapareceu. Foi exatamente assim, ó Krishna, que eu contemplei, com a ajuda de penitências austeras, aquele Deus dos deuses. Eu também obtive tudo aquilo que foi dito pela grande Divindade dotada de inteligência suprema. Veja, ó Krishna, perante teus olhos, estes Siddhas residindo aqui e estes Rishis e Vidyadharas e Yakshas e Gandharvas e Apsaras. Contemple estas árvores e trepadeiras e plantas que produzem todos os tipos de flores e frutos. Veja-as portando as flores de todas as estações, com belas folhas, e derramando uma doce fragrância por toda parte. Ó tu de braços poderosos, todos estes são dotados de uma natureza celestial pela graça daquele Deus dos deuses, aquele Senhor Supremo, aquela Divindade de grande alma.'” "Vasudeva continuou, 'Ouvindo estas palavras dele e vendo com meus próprios olhos o que ele tinha relatado para mim, eu fiquei muito admirado.

Eu então me dirigi ao grande asceta Upamanyu e disse para ele, ‘Tu és digno de grande louvor, ó principal dos Brahmanas eruditos, pois qual homem justo há além de ti cujo retiro desfruta da distinção de ser honrado com a presença daquele Deus dos deuses? O pujante Siva, o grandioso Sankara, ó chefe dos ascetas, irá me conceder também uma visão de sua pessoa e me mostrar benevolência?'” "Upamanyu disse, 'Sem dúvida, ó tu de olhos como pétalas de lótus, tu logo obterás uma visão de Mahadeva, assim como, ó impecável, eu consegui obter uma visão dele. Ó tu de destreza incomensurável, eu vejo com meus olhos espirituais que tu irás, no sexto mês a partir deste, conseguir obter uma visão de Mahadeva, ó melhor de todas as pessoas. Tu, ó principal dos Yadus, obterás de Maheswara e sua cônjuge vinte e quatro benefícios. Eu te digo o que é verdadeiro. Pela graça daquela Divindade dotada de sabedoria suprema, o Passado, o Futuro e o Presente são conhecidos por mim. O grande Hara tem favorecido estes milhares de Rishis e outros igualmente numerosos. Por que a Divindade pujante não te favoreceria, ó Mahadeva? É sempre louvável o encontro dos deuses com alguém como tu, com alguém que é devotado aos Brahmanas, com alguém que é cheio de compaixão e que é cheio de fé. Eu te darei certos Mantras. Recite-os continuamente.

Através disto tu sem dúvida verás Sankara.'” "O abençoado Vishnu continuou, 'Eu então disse a ele, ‘Ó regenerado, pela tua graça, ó grande asceta, eu verei o senhor das divindades, aquele opressor de multidões de filhos de Diti.’ Oito dias, ó Bharata, se passaram lá como uma hora, todos nós estando assim ocupados em conversar sobre Mahadeva. No oitavo dia, eu passei pelo Diksha (iniciação) segundo os ritos devidos, pelas mãos daquele Brahmana, e recebi o bastão das suas mãos. Eu passei pelo barbear prescrito. Eu peguei uma quantidade de folhas Kusa em minha mão. Eu usei trapos como meus trajes. Eu esfreguei meu corpo com ghee. Eu envolvi uma corda de erva Munja ao redor dos meus quadris. Por um mês eu vivi de frutas. No segundo mês eu subsisti de água. O terceiro, o quarto e o quinto mês eu passei vivendo só de ar. Eu fiquei de pé todo o tempo, me sustentando sobre um pé e também com meus braços erguidos, e abandonando o sono todo o tempo. Eu então contemplei, ó Bharata, no firmamento uma refulgência que parecia ser tão deslumbrante quanto aquela de mil Sóis unidos. Perto do centro daquela refulgência, ó filho de Pandu, eu vi uma nuvem parecida com uma massa de colinas azuis, adornada com fileiras de garças, embelezada com um grande arco-íris, com lampejos de relâmpago e o fogo-trovão parecendo com olhos fixados nela. Dentro daquela nuvem estava o pujante Mahadeva, ele mesmo de esplendor deslumbrante, acompanhado por sua esposa Uma. Na verdade, a grande Divindade parecia brilhar com suas penitências, energia, beleza, refulgência, e sua querida esposa ao seu lado.

O pujante Maheswara, com sua esposa ao seu lado, brilhava no meio daquela nuvem. A aparição parecia ser como aquela do Sol no meio de nuvens ligeiras com a Lua ao seu lado. O pêlo no meu corpo, ó filho de Kunti, se arrepiou, e meus olhos se arregalaram de admiração ao contemplar Hara, o refúgio de todas as divindades e o dissipador de todas as suas dores. Mahadeva estava adornado com um diadema em sua cabeça. Ele estava armado com seu Sula. Ele estava vestido em uma pele de tigre, tinha madeixas emaranhadas em sua cabeça, e carregava o bastão (do Sannyasin) em uma de suas mãos. Ele estava armado, além disso, com seu Pinaka e o raio. Seus dentes eram de pontas afiadas. Ele estava ornado com um bracelete excelente para a parte superior do braço. Seu fio sagrado era constituído por uma cobra. Ele usava uma guirlanda excelente de diversas cores em seu peito, que pendia até seus dedos dos pés. Realmente, eu o vi como a lua extremamente brilhante em uma noite outonal. Cercado por diversos clãs de espíritos e fantasmas, ele parecia com o Sol outonal difícil de ser olhado por seu brilho deslumbrante. Onze centenas de Rudras estavam ao redor daquela Divindade de alma controlada e atos puros, então sentada sobre seu touro. Todos eles estavam empenhados em cantar seus louvores. Os Adityas, os Vasus, os Sadhyas, os Viswedevas, e os gêmeos Aswins louvavam aquele Senhor do universo por proferirem os hinos que se encontram nas escrituras. O pujante Indra e seu irmão Upendra, os dois filhos de Aditi, e o Avô Brahma, todos proferiam, na presença de Bhava, o Saman Rathantara.

Incontáveis mestres de Yoga, todos os Rishis regenerados com seus filhos, todos os Rishis celestes, a deusa Terra, o Céu (entre Terra e Céu), as Constelações, os Planetas, os Meses, as Quinzenas, as Estações, a Noite, os Anos, os Kshanas, os Muhurtas, os Nimeshas, os Yugas um depois do outro, todas as Ciências e ramos de conhecimento celestes, e todos os seres conhecedores da Verdade, foram vistos reverenciando aquele Preceptor Supremo, aquele grande Pai, aquele dador (ou origem) do Yoga. Sanatkumara, os Vedas, as Histórias, Marichi, Angiras, Atri, Pulastya, Pulaha, Kratu, os sete Manus, Soma, os Atharvans, e Vrihaspati, Bhrigu, Daksha, Kasyapa, Vasishtha, Kasya, os Schandas, Diksha, os Sacrifícios, Dakshina, o Fogo Sacrifical, os Havis (manteiga clarificada) despejados em sacrifícios, e todos os requisitos dos sacrifícios, foram vistos por mim, ó Yudhishthira, permanecendo lá em suas formas incorporadas. Todos os guardiões dos mundos, todos os Rios, todas as cobras, as montanhas, as Mães celestiais, todas as esposas e filhas dos celestiais, milhares e milhares e milhões de ascetas, foram vistos reverenciarem aquele Senhor pujante que é a alma da tranquilidade. As Montanhas, os Oceanos, e os Pontos do horizonte também faziam o mesmo, os Gandharvas e as Apsaras muito hábeis em música, em acordes celestiais, cantavam e elogiavam os louvores de Bhava que é cheio de maravilhas. Os Vidyadharas, os Danavas, os Guhyakas, os Rakshasas, e todos os seres criados, móveis e imóveis, adoravam, em pensamentos, palavras e ações, aquele Senhor pujante.

Diante de mim, aquele Senhor de todos os dos deuses, Sarva, apareceu sentado em toda sua glória. Vendo que Isana tinha se mostrado para mim por estar sentado em glória perante meus olhos, o universo inteiro, com o Avô e Sakra, olhou para mim. Eu, no entanto, não tinha o poder para olhar para Mahadeva. A grande Divindade então se dirigiu a mim dizendo, 'Contemple-me, ó Krishna, e fale comigo. Tu me adoraste centenas e milhares de vezes. Não há alguém nos três mundos que seja mais caro para mim do que tu.' Depois que eu tinha me curvado para ele, sua esposa, a deusa Uma, ficou satisfeita comigo. Eu então me dirigi nestas palavras ao grande Deus cujos louvores são cantados por todas as divindades com o Avô Brahma em sua chefia.'” "O abençoado Vishnu disse, 'Eu saudei Mahadeva, dizendo, ‘Saudações para ti, ó tu que és a origem eterna de todas as coisas. O Rishis dizem que tu és o Senhor dos Vedas. Os justos dizem que tu és Penitência, tu és Sattwa, tu és Rajas, tu és Tamas, e tu és Verdade. Tu és Brahman, tu és Rudra, tu és Varuna, tu és Agni, tu és Manu, tu és Bhava, tu és Dhatri, tu és Tashtri, tu és Vidhatri, tu és o Mestre pujante de todas as coisas, e tu estás em todos os lugares. Todos os seres, móveis e imóveis, surgiram de ti. Este mundo triplo com todas as suas entidades móveis e imóveis, foi criado por ti. Os Rishis dizem que tu és superior aos sentidos, à mente, aos ares vitais, aos sete fogos sacrificais, a todos os outros que têm seu refúgio na Alma que a tudo permeia, e a todas as divindades que são adoradas e dignas de adoração.

Tu, ó ilustre, és os Vedas, os Sacrifícios, Soma, Dakshina, Pavaka, Havi, e todos os outros requisitos do sacrifício. O mérito obtido por sacrifícios, doações feitas para outros, pelo estudo dos Vedas, votos, regulamentos em relação a restrições, Modéstia, Fama, Prosperidade, Esplendor, Contentamento, e Sucesso, todos existem para levarem a ti. Desejo, Ira, Medo, Cupidez, Orgulho, Estupor, e Malícia, Dores e Doenças, são, ó ilustre, teus filhos. Tu és todos os atos que as criaturas fazem, tu és a alegria e a tristeza que fluem daqueles atos, tu és a ausência de alegria e tristeza, tu és aquela Ignorância que é a semente indestrutível do Desejo, tu és a origem sublime da Mente, tu és Pujança, e tu és Eternidade. Tu és o Imanifesto, tu és Pavana, tu és inconcebível, tu és o Sol de mil raios, tu és o Chit refulgente, tu és o primeiro de todos os tópicos, e tu és o refúgio da vida. O uso de palavras como Mahat, Alma, Compreensão, Brahman, Universo, Sambhu, e Auto-nascido e outras palavras que ocorrem em sucessão (nos Vedas), mostram que tua natureza tem sido considerada (por pessoas conhecedoras dos Vedas) como idêntica a Mahat e Alma. Na verdade, te considerando como tudo isto, os Brahmanas eruditos vencem aquela ignorância que jaz na base do mundo. Tu resides no coração de todas as criaturas, e tu és adorado pelos Rishis como Kshetrajna. Teus braços e pés se estendem por todos os lugares, e teus olhos, cabeça, e rosto estão em todos os lugares. Tu ouves em todos os lugares no universo, e tu permaneces permeando todas as coisas.

De todas as ações que são realizadas nos Nimeshas e outras divisões de tempo que surgem em consequência da força do Sol, tu és o resultado. (Isto é, tu és a bem-aventurança celestial que as criaturas ganham por meio de suas ações justas. As ações são realizadas no decorrer do Tempo cujas divisões são causadas pelo Sol.) Tu és a refulgência original (do Chit supremo). Tu és Purusha, e tu resides nos corações de todas as coisas. Tu és os vários atributos do sucesso em Yoga, isto é, Sutileza e Densidade e Fruição e Supremacia e Refulgência e Imutabilidade. (Por sucesso em Yoga uma pessoa pode se fazer tão sutil quanto possível ou tão densa quanto possível. Alguém pode também obter a realização de todos os desejos, se estendendo à própria criação de mundos sobre mundos povoados com todos os tipos de criaturas. Que os Yogins não criam é devido ao seu respeito pelo Avô e ao seu desejo de não perturbar o rumo habitual das coisas.) Compreensão e inteligência e todos os mundo dependem de ti. Aqueles que são dedicados à meditação, que estão sempre empenhados em Yoga, que são devotados ou firmes na Verdade e que têm subjugado suas paixões, procuram a ti e repousam em ti. Aqueles que te conhecem como alguém que é Imutável, ou que reside em todos os corações, ou que é dotado de força suprema, ou que é o Purusha antigo, ou que é o Conhecimento puro, ou alguém que é o Chit refulgente, ou que é o maior refúgio de todas as pessoas dotadas de inteligência, são sem dúvida pessoas de grande inteligência. Na verdade, tais pessoas transcendem a inteligência.

Por compreender os sete entes sutis (isto é, Mahat, Ego, e os cinco elementos primordiais chamados Tanmatras), por compreender teus seis atributos (de Onisciência, Contentamento de Plenitude, Conhecimento sem início, Independência, Força que não está em falta em qualquer tempo e que é infinita), e estando familiarizado com Yoga que é livre de toda noção falsa, o homem de conhecimento consegue entrar em teu grande ser.’ Depois que eu tinha dito estas palavras, ó Partha, para Bhava, aquele dissipador da dor e aflição, o universo, móvel e imóvel, deu um grito leonino (expressivo de sua aprovação da correção das minhas palavras). Os inúmeros Brahmanas lá presentes, as divindades e os Asuras, os Nagas, os Pisachas, os Pitris, as aves, diversos Rakshasas, diversas classes de fantasmas e espíritos, e todos os grandes Rishis, então se curvaram para aquela grandiosa Divindade. Lá então caíram sobre minha cabeça chuvas de flores celestes possuidoras de fragrância excelente, e ventos deliciosos sopraram no local. O pujante Sankara então, dedicado ao bem do universo, olhou para a deusa Uma e para o senhor dos celestiais e para mim mesmo também, e me falou dessa maneira, ‘Nós sabemos, ó Krishna, que tu, ó matador de inimigos, estás cheio da maior devoção por nós. Faça o que é para o teu bem. Meu amor e afeição por ti são muito grandes. Peça oito bênçãos. Eu realmente as darei para ti, ó Krishna. Ó melhor de todas as pessoas, me diga quais são elas, ó chefe dos Yadavas. Mencione o que tu desejas.

Por mais que elas sejam difíceis de serem obtidas, tu ainda as terá.'" 15 "O abençoado Krishna disse, 'Curvando minha cabeça com grande alegria para aquela massa de energia e esplendor, eu disse estas palavras para a grande Divindade, com o coração cheio de felicidade, ‘Firmeza em virtude, a morte de inimigos em batalha, a maior fama, o maior poder, devoção ao Yoga, tua proximidade, e centenas e centenas de filhos, estas são as bênçãos que eu te peço.’ ‘Assim seja,’ disse Sankara repetindo as palavras que eu tinha proferido. Depois disto, a mãe do universo, a sustentadora de todas as coisas, que purifica todas as coisas, isto é, a esposa de Sarva, aquele vasto receptáculo de penitências, disse com uma alma controlada estas palavras para mim, 'O pujante Mahadeva te concedeu, ó impecável, um filho que se chamará Samva. Peça de mim também oito bênçãos que tu escolheres. Eu irei sem dúvida concedê-las para ti.’ Reverenciando-a com uma inclinação de minha cabeça, eu disse para ela, ó filho de Pandu, ‘Eu te peço falta de raiva contra os Brahmanas, benevolência de meu pai, cem filhos, os maiores prazeres, amor por minha família, a benevolência de minha mãe, a obtenção de paz e tranquilidade, e inteligência em todas as ações!'” "Uma disse, 'Será exatamente assim, ó tu que possuis destreza e força iguais àquelas de um celestial. Eu nunca digo o que é falso. Tu terás dezesseis mil esposas. Teu amor por elas e o delas por ti também será ilimitado. De todos os teus parentes também, tu receberás a maior afeição. Teu corpo também será mais belo.

Sete mil convidados se alimentarão diariamente no teu palácio.'” "Vasudeva continuou, 'Tendo assim me concedido bênçãos, o deus e a deusa, ó Bharata, desapareceram com seus Ganas, ó irmão mais velho de Bhima. Todos aqueles fatos maravilhosos eu relatei integralmente, ó melhor dos reis, para aquele Brahmana de grande energia, isto é, Upamanyu (de quem eu tinha obtido o Diksha antes de adorar Mahadeva). Reverenciando o grande Deus, Upamanyu me disse estas palavras.'” "Upamanyu disse, 'Não há divindade como Sarva. Não há fim ou refúgio como Sarva. Não há alguém que possa dar tantas ou semelhantes bênçãos sublimes. Não há alguém que seja igual a Ele em batalha.'" "Upamanyu disse, 'Havia na era Krita, ó majestade, um Rishi célebre sob o nome de Tandi. Com grande devoção de coração ele adorou, com a ajuda de meditação-Yoga, o grande Deus por dez mil anos. Ouça-me enquanto eu te digo o fruto ou recompensa que ele colheu de tal devoção extraordinária. Ele conseguiu contemplar Mahadeva e o louvou por proferir alguns hinos.

Pensando, com a ajuda de suas penitências, nele que é a Alma suprema e que é imutável e sem deterioração, Tandi ficou muito admirado e disse estas palavras, ‘Eu procuro a proteção dele a quem os Sankhyas descrevem e os Yogins consideram como o Supremo, o Principal, o Purusha, Aquele que permeia todas as coisas, e o Mestre de todos os objetos existentes, dele que, os eruditos dizem, é a causa da criação e da destruição do universo; dele que é superior a todos os celestiais, aos Asuras, e aos Munis, dele que não tem nada superior, que é não nascido, que é o Senhor de todas as coisas, que não tem início nem fim, e que é dotado de força suprema, que é possuidor da maior bem-aventurança, e que é refulgente e impecável.’ Depois que ele tinha dito estas palavras, Tandi viu à sua frente aquele oceano de penitências, aquela grande Divindade que é imutável e imperecível, que é sem comparação, que é inconcebível, que é eterna, e que é sem qualquer mudança, que é indivisível, que é completa, que é Brahma, que transcende todos os atributos, e que é dotada de atributos, que é o maior deleite dos Yogins, que é sem deterioração, que é chamado de Emancipação, que é o refúgio da Mente, de Indra, de Agni, do deus do vento, do universo inteiro, e do Avô Brahma; que não pode ser concebido pela Mente, que é sem mutação de qualquer tipo, que é puro, que pode ser apreendido somente pela compreensão e que é imaterial como a Mente; que é difícil de ser compreendido, que não pode ser medido, que é difícil de ser alcançado por pessoas de almas impuras, que é a origem do universo, e que transcende o universo e o atributo de escuridão; que é antigo, que é Purusha, que possui refulgência, e que é maior do que o maior. O Rishi Tandin, desejoso de ver a Ele que se fazendo dotado de ares vitais reside no que resulta disto, isto é, Jiva, na forma daquela refulgência que é chamada de Mente, passou muitos anos na prática de austeridades severas, e tendo conseguido contemplá-lo como a recompensa daquelas penitências, ele louvou o grande Deus nos seguintes termos.'” "Tandi disse, 'Tu és o mais sagrado dos sagrados e o refúgio de tudo, ó principal de todos os seres dotados de inteligência. Tu és a energia mais feroz de todos os tipos de energia. Tu és a penitência mais austera de todas as penitências. Tu, ó pujante, és o generoso concessor de bênçãos. Tu és a Verdade suprema. Saudações para ti, ó tu de mil raios, e, ó refúgio de toda felicidade. Tu és o dador daquele Nirvana pelo qual, ó pujante, Yatis, temendo nascimento e morte, se esforçam tão arduamente. O Avô Brahma, ele de cem sacrifícios (Indra), Vishnu, os Viswadevas, os grandes Rishis, são incapazes de compreender a ti e a tua natureza real. Como então pessoas como nós podem esperar te compreender? De ti flui tudo. Sobre ti repousa tudo. Tu és chamado de Kala, tu és chamado de Purusha, tu és chamado de Brahma. Rishis celestes conhecedores dos Puranas dizem que tu tens três corpos, isto é, aqueles relativos a Kalas, aqueles relativos a Purusha, e aqueles relativos a Brahma ou as três formas, a saber, Brahma, Vishnu e Rudra. Tu és Adhi-Purusha, (ocupando o corpo físico da cabeça aos pés) tu és Adhyatma (que ocupa o corpo interno), tu és Adhibhuta (elementos primordiais, olhos, ouvidos, etc.), e Adhi-Daivata (sol, lua, etc., que controlam os bhutas), tu és Adhi-loka (que ocupa os lokas), Adhi-Vijnanam (que ocupa o plano da consciência) e Adhi-Yajna (que dirige os sacrifícios residindo no coração dos jivas). Homens de sabedoria, quando eles conseguem conhecer a ti que resides neles mesmos e que és incapaz de ser conhecido pelos próprios deuses, se tornam livres de todos os vínculos e passam para um estado de existência que transcende toda tristeza. (Isto é, eles alcançam a Emancipação quando eles te vêem no firmamento dos seus próprios corações, ou conseguem identificar suas próprias almas contigo.) Aqueles que não desejam te conhecer, ó tu de grande pujança, têm que passar por inúmeros nascimentos e mortes. Tu és a porta do céu e da Emancipação. Tu és aquele que projeta todos os seres na existência e que os recolhe novamente em ti mesmo. Tu és o grande doador. Tu és céu, tu és Emancipação, tu és desejo (a semente da ação). Tu és cólera que inspira criaturas. Tu és Sattwa, tu és Rajas, tu és Tamas, tu és as regiões inferiores, e tu és as regiões superiores. Tu és o Avô Brahma, tu és Bhava, tu és Vishnu, tu és Skanda, tu és Indra, tu és Savitri, tu és Yama, tu és Varuna, Soma, tu és Dhatri, tu és Manu, tu és Vidhatri e tu és Kuvera, o Senhor dos tesouros. Tu és Terra, tu és Vento, tu és Água, tu és Agni, tu és Espaço, tu és a Fala, tu és a Compreensão, tu és Firmeza, tu és Inteligência, tu és as ações que as criaturas fazem, tu és Verdade, tu és Mentira, tu és existente e tu és inexistente. Tu és os sentidos, tu és aquilo que transcende Prakriti, tu és imutável. Tu és superior ao universo de objetos existentes, tu és superior ao universo de objetos inexistentes, tu és capaz de ser concebido, tu és incapaz de ser concebido. Aquilo que é o Brahman supremo, que é a maior entidade, que é o objetivo dos Sankhyas e dos Yogins, é, sem dúvida, idêntico a ti. Na verdade, eu fui recompensado por ti hoje por tu teres me concedido uma visão da tua forma. Eu alcancei o fim ao qual somente os justos alcançam. Eu fui recompensado com aquele fim que é solicitado por pessoas cujas compreensões estão purificadas pelo Conhecimento. Ai, tanto tempo eu estava imerso em Ignorância; por este longo período eu fui um tolo insensato, já que eu não tinha conhecimento de ti que és a Divindade Suprema, tu que és o único Ente eterno que pode ser conhecido somente por todas as pessoas dotadas de sabedoria. No decorrer de vidas inumeráveis eu finalmente consegui obter aquela Devoção por ti pela qual tu te revelaste para mim. Ó tu que estás sempre inclinado a estender tua graça àqueles que são devotados a ti. Aquele que consegue te conhecer está habilitado para desfrutar da imortalidade. Tu és aquele que é sempre um mistério para os deuses, os Asuras, e os ascetas. Brahman está oculto na caverna do coração. Os próprios ascetas não podem vê-lo ou conhecê-lo. Tu és aquela divindade pujante que é o fazedor de tudo e cuja face está virada para todas as direções. Tu és a Alma de todas as coisas, tu vês todas as coisas, tu permeias todas as coisas, e tu conheces todas as coisas. Tu fazes um corpo para ti mesmo, e carregas aquele corpo. Tu és um Ser incorporado. Tu desfrutas de um corpo, e tu és o refúgio de todas as criaturas incorporadas. Tu és o criador dos ares vitais, tu possuis os ares vitais, tu és alguém que é dotado de ares vitais, tu és o dador dos ares vitais, e tu és o refúgio de todos os seres dotados de ares vitais. Tu és aquele Adhyatma que é o refúgio de todas as pessoas justas que são dedicadas à meditação-Yoga e conhecedoras da Alma e que estão desejosas de evitar renascimento. Na verdade, tu és aquele Senhor Supremo que é idêntico àquele refúgio. Tu és o dador para todas as criaturas dos fins que vêm a ser delas, repletos de felicidade ou miséria. Tu és aquele que ordena todos os seres criados ao nascimento e morte. Tu és o Senhor pujante que concede sucesso para Rishis coroados com sucesso com relação à realização de seus desejos. Tendo criado todos os mundos começando com Bhu (em seguida vêm Bhuva, Swah, Maha, Jana, Tapa, e Satya), junto com todos os habitantes do céu, tu sustentas e nutres eles todos, te distribuindo nas tuas Oito formas bem conhecidas. (As oito formas bem conhecidas de Mahadeva são Água, Fogo, Hotri, Sol, Lua, Espaço, Terra e Vento. Em sua forma de água ele é chamado de Bhava; naquela de fogo ele é chamado de Rudra; na de Hotri ele é chamado de Pasupati; na do Sol ele é chamado de Isana, na da Lua ele é chamado de Mahadeva; na de Espaço ele é chamado de Bhima; na de Terra, ele é chamado de Sarva; e na de vento ele é chamado de Ugra.) De ti flui tudo. Sobre ti se apóiam todas as coisas. Todas as coisas, além disso, desaparecem em ti. Tu és o único objeto que é Eterno. Tu és aquela região de Verdade a qual é procurada pelos justos e considerada por eles como a mais sublime. Tu és aquela cessação de existência individual que os Yogins procuram. Tu és aquela Unidade que é buscada pelas pessoas familiarizadas com a alma. Brahma e os Siddhas explanando os mantras te ocultaram em uma caverna para impedir as divindades e Asuras e seres humanos de te ver; (a caverna das Escrituras, ou textos difíceis). Embora tu residas no coração, contudo tu estás oculto. Por essa razão, entorpecidos por ti, divindades e Asuras e seres humanos são todos incapazes de te compreender, ó Bhava, realmente e em todos os teus detalhes. Para aquelas pessoas que conseguem te alcançar depois de terem se purificado pela devoção, tu mostras a ti mesmo por tua própria vontade, ó tu que resides em todos os corações. (Estas pessoas não têm que fazer quaisquer esforços extraordinários para te ver. Sua devoção é suficiente para te induzir a te mostrares para elas.) Por te conhecer alguém pode evitar morte e renascimento. Tu és o maior objeto de conhecimento. Por te conhecer nenhum objeto superior permanece para alguém conhecer. Tu és o objeto de conquista mais importante. A pessoa que é realmente sábia, por te alcançar, pensa que não há objetivo superior para alcançar. Por alcançar a ti que és extremamente sutil e que és o maior objeto de aquisição, o homem de sabedoria se torna imortal e imutável. Os seguidores do sistema Sankhya, bem familiarizados com sua própria filosofia e possuidores de um conhecimento dos atributos (de Sattwa, Rajas e Tamas) e daqueles chamados de tópicos de investigação, aqueles homens eruditos que transcendem o destrutível por obterem um conhecimento do sutil ou indestrutível, conseguem, por te conhecerem, se libertar de todos os vínculos. Pessoas conhecedoras dos Vedas te consideram como o único objeto de conhecimento, o qual tem sido explicado nos Vedantas. Estes homens, dedicados ao controle das respirações, sempre meditam em ti e finalmente entram em ti como seu fim mais sublime. No carro feito de Om, aqueles homens entram em Maheswara. Daquilo que é chamado de Devayana (o caminho das divindades, pelo qual os mortos alcançam o Sol) tu és a porta chamada Aditya. Tu és, além disso, a porta chamada Chandramas, daquele que é chamado de Pitriyana (o caminho dos Pitris, pelo qual os mortos alcançam a Lua). Tu és Kashtha, tu és os pontos do horizonte, tu és o ano, e tu és os Yugas. Tua é a soberania dos céus, tua é a soberania da Terra, tu és as declinações do Norte e do Sul. O Avô Brahma antigamente proferiu teus louvores, ó tu que és chamado de Nilarohita (azul e vermelho), por recitar diversos hinos e te incitar a criar criaturas vivas. Brahmanas conhecedores dos Richs te louvam por proferirem Richs, te considerando como independente de todas as coisas e como desprovido de todas as formas. Adhyaryus, em sacrifícios, derramam libações, enquanto proferem Yajushes, em honra de ti que és o único objeto de conhecimento, de acordo com os três modos bem conhecidos; (isto é, os ritos inculcados nos Srutis; os métodos prescritos nos Smritis, e Dhyana ou meditação). Pessoas de compreensões purificadas, que estão familiarizadas com os Samans, te cantam com a ajuda de Samans. Aquelas pessoas regeneradas, também, que estão familiarizadas com os Atharvans, te louvam como Rita, como Verdade, como o mais Sublime, e como Brahma. Tu és a maior causa, de onde Sacrifício tem fluído. Tu és o Senhor, e tu és Supremo. A noite e o dia são teu sentido de audição e o sentido de visão. As quinzenas e meses são tua cabeça e braços. As estações são tua energia, penitências são tua paciência, e o ano é teu ânus, coxas e pés. Tu és Mrityu, tu és Yama, tu és Hutasana, tu és Kala, tu és dotado de rapidez a respeito da destruição, tu és a causa original do Tempo, e tu és o Tempo eterno. Tu és Chandramas e Aditya com todas as estrelas e planetas e a atmosfera que enche o espaço. Tu és a estrela-polar, tu és a constelação chamada de sete Rishis, tu és as sete regiões começando com Bhu. Tu és Pradhana e Mahat, tu és imanifesto, e tu és este mundo. Tu és o universo começando com Brahman e terminando com as formas mais inferiores de vegetação. Tu és o início ou a causa original de todas as criaturas. Tu és as oito Prakritis. (Com a Prakriti original, os sete começando com Mahat e Ahankara e contando os cinco Tanmatras.) Tu estás, além disso, acima das oito Prakritis. Tudo o que existe representa uma porção do teu Eu divino. Tu és aquela Felicidade suprema a qual também é Eterna. Tu és o fim que é alcançado por todas as coisas. Tu és aquela existência superior que é procurada pelos Justos. Tu és aquele estado que é livre de toda ansiedade. Tu és Brahman eterno! Tu és aquele estado mais sublime que constitui a meditação de pessoas versadas nas escrituras e nos Vedangas. Tu és o maior Kashtha, tu és o maior Kala. Tu és o maior Sucesso, e tu és o maior Refúgio. Tu és a maior Tranquilidade. Tu és a cessação de Existência. Por te alcançar, Yogins pensam que eles obtiveram o maior êxito que está aberto para eles. Tu és Contentamento, tu és Sucesso, tu és o Sruti, e tu és o Smriti. Tu és aquele Refúgio da Alma pelo qual os Yogins se esforçam, e tu és aquele Prapti indestrutível o qual homens de Conhecimento procuram. Tu és, sem dúvida, aquele Fim que têm em vista aquelas pessoas que estão habituadas a sacrifícios e que despejam libações sacrificais, impelidas por desejos específicos, e que fazem grandes doações em tais ocasiões. Tu és aquele Fim elevado que é procurado por pessoas que desgastam e ressecam seus corpos com penitências severas com recitações contínuas, com aqueles votos e jejuns rígidos e que pertencem às suas vidas tranquilas, e com outros meios de auto-aflição. Ó Eterno, tu és aquele Fim que é daqueles que estão desapegados de todas as coisas e que têm renunciado a todas as ações. Tu, ó Eterno, és aquele Fim o qual é daqueles que estão desejosos de obter Emancipação do renascimento, que vivem em dissociação de todos os prazeres, e que desejam a aniquilação dos elementos Prakriti. Tu és aquele Fim sublime, ó ilustre, que é indescritível, que é imaculado, que é o único imutável, e que é daqueles que são devotados ao conhecimento e ciência. Estes são os cinco Fins que foram declarados nos Vedas e nas Escrituras e nos Puranas. É pela tua graça que pessoas alcançam aqueles Fins, ou, se elas fracassam em alcançá-los, é por tua graça ser negada para eles.’ Foi dessa maneira que Tandi, que era uma vasta pilha de penitências, louvou Isana. E ele cantou também aquele Brahman sublime que foi cantado antigamente pelo próprio Criador (em honra de Mahadeva).” “Upamanyu continuou, ‘Assim elogiado por aquele proferidor de Brahma, isto é, Tandi, Mahadeva, aquela Divindade ilustre e pujante, que estava acompanhado por sua esposa Uma, disse estas palavras. Tandi em seguida tinha dito, ‘Nem Brahma, nem Indra nem Vishnu, nem os Viswedevas, nem os grandes Rishis, te conhecem.’ Satisfeito por isto, Siva disse as seguintes palavras.’” "O santo disse, 'Tu serás indestrutível e eterno. Tu serás livre de toda tristeza. Grande fama será tua. Tu serás dotado de energia. Conhecimento espiritual será teu. Todos os Rishis irão te procurar, e teu filho, pela minha graça, se tornará o autor de Sutras, ó principal das pessoas regeneradas. Quais desejos teus eu concederei hoje? Diga-me, ó filho, quais são aqueles objetos que tu desejas.’ Nisto, Tandi uniu suas mãos e disse. ‘Ó Senhor, que minha devoção por ti seja constante.'” "Upamanyu continuou, 'Tendo dado para Tandi estas bênçãos e tendo recebido as adorações das divindades e dos Rishis, a grande Divindade desapareceu. Quando a divindade ilustre, ó senhor dos Yadavas, desapareceu assim com todos os seus seguidores, o Rishi veio ao meu retiro e me disse tudo o que tinha acontecido a ele. Ouça, ó principal dos homens, todos aqueles nomes célebres (de Mahadeva) que Tandi disse para mim para teu êxito espiritual. O Avô recitou uma vez dez mil nomes que se aplicam a Mahadeva. Nas escrituras se encontram mil nomes daquela divindade ilustre. Estes nomes não são conhecidos por todos. Ó tu que transcendes a destruição, antigamente, o Avô Brahma proferiu estes nomes para adorar a Divindade de grande alma. Tendo-os adquirido pela graça do Avô, Tandi os comunicou para mim!'" 17 “Vasudeva disse, ‘Concentrando sua mente, ó Yudhishthira, o Rishi regenerado Upamanyu, com mãos unidas em reverência proferiu este resumo dos nomes (que se aplicam a Mahadeva), começando desde o início.’” "Upamanyu disse, 'Eu adorarei a grande Divindade que merece as adorações de todas as criaturas, por proferir aqueles nomes que são famosos por todos os mundos, alguns dos quais foram proferidos pelo Avô Brahma, alguns pelos Rishis, e alguns que se encontram nos Vedas e nos Vedangas. Aqueles nomes têm sido aplicados (à grande Divindade) por pessoas que são eminentes. Aqueles nomes dele que são, além disso, verdadeiros e repletos de sucesso e que são capazes de realizar todos os propósitos os quais o proferidor possa ter em vista, foram aplicados a Mahadeva por Tandi depois de classificá-los do saber Védico com a ajuda de sua devoção. De fato, com aqueles nomes que foram proferidos por muitas pessoas de virtude bem conhecidas e por ascetas conhecedores de todos os princípios espirituais, eu adorarei ele que é o principal, que é o primeiro, que leva para o céu, que está pronto para conceder bênçãos para todas as criaturas, e que é auspicioso. Aqueles nomes têm sido ouvidos em todos os lugares no universo, tendo se difundido da região de Brahma (onde eles foram inventados originalmente). Todos eles estão repletos do elemento de Verdade. Com aqueles nomes eu adorarei ele que é Brahman Supremo, que tem sido declarado (para o universo) pelos Vedas, e que é Eterno. Eu agora te direi, ó chefe da linhagem de Yadu, aqueles nomes. Ouça-os com atenção absorta. Tu és um adorador devotado da Divindade Suprema. Cultue o ilustre Bhava, distinguindo-o acima de todas as divindades. E porque tu és devotado a ele, eu irei, portanto, recitar aqueles nomes em tua audição. Mahadeva é Brahman Eterno. Pessoas dotadas de Yoga e realizações de Yoga não podem conhecer, nem em cem anos, a glória e pujança da grande Divindade em sua totalidade. Na verdade, o início, meio ou fim de Mahadeva não podem ser compreendidos pelas próprias divindades. De fato, quando tal é o caso, quem, ó Madhava, poderia recitar os atributos de Mahadeva em sua totalidade? Apesar disso, eu irei, pela graça daquela Divindade ilustre e suprema de sabedoria perfeita, estendida a mim por causa da minha devoção por ele, narrar seus atributos como incorporados em um resumo de poucas palavras e letras. O Senhor Supremo não pode ser adorado por alguém se ele não concede sua permissão para o adorador. Com relação a mim mesmo, foi somente quando eu me tornei afortunado o suficiente para receber sua permissão que eu consegui adorá-lo. Eu indicarei somente uns poucos nomes daquela Divindade sublime que é sem nascimento e sem destruição, que é a causa original do universo, que é dotada da Alma mais sublime, e cuja origem é imanifesta. Ouça, ó Krishna, uns poucos nomes, que foram proferidos pelo próprio Brahma, daquele concessor de benefícios, aquela divindade adorável, aquele pujante que tem o universo como sua forma, e que possui sabedoria suprema. Estes nomes que eu narrarei são extraídos dos dez mil nomes que o grandioso Avô proferiu antigamente, como ghee é extraído de coalhos. Como o ouro representa a essência das montanhas rochosas, como o mel representa a essência das flores, como Manda representa o extrato do ghee, exatamente assim estes nomes foram extraídos e representam a essência daqueles dez mil nomes que foram proferidos pelo Avô Brahma. Este resumo de nomes é capaz de purificar de todos os pecados, por mais que hediondos. Ele possui o mesmo mérito que é atribuído aos quatro Vedas. Ele deve ser compreendido com atenção por aspirantes espirituais e gravado na memória. Estes nomes repletos de bem-aventurança, que levam ao adiantamento, destrutivos de Rakshasas, e grandes purificadores, devem ser dados somente para aquele que é devotado ao Senhor grandioso, para aquele que tem fé, para aquele que crê. Para quem não tem fé, para quem é cético, para quem não tem subjugado sua alma, eles nunca devem ser comunicados. Aquela criatura, ó Krishna, que nutre malícia em direção ao ilustre Mahadeva que é a causa original de tudo, que é a Alma Suprema, e que é o Senhor grandioso, certamente tem que ir para o inferno com todos os seus antepassados anteriores e todos os seus filhos posteriores a ele. Este resumo de nomes que eu narrarei para ti é considerado como Yoga; (isto é, ele tem o mérito que é vinculado à Meditação ou Yoga). Ele é considerado como o objeto de meditação mais elevado. Ele é aquilo que alguém deve recitar constantemente como Japa. Ele é equivalente ao Conhecimento. Ele é o maior Mistério. Se alguém, mesmo durante seus últimos momentos, o recita ou o ouve recitado para ele, consegue chegar ao fim mais sublime. Ele é sagrado, ele é auspicioso, ele é repleto de todos os tipos de benefícios. Ele é a melhor de todas as coisas. Brahma, o Avô de todo o universo, tendo-o composto antigamente, designou para ele o lugar mais importante entre todos os hinos excelentes. Desde aquele tempo, este hino à grandeza e glória de Mahadeva de grande alma, que é mantido em grande estima por todas as divindades, veio a ser considerado como o rei de todos os hinos. Este rei de todos os hinos foi primeiro levado da região de Brahman para o céu, a região dos celestiais. Tandi então o obteve do céu. Por esta razão ele é conhecido como o hino composto por Tandi. Do céu Tandi o trouxe para a Terra. Ele é a mais auspiciosa de todas as coisas auspiciosas, e é capaz de purificar o coração de todos os pecados por mais que hediondos. Ó tu de braços poderosos, eu recitarei para ti este melhor de todos os hinos. Este hino se refere a ele que é o Veda dos Vedas, e o mais antigo de todos os objetos antigos, a ele que é a energia de todas as energias, e a penitência de todas as penitências; a ele que é a mais tranquila de todas as criaturas dotadas de tranquilidade, e que é o esplendor de todos os esplendores; a ele que é considerado como a mais controlada de todas as criaturas que são controladas, a ele que é a inteligência de todas as criaturas dotadas de inteligência; a ele que é considerado como a divindade de todas as divindades, e o Rishi de todos os Rishis; a ele que é considerado como o sacrifício de todos os sacrifícios e a mais auspiciosa de todas as coisas repletas de bem- aventurança; a ele que é o Rudra de todos os Rudras e a refulgência de todas as coisas dotadas de refulgência; a ele que é o Yogin de todos os Yogins, e a causa de todas as causas; a ele de quem todos os mundos começaram a existir, e para quem todos os mundos retornam quando eles cessam de existir; a ele que é a Alma de todas as criaturas existentes, e que é chamado de Hara de energia incomensurável. Ouça-me recitar aqueles mil e oito nomes do grande Sarva. Ouvindo aqueles nomes, ó principal de todos os homens, tu serás coroado com realização com relação a todos os teus desejos, ‘Om! Tu és Imóvel, tu és Fixo, tu és Pujante, tu és Terrível, tu és o Principal, tu és concessor de bênçãos, e tu és Superior. Tu és a Alma de todas as criaturas, tu és célebre sobre todas as criaturas, tu és todas as coisas, tu és o Criador de tudo, e tu és Bhava. Tu és o portador de madeixas emaranhadas sobre tua cabeça. Tu usas peles de animais como tuas vestimentas. Tu usas um topete de cabelo emaranhado em tua cabeça como o pavão. Tu és aquele que tem o universo inteiro como teus membros; (Virat ou vasto ou Infinito). Tu és o Criador de todas as coisas. Tu és Hara por seres o destruidor de todas as coisas. Tu és aquele que tem olhos parecidos com aqueles da gazela. Tu és o destruidor de todas as criaturas. Tu és o desfrutador supremo de todas as coisas. Tu és aquela Pravritti de onde todas as ações fluem. Tu és aquela Nivritti ou abstenção das ações. Tu és praticante de jejuns e votos (isto é, um asceta), tu és Eterno, tu és Imutável. Tu és aquele que reside em crematórios, tu és o possuidor dos seis atributos bem conhecidos de Domínio e o restante, tu resides no coração de todas as criaturas, tu és aquele que desfruta de todas as coisas com os sentidos, tu és o opressor de todas as criaturas pecaminosas. (Smasanu é ou um crematório, o lugar onde criaturas mortas jazem, ou pode significar Varanasi, a cidade sagrada de Siva, onde criaturas morrendo não têm que aceitar renascimento. Siva é um residente de crematórios e de Varanasi.) Tu és aquele que merece as saudações de todos, tu és de façanhas grandiosas, tu és aquele que tem penitências como sua riqueza, tu crias todos os elementos pela tua vontade, tu ocultas tua real natureza por assumires a aparência de um lunático. Tu és o Mestre de todos os mundos e de todas as criaturas vivas. Tu és de forma incomensurável, tu és de corpo vasto, tu és da forma da Justiça, tu és de grande fama, tu és de grande Alma, tu és a Alma de todas as criaturas, tu tens o universo como tua forma; (ou, o universo está manifestado em ti). Tu és de mandíbulas vastas (pois tu engoles o universo quando chega a hora da dissolução de todas as coisas). Tu és o protetor de todos os lokas (os mundos). Tu és a alma residindo no coração interno e como tal desprovida de ahamkara originado da ignorância, e una e indivisa; Tu és anandam (alegria). Tu és aquele cujo carro é carregado por mulas. Tu és aquele que protege Jiva do raio do renascimento. Tu és adorável. Tu és alcançado por pureza e autocontrole e votos. Tu és além disso o refúgio de todos os tipos de votos e observâncias incluindo pureza e autodomínio. (Por Niyama quer-se dizer pureza interna e externa, contentamento com o que quer que se obtenha, penitências, estudos Védicos, meditação sobre a Divindade, etc.) Tu és o artífice celeste que conhece todas as artes. Tu és Autocriado (pois ninguém te criou). Tu és o início de todas as coisas e criaturas. Tu és Hiranyagarbha, o Criador de todas as coisas. Tu és pujança e felicidade inesgotáveis. Tu tens cem olhos (ou inúmeros olhos por seres idêntico ao universo), tu tens olhos de imenso poder (porque o Passado e o Futuro são vistos por eles assim como o Presente). Tu és Soma; (a Lua ou o suco do Soma, isto é, as libações despejadas no fogo sacrifical). Tu és aquele que faz com que todas as criaturas justas assumam formas de glória para brilharem no firmamento. (Todas as pessoas justas se tornam corpos luminosos no firmamento. É Mahadeva que as faz assim, isto é, ele é o dador de formas gloriosas para aqueles que as merecem). Tu és Chandramas, tu és Surya, tu és o planeta Saturno, tu és o nodo descendente (da lua), tu és o nodo ascendente ( Rahu), tu és Mangala (Marte, assim chamado por sua malevolência), e tu és Vrihaspati (Júpiter) e Sukra (Vênus, que na mitologia Hindu é uma pessoa masculina, o preceptor dos Daityas e Asuras), tu és Vudha (Mercúrio), tu és o devoto da esposa de Atri, tu és aquele que disparou sua flecha em cólera no Sacrifício quando o Sacrifício fugiu dele na forma de um veado. Tu és impecável. Tu és possuidor de penitências que te conferiram o poder de criar o universo. Tu és possuidor de penitências que te tornaram capaz de destruir o universo. Tu és de magnânimo (por causa da tua grande generosidade em direção aos teus devotos). Tu satisfazes os desejos de todos os que se submetem a ti. Tu és o criador do ano (pois és tu que colocas a roda do Tempo em movimento, por assumires a forma do sol e dos planetas). Tu és Mantra (na forma do Pranava e outras palavras e sílabas sagradas). Tu és a autoridade para todas as ações (na forma dos Vedas e das escrituras). Tu és a maior Penitência. Tu és dedicado ao Yoga. Tu és aquele que se funde em Brahman (por abstração-Yoga). Tu és a grande semente (sendo a causa das causas). Tu és o expositor do que é imanifesto na forma manifesta na qual o universo existe. Tu és possuidor de poder infinito. Tu és aquele cuja semente é ouro. (A princípio ele criou água e então lançou sua semente nela. Aquela semente se tornou um ovo dourado. Isto também pode significar que Mahadeva é Agni ou a divindade do fogo, pois o ouro representa a semente de Agni.) Tu és onisciente, (sendo como és todas as coisas e o grande conhecedor). Tu és a causa de todas as coisas. Tu és aquele que tem a semente de ações (isto é, ignorância e desejo) como os meios de viajar deste mundo para o outro e do outro para este. (O sentido é este: Jiva carrega aquela semente das ações, ou seja, Ignorância e Desejo, com ele. Por causa desta semente, Jiva viaja de um mundo para outro incessantemente. Esta semente, portanto, é o transporte ou os meios de locomoção de Jiva. Mahadeva é Jiva. A alma é chamada de motorista, e o corpo é o carro que leva a Alma nele.) Tu tens dez braços. Tu tens olhos que não piscam (pois tu vês em todos os momentos). Tu tens uma garganta azul (por teres em tua garganta o veneno que se ergueu após o batimento do oceano e o qual, se não fosse assim mantido, era capaz de destruir o universo). Tu és o Marido de Uma. Tu és a origem de todas as formas infinitas que se encontram no universo. Tu és aquele cuja superioridade é devida a ti mesmo. Tu és um herói em poder (por teres realizado feitos grandiosos tais como a destruição rápida da cidade tripla dos Asuras). Tu és matéria inerte (a qual não pode se mover a menos que coexista com a alma). Tu és todos os tattwas (assuntos de investigação como contados pelos Sankhyas). Tu és o ordenador e soberano dos tattwas. Tu és o chefe daqueles seres que te servem e que são chamados de Ganas. (Este completa os primeiros cem nomes.) Tu cobres o espaço infinito. (Digvasas significa nu. Os Puranas dizem que para espantar as esposas de certos ascetas Mahadeva ficou nu em uma ocasião. O verdadeiro significado, no entanto, é que ele é capaz de cobrir e realmente cobre até o espaço infinito. No sentido de nu, a palavra significa alguém que tem o espaço vazio como sua cobertura ou vestimentas.) Tu és Kama, o Deus do Desejo. Tu és conhecedor dos Mantras (no sentido do conhecimento ser tua penitência em vez de austeridades físicas reais). Tu és o Mantra mais elevado pois tu és aquela filosofia a qual consiste na averiguação da natureza e dos atributos da alma (e suas diferenças do não-Alma). Tu és a causa do universo (já que tudo o que existe surgiu da tua Alma). Tu és o destruidor universal (pois tudo o que cessa de existir imerge em ti que és como o Brahman imanifesto). Tu levas em uma das tuas mãos a cabaça, e em outra tu seguras o arco; em outra mão tu levas as flechas e em outra tu levas uma caveira. Tu carregas o raio. Tu estás armado com o matador de cem ( Sataghni). Tu estás armado com a espada. Tu portas o machado de batalha. Tu estás armado com o Sula (tridente). Tu és adorável. Tu seguras a concha sacrifical em uma das tuas mãos. Tu tens uma bela forma. Tu és dotado de energia abundante. Tu dás na medida mais generosa tudo o que tende a adornar aqueles que são devotados a ti. Tu usas um turbante em tua cabeça. Tu és de rosto belo. Tu és aquele que cresce com esplendor e pujança. Tu és aquele que é humilhe e modesto. Tu és extremamente alto. Tu és aquele que tem os sentidos como teus raios; (ou seja, alguém que revela todos os objetos perante a alma através das portas dos sentidos. Mahadeva é aquele por cuja força a mente consegue adquirir conhecimento através dos sentidos). Tu és o maior dos preceptores. Tu és Brahman Supremo (sendo um estado de pura existência venturosa). Tu és aquele que tomou a forma de um chacal (para consolar o Brahmana que, quando insultado por um Vaisya rico, tinha resolvido cometer suicídio). Tu és aquele cujos objetivos são todos coroados com realização, por si mesmos e sem esperarem pela força (derivável de penitências). Tu és alguém que tem uma cabeça calva (como o símbolo da classe mendicante). Tu és alguém que faz o bem para todas as criaturas. Tu és não nascido. Tu tens inúmeras formas. Tu levas todos os tipos de fragrância em teu corpo. Os cabelos emaranhados em tua cabeça tinham absorvido o rio Ganga quando ele primeiro caiu do céu (embora eles tenham distribuído novamente as águas pelas intensas solicitações do rei Bhagiratha). Tu és o concessor de soberania e domínio. Tu és um Brahmacharin que nunca abandonou o voto rígido de continência. Tu és distinguido por tua abstinência sexual. Tu sempre deitas sobre tuas costas. Tu tens tua residência na Força. Tu tens três tufos de cabelos emaranhados em tua cabeça. Tu és aquele que está vestido em trapos. Tu és Rudra (por tua ferocidade). Tu és o generalíssimo celeste, e tu permeias a tudo. Tu és aquele que se move durante o dia. Tu és aquele que se move à noite. (É dito que as divindades se movem de dia, enquanto os Asuras e Rakshasas durante a noite.) Tu és de cólera feroz. Tu és possuidor de refulgência deslumbrante (nascida de estudo Védico e penitências). Tu és o matador do poderoso Asura que chegou na forma de um elefante enfurecido para destruir tua cidade sagrada de Varanasi. Tu és o matador dos Daityas que se tornam os opressores do universo. Tu és Kala ou Tempo que é o destruidor universal. Tu és o ordenador supremo do universo. Tu és uma mina de realizações excelentes. Tu és da forma do leão e do tigre. Tu és aquele que está vestido na pele de um elefante. Tu és o Yogin que engana o Tempo por transcender sua influência irresistível. Tu és o som original. (O som se torna perceptível somente quando manifestado. Quando ele está imanifestado e jazendo no útero do espaço eterno crê-se que ele tem uma existência.) Tu és a realização de todos os desejos. Tu és aquele que é adorado de quatro maneiras (que são Visva, Taijasa, Prajna, e Sivadhyana). Tu és um viajante noturno (como Vetala e outros). Tu és aquele que vaga na companhia de espíritos. Tu és aquele que vaga na companhia de seres fantasmais. Tu és o Senhor Supremo até de Indra e dos outros celestiais. Tu és aquele que se multiplicou infinitamente na forma de todas as coisas existentes e inexistentes. Tu és o sustentador de Mahat e de todas as inúmeras combinações dos cinco elementos primordiais. Tu és a Ignorância primeva ou Tamas que é conhecida pelo nome de Rahu. Tu és sem medida e por isso infinito. Tu és o Fim supremo que é alcançado pelo Emancipado. Tu gostas muito de dança. Tu és aquele que está sempre ocupado em dançar. Tu és aquele que faz outros dançarem. Tu és o amigo do universo. Tu és aquele cujo aspecto é calmo e brando. Tu és dotado de penitências fortes o suficiente para criar e destruir o universo. Tu és aquele que amarra todas as criaturas com os laços da tua ilusão. Tu és aquele que transcende a destruição. Tu és aquele que mora no monte Kailasa. Tu transcendes todos os vínculos e és independente em relação a todas as coisas, como Espaço. Tu possuis mil braços. Tu és vitória. Tu és aquela perseverança que é a causa do sucesso ou vitória. Tu és sem ociosidade ou procrastinação que interfere com a atividade perseverante. Tu és intrépido. Tu és temor. Tu és aquele que colocou um fim no sacrifício de Vali. (Isto também pode significar que tu és chamado de Buddha que pregou contra todos os sacrifícios.) Tu realizas os desejos de todos os teus devotos. Tu és o destruidor do sacrifício de Daksha. Tu és amável. Tu és levemente amável. Tu és extremamente feroz e privas todas as criaturas de sua energia. Tu és o matador do Asura Vala. Tu és sempre alegre. Tu és da forma de riqueza que é cobiçada por todos. Tu nunca foste derrotado. (O comentador explica que a derrota de Mahadeva pelas mãos de Krishna na cidade de Vana foi devido à bondade de Mahadeva por Krishna, assim como Krishna quebrou seu próprio voto de nunca pegar em armas na batalha de Kurukshetra para honrar seu devoto Bhishma que tinha jurado que iria obrigar Krishna a pegar em armas.) Não há ninguém mais adorável do que tu. Tu és aquele que profere bramidos profundos (na forma de Oceano). Tu és aquilo que é tão profundo que ninguém pode medi-lo (porque tu és da forma de espaço). Tu és aquele cuja força e o poder de cujos companheiros e do touro nunca foram medidos por ninguém. Tu és a árvore do mundo (cujas raízes se estendem para cima e os ramos pendem para baixo). Tu és a banian (figueira-de-bengala). (Quando chega a destruição universal e tudo se torna uma imensa extensão de água, lá aparece uma árvore banian sob cuja sombra o Rishi imortal Markandeya vê um menino que é Mahavishnu.) Tu és aquele que dorme em (forma humana sobre) uma folha quando o universo, depois da dissolução, se torna uma extensão infinita de água. Tu és aquele que mostra compaixão por todos os devotos assumindo, como te agrada, a forma de Hari ou Hara ou Ganesa ou Arka ou Agni ou Vento, etc. Tu és possuidor de dentes que são extremamente afiados (já que tu és capaz de mastigar inúmeros mundos assim como alguém masca nozes e as engole rapidamente). Tu és de dimensões vastas em relação às tuas formas. Tu és possuidor de uma boca que é vasta o suficiente para engolir o universo de uma vez só. Tu és aquele cujas tropas são adoradas em todos os lugares. (Isto também pode significar que tu és aquele à cuja aproximação todas as tropas Daitya fugiram em todas as direções.) Tu és aquele que dissipou todos os temores das divindades quando o príncipe dos elefantes teve que ser capturado. Tu és a semente do universo. Tu és aquele que tem como seu veículo o mesmo touro que forma além disso o emblema em seu estandarte em batalha. Tu tens Agni como tua alma. Tu és Surya que tem corcéis verdes unidos ao seu carro. Tu és o amigo de Jiva. Tu és aquele que está familiarizado com o tempo apropriado para a realização de todas ações religiosas. Tu és aquele para quem Vishnu prestou suas adorações (para obter seu famoso disco). Tu és o sacrifício estando na forma de Vishnu. Tu és o oceano. Tu és a cabeça da Égua Barabanala que vagueia dentro do oceano, incessantemente vomitando fogo e bebendo as águas salinas como se elas fossem manteiga sacrifical. Tu és Vento, o amigo de Agni. Tu és de alma tranquila como o oceano quando em repouso e não agitado pela brisa mais suave. Tu és Agni que bebe as libações de manteiga clarificada despejadas em sacrifícios com a ajuda de Mantras. Tu és aquele de quem é difícil se aproximar. Tu és aquele cuja refulgência se espalha sobre o universo infinito. Tu és sempre habilidoso em batalha. Tu conheces bem a época quando alguém deve se envolver em combate para que a vitória possa ser alcançada. Tu és aquela ciência que trata dos movimentos dos corpos celestes. Tu és da forma do sucesso ou vitória. Tu és aquele cujo corpo é o Tempo (pois teu corpo nunca está sujeito à destruição). Tu és um chefe de família pois tu usas um tufo de cabelo em tua cabeça. Tu és um Sannyasin pois tua cabeça é calva. Tu usas cabelos emaranhados em tua cabeça (sendo, como és, um Vanaprastha, um asceta da floresta). Tu és distinguido por teus raios ardentes (pois o caminho refulgente pelo qual os justos procedem é idêntico a ti). Tu és aquele que aparece no firmamento no coração envolvido no corpo de todas as criaturas. (Brahman é sentido por todos no firmamento de seu próprio coração. Mahadeva, como idêntico a Brahman, está manifestado no coração que está dentro do invólucro físico. Por esta razão pode ser dito que ele que toma nascimento ou aparece em sua refulgência dentro do corpo de todos.) Tu és aquele que entra no crânio (cérebro) de toda criatura. Tu levas as rugas da idade. Tu carregas a flauta de bambu. Tu tens também o tambor. Tu carregas o instrumento musical chamado Tali. Tu tens o recipiente de madeira usado para descascar grãos. Tu és aquele que cobre aquela ilusão a qual cobre Yama. (Kala é Yama. Ele está coberto com a ilusão da Divindade Suprema. Toda esta cobertura ilusória, além disso, tem a Divindade Suprema como sua cobertura. Tu és aquela Divindade Suprema.) Tu és um astrólogo visto que tua compreensão está sempre dirigida para o movimento da roda do tempo que é composta dos corpos luminosos no firmamento. Tu és Jiva cuja compreensão é dirigida para coisas que são o resultado dos atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Tu és aquilo no qual todas as coisas são absorvidas quando a dissolução as alcança. Tu és estável e fixo, não havendo nada em ti que esteja sujeito à mudança ou mutação de qualquer tipo. Tu és o Senhor de todas as criaturas. Teus braços se estendem por todo o vasto universo. Tu estás manifestado em inúmeras formas que são somente frações de ti mesmo. Tu permeias todas as coisas. Tu és aquele que não tem boca (pois tu não desfrutas dos objetos da tua própria criação). Tu és aquele que liberta as criaturas dos laços do mundo. Tu és facilmente alcançável; (ou tu és aquele que protege bem o universo). Tu és aquele que se manifestou com uma armadura dourada. (A armadura dourada sendo a ilusão da Divindade Suprema por causa da qual o universo veio a ser manifestado.) Tu és aquele que aparece no emblema fálico. Tu és aquele que vaga nas florestas em busca de aves e animais. Tu és aquele que vaga sobre a Terra. Tu és aquele que é onipresente. Tu és o clangor que é produzido por todas as trombetas sopradas nos três mundos. Tu és aquele que tem todas as criaturas como seus parentes (Pasupati). Tu és da forma de uma cobra (pois tu és idêntico ao poderoso Naga chamado Sesha). Tu és aquele que vive em cavernas de montanha (como Jaigishavya), ou algum outro Yogin. Tu és idêntico a Guha (o generalíssimo celeste). Tu usas guirlandas de flores. Tu és aquele que desfruta da felicidade que surge da posse de objetos mundanos. (Tu és aquele que está familiarizado com as ondas, ou seja, com as alegrias ou prazeres que resultam da posse ou prazer de coisas mundanas, pois tais alegrias podem realmente ser comparadas a ondas que aparecem e desaparecem na superfície do mar ou oceano da Eternidade.) Tu és aquele de quem todas as criaturas têm derivado seus três estados de nascimento, existência, e destruição. Tu és aquele que sustém todas coisas que existem ou se encontram nos três períodos de tempo, isto é, no Passado, no Presente, e no Futuro. Tu és aquele que liberta as criaturas dos efeitos de todas as ações pertencentes às vidas anteriores assim como daquelas realizadas na vida atual, e de todos os laços devidos à Ignorância e Desejo. Tu és aquele que é o atador dos chefes Asura. (Isto se refere à forma de Vishnu da Divindade Suprema na qual ele atou Vali, o chefe dos Asuras. A forma plural se refere aos sucessivos Kalpas.) Tu és aquele que é o matador de inimigos em combate. Tu és aquele que é alcançável somente pelo conhecimento. Tu és Durvasas. Tu és aquele que é servido e adorado por todos os justos. Tu és aquele que causa a queda até mesmo de Brahma e outros. Tu és aquele que dá para todas as criaturas a justa parte de alegria e dor que cada uma merece de acordo com suas próprias ações. Tu és aquele que é incomparável. Tu conheces bem as porções que são dadas e apropriadas em sacrifícios; (isto é, tu és aquele que conheces bem o ritual dos sacrifícios). Tu resides em todos os lugares. Tu vagas em todos os lugares. Tu és aquele que tem trajes pobres; (ou isto pode significar que tu és aquele que não tem vestimentas, pois nenhum traje pode cobrir teus vastos membros). Tu és Vasava. Tu és imortal. Tu és idêntico às montanhas Himavat. Tu és o criador do ouro puro. Tu és sem ações. Tu conservas em ti mesmo os resultados de todas as ações. Tu és a principal de todas as criaturas que são consideradas como sustentadoras. (Aqueles que sustentam outros são, por exemplo, os elefantes que permanecem nos diferentes pontos do horizonte, a cobra Sesha, etc. O que é dito aqui é que tu és o melhor de todos esses ou de tais seres.) Tu és aquele que tem olhos sangrentos. Tu és aquele que tem olhos cuja visão se estende sobre o universo infinito. Tu és aquele que tem um carro cujas rodas são sempre vitoriosas. Tu és aquele que possui uma vasta erudição. Tu és aquele que aceita teus devotos como teus servos. Tu és aquele que reprime e subjuga teus sentidos. Tu és aquele que age. Tu usas roupas cuja urdidura e tecido são feitos de cobras. Tu és Supremo. Tu és aquele que é o mais inferior dos celestiais. (O sentido é que tu és Vishnu que é o principal dos celestiais e tu és Agni que é o mais baixo dos celestiais; isto é, tu és todos os celestiais.) Tu és aquele que é bem desenvolvido. Tu possuis o instrumento musical chamado Kahala. Tu és o concessor de todos os desejos. Tu és a encarnação da graça em todos os três períodos de Tempo, isto é, no Passado, no Presente, e no Futuro. Tu és possuidor de poder que é sempre bem usado. Tu és aquele que assumiu a forma de Valarama (o irmão mais velho de Krishna). Tu és a principal de todas as coisas serenas, sendo Emancipação ou o mais sublime de todos os fins aos quais criaturas alcançam. Tu és o dador de todas as coisas. Teu rosto está virado para todas as direções. Tu és aquele de quem diversas criaturas têm surgido assim como todas as formas têm surgido do espaço ou são modificações daquele elemento primordial. Tu és aquele que cai dentro da cova chamada corpo. (O corpo é por assim dizer uma cova na qual a alma cai, determinada por Desejo e Ignorância.) Tu és aquele que está desamparado (pois, caindo na cova constituída pelo corpo, tu não podes transcender a tristeza que é tua sina). Tu resides no firmamento do coração. Tu és extremamente feroz em forma. Tu és a Divindade chamada Ansu. Tu és o companheiro de Ansu e és chamado de Aditya. Tu possuis raios incontáveis. Tu és dotado de esplendor deslumbrante. Tu tens a velocidade do Vento. Tu és possuidor de velocidade que é maior do que a do Vento. Tu possuis a velocidade da mente. Tu és Nishachara porque tu desfrutas de todas as coisas, estando envolvido em Ignorância. (Nisachara é alguém agindo através de nisa, ou Avidya, isto é, alguém que desfruta de todos os objetos, implicando Jiva envolvido em Ignorância.) Tu resides em todos os corpos. Tu vives com Prosperidade como tua companheira. Tu és aquele que dá conhecimento e instrução. Tu és aquele que dá instrução em silêncio completo. Tu és aquele que cumpre o voto de taciturnidade (pois tu instruis em silêncio). Tu és aquele que vai além do corpo, olhando para a alma. (A Alma pode olhar a Alma ou a si mesma, se ela puder transcender o corpo com a ajuda de Yoga.) Tu és aquele que é bem adorado. Tu és o dador de milhares (já que o senhor de todos os tesouros derivou aqueles seus tesouros de ti). Tu és o príncipe das aves, (sendo Garuda, o filho de Vinata e Kasyapa). Tu és o amigo que dá ajuda. Tu possuis refulgência excessiva (pois teu esplendor é como aquele de um milhão sóis surgidos juntos). Tu és o Mestre de todos os seres criados. Tu és aquele que provoca os apetites. Tu és a divindade do Desejo. Tu és da forma de mulheres encantadoras que são cobiçadas por todos. Tu és a árvore do mundo. Tu és o Senhor dos Tesouros. Tu és o dador de fama. Tu és a Divindade que distribui para todas as criaturas os frutos (na forma de alegrias e dores) de suas ações. Tu mesmo és aqueles frutos os quais tu distribuis. Tu és o mais antigo (tendo existido desde um tempo quando não havia outra coisa existente). Tu és competente para cobrir com um único passo teu todos os três mundos. Tu és Vamana (o anão) que enganou o Asura chefe Vali (e privando-o de sua soberania a devolveu para Indra). Tu és o Yogin coroado com sucesso (como Sanatkumara e outros). Tu és um grande Rishi (como Vasishtha e outros). Tu és alguém cujos objetivos são sempre coroados com êxito (como Rishava ou Dattatreya). Tu és um Sannyasin (como Yajnavalkya e outros). Tu és aquele está adornado com os símbolos da classe mendicante. Tu és aquele que está sem tais símbolos. (O comentador explica que a primeira palavra significa que tu és Hansa e que a segunda palavra significa que tu és Paramahansa.) Tu és aquele que transcende os costumes da classe mendicante. Tu és aquele que protege todas as criaturas de todo tipo de medo. Tu és sem quaisquer emoções em ti mesmo (de modo que glória e humilhação são iguais para ti). Tu és aquele que é chamado de generalíssimo celeste. Tu és aquele Visakha que surgiu do corpo do generalíssimo celeste quando Indra arremessou seu raio nele. Tu és conhecedor dos sessenta tattwas ou tópicos de investigação no universo. Tu és o Senhor dos sentidos (pois estes realizam suas respectivas funções guiados por ti). Tu és aquele que está armado com o raio (e que racha as montanhas). Tu és infinito. Tu és aquele que entorpece as tropas Daitya no campo de batalha. Tu és aquele que move seu carro em círculos entre suas próprias tropas e que faz círculos similares entre as tropas de seus inimigos e que retorna são e salvo de depois devastá-las. Tu és aquele que está familiarizado com a mais baixa profundidade do oceano do mundo (por teu conhecimento de Brahman). Tu és aquele chamado Madhu (que fundou a linhagem na qual Krishna nasceu). Tu tens olhos cuja cor parece com aquela do mel. Tu és aquele que tomou nascimento depois de Vrihaspati. Tu és aquele que faz as ações as quais os Adhyaryus têm que fazer em sacrifícios. Tu és aquele que é sempre adorado pelas pessoas quaisquer que sejam seus modos de vida. Tu és devotado a Brahman. Tu vagas entre as habitações dos homens no mundo (por tu seres um mendicante). Tu és aquele que permeia todos os seres. Tu és aquele que está familiarizado com a verdade. Tu conheces e guias todos os corações. Tu és aquele que cobre o universo inteiro. Tu és aquele que reúne ou armazena as ações boas e más de todas as criaturas a fim de lhes conceder os resultados delas. Tu és aquele que vive mesmo durante a noite que se segue à dissolução universal. Tu és o protetor manejando o arco chamado Pinaka. Tu resides até nos Daityas que são os alvos nos quais tu atiras tuas setas. Tu és o criador da prosperidade. Tu és o poderoso macaco Hanuman que ajudou Vishnu na encarnação de Rama em sua expedição contra Ravana. Tu és o senhor poderoso daqueles Ganas que são teus companheiros. Tu és cada membro daqueles diversos Ganas. Tu és aquele que alegra todas as criaturas. Tu és o aumentador das alegrias de todos; (ou também aquele que retira ou recolhe as alegrias previamente concedidas). Tu tiras a soberania e prosperidade até de seres importantes tais como Indra e outros. Tu és o matador universal na forma de Morte. Tu és aquele que reside nos sessenta e quatro Kalas. Tu és muito grande. Tu és o Avô (sendo o pai do grande pai de todos). Tu és o emblema fálico supremo que é adorado pelas divindades e Asuras. Tu tens feições agradáveis e belas. Tu és aquele que preside sobre a variedade de evidências e tendências para ação e inação. Tu és o senhor da visão. Tu és o Senhor do Yoga (por recolheres todos os sentidos no coração e combiná-los juntos naquele local). Tu és aquele que sustém a Krita e as outras eras (por fazê-las seguirem incessantemente). Tu és o Senhor das sementes (por seres o dador dos frutos de todas as ações boas e más). Tu és a causa original de tais sementes. Tu ages das maneiras que são indicadas nas escrituras iniciando com aquelas que tratam da Alma. Tu és aquele em quem reside o poder e os outros atributos. Tu és o Mahabharata e outras histórias do tipo. Tu és os tratados chamados Mimansa. Tu és Gautama (o fundador da ciência de dialética). Tu és o autor do grande tratado sobre Gramática que recebeu o nome da Lua. Tu és aquele que castiga seus inimigos. Tu és aquele a quem ninguém pode castigar. Tu és aquele que é sincero a respeito de todas as suas ações e observâncias religiosas. Tu és aquele que se torna obediente àqueles que são devotados a ti. Tu és aquele que é capaz de reduzir outros à submissão. Tu és aquele que fomenta brigas entre as divindades e os Asuras. Tu és aquele que criou os quatorze mundos (começando com Bhu). Tu és o protetor e cuidador de todos os Seres começando com Brahma e terminando com as formas inferiores de vida vegetal (como grama e palha). Tu és o Criador até dos cinco elementos originais. Tu és aquele que nunca desfruta de algo (pois tu és sempre independente). Tu és livre de deterioração. Tu és a forma de felicidade mais sublime. Tu és uma divindade orgulhosa de seu poder. Tu és Sakra. Tu és a punição que é citada em tratados sobre moralidade e que é infligida sobre transgressores. Tu és da forma daquela tirania que prevalece no mundo. Tu és de Alma pura. Tu és imaculado (estando acima de todos os tipos de imperfeições). Tu és digno de adoração. Tu és o mundo que aparece e desaparece incessantemente. Tu és aquele cuja graça é da medida mais ampla. Tu és aquele que tem bons sonhos. Tu és um espelho no qual o universo está refletido. Tu és aquele que subjugou todos os inimigos internos e externos. Tu és o criador dos Vedas. Tu és o criador daquelas declarações que estão contidas nos Tantras e nos Puranas e que estão incorporadas em linguagem que é humana. (A linguagem do Veda é divina. Aquela das escrituras é humana.) Tu és possuidor de grande erudição. Tu és o opressor de inimigos em batalha. Tu és aquele que reside nas nuvens terríveis que aparecem na época da dissolução universal. Tu és o mais terrível (por causa da dissolução do universo que tu ocasionas). Tu és aquele que consegue subjugar todas as pessoas e todas as coisas. Tu és o grande Destruidor. Tu és aquele que tem fogo como sua energia. Tu és aquele cuja energia é mais poderosa do que o fogo. Tu és aquele fogo-Yuga que consome todas as coisas. Tu és aquele que é capaz de ser satisfeito por meio de libações sacrificais. Tu és água e outros líquidos que são derramados em sacrifícios com a ajuda de Mantras. Tu estás na forma da Divindade da Justiça, o distribuidor dos resultados que se vinculam às ações boas e más. Tu és o concessor de felicidade. Tu estás sempre dotado de esplendor. Tu és da forma do fogo. Tu és da cor da esmeralda. Tu estás sempre presente no emblema fálico. Tu és a fonte de bem-aventurança. Tu não podes ser frustrado por algo na execução de teus objetivos. Tu és o concessor de bênçãos. Tu és da forma da bem- aventurança. Tu és aquele para quem é dada uma parte das oferendas sacrificais. Tu és aquele que distribui para cada um sua parte daquilo que é oferecido em sacrifícios. Tu és dotado de grande velocidade. Tu és aquele que está dissociado de todas as coisas. Tu és aquele que é possuidor do membro mais poderoso. Tu és aquele que está ocupado na ação de geração. Tu tens uma cor escura, (na forma de Vishnu). Tu tens uma cor branca (na forma de Samva, o filho de Krishna). Tu és os sentidos de todas as criaturas incorporadas. Tu és possuidor de pés vastos. Tu tens mãos vastas. Tu és de corpo vasto. Tu és dotado de fama amplamente expandida. Tu tens uma cabeça vasta. Tu és de medidas amplas. Tu és de visão ampla. Tu és o lar da escuridão da ignorância. Tu és o Destruidor do Destruidor. Tu és possuidor de orelhas vastas. Tu tens lábios vastos. Tu és aquele que tem bochechas vastas. Tu tens um nariz vasto. Tu tens uma vasta garganta. Tu tens um pescoço vasto. Tu és aquele que rompe o vínculo do corpo; (ou seja, que consegue efetuar sua Emancipação). Tu tens um peito vasto. Tu tens um tórax vasto. Tu és a alma interna que reside em todas as criaturas. Tu tens um veado em teu colo. Tu és aquele de quem inúmeros mundos pendem como frutos pendendo de uma árvore. Tu és aquele que estica seus lábios no tempo da dissolução universal para engolir o universo. Tu és o oceano de leite. Tu tens dentes vastos. Tu tens mandíbulas vastas. Tu tens um pêlo vasto. (Mahanakha se refere à encarnação de Narasingha ou o Homem-leão assumida para matar o Daitya Hiranyakasipu, o pai de Prahlada. Maharoman se refere à forma do poderoso ou vasto Javali que a Divindade Suprema assumiu para erguer em suas presas a Terra submersa.) Tu tens cabelos de comprimento infinito. Tu tens um estômago vasto. Tu tens madeixas emaranhadas de comprimento vasto. Tu estás sempre alegre. Tu és da forma da graça. Tu és da forma da crença. Tu és aquele que tem montanhas como seu arco (ou armas em batalha). Tu és aquele que é cheio de afeição por todas as criaturas como um pai por sua prole. Tu és aquele que não tem afeição. Tu és invicto. Tu és extremamente dedicado à contemplação (Yoga). Tu és da forma da árvore do mundo. (Como o mundo tem sido comparado a uma árvore foi explicado nas seções Moksha do Santi Parvan.) Tu és aquele que é indicado pela árvore do mundo. (Isto é explicado no sentido de ninguém ser capaz de perguntar sobre Brahman a menos que ele tenha um corpo, por mais que sutil, com os sentidos e compreensão necessários. Isto pode também significar que a árvore do mundo fornece evidência da existência da Divindade Suprema.) Tu nunca estás saciado quando comendo (por seres da forma do fogo, pois de todos os elementos, o fogo nunca está saciado com a quantidade oferecida a ele para consumo). Tu és aquele que tem o Vento como seu veículo para ir de lugar para lugar (por tua identidade com o fogo). Tu és aquele que vaga sobre colinas e pequenos cumes. Tu és aquele que tem sua residência nas montanhas de Meru. Tu és o chefe dos celestiais. Tu tens os Atharvans como tua cabeça. Tu tens os Samans como tua boca. Tu tens os mil Richs como teus olhos incomensuráveis. Tu tens os Yajushes como teus pés e mãos. Tu és os Upanishads. Tu és o corpo inteiro de rituais (que se encontram nas escrituras). Tu és tudo o que é móvel. Tu és aquele cujas solicitações nunca são não realizadas. Tu és aquele que está sempre inclinado à benevolência. Tu és aquele que é de forma bela. Tu és da forma do bem que alguém faz para outro. Tu és aquilo que é querido. Tu és aquele que sempre avança na direção dos teus devotos (em proporção a como estes avançam para te encontrar). Tu és o ouro e outros metais preciosos que são considerados valiosos por todos. Tua refulgência é como aquela do ouro polido. Tu és o umbigo (do universo). Tu és aquele que faz que os frutos dos sacrifícios crescerem (para o benefício daqueles que realizam sacrifícios para tua glória). Tu és da forma daquela fé e devoção as quais os justos têm em relação aos sacrifícios. Tu és o artífice do universo. Tu és tudo o que é imóvel (na forma de montanhas e outros objetos inertes). Tu és os doze períodos de vida pelos quais uma pessoa passa. (Estes são os dez anteriormente enumerados, iniciando com residência no útero da mãe e terminando com a morte como o décimo, com céu o décimo primeiro e Emancipação o décimo segundo.) Tu és aquele que causa pavor (por assumir os estados intermediários entre os dez enumerados). Tu és o início de todas as coisas. Tu és aquele que une Jiva com o Brahman Supremo através de Yoga. Tu és identificável com aquele Yoga que causa tal união entre Jiva e o Brahman Supremo. Tu és imanifesto (sendo o estupor mais profundo). Tu és a divindade que preside a quarta era (por causa de tua identidade com luxúria e ira e cobiça e outras paixões más que fluem daquela divindade). (Deve ser lembrado que Kali é a era de pecaminosidade ou a divindade que preside aquela era, por conseguinte, malévola, ela é altamente favorável à Emancipação. O mundo sendo geralmente pecaminoso, aqueles que conseguem viver justamente nesta era ou sob o domínio desta divindade malévola alcançam o céu muito rapidamente se o céu for seu objetivo, ou a Emancipação se eles se esforçam pela Emancipação.) Tu és o Tempo eterno (por tu seres da forma daquela sucessão contínua de nascimento e morte que segue no universo). Tu és da forma da Tartaruga. (Significando que tu assumes a forma da constelação chamada Ursa Maior, e se movendo adiante no espaço causas o passar do Tempo. Esta constelação, na astronomia Hindu, é conhecida pelo nome de Sisumara por causa de sua semelhança com a forma de uma tartaruga.) Tu és adorado pelo próprio Destruidor. Tu vives no meio de companheiros. Tu aceitas teus devotos como membros do teu Gana. Tu tens o próprio Brahma como o motorista do teu carro. Tu dormes sobre cinzas. (Nesse caso a palavra cinzas quer dizer alguma coisa que dissipa, rompe todos os vínculos, e cura todas as doenças. Cinzas são usadas por Sannyasins para esfregar seus corpos como um sinal de que eles consumiram todos os pecados e cortaram todos os laços e se libertaram de todas as doenças.) Tu proteges o universo com cinzas. (Mahadeva deu uma quantidade de cinzas para seus devotos para protegê-los do pecado.) Tu és aquele cujo corpo é feito de cinzas. (Veja a história de Mankanaka. O Rishi desse nome, vendo suco vegetal emanando de seu corpo, começou a dançar em alegria. O universo inteiro, dominado por uma influência empática, começou a dançar com ele. Nisto, para proteger o universo, Mahadeva se mostrou para Mankanaka e, apertando seus dedos, tirou uma quantidade de cinzas, mostrando dessa maneira que seu corpo era feito de cinzas.) Tu és a árvore que concede a realização de todos os desejos. Tu és da forma daqueles que constituem teu Gana. Tu és o protetor das quatorze regiões. Tu transcendes todas as regiões. Tu és completo, (não havendo deficiência). Tu és adorado por todas as criaturas. Tu és branco (sendo puro e imaculado). Tu és aquele que tem seu corpo, fala e mente perfeitamente imaculados. Tu és aquele que alcançou àquela pureza de existência que é chamada de Emancipação. Tu és aquele que é incapaz de ser maculado por impurezas de qualquer tipo. Tu és aquele que foi alcançado pelos grandiosos preceptores de antigamente. Tu resides na forma de Justiça ou dever nos quatro modos de vida. Tu és aquela Justiça a qual é da forma de ritos e sacrifícios. Tu és da forma daquela habilidade que é possuída pelo artífice celeste do universo. Tu és aquele que é adorado como a forma primeva do universo. Tu tens braços vastos. Teus lábios são de uma cor de cobre. Tu és da forma das águas vastas que estão contidas no Oceano. Tu és extremamente estável e fixo (sendo da forma de montanhas e colinas). Tu és Kapila. Tu és moreno. Tu és todas as cores cuja mistura produz branco. Tu és o período de vida. Tu és antigo. Tu és recente. Tu és um Gandharva. Tu és a mãe dos celestiais na forma de Aditi (ou a mãe de todas as coisas, na forma da Terra). Tu és Garuda, o príncipe das aves, nascido de Vinata por Kasyapa, também chamado Tarkshya. Tu és capaz de ser compreendido com facilidade. Tu és de fala excelente e agradável. Tu és aquele que está armado com o machado de batalha. Tu és aquele que está desejoso de vitória. Tu és aquele que ajuda outros na realização dos seus projetos. Tu és um amigo excelente. (Como Krishna, o amigo de Arjuna.) Tu és aquele que carrega um Vina feito de duas cabaças ocas. Tu és de ira terrível (a qual tu mostras na época da dissolução universal). Tu possuis como tua prole seres mais elevados do que homens e divindades (isto é, Brahma e Vishnu). Tu és da forma daquele Vishnu que flutua nas águas depois da dissolução universal. Tu devoras todas as coisas com grande ferocidade. Tu és aquele que procria descendência. Tu és família e linhagem, continuando de geração em geração. Tu és o clangor que uma flauta de bambu produz. Tu és perfeito. Tu és aquele cujo corpo tem todos os membros belos. Tu és cheio de ilusão. Tu fazes bem para outros sem esperar alguma retribuição. Tu és Vento. Tu és Fogo. Tu és os laços dos mundos que atam Jiva. Tu és o criador daqueles laços. Tu és aquele que rompe tais laços. Tu és aquele que mora até com os Daityas (que são os inimigos de todos os sacrifícios). Tu resides com aqueles que são inimigos de todas as ações (e que abandonaram todas as ações). Tu és de dentes grandes, e tu és de armas poderosas. Tu és aquele que tem sido imensamente criticado. Tu és aquele que entorpeceu os Rishis residentes na floresta Daruka. Tu és aquele que fez o bem até para teus caluniadores, isto é, aqueles Rishis residentes na floresta Daruka. Tu és aquele que dissipa todos os temores e que dissipando todos os temores daqueles Rishis lhes deu a Emancipação. Tu és aquele que não tem riqueza (por sua inabilidade para obter até seus trajes necessários para uso.) Tu és senhor dos celestiais. Tu és o maior dos deuses (por tu seres adorado até por Indra e outros que são considerados como os mais importantes dos celestiais). Tu és um objeto de adoração até para Vishnu. Tu és o matador daqueles que são os inimigos das divindades. Tu és aquele que reside (na forma da cobra Sesha) na região mais baixa. (No mito Purânico, a Terra é descrita como sendo sustentada no espaço vazio por uma cobra imensa chamada Sesha. Mahadeva é aquele Sesha, também chamado Ananta.) Tu és invisível, mas capaz de ser compreendido, assim como o vento o qual embora seja invisível é percebido por todos. Tu és aquele cujo conhecimento se estende até as bases de tudo e para quem todas as coisas, mesmo em sua natureza interna, são conhecidas. Tu és o objeto que é desfrutado por aquele que o desfruta. Tu és aquele entre os onze Rudras que é chamado de Ajaikapat. Tu és o soberano do universo inteiro. Tu és da forma de todos os Jivas no universo (por tu estares coberto pelos três atributos bem conhecidos de Sattwa, Rajas, e Tamas). Tu és aquele que não está sujeito àqueles três atributos. Tu és aquele que transcende todos os atributos e é um estado de existência pura que não pode ser descrito com a ajuda de algum adjetivo que a linguagem possa produzir. Tu és o príncipe dos médicos chamado Dhanwantari. Tu és um cometa (por causa das calamidades que fluem de ti para os pecaminosos). Tu és o generalíssimo celeste chamado Skanda. Tu és o rei dos Yakshas, chamado Kuvera, que é teu companheiro inseparável e que é o Senhor de todos os tesouros do mundo. Tu és Dhatri. Tu és Sakra. Tu és Vishnu. Tu és Mitra. Tu és Tashtri (o artífice Celeste). Tu és a Estrela Polar. Tu és aquele que sustém todas as coisas. Tu és aquele chamado Prabhava entre os Vasus. Tu és o vento que é capaz de ir a todos os lugares (sendo o Sutra-atma que conecta todas as coisas no universo com um fio). Tu és Aryaman. Tu és Savitri. Tu és Ravi. Tu és aquele rei antigo de grande renome conhecido pelo nome de Ushangu. Tu és aquele que protege todas as criaturas de diversas maneiras. Tu és Mandhatri (por causa da tua competência para satisfazer todas as criaturas). Tu és aquele de quem todas as criaturas começam a viver. Tu és aquele que existe em diversas formas. Tu és aquele que faz as diversas cores existirem no universo. Tu és aquele que mantém todos os desejos e todos os atributos (porque estes fluem de ti). Tu és aquele que tem o lótus em seu umbigo; (isto é, Mahavishnu, de cujo umbigo surgiu o lótus primordial dentro do qual nasceu Brahma.) Tu és aquele dentro de cujo útero estão inúmeras criaturas poderosas. Tu és de rosto tão belo quanto a lua. Tu és vento. Tu és fogo. Tu és possuidor de poder excessivo. Tu és dotado de tranquilidade de alma. Tu és velho. Tu és aquele que é conhecido com a ajuda da Virtude. Tu és Lakshmi. Tu és o criador do campo daquelas ações (pelas quais as pessoas adoram a Divindade Suprema). Tu és aquele que vive no campo de ação. Tu és a alma do campo de ação. Tu és o remédio ou causador dos atributos de soberania e os outros. Todas as coisas se encontram em ti (pois, como os Srutis declaram, todas as coisas se tornam unas em ti, tu mesmo sendo da natureza daquela inconsciência que se manifesta no sono sem sonhos). Tu és o senhor de todas as criaturas dotadas de ares vitais. Tu és o deus dos deuses. Tu és aquele que está ligado à felicidade. Tu és Sat (na forma de causa). Tu és Asat (na forma de efeito). Tu és aquele que possui a melhor de todas as coisas. Tu és aquele que reside nas montanhas de Kailasa. Tu és aquele que se dirige para as montanhas de Himavat. Tu arrastas para longe todas as coisas além de ti como uma corrente poderosa arrastando árvores e outros objetos permanecendo em suas margens. Tu és o criador de Pushkara e outros grandes lagos e partes de água natural. Tu possuis conhecimento de espécies infinitas. Tu és o concessor de bênçãos infinitas. Tu és um comerciante (que transporta os bens deste país para aquele país e traz os bens daquele país para este para a conveniência de seres humanos). Tu és um carpinteiro. Tu és a árvore (do mundo que fornece a madeira para o teu machado). Tu és a árvore chamada Vakula (Mimusops Elengi, Linn.) Tu és a árvore de sândalo (Santalum album, Linn.). Tu és a árvore chamada Chcchada (Alstonia Scholaris, syn Echitis, Scholaris, Roxb.). Tu és aquele cujo pescoço é muito forte. Tu és aquele cuja junta de ombro é vasta. Tu não és impaciente (mas dotado de serenidade em todos os teus atos em relação a todas as tuas faculdades). Tu és as principais ervas e plantas com seus produtos (na forma de arroz e trigo e o outras variedades de grãos). Tu és aquele que concede sucesso a outros com relação aos objetivos sobre os quais eles colocam seu coração. Tu és todas as conclusões corretas a respeito dos Vedas e Gramática. Tu és aquele que profere rugidos leoninos. Tu és dotado de presas leoninas. Tu montas nas costas de um leão para realizar tuas viagens. Tu possuis um carro que é puxado por um leão. Tu és aquele chamado de a verdade da verdade; (literalmente, a Alma de existência real). Tu és aquele cuja tigela ou prato é constituído pelo Destruidor do universo. (As pessoas comem em pratos de prata ou ouro ou de outros metais. Mahadeva tem como seu prato Kala ou o destruidor do universo.) Tu estás sempre empenhado em procurar o bem dos mundos. Tu és aquele que resgata todas as criaturas da angústia (e as leva à bem-aventurança da Emancipação). Tu és a ave chamada Saranga. Tu és um cisne novo (jovem). Tu és aquele que é revelado em beleza por causa da crista que tu tens em tua cabeça (como o galo ou o pavão). Tu és aquele que protege o lugar onde asembléias de sábios sentam para ministrar justiça. Tu és a residência de todas as criaturas. Tu és aquele que cuida de todas as criaturas. Tu és Dia e Noite (os quais são os elementos constituintes da Eternidade). Tu és aquele que é sem defeitos e, portanto, nunca criticado. Tu és o mantenedor de todas as criaturas. Tu és o amparo de todas as criaturas. Tu és sem nascimento. Tu és existente. Tu és sempre produtivo. Tu és dotado de Dharana e Diana e Samadhi. Tu és o corcel Uchchaisravas. Tu és o dador de alimento. Tu és aquele que mantém os ares vitais das criaturas vivas. Tu és dotado de paciência. Tu és possuidor de inteligência. Tu és dotado de esforço e inteligência. Tu és honrado por todos. Tu és o concessor dos frutos de virtude e pecado. Tu és aquele que cuida dos sentidos (pois os sentidos conseguem realizar suas respectivas funções por causa de ti que presides sobre eles). Tu és o senhor de todos os corpos luminosos. Tu és todas as coleções de objetos. Tu és aquele cujos trajes são feitos de couro bovino. Tu és aquele que dissipa a aflição de seus devotos. Tu tens um braço dourado. Tu és aquele que protege os corpos dos Yogins que procuram entrar em si mesmos. Tu és aquele que reduziu a nada todos os seus inimigos. (Mahadeva é o principal dos Sadhakas ou devotos engajados em alcançar um objetivo específico, pois ele se emaciou ou reduziu a nada todos os seus inimigos na forma de todas as emoções boas e más.) Tu és aquele cuja medida de contentamento é muito grande. Tu és aquele que alcançou vitória sobre a divindade do desejo que é irresistível. Tu és aquele que tem subjugado seus sentidos. Tu és a nota chamada Gandhara na oitava musical. Tu és aquele que tem um lar excelente e belo (por ele estar localizado sobre as encantadoras montanhas de Kailasa). Tu és aquele que está sempre ligado às penitências. Tu és da forma de alegria e contentamento. Tu és aquele chamado vasto ou infinito. Tu és aquele em cuja honra os principais dos hinos têm sido compostos. Tu és aquele cuja dança é caracterizada por passos largos e saltos grandes. Tu és aquele que é adorado com reverência pelas diversas tribos de Apsaras. Tu és aquele que possui um vasto estandarte (portando o emblema do touro). Tu és as montanhas de Meru. Tu és aquele que vaga entre todos os topos daquela grande montanha. Tu és tão móvel que é muito difícil te capturar. Tu és capaz de ser explicado por preceptores para discípulos, embora tu não possas ser descrito em palavras. Tu és da forma daquela instrução que preceptores dão para discípulos. Tu és aquele que pode perceber todos os aromas agradáveis simultaneamente ou no mesmo instante de tempo. Tu és da forma dos portões de entrada de cidades e palácios. Tu és da forma dos fossos e trincheiras que circundam cidades fortificadas e dão a vitória à guarnição sitiada. Tu és o Vento. Tu és da forma de cidades fortificadas e cercadas por muros e fossos. Tu és o príncipe de todas as criaturas aladas, (sendo, como tu és, da forma de Garuda). Tu és aquele que multiplica a criação por meio de união com os sexos opostos. Tu és o principal de todos com relação a virtudes e conhecimento. Tu és superior até àquele que é o principal de todos em virtudes e conhecimento. Tu transcendes toda virtude e conhecimento. Tu és eterno e imutável como também dependente de ti mesmo. Tu és o mestre e protetor das divindades e Asuras. Tu és o mestre e protetor de todas as criaturas. Tu és aquele que veste uma cota de malha. Tu és aquele cujos braços são competentes para oprimir todos os inimigos. Tu és um objeto de adoração até para aquele que é chamado de Suparvan (Mahan) no céu. Tu és aquele que concede o poder de suportar ou de sustentar todas as coisas. (Mahadeva é aquele que faz as criaturas serem capazes de suportar todas as coisas, isto é, todas as dores e todas as alegrias, como também a influência de todos os objetos físicos que é tolerada quietamente sem a vida ser destruída.) Tu mesmo és capaz de suportar todas as coisas. Tu és fixo e firme (sem ser instável em absoluto). Tu és branco ou puro (sendo, como és, sem qualquer mancha ou mácula). Tu carregas o tridente que é capaz de destruir (todas as coisas). Tu és o concessor de corpos ou formas físicas para aqueles que revolvem constantemente no universo de nascimento e morte. Tu és mais valioso do que a riqueza. Tu és a conduta ou caminho dos justos (na forma de bondade e cortesia). Tu és aquele que arrancou a cabeça de Brahma depois de deliberação adequada (e não impelido por mera raiva). Tu és aquele que está marcado com todos aqueles sinais auspiciosos que são mencionados nas ciências de quiromancia e frenologia e outros ramos de conhecimento que tratam do corpo físico como o indicador de peculiaridades mentais. Tu és aquela barra de madeira que é chamada de o Aksha de um carro e, portanto, tu és aquele que está ligado ao carro representado pelo corpo. Tu estás ligado a todas as coisas (por permeares todas as coisas como sua alma). Tu és dotado de um poder muito grande, sendo como tu és um herói de heróis. Tu és o Veda. Tu és os Smritis, os Itihasas, os Puranas, e outras escrituras. Tu és a divindade ilustre de todos santuários sagrados. Tu és aquele que tem a Terra como seu carro. Tu és os elementos inertes que entram na composição de todas as criaturas. Tu és aquele que dá vida para todas as combinações daqueles elementos inertes. Tu és o Pranava e outros Mantras sagrados que infundem vida na matéria morta. Tu és aquele que lança olhares tranquilos. Tu és extremamente severo (por seres o destruidor de todas as coisas). Tu és aquele em quem estão inúmeros atributos e posses preciosos. Tu és um corpo que é vermelho. Tu és aquele que tem todos os vastos oceanos assim como muitos tanques cheios para beber. (O sentido é este: um nipana é um tanque raso ou vala onde o gado bebe. Os próprios oceanos são os nipanas de Mahadeva.) Tu és a raiz da árvore do mundo. Tu és extremamente belo e brilhas com magnificência insuperável. Tu és da forma de ambrosia ou néctar. Tu és causa e efeito. Tu és um oceano de penitências (sendo um grande Yogin como tu és). Tu és aquele que está desejoso de ascender ao estado de existência mais elevado. Tu és aquele que já chegou àquele estado. Tu és aquele que é distinguido pela pureza de sua conduta e atos e observâncias. Tu és aquele que possui grande fama (pela Virtude de seu comportamento). Tu és o ornamento de exércitos (sendo como tu és da forma da destreza e coragem). Tu és aquele que está enfeitado com ornamentos celestes. Tu és Yoga. Tu és aquele de quem flui o tempo eterno medido por Yugas e Kalpas. Tu és aquele que transfere todas as criaturas de lugar. Tu és da forma da Virtude e pecado e sua mistura (tais como são manifestados nos sucessivos Yugas). Tu és grande e informe. Tu és aquele que matou o poderoso Asura que tinha se aproximado contra a cidade sagrada de Varanasi na forma de um elefante enfurecido de proporções enormes. Tu és da forma da morte. Tu dás para todas as criaturas a realização de seus desejos de acordo com seus méritos. Tu és acessível. Tu és conhecedor de todas as coisas que estão além do alcance dos sentidos. Tu és conhecedor dos Tattwas (e portanto, totalmente estável). Tu és aquele que brilha incessantemente em beleza. Tu usas guirlandas que se estendem do teu pescoço até os pés. Tu és aquele Hara que tem a Lua como seu belo olho. Tu és o oceano salgado de vasta extensão. Tu és os primeiros três Yugas (Krita, Treta, e Dwapara). Tu és aquele cujo aparecimento está sempre repleto de vantagem para outros. Tu és aquele que tem três olhos (na forma das escrituras, do preceptor, e da meditação). Tu és aquele cujas formas são extremamente sutis (sendo como tu és as formas sutis dos elementos primordiais). Tu és aquele cujas orelhas estão furadas para usar os Kundalas adornados com jóias. Tu és o portador de madeixas emaranhadas. Tu és o ponto (no alfabeto) que indica o som nasal. Tu és os dois pontos, isto é, Visarga (no alfabeto Sânscrito o qual indica o som do H aspirado). Tu és possuidor de uma face excelente. Tu és a flecha que é atirada pelo guerreiro para causar a destruição de seu inimigo. Tu és todas as armas que são usadas por guerreiros. Tu és dotado de paciência capaz de suportar todas as coisas. Tu és aquele cujo conhecimento surgiu da cessação de todas as funções físicas e mentais; (isto é, tu possuis conhecimento Yoga). Tu és aquele que veio a ser manifestado como Verdade em consequência da cessação de todas as outras faculdades. Tu és aquela nota a qual, surgindo da região chamada Gandhara, é extremamente agradável para o ouvido. Tu és aquele que está armado com o arco poderoso (chamado Pinaka). Tu és aquele que é a compreensão e os desejos que existem em todas as criaturas, sendo além disso o sustentáculo supremo de todos os seres. Tu és aquele de quem todas as ações fluem. Tu és aquele vento que surge no tempo da dissolução universal e que é capaz de bater o universo inteiro assim como o bastão nas mãos da leiteira bate o leite no pote de leite. Tu és aquele que é completo. Tu és aquele que vê todas as coisas. Tu és o som que resulta de bater uma palma contra a outra. Tu és aquele a palma de cuja mão serve como o prato ou tigela de onde ele come seu alimento. Tu és aquele que possui um corpo adamantino. Tu és extremamente grande. Tu tens a forma de um guarda-sol. Tu és aquele que tem um guarda-sol excelente. Tu és bem conhecido como idêntico a todas as criaturas. Tu és aquele que tendo manifestado três pés cobriu todo o universo com dois e faltou espaço para o restante. Tu és aquele cuja cabeça é calva. Tu és aquele cuja forma é extremamente feia e feroz. Tu és aquele que tem sofrido modificações infinitas e se tornado todas coisas no universo. Tu és aquele que porta o bem conhecido símbolo de Sanyasa, isto é, o bastão. Tu és aquele que tem um Kunda. Tu és aquele que é incapaz de ser alcançado por meio de ações. Tu és aquele que é idêntico ao rei das feras de olhos verdes (isto é, o leão). Tu és da forma de todos os pontos da bússola. Tu és aquele que está armado com o trovão. Tu és aquele que tem cem línguas. Tu és aquele que tem mil pés e mil cabeças. Tu és o senhor e chefe dos celestiais. Tu és aquele que é composto de todos os deuses. Tu és o grande Mestre ou preceptor. Tu és aquele que tem mil braços. Tu és aquele que é competente para obter a realização de todos os desejos. Tu és aquele cuja proteção é procurada por todos. Tu és aquele que é o criador de todos os mundos. Tu és aquele que é o grande purificador de todos os tipos de pecado, na forma de santuários e águas sagradas. Tu és aquele que tem três Mantras sublimes; (estes são Vija, Sakti, e Kilakani). Tu és o filho mais novo de Aditi e Kasyapa, (estando na forma do anão que também é conhecido pelo nome de Upendra e que, enganando o Asura Vali, tirou seu domínio dos três mundos e o devolveu para o chefe dos celestiais). Tu és negro e moreno (sendo da forma que é conhecida como Hari-Hara). Tu és o criador da vara do Brahmana. (A fina vara de bambu na mão do Brahmana é mais poderosa do que o raio de Indra. O raio chamusca todos os objetos existentes sobre os quais ele cai. A vara do Brahmana, que simboliza o poder do Brahmana na forma de sua maldição, destrói até gerações por nascer. O poder da vara é derivado de Mahadeva.) Tu estás armado com o matador de cem, o laço, e o dardo. Tu és aquele que nasceu dentro do lótus primordial. Tu és aquele que é dotado de um útero vasto. Tu és aquele que tem os Vedas em seu útero. Tu és aquele que se eleva daquela extensão infinita de águas a qual sucede a dissolução do universo. Tu és aquele que é dotado de raios de luz refulgente. Tu és o criador dos Vedas. Tu és aquele que estuda os Vedas. Tu és aquele que conhece o sentido dos Vedas. Tu és devotado a Brahman. Tu és o refúgio de todas as pessoas devotadas a Brahman. Tu és de formas infinitas. Tu és o portador de corpos inumeráveis. Tu és dotado de bravura irresistível. Tu és a alma ou natureza que transcende os três atributos universais (de Sattwa, Rajas, e Tamas). Tu és o senhor de todos os Jivas. Tu és dotado da velocidade do vento. Tu possuis a rapidez da mente. Tu estás sempre coberto com pasta de sândalo. Tu és o fim do caule do lótus primevo. (Brahma, depois de seu nascimento dentro do lótus primevo, ficou desejoso de ver o fim do caule daquele lótus. Ele seguiu ininterruptamente, sem conseguir achar o que ele procurava. O significado da expressão, portanto, por implicação é que Mahadeva é infinito.) Tu és aquele que trouxe a vaca celeste Surabhi de uma posição superior para uma inferior por pronunciar uma maldição sobre ela. (Uma vez Brahma pediu para Surabhi comprovar perante Vishnu a afirmação de que Brahma tinha visto a parte principal de Siva. Surabhi tendo dado evidência falsa por recear por Brahma foi amaldiçoada por Siva que sua prole comeria substâncias profanas.) Tu és aquele Brahma que não pôde ver teu fim. Tu estás adornado com uma coroa grande de flores Karnikara. Tu estás adornado com um diadema de pedras preciosas azuis. Tu és o manejador do arco chamado Pinaka. Tu és o mestre daquele conhecimento que trata de Brahman. (Uma é outro nome para Brahmavidya.) Tu és aquele que subjugou seus sentidos pela ajuda do teu conhecimento de Brahman. Tu és aquele que mantém Ganga sobre sua cabeça. (Caindo das regiões celestes, o rio Ganga foi segurado por Mahadeva em sua cabeça, entre seus cabelos emaranhados. Pelas intensas solicitações do rei Bhagiratha ele a distribuiu de modo que fluindo pela superfície da Terra ela encontrasse com o oceano, primeiro passando sobre o local onde as cinzas dos antepassados de Bhagiratha, os sessenta mil filhos do rei Sagara da raça solar, jaziam.) Tu és o marido de Uma, a filha de Himavat. Tu és poderoso (por teres assumido a forma do enorme Javali para erguer a Terra submersa). Tu és aquele que protege o universo por assumir diversas encarnações. Tu és digno de adoração. Tu és aquele Ser primordial com a cabeça equina que recitou os Vedas com uma voz trovejante. Tu és aquele cuja graça é muito grande. Tu és o grande subjugador. Tu és aquele que matou todos os seus inimigos (na forma de emoções). Tu és branco e moreno (sendo como és metade homem e metade mulher, na forma chamada Hara-Gauri). Tu és possuidor de um corpo cuja cor é como aquela do ouro. Tu és aquele que é da forma de pura alegria, (estando, como tu estás, acima dos cinco revestimentos dos quais o Jiva consiste, isto é, o Anna-maya, o Prana-maya, o Mano-maya, o Vijnana-maya, e o Ananda maya). Tu és de alma controlada. Tu és a fundação sobre a qual se apóia aquela Ignorância que é chamada de Pradhana e a qual, consistindo nos três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas, é a causa de onde o universo tem surgido. Tu és aquele cujos rostos estão virados para todas as direções. (Mahadeva é representado como possuidor de cinco cabeças, quatro em quatro lados e uma em cima.) Tu és aquele que tem três olhos (nas formas do Sol, da Lua, e do Fogo). Tu és aquele que é superior a todas as criaturas (pela tua virtude cuja medida é a maior). Tu és a alma de todos os seres móveis. Tu és da forma da alma sutil (a qual não pode ser percebida). Tu és o dador de imortalidade na forma de Emancipação como o fruto de todas as ações de virtude realizadas pelas criaturas sem o desejo de resultados. Tu és o preceptor até daqueles que são os deuses dos deuses. Tu és Vasu, o filho de Aditi. Tu és aquele que é dotado de inúmeros raios de luz, que produz o universo, e que é da forma daquele Soma que é bebido em sacrifícios. Tu és Vyasa, o autor dos Puranas e outras histórias sagradas. Tu és as criações do cérebro de Vyasa (por seres idêntico aos Puranas e outras histórias sagradas) resumidas e completas. Tu és a soma total de Jivas. Tu és a Estação. Tu és o Ano. Tu és o Mês. Tu és a Quinzena. Tu és aqueles Dias sagrados que terminam ou concluem estes períodos. Tu és os Kalas. Tu és os Kashthas. Tu és os Lavas. Tu és os Matras. Tu és os Muhurtas e Dias e Noites. Tu és os Kshanas. (Estes são nomes para diferentes frações de tempo.) Tu és o solo sobre o qual a árvore do universo permanece. Tu és a semente de todas as criaturas [sendo da forma daquele Chaitanya Imanifesto (consciência) dotado de Maya ou ilusão de onde todas as criaturas surgem]. Tu és Mahattatwa. Tu és o rebento de Jiva, (sendo da forma da Consciência que surge depois de Mahattatwa). Tu és Sat ou Efeito. Tu és Asat ou Causa. Tu és Manifesto (sendo apreensível pelos sentidos). Tu és o Pai. Tu és a Mãe. Tu és o Avô. Tu és a porta para o Céu (por causa de tua identidade com Penitências). Tu és a porta da geração de todas as criaturas (por causa de tua identidade com desejo). Tu és a porta da Emancipação (por causa de tua identidade com a ausência de Desejo somente a qual pode levar à união com Brahman). Tu és aquelas ações de virtude que levam à bem-aventurança do céu. Tu és Nirvana (ou aquela cessação de existência individual ou separada a qual é Emancipação). Tu és o alegrador (que dá todos os tipos de alegria para todas as criaturas). Tu és aquela região de Verdade (à qual chegam aqueles que são os principais em virtude). Tu és superior até àquela região de Verdade que é alcançável pelos justos. Tu és aquele que é o criador das divindades e dos Asuras. Tu és aquele que é o refúgio das divindades e dos Asuras. Tu és o preceptor das divindades e dos Asuras (sendo como és da forma de Vrihaspati e Sukra). Tu és aquele que é sempre vitorioso. Tu és aquele que é sempre adorado pelas divindades e os Asuras. Tu és aquele que guia as divindades e os Asuras assim como o Mahamatra guia o elefante. Tu és o refúgio de todas as divindades e Asuras. Tu és aquele que é o chefe das divindades e dos Asuras (sendo como és da forma de Indra e Virochana). Tu és aquele que é o líder em batalha das divindades e dos Asuras (sendo como és da forma de Karttikeya e Kesi, os líderes dos exércitos celeste e Daitya). Tu és aquele que transcende os sentidos e brilha por si mesmo. Tu és da forma dos Rishis celestes como Narada e outros. Tu és o concessor de benefícios para as divindades e Asuras (na forma de Brahman e Rudra). Tu és aquele que governa os corações das divindades e dos Asuras. Tu és aquele em quem o universo entra (quando ele é dissolvido). Dessa maneira tu és o refúgio até daquele que é o soberano dos corações das divindades e dos Asuras. Tu és aquele cujo corpo é composto de todas as divindades. (Os Srutis declaram que o Fogo é sua cabeça, o Sol e a Lua são seus olhos, etc.) Tu és aquele que não tem algum Ser superior a ti em quem pensar. Tu és aquele que é a alma interna das divindades. Tu és aquele que surgiu do seu próprio eu. Tu és da forma de coisas imóveis. Tu és aquele que cobre os três mundos com três passos seus. Tu és possuidor de grande erudição. Tu és imaculado. Tu és aquele que está livre da qualidade de Rajas. Tu és aquele que transcende a destruição. Tu és aquele em cuja honra hinos devem ser cantados. Tu és o mestre do elefante irresistível representado pelo Tempo. Tu és da forma daquele senhor dos Tigres que é adorado no país dos Kalingas. (Mahadeva tem uma imagem no país dos Kalingas que é chamada de Vyaghreswara.) Tu és aquele que é chamado de leão entre as divindades (pela preeminência da tua bravura). Tu és aquele que é o mais importante dos homens. Tu és dotado de grande sabedoria. Tu és aquele que pega primeiro uma parte das oferendas em sacrifício. Tu és imperceptível. Tu és a soma total de todas as divindades. Tu és aquele em quem penitências predominam. Tu estás sempre em Yoga excelente. Tu és auspicioso. Tu estás armado com o raio. Tu és a fonte de onde as armas chamadas Prasas tiveram sua origem. Tu és aquele a quem teus devotos alcançam de diversas maneiras. Tu és Guha (o generalíssimo celeste). Tu és o limite supremo de felicidade. Tu és idêntico à tua criação. Tu és aquele que salva tuas criaturas da morte (por lhes conceder Emancipação). Tu és o purificador de todos incluindo o próprio Brahma. Tu és da forma de touros e outros animais cornudos. Tu és aquele que gosta de topos de montanha. Tu és o planeta Saturno. Tu és Kuvera, o chefe dos Yakshas. Tu és a perfeição completa. Tu és aquele que inspira alegria. Tu és todos os celestiais unidos. Tu és a cessação de todas as coisas. Tu és todos os deveres que pertencem a todos os modos de vida. Tu és aquele que tem um olho em sua testa. Tu és aquele que se diverte com o universo como sua bola de gude. Tu és da forma do veado. Tu és dotado da energia que é da forma do conhecimento e penitência. Tu és o senhor de todas as coisas imóveis (na forma de Himavat e Meru). Tu és aquele que tem subjugado seus sentidos por meio de várias regras e votos. Tu és aquele cujos objetivos têm sido todos cumpridos. Tu és idêntico à Emancipação. Tu és diferente daquele a quem nós cultuamos. Tu tens verdade como tuas penitências. Tu és de um coração puro. Tu és aquele que preside sobre todos os votos e jejuns (por seres o concessor de seus resultados). Tu és o mais sublime (sendo da forma de Turiya). Tu és Brahman. Tu és o maior amparo dos devotos. Tu és aquele que transcende todos os vínculos (sendo Emancipado). Tu estás livre do corpo linga. Tu és dotado de todos os tipos de prosperidade. Tu és aquele que aumenta a prosperidade dos seus devotos. Tu és aquele que está constantemente sofrendo mudanças.'” "Eu assim, ó Krishna, cantei os louvores da Divindade ilustre por recitar seus nomes na ordem de sua importância. Quem pode cantar os louvores do senhor do universo, aquele grande Senhor de tudo que merece nossas adorações e culto e reverência, a quem os próprios deuses com Brahma em sua liderança são incapazes de louvar e a quem os Rishis também fracassam em louvar com cantos? Ajudado, no entanto, por minha devoção por ele, e tendo recebido sua permissão, eu louvei aquele Senhor dos sacrifícios, aquela Divindade de força suprema, aquela principal de todas as criaturas dotadas de inteligência. Por louvar com estes nomes que aumentam a boa sorte de alguém do grande senhor da bem-aventurança, um devoto de alma dedicada e coração puro consegue chegar ao seu próprio eu. Estes nomes constituem um hino que fornece os melhores meios de chegar a Brahman. Com a ajuda deste hino uma pessoa sem dúvida consegue alcançar a Emancipação. Rishis e as divindades todos louvam a maior divindade por proferirem este hino. Louvado por pessoas de alma controlada Mahadeva fica satisfeito com aqueles que cantam seus louvores desse modo. A divindade ilustre é sempre cheia de compaixão por seus devotos. Dotado de onipotência, é ele quem dá Emancipação para aqueles que o adoram. Assim também, aqueles entre os homens que são os mais notáveis, que possuem fé e devoção e ouvem e recitam para outros e proferem com reverência os louvores daquele Senhor ilustre e eterno, isto é, Isana, em todas as suas vidas sucessivas e o adoram em pensamentos, palavras, e ações, e adorando-o dessa maneira em todos os momentos, ou seja, quando eles estão deitados ou sentados ou andando ou despertos ou abrindo as pálpebras ou fechando-as, e pensando nele repetidamente, se tornam objetos de reverência para todos os seus companheiros e derivam grande satisfação e alegria excelente. Quando uma criatura vem a ser purificada de todos os seus pecados no decorrer de milhões de nascimentos em diversas classes de existência, é então que nasce em seu coração a devoção por Mahadeva. É somente por boa sorte que a devoção total por Bhava que é a causa original (do universo) nasce completamente no coração de uma pessoa que conhece todos os modos de cultuar aquela grande Divindade. Tal devoção impecável e pura por Rudra, que tem um só propósito e que é simplesmente irresistível em seu curso, raramente é encontrada mesmo entre as divindades, e nunca entre os homens. É pela graça de Rudra que tal devoção surge nos corações de seres humanos. Por tal devoção, homens, se identificando totalmente com Mahadeva, conseguem chegar ao maior êxito. A Divindade ilustre que está sempre inclinada a estender sua graça em direção àqueles que o procuram com humildade e se jogam nele com sua toda sua alma os resgata do mundo. Exceto a grande Divindade que liberta as criaturas do renascimento, todos os outros deuses anulam constantemente as penitências dos homens, pois os homens não têm alguma outra fonte de poder que seja tão grande quanto estas. (Há numerosos exemplos dos deuses tendo ficado alarmados por causa das penitências de homens e feito seu melhor para anular aquelas penitências por enviarem ninfas celestes para atraí-los para prazeres carnais.) Foi exatamente assim que Tandi de alma tranquila, parecendo com o próprio Indra em esplendor, louvou o ilustre Senhor de todas as coisas existentes e inexistentes, aquela grande Divindade vestida em peles de animais. De fato, Brahma cantou este hino na presença de Sankara. Tu és um Brahmana (estando familiarizado com Brahman e devotado àqueles que estão familiarizados com Brahman). Tu irás, portanto, compreendê-lo bem. Ele é purificador, e leva embora todos os pecados. Ele concede Yoga e Emancipação e céu e contentamento. Aquele que recita este hino com total devoção por Sankara consegue chegar àquele fim superior o qual é daqueles que são devotados às doutrinas da filosofia Sankhya. Aquele devoto que recita este hino diariamente por um ano com unidade de devoção consegue alcançar o fim que ele deseja. Este hino é um grande mistério. Ele residia antigamente no peito de Brahma, o Criador. Brahma o comunicou para Sakra. Sakra o comunicou para Mrityu. Mrityu o comunicou para os Rudras. Dos Rudras Tandi o obteve. De fato, Tandi o obteve na região de Brahman como a recompensa de suas austeridades severas. Tandi o comunicou para Sukra, e Sukra da linhagem de Bhrigu o comunicou para Gautama. Gautama por sua vez, ó descendente de Madhu, o comunicou para Vaivaswata-Manu. Manu o comunicou para Narayana de grande inteligência, contado entre os Sadhyas e considerado extremamente querido por eles. O ilustre Narayana, incluído entre os Sadhyas e possuidor de glória que não conhece diminuição, o comunicou para Yama. Vaivaswat Yama o comunicou para Nachiketa. Nachiketa, ó tu da linhagem de Vrishni, o comunicou para Markandeya. De Markandeya, ó Janarddana, eu o obtive como a recompensa dos meus votos e jejuns. Para ti, ó matador de inimigos, eu comunico este hino não ouvido por outros. Este hino leva para o céu. Ele dissipa doença e concede vida longa. Ele é digno do maior louvor, e é consistente com os Vedas.'” "Krishna continuou, 'Aquela pessoa, ó Partha, que recita este hino com um coração puro praticando o voto de Brahmacharya, e com seus sentidos sob controle, regularmente por um ano inteiro, consegue obter os frutos de um Sacrifício de Cavalo. Danavas e Yakshas e Rakshasas e Pisachas e Yatudhanas e Guhyakas e cobras não podem feri-lo.'" 18 "Vaisampayana disse, 'Depois que Vasudeva tinha parado de falar, o grande Yogin, isto é, o Krishna Nascido na Ilha, dirigiu-se a Yudhishthira, dizendo, ‘Ó filho, recite este hino consistindo nos mil e oito nomes de Mahadeva, e que Maheswara fique satisfeito contigo. Antigamente, ó filho, eu estava dedicado à prática de austeridades severas no leito das montanhas de Meru pelo desejo de obter um filho. Foi este mesmo hino que foi recitado por mim. Como a recompensa disto, eu obtive a realização de todos os meus desejos, ó filho de Pandu. Tu também, por recitares este mesmo hino, obterás de Sarva a realização de todos os teus desejos.’ Depois disso, Kapila, o Rishi que promulgou as doutrinas que levam o nome de Sankhya, e que é honrado pelos próprios deuses, disse, ‘Eu adorei Bhava com grande devoção por muitas vidas. A Divindade ilustre finalmente ficou satisfeita comigo e me deu o conhecimento que é capaz de ajudar aquele que o adquire a vencer o renascimento.’ Depois disso, o Rishi chamado Charusirsha, aquele amigo querido de Sakra também conhecido pelo nome do filho de Alamvana e que é cheio de compaixão, disse, ‘Eu, antigamente, me dirigi às montanhas de Gokarna e me sentei para praticar penitências austeras por cem anos. Como a recompensa daquelas penitências, eu obtive de Sarva, ó filho do rei Pandu, cem filhos, todos os quais nasceram sem a intervenção de mulher, de alma bem controlada, conhecedores da justiça, possuidores de grande esplendor, livres de doença e tristeza, e dotados de vidas que se estendiam por cem mil anos.’ Então o ilustre Valmiki, dirigindo-se a Yudhishthira, disse, ‘Uma vez, no decorrer de um debate dialético, certos ascetas que eram possuidores do fogo homa me denunciaram como alguém culpado de Brahmanicídio. Logo que eles tinham me denunciado como tal, o pecado de Brahmanicídio, ó Bharata, me possuiu. Eu então, para me purificar, procurei a proteção do impecável Isana que é irresistível em energia. Eu vim a ser purificado de todos os meus pecados. Aquele dissipador de todas as tristezas, isto é, o destruidor da cidade tripla dos Asuras, disse para mim, ‘Tua fama será grande no mundo.’ Então o filho de Jamadagni, aquela principal de todas as pessoas justas, brilhante como o Sol com esplendor refulgente no meio daquele conclave de Rishis, disse para o filho de Kunti estas palavras; ‘Eu fui afligido com o pecado de Brahmanicídio, ó filho mais velho de Pandu, por ter matado meus irmãos que eram todos Brahmanas eruditos. Para me purificar, eu procurei a proteção de Mahadeva, ó rei. Eu cantei os louvores da grande Divindade por recitar seus nomes. Nisto, Bhava ficou satisfeito comigo e me deu um machado de batalha e muitas outras armas celestes. E ele disse para mim, ‘Tu serás libertado do pecado e serás invencível em batalha; a própria Morte não conseguirá te vencer pois tu serás livre de doença.’ Exatamente assim a Divindade ilustre e coroada de forma auspiciosa falou para mim. Pela graça daquela Divindade de inteligência suprema eu obtive tudo o que Ele tinha dito.’ Então Viswamitra disse, ‘Eu antigamente era um Kshatriya. Eu prestei minhas adorações a Bhava com o desejo de me tornar um Brahmana. Pela graça daquela grande Divindade eu consegui alcançar a posição superior de um Brahmana que é tão difícil de se obter.’ Então o Rishi Asita-Devala, dirigindo-se ao filho nobre de Pandu, disse, ‘Antigamente, ó filho de Kunti, pela maldição de Sakra, todo o meu mérito devido às ações de virtude que eu tinha realizado foi destruído. Foi o pujante Mahadeva que bondosamente me devolveu o mérito junto com grande fama e uma vida longa.’ O ilustre Rishi Gritsamada, o amigo querido de Sakra, que parecia com o próprio preceptor celeste Vrihaspati em esplendor, dirigindo-se a Yudhishthira da linhagem de Ajamidha disse, ‘O inconcebível Sakra, antigamente, realizou um sacrifício que se estendeu por mil anos. Enquanto aquele sacrifício estava acontecendo, eu fui empregado por Sakra em recitar os Samans. Varishtha, o filho daquele Manu que surgiu dos olhos de Brahma, chegou àquele sacrifício e dirigindo-se a mim, disse, ‘Ó principal das pessoas regeneradas, o Rathantara não está sendo recitado adequadamente por ti. Ó melhor dos Brahmanas, pare de ganhar demérito por ler tão imperfeitamente, e com a ajuda da tua compreensão leia os Samans corretamente. Ó tu de má compreensão, por que tu cometes tal pecado que é destruidor de sacrifícios?’ Tendo dito estas palavras, o Rishi Varishtha, que era muito colérico, deu vazão àquele sentimento e dirigindo-se a mim mais uma vez, disse, ‘Seja tu um animal desprovido de inteligência, sujeito à aflição, sempre cheio de medo, e um habitante de florestas não pisadas desprovidas de vento e água e abandonadas por outros animais. Passe dez mil anos com mais dezoito centenas de anos dessa maneira. Aquela floresta na qual tu terás que passar este período será desprovida de todas as árvores sagradas e será, além disso, um lugar frequentado por Rurus e leões. Na verdade, tu terás que te tornar um veado cruel mergulhado em extrema aflição.’ Tão logo ele tinha dito estas palavras, ó filho de Pritha, eu fui imediatamente transformado em um veado. Eu então procurei a proteção de Maheswara. A grande Divindade disse para mim, ‘Tu serás livre de doença de todo tipo, e além disso a imortalidade será tua. Dor nunca te afligirá. Tua amizade com Indra permanecerá inalterada, e que os teus sacrifícios e os de Indra aumentem.’ O ilustre e pujante Mahadeva favorece todas as criaturas dessa maneira. Ele é sempre o grande distribuidor e ordenador na questão da felicidade e tristeza de todas as criaturas vivas. Aquela Divindade ilustre não pode ser compreendida em pensamentos, palavras, ou ações. Ó filho, ó tu que és o melhor dos guerreiros (pela graça de Mahadeva), não há ninguém que seja igual a mim em erudição.’ Depois disto, Vasudeva, aquele mais importante de todos os homens inteligentes, mais uma vez disse, ‘Mahadeva de olhos dourados foi satisfeito por mim com minhas penitências. Satisfeita comigo, ó Yudhishthira, a Divindade ilustre me disse, ‘Tu, ó Krishna, pela minha graça, te tornarás mais querido para todas as pessoas do que a riqueza que é cobiçada por todos. Tu serás invencível em batalha. Tua energia será igual àquela do Fogo.’ Milhares de outras bênçãos Mahadeva deu para mim naquela ocasião. Em uma encarnação anterior eu adorei Mahadeva na montanha Manimantha por milhões de anos. Satisfeita comigo, a Divindade ilustre me disse estas palavras: ‘Abençoado sejas tu, peça benefícios assim como tu desejares.’ Reverenciando-o com uma inclinação de cabeça, eu disse estas palavras, ‘Se o pujante Mahadeva está satisfeito comigo, então que minha devoção por ele permaneça inalterada, ó Isana! Este mesmo é o benefício que eu solicito.’ O grande Deus me disse, ‘Assim seja’ e desapareceu.'” "Jaigishavya disse, 'Ó Yudhishthira, antigamente na cidade de Varanasi, o pujante Mahadeva me descobrindo, me concedeu os oito atributos de soberania.'" "Garga disse, 'Ó filho de Pandu, satisfeito comigo em consequência do sacrifício mental que eu tinha realizado, o grande Deus me concedeu, nas margens da corrente sagrada Saraswati, aquela ciência extraordinária, isto é, o conhecimento do Tempo com seus sessenta e quatro ramos. Ele também me concedeu mil filhos, todos possuidores de mérito igual e totalmente conhecedores dos Vedas. Pela sua graça, seus períodos de vida como também o meu se estenderam até dez milhões de anos.'" "Parasara disse, 'Antigamente eu agradei Sarva, ó rei. Eu então nutria o desejo de obter um filho que possuísse grande mérito ascético, que fosse dotado de energia superior, dedicado ao excelente Yoga, que ganhasse fama mundial, organizasse os Vedas, e se tornasse o lar da prosperidade, que fosse devotado aos Vedas e aos Brahmanas e que fosse notável por compaixão. Um filho exatamente assim foi desejado por mim de Maheswara. Sabendo que este era o desejo do meu coração, aquela principal das Divindades me disse, ‘Pela realização daquele teu objetivo que tu desejas obter de mim, tu terás um filho de nome Krishna. Naquela criação que será conhecida pelo nome de Savarni-Manu, aquele teu filho será contado entre os sete Rishis. Ele organizará os Vedas, e será o propagador da linhagem de Kuru. Ele, além disso, será o autor das histórias antigas e fará bem para o universo. Dotado de penitências severas, ele também será o caro amigo de Sakra. Livre de doenças de todo tipo, aquele teu filho, ó Parasara, além disso, será imortal.’ Tendo dito estas palavras, a grande Divindade desapareceu. Este foi o bem, ó Yudhishthira, que eu obtive daquele Deus indestrutível e imutável, dotado das maiores penitências e energia suprema.'” "Mandavya disse, 'Antigamente embora eu não fosse um ladrão mas injustamente suspeito de roubo, eu fui empalado (sob as ordens de um rei). Eu então adorei o ilustre Mahadeva que disse para mim, ‘Tu logo serás libertado da empalação e viverás por milhões de anos. As dores devido à empalação não serão tuas. Tu também serás livre de todos os tipos de aflições e doenças. E já que, ó asceta, este teu corpo surgiu do quarto pé de Dharma (isto é, Verdade), tu serás inigualável sobre a Terra. Faça tua vida produtiva. Tu poderás, sem qualquer obstrução, te banhar em todas as águas sagradas da Terra. E depois da dissolução do teu corpo eu irei, ó Brahmana erudito, ordenar que tu desfrutes da pura felicidade do céu por um tempo interminável.’ Tendo dito estas palavras para mim, a Divindade adorável que tem o touro como seu veículo, isto é, Maheswara de esplendor sem igual e vestido em pele animal, ó rei, desapareceu com todos os seus companheiros.'” "Galava disse, ‘Antigamente eu estudei aos pés do meu preceptor Viswamitra. Obtendo sua permissão eu fui para casa com o objetivo de ver meu pai. Minha mãe (tendo ficado viúva), se encheu de tristeza e chorando amargamente me disse, ‘Ai, teu pai nunca verá seu filho que, adornado com conhecimento Védico, teve a permissão de seu preceptor para vir para casa e que, possuidor de todas as graças da juventude, é dotado de autodomínio!’ Ouvindo estas palavras de minha mãe, eu me desesperei em relação a ver meu pai outra vez. Eu então prestei minha adoração com uma alma absorta para Maheswara que, satisfeito comigo, mostrou-se para mim e disse, ‘Teu pai, tua mãe, e tu mesmo, ó filho, serão todos livres da morte. Vá rapidamente e entre em tua residência; tu verás teu pai lá.’ Tendo obtido a permissão da Divindade ilustre, eu então me dirigi para minha casa, ó Yudhishthira, e vi meu pai, ó filho, saindo depois de ter terminado seu sacrifício diário. E ele saiu levando em suas mãos uma quantidade de combustível Homa e grama Kusa e algumas frutas caídas. E ele parecia já ter comido seu alimento diário, pois ele tinha se lavado apropriadamente. Jogando no chão aquelas coisas de sua mão, meu pai, com olhos banhados em lágrimas (de alegria), me ergueu, pois eu tinha me prostrado aos seus pés. Abraçando-me ele cheirou minha cabeça, ó filho de Pandu, e disse, ‘Por boa sorte, ó filho, tu foste visto por mim. Tu voltaste, tendo adquirido conhecimento do preceptor.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas façanhas maravilhosas e muito extraordinárias do ilustre Mahadeva narradas pelos ascetas, o filho de Pandu ficou cheio de admiração. Então Krishna, aquela principal de todas as pessoas inteligentes, falou mais uma vez para Yudhishthira, aquele oceano de justiça, como Vishnu falando para Puruhuta.'” "Vasudeva disse, 'Upamanyu, que parecia brilhar com refulgência como o Sol, me disse, ‘Aqueles homens pecaminosos que estão manchados por ações injustas não conseguem alcançar Isana. Suas disposições sendo maculadas pelos atributos de Rajas e Tamas, eles nunca podem se aproximar da Divindade Suprema. São somente aquelas pessoas regeneradas que são de almas purificadas que conseguem chegar à Divindade Suprema. Mesmo se uma pessoa vive no desfrute de todo prazer e luxo, contudo se ela for devotada à Divindade Suprema ela vem a ser considerada como igual aos ascetas da floresta de almas purificadas. Se Rudra está satisfeito com uma pessoa, ele pode lhe conceder as posições até de Brahma ou de Kesava ou de Sakra com todas as divindades sob ele, ou a soberania dos três mundos. Aquele homens, ó majestade, que adoram Bhava mesmo mentalmente, conseguem se libertar de todos os pecados e obter uma residência no céu com todos os deuses. Uma pessoa que põe casas no chão e destrói tanques e lagos, de fato, que devasta todo o universo, não fica manchada pelo pecado se ela cultua e adora a Divindade ilustre de três olhos. Uma pessoa que é desprovida de todas as indicações auspiciosas e que é maculada por todos os pecados tem todos os seus pecados destruídos por meditar sobre Siva. Até vermes e insetos e aves, ó Kesava, que se devotam a Mahadeva, podem vagar em perfeito destemor. É minha firme conclusão que aqueles homens que se devotam a Mahadeva sem dúvida se tornam emancipados do renascimento.’ Depois disto, Krishna dirigiu-se novamente a Yudhishthira, o filho de Dharma, nas seguintes palavras.’” "Vishnu disse, ó grande rei, ‘Aditya, Chandra, Vento, Fogo, Céu, Terra, os Vasus, os Viswedevas, Dhatri, Aryyaman, Sukra, Vrihaspati, os Rudras, os Saddhyas, Varuna, Brahma, Sakra, Maruts, os Upanishads que tratam do conhecimento de Brahman, Verdade, os Vedas, os Sacrifícios, Presentes Sacrificais, Brahmanas recitando os Vedas, Soma, Sacrificador, as partes das divindades nas oferendas sacrificais ou manteiga clarificada despejada em sacrifícios, Raksha, Diksha, todos os tipos de restrições na forma de votos e jejuns e observâncias rígidas, Swaha, Vashat, os Brahmanas, a vaca celeste, os principais atos de justiça, a roda do Tempo, Força, Fama, Autodomínio, a Constância de todas as pessoas dotadas de inteligência, todos os atos de bondade e o oposto, os sete Rishis, Compreensão da classe principal, todas as espécies de toques excelentes, o sucesso de todas as ações (religiosas), as diversas tribos das divindades, aqueles seres que absorvem calor, aqueles que são bebedores de Soma, Nuvens, Suyamas, Rishitas, todas as criaturas tendo Mantras como seus corpos, Abhasuras, aqueles seres que vivem somente de aromas, aqueles que vivem somente da visão, aqueles que reprimem sua fala, aqueles que reprimem suas mentes, aqueles que são puros, aqueles que são capazes de assumir diversas formas através de força-Yoga, aquelas divindades que vivem do toque (como seu alimento), aquelas divindades que subsistem da visão e aquelas que subsistem da manteiga derramada em sacrifícios, aqueles seres que são competentes para criar por decretos de sua vontade os objetos que eles necessitam, aqueles que são considerados como os mais importantes entre as divindades, e todas as outras divindades, ó descendente de Ajamila, os Suparnas, os Gandharvas, os Pisachas, os Danavas, Yakshas, os Charanas, as cobras, tudo o que é grosseiro e tudo o que é extremamente sutil, tudo o que é macio e tudo o que não é sutil, todas as tristezas e todas as alegrias, todas as tristezas que vêm depois da alegria e todas as alegrias que vêm depois da tristeza, a filosofia Sankhya, Yoga, e aquilo que transcende objetos que são considerados como principais e muito superiores, todas as coisas encantadoras, todas as divindades, e todos os protetores do universo que, entrando em forças físicas sustentam e mantêm esta criação antiga daquela Divindade ilustre, surgiram daquele Criador de todas as criaturas. Tudo isto que eu mencionei é mais grosseiro do que aquilo no qual os sábios pensam com a ajuda de Penitências. De fato, aquele Brahma sutil é a causa da vida. Eu curvo a minha cabeça em reverência a ele. Que aquele Mestre imutável e indestrutível, sempre adorado por nós, nos conceda bênçãos desejáveis. Aquela pessoa que, subjugando seus sentidos e se purificando, recita este hino, sem interrupção em relação ao seu voto, por um mês, consegue obter o mérito que é atribuído a um Sacrifício de Cavalo. Por recitar este hino o Brahmana consegue adquirir todos os Vedas; o Kshatriya vem a ser coroado com vitória, ó filho de Pritha; o Vaisya é bem sucedido em obter riqueza e inteligência; e o Sudra em ganhar felicidade aqui e um bom fim após a morte. Pessoas de grande renome, por recitarem este príncipe dos hinos que é competente para purificar todos os pecados e que é altamente sagrado e purificador, colocam seus corações em Rudra. Um homem, por narrar este príncipe dos hinos, consegue viver no céu por tantos anos quanto os poros que existem em seu corpo.'" "Yudhishthira disse, 'Eu pergunto, ó chefe da linhagem de Bharata, qual é a origem do ditado sobre o cumprimento de todos os deveres conjuntamente no momento de uma pessoa receber a mão de seu cônjuge em casamento? Este ditado a respeito de cumprir todos os deveres juntos é devido somente ao que foi declarado pelos grandes Rishis antigamente, ou ele se refere ao dever de gerar prole por motivos religiosos, ou tem referência somente ao prazer carnal que é esperado de tal união? A dúvida que enche minha mente em relação a isso é muito grande. O que é citado pelos sábios como deveres conjuntos é incorreto em minha consideração. Aquilo que é chamado neste mundo de união para praticar todos os deveres junto cessa com a morte e não é visto subsistir depois dela. Esta união para praticar junto todos os deveres leva para o céu. Mas o céu, ó avô, é alcançado por pessoas que estão mortas. De um par casado é visto que somente um morre de cada vez. Onde o outro então permanece? Diga-me isto. Homens obtêm diversos tipos de resultados por praticarem diversos tipos de deveres. As ocupações, também, às quais os homens se dirigem são de diversos tipos. Diversos, além disso, são os infernos para os quais eles vão em consequência de tal diversidade de deveres e ações. Mulheres, em particular, os Rishis têm dito, são falsas em comportamento. Quando os seres humanos são dessa maneira, e quando as mulheres especialmente são declaradas como falsas nas ordenanças, como, ó majestade, pode haver uma união entre os sexos para propósitos de praticar todos os deveres juntos? Nos próprios Vedas uma pessoa pode ler que as mulheres são falsas. A palavra 'Dever', como usada nos Vedas, parece ter sido inventada em primeiro lugar para aplicação geral (de maneira que ela é aplicada para práticas que não têm mérito nelas). Por essa razão a aplicação daquela palavra aos ritos de casamento é, em vez de ser correta, somente uma forma de falar forçosamente aplicada onde ela não tem aplicação. O assunto me parece ser inexplicável embora eu reflita sobre ele constantemente. Ó avô, ó tu de grande sabedoria, cabe a ti me explicar isto em detalhes, claramente e segundo o que está prescrito no Sruti. Realmente, me explique quais são suas características, e a maneira na qual isto tem que acontecer!'” (O assunto proposto por Yudhishthira é este: casamento é sempre citado como uma união dos sexos para praticar junto todos os ritos religiosos. O rei pergunta como isto pode ser. Casamento, como parece para ele, é uma união buscada por prazer. Se for dito que os dois indivíduos casados são casados para praticar deveres religiosos conjuntamente, tal prática é suspensa pela morte. Pessoas agem diferentemente e obtêm diferentes fins. Quando, além disso, um deles morre, a prática conjunta de deveres não pode mais ocorrer. As outras objeções, frisadas por Yudhishthira, à teoria do casamento ser uma união dos sexos somente para praticar deveres religiosos conjuntamente, são claras.) "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Ashtavakra e a senhora conhecida pelo nome de Disa. Antigamente Ashtavakra de penitências severas, desejoso de casamento, pediu do Rishi Vadanya de grande alma sua filha. O nome pelo qual a donzela era conhecida era Suprabha. Em beleza ela era inigualável sobre a Terra. Em virtudes, dignidade, conduta, e boas maneiras, ela era superior a todas as moças. Só por um relance aquela moça de belos olhos tinha roubado seu coração assim como um bosque encantador na primavera, adornado com flores, rouba do espectador seu coração. O Rishi se dirigiu a Ashtavakra e disse, ‘Sim, eu te concederei minha filha. Escute, no entanto, a mim. Faça uma viagem para o Norte sagrado. Tu verás muitas coisas lá!'” (O sentido é que se depois de voltares da tua viagem para aquela região tu reivindicares tua noiva, tu poderás obtê-la de mim. Tua viagem será um tipo de prova ou teste ao qual eu pretendo te pôr.) "Ashtavakra disse, 'Cabe a ti me dizer o que eu verei naquela região. De fato, eu estou preparado para realizar qualquer ordem que possa ser imposta sobre mim por ti.'" "Vadanya disse, 'Passando pelos domínios do Senhor dos Tesouros tu cruzarás as montanhas Himavat. Tu irás então contemplar o planalto sobre o qual Rudra reside. Ele é habitado por Siddhas e Charanas. Ele abunda com os associados de Mahadeva, travessos e que gostam de dançar e possuidores de diversas formas. Ele é povoado também com muitos Pisachas, ó mestre, de diversas formas e todos cobertos com pós fragrantes de diversas cores, e dançando com corações alegres em acompanhamento com instrumentos de diferentes tipos feitos de metal. Cercado por estes que se movem com rapidez vibrante na confusão da dança ou se refreiam às vezes totalmente de movimentos para a frente ou para trás ou em direção diagonal de todo tipo, Mahadeva mora lá. Aquele local encantador nas montanhas, nós temos ouvido, é a residência favorita da grande Divindade. É dito que o grande deus como também seus companheiros estão sempre presentes lá. Foi lá que a deusa Uma praticou as austeridades mais severas (para obter como seu marido) a Divindade de três olhos. Por essa razão é dito aquele local é muito querido por ambos, Mahadeva e Uma. Antigamente lá, nas alturas do Mahaparswa, o qual está situado ao norte das montanhas sagradas para Mahadeva, as sessões, e a última Noite (a Noite que precede a dissolução universal), e muitas divindades, e muitos seres humanos também (da classe mais importante), em suas formas incorporadas, tinham adorado Mahadeva. Tu deves cruzar aquela região também em tua jornada para o norte. Tu verás então uma bela e encantadora floresta de cor azul e parecendo com uma massa de nuvens. Lá, naquela floresta, tu verás uma bela mulher asceta parecida com a própria Sree. Venerável em idade e altamente abençoada, ela está na observância do Diksha. Vendo ela lá tu deves adorá-la devidamente com reverência. Voltando para este local depois de tê-la visto, tu então receberás a mão de minha filha em casamento. Se tu desejares fazer este acordo, proceda então em tua viagem e faça o que eu te ordeno.'" "Ashtavakra disse, 'Assim seja. Eu farei o que tu dizes. Na verdade, eu irei para aquela região da qual tu falaste, ó tu de alma justa. De tua parte, que tuas palavras estejam de acordo com a verdade.'" "Bhishma continuou, "O ilustre Ashtavakra saiu em sua viagem. Ele procedeu cada vez mais em direção ao norte e finalmente alcançou as montanhas Himavat habitadas por Siddhas e Charanas. Chegando nas montanhas Himavat, aquele principal dos Brahmanas então encontrou o rio sagrado Vahuda cujas águas produzem grande mérito. Ele se banhou em um dos Tirthas aprazíveis daquele rio, o qual estava livre de lama, e agradou as divindades com oblações de água. (Thirta aqui significa um Ghat, isto é, um declive natural da margem para acesso à água.) Suas abluções estando terminadas, ele espalhou uma quantidade de grama Kusa e deitou-se sobre ela para descansar à vontade por algum tempo. Passando a noite desse modo, o Brahmana se levantou com o dia. Ele mais uma vez realizou suas abluções nas águas sagradas do Vahuda e então acendeu seu fogo homa e o adorou com a ajuda de muitos dos principais mantras Védicos. Ele então adorou com ritos devidos Rudra e sua esposa Uma, e descansou por mais algum tempo ao lado daquele lago no curso do Vahuda cujas margens ele tinha alcançado. Revigorado por tal descanso, ele saiu daquela região e então procedeu em direção a Kailasa. Ele então contemplou um portão de ouro que parecia resplandecer com beleza. Ele viu também o Mandakini e o Nalini de Kuvera de grande alma, o Senhor dos tesouros. (Mandakini é aquela parte do rio Ganga que flui através de Kailasa, enquanto Nalini é um lago célebre possuído pelo rei dos Yakshas, assim chamado por causa dos lotos que se encontram lá em profusão.) Vendo o Rishi chegado lá, todos os Rakshasas tendo Manibhadra como seu líder, que estavam empenhados em proteger aquele lago cheio de lotos belos, saíram em conjunto para dar as boas-vindas e honrar o viajante ilustre. O Rishi adorou em retorno aqueles Rakshasas de bravura terrível e pediu para eles comunicarem, sem demora, sua chegada ao Senhor dos Tesouros. Pedidos por ele para fazer isso, aqueles Rakshasas, ó rei, disseram, ‘O rei Vaisravana, sem esperar pelas nossas notícias, está vindo por sua própria vontade à tua presença. O ilustre Senhor dos Tesouros conhece bem o objetivo dessa tua viagem. Veja-o, aquele Mestre abençoado, que brilha com sua própria energia.’ Então o rei Vaisravana, se aproximando do impecável Ashtavakra, perguntou devidamente acerca do seu bem-estar. As perguntas costumeiras de cortesia tendo terminado, o Senhor dos Tesouros então dirigiu-se ao Rishi regenerado, dizendo, ‘Tu és bem vindo aqui. Diga-me o que tu procuras de minhas mãos. Me informe disto. Eu irei, ó regenerado, realizar o que quer que tu possas me dizer para realizar. Entre em minha residência como te agradar, ó principal dos Brahmanas. Devidamente entretido por mim, e depois que o teu assunto estiver concluído, tu podes seguir sem quaisquer obstáculos no teu caminho.’ Tendo dito estas palavras, Kuvera pegou a mão daquele principal dos Brahmanas e o levou para seu palácio. Ele lhe ofereceu seu próprio assento como também água para lavar seus pés e o Arghya feito dos ingredientes usuais. Depois que os dois tinham tomado seus assentos, os Yakshas de Kuvera encabeçados por Manibhadra, e muitos Gandharvas e Kinnaras, também se sentaram perante eles. Depois que todos eles tinham tomado seus assentos, o Senhor dos Tesouros disse estas palavras, ‘Compreendendo qual é tua vontade, as diversas tribos de Apsaras começarão sua dança. É apropriado que eu te entretenha com hospitalidade e que tu sejas servido com auxílios apropriados.’ Assim endereçado, o asceta Ashtavakra disse, em uma voz gentil, ‘Que a dança proceda.’ Então Urvara e Misrakesi, e Rambha e Urvasi, e Alumvusha e Ghritachi, e Chitra e Chitrangada e Ruchi, e Manohara e Sukesi e Sumukhi e Hasini e Prabha, e Vidyuta, e Prasami e Danta e Vidyota e Rati, estas e muitas outras Apsaras belas começaram a dançar. Os Gandharvas tocaram diversos tipos de instrumentos musicais. Depois que tal música e dança excelentes tinham começado, o Rishi Ashtavakra de penitências severas inconscientemente passou um ano celeste inteiro lá na residência do rei Vaisravana. Então o rei Vaisravana disse para o Rishi, ‘Ó Brahmana erudito, veja, passou um pouco mais de um ano desde tua chegada aqui. Esta música e dança, especialmente conhecida pelo nome de Gandharva, é uma ladra do coração (e do tempo). Aja como tu desejas ou deixe isto continuar se esta for tua vontade. Tu és meu convidado e, portanto, digno de adoração. Esta é minha casa. Dê tuas ordens. Nós estamos todos ligados a ti.’ O ilustre Ashtavakra, assim endereçado pelo rei Vaisravana, respondeu para ele, com o coração satisfeito, dizendo, ‘Eu fui devidamente honrado por ti. Eu desejo agora, ó Senhor dos Tesouros, partir daqui. De fato, eu estou muito satisfeito. Tudo isto condiz contigo, ó Senhor dos Tesouros. Pela tua graça, ó ilustre, e segundo a ordem do Rishi Vadanya de grande alma, eu irei agora proceder para o fim da minha viagem. Que crescimento e prosperidade sejam teus.’ Tendo dito estas palavras, o Rishi ilustre saiu da residência de Kuvera e procedeu na direção norte. Ele cruzou a Kailasa e a Mandara como também as montanhas douradas. Além daquelas montanhas grandes e altas está situada aquela região excelente onde Mahadeva, vestido como um asceta humilde, tomou sua residência. Ele circungirou o local, com mente concentrada, enquanto inclinava sua cabeça em reverência. Descendo então sobre a Terra, ele se considerou santificado por ter obtido uma visão daquele local sagrado que é a residência de Mahadeva. Tendo circungirado aquela montanha três vezes, o Rishi, com rosto virado para o norte, prosseguiu com o coração alegre. Ele então contemplou outra floresta que era muito encantadora em aspecto. Ela era adornada com os frutos e raízes de todas as estações, e ressoava com a música de cantores alados contados aos milhares. Havia muitos bosques encantadores por toda a floresta. O Rishi ilustre então viu um eremitério atrativo. O Rishi viu também muitas colinas douradas enfeitadas com pedras preciosas e possuidoras de formas diversas. No solo enfeitado com pedras preciosas ele viu muitos lagos e tanques também. E ele viu diversos outros objetos que eram extremamente encantadores. Contemplando estas coisas, a mente daquele Rishi de alma purificada ficou cheia de alegria. Ele então viu uma mansão bela feita de ouro e adornada com jóias de muitos tipos. De estrutura maravilhosa, aquela mansão superava a residência do próprio Kuvera em todos os aspectos. Ao redor dela havia muitas colinas e montes de jóias e pedras preciosas. Muitos carros belos e muitas pilhas de diversas espécies de jóias também eram visíveis naquele lugar. O Rishi viu lá o rio Mandakini cujas águas estavam cobertas com muitas flores Mandara. Muitas pedras preciosas também eram vistas lá que eram auto-luminosas, e o solo em volta estava decorado com diamantes de diversos tipos. A mansão suntuosa que o Rishi viu continha muitos aposentos cujos arcos estavam embelezados com várias espécies de pedras. Aqueles aposentos estavam enfeitados também com redes de pérolas entremeadas com jóias e pedras preciosas de diferentes tipos. Diversas espécies de objetos belos capazes de roubar o coração e a visão circundavam aquele palácio. Aquele retiro encantador era habitado por numerosos Rishis. Contemplando estas belas visões por todos os lados, o Rishi começou a pensar aonde ele iria se abrigar. Procedendo então para o portão da mansão, ele proferiu estas palavras: ‘Que aqueles que vivem aqui saibam que chegou um convidado (desejoso de abrigo)’. Ouvindo a voz do Rishi, várias moças saíram juntas daquele palácio. Elas eram sete em número, ó rei, de diferentes estilos de beleza, todas elas eram extremamente encantadoras. Cada uma daquelas donzelas sobre a qual o Rishi lançou seus olhos roubou seu coração. O sábio, mesmo com seus melhores esforços, não conseguiu controlar sua mente. De fato, à visão daquelas moças de beleza muito superior, seu coração perdeu toda sua tranquilidade. Vendo a si mesmo cedendo a tais influências, o Rishi fez um esforço enérgico e, possuidor como ele era de grande sabedoria, ele finalmente conseguiu se controlar. Aquelas donzelas então se dirigiram ao Rishi, dizendo, ‘Que o ilustre entre.’ Cheio de curiosidade a respeito daquelas donzelas extremamente belas como também daquela mansão suntuosa, o Rishi regenerado entrou quando ele foi convidado. Entrando na mansão ele viu uma senhora idosa, com indicações de decrepitude, vestida em mantos brancos e adornada com todos os tipos de ornamentos. O Rishi a abençoou, dizendo, ‘Que o bem-estar seja seu.’ A senhora idosa retribuiu seus bons votos de forma apropriada. Erguendo-se, ela ofereceu um assento para o Rishi. Tendo tomado seu assento, Ashtavakra disse, ‘Que todas as donzelas vão para seus respectivos alojamentos. Que somente uma fique aqui. Que permaneça aqui aquela que possui sabedoria e que tem tranquilidade de coração. De fato, que todas as outras partam como desejarem.’ Assim endereçadas, todas aquelas donzelas circungiraram o Rishi e então deixaram o aposento. Somente aquela senhora idosa permaneceu lá. O dia passou rapidamente e chegou a noite. O Rishi sentou em uma cama esplêndida, e se dirigiu à senhora idosa dizendo, ‘Ó senhora abençoada, a noite está se aprofundando. Dirija-te para dormir.’ Sua conversação sendo assim encerrada pelo Rishi, a senhora idosa se deitou em uma cama excelente de grande esplendor. Logo depois, ela se levantou de sua cama e fingindo tremer com frio, ela a deixou para ir à cama do Rishi. O ilustre Ashtavakra a recebeu com cortesia. A senhora no entanto, esticando seus braços, abraçou o Rishi afetuosamente, ó principal dos homens. Vendo o Rishi bastante imóvel e tão inanimado como um pedaço de madeira, ela ficou muito desanimada e começou a conversar com ele. ‘Não há prazer, salvo aquele que provém de Kama (desejo), que as mulheres possam derivar de uma pessoa do outro sexo. Eu estou agora sob a influência do desejo. Eu te procuro por esta razão. Procure-me em retorno. Fique animado, ó Rishi erudito, e una-te a mim. Abrace-me, ó erudito, pois eu te desejo imensamente. Ó tu de alma justa, esta união comigo é a recompensa excelente e desejável daquelas penitências severas que tu praticaste. À primeira vista eu me tornei disposta a te procurar. Procure-me também. Toda esta riqueza, e tudo mais de valor que tu vês aqui é meu. Realmente torne-te o senhor de tudo isto junto com minha pessoa e coração. Eu satisfarei todos os teus desejos. Divirta-te comigo, portanto, nesta floresta encantadora, ó Brahmana, que é capaz de conceder todos os desejos. Eu te darei obediência completa em tudo, e tu te divertirás comigo de acordo com tua vontade. Todos os objetos de desejo que são humanos ou que pertencem ao céu serão desfrutados por nós. Não há prazer mais agradável para as mulheres (do que aquele que é derivável da companhia de uma pessoa do outro sexo). Na verdade, o ato sexual com uma pessoa do sexo oposto é fruto mais delicioso de alegria que nós podemos colher. Quando incitadas pelo deus do desejo, as mulheres ficam muito caprichosas. Em tais períodos elas não sentem alguma dor, mesmo se elas andam sobre um deserto de areia ardente.'" "Ashtavakra disse, 'Ó senhora abençoada, eu nunca me aproximo de alguém que é esposa de outro. A união de alguém com a esposa de outro homem é condenada por pessoas familiarizadas com as escrituras sobre moralidade. Eu sou um completo estranho para os prazeres de todos os tipos. Ó senhora abençoada, saiba que eu fiquei desejoso de matrimônio para obter prole. Eu juro pela própria verdade. Pela ajuda de prole justamente obtida, eu procederei para aquelas regiões de felicidade que não podem ser alcançadas sem tal ajuda. Ó boa senhora, saiba o que é consistente com a moralidade, e conhecendo isto, desista dos teus esforços.'" "A senhora disse, 'As próprias divindades do vento e fogo e água, ou os outros celestiais, ó regenerado, não são tão agradáveis para as mulheres quanto a divindade do desejo. Na verdade, as mulheres gostam muito da união sexual. Entre mil mulheres, ou, talvez, entre centenas de milhares, às vezes pode ser encontrada somente uma que é devotada a seu marido. Quando sob a influência do desejo, elas não têm consideração por família ou pai ou mãe ou irmão ou marido ou filhos ou irmão do marido (mas seguem o caminho que o desejo indica). Na verdade, em busca do que elas consideram felicidade, elas destroem a família (à qual elas pertencem por nascimento ou casamento) assim como muitos rios majestosos destroem as margens que os contêm. O próprio Criador disse isto, notando rapidamente os defeitos das mulheres.'" (É dito que uma mulher destrói a família por maculá-la com sua falta de castidade.) "Bhishma continuou, 'O Rishi, disposto a descobrir os defeitos das mulheres, então se dirigiu àquela senhora, dizendo, ‘Pare de me falar dessa maneira. O desejo surge da amizade. Diga-me o que (mais) eu posso fazer.’ (O que o Rishi diz é: Eu ainda não anseio pela tua companhia, pois eu não gosto de ti. É claro que, se depois de ficar contigo por algum tempo eu começar a gostar de ti, eu poderei então sentir um desejo por ti!) Aquela senhora então disse em retorno, ‘Ó ilustre, tu verás de acordo com o tempo e lugar (se eu tenho alguma coisa agradável em mim). Somente viva aqui (por algum tempo), ó altamente abençoado, e eu me considerarei amplamente recompensada.’ Assim endereçado por ela, o Rishi regenerado, ó Yudhishthira, expressou sua resolução de concordar com o pedido dela, dizendo, ‘Realmente, eu morarei contigo neste lugar tanto tempo quanto eu puder ousar fazer isso.’ O Rishi então, vendo aquela senhora afligida pela decrepitude, começou a refletir seriamente sobre o assunto. Ele parecia estar mesmo torturado por seus pensamentos. Os olhos daquele principal dos Brahmanas fracassaram em derivar qualquer prazer daquelas partes do corpo daquela senhora às quais eles foram lançados. Por outro lado, seus olhares pareciam ser afastados pela feiúra daqueles membros específicos. ‘Esta senhora é certamente a deusa deste palácio. Ela ficou feia através de alguma maldição. Não é apropriado que eu averigúe rapidamente a causa disto.’ Refletindo sobre isto no sigilo de seu coração, e curioso para saber a razão, o Rishi passou o resto daquele dia em um estado ansioso. A senhora então se dirigiu a ele, dizendo, ‘Ó ilustre, veja o aspecto do Sol avermelhado pelas nuvens noturnas. Qual serviço eu farei para ti?’ O Rishi se dirigiu a ela, dizendo, 'Vá buscar água para as minhas abluções. Tendo me banhado, eu recitarei as minhas preces noturnas, reprimindo minha língua e os sentidos.'" 20 "Bhishma disse, 'Assim ordenada, a senhora disse, ‘Assim seja’. Ela então trouxe o óleo (para esfregar o corpo do Rishi) e uma peça de roupa para seu uso durante as abluções. Permitida pelo asceta, ela friccionou todas as partes do seu corpo com o óleo fragrante que ela tinha trazido para ele. O Rishi foi gentilmente esfregado, e quando o processo de fricção estava terminado ele foi para o aposento reservado para a realização de abluções. Lá ele sentou-se sobre um assento novo e excelente de grande esplendor. Depois que o Rishi tinha sentado sobre ele, a dama idosa começou a lavar seu corpo com suas próprias mãos macias cujo toque era extremamente agradável. Um depois do outro na devida ordem, a dama prestou os serviços mais agradáveis para o Rishi a respeito das suas abluções. Entre a água morna com a qual ele era lavado e as mãos macias que estavam empenhadas em lavá-lo, o Rishi de votos rígidos não percebeu que a noite inteira tinha se passado no processo. Erguendo-se do banho o Rishi ficou muito surpreso. Ele viu o Sol erguido acima do horizonte no Leste. Ele ficou pasmado por isto e se perguntou, ‘Isto foi realmente assim ou isto foi um erro da compreensão?’ O Rishi então adorou devidamente o deus de mil raios. Isto feito, ele questionou a senhora quanto ao que ele deveria fazer. A senhora idosa preparou algum alimento para o Rishi que era tão delicioso para o paladar quanto o próprio Amrita. Pelo caráter delicioso daquela comida o Rishi não pôde comer muito. Ao comer aquele pouco, no entanto, o dia passou e chegou a noite. A dama idosa então pediu ao Rishi para ir para a cama e dormir. Uma cama excelente foi designada para o Rishi e a outra era ocupada por ela mesma. O Rishi e a senhora idosa ocuparam camas diferentes a princípio, mas quando era meia-noite a senhora deixou sua própria cama para ir para a do Rishi.'” "Ashtavakra disse, 'Ó senhora abençoada, minha mente rejeita união sexual com alguém que é a esposa de outro. Deixe minha cama, ó boa senhora. Abençoada sejas tu, desista disso por iniciativa própria.'” (A última palavra também pode significar: 'Vá para tua própria cama e descanse sozinha!') "Bhishma continuou, 'Assim dissuadida por aquele Brahmana com a ajuda de seu autocontrole, a dama respondeu, dizendo, ‘Eu sou minha própria mestra. Ao me aceitares tu não incorrerás em pecado.'” "Ashtavakra disse, 'As mulheres nunca podem ser suas próprias mestras. Esta é a opinião do próprio Criador, isto é, que uma mulher nunca tem direito a ser independente.'” "A senhora disse, 'Ó Brahmana erudito, eu estou torturada pelo desejo. Observe minha devoção por ti. Tu incorrerás em pecado por te recusares a me abordar amorosamente.'” "Ashtavakra disse, 'Diversos erros arrastam o homem que age como ele deseja. Com relação a mim mesmo, eu posso controlar as minhas inclinações por meio de autodomínio. Ó boa senhora, volte para tua própria cama.'” "A senhora disse, 'Eu te reverencio, inclinando minha cabeça. Cabe a ti me mostrar tua graça. Ó impecável, eu me prostro diante de ti, torne-te meu refúgio. Se, de fato, tu vês semelhante pecado em união sexual com alguém que não é tua esposa, eu me entrego para ti. Ó regenerado, aceite minha mão em casamento. Tu não irás incorrer em pecado. Eu te digo a verdade. Saiba que eu sou minha própria mestra. Se houver algum pecado nisto, que ele seja só meu. Meu coração está devotado a ti. Eu sou minha própria mestra. Me aceite.'” "Ashtavakra disse, 'Como é que, ó boa senhora, tu és tua própria mestra? Diga- me a razão disto. Não há uma única mulher nos três mundos que mereça ser considerada como a mestra de si mesma. O pai a protege enquanto ela é uma donzela. O marido a protege enquanto ela está na juventude. Os filhos a protegem quando ela é idosa. As mulheres nunca podem ser independentes enquanto elas viverem!'” "A senhora disse, 'Eu, desde o tempo da minha virgindade, adotei o voto de Brahmacharya. Não duvide disto. Eu ainda sou uma donzela. Faça-me tua esposa. Ó Brahmana, não mate essa minha devoção por ti.'” "Ashtavakra disse, 'Como tu estás inclinada a mim, assim eu estou inclinado a ti. Há esta questão, no entanto, a qual deve ser decidida. É verdade que por me entregar às minhas inclinações eu não serei considerado como agindo em oposição ao que o Rishi (Vadanya) deseja. Isto é extraordinário. Isto levará ao que é benéfico? Aqui está uma donzela adornada com ornamentos e mantos excelentes. Ela é extremamente bela. Por que a decrepitude a cobriu por tanto tempo? No momento ela parece uma moça bela. Não há conhecimento de qual forma ela pode tomar após a morte. Eu nunca me desviarei daquele controle que eu tenho sobre o desejo e as outras paixões ou do contentamento que eu já adquiri. Tal desvio não me parece ser bom. Eu me manterei unido com a verdade!'” 21 "Yudhishthira disse, 'Diga-me por que aquela dama não tinha tido medo da maldição de Ashtavakra embora Ashtavakra fosse dotado de grande energia? Como também Ashtavakra conseguiu voltar daquele lugar?'" "Bhishma disse, 'Ashtavakra a questionou, dizendo, ‘Como tu consegues alterar tua forma dessa maneira? Tu não deves dizer qualquer coisa que seja falsa. Eu desejo saber. Fale verdadeiramente perante um Brahmana.'” "A dama disse, 'Ó melhor dos Brahmanas, onde quer que tu possas residir, no céu ou sobre a Terra, este desejo de união entre os sexos é para ser observado. Ó tu de destreza infalível, escute, com atenção concentrada, a tudo isto. Este teste foi planejado por mim, ó impecável, para te testar corretamente. Ó tu de destreza infalível, tu subjugaste todos os mundos para não abandonar tua resolução prévia. Saiba que eu sou a encarnação do ponto Norte do horizonte. Tu viste a leviandade do caráter feminino. Até mulheres que são idosas são torturaras pelo desejo de união sexual. O próprio Avô e todas as divindades com Indra estão satisfeitos contigo. O objetivo pelo qual tua pessoa ilustre veio até aqui (é conhecido por mim). Ó principal das pessoas regeneradas, tu foste enviado para cá pelo Rishi Vadanya, o pai da tua noiva, a fim de que eu pudesse te instruir. De acordo com os desejos daquele Rishi eu já te instruí. Tu voltarás para casa em segurança. Tua viagem de retorno não será penosa. Tu obterás como esposa a moça que tu escolheste. Ela te dará um filho. Por desejo eu tinha te procurado, e tu me deste a melhor resposta. O desejo pela união sexual não pode ser superado nos três mundos. Volte para teus alojamentos, tendo conseguido tal mérito. O que mais há que tu desejas saber de mim? Eu falarei sobre isto, ó Ashtavakra, de acordo com a verdade. Eu fui gratificada pelo Rishi Vadanya em primeiro lugar por tua causa, ó asceta regenerado. Para honrá-lo eu te disse tudo isso.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras dela, o regenerado Ashtavakra uniu suas mãos em uma atitude reverente. Ele então pediu a permissão da senhora para voltar. Obtendo a permissão ele voltou para seu próprio retiro. Descansando por algum tempo em casa e obtendo a permissão de seus parentes e amigos, ele então, por um caminho apropriado, procedeu, ó encantador dos Kurus, até o Brahmana Vadanya. Recebido com as perguntas usuais por Vadanya, o Rishi Ashtavakra, com um coração satisfeito, narrou tudo o que ele tinha visto (durante sua viagem para o Norte). Ele disse, ‘Mandado por ti eu procedi para as montanhas de Gandhamadana. Nas regiões que se encontram ao norte dessas montanhas eu vi uma deusa muito superior. Eu fui recebido por ela com cortesia. Ela citou você em minha audição e também me instruiu em vários assuntos. Tendo-a ouvido eu voltei, ó senhor.’ Para ele que tinha dito isso, o erudito Vadanya disse, ‘Aceite a mão de minha filha de acordo com os ritos devidos e sob as constelações apropriadas. Tu és o noivo mais adequado que eu posso escolher para a moça.'” 'Bhishma continuou, 'Ashtavakra disse, ‘Assim seja’ e aceitou a mão da moça. De fato, o Rishi altamente virtuoso, tendo desposado a donzela, ficou cheio de alegria. Tendo tomado como sua esposa aquela bela donzela, o Rishi continuou a morar em seu próprio retiro, livre de agitações (mentais) de todos os tipos.'" "Yudhishthira disse, 'A quem os Brahmanas eternos estritamente cumpridores dos ritos religiosos chamam de um objeto apropriado de caridade? Um Brahmana que tem os símbolos da ordem de vida que ele segue é para ser considerado como tal ou alguém que não tem tais indicações é para ser assim considerado?'” "Bhishma disse, 'Ó monarca, é dito que doações devem ser feitas para um Brahmana que adere aos deveres da sua própria classe, ele ostente as indicações de um Brahmachari ou não, pois ambos são impecáveis, isto é, aquele que leva tais indicações e aquele que é desprovido delas.'” "Yudhishthira disse, 'Em qual erro incorre uma pessoa impura, se ela faz doações de manteiga sacrifical ou alimento com grande devoção para pessoas da classe regenerada?'” "Bhishma disse, 'Mesmo alguém que é muito desprovido de autocontrole vem a ser, sem dúvida, purificado pela devoção. Tal homem, ó tu de grande esplendor, se torna purificado em relação a todas as ações (e não somente com relação às doações).'” "Yudhishthira disse, 'É dito que um Brahmana que é procurado para ser empregado em uma ação que tem relação com as divindades nunca deve ser examinado. Os eruditos, no entanto, dizem que com respeito às ações como as que têm relação com os Pitris, o Brahmana que é procurado para ser empregado deve ser examinado (a respeito de sua conduta e competência).'” "Bhishma disse, 'Em relação às ações que têm referência às divindades, estas produzem resultados não por causa do Brahmana que é empregado em fazer os ritos mas pela graça das próprias divindades. Sem dúvida, aquelas pessoas que realizam sacrifícios obtêm o mérito ligado àquelas ações, através da graça das divindades. Os Brahmanas, ó chefe dos Bharatas, são sempre devotos de Brahman. O Rishi Markandeya, um dos maiores Rishis dotados de inteligência em todos os mundos, disse isso antigamente.'” "Yudhishthira disse, 'Por que, ó avô, estes cinco, isto é, aquele que é um desconhecido, aquele que é dotado de erudição (ligada aos deveres da sua classe), aquele que é ligado por casamento, aquele que é dotado de penitências, e aquele que adere à realização de sacrifícios, são considerados como pessoas respeitáveis?'” "Bhishma disse, 'Os primeiros três, ou seja, desconhecidos, parentes, e ascetas, quando possuidores destes atributos, isto é, pureza de nascimento, dedicação às ações religiosas, erudição, compaixão, modéstia, sinceridade, e veracidade, são considerados como pessoas respeitáveis. Os outros dois, isto é, homens de erudição e dedicados aos sacrifícios, quando dotados de cinco destes atributos, isto é, pureza de nascimento, compaixão, modéstia, sinceridade, e veracidade, também são considerados como pessoas respeitáveis. Escute agora a mim, ó filho de Pritha, enquanto eu narro para ti as opiniões destas quatro pessoas de energia poderosa: a deusa Terra, o Rishi Kasyapa, Agni (a divindade do fogo) e o asceta Markandeya.'” "A Terra disse, 'Como um punhado de lama, quando jogado no grande oceano se dissolve rapidamente, assim mesmo todos os tipos de pecado desaparecem nos três atributos excelentes, isto é, ofício em sacrifícios, ensino e recebimento de doações.’” "Kasyapa disse, 'Os Vedas com seus seis ramos, a filosofia Sankhya, os Puranas, e o nascimento superior, estes fracassam em resgatar uma pessoa regenerada se ela abandona a boa conduta.'” (Por boa conduta é implicado modéstia e integridade.) "Agni disse, 'Aquele Brahmana que, dedicado ao estudo e se considerando erudito, procura com a ajuda de sua erudição destruir a reputação de outros, abandona a justiça, e vem a ser considerado como dissociado da verdade. Na verdade regiões de bem-aventurança após a morte nunca são alcançadas por tal pessoa de gênio destrutivo.'” "Markandeya disse, 'Se mil Sacrifícios de Cavalo e a Verdade forem pesados na balança, eu não sei o se o primeiro chegaria a pesar metade do último.'” "Bhishma continuou, 'Tendo falado estas palavras, aquelas quatro pessoas, todas as quais são dotadas de energia incomensurável, isto é, a deusa Terra, Kasyapa, Agni, e o filho de Bhrigu armado com armas, foram embora rapidamente.'” "Yudhishthira disse, 'Se Brahmanas cumpridores do voto de Brahmacharya neste mundo solicitam as oferendas que alguém faz (para seus antepassados falecidos em Sraddhas) eu pergunto, o Sraddha pode ser considerado bem realizado, se o realizador verdadeiramente transfere aquelas oferendas para tais Brahmanas?’” "Bhishma disse, 'Se, tendo praticado o voto de Brahmacharya pelo período prescrito (de doze anos) e adquirido proficiência nos Vedas e seus ramos, um Brahmana solicita a oferenda feita em Sraddhas e come a mesma, ele é considerado como tendo abandonado seu voto. O Sraddha, no entanto, não é considerado como maculado de nenhuma maneira.'” "Yudhishthira disse, 'Os sábios dizem que o dever de retidão tem muitos fins e numerosas portas. Diga-me, ó avô, quais no entanto são as conclusões seguras sobre este assunto.'” Bhishma disse, 'Abstenção de injúria para outros, veracidade, a ausência de raiva (perdão), compaixão, autodomínio, e sinceridade ou franqueza, ó monarca, são as indicações de Retidão. Há pessoas que vagam sobre a terra louvando a retidão, mas sem praticarem o que elas pregam e todo o tempo envolvidas em pecado. Ó rei, aquele que dá ouro ou jóias ou corcéis para tais pessoas tem que cair no inferno e subsistir lá por dez anos, comendo as fezes de pessoas como as que vivem da carne de vacas e búfalos mortos, de homens chamados Pukkasas, de outros que vivem nos arredores de cidades e aldeias (que são curtidores e outros de castas baixas), e de homens que divulgam, sob a influência da raiva e tolice, as ações e as omissões de outros. (Aqueles que divulgam os atos e omissões de outros são considerados como pessoas realmente vis, equivalentes aos homens de casta inferior mencionados acima.) Aqueles homens tolos que dão para um Brahmana cumpridor do voto de Brahmacharya as oferendas feitas em Sraddhas (para seus ancestrais falecidos), têm que ir, ó monarca, para regiões de grande miséria.'” "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, o que é superior ao Brahmacharya? Qual é a maior indicação de virtude? Qual é o tipo de pureza mais elevado?'” "Bhishma disse, 'Eu te digo, ó filho, que abstenção de mel e carne é superior até ao Brahmacharya. A virtude consiste em se manter dentro de limites ou em autocontrole, a melhor indicação de Virtude é a Renúncia (a qual é também o tipo de pureza mais elevado).’” "Yudhishthira disse, 'Em qual época alguém deve praticar Virtude? Em qual época a riqueza deve ser procurada? Em qual época o prazer deve ser desfrutado? Ó avô, diga-me isto.'” "Bhishma disse, 'Uma pessoa deve ganhar riqueza na primeira parte de sua vida. Então ela deve obter Virtude, e então desfrutar do prazer. Não se deve, no entanto, se apegar a algum destes. Deve-se respeitar os Brahmanas, adorar o preceptor e os mais velhos, mostrar compaixão por todas as criaturas, ser de disposição branda e fala agradável. Proferir falsidade em uma corte de justiça, se comportar enganadoramente para com o rei, agir falsamente com os preceptores e mais velhos, são considerados como equivalentes (em atrocidade) ao Brahmanicídio. Uma pessoa nunca deve fazer uma ação de violência para a pessoa do rei. Nem alguém deve golpear uma vaca. Ambos estes delitos são equivalentes ao pecado de feticídio. Alguém nunca deve abandonar seu fogo (homa). E alguém nunca deve também rejeitar seu estudo dos Vedas. Nunca se deve atacar um Brahmana por meio de palavras ou ações. Todos esses delitos são equivalentes ao Brahmanicídio.'” "Yudhishthira disse, 'Qual tipo de Brahmanas deve ser considerado como bom? Por fazer doações para (qual tipo de) Brahmanas alguém pode adquirir grande mérito? Qual tipo de Brahmanas são aqueles a quem se deve alimentar? Diga-me tudo isso, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Aqueles Brahmanas que estão livre de cólera, que são dedicados a atos de virtude, que são firmes na Verdade, e que praticam autodomínio são considerados como bons. Por fazer doações para eles alguém adquire grande mérito. Uma pessoa ganha grande mérito por fazer doações para Brahmanas que estão livres de orgulho, que são capazes de tolerar tudo, firmes na busca de seus objetivos, dotados de domínio sobre seus sentidos, dedicados ao bem de todas as criaturas, e dispostos a serem amáveis para com todos. Uma pessoa ganha grande mérito por fazer doações para Brahmanas que estão livres de cobiça, que são puros de coração e conduta, possuidores de erudição e modéstia, sinceros em palavras e cumpridores dos seus próprios deveres como declarados nas escrituras. Os Rishis têm declarado que é um objeto merecedor de doações aquele Brahmana que estuda os quatro Vedas com todos os seus ramos e que é dedicado aos seis deveres bem conhecidos (prescritos nas escrituras). Alguém adquire grande mérito por fazer doações para Brahmanas possuidores de tais qualificações. O homem que faz doações para um Brahmana merecedor multiplica seu mérito mil vezes. Um único Brahmana justo possuidor de sabedoria e conhecimento Védico, cumpridor dos deveres prescritos nas escrituras, notável por pureza de comportamento, é competente para resgatar uma linhagem inteira; (isto é, por fazer doações mesmo para um único Brahmana que é assim, uma pessoa resgata todos os antepassados e descendentes da própria linhagem). Deve-se fazer doações de vacas e cavalos e riqueza e alimento e outros tipos de artigos para um Brahmana que possui tais qualificações. Por fazer tais doações para tais pessoas alguém consegue grande felicidade no mundo seguinte. Como eu já te disse até um Brahmana assim é totalmente competente para resgatar a linhagem inteira à qual o doador pertence. O que dizer, portanto, ó filho caro, do mérito de se fazer doações para muitos Brahmanas de tais qualificações? Ao fazer doações, portanto, deve-se sempre escolher o objeto para quem as doações devem ser feitas. Tendo notícias sobre um Brahmana possuidor de qualificações apropriadas e considerado com respeito por todas as boas pessoas, alguém deve convidá-lo mesmo que ele resida muito longe e recebê-lo quando ele chegar, e deve adorá-lo por todos os meios em seu poder.'" 23 "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó avô, que tu me digas quais são as ordenanças que foram prescritas com relação às ações concernentes às divindades e aos ancestrais (falecidos) em ocasiões de Sraddhas.'” "Bhishma disse, 'Tendo se purificado (por meio de banhos e outras ações purificatórias) e então passando pelos ritos auspiciosos bem conhecidos, uma pessoa deve realizar cuidadosamente todas as ações relativas às divindades de manhã, e todas as ações relativas aos Pitris à tarde. O que é doado para homens deve ser dado no meio-dia com afeição e respeito. Aquela doação que é feita inoportunamente é apropriada pelos Rakshasas. (Uma pessoa faz doações para as divindades, os Pitris, e para seres humanos. Há uma hora para cada tipo de doação. Se feita fora de hora, a doação, em vez de produzir algum mérito, se torna completamente inútil, se não pecaminosa. Doações inoportunas são apropriadas pelos Rakshasas. Até o alimento que é ingerido fora de hora não fortalece o corpo mas vai nutrir os Rakshasas e outros seres maus.) Doações de artigos que foram saltados por cima por alguém, ou que foram lambidos ou chupados, que não são dados pacificamente, que foram vistos por mulheres que estão impuras por seu período ter vindo, não produzem algum mérito. Tais doações são consideradas como a porção pertencente aos Rakshasas. Doações de artigos que foram anunciados perante muitas pessoas ou dos quais uma parte foi comida por um Sudra, ou que foram vistos ou lambidos por um cachorro, formam as porções dos Rakshasas. Alimento que está misturado com cabelo ou na qual há vermes, ou que foi sujado com cuspe ou saliva, ou que foi olhado por um cachorro ou dentro do qual caíram lágrimas ou que foi pisado, deve ser conhecido como aquele que forma a porção dos Rakshasas. Alimento que foi comido por uma pessoa incompetente para proferir a sílaba Om (um Sudra), ou que foi comido por uma pessoa portando armas, ó Bharata, ou que foi comido por uma pessoa má, deve ser conhecido como aquele que constitui a porção dos Rakshasas; (isto é, qualquer alimento, uma porção do qual foi comido por alguma dessas pessoas, é indigno de ser doado. Se doado, ele é apropriado pelos Rakshasas). O alimento que é comido por uma pessoa do qual uma porção já foi comida por outra, ou que é comido sem uma parte dele ter sido oferecida para as divindades e convidados e filhos, é apropriado pelos Rakshasas. Tal comida maculada, se oferecida às divindades e Pitris, nunca é aceita por eles mas é pega pelos Rakshasas. O alimento oferecido pelas três classes regeneradas em Sraddhas nos quais Mantras não são proferidos ou são proferidos incorretamente, e nos quais as ordenanças prescritas nas escrituras não são cumpridas, se distribuído para convidados e outras pessoas, é apropriado pelos Rakshasas. O alimento que é distribuído para os convidados sem ter sido oferecido previamente para as divindades ou os Pitris com a ajuda de libações sobre o fogo sagrado, o qual foi maculado por uma porção dele ter sido comida por uma pessoa que é pecaminosa ou de comportamento irreligioso, deve ser conhecido como constituindo a porção dos Rakshasas.'” "'Eu te disse quais são as porções dos Rakshasas. Ouça-me agora enquanto eu declaro as regras para averiguar quem é o Brahmana que não é merecedor de doações. Todos os Brahmanas que foram banidos (por causa da comissão de pecados hediondos), como também Brahmanas que são idiotas e loucos, não merecem ser convidados para Sraddhas nos quais oferendas são feitas para as divindades ou para os Pitris. Aquele Brahmana que sofre de leucoderma, ou aquele que é desprovido de virilidade, ou aquele que pegou lepra, ou aquele que contraiu tísica ou aquele que está trabalhando sob epilepsia (com ilusões do sensório), ou aquele que é cego, não deve, ó rei, ser convidado. (Apasmara é um tipo peculiar de epilepsia no qual a vítima sempre pensa que está sendo perseguida por algum monstro que está diante de seus olhos. Quando a epilepsia está acompanhada por alguma ilusão do sensório ela vem a ser chamada pelos médicos hindus como Apasmara.) Aqueles Brahmanas que praticam a vocação de médicos, aqueles que recebem pagamento regular para cultuar as imagens de divindades estabelecidas pelos ricos, ou que vivem do serviço das divindades, aqueles que são cumpridores de votos por orgulho ou outros motivos falsos, e aqueles que vendem Soma, não merecem ser convidados. Aqueles Brahmanas que são, por profissão, vocalistas, ou dançarinos ou jogadores ou músicos instrumentais, ou narradores de livros sagrados, ou guerreiros e atletas, ó rei, não merecem ser convidados. Aqueles Brahmanas que despejam libações no fogo sagrado para Sudras, ou que são preceptores de Sudras, ou que são empregados de patrões Sudras, não merecem ser convidados. Aquele Brahmana que é pago por seus serviços como preceptor, ou que atende como pupilo nas conferências de algum preceptor por causa de alguma compensação que é dada a ele, não merece ser convidado, pois ambos são considerados como vendedores de conhecimento Védico. Aquele Brahmana que foi uma vez induzido a aceitar a doação de alimento em um Sraddha no início, como também aquele que se casou com uma mulher Sudra, mesmo se possuidor de todos os tipos de conhecimento não merece ser convidado. (Um Agrani ou Agradani é aquele Brahmana para quem o alimento e outras oferendas para o Preta no primeiro Sraddha são doados. Tal pessoa é considerada como decaída.) Aqueles Brahmanas que são desprovidos de seu fogo doméstico, e aqueles que cuidam de cadáveres, aqueles que são ladrões, e aqueles que de alguma outra maneira decaíram, ó rei, não merecem ser convidados. (Quando cadáveres são levados para crematórios certos ritos têm que ser realizados sobre eles antes de eles poderem ser destruídos. Aqueles Brahmanas que ajudam no desempenho daqueles ritos são considerados como decaídos.) Aqueles Brahmanas cujos antecedentes são não conhecidos ou são vis, e aqueles que são Putrika-putras, ó rei, não merecem ser convidados em ocasiões de Sraddhas. (Às vezes o pai de uma filha a concede para um noivo sob o contrato que o filho nascido daquela filha por seu marido deve ser o filho do pai da filha. Tal filho, que é dissociado da linhagem de seu próprio pai, é chamado de Putrika-putra.) Aquele Brahmana que dá empréstimos de dinheiro, ou aquele que subsiste dos juros dos empréstimos dados por ele, ou aquele que vive por vender criaturas vivas, não merece, ó rei, ser convidado. Homens que são dominados por suas esposas, ou aqueles que vivem por se tornarem os amantes de mulheres incastas, ou aqueles que se abstêm de suas preces matutinas e noturnas não merecem, ó rei, ser convidados para Sraddhas.'” "'Ouça-me agora enquanto eu menciono quem é o Brahmana que tem sido ordenado para ações feitas em honra das divindades e dos Pitris. De fato, eu te direi quais são aqueles méritos por consequência dos quais uma pessoa pode se tornar um doador ou um recebedor de doações em Sraddhas (apesar das falhas mencionadas acima. Isto é, aqueles méritos pelos quais as falhas são neutralizadas e a pessoa maculada pode vir a ser considerada como merecedora). Aqueles Brahmanas que são cumpridores dos ritos e cerimônias prescritos nas escrituras, ou aqueles que possuem mérito, ou aqueles que estão familiarizados com o Gayatri, ou aqueles que são cumpridores dos deveres comuns de Brahmanas, mesmo que aconteça de eles se dirigirem para a agricultura como meio de vida, são aptos, ó rei, para serem convidados para Sraddhas. Se acontece de um Brahmana ser bem nascido, ele merece ser convidado para Sraddhas apesar da sua profissão de armas para lutar a batalha de outros; (como Drona, Aswatthaman, Kripa, Rama e outros). Aquele Brahmana, no entanto, ó filho, que acontece de se dirigir ao comércio como meio de vida dever ser rejeitado (mesmo se possuidor de mérito). O Brahmana que despeja libações todos os dias sobre o fogo sagrado, ou que reside em uma habitação fixa, que não é um ladrão e que cumpre os deveres de hospitalidade para convidados que chegam em sua casa, merece, ó rei, ser convidado para Sraddhas. O Brahmana, ó chefe da linhagem de Bharata, que recita o Savitri de manhã, meio-dia, e à noite, ou que subsiste da caridade, que é observador dos ritos e cerimônias prescritos nas escrituras para pessoas de sua classe, merece, ó rei, ser convidado para Sraddhas. Aquele Brahmana que tendo obtido riqueza de manhã se torna pobre à tarde (por gastá-la toda em doações), ou que pobre de manhã se torna rico à noite, (isto é, que embora pobre a princípio consegue ganhar riqueza depois e mantém aquela riqueza para gastá-la em bons propósitos), ou que é desprovido de malícia, ou está manchado pela menor imperfeição, merece, ó rei, ser convidado para Sraddhas. Aquele Brahmana que é desprovido de orgulho ou pecado, que não é dado à discussão rude, ou que subsiste de esmolas obtidas em suas rondas de mendicância de casa em casa merece, ó rei, ser convidado para sacrifícios. Alguém que não é cumpridor de votos, ou que está habituado à mentira (em palavras e conduta), que é um ladrão, ou que subsiste pela venda de criaturas vivas ou por comércio em geral, se torna digno de ser convidado para Sraddhas, ó rei, se acontece de ele oferecer tudo para as divindades primeiro e posteriormente bebe Soma. Aquele homem que tendo adquirido riqueza por meios sujos ou cruéis posteriormente a gasta em adorar as divindades e cumprir os deveres de hospitalidade, se torna merecedor, ó rei, de ser convidado para Sraddhas. A riqueza que alguém adquiriu pela venda de conhecimento Védico, ou que foi ganha por uma mulher, ou que foi ganha por baixeza (tal como dar falsa evidência em um tribunal de justiça), nunca deve ser dada para Brahmanas ou usada para fazer oferendas para os Pitris. Aquele Brahmana, ó chefe da família de Bharata, que após a conclusão de um Sraddha que é realizado com sua ajuda, se recusa a proferir as palavras ‘astu swadha’, incorre no pecado de jurar falsamente em um processo judicial por terra. (O sentido é que o Brahmana que ajuda o realizador do Sraddha por recitar os Mantras deve, após o término, dizer para o realizador que o Sraddha foi bem realizado.) O tempo para realizar um Sraddha, ó Yudhishthira, é aquele quando alguém consegue um bom Brahmana e coalho e ghee e o dia sagrado da lua nova, e a carne de animais selvagens tais como veado e outros. Após a conclusão de um Sraddha realizado por um Brahmana a palavra ‘Swadha’ deve ser proferida. Se realizado por um Kshatriya as palavras que devem ser proferidas são ‘Que os Pitris estejam satisfeitos.’ Após a conclusão de um Sraddha realizado por um Vaisya, ó Bharata, as palavras que devem ser proferidas são ‘Que tudo se torne inesgotável.’ Similarmente, após a conclusão de um Sraddha realizado por um Sudra, a palavra que deve ser proferida é ‘Swasti’. Com relação a um Brahmana, a declaração com respeito a Punyaham deve ser acompanhada da declaração da sílaba Om. (Após a conclusão de um Sraddha ou outros ritos, o Brahmana que oficia neles se dirige a certos outros Brahmanas que são convidados na ocasião e diz, 'Diga Punyaham,' o Brahmana endereçado diz, 'Om, que seja Punyaham!' Por Punyaham se quer dizer dia sagrado.) No caso de um Kshatriya, tal declaração deve ser sem a declaração da sílaba Om. Nos ritos realizados por um Vaisya, as palavras que devem ser proferidas, em vez de serem a sílaba Om, são, ‘Que as divindades estejam satisfeitas.’ Ouça-me falar agora dos ritos que devem ser realizados, um depois do outro, em conformidade com as ordenanças, (em relação a todas as classes). Todos os ritos que levam o nome de Jatakarma, ó Bharata, são indispensáveis no caso de todas as três classes (que são regeneradas). Todos aqueles ritos, ó Yudhishthira, no caso de Brahmanas e Kshatriyas como também naquele de Vaisyas são para serem realizados com a ajuda de mantras. O cinto de um Brahmana deve ser feito de grama Munja. Para alguém pertencente à classe real deve ser uma corda de arco. O cinto do Vaisya deve ser feito da grama Valwaji. Isto mesmo é o que foi declarado nas escrituras. Ouça-me agora enquanto eu te explico o que constitui os méritos e as falhas de doadores e recebedores de doações. Um Brahmana se torna culpado de um abandono do dever por proferir uma mentira. Tal ato de sua parte é pecaminoso. Um Kshatriya incorre quatro vezes e um Vaisya oito vezes no pecado que um Brahmana incorre por proferir uma mentira. Um Brahmana não deve comer em outro lugar, tendo sido anteriormente convidado por um Brahmana. Por comer na casa da pessoa cujo convite foi posterior a respeito de tempo, ele se torna inferior e até incorre no pecado que se atribui à morte de um animal em ocasiões a não ser aquelas de sacrifícios. (O fato é, matar animais em um sacrifício não leva ao pecado, mas se mortos em vão, ou seja, somente para propósitos de alimentação, tal ato de matar leva ao pecado.) Assim também, se ele come em outro lugar depois de ter sido convidado por uma pessoa da classe real ou um Vaisya, ele decai de sua posição e incorre na metade do pecado que se atribui ao ato de matar de um animal em ocasiões que não são aquelas de sacrifícios. Aquele Brahmana, ó rei, que come em ocasiões de ritos tais como os que são realizados em honra das divindades ou Pitris por Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas, sem ter realizado suas abluções, incorre no pecado de proferir uma mentira por causa de uma vaca. Aquele Brahmana, ó rei, que come em ocasiões de ritos similares realizados por pessoas pertencentes às três classes superiores, em uma hora em que ele está impuro em consequência de um nascimento ou uma morte entre seus cognatos, por tentação, sabendo bem que ele está impuro, incorre no mesmo pecado. (É dito que uma pessoa se torna impura quando um nascimento ou uma morte ocorre entre seus parentes de grau próximo. O período de impureza varia de um dia a dez dias no caso de Brahmanas. Outros períodos são prescritos para as outras classes. Durante o período de impureza alguém não pode realizar seus atos diários de culto, etc.) Aquele que vive da riqueza obtida sob falsos pretextos como aquele de viagens para lugares sagrados, ou que pede riqueza do doador fingindo que irá gastá-la em ações religiosas, incorre, ó monarca, no pecado de proferir uma falsidade. (Nesse país, até hoje, há muitas pessoas que andam de lá para cá mendigando, afirmando que elas desejam ir para Banaras ou outros lugares do tipo. Ás vezes esmolas são procuradas pelo pretexto de possibilitar o buscador a investir seu filho com o fio sagrado ou realizar o Sraddha de seu pai, etc. O Rishi declara que tais práticas são pecaminosas.) Aquela pessoa, pertencente a alguma das três classes superiores, ó Yudhishthira, que em Sraddhas e em outras ocasiões distribui alimento com a ajuda de Mantras para Brahmanas que não estudam os Vedas e que não são cumpridores de votos, ou que não têm purificado sua conduta, certamente incorre em pecado.'” "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó avô, saber por dar para quem as coisas oferecidas às divindade e aos Pitris uma pessoa pode ganhar as maiores recompensas.'” "Bhishma disse, 'Ó Yudhishthira, alimente aqueles Brahmanas cujas esposas esperam reverentemente pelos restos dos pratos de seus maridos como os lavradores do solo esperando em reverência por chuvas oportunas. Uma pessoa ganha grande mérito por fazer doações para aqueles Brahmanas que sempre mantêm uma conduta pura, ó rei, que são emaciados pela abstenção de todos os luxos e até de refeições completas, que são dedicados ao cumprimento de votos tais como os que levam à emaciação do corpo, e que se aproximam dos doadores com o desejo de obter doações. Por fazer doações para Brahmanas que respeitam a conduta à luz de alimentação, que respeitam a conduta à luz de esposas e filhos, que respeitam a conduta à luz de força, que respeitam a conduta à luz de seu refúgio para cruzar este mundo e obter bem-aventurança no próximo, e que pedem riqueza somente quando a riqueza é absolutamente necessária, uma pessoa ganha grande mérito. Por fazer doações para aquelas pessoas, ó Yudhishthira, que, tendo perdido tudo por causa de ladrões ou opressores, se aproximam do doador, alguém adquire grande mérito. Por fazer doações para Brahmanas tais como os que pedem comida das mãos até de uma pessoa pobre de sua classe que somente obteve alguma coisa de outros, alguém ganha grande mérito. Por fazer doações para Brahmanas que perderam tudo em tempos de infortúnio geral e que foram privados de suas esposas em tais ocasiões, e que vão aos doadores com pedidos de esmolas, uma pessoa ganha grande mérito. Por fazer doações para Brahmanas que são cumpridores de votos, e que se colocam voluntariamente sob regras e regulamentos dolorosos, que são respeitosos em sua conduta à declaração formulada nos Vedas, e que vão pedir riqueza para gastá-la nos ritos necessários para completar seus votos e outras observâncias, uma pessoa ganha grande mérito. Por fazer doações para Brahmanas que vivem a uma grande distância das práticas que são observadas pelos pecaminosos e pelos maus, que são desprovidos de força por falta de um sustento adequado, e que são muito pobres em posses mundanas, uma pessoa ganha grande mérito. Por fazer doações para Brahmanas que tiveram todas as suas posses roubadas por homens poderosos mas que são totalmente inocentes, e que desejam encher seus estômagos de alguma maneira, isto é, sem quaisquer escrúpulos a respeito da qualidade da comida que eles ingerem, uma pessoa ganha grande mérito. Por fazer doações para Brahmanas tais como os que mendigam em nome de outros que são cumpridores de penitências e devotados a elas e como os que ficam satisfeitos mesmo com pequenos presentes, uma pessoa ganha grande mérito. Tu agora, ó touro da raça Bharata, ouviste quais são as declarações das escrituras a respeito da aquisição de grande mérito por fazer doações. Ouça-me agora enquanto eu explico quais são as ações que levam ao inferno ou ao céu. Aqueles, ó Yudhishthira, que falam mentiras em ocasiões que não são aquelas nas quais uma mentira é necessária para servir ao propósito do preceptor ou para dar a garantia de segurança para uma pessoa que teme por sua vida, caem no inferno. Aqueles que raptam esposas de outros homens, ou que têm união sexual com elas, ou que ajudam em tais atos de delinquência, caem no inferno. Aqueles que roubam a riqueza de outros ou destroem a riqueza e posses de outras pessoas, ou divulgam os defeitos de outras pessoas, caem no inferno. Aqueles que destroem os receptáculos de água como os que são usados pelo gado para matar a sede, que prejudicam construções que são usadas para propósitos de reuniões públicas, que derrubam pontes e passadiços, e que derrubam casas usadas para propósitos de habitação, têm que ir para o inferno. Aqueles que seduzem e enganam mulheres desamparadas, ou moças, ou damas idosas, ou mulheres que estão assustadas, têm que ir para o inferno. Aqueles que destroem os meios vida de outras pessoas, aqueles que arruínam as habitações de outras pessoas, aqueles que roubam os cônjuges de outras pessoas, aqueles que semeiam desavenças entre amigos, e aqueles que destroem as esperanças de outras pessoas, caem no inferno. Aqueles que divulgam os erros de outros, aqueles que derrubam pontes ou passadiços, aqueles que vivem por seguirem vocações prescritas para outras pessoas, e aqueles que são ingratos com amigos por serviços recebidos, têm que ir para o inferno. Aqueles que não têm fé nos Vedas e não demonstram reverência por eles, aqueles que quebram as promessas feitas por eles mesmos ou obrigam outros a quebrá-las, e aqueles que decaem de sua posição pelo pecado, caem no inferno. Aqueles que se dirigem à conduta imprópria, aqueles que cobram taxas de juros exorbitantes, e aqueles que fazem grandes lucros indevidamente em vendas, têm que ir para o inferno. Aqueles que são dados ao jogo, aqueles que fazem atos pecaminosos sem qualquer escrúpulo, e aqueles que são dados à matança de criaturas vivas, têm que ir para o inferno. Aqueles que causam a demissão por patrões de empregados que estão esperando por recompensas ou estão expectantes de necessidade definida, ou que estão no gozo de salários ou ordenados, ou que estão esperando por retribuições em relação a serviços valiosos já prestados, têm que ir para o inferno. Aqueles que comem sem oferecerem porções para sua esposa ou seus fogos sagrados ou seus empregados ou seus convidados, e aqueles que se abstêm de realizar os ritos prescritos nas escrituras para honrar os Pitris e as divindades, têm que ir para o inferno. Aqueles que vendem os Vedas (que cobram taxas para ensiná-los), aqueles que criticam os Vedas, e aqueles que reduzem os Vedas à escrita, têm todos que ir para o inferno. (Com relação aos Vedas, a injunção nas escrituras é para decorá-los e comunicá-los de boca a boca. Por essa razão convertê-los à escrita era considerado como uma transgressão.) Aqueles que estão fora do âmbito dos quatro modos de vida bem conhecidos, aqueles que se dirigem às práticas proibidas pelos Srutis e as escrituras, e aqueles que vivem por se dirigirem a ações que são perversas ou pecaminosas ou que não pertencem à sua classe de nascimento, têm que cair no inferno. Aqueles que vivem por vender cabelo, aqueles que subsistem por vender venenos, e aqueles que vivem por vender leite, têm que cair no inferno. Aqueles que põem obstáculos no caminho de Brahmanas e vacas e donzelas, ó Yudhishthira, têm que ir para o inferno. Aqueles que vendem armas, aqueles que fabricam armas, aqueles que fazem flechas, e aqueles que fazem arcos, têm que ir para o inferno. Aqueles que obstruem caminhos e estradas com pedras e espinhos e buracos têm que ir para o inferno. Aqueles que abandonam e rejeitam preceptores e empregados e seguidores leais sem nenhuma transgressão, ó chefe da linhagem de Bharata, têm que ir para o inferno. Aqueles que colocam bois para trabalhar antes de os animais alcançarem idade suficiente, aqueles que furam os narizes de bois e outros animais para controlá-los melhor enquanto empenhados no trabalho, e aqueles que mantêm animais sempre amarrados, têm que ir para o inferno. Aqueles reis que não protegem seus súditos embora tirem deles forçosamente uma sexta parte da produção de seus campos, e aqueles que, embora capazes e possuidores de recursos, se abstêm de fazer donativos, têm que ir para o inferno. Aqueles que abandonam e rejeitam pessoas que são dotadas de bondade e autodomínio e sabedoria, ou aquelas com quem eles têm se associado por muitos anos, quando estas não são mais úteis para eles, têm que ir para o inferno. Aqueles homens que comem sem dar porções do alimento para crianças e homens idosos e empregados, têm que ir para o inferno.'” "'Todos estes homens enumerados acima têm que ir para o inferno. Escute agora a mim, ó touro da raça Bharata, enquanto eu te digo quem são aqueles homens que ascendem para o céu. O homem que peca contra um Brahmana por impedir a realização de todas as ações nas quais as divindades são adoradas, vem a ser afligido com a perda de todos os seus filhos e animais. (Aqueles que não pecam contra Brahmanas por obstruírem suas ações religiosas ascendem para o céu.) Aqueles homens, ó Yudhishthira, que seguem os deveres como declarados para eles nas escrituras e praticam as virtudes de caridade e autodomínio e veracidade, ascendem ao céu. Aqueles homens que tendo adquirido conhecimento por prestarem serviços obedientes para seus preceptores e praticarem penitências austeras, ficam relutantes em aceitar doações, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens através dos quais outras pessoas são aliviadas e salvas do temor e do pecado, e dos obstáculos que se encontram no caminho do que eles desejam realizar e da pobreza e das aflições de doença, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que são dotados de uma disposição clemente, que possuem paciência, que são rápidos em realizar todos os atos justos, e que são de conduta auspiciosa, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que se abstêm de mel e carne, que se abstêm de união sexual com as esposas de outros homens, e que se abstêm de vinhos e licores alcoólicos, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que ajudam no estabelecimento de retiros para ascetas, que se tornam fundadores de famílias, ó Bharata, que tornam acessíveis novos territórios para propósitos de habitação, e que projetam cidades e municípios conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que doam roupas e ornamentos, como também comida e bebida, e que ajudam no casamento de outros, conseguem ascender ao céu. (Nesse país até hoje, o ato de casar um homem desamparado com uma boa moça por pagar todas as despesas do casamento é considerado como um ato de virtude. Naturalmente, o homem que é assim casado também recebe propriedade suficiente para capacitá-lo a manter a si mesmo e sua esposa.) Aqueles homens que se abstiveram de todos os tipos de ofensa ou mal para todas as criaturas, que são capazes de suportar tudo, e que fizeram de si mesmos o refúgio de todas as criaturas, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que servem com humildade seus pais e mães, que subjugaram seus sentidos, e que são afetuosos com seus irmãos, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que subjugam seus sentidos apesar do fato de serem ricos em bens mundanos e fortes em poder e no gozo de juventude, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que são bondosos mesmo com aqueles que os ofendem, que são de disposição branda, que têm uma afeição por todos aqueles que são de comportamento brando, e que contribuem para a felicidade de outros por lhes prestarem todos os tipos de serviço em humildade, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que protegem milhares de pessoas, que fazem doações para milhares de pessoas, e que salvam milhares de pessoas do perigo, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que fazem doações de ouro e de gado, ó chefe da linhagem de Bharata, como também aquelas de transportes e animais, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que fazem doações de artigos que são necessários em casamentos, como também aquelas de servos homens e mulheres, e tecidos e mantos, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que fazem casas de lazer e jardins e poços públicos, casas de repouso e construções para reuniões públicas e tanques para permitir ao gado e aos homens aplacarem sua sede, e campos para cultivo, ó Bharata, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que fazem doações de casas e campos e aldeias povoadas para pessoas que os pedem, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens quem tendo eles mesmos produzido bebidas suculentas de gosto doce e sementes e arrozal ou arroz, fazem doações deles para outros, conseguem ascender ao céu. Aqueles homens que sendo nascidos em famílias superiores ou inferiores geram centenas de filhos e vivem longas vidas praticando compaixão e mantendo a cólera sob total submissão, conseguem ascender ao céu. Eu assim te expliquei, ó Bharata, quais são os ritos em honra das divindades e dos Pitris que são realizados pelas pessoas por causa do outro mundo, quais são as ordenanças em relação às doações, e quais são as opiniões dos Rishis dos tempos antigos a respeito dos artigos de doação e da maneira de doá-los.'" 24 "Yudhishthira disse, 'Ó filho nobre da linhagem de Bharata, cabe a ti responder esta minha pergunta verdadeiramente e em detalhes. Quais são aquelas circunstâncias sob as quais uma pessoa pode ser tornar culpada de Brahmanicídio sem realmente matar um Brahmana?'” "Bhishma disse, 'Antigamente, ó monarca, eu um dia pedi para Vyasa me explicar este mesmo assunto. Eu agora narrarei para ti o que me Vyasa disse naquela ocasião. Escute com total atenção. Indo até a presença de Vyasa, eu me dirigi a ele, dizendo, ‘Tu, ó grande asceta, és o quarto na linhagem de Vasishtha. Explique-me isto: quais são aquelas circunstâncias sob as quais alguém se torna culpado de Brahmanicídio sem verdadeiramente matar um Brahmana?’ Assim endereçado por mim, o filho de Parasara, ó rei, bem hábil na ciência de moralidade, me deu a seguinte resposta, ao mesmo tempo excelente e repleta de certeza: ‘Tu deves identificar como culpado de Brahmanicídio aquele homem que, tendo por sua própria vontade convidado um Brahmana de conduta justa para sua casa para dar esmolas a ele, posteriormente se recusa a dar alguma coisa para ele sob o pretexto de não haver nada em casa. Tu deves, ó Bharata, reconhecer como culpado de Brahmanicídio aquele homem que destrói os meios de vida de um Brahmana versado nos Vedas e em todos seus ramos, e que é livre de apegos a criaturas e bens mundanos. Tu deves, ó rei, reconhecer como culpado de Brahmanicídio o homem que causa obstruções no caminho de vacas com sede quando empenhadas em saciar aquela sede. Tu deves aceitar como culpado de Brahmanicídio o homem que, sem estudar os Srutis que têm fluído de preceptor para pupilo por eras e eras, critica os Srutis ou aquelas escrituras que têm sido compostas pelos Rishis. Tu deves identificar como culpado de Brahmanicídio o homem que não concede para um noivo adequado sua filha possuidora de beleza e outros talentos excelentes. Tu deves identificar como culpada de Brahmanicídio aquela pessoa insensata e pecaminosa que inflige angústia sobre Brahmanas de tal maneira que afligem o próprio âmago dos seus corações. Tu deves reconhecer como culpado de Brahmanicídio o homem que priva os cegos, os coxos, e idiotas de tudo o que eles têm. Tu deves reconhecer como culpado de Brahmanicídio o homem que põe fogo em retiros de ascetas ou em florestas ou em uma aldeia ou uma cidade.'" 25 "Yudhishthira disse, 'É dito que viagens para águas sagradas são repletas de mérito; que abluções em tais águas são meritórias; e que escutar à excelência de tais águas também é meritório. Eu desejo te ouvir discorrer em detalhes sobre este assunto, ó avô. Cabe a ti, ó chefe da linhagem de Bharata, mencionar para mim as águas sagradas que existem nesta terra. Eu desejo, ó tu de grande força, te ouvir falar sobre este tópico.'” "Bhishma disse, 'Ó tu de grande esplendor, a seguinte enumeração das águas sagradas sobre a Terra foi feita por Angiras. Abençoado sejas tu, cabe a ti escutar a isto pois tu irás então ganhar grande mérito. Uma vez, Gautama de votos rígidos, se aproximando do grande e erudito Rishi Angiras dotado de tranquilidade de alma, enquanto ele estava residindo em uma floresta, o questionou, dizendo, ‘Ó ilustre, eu tenho algumas dúvidas a respeito dos méritos atribuídos às águas e santuários sagrados. Então eu desejo te ouvir falar sobre este assunto. Portanto, ó asceta, discurse para mim. Quais méritos são obtidos por uma pessoa em relação ao mundo seguinte por se banhar nas águas sagradas sobre a Terra, ó tu de grande sabedoria? Me explique isto verdadeiramente e de acordo com a ordenança.'” "Angiras disse, 'Uma pessoa, por se banhar por sete dias em sucessão no Chandrabhaga (o rio Chenab no Punjab) ou no Vitasta (o rio Jhelum), cujas águas são sempre vistas dançarem em ondas, enquanto praticando um jejum, indubitavelmente será purificada de todos os seus pecados e dotada do mérito de um asceta. Os muitos rios que fluem por Kasmira caem no grande rio chamado Sindhu (Indus). Por se banhar nestes rios uma pessoa com certeza se torna dotada de bom caráter e ascende para o céu depois de partir deste mundo. Por se banhar em Pushkara, e Prabhasa, e Naimisha, e no oceano, e em Devika, e Indramarga, e Swarnavindu, alguém sem dúvida ascende ao céu estando sentado em um carro celeste, e cheio de êxtases de alegria pelas adorações de Apsaras. Por mergulhar nas águas de Hiranyavindu com uma mente concentrada e reverenciando aquela corrente sagrada, e se banhando em seguida em Kusesaya e Devendra, uma pessoa se purifica de todos os seus pecados. Dirigindo-se para Indratoya na vizinhança das montanhas de Gandhamadana e próximo a Karatoya no país chamado Kuranga, uma pessoa deve fazer um jejum por três dias e então se banhar naquelas águas sagradas com um coração concentrado e corpo puro. Por fazer isto ela com certeza obterá o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Banhando-se em Gangadwara e Kusavarta e Vilwaka nas montanhas Nita, como também em Kankhala, alguém seguramente se purifica de todos os seus pecados e então ascende ao céu. Se alguém se torna um Brahmacharin e subjuga sua ira, se dedica à verdade e pratica compaixão por todas as criaturas, e então se banha em Jala parda (Lago de Águas), sem dúvida adquire o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Aquela região onde o Bhagirathi-Ganga flui na direção norte é conhecido como a união do céu, terra, e das regiões inferiores. Fazendo um jejum por um mês e se banhando naquele Tirtha sagrado que é conhecido como sendo aceitável para Maheswara, uma pessoa se torna competente para ver as divindades. Alguém que dá oblações de água para seus Pitris em Saptaganga e Triganga e Indramarga, obtém ambrosia como alimento, se ele ainda tem que passar por renascimento. O homem que em um estado puro de corpo e mente realiza seu Agnihotra diário e observa um jejum por um mês e então se banha em Mahasrama, seguramente obtém sucesso em um mês. Por se banhar, depois de um jejum de três dias e purificando a mente de todas as emoções más, no lago grande de Bhrigu Kunda, uma pessoa se purifica até do pecado de Brahmanicídio. Por se banhar em Kanyakupa e realizar suas abluções em Valaka, alguém adquire grande fama mesmo entre as divindades e brilha em glória. Banhando-se em Devika e no lago conhecido pelo nome de Sundarika como também no Tirtha chamado Aswini, alguém adquire, em sua próxima vida, grande beleza de forma. Por jejuar por uma quinzena e se banhar em Mahaganga e Krittikangaraka, uma pessoa se purifica de todos os pecados e ascende para o céu. Banhando-se em Vaimanika e Kinkinika alguém adquire o poder de ir para todos os lugares à vontade e se torna um objeto de grande respeito na região celeste das Apsaras. (O sentido é que alguém procede para a região das Apsaras e se torna um objeto de respeito lá.) Se uma pessoa, subjugando sua ira e cumprindo o voto de Brahmacharya por três dias, se banha no rio Vipasa no retiro chamado Kalika, ela com certeza consegue transcender a obrigação do renascimento. Banhando-se no retiro que é sagrado para os Krittakas e oferecendo oblações de água aos Pitris, e então satisfazendo Mahadeva, alguém se torna puro em corpo e mente e ascende para o céu. Se alguém, fazendo jejum por três dias com o corpo e a mente purificados, se banha em Mahapura, ele fica livre do medo de todos os animais móveis e imóveis como também de todos os animais que têm dois pés. Por se banhar na floresta Devadaru e oferecer oblações de água aos Pitris e morar lá por sete noites com corpo e mente puros, uma pessoa vai para a região das divindades após partir deste mundo. Banhando-se nas cachoeiras em Sarastamva e Kusastambha e Dronasarmapada, alguém indubitavelmente alcança a região das Apsaras onde alguém é servido com serviços respeitosos por aqueles seres sobre-humanos. Se uma pessoa, fazendo um jejum, se banha em Chitrakuta e Janasthana e nas águas de Mandakini, ela com certeza será unida com prosperidade que é real; (isto é, ela obtém soberania). Por se dirigir ao retiro que é conhecido pelo nome de Samya e residir lá por uma quinzena e se banhar na água sagrada que existe lá, alguém obtém o poder de desaparecer à vontade (e desfruta da felicidade que é ordenada para os Gandharvas). Dirigindo-se ao tirtha conhecido pelo nome de Kausiki e residindo lá com um coração puro e se abstendo de toda comida e bebida por três dias, alguém obtém o poder de residir (em sua próxima vida) na região feliz dos Gandharvas. Banhando-se no tirtha encantador que leva o nome de Gandhataraka e residindo lá por um mês, se abstendo todo o tempo de alimento e bebida, alguém adquire o poder de desaparecer à vontade, e então, em vinte e um dias, de ascender para o céu. Aquele que se banha no lago conhecido pelo nome de Matanga com certeza alcançará o êxito em uma noite. Aquele que se banha em Analamva ou no eterno Andhaka, ou em Naimisha, ou no tirtha chamado Swarga, e oferece oblações de água aos Pitris, subjugando seus sentidos todo o tempo, adquire o mérito de um sacrifício humano. (Sacrifícios humanos eram realizados às vezes nos tempos passados.) Banhando-se em Ganga hrada e no tirtha conhecido pelo nome de Utpalavana e oferecendo diariamente oblações de água lá por um mês inteiro aos Pitris, uma pessoa adquire o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Banhando-se na confluência do Ganga e do Yamuna como também no tirtha nas montanhas Kalanjara e oferecendo todos os dias oblações de água para os Pitris por um mês inteiro, uma pessoa adquire o mérito que se atribui a dez Sacrifícios de Cavalo. Banhando-se no lago Shashthi alguém adquire mérito muito maior do que o que é atribuído à doação de alimento. Dez mil tirthas e trinta milhões de outros tirthas chegam a Prayaga (a confluência do Ganga e Yamuna), ó chefe da linhagem de Bharata, no mês de Magha. Aquele que se banha em Prayaga, com uma alma reprimida e enquanto cumpre votos rígidos, no mês de Magha, vem a ser purificado de todos os seus pecados, ó chefe da linhagem de Bharata, e chega ao céu. Banhando-se no tirtha que é sagrado para os Maruts, como também naquele que está situado no retiro dos Pitris, e também naquele que é conhecido pelo nome de Vaivaswata, uma pessoa vem a ser purificada de todos os seus pecados e se torna tão pura e santificada quanto um tirtha. Dirigindo-se para Brahmasaras como também para o Bhagirathi e banhando-se lá e oferecendo oblações para os Pitris todos os dias por um mês inteiro, se abstendo de comida todo o tempo, alguém com certeza alcança a região de Soma. Banhando-se em Utpataka e então em Ashtavakra e oferecendo oblações de água aos Pitris todos os dias por doze dias em sucessão, enquanto se abstém de alimento, alguém adquire os méritos de um Sacrifício de Cavalo. Banhando-se em Asmaprishtha e nas montanhas Niravinda e em Kraunchapadi, todos os três em Gaya, alguém se purifica do pecado de Brahmanicídio. Um banho no primeiro lugar purifica alguém de um único Brahmanicídio; um banho no segundo purifica alguém de dois delitos daquele caráter; e um banho no terceiro purifica alguém de três delitos daquele grau. Banhando-se em Kalavinga alguém consegue uma grande quantidade de água (para uso no mundo seguinte). Um homem, por se banhar na cidade de Agni, adquire tal mérito que lhe dá o direito de viver durante seu próximo nascimento na cidade da filha de Agni. Banhando-se em Visala em Karavirapura e oferecendo oblações de água para seus Pitris, e realizando suas abluções em Devahrada também, uma pessoa se identifica com Brahma e brilha em glória como tal. Banhando-se em Punaravarta-nanda como também em Mahananda, um homem de sentidos controlados e compaixão universal se dirige para os jardins celestiais chamados Nandana de Indra e é servido lá por Apsaras de diversas tribos. Banhando-se com alma concentrada no tirtha que é chamado pelo nome de Urvasi e que está situado no rio Lohitya, no dia da lua cheia do mês de Kartika, alguém obtém os méritos que se atribuem ao sacrifício chamado Pundarika. Banhando-se em Ramahrada e oferecendo oblações de água para os Pitris no rio Vipasa (Beas), e fazendo um jejum por doze dias, alguém se purifica de todos os pecados. Banhando-se no tirtha chamado Maha-hrada com um coração purificado e depois fazendo um jejum por um mês, uma pessoa sem dúvida obtém o fim o qual foi do sábio Jamadagni. Por se expor ao calor no tirtha chamado Vindhya, uma pessoa dedicada à verdade e dotada de compaixão por todas as criaturas deve então se dirigir à (pratica de) penitências austeras, estimulada pela humildade. Por fazer isto, ela com certeza alcança êxito ascético no decorrer de um único mês. Banhando-se no Narmada como também no tirtha conhecido pelo nome de Surparaka, fazendo um jejum por uma quinzena completa, alguém sem dúvida se torna em seu próximo nascimento um príncipe da linhagem real. Se alguém procede com sentidos controlados e uma alma concentrada ao tirtha conhecido sob o nome de Jamvumarga, ele com certeza alcança o sucesso no decorrer de um único dia e noite. Por se dirigir para Chandalikasrama e se banhar no tirtha chamado Kokamukha, tendo subsistido por algum tempo só de ervas (cozidas e mantidas em conserva e usadas como tempero) e usando trapos como trajes, um homem com certeza obtém dez donzelas de grande beleza como suas esposas. Alguém que vive ao lado do tirtha conhecido pelo nome de Kanya-hrada nunca tem que ir para as regiões de Yama. Tal pessoa sem dúvida ascende para as regiões de bem-aventurança que pertencem aos celestiais. Alguém que se banha com sentidos reprimidos no dia da lua nova no tirtha conhecido pelo nome de Prabhasa, sem dúvida, ó tu de braços poderosos, obtêm ao mesmo tempo êxito e imortalidade. Banhando-se no tirtha conhecido pelo nome de Ujjanaka que se encontra no retiro do filho de Arshtisena, e em seguida no tirtha que está situando no retiro de Pinga, uma pessoa indubitavelmente será purificada de todos os seus pecados. Fazendo um jejum por três dias e se banhando no tirtha conhecido como Kulya e recitando os mantras sagrados que levam o nome de Aghamarshana, alguém obtém o mérito de um Sacrifício de Cavalo. Fazendo um jejum por uma noite e se banhando em Pindaraka, uma pessoa se torna purificada na alvorada do dia seguinte e obtém o mérito de um sacrifício Agnishtoma. Alguém que se dirige para Brahmasara o qual está adornado pelos bosques chamados Dharmaranya vem a ser purificado de todos os seus pecados e obtém o mérito do sacrifício Pundarika. Banhando-se nas águas da montanha Mainaka e dizendo suas orações da manhã e da noite lá e vivendo no local por um mês, reprimindo o desejo, uma pessoa obtém o mérito de todos os sacrifícios. Partindo para Kalolaka e Nandikunda e Uttara-manasa, e chegando a um local que é cem yojanas longe de algum deles, alguém se purifica do pecado de feticídio. Alguém que consegue obter uma visão da imagem de Nandiswara se purifica de todos os pecados. Banhando-se no tirtha chamado Swargamarga alguém sem dúvida procede para as regiões de Brahman. O célebre Himavat é sagrado. Aquele príncipe das montanhas é o sogro de Sankara. Ele é uma mina de todas as jóias e pedras preciosas e é o recanto dos Siddhas e Charanas. Aquela pessoa regenerada que é totalmente familiarizada com os Vedas e que, considerando esta vida como extremamente instável, rejeita seu corpo naquelas montanhas, se abstendo de toda comida e bebida de acordo com os ritos declarados nas escrituras, depois de ter adorado as divindades e inclinado sua cabeça em culto aos ascetas, indubitavelmente alcança o êxito e procede para as regiões eternas de Brahman. Não há nada inalcançável para aquele que reside em um tirtha, reprimindo a luxúria e subjugando a ira, em consequência de tal residência. Para o propósito de se dirigir a todos os tirthas no mundo, uma pessoa deve imaginar mentalmente aqueles entre eles que são quase inacessíveis ou viagens para os quais estão ligadas a dificuldades insuperáveis. Estadas em tirthas são produtivas dos méritos de sacrifícios. Eles são capazes de purificar todos do pecado. Repletos de grande excelência, eles podem levar para o céu. O assunto é realmente um grande mistério. As próprias divindades devem se banhar em tirthas. Para elas também eles são purificadores de pecados. Este discurso sobre tirthas deve ser comunicado para Brahmanas, e para pessoas honestas ou justas tais como as que estão empenhadas em realizar o que é para o seu próprio bem. Ele deve também ser recitado na audição de benquerentes e amigos e dos discípulos obedientes e leais de alguém. Angiras, possuidor de grande mérito ascético, comunicou este discurso para Gautama. O próprio Angiras o tinha obtido de Kasyapa de grande inteligência. O grande Rishi considera este discurso como digno de repetição constante. Ele é a principal de todas as coisas purificadoras. Se alguém o recita regularmente todos os dias, ele sem dúvida será purificado de todos os pecados e procederá para o céu depois do término desta vida. Alguém que ouve este discurso recitado em sua audição, este discurso de Angiras, que é considerado como um mistério, indubitavelmente consegue em sua próxima vida nascer em uma boa família e, além disso, ele será dotado da memória da sua existência anterior.'" 26 "Vaisampayana disse, 'Igual a Vrihaspati em inteligência e ao próprio Brahma em clemência, parecendo com Sakra em destreza e Surya em energia, Bhishma, o filho de Ganga, de poder infinito, tinha sido derrotado em batalha por Arjuna. Acompanhado por seus irmãos e muitas outras pessoas, o rei Yudhisthira fez a ele estas perguntas. O velho herói estava deitado em um leito que é cobiçado por heróis, na expectativa daquela hora auspiciosa quando ele poderia partir do corpo físico. Muitos grandes Rishis tinham ido lá para ver aquele principal da linhagem de Bharata. Entre eles estavam Atri e Vasishtha e Bhrigu e Pulastya e Pulaha e Kratu. Lá estavam também Angiras e Gotama e Agastya e Sumati de alma bem controlada, e Viswamitra e Sthulasiras e Samvarta e Pramati e Dama. Lá estavam também Vrihaspati e Usanas, e Vyasa e Chyavana e Kasyapa e Dhruva, e Durvasas e Jamadagni e Markandeya e Galava, e Bharadwaja e Raibhya e Yavakrita e Trita. Estavam lá Sthulaksha e Savalaksha e Kanwa e Medhatithi e Krisa e Narada e Parvata e Sudhanwa e Ekata e Dwita. Estavam lá também Nitambhu e Bhuvana e Dhaumya e Satananda e Akritavrana e Rama, o filho de Jamadagni, e Kacha. Todos estes Rishis famosos e de grande alma foram lá para ver Bhishma deitado em seu leito de setas. Yudhishthira com seus irmãos adorou devidamente aqueles Rishis de grande alma que tinham ido lá, um depois do outro na ordem apropriada. Recebendo aquele culto, aqueles principais dos Rishis se sentaram e começaram a conversar uns com os outros. Sua conversação se relacionava com Bhishma, e era muito gentil e agradável para todos os sentidos. Ouvindo aquela conversa deles que tinha referência a ele mesmo, Bhishma se encheu de prazer e se considerou como já estando no céu. Aqueles Rishis então, tendo obtido a permissão de Bhishma e dos príncipes Pandava, se fizeram invisíveis, desaparecendo na própria vista de todos os espectadores. Os Pandavas repetidamente reverenciaram e ofereceram suas adorações àqueles Rishis altamente abençoados, mesmo depois que eles tinham se tornado invisíveis. Eles então com almas alegres visitaram o filho de Ganga, assim como Brahmanas versados em Mantras visitam com reverência o Sol nascente. Os Pandavas viram que os pontos do horizonte brilhavam com esplendor por causa da energia de suas penitências, e ficaram admirados pela visão. Pensando na bem-aventurança e força sublime daqueles Rishis, os príncipes Pandava começaram a conversar sobre o assunto com seu avô Bhishma." "Vaisampayana continuou, 'A conversa estando terminada, o justo Yudhishthira, o filho de Pandu; tocou os pés de Bhishma com sua cabeça e então retomou suas questões relativas à moralidade e virtude.'” "Yudhishthira disse, 'Quais países, quais províncias, quais retiros, quais montanhas, e quais rios, ó avô, são os principais a respeito de santidade?'” "Bhishma disse, "Em relação a isto é citada a velha narrativa de uma conversa entre um Brahmana na observância dos votos Sila e Unccha, ó Yudhishthira, e um Rishi coroado com êxito ascético. Uma vez uma pessoa notável, tendo vagado sobre esta terra inteira adornada com montanhas, chegou finalmente na casa de uma pessoa notável levando o modo de vida familiar de acordo com o voto Sila. O último recebeu seu convidado com os ritos devidos. Recebido com tal hospitalidade, o Rishi feliz passou a noite tranquilamente na casa de seu anfitrião. Na manhã seguinte o Brahmana no cumprimento do voto Sila, tendo terminado todas as suas ações e ritos matinais e se purificado devidamente, se aproximou muito alegremente de seu convidado coroado com sucesso ascético. Se encontrando e sentados à vontade, os dois começaram a conversar sobre assuntos agradáveis ligados aos Vedas e aos Upanishads. Perto do término da conversa, o Brahmana no cumprimento do voto Sila dirigiu-se respeitosamente ao Rishi coroado com êxito. Dotado de inteligência, ele fez esta mesma pergunta que tu, ó Yudhisthira, me fizeste.'” "O Brahmana pobre disse, 'Quais países, quais províncias, quais retiros, quais montanhas, e quais rios devem ser considerados como os principais a respeito de santidade? Fale-me sobre isto.'” "O Rishi coroado com êxito disse, 'Aqueles países, aquelas províncias, aqueles retiros, e aquelas montanhas, devem ser considerados como os principais a respeito de santidade através dos quais ou ao lado dos quais flui aquele principal de todos os rios, isto é, Bhagirathi. Aquele fim o qual um criatura é capaz de alcançar por penitências, por Brahmacharya, por sacrifícios, ou por praticar renúncia, alguém indubitavelmente alcança somente por viver ao lado do Bhagirathi e se banhar em suas águas sagradas. Aquelas criaturas cujos corpos foram borrifados com as águas sagradas do Bhagirathi ou cujos ossos foram colocados no leito daquela corrente sagrada, não têm que abandonar o céu em qualquer tempo. Aqueles homens, ó Brahmana erudito, que usam as águas do Bhagirathi em todas as suas ações, certamente ascendem ao céu depois de partirem deste mundo. Mesmo aqueles homens que, tendo cometido diversos tipos de ações pecaminosas na primeira parte de suas vidas, vão nos anos seguintes residir ao lado do Ganga, conseguem alcançar um fim muito superior. Centenas de sacrifícios não podem produzir aquele mérito o qual homens de almas contidas são capazes de adquirir por se banharem nas águas sagradas do Ganga. Uma pessoa é tratada com respeito e venerada no céu por tanto tempo quanto seus ossos se encontrem no leito do Ganga. Assim como o Sol, quando se eleva na alvorada do dia, brilha em esplendor, tendo dissipado a escuridão da noite, da mesma maneira a pessoa que se banhou nas águas do Ganga é vista brilhar em esplendor, purificada de todos os seus pecados. Aqueles países e aqueles pontos do horizonte que são desprovidos das águas sagradas do Ganga são como noites sem a lua ou como árvores sem flores. Realmente, um mundo sem Ganga é como as diferentes classes e modos de vida quando eles são desprovidos de virtude ou como sacrifícios sem Soma. Sem dúvida, países e pontos do horizonte que são sem Ganga são como o firmamento sem o Sol, ou a Terra sem montanhas, ou o firmamento sem ar. Todas as criaturas nos três mundos, se servidas com as águas auspiciosas do Ganga, derivam um prazer, semelhante ao qual elas são incapazes de derivar de alguma outra fonte. Aquele que bebe a água do Ganga que foi aquecida pelos raios do Sol deriva um mérito muito maior do que aquele que se atribui ao voto de subsistir de trigo ou grãos de outros cereais apanhados do esterco de vaca. Não pode ser dito se os dois são iguais ou não, isto é, aquele que realiza mil ritos Chandrayana para purificar seu corpo e aquele que bebe a água do Ganga. Não pode ser dito se os dois são iguais ou não, isto é, alguém que permanece por mil anos sobre um pé e alguém que vive somente por um mês ao lado do Ganga. Alguém que vive permanentemente ao lado do Ganga é superior em mérito a alguém que permanece por dez mil Yugas com a cabeça pendendo para baixo. Como o algodão, quando entra em contato com fogo, é queimado inteiramente sem deixar um resíduo, assim mesmo os pecados da pessoa que se banha no Ganga são consumidos sem deixar resíduos. Não há fim superior ao Ganga para aquelas criaturas que, com os corações afligidos pela tristeza, procuram alcançar os fins que possam dissipar aquela sua tristeza. Como cobras ficam privadas de seus venenos à própria visão de Garuda, assim mesmo alguém se purifica de todos os seus pecados à própria visão da corrente sagrada do Ganga. Aqueles que não têm bom nome e que são viciados em atos de pecaminosidade têm Ganga como sua fama, sua proteção, seus meios de resgate, seu refúgio ou cobertura. Muitos canalhas entre homens que vêm a ser afligidos com diversos pecados de uma natureza hedionda, quando eles estão prestes a cair no inferno, são salvos por Ganga no mundo seguinte (se, apesar de seus pecados, eles procuram a ajuda do Ganga nos seus anos posteriores). Aqueles, ó principal dos homens inteligentes, que mergulham todos os dias nas águas sagradas do Ganga, se tornam iguais aos grandes Munis e às próprias divindades com Vasava em sua liderança. Aqueles patifes entre homens que são desprovidos de humildade ou modéstia de comportamento e que são extremamente pecaminosos, se tornam justos e bons, ó Brahmana, por se dirigirem para o lado do Ganga. Como Amrita é para as divindades, como Swadha é para os Pitris, como Sudha é para os Nagas, assim mesmo é a água do Ganga para os seres humanos. Como crianças afligidas pela fome pedem comida para suas mães, do mesmo modo pessoas desejosas do seu maior bem cortejam Ganga. Como a região do Brahma auto-nascido é citada como o principal de todos os lugares, assim mesmo Ganga é citado como o principal de todos os rios para aqueles que desejam se banhar. Como a Terra e a vaca são citadas como sendo o principal sustento das divindades e outros celestiais, assim mesmo Ganga é o principal sustento de todas as criaturas vivas. (As divindades são sustentadas pelas oferendas feitas em sacrifícios. Estas oferendas consistem nas produções da Terra e na manteiga produzida pela vaca. As divindades, portanto, são citadas como sendo sustentadas principalmente pela Terra e pela Vaca. Os Asuras, por afligirem a Terra e matarem vacas, costumavam enfraquecer as divindades.) Como as divindades se sustentam do Amrita que se encontra no Sol e na Lua e que é oferecido em diversos sacrifícios, assim mesmo os seres humanos se sustentam da água do Ganga. Alguém coberto com a areia tirada das margens Ganga se considera como um habitante do céu, adornado com unguentos celestes. Alguém que leva em sua cabeça a lama tirada das margens do Ganga apresenta um aspecto refulgente igual àquele do próprio Sol empenhado em dissipar a escuridão circundante. Quando aquele vento que está umedecido com as partículas da água do Ganga toca o corpo de uma pessoa, ele o purifica imediatamente de todos os pecados. Uma pessoa afligida por calamidades e prestes a sucumbir sob seu peso encontra todas as suas calamidades dissipadas pela alegria que nasce em seu coração à visão daquele rio sagrado. Pela melodia dos cisnes e Kokas e outras aves aquáticas que se divertem em seu leito, Ganga desafia os próprios Gandharvas, e por suas margens altas as próprias montanhas sobre a Terra. Contemplando sua superfície cheia de cisnes e outras aves diversas aquáticas, e tendo margens adornadas com terras de pastagem com gado pastando nelas, o próprio Céu perde seu orgulho. A felicidade sublime a qual alguém desfruta por uma residência nas margens do Ganga nunca pode ser daquele que está residindo até no céu. Eu não tenho dúvidas de que a pessoa que sofre por pecados cometidos por palavras e pensamentos e ações manifestas se torna purificada à própria visão do Ganga. Por contemplar aquele rio sagrado, tocá-lo, e se banhar em suas águas, uma pessoa resgata seus antepassados até a sétima geração, seus descendentes até a sétima geração, como também outros antepassados e descendentes. Por ouvir sobre o Ganga, por desejar ir até aquele rio, por beber suas águas, por tocar suas águas, e por se banhar nelas, uma pessoa resgata suas linhagens paternas e maternas. Por ver, tocar, e beber as águas de Ganga, ou mesmo por louvar Ganga, centenas e milhares de homens pecaminosos foram purificados de todos os seus pecados. Aqueles que desejam fazer seu nascimento, vida e erudição produtivos, devem se dirigir ao Ganga e gratificar os Pitris e as divindades por lhes oferecer oblações de água. O mérito que alguém ganha por se banhar no Ganga é tal que igual a ele não pode ser ganho pela aquisição de filhos ou riquezas ou pela realização de atos meritórios. Aqueles que, embora possuidores da habilidade física, não procuram ter uma visão do auspicioso Ganga de corrente sagrada, devem ser comparados, sem dúvida, a pessoas afligidas por cegueira congênita ou àquelas que estão mortas ou àquelas que estão desprovidas do poder de locomoção por paralisia ou coxeadura. Qual homem não reverenciaria este rio sagrado que é adorado por grandes Rishis conhecedores do Presente, do Passado, e do Futuro, como também pelas próprias divindades com Indra em sua chefia? Qual homem não procuraria a proteção de Ganga cuja proteção é procurada por ascetas da floresta e chefes de família, e por Yatis e Brahmacharins igualmente? O homem de conduta justa que, com alma absorta, pensa em Ganga na hora quando seus ares vitais estão prestes a deixar seu corpo, consegue chegar ao fim mais sublime. Aquele homem que mora ao lado de Ganga até a hora da sua morte, adorando-a com reverência, fica livre do medo de todo tipo de calamidade, do pecado, e dos reis. Quando aquela corrente altamente sagrada caiu do firmamento, Maheswara a segurou em sua cabeça. Esta é aquela mesma corrente que é adorada no céu. (O rio Ganga tem três cursos. Sobre a Terra ele é chamado de Bhagirathi ou Ganga; no céu ele é chamado de Mandakini; e nas regiões inferiores ele é conhecido pelo nome de Bhogabati.) As três regiões, isto é, (Terra, Céu, e o lugar inferior chamado Patala) são adornadas pelos três cursos daquela corrente sagrada. O homem que usa as águas daquele rio se torna sem dúvida coroado com sucesso. Como o raio solar é para as divindades no céu, como Chandramas é para os Pitris, como o rei é para os seres humanos, assim mesmo é Ganga para todos os rios. Alguém que vem a ser privado de mãe ou pai ou filho ou cônjuge ou riqueza não sente aquela dor que se torna de uma pessoa quando ela vem a ser privada do Ganga. Alguém não obtém aquela alegria através das ações que levam à região de Brahma, ou por sacrifícios e ritos que levam para o céu, ou por filhos ou riqueza, a qual alguém obtém de uma visão do Ganga. Os prazeres que homens derivam de uma visão do Ganga é igual ao que eles derivam de uma visão da lua cheia. Torna-se querido para Ganga aquele homem que a adora com devoção profunda, com mente totalmente fixada nela, com uma reverência que se recusa a ter qualquer outro objeto dentro de sua esfera, com um sentimento de que não há nada mais para o universo digno de adoração semelhante, e com uma constância que não conhece enfraquecimento. Criaturas que vivem na Terra, no firmamento, ou no Céu, de fato, mesmo seres que são muito superiores, devem sempre se banhar no Ganga. Na verdade, este é o principal de todos os deveres para aqueles que são virtuosos. A fama de Ganga por santidade se espalhou pelo universo inteiro, já que ela carregou todos os filhos de Sagara, que tinham sido reduzidos a cinzas, daqui para o Céu. (O rei Sagara da raça solar tinha sessenta mil filhos, todos os quais foram reduzidos a cinzas pela maldição de Kapila. Posteriormente Bhagiratha, um príncipe da mesma raça, trouxe Ganga do céu para a redenção deles.) Homens que são lavados pelas ondas luminosas, belas, altas, e que se movem rapidamente, erguidas pelo vento, de Ganga, vêm a ser purificados de todos os seus pecados e parecem com o Sol em esplendor com seus mil raios. Aqueles homens de almas tranquilas que rejeitaram seus corpos nas águas do Ganga cuja santidade é tão grande quanto aquela da manteiga e outros líquidos derramados em sacrifícios e que são capazes de conceder méritos iguais àqueles do maior dos sacrifícios, sem dúvida obtiveram uma posição igual àquela das próprias divindades. Realmente, Ganga, possuidor de fama e vasta extensão e idêntico ao universo inteiro (porque é capaz de conceder a realização de todos os desejos) e reverenciado pelas divindades com Indra em sua chefia, Munis e seres humanos, é competente para conceder a realização de todos os desejos para aqueles que são cegos, aqueles que são idiotas, e aqueles que são desprovidos de todas as coisas. Aqueles que procuraram a proteção de Ganga, aquela protetora de todo o universo, que flui em três correntes, que está cheia com água ao mesmo tempo altamente sagrada e doce como mel e produtiva de todos os tipos de benefícios, conseguiram alcançar a beatitude do Céu. Aquele mortal que mora ao lado de Ganga e a vê todo dia, se torna purificado por sua visão e toque. Para ele as divindades dão todos os tipos de felicidade aqui e um fim sublime após a morte. Ganga é considerada como competente para salvar todas as criaturas do pecado e conduzi-las à bem aventurança do Céu. Ela é considerada como idêntica a Prisni, a mãe de Vishnu. Ela é idêntica à Palavra ou Fala. Ela é muito remota, sendo incapaz de ser facilmente alcançada. Ela é a encarnação da boa ventura e prosperidade. Ela é capaz de outorgar os seis atributos bem conhecidos iniciando com domínio ou força. Ela está sempre inclinada a estender sua graça. Ela é a manifestadora de todas as coisas no universo, e ela é o maior refúgio de todas as criaturas. Aqueles que procuraram sua proteção nesta vida indubitavelmente chegaram ao céu. A fama de Ganga se espalhou por todo o firmamento, pelo Céu, pela Terra, e por todos os pontos, principais ou secundários, do horizonte. Criaturas mortais, por usarem as águas daquela principal das correntes, sempre vêm a ser coroadas com grande sucesso. Aquela pessoa que, ela mesma vendo Ganga, a indica para outros, descobre que Ganga a resgata do renascimento e lhe concede a Emancipação. Ganga manteve Guha, o generalíssimo das forças armadas celestiais, em seu útero. Ela também carrega o mais precioso de todos os metais, isto é, ouro, naquele seu útero. Aqueles que se banham em suas águas todo dia de manhã conseguem obter o agregado de três, isto é, Virtude, Riqueza e Prazer. Aquelas águas são, além disso, iguais a respeito de santidade à manteiga que é derramada com Mantras no fogo sacrifical. Capaz de purificar uma pessoa de todos os pecados, ela tem descido da região celestial, e sua corrente é muito estimada por todos. Ganga é a filha de Himavat, a esposa de Hara, e o ornamento do Céu e da Terra. Ela é a concessora de tudo o que é auspicioso, e é capaz de conferir os seis atributos bem conhecidos começando com domínio e pujança. Na verdade, ó rei, Ganga é o único objeto de grande santidade nos três mundos e concede mérito a todos. Realmente, ó monarca, Ganga é a Justiça em forma liquefeita. Ela é energia também correndo uma forma líquida sobre a Terra. Ela é dotada do esplendor ou pujança que pertence à manteiga que é despejada com Mantras no fogo sacrifical. Ela está sempre adornada com ondas grandes como também com Brahmanas que podem ser vistos sempre realizando suas abluções em suas águas. Caindo do Céu, ela foi segurada por Siva em sua cabeça. A própria mãe dos céus, ela surgiu da montanha mais alta para passar pelas planícies e conceder os mais preciosos benefícios para todas as criaturas da Terra. Ela é a maior causa de todas as coisas; ela é perfeitamente imaculada. Ela é tão sutil quanto Brahma. Ela proporciona o melhor leito para o moribundo. Ela leva criaturas para o céu muito rapidamente. Ela carrega um grande volume de água. Ela concede grande fama a todos. Ela é a protetora do universo. Ela é idêntica a todas as formas. Ela é muitíssimo cobiçada por pessoas coroadas com êxito. Na verdade, Ganga é o caminho para o Céu daqueles que se banharam em sua corrente. Os Brahmanas consideram que Ganga se iguala à Terra em perdão, e na proteção e sustento daqueles que vivem próximos a ela; além disso, como se igualando ao Fogo e Surya em energia e esplendor; e, por fim, como sempre se igualando o próprio Guha na questão de mostrar benevolência para as classes regeneradas. Aqueles homens que, nesta vida, mesmo mentalmente procuram com todas as suas almas aquela corrente sagrada que é louvada pelos Rishis, que tem saído dos pés de Vishnu, que é muito antiga, e que é extremamente sagrada, conseguem se dirigir para as regiões de Brahman. Totalmente convencidos de que filhos e outras posses, como também as regiões dominadas por todos os tipos de felicidade, são transitórias ou sujeitas à destruição, homens de almas subjugadas, que estão desejosos de chegar àquela posição eterna que é idêntica a Brahma, sempre prestam suas adorações para Ganga com aquela reverência e amor os quais são próprios de um filho para a mãe. O homem de alma purificada que está desejoso de obter sucesso deve procurar a proteção de Ganga que é como uma vaca que produz Amrita em vez de leite comum, que é a própria prosperidade, que é possuidora de onisciência, que existe para o universo inteiro de criaturas, que é a fonte de todas as espécies de alimento, que é a mãe de todas as montanhas, que é o refúgio de todas as pessoas justas, que é incomensurável em pujança e energia, e que encanta o coração do próprio Brahma. Tendo, com penitências austeras, agradado todas as divindades com o Senhor Supremo (Vishnu), Bhagiratha trouxe Ganga para a Terra. Dirigindo-se a ela, homens sempre conseguem se libertar de todos os tipos de temor aqui e após a morte. Observando com a ajuda da inteligência, eu mencionei para ti somente uma pequena parte dos méritos de Ganga. Meu poder, no entanto, é insuficiente para falar de todos os méritos do rio sagrado, ou, de fato, para medir sua força e santidade. Alguém pode, por empregar seus melhores poderes, contar as pedras que se encontram nas montanhas de Meru ou medir as águas que se encontram no oceano, mas alguém não pode contar todos os méritos os quais pertencem às águas do Ganga. Por essa razão, tendo ouvido estes méritos específicos de Ganga que eu proferi com grande devoção, uma pessoa deve, em pensamentos, palavras e ações, reverenciá-los com fé e devoção. Por tu teres escutado aqueles méritos que eu mencionei, tu sem dúvida encherás todas as três regiões com fama e obterás uma medida de sucesso que é muito grande e que é difícil de ser obtida por alguma outra pessoa. Realmente, tu irás, logo depois disso, te divertir em alegria em uma região de grande bem-aventurança criada pela própria Ganga para aqueles que a reverenciam. Ganga sempre estende sua graça àqueles que são devotados a ela com humildade de coração. Ela une aqueles que são assim devotados a ela com todos os tipos de felicidade. Eu rogo que a altamente abençoada Ganga possa sempre inspirar teu coração e o meu com atributos que sejam repletos de virtude.’” "Bhishma continuou, 'O asceta erudito dotado de inteligência sublime e grande iluminação, e coroado com sucesso, tendo discursado dessa maneira para aquele Brahmana pobre na observância do voto Sila, sobre os assuntos dos méritos infinitos de Ganga, então ascendeu ao firmamento. O Brahmana no cumprimento do voto Sila, despertado pelas palavras daquele asceta coroado com êxito, adorou Ganga devidamente e obteve o maior êxito. Tu também, ó filho de Kunti, procure Ganga com grande devoção, pois tu irás então, como a recompensa disto, chegar ao êxito sublime e excelente.’” "Vaisampayana continuou 'Ouvindo este discurso de Bhishma que era repleto de louvor a Ganga, Yudhishthira com seus irmãos se encheu de grande alegria. Aquela pessoa que narra ou ouve este discurso sagrado repleto de louvor a Ganga vem a ser purificada de todos os pecados.'" 27 "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, és dotado de sabedoria e conhecimento das escrituras, de conduta e comportamento, de diversos tipos de atributos excelentes, e também de idade. Tu és distinguido acima dos outros por inteligência e sabedoria e penitências. Eu desejo, portanto, ó tu que és o principal de todos os homens justos, te dirigir perguntas a respeito da Virtude. Não há outro homem, ó rei, em todos os mundos, que seja mais digno de ser questionado sobre tais assuntos. Ó melhor dos reis, como pode alguém, se acontece de ele ser um Kshatriya ou um Vaisya ou um Sudra, conseguir alcançar a posição de um Brahmana? Cabe a ti me dizer os meios. É pelas penitências mais austeras, ou por ações religiosas, ou por conhecimento das escrituras, que uma pessoa pertencente a alguma das três classes inferiores consegue alcançar a posição de um Brahmana? Diga-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'A posição de um Brahmana, ó Yudhishthira, não pode ser alcançada por uma pessoa pertencente a alguma das três outras classes. Aquela posição é a mais elevada com relação a todas as criaturas. Passando por inumeráveis classes de existência, por passar por repetidos nascimentos, alguém finalmente, em algum nascimento, nasce como um Brahmana. Em relação a isto é citada uma história antiga, ó Yudhishthira, de uma conversa entre Matanga e uma jumenta. Uma vez um Brahmana obteve um filho que, embora procriado por uma pessoa pertencente a uma classe diferente, teve, no entanto, os ritos de infância e mocidade realizados em consequência das ordenanças prescritas para Brahmanas. O filho era chamado pelo nome de Matanga e possuía todas as habilidades. Seu pai, desejando realizar um sacrifício, mandou-o, ó opressor de inimigos, buscar os artigos requeridos para a ação. Tendo recebido a ordem de seu pai, ele saiu para o propósito em um carro de grande velocidade, puxado por um jumento. Aconteceu que o jumento unido àquele carro era muito novo. Portanto, em vez de obedecer às rédeas, o animal levou o carro para a vizinhança de sua mãe, isto é, àquela jumenta que lhe tinha dado à luz. Matanga, descontente com isso, começou a golpear repetidamente o animal com sua espora em seu focinho. Vendo aquelas marcas de violência no focinho de seu filho, a jumenta, cheia de afeição por ele, disse, ‘Não sofra, ó filho, por seu tratamento. É um Chandala que está te dirigindo. Não há severidade em um Brahmana. O Brahmana é considerado o amigo de todas as criaturas. Ele é o professor também de todas as criaturas e seu soberano. Ele pode castigar alguma criatura tão cruelmente? Este sujeito, no entanto, é de ações pecaminosas. Ele não tem compaixão para mostrar até para uma criatura tão jovem como tu. Ele está simplesmente comprovando a classe de seu nascimento por se comportar dessa maneira. A natureza a qual ele derivou de seu pai impede o surgimento daqueles sentimentos de compaixão e bondade que são naturais para o Brahmana.’ Ouvindo estas palavras duras da jumenta, Matanga desceu do carro rapidamente e dirigindo-se à jumenta, disse, ‘Diga-me, ó dama abençoada, por qual falha minha mãe é maculada? Como tu sabes que eu sou um Chandala? Responda-me sem demora. Como, de fato, tu sabes que eu sou um Chandala? Como minha posição como um Brahmana foi perdida? Ó tu de grande sabedoria, diga-me tudo isso em detalhes, do começo ao fim.'” "A jumenta disse, ‘Tu foste gerado em uma mulher Brahmana excitada com desejo por um Sudra seguindo a profissão de um barbeiro. Tu és, portanto, um Chandala por nascimento. A posição de Brahmana tu não tens em absoluto.'” "Brahmana continuou, 'Assim endereçado pela jumenta Matanga refez seu caminho para casa. Vendo-o voltar, seu pai disse, ‘Eu tinha te empregado na difícil tarefa de juntar os requisitos do meu sacrifício planejado. Por que tu voltaste sem ter realizado teu dever? O caso é que não está tudo bem contigo?’” "Matanga disse, 'Como alguém que não pertence a uma classe de nascimento definida, ou a uma classe que é muito inferior, pode ser considerado como muito bem e feliz? Como, ó pai, pode ser feliz aquela pessoa cuja mãe é maculada? Ó pai, esta jumenta, que parece ser mais do que um ser humano, me disse que eu fui gerado em uma Brahmani por um Sudra. Eu irei, por esta razão, praticar as penitências mais austeras.’ Tendo dito estas palavras para seu pai, e firmemente decidido sobre o que ele tinha dito ele procedeu para a grande floresta e começou a praticar as mais severas das penitências. Dirigindo-se à realização daquelas penitências para o propósito de alcançar alegremente a posição de um Brahmana, Matanga começou a chamuscar as próprias divindades pela severidade de seu ascetismo. Para ele assim engajado em penitências, o chefe dos celestiais, Indra, apareceu e disse, ‘Por que, ó Matanga, tu passas teu tempo em tal sofrimento, te abstendo de todos os tipos de prazeres humanos? Eu te darei bênçãos. Especifique as bênçãos que tu desejas. Não te detenha, mas me diga o que está no teu peito. Mesmo se aquilo for inalcançável, eu ainda o concederei para ti.'” "Matanga disse, 'Desejoso de obter a posição de Brahmana eu comecei a praticar estas penitências. Depois de tê-la obtido eu irei para casa. Exatamente esta é a bênção pedida por mim.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras dele, Purandara disse para ele, ‘A posição de um Brahmana, ó Matanga, a qual tu desejas obter, é realmente inalcançável por ti. É verdade, tu desejas alcançá-la, mas ela não pode ser alcançada por pessoas geradas em almas impuras. Ó tu de compreensão superficial, tu sem dúvida encontrarás com a destruição se tu persistires nessa busca. Desista, portanto, sem demora desse teu esforço inútil. Este objeto do teu desejo, isto é, a posição de um Brahmana, que é a mais importante de todas, não pode ser obtida por meio de penitências. Portanto, por cobiçares aquela posição importante, tu seguramente atrairás destruição sobre ti. Alguém nascido como um Chandala nunca pode alcançar àquela posição que é considerada como a mais sagrada entre as divindades e Asuras e seres humanos!'" "Bhishma disse, 'Assim endereçado por Indra, Matanga de votos contidos e alma bem controlada, (sem escutar aos conselhos do chefe dos celestiais), permaneceu por cem anos sobre um pé, ó tu de glória imperecível. Sakra de grande fama mais uma vez apareceu perante ele e dirigindo-se a ele, disse, ‘A posição de um Brahmana, ó filho, é inalcançável. Embora tu a desejes, é impossível para ti obtê-la. Ó Matanga, por cobiçares aquela posição muito elevada tu sem dúvida serás destruído. Não mostre, ó filho, tal impulsividade. Este não pode não ser um caminho justo para tu seguires. Ó tu de compreensão superficial, é impossível para ti conseguir isto neste mundo. Na verdade, por cobiçar aquilo que é inalcançável, tu indubitavelmente encontrarás a destruição num abrir e fechar de olhos. Eu estou te proibindo repetidamente. Por te esforçares, no entanto, para chegar àquela posição elevada pela ajuda de tuas penitências, apesar das minhas repetidas admoestações, tu serás destruído sem dúvida. Da classe de vida irracional alguém chega à posição de humanidade. Se nascido como ser humano, ele sem dúvida toma nascimento como um Pukkasa ou um Chandala. Na verdade, uma pessoa tendo nascido naquela classe de existência pecaminosa, isto é, Pukkasa, ó Matanga, ela tem que vagar nela por um tempo muito longo. Passando um período de mil anos naquela classe, alguém obtém em seguida a posição de um Sudra. Na classe Sudra, também, alguém tem que vagar por muito tempo. Depois de trinta mil anos a posição de um Vaisya é obtida. Lá, naquela classe, alguém tem que passar um período muito longo. Depois de um tempo que é sessenta vezes mais longo do que o que foi declarado como o período de existência Sudra, alguém se torna uma pessoa da classe combatente. Na classe Kshatriya alguém tem que passar um tempo muito longo. Depois de um tempo que é medido por se multiplicar o último período aludido por sessenta, uma pessoa nasce como um Brahmana decaído. Nesta classe alguém tem que vagar por um longo período. Depois de um tempo medido por multiplicar o último período mencionado por duzentos, alguém nasce na linhagem de um Brahmana que vive pela profissão de armas. Lá, naquela classe, ele tem que vagar por um longo período. Depois de um tempo medido por se multiplicar o último período citado por trezentos, alguém toma nascimento na linhagem de um Brahmana que é dado à recitação do Gayatri e outros Mantras sagrados. Lá, naquela classe, ele tem que vagar por um longo período. Depois de um tempo medido por multiplicar o último período citado por quatrocentos, alguém nasce na linhagem de um Brahmana que está familiarizado com os Vedas inteiros e as escrituras. Lá, naquela classe, alguém tem que vagar por um período muito longo. Enquanto vagando naquela condição de existência, alegria e dor, desejo e aversão, vaidade e más palavras procuram entrar nele e fazer dele um canalha. Se ele consegue subjugar aqueles inimigos, ele então alcança um fim superior. Se, por outro lado, aqueles inimigos conseguem subjugá-lo, ele cai daquela posição elevada como uma pessoa caindo no solo do topo de uma palmeira alta. Sabendo disto por certo, ó Matanga, eu te digo, cite outra bênção, pois a posição de Brahmana não pode ser alcançada por ti (que nasceste como um Chandala)!'” "Bhishma disse, 'Assim aconselhado por Indra, Matanga, cumpridor de votos, se recusou a dar ouvidos ao que lhe foi proposto. Por outro lado, com votos regulados e alma purificada, ele praticou penitências austeras por permanecer sobre um pé por mil anos, e estava profundamente dedicado à meditação-Yoga. Depois que mil anos tinham se passado Sakra foi vê-lo mais uma vez. De fato, o matador de Vala e Vritra disse a ele as mesmas palavras.'” 'Matanga disse, 'Eu passei estes mil anos permanecendo sobre um pé, em meditação profunda, cumprindo o voto de Brahmacharya. Por que é que eu ainda não consegui alcançar a posição de um Brahmana?'” 'Sakra disse, 'Alguém que nasceu um Chandala não pode, por quaisquer meios, alcançar a posição de um Brahmana. Portanto cite alguma bênção para que todo esse teu trabalho não venha a ser inútil.’ Assim endereçado pelo chefe dos celestiais, Matanga encheu-se de aflição. Ele se dirigiu para Prayaga, e passou lá cem anos, todo o tempo permanecendo sobre seus dedos dos pés. Por causa da observância de tal Yoga que era extremamente difícil de suportar, ele ficou muito emaciado e suas artérias e veias ficaram inchadas e visíveis. Ele ficou reduzido somente a pele e osso. De fato, é sabido por nós que Matanga de alma justa, enquanto praticando aquelas austeridades em Gaya, caiu no chão de pura exaustão. O senhor e dador de bênçãos, dedicado ao bem de todas as criaturas, isto é, Vasava, vendo-o cair, chegou prontamente àquele local e segurou-o firme.'” "Sakra disse, 'Parece, ó Matanga, que a posição de Brahmana a qual tu procuras é inadequada para ti. Aquela posição não pode ser alcançada por ti. Na verdade, no teu caso, ela está cercada por muitos perigos. Uma pessoa por cultuar um Brahmana obtém felicidade; enquanto por se abster de tal culto ela obtém dor e tristeza. O Brahmana é, com relação a todas as criaturas, o dador do que elas valorizam ou cobiçam e o protetor do que elas já têm. É através dos Brahmanas que os Pitris e as divindades vêm a ser satisfeitos. O Brahmana, ó Matanga, é considerado como o principal de todos os seres criados. O Brahmana concede todos os objetos que são desejados e da maneira que eles são desejados. Vagando através de inúmeras classes de Existência e passando por repetidos renascimentos, alguém consegue em algum nascimento subsequente obter a posição de um Brahmana. Aquela posição realmente é incapaz de ser obtida por pessoas de almas impuras. Portanto, desista da idéia. Cite algum outro benefício. O benefício específico o qual tu procuras não pode ser concedido para ti.'” "Matanga disse, 'Afligido pelo sofrimento como eu estou, por que, ó Sakra, tu me afliges mais (com palavras como estas)? Tu estás golpeando alguém que está morto, por meio deste comportamento. Eu não tenho pena de ti pois tendo alcançado a posição de um Brahmana tu agora falhaste em preservá-la (pois tu não tens compaixão para mostrar por alguém como eu). Ó tu de cem sacrifícios, a posição de Brahmana como tu dizes é realmente inalcançável por alguém das três outras classes, porém, os homens que têm conseguido obter aquela posição elevada (por meios naturais) não aderem a ela (pois mesmo os Brahmanas cometem pecados). Aqueles que tendo conseguido a posição de Brahmana a qual, como a riqueza, é tão difícil de se adquirir, não procuram conservá-la (por praticarem os deveres necessários), devem ser considerados como os mais inferiores dos canalhas neste mundo. De dato, eles são as mais pecaminosas de todas as criaturas. Sem dúvida, a posição de Brahmana é extremamente difícil de se alcançar, e uma vez sendo alcançada, ela é difícil de ser mantida. Ela é capaz de dissipar todos os tipos de sofrimentos. Ai, tendo-a obtido, homens nem sempre procuram conservá-la (por praticarem virtude e os outros deveres que se vinculam a ela). Quando até tais pessoas são consideradas como Brahmanas por que é que eu, que estou contente comigo mesmo, que estou acima de todos os pares de opostos, que estou dissociado de todos os objetos mundanos, que cumpro o dever de compaixão em direção a todas as criaturas e de autodomínio de conduta, não devo ser considerado como merecedor daquela posição? Quão desventurado eu sou, ó Purandara, que pelo erro de minha mãe fui reduzido a esta condição, embora eu não seja injusto em meu comportamento? Sem dúvida, o Destino não pode ser desviado ou vencido por esforço individual, já que, ó senhor, eu sou incapaz de adquirir, apesar destes meus esforços persistentes, o objeto, sobre a aquisição do qual eu tenho colocado meu coração. Quando tal é o caso, ó justo, cabe a ti me conceder alguma outra bênção se, de fato, eu me tornei digno da tua graça ou se eu tenho um pouco de mérito.'” "Bhishma continuou, 'O matador de Vala e Vritra então disse a ele, ‘Cite a bênção.’ Assim incitado pelo grande Indra, Matanga disse as seguintes palavras:’” "Matanga disse, 'Que eu possua o poder de assumir qualquer forma à vontade e viajar através dos céus, e que eu desfrute de quaisquer prazeres nos quais eu possa colocar meu coração. E que eu também tenha as adorações dispostas de Brahmanas e Kshatriyas. Eu te reverencio por inclinar minha cabeça, ó deus. Cabe a ti fazer aquilo também pelo qual minha fama, ó Purandara, possa viver para sempre no mundo.'” "Sakra disse, 'Tu serás célebre como a divindade de uma medida específica de verso e tu obterás o culto de todas as mulheres. Tua fama, ó filho, se tornará inigualável nos três mundos.' Tendo concedido a ele estas bênçãos Vasava desapareceu. Matanga também, rejeitando seus ares vitais, obteve um lugar superior. Tu assim podes ver, ó Bharata, que a posição de Brahmana é muito elevada. Aquela posição não pode ser adquirida aqui (exceto da maneira natural de nascimento), como dito pelo próprio grande Indra.'” 30 "Yudhishthira disse, 'Eu ouvi esta grande narrativa, ó perpetuador da linhagem e Kuru. Tu, ó principal dos homens eloquentes, disseste que a posição de Brahmana é de aquisição extremamente difícil. É sabido, no entanto, que nos tempos passados a posição de Brahmana foi adquirida por Viswamitra. Tu, no entanto, ó melhor dos homens, nos disseste que aquela posição não pode ser adquirida. Eu também soube que o rei Vitahavya antigamente conseguiu obter a posição de Brahmana. Eu desejo ouvir, ó filho pujante de Ganga, a história da promoção de Vitahavya. Por quais ações aquele melhor dos reis conseguiu obter a posição de Brahmana? Foi através de algum benefício (obtido de alguém de grande pujança) ou foi através da virtude de penitências? Cabe a ti me contar tudo.'” "Bhishma disse, 'Ouça, ó monarca, como o sábio nobre Vitahavya de grande celebridade conseguiu antigamente alcançar a posição de Brahmana que é tão difícil de se alcançar e que é muito reverenciada por todo o mundo. Enquanto Manu de grande alma antigamente estava empenhado em governar seus súditos justamente, ele obteve um filho de alma justa que se tornou famoso sob o nome de Saryati. Na linhagem de Saryati, ó monarca, nasceram dois reis, isto é, Haihaya e Talajangha. Ambos eram filhos de Vatsa, ó principal dos reis vitoriosos. Haihaya, ó monarca, teve dez esposas. Nelas ele gerou, ó Bharata, uma centena de filhos todos os quais eram muito inclinados ao combate. Todos eles pareciam uns com os outros em aspecto e destreza. Todos eles eram dotados de grande força e todos eles possuíam grande habilidade em batalha. Eles todos estudaram os Vedas e a ciência de armas inteiramente. Em Kasi também, ó monarca, havia um rei que era o avô de Divodasa. O principal dos homens vitoriosos, ele era conhecido pelo nome de Haryyaswa. Os filhos do rei Haihaya, ó chefe de homens (que era também conhecido pelo nome de Vitahavya), invadiram o reino de Kasi e, avançando para o país localizado entre os rios Ganga e Yamuna lutaram com o rei Haryyaswa e o mataram também nele. Tendo matado o rei Haryyaswa dessa maneira, os filhos de Haihaya, aqueles grandes guerreiros em carros, voltaram destemidamente para sua própria cidade encantadora no país dos Vatsas. Enquanto isso o filho de Haryyaswa, Sudeva, que parecia com uma divindade em esplendor e que era como um segundo deus da justiça, foi instalado no trono de Kasi como seu soberano. O alegrador de Kasi, aquele príncipe de alma justa governou seu reino por algum tempo, quando os cem filhos de Vitahavya mais uma vez invadiram seus domínios e o derrotaram em batalha. Tendo derrotado o rei Sudeva dessa maneira, os vencedores voltaram para sua própria cidade. Depois disto Divodasa, o filho de Sudeva, foi instalado no trono de Kasi como seu soberano. Percebendo a bravura daqueles príncipes de grande alma, isto é, os filhos de Vitahavya, o rei Divodasa, dotado de grande energia, reconstruiu e fortaleceu a cidade de Baranasi por ordem de Indra. Os territórios de Divodasa eram cheios de Brahmanas e Kshatriyas, e abundavam com Vaisyas e Sudras. E eles abundavam com artigos e mantimentos de todos os tipos, e eram adornados com lojas e mercados e cheios de prosperidade. Aqueles territórios, ó melhor dos reis, se estendiam para o norte das margens de Ganga às margens do sul de Gomati, e pareciam com um segundo Amravati (a cidade de Indra). Os Haihayas novamente, ó Bharata, atacaram aquele tigre entre reis, enquanto ele governava seu reino. O poderoso rei Divodasa dotado de grande esplendor, saindo de sua capital, lutou com eles. O combate entre os dois partidos foi tão violento que parecia com a batalha antigamente entre as divindades e os Asuras. O rei Divodasa lutou com o inimigo por mil dias no fim dos quais, tendo perdido vários seguidores e animais, ele ficou extremamente angustiado. O rei Divodasa, ó monarca, tendo perdido seu exército e vendo sua tesouraria esgotada, deixou sua capital e fugiu. Dirigindo-se ao retiro encantador de Bhardwaja dotado de grande sabedoria o rei, ó castigador de inimigos, unindo suas mãos em reverência, procurou a proteção do Rishi. Vendo o rei Divodasa diante dele, o filho mais velho de Vrihaspati, isto é, Bharadwaja de conduta excelente, que era o sacerdote do monarca, disse para ele, ‘Qual é a razão da tua vinda aqui? Conte-me tudo, ó rei. Eu farei aquilo que é agradável para ti, sem qualquer escrúpulo.'” "O rei disse, 'Ó santo, os filhos de Vitahavya mataram todos os filhos e homens da minha casa. Somente eu escapei com vida, totalmente derrotado pelo inimigo. Eu procuro tua proteção. Cabe a ti, ó santo, me proteger com tal afeição como tu tens por um discípulo. Aqueles príncipes de atos pecaminosos têm massacrado toda a minha raça, deixando só eu mesmo vivo.'” "Bhishma continuou, 'Para ele que rogou de modo tão comovente, Bharadwaja de grande energia disse, ‘Não tema! Não tema! Ó filho de Sudeva, que teus temores sejam dissipados. Eu realizarei um sacrifício, ó monarca, a fim de que tu possas ter um filho através do qual tu serás capaz de derrotar milhares e milhares do partido de Vitahavya.’ Depois disto, o Rishi realizou um sacrifício com o objetivo de conceder um filho para Divodasa. Como o resultado disso, nasceu para Divodasa um filho chamado Pratarddana. Imediatamente após seu nascimento ele cresceu como um menino de treze anos completos e dominou rapidamente os Vedas inteiros e todas as armas. Ajudado por seus poderes-Yoga, Bharadwaja de grande inteligência tinha entrado no príncipe. De fato, reunindo toda a energia que se encontra nos objetos do universo, Bharadwaja a colocou no corpo do príncipe Pratarddana. Vestindo uma armadura brilhante e armado com o arco, Pratarddana, seus louvores cantados por bardos e pelos Rishis celestes, brilhava resplandecente como a estrela do dia. Subindo em seu carro e com a cimitarra atada ao seu cinto, ele brilhava como um fogo ardente. Com cimitarra e escudo e girando seu escudo enquanto procedia, ele foi até a presença de seu pai. Vendo o príncipe, o filho de Sudeva, isto é, o rei Divodasa, se encheu de alegria. De fato, o velho rei pensou nos filhos de seu inimigo Vitahavya como já mortos. Divodasa então instalou seu filho Pratarddana como Yuvaraja, e se considerando coroado com sucesso ficou extremamente feliz. Depois disto, o velho rei mandou aquele castigador de inimigos, isto é, o príncipe Pratarddana, marchar contra os filhos de Vitahavya e matá-los em batalha. Dotado de grandes poderes, Pratarddana, aquele subjugador de cidades hostis, cruzou o Ganga rapidamente em seu carro e procedeu contra a cidade dos Vitahavyas. Ouvindo o ruído produzido pelas rodas de seu carro, os filhos de Vitahavya, em seus próprios carros que pareciam com cidadelas fortificadas e que eram capazes de destruir veículos hostis, saíram de sua cidade. Saindo de sua capital, aqueles tigres entre homens, isto é, os filhos de Vitahavya, que eram todos guerreiros habilidosos vestidos em cotas de malha, avançaram com armas erguidas em direção a Pratarddana, cobrindo-o com chuvas de setas. Cercando-o com inúmeros carros, ó Yudhisthira, os Vitahavyas despejaram sobre Pratarddana armas de vários tipos parecendo nuvens despejando torrentes de chuva no leito de Himavat. Desviando as armas deles com as suas, o príncipe Pratarddana dotado de energia poderosa matou todos eles com suas flechas que pareciam com o raio de fogo de Indra. Suas cabeças cortadas, ó rei, com centenas e milhares de setas pontas largas, os guerreiros de Vitahavya caíram com corpos tingidos de sangue como as árvores Kinsuka cortadas por lenhadores com seus machados por todos os lados. Depois que todos os seus guerreiros e filhos tinham morrido em batalha, o rei Vitahavya fugiu de sua capital para o retiro de Bhrigu. De fato, chegando lá, o fugitivo real procurou a proteção de Bhrigu. O Rishi Bhrigu, ó monarca, assegurou sua proteção ao rei derrotado. Pratarddana seguiu os passos de Vitahavya. Chegando no retiro do Rishi, o filho de Divodasa disse em voz alta, ‘Alô, escutem vocês discípulos de Bhrigu grande alma que possa ocorrer de estarem presentes, eu desejo ver o sábio. Vão e o informem disto.’ Reconhecendo que era Pratarddana quem tinha chegado, o próprio Rishi Bhrigu saiu de seu retiro e adorou aquele melhor dos reis de acordo com os ritos devidos. Dirigindo-se a ele então, o Rishi disse, ‘Diga-me, ó rei, qual é o teu negócio.’ O rei, nisto, informou o Rishi da razão da sua presença.'” "O rei disse, 'O rei Vitahavya veio para cá, ó Brahmana. Entregue-o. Os filhos dele, ó Brahmana, destruíram minha linhagem. Eles devastaram os territórios e a riqueza do reino de Kasi. Cem filhos, no entanto, deste rei orgulhoso de seu poder, foram todos mortos por mim. Por matar aquele próprio rei eu hoje saldarei a dívida que eu tenho com meu pai.’ Para ele aquele principal dos homens justos, isto é, o Rishi Bhrigu, sensibilizado pela compaixão, respondeu dizendo, ‘Não há nenhum Kshatriya neste retiro. Eles que estão aqui são todos Brahmanas.’ Ouvindo estas palavras de Bhrigu que deviam estar de acordo com a verdade, Pratarddana tocou os pés do Rishi lentamente e, cheio de alegria, disse, ‘Por isto, ó santo, eu sou sem dúvida coroado com sucesso, já que este rei foi abandonado pela própria classe de seu nascimento por causa da minha destreza. Dê-me tua permissão, ó Brahmana, para te deixar, e me deixe te pedir para rezar pelo meu bem-estar. Este rei, ó fundador da linhagem que leva o teu nome, foi obrigado a deixar a própria comunidade de seu nascimento pelo meu poder.’ Despedido pelo Rishi Bhrigu, o rei Pratarddana então partiu daquele retiro, tendo, assim como uma cobra, vomitado seu veneno real, e se dirigiu ao lugar de onde ele tinha vindo. Enquanto isso, o rei Vitahavya obteve a posição de um Brahmana sábio somente pela força das palavras de Bhrigu. E ele adquiriu também um domínio completo sobre todos os Vedas pela mesma causa. Vitahavya teve um filho chamado Gritsamada que em beleza pessoal era um segundo Indra. Uma vez os Daityas o afligiram muito, acreditando que ele era ninguém mais do que Indra. Com relação àquele Rishi de grande alma, um principal dos Srutis nos Richs procede assim, isto é: ‘Aquele com quem Gritsamada permanece, ó Brahmana, é considerado com grande respeito por todos os Brahmanas. Dotado de grande inteligência, Gritsamada tornou-se um Rishi regenerado na prática de Brahmacharya. Gritsamada teve um filho regenerado de nome Sutejas. Sutejas teve um filho de nome Varchas, e o filho de Varchas era conhecido pelo nome de Vihavya. Vihavya teve um filho que se chamava Vitatya e Vitatya teve um filho de nome Satya. Satya teve um filho de nome Santa. Santa teve um filho, isto é, o Rishi Sravas. Sravas gerou um filho chamado Tama. Tama gerou um filho chamado Prakasa, que era um Brahmana muito superior. Prakasa teve um filho chamado Vagindra que foi o principal de todos os recitadores silenciosos de Mantras sagrados. Vagindra gerou um filho chamado Pramati que era um mestre perfeito de todos os Vedas e seus ramos. Pramati gerou na Apsara Ghritachi um filho que foi chamado de Ruru. Ruru gerou um filho em sua esposa Pramadvara. Aquele filho era o Rishi regenerado Sunaka. Sunaka gerou um filho que se chamava Saunaka.’ Foi assim, ó principal dos monarcas, que o rei Vitahavya, embora um Kshatriya pela classe de seu nascimento, obteve a posição de um Brahmana, ó chefe dos Kshatriyas, pela graça de Bhrigu. Eu também te disse a genealogia da linhagem que surgiu de Gritsamada. O que mais tu perguntarás?'” 31 "Yudhishthira disse, 'Quais homens, ó chefe da linhagem de Bharata, são dignos de homenagem reverente nos três mundos? Diga-me isto em detalhes verdadeiramente. Eu nunca estou saciado com te ouvir falar sobre estes tópicos.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Narada e Vasudeva. Vendo Narada em uma ocasião cultuando muitos dos principais Brahmanas com mãos unidas, Kesava se dirigiu a ele dizendo, ‘Quem tu cultuas? Quem entre estes Brahmanas, ó santo, tu cultuas com reverência tão grande? Se este for um assunto sobre o qual eu possa ouvir, eu então desejo ouvi-lo. Ó principal dos homens justos, diga-me isto!'” "Narada disse, 'Ouça, ó Govinda, quanto a quem são aqueles aos quais eu estou cultuando, ó opressor de inimigos. Quem mais há neste mundo que merece tanto ouvir isto? Eu adoro os Brahmanas, ó pujante, que adoram constantemente Varuna e Vayu e Aditya e Parjanya e a divindade do Fogo, e Sthanu e Skanda e Lakshmi e Vishnu e os Brahmanas, e o senhor da fala, e Chandramas, e as Águas e a Terra e a deusa Saraswati. Ó tigre da raça Vrishni, eu sempre adoro aqueles Brahmanas que são dotados de penitências, que estão familiarizados com os Vedas, que estão sempre dedicados ao estudo Védico, e que são possuidores de grande mérito. Ó pujante, eu inclino minha cabeça para aquelas pessoas que são livres de ostentação, que cumprem, com o estômago vazio, os ritos em honra das divindades, que estão sempre contentes com que elas têm e que são dotadas de perdão. Eu adoro aqueles, ó Yadava, que são realizadores de sacrifícios, que são de uma disposição clemente, e autocontrolados, que são mestres dos seus próprios sentidos, que adoram verdade e justiça, e que doam terra e gado para bons Brahmanas. Eu reverencio aqueles, ó Yadava, que são dedicados à observância de penitências, que moram em florestas, que subsistem de frutas e raízes, que nunca armazenam alguma coisa para o dia seguinte, e que são praticantes de todos os atos e ritos declarados nas escrituras. Eu reverencio aqueles, ó Yadava, que alimentam e cuidam de seus empregados, que são sempre hospitaleiros para convidados, e que comem somente os restos do que é oferecido às divindades. Eu adoro aqueles que se tornaram irresistíveis pelo estudo dos Vedas, que são eloquentes ao falarem sobre as escrituras, que são cumpridores do voto de Brahmacharya, e que estão sempre dedicados aos deveres de oficiar nos sacrifícios de outros e de ensinar discípulos. Eu cultuo aqueles que são dotados de compaixão por todas as criaturas, e que estudam os Vedas até o meio-dia (isto é, até suas costas serem aquecidas pelo sol). Eu reverencio aqueles, ó Yadava, que se esforçam para obter a graça de seus preceptores, que trabalham na aquisição de seus Vedas, que são firmes no cumprimento de votos, que servem, com obediência respeitosa, seus preceptores e os mais velhos, e que estão livres de malícia e inveja. Eu reverencio aqueles, ó Yadava, que são cumpridores de votos excelentes, que praticam taciturnidade, que têm conhecimento de Brahman, que são firmes na verdade, que são doadores de libações de manteiga clarificada e oblações de carne. Eu me curvo àqueles, ó Yadava, que subsistem de esmolas, que são emaciados por falta de comida e bebida suficientes, que têm vivido nas residências de seus preceptores, que são avessos a todos os prazeres e desprovidos deles, e que são pobres em bens desta Terra. Eu me curvo àqueles, ó Yadava, que não têm afeição por coisas desta Terra, que não têm brigas para travar com outros, que não vestem a si mesmos, que não têm necessidades, que se tornam irresistíveis pela aquisição dos Vedas, que são eloquentes na exposição de justiça, e que são proferidores de Brahma. Eu reverencio aqueles que estão dedicados à prática do dever de compaixão em direção a todas as criaturas, que são firmes no cumprimento da verdade, que são autocontrolados, e que são pacíficos em seu comportamento. Eu reverencio aqueles, ó Yadava, que estão dedicados ao culto das divindades e convidados, que são praticantes do modo de vida familiar, e que seguem a prática dos pombos na questão de sua subsistência. (Pombos apanham grãos espalhados e nunca estocam para o dia seguinte. No voto Sila e outros, catar grãos espalhados e rejeitados do campo depois que as colheitas foram levadas pelos donos é recomendado como a maneira de encher o estômago.) Eu sempre reverencio aquelas pessoas cujo conjunto de três existe, sem ser enfraquecido, em todas as suas ações, e que são praticantes da verdade e de um comportamento justo. (O agregado de três é Virtude, Riqueza e Prazer. Pessoas que, em todas as ações que elas fazem mantêm um olho sobre estes três, são citadas como tendo seu agregado de três existindo em todos os seus atos.) Eu me inclino para aqueles, ó Kesava, que conhecem Brahma, que são dotados de conhecimento dos Vedas, que estão atentos ao agregado de três, que são livres de cobiça, e que são justos em seu comportamento. Eu reverencio aqueles, ó Madhava, que subsistem somente de água, ou só do ar, ou dos restos do alimento que é oferecido para divindades e convidados, e que são cumpridores de diversos tipos de votos excelentes. Eu sempre adoro aqueles que não têm cônjuges (por causa do voto de celibato que eles praticam), que têm cônjuges e o fogo doméstico (por levarem o modo de vida familiar), que são o refúgio dos Vedas, e que são o refúgio de todas as criaturas no universo (pela compaixão que eles sentem por elas). Eu sempre me curvo àqueles Rishis, ó Krishna, que são os criadores do universo, que são os mais antigos do universo, que são membros mais velhos da linhagem ou da família, que são dissipadores da escuridão da ignorância, e que são as melhores de todas as pessoas no universo (por virtude de comportamento e conhecimento das escrituras). Por estas razões, tu também, ó descendente da linhagem de Vrishni, adore todos os dias aquelas pessoas regeneradas de quem eu falei. Dignas como elas são de culto reverente, elas quando adoradas te concederão felicidade, ó impecável. Aquelas pessoas de quem eu falo são sempre concessoras de felicidade neste mundo assim como no próximo. Reverenciadas por todos, elas se movem neste mundo, e se adoradas por ti sem dúvida te concederão felicidade. Aqueles que são hospitaleiros para todas as pessoas que chegam a eles como convidados, e que são sempre devotados aos Brahmanas e vacas, como também à verdade (em palavras e comportamento), conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que estão sempre dedicados à quietude de comportamento, como também aqueles que são livres de malícia e inveja, e aqueles que estão sempre atentos ao estudo dos Vedas, conseguem superar todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que reverenciam todas as divindades (sem demonstrarem uma preferência por alguma e assim comprovando sua tolerância), aqueles que se dirigem ao único Veda como seu refúgio, aqueles que possuem fé e são autocontrolados, conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que cultuam os principais dos Brahmanas com reverência e que são firmes na observância de votos excelentes e praticam a virtude da caridade, conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que são dedicados à prática de penitências, aqueles que são sempre cumpridores do voto de celibato, e aqueles cujas almas têm sido purificadas por meio de penitências, conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que são dedicados ao culto das divindades e convidados e dependentes, como também dos Pitris, e aqueles que comem o resto da comida que é oferecida para as divindades, Pitris, convidados e dependentes, conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que, tendo acendido o fogo doméstico, o mantêm queimando devidamente e o cultuam com reverência, e aqueles que derramam libações apropriadamente (para as divindades) em sacrifícios Soma, conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos. Aqueles que se comportam como eles devem em direção às suas mães e pais e preceptores e outros mais velhos assim como tu, ó tigre entre os Vrishnis, te comportas, conseguem transpor todas as calamidades e obstáculos.’ Tendo dito estas palavras, o Rishi celeste parou de falar.'” "Bhishma continuou, 'Por estas razões, tu também, ó filho de Kunti, sempre adore com reverência as divindades, os Pitris, os Brahmanas, e convidados chegados à tua mansão e como a consequência de tal conduta tu sem dúvida alcançarás um fim desejável!'" 32 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu de grande sabedoria, ó tu que estás familiarizado com todos os ramos de conhecimento, eu desejo te ouvir falar sobre tópicos ligados ao dever e Justiça. Diga-me realmente, ó chefe da linhagem de Bharata, quais são os méritos daquelas pessoas que concedem proteção para criaturas vivas das quatro classes quando estas suplicam por proteção.'” "Bhishma disse, 'Ó filho de Dharma de grande sabedoria e fama difundida, escute a esta velha história referente ao grande mérito de conceder proteção para outros quando proteção é procurada humildemente. Uma vez um pombo belo, perseguido por um falcão, caiu dos céus e procurou a proteção do rei Vrishadarbha altamente abençoado. O monarca de alma pura, vendo o pombo se refugiar em seu colo por medo, confortou-o, dizendo, ‘Esteja confortado, ó ave; não tenha medo. Por que motivo tu ficaste tão assustado? O que tu fizeste e onde tu o fizeste em consequência do qual tu perdeste teus sentidos por medo e estás mais morto do que vivo? Tua cor, ave bela, é tal que parece com aquela que adorna um lótus recém desabrochado da variedade azul. Teus olhos são da cor do romã ou da flor Asoka. Não tema. Eu te peço, esteja confortado. Quando tu procuraste proteção comigo, saiba que ninguém terá coragem nem de pensar em te capturar, a ti que tens tal protetor para cuidar de tua pessoa. Por tua causa, eu desistirei hoje do próprio reino de Kasi e, se for necessário, da minha vida também. Fique confortado, portanto, e que nenhum medo seja teu, ó pombo.'” "O falcão disse, 'Esta ave está ordenada para ser meu alimento. Não cabe a ti, ó rei, protegê-la de mim. Eu tenho perseguido esta ave e a alcancei. Na verdade, com grande esforço eu finalmente a alcancei. Sua carne e sangue e medula e gordura serão de grande bem para mim. Esta ave será o meio de me satisfazer imensamente. Ó rei, não te coloque entre ele e eu dessa maneira. Feroz é a sede que está me afligindo, e a fome está corroendo meus intestinos. Liberte a ave e a rejeite. Eu não posso mais suportar as dores da fome. Eu o persegui como minha presa. Veja, seu corpo está machucado e rasgado por mim com minhas asas e garras. Olhe, a respiração dele ficou muito fraca. Não cabe a ti, ó rei, protegê-lo de mim. No exercício daquele poder o qual pertence devidamente a ti, tu és, de fato, competente para interferir em proteger seres humanos quando outros seres humanos procuram destruí-los. Tu não podes, no entanto, ser admitido como tendo algum poder sobre uma ave percorredora do céu afligida com sede. Teu poder pode se estender sobre teus inimigos, teus empregados, teus parentes, as disputas que acontecem entre teus súditos. De fato, ele pode se estender sobre todas as partes dos teus domínios e também sobre teus próprios sentidos. Teu poder, no entanto, não se estende sobre o firmamento. Mostrando tua destreza sobre inimigos tais como os que agem contra os teus desejos, tu podes estabelecer teu governo sobre eles. Teu governo, no entanto, não se estende sobre as aves que percorrem o céu. De fato, se tu estás desejoso de ganhar mérito (por proteger este pombo), é teu dever olhar por mim também (e fazer o que é correto por me permitir apaziguar minha fome e salvar minha vida)!’” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras do falcão, o sábio nobre ficou muito surpreso. Sem desconsiderar estas palavras dele, o rei, desejoso de cuidar de seus confortos, respondeu para ele dizendo as seguintes palavras.'” "O rei disse, 'Que um touro ou javali ou veado ou búfalo seja preparado hoje por tua causa. Sacie tua fome em tal alimento hoje. Nunca abandonar alguém que procurou minha proteção é meu voto firme. Veja, ó ave, esta ave não deixa o meu colo!'” "O falcão disse, 'Eu, ó monarca, não como a carne do javali ou do boi ou de alguma das diversas espécies de aves. Que necessidade eu tenho de comida deste ou daquele tipo? Meu interesse é com aquele alimento que foi eternamente ordenado para os seres da minha classe. Falcões se alimentam de pombos, esta é a ordenança eterna. Ó impecável Usinara, se tu sentes tal afeição por este pombo, então me dê a carne do teu próprio corpo, de peso igual àquele deste pombo.'” "O rei disse, 'Grande é o favor que fazes para mim hoje por me falares dessa maneira. Sim, eu farei o que tu ordenas.’ Tendo dito isto, aquele melhor dos monarcas começou a cortar sua própria carne e pesá-la em uma balança comparando-a com o pombo. Enquanto isso, nos aposentos internos do palácio, as esposas do rei, adornadas com jóias e pedras preciosas, sabendo o que estava acontecendo, proferiram exclamações de aflição e saíram, tomadas pela angústia. Por causa daqueles gritos das senhoras, como também dos ministros e empregados, um barulho profundo como o rugido das nuvens ergueu-se no palácio. O céu que tinha estado muito limpo ficou envolvido em nuvens espessas por todos os lados. A Terra começou a tremer, como a consequência daquele ato de verdade o qual o monarca fez. O rei começou a cortar a carne dos flancos de seus braços, e de suas coxas, e encheu rapidamente um dos pratos da balança para pesá-la contra o pombo. Apesar de tudo isso, o pombo continuou a ser mais pesado. Quando finalmente o rei se tornou um esqueleto de ossos, sem qualquer carne, e coberto com sangue, ele desejou desistir de seu corpo inteiro e, portanto, subiu no prato da balança no qual ele tinha colocado a carne que ele tinha cortado anteriormente. Naquele momento, os três mundos, com Indra em sua chefia, chegaram àquele local para vê-lo. Tímpanos celestiais e diversas baterias foram tocados por seres invisíveis pertencentes ao firmamento. O rei Vrishadarbha foi banhado em uma chuva de néctar que foi derramada sobre ele. Guirlandas de flores celestes, de fragrância e toque deliciosos, foram também despejadas sobre ele copiosamente e repetidamente. As divindades e Gandharvas e Apsaras em grandes grupos começaram a cantar e dançar ao redor dele assim como eles cantam e dançam ao redor do Avô Brahma. O rei então subiu em um carro celeste que superava (em grandiosidade e beleza) uma mansão totalmente feita de ouro, que tinha arcos feitos de ouro e pedras preciosas, e que era adornado com colunas feitas de lápis lazúli. Pelo mérito de sua ação, o sábio real Sivi procedeu para o Céu eterno. Tu também, ó Yudhishthira, aja da mesma maneira em direção àqueles que procuram tua proteção. Aquele que protege aqueles que são devotados a ele, aqueles que estão ligados a ele por amor e afeição, e aqueles que dependem dele, e que tem compaixão por todas as criaturas, consegue obter grande bem-aventurança após a morte. Aquele rei que é de comportamento justo e que é observador de honestidade e integridade, consegue por meio de suas ações de sinceridade obter todas as recompensas valiosas. O sábio nobre Sivi de alma pura e dotado de grande sabedoria e destreza invencível, aquele soberano do reino de Kasi tornou-se famoso nos três mundos por seus atos de virtude. Alguém que protege da mesma maneira alguém que procura proteção indubitavelmente obterá o mesmo fim feliz (como o próprio Sivi), ó melhor dos Bharatas. Aquele que narra esta história do sábio nobre Vrishadarbha sem dúvida vem a ser purificado de todo pecado, e a pessoa que ouve esta história narrada por outra com certeza obtém o mesmo resultado.'" 33 "Yudhishthira disse, 'Qual ato, ó avô, é o principal de todos aqueles que são prescritos para um rei? Qual é aquele ato por fazer o qual um rei consegue desfrutar deste mundo e do próximo?'” "Bhishma disse, 'Exatamente isto, isto é, o culto dos Brahmanas, é a principal de todas aquelas ações, ó Bharata, que foram prescritas para um rei devidamente instalado no trono, se, de fato, ele está desejoso de obter grande felicidade. Isto mesmo é o que o principal de todos os reis deve fazer. Saiba bem disto, ó chefe da linhagem de Bharata. O rei deve sempre cultuar com reverência todos os Brahmanas justos possuidores de erudição Védica. O rei deve, com mesuras e palavras confortantes e doações de todos os artigos de prazer, cultuar todos os Brahmanas possuidores de grande erudição que possam morar em sua cidade ou províncias. Esta é a principal de todas as ações prescritas para o rei. De fato, o rei deve sempre manter seus olhos fixados sobre isto. Ele deve proteger e cuidar destes, assim como ele protege a si mesmo ou seus próprios filhos. O rei deve cultuar com a maior reverência aqueles entre os Brahmanas que possam ser dignos disto (por sua santidade e erudição superiores). Quando tais homens estão livres de toda ansiedade, o reino inteiro resplandece em beleza. Tais indivíduos são dignos de adoração. Para eles o rei deve inclinar sua cabeça. Na verdade, eles devem ser honrados, assim como alguém honra seus pais e avôs. Deles depende a direção de conduta seguida pelos homens, assim como a existência de todas as criaturas depende de Vasava. De destreza incapaz de ser frustrada e dotados de grande energia, tais homens, se enfurecidos, são capazes de reduzir o reino inteiro a cinzas somente por decreto de sua vontade, ou por atos de encantamento, ou por outros meios (derivados do poder da penitência). Eu não vejo alguma coisa que possa destruí-los. Seu poder parece ser incontrolável, sendo capaz de alcançar o fim mais distante do universo. Quando zangados, seus olhares caem sobre homens e coisas como uma chama ardente de fogo sobre uma floresta. Os homens mais corajosos são tomados por medo destes homens. Suas virtudes e poderes são extraordinários e incomensuráveis. Alguns entre eles são como poços e buracos com bocas cobertas por grama e trepadeiras, enquanto outros parecem com o firmamento livre de nuvens e escuridão. Alguns entre eles são de disposições ferozes (como Durvasas e outros daquele temperamento). Alguns são tão suaves e delicados em disposição como algodão (como Gautama e outros). Alguns entre eles são muito astutos (como Agastya que devorou o Asura Vatapi, e Rishis daquela classe). Alguns entre eles estão dedicados à prática de penitências. Alguns entre eles estão empenhados em atividades agrícolas (como o preceptor de Uddalaka). Alguns entre eles estão engajados na criação de gado (como Upamanyu enquanto auxiliando seu preceptor). Alguns entre eles vivem de esmolas. Alguns entre eles são até ladrões (como Valmiki em sua juventude e Viswamitra durante uma escassez). Alguns entre eles gostam de fomentar rixas e disputas (como Narada). Alguns entre eles, além disso, são atores e dançarinos (como Bharata). Alguns entre eles são competentes para realizar todas as façanhas, ordinárias e extraordinárias (como Agastya esvaziando o oceano inteiro como se ele fosse um palmo de água). Os Brahmanas, ó chefe da linhagem de Bharata, são de diversos aspectos e comportamentos. Uma pessoa deve sempre proferir os louvores dos Brahmanas que são familiarizados com todos os deveres, que são de comportamento justo, que são dedicados a diversos tipos de ações, e que são vistos derivarem seu sustento de diversos tipos de ocupações. (Embora realmente conhecedores de todos os deveres, e de comportamento justo, os Brahmanas, todavia, para esconder suas verdadeiras naturezas ou para proteger o mundo, são vistos estarem empregados em diversos tipos de ocupações.) Os Brahmanas, ó soberano de homens, que são altamente abençoados, são mais velhos em relação à sua origem do que os Pitris, as divindades, seres humanos (pertencentes às três outras classes), as Cobras e os Rakshasas. Aquelas pessoas regeneradas não podem ser derrotadas pelas divindades ou Pitris, ou Gandharvas ou Rakshasas, ou pelos Asuras ou pelos Pisachas. Os Brahmanas são competentes para tornar uma divindade aquele que não é uma divindade. Eles podem, além disso, privar alguém que é uma divindade de sua posição como tal. Torna-se um rei aquele a quem eles desejam tornar um rei. Por outro lado, vai para a parede aquele a quem eles não amam ou de quem eles não gostam. Eu te digo realmente, ó rei, que encontram a destruição, sem dúvida, aquelas pessoas tolas que caluniam os Brahmanas e proferem sua repreensão. Hábeis em louvor e crítica, e eles mesmos a origem ou causa da fama e ignomínia de outras pessoas, os Brahmanas, ó rei, sempre se zangam com aqueles que procuram prejudicar outros. Aquele homem a quem os Brahmanas elogiam consegue crescer em prosperidade. Aquele homem que é censurado e é rejeitado pelos Brahmanas logo encontra a derrota. É pela ausência de Brahmanas entre eles que os Sakas, os Yavanas, os Kamvojas e outras tribos Kshatriya se tornaram decaídas e degradadas para a posição de Sudras. Os Dravidas, os Kalingas, os Pulandas, os Usinaras, os Kolisarpas, os Mahishakas e outros Kshatriyas, por causa da ausência de Brahmanas em seu meio, foram rebaixados para Sudras. A derrota em suas mãos é preferível à vitória sobre eles, ó principal das pessoas vitoriosas. Alguém, matando todas as outras criaturas vivas no mundo, não incorre em um pecado tão hediondo como aquele de matar um único Brahmana. Os grandes Rishis dizem que o Brahmanicídio é um pecado hediondo. Nunca se deve proferir críticas ou caluniar os Brahmanas. Onde a crítica aos Brahmanas é proferida, uma pessoa deve sentar com o rosto pendendo para baixo ou deixar aquele local (para evitar o proferidor e suas palavras). Ainda não nasceu nem nascerá neste mundo o homem que é ou que será capaz de passar sua vida em felicidade depois de disputar com os Brahmanas. Não se pode agarrar o vento com as mãos. Não se pode tocar a lua com a mão. Não se pode sustentar a Terra nos braços. Do mesmo modo, ó rei, uma pessoa não é capaz derrotar os Brahmanas neste mundo.'" "Bhishma disse, 'Uma pessoa deve sempre oferecer o culto mais reverente aos Brahmanas. Eles têm Soma como seu rei, e são eles que concedem felicidade e tristeza para outros. Eles, ó rei, devem sempre ser cuidados e protegidos assim como alguém cuida e protege seus próprios pais e avôs, e devem ser adorados com reverências e doações de alimento e ornamentos e outros artigos de prazer, como também com as coisas que eles possam desejar. A paz e a felicidade do reino fluem de tal respeito mostrado aos Brahmanas assim como a paz e a felicidade de todas as criaturas vivas fluem de Vasava, o chefe dos celestiais. Que Brahmanas de comportamento puro e refulgência de Brahma nasçam em um reino. Kshatriyas também que sejam esplêndidos guerreiros em carros e que sejam capazes de oprimir todos os inimigos devem ser desejados (entre aqueles que se instalam em um reino). Isto foi dito a mim por Narada. Não há nada superior, ó rei, a isto, ou seja, a ação de fazer um Brahmana possuidor de bom nascimento, tendo um conhecimento de moralidade e justiça, e firme no cumprimento de votos excelentes, tomar residência em sua mansão. Tal ação é produtiva de todos os tipos de bênçãos. As oferendas sacrificais dadas para os Brahmanas alcançam as próprias divindades que as aceitam. Os Brahmanas são os antepassados de todas as criaturas. Não há nada mais elevado do que um Brahmana. Aditya, Chandramas, Vento, Água, Terra, Céu e os pontos do horizonte, todos entram no corpo do Brahmana e comem o que o Brahmana come. (Tudo o que é dado para o Brahmana e que é aparentemente comido por ele é realmente comido por estas divindades.) Naquela casa onde os Brahmanas não comem os Pitris se recusam a comer. As divindades também nunca comem na casa do canalha que odeia os Brahmanas. Quando os Brahmanas estão satisfeitos, os Pitris também estão satisfeitos. Não há dúvida nisto. Aqueles que doam a manteiga sacrifical para os Brahmanas vêm a ser eles mesmos satisfeitos (neste e no outro mundo). Tais homens nunca encontram com a destruição. Na verdade, eles conseguem obter fins sublimes. Aquelas oferendas específicas em sacrifícios com as quais alguém gratifica os Brahmanas vai gratificar ambos, os Pitris e as divindades. O Brahmana é a causa daquele sacrifício de onde todas as coisas criadas surgiram. O Brahmana conhece aquilo do qual este universo surgiu e para o qual, quando aparentemente destruído, ele retorna. De fato o Brahmana conhece o caminho que leva para o Céu e o outro caminho que leva para o local oposto. O Brahmana está familiarizado com o que aconteceu e com o que acontecerá. O Brahmana é o principal de todos os seres de duas pernas. O Brahmana, ó chefe dos Bharatas, conhece totalmente os deveres que foram prescritos para sua classe. Aquelas pessoas que seguem os Brahmanas nunca são derrotadas. Partindo deste mundo, elas nunca encontram com a destruição. De fato a vitória é sempre delas. Aquelas pessoas de grande alma, de fato, aquelas pessoas que têm subjugado suas almas, que aceitam as palavras que saem dos lábios dos Brahmanas, nunca são derrotadas. A vitória sempre vem a ser delas. A energia e poder daqueles Kshatriyas que oprimem tudo com sua energia e poder é neutralizada quando eles enfrentam os Brahmanas. Os Bhrigus venceram os Talajanghas. O filho de Angiras venceu os Nipas. Bharadwaja venceu os Vitahavyas como também os Ailas. Ó chefe da linhagem de Bharata, embora todos estes Kshatriyas fossem capazes de usar diversos tipos de armas, ainda assim os Brahmanas mencionados, possuindo somente peles negras de veado como seus emblemas, conseguiram vencê-los efetivamente. Entregando a Terra aos Brahmanas e iluminando ambos os mundos pelo esplendor de tal feito, uma pessoa deve realizar ações através das quais ela possa conseguir alcançar o fim de todas as coisas. Como fogo oculto dentro da madeira, tudo o que é dito ou ouvido ou lido neste mundo, se encontra oculto no Brahmana. Em relação a isto é citada a história antiga da conversa entre Vasudeva e a Terra, ó chefe da linhagem de Bharata!'” "Vasudeva disse, 'Ó mãe de todas as criaturas, ó deusa auspiciosa, eu desejo te questionar para a solução desta minha dúvida. Por meio de qual ação um homem levando o modo de vida familiar consegue a purificação de todos os seus pecados?'” "A Terra disse, 'Uma pessoa deve servir os Brahmanas. Esta conduta é purificadora e excelente. São destruídas todas as impurezas daquele homem que serve os Brahmanas com reverência. Desta (conduta) provém prosperidade. Dela surge a fama. Dela vem a inteligência ou conhecimento da alma. Um Kshatriya, por esta conduta, vem a ser um poderoso guerreiro em carro e um opressor de inimigos e consegue obter grande renome. Isto mesmo é o que Narada disse para mim, isto é, que alguém deve sempre reverenciar um Brahmana que é bem nascido, de votos rígidos e conhecedor das escrituras, se ele deseja todos os tipos de prosperidade. Cresce realmente em prosperidade aquele homem que é elogiado pelos Brahmanas, que são maiores do que aqueles que são considerados superiores a todos os homens inferiores ou superiores. O homem que fala mal dos Brahmanas logo encontra com a derrota, assim como um torrão de terra não cozido encontra a destruição quando lançado ao mar. Do mesmo modo, todos os atos que são prejudiciais para os Brahmanas sem dúvida ocasionam a derrota e a ruína. Veja as manchas escuras na Lua (devido à maldição de Daksha) e as águas salgadas do oceano (devido à maldição de um Rishi). O grande Indra uma vez foi completamente marcado com mil marcas de sexo. Foi através do poder dos Brahmanas que aquelas marcas foram modificadas para tantos olhos. Veja, ó Mahadeva como aquelas coisas aconteceram. Desejando fama e prosperidade e diversas regiões de beatitude no mundo seguinte, uma pessoa de comportamento e alma puros deve, ó matador de Madhu, viver em obediência aos ditames dos Brahmanas.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras da deusa Terra, o matador de Madhu, ó tu da linhagem de Kuru, exclamou, ‘Excelente! Excelente!’, e reverenciou a deusa de forma devida. Tendo ouvido esta conversa entre a deusa Terra e Madhava, tu, ó filho de Pritha, com alma absorta, sempre adore todos os Brahmanas superiores. Fazendo isto, tu realmente obterás o que é altamente benéfico para ti!"' "Bhishma disse, 'Ó rei abençoado, o Brahmana, só por nascimento, se torna um objeto de adoração para todas as criaturas e tem o direito, como convidado, de comer a primeira porção de todo alimento cozido. (O sentido é que alguém se torna um Brahmana somente por meio de nascimento, sem a ajuda daqueles ritos que foram declarados nas escrituras. Quando alimento é cozido, ninguém exceto um Brahmana tem o direito à primeira porção dele.) Deles fluem todos os grandes objetivos da vida (isto é, Virtude e Riqueza e Prazer e Emancipação). Eles são os amigos de todas as criaturas no universo. Eles são além disso as bocas das divindades (pois o alimento derramado em suas bocas é comido pelas divindades). Adorados com reverência, eles nos desejam prosperidade por proferirem palavras repletas de bom augúrio. Desconsiderados por nossos inimigos, que eles fiquem enfurecidos com eles, e que eles desejem mal para aqueles seus caluniadores, proferindo palavras repletas de maldições severas. Em relação a isto, pessoas conhecedoras da história antiga repetem os seguintes versos cantados antigamente a respeito de como nos tempos antigos o Criador, depois de ter criado os Brahmanas, ordenou seus deveres. ‘Um Brahmana nunca deve fazer alguma coisa mais exceto o que está ordenado para ele. Protegidos, eles devem proteger outros. Por se comportarem dessa maneira, eles sem dúvida obterão o que é imensamente vantajoso para eles. Por fazerem aquelas ações que estão ordenadas para eles, eles com certeza obterão prosperidade-Brahma. Vocês se tornarão os modelos de todas as criaturas, e as rédeas para controlá- las. Um Brahmana possuidor de erudição nunca deve fazer o que está prescrito para os Sudras (isto é, o serviço de outros). Por fazer tais ações, um Brahmana perde mérito. Por meio de estudo Védico ele sem dúvida consegue prosperidade e inteligência e energia e pujança competente para chamuscar todas as coisas, como também glória do tipo mais exaltado. Por oferecer oblações de manteiga clarificada para as divindades, os Brahmanas obtêm grande bem-aventurança e se tornam dignos de receber a precedência até de crianças na questão de todos os tipos de alimento cozido, e dotados de prosperidade-Brahma. (Nesse país até hoje, quando alimento é preparado por causa de hóspedes convidados para uma casa, nenhuma porção de tal alimento pode ser oferecida para alguém antes que ela seja oferecida para as divindades e colocada perante aqueles para quem ela está destinada. Uma exceção, no entanto, é feita para as crianças. O que é afirmado aqui é que um bom Brahmana pode ter a precedência até das crianças a respeito de tal alimento.) Dotados de fé que é repleta de compaixão por todas as criaturas, e dedicados ao autodomínio e ao estudo dos Vedas, eles obterão a realização de todos os seus desejos. Quaisquer coisas que existam no mundo dos homens, quaisquer coisas que se encontrem na região das divindades, todas podem ser alcançadas e adquiridas com a ajuda de penitências e conhecimento e a observância de votos e restrições.’ Eu assim recitei para ti, ó impecável, os versos que foram cantados pelo próprio Brahma. Dotado de inteligência e sabedoria supremas, o próprio Criador ordenou isto, por compaixão pelos Brahmanas. A força daqueles entre eles que são dedicados às penitências é igual ao poder dos reis. Eles são realmente irresistíveis, ferozes, possuidores da velocidade do relâmpago, e extremamente rápidos no que eles fazem. Há entre eles aqueles que são possuidores do poder dos leões e aqueles que são possuidores do poder dos tigres. Alguns deles são dotados do poder dos javalis, alguns com aquele do veado, e alguns com aquele dos crocodilos. Há alguns entre eles cujo toque parece com aquele de cobras de veneno virulento, e alguns cuja mordida parece com aquela de tubarões. Alguns entre eles são capazes de realizar só por meio da palavra a destruição daqueles que são opostos a eles; e alguns são competentes para destruir somente por um relance de seus olhos. Alguns entre eles, como eu já disse, são como cobras de veneno virulento, e alguns deles possuem disposições muito brandas. Os temperamentos, ó Yudhisthira, dos Brahmanas, são de diversos tipos. Os Mekalas, os Dravidas, os Lathas, os Paundras, os Konwasiras, os Saundikas, os Daradas, os Darvas, os Chauras, os Savaras, os Varvaras, os Kiratas, os Yavanas, e outras numerosas tribos de Kshatriyas, foram rebaixadas para a posição de Sudras pela cólera de Brahmanas. Por terem desconsiderado os Brahmanas, os Asuras foram obrigados a se refugiarem nas profundidades do oceano. Pela graça dos Brahmanas, as divindades se tornaram habitantes das regiões felizes do Céu. O elemento espaço ou éter é incapaz de ser tocado. As montanhas Himavat não podem ser movidas de seu lugar. A corrente do Ganga é incapaz de ser resistida por uma represa. Os Brahmanas não podem ser subjugados. Kshatriyas não podem governar a Terra sem cultivarem a boa vontade dos Brahmanas. Os Brahmanas são seres de grande alma. Eles são as divindades das próprias divindades. Sempre os adore com presentes e serviço obediente se, de fato, tu desejas desfrutar da soberania da Terra inteira com sua faixa de mares. A energia e poder dos Brahmanas, ó impecável, vêm a ser diminuídos por causa da aceitação de doações. Tu deves proteger tua linhagem, ó rei, daqueles Brahmanas que não desejam aceitar doações!'" (Aqueles Brahmanas que não aceitam doações são muito superiores. Sua energia e poder são muito grandes. Bhishma instrui Yudhishthira a ser sempre cuidadoso com o modo como ele trata tais Brahmanas superiores.) 36 "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a antiga história da conversa entre Sakra e Samvara. Ouça-a, ó Yudhishthira. Uma vez Sakra, assumindo o disfarce de um asceta com cabelos emaranhados em sua cabeça e corpo totalmente coberto de cinzas, subiu em um carro feio e se dirigiu para a presença do Asura Samvara.'” "Sakra disse, 'Por qual conduta, ó Samvara, tu pudeste obter a liderança de todos os indivíduos da tua raça? Por que razão todas as pessoas te consideram como superior? Diga-me isto verdadeiramente e em detalhes.'” "Samvara disse, 'Eu nunca nutro quaisquer maus sentimentos em relação aos Brahmanas. Quaisquer instruções que eles dão eu aceito com reverência incondicional. Quando os Brahmanas estão dedicados à interpretação das escrituras, eu os escuto com grande alegria. Tendo ouvido suas interpretações eu nunca as desconsidero. Eu também nunca peco contra os Brahmanas de nenhuma maneira. Eu sempre adoro aqueles Brahmanas que são dotados de inteligência. Eu sempre procuro as instruções deles. Eu sempre adoro seus pés. Aproximando-se de mim com confiança, eles sempre se dirigem a mim com afeição e perguntam pelo meu bem-estar. Se alguma vez acontece de eles estarem desatentos, eu estou sempre atento. Se acontece de eles dormirem, eu sempre permaneço desperto. Como abelhas encharcando as células do favo com mel, os Brahmanas, que são meus instrutores e soberanos, sempre me encharcam com o néctar do conhecimento, a mim que estou sempre dedicado ao caminho indicado pelas escrituras, que sou devotado aos Brahmanas, e que estou totalmente livre da malícia ou mau sentimento. O que quer que eles digam com corações alegres, eu sempre aceito ajudado pela memória e compreensão. Eu sou sempre cuidadoso da minha própria fé neles e eu sempre penso na minha própria inferioridade a eles. Eu sempre lambo o néctar que mora na ponta da língua deles, e é por esta razão que eu ocupo uma posição muito acima daquela de todos os outros da minha raça como a Lua superando todas as estrelas. As interpretações escriturais que saem dos lábios dos Brahmanas e ouvindo as quais todos os homens sábios agem no mundo, constituem o néctar na terra e podem também ser comparadas a olhos de excelência notável. Testemunhando o combate entre as divindades e os Asuras antigamente, e compreendendo a força das instruções que vinham dos Brahmanas, meu pai se encheu de prazer e admiração. (Naquele combate entre as divindades e os Asuras o poder dos Brahmanas foi abundantemente provado, pois Sukra ajudou os Asuras com seus mantras e encantamentos, enquanto Vrihaspati e outros ajudaram as divindades com os mesmos recursos.) Observando a pujança dos Brahmanas de grande alma, meu pai fez esta pergunta para Chandramas, 'Como os Brahmanas alcançam o êxito?’” 'Soma disse, 'Os Brahmanas se tornam coroados com êxito através de suas penitências. Sua força consiste na palavra. A destreza das pessoas pertencentes à classe real reside em suas armas. Os Brahmanas, no entanto, têm a palavra como suas armas. Sofrendo os desconfortos de uma residência na casa de seu preceptor, o Brahmana deve estudar os Vedas ou pelo menos o Pranava. Privando-se de cólera e renunciando aos vínculos mundanos, ele deve se tornar um Yati, olhando todas as coisas e todas as criaturas com olhos imparciais. Se permanecendo na residência de seu pai ele domina todos os Vedas e obtendo grande conhecimento alcança uma posição que deve impor respeito, as pessoas ainda o condenam como pouco viajado ou mantenedor de casa. Como uma cobra engolindo ratos, a terra consome os dois, isto é, um rei que é relutante em lutar e um Brahmana que é relutante em deixar o lar para adquirir conhecimento. O orgulho destrói a prosperidade das pessoas de pouca inteligência. Uma mulher solteira, se ela concebe, se torna maculada. Um Brahmana se expõe à crítica por se manter em casa.’ Isto mesmo é o que meu pai ouviu de Soma de aspecto notável. Meu pai, em consequência disto, começou a cultuar e reverenciar os Brahmanas. Como ele, eu também cultuo e adoro todos os Brahmanas de votos superiores.'” "Bhishma continuou, "Ouvindo estas palavras que saíram da boca daquele príncipe dos Danavas, Sakra começou a cultuar os Brahmanas, e como uma consequência disso ele conseguiu obter a supremacia das divindades.'" 37 "Yudhishthira disse, 'Qual dentre estas três pessoas, ó avô, deve ser considerada como a melhor para se fazer doações, isto é, alguém que é um completo desconhecido, ou alguém que está vivendo com e que é conhecido pelo doador por um longo tempo, ou alguém que se apresenta perante o doador, vindo de uma longa distância?'” "Bhishma disse, 'Todos estes são iguais. A qualificação de alguns consiste em sua solicitação de esmolas para realizar sacrifícios ou para pagar a taxa do preceptor ou para manter suas esposas e filhos. A qualificação de alguns para receber doações consiste em eles seguirem o voto de vagar sobre a terra, nunca pedindo alguma coisa mas recebendo quando dada. Nós devemos também doar para alguém o que ele procura. Nós devemos, no entanto, fazer doações sem afligir aqueles que dependem de nós. Isto mesmo é o que nós temos ouvido. Por afligir seus dependentes alguém aflige a si mesmo. O estranho, isto é, alguém que chegou pela primeira vez, deve ser considerado como um objeto apropriado de doações. Aquele que é familiar e conhecido e que vem vivendo com o doador deve ser considerado da mesma maneira. Os eruditos sabem também que quem vem de um lugar distante deve ser considerado do mesmo modo.'” "Yudhishthira disse, 'É verdade que nós devemos fazer doações para outros sem afligir alguém e sem violar as ordenanças das escrituras. Uma pessoa deve, no entanto, averiguar corretamente quem é a pessoa que deve ser considerada como um objeto apropriado para se fazer doações. Ela deve ser de tal maneira que a própria doação, por ser transferida para ela, não possa se afligir.'” (É dito que alimento ou outras coisas, quando dados para uma pessoa não merecedora, sente aflição. O que Yudhishthira pergunta é quem é a pessoa apropriada para quem doações podem ser feitas.) "Bhishma disse, 'Se o Ritwik, o Purohita, o preceptor, o Acharya, o discípulo, o parente (por casamento), e parentes, forem possuidores erudição e livres de malícia, então eles devem ser considerados dignos de respeito e culto. Aquelas pessoas que não possuem tais qualificações não podem ser consideradas como dignas de doações ou hospitalidade. Então, alguém deve examinar com deliberação as pessoas com quem ele entra em contato. Ausência de ira, veracidade em palavras, abstenção de ferir, sinceridade, quietude de conduta, a ausência de orgulho, modéstia, renúncia, autocontrole, e tranquilidade ou contentamento de alma, aquele em quem estes se encontram por natureza, e em quem não há más ações, deve ser considerado como um objeto apropriado. Tal pessoa merece honras. Se a pessoa é alguém que é bem conhecido e familiar, ou alguém chegado recentemente, se ele não foi visto antes; se acontecer de ele possuir estas qualificações, ele deve ser considerado como digno de honra e hospitalidade. Aquele que nega a autoridade dos Vedas, ou se esforça para mostrar que as escrituras devem ser desconsideradas, ou aprova todas as violações ou restrições na sociedade, simplesmente ocasiona sua própria ruína (e não deve ser considerado digno de doações). Aquele Brahmana que é vaidoso de sua erudição, que fala mal dos Vedas ou que é dedicado à ciência de discussão inútil, ou que é desejoso de obter vitória (em discussões) em assembléias de bons homens por refutar as razões que existem para a moralidade e religião e atribuindo tudo ao acaso, ou que censura e repreende outros ou que critica Brahmanas, ou que é suspeitoso de todas as pessoas, ou que é tolo e desprovido de discernimento, ou que é cruel em palavras, deve ser conhecido como sendo tão odioso quanto um cão. Como um cão enfrenta outros latindo e procurando morder, tal pessoa é exatamente assim, pois ela gasta seu fôlego em vão e procura destruir a autoridade de todas as escrituras. Aquelas práticas que sustentam a sociedade, os deveres de virtude, e todos os atos que produzem benefício para a própria pessoa devem ser realizados. Uma pessoa que vive se encarregando destes cresce em prosperidade por tempo eterno. Por pagar a dívida que se tem com as divindades por realizar sacrifícios, com os Rishis por estudar os Vedas, com os Pitris por procriar filhos, com os Brahmanas por fazer doações para eles e com os convidados por alimentá-los, na devida ordem, e com pureza de intenção, e realizando devidamente as ordenanças das escrituras, um chefe de família não abandona a virtude.'" (Todos estes atos devem ser realizados com pureza de intenção e de acordo com as ordenanças das escrituras. Por exemplo, sacrifícios não devem ser realizados com vaidade ou orgulho; os Vedas não devem ser estudados sem fé; filhos não devem ser procriados por luxúria, etc.) 38 “Yudhishthira disse, ‘Ó melhor dos Bharatas, eu desejo te ouvir discursar sobre a disposição das mulheres. As mulheres são citadas como sendo a raiz de todo mal. Elas são todas consideradas como extremamente frágeis.’” “Bhishma disse, ‘Em relação a isto é citada a velha história da conversa entre o Rishi celeste Narada e a cortesã (celeste) Panchachuda. Uma vez nos tempos antigos o Rishi celeste Narada, tendo vagado por todo o mundo, encontrou a Apsara Panchachuda de beleza impecável, tendo sua residência na região de Brahman. Contemplando a Apsara, todos os membros de cujo corpo eram dotados de grande beleza, o asceta se dirigiu a ela, dizendo, ‘Ó tu de cintura fina, eu tenho uma dúvida na minha mente. Esclareça-a.’” “Bhishma continuou, ‘Assim endereçada pelo Rishi, a Apsara disse a ele, ‘Se o assunto for um que é conhecido por mim e se tu me achas competente para falar sobre isto, eu certamente direi o que está em minha mente.’” “Narada disse, ‘Ó amável, eu certamente não te designarei para alguma tarefa que está além da tua competência. Ó tu de rosto belo, eu desejo saber de ti sobre a disposição das mulheres.’” “Bhishma continuou, ‘Ouvindo estas palavras do Rishi celeste, aquela principal das Apsaras respondeu para ele dizendo, ‘Eu sou incapaz, sendo eu mesma uma mulher, de falar mal das mulheres. Tu sabes o que as mulheres são e com qual natureza elas são dotadas. Não cabe a ti, ó Rishi celeste, me designar semelhante tarefa.’ Para ela o Rishi celeste disse, ‘Isto é muito verdadeiro, ó tu de cintura fina! Alguém incorre em erro por falar o que é falso. Em dizer, no entanto, o que é verdadeiro, não pode haver erro.’ Assim endereçada por ele, a Apsara Panchachuda de sorrisos doces consentiu em responder a pergunta de Narada. Ela então se pôs a mencionar quais são os verdadeiros e eternos defeitos das mulheres!’” "Panchachuda disse, 'Mesmo se bem nascidas e dotadas de beleza e possuidoras de protetores, mulheres desejam transgredir as restrições ordenadas para elas. Este defeito realmente as macula, ó Narada! Não há nada que seja mais pecaminoso do que mulheres. Na verdade as mulheres são a base de todas as falhas. Isto é certamente conhecido por ti, ó Narada! As mulheres, mesmo quando possuidoras de maridos que têm fama e riqueza, de belas feições e completamente obedientes a elas, estão dispostas a desrespeitá-los se elas têm a oportunidade. Esta, ó pujante, é uma disposição pecaminosa de nós mulheres que, rejeitando a modéstia, nós cultivamos a companhia de homens de hábitos e intenções pecaminosos. Mulheres revelam uma simpatia por aqueles homens que as cortejam, que se aproximam de sua presença, e que as servem respeitosamente mesmo em uma pequena extensão. Por falta de solicitação por pessoas do outro sexo, ou medo de parentes, as mulheres, que são naturalmente intolerantes de todas as restrições, não transgridem aquilo que foi ordenado para elas, e permanecem ao lado de seus maridos. Não há ninguém para quem elas sejam incapazes de conceder seus favores. Elas nunca levam em consideração a idade da pessoa a quem elas estão dispostas a favorecer. Feio ou bonito, se somente acontecer de a pessoa pertencer ao sexo oposto, as mulheres estão dispostas a desfrutar de sua companhia. Que as mulheres permaneçam fiéis aos seus maridos não é devido ao seu medo do pecado, nem por compaixão, nem por riqueza, nem pela afeição que surge em seus corações por parentes e filhos. Mulheres que vivem no seio de famílias respeitáveis invejam a condição daqueles membros de seu sexo que são jovens e bem enfeitadas com jóias e pedras preciosas e que levam uma vida livre. Até aquelas mulheres que são amadas por seus maridos e tratadas com grande respeito são vistas concederem seus favores para homens que são corcundas, que são cegos, que são idiotas, ou que são anãos. Mulheres são vistas gostarem da companhia até daqueles homens que são desprovidos do poder de locomoção ou daqueles homens que são dotados de grande feiúra de aspecto. Ó grande Rishi, não há homem neste mundo a quem as mulheres possam considerar como impróprio para companhia. Por inabilidade de conseguir pessoas do sexo oposto, ou medo de parentes, ou medo da morte e prisão, as mulheres permanecem, por si mesmas, dentro das restrições prescritas para elas. Elas são extremamente impacientes, pois elas sempre anseiam por novos companheiros. Por sua natureza ser incompreensível, elas não podem ser mantidas em obediência por tratamento afetuoso. Sua disposição é tal que elas não podem ser impedidas quando inclinadas à transgressão. Realmente, as mulheres são como as palavras proferidas pelos sábios. (Tais palavras são incompreensíveis e ininteligíveis por sua profundidade de significado. As mulheres são igualmente incompreensíveis e ininteligíveis.) O fogo nunca está saciado com combustível. O oceano nunca pode ser cheio com as águas que os rios levam para ele. O Destruidor nunca está saciado nem mesmo com matar todas as criaturas vivas. Similarmente, mulheres nunca estão saciadas com homens. Isto, ó Rishi celeste, é outro mistério ligado às mulheres. Logo que elas vêem um homem de feições belas e encantadoras, sinais infalíveis de desejo aparecem em seus corpos. Elas nunca mostram respeito suficiente nem mesmo por maridos que realizam todos os seus desejos, que sempre fazem o que é agradável para elas e que as protegem da carência e perigo. Mulheres nunca consideram tão altamente mesmo artigos de prazer em abundância ou ornamentos ou outras posses de um tipo agradável quanto elas consideram a companhia de pessoas do sexo oposto. O destruidor, a divindade do vento, a morte, as legiões inferiores, a boca equina que percorre o oceano, vomitando chamas contínuas de fogo, o gume da navalha, o veneno virulento, a cobra, e o Fogo; todos estes existem em um estado de união nas mulheres. Aquele Brahman eterno de onde os cinco grandes elementos surgiram para a existência, de onde o Criador Brahma ordenou o universo, e de onde, de fato, os homens surgiram, na verdade da mesma fonte eterna as mulheres surgiram para a existência. Naquele tempo, além disso, ó Narada, quando as mulheres foram criadas, estas imperfeições que eu enumerei foram plantadas nelas!'” 39 "Yudhishthira disse, 'Todos os homens, ó rei, neste mundo, são vistos se vincularem a mulheres, dominados pela ilusão que é criada pelo Ser divino. Similarmente, as mulheres também são vistas se ligarem aos homens. Tudo isso é visto acontecer em todos os lugares no mundo. Sobre este assunto uma dúvida existe em minha mente. Por que, ó alegrador dos Kurus, os homens (quando as mulheres são maculadas por tantas imperfeições) ainda assim se ligam às mulheres? Quem, além disso, são aqueles homens com os quais as mulheres são altamente agradadas e com quem elas são desagradadas? Cabe a ti, ó chefe de homens, me explicar como os homens são capazes de proteger as mulheres? Enquanto homens têm prazer nas mulheres e se divertem com elas, as mulheres, parece, estão empenhadas em enganar os homens. Então, também, se um homem uma vez cai em suas mãos, é difícil para ele escapar delas. Como gado sempre procurando pastos novos as mulheres procuram novos homens um depois do outro. Aquela ilusão que o Asura Samvara possuía, aquela ilusão que o Asura Namuchi possuía, aquela ilusão que Vali ou Kumbbinasi tinha, a soma total dela é possuída pelas mulheres. Se o homem ri, as mulheres riem. Se o homem chora, elas choram. Se a oportunidade requer, elas recebem o homem que é desagradável para elas com palavras agradáveis. Aquela ciência de política a qual o preceptor dos Asuras conhecia, aquela ciência de política a qual o preceptor dos celestiais, Vrihaspati, conhecia, não pode ser considerada como mais profunda ou mais notável por subtilidade do que a que a inteligência da mulher produz naturalmente. Na verdade como podem as mulheres, portanto, ser reprimidas por homens? Elas fazem uma mentira aparecer como verdade, e uma verdade aparecer como uma mentira. Elas que podem fazer isto, eu pergunto, ó herói, como elas podem ser controladas por pessoas do sexo oposto? Parece-me que Vrihaspati e outros grandes pensadores, ó matador de inimigos, desenvolveram a ciência de política a partir da observação da inteligência das mulheres. Se tratadas pelos homens com respeito ou com desdém, as mulheres são vistas virarem as cabeças e agitarem os corações dos homens. (O sentido é este: mulheres agitam os corações daqueles homens que as tratam com respeito como daqueles que as tratam com desdém.) Criaturas vivas, ó tu de braços poderosos, são virtuosas; (pois elas são capazes de progredir em direção à divindade por suas próprias ações). Isto mesmo é o que tem sido ouvido por nós. (Como então isto pode ser consistente com a realidade)? Pois tratadas com afeição e respeito ou de outra maneira, as mulheres (formando uma porção considerável de criaturas vivas) são vistas merecerem crítica por sua conduta em direção aos homens. Esta grande dúvida enche minha mente, isto é, quando seu comportamento é tal, qual homem há que pode contê-las dentro dos limites da virtude? Explique-me isto, ó descendente altamente abençoado da linhagem de Kuru! Cabe a ti me dizer, ó chefe da linhagem de Kuru, se as mulheres podem ser realmente contidas dentro dos limites prescritos pelas escrituras ou se alguém antes do nosso tempo realmente conseguiu contê-las dessa maneira.'” 40 "Bhishma disse, 'Isto é assim mesmo como tu disseste, ó tu de braços poderosos. Não há nada falso em tudo isto que tu disseste, ó tu da linhagem de Kuru, sobre o assunto das mulheres. Sobre isto eu narrarei para ti a antiga história de como antigamente Vipula de grande alma conseguiu reprimir as mulheres dentro dos limites prescritos para elas. Eu também te direi, ó rei, como as mulheres foram criadas pelo Avô Brahman e o objetivo pelo qual elas foram criadas por Ele. Não há criatura mais pecaminosa, ó filho, do que a mulher. A mulher é um fogo ardente. Ela é a ilusão, ó rei, que o Daitya Maya criou. Ela é o fio afiado da navalha. Ela é veneno. Ela é uma cobra. Ela é fogo. Ela é, na verdade, tudo isso junto. É sabido por nós que todas as pessoas da raça humana são caracterizadas pela virtude, e que elas, no decorrer do progresso e aperfeiçoamento natural, chegam à posição das divindades. Esta circunstância alarmou as divindades. Elas, portanto, ó castigador de inimigos, se reuniram e foram à presença do Avô. Informando-o do que estava em suas mentes, elas ficaram silenciosas em sua presença, com olhar abatido. O pujante Avô tendo averiguado o que havia nos corações das divindades, criou as mulheres, com a ajuda de um rito Atharvan. Em uma criação anterior, ó filho de Kunti, as mulheres eram todas virtuosas. Aquelas, no entanto, que surgiram desta criação por Brahman com a ajuda de uma ilusão se tornaram pecaminosas. O Avô concedeu a elas o desejo de prazer, todos os tipos de prazer carnal. Tentadas pelo desejo de prazer, elas começaram a perseguir pessoas do outro sexo. O pujante senhor das divindades criou Ira como companheira da Luxúria. Pessoas do sexo masculino, cedendo ao poder da Luxúria e Ira, procuraram a companhia das mulheres. Mulheres não têm atos especiais prescritos para elas. Esta mesma é a ordenança que foi declarada. O Sruti declara que mulheres são dotadas dos sentidos mais poderosos, que elas não têm escrituras para seguir, e que elas são mentiras vivas. Camas e assentos e ornamentos e comida e bebida e a ausência de tudo o que é respeitável e justo, indulgência em palavras desagradáveis, e amor de companhia sexual, estes foram dados por Brahman às mulheres. Os homens são muito incapazes de contê-las dentro de limites. O próprio Criador é incapaz de contê-las dentro dos limites que são apropriados, o que dizer dos homens então? Isto, ó chefe de homens, eu ouvi antigamente, isto é, como Vipula conseguiu proteger a esposa de seu preceptor nos tempos passados. Havia antigamente um Rishi altamente abençoado de nome Devasarman de grande celebridade. Ele tinha uma esposa, Ruchi por nome, que era inigualável sobre a terra em beleza. Seu encanto embriagava todo observador entre as divindades e Gandharvas e Danavas. O castigador de Paka, ou seja, Indra, o matador de Vritra, ó monarca, estava em particular apaixonado por ela e cobiçava sua pessoa. O grande asceta Devasarman estava completamente consciente da disposição das mulheres. Ele, portanto, ao melhor de seu poder e energia, a protegia (de todos os tipos de más influências). O Rishi sabia que Indra não era contido por escrúpulos na questão de procurar a companhia das esposas de outros homens. Era por esta razão que ele costumava proteger sua esposa, empregando todo seu poder. Uma vez, ó filho, o Rishi desejou realizar um sacrifício. Ele começou a pensar em como (durante sua ausência de casa) sua esposa poderia ser protegida. Dotado de grande mérito ascético, ele finalmente descobriu o procedimento que ele deveria adotar. Convocando seu discípulo predileto cujo nome era Vipula e que era da linhagem de Bhrigu, ele disse o seguinte:’” "Devasarman disse, 'Eu deixarei minha casa (por um tempo) para realizar um sacrifício. O chefe dos celestiais sempre cobiça esta minha Ruchi. Durante a minha ausência, proteja-a, aplicando todo teu poder! Tu passarás teu tempo atentamente em vista de Purandara, ó principal da linhagem de Bhrigu, porque Indra assume vários disfarces.'” Bhishma continuou, 'Assim endereçado por seu preceptor, o asceta Vipula com sentidos sob controle, sempre empenhado em penitências severas, possuidor do esplendor, ó rei, do fogo ou do sol, familiarizado com todos os deveres de virtude, e sempre sincero em palavras, respondeu a ele, dizendo, 'Assim seja'. Novamente, no entanto, quando seu preceptor estava prestes a sair Vipula o questionou nestas palavras.'” “Vipula disse, ‘Diga-me, ó Muni, quais formas Sakra assume quando ele se apresenta. De que tipo é seu corpo e qual é sua energia? Cabe a ti dizer tudo isso para mim.’” “Bhishma continuou, ‘O ilustre Rishi então descreveu realmente para Vipula de grande alma todas as ilusões de Sakra, ó Bharata.’” "Devasarman disse, 'O pujante castigador de Paka, ó Rishi regenerado, é cheio de ilusão. Todo momento ele assume aquelas formas que ele escolhe. Às vezes ele usa um diadema e segura o raio. Às vezes armado com o raio e usando uma coroa em sua cabeça, ele se adorna com brincos, em um momento ele se transforma na forma e aspecto de Chandala. Às vezes, ele aparece com madeixas coronais em sua cabeça; logo outra vez, ó filho, ele se mostra com madeixas emaranhadas, com seu corpo vestido em trapos. Às vezes ele assume um corpo vistoso e gigantesco. No momento seguinte ele se transforma em alguém de membros emaciados, e vestido em trapos. Às vezes ele se torna formoso, às vezes um pouco escuro, às vezes de cor escura. Às vezes ele se torna feio e às vezes como possuidor de grande beleza de aparência. Às vezes ele se mostra como jovem e às vezes como velho. Às vezes ele aparece como um Brahmana, às vezes como um Kshatriya, às vezes como um Vaisya, e às vezes como um Sudra. Na verdade, ele de cem sacrifícios aparece às vezes como uma pessoa nascida de classe impura, isto é, como o filho de um pai superior com uma mãe inferior ou de um pai inferior com uma mãe superior. Às vezes ele aparece como um papagaio, às vezes como um corvo, às vezes como um cisne, e às vezes como um cuco. Ele assume as formas também de um leão, um tigre, ou um elefante. Às vezes ele se mostra como um deus, às vezes como um Daitya, e às vezes ele assume o disfarce de um rei. Às vezes ele aparece como gordo e roliço. Às vezes como alguém cujos membros têm sido enfraquecidos pela ação do vento desordenado no sistema, às vezes como uma ave, e às vezes como alguém de feições extremamente feias. Às vezes ele aparece como um quadrúpede. Capaz de assumir qualquer forma, ele às vezes aparece como um idiota desprovido de toda inteligência. Ele assume também as formas de insetos e mosquitos. Ó Vipula, ninguém pode distingui-lo por causa desses inúmeros disfarces que ele é capaz de assumir. O próprio Criador do universo não está à altura daquela façanha. Ele se faz invisível quando ele escolhe. Ele não pode ser visto exceto com a visão do conhecimento. O chefe dos celestiais às vezes se transforma no vento. O castigador de Paka sempre usa estes disfarces. Portanto, ó Vipula, proteja esta minha esposa de cintura fina com grande cuidado. Ó principal da linhagem de Bhrigu, tome todos os cuidados para que o chefe dos celestiais não possa macular esta minha esposa como um cachorro ordinário lambendo o Havi mantido em virtude de um sacrifício.’ Tendo dito estas palavras, o Muni altamente abençoado, isto é, Devasarman, pretendendo realizar um sacrifício, saiu de sua residência, ó chefe dos Bharatas. Ouvindo estas palavras de seu preceptor, Vipula começou a pensar, 'Eu certamente protegerei esta senhora em todos os aspectos do chefe dos celestiais. Mas quais devem ser os meios? O que eu devo fazer a respeito de proteger a esposa do meu preceptor? O chefe dos celestiais é dotado de grandes poderes de ilusão. Possuidor de grande energia, ele é difícil de ser resistido. Indra não pode ser impedido de entrar por cercar este nosso retiro ou cercar este quintal, já que ele é capaz de assumir inúmeras formas. Assumindo a forma do vento, o chefe dos celestiais pode atacar a esposa do meu preceptor. O melhor procedimento, portanto, para mim, será entrar (por meio de força-Yoga) no corpo desta senhora e permanecer lá. Por aplicar minha destreza eu não poderei proteger a senhora, pois o pujante castigador de Paka, isto foi ouvido por mim, é capaz de assumir qualquer forma que quiser. Eu irei, portanto, protegê-la de Indra por minha pujança-Yoga. Para cumprir meu objetivo eu irei com meu corpo entrar no corpo desta senhora. Se meu preceptor, voltando, vir sua esposa maculada, ele irá, sem dúvida, me amaldiçoar por cólera, pois dotado de grande mérito ascético, ele possui visão espiritual. Esta senhora não pode ser protegida da maneira na qual outras mulheres são protegidas por homens, já que o chefe dos celestiais é dotado de grandes poderes de ilusão. Ai, a situação na qual eu me encontro é muito crítica. A ordem do meu preceptor deve certamente ser obedecida por mim. Se, portanto, eu a proteger com minha força-Yoga, a façanha será considerada por todos como extraordinária. Por minha força-Yoga, portanto, eu entrarei no corpo da esposa do meu preceptor. Eu ficarei dentro dela e contudo não tocarei seu corpo, como uma gota de água sobre uma folha de lótus, que se encontra sobre ela e ainda assim não a encharca em absoluto. Se eu sou livre da mácula da paixão, eu não posso incorrer em algum erro por fazer o que eu desejo fazer. Como um viajante, no decorrer de sua jornada, toma residência (por um tempo) em alguma mansão vazia que ele encontra, eu irei, da mesma maneira, residir neste dia dentro do corpo da esposa do meu preceptor. Na verdade, com mente absorta em Yoga, eu morarei hoje no corpo desta senhora!’ Dando sua melhor consideração a estes pontos de virtude, pensando em todos os Vedas e seus ramos, e com o olhar dirigido à grande medida de penitências a qual seu preceptor tinha e que ele mesmo também possuía, e tendo decidido em sua mente, com um propósito somente de proteger a senhora, entrar no corpo dela por poder de Yoga, Vipula da linhagem de Bhrigu teve grande cuidado (para realizar seu propósito). Ouça-me, ó monarca, enquanto eu conto para ti o que ele fez. Dotado de grandes penitências, Vipula sentou-se ao lado da esposa de seu preceptor quando ela de feições impecáveis estava sentada em sua cabana, Vipula então começou a falar para ela para convertê-la para a causa da virtude e verdade. Dirigindo seus olhos então aos dela e unindo os raios de luz que emanavam dos órgãos de visão dela com aqueles que emanavam dos dele, Vipula (em sua forma sutil) entrou no corpo da senhora assim como o elemento ar entra no éter do espaço. Penetrando seus olhos com seus olhos e sua face com sua face, Vipula permaneceu, sem se mover, dentro dela invisivelmente, como sua sombra. Reprimindo todas as partes do corpo da senhora, Vipula continuou a residir dentro dela, atento em protegê-la de Indra. A própria senhora não sabia de nada disto. Foi dessa maneira, ó monarca, que Vipula continuou a proteger a senhora até o momento do retorno de seu preceptor de grande alma depois de realizar o sacrifício que ele tinha saído para realizar.'” 41 'Bhishma disse, ‘Um dia o chefe dos celestiais assumindo uma forma de beleza celestial chegou ao retiro do Rishi, achando que a oportunidade que ele vinha esperando tinha finalmente chegado. Na verdade, ó rei, tendo assumido uma forma inigualável em beleza e extremamente atraente para as mulheres e altamente agradável de se olhar, Indra entrou no retiro do asceta. Ele viu o corpo de Vipula permanecendo em uma postura sentada, imóvel como uma estaca, e com os olhos desprovidos de visão, como uma pintura desenhada em tela. E ele viu também que Ruchi estava sentada lá, adornada com olhos cujas extremidades eram extremamente belas, possuidora de quadris cheios e redondos, e tendo um peito profundo e saliente. Seus olhos eram grandes e expansivos como pétalas do lótus, e seu rosto era tão belo e encantador quanto a lua cheia. Vendo Indra entrar naquele disfarce, a senhora desejou se levantar e oferecer a ele uma saudação amável. Sua admiração tendo sido excitada pela beleza sem igual de forma que a pessoa possuía, ela desejou muito lhe perguntar quem ele era. Embora, no entanto, ela desejasse se levantar e lhe dar as boas vindas, contudo seus membros tendo sido contidos por Vipula que estava morando dentro dela, ela não conseguiu, ó rei, fazer o que ela desejava. Realmente, ela não pôde se mover do lugar onde ela estava. O chefe dos celestiais então se dirigiu a ela em palavras agradáveis proferidas com uma voz gentil. De fato, ele disse, 'Ó tu de doces sorrisos, saiba que eu sou Indra, vindo aqui por tua causa! Saiba, ó dama gentil, que eu estou afligido pela divindade do desejo provocado por pensamentos sobre ti! Ó tu de belas sobrancelhas, eu vim à tua presença. O tempo passa.' Estas palavras que Indra falou foram ouvidas pelo asceta Vipula. Permanecendo dentro do corpo da esposa de seu preceptor, ele viu tudo o que ocorreu. A senhora de beleza impecável, embora ela tivesse ouvido o que Indra disse, foi, no entanto, incapaz de se levantar para receber ou honrar o chefe dos celestiais. Seus sentidos reprimidos por Vipula, ela não pôde proferir uma palavra em resposta. Aquele filho da linhagem de Bhrigu, de energia poderosa, julgando pelas indicações fornecidas pelo corpo da esposa de seu preceptor que ela não estava relutante em receber Indra com amabilidade, reprimiu todos os seus membros e sentidos mais eficientemente, ó rei, por meio de seus poderes-Yoga. Com laços- Yoga ele amarrou todos os sentidos dela. Vendo-a sentada sem qualquer indicação de agitação em seu corpo, o marido de Sachi, um pouco envergonhado, mais uma vez se dirigiu àquela senhora que tinha sido entorpecida pelos poderes- Yoga do discípulo de seu marido, nestas palavras, 'Venha, venha, ó doce dama!' Então a dama se esforçou para responder para ele. Vipula, no entanto, conteve as palavras que ela pretendia proferir. As palavras, portanto, que realmente escaparam de seus lábios (sob a influência de Vipula) foram: 'Qual é a razão da tua vinda aqui?' Estas palavras adornadas com requintes gramaticais saíram de sua boca que era tão bela quanto a lua. (Damas falam em Prakrita e não em Sânscrito. O último é refinado, o primeiro não o é. Daí a surpresa de Indra ao ouvir palavras Sânscritas dos lábios da dama.) Sujeita à influência de outro, ela proferiu estas palavras, mas ficou muito envergonhada de proferi-las. Ouvindo-a, Purandara ficou muito desanimado. Observando aquele efeito desajeitado, o chefe dos celestiais, ó monarca, adornado com mil olhos, viu toda a situação com sua visão espiritual. Ele então viu o asceta permanecendo dentro do corpo da senhora. De fato, o asceta permanecia dentro do corpo da esposa de seu preceptor como uma imagem ou reflexo em um espelho. Contemplando o asceta dotado do terrível poder de penitências, Purandara, ó monarca, temendo a maldição do Rishi, tremeu de medo. Vipula então, possuidor de grande poder ascético, deixou o corpo da esposa de seu preceptor e voltou para seu próprio corpo que estava perto. Ele então se dirigiu ao apavorado Indra nas seguintes palavras:’” "Vipula disse, 'Ó Purandara de alma perversa, ó tu de mente pecaminosa, ó canalha que não tens controle sobre teus sentidos, nem as divindades nem seres humanos te adorarão por qualquer duração de tempo! Tu te esqueceste, ó Sakra, não está mais na tua memória, que Gautama te amaldiçoou em consequência do que teu corpo ficou desfigurado com mil marcas de sexo, as quais, devido à compaixão do Rishi, foram depois transformadas em órgãos de visão? Eu sei que tu tens uma compreensão extremamente insensata, que tua alma é impura, e que tu tens uma mente extremamente instável! Ó tolo, saiba que esta senhora está sendo protegida por mim. Ó patife pecaminoso, volte para aquele lugar de onde tu vieste. Ó tu de alma leviana, eu não vou te reduzir a cinzas hoje com minha energia. Na verdade, eu estou cheio de compaixão por ti. É por isto, ó Vasava, que eu não desejo te queimar. Meu preceptor, dotado de grande inteligência, é possuidor de um poder terrível. Com olhos ardendo com cólera, ele teria, se ele te visse, queimado tua pessoa pecaminosa hoje. Tu não deves, ó Sakra, fazer algo semelhante a isto outra vez. Os Brahmanas devem ser respeitados por ti. Cuide para que tu, com teus filhos e conselheiros, não encontre com a destruição, afligido pelo poder dos Brahmanas. Tu pensas que tu és um imortal e que, portanto, estás em liberdade para proceder dessa maneira. No entanto, não desconsidere os Brahmanas. Saiba que não há nada inalcançável por meio de penitência.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras de Vipula de grande alma, Sakra, sem dizer nada, e dominado pela vergonha, se fez invisível. Um momento depois de ele ter ido embora, Devasarman de grande mérito ascético, tendo realizado o sacrifício que ele tinha planejado realizar, voltou para seu próprio retiro. Quando seu preceptor voltou, Vipula, que tinha feito uma ação agradável, deu para ele sua esposa de beleza impecável a quem ele tinha protegido com sucesso contra as maquinações de Indra. De alma tranquila e cheio de reverência por seu preceptor, Vipula respeitosamente o saudou e permaneceu em sua presença com um coração destemido. Depois que seu preceptor tinha descansado por um tempo e quando ele estava sentado com sua esposa no mesmo assento, Vipula relatou para ele tudo o que Sakra tinha feito. Ouvindo as palavras de Vipula, aquele principal dos Munis, dotado de grande destreza, ficou muito satisfeito com ele por sua conduta e disposição, suas penitências, e suas observâncias. Observando a conduta de Vipula para com ele mesmo, seu preceptor, e sua dedicação também, e observando sua firmeza na virtude, o pujante Devasarman exclamou, ‘Excelente, excelente!’ Devasarman de alma justa, recebendo seu discípulo virtuoso com um acolhimento sincero, honrou-o com uma bênção. De fato, Vipula, firme em virtude, obteve de seu preceptor a bênção que ele nunca se desviaria ou abandonaria a virtude. Despedido por seu preceptor ele deixou sua residência e praticou as austeridades mais severas. Devasarman também, de penitências austeras, com sua esposa, começou desde aquele dia a viver naquelas florestas solitárias totalmente sem medo daquele que tinha matado Vala e Vritra.'” "Bhishma disse, 'Tendo cumprido a ordem de seu preceptor, Vipula praticou as penitências mais rígidas. Possuidor de grande energia, ele finalmente se considerou como dotado de mérito ascético suficiente. Orgulhando-se da façanha que ele tinha realizado, ele vagou sem medo e contente sobre a terra, ó monarca, considerado por todos como alguém possuidor de grande renome pelo que ele tinha feito. O pujante Bhargava considerou que ele tinha conquistado ambos os mundos por aquela sua façanha como também por suas penitências severas. Depois que algum tempo tinha passado, ó alegrador dos Kurus, chegou a ocasião da realização de uma cerimônia de presentes com respeito à irmã de Ruchi. Riqueza abundante e cereais eram para serem doados nela. (A cerimônia adana era um rito no decorrer do qual amigos e parentes tinham que dar presentes para a pessoa que realizava a cerimônia. A investidura com o fio sagrado, casamento, os ritos realizados nos sexto e nono meses de gravidez, são todas cerimônias desse tipo.) Enquanto isso, certa donzela celeste dotada de grande beleza estava viajando pelos céus. Do corpo dela conforme ela percorria o firmamento caíram algumas flores sobre a terra. Aquelas flores possuidoras de fragrância celestial caíram sobre um local não longe do retiro do marido de Ruchi. Como as flores estavam espalhadas no chão, elas foram pegas por Ruchi de olhos belos. Logo depois chegou um convite para Ruchi do país dos Angas. A irmã, acima referida, de Ruchi, chamada Prabhavati, era a esposa de Chitraratha, o soberano dos Angas. Ruchi, de aparência muito superior, tendo prendido aquelas flores em seu cabelo, foi ao palácio do rei dos Angas em resposta ao convite que ela tinha recebido. Vendo aquelas flores no cabelo dela a rainha dos Angas, possuidora de olhos belos, pediu com insistência para sua irmã obter algumas para ela. Ruchi, de rosto belo, rapidamente informou seu marido daquele pedido de sua irmã. O Rishi aceitou a súplica de sua cunhada. Convocando Vipula para sua presença Devasarman de penitências severas mandou seu discípulo lhe trazer algumas flores do mesmo tipo, dizendo, 'Vá, vá!' Aceitando sem hesitação a ordem de seu preceptor, o grande asceta Vipula, ó rei, respondeu, 'Assim seja' e então procedeu para aquele local de onde a senhora Ruchi tinha pegado as flores que eram cobiçadas por sua irmã. Chegando naquele local onde as flores (apanhadas por Ruchi) tinham caído do firmamento, Vipula viu algumas outras ainda jazendo espalhadas. Elas estavam todas tão viçosas como se elas tivessem sido recém colhidas das plantas nas quais elas tinham crescido. Nenhuma delas tinha definhado o mínimo. Ele pegou aquelas flores celestes de grande beleza. Possuidoras de fragrância celeste, ó Bharata, Vipula as apanhou lá como o resultado de suas penitências severas. O cumpridor da ordem de seu preceptor, tendo-as obtido, sentiu grande deleite e partiu depressa para a cidade de Champa adornada com festões de flores Champaka. Conforme ele procedia, ele viu em seu caminho um par de seres humanos se movendo em um círculo de mãos dadas. Um deles fez um passo rápido e assim destruiu a cadência do movimento. Por esta razão, ó rei, surgiu uma disputa entre eles. De fato, um acusava o outro, dizendo, 'Tu fizeste um passo rápido!' O outro respondeu, 'Não, realmente', como cada um mantinha sua própria opinião teimosamente, cada um, ó rei, afirmava o que o outro negava, e negava o que o outro afirmava. Enquanto estavam assim disputando um com outro com grande convicção, um juramento foi então ouvido entre eles. De fato, cada um deles de repente mencionou Vipula no que proferiu. O juramento que cada um deles fez foi este, 'Aquele entre nós dois que fala falsamente, irá no mundo seguinte encontrar o fim o qual será o do regenerado Vipula!' Ouvindo estas palavras deles, o rosto de Vipula ficou muito triste. Ele começou a refletir, dizendo para si mesmo, 'Eu tenho praticado penitências severas. A disputa entre este par está calorosa. Para mim, além disso, isto é doloroso. Qual é o pecado do qual eu sou culpado que ambas estas pessoas se referem ao meu fim no próximo mundo como o mais doloroso entre aqueles reservados para todas as criaturas?' Pensando dessa maneira, Vipula, ó melhor dos monarcas, baixou sua cabeça, e com uma mente triste começou a lembrar qual pecado ele tinha feito. Procedendo uma distância curta ele viu seis outros homens jogando com dados feitos de ouro e prata. Envolvidos no jogo, aqueles indivíduos lhe pareciam estar tão excitados que os pêlos em seus corpos eriçavam-se. Eles também (após uma disputa ter surgido entre eles) foram ouvidos por Vipula fazerem o mesmo juramento que ele já tinha ouvido o primeiro par fazer. De fato, suas palavras se referiam a Vipula da mesma maneira, 'Aquele entre nós que, levado pela cobiça, agir de maneira imprópria, encontrará aquele fim que está reservado para Vipula no mundo seguinte!' Ouvindo estas palavras, no entanto, Vipula, embora se esforçasse seriamente para recordar, fracassou em se lembrar de alguma transgressão sua mesmo desde os seus primeiros anos, ó tu da linhagem de Kuru. Na verdade ele começou a queimar como um fogo colocado no meio de outro fogo. Ouvindo aquela maldição, sua mente queimou de aflição. Neste estado de ansiedade um longo tempo decorreu. Finalmente ele se lembrou da maneira na qual ele tinha agido para proteger a esposa de seu preceptor das maquinações de Indra. 'Eu penetrei no corpo daquela senhora, colocando membro dentro de membro, rosto dentro de rosto. Embora eu tivesse agido dessa maneira, eu contudo não disse a verdade para meu preceptor!' Exatamente esta era a transgressão, ó tu da linhagem de Kuru, da qual o próprio Vipula se lembrou. De fato, ó monarca abençoado, sem dúvida aquela era a transgressão que ele tinha realmente cometido. Chegando à cidade de Champa, ele deu as flores para seu preceptor. Devotado aos superiores e aos mais velhos, ele adorou seu preceptor de forma apropriada.'" 43 “Bhishma disse, ‘Vendo seu discípulo voltar de sua missão, Devasarman de grande energia se dirigiu a ele em palavras as quais eu contarei para ti ó rei!’” “Davasarman disse, ‘O que tu viste, ó Vipula, no decorrer do teu progresso, ó discípulo, através da grande floresta? Aqueles a quem tu viste te conheciam, ó Vipula. Eu, como também minha esposa Ruchi, sabemos como tu agiste na questão de proteger Ruchi.’” “Vipula disse, ‘Ó Rishi regenerado, quem eram aqueles dois que eu vi primeiro? Quem também eram os outros seis que eu vi posteriormente? Todos eles me conheciam, quem, de fato, são eles a quem tu te referes em tuas palavras para mim?’” "Devasarman disse, ‘O primeiro par, ó regenerado, que tu viste, são Dia e Noite. Eles estão se movendo sem parar como um círculo. Ambos conhecem a transgressão da qual tu és culpado. Aqueles outros homens (seis em número) que, ó Brahmana erudito, tu viste jogando dados alegremente, são as seis Estações. Elas também conhecem tuas transgressões. Tendo cometido um pecado sob sigilo, nenhum homem pecaminoso deve nutrir o pensamento confiante de que sua transgressão é conhecida somente por ele mesmo e não por alguém mais. Quando um homem comete um ato pecaminoso em segredo, as Estações como também o Dia e a Noite o vêem sempre. Aquelas regiões que estão reservadas para os pecaminosos serão tuas (pelo que tu fizeste). O que tu fizeste tu não me disseste. Aquele teu pecado não era conhecido por ninguém, era tua crença, e esta convicção tinha te enchido de alegria. Tu não informaste o preceptor de toda a verdade, optando por esconder dele uma parte importante. As Estações, e Dia e Noite, a quem tu ouviste falar daquele modo, acharam apropriado te lembrar da tua transgressão. Dia e Noite e as Estações estão sempre familiarizados com todas as boas e más ações que estão em um homem. Eles falaram de ti daquela maneira, ó regenerado, porque eles têm total conhecimento do que tu fizeste, mas do qual tu não tiveste a coragem de me informar, temendo que tu tivesses errado. Por esta razão aquelas regiões que estão reservadas para os pecaminosos são tuas. Tu não me disseste o que tu fizeste. Tu eras completamente capaz, ó regenerado, de proteger minha esposa cuja disposição por natureza é pecaminosa. Ao fazer o que fizeste, tu não cometeste nenhum pecado. Eu fiquei, por isto, satisfeito contigo! Ó melhor dos Brahmanas, se eu tivesse sabido que tu agiste malvadamente eu teria te amaldiçoado sem hesitação. Mulheres se unem com homens. Tal união é muito desejável com homens. Tu, no entanto, protegeste minha esposa com uma intenção diferente. Se tu tiveste agido de outra maneira, uma maldição teria sido proferida sobre ti. Isto mesmo é o que eu penso. Tu, ó filho, protegeste minha esposa. A maneira na qual tu fizeste isto agora se tornou conhecida por mim como se tu mesmo tivesses me informado disto. Eu, ó filho, fiquei satisfeito contigo. Aliviado de toda ansiedade, tu irás para o céu!' Tendo dito estas palavras para Vipula, o grande Rishi Devasarman ascendeu para o céu com sua esposa e seu discípulo e começou a passar seu tempo lá em grande felicidade. No decorrer de uma conversação, ó rei, em uma ocasião anterior, o grande asceta Markandeya tinha narrado para mim esta história nas margens do Ganga. Eu, portanto, a narrei para ti. Mulheres devem sempre ser protegidas por ti (de tentações e oportunidades de todos os tipos). Entre elas ambos os tipos são vistos, isto é, aquelas que são virtuosas e aquelas que não são assim. Aquelas mulheres que são virtuosas são altamente abençoadas. Elas são as mães do universo (pois são elas que cuidam de todas as criaturas em todos os lados). São elas, ó rei, que sustentam a terra com todos os seus rios e florestas. Aquelas mulheres que são pecaminosas, que são de mau comportamento, que são as destruidoras de suas famílias, e que são dadas a resoluções pecaminosas, podem ser averiguadas por meio de indicações, expressivas do mal que está nelas, as quais aparecem, ó rei, em seus corpos. É assim mesmo que pessoas de grande alma são capazes de proteger as mulheres. Elas, ó tigre entre reis, não podem ser protegidas de alguma outra maneira. Mulheres, ó chefe de homens, são ferozes. Elas são dotadas de destreza feroz. Elas não têm alguém a quem elas amem ou gostem tanto quanto aqueles que têm união sexual com elas. As mulheres são como aqueles encantamentos (Atharvan) que são destrutivos de vida. Mesmo depois de elas terem consentido em viver com alguém, elas estão dispostas a abandoná-lo para ter compromissos com outros. Elas nunca estão satisfeitas com uma pessoa do sexo oposto, ó filho de Pandu! Os homens não devem sentir afeição por elas. Nem eles devem nutrir quaisquer ciúmes por causa delas, ó rei! Tendo um respeito somente pelas considerações de virtude, os homens devem desfrutar de sua companhia, não com entusiasmo e apego, mas com relutância e ausência de vínculo. Por agir de outra maneira, um homem sem dúvida encontra a destruição, ó alegrador dos Kurus. A razão é respeitada em todos os tempos e sob todas as circunstâncias. Somente um homem, isto é, Vipula, conseguiu proteger a mulher. Não há ninguém mais, ó rei, nos três mundos que seja capaz de proteger as mulheres.'” 44 "Yudhishthira disse, "Fale-me daquilo, ó avô, que é o fundamento de todos os deveres, que é a fundação dos parentes, da casa, dos Pitris e dos convidados. Eu penso que este deve ser considerado como o principal de todos os deveres, (isto é, o casamento de uma filha). Diga-me, no entanto, ó rei, para que tipo de pessoa alguém deve entregar uma filha?'” "Bhishma disse, 'Tendo investigado a conduta e disposição da pessoa, sua erudição e aptidões, seu nascimento, e suas ações, boas pessoas devem então entregar sua filha para noivos ilustres. Todos os Brahmanas justos, ó Yudhishthira, agem dessa maneira (na questão da concessão de suas filhas). Isto é conhecido como o casamento Brahma, ó Yudhishthira! Escolhendo um noivo qualificado, o pai da moça deve fazê-lo se casar com sua filha, tendo, por meio de presentes de diversos tipos, induzido o noivo àquela ação. Esta forma de casamento constitui a prática eterna de todos os bons Kshatriyas. Quando o pai da moça, desconsiderando seus próprios desejos, concede sua filha para uma pessoa de quem a filha gosta e que retribui os sentimentos da moça, a forma de casamento, ó Yudhishthira, é chamada de Gandharva por aqueles que são familiarizados com os Vedas. Os sábios dizem, ó rei, que esta é a prática dos Asuras, isto é, casar uma moça depois de comprá-la por um custo alto e depois de satisfazer a cobiça dos parentes dela. Matando e cortando as cabeças de parentes lamentosos, o noivo às vezes forçosamente leva a moça com a qual ele irá casar. Tal casamento, ó filho, é chamado pelo nome de Rakshasa. Destes cinco (o Brahma, o Kshatra, o Gandharva, o Asura, e o Rakshasa), três são justos, ó Yudhishthira, e dois são injustos. Nunca se deve recorrer às formas Paisacha e Asura. (É curioso ver como o comentador procura incluir dentro destas cinco as oito formas de casamento mencionadas por Manu. O fato é, tais partes do Mahabharata são inquestionavelmente mais antigas do que Manu. A menção de Manu é ou um caso de interpolação ou deve ter havido um Manu mais antigo sobre cujo trabalho o Manu que nós conhecemos foi baseado. As formas Asura e Rakchasa são inequivocamente condenadas. Porém o comentador procura dizer que a forma Rakshasa está aberta para os Kshatriyas. O fato é, a Rakshasa às vezes era chamada de Paisacha. A distinção entre aquelas duas formas era certamente de origem posterior.) As formas Brahma, Kshatra, e Gandharva são justas, ó príncipe de homens! Puras ou combinadas, estas formas devem ser usadas, sem dúvida. Um Brahmana pode tomar três esposas. Um Kshatriya pode tomar duas esposas. Com relação ao Vaisya, ele deve tomar somente uma esposa da sua própria classe. As crianças nascidas destas esposas devem todas ser consideradas como iguais. (Assim, não havia diferença, em posição, nos tempos antigos, entre filhos nascidos de uma mãe Brahmana, ou Kshatriya ou Vaisya. A diferença de posição era de origem posterior.) Das três esposas de um Brahmana, aquela obtida da sua própria classe deve ser considerada como a principal. Similarmente, das duas esposas permitidas ao Kshatriya, aquela da sua própria classe deve ser considerada como superior. Alguns dizem que as pessoas pertencentes às três classes superiores podem aceitar, somente para propósitos de prazer (e não por aqueles de virtude), esposas da classe mais baixa ou Sudra. Outros, no entanto, proíbem a prática. Os justos condenam a prática de gerar descendentes em mulheres Sudra. Um Brahmana, por gerar filhos em uma mulher Sudra, incorre na responsabilidade de realizar uma expiação. Uma pessoa de trinta anos de idade deve se casar com uma menina de dez anos de idade chamada de Nagnika. (Nagnika é alguém que veste uma única peça de roupa. Uma menina em quem os sinais de puberdade não apareceram não necessita mais do que uma única peça de roupa para cobri- la). Ou, uma pessoa de vinte e um anos de idade deve se casar com uma menina de sete anos de idade. Aquela menina que não tem irmão nem pai não deve ser casada, ó chefe da linhagem de Bharata, pois ela pode ter sido planejada como Putrika de seu pai. (Quando acontece de um pai ter somente uma filha, ele frequentemente a entrega em casamento para algum jovem elegível sobre o acordo de que o filho nascido dela será o filho para propósitos dos ritos Sraddha e herança, não do marido que o gerou, mas do pai da moça. Tal contrato deve ser válido seja ele expressado ou não no momento do casamento. O mero desejo do pai da moça, não enunciado na hora do casamento, converteria o filho em um filho não do pai que o gera mas do pai da própria moça. Uma filha reservada para tal propósito é citada com sendo uma putrikadharmini ou 'investida com o caráter de um filho.' Casar com tal moça não era honroso. Isto seria de fato um abandono dos frutos do casamento. Mesmo se morto na época do casamento, ainda se o pai tivesse, enquanto vivo, nutrido tal desejo, isto converteria a moça em uma putrikadharmini. A repugnância em se casar com moças sem pai e irmãos existe até hoje.) Depois do aparecimento da puberdade, a moça (se não casada) deve esperar por três anos. No quarto ano, ela mesma deve procurar um marido (sem esperar mais por seus parentes escolherem um para ela). A prole de tal moça não perde sua respeitabilidade, nem a união com tal moça se torna vergonhosa. Se, em vez de selecionar um marido para ela mesma, ela age de outra maneira, ela incorre na repreensão de Prajapati. Alguém deve casar com uma moça que não é uma Sapinda de sua mãe ou do mesmo Gotra que seu pai. Este mesmo é o costume (consistente com a lei sagrada) o qual Manu declarou.'” (Para compreender os significados de Sapinda e Sagotra veja algum trabalho sobre lei civil ou canônica Hindu.) “Yudhishthira disse, ‘Desejoso de casamento alguém realmente dá um dote para os parentes da moça; alguém diz, ‘Os parentes da moça concordam com promessas de dar um dote;’ alguém diz, ‘Eu irei sequestrar a moça à força;’ alguém simplesmente mostra sua riqueza (para os parentes da moça, pretendendo oferecer uma parte disso como dote por ela); alguém, além disso, realmente aceita a mão da moça com ritos de casamento. Eu te pergunto, ó avô, de quem a moça realmente se torna esposa? Para alguém que está desejoso de saber a verdade, tu és o olho com o qual ver.’” "Bhishma disse, 'Quaisquer ações dos homens que são aprovadas ou determinadas em consulta pelos sábios, são vistas serem produtivas de bem. Palavras falsas, no entanto, são sempre pecaminosas. (O comentador explica que o que se pretende dizer é que sob a terceira e quarta circunstâncias aquele que entrega a moça não incorre em pecado; sob a segunda, o concessor da moça (para um homem a não ser aquele para quem uma promessa foi feita) incorre em erro. A posição de esposa, no entanto, não pode vincular simplesmente pela promessa da entrega do dote para o prometedor. O relacionamento de marido e esposa surge de casamento efetivo. Por isso, quando os parentes se encontram e dizem, com os ritos devidos, 'Esta moça é esposa deste homem,' o casamento se torna completo. Somente o concessor incorre em pecado por não dá-la para a pessoa prometida.) A própria moça que se torna esposa, os filhos nascidos dela, os Ritwiks e preceptores e discípulos e Upadhyayas presentes no casamento, todos se tornam sujeitos à expiação se a moça entregar sua mão para outro alguém a não ser aquele com quem ela tinha prometido se casar. Alguns são de opinião que nenhuma expiação é necessária por tal conduta. Manu não aprova a prática de uma moça viver com uma pessoa de quem ela não gosta. (Por essa razão, tendo prometido se casar com semelhante pessoa, ela é livre para desistir dele e se casar com outro de quem ela gosta.) Viver como esposa com um homem de quem ela não gosta leva à desgraça e pecado. Ninguém incorre em muito pecado em qualquer destes casos que seguem. Em sequestrar à força para casamento uma moça que é concedida para o sequestrador pelos parentes da moça, com os ritos devidos, como também uma moça por quem o dote foi pago e aceito, não há grande pecado. Após os parentes da moça terem expressado seu consentimento, Mantras e Homa devem ser usados. Tais mantras realmente realizam seu propósito. Mantras e Homa recitados e realizados no caso de uma moça que não foi concedida por seus parentes não realizam seu propósito. O compromisso feito pelos parentes de uma moça é, sem dúvida, obrigatório e sagrado. Mas o compromisso que é assumido pelos casados, com a ajuda de Mantras, é muitíssimo mais (pois é este compromisso que realmente cria o relacionamento de marido e mulher). Segundo os ditames das escrituras, o marido deve considerar sua esposa como uma aquisição devido às suas próprias ações de uma vida prévia ou para a qual foi ordenado por Deus. Alguém, portanto, não incorre em repreensão por aceitar como esposa uma moça que foi prometida para outro por seus parentes ou por quem um dote de outro foi aceito por eles.'” "Yudhishthira disse, 'Quando depois de receber um dote por uma moça, o pai da moça vê uma pessoa mais qualificada se apresentar em busca de sua mão, alguém que é dotado do agregado de três em proporções criteriosas, o pai da moça atrai crítica por rejeitar a pessoa cujo dote foi recebido em favor do que é mais elegível? Em tal caso as duas alternativas parecem ser repletas de erro, pois se desfazer da pessoa para quem a moça foi prometida nunca pode ser honrado, enquanto que rejeitar a pessoa que é mais elegível nunca é bom (em vista da obrigação solene que há de se entregar uma filha para a pessoa mais qualificada). Eu pergunto, como o pai deve se comportar para que ele possa ser considerado como fazendo o que é benéfico? Para nós, de todos os deveres este parece exigir a maior medida de deliberação. Nós estamos desejosos de averiguar a verdade. Tu, de fato, és nossos olhos! Explique isto para nós. Eu nunca fico saciado com te escutar!'” 'Bhishma disse, 'A doação do dote não faz a posição de esposa se vincular à moça. Isto é bem conhecido pela pessoa que paga. Ele o paga simplesmente como o preço da moça. Então além disso aqueles que são bons nunca entregam suas filhas levados pelos dotes que os outros possam oferecer. Quando acontece da pessoa desejosa de casamento ser dotada de qualidades que não são aceitas pelos parentes da moça, é então que os parentes exigem o dote dele. Aquela pessoa, no entanto, que conquistada pelos talentos de outro se dirige a ele dizendo, 'Case com minha menina, enfeitando-a com ornamentos apropriados de ouro e pedras preciosas,' e aquela pessoa que concorda com este pedido, não podem ser citadas como exigindo o dote ou dando-o, pois tal transação não é realmente uma venda. A concessão de uma filha após aceitação do que pode ser estritamente considerado como presentes (de afeição ou amor) é a prática eterna. Em questões de casamento alguns pais dizem, 'Eu não entregarei minha filha para tal e tal pessoa;' alguns dizem, 'Eu entregarei minha filha para tal pessoa.' Alguns além disso dizem com veemência, 'Eu devo entregar minha filha para tal indivíduo.' Estas declarações não correspondem a um casamento real. As pessoas são vistas pedirem para outros as mãos de moças (e prometer e retirar- se). Até que a mão seja realmente aceita com os ritos devidos, o casamento não pode ser citado como tendo realmente se realizado. É ouvido por nós que esta foi a bênção concedida para os homens antigamente pelos Maruts a respeito de donzelas. (Por aquela bênção ninguém incorre em pecado por retratar promessas de entregar filhas para outros por causa de maridos mais qualificados.) Os Rishis declararam a ordem para todos os homens que moças nunca devem ser concedidas para homens a menos que aconteça de os últimos serem os mais adequados ou qualificados. A filha é a base do desejo e dos descendentes da linha colateral. Isto mesmo é o que eu penso. (Por essa razão, ninguém deve entregar sua filha para uma pessoa que não é elegível, pois a prole de tal casamento nunca poderá se boa e tal casamento nunca poderá fazer o pai ou os parentes da moça felizes.) Esta prática é conhecida pelos seres humanos desde muito tempo, isto é, a prática da venda e compra da filha. Por tal familiaridade com a prática, tu serás capaz, sobre exame cuidadoso, de encontrar inúmeras falhas nela. Somente a doação ou aceitação do dote não pode ser considerada como criando a posição de marido e mulher. Escute o que eu digo sobre este assunto.” "Antigamente, tendo derrotado todos os Magadhas, os Kasis, e os Kosalas, eu trouxe pela força duas moças para Vichitravirya. Uma daquelas duas moças foi casada com os ritos devidos. A outra moça não foi oficialmente casada pelo motivo que ela era alguém por quem um dote tinha sido pago na forma de valor. Meu tio da linhagem de Kuru, isto é, o rei Valhika, disse que a moça assim trazida e não casada com os ritos devidos deveria ser libertada. Aquela moça, por essa razão, foi recomendada para Vichitravirya para ser casada com ele segundo os ritos devidos. Duvidando das palavras de meu pai eu me dirigi a outros para perguntar sua opinião. Eu achava que meu pai era extremamente escrupuloso em questões de moralidade. Eu então fui ao meu próprio pai, ó rei, e me dirigi a ele nestas palavras pelo desejo de saber alguma coisa acerca das práticas das pessoas virtuosas a respeito de casamento, 'Eu desejo, ó pai, saber quais em verdade são as práticas das pessoas justas.' Eu repeti a expressão do meu desejo várias vezes, tão grande era a minha impaciência e curiosidade. Depois que eu tinha proferido aquelas palavras, aquele principal dos homens justos, isto é, meu pai, Valhika me respondeu, dizendo, 'Se em sua opinião a posição de marido e mulher for aceita como atribuída por causa da doação e aceitação de dote e não da real aceitação da mão da moça com os ritos devidos, o pai da moça (por permitir que sua filha vá embora com o doador do dote) seria ele mesmo o seguidor de um credo a não ser aquele que é derivável das escrituras comuns. Isto mesmo é o que as escrituras reconhecidas declaram. Pessoas conhecedoras da moralidade e dever não permitem que sejam autoritárias em absoluto as palavras de quem diz que a condição de marido e mulher resulta da doação e aceitação de dote, e não da real aceitação da mão com os ritos devidos. É bem conhecido o ditado que a condição de marido e mulher é criada pela concessão verdadeira da filha pelo pai (e sua aceitação pelo marido com os ritos devidos). A posição de esposa não pode ser atribuída a moças por venda e compra. Aqueles que consideram tal posição como devido à venda e à doação do dote são pessoas que certamente não estão familiarizadas com as escrituras. Ninguém deve entregar sua filha para tais pessoas. Realmente, eles não são homens com quem alguém possa casar sua filha. Uma esposa nunca deve ser comprada. Nem um pai deve vender sua filha. Somente aquelas pessoas de alma pecaminosa que estão possuídas, além disso, pela avareza, e que vendem e compram mulheres escravas para criar serviçais, consideram a posição de esposa como capaz de surgir da doação e aceitação de um dote. Sobre este assunto algumas pessoas em uma ocasião tinham feito ao príncipe Satyavat a seguinte pergunta, 'Se acontece do doador de um dote para os parentes de uma moça morrer antes do casamento, outra pessoa pode aceitar a mão daquela moça em casamento? Nós temos dúvidas sobre este assunto. Remova estas nossas dúvidas, pois tu és dotado de grande sabedoria e és respeitado pelos sábios. Seja o órgão de visão para nós que estamos desejosos de aprender a verdade.' O príncipe Satyavat respondeu dizendo, 'Os parentes da moça devem entregá-la para aquele a quem eles consideram qualificado. Não há necessidade de escrúpulos nisto. Os justos agem dessa maneira sem considerarem o doador do dote mesmo que ele esteja vivo; enquanto, com respeito ao doador que está morto, não há a menor dúvida. Alguns dizem a esposa virgem ou viúva, isto é, cujo casamento não foi consumado com seu marido por união sexual real por causa de sua ausência ou morte, pode ser permitida se unir com o irmão mais novo do marido ou outro parente semelhante. O marido morrendo antes de tal consumação, a virgem viúva pode se entregar ao irmão mais novo do marido ou se dirigir à prática de penitências. Na opinião de alguns, o irmão mais novo do marido ou outro parente semelhante pode usar dessa maneira a nova mulher ou viúva, embora outros afirmem que tal prática, apesar de sua prevalência, surge do desejo em vez de ser uma ordenança escritural. Aqueles que dizem isso são claramente de opinião que o pai de uma moça tem o direito de concedê-la para qualquer pessoa qualificada, desconsiderando o dote anteriormente dado por outro e aceito por ele mesmo. Se depois de a mão de uma moça ter sido prometida todos os ritos iniciais antes do casamento forem realizados, a donzela ainda pode ser entregue para outra pessoa que não é aquela para quem ela foi prometida. Somente o doador incorre no pecado de falsidade, no que diz respeito, no entanto, à condição de esposa, nenhum dano pode se suceder a ela. Os Mantras em relação ao casamento realizam seu objetivo de ocasionar a união indissolúvel do casamento no sétimo passo. A moça se torna esposa daquele para quem é realmente feito o presente com água. (Um dos mais importantes ritos de casamento é a cerimônia de circungirar. A moça é então carregada ao redor do noivo por seus parentes. Antigamente ela mesma costumava caminhar. Todos os presentes, além disso, são feitos com água. O fato é, quando uma coisa é dada, o dador, proferindo a fórmula, salpica uma gota de água sobre ela com uma folha de erva Kusa.) A doação de moças deve ser feita da seguinte maneira. Os sábios reconhecem isto como certo. Um Brahmana superior deve se casar com uma moça que não esteja relutante, que pertença a uma família igual à sua em pureza ou posição, e que seja dada por seu irmão. Tal moça deve ser casada na presença do fogo, com os ritos devidos, fazendo-a, entre outras coisas, circungirar pelo número usual de vezes.’” 45 "Yudhishthira disse, 'Se uma pessoa, depois de ter dado dote por uma moça, for embora, como o pai da moça ou outros parentes que são competentes para entregá-la, devem agir? Diga-me isto, ó avô!' "Bhishma disse, 'Tal moça, se acontecer de ela ser a filha de um pai rico e sem filhos, deve ser mantida pelo pai (em vista do retorno daquele que deu o dote). De fato, se o pai não devolve o dote para os parentes do doador, a moça deve ser considerada como pertencente ao doador do dote. Ela pode até criar prole para o doador (durante sua ausência) por algum daqueles meios que são prescritos nas escrituras. Nenhuma pessoa, no entanto, pode ser competente para casá-la segundo os ritos devidos. Mandada por seu pai, a princesa Savitri antigamente tinha escolhido um marido e se uniu com ele. Esta ação dela é elogiada por alguns; mas outros conhecedores das escrituras a condenam. Outros que são justos não têm agido dessa maneira. Outros afirmam que a conduta dos justos deve sempre ser considerada como a principal evidência do dever ou moralidade. (Por isso, o que Savitri fez por ordem de seu pai não poderia ser considerado como contra o curso do dever ou moralidade.) Sobre este assunto Sukratu, o neto de Janaka de grande alma, o soberano dos Videhas, declarou a seguinte opinião. Há a bem conhecida declaração das escrituras que as mulheres são incompetentes para desfrutar de liberdade em qualquer período de sua vida. Se este não fosse o caminho trilhado pelos justos, como esta declaração escritural poderia existir? Com respeito aos justos, portanto, como pode haver alguma pergunta ou dúvida em relação a esta questão? Como as pessoas podem condenar aquela declaração por optar por se comportarem de outra maneira? O abandono injusto do costume eterno é considerado como a prática dos Asuras; (ou seja, conceder a liberdade para as mulheres é uma prática Asura). Nós nunca soubemos de semelhante prática na conduta dos antigos. O relacionamento de marido e mulher é muito sutil (tendo referência à obtenção de destino, e, portanto, capaz de ser entendido somente com a ajuda das declarações inspiradas nas escrituras). Ele é diferente do relacionamento natural entre macho e fêmea que consiste somente no desejo de prazer sexual. Isto também foi dito pelo rei aludido da linhagem de Janaka.'” (Então, ninguém deve se casar levado somente pelo desejo. Nem se deve permitir que a moça escolha por si mesma. Ela pode ser guiada em sua escolha por considerações impróprias ligadas somente ao prazer carnal.) "Yudhishthira disse, 'Sobre qual autoridade a riqueza dos homens é herdada (por outros quando acontece de eles terem filhas)? Em relação ao seu pai a filha deve ser considerada como igual ao filho.'” "Bhishma disse, 'O filho é mesmo como a própria pessoa, e a filha é como o filho. Como, portanto, outro pode pegar a riqueza quando alguém vive em si mesmo na forma de sua filha? Qualquer riqueza que seja denominada a propriedade Yautuka da mãe forma a parte do dote da filha moça. Se acontece de o avô materno morrer sem deixar filhos, o filho da filha deve herdá-la. O filho da filha oferece pindas para seu próprio pai e para o pai de sua mãe. Por essa razão, de acordo com as considerações de justiça, não há diferença entre o filho e o filho da filha. Quando uma pessoa teve somente uma filha e ela foi investida por ele com a posição de um filho, se então acontece de ele ter um filho, tal filho (em vez de receber toda a riqueza de seu pai) divide a herança com a filha. (A propriedade é dividida em cinco partes, duas das quais são recebidas pela filha sob tais circunstâncias e três pelo filho.) Quando, além disso, uma pessoa teve uma filha e ela foi investida por ele com a posição de um filho, se então acontece de ele pegar um filho por adoção ou compra então a filha é considerada como sendo superior a tal filho (pois ela pega três partes da riqueza de seu pai, a parte do filho sendo limitada somente às duas restantes). No caso seguinte eu não vejo qualquer razão pela qual a posição de filhos da filha deva se atribuir aos filhos da filha de alguém. O caso é aquele da filha que foi vendida por seu pai. Os filhos nascidos de uma filha que foi vendida por seu pai por preço real pertencem unicamente ao pai deles (mesmo que ele mesmo não os gere mas os obtenha segundo as regras prescritas nas escrituras para criar descendência pela ação de outros). Tais filhos nunca podem pertencer, assim como filhos da filha, a seu avô materno por ele ter vendido sua mãe por um preço e perdido todos os seus direitos sobre ela por causa daquele ato. Tais filhos, além disso, se tornam cheios de malícia, injustos em conduta, apropriadores indevidos da riqueza de outras pessoas, e dotados de falsidade e astúcia. Tendo nascido daquela forma pecaminosa de casamento chamada Asura, os descendentes se tornam pecaminosos em conduta. Pessoas conhecedoras das histórias dos tempos antigos, familiarizadas com os deveres, devotadas às escrituras e firmes em manter as restrições prescritas nelas, recitam sobre isto algumas linhas métricas cantadas antigamente por Yama. Isto mesmo é o que Yama cantou, ‘Aquele homem que adquire riqueza por vender seu próprio filho, ou que entrega sua filha depois de aceitar um dote para seu próprio sustento, tem que cair em sete infernos terríveis um depois do outro, conhecidos pelo nome de Kalasutra. Lá aquele patife tem que se alimentar de suor e urina e fezes durante todo o tempo. Naquela forma de casamento que é chamada de Arsha, o homem que se casa tem que dar um touro e uma vaca e o pai da moça aceita o presente. Alguns caracterizam este presente como um dote (ou preço), enquanto alguns são de opinião que isto não é considerado dessa maneira. A opinião verdadeira, no entanto, é que um presente para tal propósito, sendo de valor pequeno ou grande, deve, ó rei, ser considerado como dote ou preço, e a concessão da filha sob tais circunstâncias deve ser considerada como uma venda. Apesar do fato de isto ter sido praticado por umas poucas pessoas isto nunca pode ser aceito como o costume eterno. Outras formas de casamento são vistas, praticadas pelos homens, tais como casar moças depois de sequestrá-las pela força do meio de seus parentes. Aqueles homens que têm relação sexual com uma moça depois de reduzi-la à submissão pela força são considerados como perpetradores de pecado. Eles têm que afundar no inferno mais sombrio. (Isto implica somente aquelas moças cujo consentimento é obtido pela força. Então, casos tais como aqueles de Krishna raptando Rukmini e Arjuna raptando Subhadra são excluídos desta acusação.) Mesmo um ser humano com quem alguém não tem relacionamento de sangue não deve formar o objeto de venda. O que dizer então dos próprios descendentes? Com a riqueza que é obtida por se fazer atos pecaminosos, nenhuma ação que leve ao mérito pode ser realizada.'” 46 "Bhishma disse, ‘Aqueles que estão familiarizados com a história antiga recitam o seguinte verso de Daksha, o filho de Prachetas: Aquela moça, em relação a quem nada é pego por seus parentes na forma de dote não pode ser considerada como vendida. (A própria donzela aceita ornamentos. Isto não converteria a transação em uma venda.) Respeito, tratamento gentil, e tudo mais que é agradável, devem todos ser dados para a moça cuja mão é aceita em casamento. Seu pai e irmãos e sogro e irmãos do marido devem mostrar todo seu respeito e enfeitá-la com ornamentos, se eles estiverem desejosos de colher benefícios, pois tal conduta de sua parte sempre leva à felicidade e vantagens consideráveis. Se a mulher não gosta de seu marido ou fracassa em alegrá-lo, de tal antipatia e ausência de alegria, o marido nunca pode ter descendentes para aumentar sua família. As mulheres, ó rei, devem sempre ser adoradas e tratadas com afeição. Onde as mulheres são tratadas com respeito, as próprias divindades são citadas como estando cheias de alegria. Onde as mulheres não são adoradas, todas as ações se tornam inúteis. Se as mulheres de uma família, por causa do tratamento que recebem, sofrem e derramam lágrimas, aquela família logo se torna extinta. Aquelas casas que são amaldiçoadas por mulheres encontram a destruição e ruína como se chamuscadas por algum rito Atharvan. Tais casas perdem seu esplendor. Seu crescimento e prosperidade cessa. Ó rei, Mann, na véspera de sua partida para o Céu, transferiu as mulheres para o cuidado e proteção dos homens, dizendo que elas são fracas, que elas são presas fáceis para as artimanhas sedutoras dos homens, dispostas a aceitar o amor que é oferecido elas, e dedicadas à verdade. Há outras entre elas que são cheias de malícia, cobiçosas de honras, violentas em temperamento, não merecedoras de amor, e insensíveis à razão. Mulheres, no entanto, merecem ser respeitadas. Vocês homens lhes mostrem respeito. A virtude dos homens depende das mulheres. Todos os prazeres e alegrias também dependem completamente delas. Sirvam-nas e adorem-nas. Submetam suas vontades perante elas. A geração de descendência, a amamentação das crianças já nascidas, e a realização de todos os atos necessários para as necessidades da sociedade, veja, todos têm as mulheres como sua causa. Por honrar as mulheres vocês sem dúvida obterão a realização de todos os objetivos. Sobre isto uma princesa da casa de Janaka, o soberano dos Videhas, cantou um verso. Ele é este: ‘Mulheres não têm sacrifícios ordenados para elas. Não há Sraddhas os quais elas são chamadas para realizar. Elas não são mandadas observar quaisquer fatos. Servir seus maridos com reverência e obediência disposta é seu único dever. Através do cumprimento deste dever elas conseguem conquistar o céu. Na infância, o pai a protege. O marido a protege na juventude. Quando ela fica velha, seus filhos a protegem. Em nenhum período de sua vida a mulher merece ser livre. As divindades da prosperidade são mulheres. A pessoa que deseja riqueza e prosperidade deve honrá-las. Por cuidar das mulheres, ó Bharata, alguém cuida da própria deusa de prosperidade, e por afligi-las, alguém é citado como afligindo a deusa da prosperidade.'” 47 "Yudhishthira disse, 'Tu conheces completamente as ordenanças de todas as escrituras. Tu és o principal daqueles que estão familiarizados com os deveres dos reis. Tu és célebre pelo mundo inteiro como um grande dissipador de dúvidas. Eu tenho uma dúvida, esclareça-a para mim, ó avô! Com relação a esta dúvida que surgiu em minha mente, eu não pedirei sua solução para qualquer outra pessoa. Cabe a ti, ó tu de braços poderosos, explicar como deve se comportar o homem que deseja andar pelo caminho do dever e justiça. É declarado, ó avô, que um Brahmana pode tomar quatro esposas, isto é, uma que pertence à sua própria classe, uma que seja uma Kshatriya, uma Vaisya, e uma Sudra, se o Brahmana deseja se entregar ao desejo de relação sexual. Diga-me, ó melhor dos Kurus, quais entre aqueles filhos merecem herdar a riqueza do pai um depois do outro? Quem entre eles, ó avô, pegará qual parte da riqueza paterna? Eu desejo saber isto, como é ordenada a distribuição da propriedade paterna entre eles.'” "Bhishma disse, 'Brahmana, Kshatriya, e Vaisya são consideradas como as três classes regeneradas. Casar nestas três classes é ordenado como o dever do Brahmana, ó Yudhishthira. Por julgamento errôneo ou cupidez ou luxúria, ó opressor de inimigos, um Brahmana toma uma mulher Sudra. Tal mulher, no entanto, ele não é competente para receber de acordo com as escrituras. Um Brahmana, por levar uma mulher Sudra para sua cama, obtém um fim baixo no mundo seguinte. Ele deve, tendo feito uma ação semelhante, praticar expiação segundo os prescritos nas escrituras. Esta expiação deve ser duas vezes mais pesada ou severa se por consequência de tal ação, ó Yudhishthira, o Brahmana obtiver prole. Eu agora te direi, ó Bharata, como a riqueza (paterna) é para ser distribuída (entre os filhos das diferentes esposas). O filho nascido da esposa Brahmana, em primeiro lugar, se apropria de um touro de boas marcas da riqueza de seu pai, e do melhor carro ou veículo. O que resta da propriedade do Brahmana, ó Yudhishthira, depois disto deve ser dividido em dez partes iguais. O filho da mulher Brahmana receberá quatro de tais partes da riqueza paterna. O filho que é nascido da esposa Kshatriya é, sem dúvida, possuidor da posição de um Brahmana. Por causa, no entanto, da distinção atribuída à sua mãe, ele receberá três das dez partes nas quais a propriedade foi dividida. O filho nascido da mulher pertencente à terceira classe, isto é, da mulher da casta Vaisya, pelo pai Brahmana, receberá, ó Yudhishthira, duas das três partes restantes da propriedade do pai. É dito que o filho que foi gerado pelo pai Brahmana na esposa Sudra não deve receber alguma parte da riqueza do pai, pois ele não é para ser considerado um herdeiro. Um pouco, no entanto, da riqueza paterna deve ser dada ao filho da mulher Sudra, por isso a única parte restante deve ser dada a ele por compaixão. Exatamente esta deve ser a ordem das dez partes nas quais a riqueza do Brahmana é para ser dividida. Todos os filhos que são nascidos da mesma mãe ou de mães da mesma classe dividirão igualmente a parte que é deles. O filho nascido da esposa Sudra não deve ser considerado como investido com a posição de Brahmana por ele ser sem instrução (nas escrituras e nos deveres ordenados para o Brahmana). Somente aqueles filhos que são nascidos de esposas pertencentes às três classes superiores devem ser considerados como investidos com a posição de Brahmanas. É dito que há somente quatro classes, não há quinta que tenha sido enumerada. O filho com a esposa Sudra receberá a décima parte da riqueza de seu pai (que resta depois da distribuição ter sido feita aos outros da maneira mencionada). Aquela parte, no entanto, ele deve pegar somente quando seu pai a der para ele. Ele não a pegará se seu pai não a der. Alguma parte da riqueza do pai deve ser dada sem dúvida, ó Bharata, ao filho da esposa Sudra. A compaixão é uma das maiores virtudes. É pela compaixão que alguma coisa é dada para o filho da mulher Sudra. Qualquer que seja o objeto a respeito do qual a compaixão surge, como uma virtude principal ela é sempre produtiva de mérito. Aconteça de o pai ter filhos (com suas esposas pertencentes às outras classes) ou não ter filhos (com tais esposas), para o filho com a mulher Sudra, ó Bharata, nada mais do que uma décima parte da riqueza do pai deve ser dada. Se acontece de um Brahmana ter mais riqueza do que aquela que é necessária para manter a si mesmo e sua família por três anos, ele deve realizar sacrifícios com aquela riqueza. Um Brahmana nunca deve obter riqueza para nada. (Isto é, ele não deve obter para armazenar. Ele pode adquirir para gastar em sacrifícios e doações ou para manter a si mesmo e sua família.) A maior soma que o marido deve dar para a esposa é três mil moedas (da moeda corrente). A riqueza que o marido dá para a esposa, a última pode gastar ou dispor como ela quiser. Após a morte do marido sem filhos, a esposa desfrutará de toda sua riqueza. (Ela não deverá, no entanto, vender ou dispor de outra maneira de alguma parte dela.) A mulher nunca deve pegar qualquer parte da riqueza de seu marido (sem o conhecimento dele). Qualquer riqueza, ó Yudhishthira, que a mulher Brahmana possa obter por presente de seu pai, deve ser recebida (após a morte dela) por sua filha, pois a filha é como o filho. A filha, ó rei, tem sido ordenado nas escrituras, é igual ao filho, ó alegrador dos Kurus. Assim mesmo a lei de herança foi ordenada, ó touro da raça Bharata. Lembrando destas ordenanças acerca da distribuição e disposição de riqueza, uma pessoa nunca deve adquirir riqueza inutilmente.'” "Yudhishthira disse, 'Se o filho nascido de uma esposa Sudra por um pai Brahmana é declarado nas escrituras como sendo privado de quaisquer direitos à riqueza, por qual regra excepcional então uma décima parte da propriedade paterna é para ser dada a ele? Um filho nascido de uma mulher Brahmana por um Brahmana é indubitavelmente um Brahmana. Alguém nascido de uma mulher Kshatriya ou Vaisya, por um marido Brahmana, é da mesma maneira investido com a posição de um Brahmana. Por que então, ó melhor dos reis, tais filhos têm que dividir a riqueza paterna desigualmente? Todos eles, tu disseste, são Brahmanas, tendo nascido de mães que pertencem às três classes superiores igualmente intituladas pelo nome de regeneradas.'” "Bhishma disse, 'Ó opressor de inimigos, todas as esposas neste mundo são chamadas pelo nome de Data. Embora este nome seja aplicado a todas, contudo há esta grande distinção a ser observada. Se, tendo casado com três esposas pertencentes às três outras classes, um Brahmana toma uma esposa Brahmana, a última de todas ainda será considerada como a primeira em posição entre todas as esposas, e como merecedora do maior respeito. De fato, entre todas as co- esposas, ela será a principal em consideração. Nos aposentos dela devem ser mantidos todos aqueles artigos que são necessários em vista dos banhos do marido, decorações pessoais, limpeza dos dentes, e aplicação de colírio para os olhos. Em seus aposentos devem ser mantidos o Havya e o Kavya e tudo mais que o marido possa requerer para a realização de suas ações religiosas. Se a esposa Brahmana está na casa, nenhuma outra esposa tem o direito de se encarregar destas necessidades do marido. Somente a esposa Brahmana, ó Yudhishthira, deve ajudar nestas ações do marido. A comida e bebida e guirlandas e mantos e ornamentos do marido, todos devem ser dados pela mulher Brahmana ao marido, pois ela é a principal em posição e consideração entre todas as cônjuges do marido. Estas são as ordenanças das escrituras como declaradas por Manu, ó alegrador dos Kurus! Este mesmo, ó monarca, é visto ser o curso do costume eterno. Se um Brahmana, ó Yudhishthira, levado por luxúria, age de um modo diferente, ele virá a ser considerado como um Chandala entre os Brahmanas. (Isto é, se o Brahmana, levado por afeição por alguma outra esposa, desrespeita a esposa pertencente à sua própria classe e demonstra preferência por aquelas das outras classes, ele então atrai sobre si a probabilidade de ser considerado como um Chandala que veio a ser contado entre Brahmanas.) O filho nascido da mulher Kshatriya é citado como sendo igual em posição ao filho nascido da mulher Brahmana. Apesar disso, uma distinção se atribui ao filho da mulher Brahmana pela superioridade do Brahmana ao Kshatriya em relação à classe de nascimento. A mulher Kshatriya não pode ser considerada como igual à Brahmana com referência ao nascimento. Daí, ó melhor dos reis, o filho nascido da mulher Brahmana deve ser considerado como o primeiro em posição e superior ao filho nascido da mulher Kshatriya. Porque, além disso, a mulher Kshatriya não é igual em relação a nascimento à mulher Brahmana, então o filho da mulher Brahmana recebe, uma após a outra, todas as melhores coisas, ó Yudhishthira, entre as posses de seu pai. Similarmente, a Vaisya não pode ser considerada como igual à Kshatriya a respeito de nascimento. Prosperidade, reino, e tesouraria, ó Yudhishthira, pertencem ao Kshatriya. Todos estes foram ordenados para o Kshatriya. A terra inteira, ó rei, com sua faixa de mares, é vista pertencer a ele. Por seguir os deveres da sua própria classe, o Kshatriya adquire uma riqueza extensa. O cetro da realeza é segurado por ele. Sem o Kshatriya, ó rei, não pode haver proteção. Os Brahmanas são altamente abençoados, pois eles são as divindades das próprias divindades. Seguindo as ordenanças prescritas pelos Rishis, os Kshatriyas devem adorar os Brahmanas segundo os ritos devidos. Este mesmo é o costume eterno. Cobiçadas por ladrões e outros, as posses de todos os homens são protegidas por Kshatriyas no cumprimento dos deveres determinados para sua classe. De fato, riqueza e esposas e todos os outros bens possuídos pelas pessoas teriam sido levados à força sem esta proteção que os Kshatriyas fornecem. O Kshatriya, como o rei, se torna o protetor ou salvador de todos os outros. Então, o filho da esposa Kshatriya, sem dúvida, será considerado superior àquele que é nascido da esposa Vaisya. O filho da esposa Kshatriya, por isto, recebe uma parte maior da propriedade paterna do que o filho da mãe Vaisya.'” “Yudhishthira disse, ‘Tu disseste devidamente quais são as regras que se aplicam aos Brahmanas. Quais, no entanto, são as regras que se aplicam aos outros?’” "Bhishma disse, 'Para o Kshatriya, ó alegrador dos Kurus, foram ordenadas duas esposas. O Kshatriya pode pegar uma terceira esposa da classe Sudra. Tal prática prevalece, é verdade, mas ela não é sancionada pelas escrituras. Esta mesma deve ser a ordem, ó Yudhishthira, das esposas de um Kshatriya. A propriedade de um Kshatriya deve, ó rei, ser dividida em oito partes. O filho da mulher Kshatriya receberá quatro de tais partes da propriedade paterna. O filho da mulher Vaisya receberá três de tais partes. A restante ou a oitava parte será recebida pelo filho da mulher Sudra. O filho da esposa Sudra, no entanto, deverá pegar somente quando o pai der mas não de outra maneira. Para o Vaisya foi ordenado somente uma esposa. Uma segunda mulher é aceita da classe Sudra. A prática prevalece, é verdade, mas ela não é sancionada pelas escrituras. Se um Vaisya tem duas esposas, um das quais é uma Vaisya e a outra uma Sudra, há uma diferença entre elas em relação à posição. A riqueza de um Vaisya, ó chefe da linhagem de Bharata, deve ser dividida em cinco partes. Eu agora falarei dos filhos de um Vaisya com uma mulher da sua própria classe e com uma pertencente à classe inferior, como também da maneira na qual, ó rei, sua riqueza é para ser dividida entre aqueles filhos. O filho nascido da mulher Vaisya receberá quatro de tais partes da riqueza de seu pai. A quinta parte, ó Bharata, tem sido citada como pertencente ao filho nascido da mulher Sudra. Tal filho, no entanto, a pegará quando seu pai der. Ele não deve pegar qualquer coisa a menos que seu pai a dê para ele. O filho que é gerado em uma mulher Sudra por pessoas das três classes superiores deve sempre ser considerado como sem direitos a qualquer parte da riqueza do pai. O Sudra deve ter uma única esposa obtida da sua própria classe. Ele não pode de modo algum aceitar alguma outra esposa. Mesmo que aconteça de ele ter uma centena de filhos com tal esposa, todos eles partilham igualmente a riqueza que ele possa deixar para trás. Com relação a todas as classes, os filhos nascidos da esposa da própria classe do marido, isto está declarado, devem dividir igualmente a riqueza do pai. A parte do filho mais velho deve ser maior do que a de todos os outros filhos, pois ele deve pegar uma parte a mais do que cada um de seus irmãos, consistindo nas melhores coisas de seu pai. Exatamente esta é a lei de herança, ó filho de Pritha, como declarada pelo próprio Nascido por Si Mesmo. Entre todos os filhos nascidos da esposa da mesma classe do marido, há outra distinção, ó rei! Em casamento, os mais velhos devem sempre preceder os mais jovens. As esposas sendo todas iguais em relação à sua classe de nascimento, e os filhos também sendo todos iguais a respeito da posição de suas mães, o filho primogênito pegará uma parte a mais do que cada um de seus outros irmãos. O filho que vem em seguida a respeito de idade receberá uma parte que é próxima em valor, enquanto o filho que é mais novo receberá a parte que pertence ao mais novo. (O sentido deste verso parece ser este: Se um Brahmana aceita em sucessão três esposas pertencentes à sua própria classe, o filho nascido de sua primeira esposa receberá a parte que é concedida ao mais velho; aquele nascido da segunda esposa receberá uma parte próxima em valor; e aquele nascido da esposa mais nova receberá a parte concedida para o mais novo. Depois que tais partes especiais são recebidas, o resto da propriedade é para ser dividido em partes iguais cada uma das quais será recebida por cada um dos filhos.) Assim entre esposas de todas as classes, aquelas que pertencem à mesma classe do marido são consideradas como as principais. Isto mesmo é o que foi declarado pelo grande Rishi Kasyapa, o filho de Marichi.'” “Yudhishthira disse, ‘Por incentivos oferecidos por riqueza, ou por mera luxúria, ou por ignorância da verdadeira classe de nascimento (de homens e mulheres), ou por insensatez, acontece a mistura das várias classes. Quais, ó avô, são os deveres das pessoas que são nascidas nas classes misturadas e quais são as ações prescritas para elas? Fale-me sobre isto!’” "Bhishma disse, 'No início, o Senhor de todas as criaturas criou as quatro classes e declarou suas respectivas ações ou deveres, por causa dos sacrifícios. (Isto é, cada classe foi criada para realizar sacrifícios. O Sudra é competente para realizar sacrifício, só que este sacrifício deve ser por servir as três outras classes.) O Brahmana pode pegar quatro esposas, uma de cada das quatro classes. Em duas delas (ou seja, a esposa da sua própria classe e aquela obtida da seguinte inferior), ele mesmo toma nascimento (os filhos gerados nelas sendo considerados como investidos com a mesma posição dele). Aqueles filhos, no entanto, que são gerados por ele nas duas esposas que pertencem às duas classes seguintes (Vaisya e Sudra), são inferiores, sua posição sendo determinada não por aquela de seu pai mas por aquela de suas mães. O filho que é gerado por um Brahmana em uma esposa Sudra é chamado de Parasara, implicando alguém nascido de um cadáver, pois o corpo da mulher Sudra é tão inauspicioso quanto um cadáver. Ele deve servir as pessoas da família de seu (pai). De fato, não é apropriado para ele abandonar o dever de serviço que está prescrito para ele. Adotando todos os meios em seu poder, ele deve sustentar a carga de sua família. Mesmo que aconteça de ele ser mais velho em idade, ele ainda assim deve servir respeitosamente os outros filhos de seu pai que possam ser mais jovens do que ele, e entregar para eles o que quer que ele possa conseguir ganhar. Um Kshatriya pode ter três esposas. Em duas delas (isto é, naquela da sua própria classe e na outra que foi obtida da classe imediatamente abaixo), ele mesmo toma nascimento (pois aqueles filhos são investidos com a posição da sua própria classe). Sua terceira esposa sendo da classe Sudra é considerada como muito inferior. O filho que ele gera nela vem a ser chamado como um Ugra. O Vaisya pode ter duas esposas. Em ambas (isto é, naquela da sua própria classe, e na outra da mais inferior das quatro classes puras), ele mesmo toma nascimento (de modo que aqueles filhos vêm a ser investidos com a posição da sua própria classe). O Sudra pode ter uma única mulher, isto é, aquela que é obtida da sua própria classe. O filho gerado por ele nela se torna um Sudra. Um filho que nasce sob circunstâncias diferentes daquelas mencionadas acima vem a ser considerado como alguém muito inferior. Se uma pessoa de uma classe mais baixa gera um filho em uma mulher de uma classe superior, tal filho é considerado como fora do limite das quatro classes puras. De fato, tal filho vem a ser um objeto de crítica para as quatro classes principais. Se um Kshatriya gera um filho em uma mulher Brahmana, tal filho, sem ser incluído em alguma das quatro classes puras, vem a ser considerado como um Suta. Os deveres de um Suta estão todos ligados com a recitação de louvores e elogios de reis e outros grandes homens. O filho gerado por um Vaisya em uma mulher da classe Brahmana vem a ser considerado como um Vaidehaka. Os deveres designados para eles são os cuidados de trancas e ferrolhos para proteger a privacidade de mulheres de famílias respeitáveis. Tais filhos não têm ritos purificadores prescritos para eles. (Para eles não há investidura com o fio sagrado.) Se um Sudra se une com uma mulher pertencente à principal das quatro classes, o filho que é gerado é chamado de Chandala. Dotado de um temperamento feroz, ele deve viver nos arredores de cidades e municípios e o dever designado para ele é aquele do carrasco público. Tais filhos são sempre considerados como desgraçados de sua raça. Estes, ó principal das pessoas inteligentes, são os resultados das classes misturadas. O filho gerado por um Vaisya em uma mulher Kshatriya se torna um Vandi ou Magadha. Os deveres designados para ele são recitações eloquentes de louvor. O filho gerado por violação, por um Sudra em uma mulher Kshatriya, se torna um Nishada e os deveres designados para ele se referem à captura de peixes. Se acontece de um Sudra ter relacionamento com uma mulher Vaisya, o filho gerado nela vem a ser chamado de Ayogava. Os deveres designados para tal pessoa são aqueles de um Takshan (carpinteiro). Aqueles que são Brahmanas nunca devem aceitar presentes de tal pessoa. Eles não têm o direito de possuir qualquer tipo de riqueza. Pessoas pertencentes às classes misturadas geram em esposas obtidas das suas próprias castas filhos investidos com sua própria posição. Quando eles geram filhos em mulheres de castas que são inferiores às deles, tais filhos se tornam inferiores aos seus pais, pois eles se tornam investidos com a posição que pertence às suas mães. Dessa maneira com relação às quatro classes puras, os homens geram filhos investidos com sua própria posição em esposas das suas próprias classes como também naquelas que são das classes imediatamente abaixo das suas. Quando, no entanto, os descendentes são gerados em outras esposas, eles vêm a ser considerados como investidos com uma posição que está, principalmente, fora do âmbito das quatro classes puras. Quando tais filhos geram filhos em mulheres das suas próprias classes, aqueles filhos recebem a posição de seus pais. É somente quando eles tomam esposas de castas que não são as suas, que os filhos que eles geram vêm a ser investidos com posição inferior. Como um exemplo disto pode ser dito que um Sudra gera em uma mulher pertencente à classe mais superior um filho que está fora do âmbito das quatro classes (pois tal filho vem a ser considerado como um Chandala que é muito inferior). O filho que está fora do âmbito das quatro classes, por se unir com mulheres pertencentes às quatro classes principais, gera descendentes que são mais degradados a respeito de posição. Daqueles fora do âmbito das quatro classes e daqueles além disso que estão mais além daquele âmbito, filhos se multiplicam por causa da união de pessoas com mulheres de classes superiores às deles próprios. Desse modo, de pessoas de posição inferior surgem classes, ao todo quinze em número, que são igualmente inferiores ou ainda mais inferiores em posição. É somente da união sexual de mulheres com homens que não deveriam ter semelhante união com elas que as classes misturadas surgem. Entre as classes que estão assim fora do limite das quatro classes principais ou puras, crianças são geradas em mulheres pertencentes à classe chamada Sairindhri por homens da classe chamada Magadha. A ocupação de tal prole é o adorno dos corpos de reis e outros. Eles são bem familiarizados com a preparação de unguentos, a fabricação de guirlandas, e a fabricação de artigos usados para a decoração do corpo. Embora livres pela posição que se vincula a eles por nascimento, eles ainda assim devem levar uma vida de serviço. Da união de Magadhas de certa classe com mulheres da casta chamada Sairindhri, surge outra casta chamada Ayogava. Sua ocupação consiste na fabricação de redes (para apanhar peixes e aves e animais de caça). Vaidehas, por se unirem com mulheres da casta Sairindhri, geram filhos chamados Maireyakas cuja ocupação consiste na fabricação de vinho e bebidas alcoólicas. Dos Nishadas surge uma casta chamada Madgura e outra conhecida pelo nome de Dasas cuja ocupação consiste em manejar barcos. Da Chandala surge uma casta chamada Swapaka cuja ocupação consiste em manter guarda sobre os mortos. As mulheres da casta Magadhi, por união com estas quatro castas de disposições pecaminosas, produzem quatro outras que vivem por praticar fraude. Estas são Mansa, Swadukara, Kshaudra, e Saugandha. Da Vaideha surge uma casta cruel e pecaminosa que vive por praticar fraude. Dos Nishadas além disso surge a casta Madranabha cujos membros são vistos dirigirem carros puxados por jumentos. Dos Chandalas surge a casta chamada Pukkasa cujos membros são vistos comerem a carne de jumentos, cavalos e elefantes. Estes se cobrem com os trajes obtidos por despir cadáveres humanos. Eles são também vistos comerem de artefatos de louça quebrados. (Panelas de barro quebradas são sempre rejeitadas. Elas às vezes são utilizadas por pessoas das classes inferiores). Estas três castas de posição muito baixa são nascidas de mulheres da casta Ayogava (por pais de castas diferentes). A casta chamada Kshudra surge da Vaidehaka. A casta chamada Andhra que toma sua residência nos arredores de cidades e municípios, também nasce (dos Vaidehakas). Então além disso o Charmakara, se unindo com uma mulher da casta Nishada, gera a classe chamada Karavara. Do Chandala também surge a casta conhecida pelo nome de Pandusaupaka cuja ocupação consiste em fazer cestos e outras coisas com bambus fendidos. Da união do Nishada com uma mulher da casta Vaidehi surge alguém que é chamado pelo nome de Ahindaka. O Chandala gera em uma mulher Saupaka um filho que não difere do Chandala em posição ou ocupação. Uma mulher Nishada, por união com um Chandala, dá à luz um filho que vive nos arredores de aldeias e cidades. De fato, os membros de tal casta vivem em crematórios e são considerados pelas próprias classes mais baixas como incapazes de figurar entre elas. Assim estas castas misturadas surgem de uniões impróprias e pecaminosas de pais e mães pertencentes a diferentes castas. Eles vivam escondidos ou publicamente, eles devem ser conhecidos por suas ocupações. Os deveres foram prescritos nas escrituras somente para as quatro classes principais. Com relação às outras as escrituras são totalmente silenciosas. Entre todas as classes, os membros daquelas castas que não têm deveres atribuídos para eles pelas escrituras, não precisam ter medo quanto ao que eles fazem (para ganhar seu sustento). Pessoas desacostumadas à realização ou para quem sacrifícios não foram prescritos, e que são privadas da companhia e das instruções dos justos contados entre as quatro classes principais ou fora de seu âmbito, por se unirem com mulheres de outras castas, levados não por considerações de virtude mas por luxúria descontrolada, fazem vir à existência numerosas classes misturadas cujas ocupações e residências dependem das circunstâncias ligadas com as uniões irregulares às quais elas devem sua origem. Tendo recorrido a locais onde quatro estradas se encontram, ou crematórios, ou colinas e montanhas, ou florestas e árvores, eles constroem suas habitações lá. Os ornamentos que eles usam são feitos de ferro. Vivendo em tais lugares abertamente, eles se dirigem às suas próprias ocupações para ganhar seu sustento. Eles podem ser vistos vivendo dessa maneira, enfeitando seus corpos com ornamentos e empenhados na tarefa de fabricar diversos tipos de utensílios domésticos e outros. Sem dúvida, por ajudarem vacas e Brahmanas, e praticarem as virtudes de abstenção de crueldade, compaixão, veracidade de palavra, e perdão, e, se necessário for, por protegerem outros por sacrificarem suas próprias, pessoas das castas misturadas podem obter sucesso. Eu não tenho dúvida, ó chefe de homens, que estas virtudes se tornam as causas do sucesso delas. Aquele que possui inteligência, deve, levando tudo em consideração, gerar prole de acordo com as ordenanças das escrituras em uma mulher que seja declarada apropriada ou adequada para ele. Um filho gerado em uma mulher pertencente a uma casta degradada, em vez de resgatar o pai, traz aflição para ele assim como um peso pesado leva à aflição um nadador desejoso de cruzar água. Se acontece de um homem ser possuidor de erudição ou não, luxúria e ira são atributos naturais da humanidade neste mundo. Mulheres, portanto, podem sempre ser vistas arrastarem os homens para o caminho errado. Esta disposição natural das mulheres é tal que o contado do homem com ela é produtivo de miséria para ele. Então, homens possuidores de sabedoria não se permitem serem excessivamente apegados às mulheres.'” "Yudhishthira disse, 'Há homens que pertencem às castas misturadas, e que são de nascimento muito impuro. Embora apresentando o aspecto de respeitabilidade, eles na realidade são indignos de respeito. Por causa destes aspectos externos nós podemos não saber a verdade sobre seu nascimento. Há alguns sinais, ó avô, pelos quais pode ser conhecida a verdade acerca da origem de tais homens?’” 49 "Bhishma disse, 'Uma pessoa que é nascida de uma união irregular apresenta diversos aspectos de disposição. A pureza de nascimento de alguém, além disso, é para ser averiguada a partir das ações dele que devem parecer com as ações daqueles que são evidentemente bons e justos. Um comportamento indigno de respeito, ações opostas àquelas declaradas nas escrituras, desonestidade e crueldade, e abstenção de sacrifícios e outras ações espirituais que levam ao mérito, proclamam a impureza de origem de uma pessoa. Um filho recebe a disposição do pai ou da mãe. Às vezes ele pega as disposições de ambos. Uma pessoa de nascimento impuro nunca pode conseguir ocultar sua verdadeira disposição. Como o filhote de um tigre ou de um leopardo parece com seu pai e mãe em forma e (a respeito de) suas listras de manchas, assim mesmo uma pessoa não pode exceto revelar a circunstância de sua origem. Embora possa estar encoberto o método da origem de alguém, se acontece de aquela origem ser impura, seu caráter ou disposição sem dúvida se manifesta levemente ou grandemente. Uma pessoa pode, para seus próprios propósitos, optar por trilhar um caminho insincero, mostrando tal conduta que parece ser virtuosa. Sua própria disposição, no entanto, na questão daquelas ações que ele faz, sempre proclama se ele pertence a uma boa classe ou a uma diferente. Criaturas no mundo são dotadas de diversos tipos de disposição. Elas são, além disso, vistas estarem empenhadas em diversos tipos de ações. Entre as criaturas assim empenhadas, não há nada que seja tão bom ou precioso quanto o nascimento puro e conduta justa. Se uma pessoa for nascida em uma classe inferior, aquela boa compreensão que resulta de um estudo das escrituras fracassa em salvar seu corpo de atos inferiores. Bondade absoluta de compreensão pode ser de diferentes graus. Ela pode ser alta, mediana, ou baixa. Mesmo que ela apareça em uma pessoa de origem baixa, ela desaparece como nuvens outonais sem produzir quaisquer consequências. Por outro lado, aquela outra bondade de compreensão a qual, de acordo com sua medida, ordenou a posição na qual a pessoa nasceu, se revela em suas ações. (O sentido parece ser este: alguém que é de nascimento inferior deve permanecer inferior em disposição. Bondade absoluta pode surgir em seu coração, mas ela desaparece imediatamente sem produzir qualquer efeito. O estudo das escrituras, portanto, não pode elevar tal pessoa. Por outro lado, a bondade a qual de acordo com sua medida ordenou para alguém (1) a posição de humanidade e (2) a posição naquele estado, é vista se manifestar em seus atos.) Se acontece de uma pessoa pertencer a uma classe superior mas se acontece de ela ainda assim ser desprovida de bom comportamento, ela não deve receber respeito ou culto. Alguém pode adorar até um Sudra se acontece de ele ser conhecedor dos deveres e ser de boa conduta. Uma pessoa se proclama por seu próprio bem e ações e por sua disposição boa ou má e nascimento. Se acontece de a classe de nascimento de alguém ser degradada por alguma razão, ele logo a eleva e a faz resplandecente e famosa por suas próprias ações. Por estas razões aqueles que são dotados de sabedoria devem evitar aquelas mulheres, entre estas diversas castas misturadas ou puras, em quem eles não devem gerar descendência.'” "Yudhishthira disse, 'Discurse para nós, ó majestade, sobre as ordens e classes separadamente, sobre os diferentes tipos de filhos gerados em diferentes tipos de mulheres, sobre a pessoa que tem direito a tê-los como filhos, e sobre sua posição em vida. É sabido que disputas com respeito a filhos surgem frequentemente. Cabe a ti, ó rei, resolver as dúvidas que tomaram posse das nossas mentes. De fato, nós estamos confusos com respeito a este assunto.'” "Bhishma disse, 'O filho de um homem é considerado como o próprio homem. O filho que é gerado na esposa de alguém por uma pessoa que foi convidada para a tarefa, é chamado de Niruktaja. O filho que é gerado na esposa de alguém por alguém sem sua permissão, é Prasritaja. O filho gerado em sua própria esposa por uma pessoa decaída de sua posição é chamado de Patitaja. Há dois outros filhos, isto é, o filho dado, e o filho feito. Há outro chamado Adhyudha. (O filho gerado em uma moça por alguém que não se torna seu marido, e, nascido após o casamento dela, é considerado como pertencente não ao gerador mas ao marido.) O filho nascido de uma moça na casa de seu pai é chamado de Kanina. Além destes, há seis tipos de filhos chamados Apadhwansaja e seis outros que são Apasadas. Estes são os vários tipos de filhos mencionados nas escrituras, saiba, ó Bharata!’” "Yudhishthira disse, 'Quem são os seis que são chamados de Apadhwansajas? Quem também são os Apasadas? Cabe a ti explicar tudo isto para mim em detalhes.'” "Bhishma disse, 'Os filhos que um Brahmana gera em esposas das três classes inferiores, aqueles gerados por um Kshatriya em esposas das duas classes inferiores à sua, ó Bharata, e os filhos que um Vaisya gera em uma esposa da única classe que é inferior à sua, são todos chamados de Apadhwansajas. Eles são, como assim explicado, de seis tipos. Ouça-me agora enquanto eu te digo quem são os Apasadas. O filho que um Sudra gera em uma mulher Brahmana é chamado de Chandala. Gerado em uma mulher Kshatriya por uma pessoa da classe Sudra, o filho é chamado de Vratya. Aquele que é nascido de uma mulher Vaisya com um pai Sudra é chamado de Vaidya. Estes três tipos de filhos são chamados de Apasadas. O Vaisya, por se unir com uma mulher da classe Brahmana, gera um filho que é chamado de Magadha, enquanto o filho que ele gera em uma mulher Kshatriya é chamado de Vamaka. O Kshatriya pode gerar somente um tipo de filho em uma mulher de uma classe superior. De fato, o filho gerado por um Kshatriya em uma mulher Brahmana é chamado de Suta. Estes três também são chamados de Apasadas. Não pode ser dito, ó rei, que estes seis tipos de filhos não são filhos.'” “Yudhishthira disse, ‘Alguns dizem que o filho de alguém é ele que é nascido no próprio solo. Alguns, por outro lado, dizem que o filho de alguém é ele que foi gerado da própria semente. Ambos estes tipos de filhos são iguais? De quem, além disso, é para ser o filho? Diga-me isto, ó avô!’” “Bhishma disse, ‘O filho é daquele de cuja semente ele surgiu. Se, no entanto, o dono da semente abandona o filho nascido dela, tal filho então vem a ser daquele em cuja esposa ele foi gerado. A mesma regra se aplica ao filho chamado Adhyudha. Ele pertence à pessoa de cuja semente ele tomou seu nascimento. Se, no entanto, o dono da semente o abandona, ele se torna o filho do marido de sua mãe. Saiba que isto mesmo é o que a lei declara.’” (Tal filho se torna a propriedade do marido da mãe e não de seu gerador. Se, no entanto, o gerador expressa o desejo de tê-lo e criá-lo, ele deve ser considerado como do gerador. O princípio sobre o qual ele se torna o filho do marido da mãe é que o gerador se esconde e nunca deseja tê-lo.) "Yudhishthira disse, 'Nós sabemos que o filho se torna dele de cuja semente ele teve nascimento. De onde o marido da mulher que dá à luz o filho deriva seu direito ao último? Similarmente, o filho chamado Adhyudha deve ser reconhecido como filho daquele de cuja semente ele surgiu. Como eles podem ser filhos de outros por razões do compromisso sobre possuí-los e criá-los ter sido rompido?'” "Bhishma disse, 'Aquele que tendo gerado um filho o abandona por alguma razão ou outra não pode ser considerado como o pai de tal filho, pois só a semente vital não pode criar a condição de filho. Tal filho deve ser considerado como pertencente à pessoa que possui o solo. Quando um homem, desejando ter um filho, se casa com uma moça grávida, o filho nascido de sua esposa deve pertencer a ele, pois ele é o fruto do seu próprio solo. A pessoa de cuja semente vital o filho surgiu não pode ter direito a tal filho. O filho que é nascido em seu solo, mas não gerado pelo dono, ó chefe da linhagem de Bharata, carrega todos os sinais do pai que realmente o gerou (e não os sinais de alguém que é somente o marido de sua mãe). O filho assim nascido é incapaz de ocultar as evidências que a fisionomia oferece. Ele é imediatamente reconhecido pela visão (como pertencente a outro). Com relação ao filho feito, ele às vezes é considerando como filho da pessoa que fez dele um filho e assim o cria. Em seu caso, nem a semente vital da qual ele é nascido nem o solo no qual ele nasceu se tornam a causa da condição de filho.'” “Yudhishthira disse, ‘Que tipo de filho é aquele que é citado como sendo feito um filho, e cuja condição de filho resulta do fato de ele ter sido pego e criado, e em cujo caso nem a semente vital nem o solo do nascimento, ó Bharata, são considerados como a causa da condição de filho?’” “Bhishma disse, ‘Quando uma pessoa adota e cria um filho que foi abandonado no caminho por seu pai e mãe, e quando a pessoa que assim o pega e cria fracassa em descobrir seus pais depois de busca, ele se torna o pai de tal filho e o último vem a ser aquele que é chamado seu filho feito. Não tendo alguém para possuí-lo, ele vem a ser possuído por aquele que o cria. Tal filho, além disso, vem a ser considerado como pertencente àquela classe à qual seu dono ou criador pertence.’” "Yudhishthira disse, ‘Como os ritos purificatórios de tal pessoa devem ser realizados? Em cujo caso qual tipo de ritos devem ser realizados? Com qual moça ele deve ser casado? Diga-me tudo isso, ó avô!" "Bhishma disse, 'Os ritos de purificação referentes a tal filho devem ser realizados em conformidade com o costume da própria pessoa que o cria, pois, rejeitado por seus pais, tal filho obtém a classe da pessoa que o adota e o cria. De fato, ó tu de glória imperecível, o criador deve realizar todos os ritos purificatórios com relação àquele filho de acordo com as práticas da própria família e parentes do criador. Com respeito à moça também, ó Yudhishthira, que deve ser entregue em casamento para tal filho, ela pertence à classe do próprio criador. Tudo isso é para ser feito somente quando a classe da mãe verdadeira do filho não pode ser averiguada. Entre filhos, aquele que é nascido de uma moça e aquele que é nascido de uma mãe que tinha concebido antes de seu casamento mas que deu à luz posteriormente a este são considerados como muito vergonhosos e degradados. Aqueles dois, no entanto, devem receber os mesmos ritos de purificação que são prescritos para os filhos gerados pelo pai em matrimônio legal. Com respeito ao filho que se torna do seu pai por causa de seu nascimento no solo do pai e daqueles filhos que são chamados de Apasadas e, aqueles concebidos pela esposa em sua juventude mas dados à luz depois do casamento, Brahmanas e outros devem aplicar os mesmos ritos de purificação aprovados para suas próprias classes. Estas são as conclusões que são encontradas nas escrituras com respeito às diferentes classes. Eu assim te disse tudo concernente às tuas perguntas. O que mais tu desejas saber?’" 50 "Yudhishthira disse, 'Qual é a natureza da compaixão ou piedade que é sentida à visão da dor de outros? Qual é a natureza daquela compaixão ou empatia que alguém sente por outro por viver na companhia daquele outro? Qual é a natureza (e grau) da sublime bem-aventurança que se atribui às vacas? Cabe a ti, ó avô, explicar tudo isso para mim.'” "Bhishma disse, 'Eu irei, em relação a isto, ó tu de grande refulgência, contar para ti uma antiga narrativa de uma conversa entre Nahusha e o Rishi Chyavana. Antigamente, ó chefe da linhagem de Bharata, o grande Rishi Chyavana da linhagem de Bhrigu, sempre cumpridor de votos superiores, ficou desejoso de levar por algum tempo o modo de vida chamado Udavasa e se dirigiu para iniciá- lo. Rejeitando orgulho e ira e alegria e dor, o asceta, se empenhando para cumprir aquele voto, se dirigiu para viver por doze anos de acordo com as regras de Udavasa. O Rishi inspirou todas as criaturas com uma confiança feliz. E ele inspirou uma confiança similar em todas as criaturas que viviam na água. O asceta pujante parecia com a própria Lua em seu comportamento para com todos. Reverenciando todas as divindades e tendo se purificado de todos os pecados, ele entrou na água na confluência do Ganga e do Yamuna, e permaneceu lá como uma estaca inanimada de madeira. Colocando sua cabeça contra ela, ele suportou a correnteza violenta e estrondosa dos dois rios unidos, a corrente cuja velocidade parecia com aquela do próprio vento. O Ganga e o Yamuna, no entanto, e as outras correntes e lagos, cujas águas se unem na confluência em Prayaga, em vez de afligirem o Rishi, passaram por ele (para lhe mostrar respeito). Assumindo a atitude de uma estaca de madeira, o grande Muni às vezes se deitava na água e dormia à vontade. E às vezes, ó chefe da linhagem de Bharata, o sábio inteligente permanecia em uma postura ereta. Ele se tornou muito agradável para todas as criaturas que viviam na água. Sem o menor medo, todas estas costumavam cheirar os lábios do Rishi. Dessa maneira, o Rishi passou muito tempo naquela grandiosa confluência de águas. Um dia alguns pescadores foram lá. Com redes em suas mãos, ó tu de grande refulgência, aqueles homens chegaram àquele local onde o Rishi estava. Eles eram muitos em número e todos eles estavam decididos a apanhar peixes. Bem formados e de peitos largos, dotados de grande força e coragem e nunca voltando por medo da água, aqueles homens que viviam dos lucros por meio de suas redes foram para aquele local, decididos a capturar peixes. Chegando à água que continha muitos peixes, aqueles pescadores, ó chefe dos Bharatas, amarraram todas as suas redes juntas. Desejosos de peixes, aqueles Kaivartas, muitos em numero, se uniram e cercaram uma parte da água do Ganga e do Yamuna com suas redes. De fato, eles então lançaram na água sua rede que era feita de cordas novas, capazes de cobrir um espaço grande, e dotada de comprimento e largura suficientes. Todos eles, chegando à água, então começaram a arrastar com grande força aquela sua rede que era muito grande e que tinha sido bem espalhada por um amplo espaço. Todos eles eram livres de medo, alegres, e totalmente resolvidos a executarem as ordens dos outros. Eles tinham conseguido enredar um grande número de peixes e outros animais aquáticos. E enquanto eles arrastaram sua rede, ó rei, eles facilmente arrastaram Chyavana, o filho de Bhrigu, junto com um grande número de peixes. Seu corpo estava coberto com o musgo do rio. Sua barba e madeixas emaranhadas tinham se tornado verdes. E por todo o seu corpo podiam ser vistos conchas e outros moluscos ligados com suas cabeças. Contemplando aquele Rishi que era bom conhecedor dos Vedas arrastado por eles da água, todos os pescadores permaneceram com palmas unidas e então se prostraram no chão e repetidamente inclinaram suas cabeças. Por medo e dor causados pelo arrasto da rede, e por serem trazidos para a terra, os peixes envolvidos na rede perderam suas vidas. O asceta, vendo aquela grande matança de peixes, encheu-se de compaixão e suspirou repetidamente.'” "Os pescadores disseram, 'Nós cometemos este pecado (de arrastar teu corpo sagrado da água) por ignorância. Fique satisfeito conosco! Qual desejo teu nós realizaremos? Comande-nos, ó grande asceta!'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por eles, Chyavana, dentre aquela pilha de peixes ao redor dele, disse, 'Com atenção concentrada ouçam qual é meu maior desejo. Eu devo ou morrer com estes peixes ou vocês me venderão com eles. Eu tenho vivido com eles por muito tempo dentro da água. Eu não desejo abandoná-los em tal momento.' Quando ele disse estas palavras para eles, os pescadores ficaram extremamente apavorados. Com rostos pálidos eles se dirigiram ao rei Nahusha e o informaram de tudo o que tinha acontecido.'” 51 “Bhishma disse, ‘O rei Nahusha, sabendo da condição à qual Chyavana estava reduzido, foi rapidamente para aquele local acompanhado por seus ministros e sacerdote. Tendo se purificado devidamente, o rei, com palmas unidas e atenção concentrada, apresentou-se para Chyavana de grande alma. O sacerdote do rei então adorou com as devidas cerimônias aquele Rishi, ó monarca, que era cumpridor do voto de verdade e dotado de uma grande alma, e que parecia com um deus (em esplendor e energia).’” “Nahusha disse, ‘Diga-me, ó melhor das pessoas regeneradas, qual ação nós devemos fazer que possa ser agradável para ti? Por mais que aquela ação seja difícil, não há nada, ó santo, que eu não possa fazer para cumprir tua ordem.’” “Chyavana disse, ‘Esses homens que vivem por capturar peixes estão todos esgotados pelo trabalho. Pague a eles o preço que possa ser colocado sobre mim junto com o valor destes peixes.’” “Nahusha disse, ‘Que meu sacerdote dê a estes Nishadas mil moedas como um preço para comprar este venerável como ele mesmo ordenou.’” "Chyavana disse, 'Mil moedas não podem representar meu preço. A questão depende de sua discriminação. Dê a eles um valor justo, determinando com tua própria inteligência qual ele deve ser.'” "Nahusha disse, 'Que, ó Brahmana erudito, cem mil moedas sejam dadas para estes Nishadas. Este será teu preço, ó santo, ou tu pensas de outra maneira?'” "Chyavana disse, 'Eu não devo ser comprado por cem mil moedas, ó melhor dos monarcas! Que um preço apropriado seja dado a eles. Consulte com teus ministros.'” “Nahusha disse, ‘Que meu sacerdote dê para estes Nishadas um crore de moedas. Se mesmo isto não representar teu preço, que mais seja pago para eles.’” "Chyavana disse, 'Ó rei, eu não mereço ser comprado por um crore de moedas ou até mais. Que seja dado para aqueles homens o preço que seria justo ou apropriado. Consulte com os Brahmanas.’” “Nahusha disse, ‘Que metade do meu reino ou até mesmo todo ele seja dado para estes Nishadas. Eu penso que representaria teu preço. O que, no entanto, tu pensas, ó regenerado?’” “Chyavana disse, ‘Eu não mereço ser comprado com metade do teu reino ou mesmo com ele inteiro, ó rei! Que o preço que é apropriado seja dado para estes homens. Consulte com os Rishis.’” “Bhishma continuou, ‘Ouvindo estas palavras do grande Rishi, Nahusha ficou aflito com grande angústia. Com seus ministros e sacerdote ele começou a deliberar sobre o caso. Lá então se aproximou do rei Nahusha um asceta que vivia nas florestas e subsistia de frutas e raízes e nascido de uma vaca. Aquela melhor das pessoas regeneradas, dirigindo-se ao monarca, ó rei, disse estas palavras, ‘Eu logo te alegrarei. O Rishi também será satisfeito. Eu nunca falarei uma mentira, não, nem de brincadeira, o que dizer então de outras ocasiões? Tu deves, sem qualquer escrúpulo, fazer o que eu te ordeno.’” "Nahusha disse, 'Ó ilustre, diga qual é o preço daquele grande Rishi da linhagem de Bhrigu. Ó, salve-me desta situação terrível, salve meu reino, e salve minha família! Se o santo Chyavana ficar zangado, ele destruirá os três mundos, o que dizer então da minha pobre pessoa que é desprovida de penitências e que depende somente do poder de seu braço? Ó grande Rishi, torne-te o barco para nós todos que caímos em um oceano insondável com todos os nossos conselheiros e nosso sacerdote! Determine qual deve ser o preço do Rishi.'” “Bhishma disse, ‘Ouvindo estas palavras de Nahusha, o asceta nascido de uma vaca e dotado de grande energia falou dessa maneira, alegrando o monarca e todos os seus conselheiros, ‘Os Brahmanas, ó rei, pertencem à principal das quatro classes. Nenhum valor, embora grandioso, pode ser colocado sobre eles. Vacas também são inestimáveis. Portanto, ó chefe de homens, considere uma vaca como o valor do Rishi.’ Ouvindo estas palavras do grande Rishi, Nahusha, ó rei, ficou cheio de alegria junto com todos os seus conselheiros e sacerdote. Procedendo então à presença do filho de Bhrigu, Chyavana, de votos rígidos, ele se dirigiu a ele dessa forma, ó monarca, para satisfazê-lo com toda a sua habilidade.’” 'Nahusha disse, 'Levante, levante, ó Rishi regenerado, tu foste comprado, ó filho de Bhrigu, com uma vaca como teu preço. Ó principal das pessoas justas, este mesmo, eu penso, é teu preço.'” "Chyavana disse, 'Sim, ó rei de reis, eu me levanto. Eu fui devidamente comprado por ti, ó impecável! Eu, ó tu de glória imorredoura, não vejo alguma riqueza que seja igual às vacas. Falar de vacas, ouvir outros falarem delas, fazer doações de vacas, e ver vacas, ó rei, são atos que são todos elogiados, ó herói, e que são altamente auspiciosos e purificadores de pecados. A vaca é sempre a base da prosperidade. Não há imperfeição nas vacas. As vacas sempre fornecem o melhor alimento, na forma de Havi, para as divindades. Os Mantras sagrados, Swaha e Vashat, estão sempre estabelecidos nas vacas. As vacas são as principais condutoras de sacrifícios. Elas constituem a boca do sacrifício. Elas carregam e produzem o néctar excelente que dá força. Elas recebem o culto de todos os mundos e são consideradas como a fonte de néctar. Sobre a terra, as vacas parecem com fogo em energia e forma. Na verdade, as vacas representam a maior energia, e são as concessoras de grande felicidade para todas as criaturas. Aquele país onde vacas, estabelecidas por seus donos, respiram destemidamente, brilha em beleza. Os pecados, também, daquele país são todos purificados. Vacas constituem as escadas que levam ao céu. Vacas são adoradas no próprio céu. Vacas são as deusas que são competentes para dar tudo e conceder todos os desejos. Não há nada mais no mundo que se seja tão elevado ou tão superior!'” (Não há imperfeição nas vacas, etc., e vacas são como fogo, etc. A idéia Hindu é que vacas são purificadoras e santificadoras. Os Rishis descobriram que o magnetismo da vaca é algo que é possuidor de virtudes extraordinárias. Dê o mesmo tipo de alimento para uma vaca e um cavalo. O esterco do cavalo emite um mau cheiro insalubre, enquanto o esterco da vaca é um desinfetante eficaz. A ciência ocidental ainda não dirigiu sua atenção para o assunto, mas há pouca dúvida que a urina e esterco da vaca possuem inúmeras virtudes.) "Bhishma continuou, ‘Isto mesmo é o que eu digo para ti sobre o assunto da glória e superioridade das vacas, ó chefe da linhagem de Bharata. Eu sou competente para proclamar somente uma parte dos méritos que se atribuem às vacas. Eu não tenho a habilidade para esgotar o assunto!'” "Então os Nishadas disseram, ‘Ó asceta, tu nos viste e tu também falaste conosco. É dito que amizade com aqueles que são bons depende somente de sete palavras. (Por falarem somente sete palavras ou caminharem somente sete passos juntos, duas pessoas, se elas são boas, se tornam amigas.) Então, ó senhor, mostre-nos tua benevolência. O fogo sacrifical come todas as oblações de manteiga clarificada derramadas sobre ele. De alma justa e possuidor de energia, tu és um fogo ardente em energia entre homens. Nós te conciliamos, ó tu de grande erudição! Nós nos rendemos a ti. Para nos mostrar generosidade, aceite de volta de nós esta vaca.'” "Chyavana disse, 'O olhar de uma pessoa que é pobre ou que caiu em angústia, o olhar de um asceta, ou o olhar de uma cobra de veneno virulento, consome um homem com suas próprias raízes, assim como um fogo que, queimando com a ajuda do vento, consome uma pilha de grama seca ou palha. Eu aceitarei a vaca que vocês desejam me presentear. Vocês pescadores, livre de todo pecado, vão para o céu sem qualquer demora, com estes peixes também que vocês pegaram com suas redes.'” "Bhishma continuou, 'Depois disto, pela energia do grande Rishi de alma purificada, aqueles pescadores junto com todos aqueles peixes pela virtude daquelas palavras que ele tinha proferido procederam para o céu. O rei Nahusha, vendo os pescadores ascendendo para o céu com aqueles peixes em sua companhia, ficou muito admirado, ó chefe da linhagem de Bharata. Depois disto, os dois Rishis, isto é, aquele nascido de uma vaca e o outro que era Chyavana da linhagem de Bhrigu, alegraram o rei Nahusha por lhe concederem muitas bênçãos. Então o rei Nahusha de grande energia, aquele senhor de toda a terra, cheio de alegria, ó melhor dos Bharatas, disse, 'Suficiente!' Como um segundo Indra, o chefe dos celestiais, ele aceitou a bênção a respeito de sua própria firmeza em virtude. Os Rishis tendo dado a bênção a ele, o rei encantado adorou ambos com grande reverência. Com relação a Chyavana, seu voto estando concluído, ele voltou para seu próprio retiro. O Rishi que tinha tido seu nascimento de uma vaca, e que era dotado de grande energia, também procedeu para seu próprio retiro. Os Nishadas todos ascenderam para o céu como também os peixes que eles tinham capturado, ó monarca. O rei Nahusha, também, tendo obtido aquelas bênçãos valiosas, entrou em sua própria cidade. Eu assim, ó filho, te disse tudo a respeito do que tu me perguntaste. A afeição que é gerada somente pela visão de outros como também pelo fato de se viver com eles, ó Yudhishthira, e a grande bem-aventurança das vacas, e a averiguação da justiça verdadeira, são os tópicos sobre os quais eu tenho falado. Diga-me, ó herói, o que mais está no teu peito.'" 52 "Yudhishthira disse, 'Ó tu de grande sabedoria, eu tenho uma dúvida que é muito grande e que é tão vasta quanto o próprio oceano. Escute-a, ó poderosamente armado, e tendo sabido qual ela é, cabe a ti esclarecê-la para mim. Eu tenho uma grande curiosidade com respeito ao filho de Jamadagni, ó senhor, isto é, Rama, aquela principal de todas as pessoas justas. Cabe a ti satisfazer esta curiosidade. Como nasceu Rama que era dotado de bravura incapaz de ser frustrada? Ele pertencia por nascimento a uma linhagem de Rishis regenerados. Como ele se tornou um seguidor das práticas Kshatriya? Então, ó rei, conte para mim em detalhes as circunstâncias do nascimento de Rama. Como também um filho da linhagem de Kusika que era Kshatriya tornou-se um Brahmana? Grandiosa, sem dúvida, era a força de Rama de grande alma, ó chefe de homens, como também de Viswamitra. Por que o neto de Richika em vez de seu filho tornou-se um Kshatriya em conduta? Por que também o neto de Kusika e não seu filho tornou-se um Brahmana? Por que tais incidentes desfavoráveis alcançaram os netos de ambos, em vez de seus filhos? Cabe a ti explicar a verdade a respeito destas circunstâncias.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada uma velha história da conversa entre Chyavana e Kusika, O Bharata! Dotado de grande inteligência, Chyavana da linhagem de Bhrigu, aquele melhor dos ascetas contemplou (com sua visão espiritual) a mácula que afetaria sua própria linhagem (por um descendente dele se tornar dedicado à prática Kshatriya). Refletindo sobre os méritos e faltas daquele incidente, como também sua força e fraqueza, Chyavana dotado de riqueza de ascetismo ficou desejoso de consumir a linhagem dos Kusikas (pois era daquela linhagem que a mácula das práticas Kshatriya iria, ele soube, afetar sua própria linhagem). Dirigindo-se então à presença do rei Kusika, Chyavana disse a ele, 'Ó impecável, surgiu no meu coração o desejo de morar contigo por algum tempo.'” "Kusika disse, 'Ó santo, residência junto é uma ação que os eruditos ordenam para moças quando estas são entregues em casamento. Aqueles que são dotados de sabedoria sempre falam da prática em tal relação somente. Ó Rishi dotado de riqueza de ascetismo, a residência a qual tu procuras comigo não é sancionada pela ordenança. Ainda assim, embora oposta aos ditames do dever e virtude, eu farei aquilo que tu possas estar satisfeito em ordenar.'” "Bhishma continuou, 'Ordenando que um assento fosse colocado para o grande asceta Chyavana, o rei Kusika, acompanhado por sua esposa, permaneceu na presença do asceta. Trazendo um pequeno jarro de água, o rei lhe ofereceu água para lavar seus pés. Ele então, através de seus empregados, fez serem realizados devidamente todos os ritos em honra de seu convidado de grande alma. Kusika de grande alma, que era cumpridor de restrições e votos, então ofereceu alegremente, segundo as formas devidas, os ingredientes consistindo em mel e as outras coisas, para o grande Rishi e o induziu a aceitar os mesmos. Tendo recebido e honrado o Brahmana erudito dessa maneira, o rei mais uma vez se dirigiu a ele e disse, 'Nós dois esperamos tuas ordens! Ordene-nos o que nós devemos fazer por ti, ó santo! Se é nosso reino ou riqueza ou vacas, ó tu votos rígidos, ou todos os artigos que são dados em sacrifícios, os quais tu necessita, nos diga a ordem, e nós te daremos tudo! Este palácio, o reino, este assento de justiça, esperam tua vontade. Tu és o senhor de tudo isto! Governe a terra! Com relação a mim mesmo, eu sou totalmente dependente de ti.' Endereçado nestas palavras pelo rei, Chyavana da linhagem de Bhrigu, cheio de grande satisfação, disse para Kusika estas palavras em resposta.'” "Chyavana disse, 'Eu, ó rei, não cobiço teu reino, nem tua riqueza, nem as donzelas que tu tens, nem teu gado, nem tuas províncias, nem artigos necessários para sacrifícios. Ouça-me. Se agradar a ti e tua esposa, eu começarei a cumprir um certo voto. Eu desejo que tu e tua esposa me sirvam durante aquele período sem quaisquer escrúpulos.’ Assim endereçados pelo Rishi, o rei e a rainha se encheram de alegria, ó Bharata, e responderam a ele dizendo, 'Assim seja, ó Rishi!' Encantado com as palavras do Rishi, o rei o conduziu para um apartamento do palácio. Ele era excelente, agradável de se ver. O rei lhe mostrou tudo naquele quarto. E o rei disse, 'Esta, ó santo, é tua cama. Viva aqui como quiseres! Ó tu que és dotado de riqueza de ascetismo, eu mesmo e minha rainha nos esforçaremos o melhor que pudermos para te dar toda a comodidade e todo o prazer.' Enquanto eles estavam assim conversando um com o outro, o sol passou pelo meridiano. O Rishi mandou o rei lhe trazer comida e bebida, e o rei Kusika, curvando-se para o Rishi, o questionou, dizendo, 'Qual tipo de alimento é agradável para ti? Qual comida, de fato, deve ser trazida para ti?' Cheio de deleite, o Rishi respondeu para aquele governante de homens, ó Bharata, dizendo, 'Que o alimento que é apropriado seja dado para mim.' Recebendo estas palavras com respeito, o rei disse, 'Assim seja' e então ofereceu para o Rishi alimento do tipo apropriado. Tendo terminado suas refeições, o santo Chyavana, conhecedor de todos os deveres, se dirigiu ao rei e à rainha, dizendo, 'Eu desejo dormir. Ó pujante, o sono me estorva agora.' Procedendo então para um quarto que tinha sido preparado para ele, aquele melhor dos Rishis então se deitou sobre uma cama. O rei e a rainha se sentaram. O Rishi disse a eles, 'Enquanto eu dormir, não me despertem. Mantenham-se despertos e pressionem continuamente meus pés enquanto eu durmo.' Sem o menor escrúpulo, Kusika, familiarizado com todos os deveres, disse, 'Assim seja'. De fato, o rei e a rainha se mantiveram despertos a noite inteira, devidamente dedicados a cuidarem e servirem o Rishi da maneira indicada. O casal real, ó monarca, cumpriu a ordem do Rishi com seriedade e atenção. Enquanto isso o Brahmana santo, tendo assim dado suas ordens para o rei, dormiu profundamente, sem mudar sua posição ou se virar nem uma vez, por um espaço de vinte e um dias. O rei, ó alegrador dos Kurus, privando-se de todo alimento, junto com sua esposa, ficou sentado alegremente o tempo inteiro dedicado a cuidar e servir ao Rishi. No término de vinte e um dias, o filho de Bhrigu se levantou por sua própria vontade. O grande asceta então saiu do quarto, sem abordá-los em absoluto. Famintos e cansados de trabalhar, o rei e a rainha o seguiram, mas aquele principal dos Rishis não se dignou lançar um único olhar para algum deles. Procedendo um caminho curto, o filho de Bhrigu desapareceu à própria vista do casal real (fazendo-se invisível por seu poder-Yoga). Nisto, o rei, tomado pela aflição, caiu no chão. Confortado, ele ergueu-se logo, e acompanhado por sua rainha, ó monarca, possuidor de grande esplendor, começou a procurar pelo Rishi em todos os lugares.'” 53 “Yudhishthira disse, ‘Depois que o Rishi tinha desaparecido, o que fez o rei e o que também fez sua esposa altamente abençoada? Diga-me isto, ó avô!’” "Bhishma disse, 'Tendo perdido o Rishi de vista, o rei, tomado pela vergonha, esgotado e perdendo seus sentidos, voltou para seu palácio, acompanhado por sua rainha. Entrando em sua mansão com uma disposição triste, ele não falou uma palavra com ninguém. Ele pensava somente naquele comportamento de Chyavana. Com um coração desesperado ele então procedeu para seu quarto. Lá ele viu o filho de Bhrigu esticado como antes em sua cama. Vendo o Rishi lá, eles ficaram muito surpresos. De fato, eles começaram a refletir sobre aquele incidente muito estranho. A visão do Rishi dissipou sua fadiga. Tomando seus assentos mais uma vez ao lado dele, eles se puseram novamente a pressionar suavemente seus pés como antes. Enquanto isso, o grande asceta continuou a dormir profundamente como antes. Só que agora ele se deitou do outro lado. Dotado de grande energia, ele assim passou outro período medido por vinte e um dias. Agitado por seus medos, o par real não demonstrou mudança em sua atitude ou sentimento em direção ao Rishi. Despertando então de seu sono, o asceta se dirigiu ao rei e à rainha, dizendo, 'Esfreguem meu corpo com óleo, eu desejo tomar um banho.' Embora estivessem famintos e esgotados eles assentiram prontamente, e logo se aproximaram do Rishi com um óleo caro que tinha sido preparado por ser fervido por uma centena de vezes. Enquanto o Rishi estava sentado à vontade, o rei e a rainha, reprimindo as palavras, continuaram a esfregá-lo. Dotado de grande mérito ascético o filho de Bhrigu nem uma vez proferiu a palavra ‘Suficiente.’ O filho de Bhrigu, no entanto, viu que o casal real estava totalmente impassível. Levantando-se de repente, ele entrou no quarto de banho. Os diversos artigos necessários para um banho e tais como os que eram adequados para o uso de um rei estavam preparados lá. Sem honrar, no entanto, algum daqueles artigos por se apropriar deles para seu uso, o Rishi uma vez mais desapareceu imediatamente por seu poder-Yoga, na própria vista do rei Kusika (e sua esposa). Isto, no entanto, ó chefe dos Bharatas, fracassou em perturbar a equanimidade do casal real. Na próxima vez o Rishi pujante foi visto sentado, depois de um banho, no trono. De fato, foi daquele local que ele então se mostrou ao rei e à rainha, ó alegrador dos Kurus. Com um rosto alegre, o rei Kusika, junto com sua esposa, então ofereceu ao Rishi alimento cozido com grande reverência. Dotado de sabedoria, e com o coração totalmente impassível, Kusika fez esta oferta. 'Que a comida seja trazida', foram as palavras que foram então proferidas pelo asceta. Ajudado por sua esposa, o rei logo levou a comida para lá. Havia diversos tipos de carne e diferentes preparativos dela também. Havia também uma grande variedade de vegetais e ervas cozidas em conserva. Havia bolos suculentos também entre aquelas iguarias, e vários tipos agradáveis de confeitos, e preparações sólidas de leite. De fato, as iguarias oferecidas apresentavam diferentes tipos de gosto. Entre elas havia também algum alimento, os produtos da selva, tais como ascetas gostavam e aceitavam. Diversos tipos agradáveis de frutas, boas para serem comidas por reis, também havia lá. Havia Vadaras e Ingudas e Kasmaryas e Bhallatakas. De fato, a comida foi oferecida continha coisas tais como as que eram aceitas por habitantes da selva. Por medo da maldição do Rishi, o rei tinha feito todos os tipos de alimento serem reunidos e cozidos para seu convidado. Todo aquele alimento, trazido da cozinha, foi colocado à frente de Chyavana. Um assento foi também colocado para ele e uma cama também foi estendida. As iguarias foram então feitas serem cobertas com tecidos brancos. Logo, no entanto, Chyavana da linhagem de Bhrigu pôs fogo em todas as coisas e as reduziu a cinzas. Possuidor de grande inteligência, o par real não demonstrou raiva por esta conduta do Rishi, que mais uma vez depois disto se fez invisível perante os próprios olhos do rei e da rainha. O sábio nobre Kusika então permaneceu lá na mesma postura a noite inteira, com sua esposa ao seu lado, e sem falar uma palavra. Dotado de grande prosperidade, ele não cedeu à ira. Todos os dias, comida boa e pura de diversos tipos, camas excelentes, artigos abundantes necessários para banho, e tecidos de vários tipos, eram reunidos e mantidos preparados no palácio para o Rishi. De fato, Chyavana fracassou em notar qualquer falha na conduta do rei. Então o Rishi regenerado, dirigindo-se ao rei Kusika, disse para ele, 'Tu com tua esposa, unam-se a um carro e me carreguem nele para qualquer lugar que eu indique.' Sem o menor escrúpulo, o rei respondeu para Chyavana dotado de riqueza de ascetismo, dizendo, 'Assim seja!' e ele em seguida questionou o Rishi, perguntando, ‘Qual carro eu devo trazer? Deverá ser meu carro de divertimento para fazer jornadas de divertimento, ou será meu carro de batalha?’ Assim endereçado pelo encantado e contente monarca, o asceta disse a ele, 'Equipe prontamente aquele teu carro com o qual tu penetras em cidades hostis. De fato aquele teu carro de batalha, com todas as armas, com seu estandarte e bandeiras, seus dardos e lanças e colunas e postes dourados, deve ser aprontado. Seu estrépito parece com o tilintar de sinos. Ele é adornado com numerosos arcos feitos de ouro puro. Ele está sempre equipado com armas superiores e excelentes contadas às centenas!' O rei disse, 'Assim seja' e logo fez seu grande carro de batalha ser equipado. E ele uniu sua esposa à esquerda dele e a si mesmo à direita. E o rei colocou no carro, entre seus outros equipamentos, a aguilhada que tinha três alças e uma ponta ao mesmo tempo tão dura quanto o raio e afiada como a agulha. Tendo colocado tudo o que era necessário sobre o carro, o rei disse para o Rishi, 'Ó santo, para onde o carro deve proceder? Ó, que o filho de Bhrigu emita sua ordem! Este carro procederá para o lugar ao qual tu possas estar satisfeito em indicar.' Assim endereçado o homem santo respondeu ao rei, dizendo, 'Que o carro saia daqui, arrastado lentamente, passo a passo. Obedientes à minha vontade, procedam vocês dois de tal maneira que eu não possa sentir alguma fadiga, eu devo ser carregado agradavelmente, e que todo o teu povo veja este progresso que eu faço por seu meio. Não deixe que alguma pessoa que venha a mim, enquanto eu procedo pela estrada, seja afugentada. Eu farei presentes de riqueza para todos. Para aqueles entre os Brahmanas que possam se aproximar de mim no caminho, eu concederei seus desejos e entregarei para todos jóias e riqueza sem limite. Que tudo isso seja realizado, ó rei, e não nutra quaisquer escrúpulos.' Ouvindo estas palavras do Rishi, o rei convocou seus empregados e disse, 'Vocês devem, sem qualquer medo, doar o que quer que o asceta ordene.' Então pedras preciosas e jóias em abundância, e mulheres belas, e pares de ovelhas, e ouro cunhado e não cunhado, e elefantes enormes parecendo com colinas ou topos de montanha, e todos os ministros do rei, começaram a seguir o Rishi quando ele foi conduzido naquele carro. Gritos de 'Oh' e 'Ai' ergueram-se de todas as partes da cidade a qual estava mergulhada em angústia àquela visão extraordinária. E o rei e a rainha foram subitamente golpeados pelo Rishi com aquela aguilhada equipada com ponta afiada. Embora golpeados dessa maneira nas costas e nas faces, o casal real ainda assim não demonstrou sinal de agitação. Por outro lado, eles continuaram a carregar o Rishi como antes. Tremendo da cabeça aos pés, pois nenhum alimento tinha passado por seus lábios por cinquenta noites, e extremamente fraco, o casal heróico de alguma maneira conseguiu arrastar aquele carro excelente. Repetidamente e profundamente cortados pela aguilhada, o par real ficou coberto de sangue. De fato, ó monarca, eles então pareciam com um par de árvores Kinsuka na estação florescente. Os cidadãos, vendo a situação à qual seu rei e rainha tinham sido reduzidos, ficaram afligidos com grande dor. Cheios de medo pela probabilidade da maldição do Rishi, eles se mantiveram silenciosos sob sua tristeza. Reunindo- se em grupos eles disseram uns para os outros, 'Veja o poder das penitências! Embora todos nós estejamos zangados, nós ainda assim somos incapazes de olhar para o Rishi! Grande é a energia do Rishi santo de alma purificada! Vejam também a resistência do rei e de sua nobre esposa! Embora desgastados com esforço e fome, eles ainda estão carregando o carro!’ O filho de Bhrigu, apesar da miséria que ele causou para Kusika e sua rainha, fracassou em notar qualquer sinal de descontentamento ou agitação neles.'” "Bhishma continuou, 'O perpetuador da linhagem de Bhrigu vendo o rei e a rainha totalmente inalterados, começou a doar em grande medida (riqueza obtida da tesouraria do rei) como se ele fosse um segundo Senhor dos Tesouros. Por este ato também, o rei Kusika não demonstrou sinal de descontentamento. Ele fez como o Rishi mandou (na questão daquelas doações). Vendo tudo isso, aquele ilustre e melhor dos ascetas ficou encantado. Descendo daquele carro excelente, ele desatrelou o casal real. Tendo-os libertado, ele se dirigiu a eles devidamente. De fato, o filho de Bhrigu, em uma voz suave, profunda, e encantada, disse, 'Eu estou disposto a dar uma bênção excelente para ambos!' Frágeis como eles estavam, seus corpos tinham sido perfurados com a aguilhada. Aquele melhor dos ascetas, movido por afeição, suavemente os tocou com suas mãos cujas virtudes curativas pareciam com aquelas do próprio néctar, ó chefe dos Bharatas. Então o rei respondeu, 'Minha esposa e eu não sentimos cansaço!' De fato, toda sua fadiga tinha sido dissipada pela pujança do Rishi, e foi por isso que o rei pôde falar assim para o Rishi. Encantado com a conduta deles, o ilustre Chyavana disse para eles, 'Eu nunca antes falei uma inverdade. Isto deve, portanto, ser como eu disse. Este local nas margens do Ganga é muito encantador e auspicioso. Eu irei, cumprindo um voto, morar por um tempo curto aqui, ó rei! Retorne para tua cidade. Tu estás cansado! Tu deves vir novamente. Amanhã, ó rei, tu irás, voltando com tua esposa, me ver aqui mesmo. Tu não deves dar vazão à raiva ou angústia. Chegará a hora quando tu colherás uma grande recompensa! Aquilo que é cobiçado por ti e que está no teu coração será realmente realizado.' Assim endereçado pelo Rishi, o rei Kusika, com um coração encantado, respondeu ao Rishi nestas palavras de grande importância, 'Eu não tenho nutrido raiva ou angústia, ó altamente abençoado! Nós temos sido purificados e santificados por ti, ó santo! Nós uma vez mais nos tornamos dotados de juventude. Veja, nossos corpos se tornaram extremamente belos e possuidores de grande força. Eu não vejo mais aquelas feridas e cicatrizes que foram causadas por ti em nossos corpos com tua aguilhada. Na verdade, com minha esposa, eu estou com boa saúde. Eu vejo que minha deusa se tornou tão bela em corpo quanto uma Apsara. Na verdade, ela está dotada de tanta beleza e esplendor como ela já tinha tido antes. Tudo isto, ó grande asceta, é devido à tua graça. Na verdade, não há nada de extraordinário em tudo isso, ó Rishi santo de força sempre imbatível.' Assim endereçado pelo rei, Chyavana disse para ele, 'Tu deves, com tua esposa, retornar para cá amanhã, ó monarca!' Com estas palavras, o sábio real Kusika foi despedido. Saudando o Rishi, o monarca, dotado de um corpo belo, voltou para sua capital como um segundo chefe dos celestiais. Os conselheiros então, com o sacerdote, saíram para recebê-lo. Suas tropas e as mulheres dançarinas e todos os seus súditos também fizeram o mesmo. Cercado por eles todos, o rei Kusika, brilhando com beleza e esplendor, entrou em sua cidade, com o coração muito satisfeito, e seus louvores foram cantados por bardos e panegiristas. Tendo entrado em sua cidade e realizado todos os seus ritos matinais, ele comeu com sua esposa. Dotado de grande esplendor, o monarca então passou a noite felizmente. Um viu o outro como sendo possuidor de juventude novamente. Toda sua aflição e dores tendo cessado, eles se viram parecidos com celestiais. Dotados do esplendor que tinham obtido como um benefício daquele principal dos Brahmanas, e possuidores como eles eram de formas que eram extremamente graciosas e belas, ambos passaram uma noite feliz em sua cama. Enquanto isso, o espalhador das façanhas da linhagem de Bhrigu, isto é, o Rishi possuidor da riqueza de penitências, converteu, por seu poder-Yoga, aquele bosque encantador na margem do Ganga em um retiro cheio de riqueza de todo tipo e adornado com todas as variedades de pedras preciosas e jóias por consequência das quais ele superava em beleza e esplendor a própria residência do chefe dos celestiais.’” 54 "Bhishma disse, 'Quando aquela noite passou, o rei Kusika de grande alma despertou e passou por seus ritos matinais. Acompanhado por sua esposa ele então procedeu em direção àquele bosque que o Rishi tinha escolhido como sua residência. Chegando lá, o monarca viu uma mansão suntuosa totalmente feita de ouro. Possuidora de mil colunas cada uma das quais era feita de jóias e pedras preciosas, ela parecia com um edifício pertencente aos Gandharvas. (As belas massas de nuvens sempre inconstantes da tarde ou noturnas, apresentando diversos tipos de formas quase a cada minuto, são consideradas como as residências ou mansões dos Gandharvas.) Kusika contemplou em todas as partes daquela estrutura evidências de projeto celeste. E ele viu colinas com vales encantadores, e lagos com lotos em sua superfície; e mansões cheias de artigos caros e curiosos, e portões e arcos, ó Bharata. E o rei viu muitas clareiras abertas e lugares abertos atapetados com verdor gramíneo, e parecendo com campos planos de ouro. E ele viu muitas Sahakaras adornadas com flores, e Ketakas e Uddalakas, e Dhavas e Asokas, e Kundas florescentes, e Atimuktas. E ele viu lá muitas Champakas e Tilakas e Bhavyas e Panasas e Vanjulas e Karnikaras adornadas com flores. E o rei viu muitas Varanapushpas e as trepadeiras chamadas Ashtapadika, todas podadas devidamente e belamente. E o rei contemplou árvores nas quais lotos de todas as variedades floresciam em toda sua beleza, e algumas das quais portavam flores de todas as estações. E ele notou também muitas mansões que pareciam com carros celestes ou com belas montanhas. E em alguns lugares, ó Bharata, havia tanques e lagos cheios de água fresca e em outros havia aqueles que estavam cheios de água morna ou quente. E havia diversos tipos de assentos excelentes e camas caras, e armações de cama feitas de ouro e pedras preciosas e cobertas com tecidos e tapetes de grande beleza e valor. De comestíveis havia quantidades enormes, bem cozidos e prontos para uso. E havia papagaios falantes e Bhringarajas (Lanius Malabaricus) e Kokilas (cucos indianos) e Catapatras (pica-paus) com Koyashtikas (abibes) e Kukkubhas (galos selvagens), e pavões e galos e Datyuhas (galinholas) e Jivajivakas (uma espécie de perdiz) e Chakoras (perdiz grega) e macacos e cisnes e Sarasas (grou indiano) e Chakravakas (pato ou ganso Brahmini). Lá e cá ele viu grupos de Apsaras alegres e conclaves de Gandharvas felizes, ó monarca. E ele viu outros Gandharvas em outros lugares se regozijando com suas amadas esposas. O rei às vezes contemplava estas visões e às vezes não podia vê-las (pois elas pareciam desaparecer da frente de seus olhos). O monarca ouviu também acordes melodiosos de música vocal e as vozes agradáveis de preceptores dedicados a fazerem preleções para seus discípulos sobre os Vedas e as escrituras. E o monarca também ouviu o cacarejo harmonioso dos gansos se divertindo nos lagos. Contemplando tais vistas extremamente maravilhosas, o rei começou a refletir interiormente, dizendo, 'Isto é um sonho? Ou tudo isto é devido a uma aberração da minha mente? Ou, isto tudo é real? Ó, sem abandonar minha habitação terrestre, eu alcancei a beatitude do céu! Esta terra é a região sagrada dos Uttara-Kurus, ou a residência, chamada Amaravati, do chefe dos celestiais! Ó, o que são estas visões maravilhosas que eu contemplo?' Refletindo dessa maneira, o monarca finalmente viu aquele principal dos Rishis. Naquele palácio de ouro (dotado) de colunas (feitas) de pedras preciosas e jóias, estava o filho de Bhrigu esticado em uma cama cara e excelente. Com sua esposa ao seu lado o rei se aproximou com um coração deleitado do Rishi quando ele estava sobre aquela cama. Nisto, no entanto, Chyavana desapareceu rapidamente, com a própria cama sobre a qual ele estava. O rei então viu o Rishi em outra parte daqueles bosques sentado em uma esteira feita de grama Kusa, e engajado em recitar mentalmente alguns Mantras sublimes. Por seu poder-Yoga, assim mesmo aquele Brahmana confundiu o rei. Em um momento aquele bosque encantador, aqueles grupos de Apsaras, aqueles bandos de Gandharvas, aquelas árvores belas, todos desapareceram. A margem do Ganga ficou tão silenciosa quanto de hábito, e apresentou seu antigo aspecto, sendo coberta com grama Kusa e formigueiros. O rei Kusika com sua esposa tendo contemplado aquela visão muito extraordinária e também o seu rápido desaparecimento, ficou muito admirado. Com um coração muito satisfeito, o monarca se dirigiu a sua esposa e disse para ela, 'Veja, ó amável, as várias cenas e vistas agradáveis, que não se encontram em outro lugar, as quais nós dois há pouco testemunhamos! Tudo isto é devido à graça do filho de Bhrigu e à força das penitências dele. Pelas penitências se torna obtenível tudo aquilo que alguém nutre em sua imaginação. Penitências são superiores até à soberania sobre os três mundos. Por meio de penitências bem realizadas, a própria emancipação pode ser alcançada. Veja a força do Rishi Chyavana de grande alma e celeste, derivada de suas penitências. Ele pode, à sua vontade, criar até outros mundos (além daqueles que existem). Somente Brahmanas são nascidos neste mundo para obter fala e compreensão e atos que são sagrados. Quem mais além de Chyavana poderia fazer tudo isto? Soberania pode ser adquirida com facilidade. Mas a posição de Brahmana não é alcançável dessa maneira. Foi através da pujança de um Brahmana que nós fomos arreados a um carro como animais bem domados!' Estas reflexões que passaram pelo cérebro do rei se tornaram conhecidas por Chyavana. Averiguando os pensamentos do rei, o Rishi se dirigiu a ele e disse, 'Venha para cá rapidamente.' Assim endereçados, o rei e a rainha se aproximaram do grande asceta, e, inclinando suas cabeças, eles adoraram a ele que merecia adoração. Proferindo uma bênção sobre o monarca, o Rishi, possuidor de grande inteligência, ó chefe de homens, confortou o rei e disse, 'Sente naquele assento.' Depois disto, ó monarca, o filho de Bhrigu, sem astúcia ou insinceridade de qualquer tipo, gratificou o rei com muitas palavras gentis, e então disse, 'Ó rei, tu subjugaste completamente os cinco órgãos de ação e os cinco órgãos de conhecimento com a mente como seu sexto. Por isto tu saíste ileso da provação ardente que eu preparei para ti. Eu fui devidamente honrado e adorado, ó filho, por ti, ó principal de todas as pessoas possuidoras de fala. Tu não tens pecado, nem mesmo um minúsculo, em ti! Dê-me permissão, ó rei, pois eu agora procederei para o lugar de onde eu vim. Eu estou muito satisfeito contigo, ó monarca! Aceite o benefício que eu estou disposto a dar.'” "Kusika disse, 'Na tua presença, ó santo, eu tenho ficado como alguém permanecendo no meio de um fogo. Que eu ainda não tenha sido consumido, ó chefe da linhagem de Bhrigu, é suficiente! Este mesmo é o maior benefício que foi obtido, ó encantador de Bhrigu! Que tu tenhas sido satisfeito por mim, ó Brahmana, e que eu tenha conseguido salvar minha família da destruição, ó impecável, constituem no meu caso o melhor dos benefícios. Isto eu considero, ó Brahmana erudito, como uma evidência distinta da tua graça. O objetivo da minha vida foi realizado. Isto mesmo é o que eu considero o próprio fim da minha soberania. Este mesmo é o fruto mais elevado das minhas penitências! Se, ó Brahmana erudito, tu estás satisfeito comigo, ó alegrador de Bhrigu, então esclareça algumas dúvidas que estão em minha mente!'” 55 "Chyavana disse, 'Aceite uma bênção de mim. E também, ó chefe de homens, diga-me qual é a dúvida que está em tua mente. Eu certamente realizarei todos os teus propósitos.'” "Kusika disse, 'Se tu foste satisfeito por mim, ó santo, então, ó filho de Bhrigu, diga-me teu objetivo em residir no meu palácio por algum tempo, pois eu desejo saber isto. Qual foi teu objetivo em dormir na cama que eu te designei por vinte e um dias repetidamente, sem mudar de lados? Ó principal dos ascetas, qual também foi teu objetivo, além disso, em sair do quarto sem falar uma única palavra? Por que tu, também, sem qualquer razão aparente, te fizeste invisível, e novamente te tornaste visível? Por que, ó Brahmana erudito, tu te deitaste novamente na cama e dormiste como antes por vinte e um dias? Por qual razão tu saíste depois de teres sido esfregado por nós com óleo em vista do teu banho? Por que também, depois teres feito diversos tipos de alimento serem reunidos no meu palácio, tu os destruíste com a ajuda do fogo? Qual foi a causa da tua viagem repentina pela minha cidade no carro? Qual objetivo tu tinhas em vista ao doar tanta riqueza? Qual foi teu motivo em nos mostrar as maravilhas da floresta criadas por força-Yoga? Qual de fato foi teu motivo para mostrar, ó grande asceta, tantas mansões suntuosas feitas de ouro e tantas armações de cama suportadas por pilares de jóias, e pedras preciosas? Por que também todas estas maravilhas desapareceram da nossa visão? Eu desejo saber a causa de tudo isso. Ao pensar em todas essas tuas ações, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, eu fico confuso repetidamente. Eu fracasso em descobrir qual foi o motivo exato que te influenciou! Ó tu que és dotado de riqueza de penitências, eu desejo ouvir a verdade em detalhes acerca de todas aquelas tuas ações.’” "Chyavana disse, 'Ouça-me enquanto eu te conto em detalhes as razões que me incitaram em todos esses meus atos. Questionado por ti, ó monarca, eu não posso me recusar a te informar. Nos tempos passados, em uma ocasião, quando as divindades tinham se reunido, o Avô Brahman lhes disse algumas palavras. Eu as ouvi, ó rei, e logo as repetirei para ti.' ‘Por causa de uma contenda entre a energia Brahmana e a Kshatriya, ocorrerá uma mistura em minha linhagem. (O Avô falou de alguém se tornando um Kshatriya na linhagem de Bhrigu, e se referiu ao incidente como o resultado de uma mácula que seria transmitida àquela linhagem a partir da de Kusika.) Teu neto, ó rei, virá a ser dotado de grande energia e força.’ Ouvindo isto, eu vim para cá, resolvido a exterminar tua família. De fato, eu vim, ó Kusika, procurando o extermínio completo da tua raça, de fato, para reduzir todos os teus descendentes a cinzas. Impelido por este motivo eu fui ao teu palácio, ó monarca, e te disse, ‘Eu cumprirei um voto. Acompanhe-me e sirva-me respeitosamente.’ Enquanto residindo, no entanto, em tua casa, eu fracassei em descobrir quaisquer negligências em ti. É por esta razão, ó sábio nobre, que tu ainda estás vivo, pois de outra maneira agora tu estarias incluído entre os mortos. Foi com esta resolução que eu dormi por vinte e um dias na esperança de que alguém me despertasse antes de eu me levantar por minha própria vontade. Tu, no entanto, com tua esposa, não me despertaste. Mesmo então, ó melhor dos reis, eu fiquei satisfeito contigo. Levantando da minha cama eu saí do quarto sem abordar algum de vocês. Eu fiz isto, ó monarca, na esperança de que tu me questionarias e assim eu teria uma oportunidade de te amaldiçoar. Eu então me fiz invisível, e novamente me revelei no quarto do teu palácio, e, me dirigindo novamente ao Yoga, dormi por vinte e um dias. O motivo que me impeliu foi este. Esgotados com o esforço e famintos vocês dois ficariam zangados comigo e fariam o que fosse desagradável para mim. Foi com esta intenção que eu fiz tu e tua esposa serem afligidos pela fome. Em teu coração no entanto, ó rei, não surgiu o menor sentimento de ira ou vexação. Por isto, ó monarca, eu fiquei muito satisfeito contigo. Quando eu fiz diversos tipos de alimentos serem trazidos e então os incendiei, eu esperei que tu com tua esposa cedessem à cólera ao verem aquilo. Até aquele meu ato, no entanto, foi tolerado por ti. Eu então subi no carro, ó monarca, e me dirigi a ti, dizendo, 'Carreguem-me, tu com a tua esposa.' Tu fizeste o que eu ordenei, sem o menor escrúpulo, ó rei! Eu me enchi de satisfação por isto. As doações de riqueza que eu fiz não puderam provocar tua ira. Satisfeito contigo, ó rei, eu criei com a ajuda da minha pujança- Yoga aquela floresta a qual tu com tua esposa contemplaste aqui. Ouça, ó monarca, ao objetivo que eu tinha. Para gratificar a ti e à tua rainha eu te fiz ter um vislumbre do céu. Todas aquelas coisas que tu viste nestes bosques, ó monarca, são um antegozo do céu. Ó melhor dos reis, por um tempo curto eu fiz a ti e tua esposa contemplarem, mesmo nestes seus corpos terrestres, algumas visões do céu. Tudo isto foi feito para mostrar a força das penitências e a recompensa que está reservada para a virtude. O desejo que surgiu no teu coração, ó monarca, à visão daqueles objetos encantadores, é conhecido por mim. Tu te tornaste desejoso de obter a posição de Brahmana e o mérito das penitências, ó senhor da Terra, desconsiderando a soberania da terra, não somente isto, mas a soberania do próprio céu! Aquilo que tu pensaste, ó rei, foi exatamente isto. A posição de Brahmana é extremamente difícil de obter; depois de se tornar um Brahmana, é extremamente difícil obter a posição de um Rishi; e mesmo para um Rishi é difícil se tornar um asceta! Eu te digo que teu desejo será satisfeito. De ti, ó Kusika, surgirá um Brahmana, que receberá o teu nome. A pessoa que será a terceira na tua descendência obterá a posição de um Brahmana. Através da energia dos Bhrigus, teu neto, ó monarca, será um asceta dotado do esplendor do fogo. Ele sempre encherá de medo todos os homens, de fato, os habitantes dos três mundos. Eu te digo a verdade. Ó sábio nobre, aceite a bênção que está agora em tua mente. Eu logo sairei em uma viagem para todas as águas sagradas. O tempo está terminando.'” "Kusika disse, 'Esta, ó grande asceta, é uma bênção sublime no meu caso, pois tu foste satisfeito por mim. Que se realize o que tu disseste. Que meu neto se torne um Brahmana, ó impecável! De fato, que a posição de Brahmana se vincule à minha linhagem, ó santo. Este é o benefício que eu peço. Eu desejo novamente te questionar em detalhes, ó santo! De que maneira, ó encantador de Bhrigu, a posição de Brahmana se vinculará à minha família? Quem será meu amigo? Quem terá minha afeição e respeito?'" (Ou seja, qual pessoa da linhagem de Bhrigu concederá este grande benefício para minha família?) 56 "Chyavana disse, 'Eu certamente devo, ó chefe de homens, dizer a vocês tudo acerca da circunstância pela qual, ó monarca, eu vim para cá para exterminar tua linhagem. É bem conhecido, ó rei, que os Kshatriyas devem sempre ter a ajuda dos filhos de Bhrigu na questão de sacrifícios. Por um decreto irresistível do Destino, os Kshatriyas e os Bhargavas irão brigar. Os Kshatriyas, ó rei, matarão os descendentes de Bhrigu. Afligidos por uma ordenança do destino, eles exterminarão a linhagem de Bhrigu, não poupando nem os bebês nos úteros das mães. Então surgirá na família de Bhrigu um Rishi de nome Urva. Dotado de grande energia, em esplendor ele certamente parecerá com o fogo ou o sol. Ele irá nutrir tal cólera (após saber do extermínio da família dele) que será suficiente para consumir os três mundos. Ele será competente para reduzir a terra inteira com todas as suas montanhas e florestas a cinzas. Por pouco tempo ele abrandará as chamas daquela raiva ardente, jogando-a na boca da Égua que vaga pelo oceano. Ele terá um filho de nome Richika. Toda a ciência de armas, ó impecável, em sua forma incorporada, irá até ele para o extermínio de toda a classe Kshatriya, por um decreto do Destino. Recebendo aquela ciência por luz interior, ele irá, por pujança-Yoga, comunicá-la para seu filho, o altamente abençoado Jamadagni de alma purificada. Aquele tigre da raça Bhrigu manterá aquela ciência em sua mente. Ó tu de alma justa, Jamadagni se casará com uma moça, pegando-a de tua família, para espalhar sua glória, ó chefe dos Bharatas. Tendo obtido como esposa a filha de Gadhi e tua neta, ó rei, aquele grande asceta gerará um filho regenerado dotado de talentos Kshatriya. Na tua família nascerá um filho, um Kshatriya dotado das virtudes de um Brahmana. Possuidor de grande virtude, ele será o filho de Gadhi. Conhecido pelo nome de Viswamitra, ele em energia virá a ser considerado como igual ao próprio Vrihaspati, o preceptor dos celestiais. O ilustre Richika concederá este filho para tua família, este Kshatriya que será dotado de penitências superiores. Na questão desta troca de filhos, (isto é, um filho Kshatriya na família de Bhrigu e um filho Brahmana na tua família) a causa será duas mulheres. Tudo isto acontecerá por ordem do Avô. Isto nunca será de outra maneira. Àquele que é o terceiro em descendência de ti, a condição de Brahmana irá se vincular. Tu te tornarás um parente (por casamento) dos Bhargavas.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras do asceta Chyavana de grande alma, o rei Kusika se encheu de alegria, e deu a resposta nas seguintes palavras. De fato, ó melhor dos Bharatas, ele disse, 'Assim seja.' Dotado de grande energia, Chyavana mais uma vez se dirigiu ao rei, e incitou-o a aceitar um benefício dele mesmo. O rei respondeu, 'Muito bem, de ti, ó grande asceta, eu obterei a realização do meu desejo. Que a minha família venha a ser investida com a posição de Brahmana, e que ela sempre coloque seu coração na justiça.' O asceta Chyavana, assim solicitado, concedeu o pedido do rei, e despedindo-se do monarca, saiu em sua viagem planejada para as águas sagradas. Eu agora te disse tudo, ó Bharata, relativo às tuas perguntas, isto é, como os Bhrigus e os Kusikas se tornaram ligados um ao outro por casamento. De fato, ó rei, aconteceu como o Rishi Chyavana disse. O nascimento de Rama (da linhagem de Bhrigu) e de Viswamitra (da linhagem de Kusika) aconteceu da maneira que Chyavana tinha indicado.'" 57 "Yudhishthira disse, 'Ouvindo tuas palavras eu fico pasmo, ó avô! Refletindo que a terra está agora desprovida de um número muito grande de reis, todos os quais eram possuidores de grande prosperidade, meu coração se enche de dor. Tendo conquistado a terra e adquirido reinos contados às centenas, ó Bharata, eu fico angustiado, ó avô, ao pensar nos milhões de homens que eu massacrei. Ai, qual será a situação daquelas damas importantes que foram privadas por nós de maridos e filhos e tios maternos e irmãos? Tendo matado aqueles Kurus, nossos parentes, isto é, nossos amigos e benquerentes, nós teremos que ir para o inferno, cabeças (pendendo) para baixo. Não há dúvida disto. Eu desejo, ó Bharata, dirigir meu corpo para penitências severas. Com este fim em vista, ó rei, eu desejo receber instruções de ti.'” "Vaisampayana continuou, 'Bhishma de grande alma, ouvindo estas palavras de Yudhishthira, refletiu sobre elas intensamente com a ajuda de sua compreensão, e se dirigiu a Yudhishthira em resposta.'” "Bhishma disse, 'Ouça o que eu te digo. Isto é extremamente maravilhoso, e constitui um grande mistério. O tópico é o objetivo que as criaturas alcançam depois da morte como as recompensas de ações ou cursos de conduta específicos que elas seguem. Alguém chega ao Céu por meio de penitências. Por penitências alguém obtém fama. Por penitências, ó rei pujante, alguém obtém vida longa e todos os artigos de prazer. Por penitências alguém obtém conhecimento, ciência, saúde e liberdade de doença, beleza pessoal, prosperidade, e bem- aventurança, ó chefe da linhagem de Bharata. Por penitências se obtém riqueza. Por cumprir o voto de taciturnidade uma pessoa consegue trazer o mundo inteiro sob seu domínio. Por fazer doações alguém adquire todos os tipos de artigos agradáveis. Por cumprir o direito de Diksha alguém obtém nascimento em uma família boa e superior. Aqueles que passam suas vidas subsistindo somente de frutas e raízes (e evitando alimento cozido) conseguem obter reino e soberania. Aqueles que vivem das folhas de plantas e árvores como seu alimento conseguem chegar ao céu. Alguém que subsiste somente de água alcança o céu. Por fazer doações uma pessoa simplesmente aumenta sua riqueza. Por servir com reverência seu preceptor alguém adquire erudição. Por realizar Sraddhas todos os dias em honra de seus Pitris (espíritos dos mortos), alguém obtém um grande número de filhos. Por cumprir Diksha por meio de ervas cozidas e vegetais, alguém obtém um grande número de vacas. Aqueles que subsistem de grama e palha conseguem alcançar o céu. Por se banhar três vezes todos os dias com os ritos necessários alguém obtém um grande número de cônjuges. Por beber somente água alguém obtém residência nas regiões de Prajapati. O Brahmana que se banha todos os dias e recita Mantras sagrados nos crepúsculos, vem a ser possuidor da posição do próprio Daksha. Por cultuar as divindades em uma selva ou deserto, uma pessoa obtém um reino ou soberania, e por cumprir o voto de rejeitar o corpo por meio de um longo jejum, alguém ascende para o Céu. Alguém possuidor da riqueza de penitências e que sempre passa seus dias em Yoga obtém boas camas e assentos e veículos. Rejeitando o corpo por entrar em um fogo ardente, uma pessoa se torna um objeto de reverência na região de Brahman. Aqueles que se deitam sobre o chão duro e desguarnecido adquirem casa e camas. Aqueles que se vestem em trapos e cascas de árvores obtêm bons mantos e ornamentos. Por evitar os vários sabores agradáveis alguém consegue adquirir grande prosperidade. Por se abster de carne e peixe uma pessoa consegue filhos de vida longa. Alguém que passa algum tempo naquele modo de vida que é chamado de Udavasa vem a ser o próprio senhor do Céu. O homem que fala a verdade, ó melhor dos homens, consegue se divertir alegremente com as próprias divindades. Por fazer doações alguém adquire grande fama por causa de suas realizações sublimes. Por abstenção de crueldade alguém adquire saúde e liberdade de doença. Por servir Brahmanas com reverência se obtém reino e soberania, e a posição elevada de um Brahmana. Por fazer doações de água e outras bebidas se adquire fama eterna por grandes realizações. Por fazer doações de alimento se adquire diversos artigos de prazer. Alguém que dá paz para todas as criaturas (por se abster de lhes causar algum dano) vem a ser livre de todas as regiões. Por servir as divindades se obtém um reino e beleza celestial. Por introduzir luzes em lugares que são escuros e frequentados por homens alguém adquire uma boa visão. Por doar objetos bons e belos se adquire uma boa memória e compreensão. Por doar perfumes e guirlandas uma pessoa obtém fama que se espalha sobre uma grande área. Aqueles que se abstêm de raspar seu cabelo e barba conseguem obter filhos excelentes. Por praticar jejuns e Diksha e banhos, ó Bharata, por doze anos (segundo a ordenança), alguém alcança uma região que é superior àquela alcançável por heróis que não retornam. Por entregar uma filha para um noivo qualificado segundo a forma Brahma alguém obtém, ó melhor dos homens, escravos homens e mulheres e ornamentos e campos e casas. Por realizar sacrifícios e fazer jejuns se ascende para o Céu, ó Bharata. O homem que doa frutas e flores consegue adquirir conhecimento auspicioso. O homem que dá mil vacas com chifres adornados com ouro consegue alcançar o céu. Isto mesmo foi dito pelas próprias divindades em um conclave no céu. Alguém que doa uma vaca Kapila com seu bezerro, com um cântaro de bronze para ordenha, com chifres enfeitados com ouro, e possuidora de diversas outras habilidades, obtém a realização de todos os seus desejos a partir daquela vaca. Tal pessoa, em consequência daquela ação de doação, reside no céu por tantos anos quanto os pêlos que existem no corpo da vaca e resgata no mundo seguinte (da miséria do inferno) seus filhos e netos e toda sua família até o sétimo grau. As regiões dos Vasus se tornam alcançáveis para aquele homem que doa uma vaca com chifres belamente enfeitados com ouro, acompanhada por um jarro de bronze para ordenha, junto com um tecido bordado com ouro, uma medida de gergelim e uma soma de dinheiro como Dakshina. Uma doação de vacas resgata o doador no próximo mundo quando ele se encontra caindo na escuridão profunda do inferno e reprimido por suas próprias ações neste mundo, como um barco com velas que tem captado o ar salvando uma pessoa de se afogar no mar. Aquele que entrega uma filha de acordo com a forma Brahma para um homem qualificado, ou que faz uma doação de terra para um Brahmana, ou que dá alimento (para um Brahmana) segundo os ritos devidos, consegue chegar à região de Purandara. Aquele homem que faz uma doação de uma casa, equipada com todo tipo de mobília, para um Brahmana dado ao estudo Védico e possuidor de todas as habilidades e bom comportamento, adquire residência na região dos Uttara-Kurus. Por fazer doações de bois que puxam cargas, uma pessoa alcança a região dos Vasus. Doações de ouro levam ao céu. Doações de ouro puro levam a mérito ainda maior. Por fazer uma doação de um guarda-sol alguém adquire uma mansão suntuosa. Por fazer uma doação de um par de sandálias ou sapatos alguém obtém bons veículos. A recompensa vinculada a uma doação de tecidos é beleza pessoal, e por fazer doações de perfumes alguém se torna uma pessoa fragrante em sua vida seguinte. Alguém que dá flores e frutas e plantas e árvores para um Brahmana adquire, sem qualquer trabalho, uma mansão suntuosa ornada com mulheres belas e cheia de bastante riqueza. O doador de alimento e bebida de sabores diferentes e de outros artigos de prazer consegue adquirir um suprimento copioso de tais artigos. O doador, além disso, de casas e tecidos obtém artigos de um tipo similar. Não há dúvida acerca disto. Aquela pessoa que faz doações de guirlandas e incenso e perfumes e unguentos e dos artigos necessitados pelos homens depois de um banho, e de coroas florais, para Brahmanas, se torna livre de todas as doenças e possuidor de beleza pessoal, e se diverte em alegria na região reservada para reis grandiosos. O homem, ó rei, que faz para um Brahmana a doação de uma casa que está provida com grãos, mobiliada com camas, cheia de muita riqueza, auspiciosa e encantadora, adquire uma residência suntuosa. Aquele que dá para um Brahmana uma boa cama perfumada com perfumes fragrantes, coberta com um lençol excelente, e provida de travesseiros, ganha sem qualquer esforço de sua parte uma esposa bela, pertencente a uma família elevada e de conduta agradável. O homem que vai para um leito de herói no campo de batalha se torna igual ao próprio Avô Brahman. Não há fim mais elevado do que este. Isto mesmo é o que os grandes Rishis têm declarado.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras de seu avô, Yudhishthira, o alegrador dos Kurus, ficou desejoso do fim que está reservado para os heróis e não mais expressou qualquer desgosto em levar o modo de vida de um chefe de família. Então, ó principal dos homens, Yudhishthira, dirigindo-se a todos os outros filhos de Pandu, disse a eles, 'Que as palavras que nosso avô disse mereçam sua fé.' Nisto, todos os Pandavas com a famosa Draupadi entre eles, aplaudiram as palavras de Yudhishthira e disseram, 'Sim.'" 58 "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó chefe dos Bharatas, ouvir de ti quais são as recompensas que estão ligadas, ó melhor dos Kurus, ao plantio de árvores e à escavação de tanques.'” "Bhishma disse, 'Um pedaço de terra que é agradável para a visão, fértil, situado no meio de panoramas encantadores adornados com diversos tipos de metais, e habitado por todos os tipos de criaturas, é considerado como o principal dos locais. Uma parte específica de tal terra deve ser selecionada para a escavação de um tanque. Eu te falarei, na devida ordem, sobre os diferentes tipos de tanques. Eu também te direi quais os méritos que são atribuídos à escavação de reservatórios (com o propósito de tirar água para o benefício de todas as criaturas). O homem que faz um tanque ser cavado tem direito ao respeito e culto dos três mundos. Um tanque cheio de água é tão agradável e benéfico quanto a casa de um amigo. Ele é gratificante para o próprio Surya. Ele também contribui para o crescimento para as divindades. Ele é a principal de todas as coisas que levam à fama (com relação à pessoa que o faz ser escavado). Os sábios dizem que a escavação de um tanque contribui para o agregado de três, Virtude, Riqueza e Prazer. Um tanque é citado como sendo escavado apropriadamente se ele for feito em um pedaço de terra que é habitado por pessoas respeitáveis. Um tanque é citado como sendo útil para todos os quatro propósitos das criaturas vivas. Tanques, além disso, são considerados como constituindo a beleza excelente de um país. As divindades e seres humanos e Gandharvas e Pitris e Uragas e Rakshasas e até seres imóveis, todos recorrem a um reservatório cheio de água como seu refúgio. Eu irei, portanto, te dizer quais são os méritos que são citados por grandes Rishis como sendo vinculados aos tanques, e quais são as recompensas obteníveis pelas pessoas que fazem com que eles sejam escavados. Os sábios dizem que colhe o mérito de um sacrifício Agnihotra o homem em cujo reservatório a água é retida na estação das chuvas. A grande recompensa no mundo que é colhida pela pessoa que faz uma doação de mil vacas é obtida por aquele homem em cujo tanque a água é retida na estação do outono. A pessoa em cujo tanque a água se encontra na estação fria adquire o mérito de alguém que realiza um sacrifício com doações abundantes de ouro. Aquela pessoa em cujos reservatórios a água se encontra na estação do orvalho, ganha, os sábios dizem, os méritos de um sacrifício Agnishtoma. Aquele homem em cujo tanque bem feito a água se encontra na estação da primavera adquire o mérito do sacrifício Atiratra. Aquele homem em cujo tanque a água se encontra na estação do verão adquire, os Rishis dizem, os méritos ligados a um Sacrifício de Cavalo. Resgata toda a sua linhagem aquele homem em cujo tanque vacas são vistas aliviarem sua sede e do qual homens justos retiram sua água. Aquele homem em cujo tanque vacas matam sua sede como também outros animais e aves, e seres humanos, adquire os méritos de um Sacrifício de Cavalo. Qualquer quantidade de água que seja bebida do reservatório de alguém e qualquer quantidade que seja pega dele por outros para propósitos de banho, vem a ser toda armazenada para o benefício do escavador do reservatório e ele desfruta da mesma por dias intermináveis no mundo seguinte. Água, especialmente no outro mundo, é difícil de se obter, ó filho. Uma doação de bebida produz felicidade eterna. Faça doações de gergelim aqui. Faça doações de água. Também dê lâmpadas (para iluminar lugares escuros). Enquanto vivo e acordado, passe teu tempo em felicidade com parentes. Estas são ações as quais tu não poderás realizar no outro mundo. (Céu e Inferno são lugares somente para desfrute e tolerância. Lá não pode haver ações que levem a mérito ou demérito. Este mundo é o único lugar o qual é chamado de 'campo de ações'.) A doação de bebida, ó chefe de homens, é superior a todas as outras doações. A respeito de mérito ela é eminente acima de todas as outras doações. Portanto, faça doações de água. Exatamente assim os Rishis declararam quais são os grandes méritos da escavação de tanques. Eu irei agora te falar sobre o plantio de árvores. De objetos imóveis seis classes são citadas. Elas são Vrikshas (árvores grandes ou pequenas em geral), Gulmas (arbustos), Latas (trepadeiras que não podem crescer sem suporte), Vallis (trepadeiras cujos talos são mais como os das árvores do que como os das trepadeiras), Twaksaras (bambus), e Trinas (gramas) de diversas espécies. Estes são os vários tipos de vegetais. Escute agora ao mérito que se atribui ao seu plantio. Por plantar árvores alguém adquire fama no mundo dos homens e recompensas auspiciosas no mundo futuro. Tal homem é louvado e reverenciado no mundo dos Pitris. O nome de tal homem não perece nem mesmo quando ele se torna um habitante do mundo das divindades. O homem que planta árvores resgata os antepassados e descendentes de suas linhagens paterna e materna. Portanto, plante árvores, ó Yudhishthira! As árvores que um homem planta se tornam os filhos do plantador. Não há dúvida sobre isto. Partindo deste mundo, tal homem ascende para o Céu. Na verdade muitas regiões eternas de bem-aventurança se tornam dele. Árvores agradam as divindades por suas flores; os Pitris por seus frutos; e todos os convidados e desconhecidos pela sombra que elas dão. Kinnaras e Uragas e Rakshasas e divindades e Gandharvas e seres humanos, como também Rishis, todos recorrem às árvores como seu refúgio. As árvores que carregam flores e frutas satisfazem todos os homens. O plantador de árvores é salvo no mundo seguinte pelas árvores que ele planta como filhos resgatando seu próprio pai. Portanto, o homem que está desejoso de realizar seu próprio bem deve plantar árvores ao lado de reservatórios e cuidar delas como seus próprios filhos. As árvores que um homem planta são, de acordo com a razão e as escrituras, os filhos do plantador. Aquele Brahmana que escava um tanque, aquele que planta árvores, e aquele que realiza sacrifícios, são todos adorados no céu assim como homens que são devotados à veracidade de palavra. Então uma pessoa deve fazer tanques serem escavados e árvores serem plantadas, adorar as divindades em diversos sacrifícios, e falar a verdade.'" 59 "Yudhishthira disse, 'Entre todas aquelas doações que são mencionadas nos tratados excetos os Vedas, qual doação, ó chefe da linhagem de Kuru, é a mais notável na tua opinião? Ó pujante, é grande a curiosidade que eu sinto com respeito a esta questão. Fale-me também daquela doação que segue doador para o mundo seguinte.'” "Bhishma disse, 'Uma garantia para todas as criaturas de amor e afeição e abstenção de todos os tipos de injúria, ações de bondade e favores feitos para uma pessoa em situação difícil, doações de artigos feitos para alguém que os solicita com ansiedade e de acordo com os desejos do solicitador, e quaisquer doações que sejam feitas sem o doador alguma vez pensar nelas como doações feitas por ele, constituem, ó chefe da linhagem de Bharata, as melhores e mais elevadas das doações. Doações de ouro, doações de vacas, e doações de terra, estas são consideradas como purificadoras de pecados. Elas salvam o doador de suas más ações. Ó chefe de homens, sempre faça tais doações para aqueles que são justos. Sem dúvida, doações salvam o doador de todos os seus pecados. Aquela pessoa que deseja fazer suas doações eternas deve sempre doar para pessoas possuidoras das qualificações necessárias quaisquer artigos que sejam desejados por todos e quaisquer coisas que sejam as melhores em sua casa. O homem que faz doações de coisas agradáveis e que faz para outros o que é agradável para eles, sempre consegue obter coisas que são agradáveis para ele mesmo. Tal pessoa sem dúvida se torna agradável para todos, aqui e após a morte. Ó Yudhishthira, é um canalha cruel aquele homem que, por vaidade, não atende, à extensão de seus meios, aos desejos de alguém que é pobre e desamparado, e que pede auxílio. É na verdade o principal dos homens aquele que demonstra benevolência até por um inimigo desamparado caído em infortúnio, quando tal inimigo se apresenta e suplica por ajuda. Nenhum homem é igual (em mérito) àquele que satisfaz a fome de uma pessoa que é emaciada, possuidora de erudição, desprovida dos meios de sustento, e enfraquecida pela miséria. Alguém deve sempre, ó filho de Kunti, dissipar por todos meios em seu poder o infortúnio de pessoas justas praticantes de votos e ações, que, embora desprovidas de filhos e cônjuges e mergulhadas em miséria, ainda assim não solicitam outros por qualquer tipo de ajuda. Aquelas pessoas que não proferem bênçãos sobre as divindades e homens (na expectativa de doações), que são merecedoras de reverência e sempre contentes, e que subsistem de esmolas tais como as que elas conseguem sem pedidos de qualquer tipo, são consideradas como verdadeiras cobras de veneno virulento. Ó Bharata, sempre te proteja delas por lhes fazer doações. Elas são competentes para compor os principais dos Ritwikas. Tu deves descobri-los por meio dos teus espiões e agentes. Tu deves honrar aqueles homens por meio de doações de boas casas equipadas com todos os artigos necessários, com escravos e homens serventes, com bons mantos e vestimentas, ó filho de Kuru, e com todos os artigos competentes para contribuir para o prazer e felicidade de alguém. Homens justos de ações justas devem fazer tais doações, impelidos pelo motivo que é seu dever agir dessa maneira e não pelo desejo de colher quaisquer recompensas disso. Na verdade bons homens devem agir dessa maneira para que os homens virtuosos descritos acima não possam, ó Yudhishthira, sentir qualquer indisposição para aceitar aquelas doações santificadas por fé e devoção. Há pessoas banhadas em erudição e banhadas em votos. Sem depender de ninguém eles obtêm seus meios de subsistência. Estes Brahmanas de votos rígidos são dedicados ao estudo Védico e penitências sem proclamarem suas práticas para ninguém. Quaisquer doações que tu possas fazer para aquelas pessoas de comportamento puro, de domínio completo sobre seus sentidos, e sempre satisfeitas com suas próprias esposas na questão de desejo, sem dúvida ganharão para ti um mérito que te acompanhará para todos os mundos para os quais tu possas ir. Alguém colhe o mesmo mérito por fazer doações para pessoas regeneradas de almas controladas o qual alguém ganha por despejar devidamente libações no fogo sagrado de manhã e à noite. Este mesmo é o sacrifício distribuído por ti, um sacrifício que é santificado pela fé e devoção e que é dotado de Dakshina. Ele é eminente sobre todos os outros sacrifícios. Que este sacrifício flua de ti incessantemente conforme tu doas. (Este sacrifício é o sacrifício de doações. 'Distribuir um sacrifício' significa distribuir os artigos e colocá-los em ordem apropriada em vista do sacrifício.) Realizado por causa de tais homens, ó Yudhishthira, um sacrifício no qual a água que é salpicada para oferecer as doações constitui as oblações em honra dos Pitris, e a devoção e culto prestado para semelhantes homens superiores serve para livrar alguém dos débitos que ele tem com as divindades. (O sentido é este: doações feitas para tais Brahmanas superiores servem para livrar uma pessoa dos débitos que ela tem com as divindades. A 'água de doações' significa a água que o doador salpica, com uma folha de grama Kusa, sobre o artigo doado, dizendo, 'Eu dou isto'. No sacrifício constituído por doações, tal água é como a consagração de oferendas para os Pitris.) Aquelas pessoas que não cedem à ira e que nunca desejam pegar nem uma folha de grama pertencente a outros, como também aquelas que são de fala agradável, merecem receber de nós o culto mais reverente. Tais pessoas e outras (porque são livres do desejo) nunca prestam seus respeitos ao doador. Nem eles se esforçam para obter doações. Eles devem, no entanto, ser tratados pelos doadores como eles tratariam seus próprios filhos. Eu inclino minha cabeça para eles. Deles também o Céu e o Inferno podem vir a ser de alguém; (se satisfeitos, eles concedem o Céu, se zangados, eles lançam no Inferno). Ritwiks e Purohitas e preceptores, quando familiarizados com os Vedas e quando se comportando gentilmente em direção a discípulos, se tornam de tal modo. Sem dúvida, a energia Kshatriya perde sua força sobre um Brahmana quando o enfrenta. Pensando que tu és um rei, que tu possuis grande poder, e que tu tens riqueza, ó Yudhishthira, não desfrute de tua riqueza sem dares alguma coisa para os Brahmanas. Cumprindo os deveres da tua própria classe, cultue os Brahmanas com qualquer riqueza que tiveres, ó impecável, para propósitos de adorno ou sustentar teu poder. Deixe os Brahmanas viverem de qualquer maneira que eles queiram. Tu deves sempre inclinar tua cabeça para eles com reverência. Deixe que eles sempre se regozijem em ti como teus filhos, vivendo felizmente e segundo seus desejos. Quem mais além de ti, ó melhor dos Kurus, é competente para fornecer os meios de subsistência para Brahmanas que são dotados de contentamento eterno, que são teus benquerentes, e que são satisfeitos somente com um pouco? Como as mulheres têm um dever eterno neste mundo, isto é, dependência e serviço obediente a seus maridos, e como tal dever constitui seu único fim, assim mesmo o serviço para os Brahmanas é nosso dever e fim eterno. Se, à visão de crueldade e outras ações pecaminosas em Kshatriyas, os Brahmanas, ó filho, não respeitados por nós, abandonarem todos nós, eu digo, de que utilidade a vida seria para nós, na ausência de todo contato com os Brahmanas, especialmente porque nós então teríamos que nos arrastar em nossa existência sem poder estudar os Vedas, realizar sacrifícios, esperar por mundos de bem-aventurança após a morte, e realizar façanhas grandiosas? Eu irei, com relação a isto, te dizer qual é o costume eterno. Antigamente, ó rei, os Kshatriyas costumavam servir os Brahmanas. O Vaisya de maneira similar costumava naqueles tempos cultuar a classe real, e o Sudra cultuar o Vaisya. Isto mesmo é o que é ouvido. O Brahmana era como um fogo ardente. Sem poder tocá-lo ou se aproximar de sua presença, o Sudra costumava servir o Brahmana de uma distância. Era somente o Kshatriya e o Vaisya que podiam servir o Brahmana por tocar sua pessoa ou se aproximar da sua presença. Os Brahmanas são dotados de uma disposição gentil. Eles são verdadeiros em comportamento. Eles são seguidores da religião verdadeira. Quando zangados, eles são como cobras de veneno virulento. Sendo tal sua natureza, ó Yudhishthira, os sirva e atenda com obediência e reverência. Os Brahmanas são superiores até àqueles que são mais altos do que os altos e os baixos. A energia e penitências, mesmo daqueles Kshatriyas que resplandecem com energia e poder, se tornam impotentes e neutralizadas quando elas entram em contato com os Brahmanas. Meu próprio pai não é mais caro para mim do que os Brahmanas. Minha mãe não é mais cara para mim do que eles. Meu avô, ó rei, não é mais caro, meu próprio eu não é mais caro, minha própria vida não é mais cara, ó rei, para mim do que os Brahmanas! Sobre a terra não há nada, ó Yudhishthira, que seja mais caro para mim do que tu. Mas, ó chefe da linhagem de Bharata, os Brahmanas são mais caros para mim até do que tu. Eu te digo realmente, ó filho de Pandu! Eu juro por esta verdade, pela qual eu espero alcançar todas aquelas regiões de felicidade que têm sido de Santanu. Eu contemplo aquelas regiões sagradas com Brahma brilhando visivelmente perante elas. Eu me dirigirei para lá, ó filho, e residirei nelas por dias intermináveis. Contemplando aquelas regiões, ó melhor dos Bharatas (com meus olhos espirituais), eu estou cheio de deleite ao pensar em todas aquelas ações as quais eu tenho feito em ajuda e honra dos Brahmanas, ó monarca!'" 60 "Yudhishthira disse, 'Para qual dos dois Brahmanas, quando acontece de ambos serem igualmente puros em comportamento, igualmente possuidores de erudição e pureza, de nascimento e sangue, mas diferindo um do outro somente nisto: que um pede e o outro não, eu pergunto, ó avô, para qual destes dois uma doação seria mais meritória?’" "Bhishma disse, 'É dito, ó filho de Pritha, que uma doação feita para uma pessoa que não solicita é produtiva de maior mérito do que uma feita para uma pessoa que solicita. Alguém possuidor de contentamento é sem dúvida mais merecedor do que aquela pessoa que é desprovida daquela virtude e é, portanto, impotente entre as tempestades e desgraças do mundo. A firmeza de um Kshatriya consiste na proteção que ele dá para outros. A firmeza de um Brahmana consiste em sua recusa em pedir. O Brahmana possuidor de constância e erudição e contentamento alegra as divindades. Os sábios dizem que um ato de solicitação da parte de um homem pobre é uma grande vergonha. Aquelas pessoas que pedem para outros são citadas como incomodando o mundo como ladrões e assaltantes. (No Santi Parva, Bhishma instrui que mendigos sejam expulsos de vilas e cidades como indivíduos aborrecedores de pessoas respeitáveis. Isto, no entanto, se aplica a mendigos profissionais, e não a pessoas em verdadeiro infortúnio.) A pessoa que pede é citada como se encontrando com a morte. O doador, no entanto, é citado como não se encontrando com a morte. É dito que o doador concede vida para aquele que solicita. Por um ato de doação, ó Yudhishthira, o doador salva a si mesmo também. A compaixão é uma virtude muito elevada. Que as pessoas façam doações por compaixão para aqueles que pedem. Aqueles, no entanto, que não mendigam, mas que estão mergulhados na pobreza e miséria devem ser convidados respeitosamente a receber ajuda. Se tais Brahmanas, que devem ser considerados como os principais de sua classe, vivem em teu reino, tu deves considerá-los como fogo coberto com cinzas. Resplandecendo com penitências, eles são capazes de consumir a terra inteira. Tais pessoas, ó filho da linhagem de Kuru, embora geralmente não adoradas, ainda devem ser consideradas como dignas de culto de todas as maneiras. Dotadas de conhecimento e visão espiritual e penitências e Yoga, tais pessoas sempre merecem nosso culto. Ó opressor de inimigos, sempre ofereça culto para semelhantes Brahmanas. Uma pessoa deve se dirigir por sua própria vontade para aqueles principais dos Brahmanas que não pedem e lhes fazer doações de diversos tipos de riqueza em abundância. O mérito que flui de se derramar libações no fogo sagrado adequadamente toda manhã e noite é ganho pela pessoa que faz doações para um Brahmana dotado de erudição, dos Vedas e de votos sublimes e excelentes. Tu deves, ó filho de Kunti, convidar aqueles principais dos Brahmanas que são purificados pelo conhecimento e pelos Vedas e votos, que vivem em independência, cujo estudo Védico e penitências estão escondidos sem serem anunciados publicamente, e que são cumpridores de votos excelentes, e honrá-los com doações de casas bem construídas e encantadoras equipadas com servidores e mantos e mobília, e com todos os outros artigos de prazer e divertimento. Conhecedores de todos os deveres e possuidores de visão perfeita, aqueles principais dos Brahmanas, ó Yudhishthira, podem aceitar os presentes oferecidos para eles com devoção e respeito, pensando que eles não devem recusar e desapontar o doador. Tu deves convidar aqueles Brahmanas cujas esposas esperam por seu retorno como agricultores na expectativa de chuva. Tendo-os alimentado bem tu deves fazer doações de comida adicional para eles, para que após sua volta para casa suas esposas expectantes possam distribuir aquele alimento entre seus filhos que tinham clamado por comida mas que foram acalmados com promessas. Brahmacharins de sentidos controlados, ó filho, por comerem na casa de alguém de manhã, fazem os três fogos sacrificais serem satisfeitos com o chefe de família em cuja casa eles comem. Que o sacrifício da doação proceda em tua casa ao meio-dia, ó filho, e também doe vacas e ouro e mantos (para teus convidados depois de alimentá-los bem). Por te comportares dessa maneira, tu sem dúvida agradarás o próprio chefe dos celestiais. Este constituiria teu terceiro sacrifício, ó Yudhishthira, no qual oferendas são feitas para as divindades, os Pitris, e os Brahmanas. Por tal sacrifício tu com certeza gratificarás os Viswedevas. Que compaixão por todas as criaturas, dar para todas as criaturas o que é devido a elas, controle dos sentidos, renúncia, constância, e verdade, constituam o banho final daquele sacrifício que é constituído por doações. Este mesmo é o sacrifício que é estendido para ti, um sacrifício que é santificado por devoção e fé, e que tem um grande Dakshina vinculado a ele. Este sacrifício que é constituído por doações é eminente sobre todos os outros sacrifícios, ó filho, que este sacrifício seja sempre realizado por ti.'" 61 "Yudhishthira disse, 'Eu desejo saber em detalhes, ó Bharata, onde alguém encontra com as grandes recompensas de doações e sacrifícios. Aquelas recompensas são ganhas aqui ou elas vêm depois da morte? Qual entre estes dois (doação e sacrifício) é considerado como produtivo de mérito superior? Para quem doações devem ser feitas? De que maneira doações e sacrifícios devem ser feitos? Quando também eles devem ser feitos? Eu te pergunto tudo isso, ó antepassado erudito! Discurse para mim sobre o dever das doações! Diga-me, ó avô, qual leva à maior recompensa, isto é, doações feitas da plataforma sacrifical ou aquelas feitas fora daquele local?’” 'Bhishma disse, 'Ó filho, um Kshatriya está geralmente empenhado em atos de violência. No seu caso, sacrifícios e doações são considerados como purificadores e santificadores deles. Aqueles que são bons e justos não aceitam presentes de pessoas da classe real que são dadas a ações pecaminosas. Por esta razão, o rei deve realizar sacrifícios com presentes abundantes na forma de Dakshina. (Sacrifícios são um meio de doar para Brahmanas.) Se os bons e justos aceitarem as doações feitas para eles, o Kshatriya, ó monarca, deve constantemente fazer doações com devoção e fé para eles. Doações são produtivas de grande mérito, e são altamente purificadoras. Cumpridor de votos, alguém deve realizar sacrifícios e gratificar com riqueza Brahmanas tais como os que são amigos de todas as criaturas, possuidores de virtude, familiarizados com os Vedas, e preeminentes por ações, conduta, e penitências. Se tais Brahmanas não aceitam teus presentes, nenhum mérito vem a ser teu. Realize sacrifícios com Dakshina copioso, e faça doações de alimento bom e agradável para aqueles que são virtuosos. Por fazer um ato de doação tu deves te considerar como realizando um sacrifício. Tu deves adorar com presentes aqueles Brahmanas que realizam sacrifícios. Por fazer isto tu obterás uma parte dos méritos daqueles sacrifícios deles. Tu deves sustentar Brahmanas que possuem filhos e que são capazes de enviar pessoas para o Céu. Por te comportares dessa maneira tu sem dúvida conseguirás uma grande progênie, de fato uma progênie tão grande quanto a do próprio Prajapati. Aqueles que são justos mantêm e auxiliam a causa de todas as ações justas. Uma pessoa deve, por dar tudo de si, sustentar tais homens como também aqueles que fazem bem para todas as criaturas. Tu mesmo estando no desfrute de riqueza, ó Yudhishthira, faça para os Brahmanas doações de vacas e bois e alimento e guarda-sóis, e mantos e sandálias ou sapatos. Dê para Brahmanas sacrificantes manteiga clarificada, como também comida e carros e veículos com cavalos atrelados a eles, e moradias e mansões e camas. Tais doações são repletas de prosperidade e riqueza para o doador, e são consideradas como puras, ó Bharata. Aqueles Brahmanas que não são criticáveis por alguma coisa que eles fazem, e que não têm meios de sustento designados para eles, devem ser procurados. Veladamente ou publicamente cuide de tais Brahmanas por lhes atribuir os meios de sustento. Tal conduta sempre confere maior benefício para Kshatriyas do que o Rajasuya e os Sacrifícios de Cavalo. Purificando-te do pecado, tu sem dúvida alcançarás o Céu. Enchendo tua tesouraria tu deves fazer bem para o teu reino. Por tal conduta tu com certeza ganharás muita riqueza e te tornarás um Brahmana (em tua próxima vida). Ó Bharata, proteja teus próprios meios (de sustento e de fazer atos de virtude), como também os meios de subsistência de outras pessoas. Sustente teus empregados como teus próprios filhos. Ó Bharata, proteja os Brahmanas no desfrute do eles têm e faça doações para eles de artigos tais como os que eles não têm. Que tua vida seja dedicada ao propósito dos Brahmanas. Que nunca seja dito que tu não concedes proteção para os Brahmanas. Muita riqueza ou afluência, quando possuída por um Brahmana, se torna uma fonte de mal para ele. Associação constante com riqueza e prosperidade seguramente o encherá de orgulho e fará com que ele fique confuso (a respeito dos seus verdadeiros deveres). Se os Brahmanas ficam entorpecidos e imersos em insensatez, virtude e deveres com certeza sofrem destruição. Sem dúvida, se a virtude e o dever acabarem, isto levará à destruição de todas as criaturas. Aquele rei que tendo acumulado riqueza a transfere para seus oficiais da tesouraria e guardas (para mantê-la segura), e então começa novamente a pilhar seu reino, dizendo para seus oficiais, 'Tragam-me tanta riqueza quanto vocês possam extorquir do reino,' e que gasta a riqueza que é assim arrecadada por sua ordem sob circunstâncias de medo e crueldade na realização de sacrifícios, deve saber que aqueles seus sacrifícios nunca são aprovados pelos justos. O rei deve realizar sacrifícios com riqueza tal como a que é paga de bom grado para sua tesouraria por súditos prósperos e não perseguidos. Sacrifícios nunca devem ser realizados com riqueza adquirida por meio de severidade e extorsão. O rei deve então realizar sacrifícios grandiosos com grandes presentes na forma de Dakshina, quando por ser dedicado ao bem de seus súditos, os últimos o banham com chuvas copiosas de riqueza trazidas de bom grado por eles para o propósito. O rei deve proteger a riqueza daqueles que são idosos, daqueles que são menores de idade, daqueles que são cegos, e daqueles que são inabilitados de outras maneiras. O rei nunca deve pegar alguma riqueza de seu povo se eles, em uma estação de seca, conseguem fazer crescer algum cereal com a ajuda de água obtida de poços. Nem ele deve tirar alguma riqueza de mulheres lacrimosas. (Mulheres lacrimosas significa mulheres privadas de recursos e, portanto, incapazes de pagar.) A riqueza tirada dos pobres e dos desamparados sem dúvida destrói o reino e a prosperidade do rei. O rei deve sempre fazer para os virtuosos doações de todos os artigos agradáveis em abundância. Ele deve certamente dissipar o medo da fome o qual aqueles homens possam ter. Não há homens mais pecaminoso do que aquele para cuja comida crianças olham com desejo sem poderem comê-la devidamente. Se dentro do teu reino algum Brahmana erudito enlanguesce com fome como alguma daquelas crianças, tu então incorrerás no pecado de feticídio por teres permitido tal ação. O próprio rei Sivi disse isto: 'Que vergonha para aquele rei em cujo reino um Brahmana ou mesmo algum outro homem enlanguesce de fome!' Aquele reino no qual um Brahmana da classe Snataka enlanguesce com fome vem a ser dominado pela adversidade. Tal reino com seu rei também atrai crítica. Está mais morto do que vivo aquele rei em cujo reino mulheres são facilmente sequestradas do meio de maridos e filhos, proferindo gritos e gemidos de indignação e angústia. Os súditos devem se armar para matar aquele rei que não os protege, que simplesmente pilha sua riqueza, que confunde todas as distinções, que é sempre incapaz de tomar sua liderança, que é sem compaixão, e que é considerado como o mais pecaminoso dos reis. Aquele rei que diz para seu povo que ele é seu protetor mas que não o faz ou não pode protegê-los, deve ser morto por seus súditos combinados, como um cachorro que foi afetado pela raiva e que ficou louco. Uma quarta parte de quaisquer pecados que sejam cometidos pelos súditos se aferram àquele rei que não os protege, ó Bharata. Algumas autoridades dizem que o total daqueles pecados é recebido por semelhante rei. Outros são de opinião que uma metade deles vem a ser dele. Tendo em mente, no entanto, a declaração de Manu, é nossa opinião que uma quarta parte de tais pecados vem a ser do rei não protetor. Aquele rei, ó Bharata, que concede proteção para seus súditos obtém uma quarta parte de quaisquer méritos que seus súditos adquiram vivendo sob sua proteção. Ó Yudhishthira, aja de tal maneira que todos os teus súditos possam te procurar como sua proteção enquanto tu estiveres vivo, assim como todas as criaturas procuram a proteção da divindade da chuva ou como os habitantes alados do ar procuram a proteção de uma árvore grande. Que todos os teus parentes e todos os teus amigos e benquerentes, ó opressor de inimigos, te procurem como seu refúgio assim como os Rakshasas procuram Kuvera ou as divindades procuram Indra como o deles.'" "Yudhishthira disse, 'As pessoas aceitam com afeição as declarações dos Srutis que dizem, 'Isto é para ser dado.' 'Esta outra coisa é para ser dada!' Com relação aos reis, além disso, eles fazem doações de várias coisas para vários homens. Qual, no entanto, ó avô, é a melhor ou principal de todas as doações?'” "Bhishma disse, 'De todos os tipos de doações, a doação de terra é citada como sendo a primeira (a respeito de mérito). A terra é imóvel e indestrutível. Ela é capaz de produzir para aquele que a possui todas as melhores coisas sobre as quais seu coração pode estar colocado. Ela produz mantos e vestimentas, jóias e pedras preciosas, animais, arroz e cevada. Entre todas as criaturas, o doador de terra cresce em prosperidade para sempre. Enquanto a terra dura o doador de terra cresce em prosperidade. Não há doação que seja maior, ó Yudhishthira, do que a doação de terra. É ouvido por nós que todos os homens têm dado uma pequena quantidade de terra. Todos os homens têm feito doações de terra, por essa razão todos os homens desfrutam de um pouco de terra. Neste ou no mundo seguinte todas as criaturas vivem sob condições dependentes de suas próprias ações. A Terra é a própria Prosperidade. Ela é uma deusa poderosa. Ela faz seu senhor (na próxima vida) aquele que faz doações dela nesta vida para outras pessoas. Aquela pessoa, ó melhor dos reis, que dá terra, a qual é indestrutível, como Dakshina, vem a nascer na próxima vida como um homem e se torna também um senhor de terra. A medida do prazer de alguém nesta vida é compatível com a medida de suas doações em uma vida prévia. Esta mesma é a conclusão para a qual as escrituras apontam. Pois um Kshatriya deve ou dar a terra em doação ou rejeitar sua vida em batalha. Isto mesmo constitui a maior fonte de prosperidade com relação aos Kshatriyas. É sabido por nós que a terra, quando doada, purifica e santifica o doador. O homem que é de comportamento pecaminoso, que é culpado até da morte de um Brahmana e de falsidade, é purificado por uma doação de terra. De fato, tal doação salva até semelhante pecador de todos os seus pecados. Os justos aceitam somente doações de terra e nenhuma outra coisa de reis que são pecaminosos. Como uma mãe, a terra, quando doada, purifica o doador e o recebedor. Este é um nome eterno e secreto da terra, isto é, Priyadatta. (O comentador explica que porque é dada por alguém que é caro ou dada para alguém que é caro, portanto ela é chamada de Priyadatta.) Doada ou aceita em doação, o nome que é querido para ela é Priyadatta. A doação de terra é desejável. O rei que faz uma doação de terra para um Brahmana erudito obtém um reino daquela doação. Após renascer neste mundo, tal homem sem dúvida alcança uma posição que é igual àquela de um rei. Por isso um rei logo que ele obtém terra deve fazer doações de terra para os Brahmanas. Ninguém exceto um senhor de terra é competente para fazer doações de terra. Nem alguém que não é uma pessoa merecedora deve aceitar uma doação de terra. Aqueles que desejam terra devem, sem dúvida, se comportar dessa maneira (isto é, fazer doações de terra). Aquela pessoa que rouba a terra pertencente a uma pessoa justa nunca adquire alguma terra. Por fazer doações de terra para os justos alguém adquire boa terra. De alma virtuosa, tal doador obtém grande renome aqui e após a morte. Aquele rei justo a respeito de quem os Brahmanas dizem, 'Nós vivemos na terra dada a nós por ele' é tal que seus próprios inimigos não podem proferir a menor crítica a respeito de seu reino. Quaisquer pecados que um homem cometa por falta dos meios de sustento são todos purificados pela doação de somente tanta terra quanto seja coberta por uma pele bovina. Aqueles reis que são vis em suas ações ou são de atos violentos, devem ser ensinados que a doação de terra é extremamente purificadora e é ao mesmo tempo a maior doação (a respeito de mérito). Os antigos pensavam que havia sempre muito pouca diferença entre o homem que realiza um Sacrifício de Cavalo e aquele que faz uma doação de terra para alguém que é justo. Os eruditos têm dúvidas da aquisição de mérito por fazer todas as outras ações de virtude. A única ação com respeito à qual eles não nutrem dúvida é a doação de terra a qual, de fato, é a principal de todas as doações. O homem de sabedoria que faz doações de terra, doa todos estes, isto é, ouro, prata, tecido, jóias e pérolas e pedras preciosas. Penitências, sacrifícios, erudição Védica, bom comportamento, ausência de cobiça, firmeza na verdade, culto aos mais velhos, preceptores, e às divindades, todos moram naquele que faz uma doação de terra. Aqueles que ascendem para a região de Brahman por perderem suas vidas em batalha, depois de terem lutado sem qualquer consideração por si mesmos para assegurar o benefício para seus mestres, até eles são incapazes de transcender o mérito daqueles que fazem doações de terra. Como a mãe sempre nutre seu próprio filho com leite de seu peito, assim mesmo a terra satisfaz com todos os gostos a pessoa que faz uma doação de terra. Mrityu, Vaikinkara, Danda, Yama, o Fogo que é possuidor de grande ferocidade, e todos os pecados hediondos e terríveis não podem tocar a pessoa que faz uma doação de terra. Aquele homem de alma tranquila que faz uma doação de terra gratifica (por aquela ação) os Pitris habitando em sua própria região e as divindades também aclamando da região que é delas. O homem que faz um presente de terra para alguém que está emaciado e triste e desprovido dos meios de vida e enlanguescendo com fraqueza, e que assim o supre com os meios de subsistência, vem a ter o direito à honra e mérito da realização de um sacrifício. Assim como uma vaca afetuosa corre na direção de seu bezerro, com úberes cheios pingando leite, a terra altamente abençoada, da mesma maneira, corre em direção à pessoa que faz uma doação de terra. Aquele homem que faz para um Brahmana uma doação de terra que tem sido cultivada, ou semeada com sementes ou que contém colheitas em pé, ou uma mansão bem equipada com tudo o que é necessário, consegue se tornar (na próxima vida) o realizador dos desejos de todos. O homem que faz um Brahmana possuidor dos meios de vida, possuidor de um fogo doméstico e de votos e práticas puros aceitar um presente de terra, nunca cai em algum perigo ou infortúnio. Como a lua aumenta dia a dia, assim mesmo o mérito de uma doação de terra vem a ser aumentado toda vez que tal terra produz colheitas. Aqueles que conhecem a história antiga cantam este verso com relação à doação de terra. Ouvindo aquele verso o filho de Jamadagni (Rama) doou a terra inteira para Kasyapa. O verso ao qual eu me refiro é (esta declaração da própria terra): 'Receba-me em doação. Doe-me. Por me doar, tu (ó doador) me obterá novamente!' Aquilo que é doado nesta vida é readquirido na próxima. Aquele Brahmana que recita esta declaração sublime dos Vedas na hora de um Sraddha obtém a maior recompensa. Uma doação de terra é uma grande expiação para o pecado daqueles homens pujantes que se dirigem aos ritos Atharvan para prejudicar outros. De fato, por fazer uma doação de terra alguém resgata dez gerações de sua linhagem paterna e materna. Aquela pessoa que é mesmo conhecedora desta declaração Védica a respeito dos méritos de uma doação de terra consegue resgatar dez gerações de suas famílias paterna e materna. A terra é a fonte original de todas as criaturas (pois é da terra que todas as criaturas derivam seu sustento). É dito que a divindade do fogo é o gênio que preside a terra. Depois que é realizada a cerimônia de coroação de um rei, esta declaração Védica deve ser recitada para ele, para que ele possa fazer doações de terra e nunca possa tirar a terra de uma pessoa justa. Sem dúvida, toda a riqueza possuída pelo rei pertence aos Brahmanas. Um rei bom conhecedor da ciência do dever e moralidade é o primeiro requisito da prosperidade do reino. Aquelas pessoas cujo rei é injusto e ateu em conduta e crença nunca podem ser felizes. Tais pessoas nunca podem dormir ou acordar em paz. Por suas ações de perversidade seus súditos estão sempre cheios de ansiedade. Proteção do que os súditos já têm e novas aquisições segundo os meios legais são os incidentes que não são visíveis no reino de tal soberano. Aquelas pessoas, além disso, que têm um rei sábio e justo, dormem tranquilamente e acordam em felicidade. Pelas ações abençoadas e justas de tal rei, seus súditos ficam livres de ansiedade. Os súditos, impedidos de fazerem más ações, crescem em prosperidade por sua própria conduta. Capazes de manter o que têm, eles continuam fazendo novas aquisições. Aquele rei que faz doações de terra é considerado bem nascido. Ele é considerado como um homem. Ele é um amigo. Ele é justo em suas ações. Ele é um doador. Ele é considerado como possuidor de destreza. Aqueles homens que fazem doações de terra ampla e fértil para Brahmanas conhecedores dos Vedas sempre brilham no mundo, por sua energia, como muitos sóis. Como as sementes espalhadas na terra crescem e rendem uma boa colheita, assim mesmo todos os desejos de alguém vêm a ser coroados com realização em consequência de ele fazer doações de terra. Aditya e Varuna e Vishnu e Brahman e Soma e Hutasana, e o ilustre Mahadeva manejador do tridente, todos aplaudem o homem que faz uma doação de terra. As criaturas vivas surgem para a vida da terra e é na terra que elas vêm a se fundir quando elas desaparecem. As criaturas viventes que estão divididas em quatro classes (vivíparas, ovíparas, nascidas da sujeira, e vegetais) têm a terra como sua essência constituinte. A terra é a mãe e o pai do universo de criaturas, ó monarca. Não há elemento, ó soberano de homens, que possa se comparar com a terra. Em relação a isto é citada a velha narrativa de uma conversa entre o preceptor celeste Vrihaspati e Indra, o soberano do Céu, ó Yudhishthira. Tendo adorado Vishnu em cem sacrifícios, cada um dos quais era eminente por presentes abundantes como Dakshina, Maghavat fez esta pergunta para Vrihaspati, aquela principal de todas as pessoas eloquentes.'” "Maghavat disse, 'Ó ilustre, por quais doações alguém consegue ir para o Céu e obter beatitude? Ó principal dos oradores, fale-me daquela doação que é produtiva de mérito sublime e inesgotável.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado pelo chefe dos celestiais, o preceptor das divindades, Vrihaspati de grande energia, disse estas palavras em resposta para ele de cem sacrifícios. ‘Dotada como ela é dos méritos que se ligam à doação de terra, a região de bem-aventurança reservada para a pessoa que faz doação de tal terra que é auspiciosa e rica com todos os sabores, nunca vem a ser esgotada. (As coisas recebem da terra a qualidade de sabor. Os sabores são inerentes à terra, pois é a mesma terra que produz a cana de açúcar e o tamarindo.) Aquele rei, ó Sakra, que deseja ter prosperidade e que deseja ganhar felicidade para si mesmo, deve sempre fazer doações de terra, com os ritos devidos, para pessoas merecedoras. Se depois de cometer numerosos pecados uma pessoa faz doações de terra para membros da classe regenerada, ela rejeita todos aqueles pecados como uma cobra rejeitando sua pele. A pessoa que faz uma doação de terra é citada como fazendo doações de tudo, isto é, de mares e rios e montanhas e florestas. Por fazer uma doação de terra, a pessoa é citada como doando lagos e tanques e poços e rios. Pela umidade da terra, uma pessoa é citada como doando artigos de diversos gostos por fazer um presente de terra. O homem que faz um presente de terra é considerado como doando ervas e plantas possuidoras de virtudes superiores e eficazes, árvores adornadas com flores e frutos, bosques encantadores, e morros pequenos. O mérito que uma pessoa adquire por fazer uma doação de terra não pode ser obtido nem pela realização de sacrifícios grandiosos como o Agnishtoma e outros com presentes abundantes na forma de Dakshina. O doador de terra, isto já foi dito, salva dez gerações de suas linhagens paterna e materna. Similarmente, por tirar terra que foi dada de graça, uma pessoa se lança no inferno e lança dez gerações de suas linhagens paterna e materna no mesmo lugar de miséria. Aquele homem que tendo prometido fazer uma doação de terra realmente não a faz, ou que tendo feito um presente o pega de volta, tem que passar muito tempo em grande miséria por ser atado com o laço de Varuna por ordem da Morte. Nunca têm que ir para Yama aqueles homens que honram e adoram aqueles principais dos Brahmanas que despejam libações todos os dias sobre seu fogo doméstico, que estão sempre engajados na realização de sacrifícios, que têm meios escassos de sustento, e que recebem com hospitalidade todos os convidados que procuram abrigo em suas residências. O rei, ó Purandara, deve se livrar da dívida que ele tem com os Brahmanas e proteger os desamparados e os fracos pertencentes às outras classes. O rei nunca deve retomar, ó chefe das divindades, a terra que foi dada por outro para um Brahmana, ó soberano dos celestiais, que é desprovido dos meios de vida. As lágrimas que cairiam dos olhos de tais Brahmanas tristes e destituídos por suas terras serem pegas de volta são capazes de destruir os antepassados e descendentes daquele que as retoma até a terceira geração. Aquele homem que consegue por seus esforços restabelecer um rei rechaçado de seu reino obtém residência no céu e é muito honrado pelos habitantes de lá. Aquele rei que consegue fazer doações de terra com colheitas sobre ela tais como cana-de-açúcar ou cevada ou trigo, ou com vacas e cavalos e outro gado de tiro, terra que foi ganha com o poder dos braços do doador, que tem riqueza mineral em suas entranhas e que está coberta com todos os tipos de riqueza da superfície, ganha regiões inesgotáveis de felicidade no mundo seguinte, e tal rei é citado como realizando do sacrifício de terra. Aquele rei que faz um presente de terra vem a ser purificado de todos os pecados e é, portanto, puro e aprovado pelos justos. Neste mundo ele é altamente honrado e elogiado por todos os homens justos. O mérito que se vincula a uma doação de terra aumenta toda vez que a terra doada produz colheitas para o benefício do dono, assim como uma gota de óleo, caindo sobre água, é vista se estender por todos os lados e cobrir a superfície aquosa. Aqueles reis heróicos e ornamentos de assembléias que rejeitam suas vidas em batalha com rostos na direção do inimigo, alcançam, ó Sakra, a região de Brahman. Belas donzelas hábeis em música e dança e adornadas com guirlandas de flores celestes, se aproximam, ó chefe das divindades, do doador de terra quando ele vai para o céu partindo da terra. Aquele rei que faz doações de terra com os ritos devidos para pessoas da classe regenerada se diverte em felicidade nas regiões celestes, adorado todo o tempo pelas divindades e Gandharvas. Uma centena de Apsaras, enfeitadas com guirlandas celestes, se aproximam, ó chefe das divindades, do doador de terra quando ele ascende para a região de Brahman. Flores de perfumes excelentes, uma concha excelente e assento excelente, um guarda-sol e corcéis excelentes com veículos excelentes, estão sempre preparados para a pessoa que faz doações de terra. Por fazer doações de terra um rei pode sempre dispor de flores de perfume excelente e pilhas de ouro. Possuidor de todos os tipos de riqueza as ordens de semelhante rei nunca podem ser desobedecidas em algum lugar, e gritos de vitória o saúdam de onde quer que ele possa se aproximar. As recompensas que se vinculam às doações de terra consistem em residência no céu, ó Purandara, e ouro, e flores, e plantas e ervas de virtude medicinal, e Kusa e riqueza mineral e grama verdejante. Uma pessoa por fazer uma doação de terra obtém em sua próxima vida terra produtiva de néctar. Não há doação que seja igual a uma doação de terra. Não há superior digno de maior respeito do que a mãe. Não há maior dever do que a verdade. Não há riqueza mais preciosa do que aquela que é doada.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras do filho de Angiras, Vasava fez uma doação da terra inteira com todas suas pedras preciosas e jóias e toda sua riqueza de diversas espécies. Se estes versos declarando o mérito atribuído aos presentes de terra forem recitados na ocasião de um Sraddha, nem Rakshasas nem Asuras podem conseguir se apropriar de qualquer parte das oferendas feitas nele. Sem dúvida, as oferendas que uma pessoa faz para seus Pitris em tal Sraddha se tornam inesgotáveis. Então, em ocasiões de Sraddhas, o homem de erudição deve recitar estes versos sobre o assunto dos méritos que se anexam aos presentes de terra, na presença e audição dos Brahmanas convidados quando ocupados em comer. Eu assim, ó chefe dos Bharatas, discursei para ti sobre aquela doação que é a principal de todas as doações. O que mais tu desejas saber?'" 63 "Yudhishthira disse, 'Quando um rei fica desejoso de fazer doações neste mundo, quais, de fato, são aquelas doações que ele deve fazer, ó melhor dos Bharatas, para Brahmanas tais como os que possuem habilidades superiores? Qual presente é aquele pelo qual os Brahmanas ficam imediatamente satisfeitos? Quais frutos eles concedem em retribuição? Ó tu de braços poderosos, diga-me qual é a grande recompensa obtenível pelo mérito que provém das doações. Quais doações, ó rei, são produtivas de recompensas aqui e após a morte? Eu desejo saber tudo isso de ti. Fale-me sobre tudo isso em detalhes.'” "Bhishma disse, 'Estas mesmas perguntas em uma ocasião antiga foram feitas por mim para Narada de aparência celeste. Ouça-me enquanto eu conto para ti o que aquele sábio celeste me disse em resposta.'” "Narada disse, 'As divindades e todos os Rishis aprovam alimento. O andamento do mundo e as faculdades intelectuais foram todas fundadas sobre o alimento. Nunca houve, nem haverá alguma doação que seja igual às doações de alimento. Então, homens sempre desejam particularmente fazer doações de alimento. Neste mundo, alimento é a causa da energia e força. Os ares vitais estão estabelecidos sobre o alimento. É o alimento que mantém o amplo universo, ó pujante. Todas as classes de homens, chefes de famílias e mendicantes e ascetas, existem dependendo da comida. Os ares vitais dependem da comida. Não há dúvida nisto. Afligindo (se for necessário) seus parentes, alguém que está desejoso de sua própria prosperidade deve fazer doações de comida para um Brahmana de grande alma ou uma pessoa da classe mendicante. Aquele homem que faz uma doação de alimento para um Brahmana ilustre que solicita o mesmo, assegura para si mesmo no mundo riqueza de grande valor. O chefe de família que está desejoso de sua própria prosperidade deve receber com reverência um homem idoso digno que está exausto com o esforço enquanto procede em seu caminho longe de casa, quando tal homem honra a residência do chefe de família com sua presença. Aquele homem que, rejeitando a ira que passa por cima de todos os limites e se tornando justo em disposição e livre de malícia, faz doações de alimento, sem dúvida obtém felicidade, ó rei, aqui e após a morte. O chefe de família nunca deve desconsiderar o homem que chega à sua residência, nem deve insultá-lo por mandá-lo embora. Uma doação de alimento feita até para um Chandala ou um cachorro nunca é perdida. Aquele homem que faz uma doação de alimento puro para uma pessoa no caminho que está cansada e é desconhecida para o doador, com certeza adquire grande mérito. O homem que satisfaz com doações de alimento os Pitris, as divindades, os Rishis, os Brahmanas, e convidados chegados à sua residência, adquire mérito cuja medida é muito grande. Aquela pessoa que tendo cometido até um pecado hediondo faz uma doação de alimento para alguém que pede, ou para um Brahmana, nunca é entorpecida por aquele pecado hediondo. Uma doação de alimento feita para um Brahmana se torna inesgotável. Uma feita para um Sudra vem a ser produtiva de grande mérito. Esta é a diferença entre os méritos que se vinculam às doações de alimento feitas para os Brahmanas e Sudras. Solicitado por um Brahmana, alguém não deve perguntar sobre sua família ou conduta ou conhecimento Védico. Pedida por alimento, uma pessoa deve dar alimento ao que pede. Não há dúvida nisto, ó rei, que aquele que faz doações de alimento obtêm aqui e após a morte muitas árvores produtivas de alimento e todos os outros objetos de desejo. Como agricultores esperando as chuvas auspiciosas, os Pitris sempre esperam que seus filhos e netos façam oferendas de comida para eles (em Sraddhas). O Brahmana é um grande ser. Quando ele entra na residência de alguém e pede, dizendo, 'Dê- me,' o dono da residência, influenciado ou não pelo desejo de adquirir mérito, sem dúvida ganha grande mérito por atender a esta solicitação. O Brahmana é o convidado de todas as criaturas no universo. Ele tem direito à primeira porção de toda comida. Cresce em prosperidade aquela casa para a qual os Brahmanas se dirigem pelo desejo de pedir esmolas e da qual eles retornam honrados por seus desejos serem realizados. O dono de tal casa toma nascimento em sua próxima vida em uma família, ó Bharata, que pode dispor de todo conforto e luxos da vida. Um homem, por fazer doações de alimento neste mundo, com certeza chega a um lugar excelente após a morte. Aquele que faz doações de doces e de todo alimento que é doce, obtém uma residência no céu onde ele é honrado por todas as divindades e outros habitantes. O alimento constitui o ar vital dos homens. Tudo está fundado sobre o alimento. Aquele que faz doações de alimento obtém muitos animais (como sua riqueza), muitos filhos, riqueza considerável (em outra forma), e um controle em abundância de todos os artigos de comodidade e prazer luxuoso. O doador de alimento é citado como sendo o doador de vida. De fato, ele é citado como sendo o doador de tudo. Por essa razão, ó rei, tal homem adquire força e beleza de forma neste mundo. Se alimento é dado devidamente para um Brahmana chegado à casa do doador como um convidado, o doador obtém grande felicidade, e é adorado pelas próprias divindades. O Brahmana, ó Yudhishthira, é um grande ser. Ele é também um campo fértil. Qualquer semente que seja semeada sobre aquele campo produz uma colheita de mérito abundante. Uma doação de alimento é visivelmente e imediatamente produtiva de felicidade para o doador e o recebedor. Todos os outros presentes produzem frutos que são despercebidos. O alimento é a origem de todas as criaturas. Do alimento vem a felicidade e o prazer. Ó Bharata, saiba que religião e riqueza, ambas fluem do alimento. A cura da doença ou saúde também flui do alimento. Em um Kalpa anterior, o Senhor de todas as criaturas disse que o alimento é Amrita ou a fonte da imortalidade. Alimento é Terra, alimento é Céu, alimento é o Firmamento. Tudo está estabelecido sobre o alimento. Na ausência de alimento, os cinco elementos que constituem o organismo físico cessam de existir em um estado de união. Da ausência de alimento a força mesmo do homem mais forte é vista falhar. Convites e casamentos e sacrifícios todos cessam na ausência de alimento. Os próprios Vedas desaparecem quando não há alimento. Quaisquer criaturas móveis e imóveis que existam no universo são dependentes do alimento. Religião e riqueza, nos três mundos, são todas dependentes do alimento. Então os sábios devem fazer doações de alimento. A força, energia, fama e realizações do homem que faz doações de comida aumentam constantemente nos três mundos, ó rei. O senhor dos ares vitais, isto é, a divindade do vento, coloca acima das nuvens (a água absorvida pelo Sol). A água assim levada para as nuvens é feita por Sakra ser derramada sobre a terra, ó Bharata. O Sol, por meio de seus raios, absorve a umidade da terra. A divindade do vento faz a umidade cair do Sol. Quando a água cai das nuvens sobre a Terra, a deusa Terra se torna úmida, ó Bharata. Então as pessoas semeiam diversas espécies de colheitas de cuja produção o universo das criaturas depende. É do alimento assim produzido que a carne, gordura, ossos e semente vital de todos os seres têm sua origem. Da semente vital assim originada, ó rei, nascem diversas espécies de criaturas vivas. Agni e Soma, os dois agentes que vivem dentro do corpo, criam e mantêm a semente vital. Assim do alimento, o Sol e a divindade do vento e a semente vital surgem e agem. Todos estes são citados como constituindo um elemento ou quantidade, e é destes que todas as criaturas surgem. Aquele homem que dá comida para alguém que vai à sua casa e a pede, é citado, ó chefe dos Bharatas, como contribuindo para a vida e energia das criaturas vivas.'” 'Bhishma continuou, 'Assim endereçado por Narada, ó rei, eu sempre fiz doações de alimento. Tu também, portanto, livre de malícia e com o coração alegre, faça doações de alimento. Por fazer doações de alimento, ó rei, para Brahmanas merecedores com os ritos devidos, tu podes estar certo, ó pujante, de chegar ao Céu. Ouça-me, ó monarca, enquanto eu te digo quais são aquelas regiões que estão reservadas para aqueles que fazem doações de alimento. As mansões daquelas pessoas de grande alma brilham com resplandecência nas regiões do Céu. Brilhantes como as estrelas no firmamento, e sustentadas sobre muitas colunas, brancas como o disco da lua, e adornadas com muitos sinos tilintantes, e rosadas como o sol ao nascer, aquelas residências suntuosas são fixas ou móveis. Aquelas mansões estão cheias de centenas e centenas de coisas e animais que vivem sobre a terra assim como muitas coisas e animais que vivem na água. Algumas delas são dotadas da refulgência do lápis lazúli e algumas são possuidoras da resplandecência do sol. Algumas delas são feitas de prata e algumas de ouro. Dentro daquelas mansões estão muitas árvores capazes de coroar com realização todos os desejos dos habitantes. Muitos tanques e estradas e salões e poços e lagos se encontram por toda parte. Milhares de transportes com cavalos e outros animais atrelados a eles e com rodas cujo ruído é sempre alto, podem ser vistos lá. Montanhas de alimento e todos os artigos agradáveis e pilhas de tecidos e ornamentos são também vistos lá. Rios numerosos que correm leite, e colinas de arroz e outros comestíveis, podem também ser vistos lá. De fato, muitas residências suntuosas parecendo com nuvens brancas, com muitas camas de esplendor dourado, se encontram naquelas regiões. Tudo isto é obtido por aqueles homens que fazem doações de alimento neste mundo. Portanto, torne-te um doador de alimento. Na verdade, estas são regiões que estão reservadas para aquelas pessoas justas e de grande alma que fazem doações de alimento neste mundo. Por estas razões, homens devem sempre fazer doações de alimento neste mundo.'" 64 "Yudhishthira disse, 'Eu ouvi o discurso com respeito à ordenança acerca da doação de alimento. Fale-me agora sobre a conjunção dos planetas e das estrelas em relação ao assunto de fazer doações.’” (Ou seja, quais conjunções devem ser utilizadas para fazer quais doações específicas.) "Bhishma disse, 'Em relação a isto é contada esta antiga narrativa da conversa entre Devaki e Narada, aquele principal dos Rishis. Uma vez quando Narada de aspecto divino e conhecedor de todos os deveres chegou a Dwaraka, Devaki lhe fez esta pergunta. Para ela que lhe tinha perguntado, o Rishi celeste Narada respondeu devidamente nas seguintes palavras. Ouça-as enquanto eu as repito.'” "Narada disse, 'Por satisfazer, ó senhora abençoada, Brahmanas merecedores com Payasa (arroz fervido em leite açucarado) misturado com ghee, sob a constelação Krittika alguém alcança regiões de grande felicidade. Sob a constelação Rohini, uma pessoa deve, para se livrar da dívida que ela tem com os Brahmanas, fazer doações para eles de muitos punhados de carne de veado junto com arroz e ghee e leite, e outros tipos de comestíveis e bebidas. Alguém doando uma vaca com um bezerro sob a constelação chamada Somadaivata (ou Mrigasiras), procede desta região de seres humanos para uma região no céu de grande bem-aventurança. Alguém passando por um jejum e doando Krisara misturado com gergelim transcende todas as dificuldades no mundo seguinte, incluindo aquelas montanhas com rochas afiadas como navalhas. Por fazer doações, ó senhora bela, de bolos e outro alimento sob a constelação Punarvasu alguém se torna possuidor de beleza pessoal e grande renome e toma nascimento em sua vida seguinte em uma família na qual há abundância de comida. Fazendo uma doação de ouro trabalhado ou não trabalhado, sob a constelação Pushya, uma pessoa brilha em com refulgência como o próprio Soma em regiões de escuridão circundante. Aquele que faz uma doação sob a constelação Aslesha, de prata e de um touro, fica livre de todo o medo e obtém grande riqueza e prosperidade. Por fazer uma doação, sob a constelação Magha, de pratos de louça cheios com gergelim, alguém vem a ser possuidor de filhos e animais neste mundo e ganha grande bem-aventurança no próximo. Por fazer doações para Brahmanas, sob a constelação chamada Purva-Phalguni, de alimento misturado com Phanita (suco da cana de açúcar engrossado), o doador fazendo um jejum naquele momento, a recompensa é grande prosperidade aqui e após a morte. Por fazer uma doação, sob a constelação chamada Uttara-Phalguni, de ghee e leite com arroz chamado Shashthika, uma pessoa obtém grandes honras no céu. Quaisquer doações que sejam feitas por homens sob a constelação de Uttara- Phalguni produzem grandes méritos, os quais, além disso, se tornam inesgotáveis. Isto é muito verdadeiro. Enquanto faz um jejum, a pessoa que faz, sob a constelação Hasta, uma doação de um carro com quatro elefantes, alcança regiões de grande felicidade que são capazes de conceder a realização de todos os desejos. Por fazer uma doação, sob a constelação Chitra, de um touro e de bons perfumes, alguém se diverte em felicidade nas regiões das Apsaras como as divindades se divertindo nos bosques de Nandana. Por fazer doações de riqueza sob a constelação Swati, uma pessoa alcança regiões excelentes tais como ela deseja e além disso ganha grande fama. Por fazer doações, sob a constelação Visakha, de um touro, e uma vaca que produz uma quantidade copiosa de leite, uma carroça cheia de arroz, com um Prasanga (cesta de bambu ou outro material) para cobrir o mesmo, e também roupas para uso, uma pessoa satisfaz os Pitris e as divindades e obtém mérito inesgotável no outro mundo. Tal pessoa nunca encontra alguma calamidade e satisfaz os Pitris e as divindades e obtém mérito inesgotável no outro mundo. Tal pessoa nunca encontra qualquer calamidade e sem dúvida chega ao céu. Por fazer doações para os Brahmanas de quaisquer artigos que eles peçam, alguém obtém meios de subsistência tais como ele deseja, e vem a ser resgatado do inferno e de todas as calamidades que punem um pecador depois da morte. Esta é a conclusão indubitável das escrituras. Por fazer doações, sob a constelação Anuradha, de tecido bordado e outras vestimentas e de comida, enquanto faz um jejum, uma pessoa vem a ser honrada no céu por cem Yugas. Por fazer uma doação sob a constelação Jyeshtha, da erva chamada Kalasaka cozida com as raízes, alguém obtém grande prosperidade como também um fim tal como é desejável. Por fazer uma doação para Brahmanas sob a constelação Mula, de frutas e raízes, com a alma controlada, alguém gratifica os Pitris e alcança um fim desejável. Por fazer uma doação sob a constelação Purvashadha, para um Brahmana familiarizado com os Vedas e de boa família e conduta, de xícaras cheias com coalhos, enquanto está na observância de um jejum, alguém toma nascimento em sua próxima vida em uma família possuidora de vacas abundantes. Uma pessoa obtém a realização de todos os desejos por fazer doações, sob a constelação Uttarashadha, de jarros cheios de bebida à base de cevada, com ghee e suco de cana de açúcar engrossado em abundância. Por fazer uma doação sob a conjunção chamada Abhijit, de leite com mel e ghee para homens de sabedoria, uma pessoa justa alcança o céu e se torna um objeto de atenção e respeito lá. Por fazer sob a conjunção Sravana uma doação de cobertores ou outros tecidos de textura espessa, uma pessoa vaga livremente por todas as regiões de bem-aventurança em um carro branco de resplendor puro. Por fazer com alma controlada, sob a constelação Dhanishtha, uma doação de um veículo com touros unidos a ele, ou pilhas de tecidos e riqueza, alguém imediatamente alcança o céu em sua próxima vida. Por fazer doações, sob a constelação Satabhisha, de perfumes com Aquilaria Agallocha e sândalo, alguém obtém no mundo seguinte a companhia de Apsaras como também perfumes eternos de diversos tipos. Por fazer doações, sob a constelação Purva-Bhadrapada, de Rajamasha (uma espécie de feijão), alguém obtém grande felicidade na próxima vida e vem a ser possuidor de um estoque abundante de todos os tipos de comestíveis e frutas. Alguém que faz, sob a constelação Uttara, uma doação de carne de carneiro, gratifica os Pitris por tal ação obtém mérito inesgotável no mundo seguinte. De alguém que faz uma doação, sob a constelação Revati, de uma vaca com um recipiente de cobre branco para ordenhá-la, a vaca assim doada se aproxima no mundo seguinte, preparada para conceder a realização de todos os desejos. Por fazer uma doação, sob a constelação Aswini, de um carro com corcéis unidos a ele, uma pessoa nasce em sua próxima vida em uma família possuidora de numerosos elefantes e corcéis e carros, e vem a ser dotada de grande energia. Por fazer, sob a constelação Bharani, uma doação para os Brahmanas de vacas e gergelim, alguém obtém em sua próxima vida grande fama e uma abundância de vacas.'” "Bhishma continuou, 'Dessa maneira Narada discursou para Devaki sobre o assunto de quais doações devem ser feitas sob quais constelações. A própria Devaki, tendo escutado a este discurso, o narrou por sua vez para suas noras (isto é, as esposas de Krishna).’” "Bhishma disse, 'O ilustre Atri, o filho do Avô Brahman, disse, 'Aqueles que fazem doações de ouro são citados como fazendo doações de tudo no mundo.' O rei Harischandra disse que a doação de ouro é purificadora de pecados, leva a uma vida longa, e se torna produtiva de mérito inesgotável para os Pitris. Manu disse que uma doação de bebida é a melhor de todas as doações; portanto um homem deve fazer poços e tanques e lagos serem escavados. Um poço cheio de água e do qual diversas criaturas tiram água, é dito que tira a metade das ações pecaminosas da pessoa que o escavou. Toda a família de uma pessoa é resgatada do inferno e pecado em cujo poço ou tanque ou lago as vacas e Brahmanas e pessoas justas saciam sua sede constantemente. Transcende todos os tipos de calamidade aquele homem de cujo poço ou reservatório todos tiram água sem restrição durante a estação do verão. Ghee é dito que satisfaz o ilustre Vrihaspati, Pushan, Bhaga, os gêmeos Aswins, e a divindade do fogo. Ghee é possuidor de grandes virtudes medicinais. Ele é um grande requisito para sacrifício. Ele é o melhor de todos os líquidos. O mérito que uma doação de ghee produz é muito superior. Aquele homem que está desejoso da recompensa de felicidade no mundo seguinte, que deseja fama e prosperidade, deve, com a alma limpa e tendo se purificado, fazer doações de ghee para os Brahmanas. Para aquele homem que faz doações de ghee para os Brahmanas no mês de Aswin, os gêmeos Aswins, satisfeitos, concedem beleza pessoal. Rakshasas nunca invadem a residência daquele homem que faz doações para os Brahmanas de Payasa misturado com ghee. Nunca morre de sede aquele homem que faz doações para os Brahmanas de jarros cheios com água. Tal pessoa obtém todas as coisas necessárias para a vida em abundância, e nunca tem que passar por alguma calamidade ou infortúnio. Aquele homem que com grande devoção e sentidos controlados faz doações para os principais dos Brahmanas, é citado como recebendo uma sexta parte dos méritos ganhos pelos Brahmanas por suas penitências. Aquele homem que faz presentes para os Brahmanas tendo os meios de sustento, de lenha para propósitos de cozinhar como também de lhes permitir expulsar o frio, encontra todos os seus propósitos e todas as suas ações coroados com sucesso. Tal homem é visto brilhar com esplendor grandioso sobre todos os seus inimigos. A ilustre divindade do fogo fica satisfeita com tal homem. Como outra recompensa, ele nunca fica desprovido de gado, e ele sem dúvida obtém vitória em batalhas. O homem que faz uma doação de um guarda-sol obtém filhos e grande prosperidade. Tal pessoa nunca é afetada por alguma doença nos olhos. Os méritos também que provêm da realização de um sacrifício vêm a ser dele. Aquele homem que faz uma doação de um guarda-sol na estação do verão ou chuvas nunca tem que encontrar com algum ressentimento por qualquer motivo. Tal homem consegue se livrar rapidamente de toda dificuldade e obstáculo. O Rishi ilustre e altamente abençoado Sandilya disse que, de todos os presentes, o presente de um carro, ó rei, é o melhor.'" "Yudhishthira disse, 'Eu desejo saber, ó avô, quais são os méritos daquela pessoa que faz uma doação de um par de sandálias para um Brahmana cujos pés estão queimando ou sendo chamuscados pela areia quente, enquanto ele está andando.'” "Bhishma disse, 'O homem que dá sandálias para os Brahmanas para a proteção de seus pés consegue superar todos os incômodos e vence todo tipo de dificuldade. Tal homem, ó Yudhishthira, permanece acima das cabeças de todos os seus inimigos. Veículos de esplendor puro, com mulas atreladas a eles, e feitos de ouro e prata, ó monarca, se aproximam dele. Aquele que faz uma doação de sandálias é dito que ganha o mérito de fazer a doação de um veículo com corcéis bem domados unidos a ele.'” "Yudhishthira disse, 'Fale-me em detalhes mais uma vez, ó avô, dos méritos que se vinculam às doações de gergelim e terra e vacas e alimento.'” "Bhishma disse, 'Ouça, ó filho de Kunti, quais são os méritos que se vinculam à doação de gergelim. Ouvindo-me, então, ó melhor dos Kurus, faça doações de gergelim de acordo com a ordenança. Sementes de gergelim foram criadas pelo Brahman auto-nascido como o melhor alimento para os Pitris. Então, doações de sementes de gergelim sempre alegram imensamente os Pitris. O homem que faz doações de sementes de gergelim, no mês de Magha, para os Brahmanas, nunca tem que visitar o inferno que abunda com todas as criaturas terríveis. Aquele que adora os Pitris com oferendas de sementes de gergelim é considerado como cultuando as divindades em todos os sacrifícios. Nunca se deve realizar um Sraddha com oferendas de sementes de gergelim sem nutrir algum propósito. (Isto é, um Sraddha com Tila ou gergelim nunca deve ser feito sem desejo de resultados.) Sementes de gergelim surgiram dos membros do grande Rishi Kasyapa. Por essa razão, na questão de doações, elas vieram a ser consideradas como possuidoras de grande eficácia. Sementes de gergelim concedem prosperidade e beleza pessoal e purificam o doador de todos os seus pecados. É por esta razão que a doação de sementes de gergelim é eminente acima da doação de todos os outros artigos. Apastamva de grande inteligência, e Kankha e Likhita, e o grande Rishi Gautama, todos ascenderam para o céu por terem feito doações de sementes de gergelim. Aqueles Brahmanas que fazem Homa com oferendas de gergelim, se abstêm de relações sexuais, e que são praticantes da religião de Pravritti ou ações, são considerados como iguais (em pureza e eficácia) ao Havi bovino. A doação de sementes de gergelim é notável acima de todas as doações. Entre todas as doações, as doações de gergelim são consideradas como produtivas de mérito inesgotável. Nos tempos antigos quando Havi (manteiga clarificada), em uma ocasião tinha se tornado não obtenível, o Rishi Kusika, ó opressor de inimigos, fez oferendas de sementes de gergelim para seus três fogos sacrificais e conseguiu alcançar um fim excelente. Eu assim te disse, ó chefe dos Kurus, quais são as regras a respeito da excelente doação de sementes de gergelim. É por causa destas regras que a doação de sementes de gergelim veio a ser considerada como dotada de mérito muito superior. Depois disto, escute o que eu irei dizer. Uma vez as divindades, desejosas de fazer um sacrifício, se dirigiram, ó monarca, à presença de Brahman Nascido por Si Mesmo. Tendo encontrado com Brahman, estando desejosos de realizar um sacrifício sobre a terra, elas pediram a ele um pedaço de terra auspiciosa, dizendo, 'Nós o queremos para nosso sacrifício.'” “As divindades disseram, 'Ó ilustre, tu és o senhor de toda a terra como também de todas as divindades. Com tua permissão, ó altamente abençoado, nós desejamos realizar um sacrifício. A pessoa que não obteve por meios legais a terra sobre a qual faz o altar sacrifical não ganha o mérito do sacrifício que ela realiza. Tu és o Senhor de todo o universo consistindo em seus objetos móveis e imóveis. Então, cabe a ti nos conceder um pedaço de terra para o sacrifício que nós desejamos fazer.'” "Brahman disse, 'Ó principais das divindades, eu lhes darei uma terra sobre a qual, ó filhos de Kasyapa, vocês irão realizar seu sacrifício planejado.'” "As divindades disseram, ‘Nossos desejos, ó santo, têm sido coroados com realização. Nós realizaremos nosso sacrifício aqui mesmo com Dakshina abundante. Que, no entanto, os Munis sempre adorem o pedaço de terra.’ Então foram àquele local Agastya e Kanwa e Bhrigu e Atri e Vrishakapi, e Asita e Devala. As divindades de grande alma então, ó tu de glória imperecível, realizaram seu sacrifício. Aqueles principais dos deuses o concluíram no devido tempo. Tendo completado aquele seu sacrifício no leito daquela principal das montanhas, Himavat, as divindades vincularam à doação de terra uma sexta parte do mérito resultante de seu sacrifício. O homem que faz uma doação mesmo de um palmo de terra (para um Brahmana) com reverência e fé, nunca tem que enlanguescer sob alguma dificuldade e nunca tem que encontrar com qualquer calamidade. Por fazer uma doação de uma casa que mantém fora o frio, o vento, e o sol, e que se encontra sobre um pedaço de terra limpa, o doador alcança a região das divindades e não cai nem quando seu mérito se esgota. Por fazer uma doação de uma casa residencial, o doador, possuidor de sabedoria, vive, ó rei, em felicidade na companhia de Sakra. Tal pessoa recebe grandes honras no céu. Aquela pessoa em cuja casa um Brahmana de sentidos controlados, versado nos Vedas, e pertencente por nascimento a uma família de preceptores, reside em contentamento, consegue alcançar e desfrutar de uma região de bem-aventurança sublime. (Quando uma casa residencial é doada para tal Brahmana e o recebedor reside nela, o doador colhe a recompensa indicada. Isto não se refere ao abrigo hospitaleiro para tal Brahmana dado por alguém em sua própria casa.) Da mesma maneira, ó melhor dos Bharatas, por doar um galpão para o abrigo de vacas que possa impedir a entrada do frio e da chuva e que seja firme em estrutura, o doador resgata sete gerações de sua família (do inferno). Por doar um pedaço de terra cultivável o doador obtém prosperidade excelente. Por doar um pedaço de terra que contém riqueza mineral, o doador engrandece sua família e linhagem. Nunca se deve doar alguma terra que seja estéril ou que seja queimada (árida); nem se deve doar alguma terra que seja na vizinhança de um crematório, ou que tenha sido possuída e desfrutada por uma pessoa pecaminosa antes de tal doação. Quando um homem realiza um Sraddha em honra dos Pitris sobre a terra pertencente a outra pessoa, os Pitris tornam a doação daquela terra e o próprio Sraddha infrutífero. (Até hoje, em Bengala pelo menos, um morador nunca realiza o primeiro Sraddha ou um Puja (culto das divindades), sem obter em primeiro lugar a permissão do dono da terra. Existe em Sraddhas uma Rajavarana ou taxa real pagável para o dono da terra sobre a qual o Sraddha é realizado.) Por isso, alguém possuidor de sabedoria deve comprar mesmo um pequeno pedaço de terra e fazer uma doação dela. O Pinda que é oferecido para os antepassados de alguém sobre a terra que foi devidamente comprada se torna inesgotável. Florestas, e montanhas, e rios, e Tirthas são considerados como não tendo donos. Nenhuma terra precisa ser comprada nestes lugares para realizar Sraddhas. Isto mesmo é dito, ó rei, sobre o assunto dos méritos de se fazer doações de terra. Depois disto, ó impecável, eu te falarei sobre o assunto da doação de vacas. Vacas são consideradas como superiores a todos os ascetas. E já que isto é assim, o divino Mahadeva por esta razão realizou penitência na companhia delas. As vacas, ó Bharata, moram na região de Brahman, na companhia de Soma. Constituindo como ela constitui o fim mais elevado, Rishis regenerados coroados com êxito se esforçam para alcançar aquela mesma região. As vacas beneficiam os seres humanos com leite, ghee, coalhos, estrume, pele, ossos, cornos, e pêlos, ó Bharata. As vacas não sentem frio ou calor. Elas sempre trabalham. A estação das chuvas também não pode afligi-las em absoluto. E já que as vacas alcançam ao fim sublime (isto é, residência na região de Brahman), na companhia de Brahmanas, portanto os sábios dizem que vacas e Brahmanas são iguais. Nos tempos passados, o rei Rantideva realizou um sacrifício grandioso no qual um número imenso de vacas foi oferecido e massacrado. Do suco que foi secretado pelas peles dos animais mortos foi formado um rio que veio a ser chamado pelo nome de Charmanwati. As vacas não constituem mais animais adequados para sacrifício. Elas agora constituem animais que são adequados para doação. Aquele rei que faz doações de vacas para os principais dos Brahmanas, ó monarca, sem dúvida superará toda calamidade mesmo que ele caia nela. O homem que faz uma doação de mil vacas não tem que ir para o inferno. Tal pessoa, ó soberano de homens, obtém vitória em todos os lugares. As principais das divindades disseram que o leite de vaca é néctar. Por esta razão, alguém que faz uma doação de uma vaca é considerado como fazendo uma doação de néctar. Pessoas conhecedoras dos Vedas têm declarado que o Ghee fabricado do leite de vaca é a melhor de todas as libações derramadas no fogo sacrifical. Por esta razão, o homem que faz a doação de uma vaca é considerado como fazendo a doação de uma libação para sacrifício. Um touro é a corporificação do céu. Aquele que faz a doação de um touro para um Brahmana ilustre recebe grandes honras no céu. As vacas, ó chefe da linhagem de Bharata, são citadas como sendo o ar vital das criaturas vivas. Então, o homem que faz a doação de uma vaca é citado como fazendo a doação do ar vital. Pessoas familiarizadas com os Vedas dizem que as vacas constituem o grande refúgio das criaturas vivas. Por isso, o homem que faz a doação de uma vaca é considerado como fazendo a doação do que é o maior refúgio para todas as criaturas. A vaca nunca deve ser doada para matança (isto é, para alguém que irá matá-la); nem a vaca deve ser dada para um lavrador do solo (que lavra o solo com a ajuda de touros); nem ela deve ser dada para um ateu. A vaca também não deve, ó chefe dos Bharatas, ser dada para alguém cuja ocupação é a criação de vacas. Os sábios dizem que uma pessoa que dá uma vaca para alguma de tais pessoas pecaminosas tem que ir para o inferno eterno. Nunca se deve dar para um Brahmana uma vaca que é magra, ou que produz bezerros que não vivem, ou que é estéril, ou que é doente, ou que é defeituosa de membros, ou que está desgastada pelo trabalho pesado. O homem doa dez mil vacas ganha o céu e se diverte em felicidade na companhia de Indra. O homem que faz doações de vacas na extensão de cem mil alcança muitas regiões de felicidade inesgotável. Assim eu relatei para ti os méritos ligados à doação de vacas e gergelim, como também à doação de terra. Ouça-me agora enquanto eu te falo sobre a doação de alimento, ó Bharata. A doação de alimento, ó filho de Kunti, é considerada como uma doação muito superior. O rei Rantideva nos tempos passados ascendeu para o céu por ter feito doações de alimento. Aquele rei que faz uma doação de alimento para alguém que está cansado e faminto chega àquela região de felicidade suprema, a qual é a do próprio Nascido por Si Mesmo. Homens fracassam em alcançar por meio de doações de ouro e mantos e de outras coisas, àquela bem-aventurança que os doadores de alimento conseguem alcançar, ó tu de grande pujança! O alimento é, de fato, o artigo mais importante. O alimento é considerado como a prosperidade mais elevada. É do alimento que surge a vida, como também energia e destreza e força. Aquele que sempre faz doações de alimento, com atenção, para os virtuosos, nunca cai em algum infortúnio. Isto mesmo foi dito por Parasara. Tendo adorado as divindades devidamente, o alimento deve ser primeiro oferecido para elas. É dito, ó rei, que o tipo de alimento que é comido por homens específicos é comido também pelas divindades que aqueles homens cultuam. (Uma pessoa não precisa oferecer para suas divindades algum outro alimento além daquele que ela mesma come. No Ramayana é dito que Rama ofereceu para os Pitris frutas adstringentes enquanto ele estava no exílio. Os Pisachas oferecem carne putrefata para suas divindades porque eles mesmos subsistem de carne putrefata.) O homem que faz uma doação de alimento na quinzena clara do mês de Kartika, consegue transpor todas as dificuldades aqui e obtém felicidade inesgotável futuramente. O homem que faz uma doação de alimento para um convidado faminto chegado à sua residência alcança todas aquelas regiões, ó chefe da linhagem de Bharata, que estão reservadas para as pessoas conhecedoras de Brahma. O homem que faz doações de alimento indubitavelmente irá transpor todas as dificuldades e angústias. Tal pessoa passa por cima de todos os pecados e se purifica de todas as más ações. Eu assim te falei sobre os méritos de se fazer doações de alimento, de gergelim, de terra, e de vacas.'" 67 "Yudhishthira disse, 'Eu tenho ouvido, ó majestade, sobre os méritos dos diferentes tipos de doações sobre os quais tu me falaste. Eu entendo, ó Bharata, que a doação de alimento é especialmente louvável e superior. Quais, no entanto, são os grandes méritos de se fazer doações de bebida? Eu desejo ouvir a respeito disto em detalhes, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Eu irei, ó chefe da linhagem de Bharata, te falar sobre este assunto. Ouça-me, ó tu de destreza imbatível, enquanto eu te falo. Eu irei, ó impecável, discursar para ti sobre as doações começando com aquela de bebida. O mérito que um homem adquire por fazer doações de comida e bebida é tal que o similar a ele, eu penso, é incapaz de ser adquirido através de alguma outra doação. Não há doação, portanto, que seja superior àquela de alimento ou bebida. É do alimento que todas as criaturas vivas podem existir. Por esta razão, o alimento é considerado como um objeto muito superior em todos os mundos. Da comida a força e energia das criaturas vivas aumentam constantemente. Então, o próprio senhor de todas as criaturas disse que a doação de comida é uma doação muito superior. Tu ouviste, ó filho de Kunti, quais são as palavras auspiciosas da própria Savitri (sobre o assunto da doação de alimento). Tu sabes por qual razão aquelas palavras foram ditas, quais foram aquelas palavras, e como elas foram ditas no decorrer dos Mantras sagrados, ó tu de grande inteligência. Um homem, por fazer uma doação de alimento, realmente faz uma doação da própria vida. Não há presente neste mundo que seja superior ao presente da vida. Tu estás familiarizado com este ditado de Lomasa, ó tu de braços poderosos! O fim que foi alcançado nos tempos passados pelo rei Sivi por ele ter concedido vida para o pombo é alcançado por aquele, ó monarca, que faz uma doação de alimento para um Brahmana. Por isso, é ouvido por nós que aqueles que dão vida alcançam regiões muito elevadas de felicidade depois da vida. O alimento, ó melhor dos Kurus, pode ser ou não ser superior à bebida. Nada pode existir sem a ajuda do que surge da água. O próprio senhor de todos os planetas, isto é, o ilustre Soma, surgiu da água. Amrita e Sudha e Swadha e leite como também todos os tipos de alimento, as ervas decíduas, ó monarca, e trepadeiras (medicinais e de outras virtudes), provêm da água. Destes, ó rei, o ar vital de todas as criaturas vivas flui. As divindades têm néctar como seu alimento. Os Nagas têm Sudha. Os Pitris tem Swadha como o deles. Os animais têm ervas e plantas como seu alimento. Os sábios dizem que arroz, etc., constitui o alimento dos seres humanos. Todos estes, ó chefe de homens, surgem da água. Então, não há nada superior à doação de água ou bebida. Se uma pessoa deseja assegurar prosperidade para si mesma, ela deve sempre fazer doações de bebida. A doação de água é considerada como muito louvável. Ela leva à grande fama e concede vida longa ao doador. O doador de água, ó filho de Kunti, sempre permanece sobre as cabeças de seus inimigos. Tal pessoa obtém a realização todos os seus desejos e ganha fama eterna. O doador, ó chefe de homens, vem a ser purificado de todos os pecados e obtém felicidade interminável após a morte quando ele procede para o céu, ó tu de grande esplendor. O próprio Mann disse que tal pessoa alcança regiões de bem-aventurança inesgotável no outro mundo.'" 68 "Yudhishthira disse, 'Fale-me mais uma vez, ó avô, sobre os méritos ligados às doações de gergelim e de lâmpadas para iluminar a escuridão, como também de alimento e vestimentas.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto, ó Yudhishthira, é contada a narrativa da conversa que ocorreu nos tempos antigos entre um Brahmana e Yama. Na região localizada entre os rios Ganga e Yamuna, no pé das colinas chamadas Yamuna, havia uma grande cidade habitada por Brahmanas. A cidade era célebre sob o nome de Parnasala e era muito encantadora em aparência, ó rei. Um grande número de Brahmanas eruditos viva nela. Um dia, Yama, o soberano dos mortos, ordenou um mensageiro dele, que estava vestido de preto, dotado de olhos vermelho sangue e cabelo permanecendo ereto, e possuidor de pés, olhos, e nariz todos os quais pareciam com aqueles de um corvo, dizendo, 'Vá até a cidade habitada por Brahmanas e traga para cá a pessoa conhecida pelo nome de Sarmin e pertencente por nascimento à família de Agastya. Ele está concentrado na tranquilidade mental e possui erudição. Ele é um preceptor ocupado no ensino dos Vedas e suas práticas são bem conhecidas. Não me traga outra pessoa pertencente à mesma família e que vive na mesma vizinhança. Este outro homem é igual àquele que eu preciso, em virtudes, estudo, e nascimento. Com respeito a filhos e conduta, este outro parece com o inteligente Sarmin. Traga o indivíduo que eu tenho em vista. Ele deve ser adorado com respeito (em vez de ser arrastado para cá com desrespeito).' O mensageiro, tendo chegado ao local, fez exatamente o inverso do que ele tinha sido mandado fazer. Atacando aquela pessoa, ele trouxe aquele que tinha sido proibido de ser trazido por Yama. Possuidor de grande energia, Yama se levantou à visão do Brahmana e o adorou devidamente. O rei dos mortos então mandou seu mensageiro, dizendo, 'Que este seja devolvido, e que o outro seja trazido para mim.' Quando o grande juiz dos mortos disse estas palavras, aquele Brahmana se dirigiu a ele e disse, 'Eu completei meu estudo dos Vedas e não sou mais apegado ao mundo. Qualquer período que possa ainda restar da minha existência mortal eu desejo passar morando aqui mesmo, ó tu de glória imperecível!’” "Yama disse, 'Eu não posso determinar o período exato, ordenado pelo Tempo, da vida de alguém, e por isso, não incitado pelo Tempo, eu não posso permitir que alguém tome residência aqui. Eu tomo nota das ações de virtude (ou o contrário) que alguém faz no mundo. Ó Brahmana erudito de grande esplendor, volte imediatamente para tua residência. Diga-me também o que está na tua mente e o que eu posso fazer por ti, ó tu de glória imperecível!'” "O Brahmana disse, 'Diga-me quais são aquelas ações por realizar as quais alguém pode ganhar grande mérito. Ó melhor de todos os seres, tu és a principal das autoridades (sobre o assunto) nos três mundos.'” "Yama disse, 'Ouça, ó Rishi regenerado, as excelentes ordenanças a respeito das doações. A doação de sementes de gergelim é muito superior. Ela produz mérito eterno. Ó principal dos regenerados, uma pessoa deve fazer doações de tanto gergelim quanto ela possa. Por fazer doações de gergelim todos os dias, ela sem dúvida obtém a realização de todos os seus desejos. A doação de gergelim em Sraddhas é louvada. Na verdade a doação de gergelim é uma doação muito superior. Faça doações de gergelim para os Brahmanas de acordo com os ritos ordenados nas escrituras. Uma pessoa deve no dia da lua cheia do mês de Vaisakha fazer doações de gergelim para os Brahmanas. Eles devem também ser feitos comerem e tocarem gergelim em todas as ocasiões que alguém possa proporcionar. Aqueles que estão desejosos de obter o que é benéfico para eles devem, com todas as suas almas, fazer isto em suas casas; (isto é, convidar Brahmanas para banquetes nos quais o gergelim deve predominar). Sem dúvida, homens devem similarmente fazer doações de água e fundar lugares de descanso para a distribuição de água para beber. (Em Bengala, até hoje, aqueles que podem dispor de economias, especialmente senhoras devotas, estabelecem lugares sombreados de descanso no mês de Vaisakha, o mês mais quente do ano, ao lado de estradas públicas, para viajantes, onde água fria de beber, um punhado de aveia bem ensopada, e um pouco de açúcar em estado natural são distribuídos livremente. Tais instituições, na velha Estrada Benares e na Estrada Tronco Principal (Grand Trunk Road ou GT Road), refrescam viajantes consideravelmente. Há milhas e milhas ao longo destas estradas onde água boa não é obtenível.) Alguém deve fazer reservatórios e lagos e poços serem escavados. Tais ações são raras no mundo, ó melhor das pessoas regeneradas! Sempre faça doações de água. Esta ação está repleta de grande mérito. Ó melhor das pessoas regeneradas, tu deves estabelecer lugares de descanso pelas estradas para a distribuição de água. Depois de alguém ter comido, para ele deve ser feita especialmente a doação de água para beber.'” "Bhishma continuou, 'Depois que Yama tinha dito estas palavras para ele, o mensageiro que o tinha levado de sua residência o transportou de volta para ela. O Brahmana, por sua vez, obedeceu as instruções que ele tinha recebido. Tendo assim o levado de volta para sua residência o mensageiro de Yama foi buscar Sarmin, que realmente era procurado por Yama. Levando Sarmin para ele, ele informou seu mestre. Possuidor de grande energia, o juiz dos mortos adorou aquele Brahmana justo, e tendo conversado com ele um tempo o despediu para ser levado de volta para sua residência. Para ele Yama também deu as mesmas instruções. Sarmin, também, voltando ao mundo dos homens, fez tudo o que Yama tinha dito. Como a doação de água, Yama, por um desejo de fazer bem para os Pitris, elogia a doação de lâmpadas para iluminar lugares escuros. Por isso, o doador de uma lâmpada para iluminar um lugar escuro é considerado como beneficiando os Pitris. Então, ó melhor dos Bharatas, uma pessoa deve sempre doar lâmpadas para iluminar lugares escuros. A doação de lâmpadas aumenta o poder visual das divindades, dos Pitris, e da própria pessoa. (O que se quer dizer pela doação de lâmpadas é a colocação de lâmpadas acesas em locais escuros os quais são os refúgios de homens, tais como estradas e ghats, etc.) É dito, ó rei, que a doação de pedras preciosas é uma doação muito superior. O Brahmana que, tendo aceitado um presente de pedras preciosas, vende o mesmo para realizar um sacrifício, não incorre em erro. O Brahmana que, tendo aceitado um presente de pedras preciosas, faz uma doação delas para Brahmanas, adquire mérito inesgotável para si mesmo e concede mérito inesgotável para aquele de quem ele as recebeu originalmente. Conhecedor de todos os deveres o próprio Manu disse que aquele que, cumpridor de restrições apropriadas, faz um presente de pedras preciosas para um Brahmana cumpridor de restrições apropriadas ganha mérito inesgotável para si mesmo e concede mérito inesgotável para o recebedor. O homem que está contente com sua própria esposa e que faz uma doação de mantos, ganha um aspecto excelente e vestimentas excelentes para si mesmo. Eu te disse, ó principal dos homens, quais são os méritos que se vinculam às doações de vacas, de ouro, e de gergelim de acordo com os preceitos meritórios dos Vedas e das escrituras. Um homem deve se casar e criar descendência em suas próprias esposas. De todas as aquisições, ó filho da linhagem de Kuru, aquela de herdeiros homens é considerada como a principal.'" 69 "Yudhishthira disse, 'Ó principal da linhagem de Kuru, fale-me novamente sobre a ordenança a respeito das doações, com referência especial, ó tu de grande sabedoria, à doação de terra. Um Kshatriya deve fazer doações de terra para um Brahmana de atos justos. Tal Brahmana deve aceitar o presente com os ritos devidos. Ninguém mais, no entanto, exceto um Kshatriya é competente para fazer doações de terra. Cabe a ti agora me dizer quais são os objetos que as pessoas de todas as classes estão livres para conceder se incitadas pelo desejo de ganhar mérito. Tu deves também me dizer o que é dito nos Vedas sobre este assunto.'” "Bhishma disse, 'Há três doações que levam o mesmo nome e que são produtivas de mérito igual. De fato, estes três concedem a realização de todos os desejos. Os três objetos cujas doações são de tal caráter são vacas, terra, e conhecimento. (De nome igual, porque a palavra 'go' significa vaca, terra, e palavra.) Aquela pessoa que diz para seus discípulos palavras de significado justo tiradas dos Vedas adquire mérito igual àquele que é ganho por fazer doações de terra e vacas. Similarmente vacas são louvadas (como objetos de doações). Não há objeto de doação mais elevado do que elas. Considera-se que as vacas concedem mérito imediatamente. Elas são também, ó Yudhishthira, de tal maneira que uma doação delas não pode exceto levar a grande mérito. As vacas são as mães de todas as criaturas. Eles concedem todos os tipos de felicidade. A pessoa que deseja sua própria prosperidade deve sempre fazer doações de vacas. Ninguém deve chutar vacas ou proceder pelo meio delas. As vacas são deusas e lares de bem-aventurança. Por esta razão, elas sempre merecem culto. Antigamente, as divindades, enquanto aravam a terra sobre a qual elas realizaram um sacrifício, usavam a aguilhada para golpear os bois unidos ao arado. Por isso, em cultivar a terra para tal propósito, uma pessoa pode, sem incorrer em crítica ou pecado, aplicar a aguilhada nos bois. Em outras ações, no entanto, os bois nunca devem ser golpeados com a aguilhada ou o chicote. Quando as vacas estão pastando ou deitadas ninguém deve aborrecê-las de nenhuma maneira. Quando as vacas estão com sede e elas não conseguem água (por alguém obstruir seu acesso ao reservatório ou tanque ou rio), elas, por meramente olharem para tal pessoa, podem destruí-la com todos os seus parentes e amigos. Quais criaturas podem ser mais sagradas do que as vacas quando com o próprio estrume das vacas os altares sobre os quais Sraddhas são realizados em honra dos Pitris, ou aqueles sobre os quais as divindades são adoradas, são purificados e santificados? Aquele homem que, antes de comer, dá todos os dias, por um ano, somente um punhado de grama para uma vaca pertencente a outro, é considerado como praticando um voto ou observância que concede a realização de todos os desejos. Tal pessoa obtém filhos e fama e riqueza e prosperidade, e dissipa todos os males e sonhos.'” "Yudhishthira disse, 'Quais devem ser as indicações daquelas vacas que merecem ser doadas? Quais são aquelas vacas que devem ser ignoradas na questão de doações? Qual deve ser o caráter daquelas pessoas para quem as vacas devem ser dadas? Quem, além disso, são aqueles para quem vacas devem ser dadas?’” "Bhishma disse, 'Uma vaca nunca deve ser dada para alguém que não é virtuoso em comportamento, ou alguém que é pecaminoso, ou que é cobiçoso ou que é falso em palavras, ou para alguém não faz oferendas para os Pitris e as divindades. Uma pessoa, por fazer uma doação de dez vacas para um Brahmana versado nos Vedas, pobre em riqueza terrena, possuidor de muitos filhos, e possuindo um fogo doméstico, alcança numerosas regiões de grande felicidade. Quando um homem realiza alguma ação que é repleta de mérito ajudado pelo que ele conseguiu por doação de outro, uma porção do mérito ligado àquela ação vem a ser para sempre daquele com cuja riqueza a ação foi realizada. Aquele que gera uma pessoa, aquele que salva uma pessoa, e aquele que concede os meios de sustento para uma pessoa são considerados como os três pais. Serviços prestados respeitosamente para o preceptor destroem o pecado. O orgulho destrói até uma grande fama. A posse de três filhos destrói a desgraça da falta de filhos, e a posse de dez vacas dissipa a desgraça da pobreza. Para alguém que é devotado ao Vedanta, que é dotado de grande erudição, que é cheio de sabedoria, que tem um controle completo sobre seus sentidos, que é cumpridor das regras prescritas nas escrituras, que se afastou de todas as atrações mundanas, para aquele que diz palavras agradáveis para todas as criaturas, para aquele que nunca faria uma má ação mesmo quando impelido pela fome, para alguém que é gentil e possuidor de uma disposição pacífica, para alguém que é hospitaleiro para todos os convidados, na verdade para tal Brahmana um homem deve, sendo possuidor de conduta similar e possuidor de filhos e esposas, conceder os meios de sustento. A medida de mérito que se vincula a uma doação de vacas para uma pessoa digna é exatamente a medida do pecado que se vincula à ação de roubar de um Brahmana o que pertence a ele. Sob todas as circunstâncias a espoliação do que pertence a um Brahmana deve ser evitada, e suas esposas mantidas a uma distância.'" 70 "Bhishma disse, 'Em relação a isto, ó perpetuador da linhagem de Kuru, é contada pelos justos a narrativa da grande calamidade que surpreendeu o rei Nriga por causa de sua espoliação do que pertencia a um Brahmana. Algum tempo antes, certos homens jovens da linhagem de Yadu, enquanto procuravam por água, tinham encontrado um grande poço coberto com grama e trepadeiras. Desejosos de retirar água dele, eles trabalharam muito para remover as trepadeiras que cobriam sua boca. Depois que a boca tinha sido limpada, eles viram dentro do poço um lagarto muito grande residindo dentro dele. Os homens jovens fizerem fortes e repetidos esforços para resgatar o lagarto daquela situação. Parecendo com uma verdadeira colina em tamanho, o lagarto foi procurado ser libertado por meio de cordas e tenazes de couro. Não tendo sucesso em sua intenção os homens jovens então foram até Janardana. Dirigindo- se a ele eles disseram, 'Cobrindo o espaço inteiro de um poço, há um lagarto muito grande para ser visto. Apesar dos nossos melhores esforços nós não conseguimos salvá-lo daquela situação.' Isto mesmo foi o que eles relataram para Krishna. Vasudeva então procedeu ao local e tirou o lagarto e o questionou quanto a quem ele era. O lagarto disse que ele era idêntico à alma do rei Nriga que tinha prosperado nos tempos passados e que tinha realizado muitos sacrifícios. Para o lagarto que disse aquelas palavras, Madhava falou, 'Tu realizaste muitos atos virtuosos. Tu não cometeste pecado. Por que, então, ó rei, tu chegaste a tal fim lamentável? Explique o que é isto e por que isto foi ocasionado. Nós soubemos que tu repetidamente fizeste doações para os Brahmanas de centenas e centenas de milhares e mais uma vez de oito vezes centenas sobre centenas de dez milhares de vacas; (ou seja, inúmeras vacas, aqui nenhum número específico é pretendido). Por que, portanto, este fim te alcançou?' Nriga então respondeu para Krishna, dizendo, 'Em uma ocasião uma vaca pertencente a um Brahmana que adorava regularmente seu fogo doméstico, escapando da residência do dono enquanto ele estava ausente de casa, entrou no meu rebanho. Os mantenedores do meu gado incluíram aquela vaca em sua conta de mil. Em tempo aquela vaca foi doada por mim para um Brahmana, agindo como eu fazia pelo desejo de felicidade no céu. O dono verdadeiro, voltando para casa, procurou por sua vaca perdida e finalmente a viu na casa de outro. Achando-a, o dono disse, 'Esta vaca é minha!' A outra pessoa contestou sua reclamação, até que ambos, disputando e excitados com cólera, vieram a mim. Dirigindo-se a mim um deles disse, 'Tu és o doador desta vaca!' O outro disse, 'Tu me roubaste esta vaca, ela é minha!’ Eu então pedi para o Brahmana para quem eu tinha dado aquela vaca para devolver o presente em troca de centenas mais centenas de outras vacas. Sem concordar com meus pedidos intensos, ele se dirigiu a mim, dizendo. 'A vaca que eu consegui é bem apropriada para tempo e lugar. Ela produz uma quantidade abundante de leite, além de ser muito quieta e muito afeiçoada a nós. O leite que ela produz é muito doce. Ela é considerada como digna de todo louvor na minha casa. Ela está nutrindo, além disso, um filho fraco meu que acabou de ser desmamado. Ela não pode ser desistida por mim.' Tendo dito estas palavras, o Brahmana foi embora. Eu então procurei o outro Brahmana lhe oferecendo uma permuta, e dizendo, 'Receba cem mil vacas por esta única vaca.' O Brahmana, no entanto, me respondeu dizendo, 'Eu não aceito presentes de pessoas da classe real. Eu sou capaz de progredir sem ajuda. Então, sem perda de tempo, dê-me aquela mesma vaca que era minha.' Exatamente assim, ó matador de Madhu, aquele Brahmana falou para mim. Eu propus fazer presentes para ele de ouro e prata e cavalos e carros. Aquele principal dos Brahmanas se recusou a aceitar algum destes como doação e foi embora. Enquanto isso, incitado pela influência irresistível do tempo, eu tive que partir deste mundo. Dirigindo-me à região dos Pitris eu fui levado à presença do rei dos mortos. Cultuando-me devidamente Yama se dirigiu a mim, dizendo, 'Não pode ser averiguado o fim, ó rei, dos teus feitos. Há, no entanto, um pequeno pecado o qual foi cometido inconscientemente por ti. Sofra o castigo por aquele pecado agora ou depois como te agradar. Tu (após tua acessão ao trono) juraste que irias proteger (todas as pessoas no desfrute de suas posses). Aquele teu juramento não foi rigidamente mantido por ti. Tu tiraste também o que pertencia a um Brahmana. Este mesmo foi o pecado duplo que tu cometeste.' Eu respondi, dizendo, 'Eu primeiro passarei pela angústia do castigo, e quando este estiver terminado, eu desfrutarei da felicidade que está guardada para mim, ó senhor!' Depois que eu tinha dito estas palavras para o rei dos mortos, eu caí na Terra. Embora caído eu ainda podia ouvir as palavras que Yama me disse muito ruidosamente. Aquelas palavras foram: ‘Janardana, o filho de Vasudeva, te resgatará! Após a conclusão de mil anos completos, quando estiver esgotado o demérito da tua ação pecaminosa, tu irás então alcançar muitas regiões de felicidade inesgotável que foram conquistadas por ti pelas tuas próprias ações de virtude.’ Caindo eu me encontrei, de cabeça para baixo, dentro deste poço, transformado em uma criatura da ordem intermediária. A memória, no entanto, não me deixou. Por ti eu fui resgatado hoje. O que mais isto pode atestar além da força das tuas penitências? Que eu tenha tua permissão, ó Krishna! Eu desejo ascender para o céu!’ Permitido então por Krishna, o rei Nriga inclinou sua cabeça para ele e então subiu em um carro celeste e procedeu para o céu. Depois que Nriga tinha assim procedido para o céu, ó melhor dos Bharatas, Vasudeva recitou este verso, ó alegrador dos Kurus; ‘Ninguém deve se apropriar conscientemente de alguma coisa pertencente a um Brahmana. A propriedade de um Brahmana, se tirada, destrói aquele que a tira assim como a vaca do Brahmana destruiu o rei Nriga!’ Eu te digo, além disso, ó Partha, que um encontro com alguém bom nunca demonstra ser inútil. Veja, o rei Nriga foi salvo do inferno por se encontrar com alguém que é bom. Como uma doação é produtiva de mérito, assim mesmo uma ação de espoliação leva ao demérito. Por isso também, (com relação ao que foi dito antes sobre o assunto das vacas), ó Yudhishthira, deve-se evitar fazer alguma injúria para as vacas.'" 71 ''Yudhishthira disse, ‘Ó impecável, fale-me mais em detalhes sobre os méritos que são obteníveis por fazer doações de vacas. Ó tu de braços poderosos, eu nunca fico saciado com tuas palavras!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é narrada a velha história da conversa entre o Rishi Uddalaki e seu filho chamado Nachiketa. Uma vez o Rishi Uddalaki dotado de grande inteligência, se aproximando de seu filho Nachiketa, disse para ele, 'Sirva-me e atenda-me.' Após a conclusão do voto que ele tinha cumprido o grande Rishi mais uma vez disse para seu filho, 'Engajado em realizar minhas abluções e profundamente absorvido com meu estudo Védico, eu me esqueci de trazer comigo a lenha, as folhas Kusa, as flores, o jarro de água, e as ervas que eu tinha colhido. Traga-me aquelas coisas da margem do rio.' O filho procedeu para o local indicado, mas viu que todos os artigos tinham sido levados pela correnteza. Voltando para seu pai, ele disse, 'Eu não vi as coisas!' Afligido como ele então estava com fome, sede, e fadiga, o Rishi Uddalaki de grande mérito ascético, em uma cólera repentina, amaldiçoou seu filho, dizendo, 'Encontre com Yama hoje!' Assim atingido por seu pai com o raio de suas palavras, o filho, com palmas unidas, disse, 'Esteja apaziguado comigo!' Logo, no entanto, ele caiu sobre o solo, carente de vida. Vendo Nachiketa prostrado no chão, seu pai ficou privado de seus sentidos pela aflição. Ele, também, exclamando, 'Ai, o que eu fiz!,' caiu sobre o solo. Cheio de dor, enquanto ele se abandonava em lamentações por seu filho, o resto daquele dia passou e veio a noite. Então Nachiketa, ó filho da linhagem de Kuru, encharcado pelas lágrimas de seu pai, deu sinais de voltar à vida quando ele estava deitado em uma esteira de grama Kusa. Sua restauração à vida sob as lágrimas de seu pai pareceu com o brotamento de sementes quando encharcadas com chuvas auspiciosas. O filho há pouco tempo devolvido à consciência ainda estava fraco. Seu corpo estava coberto com unguentos fragrantes e ele parecia com alguém apenas despertando de um sono profundo. O Rishi questionou-o, dizendo, 'Tu, ó filho, alcançaste regiões auspiciosas pelas tuas próprias ações? Por boa sorte, tu foste devolvido a mim! Teu corpo não parece ser humano!' Assim questionado por seu pai de grande alma, Nachiketa, que tinha visto todas as coisas com seus próprios olhos, deu a seguinte resposta para ele no meio dos Rishis, 'Em obediência à tua ordem eu procedi para a região extensa de Yama que é possuidora de uma refulgência encantadora. Lá eu vi uma mansão suntuosa a qual se estendia por milhares de Yojanas e emitia um esplendor dourado de toda parte. Logo que Yama me viu me aproximando com rosto em direção a ele, ele ordenou seus servidores dizendo, ‘Dêem a ele um bom assento’, na verdade, o rei dos mortos, por tua causa, me adorou com o Arghya e os outros ingredientes. Assim adorado por Yama e sentado no meio de seus conselheiros, eu então disse brandamente, 'Eu vim para tua residência, ó juiz dos mortos! Designe para mim aquelas regiões as quais eu mereço pelas minhas ações!' Yama então me respondeu dizendo, 'Tu não estás morto, ó amável! Dotado de penitências, teu pai disse para ti: ‘Te encontre com Yama!’ A energia do teu pai é como aquela de um fogo ardente. Possivelmente eu não poderia falsificar estas palavras dele. Tu me viste. Parta daqui, ó filho! O criador do teu corpo está entregue a lamentações por ti. Tu és meu caro convidado. Qual desejo nutrido por ti no teu coração eu te concederei? Peça a realização de qualquer desejo que tu possas nutrir.' Assim endereçado por ele, eu respondi para o rei dos mortos, dizendo, 'Eu cheguei dentro dos teus domínios dos quais nenhum viajante alguma vez retorna. Se eu realmente sou um objeto merecedor das tuas atenções, eu desejo, ó rei dos mortos, ter uma visão daquelas regiões de prosperidade e felicidade sublimes que estão reservadas para os fazedores de atos virtuosos.' Assim endereçado por mim, Yama me fez subir em um veículo de esplendor tão refulgente quando aquele do sol e ao qual estavam atrelados muitos corcéis excelentes. Levando-me naquele veículo, ele me mostrou, ó principal das pessoas regeneradas, todas aquelas regiões encantadoras que estão reservadas para os justos. Eu contemplei naquelas regiões muitas mansões de grande resplandecência destinadas para pessoas de grande alma. Aquelas mansões são de diversas formas e estão adornadas com todas as espécies de pedras preciosas. Brilhantes como o disco da lua, elas estão ornamentadas com fileiras de sinos tilintantes. Centenas entre elas são de muitos andares. Dentro delas há arvoredos agradáveis e bosques e massas de águas transparentes. Possuidoras da refulgência do lápis lazúli e do sol, e feitas de prata e ouro, sua cor parece com a cor do sol da manhã. Algumas delas são imóveis e algumas são móveis. Dentro delas há muitos morros de iguarias e artigos agradáveis e mantos e camas em abundância. Dentro delas há muitas árvores capazes de conceder a realização de todos os desejos. Há também muitos rios e estradas e salas espaçosas e lagos e tanques grandes. Milhares de carros com rodas que causam ruído podem ser vistos lá, tendo corcéis excelentes atrelados a eles. Muitos rios que correm leite, muitas colinas de ghee, e grandes corpos de água transparente se encontram lá. Na verdade, eu vi muitas regiões semelhantes, nunca vistas por mim antes, de felicidade e alegria, aprovadas pelo rei dos mortos. Contemplando todos aqueles objetos, eu me dirigi ao antigo e pujante juiz dos mortos, dizendo, 'Para o uso e desfrute de quem estes rios com correntezas eternas de leite e ghee estão ordenados?' Yama me respondeu dizendo, 'Estes rios de leite e ghee, saiba, são para o prazer daquelas pessoas justas que fazem doações no mundo dos homens. Há outros mundos eternos os quais estão cheios de tais mansões livres de tristeza de todo tipo. Estas estão reservadas para aquelas pessoas que são dedicadas a fazer doações de vacas. A mera doação de vacas não é digna de louvor. Há considerações de adequação ou o contrário acerca da pessoa para quem vacas devem ser dadas, o momento para fazer aquelas doações, a espécie de vaca que deve constituir o objeto das doações, e os ritos que devem ser observados ao fazer as doações. Doações de vacas devem ser feitas depois de se averiguar as qualificações distintivas dos Brahmanas (que vão recebê-las) e das próprias vacas (que serão doadas). Vacas não devem ser dadas para alguém em cuja residência elas provavelmente irão sofrer por causa do fogo ou do sol. Aquele Brahmana que é possuidor de erudição Védica, que é de penitências austeras, e que realiza sacrifícios, é considerado como digno de receber vacas de presente. Aquela vaca que foi resgatada de uma situação de infortúnio, ou que foi dada por chefes de família pobres por falta de recursos suficientes para alimentá-la e tratá- la, é, por estas razões, considerada como de grande valor. Abstendo-se de todo alimento e vivendo só de água por três noites e dormindo este tempo sobre a terra nua, uma pessoa deve, tendo alimentado devidamente as vacas destinadas para doação, dá-las para Brahmanas depois de tê-los agradado também (com outros presentes). As vacas doadas devem ser acompanhadas por seus bezerros. Elas devem, além disso, ser de tal maneira que produzam bons bezerros, nas épocas apropriadas. Elas devem ser acompanhadas por outros artigos assim doados. Tendo completado a doação, o doador deve viver por três dias só de leite e se abstendo de comida de todo outro tipo. Aquele que doa uma vaca que não é indócil, que produz bons bezerros em intervalos apropriados, e que não foge da casa dos donos, e acompanhada por tais presentes como um recipiente de latão branco para ordenhá-la, desfruta da bem-aventurança do céu por tantos anos quanto medidos pelo número de pêlos no corpo do animal. Aquele que dá para um Brahmana um touro bem domesticado e capaz de carregar cargas, possuidor de força e jovem, não propenso a fazer algum dano, de tamanho grande e dotado de energia, desfruta daquelas regiões que estão reservadas para doadores de vacas. É considerada como uma pessoa apropriada para receber uma vaca de presente aquela que é conhecida como sendo gentil para com as vacas, que tem vacas como seu refúgio, que é grata, e que não tem meios de subsistência designados para ela. Quando um homem velho fica doente, ou quando um Brahmana pretende realizar um sacrifício, ou quando alguém deseja arar (a terra) para a agricultura, ou quando alguém obtém um filho através da eficácia de um Homa realizado para o propósito, ou para o uso de seu preceptor, ou para o sustento de uma criança (nascida da maneira usual), uma pessoa deve doar uma vaca querida. Estas são as considerações que são louvadas (na questão de se fazer doações de vacas) a respeito de hora e lugar. As vacas que merecem ser doadas são aquelas que produzem quantidades copiosas de leite, ou aquelas que são bem conhecidas (por sua docilidade e outras virtudes), ou aquelas que foram compradas por um preço, ou aquelas que foram adquiridas como honorário por aprendizagem, ou aquelas que foram obtidas em permuta por oferecer outras criaturas vivas (tais como ovelhas e cabras, etc.), ou aquelas que foram ganhas por destreza de braços, ou aquelas que foram ganhas como dote de casamento (dos sogros e outros parentes da esposa).'” "Nachiketa continuou, 'Ouvindo estas palavras de Vaivaswata, eu mais uma vez me dirigi a ele dizendo, 'Quais são aqueles objetos por dar os quais, quando vacas não são obteníveis, os doadores ainda assim podem ir para as regiões reservadas para os homens que fazem doações de vacas?' Questionado por mim, o sábio Yama respondeu, explicando em seguida qual é o fim que é alcançável por fazer doações de vacas. Ele disse, 'Na ausência de vacas, uma pessoa por fazer doações do que tem sido considerado como substituto das vacas ganha o mérito de fazer doações de vacas. Se, na ausência de vacas, alguém faz uma doação de uma vaca feita de ghee, enquanto cumpre um voto, ele consegue para seu próprio uso estes rios de ghee todos os quais se aproximam dele como uma mãe afetuosa se aproxima de seu filho amado. Se, na ausência até de uma vaca feita de ghee, alguém faz uma doação de uma vaca feita de sementes de gergelim, enquanto cumpre um voto, ele consegue com a ajuda daquela vaca transpor todas as calamidades neste mundo e desfrutar de grande felicidade futura destes rios de leite que tu vês! Se na ausência de uma vaca feita de sementes de gergelim, alguém faz uma doação de uma vaca feita de água ele consegue vir para estas regiões felizes e desfrutar deste rio de água fresca e transparente, que é, além disso, capaz de conceder a realização de todos os desejos.' O rei dos mortos me explicou tudo isso enquanto eu era seu convidado, e, ó tu de glória imperecível, foi grande a alegria que eu senti ao ver todas as maravilhas que ele me mostrou. Eu agora te direi o que certamente será agradável para ti. Eu agora obtive um grande sacrifício cuja realização não requer muita riqueza. Aquele sacrifício (constituído por doações de vacas) pode ser citado como fluindo de mim, ó pai! Outros o obterão também. Isto não é inconsistente com as ordenanças dos Vedas. A maldição que tu pronunciaste sobre mim não foi uma maldição mas na realidade foi uma bênção, já que ela me permitiu ter uma visão do grande rei dos mortos. Lá eu vi quais são as recompensas vinculadas às doações. Eu irei, de agora em diante, ó tu de grande alma, praticar o dever da caridade sem qualquer dúvida espreitando em minha mente a respeito de suas recompensas. E, ó grande Rishi, o justo Yama, cheio de alegria, repetidamente me disse, 'Uma pessoa que, por fazer doações frequentes, conseguiu adquirir pureza de mente deve então fazer doações de vacas especialmente. Este tópico (sobre doações) é repleto de santidade. Nunca desconsidere os deveres a respeito de doações. Doações, além disso, devem ser feitas para pessoas dignas, quando hora e lugar são convenientes. Portanto, sempre faça doações de vacas. Nunca nutra quaisquer dúvidas a este respeito. Dedicadas ao caminho das doações, muitas pessoas de grande alma nos tempos passados costumavam fazer presentes de vacas. Temendo praticar penitências austeras, eles fizeram doações segundo a extensão de seu poder. Com o tempo eles rejeitaram todos os sentimentos de orgulho e vaidade, e purificaram suas almas. Engajados em realizar Sraddhas em honra dos Pitris e em todas as ações de virtude, eles costumavam fazer, de acordo com a extensão de seu poder, doações de vacas, e como a recompensa daquelas ações eles alcançaram o céu e estão brilhando com refulgência por tal virtude. Uma pessoa deve, no oitavo dia da lua que é conhecida pelo nome de Kamyashtami, fazer doações de vacas, devidamente obtidas, para Brahmanas depois de averiguar a qualificação dos recebedores (pelas ordenanças já declaradas). Depois fazer o presente, alguém deve então subsistir por dez dias seguidos somente de leite de vaca, seu estrume e sua urina (enquanto se abstém de toda outra comida). O mérito que se adquire por fazer um presente de um touro é igual àquele que se atribui ao voto divino. Por fazer um presente de um par de vacas alguém consegue, como a recompensa disso, um domínio dos Vedas. Por fazer um presente de carros e veículos com vacas unidas a eles alguém adquire o mérito de banhos em águas sagradas. Por fazer uma doação de uma vaca da espécie Kapila alguém vem a ser purificado de todos os seus pecados. Na verdade, por doar mesmo uma única vaca da espécie Kapila que foi adquirida por meios legítimos, uma pessoa é purificada de todos os pecados que ela possa ter cometido. Não há nada superior (a respeito de gosto) ao leite que é produzido pelas vacas. A doação de uma vaca é realmente considerada como uma doação muito superior. Vacas, por produzirem leite, salvam todos os mundos da calamidade. É a vaca, além disso, que produz o alimento do qual as criaturas subsistem. Alguém que, conhecendo a extensão do serviço que as vacas fazem, não nutre em seu coração uma afeição por elas, é um pecador que sem dúvida vai para o inferno. (As vacas produzem alimento não somente por ajudarem no cultivo da terra mas também por ajudarem na realização de sacrifícios. O ghee queimado no fogo sacrifical sustenta as sub-divindades, que despejam chuva e fazem as colheitas crescerem.) Se alguém dá mil ou cem ou dez ou cinco vacas, na verdade, se alguém dá para um Brahmana justo até uma única vaca a qual produz bons bezerros em intervalos apropriados, ele sem dúvida verá aquela vaca se aproximar dele no céu na forma de um rio de água sagrada capaz de conceder a realização de todos os desejos. Em relação à prosperidade e ao crescimento que as vacas concedem, na questão também da proteção que as vacas dão para todas as criaturas da terra, as vacas são iguais aos próprios raios do sol que caem sobre a terra. (Aquele calor é o princípio que origina o crescimento de muitas coisas como bem compreendido pelos Rishis.) A palavra que representa a vaca também significa os raios do sol. O doador de uma vaca se torna o progenitor de uma família muito grande que se estende sobre uma parte grande da terra. Por isso, aquele que dá uma vaca brilha como um segundo sol em resplandecência. O discípulo deve, na questão de fazer doações de vacas, escolher seu preceptor. Tal discípulo indubitavelmente irá para o céu. A seleção de um preceptor (na questão da realização de atos pios) é considerada como um grande dever pelas pessoas familiarizadas com as ordenanças. Esta é, de fato, a ordenança inicial. Todas as outras ordenanças (a respeito de doações de vacas) dependem dela. (Ao fazer todos os atos pios, uma pessoa deve em primeiro lugar receber a ajuda de um preceptor, mesmo se ela for bem familiarizada com as ordenanças que ela tem que seguir. Sem a escolha de um preceptor em primeiro lugar, não pode haver ato virtuoso. Na questão, portanto, de fazer doações de vacas de acordo com as ordenanças declaradas, alguém deve procurar a ajuda de um preceptor assim como na questão de todo outro ato de piedade.) Selecionando, depois de exame, uma pessoa qualificada entre os Brahmanas, alguém deve fazer para ele a doação de uma vaca que foi adquirida por meios legítimos, e tendo feito a doação fazê-lo aceitá-la. As divindades e homens e nós também, ao desejarmos bem para outro, dizemos, 'Que os méritos vinculados às doações sejam teus pela tua virtude!' Exatamente assim o juiz dos mortos falou para mim, ó Rishi regenerado. Eu então inclinei minha cabeça para o justo Yama. Obtendo sua permissão eu deixei seus domínios e agora vim para a sola dos teus pés.'" 72 "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, me falaste sobre o tópico da doação de vacas ao falares do Rishi Nachiketa. Tu também falaste implicitamente, ó pujante, sobre a eficácia e preeminência daquele ato. Tu também me falaste, ó avô de grande inteligência, do caráter extremamente aflitivo da calamidade que aconteceu ao rei Nriga de grande alma por causa de um único erro dele. Ele teve que morar por um longo tempo em Dwaravati (na forma de um imenso lagarto) e como Krishna se tornou a causa de sua salvação daquela situação miserável. Eu tenho, no entanto, uma dúvida. Ela é sobre o assunto das regiões das vacas. Eu desejo saber, em detalhes, acerca daquelas regiões que estão reservadas para a residência das pessoas que fazem doações de vacas.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é contada a velha narrativa da conversa entre Aquele que surgiu do lótus primevo e aquele que realizou uma centena de sacrifícios.'” "Sakra disse, 'Eu vejo, ó Avô, que aqueles que são residentes da região das vacas transcendem por sua resplandecência a prosperidade dos habitantes do céu e os preterem (como seres de uma posição inferior). Isto criou uma dúvida em minha mente. De que tipo, ó santo, são as regiões das vacas? Conte-me tudo acerca delas, ó impecável! Na verdade, qual é a natureza daquelas regiões que são habitadas por doadores de vacas? Eu desejo saber isto: de que tipo são aquelas regiões? Quais frutos elas trazem? Que é o objeto mais elevado lá o qual os habitantes daquele local conseguem ganhar? Quais são suas virtudes? Como também homens, livres de todo tipo de ansiedade, conseguem ir para aquelas regiões? Para qual período o doador de uma vaca desfruta dos resultados que são produzidos por sua doação? Como as pessoas podem fazer doações de muitas vacas e como elas podem fazer doações de poucas vacas? Quais são os méritos vinculados à doação de muitas vacas e quais são aqueles que se vinculam à doação de poucas somente? Como também as pessoas se tornam doadoras de vacas sem doarem alguma vaca em realidade? Diga-me tudo isto. Como alguém fazendo doações de até muitas vacas, ó senhor pujante, se torna igual a alguém que fez doação de somente poucas vacas? Como também alguém que faz doações de poucas vacas consegue se tornar igual a alguém que fez doações de muitas vacas? Qual tipo de Dakshina é considerado como notável por preeminência na questão das doações de vacas? Cabe a ti, ó santo, discursar para mim sobre tudo isso de acordo com a verdade.'" 73 "O Avô disse, 'As perguntas que tu me fizeste a respeito das vacas, começando com sua doação, são de tal maneira que não há ninguém mais nos três mundos, ó tu de cem sacrifícios, que poderia fazê-las! Há muitos tipos de regiões, ó Sakra, as quais são invisíveis até para ti. Aquelas regiões são vistas por mim, ó Indra, como também por aquelas mulheres que são castas e que são ligadas somente a um marido. Rishis praticantes de votos excelentes, por meio dos seus atos de virtude e piedade, e Brahmanas de almas justas, conseguem se dirigir a elas até mesmo em suas formas carnais. Homens que são cumpridores de votos excelentes contemplam aquelas regiões que parecem com as criações brilhantes dos sonhos, ajudados por suas mentes purificadas e por aquela emancipação (temporária) a qual sucede a perda da consciência do corpo. (Quanto a consciência do corpo é perdida em Yoga ou Samadhi, uma emancipação temporária ou Moksha se sucede. Homens com mentes purificadas contemplam em tais momentos aquelas regiões de felicidade suprema às quais o orador se refere. Tal felicidade, naturalmente, é a felicidade do próprio Brahma.) Ouça-me, ó tu de mil olhos, enquanto eu te digo quais são os atributos dos quais aquelas regiões são dotadas. Lá a própria passagem do Tempo está suspensa. Decrepitude não existe lá, nem Fogo o qual é onipresente no universo. Lá o menor mal não ocorre, nem doença, nem fraqueza de qualquer tipo. As vacas que vivem lá, ó Vasava, obtêm a realização de todos os desejos os quais elas nutrem em seus corações. Eu tenho experiência direta do que eu te digo. Capazes de ir a todos os lugares à vontade e realmente se dirigindo de lugar em lugar com facilidade, elas desfrutam da realização de desejo após desejo conforme eles surgem em suas mentes. Lagos e tanques e rios e florestas de diversas espécies, e mansões e colinas e todos os tipos de objetos encantadores, encantadores, isto é, para todas as criaturas, são vistos lá. Não há região de bem-aventurança que seja superior a alguma destas das quais eu falo. Todos aqueles mais importantes dos homens, ó Sakra, que são bondosos para todas as criaturas, que suportam tudo, que são cheios de afeição por todas as coisas, que prestam obediência respeitosa para seus preceptores, e que estão livres de orgulho e vaidade, se dirigem para aquelas regiões de felicidade suprema. Aquele que se abstém de todos os tipos de carne, que possui um coração purificado, que é dotado de virtude, que adora seus pais com reverência, que é dotado de veracidade em palavras e conduta, que auxilia os Brahmanas com obediência, que é impecável em conduta, que nunca se comporta com raiva com as vacas e com os Brahmanas, que está dedicado à realização de todos os deveres, que serve seus preceptores com reverência, que é dedicado sua vida inteira à verdade e à caridade, e que é sempre perdoador com respeito a todas as transgressões contra ele mesmo, que é gentil e autocontrolado, que é cheio de reverência pelas divindades, que é hospitaleiro com todos os convidados, que é dotado de compaixão; na verdade aquele que é adornado com todas estas qualidades; consegue chegar à eterna e imutável região das vacas. Aquele que é maculado com adultério não vê tal região; nem aquele que é um assassino de seu preceptor; nem aquele que fala falsamente ou se entrega a jactâncias inúteis; nem aquele que sempre disputa com outros; nem aquele que se comporta com hostilidade em direção aos Brahmanas. De fato aquele indivíduo perverso que é maculado por semelhantes falhas fracassa em obter até uma visão daquelas regiões de felicidade; também aquele que fere seus amigos; também aquele que é cheio de fraude; também aquele que é ingrato; também aquele que é um trapaceiro; também aquele que é desonesto em conduta; também aquele que é um zombador da religião; e também aquele que é um assassino de Brahmanas. Tais homens são incapazes de contemplar até em imaginação a região das vacas que é a residência somente daqueles que são de ações justas. Eu te disse tudo sobre a região das vacas em detalhes precisos, ó chefe das divindades! Ouça agora, ó tu de cem sacrifícios, o mérito que é daqueles que são dedicados a fazer doações de vacas. Aquele que faz doações de vacas depois de comprá-las com riqueza obtida por herança ou adquirida legalmente por ele, alcança, como o resultado de tal ação, muitas regiões de bem-aventurança inesgotável. Aquele que faz uma doação de uma vaca tendo-a adquirido com riqueza obtida nos dados, desfruta de felicidade, ó Sakra, por dez mil anos de extensão celeste. Aquele que adquire uma vaca como sua parte da riqueza ancestral é citado como a adquirindo legitimamente. Tal vaca pode ser doada. Aquele que faz doações de vacas assim adquiridas alcança muitas regiões eternas de bem-aventurança que é inesgotável. Aquela pessoa que, tendo obtido uma vaca de presente faz uma doação dela com um coração puro, consegue sem dúvida, ó marido de Sachi, alcançar regiões eternas de beatitude. Aquela pessoa que, com sentidos controlados fala a verdade desde o seu nascimento (até a hora de sua morte) e que tolera tudo nas mãos de seu preceptor e dos Brahmanas, e que pratica o perdão, consegue alcançar um fim que é igual àquele das vacas. Aquelas palavras que são impróprias, ó marido de Sachi, nunca devem ser dirigidas a um Brahmana. Uma pessoa não deve, além disso, nem mesmo na própria mente, fazer uma injúria para uma vaca. Alguém deve, em sua conduta, imitar a vaca (isto é, nunca pensar no dia seguinte e nunca acumular nada para uso futuro), e mostrar compaixão em direção à vaca. Ouça, ó Sakra, quais são os frutos que vêm a ser daquele que é devotado ao dever da verdade. Se tal pessoa dá de graça uma única vaca, aquela única vaca se torna igual a mil vacas. Se um Kshatriya, possuidor de tais qualificações, faz uma doação de uma única vaca, seu mérito se torna igual àquele de um Brahmana. Aquela única vaca, saiba, ó Sakra, a qual tal Kshatriya dá de graça, se torna uma fonte de tanto mérito quanto a única vaca que um Brahmana dá de graça sob circunstâncias similares. Esta é a conclusão segura das escrituras. Se um Vaisya, possuidor de habilidades parecidas, faz uma doação de uma única vaca, aquela vaca se torna igual a quinhentas vacas (em relação ao mérito que ela produz). Se um Sudra dotado de humildade faz uma doação de uma vaca, tal vaca será igual a cento e vinte e cinco vacas (em relação ao mérito que ela produz). Dedicado a penitências e verdade, competente (nas escrituras e todas as ações) por serviços respeitosos prestados para seu preceptor, dotado de generosidade de disposição, dedicado ao culto das divindades, possuidor de uma alma tranquila, puro (em corpo e mente), iluminado, cumpridor de todos os deveres, e livre de todo tipo de egotismo, aquele homem que faz uma doação de uma vaca para um Brahmana, certamente obtém grande mérito por aquela ação dele, isto é, a doação, de acordo com os ritos apropriados, de uma vaca produtora de leite abundante. Então, uma pessoa, com devoção sincera, praticante da verdade e dedicada a servir humildemente seu preceptor, deve sempre fazer doações de vacas. Ouça, ó Sakra, qual é o mérito daquela pessoa que, estudando devidamente os Vedas, mostra reverência pelas vacas, que sempre fica contente à visão de vacas, e que, desde seu nascimento sempre inclinou sua cabeça para as vacas. O mérito que se torna de alguém por realizar o sacrifício Rajasuya, o mérito que se torna de alguém por fazer presentes de pilhas de ouro, aquele grande mérito é adquirido por uma pessoa que mostra tal reverência pelas vacas. Rishis justos e pessoas de grande alma coroadas com sucesso têm dito isso. Dedicado à verdade, possuidor de uma alma tranquila, livre de cupidez, sempre sincero em palavras, e se comportando com reverência para com as vacas com a firmeza de um voto, o homem que, por um ano inteiro, antes de ele mesmo comer qualquer alimento, regularmente oferece algum alimento para as vacas, ganha o mérito, por tal ação, da doação de mil vacas. Aquele homem que faz somente uma refeição por dia e que dá a quantidade inteira da sua outra refeição para as vacas, na verdade, aquele homem, que reverencia as vacas dessa maneira com a firmeza de um voto e demonstra tal compaixão por elas desfruta por dez anos de felicidade ilimitada. O homem que se limita a somente uma refeição por dia e com a outra refeição economizada por algum tempo compra uma vaca e faz um presente dela (para um Brahmana), ganha, através daquele presente, ó tu de cem sacrifícios, o mérito eterno que se atribui à doação de tantas vacas quanto os pêlos que existem no corpo daquela única vaca assim doada. Estas são declarações a respeito do mérito que os Brahmanas adquirem por fazerem doações de vacas. Escute agora aos méritos que os Kshatriyas podem ganhar. É dito que um Kshatriya, por comprar uma vaca dessa maneira e fazer uma doação dela para um Brahmana, obtém grande bem-aventurança por cinco anos. Um Vaisya, por tal conduta, obtém só a metade do mérito de um Kshatriya, e um Sudra, por tal conduta, ganha a metade do mérito que um Vaisya ganha. O homem que vende a si mesmo e com o lucro disso compra vacas e as doa para Brahmanas, desfruta de felicidade no céu por um período tão longo quanto vacas são vistas na terra. É dito, ó altamente abençoado, que em cada pêlo de tais vacas que são compradas com os lucros obtidos por vender a si mesmo há uma região de bem-aventurança inesgotável. O homem que, tendo obtido vacas por meio de batalha faz doações delas (para Brahmanas), adquire tanto mérito quanto aquele que faz doações de vacas depois de ter comprado as mesmas com os lucros da venda de si mesmo. O homem que, na ausência de vacas, faz uma doação de uma vaca feita de sementes de gergelim, enquanto controla seus sentidos, é resgatado por tal vaca de todo tipo de calamidade ou infortúnio. Tal homem se diverte em grande felicidade. A mera doação de vacas não é repleta de mérito. As considerações de recebedores dignos, de tempo, da espécie das vacas, e do ritual a ser observado, devem ser atendidas. Deve-se averiguar o momento apropriado para fazer uma doação de vacas. Deve-se também averiguar as qualificações distintivas de ambos, dos Brahmanas e das próprias vacas (as quais serão doadas). Vacas não devem ser dadas para alguém em cuja residência elas provavelmente sofrerão por causa do fogo ou do sol. Alguém que é rico em saber Védico, que é de linhagem pura, que é dotado de uma alma tranquila, que é dedicado à realização de sacrifícios, que teme o cometimento de pecado, que possui conhecimento variado, que é compassivo para com as vacas, que é gentil em comportamento, que fornece proteção para todos que a procuram dele, e que não tem meios de sustento designados para ele, é considerado como uma pessoa apropriada para receber uma doação de vacas. Para um Brahmana que não tem meios de sustento, para ele enquanto ele está extremamente aflito por falta da comida (em uma época de fome, por exemplo) para propósitos de agricultura, para uma criança nascida em consequência do Homa, para os propósitos de seu preceptor, para o sustento de uma criança nascida (pelo método comum), uma vaca deve ser dada. Na verdade, a doação deve ser feita em uma hora apropriada e em um lugar apropriado. (Ascetas às vezes criavam filhos sem a intervenção de mulheres e somente pela eficácia do Homa. Em tais momentos as pessoas deviam fazer presentes de vacas para tais pais.) Aquelas vacas, ó Sakra, cujas disposições são bem conhecidas, as quais foram obtidas como honorários por conhecimento, ou que foram compradas em troca de outros animais (tais como cabras, ovelhas, etc.), ou que foram ganhas pela destreza de braços, ou obtidas como dote de casamento; ou que foram adquiridas por serem resgatadas de situações de perigo, ou que, incapazes de serem mantidas por seus donos pobres, foram transferidas para a casa de outros para manutenção cuidadosa são, por tais razões, consideradas como objetos apropriados de doação. Aquelas vacas que são fortes de corpo, que têm boas disposições, e que emitem uma fragrância agradável, são aprovadas na questão de doações. Como Ganga é o principal de todos os rios, assim mesmo uma vaca Kapila é o principal de todos os animais da raça bovina. Abstendo-se de todo alimento e vivendo somente de água por três noites, e dormindo pelo mesmo período sobre a terra nua, uma pessoa deve fazer doações de vacas para Brahmanas depois de tê-los agradado com outros presentes. Tais vacas, livres de todas as imperfeições devem, ao mesmo tempo, estar acompanhadas por bezerros saudáveis que não foram desmamados. Tendo feito o presente, o doador deve viver pelos próximos três dias em sucessão de alimento consistindo somente em produtos da vaca. Por doar uma vaca que é de boa disposição, que se permite ser ordenhada tranquilamente, que sempre produz bezerros vivos e robustos, e que não foge da residência do dono, o doador desfruta de bem-aventurança no mundo seguinte por tantos anos quanto os pêlos que existem no corpo dela. Similarmente, por doar para um Brahmana um touro que é capaz de carregar carga pesada, que é jovem e forte e dócil, que leva tranquilamente a canga do arado, e que é possuidor de tal energia que é suficiente para ser submetido até a um grande trabalho, uma pessoa alcança regiões tais como as que são daquele que doa dez vacas. Aquela pessoa que resgata vacas e Brahmanas (do perigo) na selva, ó Kausika, vem a ser ela mesma resgatada de todos os tipos de calamidade. Ouça qual é seu mérito. O mérito que tal homem adquire é igual ao mérito eterno de um Sacrifício de Cavalo. Tal pessoa obtém qualquer fim que ela deseje na hora da morte. Muitas regiões de felicidade, de fato, qualquer felicidade que ele cobice em seu coração, se tornam obteníveis por ele por causa de tal ação dele. Na verdade, tal homem, permitido pelas vacas, vive honrado em todas as regiões de bem-aventurança. Aquele homem que segue as vacas todos os dias nos bosques, enquanto ele mesmo subsiste de grama e esterco de vaca e folhas de árvores, seu coração livre do desejo de resultado, seus sentidos retraídos de todos os objetos impróprios e sua mente purificada de toda escória, aquele homem, ó tu de cem sacrifícios, vive em alegria e livre do domínio do desejo na minha região ou em qualquer outra região de felicidade que ele deseje, na companhia das divindades!’” 74 "Indra disse, 'Eu desejo saber, ó Avô, qual é o fim que é alcançado por quem rouba uma vaca conscientemente ou que vende uma por motivos de cobiça." "O Avô disse, 'Ouça quais são as consequências que alcançam aquelas pessoas que roubam uma vaca para matá-la para se alimentar ou para vendê-la por riqueza, ou para fazer uma doação dela para um Brahmana. Aquele que, sem ser detido pelas restrições das escrituras, vende uma vaca, ou mata uma, ou come a carne de uma vaca, ou aqueles que, por causa de riqueza, permitem que uma pessoa mate vacas, todos estes, isto é, aquele que mata, aquele que come, e aquele que permite a matança, apodrecem no inferno por tantos anos quantos os pêlos que há no corpo da vaca assim morta. Ó tu de grande pujança, aqueles erros e aqueles tipos de falhas que são citados como vinculados a alguém que obstrui o sacrifício de um Brahmana, são considerados como vinculados à venda e ao roubo de vacas. O homem que, tendo roubado uma vaca faz uma doação dela para um Brahmana, desfruta de felicidade no céu como a recompensa da doação, mas sofre a miséria no inferno pelo pecado de roubo por um período igualmente longo. Ouro é considerado como constituindo o Dakshina, ó tu de grande esplendor, nas doações de vacas. De fato, o ouro tem sido citado como o melhor Dakshina em todos os sacrifícios. Por fazer uma doação de vacas uma pessoa é citada como resgatando seus antepassados até o sétimo grau como também seus descendentes até o sétimo grau. Por doar vacas com Dakshina de ouro alguém resgata seus antepassados e descendentes do dobro do número. O presente de ouro é o melhor dos presentes. O ouro é, além disso, o melhor Dakshina. O ouro é um grande purificador, ó Sakra, e é, de fato, o melhor de todos os objetos purificadores. Ó tu de cem sacrifícios, o ouro é considerado como o santificador da linhagem inteira daquele que o doa. Eu assim, ó tu de grande esplendor, te falei de Dakshina em resumo.'” "Bhishma disse, 'Isto mesmo foi dito pelo Avô para Indra, ó chefe da linhagem de Bharata! Indra o comunicou para Dasaratha, e Dasaratha por sua vez para seu filho Rama, Rama da linhagem de Raghu o comunicou para seu caro irmão Lakshmana de grande renome. Enquanto residia nas florestas, Lakshmana o comunicou para os Rishis. Ele então passou de geração para geração, pois os Rishis de votos rígidos o mantiveram entre eles mesmos como também os reis justos da terra. Meu preceptor, ó Yudhishthira, o comunicou para mim. Aquele Brahmana que o recita todos os dias nas reuniões de Brahmanas, em sacrifícios ou em doações de vacas, ou quando duas pessoas se encontram, alcança após a morte muitas regiões de felicidade inesgotável onde ele sempre reside com as divindades como seus companheiros. O santo Brahman, o Senhor Supremo, falou dessa maneira (para Indra sobre o assunto das vacas).'" 75 "Yudhishthira disse, 'Eu tenho sido imensamente assegurado, ó tu de pujança, por tu me falares dos deveres dessa maneira. Eu irei, no entanto, dar expressão às dúvidas que eu tenho. Esclareça-as para mim, ó avô! Quais são os resultados, declarados nas escrituras, dos votos que os homens cumprem? De qual natureza são os frutos, ó tu de grande esplendor, de observâncias de outros tipos? (Vratas, traduzido como 'votos', e Niyamas, traduzido como observâncias, diferem nesse aspecto, que os primeiros envolvem atos positivos de culto junto com a observância de, ou abstenção de, práticas específicas, enquanto os últimos envolvem somente tal observância ou abstenção.) Quais, além disso, são os frutos de um estudo apropriado dos Vedas? Quais são os frutos das doações, e quais são aqueles da retenção dos Vedas na memória? Quais são os frutos que se vinculam ao ensino dos Vedas? Eu desejo saber tudo isso. Quais, ó avô, são os méritos ligados à não aceitação de doações neste mundo? Quais frutos são vistos se vincularem àquele que faz doações de conhecimento? Quais são os méritos adquiridos pelas pessoas que são cumpridoras dos deveres de sua classe, como também por heróis que não fogem da batalha? Quais são os frutos que são declarados como ligados à observância da pureza e da prática de Brahmacharya? Quais são os méritos ligados ao serviço do pai e da mãe? Quais também são os méritos de servir preceptores e professores, e quais são os méritos da compaixão e da bondade? Eu desejo saber tudo isso, ó avô, verdadeiramente e em detalhes, ó tu que estás familiarizado com todas as escrituras! Grande é a curiosidade que eu sinto.’” "Bhishma disse, 'Regiões de felicidade eterna vêm a ser daquele que, tendo começado apropriadamente um Vrata (voto) completa sua observância de acordo com as escrituras, sem uma brecha. Os resultados de Niyamas, ó rei, são visíveis até neste mundo. Estas recompensas que tu ganhaste são aquelas de Niyamas e sacrifícios. Os frutos que se vinculam ao estudo dos Vedas são vistos aqui e após a morte. A pessoa que é dedicada ao estudo dos Vedas é vista passar seu tempo em felicidade neste mundo e na região de Brahma. Ouça-me agora, ó rei, enquanto eu te falo em detalhes quais são os frutos do autodomínio. Aqueles que são autocontrolados são felizes em todos os lugares. Aqueles que são autocontrolados estão sempre no gozo daquela felicidade a qual está ligada à ausência ou subjugação do desejo. Aqueles que são autocontrolados são competentes para ir a todos os lugares à vontade. Aqueles que são autocontrolados são capazes de destruir todos os inimigos. Sem dúvida, aqueles que são autocontrolados conseguem obter tudo o que eles procuram. Aqueles que são autocontrolados, ó filho de Pandu, obtêm a realização de todos os desejos. A felicidade que homens desfrutam no céu por penitências e destreza (de braços), por doações, e por diversos sacrifícios, vem a ser daqueles que são autocontrolados e clementes. O autodomínio é mais meritório do que a caridade. Um doador, depois de fazer uma doação para Brahmanas, pode ceder à influência da cólera. Um homem de autodomínio, no entanto, nunca cede à cólera. Então, o autodomínio é superior (a respeito de mérito) à caridade. O homem que faz doações sem ceder à cólera consegue alcançar regiões eternas de bem- aventurança. A ira destrói o mérito de uma doação. Por isso, o autodomínio é superior à caridade. Há vários lugares invisíveis, ó monarca, contados por dez milhares, no céu. Existindo em todas as regiões do céu, estes lugares pertencem aos Rishis. Pessoas, deixando este mundo, chegam a elas e são transformadas em divindades. Ó rei, os grandes Rishis se dirigem para lá, ajudados somente por seu autodomínio, e como o fim de seus esforços alcançam uma região de felicidade superior. Então, o autodomínio é superior (em eficácia) à doação. A pessoa que se torna um preceptor (pelo ensino dos Vedas), e que cultua o fogo devidamente, se despedindo de todas as suas aflições neste mundo, desfruta de bem-aventurança inesgotável, ó rei, na região de Brahma. Aquele homem que, tendo estudado os Vedas, dá um conhecimento deles para discípulos virtuosos, e que louva as ações de seu próprio preceptor, obtém grandes honras no céu. O Kshatriya que se dedica ao estudo dos Vedas, à realização de sacrifícios, às doações, e que salva as vidas de outros em combate, da mesma maneira obtém grandes honras no céu. O Vaisya que, cumpridor dos deveres de sua própria classe, faz doações, colhe como o fruto daquelas doações uma recompensa suprema. O Sudra, que cumpre devidamente os deveres de sua classe (os quais consistem em serviços prestados para as três outras classes) ganha o céu como a recompensa de tais serviços. Diversos tipos de heróis têm sido mencionados (nas escrituras). Ouça-me enquanto eu te explico quais são as recompensas que eles obtêm. Estão estabelecidas as recompensas de um herói pertencente a uma linhagem heróica. Há heróis de sacrifício, heróis de autocontrole, heróis da verdade, e outros que igualmente têm direito ao nome de heróis. Há heróis de combate, e heróis de caridade e de generosidade entre os homens. Há muitas pessoas que podem ser chamadas de heróis da fé Sankhya como, de fato, há muitos outros que são chamados de heróis de Yoga. Há outros que são considerados como heróis a respeito da vida na floresta, da chefia de família ou domesticidade, e da renúncia (ou Sannyasa). Similarmente, há outros que são chamados de heróis de intelecto, e também heróis de perdão. Há outros homens que vivem em tranquilidade e que são considerados como heróis de justiça. Há diversos outros tipos de heróis que praticam diversos outros tipos de votos e observâncias. Há heróis dedicados ao estudo dos Vedas e heróis dedicados ao ensino dos mesmos. Há, além disso, homens que vêm a ser considerados como heróis pela devoção com a qual atendem e servem seus preceptores, como, de fato, heróis a respeito da reverência que eles demonstram por seus antepassados. Há heróis em relação à obediência às mães, e heróis em relação à vida de mendicância que levam. Há heróis na questão da hospitalidade para convidados, se vivem como donos de casa. Todos estes heróis alcançam regiões muito superiores de bem-aventurança que são, naturalmente, alcançadas por eles como as recompensas de suas próprias ações. Manter todos os Vedas na memória, ou abluções realizadas em todas as águas sagradas, podem ser ou não ser iguais a dizer a Verdade todos os dias na vida. Mil Sacrifícios de Cavalo e a Verdade foram uma vez pesados na balança. Foi visto que a Verdade era mais pesada do que mil Sacrifícios de Cavalo. É pela Verdade que o sol está dando calor, é pela Verdade que o fogo queima, é pela Verdade que os ventos sopram; na verdade, tudo depende da Verdade. É a Verdade que satisfaz as divindades, os Pitris e os Brahmanas. A Verdade é considerada como o maior dever. Portanto, ninguém jamais deve violar a Verdade. Os Munis são todos leais à Verdade. Sua destreza depende da Verdade. Eles também juram pela Verdade. Por isso, a Verdade é preeminente. Todos os homens verdadeiros, ó chefe da linhagem de Bharata, conseguem por sua veracidade chegar ao céu e se divertir lá em felicidade. O autodomínio é a obtenção da recompensa que se vincula à Verdade. Eu tenho falado sobre isto com todo o meu coração. O homem de coração humilde que possui autodomínio sem dúvida obtém grandes honras no céu. Ouça-me agora, ó senhor da Terra, enquanto eu te explico os méritos de Brahmacharya. Aquele homem que pratica o voto de Brahmacharya desde seu nascimento até a hora da sua morte, saiba, ó rei, não tem nada inalcançável! Muitos milhões de Rishis estão residindo na região de Brahma. Todos eles, enquanto estão aqui, são devotados à Verdade, e autocontrolados e têm sua semente vital parada. O voto de Brahmacharya, ó rei, praticado devidamente por um Brahmana, sem dúvida queima todos os seus pecados. O Brahmana é citado como sendo um fogo ardente. Naqueles Brahmanas que são dedicados às penitências, a divindade do fogo se torna visível. Se um Brahmacharin cede à cólera por causa de algum menosprezo o próprio chefe das divindades treme de medo. Este mesmo é o resultado visível do voto de Brahmacharya que é observado pelos Rishis. Ouça, ó Yudhishthira, qual é o mérito que se vincula ao culto do pai e da mãe. Aquele que serve respeitosamente seu pai sem jamais se opor a ele em alguma coisa, ou similarmente serve sua mãe ou irmão (mais velho) ou outro superior ou preceptor, isto deve ser conhecido, ó rei, ganha uma residência no céu. O homem de alma purificada, por tal serviço prestado para seus superiores, nunca tem que contemplar o inferno.'" 76 "Yudhishthira disse, 'Eu desejo, ó rei, te ouvir falar em detalhes sobre aquelas ordenanças superiores que regulam doações de vacas, pois é por fazer doações (de vacas) de acordo com aquelas ordenanças que alguém alcança inúmeras regiões de felicidade eterna.'” "Bhishma disse, 'Não há doação, ó senhor da Terra, que seja superior em relação a mérito à doação de vacas. Uma vaca, legalmente adquirida, se doada, salva imediatamente a linhagem inteira do doador. Aquele ritual o qual surgiu para o benefício dos justos, foi posteriormente declarado por causa de todas as criaturas. Aquele ritual vem do tempo primitivo. Ele existia mesmo antes que fosse declarado. Na verdade, ó rei, ouça-me enquanto eu relato para ti aquele ritual o qual tem influência sobre a doação de vacas. (A crença ortodoxa é que todos os rituais são literalmente eternos. Como eternos, eles existiam antes que alguém os declarasse ou registrasse em escrito sagrado. O ritual em relação às doações de vacas surgiram dessa maneira, isto é, no tempo primitivo. Ele foi só subsequentemente declarado ou registrado em escrito sagrado.) Antigamente quando várias vacas (destinadas a serem doadas) foram levadas (perante ele), o rei Mandhatri, cheio de dúvidas a respeito do ritual que ele deveria celebrar (ao doá-las verdadeiramente), questionou apropriadamente Vrihaspati (o preceptor dos celestiais) para um esclarecimento daquela dúvida. Vrihaspati disse, 'Enquanto cumpre restrições propriamente, o doador de vacas deve, no dia anterior, honrar os Brahmanas adequadamente e marcar a hora (real) da doação. Com respeito às vacas a serem doadas, elas devem ser da classe chamada Rohini (vaca vermelha). As vacas também devem ser endereçadas com as palavras Samange e Vahule (que são termos Védicos aplicados à vaca). Entrando no curral onde as vacas são mantidas, os seguintes Srutis devem ser proferidos, ‘A vaca é minha mãe. O touro é meu pai. (Dêem-me o) céu e a prosperidade terrena! A vaca é meu refugio!’ Entrando no curral e agindo dessa maneira, o doador deve passar a noite lá. Ele deve além disso proferir a fórmula quando realmente doando as vacas. (A fórmula ou Mantras que devem ser proferidos ao doar realmente as vacas se encontram nas escrituras.) O doador, assim residindo com as vacas no curral sem fazer alguma coisa para reprimir sua liberdade, e deitando na terra nua (sem afugentar os mosquitos e outros insetos que irão aborrecê-lo como eles aborrecem as vacas), é imediatamente purificado de todos os seus pecados por reduzir a si mesmo a um estado de similitude perfeita com as vacas. Quando o sol surge de manhã, tu deves doar a vaca, acompanhada por seu bezerro e um touro. Como a recompensa de tal ação, o céu certamente se tornará alcançável por ti. As bênçãos também que são indicadas pelos Mantras também serão tuas. Os Mantras contêm estas referências às vacas: Vacas são dotadas dos elementos de força e esforço enérgico. Vacas têm nelas os elementos de sabedoria. Elas são a fonte daquela imortalidade que os sacrifícios alcançam. Eles são o refúgio de toda energia. Elas são os passos pelos quais a prosperidade terrena é obtida. Elas constituem o curso eterno do universo. Elas levam à extensão da linhagem de alguém. Que as vacas (que eu dôo) destruam meus pecados. Elas têm nelas aquilo que partilha da natureza de Surya e Soma. Que elas sejam auxiliares para a minha obtenção do céu. Que elas se dirijam a mim como uma mãe acolhe sua prole. Que sejam minhas também todas as outras bênçãos que não foram citadas nos Mantras que eu tenho proferido! No alívio ou cura de tísica e outras doenças debilitantes, e na questão de obter liberdade do corpo, se uma pessoa recebe a ajuda dos cinco produtos da vaca, as vacas se tornam inclinadas a conceder bênçãos sobre a pessoa como o rio Saraswati. Ó vacas, vocês são sempre portadoras de todos os tipos de mérito! Satisfeitas comigo, designem um fim desejável para mim! Eu hoje me tornei o que vocês são! Por doá-las, eu realmente dôo a mim mesmo. (Depois de estas palavras terem sido proferidas por doador, o recebedor deve dizer), ‘Vocês não são mais possuídas por aquele que as doa! Vocês agora se tornaram minhas. Possuidoras da natureza de Surya e Soma, façam o doador e o recebedor resplandecer com todos os tipos de prosperidade!’ (Como já indicado), o doador deve proferir devidamente as palavras que se encontram na primeira parte do verso acima. O recebedor regenerado, conhecedor do ritual que regula a doação de vacas, deve, quando receber as vacas de presente, proferir (como já dito) as palavras encontradas na última metade do verso acima. O homem que, em vez de uma vaca, doa o valor usual dela ou tecido ou ouro, vem a ser considerado como o doador de uma vaca. O doador, quando dá o valor usual de uma vaca (como o substituto de uma vaca) deve proferir as palavras, ‘Esta vaca com face virada para cima está sendo doada. Aceite-a!’ O homem que doa tecidos (como substitutos de uma vaca) deve proferir a palavra ‘Bhavitavya’, (querendo dizer que a doação deve ser considerada como representando uma vaca). O homem que doa ouro (como o substituto de uma vaca) deve proferir a palavra, ‘Vaishnavi’ (significando, ‘Este ouro que eu dou é da forma e natureza de uma vaca’). Estas mesmas são as palavras que devem ser proferidas na ordem dos tipos de doação mencionados acima. A recompensa que é colhida por fazer tais doações vicárias de vacas é residência no Céu por trinta e seis mil anos, oito mil anos, e vinte mil anos respectivamente. Estes mesmos são os méritos, respectivamente, de doações de coisas como substitutas de vacas. Enquanto com relação àquele que dá uma vaca verdadeira todos os méritos ligados às doações vicárias de vacas se tornam suas somente no oitavo passo do recebedor (para casa). (Somente no oitavo passo da jornada do recebedor para casa todos os méritos vinculados às doações vicárias se tornam daquele que dá uma vaca real: o que falar, portanto, daquele mérito quando o recebedor chega em casa e tira da vaca os meios de cultuar seu fogo doméstico, entreter seus convidados, etc.?) Aquele que dá uma vaca real se torna dotado de comportamento virtuoso neste mundo. Aquele que dá o valor de uma vaca fica livre de todo tipo de medo. Aquele que dá uma vaca (de maneira a substituir uma vaca real) nunca encontra com tristeza. Todos os três, como também aqueles que praticam regularmente suas abluções e outras ações no início da alvorada, e aquele que está bem familiarizado com o Mahabharata, isto é bem conhecido, alcançam as regiões de Vishnu e Soma. Tendo doado uma vaca, o doador deve, por três noites, adotar o voto vacum, e passar uma noite com as vacas. Começando novamente a partir daquela lunação, numerando a oitava, a qual é conhecida pelo nome de Kamya, ele deve passar três noites se sustentando totalmente de leite e urina e estrume da vaca. (Ashtami é o oitavo dia da quinzena lunar. Deve haver dois Ashtamis em cada mês lunar. Um Ashtami específico é conhecido como o Kamya ou o Goshtha. Naquele dia vacas são cultuadas com pasta de sândalo, cinabre, guirlandas florais, etc.) Por doar um touro, alguém obtém o mérito que se atribui ao voto divino (Brahmacharya). Por doar um par de vacas, uma pessoa obtém o domínio dos Vedas. Aquele homem que realiza um sacrifício e faz doações de vacas de acordo com o ritual declarado alcança muitas regiões de um caráter superior. Estas, no entanto, não são alcançáveis pela pessoa que não está familiarizada com aquele ritual (e que, portanto, doa vacas sem observar as declarações escriturais). O homem que doa mesmo uma única vaca que produz uma medida abundante de leite obtém o mérito de doar todas as coisas desejáveis sobre a Terra reunidas. O que precisa, portanto, ser dito da doação de muitas vacas que produzem Havya e Kavya em consequência de seus úberes cheios? O mérito que se vincula à doação de bois superiores é maior do que aquele que se atribui à doação de vacas. Não se deve, por dar um conhecimento deste ritual, beneficiar uma pessoa que não é seu discípulo ou que não é cumpridor de votos ou que é desprovido de fé ou que é possuidor de uma compreensão desonesta. Na verdade, esta religião é um mistério, desconhecido para a maioria das pessoas. Alguém que a conhece não deve falar dela em todos os lugares. Há, no mundo, muitos homens que são desprovidos de fé. Há entre os homens muitas pessoas que são vis e que parecem com Rakshasas. Esta religião, se comunicada para elas, levará ao mal. Ela seria produtiva de mal igual se comunicada para homens pecaminosos tais como os que se abrigaram no ateísmo. Ouça-me, ó rei, enquanto eu conto para ti os nomes daqueles monarcas justos que alcançaram regiões de grande felicidade como a recompensa daquelas doações de vacas as quais eles fizeram em conformidade com as instruções de Vrihaspati, Usinara, Viswagaswa, Nriga, Bhagiratha; o célebre Mandhatri, o filho de Yuvanaswa; o rei Muchukunda, Bhagiratha, Naishadha. Somaka, Pururavas, Bharata de poder imperial à cuja linhagem pertencem todos os Bharatas, o heróico Rama o filho de Dasaratha, e muitos outros reis célebres de grandes realizações, e também o rei Dilipa de feitos amplamente conhecidos, todos, por suas doações de vacas em conformidade com o ritual, alcançaram o Céu. O rei Mandhatri era sempre realizador de sacrifícios, doações, penitências, deveres da realeza, e doações de vacas. Portanto, ó filho de Pritha, também tenha em mente aquelas instruções de Vrihaspati as quais eu relatei para ti (a respeito das doações de vacas). Tendo obtido o reino dos Kurus, tu, com o coração alegre, faça doações de boas vacas para os principais dos Brahmanas!'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado por Bhishma sobre o assunto de fazer doações de vacas apropriadamente, o rei Yudhishthira fez tudo o que Bhishma desejava. Realmente, o rei Yudhishthira levou em consideração toda aquela religião a qual o preceptor das divindades comunicou para o nobre Mandhatri. Yudhishthira daquele tempo em diante começou a fazer doações de vacas sempre e se sustentar de grãos de cevada e de esterco de vaca como seu alimento e bebida. O rei também começou a dormir desde aquele dia sobre a terra nua, e, possuidor de alma contida e parecido com um touro em conduta, ele se tornou o principal dos monarcas. O rei Kuru desde aquele dia ficou muito atento às vacas e sempre as adorava, cantando seus louvores. Desde aquele dia, o rei abandonou a prática de unir vacas aos seus veículos. Para onde quer que ele tinha motivo para ir, ele procedia em carros puxados por cavalos de bom vigor.'" 77 “Vaisampayana disse, ‘O rei Yudhishthira dotado de humildade uma vez mais questionou o filho nobre de Santanu sobre o assunto das doações de vacas em detalhes.’” “O rei disse, ‘Ó Bharata, discurse para mim novamente em detalhes sobre os méritos de se doar vacas. Na verdade, ó herói, eu não fiquei saciado com ouvir tuas palavras como néctar!’” “Vaisampayana continuou, ‘Assim endereçado pelo rei Yudhishthira o justo, o filho de Santanu começou a lhe falar novamente em detalhes sobre méritos ligados à doação de vacas.’” "Bhishma disse, 'Por doar para um Brahmana uma vaca possuidora de um bezerro, dotada de docilidade e outras virtudes, jovem, e envolvida com um tecido, uma pessoa vem a ser purificada de todos os seus pecados. Há muitas regiões (no Inferno) as quais não têm sol. Alguém que faz um presente de uma vaca não tem que ir para lá. Aquele homem, no entanto, que dá para um Brahmana uma vaca que é incapaz de beber ou comer, cujo leite secou, que é dotada de sentidos todos os quais estão enfraquecidos, e que está doente e dominada pela decrepitude, e que pode, portanto, ser comparada a um tanque cuja água está completamente seca, de fato, o homem que dá semelhante vaca para um Brahmana e assim inflige somente dor e decepção a ele, sem dúvida tem que entrar no Inferno sombrio. Aquela vaca que é colérica e viciosa, ou doente, ou fraca ou que foi comprada sem o preço combinado ter sido pago, ou que somente afligiria o recebedor regenerado com angústia e decepção, nunca deve ser dada. As regiões que tal homem pode alcançar (como recompensas de outras ações de virtude realizadas por ele) fracassariam em lhe dar qualquer felicidade ou lhe conceder alguma energia. Somente vacas que são fortes, dotadas de bom comportamento, jovens, e possuidoras de fragrância são aprovadas por todos (na questão de doação). Na verdade, como Ganga é o principal de todos os rios, assim mesmo é uma vaca Kapila a principal de todas as vacas.'” “Yudhishthira disse, ‘Por que, ó avô, os justos aprovam a doação de uma vaca Kapila (como mais meritória) quando todas as boas vacas que são doadas devem ser consideradas como iguais? Ó tu de grande pujança, eu desejo saber qual é a distinção que se atribui a uma vaca Kapila. Tu és, realmente, competente para me falar sobre este tópico!’” (Uma vaca Kapila é uma que dá uma quantidade abundante de leite sempre que ela é ordenhada, e é possuidora de várias outras habilidades e virtudes.) "Bhishma disse, 'Eu tenho, ó filho, ouvido homens idosos narrarem a história a respeito das circunstâncias sob as quais a vaca Kapila foi criada. Eu narrarei para ti aquela história antiga! Nos tempos passados, o Brahman auto-nascido ordenou o Rishi Daksha, dizendo, ‘Crie criaturas vivas!’ Pelo desejo de fazer o bem para as criaturas, Daksha, em primeiro lugar, criou o alimento. Assim como as divindades existem dependendo do néctar, todas as criaturas vivas, ó pujante, vivem dependendo do sustento designado por Daksha. Entre todos os objetos móveis e imóveis, os móveis são superiores. Entre as criaturas móveis os Brahmanas são superiores. Os sacrifícios estão todos estabelecidos sobre eles. É pelo sacrifício que Soma (néctar) é obtido. O sacrifício está estabelecido sobre as vacas; (pois sem ghee, o qual é produzido do leite, não pode haver sacrifício). Os deuses ficam satisfeitos por sacrifícios. Com relação à Criação então, os meios de sustento vieram primeiro, em seguida vieram as criaturas. Logo que as criaturas nasceram, elas começaram a gritar por comida. Todas elas então se aproximaram de seu criador que era para lhes dar alimento, como filhos se aproximando de seu pai ou mãe. Conhecendo a intenção que movia todas as suas criaturas, o santo senhor de todas as criaturas, isto é, Daksha, por causa dos seres que ele tinha criado, bebeu uma quantidade de néctar. Ele ficou satisfeito com o néctar que ele bebeu e logo após saiu um arroto, espalhando um aroma excelente por toda parte. Como o resultado daquele arroto, Daksha viu que ele deu à luz uma vaca a qual ele chamou de Surabhi. Esta Surabhi era dessa maneira uma filha dele, que tinha surgido de sua boca. A vaca chamada Surabhi deu à luz várias filhas que vieram a ser consideradas como as mães do mundo. Sua cor era como aquela do ouro, e elas eram todas Kapilas. Elas eram os meios de sustento para todas as criaturas. Quando aquelas vacas, cuja cor parecia com aquela do Amrita, começaram a despejar leite, a espuma daquele leite surgiu e começou a se espalhar por todos os lados, assim como quando as ondas de um rio correndo colidem umas contra as outras é produzida uma espuma abundante que se espalha por todos os lados. Alguma daquela espuma caiu, das bocas dos bezerros que estavam sugando, sobre a cabeça de Mahadeva que estava então sentado na Terra. O pujante Mahadeva então, cheio de cólera, olhou para aquelas vacas. Com aquele terceiro olho dele que adorna sua testa, ele parecia queimar aquelas vacas enquanto ele olhava para elas. Como o Sol colorindo massas de nuvens com diversas cores, a energia emanada do terceiro olho de Mahadeva produziu, ó monarca, diversas cores naquelas vacas. Aquelas entre elas, no entanto, que conseguiram escapar do olhar de Mahadeva por entrarem na região de Soma, permaneceram da mesma cor com a qual tinham nascido, pois nenhuma mudança foi produzida em sua cor. Vendo que Mahadeva tinha ficado extremamente zangado; Daksha, o senhor de todas as criaturas, se dirigiu a ele, dizendo, ‘Tu foste, ó grande divindade, encharcado com néctar. O leite ou a espuma que escapa das bocas dos bezerros sugando suas mães nunca é considerado como resíduo impuro. (A idéia de uchcchishta é característica Hindu e não pode ser traduzida em alguma outra linguagem. Tudo o que forma o resto da refeição depois que alguém deixou de comer é uchcchishta. O bezerro suga sua mãe. Os úberes, no entanto, não são lavados antes de ordenhar a mãe, pois o leite saindo deles não é considerado como sendo resto impuro.) Chandramas, depois de beber o néctar, o despeja mais uma vez. Ele não é, no entanto, por causa disso, considerado como impuro. Da mesma maneira, o leite que estas vacas produzem, sendo nascido do néctar, não deve ser considerado como impuro (mesmo que os úberes tenham sido tocados pelos bezerros com suas bocas). O vento nunca pode se tornar impuro. O fogo nunca pode se tornar impuro. O ouro nunca pode se tornar impuro. O Oceano nunca pode se tornar impuro. O Néctar, mesmo quando bebido pelas divindades, nunca pode se tornar impuro. Similarmente, o leite de uma vaca, mesmo quando seus úberes são sugados por seu bezerro, nunca pode se tornar impuro. Estas vacas sustentarão todos estes mundos com o leite que elas irão produzir e o ghee que será fabricado dele. Todas as criaturas desejam desfrutar da riqueza auspiciosa, identificável com o néctar, que as vacas possuem!’ Tendo dito estas palavras, o senhor das criaturas, Daksha, fez um presente para Mahadeva de um touro com certas vacas. Daksha satisfez o coração de Rudra, ó Bharata, com aquele presente, Mahadeva, assim satisfeito, fez daquele touro seu veículo. E foi por causa da forma daquele touro que Mahadeva adotou o emblema no estandarte que flutua em seu carro de combate. Por esta razão é que Rudra veio a ser conhecido como a divindade de estandarte de touro. E foi naquela ocasião também que os celestiais, se reunindo, fizeram de Mahadeva o senhor dos animais. De fato, o grande Rudra tornou-se o Mestre das vacas e é chamado como a divindade de emblema de touro. Então, ó rei, na questão de doar vacas, é considerada como principalmente desejável a doação de vacas Kapila, as quais são dotadas de grande energia e possuidoras de cor inalterada (do branco). Dessa maneira as vacas são as principais de todas as criaturas no mundo. Foi delas que fluíram os meios de sustento de todos os mundos. Elas têm Rudra como seu mestre. Elas produzem Soma (néctar) na forma de leite. Elas são auspiciosas e sagradas, e concessoras de todos os desejos e dadoras de vida. Uma pessoa, por fazer um presente de uma vaca, vem a ser considerada como fazendo um presente de todos os artigos que são desejados para serem desfrutados pelos homens. O homem que, desejoso de obter prosperidade, lê com um coração e corpo puros estes versos sobre a origem das vacas vem a ser purificado de todos os seus pecados e obtém prosperidade e filhos e riqueza e animais. Aquele que faz um presente de uma vaca, ó rei, sempre consegue adquirir os méritos que se vinculam aos presentes de Havya e Kavya, ao oferecimento de oblações de água para os Pitris, a outras ações religiosas cuja realização traz paz e felicidade, à doação de veículos e tecidos, e ao cuidado de crianças e dos idosos.'” "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras de seu avô, o filho de Pritha, isto é, o nobre Yudhishthira da linhagem de Ajamida, se unindo com seus irmãos, começou a fazer doações de touros e vacas de cores diferentes para os principais dos Brahmanas. Na verdade, para o propósito de conquistar regiões de bem-aventurança no próximo (mundo), e ganhando grande fama, o rei Yudhishthira realizou muitos sacrifícios e, como presentes sacrificais, deu de presente centenas de milhares de vacas para certos Brahmanas.'" 78 “Bhishma disse, ‘Nos tempos passados, o rei Saudasa nascido da linhagem de Ikshvaku, aquele principal dos homens eloquentes, em uma ocasião se aproximou do sacerdote de sua família, isto é, Vasishtha, aquele principal dos Rishis, coroado com êxito ascético, capaz de vagar por todas as regiões, o receptáculo de Brahma, e dotado de vida eterna, e lhe fez a seguinte pergunta.’” “Saudasa disse, ‘Ó santo, ó impecável, o que é aquilo nos três mundos que é sagrado e por recitar o qual em todos os momentos um homem pode adquirir grande mérito?’” “Bhishma disse, ‘Para o rei Saudasa que permanecia perante ele com cabeça inclinada em reverência, o erudito Vasishtha tendo primeiro reverenciado as vacas e se purificado (em corpo e mente), discursou sobre o mistério relacionado às vacas, um tópico que é repleto de resultados altamente benéficos para todas as pessoas.’” "Vasishtha disse, 'Vacas são sempre fragrantes. O perfume emanado pela exsudação do Amytis agallochum sai dos corpos. Vacas são o grande refúgio de todas as criaturas. Vacas constituem a grande fonte de bênçãos para todos. Vacas são o Passado e o Futuro. Vacas são a fonte de crescimento eterno. Vacas são a base da Prosperidade. Qualquer coisa dada para as vacas nunca é perdida. Vacas constituem o alimento mais elevado. Elas são o melhor Havi para as divindades. Os Mantras chamados Swaha e Vashat estão sempre estabelecidos nas vacas. Vacas constituem o resultado de sacrifícios. Os sacrifícios estão estabelecidos nas vacas. Vacas são o Futuro e o Passado, e o Sacrifício depende delas. De manhã e à noite as vacas produzem para os Rishis, ó principal dos homens, Havi para uso em Homa, ó tu de grande esplendor. Aqueles que fazem doações de vacas conseguem transcender todos os pecados os quais eles possam ter cometido e todos os tipos de calamidades nas quais eles possam cair, ó tu de grande pujança. O homem possuindo dez vacas e fazendo uma doação de uma vaca, aquele possuindo cem vacas e fazendo uma doação de dez vacas, e aquele possuindo mil vacas e fazendo uma doação de cem vacas, todos ganham a mesma medida de mérito. O homem que, embora possuidor de cem vacas, não estabelece um fogo doméstico para culto diário, o homem que, embora possuidor de mil vacas não realiza sacrifícios, e aquele homem que embora possuidor de riqueza age como um avaro (por não fazer caridade e não cumprir os deveres de hospitalidade), são todos os três considerados como indignos de algum respeito. Aqueles homens que fazem doações (de vacas) da espécie Kapila com seus bezerros e com recipientes de metal branco para ordenhá-las, vacas, isto é, que não são violentas e que, quanto doadas, estão envolvidas com tecidos, conseguem conquistar este e o outro mundo. Pessoas que conseguem fazer doação de um touro que ainda está no início da juventude, que tem todos os seus sentidos fortes, e que pode ser considerado como o principal entre centenas de rebanhos, que tem chifres grandes enfeitados com ornamentos (de ouro ou prata), para um Brahmana possuidor de erudição Védica, conseguem, ó opressor de inimigos, obter grande prosperidade e riqueza cada vez que elas tomam nascimento no mundo. Uma pessoa nunca deve ir dormir sem recitar os nomes de vacas. Ninguém deve se levantar da cama de manhã sem uma recitação similar dos nomes de vacas. De manhã e à noite uma pessoa deve inclinar sua cabeça em reverência às vacas. Como a consequência de tais atos, alguém sem dúvida obtém grande prosperidade. Nunca se deve sentir alguma repugnância pela urina e pelo estrume da vaca. Nunca se deve comer a carne de vacas. Como consequência disto, alguém sem dúvida obtém grande prosperidade. Sempre se deve considerar os nomes de vacas. Nunca se deve mostrar algum desrespeito pelas vacas de algum modo. Se sonhos maus são vistos, homens devem usar os nomes das vacas. Na hora do banho sempre se deve usar o estrume da vaca. Alguém deve sentar sobre estrume de vaca seco. Nunca se deve lançar a própria urina e fezes e outras secreções sobre o estrume da vaca. Nunca se deve obstruir as vacas de nenhuma maneira. Deve-se comer, sentando em um couro bovino purificado por mergulhá-lo em água, e então olhar em direção ao oeste. Sentando com fala contida, alguém deve comer ghee, usando a terra nua como seu prato. Uma pessoa colhe, por tais ações, aquela prosperidade da qual as vacas são a fonte. Deve-se despejar libações no fogo, usando ghee para este propósito. Deve- se fazer Brahmanas proferirem bênçãos sobre si por presentes de ghee. Deve-se fazer doações de ghee. Deve-se também comer ghee. Como a recompensa de tais ações uma pessoa sem dúvida obtém aquela prosperidade que as vacas concedem. Aquele homem que inspira uma forma bovina feita de sementes de gergelim por proferir os Mantras Védicos chamados pelo nome de Gomati, e então adorna aquela forma com todos os tipos de pedras preciosas e faz uma doação dela, nunca tem que sofrer alguma dor por causa de todos os seus atos de omissão e cometimento. ‘Que vacas que produzem quantidades abundantes de leite e que têm chifres enfeitados com ouro, isto é, vacas que são Surabhis ou as filhas de Surabhis, se aproximem de mim assim como rios se aproximam do oceano! Eu sempre olho pelas vacas. Que elas sempre olhem por mim. As vacas são nossas. Nós somos delas. Nós mesmos estamos lá onde as vacas estão!’ Assim mesmo, à noite ou de dia, em felicidade ou infortúnio, realmente, em momentos de grande temor, um homem deve exclamar. Por proferir tais palavras ele sem dúvida será livre de todo medo.'" 79 "Vasishtha disse, 'As vacas que foram criadas em uma era passada praticaram as penitências mais austeras por cem mil anos com o desejo de obter uma posição de grande preeminência. Na verdade, ó opressor de inimigos, elas disseram para si mesmas, ‘Nós iremos, neste mundo, nos tornar o melhor de todos os tipos de Dakshina em sacrifícios, e nós não estaremos sujeitas a sermos maculadas por alguma imperfeição! Por se banharem em água misturada com nosso estrume as pessoas ficarão santificadas. As divindades e homens usarão nosso estrume para o propósito de purificar todas as criaturas móveis e imóveis. Aqueles também que nos doarem irão alcançar aquelas regiões de felicidade as quais serão nossas.’ O pujante Brahman, aparecendo para elas na conclusão de suas austeridades, deu a elas as bênçãos que elas procuravam, dizendo, ‘Será como vocês desejam! (Dessa maneira) salvem todos os mundos!’ Coroadas com realização em relação aos seus desejos, elas todas se levantaram, aquelas mães do Passado e do Futuro. Todas as manhãs, as pessoas devem se curvar às vacas com reverência. Como a consequência disto, elas sem dúvida ganharão prosperidade. Na conclusão de suas penitências, ó monarca, as vacas se tornaram o refúgio do mundo. É por isto que as vacas são citadas como sendo altamente abençoadas, sagradas, e as principais de todas as coisas. É por isto que as vacas são citadas como permanecendo no próprio topo de todas as criaturas. Por doar uma vaca Kapila com um bezerro parecido com ela mesma, produzindo uma quantidade abundante de leite, livre de todos os maus hábitos, e coberta com um pedaço de tecido, o doador obtém grandes honras na região de Brahma. Por doar uma vaca de cor vermelha, com um bezerro que parece com ela mesma, produzindo leite, livre de todo vício, e coberta com um tecido, uma pessoa obtém grandes honras na região de Surya. Por doar uma vaca de cor variada, com um bezerro similar a ela mesma, produzindo leite, livre de todas as imperfeições, e coberta com um tecido, alguém obtém grande honra na região de Soma. Por doar uma vaca de cor branca, com um bezerro similar a ela mesma, produzindo leite, livre de todo vício, e coberta com um tecido, se obtém grandes honras na região de Indra. Por doar uma vaca de cor escura, com um bezerro parecido com ela mesma, produzindo leite, livre de todos os maus hábitos, e coberta com um tecido, se obtém grandes honras na região de Agni. Por doar uma vaca da cor da fumaça, com um bezerro parecido com ela mesma, produzindo leite, livre de todos os maus hábitos, e coberta com um tecido, se obtém grandes honras na região de Yama. Por doar uma vaca da cor da espuma da água, com um bezerro e um recipiente de metal branco para ordenhá-la, e coberta com um tecido, alguém alcança a região de Varuna. Por doar uma vaca cuja cor é como aquela do pó soprado pelo vento, com um bezerro, e um recipiente de metal branco para ordenhá-la, e coberta com um tecido, se obtém grandes honras na região do Deus do vento. Por doar uma vaca da cor do ouro, tendo olhos de uma cor fulva com um bezerro e um recipiente de metal para ordenhá-la e coberta com um tecido, se desfruta da felicidade da região de Kuvera. Por doar uma vaca da cor da fumaça de palha, com um bezerro e um recipiente de metal branco para ordenhá-la, e coberta com um tecido, se obtém grandes honras na região dos Pitris. Por doar uma vaca gorda com a carne de sua garganta pendendo e acompanhada por seu bezerro, se chega com facilidade à região excelente dos Viswedevas. Por doar uma vaca Gouri, com bezerro similar a ela, produzindo leite, livre de todos os defeitos, e coberta com um pedaço de tecido, se chega à região dos Vasus. Por doar uma vaca da cor de um cobertor branco, com um bezerro e um recipiente de metal branco, e coberta com um tecido, se alcança a região dos Sadhyas. Por doar um touro com uma corcova alta e adornado com todas as jóias, o doador, ó rei, alcança a região dos Maruts. Por doar um touro de cor azul, que é crescido em relação à idade e enfeitado com todos os ornamentos, o doador alcança as regiões dos Gandharvas e das Apsaras. Por doar uma vaca com a carne de sua garganta pendendo, e enfeitada com todos os ornamentos, o doador, livre de toda dor, alcança aquelas regiões que pertencem ao próprio Prajapati. Aquele homem, ó rei, que habitualmente faz doações de vacas, procede, atravessando as nuvens, para o Céu em um carro de refulgência solar e brilha lá em esplendor. Aquele homem que habitualmente faz doações de vacas vem a ser considerado como o principal de sua espécie. Quando procedendo dessa maneira para o Céu, ele é recebido por mil donzelas celestes de belos quadris e adornadas com belos mantos e ornamentos. Estas moças o servem lá e contribuem para seu deleite. Ele dorme lá em paz e é despertado pelo riso musical daquelas moças de olhos de gazela, as doces notas dos seus Vinas, os acordes delicados dos seus Vallakis (alaúdes), e o tilintar melodioso dos seus Nupuras (ornamentos para os tornozelos). O homem que faz doações de vacas reside no Céu e é honrado lá por tanto anos quanto os pêlos que existem nos corpos das vacas que ele doa. Caindo do Céu (após o esgotamento do seu mérito), tal homem toma nascimento na classe da humanidade e, realmente, em uma família superior entre os homens.'" "Vasishtha disse, ‘As vacas são produtoras de ghee e leite. Elas são as fontes de ghee e elas surgiram do ghee. Elas são rios de ghee, e redemoinhos de ghee. Que as vacas sempre estejam em minha casa! Ghee é sempre meu coração. Ghee está sempre estabelecido em meu umbigo. Ghee está em todos os meus membros. Ghee reside em minha mente. Vacas estão sempre na minha frente. Vacas estão sempre atrás de mim. Vacas estão em todos os lados do meu corpo. Eu vivo no meio de vacas!’ Tendo se purificado por tocar água, uma pessoa deve, de manhã e à noite, recitar estes Mantras todos os dias. Por isto, alguém sem dúvida se purifica de todos os pecados que ele possa cometer no decorrer do dia. Aqueles que fazem doações de mil vacas, partindo deste mundo, procedem para as regiões dos Gandharvas e das Apsaras onde há muitas mansões suntuosas feitas de ouro e onde o Ganga celeste, chamado de corrente de Vasu, corre. Doadores de mil vacas se dirigem para lá onde correm muitos rios que têm leite como sua água, queijo como sua lama, e coalhos como seu musgo flutuante. O homem que faz doações de centenas de milhares de vacas, em conformidade com o ritual prescrito nas escrituras, obtém grande prosperidade (aqui) e grandes honras no Céu. Tal homem faz seus antepassados paternos e maternos até o décimo grau alcançarem regiões de grande bem-aventurança, e santifica toda a sua linhagem. As vacas são sagradas. Elas são as principais de todas as coisas no mundo. Elas são na verdade o refúgio do universo. Elas são as mães das próprias divindades. Elas são realmente incomparáveis. Elas devem ser oferecidas em sacrifícios. Quando fazendo viagens, uma pessoa deve proceder à sua direita (isto é, mantendo-as à sua esquerda). Averiguando a época apropriada, elas devem ser doadas para pessoas qualificadas. Por doar uma vaca Kapila com chifres grandes, acompanhada por um bezerro e um recipiente de metal branco para ordenhá-la, e coberta com um pedaço de tecido, alguém consegue entrar, livre do medo, no palácio de Yama no qual é tão difícil de se entrar. Deve-se sempre recitar este Mantra sagrado, isto é: ‘As vacas são de forma bela. As vacas são de formas diversas. Elas são de forma universal. Elas são as mães do universo. Ó, que as vacas se aproximem de mim!’ Não há presente mais sagrado do que o presente de vacas. Não há doação que produz mérito mais abençoado. Não há nada igual à vaca, nem haverá alguma coisa que se igualará a ela. Com sua pele, seu pêlo, seus chifres, o cabelo de seu rabo, seu leite, e sua gordura, com todos estes juntos, a vaca mantém o sacrifício. Qual coisa há que é mais útil do que a vaca? Inclinando minha cabeça para ela com reverência, eu adoro a vaca que é a mãe do Passado e do Futuro, e por quem o universo inteiro de criaturas móveis e imóveis está coberto. Ó melhor dos homens, eu assim contei para ti somente uma parte do grande mérito das vacas. Não há doação neste mundo que seja superior à doação de vacas. Também não há refúgio neste mundo que seja mais elevado do que as vacas.'” "Bhishma continuou, 'Aquele doador de terra de grande alma (o rei Saudasa), considerando estas palavras do Rishi Vasishtha como as principais a respeito de importância, então fez doações de um número muito grande de vacas para os Brahmanas, reprimindo seus sentidos, e como a consequência daquelas doações o monarca conseguiu alcançar muitas regiões de bem-aventurança no mundo seguinte.'" 81 “Yudhishthira disse, ‘Diga-me, ó avô, qual é a mais sagrada de todas as coisas sagradas no mundo, exceto aquelas que já foram mencionadas, e que é o mais sublime de todos os objetos que santificam.’” "Bhishma disse, 'As vacas são os mais importantes de todos os objetos. Elas são altamente sagradas e elas salvam os homens (de todos os tipos de pecados e infortúnios). Com seu leite e com o Havi fabricado dele, as vacas sustentam todas as criaturas no universo. Ó melhor dos Bharatas, não há nada que seja mais sagrado do que as vacas. As principais de todas as coisas nos três mundos, as vacas são elas mesmas sagradas e capazes de purificar outros. As vacas residem em uma região que é até mais elevada do que a região das divindades. Quando doadas, eles resgatam seus doadores. Homens de sabedoria conseguem alcançar o Céu por fazerem doações de vacas. O filho de Yuvanaswa, Mandhatri, Yayati, e (seu pai) Nahusha, costumavam sempre doar vacas às milhares. Como a recompensa daquelas doações eles alcançaram regiões que são inalcançáveis pelas próprias divindades. Há, em relação a isso, ó impecável, um discurso proferido nos tempos antigos. Eu o narrarei para ti. Uma vez o inteligente Suka, tendo terminado seus ritos matinais, se aproximou com uma mente controlada de seu pai, aquele principal dos Rishis, isto é, o Krishna Nascido na Ilha, que conhece a distinção entre aquilo que é superior e o que é inferior, e saudando-o, disse, 'Qual é aquele sacrifício que te parece como o principal de todos os sacrifícios? Qual é aquele ato por fazer o qual homens de sabedoria conseguem chegar à região mais sublime? Qual é aquela ação sagrada pela qual as divindades desfrutam da bem-aventurança do Céu? O que constitui o caráter do sacrifício como sacrifício? O que é aquilo do qual o sacrifício depende? O que é que é considerado como o melhor pelas divindades? Qual é aquele sacrifício que transcende os sacrifícios deste mundo? Diga-me também, ó pai, qual é a mais sagrada de todas as coisas.’ Tendo ouvido estas palavras de seu filho, ó chefe da linhagem de Bharata, Vyasa, a principal de todas as pessoas familiarizadas com os deveres, discursou para ele como segue.'” "Vyasa disse, 'Vacas constituem o esteio de todas as criaturas. Vacas são o refúgio de todas as criaturas. Vacas são a encarnação do mérito. Vacas são sagradas, e vacas são as santificadoras de tudo. Antigamente as vacas eram sem chifres como é sabido por nós. Para obter chifres elas adoraram o eterno e pujante Brahmana. O pujante Brahmana, vendo as vacas prestarem suas adorações para ele e sentadas em praya, concedeu para cada uma delas o que cada uma desejava. Depois disso seus chifres cresceram e cada uma obteve o que desejava. De diversas cores, e dotadas de chifres, elas começaram a brilhar em beleza, ó filho! Favorecidas pelo próprio Brahman com benefícios, as vacas são auspiciosas e produtoras de Havya e Kavya. Elas são as encarnações do mérito. Eles são sagradas e abençoadas. Elas possuem forma e atributos excelentes. As vacas constituem a energia sublime e altamente excelente. A doação de vacas é muitíssimo elogiada. Aqueles homens bons que, livres de orgulho, fazem doações de vacas, são considerados como fazedores de atos justos e como dadores de todos os artigos. Tais homens, ó impecável, alcançam a altamente sagrada região das vacas. As árvores lá produzem frutos doces. De fato, aquelas árvores estão sempre adornadas com flores e frutos excelentes. Aquelas flores, ó melhor das pessoas regeneradas, são dotadas de fragrância celestial. Todo o solo daquela região é feito de pedras preciosas. As areias lá são todas douradas. O clima lá é tal que as excelências de todas as estações são sentidas. Não há mais lama, nem poeira. Ela é, de fato, altamente auspiciosa. Os rios que correm lá brilham em resplandecência por causa dos lotos vermelhos desabrochando em suas superfícies, e pelas jóias e pedras preciosas e ouro que se encontram em suas margens e que mostram o esplendor do sol da manhã. Há muitos lagos também naquela região em cujos leitos há muitos lotos, misturados aqui e ali com Nymphoea stellata, e tendo suas pétalas feitas de pedras preciosas valiosas, e seus filamentos adornados com uma cor como aquela do ouro. Eles são também adornados com bosques florescentes de Nerium odorum com milhares de trepadeiras belas se entrelaçando ao redor deles, como também com florestas de Santanakas portando suas cargas floridas. Há rios cujas margens são matizadas com muitas pérolas brilhantes e pedras preciosas resplandecentes e ouro brilhante. Partes daquelas regiões são cobertas com árvores excelentes que estão enfeitadas com pedras preciosas e jóias de todos os tipos. Algumas delas são feitas de ouro e algumas mostram o esplendor do fogo. Lá se encontram muitas montanhas feitas de ouro, e muitas colinas e cumes feitos de jóias e pedras preciosas. Estas brilham em beleza por causa de seus topos altos os quais são compostos de todos os tipos de jóias. As árvores que adornam aquelas regiões sempre desenvolvem flores e frutos, e estão sempre cobertas com folhagem densa. As flores sempre emitem uma fragrância celestial e os frutos são extremamente doces, ó chefe da linhagem de Bharata. Aquelas pessoas que são de atos justos, ó Yudhishthira, sempre se divertem lá em alegria. Livres de dor e ira, elas passam seu tempo lá, coroadas com a realização de todos os desejos. Pessoas de ações virtuosas, possuidoras de fama, se divertem lá felicidade, se movendo de lugar em lugar, ó Bharata, em veículos encantadores de grande beleza. De ações auspiciosas, grupos de Apsaras sempre os entretêm lá, com música e dança. De fato, ó Yudhishthira, uma pessoa vai para tais regiões como a recompensa por ela ter feito doações de vacas. Aquelas regiões as quais têm como seus senhores Pushan e os Maruts de grande pujança, são alcançadas por doadores de vacas. Em riqueza o real Varuna é considerado como preeminente. O doador de vacas obtém riqueza como aquela do próprio Varuna. Deve-se, com a firmeza de um voto, recitar diariamente estes Mantras declarados pelo próprio Prajapati (a respeito das vacas). Viswarupa e, isto é, Yugandharah, Surupah, Vahurupah, e Matara. (Estes são os vários nomes pelos quais as vacas são conhecidas. O primeiro é provavelmente derivado de a vaca portar o arado e dessa maneira ajudar no cultivo do solo. O segundo implica beleza de forma. O terceiro é derivado de a vaca ser considerada como a origem de todas as coisas no universo: todas as coisas, portanto, são somente muitas formas da vaca. Viswarupa implica a mesma coisa. Matara implica mães, as vacas sendo consideradas como as mães de todos.) Aquele que serve as vacas com reverência e que as segue com humildade, consegue obter muitos benefícios inestimáveis das vacas que ficam satisfeitas com ele. Alguém nunca deve, mesmo em seu coração, fazer uma injúria para as vacas. Deve-se, de fato, sempre conceder felicidade para elas. Deve-se sempre reverenciar as vacas e adorá-las com inclinações de cabeça. Aquele que faz isto, reprimindo seus sentidos e cheio de alegria, consegue obter aquela felicidade que é desfrutada pelas vacas (e a qual só as vacas podem conceder). Uma pessoa deve beber por três dias a urina quente da vaca. Pelos três dias seguintes ela deve beber o leite quente da vaca. Tendo assim bebido leite quente por três dias, ela deve em seguida beber ghee quente por três dias. Tendo dessa maneira bebido ghee quente por três dias, ela deve subsistir pelos próximos três dias somente do ar. Aquela coisa sagrada por cuja ajuda as divindades desfrutam de regiões de felicidade, aquela que é a mais sagrada de todas as coisas sagradas, isto é, o ghee, deve então ser carregado sobre a cabeça. (O ghee é considerado dessa maneira por causa de seu uso em sacrifícios. É com a ajuda do ghee que as divindades se tornaram o que elas são. Ele mesmo sagrado, ele é também purificador ao mesmo tempo.) Com a ajuda do ghee deve-se derramar libações no fogo sagrado. Por fazer doações de ghee, uma pessoa deve fazer o Brahmana proferir bênçãos sobre ela mesma. Deve-se comer ghee e fazer presentes de ghee. Como recompensa deste comportamento uma pessoa pode então obter aquela prosperidade que pertence às vacas. Aquele homem que, por um mês, subsiste de mingau de cevada apanhado todos os dias do estrume da vaca vem a ser purificado de pecados tão graves quanto o assassinato de um Brahmana. Depois de sua derrota nas mãos dos Daityas, as divindades praticaram esta expiação. Foi por causa desta expiação que elas conseguiram recuperar sua posição como divindades. Realmente, foi por meio disto que elas recuperaram sua força e vieram a ser coroadas com sucesso. Vacas são sagradas. Elas são encarnações do mérito. Elas são as purificadoras sublimes e mais eficazes de todos. Por fazer doações de vacas para os Brahmanas alguém alcança o Céu. Vivendo em um estado puro, no meio das vacas, uma pessoa deve recitar mentalmente aqueles Mantras sagrados que são conhecidos pelo nome de Gomati, depois de tocar água pura. Por fazer isto, ela se torna purificada e limpa (de todos os pecados). Brahmanas de atos virtuosos, que têm sido purificados pelo conhecimento, estudo dos Vedas, e observância de votos, devem, somente no meio de fogos sagrados ou vacas ou assembléias de Brahmanas, comunicar para seus discípulos um conhecimento dos Mantras Gomati os quais são de todas as maneiras semelhantes a um sacrifício (pelo mérito que eles produzem). Deve-se fazer um jejum por três noites para receber a bênção constituída por um conhecimento do significado dos Mantras Gomati. O homem que está desejoso de obter um filho pode obter um por adorar estes Mantras. Aquele que deseja a posse de riqueza pode ter seu desejo satisfeito por adorar estes Mantras. A moça desejosa de ter um bom marido pode ter seu desejo realizado pelos mesmos meios. Realmente, alguém pode obter a realização de todos os desejos que ele possa nutrir, por adorar estes Mantras sagrados. Quando as vacas estão satisfeitas com o serviço que alguém presta para elas, elas são, sem dúvida, capazes de conceder a realização de todos os desejos. Exatamente dessa maneira, vacas são altamente abençoadas. Elas são os requisitos indispensáveis dos sacrifícios. Elas são concessoras de todos os desejos. Saiba que não há nada superior às vacas.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por seu pai de grande alma, Suka, dotado de grande energia, começou desde aquele momento a cultuar as vacas todos os dias. Tu também, ó filho, te comporte da mesma maneira.'" 82 "Yudhishthira disse, 'Eu tenho ouvido que o estrume da vaca é dotado de Sree (a deusa da Prosperidade). Eu desejo saber como isto foi ocasionado. Eu tenho dúvidas, ó avô, as quais tu deves dissipar.'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é narrada a velha história, ó monarca, da conversa entre as vacas e Sree, ó melhor dos Bharatas! Uma vez a deusa Sree, assumindo uma forma muito bela, entrou em um rebanho de vacas. As vacas, vendo sua fartura de beleza, ficaram muito admiradas.'” "As vacas disseram, 'Quem és tu, ó deusa? Por que motivo tu te tornaste inigualável sobre a terra por beleza? Ó deusa altamente abençoada, nós estamos muito admiradas por causa da tua riqueza de beleza. Nós desejamos saber quem és tu. Quem, de fato, és tu? Para onde tu procederás? Ó tu de esplendor de cor muito superior, nos conte em detalhes tudo o que nós desejamos saber.'” "Sri disse, 'Abençoadas sejam vocês, eu sou querida para todas as criaturas. De fato, eu sou conhecida pelo nome de Sri. Abandonados por mim, os Daityas estão perdidos para sempre. As divindades, isto é, Indra, Vivaswat, Soma, Vishnu, Varuna, e Agni, tendo me obtido, estão se divertindo em alegria e farão isso para sempre. Na verdade, os Rishis e as divindades, somente quando eles são dotados comigo, têm sucesso. Ó vacas, encontram com a destruição aqueles seres nos quais eu não entro. Religião, riqueza, e prazer, somente quando dotados comigo se tornam fontes de felicidade. Ó vacas que são dadoras de felicidade, saibam que eu sou possuidora de tal energia! Eu desejo sempre residir em todas vocês. Dirigindo-me à sua presença, eu lhes peço. Sejam todas vocês dotadas de Sri.’” "As vacas disseram, 'Tu és inconstante e impaciente. Tu te permites ser desfrutada por muitas pessoas. Nós não desejamos ter-te. Abençoada sejas tu, vá para onde quer que te agrade. Com relação a nós mesmas, todas nós somos possuidoras de boas formas. Que necessidade nós temos de ti? Vá para onde quer que tu queiras. Tu (por responder nossas perguntas) já nos agradaste muitíssimo.'” "Sri disse, 'Isto é característico de vocês, ó vacas, que vocês não me recebem bem? Eu sou difícil de ser obtida. Por que então vocês não me aceitam? Parece, ó criaturas de votos excelentes, que o provérbio popular é verdadeiro, isto é, que é indubitável que quando alguém vai até outro por sua própria vontade e sem ser procurado, ele encontra com a desconsideração. Os Deuses, os Danavas, os Gandharvas, os Pisachas, os Uragas, os Rakshasas e os seres humanos conseguem me obter somente depois de passarem pelas austeridades mais severas. Vocês que têm tal energia, me recebam. Ó amáveis, eu nunca sou desconsiderada por ninguém nos três mundos de criaturas móveis e imóveis.'” "As vacas disseram, 'Nós não te desconsideramos, ó deusa. Nós não te mostramos um desprezo! Tu és inconstante e de um coração muito desassossegado. É somente por isto que nós nos despedimos de ti. Qual necessidade de muita conversa? Vá para onde quer que tu escolhas. Todas nós somos dotadas de formas excelentes. Que necessidade nós temos de ti, ó impecável?'” “Sri disse, ‘Ó dadoras de honras, rejeitada por vocês dessa maneira, eu serei certamente um objeto de desconsideração por todo o mundo. Mostrem-me sua graça. Vocês são todas altamente abençoadas. Vocês estão sempre dispostas a conceder proteção para aqueles que procuram sua proteção. Eu vim a vocês solicitando sua proteção. Eu não tenho defeito. Salvem-me (desta situação). Saibam que eu sempre serei devotada a vocês. Eu estou desejosa de residir em quaisquer partes, por mais que repulsivas, de seus corpos. De fato, eu desejo residir até em seu reto. Ó impecáveis, eu não vejo que vocês têm alguma parte em seus corpos que possa ser considerada como repulsiva, pois vocês são sagradas, e santificantes, e altamente abençoadas. Entretanto, concedam minha súplica. Digam-me em qual em parte de seus corpos eu devo residir.’” “Bhishma continuou, ‘Assim endereçadas por Sri, as vacas, sempre auspiciosas e inclinadas à bondade para todos aqueles que são devotados a elas, deliberaram entre si, e então se dirigiram a Sri, e disseram para ela, ó rei, estas palavras.’” “As vacas disseram, ‘Ó tu de grande fama, é certamente desejável que nós te honremos. Viva em nossa urina e estrume. Os dois são sagrados, ó deusa auspiciosa!’” “Sri disse, ‘Por boa sorte, vocês me mostraram muita benevolência implicando seu desejo de me favorecer. Que isto seja como vocês dizem! Abençoadas sejam vocês todas, eu fui realmente honrada por vocês, ó concessoras de felicidade!’” "Bhishma continuou, 'Tendo, ó Bharata, feito este acordo com as vacas, Sri, naquele momento, na própria vista daquelas vacas, tornou-se invisível. Eu assim te falei, ó filho, da glória do estrume das vacas. Eu te falarei novamente sobre a glória das vacas. Ouça-me.’” 83 "Bhishma disse, 'Aqueles que fazem doações de vacas, e que subsistem dos restos de coisas oferecidas como libações no fogo sagrado, são considerados, ó Yudhishthira, como sempre realizando sacrifícios de todos os tipos. Nenhum sacrifício pode ser realizado sem a ajuda de coalhos e ghee. O próprio caráter como sacrifício que o sacrifício tem depende do ghee. Então o ghee (ou, a vaca da qual ele é produzido) é considerado como a verdadeira base do sacrifício. De todos os tipos de presentes, o presente de vacas é elogiado como o mais elevado. As vacas são as principais de todas as coisas. Elas mesmas sagradas, elas são as melhores purificadoras e santificadoras. As pessoas devem criar vacas para obterem prosperidade e paz serena. O leite, coalhos, e ghee que as vacas produzem são capazes de purificar alguém de todo tipo de pecado. As vacas são citadas como representando a energia mais elevada neste mundo e no mundo que está acima. Não há nada que seja mais sagrado ou santificante do que as vacas, ó chefe da linhagem de Bharata. Em relação a isso é contada a antiga narrativa, ó Yudhishthira, da conversa entre o Avô e o chefe dos celestiais. Depois que os Daityas tinham sido derrotados e Sakra tinha se tornado o senhor dos três mundos, todas as criaturas cresceram em prosperidade e se tornaram devotadas à religião verdadeira. Então, em uma ocasião, os Rishis, os Gandharvas, os Kinnaras, os Uragas, os Rakshasas, as Divindades, os Asuras, as criaturas aladas e os Prajapatis, ó tu da linhagem de Kuru, se reuniram todos e adoraram o Avô. Lá estavam Narada e Parvata e Viswavasu e Haha-Huhu, que cantaram em acordes celestes para adorar aquele senhor pujante de todas as criaturas. A divindade do vento levou para lá a fragrância das flores celestes. As Estações também, em suas formas incorporadas, levaram os perfumes das flores características de cada uma, para aquele conclave de celestiais, aquela reunião de todas as criaturas do universo, onde donzelas celestes dançaram e cantaram em acompanhamento com música celestial. No meio daquela assembleia, Indra, saudando o Senhor de todas as divindades e inclinando sua cabeça para ele com reverência, questionou- o, dizendo, 'Eu desejo, ó Avô, saber por que a região das vacas é superior, ó santo, à região das próprias divindades que são os senhores de todos os mundos. Quais austeridades, qual Brahmacharya, ó senhor, as vacas realizaram por consequência das quais elas podem residir felizmente em uma região que está até acima daquelas das divindades?' Assim endereçado por Indra, Brahman disse para o matador de Vala, 'Tu, ó matador de Vala, sempre desconsideraste as vacas. Por isso tu não estás familiarizado com a gloriosa preeminência das vacas. Ouça-me agora, ó pujante, enquanto eu te explico a grande energia e a gloriosa preeminência das vacas, ó chefe dos celestiais! Vacas são citadas como os membros do sacrifício. Elas representam o próprio sacrifício, ó Vasava! Sem elas não pode haver sacrifício. Com seu leite e o Havi produzido dele, elas sustentam todas as criaturas. Seus bezerros machos são empregados em ajudar no cultivo e por meio disso produzem diversos tipos de arroz e outras sementes. Delas fluem sacrifícios e Havya e Kavya, e leite e coalhos e ghee. Então, ó chefe das divindades, as vacas são sagradas. Afligidas por fome e sede, elas carregam diversas cargas. As vacas sustentam os Munis. Elas sustêm todas as criaturas por meio de diversas ações. Ó Vasava, as vacas não têm malícia em seu comportamento. Por causa de tal comportamento e de muitas ações bem realizadas, elas estão habilitadas a viver sempre em regiões que estão até acima da nossa. Eu assim expliquei para ti hoje, ó tu de cem sacrifícios, a razão, ó Sakra, das vacas residirem em um lugar que está acima daquele das divindades. As vacas obtiveram muitas formas excelentes, ó Vasava, e são elas mesmas concessoras de benefícios (para outros). Elas são chamadas de Surabhis. De atos sagrados e dotadas de muitas indicações auspiciosas, elas são altamente santificantes. Ouça-me também, ó matador de Vala, enquanto eu te digo em detalhes a razão porque as vacas, a prole de Surabhi, desceram sobre a terra, ó melhor das divindades. Antigamente, ó filho, quando no Devayuga os Danavas de grande alma se tornaram os senhores dos três mundos, Aditi passou pelas austeridades mais severas e obteve Vishnu dentro de seu útero (como a recompensa disso). Realmente, ó chefe dos celestiais, ela tinha permanecido sobre uma perna por muitos longos anos, desejosa de ter um filho. Vendo a grande deusa Aditi passando dessa maneira pelas austeridades mais rígidas, a filha de Daksha, isto é, a ilustre Surabhi, ela mesma devotada à virtude, da mesma maneira passou por muitas austeridades severas sobre o leito das encantadoras montanhas de Kailasa, que são frequentadas pelas divindades e pelos Gandharvas. Estabelecida no Yoga mais sublime ela também permaneceu sobre uma perna por onze mil anos. As divindades com os Rishis e os grandes Nagas todos vieram a ser chamuscados com a severidade de suas penitências. Dirigindo- se até lá comigo, todas elas começaram a adorar aquela deusa auspiciosa. Eu então me dirigi àquela deusa dotada de penitências e disse, 'Ó deusa, ó tu de conduta impecável, para que propósito tu passas por tais austeridades severas? Ó altamente abençoada, eu estou satisfeito com tuas penitências, ó bela! Ó deusa, peças qual bênção tu desejas. Eu te concederei o que quer que tu possas pedir.' Exatamente estas foram minhas palavras para ela, ó Purandara. Assim endereçada por mim, Surabhi me respondeu, dizendo, 'Eu não preciso, ó Avô, de bênçãos. Isto mesmo, ó impecável, é uma grande bênção para mim: que tu tenhas ficado satisfeito comigo.' Para a ilustre Surabhi, ó chefe dos celestiais, que disse isto para mim, ó marido de Sachi, eu respondi nestas palavras, ó principal das divindades, isto é, 'Ó deusa, por esta demonstração da tua liberdade de cobiça e desejo e por estas tuas penitências, ó tu de rosto belo, eu fiquei muitíssimo satisfeito. Eu, portanto, te concedo a bênção da imortalidade. Tu residirás em uma região que é mais elevada do que os três mundos, pela minha graça. Aquela região será conhecida por todos pelo nome de Goloka. Tua descendência, sempre engajada em fazer boas ações, irá residir no mundo dos homens. Realmente, ó altamente abençoada, tuas filhas residirão lá. Todos os tipos de prazer, celeste e humano, que tu possas pensar, imediatamente serão teus. Qualquer felicidade que existe no Céu também será tua, ó abençoada.' As regiões, ó tu de cem olhos, que são de Surabhi são dotadas dos meios para a satisfação de todo desejo. Nem Morte, nem Decrepitude, nem fogo, podem dominar seus habitantes. Nenhuma má sorte, ó Vasava, existe lá. Muitos bosques encantadores, e ornamentos encantadores e objetos de beleza podem ser vistos lá. Lá muitos carros belos, todos excelentemente equipados, os quais se movem à vontade do passageiro, podem ser vistos, ó Vasava. Ó tu de olhos como pétalas de lótus, é somente por Brahmacharya, por penitências, por Verdade, por autodomínio, por caridade, por diversos tipos de ações virtuosas, por viagens para águas sagradas, realmente, por austeridades severas e ações justas bem realizadas, que alguém pode chegar à Goloka. Tu me perguntaste, ó Sakra, e eu te respondi integralmente. Ó matador de Asuras, tu nunca deves desrespeitar as vacas.'” "Bhishma continuou, 'Tendo ouvido estas palavras do Brahman auto-nascido, ó Yudhishthira, Sakra de mil olhos começou desde aquele tempo a cultuar as vacas todos os dias e a lhes mostrar o maior respeito. Eu assim te disse tudo acerca do caráter santificante das vacas, ó tu de grande esplendor. A sagrada e excelente preeminência e glória das vacas, que é capaz de purificar uma pessoa de todos os pecados, ó chefe de homens, foi assim explicada para ti. Aquele homem que com sentidos afastados de todos os outros objetos narra este relato para Brahmanas, em ocasiões quando Havya e Kavya são oferecidos, ou em sacrifícios, ou em ocasiões de adorar os Pitris, consegue conceder para seus antepassados uma bem-aventurança inesgotável repleta da realização de todos os desejos. Aquele homem que é devotado às vacas consegue obter a realização de todos os seus desejos. De fato, até aquelas mulheres que são devotadas às vacas conseguem obter a realização de todos os desejos delas. Aquele que deseja filhos os obtém. Aquele que deseja filhas as obtém. Aquele que deseja riqueza consegue adquiri-la e aquele que deseja mérito religioso consegue ganhá-lo. Aquele que deseja conhecimento o adquire e aquele que deseja felicidade consegue obtê-la. De fato, ó Bharata, não há nada que seja inalcançável para alguém que é devotado às vacas.'" 84 "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, me falaste sobre a doação de vacas que é repleta de grande mérito. No caso dos reis cumpridores de seus deveres, esta doação é mais meritória. A soberania é sempre dolorosa. Ela não pode ser mantida por pessoas de almas impuras. Na maioria dos casos, os reis fracassam em alcançar fins auspiciosos. Por sempre fazerem, no entanto, doações de terra, eles conseguem se purificar (de todos os seus pecados). Tu, ó príncipe da linhagem de Kuru, me falaste sobre muitos deveres. Tu me falaste sobre as doações de vacas feitas pelo rei Nriga nos tempos passados. O Rishi Nachiketa, antigamente, discursou sobre os méritos desta ação. Os Vedas e os Upanishads também declaram que em todos os sacrifícios, de fato, em todos os tipos de atos religiosos, o Dakshina deve ser terra ou vacas ou ouro. Os Srutis, no entanto, declaram que de todos os Dakshinas, o ouro é superior e é, de fato, o melhor. Eu desejo, ó avô, te ouvir falar realmente sobre este tópico. O que é o ouro? Como ele surgiu? Quando ele entrou em existência? Qual é sua essência? Quem é a divindade que o preside? Quais são seus frutos? Por que ele é considerado como a principal de todas as coisas? Por que razão homens de sabedoria elogiam a doação de ouro? Por que razão o ouro é considerado como o melhor Dakshina em todos os sacrifícios? Por que também o ouro é considerado como um purificador superior à própria terra e às vacas? Por que, de fato, ele é considerado tão superior como um Dakshina? Ó avô, fale-me sobre tudo isso!'” "Bhishma disse, ‘Ouça-me, ó rei, com atenção concentrada enquanto eu conto para ti em detalhes as circunstâncias ligadas com a origem do ouro como compreendida por mim. Quando meu pai Santanu de grande energia partiu deste mundo, eu procedi para Gangadwara para realizar seu Sraddha. Chegando lá, eu comecei o Sraddha do meu pai. Minha mãe Jahnavi, chegando lá, me prestou grande ajuda. Convidando muitos ascetas coroados com êxito e fazendo-os tomarem seus assentos à minha frente, eu comecei os ritos preliminares consistindo nos presentes de água e de outras coisas. Tendo realizado com uma mente concentrada todos os ritos preliminares como prescritos nas escrituras, eu me pus a oferecer devidamente o bolo fúnebre. Eu então vi, ó rei, um braço belo, adornado com Angadas e outros ornamentos, se erguer, atravessando o solo, através das folhas de grama Kusa que eu tinha espalhado. Vendo aquele braço erguido do solo, eu fiquei muito surpreso. De fato, ó chefe da linhagem de Bharata, eu pensei que meu pai tinha vindo ele mesmo para aceitar o bolo que eu estava prestes a oferecer. Refletindo então, pela luz das escrituras, logo veio a mim a convicção de que se encontra nos Vedas a ordenança que o bolo não deve ser ofertado à mão daquele cujo Sraddha é realizado. Esta foi a convicção que tomou posse da minha mente, isto é, que o bolo fúnebre nunca deve ser ofertado neste mundo por um homem para a mão visível do homem cujos ritos funerais são realizados. Os Pitris não vêm em suas formas visíveis para pegarem o bolo. Por outro lado, a ordenança estipula que ele deve ser oferecido sobre as folhas de grama Kusa espalhadas no solo para o propósito. Eu então, desconsiderando aquela mão que constituía uma indicação da presença de meu pai, e me lembrando da ordenança verdadeira dependente da autoridade das escrituras a respeito do modo de ofertar o bolo, ofereci o bolo inteiro, ó chefe dos Bharatas, sobre aquelas folhas de grama Kusa que estavam espalhadas à minha frente. Saiba, ó príncipe de homens, que o que eu fiz era perfeitamente consistente com a ordenança escritural. Depois disto, o braço do meu pai, ó monarca, desapareceu na nossa própria visão. Naquela noite enquanto eu dormia, os Pitris apareceram para mim em um sonho. Satisfeitos comigo eles disseram, ó chefe da linhagem de Bharata, estas palavras, 'Nós estamos satisfeitos contigo, pela indicação que tu forneceste hoje de tua aderência à ordenança. Satisfez-nos ver que tu não te desviaste das injunções das escrituras. A ordenança escritural, tendo sido seguida por ti, se tornou mais autoritária, ó rei. Por tal conduta tu honraste e mantiveste a autoridade de ti mesmo, das escrituras, das audições dos Vedas, dos Pitris e dos Rishis, do próprio Avô Brahman, e daqueles mais velhos, isto é, os Prajapatis. A aderência às escrituras foi mantida. Tu hoje, ó chefe dos Bharatas, agiste muito corretamente. Tu fizeste doações de terra e vacas. Faça doações de ouro. As doações de ouro são muito purificadoras. Ó tu que és bom conhecedor dos deveres, saiba que por tais ações tuas, nós e nossos antepassados seremos todos purificados dos nossos pecados. Tais presentes resgatam ambos, antepassados e descendentes, até o décimo grau, da pessoa que os faz.' Estas mesmas foram as palavras que meus antepassados, aparecendo para mim em um sonho, me disseram. Eu então despertei, ó rei, e fiquei muito admirado. De fato, ó chefe da linhagem de Bharata, eu coloquei meu coração então em fazer presentes de ouro. Escute agora, monarca, a esta história antiga. Ela é muito louvável e estende o período de vida daquele que a ouve. Ela foi primeiro narrada para Rama, o filho de Jamadagni. Nos tempos passados o filho de Jamadagni, Rama, cheio de grande fúria, exterminou os Kshatriyas da face da terra por três vezes sete vezes. Tendo subjugado a terra inteira o heróico Rama de olhos como pétalas de lótus começou a fazer preparativos para realizar um Sacrifício de Cavalo, ó rei, que é elogiado por todos os Brahmanas e Kshatriyas e que é capaz de conceder a realização de todos os desejos. Aquele sacrifício purifica todas as criaturas e aumenta a energia e esplendor daqueles que conseguem realizá-lo. Dotado de grande energia, Rama, pela realização daquele sacrifício, ficou purificado. Tendo, no entanto, realizado aquele principal dos sacrifícios, Rama de grande alma ainda fracassou em obter perfeita leveza de coração. Dirigindo-se aos Rishis familiarizados com todos os ramos de conhecimento como também às divindades, Rama da linhagem de Bhrigu os questionou. Cheio de arrependimento e compaixão, ele se dirigiu a eles, dizendo, 'Ó altamente abençoados, declarem o que é ainda mais purificador para homens engajados em atos violentos.' Assim endereçados por ele, aqueles grandes Rishis, totalmente familiarizados com os Vedas e as escrituras, responderam a ele, dizendo, 'Ó Rama, guiado pela autoridade dos Vedas, honre todos os Brahmanas eruditos. Seguindo esta conduta por algum tempo questione mais uma vez os Rishis regenerados quanto ao que deve ser feito por ti para te purificar. Siga o conselho que aquelas pessoas de grande sabedoria irão dar.' Dirigindo-se então até Vasishtha e Agastya e Kasyapa, aquele alegrador dos Bhrigus, dotado de grande energia, lhes fez esta pergunta, 'Ó principais dos Brahmanas, este mesmo é o desejo que surgiu no meu coração. Como, de fato, eu posso conseguir me purificar? Por quais ações e ritos isto pode ser conseguido? Ou, se for por doações, qual é aquele artigo por doar o qual este meu desejo pode ser realizado? Ó principais das pessoas justas, se suas mentes estiverem inclinadas a me favorecer, então me digam, vocês que são dotados de riqueza de ascetismo, o que é aquilo pelo qual eu posso conseguir me purificar.'” "Os Rishis disseram, 'Ó alegrador dos Bhrigus, o mortal que pecou vem a ser purificado por fazer doações de vacas, de terra, e de riqueza. Isto mesmo é o que nós temos ouvido. Há outro presente que é considerado como um grande purificador. Escute-nos, ó Rishi regenerado, enquanto nós falamos sobre isso. Aquele artigo é excelente e é dotado de aspecto maravilhoso e é, além disso, a prole do Fogo. Antigamente, o deus Agni queimou todo o mundo. É sabido por nós que de sua semente surgiu o ouro de cor brilhante. Ele veio a ser célebre sob o nome de bem compleiçoado. Por fazer doações de ouro tu sem dúvida terás teu desejo coroado com realização.’ Então o ilustre Vasishtha em especial, de votos rígidos, dirigindo-se a ele, disse, 'Ouça, ó Rama, como o ouro, o qual tem o esplendor do fogo, surgiu. Aquele ouro te concederá mérito. A respeito de doações, o ouro é muito aprovado. Eu também te direi o que é o ouro, de onde ele veio, e como ele veio a ser investido com atributos superiores. Ouça-me, ó tu de braços poderosos, enquanto eu falo sobre estes tópicos. Saiba como certo que o ouro é da essência do Fogo e Soma. A cabra é Fogo (pois se doada, ela leva à região da divindade do fogo); a ovelha é Varuna (pois ela leva à região de Varuna, o senhor das águas); o cavalo é Surya (pois ele leva à região de Surya); elefantes são Nagas (pois eles levam ao mundo dos Nagas); búfalos são Asuras (pois eles levam à região dos Asuras); galos e javalis são Rakshasas (pois eles levam às regiões dos Rakshasas). Ó encantador dos Bhrigus; terra é sacrifício, vacas, água, e Soma (pois ela leva aos méritos do sacrifício, e à região das vacas, do senhor das águas e de Soma). Estas são as declarações dos Smritis. Batendo o universo inteiro, uma massa de energia foi encontrada. Aquela energia é ouro. Então, ó Rishi regenerado, em comparação com todos estes objetos (os quais eu citei acima) o ouro é sem dúvida superior. Ele é uma coisa preciosa, superior e excelente. (O comentador explica que por esta razão, por fazer doações de ouro, alguém vem a ser considerado como fazendo doações do universo inteiro.) É por este motivo que as divindades e Gandharvas e Uragas e Rakshasas e seres humanos e Pisachas o mantêm com cuidado. Todos estes seres, ó filho da linhagem de Bhrigu, brilham em esplendor com a ajuda do ouro, depois de convertê-lo em coroas e braceletes e diversas espécies de ornamentos. É também por esta razão que o ouro é considerado como a mais purificadora de todas as coisas purificadoras tais como terra e vacas e todos os outros tipos de riqueza, ó príncipe de homens. A doação de ouro, ó rei pujante, é a doação mais elevada. Ela é eminente acima das doações de terra, de vacas, e de todas as outras coisas, Ó tu que és dotado da refulgência de um imortal, o ouro é um eterno purificador. Faça doações dele para os principais dos Brahmanas porque ele é a principal das coisas purificadoras. De todos os tipos de Dakshina, o ouro é o melhor. Aqueles que fazem presentes de ouro são citados como sendo dadores de todas as coisas. De fato, aqueles que fazem doações de ouro vêm a ser considerados como dadores de divindades. Agni é todas as divindades em uma, e o ouro tem Agni como sua essência. Por esta razão a pessoa que faz doações de ouro dá todas as divindades. Então, ó chefe de homens, não há doação superior à doação de ouro.'” "Vasishtha continuou, 'Ouça mais uma vez, ó Rishi regenerado, enquanto eu falo sobre isto, a preeminência do ouro, ó principal de todos os manejadores de armas. Eu ouvi isto antigamente no Purana, ó filho da linhagem de Bhrigu. Eu descrevo o discurso do próprio Prajapati. Depois que foi concluído o casamento do ilustre Rudra grande alma armado com o tridente, ó filho da linhagem de Bhrigu, com a deusa que se tornou sua esposa, no leito daquela principal das montanhas, isto é, Himavat, a divindade ilustre e de grande alma desejou se unir com a deusa. Nisso todas as divindades, tomadas pela ansiedade, se aproximaram de Rudra. Inclinando suas cabeças com reverência e agradando Mahadeva e sua esposa concessora de benefícios Uma, ambos os quais estavam sentados juntos, eles se dirigiram a Rudra, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, dizendo, 'Esta união, ó ilustre e impecável, de ti com a deusa, é uma união de alguém dotado de penitências com outro de penitências igualmente severas! Na verdade, esta é a união, ó senhor, de alguém possuidor de energia muito grande com outro cuja energia mal é menor! Tu, ó ilustre, tens energia que é irresistível. A deusa Uma também possui energia que é igualmente irresistível. A prole que resultará de uma união como esta, irá, sem dúvida, ó divindade ilustre, ser dotada de um poder muito grande. Na verdade, ó senhor pujante, essa prole consumirá todas as coisas nos três mundos sem deixar resto. Então, ó senhor de todo o universo, ó tu de olhos grandes, conceda para estas divindades prostradas diante de ti uma bênção pelo desejo de beneficiar os três mundos! Ó pujante, reprima esta tua grande energia a qual pode se tornar a semente de prole. Na verdade, aquela energia é a essência de todas as forças nos três mundos. Vocês dois, por um ato de união sexual, sem dúvida irão chamuscar o universo! A prole que nascerá de vocês dois certamente será capaz de afligir as divindades! Nem a deusa Terra, nem o Firmamento, nem o Céu, ó pujante, nem todos eles juntos, serão capazes de suportar tua energia, nós cremos firmemente. O universo inteiro sem dúvida será queimado pela força da tua energia. Cabe a ti, ó pujante, nos mostrar benevolência, ó divindade ilustre. Esta benevolência consiste em tu não gerares um filho, ó principal das divindades, na deusa Uma. Com paciência, reprima tua energia ardente e pujante!' Para as divindades que falaram dessa maneira o santo Mahadeva tendo o touro como seu emblema, ó Rishi regenerado, respondeu dizendo, 'Assim seja.' Tendo dito isto, a divindade que tem o touro como seu veículo parou sua semente vital. Desde aquele tempo ele veio a ser chamado pelo nome de Urdhvaretas (alguém que parou a semente vital). A esposa de Rudra, no entanto, por este esforço das divindades em parar a procriação, ficou muito enfurecida. Por ela ser do sexo oposto (e, portanto, dotada de pouco controle sobre seu temperamento) ela usou palavras duras, dessa maneira, 'Já que vocês se opuseram ao meu marido na questão de procriar um filho quando ele estava desejoso de procriar um em mim, como a consequência deste ato, ó divindades, vocês todos ficarão sem filhos. Realmente, já que vocês se opuseram ao nascimento de descendentes de mim, portanto, vocês não terão prole própria.' No momento em que esta maldição foi pronunciada, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, a divindade do fogo não estava lá. Foi por causa desta maldição da deusa que as divindades ficaram sem filhos. Rudra, solicitado por eles, manteve em si mesmo sua energia de força incomparável. Uma pequena quantidade, no entanto, que saiu de seu corpo, caiu sobre a terra. Aquela semente, caindo na terra, lançou-se em um fogo ardente e lá começou a crescer notavelmente (em tamanho e poder). A energia de Rudra, entrando em contato com outra energia de grande pujança, veio a ser identificada com ela em relação à essência. Enquanto isso, todas as divindades tendo Sakra em sua chefia estavam sendo muito oprimidas pelo Asura chamado Taraka. Os Adityas, os Vasus, os Rudras, os Maruts, os Aswins, e os Sadhyas, todos ficaram extremamente aflitos pela bravura daquele filho de Diti. Todas as regiões das divindades, seus belos carros, e suas mansões suntuosas, e os retiros dos Rishis, foram roubados pelos Asuras. Então as divindades e os Rishis, com corações tristes, procuraram a proteção do ilustre e pujante Brahman de glória imperecível.'" 85 'As Divindades disseram, 'O Asura chamado Taraka que recebeu bênçãos de ti, ó pujante, está afligindo as divindades e os Rishis. Que a morte dele seja ordenada por ti. Ó Avô, é grande o nosso medo dele. Ó ilustre, nos salve. Nós não temos outro amparo além de ti.'” "Brahman disse, 'Eu sou imparcial em meu comportamento em direção a todas as criaturas. Eu não posso, no entanto, aprovar a injustiça. Que Taraka, aquele oponente das divindades e Rishis, seja destruído rapidamente. Os Vedas e os deveres eternos não serão exterminados, ó principais dos celestiais! Eu ordenei o que é apropriado nesta questão. Que a febre de seus corações seja dissipada.'” "As Divindades disseram, 'Por tu teres concedido benefícios para ele, aquele filho de Diti tem estado orgulhoso de seu poder. Ele não pode ser morto pelas divindades. Como então sua morte será ocasionada? O benefício o qual, ó Avô, ele obteve de ti é que ele não pode ser morto pelas divindades ou Asuras ou Rakshasas. As divindades também foram amaldiçoadas pela esposa de Rudra por causa do seu esforço nos tempos passados para parar a reprodução. A maldição pronunciada por ela, ó senhor do universo, foi esta: que nós não teríamos nenhuma descendência.'” "Brahman disse, 'Ó principais das divindades, Agni não estava lá no momento em que a maldição foi pronunciada pela deusa. Ele mesmo irá gerar um filho para a destruição dos inimigos dos deuses. Superando todas as divindades e Danavas e Rakshasas e seres humanos e Gandharvas e Nagas e criaturas emplumadas, a prole de Agni com seu dardo, o qual em suas mãos será uma arma incapaz de ser desviada se uma vez arremessada no inimigo, destruirá Taraka de quem seu medo surgiu. Na verdade, todos os outros inimigos seus também serão mortos por ele. O Desejo é eterno. Aquele Desejo é conhecido pelo nome de Kama e é idêntico à semente de Rudra, uma porção da qual caiu na forma ardente de Agni. Aquela energia, a qual é uma substância poderosa, e que parece com um segundo Agni, será lançada por Agni em Ganga para produzir um filho nela a fim de efetuar a destruição dos inimigos dos deuses. Agni não ficou dentro do alcance da maldição de Uma. O comedor de libações sacrificais não estava presente lá quando a maldição foi pronunciada. Que a divindade do fogo, portanto, seja procurada. Que ele agora seja designado para esta tarefa. Ó impecáveis, eu disse a vocês quais são os meios para a destruição de Taraka. As maldições daqueles que são dotados de energia fracassam em produzir algum efeito sobre aqueles que são dotados de energia. Forças, quando elas entram contato com alguma coisa que é dotada de força maior, ficam enfraquecidas. Aqueles que são dotados de penitências são competentes para destruir até as divindades concessoras de bênçãos que são indestrutíveis. Vontade, ou Anseio, ou Desejo (o qual é identificável com Agni) surgiu nos tempos antigos e é a mais eterna de todas as criaturas. Agni é o Senhor do universo. Ele não pode ser compreendido ou descrito. Capaz de ir a em todos os lugares e de existir em todas as coisas, ele é o Criador de todos os seres. Ele vive nos corações de todas as criaturas. Dotado de grande pujança, Ele é mais velho do que o próprio Rudra. Que aquele comedor de libações sacrificais, que é uma massa de energia, seja procurado. Aquela divindade ilustre realizará este desejo dos seus corações.' Ouvindo estas palavras do Avô, os deuses de grande alma então foram procurar o deus do fogo com corações alegres por seu propósito ter sido alcançado. Os deuses e os Rishis então procuraram por todas as partes dos três mundos, seus corações cheios com o pensamento de Agni e desejando avidamente obter uma visão dele. Dotados de penitências, possuidores de prosperidade, célebres por todos os mundos, aqueles de grande alma, todos coroados com êxito ascético, viajaram por todas as partes do universo, ó principal da linhagem de Bhrigu. Eles fracassaram, no entanto, em descobrir o comedor de libações sacrificais que tinha se escondido por fundir seu eu no eu; (isto é, na água, pois a água é idêntica a Agni). Naquela ocasião, uma rã, vivendo na água, apareceu na superfície dela das regiões mais inferiores, com coração triste por ter sido chamuscada pela energia de Agni. A pequena criatura se dirigiu às divindades que tinham sido tomadas pelo medo e que estavam todas muito ávidas para obter uma visão daquela divindade do fogo, dizendo, 'Ó deuses, Agni está agora residindo nas regiões inferiores. Chamuscada pela energia daquela divindade, e incapaz de aguentá-la por mais tempo, eu vim para cá. O ilustre portador das libações sacrificais, ó deuses, está agora sob as águas. Ele criou uma massa de águas dentro da qual ele está morando. Todos nós temos sido chamuscados por sua energia. Se, ó deuses, vocês desejam obter uma visão ele, na verdade, se vocês têm algum negócio com ele, vão para lá. De fato, se dirijam para lá. Com relação a nós mesmos, nós fugiremos deste lugar, ó divindades, por medo de Agni.' Tendo dito isso, a rã mergulhou na água. O comedor de libações sacrificais soube da deslealdade da rã. Indo até aquele animal, ele amaldiçoou toda a raça batráquia, dizendo, ‘Vocês de agora em diante serão privados do órgão de paladar.’ Tendo pronunciado esta maldição sobre a rã, ele deixou o local depressa para tomar sua residência em outro lugar. Na verdade, a divindade pujante não se mostrou. Vendo a situação à qual as rãs foram reduzidas por elas terem lhes feito um serviço, as divindades, ó melhor dos Bhrigus, mostraram benevolência para aquelas criaturas. Eu te direi tudo com relação a isto. Ouça-me, ó herói de braços poderosos.'” "As Divindades disseram, 'Embora privados de línguas pela maldição de Agni e, portanto, desprovidos da sensação de paladar, vocês ainda serão capazes de proferir diversos tipos de palavras. Vivendo dentro de buracos, privados de alimento, desprovidos de consciência, abandonados e sedentos, e mais mortos do que vivos, todavia todos vocês serão sustentados pela Terra. Vocês também poderão perambular à noite quando tudo está envolvido em densa escuridão.' Tendo dito isto para as rãs, as divindades mais uma vez examinaram todas as partes da terra para descobrir a divindade de chamas ardentes. Apesar de todos os seus esforços, no entanto, elas fracassaram em chegar até ele. Então, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, um elefante, tão grande e poderoso quanto o elefante de Sakra, se dirigiu aos deuses, dizendo, 'Agni está agora residindo dentro desta árvore Aswattha!' Inflamado pela cólera, Agni amaldiçoou todos os elefantes, ó descendente de Bhrigu, dizendo, 'Suas línguas serão curvadas para trás.' Tendo sido apontado pelos elefantes, a divindade do fogo amaldiçoou todos os elefantes dessa maneira e então foi embora e entrou no coração da árvore Sami pelo desejo de residir dentro dela por algum tempo. Ouça agora, ó herói pujante, qual favor foi concedido para os elefantes, ó principal da linhagem de Bhrigu, pelas divindades de destreza imbatível que estavam todas satisfeitas com o serviço, um representativo do que eles tinham feito por eles.’” "As Divindades disseram, 'Com a ajuda de suas línguas inclinadas para dentro vocês poderão comer todas as coisas, e mesmo com aquelas línguas vocês serão capazes de proferir gritos que serão somente indistintos.’ Tendo abençoado os elefantes dessa maneira, os habitantes do Céu mais uma vez retomaram sua procura por Agni. De fato, tendo saído da árvore Aswattha, a divindade do fogo tinha entrado no coração de Sami. Esta nova residência de Agni foi divulgada por um papagaio. Os deuses então procederam para o local. Enfurecido com a conduta do papagaio, a divindade de chamas ardentes amaldiçoou toda classe dos papagaios, dizendo, 'Vocês deste dia em diante serão privados do poder da fala.' De fato, o comedor de libações sacrificais virou para cima as línguas de todos os papagaios. Vendo Agni no lugar indicado pelo papagaio, e testemunhando a maldição pronunciada sobre ele, os deuses, sentindo compaixão pela pobre criatura, o abençoaram, dizendo, 'Por tu seres um papagaio, tu não serás totalmente privado do poder da fala. Embora tua língua tenha sido virada para trás, contudo tu terás o poder da fala, limitado à letra K. Como aquela de uma criança ou de um homem idoso, tua fala será meiga, indistinta e maravilhosa.' Tendo dito estas palavras para o papagaio, e contemplando a divindade de fogo dentro do núcleo de Sami, os deuses fizeram da madeira Sami um combustível sagrado adequado para produzir fogo em todos os ritos religiosos. E foi desde aquele tempo que o fogo é visto residir no âmago da Sami. Os homens vieram a considerar a Sami como meio apropriado para produzir fogo (em sacrifício. Isto se refere à prática de fazer o fogo sacrifical por friccionar dois gravetos de Sami, pois ela é uma madeira muito inflamável e por esta razão é usada em todos os ritos sagrados). As águas que se encontram nas regiões inferiores tinham entrado em contato com a divindade de chamas ardentes. Aquelas águas aquecidas, ó tu da linhagem de Bhrigu, são expelidas pelas fontes de montanha. Por consequência, de fato, de Agni ter residido nelas por algum tempo, eles se tornaram quentes pela sua energia. Enquanto Isso, Agni, vendo os deuses, ficou aflito. Dirigindo-se às divindades, ele as questionou, 'Qual é a razão da sua presença aqui?' Para ele as divindades e os grandes Rishis disseram, 'Nós desejamos te designar para uma tarefa específica. Cabe a ti realizá-la. Quando realizada, ela irá redundar grandemente para o teu crédito.'” "Agni disse, 'Digam-me qual é o seu negócio. Eu irei, ó deuses, realizá-lo. Eu estou sempre disposto a ser colocado por vocês em qualquer tarefa que vocês desejem. Não hesitem portanto, em me ordenar.'" "As Divindades disseram, 'Há um Asura de nome Taraka que tem estado cheio de orgulho por causa do benefício que ele obteve de Brahman. Pela sua energia ele pode se opor a nós e nos derrotar. Ordene sua destruição. ó senhor, salve estas divindades, estes Prajapatis, e estes Rishis, ó altamente abençoado Pavaka! Ó pujante, gere um filho heróico possuidor da tua energia que irá dissipar, ó portador das libações sacrificais, nossos temores daquele Asura. Nós fomos amaldiçoados pela grande deusa Uma. Não há nada mais a não ser tua energia que possa ser nosso refúgio agora. Portanto, ó divindade pujante, salve a nós todos.' Assim endereçado, o ilustre e irresistível portador das libações sacrificais respondeu, dizendo, ‘Assim seja’, e ele então procedeu em direção à Ganga também chamada de Bhagirathi. Ele se uniu em ato sexual (espiritual) com ela e a fez conceber. Na verdade, no útero de Ganga a semente de Agni começou a crescer assim como o próprio Agni cresce (quando abastecido com combustível e ajudado pelo vento). Com a energia daquele deus, Ganga ficou extremamente agitada. De fato, ela sofreu grande angústia e foi incapaz de suportá-la. Quando a divindade de chamas ardentes lançou sua semente dotada de grande energia no útero de Ganga, certo Asura (aplicado em seus próprios propósitos) proferiu um rugido terrível. Por causa daquele rugido terrível proferido pelo Asura para seus próprios propósitos (e não para apavorá-la), Ganga ficou muito apavorada e seus olhos rolaram de medo e revelaram sua agitação. Privada de consciência, ela se tornou incapaz de suportar seu corpo e a semente dentro de seu útero. A filha de Jahnu, inseminada com a energia da divindade ilustre, começou a tremer. Dominada pela energia da semente que ela mantinha em seu útero, ó Brahmana erudito, ela então se dirigiu à divindade de fogo ardente, dizendo, 'Eu não sou mais capaz, ó ilustre, de carregar tua semente em meu útero. Na verdade, eu estou dominada pela fraqueza por causa desta tua semente. A saúde que eu tinha no passado não é mais minha. Eu tenho estado extremamente agitada, ó ilustre, e meu coração está morto dentro de mim, ó impecável. Ó principal de todas as pessoas dotadas de penitências, eu sou incapaz de carregar tua semente por mais tempo. Eu a expulsarei, compelida pela angústia que tomou conta de mim, e não por capricho. Não houve contato real do meu corpo com tua semente, ó divindade ilustre de chamas ardentes! Nossa união, tendo como sua causa o infortúnio que alcançou as divindades, foi adequada e não da carne, ó tu de grande esplendor. Qualquer mérito ou demérito que possa haver neste ato (planejado por mim), ó comedor de libações sacrificais, deve pertencer a ti. Na verdade, eu penso, a justiça ou injustiça deste ato deve ser tua.' Para ela a divindade do fogo disse, ‘Carregue a semente. De fato, mantenha o feto dotado de minha energia. Isto levará a resultados grandiosos. Tu és, na verdade, capaz de sustentar a terra inteira. Tu não ganharás nada por não manteres esta minha energia.' Aquele principal dos rios, embora assim preterida pela divindade do fogo como também por todas as outras divindades, expeliu a semente no leito de Meru, aquela principal de todas as montanhas. Capaz (de alguma maneira) de carregar aquela semente, porém oprimida pela energia de Rudra (pois Agni é idêntico a Rudra), ela fracassou em segurar aquela semente por mais tempo por causa de sua energia ardente. Depois que ela tinha rejeitado, por pura angústia, aquela semente brilhante tendo o esplendor do fogo, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, Agni a viu, e questionou aquela principal das correntes, ‘Está tudo bem com o feto que tu rejeitaste? De que cor ele é, ó deusa? De que forma ele aparece? Com que energia ele parece ser dotado? Conte-me tudo sobre isto.'” "Ganga disse, 'O feto é dotado da cor do ouro. Em energia ele é exatamente como tu, ó impecável! De uma cor excelente, perfeitamente imaculado, e brilhante com esplendor, ele iluminou a montanha inteira. Ó principal de todas as pessoas dotadas de penitências, a fragrância emitida por ele parece com o perfume fresco que é espalhado por lagos adornados com lotos e Nyphoea stellata, misturados com aquele da Nauclea Cadamba. Com o esplendor daquele feto tudo ao redor dele pareceu ser transformado em ouro assim como todas as coisas na montanha e a terra baixa parecem ser transformados em ouro pelos raios do sol. De fato, o esplendor daquele feto, se espalhando longe, caiu sobre montanhas e rios e fontes. De fato, parece que os três mundos, com todas as suas criaturas móveis e imóveis, está sendo iluminado por ele. Deste tipo exato é teu filho, ó portador ilustre de libações sacrificais. Como Surya ou teu eu brilhante, em beleza ele é assim como um segundo Soma.' Tendo dito estas palavras, a deusa desapareceu. Pavaka também, de grande energia, tendo realizado o negócio das divindades procedeu para o local que lhe agradava, ó encantador dos Bhrigus. Foi pelo resultado deste ato que os Rishis e as divindades concederam o nome de Hiranyaretas (que tem ouro como sua semente vital) para a divindade do fogo. E porque a Terra segurou aquela semente (depois que a deusa Ganga a lançou sobre ela), ela também veio a ser chamada pelo nome de Vasumati. (Vasumati implica dotada de riqueza, assim chamada porque a semente de Agni, identificada com ouro, é riqueza do tipo mais elevado e caiu na Terra que desde aquele tempo começou a mantê-la.) Enquanto isso; aquele feto, que tinha surgido de Pavaka e sido mantido por um tempo por Ganga, tendo caído em uma mata de juncos, começou a crescer e finalmente assumiu uma forma extraordinária. A deusa que preside a constelação Krittika viu aquela forma parecida com o sol nascente. Ela desde então começou a criar aquela criança como seu filho com o sustento de seu peito. Por esta razão, aquela criança de esplendor preeminente veio a ser chamada de Kartikeya por causa do nome dela. E porque ele cresceu da semente que saiu do corpo de Rudra, ele veio a ser chamado Skanda (caído). O incidente também de seu nascimento ter ocorrido na solidão de uma mata de juncos, escondido da visão de todos, o levou a ser chamado pelo nome de Guha (secreto). Foi dessa maneira que o ouro veio a existir como a prole da divindade de chamas ardentes. Por esta razão é que o ouro veio a ser considerado como a principal de todas as coisas e o ornamento dos próprios deuses. Foi desta circunstância que o ouro veio a ser chamado pelo nome de Jatarupam (aludindo ao incidente de ele ter assumido uma forma excelente após seu nascimento de Agni). Ele é a principal de todas as coisas valiosas, e entre os ornamentos ele também é o principal. O purificador entre todas as coisas purificadoras, ele é o mais auspicioso de todos os objetos auspiciosos. O ouro é realmente o ilustre Agni, o Senhor de todas as coisas, e o principal de todos os Prajapatis. A mais sagrada de todas as coisas sagradas é o ouro, ó principal dos regenerados. Na verdade, o ouro é citado como tendo Agni e Soma como sua essência.'” "Vasishtha continuou, 'Esta história também, ó Rama, chamada Brahmadarsana, foi ouvida por mim antigamente, a respeito da realização do Avô Brahman que é identificável com a Alma Suprema. Para um sacrifício realizado nos tempos passados por aquele principal dos deuses, isto é, o Senhor Rudra, ó tu de grande poder, que naquela ocasião tinha assumido a forma de Varuna, foram os Munis e todas as divindades com Agni em sua vanguarda. Àquele sacrifício também foram todos os membros sacrificais (em suas formas incorporadas), e o Mantra chamado Vashat em sua forma incorporada. Todos os Samans também e todos os Yajushes, contados aos milhares e em suas formas incorporadas, foram lá. O Rig Veda também chegou lá, adornado com as regras de Ortoepia. Os Lakshanas, os Suras, os Niruktas, as Notas arranjadas em fileiras, e a sílaba Om, como também Nigraha e Pragraha, todos chegaram lá e tomaram sua residência no olho de Mahadeva. Os Vedas com os Upanishads, Vidya e Savitri, como também o Passado, o Presente, e o Futuro, todos chegaram lá e foram mantidos pelo ilustre Siva. O próprio Senhor pujante de todos então despejou libações em si mesmo. De fato, o manejador do Pinaka fez aquele Sacrifício de formas diversas parecer extremamente belo. Ele é Céu, Firmamento, Terra, e a Abóbada Celeste. Ele é chamado de o Senhor da Terra. Ele é o Senhor cujo domínio é possuído por todos os obstáculos. Ele é dotado de Sri e Ele é idêntico à divindade de chamas ardentes. Aquela divindade ilustre é chamada por vários nomes. Ele mesmo é Brahman e Siva e Rudra e Varuna e Agni e Prajapati. Ele é o Senhor auspicioso de todas as criaturas. O Sacrifício (em sua forma incorporada), e Penitência, e todos os ritos de união, e a deusa Diksha resplandecente com observâncias rígidas, os vários pontos do horizonte com as divindades que respectivamente presidem sobre eles, os cônjuges de todas as divindades, suas filhas, e as mães celestes, todos se aproximaram juntos em um grupo de Pasupati, ó perpetuador da linhagem Bhrigu. Na verdade, observando aquele sacrifício de Mahadeva de grande alma que tinha assumido a forma de Varuna, todos eles ficaram muito satisfeitos. Vendo as donzelas celestes de grande beleza, a semente de Brahman saiu e caiu sobre a terra. Pela semente ter caído na poeira, Pushan (Surya) pegou aquele pó misturado com as partículas da semente da terra com suas mãos e lançou-a no fogo sacrifical. Enquanto isso, o sacrifício com o fogo sagrado de chamas ardentes foi começado e continuou. Brahman (como o Hotri) estava derramando libações no fogo. Enquanto assim ocupado, o avô ficou excitado com desejo (e sua semente saiu). Logo que aquela semente saiu, ele a pegou com a concha sacrifical e despejou-a como uma libação de ghee, ó encantador dos Bhrigus, com os Mantras necessários, no fogo ardente. Daquela semente Brahman de grande energia fez as quatro ordens de criaturas surgirem. Aquela semente do Avô era dotada dos três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas. Daquele elemento nela o qual representava o princípio de Rajas surgiram todas as criaturas móveis dotadas do princípio de Pravritti ou ação. Do elemento Tamas nela surgiram todas as criaturas imóveis. O princípio de Sattwa, no entanto, o qual morava naquela semente, entrou em ambos os tipos de existências. Aquele atributo de Sattwa é da natureza de Tejas ou Luz (sendo idêntico à Buddhi ou à Compreensão, porque Buddhi, como a Luz, revela todas as coisas). Ele é eterno e dele é o Espaço interminável. (Sattwa, sendo da natureza do espaço, ou mais propriamente sendo o próprio espaço, é de forma universal, isto é, Sattwa permeia tudo.) Em todas as criaturas o atributo de Sattwa está presente e é idêntico àquela luz a qual mostra o que é certo e o que é errado. Quando a semente de Brahman foi assim despejada como uma libação naquele fogo sacrifical, lá surgiram dela, ó poderoso, três seres. Eles eram três pessoas masculinas, dotadas de corpos que partilhavam das qualidades das circunstâncias das quais eles surgiram respectivamente. Um ergueu-se primeiro das chamas do fogo (chamado Bhrig) e por isso ele veio a ser chamado pelo nome de Bhrigu. Um segundo veio dos carvões ardentes (chamados Angara) e então ele veio a ser chamado pelo nome de Angiras. O terceiro surgiu de uma pilha de carvões apagados e ele veio a ser chamado pelo nome de Kavi. Já foi dito que o primeiro saiu com chamas emanando de seu corpo e por isso ele foi chamado de Bhrigu. Dos raios do fogo sacrifical surgiu outro chamado Marichi. De Marichi (depois) surgiu Kasyapa. Já foi dito que dos carvões (ardentes) surgiu Angiras. Os Rishis (diminutos) chamados Valakhilyas surgiram das folhas de grama Kusa espalhadas naquele sacrifício. Das mesmas folhas de grama Kusa, ó tu de grande pujança, surgiu Atri. Das cinzas do fogo surgiram todos aqueles que são contados entre os Rishis regenerados, isto é, os Vaikhanasas, dotados de penitências e dedicados ao conhecimento Védico e todas as habilidades excelentes. Dos olhos de Agni surgiram os gêmeos Aswins dotados de grande beleza pessoal. Finalmente, de seus ouvidos, surgiram todos os Prajapatis. Os Rishis surgiram dos poros do corpo de Agni. De seu suor surgiu Chhandas, e de sua força surgiu a Mente. Por esta razão, Agni é citado como sendo todas as divindades em seu eu individual, por Rishis dotados de erudição Védica, guiados pela autoridade dos Vedas. Os pedaços de madeira que mantêm vivas as chamas de Agni são considerados como os Meses. Os Sucos que o combustível produz constituem as Quinzenas. O fígado de Agni é chamado de Dia e Noite, e sua luz ardente é chamada de Muhurtas. O sangue de Agni é considerado como a fonte dos Rudras. De seu sangue também surgiram as divindades de cor de ouro chamadas de Maitradevatas. De sua fumaça surgiram os Vasus. De suas chamas surgiram os Rudras como também os (doze) Adityas de grande refulgência. Os Planetas e Constelações e outras estrelas que estão fixas em suas respectivas órbitas no firmamento, são considerados como os carvões (ardentes) de Agni. O primeiro Criador do universo declarou que Agni é o Brahma Supremo e Eterno, e o concessor de todos os desejos. Isto é realmente um mistério.’” "Depois que todos esses nascimentos tinham acontecido, Mahadeva que tinha assumido a forma de Varuna e que tinha Pavana como sua alma, disse, 'Este Sacrifício excelente é meu. Eu sou o Grahapati nele. Os três seres que surgiram primeiro do fogo sacrifical são meus. Sem dúvida, eles devem ser considerados como minha prole. Saibam disto, ó deuses que percorrem os céus! Eles são os frutos deste Sacrifício.'" "Agni disse, 'Esta prole surgiu dos meus membros. Eles todos dependeram de mim como a causa de seu surgimento. Eles devem, portanto, ser considerados como meus filhos. Mahadeva na forma de Varuna está em erro a respeito desta questão.’ Depois disto, o mestre de todos os mundos, o Avô de todas as criaturas, isto é, Brahman, então disse, 'Estes filhos são meus. Era minha a semente a qual eu despejei sobre o fogo sacrifical. Eu sou realizador deste Sacrifício. Fui eu que despejei no fogo sacrifical a semente que saiu de mim mesmo. O fruto é sempre daquele que plantou a semente. A causa principal destes nascimentos é a semente possuída por mim.' As divindades então se dirigiram à presença do Avô e, tendo curvado suas cabeças a ele uniram suas mãos em reverência e lhe disseram, ‘Todos nós, ó ilustre, e todo o universo de criaturas móveis e imóveis, somos tua progênie. Ó pai, que Agni de chamas ardentes, e o ilustre e pujante Mahadeva que, para este sacrifício, assumiu a forma de Varuna, tenham seu desejo (na questão da prole).' Por causa destas palavras, embora nascido de Brahman, o pujante Mahadeva na forma de Varuna, o soberano de todas as criaturas aquáticas recebeu o primogênito, isto é, Bhrigu dotado da refulgência do sol, como seu próprio filho. O Avô então planejou que Angiras se tornasse filho de Agni. Conhecedor da verdade a respeito de tudo, o Avô então recebeu Kavi como seu próprio filho. Engajado em procriar criaturas para povoar a terra, Bhrigu, que é considerado como um Prajapati, desde aquele tempo veio a ser chamado como o descendente de Varuna. Dotado de toda prosperidade, Angiras veio a ser chamado de descendente de Agni, e o célebre Kavi veio a ser conhecido como o filho do próprio Brahman. Bhrigu e Angiras, que tinham surgido das chamas e dos carvões de Agni respectivamente, se tornaram procriadores de linhagens e tribos extensas no mundo. Na verdade, estes três, isto é, Bhrigu e Angiras e Kavi, considerados como Prajapati, são os progenitores de muitas raças e tribos. Todos são os filhos destes três. Saiba disso, ó herói pujante. Bhrigu gerou sete filhos, todos os quais se tornaram iguais a ele em méritos e habilidades. Seus nomes são Chyavana, Vajrasirsha, Suchi, Urva, Sukra, dador de benefícios, Vibhu, e Savana. Estes são os sete. Eles são filhos de Bhrigu e por isso são Bhargavas. Eles são também chamados de Varunas por seu antepassado Bhrigu ter sido adotado por Mahadeva na forma de Varuna. Tu pertences à linhagem de Bhrigu. Angiras gerou oito filhos. Eles também são conhecidos como Varunas. Seus nomes são Vrihaspati, Utathya, Payasya, Santi, Dhira, Virupa, Samvarta, e Sudhan foi o oitavo. Estes oito também são considerados como a prole de Agni. Livres de todos os males, eles são devotados somente ao conhecimento. Os filhos de Kavi que foi apropriado pelo próprio Brahman também são conhecidos como Varunas. Oito em número, todos eles se tornaram progenitores de raças e tribos. Auspiciosos por natureza, eles são todos conhecedores de Brahma. Os nomes dos oito filhos de Kavi são Kavi, Kavya, Dhrishnu, Usanas dotado de grande inteligência, Bhrigu, Viraja, Kasi, e Ugra conhecedor de todos os deveres. Estes são os oito filhos de Kavi. Por eles o mundo inteiro foi povoado. Eles são todos Prajapatis, e por eles foram procriados muitos descendentes. Assim, ó chefe da linhagem de Bhrigu, todo o mundo foi povoado com a prole de Angiras, e Kavi e Bhrigu. O Senhor supremo e pujante Mahadeva na forma de Varuna, a qual ele tinha assumido para seu sacrifício, tinha primeiro, ó Brahmana erudito, adotado Kavi e Angiras. Por esta razão, estes dois são considerados como de Varuna. Depois disso o comedor de libações sacrificais, isto é, a divindade de chamas ardentes, adotou Angiras. Por isso, toda a progênie de Angiras é conhecida como pertencente à linhagem de Agni. O Avô Brahman foi, antigamente, gratificado por todas as divindades que disseram para ele, 'Que estes senhores do universo (se referindo a Bhrigu e Angiras e Kavi e seus descendentes) salvem todos nós. Que todos eles se tornem progenitores de descendentes (para povoarem a terra). Que todos eles se tornem dotados de penitências. Pela tua graça, que todos eles salvem o mundo (de se tornar um ermo inabitado). Que eles se tornem procriadores e ampliadores de raças e tribos e que eles aumentam tua energia. Que todos eles se tornem mestres perfeitos dos Vedas e que eles sejam realizadores de grandes façanhas. Que todos eles sejam aliados para a causa das divindades. De fato, que todos eles venham a ser dotados de boa ventura. Que eles se tornem fundadores de famílias e tribos extensas e que eles sejam grandes Rishis. Que todos eles sejam dotados de penitências superiores e que todos eles sejam dedicados ao sublime Brahmacharya. Todos nós, como também todos estes, somos tua progênie, ó tu de grande pujança. Tu, ó Avô, és o Criador de ambos, divindades e Brahmanas. Marichi é o teu primeiro filho. Todos aqueles também que são chamados Bhargavas são teus descendentes. (Nós também somos assim.) Considerando este fato, ó Avô, nós todos iremos ajudar e sustentar uns aos outros. Todos estes irão, dessa maneira, multiplicar sua progênie e estabelecer tu mesmo no começo de cada criação depois da destruição universal.' Assim endereçado por eles, Brahman, o Avô de todos os mundos, lhes disse, ‘Assim seja! Eu estou satisfeito com vocês todos!’ Tendo dito isto para as divindades ele procedeu para o local de onde ele tinha vindo. Isto foi o aconteceu antigamente naquele sacrifício de Mahadeva de grande alma, aquela principal de todas as divindades, no início da criação, quando ele para os propósitos de seu sacrifício tinha assumido forma de Varuna. Agni é Brahman. Ele é Pasupati. Ele é Sarva. Ele é Rudra. Ele é o Prajapati. (Estes são diferentes nomes de Brahman e Mahadeva.) É bem conhecido que o ouro é a prole de Agni. Quando fogo não está disponível (para os propósitos de um sacrifício), ouro é usado como substituto. Guiado pelas indicações fornecidas pelas audições do Veda, alguém que esteja familiarizado com as autoridades e que conheça a identidade do ouro com fogo, age dessa maneira. Colocando um pedaço de ouro sobre algumas folhas de grama Kusa espalhadas no chão, o sacrificador derrama libações sobre ele. Também sobre os poros de um formigueiro, sobre a orelha direita de uma cabra, sobre um pedaço de terra plana, sobre as águas de um Tirtha, ou na mão de um Brahmana, se libações são despejadas, a ilustre divindade do fogo fica satisfeita e considera isto como uma fonte de seu próprio engrandecimento como também das divindades através dele. Por isso é que nós temos ouvido que todas as divindades consideram Agni como seu refúgio e são devotadas a ele. Agni surgiu de Brahman, e de Agni surgiu o ouro. Por esta razão é sabido por nós que aquelas pessoas praticantes de virtude que fazem doações de ouro são consideradas como dando todas as divindades. O homem que faz doações de ouro alcança um fim muito elevado. Regiões de esplendor brilhante são dele. Na verdade, ó Bhargava, ele vem a ser instalado como o rei dos reis no céu. Aquela pessoa que, ao nascer do sol, faz um presente de ouro de acordo com a ordenança e com Mantras apropriados, consegue repelir as más consequências pressagiadas por sonhos agourentos. O homem que, logo que o sol nasce, faz uma doação de ouro vem a ser purificado de todos os seus pecados. Aquele que faz uma doação de ouro ao meio-dia destrói todos os seus pecados futuros. Aquele que com alma contida faz uma doação de ouro no segundo crepúsculo consegue obter uma residência com Brahman e a divindade do vento e Agni e Soma em suas respectivas regiões. Tal homem obtém fama auspiciosa em regiões de grande bem-aventurança que pertencem ao próprio Indra. Obtendo grande renome neste mundo também, e purificado de todos os seus pecados, ele se diverte em alegria e felicidade. Na verdade, tal homem alcança muitas outras regiões de felicidade e se torna inigualável por glória e fama. Seu rumo totalmente desobstruído, ele consegue ir a todos os lugares à vontade. Ele nunca tem que cair das regiões às quais ele alcança e a glória que ele adquire se torna grandiosa. De fato, por fazer doações de ouro alguém alcança inúmeras regiões de felicidade, todas as quais ele desfruta pela eternidade. O homem que, tendo acendido um fogo ao nascer do sol, faz doações de ouro em vista do cumprimento de um voto específico, consegue obter a realização de todos os seus desejos. É dito que o ouro é idêntico a Agni. O presente de ouro, portanto, é produtivo de grande felicidade. A doação de ouro leva à posse daqueles méritos e habilidades que são desejados, e purifica o coração. Eu assim te falei, ó impecável, da origem de ouro. Ó tu de pujança, ouça como Kartikeya cresceu, ó alegrador da linhagem de Bhrigu. Depois de um longo tempo Kartikeya cresceu. Ele foi então, ó perpetuador da linhagem de Bhrigu, escolhido por todas as divindades com Indra em sua liderança, como o generalíssimo dos exércitos celestes. Ele matou o Daitya Taraka como também muitos outros Asuras, pela ordem do chefe dos celestiais, ó Brahmana, e atuou também pelo desejo de beneficiar todos os mundos. Eu também, ó tu de grande poder, discursei para ti sobre os méritos de se fazer doações de ouro. Portanto, ó principal de todos os oradores, faça doações de ouro.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por Vasishtha, o filho de Jamadagni de grande coragem então fez doações de ouro para os Brahmanas e foi purificado de seus pecados. Eu assim te disse, ó rei, tudo acerca dos méritos das doações de ouro e sobre sua origem também, ó Yudhishthira. Tu também, portanto, faça presentes abundantes de ouro para os Brahmanas. Na verdade, ó rei, por fazer tais presentes de ouro, tu sem dúvida serás purificado de todos os teus pecados!'" 86 "Yudhishthira disse, 'Tu, ó avô, me falaste em detalhes sobre os méritos ligados à doação de ouro em conformidade com as ordenanças prescritas nas escrituras como indicado nas audições do Veda. Tu também narraste qual é a origem do ouro. Conte-me agora como Taraka encontrou com a destruição. Tu me disseste, ó rei, que aquele Asura não podia ser morto pelos deuses. Fale-me em detalhes como sua destruição foi ocasionada. Ó perpetuador da linhagem de Kuru, eu desejo saber isto de ti. Eu quero dizer os detalhes da morte de Taraka. Grande é minha curiosidade para ouvir a narrativa.'” "Bhishma disse, 'Os deuses e os Rishis, ó monarca, submetidos a grande angústia (pela bravura de Taraka e a conduta de Ganga em rejeitar a semente de Agni), incitaram as seis Krittikas a criarem aquela criança. Entre as damas celestes não havia nenhuma, exceto estas, que pudessem, por sua energia, carregar a semente de Agni em seus úteros. O deus do fogo ficou muito satisfeito com aquelas deusas por sua boa vontade em manter a concepção causada pela semente rejeitada de Agni, que era dotada de sua própria energia superior. Quando a energia de Agni, ó rei, foi dividida em seis porções e colocada dentro dos canais (levando ao útero), as seis Krittikas começaram a nutrir a porção que cada uma levava em seu útero. Conforme Kumara de grande alma, no entanto, começou a crescer dentro de seus úteros, os corpos delas sendo afligidos por sua energia, elas fracassaram em obter paz em algum lugar (no céu ou na terra). Cheios de energia como seus corpos estavam, finalmente chegou a hora do parto. Todos eles, assim aconteceu, ó príncipe de homens, se libertaram ao mesmo tempo. Embora mantidas em seis úteros diferentes, ainda assim as porções, quando saíram, se uniram em uma. A deusa Terra segurou a criança, a pegando de uma pilha de ouro. Realmente, a criança, dotada de forma excelente, brilhava com esplendor assim como o deus do Fogo. De feições belas, ele começou a crescer em uma encantadora floresta de juncos. As seis Krittikas contemplaram aquele filho delas parecido com o sol da manhã em esplendor. Cheias de afeição por ele, de fato, amando-o muito, elas começaram a criá-lo com o sustento de seus peitos. Por ele ter nascido das Krittikas e criado por elas, ele veio a ser conhecido por todos os três mundos como Kartikeya. Tendo surgido da semente que tinha caído de Rudra ele foi chamado de Skanda, e por causa de seu nascimento na solidão de uma floresta de juncos ele veio a ser chamado pelo nome de Guha (o nascido em segredo). Os deuses numerando trinta e três, os pontos da bússola (em suas formas incorporadas) junto com as divindades que os presidem, e Rudra e Dhatri e Vishnu e Yama e Pushan e Aryaman e Bhaga, e Angas e Mitra e os Sadhyas e Vasava e os Vasus e os Aswins e as Águas e o Vento e o Firmamento e Chandramas e todas as Constelações e os Planetas e Surya, e todos os Ricks e Samans e Yajuses em suas formas incorporadas, foram lá para ver aquela criança maravilhosa que era o filho da divindade de chamas ardentes. Os Rishis proferiram hinos de louvor e os Gandharvas cantaram em honra daquela criança chamada Kumara de seis cabeças, duas vezes seis olhos, e extremamente devotado aos Brahmanas. Os ombros dele eram largos, e ele tinha uma dúzia de braços, e o esplendor de seu corpo parecia com aquele do fogo e Aditya. Quando ele estava deitado esticado em uma moita de urzes, os deuses com os Rishis, contemplando-o, se encheram de grande alegria e consideraram o grande Asura como já morto. As divindades então começaram a levar para ele diversos tipos de brinquedos e artigos que poderiam diverti-lo. Enquanto ele brincava como uma criança, diversos tipos de brinquedos e aves foram dados para ele. Garuda de penas excelentes deu para ele um filho seu, isto é, um pavão dotado de plumas de cores variadas. Os Rakshasas lhe deram um javali e um búfalo. O próprio Aruna lhe deu um galo de esplendor ígneo. Chandramas lhe deu uma ovelha, e Aditya lhe deu alguns dos seus raios deslumbrantes. A mãe de todas as vacas, Surabhi, lhe deu vacas às centenas e milhares. Agni lhe deu uma cabra possuidora de muito boas qualidades. Ila lhe deu uma quantidade abundante de flores e frutos. Sudhanwan lhe deu uma carruagem de passeio e um carro de Kuvara. Varuna lhe deu muitos produtos do Oceano auspiciosos e excelentes, com alguns elefantes. O chefe dos celestiais lhe deu leões e tigres e leopardos e diversas espécies de habitantes emplumados do ar, e muitos animais predadores terríveis e muitos guarda-sóis também de diversos tipos. Rakshasas e Asuras, em grandes bandos, começaram a andar no séquito daquela criança pujante. Vendo o filho de Agni crescer, Taraka procurou, por vários meios, efetuar sua destruição, mas ele fracassou em fazer alguma coisa para aquela divindade pujante. Os deuses na época investiram o filho de Agni nascido na solidão (em uma mata de juncos) com o comando de seus exércitos. E eles também o informaram das opressões cometidas sobre eles pelo Asura Taraka. O generalíssimo das forças celestes cresceu e veio a ser possuidor de grande energia e pujança. Na ocasião Guha matou Taraka com seu dardo irresistível. Na verdade, Kumara matou o Asura tão facilmente como se em esporte. Tendo realizado a destruição de Taraka ele restabeleceu o chefe das divindades em sua soberania dos três mundos. Dotado de destreza imensa, o generalíssimo celeste brilhava com beleza e esplendor. O pujante Skanda se tornou o protetor das divindades e fez o que era agradável para Sankara. O filho ilustre de Pavaka era dotado de uma forma dourada. Realmente, Kumara é sempre o líder dos exércitos celestes. O ouro é a energia pujante do deus do fogo e nasceu com Kartikeya (da mesma semente). Por essa razão o Ouro é altamente auspicioso e, como algo valioso, é excelente e dotado de mérito inesgotável. Assim mesmo, ó filho da linhagem de Kuru, Vasishtha narrou este discurso para Rama da linhagem de Bhrigu nos tempos passados. Portanto, ó rei de homens, tente fazer doações de Ouro. Por fazer doações de Ouro Rama foi purificado de todos os seus pecados, e finalmente alcançou um lugar sublime no céu que é inalcançável por outros homens.'" 87 "Yudhishthira disse, 'Tu me falaste, ó tu de alma justa, sobre os deveres das quatro classes. Do mesmo modo, ó rei, fale-me agora sobre todas as ordenanças a respeito do Sraddha (de antepassados falecidos).'” "Vaisampayana continuou, 'Assim endereçado por Yudhishthira, o filho de Santanu se pôs a declarar o seguinte ritual, consistente com a ordenança do Sraddha.'” "Bhishma disse, 'Ouça-me, ó rei, com total atenção, enquanto eu te falo sobre o ritual do Sraddha. Aquele ritual é auspicioso, digno de louvor, produtivo de fama e descendência, e é considerado como um sacrifício, ó opressor de inimigos, em honra dos Pitris. Deuses ou Asuras ou seres humanos, Gandharvas ou Uragas ou Rakshasas, Pisachas ou Kinnaras, todos devem sempre adorar os Pitris. É visto que as pessoas adoram os Pitris primeiro, e gratificam as divindades em seguida por lhes oferecerem suas adorações. Por esta razão, deve-se sempre adorar os Pitris com todo cuidado. (O comentador explica que os Pitris devem ser cultuados na dia da Lua Nova, as divindades devem então ser cultuadas no primeiro dia da quinzena iluminada. Ou, em algum outro dia da quinzena iluminada, o sacrifício- Pitri ou Sraddha deve ser realizado primeiro, o sacrifício-Deva ou Ishti deve então ser realizado.) É dito, ó rei, que o Sraddha realizado em honra dos Pitris é realizável depois. Mas esta regra geral é limitada por uma especial (a qual ordena que o Sraddha em honra dos Pitris deve ser realizado na tarde do dia da Lua Nova. Os deuses devem ser adorados no primeiro dia da quinzena iluminada. Por essa razão, devido a esta ordenança especial, o Sraddha deve preceder o culto dos deuses, e não sucedê-lo.) Os antepassados (falecidos) ficam satisfeitos com o Sraddha que pode ser realizado em qualquer dia. Eu irei, no entanto, te dizer agora quais são os méritos e deméritos dos respectivos dias lunares (em vista de sua adaptabilidade para a realização do Sraddha). Eu irei te falar, ó impecável, quais resultados são obtidos em quais dias por realizar o Sraddha. Ouça-me com toda atenção. Por adorar os Pitris no primeiro dia da quinzena iluminada, um homem obtém em sua própria residência esposas belas capazes de produzir muitos filhos, todos possuidores de habilidades desejáveis. Por realizar o Sraddha no segundo dia da quinzena iluminada se obtém muitas filhas. Por realizá-lo no terceiro dia se obtém muitos corcéis. Por realizá-lo no quarto dia se obtém um grande rebanho de animais menores, (tais como cabras e ovelhas) em sua casa. Aqueles, ó rei, que realizam o Sraddha no quinto dia obtêm muitos filhos. Aqueles homens que realizam o Sraddha no sexto dia obtêm grande esplendor. Por realizá-lo no sétimo o dia, ó monarca, se obtém grande fama. Por realizá-lo no oitavo dia alguém faz grandes lucros em comércio. Por realizá-lo no nono dia se obtém muitos animais de cascos não divididos. Por realizá-lo no décimo dia se obtém muita abundância em vacas. Por realizá-lo no décimo primeiro dia alguém vem a ser possuidor de muita riqueza em roupas e utensílios (de cobre e outros metais). Tal homem também obtém muitos filhos todos os quais se tornam dotados de esplendor Brahma. Por realizar o Sraddha no décimo segundo dia alguém sempre contempla, se desejar, diversos tipos de artigos belos feitos de prata e ouro. Por realizar o Sraddha no décimo terceiro dia alguém obtém eminência sobre seus parentes. Sem dúvida, todos os homens jovens na família daquele que realiza o Sraddha no décimo quarto dia encontram com a morte. Tal homem se torna envolvido em guerra. Por realizar o Sraddha no dia da lua nova uma pessoa obtém a realização de todos os desejos. Na quinzena escura, todos os dias começando com o décimo (e terminando com aquele da lua nova), deixando de fora somente o décimo quarto dia, são dias louváveis para a realização do Sraddha. Outros dias daquela quinzena não são assim. Então, além disso, como a quinzena escura é melhor do que a iluminada, assim a tarde do dia é melhor do que a manhã na questão do Sraddha.'" 88 "Yudhishthira disse, 'Ó tu de grande pujança, me diga qual o objeto o qual, se oferecido aos Pitris, se torna inesgotável! Qual Havi, também, (se oferecido) dura por todo o tempo? O que, de fato, é aquilo que (se ofertado) se torna eterno?'" "Bhishma disse, 'Ouça, ó Yudhishthira, quais são aqueles Havis os quais pessoas familiarizadas com o ritual do Sraddha consideram como adequados em vista do Sraddha e quais são os resultados atribuídos a cada um. Com sementes de gergelim e arroz e cevada e Masha (Phascolus Roxburghii) e água e raízes e frutos, se dados em Sraddhas, os Pitris, ó rei, permanecem satisfeitos pelo período de um mês. Manu disse que se um Sraddha é realizado com uma quantidade abundante de gergelim, tal Sraddha se torna inesgotável. De todos os tipos de alimento, as sementes de gergelim são consideradas como o melhor. Com peixes oferecidos em Sraddhas, os Pitris permanecem satisfeitos por um período de dois meses. Com carne de carneiro eles permanecem satisfeitos por três meses e com a carne da lebre por quatro. Com a carne da cabra, ó rei, eles permanecem satisfeitos por cinco meses, com toucinho por seis meses, e com a carne de aves por sete. Com carne de veado obtida daqueles veados que são chamados Prishata, eles permanecem satisfeitos por oito meses, e com aquela obtida do Ruru por nove meses, e com a carne do Gavaya por dez meses. Com a carne do búfalo sua satisfação dura por onze meses. Com carne de boi oferecida no Sraddha, sua satisfação, isto é dito, dura por um ano inteiro. Payasa misturado com ghee é tão aceitável para os Pitris quanto carne de boi. Com a carne do Vadhrinasa a satisfação dos Pitris dura por doze anos. (Vadhrinasa significa ou um touro grande, ou uma espécie de ave, ou uma variedade de cabra. Provavelmente aqui significa o touro.) A carne do rinoceronte, oferecida aos Pitris nos aniversários dos dias lunares nos quais eles morreram, se torna inesgotável. A erva chamada Kalasaka, as pétalas da flor Kanchana, e carne de cabra também, assim oferecidas, demonstram ser inesgotáveis. Em relação a isto, ó Yudhishthira, há uns versos, originalmente cantados pelos Pitris, que são cantados (no mundo). Eles foram comunicados para mim antigamente por Sanatkumara. ‘Aquele que tomou nascimento em nossa família deve nos dar Payasa misturado com ghee no décimo terceiro dia (da quinzena escura), sob a constelação Magha, durante o curso do Sol para o sul. Alguém nascido em nossa linhagem deve, sob a constelação Magha, como se no cumprimento de um voto, oferecer a carne de cabra ou as pétalas da flor Kanchana. Alguém deve também nos oferecer, com os ritos devidos, Payasa misturado com ghee, oferecendo isto em um local coberto pela sombra de um elefante.’ Muitos filhos devem ser cobiçados para que ao menos um possa ir para Gaya (para realizar o Sraddha de seus antepassados), onde está localizada a banian que é célebre por todos os mundos e que faz todas as oferendas feitas sob seus ramos inesgotáveis. (Até hoje a santidade de Gaya é universalmente reconhecida por todos os hindus. Sraddhas são realizados lá sob a banian chamada Akshaya ou figueira-de- bengala inesgotável.) Mesmo um pouco de água, raízes, frutas, carne, e arroz, misturados com mel, se oferecidos no aniversário do dia da morte, se tornam inesgotáveis.'" 89 "Bhishma continuou, 'Ouça-me, ó Yudhishthira, enquanto eu te digo quais são aqueles Sraddhas opcionais que devem ser realizados sob as diferentes constelações e que foram primeiramente citados por Yama para o rei Sasavindu. (Todos os atos religiosos são ou nitya ou kamya. O primeiro implica atos que são obrigatórios e por fazer os quais nenhum mérito específico é adquirido mas por não fazê-los alguém incorre em pecado. O último implica aqueles atos opcionais que, se feitos, produzem mérito mas que, se omitidos, não levam ao pecado.) O homem que sempre realiza o Sraddha sob a constelação Krittika é considerado como realizando um sacrifício depois de estabelecer o fogo sagrado. Tal pessoa, livre do medo, ascende para o céu com seus filhos. Aquele que está desejoso de filhos deve realizar o Sraddha sob a constelação Rohini, enquanto aquele que está desejoso de energia deve fazê-lo sob a constelação Mrigasiras. Por realizar o Sraddha sob a constelação Ardra, um homem se torna o fazedor de atos violentos. Um mortal, por realizar o Sraddha sob Punarvasu, faz muito lucro por agricultura. O homem que é desejoso de crescimento e progresso deve realizar o Sraddha sob Pushya. Por fazê-lo sob a constelação Aslesha uma pessoa gera filhos heróicos. Por fazê-lo sob Maghas se obtém preeminência entre parentes. Por fazê-lo sob Phalgunis anterior, o fazedor disto vem a ser dotado de boa sorte. Por fazer o Sraddha sob o Phalgunis posterior se obtém muitos filhos; enquanto por realizá-lo sob Hasta se obtém a realização dos próprios desejos. Por realizá-lo sob a constelação Chitra se obtém filhos dotados de grande beleza. Por fazê-lo sob a constelação Swati, uma pessoa faz muito lucro por meio de comércio. O homem que deseja filhos obtém a realização de seu desejo por realizar o Sraddha sob a constelação Visakha. Por fazê-lo sob Anuradha alguém se torna um rei de reis; (literalmente, 'coloca em movimento um grupo de reis,' isto é, se torna um Chefe Supremo.) Por fazer oferendas em honra dos Pitris sob a constelação Jyeshtha com devoção e humildade alguém obtém soberania, ó principal da linhagem de Kuru. Por fazer o Sraddha sob Mula se obtém saúde, e por fazê-lo sob o Ashadha anterior se obtém fama excelente. Por realizá-lo sob o Ashadha posterior alguém consegue vagar pelo mundo inteiro, livre de toda tristeza. Por fazê-lo sob a constelação Abhijit se obtém conhecimento superior. Por fazê-lo sob Sravana uma pessoa, partindo deste mundo, obtém um fim muito sublime. O homem que realiza o Sraddha sob a constelação Dhanishtha vem a ser o soberano de um reino. Por fazê-lo sob a constelação presidida por Varuna (isto é, Satabhisha), uma pessoa obtém sucesso como um médico. Por realizar o Sraddha sob a constelação do Bhadrapada anterior se adquire grande propriedade em cabras e ovelhas; enquanto por fazê-lo sob o Bhadrapada posterior se obtém milhares de vacas. Por realizar o Sraddha sob a constelação Revati se obtém muita riqueza em utensílios de latão branco e cobre. Por fazê-lo sob Aswini alguém obtém muitos corcéis, enquanto que sob Bharani se obtém longevidade. Escutando a estas ordenanças acerca do Sraddha, o rei Sasavindu agiu adequadamente e conseguiu facilmente subjugar e governar a terra inteira.'" 90 "Yudhishthira disse, 'Cabe a ti, ó principal da linhagem de Kuru, me dizer para qual tipo de Brahmanas, ó avô, as oferendas feitas em Sraddhas devem ser entregues.'” "Bhishma disse, ‘O Kshatriya que está familiarizado com as ordenanças sobre doações nunca deve examinar os Brahmanas (quando fazendo doações para eles). Em todas as ações, no entanto, que se relacionam com o culto das divindades e dos Pitris, um exame é considerado apropriado. As divindades são adoradas sobre a terra pelos homens somente quando eles estão cheios com devoção que vem das próprias divindades. Por isso, uma pessoa deve, se aproximando deles, fazer doações para todos os Brahmanas (sem qualquer exame de seus méritos), considerando tais presentes como sendo feitos para as próprias divindades. Em Sraddhas, no entanto, ó monarca, o homem de inteligência deve examinar os Brahmanas (a serem empregados para ajudar os fazedores do Sraddha a terminarem o ritual e fazer presentes para eles das oferendas feitas para os Pitris). Tal exame deve se relacionar com seu nascimento e conduta e idade e aparência e erudição e nobreza (ou o contrário) de ascendência. Entre os Brahmanas há alguns que poluem a fila e alguns que a santificam. Ouça-me, ó rei, enquanto eu te digo quem são aqueles Brahmanas que devem ser excluídos da fila. (Quando Brahmanas são alimentados, eles são feitos sentarem em longas filas. Aqueles que são maculados por maus hábitos são excluídos da fila. Tal exclusão da fila é considerada como igual ao banimento total.) Aquele que é cheio de fraude, ou aquele que é culpado de feticídio, ou aquele que é doente de consumpção, ou aquele que mantém animais, ou é desprovido de estudo Védico, ou é um empregado comum de uma aldeia, ou vive dos juros de empréstimos, ou aquele que é um cantor, ou aquele que vende todos os artigos, ou aquele que é culpado de incêndio culposo, ou aquele que é um envenenador ou aquele que é um cafetão por profissão, ou aquele que vende Soma, ou aquele que é um professor de quiromancia, ou aquele que está no serviço do rei, ou aquele que é vendedor de óleo, ou aquele que é um trapaceiro e jurador falso, ou aquele que tem uma briga com seu pai, ou aquele que tolera um amante de sua esposa em sua casa, ou aquele que foi amaldiçoado, ou aquele que é um ladrão, ou aquele que vive por meio de alguma habilidade mecânica, ou aquele que usa disfarces, ou aquele que é enganador em seu comportamento, ou aquele que é hostil com aqueles que ele chama de seus amigos, ou aquele que é um adúltero, ou aquele que é um preceptor de Sudras, ou aquele que se dirigiu à profissão de armas, ou aquele que vaga com cachorros (para caçar), ou aquele que foi mordido por um cachorro, ou aquele que se casou antes de seus irmãos mais velhos, ou aquele que parece ter passado por circuncisão (natural), aquele que viola o leito de seu preceptor, aquele que é um ator ou mímico, aquele que vive por instalar uma divindade e aquele que vive por calcular as conjunções de estrelas e planetas e asterismos (implicando adivinhos), são considerados como próprios para serem excluídos da fila. Pessoas conhecedoras dos Vedas dizem que as oferendas feitas em Sraddhas, se comidas por tais Brahmanas, vão encher os estômagos dos Rakshasas (em vez de encher aqueles dos Pitris), ó, Yudhishthira. Aquela pessoa que tendo comido em um Sraddha não se abstém aquele dia do estudo dos Vedas ou que tem relação sexual naquele dia com uma mulher Sudra, deve saber que seus Pitris, por causa de tais ações suas, têm que jazer por um mês sobre seu excremento. As oferendas feitas em Sraddhas se oferecidas para um Brahmana que vende Soma são convertidas em excremento humano; se oferecidas para um Brahmana que é dedicado à prática da Medicina, elas são convertidas em pus e sangue; se oferecidas a alguém que vive por estabelecer uma divindade, elas fracassam em produzir algum resultado; se oferecidas para alguém que vive dos juros de empréstimos elas levam à infâmia; se oferecidas para alguém que é dedicado ao comércio, elas não se tornam produtivas de frutos nem aqui nem após a morte. Se oferecidas para um Brahmana que nasceu de uma mãe viúva (por um segundo marido), elas se tornam tão inúteis quanto libações despejadas sobre cinzas. (Esta é uma forma comum de expressão para sugerir a inutilidade de um ato. Libações devem ser derramadas sobre o fogo ardente. Se despejadas sobre cinzas elas não levam a mérito, pois somente Agni em sua forma ardente pode levá-las para os lugares pretendidos.) Aqueles que oferecem o Havya e Kavya (oferecidos em Sraddhas) para tais Brahmanas que são desprovidos dos deveres ordenados para eles e daquelas regras de boa conduta que pessoas de sua classe devem seguir, descobrem que tais oferendas não são produtivas de mérito após a morte. O homem de pouca inteligência que faz presentes de tais artigos para tais homens conhecendo suas tendências, obriga, por tal conduta, seus Pitris a comerem excremento humano no mundo seguinte. Tu deves saber que estes canalhas entre os Brahmanas merecem ser excluídos da fila. Aqueles Brahmanas também de pouca energia que estão empenhados em instruir Sudras são da mesma classe. Um Brahmana que é cego macula sessenta indivíduos da fila; um que é desprovido de poder viril uma centena; enquanto um que sofre de lepra branca macula tantos quantos ele contempla, ó rei. Quaisquer oferendas feitas em Sraddhas que sejam comidas por alguém com sua cabeça envolvida com um tecido, qualquer que seja comida por alguém com rosto para o sul, e qualquer que seja comida com sapatos ou sandálias colocados, todas vão satisfazer os Asuras. Qualquer coisa, além disso, que seja dada com malícia, e qualquer que seja dada sem reverência, foi ordenada pelo próprio Brahmana como a porção do príncipe dos Asuras (isto é, Vali). Cachorros, e Brahmanas tais como os que são poluidores de filas, não devem ser permitidos olharem para as oferendas feitas em Sraddhas. Por esta razão, Sraddhas devem ser realizados em um local que esteja devidamente cercado ou escondido da visão. Aquele local também deve ser polvilhado com sementes de gergelim. Aquele Sraddha que é realizado sem sementes de gergelim, ou aquele que é feito por uma pessoa enraivecida, tem seu Havi roubado por Rakshasas e Pisachas. Compatível com o número de Brahmanas vistos por alguém que merece ser excluído da fila, é a perda do mérito que ele causa do tolo realizador do Sraddha que o convida para o banquete.’ 'Eu irei agora, ó chefe da linhagem de Bharata, te dizer quem são santificadores da fila. Descubra-os por meio de exame. Todos aqueles Brahmanas que são purificados pelo conhecimento, estudo Védico, e votos e observâncias, e aqueles que são de comportamento bom e justo, devem ser reconhecidos como santificadores de tudo. Eu agora te direi quem merece sentar na fila. Tu deves reconhecer como tais aqueles os quais eu indicarei agora. Aquele que está familiarizado com os três Nachiketas, aquele que instalou os cinco fogos sacrificais, aquele que conhece os cinco Suparnas, aquele que está familiarizado com os seis ramos (chamados Angas) do Veda, aquele que é um descendente de pais que eram dedicados ao ensino dos Vedas e é ele mesmo dedicado ao ensino, aquele que conhece bem os Chhandas, aquele que conhece o Jeshtha Saman, aquele que é obediente ao domínio de seus pais, aquele que está familiarizado com os Vedas e cujos antepassados foram assim por dez gerações, aquele que têm união sexual somente com suas esposas e isto na época apropriada, e aquele que está purificado pelo conhecimento pelo Veda, e por votos e observâncias, tal Brahmana santifica a fila. Aquele que lê os Atharva-siras, que é dedicado ao cumprimento de práticas Brahmacharya, e que é firme no cumprimento de votos justos, que é sincero e de conduta justa, e que é devidamente cumpridor dos deveres prescritos para sua classe, aqueles também que têm passado por fadiga e trabalho para se banharem nas águas de tirthas, que têm passado pelo banho final depois de realizarem sacrifícios com Mantras apropriados, que estão livres do domínio da cólera, aqueles que não são impacientes, que são dotados de disposições clementes, que são mestres autocontrolados de seus sentidos, e aqueles que estão dedicados ao bem de todas as criaturas, estes devem ser convidados para Sraddhas. Qualquer coisa dada a eles se torna inesgotável. Estes, de fato, são santificadores de filas. Há outros também, altamente abençoados, que devem ser considerados como santificadores da fila. Eles são Yatis e aqueles que são familiarizados com a religião de Moksha, e aqueles que são devotados ao Yoga, e aqueles que cumprem devidamente votos excelentes e aqueles que, com mente serena narram histórias (sagradas) para os principais dos Brahmanas. Aqueles que estão familiarizados com Bhashyas, aqueles também que são dedicados a estudos gramaticais, aqueles que estudam os Puranas e aqueles que estudam os Dharmasastras e tendo-os estudado (isto é, os Puranas e os Dharmasastras) agem de acordo com o padrão formulado neles, aquele que viveu (pelo período determinado) na residência de seu preceptor, aquele que é sincero em palavras, aquele que é um doador de milhares, aqueles que são principais em (em seu conhecimento de) todos os Vedas e das escrituras e aforismos filosóficos, estes santificam a fila tão longe quanto eles a olhem. E porque eles santificam todos os que sentam na fila, portanto, eles são chamados de santificadores de filas. Proferidores de Brahma dizem que se acontecer de mesmo uma única pessoa ser o descendente de antepassados que eram professores do Veda e é ele mesmo um professor Védico, ele santifica sete milhas completas em volta de si. Se aquele que não é um Ritwik e que não é um professor Védico toma o assento principal em um Sraddha, mesmo com a permissão dos outros Ritwiks lá presentes, é dito que ele recebe (por aquele seu ato) os pecados de todos os que possam estar sentados na fila. Se, por outro lado, acontecer de ele estar familiarizado com os Vedas e ser livre de todos aqueles defeitos que são considerados como capazes de poluir a fila, ele, ó rei, não é considerado como decaído (por tomar o assento principal em um Sraddha). Tal homem então seria realmente um santificador da fila. Por estas razões, ó rei, tu deves examinar devidamente os Brahmanas antes de convidá-los para Sraddhas. Tu deves convidar somente aqueles entre eles que são dedicados aos deveres prescritos para sua classe, e que são nascidos em boas famílias, e que possuem grande erudição. Aquele que realiza Sraddhas para alimentar somente seus amigos e cujo Havi não satisfaz as divindades e os Pitris, fracassa em ascender para o Céu. Aquele que reúne seus amigos e parentes somente na ocasião do Sraddha que ele realiza (sem honrar apropriadamente pessoas dignas por convidá-las e alimentá-las), fracassa em proceder (após a morte) pelo caminho das divindades (o qual é iluminado e livre de todas as aflições e obstáculos). O homem que faz do Sraddha que ele realiza uma ocasião somente para reunir seus amigos nunca consegue ascender para o céu. Na verdade, o homem que converte o Sraddha em uma ocasião para regalar seus amigos vem a ser dissociado do céu assim como uma ave dissociada do poleiro quando a corrente que a retém se rompe. Portanto, aquele que realiza um Sraddha não deve honrar (em tais ocasiões) seus amigos. Ele pode fazer presentes de riqueza para eles em outras ocasiões por reuni-los. O Havi e o Kavi oferecidos em Sraddhas devem ser servidos para aqueles que não são nem amigos nem inimigos mas que são somente indiferentes ou neutros. Como semente semeada em um solo estéril não brota, ou como alguém que não semeou não obtém uma parte da produção, assim mesmo o Sraddha no qual as oferendas são comidas por uma pessoa indigna, não produz nenhum fruto ou aqui ou após a morte. Aquele Brahmana que é desprovido de estudo Védico é como um fogo feito por queimar grama ou palha; e é logo extinguido assim como tal fogo. As oferendas feitas em Sraddhas não devem ser dadas para ele assim como libações não devem ser derramadas nas cinzas do fogo sacrifical. Quando as oferendas feitas em Sraddhas são trocadas pelos realizadores uns com os outros (em vez de serem doadas para pessoas dignas), elas vêm a ser consideradas como presentes Pisacha. Tais oferendas não gratificam nem os deuses nem os Pitris. Em vez de chegarem ao outro mundo, elas perambulam aqui mesmo como uma vaca que perdeu seu bezerro perambulando dentro do curral. Como aquelas libações de ghee que são despejadas sobre as cinzas extinguidas de um fogo sacrifical nunca chegam aos deuses ou aos Pitris, da mesma maneira um presente que é feito para um dançarino ou um cantor ou um Dakshina oferecido para uma pessoa mentirosa ou enganadora não produz mérito. O Dakshina que é oferecido para uma pessoa mentirosa ou enganadora destrói o doador e o recebedor sem beneficiá-los em nenhum aspecto. Tal Dakshina é destrutivo e altamente censurável. Os Pitris da pessoa que faz isto têm que sair do caminho das divindades. Os deuses reconhecem como sendo Brahmanas aqueles que sempre andam, ó Yudhishthira, dentro dos limites estabelecidos pelos Rishis que são conhecedores de todos os deveres, e que têm uma fé firme em sua eficácia. Aqueles Brahmanas que são dedicados ao estudo Védico, ao conhecimento, às penitências, e às ações, ó Bharata, devem ser reconhecidos como Rishis. As oferendas feitas em Sraddhas devem ser dadas para aqueles que são devotados ao conhecimento. Realmente, devem considerados como homens aqueles que nunca falam mal dos Brahmanas. Nunca devem ser alimentados nas ocasiões de Sraddhas aqueles homens que falam mal de Brahmanas no decorrer de conversações no meio de assembléias. Se os Brahmanas, ó rei, forem caluniados, eles destruirão três gerações do caluniador. (Ou seja, o caluniador, seu pai e seu filho encontram com a destruição por consequência de tal ato.) Esta é a declaração, ó rei, dos Rishis Vaikhanasa. Brahmanas conhecedores dos Vedas devem ser examinados de uma distância. Uma pessoa, quer goste deles ou sinta uma antipatia por eles, deve dar para tais Brahmanas as oferendas feitas em Sraddhas. Aquele homem que alimenta milhares e milhares de falsos Brahmanas adquire mérito que é obtenível por se alimentar mesmo um Brahmana se acontecer de o último ser possuidor de um conhecimento dos Vedas, ó Bharata!" 91 "Yudhishthira disse, 'Por quem o Sraddha foi concebido inicialmente e em qual época? Qual também é sua essência? Durante a época em que o mundo era povoado somente pelos descendentes de Bhrigu e Angiras; quem foi o Muni que estabeleceu o Sraddha? Quais ações não devem ser feitas em Sraddha? Quais são aqueles Sraddhas nos quais que frutos e raízes são para serem oferecidos? Qual tipo também de arroz deve ser evitado em Sraddhas? Diga-me tudo isso, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Ouça-me, ó soberano de homens, enquanto eu te digo como o Sraddha foi introduzido, a época de tal introdução, as essências do rito, e o Muni que o concebeu. Do Brahman Auto-nascido surgiu Atri, ó tu da linhagem de Kuru. Na família de Atri nasceu um Muni de nome Dattatreya. Dattatreya obteve um filho de nome Nimi possuidor de riqueza de ascetismo. Nimi obteve um filho chamado Srimat que era dotado de grande beleza pessoal. Após o término de mil anos completos, Srimat, tendo praticado as austeridades mais severas, sucumbiu à influência do Tempo e partiu deste mundo. Seu pai Nimi, tendo realizado os ritos purificatórios segundo o ritual prescrito na ordenança, ficou cheio de grande dor, pensando constantemente na perda de seu filho. (Estes ritos purificatórios, depois do período habitual de luto, consistem em se barbear e banhar e vestir roupas novas.) Pensando naquela causa de tristeza Nimi de grande alma reuniu vários objetos agradáveis (de comer e beber) no décimo quarto dia da lua. Na manhã seguinte ele se levantou da cama. Seu coração estava atormentado pela dor, assim quando ele se levantou do sono naquele dia, ele conseguiu afastá-lo do único objeto sobre o qual ele tinha estado trabalhando. Sua mente conseguiu se ocupar com outras questões. Com atenção concentrada ele então concebeu a idéia de um Sraddha. Todos aqueles artigos do seu próprio sustento, consistindo em frutas e raízes, e todos aqueles tipos de grãos principais que eram agradáveis para ele foram pensados cuidadosamente por aquele sábio possuidor de riqueza de penitências. No dia da lua Nova ele convidou vários Brahmanas adoráveis (para seu retiro). Possuidor de grande sabedoria, Nimi os fez sentarem em assentos (de grama Kusa) e os honrou andar ao redor de suas pessoas. Aproximando-se de sete de tais Brahmanas os quais ele tinha trazido juntos para sua residência, o pujante Nimi lhes deu alimento consistindo em arroz Syamaka, não misturado com sal. Próximo aos pés daqueles Brahmanas ocupados em comer a comida que foi servida para eles foram espalhadas várias folhas de Kusa sobre os assentos que eles ocupavam, com as extremidades superiores das folhas dirigidas em direção ao sul. Com um corpo e mente puros e com atenção concentrada, Nimi, tendo colocado aquelas folhas de grama sagrada da maneira indicada, ofereceu bolos de arroz para seu filho morto, proferindo seu nome e família. Tendo feito isso, aquele principal dos Munis ficou cheio de remorso pela idéia de ter realizado uma ação que não tinha sido prescrita (até onde ele sabia) em alguma das escrituras. De fato, cheio de arrependimento ele começou a pensar no que ele tinha feito. (O ato, como explicado pelo comentador, consistiu no pai ter feito com referência ao filho aquilo que, como a ordenança autorizava, era feito por filhos com referência aos pais.) 'Nunca feito antes pelos Munis, ai, o que eu fiz! Como eu irei (por ter feito um ato que não foi ordenado) evitar ser amaldiçoado pelos Brahmanas (como um introdutor de ritos estranhos)?' Ele então pensou no progenitor original de sua linhagem. Logo que foi pensado, Atri dotado de riqueza de penitências chegou lá. Vendo-o extremamente afligido pela angústia por causa da morte de seu filho, o imortal Atri o consolou com conselhos agradáveis. Ele disse para ele, 'Ó Mini, este rito que tu concebeste é um sacrifício em honra dos Pitris. Que nenhum temor seja teu, ó tu possuidor da riqueza de ascetismo! O próprio Avô Brahman, antigamente, o prescreveu! Este rito que tu concebeste foi ordenado pelo próprio Nascido por Si Mesmo. Quem mais além do Auto-nascido poderia ordenar este ritual em Sraddhas? Eu agora te direi, ó filho, a ordenança excelente declarada a respeito de Sraddhas. Ordenada pelo próprio Auto-nascido, ó filho, siga-a. Ouça-me primeiro! Tendo primeiro realizado o Karana no fogo sagrado com a ajuda de Mantras, ó tu que és possuidor de riqueza de penitências, deve-se sempre despejar libações em seguida na divindade do fogo, e Soma, e Varuna. Para os Viswedevas também, que são sempre os companheiros dos Pitris, o Auto-nascido então ordenou uma porção das oferendas. A Terra também, como a deusa que sustenta as oferendas feitas em Sraddhas, deve então ser louvada sob os nomes de Vaishnavi, Kasyapi, e a inesgotável. Quando água está sendo buscada para o Sraddha, a divindade Varuna de grande pujança deve ser louvada. Depois disto, Agni e Soma devem ser invocados com reverência e gratificados (com libações), ó impecável. Aquelas divindades que são chamadas pelo nome de Pitris foram criadas pelo Auto- nascido. Outras também, altamente abençoadas, isto é, os Ushnapsas, foram criados por ele. Para todos estes estão ordenadas partes das oferendas feitas em Sraddhas. Por adorar todas estas divindades em Sraddhas, os antepassados das pessoas que os realizam são libertas de todos os pecados. Os Pitris acima referidos como aqueles criados pelo Auto-nascido constam de sete. Os Viswedevas que têm Agni como sua boca (pois é através de Agni que eles são alimentados), foram mencionados antes. Eu agora mencionarei os nomes daquelas divindades de grande alma que merecem partes das oferendas feitas em Sraddhas. Aqueles nomes são Vala, Dhriti, Vipapa, Punyakrit, Pavana, Parshni, Kshemak, Divysanu, Vivaswat, Viryavat, Hrimat, Kirtimat, Krita, Jitatman, Munivirya, Diptaroman, Bhayankara, Anukarman, Pratia, Pradatri, Ansumat, Sailabha, Paramakrodhi, Dhiroshni, Bhupati, Sraja, Vajrin, e Vari, estes são os Viswedevas eternos. Há outros também cujos nomes são Vidyutvarchas, Somavarchas, e Suryasri. Outros também são contados entre eles, isto é, Somapa, Suryasavitra, Dattatman, Pundariyaka, Ushninabha, Nabhoda, Viswayu, Dipti, Chamuhara, Suresa, Vyomari, Sankara Bhava, Isa, Kartri, Kriti, Daksha, Bhuvana, Divya, Karmakrit, Ganita Panchavirya, Aditya, Rasmimat, Saptakrit, Somavachas, Viswakrit, Kavi, Anugoptri, Sugoptri, Naptri, e Iswara; estes altamente abençoados são contados como os Viswedevas. Eles são eternos e familiarizados com tudo o que ocorre no Tempo. O tipo de arroz que não deve ser oferecido em Sraddhas é aquele chamado Kodrava, e Pulka. Assa-fétida também, entre artigos usados na cozinha, não deve ser oferecida, como também cebolas e alho, os produtos da Moringa pterygosperma, Bauhinia Variegata, a carne de animais mortos com flechas envenenadas, todas as variedades de Sucuribita Pepo, Sucuribita lagenaria, e sal preto. Os outros artigos que não devem ser oferecidos em Sraddhas são a carne do porco domesticado, a carne de todos os animais não mortos em sacrifícios, Nigella sativa, sal da variedade chamada Vid, a erva que é chamada de Sitapaki, todos os brotos (como aqueles do bambu), e também o Trapa bispinosa. Todos os tipos de sal devem ser excluídos das oferendas feitas em Sraddhas, e também os frutos do Eugenia Jamblana. Todos os artigos, além disso, sobre os quais alguém cuspiu ou sobre os quais caíram lágrimas não devem ser oferecidos em Sraddhas. Entre oferendas feitas aos Pitris ou com o Havya e Kavya oferecido às divindades, a erva chamada Sudarsana (Menispermum tomentosum, Rox) não deve ser incluída. Havi misturado com isto não é aceitável para os Pitris. Do lugar onde o Sraddha está sendo realizado, o Chandala e o Swapacha devem ser excluídos, como também todos os que usam roupas saturadas de amarelo, e pessoas afetadas com lepra, ou alguém que foi excluído da casta (por transgressões), ou alguém que é culpado de Brahmanicídio, ou um Brahmana de descendência misturada ou alguém que é parente de um homem sem casta. Esses todos devem ser excluídos por pessoas possuidoras de sabedoria do lugar onde um Sraddha está sendo realizado.' Tendo dito estas palavras nos tempos passados para o Rishi Nimi da sua própria linhagem, o ilustre Atri possuidor de riqueza de penitências então voltou para a assembleia do Avô no Céu.'" "Bhishma disse, 'Depois que Nimi tinha agido da maneira descrita acima, todos os grandes Rishis começaram a realizar o sacrifício em honra dos Pitris (chamado de Sraddha) segundo os ritos prescritos na ordenança. Firmemente dedicados ao cumprimento de todos os deveres, os Rishis, tendo realizado Sraddhas, começaram também a oferecer oblações (para os Pitris) de águas sagradas, com atenção. Em consequência, no entanto, das oferendas feitas por pessoas de todas as classes (para os Pitris), os Pitris começaram a digerir aquela comida. Logo eles, e as divindades também com eles, foram afligidos pela indigestão. De fato, afligidos com pilhas de alimento que todas as pessoas começaram a lhes dar, eles se dirigiram à presença de Soma. Aproximando-se de Soma eles disseram, 'Ai, grande é nossa aflição por causa da comida que nós é oferecida em Sraddhas. Ordene o que é necessário para nosso bem-estar.' Para eles Soma respondeu, dizendo, 'Se, ó deuses, vocês estão desejosos de obter bem-estar, dirijam-se então para a residência do Auto-nascido. Ele mesmo fará o que é para o seu bem.' Por estas palavras de Soma, as divindades e os Pitris então procederam, ó Bharata, ao Avô onde ele estava sentado no topo das montanhas de Meru.'” “As divindades disseram, ‘Ó ilustre, com a comida que nos é oferecida em sacrifícios e Sraddhas, nós estamos sendo extremamente atormentados. Ó senhor, nos mostre benevolência e faça o que for para o nosso bem.’ Ouvindo estas palavras deles, o Auto-nascido lhes disse em resposta, ‘Aqui, o deus do fogo está sentado ao meu lado, ele mesmo fará o que é para o seu benefício.’” "Agni disse, 'Ó senhores, quando ocorre um Sraddha, nós iremos comer juntos as oferendas feitas a nós. Se vocês comerem aquelas oferendas comigo, vocês então, sem dúvida, conseguirão digeri-las facilmente.' Ouvindo estas palavras da divindade do fogo, os Pitris ficaram tranquilos de coração. É por esta razão também que ao fazer oferendas em Sraddhas uma parte é primeiro oferecida para divindade do fogo, ó rei. Se uma porção das oferendas forem feitas primeiro para a divindade do fogo em um Sraddha, ó príncipe de homens, Rakshasas de origem regenerada não podem então causar qualquer dano para tal Sraddha. (Ravana e outros Rakshasas que surgiram da linhagem de Pulastya são conhecidos como Brahma-Rakshasas ou Rakshasas de origem regenerada.) Vendo a divindade do fogo em um Sraddha os Rakshasas fogem dele. O ritual do Sraddha é que o bolo deve ser oferecido primeiro para o pai (falecido). Em seguida, um deve ser oferecido para o avô. Em seguida um deve ser oferecido para o bisavô. Esta é a ordenança a respeito do Sraddha. Sobre cada bolo que é oferecido, o ofertante deve, com atenção concentrada, proferir os Mantras Savitri. Este outro Mantra também deve ser proferido, isto é, para Soma que gosta dos Pitris. Uma mulher que está impura por causa da chegada de sua época, ou alguém cujas orelhas foram cortadas, não devem ser permitidos permanecer onde um Sraddha está sendo realizado. Nem uma mulher (para cozinhar o arroz para ser oferecido no Sraddha) deve ser trazida de um Gotra diferente daquele da pessoa que está realizando o Sraddha. Enquanto cruzando um rio, uma pessoa deve oferecer oblações de água para seus Pitris, nomeando eles todos. De fato, quando alguém se encontra em um rio ele deve gratificar seus Pitris com oblações de água. Tendo oferecido oblações de água primeiro para os antepassados da própria família, alguém deve em seguida oferecer tais oblações para seus amigos e parentes (falecidos). Quando alguém cruza um rio em um carro que está unido a um par de bois de cor variada, ou daqueles que cruzam um rio em barcos, os Pitris esperam oblações de água. Aqueles que sabem disto sempre oferecem oblações de água com atenção concentrada para os Pitris. Toda quinzena no dia da Lua Nova uma pessoa deve fazer oferendas para seus ancestrais falecidos. Crescimento, longevidade, energia, e prosperidade se tornam todos obteníveis pela devoção aos Pitris. O Avô Brahman, Pulastya, Vasishtha, Pulaha, Angiras, Kratu e o grande Rishi Kasyapa, estes, ó príncipe da linhagem de Kuru, são considerados como grandes mestres de Yoga. Eles figuram entre os Pitris. Este mesmo é o ritual sublime a respeito do Sraddha, ó monarca! Pelos Sraddhas realizados sobre a terra os membros falecidos de uma família vêm a ser libertos de uma posição de miséria. Eu dessa maneira, ó príncipe da linhagem de Kuru, te expus de acordo com as escrituras, as ordenanças a respeito de Sraddhas. Eu irei mais uma vez te falar sobre doações." 93 "Yudhishthira disse, 'Se Brahmanas que estão no cumprimento de um voto (isto é, jejum) comem, ao convite de um Brahmana, o Havi (oferecido em um Sraddha), eles podem ser acusados de transgressão ou de uma violação de seu voto, ou eles devem recusar o convite de um Brahmana quando tal convite é recebido por eles? Diga-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Que aqueles Brahmanas comam, impelidos pelo desejo, que são cumpridores de votos tais como os que não estão indicados nos Vedas. Com relação àqueles Brahmanas, no entanto, que são cumpridores de votos tais como os que estão indicados nos Vedas, eles são considerados como culpados de uma quebra de seu voto, ó Yudhishthira, por comerem o Havi de um Sraddha a pedido de quem realiza o Sraddha.'” "Yudhishthira disse, 'Algumas pessoas dizem que o jejum é uma penitência. A penitência é realmente identificável com jejum ou não é assim? Diga-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'As pessoas consideram um jejum regular por um mês ou meio mês como uma penitência. A verdade, no entanto, é que alguém que mortifica seu próprio corpo não é para ser considerado nem como um asceta nem como alguém familiarizado com o dever. (Isto é, aquele jejum que mortifica o corpo não é para ser considerado como equivalente à penitência. A verdadeira penitência é algo mais. Um praticante de tal jejum não é para ser considerado como um asceta. Tais jejuns, além disso, são pecaminosos em vez de serem meritórios.) A renúncia, no entanto, é considerada como a melhor das penitências; (alguém pode comer a comida mais luxuosa sem ser apegado a ela). Um Brahmana deve sempre ser um abstêmio de comida (isto é, se abster de alimento entre as duas horas prescritas para alimentação), e cumprir o voto chamado Brahmacharya. Um Brahmana deve sempre praticar abnegação reprimindo até a fala, e recitar os Vedas. O Brahmana deve se casar e se cercar de filhos e parentes, pelo desejo de obter virtude. Ele nunca deve dormir. Ele deve se abster de carne. Ele deve sempre ler os Vedas e as escrituras. Ele deve sempre falar a verdade, e praticar abnegação. Ele deve comer Vighasa (isto é, o que resta depois de servir as divindades e convidados). De fato, ele deve ser hospitaleiro para com todos os que chegam à sua residência. Ele deve sempre comer Amrita (isto é, o alimento que resta na casa depois de toda a família, inclusive convidados e empregados, terem comido) Ele deve cumprir devidamente todos os ritos e realizar sacrifícios.'" "Yudhishthira disse, "Como alguém pode vir a ser considerado como sempre praticante de jejuns? Como alguém pode se tornar cumpridor de votos? Como, ó rei, alguém pode vir a ser um comedor de Vighasa? Por fazer o que alguém pode ser citado como amigo do convidado?'" "Bhishma disse, 'Aquele que come alimento somente de manhã e à noite nas horas prescritas e se abstém de todo alimento durante o intervalo no meio, é citado como sendo um abstinente de alimento. Aquele que tem ato sexual somente com sua esposa e isso somente na época dela, é citado como sendo cumpridor do voto de Brahmacharya. Por sempre fazer doações alguém vem a ser considerado como sincero em palavras. Por se abster de toda carne obtida de animais mortos em vão alguém se torna um abstinente de carne. (A carne de animais mortos em sacrifícios é lícita. Por comer tal carne uma pessoa não se torna uma comedora de carne.) Por fazer doações alguém vem a ser purificado de todos os pecados, e por se abster de sono durante o dia alguém vem a ser considerado como sempre desperto. Aquele que sempre come o que resta depois de servir as necessidades dos convidados e empregados é citado como sempre comendo Amrita. Aquele que se abstém de comer até que Brahmanas tenham comido (daquela comida), é considerado como conquistando o céu por tal abstenção. Aquele que come o que resta depois de servir as divindades, os Pitris, e parentes e dependentes, é citado como comendo Vighasa. Tais homens alcançam muitas regiões de bem-aventurança na residência do próprio Brahman. Lá, ó rei, eles moram na companhia de Apsaras e Gandharvas. De fato, eles se divertem e desfrutam de todos os esportes de prazer naquelas regiões, com as divindades e convidados e os Pitris em sua companhia, e cercados por seus próprios filhos e netos. Este mesmo vem a ser seu fim sublime.'" "Yudhishthira disse, 'Pessoas são vistas fazerem diversos tipos de doações para os Brahmanas. Qual, no entanto, é a diferença, ó avô, entre o doador e o recebedor?'" "Bhishma disse, 'O Brahmana aceita doações daquele que é justo, e daquele que é injusto. Se acontece de o doador ser justo o recebedor incorre em pouca falha. Se, por outro lado, acontece de o doador ser injusto, o recebedor cai no inferno. Em relação a isto é citada uma história antiga da conversa entre Vrishadarbhi e os setes Rishis, ó Bharata. Kasyapa e Atri e Vasishtha e Bharadwaja e Gautama e Viswamitra e Jamadagni, e a casta Arundhati (a esposa de Vasishtha), todos tinham uma criada em comum cujo nome era Ganda. Um Sudra de nome Pasusakha se casou com Ganda e tornou-se seu marido. Kasyapa e outros, antigamente, praticavam as penitências mais austeras e vagavam pelo mundo, desejosos de alcançar a região eterna de Brahman pela ajuda de meditação-Yoga. Por volta daquele tempo, ó encantador dos Kurus, ocorreu uma seca severa. Afligido pela fome, o mundo inteiro de criaturas vivas ficou extremamente fraco. Em um sacrifício que tinha sido realizado nos tempos antigos pelo filho de Sivi, ele tinha dado para os Ritwiks um filho dele como o presente sacrifical. Naquela época, não dotado de longevidade como o príncipe era, ele morreu de fome. Os Rishis citados, afligidos pela fome, se aproximaram do príncipe morto e sentaram circundando-o. De fato, aqueles principais dos Rishis, contemplando o filho daquele em cujo sacrifício eles tinham oficiado, ó Bharata, assim morto de fome, começaram a cozinhar o corpo em um recipiente, impelidos pelas pontadas de fome. Todo alimento tendo desaparecido do mundo dos homens, aqueles ascetas, desejosos de salvar suas vidas, tinham recorrido, para propósitos de sustento, a tal meio miserável. Enquanto eles estavam assim empenhados, o filho de Vrishadarbha, isto é, o rei Saivya, no decorrer de sua vagueação, encontrou aqueles Rishis. De dato, ele encontrou com eles em seu caminho, ocupados em cozinhar o corpo morto, impelidos pela fome aguda.'" "O filho de Vrishadarbha disse, 'A aceitação de uma doação (de mim) irá aliviar imediatamente vocês todos. Portanto, aceitem uma doação para o sustento de seus corpos! Ó ascetas dotados de riqueza de penitências, ouçam-me enquanto eu declaro qual riqueza eu tenho! Aquele Brahmana que me pede (por doações) é sempre querido para mim. Na verdade, eu darei a vocês mil mulas. Para cada um de vocês eu darei mil vacas de pêlo branco, principais em prosperidade, cada uma acompanhada por um touro, e cada uma tendo um bezerro bem nascido, e, portanto, produzindo leite. Eu também darei para vocês mil touros de cor branca e da melhor raça e capazes de carregar cargas pesadas. Eu também lhes darei um grande número de vacas, de boa disposição, as principais de sua espécie, todas gordas, e cada uma das quais, tendo dado à luz seu primeiro bezerro, está prenhe de seu segundo. Digam-me o que mais eu darei das aldeias mais importantes, de grãos, de cevada, e mesmo de jóias mais raras e caras. Não procurem comer este alimento que não é comestível. Digam-me o que eu devo dar para vocês para o sustento de seus corpos!'” "Os Rishis disseram, 'Ó rei, uma aceitação de doações de um monarca é muito doce a princípio mas ela é veneno no fim. Sabendo bem disto, por que você, ó rei, nos tenta então com estas ofertas? O corpo do Brahmana é o campo das divindades. Por penitência, ele é purificado. Então além disso, por gratificar o Brahmana, alguém gratifica as divindades. Se um Brahmana aceita os presentes feitos a ele pelo rei, ele perde, por tal aceitação, o mérito que ele iria de alguma maneira adquirir por suas penitências naquele dia. De fato, tal aceitação consome aquele mérito assim como uma conflagração ardente consome uma floresta. Que a felicidade seja tua, ó rei, como o resultado das doações que tu fazes para aqueles que te pedem!' Dizendo estas palavras para ele, eles deixaram o local, procedendo por outro caminho. A carne que aqueles de grande alma tinham pretendido cozinhar permaneceu não cozida. De fato, abandonando aquela carne, eles foram embora, e entraram nas florestas à procura de alimento. Depois disto, os ministros do rei, incitados por seu mestre, entraram naquelas florestas e colhendo certos figos se esforçaram para dá-los para aqueles Rishis. Os oficiais do rei encheram algum daqueles figos com ouro e misturando-os com outros procuraram induzir aqueles ascetas a aceitá-los. Atri pegou alguns daqueles figos, e achando-os pesados se recusou a aceitá-los. Ele disse, 'Nós não somos desprovidos de conhecimento. Nós não somos tolos! Nós sabemos que há ouro dentro destes figos. Nós temos nossos sentidos em volta de nós. De fato, nós estamos despertos em vez de estarmos dormindo. Se aceitos neste mundo, estes produzirão consequências amargas após a morte. Aquele que procura felicidade aqui e após a morte nunca deve aceitá-los.'" "Vasishtha disse, 'Se nós aceitarmos mesmo uma moeda de ouro, ela será contada como uma centena ou até um milhar (em conceder o demérito que se vincula à aceitação). Se, portanto, nós aceitarmos muitas moedas, nós certamente obteremos um fim infeliz após a morte!'" Kasyapa disse, 'Todo arroz e cevada sobre a terra, todo ouro e animais e mulheres que se encontram no mundo, são incapazes de satisfazer o desejo de uma única pessoa. Por essa razão, alguém que possui sabedoria deve dissipar a cupidez, e adotar a tranquilidade!'" "Bharadwaja disse, 'Os chifres de um Ruru, depois do seu primeiro aparecimento, começam a crescer com o crescimento do animal. A cupidez de homem é assim como isto. Ela não tem medida!'" "Gautama disse, 'Todos os objetos que existem no mundo não podem satisfazer nem uma única pessoa. O homem é assim como o oceano, pois ele nunca pode ser cheio (assim como o oceano nunca pode ser cheio por todas as águas que são descarregadas dentro dele pelos rios).’” "Viswamitra disse, 'Quando um desejo nutrido por uma pessoa vem a ser satisfeito, surge imediatamente outro cuja satisfação é procurada e o qual a perfura como uma flecha.'" "Jamadagni disse, 'A abstenção de aceitar doações suporta as penitências como sua fundação. A aceitação, no entanto, destrói aquela riqueza (isto é, o mérito das penitências).’” "Arundhati disse, 'Algumas pessoas são de opinião que as coisas do mundo podem ser armazenadas com um propósito de gastá-las na aquisição de virtude (por doações e sacrifícios). Eu penso, no entanto, que a aquisição de virtude é melhor do que a de riqueza mundana.'" "Ganda disse, 'Quando estes meus senhores, que são dotados de grande energia, estão com tanto medo disto o qual parece ser um grande terror, um homem fraco como eu o teme ainda mais.'" "Pasusakha disse, 'A riqueza que há na virtude é muito superior. Não há nada superior a isto. Aquela riqueza é conhecida pelos Brahmanas. Eu os sirvo como seu empregado, somente para aprender a dar valor àquela riqueza.'" "Os Rishis (todos juntos) disseram, 'Que a felicidade seja dele, como o resultado das doações que ele faz, ele que é o rei do povo desta terra. Que seja bem sucedida a doação daquele que enviou estas frutas para nós, encerrando ouro dentro delas.'" "Bhishma continuou, 'Tendo dito estas palavras, aqueles Rishis de votos firmes, abandonando os figos que tinham ouro dentro deles, deixaram aquele local e procederam para qualquer destino que lhes conviesse.'" "Os ministros disseram, 'Ó rei, vindo a saber da existência de ouro dentro dos figos, os Rishis foram embora! Que isto seja sabido por ti!'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por seus ministros, o rei Vrishadarbhi ficou cheio de raiva contra todos aqueles Rishis. De fato, para se vingar deles, o monarca entrou em seu próprio aposento. Praticando as mais austeras das penitências, ele despejou em seu fogo sagrado libações de ghee, acompanhando cada uma com Mantras proferidos por ele. Daquele fogo então surgiu como o resultado do encantamento uma forma capaz de infligir medo em todos. Vrishadarbhi a chamou de Yatudhani. Aquela forma que tinha vindo a existir a partir dos encantamentos do rei, parecendo tão terrível quanto a Última Noite, apareceu com mãos unidas perante o monarca. Dirigindo-se ao rei Vrishadarbhi ela disse, 'O que eu devo realizar?'" "Vrishadarbhi disse, 'Vá e siga os sete Rishis, como também Arundhati e o marido da criada deles, e a própria criada, e compreenda quais são os significados dos nomes deles. Tendo averiguado seus nomes, mate eles todos. Depois de tê-los matado tu podes ir para qualquer destino que quiseres.'" (O comentador explica que a ordem sobre averiguar os nomes dos Rishis e os significados daqueles nomes procede do desejo do rei de acautelar a Rakshasi para que ao ir destruí-los ela não pudesse ela mesma encontrar com a destruição.) "Bhishma continuou, 'Dizendo, ‘Assim seja!’ a Rakshasi que tinha sido chamada de Yatudhani, em sua própria forma, procedeu para aquela floresta na qual os grandes Rishis vagavam à procura de alimento. De fato, ó rei, aqueles grandes Rishis, com Atri entre eles, vagavam dentro da floresta, subsistindo de frutas e raízes. No decorrer de suas perambulações eles viram um mendicante de ombros largos, braços e pernas roliços e rosto e abdômen bem nutridos. De membros que eram todos adiposos, ele estava vagando com um cachorro em sua companhia. Vendo aquele mendicante cujos membros eram todos bem desenvolvidos e vistosos, Arundhati exclamou, dirigindo-se aos Rishis, 'Nenhum de vocês poderá alguma vez exibir tais feições bem desenvolvidas!'" "Vasishtha disse, 'O fogo sagrado desta pessoa não é como o nosso, pois enquanto ele pode despejar libações sobre ele de manhã e à noite, nenhum de nós pode fazer o mesmo. É por esta razão que nós vemos ambos, ele e seu cachorro, tão bem desenvolvidos.’'' (Em outras palavras, Vasishtha atribui a magreza ou emaciação de si mesmo e seus companheiros à falta da realização dos seus ritos diários de prática religiosa.) "Atri disse, 'Este homem não sente as pontadas da fome como nós. Sua energia não sofreu, como a nossa, alguma diminuição. Adquiridos com a maior dificuldade, seus Vedas não desapareceram como os nossos. Por isso é que nós vemos ele e seu cachorro tão bem desenvolvidos.'” "Viswamitra disse, 'Este homem não é, como nós, incapaz de cumprir os deveres eternos inculcados nas escrituras. Eu me tornei inativo. Eu sinto fome aguda. Eu perdi o conhecimento que eu adquiri. Este homem não é como nós neste aspecto. Por isso eu vejo ele e seu cachorro tão bem desenvolvidos.'" ''Jamadagni disse, 'Este homem não tem que pensar em armazenar seus grãos e combustível anuais como nós somos obrigados a fazer. Por isso eu vejo ele e seu cachorro tão bem desenvolvidos!'” "Kasyapa disse, 'Este homem não tem, como nós, quatro irmãos da linhagem inteira que estão mendigando de casa em casa, proferindo as palavras, 'Dê! Dê!' Por isso é que eu vejo ele e seu cachorro tão bem desenvolvidos.'” "Bharadwaja disse, 'Este homem não tem remorso como o nosso por ter condenado e amaldiçoado sua esposa. Ele não agiu tão malvadamente e insensatamente. Por isso eu vejo ele e seu cachorro tão bem desenvolvidos!'” "Gautama disse, 'Este homem não tem como nós somente três pedaços de coberta feita de grama Kusa, e uma única pele de Ranku, cada um dos quais, além disso, tem três anos de idade. Por isso é que eu vejo ele e seu cachorro tão bem desenvolvidos!'” "Bhishma continuou, 'O mendicante vagueador, vendo aqueles grandes Rishis, aproximou-se deles e abordou eles todos por tocar suas mão segundo o costume. Conversando então uns com os outros acerca da dificuldade de obter sustento naquela floresta e a consequente necessidade de suportar as pontadas da fome, todos eles deixaram aquele local. De fato, eles vagaram por aquela selva, empenhados em um propósito em comum, isto é, a colheita de frutas e a extração de raízes para sustento. Um dia, quanto eles estavam vagando eles contemplaram um belo lago coberto com lotos. Suas margens estavam cobertas com árvores que permaneciam cerradamente perto umas das outras. As águas do lago eram puras e transparentes. De fato, os lotos que adornavam o lago eram todos da cor do sol da manhã. As folhas que flutuavam sobre a água eram da cor do lápis lazúli. Diversas espécies de aves aquáticas estavam se divertindo sobre sua superfície. Havia somente um caminho que levava a ele. As margens não eram lamacentas e o acesso à água era fácil. Incitada por Vrishadarbhi, a Rakshasi de aparência terrível que tinha surgido de seus encantamentos e que tinha sido chamada de Yatudhani, vigiava o lago. Aqueles principais dos Rishis, com Pasusakha em sua companhia, procederam em direção ao lago, o qual era assim vigiado por Yatudhani, com o objetivo de colher alguns talos de lotos. (Talos de lotos são comidos na Índia e são mencionados por Charaka como alimento pesado.) Vendo Yatudhani, de aspecto terrível, permanecendo nas margens do lago, aqueles grandes Rishis se dirigiram a ela, dizendo, 'Quem és tu que permaneces sozinha dessa maneira nestas florestas solitárias? Por quem tu esperas aqui? Qual, de fato, é teu propósito? O que tu fazes aqui nas margens deste lago adornado com lotos?'" "Yatudhani disse, 'Não importa quem eu sou. Eu não mereço ser questionada (a respeito do meu nome e família e propósitos). Vocês que são possuidores de riqueza ascética, saibam que eu sou a guarda colocada para vigiar este lago.'" 'Os Rishis disseram, 'Todos nós estamos com fome. Nós não temos nada mais para comer. Com tua permissão nós colheremos alguns talos de lotos!'" "Yatudhani disse, 'Conformemente com um acordo, peguem os talos de lotos como quiserem. Vocês devem, um a um, me dar seus nomes. Vocês podem então, sem demora, pegar os caules!'" "Bhishma continuou, 'Averiguando que seu nome era Yatudhani e que ela estava lá para matá-los (depois de saber, a partir dos significados dos seus nomes, qual era a extensão do poder deles), Atri, que estava com muita fome, dirigiu-se a ela e disse estas palavras.'" "Atri disse, 'Eu sou chamado de Atri porque eu purifico o mundo do pecado. Por, além disso, estudar os Vedas três vezes todos os dias, eu fiz dias de minhas noites. Isto é, não há noite na qual eu não tenha estudado os Vedas. Por estas razões também eu sou chamado de Atri, ó bela dama!'" "Yatudhani disse, 'Ó tu de grande refulgência, a explicação que tu me deste do teu nome não pode ser compreendida por mim. Portanto, vá e mergulhe neste tanque cheio de lotos!'" "Vasishtha disse, 'Eu sou dotado da riqueza (que consiste nos atributos Yoga de pujança, etc.) Eu levo, além disso, um modo de vida familiar, e sou considerado como a principal de todas as pessoas que levam tal modo de vida. Por ser dotado de (tal) riqueza, da minha vida como um chefe de família, e de eu ser considerado como o principal de todos os chefes de família, eu sou chamado de Vasishtha.'” "Yatudhani disse, 'A explicação etimológica do teu nome é totalmente incompreensível para mim, visto que as inflexões que as raízes originais têm sofrido são ininteligíveis. Vá e mergulhe neste lago de lotos!'" "Kasyapa disse, 'Eu sempre protejo meu corpo, e por minhas penitências eu vim a ser dotado de refulgência. Por proteger o corpo dessa maneira e por esta refulgência que é devido às minhas penitências, eu vim a ser chamado pelo nome de Kasyapa!'” "Yatudhani disse, 'Ó tu de grande refulgência, a explicação etimológica que tu me deste do teu nome não pode ser compreendida por mim. Vá e mergulhe neste lago cheio de lotos!'” "Bharadwaja disse, 'Eu sempre sustento meus filhos, meus discípulos, as divindades, os Brahmanas, e minha esposa. Por sustentar a todos dessa maneira com facilidade eu sou chamado de Bharadwaja!'” "Yatudhani disse, 'A explicação etimológica que tu me deste do teu nome é totalmente incompreensível para mim, por causa das muitas inflexões que a raiz têm sofrido. Vá e mergulhe neste lago cheio de lotos!'" “Gotama disse, ‘Eu conquistei céu e terra pela ajuda do autodomínio. Por eu olhar para todas as criaturas e objetos com um olhar imparcial, eu sou como um fogo sem fumaça. Por isso eu não posso ser subjugado por ti. Quando, além disso, eu nasci, a refulgência do meu corpo dissipou a escuridão circundante. Por estas razões eu sou chamado de Gotama!’” "Yatudhani disse, 'A explicação que tu me deste do teu nome, ó grande asceta, é incapaz de ser entendida por mim. Vá e mergulhe neste lago de lotos!'" “Viswamitra disse, ‘As divindades do universo são minhas amigas. Eu sou também o amigo do universo. Por isso, ó Yatudhani, saiba que eu sou chamado de Viswamitra!’” "Yatudhani disse, 'A explicação que tu deste do teu nome é incompreensível para mim por causa das inflexões que a raiz tem sofrido. Vá e mergulhe neste lago de lotos!'" "Jamadagni disse, 'Eu surgi do fogo sacrifical das divindades. Por isso eu sou chamado de Jamadagni, ó tu de feições belas!'" "Yatudhani disse, 'A explicação etimológica que tu me deste, ó grande asceta, do teu nome, é incompreensível para mim (por causa das diversas inflexões que a raiz tem sofrido). Vá e mergulhe neste lago de lotos!'" "Arundhati disse, 'Eu sempre fico ao lado do meu marido, e ocupo a terra juntamente com ele. Eu sempre inclino o coração do meu marido em direção a mim. Eu sou, por estas razões, chamada de Arundhati!'” “Yatudhani disse, ‘A explicação que tu me deste do teu nome é totalmente incompreensível para mim por causa das inflexões que as raízes têm sofrido. Vá e mergulhe neste lago de lotos!’” "Ganda disse, 'O Ganda significa uma parte da bochecha. Como eu tenho aquela parte um pouco elevada acima das outras, eu sou, ó tu que surgiste do fogo sacrifical de Saivya, chamado pelo nome de Ganda!'" "Yatudhani disse, 'A explicação que tu me deste do teu nome é totalmente incompreensível para mim em consequência das inflexões que a raiz tem sofrido. Vá e mergulhe neste lago de lotos!'" “Pasusakha disse, ‘Eu protejo e cuido de todos os animais que eu vejo, e eu sou sempre um amigo para todos os animais. Por isso eu sou chamado de Pasusakha, ó tu que surgiste do fogo (sacrifical do rei Vrishadarbhi).’” "Yatudhani disse, 'A explicação que tu me deste do teu nome é totalmente incompreensível para mim por causa das inflexões que as raízes têm sofrido. Vá e mergulhe neste lago de lotos!'" "Sunahsakha disse, 'Eu sou incapaz de explicar a etimologia do meu nome da mesma maneira destes ascetas. Mas saiba, ó Yatudhani, que eu sou chamado pelo nome de Sunahsakha!'” (Sunahsakha implica um amigo dos cachorros. O recém chegado que tinha se juntado aos Rishis errantes tinha um cachorro com ele, por isso ele é chamado pelo nome de Sunahsakha.) "Yatudhani disse, 'Tu mencionaste o teu nome somente uma vez. A explicação que tu ofereceste eu não sou capaz de apreender. Portanto, mencione-o novamente, ó regenerado!'" "Sunahsakha disse, 'Já que tu foste incapaz de compreender o meu nome por eu tê-lo mencionado somente uma vez, eu te golpearei com meu bastão triplo! Golpeada com ele, seja reduzida a cinzas sem demora!'" "Bhishma continuou, 'Golpeada então, na cabeça, pelo Sannyasin, com seu bastão triplo o qual parecia com o castigo infligido por um Brahmana, a Rakshasi que tinha nascido dos encantamentos do rei Vrishadarbhi caiu no chão e foi reduzida a cinzas. (Brahma-danda literalmente significa o bastão na mão do Brahmana. Figurativamente, ele implica o castigo infligido por um Brahmana na forma de uma maldição. Como tal ele é mais eficaz do que o raio nas mãos do próprio Indra, pois o raio destrói somente aqueles objetos que se encontram em seu alcance imediato. A maldição do Brahmana, no entanto, destrói até aqueles que são não nascidos.) Tendo assim destruído a Rakshasi poderosa, Sunahsakha enfiou seu bastão no solo e sentou-se em um pedaço de terra coberto de grama. Os Rishis então, tendo, como lhes apetecia, colhido vários lotos e pegado vários talos de lotos, saíram do lago, cheios de alegria. Jogando sobre o solo a pilha de lotos que eles tinham colhido com muito trabalho, eles mergulharam mais uma vez para oferecer oblações de água para os Pitris. Subindo, eles procederam para aquela parte da margem onde eles tinham depositado os talos de lotos. Alcançando aquele local, aqueles principais dos homens descobriram que os caules não eram vistos em nenhum lugar.'" "Os Rishis disseram, 'Qual homem pecaminoso e desumano roubou os talos de lotos colhidos por nossas pessoas famintas pelo desejo de comer?'” "Bhishma continuou, 'Aqueles mais importantes dos homens regenerados, suspeitando uns dos outros, ó opressor de inimigos, disseram, ‘Cada um de nós terá que jurar pela sua inocência!’ Todos aqueles ascetas então, famintos e desgastados pelo esforço, concordando com a proposta, fizeram estes juramentos.'” "Atri disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos toque vacas com seu pé, urine de frente para o sol, e estude os Vedas em dias excluídos!'" "Vasishtha disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos se abstenha de estudar os Vedas, ou controle cães de caça, ou seja um mendicante errante não contido pelas ordenanças prescritas para aquele modo de vida, ou seja um assassino de pessoas que procuram sua proteção, ou viva dos lucros da venda de sua filha, ou peça riqueza daqueles que são inferiores e vis!'" "Kasyapa disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos profira todos os tipos de palavras em todos os lugares, dê evidência falsa em uma corte de lei, coma a carne de animais não mortos em sacrifícios, faça doações para pessoas não merecedoras ou para pessoas merecedoras em momentos impróprios, e tenha união sexual com mulheres durante o dia!'" "Bharadwaja disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos seja cruel e injusto em seu comportamento em direção a mulheres e parentes e vacas. Que ele humilhe Brahmanas, em discussões, por expor seu conhecimento e habilidade superiores. Que ele estude os Riks e os Yajuses, desrespeitando seu preceptor! Que ele derrame libações sobre fogos feitos com grama ou palha seca!" (Libações devem sempre ser despejadas em um fogo ardente. Fogo feito com grama seca ou palha queima rapidamente e logo se extingue. Por despejar libações, portanto, sobre tais fogos, alguém praticamente as despeja sobre cinzas e não ganha mérito.) "Jamadagni disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos seja culpado de jogar sujeira e imundície na água. Que ele seja inspirado com animosidade em direção às vacas. Que ele seja culpado de ter união sexual com mulheres em períodos diferentes da época delas. Que ele atraia a aversão de todas as pessoas. Que ele derive seu sustento dos lucros de sua esposa! Que ele não tenha amigos e que ele tenha muitos inimigos! Que ele seja convidado de outro para receber em retribuição aqueles atos de hospitalidade os quais ele fez para aquele outro!’” (Receber atos de hospitalidade em retribuição por aqueles prestados era considerado não somente como baixeza mas também destrutivo de mérito.) "Gotama disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos seja culpado de jogar fora os Vedas depois de tê-los estudado! Que ele rejeite os três fogos sagrados! Que ele seja um vendedor do Soma (planta ou suco)! Que ele viva com aquele Brahmana que reside em uma aldeia que tem um único poço do qual água é retirada por todas as classes e que se casou com uma mulher Sudra!'" "Viswamitra disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos seja condenado a ver seus preceptores e mais velhos e seus empregados mantidos por outros durante seu próprio tempo de vida. Que ele não tenha um bom fim. Que ele seja o pai de muitas crianças! Que ele seja sempre impuro e um canalha entre os Brahmanas! Que ele seja orgulhoso de suas posses! Que ele seja um lavrador do solo e que ele seja cheio de malícia! Que ele vague na estação das chuvas. Que ele seja um empregado pago! Que ele seja o sacerdote do rei! Que ele ajude nos sacrifícios de tais pessoas impuras que não merecem ser ajudadas em seus sacrifícios!'" "Arundhati disse, 'Que aquela que roubou os talos de lotos sempre humilhe sua sogra! Que ela esteja sempre aborrecida com seu marido! Que ela coma quaisquer coisas boas que cheguem à casa dela sem dividi-las com outros! Desconsiderando os parentes de seu marido, que ela viva na casa de seu marido e coma, no fim do dia, a farinha de cevada frita! Que ela venha a ser considerada como desagradável (por causa das máculas que irão manchá-la)! Que ela seja mãe de um filho heróico!’” (Para uma mulher Brahmana dar à luz um filho dedicado a atos heróicos é uma vergonha.) "Ganda disse, 'Que aquela que roubou os talos de lotos seja sempre uma contadora de mentiras! Que ela sempre brigue com seus parentes! Que ela entregue sua filha em casamento por uma consideração pecuniária! Que ela coma a comida que ela cozinhou, sozinha e sem dividi-la com ninguém! Que ela passe sua vida inteira em escravidão! De fato, que aquela que roubou os talos de lotos fique grávida em consequência de ato sexual sob circunstâncias de culpa.'" "Pasusakha disse, 'Que aquele que roubou os talos de lotos seja nascido de uma mãe escrava. Que ele tenha muitos filhos todos os quais sejam indignos! E que ele nunca reverencie as divindades.'" "Sunahsakha disse, 'Que aquele que removeu os talos de lotos obtenha o mérito de entregar sua filha em casamento para um Brahmana, que tenha estudado todos os Samans e os Yajuses e que tenha cumprido cuidadosamente o voto de Brahmacharya. Que ele realize as abluções finais depois de ter estudado todos os Atharvans!'" "Todos os Rishis disseram, 'O juramento que tu fizeste não é juramento em absoluto, pois todas as ações que tu mencionaste são muito desejáveis para os Brahmanas! É evidente, ó Sunahsakha, que tu te apropriaste dos nossos talos de lotos!'" "Sunahsakha disse, 'Os caules de lotos depositados por vocês não sendo vistos, o que vocês dizem é perfeitamente verdadeiro, pois fui eu que realmente os roubei. Na própria vista de vocês todos eu causei o desaparecimento daqueles caules! Ó impecáveis, a ação foi feita por mim pelo desejo de testar vocês! Eu vim para cá para proteger vocês. Aquela mulher que jaz morta lá se chamava Yatudhani. Ela era de uma disposição feroz. Nascida dos encantamentos do rei Vrishadarbhi, ela veio para cá pelo desejo de matar todos vocês! Ó ascetas dotados de riqueza de penitências, instigada por aquele rei, ela veio, mas eu a matei. Aquela criatura perversa e pecaminosa, nascida do fogo sacrifical, de outra maneira teria tirado suas vidas. Foi para matá-la e salvar vocês que eu vim aqui, ó Brahmanas eruditos! Saibam que eu sou Vasava! Vocês se libertaram completamente da influência da cobiça. Por isto, vocês ganharam muitas regiões eternas repletas da realização de todo desejo logo que ele surge no coração! Levantem-se, sem demora, deste lugar e se dirijam para aquelas regiões de beatitude, ó regenerados, que estão reservadas para vocês!'” "Bhishma continuou, 'Os grandes Rishis, muito satisfeitos com isto, responderam para Purandara, dizendo, 'Assim seja.' Eles então ascenderam para o céu na companhia do próprio Indra. Dessa maneira, aquelas pessoas de grande alma, embora famintos e embora tentados em tal período com a oferta de diversos tipos de artigos agradáveis, se abstiveram de ceder à tentação. Como o resultado de tal abnegação, eles chegaram ao céu. Parece, portanto, que alguém deve, sob todas as circunstâncias, expulsar a cobiça de si mesmo. Este mesmo, ó rei, é o maior dever. A cobiça deve ser rejeitada. O homem que narra este relato (dos atos dos Rishis virtuosos) em assembléias de homens, consegue obter riqueza. Tal homem nunca tem que alcançar um fim aflitivo. Os Pitris, os Rishis, e as divindades ficam todos satisfeitos com ele. Após a morte, além disso, ele vem a ser dotado de fama e mérito religioso e riqueza!'" 94 "Bhishma disse, "Em relação a isto é citada a velha história dos juramentos (feitos por muitos Rishis um depois do outro) na ocasião de uma viagem para águas sagradas. Ó melhor dos Bharatas, o ato de roubo foi feito por Indra, e os juramentos foram feitos por muitos Rishis reais e regenerados. Uma vez os Rishis, tendo se reunido, procederam para o Prabhasa ocidental. Eles tiveram uma conferência lá a qual resultou em uma decisão de sua parte de visitar todas as águas sagradas sobre a terra. Lá estavam Sakra e Angiras e Kavi de grande erudição e Agastya e Narada e Pravata; e Bhrigu e Vasishtha e Kasyapa e Gautama e Viswamitra e Jamadagni, ó rei! Lá estavam também o Rishi Galava, e Ashtaka e Bharadwaja e Arundhati e os Valakhilyas; e Sivi e Dilipa e Nahusha e Amvarisha e o nobre Yayati e Dhundhumara e Puru. Estes principais dos homens, colocando Satakratu de grande alma, o matador de Vritra, em seu lugar de honra, foram para todas as águas sagradas uma após outra, e finalmente chegaram ao Kausiki altamente sagrado no dia da lua cheia no mês de Magha. Tendo se purificado de todos os pecados por abluções realizadas em todas as águas sagradas, eles finalmente procederam para o muito sagrado Brahmasara. Banhando-se naquele lago, aqueles Rishis dotados de energia como aquela do fogo começaram a colher e comer os caules dos lotos. Entre aquele Brahmanas, alguns tinham arrancado os caules dos lotos e alguns os caules da Nymphoea stellata. Logo eles descobriram que os caules extraídos por Agastya (e depositados na margem) tinham sido roubados por alguém. O principal dos Rishis, Agastya, se dirigindo a eles todos, disse, 'Quem roubou os caules que eu tinha arrancado e depositado aqui? Eu suspeito que um dentre vocês deve ter feito o ato. Que aquele que os roubou os devolva para mim. Não cabe a vocês se apropriarem indevidamente dos meus caules! É sabido que o Tempo ataca a energia da Virtude. Aquele Tempo chegou agora para nós. Por isso, a Virtude está afligida. É apropriado que eu vá para o céu para sempre, antes que a injustiça ataque o mundo e se estabeleça aqui! (As escrituras declaram que a Justiça perde sua força conforme o Tempo avança. Na era Krita, ela existe em sua totalidade. Na Treta ela perde um quarto; na Dwapara outro quarto é perdido; e na era Kali três quartos completos são perdidos e somente um quarto é tudo o que resta.) Antes que chegue o tempo quando Brahmanas, ruidosamente proferindo os Vedas integralmente, dentro dos arredores de aldeias e lugares habitados, façam os Sudras ouvi-los, antes que chegue a época quando reis pequem contra as regras de Justiça por motivos de política, eu irei para o céu para sempre! Antes que os homens cessem de respeitar as distinções entre as classes baixas, médias, e superiores, eu irei para o céu para sempre. (Os Rishis pensam que as distinções entre as classes baixas, médias e superiores da sociedade são eternas, e nada pode ser uma calamidade maior do que a extinção daquelas distinções. Igualdade entre os homens, aos olhos deles, é um mal absoluto.) Antes que a Ignorância ataque o mundo e envolva todas as coisas em escuridão, eu irei para o céu para sempre. Antes que chegue o tempo quando os fortes começarem a dominar os fracos e tratá-los como escravos, eu irei para o céu para sempre. De fato, eu não ouso permanecer na terra para testemunhar estas coisas.' Os Rishis, muito preocupados pelo que ele disse, se dirigiram àquele grande asceta e disseram, 'Nós não roubamos os teus caules! Tu não deves nutrir estas suspeitas contra nós. Ó grande Rishi, nós iremos fazer os juramentos mais terríveis!' Tendo dito estas palavras, conscientes da sua própria inocência, e desejosos de defender a causa da justiça, aqueles Rishis e sábios de descendência real então começaram a fazer, um depois do outro, os seguintes juramentos.'" “Bhrigu disse, ‘Que aquele que roubou teus talos censure quando censurado, ataque quando atacado, e coma a carne que está ligada à espinha dorsal de animais (mortos em sacrifícios).’” (O perdão é o dever de um Brahmana. Abandonar o perdão é abandonar o dever. Criticar quando criticado e atacar o atacante são transgressões graves no caso de um Brahmana. A idéia de retaliação nunca deve entrar no coração do Brahmana, pois o Brahmana é o amigo do universo. Seu comportamento em direção ao amigo e ao inimigo deve ser igual. Comer a carne que se liga à espinha dorsal de um animal morto também é uma transgressão grave.) “Vasishtha disse, ‘Que aquele que roubou teus talos negligencie seus estudos Védicos, controle cães de caça, e tendo se dedicado à classe mendicante viva em uma cidade ou município!’” (Um mendicante religioso deve sempre vagar pela Terra, dormindo onde a noite o alcança. Para tal homem residir em uma cidade ou município é pecaminoso.) "Kasyapa disse, ' Que aquele que roubou teus talos venda todas as coisas em todos os lugares, se aproprie indevidamente de depósitos, e dê evidências falsas!'” "Gautama disse, 'Que aquele que roubou teus talos viva, mostrando orgulho em todas as coisas, com uma compreensão que não vê todas as criaturas com um olhar imparcial, e sempre se entregando à influência do desejo e da ira! Que ele seja um cultivador do solo, e que ele seja inspirado pela malícia!'” (Arar a terra é uma transgressão para um Brahmana.) "Angiras disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja sempre impuro! Que ele seja um Brahmana criticável (por seus delitos). Que ele controle cães de caça. Que ele seja culpado de Brahmanicídio. Que ele seja avesso às expiações depois de ter cometido transgressões!'" "Dhundhumara disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja ingrato com seus amigos! Que ele tome nascimento em uma mulher Sudra! Que ele coma sozinho qualquer alimento bom (disponível em casa), sem dividi-lo com outros!'" (Bom alimento nunca deve ser comido sozinho. Ele deve ser sempre dividido com filhos e empregados.) "Dilipa disse, 'Que aquele que roubou teus caules desça para aquelas regiões de miséria e infâmia que estão reservadas para aquele Brahmana que reside em uma aldeia que tem somente um poço e que tem união sexual com uma mulher Sudra!'" (Uma vila que tem somente um poço deve ser abandonada por um Brahmana, pois ele não deve retirar água de semelhante poço que é usado por todas as classes da população). "Puru disse, 'Que aquele que roubou teus caules adote a profissão de médico! Que ele seja sustentado pelos lucros de sua esposa! Que ele retire seu sustento de seu sogro!'" "Sukra disse, 'Que aquele que roubou teus caules coma a carne de animais não mortos em sacrifícios! Que ele tenha união sexual durante o dia! Que ele seja um empregado do rei!'" "Jamadagni disse, 'Que aquele que roubou teus caules estude os Vedas em dias ou ocasiões proibidos. Que ele alimente amigos em Sraddhas realizados por ele! Que ele coma no Sraddha de um Sudra!'” "Sivi disse, 'Que aquele que roubou teus caules morra sem ter estabelecido um fogo (para culto diário)! Que ele seja culpado de obstruir o desempenho de sacrifícios por outros! Que ele brigue com aqueles que são praticantes de penitências!'" "Yayati disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja culpado de ter união sexual com sua mulher quando ela não está em sua época e quando ele mesmo está no cumprimento de um voto e tenha madeixas emaranhadas em sua cabeça! Que ele também desrespeite os Vedas!'" "Nahusha disse, 'Que aquele que roubou teus caules viva no ambiente doméstico depois de ter se dirigido ao voto de mendicância! Que ele aja de qualquer maneira que lhe agrade (e sem moderação de qualquer tipo), depois de ter passado pelos ritos iniciatórios em vista de um sacrifício ou uma observância solene! Que ele receba gratificação pecuniária por preleções para discípulos (em qualquer ramo de conhecimento que os últimos venham a aprender)!'” "Amvarisha disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja cruel e injusto em seu comportamento para com mulheres e parentes e vacas! Que ele seja culpado também de Brahmanicídio!'" "Narada disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja alguém que identifica o corpo com a alma! Que ele estude as escrituras com um preceptor que é censurável! Que ele cante os Vedas, pecando a cada passo contra as regras de Ortoepia! Que ele desrespeite todos os seus superiores!'" "Nabhaga disse, 'Que aquele que roubou teus caules fale mentiras e discuta com aqueles que são justos! Que ele entregue sua filha em casamento depois de aceitar uma gratificação pecuniária oferecida por seu genro!'" "Kavi disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja culpado de golpear uma vaca com seu pé. Que ele urine encarando o sol! Que ele rejeite a pessoa que procura proteção em suas mãos!'" "Viswamitra disse, 'Que aquele que roubou teus caules se torne um empregado que se comporta com falsidade em direção a seu patrão! Que ele seja o sacerdote de um rei! Que ele seja o Ritwik de alguém que não deva ser ajudado em seus sacrifícios!'" "Parvata disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja o chefe de uma aldeia! Que ele faça viagens sobre jumentos! Que ele controle cães de caça para seu sustento!'" "Bharadwaja disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja culpado de todos os deméritos que vêm a ser daquele que é cruel em seu comportamento e falso em palavras!'" "Ashtaka disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja um rei desprovido de sabedoria, caprichoso e pecaminoso em seu comportamento, e disposto a governar a Terra injustamente!'" "Galava disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja mais infame do que um homem pecaminoso! Que ele seja pecaminoso em suas ações em direção aos seus amigos e parentes! Que ele divulgue as doações que ele faz para outros!'" "Arundhati disse, 'Que aquela que roubou teus caules fale mal de sua sogra! Que ela sinta repugnância por seu marido. Que ela coma sozinha qualquer comida boa que chegue à sua casa!'" "Os Valakhilyas disseram, 'Que aquele que roubou teus caules permaneça sobre um pé na entrada de uma aldeia (para ganhar sua subsistência)! Que ele, enquanto conhecendo todos os deveres, seja culpado de todas as infrações!'" (A penitência que está envolvida em permanecer sobre um pé deve ser praticada, como todas as outras penitências, nas florestas. Praticar uma penitência no caminho que leva a uma vila para que as pessoas possam ser induzidas a fazer doações é uma transgressão de um tipo grave.) "Sunahsakha disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja um Brahmana que dorme em felicidade, tendo desconsiderado seu Homa diário! Que ele, depois de se tornar um mendicante religioso, se comporte de qualquer maneira que lhe agrade, sem observar qualquer restrição!'" "Surabhi disse, 'Que aquela que roubou teus caules seja ordenhada, com suas pernas (traseiras) amarradas com uma corda de cabelo humano, e com a ajuda de um bezerro que não é dela, e, enquanto ordenhada, que seu leite seja retido em um recipiente de latão branco!'” (Algumas vacas que são indóceis têm suas pernas traseiras amarradas com uma corda enquanto elas são ordenhadas. Se a corda for feita de cabelo humano, supõe-se que a dor sentida é muito grande. Obter a ajuda de um bezerro pertencente a outra vaca é considerado como pecaminoso. Para a vaca também, o processo de sugar não pode ser agradável. Se o leite é mantido em um recipiente de metal branco, ele se torna inadequado para deuses e convidados.) "Bhishma continuou, 'Depois que os Rishis e os sábios reais tinham feito estes diversos juramentos, ó rei Kuru, o chefe de mil olhos das divindades, cheio de alegria, lançou seus olhares no enfurecido Rishi Agastya. Dirigindo-se ao Rishi que estava muito zangado pelo desaparecimento dos seus talos de lotos, Maghavat assim declarou o que estava se passando em sua mente. Ouça, ó rei, quais foram as palavras que Indra falou no meio daqueles Rishis regenerados e celestes e sábios reais.'" "Sakra disse, 'Que aquele que roubou teus caules seja possuidor do mérito daquele que entrega sua filha em casamento para um Brahmana que tem cumprido devidamente o voto de Brahmacharya ou que estudou devidamente os Samans e os Yajuses! Que ele também tenha o mérito de alguém que passa pelo banho final depois de completar seu estudo do Atharva Veda! Que aquele que roubou teus caules tenha o mérito de ter estudado todos os Vedas. Que ele seja cumpridor de todos os deveres e justo em seu comportamento! De fato, que ele vá para a região de Brahman!'” "Agastya disse, 'Tu, ó matador de Vala, proferiste uma bênção em vez de uma maldição! (É evidente) que tu pegaste meus caules! Dê eles para mim, pois este é o dever eterno!'" "Indra disse, 'Ó santo, eu não removi teus caules levado pela cobiça! De fato, eu os removi pelo desejo de ouvir este conclave narrar quais são os deveres que nós devemos cumprir. Não cabe a ti dar vazão à ira! Os deveres são os principais dos Srutis. Os deveres constituem o caminho eterno (para cruzar o mar do mundo)! Eu escutei a este discurso dos Rishis (sobre deveres) que é eterno e imutável, e que transcende toda mudança! (O discurso é chamado de eterno e imutável porque seu assunto assim o é. Deveres são verdades eternas.) Então, ó principal dos Brahmanas eruditos, pegue de volta estes teus caules! Ó santo, cabe a ti perdoar minha transgressão, ó tu que és livre de todas as imperfeições!'" "Bhishma continuou, 'Assim endereçado pelo chefe das divindades, o asceta, isto é, Agastya, que tinha ficado muito zangado, pegou seus caules de volta. Dotado de grande inteligência, o Rishi ficou contente. Depois disto, aqueles habitantes das florestas procederam para diversas outras águas sagradas. De fato, se dirigindo para aquelas águas sagradas eles realizaram suas abluções em todos os lugares. O homem que lê esta narrativa com total atenção em todos os dias Parva não terá que se tornar progenitor de um filho ignorante e perverso. Ele nunca será desprovido de erudição. Nenhuma calamidade alguma vez irá alcançá- lo. Ele será, além disso, livre de toda espécie de tristeza. Decrepitude e decadência nunca serão dele. Livre de máculas e males de todo tipo, e dotado de mérito, ele sem dúvida alcançará o Céu. Aquele que estuda este Sastra cumprido pelos Rishis, com certeza, ó príncipe de homens, chegará à região eterna de Brahman que é cheia de bem-aventurança!'" (Sastra é literalmente algo que governa homens, que regula seu comportamento.) 95 "Yudhishthira disse, 'Ó chefe da linhagem de Bharata, por quem foi introduzido o costume de dar guarda-sóis e sandálias em cerimônias fúnebres? Por que isto foi introduzido e para que propósito estes presentes são feitos? Eles são dados não somente em cerimônias fúnebres mas também em outros ritos religiosos. Eles são dados em muitas ocasiões com um propósito de adquirir mérito religioso. Eu desejo saber, em detalhes, ó regenerado, o sentido verdadeiro deste costume!'" "Bhishma disse, 'Ó príncipe, ouça atentamente aos detalhes que eu contarei a respeito do costume de se doar guarda-sóis e sapatos em ritos religiosos, e quanto a como e por quem isto foi introduzido. Eu também te direi integralmente, ó príncipe, como isto adquiriu a força de uma observância permanente e como isto veio a ser visto como uma ação meritória. Eu irei, em relação a isto, relatar a narrativa da conversa entre Jamadagni e Surya de grande alma. Nos tempos antigos, o ilustre Jamadagni, ó rei pujante, da linhagem de Bhrigu, estava ocupado em praticar com seu arco. Escolhendo seu alvo, ele disparava seta depois de seta. Sua esposa Renuka costumava apanhar as setas quando atiradas e levá-las repetidamente de volta para aquele descendente, dotado de energia resplandecente, da linhagem de Bhrigu. Satisfeito com o barulho sibilante de suas setas e o ressoar de seu arco, ele se divertia dessa maneira por atirar repetidamente suas setas as quais Renuka levava de volta para ele. Um dia, ao meio dia, ó monarca, naquele mês quando o sol estava em Jyesthamula, o Brahmana, tendo atirado todas as suas setas, disse para Renuka, 'Ó dama de olhos grandes, vá e me busque as setas que eu atirei do meu arco, ó tu de sobrancelhas belas! Eu as dispararei novamente com meu arco.' A dama procedeu em sua missão, mas foi obrigada a se sentar sob a sombra de uma árvore, por sua cabeça e pés estarem sendo chamuscados pelo calor do sol. A graciosa Renuka de olhos negros, tendo descansado somente por um momento, teve medo da maldição de seu marido e, portanto, dirigiu-se novamente à tarefa de reunir e levar de volta as setas. Levando-as com ela, a senhora célebre de feições elegantes voltou, afligida em mente e com seus pés doendo muito. Tremendo com medo, ela se aproximou de seu marido. O Rishi, cheio de cólera, repetidamente se dirigiu à sua esposa de rosto formoso, dizendo, 'Ó Renuka, por que tu demoraste tanto para voltar?'" "Renuka disse, 'Ó tu que és dotado de riqueza de penitências, minha cabeça e pés foram chamuscados pelos raios do sol! Oprimida pelo calor, eu me dirigi para a sombra de uma árvore! Justamente esta foi a causa da demora! Informado da causa, ó marido, cesse de estar zangado comigo!'" "Jamadagni disse, 'Ó Renuka, neste mesmo dia eu destruirei, com a energia ardente das minhas armas, a estrela do dia com seus raios brilhantes, que te afligiu dessa maneira!'" "Bhishma continuou, 'Sacando seu arco celeste, e pegando muitas setas, Jamadagni ficou de pé, virando seu rosto em direção ao sol e vendo como ele se movia (no seu percurso diurno). Então, ó filho de Kunti, vendo-o dirigido para a luta, Surya se aproximou dele no disfarce de um Brahmana e lhe disse, 'O que Surya fez para te desagradar? Percorrendo o firmamento, ele absorve a umidade da terra, e na forma de chuvas ele a despeja novamente sobre ela. É por isto, ó regenerado, que nasce o alimento dos seres humanos, alimento que é tão agradável para eles! Os Vedas dizem que é alimento o que constitui os ares vitais. Ó Brahmana, oculto nas nuvens e rodeado por seus raios, o sol encharca as sete ilhas com chuvas. Ó pujante, a umidade, assim derramada, se propagando nas folhas e frutos de vegetais e ervas, é transformada em alimento. Ó filho de Bhrigu, os ritos de natividade, observâncias religiosas de todos os tipos, investidura com o fio sagrado, doações de vacas, casamentos, todos os artigos em vista de sacrifícios, as regras para o governo de homens, doações, todos os tipos de união (entre homem e homem), e a aquisição de riqueza, têm sua origem no alimento! Tu sabes bem disso! Todas as coisas boas e agradáveis no universo, e todos os esforços feitos pelas criaturas vivas fluem do alimento. Eu repito devidamente isto que é bem conhecido por ti! De fato, tu conheces completamente tudo o que eu disse! Portanto, ó Rishi regenerado, abande tua ira! O que tu irás ganhar por aniquilar o sol?'" 96 "Yudhishthira disse, 'O que fez aquele principal dos ascetas, isto é, Jamadagni dotado de grande energia, quando assim suplicado pelo fazedor do dia?'" "Bhishma disse, 'Ó descendente de Kuru, apesar de todas as súplicas de Surya, o sábio Jamadagni, dotado do resplendor do fogo, continuou a nutrir sua raiva. Então, ó rei, Surya, no disfarce de um Brahmana, curvou sua cabeça para ele e se dirigiu a ele com mãos unidas, nestas palavras gentis. 'Ó Rishi regenerado, o sol está sempre em movimento! Como tu irás perfurar o Senhor do dia que está constantemente se movendo para frente?'" "Jamadagni disse, ‘Com a visão do conhecimento eu te conheço como sendo móvel e imóvel! Eu certamente te darei uma lição neste dia. Ao meio-dia tu pareces parar nos céus por um momento. É então, ó Surya, que eu te perfurarei com minhas setas! Não há desvio desta minha resolução!'" "Surya disse 'Ó Rishi regenerado, sem dúvida, tu me conheces, ó melhor dos arqueiros! Mas, ó santo, embora eu tenha ofendido, veja, eu sou um suplicante pela tua proteção!'" "Bhishma continuou, 'Nisto, o adorável Jamadagni dirigiu-se sorridente ao fazedor do dia, dizendo, 'Ó Surya, quando tu procuraste minha proteção, tu não tens nada a temer! Superaria a simplicidade que existe nos Brahmanas, a estabilidade que existe na Terra, a suavidade existente na Lua, a gravidade existente em Varuna, a refulgência existente em Agni, o brilho de Meru, e o calor do sol, aquele que matasse um suplicante por proteção! O homem que pode matar um suplicante é capaz de violar o leito de seu preceptor, de matar um Brahmana, e de beber álcool. Portanto, pense em algum remédio para este mal, pelo qual as pessoas possam ser aliviadas quando aquecidas por teus raios!'" "Bhishma continuou, 'Assim dizendo, aquele excelente descendente de Bhrigu ficou calado por um momento, e Surya em seguida transferiu para ele um guarda- sol e um par de sandálias.'" "Surya disse, 'Ó grande Rishi, pegue este guarda-sol com o qual a cabeça pode ser protegida e meus raios repelidos. Este par de sandálias é feito de couro para a proteção dos pés. Deste dia em adiante a doação destes artigos em todos os ritos religiosos será estabelecida como um costume inflexível!'" "Bhishma continuou, 'Este costume de dar guarda-sóis e sapatos foi introduzido por Surya! Ó descendente de Bharata, estes presentes são considerados meritórios nos três mundos. Portanto, doe guarda-sóis e sapatos para Brahmanas. Eu não tenho dúvida que tu irás então obter grande mérito religioso por esta ação. Ó principal da linhagem de Bharata, aquele que doa um guarda-sol branco com cem de varetas para um Brahmana obtém bem-aventurança eterna depois da morte e reside na região de Indra, respeitado por Brahmanas, Apsaras, e Devas. Ó pujante, aquele que dá sapatos para Brahmanas Snataka, como também para Brahmanas praticantes dos ritos de religião cujos pés ficaram feridos pelo calor do sol, alcança regiões cobiçadas pelas próprias divindades. Tal homem, ó Bharata, mora em felicidade no Céu mais sublime depois de sua morte. Ó principal da linhagem de Bharata, eu assim relatei para ti integralmente os méritos de se doar sapatos e guarda-sóis em cerimônias religiosas!'" 97 "Yudhishthira disse, 'Ó principal da linhagem de Bharata, relate para mim todos os deveres do modo familiar e me diga tudo aquilo que um homem deve fazer para obter prosperidade neste mundo.'” "Bhishma disse, 'Ó Bharata, eu irei, em relação a isto, narrar para ti a antiga história de Vasudeva e da deusa Terra. O pujante Vasudeva, ó príncipe excelente da linhagem de Bharata, depois de cantar os louvores da deusa Terra, questionou- a acerca deste mesmo tópico sobre o qual tu perguntaste.'” "Vasudeva disse, 'Tendo adotado o estado de um chefe de família, quais ações eu, ou alguém como eu, deve realizar e como tais ações frutificam em benefícios?'" "A deusa Terra disse, 'Ó Madhava, os Rishis, as divindades, os Pitris, e os homens devem ser adorados, e sacrifícios devem ser realizados por um chefe de família. Aprenda também de mim que as divindades são sempre satisfeitas com sacrifícios, e os homens são satisfeitos com hospitalidade. Portanto, o chefe de família deve agradá-los com objetos tais como os que eles desejam. Por semelhantes ações, ó matador de Madhu, os Rishis também são satisfeitos. O chefe de família, se abstendo de comida, deve cuidar diariamente de seu fogo sagrado e de suas oferendas sacrificais. As divindades, ó matador de Madhu, ficam satisfeitas com tais ações. O chefe de família deve oferecer diariamente oblações de comida e água, ou de frutas, raízes e água, para a satisfação dos Pitris, e a oferenda Vaiswadeva deve ser realizada com arroz fervido, e oblações de manteiga clarificada para Agni, Soma, e Dhanwantari. Ele deve oferecer oblações distintas e separadas para Prajapati. Ele deve fazer oferendas sacrificais na devida ordem; para Yama na região ao Sul, para Varuna na região Oeste, para Soma na Região Norte, para Prajapati dentro da propriedade, para Dhanwantari na região Nordeste, e para Indra na região Leste. Ele deve oferecer alimento para homens na entrada de sua casa. Estas, ó Madhava, são conhecidas como as oferendas Vali. As Vali devem ser oferecidas para os Maruts e para as divindades no interior da casa. Para os Viswedevas elas devem ser oferecidas ao ar livre, e para os Rakshasas e espíritos as oferendas devem ser feitas à noite. Depois de fazer estas oferendas, o chefe de família deve fazer oferendas para Brahmanas, e se nenhum Brahmana estiver presente, a primeira porção de alimento deve ser jogada no fogo. Quando um homem deseja oferecer Sraddha para seus antepassados, ele deve, quando a cerimônia Sraddha estiver terminada, gratificar seus antepassados e então fazer as oferendas Vali na ordem devida. Ele deve então fazer oferendas para os Viswedevas. Ele deve em seguida convidar Brahmanas e então regalar apropriadamente os convidados chegados à sua casa, com alimento. Por este ato, ó príncipe, os convidados são satisfeitos. Aquele que não fica muito tempo na casa, ou, tendo chegado, vai embora depois um tempo curto, é chamado de convidado. Para seu preceptor, para seu pai, para seu amigo e para um convidado, um chefe de família deve dizer, 'Eu adquiri isto em minha casa para te oferecer hoje!' E ele deve oferecer isto consequentemente todo dia. O chefe de família deve fazer o que quer que eles lhe peçam para fazer. Este é o costume estabelecido. O chefe de família, ó Krishna, deve comer seu alimento por último depois de ter oferecido alimento para todos eles. O chefe de família deve adorar, com oferendas de Madhuparka, seu rei, seu sacerdote, seu preceptor, e seu sogro como também Brahmanas Snataka mesmo se eles fossem ficar em sua casa por um ano inteiro. De manhã assim como à noite, alimento deve ser oferecido no chão para cachorros, Swapachas, (literalmente, aqueles que cozinham para cachorros, ou seja, que mantêm cachorros como companheiros, significando membros da casta mais baixa) e aves. Isto é chamado de oferenda Vaiswadeva. O chefe de família que realiza estas cerimônias com uma mente não nublada pela emoção obtém as bênçãos dos Rishis neste mundo, e depois da morte chega às regiões celestiais.'" "Bhishma continuou, "O pujante Vasudeva, tendo escutado tudo isso da deusa Terra, agiu conformemente. Aja tu também da mesma maneira. Por realizar estes deveres de um chefe de família, ó rei, tu obterás fama neste mundo e alcançarás o céu depois da morte!'" 98 “Yudhishthira disse, ‘De que tipo é a doação de luz, ó chefe da linhagem de Bharata? Como este presente se originou? Quais são os méritos que se atribuem a ele? Conte-me tudo isto.’” "Bhishma disse, 'Em relação a isto, ó Bharata, é contada a velha narrativa da conversa entre Manu, aquele senhor das criaturas, e Suvarna. Havia antigamente um asceta, ó Bharata, de nome Suvarna. Sua cor era como aquela do ouro e por isso ele era chamado de Suvarna (o de cor de ouro). Dotado de uma linhagem pura, bom comportamento, e talentos excelentes, ele tinha dominado todos os Vedas. De fato, pelas habilidades que ele possuía, ele conseguiu superar muitas pessoas de linhagem nobre. Um dia aquele Brahmana erudito viu Manu, o senhor de todas as criaturas, e se aproximou dele. Se encontrando, eles fizeram as perguntas usuais de cortesia. Ambos eram firmes no cumprimento da verdade. Eles se sentaram no leito encantador de Meru, aquela montanha de ouro. Sentados lá eles começaram a conversar um com o outro sobre diversos assuntos ligados às divindades de grande alma e Rishis regenerados e Daityas dos tempos antigos. Então Suvarna, dirigindo-se ao Manu Auto-nascido, disse estas palavras, 'Cabe a ti responder uma pergunta minha para o benefício de todas as criaturas. Ó senhor de todas as criaturas, as divindades são vistas serem adoradas com presentes de flores e outros bons perfumes. O que é isto? Como esta prática foi originada? Quais também são os méritos que se atribuem a isto? Fale para mim sobre este tópico.'" "Manu disse, 'Em relação a isto é recitada a velha história da conversa entre Sukra e o (Daitya) Vali de grande alma. Uma vez, Sukra da linhagem de Bhrigu se aproximou da presença de Vali, o filho de Virochana, enquanto ele estava governando os três mundos. O chefe dos Asuras, aquele dador de presentes sacrificais em abundância, tendo adorado o descendente de Bhrigu com o Arghya (e lhe oferecendo um assento), se sentou depois que seu convidado tinha se sentado. Este mesmo tópico que tu começaste relativo aos méritos ligados ao presente de flores e incenso e lâmpadas surgiu na ocasião. De fato, o chefe dos Daityas fez esta grande pergunta para Sukra, aquele mais erudito de todos os ascetas.'” “Vali disse, ‘Ó principal de todas as pessoas familiarizadas com Brahma, qual, de fato, é o mérito de dar flores e incenso e lâmpadas? Cabe a ti, ó principal dos Brahmanas, me falar sobre isto.’” "Sukra disse, 'Primeiro a penitência surgiu para a vida. Depois veio Dharma (ou compaixão e outras virtudes). No intervalo no meio surgiram muitas trepadeiras e ervas. Inúmeras eram as espécies destas. Todas elas têm (a divindade) Soma como seu senhor. Algumas daquelas trepadeiras e ervas vieram a ser consideradas como Amrita e algumas vieram a ser consideradas como Veneno. Outras que não eram nem isto nem aquilo formaram uma classe. É Amrita aquilo que dá satisfação imediata e alegria para a mente. É Veneno aquilo que tortura a mente extremamente por seu odor. Saiba também que Amrita é altamente auspicioso e que Veneno é altamente inauspicioso. Todas as ervas (decíduas) são Amrita. O Veneno nasceu da energia do fogo. As flores alegram a mente e concedem prosperidade. Por esta razão, homens de atos virtuosos deram o nome de Sumanas para elas. Aquele homem que está em um estado de pureza e oferece flores para as divindades descobre que as divindades ficam satisfeitas com ele, e como a consequência de tal satisfação concedem prosperidade para ele. Ó soberano dos Daityas, aquelas divindades para quem os devotos oferecem flores, ó senhor, enquanto proferem seus nomes, ficam satisfeitas com as oferendas por causa de sua devoção. As ervas (decíduas) são de diversas espécies e possuem diversos tipos de energia. Elas devem ser classificadas como selvagens, suaves, e poderosas. Ouça-me enquanto eu te digo quais árvores são úteis para propósitos de sacrifício e quais não são assim. Ouça também quais guirlandas são aceitáveis para Asuras, e quais são benéficas quando oferecidas às divindades. Eu também mostrarei em sua devida ordem quais guirlandas são agradáveis para os Rakshasas, quais são para os Uragas, para os Yakshas, quais são para os seres humanos, e para os Pitris, na ordem apropriada. As flores são de diversas espécies. Algumas são selvagens, algumas são de árvores crescidas no meio de habitações humanas; algumas pertencem a árvores que nunca crescem a menos que plantadas em solo bem cultivado; algumas são de árvores crescidas em montanhas; algumas são de árvores que não são espinhosas; e algumas de árvores que são espinhosas. Fragrância, beleza de forma, e gosto também podem oferecer bases de classificação. O perfume que as flores produzem é de dois tipos, agradável e desagradável. As flores que emitem perfume agradável devem ser oferecidas às divindades. As flores de árvores que são desprovidas de espinhos são geralmente brancas em cor. Tais flores são sempre aceitáveis para as divindades, ó senhor! Uma pessoa possuidora de sabedoria deve oferecer guirlandas de flores aquáticas, tais como o lótus e semelhantes, para os Gandharvas e Nagas e Yakshas. Tais plantas e ervas que produzem flores vermelhas, que possuem perfume forte, e que são espinhosas, são declaradas no Atharvana como adequadas para todas as ações de encantamento para prejudicar inimigos. Tais flores como as que possuem grande energia, que são dolorosas ao toque, que crescem em árvores e plantas que têm espinhos, e que são vermelho vivo ou pretas, devem ser oferecidas para espíritos (maus) e seres sobrenaturais. Tais flores que alegram a mente e o coração, que são muito agradáveis quando pressionadas, e que são de forma bela, são citadas, ó senhor, como sendo dignas de serem oferecidas para seres humanos. Flores tais como as que crescem em cemitérios e crematórios, ou em lugares dedicados às divindades, não devem ser levadas e usadas para casamento e outros ritos que tenham crescimento e prosperidade como seu objetivo, ou para atos de galanteio e prazer em segredo. Tais flores que nascem em montanhas e em vales, e que são agradáveis em perfume e aspecto, devem ser oferecidas para as divindades. Salpicando-as com pasta de sândalo, tais flores agradáveis devem ser oferecidas devidamente segundo as ordenanças das escrituras. As divindades ficam satisfeitas com o perfume das flores; os Yakshas e Rakshasas com sua visão, os Nagas com seu toque; e os seres humanos com todos os três, isto é, perfume, visão, e toque. Flores, quando oferecidas para as divindades, as agradam imediatamente. Elas são capazes de realizar todos os objetivos simplesmente por desejarem sua realização. Como tais, quando satisfeitas com devotos lhes oferecendo flores, elas fazem todos os objetivos nutridos por seus devotos serem realizados imediatamente. Satisfeitas, elas satisfazem seus devotos. Honradas, elas fazem seus devotos desfrutarem de todas as honras. Desconsideradas e insultadas, elas fazem aqueles mais vis dos homens serem arruinados e consumidos. Eu irei, depois disto, falar para ti dos méritos que se vinculam às ordenanças sobre o presente de incenso. Saiba, ó príncipe dos Asuras, que os incensos são de diversos tipos. Alguns deles são auspiciosos e alguns são inauspiciosos. Alguns incensos consistem de exsudações. Alguns são feitos de madeira fragrante colocada sobre o fogo. E alguns são artificiais, sendo feitos por intermédio de diversos artigos misturados. Seu perfume é de dois tipos, isto é, agradável e desagradável. Ouça-me enquanto eu te falo sobre o assunto em detalhes. (Dhupas são incensos oferecidos para as divindades. Sendo de substâncias inflamáveis, eles são feitos de modo que eles possam queimar lentamente. Eles são acompanhamentos inseparáveis de um culto das divindades.) Todas as exsudações exceto aquela da Boswellia serrata são agradáveis para as divindades. É, no entanto, certo que a melhor de todas as exsudações é a da Balsamodendron Mukul. De todos os Dhupas da classe Sari, o Aquilaria Agallocha é o melhor. Ele é muito agradável para os Yakshas, os Rakshasas, e os Nagas. A exsudação da Boswellia serrata, e outros da mesma classe, são muito desejados pelos Daityas. Dhupas feitos da exsudação do Shorea robusta e do Pinus deodara, misturados com várias tinturas de perfume forte, são, ó rei, ordenados para os seres humanos. É dito que tais Dhupas satisfazem imediatamente as divindades, os Danavas, e espíritos. Além desses, há muitas outras espécies de Dhupas usados por homens para propósitos de prazer ou satisfação. Todos os méritos que foram falados como vinculados à oferta de flores devem ser reconhecidos como se vinculando igualmente ao presente de Dhupas tais como os que são produtivos de satisfação. Eu agora falarei dos méritos ligados ao presente de luzes, e quem pode dá-los em quais momentos e de que maneira, e quais devem ser os tipos de luzes que devem ser oferecidos. A luz é citada como sendo energia e fama e tem um movimento ascendente. Por isso o presente de luz, o qual é energia, aumenta a energia dos homens. Há um inferno de nome Andhatamas. O período também do rumo do sol para o sul é considerado como escuro. Para escapar daquele inferno e da escuridão deste período, uma pessoa deve dar luzes durante o período quando o sol está em seu rumo norte. Tal ato é elogiado pelos bons. (O sentido parece ser que se um homem morre durante aquele período quando o sol está no seu rumo para o sul, ele é arrastado através de uma escuridão densa. Para escapar daquela escuridão uma pessoa deve dar luzes no período mencionado.) Já que, além disso, a luz tem uma direção ascendente e é considerada como um remédio para a escuridão, portanto, uma pessoa deve ser um doador de luz. Exatamente esta é a conclusão das escrituras. É devido às luzes oferecidas que as divindades se tornaram dotadas de beleza, energia, e resplandecência. Por abstenção de tal ação, os Rakshasas se tornaram dotados dos atributos opostos. Por esta razão se deve sempre dar luzes. Por dar luzes um homem vem a ser dotado de visão aguçada e resplandecência. Alguém que doa luzes não deve ser um objeto de ciúme com outros. Luzes, além disso, não devem ser roubadas, nem extinguidas quando dadas por outros. Alguém que rouba uma luz se torna cego. Tal homem ter que tatear pela escuridão (no mundo seguinte) e se torna desprovido de resplandecência. Alguém que dá luzes brilha em beleza nas regiões celestiais como uma fileira de luzes. Entre as luzes, as melhores são aquelas nas quais ghee é queimado. Em seguida na ordem estão aquelas nas quais o suco (dos frutos produzidos por) ervas decíduas é queimado (isto é, óleo de sementes de mostarda e sementes de mamona, etc.) Alguém desejoso de progresso e crescimento nunca deve queimar (para iluminação) gordura ou medula ou o suco que flui dos ossos das criaturas. O homem que deseja seu próprio progresso e prosperidade deve sempre dar luzes em descidas de montanhas, em estradas através de florestas e regiões inacessíveis, sob árvores sagradas localizadas no meio de habitações humanas, e em cruzamentos de ruas. O homem que dá luzes sempre ilumina sua família, obtém pureza de alma e refulgência de forma. Realmente, tal homem, depois da morte, obtém a companhia dos corpos luminosos no firmamento. Eu irei agora te falar sobre os méritos, com os frutos que eles ocasionam, que se vinculam às oferendas Vali feitas às divindades, aos Yakshas, aos Uragas, seres humanos, espíritos, e Rakshasas. Aqueles homens inescrupulosos e pecaminosos que comem sem primeiro servir Brahmanas e divindades e convidados e filhos devem ser reconhecidos como Rakshasas. Por isso, alguém deve oferecer primeiro o alimento que ele preparou para as divindades depois tê-las adorado devidamente com sentidos reprimidos e atenção concentrada. Deve-se oferecer as Vali para as divindades inclinando a cabeça em reverência. As divindades são sempre sustentadas pela comida que os chefes de família oferecem. Na verdade, elas abençoam as casas nas quais são feitas oferendas para elas. Os Yakshas e Rakshasas e Pannagas, como também convidados e todas as pessoas sem casa, são sustentados pelo alimento que é oferecido por pessoas que levam o modo de vida familiar. De fato, as divindades e os Pitris derivam seu sustento de tais oferendas. Satisfeitos com tais oferendas eles satisfazem o ofertante em retribuição com longevidade e fama e riqueza. Alimento limpo, de cheiro e aparência agradáveis, misturado com leite e coalhos, deve, junto com flores, ser oferecido para as divindades. As Valis que devem ser oferecidas para Yakshas e Rakshasas devem ser abundantes com sangue e carne, com vinhos e bebidas alcoólicas acompanhando, e adornadas com camadas de arroz frito. (Arroz bem frito, reduzido a pó, é às vezes usado para dar um revestimento para pratos de carne.) Valis misturadas com lotos e Utpalas são muito agradáveis para os Nagas. Sementes de gergelim, fervidas em açúcar cru, devem ser oferecidas aos espíritos e outros Seres sobrenaturais. Aquele que nunca come algum alimento sem primeiro servir dele para os Brahmanas e divindades e convidados, vem a ter direito às primeiras porções de alimento. Tal homem se torna dotado de força e energia. Por isso, nunca se deve ingerir algum alimento sem oferecer primeiro uma porção dele para as divindades depois de cultuá-las com reverência. A casa de uma pessoa sempre brilha com beleza por causa das divindades da família que vivem nela. Por isso, aquele que deseja seu próprio crescimento e prosperidade deve adorar as divindades da família por lhes oferecer a primeira porção de todo alimento.’ Dessa maneira o erudito Kavi da linhagem de Bhrigu discursou para Vali, o chefe dos Asuras. Aquele discurso foi em seguida repetido por Manu para o Rishi Suvarna, Suvarna, por sua vez, o repetiu para Narada. O Rishi celeste Narada repetiu para mim os méritos que se vinculam às várias ações mencionadas. Informado daqueles méritos, ó filho, realize as várias ações mencionadas!'" 99 "Yudhishthira disse, 'Eu, ó chefe dos Bharatas, ouvi quais são os méritos que são ganhos por aqueles que oferecem flores e incenso e luzes. Eu te ouvi falar também dos méritos que se vinculam a um cumprimento adequado das ordenanças a respeito do oferecimento da Vali. Cabe a ti, ó avô, me falar uma vez mais sobre este assunto. De fato, fale-me novamente, ó majestade, dos méritos de se oferecer incenso e luzes. Por que Valis são oferecidas no chão por pessoas que levam o modo de vida familiar?’” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é contada a velha narrativa da conversa entre Nahusha e Agastya e Bhrigu. O sábio nobre Nahusha, ó monarca, possuidor de riqueza de penitências, obteve a soberania do Céu por suas próprias boas ações. Com sentidos contidos, ó rei, ele morou no Céu, empenhado em fazer diversos atos de natureza humana e celeste. Daquele monarca de grande alma fluíram diversos tipos de ações humanas e diversos tipos de ações celestes também, ó chefe de homens. Os diversos ritos com respeito ao fogo sacrifical, a coleta do combustível sagrado e de grama Kusa, como também de flores, e o oferecimento de Vali consistindo em alimento adornado com arroz frito (reduzido a pó), e a oferta de incenso e de luz, todos estes, ó monarca, ocorriam diariamente na residência daquele rei de grande alma enquanto ele morava no céu. De fato, embora morando no céu, ele realizava o sacrifício de Japa (ou recitação silenciosa) e o sacrifício de meditação. E, ó castigador de inimigos, Nahusha, embora ele tivesse se tornado o chefe das divindades, ainda assim adorava todas as divindades, como ele costumava fazer nos tempos passados, com os ritos e cerimônias devidos. Algum tempo depois, Nahusha percebeu sua posição como o chefe de todas as divindades. Isto o encheu de orgulho. Desde aquele momento todas as suas ações (do tipo mencionado) foram suspensas. Cheio de arrogância em consequência do benefício que ele tinha recebido de todas as divindades, Nahusha fez os próprios Rishis o carregarem em seus ombros. Por causa, no entanto, de sua abstenção de todas as ações religiosas, sua energia começou a sofrer uma diminuição. Foi muito longo o tempo pelo qual Nahusha, cheio de orgulho, continuou a empregar os principais dos Rishis, possuidores de riqueza de penitências, como os carregadores de seus veículos. Ele fez os Rishis cumprirem por turnos seu trabalho humilhante. Chegou o dia em que era a vez de Agastya carregar os veículos, ó Bharata. Naquele momento, Bhrigu, aquela principal de todas as pessoas familiarizadas Brahma, se dirigiu à presença de Agastya enquanto o último estava sentado em seu retiro, e se dirigindo a ele, disse, 'Ó grande asceta, por que nós devemos tolerar pacientemente tal indignidade infligida por este Nahusha de alma perversa que se tornou o chefe das divindades?'” "Agastya disse, 'Como eu posso conseguir amaldiçoar Nahusha, ó grande Rishi? É sabido por ti como o próprio concessor de bênçãos (Brahman) deu para Nahusha a melhor das bênçãos! Vindo para o céu, a bênção que Nahusha pediu foi que quem quer que viesse dentro do alcance de sua visão, privado de toda energia, ficaria sob seu domínio. O auto-nascido Brahman lhe concedeu até este benefício, e é por essa razão que nem tu mesmo nem eu somos capazes de consumi-lo. Sem dúvida, é por esta razão que ninguém mais entre os principais dos Rishis pode destruí-lo ou tirá-lo de sua posição elevada. Antigamente, ó Senhor, néctar foi dado por Brahman para Nahusha beber. Por esta razão também nós ficamos impotentes contra ele. A divindade suprema, parece, deu aquele benefício para Nahusha para lançar todas as criaturas no infortúnio. Aquele canalha entre homens se comporta da maneira mais injusta em direção aos Brahmanas. Ó principal de todos os oradores, nos diga o que deve ser feito em vista da situação. Sem dúvida, eu farei o que tu aconselhares.'” "Bhrigu disse, 'É por ordem do Avô que eu vim a ti com o propósito de neutralizar a força de Nahusha que é possuidor de grande energia, mas que foi entorpecido pelo destino. Aquele indivíduo de alma extremamente má que se tornou o chefe das divindades hoje te unirá ao seu carro. Com a ajuda da minha energia eu irei hoje tirá-lo de sua posição como Indra por ele ter ultrapassado todas as restrições! Eu irei hoje, na tua própria vista, restabelecer o verdadeiro Indra em sua posição, isto é, aquele que realizou cem Sacrifícios de Cavalo, tendo derrubado o pecaminoso Nahusha de alma má daquele assento! Aquele chefe injusto das divindades hoje te insultará por um pontapé, por sua compreensão ser afligida pelo destino e para ocasionar sua própria queda. Enfurecido por semelhante insulto eu hoje amaldiçoarei aquele canalha pecaminoso, aquele inimigo dos Brahmanas, que ultrapassou todas as restrições, dizendo, 'Seja tu transformado em uma cobra!' Na tua própria visão, ó grande asceta, eu irei hoje arremessar na terra Nahusha de alma perversa que será privado de toda energia pelos gritos de 'Vergonha!' que serão proferidos de todos os lados. (O único castigo que estava em voga na era Krita era o grito de 'Vergonha' para o ofensor.) Na verdade, eu lançarei Nahusha para baixo hoje, aquele indivíduo de atos injustos, que, além disso, ficou entorpecido pelo domínio e poder. Eu farei isto, se isto for aceitável para ti, ó asceta!’ Assim endereçado por Bhrigu, o filho de Mitravaruna, Agastya de pujança e glória imperecíveis, ficou muito satisfeito e livre de toda ansiedade.'" "Yudhishthira disse, 'Como Nahusha foi lançado em infortúnio? Como ele foi arremessado na terra? Como, de fato, ele foi privado da soberania dos deuses? Cabe a ti contar tudo isto para mim.'” "Bhishma disse, 'Assim mesmo aqueles dois Rishis, isto é, Bhrigu e Agastya, conversaram entre si. Eu já te disse como Nahusha, quando ele se tornou o chefe dos deuses, inicialmente agiu de uma maneira adequada. Na verdade, todas as ações de natureza humana e celeste fluíram daquele sábio real de grande alma! A oferenda de luz, e todos os outros ritos de um tipo semelhante, o oferecimento apropriado de Valis, e todos os ritos que são realizados especialmente em dias sagrados, todos estes foram praticados devidamente por Nahusha de grande alma que tinha se tornado o soberano das divindades. Ações pias são sempre praticadas por aqueles que possuem sabedoria, no mundo dos homens e naquele das divindades. Na verdade, ó principal dos reis, se tais ações são praticadas, os chefes de família sempre conseguem obter prosperidade e progresso. Este mesmo é o efeito da doação de lâmpadas e de incenso, como também de reverências e prostrações, para as divindades. Quando alimento é cozido, a primeira porção dele deve ser oferecida para um Brahmana. As oferendas específicas chamadas de Vali devem também ser oferecidas para as divindades da família. As divindades ficam satisfeitas com tais presentes. É também bem conhecido que a medida de satisfação que as divindades derivam de tais oferendas é cem vezes tão grande quanto aquela que o próprio chefe de família deriva de fazê-las. Pessoas dotadas de piedade e sabedoria fazem oferendas de incenso e luzes, acompanhando-as com reverências e prostrações. Tais ações são sempre repletas de progresso e prosperidade para aquele que as faz. Aqueles ritos pelos quais os eruditos passam no decorrer de suas abluções, e com a ajuda de águas, acompanhados com reverências para os deuses, sempre contribuem para a satisfação dos deuses. Quando adorados com ritos apropriados, os Pitris altamente abençoados, os Rishis possuidores de riqueza de ascetismo, e as divindades da família, todos ficam satisfeitos. Cheio de semelhantes ideias, Nahusha, aquele grande rei, quando ele obteve a soberania das divindades, cumpriu todos aqueles ritos e deveres repletos de grande glória. Algum tempo depois a boa sorte de Nahusha diminuiu, e como a consequência disto ele desconsiderou todas estas observâncias e começou a agir sem respeito por todas as restrições da maneira à qual eu já me referi. O chefe das divindades, por sua abstenção de cumprir as ordenanças acerca das oferendas de incenso e luz, começou a declinar em energia. Seus ritos e doações sacrificais foram obstruídos por Rakshasas. Foi neste momento que Nahusha uniu aquele principal dos Rishis, isto é, Agastya, ao seu carro. Dotado de grande força, Nahusha, sorrindo, colocou aquele grande Rishi rapidamente para a tarefa, mandando-o carregar o veículo das margens do Saraswati (para o lugar que ele iria indicar). Nesta hora, Bhrigu, dotado de grande energia, dirigiu-se ao filho de Mitravaruna, dizendo, 'Feche teus olhos até que eu entre nas madeixas emaranhadas em tua cabeça.' Tendo dito isso, Bhrigu de glória imperecível e energia poderosa entrou nos cabelos emaranhados de Agastya que permaneceu imóvel como um poste de madeira para derrubar o rei Nahusha do trono do Céu. Logo depois Nahusha viu Agastya se aproximar dele para carregar seu veículo. Vendo o senhor das divindades Agastya se dirigiu a ele, dizendo, 'Una-me ao teu veículo sem demora. Para qual região eu te levarei? Ó senhor das divindades, eu te carregarei para o local que tu possas querer ordenar.' Assim endereçado por ele, Nahusha fez o asceta ser unido ao seu veículo. Bhrigu, que estava dentro dos cabelos emaranhados de Agastya, ficou muito satisfeito por este ato de Nahusha. Ele tomou cuidado para não olhar para Nahusha. Totalmente familiarizado com a energia que o ilustre Nahusha tinha adquirido por causa do benefício que Brahman lhe tinha concedido, Bhrigu se comportou desse modo. Agastya também, embora tratado por Nahusha dessa maneira, não cedeu à ira. Então, ó Bharata, o rei Nahusha incitou Agastya para frente com sua aguilhada. O Rishi de alma justa ainda assim não deu vazão à raiva. O senhor das divindades, ele mesmo cedendo à raiva, então golpeou Agastya na cabeça com seu pé esquerdo. Quando o Rishi foi assim golpeado na cabeça, Bhrigu, que estava permanecendo dentro dos cabelos emaranhados de Agastya, ficou enfurecido e amaldiçoou Nahusha de alma pecaminosa, dizendo, 'Já que tu bateste com teu pé na cabeça deste grande Rishi, portanto, caia na terra, transformado em uma cobra, ó canalha de mente perversa!' Assim amaldiçoado por Bhrigu que não tinha sido visto, Nahusha foi imediatamente transformado em uma cobra e caiu na terra, ó chefe da linhagem de Bharata! Se, ó monarca, Nahusha tivesse visto Bhrigu, o último então não teria conseguido, por sua energia, lançar o último sobre a terra. Por causa das várias doações que Nahusha tinha feito, como também suas penitências e observâncias religiosas, embora arremessado na terra, ó rei, ele conseguiu reter sua memória. Ele então começou a conciliar Bhrigu com a intenção de resolver a maldição. Agastya também, cheio de compaixão, se juntou a Nahusha em acalmar Bhrigu para ocasionar um fim da maldição. Finalmente Bhrigu sentiu compaixão por Nahusha e tomou providências para o fim da maldição.'” 'Bhrigu disse, 'Aparecerá (sobre a terra) um rei de nome Yudhishthira, o principal de sua linhagem. Ele te resgatará dessa maldição.' Tendo dito isso, o Rishi desapareceu na própria vista de Nahusha. Agastya também, de energia poderosa, tendo assim realizado o negócio do verdadeiro Indra, aquele realizador de cem sacrifícios, voltou para o seu próprio retiro, adorado por todos os membros da classe regenerada. Tu, ó rei, resgataste Nahusha da maldição de Bhrigu. Na verdade, salvo por ti, ele ascendeu para a região de Brahman na tua visão. Com relação a Bhrigu, tendo arremessado Nahusha na terra, ele foi para a região de Brahman e informou o Avô disto. O Avô, tendo chamado Indra de volta, se dirigiu às divindades, dizendo, 'Ó divindades, através da bênção que eu tinha concedido a ele, Nahusha obteve a soberania do céu. Privado, no entanto, daquela soberania pelo enfurecido Agastya, ele foi arremessado na terra. Ó divindades, vocês não conseguirão viver sem um chefe. Portanto, instalem Indra novamente na soberania do Céu.' Para o Avô, ó filho de Pritha, que tinha falado dessa maneira para elas, as divindades cheias de alegria responderam dizendo, 'Assim seja.' O divino Brahman então, ó melhor dos monarcas, instalou Indra na soberania do céu. Feito mais uma vez o chefe das divindades, Vasava começou a brilhar em beleza e resplandecência. Isto mesmo foi o que ocorreu nos tempos passados por causa da transgressão de Nahusha. Por consequência, no entanto, dos méritos que ele tinha adquirido por ações do tipo que eu mencionei, Nahusha conseguiu recuperar novamente sua posição perdida. Por isso, quando chega a noite, as pessoas que levam o modo de vida familiar devem doar luzes. O doador de luzes sem dúvida obtém visão divina depois da morte. Realmente, doadores de luz se tornam tão resplandecentes quanto a lua cheia. O doador de luzes vem a ser dotado de beleza de forma e força por tantos anos quanto os que correspondem ao número de cintilações pelos quais as luzes doadas por ele queimam ou brilham.'" (Uma cintilação ocupa um instante de tempo, portanto, o doador de luzes se torna dotado de beleza e força por tantos anos quanto o número de instantes pelos quais as luzes doadas por ele são vistas queimarem.) 101 “Yudhishthira disse, ‘Para onde vão aqueles homens tolos, desprezíveis, e pecaminosos, ó chefe de homens, que roubam ou desviam artigos que pertencem a Brahmanas?’” “Bhishma disse, ‘Eu irei, em relação a isto, ó Bharata, te contar a antiga narrativa de uma conversa entre um Chandala e um Kshatriya inferior.’” “A pessoa da classe real disse, ‘Tu pareces, ó Chandala, ser velho em idade, mas teu comportamento parece ser como aquele de um menino! Teu corpo está coberto com o pó erguido por cachorros e jumentos, mas sem prestar atenção àquela poeira tu estás ansioso sobre as pequenas gotas de leite que caíram sobre teu corpo! É evidente que atos como os que são criticados pelos pios são ordenados para o Chandala. Por que, de fato, tu procuras lavar as manchas de leite do teu corpo?’” (Literalmente, 'Por que tu mergulhas tais partes do teu corpo em um tanque de água?'). "O Chandala disse, 'Antigamente, ó rei, certas vacas pertencentes a Brahmana foram roubadas. Enquanto elas estavam sendo levadas embora, algum leite de seus úberes caiu sobre várias plantas Soma que cresciam à beira da estrada. Aqueles Brahmanas que beberam o suco das plantas assim molhadas com leite, como também o rei que realizou o sacrifício no qual aquele Soma foi bebido, tiveram que ir para o inferno. De fato, por ter se apropriado dessa maneira de uma coisa que pertencia a um Brahmana, o rei com todos os Brahmanas que o tinham ajudado teve que ir para inferno. Todo aqueles homens também, Brahmanas e Kshatriyas, que beberam leite ou ghee ou coalho, no palácio do rei que tinha roubado as vacas do Brahmana, tiveram que cair no inferno. As vacas roubadas também, sacudindo seus corpos, mataram com seu leite os filhos e netos daqueles que as tinham roubado, como também o rei e a rainha embora os últimos tratassem os animais com grande cuidado e atenção. Com relação a mim mesmo, ó rei, eu costumava viver no cumprimento do voto de Brahmacharya naquele local onde estas vacas foram colocadas depois que elas tinham sido roubadas. O alimento que eu obtive por mendicância foi salpicado com o leite daquelas vacas. Tendo ingerido aquele alimento, ó tu da classe real, eu, nesta vida, me tornei Chandala. O rei que tinha roubado as vacas pertencentes a um Brahmana obteve um fim infame. Por isso, nunca se deve roubar ou se apropriar indevidamente de qualquer coisa que pertença a um Brahmana. Veja a qual estado eu fui reduzido por ter comido alimento que tinha sido salpicado com leite pertencente a um Brahmana! É por esta razão que as plantas Soma vieram a ser invendáveis por uma pessoa possuidora de sabedoria. Aqueles que vendem a planta Soma são criticados pelos sábios. De fato, ó filho, aqueles que compram Soma e aqueles que o vendem, ambos vão para o inferno chamado Raurava quando, partindo deste mundo, eles se dirigem à região de Yama. Aquele homem que, possuindo um conhecimento dos Vedas, vende Soma regularmente, se torna em sua próxima vida um usurário e rapidamente encontra com a destruição. Por trezentas vezes ele tem que ir para o inferno e ser transformado em um animal que subsiste de excremento humano. Servir uma pessoa que é vil e baixa, orgulho, e rapto da esposa de um amigo, se pesados uns contra os outros em uma balança, mostrariam que o orgulho, o qual transcende todas as restrições, é o mais pesado. Veja este cachorro, tão pecaminoso e desagradavelmente pálido e magro! (Ele era um ser humano em sua vida anterior.) É através do orgulho que as criaturas vivas obtêm tal fim miserável. Com relação a mim mesmo, eu nasci em uma família grande em um nascimento anterior meu. Ó senhor, e eu era um mestre perfeito de todos os ramos de conhecimento e todas as ciências. Eu conhecia a gravidade de todas estas falhas, mas influenciado pelo orgulho, eu fiquei cego e comi a carne ligada às colunas vertebrais de animais. Por causa de tal conduta e tal alimentação, eu cheguei a este estado. Veja os reveses ocasionados pelo Tempo! Como uma pessoa cuja roupa pegou fogo em sua extremidade, ou que é perseguida por abelhas, veja, eu estou correndo, tomado pelo medo, e coberto com poeira! Aqueles que levam o modo de vida familiar são salvos de todos os pecados por um estudo dos Vedas, como também por doações de outros tipos, como declarado pelos sábios. (O estudo dos Vedas é considerado como equivalente em mérito às doações. Por essa razão as doações reais de artigos são citadas como 'doações de outros tipos.') Ó tu da classe real, um Brahmana que é pecaminoso em conduta vem a ser resgatado de todos os seus pecados pelo estudo dos Vedas se ele se dirige ao modo de vida da floresta e se abstém de apego de todo tipo. Ó chefe de Kshatriyas, eu nasci, nesta vida, em uma classe pecaminosa! Eu fracasso em ver claramente como eu posso conseguir me purificar de todos os pecados. Por causa de alguns atos meritórios de uma vida anterior, eu não perdi a memória das minhas vidas prévias. Ó rei, eu me jogo na tua piedade! Eu te peço! Esclareça minha dúvida. Por qual rumo de conduta auspicioso eu devo desejar realizar minha emancipação? Ó principal dos homens, por quais meios eu conseguirei me livrar da minha condição como um Chandala?'” "A pessoa da classe real disse, 'Saiba, ó Chandala, os meios pelos quais tu podes ser capaz de alcançar a emancipação. Por rejeitar teus ares vitais por causa de um Brahmana tu podes obter um fim desejável! Por jogar teu corpo no fogo da batalha como uma libação para os animais e aves predadores por causa de um Brahmana, de fato, por rejeitar teus ares vitais dessa maneira, tu podes obter emancipação! Por nenhum outro meio tu conseguirás alcançá-la!'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, aquele Chandala, ó opressor de inimigos, despejou seus ares vitais como uma libação no fogo da batalha para proteger a riqueza de um Brahmana e, como a consequência daquele ato obteve um fim muito desejável. Por isso, ó filho, tu deves sempre proteger a propriedade dos Brahmanas, se, ó chefe da linhagem de Bharata, tu desejas, ó tu de braços poderosos, um fim que é felicidade eterna!'" 102 “Yudhishthira disse, ‘Ó avô, é dito que todos os homens pios alcançam a mesma região depois da morte. É verdade, ó Bharata, que há diferença de posição ou condição entre eles?’” "Bhishma disse, 'Por diferentes atos, ó filho de Pritha, homens alcançam diferentes regiões. Aqueles que são justos em conduta alcançam regiões de felicidade, enquanto aqueles que são pecaminosos alcançam regiões que são repletas de miséria. Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa, ó filho, entre o asceta Gautama e Vasava. Certo Brahmana de nome Gautama, gentil e autodominado e com todos os seus sentidos sob completo controle, viu um elefante filhote que tinha perdido sua mãe e que estava extremamente triste por causa disso. Cheio de compaixão e firme no cumprimento de seus votos, o asceta cuidou daquele animal filhote. Depois de um longo tempo o pequeno animal cresceu para um elefante grande e poderoso. Um dia, Indra, assumindo a forma do rei Dhritarashtra, capturou aquele elefante poderoso que era tão enorme quanto uma colina e de cujas têmporas fendidas o suco estava escorrendo. Vendo o elefante sendo levado embora, o grande asceta Gautama de votos rígidos se dirigiu ao rei Dhritarashtra e disse, 'Ó ingrato Dhritarashtra, não roube este elefante de mim. Ele é considerado por mim como um filho e eu o tenho criado com muita dor. É dito que entre os justos a amizade surge se eles trocam somente sete palavras. (Literalmente 'amizade é de sete palavras.' Às vezes a mesma expressão é compreendida como significando 'de sete passos,' o sentido, naturalmente, é que se os justos se encontram e trocam sete palavras, ou caminham um com o outro por somente sete passos, eles se tornam amigos.) Tu deves cuidar, ó rei, para que o pecado de prejudicar um amigo não te toque! Não cabe a ti, ó rei, tirar à força este elefante que me traz meu combustível e água, que protege meu retiro quando eu estou fora, que é extremamente dócil e obediente ao seu instrutor, que é atento em fazer todos os trabalhos que seu preceptor manda, que é gentil e bem domado, e que é grato e muito querido para mim! De fato, tu não deves levá-lo embora, desconsiderando meus protestos e gritos!'” “Dhritarashtra disse, ‘Eu te darei mil vacas, cem criadas, e quinhentos pedaços de ouro. Eu te darei também, ó grande Rishi, diversos outros tipos de riqueza. Que utilidade os Brahmanas podem ter para elefantes?’” “Gautama disse, ‘Guarde, ó rei, tuas vacas e empregadas e moedas de ouro e várias pedras preciosas e diversos outros tipos de riqueza! O que, ó monarca, os Brahmanas têm a fazer com riqueza?’” "Dhritarashtra disse, 'Brahmanas não têm uso para elefantes. Na verdade, ó Brahmana erudito, elefantes estão destinados às pessoas da classe real. Ao levar embora um animal, isto é, este principal dos elefantes, para meu uso como veículo, eu não posso ser considerado como cometendo algum pecado. Pare de me obstruir dessa maneira, ó Gautama!'” “Gautama disse, ‘Ó rei ilustre, me dirigindo até para aquela região de Yama onde os justos vivem em alegria e os pecaminosos em aflição, eu pegarei de ti este meu elefante!’” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles que são desprovidos de ações (religiosas), aqueles que não têm fé e são ateus, aqueles que são de almas pecaminosas e estão sempre empenhados em satisfazer seus sentidos, somente eles têm que ir para a região de Yama e aguentar a miséria que ele inflige. Dhritarashtra irá para uma região superior, e não para lá!'” “Gautama disse, ‘A região de Yama é de tal maneira que os homens lá são controlados. Nenhuma mentira pode ser dita lá. Somente a verdade prevalece naquele lugar. Lá o fraco persegue o forte. Dirigindo-me para lá eu te forçarei a entregar este elefante para mim!’” “Dhritarashtra disse, ‘Somente aquelas pessoas que, embriagadas pelo orgulho, se comportam em direção à sua irmã mais velha e pai e mãe como em direção aos inimigos têm que se dirigir, ó grande asceta, para tal região. Eu irei para uma região superior. De fato, Dhritarashtra não terá que ir para lá!’” "Gautama disse, 'A região, chamada Mandakini, do rei Vaisravana é alcançada por aquelas pessoas altamente abençoadas para quem são todas as alegrias e confortos. Lá Gandharvas e Yakshas e Apsaras vivem (alegrando todos os habitantes com danças e música encantadoras). Dirigindo-me até para lá, ó rei, eu te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aquelas pessoas que consideram a hospitalidade para convidados como um voto, que são cumpridoras de bons votos (tendo outros objetivos), que dão abrigo para Brahmanas, e que comem o que resta depois de distribuição entre todos aqueles que são dependentes delas, adornam a região chamada Mandakini de Kuvera. (Eu não irei para lá, pois uma região superior está reservada para mim)!'” "Gautama disse, 'Se tu te dirigires para aqueles bosques encantadores decorados com flores, que permanecem no topo de Meru, que ecoam com as vozes melodiosas de Kinnaris, e que são agraciados com belos Jamvus de ramos bem espalhados, eu procederei até para lá e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” 'Dhritarashtra disse, 'Aqueles Brahmanas que são dotados de disposições brandas, que são devotados à verdade, que possuem grande erudição nas escrituras, que são compassivos para todas as criaturas, que estudam os Puranas com todas as histórias, que despejam libações no fogo sagrado e fazem doações de mel para os Brahmanas, se dirigem para tais regiões, ó grande Rishi! Eu me dirigirei para uma região que é superior. De fato Dhritarashtra não irá para lá. Se tu estás familiarizado com alguma outra região conhecida de bem-aventurança, fale para mim, pois eu me dirigirei para lá mesmo!'” "Gautama disse, 'Se tu procederes para os bosques possuídos por Narada e muito estimados por ele, que são adornados com flores e que ecoam com as canções melodiosas do príncipe dos Kinnaras, e que são a residência eterna de Gandharvas e Apsaras, eu irei te seguir para lá e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” “Dhritarashtra disse, ‘Aqueles que nunca pedem esmolas, aqueles que desenvolvem música e dança, e sempre vagueiam em alegria, procedem para tais regiões. Ó grande Rishi, eu irei para uma região que é superior. De fato, Dhritarashtra não terá que ir para lá!’” "Gautama disse, 'Se tu fores para aquela região onde os Uttara-Kurus resplandecem em beleza e passam seus dias em alegria, ó rei, na companhia das próprias divindades, onde aqueles seres que têm sua origem no fogo, aqueles que têm sua origem na água, e aqueles que têm sua origem nas montanhas, residem em felicidade, e onde Sakra derrama a realização de todos os desejos, e onde as mulheres vivem em perfeita liberdade, não reprimidas por regras de qualquer tipo regulando sua conduta de movimentos, e onde não há sentimentos de ciúme entre os sexos, se tu te dirigires para lá, até para lá eu procederei e te forçarei a me entregar este elefante!'” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles homens que estão livres de desejo com relação a todos os artigos de prazer, que se abstêm de carne, que nunca erguem a vara de castigo, e que nunca infligem o menor mal em criaturas móveis e imóveis, que se constituíram a alma de todas as criaturas, que estão totalmente livres da idéia de ‘meu’, que rejeitaram atrações de todos os tipos, que consideram ganho e perda como também elogio e crítica como iguais, somente aqueles homens, ó grande Rishi, se dirigem para tais regiões. Eu irei para uma região superior. Na verdade, Dhritarashtra não irá para lá!'” "Gautama disse, 'Próximo a estas brilham em beleza aquelas regiões eternas, fragrantes com perfumes excelentes, que estão livres de emoções de todos os tipos e que são desprovidas de tristeza. Estas constituem a residência do rei Soma de grande alma. Se tu fores para lá, até para lá eu procederei e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles homens que sempre fazem doações sem receberem nenhuma doação, que nunca aceitam algum serviço de outros, que não possuem nada que não possam dar para uma pessoa merecedora, que são hospitaleiros para todas as criaturas, que estão inclinados a mostrar benevolência para todos, que são dotados de disposições clementes, que nunca falam mal de outros, que protegem todas as criaturas por lançarem sobre elas o manto da compaixão, e que são sempre justos em seu comportamento, somente aqueles homens, ó grande Rishi, procedem para tais regiões. Eu procederei para uma região superior. Na verdade, Dhritarashtra não irá lá!'” "Gautama disse, 'Próximo a estas resplandecem em beleza outras regiões que são eternas, livres de paixão e escuridão e tristeza, e que se encontram na base da divindade de grande alma do Sol. Se tu te dirigires para lá, para lá mesmo eu irei e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles homens que estão atentos ao estudo dos Vedas, que são dedicados ao serviço de seus preceptores, que são praticantes de penitências e votos excelentes, que são firmes na verdade, que nunca proferem alguma coisa que tenha laivos de desobediência ou inimizade para seus preceptores, que estão sempre alertas, e sempre dispostos no serviço de mais velhos e preceptores, eles se dirigem, ó grande Rishi, para tais regiões, aqueles que são puros (de mente e corpo), que são dotados de almas purificadas, que são de palavras contidas, que são firmes na verdade, e que são bem versados nos Vedas. Eu procederei para uma região superior! Na verdade, Dhritarashtra não irá para lá!'” "Gautama disse, 'Próximo a estas estão as regiões eternas que brilham em beleza, que são fragrantes com perfumes excelentes, que estão livres de paixão, e que estão livres de toda tristeza. Elas constituem a residência do rei Varuna de grande alma. Se tu procederes para lá, até para lá eu irei e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles homens que cultuam as divindades por cumprirem o voto chamado Chaturmasya, que realizam cento e dez sacrifícios, que derramam libações todos os dias em seu fogo sagrado com devoção e fé por três anos de acordo com as ordenanças declaradas nos Vedas, que carregam sem vacilar a carga de todos os deveres, que andam firmemente pelo caminho trilhado pelos justos, que mantêm firmemente o rumo de conduta seguido pelos de alma justa, somente eles se dirigem para tais regiões. Eu me dirigirei para uma região superior. Na verdade, Dhritarashtra não irá para lá!'” "Gautama disse, 'Acima delas estão as regiões de Indra, livres de paixão e tristeza, que são de difícil acesso e cobiçadas por todos os homens. Procedendo até a residência do próprio Indra de energia poderosa, eu irei, ó rei, te forçar a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aquele que vive por cem anos, que é dotado de heroísmo, que estuda os Vedas, e que realiza sacrifícios com devoção, na verdade, tais homens procedem para a região de Sakra. Eu me dirigirei para uma região superior. Na verdade, Dhritarashtra não irá lá!'” "Gautama disse, 'Acima dos Céus estão as regiões dos Prajapatis de bem- aventurança superior cheias de todas as alegrias, e desprovidas de tristeza. Pertencentes àqueles pujantes de quem a criação tem surgido, elas são cobiçadas por todas as pessoas. Se tu fores para lá, para lá mesmo eu irei e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles reis que se banharam após o término do sacrifício Rajasuya, que são dotados de almas justas, que protegem seus súditos devidamente, e que têm lavado seus membros com água santificada após a conclusão do Sacrifício de Cavalo, se dirigem para tais regiões. Na verdade, Dhritarashtra não irá lá!'” "Gautama disse, 'Próximo àquelas resplandecem em beleza aquelas regiões eternas, fragrantes com perfumes deliciosos, livres de paixão, e transcendendo toda tristeza. Aquelas são as regiões das vacas, difíceis de serem alcançadas e onde opressão nunca pode existir. Se tu te dirigires para lá, eu irei até lá e te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aquele que, possuindo mil vacas, doa cem vacas todo ano, ou possuindo cem vacas doa dez todo ano da melhor maneira que pode, ou possuindo somente dez ou cinco vacas doa uma delas, e aqueles que chegam à uma velhice madura praticando os votos de Brahmacharya todos os seus dias, que obedecem as declarações dos Vedas, e que, dotadas de energia mental, se dirigem a peregrinações para águas e santuários sagrados, moram em bem- aventurança na região das vacas. Aqueles que se dirigem para Prabhasa e Manasa, aos lagos de Pushkara, ao grande lago chamado Mahatsara, às florestas sagradas de Naimisha, Vahuda, Karatoya, Ganga, Gayasiras, Vipasa, Sthulavaluka, Krishna, os cinco rios (do Punjab), o lago extenso chamado Mahahrada, Gomati, Kausiki, Champa, Saraswati, Drisadwati, e Yamuna, de fato, aqueles Brahmanas ilustres, firmes no cumprimento de votos, que vão para estas águas sagradas, se dirigem para as regiões das quais tu falaste. Dotados de corpos celestes e adornados com guirlandas celestes aqueles indivíduos abençoados, sempre emitindo os perfumes mais encantadores, se dirigem para aquelas regiões de alegria e contentamento. Realmente, Dhritarashtra não irá lá!'” "Gautama disse, 'Próximo a estas estão regiões onde não há medo do menor frio ou calor, nenhuma fome, nenhuma sede, nenhuma dor, nenhuma tristeza, nenhuma alegria, nem alguém que é agradável ou desagradável, nem amigo, e nem inimigo, onde decrepitude e morte não existem, e onde não há nem virtude nem pecado. Procedendo até para aquela região que é livre de paixão, a qual abunda com felicidade equânime, e onde há sabedoria e o atributo de Sattwa, na verdade, procedendo até para aquela residência sagrada do Brahman auto- nascido, eu te forçarei a entregar este elefante para mim!'” "Dhritarashtra disse, 'Aqueles que estão livres de todos os apegos, que são possuidores de almas purificadas, que são firmes no cumprimento dos votos principais, que são dedicados ao Yoga que depende da tranquilidade da mente, e que (nesta vida) obtiveram a felicidade do céu, aquelas pessoas unidas ao atributo de Sattwa, alcançam a região sagrada de Brahman. Ó grande asceta, tu não serás capaz de descobrir Dhritarashtra lá!'” "Gautama disse, 'Lá onde o principal dos Rathantaras é cantado, onde altares são cobertos com as folhas Kusa sagradas para a realização de sacrifícios Pundarika, lá onde Brahmanas bebedores de Soma andam em veículos puxados por corcéis excelentes, procedendo até lá eu te forçarei a entregar este elefante. Eu acho que tu és o matador de Vritra, isto é, a divindade que realizou cem sacrifícios, empenhada em vagar por todas as regiões do universo! Eu espero que eu não tenha, por fraqueza mental, (não te reconhecendo antes) cometido algum erro pelas palavras que eu te dirigi!'” "A divindade de cem sacrifícios disse, 'Sim, eu sou Maghavat. Eu vim ao mundo dos seres humanos para capturar este elefante. Eu me curvo a ti. Comande-me! Eu realizarei prontamente tudo o que tu possas ficar satisfeito em dizer!'” "Gautama disse, 'Dê-me, ó chefe das divindades, este elefante que é de cor branca e que é tão jovem, pois ele tem somente dez anos de idade. Eu o criei como um filho meu. Residindo nestas florestas, ele tem crescido sob meu olhar vigilante e tem sido para mim um companheiro querido. Liberte este meu filho que tu capturaste e que desejas levar embora à força!'” "A divindade de cem sacrifícios disse, 'Este elefante que tem sido um filho para ti, ó principal dos Brahmanas, se aproxima de ti te olhando ansiosamente! Veja, ele cheira teus pés com suas narinas! Minhas saudações para ti! Reze pelo meu bem-estar!'” "Gautama disse, 'Ó chefe das divindades, eu sempre penso no teu bem! Eu sempre te ofereço culto! Tu também, ó Sakra, conceda-me tuas bênçãos! Dado por ti, eu aceito este elefante!'” "A divindade de cem sacrifícios disse, 'Entre todos aqueles Rishis principais e de grande alma que aderem firmemente à verdade e que têm os Vedas plantados em seu coração só tu foste capaz de me reconhecer. Por esta razão eu estou muito satisfeito contigo! Portanto, ó Brahmana, venha comigo rapidamente, acompanhado por este teu filho! Tu mereces alcançar as diversas regiões de felicidade sublime sem a demora de nem um único dia!'” "Bhishma continuou, 'Tendo dito estas palavras, o manejador do raio, levando Gautama consigo e colocando-o na frente, junto com seu filho, isto é, aquele elefante, procedeu para o céu, que é difícil de ser alcançado até pelos justos. Aquele que escutar esta história todos os dias ou narrá-la, enquanto controla seus sentidos, procede (depois da morte) para a região de Brahman assim como o próprio Gautama.'" 103 "Yudhishthira disse, 'Tu discursaste para nós sobre diversos tipos de doações, sobre tranquilidade de alma, sobre Verdade, sobre compaixão, sobre contentamento com a própria esposa, e os méritos da caridade. É sabido por ti, ó avô, que não há nada cuja força seja superior àquela das penitências. Cabe a ti explicar para nós qual constitui a maior das penitências.'” “Bhishma disse, ‘Eu te digo, ó Yudhishthira, que uma pessoa alcança uma região de felicidade que corresponde ao tipo de penitências que ela pratica. Isto é o que eu afirmo, ó filho de Kunti, que não há penitência que seja superior à abstenção de alimento! Em relação a isto é contada a narrativa antiga da conversa entre Bhagiratha e o ilustre Brahman (o Avô da criação). É sabido por nós, ó Bharata, que Bhagiratha chegou àquela região que transcende aquela das divindades, das vacas, e dos Rishis. Vendo isto, ó monarca, o Avô Brahman, dirigindo-se a Bhagiratha, disse, ‘Como, ó Bhagiratha, tu chegaste a esta região que é tão difícil de ser alcançada? Nem as divindades, nem Gandharvas, nem seres humanos, ó Bhagiratha conseguem vir aqui sem terem praticado as austeridades mais severas. Como, de fato, tu alcançaste esta região?’” "Bhagiratha disse, 'Eu costumava fazer doações de centenas de milhares de moedas de ouro para os Brahmanas, cumprindo o voto Brahmacharya todo o tempo; não foi através do mérito daquelas doações, ó erudito, que eu alcancei esta região. Eu realizei o sacrifício Ekaratra por dez vezes, e o sacrifício Pancharatra pelo mesmo número de vezes. O sacrifício Ekadasaratra foi realizado por mim onze vezes. (Estes sacrifícios consistem em jejuns e doações pelos períodos indicados pelos nomes, isto é, uma noite, cinco noites, e onze noites.) O grande sacrifício de Jyotishtoma foi realizado por mim cem vezes. Não foi, no entanto, pelos méritos daqueles sacrifícios que eu cheguei a esta região de bem- aventurança. Por cem anos eu vivi continuamente ao lado do santo Jahnavi, o tempo todo praticando as austeridades mais rigorosas. Lá eu fiz doações para os Brahmanas de milhares de escravos homens e mulheres. Ao lado dos lagos Pushkara eu fiz presentes para os Brahmanas, por cem mil vezes, de cem mil corcéis, e duzentas mil vacas. Eu também doei mil donzelas de grande beleza, cada uma enfeitada com luas douradas, e mais sessenta mil enfeitadas com ornamentos de ouro puro. Não foi, no entanto, pelos méritos daquelas ações que eu consegui chegar a estas regiões. ('Luas douradas' significa aqueles discos de ouro bem esculpidos e belamente franjados que são usados pelas damas hindus sobre a testa e que pendem por finas correntes de ouro presas ao cabelo. Em Bengala, damas de casas respeitáveis usam um tipo de ornamento chamado de 'Chandrahara' ou a guirlanda de lua. Este ornamento é usado ao redor da cintura, sobre o quadril. Várias correntes de ouro, de meia dúzia a uma dúzia, tendo um grande disco de ouro bem esculpido ao qual elas são ligadas, constituem este ornamento realmente muito belo. O disco é dividido em duas metades, ligadas uma à outra por dobradiças, de modo que ao sentar o ornamento não produz inconveniência.) Ó senhor do universo, realizando aqueles sacrifícios conhecidos pelo nome de Gosava, eu doei dez Arvudas de vacas, presenteando cada Brahmana com dez vacas, cada uma das quais estava acompanhada por seu bezerro, cada uma das quais produzia leite naquele momento, e com cada uma das quais foi dado um recipiente de ouro e um de metal branco para ordenhá-la. Realizando muitos sacrifícios Soma, eu dei para cada Brahmana dez vacas, cada uma das quais produzia leite, e cada uma das quais tinha dado à luz somente seu primeiro bezerro, além de fazer presentes para eles de centenas de vacas pertencentes àquela espécie que é conhecida pelo nome de Rohini. Eu também doei para Brahmanas duas vezes dez Prayutas de outras vacas, todas produzindo leite. Não foi pelo mérito daqueles presentes, ó Brahman, que eu consegui chegar a esta região de felicidade. Eu também doei cem mil cavalos da raça Valhika, todos de cor branca, e adornados com guirlandas de ouro. Não foi, no entanto, através dos méritos daquelas ações que eu alcancei esta região. Eu doei oito crores de moedas de ouro para os Brahmanas, ó Brahman, e então outros dez crores também, em cada sacrifício que eu realizei. Não foi, no entanto, através dos méritos daquelas ações que eu alcancei esta região de bem-aventurança. Eu também doei dez e então sete crores de corcéis, ó Avô, cada um de cor verde, cada um tendo orelhas que eram escuras, e cada um adornado com guirlandas de ouro. Eu também doei dezessete mil elefantes de tamanho enorme, de dentes tão grandes quanto relhas de arado, cada um tendo aquelas espiras em seu corpo que são chamadas de Padmas, e cada um adornado com guirlandas de ouro. Eu doei dez mil carros, ó Avô, cujos membros eram feitos de ouro, e que estavam enfeitados com diversos ornamentos de ouro. Eu também doei sete mil outros carros com corcéis unidos a cada um. Todos os corcéis que estavam unidos a eles estavam enfeitados com ornamentos de ouro. Aqueles carros representavam os Dakshinas de um sacrifício e eram exatamente daquele tipo que é indicado nos Vedas. Nos dez grandiosos sacrifícios Vajapeya que eu realizei, eu dei de graça mil cavalos cada um dotado da pujança do próprio Indra, julgados por sua destreza e os sacrifícios que eles tinham realizado. Gastando uma vasta soma de dinheiro, ó Avô, e realizando oito sacrifícios Rajasuya, eu doei (para os Brahmanas que oficiaram neles) mil reis cujos pescoços estavam enfeitados com guirlandas de ouro, depois de tê-los vencido em batalha. Não foi, no entanto, pelos méritos daqueles atos que eu cheguei a esta região. Naqueles sacrifícios, ó Senhor do universo, os presentes que fluíam de mim eram tão abundantes quanto a correnteza da própria Ganga. Para cada Brahmana eu dei dois mil elefantes ornados com ouro, o mesmo número de corcéis adornados com ornamentos dourados, e cem aldeias do melhor tipo. Na verdade, eu dei estes para cada Brahmana por três vezes em sucessão. Praticante de penitências, subsistindo de dieta regulada, adotando tranquilidade de alma, e reprimindo a fala, eu morei por muito tempo sobre o leito de Himavat ao lado daquela Ganga cuja corrente irresistível (quando ela caiu do céu) foi suportada por Mahadeva em sua cabeça. Não foi através do mérito destas ações, ó Avô, que eu alcancei esta região. Jogando o Sami, eu adorei os deuses em miríades de sacrifícios que não completados no decorrer de um único dia, e outros como os que levam doze dias para se completar, e outros ainda que podem ser completados em treze dias, além de muitos Pundarikas. Eu não cheguei a esta região pelos méritos de algum daqueles sacrifícios. (Nos tempos antigos reis às vezes realizavam sacrifícios fazendo altares serem erguidos a distâncias curtas um dos outros. Estas distâncias eram medidas pelo arremesso um pedaço de madeira pesado chamado Sami, de modo que jogando o Sami de um altar, o próximo altar fosse criado sobre o local onde ele caísse.) Eu dei para os Brahmanas oito mil touros de cor branca, cada um ornado com uma bela corcova, e cada um tendo um dos seus chifres coberto com ouro. Para eles eu também dei belas esposas cujos pescoços estavam adornados com correntes de ouro. Eu também dei de graça pilhas grandes de ouro e riqueza de outros tipos. Realmente, eu doei colinas de jóias e pedras preciosas. Aldeias, contadas às milhares e abundantes em riqueza e cereais, foram também doadas por mim. Com todos os meus sentidos em volta de mim, eu doei para os Brahmanas cem mil vacas cada uma das quais tinha dado à luz somente seu primeiro bezerro, em muitos grandes sacrifícios que eu realizei. Não foi, no entanto, pelos méritos daquelas ações que eu alcancei esta região. Eu adorei as divindades em um sacrifício que é completado em onze dias. Duas vezes eu as adorei em sacrifícios que são completados em doze dias. Eu as adorei também muitas vezes em Sacrifícios de Cavalo. Dezesseis vezes eu realizei o sacrifício Arkayana. Não foi através dos méritos daquelas ações que eu alcancei esta região. Eu também dei para cada Brahmana um bosque de árvores Kanchana se estendendo por um Yojana para todos os lados, e com cada árvore enfeitada com jóias e pedras preciosas. Não foi pelos méritos daquela ação que eu alcancei esta região. Por trinta anos, com coração totalmente livre de ira, eu cumpri o voto Turayana que é possuidor de mérito muito superior, e doei para os Brahmanas todos os dias novecentas vacas. De fato, ó Senhor do universo, todas aquelas vacas pertenciam à espécie Rohini, e produziam leite na época que eu as doei. Não foi pelos méritos daquelas ações, ó chefe das divindades, que eu alcancei esta região. Eu adorava trinta fogos, ó Brahmana, todos os dias. Eu adorei as divindades em oito sacrifícios nos quais a gordura de todos os animais foi despejada no fogo. Eu as adorei em sete sacrifícios nos quais a gordura de seres humanos foi despejada no fogo. Eu as adorei em mil e vinte e oito sacrifícios Viswajit. Não foi pelos méritos daqueles sacrifícios, ó Senhor de todas as divindades, que eu alcancei esta região. Nas margens de Sarayu e Vahuda e Ganga como também nas florestas de Naimisha, eu dei de graça milhões de vacas para os Brahmanas. Não foi pelos méritos daquelas ações que eu alcancei esta região. O voto de jejum era conhecido por Indra. Ele, no entanto, o tinha mantido em segredo. Sukra, o descendente de Bhrigu, obteve um conhecimento dele por meio de visão espiritual adquirida através de penitências. Resplandecendo com energia como ele faz, foi Usanas quem primeiro o fez ser conhecido pelo universo. Eu cumpri aquele voto, ó divindade concessora de bênçãos! Quando eu realizei aquele voto muito superior todos os Brahmanas ficaram satisfeitos comigo. Mil Rishis foram para lá. Todos aqueles Brahmanas e Rishis, ó senhor pujante, satisfeitos comigo, disseram, ‘Dirija-te para a região de Brahman!’ É pelos méritos daquele voto que eu consegui chegar a esta região de felicidade muito superior. Não há dúvida nisto. Questionado pelo Ordenador Supremo de todas as coisas, eu expliquei devidamente os méritos do voto de jejum. Em minha opinião, não há penitência mais elevada do que o jejum. Eu te reverencio, ó principal de todas as divindades! Seja benévolo para mim!'” "Bhishma continuou, 'O rei Bhagiratha, que tinha falado dessa maneira e que merecia toda honra, na conclusão de seu discurso, foi honrado por Brahman segundo os ritos ordenados para aquele propósito. Portanto, ó Yudhishthira, cumpra o voto de jejum e adore os Brahmanas todos os dias. As palavras proferidas por Brahmanas podem realizar tudo neste mundo e após a morte. De fato, os Brahmanas devem ser sempre agradados com presentes de mantos, alimento e vacas de cor branca e boas residências e mansões. As próprias divindades devem gratificar os Brahmanas. Livrando-te da cobiça, pratique este voto de mérito muito superior que não é conhecido por todos!'" 104 "Yudhishthira disse, 'O homem, isto é dito, é dotado de um período de vida que se estende por cem anos, e com energia e poder que são consideráveis. Por que então, ó avô, os seres humanos morrem mesmo quando eles são muito jovens? Pelo que um homem vem a ser dotado de longevidade, e pelo que sua vida é encurtada? Através do que um homem obtém o renome que se baseia em grandes realizações? Pelo que alguém obtém riqueza e prosperidade? É por penitências, ou Brahmacharya, ou recitação silenciosa de Mantras sagrados, ou drogas? É pelas suas ações, ou palavras? Explique-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Eu te direi o que tu me perguntaste. Realmente, eu te direi qual é a razão é pela qual alguém vem a ter vida curta, e qual é a razão pela qual alguém vem a ser dotado de longevidade. Eu irei também te explicar a razão pela qual alguém consegue obter a fama que se baseia em realizações grandiosas, e a razão pela qual alguém consegue obter riqueza e prosperidade. De fato, eu te informarei quanto à maneira na qual uma pessoa deve viver a fim de ser dotada de tudo o que é benéfico para ela. É pelo comportamento que uma pessoa obtém longevidade, e é pelo comportamento que uma pessoa adquire riqueza e prosperidade. De fato, é pela conduta que se adquire a fama que se apóia sobre grandes realizações aqui e após a morte. O homem cuja conduta é imprópria ou pecaminosa nunca conquista uma vida longa. Todas as criaturas ficam com medo de tal homem e são oprimidas por ele. Se, portanto, alguém deseja seu próprio progresso e prosperidade, ele deve, neste mundo, se dirigir à conduta que é apropriada e boa. A boa conduta consegue dissipar a inauspiciosidade e miséria mesmo de alguém que é pecaminoso. (Isto é, se um homem pecaminoso corrige sua conduta, ele consegue repelir a miséria e males aos quais ele de outra maneira estaria sujeito em consequência de seus pecados.) A virtude tem o comportamento como sua indicação. Aqueles que são bons e justos são assim por causa da conduta que eles seguem. As indicações, além disso, da boa conduta são fornecidas pelas ações daqueles que são bons ou justos. As pessoas estimam o homem que age justamente e que faz boas ações mesmo que elas somente ouçam sobre ele sem realmente vê-lo. Aqueles que são ateus, aqueles que são desprovidos de todas as ações, aqueles que são desobedientes a preceptores e transgridem as injunções das escrituras, aqueles que não conhecem e, portanto, negligenciam os deveres, e aqueles que são de má conduta, vêm a ter vida curta. Aqueles que são de comportamento impróprio, aqueles que violam todas as restrições, aqueles que são inescrupulosos em relação a ato sexual, vêm a ter vida curta aqui e têm que ir para o Inferno após a morte. Vivem por cem anos aqueles homens que, embora desprovidos de todas as habilidades, se dirigem à retidão e justiça de conduta e se tornam dotados de fé e livres de malícia. Aquele que é livre de ira, que é verdadeiro em palavras, que nunca causa algum dano para alguma criatura no universo, que é privado de malícia e desonestidade e insinceridade, consegue viver por cem anos. Aquele que sempre quebra pequenos torrões de terra, ou arranca a grama que cresce sob seus pés, ou corta suas unhas com seus dentes, ou está sempre impuro, ou muito inquieto, nunca consegue obter uma vida longa. (Certas pessoas têm o hábito feio de apanhar pequenos torrões de terra e triturá-los em poeira, enquanto sentados sobre o solo ou envolvidos em conversa. O hábito também de arrancar a grama enquanto sentados sobre o solo pode ser observado. Deve ser lembrado que as pessoas da Índia nos tempos antigos costumavam frequentemente sentar na terra nua. Quanto a cortar as unhas com os dentes, este é um hábito feio de muitos homens jovens.) Deve-se acordar do sono na hora conhecida como Brahma Muhurta (quanto o sol está exatamente abaixo do horizonte) e então pensar em religião e lucro. Levantando-se da cama, uma pessoa deve então lavar seu rosto e boca, e unindo as mãos em uma atitude de reverência, dizer as preces matinais. Dessa maneira, alguém deve, quando vem a noite, dizer suas orações noturnas também, enquanto reprime a fala (com outras pessoas). Nunca se deve olhar para o sol nascente, nem para o sol poente. (As preces ditas de manhã e à noite são também mencionadas como adoração aos dois crepúsculos.) Nem se deve olhar para o sol quando ele está em eclipse; nem para sua imagem na água; nem ao meio-dia quando ele está no meridiano. Os Rishis, por adorarem os dois crepúsculos com grande regularidade conseguiram obter longevidade. Por essa razão, uma pessoa deve, reprimindo a fala, dizer suas orações regularmente nos dois crepúsculos. Com relação àqueles Brahmanas que não dizem suas orações nos dois crepúsculos, um rei justo deve colocá-los para realizar ações que estão ordenadas para os Sudras. Pessoas de todas as classes nunca devem ter união sexual com cônjuges de outras pessoas. Não há nada que encurte a vida tão eficazmente quanto ato sexual com cônjuges de outras pessoas. O adúltero terá que viver no Inferno por tantos milhares de anos quanto o número de poros nos corpos das mulheres com quem ele possa cometer o delito. Uma pessoa deve adornar seu cabelo, aplicar colírio em seus olhos, e lavar seus dentes, como também adorar as divindades, de manhã. Uma pessoa não deve olhar para urina ou fezes, ou o pisar nelas ou tocá-las com seus pés. Não se deve sair em uma viagem de manhã cedo, ou ao meio-dia, ou no crepúsculo noturno, ou com um companheiro que é desconhecido, ou com um Sudra, ou sozinho. Enquanto seguindo ao longo de uma estrada, alguém deve, ficando fora do caminho, sempre dar lugar para um Brahmana, para vacas, para reis, para um homem idoso, para alguém que está sobrecarregado com um peso, para uma mulher grávida, ou para alguém que é fraco. Quando alguém encontra com uma árvore grande que é conhecida, ele deve caminhar ao redor dela. Deve-se também, quando se chega a um local onde quatro estradas se encontram, andar ao redor dele antes de seguir viagem. Ao meio-dia, ou à meia-noite, ou à noite em geral, ou nos dois crepúsculos, não se deve proceder para locais onde quatro estradas se encontram. Nunca se deve usar sandálias ou roupas que foram usadas por outro. Sempre se deve cumprir o voto de Brahmacharya (ou seja, um homem deve se abster de ato sexual exceto com suas esposas e no período apropriado), e nunca se deve cruzar as pernas. Deve-se cumprir o voto de Brahmacharya no dia da lua nova, como também naquele da lua cheia, como também no oitavo dia lunar de ambas as quinzenas. Nunca se deve comer a carne de animais não mortos em sacrifício. Nunca se deve comer a carne das costas de um animal. Deve-se evitar criticar e caluniar outros, como também todos os tipos de comportamento enganoso. Nunca se deve perfurar outros com flechas verbais. De fato, nunca se deve proferir alguma palavra cruel. Nunca se deve aceitar um presente de uma pessoa que é inferior e vulgar. Nunca se deve proferir palavras que perturbem outras pessoas ou que sejam inauspiciosas ou que sejam pecaminosas. Flechas verbais saem da boca. Perfurada por elas, a vítima sofre dia e noite. O homem de sabedoria nunca deve dispará-las para perfurar os órgãos vitais de outras pessoas. Uma floresta, perfurada por flechas ou derrubada com o machado, cresce novamente. O homem, no entanto, que é perfurado por palavras faladas imprudentemente, se torna a vítima de ferimentos que se inflamam e o levam à morte. Setas farpadas e Nalikas e flechas de cabeça larga podem ser extraídas do corpo. Flechas verbais, no entanto, não podem ser extraídas, pois elas jazem enterradas no próprio coração. Não se deve zombar de uma pessoa que é defeituosa de um membro ou que tem um membro em excesso, ou de alguém que é desprovido de aprendizagem, ou de alguém que é miserável, ou de alguém que é feio ou pobre, ou de alguém que é desprovido de força. Deve-se evitar ateísmo, caluniar os Vedas, criticar as divindades, malícia, orgulho, arrogância, e rispidez. Não se deve, em cólera, levantar a vara de castigo para golpear outro. Somente o filho ou o pupilo, isto é dito, pode ser castigado brandamente para propósitos de instrução. Não se deve falar mal de Brahmanas; nem apontar para as estrelas com os dedos. Se perguntado, alguém não deve dizer qual é a lunação em um dia específico. Por dizê-lo, a vida de alguém é encurtada. Tendo respondido chamados da natureza ou tendo andado por uma estrada deve-se lavar os pés. Deve-se também lavar os pés antes de sentar para recitar os Vedas ou para comer algum alimento. Estas são as três coisas que são consideradas como puras e sagradas pelas divindades e como tais adequadas para o uso do Brahmana, isto é, aquilo cuja impureza é desconhecida, aquilo que foi lavado em água, e aquilo do qual foi bem falado. Samyava, Krisara, carne, Sashakuli e Payasa nunca devem ser cozidos para a própria pessoa. Quando cozidos, estes devem ser oferecidos para as divindades. (Samyava é um bolo fino de pão sem fermento, frito com ghee, socado e novamente juntado em uma forma oblonga com pão fresco, açúcar e condimentos, e novamente frito com ghee. Krisara é um tipo de alimento líquido feito de leite, gergelim, arroz, açúcar e temperos. Sashkuli é um tipo de torta. Payasa é arroz fervido em açúcar e leite.) Deve-se cuidar todos os dias do próprio fogo. Todos os dias se deve dar esmolas. Alguém deve, enquanto reprime a fala, limpar seus dentes com o palito de dente. Nunca se deve estar na cama quando o sol está no alto. Se alguém fracassa algum dia em estar levantado com o sol, ele deve então realizar uma expiação. Levantando-se da cama, uma pessoa deve primeiro saudar seus pais, e preceptores, ou outros superiores dignos de respeito. Por assim fazer ela obtém vida longa. O palito de dente deve ser rejeitado quando usado, e um novo deve ser usado todo dia. Deve-se comer somente tal comida que não é proibida nas escrituras, se abstendo de alimento de todo tipo nos dias da lua nova e da lua cheia. Deve-se, com sentidos controlados, responder chamados da natureza, encarando o norte. Não se deve cultuar as divindades sem ter primeiro lavado os dentes. Sem também cultuar as divindades primeiro, uma pessoa nunca deve se dirigir a alguma pessoa exceto o próprio preceptor ou alguém que é velho em idade ou alguém que é justo ou alguém que possui sabedoria. Aqueles que são sábios nunca devem se ver em um espelho não polido ou sujo. Um homem nunca deve ter união sexual com uma mulher que é desconhecida ou com uma que está grávida. Nunca se deve dormir com a cabeça virada para o norte ou para o oeste. Não se deve deitar sobre uma armação de cama que esteja quebrada ou vacilante. Não se deve dormir em uma cama sem tê-la examinado primeiro com a ajuda de uma luz. Nem se deve dormir em uma cama com outro (tal como esposa) ao seu lado. Nunca se deve dormir em uma direção transversal. Nunca se deve fazer um acordo com ateus ou fazer alguma coisa junto com eles. Nunca se deve arrastar um assento com o pé e sentar sobre ele. Nunca se deve tomar banho em um estado de nudez, nem à noite. Uma pessoa possuidora de inteligência nunca deve permitir que seus membros sejam friccionados ou pressionados depois do banho. Nunca se deve passar unguentos sobre o corpo sem ter primeiro tomado banho. Tendo se banhado, nunca se deve agitar a própria roupa no ar (para secá-la). Não se deve usar sempre roupas molhadas. Nunca se deve tirar do próprio corpo as guirlandas de flores que se possa usar. Nem se deve usar tais guirlandas sobre suas peças de roupa externas. Não se deve nem falar com uma mulher durante o período de sua mudança funcional. Não se deve responder um chamado da natureza em um campo (onde colheitas crescem) ou em um lugar perto demais de uma aldeia habitada. Nunca se deve responder um chamado da natureza em um curso d’água. Deve-se primeiro lavar a boca três vezes com água antes de comer qualquer alimento. Tendo terminado as refeições, deve-se lavar a boca três vezes com água e duas vezes novamente. Deve-se comer, com rosto virado para o leste, a própria comida, enquanto reprime a fala e sem criticar a comida que é ingerida. Deve-se sempre deixar um resto da comida que é colocada diante de si para comer. Tendo terminado suas refeições, alguém deve tocar o fogo mentalmente. Se uma pessoa come com o rosto virado para o leste ela vem a ser dotada de longevidade. Por comer com o rosto virado para o sul alguém obtém grande fama. Por comer com o rosto virado para o oeste alguém adquire grande riqueza. Por comer com o rosto virado na direção norte uma pessoa se torna sincera em palavras. Tendo terminado as refeições deve-se lavar todos os orifícios superiores do corpo com água, (isto é, as narinas, os buracos das orelhas e os olhos). Similarmente, todos os membros, o umbigo, e as palmas das mãos devem ser lavados com água. Uma pessoa nunca deve se sentar sobre casca de milho, ou sobre cabelo, ou sobre cinzas, ou sobre ossos. Não se deve, de modo algum, usar a água que foi usada por outro para banho. Sempre se deve realizar o Homa para propiciar as divindades, e recitar o Savitri Mantra. Sempre se deve comer em uma postura sentada. Nunca se deve comer enquanto caminhando. Nunca se deve responder um chamado da natureza em uma posição em pé. Nunca se deve responder um chamado da natureza sobre cinzas ou em um curral. Deve-se lavar os pés antes de sentar para as refeições. Nunca se deve sentar ou deitar para dormir com pés molhados. Alguém que senta para fazer suas refeições depois de ter lavado seus pés vive por cem anos. Nunca se deve tocar estas três coisas de grande energia enquanto se está em um estado impuro, isto é, o fogo, uma vaca, e um Brahmana. Por cumprir esta regra uma pessoa obtém longevidade. Não se deve, enquanto se está em um estado impuro, olhar para estas três coisas de grande energia, isto é, o sol, a lua, e as estrelas. Os ares vitais de um homem jovem vão para cima quando uma pessoa idosa e venerável chega à sua residência. Ele os obtém de volta por se levantar e saudar apropriadamente o convidado. Homens idosos devem sempre ser saudados. Deve-se, após vê-los, oferecer assentos com sua própria mão. Depois que o homem idoso tomou seu assento, alguém deve sentar e permanecer com mãos unidas em reverência. Quando um homem idoso anda ao longo da estrada, deve-se sempre segui-lo em vez de andar adiante. Nunca se deve sentar em um assento rasgado ou quebrado. Deve-se, sem usá-lo mais, jogar fora um recipiente quebrado de metal branco. Nunca se deve comer sem uma peça de roupa superior cobrindo o corpo. Nunca se deve tomar banho em um estado de nudez. Nunca se deve dormir em um estado de nudez. Não se deve nem tocar nos restos de pratos e tigelas de outras pessoas. Nunca se deve, enquanto se está em um estado impuro, tocar a cabeça de outro, pois é dito nas escrituras que os ares vitais estão todos concentrados na cabeça. Nunca se deve bater em outro na cabeça ou agarrar outro pelo cabelo. Não se deve unir as mãos para coçar a cabeça. Não se deve, no momento do banho, mergulhar repetidamente a cabeça na água. Por fazer isso alguém encurta a própria vida. Alguém que se banhou por mergulhar a cabeça em água não deve, depois, aplicar óleo em alguma parte do corpo. Nunca se deve fazer uma refeição sem comer algum gergelim. Nunca se deve ensinar (os Vedas e quaisquer escrituras) em uma hora em que se está impuro. Nem se deve estudar enquanto se está impuro. Quando uma tempestade surge ou um odor mau penetra na atmosfera, nunca se deve pensar nos Vedas. Pessoas familiarizadas com história antiga recitam um Gatha cantado por Yama antigamente. Aquele que corre enquanto impuro ou estuda os Vedas sob circunstâncias similares, de fato, aquele Brahman regenerado que estuda os Vedas em períodos proibidos, perde seus Vedas e encurta sua vida. Por isso, nunca se deve estudar os Vedas com atenção concentrada em tempos proibidos. Aqueles que respondem um chamado da natureza com o rosto em direção ao sol, ou em direção a um fogo ardente, ou em direção a uma vaca, ou em direção a uma pessoa regenerada, ou na estrada, vêm a ter vida curta. Durante o dia ambos os chamados da natureza devem ser respondidos com rosto virado para o norte. À noite, aqueles chamados devem ser respondidos de frente para o sul. Por fazer isso uma pessoa não encurta a própria vida. Alguém que deseja viver por muito tempo nunca deve desconsiderar ou insultar algum destes três, embora eles possam parecer estar fracos ou emaciados, isto é, o Brahmana, o Kshatriya, e a cobra. Todos os três são dotados de veneno virulento. A cobra, se zangada, queima a vítima somente um relance de seus olhos. O Kshatriya também, se zangado, queima os objetos de sua ira, logo que ele os vê, com sua energia. O Brahmana, mais forte do que estes dois, destrói não somente os objetos de sua ira mas sua linhagem inteira também, não somente pela visão mas pelo pensamento também. O homem de sabedoria deve, portanto, tratar estes três com cuidado. Uma pessoa nunca deve se envolver em alguma discussão com seu preceptor. Ó Yudhishthira, se o preceptor fica zangado, ele deve sempre ser acalmado pelas honras devidas serem prestadas para ele. Mesmo que aconteça de o preceptor estar totalmente errado, ainda assim se deve segui-lo e honrá-lo. Sem dúvida, ditados caluniosos contra o preceptor sempre consomem as vidas daqueles que os proferem. Uma pessoa sempre deve responder um chamado da natureza em um local longe da própria habitação. Deve-se lavar os pés a uma distância da habitação. Deve-se sempre jogar os restos de pratos e tigelas em um local longe da habitação. Na verdade, aquele que deseja seu próprio bem dever fazer tudo isso. Não se deve usar guirlandas de flores vermelhas. De fato, aqueles que possuem sabedoria devem usar guirlandas de flores que sejam da cor branca. Rejeitando o lótus e o lírio, ó tu de grande poder, uma pessoa pode levar sobre a cabeça, no entanto, uma flor que é vermelha, mesmo que seja uma aquática. (O costume na Índia, especialmente com todos os Brahmanas ortodoxos, é usar uma única flor sobre a cabeça, inserida na madeixa coronal.) Uma guirlanda de ouro não pode de jeito nenhum se tornar impura. Depois do banho, ó rei, deve-se usar perfumes misturados com água, (ou seja, perfumes secos não devem ser usados). Nunca se deve usar uma peça de roupa superior para cobrir os membros inferiores ou as peças de roupas inferiores para cobrir os superiores. Nem se deve usar roupas usadas por outro. Não se deve, além disso, usar uma peça de roupa que não tenha suas franjas laterais. (A roupa usada por um Hindu tem duas franjas laterais as quais contêm um número menor de fios do que a parte principal da roupa.) Quando alguém vai dormir, ó rei, ele deve vestir uma peça de roupa diferente. Quando se faz uma viagem também em uma estrada, deve-se usar uma peça de roupa diferente. Assim também, quando cultuando as divindades, deve-se vestir uma roupa diferente. (É dito que o Hinduísmo é um vasto sistema de higiene pessoal. Estas instruções sobre mudança de traje são cumpridas escrupulosamente por todo Hindu austero até hoje. Nenhuma mudança parece ter ocorrido nos hábitos diários das pessoas.) O homem de inteligência deve cobrir seus membros com unguentos feitos de Priyangu (Aglaia Roxburghiana), pasta de sândalo, Vilwa (Egle marmelos), Tagara (Taberuaemontana coronaria, Linn), e Kesara (Eclipta alba, Hassk). Ao fazer um jejum, uma pessoa deve se purificar com um banho, e se enfeitar com ornamentos e unguentos. Deve-se sempre se abster de união sexual nos dias da lua cheia e da lua nova. Nunca se deve, ó monarca, comer do mesmo prato com outro mesmo que aconteça daquele outro ser do posto da própria pessoa ou igual. Nem se deve alguma vez comer algum alimento que foi preparado por uma mulher em seu período funcional. Nunca se deve comer algum alimento ou bebida, algum líquido cuja essência tenha sido tirada. Nem se deve comer algo sem dar uma porção disso para pessoas que olham desejosamente para a comida que aconteça de alguém pegar. O homem de inteligência nunca deve sentar perto de alguém que é impuro. Nem deve se sentar perto de pessoas que são as principais em piedade. Todo alimento que é proibido em ações rituais nunca deve ser ingerido nem em outras ocasiões. Os frutos da Ficus religiosa e da Ficus Bengalensis como também as folhas da Crotolaria Juncea, e os frutos da Ficus glomerata, nunca devem ser comidos por alguém que deseja o seu próprio bem. A carne de cabras, de vacas, e do pavão, nunca deve ser comida. Deve-se também se abster de carne seca e toda carne que é estragada. O homem de inteligência nunca deve comer algum sal, pegando-o com sua mão. Nem ele deve comer coalhos e farinha de cevada frita à noite. Uma pessoa deve se abster também da carne de animais não mortos em sacrifícios. Deve-se, com atenção concentrada, comer uma vez de manhã e uma vez à noite, se abstendo totalmente de todo alimento durante o intervalo. Nunca se deve comer algum alimento no qual se possa descobrir um cabelo. Nem se deve comer no Sraddha de um inimigo. Deve-se comer silenciosamente; nunca se deve comer sem cobrir o corpo com uma peça de roupa superior, e sem se sentar. Nunca se deve comer qualquer alimento colocando-o na terra nua. Nunca se deve comer exceto em uma postura sentada. Nunca se deve fazer algum barulho (de mastigar ou chupar ou lamber, etc.) enquanto comendo. O homem de inteligência deve primeiro oferecer água e então alimento para alguém que se tornou seu convidado, e depois de ter servido o convidado dessa maneira, ele deve então se sentar para fazer suas refeições. Aquele que senta para jantar em uma fileira com amigos e ele mesmo come algum alimento sem dar dele para seus amigos, é citado como comendo veneno virulento. Com relação à água e Payasa e farinha de cevada frita e coalhos e ghee e mel, nunca se deve, depois de bebê-los ou comê-los, oferecer os restos deles para outros. Nunca se deve, ó chefe de homens, comer algum alimento duvidosamente. (Duvidando, por exemplo, se ele será capaz de digeri-lo ou não, ou se o que ele está ingerindo é limpo ou não, ou se será muito para ele.) Alguém desejoso de comida nunca deve beber coalhos no término de uma refeição. Depois que a refeição está terminada, deve-se lavar a boca e o rosto somente com a mão (direita), e pegando um pouco de água deve-se então mergulhar o dedo do pé direito nela. Depois da ablução, deve-se tocar o topo da própria cabeça com a mão (direita). Com atenção concentrada, deve-se em seguida tocar o fogo. O homem que sabe como cumprir todas estas ordenanças com cuidado consegue obter o lugar principal entre seus parentes. Uma pessoa deve, depois de terminar suas refeições, lavar com água o nariz e olhos e orelhas e umbigo e ambas as mãos. Não se deve, no entanto, manter as mãos molhadas. Entre a ponta e a base do polegar está situado o Tirtha sagrado conhecido pelo nome de Brahma. Nas costas do dedo mínimo, é dito, está situado o Deva-tirtha. O espaço que fica entre o polegar e o indicador, ó Bharata, deve ser usado para cumprir os ritos Pitri, depois de tocar água de acordo com a ordenança. (Ao oferecer certos artigos no Sraddha, os artigos são primeiro colocados nesta parte da mão direita e então oferecidos com os mantras apropriados para os Pitris.) Um pessoa nunca deve se entregar a caluniar outras pessoas. Nem ela deve alguma vez proferir algo que seja desagradável. O homem que deseja seu próprio bem nunca deve procurar provocar contra si mesmo a ira de outros. Nunca se deve procurar conversar com uma pessoa que decaiu de sua classe. A própria visão de tal pessoa deve ser evitada. Nunca se deve entrar em contato com uma pessoa decaída. Por evitar tal contato se consegue obter uma vida longa. Nunca se deve ter união sexual durante o dia. Nem se deve ter união com uma donzela, nem com uma prostituta, nem com uma mulher estéril. Nunca se deve ter união sexual com uma mulher que não tomou banho depois do término de seu período funcional. Por evitar tais atos alguém consegue obter uma vida longa. Depois de lavar os vários membros ordenados, em virtude de atos religiosos, deve-se lavar os lábios três vezes, e mais uma vez duas vezes. Por fazer isto uma pessoa fica purificada e preparada para atos religiosos. Os vários órgãos dos sentidos devem ser cada um lavado uma vez, e água deve também ser salpicada sobre o corpo inteiro. Tendo feito isso, deve-se realizar o culto dos Pitris e das divindades, de acordo com as ordenanças dos Vedas. Ouça-me, ó tu da linhagem de Kuru, enquanto eu te digo qual purificação é adequada e benéfica para um Brahmana. Antes de começar a comer e depois de terminar a refeição, e em todas as ações que requerem purificação, o Brahmana deve realizar o achamana com água colocada sobre o membro chamado Brahmatirtha. (No inicio de atos religiosos o rito de achamana consiste em meramente tocar os lábios e algumas outras partes com água, mas quando alguém é ordenado realizar o achamana depois de ter comido ele naturalmente implica um ato de limpeza.) Depois de ejetar alguma substância da garganta ou cuspir, uma pessoa deve lavar a boca antes que ela possa se tornar pura. Um parente que aconteça de ser idoso, ou um amigo que aconteça de ser pobre, devem ser estabelecidos na casa de alguém e seus confortos considerados como se ele fosse um membro da família. Por fazer isso alguém consegue obter fama e vida longa. O estabelecimento de pombos na casa de alguém é repleto de bem-aventurança, como também de papagaios machos e fêmeas. Se fêmeas destes se refugiam na residência de alguém, elas conseguem dissipar calamidades. O mesmo é o caso com baratas. Se pirilampos e urubus e pombos do mato e abelhas entram na casa de alguém ou procuram residir nela, atos de aplacação das divindades devem ser realizados. Estas são criaturas de mau agouro, como também águias pescadoras. Nunca se deve divulgar os segredos de homens de grande alma; nunca se deve ter união sexual com uma mulher proibida. Nem se deve jamais ter tal união com a esposa de um rei ou com mulheres que são amigas de rainhas. Nunca se deve cultivar intimidade com médicos, ou com crianças, ou com pessoas que são idosas, ou com os próprios empregados, ó Yudhishthira. Sempre se deve sustentar amigos, Brahmanas, e pessoas que procuram sua proteção. Por fazer isto, ó rei, alguém obtém uma vida longa. O homem de sabedoria deve residir em tal casa que foi construída com a ajuda de um Brahmana e um engenheiro hábil em sua profissão, se de fato, ó rei, ele deseja seu próprio bem. (A ajuda do Brahmana é necessária em escolher o terreno, e determinar a direção longitudinal e outras direções da casa, como também em fixar o dia do início do trabalho de construção.) Não se deve, ó rei, dormir no crepúsculo noturno. Nem se deve estudar em tal hora para obter algum ramo de conhecimento. O homem de inteligência nunca deve comer também em tal hora. Por agir dessa maneira se obtém uma vida longa. Nunca se deve realizar alguma ação em honra dos Pitris à noite. Não se deve embelezar o próprio corpo depois de terminar as refeições. Uma pessoa deve se banhar à noite se ela deseja seu próprio progresso. Ela deve também, ó Bharata, sempre se abster de farinha de cevada frita à noite. Os restos de comida e bebida, como também as flores com as quais se adorou as divindades, nunca devem ser usados. Convidando um convidado à noite, nunca se deve, com cortesia excessiva, forçá-lo a comer ao ponto de satisfação. Nem a própria pessoa deve comer até o ponto de satisfação, à noite. Não se deve matar uma ave (para comê-la), especialmente depois de tê-la alimentado. Um homem possuidor de sabedoria deve se casar com uma moça nascida em uma família nobre, dotada de indicações auspiciosas, e de idade completa. Gerando filhos nela e assim perpetuando a própria família dessa maneira, ele deve transferir os filhos para um bom preceptor para adquirirem conhecimento geral, ó Bharata, como também um conhecimento dos costumes especiais da família, ó monarca. As filhas que alguém possa gerar devem ser entregues em casamento para jovens de famílias respeitáveis, que sejam além disso possuidores de inteligência. Filhos também devem ser estabelecidos e uma parte da herança da família deve ser dada para eles, ó Bharata, como sua provisão. Uma pessoa deve se banhar por mergulhar sua cabeça em água antes de se sentar para realizar alguma ação em honra dos Pitris e das divindades. Nunca se deve realizar um Sraddha sob a constelação da própria natividade. Nenhum Sraddha deve ser realizado sob algum dos Bhadrapadas (anterior ou posterior), nem sob a constelação Krittika, ó Bharata. O Sraddha nunca deve ser realizado sob alguma daquelas constelações que são consideradas como violentas (tais como Aslesha, etc.) e alguma daquelas que, após cálculo, pareça ser hostil. De fato, a este respeito, devem ser evitadas todas aquelas constelações que são proibidas em tratados sobre astrologia. Alguém deve sentar de frente para o leste ou o norte enquanto passando por uma barbeação nas mãos do barbeiro. Por fazer isso, ó grande rei, se consegue adquirir uma vida longa. Nunca se deve se entregar a caluniar outras pessoas ou à auto-crítica, pois, ó chefe dos Bharatas, é dito que a calúnia é pecaminosa, seja de outros ou de si mesmo. Em casamento, um homem deve evitar uma mulher que é deficiente de algum membro. Um moça também, se desta maneira, também deve ser evitada. Uma mulher do mesmo Pravaras (linhagem) também deve ser evitada; como também uma que tenha qualquer má-formação; como também uma que nasceu na família à qual sua própria mãe pertence. Um homem possuidor de sabedoria nunca deve ter união sexual com uma mulher que é idosa, ou uma que abandonou o modo de vida familiar para entrar no modo da floresta, ou uma que é sincera para seu marido, ou uma cujos órgãos de geração não são saudáveis ou bem formados. Cabe a ti não se casar com uma mulher que é de uma cor amarela, ou uma que sofre de lepra, ou uma nascida em uma família na qual tem havido epilepsia, ou uma que é inferior em nascimento e hábitos, ou uma que é nascida em uma família na qual a doença chamada Switra (lepra) tem aparecido, ou uma pertencente por nascimento a uma linhagem na qual há mortes prematuras. Somente aquela moça que é dotada de indicações auspiciosas, e que é habilidosa por qualificações de diversos tipos, que é agradável e bonita, deve ser casada. Alguém deve se casar, ó Yudhishthira, em uma família que é superior ou pelo menos igual à sua própria. Alguém que deseja sua própria prosperidade nunca deve se casar com uma mulher que é de uma classe inferior ou que decaiu da classe de seu nascimento. Acendendo o fogo cuidadosamente, uma pessoa deve realizar todos aqueles atos os quais são ordenados e declarados nos Vedas ou pelos Brahmanas. Nunca se deve procurar ferir mulheres. Esposas devem sempre ser protegidas. A malícia sempre encurta a vida. Por isso, alguém deve sempre se abster de nutrir malícia. Dormir durante o dia encurta a vida. Dormir depois de o sol ter nascido encurta a vida. Aqueles que dormem em algum dos crepúsculos, ou ao anoitecer ou que adormecem em um estado de impureza, têm suas vidas encurtadas. O adultério sempre encurta a vida. Não se deve permanecer em um estado de impureza depois de se barbear. (Uma pessoa é considerada impura depois de se barbear até que se banhe.) Alguém deve, ó Bharata, se abster cuidadosamente de estudar ou de recitar os Vedas, e de comer, e se banhar, ao anoitecer. Quando chega o crepúsculo noturno, uma pessoa deve reunir seus sentidos para meditação, sem fazer alguma ação. Alguém deve, ó rei, se banhar e então adorar os Brahmanas. De fato, deve-se tomar banho antes de cultuar as divindades e saudar o preceptor com reverência. Nunca se deve ir a um sacrifício a menos que tenha sido convidado. De fato, uma pessoa pode ir lá sem um convite se ela desejar somente ver como o sacrifício é conduzido. Se alguém vai a um sacrifício (para algum outro propósito) sem um convite e se, por causa disso, ele não recebe culto apropriado do sacrificador, sua vida vem a ser encurtada. Nunca se deve ir sozinho em uma viagem para partes estrangeiras. Nem se deve alguma vez proceder sozinho para algum lugar à noite. Antes que a noite venha, uma pessoa deve voltar para sua casa e permanecer dentro dela. Sempre se deve obedecer às ordens da mãe e do pai e do preceptor, sem julgar em absoluto se aquelas ordens são benéficas ou não. Deve-se, ó rei, prestar atenção com grande cuidado aos Vedas e à ciência de armas. Então, ó rei, dedique-te com cuidado à prática de guiar um elefante, um corcel, e uma carruagem de guerra. O homem que desempenha estes com cuidado consegue obter felicidade. Tal rei consegue se tornar inconquistável por inimigos, e domina seus empregados e parentes sem algum deles poder levar vantagem sobre ele. O rei que alcança semelhante posição e que se encarrega com cuidado do dever de proteger seus súditos, nunca tem que incorrer em alguma perda. Tu deves adquirir, ó rei, a ciência do raciocínio, como também a ciência das palavras, a ciência dos Gandharvas, e os sessenta e quatro ramos de conhecimento conhecidos pelo nome de Kala. Deve- se todos os dias ouvir os Puranas e os Itihasas e todas as outras narrativas que existem, como também as histórias de vida de todos os personagens de grande alma. Quando a esposa de alguém passa pelo período funcional, ele nunca deve ter união sexual com ela, nem mesmo convocá-la para conversação. O homem dotado de sabedoria pode aceitar sua companhia no quarto dia depois do banho de purificação. Se alguém se entrega à união sexual no quinto dia a partir do primeiro aparecimento da operação funcional, ele obtém uma filha. Por ter tal união no sexto dia, acontece de ele ter um filho. O homem de sabedoria deve, na questão de união sexual, prestar atenção a esta regra (sobre dias pares e ímpares). Parentes e parentes por casamento e amigos devem ser todos tratados com respeito. Deve-se, segundo o melhor que se pode, adorar as divindades em sacrifícios, dando de graça diversos tipos de artigos como Dakshina sacrifical. Depois que o período ordenado para o modo de vida familiar passou, deve-se, ó rei, entrar na vida de um asceta da floresta. Eu assim te disse todas as indicações, em resumo, das pessoas que conseguem vida longa. O que permanece não dito por mim deve ser ouvido por ti das bocas de pessoas bem versadas nos três Vedas, ó Yudhishthira. Tu deves saber que a conduta é a base da prosperidade. A conduta é a aumentadora de fama. É a conduta que prolonga a vida. É a conduta que destrói todas as calamidades e males. A conduta é citada como sendo superior a todos os ramos de conhecimento. É a conduta que gera virtude, e é a virtude que prolonga a vida. A conduta é produtiva de fama, de vida longa, e do céu. A conduta é o rito mais eficaz de propiciar as divindades (para trazer auspiciosidade de todo tipo). O próprio Brahman Auto-nascido disse que alguém deve mostrar compaixão por todas as classes de homens.'" (Conduta aqui implica não somente o comportamento de alguém para consigo mesmo e outros, isto é, para seres inferiores, iguais e superiores; ela inclui o corpo inteiro de ações que alguém faz nessa vida, incluindo os próprios sentimentos que ele nutre.) "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó chefe da linhagem de Bharata, como o irmão mais velho deve se comportar com seus irmãos mais novos e como os irmãos mais novos devem se comportar com seu irmão mais velho.'” "Bhishma disse, 'Ó filho, sempre te comporte em direção aos teus irmãos mais novos como seu irmão mais velho deve. Tu és sempre o mais velho de todos estes teus irmãos. Aquela conduta superior que o preceptor deve sempre adotar em direção a seus discípulos deve ser adotada por ti em direção aos teus irmãos mais novos. Se acontece de o preceptor não ser dotado de sabedoria, o discípulo não pode possivelmente se comportar em direção a ele de uma maneira respeitosa ou apropriada. Se acontece de o preceptor ser possuidor de pureza e nobreza de conduta, o discípulo também consegue obter conduta do mesmo tipo, ó Bharata. O irmão mais velho deve às vezes ser cego às ações de seus irmãos mais jovens, e embora possuidor de sabedoria deve às vezes agir como se ele não entendesse suas ações. Se os irmãos mais novos forem culpados de alguma transgressão, o irmão mais velho deve corrigi-los por caminhos e meios indiretos. Se há boa compreensão entre irmãos e se o irmão mais velho procura corrigir seus irmãos mais novos por meios diretos ou ostensivos, pessoas que são inimigas, ó filho de Kunti, que são afligidas com tristeza ao verem tal boa compreensão e que, portanto, sempre procuram causar uma desunião, se põem a desunir os irmãos e causar dissensões entre eles. É o irmão mais velho que aumenta a prosperidade da família ou que a destrói totalmente. Se acontece de o irmão mais velho não ser dotado de sabedoria e mau em comportamento, ele ocasiona a destruição da família inteira. O irmão mais velho que fere seus irmãos mais jovens cessa de ser considerado como o mais velho e perde seu direito à sua parte na propriedade da família e merece ser reprimido pelo rei. Aquele homem que age enganosamente tem, sem dúvida, que ir para regiões de dor e de todo tipo de mal. O nascimento de tal pessoa não serve a algum propósito útil assim como as flores da cana. (A flor da cana não pode ser colhida para ser oferecida para as divindades.) Aquela família na qual uma pessoa pecaminosa toma nascimento fica sujeita a todo mal. Tal pessoa traz infâmia, e todas as boas ações da família desaparecem. Tais entre os irmãos que são dedicados a más ações perdem suas partes da propriedade da família. Em tal caso, o irmão mais velho pode se apropriar de toda a propriedade Yautuka sem dar qualquer parte dela para seus irmãos mais novos. Se o irmão mais velho faz alguma aquisição, sem usar a propriedade paterna e por ir para um lugar distante ele pode se apropriar para seu próprio uso, de tais aquisições, sem dar qualquer parte disto para seus irmãos mais novos. Se irmãos não separados desejam, (durante o tempo de vida de seu pai), repartir a propriedade da família, o pai deve dar partes iguais para todos os seus filhos. Se acontecer de o irmão mais velho ser de atos pecaminosos e não distinto por habilidades de qualquer tipo ele pode ser desconsiderado por seus irmãos mais novos. Se acontecer de a esposa ou o irmão mais novo ser pecaminoso, ainda assim o bem dela ou dele deve ser procurado. Pessoas conhecedoras da eficácia da virtude dizem a que virtude é o maior bem. O Upadhyaya (aquele que ensina os Vedas) é superior até a dez Acharyas (instrutores comuns). O pai é igual a dez Upadhyayas. A mãe é igual a dez pais ou até à terra inteira. Não há superior igual à mãe. Realmente, ela supera todos em relação à reverência devida a ela. É por esta razão que as pessoas consideram que a mãe merece tanta reverência. Depois que o pai cessou de respirar, ó Bharata, o irmão mais velho deve ser considerado como o pai. É o irmão mais velho que deve designar para eles seus meios de sustento e proteger e cuidar deles. Todos os irmãos mais jovens devem se curvar a ele e obedecer sua autoridade. De fato, eles devem viver em dependência dele assim como eles viviam do pai deles enquanto ele estava vivo. No que diz respeito ao corpo, ó Bharata, é o pai e a mãe que o criam. Aquele nascimento, no entanto, o qual o Acharya ordena, é considerado como o nascimento verdadeiro, que é, além disso, realmente imperecível e imortal. (O nascimento que alguém deriva dos pais está sujeito à morte, enquanto o nascimento derivado do preceptor é verdadeira regeneração, imperecível e imortal.) A irmã mais velha, ó chefe da linhagem de Bharata, é como a mãe. A esposa do irmão mais velho também é como a mãe, pois o irmão mais novo, na infância, recebe, suga dela.'" 106 "Yudhishthira disse, 'É vista a disposição de fazer jejuns, ó avô, em todas as classes de homens, inclusive nos próprios Mlechchhas. A razão disto, no entanto, não é conhecida por nós. É sabido por nós que somente Brahmanas e Kshatriyas devem cumprir o voto de jejum. Como, ó avô, as outras classes podem ser aceitas como ganhando algum mérito pela observância de jejuns? Como os votos e jejuns vieram a ser cumpridos por pessoas de todas as classes, ó rei? Qual é aquele fim ao qual alguém dedicado à observância de jejuns alcança? É dito que jejuns são altamente meritórios e que jejuns são um grande refúgio. Ó príncipe de homens, qual é o resultado que é ganho neste mundo pelo homem que faz jejuns? Por quais meios uma pessoa é purificada de seus pecados? Por quais meios alguém obtém virtude? Por quais meios, ó melhor dos Bharatas, alguém consegue adquirir céu e mérito? Depois de ter feito um jejum, o que deve ser doado, ó rei? Ó, diga- me, quais são aqueles deveres pelos quais alguém pode conseguir obter objetos tais como os que levam à felicidade?'” "Vaisampayana continuou, 'Para o filho de Kunti com a divindade de Dharma, que estava familiarizado com todos os deveres e que tinha falado dessa maneira para ele, o filho de Santanu, Bhishma, que conhecia todos os deveres, respondeu nas seguintes palavras.'” "Bhishma, dito, 'Antigamente, ó rei, eu ouvi a respeito destes méritos superiores, ó chefe da linhagem de Bharata, que se vinculam à observância de jejuns de acordo com a ordenança. Eu tinha, ó Bharata, feito ao Rishi Angiras de grande mérito ascético as mesmas perguntas as quais tu me fizeste hoje. Questionado por mim desse modo, o Rishi ilustre, que surgiu do fogo sacrifical, me respondeu exatamente assim a respeito da observância de jejuns segundo a ordenança.'” "Angiras disse, 'Com relação a Brahmanas e Kshatriyas, jejuns por três noites a fio são ordenados para eles, ó alegrador dos Kurus. De fato, ó chefe de homens, um jejum por uma noite, por duas noites, e por três noites, podem ser feitos por eles. (Eles nunca devem ir além de três noites.) Com relação a Vaisyas e Sudras, a duração dos jejuns prescritos para eles é uma única noite. Se, por tolice, eles fazem jejuns por duas ou três noites, tais jejuns nunca levam ao seu progresso. De fato, para Vaisyas e Sudras, jejuns por duas noites é ordenado (em certas ocasiões especiais). Jejuns por três noites, no entanto, não foram prescritos para eles por pessoas conhecedoras e cumpridoras de deveres. Aquele homem de sabedoria que, com seus sentidos e alma sob controle, ó Bharata, jejua, por se abster de uma das duas refeições, no quinto e no sexto dias da lua como também no dia da lua cheia, vem a ser dotado de perdão e beleza pessoal e conhecimento das escrituras. Tal pessoa nunca fica sem filhos e pobre. Aquele que realiza sacrifícios para adorar as divindades no quinto e sexto dias da lua, supera todos os membros de sua família e consegue alimentar um grande número de Brahmanas. Aquele que faz jejuns no oitavo dia e no décimo quarto dia da quinzena escura vem a ser livre de enfermidades de todo tipo e possuidor de grande energia. O homem que se abstém de uma refeição todos os dias por todo o mês chamado Margasirsha, deve, com reverência e dedicação, alimentar vários Brahmanas. Por fazer isso ele se torna livre de todos os seus pecados. Tal homem vem a ser dotado de prosperidade, e todas as espécies de cereais se tornam dele. Ele se torna dotado de energia. Realmente, tal pessoa colhe em abundância da colheita de seus campos, obtém grande riqueza e muitos grãos. Aquele homem, ó filho de Kunti, que passa o mês de Pausha inteiro se abstendo todo dia de uma das duas refeições, se torna dotado de boa sorte e feições agradáveis e grande fama. Aquele que passa o mês de Magha inteiro se abstendo todo dia de uma das duas refeições, toma nascimento em uma família nobre e obtém uma posição de eminência entre seus parentes. Aquele que passa o mês de Bhagadaivata inteiro se limitando todo dia a uma única refeição se torna um predileto das mulheres que, de fato, facilmente possuem seu domínio. Aquele que passa o mês de Chaitra inteiro se limitando todo dia a uma refeição, toma nascimento em uma família nobre e se torna rico em ouro, jóias, e pérolas. A pessoa, homem ou mulher, que passa o mês de Vaisakha se limitando todo dia a uma refeição, e mantendo seus sentidos sob controle, consegue alcançar uma posição de eminência entre parentes. A pessoa que passa o mês de Jyaishtha se limitando todo dia a uma refeição por dia consegue alcançar uma posição de eminência e grande riqueza. Se for uma mulher, ela colhe a mesma recompensa. Aquele que passa o mês de Ashadha se limitando a uma refeição por dia e com sentidos firmemente concentrados em seus deveres, vem a ser possuidor de muitos grãos, grande riqueza, e uma grande progênie. Aquele que passa o mês de Sravana se limitando a uma refeição por dia recebe as honras de Abhisheka onde quer que possa acontecer de ele residir, e obtém uma posição de eminência entre os parentes a quem ele sustenta. Aquele homem que se limita a uma única refeição por dia pelo mês inteiro de Proshthapada vem a ser dotado de grande riqueza e obtém afluência crescente e durável. O homem que passa o mês de Aswin se limitando a uma refeição por dia se torna puro em alma e corpo, possuidor de animais e veículos em abundância, e uma grande progênie. Aquele que passa o mês de Kartika se limitando a uma refeição todo dia, se torna possuidor de heroísmo, muitas esposas, e grande fama. Eu agora te disse, ó chefe de homens, quais são os frutos que são obtidos pelos homens por fazerem jejuns pelos doze meses em detalhes. Escute agora, ó rei, a mim enquanto que te digo quais são as regras a respeito de cada um dos dias lunares. O homem que, se abstendo dele todos os dias, come arroz no término de toda quinzena, se torna possuidor de muitíssimas vacas, uma grande progênie, e uma vida longa. Aquele que faz um jejum por três noites todos os meses e se comporta dessa maneira por doze anos, alcança uma posição de supremacia entre seus parentes e associados, sem um rival para contestar seu direito e sem qualquer ansiedade causada por alguém se esforçando para se elevar à mesma altura. Estas regras que eu cito, ó chefe da linhagem de Bharata, devem ser cumpridas por doze anos. Que a inclinação para isto se manifeste. Aquele homem que come uma vez de manhã e uma vez depois à noite e se abstém de beber (ou comer alguma coisa) no intervalo, e que pratica compaixão em direção a todas as criaturas e despeja libações de manteiga clarificada em seu fogo sagrado todos os dias, alcança o êxito, ó rei, em seis anos. Não há dúvida nisto. Tal homem ganha o mérito que se vincula à realização do sacrifício Agnishtoma. Dotado de mérito e livre de todo tipo de mácula, ele alcança a região das Apsaras que ecoa com os sons de canções e dança, e passa seus dias na companhia de mil donzelas de grande beleza. Ele passeia em um carro da cor do ouro fundido e recebe grandes honras na região de Brahma. Depois do esgotamento daquele mérito tal pessoa volta para a terra e obtém preeminência de posição. Aquele homem que passa um ano inteiro se limitando todo dia a uma única refeição obtém o mérito do sacrifício Atiratra. Ele ascende para o céu depois da morte e recebe grandes honras lá. Após o esgotamento daquele mérito ele retorna para a terra e obtém uma posição de eminência. Aquele que passa um ano inteiro fazendo jejuns por três dias em sucessão e ingerindo alimento em todo quarto dia, e se abstendo de injúria de todo tipo adere à veracidade de palavras e mantém seus sentidos sob controle, obtém o mérito do sacrifício Vajapeya. Tal pessoa ascende para o céu depois da morte e recebe grandes honras lá. Aquele homem, ó filho de Kunti, que passa um ano inteiro fazendo jejuns por cinco dias e ingerindo alimento somente no sexto dia, adquire o mérito Sacrifício de Cavalo. A carruagem na qual ele é levado é puxada por Chakravakas. Tal homem desfruta de todo tipo de felicidade no céu por quarenta mil anos completos. Aquele que passa um ano inteiro fazendo jejuns por sete dias e se alimenta somente em todo oitavo dia adquire o mérito do sacrifício Gavamaya. A carruagem que ele usa é puxada por cisnes e grous. Tal pessoa desfruta de todas as espécies de felicidade no Céu por cinquenta mil anos. Aquele que passa um ano inteiro, ó rei, comendo somente em intervalos de uma quinzena, adquire o mérito de um jejum contínuo por seis meses. Isto foi dito pelo próprio Angiras ilustre. Tal homem mora no céu por sessenta mil anos. Ele é despertado de sua cama toda manhã pelas notas doces de Vinas e Vallakis e flautas, ó rei. Aquele que passa um ano inteiro bebendo somente um pouco água no término de cada mês adquire, ó monarca, o mérito do sacrifício Viswajit. Tal homem é conduzido em uma carruagem puxada por leões e tigres. Ele mora no céu por setenta mil anos no gozo de todo tipo de felicidade. Nenhum jejum por mais do que um mês, ó chefe de homens, é ordenado. Exatamente esta, ó filho de Pritha, é a ordenança a respeito de jejuns que foi declarada por sábios familiarizados com deveres. Aquele homem que faz um jejum, não afligido por doença e livre de toda enfermidade, realmente adquire, a cada passo, os méritos que se vinculam a Sacrifícios. Tal homem ascende para o Céu em um carro puxado por cisnes. Dotado de pujança, ele desfruta de todo tipo de felicidade no céu por cem anos. Cem Apsaras das feições mais belas o servem e se divertem com ele. Ele é despertado de sua cama toda manhã pelo som dos Kanchis e dos Nupuras daquelas moças. (Kanchi é um ornamento usado por damas ao redor da cintura ou quadris. Há um disco brilhante de ouro ou prata, o qual pende sobre o quadril. Ele é comumente chamado de Chandra-hara. O Nupura é uma argola de prata usada no tornozelo, com pequenas bolas moventes colocadas dentro, de modo que quando quem usa se move estas fazem um som agradável.) Tal pessoa passeia em um carro puxado por mil cisnes. Residindo, além disso, em uma região abundando com centenas das mais belas donzelas, ele passa seu tempo em grande alegria. O homem que deseja o céu não gosta da acessão de força quando ele fica fraco, ou da cura de ferimentos quando ele está ferido, ou da administração de remédios que curam quando ele está doente, ou de ser acalmado por outros quando ele está zangado, ou da mitigação, pelo gasto de riqueza, das tristezas causadas pela pobreza. Deixando este mundo onde ele sofre somente privações de todo tipo, ele procede para o céu e passeia em carros adornados com ouro, seu corpo embelezado com ornamentos de todo tipo. Lá, no meio de centenas de belas donzelas, ele desfruta de todos os tipos de prazer e felicidade, purificado de todos os pecados. De fato, se abstendo de alimento e prazeres neste mundo, ele se despede deste corpo e ascende para o céu como o resultado de suas penitências. Lá, livre de todos os seus pecados, saúde e felicidade se tornam dele e quaisquer desejos que surgem em sua mente vêm a ser coroados com realização. Tal pessoa passeia em um carro celestial de cor dourada, da refulgência do sol da manhã, ornamentado com pérolas e lápis lazúli, ressoando com a música de Vinas e Murajas, adornado com estandartes e lâmpadas, e ecoando com o tinido de sinos celestes, tal pessoa desfruta de todas as espécies de felicidade no céu por tantos anos quanto os poros que existem em seu corpo. Não há Sastra superior ao Veda. Não há pessoa mais digna de reverência do que a mãe. Não há aquisição superior àquela de Virtude, e nenhuma penitência superior ao jejum. Não há nada mais sagrado, no céu ou na terra, do que os Brahmanas. Do mesmo modo não há penitência que seja superior à observância de jejuns. Foi por jejuns que as divindades conseguiram se tornar habitantes do céu. É por jejuns que os Rishis têm obtido grande êxito. Viswamitra passou mil anos celestes se limitando todo dia a uma única refeição, e como a consequência disso obteve a posição de um Brahmana. Chyavana e Jamadagni e Vasishtha e Gautama e Bhrigu, todos estes grandes Rishis dotados da virtude do perdão alcançaram o céu através da observância de jejuns. Nos tempos passados Angiras declarou desta forma para os grandes Rishis. O homem que ensina a outro o mérito dos jejuns nunca tem que sofrer algum tipo de tristeza. As ordenanças sobre jejuns, em sua devida ordem, ó filho de Kunti, fluíram do grande Rishi Angiras. O homem que lê diariamente estas ordenanças ou as ouve serem lidas, fica livre de pecados de todo tipo. Não somente tal pessoa é libertada de toda calamidade, mas sua mente se torna incapaz de ser tocada por algum tipo de imperfeição. Tal pessoa consegue compreender os sons de todas as criaturas que não são humanas, e adquirindo fama eterna, se torna o principal de sua espécie.'" 107 "Yudhishthira disse, 'Ó avô de grande alma, tu discursaste devidamente para nós sobre o assunto de Sacrifícios, inclusive os méritos em detalhes que se vinculam a eles neste e no outro mundo. Deve ser lembrado, no entanto, ó avô, que Sacrifícios não podem ser realizados por pessoas que são pobres, pois estes requerem um grande estoque de diversos tipos de artigos. De fato, ó avô, o mérito ligado aos Sacrifícios pode ser adquirido somente por reis e príncipes. Aquele mérito não pode ser adquirido por aqueles que são desprovidos de riqueza e privados de habilidade e que vivem sós e que são desamparados. Diga-nos, ó avô, quais são as ordenanças a respeito daquelas ações que são repletas de mérito igual ao que se vincula aos sacrifícios e as quais, portanto, são capazes de serem realizadas por pessoas desprovidas de recursos.’” "Bhishma disse, 'Ouça, ó Yudhishthira! Aquelas ordenanças das quais eu te falei, isto é, aquelas que foram primeiro promulgadas pelo grande Rishi Angiras, e que têm referência a fatos meritórios como sua alma, são consideradas como iguais a Sacrifícios (em relação aos resultados que elas ocasionam neste e no outro mundo). O homem que faz uma refeição de manhã e uma à noite, sem ingerir algum alimento ou bebida durante o intervalo, e que cumpre estes regulamentos por um período de seis anos em sucessão, se abstendo todo o tempo de ferir qualquer criatura e derramando regularmente libações em seu fogo sagrado todo dia, alcança, sem dúvida, o sucesso. Tal homem adquire após a morte um carro da cor do ouro aquecido, e obtém uma residência, por milhões de anos, na região de Prajapati, na companhia de donzelas celestes, que sempre ecoa com o som de música e dança, e resplandece com a refulgência do fogo. Aquele que passa três anos se limitando todo dia a uma refeição e se abstendo todo o tempo de relações sexuais com alguma outra mulher salvo sua própria esposa, obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Tal homem é considerado como tendo realizado um Sacrifício, com abundância de presentes em ouro, que é precioso para o próprio Vasava. Por praticar a veracidade de palavras, fazer doações, reverenciar os Brahmanas, evitar malícia, se tornar perdoador e auto- dominado, e vencer a ira, um homem alcança o fim mais sublime. Passeando em um carro da cor das nuvens brancas que é puxado por cisnes, ele vive, por milhões e milhões de anos, na companhia de Apsaras. Jejuando por um dia inteiro e comendo uma única refeição no segundo dia, aquele que despeja libações sobre seu fogo sagrado pelo período de um ano inteiro, realmente, aquele que faz tal jejum e se encarrega todo dia de seu fogo e se levanta todo dia da cama antes do nascer do sol, obtém o mérito do sacrifício Agnishtoma. Tal homem obtém um carro puxado por cisnes e grous. Cercado pelas donzelas mais belas, ele reside na região de Indra. Aquele homem que come somente uma refeição a cada terceiro dia, e despeja libações todo dia em seu fogo sagrado por um período de um ano inteiro, de fato, aquele que cuida assim de seu fogo todo dia e acorda toda manhã antes do sol nascer, obtém o grande mérito do sacrifício Atiratra. Ele obtém um carro puxado por pavões e cisnes e grous. Procedendo para a região dos sete Rishis (celestes), ele toma sua residência lá, cercado por Apsaras de grande beleza. É bem sabido que tal residência dura por três Padmas completos de anos. (Um Padma é um número muito grande.) Jejuando por três dias em sucessão, aquele que come somente uma refeição cada quarto dia, e despeja libações todo dia em seu fogo sagrado, adquire o grande mérito do sacrifício Vajapeya. O carro que ele obtém é enfeitado por donzelas celestes de grande beleza que têm Indra como seu pai. Ele reside na região de Indra por milhões e milhões de anos e experimenta grande felicidade por testemunhar os esportes do chefe das divindades. Jejuando por quatro dias em sucessão, aquele que come somente uma refeição cada quinto dia, e despeja libações no fogo sagrado todo dia pelo período de um ano, e que vive sem cobiça, dizendo a verdade, reverenciando os Brahmanas, se abstendo de todos os tipos de injúria, e evitando malícia e pecado, adquire o mérito do sacrifício Vajapeya. O carro que ele usa é feito de ouro e puxado por cisnes e dotado da refulgência de muitos sóis nascidos juntos. Ele obtém uma mansão suntuosa de branco puro. Ele vive lá em grande felicidade por cinquenta e um Padmas completos de anos. Jejuando por cinco dias, aquele que ingere alimento somente no sexto dia, e despeja libações em seu fogo sagrado todo dia por um ano inteiro, e que realiza três abluções no decorrer do dia para se purificar e dizendo suas orações e fazendo seu culto, e que leva uma vida de Brahmacharya, privado de malícia em sua conduta, adquire o mérito do sacrifício Gomedha. Ele obtém um carro excelente adornado com ouro puro, possuidor do esplendor de um fogo ardente e puxado por cisnes e pavões. Ele dorme no colo de Apsaras e é despertado toda manhã pelo tinido melodioso de Nupuras e Kanchis. Ele leva tal vida de felicidade por dez mil milhões de anos e três mil milhões além disso e dezoito Padmas e dois Patakas. (Um número quase incontável.) Tal homem reside também, honrado por todos, na região de Brahma por tantos anos quanto os pêlos que existem nos corpos de centenas de ursos. Jejuando por seis dias, aquele que come somente uma refeição todo sétimo dia e despeja libações no fogo sagrado todo dia, por um ano inteiro, reprimindo a fala o tempo todo e cumprindo o voto de Brahmacharya, e se abstendo do uso de flores e unguentos e mel e carne, alcança a região dos Maruts e de Indra. Coroado com a realização de todos os desejos conforme eles surgem na mente, ele é servido e adorado por donzelas celestes. Ele adquire os méritos de um sacrifício no qual abundância de ouro é doada. Procedendo para as regiões citadas, ele vive lá por inúmeros anos na maior felicidade. Aquele que mostra clemência por todos e, jejuando por sete dias come em todo oitavo dia por um ano inteiro, e, despejando libações todo dia no fogo sagrado adora as divindades regularmente, adquire os grandes méritos do sacrifício Paundarika. O carro que ele usa é de uma cor como aquela do lótus. Sem dúvida, tal homem obtém também um grande número de donzelas, possuidoras de juventude e beleza, algumas tendo cores que são escuras, algumas com cores como aquela do ouro, e algumas que são Syamas, cujas aparências e atitudes são de tipo mais agradável. (Algumas das mais belas damas na mitologia e história Hindu são de cor escura. Draupadi, a rainha dos Pandavas, era de cor escura e era chamada de Krishna. Quanto às mulheres chamadas de Syamas, a descrição dada é que seus corpos são quentes no inverno e frios no verão, e sua cor é como aquela do ouro aquecido.) Aquele que jejua por oito dias e come somente uma refeição em todo nono dia por um ano inteiro, e despeja libações no fogo sagrado todo dia, adquire os grandes méritos de mil Sacrifícios de Cavalo. O carro que ele usa no Céu é tão belo quanto um lótus. Ele sempre faz suas viagens naquele carro, acompanhado pelas filhas de Rudra, adornado com guirlandas celestes e dotado da refulgência do sol do meio- dia ou dos fogos de chamas ardentes. Chegando às regiões de Rudra, ele vive lá em grande felicidade por inúmeros anos. Aquele que jejua por nove dias e come somente uma refeição em todo décimo dia por um ano inteiro, e despeja libações em seu fogo sagrado todo dia, adquire o mérito sublime de mil Sacrifícios de Cavalo, e obtém a companhia de filhas de Brahmanas dotadas de beleza capaz de encantar os corações de todas as criaturas. Estas donzelas, possuidoras de tal beleza, e algumas delas possuidoras de cor como aquela do lótus e algumas como aquela da mesma flor da variedade azul, sempre o mantêm em alegria. Ele obtém um veículo belo, que se move em belos círculos e que parece com a nuvem densa chamada Avarta, realmente, ele pode ser citado como parecendo também com uma onda do oceano. Aquele veículo ressoa com o tinido constante de fileiras de pérolas e jóias, e o clangor melodioso de conchas, e é adornado com colunas feitas de cristal e diamantes, como também com um altar construído dos mesmos minerais. Ele faz suas viagens em tal carro, puxado por cisnes e grous e vive por milhões e milhões de anos em grande felicidade no céu. Aquele que jejua por dez dias e que come somente ghee em todo décimo primeiro dia por um ano inteiro e despeja libações em seu fogo sagrado todo dia, que nunca, em palavras ou pensamentos, cobiça a companhia de esposas de outros homens e que nunca profere uma mentira nem por causa de sua mãe e pai, consegue contemplar Mahadeva de grande pujança sentado em seu carro. Tal pessoa adquire o grande mérito de mil Sacrifícios de Cavalo. Ele vê o carro do próprio Brahman Auto- nascido se aproximar para levá-lo sobre ele. Ele passeia nele, acompanhado por donzelas celestes possuidoras de grande beleza, e cor tão refulgente quanto aquela do ouro puro. Dotado do esplendor brilhante do fogo-Yoga, ele vive por inúmeros anos em uma mansão celestial no céu, repleta de toda felicidade. Por aqueles incontáveis anos ele experimenta a alegria de inclinar sua cabeça em reverência para Rudra adorado por divindades e Danavas. Tal pessoa obtém todo dia a visão da grande divindade. Aquele homem que tendo jejuado por onze dias come somente um pouco de ghee no décimo segundo, e segue esta conduta por um ano inteiro, consegue obter os méritos vinculados a todos os sacrifícios. O carro que ele usa é possuidor da refulgência de uma dúzia de sóis. Adornada com jóias e pérolas e corais de grande valor, embelezada com fileiras de cisnes e cobras e de pavões e Chakravakas proferindo suas notas melodiosas, e embelezada com cúpulas grandes, é a residência que ele obtém na região de Brahman. Aquela residência, ó rei, está sempre cheia com homens e mulheres (que o atendem para serviço). Isto mesmo é o que o altamente abençoado Rishi Angiras, conhecedor de todos os deveres, disse (a respeito dos frutos de tal jejum). Aquele homem que tendo jejuado por doze dias come um pouco de ghee no décimo terceiro, e se conduz dessa maneira por um ano inteiro, consegue obter os méritos do sacrifício divino. Tal homem obtém um carro da cor do lótus recém aberto, adornado com ouro puro e pilhas de jóias e pedras preciosas. Ele procede para as regiões dos Maruts que abunda em donzelas celestes, que estão enfeitadas com todos os tipos de ornamentos celestes, que são fragrantes com perfumes celestes, e que contêm todo elemento de bem-aventurança. O número de anos que ele reside naquelas regiões felizes é incontável. Acalmado com o som de música e a voz melodiosa de Gandharvas e os sons e clangor de baterias e Panavas, ele é constantemente alegrado por donzelas celestes de grande beleza. Aquele homem que tendo jejuado por treze dias come um pouco de ghee no décimo quarto dia, e se conduz dessa maneira por um ano inteiro, obtém os méritos do sacrifício Mahamedha. (Este sacrifício consistia na morte de um ser humano.) Donzelas celestes de beleza indescritível, e cuja idade não pode ser adivinhada pois elas são sempre jovens em aparência, enfeitadas com todos os ornamentos e com braceletes de esplendor brilhante, o servem com muitos carros e o seguem em suas viagens. Ele é despertado de sua cama toda manhã pela voz melodiosa de cisnes, o tinido de Nupuras, e o altamente agradável tinido de Kanchis. Na verdade, ele mora em uma residência superior, servido por tais donzelas celestes, por anos tão incontáveis quanto as areias nas margens de Ganga. Aquele homem que, mantendo seus sentidos sob controle, jejua por uma quinzena e faz somente uma refeição no décimo sexto dia, e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, despejando libações todo dia em seu fogo sagrado, adquire os grandes méritos que se vinculam a mil sacrifícios Rajasuya. O carro que ele usa é possuidor de grande beleza e é puxado por cisnes e pavões. Passeando em tal veículo, que é, além disso, adornado com guirlandas de pérolas e do ouro mais puro e enfeitado com grupos de donzelas celestes adornadas com ornamentos de todo tipo, tendo uma coluna e quatro arcos e sete altares extremamente auspiciosos, dotado de milhares de estandartes e ecoando com o som de música celeste e de atributos celestes, embelezado com jóias e pérolas e corais, e possuidor da refulgência do relâmpago, tal homem vive no céu por mil Yugas, tendo elefantes e rinocerontes para puxar aquele seu veículo. Aquele homem que tendo jejuado por quinze dias faz uma refeição no décimo sexto dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, adquire os méritos ligados ao sacrifício Soma. Procedendo para o Céu ele vive na companhia das filhas de Soma. Seu corpo fragrante com unguentos cujos perfumes são tão doces quando aqueles do próprio Soma, ele adquire o poder de se transportar imediatamente para qualquer lugar que ele queira. Sentado em seu carro ele é servido por donzelas das feições mais belas e modos agradáveis, e dispõe de todos os artigos de prazer. O período pelo qual ele desfruta de tal felicidade consiste em anos inumeráveis. Aquele homem que tendo jejuado por dezesseis dias come um pouco de ghee no décimo sétimo dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, despejando libações todo dia em seu fogo sagrado, procede para as regiões de Varuna e Indra, e Rudra e dos Maruts e Usanas e do próprio Brahman. Lá ele é servido por donzelas celestes e obtém uma visão do Rishi celeste chamado Bhurbhuva e compreende o universo inteiro em seu círculo visual. As filhas da divindade das divindades o alegram lá. Aquelas donzelas, de maneiras agradáveis e enfeitadas com todos os ornamentos, são capazes de assumir trinta e duas formas. Enquanto o Sol e a Lua se moverem no firmamento aquele homem de sabedoria residirá naquelas regiões de bem-aventurança, subsistindo da suculência da ambrosia e néctar. Aquele homem que tendo jejuado por dezessete dias come uma única refeição no décimo oitavo dia, e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, consegue compreender as sete regiões, das quais o universo consiste, em seu horizonte. Enquanto realizando suas viagens em seu carro ele é sempre seguido por uma grande comitiva de carros que produzem o estrépito mais agradável e repletos de donzelas celestes brilhando com ornamentos e beleza. Desfrutando da maior felicidade, o veículo que ele usa é celeste e dotado da maior beleza. Ele é puxado por leões e tigres, e produz um estrépito tão profundo quanto o som das nuvens. Ele vive em tal felicidade por mil Kalpas subsistindo da suculência da ambrosia que é tão doce quanto o próprio néctar. Aquele homem que tendo jejuado por dezoito dias come somente uma refeição no décimo nono dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, consegue compreender dentro do seu círculo visual todas as sete regiões das quais o universo consiste. A região a qual ele alcança é habitada por diversas tribos de Apsaras e ressoa com a voz melodiosa de Gandharvas. O carro no qual ele é levado é possuidor da refulgência do sol. Seu coração estando livre de toda ansiedade, ele é servido pelas principais das donzelas celestes. Enfeitado com guirlandas celestes, e possuidor de beleza de forma, ele vive em tal felicidade por milhões e milhões de anos. Aquele homem que tendo jejuado por dezenove dias come somente uma refeição a cada vigésimo dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, aderindo todo o tempo à veracidade de palavras e ao cumprimento de outros rituais (excelentes), se abstendo também de carne, levando a vida de um Brahmacharin, e dedicado ao bem de todas as criaturas, chega às legiões extensas, de grande felicidade, pertencentes aos Adityas. Enquanto realizando suas viagens em seu próprio carro, ele é seguido por uma grande comitiva de carros ocupados por Gandharvas e Apsaras enfeitadas com guirlandas e unguentos celestes. Aquele homem que tendo jejuado por vinte dias faz uma única refeição no vigésimo primeiro dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, despejando libações todo dia em seu fogo sagrado, vai para as regiões de Usanas e Sakra, dos Aswins e dos Maruts, e reside lá em felicidade ininterrupta de grande medida. Não familiarizado com tristeza de todo tipo, ele é conduzido nos principais dos carros para fazer suas viagens, e servido pelas principais das donzelas celestes, e possuidor de pujança, ele se diverte em alegria assim como um celestial. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e um dias faz uma única refeição no vigésimo segundo dia e se conduz dessa maneira por um ano inteiro, despejando libações em seu fogo sagrado todo dia, se abstendo de ferir qualquer criatura, aderindo à veracidade de palavras, e livre de malícia, alcança as regiões dos Vasus e vem a ser dotado do esplendor do sol. Possuidor do poder de ir a todos os lugares à vontade, subsistindo de néctar, e passeando nos principais dos carros, com seu corpo enfeitado com ornamentos celestes, ele se diverte em alegria na companhia de donzelas celestes. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e dois dias faz uma única refeição do vigésimo terceiro dia e se conduz dessa maneira por um ano inteiro, regulando sua dieta dessa maneira e mantendo seus sentidos sob controle, alcança as regiões da divindade do Vento, de Usanas, e de Rudra. Capaz de ir a todos os lugares à vontade e sempre vagando à vontade, ele é adorado por diversas tribos de Apsaras. Sendo levado nos principais dos carros e seu corpo enfeitado com ornamentos celestes, ele se diverte por inúmeros anos em grande bem-aventurança na companhia de donzelas celestes. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e três dias come um pouco de ghee no vigésimo quarto dia, e se conduz dessa maneira por um ano inteiro, despejando libações em seu fogo sagrado, reside por inúmeros anos em grande felicidade nas regiões dos Adityas, seu corpo ornado com mantos celestes e guirlandas e perfumes e unguentos celestes. Passeando em um carro excelente feito de ouro e possuidor de grande beleza e puxado por cisnes, ele se diverte em alegria na companhia de milhares e milhares de donzelas celestes. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e quatro dias come uma única refeição no vigésimo quinto dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, consegue obter um carro do tipo principal, cheio de todos os artigos de prazer. Ele é seguido em suas viagens por um grande séquito de carros puxados por leões e tigres, e produzindo um estrépito tão profundo quanto o ribombo das nuvens, repletos de donzelas celestes, e todos feitos de ouro puro e possuidores de grande beleza. Ele mesmo sendo conduzido em um carro celeste excelente possuidor de grande beleza, ele reside naquelas regiões por mil Kalpas, na companhia de centenas de donzelas celestes, e subsistindo da suculência da ambrosia que é doce como o próprio néctar. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e cinco dias come somente uma refeição no vigésimo sexto dia, e se comporta dessa maneira por um ano inteiro na observância de tal regulamento em relação à dieta, mantendo seus sentidos sob controle, livre de atração (por objetos mundanos), e despejando libações todo dia em seu fogo sagrado, aquele homem abençoado, adorado pelas Apsaras, alcança as regiões dos sete Maruts e dos Vasus. Quando realizando suas viagens ele é seguido por uma grande comitiva de carros feitos de cristal excelente e adornados com todas as espécies de pedras preciosas, e repletos de Gandharvas e Apsaras que lhe mostram toda honra. Ele reside naquelas regiões, no desfrute de tal bem-aventurança, e dotado de energia celeste, por dois mil Yugas. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e seis dias come uma única refeição no vigésimo sétimo dia e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, despejando libações todo dia em seu fogo sagrado, adquire grande mérito e procedendo para o Céu recebe honras das divindades. Residindo lá, ele subsiste de néctar, livre de sede de todo tipo, e desfrutando de toda felicidade. Sua alma purificada de toda escória e realizando suas viagens em um carro celeste de grande beleza, ele vive lá, ó rei, se conduzindo da mesma maneira dos Rishis celestes e dos sábios reais. Possuidor de grande energia, ele mora lá em grande felicidade na companhia de donzelas celestes de modos altamente agradáveis, por três mil Yugas e Kalpas. Aquele homem que, tendo jejuado por vinte e sete dias, come uma única refeição no vigésimo oitavo dia e se conduz dessa maneira por um ano inteiro, com alma e sentidos sob perfeito controle, adquire mérito muito grande, o qual, realmente, é igual ao que é adquirido pelos Rishis celestes. Possuidor de todos os artigos de prazer, e dotado de grande energia, ele brilha com a refulgência do sol do meio dia. Moças divertidas das feições mais delicadas e dotadas de esplendor de cor, tendo peitos profundos, coxas cônicas e quadris cheios e redondos, enfeitadas com ornamentos celestes, o alegram com sua companhia enquanto ele passeia em um carro encantador e excelente possuidor do esplendor do sol e equipado com todos os artigos de prazer, por milhares e milhares de Kalpas. Aquele homem que tendo jejuado por vinte e oito dias come uma única refeição no vigésimo nono dia, e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, aderindo todo o tempo à veracidade de palavras, alcança regiões auspiciosas de grande felicidade que são adoradas por Rishis celestes e sábios reais. O carro que ele obtém é dotado da refulgência do sol e da lua; feito de ouro puro e adornado com todo tipo de pedras preciosas, repleto de Apsaras e Gandharvas cantando melodiosamente. Nisso ele é alcançado por donzelas auspiciosas adornadas com ornamentos celestes de todo tipo. Possuidoras de disposições amáveis e feições agradáveis, e dotadas de grande energia, elas o alegram com sua companhia. Dotado de todo artigo de prazer e de grande energia, e possuidor do esplendor de um fogo ardente, ele brilha como um celestial, com uma forma celeste tendo toda excelência. As regiões que ele alcança são aquelas dos Vasus e dos Maruts, dos Sadhyas e dos Aswins, dos Rudras e do próprio Brahman. Aquele homem que tendo jejuado por um mês inteiro faz uma única refeição no primeiro dia do mês seguinte e se comporta dessa maneira por um ano inteiro, olhando para todas as coisas com um olhar imparcial alcança as regiões do próprio Brahman. Lá ele subsiste da suculência da ambrosia. Dotado de uma forma de grande beleza e altamente agradável para todos, ele brilha com energia e prosperidade como o próprio sol de mil raios. Devotado ao Yoga e adornado com mantos celestes e guirlandas e coberto com perfumes e unguentos celestes, ele passa seu tempo em grande felicidade, não familiarizado com a menor tristeza. Ele brilha em seu carro acompanhado por donzelas que brilham com refulgência emitida por elas mesmas. Aquelas donzelas, as filhas dos Rishis celestes e dos Rudras, o adoram com veneração. Capazes de assumir diversas formas que são muito encantadoras e altamente agradáveis, sua fala é caracterizada por diversas espécies de suavidade, e elas são capazes de alegrar a pessoa que elas servem de diversos tipos de maneiras. Enquanto realizando suas viagens, ele passeia em um carro que parece com o próprio firmamento em cor (pela sutileza do material que o compõe). Em sua retaguarda estão carros que parecem com a lua; à frente dele estão carros que parecem as nuvens; à sua direita estão veículos que são vermelhos; abaixo dele estão aqueles que são azuis; e acima dele estão aqueles que são de cor variada. Ele é sempre adorado por aqueles que o servem. Dotado de grande sabedoria, ele vive na região de Brahman por tantos anos quando são medidos pelas gotas de chuva que caem no decorrer de mil anos naquela divisão da terra que é chamada de Jamvudwipa. Realmente, possuidor do esplendor de uma divindade, ele vive naquela região de bem-aventurança genuína por tantos anos quanto as gotas de chuva que caem sobre a terra na estação das chuvas. O homem que, tendo jejuado por um mês inteiro, come no primeiro dia do mês seguinte, e se comporta dessa maneira por dez anos, obtém a posição de um grande Rishi. Ele não tem que sofrer qualquer mudança de forma enquanto procedendo para o céu para desfrutar das recompensas de suas ações em sua vida. Na verdade, esta é a posição que alguém por reprimir as palavras, praticar abnegação, subjugar a ira, o apetite sexual, e o desejo de comer, derramar libações no fogo sagrado, e adorar regularmente os dois crepúsculos. Aquele homem que se purifica pelo cumprimento destes votos e práticas similares, e que se alimenta dessa maneira, se torna tão imaculado quanto o éter (que é o mais puro dos elementos) e dotado de refulgência como aquela do próprio sol. Tal homem, ó rei, procedendo para o céu mesmo em sua própria forma carnal, desfruta de toda a felicidade que há lá como uma divindade à sua vontade.’” 'Eu assim te disse, ó chefe dos Bharatas, quais são as ordenanças excelentes a respeito de sacrifícios, uma após outra, como dependentes dos resultados de jejuns. (Sacrifícios têm como sua alma os ritos reais prescritos nas escrituras ou jejuns de vários tipos. A observância de jejuns é igual à realização de sacrifícios, pois os méritos de ambos são iguais.) Homens pobres, ó filho de Pritha (que são incapazes de realizar sacrifícios) podem; todavia, adquirir os frutos deles (pela observância de jejuns). Na verdade, por fazer estes jejuns, até um homem pobre pode chegar ao fim mais sublime, ó principal da linhagem de Bharata, encarregando-se todo o tempo, além disso, do culto das divindades e dos Brahmanas. Eu assim narrei para ti em detalhes as ordenanças em relação a jejuns. Não nutra qualquer dúvida a respeito daqueles homens que são dessa maneira cumpridores de votos, que são assim atentos e puros e de grande alma, que são assim livres de orgulho e contendas de todo tipo, que são dotados de tais compreensões devotadas, e que perseguem seu objetivo com tal firmeza e fixidez de propósito sem jamais se desviarem de seu caminho.'" 108 "Yudhishthira disse, 'Fale-me, ó avô, daquele que é considerado como o principal de todos os Tirthas. De fato, cabe a ti me explicar qual é aquele Tirtha que leva à maior pureza.'” (A palavra Tirtha significa água sagrada. Não pode haver Tirtha sem água, seja ele um rio, um lago, ou mesmo um poço. Bhishma, no entanto, escolhe usar a palavra em um sentido diferente.) "Bhishma disse, 'Sem dúvida, todos os Tirthas são possuidores de mérito. Ouça-me, no entanto, com atenção enquanto eu te digo qual é o Tirtha purificador de homens dotados de sabedoria. Aderindo à Verdade eterna, uma pessoa deve se banhar no Tirtha chamado Manasa, o qual é insondável (por sua profundidade), imaculado e puro, e que tem a Verdade como suas águas e a compreensão como seu lago. (A linguagem é figurativa. Por Manasa não se quer dizer o lago trans- Himalaico daquele nome, o qual até hoje é considerado como altamente sagrado e arrasta numerosos peregrinos de todas as partes da Índia. A palavra é usada para significar a Alma. Ela é insondável por ninguém ser capaz de descobrir sua origem. Ela é pura e imaculada por natureza.) Os frutos na forma de purificação, que alguém adquire por se banhar naquele Tirtha, são liberdade de cobiça, sinceridade, veracidade, suavidade (de comportamento), compaixão, abstenção de ferir alguma criatura, auto-domínio, e tranquilidade. Aqueles homens que são livres de apegos, que são desprovidos de orgulho, que transcendem todos os pares de opostos (tais como prazer e dor, elogio e crítica, calor e frio, etc.), que não têm esposas e filhos e casas e jardins, etc., que são dotados de pureza, e que subsistem de esmolas dadas para eles por outros, são considerados como Tirthas. Aquele que está familiarizado com as verdades de todas as coisas e que está livre da idéia de ‘meu’, é citado como sendo o Tirtha mais sublime. (Alguém livre da idéia de 'meu' significa aquele que se identifica com todas as criaturas; ele, isto é, em quem a idéia de eu foi extinta.) Ao procurar as indicações de pureza, o olhar deve ser sempre dirigido para estes atributos (de maneira que onde estes estão presentes tu podes considerar a pureza como estando presente, e onde estes não estão, a pureza também deve ser concluída como não estando). Aquelas pessoas de cujas almas os atributos de Sattwa e Rajas e Tamas foram removidos, aquelas que, indiferentes à pureza e impureza (externas) perseguem os fins que elas propuseram a si mesmas, aqueles que renunciaram a tudo, aqueles que são possuidores de onisciência e dotados de visão universal, e aqueles que são de conduta pura, são considerados como Tirthas possuidores do poder de purificação. Aquele homem cujos membros somente estão molhados com água não é considerado como alguém que está lavado. Por outro lado, é considerado como purificado aquele que se lavou por meio de abnegação. Tal pessoa é citada como sendo pura interiormente e exteriormente. Aqueles que nunca se preocupam com que é passado, aqueles que não sentem apego pelas aquisições que são presentes, de fato, aqueles que estão livres do desejo, são citados como sendo possuidores da maior pureza. O conhecimento é citado como constituindo a pureza especial do corpo. Assim também liberdade de desejo, e alegria de mente. Pureza de conduta constitui a pureza da mente. A pureza que alguém obtém por abluções em águas sagradas é considerada como inferior. Na verdade, aquela pureza que provêm do conhecimento é considerada como a melhor. Aquelas abluções que alguém realiza com uma mente resplandecente nas águas do conhecimento de Brahma no Tirtha chamado Manasa são as verdadeiras abluções daqueles que estão familiarizados com a Verdade. O homem que é possuidor de pureza verdadeira de conduta e que está sempre dedicado à preservação de uma atitude apropriada em direção a tudo, de fato, aquele que é possuidor de atributos e mérito (puros), é considerado como realmente puro. Estes que eu mencionei são citados como os Tirthas que são inerentes ao corpo. Ouça- me enquanto eu te digo quais são aqueles Tirthas sagrados que estão situados sobre a terra também. Assim como atributos especiais que são inerentes ao corpo são citados como sagrados, há locais específicos na terra também, e águas específicas, que são considerados como sagrados. Por recitar os nomes dos Tirthas, por realizar abluções lá, e por oferecer oblações para os Pitris naqueles locais, os pecados de uma pessoa são purificados. Realmente, aqueles homens cujos pecados são assim purificados conseguem chegar ao céu quando eles deixam este mundo. Por sua associação com pessoas que são justas, através da eficácia especial da própria terra daqueles locais e de águas específicas, há certas partes da terra que vieram a ser consideradas como sagradas. Os Tirthas da mente são separados e distintos daqueles da terra. Aquela pessoa que se banha em ambos obtém sucesso sem qualquer demora. Como força sem esforço, ou esforço sem força nunca podem realizar alguma coisa separadamente, e como estes, quando combinados, podem realizar todas as coisas, exatamente assim alguém que vem a ser dotado da pureza que é fornecida pelos Tirthas no corpo como também por aquela que é fornecida pelos Tirthas sobre a terra, se torna realmente puro e obtém êxito. Aquela pureza que é derivada de ambas as fontes é a melhor.'" "Yudhishthira disse, 'Cabe a ti, ó avô, me dizer qual é o maior fruto, o mais benéfico, e o mais certo de todos os tipos de jejum neste mundo.'” "Bhishma disse, 'Escute, ó rei, ao que foi cantado pelo próprio Auto-nascido e por realizar o qual uma pessoa, sem dúvida, obtém a maior felicidade. Aquele homem que jejua no décimo segundo dia da lua no mês chamado Margasirsha e cultua Krishna como Kesava pelo dia e noite inteiros, obtém o mérito do Sacrifício de Cavalo e se torna purificado de todos os seus pecados. Aquele que; da mesma maneira, jejua no décimo segundo dia da lua no mês de Pausha e adora Krishna como Narayana, pelo dia e noite inteiros, obtém os méritos do sacrifício Vajapeya e o maior êxito. Aquele que jejua no décimo segundo dia da lua no mês de Magha e cultua Krishna como Madhava, pelo dia e noite inteiros, obtém os méritos do sacrifício Rajasuya, e resgata sua própria linhagem (da miséria). (Tal pessoa, através do mérito que adquire, faz seus antepassados e descendentes falecidos serem libertados de todo tipo de miséria no mundo seguinte.) Aquele que jejua no décimo segundo dia da lua no mês de Phalguna e adora Krishna como Govinda, pelo dia e noite inteiros, obtém o mérito do sacrifício Atiratra e vai para a região de Soma. Aquele que jejua no décimo segundo dia da lua no mês de Chaitra e adora Krishna como Vishnu, pelo dia e noite inteiros, obtém o mérito do sacrifício Pundarika e procede para a região das divindades. Por fazer um jejum similar no décimo segundo dia do mês de Vaisakha e cultuar Krishna como o matador de Madhu pelo dia e noite inteiros, uma pessoa obtém os méritos do sacrifício Agnishtoma e procede para a região de Soma. Por fazer um jejum no décimo segundo dia lunar no mês de Jyaishtha e cultuar Krishna como aquele que (no sacrifício de Vali) cobriu o universo com três passos dele, alguém obtém os méritos do sacrifício Gomedha e se diverte com as Apsaras em grande felicidade. Por fazer um jejum no décimo segundo dia da lua no mês de Ashadha e cultuar Krishna como o anão (que iludiu o rei Asura Vali), uma pessoa obtém os méritos do sacrifício Naramedha (no qual um ser humano era oferecido como sacrifício) e se diverte em alegria com as Apsaras. Por fazer um jejum no décimo segundo dia lunar do mês Sravana e cultuar Krishna de dia e de noite como Sridhara, alguém obtém os méritos do sacrifício chamado Panchayajna e obtém um carro belo no Céu, no qual ele se diverte em alegria. Por fazer um jejum no décimo segundo dia da lua no mês de Bhadrapada e cultuar Krishna como Hrishikesa pelo dia e noite inteiros, alguém obtém os méritos do sacrifício Sautramani e vem a ser purificado de todos os pecados. Por fazer um jejum no décimo segundo dia da lua no mês de Aswin e cultuar Krishna como Padmanabha, uma pessoa obtém sem dúvida os méritos do sacrifício no qual mil vacas são doadas. Por fazer um jejum no décimo segundo dia da lua no mês de Kartika e cultuar Krishna como Damodara, alguém obtém sem dúvida os méritos combinados de todos os sacrifícios. Aquele que, dessa maneira, adora Krishna por um ano inteiro como Pundarikaksha, obtém o poder de se lembrar dos incidentes de seus nascimentos passados e ganha muita riqueza em ouro. Similarmente, aquele que adora Krishna todo dia como Upendra obtém identidade com ele. Depois que Krishna foi adorado desse modo, deve-se, na conclusão do voto, alimentar vários Brahmanas ou fazer presentes de ghee para eles. O próprio Vishnu ilustre, aquele Ser antigo, disse que não há jejum que possua mérito superior ao que se vincula ao jejum deste tipo.'" 110 "Vaisampayana disse, 'Aproximando-se do avô Kuru, venerável em idade, isto é, Bhishma, que estava então deitado em seu leito de flechas, Yudhishthira possuidor de grande sabedoria faz a ele a seguinte pergunta.'” "Yudhishthira disse, 'Como, ó avô, alguém adquire beleza de forma e prosperidade e amabilidade de disposição? Como, de fato, alguém vem a ser possuidor de mérito religioso e riqueza e prazer? Como uma pessoa se torna dotada de felicidade?'” "Bhishma disse, 'No Mês de Margasirsha, quando a lua entra em conjunção com o asterismo chamado Mula, quando seus dois pés estão unidos com aquele mesmo asterismo, ó rei, quando Rohini está em sua panturrilha, quando suas juntas do joelho estão em Aswini, e suas canelas estão nos dois Ashadhas, quando Phalguni faz seu ânus, e Krittika sua cintura, quando seu umbigo está em Bhadrapada, sua região ocular em Revati, e suas costas nos Dhanishthas, quando Anuradha faz sua barriga, quando com seus dois braços ele alcança os Visakhas, quando suas duas mãos são indicadas por Hasta, quando Punarvasu, ó rei, faz seus dedos, Aslesha suas unhas, quando Jyeshtha é conhecido como seu pescoço, quando por Sravana é indicado seus ouvidos, e sua boca por Pushya, quando Swati é citado como constituindo seus dentes e lábios, quando Satabhisha é seu sorriso e Magha seu nariz, quando Mrigasiras é conhecido como estando em seu olho, e Chitra em sua testa, quando sua cabeça está em Bharani, quando Ardra constitui seu cabelo, ó rei, o voto chamado Chandravrata deve ser começado. Após a conclusão daquele voto, doações de ghee devem ser feitas para Brahmanas conhecedores dos Vedas. Como o fruto daquele voto, uma pessoa vem a ser possuidora de conhecimento. De fato, alguém se torna, em consequência de tal voto, tão repleto (de todo atributo abençoado) quanto a própria lua quando ela está cheia.'" 111 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu que és possuidor de grande sabedoria e familiarizado com todas as escrituras. Eu desejo conhecer aquelas ordenanças excelentes pelas quais as criaturas mortais têm que viajar através de seus ciclos de renascimento. Qual é aquela conduta por seguir a qual, ó rei, homens conseguem alcançar o céu sublime, e qual é aquela conduta pela qual alguém vai para o Inferno? Quando, abandonando o corpo morto que é tão inerte quanto um pedaço de madeira ou um torrão de terra, as pessoas procedem para o outro mundo, quais são aqueles que o seguem para lá?'” "Bhishma disse, 'Lá vem o ilustre Vrihaspati de grande inteligência! Pergunte para sua pessoa abençoada. O assunto é um mistério eterno. Ninguém mais é capaz de explicar a questão. Não há orador como Vrihaspati.'” "Vaisampayana disse, 'Enquanto o filho de Pritha e o filho de Ganga estavam falando dessa maneira um com o outro, do firmamento chegou àquele local o ilustre Vrihaspati de alma purificada. O rei Yudhishthira, e todos os outros, com Dhritarashtra em sua dianteira, se levantaram e receberam Vrihaspati com honras apropriadas. De fato, o culto que eles ofereceram ao preceptor dos celestiais foi excelente. Então o filho nobre de Dharma, Yudhishthira, se aproximando do ilustre Vrihaspati, fez a ele a pergunta de forma adequada, desejoso de saber a verdade.'” "Yudhishthira disse, 'Ó ilustre, tu és conhecedor de todos os deveres e todas as escrituras. Diga-me, qual é realmente o amigo das criaturas mortais? É o pai, ou mãe, ou filho, ou preceptor, ou homens da mesma família, ou parentes, ou aqueles chamados de amigos, que pode ser citado como realmente constituindo o amigo de uma criatura mortal? Uma pessoa vai para o mundo seguinte, deixando seu corpo morto que é como um pedaço de madeira ou um torrão de terra. Quem é que o segue para lá?'” "Vrihaspati disse, 'Uma pessoa nasce sozinha, ó rei, e morre sozinha; ela atravessa sozinha as dificuldades que ela encontra, e sozinha enfrenta qualquer miséria que caia como sua sina. Não se tem realmente algum companheiro nestas ações. O pai, a mãe, o irmão, o filho, o preceptor, parentes, e amigos, deixando o corpo morto como se ele fosse um pedaço de madeira ou um torrão de terra, depois de terem pranteado somente por um momento, todos o rejeitam e procedem para seus próprios interesses. Somente a Virtude segue o corpo que é assim abandonado por eles todos. Por essa razão, é evidente que a Virtude é o único amigo e que somente a Virtude deve ser procurada por todos. Uma pessoa dotada de virtude obterá aquele fim sublime que é constituído pelo céu. Se dotada de iniquidade, ela vai para o Inferno. Por isso, o homem de inteligência deve sempre procurar obter mérito religioso através de riqueza ganha por meios legais. A piedade é único amigo que as criaturas têm no mundo após a morte. Levado pela cobiça, ou entorpecimento, ou compaixão, ou medo, alguém desprovido de muito conhecimento é visto fazer ações impróprias, por causa de outro (isto é, para o próprio corpo e os sentidos e não para si mesmo), seu bom senso sendo dessa maneira entorpecido pela avareza. Piedade, riqueza e prazer, estes três constituem o fruto da vida. Deve-se adquirir estes três por meio de se livrar da impropriedade e pecado.'” "Yudhishthira, dito, 'Eu ouvi cuidadosamente as palavras faladas pela tua pessoa ilustre, estas palavras que são repletas de virtude, e que são altamente benéficas. Eu desejo agora saber da existência do corpo (após a morte). O corpo morto do homem se torna sutil e imanifesto. Ele se torna invisível. Como é possível para a piedade segui-lo?'” "Vrihaspati disse, 'Terra, Ar, Éter, Água, Luz, Mente, Yama (o rei dos mortos), Compreensão, a Alma, como também Dia e Noite, todos juntos observam como testemunhas os méritos (e deméritos) de todas as criaturas vivas. Com estes, a Virtude segue a criatura (quando morta. Ou seja, quando estes deixam o corpo eles são acompanhados pela Virtude). Quando o corpo fica privado de vida, pele, ossos, carne, a semente vital, e sangue, ó tu de grande inteligência, o deixam ao mesmo tempo. Dotado de mérito (e demérito) Jiva (depois da destruição deste corpo) obtém outro. Depois da obtenção por Jiva daquele corpo, as divindades que presidem os cinco elementos mais uma vez contemplam como testemunhas todas as suas ações boas e más. O que mais tu desejas saber? Se dotado de virtude, Jiva desfruta de felicidade. Sobre qual outro tópico, pertencente a este ou ao outro mundo, eu devo falar?'” "Yudhishthira disse, 'Tua pessoa ilustre explicou como a Virtude segue Jiva. Eu desejo saber como a semente vital é originada.'” "Vrihaspati disse, 'O alimento que estas divindades, ó rei, que moram no corpo, isto é, Terra, Ar, Éter, Água, Luz, e Mente comem, as satisfaz. Quando aqueles cinco elementos estão satisfeitos, ó monarca, com a Mente contada como o sexto, sua semente vital então é gerada, ó tu de alma purificada! Quando um ato de união ocorre entre homem e mulher, a semente vital flui para fora e causa a concepção. Eu assim te expliquei o que tu perguntaste. O que mais tu desejas saber?'” "Yudhishthira disse, 'Tu, ó ilustre, disseste como a concepção ocorre. Explique como o Jiva que toma nascimento cresce (por se tornar possuidor de corpo).'” "Vrihaspati disse, 'Logo que Jiva entra na semente vital, ele é dominado pelos elementos já mencionados. Quando Jiva vem a ser desunido deles, é dito que ele obtém outro fim (isto é, a morte). Dotado como Jiva se torna de todos esses elementos, ele obtém, em consequência disso, um corpo. As divindades que presidem sobre aqueles elementos observam como testemunhas todas as suas ações, boas e más. O que mais tu desejas saber?'” "Yudhishthira disse, 'Deixando pele e ossos e carne, e ficando desprovido de todos aqueles elementos, no que Jiva reside, ó ilustre, para desfrutar e suportar felicidade e miséria?'” "Vrihaspati disse, 'Dotado de todas as suas ações, o Jiva entra rapidamente na semente vital, e utilizando o fluxo funcional das mulheres, toma nascimento no tempo, ó Bharata. Depois do nascimento, o Jiva recebe dor e morte dos mensageiros de Yama. De fato, miséria e um círculo doloroso de renascimentos são sua herança. Dotado de vida, ó rei, o Jiva neste mundo, desde o momento de seu nascimento, desfruta e suporta suas próprias ações (anteriores), dependendo da virtude (e seu oposto). Se o Jiva, segundo o melhor de seu poder, segue a virtude desde o dia de seu nascimento, ele então consegue desfrutar, quando renascido, de felicidade sem interrupção. Se, por outro lado, sem seguir a virtude sem interrupção, ele age pecaminosamente, ele colhe felicidade a princípio como a recompensa de sua virtude e suporta miséria depois disso. Dotado de iniquidade, o Jiva tem que ir para os domínios de Yama e sofrendo grande miséria lá, ele tem que tomar nascimento em uma classe de existência intermediária. (Intermediária, isto é, entre divindades e seres humanos, consequentemente, animais e aves.) Ouça-me enquanto eu te digo quais são as diferentes ações por fazer as quais o jiva, entorpecido pela insensatez, tem que tomar nascimento em diferentes classes de existência, como declarado nos Vedas, nas escrituras, e nas histórias (sagradas). Os mortais têm que ir para as regiões terríveis de Yama. Naquelas regiões, ó rei, há lugares que são repletos de todo mérito e que são dignos por causa disso de serem as residências das próprias divindades. Há, além disso, lugares naquelas regiões que são piores do que aqueles que são habitados por animais e aves. De fato, há locais destes tipos na residência de Yama os quais (no que diz respeito às suas regiões mais felizes) são iguais à região do próprio Brahman em méritos. Criaturas, amarradas por suas ações, suportam diversos tipos de miséria. Eu irei, depois disto, te dizer quais são aquelas ações e disposições pelas quais uma pessoa obtém um fim que é repleto de grande miséria e terror. Se uma pessoa regenerada, tendo estudado os quatro Vedas, vem a ser entorpecida pela insensatez e aceita uma doação de um homem decaído, ela então tem que tomar nascimento na classe asinina. Ele tem que viver como um asno por quinze anos. Rejeitando sua forma asinina, ele em seguida tem que tomar nascimento como um boi, em qual estado ele tem que viver por sete anos. Abandonando sua forma bovina, ele em seguida tem que tomar nascimento como um Rakshasa de classe regenerada. (Brahma-Rakshasa é um Rakshasa que pertence por nascimento à classe regenerada, como Ravana e outros.) Vivendo como Rakshasa da classe regenerada por três meses, ele então recupera (em seu próximo nascimento) sua posição de Brahmana. Um Brahmana, por oficiar no sacrifício de uma pessoa decaída, tem que tomar nascimento como um verme vil. Nesta forma ele tem que viver por quinze anos, ó Bharata. Livre da posição de verme, ele em seguida nasce como um asno. Como um asno ele tem que viver por cinco anos, e então um porco, em qual estado também ele tem que permanecer pelo mesmo número de anos. Depois disso, ele toma nascimento como um galo, e vivendo por cinco anos naquela forma, ele toma nascimento como um chacal e vive pelo mesmo número de anos naquele estado. Ele em seguida tem que tomar nascimento como um cachorro, e vivendo assim por um ano ele recupera sua posição de humanidade. Aquele discípulo tolo que ofende seu preceptor por fazer alguma injúria para ele, tem certamente que passar pelas três transformações neste mundo. Tal pessoa, ó monarca, tem em primeiro lugar que se tornar um cachorro. Ele tem então que se tornar um animal predador, e então um asno. Vivendo em sua forma asinina, ele tem que vagar por algum tempo em grande aflição como um espírito. Depois do término daquele período, ele tem que nascer como um Brahmana. Aquele discípulo pecaminoso que mesmo em pensamento comete adultério com a esposa de seu preceptor, tem por causa de tal coração pecaminoso, que passar por muitas formas ferozes neste mundo. Primeiro tomando nascimento na ordem canina ele tem que viver por três anos. Abandonando a forma canina quando chega a morte, ele nasce como um verme ou inseto desprezível. Nesta forma ele tem que viver por um ano. Deixando aquela forma ele consegue recuperar sua posição como um ser humano da classe regenerada. Se o preceptor mata, sem razão, seu discípulo que é assim como um filho para ele, ele tem, por causa de tal ação proposital de pecado de sua parte, que tomar nascimento como um animal predador. Aquele filho que desrespeita seu pai e mãe, ó rei, tem que tomar nascimento, depois de deixar sua forma humana, como um animal da ordem asinina. Assumindo a forma asinina ele tem que viver por dez anos. Depois disso ele tem que nascer como um crocodilo, em qual forma que ele tem que viver por um ano. Depois disso ele recupera sua forma humana. Aquele filho com quem seus pais ficam zangados, tem, por causa de seus maus pensamentos em direção a eles, que nascer como um asno. Como um asno ele tem que viver por dez meses. Ele tem então que tomar nascimento como um cachorro e permanecer como tal por quatorze meses. Depois disso ele tem nascer como um gato e vivendo naquela forma por sete meses ele recupera sua posição de humanidade. Tendo falado mal dos pais uma pessoa tem que nascer como um Sarika. Batendo neles, alguém tem que tomar nascimento, ó rei, como tartaruga. Vivendo como uma tartaruga por dez anos, ele em seguida tem que nascer como um porco-espinho. Depois disso ele tem que tomar nascimento como uma cobra, e vivendo por seis meses naquela forma ele recupera a posição de humanidade. Aquele homem que, enquanto subsiste do alimento que seu patrão real fornece, comete ações que são prejudiciais aos interesses de seu patrão, aquele homem, assim entorpecido pela tolice, tem depois da morte que tomar nascimento como um macaco. Por dez anos ele tem que viver como um macaco, e depois disso por cinco anos como um camundongo. Depois disso ele tem que se tornar um cachorro, e vivendo naquela forma por um período de seis meses ele consegue recuperar sua posição de humanidade. Aquele homem que desvia o que é depositado com ele em confiança tem que sofrer uma centena de transformações. Ele finalmente nasce como um verme vil. Naquela ordem ele tem que viver por um período de quinze anos, ó Bharata. Após o esgotamento do seu grande demérito dessa maneira, ele consegue recuperar sua posição de humanidade. Aquele homem que nutre malícia em direção a outros tem, depois da morte, que tomar nascimento como um Sarngaka. Aquele homem de mente pecaminosa que se torna culpado de abuso de confiança tem que nascer como um peixe. Vivendo como um peixe por oito anos, ele toma nascimento, ó Bharata, como um veado. Vivendo como um veado por quatro meses, ele em seguida nasce como uma cabra. Depois do término de um ano inteiro ele rejeita seu corpo caprino, e toma nascimento então como um verme. Depois disso ele consegue recuperar sua posição de humanidade. Aquele homem insensato desavergonhado que, por estupefação, rouba arroz, cevada, gergelim, Masha (Phaseolus Roxburghii), Kulattha (Dolichos biflosus, Roxb), sementes oleaginosas, aveia, Kalaya (Pisum Sativum, Linn), Mudga (Phaseolus Mango, Linn), trigo, Atasi (Linum usitattisimam, Linn), e outros tipos de cereais, tem que tomar nascimento como um rato. Depois de levar a vida por algum tempo ele tem que nascer como um porco. Logo que ele toma nascimento como um porco ele tem que morrer de doença. Por consequência de seu pecado, aquele homem tolo tem em seguida que tomar nascimento como um cachorro, ó rei. Vivendo como um cachorro por cinco anos, ele então recupera sua posição de humanidade. Tendo cometido um ato de adultério com a esposa de outro homem, alguém tem que tomar nascimento como um lobo. Depois disso ele tem que assumir as formas de um cachorro e chacal e urubu. Ele tem em seguida que nascer como uma cobra e então como um Kanka (ave predadora) e então como um grou. Aquele homem de alma pecaminosa que, estupefato pela insensatez, comete um ato de união sexual com a esposa de um irmão, tem que tomar nascimento como um Kokila macho e viver naquela forma por um ano inteiro, ó rei. Aquele que, por luxúria, comete um ato de união sexual com a mulher de um amigo, ou a mulher do preceptor, ou a mulher do seu rei, tem, depois da morte, que tomar a forma de um porco. Ele tem que viver em sua forma suína por cinco anos e então assumir aquela de um lobo por dez anos. Pelos próximos cinco anos ele tem que viver como um gato e então pelos próximos dez anos como um galo. Ele tem em seguida que viver por três meses como uma formiga, e então como um verme por um mês. Tendo sofrido estas transformações ele tem em seguida que viver como um verme desprezível por quatorze anos. Quando seu pecado se torna esgotado por tal castigo, ele finalmente recupera a posição de humanidade. Quando um casamento está prestes a ocorrer, ou um sacrifício, ou um ato de caridade está prestes a ser feito, ó tu de grande pujança, o homem que oferece alguma obstrução tem que tomar nascimento em sua próxima vida como um verme vil. Assumindo tal forma ele tem que viver, ó Bharata, por quinze anos. Quando seu demérito é esgotado por tal sofrimento, ele recupera a posição de humanidade. Tendo uma vez concedido sua filha em casamento para uma pessoa, aquele que procura entregá-la novamente para um segundo marido, tem, ó rei, que tomar nascimento entre vermes vis. Assumindo tal forma, ó Yudhishthira, ele tem que viver por um período de treze anos. Após o término do seu demérito por tal sofrimento ele recupera a posição de humanidade. Aquele que come sem ter realizado os ritos em honra das divindades ou aqueles em honra dos Pitris ou sem ter oferecido (mesmo) oblações de água para os Rishis e os Pitris, tem que tomar nascimento como um corvo. Vivendo como um corvo por cem anos ele em seguida assume a forma de um galo. Sua próxima transformação é a de uma cobra por um mês. Depois disto, ele recupera a posição de humanidade. Aquele que desrespeita seu irmão mais velho que é assim como um pai, depois da morte, tem que nascer na ordem das grous. Tendo assumido aquela forma ele tem que viver nela por dois anos. Rejeitando aquela forma no término daquele período, ele recupera a posição de humanidade. Aquele Sudra quem tem relação sexual com uma mulher Brahmana, tem, depois da morte, que tomar nascimento como um porco. Logo que ele nasce na ordem suína ele morre de doença, ó rei. O patife tem em seguida que nascer como um cachorro, ó rei, por causa de seu ato horrendo de pecado. Abandonando sua forma canina ele recupera, após o esgotamento do seu demérito, a posição de humanidade. O Sudra que gera prole em uma mulher Brahmana, abandonando sua forma humana, vem a renascer como um camundongo. O homem que se torna culpado de ingratidão, ó rei, tem que ir para as regiões de Yama e lá sofrer um tratamento muito doloroso e severo nas mãos dos mensageiros, provocados à fúria, do rei lúgubre dos mortos. Clavas com martelos e malhos pesados, lanças de pontas afiadas, jarros aquecidos, todos repletos de dor violenta, florestas terríveis de lâminas de espada, desertos de areias aquecidas, Salmalis espinhosas, estes e muitos outros instrumentos de tortura mais dolorosa tal homem tem que suportar nas regiões de Yama, ó Bharata! (Ele é repetidamente golpeado com clavas e martelos e malhos. Ele é frequentemente empalado. Ele é confinado em recipientes causticantes. Ele é arrastado por florestas de lâminas de espada. Ele é feito caminhar sobre areia quente. Ele é esfregado contra Salmalis espinhosas. A Salmali é a Bombox Malabaricum.) A pessoa ingrata, ó chefe da linhagem de Bharata, tendo aguentado tal tratamento terrível nas regiões do rei lúgubre dos mortos, tem que voltar para este mundo e tomar nascimento entre insetos desprezíveis. Ele tem que viver como um verme vil por um período de quinze anos. Ó Bharata, ele tem então que entrar no útero e morrer prematuramente antes do nascimento. Depois disto, aquela pessoa tem que entrar no útero cem vezes em sucessão. De fato, tendo passado por cem renascimentos, ele finalmente nasce como uma criatura em alguma ordem intermediária entre homem e natureza inanimada. Tendo suportado miséria por muitíssimos anos, ele tem que nascer como uma tartaruga que não tem pêlos. Uma pessoa que rouba coalhos tem que tomar nascimento como um grou. Alguém se torna um macaco por roubar peixe cru. Aquele homem de inteligência que rouba mel tem que nascer como um moscardo. Por roubar frutas ou raízes ou bolos alguém se torna uma formiga. Por roubar Nishpava (um tipo de vagem ou feijão) alguém se torna um Halagolaka (um verme de cauda longa). Por roubar Payasa alguém se torna em seu próximo nascimento uma ave Tittiri. Por roubar bolos alguém se torna um mocho (um tipo de coruja). Aquele homem de pouca inteligência que rouba ferro tem que tomar nascimento como uma vaca. Aquele homem de pouca compreensão que rouba latão branco tem que nascer como uma ave da espécie Harita. Por roubar um recipiente de prata alguém se torna um pombo. Por roubar um recipiente de ouro uma pessoa tem tomar nascimento como um verme vil. Por roubar um pedaço de tecido de seda uma pessoa se torna um Krikara (uma espécie de perdiz). Por roubar um tecido feito de seda vermelha alguém se torna um Vartaka (um tipo de codorniz). Por roubar uma peça de musselina alguém se torna um papagaio. Por roubar um tecido que é de boa textura alguém se torna um pato depois de rejeitar seu corpo humano. Por roubar uma peça de roupa feita de algodão, alguém se torna uma garça. Por roubar uma peça de roupa feita de juta (fibra de planta indiana), alguém se torna uma ovelha em sua próxima vida. Por roubar uma peça de linho, uma pessoa tem que tomar nascimento como uma lebre. Por roubar diferentes tipos de matéria colorida alguém tem que tomar nascimento como um pavão. Por roubar um pedaço de tecido vermelho uma pessoa tem que nascer como uma ave da espécie Jivajivaka. Por roubar unguentos (tais como pasta de sândalo) e perfumes neste mundo, o homem possuidor de cobiça, ó rei, tem que tomar nascimento como uma toupeira. Assumindo a forma de uma toupeira ele tem que viver nela por um período de quinze anos. Depois do esgotamento do seu demérito por tais sofrimentos ele recupera a posição de humanidade. Por roubar leite alguém se torna uma garça. Aquele homem, ó rei, que por entorpecimento da inteligência rouba óleo, tem que tomar nascimento, depois de abandonar este corpo, como um animal que subsiste de óleo como sua forma. (Tailapayin é, literalmente, um que bebe óleo. O nome é aplicado a uma barata.) Aquele canalha que estando ele mesmo bem armado, mata outro enquanto aquele outro está desarmado, por motivos de obter riqueza de sua vítima ou por sentimentos de hostilidade, tem, depois de abandonar seu corpo humano, que tomar nascimento como um asno. Assumindo aquela forma asinina ele tem que viver por um período de dois anos e então ele encontra com a morte no fio de uma arma. Rejeitando dessa maneira seu corpo asinino ele tem que nascer em sua próxima vida como um veado sempre cheio de ansiedade (ao pensamento de inimigos que podem matá-lo). Após o término de um ano desde o tempo de seu nascimento como um veado, ele tem que entregar sua vida na ponta de uma arma. Abandonando dessa maneira sua forma de veado, ele em seguida toma nascimento como um peixe e morre por ser arrastado na rede, no término do quarto mês. Ele tem em seguida que nascer como um animal predador. Por dez anos ele tem que viver naquela forma, e então ele toma nascimento como um leopardo em qual forma ele tem que viver por um período de cinco anos. Impelido pela mudança que é ocasionada pelo tempo, ele então abandona aquela forma, e seu demérito tendo sido esgotado ele recupera a posição de humanidade. Aquele homem de pouca inteligência que mata uma mulher tem que ir para as regiões de Yama e suportar diversas espécies de dor e miséria. Ele então tem que passar por vinte e uma transformações completas. Depois disso, ó monarca, ele tem que tomar nascimento como um verme desprezível. Vivendo como um verme por vinte anos, ele recupera a posição de humanidade. Por roubar comida, alguém tem que tomar nascimento como uma abelha. Vivendo por muitos meses na companhia de outras abelhas, seu demérito se esgota e ele recupera a posição de humanidade. Por roubar arroz alguém se torna um gato. Aquele homem que rouba comida misturada com bolos de gergelim tem em seu próximo nascimento que assumir a forma de um camundongo grande ou pequeno segundo a grandeza ou pequenez da quantidade roubada. Ele morde seres humanos todo dia e como a consequência disso se torna pecaminoso e viaja por uma sucessão variada de renascimentos. Aquele homem de compreensão tola que rouba ghee tem que nascer como uma galinhola. Aquela pessoa má que rouba peixe tem que tomar nascimento como um corvo. Por roubar sal alguém tem que nascer como uma ave imitadora. O homem que se apropria indevidamente do que é depositado com ele por confiança, tem que sofrer uma diminuição no período de sua vida, e depois da morte tem que tomar nascimento entre peixes. Tendo vivido por algum tempo como um peixe ele morre e recupera a forma humana. Recuperando, no entanto, a posição de humanidade, ele tem vida curta. De fato, tendo cometido pecados, ó Bharata, uma pessoa tem que nascer em uma classe intermediária entre aquela da humanidade e vegetais. Aquelas pessoas que têm seus próprios corações como sua autoridade são totalmente alheias à virtude. Aqueles homens que cometem diversas ações de pecado e então procuram expiá-las por meio de votos contínuos e observâncias de piedade, vêm a ser dotados de felicidade e miséria e vivem em grande ansiedade de coração. Aqueles homens que são de conduta pecaminosa e que cedem à influência da cobiça e entorpecimento, sem dúvida tomam nascimento como Mlechchhas, que não são dignos de serem associados. Aqueles homens, por outro lado, que se abstêm de pecado todas as suas vidas, ficam livres de doença todo tipo, dotados de beleza de forma e possuidores de riqueza. Mulheres também, quando elas agem da maneira indicada, obtêm nascimentos do mesmo tipo. De fato, elas têm que tomar nascimentos como esposas dos animais que eu indiquei. Eu te disse todas as falhas que se relacionam com a apropriação do que pertence a outros. Eu te falei muito brevemente sobre o assunto, ó impecável. Com relação a algum outro assunto, ó Bharata, tu deves além disso saber daquelas falhas. Eu ouvi tudo isto, ó rei, nos tempos passados, do próprio Brahman, e eu perguntei tudo sobre isto de uma maneira adequada, quando ele discursou sobre isto no meio dos Rishis celestes. Eu te disse verdadeiramente e em detalhes tudo aquilo que tu me perguntaste. Tendo escutado tudo isto, ó monarca, sempre coloque teu coração na virtude.'" 112 "Yudhishthira disse, 'Tu me disseste, ó regenerado, qual é o fim da iniquidade ou pecado. Eu desejo agora saber, ó principal dos oradores, daquele fim que é da Virtude. Tendo cometido diversas ações de pecado, por quais ações as pessoas conseguem obter um fim auspicioso neste mundo? Por quais atos também as pessoas obtêm um fim auspicioso no céu?'” "Vrihaspati disse, 'Por cometer atos pecaminosos com mente pervertida, uma pessoa cede ao domínio da injustiça e como uma consequência vai para o inferno. Aquele homem que, tendo cometido ações pecaminosas por entorpecimento da mente, sente as dores do arrependimento e coloca seu coração na contemplação (da divindade) não tem que suportar as consequências de seus pecados. Uma pessoa fica livre de seus pecados na proporção em que ela se arrepende deles. Se alguém tendo cometido um pecado, ó rei, o proclama na presença de Brahmanas conhecedores dos deveres, ele vem a ser rapidamente purificado do opróbrio resultante de seu pecado. Consequentemente dessa maneira uma pessoa se torna purificada disso completamente ou não, como uma cobra livre de sua pele enferma. Por fazer, com uma mente concentrada, doações de diversos tipos para um Brahmana, e concentrando a mente (na divindade), alguém obtém um fim auspicioso. Eu agora te direi quais são aquelas doações, ó Yudhishthira, por fazer as quais uma pessoa, mesmo se culpada de ter cometido atos pecaminosos, pode vir a ser dotada de mérito. De todas as espécies de doações, aquela de alimento é considerada como a melhor. Alguém desejoso de obter mérito deve, com um coração sincero, fazer doações de alimento. O alimento é o ar vital dos homens. Dele todas as criaturas nascem. Todos os mundos de criaturas vivas estão fundados sobre o alimento. Por essa razão o alimento é louvado. As divindades, Rishis, Pitris, e homens, todos elogiam o alimento. O rei Rantideva, nos tempos passados, procedeu para o Céu por fazer doações de alimento. Alimento que é bom e que foi adquirido legalmente deve ser dado, com um coração alegre, para Brahmanas que sejam possuidores de erudição Védica. Nunca tem que tomar nascimento em uma ordem intermediária o homem cujo alimento, dado com um coração alegre, é aceito por mil Brahmanas. Uma pessoa, ó chefe de homens, por alimentar dez mil Brahmanas, se torna purificada pela piedade e dedicada às práticas Yoga. Um Brahmana conhecedor dos Vedas, por doar alimento adquirido por ele como esmolas, para um Brahmana dedicado ao estudo dos Vedas, consegue obter felicidade aqui. Aquele Kshatriya que, sem tirar alguma coisa que pertence a um Brahmana, protege seus súditos legalmente, e faz doações de alimento obtido pelo exercício de sua força, para Brahmanas principais em conhecimento Védico, com coração concentrado, consegue por tal conduta, ó tu de alma justa, se purificar, ó filho de Pandu, de todas as suas ações pecaminosas. Aquele Vaisya que divide a produção de seus campos em seis partes iguais e faz um presente de uma daquelas partes para Brahmanas, consegue por tal conduta se purificar de todo pecado. Aquele Sudra que, ganhando alimento por trabalho duro e através do risco da própria vida, faz um presente dele para Brahmanas, vem a ser purificado de todo pecado. Aquele homem que, por empregar sua força física, ganha alimento sem fazer qualquer ato de dano para alguma criatura, e faz uma doação dele para Brahmanas consegue evitar todas as calamidades. Uma pessoa por fazer alegremente doações de alimento adquirido por meios legais para Brahmanas preeminentes por saber Védico fica purificada de todos os seus pecados. Por trilhar o caminho dos justos alguém fica livre de todos os pecados. Uma pessoa por fazer doações de alimento que é produtivo de grande energia, vem a ser ela mesma possuidora de grande energia. O caminho feito por pessoas caridosas é sempre trilhado por aqueles que são dotados de sabedoria. Aqueles que fazem doações de alimento são considerados como doadores de vida. O mérito que eles adquirem por tais doações é eterno. Por isso, uma pessoa deve, sob todas as circunstâncias, procurar obter alimento por meios legais, e tendo obtido fazer sempre doações dele para homens dignos. O alimento é o grande refúgio do mundo de criaturas vivas. Por fazer doações de alimento, uma pessoa nunca tem que ir para o inferno. Por isso deve-se sempre fazer doações de alimento, tendo-o obtido por meios legais. O chefe de família deve sempre procurar comer depois de ter feito uma doação de alimento para um Brahmana. Todo homem deve fazer o dia proveitoso por fazer doações de alimento. (O dia no qual nenhuma doação de alimento é feita e estéril ou perdido.) Uma pessoa por alimentar mil Brahmanas, ó rei, todos os quais são familiarizados com os deveres e as escrituras e as histórias sagradas, não tem que ir para o Inferno e retornar para este mundo para passar por renascimentos. Dotada da realização de todo desejo, ela desfruta de grande bem-aventurança após a morte. Possuidora de tal mérito, ela se diverte em felicidade, livre de toda ansiedade, possuidora de beleza de forma e grande renome e dotada de riqueza. Eu assim te disse tudo acerca do grande mérito das doações de alimento. Isto mesmo é a base de toda virtude e mérito, como também de todas as doações, ó Bharata!'" 113 "Yudhishthira disse, 'Abstenção de ferir, a observância do ritual Védico, meditação, subjugação dos sentidos, penitências, e serviços obedientes prestados para os preceptores, quais entre estes é repleto do maior mérito com respeito a uma pessoa?'” "Vrihaspati disse, ‘Todos estes seis são repletos de mérito. Eles são diferentes portas de piedade. Eu agora falarei sobre eles. Ouça-os, ó chefe dos Bharatas! Eu te direi o que constitui o maior bem de um ser humano. Aquele homem que pratica a religião de compaixão universal conquista seu maior bem. Aquele homem que mantém sob controle os três defeitos, isto é, luxúria, ira, e cobiça, por lançá-los sobre todas as criaturas (isto é, dividindo-os em infinitas partes pequenas, expulsando-os de si para outros), (e pratica a virtude de compaixão), obtêm sucesso. Aquele que, por motivos de sua própria felicidade, mata outras criaturas inofensivas com a vara de castigo, nunca obtém felicidade no mundo seguinte. Aquele homem que considera todas as criaturas como a si mesmo, e se comporta em direção a elas como em direção a si mesmo, pondo de lado a vara de castigo e subjugando completamente sua ira, consegue obter felicidade. As próprias divindades, que são desejosas de uma residência fixa, ficam estupefatas em averiguarem o rastro daquela pessoa que constitui ela mesma a alma de todas as criaturas e considera todas elas como seu próprio eu, pois tal pessoa não deixa rastro para trás. (Tal homem não deixa vestígio atrás dele, pois ele se torna identificado com Brahma. As divindades, por outro lado, desejam uma residência fixa tal como o céu ou um lugar repleto de felicidade.) Nunca se deve fazer para outro aquilo que alguém considera como prejudicial para si mesmo. Esta, em resumo, é a regra da Justiça. Uma pessoa por agir de uma maneira diferente por se entregar ao desejo se torna culpada de injustiça. Em recusas e doações, em felicidade e tristeza, no agradável e no desagradável, alguém deve julgar seus efeitos por uma referência a si mesmo. (Isto é, quando alguém recusa um pedido ele deve pensar como ele se sentiria se outro recusasse os pedidos que ele endereçou àquele outro. Do mesmo modo com relação às outras coisas.) Quando uma pessoa ofende outra, a ofendida volta e fere a ofensora. Similarmente, quando alguém trata outro com carinho, aquele outro estima o estimador. Alguém deve moldar sua regra de comportamento de acordo com isto. Eu te disse certamente o que é Justiça por este modo sutil.'” "Vaisampayana continuou, 'O preceptor das divindades, possuidor de grande inteligência, tendo dito isto para o rei Yudhishthira o justo, ascendeu para cima para proceder para o Céu, perante nossos olhos.'" 114 “Vaisampayana disse, ‘Depois disto, o rei Yudhishthira, dotado de grande energia, e o principal dos homens eloquentes, dirigiu-se a seu avô deitado em seu leito de setas, nas seguintes palavras.’” "Yudhishthira disse, 'Ó tu de grande inteligência, os Rishis e Brahmanas e as divindades, levados pela autoridade dos Vedas, todos louvam aquela religião a qual tem a compaixão como sua indicação. Mas, ó rei, o que eu te pergunto é isto: como um homem que cometeu atos de injúria para outros em palavras, pensamentos e ações, consegue se purificar da miséria?'” "Bhishma disse, 'Proferidores de Brahma dizem que há quatro tipos de compaixão ou abstenção de ferir. Se mesmo um daqueles quatro tipos não for cumprido, a religião da compaixão, é dito, não é cumprida. Como todos os animais de quatro patas são incapazes de permanecer sobre três pernas, assim mesmo a religião da compaixão não pode permanecer se alguma daquelas quatro divisões ou partes estiver ausente. Como as pegadas de todos os outros animais são engolfadas naquela do elefante, assim mesmo todas as outras religiões são citadas como sendo contidas naquela da compaixão. Uma pessoa se torna culpada de injúria através de ações, palavras e pensamentos. (Por exemplo: por cometer um assassinato uma pessoa se torna culpada disto. Por incitar outros a isto alguém se torna culpado. Por cometer mentalmente um ato de assassinato alguém se torna culpado disto.) Descartando isto mentalmente no início, deve-se em seguida se desfazer disto em palavra e pensamento. Aquele que de acordo com esta regra se abstém de comer carne é citado como sendo purificado de uma maneira tripla. É sabido que proferidores de Brahma atribuem a três causas (o pecado de comer carne). Aquele pecado pode se atribuir à mente, às palavras, e às ações. É por esta razão que homens de sabedoria que são dotados de penitências se abstêm de comer carne. Ouça-me, ó rei, enquanto eu te digo quais são as falhas que estão ligadas ao ato de comer carne. A carne de outros animais é como a carne de um filho. Aquela pessoa insensata, entorpecida pela tolice, que come carne é considerada como o mais vil dos seres humanos. A união de pai e mãe produz uma prole. Da mesma maneira, a crueldade que um patife impotente e pecaminoso comete produz sua prole de repetidos renascimentos repletos de grande miséria. Como a língua é a causa do conhecimento ou sensação de paladar, assim as escrituras declaram, a atração procede do paladar. (Isto é, por comer carne alguém sente o desejo por carne aumentar. Um gosto ou predileção por carne é criado dessa maneira. Por isso, o melhor procedimento é abstinência total.) Bem preparada, cozida com sal ou sem sal, carne, em qualquer forma que alguém possa comê-la, gradualmente atrai a mente e a escraviza. Como aqueles homens tolos que subsistem de carne conseguirão escutar à música doce das baterias e pratos e liras e harpas (celestes)? Aqueles que comem carne a elogiam muito, se permitindo serem entorpecidos por seu gosto o qual eles declaram como sendo alguma coisa inconcebível, indescritível, e inimaginável. Tal louvor constante da carne é repleto de demérito. Nos tempos passados, muitos homens justos, por darem a carne de seus próprios corpos, protegeram a carne de outras criaturas e como a consequência de tais ações de mérito procederam para o céu. Dessa maneira, ó monarca, a religião da compaixão é cercada por quatro considerações. Eu assim declarei para ti aquela religião que compreende todas as outras religiões dentro dela.'" 115 "Yudhishthira disse, 'Tu disseste muitas vezes que abstenção de ferir é a maior religião. Em Sraddhas, no entanto, que são realizados em honra dos Pitris, as pessoas para seu próprio bem devem fazem oferendas de diversos tipos de carne. Tu disseste isto enquanto falavas anteriormente sobre as ordenanças a respeito de Sraddhas. Como a carne, no entanto, pode ser obtida sem matar uma criatura viva? Tuas declarações, portanto, me parecem ser contraditórias. Um dúvida, portanto, surgiu em nossas mentes a respeito do dever da abstenção de carne. Quais são os erros nos quais incorre alguém por comer carne, e quais são os méritos que alguém ganha? Quais são os deméritos daquele que come carne por ele mesmo matar uma criatura viva? Quais são os méritos daquele que come a carne de animais mortos por outros? Quais são os méritos e deméritos daquele que mata uma criatura viva para outro? Ou daquele que come carne por comprá-la de outros? Eu desejo, ó impecável, que tu discurses para mim sobre este assunto em detalhes. Eu desejo averiguar esta religião eterna com certeza. Como alguém obtém longevidade? Como alguém adquire força? Como alguém obtém perfeição de membros? De fato, como alguém se torna dotado de indicações excelentes?’” "Bhishma disse, 'Ouça, ó filho da linhagem de Kuru, qual é o mérito que se vincula à abstenção de carne. Escute-me enquanto eu te declaro quais são as ordenanças excelentes, na verdade, sobre este assunto. Aquelas pessoas de grande alma que desejam beleza, perfeição de membros, vida longa, compreensão, força mental e física, e memória, devem se abster de atos de injúria. Sobre este tópico, ó descendente da família de Kuru, aconteceram inúmeras conversas entre os Rishis. Ouça, ó Yudhishthira, qual era sua opinião. O mérito adquirido por aquela pessoa, ó Yudhishthira, que, com a firmeza de um voto, adora as divindades todo mês em Sacrifícios de Cavalo, é igual ao daquele que rejeita mel e carne. Os sete Rishis celestes, os Valakhilyas, e aqueles Rishis que bebem os raios do sol, dotados de grande sabedoria, louvam a abstenção de carne. O Manu Nascido por Si Mesmo disse que o homem que não come carne, ou que não mata criaturas vivas, ou que não faz com que elas sejam mortas, é um amigo de todas as criaturas. Tal homem não pode ser oprimido por alguma criatura. Ele desfruta da confiança de todos os seres vivos. Ele sempre desfruta, além disso, da aprovação e elogio dos justos. Narada de alma justa disse que o homem que deseja aumentar sua própria carne por comer a carne de outras criaturas encontra com a calamidade. Vrihaspati disse que o homem que se abstém de mel e carne adquire o mérito de doações e sacrifícios e penitências. Na minha avaliação, estas duas pessoas são iguais, isto é, aquela que adora as divindades todo mês em um Sacrifício de Cavalo por um espaço de cem anos e aquele que se abstém de mel e carne. Pela abstenção de carne uma pessoa vem a ser considerada como alguém que sempre adora as divindades em sacrifícios, ou como alguém que sempre faz doações para outros, ou como alguém que sempre passa pelas austeridades mais severas. Aquele homem que tendo comido carne desiste disso depois, adquire mérito por tal ação que é tão grande que um estudo de todos os Vedas ou uma realização, ó Bharata, de todos os sacrifícios, não pode conceder seu semelhante. É extremamente difícil abandonar a carne depois de ter se tornado familiarizado com seu gosto. De fato, é extremamente difícil para tal pessoa cumprir o voto sublime da abstenção de carne, um voto que inspira confiança em todas as criaturas por dissipar todo o medo. Aquela pessoa erudita que dá para todas as criaturas vivas o Dakshina da confiança total vem a ser considerada, sem dúvida, como a doadora dos ares vitais neste mundo. (A segurança dada para todas as criaturas de nunca feri-las em alguma ocasião é o Dakshina ou a oferenda sacrifical do grandioso sacrifício que é constituído pela compaixão universal ou abstenção de ferir.) Esta é a religião sublime a qual homens de sabedoria aprovam. Os ares vitais de outras criaturas são tão preciosos para elas quanto aqueles de uma pessoa são preciosos para ela mesma. Homens dotados de inteligência e almas purificadas devem sempre se comportar em direção a outras criaturas da mesma maneira daquele comportamento o qual eles gostam que outros observem em direção a si mesmos. É visto que até aqueles homens que possuem erudição e que procuram alcançar o maior bem na forma de Emancipação não estão livres do medo da morte. O que dizer daquelas criaturas inocentes e saudáveis dotadas de amor à vida, quando canalhas pecaminosos que subsistem de matança procuram matá-las? Por esta razão, ó monarca, saiba que a rejeição de carne é o maior refúgio da religião, do céu, e da felicidade. Abstenção de ferir é a maior religião. Ela é, além disso, a maior penitência. Ela é também as verdades mais sublimes das quais todo dever procede. A carne não pode ser obtida da grama ou madeira ou pedra. A menos que uma criatura viva seja morta, ela não pode ser obtida. Por isso há erro em comer carne. As divindades que subsistem de Swaha, Swadha, e néctar, são devotadas à verdade e sinceridade. Aquelas pessoas, no entanto, que são por satisfazer a sensação de paladar, devem ser conhecidas como Rakshasas apegados ao atributo de Paixão. Aquele homem que se abstém de carne nunca é colocado em medo, ó rei, por alguma criatura, onde quer que ele possa estar, isto é, em selvas terríveis ou fortalezas inacessíveis, de dia ou de noite, ou nos dois crepúsculos, em praças abertas de cidades ou em assembléias de homens, de armas erguidas ou em lugares onde há grande terror de animais selvagens ou cobras. Todas as criaturas procuram sua proteção. Ele é um objeto de confiança para todas as criaturas. Ele nunca causa alguma ansiedade em outros, e ele mesmo nunca tem que ficar ansioso. Se ninguém comesse carne então não haveria alguém para matar criaturas vivas. O homem que mata criaturas vivas as mata por causa da pessoa que come carne. Se a carne fosse considerada como não-comestível, então não haveria matança de criaturas vivas. É por causa do comedor que o massacre de criaturas vivam continua no mundo. Já que, ó tu de grande esplendor, o período de vida das pessoas que matam criaturas vivas ou as fazem ser mortas é encurtado, é evidente que a pessoa que deseja seu próprio bem deve desistir totalmente da carne. Aquelas pessoas violentas que são dedicadas à matança de criaturas vivas nunca encontram protetores quando elas estão em necessidade. Tais pessoas devem sempre ser molestadas e perseguidas assim como bestas predadoras. Por cobiça ou entorpecimento da compreensão, por causa de força e energia, ou por associação com os pecaminosos, se manifesta nos homens a disposição para pecar. Aquele homem que procura aumentar sua própria carne por (comer) a carne de outros, tem que viver neste mundo em grande ansiedade e depois da morte tem que tomar nascimento em raças e famílias indiferentes. Grandes Rishis dedicados ao cumprimento de votos e autodomínio têm dito que a abstenção de carne é digna de todo louvor, produtiva de fama e Céu, e um grande sacrifício expiatório por si mesma. Isto eu ouvi nos tempos passados, ó filho de Kunti, de Markandeya quando aquele Rishi discursou sobre os deméritos de comer carne. Aquele que come a carne de animais que estão desejosos de viver mas que foram mortos por ele mesmo ou por outros, incorre no pecado que se atribui à matança por este seu ato de crueldade. Aquele que compra carne mata criaturas vivas através de sua riqueza. Aquele que come carne mata criaturas vivas por tal ato de comer. Aquele que amarra ou captura e realmente mata criaturas vivas é o matador. Há três tipos de matança, cada um destes três atos sendo dessa maneira. Aquele que não come carne mas aprova um ato de matança fica maculado pelo pecado de matança. Por se abster de carne e mostrar compaixão por todas as criaturas alguém se torna incapaz de ser molestado por alguma criatura, e obtém uma vida longa, saúde perfeita, e felicidade. O mérito que é adquirido por uma pessoa por se abster de carne, nós temos ouvido, é superior àquele de alguém que faz doações de ouro, de vacas, e de terra. Uma pessoa nunca deve comer carne de animais não oferecidos em sacrifícios e que são, portanto, mortos em vão, e que não foram oferecidos para os deuses e Pitris com a ajuda das ordenanças. Não há a menor dúvida que uma pessoa por comer tal carne vai para o Inferno. Se alguém come a carne que foi santificada por ela ter sido obtida de animais dedicados em sacrifícios e que foram mortos para o propósito de alimentar Brahmanas, ele incorre em uma pequena culpa. Por se comportar de outra maneira ele se torna manchado pelo pecado. Aquele patife entre homens que mata criaturas vivas por causa daqueles que irão comê-las atrai sobre si grande demérito. O demérito do comedor não é tão grande. Aquele patife entre homens que, seguindo o caminho dos ritos religiosos e sacrifícios prescritos nos Vedas, mata uma criatura viva pelo desejo de comer sua carne, certamente se torna um residente do inferno. Aquele homem que tendo comido carne se abstém disto depois, obtém grande mérito por tal abstenção de pecado. Aquele que planeja para obter carne, aquele aprova aqueles planos, aquele que mata, aquele que compra ou vende, aquele que cozinha, e aquele que come, são todos considerados como comedores de carne. Eu agora citarei outra autoridade, dependente daquilo que foi declarado pelo próprio ordenador, e estabelecido nos Vedas. É dito que aquela religião que tem ações como suas indicações foi ordenada para chefes de família, ó chefe de reis, e não para aqueles homens que estão desejosos de emancipação. O próprio Mann disse que a carne que é santificada com mantras e oferecida apropriadamente, de acordo com as ordenanças dos Vedas, em ritos realizados em honra dos Pitris, é pura. Toda outra carne cai sob a classe da que é obtida por meio de matança inútil, e é, portanto, não comestível, e leva ao Inferno e infâmia. Nunca se deve comer, ó chefe da linhagem de Bharata, como um Rakshasa, alguma carne que tenha sido obtida por meios não sancionados pela ordenança. De fato, nunca se deve comer carne obtida de matança inútil e que não tenha sido santificada pela ordenança. Aquele homem que deseja evitar calamidade de todo tipo deve se abster da carne de toda criatura viva. É sabido que no Kalpa antigo, as pessoas, desejosas de alcançarem regiões de mérito após a morte, realizavam sacrifícios com sementes, considerando tais animais como oferecidos por eles. Cheios de dúvidas a respeito da adequação de comer carne, os Rishis pediram para Vasu, o soberano dos Chedis, para esclarecê-las. O rei Vasu, sabendo que a carne não é comestível, respondeu que ela era comestível, ó monarca. Naquele momento Vasu caiu do firmamento na terra. Depois disto ele repetiu novamente sua opinião, com o resultado que ele teve que afundar abaixo da terra por isto. Desejoso de beneficiar todos os homens, Agastya de grande alma, pela ajuda de suas penitências, ofereceu, definitivamente, todos os animais selvagens da espécie do veado para as divindades. Por essa razão, não há mais qualquer necessidade de santificar aqueles animais para oferecê-los para as divindades e os Pitris. Servidos com carne de acordo com a ordenança, os Pitris ficam satisfeitos. Ouça-me, ó rei de reis, enquanto eu te digo isto, ó impecável. Há felicidade completa em se abster de carne, ó monarca. Aquele que pratica austeridades severas por cem anos e aquele que se abstém de carne são iguais a respeito de mérito. Esta é minha opinião. Na quinzena iluminada do mês de Karttika em especial, uma pessoa deve se abster de mel e carne. Nisto, isto está ordenado, há grande mérito. Aquele que se abstém de carne pelos quatro meses das chuvas obtém as quatro bênçãos valiosas de realizações, longevidade, fama e poder. Aquele que se abstém de carne de todo tipo pelo mês de Karttika inteiro supera todas as espécies de dor e vive em completa felicidade. Aqueles que se abstêm de carne por meses ou quinzenas a fio têm a região de Brahma ordenada para eles por sua abstenção de crueldade. Muitos reis nos tempos antigos, ó filho de Pritha, que tinham se constituído as almas de todas as criaturas e que eram familiarizados com as verdades de todas as coisas, isto é, Alma e Não-alma, se abstinham de carne ou pelo mês inteiro de Karttika ou por toda a quinzena iluminada daquele mês. Eles eram Nabhaga e Amvarisha e Gaya de grande alma e Ayu e Anaranya e Dilipa e Raghu e Puru e Kartavirya e Aniruddha e Nahusha e Yayati e Nrigas e Vishwaksena e Sasavindu e Yuvanaswa e Sivi, o filho de Usinara, e Muchukunda e Mandhatri, e Harischandra. Sempre fale a verdade. Nunca fale uma falsidade. A Verdade é um dever eterno. É pela verdade que Harischandra vaga pelo céu como um segundo Chandramas. Estes outros reis também, isto é, Syenachitra, ó monarca, e Somaka e Vrika e Raivata e Rantideva e Vasu e Srinjaya, e Dushmanta e Karushma e Rama e Alarka e Nala, e Virupaswa e Nimi e Janaka de grande inteligência, e Aila e Prithu e Virasena, e Ikshvaku, e Sambhu, e Sweta, e Sagara, e Aja e Dhundhu e Suvahu, e Haryaswa e Kshupa e Bharata, ó monarca, não comiam carne pelo mês de Karttika e como a consequência disso chegaram ao céu, e dotados de prosperidade brilharam com refulgência na região de Brahman, adorados por Gandharvas e cercados por mil donzelas de grande beleza. Aqueles homens de grande alma que praticam esta religião excelente que é caracterizada pela abstenção de injúria conseguem obter uma residência no céu. Aqueles homens justos que, desde o momento do nascimento, se abstêm de mel e carne e vinho, são considerados como Munis. Aquele homem que pratica esta religião que consiste em abstenção de carne ou que a relata para fazer outros ouvirem-na, nunca tem que ir para o inferno mesmo que ele seja extremamente mau em conduta em outros aspectos. Aquele, ó rei, lê (muitas vezes) estas ordenanças sobre abstenção de carne, que são sagradas e adoradas pelos Rishis, ou as ouve lidas, vem a ser purificado de todo pecado e obtém grande bem- aventurança por consequência da realização de todos os desejos. Sem dúvida, ele alcança também uma posição de eminência entre parentes. Quando afligido pela calamidade, ele facilmente a transcende. Quando obstruído por impedimentos, ele consegue se livrar deles com a maior facilidade. Quando mal com doença, ele fica curado depressa, e afligido com tristeza ele fica livre dela com grande facilidade. Tal homem nunca tem que tomar nascimento na ordem intermediária de animais ou aves. Nascido na ordem da humanidade, ele obtém grande beleza pessoal. Dotado de grande prosperidade, ó chefe da linhagem de Kuru, ele obtém grande renome também. Eu assim te disse, ó rei, tudo o que deve ser dito sobre o assunto da abstenção de carne, junto com as ordenanças a respeito da religião de Pravritti e Nivritti como concebida pelos Rishis." "Yudhishthira disse, 'Ai, aqueles homens cruéis que, rejeitando diversos tipos de alimento, cobiçam somente carne, são realmente como grandes Rakshasas! Ai, eles não apreciam diversas espécies de bolos e diversos tipos de ervas cozidas e vários tipos de Khanda com sabor suculento tanto quanto eles apreciam a carne! Minha compreensão, por este motivo, fica pasma nesta questão. Eu penso, quando tal é o caso, que não há algo que possa se comparar com a carne na questão de gosto. Eu desejo, portanto, ó pujante, saber quais são os méritos da abstenção de carne, e os deméritos ligados ao ato de comer carne, ó chefe da linhagem de Bharata. Tu és conhecedor de todo dever. Fale-me integralmente em conformidade com as ordenanças sobre dever, a respeito deste assunto. Diga-me o que, de fato, é comestível e o que não é comestível. Diga-me, ó avô, o que é a carne, de quais substâncias ela é, os méritos que se vinculam à abstenção dela, e quais são os deméritos que se vinculam ao ato de comer carne.'” "Bhishma disse, 'É assim mesmo, ó de braços poderosos, como tu disseste. Não há algo sobre a terra que seja superior à carne a respeito de gosto. Não há algo que seja mais benéfico do que a carne para pessoas que são magras, ou fracas, ou afligidas com doença, ou viciadas em sexo ou que estão esgotadas por viagem. A carne aumenta a força rapidamente. Ela produz grande desenvolvimento. Não há alimento, ó opressor de inimigos, que seja superior à carne. Mas, ó encantador dos Kurus, são grandes os méritos que se atribuem aos homens que se abstêm dela. Ouça-me enquanto eu te falo sobre isto. Aquele homem que deseja aumentar sua própria carne por meio da carne de outra criatura é de tal maneira que não há ninguém que seja mais vil e mais cruel do que ele. Neste mundo não há algo que seja mais valioso para uma criatura do que sua vida. Por isso (em vez de tirar aquela posse valiosa), deve-se mostrar compaixão pelas vidas de outros como se faz pela própria vida. Sem dúvida, ó filho, a carne tem sua origem na semente vital. Há grande demérito ligado ao ato de comê-la, como, de fato, há mérito em se abster dela. No entanto, não se incorre em qualquer culpa por comer carne santificada segundo as ordenanças dos Vedas. É ouvido que animais foram criados para sacrifício. Aqueles que comem carne de alguma outra maneira são citados como seguindo a prática Rakshasa. Ouça-me enquanto eu te digo qual é a ordenança que foi prescrita para os Kshatriyas. Eles não incorrem em erro por comer carne que foi adquirida pelo emprego de destreza. Todos os veados da selva foram oferecidos para as divindades e os Pitris antigamente, ó rei, por Agastya. Por isso, a caça ao veado não é censurada. Não pode haver caça sem risco da própria vida. Há igualdade de risco entre o matador e o morto. Ou o animal é morto ou ele mata o caçador. Por essa razão, ó Bharata, até sábios nobres se dirigem à prática da caça. Por tal conduta eles não ficam maculados pelo pecado. De fato, a prática não é considerada como pecaminosa. Não há nada, ó encantador dos Kurus, que seja igual a respeito de mérito, neste mundo ou após a morte, à prática da compaixão por todas as criaturas vivas. O homem de compaixão não tem medo. Aqueles homens inofensivos que são dotados de compaixão têm este mundo e o seguinte. Pessoas conhecedoras do dever dizem que é digna de ser chamada de Religião aquela Religião quando tem abstenção de crueldade como sua indicação. O homem de alma purificada deve fazer somente atos que tenham compaixão como sua alma. Aquela carne que é oferecida em sacrifícios realizados em honra das divindades e dos Pitris é chamada de Havi (e, como tal, é digna de ser comida). Aquele homem que é dedicado à compaixão e que se comporta com compaixão para com outros não tem medo a nutrir de alguma criatura. É sabido que todas as criaturas se abstêm de causar algum medo para tal criatura. Se ele estiver ferido ou caído ou prostrado ou enfraquecido ou machucado, em qualquer estado que ele possa estar, todas as criaturas o protegem. De fato, elas fazem isso sob todas as circunstâncias, esteja ele em solo plano ou acidentado. Nem cobras nem animais selvagens, nem Pisachas nem Rakshasas jamais o matam. Quando surgem circunstâncias de temor, fica livre do temor aquele que livra outros de situações de temor. Nunca houve nem haverá um presente que seja superior ao presente da vida. É indubitável que não há algo mais valioso para alguém do que sua vida. A morte, ó Bharata, é uma calamidade ou mal para todas as criaturas. Quando chega o momento da Morte, um tremor do corpo inteiro é visto em todas as criaturas. Suportando nascimento no útero, decrepitude e aflições de diversas espécies, neste oceano do mundo, as criaturas vivas podem ser vistas indo adiante e voltando continuamente. Toda criatura é afligida pela morte. Enquanto residindo no útero, todas as criaturas são cozidas nos sucos fluidos, que são alcalinos e azedos e amargos, de urina e muco e fezes, líquidos que produzem sensações dolorosas e que são difíceis de suportar. Lá no útero elas têm que morar em um estado de desamparo e são até repetidamente feridas e perfuradas. Aqueles que são cobiçosos de carne são vistos serem repetidamente cozidos no útero em tal estado de impotência. Obtendo diversos tipos de nascimento, eles são cozidos no inferno chamado Kumbhipaka. Eles são atacados e mortos, e dessa maneira têm que viajar repetidamente. Não há nada tão precioso para alguém quanto a própria vida quando alguém vem para este mundo. Por esta razão, uma pessoa de alma purificada deve ser compassiva para todas as criaturas vivas. Aquele homem, ó rei, que se abstém de todos os tipos de carne desde seu nascimento sem dúvida obtém um grande espaço no Céu. Aqueles que comem a carne de animais que são desejosos de vida, são eles mesmos comidos pelos animais que eles comem, sem dúvida. Esta é minha opinião. ‘Já que ele me comeu, eu o comerei em retribuição,’ isto mesmo, ó Bharata, constitui o caráter como Mansa de Mansa. (Mansa é carne. Este verso explica a etimologia da palavra, Mam (mim) as; a mim ele comeu, portanto, eu o comerei. As palavras seguintes a 'a mim ele' devem ser fornecidas a fim de chegar ao significado.) O matador é sempre morto. Depois dele o comedor encontra com o mesmo destino. Aquele que age com hostilidade em direção a outro (nesta vida) se torna a vítima de ações similares feitas por aquele outro. Quaisquer atos que alguém faça em quaisquer corpos, ele tem que sofrer as consequências disso naqueles corpos. (Isto é, alguém, enquanto dotado de um corpo humano, fere outro, as consequências daquela injúria o fazedor sofrerá em seu corpo humano. Alguém se torna um tigre e mata um veado; as consequências daquele ato ele terá que suportar quando renasce como um tigre.) Abstenção de crueldade é a maior Religião. Abstenção de crueldade é o maior autocontrole. Abstenção de crueldade é o maior presente. Abstenção de crueldade é a maior penitência. Abstenção de crueldade é o maior sacrifício. Abstenção de crueldade é a maior pujança. Abstenção de crueldade é o maior amigo. Abstenção de crueldade é a maior felicidade. Abstenção de crueldade é a maior verdade. Abstenção de crueldade é o maior Sruti. Doações feitas em todos os sacrifícios, abluções realizadas em todas as águas sagradas, e o mérito que alguém adquire por fazer todas as espécies de doações mencionadas nas escrituras, todos não alcançam a abstenção de crueldade (a respeito do mérito que se vincula a ela). As penitências de um homem que se abstém de crueldade são inesgotáveis. O homem que se abstém de crueldade é considerado como sempre realizando sacrifícios. O homem que se abstém de crueldade é o pai e a mãe de todas as criaturas. Estes, ó chefe da linhagem de Kuru, são alguns dos méritos da abstenção de crueldade. Os méritos que se vinculam a ela são tantos que eles não poderiam ser esgotados mesmo se alguém fosse falar por cem anos." 117 "Yudhishthira disse, 'Desejando morrer ou desejando viver, muitas pessoas oferecem suas vidas no grandioso sacrifício (de batalha). Diga-me, ó avô, qual é o fim que estes alcançam. Jogar fora a vida em batalha é repleto de tristeza para homens. Ó tu de grande sabedoria, tu sabes que desistir da vida é difícil para os homens estejam eles em prosperidade, ou adversidade, em felicidade ou calamidade. Em minha opinião, tu és possuidor de onisciência. Diga-me a razão disto.'” "Bhishma disse, 'Em prosperidade ou adversidade, em felicidade ou tristeza, as criaturas vivas, ó senhor da terra, vindo para este mundo, vivem de acordo com uma tendência específica. Ouça-me enquanto eu te explico a razão. A pergunta que tu me fizeste é excelente, ó Yudhishthira! Em relação a isto, ó rei, eu irei explicar para ti a velha narrativa da conversa que ocorreu nos tempos antigos entre o Rishi Nascido na Ilha e um verme rastejante. Nos tempos passados, quando aquele Brahmana erudito, isto é, o Krishna Nascido na Ilha, tendo se identificado com Brahma, vagava pelo mundo, ele viu, em uma estrada sobre a qual carros costumavam passar, um verme se movendo depressa. O Rishi conhecia o comportamento de toda criatura e a linguagem de todo animal. Possuidor de onisciência, ele se dirigiu ao verme que ele viu nestas palavras.'” "Vyasa disse, 'Ó verme, tu pareces estar extremamente alarmado, e estar em grande pressa. Diga-me para onde tu corres e por que motivo tu estás com medo.'” "O verme disse, 'Ouvindo o estrépito de um grande carro mais longe eu estou cheio de medo. Ó tu de grande inteligência, aterrador é o som que ele faz. Ele está quase chegando! O som é ouvido. Ele não irá me matar? É por isso que eu estou fugindo. Como ele é ouvido de um ponto perto, eu percebo que eu ouço o som dos touros. Eles estão respirando pesadamente sob o chicote do motorista, conforme eles estão puxando a carga pesada. Eu ouço também os diversos sons feitos pelos homens que estão dirigindo os touros. Tais sons não podem ser ouvidos por uma criatura que como nós teve seu nascimento na ordem dos vermes. É por esta razão que eu estou fugindo desta situação de grande terror. A morte é sentida por todas as criaturas como sendo repleta de dor. A vida é uma aquisição difícil de se fazer. Por isso eu fujo com medo, eu não desejo passar de um estado de felicidade para um de aflição.'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, Vyasa Nascido na Ilha disse, 'Ó verme, de onde pode vir tua felicidade? Tu pertences à ordem de existência intermediária. Eu acho que a morte seria repleta de felicidade para ti! Som, toque, gosto, cheiro, e diversos tipos de prazeres excelentes são desconhecidos para ti, ó verme! Eu penso que a morte virá a ser um benefício para ti!'” "O verme disse, 'Uma criatura viva, em qualquer situação que ela possa estar colocada, se torna apegada a ela. Mesmo nesta ordem de existência eu sou feliz, eu penso, ó tu de grande sabedoria! É por isso que eu desejo viver. Mesmo nesta condição, todos os objetos de prazer existem para mim de acordo com as necessidades do meu corpo. Seres humanos e aquelas criaturas que surgem de objetos imóveis têm prazeres diferentes. Em minha vida anterior eu era um ser humano. Ó pujante, eu era um Sudra possuidor de grande riqueza. Eu não era devotado aos Brahmanas. Eu era cruel, vil em conduta, e um usurário. Eu era ríspido em palavras. Eu considerava astúcia como sabedoria. Eu odiava todas as criaturas. Tirando vantagem de pretextos em acordos feitos entre eu mesmo e outros, eu estava sempre disposto a roubar o que pertencia a outros. Sem alimentar empregados e convidados chegados à minha casa, eu costumava encher, quando faminto, meu próprio estômago, sob o impulso do orgulho, cobiçoso de boa comida. Eu era avarento de riqueza, eu nunca ofereci, com fé e reverência, algum alimento para as divindades e os Pitris embora o dever ordenasse que eu oferecesse comida para eles. Aqueles homens que vinham a mim, movidos por medo, para procurar minha proteção, eu despachava sem rumo sem lhes dar qualquer proteção. Eu não estendia minha proteção àqueles que vinham a mim com súplicas para dissipar seu medo. Eu costumava sentir inveja irracional ao ver a riqueza de outras pessoas, e cereais, e esposas amadas por eles, e artigos de bebida, e boas mansões. Vendo a felicidade de outros, eu ficava cheio de inveja e eu sempre lhes desejava pobreza. Seguindo aquela direção de conduta a qual prometia coroar meus próprios desejos com realização, eu procurava destruir a virtude, riqueza, e prazeres de outras pessoas. Naquela minha vida passada, eu cometi diversos atos amplamente repletos de crueldade e outras emoções semelhantes. Lembrando-me daquelas ações eu estou cheio de arrependimento e dor assim como alguém fica cheio de dor pela perda de um filho querido. Por causa daquelas minhas ações eu não sei quais são os frutos das boas ações. Eu, no entanto, adorava minha velha mãe e em uma ocasião adorei um Brahmana. Dotado de nascimento e habilidades, aquele Brahmana, no decurso de suas viagens, chegou à minha casa uma vez como um convidado. Eu o recebi com hospitalidade reverente. Pelo mérito ligado àquela ação minha memória não me abandonou. Eu penso que por consequência daquela ação eu conseguirei recuperar felicidade mais uma vez. Ó tu de riqueza ascética, tu sabes tudo. Por bondade diga-me o que é para o meu bem." "Vyasa disse, 'É por consequência de um ato meritório, ó verme, que tu, embora nascido na ordem existência intermediária, não estás entorpecido. Aquele ato é meu, ó verme, por consequência do qual que não estás entorpecido. (O que o sábio diz é que o fato de o verme ser capaz de se lembrar dos incidentes de sua vida passada é devido a algum ato meritório. Aquele ato meritório é a própria visão do sábio a qual o verme foi afortunado de obter.) Pela força das minhas penitências, eu sou capaz de salvar um ser do demérito por lhe conceder somente uma visão de minha pessoa. Não há poder mais forte do que o poder que se vincula às penitências. Eu sei, ó verme, que tu tomaste nascimento na ordem dos vermes pelas más ações da tua vida passada. Se, no entanto, tu pensares em obter virtude e mérito, tu poderás obtê-los novamente. Divindades assim como seres coroados com sucesso ascético desfrutam ou suportam as consequências de ações feitas por eles neste campo de ação. Entre os homens também, quando ações de mérito são realizadas, elas são realizadas pelo desejo de resultados (e não com desconsideração pelo resultado). As próprias habilidades que alguém procura obter são procuradas pelo desejo da felicidade que elas irão trazer. (O sentido é que entre seres humanos também, ações são feitas com a intenção de assegurar felicidade. Em outras palavras, seres humanos também desfrutam dos resultados de seus bons atos e suportam aqueles de seus maus atos.) Erudita ou ignorante (em uma vida anterior) a criatura que é, nesta vida, desprovida de fala e compreensão e mãos e pés, é realmente desprovida de tudo. Aquele que se torna um Brahmana superior adora, enquanto vivo, as divindades do sol e da lua, proferindo diversos Mantras sagrados. Ó verme, tu alcançarás aquele estado de existência. Alcançando aquela posição, tu desfrutarás de todos os elementos convertidos em artigos de prazer. Quando tu tiveres alcançado aquele estado, eu te comunicarei Brahma. Ou, se tu desejares, eu posso colocar-te em alguma outra posição!' O verme, concordando com as palavras de Vyasa, não deixou a estrada, mas permaneceu sobre ela. Enquanto isso, o veículo grande que estava vindo naquela direção chegou àquele local. Rasgado em pedaços pelo avanço das rodas, o verme abandonou seu ares vitais. Nascido finalmente na classe Kshatriya pela graça de Vyasa de força incomensurável, ele procedeu para ver o grande Rishi. Ele tinha, antes de se tornar um Kshatriya, passado através de diversas ordens de existência, tais como ouriço e iguana e javali e veado e ave, e Chandala e Sudra e Vaisya. Tendo dado um relatório de suas várias transformações para o Rishi falador da verdade, e se lembrando da bondade do Rishi para com ele, o verme (agora transformado em um Kshatriya) com palmas unidas caiu aos pés do Rishi e os tocou com sua cabeça.'” "O verme disse, 'Minha posição atual é aquela superior a qual é cobiçada por todos e que é obtenível pela posse dos dez atributos bem conhecidos. De fato, eu que era antigamente um verme dessa maneira cheguei à posição de um príncipe. Elefantes de grande força, enfeitados com correntes douradas, me carregam em suas costas. Aos meus carros estão unidos corcéis Kamvoja de grande vigor. Numerosos veículos, aos quais estão ligados camelos e mulas, me conduzem. Com todos os meus parentes e amigos eu agora como alimento saboroso com carne. Adorado por todos, eu durmo, ó altamente abençoado, em camas caras em quartos encantadores nos quais ventos desagradáveis não podem soprar. Perto das poucas horas de toda noite, Sutas e Magadhas e panegiristas proferem meus louvores assim como as divindades proferem os louvores agradáveis de Indra, seu chefe. Pela graça de ti que és firme em verdade e dotado de energia incomensurável, eu que era antes um verme agora me tornei uma pessoa da classe real. Eu inclino minha cabeça para ti, ó tu de grande sabedoria. Ordene-me quanto ao que eu devo fazer agora. Ordenado pela pujança de tuas penitências, até este estado feliz agora veio a ser meu!'” "Vyasa disse, 'Eu fui hoje adorado por ti, ó rei, com diversas palavras expressivas de reverência. Transformado em um verme, tua memória não ficou nublada. Aquela memória apareceu novamente. O pecado que tu cometeste em uma vida antiga ainda não foi destruído, aquele pecado, isto é, o qual foi ganho por ti enquanto tu eras um Sudra cobiçoso de riqueza e cruel em comportamento e hostil aos Brahmanas. Tu foste capaz de obter uma visão de minha pessoa. Aquela foi uma ação de mérito para ti enquanto tu eras um verme. Por tu teres me saudado e me adorado tu subirás mais alto, pois, da classe Kshatriya tu te elevarás à posição de um Brahmana, somente se tu rejeitares teus ares vitais no campo de batalha por causa de vacas ou Brahmanas. Ó príncipe, desfrutando de muita felicidade e realizando muitos sacrifícios com presentes copiosos, tu chegarás ao céu e transformado no eterno Brahma tu terás beatitude perfeita. Aqueles que nascem na ordem intermediária (de animais) se tornam (quando eles se elevam) Sudras. O Sudra se eleva à posição do Vaisya; e o Vaisya àquela do Kshatriya. O Kshatriya que se orgulha no cumprimento dos deveres de sua classe consegue alcançar a posição de um Brahmana. O Brahmana, por seguir uma conduta justa, alcança o céu que é repleto de grande bem-aventurança.'" 119 "Bhishma disse, 'Tendo rejeitado a posição de verme e tomado nascimento como um Kshatriya de grande energia, a pessoa (de quem eu estou falando), se lembrando de suas transformações anteriores, ó monarca, começou a praticar austeridades severas. Vendo aquelas austeridades severas do Kshatriya que era bem familiarizado com religião e riqueza, o Krishna Nascido na Ilha, aquele principal dos Brahmanas, foi até ele.'” "Vyasa disse, As penitências que concernem, ó verme, à classe Kshatriya consistem na proteção de todas as criaturas. Considere estes deveres da classe Kshatriya como sendo as penitências prescritas para ti. Tu então alcançarás a posição de um Brahmana. Averiguando o que é certo e o que é errado, e purificando tua alma, proteja e cuide devidamente de todas as criaturas, satisfazendo judiciosamente todos os bons desejos e corrigindo tudo o que é profano. Seja de alma purificada, seja contente e seja dedicado à prática da justiça. Comportando-te dessa maneira, tu irás então, quando tu rejeitares teus ares vitais, te tornar um Brahmana!'” "Bhishma continuou, 'Embora ele tivesse se retirado para as florestas, ainda assim, ó Yudhishthira, tendo ouvido as palavras do grande Rishi ele começou a cuidar e proteger seus súditos justamente. Logo, ó melhor dos reis, aquele verme, pelo devido cumprimento do dever de proteger seus súditos, se tornou um Brahmana depois de abandonar seu corpo Kshatriya. Vendo-o transformado em um Brahmana, o Rishi célebre, isto é, o Krishna Nascido na Ilha de grande sabedoria, foi até ele.'” "Vyasa disse, 'Ó principal dos Brahmanas, ó abençoado, não te preocupe (pelo medo da morte)! Aquele que age justamente obtém nascimento respeitável. Aquele, por outro lado, que age injustamente obtém um nascimento inferior e vil. Ó tu que és conhecedor da virtude, uma pessoa obtém miséria de acordo com a medida do próprio pecado. Portanto, ó verme, não fique preocupado por medo da morte. O único medo que deves nutrir é acerca da perda de virtude. Portanto, continue praticando virtude.'” "O verme disse, 'Pela tua graça, ó santo, eu atingi de posições felizes posições ainda mais felizes! Tendo obtido tal prosperidade que tem suas bases na virtude, eu penso que meus deméritos foram perdidos.'” "Bhishma disse, 'O verme tendo, por ordem do Rishi santo, alcançado a posição de Brahmana que é tão difícil de se obter, fez a terra ser marcada com mil estacas sacrificais. Aquela principal de todas as pessoas conhecedoras de Brahma então obteve uma residência na região do próprio Brahman. De fato, ó filho de Pritha, o verme alcançou a posição mais elevada, isto é, aquela de Brahma eterno, como o resultado das suas próprias ações feitas em obediência aos conselhos de Vyasa. Aqueles touros entre Kshatriyas, também, que abandonaram seus ares vitais (no campo de Kurukshetra) enquanto exerciam sua energia, todos alcançaram um fim meritório. Portanto, ó rei, não lamente por causa deles.'" 120 "Yudhishthira disse, 'Qual entre estes três é superior, isto é, conhecimento, penitências, e caridade? Eu te pergunto, ó principal das pessoas justas! Diga-me isto, ó avô!'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa da conversa entre Maitreya e o Krishna Nascido na Ilha. Uma vez o Krishna Nascido na Ilha, ó rei, enquanto vagava pelo mundo em disfarce, procedeu para Baranasi e visitou Maitreya que pertencia por nascimento a uma linhagem de Munis. Vendo Vyasa chegar, aquele principal dos Rishis, isto é, Maitreya, lhe deu um assento e depois de cultuá-lo com os ritos devidos o alimentou com comida excelente. Tendo comido aquela boa comida a qual era muito saudável e que produzia todo tipo de satisfação, Krishna de grande alma ficou muito contente, e enquanto estava sentado lá ele até riu alto. Vendo Krishna rir, Maitreya se dirigiu a ele, dizendo, 'Diga-me, ó de alma justa, qual é a razão do teu riso! Tu és um asceta, dotado da capacidade de controlar tuas emoções. Grande alegria, parece, veio sobre ti! Saudando-te, e adorando-te com cabeça inclinada, eu te pergunto isto, isto é, qual é a força das minhas penitências e qual é a grande bem-aventurança que é tua! As ações que eu faço são diferentes daquelas que tu fazes. Tu já és emancipado embora ainda possuindo ares vitais. Eu, no entanto, ainda não estou livre. Apesar disso eu penso que não há muita diferença entre nós. Eu sou, além disso, distinto por nascimento.'” "Vyasa disse, 'Esta admiração que tomou conta de mim veio de uma ordenança que parece com uma hipérbole, e de sua afirmação paradoxal para a compreensão das pessoas. A declaração dos Vedas parece ser falsa. Mas por que os Vedas diriam uma inverdade? É dito que há três caminhos que constituem os melhores votos de um homem. Nunca se deve ferir; sempre se deve dizer a verdade; e se deve fazer caridade. Os Rishis de antigamente anunciaram isto, seguindo as declarações dos Vedas. Estas injunções foram ouvidas nos tempos passados, elas devem certamente ser seguidas por nós até em nossos tempos. Mesmo uma pequena doação, feita sob as circunstâncias declaradas, produz grandes resultados. (É dito que pela doação mesmo de um palmo de água alguém pode chegar ao local que é alcançável por cem sacrifícios. Esta ordenança, a qual parece uma hipérbole, e sua afirmação por instrutores Védicos que parece com um paradoxo, me deixam muito surpreso. Os Vedas dizem que ninguém alcança tal local sem uma centena de sacrifícios. Isto parece ser falso, pois pessoas o alcançam por fazerem até pequenas doações para pessoas dignas em momentos apropriados.) Para um homem sedento tu deste um pouco de água com um coração sincero. Tu mesmo sedento e faminto, tu, por me dares tal alimento, conquistaste muitas regiões sublimes de bem-aventurança, ó pujante, como alguém faz por muitos sacrifícios. Eu estou muitíssimo satisfeito com tua doação muito sagrada, como também com tuas penitências. Tua força é aquela da Virtude. Tua aparência é a da Virtude. A fragrância da Virtude está em volta de ti. Eu penso que todas as tuas ações são realizadas em conformidade com a ordenança. Ó filho, superior a abluções em águas sagradas e superior à realização de todos os votos Védicos é a caridade. De fato, ó Brahmana, a caridade é mais auspiciosa do que todos os atos sagrados. Se ela não for mais meritória do que todos os atos sagrados, não pode haver questionamento sobre sua superioridade. Todos aqueles ritos prescritos nos Vedas os quais tu louvas não se aproximam da caridade, pois a caridade é sem dúvida, como eu considero, repleta de mérito muito superior. O caminho que é feito por aqueles homens que fazem doações é o caminho que é trilhado pelos sábios. Aqueles que fazem caridade são considerados assim como doadores de ares vitais. Os deveres que constituem a Virtude estão estabelecidos neles. Como os Vedas quando bem estudados, como o controle dos sentidos, como uma vida de Renúncia universal, assim mesmo é a caridade a qual é repleta de mérito muito superior. Tu, ó filho, te elevarás de alegria para alegria maior por teres te dirigido ao dever de fazer doações. O homem de inteligência (que pratica este dever) certamente se eleva de alegria para alegria maior. Nós, sem dúvida, temos encontrado muitos exemplos diretos disto. Homens dotados de prosperidade conseguem obter riqueza, fazer doações, realizar sacrifícios, e ganhar felicidade como o resultado disso. É sempre observado, ó tu de grande sabedoria, acontecer naturalmente que a felicidade é seguida pela miséria e a miséria é seguida pela felicidade. (O sentido é que aqueles que buscam prazeres carnais encontram com a miséria como o fim, e aqueles que praticam austeridades encontram com a felicidade como sua recompensa.) Homens de sabedoria dizem que os seres humanos neste mundo têm três tipos de conduta. Alguns são justos, alguns são pecaminosos, e alguns não são nem justos nem pecaminosos. A conduta da pessoa que é devotada a Brahma não é considerada de algum desses modos. Seus pecados nunca são considerados como pecados. Assim também o homem que é dedicado aos deveres prescritos para ele não é considerado como justo nem pecaminoso (pelo cumprimento daqueles deveres). Aqueles homens que são dedicados a sacrifícios, doações, e penitências são considerados como justos. Aqueles, no entanto, que ferem outras criaturas e são hostis para com elas são considerados como pecaminosos. Há alguns homens que se apropriam do que pertence a outros. Estes sem dúvida vão para o Inferno e encontram com a miséria. Todas as outras ações que os homens fazem são indiferentes, não sendo consideradas como virtuosas nem pecaminosas. Divirta-te e cresça e te regozije e faça doações e realize sacrifícios. Nem homens de conhecimento nem aqueles dotados de penitências então poderão te sobrepujar!'" 121 "Bhishma disse, 'Assim endereçado por Vyasa, Maitreya, que era um devoto das ações, que tinha nascido em uma linhagem dotada de grande prosperidade, que era sábio e possuidor de grande erudição disse para ele estas palavras.’” "Maitreya disse, 'Ó tu de grande sabedoria, sem dúvida isto é como tu disseste. Ó pujante, com tua permissão eu desejo dizer algo.'” "Vyasa disse, 'O que quer que tu desejes dizer, ó Maitreya, diga, ó homem de grande sabedoria, pois eu desejo te ouvir.’” "Maitreya disse, 'Tuas palavras sobre o assunto da Caridade são impecáveis e puras. Sem dúvida, tua alma foi purificada pelo conhecimento e penitência. Por tua alma ser purificada, exatamente esta é a grande vantagem que eu colho disto. Com a ajuda da minha compreensão eu vejo que tu és dotado de penitências superiores. Com respeito a nós mesmos, nós conseguimos obter prosperidade através somente de uma visão de personagens como tu. Eu penso que isto é devido à tua graça e flui da natureza das minhas próprias ações. (Obter uma visão de ti é a recompensa ou resultado das minhas próprias ações. Uma visão da tua pessoa leva à prosperidade, pela bondade que tu nutres por nós.) Penitências, conhecimento dos Vedas, e nascimento em uma linhagem pura, estas são as causas da posição a qual alguém adquire de um Brahmana. Quando alguém tem estes três atributos, então ele vem a ser chamado de uma pessoa regenerada. Se o Brahmana estiver satisfeito, os Pitris e as divindades também estarão satisfeitos. Não há nada superior a um Brahmana possuidor de erudição Védica. Sem o Brahmana, tudo seria ignorância. Nada seria conhecido. As quatro classes não existiriam. A distinção entre Justiça e Injustiça. Verdade e Mentira, cessaria. Em um campo bem cultivado uma colheita abundante pode ser colhida. Assim mesmo, uma pessoa colhe grande mérito por fazer doações para um Brahmana possuidor de grande erudição. Se não houvesse Brahmanas dotados de conhecimento Védico e boa conduta para aceitarem doações, a riqueza possuída pelas pessoas ricas seria inútil. O Brahmana ignorante, por comer o alimento que é oferecido para ele, destrói o que ele come (pois isto não produz mérito para aquele que o dá). O alimento que é comido também destrói o comedor (pois o comedor incorre em pecado por comer o que é oferecido para ele). Deve ser chamado corretamente de comestível aquilo que é dado para um homem merecedor, em todos os outros casos, aquele que o aceita faz o presente do doador ser desperdiçado e o recebedor é igualmente arruinado para aceitá-lo impropriamente. O Brahmana possuidor de erudição se torna o subjugador do alimento que ele come. Tendo-o comido, ele gera outro alimento. O ignorante que come o alimento oferecido para ele perde seu direito aos filhos que ele gera, pois os últimos vêm a ser daquele cujo alimento permitiu ao progenitor gerá-los. Esta é a culpa sutil que se atribui às pessoas que comem o alimento de outras pessoas quando elas não têm a força para ganhar aquele alimento. O mérito que o doador adquire por fazer a doação é igual ao que o recebedor adquire por aceitar o alimento. O doador e o recebedor dependem igualmente um do outro. Isto mesmo é o que os Rishis têm dito. Lá onde existem Brahmanas possuidores de conhecimento e conduta Védicos as pessoas podem ganhar os frutos sagrados de doações e desfrutar deles aqui e no outro mundo. Aqueles homens que são de linhagem pura, que são extremamente dedicados às penitências, que fazem caridade, e que estudam os Vedas, são considerados como dignos do culto mais reverente. São aqueles bons homens que têm marcado o caminho por trilhar o qual uma pessoa não vem a ser entorpecida. São aqueles homens que são os guias de outros para o céu. Eles são os homens que carregam em seus ombros a carga dos sacrifícios e vivem pela eternidade.’” 122 "Bhishma disse, 'Assim endereçado, o santo respondeu para Maitreya, dizendo 'Por boa sorte tu és dotado de conhecimento. Por boa sorte, tua compreensão é desse tipo! Aqueles que são bons aprovam muito todos os atributos justos. Que beleza pessoal e juventude e prosperidade não consigam te dominar é devido à boa sorte. Este favor feito para ti é devido à bondade das divindades. Ouça-me enquanto eu te falo sobre o que é superior (em eficácia) à caridade. Quaisquer escrituras e tratados religiosos que existem, quaisquer tendências (virtuosas) que são observáveis no mundo, elas têm fluído em sua devida ordem, em conformidade com a direção dos Vedas, de acordo com sua ordem adequada. Seguindo-as eu louvo a caridade. Tu louvas penitências e conhecimento Védico. Penitências são sagradas. Penitências são os meios pelos quais alguém pode adquirir os Vedas e o céu também. Com a ajuda de penitências e do conhecimento alguém obtém os maiores resultados, nós temos ouvido. É pelas penitências que alguém destrói seus pecados e tudo mais que é mau. É sabido por nós que com qualquer propósito em vista que alguém pratique penitências, ele obtém a realização disto em consequência daquelas penitências. O mesmo pode ser dito do conhecimento. O que quer que seja difícil de realizar, o que quer que seja difícil de conquistar, que seja difícil para alcançar, e o que quer que seja difícil de atravessar, pode tudo ser realizado com a ajuda das penitências. De todas as coisas, as penitências são possuidoras de poder muito superior. O homem que bebe álcool, ou aquele que tira à força o que pertence a outros, ou aquele que é culpado de feticídio, ou aquele que viola a cama de seu preceptor, consegue superar com a ajuda de penitências. De fato, alguém vem a ser purificado de todos estes pecados através de penitências. Alguém possuidor de todo o conhecimento e, portanto, tendo visão verdadeira, e um asceta de qualquer tipo, são iguais. Deve-se sempre reverenciar estes dois. (O sentido é que um asceta praticante de penitências, em qualquer estado, e um homem possuidor de onisciência são considerados como iguais.) Todos os homens que têm os Vedas como sua riqueza devem ser adorados. Similarmente, todos os homens dotados de penitências merecem ser adorados. Aqueles que fazem doações obtêm felicidade após a morte e muita prosperidade aqui. Homens virtuosos deste mundo, por fazerem doações de alimento, obtêm este mundo e aquele do próprio Brahman com muitas outras regiões de felicidade superior. Aqueles homens que são adorados por todos, eles mesmos adoram aquele que faz doações. Aqueles homens que são honrados em todos os lugares eles mesmos honram aquele que faz doações. Aonde quer que o doador vá ele é elogiado. Aquele que faz ações e aquele que omite fazê-las obtêm cada um o que é proporcional às suas ações e omissões. More nas regiões superiores ou inferiores, uma pessoa sempre alcança aqueles lugares aos quais ela vem a ter direito por suas ações. Com respeito a ti, tu sem dúvida obterás qualquer alimento e bebida que tu possas cobiçar, pois tu és dotado de inteligência, bom nascimento, conhecimento Védico, e compaixão! Tu és possuidor de juventude, ó Maitreya! Tu és cumpridor de votos. Seja dedicado à Virtude. Receba instruções de mim com relação àqueles deveres os quais tu deves seguir primeiro, os deveres, isto é, de chefes de família. Naquela casa na qual o marido está satisfeito com sua esposa, e a esposa satisfeita com seu marido, todos os resultados auspiciosos se seguem. Como a sujeira é lavada do corpo com água, como a escuridão é dissipada pelo esplendor do fogo, exatamente assim o pecado é purificado pela caridade e penitências. Bênção para ti, ó Maitreya, que mansões sejam tuas! Eu parto daqui em paz. Mantenha em mente o que eu disse. Tu então poderás colher muitas vantagens!’ Maitreya então andou ao redor de seu convidado ilustre e curvou sua cabeça para ele, e unindo suas mãos em reverência disse, 'Que a bênção seja para ti também, ó santo!" 123 "Yudhishthira disse, 'Ó tu que és familiarizado com todos os deveres, eu desejo saber, em detalhes, qual é o comportamento excelente das mulheres castas e boas. Ó avô, fale-me sobre isto.'” "Bhishma disse, 'Uma vez, nas regiões celestes, uma dama chamada Sumana da linhagem de Kekaya, dirigindo-se a Sandili possuidora de grande energia e conhecedora da verdade relativa a tudo e dotada de onisciência, disse, 'Por qual conduta, ó dama auspiciosa, por qual curso de ações, tu conseguiste chegar ao céu, purgada de todo pecado? Tu resplandeces com tua própria energia como uma chama de fogo. Tu pareces ser uma filha do Senhor das estrelas, vindo para o céu na tua própria refulgência. Tu usas vestimentas de branco puro, e estás muito alegre e em paz. Sentada naquela carruagem celeste, tu brilhas, ó dama auspiciosa, com energia multiplicada mil vezes. Tu, eu suponho, não alcançaste esta região de felicidade por penitências e doações e votos insignificantes. Diga- me a verdade'. Assim questionada gentilmente por Sumana, Sandili de sorrisos doces, dirigindo-se à sua formosa interrogadora, respondeu dessa maneira para ela fora da audição de outros, ‘Eu não vesti mantos amarelos; nem cascas de árvores. Eu não raspei minha cabeça; nem mantive madeixas emaranhadas em minha cabeça. Não foi por causa destas ações que eu obtive a posição de uma celestial. Eu nunca, por negligência, dirigi alguma palavra desagradável ou má para meu marido. Eu era sempre dedicada ao culto das divindades, dos Pitris, e dos Brahmanas. Sempre atenta eu servia e atendia minha sogra e sogro. Era minha resolução que eu nunca deveria me comportar com falsidade. Eu nunca costumava ficar na porta da nossa casa nem falava muito tempo com alguém. Eu nunca fiz alguma má ação; eu nunca dei risada alta; eu nunca fiz alguma injúria. Eu nunca revelei algum segredo. Exatamente assim eu sempre me comportei. Quando meu marido, tendo deixado a casa em algum trabalho, costumava voltar, eu sempre o servia por lhe dar um assento e o adorava com reverência. Eu nunca comia alimento de algum tipo que fosse desconhecido para meu marido e com o qual meu marido não estivesse satisfeito. Levantando cedo na alvorada eu fazia e fazia com que fosse feito o que quer que fosse ocasionado e necessário ser realizado pelos parentes e amigos. Quando meu marido deixava o lar para ir para um lugar distante em algum negócio, eu permanecia em casa ocupada em diversos tipos de ações auspiciosas para abençoar seu empreendimento. Na verdade, durante a ausência do meu marido eu nunca usava colírio, ou enfeites; eu nunca me lavava adequadamente ou usava guirlandas e unguentos, ou decorava meus pés com tinta laca, ou meu corpo com ornamentos. Quando meu marido dormia em paz eu nunca o acordava mesmo se algum negócio importante requeresse sua atenção. Eu era feliz em sentar perto dele deitado adormecido. Eu nunca incitei meu marido a se esforçar mais ativamente para ganhar riqueza para sustentar sua família e parentes. Eu sempre mantive segredos sem revelá-los para outros. Eu costumava manter sempre nossos locais limpos. Aquela mulher que com atenção concentrada adere a este caminho de dever, se torna a recebedora de honras consideráveis no céu como uma segunda Arundhati.'” ''Bhishma continuou, 'A ilustre e altamente abençoada Sandili, de conduta correta, tendo dito estas palavras para Sumana sobre o assunto dos deveres da esposa para com seu marido, desapareceu. Aquele homem, ó filho de Pandu, que lê esta narrativa em toda lua cheia e lua nova, consegue alcançar o céu e desfrutar de grande felicidade nos bosques de Nandana." "Yudhishthira disse, 'Qual destes é de eficácia superior, Conciliação ou Doações? Diga-me, ó chefe da linhagem de Bharata, qual destes dois é superior a respeito de eficácia.'” 'Bhishma disse, 'Alguns ficam satisfeitos por conciliação, enquanto outros são satisfeitos por doações. Todo homem, segundo sua própria natureza, assume um ou o outro. Ouça-me, ó rei, enquanto eu te explico os méritos da conciliação, ó chefe da linhagem de Bharata, de modo que a mais furiosa das criaturas pode ser apaziguada por isto. Em relação a isto é citada a antiga narrativa de como um Brahmana, que tinha sido apanhado na floresta por um Rakshasa, foi libertado (com a ajuda da conciliação). Certo Brahmana, dotado de eloquência e inteligência, caiu em desgraça, pois ele foi capturado em uma floresta solitária por um Rakshasa que desejava se alimentar dele. O Brahmana, possuidor de compreensão e erudição, não estava agitado em absoluto. Sem se permitir ficar entorpecido pela visão daquele canibal terrível, ele resolveu aplicar conciliação e ver seu efeito sobre o Rakshasa. O Rakshasa, saudando respeitosamente o Brahmana tanto quanto as palavras alcançavam, fez a ele esta pergunta, 'Tu escaparás, mas diga-me por que razão eu estou pálido de cor e tão magro!' Refletindo por um breve espaço de tempo, o Brahmana aceitou a pergunta do Rakshasa e respondeu nas seguintes palavras bem-faladas.’” "O Brahmana disse, 'Residindo em um local que é distante da tua residência, te movendo em uma região que não é a tua própria, e privado da companhia de teus amigos e parentes, tu estás desfrutando de vasta riqueza. É por isso que tu estás tão pálido e magro. Na verdade, ó Rakshasa, teus amigos, embora bem tratados por ti, ainda não estão bem dispostos em direção a ti por causa da própria natureza viciosa deles. É por isso que tu estás pálido e magro. Tu és dotado de mérito e sabedoria e uma alma bem regulada. Contudo é tua sina ver outros que são desprovidos de mérito e sabedoria honrados em preferência a ti mesmo. É por isso que tu estás pálido e magro. Pessoas possuidoras de riqueza e afluência muito maiores do que as tuas mas inferiores a ti a respeito de talentos estão, realmente, te desrespeitando. É por isso que tu estás pálido e magro. Embora afligido por falta dos meios de sustento, tu és levado pela grandeza da tua alma a desconsiderar meios como os que estão abertos para ti para retirar teu sustento. É por isso que tu estás pálido e magro. Por tua virtude tu te limitaste para fazer bem para outro. Aquele outro, ó Rakshasa honrado, pensa que te enganou e subjugou (por sua inteligência superior). É por isso que tu estás pálido e magro. Eu acho que tu estás sofrendo por aquelas pessoas que com almas dominadas pela luxúria e ira estão sofrendo miséria neste mundo. É por isso que tu estás pálido e magro. Embora agraciado com a posse de sabedoria, tu és ridicularizado por outros que são totalmente desprovidos dela. Na verdade, pessoas de conduta pecaminosa estão te censurando. É por isso que tu estás pálido e magro. De fato, algum inimigo teu, com uma língua amigável, se aproximando de ti se comportou a princípio como uma pessoa justa e então te deixou, te enganando como um patife. É por isso que tu estás pálido e magro. Tu conheces bem o rumo dos assuntos do mundo. Tu és bem hábil em todos os mistérios. Tu és dotado de capacidade. Aqueles que te conhecem como sendo dessa maneira ainda assim não te respeitam e elogiam. É por isso que tu estás pálido e magro. Ficando no meio de homens maus engajados juntos em algum empreendimento, tu discursaste para eles, dissipando suas dúvidas. Apesar disso eles não admitiram teus méritos superiores. É por isso que tu estás pálido e magro. Na verdade, embora desprovido de riqueza e inteligência e erudição Védica, tu desejas ainda, somente com a ajuda da tua energia, realizar alguma coisa grandiosa. É por isso que tu estás pálido e magro. Parece que embora tu estejas decidido a praticar austeridades severas por te retirares para a floresta, contudo teus parentes não estão inclinados favoravelmente em direção a este teu projeto. É por isso que tu estás pálido e magro. Algum vizinho teu, possuidor de grande riqueza e dotado de juventude e feições belas, na verdade, cobiça tua querida esposa. É por isso que tu estás pálido e magro. As palavras faladas por ti, mesmo quando excelentes, no meio de homens ricos, não são consideradas por eles como sábias ou oportunas. É por isso que tu estás pálido e magro. Algum parente caro teu, desprovido de inteligência embora repetidamente instruído nas escrituras, ficou zangado. Tu não conseguiste acalmá-lo. É por isso que tu estás pálido e magro. Na verdade, alguém, tendo primeiro te designado para a realização de algum objetivo desejável para ti está agora procurando roubar o resultado disso da tua posse. É por isso que tu estás pálido e magro. Na verdade, embora possuidor de habilidades excelentes e adorado por todos por causa disso, tu ainda és considerado pelos teus parentes como adorado por causa deles e não por causa de ti mesmo. É por isso que tu estás pálido e magro. Na verdade, por vergonha tu és incapaz de anunciar um propósito no teu coração, movido também pela demora inevitável que ocorrerá na sua realização. É por isso que tu estás pálido e magro. Na verdade, tu desejas, com a ajuda da tua inteligência, trazer sob tua influência diversas pessoas com diversos tipos de compreensões e tendências. (Tal objetivo nunca pode ser realizado.) É por isso que tu estás pálido e magro. Desprovido de erudição, sem coragem, e sem muita riqueza, tu procuras tal fama como a que é obtida pelo conhecimento e bravura e doações. Na verdade, é por isso que tu estás pálido e magro. Tu não pudeste adquirir alguma coisa sobre a qual tu colocaste teu coração por um longo tempo. Ou, aquilo que tu procuras fazer é procurado ser desfeito por alguém mais. É por isso que tu estás pálido e magro. Na verdade, sem poder ver alguma falha da tua parte, tu foste amaldiçoado por alguém. É por isso que tu estás pálido e magro. (Embora completamente inocente, tu ainda foste amaldiçoado. A ansiedade devido a isto te fez assim.) Desprovido de riqueza e habilidades tu procuras em vão dissipar as angústias de teus amigos e as tristezas de homens entristecidos. É por isso que tu estás pálido e magro. Vendo pessoas justas no modo de vida familiar, pessoas injustas vivendo segundo o modo da floresta, e pessoas emancipadas apegadas à vida familiar e residência fixa, tu estás pálido e magro. Na verdade, tuas ações ligadas com Virtude, com Riqueza, e com Prazer, como também as palavras oportunas faladas por ti, não dão resultados. É por isso que tu estás pálido e magro. Embora dotado de sabedoria, porém desejoso de viver, tu vives com riqueza obtida por ti em doação de alguém de má conduta. É por isso que tu estás pálido e magro. Vendo a injustiça aumentado por todos os lados e a justiça enlanguescendo, tu estás cheio de aflição. É por isso que tu estás pálido e magro. Incitado pelo tempo tu procuras agradar todos os teus amigos até quando eles estão disputando e colocados em lados opostos uns aos outros. É por isso que tu estás pálido e magro. Vendo pessoas possuidoras de conhecimento Védico dedicadas a ações impróprias, e pessoas de erudição incapazes de manter seus sentidos sob controle, tu estás cheio de aflição. É por isso que tu estás pálido e magro.' Assim elogiado, o Rakshasa adorou aquele Brahmana erudito em retorno, e fazendo-o seu amigo e concedendo riqueza suficiente para ele em doação, deixou-o (sem devorá-lo).'" 125 "Yudhishthira disse, 'Diga-me, ó avô, como um homem pobre, desejoso de realizar seu próprio bem, deve se comportar depois de ter obtido a posição de humanidade e vindo para esta região de ações que é tão difícil de se alcançar. Diga-me também qual é o melhor de todos os presentes, e qual deve ser dado sob quais circunstâncias. Diga-me, ó filho de Ganga, quem é realmente merecedor de honra e culto. Cabe a ti discursar para nós sobre estes mistérios.'” "Vaisampayana continuou, 'Assim questionado por aquele monarca famoso, isto é, o filho de Pandu, Bhishma explicou (nestas palavras) para aquele rei estes mistérios superiores concernentes ao dever.'” "Bhishma disse, 'Ouça-me com atenção concentrada, ó rei, enquanto eu explico para ti, ó Bharata, estes mistérios concernentes aos deveres, da mesma maneira na qual o santo Vyasa os explicou para mim nos tempos passados. Este assunto é um mistério para as próprias divindades, ó monarca. Yama de atos imaculados, com a ajuda de votos bem cumpridos e meditação Yoga, adquiriu o conhecimento destes mistérios como os frutos sublimes de suas penitências. O que agrada aquela divindade, o que agrada os Pitris, os Rishis, os Pramathas (associados de Mahadeva), a deusa Sri, Chitragupta (o assistente registrador de Yama), e os poderosos Elefantes nos pontos cardeais do horizonte, que constitui a religião dos Rishis, a religião que tem muitos mistérios e que é produtiva de resultados sublimes, os méritos dos que são chamados de grandes presentes, e os méritos que se vinculam a todos os sacrifícios, quem conhece estes, ó impecável, e conhecendo age de acordo com seu conhecimento, fica livre de máculas se ele tem máculas e obtém os méritos indicados. Igual a dez açougueiros é um oleiro. Igual a dez oleiros é um bebedor de álcool. Igual a dez bebedores de álcool é um cortesão. Igual a dez cortesãos é um único chefe (territorial). (O sentido é este; não se deve aceitar doações feitas por um açougueiro ou matador de animais. Dez açougueiros são iguais a um único oleiro. Por aceitar uma doação de um oleiro, portanto, uma pessoa incorre em dez vezes no pecado de aceitar uma doação de um açougueiro. Dessa maneira, a medida de pecado continua aumentando de acordo com a proporção dada. Um pequeno rei é igual a dez mil açougueiros. Um grande rei, no entanto, é igual à metade daquilo, isto é, cinco mil açougueiros. Em outras palavras, por aceitar uma doação de um grande rei, um homem atrai sobre si cinco mil vezes o pecado de aceitar uma doação de um açougueiro.) É dito que um grande rei é igual à metade destes todos. Por essa razão não se deve aceitar doações destes. Por outro lado, deve-se prestar atenção à ciência que é sagrada e que tem virtude como suas indicações, do agregado de três (isto é, Religião, Riqueza, e Prazer). Entre estes, Riqueza e Prazer são naturalmente atraentes. Por isso se deve, com atenção concentrada, escutar as exposições sagradas de Religião (especialmente), pois são muito grandes os resultados de se ouvir os mistérios de Religião. Deve-se certamente ouvir todo tópico ligado com Religião como ordenado pelas próprias divindades. Nela está contido o ritual a respeito do Sraddha no qual são declarados os mistérios relacionados com os Pitris. Os mistérios ligados com todas as divindades também são explicados lá. Ela compreende os deveres e práticas, produtivos de grande mérito, dos Rishis também, junto com os mistérios ligados a eles. Ela contêm uma exposição dos méritos de grandes sacrifícios e aqueles que se vinculam a todas as espécies de doações. Aqueles homens que sempre lêem as escrituras que tratam destes assuntos, aqueles que os mantêm apropriadamente em sua mente, e aquele que, tendo-as escutado, as segue na prática, são todos considerados como sendo tão santos e impecáveis quanto o próprio pujante Narayana. Os méritos que se vinculam à doação de vacas, aqueles que pertencem à realização de abluções em águas sagradas, aqueles que são obtidos pela realização de sacrifícios, todos estes são adquiridos por aquele homem que trata convidados com reverência. Aqueles que ouvem a estas escrituras, aqueles que são dotados de fé, e aqueles que têm um coração puro, isto é bem sabido, conquistam muitas regiões de bem-aventurança. Aqueles homens justos que são dotados de fé vêm a ser purificados de todas as máculas e nenhum pecado pode tocá-los. Tais homens sempre crescem em virtude e conseguem chegar ao céu. Uma vez um mensageiro celeste, indo à corte de Indra por sua própria vontade, mas permanecendo invisível, se dirigiu ao chefe das divindades nestas palavras, 'Por ordem daquelas duas divindades que são os principais de todos os médicos, e que são dotados de todo atributo desejável, eu vim para este lugar onde eu vejo seres humanos e Pitris e as divindades reunidos. Por que, de fato, a relação sexual é proibida para o homem que realiza um Sraddha e também para aquele que come em um Sraddha (pelo dia específico)? Por que três bolos de arroz são oferecidos separadamente em um Sraddha? Para quem deve ser oferecido o primeiro daqueles bolos? Para quem o segundo deve ser oferecido? E de quem é dito que é o terceiro ou o restante? Eu desejo saber tudo isso.' Depois que o mensageiro celeste tinha dito estas palavras ligadas com virtude e dever, as divindades que estavam sentadas em direção ao leste, os Pitris também, aplaudindo aquele caminhante do céu, começaram como segue.'” "Os Pitris disseram, 'Seja bem vindo, e bênçãos para ti! Ouça, ó melhor de todos os caminhantes do céu! A pergunta que tu fizeste é excelente e repleta de significado profundo. Os Pitris daquele homem que se entrega ao ato sexual no dia que ele realiza um Sraddha, ou come em um Sraddha, têm que jazer pelo período de um mês inteiro em sua semente vital. Com relação à classificação dos bolos de arroz oferecidos em um Sraddha, nós explicaremos o que deve ser feito com eles um depois do outro. O primeiro bolo de arroz deve ser concebido como jogado nas águas. O segundo bolo deve ser dado para uma das esposas comer. O terceiro bolo deve ser lançado no fogo ardente. Esta é a ordenança que foi declarada a respeito do Sraddha. Esta é a ordenança que é seguida na prática de acordo com os ritos de religião. Os Pitris daquele homem que age de acordo com esta ordenança ficam satisfeitos com ele e permanecem sempre alegres. A progênie de tal homem aumenta e riqueza inesgotável sempre permanece às suas ordens.'” "O mensageiro celeste disse, 'Tu explicaste a divisão dos bolos de arroz e sua consignação um depois do outro para os três (isto é, água, a esposa, e o fogo ardente), junto com as razões disso. (As razões são as declarações nas escrituras nesse sentido.) A quem aquele bolo de arroz que é consignado às águas alcança? Como ele, por ser assim consignado, satisfaz as divindades e como ele resgata os Pitris? O segundo bolo é comido pela esposa. Isso está declarado em ordenança. Como os Pitris daquele homem (cuja esposa come o bolo) se tornam os comedores disso? O último bolo vai para o fogo ardente. Como aquele bolo consegue encontrar seu caminho para ti, ou quem é ele para quem ele vai? Eu desejo saber isto, isto é, quais são os fins alcançados pelos bolos de arroz oferecidos em Sraddhas quando assim dispostos por serem lançados na água, dados à esposa, e jogados no fogo ardente!’” "Os Pitris disseram, ‘Magnífica é esta pergunta que tu fizeste. Isto envolve um mistério e está repleto de maravilha. Nós estamos muito satisfeitos contigo, ó caminhante do céu!’ As próprias divindades e os Munis louvam atos feitos em honra dos Pitris. Nem eles sabem quais são as conclusões certas das ordenanças a respeito das ações feitas em honra dos Pitris. Exceto o imortal e excelente Markandeya de alma justa, aquele Brahmana de grande renome, que é sempre devotado aos Pitris, ninguém entre eles está familiarizado com os mistérios das ordenanças a respeito dos Pitris. Tendo ouvido do santo Vyasa qual é o fim dos três bolos de arroz que são oferecidos no Sraddha, como explicado pelos próprios Pitris em resposta à pergunta do mensageiro celeste, eu explicarei o mesmo para ti. Ouça, ó monarca, quais são as conclusões com relação às ordenanças sobre o Sraddha. Ouça-me com atenção absorta, ó Bharata, enquanto eu te explico qual o fim é dos três bolos de arroz. Aquele bolo de arroz que vai para a água é considerado como satisfazendo a divindade da lua. Aquela divindade, assim satisfeita, ó tu de grande inteligência, satisfaz em retribuição as outras divindades e os Pitris também com elas. É declarado que o segundo bolo de arroz deve ser comido pela esposa (do homem que realiza o Sraddha). Os Pitris, que estão sempre desejosos de progênie, concedem filhos para a mulher da casa. Ouça-me agora enquanto eu te digo o que acontece àquele bolo de arroz que é lançado ao fogo ardente. Com aquele bolo os Pitris são satisfeitos e como o resultado disso eles concedem a realização de todos os desejos para a pessoa que o oferece. Eu assim te disse tudo acerca do fim dos três bolos de arroz oferecidos no Sraddha e consignados aos três (isto é, água, a esposa, e o fogo). Aquele Brahmana que se torna o Ritwik em um Sraddha constitui ele mesmo, por essa ação, o Pitri da pessoa que realiza o Sraddha. Por isso, ele deve se abster naquele dia de relação sexual mesmo com sua própria esposa. (O sentido, como explicado pelo comentador, é este: o Brahmana que se torna o Ritwik e come em um Sraddha se torna um Pitri da pessoa que realiza o Sraddha. Por isso, como sua identidade foi mudada, ele deve, naquele dia, se abster de ato sexual até com sua própria esposa. Por ter tal ato, ele incorre no pecado de adultério.) Ó melhor de todos os caminhantes do céu, o homem que come em Sraddha deve se comportar com pureza por aquele dia. Por agir de outra maneira ele certamente incorre nas faltas que eu indiquei. Isto não pode ser de outro modo. Por isso, o Brahmana que é convidado para um Sraddha para comer as oferendas deve comê-las depois de se purificar com um banho e de se comportar piamente naquele dia por de abster de todo tipo de injúria ou mal. A progênie de tal pessoa se multiplica e aquele também que o alimenta colhe a mesma recompensa.'” "Bhishma continuou, 'Depois que os Pitris disseram isto, um Rishi de penitências rígidas, chamado Vidyutprabha, cuja forma brilhava com esplendor como aquele do sol, falou. Tendo ouvido aqueles mistérios de religião como propostos pelos Pitris, ele se dirigiu a Sakra, dizendo, 'Entorpecidos pela insensatez homens matam numerosas criaturas nascidas nas ordens intermediárias, tais como vermes e formigas e cobras e ovelhas e veados e aves. Pesada é a medida de pecado que eles atraem sobre si por estas ações. Qual, no entanto, é o remédio?’ Quando esta pergunta foi feita, todos os deuses e Rishis dotados de riqueza de penitências e os Pitris altamente abençoados aplaudiram aquele asceta.'” "Sakra disse, 'Pensando na própria mente em Kurukshetra e Gaya e Ganga e Prabhasa e nos lagos de Pushkara, uma pessoa deve mergulhar sua cabeça em água. Por fazer isso ela vem a ser purificada de todos os seus pecados como Chandramas livre de Rahu. Uma pessoa deve se banhar dessa maneira por três dias em sucessão e então jejuar pelo dia todo. Além disso, ela deve tocar (depois de se banhar) as costas de uma vaca e inclinar a cabeça para a cauda dela.’ Vidyutprabha, depois disto, dirigindo-se novamente a Vasava, disse, 'Eu irei declarar um rito que é mais sutil. Ouça-me, ó tu de cem sacrifícios. Esfregado com o pó adstringente das raízes pendentes da banian e ungido com o óleo de Priyangu (um tipo de semente), deve-se comer o arroz Shashtika (aquele que amadurece em sessenta dias) misturado com leite. Por fazer isso alguém vem a ser purificado de todos os seus pecados. Escute agora a outro mistério desconhecido para muitos mas que foi descoberto pelos Rishis com a ajuda da meditação. Eu ouvi isto de Vrihaspati enquanto ele o relatava na presença de Mahadeva. Ó chefe das divindades, ouça com Rudra em tua companhia, ó marido de Sachi! Se uma pessoa, subindo uma montanha, permanece lá sobre um pé, com braços erguidos e unidos, e se abstendo de alimento olha para um fogo ardente, ela adquire os méritos de penitências severas e obtém as recompensas ligadas aos jejuns. Aquecida pelos raios do sol, ela fica purificada de todos os seus pecados. Alguém que age dessa maneira nas estações de verão e inverno fica livre de todo pecado. Purificado de todo pecado, ele adquire um esplendor de cor por todo o tempo. Tal homem resplandece com energia como o Sol ou brilha em beleza como a Lua!' Depois disto, o chefe das divindades, isto é, aquele de cem sacrifícios, sentado no meio dos deuses, então se dirigiu gentilmente a Vrihaspati, dizendo estas palavras excelentes, 'Ó santo, discurse devidamente sobre quais são aqueles mistérios de religião que são repletos de felicidade para os seres humanos, e quais são as falhas as quais eles cometem, junto com os mistérios ligados a eles!'” "Vrihaspati disse, 'Aqueles que urinam de frente para o sol, aqueles que não mostram reverência pelo vento, aqueles que não derramam libações no fogo ardente, aqueles que ordenham uma vaca cujo bezerro é muito jovem, movidos pelo desejo de obter dela tanto leite quanto possível, cometem pecados. Eu declararei qual são aquelas falhas, ó marido de Sachi! Ouça-me. O Sol, o Vento, o carregador de oblações sacrificais, ó Vasava, e as vacas que são as mães de todas as criaturas, foram criados pelo próprio Auto-nascido, para resgatar todos os mundos, ó Sakra! Estes são as divindades dos seres humanos. Ouçam todos vocês às conclusões de religião. Aqueles homens e mulheres pecaminosos que urinam de frente para o sol vivem em grande infâmia por oitenta e seis anos. Aquele homem, ó Sakra, que não nutre reverência pelo vento, obtém filhos que caem prematuramente do útero de sua esposa. Aqueles homens que não despejam libações no fogo ardente descobrem que o fogo, quando eles o acendem para os ritos que eles desejam realizar, se recusa a comer suas libações. (As libações dos homens que não cultuam seu fogo diariamente não são levadas pelo fogo para os lugares destinados.) Aqueles homens que bebem o leite de vacas cujos bezerros são muito jovens, nunca obtêm filhos para perpetuar suas linhagens. Tais homens vêem seus filhos morrerem e suas famílias diminuírem. Estas são as consequências das referidas ações, como observadas por pessoas regeneradas veneráveis por idade em suas respectivas famílias. Por isso deve-se sempre evitar o que é proibido, e fazer somente o que é ordenado para ser feito, se uma pessoa está desejosa de obter prosperidade. Isto que eu te digo é muito verdadeiro.' Depois que o preceptor celeste tinha dito isso, as divindades altamente abençoadas, com os Maruts, e os Rishis muito abençoados questionaram os Pitris, dizendo, 'Ó Pitris, por quais ações dos seres humanos, que são geralmente dotados de pouca compreensão, vocês ficam satisfeitos? Quais doações, feitas no decorrer de ritos como os que são praticados para melhorar a posição de pessoas falecidas no outro mundo, se tornam inesgotáveis em relação à sua eficácia? Por realizar quais ações os homens podem ficar livres da dívida que eles têm com os Pitris? Nós desejamos saber isto. É grande a curiosidade que nós sentimos.'” "Os Pitris disseram, 'Ó altamente abençoados, a dúvida existente em suas mentes foi devidamente apresentada. Escutem como nós declaramos quais são aquelas ações dos homens justos que nos gratificam. Touros dotados de cor azul devem ser libertados. Presentes devem ser feitos para nós, no dia da lua nova, de sementes de gergelim e água. Na estação de chuvas, lâmpadas devem ser acesas (no céu. Estas são colocadas em longos mastros os quais são fixados às árvores mais altas). Por estas ações dos homens, eles podem se libertar das dívida que eles têm com os Pitris. Tais presentes nunca se tornam infrutíferos. Por outro lado, eles se tornam inesgotáveis e produtivos de grandes resultados. A satisfação que nós derivamos deles é considerada como sendo inesgotável. Aqueles homens que, dotados de fé, geram progênie, resgatam seus antepassados falecidos do Inferno miserável'. Ouvindo estas palavras dos Pitris, Vriddha-Gargya, possuidor de riqueza de penitências e grande energia, ficou tão admirado que os pêlos de seu corpo se arrepiaram. Dirigindo-se a eles ele disse, 'Vocês que são todos possuidores de riqueza de penitências, nos digam quais são os méritos vinculados à libertação de touros dotados de cor azul. Quais méritos, além disso, são atribuídos ao presente de lâmpadas na estação das chuvas e ao presente de água com sementes de gergelim?'” "Os Pitris disseram, 'Se um touro de cor azul, após ser libertado, ergue uma (pequena) quantidade de água com seu rabo, os Pitris (da pessoa que libertou aquele touro) ficam satisfeitos com aquela água por sessenta mil anos completos. A lama que tal touro ergue com seus chifres das margens (de um rio ou lago), consegue, sem dúvida, mandar os Pitris (da pessoa que libertou o animal) para a região de Soma. Por dar lâmpadas na estação das chuvas, alguém brilha com refulgência como o próprio Soma. O homem que dá lâmpadas nunca está sujeito ao atributo de Escuridão. Aqueles homens que fazem doações, no dia da lua nova, de sementes de gergelim e água, misturadas com mel e usando um recipiente de cobre, ó tu que és possuidor de riqueza de penitências, são considerados como realizando devidamente um Sraddha com todos os seus mistérios. Estes homens obtêm filhos de saúde perfeita e mentes alegres. O mérito adquirido pelo doador do Pinda (para os Pitris) toma a forma do crescimento da sua linhagem. Na verdade, aquele que realiza estes atos com fé fica livre da dívida que ele tem com os Pitris. Assim foram declarados o tempo apropriado para a realização do Sraddha, a ordenança a respeito dos ritos a serem cumpridos, a pessoa adequada que deve ser alimentada no Sraddha, e os méritos que se vinculam a isto. Eu declarei tudo para ti na devida ordem.'” 126 "Bhishma disse, 'O chefe das divindades, Indra, depois do Pitri ter cessado de falar, dirigiu-se ao pujante Hari, dizendo, 'Ó Senhor, quais são aqueles atos pelos quais tu ficas satisfeito? Como, de fato, os homens conseguem te satisfazer?'” "Vishnu disse, ‘Aquilo que eu odeio imensamente é a difamação de Brahmanas; sem dúvida, se os Brahmanas são adorados, eu mesmo me considero adorado. Todos os Brahmanas superiores devem ser sempre saudados com reverência, depois de alimentá-los com hospitalidade. Uma pessoa deve reverenciar seus próprios pés também (à noite). Eu estou satisfeito com homens que agem dessa maneira, como também com aqueles que adoram e fazem oferendas ao vórtice que é visível no esterco de vaca (quando este primeiro cai da vaca). Aqueles que vêem um Brahmana que é um anão em estatura, ou um javali que acabou de se erguer da água e carrega em sua cabeça uma quantidade de lama tirada da margem, nunca têm que encontrar com algum mal. Eles ficam livres de todo pecado. O homem que adora todo dia a Aswattha (Ficus religiosa) e a substância chamada Gorochana e a vaca, é considerado como cultuando o universo inteiro com as divindades e Asuras e seres humanos. Na verdade, ficando dentro destes, eu aceito, em minha própria forma, o culto que é oferecido para eles. O culto que é oferecido a estes é o culto oferecido a mim. Isto tem sido assim desde que os mundos foram criados. Aqueles homens de pouca compreensão que me cultuam de uma maneira diferente me adoram em vão, pois o culto daquele tipo eu nunca aceito. Realmente, o culto de outros tipos não é gratificante para mim em absoluto.'” "Indra disse, 'Por que tu louvas as marcas circulares no esterco das vacas, os pés, o javali, o Brahmana que é um anão em estatura, e a lama erguida do solo? És tu quem os cria e és tu quem os destrói. Tu és a natureza eterna de todas as coisas mortais ou transitórias.'” "Bhishma continuou, 'Ouvindo estas palavras de Indra. Vishnu sorriu um pouco e então disse, 'Foi com meu disco circular que os Daityas foram mortos. Foi com meus dois pés que o mundo foi coberto. Assumindo a forma de um javali eu matei Hiranyaksha. Assumindo a forma de um anão eu conquistei o rei (Asura) Vali. Aqueles homens de grande alma que cultuam estes me agradam. Na verdade, aqueles que me adoram nestas formas nunca encontram com a derrota. Se alguém, vendo um Brahmana que leva o modo de vida Brahmacharya chegando a sua casa, oferece para ele a primeira porção da própria comida que pertence como de direito a um Brahmana, e come o que resta depois disso, ele é considerado como comendo Amrita. Se alguém, depois de adorar o crepúsculo matutino, permanece com rosto o virado para o sol, ele colhe o mérito que se vincula à realização de abluções em todos os tirthas e vem a ser purificado de todos os pecados. Ó Rishis possuidores de riqueza de penitências, eu disse a vocês em detalhes o que constitui um grande mistério. Sobre o que mais eu falarei para vocês? Contem-me suas dúvidas.'” "Baladeva disse, 'Escutem agora a outro grande mistério que é repleto de felicidade para os homens. Pessoas ignorantes, não familiarizadas com isto, encontram com muitas aflições nas mãos de outras criaturas. Aquele homem que, levantando de manhã cedo, toca uma vaca, ghee, e coalhos, como também sementes de mostarda e a maior variedade dela chamada Priyangu, fica purificado de todos os pecados. Com relação aos Rishis possuidores de riqueza de penitências, eles sempre evitam todas as criaturas à frente e atrás, como também tudo o que é impuro enquanto realizando Sraddhas.’” "As divindades disseram, 'Se uma pessoa, pegando um recipiente de cobre, enchendo-o com água e encarando o leste, resolve a respeito de um jejum ou o cumprimento de um voto específico, as divindades ficam satisfeitas com ele e todos os seus desejos vêm a ser coroados com êxito. Por fazer jejuns, ou votos de alguma outra maneira, homens de pouca inteligência não ganham nada. (Votos e jejuns e etc., devem ser cumpridos depois de o Sankalpa ou Resolução naquele sentido ter sido formalmente enunciado. Mesmo um mergulho em uma quantidade de água sagrada não pode ser produtivo de mérito a menos que o Sankalpa tenha sido formalmente enunciado. O Sankalpa é a declaração do propósito pelo qual o ato é realizado como também do ato que se planeja realizar.) Ao proferir a decisão acerca do cumprimento de jejuns e ao fazer oferendas para as divindades, o uso de um recipiente de cobre é preferível. Em apresentar oferendas às divindades, em (doar ou aceitar) esmolas, em oferecer os ingredientes do Arghya e em oferecer oblações de água misturada com sementes de gergelim para os Pitris, um recipiente de cobre deve ser usado. Por fazer estes atos de qualquer outra maneira alguém adquire pouco mérito. Exatamente assim estes mistérios foram declarados relativos a como as divindades são satisfeitas.'” "Dharma disse, 'As oferendas feitas em todos os ritos em honra das divindades e naqueles em honra dos Pitris nunca devem ser dadas para um Brahmana que aceitou serviço sob o rei, ou que toca o sino ou que se encarrega de funções secundárias em atos de culto ou em Sraddhas, ou que mantém vacas, ou que é dedicado ao comércio, ou que segue alguma arte como profissão, ou que é um ator, ou que disputa com amigos ou que é desprovido de estudos Védicos, ou que se casa com uma mulher Sudra. O realizador do Sraddha que dá tais oferendas para semelhante Brahmana decai da prosperidade e não multiplica sua linhagem. Ele fracassa, além disso, em satisfazer seus Pitris por fazer tal ato. Da casa daquela pessoa de onde um convidado retorna insatisfeito, os Pitris, as divindades, e os fogos sagrados, todos voltam desapontados por causa de semelhante tratamento do convidado. O homem que não cumpre os deveres de hospitalidade em direção ao convidado chegado em sua residência vem a ser considerado como igualmente pecaminoso com aqueles que são assassinos de mulheres ou de vacas, que são ingratos para com benfeitores, que são assassinos de Brahmanas, ou que são violadores das camas de seus preceptores.'” "Agni disse, 'Escutem com atenção concentrada. Eu narrarei os deméritos daquele homem de mente pecaminosa que levanta seus pés para golpear com eles uma vaca ou um Brahmana altamente abençoado ou um fogo ardente. A infâmia de tal homem se espalha por todo o mundo e toca os confins do próprio céu. Seus Pitris se enchem de medo. As divindades também ficam muito descontentes por sua causa. Dotado de grande energia, o Fogo se recusa a aceitar as libações despejadas por ele. Por cem vidas ele tem que apodrecer no inferno. Ele nunca é resgatado em qualquer tempo. Portanto, nunca se deve tocar uma vaca com os pés, ou um Brahmana de grande energia, ou um fogo ardente, se uma pessoa é dotada de fé e deseja seu próprio bem. Este são os deméritos declarados por mim de alguém que ergue seus pés em direção a estes três.'” "Viswamitra disse, 'Ouçam um grande mistério que é desconhecido pela maioria dos homens e que está relacionado com religião. Aquele que oferece aos Pitris arroz fervido em leite açucarado, sentando com a face dirigida para o sul ao meio dia na sombra causada pelo corpo de um elefante, no mês de Bhadrapada, sob a constelação Magha, adquire grandes méritos. Escutem quais são aqueles méritos. O homem que faz tal oferenda para os Pitris sob tais circunstâncias é considerado como realizando um grande Sraddha todo ano por treze anos em sucessão.'” "As vacas disseram, 'Vem a ser purificado de todos os seus pecados aquele homem que adora uma vaca com estes Mantras, isto é, ‘Ó Vahula, ó Samanga, ó tu que és destemida em todo lugar, ó tu que és bondosa e cheia de auspiciosidade, ó amiga, ó fonte de toda plenitude, na região de Brahman, antigamente, tu foste oferecida com teu bezerro no sacrifício de Indra, o manejador do raio. Tu tomaste tua posição no firmamento e no caminho de Agni. As divindades com Narada entre elas então te adoraram naquela ocasião por te chamarem de Sarvamsaha.’ Tal homem alcança a região de Purandara. Ele adquire, além disso, os méritos atribuídos às vacas, e o esplendor de Chandramas também. Tal homem fica livre de todo pecado, todo medo, toda dor. No fim, ele obtém residência na região feliz de Indra de mil olhos!'” "Bhishma continuou, 'Depois disto, os sete Rishis altamente abençoados e célebres, com Vasishtha em sua vanguarda, se levantam e circungirando o Brahman Nascido no Lótus permaneceram ao redor dele com mãos unidas em reverência. Vasishtha, aquela principal de todas as pessoas conhecedoras de Brahma, tornou-se seu porta-voz e fez esta pergunta que é benéfica para todas as criaturas, mas especialmente para Brahmanas e Kshatriyas: 'Por fazer quais ações homens de conduta justa que são, no entanto, desprovidos de bens deste mundo, conseguem obter méritos vinculados a sacrifícios?' Ouvindo esta pergunta de deles, o Avô Brahman começou a dizer o seguinte.'” "Brahman disse, 'É excelente esta pergunta, ó altamente abençoados! Ela é ao mesmo tempo auspiciosa e sublime e cheia de mistério. Esta pergunta que vocês fizeram é sutil e está repleta de grande benefício para a humanidade. Ó Rishis possuidores de riqueza de penitências, eu contarei tudo para vocês em detalhes. Escutem com atenção ao que eu digo quanto a como homens adquirem méritos vinculados a sacrifícios (mesmo quando eles não podem realizá-los devido à pobreza). Na quinzena iluminada do mês de Pausha, quando a constelação Rohini está em conjunção, se alguém, se purificando por meio de um banho, deita sob a abóbada celeste, vestida em uma única peça de roupa, com fé e atenção concentrada, e bebe os raios da lua, ela obtém os méritos ligados à realização de grandes sacrifícios. Ó principais das pessoas regeneradas, é um grande mistério isto que eu declaro para vocês em resposta às suas perguntas, para vocês que possuem discernimento das verdades sutis de todos os tópicos de investigação.'" 127 "Vibhavasu (também chamado Surya) disse, 'Há duas oferendas. Uma delas consiste em um palmo de água e a outra chamada Akshata consiste em grãos de arroz com ghee. Deve-se, no dia da lua cheia, permanecer de frente para aquele orbe brilhante e fazer para ele as duas oferendas mencionadas, isto é, um palmo de água e os grãos de arroz com ghee chamados Akshata. O homem que apresenta estas oferendas é citado como adorando seu fogo sagrado. Realmente, ele é considerado como alguém que tem derramado libações nos três fogos (principais). O homem de pouca inteligência que corta uma árvore grande no dia da lua nova fica manchado pelo pecado de Brahmanicídio. Por matar até uma única folha uma pessoa incorre em pecado. Aquele homem tolo que mastiga uma escova de dentes no dia da lua nova é considerado como ferindo a divindade da lua por tal ato. Os Pitris de tal pessoa ficam aborrecidos com ela. (Na Índia a escova de dentes consiste em um galho fino ou ramo pequeno. Uma ponta deste é mastigada e amolecida. As fibras amolecidas servem o propósito de uma escova. Tal escova é usada somente uma vez. Ela é jogada fora depois que a escovação dos dentes está terminada.) As divindades não aceitam as libações despejadas por tal homem em dias de lua cheia e de lua nova. Seus Pitris ficam enfurecidos com ele, e sua linhagem e família se tornam extintas.'” "Sree disse, 'Aquela casa pecaminosa, na qual recipientes de comer e de beber e assentos e camas se encontram espalhados, e na qual mulheres apanham, as divindades e Pitris deixam em repugnância. Na verdade, sem aceitar as oferendas feitas para eles pelos donos de semelhantes casas, as divindades e os Pitris fogem de tal habitação pecaminosa.'” "Angiras disse, 'Aumenta a progênie daquele homem que permanece toda noite por um ano inteiro sob uma árvore Karanjaka com uma lâmpada para iluminá-la, e segura além disso em sua mão as raízes da planta Suvarchala.'” "Gargya disse, 'Uma pessoa deve sempre cumprir os deveres de hospitalidade para com seus convidados. Deve-se dar lâmpadas na sala ou galpão onde sacrifícios são realizados. Deve-se evitar dormir durante o dia, e se abster de todos os tipos de carne ou comida. Nunca se deve ferir vacas e Brahmanas. Sempre se deve recitar os nomes dos lagos Pushkara e das outras águas sagradas. Tal rumo de dever é o principal. Isto mesmo constitui uma religião sublime com seus mistérios. Se cumprida na prática, ela sem dúvida produz consequências grandiosas. Se uma pessoa realiza mesmo cem sacrifícios, ela está fadada a ver o esgotamento dos méritos ligados às libações despejadas neles. Os deveres, no entanto, os quais eu mencionei, são de tal maneira que quando cumpridos com uma pessoa dotada de fé, seus méritos se tornam inesgotáveis. Escute agora a outro grande mistério oculto da vista de muitos. As divindades não aceitam as libações (derramadas sobre o fogo) na ocasião de Sraddhas e ritos em sua honra ou na ocasião daqueles ritos que são realizáveis em dias lunares comuns ou nos dias especialmente sagrados da lua cheia e da lua nova, se elas vêem uma mulher em seu período de impureza ou uma que é filha de uma mãe afligida com lepra. Os Pitris do homem que permite que tal mulher se aproxime do lugar onde o Sraddha está sendo realizado por ele não ficam satisfeitos com ele por treze anos. Vestido em roupa branca, e se tornando puro em corpo e mente, ele deve convidar Brahmanas e fazê-los proferirem suas bênçãos (quando ele realiza o Sraddha). Em tais ocasiões deve-se também recitar o Bharata. É por observar todos estes que as oferendas feitas em Sraddhas se tornam inesgotáveis.'” "Dhaumya disse, 'Utensílios quebrados, armações de cama quebradas, galos e, cachorros, como também árvores que cresceram dentro de residências, são todos objetos inauspiciosos. Em um utensílio quebrado está o próprio Kali, enquanto em uma armação de cama quebrada está perda de riqueza. Quando um galo ou um cachorro está à vista, as divindades não comem as oferendas feitas para elas. Sob as raízes de uma árvore escorpiões e cobras sem dúvida encontram abrigo. Por isso, nunca se deve plantar uma árvore dentro de uma residência.'” (Utensílios quebrados, até hoje, são considerados inauspiciosos. Eles são rejeitados, como uma regra, por toda família. Kali tem sua residência neles, significando que tais utensílios causam brigas e disputas. Armações de cama quebradas também são consideradas como capazes de causar perda de riqueza. Galos e cachorros nunca devem ser mantidos ou criados em uma casa. As raízes de árvores fornecem abrigo para escorpiões e cobras e insetos e vermes venenosos. Alguém nunca deve, portanto, plantar árvores ou permiti-las crescerem dentro de sua residência.) "Jamadagni disse, 'Aquele homem cujo coração não é puro sem dúvida vai para o Inferno mesmo que ele adore as divindades em um Sacrifício de Cavalo ou em cem sacrifícios Vajapeya, ou que ele pratique as austeridades mais severas com a cabeça mais baixa. Pureza de coração é considerada como igual a sacrifícios e Verdade. Um Brahmana muito pobre, por dar somente um Prastha de cevada em pó com um coração puro para um Brahmana, alcançou a região do próprio Brahman. Esta é uma prova suficiente (da importância da pureza de coração).’” 128 "Vayu disse, 'Eu narrarei alguns deveres a observância dos quais é repleta de felicidade para a humanidade. Ouçam também com atenção concentrada a certas transgressões com as causas secretas das quais elas dependem. Aquele homem que oferece pelos quatro meses da estação chuvosa gergelim e água (para os Pitris), e alimento, de acordo com o melhor em seu poder, para um Brahmana bem familiarizado com os deveres, que derrama libações no fogo sagrado adequadamente, e faz oferendas de arroz fervido em leite açucarado, que dá lâmpadas em honra dos Pitris, com gergelim e água, na verdade aquele que faz tudo isso com fé e atenção concentrada adquire todos os méritos que se vinculam a cem sacrifícios nos quais animais são oferecidos para as divindades. Ouçam a este outro grande mistério que é desconhecido para todos. Aquele homem que pensa que está tudo bem quando um Sudra acende o fogo sobre o qual ele vai despejar libações ou que não vê qualquer erro quando mulheres, que são incompetentes para ajudar em Sraddhas e outros ritos, são permitidas ajudarem neles, realmente ficam maculados pelo pecado. (O fogo de um Brahmana nunca deve ser aceso por um Sudra. Mulheres também nunca devem ser permitidas ajudarem em Sraddhas por arranjarem as oferendas.) Os três fogos sacrificais ficam enfurecidos com semelhante pessoa. Em sua próxima vida ele tem que tomar nascimento como um Sudra. Seus Pitris, junto com as divindades, nunca estão satisfeitos com ele. Eu agora contarei quais são as expiações que alguém deve praticar para se purificar de tais pecados. Ouçam-me com atenção. Por realizar aqueles atos expiatórios alguém vem a ser feliz e livre de ansiedade. Jejuando todo o tempo, ele deve, por três dias, com atenção concentrada, despejar libações, no fogo sagrado, da urina da vaca misturada com esterco de vaca e leite e ghee. As divindades aceitam as oferendas de tal homem no término de um ano inteiro. Seus Pitris também, quando chega o momento de ele realizar o Sraddha, ficam satisfeitas com ele. Eu dessa maneira contei o que é justo e o que é o pecaminoso, com todos os seus detalhes desconhecidos, a respeito dos seres humanos desejosos de chegarem ao céu. Na verdade, os homens que se abstêm destas transgressões ou que tendo-as cometido praticam os ritos expiatórios indicados, conseguem alcançar o céu quando eles deixam este mundo.’” "Lomasa disse, 'Os Pitris daqueles homens que, sem terem suas próprias esposas, se dirigem às esposas de outros homens, se enchem de decepção quando chega o momento para os Sraddhas. Aquele que se dirige às esposas de outros homens, aquele que se entrega à união sexual com uma mulher que é estéril, e aquele que se apropria do que pertence a um Brahmana, são igualmente pecaminosos. Sem dúvida, os Pitris de tais pessoas os deserdam sem desejarem ter qualquer relacionamento com eles. As oferendas que eles fazem fracassam em satisfazer as divindades e os Pitris. Por isso, um homem deve sempre se abster de união sexual com mulheres que são esposas de outros, como também com mulheres que são estéreis. O homem que deseja seu próprio bem não deve se apropriar do que pertence a um Brahmana. Escutem agora a outro mistério desconhecido para todos com relação à religião. Uma pessoa deve, dotada de fé, sempre cumprir as ordens de seu preceptor e de outros mais velhos. No décimo segundo dia lunar, como também no dia da lua cheia, todo mês, deve-se fazer doações para Brahmanas de ghee e as oferendas que constituem Akshata. Ouçam-me enquanto eu digo qual é a medida do mérito que tal pessoa adquire. Por tal ato é dito que alguém aumenta Soma e o Oceano. Vasava, o chefe dos celestiais, concede para ele uma quarta parte dos méritos vinculados a um Sacrifício de Cavalo. Por fazer tais doações, uma pessoa vem a ser dotada de grande energia e coragem. O divino Soma, bem satisfeito com ele, lhe concede a realização de seus desejos. Escutem agora a outro dever, junto com a fundação sobre a qual ele se apóia, que é produtivo de grande mérito. Nesta era de Kali, aquele dever, se realizado, traz muita felicidade para os homens. Aquele homem que, levantando bem cedo e se purificando com um banho, se veste em roupas brancas e com atenção concentrada faz doações para Brahmanas de recipientes cheios de sementes de gergelim, que faz oferendas para os Pitris de água com sementes de gergelim e mel, e que dá lâmpadas como também o alimento chamado Krisara adquire méritos substanciais. Ouçam-me enquanto eu digo quais são aqueles méritos. O divino castigador de Paka atribuiu estes méritos à doação de recipientes de cobre e metal cheios de sementes de gergelim. Aquele que faz doações de vacas, aquele que faz doações de terra que são produtivas de mérito eterno, aquele que realiza o sacrifício Agnishtoma com presentes copiosos na forma de Dakshina para os Brahmanas, são todos considerados pelas divindades como adquirindo méritos iguais àqueles que alguém adquire por fazer doações de recipientes cheios de sementes de gergelim. Presentes de água com sementes de gergelim são considerados pelos Pitris como produtivos de satisfação eterna para eles. Todos os antepassados ficam muito satisfeitos com presentes de lâmpadas e Krisara. Eu assim narrei a ordenança antiga, declarada pelos Rishis, que é altamente aprovada pelos Pitris e pelas divindades em suas respectivas regiões.'" "Bhishma disse, 'Os Rishis lá reunidos, junto com os Pitris e as divindades, então, com atenção concentrada, questionaram Arundhati (a esposa de Vasishtha) que era dotada de grande mérito ascético. Possuidora de riqueza abundante de penitências, Arundhati estava à altura de seu marido Vasishtha de grande alma em energia, pois em votos e conduta ela era igual a seu marido. Dirigindo-se a ela eles disseram, 'Nós desejamos ouvir de ti os mistérios do dever e religião. Cabe a ti, ó senhora amável, nos dizer o que tu consideras como um mistério superior.'” "Arundhati disse, 'O grande progresso que eu tenho podido obter em penitências é devido à sua consideração por mim por lembrarem dessa maneira de minha pobre pessoa. Com sua permissão benevolente eu irei agora falar sobre deveres que são eternos, sobre deveres que são mistérios sublimes. Eu irei discursar sobre eles com as causas das quais eles dependem. Ouçam-me enquanto eu lhes falo elaboradamente. Um conhecimento disto deve ser dado somente para aquele que possui fé ou que tem um coração puro. Com estes quatro, isto é, aquele que é desprovido de fé, aquele que é cheio de orgulho, aquele que é culpado de Brahmanicídio, e aquele que viola a cama de seu preceptor, alguém nunca deve conversar. Religião e dever nunca devem ser comunicados para eles. Os méritos adquiridos por uma pessoa que doa uma vaca Kapila todo dia por um período doze anos, ou por uma pessoa que adora as divindades todo mês em um sacrifício, ou por aquele que doa centenas de milhares de vacas no grande Pushkara, não se aproximam daqueles que são da pessoa com quem um convidado está satisfeito. Ouçam agora a outro dever cujo cumprimento é repleto de felicidade para a humanidade. Ele deve ser cumprido com seu ritual secreto por uma pessoa dotada de fé. Seus méritos são indubitavelmente sublimes. Ouçam quais são eles. Se uma pessoa, levantando na alvorada e levando consigo uma quantidade de água e umas poucas folhas de grama Kusa, procede para um curral e chegando lá lava os chifres de uma vaca por borrifar neles aquela água com aquelas folhas de grama Kusa e então faz a água pingar sobre sua própria cabeça, ela é considerada, em consequência de tal banho, como alguém que tem realizado suas abluções em todas as águas sagradas que os sábios sabem que existem nos três mundos e que são honradas e visitadas por Siddhas e Charanas.' Depois que Arundhati tinha dito estas palavras, todas as divindades e Pitris a aplaudiram, dizendo, 'Excelente, Excelente!' De fato, todos os seres lá ficaram muito satisfeitos e todos adoraram Arundhati.'” “Brahman disse, ‘Ó altamente abençoada, é excelente o dever que tu enunciaste, junto com seu ritual secreto. Louvor para ti! Eu te concedo esta bênção, isto é, que tuas penitências aumentarão constantemente!’” "Yama disse, 'Eu ouvi de ti um discurso excelente e agradável. Escute agora ao que Chitragupta disse e que é agradável para mim. Aquelas palavras se relacionam com dever com seu ritual secreto, e são dignas de serem ouvidas pelos grandes Rishis, como também por homens dotados de fé e desejosos de realizar seu próprio bem. Nada é perdido de piedade ou pecado que é cometido pelas criaturas. Nos dias da lua cheia e da lua nova, aquelas ações são transportadas para o sol onde elas permanecem. Quando um mortal entra na região dos mortos, a divindade do sol testemunha todos os seus atos. Aquele que é virtuoso obtém os frutos de sua virtude lá. Eu agora direi a vocês alguns deveres auspiciosos que são aprovados por Chitragupta. Água para beber, e lâmpadas para iluminar a escuridão, devem sempre ser doadas, como também sandálias e guarda-sóis e vacas Kapila com os ritos devidos. Em Pushkara especialmente deve-se fazer a doação de uma vaca Kapila para um Brahmana conhecedor dos Vedas. Uma pessoa deve também sempre manter seu Agnihotra com grande cuidado. Aqui está outro dever que foi proclamado por Chitragupta. Cabe àquelas que são as melhores das criaturas ouvirem quais são os méritos daquele dever separadamente. No decorrer do tempo, toda criatura está destinada a sofrer dissolução. Aqueles que são de pouca compreensão encontram com grande angústia nas regiões dos mortos, pois eles vêm a ser afligidos por fome e sede. De fato, eles têm que apodrecer lá, queimando de dor. Não há fuga para eles de tal calamidade. Eles têm que entrar em uma escuridão densa. Eu agora lhes falarei daqueles deveres por realizar os quais alguém pode conseguir transpor tal calamidade. O cumprimento daqueles deveres custa muito pouco mas é repleto de grande mérito. De fato, tal desempenho é produtivo de grande felicidade no outro mundo. Os méritos que se vinculam ao presente de água para beber são excelentes. No mundo seguinte em especial, aqueles méritos são muito grandes. Para aqueles que fazem presentes de água para beber está ordenado no outro mundo um grande rio cheio de água excelente. De fato, a água contida naquele rio é inesgotável e fresca e doce como néctar. Aquele que faz presentes de água neste mundo bebe daquela corrente no mundo futuro quando ele vai para lá. Escutem agora aos méritos abundantes ligados à doação de lâmpadas. O homem que doa lâmpadas neste mundo nunca tem que ver a densa escuridão a (do Inferno). Soma e Surya e a divindade do fogo sempre lhe dão sua luz quando ele se dirige para o outro mundo. As divindades ordenam que em todos os lados de tal pessoa deve haver luz brilhante. Realmente, quando o doador de luzes se dirige ao mundo dos mortos, ele mesmo brilha em refulgência pura como um segundo Surya. Por isso, alguém deve doar luzes enquanto aqui e água para beber em especial. Escutem agora quais são os méritos da pessoa que faz a doação de uma vaca Kapila para um Brahmana conhecedor dos Vedas, especialmente se o presente for feito em Pushkara. Tal homem é considerado como tendo feito um presente de cem vacas com um touro, um presente que é produtivo de mérito eterno. O presente de uma única vaca Kapila é capaz de purificar quaisquer pecados dos quais o doador possa ser culpado mesmo se aqueles pecados forem tão graves quanto Brahmanicídio, pois a doação de uma única vaca Kapila é considerada como igual a respeito de mérito àquela de cem vacas. Por isso, deve-se doar uma vaca Kapila naquele Pushkara o qual é considerado como o mais antigo (dos dois Tirthas conhecidos por aquele nome) no dia da lua cheia no mês de Karttika. Homens que conseguem fazer semelhante doação nunca têm que enfrentar aflição de nenhum tipo, ou tristeza, ou espinhos que causam dor. Aquele homem que doa um par de sandálias para um Brahmana superior que é digno do presente, obtém méritos similares. Por doar um guarda- sol uma pessoa obtém sombra confortável no mundo seguinte. (Ele não terá que ser exposto ao sol.) Um presente feito para uma pessoa merecedora nunca é perdido. Ele sem dúvida produz consequências agradáveis para o doador.' Ouvindo estas opiniões de Chitragupta, os cabelos de Surya se arrepiaram. Dotado de grande esplendor, ele se dirigiu a todas as divindade e aos Pitris, dizendo 'Vocês ouviram os mistérios relativos ao dever, como propostos por Chitragupta de grande alma. Aqueles seres humanos que, dotados de fé, fazem estas doações para Brahmanas de grande alma se tornam livres do medo de todo tipo. Estes cinco tipos de homens, maculados por atos violentos, não têm salvação. Na verdade, de comportamento pecaminoso e considerados como os piores dos homens, alguém nunca deve falar com eles. De fato eles devem sempre ser evitados. Aqueles cinco são: aquele que é o assassino de um Brahmana, aquele que é o matador de uma vaca, aquele que é afeito a ter união sexual com esposas de outros homens, aquele que é desprovido de fé (nos Vedas), e aquele que deriva seu sustento por vender a virtude de sua esposa. Estes homens de conduta pecaminosa, quando eles se dirigem para a região dos mortos, apodrecem no inferno como vermes que vivem de pus e sangue. Estes cinco são evitados pelos Pitris, as divindades, os Brahmanas Snataka, e outras pessoas regeneradas que são dedicadas à prática de penitências.'" 131 "Bhishma disse, 'Então todas as divindades altamente abençoadas e os Pitris, e os altamente abençoados Rishis também, dirigindo-se aos Pramathas, disseram, 'Vocês são todos seres muito abençoados. Vocês são vagueadores invisíveis da noite. Por que vocês afligem aqueles homens que são vis e impuros e que são imorais? Quais ações são consideradas como impedimentos para seu poder? Quais, de fato, são aquelas ações pelas quais vocês se tornam incompetentes para afligir os homens? Quais são aqueles atos que são destrutivos de Rakshasas e impedem vocês de reivindicarem seu poder sobre as habitações de homens? Ó viajantes da noite, nós desejamos saber tudo isso de vocês.'” (Pramathas são os companheiros espectrais de Mahadeva. Literalmente, o nome significa batedores.) "Os Pramathas disseram, 'Homens ficam impuros por meio de atos de união sexual. Aqueles que não se purificam depois de tais atos, aqueles que insultam seus superiores, aqueles que por entorpecimento comem diferentes tipos de carne, o homem também que dorme ao pé de uma árvore, aquele que mantém alguma substância animal sob seu travesseiro enquanto deitado para dormir, e aquele que deita ou dorme colocando a cabeça onde seus pés devem ser colocados ou seus pés onde a cabeça deve ser colocada, estes homens são considerados por nós como impuros. Na verdade, estes homens têm muitos defeitos. Aqueles também são incluídos na mesma classe que jogam seu muco e outras secreções impuras na água. Sem dúvida estes homens merecem ser mortos e comidos por nós. Realmente, nós afligimos aqueles seres humanos que são dados à tal conduta. Escutem agora quais são aquelas ações que são consideradas como antídotos e por consequência das quais nós fracassamos em causar algum dano para homens. Aqueles homens sobre cujos corpos se encontram faixas de Gorochana, ou que seguram Vachas em suas mãos, ou que fazem doações de ghee com aqueles ingredientes que levam o nome de Akshata, ou que colocam ghee e Akshata em suas cabeças, ou aqueles que se abstém de carne não podem ser afligidos por nós. Aquele homem em cuja casa o fogo sagrado queima dia e noite sem ser extinto jamais, ou que mantém a pele ou dentes de um lobo em sua residência ou um casco de tartaruga, ou de cuja habitação a fumaça sacrifical é vista espiralar para cima, ou que mantém um gato ou uma cabra que é fulvo ou preto em cor, está livre do nosso poder. Na verdade, aqueles chefes de família que mantêm estas coisas em suas casas sempre as encontram livres de invasões até dos espíritos mais ferozes que vivem de carniça. Aqueles seres também, que como nós vagueiam através de diferentes mundos em busca de prazer, são incapazes de fazer algum dano para tais casas. Por isso, ó divindades, os homens devem manter tais artigos em suas casas, artigos que são destrutivos de Rakshasas (e outros seres do tipo). Nós assim dissemos a vocês tudo sobre aquilo a respeito do qual vocês tinham grandes dúvidas.'" 132 "Bhishma disse, 'Depois disto, o Avô Brahman, surgido do lótus primordial e parecendo com o lótus (em agradabilidade e fragrância), se dirigiu às divindades com Vasava, o marido de Sachi, em sua chefia, ‘Lá permanece o Naga poderoso que é um residente das regiões inferiores. Dotado de grande força e energia, e com grande bravura também, seu nome é Renuka. Ele é certamente um grande ser. Aqueles elefantes poderosos dotados de grande energia e poder, que seguram a terra inteira com suas colinas, águas e lagos devem ser entrevistados por aquele Renuka a seu pedido. Que Renuka vá até eles e lhes pergunte acerca dos mistérios da religião ou dever.’ Ouvindo estas palavras do Avô, as divindades, com mentes bem satisfeitas enviaram Renuka para onde aqueles suportes do mundo estão.'" "Renuka, procedendo para onde aqueles elefantes estão, se dirigiu a eles, dizendo, 'Ó criaturas poderosas, eu fui mandado pelas divindades e pelos Pitris para questionar vocês acerca dos mistérios de religião e dever. Eu desejo ouvir vocês falarem sobre este assunto em detalhes. Ó altamente abençoados, discursem sobre o assunto como sua sabedoria possa ditar.'” "Os (oito) elefantes que permanecem nos oito quadrantes disseram, 'No auspicioso oitavo dia da quinzena escura no mês de Karttika quando a constelação Aslesha está em ascendência, deve-se fazer doações de melado e arroz. Rejeitando a cólera, e vivendo de dieta regulada, alguém deve fazer estas oferendas em um Sraddha, enquanto profere estes mantras; ‘Que Valadeva e outros Nagas possuidores de grande força, que outras cobras poderosas de corpos enormes que são indestrutíveis e eternos, e que todas as outras grandes cobras que tiveram seu nascimento em sua linhagem, façam oferendas Vali para mim para a intensificação de minha força e energia. Na verdade, que minha força seja tão grande quanto aquela do abençoado Narayana quando ele ergueu a Terra submersa!’ Proferindo estes mantras, uma pessoa deve fazer oferendas Vali sobre um formigueiro. Quando o fazedor do dia se retira para seus aposentos no oeste, sobre o formigueiro escolhido devem ser feitas oferendas de açúcar e arroz crus. O formigueiro deve ser previamente espalhado com flores Gajendra. Também devem ser feitas oferendas de tecidos azuis e unguentos fragrantes. Se oferendas forem feitas dessa maneira, aqueles seres que vivem nas regiões inferiores, aguentando o peso das regiões superiores sobre suas cabeças ou ombros, ficam bem satisfeitos e gratificados. Com relação a nós, nós também não sentimos o labor de sustentar a Terra, por tais oferendas serem feitas para nós. Afligidos com a carga que nós suportamos, isto mesmo é o que nós achamos (benéfico para os homens), sem a menor consideração por interesses egoístas. Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas e Sudras, por cumprirem esta regra por um ano inteiro, jejuando em cada ocasião, obtêm grandes méritos de tais doações. Nós pensamos que fazer oferendas Vali dessa maneira no formigueiro é realmente repleto de méritos muito superiores. Por fazer tais oferendas, uma pessoa é considerada como cumprindo os deveres de hospitalidade por cem anos para todos os elefantes poderosos existentes nos três mundos.' Ouvindo estas palavras dos elefantes poderosos, as divindades e os Pitris e os Rishis altamente abençoados, todos aplaudiram Renuka.’” 133 "Maheswara disse, 'Examinando suas memórias, excelentes são os deveres que vocês têm narrado. Ouçam-me agora todos vocês enquanto eu declaro alguns mistérios relativos a religião e dever. Somente aquelas pessoas cuja compreensão está fixada em religião e que são possuidoras de fé devem ser instruídas a respeito daqueles mistérios de dever e religião que são repletos de méritos superiores. Ouçam quais são os méritos que se tornam daquele que, com coração livre de ansiedade, dá alimento diariamente, por um mês, para vacas e se contenta com uma refeição por dia por todo este período. As vacas são altamente abençoadas. Elas são consideradas como as mais sagradas de todas as coisas sagradas. Na verdade, são elas que estão sustentando os três mundos com as divindades, os Asuras, e seres humanos. Serviços respeitosos prestados para elas são repletos de grande mérito e consequências graves. Aquele homem que todo dia dá alimento para vacas progride todo dia em mérito religioso. Antigamente, na era Krita eu tinha expressado minha aprovação destas criaturas. Depois Brahman, nascido do lótus primevo, me pediu (para mostrar bondade em direção às vacas). (É dito que Brahman pediu para Maheswara aceitar algumas vacas de presente. O último aceitou algumas, e adotou deste aquele tempo o emblema do touro em sua bandeira.) É por esta razão que até hoje um touro permanece como o emblema no meu estandarte suspenso. Eu sempre passo meu tempo com vacas. Por isso as vacas devem ser adoradas por todos. As vacas são possuidores de grande poder. Elas são concessoras de bênçãos. Se adoradas, elas concederão benefícios. A pessoa que dá alimento para vacas mesmo por um único dia recebe daquelas criaturas benéficas por aquela ação uma quarta parte dos méritos que ela possa ganhar por todas as suas boas ações em vida.'" "Skanda disse, 'Eu agora declararei um dever que é aprovado por mim. Ouçam isto com atenção concentrada. Aquela pessoa que pega um pouco de terra dos chifres de um touro de cor azul, cobre seu corpo com isso por três dias, e então realiza suas abluções, obtém grandes méritos. Ouçam quais são aqueles méritos. Por tal ação ele lavaria toda mácula e mal, e obteria domínio soberano após a morte. Tantas vezes quanto ele toma seu nascimento neste mundo, tantas vezes ele se torna célebre por seu heroísmo. Escutem agora a outro mistério desconhecido por todos. Pegando um recipiente de cobre e colocando nele algum alimento cozido depois de tê-lo misturado com mel, deve-se oferecê-lo como Vali para a lua nascente na noite do dia quando aquele corpo luminoso está cheio. Aprendam, com fé, quais são os méritos da pessoa que age dessa maneira. Os Sadhyas, os Rudras, os Adityas, os Viswedevas, os gêmeos Aswins, os Maruts, e os Vasus, todos aceitam aquela oferenda. Por tal oferenda Soma aumenta como também o oceano, aquele vasto receptáculo de águas. Este dever que é declarado por mim e que é desconhecido para todos, se realizado, é certamente repleto de grande felicidade.'” "Vishnu disse, 'Aquela pessoa que, dotada de fé e livre de malícia, escuta todo dia com atenção concentrada aos mistérios a respeito de religião e dever que são preservados pelas divindades de grande alma e aqueles mistérios também do mesmo tipo que são preservados pelos Rishis, nunca tem que sucumbir a algum mal. Tal pessoa se torna também livre de todo o medo. O homem que, com seus sentidos sob controle completo, lê estes capítulos que tratam destes deveres auspiciosos e meritórios, junto com seus mistérios, deveres que foram declarados (pelos oradores anteriores), adquire todos os méritos que se vinculam à sua efetiva realização. O pecado nunca pode dominá-lo. Na verdade, tal homem nunca pode ser maculado por imperfeições de qualquer tipo. De fato, uma pessoa ganha méritos abundantes por ler estes mistérios (como declarados), ou por narrá-los eles para outros, ou por ouvi-los narrados. As divindades e os Pitris comem para sempre o Havya e o Kavya oferecidos por tal criatura. Ambos, pelas virtudes do ofertante, se tornam inesgotáveis. Este mesmo é o mérito que se atribui à pessoa que, com atenção concentrada, narra estes mistérios para os principais dos Brahmanas nos dias da lua cheia ou da lua nova. Tal pessoa, em consequência de tal ação, se torna firme no cumprimento de todos os deveres. Beleza de forma e prosperidade também vêm a ser dele. Ele consegue, além disso, se tornar o favorito, por todo o tempo, dos Rishis e das divindades e dos Pitris. Se uma pessoa se torna culpada de todos os pecados salvo aqueles que são classificados como graves ou hediondos, ele vem a ser purificado de todos eles somente por escutar à narração destes mistérios sobre religião e dever.'” "Bhishma continuou, 'Estes, ó rei de homens, são os mistérios a respeito de religião e dever residindo nos peitos das divindades. Considerados com grande respeito por todos os deuses e promulgados por Vyasa, eles agora foram declarados por mim para teu benefício. Quem está familiarizado com religião e dever pensa que este conhecimento excelente é superior (em valor) até à terra inteira cheia de riquezas e fartura. Este conhecimento não deve ser dado para alguém que é desprovido de fé, ou para alguém que é um ateu, ou para alguém que decaiu dos deveres de sua classe, ou para alguém que é desprovido de compaixão, ou para alguém que é dedicado à ciência de discussões vazias, ou para alguém que é hostil para com seu preceptor, ou para alguém que pensa que todas as criaturas são diferentes de si mesmo.'" 135 "Yudhishthira disse, 'Quem são aquelas pessoas, ó Bharata, de quem um Brahmana neste mundo pode aceitar seu alimento? De quem um Kshatriya, um Vaisya, e um Sudra podem receber seu alimento respectivamente?'” "Bhishma disse, 'Um Brahmana pode aceitar seu alimento de outro Brahmana ou de um Kshatriya ou um Vaisya, mas ele nunca deve aceitar alimento de um Sudra. Um Kshatriya pode receber sua comida de um Brahmana, um Kshatriya ou um Vaisya. Ele deve, no entanto, evitar comida dada por Sudras que são viciados em maus hábitos e que partilham de todo o tipo de alimento sem qualquer escrúpulo. Brahmanas e Kshatriyas podem partilhar de comida dada por tais Vaisyas que cuidam do fogo sagrado todo dia, que são impecáveis em caráter, e que cumprem o voto de Chaturmasya. Mas o homem que aceita comida de um Sudra engole a própria abominação da terra, e bebe as excreções do corpo humano, e partilha da sujeira de todo o mundo. Partilha da própria imundície da terra aquele que aceita seu alimento dessa maneira de um Sudra. Realmente, aqueles Brahmanas que recebem seu alimento de Sudras comem a sujeira da terra. Se alguém se engaja no serviço de um Sudra, ele está fadado à perdição embora ele possa realizar devidamente todos os ritos de sua classe. Um Brahmana, um Kshatriya, ou um Vaisya, assim empregado, está condenado, embora dedicado à devida realização de ritos religiosos. É dito que o dever de um Brahmana consiste em estudar os Vedas e procurar o bem-estar da raça humana; que o dever de um Kshatriya consiste em proteger homens, e aquele de um Vaisya em promover sua prosperidade material. Um Vaisya vive por distribuir os frutos de suas próprias ações e agricultura. A criação de vacas e comércio são os trabalhos legítimos nos quais um Vaisya pode se ocupar sem medo de crítica. O homem que abandona sua própria ocupação e se dirige para aquela de um Sudra deve ser considerado como um Sudra e em hipótese alguma algum alimento deve ser aceito dele. Professores da arte da cura, soldados mercenários, o sacerdote que age como vigia da casa, e pessoas que dedicam um ano inteiro ao estudo sem qualquer lucro, são todos para serem considerados como Sudras. E aqueles que partilham impudentemente do alimento oferecido em cerimoniais na casa de um Sudra são afligidos com uma calamidade terrível. Por partilharem tal alimento proibido eles perdem sua família, força, e energia, e obtêm a posição de animais, descendo para a posição de cachorros, decaídos em virtude e desprovidos de todas as observâncias religiosas. Aquele que aceita alimento de um médico aceita aquilo que não é melhor do que excremento; o alimento de uma prostituta é como urina; aquele de um mecânico hábil é como sangue. Se um Brahmana aprovado pelos bons aceita o alimento de alguém que vive por sua erudição, ele é considerado como aceitando o alimento de um Sudra. Todos os bons homens devem renunciar a tal comida. A comida de uma pessoa que é censurada por todos é citada como sendo como um gole de uma piscina de sangue. A aceitação de alimento de uma pessoa má é considerada tão repreensível quanto o assassinato de um Brahmana. Uma pessoa não deve aceitar alimento se ela for desprezada e não recebida com as devidas honras pelo doador. Um Brahmana que faz isto é logo tomado pela doença, e sua linhagem logo vem a ser extinta. Por aceitar comida do sentinela de uma cidade alguém desce para a posição do pária mais inferior. Se um Brahmana aceita comida de alguém que é culpado do assassinato de uma vaca ou de um Brahmana ou de alguém que tem cometido adultério com a esposa de seu preceptor ou de um beberrão, ele ajuda a promover a raça dos Rakshasas. Por aceitar comida de um eunuco, ou de uma pessoa ingrata, ou de alguém que se apropriou indevidamente da riqueza confiada ao seu cuidado, alguém é nascido no país dos Savaras situado além dos arredores do país médio. Eu assim te contei devidamente as pessoas cujo alimento pode ser aceito e de quem ele não pode. Agora me diga, ó filho de Kunti, o que mais tu desejas ouvir de mim hoje.'" 136 "Yudhishthira disse, 'Tu me falaste integralmente daqueles cujo alimento pode ser aceito e daqueles de quem ele não deve ser aceito. Mas eu tenho sérias dúvidas em um ponto. Ó majestade, me esclareça, diga-me qual expiação um Brahmana deve fazer (pelo pecado em que ele incorre) após aceitar os diferentes tipos de alimento, aqueles especialmente oferecidos em honra dos deuses e as oblações feitas para os espíritos dos mortos.'” "Bhishma disse, 'Eu te direi, ó príncipe, como Brahmanas de grande alma podem ser absolvidos de todos os pecados incorridos por aceitarem alimento de outros. Por aceitar manteiga clarificada, a expiação é feita por despejar oblações sobre o fogo, recitando o hino Savitri. Por aceitar gergelim, ó Yudhishthira, a mesma expiação tem que ser feita. Por aceitar carne, ou mel, ou sal, um Brahmana fica purificado por ficar de pé até o nascer do sol. Se um Brahmana aceita ouro de alguém, ele se torna purificado de todos os pecados por recitar silenciosamente a grande oração Védica (Gayatri) e por segurar um pedaço de ferro em sua mão na presença do público. Por aceitar dinheiro ou roupa ou mulheres ou ouro, a purificação é a mesma como antes. Por aceitar comida, ou arroz fervido em leite e açúcar, ou suco da cana de açúcar, ou cana-de-açúcar, ou óleo, ou alguma coisa sagrada, alguém fica purificado por se banhar três vezes no decorrer do dia, isto é, de manhã, meio dia e à noite. Se alguém aceita arroz, flores, frutas, água, cevada meio madura, leite, ou leite coalhado, ou qualquer coisa feita de refeição ou farinha, a expiação é feita por recitar a oração Gayatri cem vezes. Por aceitar sapatos ou roupas em cerimônias fúnebres, o pecado é destruído por recitar devotamente o mesmo hino cem vezes. A aceitação da doação terra no momento de um eclipse ou durante o período de impureza é expiada por fazer um jejum durante três noites sucessivas. O Brahmana que partilha de oblações oferecidas para antepassados falecidos, no decorrer da quinzena escura, é purificado por jejuar por um dia e uma noite inteiros. Sem realizar suas abluções um Brahmana não deve dizer suas orações noturnas, nem se dirigir para meditação religiosa, nem comer seu alimento uma segunda vez. Por fazer isso ele é purificado. Por esta razão, o Sraddha de antepassados falecidos é ordenado para ser realizado à tarde e então o Brahmana que é convidado antes deve ser banqueteado. O Brahmana que partilha de alimento na casa de uma pessoa morta no terceiro dia depois da morte é purificado por se banhar três vezes diariamente por doze dias. Depois do término de doze dias, e de passar devidamente pelas cerimônias de purificação, o pecado é destruído por dar manteiga clarificada para Brahmanas. Se um homem aceita algum alimento na casa de uma pessoa morta, dentro de dez dias depois da morte, ele deve passar por todas as expiações antes mencionadas, e deve recitar o hino Savitri e fazer as penitências destruidoras de pecado Ishti e Kushmanda. O Brahmana que come sua comida na casa de uma pessoa morta por três noites vem a ser purificado por realizar suas abluções três vezes diariamente por sete dias, e assim obtém todos os objetos de seu desejo, e nunca é perturbado por infortúnios. O Brahmana que come seu alimento na companhia de Sudras é purgado de toda impureza por cumprir devidamente as cerimônias de purificação. O Brahmana que come seu alimento na companhia de Vaisyas é absolvido do pecado por viver de esmolas por três noites sucessivas. Se um Brahmana come seu alimento com Kshatriyas, ele deve fazer expiação por se banhar com suas roupas colocadas. Por comer com um Sudra do mesmo prato o Sudra perde sua respeitabilidade familiar; o Vaisya por comer do mesmo prato com um Vaisya perde seu gado e amigos. O Kshatriya perde sua prosperidade, e o Brahmana seu esplendor e energia. Em tais casos, expiações devem ser feitas, e ritos propiciatórios devem ser observados, e oblações oferecidas para os deuses. O hino Savitri deve ser recitado e os ritos Revati e penitências Kushmanda devem ser praticados com o propósito de destruir o pecado. Se alguma das quatro classes acima partilha de alimento comido parcialmente por uma pessoa de alguma outra classe, a expiação é feita indubitavelmente por cobrir o corpo com substâncias auspiciosas como Rochana, grama Durva, e gengibre dourado.'" 137 "Yudhishthira disse, 'Ó Bharata, das duas coisas: caridade e devoção, condescenda a me dizer, ó majestade, qual é a melhor neste mundo? Por meio disto remova uma grande dúvida de minha mente.'” "Bhishma disse, 'Ouça-me enquanto eu recito os nomes dos príncipes que tendo sido devotados à virtude, e tendo purificado seus corações por penitências e praticado caridade e outros atos de piedade, sem dúvida chegaram às diferentes regiões celestes. O Rishi Atreya reverenciado por todos, alcançou, ó monarca, as regiões celestes excelentes, por comunicar o conhecimento do Ser Supremo incondicional para seus pupilos. O rei Sivi, o filho de Usinara, por oferecer a vida de seu filho querido, para o benefício de um Brahmana, foi levado deste mundo para o céu. E Pratardana, o rei de Kasi, por dar seu filho para um Brahmana, assegurou para si mesmo fama única e eterna neste mundo assim como no outro. Rantideva, o filho de Sankriti, alcançou o céu mais sublime por fazer devidamente doações para Vasishtha de grande alma. Devavriddha também foi para o céu por dar um guarda-sol excelente e de cem varetas dourado para um Brahmana para um sacrifício. O respeitável Amvarisha também chegou à região dos deuses, por fazer um presente de todo o seu reino para um Brahmana de grande poder. O rei Janamejaya da linhagem solar foi para o céu mais elevado por fazer um presente de brincos, bons veículos, e vacas para Brahmanas. O sábio nobre Vrishadarbhi foi para o céu por fazer doações de várias jóias e casas belas para Brahmanas. O rei Nimi de Vidarva alcançou o céu com seus filhos, amigos e gado, por dar sua filha e reino para Agastya de grande alma. O muito afamado Rama, o filho de Jamadagni, chegou às regiões eternas, muito além de sua expectativa, por dar terras para Brahmanas. Vasishtha, o príncipe dos Brahmanas, protegeu todas as criaturas em uma época de grande seca quando o deus Parjjanya não concedeu sua chuvas agradáveis sobre a terra, e por esta ação ele assegurou felicidade eterna para si mesmo. Rama, o filho de Dasaratha, cuja fama é muito grande neste mundo, alcançou as regiões eternas por fazer doações de riqueza em sacrifícios. O afamado sábio real Kakshasena foi para o céu por transferir devidamente para Vasishtha de grande alma a riqueza que ele tinha depositado com ele. Marutta, o filho de Parikshita e o neto de Karandhama, por dar sua filha em casamento para Angiras, foi imediatamente para o céu. O altamente devoto rei de Panchalal Brahmadatta alcançou o caminho abençoado por doar uma concha preciosa. O rei Mitrasaha, por dar sua esposa predileta Madayanti para Vasishtha de grande alma, ascendeu para o céu. Sudyumna, o filho de Manu, por fazer o castigo apropriado ser infligido sobre Likhita de grande alma, alcançou as regiões mais abençoadas. O célebre sábio real Saharachitta foi para as regiões abençoadas por sacrificar sua vida preciosa por causa de um Brahmana. O rei Satadyumna foi para o céu por dar para Maudgaya uma mansão dourada repleta com todos os objetos de desejo. Nos tempos antigos o rei Sumanyu, por dar para Sandilya pilhas de alimento parecidas com colinas, procedeu para o céu. O príncipe Salwa Dyutimat de grande esplendor alcançou as regiões sublimes por dar seu reino para Richika. O sábio nobre Madiraswa por dar sua filha de cintura fina para Hiranyahasta foi para a região dos deuses. O nobre Lomapada obteve todos os vastos objetos de seu desejo por dar sua filha Santa em casamento para Rishyasringa. O sábio nobre Bhagiratha, por dar sua famosa filha Hansi em casamento para Kautsa, foi para as regiões eternas. O rei Bhagiratha por dar centenas e milhares de vacas com seus filhotes para Kohala alcançou as regiões mais abençoadas. Estes e muitos outros homens, ó Yudhishthira, alcançaram o céu pelo mérito de suas caridades e penitências e eles também retornaram de lá repetidas vezes. Sua fama irá durar tanto quanto o mundo irá durar. Eu relatei para ti, ó Yudhishthira, esta história daqueles bons chefes de família que alcançaram regiões eternas por força de suas caridades e penitências. Por suas caridades e por realizarem sacrifícios e por procriarem descendência, estas pessoas chegaram às regiões celestes. Ó principal descendente da linhagem de Kuru, por sempre realizar atos de caridade, estes homens aplicaram seus intelectos virtuosos à realização de sacrifícios e obras pias. Ó príncipe poderoso, como a noite se aproximou eu esclarecerei para ti de manhã quaisquer dúvidas que possam surgir em tua mente.'" 138 "Yudhishthira disse, 'Eu ouvi de ti, ó majestade, os nomes daqueles reis que ascenderam para o céu, ó tu cujo poder é grande no cumprimento do voto de veracidade por seguir a religião da caridade. Há quantos tipos de presentes que devem ser dados? Quais são os frutos dos vários tipos de doações respectivamente? Por quais razões, aqueles tipos de doações, feitas para quais pessoas, são produtivos de méritos? De fato, para quais pessoas quais doações devem ser feitas? Por quais razões há tantos tipos de doações para serem feitas? Eu desejo saber tudo isso em detalhes.'" "Bhishma disse, 'Escute, ó filho de Kunti, em detalhes, ó impecável, a mim enquanto eu falo sobre o assunto de doações. De fato, eu direi a você, ó Bharata, como doações devem ser feitas para todas as classes de homens. Por desejo de mérito, por desejo de lucro, por medo, por livre escolha, e por piedade, doações são feitas, ó Bharata! As doações, portanto, devem ser conhecidas como sendo de cinco tipos. Escute agora as razões pelas quais as doações são assim distribuídas em cinco classes. Com a mente livre de malícia alguém deve fazer doações para Brahmanas, pois por fazer doações para eles alguém adquire fama aqui e grande bem-aventurança após a morte. (Tais doações são consideradas como feitas pelo desejo de mérito.) Ele tem o hábito de fazer doações; ou ele já fez doações para mim. Ouvindo tais palavras de solicitadores alguém doa todos os tipos de riqueza para um solicitador específico. (Tais doações são consideradas como feitas pelo desejo de lucro.) Eu não sou dele, nem ele é meu. Se desconsiderado, ele pode me prejudicar. Por semelhantes motivos de medo até um homem de erudição e sabedoria pode fazer doações para um patife ignorante. (Tais doações são consideradas como feitas por medo.) Este é querido para mim, Eu também sou querido para ele. Influenciado por considerações como estas, uma pessoa de inteligência, livremente e prontamente, faz doações para um amigo. (Tais doações são consideradas como feitas por livre escolha.) A pessoa que me pede é pobre. Ela é, além disso, satisfeita com um pouco. Por considerações tais como estas, uma pessoa deve sempre fazer doações para os pobres, movida por compaixão. (Doações feitas por semelhantes considerações são consideradas como feitas por piedade.) Estes são os cinco tipos de doações. Eles aumentam os méritos e fama do doador. O Senhor de todas as criaturas (o próprio Brahman) disse que alguém deve sempre fazer doações de acordo com sua capacidade.'" "Yudhishthira disse, 'Ó avô, tu és possuidor de grande sabedoria. De fato, tu conheces completamente todos os ramos de conhecimento. Em nossa grande linhagem tu és a única pessoa que se encheu com todas as ciências. Eu desejo ouvir de ti discursos que sejam entretecidos com Religião e Lucro, que levem à bem-aventurança após a morte, e que sejam repletos de maravilhas para todas as criaturas. Chegou o tempo que é repleto de grande angústia. Um igual a este geralmente não vem para parentes e amigos. De fato, exceto tu, ó principal dos homens, agora nós não temos alguém que possa ocupar o lugar de um instrutor. Se, ó impecável, eu com meus irmãos merecemos o favor, cabe a ti responder a pergunta que eu desejo te fazer. Este é Narayana que é dotado de toda a prosperidade e que é honrado por todos os reis. Até ele serve a ti, te mostrando toda indulgência e te honrando imensamente. Cabe a ti me falar, por afeição, para meu benefício como também para aquele de meus irmãos, na presença do próprio Vasudeva e de todos estes reis.'" "Vaisampayana continuou, 'Ouvindo estas palavras do rei Yudhishthira, Bhishma, o filho do rio que recebeu o nome de Bhagiratha, cheio de alegria por sua afeição pelo monarca e seus irmãos, disse o seguinte.'” "Bhishma disse, 'Eu certamente farei para ti discursos que são encantadores, sobre o assunto, ó rei, da pujança deste Vishnu como revelada nos tempos passados e como eu tenho ouvido (de meus preceptores). Ouça-me também enquanto eu descrevo a força daquele grande deus que tem um touro como seu emblema. Ouça-me enquanto eu narro também a dúvida que encheu a mente da esposa de Rudra e a do próprio Rudra. Uma vez Krishna de alma justa cumpriu um voto que se entendia por doze anos. Para ver a ele que tinha passado pelo rito de iniciação para o cumprimento de seu grande voto, foram àquele local Narada e Parvata, e o Krishna Nascido na Ilha, e Dhaumya, aquele principal dos recitadores silenciosos, e Devala, e Kasyapa, e Hastikasyapa. Outros Rishis também, dotados de Diksha e autodomínio, seguidos por seus discípulos e acompanhados por muitos Siddhas e muitos ascetas de grande mérito, foram lá. O filho de Devaki ofereceu a eles tais honras de hospitalidade que são dignas do maior louvor e que são oferecidas somente para os deuses. Aqueles grandes Rishis se sentaram sobre assentos alguns dos quais eram verdes e alguns dotados da cor do ouro e alguns que eram cheios com as plumas do pavão e alguns que eram perfeitamente novos e recém-feitos. Assim sentados, eles começaram a conversar gentilmente entre si sobre assuntos ligados com Religião e dever como também com muitos sábios reais e divindades. Naquele momento a energia, na forma de fogo, Narayana, surgindo do combustível que consistia na observância rígida de seu voto, saiu da boca de Krishna de façanhas extraordinárias. Aquele fogo começou a consumir aquelas montanhas com suas árvores e trepadeiras e plantas pequenas, como também com suas aves e veados e animais predadores e répteis. Logo o topo daquela montanha apresentava um aspecto aflitivo e comovente. Habitado por animais de diversas espécies que começaram a proferir gritos de dor e aflição, o topo logo ficou desprovido de toda criatura viva. Aquele fogo de chamas poderosas, tendo consumido tudo sem deixar resto finalmente voltou para Vishnu e tocou seus pés como um discípulo dócil. Aquele opressor de inimigos, isto é, Krishna, contemplando aquela montanha queimada, lançou um olhar benigno sobre ela e assim a trouxe de volta para sua condição anterior. Aquela montanha então mais uma vez ficou adornada com árvores florescentes e trepadeiras, e ecoou novamente com as notas e gritos de aves e veados e animais predadores e répteis. Vendo aquela vista maravilhosa e inconcebível, todos os ascetas ficaram muito surpresos. Seus cabelos se arrepiaram e sua visão estava borrada com lágrimas. Aquele principal dos oradores, Narayana, vendo aqueles Rishis assim muito admirados, se dirigiu a eles nestas palavras gentis e reanimadoras, 'Por que, de fato, a admiração encheu os corações desta assembleia de Rishis, destes ascetas que estão sempre livres de apegos de todo tipo, que são desprovidos da idéia de ‘meu’, e que conhecem completamente todas as ciências sagradas? Cabe a estes Rishis possuidores de riqueza de penitências e livres de todas as máculas esclarecerem para mim realmente esta dúvida que surgiu em minha mente.'" "Os Rishis disseram, 'És tu que crias todos os mundos, e és tu que os destrói novamente. És tu que és Inverno, és tu que és Verão, e és tu que és a estação das chuvas. De todas as criaturas, móveis e imóveis, que são encontradas sobre a terra, tu és o pai, tu és a mãe, tu és o mestre, e tu és a origem! Exatamente esta, ó matador de Madhu, é uma causa de admiração e dúvida para nós. Ó fonte de toda auspiciosidade, cabe a Ti nos esclarecer esta dúvida, isto é, a emissão de fogo da Tua boca. Nossos temores sendo dissipados nós iremos então, ó Hari, narrar para ti o que nós temos visto e ouvido.'" "Vasudeva disse, 'O fogo que emanou da minha boca e que parece em esplendor com o fogo-Yuga que a tudo consome, e pelo qual esta montanha foi dominada e chamuscada, é nada mais do que a energia de Vishnu. Ó Rishis, vocês são pessoas que têm subjugado a ira, que têm trazido seus sentidos sobre controle completo, que são dotados de riqueza de penitências, e que são verdadeiros deuses em pujança. Ainda assim vocês se permitiram serem agitados e afligidos! Eu estou agora totalmente ocupado com as observâncias relativas ao voto rígido. Na verdade, por eu estar cumprindo os votos de um asceta, um fogo emanou da minha boca. Não cabe a vocês se permitirem serem agitados. É para cumprir um voto rígido que eu vim para esta montanha encantadora e auspiciosa. O objetivo que me trouxe aqui é obter pela ajuda de penitências um filho que será meu igual em energia. Por minhas penitências, a Alma existente em meu corpo foi transformada em fogo e saiu da minha boca. Aquele fogo foi ver o Avô concessor de bênçãos de todo o universo. O Avô, ó principais dos ascetas, disse para minha alma que metade da energia do grande deus que tem o touro como seu emblema irá tomar nascimento como meu filho. Aquele fogo, retornando de sua missão, voltou para mim e se aproximou dos meus pés como um discípulo desejoso de me servir respeitosamente. De fato, abandonando sua fúria ele voltou para mim, para sua própria natureza inerente. Eu assim contei a vocês, em resumo, um mistério referente a Aquele que tem o lótus como sua origem e que é dotado de grande inteligência. Ó Rishis possuidores de riqueza de penitências, vocês não devem ceder ao medo! Vocês são dotados de visão de longo alcance. Vocês podem proceder a todo lugar sem qualquer obstáculo. Resplandecendo com votos cumpridos por ascetas, vocês são adornados com conhecimento e ciência. Eu agora lhes peço para me dizerem alguma coisa que seja muito admirável que vocês tenham ouvido ou visto na terra ou no céu. Eu sinto um desejo ávido de provar o mel das palavras que sairão dos seus lábios, o mel que será, eu estou certo, tão doce quanto um jorro do próprio néctar. Se eu vejo alguma coisa na terra ou no céu, que é muito encantadora e de aspecto notável mas que é desconhecida para todos vocês, ó Rishis que parecem com muitos deuses, eu digo que isto é por consequência da minha própria Natureza Suprema que é incapaz de ser obstruída por alguma coisa. Qualquer coisa extraordinária cujo conhecimento more em mim ou que seja adquirido por minha própria inspiração cessa de parecer extraordinária para mim. Algo, no entanto, que é contado por pessoas pias e que é ouvido daqueles que são bons, merece ser aceito com respeito e fé. Tais discursos existem sobre a terra por um longo tempo e são tão duráveis quanto os caracteres gravados nas rochas. Eu desejo, portanto, ouvir, nesta reunião, algo que saia dos lábios de pessoas que são boas e que não possa falhar em ser produtivo de bem para os homens.' Ouvindo estas palavras de Krishna todos aqueles ascetas ficaram muito surpresos. Eles começaram a olhar fixamente para Janardana com aqueles seus olhos que eram tão belos e grandes quanto as pétalas do lótus. Alguns deles começaram a glorificá-lo e alguns começaram a cultuá-lo com reverência. De fato, todos eles então cantaram os louvores do matador de Madhu com palavras cujos significados eram adornados com os Riks eternos. Todos aqueles ascetas então designaram Narada, aquela principal de todas as pessoas familiarizadas com discurso, para satisfazer o pedido de Vasudeva.'” "Os ascetas disseram, 'Cabe a ti, ó Narada, descrever integralmente, desde o início, para Hrishikesa, aquele incidente maravilhoso e inconcebível o qual ocorreu, ó pujante, nas montanhas de Himavat e que, ó asceta, foi testemunhado por aqueles de nós que tinham procedido para lá no decurso de nossa peregrinação às águas sagradas. Na verdade, para o benefício de todos os Rishis aqui reunidos, cabe a ti narrar aquele incidente.' Assim endereçado por aqueles ascetas, o Rishi celeste, isto é, o divino Narada, então narrou a seguinte história cujos incidentes tinham ocorrido algum tempo antes.'" 140 "Bhishma disse, 'Então Narada, aquele Rishi santo, aquele amigo de Narayana, relatou a seguinte narrativa da conversa entre Sankara e sua esposa Uma.'” "Narada disse, 'Uma vez o senhor de alma justa de todas as divindades, isto é, Mahadeva com o touro como seu emblema, praticou penitências severas nas montanhas sagradas de Himavat que é o recanto de Siddhas e Charanas. Aquelas montanhas encantadoras são cobertas com diversas espécies de ervas e adornadas com várias espécies de flores. Naquele tempo elas eram habitadas pelas diferentes tribos de Apsaras e multidões de seres fantasmais. Lá o grande deus se sentou, cheio de alegria, e circundado por centenas de seres fantasmais que apresentavam diversos aspectos para o olhar do observador. Alguns deles eram feios e desajeitados, alguns tinham feições muito bonitas, e alguns exibiam os aspectos mais extraordinários. Alguns tinham rostos como o do leão, alguns como o do tigre e alguns como o do elefante. Realmente, os rostos daquelas criaturas fantasmais exibiam toda variedade de rostos animais. Alguns tinham rostos parecidos com o do chacal, alguns cujo rosto parecia com o do leopardo; alguns como o do macaco, alguns como o do touro. Alguns deles tinham rostos como o da coruja; alguns como o do falcão; alguns tinham rostos como o dos veados de variedades diversas. O grande deus estava também cercado por Kinnaras e Yakshas e Gandharvas e Rakshasas e diversos outros seres criados. O retiro ao qual Mahadeva tinha se dirigido também abundava com flores celestes e brilhava com raios celestes de luz. Ele era perfumado com sândalo celeste, e incenso celeste era queimado em todos os lados. E ele ecoava com os sons de instrumentos celestes. De fato, ele ressoava com a batida de Mridangas e Panavas, o clangor de conchas, e o som de baterias. Ele abundava com seres fantasmais de diversas tribos que dançavam em alegria e com pavões também que dançavam com plumas estendidas. Formando como ele formava o recanto dos Rishis celestes, as Apsaras dançavam lá em alegria. O lugar era extremamente agradável para a visão. Ele era extremamente belo, parecendo com o próprio Céu. Seu aspecto total era maravilhoso e, de fato, ele era indescritível em relação à sua beleza e graça. Na verdade, com as penitências daquela grande divindade que dorme em leitos de montanha, aquele príncipe das montanhas brilhava com grande beleza. Ele ressoava com o canto dos Vedas proferidos por Brahmanas eruditos dedicados à recitação Védica. Ecoando com o zumbido de abelhas, ó Madhava, a montanha tornou-se incomparável em beleza. Os ascetas, contemplando a grande divindade que é dotada de uma forma feroz e que parece com um grande festival, se encheram, ó Janardana, de grande alegria. Todos os ascetas altamente abençoados, os Siddhas que tinham parado sua semente vital, os Maruts, os Vasus, os Sadhyas, os Viswedevas, o próprio Vasava, os Yakshas, os Nagas, os Pisachas, os Regentes do mundo, os vários Fogos sagrados, os Ventos, e todas as grandes criaturas residiram sobre aquela montanha com mentes concentradas em Yoga. Todas as Estações estavam presentes lá e espalharam naquelas regiões todas as espécies de flores maravilhosas. Diversos tipos de ervas resplandecentes iluminavam os bosques e florestas naquela montanha. Várias espécies de aves, cheias de alegria, saltavam em volta e cantavam alegremente no leito encantador daquela montanha. Aquelas aves eram extremamente adoráveis pelas notas que elas proferiam. Mahadeva de grande alma sentou-se, manifestado em beleza, em um dos cumes que estavam adornados com minérios excelentes, como se ele servisse aos propósitos de uma boa armação de cama. Ao redor dos quadris dele havia uma pele de tigre, e uma pele de leão formava sua peça de roupa superior. Seu fio sagrado consistia em uma cobra. Seus braços estavam enfeitados com um par de Angadas vermelhos. Sua barba era verde. Ele tinha madeixas emaranhadas em sua cabeça. De feições terríveis, ele é que inspira medo nos corações de todos os inimigos dos deuses. É ele, além disso, que protege todas as criaturas por dissipar seus temores. Ele é adorado por seus devotos como a divindade que tem o touro como seu emblema. Os grandes Rishis, contemplando Mahadeva, se curvavam a ele por tocarem o solo com suas cabeças. Dotados de almas clementes, eles todos ficaram (por causa da visão que eles tinham obtido da grande divindade) livres de todos os pecados e completamente purificados. O retiro daquele senhor de todas as criaturas com muitas formas terríveis brilhava com uma beleza peculiar. Abundando com muitas cobras grandes, ele se tornou inacessível e insuportável (por seres comuns). Dentro de um piscar de olhos, ó matador de Madhu, tudo lá se tornou extremamente maravilhoso. De fato, a residência daquela grande divindade que tem o touro como seu emblema começou a brilhar com uma beleza terrível. De Mahadeva sentado lá se aproximou sua esposa, a filha de Himavat, cercada pelas esposas dos seres fantasmais que são os companheiros da grande divindade. Seu traje era como aquele de seu marido e os votos que ela cumpria eram como os dele. Ela segurava um jarro em seus quadris que estava cheio com as águas de todos os Tirthas, e estava acompanhada pelas divindades presidentes (do seu próprio sexo) de todos os rios da montanha. Aquelas damas auspiciosas caminhavam em seu séquito. A deusa se aproximou derramando flores por todos os lados e diversos tipos de perfumes doces. Ela que amava residir no leito de Himavat avançou dessa maneira em direção a seu grande marido. A bela Uma, com lábios sorridentes e desejosa de fazer um gracejo, cobriu por trás, com suas duas mãos belas, os olhos de Mahadeva. Logo que os olhos de Mahadeva foram assim cobertos, todas as regiões se tornaram escuras e a vida pareceu ser extinta em todos os lugares no universo. Os ritos Homa pararam. O universo ficou de repente privado do sagrado Vashat também. Todas as criaturas vivas ficaram tristes e cheias de medo. De fato, quando os olhos do senhor de todas as criaturas foram assim fechados, o universo pareceu ficar sem sol. Logo, no entanto, aquela escuridão que se espalhava desapareceu. Uma chama de fogo poderoso e brilhante emanou da testa de Mahadeva. Um terceiro olho, parecendo com outro sol, apareceu (nela). Aquele olho começou a queimar como o fogo-Yuga e começou a consumir aquela montanha. A filha de Himavat de olhos grandes, vendo o que ocorria, curvou sua cabeça para Mahadeva dotado daquele terceiro olho o qual parecia com um fogo ardente. Ela permaneceu lá com o olhar fixo em seu marido. Quando as florestas da montanha queimavam em todos os lados, com suas Was e outras árvores de troncos retos, e seus sândalos encantadores e diversas ervas medicinais excelentes, bandos de veados e outros animais, apavorados, foram com grande velocidade ao local onde Hara estava e procuraram sua proteção. Com aquelas criaturas quase o enchendo, o retiro da grande divindade resplandecia com um tipo de beleza singular. Enquanto isso, aquele fogo, aumentando violentamente, se elevou até os próprios céus e, dotado do esplendor e mobilidade do relâmpago e parecendo com uma dúzia de sóis em poder e refulgência, cobriu todos os lados como o todo destrutivo fogo-Yuga. Em um momento, as montanhas Himavat foram consumidas, com seus minérios e topos e ervas brilhantes. Vendo Himavat oprimido e consumido, a filha daquele príncipe das montanhas procurou a proteção da grande divindade e permaneceu perante ele com suas mãos unidas em reverência. Então Sarva, vendo Uma dominada por uma acessão de suavidade feminina e achando que ela estava relutante em ver seu pai Himavat reduzido àquela situação deplorável, lançou olhares benignos para a montanha. Em um momento todo o Himavat foi restaurado à sua condição anterior e ficou tão belo de se olhar como sempre. De fato, a montanha manifestou um aspecto alegre. Todas as suas árvores ficaram adornadas com flores. Contemplando Himavat em sua condição natural, a deusa Uma, desprovida de todos os defeitos, dirigiu-se a seu marido, aquele mestre de todas as criaturas, o divino Maheswara, nestas palavras.'” "Uma disse, 'Ó santo, ó senhor de todas as criaturas, ó divindade que estás armada com o tridente, ó tu de votos sublimes, uma grande dúvida encheu minha mente. Cabe a ti esclarecer aquela dúvida para mim. Por qual razão o terceiro olho apareceu em tua testa? Por que também a montanha foi consumida com os bosques e tudo o que pertencia a ela? Por que também, ó divindade ilustre, tu restituíste a montanha à sua condição anterior? De fato, tendo-a queimado uma vez, por que tu novamente a fizeste ser coberta com árvores?'” "Maheswara disse, 'Ó deusa sem qualquer imperfeição, por tu teres coberto meus olhos por um ato de indiscrição o universo ficou em um instante desprovido de luz. Quando o universo ficou sem sol e, portanto, tudo se tornou escuro, ó filha do príncipe das montanhas, eu criei o terceiro olho desejoso de proteger todas as criaturas. A grande energia daquele olho oprimiu e consumiu esta montanha. Para te agradar, no entanto, ó deusa, eu mais uma vez fiz de Himavat o que ele era por reparar o dano.'” "Uma disse, 'Ó santo, por que aquelas tuas faces as quais estão no leste, no norte, e no oeste, são tão belas e tão agradáveis de se olhar como a própria lua? E por que aquela tua face que está no sul é tão terrível? Por que teus cabelos emaranhados são fulvos em cor e assim eretos? Por que tua garganta é azul do mesmo modo que as plumas do pavão? Por que, ó divindade ilustre, o Pinaka está sempre na tua mão? Por que tu és sempre um Brahmacharin com madeixas emaranhadas? Ó senhor, cabe a ti explicar tudo isso para mim. Eu sou tua esposa que procura seguir os mesmos deveres contigo. Além disso eu sou tua adoradora devotada, ó divindade que tem o touro como teu símbolo!'” "Narada continuou, 'Assim endereçado pela filha do príncipe das montanhas, o ilustre manejador do Pinaka, o pujante Mahadeva, ficou muito satisfeito com ela. O grande deus então se dirigiu a ela dizendo, 'Ó dama abençoada, ouça-me enquanto eu explico, com as razões disso, por que minhas formas são assim.'" 141 "O abençoado e santo disse, 'Nos tempos passados, uma mulher abençoada foi criada por Brahman, chamada Tilottama, por escolher grãos de beleza de todo objeto belo no universo. Um dia, aquela dama de rosto belo, sem igual no universo em beleza de forma, veio a mim, ó deusa, para circungirar-me mas realmente impelida pelo desejo de me tentar. Em qualquer direção que aquela dama de dentes belos virava, um novo rosto meu imediatamente aparecia (de tão ávido que eu fiquei para vê-la). Todos aqueles meus rostos se tornaram agradáveis de se olhar. Assim, pelo desejo de contemplá-la, eu fiquei com quatro rostos, através da força-Yoga. Dessa maneira, eu mostrei meu grande poder-Yoga ao me tornar de quatro faces. Com aquele meu rosto que está virado para o leste eu exerço a soberania do universo. Com aquele meu rosto que está virado para o norte, eu me divirto contigo, ó tu de feições impecáveis! Aquele meu rosto o qual está virado para o oeste é agradável e auspicioso. Com ele eu ordeno a felicidade de todas as criaturas. Aquele meu rosto que está virado para o sul é terrível. Com ele eu destruo todas as criaturas. Eu vivo como um Brahmacharin com madeixas emaranhadas em minha cabeça, impelido pelo desejo de fazer o bem para todas as criaturas. O arco Pinaka está sempre na minha mão para realizar os propósitos das divindades. Antigamente, Indra, desejoso de obter minha prosperidade, arremessou seu raio em mim. Com aquela arma minha garganta foi chamuscada. Por esta razão eu me tornei de garganta azul.'” "Uma disse, 'Quando, ó principal de todas as criaturas, há tantos veículos excelentes dotados de grande beleza, por que é que tu escolheste um touro como teu veículo?'” "Maheswara disse, 'Antigamente, o Avô Brahma criou a vaca celeste Surabhi produzindo leite abundante. Depois de sua criação surgiu dela um grande número de vacas todas as quais produziam quantidades abundantes de leite tão doce quanto néctar. Uma vez uma quantidade de espuma caiu da boca de um dos bezerros dela sobre meu corpo. Eu fiquei enfurecido por isto e minha ira chamuscou todas as vacas após o que elas se tornaram diversificadas em cor. Eu fui então acalmado pelo Mestre de todos os mundos, isto é, Brahma, conhecedor de todos os tópicos. Foi ele quem me deu este touro como um veículo para me conduzir e como um emblema em meu estandarte.'” "Uma disse, 'Tu tens muitas residências no céu, de diversas formas e possuidoras de todo conforto e luxo. Por que, ó santo, tu resides no crematório, abandonando todas aquelas mansões encantadoras? O crematório está cheio de cabelos e ossos (dos mortos), abunda com urubus e chacais, e está coberto com centenas de piras mortuárias. Cheio de carniça e lamacento com gordura e sangue, com entranhas e ossos espalhados por todos os lados, e sempre ecoando com os uivos de chacais, ele é certamente um lugar impuro.'” "Maheswara disse, 'Eu sempre vago pela terra inteira à procura de um local sagrado. Eu, no entanto, não vejo algum local que seja mais sagrado do que o crematório. Por essa razão, de todas as residências, o crematório agrada mais o meu coração, sombreado como ele geralmente é por ramos da banian e adornado com guirlandas rasgadas de flores. Ó tu de sorrisos doces, as multidões de seres fantasmais que são meus companheiros gostam muito de residir em tais locais. Eu não gosto, ó deusa, de residir em algum lugar sem aquelas criaturas fantasmais estando ao meu lado. Por isso, o crematório é uma residência sagrada para mim. De fato, ó dama auspiciosa, ele me parece ser o próprio céu. Altamente sagrado e possuidor de grande mérito, o crematório é muito louvado por pessoas desejosas de terem residências sagradas.'” "Uma disse, 'Ó santo, ó senhor de todas as criaturas, ó principal de todos os cumpridores dos deveres e ritos religiosos, eu tenho uma grande dúvida, ó manejador do Pinaka, ó concessor de benefícios. Estes ascetas, ó senhor pujante, têm praticado diversos tipos de austeridades. No mundo são vistos ascetas vagando em todos os lugares sob diversas formas e vestidos em diversos tipos de trajes. Para beneficiar esta grande assembleia de Rishis, como também a mim mesma, esclareça bondosamente, ó castigador de todos os inimigos, esta minha dúvida. Quais indicações é dito que a Religião ou Dever possui? Como, de fato, homens que desconhecem os detalhes de Religião ou Dever conseguem cumpri- los? Ó senhor pujante, ó tu que és familiarizado com Religião, diga-me isto.'” "Narada continuou, 'Quando a filha de Himavat fez esta pergunta, o conclave de Rishis lá presente cultuou a deusa e a adorou com palavras adornadas com Riks e com hinos repletos de significado profundo.'” "Maheswara disse, 'Abstenção de ferir, veracidade de palavras, compaixão por todos os seres, tranquilidade de alma, e fazer caridade da melhor maneira que ele pode, são os principais deveres do chefe de família. Abstenção de relação sexual com as esposas de outros homens, proteção da riqueza e da mulher entregue à sua responsabilidade, repugnância em se apropriar do que não lhe é dado, e evitação de mel e carne, estes são os cinco deveres principais. De fato, Religião ou Dever tem muitos ramos todos os quais estão repletos de felicidade. Estes mesmos são os deveres os quais as criaturas incorporadas que consideram o dever como superior devem cumprir e praticar. Estes são as fontes de mérito.'” "Uma disse, ‘Ó santo, eu desejo te fazer outra pergunta sobre o que eu tenho grandes dúvidas. Cabe a ti respondê-la e dissipar minhas dúvidas. Quais são os deveres meritórios das quatro classes diferentes? Quais deveres pertencem ao Brahmana? Quais ao Kshatriya? Quais são as indicações daqueles deveres que pertencem ao Vaisya? E que tipo de deveres pertencem ao Sudra?'” "O santo disse, 'Ó dama altamente abençoada, a pergunta que tu fizeste é muito apropriada. Aquelas pessoas que pertencem à classe regenerada são consideradas como muito abençoadas, e são, de fato, deuses sobre a terra. Sem dúvida, a observância de jejuns (isto é, subjugação dos sentidos) é sempre o dever do Brahmana. Quando o Brahmana consegue cumprir devidamente todos os seus deveres, ele obtém identidade com Brahma. A observância apropriada dos deveres de Brahmacharya, ó deusa, é seu ritual. O cumprimento de votos e a investidura com o fio sagrado são seus outros deveres. É por meio destes que ele se torna realmente regenerado. Ele se torna um Brahmana por cultuar seus preceptores e outros superiores como também as divindades. Realmente, aquela religião que tem como sua alma o estudo dos Vedas é a fonte de toda piedade. Aquela é a religião que as criaturas incorporadas que são dedicadas à piedade e ao dever devem cumprir e praticar.'” "Uma disse, 'Ó santo, minhas dúvidas não foram dissipadas. Cabe a ti explicar em detalhes quais são os deveres das quatro respectivas classes de homens.'” "Maheswara disse, 'Escutar aos mistérios de religião e dever, cumprimento dos votos indicados nos Vedas, atenção ao fogo sagrado, realização do serviço do preceptor, levar uma vida de mendicante, sempre portar o fio sagrado, recitação constante dos Vedas, e observância rígida dos deveres de Brahmacharya, são os deveres do Brahmana. Depois que o período de estudo acaba, o Brahmana, recebendo a ordem de seu preceptor, deve deixar a residência de seu preceptor para voltar para a casa de seu pai. Após seu retorno ele deve se casar devidamente com uma mulher que seja adequada para ele. Outro dever do Brahmana consiste em evitar a comida preparada pelo Sudra. Andar pelo caminho da justiça, sempre fazer jejuns e cumprir as práticas de Brahmacharya são seus outros deveres. (Aquele que come suas refeições nas horas apropriadas é citado como fazendo jejuns. Aquele que evita relação sexual com outras mulheres e se associa somente com sua esposa e isto na época dela é citado como praticando Brahmacharya.) O chefe de família deve manter seu fogo doméstico para culto diário. Ele deve estudar os Vedas. Ele deve derramar libações em honra dos Pitris e das divindades. Ele deve manter seus sentidos sob controle apropriado. Ele deve comer o que resta depois de servir os deuses e convidados e todos os seus dependentes. Ele deve ser abstinente em alimentação, sincero em palavras, e puro externamente e interiormente. Atender aos convidados é outro dever do chefe de família, como também a manutenção dos três fogos sacrificais. O chefe de família deve também se encarregar dos sacrifícios comuns que levam o nome de Ishti e deve também oferecer animais para as divindades de acordo com as ordenanças. De fato, a realização de sacrifícios é seu maior dever como também uma total abstenção de dano para todas as criaturas. Nunca comer antes de servir as divindade e convidados e dependentes é outro dever do chefe de família. O alimento que resta depois de servir os deuses e convidados e dependentes é chamado de Vighasa. O chefe de família deve comer Vighasa. De fato, comer depois dos membros da própria família inclusive empregados e outros dependentes, é considerado como um dos deveres especiais do chefe de família regenerado, que deve estar familiarizado com os Vedas. A conduta de marido e mulher, no caso do chefe de família, deve ser igual. Ele deve todos os dias fazer oferendas de flores e outros artigos para aquelas divindades que presidem a vida familiar. O chefe de família deve cuidar para que sua casa seja esfregada devidamente todos os dias (com esterco de vaca e água). Ele deve também fazer jejuns todo dia. Bem limpa e bem esfregada, sua casa deve ser também todo dia fumigada com a fumaça de manteiga clarificada derramada sobre seu fogo sagrado em honra das divindades e dos Pitris. Estes mesmos são os deveres pertencentes ao modo de vida familiar como observáveis por uma pessoa regenerada. Aqueles deveres realmente sustentam o mundo. Na verdade, aqueles deveres fluem sempre e eternamente daquelas pessoas virtuosas entre os Brahmanas que levam uma vida familiar. Ouça-me com atenção concentrada, ó deusa, pois eu agora te direi quais são os deveres que pertencem ao Kshatriya e acerca dos quais tu me perguntaste. Desde o início é dito que o dever do Kshatriya é proteger todas as criaturas. O rei obtém uma parte fixa dos méritos ganhos por seus súditos. Por estes meios o rei vem a ser dotado de virtude. Aquele governante de homens que rege e protege seus súditos justamente, adquire, em virtude da proteção que ele oferece a outros, muitas regiões de felicidade no mundo seguinte. Os outros deveres de uma pessoa da ordem real consistem em autodomínio e estudo Védico, despejar libações no fogo sagrado, fazer doações, estudo, o porte do fio sagrado, sacrifícios, o desempenho de ritos religiosos, o sustento de empregados e dependentes, e perseverança em ações que foram iniciadas. Outro dever dele é conceder punições de acordo com os delitos cometidos. É também seu dever realizar os sacrifícios e outros ritos religiosos segundo as ordenanças declaradas nos Vedas. Aderência à prática de julgar devidamente as disputas de litigantes perante ele, e uma devoção à veracidade de palavras, e interferência para ajudar os aflitos, são outros deveres por cumprir os quais o rei obtém grande glória aqui e após a morte. Ele deve também sacrificar sua vida no campo de batalha, tendo mostrado grande coragem em nome de vacas e Brahmanas. Tal rei adquire no Céu regiões de bem- aventurança que são capazes de serem alcançadas pela realização do Sacrifício de Cavalo. Os deveres do Vaisya sempre consistem na criação de gado e agricultura, em derramar libações no fogo sagrado, em fazer caridade, e estudo. Comércio, andar no caminho da justiça, hospitalidade, calma, autocontrole, receber bem os Brahmanas, e renunciar às coisas (em favor de Brahmanas), são os outros deveres eternos do Vaisya. O Vaisya, dedicado ao comércio e trilhando o caminho da virtude, nunca deve vender gergelim e perfumaria e sucos ou substâncias líquidas. Ele deve cumprir os deveres de hospitalidade em direção a todos. Ele é livre para procurar religião e riqueza e prazer de acordo com seus recursos e tanto quanto seja judicioso para ele. O serviço das três classes regeneradas constitui o maior dever do Sudra. Aquele Sudra que é sincero em palavras e que subjuga seus sentidos é considerado como tendo conquistado penitências meritórias. Na verdade, o Sudra, que tendo recebido um convidado cumpre os deveres de hospitalidade em direção a ele, é considerado como adquirindo o mérito de penitências superiores. Aquele Sudra inteligente cuja conduta é virtuosa e que adora as divindade e os Brahmanas vem a ser dotado das recompensas desejáveis da virtude. Ó bela dama, eu assim contei para ti quais são os deveres das quatro classes. De fato, ó senhora abençoada, eu te disse quais são os respectivos deveres delas. O que mais tu desejas saber?'” "Uma disse, 'Tu me contaste quais são os respectivos deveres das quatro classes, auspiciosos e benéficos para elas. Agora me diga, ó santo, quais são os deveres comuns de todas as classes.'” "Maheswara disse, 'O principal de todos os seres do universo, isto é, o Criador Brahma, sempre desejoso de realizações justas, criou os Brahmanas para resgatar todos os mundos. Entre todos os seres criados, eles são, realmente, deuses sobre a terra. Eu irei a princípio te dizer quais são os atos religiosos os quais eles devem fazer e quais são as recompensas que eles ganham por eles. Aquela religião que foi ordenada para os Brahmanas é a principal de todas as religiões. Pela virtude do mundo, três religiões foram criadas pelo Auto-nascido. Quando o mundo é criado (ou recriado), aquelas religiões são criadas pelo Avô. Ouça. Estas são as três religiões eternas. A religião que é proposta nos Vedas é a mais elevada; aquela que é proposta nos Smritis é a seguinte em ordem de importância; a terceira em importância é aquela que é baseada nas práticas daqueles que são considerados como virtuosos. O Brahmana possuidor de erudição deve ter os três Vedas. Ele nunca deve fazer do estudo dos Vedas (ou da recitação das escrituras) os meios de seu sustento. (Vender os Vedas ou algum tipo de conhecimento é um grande pecado.) Ele deve se dedicar às três ações bem conhecidas (de fazer caridade, estudar os Vedas, e realizar sacrifícios). Ele deve transcender os três (luxúria, ira, e cobiça). Ele deve ser o amigo de todas as criaturas. Uma pessoa que possui estes atributos é chamada de Brahmana. O senhor do universo declarou estas seis ações para a observância de Brahmanas. Escute aqueles deveres eternos. A realização de sacrifícios, oficiar nos sacrifícios de outros, fazer doações, a aceitação de doações, ensino, e estudo, são as seis ações por realizar as quais um Brahmana ganha mérito religioso. Na verdade, o estudo dos Vedas diariamente é um dever. Sacrifício é (outro) dever eterno. Fazer doações segundo a medida de seus recursos e em conformidade com a ordenança, é, no seu caso, muito louvado. Tranquilidade mental é um grande dever que sempre tem sido generalizado entre aqueles que são justos. Chefes de família de mente pura são capazes de ganhar muito mérito superior. De fato, aquele que limpa sua alma pela realização dos cinco sacrifícios, que é sincero em palavras, que é livre de malícia, que faz caridade, que trata com hospitalidade e honra todos os convidados regenerados, que vive em residências bem limpas, que é livre de orgulho, que é sempre sincero em suas transações, que usa palavras gentis e encorajadoras em direção a outros, que tem prazer em servir convidados e outros que chegam a sua residência, e que come o alimento que resta depois que foram satisfeitas todas as necessidades de todos os membros de sua família e dependentes, ganha grande mérito. Aquele homem que oferece água para seus convidados para lavar seus pés e mãos, que oferece o Arghya para honrar o recebedor, que devidamente dá assentos, e camas, e lâmpadas para iluminar a escuridão, e abriga aqueles que chegam a sua residência, é considerado como altamente virtuoso. O chefe de família que levanta ao amanhecer e lava sua boca e rosto e serve alimento para seus convidados, e tendo-os honrado devidamente os despede de sua residência e os segue (como um sinal de respeito) por uma pequena distância, adquire mérito eterno. Hospitalidade em direção a todos, e a busca do agregado de três, são os deveres do chefe de família. Os deveres do Sudra consistem na busca do agregado de três. A Religião ordenada para o chefe de família é citada como tendo Pravritti como sua indicação principal. Auspiciosa, e benéfica para todas as criaturas, eu irei expô-la para ti. O chefe de família deve sempre fazer doações segundo a medida de seu poder. Ele deve também realizar sacrifícios frequentemente da mesma maneira. De fato, aquele que deseja realizar seu próprio bem deve sempre realizar atos meritórios. O chefe de família deve obter riqueza por meios justos. A riqueza assim adquirida deve ser dividida com cuidado em três partes, mantendo os requisitos da virtude em vista. Com uma daquelas partes ele deve realizar todas as ações de virtude. Com outra ele deve procurar satisfazer seus desejos de prazer. A terceira parte ele deve dispor para crescimento. A Religião de Nivritti é diferente. Ela existe para a Emancipação (do renascimento por absorção em Brahman). Eu te direi a conduta que a constitui. Escute-me em detalhes, ó deusa. Um dos deveres inculcados por aquela religião é compaixão para com todas as criaturas. O homem que a segue não deve residir em um lugar por mais do que um dia. Desejosos de alcançar a emancipação, os seguidores desta Religião se livram dos laços da esperança (ou desejo). Eles não têm apego à habitação, ao Kamandalu que eles carregam para guardar água, aos mantos que cobrem seus quadris, ou ao assento sobre o qual eles descansam, ou ao bastão triplo que eles levam em suas mãos, ou à cama na qual eles dormem, ou ao fogo que eles necessitam, ou ao aposento que os aloja. Um seguidor desta Religião coloca seu coração nas atividades de sua alma. Sua mente é devotada ao Brahman Supremo. Ele está cheio com a idéia de alcançar Brahman. Ele é sempre devotado ao Yoga e à Filosofia Sankhya. Ele não deseja outro abrigo exceto a base de uma árvore. Ele se abriga em residências vazias de homens. Ele dorme nas margens de rios. Ele tem prazer em estar ao lado de tais margens. Ele está livre de toda atração, e de todo laço de afeição. Ele funde a existência de sua própria alma à Alma Suprema. Permanecendo como uma estaca de madeira, e se abstendo de todo alimento ele faz somente tais atos que tendem para a Emancipação. Ou ele pode perambular, dedicado ao Yoga. Estes mesmos são os deveres eternos de um seguidor da Religião de Nivritti. Ele vive afastado da sua espécie. Ele está livre de todos os apegos. Ele nunca reside no mesmo lugar por mais do que um dia. Livre de todos os vínculos ele vaga pelo mundo. Emancipado de todos os laços, ele nunca dorme na mesma margem de rio por mais do que um dia. Esta é a religião de pessoas familiarizadas com a Emancipação como declarada nos Vedas. Este mesmo é o caminho virtuoso que é trilhado pelos virtuosos. Aquele que segue neste caminho não deixa vestígio para trás. Bhikshus (ou seguidores da religião da Emancipação) são de quatro tipos. Eles são Kutichakas, Vahudakas, Hansas, e Paramahansas. O segundo é superior ao primeiro, o terceiro ao segundo, e o quarto ao terceiro. Não há nada superior ao Paramahansa; nem há qualquer coisa inferior a ele ou ao lado dele ou antes dele. (O sentido é que isto inclui tudo, sendo tão abrangente quanto Brahman.) Esta é uma condição que é desprovida de tristeza e felicidade; que é auspiciosa e livre de decrepitude e morte e que não conhece mudança.'” "Uma disse, 'Tu narraste a religião dos chefes de família, aquela da Emancipação, e aquela que é baseada nas observâncias dos justos. Estes caminhos estão excelentes e extremamente benéficos para o mundo de criaturas vivas. Ó tu que és conhecedor de toda religião, eu desejo agora saber qual é a religião sublime dos Rishis. Eu sempre tenho uma simpatia por aqueles que moram em retiros ascéticos. O perfume que emana da fumaça das libações de manteiga clarificada despejada sobre o fogo sagrado parece impregnar os retiros inteiros e os faz encantadores. Notando isto, ó grande deus, meu coração fica sempre cheio de deleite. Ó divindade pujante, eu tenho dúvidas com relação à religião dos ascetas. Tu conheces os detalhes de todas as religiões. Instrua-me, ó deus dos deuses, em detalhes, verdadeiramente a respeito deste tópico sobre o qual eu te perguntei, ó divindade grandiosa!'” "O abençoado e santo disse, 'Sim, eu narrarei para ti a religião elevada e excelente dos ascetas. Por seguirem os ditames daquela religião, ó dama auspiciosa, os ascetas obtêm sucesso através das penitências severas que eles praticam. Ó altamente abençoada, ouça, desde o início, quais são os deveres daqueles Rishis justos que conhecem todos os deveres e que são conhecidos pelo nome de Phenapas. O Avô Brahma (durante os dias em que ele se dedicou à prática de penitências) bebeu um pouco de néctar (na forma de água). Aquela água tinha fluído no céu de um grandioso sacrifício. A espuma daquela água é muito auspiciosa e (por Brahman tê-la bebido) ela partilhou de Sua própria natureza. Os Rishis que subsistem da quantidade de espuma que assim surgiu (da água indicada) são chamados de Phenapas (Comedores de Espuma). Esta é a conduta daqueles Rishis de alma pura, ó dama possuidora de riqueza de penitências! Ouça-me agora enquanto eu te explico quem são os Valkhilyas. Os Valkhilyas são ascetas que obtiveram sucesso por suas penitências. Eles residem no disco solar. Adotando a forma de subsistência que é seguida pelas aves, aqueles Rishis, conhecedores de todo dever de virtude, vivem de acordo com o modo Unchha. Seu traje consiste em peles de veado ou cascas de árvores. Livres de todos os pares de opostos, os Valkhilyas, possuidores de riqueza de penitências, andam neste caminho de virtude. Eles são tão grandes quanto um dígito do polegar. Distribuídos em classes, cada classe vive na prática dos deveres atribuídos a ela. Eles desejam somente praticar penitência. Os méritos que eles ganham por sua conduta justa são muito elevados. Eles são considerados como tendo alcançado uma igualdade com os deuses e existem para a realização dos propósitos dos deuses. Tendo queimado todos os seus pecados por meio de penitências severas, eles brilham em refulgência, iluminando todos os pontos do horizonte. Outros, chamados Chakracharas, são dotados de almas purificadas e dedicados à prática de compaixão. Justos em sua conduta e possuidores de grande santidade, eles vivem na região de Soma. Assim residindo perto suficiente da região dos Pitris, eles subsistem devidamente por beberem os raios de Soma. Há outros chamados Samprakshalas (que são aqueles Rishis que lavam seus utensílios diariamente de modo que nada é acumulado por eles para o dia seguinte); e Asmkuttas (que são aqueles que usam somente dois pedaços de pedras para descascar seus grãos) e Dantolukhalas (que usam seus dentes para propósitos de descascar os grãos que eles comem). Estes vivem perto das divindades bebedoras de Soma e outras que bebem chamas de fogo. Com suas esposas, e com paixões sob controle completo, eles também subsistem dos raios de Soma. Eles derramam libações de manteiga clarificada no fogo sagrado, e adoram os Pitris sob formas apropriadas. Eles também realizam os sacrifícios bem conhecidos. Isto mesmo é dito que constitui sua religião. A religião dos Rishis, ó deusa, é sempre seguida por aqueles que não têm casa e que são livres para vagar por todas as regiões incluindo aquela dos deuses. Há, além disso, outras classes sobre as quais eu logo falarei. Ouça. É necessário que aqueles que seguem as diferentes religiões dos Rishis subjuguem suas paixões e conheçam a Alma. De fato, na minha opinião, luxúria e ira devem ser completamente dominadas. Com cereais (riqueza) obtidos pelo modo Unchha, eles devem cumprir os seguintes deveres, isto é, despejar libações no fogo sagrado, ocupar um assento fixo enquanto se empenha no sacrifício chamado Dharmaratri, realização do sacrifício Soma, aquisição de conhecimento especial, dar presentes sacrificais o que forma o quinto, a realização diária de sacrifícios, dedicação ao culto dos Pitris e das divindades, hospitalidade em direção a todos. Abstenção de todas as iguarias luxuosas preparadas de leite de vaca, ter prazer na tranquilidade de coração, deitar sobre rochas nuas ou o solo, dedicação ao Yoga, comer ervas e folhas de árvores, e subsistir de frutas e raízes e ar e água e musgo, são algumas das práticas dos Rishis pelas quais eles obtêm o fim que pertence às pessoas não subjugadas (pelo mundo). Quando a fumaça cessou de espiralar para cima de uma casa, quando a máquina de debulha cessou de ser manejada, quando o fogo do lar se extinguiu, quando todos os habitantes comeram seu alimento, quando pratos não são mais levados de aposento para aposento, quando mendicantes pararam de andar nas ruas, é então que o homem que é devotado à religião da verdade e tranquilidade de alma, desejando ter um convidado (mas encontrando seu desejo insatisfeito), deve comer o que resta do alimento que possa ainda se encontrar na casa. Por agir dessa maneira, alguém se torna um praticante da religião dos Munis. Uma pessoa não deve ser arrogante, nem orgulhosa, nem triste e descontente; nem ela deve se admirar por alguma coisa. De fato, ela deve se comportar igualmente para com amigos e inimigos. Na verdade, alguém que é a principal de todas as pessoas familiarizadas com os deveres deve também ser amável para com todas as criaturas." 142 "Uma disse, 'Ascetas da floresta residem em regiões encantadoras, entre as nascentes e fontes de rios, em caramanchões nas margens de rios e ribeirões, em colinas e montanhas, em bosques e florestas, e em lugares sagrados cheios de frutas e raízes. Com atenção concentrada e cumpridores de votos e regras, eles moram em tais locais. Eu desejo, ó Sankara, ouvir as ordenanças sagradas as quais eles seguem. Estes ascetas, ó deus de todos os deuses, são pessoas que dependem, para a proteção de seus corpos, somente de si mesmos.’” Maheswara disse, 'Ouça com atenção concentrada quais são os deveres de ascetas da floresta. Tendo-as escutado com atenção, ó deusa, coloque teu coração na virtude. Escute então quais são as ações que devem ser praticadas por ascetas justos coroados com êxito, cumpridores de votos e regras rígidas, e residindo em bosques e florestas. Realizar abluções três vezes ao dia, cultuar os Pitris e as divindades, derramar libações no fogo sagrado, realizar aqueles sacrifícios e ritos que levam o nome de Ishti-homa, pegar os grãos de arroz Nivara, comer frutas e raízes, e usar o óleo que é pressionado das sementes Inguda e mamona são seus deveres. Tendo passado pelas práticas de Yoga e se tornando coroado com sucesso (ascético) e livre de luxúria e ira, eles devem se sentar na posição chamada Virasana. De fato, eles devem residir naqueles lugares que são inacessíveis para covardes. (As grandes florestas são chamadas de Virasthana pois covardes não podem entrar ou residir nelas.) Cumpridores das ordenanças excelentes relativas ao Yoga, permanecendo no verão no meio de quatro fogos dos quatro lados com o sol por cima, praticando devidamente o que é chamado de Manduka Yoga, e sempre sentado na posição chamada Virasana, e se deitando em rochas nuas ou na terra, estes homens, com corações colocados na virtude, devem se expor ao frio e água e fogo. Eles subsistem de água ou ar ou musgo. Eles usam dois pedaços de pedras somente para descascar seus cereais. Alguns deles usam somente seus dentes para tal propósito. Eles não mantêm utensílios de qualquer tipo (para armazenar alguma coisa para o dia seguinte). Alguns deles se vestem com trapos e cascas de árvores ou peles de veado. Assim mesmo eles passam suas vidas pela medida de tempo concedida a eles, segundo as ordenanças (propostas nas escrituras). Permanecendo em bosques e florestas, eles vagam dentro de bosques e florestas, vivem dentro deles, e são sempre para serem encontrados dentro deles. De fato, estes ascetas da floresta entrando em bosques e florestas vivem dentro deles como discípulos, obtendo um preceptor, vivem com ele. A realização dos ritos de Homa é seu dever, como também a observância dos cinco sacrifícios. Um cumprimento devido das regras acerca da distribuição (a respeito de tempo) dos sacrifícios quíntuplos como prescritas nos Vedas, dedicação a (outros) sacrifícios, formando o oitavo, observância do Chaturmasya, execução do Paurnamasya, e outros sacrifícios, e execução dos sacrifícios diários, são os deveres destes homens dissociados de esposas, livres de toda atração, e purificados de todo pecado. De fato, eles devem viver exatamente assim na floresta. A concha sacrifical e o recipiente de água são sua principal riqueza. Eles são sempre devotados aos três fogos. Justos em sua conduta e aderindo ao caminho da virtude, eles obtêm o fim mais sublime. Estes Munis, coroados com sucesso (ascético) e sempre devotados à religião da Verdade, alcançam a região muito sagrada de Brahman ou a região eterna de Soma. Ó deusa auspiciosa, eu assim contei para ti, em resumo, os contornos da religião que é seguida por ascetas da floresta e que tem muitas práticas em detalhes.'” "Uma disse, 'Ó santo, ó senhor de todas as criaturas, ó tu que és adorado por todos os seres, eu desejo saber qual é a religião daqueles Munis que são seguidores das escrituras que tratam do sucesso ascético. Conte-a para mim. Residindo em bosques e florestas e bem educados nas escrituras de sucesso, alguns entre eles vivem e agem como eles querem, sem serem reprimidos por práticas específicas; outros têm esposas. Como, de fato, suas práticas foram prescritas?'” "Mahadeva disse, 'Ó deusa, raspar a cabeça e vestir mantos marrons são as indicações daqueles ascetas que vagam em liberdade; enquanto as indicações daqueles que se divertem com esposas consistem em passar suas noites em casa. Realizar abluções três vezes ao dia é o dever das classes, enquanto o Homa, com água e frutos da selva, pertencem aos ascetas casados como realizado pelos Rishis em geral. Absorção, meditação-Yoga, e aderência àqueles deveres que constituem piedade e que são prescritos como tais (nas escrituras e nos Vedas) são alguns dos outros deveres prescritos para eles. Todos aqueles deveres também dos quais eu falei para ti antes como pertencentes aos ascetas residindo em florestas, são os deveres destes também. De fato, se aqueles deveres forem cumpridos, aqueles que os cumprem obtêm as recompensas que se vinculam a penitências severas. Aqueles ascetas da floresta que levam vidas de casado devem limitar a satisfação de seus sentidos àquelas suas esposas. Por se entregarem à união sexual com suas esposas somente naqueles períodos quando as épocas delas chegam, eles se ajustam aos deveres que estão prescritos para eles. A religião que estes homens virtuosos devem seguir é a religião que é prescrita e seguida pelos Rishis. Com seus olhos fixos na aquisição de virtude, eles nunca devem perseguir algum outro objeto de desejo por causa de um sentimento de capricho descontrolado. Aquele homem que faz um presente para todas as criaturas de uma garantia de total inofensividade ou inocência, livre como sua alma se torna da mancha de malícia ou nocividade, vem a ser dotado de virtude. Na verdade, aquela pessoa que mostra compaixão por todas criaturas, que adota como um voto um comportamento de perfeita sinceridade para com todas as criaturas, e que constitui ela mesma a alma de todas as criaturas, vem a ser dotada de virtude. Um banho em todos os Vedas, e um comportamento de sinceridade em direção a todas as criaturas, são considerados como iguais a respeito de mérito; ou, talvez, o último é o um pouco eminente acima do outro a respeito de mérito. Sinceridade, é dito, é Virtude; enquanto insinceridade ou desonestidade é o oposto. Aquele homem que se comporta com sinceridade vem a ser dotado de Virtude. O homem que está sempre dedicado à sinceridade de comportamento consegue obter uma residência entre as divindades. Por isso, aquele que deseja obter o mérito da virtude deve se tornar dotado de sinceridade. Possuidor de uma disposição clemente e de autodomínio, e com ira sob submissão total, uma pessoa deve se transformar em uma encarnação da Virtude e ficar livre da malícia. Tal homem, que se torna devotado, além disso, ao cumprimento de todos os deveres de Religião, vem a ser dotado do mérito da Virtude. Livre de sonolência e procrastinação, a pessoa piedosa, que adere ao caminho da Virtude com todas as suas forças, e se torna possuidor de conduta pura, e que é venerável em idade, vem a ser considerado como igual ao próprio Brahma.'” “Uma disse, ‘Por qual rumo de deveres, ó deus, aqueles ascetas que são apegados aos seus respectivos retiros e possuidores de riqueza de penitências conseguem se tornar dotados de grande esplendor? Por quais ações além disso, os reis e príncipes que possuem grande riqueza, e outros que são desprovidos de riqueza, conseguem obter recompensas superiores? Por quais ações, ó deus, os habitantes da floresta conseguem alcançar aquele lugar o qual é eterno e adornar seus corpos com pasta de sândalo celeste? Ó deus ilustre de três olhos, ó destruidor da cidade tripla, dissipe esta minha dúvida ligada com o assunto auspicioso da prática de penitências por dizeres tudo em detalhes.’” "A divindade ilustre disse, 'Aqueles que cumprem os votos relativos aos jejuns e reprimem seus sentidos, que se abstêm de injúria de qualquer tipo para qualquer criatura, e que praticam a veracidade de palavras, alcançam o êxito e ascendendo para o Céu se divertem lá em felicidade com os Gandharvas como seus companheiros, livres de todo tipo de mal. O homem de alma justa que se deita na posição que pertence ao Manduka-Yoga, e que devidamente e de acordo com a ordenança realiza atos meritórios depois ter feito o Diksha, passa seu tempo em felicidade no mundo seguinte na companhia dos Nagas. Aquele homem que vive na companhia de veados e subsiste de ervas e vegetais que caem das bocas deles, e que passou pelo Diksha e se encarrega dos deveres ligados a isto, consegue alcançar Amaravati (as mansões de Indra). Aquele homem que subsiste do musgo que ele colhe e das folhas caídas das árvores que ele apanha, e aguenta todas as severidades do frio, chega a um lugar muito sublime. Aquele homem que subsiste de ar ou de água, ou de frutas e raízes, obtém depois da vida a riqueza que pertence aos Yakshas e se diverte alegremente na companhia de diversas tribos de Apsaras. Tendo praticado por doze anos, segundo os ritos prescritos nas ordenanças, o voto relativo à resistência dos cinco fogos na estação do verão, uma pessoa se torna um rei em sua próxima vida. Aquele homem que, tendo cumprido votos com relação à alimentação, pratica penitências por quatorze anos, se abstendo cuidadosamente de todo alimento proibido, comido em horas proibidas, durante este período, se torna em sua próxima vida um soberano da terra. Aquele homem que senta e deita no solo nu somente com a cúpula do firmamento como seu abrigo, segue o rumo de deveres vinculados ao Diksha, e então rejeita seu corpo por se abster de todo alimento, obtém grande bem- aventurança no Céu. É dito que as recompensas de alguém que senta e deita sobre o solo nu (só com o firmamento como seu abrigo) são veículos e camas excelentes, e mansões caras possuidoras da resplandecência da lua, ó dama! O homem que, tendo subsistido de dieta moderada e cumprido diversos votos excelentes, vive dependendo de si mesmo e então rejeita seu corpo por se abster de todo alimento, consegue ascender para o céu e desfrutar de toda a sua felicidade. O homem que, tendo vivido em total dependência de si mesmo, cumpre por doze anos os deveres que concernem ao Diksha, e finalmente abandona seu corpo no grande oceano, consegue chegar às regiões de Varuna depois da morte. Aquele homem que, vivendo em total dependência de si mesmo cumpre os deveres que se vinculam ao Diksha por doze anos, e perfura seus próprios pés com uma pedra afiada, ganha a bem-aventurança da região que pertence aos Guhyakas. Aquele que cultiva a si mesmo com a ajuda de si mesmo, que se livra da influência de todos os pares de opostos (tais como calor e frio, alegria e tristeza, etc.), que é livre de todo tipo de atração, e que cumpre mentalmente por doze anos tal direção de conduta em seguimento ao Diksha, alcança o Céu e desfruta de toda felicidade com as divindades como seus companheiros. Aquele que vive em total dependência de si mesmo e cumpre por doze anos os deveres ligados ao Diksha e finalmente rejeita seu corpo no fogo como uma oblação para divindades, alcança as regiões de Brahman e é considerado com grande respeito lá. Aquele homem regenerado, ó deusa, que tendo passado apropriadamente pelo Diksha mantém seus sentidos sob domínio, e colocando seu Eu no Eu se liberta do sentimento de ‘meu’, desejoso de obter virtude, e parte, sem uma cobertura para seu corpo, depois do cumprimento devido dos deveres de Diksha por doze anos e depois de ter colocado seu fogo sagrado em uma árvore, e anda pelo caminho que pertence aos heróis e se deita (quando vem a necessidade de deitar) na posição dos heróis, e se comporta sempre da mesma maneira dos heróis, certamente obtém o fim que está reservado para heróis. (Pois ele é um herói de virtude e penitências. O caminho dos heróis é a floresta, pois covardes não podem ir lá. Virasana, a postura dos heróis, é um tipo de posição para os Yoguins se sentarem.) Tal homem se dirige para a região eterna de Sakra onde ele vem a ser coroado com a realização de todos os seus desejos e onde ele se diverte em alegria, seu corpo enfeitado com guirlandas de flores celestes e perfumes celestes. De fato, aquela pessoa de alma justa vive alegremente no Céu, com as divindades como seus companheiros. O herói, observador das práticas de heróis e devotado àquele Yoga o qual pertence aos heróis, vivendo na prática de Bondade, tendo renunciado a tudo, tendo passado pelo Diksha e subjugado seus sentidos, e mantendo pureza de corpo e mente, sem dúvida chega àquele caminho que está reservado para heróis. Regiões eternas de felicidade são dele. Passeando em um carro que se move à vontade do passageiro, ele vaga por todas aquelas regiões felizes como lhe apraz. De fato, morando na região de Sakra, aquela pessoa abençoada sempre passa seu tempo em alegria, livre de toda calamidade.’” 143 “Uma disse, ‘Ó santo, ó tu que arrancaste os olhos de Bhaga e os dentes de Pushan, ó destruidor do sacrifício de Daksha, ó divindade de três olhos, eu tenho uma grande dúvida. Antigamente, o Nascido por Si Mesmo criou as quatro classes. Pela má consequência de qual ato um Vaisya se torna um Sudra? Por quais ações um Kshatriya se torna um Vaisya e uma pessoa regenerada (Brahmana) se torna um Kshatriya? Por quais meios tal degradação de castas pode ser impedida? Por quais ações um Brahmana toma nascimento, em sua próxima vida, na classe Sudra? Através de quais ações, ó divindade pujante, um Kshatriya também desce para a posição de Sudra? Ó impecável, ó senhor de todos os seres criados, ó ilustre, dissipe esta minha dúvida. Como, além disso, as outras três classes podem conseguir obter a posição de Brahmana naturalmente?’” "O ilustre disse, 'A posição de um Brahmana, ó deusa, é extremamente difícil de se obter. Ó dama auspiciosa, uma pessoa se torna um Brahmana pela criação ou nascimento original. Da mesma maneira o Kshatriya, o Vaisya, e o Sudra, todos vêm a ser assim por criação original. Esta é minha opinião. Aquele, no entanto, que é nascido Brahmana decai de sua posição por causa de suas próprias más ações. Por isso, o Brahmana, depois de ter chegado à posição da primeira classe, deve sempre protegê-la (por meio de seus atos). Se alguém que é um Kshatriya ou Vaisya vive na prática daqueles deveres que são designados para o Brahmana, do mesmo modo que um Brahmana ele se torna (em sua próxima vida) um Brahmana. O Brahmana que rejeita os deveres de sua classe para seguir aqueles designados para o Kshatriya, é considerado como alguém que decaiu da posição de Brahmana e se tornou um Kshatriya. Aquele Brahmana de pouca compreensão, que, impelido por cobiça ou insensatez, segue a prática atribuída aos Vaisyas esquecido de sua posição como um Brahmana que é extremamente difícil de obter, vem a ser considerado como alguém que se tornou um Vaisya. Similarmente, alguém que é um Vaisya por nascimento pode, por seguir as práticas de um Sudra, se tornar um Sudra. De fato, um Brahmana, decaindo dos deveres de sua própria classe, pode descer para posição até de um Sudra. Tal Brahmana, decaindo da classe de seu nascimento e expulso dela, sem chegar à região de Brahman (a qual é sua meta se ele cumpre seus próprios deveres adequadamente), cai no Inferno e em seu próximo nascimento nasce como um Sudra. Um Kshatriya altamente abençoado ou um Vaisya que abandona aquelas práticas suas que são consistentes com os deveres prescritos para sua classe, e segue as práticas prescritas para o Sudra, decai da sua própria classe e se torna uma pessoa de casta misturada. É desta maneira que um Brahmana, ou um Kshatriya, ou um Vaisya cai para a posição de um Sudra. Aquele homem que obteve clareza de visão pela prática dos deveres da sua própria classe, que é dotado de conhecimento e ciência, que é puro (em corpo e mente), que conhece todos os deveres e é dedicado à prática de todos os seus deveres, sem dúvida desfruta das recompensas da virtude. Eu agora recitarei para ti, ó deusa, um ditado proferido por Brahma (o Auto-nascido) sobre este assunto. Aqueles que são justos e desejosos de obter mérito sempre buscam com firmeza o desenvolvimento da alma. O alimento que vem de pessoas cruéis e violentas é censurável. Assim também é o alimento que foi cozido para servir um grande número de pessoas. O mesmo é dito do alimento que é cozido em vista do primeiro Sraddha de uma pessoa falecida. Assim também é a comida que está maculada pelas imperfeições usuais e a comida que é fornecida por um Sudra. Estas nunca devem ser aceitas por um Brahmana em nenhum momento. A comida de um Sudra, ó deusa, é sempre desaprovada pelas divindades de grande alma. Exatamente esta, eu penso, é a autoridade pronunciada pelo Avô com sua própria boca. Se um Brahmana, que tem instalado o fogo sagrado e que realiza sacrifícios, morre com alguma porção da comida de um Sudra permanecendo não digerida em seu estômago, ele sem dúvida toma nascimento em sua próxima vida como um Sudra. Por causa daqueles restos da comida de um Sudra em seu estômago, ele decai da posição de Brahmana. Tal Brahmana se torna investido com a posição de um Sudra. Não há dúvida nisto. Este Brahmana em sua próxima vida vem a ser investido com a posição daquela classe de cujo alimento ele subsiste através da vida ou com a porção não digerida de cujo alimento em seu estômago ele exala seu último suspiro. (O sentido é este: se um Brahmana morre com alguma porção da comida de um Sudra, um Vaisya, ou um Kshatriya em seu estômago, em sua vida seguinte ele tem que tomar nascimento como um Sudra, um Vaisya, ou um Kshatriya. Se, além disso, durante a vida ele subsiste de comida fornecida para ele por um Sudra, um Vaisya, ou um Kshatriya, ele tem que tomar nascimento em sua próxima vida como um Sudra, um Vaisya, ou um Kshatriya.) Aquele homem que, tendo obtido a auspiciosa posição de um Brahmana a qual é tão difícil de se adquirir, a desconsidera e come alimento proibido, ele decai de sua posição superior. Aquele Brahmana que bebe álcool, que se torna culpado de Brahmanicídio ou egoísta em seu comportamento, ou um ladrão, ou que quebra seus votos, ou se torna impuro, ou desatento aos seus estudos Védicos, ou pecaminoso, ou caracterizado por avareza, ou culpado de astúcia ou trapaça, ou que não cumpre votos, ou que se casa com uma mulher Sudra, ou que deriva sua subsistência por alcovitar as luxúrias de outras pessoas ou que vende a planta Soma, ou que serve uma pessoa de uma classe abaixo da sua, decai de sua posição de Brahmana. Aquele Brahmana que viola a cama de seu preceptor, ou que nutre malícia em direção a ele, ou que tem prazer em falar mal dele, decai da posição Brahmana mesmo que ele seja conhecedor de Brahman. Por estas boas ações, por outro lado, ó deusa, quando realizadas, um Sudra se torna um Brahmana, e um Vaisya se torna um Kshatriya. O Sudra deve realizar todos os deveres prescritos para ele, apropriadamente e de acordo com a ordenança. Ele deve sempre servir, com obediência e humildade, as pessoas das três outras classes e trabalhar para elas com cuidado. Sempre aderindo ao caminho da virtude, o Sudra deve fazer tudo isso alegremente. Ele deve honrar as divindades e as pessoas das classes regeneradas. Ele deve cumprir o voto de hospitalidade para todas as pessoas. Com sentidos mantidos sob submissão e se tornando moderado em comida, ele nunca deve se aproximar de sua esposa exceto na época dela. Ele deve sempre procurar por pessoas que são santas e puras. Com respeito à comida, ele deve comer aquilo que resta depois de as necessidades de todas as pessoas estarem satisfeitas. Se, de fato, o Sudra deseja ser um Vaisya (em sua próxima vida), ele deve também se abster da carne de animais não mortos em sacrifícios. Se um Vaisya deseja ser um Brahmana (em sua próxima vida), ele deve cumprir estes mesmos deveres. Ele deve ser sincero em palavras, e livre de orgulho ou arrogância. Ele deve se erguer acima de todos os pares de opostos (tais como calor e frio, alegria e tristeza, etc.) Ele deve ser cumpridor dos deveres de paz e tranquilidade. Ele deve adorar as divindades em sacrifícios, prestar atenção com devoção ao estudo e recitação dos Vedas, e se tornar puro em corpo e mente. Ele deve manter seus sentidos sob submissão, honrar os Brahmanas, e procurar o bem-estar de todas as classes. Levando o modo de vida familiar e comendo somente duas vezes ao dia nas horas prescritas ele deve satisfazer sua fome somente com tal alimento que resta depois de estarem satisfeitas as necessidades de todos os membros de sua família com dependentes e convidados. Ele deve ser moderado em alimentação, e agir sem ser impelido pelo desejo de recompensa. Ele deve ser livre de egotismo. Ele deve adorar as divindades no Agnihotra e despejar libações segundo a ordenança. Cumprindo os deveres de hospitalidade em direção a todas as pessoas, ele deve, como já dito, comer o alimento que sobra depois de servir todos os outros para quem ele foi cozido. Ele deve, de acordo com a ordenança prescrita, adorar os três fogos. Tal Vaisya de conduta pura toma nascimento em sua vida seguinte em uma família Kshatriya nobre. (Cumprindo estes deveres indicados um Vaisya no final das contas se torna um Brahmana. Como a recompensa imediata, no entanto, do seu cumprimento destes deveres, ele se torna um grande Kshatriya. O que ele deve fazer em seguida para se tornar um Brahmana é dito nos versos seguintes.) Se um Vaisya, depois de tomado nascimento como um Kshatriya, passa pelos ritos purificatórios usuais, vem a ser investido com o fio sagrado, e se dirige ao cumprimento de votos, ele se torna, na sua próxima vida, um Brahmana honrado. De fato, depois de seu nascimento como um Kshatriya, ele deve fazer caridade, adorar as divindades em grandes sacrifícios com Dakshinas abundantes, estudar os Vedas, e desejoso de alcançar o Céu deve cultuar os três fogos. Ele deve interferir para dissipar as tristezas dos aflitos, e deve sempre proteger e cuidar justamente daqueles súditos que possuem seu domínio. Ele deve ser sincero, e fazer todas as ações que tenham verdade nelas, e procurar felicidade em conduta como esta. Ele deve conceder punições que sejam justas, sem pôr de lado a vara de castigo para sempre. Ele deve induzir os homens a fazerem atos justos. Guiado por considerações de política (na questão de governar seu povo), ele deve pegar um sexto dos produtos dos campos. (Isto pode, além disso, significar o recebimento de uma sexta parte dos méritos adquiridos por seus súditos através dos atos virtuosos que eles realizam.) Ele nunca deve se viciar no prazer sexual, mas viver alegremente e em independência, bem familiarizado com a ciência de Riqueza ou Lucro. De alma justa, ele deve procurar sua esposa somente na época dela. Ele deve sempre fazer jejuns, manter sua alma sob controle, se dedicar ao estudo dos Vedas, e ser puro em corpo e mente. Ele deve dormir sobre folhas de grama Kusa espalhadas no seu aposento do fogo. Ele deve perseguir o conjunto de Três (isto é, Virtude, Riqueza, e Prazer), e ser sempre alegre. Para Sudras desejosos de alimento, ele deve sempre responder que isto está pronto. Ele nunca deve desejar alguma coisa por motivos de lucro ou prazer. Ele deve adorar os Pitris e deuses e convidados. Na sua própria casa ele deve viver a vida de um mendicante. Ele deve adorar devidamente as divindades em seu Agnihotra, de manhã, meio-dia, e à noite todos os dias, por derramar libações em conformidade com a ordenança. Com seu rosto virado para o inimigo, ele deve rejeitar seu ar vital na batalha lutada pelo benefício de vacas e Brahmanas. Ou ele pode entrar nos fogos triplos santificados com Mantras e abandonar seu corpo. Por seguir esta linha de conduta ele toma nascimento em sua próxima vida como um Brahmana. Dotado de conhecimento e ciência, purificado de toda escória, e totalmente conhecedor dos Vedas, um Kshatriya pio, por suas próprias ações, se torna um Brahmana. É com a ajuda destas ações, ó deusa, que uma pessoa que surgiu de uma classe degradada, isto é, um Sudra, pode vir a ser um Brahmana purificado de todas as máculas e possuidor de saber Védico. Alguém que é um Brahmana, quando ele se torna mau em conduta e não observa distinção em relação à alimento, decai da posição de Brahmana e se torna um Sudra. Até um Sudra, ó deusa, que purificou sua alma por meio de atos puros e que subjugou todos os seus sentidos, merece ser visitado e servido com reverência como um Brahmana. Isto foi dito pelo próprio Brahman Auto-nascido. Quando uma natureza virtuosa e atos pios são evidentes mesmo em um Sudra, ele deve, segundo a minha opinião, ser considerado superior a uma pessoa das três classes regeneradas. Nem nascimento, nem os ritos purificatórios, nem erudição, nem progênie podem ser considerados como motivos para outorgar para uma pessoa a posição regenerada. Na verdade, a conduta é o único motivo. Todos os Brahmanas neste mundo são Brahmanas por consequência da conduta. Um Sudra, se ele está estabelecido na boa conduta, é considerado como possuidor da posição de um Brahmana. A posição de Brahma, ó dama auspiciosa, é igual aonde quer que ela exista. Esta é minha opinião. De fato, é um Brahmana aquele em quem a posição de Brahma existe, aquela condição que é desprovida de atributos e que não tem máculas vinculadas a ela. Brahma concessor de bênçãos, quando ele criou todas as criaturas, ele mesmo disse que a distribuição dos seres humanos nas quatro classes dependente de nascimento é somente para propósitos de classificação. O Brahmana é um grande campo neste mundo, um campo equipado com pés pois ele se move de lugar em lugar. Aquele que planta sementes naquele campo, ó dama bela, ceifa a colheita no mundo seguinte. Aquele Brahmana que deseja realizar seu próprio bem deve sempre viver dos restos da comida que possa haver em sua casa depois de satisfazer as necessidades de todos os outros. Ele deve sempre aderir ao caminho da virtude. De fato, ele deve andar pelo caminho que pertence a Brahma. Ele deve viver dedicado ao estudo dos Samhitas e permanecendo em casa ele deve cumprir todos os deveres de um chefe de família. Ele deve ser sempre devotado ao estudo dos Vedas, mas ele nunca deve derivar os meios de subsistência de tal estudo. Aquele Brahmana que sempre se comporta dessa maneira, aderindo ao caminho da virtude, cultuando seu fogo sagrado, e dedicado ao estudo dos Vedas, vem a ser considerado como Brahma. A posição de Brahmana uma vez obtida, ela deve sempre ser protegida com cuidado, ó tu de doces sorrisos, por evitar a mácula do contato com pessoas nascidas em classes inferiores, e por se abster da aceitação de doações. Eu assim te disse um mistério, isto é, a maneira pela qual um Sudra pode ser tornar um Brahmana, ou aquela pela qual um Brahmana decai da sua própria posição pura e se torna um Sudra.’” 144 "Uma disse, 'Ó santo, ó Senhor de todos os seres, ó tu que és adorado pelas divindades e Asuras igualmente, diga-me quais são os deveres e negligências dos homens. De fato, ó pujante, esclareça minhas dúvidas. É por estes três, isto é, pensamento, palavra, e ação, que os homens se tornam limitados por vínculos. É por estes mesmos três que eles se tornam livres daqueles vínculos. Por seguir qual conduta, ó deus, de fato, por qual tipo de ações, por qual comportamento e atributos e palavras, os homens conseguem ascender para o céu?’” "O deus dos deuses disse, 'Ó deusa, tu estás bem familiarizada com a verdadeira importância dos deveres. Tu és sempre dedicada à virtude e autodomínio. A pergunta que tu me fizeste é repleta de benefício para todas as criaturas. Ela aumenta a inteligência de todas as pessoas. Portanto, ouça a resposta. Aquelas pessoas que são devotadas à religião da Verdade, que são justas e desprovidas das indicações dos vários modos de vida, e que desfrutam de riqueza obtida por meios justos, conseguem ascender para o céu. Aqueles homens que estão livres de todas as dúvidas, que são possuidores de onisciência, e que têm olhos para ver todas as coisas, nunca são acorrentados por virtude ou pecado. Aqueles homens que estão livres de todos os apegos nunca podem ser atados pelas correntes da ação. Aqueles que nunca ferem outros em pensamentos, palavras, ou ações, e que nunca se apegam a alguma coisa, nunca podem ser encadeados pelas ações. Aqueles que se abstêm de tirar as vidas de qualquer criatura, que são pios em conduta, que têm compaixão, que consideram amigos e inimigos da mesma maneira e que são autocontrolados, nunca podem ser atados pelas ações. Aqueles homens que são dotados de compaixão por todos os seres, que conseguem inspirar a confiança de todas as criaturas vivas, e que rejeitaram a malícia em seu comportamento conseguem ascender para o céu. Aqueles homens que não têm desejo de se apropriar do que pertence a outros, que se mantêm afastados das esposas de outros, e que desfrutam somente da riqueza que foi obtida por meios justos, conseguem ascender para o céu. Aqueles homens que se comportam em direção às esposas de outros homens como em direção às suas próprias mães e irmãs e filhas conseguem alcançar o céu. Aqueles homens que se abstêm de se apropriar do que pertence a outros, que estão totalmente contentes com o que eles possuem, e que vivem dependendo do seu próprio destino, conseguem ascender para o céu. Aqueles homens que, em sua conduta, sempre fecham seus olhos contra a associação com esposas de outros homens, que são mestres de seus sentidos, e que são dedicados à conduta virtuosa, conseguem ascender para o céu. Este mesmo é o caminho, criado pelos deuses, que os justos devem seguir. Este é o caminho, livre de paixão e aversão, prescrito para o justo seguir. Aqueles homens que são devotados às suas próprias esposas e que as procuram somente em suas épocas e que se desviam da indulgência em prazer sexual, conseguem ascender para o Céu. Conduta marcada por caridade e penitências, e caracterizada pela justiça de ações e pureza de corpo e coração, deve ser seguida por aqueles que são sábios para aumentar seu mérito ou para ganhar seus meios de subsistência. Aqueles que desejam ascender para o Céu devem seguir neste caminho e não em algum outro.'” “Uma disse, ‘Diga-me, ó divindade ilustre, ó senhor impecável de todas as criaturas, quais são aquelas palavras pelas quais alguém vem a ser acorrentado e quais são aquelas palavras por proferir as quais uma pessoa pode ser libertada de seus grilhões.’” "Maheswara disse, 'Aqueles homens que nunca dizem mentiras nem para si mesmos nem para outros, ou em brincadeira ou para provocar riso, conseguem ascender para o Céu. Aqueles que nunca dizem mentiras para ganhar sua subsistência ou para ganhar mérito ou por mero capricho, conseguem ascender para o Céu. Aqueles que proferem palavras que são polidas e gentis e impecáveis, e que saúdam a todos a quem eles encontram com sinceridade, conseguem ascender para o Céu. Aqueles que nunca proferem palavras que são duras e amargas e cruéis, e que são livres de falsidade e mal de todo tipo, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que nunca proferem palavras que são repletas de truques ou que causam rompimento de compreensão entre amigos, e que sempre falam o que é verdadeiro e que promove bons sentimentos, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que evitam palavras ríspidas e que se abstêm de discussões com outros, que são imparciais em seu comportamento para com todas as criaturas, e que têm subjugado suas almas, conseguem ascender para o Céu. Aqueles que se abstêm de palavras más ou conversas pecaminosas, que evitam palavras que são desagradáveis, e que proferem somente palavras que são auspiciosas e agradáveis, conseguem ascender para o Céu. Aqueles que nunca proferem, sob raiva, palavras que partem os corações de outras pessoas, e que, mesmo quando sob a influência da ira falam palavras que são pacíficas e agradáveis, conseguem ascender para o Céu. A religião, ó deusa, referente às palavras, deve sempre ser seguida pelos homens. Ela é auspiciosa e caracterizada pela verdade. Aqueles que são possuidores de sabedoria devem sempre evitar a mentira.’” "Uma disse, 'Diga-me, ó deus dos deuses, ó manejador do Pinaka, ó tu que és altamente abençoado, quais são aquelas ações mentais ou pensamentos pelos quais uma pessoa pode ser encadeada.’” "Maheswara disse, 'Dotada do mérito que provém de atos mentais, ó deusa, uma pessoa ascende para o Céu. Ouça-me, ó auspiciosa, enquanto eu te digo quais são aqueles atos. Ouça-me, ó tu de rosto meigo, como também uma mente de traços mal regulados se torna aguilhoada por pensamentos mal regulados ou maus. Aqueles homens que não procuram nem mentalmente tirar o que pertence a outros mesmo quando eles o vêem em uma floresta solitária, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que cuidam para não se apropriarem do que pertence a outros mesmo quando eles o vêem em uma casa ou uma aldeia que foi abandonada, ascendem para o Céu. Aqueles homens que não procuram, nem mentalmente, se associar com as esposas de outros nem quando eles as vêem em lugares solitários e sob a influência do desejo, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que, encontrando com amigos ou inimigos, se comportam da mesma maneira amigável para com todos, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que são possuidores de erudição e compaixão, que são puros em corpo e mente, que são firmes em sua aderência à verdade, e que estão satisfeitos com o que pertence a eles, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que não têm animosidade por alguma criatura, que não têm necessidade de trabalho para sua subsistência, que têm corações afetuosos para com todos os seres, e que nutrem compaixão por todos, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que são dotados de fé, que têm compaixão, que são santos, que procuram a companhia de homens santos, e que estão familiarizados com as distinções entre certo e errado, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens, ó deusa, que sabem quais são as consequências de ações boas e más, conseguem ascender para o Céu. Aqueles homens que são justos em todas as suas transações, que são dotados de todas as habilidades desejáveis, que são devotados às divindades e aos Brahmanas, e que são dotados de perseverança na prática de boas ações, conseguem ascender para o Céu. Todo estes homens, ó deusa, conseguem ascender para o Céu pelas consequências meritórias dos seus atos. O que mais tu desejas ouvir?'” "Uma disse, 'Eu tenho uma grande dúvida, ó Maheswara, sobre um assunto ligado com seres humanos. Cabe a ti esclarecê-la cuidadosamente. Por quais ações um homem consegue, ó divindade pujante, obter uma vida longa? Por quais penitências também alguém consegue uma vida longa? Por quais ações uma pessoa vem a ter vida curta sobre a terra? Ó tu que és perfeitamente imaculado, cabe a ti me dizer quais são as consequências das ações (na questão de conceder uma vida longa ou curta para o fazedor). Alguns são vistos serem possuidores de muito boa sorte e alguns oprimidos pelo infortúnio. Alguns são de nascimento nobre enquanto outros de nascimento ignóbil. Alguns têm aspectos tão repulsivos como se eles fossem feitos de madeira, enquanto outros têm feições muito agradáveis mesmo à primeira vista. Alguns parecem ser desprovidos de sabedoria enquanto outros são possuidores dela. Alguns, além disso, são vistos dotados de inteligência e sabedoria superiores, esclarecidos por conhecimento e ciência. Alguns têm que suportar pouco sofrimento, enquanto há outros que são oprimidos por calamidades pesadas. Estas diversas visões são vistas com relação aos homens. Cabe a ti, ó ilustre, me dizer a razão de tudo isso.'” "O deus dos deuses disse, 'Na verdade, ó deusa, eu irei te falar sobre a manifestação dos resultados das ações. É pelas regras daquela manifestação que todos os seres humanos neste mundo desfrutam ou suportam as consequências de suas ações. Aquele homem que assume um aspecto feroz para o propósito de tirar as vidas de outras criaturas, que se arma com bastões fortes para ferir outras criaturas, que é visto com armas erguidas, que mata criaturas vivas, que é desprovido de compaixão, que sempre causa agitação para os seres vivos, que se recusa a conceder proteção mesmo para vermes e formigas, que é dotado de crueldade, alguém que é de tal maneira, ó deusa, vai para o Inferno. Alguém que é dotado de uma disposição oposta e que é justo em ações nasce como um homem bonito. O homem que é dotado de crueldade vai para Inferno, enquanto aquele que é dotado de compaixão ascende para o Céu. O homem que vai para o Inferno tem que suportar miséria excruciante. Alguém que, tendo afundado no Inferno se eleva de lá, toma nascimento como um homem dotado de vida curta. Aquele homem que é viciado na matança e injúria, ó deusa, fica, pelos seus atos pecaminosos, sujeito à destruição. Tal pessoa se torna desagradável para todas as criaturas e dotada de uma vida curta. Aquele homem que pertence àquela que é chamada de classe Branca, que se abstém da matança de criaturas vivas, que jogou fora todas as armas, que nunca inflige algum castigo em alguém, que nunca fere alguma criatura, que nunca faz alguém matar criaturas para ele, que nunca mata ou golpeia nem mesmo quando golpeado ou quando tentam matá-lo, que nunca sanciona ou aprova uma ação de matança, que é dotado de compaixão por todas as criaturas, que se comporta com outros como em direção a si mesmo, tal homem superior, ó deusa, consegue alcançar a posição de uma divindade. Cheio de alegria, tal homem desfruta de diversos tipos de artigos luxuosos. Se tal pessoa alguma vez toma nascimento no mundo dos homens, ela vem a ser dotada de longevidade e desfruta de grande felicidade. Este mesmo é o caminho daqueles que são de conduta justa e atos justos e que são abençoados com longevidade, o caminho que foi indicado pelo próprio Brahman Auto-nascido e que é caracterizado pela abstenção de matança de criaturas vivas.'” 145 “Uma disse, ‘Por qual disposição, qual conduta, quais ações, e quais doações um homem consegue chegar ao Céu?’” "Maheswara disse, 'Aquele que é dotado de uma disposição generosa, que honra Brahmanas e os trata com hospitalidade, que faz doações de alimento e bebida e vestes e outros artigos de prazer para os indigentes, os cegos, e os afligidos, que faz doações de casas, que constrói salões (para uso do público), cava poços, constrói abrigos de onde água pura e fresca é distribuída (durante os meses quentes para viajantes sedentos), escava tanques, faz arranjos para a livre distribuição de doações todos os dias, dá para todos os que procuram o que cada um solicita, que faz doações de assentos e cama e transportes, riqueza, jóias e pedras preciosas, casas, todos os tipos de cereais, vacas, campos, e mulheres, realmente, aquele que sempre faz estas doações com um coração alegre, vem a ser um habitante, ó deusa, do Céu. Ele reside lá por um longo período, desfrutando de diversos tipos de artigos superiores. Passando seu tempo alegremente na companhia das Apsaras, ele se diverte nos bosques de Nandana e outras regiões encantadoras. Depois do esgotamento de seus méritos ele cai do Céu e toma nascimento na ordem da humanidade, em uma família, ó deusa, que é possuidora de riqueza em abundância e que tem um grande domínio de todos os artigos de prazer. Naquela vida ele vem a ser dotado de todos os artigos para satisfazer seus desejos e apetites. De fato, abençoado com a posse de tais artigos, ele vem a ser dotado de riqueza e uma tesouraria bem cheia. O próprio Brahman Auto-nascido declarou nos tempos passados que são mesmo semelhantes pessoas, ó deusa, que se tornam muito abençoadas e possuidoras de disposições generosas e feições agradáveis. Há outros, ó deusa, que são incapazes de fazer doações. Dotados de pouca compreensão, eles não podem fazer doações nem quando solicitados por Brahmanas e possuidores de riqueza abundante. Vendo os indigentes, os cegos, os aflitos, e mendicantes, e até convidados chegados às suas residências, aquelas pessoas, sempre cheias com o desejo de satisfazer o órgão do paladar, os mandam embora, mesmo quando expressamente solicitados por eles. Eles nunca fazem doações de riqueza ou mantos, ou mantimentos, ou ouro, ou vacas, ou qualquer tipo de alimento. Aqueles homens que são pouco dispostos a aliviar a angústia de outros, que são cheios de cobiça, que não têm fé nas escrituras, e que nunca fazem caridade, na verdade, estes homens de pouca compreensão, ó deusa, têm que ir para o Inferno. No decorrer do tempo, quando seus sofrimentos no Inferno acabam, eles tomam nascimento na ordem da humanidade, em famílias que são totalmente desprovidas de riqueza. Sempre sofrendo de fome e sede, excluídos de toda sociedade decente, sem esperança de alguma vez desfrutar de coisas boas, eles levam vidas de grande miséria. Nascidos em famílias que são desprovidas de todos os artigos de prazer, estes homens nunca conseguem desfrutar das coisas boas do mundo. De fato, ó deusa, é por causa de seus atos que as pessoas se tornam desventuradas e pobres. Há outros que são cheios de arrogância e orgulho causados pela posse de riquezas. Aqueles patifes insensatos nunca oferecem assentos para aqueles que merecem tal oferta. Dotados de pouca compreensão eles não dão caminho para aqueles que merecem tal honra. (Na Índia um inferior deve sempre permanecer de lado para deixar seu superior passar. O Kshatriya de dar caminho para o Brahmana, o Vaisya para o Kshatriya, e o Sudra para o Vaisya.) Nem eles dão água para lavar os pés para as pessoas para quem ela deve ser dada. De fato, eles não honram, de acordo com a ordenança, com presentes do Arghya, as pessoas que merecem ser honradas com eles. Eles não oferecem água para lavar a boca para aqueles que merecem ter tal honra. Eles não tratam seus próprios preceptores, quando os últimos chegam a suas casas, da maneira na qual preceptores devem ser tratados. Vivendo em cupidez e arrogância, eles se recusam a tratar seus superiores e homens idosos com amor e afeição, sempre insultando aqueles que merecem ser respeitados e afirmando sua superioridade sobre eles sem demonstrarem reverência e humildade. Tais homens, ó deusa, vão para o Inferno. Quando seus sofrimentos acabam depois de uma longa passagem de anos, eles se elevam do Inferno, e tomam nascimento na ordem da humanidade em famílias inferiores e pobres. De fato, aqueles que humilham seus preceptores e superiores têm que nascer em castas tais como aquelas de Swapakas e Pukkasas que são extremamente vis e desprovidas de inteligência. Aquele que não é arrogante ou cheio de orgulho, que é um devoto das divindades e Brahmanas, que desfruta do respeito do mundo, que se curva para todos aqueles que merecem sua reverência, que profere palavras polidas e amáveis, que beneficia pessoas de todas as classes, que está sempre dedicado ao bem de todos os seres, que não sente aversão por ninguém, que fala gentilmente, que pronuncia palavras agradáveis e ponderadas, que dá caminho a alguém que merece ter caminho, que adora seus preceptores da maneira na qual os preceptores merecem ser adorados, que saúda todas as criaturas com cortesia apropriada, que não tem animosidade em direção a alguma criatura, que vive cultuando seus superiores e convidados com honras como eles merecem, que está sempre inclinado a receber tantos convidados quanto possível, e que adora todos os que honram sua casa com sua presença, consegue, ó deusa, ascender para o Céu. Após o esgotamento de seu mérito, ele toma nascimento na ordem da humanidade em uma família nobre e respeitável. Naquela vida ele vem a ser possuidor de todos os artigos de prazer em abundância e jóias e pedras preciosas e todo tipo de riqueza em profusão. Ele dá para pessoas merecedoras o que elas merecem. Ele se torna dedicado ao cumprimento de todos os deveres e todos os atos de virtude. Honrado por todas as criaturas e recebendo sua reverência, ele obtém os frutos de suas próprias ações. Assim tal pessoa obtém uma linhagem e nascimento nobres neste mundo. Isto que eu narrei para ti foi dito pelo próprio Ordenador (Brahman) nos tempos passados. Aquele homem que é violento em conduta, que inspira terror em todas as criaturas, que fere outros seres com mãos ou pés ou cordas ou paus, ou tijolos ou torrões de argila dura, ou outros meios de ferir e atormentar, ó dama bela, que pratica diversos tipos de truques para matar criaturas vivas ou atormentá-las, que persegue animais no ato de caçar e os faz tremer de medo, realmente, aquele homem que se comporta dessa maneira sem dúvida vai para o Inferno. Se no decorrer do tempo ele toma nascimento na ordem da humanidade, ele é obrigado a nascer em uma linhagem ou família inferior e vil que é afligida por obstáculos de todo tipo por todos os lados. Ele se torna um objeto de aversão para todo o mundo. Infame entre os homens, ele se torna assim pela consequência de suas próprias ações. Outro, que é possuidor de compaixão, lança seu olhar em todas as criaturas. Dotado de uma visão amigável, se comportando em direção a todas as criaturas como se ele fosse seu pai, privado de todo sentimento hostil, com todas as suas emoções sob controle completo, ele nunca atormenta alguma criatura e nunca as inspira com medo por meio de suas mãos ou pés que estão sempre sob seu controle. Ele inspira a confiança de todos os seres. Ele nunca aflige alguma criatura com cordas ou paus ou tijolos ou torrões de terra dura ou armas de qualquer tipo. Seus atos nunca são violentos ou cruéis, e ele é cheio de bondade. Alguém que é dotado de tais práticas e conduta indubitavelmente ascende para o Céu. Lá ele vive como um deus em uma mansão celestial cheia de toda comodidade. Se, após o esgotamento de seu mérito, ele tem que tomar nascimento na ordem da humanidade, ele nasce como um homem que tem não que lutar com dificuldades de qualquer tipo ou enfrentar algum temor. De fato, ele desfruta de grande felicidade. Possuidor de boa sorte, sem a obrigação de passar por trabalho penoso para sua subsistência, ele vive livre de todo tipo de ansiedade. Este mesmo, ó deusa, é o caminho dos virtuosos. Nele não há obstáculos ou aflições.'” "Uma disse, 'No mundo alguns homens são vistos bem versados em inferências e nas premissas que levam a elas. De fato, eles são possuidores de ciência e conhecimento, têm grande progênie, e são dotados com erudição e sabedoria. Outros, ó deus, são desprovidos de sabedoria, ciência, e conhecimento, e são caracterizados pela tolice. Por quais ações específicas uma pessoa se torna possuidora de sabedoria? Por quais ações, além disso, alguém vem a possuir pouca sabedoria e visão distorcida? Dissipe esta minha dúvida, ó tu que és o principal de todos os seres conhecedores dos deveres. Há outros, ó deus, que são cegos desde o momento de seu nascimento. Há outros que são doentes e afligidos e impotentes. Ó deus, diga-me a razão disto.'” "Maheswara disse, 'Aqueles homens que sempre perguntam acerca do que é para seu benefício e do que é para seu detrimento, Brahmanas versados nos Vedas, coroados com sucesso, e familiarizados com todos os deveres, que evitam todos os tipos de más ações e realizam somente atos que são bons, conseguem ascender para o Céu depois de partirem deste mundo e desfrutam de grande felicidade enquanto eles vivem aqui. De fato, após o esgotamento de seus méritos quando eles tomam nascimento na ordem da humanidade, eles nascem como homens possuidores de grande inteligência. Todo tipo de felicidade e auspiciosidade vêm a ser deles por causa daquela inteligência com a qual eles são nascidos. Aqueles homens de compreensões superficiais que lançam olhares pecaminosos para as esposas de outros homens são amaldiçoados com cegueira congênita por causa daquela pecaminosidade deles. Aqueles homens que, impelidos pelo desejo em seus corações, lançam seus olhos em mulheres nuas, aqueles homens de atos perversos tomam nascimento neste mundo para passarem suas vidas inteiras em uma doença contínua. Aqueles homens de ações insensatas e pecaminosas que se entregam a relações sexuais com mulheres de classes diferentes da sua própria, aqueles homens de pouca sabedoria, têm que tomar nascimento em suas próximas vidas como pessoas desprovidas de virilidade. Aqueles homens que fazem animais serem mortos, e aqueles que violam as camas de seus preceptores, e aqueles que se satisfazem promiscuamente em atos sexuais, têm que tomar nascimento em suas vidas seguintes como pessoas desprovidas do poder viril.'” "Uma disse, 'Quais ações, ó principal das divindades, são erradas, e quais ações são impecáveis? Quais, de fato, são aquelas ações por fazer as quais um homem consegue obter o que é para o seu maior bem?'” "Maheswara disse, 'Aquele homem que deseja averiguar o que é virtude, e que deseja adquirir virtudes e habilidades proeminentes, e que sempre faz perguntas para os Brahmanas com um propósito de descobrir o caminho que leva para o seu maior bem, consegue ascender para o Céu. Se (depois do esgotamento de seu mérito) ele toma nascimento na ordem da humanidade, ele se torna dotado de inteligência e memória e grande sabedoria. Esta, ó deusa, é a linha de conduta que os justos devem seguir e que está repleta de grande benefício. Eu te falei disto para o bem dos seres humanos.'” "Uma disse, 'Há homens que odeiam a virtude e que possuem pouca compreensão. Eles nunca desejam se aproximar de Brahmanas conhecedores dos Vedas. Há outros que são cumpridores de votos e que são dedicados ao dever de realizar Sraddhas. Outros, além disso, são desprovidos de todos os votos. Eles não têm consideração pela observância e são como Rakshasas em conduta. Há alguns que são dedicados à realização de sacrifícios e alguns que negligenciam o Homa. Pelas consequências de quais ações os homens vêm a ser possuidores destas naturezas diferentes?'” "Maheswara disse, 'Pelos Vedas foram determinados os limites de todas as ações dos seres humanos. Aqueles homens que se comportam de acordo com a autoridade dos Vedas são vistos (em suas próximas vidas) se tornarem dedicados à observância de votos. Aqueles homens, no entanto, que tendo ficado sujeitos ao domínio da insensatez aceitam a injustiça como seu oposto, se tornam desprovidos de votos, transgridem todas as restrições, e vêm a ser considerados como Brahmarakshasas. De fato, são estes homens que se tornam negligentes do Homa, que nunca proferem o Vashat e outros Mantras sagrados, e vêm a ser considerados como os mais inferiores e mais vis dos homens. Assim, ó deusa, eu expliquei para ti o oceano inteiro de deveres a respeito dos seres humanos para remover tuas dúvidas, não omitindo os pecados dos quais eles se tornam culpados.'" 146 "Narada disse, 'Tendo dito estas palavras, o próprio Mahadeva pujante ficou desejoso de ouvir (em vez de falar), e com esta intenção questionou sua querida esposa que estava sentada ao seu lado e que estava totalmente disposta a agir de acordo com o desejo dele.'” "Mahadeva disse, 'Tu, ó deusa, conheces o que é Supremo e o que não é; (isto é, Alma, incluindo a Alma Suprema, e Não-alma). Tu estás familiarizada com todos os deveres, ó tu que gostas de residir nos retiros de ascetas. Tu és dotada de todas as virtudes, possuidora de sobrancelhas belas e cabelo terminando nos cachos mais formosos, ó filha de Himavat, o rei das montanhas! Tu és hábil em todos os trabalhos. Tu és dotada de autodomínio e tu olhas imparcialmente para todas as criaturas. Despojada do sentimento de ‘meu’, tu és dedicada à prática de todos os deveres. Ó tu de feições belas, eu desejo te perguntar sobre uma coisa. Eu desejo que, questionada por mim, tu me fales sobre aquele tópico. Savitri é a esposa casta de Brahma. A casta Sachi é a esposa de Indra. Dhumrorna é a esposa de Markandeya, e Riddhi do (rei) Vaisravana. Varuna tem Gauri como sua esposa, e Surya tem Suvarchala. (Gauri é outro nome para Terra.) Rohini é a esposa casta de Sasin, e Swaha de Vibhavasu. Kasyapa tem Aditi. Todas estas consideram seus maridos como seus deuses. Tu, ó deusa, conversaste e te associaste com todas elas todos os dias. É por esta razão, ó tu que conheces todos os deveres, que eu desejo te perguntar acerca dos deveres das mulheres, ó tu cujas palavras são sempre compatíveis com a retidão. Eu desejo te ouvir discursar sobre este assunto desde o início. Tu praticas todos os deveres de virtude comigo. Teu comportamento é exatamente como o meu, e os votos que tu praticas são os mesmos que são praticados por mim. Tua força e energia são iguais às minhas, e tu tens passado pelas penitências mais austeras. O assunto, quando discursado por ti, se tornará dotado de grande mérito. De fato, aquele discurso então se tornará autoritário no mundo. Mulheres, em especial, são o maior refúgio das mulheres. Ó tu de quadris belos, entre os seres humanos aquela direção de conduta que tu irás declarar será seguida de geração em geração. Metade do meu corpo é composta de metade do teu corpo. Tu estás sempre empenhada em fazer o trabalho das divindades, e és tu que és a causa do povoamento da terra. Ó dama auspiciosa, todos os deveres eternos das mulheres são bem conhecidos por ti. Portanto, diga-me em detalhes quais são os deveres do teu sexo.'” "Uma disse, 'Ó santo, ó senhor de todas as coisas criadas, ó fonte de tudo o que é passado, presente, e futuro, é pela tua graça que as palavras que eu estou proferindo estão surgindo em minha mente. Todos estes Rios (que são do meu sexo), ó deus dos deuses, dotados das águas de todos os Tirthas, estão se aproximando da tua presença para te permitir realizar tuas abluções neles. (Os Nadies ou Rios são femininos. Naturalmente, entre os Rios há alguns que são masculinos, notavelmente, o Sindhu ou Indus. Tirthas são lugares com águas sagradas.) Depois de consultá-los eu irei falar sobre o tópico indicado, na devida ordem. Aquela pessoa que, embora competente, ainda está livre de egotismo, é corretamente chamada de Purusha. (Alguém que está livre de vaidade ou arrogância merece ser chamado de Purusha. A ausência de vaidade é implicada por pedir a ajuda de outros mesmo quando a própria pessoa é competente. Mulheres seguem mulheres, tal sendo sua natureza. Isto é um cumprimento que Parvati presta a Siva por ele questioná-la quando ele mesmo é bem familiarizado com o tópico sobre o qual ela foi pedida para discursar.) Com relação à mulher, ó senhor de todos os seres, ela segue pessoas do seu sexo. Por consultar estes principais dos Rios, elas serão honradas por mim. A sagrada Saraswati é o mais importante de todos os rios. Ela segue para o oceano e é realmente a primeira de todas as correntes. Vipasa também aqui, e Vitasta, e Chandrabhaga, e Iravati, e Satadru, e o rio Devika, e Kausiki, e Gomati, e este Rio celeste que tem nela todos os Tirthas sagrados, isto é, a deusa Ganga, que tendo sua origem no Céu desceu sobre a Terra e é considerada como a principal de todas as correntes.’ Tendo dito isso, a esposa daquele deus dos deuses, aquela principal de todas as pessoas justas, dirigiu-se sorridente a todos aqueles Rios do seu sexo. De fato, a esposa do grande deus, dedicada ao cumprimento de todos os deveres, questionou aqueles indivíduos do seu sexo acerca dos deveres das mulheres. Na verdade, aqueles mais importantes dos rios tendo Ganga como seu principal são todos conhecedores dos deveres das mulheres.'” "Uma disse, ‘O deus ilustre me fez uma pergunta relativa aos deveres das mulheres. Eu desejo responder para Sankara depois de ter consultado com vocês. Eu não vejo algum ramo de conhecimento sobre a Terra ou no Céu que seja capaz de ser dominado por algum indivíduo sem ajuda. Ó rios que correm em direção ao oceano, é por isso que eu busco suas opiniões!’ Foi dessa maneira que aqueles principais dos Rios, todos os quais eram auspiciosos e altamente sagrados, foram questionados pela esposa de Siva. Então o Rio celeste Ganga, que adorou a filha do príncipe das montanhas em retribuição, foi escolhida para responder a pergunta. Na verdade, ela de sorrisos doces é considerada como cheia de diversos tipos de conhecimento e bem familiarizada com os deveres das mulheres. A deusa sagrada, capaz de dissipar todo o medo do pecado, possuidora de humildade por causa de sua inteligência, conhecedora de todos os deveres, e enriquecida com uma inteligência extremamente abrangente, sorrindo docemente, proferiu estas palavras, 'Ó deusa, tu estás sempre dedicada à execução adequada de todos os deveres. Tu me favoreceste muito por me questionares dessa maneira! Ó impecável, tu és honrada pelo universo inteiro, ainda assim tu perguntas a mim que sou apenas um rio. Aquela pessoa que, embora ela mesma competente (para falar sobre um assunto) ainda indaga outra, ou que presta uma homenagem educada para outra, certamente merece, eu penso, ser considerada como de alma justa. Na verdade, tal pessoa merece ser chamada de erudita e sábia. Nunca cai em ignomínia aquela pessoa que questiona tais oradores que são dotados de conhecimento e ciência e que são bons conhecedores de premissas e inferências. Um homem orgulhoso, mesmo quando enriquecido com inteligência, por falar no meio de uma assembleia de outra maneira (isto é, por confiar somente em seus próprios poderes e sem referência ou consulta com outros), se descobre proferindo somente palavras de significado fraco. Tu és possuidora de discernimento espiritual. Tu és a principal de todos os habitantes no Céu. Tu tiveste teu surgimento acompanhada por diversos tipos de mérito excelente. Tu, ó deusa, és totalmente competente para falar sobre os deveres das mulheres!’ Dessa maneira, a deusa Uma foi adorada por Ganga e honrada com a atribuição de muitos méritos superiores. A bela deusa, assim elogiada, então começou a discursar sobre todos os deveres das mulheres integralmente.'” "Uma disse, 'Eu irei, de acordo com a ordenança, falar sobre o assunto dos deveres das mulheres tanto quanto eles são conhecidos por mim. Vocês todos escutem com atenção concentrada! Os deveres das mulheres surgiram como criados no início por parentes nos ritos de casamento. De fato, uma mulher se torna, na presença do fogo nupcial, a associada de seu marido no desempenho de todas as ações virtuosas. (De acordo com as escrituras Hindu o casamento não é um contrato. Ele é a união de dois indivíduos de sexos opostos em uma pessoa para a melhor realização de todos os atos de piedade.) Possuidora de uma boa disposição, dotada de palavras agradáveis, conduta agradável, e aspecto agradável, e sempre olhando para o rosto de seu marido e derivando tanta alegria disto como ela faz de olhar para o rosto de seu filho, aquela mulher casta que regula seus atos por cumprir as restrições prescritas, vem a ser considerada como realmente virtuosa em sua conduta. Escutando (com reverência) aos deveres da vida de casada (como expostos nas escrituras), e realizando todos aqueles deveres auspiciosos, aquela mulher que considera a virtude como o principal de todos os objetivos de busca, que cumpre os mesmos votos como aqueles que são cumpridos por seu marido, que, adornada com castidade, considera seu cônjuge como um deus, que o atende e o serve como se ele fosse um deus, que entrega sua própria vontade completamente àquela de seu marido, que é alegre, que pratica votos excelentes, que é dotada de boas feições, e cujo coração está completamente devotado a seu marido tanto que ela nunca pensa em algum outro homem, é considerada como realmente virtuosa em conduta. Aquela mulher que, até quando endereçada severamente e olhada com olhos zangados por seu marido, apresenta um aspecto alegre para ele, é citada como sendo realmente dedicada a seu marido. Aquela que não lança seus olhos para a Lua ou o Sol ou uma árvore que tenha um nome masculino, que é adorada por seu marido e que é possuidora de feições belas, é considerada como realmente virtuosa. Aquela mulher que trata seu marido com a afeição que ela demonstra por seu filho, até quando acontece de ele (o marido) ser pobre ou doente ou fraco ou desgastado com o trabalho de viajar, é considerada como realmente virtuosa em sua conduta. Aquela mulher que é dotada de autocontrole, que tem dado à luz filhos, que serve seu marido com dedicação, e cujo coração inteiro está devotado a ele, é considerada como realmente virtuosa em sua conduta. Aquela mulher que cuida e serve seu marido com um coração alegre, que é sempre alegre de coração, e que é possuidora de humildade, é considerada como realmente virtuosa em sua conduta. Aquela mulher que sempre sustenta seus parentes por lhes dar alimento, e cuja satisfação em satisfazer seus desejos ou por artigos de prazer, ou pela riqueza que ela possui, ou pela felicidade com a qual ela está circundada, não alcança sua satisfação por seu marido, é considerada como realmente virtuosa em sua conduta. Aquela mulher que sempre tem prazer em levantar de manhã cedo, que é dedicada ao cumprimento de todos os deveres domésticos, que sempre mantém sua casa limpa, que esfrega sua casa diariamente com esterco de vaca, que sempre cuida do fogo doméstico (por derramar libações sobre ele), que nunca negligencia fazer oferendas de flores e outros artigos para as divindades, que com seu marido gratifica as divindades e convidados e todos os empregados e dependentes da família com aquela parte de alimento que é deles pelas ordenanças, e que sempre pega, de acordo com a ordenança, para ela mesma aquele alimento que resta na casa depois que foram satisfeitas as necessidades dos deuses e convidados e empregados, e que gratifica todas as pessoas que entram em contato com sua família e as alimenta até sua satisfação, consegue adquirir grande mérito. Aquela mulher que é dotada de habilidades, que gratifica os pés de seu sogro e sogra, e que é sempre dedicada a seu pai e mãe, é considerada como possuidora de riqueza ascética. Aquela mulher que sustenta com comida os Brahmanas que são fracos e incapazes, que são afligidos ou cegos ou indigentes, vem a ser considerada como tendo direito a compartilhar o mérito de seu marido. Aquela mulher que sempre cumpre, com um coração alegre, votos que são difíceis de serem cumpridos, cujo coração está devotado a seu marido, e que sempre procura o bem de seu marido, é considerada como tendo direito a compartilhar os méritos de seu marido. Devoção pelo marido é o mérito da mulher; isto é sua penitência; isto é seu Céu eterno. Mérito, penitências, e Céu se tornam daquela que considera seu marido como seu tudo em tudo, e que, dotada de castidade, procura se dedicar a seu marido em todas as coisas. O marido é o deus os quais as mulheres têm. O marido é seu amigo, ó marido é seu maior amparo. Mulheres não têm refúgio que possa se comparar com seus maridos, e nenhum deus que possa se comparar com ele. A graça do marido e o Céu são iguais na avaliação de uma mulher; ou, se desiguais, a desigualdade é muito insignificante. Ó Maheswara, eu não desejo o próprio Céu se tu não estás satisfeito comigo. Se o marido que é pobre, ou doente ou afligido ou caído entre inimigos, ou afligido pela maldição de um Brahmana, mandar a esposa realizar alguma coisa que seja imprópria ou injusta ou que possa levar à destruição da própria vida, a esposa deve, sem qualquer hesitação, realizá-la, guiada pelo código cuja adequação é sancionada pela lei de Infortúnio. Eu assim, ó deus, expliquei, por tua ordem, quais são os deveres das mulheres. Na verdade, aquela mulher que se comporta dessa maneira vem a ter direito a uma parte dos méritos ganhos por seu marido.'” "Narada continuou, 'Assim endereçado, o grande deus elogiou a filha do príncipe das montanhas e então despediu todas as pessoas que tinham se reunido lá, junto com seus próprios servidores. As diversas tribos de seres fantasmais, como também os Rios incorporados, e os Gandharvas e Apsaras, todos curvaram suas cabeças para Mahadeva e partiram para retornarem para os lugares de onde eles tinham vindo.’” 147 "Os Rishis disseram, 'Ó manejador do Pinaka, ó arrancador dos olhos de Bhaga, ó tu que és adorado por todo o universo, nós desejamos ouvir a glória de Vasudeva.'” "Maheswara disse, 'Hari é superior ao próprio Avô. Ele é o Purusha Eterno. Também chamado de Krishna, ele é dotado do esplendor do ouro, e brilha com refulgência como um segundo sol. Possuidor de dez braços, ele é dotado de grande energia, e é o matador dos inimigos dos deuses. Tendo um vórtice em seu peito, ele tem cachos de cabelo encaracolado em sua cabeça. Ele é adorado por todas as divindades. Brahman surgiu do seu abdômen. Eu surgi da cabeça dele. Todos os corpos luminosos no firmamento surgiram do seu cabelo. Dos pêlos em seu corpo surgiram todos os deuses e Asuras. Do seu corpo surgiram os Rishis como também todos os mundos eternos. Ele é a verdadeira residência do Avô e a residência de todos os deuses além disso. Ele é o Criador de toda esta Terra, e Ele é o Senhor dos três mundos. Ele é também o Destruidor de todas as criaturas móveis e imóveis. Ele é verdadeiramente a principal de todas as divindades. Ele é seu mestre. Ele é o castigador de todos os inimigos. Ele é possuidor de onisciência. Ele existe em tudo. Ele é capaz de ir a todos os lugares. Ele é de extensão universal (permeando tudo). Ele é a Alma Suprema. Ele é o incitador de todos os sentidos. Ele cobre o universo. Ele é o Senhor Supremo. Não há nada nos três mundos que sela superior a Ele. Ele é Eterno. Ele é o matador de Madhu, e é também chamado de Govinda. O concessor de honras, Ele fará todos os reis da Terra serem mortos em batalha, para realizar os propósitos das divindades, tomando nascimento em uma forma humana. As divindades, abandonadas por Ele, são incapazes de realizar seus propósitos sobre a terra. Sem obtê-lo como seu líder elas não podem fazer nada. Ele é o líder de todas as criaturas e é adorado por todos os deuses. Dentro do abdômen deste Mestre dos deuses que está sempre dedicado à realização de seus propósitos, deste que é idêntico a Brahma e que é sempre o refúgio dos Rishis regenerados, reside Brahma (o Avô). De fato, o último mora felizmente no corpo de Hari o qual é a residência. Eu mesmo, que sou chamado de Sarva, também resido alegremente naquela minha residência feliz. Todas as divindades também residem em felicidade em Seu corpo. Dotado de grande refulgência, ele tem olhos que parecem com as pétalas do lótus. Sri mora dentro dele e Ele vive sempre associado com ela. O arco chamado Saranga e o disco (chamado Sudarsana) são suas armas, junto com uma espada. Ele tem o inimigo das cobras (isto é, Garuda) sentado em seu estandarte. Ele é distinguido por conduta excelente, por pureza (de corpo e mente), por autodomínio, por destreza, por energia, pela forma mais bela, por altura e membros bem proporcionados, por paciência, por sinceridade, por riqueza, por compaixão, por excelência de forma, e por poder. Ele brilha, dotado de todas as armas celestes de forma e feitio extraordinários. Ele tem Yoga como sua ilusão. Ele é possuidor de mil olhos. Ele está livre de toda mácula ou imperfeição. Ele é de mente sublime. Ele é dotado de heroísmo. Ele é um objeto de orgulho para todos os seus amigos. Ele é querido para todos os seus amigos e parentes e eles são queridos para Ele. Ele é dotado de clemência. Ele é livre de orgulho ou egotismo. Ele é devotado aos Brahmanas e é seu líder. Ele dissipa os temores de todas as pessoas afligidas pelo medo. Ele aumenta as alegrias de todos os seus amigos. Ele é o refúgio de todas as criaturas. Ele está sempre dedicado a proteger e cuidar dos aflitos. Possuidor de um conhecimento completo de todas as escrituras, e todo tipo de riqueza, Ele é adorado por todos os seres. Conhecedor de todos os deveres, Ele é um grande benfeitor até de inimigos quando eles procuram Sua proteção. Familiarizado com política e dotado de política, Ele é um proferidor de Brahma e tem todos os Seus sentidos sob controle perfeito. Para fazer bem para as divindades, Govinda tomará nascimento na linhagem de Manu de grande alma. Na verdade, dotado de inteligência superior, Ele tomará nascimento na linhagem auspiciosa e justa daquele Prajapati. Manu terá um filho de nome Anga. Depois de Anga virá Antardhaman. De Antardhaman surgirá Havirdhaman, aquele senhor de todas as criaturas, livre de toda mácula. Havirdhaman terá um filho ilustre de nome Rachinavarhi. Ele terá dez filhos tendo Prachetas como seu primeiro. Prachetas terá um filho chamado Daksha que será considerado como um Prajapati. Daksha irá gerar uma filha que será chamada de Dakshayani. De Dakshayani nascerá Aditya, e de Aditya surgirá Manu. De Manu surgirá uma filha chamada Ila e um filho que se chamará Sudyumna. Ila terá Vudha como seu marido, e de Vudha surgirá Pururavas. De Pururavas surgirá Ayu. De Ayu surgirá Nahusha, e Nahusha gerará um filho chamado Yayati. De Yayati surgirá um filho poderoso de nome Yadu, Yadu gerará Kroshtri. Kroshtri irá gerar um poderoso filho que se chamará Vrijinivat. De Vrijinivat surgirá Ushadgu o invicto. Ushadgu gerará um filho de nome Chitraratha. Chitraratha terá um filho mais novo de nome Sura. De fato, na linhagem destes homens poderosos, de energia célebre por todo o mundo, possuidores de conduta excelente e diversas habilidades, dedicados à realização de sacrifícios e puros em comportamento, na linhagem pura honrada pelos Brahmanas, Sura tomará seu nascimento. Ele será um Kshatriya importante, dotado de grande energia, e possuidor de grande renome. Sura, concessor de honras, irá gerar um filho, o propagador de sua linhagem, de nome Vasudeva, também chamado de Anakadundhuvi. Vasudeva terá um filho de nome Vasudeva. Ele terá quatro mãos. Ele será extremamente generoso, e honrará os Brahmanas grandemente. Idêntico a Brahma, ele irá estimar e amar os Brahmanas, e os Brahmanas irão estimá-lo e amá-lo. Aquele descendente da linhagem de Yadu libertará muitos reis encarcerados na prisão do soberano dos Magadhas, depois de derrotar aquele soberano chamado Jarasandha em sua capital enterrada entre montanhas. Dotado de grande energia, ele será rico com as jóias e pedras preciosas de todos os soberanos da terra. De fato, em energia ele será inigualável sobre a terra, possuidor de grande destreza, ele será o rei de todos os reis da terra. O mais importante entre todos os Surasenas, o pujante, residindo em Dwaraka, governará e protegerá a terra inteira depois de vencer todos os seus senhores, conhecedor como ele será da ciência de governo. Reunindo-se, vocês todos adorem a Ele, como vocês adoram o Eterno Brahman, com palavras, guirlandas florais, e incenso e perfumes excelentes. Aquele que deseja ver a mim ou o Avô Brahma deve ver primeiro o ilustre Vasudeva de grande pujança. Se Ele é visto Eu sou visto, como também o Avô Brahman, aquele principal de todos os deuses. Nisto eu não julgo que há alguma diferença. Saibam disto, ó Rishis de riqueza ascética! Aquela pessoa com quem Vasudeva de olhos de lótus ficar satisfeito, todas as divindades com Brahma entre elas também ficarão satisfeitas. Aquele homem que procurar a proteção de Kesava conseguirá ganhar grandes realizações e vitória e Céu. Ele será um instrutor em religião e deveres, e ganhará grande mérito religioso. Todas as pessoas familiarizadas com religião e deveres devem, com grande entusiasmo, reverenciar aquele Senhor de todos os deuses. Por adorar aquele pujante, uma pessoa obterá grande mérito. Dotado de grande energia, aquele deus, com o desejo de beneficiar todas as criaturas, criou milhões de Rishis por causa da virtude. Aqueles milhões de Rishis, assim criados por aquele grande Ordenador estão agora residindo nas montanhas de Gandhamadana, encabeçados por Sanatkumara e engajados na prática de penitências. Por isso, ó principal dos regenerados, aquela principal de todas as pessoas eloquentes, o justo Vasudeva, deve ser adorado por todos. O ilustre Hari, o pujante Narayana, é realmente o principal de todos os seres no Céu. Adorado, ele adora, e honrado ele honra; para aqueles que fazem oferendas para ele, ele faz oferendas em retorno. Adorado, ele adora em retorno, se visto sempre, ele vê os o que vêem sempre. Se alguém procura Seu amparo e proteção, Ele procura o que o procura como seu amparo em retorno. Ó principais de todos os virtuosos, se adorado e cultuado, Ele adora e cultua em retribuição. Esta é a prática sublime do impecável Vishnu. Este mesmo é o voto que é praticado por todas as pessoas justas, daquela principal de todas as divindades, aquele Senhor pujante de todas as criaturas. Ele é sempre adorado no mundo. Na verdade, aquele Ser Eterno é adorado até pelas divindades. Aquelas pessoas que são devotadas a Ele com a firmeza de um voto ficam livres de calamidade e medo em proporção à sua devoção. Os regenerados devem sempre adorá-lo em pensamento, palavra, e ação. O filho de Devaki deve ser visto por eles com reverência e a fim de vê-lo com reverência eles devem se dirigir para a prática de penitências. Ó principais dos ascetas, este mesmo é o caminho que eu mostro para vocês. Por vê-lo, vocês verão todas as principais das divindades. eu também curvo minha cabeça em reverência àquele Senhor do universo, aquele Avô de todos os mundos, aquele javali poderoso e vasto. Por vê-lo alguém vê a Trindade. Nós, isto é, todas as divindades, residimos nele. Ele terá um irmão mais velho que se tornará conhecido por todo o mundo como Vala. Tendo um arado como sua arma, em forma ele parecerá com uma colina branca. Realmente, ele será dotado de força capaz de erguer a terra inteira. Sobre o carro daquela pessoa divina uma palmeira alta, de três cabeças e feita de ouro, formará seu estandarte orgulhoso. A cabeça daquele herói de poderosamente armado, aquele Senhor de todos os mundos, será sombreada por muitas cobras de grande alma de corpos vastos. Todas as armas de ataque e defesa também irão até ele logo que ele pensar nelas. Ele é chamado de Ananta (infinito). Na verdade, aquele ilustre é idêntico ao imutável Hari. Uma vez o poderoso Garuda, o filho de Kasyapa, foi endereçado pelas divindades nestas palavras, 'Ó pujante, veja se este tem algum fim!' Embora possuidor de grande energia e poder, Garuda, no entanto, fracassou em descobrir o fim daquele ilustre que é idêntico à Alma Suprema. Sustentando a terra inteira sobre sua cabeça, ele reside nas regiões inferiores. Ele vaga pelo universo como Sesha, cheio de grande alegria. Ele é Vishnu, Ele é o ilustre Ananta. Ele é o sustentador da terra. Aquele que é Rama é Hrishikesa. Aquele que é Achyuta é Ananta, o suporte da terra. Ambas daquelas principais de todas as criaturas são celestiais e dotadas de destreza celestial. Um deles está armado com o disco e o outro com o arado. Eles merecem toda a honra e devem ser vistos. Eu, pela minha bondade por vocês, assim declarei a vocês a natureza de Vasudeva. Isto mesmo, ó ascetas possuidores de riqueza de penitências, é Virtude. Eu declarei tudo isto para vocês para que vocês possam, com reverência e cuidado, adorar Krishna, aquele principal da linhagem de Yadu.’” 148 "Narada disse, 'Na conclusão do discurso de Mahadeva, rugidos altos foram ouvidos no firmamento. Trovões ribombaram, com lampejos de relâmpago. O firmamento foi envolvido com nuvens azuis e densas. A divindade das nuvens então derramou água pura como aquela que ele derrama na estação das chuvas. Uma escuridão densa teve início. Os pontos do horizonte não podiam mais ser distinguidos. Então naquele encantador, sagrado, e eterno leito daquela montanha celeste, os Rishis reunidos não viram mais a multidão de seres fantasmais que se associam com Mahadeva. Logo, no entanto, o céu clareou. Alguns dos Rishis partiram para as águas sagradas. Outros voltaram para os lugares de onde eles vieram. Na verdade, contemplando aquela visão maravilhosa e inconcebível, eles ficaram cheios de assombro. A conversa também entre Sankara e Uma tinha sido ouvida por eles com os sentimentos. Aquele principal de todos os Seres, de quem Sankara de grande alma nos falou sobre aquela montanha, és Tu. Na verdade, tu és idêntico ao Eterno Brahma. Algum tempo também Mahadeva queimou Himavat com sua energia. Tu também nos mostraste uma visão de prodígio similar. De fato, nós nos lembramos daquele fato pelo que nós testemunhamos hoje. Ó Janardana de braços poderosos, eu assim, ó pujante, narrei para ti a glória daquele deus dos deuses, isto é, aquele que é chamado de Kapardin ou Girisa!'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado por aqueles habitantes dos retiros ascéticos, Krishna, o alegrador de Devaki prestou as devidas honras para todos aqueles Rishis. Cheios de deleite, aqueles Rishis mais uma vez se dirigiram a Krishna, dizendo, 'Ó matador de Madhu, repetidamente mostre a Ti mesmo para nós em todos os momentos! Ó pujante, o próprio Céu não pode nos regozijar tanto quanto uma visão de Ti. Tudo o que foi dito pelo ilustre Bhava (com referência a Ti) é verdade. Ó opressor de inimigos, nós te dissemos tudo sobre aquele mistério. Tu mesmo és conhecedor da verdade de todo tópico. Já que, no entanto, perguntado por nós, te agradou nos perguntar em retorno, nós, por esta razão, descrevemos tudo (sobre a conversa de Bhava com Uma) para Ti somente para Te agradar. Não há nada nos três mundos que seja desconhecido por Ti. Tu conheces totalmente o nascimento e a origem de todas as coisas, de fato, tudo o que opera como uma causa (para a produção de outros objetos). Por causa da leviandade do nosso caráter, nós não podemos levar (dentro de nós mesmos o conhecimento de) algum mistério (sem revelá-lo). (Tu conheces todas as coisas, todos os mistérios, porém Tu podes manter todo este conhecimento dentro de Ti mesmo. Nós, no entanto, somos tão inconstantes, desprovidos de gravidade, que nós somos incapazes de manter dentro de nós mesmos o conhecimento de um mistério. Logo que nós obtivemos aquele conhecimento de Mahadeva, nós sentimos o desejo de divulgá-lo, e, de fato, nós o divulgados a teu pedido, e divulgamos para quem? Para alguém que deve estar rindo de nós secretamente por nosso orgulho aparente.) De fato, na Tua presença, ó pujante, nós nos entregamos a incoerências pela leviandade de nossos corações. Não há coisa extraordinária que seja desconhecida para Ti! O que quer que haja sobre a terra, e o que quer que exista no céu, tudo é conhecido por Ti! Nós nos despedimos de Ti, ó Krishna, para voltar para nossas respectivas residências. Que Tu possas crescer em inteligência e prosperidade! Ó Senhor, Tu logo obterás um filho como Tu ou ainda mais famoso do que Tu mesmo. Ele será dotado de grande energia e esplendor. Ele realizará façanhas grandiosas, e se tornará possuidor de força tão grande quanto a Tua!'” (É dito que nenhuma pessoa deseja ser superada por outra em relação a alguma coisa. No entanto, a única pessoa cuja vitória ou superioridade é tolerável ou, antes, para quem ela é rogada, é o filho. Por essa razão, os Rishis desejam para Krishna um filho até superior a ele.) "Bhishma continuou, 'Depois disso, os grandes Rishis reverenciaram aquele deus dos deuses, aquele descendente da linhagem de Yadu, aquele principal de todos os Seres. Eles então o circungiraram e se despedindo dele, partiram. Com relação a Narayana, que é dotado de prosperidade e refulgência brilhante, Ele voltou para Dwaraka depois de ter cumprido devidamente aquele Seu voto. Sua esposa Rukmini concebeu, e no término do décimo mês um filho foi nascido dela, possuidor de heroísmo e respeitado por todos por suas habilidades muito admiráveis. Ele era idêntico àquele Kama (desejo) o qual existe em todas as criaturas e que permeia toda condição existente. De fato, ele se move dentro dos corações de deuses e Asuras. Este Krishna é aquela principal de todas as pessoas. Ele mesmo, dotado da cor das nuvens é aquele Vasudeva de quatro mãos. Por afeição Ele se uniu aos Pandavas, e vocês também, ó filhos de Pandu, se uniram a Ele. Realizações, Prosperidade, Inteligência, e o caminho que leva para o céu, estão todos lá onde este, isto é, o ilustre Vishnu de três passos, está. Ele é os trinta e três deuses com Indra em sua vanguarda. Não há dúvida nisto. Ele é o único Deus Antigo. Ele é o principal de todos os deuses. Ele é o refúgio de todas as criaturas. Ele é sem início e sem destruição. Ele é imanifesto. Ele é o matador de grande alma de Madhu. Dotado de energia imensa, Ele tomou nascimento (entre homens) para realizar o propósito dos deuses. Na verdade, este Madhava é o explanador de verdades mais difíceis relativas a Lucro ou Riqueza, e ele é também seu empreendedor. Ó filho de Pritha, a vitória que tu obtiveste sobre teus inimigos, tuas realizações inigualáveis, o domínio que tu adquiriste sobre a terra inteira, são todos devido ao teu lado ter sido adotado por Narayana. O fato de tu teres obtido o inconcebível Narayana como teu protetor e refúgio te permitiu te tornares um Adharyu (sacrificador principal) por despejar multidões de reis como libações no fogo ardente da batalha. Este Krishna foi tua grande concha sacrifical parecendo com o fogo todo destrutivo que aparece no fim do Yuga. Era para se ter muita pena de Duryodhana com seus filhos, irmãos e parentes, visto que, movido pela ira, ele fez guerra com Hari e o manejador do Gandiva. Muitos filhos de Diti, muitos principais dos Danavas, de corpos enormes e força vasta, têm perecido no fogo do disco de Krishna como insetos em um incêndio florestal. Quão incapazes então devem ser os seres humanos de lutar contra aquele Krishna, seres humanos que, ó tigre entre homens, são desprovidos de força e poder! Com relação a Jaya, ele é um poderoso Yogin parecendo com o todo destrutivo fogo-Yuga em energia. Capaz de estirar o arco igualmente com ambas as mãos, ele está sempre na vanguarda da luta. Com sua energia, ó rei, ele matou todas as tropas de Suyodhana. Escute-me enquanto eu te digo o que Mahadeva que tem touro como o emblema em seu estandarte contou para os ascetas no leito de Himavat. Suas declarações constituem um Purana. A superioridade de grandeza, energia, força, destreza, pujança, humildade e linhagem que existem em Arjuna podem alcançar somente uma terça parte da medida na qual aqueles atributos residem em Krishna. Quem poderia superar Krishna nestes atributos? Se isto é possível ou não, ouça (e julgue). Lá onde o ilustre Krishna está, há Excelência inigualável. Com relação a nós, nós somos pessoas de pouca compreensão. Dependentes da vontade de outros, nós somos muito desafortunados. Conscientemente nós nos dirigimos para o eterno caminho da morte. Tu, no entanto, és dedicado à sinceridade de conduta. Tendo antigamente te empenhado contra a tomada do teu reino, tu não o tomaste, desejoso de manter tua promessa. Ó rei, tu fizeste demasiado do massacre de teus parentes e amigos em batalha (ocasionado, como tu acreditas, por ti mesmo). Tu deves lembrar, no entanto, ó castigador de inimigos, que não é certo violar uma promessa. (A promessa, provavelmente, se refere aos juramentos feitos por Bhima e outros sobre o massacre dos Kauravas.) Todos aqueles que morreram no campo de batalha realmente foram mortos pelo Tempo. Na verdade, todos nós somos mortos pelo Tempo. O Tempo é, de fato, todo-poderoso. Tu estás totalmente familiarizado com a força do Tempo. Afligido pelo Tempo, não cabe a ti sofrer. Saiba que o próprio Krishna, também chamado de Hari, é aquele Tempo com olhos vermelhos sangue e com a clava na mão. Por estas razões, ó filho de Kunti, não cabe a ti te afligir por teus parentes (mortos). Esteja sempre livre, ó encantador dos Kurus, de aflição. Tu ouviste a respeito da glória e da grandeza de Madhava como declaradas por mim. Isto é suficiente para permitir um bom homem compreender a Ele. Tendo ouvido as palavras de Vyasa como também de Narada dotado de grande inteligência, eu te falei sobre a qualidade de ser adorável de Krishna. Eu mesmo somei; do meu próprio conhecimento, alguma coisa àquele discurso. Realmente, eu falei também na pujança insuperável de Krishna como declarada por Mahadeva, para aquele conclave de Rishis (no leito de Himavat). A conversa também entre Maheswara e a filha de Himavat, ó Bharata, foi narrada por mim para ti. Aquele que mantiver em mente este discurso quando proveniente de uma pessoa importante, aquele que o escutar, e aquele que o narrar (para audição de outras pessoas), sem dúvida obterá o que é altamente benéfico. Aquele homem encontrará todos os seus desejos realizados. Partindo deste mundo ele ascenderá para o Céu. Não há dúvida nisto. Aquele homem que está desejoso de obter o que é benéfico para si mesmo deve se devotar a Janardana. Ó rei dos Kurus, cabe a ti também sempre manter em mente aqueles incidentes de dever e virtude que foram declarados por Maheswara. Se tu te comportares de acordo com aqueles preceitos, se tu portares a vara de castigo corretamente, se tu protegeres teus súditos adequadamente, tu podes estar seguro de chegar ao céu. Cabe a ti, ó rei, proteger teus súditos sempre segundo os ditames da justiça. A forte vara de castigo que o rei possui é citada como sendo a personificação de sua justiça ou mérito. (O rei adquire grande mérito por manejar a vara de castigo adequadamente, isto é, por punir aqueles que merecem punição. A inflição de punição é o que mantém os súditos dentro dos limites do dever. A vara de castigo, portanto, é a própria corporificação da justiça ou mérito do rei.) Ouvindo esta conversa, repleta de virtude, entre Sankara e Uma, que eu narrei na presença deste conclave honrado, uma pessoa deve adorar com reverência aquele deus que tem o touro como o emblema em seu estandarte. Mesmo alguém que fica desejoso de escutar aquela conversa deve adorar Mahadeva com reverência. Na verdade, a pessoa que deseja obter que é benéfico para ela deve adorar Mahadeva com um coração puro. Esta é a ordem do impecável Narada de grande alma. Ele mesmo ordenou tal culto do grande deus. Ó filho de Pandu, obedeça a ordem de Narada. Ó rei pujante, estes são os incidentes fenomenais que ocorreram no leito sagrado do Himavat com relação a Vasudeva e Sthanu, ó filho de Kunti. Aquelas ocorrências fluíram da própria natureza daquelas divindades de grande alma. Vasudeva, acompanhado pelo manejador do Gandiva, praticou penitências eternas no retiro de Vadari por dez mil anos. (Vasudeva é Narayana, e Arjuna é Nara. Nara e Narayana praticaram penitências severas em Vadari no leito do Himavat por muitos milhares de anos. Vyasa posteriormente adotou Vadari como seu retiro.) Realmente, Vasudeva e Dhananjaya, ambos de olhos como pétalas de lótus, praticaram austeridades severas pela duração de três Yugas inteiros. Eu fui informado disto por Narada e Vyasa, ó rei. Vasudeva de olhos de lótus e de braços poderosos, enquanto ainda era uma criança (em forma humana) realizou o grande feito de matar Kansa para o alívio de seus parentes. Eu não ouso, ó filho de Kunti, enumerar as façanhas deste Ser Antigo e Eterno, ó Yudhishthira. Sem dúvida, ó filho, benefícios sublimes e grandiosos serão colhidos por ti que possui aquela principal de todas as pessoas, isto é, Vasudeva, como teu amigo. Eu me aflijo pelo pecaminoso Duryodhana em relação mesmo ao mundo seguinte para o qual ele foi. Foi por causa dele que a terra inteira foi despovoada com suas sementes e elefantes. De fato, foi por causa do erro de Duryodhana, de Karna, de Sakuni, e de Duhsasana numerando o quarto, que os Kurus pereceram.’” "Vaisampayana continuou, 'Enquanto aquele principal dos homens, isto é, o filho de Ganga, se dirigia a ele dessa maneira, o rei Kuru (Yudhishthira) permaneceu totalmente silencioso no meio daquelas pessoas de grande alma (que tinham se reunido para escutar os discursos de Bhishma). Todos os reis com Dhritarashtra entre eles ficaram muito admirados ao ouvirem as palavras do avô Kuru. Em suas mentes eles adoraram Krishna e então se viraram em direção a ele com mãos unidas em reverência. Os Rishis também, com Narada em sua liderança, aceitaram e aplaudiram as palavras de Bhishma e as aprovaram alegremente. Estes foram os discursos maravilhosos narrados por Bhishma os quais o filho de Pandu (Yudhishthira) com todos os seus irmãos ouviram com alegria. Algum tempo depois, quando o rei (Yudhishthira) viu que o filho de Ganga tinha dado riqueza abundante como presentes para os Brahmanas nos sacrifícios realizados por ele, tinha descansado e ficado revigorado, o rei inteligente mais uma vez o questionou da seguinte maneira.'" 149 "Vaisampayana disse, 'Tendo ouvido todos os deveres em sua totalidade e todos aqueles atos e objetos sagrados que purificam seres humanos de seus pecados, Yudhishthira novamente se dirigiu ao filho de Santanu nas seguintes palavras.'” "Yudhishthira disse, ‘Quem pode ser citado como o único deus no mundo? Quem pode ser citado como o único objeto que é nosso único refúgio? Quem é aquele por adorar a quem ou cantar cujos louvores seres humanos obteriam o que é benéfico? Qual religião é aquela que, segundo teu julgamento, é a principal de todas as religiões? Quais são aqueles Mantras por recitar os quais uma criatura viva se torna livre dos vínculos de nascimento e vida?'” "Bhishma disse, 'Uma pessoa deve sempre, com entusiasmo e rejeitando todo langor, cantar os louvores daquele Senhor do universo, aquele deus dos deuses (isto é, Vasudeva), que é Infinito e o principal de todos os Seres, por proferir Seus mil nomes. Por sempre cultuar com reverência e devoção aquele Ser imutável, por meditar nele, por cantar Seus louvores e curvar a cabeça para Ele, e por realizar sacrifícios para Ele, de fato por sempre louvar Vishnu, que é sem início e sem fim ou destruição, que é o Senhor Supremo de todos os mundos, e que é o Mestre e Controlador do universo, uma pessoa consegue transcender toda tristeza. Na verdade, Ele é devotado aos Brahmanas, conhecedor de todos os deveres e práticas, o aumentador da fama e realização de todas as pessoas, o mestre de todos os mundos, extremamente maravilhoso, e a primeira causa da origem de todas as criaturas. Esta, em minha opinião, é a principal religião de todas as religiões, isto é, alguém deve sempre adorar e cantar os louvores de Vasudeva de olhos de lótus com devoção. Ele é a maior Energia. Ele é a maior Penitência. Ele é o maior Brahma. Ele é o maior refúgio. Ele é o mais santo de todos os santos, o mais auspicioso de todos os objetos auspiciosos. Ele é o deus de todos os deuses e Ele é o pai imutável de todas as criaturas. No advento do Yuga primordial, todas as criaturas provêm dele. No término, além disso, de um Yuga, todas as coisas desaparecem nele. (Os sábios hindus nunca tentam especular sobre a criação original do universo. Suas especulações, entretanto, estão relacionadas com o que é chamado de Avantara srishti ou aquela criação que surge com o despertar de Brahman. Criação e Destruição têm ocorrido incessantemente e irão ocorrer incessantemente. A criação original é impossível de imaginar visto que a Eternidade não pode ter um início.) Ouça, ó rei, os mil nomes, possuidores de grande eficácia em destruir pecados, daquele principal em todos os mundos, aquele Mestre do universo, isto é, Vishnu. Todos aqueles nomes derivados de Seus atributos, secretos e bem conhecidos, de Vasudeva de grande alma os quais foram cantados por Rishis, eu recitarei para ti para o bem de todos. Eles são, Om! Ele que entra em todas as coisas, além de Ele Mesmo, Ele que cobre todas as coisas, Ele para quem libações sacrificais são derramadas, o Senhor do Passado, do Presente, e do Futuro, o Criador (ou Destruidor) de todas as coisas existentes, o sustentador de todas as coisas existentes, o Existente, a Alma de todos, o Originador de todas as coisas (1--9); de Alma purificada, a Alma Suprema, o maior Refúgio de todas as pessoas emancipadas, o Imutável, Ele que jaz fechado em um invólucro, a Testemunha, Ele que conhece o invólucro material no qual Ele reside, o Indestrutível (10--17); (Putatman significa de Alma purificada. Isto implica que embora Ele seja o Senhor ou soberano de todos os objetos existentes, contudo Ele é dissociado deles. Purusha é Aquele que se encontra em um pura ou a mansão de nove portas, isto é, o corpo. Sakshi ou Testemunha significa que Ele vê todas as coisas diretamente, sem qualquer intermediário obstruindo Sua visão. Kshetrajna significa o Chit dentro do corpo e que conhece o corpo que, sendo inerte, não percebe o Chit que ele contém.) Ele em quem a mente repousa durante a abstração-Yoga, o Guia ou líder de todas as pessoas familiarizadas com Yoga, o Senhor de Pradhana (ou Prakriti) e Purusha. Ele que assumiu uma forma humana com uma cabeça leonina, Ele de belas feições e equipamentos, Ele de cabelo belo, o principal dos Purushas (18--24); (Ele é chamado de Yoga porque a mente repousa nele enquanto ela está em abstração-Yoga. Pradhana, na filosofia Sankhya, é outro nome de Prakriti ou Natureza original. Todas as coisas surgiram da união de Prakriti e Purusha. Vasudeva, no entanto, transcende Prakriti e Purusha como seu Senhor. Narasinghavapu--Ele assumiu a forma humana com uma cabeça de leão para matar o Asura Hiranyakasipu, o pai de Prahlada.) A encarnação de todas as coisas, o Destruidor de todas as coisas, Ele que transcende os três atributos de Sattwa, Rajas e Tamas, o Imóvel, o Início de todas as coisas e o Receptáculo no qual todas as coisas afundam na Dissolução universal, o Imutável, Ele que toma nascimento por sua própria vontade, Ele que faz as ações de todas as criaturas vivas frutificarem (na forma de felicidade ou infortúnio), o Mantenedor de todas as coisas, a Fonte da qual os elementos primordiais têm surgido, o Pujante, Ele em quem está o Domínio ilimitado sobre todas as coisas (25--37); (Sarva significa a fonte de todas as coisas existentes e inexistentes e aquilo no qual todas as coisas existentes e inexistentes se fundem na dissolução universal. Sambhava significa Aquele que nasce por Sua própria vontade. Atos não podem tocá-lo. O nascimento de todos os outros seres é determinado por suas ações em vidas anteriores. Bhuvana significa alguém que liga às ações seus respectivos resultados, isto é, aquele por causa de quem a felicidade e infortúnio de todas as criaturas fluem devido às ações.) O Nascido por Si Mesmo, Ele que dá felicidade para Seus devotos, o Gênio presidente (em forma dourada) no meio do Disco Solar, Aquele de Olhos de Lótus, Aquele de Voz Alta, Ele que é sem início e sem fim. Ele que sustenta o universo (na forma de Ananta e outros), Ele que ordena todas as ações e seus frutos, Ele que é superior ao Avô Brahma (38--46); (Sambhu significa alguém cujo nascimento não foi determinado por circunstâncias externas, ou outras influências exceto seu próprio desejo, o nascimento de todas as outras criaturas sendo determinado por forças estranhas a elas mesmas. Aditya pode também significar o principal entre as divindades especialmente chamadas de Adityas. Eles são doze em número. Dhatri pode também significar alguém que mantém tudo no universo por multiplicar a Si Mesmo infinitamente. Dhaturuttama pode, além disso, significar alguém que como Chit é superior a todos os elementos como Terra, Água, etc., os quais constituem tudo o que é não-Chit.) O Incomensurável (Aprameya), o Senhor dos sentidos (Hrishikesa, ou Ele que tem cabelos encaracolados), Ele de cujo umbigo o lótus primordial surgiu, o Senhor de todas as divindades, o Artífice do universo, o Mantra, Ele que enfraquece ou emacia todas as coisas, Ele que é vasto, o Antigo, Ele que é Permanente (47--56). Ele que não pode ser apreendido (pelos sentidos ou a mente), o Único Eterno, Krishna, o de Olhos Vermelhos (Lohitaksha, por Seus olhos serem da cor do cobre polido), Ele (Pratardana) que mata todas as criaturas no tempo da dissolução universal (ou Aquele que destrói a tristeza de seus devotos), Ele que é vasto por conhecimento e pujança e outros atributos do tipo, Ele que reside em três partes (acima, no meio, e abaixo) de toda criatura. Aquele que purifica, é auspicioso, e sublime (57--64). (Krishna é um dos principais nomes da Divindade Suprema. Ele significa Alguém que está sempre em êxtases de alegria. Ele é derivado de krish que significa ser, e na, significando Emancipação final ou cessação de existência, o composto provavelmente significa Aquele em quem todo atributo foi extinto; por essa razão, ausência de mudança, de tristeza, etc., ou, a maior e eterna alegria. Prabhuta é Alguém que é Grande ou Vasto por Conhecimento, Pujança, Energia, e Renúncia, etc.) Ele que incita todas as criaturas em relação a todas as suas ações. Ele que faz os ares vitais agirem. Ele que faz todas as criaturas vivas viverem, o Mais Velho, o Principal de todos aqueles que são considerados como os Senhores de todas as criaturas, Ele tem ouro em seu abdômen, Ele que tem a Terra como seu abdômen, o Marido de Sri ou Lakshmi, o Matador de Madhu (65--73); (Pranada é interpretado de modo variado. Isto pode significar Ele que faz os ares vitais operarem; Ele que, como Tempo suspende os ares vitais, isto é, mata todas as criaturas; Ele que conecta os ares vitais, isto é, os coloca em movimento quando ameaçados com extinção; por isso, curador de doenças. Prana significa Ele que é a causa da vida de toda criatura viva sendo Ele mesmo, por assim dizer, o ar vital que as inspira. Hiranyagarbha significa Ele que é idêntico ao Avô. Bhugarbha, é alguém que tem a Terra como seu abdômen, sugerindo que todas as coisas sobre a Terra estão em Seu abdômen.) O Onipotente, Ele que é dotado de grande bravura, Ele que está armado com o arco, Ele que é Possuidor de uma mente capaz de portar os conteúdos de todos os tratados, Ele que vaga pelo universo, montado em Garuda. Ele que é bem adequado para as oferendas feitas para Ele e que tem o poder de desfrutá-las devidamente, o Inigualável, Ele que não pode ser derrotado, Ele que conhece todas as ações que são feitas, Ele que é idêntico a todas as ações, Ele que depende do Seu próprio Eu verdadeiro (74--84). O Senhor de todas as divindades, Ele que é o Refúgio de todos, a personificação da bem-aventurança mais sublime, Ele cuja semente é o universo, Ele que é a fonte de todas as coisas, o dia (Aha, por Ele despertar Jiva que está imerso no sono de Necedade ou Avidya), o Ano (Samvatsara, porque o Tempo é Sua essência), a Cobra (Vyala, devido a Ele ser incapaz de ser apanhado), a personificação da Convicção, Ele que vê todas as coisas (85--94). O Não Nascido, o Senhor de todas as criaturas, Ele que alcançou sucesso, Ele que é o próprio Sucesso, Ele que é o início de todas as coisas (por Ele ser a causa de todas as coisas), Ele que está além de deterioração, Ele que é Virtude na forma do touro e do grande javali que ergueu a Terra submersa, Ele que é de alma incomensurável, Ele que permanece afastado de todos os tipos de união (95--103); Ele que é Pauaka entre as divindades chamadas Vasus (ou, Ele que mora em Seus devotos). Ele que é alma generosa, sendo livre de ira e ódio e orgulho e outros maus sentimentos. Verdade cuja alma é equânime por Sua perfeita imparcialidade, Ele que tem sido medido por Seus devotos, Ele que é sempre igual, estando acima de toda mudança ou modificação, Ele que nunca recusa conceder os desejos de Seus devotos, Ele cujos olhos são como as pétalas do lótus, Ele cujas ações são sempre caracterizadas pela Justiça (ou Ele que está sempre empenhado em conceder os desejos daqueles que são devotados a Ele), Ele que é da forma da Retidão (104--113); Ele que destrói todas as criaturas (ou suas dores), Ele de Muitas Cabeças, Ele que mantém o universo, Ele que é a origem do universo, Ele que é de fama pura ou sem mancha, o Imortal, Ele que é Eterno e Fixo, Ele que é possuidor de membros belos, (ou, Ele a ascensão para quem é a melhor de todas as ações), Ele que tem tal conhecimento que tem penitência como sua indicação, Ele que é capaz de agitar Prakriti para desenvolver o universo dela (114--122); Ele que vai a todos os lugares (no sentido de permear todas as coisas como sua causa), o Onisciente, Ele que brilha em refulgência inalterada, Ele cujas tropas estão em todos os lugares (na forma de associados devotados), (ou Ele à cuja própria visão as tropas Danava são espalhadas em todas as direções). Ele que é cobiçado (ou buscado) por todos (ou, Ele que oprime todos os Seus inimigos), Ele que é o Veda, Ele que está familiarizado com o Veda, Ele que conhece todos os membros (ou ramos) do Veda, Ele que representa os membros (ou ramos) do Veda (isto é, todas as ciências secundárias), Ele que determina as interpretações dos Vedas, Ele que não tem superior em sabedoria (123--133); Ele que é o mestre de todos os mundos, Ele que é o mestre das divindades, Ele que é o Supervisor da Justiça e Injustiça (para dar os frutos delas para aqueles que procuram uma ou outra), Ele é Efeito e Causa, (ou, Ele cuja vida não tem sido determinada por ações realizadas em alguma ocasião prévia por Ele transcender Prakriti). Ele que é de quatro almas (por Suas quatro formas de Aniruddha, Pradyumna, Sankarshana e Vasudeva). Ele que é conhecido por quatro formas (como acima), Ele que tem quatro chifres (os quais apareceram nele quando Ele assumiu uma forma humana com uma cabeça de leão para matar o chefe Asura Hiranya-Kasipu), Ele que tem quatro braços (para segurar a concha, o disco, a maça, e o lótus) (134--141); Ele que brilha em refulgência, Ele que é o concessor de alimento e estima aqueles que são bons; Ele que não tolera ou suporta aqueles que são maus, (ou, Ele que tolera transgressões ocasionais de seus devotos); Ele que existia antes de o universo começar a existir; Ele que é imaculado; Ele que é sempre vitorioso; Ele que vence as próprias divindades; Ele que é a causa material do universo; Ele que repetidamente reside nas causas materiais (142--150); Ele que é o irmão mais novo de Indra, (ou Ele que transcende Indra em habilidades e atributos). Ele que tomou nascimento como um anão (de Aditi com seu marido Kasyapa para iludir o rei Asura Vali e tirá-lo da soberania dos três mundos, e conceder a mesma para Indra que tinha sido despojado dela), Ele que é alto (em alusão à Sua vasta forma universal a qual Ele assumiu no sacrifício de Vali para cobrir o Céu, a Terra, e as regiões Inferiores com três passos Seus). Ele cujas ações nunca são inúteis, Ele que purifica (aqueles que o adoram, aqueles que ouvem sobre Ele e aqueles que pensam nele), Ele que é dotado de energia e força preeminentes, Ele que supera Indra em todos os atributos, Ele que aceita todos os Seus devotos, Ele que é a própria Criação por Ele ser as Causas dela, Ele que mantém a Si Mesmo na mesma forma sem jamais estar sujeito a nascimento, crescimento, ou morte, Ele que sustenta todas as criaturas em suas respectivas funções no universo, Ele que controla os corações de todas as criaturas (151--162); Ele que merece ser conhecido por aqueles que desejam realizar o que é para o seu maior bem; Ele que é o médico celeste na forma de Dhanwantari, (ou Ele que cura aquela principal de todas as doenças, isto é, os laços que ligam alguém ao mundo); Ele que está sempre dedicado ao Yoga; Ele que mata grandes Asuras para estabelecer a Justiça; Ele que é o Senhor daquela Lakshmi que surgiu do oceano quando ele foi batido pelas divindades e os Asuras, (ou, Ele que estima ambas as deusas da prosperidade e erudição); Ele que é mel (pelo prazer que Ele dá para aqueles que conseguem prová-lo); Ele que transcende os sentidos (ou é invisível para aqueles que se desviam dele); Ele que é possuidor de grandes poderes de ilusão (manifestados em Ele iludir Mahadeva e as divindades em muitas ocasiões); Ele que emprega grande energia (em realizar façanhas poderosas); Ele que transcende todos em poder (163--172); Ele que transcende todos em inteligência; Ele que transcende todos em pujança; Ele que transcende todos em habilidade; Ele que revela o universo pelo esplendor emanando de Seu corpo; Ele cujo corpo é incapaz de ser averiguado pela visão (ou algum outro sentido ou órgão de conhecimento); Ele que é possuidor de toda beleza; Ele cuja alma não pode ser compreendida por divindades ou homens; Ele que segura em suas costas, na forma da vasta tartaruga, a montanha enorme, Mandara, a qual foi feita o bastão de bater pelas divindades e os Asuras quando eles se puseram a bater o grande oceano para obter dele todos os objetos de valor escondidos em seu leito; (ou, Ele que ergueu as montanhas de Govardhana nos bosques de Brinda para proteger os habitantes daquele lugar encantador, que eram objetos especiais de Sua bondade, da ira de Indra que derramou chuvas incessantes por dias seguidos com o propósito de afogar tudo) (173--180); Ele que pode disparar Suas setas a uma grande distância, atravessando obstrução de todo tipo; Ele que ergueu a Terra submersa, tendo assumido a forma do Javali imenso; Ele em cujo peito mora a deusa da Prosperidade; (ou Ele que é idêntico a Kama, o marido de Rati); Ele que é o Refúgio daqueles que são justos; Ele que não pode ser conquistado sem devoção total; (ou, Ele que não pode ser preso ou contido por alguém empregando seus poderes); Ele que é o deleite das divindades, ou, Ele que é a encarnação da plenitude da alegria; Ele que resgatou a Terra submersa; (ou Ele que compreende os hinos endereçados a Ele por Seus devotos); Ele que é o Mestre de todas as pessoas eloquentes (ou Ele que dissipa as calamidades de todos aqueles que o conhecem) (181--188); Ele que é cheio de refulgência brilhante, Ele que eliminou as aflições de Seu adoradores; (ou, Ele que assume a forma de Yama, o Destruidor universal, para castigar todas as pessoas que se desviam dos seus deveres); Ele que assumiu a forma de um Cisne para comunicar os Vedas para o Avô Brahman; (ou, Ele que entra nos corpos de todas as pessoas); Ele que tem Garuda, o príncipe dos habitantes emplumados do firmamento, como Seu veículo; Ele que é a principal das cobras por Sua identidade com Sesha ou Ananta que sustenta em sua cabeça a vasta Terra, (ou, Ele que tem o capelo do príncipe das cobras como Sua cama enquanto Ele deita para dormir na vasta extensão de água depois da dissolução do universo); Ele cujo umbigo é tão belo quanto ouro; Ele que praticou as austeridades mais severas na forma de Narayana em Vadari sobre o leito de Himavat; Ele cujo umbigo parece com um lótus; (ou, Ele de cujo umbigo surgiu o lótus primevo no qual o Avô Brahma nasceu); Ele que é o Senhor de todas as criaturas (189--197); Ele que transcende a morte; (ou, Ele que desvia a Morte daqueles que são devotados a Ele); Ele que sempre lança um olhar bondoso em Seus devotos; (ou, Ele que vê todas as coisas no universo); Ele que destrói todas as coisas; (ou, Ele que encharca com néctar todas aqueles que o adoram com devoção sincera); Ele é o Ordenador de todos os ordenadores; (ou, Ele que une todas as pessoas com as consequências de seus atos); Ele que em si mesmo desfruta e suporta os resultados de todas as ações, (ou, Ele que assumiu a forma de Rama, o filho de Dasaratha, e indo para o exílio por ordem de Seu pai fez um tratado com Sugriva, o chefe dos Macacos, para ajudá-lo na recuperação do seu reino da posse de seu o mais irmão velho Vali em retorno pela ajuda que Sugriva lhe prometeu para recuperar de Ravana Sua esposa Sita que tinha sido raptada por aquele Rakshasa e levada para sua ilha nativa em Lanka), Ele que é sempre da mesma forma; (ou, Ele que é extremamente afetuoso para Seus devotos); Ele que está sempre se movendo; (ou, Ele que é da forma de Kama que surge no coração de todas as criaturas); Ele que é incapaz de ser resistido por Danavas e Asuras (ou, Ele que resgatou Sua esposa Sita depois de matar Ravana, ou, Ele que mostra compaixão até por Chandalas e membros de outras castas inferiores quando eles se aproximam dele com devoção, em alusão à Sua amizade, na forma de Rama, por Guhaka, o chefe dos Chandalas, habitando o país conhecido pelo nome de Sringaverapura); Ele que castiga os maus; (ou, Ele que regula a conduta de todas as pessoas pelos ditames dos Srutis e dos Smritis); Ele cuja alma tem conhecimento verdadeiro como sua indicação; (ou, Ele que destruiu Ravana, o inimigo dos deuses, tendo assumido a forma de Rama que era cheio de compaixão e outras virtudes amáveis); Ele que destrói os inimigos das divindades (ou, Ele que mata aqueles que obstruem ou impedem a doação de presentes para pessoas merecedoras) (197--208); Ele que é o instrutor em todas as ciências e o pai de todos; Ele que é o instrutor até do Avô Brahma; Ele que é a residência ou lugar de descanso de todas as criaturas; Ele que é o benfeitor daqueles que são bons e que estão livres da mácula da falsidade; Ele cuja destreza é incapaz de ser frustrada; Ele que nunca lança seu olhar em atos que não são sancionados ou aprovados pelas escrituras; Ele que lança seu olhar em atos que são sancionados ou aprovados pelas escrituras; (ou, Ele cujo olho nunca pisca ou dorme); Ele que usa a guirlanda imperecível de vitória chamada pelo nome de Vaijayanti; Ele que é o Senhor da fala e que é possuidor de grande generosidade tanto que Ele resgatou o mais baixo dos baixos e o mais vil dos vis por lhes conceder Sua graça (209--218); Ele que leva pessoas desejosas de Emancipação para a principal de todas as condições, isto é, a própria Emancipação; (ou, Ele que assume a forma de um Peixe imenso e se movendo através da vasta extensão de águas que cobrem a Terra quando chega a dissolução universal, e puxando o barco amarrado aos Seus chifres, leva Manu e outros para a segurança); Ele que é o líder de todas as criaturas; (ou, Ele que se diverte na vasta extensão de águas que domina todas as coisas na dissolução universal); Ele cujas palavras são o Veda e que resgatou os Vedas quando eles estavam submersos nas águas na dissolução universal; Ele que é o realizador de todas as funções no universo; Ele que assume a forma do vento para fazer todas as criaturas vivas agirem ou se esforçarem; (ou, Ele cujos movimentos são sempre belos, ou, que deseja que Suas criaturas o glorifiquem); Ele que é dotado de mil cabeças; Ele que é a Alma do universo e como tal permeia todas as coisas; Ele que tem mil olhos e mil pernas; (219--226); Ele que faz a roda do universo girar à Sua vontade; Ele cuja alma está livre de desejo e que transcende aquelas condições que investem Jiva e às quais Jiva está sujeito; Ele que está escondido da visão de todas as pessoas que são apegadas ao mundo; (ou, Ele que cobriu os olhos de todas as pessoas com a bandagem de necedade); Ele que oprime aqueles que se desviam dele; Ele que coloca os dias em movimento por Ele ser idêntico ao Sol; Ele que é o destruidor do próprio Tempo todo destrutivo; Ele que transporta as libações derramadas no fogo sagrado para aqueles para quem elas são destinadas; (ou, Ele que carrega o universo, colocando-o somente sobre uma fração minúscula de Seu corpo); Ele que não tem início; (ou, Ele que não tem habitação fixa); Ele que sustenta a Terra no espaço (na forma de Sesha, ou, a resgata na forma do javali poderoso ou a mantém como um permeador sutil) (227--235); Ele que é muito inclinado à benevolência, tanto que Ele concede felicidade até para inimigos como Sisupala; Ele que está livre dos atributos de Rajas (paixão) e Tamas (ignorância) de modo que Ele é Sattwa puro ou imaculado por si mesmo; (ou, Ele que obteve a realização de todos os Seus desejos); Ele que sustenta o universo; Ele que alimenta (ou desfruta do universo); Ele que está manifestado em pujança infinita; Ele que honra as divindades, os Pitris, e Seus próprios devotos; Ele que é honrado ou adorado por aqueles que são eles mesmos honrados ou adorados por outros; (ou, Ele cujas ações são todas belas e duradouras); Ele que realiza os propósitos de outros; (ou, Ele que é o benfeitor de outros); Ele que recolhe todas as coisas em Si Mesmo na dissolução universal; (ou, Ele que destrói os inimigos das divindades ou dos Seus devotos); Ele que tem as águas como seu lar; (ou, Ele que é o único Refúgio de todas as criaturas ou Ele que destrói a ignorância de todas as criaturas (236--246); Ele que é eminente acima de todos, Ele que aprecia os justos, Ele que purifica todos os mundos, Ele que coroa com realização os desejos de todas as criaturas, Ele cujos desejos são sempre coroados com realização, Ele que dá êxito para todos, Ele que concede sucesso para aqueles que pedem a Ele por isto (247--256); Ele que preside sobre todos os dias sagrados; (ou, Ele que subjuga o próprio Indra com Seus próprios atributos excelentes), Ele que derrama todos os objetos de desejo sobre Seus devotos, Ele que caminha por todo o universo, Ele que oferece a excelente escada constituída pela Virtude (para aqueles que desejam subir para o lugar mais elevado); Ele que tem Virtude em Seu abdômen; (ou, Ele que protege Indra assim como uma mãe protege a criança em seu útero); Ele que engrandece (Seus devotos), Ele que expande a Si Mesmo para se tornar o universo vasto, Ele que está afastado de todas as coisas (embora as permeando); Ele que é o receptáculo do oceano de Srutis (257--264); Ele que é possuidor de braços excelentes (isto é, braços capazes de sustentar o universo); Ele que não pode ser sustentado por alguma criatura, Ele de quem fluíram os sons chamados Brahman (ou Veda), Ele que é o Senhor de todos os Senhores do universo, Ele que é o concessor de riqueza, Ele que reside em Sua própria pujança, Ele que é multiforme, Ele que é de forma vasta, Ele que reside na forma de Sacrifício em todos os animais, Ele que faz todas as coisas serem manifestadas (265--274), Ele que é dotado de grande poder, energia, e esplendor; Ele que revela a Si Mesmo em formas visíveis para Seus devotos, Ele que chamusca os injustos com Sua energia abrasadora, Ele que é enriquecido com os seis atributos (de riqueza, etc.), Ele que comunicou o Veda ao Avô Brahma, Ele que é da forma dos Samans, Riks, e Yajuses (do Veda); Ele que conforta Seus devotos queimando com as aflições do mundo como os raios da lua refrescando todas as criaturas vivas do mundo, Ele que é dotado de refulgência brilhante como o sol (275--282); Ele de cuja mente surgiu a lua, Ele que resplandece em sua própria refulgência, Ele que nutre todas as criaturas assim como o corpo luminoso marcado pela lebre, Ele que é o Mestre das divindades, Ele que é o grande remédio para a doença do apego mundano, Ele que é a grande estrada do universo, Ele que é dotado de conhecimento e outros atributos que nunca são inúteis e com bravura que não pode ser frustrada (283-- 289); Ele que é solicitado por todas as criaturas em todos os tempos, isto é, no Passado, no Presente, e no Futuro; Ele que resgata Seus devotos por lançar olhares bondosos sobre eles, Ele que santifica até aqueles que são sagrados; Ele que funde o ar vital na Alma; (ou, Ele que assume diversas formas para proteger os Emancipados e os não-Emancipados); Ele que mata os desejos daqueles que são Emancipados; (ou, Ele que impede desejos maus de surgirem nas mentes de Seus devotos); Ele que é o pai de Kama (o princípio do desejo ou luxúria); Ele que é o mais agradável, Ele que é desejado por todas as criaturas, Ele que concede a realização de todos os desejos, Ele que tem a habilidade para realizar todas as ações (290--299); Ele que põe os quatro Yugas para iniciarem seu curso; Ele que faz os Yugas girarem continuamente como em uma roda, Ele que é dotado de diversos tipos de ilusão (e, portanto, a causa da qual surgem os diferentes tipos de ações que distinguem os diferentes Yugas); Ele que é o maior dos comedores (por Ele engolir todas as coisas no fim de cada Kalpa); Ele que não pode ser apreendido (por aqueles que não são Seus devotos); Ele que é manifesto (sendo extremamente vasto); Ele que subjuga milhares de inimigos (das divindades); Ele que subjuga inúmeros inimigos (300--308); Ele que é desejado (até pelo Avô e Rudra, ou Ele que é adorado em sacrifícios); Ele que é eminente sobre todos; Ele que é desejado por aqueles que são dotados de sabedoria e virtude; Ele que tem um ornamento de penas (de pavão) em Sua proteção para a cabeça; Ele que entorpece todas as criaturas com Sua ilusão; Ele que derrama Sua graça sobre Seus devotos; Ele que mata a ira dos justos; Ele que enche os injustos de ira; Ele que é o realizador de todas as ações; Ele que segura o universo em Seus braços; Ele que sustenta a Terra (309--318); Ele que transcende as seis modificações bem conhecidas (de princípio, nascimento ou aparecimento, crescimento, maturidade, declínio, e dissolução); Ele que é dotado de grande celebridade (por causa de Suas façanhas); Ele que faz todas as criaturas vivas viverem (por Ele ser a alma que a tudo permeia); Ele que dá vida; o irmão mais novo de Vasava (na forma de Upendra ou o anão); Ele que é o receptáculo de todas as águas no universo; Ele que cobre todas as criaturas (por Ele ser a causa material de tudo); Ele que nunca está desatento (estando sempre acima do erro); Ele que está estabelecido em Sua própria glória (319--327); Ele que flui na forma de néctar; (ou, Ele que seca todas as coisas); Ele que preserva o caminho da justiça; Ele que sustenta a carga do universo; Ele que dá benefícios desejáveis para aqueles que os pedem; Ele que faz os ventos soprarem; Ele que é o filho de Vasudeva; (ou, Ele que cobre o universo com Suas ilusões e se diverte no meio dele); Ele que é dotado de esplendor extraordinário; Ele que é a causa original das divindades; Ele que perfura todas as cidades hostis (328--336); Ele que transcende toda tristeza e dor; Ele que nos leva com segurança através do oceano da vida ou do mundo; Ele que dissipa dos corações de todos os Seus devotos o medo do renascimento; Ele que é possuidor de coragem e destreza infinitas; Ele que é um descendente da linhagem de Sura; Ele que é o mestre de todas as criaturas vivas; Ele que é inclinado a mostrar Sua graça para todos; Ele que tem vindo para a terra por cem vezes (para salvar os bons, destruir os maus, e estabelecer a justiça); Ele que segura um lótus em uma de Suas mãos; Ele cujos olhos parecem com as pétalas do lótus (337--346); Ele de cujo umbigo surgiu o lótus primordial; (ou, Ele que está sentado sobre um lótus); Ele que é dotado de olhos parecidos com as pétalas do lótus; Ele que é adorado por devotos constantes como alguém sentado dentro do lótus dos seus corações; Ele que assumiu a forma de Jiva incorporado (através da Sua própria ilusão); Ele que é dotado de força de todo tipo; Ele que cresce na forma dos cinco elementos primordiais; a Alma Antiga; Ele que é dotado de olhos vastos; Ele que tem Garuda sentado sobre o estandarte de Seu carro (347--355); Ele que é incomparável; o Sarabha (o animal matador de leões); Ele que atinge os pecaminosos com terror; Ele que conhece tudo o que tem ocorrido no Tempo; Ele que aceita, nas formas das divindades, a manteiga despejada no fogo sacrifical; Ele que é conhecido por todas as espécies de evidência ou prova; Ele sobre cujo peito sempre repousa a Prosperidade; Ele que é vitorioso em toda batalha (356-- 364); Ele que está acima da destruição; Ele que assume uma forma vermelha; (ou, se torna colérico para os inimigos de Seus devotos); Ele que é um objetivo de busca dos justos; Ele que está na base de todas as coisas; Ele que tem a marca da corda ao redor de seu abdômen (pois Yasoda o tinha amarrado com uma corda enquanto Ele era Krishna); Ele que suporta ou perdoa todas as injúrias; Ele que sustenta a Terra na forma de suas montanhas; Ele que é o principal de todos os objetos de culto; Ele que é dotado de grande velocidade; Ele que engole vastas quantidades de alimento (365--374); Ele que fez a criação começar a existir; Ele que sempre agita Prakriti e Purusha; Ele que brilha com resplendor; (ou, se diverte em alegria); Ele que tem pujança em Seu estômago; Ele que é o Mestre Supremo de todos; Ele que é o material do qual o universo tem sido feito; Ele que é a causa ou Agente que tem feito o universo, Ele que é independente de todas as coisas; Ele que ordena variedade no universo; Ele que é incapaz de ser compreendido; Ele que se torna invisível pela tela da ilusão (375--385); Ele que é Chit desprovido de todos os atributos; Ele em quem todas as coisas repousam; Ele em quem todas as coisas residem quando chega a dissolução universal; Ele que designa o lugar principal para aqueles que o adoram; Ele que é durável; Ele que é dotado da maior força; Ele que é glorificado no Vedanta; Ele que é satisfeito; Ele que é sempre repleto; Ele cujo olhar é auspicioso (386--395); Ele que enche todos os Yogins de deleite; Ele que é o fim de todas as criaturas (pois é nele que todas as coisas imergem na dissolução universal); Ele que é o Caminho impecável; Ele que na forma de Jiva leva à Emancipação; Ele que conduz (Jiva para a Emancipação); Ele que não tem alguém que o guie; Ele que é dotado de grande poder; Ele que é o principal de todos os seres possuidores de poder; Ele que sustenta Aquele que é o principal de todos os seres conhecedores do dever e religião (396--404); Ele que une, no momento da criação, os elementos desunidos para formar todos os objetos; Ele que reside em todos os corpos; Ele que faz todas as criaturas agirem na forma de Kshetrajna; Ele que cria todas as criaturas depois de destruí-las na dissolução universal; Ele para quem todos se curvam com reverência; Ele que está estendido sobre universo inteiro; Ele que possui o ovo dourado primordial como seu abdômen (de onde, como do útero feminino), tudo procede; Ele que destrói os inimigos das divindades; Ele que espalha todas as coisas (sendo a causa material de onde elas surgem); Ele que propaga perfumes agradáveis; Ele que desconsidera os prazeres dos sentidos (405--415); Ele que é identificável com as estações; Ele à cuja visão somente todos os devotos conseguem obter o grande objeto de seu desejo; Ele que enfraquece todas as criaturas; Ele que mora no firmamento do coração, dependendo da Sua própria glória e pujança; Ele que pode ser conhecido em todo lugar (por causa de Sua onipresença); Ele que inspira todo o mundo com medo; Ele em quem todas as criaturas residem; Ele que é inteligente em realizar todas as ações; Ele que constitui o descanso de todas as criaturas (sendo, como Ele é, a personificação da Emancipação); Ele que é dotado de competência maior do que aquela de outros Seres (416--425); Ele em quem o Universo inteiro está espalhado; Ele que é em Si Mesmo imóvel e em quem todas as coisas repousam para sempre; Ele que é um objeto de prova; Ele que é a semente indestrutível e imutável; Ele que é procurado por todos (por Ele ser felicidade); Ele que não tem desejo (por todos os Seus desejos terem sido satisfeitos); Ele que é a grande causa (que cobre o universo); Ele que tem todos os tipos de coisas para desfrutar; Ele que tem grande riqueza com a qual assegurar todos os objetos de desejo (426--434); Ele que está acima do desespero; Ele que existe na forma de Renúncia; Ele que é sem nascimento; Ele que é a estaca à qual a Retidão está amarrada; Ele que é a grande personificação do sacrifício; Ele que é o cubo da roda estrelada que gira no firmamento; (Supõe- se que Vishnu esteja dentro da constelação chamada Sisumara ou a Ursa do Norte. As estrelas, sem mudarem suas posições por si, parecem girar ao redor deste ponto dentro da constelação citada.) Ele é a Lua entre as constelações; Ele é competente para realizar toda proeza; Ele que permanece em Sua própria alma quando todas as coisas desaparecem; Ele que nutre o desejo por Criação (435-- 444); Ele que é a personificação de todos os sacrifícios; Ele que é adorado em todos os sacrifícios e ritos religiosos; Ele que é a mais adorável das divindades presentes nos sacrifícios que homens realizam; Ele que é a personificação de todos os sacrifícios nos quais animais são oferecidos de acordo com a ordenança; Ele que é adorado por pessoas antes que elas comam algum alimento; (Na Índia nenhum homem deve cultuar as divindades com um estômago cheio. De fato, uma pessoa deve se abster de todo tipo de comida e bebida se ela tem que cultuar as divindades formalmente.) Ele que é o Refúgio daqueles que buscam Emancipação; Ele que observa as ações e omissões de todas as criaturas; Ele cuja alma transcende todos os atributos; Ele que é possuidor de onisciência; Ele que é idêntico ao conhecimento que é não adquirido, ilimitado, e capaz de realizar tudo (445--454); Ele que é cumpridor de votos excelentes (o principal entre os quais é a concessão de benefícios para alguém que os solicita com um coração puro); Ele que tem uma face sempre cheia de deleite; Ele que é extremamente sutil; Ele que profere os sons mais agradáveis (na forma do Veda ou como Krishna tocando a flauta); Ele que dá felicidade (para todos os Seus devotos); Ele que faz bem para outros sem esperar nenhuma retribuição; Ele que enche todas as criaturas de deleite; Ele que tem subjugado a ira; Ele que tem braços poderosos (tão poderosos que Ele matou como se em diversão os mais poderosos dos Asuras); Ele que dilacera aqueles que são injustos (455--464); Ele que faz aquelas pessoas que são desprovidas de conhecimento da alma serem imersos no sono profundo de Sua ilusão; Ele que confia em Si Mesmo (sendo totalmente independente de todas as pessoas e coisas); Ele que cobre o universo inteiro; Ele que existe em formas infinitas; Ele que está engajado em ocupações infinitas em número; Ele que vive em tudo; Ele que é cheio de afeição por todos os Seus devotos; Ele que é o pai universal (todas as criaturas vivas do universo sendo como bezerros nascidos dele); Ele que mantém, na forma do vasto Oceano, todas as jóias e pedras preciosas em Seu abdômen, Ele que é o Senhor de todos os tesouros (465--474); Ele que é o protetor da justiça; Ele que realiza todos os deveres de justiça; Ele que é o substrato da justiça; Ele que é existente por todo o tempo; Ele que é inexistente (na forma do universo, pois o universo manifestado é o resultado de ilusão); Ele que é destrutível (na forma do universo); Ele que é indestrutível como Chit; Ele que é, na forma de Jiva, desprovido de conhecimento verdadeiro; Ele que é, na forma do Sol, dotado de mil raios; Ele que ordena (até aquelas criaturas grandes e poderosas como Sesha e Garuda, etc.); Ele que criou todos os Sastras (475--485); Ele que existe, na forma do Sol, como o centro de inúmeros raios de luz; Ele que mora em todas as criaturas; Ele que é possuidor de grande destreza; Ele que é o Mestre até de Yama e outros de força similar; Ele que é a mais antiga das divindades (existindo como Ele existe desde o início); Ele que existe em Sua própria glória, rejeitando todas as condições; Ele que é o Senhor de todas as divindades; Ele que é o soberano até daquele que sustenta as divindades (isto é,Indra) (486--493); Ele que transcende nascimento e destruição; Ele cuidou e protegeu as vacas (na forma de Krishna); Ele que nutre todas as criaturas; Ele que é acessível somente pelo conhecimento; Ele que é Antigo; Ele que mantém os elementos que constituem o corpo; Ele que desfruta e suporta (felicidade e infortúnio, na forma de Jiva); Ele que assumiu a forma de um enorme Javali; (ou, Ele que, na forma de Rama, foi o Senhor de uma grande hoste de macacos); Ele que deu presentes abundantes para todos em um sacrifício grandioso realizado por Ele (494--502); Ele que bebe Soma em todo sacrifício; Ele que bebe néctar; Ele que, na forma de Soma (Chandramas), nutre todas as ervas e plantas; Ele que conquista inimigos em um instante mesmo quando eles são infinitos em número; Ele que é de forma universal e é o principal de todos os entes existentes; Ele que é o castigador; Ele que é vitorioso sobre todos; Ele cujos propósitos não podem ser frustrados; Ele que merece presentes; Ele que dá o que Suas criaturas não têm e que protege o que elas têm (503--512); Ele que mantém os ares vitais; Ele que vê todas as Suas criaturas como objetos de visão direta; Ele que nunca vê nada além de Si mesmo; Ele que dá Emancipação; Ele cujos passos (três em número) cobriram Céu, Terra, e as Regiões Inferiores; Ele que é o receptáculo de toda a água; Ele que domina todo o Espaço, todo o Tempo, e todas as coisas; Ele que deita na vasta extensão de águas depois da dissolução universal; Ele que causa a destruição de todas as coisas (513--521); Ele que é sem nascimento; Ele que é extremamente adorável; Ele que aparece em Sua própria natureza; Ele que tem vencido todos os inimigos (na forma de ira e outros maus sentimentos); Ele que deleita aqueles que meditam nele; Ele que é alegria; Ele que enche outros de deleite; Ele que cresce com todas as causas de deleite; Ele que tem verdade e outras virtudes como Suas indicações; Ele cujos passos estão nos três mundos (522--530); Ele que é o primeiro dos Rishis (estando familiarizado com os Vedas inteiros); Ele que é idêntico ao preceptor Kapila; Ele que é o conhecedor do Universo; Ele que é Mestre da Terra; Ele que tem os pés deles; Ele que é o guardião das divindades; Ele que tem chifres grandes (em alusão à forma de peixe na qual Ele salvou Manu na ocasião do dilúvio universal por se mover pelas águas com o barco de Manu amarrado aos Seus chifres); Ele que esgota todas as ações por fazer seus fazedores desfrutarem ou suportarem seus resultados; (ou, Ele que oprime o próprio Destruidor) (531--538); o grande Javali; Ele que é entendido ou compreendido pela ajuda do Vedanta; Ele que tem belas tropas (na forma de Seus devotos); Ele que está adornado com braceletes dourados; Ele que está oculto (sendo conhecido somente com a ajuda dos Upanishads); Ele que é profundo (em conhecimento e pujança); Ele que é de acesso difícil; Ele que transcende palavra e pensamento, que está armado com o disco e a maça (539--547); o Ordenador; Ele que é a causa (na forma do ajudante do universo); Ele que nunca foi derrotado; Ele que é o Krishna Nascido na Ilha; Ele que é permanente (por Ele transcender a decadência); Ele que ceifa todas as coisas e está Ele Mesmo acima de deterioração; o Varuna (a divindade das águas); o filho de Varuna (na forma de Vasishtha ou Agastya); Ele que é imóvel como uma árvore; Ele que está manifestado em Sua própria forma verdadeira no lótus do coração; Ele que cria, preserva, e destrói somente por um decreto da mente (548--558); Ele que é possuidor dos seis atributos (de soberania etc.); Ele que destrói os seis atributos (na dissolução universal); Ele que é felicidade (por Ele crescer com todos os tipos de prosperidade); Ele que está adornado com a guirlanda triunfal (chamada Vaijayanta); Ele que está armado com o arado (em alusão à sua encarnação como Valadeva); Ele que tomou nascimento do útero de Aditi (na forma do anão que iludiu Vali); Ele que é dotado de esplendor como aquele do Sol; Ele que resiste a todos os pares de opostos (tais como calor e frio, prazer e dor, etc.); Ele que é o principal Refúgio de todas as coisas (559--568); Ele que está armado com o melhor dos arcos (chamado Saranga); Ele que foi privado de Seu machado de combate (por Rama da linhagem de Bhrigu); (Rama da linhagem de Bhrigu foi até Mahadeva para obter a ciências de armas. Enquanto morando no retiro de Siva ele teve uma briga com Karttikeya ou Kumara, o filho de Siva. Rama venceu o filho do seu preceptor em combate, pelo que seu preceptor, satisfeito com ele, lhe fez um presente do seu próprio machado de batalha, com o qual o regenerado exterminou os Kshatriyas por vinte e uma vezes.) Ele que é feroz; Ele que é o concessor de todos os objetos de desejo; Ele que é tão alto quanto a tocar os próprios céus com sua cabeça (em alusão à forma que ele assumiu no sacrifício de Vali); Ele cuja visão se estende sobre o universo inteiro; Ele que é Vyasa (que distribuiu os Vedas); Ele que é o Mestre do discurso ou toda ciência; Ele que começou a existir sem a intervenção de órgãos genitais (568-- 576); Ele que é cantado com os três Samans (principais); Ele que é o cantor dos Samans; Ele que é a Extinção de todos os apegos mundanos (por Ele ser a personificação da Renúncia); Ele que é o Remédio; Ele que é o Médico (que aplica o remédio); Ele que ordenou o quarto ou último modo de vida chamado de Renúncia (para permitir que Suas criaturas alcançassem a Emancipação); Ele que faz as paixões de Seus devotos serem acalmadas (com o propósito de lhes dar tranquilidade de alma); Ele que é contente (por causa de Sua total dissociação de todos os objetos mundanos); Ele que é o Refúgio da devoção e tranquilidade de Alma (577--585); Ele que é possuidor de membros belos; Ele que é o dador de tranquilidade de alma; Ele que é Criador; Ele que passa seu tempo em alegria na superfície da terra; Ele que dorme (em Yoga) deitado sobre o corpo do príncipe das cobras, Sesha, depois da dissolução universal; o Benfeitor das vacas; (ou, Ele que tomou uma forma humana para aliviar a terra do peso de sua população); o Mestre do universo; o Protetor do universo; Ele que é dotado de olhos como aqueles do touro; Ele que nutre a Justiça com amor (586--595); Ele que é o herói que não retorna; Ele cuja alma foi afastada de todos os apegos; Ele que reduz a uma forma sutil o universo no tempo da dissolução universal; Ele que faz bem para Seus devotos afligidos; Ele cujo nome, logo que ouvido, limpa o ouvinte de todos os seus pecados; Ele que tem o vórtice auspicioso em Seu peito; Ele em quem mora a deusa da Prosperidade para sempre; Ele que foi escolhido por Lakshmi (a Deusa da prosperidade) como seu Marido; Ele que é o principal de todos os Seres dotados de prosperidade (596--604); Ele que dá prosperidade para Seus devotos; o Mestre da prosperidade; Ele que sempre vive com aqueles que são dotados de prosperidade; Ele que é o receptáculo de todos os tipos de prosperidade; Ele que dá prosperidade para todas as pessoas de ações virtuosas de acordo com a proporção de sua virtude; Ele que mantém a deusa da Prosperidade em Seu peito; Ele que concede prosperidade para aqueles que ouvem, louvam, e meditam sobre Ele; Ele que é a personificação daquela condição que representa a obtenção de felicidade inalcançável; Ele que é possuidor de todo tipo de beleza; Ele é que o Refúgio do três mundos (605--614); Ele que é possuidor de olhos belos; Ele que é possuidor de membros belos; Ele que é possuidor de cem fontes de prazer; Ele que representa o prazer mais sublime; Ele que é o Mestre de todos os corpos luminosos no firmamento (pois é ele que os mantém em seus lugares e órbitas); Ele que subjugou Sua alma; Ele cuja alma não é dominada por algum Ser superior; Ele que é sempre de ações belas; Ele cujas dúvidas foram todas dissipadas (pois é dito que Ele vê o universo inteiro como um Amlaka em Sua palma) (615--623); Ele que supera todas as criaturas; Ele cuja visão se estende em todas as direções; Ele que não tem Mestre; Ele que em todos os tempos transcende todas as mudanças; Ele que (na forma de Rama) teve que se deitar sobre aquele solo nu; Ele que adorna a terra (com Suas encarnações); Ele que é a própria pujança; Ele que transcende toda dor; Ele que dissipa as aflições de todos os Seus devotos logo que eles se lembram dele (624--632); Ele que é possuidor de refulgência, Ele que é adorado por todos; Ele que é o pote de água (porque todas as coisas residem dentro dele); Ele que é de alma pura; Ele que purifica todos logo que eles ouvem sobre Ele; Ele que é livre e ilimitado; Ele cujo carro nunca se desvia de batalhas; Ele que é possuidor de grande riqueza; Ele cuja bravura é incapaz de ser medida (633-- 641); Ele que é o matador do Asura chamado Kalanemi; Ele que é o Herói; Ele que tomou nascimento na linhagem de Sura; Ele que é o Senhor de todas as divindades; a alma dos três mundos; o Mestre dos três mundos; Ele que tem os raios solares e lunares como Seu cabelo; o matador de Kesi; Ele que destrói todas as coisas (na dissolução universal) (642--650); a Divindade de quem a realização de todos os desejos é procurada; Ele que concede os desejos de todos; Ele que tem desejos; Ele que tem uma bela forma; Ele que é dotado de conhecimento completo de Srutis e Smritis; Ele que é possuidor de uma forma que é indescritível por atributos; Ele cujos raios mais brilhantes dominam o céu; Ele que não tem fim; Ele que (na forma de Arjuna ou Nara) obteve vasta riqueza na ocasião de sua campanha de conquista (651--660); Ele que é o principal objeto de recitação silenciosa, de sacrifício, dos Vedas, e de todas as ações religiosas; Ele que é o criador de penitências e semelhantes; Ele que é a forma (do Avô) Brahman, Ele que é o aumentador de penitências; Ele que está familiarizado com Brahma; Ele que é da forma de Brahmana; Ele que tem por Seus membros Aquele que é chamado de Brahma; Ele que conhece todos os Vedas e tudo no universo; Ele que é sempre amigo dos Brahmanas e de quem os Brahmanas também são amigos (661--670); Ele cujos passos cobrem áreas vastas; Ele cujas façanhas são poderosas; Ele que é possuidor de energia vasta; Ele que é idêntico a Vasuki, o rei das cobras; Ele que é o principal de todos os sacrifícios; Ele que é Japa, aquele principal dos sacrifícios; Ele que é a principal de todas as oferendas feitas em sacrifícios (671--678); Ele que é cantado por todos; Ele que ama ser cantado (por seus devotos); Ele que é Ele mesmo os hinos proferidos por Seus devotos; Ele que é o próprio ato de cantar; Ele que é a pessoa que canta; Ele que gosta de lutar (com tudo o que é mau); Ele que é pleno em todos os aspectos; Ele que enche outros com todo tipo de riqueza; Ele que destrói todos os pecados logo que Ele é lembrado; Ele cujos atos são todos justos; Ele que transcende todas as espécies de doença (679--689); Ele que é dotado da velocidade da mente; Ele que é o criador e promulgador de todos os tipos de ciência; Ele cuja semente vital é ouro; Ele que é concessor de riqueza (sendo idêntico a Kuvera, o Senhor dos tesouros); Ele que tira a riqueza dos Asuras; o filho de Vasudeva; Ele em quem todas as criaturas moram; Ele cuja mente mora em todas as coisas em perfeita identidade com elas; Ele que tira os pecados de todos os que procuram refúgio nele (690--698); Ele que é alcançável pelos justos; Ele cujas ações são sempre boas; Ele que é a única entidade no universo; Ele que se manifesta em diversas formas; Ele que é o refúgio de todos aqueles que estão familiarizados com a verdade; Ele que tem os maiores dos heróis como suas tropas; (se referindo a Hanuman e outros entre os macacos que Rama liderou contra Ravana). Ele que é o principal dos Yadavas; Ele que é a residência dos justos; Ele que brinca em alegria (nos bosques de Brinda) nas margens do Yamuna (699--707); Ele em quem todas as coisas criadas residem; a divindade que oprime o universo com Seu Maya (ilusão); Ele em quem todos os principais dos Seres vêm a ser unidos (quando eles alcançam sua Emancipação); Ele cuja fome nunca é satisfeita; Ele que humilha o orgulho de todos; Ele que enche os virtuosos com justo orgulho; Ele que cresce com alegria; Ele que não pode ser apanhado; Ele que nunca foi vencido (707--716); Ele que é de forma universal; Ele que é de forma vasta; Ele cuja forma resplandece com energia e refulgência; Ele que é sem forma (como determinado por ações); Ele que é de diversas formas; (Ele que é imanifesto); Ele que é de cem formas; Ele que é de cem rostos (717--724); Ele que é um; Ele que é muitos (por ilusão); Ele que é cheio de felicidade; Ele que forma o único grande tópico de investigação; Ele de quem é tudo isso; Ele que é chamado de AQUELE; Ele que é o maior Refúgio; Ele que confina Jiva dentro de causas materiais; Ele que é cobiçado por todos; Ele que tomou nascimento na linhagem de Madhu; Ele que é extremamente afetuoso para com Seus devotos (725--735); Ele que é de cor dourada; Ele cujos membros são como ouro (em cor); Ele que é possuidor de membros belos; Ele cujo corpo é enfeitado com Angadas feitos com pasta de sândalo; Ele que é o matador de heróis; Ele que não tem igual; Ele que é como zero (por nenhum atributo ser afirmável dele); Ele que não precisa de bênçãos (por causa de Sua plenitude); Ele que nunca se desvia da Sua própria natureza e pujança e conhecimento; Ele que é móvel na forma do vento (736--745); Ele que nunca Se identifica com alguma coisa que é não-alma; (O universo consiste em Alma e Não-alma. Jiva, quando envolvido em matéria ou Não-alma aceita o Não- alma como ele mesmo, em sua ignorância. De fato, até que o verdadeiro conhecimento seja obtido, o corpo é aceito como o eu.) Ele que concede honra para Seus devotos; Ele que é honrado por todos; Ele que é o Senhor dos três mundos; Ele que sustenta os três mundos; Ele que é possuidor de inteligência e memória capaz de manter em Sua mente os conteúdos de todos os tratados; Ele que tomou nascimento em um sacrifício; Ele que é digno do maior louvor; Ele cuja inteligência e memória nunca são inúteis; Ele que mantém a terra (746--755); Ele que emana calor na forma do Sol; Ele que é o portador de grande beleza de membros; Ele que é o principal de todos os portadores de armas; Ele que aceita as oferendas de flores e folhas feitas para Ele por Seus devotos; Ele que subjugou todas as Suas paixões e oprime todos os Seus inimigos; Ele não tem ninguém para caminhar diante dele; Ele que tem quatro chifres; Ele que é o irmão mais velho de Gada (756--764); Ele que tem quatro braços; Ele de quem os quatro Purushas surgiram; Ele que é o refúgio dos quatro modos de vida e das quatro classes de homens; Ele que é de quatro almas (Mente, Compreensão, Consciência, e Memória); Ele de quem surgem os quatro objetivos da vida, isto é, Virtude, Riqueza, Prazer, e Emancipação; Ele que conhece os quatro Vedas; Ele que tem exposto somente uma fração de Sua força (765--772); Ele que põe a roda do mundo para girar incessantemente; Ele cuja alma é dissociada de todos os apegos mundanos; Ele que não pode ser vencido; Ele que não pode ser superado; Ele que é extremamente difícil de ser alcançado; Ele que é difícil de ser aproximado; Ele que é de acesso difícil; Ele que é difícil de ser trazido dentro do coração (mesmo por Yogins); Ele que mata até os inimigos mais poderosos (entre os Davanas) (773--781); Ele que tem membros belos; Ele que toma a essência de todas as coisas no universo; Ele que possui a mais bela urdidura e trama (para tecer essa textura de tecido do universo); Ele que tece com urdidura e trama que sempre se expandem; Ele cujas ações são feitas por Indra; Ele cujos atos são grandiosos; Ele que não tem atos inacabados; Ele que compôs todos os Vedas e escrituras (782--789); Ele cujo nascimento é sublime; Ele que é extremamente belo; Ele cujo coração é cheio de compaixão; Ele que tem pedras preciosas em Seu umbigo; Ele que tem conhecimento excelente como Sua visão; Ele que é digno de ser adorado pelo próprio Brahman e outros principais no universo; Ele que é o dador de alimento; Ele que assumiu chifres no momento da dissolução universal; Ele que sempre subjugou Seus inimigos magnificamente; Ele que conhece todas as coisas; Ele que é sempre vitorioso sobre aqueles que são de bravura irresistível (790--799); Ele cujos membros são como ouro; Ele que é incapaz de ser agitado (por ira ou aversão ou outra emoção); Ele que é Mestre de todos aqueles que são mestres de todo discurso; Ele que é o lago mais profundo; Ele que é a cova mais profunda; Ele que transcende a influência do Tempo; Ele em quem os elementos primordiais estão estabelecidos (800--806); Ele que alegra a terra; Ele que concede frutos os quais são tão agradáveis quanto as flores Kunda (Jasmim pubescens, Linn); Ele que doou a terra para Kasyapa (em sua encarnação como Rama); Ele que extingue os três tipos de miséria (mencionados na filosofia Sankhya) como uma nuvem carregada de chuva esfriando o calor da terra por seu aguaceiro; Ele que purifica todas as criaturas; Ele que não tem ninguém para incitá-lo; Ele que bebeu néctar; Ele que tem um corpo eterno; Ele que possui onisciência; Ele que tem rosto e olhos virados para todas as direções (807--816); Ele que é conquistado facilmente (com presentes que consistem em flores e folhas); Ele que tem realizado votos excelentes; Ele que é coroado com sucesso por Si Mesmo; Ele que é vitorioso sobre todos os inimigos; Ele que chamusca todos os inimigos; Ele que é a Banian sempre crescente e alta que se eleva acima de todas as outras árvores; Ele que é a figueira sagrada (Ficus glomerata, Willd); Ele que é a Ficus religiosa; (ou, Ele que é não durável, por Ele ser todas as formas perecíveis no universo assim como ele é todas as formas imperecíveis que existem); Ele que é o matador de Chanura do país Andhra (817-- 825); Ele que é dotado de mil raios; Ele que tem sete línguas (nas formas de Kali, Karali, etc.); Ele que tem sete chamas (por Ele ser idêntico à divindade do fogo); Ele que tem sete cavalos para carregar Seu veículo; (ou, Ele que possui o corcel chamado Sapta); Ele que é informe; Ele que é impecável; Ele que é inconcebível; Ele que dissipa todos os medos; Ele que destrói todos os medos (826--834); Ele que é minúsculo; Ele que é grosseiro; Ele que é emaciado; Ele que é adiposo; Ele que é dotado de atributos; Ele que transcende todos os atributos; Ele que não pode ser apanhado; Ele que Se permite ser facilmente apanhado (por Seus devotos); Ele que tem um rosto excelente; Ele que tem como Seus descendentes o povo das regiões acidentais; Ele que expande a criação consistindo nos cinco elementos primordiais (835--846); Ele que carrega pesos pesados (na forma de Ananta); Ele que tem sido declarado pelos Vedas; Ele que é dedicado ao Yoga; Ele que é o senhor de todos os Yogins; Ele que é o concessor de todos os desejos; Ele que fornece um retiro para aqueles que buscam isto; Ele que põe Yogins para praticarem Yoga de novo depois de seu retorno para a vida após o término de sua vida de bem-aventurança no céu; Ele que investe Yogins com pujança mesmo depois do esgotamento de seus méritos; Ele que tem folhas vistosas (na forma dos Schhandas dos Vedas, Ele Mesmo sendo a árvore do mundo); Ele que faz os ventos soprarem (847--856); Ele que está armado com o arco (na forma de Rama); Ele que está familiarizado com a ciência de armas; Ele que é a vara de castigo; Ele que é o castigador; Ele que executa todas as sentenças de castigo; Ele que nunca foi derrotado; Ele que é competente em todas as ações; Ele que designa todas as pessoas para seus respectivos deveres; Ele que não tem alguém para designá-lo para algum trabalho; Ele que não tem Yama para matá-lo (857--866); Ele que é dotado de heroísmo e destreza; Ele que tem o atributo de Sattwa (Bondade); Ele que é idêntico à Verdade; Ele que é devotado à Verdade e Justiça; Ele que é procurado por aqueles que estão decididos a obter Emancipação; (ou, Ele em direção a quem o universo procede quando chega a dissolução); Ele que merece ter todos os objetos os quais Seus devotos oferecem para Ele; Ele que é digno de ser adorado (com hinos e flores e outras oferendas de reverência); Ele que faz bem a todos; Ele que aumenta os prazeres de todos (867--875); Ele cujo caminho é através do firmamento; Ele que resplandece em sua própria refulgência; Ele que é dotado de grande beleza; Ele que come as oferendas feitas sobre o fogo sacrifical; Ele que mora em todos os lugares e é dotado de força suprema; Ele que absorve a umidade da terra na forma do Sol; Ele que tem diversos desejos; Ele que gera todas as coisas; Ele que é a origem do universo; Ele que tem o Sol como Seu olho (876--885); Ele que é Infinito; Ele que aceita todas as oferendas sacrificais; Ele que desfruta de Prakriti na forma de Mente; Ele que é concessor de felicidade; Ele que tem tomado repetidos nascimentos (para a proteção da justiça e dos justos); Ele que é a Primogênita de todas as coisas existentes; Ele que transcende o desespero (pela realização de todos os Seus desejos); Ele que perdoa os justos quando eles erram; Ele que é a fundação sobre a qual o universo se apóia; Ele que é o mais extraordinário (886--895); Ele que é existente desde o início do Tempo; Ele que tem estado existindo desde antes do nascimento do Avô e outros; Ele que é de uma cor fulva; (ou, Ele que revela ou ilumina todas as coisas existentes com Seus raios); Ele que assumiu a forma do grande Javali; Ele que existe mesmo quando todas as coisas são dissolvidas; Ele que é o dador de todas as bênçãos; Ele que cria bênçãos; Ele que é identificável com todas as bênçãos; Ele que desfruta de bênçãos; Ele que é capaz de espalhar bênçãos (896--905); Ele que é sem ira; Ele que deita oculto em voltas (na forma da cobra Sesha); (ou, Ele que está enfeitado com brincos); Ele que está armado com o disco; Ele que é dotado de grande destreza; Ele cujo domínio é regulado pelos preceitos excelentes dos Srutis e dos Smritis; Ele que não pode ser descrito pela ajuda da fala; Ele a quem os Vedantas se esforçam para expressar com a ajuda das palavras; Ele que é o orvalho que refresca aqueles que sofrem com os três tipos de aflição; Ele que vive em todos os corpos, dotado da capacidade de dissipar a escuridão (906--914); Ele que é desprovido de cólera; Ele que é bem hábil em realizar todos os atos por pensamentos, palavras, e ações; Ele que pode realizar todas as ações dentro do período de tempo mais curto; Ele que destrói os maus; Ele que é a principal de todas as pessoas clementes; Ele que é principal de todas as pessoas dotadas de conhecimento; Ele que transcende todo temor; Ele cujo nomes e feitos, ouvidos e recitados, levam à Virtude (915--922), Ele que resgata os Justos do tempestuoso oceano do mundo; Ele que destrói os perversos; Ele que é Justiça; Ele que dissipa todos os sonhos maus; Ele que destrói todos os maus caminhos para levar Seus devotos ao bom caminho da Emancipação; Ele que protege o universo por permanecer no atributo de Sattwa; Ele que anda pelo bom caminho; Ele que é Vida; Ele que existe cobrindo o universo (923--931); Ele que é de formas infinitas; Ele que é dotado de prosperidade infinita; Ele que subjugou a ira; Ele que destrói os temores dos virtuosos; Ele que dá resultados justos, de todos os lados, para seres sensíveis de acordo com seus pensamentos e atos; Ele que é de Alma incomensurável; Ele que concede diversos tipos de resultados para pessoas merecedoras por suas diversas ações; Ele que determina diversas ordens (para os deuses e homens); Ele que anexa a cada ato seu resultado apropriado (932-- 940); Ele que não tem início; Ele que é o receptáculo de todas as causas assim como da terra; Ele que tem a deusa da Prosperidade sempre ao Seu lado; Ele que é o principal de todos os heróis; Ele que está enfeitado com belos braceletes; Ele que produz todas as criaturas; Ele que é a causa original do nascimento de todas as criaturas; Ele que é o terror de todos os Asuras perversos; Ele que é dotado de bravura terrível (941--949); Ele que é o receptáculo e residência dos cinco elementos primordiais; Ele que engole em Sua garganta todas as criaturas na hora da dissolução universal; Ele cujo sorriso é tão agradável quanto a visão de flores; (ou, Ele que ri na forma de flores); Ele que está sempre desperto; Ele que permanece na cabeça de todas as criaturas; Ele cuja conduta consiste naquelas ações que os Justos fazem; Ele que revive os mortos (como no caso de Parikshit e outros); Ele que é a sílaba inicial Om; Ele que tem ordenado todos os atos justos (950--958); Ele que expõe a verdade acerca da Alma Suprema; Ele que é a residência dos cinco ares vitais e dos sentidos; Ele que é o alimento que sustenta a vida das criaturas vivas; Ele que faz todas as criaturas vivas viverem com a ajuda do ar vital chamado Prana; Ele que é o grande tópico de todo sistema de filosofia; Ele é a Única Alma no universo; Ele que transcende nascimento, decrepitude, e morte (959--965); Ele que resgata o universo pelas sílabas sagradas Bhuh, Bhuvah, Swah, e as outras com as quais oferendas Homa são feitas; Ele que é o grande salvador; Ele que é o pai de todos; Ele que é o pai até do Avô (Brahman); Ele que é da forma do Sacrifício; Ele que é o Senhor de todos os sacrifícios (sendo a grande divindade que é adorada neles); Ele é o sacrificador; Ele que tem sacrifícios como seus membros; Ele que mantém todos os sacrifícios (966--975); Ele que protege sacrifícios; Ele que criou sacrifícios; Ele que é o principal de todos os realizadores de sacrifícios; Ele que desfruta das recompensas de todos os sacrifícios; Ele que causa a realização de todos os sacrifícios; Ele que conclui todos os sacrifícios por aceitar a libação completa no fim; Ele que é idêntico a tais sacrifícios que são realizados sem desejo de resultado; Ele que é o alimento que sustenta todas as criaturas vivas; Ele que é também o comedor daquele alimento (976--984); Ele que é Ele mesmo a causa de Sua existência; Ele que é Nascido por Si Mesmo; Ele que penetrou através da terra sólida (e se dirigindo para as regiões inferiores matou Hiranyaksha e outros); Ele que canta os Samans; Ele que é o alegrador de Devaki; Ele que é o criador de tudo; Ele que é o Senhor da terra; Ele que é o destruidor dos pecados de Seus devotos (985--992); Ele que leva a concha (Panchajanya) em Suas mãos; Ele que possui a espada do conhecimento e ilusão; Ele que faz o ciclo dos Yugas girar incessantemente; Ele que investe a Si Mesmo com consciência e sentidos; Ele que é dotado da maça da compreensão mais sólida. Ele que está armado com uma roda de carro; Ele que é incapaz de ser agitado; Ele que está armado com todos os tipos de armas (993--1000). Om, saudações a Ele! 'Dessa maneira eu recitei para ti, sem nenhuma exceção, os mil nomes excelentes do Kesava de grande alma cuja glória deve ser sempre cantada. Aquele homem que ouve os nomes todo dia ou que os recita todo dia, nunca encontra com nenhum mal aqui ou após a morte. Se um Brahmana faz isso ele consegue dominar o Vedanta; se um Kshatriya o faz ele se torna sempre bem sucedido em batalha. Um Vaisya, por fazê-lo, vem a ser possuidor de riqueza, enquanto um Sudra ganha grande felicidade. Se alguém se torna desejoso de ganhar o mérito da virtude, ele consegue ganhá-lo (por ouvir ou recitar estes nomes). Se é riqueza que alguém deseja, ele consegue ganhar riqueza (por agir dessa maneira). Assim também o homem que deseja prazeres dos sentidos consegue desfrutar de todos os tipos de prazeres, e o homem desejoso de prole obtém prole (por seguir este rumo de conduta). Aquele homem que com devoção e perseverança e coração totalmente dirigido para ele, recita estes mil nomes de Vasudeva todo dia, depois de ter se purificado, consegue obter grande fama, uma posição de eminência entre seus parentes, prosperidade duradoura, e por fim, aquele que é do maior benefício para ele (ou seja, a própria Emancipação). Tal homem nunca encontra o medo em qualquer tempo, e obtém grande destreza e energia. Doença nunca o aflige; esplendor de cor, força, beleza, e habilidades se tornam dele. Os doentes ficam com saúde, os aflitos ficam livres de suas aflições; os amedrontados ficam livres do medo, e aquele que está mergulhado em calamidade fica livre da calamidade. O homem que canta os louvores daquele principal dos Seres por recitar Seus mil nomes com devoção consegue transpor todas as dificuldades rapidamente. Aquele mortal que se refugia em Vasudeva e que se torna devotado a Ele, fica livre de todos os pecados e alcança o eterno Brahma. Aqueles que são devotados a Vasudeva nunca têm que enfrentar nenhum mal. Eles ficam livres do medo do nascimento, morte, decrepitude, e doença. O homem que com devoção e fé recita este hino (consistindo nos mil nomes de Vasudeva) consegue obter felicidade de alma, bondade de disposição, Prosperidade, inteligência, memória, e fama. Nem ira, nem ciúmes, nem cobiça, nem má compreensão jamais aparecem naqueles homens de virtude que são devotados àquele principal dos seres. O firmamento com o sol, lua e estrelas, o céu, os pontos do horizonte, a terra e o oceano, são todos mantidos e suportados pela destreza de Vasudeva de grande alma. Todo o universo móvel e imóvel com as divindades, Asuras, e Gandharvas, Yakshas, Uragas e Rakshasas, está sob o domínio de Krishna. Os sentidos, mente, compreensão, vida, energia, força e memória, isto é dito, têm Vasudeva como sua alma. De fato, este corpo que é chamado de Kshetra, e a alma inteligente dentro dele, que é chamada de conhecedor de Kshetra, também têm Vasudeva como sua alma. Conduta (consistindo em práticas) é citada como sendo o principal de todos os tópicos tratados nas escrituras. A justiça tem a conduta como sua base. O imperecível Vasudeva é citado como sendo o senhor da justiça. Os Rishis, os Pitris, as divindades, o grandes elementos (primordiais), os metais, de fato, todo o universo móvel e imóvel, surgiu de Narayana. Yoga, a Filosofia Sankhya, o conhecimento, todas as artes mecânicas, os Vedas, as diversas escrituras, e toda a ciência, surgiram de Janardana. Vishnu é o único grande elemento ou substância que tem se expandido em formas multifárias. Cobrindo os três mundos, Ele, a alma de todas as coisas, desfruta delas todas. Sua glória não conhece diminuição, e Ele é que é o Desfrutador do universo (como seu Senhor Supremo). Este hino em louvor do ilustre Vishnu composto por Vyasa deve ser recitado por aquela pessoa que deseja obter felicidade e aquele que é o maior benefício (isto é, Emancipação). Aquelas pessoas que cultuam e adoram o Senhor do universo, aquela divindade que é não-nascida e possuidora de brilho resplandecente, que é a origem ou causa do universo, que não conhece deterioração, e que é dotada de olhos que são tão grandes e belos quanto as pétalas do lótus, nunca têm que encontrar com nenhuma derrota.’” 150 "Yudhishthira disse, 'Ó avô, ó tu de grande sabedoria, ó tu que és familiarizado com todos os ramos de conhecimento, qual é aquele objeto de recitação silenciosa por recitar o qual todo dia alguém pode obter o mérito da virtude em uma grande medida? Qual é aquele Mantra cuja recitação concede sucesso se recitado na ocasião de partir em uma viagem ou ao entrar em uma construção nova, ou no começo de algum empreendimento, ou na ocasião de sacrifícios em honra das divindades ou dos Pitris? Cabe a ti me dizer qual, de fato, é o Mantra que aplaca todas as influências malévolas, ou leva à prosperidade ou crescimento, ou à proteção do mal, ou à destruição de inimigos, ou que dissipa os temores, e que, ao mesmo tempo, é compatível com os Vedas.'” "Bhishma disse, 'Ouça, ó rei, com atenção concentrada, qual é aquele Mantra o qual foi declarado por Vyasa. Ele foi ordenado por Savitri e é possuidor de grande excelência. Ele é capaz de purificar uma pessoa imediatamente de todos os seus pecados. Ouça, ó impecável, enquanto eu narro para ti as ordenanças a respeito daquele Mantra. De fato, ó primeiro dos filhos de Pandu, por escutar aquelas ordenanças, uma pessoa fica purificada de todos os seus pecados. Alguém que recita este Mantra dia e noite nunca vem a ser manchado pelo pecado. Eu agora declararei para ti qual é aquele Mantra. Escute com atenção concentrada. De fato, o homem que o ouve se torna dotado de vida longa, ó príncipe, e obtendo a realização de todos os seus desejos, passa seu tempo em felicidade aqui e após a morte. Este Mantra, ó rei, era recitado diariamente pelos mais importantes dos sábios nobres dedicados à prática dos deveres Kshatriya e firmemente cumpridores do voto de veracidade. De fato, ó tigre entre reis, aqueles monarcas que, com sentidos contidos e alma tranquila, recitam este Mantra todo dia, conseguem obter prosperidade inigualável--Saudações a Vasishtha de votos superiores depois de ter se curvado com reverência a Parasara, aquele Oceano dos Vedas! Saudações para a grande cobra Ananta, e saudações para todos aqueles que são coroados com sucesso, e que são de glória imperecível! Saudações aos Rishis, e para Aquele que é o Maior dos Maiores, o deus dos deuses, e o concessor de bênçãos para todos aqueles que são os mais notáveis. Saudações para Ele de mil cabeças, Ele que é mais auspicioso, Ele que tem mil nomes, isto é, Janardana! Aja, Ekapada, Ahivradhna, o invencível Pinakin, Rita Pitrirupa, Maheswara de três olhos, Vrishakapi, Sambhu, Havana, e Iswara, estes são os célebres Rudras, onze em número, que são os senhores de todos os mundos. Estes mesmos onze de grande alma são mencionados como cem no Satarudra (dos Vedas). Ansa, Bhaga, Mitra, Varuna o senhor de águas, Dhatri, Aryaman, Jayanta, Bhaskara, Tvashtri, Pushan, Indra e Vishnu, são citados como chegando ao total de doze. Estes doze são chamados de Adityas e eles são os filhos de Kasyapa como o Sruti declara. Dhara, Dhruva, Some, Savitra, Anila, Anala, Pratyusha, e Prabhava são os oito Vasus citados nas escrituras. Nasataya e Dasra são citados como sendo os dois Aswins. Eles são os filhos de Martanda nascidos de sua esposa Samjna, de cujas narinas eles saíram. Depois disto eu irei recitar os nomes daqueles que são as testemunhas de todas as ações nos mundos. Eles tomam nota de todos os sacrifícios, de todas as doações, de todas as boas ações. Aqueles senhores entre as divindades observam tudo embora eles sejam invisíveis. De fato, eles contemplam todas as ações boas e más de todos os seres. Eles são Mrityu, Kala, os Viswedevas, os Pitris dotados de formas, os grandes Rishis possuidores de riqueza de penitências, os Munis, e outros coroados com sucesso e dedicados a penitências e emancipação. Estes de sorrisos gentis concedem diversos benefícios para aqueles homens que recitam seus nomes. Realmente, dotados de energia celestial, eles concedem diversas regiões de bem-aventurança criadas pelo Avô para tais homens. Eles residem em todos os mundos e observam atentamente todas as ações. Por recitar os nomes daqueles senhores de todas as criaturas vivas, alguém sempre se torna dotado de virtude e riqueza e prazer em medida abundante. Ele alcança após a morte diversas regiões de auspiciosidade e felicidade criadas pelo Senhor do universo. Estas trinta e três divindades, que são os senhores de todos os seres como também Nandiswara de corpo enorme, e aquele preeminente que tem o touro como o emblema em seu estandarte, e aqueles mestres de todos os mundos, isto é, os seguidores e associados dele chamado Ganeswara, e aqueles chamados Saumyas, e aqueles chamados Rudras, e aqueles chamados Yogas, e aqueles que são conhecidos como Bhutas, e os corpos luminosos no firmamento, os Rios, o céu, o príncipe das aves (Garuda), todas aquelas pessoas na terra que se tornaram coroadas com êxito por suas penitências e que estão existindo em uma forma móvel ou imóvel, o Himavat, todas as montanhas, os quatro Oceanos, os seguidores e associados de Bhava que são possuidores de bravura que é igual àquela do próprio Bhava, o ilustre e sempre vitorioso Vishnu, e Skanda, e Ambika, estas são as grandes almas por recitar cujos nomes com sentidos contidos alguém vem a ser purificado de todos os pecados. Depois disto eu recitarei os nomes daqueles Rishis principais que são conhecidos como Manavas. Eles são Yavakrita, e Raibhya, e Arvavasu, e Paravasu, e Aushija, e Kakshivat, e Vala o filho de Angiras. Então vem Kanwa o filho do Rishi Medhatithi, e Varishada. Todos estes são dotados da energia de Brahma e são mencionados (nas escrituras) como criadores do universo. Eles surgiram de Rudra e Anala e dos Vasus. Por recitar seus nomes as pessoas obtêm grandes benefícios. De fato, por fazer boas ações sobre a terra, as pessoas se divertem em alegria no céu, com as divindades. Estes Rishis são os sacerdotes de Indra. Eles vivem no leste. Aquele homem que, com atenção absorta, recita os nomes destes Rishis, consegue ascender para as regiões de Indra e obter grandes honras lá. Unmachu, Pramchu, Swastyatreya de grande energia, Dridhavya, Urdhvavahu, Trinasoma, Angiras, e Agastya de grande energia, o filho de Mitravaruna, estes sete são os Ritwiks de Yama, o rei dos mortos, e moram no quadrante sul. Dridheyu e Riteyu, e Pariyadha de grande fama, e Ekata, e Dwita, e Trita, os últimos três dotados de esplendor como aquele do sol, e o filho de Atri de alma justa, isto é, o Rishi Saraswata, estes sete que agiram como Ritwiks no grande sacrifício de Varuna, tomaram suas residências no quadrante oeste. Atri, o ilustre Vasishtha, o grande Rishi Kasyapa, Gotama, Bharadwaja, Viswamitra, o filho de Kusika, e o filho feroz de Richika Jamadagni de grande energia, estes sete são os Ritwiks do Senhor dos tesouros e moram no quadrante norte. Há os sete outros Rishis que vivem em todas as direções sem serem limitados por alguma específica. Eles, isto é, que são os induzidores de fama e de tudo o que é benéfico para os homens, e eles são cantados como os criadores dos mundos. Dharma, Kama, Kala, Vasu, Vasuki, Ananta, e Kapila, estes sete são sustentadores do mundo. Rama, Vyasa, o filho de Drona Aswatthaman, são os outros Rishis (que são considerados como os principais). Estes são os grandes Rishis como distribuídos em sete grupos, cada grupo consistindo de sete. Eles são os criadores daquela paz e bem que os homens desfrutam. Eles são citados como sendo os Regentes dos vários pontos do horizonte. Uma pessoa deve virar seu rosto para aquela direção na qual um destes Rishis vive se ela deseja adorá-lo. Aquele Rishis são os criadores de todas as criaturas e são considerados como os purificadores de todos. Samvarta, Merusavarna, o justo Markandeya, e Sankhya e Yoga, e Narada e o grande Rishi Durvasa, estes são dotados de penitência severa e grande autodomínio, e são célebres pelos três mundos. Há outros que são iguais ao próprio Rudra. Eles vivem na região de Brahman. Por citá-los com reverência um homem sem filhos obtém um filho, e um homem pobre obtém riqueza. De fato, por citá-los, uma pessoa obtém êxito em religião, e riqueza e prazer. Deve-se também usar o nome daquele rei célebre que foi Imperador da terra inteira e igual a um Prajapati, isto é, aquele principal dos monarcas, Prithu, o filho de Vena. A terra se tornou sua filha (por amor e afeição). Deve-se também citar Pururavas da linhagem Solar e igual ao próprio Mahendra em destreza. Ele é o filho de Ila e célebre pelos três mundos. Deve-se, de fato, usar o nome daquele filho caro de Vudha. Deve-se também usar o nome de Bharata, aquele herói famoso pelos três mundos. Ele também que na era Krita adorou os deuses em um grandioso sacrifício Gomedha, isto é, Rantideva de grande esplendor, que era igual ao próprio Mahadeva, deve ser mencionado. Dotado de penitências, possuidor de toda marca auspiciosa, a fonte de todo tipo de benefício para o mundo, ele foi o conquistador dos universos. Uma pessoa deve também usar o nome do sábio nobre Sweta de fama ilustre. Ele satisfez o grande Mahadeva e foi por sua causa que Andhaka foi morto. Deve-se também usar o nome do sábio real Bhagiratha de grande fama, que, pela graça de Mahadeva, conseguiu trazer o rio sagrado do céu (para fluir sobre a terra e limpar todos os seres humanos de seus pecados). Foi Bhagiratha quem fez as cinzas dos sessenta mil filhos de Sagara serem inundadas com as águas sagradas de Ganga e assim os resgatou de seu pecado. De fato, alguém deve usar os nomes de todos esses que eram dotados da refulgência brilhante do fogo, grande beleza pessoal, e grande energia. Alguns deles eram de formas imponentes e grande poder. Realmente, deve-se usar os nomes destas divindades e Rishis e reis, aqueles senhores do universo, que são aumentadores de fama. Sankhya, e Yoga que é o maior dos maiores, e Havya e Kavya e aquele refúgio de todos os Srutis, isto é, o Brahma Supremo, têm sido declarados como sendo fontes de grande benefício para todas as criaturas. Estes são sagrados e purificadores de pecado e são citados muito favoravelmente. Estes são os principais dos remédios para aliviar todas as doenças, e são os induzidores de sucesso em relação a todas as ações. Controlando os sentidos alguém deve, ó Bharata, usar os nomes destes de manhã e à noite. São estes que protegem. São estes que derramam chuva. São estes que brilham e dão luz e calor. São estes que sopram. São estes que criam todas as coisas. Estes são considerados como os mais importantes de todos, como os líderes do universo, como altamente inteligentes na realização de todas as coisas, como dotados de clemência, como mestres perfeitos dos sentidos. De fato, é dito que eles dissipam todos os males aos quais os seres humanos estão sujeitos. Estes de grande alma são as testemunhas de todos os atos bons e maus. Levantando-se de manhã uma pessoa deve usar seus nomes, pois por isto ela sem dúvida conseguirá tudo o que é bom. Aquele que usa os nomes deles fica livre do medo de fogos e de ladrões. Tal homem nunca encontra seu caminho obstruído por algum impedimento. Por usar os nomes destes de grande alma alguém fica livre de sonhos maus de todo tipo. Absolvidos de todos os pecados, tais homens tomam nascimento em famílias auspiciosas. Aquela pessoa regenerada que, com sentidos controlados, recita estes nomes nas ocasiões de realizar os ritos iniciatórios de sacrifícios e outras observâncias religiosas, se torna, como a consequência disso, dotada de virtude, dedicada ao estudo da alma, possuidora de clemência e autodomínio, e livre de malícia. Se um homem que sofre de doença os recita, ele fica livre do seu pecado na forma de doença. Por recitá-los dentro de uma casa, todos os males são dissipados dos habitantes. Por recitá-los dentro de um campo, é ajudado o crescimento de todas as espécies de colheitas. Recitando-os no momento de partir em uma viagem, ou enquanto está longe de casa, alguém encontra com boa sorte. Estes nomes levam à proteção da própria pessoa, de seus filhos e esposas, de sua riqueza, e de suas sementes e plantas. O Kshatriya que recita estes nomes na hora de se juntar a uma batalha vê a destruição alcançar seus inimigos e a boa sorte coroar a ele e seu partido. O homem que recita estes nomes nas ocasiões de realizar os ritos em honra das divindades ou dos Pitris, ajuda os Pitris e divindades a comerem o Havya e Kavya sacrificais. O homem que os recita se torna livre do medo de doença e animais predadores, de elefantes e ladrões. Sua carga de ansiedade fica mais leve, e ele fica livre de todo pecado. Por recitar estes Mantras Savitri excelentes a bordo um barco, ou em um veículo, ou nas cortes de reis, uma pessoa obtém grande êxito. Lá onde estes Mantras são recitados o fogo não queima madeira. Lá crianças não morrem, nem cobras residem. De fato, em tais lugares não pode haver medo do rei, nem de Pisachas e Rakshasas. (O sentido é mortes prematuras não ocorrem em tais lugares; nem medo de opressão ou castigo ilegal pelo rei; etc.) Na verdade, o homem que recita estes Mantras cessa de ter algum medo do fogo ou água ou vento ou animais predadores. Estes Mantras Savitri, recitados devidamente, contribuem para a paz e bem-estar de todas as quatro classes. Aqueles homens que os recitam com reverência ficam livres de toda tristeza e finalmente alcançam um fim excelente. Estes mesmos são os resultados obtidos por aqueles que recitam estes Mantras Savitri que são da forma de Brahma. O homem que recita estes Mantras no meio de vacas vê suas vacas se tornarem produtivas. Quando partindo em uma viagem, ou entrando em uma casa na volta, uma pessoa deve recitar estes Mantras em cada ocasião. Estes Mantras constituem um grande mistério dos Rishis e são os mais importantes daqueles que eles recitam silenciosamente. Assim mesmo são estes Mantras para aqueles que praticam o dever da recitação e derramam libações no fogo sacrifical. Isto que eu disse para ti é a excelente opinião de Parasara. Ele foi recitado nos tempos passados para o próprio Sakra. Representando como ele representa a Verdade ou Brahman Eterno. Eu o declarei integralmente para ti. Ele constitui aquele coração de todas as criaturas, e é o Sruti mais sublime. Todos os príncipes da linhagem de Soma e de Surya, isto é, os Raghavas e os Kauravas, recitam estes Mantras todos os dias depois de terem se purificado. Estes constituem o fim mais elevado das criaturas humanas. Há resgate de todo transtorno e calamidade na recitação diária dos nomes das divindades, dos sete Rishis, e de Dhruva. De fato, tal recitação livra alguém do infortúnio rapidamente. Os sábios dos tempos antigos, isto é, Kasyapa, Gotama, e outros, e Bhrigu, Angiras e Atri e outros, e Sukra, Agastya, e Vrihaspati, e outros, todos os quais são Rishis regenerados, têm adorado estes Mantras. Aprovados pelo filho de Bharadwaja, estes Mantras foram obtidos pelos filhos de Richika. De fato, tendo- os adquirido novamente de Vasishtha, Sakra e os Vasus partiram para lutar e conseguiram subjugar os Danavas. Aquele homem que faz um presente de cem vacas com seus chifres cobertos com placas de ouro para um Brahmana possuidor de muito conhecimento e bem familiarizado com os Vedas, e aquele que faz a excelente história de Bharata ser narrada em sua casa todo dia, são considerados como obtendo méritos iguais. Por recitar o nome de Bhrigu a virtude de uma pessoa vem a ser aumentada. Por reverenciar Vasishtha a energia de alguém se torna intensificada. Por reverenciar Raghu uma pessoa se torna vitoriosa em batalha. Por recitar os louvores dos Aswins alguém fica livre de doenças. Eu dessa maneira, ó rei, te falei dos Mantras Savitri os quais são idênticos ao eterno Brahman. Se tu desejas me perguntar sobre algum outro tópico tu podes fazer isso. Eu irei, ó Bharata, te responder.’” "Yudhishthira disse, 'Quem merece ser adorado? Quem são aqueles para quem nós devemos nos curvar? Como, de fato, nós devemos nos comportar em direção a quem? Qual rumo de conduta, ó avô, em direção a quais classes de pessoas é considerado impecável?'” "Bhishma disse, 'A humilhação de Brahmanas humilharia as próprias divindades. Por se curvar aos Brahmanas uma pessoa, ó Yudhishthira, não incorre em qualquer falha. Eles merecem ser adorados. Eles merecem ter nossas saudações. Tu deves te comportar em direção a eles como se eles fossem teus filhos. De fato, são aqueles homens dotados de grande sabedoria que mantêm todos os mundos. Os Brahmanas são os grandes caminhos de virtude em relação a todos os mundos. Sua felicidade consiste em renunciar a todos os tipos de riqueza. Eles são devotados ao voto de reprimir a fala. Eles são agradáveis para todas as criaturas, e cumpridores de diversos votos excelentes. Eles são o amparo de todas as criaturas no universo. Eles são os autores de todos os regulamentos que governam os mundos. Eles são possuidores de grande renome. Penitências são sempre sua grande riqueza. Seu poder consiste na fala. Sua energia flui dos deveres que eles cumprem. Conhecedores de todos os deveres, eles possuem visão perfeita, pelo que eles estão cientes das considerações mais sutis. Eles são de desejos virtuosos. Eles vivem no cumprimento de deveres bem realizados. Eles são as estradas da Virtude. As quatro espécies de criaturas vivas existem dependendo deles como sua proteção. Eles são o caminho ou estrada pelo qual todos devem seguir. Eles são os guias de todos. Eles são os sustentadores eternos de todos os sacrifícios. Eles sempre sustentam as cargas pesadas de pais e avôs. Eles nunca enlanguescem sob pesos pesados mesmo quando passando por estradas difíceis como gado forte. Eles são atentos às necessidades dos Pitris e divindades e convidados. Eles têm direito a comer as primeiras porções de Havya e Kavya. Pelo próprio alimento que eles comem, eles salvam os três mundos de grande temor. Eles são por assim dizer a Ilha (para refúgio) para todos os mundos. Eles são os olhos de todas as pessoas dotadas de visão. A riqueza que eles possuem consiste em todos os ramos de conhecimento conhecidos pelo nome de Siksha e todos os Srutis. Dotados de grande habilidade, eles estão familiarizados com as relações mais sutis das coisas. Eles conhecem bem o fim de todas as coisas, e seus pensamentos estão sempre ocupados na ciência da alma. Eles são dotados do conhecimento do início, do meio, e do fim de todas as coisas, e eles são pessoas em quem dúvidas não mais existem por se sentirem seguros de seu conhecimento. Eles são totalmente conscientes das distinções entre o que é superior e o que é inferior. São eles que chegam ao fim mais elevado. Livres de todos os apegos, purificados de todos os pecados, transcendendo todos os pares de opostos (tais como calor e frio, felicidade e tristeza, etc.), eles estão desligados de todas as coisas mundanas. Merecedores de toda honra, eles são sempre tidos em grande estima por pessoas dotadas de conhecimento e grandes almas. Eles lançam olhares imparciais para pasta de sândalo e sujeira ou lodo, ou para o que é alimento e o que não é alimento. Eles vêem com um olhar igual suas vestimentas marrons de tecido grosseiro e tecidos de seda e peles de animais. Eles viveriam por muitos dias seguidos sem comerem algum alimento, e secariam seus membros por tal abstenção de todo sustento. Eles se dedicam seriamente ao estudo dos Vedas, reprimindo seus sentidos. Eles fariam deuses daqueles que não são deuses, e não deuses daqueles que são deuses. Enfurecidos, eles podem criar outros mundos e outros Regentes dos mundos além daqueles que existem. Pela maldição daqueles de grande alma o oceano se tornou tão salino quanto a ser impotável. O fogo de sua ira ainda queima na floresta de Dandaka, não apagado pelo tempo. Eles são os deuses dos deuses, e a causa de todas as causas. Eles são a autoridade de todas as autoridades. Qual homem de inteligência e sabedoria procuraria humilhá-los? Entre eles os jovens e os velhos todos merecem honras. Eles respeitam uns aos outros (não por causa de distinções de idade mas) por distinções a respeito de penitências e conhecimento. Até o Brahmana que é desprovido de conhecimento é um deus e é um grande instrumento para purificar outros. Aquele entre eles, então, que é possuidor de conhecimento é um deus muito superior e semelhante ao oceano quando cheio (até a borda). Erudito ou não, o Brahmana é sempre uma grande divindade. Santificado ou não santificado (com a ajuda de Mantras), o Fogo é sempre uma grande divindade. Um fogo ardente mesmo quando ele queima em um crematório, não é considerado como maculado pelo caráter do local no qual ele queima. Manteiga clarificada parece bela seja mantida no altar sacrifical ou em um aposento. Igualmente, se um Brahmana está sempre dedicado a atos maus, ele ainda assim é para ser considerado como merecedor de honra. De fato, saiba que o Brahmana é sempre uma grande divindade.'" 152 "Yudhishthira disse, 'Nos diga, ó rei, qual é a recompensa vinculada ao culto de Brahmanas, vendo a qual tu os cultua, ó tu de inteligência superior! De fato, qual é aquele sucesso, fluindo do seu culto, guiado pelo qual tu os cultua?'” "Bhishma disse, 'Em relação a isto é citada a velha narrativa de uma conversa entre Pavana e Arjuna, ó Bharata! Dotado de mil braços e grande beleza o poderoso Kartavirya, nos tempos passados, tornou-se o senhor de todo o mundo. Ele tinha sua capital na cidade de Mahishmati. De destreza imbatível, aquele chefe da linhagem Haihaya de Kshatriyas governava a terra inteira com sua faixa de mares, junto com suas ilhas e todas as suas minas preciosas de ouro e pedras preciosas. Mantendo diante dele os deveres da classe Kshatriya, como também humildade e conhecimento Védico, o rei fez grandes presentes de riqueza para o Rishi Dattatreya. De fato, o filho de Kritavirya adorou dessa maneira o grande asceta que, ficando satisfeito com ele, lhe pediu para solicitar três benefícios. Assim pedido pelo Rishi em relação a benefícios, o rei se dirigiu a ele, dizendo, 'Que eu me torne dotado de mil braços quando eu estiver meio das minhas tropas. No entanto, enquanto eu permanecer em casa que eu tenha, como de hábito, somente dois braços! De fato, que os combatentes, quando envolvidos em combate, me vejam possuidor de mil braços, cumpridor também de votos superiores, me deixe conseguir subjugar a terra inteira por força da minha coragem. Tendo adquirido a terra justamente, me deixe governá-la com vigilância. Há um quarto benefício o qual, ó principal das pessoas regeneradas, eu te peço para conceder. Ó impecável, por tua disposição para me favorecer, cabe a ti concedê-lo a mim. Dependente que eu sou de ti, sempre que possa acontecer de eu tomar um mau caminho, que os virtuosos venham para me instruir e me corrigir!’ Assim endereçado, o Brahmana respondeu para o rei, dizendo, ‘Que assim seja!’ Dessa maneira aqueles benefícios foram obtidos por aquele rei de refulgência brilhante. Sendo conduzido então em seu carro cujo esplendor parecia com aquele do fogo ou do Sol, o monarca, cegado por sua grande destreza, disse, 'Quem, de fato, pode ser considerado como meu igual em paciência e energia, em fama e heroísmo, em destreza e força?' Depois que ele tinha proferido estas palavras, uma voz invisível no firmamento disse, 'Ó patife ignorante, tu não sabes que o Brahmana é superior ao Kshatriya? O Kshatriya, ajudado pelo Brahmana, governa todas as criaturas!'” "Arjuna disse, 'Quando satisfeito, eu posso criar muitas criaturas. Quando zangado, eu posso destruir todas. Em pensamento, palavra, e ação, eu sou o principal. O Brahmana sem dúvida não está acima de mim! A primeira proposição aqui é que o Brahmana é superior ao Kshatriya. A proposição contrária é que o Kshatriya é superior. Tu disseste, ó ser invisível, que os dois estão unidos (na ação sobre qual se procura basear a superioridade do Kshatriya). Uma diferença, no entanto, é observável nisto. É visto que Brahmanas se refugiam com Kshatriyas. Os Kshatriyas nunca procuram a proteção de Brahmanas. De fato, por toda a terra, os Brahmanas, aceitando semelhante proteção sob a pretensão de ensinar os Vedas, retiram seu sustento dos Kshatriyas. O dever de proteger todas as criaturas está investido nos Kshatriyas. É dos Kshatriyas que os Brahmanas derivam seu sustento. Como então o Brahmana pode ser superior aos Kshatriyas? Bem, eu irei de hoje em diante trazer sob minha submissão os seus Brahmanas que são superiores a todas as criaturas mas que têm a mendicância como sua ocupação e que são tão convencidos! O que a donzela Gayatri disse do firmamento não é verdade. Vestidos em peles, os Brahmanas se movem em independência. Eu trarei aqueles indivíduos independentes sob minha submissão. Divindade ou homem, não há ninguém nos três mundos que possa me tirar da soberania que eu desfruto. Por isso, eu sou sem dúvida superior aos Brahmanas. Este mundo que é agora considerado como tendo os Brahmanas como seus habitantes principais logo será feito de tal maneira que terá os Kshatriyas como seus habitantes principais. Não há ninguém que seja capaz de suportar meu poder em batalha!’ Ouvindo estas palavras de Arjuna, a deusa que percorre o céu ficou agitada. Então o deus do vento, se dirigindo do céu ao rei disse, 'Rejeite essa atitude pecaminosa. Reverencie os Brahmanas. Por ofendê-los tu causarás distúrbios em teu reino. Os Brahmanas ou te matarão, embora tu sejas rei, ou, dotados de grande poder como eles são, eles te expulsarão do teu reino, te despojando da tua energia!' O rei, ouvindo estas palavras se dirigiu ao orador, dizendo, ‘Quem, de fato, és tu?’ O deus do vento respondeu, 'Eu sou o deus do vento e o mensageiro das divindades! Eu te digo o que é para o teu benefício.'” "Arjuna disse, 'Oh, eu vejo que hoje tu mostraste a tua devoção e afeição pelos Brahmanas. Diga-me agora que espécie de criatura terrena é o Brahmana! Diga- me, um Brahmana superior parece com o Vento em algum aspecto? Ou, ele é como Água, ou Fogo, ou o Sol, ou o Firmamento?'" 153 "O deus do vento disse, 'Ouça, ó homem iludido, quais são os atributos que pertencem aos Brahmanas todos os quais são dotados de grandes almas. O Brahmana é superior a todos aqueles que, ó rei, tu mencionaste! Antigamente, a terra, cedendo a um espírito de rivalidade com a espécie dos Angas, abandonou seu caráter como Terra. O regenerado Kasyapa faz a destruição alcançá-la por realmente paralisá-la. Os Brahmanas são sempre invencíveis, ó rei, no céu como também sobre a terra. Nos tempos passados, o grande Rishi Angiras, por sua energia, bebeu todas as águas. O Rishi de grande alma, tendo bebido todas as águas como se elas fossem leite, ainda assim não sentiu que sua sede tinha sido saciada. Ele, portanto, mais uma vez fez a terra ser cheia com água por erguer uma onda imensa. Em outra ocasião, quando Angiras ficou enfurecido comigo, eu fugi, deixando o mundo, e morei por muito tempo oculto no Agnihotra dos Brahmanas por medo daquele Rishi. O ilustre Purandara, por ele ter cobiçado o corpo de Ahalya, foi amaldiçoado por Gautama, porém, por causa da Virtude e riqueza, o Rishi não destruiu completamente o chefe das divindades. O Oceano, ó rei, que no passado era cheio de água cristalina, amaldiçoado pelos Brahmanas, se tornou salino em gosto. Até Agni que é da cor do ouro, e que brilha com resplendor quando desprovido de fumaça, e cujas chamas se unindo queimam para cima, quando amaldiçoado pelo enfurecido Angiras, ficou privado de todos estes atributos. Veja, os sessenta mil filhos de Sagara, que vieram aqui para adorar o Oceano, foram todos pulverizados pelo Brahmana Kapila de cor dourada. Tu não és igual aos Brahmanas. Ó rei, busque o teu próprio bem. Até o Kshatriya de grande força reverencia crianças Brahmana que estão ainda nos úteros de suas mães. O grande reino dos Dandakas foi destruído por um Brahmana. O poderoso Kshatriya Talajangala foi destruído por um único Brahmana, isto é, Aurva. Tu também obtiveste um grande reino, grande poder, mérito religioso, e erudição, os quais são todos difíceis de serem obtidos, pela graça de Dattatreya. Por que tu, ó Arjuna, cultuas Agni diariamente que é um Brahmana? Ele é o portador de libações sacrificais de toda parte do universo. Tu és ignorante deste fato? Por que, de fato, tu te permites ser entorpecido pela insensatez quando tu não és ignorante do fato que um Brahmana superior é o protetor de todas as criaturas no mundo e é, de fato, o criador do mundo vivo? O Senhor de todas as criaturas, Brahman, imanifesto, dotado de pujança, e de glória imperecível, que criou este universo ilimitado com suas criaturas móveis e imóveis (é um Brahmana). Há algumas pessoas, desprovidas de sabedoria, que dizem que Brahman nasceu de um Ovo. Do Ovo original, quando ele se rompeu, montanhas e os pontos do horizonte e as águas e a terra e o céu todos surgiram para a existência. Este nascimento da criação não foi visto por ninguém. Como então Brahman pode ser citado como tendo tomado seu nascimento do Ovo original, especialmente quando ele é declarado como Não-nascido? É dito que o vasto Espaço incriado é o Ovo original. Foi daquele Espaço incriado (ou Brahman Supremo) que o Avô nasceu. Se tu perguntares, 'Sobre o quê o Avô iria repousar, depois de seu nascimento do Espaço incriado, pois então não havia nada mais?' A resposta pode ser dada nas seguintes palavras, 'Há um Ser existente chamado Consciência. Aquele Ser poderoso é dotado de grande energia. Não há Ovo. Brahman, no entanto, é existente. Ele é o criador do universo e é seu rei!’ Assim endereçado pelo deus do vento, o rei Arjuna permaneceu silencioso.'” 154 "O deus do vento disse, 'Uma vez, ó rei, um soberano de nome Anga desejou doar a terra inteira como presente sacrifical para os Brahmanas. Nisto, a terra ficou cheia de ansiedade. 'Eu sou a filha de Brahman. Eu mantenho todas as criaturas. Tendo me obtido, ai, por que este principal dos reis deseja me dar para os Brahmanas? Abandonando meu caráter como o solo, eu agora me dirigirei à presença de meu pai. Que este rei com todo o seu reino encontre com a destruição!’ Chegando a esta conclusão, ela foi para a região de Brahman. O Rishi Kasyapa, vendo a deusa Terra prestes a partir, imediatamente entrou ele mesmo na encarnação visível da deusa, rejeitando seu próprio corpo, pela ajuda de Yoga. A terra assim penetrada pelo espírito de Kasyapa, cresceu em prosperidade e se tornou cheia de todas as espécies de produtos vegetais. De fato, ó rei, pelo tempo que Kasyapa permeou a terra, a Virtude se tornou o mais importante em todos os lugares e todos os temores cessaram. Dessa maneira, ó rei, a terra permaneceu impregnada pelo espírito de Kasyapa por trinta mil anos celestes, completamente ativa em todas aquelas funções que ela costumava cumprir enquanto ela estava impregnada pelo espírito da filha de Brahman. Após o término daquele período, a deusa voltou da região de Brahman e chegando aqui reverenciou Kasyapa e desde aquele tempo se tornou a filha daquele Rishi. Kasyapa é um Brahmana. Esta foi a façanha, ó rei, que um Brahmana fez. Diga-me o nome do Kshatriya que pode ser considerado como superior a Kasyapa!’ Ouvindo estas palavras, o rei Arjuna ficou calado. Para ele o deus do vento mais uma vez disse, 'Ouça agora, ó rei, a história de Utathya que nasceu na linhagem de Angiras. A filha de Soma, chamada Bhadra, veio a ser considerada como inigualável em beleza. Seu pai Soma considerava Utathya como o mais adequado dos maridos para ela. A moça famosa e altamente abençoada de membros impecáveis, cumprindo diversos votos, passou pelas austeridades mais severas pelo desejo de obter Utathya como seu marido. Depois de um tempo, o pai de Soma Atri, convidando Utathya para sua casa, entregou para ele a donzela famosa. Utathya, que costumava dar presentes sacrificais em quantidade copiosa, recebeu a moça devidamente como sua esposa. Aconteceu, no entanto, que o belo Varuna tinha, desde muito tempo antes, cobiçado a moça. Indo para os bosques onde Utathya morava, Varuna roubou a moça quando ela tinha mergulhado no Yamuna para tomar um banho. Sequestrando-a dessa maneira, o Senhor das águas a levou para sua própria residência. Aquela mansão era de um aspecto extraordinário. Ela era adornada com seiscentos mil lagos. Não há alguma mansão que possa ser considerada mais bela do que aquele palácio de Varuna. Ele era adornado com muitos palácios e pela presença de diversas tribos de Apsaras e de diversos artigos excelentes de prazer. Lá, dentro daquele palácio, o Senhor das águas; ó rei, se divertiu com a donzela. Pouco tempo depois, o fato do rapto de sua esposa foi relatado para Utathya. De fato, tendo ouvido todos os fatos de Narada, Utathya se dirigiu ao Rishi celeste, dizendo, 'Vá, ó Narada, até Varuna e fale a ele com a devida severidade. Pergunte por que ele sequestrou minha esposa, e, de fato, diga a ele em meu nome que ele deve entregá-la. Tu podes dizer a ele além disso, 'Tu és um protetor dos mundos, ó Varuna, e não um destruidor! Por que então tu sequestraste a esposa de Utathya concedida a ele por Soma?' Assim pedido por Utathya, o Rishi celeste Narada foi para onde Varuna estava e dirigindo-se a ele, disse, 'Liberte a esposa de Utathya. De fato, por que tu a sequestraste?' Ouvindo estas palavras de Narada, Varuna respondeu para ele, dizendo, 'Esta moça tímida é muito querida para mim. Eu ouso não deixá-la ir!' Recebendo esta resposta, Narada se dirigiu a Utathya e disse tristemente, 'Ó grande asceta, Varuna me expulsou de sua casa, me agarrando pela garganta. Ele está sem vontade de devolver tua esposa para ti. Aja como quiseres.' Ouvindo estas palavras de Narada, Angiras ficou inflamado pela ira. Dotado de riqueza de penitências, ele solidificou as águas e as absorveu, ajudado por sua energia. Quando todas as águas foram assim absorvidas, o Senhor daquele elemento ficou muito desanimado com todos os seus amigos e parentes. Apesar disso, ele ainda assim não desistiu da esposa de Utathya. Então Utathya, aquela principal das pessoas regeneradas, cheio de cólera, ordenou a Terra, dizendo, 'Ó amável, revele terra onde há no momento os seiscentos mil lagos.' A estas palavras do Rishi, o Oceano retrocedeu do local indicado, e apareceu terra a qual era extremamente estéril. Para os rios que fluíam através daquela região, Utathya disse, 'Ó Saraswati, torne-te invisível aqui. De fato, ó dama tímida, deixando esta região, vá para o deserto! Ó deusa auspiciosa, que esta região, desprovida de ti, cesse de ser sagrada.' Quando aquela região (na qual o senhor das águas morava) ficou seca, ele se dirigiu a Angiras, levando consigo a esposa de Utathya, e a transferiu para ele. Obtendo sua esposa de volta, Utathya ficou alegre. Então, ó chefe da linhagem Haihaya, aquele grande Brahmana salvou o universo e o Senhor das águas da situação de angústia à qual ele os tinha levado. Conhecedor de todos os deveres, o Rishi Utathya de grande energia, depois de obter de volta sua esposa, ó rei, falou dessa maneira para Varuna, 'Eu recuperei minha esposa, ó Senhor das águas, com a ajuda das minhas penitências e depois de infligir a ti tal angústia que te fez gritar em aflição!’ Tendo dito isso, ele foi para casa com aquela sua esposa. Assim mesmo, ó rei, era Utathya, aquele principal dos Brahmanas. Eu devo continuar? Ou, você ainda persistirá em tua opinião? O quê, há um Kshatriya que é superior a Utathya?'” 155 "Bhishma disse, "Assim endereçado, o rei Arjuna ficou calado. O deus do vento mais uma vez falou a ele, 'Escute agora, ó rei, a história da grandeza do Brahmana Agastya. Uma vez, os deuses foram subjugados pelos Asuras pelo que eles ficaram muito tristes. Os sacrifícios das divindades foram todos confiscados, e o Swadha dos Pitris também foi desviado. De fato, ó chefe dos Haihayas, todas as ações e observâncias religiosas dos seres humanos também foram suspensas pelos Danavas. Privadas de sua prosperidade, as divindades vagaram pela terra como nós sabemos. Um dia, no decurso de suas vagueações eles encontraram com Agastya de votos superiores, aquele Brahmana, ó rei, que era dotado de grande energia e esplendor que era tão brilhante quanto aquele do sol. Saudando- o devidamente, as divindades fizeram as perguntas usuais de polidez. Elas então, ó rei, disseram estas palavras para aquele de grande alma, 'Nós fomos derrotados pelos Danavas em batalha e, portanto, decaímos da riqueza e prosperidade. Portanto, ó principal dos ascetas, nos salve desta situação de grande medo.' Assim informado da situação difícil à qual as divindades tinham sido reduzidas, Agastya ficou muito enraivecido (com os Danavas). Possuidor de grande energia, ele imediatamente resplandeceu como o fogo que tudo consome no tempo da dissolução universal. Com os raios ardentes que então emanaram do Rishi, os Danavas começaram a ser queimados. De fato, ó rei, milhares deles começaram a cair do céu. Queimando com a energia de Agastya, os Danavas, abandonando o céu e a terra, fugiram em direção ao sul. Naquele momento o rei Danava Vali estava realizando um Sacrifício de Cavalo nas regiões inferiores. Aqueles grandes Asuras que estavam com ele naquelas regiões ou que estavam morando nas entranhas da terra não foram queimados. As divindades, após a destruição de seus inimigos, então recuperaram suas próprias regiões, seus temores totalmente dissipados. Encorajadas pelo que ele tinha realizado por elas, elas então pediram ao Rishi para destruir aqueles Asuras que tinham se refugiado dentro das entranhas da terra ou nas regiões inferiores. Assim solicitado pelos deuses, Agastya respondeu para eles, dizendo, 'Sim, eu sou totalmente competente para consumir aqueles Asuras que estão residindo embaixo da terra; mas se eu realizar tal ato minhas penitências sofrerão uma diminuição. Por essa razão, eu não exercerei meu poder.' Assim, ó rei, os Danavas foram consumidos pelo Rishi ilustre com sua própria energia. Dessa maneira Agastya de alma purificada, ó monarca, realizou aquela façanha com a ajuda de suas penitências. Ó impecável, exatamente assim era Agastya como descrito por mim! Eu devo continuar? Ou, você dirá alguma coisa em resposta? Há algum Kshatriya que seja maior do que Agastya?'” "Bhishma continuou, 'Assim endereçado, o rei Arjuna ficou calado. O deus do vento mais uma vez disse, 'Ouça, ó rei, um dos grandes feitos do ilustre Vasishtha. Uma vez as divindades estavam empenhadas em realizar um sacrifício nas margens do lago Vaikhanasa. Conhecendo sua força, os deuses sacrificantes pensaram em Vasishtha e o fizeram seu sacerdote em imaginação. Enquanto isso, vendo os deuses reduzidos e emaciados pelo Diksha que eles estavam praticando, uma raça de Danavas, de nome Khalins, de estaturas tão gigantescas quanto montanhas, desejaram matá-los. Aqueles entre os Danavas que foram incapacitados ou mortos na luta foram mergulhados nas águas do lago Manasa e pela bênção do Avô eles imediatamente voltaram ao vigor e vida. Erguendo topos de montanha enormes e terríveis e maças e árvores, eles agitaram as águas do lago, fazendo-as se elevarem à altura de cem yojanas. Eles então correram contra as divindades constando de dez mil. Afligidos pelos Danavas, os deuses então procuraram a proteção de seu chefe. Vasava-Sakra, no entanto, foi logo afligido por eles. Em sua aflição ele procurou a proteção de Vasishtha. Nisto, o santo Rishi Vasishtha encorajou as divindades, dissipando seus temores. Compreendendo que os deuses tinham ficado extremamente tristes, o asceta fez isto por compaixão. Ele empregou sua energia e queimou, sem nenhum esforço, aqueles Danavas chamados Khalins. Possuidor de riqueza de penitências, o Rishi trouxe o Rio Ganga, que tinha ido para Kailasa, para aquele local. De fato, Ganga apareceu, atravessando as águas do lago. O lago foi penetrado por aquele rio. E como aquela corrente celeste, atravessando as águas do lago, apareceu, ela fluiu adiante, sob o nome de Sarayu. O lugar sobre o qual aqueles Danavas caíram veio a ser chamado pelo nome deles. Assim os habitantes do Céu, com Indra em sua chefia, foram salvos de grande infortúnio por Vasishtha, Foi assim que aqueles Danavas, que tinham recebido bênçãos de Brahman, foram mortos por aquele Rishi de grande alma. Ó impecável, eu narrei para ti a façanha que Vasishtha realizou. Eu continuarei? Ou, você dirá alguma coisa! Existiu algum Kshatriya que superasse o Brahmana Vasishtha?'” 156 "Bhishma disse, 'Assim endereçado, Arjuna ficou calado. O deus do vento mais uma vez se dirigiu a ele, dizendo, 'Ouça-me, ó principal dos Haihayas, enquanto eu narro para ti a realização do Atri de grande alma. Uma vez quando os deuses e Danavas estavam lutando uns com os outros no escuro, Rahu perfurou Surya e Soma com suas setas. Os deuses, oprimidos pela escuridão, começaram a cair perante os Danavas poderosos, ó principal dos reis! Repetidamente golpeados pelos Asuras, os habitantes do céu começaram a perder sua força. Eles então viram o Brahmana erudito Atri, dotado de riqueza de penitências, dedicado à observância de austeridades. Dirigindo-se àquele Rishi que tinha conquistado todos os seus sentidos e em quem a ira estava extinta, eles disseram: 'Veja, ó Rishi, estes dois, isto é, Soma e Surya, que foram ambos perfurados pelos Asuras com suas setas! Por causa disto a escuridão nos alcançou, e nós estamos sendo derrubados pelo inimigo. Nós não vemos o fim dos nossos problemas! Ó senhor de grande pujança, nos salve deste grande medo.'” "O Rishi disse, ‘Como, de fato, eu protegerei vocês?’ Eles responderam, dizendo, 'Torne-te Chandramas. Torne-te também o sol, e comece a matar estes ladrões!' Assim solicitado por eles, Atri assumiu a forma de Soma destruidor de escuridão. De fato, por sua disposição agradável, ele começou a parecer tão belo e encantador quanto o próprio Soma. Vendo que o Soma e o Surya reais tinham ficado escurecidos pelas setas do inimigo, Atri, assumindo as formas daqueles corpos luminosos, começou a brilhar em esplendor por cima do campo de batalha, ajudado pela força de suas penitências. Na verdade Atri fez o universo resplandecer em luz, dissipando toda a sua escuridão. Por empregar sua força, ele também subjugou as vastas multidões daqueles inimigos das divindades. Vendo aqueles grandes Asuras queimados por Atri, os deuses também, protegidos pela energia de Atri, começaram a matá-los rapidamente. Empregando sua destreza e dominando toda a sua energia, foi dessa maneira que Atri iluminou o deus do dia, salvou as divindades, e matou os Asuras! Este foi o feito que aquele regenerado, ajudado por seu fogo sagrado, aquele recitador silencioso de Mantras, aquele vestido em peles de veado, realizou! Veja, ó sábio real, aquela ação realizada por aquele Rishi que subsistia somente de frutas! Eu assim narrei para ti, em detalhes, a façanha do Atri de grande alma. Eu continuarei? Ou, você irá dizer alguma coisa? Há algum Kshatriya que seja superior àquele Rishi regenerado?'” “Assim endereçado, Arjuna ficou calado. O deus do vento novamente falou a ele, dizendo, ‘Ouça, ó rei, a façanha realizada por Chyavana de grande alma (antigamente). Tendo feito sua promessa aos gêmeos Aswins, Chyavana se dirigiu ao castigador de Paka, dizendo, ‘Faça dos Aswins bebedores de Soma com todas as outras divindades!’” “Indra disse, ‘Os Aswins foram rejeitados por nós. Como então eles podem ser admitidos no círculo sacrifical para beber Soma com os outros? Eles não são contados com as divindades. Portanto não nos fale dessa maneira! Ó tu de grandes votos, nós não desejamos beber Soma na companhia dos Aswins. Qualquer outra ordem que tu possas querer proferir, ó Brahmana erudito, nós estamos dispostos a realizar.’” “Chyavana disse, ‘Os gêmeos Aswins beberão Soma com todos vocês! Ambos são deuses, ó chefe das divindades, pois eles são os filhos de Surya. Que os deuses façam o que eu disse. Por agirem de acordo com aquelas palavras os deuses colherão grande vantagem. Por agirem de outra maneira o infortúnio irá surpreendê-los.’” “Indra disse, ‘Eu, ó principal das pessoas regeneradas, não beberei Soma com os Aswins! Que outros bebam com eles como eles quiserem! Em relação a mim mesmo, eu ouso não fazê-lo.’” “Chyavana disse, ‘Se, ó matador de Vala, tu não obedeceres minhas palavras, tu irás, neste mesmo dia, beber Soma com eles em sacrifício, forçado por mim!’” "O deus do vento disse, 'Então Chyavana, levando os Aswins com ele, iniciou um grande rito religioso para benefício deles. Os deuses todos foram entorpecidos por Chyavana com seus Mantras. Contemplando aquele feito começado por Chyavana, Indra ficou excitado com cólera. Erguendo uma montanha enorme ele correu contra aquele Rishi. O chefe das divindades estava também armado com o raio. Então o ilustre Chyavana, dotado de penitências, lançou um olhar zangado para Indra conforme ele avançava. Jogando um pouco de água nele, ele paralisou o chefe das divindades com seu raio e montanha. Como o resultado do rito religioso ele tinha começado, ele criou um Asura terrível hostil a Indra. Feito das libações que ele tinha derramando no fogo sagrado, aquele Asura era chamado de Mada, de boca totalmente escancarada. Tal era o Asura que o grande asceta criou com a ajuda de Mantras. Havia mil dentes em sua boca, se estendendo por cem yojanas. De aparência terrível, suas presas tinham duzentos yojanas de comprimento. Uma de suas bochechas se apoiava na terra e a outra tocava os céus. De fato, todos os deuses com Vasava pareciam estar na base da língua daquele grande Asura, assim como peixes quando eles entram na extensa boca aberta de um leviatã. Enquanto estavam dentro da boca de Mada, os deuses mantiveram uma consulta rápida e então se dirigindo a Indra, disseram, ‘Curve logo tua cabeça em reverência para esta pessoa regenerada! Livres de todo escrúpulo, nós beberemos Soma com os Aswins em nossa companhia!’ Então Sakra, curvando sua cabeça para Chyavana, obedeceu a sua ordem. Assim mesmo Chyavana fez dos Aswins bebedores de Soma com os outros deuses. Chamando Mada de volta, o Rishi então designou para ele as ações que ele devia fazer. Aquele Mada foi mandado tomar sua residência nos dados, na caça, no alcoolismo, e em mulheres. Por isso, ó rei, os homens que se dirigem a estes encontram com a destruição, sem dúvida. Por isso, alguém deve sempre rejeitar estes erros a uma grande distância. Assim, ó rei, eu narrei para ti a façanha realizada por Chyavana. Eu continuarei? Ou, você dirá alguma coisa em resposta? Há algum Kshatriya que seja superior ao Brahmana Chyavana?'" 157 “Bhishma disse, ‘Ouvindo estas palavras do deus do vento, Arjuna permaneceu silencioso. Nisto, o deus do vento mais uma vez se dirigiu a ele, dizendo, ‘Quando os habitantes do céu, com Indra em sua chefia, se achavam dentro da boca do Asura Mada, naquele momento Chyavana os afastou da terra. Privados anteriormente do céu e agora desprovidos da terra também, os deuses ficaram muito desanimados. De fato, aqueles de grande alma, afligidos pela angústia, então se lançaram sem reservas sobre a proteção do Avô.’” “Os deuses disseram, ‘Ó tu que és adorado por todas as criaturas do universo, a terra foi tirada de nós por Chyavana, enquanto nós fomos privados do céu pelos Kapas, ó pujante!’” "Brahman disse, 'Ó habitantes do céu, vocês, com Indra em sua liderança, vão rapidamente e procurem a proteção dos Brahmanas. Por agradá-los vocês conseguirão recuperar ambas as regiões como antes.' Assim instruídas pelo Avô, as divindades se dirigiram aos Brahmanas e se tornaram suplicantes por sua proteção. Os Brahmanas responderam, perguntando, 'Quem nós devemos subjugar?' Assim perguntadas, as divindades disseram para eles, 'Subjuguem os Kapas.' O Brahmanas então disseram, 'Derrubando-os na terra primeiro, nós os subjugaremos rapidamente.' Depois disto, os Brahmanas começaram um rito tendo como seu objetivo a destruição dos Kapas. Logo que isto foi sabido pelos Kapas, eles imediatamente despacharam um mensageiro deles, chamado Dhanin, para aqueles Brahmanas. Dhanin, indo até eles quando eles repousavam sobre a terra, entregou para eles a mensagem dos Kapas dessa maneira. ‘Os Kapas são assim como vocês todos! (Eles não são inferiores a algum de vocês). Por isso, qual será o efeito destes ritos os quais vocês parecem estar empenhados em realizar? Todos eles são bons conhecedores dos Vedas e possuidores de sabedoria. Todos eles são atentos aos sacrifícios. Todos eles têm a Verdade como seu voto, e por estas razões todos eles são considerados como iguais a grandes Rishis. A deusa da Prosperidade passa seu tempo entre eles, e eles, por sua vez, a sustentam com reverência. Eles nunca se entregam a atos sexuais inúteis com suas esposas, e eles nunca comem a carne de animais que não foram mortos em sacrifícios. Eles despejam libações no fogo ardente sacrifical (todos os dias) e são obedientes às ordens de seus preceptores e mais velhos. Todos eles são de almas sob controle perfeito, e nunca comem algum alimento sem dividi-lo devidamente entre seus filhos. Eles sempre procedem em carros e outros veículos juntos (sem algum deles usar seu próprio veículo enquanto outros viajam a pé). Eles nunca se entregam a relações sexuais com suas esposas quando as últimas estão no meio do seu período funcional. Eles todos agem de tal maneira quanto a alcançar regiões de bem-aventurança após a morte. De fato, eles são sempre justos em seus atos. Quando mulheres grávidas ou homens idosos não comeram, eles nunca comem alguma coisa. Eles nunca se entregam ao jogo ou esportes de qualquer tipo de manhã. Eles nunca dormem durante o dia. Quando os Kapas têm estas e muitas outras virtudes e realizações, por que, de fato, vocês procurariam subjugá-los? Vocês devem se abster do esforço! Realmente, por tal abstenção vocês irão realizar o que é para o seu bem.'” "Os Brahmanas disseram, ‘Oh, nós subjugaremos os Kapas! Nesta questão, nós somos um com as divindades. Por isso, os Kapas merecem a morte em suas mãos. Com relação a Dhanin, ele deve voltar para (o lugar) de onde ele veio!’ Depois disto, Dhanin, voltando aos Kapas, disse para eles, ‘Os Brahmanas não estão dispostos a lhes fazer nenhum bem!’ Ouvindo isto, todos os Kapas pegaram suas armas e procedem em direção aos Brahmanas. Os Brahmanas, vendo os Kapas avançando contra eles com os estandartes de seus carros erguidos, imediatamente criaram certos fogos ardentes para a destruição dos Kapas. Aqueles fogos eternos, criados com a ajuda de Mantras Védicos, tendo efetuado a destruição dos Kapas, começaram a brilhar no firmamento como muitas nuvens (douradas). Os deuses, tendo se reunido em batalha, mataram muitos dos Danavas. Eles não sabiam naquele tempo que foram os Brahmanas que tinham efetuado sua destruição. Então Narada de grande energia, chegando lá, ó rei, informou as divindades como seus inimigos; os Kapas, tinham sido realmente mortos pelos Brahmanas de energia imensa (e não pelas próprias divindades). Ouvindo aquelas palavras de Narada, os habitantes do céu ficaram muito satisfeitos. Eles também aplaudiram aqueles aliados regenerados deles que eram possuidores de grande fama. A energia e destreza das divindades então começou a aumentar, e adoradas em todos os mundos, elas adquiriram também a bênção da imortalidade!' Depois que o deus do vento tinha dito estas palavras, o rei Arjuna o adorou devidamente e dirigindo-se a ele respondeu nestas palavras. Ouça, ó monarca de braços poderosos, o que Arjuna disse.’” “Arjuna disse, ‘Ó deus pujante, sempre e por todos os meios eu vivo pelos Brahmanas! Devotado a eles, eu os adoro sempre! Pela graça de Dattatreya eu obtive este meu poder! Por sua graça eu pude realizar grandes feitos no mundo e obtive grande mérito! Oh, eu tenho, com atenção, ouvido das realizações, ó deus do vento, dos Brahmanas com todos os seus detalhes interessantes como narrados por ti verdadeiramente.’” "O deus do vento disse, 'Proteja e cuide dos Brahmanas no exercício daqueles deveres Kshatriya os quais são teus por nascimento. Proteja-os assim como tu proteges teus próprios sentidos! Há perigo para ti da linhagem de Bhrigu! Tudo aquilo, no entanto, acontecerá em um dia distante.'" 158 “Yudhishthira disse, ‘Tu sempre cultuas, ó rei, Brahmanas de votos louváveis. Qual é, no entanto, aquele fruto vendo o qual tu os cultua, ó rei? Ó tu de votos superiores, vendo qual prosperidade ligada ao culto dos Brahmanas tu os adoras? Diga-me tudo isso, ó tu de braços poderosos!’” "Bhishma disse, 'Aqui está Kesava dotado de grande inteligência. Ele te dirá tudo. De votos excelentes e dotado de prosperidade, ele mesmo irá te dizer qual é a prosperidade que se vincula ao culto dos Brahmanas. Minha força, ouvidos, fala, mente, olhos, e aquela minha compreensão clara (estão todos nublados hoje). Eu penso que não está distante o momento em que eu terei que rejeitar meu corpo. O sol me parece avançar muito lentamente. (Para uma pessoa aflita o dia parece longo.) Aqueles deveres superiores, ó rei, que são mencionados nos Puranas como cumpridos por Brahmanas e Kshatriyas e Vaisyas e Sudras, foram todos declarados por mim. Ó filho de Pritha, aprenda de Krishna o pouco que resta para ser aprendido sobre este assunto. Eu conheço Krishna realmente. Eu sei quem ele é e qual é o seu antigo poder. Ó chefe dos Kauravas, Kesava é de alma incomensurável. Quando dúvidas surgem, é ele que mantém a Justiça então; (isto é, é este Kesava quem sustenta a causa da Justiça quanto o perigo a alcança. Isto não significa que quando dúvidas são nutridas por pessoas sobre questões de moralidade é Kesava que as dissipa.) Foi Krishna quem criou a terra, e o firmamento, e os céus. De fato, a terra surgiu do corpo de Krishna. De bravura terrível e existindo desde o início do tempo, foi Krishna quem se tornou o poderoso Javali e ergueu a Terra submersa. Foi Ele quem criou todos os pontos do horizonte, junto com todas as montanhas. Abaixo dele estão o firmamento, céu, os quatro pontos cardeais, e os quatro pontos secundários. Foi dele que a criação inteira fluiu. Foi Ele quem criou este universo antigo. Em Seu umbigo apareceu um Lótus. Dentro daquele Lótus surgiu o próprio Brahma de energia incomensurável. Foi Brahma, ó filho de Pritha, quem despedaçou aquela escuridão que existia superando o próprio oceano (em profundidade e extensão). Na era Krita, ó Partha, Krishna existiu (sobre a terra), na forma de Justiça. Na era Treta, ele existiu na forma de Conhecimento. Na era Dwapara, ele existiu na forma de poder. Na era Kali ele veio à terra na forma de injustiça. Foi Ele quem nos tempos passados matou os Daityas. É Ele que é o Deus Antigo. Foi Ele quem governou os Asuras na forma de seu Imperador (Valin). É Ele que é o Criador de todos os seres. É Ele que é também o futuro de todos os Seres criados. É Ele também que é o protetor deste universo repleto da semente da destruição. Quando a causa da Justiça enlanguesce, este Krishna toma nascimento na linhagem dos deuses ou entre os homens. Permanecendo na Justiça, este Krishna de alma purificada (em tal ocasião) protege os mundos superiores e inferiores. Poupando aqueles que merecem ser poupados, Krishna se dirige ele mesmo à matança dos Asuras, ó Partha! É ele que é todas as ações próprias e impróprias e é ele que é a causa. É Krishna que é a ação feita, a ação para ser feita, e a ação que está sendo feita. Saiba que aquele ilustre é Rahu e Soma e Sakra. É ele que é Viswakarma. É ele que é de forma universal. Ele é o destruidor e ele é o Criador do universo. Ele é o manejador do Sula (lança); Ele é de forma humana; e Ele é de forma terrível. Todas as criaturas cantam seus louvores, pois ele é conhecido por suas ações. Centenas de Gandharvas e Apsaras e divindades sempre o acompanham. Os próprios Rakshasas cantam seus louvores. Ele é o Aumentador de Riqueza; Ele é o único Ser vitorioso no universo. Em Sacrifícios, homens eloquentes cantam Seus louvores. Os cantores de Samans o louvam por recitarem os Rathantaras. Os Brahmanas o louvam com Mantras Védicos. É para Ele que os sacerdotes sacrificais derramam suas libações. As divindades com Indra em sua chefia cantaram Seus louvores quanto Ele ergueu as montanhas Gobardhana para proteger os vaqueiros de Brindavana contra as chuvas incessantes que Indra derramou em fúria. Ele é, ó Bharata, a única Bênção para todas as criaturas. Ele, ó Bharata, tendo entrado na velha caverna Brahma, viu daquele local a cobertura original do mundo no início do Tempo. (Isto se refere à existência de Brahma quando tudo mais é nada.) Agitando todos os Danavas e os Asuras, este Krishna dos feitos mais notáveis resgatou a terra. É para Ele que as pessoas oferecem diversos tipos de alimento. É para Ele que os guerreiros oferecem todas as espécies de seus veículos no tempo de guerra. Ele é eterno, e é sob aquele ilustre que o firmamento, terra, céu, todas as coisas existem e permanecem. Foi Ele quem fez a semente vital dos deuses Mitra e Varuna cair dentro de um jarro, de onde surgiu o Rishi conhecido pelo nome de Vasishtha. É Krishna que é o deus do vento; é Ele que é os pujantes Aswins; é Ele que é aquele principal dos deuses, isto é, o sol possuidor de mil raios. É Ele por quem os Asuras foram subjugados. Foi Ele quem cobriu os três mundos com três passos Seus. Ele é a alma das divindades e seres humanos, e Pitris. É Ele que é o Sacrifício realizado por aquelas pessoas que estão familiarizadas com os rituais de sacrifícios. É Ele que se ergue todo dia no firmamento (na forma do sol) e divide o Tempo em dia e noite, e se dirige pela metade do ano em direção ao norte e metade do ano em direção ao sul. Inúmeros raios de luz emanam dele para cima e para baixo e transversalmente e iluminam a terra. Brahmanas conhecedores dos Vedas adoram a Ele. Pegando uma porção de Seus raios o sol brilha no firmamento. Mês após mês, o sacrificador ordena Ele como um sacrifício. Pessoas regeneradas familiarizadas com os Vedas cantam Seus louvores em sacrifícios de todos os tipos. É Ele que constitui a roda do ano, tendo três cubos e sete cavalos para arrastá-la. É dessa maneira que Ele sustenta a mansão tripla (das estações). Dotado de grande energia, permeando todas as coisas, a principal de todas as criaturas, é Krishna que sozinho sustenta todos os mundos. Ele é o sol, o dissipador de toda escuridão. Ele é o Criador de tudo. Ó herói, te aproxime daquele Krishna! Uma vez, o pujante Krishna grande alma morou, por um tempo, na forma de Agni na floresta de Khandava entre alguma palha ou grama seca. Logo Ele foi satisfeito (pois ele consumiu todas as ervas medicinais naquela floresta). Capaz de ir a todos os lugares à vontade, foi Krishna que, tendo subjugado os Rakshasas e Uragas, os derramou como libações sobre o fogo ardente. Foi Krishna que deu para Arjuna vários corcéis brancos. É Ele que é o criador de todos os corcéis. Este mundo (ou, a vida humana) representa seu carro. Ele é que une aquele carro para colocá-lo em movimento. Aquele carro tem três rodas (isto é, os três atributos de Sattwa, Rajas, e Tamas). Ele tem três tipos de movimento (pois ele vai para cima ou para baixo ou transversalmente, implicando nascimento superior, inferior, e intermediário como ocasionados pelas ações). Ele tem quatro cavalos unidos a ele (isto é, Tempo, Predestinação, a vontade das divindades, e a vontade própria). Ele tem três cubos (branco, preto, e misturado, implicando boas ações, más ações e as ações que são de um caráter misturado). É este Krishna que é o refúgio dos cinco elementos originais com o céu entre eles. Foi Ele quem criou a terra e o céu e o espaço no meio. De fato, foi este Krishna de energia incomensurável e resplandecente quem criou as florestas e as montanhas. Foi este Krishna que, desejoso de castigar Sakra que estava prestes a arremessar seu trovão nele, cruzou os rios e o paralisou. Ele é o único grande Indra que é adorado pelos Brahmanas em sacrifícios grandiosos com a ajuda de mil Riks antigos. Foi este Krishna, ó rei, que sozinho pôde manter o Rishi Durvasa de grande energia como um convidado por algum tempo em sua casa. Ele é citado como sendo o único Rishi antigo. Ele é o Criador do universo. De fato, Ele cria tudo a partir da Sua própria natureza. Superior a todas as divindades é Ele que ensina todas as divindades. Ele cumpre escrupulosamente todas as ordenanças antigas. Saiba, ó rei, que este Krishna, que é chamado de Vishwaksena, é o fruto de todas as ações que se relacionam com prazer, de todas as ações que são baseadas nos Vedas, e de todas as ações que concernem ao mundo. Ele é os raios brancos de luz que são vistos em todos os mundos. Ele é os três mundos. Ele é os três Regentes de todos os mundos. Ele é os três fogos sacrificais. Ele é os três Vyahritis; de fato, este filho de Devaki é todos os deuses juntos. Ele é o ano; Ele é as Estações; Ele é as Quinzenas; Ele é o Dia e a Noite; Ele é aquelas divisões de tempo que são chamadas de Kalas, e Kashthas, e Matras, e Muhurtas, e Lavas, e Kshanas. Saiba que este Vishwaksena é todos estes. A Lua e o Sol, os Planetas, as Constelações, e as Estrelas, todos os dias Parva, incluindo o dia da lua cheia, as conjunções das constelações e as estações, têm, ó filho de Pritha, fluído deste Krishna que é Vishwaksena. Os Rudras, os Adityas, os Vasus, os Aswins, os Sadhyas, os Viswedevas, os diversos Maruts, o próprio Prajapati, a mãe das divindades, isto é, Aditi, e os sete Rishis, todos surgiram de Krishna. Transformando a Si Mesmo no vento, Ele espalha o universo. De Forma Universal, Ele se torna o Fogo que queima todas as coisas. Transformando-se em Água, Ele encharca e submerge tudo, e assumindo a forma de Brahman, Ele cria todas as diversas tribos de criaturas animadas e inanimadas. Ele é Ele Mesmo o Veda, contudo Ele aprende todos os Vedas. Ele é Ele Mesmo todas as ordenanças, contudo Ele cumpre todas as ordenanças que foram declaradas sobre assuntos ligados com Virtude e os Vedas e força ou poder que governa o mundo. De fato, saiba, ó Yudhishthira, que este Kesava é todo o universo móvel e imóvel. Ele é da forma da luz mais resplandecente. De forma universal, este Krishna está manifestado naquela refulgência brilhante. A causa original da alma de todas as criaturas existentes, Ele a princípio criou as águas. Depois Ele criou este universo. Saiba que este Krishna é Vishnu. Saiba que Ele é a alma do universo. Saiba que Ele é todas as estações; Ele é estas diversas vegetações maravilhosas da Natureza que nós vemos; Ele é as nuvens que derramam chuva e o relâmpago que reluz no céu. Ele é o elefante Airavata. Realmente, Ele é todo o universo móvel e imóvel. A residência do universo e transcendendo todos os atributos, este Krishna é Vasudeva. Quando Ele se torna Jiva Ele vem a ser chamado de Sankarshana. Em seguida, Ele se transforma em Pradyumna e então em Aniruddha. Dessa maneira Krishna de grande alma, que tem a Si Mesmo como Sua origem divide (ou manifesta) a Si Mesmo em forma quádrupla. Desejoso de criar este universo que consiste nos cinco elementos primordiais, Ele se dirige à sua tarefa, e o faz avançar na forma quíntupla de existência animada consistindo em divindades e Asuras e seres humanos e animais e aves. É Ele que então cria a Terra e o Ar, o Céu, Luz, e também a Água, ó filho de Pritha! Tendo criado este universo de objetos móveis e imóveis distribuídos em quatro ordens de seres (isto é, vivíparos, ovíparos, vegetais e nascidos da sujeira), ele então criou a terra com sua semente quíntupla. (A semente quíntupla consiste nas quatro ordens de criaturas e ações as quais determinam as condições de todos os seres.) Ele então criou o firmamento para derramar chuvas abundantes de água sobre a terra. Sem dúvida, ó rei, foi este Krishna quem criou este universo. Sua origem está em Si Mesmo; é Ele que faz todas as coisas existirem através da sua própria força. Foi Ele quem criou as divindades, os Asuras, os seres humanos, o mundo, os Rishis, os Pitris, e todas as criaturas. Desejoso de criar, aquele Senhor de todas as criaturas criou devidamente todo o universo de vida. Saiba que bem e mal, móvel e imóvel, todos fluíram deste que é Vishwaksena. O que quer que exista, e o que quer que venha a existir, tudo é Kesava. Este Krishna é também a morte que alcança todas as criaturas quando chega seu fim. Ele é eterno e é Ele que mantém a causa da Justiça. O que quer que existiu no passado, e o que quer que nós não conheçamos, realmente, tudo aquilo também é este Vishwaksena. O que quer que seja nobre e meritório no universo, de fato, o que quer que exista de bom e de mau, tudo é Kesava que é inconcebível. Por essa razão, é absurdo pensar em alguma coisa que seja superior a Kesava. Kesava é exatamente desta maneira. Mais do que isto, Ele é Narayana, o mais sublime dos sublimes, imutável e imperecível. Ele é a causa eterna e imutável de todo o universo móvel e imóvel com seu início, meio, e fim, como também de todas as criaturas cujo nascimento segue seu desejo.’” 159 “Yudhishthira disse, ‘Nos diga, ó matador de Madhu, qual é a prosperidade que se vincula ao culto dos Brahmanas. Tu estás bem familiarizado com este tópico. Na verdade, nosso avô te conhece.’” "Vasudeva disse, 'Ouça-me, ó rei, com atenção absorta, ó chefe da linhagem de Bharata, enquanto eu declaro para ti quais são os méritos dos Brahmanas, de acordo com verdade, ó principal da linhagem de Kuru! Uma vez quando eu estava sentado em Dwaravati, ó encantador dos Kurus, meu filho Pradyumna, enfurecido por certos Brahmanas, veio a mim e disse, 'Ó matador de Madhu, qual mérito se vincula ao culto dos Brahmanas? De onde seu domínio é derivado aqui e após a morte? Ó concessor de honras, quais recompensas são ganhas por se cultuar constantemente os Brahmanas? Bondosamente explique isto claramente para mim, pois minha mente está perturbada por dúvidas a respeito disto.' Quando estas palavras foram endereçadas a mim por Pradyumna, eu respondi a ele o seguinte. Ouça, ó rei, com atenção cuidadosa, quais foram aquelas palavras, 'Ó filho de Rukmin, ouça-me enquanto eu te digo qual é a prosperidade que alguém pode ganhar por cultuar os Brahmanas. Quando uma pessoa se dirige para a aquisição do conhecido agregado de três (isto é, Virtude, Riqueza, e Prazer), ou à realização da Emancipação, ou àquela de fama e prosperidade, ou ao tratamento e cura de doença, ou ao culto das divindades e dos Pitris, ela deve tomar cuidado para agradar os regenerados. Cada um deles é um rei Soma (que derrama tal luz agradável no firmamento). Eles são distribuidores de felicidade e miséria. Ó filho de Rukmini, neste ou no mundo seguinte, ó filho, tudo o que é agradável tem sua origem nos Brahmanas. Eu não tenho dúvida nisto! Do culto dos Brahmanas fluem realizações imensas e fama e força. Os habitantes de todos os mundos, e os Regentes do universo, são todos devotos de Brahmanas. Como então, ó filho, nós podemos desconsiderá-los, cheios com a idéia de que nós somos os senhores da terra? Ó tu de braços poderosos, não permita tua ira envolver os Brahmanas como seu objeto. Neste como também no próximo mundo, Brahmanas são considerados como seres. Eles têm conhecimento direto de tudo no universo. Na verdade, eles são capazes de reduzir tudo a cinzas, se zangados. Eles são capazes de criar outros mundos e outros Regentes de mundos (além daqueles que existem). Por que então pessoas que são possuidoras de energia e conhecimento correto não deveriam se comportar com obediência e respeito para com eles? Antigamente, em minha casa, ó filho, morou o Brahmana Durvasa cuja cor era verde e morena. Vestido com trapos, ele tinha um bastão feito da árvore Vilwa; (Eagle marmelos, Linn). Sua barba era longa e ele estava extremamente emaciado. Ele era mais alto em estatura do que o homem mais alto sobre a terra. Vagando por todos os mundos, isto é, aqueles que pertencem aos seres humanos e aqueles que são para as divindades e outros seres superiores, este mesmo era o verso que ele cantava constantemente entre assembléias e em praças públicas: 'Quem faria o Brahmana Durvasa morar em sua casa, cumprindo os deveres de hospitalidade em direção a ele? Ele fica enfurecido com todos se ele encontra mesmo a mais leve transgressão. Ouvindo isto a respeito do meu temperamento, quem me dará refúgio? De fato, aquele que me der abrigo como um convidado não deve fazer nada para me enfurecer!' Quando eu vi que ninguém ousou lhe dar abrigo em sua casa, eu o convidei e o fiz tomar sua residência em minha habitação. Em certos dias ele comia alimento suficiente para as necessidades de milhares de pessoas. Em outros dias ele comia muito pouco. Em alguns dias ele saía da minha casa e não voltava. Ele às vezes ria sem qualquer razão aparente e às vezes chorava igualmente sem motivo. Naquele tempo não havia ninguém sobre a terra que fosse igual a ele em idade. Um dia, entrando nos aposentos designados para ele, ele queimou todas as camas e cobertas e todas as donzelas bem adornadas que estavam lá para servi-lo. Fazendo isto, ele saiu. De votos altamente louváveis, ele me encontrou pouco tempo depois disto e se dirigindo a mim, disse, 'Ó Krishna, eu desejo comer manjar de trigo com leite sem demora!' Tendo compreendido sua mente previamente, eu tinha colocado meus empregados para prepararem todo tipo de comida e bebida. De fato, muitas iguarias excelentes eram mantidas preparadas. Logo que eu fui pedido, eu fiz manjar quente ser trazido e oferecido para o asceta. Tendo comido um pouco, ele rapidamente disse para mim, 'Ó Krishna, pegue um pouco desse manjar e cubra todos os teus membros com ele!' Sem nenhum escrúpulo eu fiz como ordenado. De fato, com o resto daquele manjar eu cobri meu corpo e cabeça. O asceta naquele momento viu tua mãe de face graciosa em pé próxima. Enquanto ria, ele cobriu o corpo dela também com aquele manjar. O asceta então fez tua mãe, cujo corpo estava todo coberto com manjar, ser unida a um carro sem nenhuma demora. Subindo naquele carro ele saiu de minha casa. Dotado de grande inteligência, aquele Brahmana brilhava com esplendor como fogo, e golpeou, na minha presença, minha Rukmini dotada de juventude, como se ela fosse um animal destinado a puxar os carros dos seres humanos. Vendo isto, eu não senti a menor angústia nascida da malícia ou o desejo de ferir o Rishi. De fato, tendo unido Rukmini ao carro, ele saiu, desejoso de proceder pela estrada principal da cidade. Vendo aquela visão extraordinária, alguns Dasarhas, cheios de ira, se dirigiram uns aos outros e começaram a conversar dessa maneira, ‘Quem mais sobre a terra respiraria depois de ter unido Rukmini a um carro? Na verdade, que o mundo seja preenchido com Brahmanas somente! Que nenhuma outra ordem tome nascimento aqui. O veneno de uma cobra virulenta é extremamente forte. Mais forte do que veneno é um Brahmana. Não há médico para uma pessoa que foi mordida ou queimada pela cobra virulenta de um Brahmana.’ Conforme o irresistível Durvasa prosseguia no carro, Rukmini cambaleava na estrada e caía frequentemente. Nisto o Rishi regenerado ficou zangado e começou a incitar Rukmini adiante por golpeá-la com o chicote. Finalmente, cheio de uma emoção muito intensa, o Brahmana saltou do carro e fugiu em direção ao sul, correndo a pé, por um solo sem trilhas. Vendo aquele principal dos Brahmanas fugindo pelo solo sem trilhas nós o seguimos, embora nós estivéssemos cobertos de manjar, exclamando atrás dele: ‘Fique satisfeito conosco, ó santo!’ Dotado de grande energia, o Brahmana, me vendo, disse, 'Ó Krishna de braços poderosos, tu subjugaste a ira pela força da tua natureza? Ó tu de votos excelentes, eu não encontrei o menor defeito em ti! Ó Govinda, eu estou muito satisfeito contigo. Peça a realização de desejos como tu quiseres! Veja devidamente, ó filho, qual é minha força quando eu fico satisfeito com alguém. Enquanto as divindades e seres humanos continuarem a nutrir um gosto por alimento, assim cada um entre eles irá nutrir o mesmo gosto por ti que eles nutrem por seu alimento! Enquanto, além disso, houver Justiça nos vários mundos, a fama das tuas realizações irá durar! De fato, tua distinção irá durar por longo tempo nos três mundos! Ó Janardana, tu serás agradável para todas as pessoas! Quaisquer artigos teus que tenham sido quebrados ou queimados ou destruídos de outra maneira (por mim), tu verás restaurados, ó Janardana, ao seu estado antigo ou eles reaparecerão até em uma forma melhor! Enquanto, além disso, ó tu de glória imperecível, tu desejares viver, tu não terás medo da morte te atacar através das partes do teu corpo que foram cobertas com o manjar que eu te dei! Ó filho, por que tu não passaste aquele manjar nas solas dos teus pés também? Por não fazer isto, tu agiste de uma maneira que não é aprovada por mim!’ Estas foram as palavras que ele disse, bem satisfeito comigo naquela ocasião. Depois que ele tinha parado de falar, eu vi que meu corpo se tornou dotado de grande beleza e esplendor. Para Rukmini também, o Rishi, bem satisfeito com ela, disse, 'Ó senhora bela, tu serás a principal do teu sexo em fama, e grande glória e realizações serão tuas. Decrepitude ou doença ou perda de cor nunca serão tuas! Todos te verão dedicada a servir Krishna, possuidora como tu já és de um odor fragrante que está sempre presente em ti. Tu te tornarás a principal de todas as esposas, numerando dezesseis mil, de Kesava. Finalmente, quando chegar a hora da tua partida do mundo, tu obterás a inseparável companhia de Krishna no mundo seguinte!' Tendo dito estas palavras para tua mãe, o Rishi mais uma vez se dirigiu a mim e proferindo as seguintes palavras, deixou o local. De fato, o Rishi Durvasa, brilhando como um fogo, disse, 'Ó Kesava, que tua compreensão seja sempre disposta exatamente assim em direção ao Brahmana!' Realmente, depois de proferir estas palavras, aquele Brahmana desapareceu diante dos meus olhos. Depois do desaparecimento dele eu me dediquei ao cumprimento do voto de proferir certos Mantras silenciosamente sem ser ouvido por ninguém. Na verdade, desde aquele dia eu resolvi realizar quaisquer ordens que eu recebesse dos Brahmanas. Tendo adotado este voto, ó filho, junto com tua mãe, nós dois, com corações cheios de alegria reentramos em nosso palácio. Entrando em nossa casa eu vi que tudo o que o Rishi tinha quebrado ou queimado tinha reaparecido e se tornado novo. Vendo aqueles artigos novos, os quais além disso tinham se tornado mais duráveis, eu fiquei muito admirado. Na verdade, ó filho de Rukmini, daquele dia em adiante eu tenho sempre adorado os Brahmanas em minha mente!’ Isto mesmo, ó chefe da linhagem de Bharata, foi o que eu disse naquela ocasião com relação à grandeza daqueles Brahmanas que são os principais de sua classe. Tu também, ó filho de Kunti, cultue os Brahmanas altamente abençoados todos os dias com presentes de riqueza e vacas, ó pujante! Foi dessa maneira que eu obtive a prosperidade que eu desfruto, a prosperidade que é nascida da graça dos Brahmanas. O que quer que, além disso, Bhishma tenha dito de mim, ó chefe dos Bharatas, é tudo verdade!'” 160 “Yudhishthira disse, ‘Cabe a ti, ó matador de Madhu, explicar para mim aquele conhecimento o qual tu obtiveste pela graça de Durvasa! Ó principal de todas as pessoas dotadas de inteligência, eu desejo saber tudo acerca da bem- aventurança sublime e todos os nomes daquele de grande alma verdadeiramente e em detalhes!’” (Durvasa é considerado uma porção de Mahadeva. A pergunta de Yudhishthira, portanto, realmente se relaciona com Mahadeva embora o nome usado seja Durvasa.) "Vasudeva disse, 'Eu te contarei o bem que eu tenho adquirido e a fama que eu tenho ganhado pela graça daquele de grande alma. Na verdade, eu irei te falar sobre o assunto, depois de ter reverenciado Kapardin. Ó rei, ouça-me enquanto eu relato para ti aquele Sata-rudriya o qual eu repito; com sentidos controlados, toda manhã depois de levantar da cama. O grande senhor de todas as criaturas, isto é, o próprio Avô Brahman, dotado de riqueza de penitências, compôs aqueles Mantras, depois de ter praticado penitências especiais por algum tempo. Ó majestade, foi Sankara quem criou todas as criaturas no universo, móveis e imóveis. Não há ser que seja mais elevado, ó monarca, do que Mahadeva. Na verdade, ele é o maior de todos os seres nos três mundos. Não há alguém que seja capaz de permanecer na frente daquele Ser de grande alma. De fato, não há Ser nos três mundos que possa ser considerado como seu igual. Quando ele permanece, cheio de raiva, no campo de batalha, o próprio odor do seu corpo priva todos os inimigos de consciência e aqueles que não são mortos tremem e caem. Seus rugidos são terríveis, parecendo aqueles das nuvens. Ouvindo aqueles rugidos em batalha, os próprios corações das divindades se partem em dois. Quando o manejador do Pinaka fica zangado e assumindo uma forma terrível meramente lança seu olhar sobre divindade, Asura, Gandharva, ou cobra, aquele indivíduo fracassa em obter paz de mente mesmo por se abrigar nos recessos de uma caverna de montanha. Quando aquele senhor de todas as criaturas, isto é, Daksha, desejoso de realizar um sacrifício, espalhou seu sacrifício, o intrépido Bhava, cedendo à cólera (pelo desprezo de Daksha por ele), perfurou o sacrifício (personificado), disparando sua flecha de seu arco terrível, ele rugiu alto. De fato, quando Maheswara ficou zangado e perfurou de repente com sua flecha a forma incorporada do sacrifício, as divindades se encheram de angústia, perdendo a felicidade e tranquilidade de coração. Por causa da vibração da corda de seu arco o universo inteiro ficou agitado. As divindades e os Asuras, ó filho de Pritha, todos ficaram tristes e entorpecidos. O oceano ondulou em agitação e a terra tremeu até seu centro. As colinas e montanhas começaram a se mover de suas bases e correram para todos os lados. A abóbada do firmamento ficou fendida. Todos os mundos ficaram envolvidos em escuridão. Nada podia ser visto. A luz de todos os corpos luminosos ficou escurecida, junto com aquela do próprio sol, ó Bharata! Os grandes Rishis, tomados pelo medo e desejosos de fazerem bem para si mesmos e para o universo, realizaram os ritos usuais de conciliação e paz. Enquanto isso, Rudra de destreza terrível avançou contra as divindades. Cheio de raiva, ele arrancou os olhos de Bhaga. Excitado pela cólera, ele atacou Pushan com seu pé. Ele arrancou os dentes daquele deus quando ele estava sentado empenhado em comer a grande bola sacrifical (chamada Purodasa). Tremendo de medo, as divindades curvaram suas cabeças para Sankara. Sem estar apaziguado, Rudra mais uma vez colocou na corda de seu arco uma flecha afiada e brilhante. Vendo sua bravura, as divindades e os Rishis ficaram todos alarmados. Aqueles principais dos deuses começaram a acalmá-lo! Unindo suas mãos em reverência, eles começaram a recitar os Mantras Sata-rudriya. Finalmente Maheswara, assim louvado pelas divindades, ficou satisfeito. As divindades então designaram uma grande parte (das oferendas sacrificais) para ele. Tremendo de medo, ó rei, eles procuraram a proteção dele. Quando Rudra ficou satisfeito, a personificação do sacrifício, que tinha sido rompida em dois, tornou-se novamente unida. Todos os membros dele que tinham sido destruídos pelas flechas de Mahadeva se tornaram mais uma vez inteiros e sadios. Os Asuras possuidores de grande energia antigamente tinham três cidades no firmamento. Uma delas tinha sido feita de ferro, uma de prata, e a terceira de ouro. Com todas as suas armas, Maghavat, o chefe das divindades, era incapaz de perfurar aquelas cidades. Afligidas pelos Asuras, todas as divindades então procuraram a proteção do grande Rudra. Reunindo-se as divindades de grande alma se dirigiram a ele, dizendo, 'Ó Rudra, os Asuras ameaçam exercer sua influência destrutiva em todas as ações! Mate os Daityas e destrua sua cidade para a proteção dos três mundos, ó concessor de honras!' Assim endereçado por eles, ele respondeu, dizendo, 'Assim seja' e então fez Vishnu sua excelente cabeça de flecha. Ele fez a divindade do fogo seu junco de flecha, e o filho de Surya Yama as asas daquela flecha. Ele fez os Vedas seu arco e a deusa Savitri sua excelente corda de arco. E ele fez o Avô Brahma seu cocheiro. Utilizando todos estes, ele perfurou a cidade tripla dos Asuras com aquela sua flecha, consistindo em três Parvans e três Salyas. (Um Parvam é um nó. Juncos e bambus consistem de uma série de nós. O espaço entre dois nós é chamado de Salya.) De fato, ó Bharata, os Asuras com suas cidades foram todos queimados por Rudra com aquela sua flecha cuja cor era como aquela do sol e cuja energia parecia com aquela do fogo que aparece no fim do Yuga para consumir todas as coisas. Vendo que Mahadeva se converteu em uma criança com cinco madeixas de cabelo deitada no colo de Parvati, a última perguntou às divindades quem ele era. Vendo a criança, Sakra ficou de repente cheio de ciúme e ira e resolveu matá-lo com seu trovão. A criança, no entanto, paralisou o braço, parecendo com uma maça de ferro, de Indra com o raio nele. As divindades todas ficaram pasmas, e elas não podiam compreender que a criança era o Senhor do universo. Na verdade, todos eles junto com os próprios Regentes do mundo encontraram seus intelectos entorpecidos na questão daquela criança que era ninguém mais do que o Ser Supremo. Então o Avô Brahma ilustre, refletindo com a ajuda de suas penitências, descobriu que aquela criança era o principal de todos os Seres, o marido de Uma, Mahadeva de destreza incomensurável. Ele então louvou o Senhor. As divindades também começaram a cantar os louvores de Uma e Rudra. O braço (que tinha sido paralisado) do matador de Vala então foi restaurado ao seu estado anterior. Mahadeva, tomando nascimento como o Brahmana Durvasa de grande energia, residiu por um longo tempo em Dwaravati em minha casa. Enquanto morando em minha residência ele fez diversas ações de dano. Embora difíceis de serem toleradas, eu ainda assim as tolerei por magnanimidade de coração. Ele é Rudra; ele é Shiva; ele é Agni; ele é Sarva; ele é o dominador de todos; ele é Indra, e Vayu, e os Aswins e o deus do relâmpago. Ele é Chandramas; ele é Isana; ele é Surya; ele é Varuna; ele é o Tempo; ele é o Destruidor; ele é Morte; ele é o Dia e a Noite; ele é a quinzena; ele é as estações; ele é os dois crepúsculos; ele é o ano. Ele é Dhatri e ele é Vidhatri; e ele é Viswakarma; e ele está familiarizado com todas as coisas. Ele é os pontos cardeais do horizonte e os pontos secundários também. De forma universal, ele é de alma incomensurável. O santo e ilustre Durvasa é da cor dos celestiais. Ele às vezes se manifesta individualmente; às vezes se divide em duas partes; e às vezes se mostra em muitas, cem mil formas. Assim mesmo é Mahadeva. Ele é, além disso, aquele deus que é não nascido. Mesmo em cem anos uma pessoa não pode esgotar os méritos dele por recitá-los.'" "Vasudeva disse, 'Ó Yudhishthira de braços poderosos, ouça-me enquanto eu relato para ti os muitos nomes de Rudra como também a grande bem-aventurança daquele de grande alma. Os Rishis descrevem Mahadeva como Agni, e Sthanu, e Maheswara; como de um olho, e de três olhos, de forma universal, e Siva ou muito auspicioso. Brahmanas familiarizados com os Vedas dizem que aquele deus tem duas formas. Uma delas é terrível, e a outra suave e auspiciosa. Aquelas duas formas, além disso, estão subdivididas em muitas formas. Aquela forma que é feroz e terrível é considerada como idêntica a Agni e ao Relâmpago e a Surya. A outra forma que é suave e auspiciosa é idêntica à Virtude e à água e a Chandramas. Então, além disso, é dito que metade de seu corpo é fogo e metade é Soma (ou a lua). Aquela forma dele a qual é suave e auspiciosa é citada como dedicada à prática dos votos Brahmacharya. A outra forma dele que é supremamente terrível está envolvida em todas as operações de destruição no universo. Porque ele é grande (Mahat) e o Senhor Supremo de todos (Iswara), portanto ele é chamado de Maheswara. E já que ele queima e oprime, é violento e feroz, e dotado de grande energia, e está empenhado em comer carne e sangue e medula, ele é citado como sendo Rudra. Já que ele é a principal de todas as divindades, e já que seu domínio e aquisições são muito extensos, e já que ele protege o universo extenso, portanto ele é chamado de Mahadeva. Já que ele é da forma ou cor de fumaça, portanto ele é chamado de Dhurjati. Já que por todos os seus atos ele realiza sacrifícios por todos e procura o bem de todas as criaturas, portanto ele é chamado de Siva ou o auspicioso. Permanecendo acima (no céu) ele queima as vidas de todas as criaturas e está, além disso, fixo em uma rota específica da qual ele não se desvia. Seu emblema, além disso, está fixo e imóvel por todo o tempo. Ele é, por estas razões, chamado de Sthanu. Ele é também de aspecto multiforme. Ele é presente, passado, e futuro. Ele é móvel e imóvel. Por isto ele é chamado de Vahurupa (de aspecto multiforme). As divindades chamadas Viswedevas residem em seu corpo. Ele é, por isto, chamado de Viswarupa (de forma universal). Ele tem mil olhos; ou, ele tem miríades de olhos; ou, ele tem olhos em todos os lados e em toda parte de seu corpo. Sua energia sai por seus olhos. Não há fim de seus olhos. Já que ele sempre nutre todas as criaturas e se diverte também com elas, e já que ele é seu senhor ou mestre, portanto ele é chamado de Pasupati (o senhor de todas as criaturas). Já que seu emblema é sempre cumpridor do voto de Brahmacharya, todos os mundos o adoram consequentemente. É dito que este ato de culto o agrada muito. Se há alguém que cultua a ele por criar sua imagem e outro que cultua seu emblema, é o último que obtém grande prosperidade para sempre. Os Rishis, as divindades, os Gandharvas, e as Apsaras, adoram aquele emblema dele que está sempre ereto e erguido. Se seu emblema é adorado, Maheswara fica muito satisfeito com o devoto. Afetuoso para com seus devotos, ele concede felicidade para eles com uma alma alegre. Este grande deus gosta de residir em crematórios e lá ele queima e consome todos os corpos. Aquelas pessoas que realizam sacrifícios em tais áreas chegam no fim àquelas regiões que estão reservadas para heróis. Empenhado em sua função legítima, ele é Aquele que é considerado como a Morte que reside nos corpos de todas as criaturas. Ele é, além disso, aqueles ares chamados Prana e Apana nos corpos de todos os seres incorporados. Ele tem muitas formas ardentes e terríveis. Todas aquelas formas são adoradas no mundo e são conhecidas por Brahmanas possuidores de conhecimento. Entre os deuses ele tem muitos nomes todos os quais são repletos de grande importância. Na verdade, os sentidos daqueles nomes são derivados ou de sua grandeza ou imensidão, ou de seus feitos, ou de sua conduta. Os Brahmanas sempre recitam o excelente Sata-rudriya em sua honra, que se encontra nos Vedas como também naquele que foi composto por Vyasa. Realmente, os Brahmanas e Rishis o chamam de o mais velho de todos os seres. Ele é a primeira de todas as divindades, e foi de sua boca que ele criou Agni. Aquela divindade de alma justa, sempre desejando conceder proteção para todos, nunca abandona seus suplicantes. Ele antes preferiria abandonar seus próprios ares vitais e atrair sobre si todas as aflições possíveis. Vida longa, saúde e liberdade de doença, afluência, riqueza, diversas espécies de prazeres e divertimentos, são concedidos por ele, e é ele também quem os tira. O domínio e riqueza que alguém vê em Sakra e nas outras divindades na verdade são dele. É ele que está sempre empenhado em tudo o que é bom e mau nos três mundos. Por seu total controle sobre todos os objetos de prazer ele é chamado de Iswara (o Senhor Supremo ou Mestre). Já que, além disso, ele é o mestre do vasto universo, ele é chamado de Maheswara. O universo inteiro é permeado por ele em diversas formas. É aquela divindade cuja boca ruge e queima as águas do mar na forma da enorme cabeça de égua!'" (A alusão é à cabeça de égua ígnea que se supõe que vaga pelo oceano.) 162 “Vaisampayana disse, ‘Depois que Krishna, o filho de Devaki, tinha dito estas palavras, Yudhishthira mais uma vez questionou Bhishma o filho de Santanu, dizendo, ‘Ó tu de grande inteligência; ó principal de todas as pessoas conhecedoras dos deveres, qual, de fato, dos dois, a percepção direta ou as escrituras, é para ser considerado como autoridade para se chegar a uma conclusão?’” "Bhishma disse, 'Eu penso que não há dúvida nisto. Ouça-me, ó tu de grande sabedoria! Eu te responderei. A pergunta que tu fizeste é sem dúvida apropriada. É fácil nutrir dúvida. Mas a solução daquela dúvida é difícil. Inúmeros são os exemplos em relação à percepção direta e audição (ou as escrituras), na qual a dúvida pode surgir. Certas pessoas, que se deleitam com o nome de especialistas em lógica, realmente se imaginando como sendo possuidores de sabedoria superior, afirmam que a percepção direta é a única autoridade. Eles afirmam que nada, embora verdadeiro, é existente que não seja diretamente perceptível; ou, pelo menos eles duvidam da existência daqueles objetos. De fato, tais afirmações envolvem uma absurdidade e aqueles que as fazem são de compreensão superficial, qualquer que possa ser seu orgulho de erudição. Se, por outro lado, tu duvidares quanto a como o único (Brahman indivisível) poderia ser a causa, eu respondo que uma pessoa iria entender isto somente depois de uma longa passagem de anos e com a ajuda de Yoga praticado sem ociosidade. De fato, ó Bharata, alguém que vive de acordo com tais meios que se apresentam (isto é, sem ser dedicado a este ou aquele modo de vida determinado), e alguém que está dedicado (à solução da pergunta), seria capaz de compreender isto. Ninguém mais, realmente, é competente para compreender isto. Quando alguém chega ao próprio fim das razões (ou processos de raciocínio), ele então obtém aquele conhecimento excelente e que compreende tudo, aquela vasta massa de resplendor que ilumina todo o universo (chamado Brahma). Aquele conhecimento, ó rei, que é derivado da razão (ou inferências) mal pode ser considerado como conhecimento. Tal conhecimento deve ser rejeitado. Deve ser observado que ele não é definido ou compreendido pela palavra. Ele deve, portanto, ser rejeitado!'" “Yudhishthira disse, ‘Diga-me, ó avô, qual entre estes (quatro) é mais autoritário, isto é, percepção direta, inferência de observação, a ciência de Agama ou escritura, e diversos tipos de prática que distinguem os bons.’” "Bhishma disse, 'Enquanto pessoas pecaminosas possuidoras de grande poder procuram destruir a Virtude, sob tais circunstâncias ela pode ser protegida por aqueles que são bons se esforçando com cuidado e seriedade. Tal proteção, no entanto, não é útil no final das contas, pois a destruição alcança a Virtude no fim. Então, além disso, a Virtude muitas vezes demonstra ser uma máscara para cobrir a Iniquidade, como grama e palha cobrindo a boca de uma cova profunda e a ocultando da visão. Ouça, novamente, ó Yudhishthira! Por isto, as práticas dos bons sofrem intervenção e são destruídas pelos perversos. Aquelas pessoas que são de má conduta, que rejeitam os Srutis, de fato, aqueles indivíduos maus que odeiam a Virtude, destroem aquela boa direção de conduta (a qual poderia de outra maneira ser estabelecida como um padrão). Por isso, dúvidas se vinculam à percepção direta, inferência, e boa conduta. (Estes três, por estas razões, são falíveis, e o único padrão infalível que permanece é a audição ou as escrituras.) Aqueles, portanto, entre os bons que possuem compreensão nascida das (ou purificada pelas) escrituras e estão sempre contentes, devem ser considerados como os principais. Que aqueles que são ansiosos e desprovidos de tranquilidade de alma se aproximem deles. De fato, ó Yudhishthira, preste homenagem a eles e procure deles as soluções da tua dúvida! Desconsiderando prazer e riqueza que sempre seguem a cobiça e despertado para a convicção que somente a Virtude deve ser procurada, ó Yudhishthira, visite e questione aquelas pessoas (para te esclarecer). A conduta daquelas pessoas nunca toma um mau caminho ou encontra com a destruição, como também seus sacrifícios e estudos e ritos Védicos. De fato, estes três, isto é, conduta como consistindo em atos evidentes, comportamento a respeito de pureza (mental), e os Vedas juntos constituem a Virtude.'” "Yudhishthira disse, 'Ó avô, minha mente está mais uma vez entorpecida pela dúvida. Eu estou neste lado do oceano, empenhado em procurar pelos meios de atravessá-lo. Eu, no entanto, não vejo a outra margem do oceano! Se estes três, isto é, os Vedas, a percepção direta (ou atos que são vistos), e comportamento (ou pureza mental) juntos constituem o que é para ser considerado como autoridade, pode ser alegado que há diferença entre eles. A Virtude então realmente vem a ser de três tipos, embora ela seja una e indivisível.'” "Bhishma disse, 'A Virtude é às vezes vista ser destruída por indivíduos pecaminosos de grande poder. Se tu pensas, ó rei, que a Virtude deve realmente ser de três tipos, minha resposta é que tua conclusão é justificada pela razão. A verdade é que a Virtude é una e indivisível, embora ela possa ser observada de três pontos diferentes. Todos os caminhos (indicações) daqueles três que constituem a fundação da Virtude foram formulados. Aja de acordo com as instruções prescritas. Tu nunca deves discutir acerca da Virtude e então procurar ter esclarecidas aquelas dúvidas às quais tu possas chegar. Ó chefe dos Bharatas, não deixe dúvidas como estas jamais tomarem posse da tua mente! Obedeça o que eu digo sem escrúpulo de qualquer tipo. Siga-me como um homem cego ou como alguém que, sem ser ele mesmo possuidor do sentido, tem que depender daquele de outro. Abstenção de ferir, veracidade, ausência de ira (ou perdão), e generosidade de doações, estes quatro, ó rei que não tem inimigo, pratique, pois estes quatro constituem a Virtude eterna! Também, ó príncipe de braços poderosos, siga em direção aos Brahmanas aquela conduta que é compatível com a que tem sido observada em direção a eles por teus pais e avôs. Estas são as principais indicações de Virtude. Aquele homem de pouca inteligência que destruísse o peso da autoridade por negar que seja um padrão aquilo que sempre foi aceito como tal fracassaria em se tornar uma autoridade entre homens. Tal homem se torna a causa de muita aflição no mundo. Reverencie os Brahmanas e os trate com hospitalidade. Sempre os sirva dessa maneira. O universo depende deles. Compreenda que eles são dessa maneira!'” “Yudhishthira disse, ‘Diga-me, ó avô, quais são os respectivos fins daqueles que odeiam a Virtude e daqueles que a adoram e a praticam!’” "Bhishma disse, 'Aqueles homens que odeiam a Virtude são citados como tendo seus corações dominados pelos atributos de paixão e ignorância. Tais homens têm sempre que ir para o Inferno. Aqueles homens, por outro lado, ó monarca, que sempre adoram e praticam a Virtude, aqueles homens que são dedicados à verdade e sinceridade, são chamados de bons. Eles sempre desfrutam dos prazeres ou felicidade do céu. Por eles servirem seus preceptores com reverência seus corações sempre se dirigem para a Virtude. Na verdade, aqueles que adoram a Virtude alcançam as regiões das divindades. Aqueles indivíduos, sejam seres humanos ou divindades, que privam a si mesmos de cupidez e malícia e que emaciam ou afligem seus corpos pela prática de austeridades, conseguem, pela Virtude que então se torna deles, obter grande bem-aventurança. Aqueles que são dotados de sabedoria dizem que os Brahmanas, que são os filhos mais velhos de Brahman, representam a Virtude. Aqueles que são justos sempre os adoram, seus corações considerando-os com tanto amor e afeição quanto o estômago de um homem faminto nutre por frutas maduras e deliciosas.'” “Yudhishthira disse, ‘Qual é a aparência apresentada por aqueles que são pecaminosos, e quais são aquelas ações que aqueles que são chamados de bons devem fazer? Explique-me isto, ó santo! De fato, me diga quais são as indicações dos bons e dos maus.’” "Bhishma disse, 'Aqueles que são pecaminosos são maus em suas práticas, desenfreados ou incapazes de serem mantidos dentro das restrições de regras, e desbocados. Aqueles, por outro lado, que são bons, são sempre bons em seus atos. Na verdade, as ações que estes homens fazem são consideradas como as indicações daquela direção de conduta que é chamada de boa. Aqueles que são bons ou justos, ó monarca, nunca respondem aos dois chamados da natureza na estrada pública, ou no meio de um curral, ou em um campo de arroz. Depois de alimentar os cinco eles comem seu próprio alimento. (Os cinco que devem ser alimentados primeiro são as divindades, os Pitris, os convidados, diversas criaturas incluídas sob a palavra Bhutus, e finalmente os parentes.) Eles nunca conversam enquanto estão comendo, e nunca adormecem com as mãos molhadas (isto é, sem esfregá-las para secar com toalhas ou guardanapos). Sempre que eles vêem algum dos seguintes, eles os cirgungiram para lhes mostrar reverência, isto é, um fogo ardente, um touro, a imagem de uma divindade, um curral, um lugar onde quatro estradas se encontram, e um Brahmana idoso e virtuoso. Eles dão caminho, eles mesmos permanecendo de lado, para aqueles que são idosos, aqueles que estão afligidos com cargas, senhoras, aqueles que ocupam cargos superiores na aldeia ou administração da cidade, Brahmanas, vacas, e reis. O homem justo ou bom é aquele que protege seus convidados, empregados e outros dependentes, seus próprios parentes, e todos aqueles que procuram sua proteção. Tal homem sempre recebe estes com as costumeiras perguntas de polidez. Dois momentos foram designados pelas divindades para os seres humanos comerem seu alimento, isto é, de manhã e à noite. Durante o intervalo não se deve comer nada. Por seguir esta regra sobre alimentação uma pessoa é considerada como fazendo um jejum. Como o fogo sagrado espera pelas libações a serem derramadas sobre ele quando chega a hora para o Homa, assim mesmo uma mulher, quando seu período funcional termina, espera uma relação sexual com seu marido. Alguém que nunca se aproxima de suas esposas em algum outro momento exceto depois do período funcional, é citado como cumprindo o voto de Brahmacharya. Amrita (néctar), Brahmanas, e vacas, estes três são considerados como iguais. Por isso, deve-se sempre cultuar, com ritos apropriados, Brahmanas e vacas. Não se incorre em qualquer erro ou mácula por comer a carne de animais mortos em sacrifícios com a ajuda de Tantras do Yajur Veda. A carne da espinha dorsal, ou aquela de animais não mortos em sacrifício, deve ser evitada assim como alguém evitaria a carne de seu próprio filho. Uma pessoa nunca deve fazer um convidado ir embora sem comida, esteja ela residindo em seu próprio país ou em uma terra estrangeira. Depois de completar o estudo alguém deve oferecer o Dakshina para o preceptor. Quando alguém vê seu preceptor, ele deve felicitá-lo com reverência e cultuando-o oferecer um assento para ele. Por cultuar o preceptor, uma pessoa aumenta o período da própria vida como também sua fama e prosperidade. Nunca se deve criticar os idosos, nem os enviar em algum serviço. Nunca se deve ficar sentado quando alguém que é idoso está de pé. Por agir dessa maneira uma pessoa protege a duração da própria vida. Nunca se deve lançar os olhos em uma mulher nua, nem em um homem nu. Nunca se deve ter relação sexual exceto em privacidade. Deve-se comer também sem ser visto por outros. Preceptores são os principais dos Tirthas; o coração é o principal de todos os objetos sagrados; o conhecimento é o principal de todos os objetos de busca; e o contentamento é a principal de todas as alegrias. De manhã e à noite se deve escutar aos conselhos importantes daqueles que são idosos. Obtém-se a sabedoria por serviço constante para aqueles que são veneráveis por idade. Enquanto lendo os Vedas ou empenhado em comer deve-se usar a mão direita. Deve-se sempre manter as palavras e mente sob controle completo, como também os sentidos. Com manjar bem cozido, Yavaka, Krisara, e Havi (manteiga clarificada), deve-se adorar os Pitris e as divindades no Sraddha chamado Ashtaka. Os mesmos devem ser usados em cultuar os Planetas. Não se deve se barbear sem invocar uma bênção sobre si mesmo. Se alguém espirra, ele deve ser abençoado por aqueles que estão presentes. Todos os que estão mal ou afligidos por doença devem ser abençoados. Deve-se rezar pela extensão de suas vidas. (O costume de proferir uma bênção sobre a pessoa que espirra parece ser muito antigo e difundido. Ele existe até hoje na Índia, entre os hindus de qualquer classe, como ele existia nos tempos do Mahabharata.) Nunca se deve se dirigir a uma pessoa eminente familiarmente (por usar a palavra Twam). Mesmo sob as maiores dificuldades nunca se deve fazer isto. Se dirigir a tal pessoa como Twam e matá-la são iguais, pessoas de erudição são degradadas por tal tipo de tratamento. Para aqueles que são inferiores, ou iguais, ou para discípulos, tal palavra pode ser usada. O coração do homem pecaminoso sempre proclama os pecados que ele tem cometido. Aqueles homens que têm cometido pecados deliberadamente encontram com a destruição por procurarem ocultá-los dos bons. De fato, aqueles que são pecadores inveterados procuram esconder suas ações pecaminosas de outros. (Parece que o autor é de opinião que uma pessoa torna mais leve seus pecados por admissões perante os sábios. Esconder um pecado depois de tê-lo cometido revela o pecador inveterado.) Tais pessoas pensam que seus pecados não são testemunhados nem pelos homens nem pelas divindades. O homem pecaminoso, oprimido por seus pecados, toma nascimento em uma ordem de existência miserável. Os pecados de tal homem continuam a crescer, assim como os juros que o usurário cobra (sobre os empréstimos que ele concede) aumentam dia a dia. Se, tendo cometido um pecado, alguém procura tê-lo coberto pela virtude (isto é, se ele controla a si mesmo e se empenha em fazer ações de virtude), aquele pecado é destruído e leva à virtude em vez de a outros pecados. Se uma quantidade de água é derramada sobre sal, o último imediatamente se dissolve. Assim mesmo quando expiação é realizada, o pecado se dissolve. Por estas razões nunca se deve esconder um pecado. Escondido, ele sem dúvida aumenta. Tendo cometido um pecado, uma pessoa deve confessá-lo na presença daqueles que são bons. Eles irão destruí-lo imediatamente. Se alguém não desfruta em tempo do que ele armazenou com esperança, a consequência é que a riqueza armazenada encontra outro dono depois da morte daquele que a armazenou. Os sábios dizem a mente de todas as criaturas é o verdadeiro teste de Virtude. Por isso, todas as criaturas no mundo têm uma tendência inata para obter Virtude. Deve-se obter Virtude sozinho ou sem ajuda. Realmente, uma pessoa não deve se proclamar Virtuosa e andar com o estandarte da Virtude ostentado no alto para propósito de exibição. São considerados como comerciantes de Virtude aqueles que a praticam para desfrutarem dos resultados que ela traz. Deve-se adorar as divindades sem se entregar a sentimentos de orgulho. Similarmente, deve-se servir o preceptor sem falsidade. Uma pessoa deve fazer planos para assegurar para si riqueza inestimável após a morte, a qual consiste em donativos feitos aqui para pessoas dignas.'” 163 "Yudhishthira disse, 'É visto que se acontece de uma pessoa ser azarada, ela fracassa em obter riqueza, mesmo que sua força seja grande. Por outro lado, se acontece de alguém ser afortunado, ele chega à posse de riqueza, mesmo que ele seja uma pessoa fraca ou um tolo. Quando, além disso, não chega o momento para aquisição, uma pessoa não pode fazer uma aquisição nem mesmo com seu melhor esforço. Quando, no entanto, chega o momento para aquisição, uma pessoa ganha grande riqueza sem qualquer esforço. Podem ser vistos centenas de homens que não obtêm resultado mesmo quando eles exercem seu melhor. Muitas pessoas, além disso, são vistas fazerem aquisições sem nenhum esforço. Se riqueza fosse o resultado de esforço, então alguém poderia, com esforço, obtê- la imediatamente. Na verdade, se este fosse o caso, nenhum homem de erudição poderia então ser visto aceitar por causa de seu sustento a proteção de alguém desprovido de erudição. Entre os homens, aquilo que não está (destinado) para ser obtido, ó chefe dos Bharatas, nunca é obtido. Homens são vistos fracassarem em obter resultados mesmo com a ajuda dos seus melhores esforços. Uma pessoa pode ser vista procurar riqueza por centenas de meios (e ainda falhar em adquiri-la); enquanto outra, sem procurá-la em absoluto, se torna feliz em sua posse. Homens podem ser vistos fazerem más ações continuamente (por causa de riqueza) e contudo fracassarem em obtê-la. Outros estão no desfrute de riqueza sem fazerem qualquer má ação de qualquer tipo. Outros, além disso, que são cumpridores dos deveres atribuídos a eles pelas escrituras, não têm riqueza. Uma pessoa pode ser vista ser sem qualquer conhecimento da ciência de moralidade e política mesmo depois de ter estudado todos os tratados sobre aquela ciência. Uma pessoa, também, pode ser vista nomeada como o primeiro- ministro de um rei sem ter em absoluto estudado a ciência de moralidade e política. Pode ser visto um homem erudito que é possuidor de riqueza. Um desprovido de erudição pode ser visto possuindo riqueza. Ambos os tipos de homens, além disso, podem ser vistos serem totalmente desprovidos de riqueza. Se, pela aquisição de erudição alguém pudesse obter a felicidade da riqueza, então nenhum homem de erudição poderia ser encontrado vivendo, por causa dos próprios meios de sua subsistência, sob a proteção de alguém desprovido de erudição. De fato, se alguém pudesse obter, pela aquisição de erudição, todos os objetos desejáveis como um indivíduo com sede tendo sua sede saciada ao obter água, então ninguém neste mundo mostraria ociosidade em adquirir erudição. Se a hora de alguém não chegou, ele não morre mesmo que seja perfurado por centenas de setas. Por outro lado, alguém perde sua vida, se sua hora chegou, mesmo que ele seja golpeado com uma folha de erva.'” "Bhishma disse, 'Se alguém, se dirigindo para empreendimento envolvendo mesmo grandes esforços, fracassa em ganhar riqueza, ele deve então praticar austeridades severas. A menos que as sementes sejam semeadas, nenhuma colheita aparece. É por fazer caridade (para pessoas merecedoras nesta vida) que alguém adquire (na próxima vida) numerosos objetos de prazer, assim como alguém se torna possuidor de inteligência e sabedoria por servir aqueles que são veneráveis por idade. Os sábios dizem que uma pessoa se torna possuidora de longevidade por praticar o dever de abstenção de crueldade para todas as criaturas. Por isso, se deve fazer doações e não solicitá-las (ou aceitá-las quando feitas por outros). Deve-se adorar aqueles indivíduos que são justos. Na verdade, uma pessoa deve ser de fala gentil em direção a todos, e sempre fazer que é agradável para outros. Deve-se procurar obter pureza (mental e externa). De fato, deve-se sempre se abster de causar dano para alguma criatura. Quando na questão da felicidade e dor mesmo de insetos e formigas, as ações delas (desta e das vidas passadas) e a Natureza constituem a causa, é apropriado, ó Yudhishthira, que tu fiques tranquilo!'” (O que é afirmado aqui é isto; a condição de todas as criaturas vivas é determinada por seus atos desta e das vidas passadas. A Natureza, além disso, é a causa das ações. A felicidade e miséria, portanto, que alguém vê neste mundo, devem ser atribuídas a estas duas causas. Com relação a ti também, ó Yudhishthira, tu não estás livre daquela lei universal. Portanto, pare de nutrir dúvidas de qualquer tipo. Se tu vês um homem erudito que é pobre, ou um homem ignorante que é rico, se tu vês esforço falhando e a ausência de esforço levando ao êxito, tu deves sempre atribuir o resultado às ações e à Natureza.) 164 "Bhishma disse, 'Se alguém faz ações que são boas ou faz outros realizá-las, ele deve então esperar obter os méritos da virtude. Similarmente, se alguém faz ações que são más, e faz outros realizá-las, ele nunca deve esperar obter os méritos da virtude. (O que é afirmado aqui é isto; alguém pode se tornar justo por realizar ele mesmo atos justos ou por induzir outros a os fazerem. Similarmente, alguém se torna injusto por fazer ele mesmo atos que são maus ou por induzir outros a os fazerem.) Em todos os momentos, é o Tempo que, entrando nas compreensões de todas as criaturas, as dirige para atos de justiça ou injustiça, e então concede felicidade ou miséria para elas. Quando uma pessoa, observando os resultados da Virtude, entende que a Virtude é superior, é então que ela se inclina em direção à Virtude e acredita nela. Uma pessoa, no entanto, cuja compreensão não é firme, fracassa em acreditar nela. Com respeito à fé na Virtude, é isto (e nada mais). Pôr fé na Virtude é a indicação da sabedoria de todas as pessoas. Alguém que conhece ambos (isto é, o que deve ser feito e o que não deve ser feito), na expectativa de oportunidade, deve, com cuidado e dedicação, realizar o que é certo. Aqueles homens justos que nesta vida foram abençoados com riqueza, agindo por seu próprio movimento, cuidam especificamente de suas almas para que eles não possam, nas suas próximas vidas, ter que nascer como pessoas com o atributo de Paixão predominante nelas. O Tempo (que é o disponente supremo de todas as coisas) nunca pode fazer da Virtude a causa da miséria. Deve-se, portanto, saber que a alma que é justa é certamente pura (isto é, livre do elemento do mal e miséria). Com relação à Iniquidade, pode ser dito que, mesmo quando de grandes proporções, ela é incapaz até de tocar a Virtude a qual está sempre protegida pelo Tempo e que resplandece como um fogo ardente. Estes são os dois resultados alcançados pela Virtude, isto é, a imaculabilidade da alma e a não suscetibilidade de ser tocada pela Iniquidade. Na verdade, a Virtude é repleta de vitória. Seu resplendor é tão grande que ela ilumina os três mundos. Um homem de sabedoria não pode se apoderar de uma pessoa pecaminosa e fazê-la se tornar justa à força. Quando instigado seriamente a agir justamente, o pecaminoso age somente com hipocrisia, impelido pelo medo. Aqueles que são íntegros entre os Sudras nunca se dirigem a tal hipocrisia sob o pretexto que pessoas da classe Sudra não são permitidas viverem segundo algum dos quatro modos prescritos. Eu te direi particularmente quais são realmente os deveres das quatro classes. No que diz respeito aos seus corpos, os indivíduos pertencentes a todas as quatro classes têm os cinco elementos primordiais como seus ingredientes constituintes. De fato, neste aspecto, eles são todos da mesma substância. Apesar disso, existem distinções entre eles a respeito de práticas relativas à vida ou ao mundo e aos deveres de retidão. Apesar destas distinções, liberdade suficiente de ação é deixada para eles pela qual todos os indivíduos podem obter uma igualdade de condição. As regiões de bem-aventurança as quais representam as consequências ou recompensas da Virtude não são eternas, pois elas estão destinadas a terem um fim. A Virtude, no entanto, é eterna. Quando a causa é eterna, por que o efeito não é assim? A resposta a isto é a seguinte: somente é eterna aquela Virtude que não é motivada pelo desejo de fruto ou recompensa. (Aquela Virtude, no entanto, que é incitada pelo desejo de recompensa, não é eterna. Por isso, a recompensa embora indesejada que se vincula ao primeiro tipo de Virtude, isto é, obtenção de identidade com Brahman, é eterna. A recompensa, no entanto, que se vincula àquela Virtude motivada pelo desejo de resultado, Céu, não é eterna.) Todos os homens são iguais em relação ao seu organismo físico. Todos eles, também, possuem almas que são iguais em relação à sua natureza. Quando vem a dissolução, tudo mais se dissolve. O que permanece é a vontade incipiente de obter Virtude. Esta, de fato, reaparece (na próxima vida) por si mesma. Quando tal é o resultado (isto é, quando os prazeres e sofrimentos desta vida são devido às ações de uma vida passada), a desigualdade de sina perceptível entre os seres humanos não pode ser considerada anômala de nenhuma maneira. Assim também, é visto que aquelas criaturas que pertencem às ordens intermediárias de existência estão igualmente sujeitas, na questão de suas ações, à influência do exemplo.'” 165 “Vaisampayana disse, ‘Aquele perpetuador da linhagem de Kuru, isto é, Yudhishthira o filho de Pandu, desejoso de obter tal bem que é destrutivo de pecados, questionou Bhishma que estava deitado em um leito de flechas, (nas seguintes palavras).’” “Yudhishthira disse, ‘O que, de fato, é benéfico para uma pessoa neste mundo? O que é aquilo por fazer o qual alguém pode ganhar felicidade? Pelo que alguém pode ser purificado de todos os seus pecados? De fato, o que é aquilo que é destrutivo de pecados?’” “Vaisampayana continuou, ‘Com relação a isto, o filho nobre de Santanu, ó principal dos homens, recitou devidamente os nomes das divindades para Yudhishthira que estava desejoso de ouvir.’” "Bhishma disse, 'Ó filho, os seguintes nomes das divindades com aqueles dos Rishis, se devidamente recitados de manhã, meio-dia, e à noite, vêm a ser purificadores eficazes de pecados. Agindo com a ajuda de seus sentidos (de conhecimento e ação), quaisquer pecados que alguém possa cometer durante o dia ou à noite ou nos dois crepúsculos, conscientemente ou inconscientemente, ele sem dúvida será purificado deles e se tornará completamente puro por recitar aqueles nomes. Uma pessoa que usa aqueles nomes nunca tem que se tornar cega ou surda; de fato, por usar aqueles nomes, ela sempre consegue obter o que é benéfico. Tal homem nunca toma nascimento na ordem intermediária de seres, nunca vai para o inferno, e nunca se torna um ser humano de alguma das castas misturadas. Ele nunca tem que temer a acessão de alguma calamidade. Quando chega a morte, ele nunca fica entorpecido. O mestre de todas as divindades e Asuras, brilhante com refulgência, adorado por todas as criaturas, inconcebível, indescritível, a vida de todos os seres vivos, e não nascido, é o Avô Brahma, o Senhor do universo. Sua esposa casta é Savitri. Então vem aquela origem dos Vedas, o criador Vishnu, também chamado Narayana de força incomensurável. Então vem o Senhor de três olhos de Uma; então Skanda o generalíssimo dos exércitos celestes; então Visakha; então Agni o comedor de libações sacrificais; então Vayu o deus do vento; então Chandramas; então Aditya o deus do sol, dotado de refulgência; então o ilustre Sakra o marido de Sachi; e Yama com sua esposa Dhumorna; e Varuna com Gauri; Kuvera o senhor dos tesouros, com sua esposa Riddhi; a vaca amável e ilustre Surabhi; o grande Rishi Visravas; Sankalpa, Oceano, Ganga, os outros Rios sagrados; os diversos Maruts; os Valkhilyas coroados com sucesso de penitências; o Krishna Nascido na Ilha; Narada; Parvata; Viswavasu; os Hahas; os Huhus; Tumvuru; Chitrasena; o mensageiro celeste de ampla celebridade; as altamente abençoadas donzelas celestes; as Apsaras celestes, Urvasi, Menaka, Rambha; Misrakesi, Alamvusha, Viswachi, Ghritachi, Panchachuda, Tilottama, os Adityas, os Vasus, os Aswins, os Pitris; Dharma (Justiça); saber Védico, Penitências, Diksha, Perseverança (em atos religiosos), o Avô, Dia e Noite, Kasyapa o filho de Marichi, Sukra, Vrihaspati, Mangala o filho da Terra, Vudha, Rahu, Sanischara, as Constelações, as Estações, os Meses, as Quinzenas, o Ano, Garuda, o filho de Vinata, os vários Oceanos, os filhos de Kadru, isto é, as Cobras, Satadru, Vipasa, Chandrabhaga, Saraswati, Sindhu, Devika, Prabhasa, os lagos de Pushkara, Ganga, Mahanadi, Vena, Kaveri, Narmada, Kulampuna Visalya, Karatoya, Amvuvahini. Sarayu, Gandaki, o grande rio Lohita, Tamra, Aruna, Vetravati, Parnasa, Gautami, o Godavari, Vena, Krishnavena, Dwija, Drishadvati, Kaveri, Vankhu, Mandakini Prayaga, Prabhasa, o sagrado Naimisha, o local sagrado para Visweswara ou Mahadeva, isto é, Kasi, aquele lago de água cristalina, Kurukshetra cheio de muitas águas sagradas, o principal dos oceanos (isto é, o oceano de leite), Penitências, Caridade, Jamvumarga, Hiranwati, Vitasta, o rio Plakshavati, Vedasmriti, Vedavati, Malava, Aswavati, todos os locais sagrados sobre a Terra, Gangadwara, o sagrado Rishikulya, o rio Chitravaha, o Charmanwati, o rio sagrado Kausiki, o Yamuna, o rio Bhimarathi, o grande rio Vahuda, Mahendravani, Tridiva Nilika, Saraswati, Nanda, o outro Nanda, o grande lago sagrado, Gaya, Phalgutirtha Dharmarayana (a floresta sagrada) que é habitado pelas divindades, o rio celeste sagrado, o lago criado pelo Avô Brahma o qual é sagrado e célebre pelos três mundos, e auspicioso e capaz de purificar de todos os pecados, a montanha Himavat dotada de ervas excelentes, a montanha Vindhya matizada com diversos tipos de metais, contendo muitos Tirthas e coberta com ervas medicinais. Meru, Mahendra, Malaia, Sweta dotado de prata, Sringavat, Mandara, Nila, Nishada, Dardurna, Chitrakuta, Anjanabha, as montanhas Gandhamadana; a sagrada Somagiri, as várias outras montanhas, os pontos cardeais do horizonte, os pontos secundários, a Terra, todas as árvores, os Viswedevas, o Firmamento, as Constelações, os Planetas, e as divindades, que todos estes, mencionados e não mencionados, nos resgatem e purifiquem! O homem que usa os nomes destes vem a ser purificado de todos os seus pecados. Por cantar seus louvores e agradá-los, uma pessoa fica livre de todo o medo. Na verdade, o homem que se deleita em proferir os hinos em louvor das divindades se torna purificado de todos os pecados tais como os que levam a nascimento em classes impuras. Depois desta narração das divindades, eu mencionarei aqueles Brahmanas eruditos coroados com mérito ascético e sucesso e capazes de purificar alguém de todos os pecados. Eles são Yavakrita e Raibhya e Kakshivat e Aushija, e Bhrigu e Angiras e Kanwa, e o pujante Medhatithi, e Varhi possuidor de toda habilidade. Estes todos pertencem à região leste. Outros, isto é, Unmuchu, Pramuchu, todos muito abençoados, Swastyatreya de grande energia, Agastya de grande destreza, o filho de Mitra e Varuna; Dridhayu e Urdhavahu, aqueles dois principais e célebres dos Rishis, estes vivem na região sul. Escute-me agora enquanto eu cito os Rishis que moram na região oeste. Eles são Ushango com seus irmãos, Parivyadha de grande energia, Dirghatamas, Gautama, Kasyapa, Ekata, Dwita, Trita, o filho de alma justa de Atri (isto é, Durvasa), e o pujante Saraswat. Escute- me agora enquanto eu cito aqueles Rishis que adoram as divindades em sacrifícios, residindo na região norte. Eles são Atri, Vasishtha, Saktri, o filho de Parasara, Vyasa de grande energia; Viswamitra, Bharadwaja, Jamadagni, o filho de Richika, Rama, Auddalaka, Swetaketu, Kohala, Vipula, Devala, Devasarman, Dhaumya, Hastikasyapa, Lomasa, Nachiketa, Lomaharsana, Ugrasravas, e o filho de Bhrigu, Chyavana. Esta é a narrativa de Rishis possuidores de saber Védico. Eles são Rishis primordiais, ó rei, cujos nomes, se usados, são capazes de purificar uma pessoa de todo pecado. Depois disto eu recitarei os nomes dos reis principais. Eles são Nriga, Yayati, Nahusha, Yadu, Puru de grande energia, Sagara, Dhundhumara, Dilipa de grande destreza, Krisaswa, Yauvanaswa, Chitraswa, Satyavat, Dushmanta, Bharata que se tornou um Imperador ilustre sobre muitos reis, Yavana, Janaka, Dhrishtaratha, Raghu, aquele principal dos reis, Dasaratha, o heróico Rama, aquele matador de Rakshasas, Sasavindu, Bhagiratha, Harischandra, Marutta, Dridharatha, o altamente afortunado Alarka, Aila, Karandhama, aquele principal dos homens, Kasmira, Daksha, Amvarisha, Kukura, Raivata de grande fama, Kuru, Samvarana, Mandhatri de destreza imbativel, o sábio real Muchukunda, Jahnu que foi muito favorecido por Janhavi (Ganga), o primeiro (com referência a tempo) de todos os reis, isto é, Prithu o filho de Vena, Mitrabhanu, Priyankara, Trasadasyu, Sweta aquele principal dos sábios reais, o célebre Mahabhisha, Nimi Ashtaka, Ayu, o sábio nobre Kshupa, Kaksheyu, Pratardana, Devodasa, Sudasa, Kosaleswara, Aila, Nala, o sábio real Manu, aquele senhor de todas as criaturas, Havidhara, Prishadhara, Pratipa, Santanu, Aja, o mais antigo Varhi, Ikshwaku de grande fama, Anaranya, Janujangha, o sábio real Kakshasena, e muitos outros não citados (em história). Aquele homem que se levantando bem cedo usa os nomes destes reis nos dois crepúsculos, isto é, no pôr do sol e no nascer do sol, com um corpo e mente puros e sem atenção distraída, obtém grande mérito religioso. Alguém deve cantar os louvores das divindades, dos Rishis celestes, e dos sábios reais e dizer, 'Estes senhores da criação ordenarão meu crescimento e vida longa e fama! Que nenhuma calamidade seja minha, que nenhum pecado me corrompa, e que não hajam oponentes ou inimigos meus! Sem dúvida, a vitória sempre será minha e um fim auspicioso após a morte!'” 166 “Janamejaya disse, ‘Quando aquela pessoa principal entre os Kauravas, isto é, Bhishma, estava deitado em um leito de flechas, um leito que é sempre cobiçado pelos heróis, e quando os Pandavas estavam sentados em volta dele, meu grande antepassado Yudhishthira de muita sabedoria ouviu estas exposições de mistérios com respeito ao assunto do dever e teve todas as suas dúvidas esclarecidas. Ele ouviu também quais são as ordenanças que se aplicam aos assuntos de doações, e assim teve eliminadas todas as suas dúvidas com relação aos tópicos de virtude e riqueza. Cabe a ti, ó Brahmana erudito, me dizer agora o que mais o grande rei Pandava fez.’” "Vaisampayana disse, 'Quando Bhishma ficou silencioso, todo o círculo de reis (que estavam sentados ao redor dele) ficou totalmente silencioso. De fato, eles todos sentaram imóveis lá, como figuras pintadas em telas. Então Vyasa o filho de Satyavati, tendo refletido por um momento, se dirigiu ao filho nobre de Ganga, dizendo, 'Ó rei, o chefe Kuru Yudhishthira foi restabelecido à sua própria natureza, junto com todos os seus irmãos e seguidores. Com Krishna de grande inteligência ao seu lado, ele inclina sua cabeça em reverência a ti. Cabe a ti lhe dar permissão para voltar para a cidade.' Assim endereçado pelo santo Vyasa, o filho nobre de Santanu e Ganga despediu Yudhishthira e seus conselheiros. O filho nobre de Santanu, dirigindo-se a seu neto em uma voz gentil, também disse, 'Volte para a cidade, ó rei! Que a febre do teu coração seja dissipada. Adore as divindades em diversos sacrifícios notáveis por grandes doações de alimento e riqueza, como o próprio Yayati, ó principal dos reis, dotado de devoção e autodomínio. Dedicado à prática da classe Kshatriya, ó filho de Pritha, gratifique os Pitris e as divindades. Tu então ganharás grandes benefícios. De fato, que a febre do teu coração seja dissipada. Alegre todos os teus súditos. Proteja-os e estabeleça a paz entre todos. Também honre todos os teus benquerentes com recompensas como eles merecem! Que todos os teus amigos e benquerentes vivam, dependendo de ti para seus recursos, assim como as aves vivem, dependendo para seus recursos de uma árvore adulta carregada com frutos e localizada em um local sagrado. Quando chegar a hora da minha partida deste mundo, venha aqui, ó rei. O momento quando eu deixarei meu corpo será aquele período quando o sol, parando em seu rumo para o sul, começar a voltar para a direção norte!' O filho de Kunti respondeu, 'Assim seja.' E saudou seu avô com reverência e então partiu, com todos os seus parentes e seguidores, para cidade que recebeu o nome de elefante. Colocando Dhritarashtra na dianteira e também Gandhari que era extremamente devotada a seu marido, e acompanhado pelos Rishis e Kesava, como também pelos cidadãos e os habitantes do país e por seus conselheiros, ó monarca, aquele principal da linhagem de Kuru entrou na cidade que recebeu o nome de elefante.'" 167 "Vaisampayana disse, 'Então o filho nobre de Kunti, tendo devidamente honrado os cidadãos e os habitantes da província, os despediu para suas respectivas casas. O rei Pandava então consolou aquelas mulheres, que tinham perdido seus maridos e filhos heróicos na batalha, com presentes abundantes de riqueza. Tendo recuperado seu reino, Yudhishthira de grande sabedoria fez ele mesmo ser devidamente instalado no trono. Aquele principal dos homens então assegurou todos os seus súditos por diversas ações de boa vontade. Aquele principal dos homens justos então se pôs a ganhar as bênçãos essenciais dos Brahmanas, dos principais oficiais militares, e dos principais cidadãos. O monarca abençoado tendo passado cinquenta noites na capital se lembrou do momento indicado por seu avô como a hora de sua partida deste mundo. Acompanhado por vários sacerdotes ele então saiu da cidade chamada de elefante, tendo visto que o sol cessando de ir para o sul tinha começado a proceder em sua direção norte. Yudhishthira o filho de Kunti levou com ele uma grande quantidade de manteiga clarificada e guirlandas florais e perfumes e tecidos de seda e excelente madeira de sândalo e Aquilaria Agallocha e madeira do abrunheiro escuro, para cremar o corpo de Bhishma. Diversos tipos de guirlandas e pedras preciosas valiosas também estavam entre aquelas provisões. Colocando Dhritarashtra adiante e a rainha Gandhari famosa por suas virtudes, e sua própria mãe Kunti e todos os seus irmãos também, Yudhishthira de grande inteligência, acompanhado por Krishna e Vidura de grande sabedoria, como também por Yuyutsu e Yuyudhana, e por seus outros parentes e seguidores formando uma grande comitiva, procedeu, enquanto seus louvores eram cantados por elogiadores e bardos. Os fogos sacrificais de Bhishma também foram levados na procissão. Assim acompanhado, o rei saiu de sua cidade como um segundo chefe das divindades. Logo ele chegou ao local onde o filho de Santanu ainda estava deitado em seu leito de setas. Ele viu seu avô servido com reverência pelo filho de Parasara, Vyasa de grande inteligência, por Narada, ó sábio real, por Devala e Asita, e também pelo restante dos reis que não tinham sido mortos, reunidos de várias partes do país. De fato, o rei viu que seu avô de grande alma, enquanto jazia em seu leito heróico, era protegido por todos os lados pelos guerreiros nomeados para aquele dever. Descendo de seu carro, o rei Yudhishthira com seus irmãos saudou seu avô, aquele castigador de todos os inimigos. Eles também saudaram os Rishis com Vyasa Nascido na Ilha em sua chefia. Eles forram saudados em retorno por eles. Acompanhado por seus sacerdotes cada um dos quais parecia com o próprio avô Brahman, como também por seus irmãos, Yudhishthira de glória imperecível então se aproximou daquele local sobre o qual Bhishma jazia em seu leito de flechas cercado por aqueles Rishis veneráveis. Então o rei Yudhishthira, o justo, à frente de seus irmãos, se dirigiu àquele principal da linhagem de Kuru, isto é, o filho do Rio Ganga, quando ele jazia naquele seu leito, dizendo, 'Eu sou Yudhishthira, ó rei! Saudações para ti, ó filho do Rio Janhavi! Se tu ainda me ouves, diga-me o que eu devo fazer por ti! Trazendo comigo teus fogos sacrificais, eu vim aqui, ó rei, e te visito na hora indicada! Preceptores de todos os ramos de conhecimento, Brahmanas, Ritwiks, todos os meus irmãos, teu filho, isto é, o rei Dhritarashtra de grande energia, estão todos aqui com meus conselheiros como também Vasudeva de grande destreza. O resto dos guerreiros não mortos, e todos os habitantes de Kurujangala, também estão aqui. Abrindo teus olhos, ó chefe da linhagem de Kuru, veja-os! O que quer que deva ser feito nesta ocasião foi tudo arranjado e providenciado por mim. De fato, nesta hora a qual tu indicaste, todas as coisas foram mantidas preparadas!'” “Vaisampayana continuou, ‘Assim endereçado pelo filho de Kunti de grande inteligência, o filho de Ganga abriu seus olhos e viu todos os Bharatas reunidos lá e permanecendo ao redor dele. O poderoso Bhishma então, pegando a mão forte de Yudhishthira, se dirigiu a ele em uma voz profunda como aquela das nuvens. Aquele mestre completo das palavras disse, ‘Por boa sorte, ó filho de Kunti, tu viestes aqui com todos os teus conselheiros, ó Yudhishthira! O criador do dia de mil raios, o santo Surya, iniciou sua trajetória para o norte. Eu venho jazendo em meu leito aqui por cinquenta e oito noites. Esticado sobre estas setas de pontas afiadas eu senti que este período foi tão longo como se ele fosse um século. Ó Yudhishthira, o mês lunar de Magha chegou. Esta é, também, a quinzena iluminada e uma quarta parte dela deve por meio disto (de acordo com meus cálculos) estar terminada.’ Tendo dito isso para Yudhishthira o filho de Dharma, o filho de Ganga Bhishma então saudou Dhritarashtra e disse a ele o seguinte.’” "Bhishma disse, 'Ó rei, tu és bem familiarizado com os deveres. Todas as tuas dúvidas, além disso, relativas à ciência de riqueza foram bem esclarecidas. Tu visitaste muitos Brahmanas de grande erudição. As ciências sutis relacionadas aos Vedas, todos os deveres de religião, ó rei, e todos os quatro Vedas, são bem conhecidos por ti! Tu não deveres te afligir, portanto, ó filho de Kuru! Aquilo que estava predeterminado aconteceu. Não poderia ser de outra maneira. Tu ouviste os mistérios relativos às divindades dos lábios do próprio Rishi Nascido na Ilha. Yudhishthira e seus irmãos são moralmente tanto teus filhos quanto eles são os filhos de Pandu. Cumpridores dos deveres de religião, cuide deles e os proteja. Por sua vez, eles são sempre dedicados ao serviço de seus superiores. O rei Yudhishthira o justo é de alma pura. Ele sempre demonstrará ser obediente a ti! Eu sei que ele é devotado à virtude da compaixão ou abstenção de ferir. Ele é devotado aos seus mais velhos e preceptores. Teus filhos eram todos de alma perversa. Eles eram ligados à ira e cobiça. Tomados pela inveja, eles eram todos de comportamento pecaminoso. Não cabe a ti sofrer por eles!'” “Vaisampayana continuou, ‘Tendo dito isso para Dhritarashtra de grande sabedoria, o herói Kuru então se dirigiu a Vasudeva de braços poderosos.’” "Bhishma disse, 'Ó santo, ó deus de todos os deuses, ó tu que és adorado por todas as divindades e Asuras, ó tu que cobriste os três mundos com três passos teus, saudações a ti, ó portador da concha, do disco, e da maça! Tu és Vasudeva, tu és de corpo dourado, tu és o único Purusha (ou agente ativo), tu és o criador (do universo), tu és de proporções vastas. Tu és Jiva. Tu és sutil. Tu és a Alma Suprema e eterna. Ó tu de olhos de lótus, salve-me, ó principal de todos os seres! Dê-me permissão, ó Krishna, para partir deste mundo, ó tu que és felicidade Suprema, ó principal de todos os seres! Os filhos de Pandu devem sempre ser protegidos por ti. Tu já és, de fato, a única proteção deles. Antigamente, eu falei para o tolo Duryodhana de mente má que a Justiça está onde Krishna está, e que há vitória onde a Justiça está. Eu em seguida o aconselhei que confiando em Vasudeva como seu refúgio, ele deveria fazer as pazes com os Pandavas. De fato, eu repetidamente disse a ele, ‘Este é o momento mais apropriado para tu fazeres as pazes!’ O tolo Duryodhana de mente pecaminosa, no entanto, não cumpriu minha ordem. Tendo causado uma grande destruição sobre a terra, finalmente, ele mesmo sacrificou sua vida. Tu, ó ilustre, eu sei que és aquele antigo e melhor dos Rishis que morou por muitos anos na companhia de Nara, no retiro de Vadari. O Rishi celeste Narada me disse isso, como também Vyasa de penitências austeras. Eles mesmos me disseram isso. Tu e Arjuna são os antigos Rishis Narayana e Nara nascidos entre homens. Ó Krishna, me conceda permissão, eu devo rejeitar meu corpo. Permitido por ti, eu obterei o fim mais sublime!'” “Vasudeva disse, ‘Eu te dou permissão, ó Bhishma! Ó rei, obtenha a posição dos Vasus. Ó tu de grande esplendor, tu não foste culpado de uma única transgressão neste mundo. Ó sábio nobre, tu és devotado ao teu pai. Tu és, portanto, como um segundo Markandeya! É por esta razão que a morte depende da tua vontade assim como tua escrava expectante de descobrir teu desejo!’” "Vaisampayana continuou, 'Tendo dito estas palavras, o filho de Ganga se dirigiu mais uma vez aos Pandavas encabeçados por Dhritarashtra, e outros amigos e benquerentes dele: 'Eu desejo rejeitar meus ares vitais. Cabe a vocês me darem permissão. Vocês devem se esforçar para chegarem à verdade. A verdade constitui o maior poder. Vocês devem sempre viver com Brahmanas de conduta honrada, dedicados a penitências, sempre se abstendo de comportamento cruel, e que tenham suas almas sob controle!' Tendo dito estas palavras para seus amigos e abraçado todos eles, o inteligente Bhishma mais uma vez se dirigiu a Yudhishthira, dizendo, 'Ó rei, que todos os Brahmanas, especialmente aqueles que são dotados de sabedoria, aqueles que são preceptores, aqueles que são sacerdotes capazes de ajudar em sacrifícios, sejam adoráveis na tua avaliação.'" 168 "Vaisampayana disse, 'Tendo falado dessa maneira para todos os Kurus, Bhishma, o filho de Santanu, ficou calado por algum tempo, ó castigador de inimigos. Ele então reteve seus ares vitais sucessivamente naquelas partes de seu corpo as quais são indicadas em Yoga. O ares vitais daquele de grande alma, devidamente retidos, então se ergueram. Aquelas partes do corpo do filho de Santanu, pela adoção de Yoga, das quais os ares vitais ascenderam, se tornaram sem feridas uma depois da outra. No meio daquelas pessoas de grande alma, incluindo aqueles grandes Rishis com Vyasa em sua chefia, a visão pareceu ser singular, ó rei. Dentro de pouco tempo, o corpo inteiro de Bhishma ficou sem flechas e sem feridas. Vendo isto, todas aquelas pessoas eminentes com Vasudeva em sua dianteira, e todos os ascetas com Vyasa, ficaram muito admirados. Os ares vitais, reprimidos e incapazes de escapar por alguma das saídas, finalmente atravessaram o topo da cabeça e procederam para cima para o céu. Os timbales celestes começaram a tocar e chuvas florais foram derramadas. Os Siddhas e Rishis regenerados, cheios de satisfação, exclamaram, 'Excelente, Excelente!' Os ares vitais de Bhishma, atravessando o topo de sua cabeça, projetaram-se para o alto pelo firmamento como um grande meteoro e logo se tornaram invisíveis. Exatamente assim, ó grande rei, o filho de Santanu, aquele pilar da linhagem de Bharata, se uniu com a eternidade. Então os Pandavas de grande alma e Vidura, pegando uma grande quantidade de madeira e diversos tipos de perfumes fragrantes, fizeram uma pira mortuária. Yuyutsu e outros permaneceram como espectadores dos preparativos. Então Yudhishthira e Vidura de grande alma envolveram o corpo de Bhishma com tecido de seda e guirlandas florais. Yuyutsu segurou um guarda-sol excelente, sobre ele Bhimasena e Arjuna ambos seguravam em suas mãos um par de rabos de iaque de branco puro. Os dois filhos de Madri seguravam duas coberturas para a cabeça em suas mãos. Yudhishthira e Dhritarashtra permaneceram aos pés do senhor dos Kurus, erguendo leques de palmeira, permaneceram perto do corpo e começaram a abaná-lo suavemente. O sacrifício Pitri de Bhishma de grande alma foi então devidamente realizado. Muitas libações foram derramadas sobre o fogo sagrado. Os cantores de Samans cantaram muitos Samans. Então, cobrindo o corpo do filho de Ganga com madeira de sândalo e aloe preto e cascas de árvores e outro combustível fragrante, e ateando fogo ao mesmo, os Kurus com Dhritarashtra e outros permaneceram à direita da pira fúnebre. Aqueles principais da linhagem de Kuru, tendo cremado o corpo do filho de Ganga dessa maneira, procederam para a sagrada Bhagirathi, acompanhados pelos Rishis. Eles foram seguidos por Vyasa, por Narada, por Asita, por Krishna, pelas senhoras da linhagem de Bharata, como também pelos cidadãos de Hastinapura que tinham ido ao local. Todos eles, chegando no rio sagrado, ofereceram devidamente oblações de água para o filho de grande alma de Ganga. A deusa Bhagirathi, depois que aquelas oblações de água tinham sido oferecidas por eles para seu filho, ergueu-se do rio, chorando e perturbada pela tristeza. No meio de seus lamentos, ela se dirigiu aos Kurus: 'Ó impecáveis, ouçam-me enquanto eu digo a vocês tudo o que ocorreu (com relação ao meu filho). Possuidor de conduta e disposição nobre, e dotado de sabedoria e nascimento superior, meu filho foi o benfeitor de todos os mais velhos de sua linhagem. Ele era devotado ao pai dele e era de votos superiores. Ele não pôde ser derrotado nem por Rama da linhagem de Jamadagni com suas armas celestes de grande energia. Ai, aquele herói foi morto por Sikhandin. Ó reis, sem dúvida meu coração é feito de pedra, pois ele não se parte nem pelo desaparecimento daquele filho de minha visão! Na escolha de marido em Kasi, ele derrotou em um único carro os Kshatriyas reunidos e sequestrou as três princesas (para seu meio-irmão Vichitravirya)! Não havia ninguém sobre a terra que se igualasse a ele em poder. Ai, meu coração não se parte após saber da morte daquele meu filho por Sikhandin!' O pujante Krishna, ouvindo a deusa do grande rio se entregando a estas lamentações a consolou com muitas palavras calmantes. Krishna disse, 'Ó amável, fique consolada. Não te entregues à dor, ó tu de belas feições! Sem dúvida, teu filho foi para a região de bem-aventurança mais elevada! Ele era um dos Vasus de grande energia. Por causa de uma maldição, ó tu de belas feições, ele teve que tomar nascimento entre homens. Não cabe a ti sofrer por ele. Em conformidade com os deveres Kshatriya, ele foi morto por Dhananjaya no campo de batalha enquanto envolvido em combate. Ele não foi morto, ó deusa, por Sikhandin. O próprio chefe dos celestiais não podia matar Bhishma em batalha quando ele permanecia com o arco esticado na mão. Ó tu de rosto belo, teu filho, em felicidade, foi para o céu. Todos os deuses reunidos juntos não poderiam matá-lo em batalha. Portanto, ó deusa Ganga, não sofras por aquele filho da linhagem de Kuru. Ele era um dos Vasus, ó deusa! Teu filho foi para o céu. Que a febre do teu coração seja dissipada.'” "Vaisampayana continuou, 'Aquele principal de todos os rios, assim endereçado por Krishna e Vyasa, rejeitou sua dor, ó grande rei, e foi restaurado à equanimidade. Todos os reis lá presentes, encabeçados por Krishna, ó monarca, tendo honrado apropriadamente aquela deusa, receberam sua permissão para se afastarem de suas margens.'" Fim do Anusasana Parva.

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